Voluntariado

“Serviço comunitário”. Marcelo defende a criação de uma disciplina nas escolas que promova o voluntariado

(Comentário:

Em tempos (22/5/2006) António Nóvoa fez uma interessante referência às inúmeras áreas que os deputados da A.R. defendiam dever ser introduzidas nos currículos escolares, Entre outras, queriam que na Escola  fossem introduzidas 'disciplinas' orientadas para a educação ambiental, a proteção das florestas, a proteção civil e segurança, a preservação do património cultural, a educação para a saúde, a prevenção do tabagismo e da toxicodependências, os hábitos de consumo, a educação alimentar, a educação sexual, a educação rodoviária, a prevenção da violência na família e de outros abusos, a educação para cidadânia, a prevenção da delinquência juvenil,o desenvolvimento físico e moral, as novas tecnologias, a empregabilidade, etc etc etc.

Não referiu, então, este desejo de Marcelo: a "introdução, nos currículos, de um tempo devidamente valorizado" para 'ensinar' o voluntariado.

Qual voluntariado ? O da participação desinteressada em organizações sociais e políticas? O da caridade? O do sub-emprego disfarçado? Ou da exploração de mão de obra gratuita? Sobre o assunto vale a pena recordar um artigo publicado por no blogue 'Ladrões de Bicicletas' reproduzino no final desta notícia)

Miguel A. Lopes / Lusa

 

O Presidente da República defendeu esta quinta-feira que as escolas devem introduzir nos currículos uma disciplina de “responsabilidade social” ou “serviço comunitário” para valorizar o voluntariado, algo que também deve acontecer nas empresas e instituições.

 

“O voluntariado está a crescer, mas é pouco. É preciso que cresça muito mais. Por isso deixo aqui um apelo: às escolas, às empresas e às instituições mais variadas, mesmo as sem vertente de apoio social, para que abram mais espaço na sua vida normal ao voluntariado”, observou o chefe de Estado no Porto, na sessão encerramento da cerimónia dos 40 anos do Voluntariado do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro, no Dia Internacional do Voluntariado.

Em relação às escolas, Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu mesmo a introdução, “nos currículos, de um tempo devidamente valorizado para essa forma de responsabilidade social”, como acontece noutros países, em que “faz parte da educação uma componente de serviço comunitário”.

“Nas empresas, tem de haver tempo que vale como tempo de serviço que é dedicado a causas sociais, entre elas o voluntariado”, defendeu. Para Marcelo Rebelo de Sousa, também nas empresas “tem de haver mais” voluntariado, pois a atividade não pode partir “apenas de um conjunto de instituições isoladas”.

 
 

O PR reconheceu que “tem de ser processo lento, porque as instituições não têm recursos ilimitados”. A intenção, frisou, é “institucionalizar e tornar como normal este tipo de procedimento”, para “incentivar o voluntariado”.

“Todo o apelo para que o voluntariado se multiplique é pouco, tal é a necessidade”, frisou. “Quanto mais se multiplicam e alongam as patologias, mais surgem as necessidades de cuidados continuados, quanto mais envelhece uma sociedade, mais temos um leque de necessidades que se alarga.”

O PR notou ainda que “quanto mais as associações sofrem de faltas de meios e recursos, mas a tarefa do voluntariado é necessária”. “Não substitui os recursos que não existem, mas mitiga efeitos psicológicos, faz o acompanhamento em situações que entretanto se agravaram”, defendeu.

Após agraciar voluntários que trabalham há 40, 30, 25 ou cinco anos na delegação do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro, o PR sustentou que “ninguém é uma ilha”. “Não há ilhas, o que dá sentido à nossa vida é servir os outros”, disse.

O chefe de Estado observou que, embora esteja a crescer em Portugal, o voluntariado representa “menos de 8%”, ficando abaixo de “metade da média da União Europeia [UE]”. Portugal está, por isso, em 26.º lugar no que diz respeito a voluntariado na EU”, tendo atrás de si apenas “a Roménia e a Bulgária”.

“São muitos, são 695 mil [voluntários], mas são poucos para as necessidades da população portuguesa”, frisou Marcelo Rebelo de Sousa. Referindo os voluntários informais, “que até há pouco tempo nem tinham estatuto legal”, o PR disse esperar que “tenham rapidamente o estatuto regulamentado”.

“Depois, há um voluntariado formal que é essencial para o tecido social. Foi essencial nos períodos de crise. E é essencial no dia-a-dia, contribuindo para o reforço dos laços solidários no nosso país. São eles que contribuem todos os dias, semanas e meses para reforçar o entrosamento dos laços sociais na nossa comunidade, o acompanhamento dos que mais sofrem, que mais necessitam, que mais dependem”, assinalou. Para Marcelo, isto é “tarefa para a qual não há gratidão que se possa exprimir”.

Menos sem-abrigo no Porto

Marcelo afirmou que, no Porto, o número de sem-abrigo diminuiu, mas há mais gente a viver em alojamento temporário, insistindo que a resolução do problema é um desafio nacional.

“O facto de haver 140 pessoas [a viver] na rua e um número bastante superior em alojamento temporário quer dizer que ainda temos 500 pessoas, ou mais, que constituem um problema a resolver numa fase em que não vivemos propriamente em crise económica. Por isso, é um desafio nacional”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado falava após ter participado na distribuição de refeições a sem-abrigo junto ao mercado do Bom Sucesso e ao lado da Estação de São Bento, no Porto.

“Aqui no Porto, aquilo que vimos rapidamente na rua bate certo com o que vimos nos números do levantamento da Câmara do Porto e do que foi falado na reunião. Há menos gente na rua. Há uma diminuição, num ano, de cerca de 180 para perto de 140. Mas há mais gente em alojamento temporário”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Insistindo que “há um aumento no número absoluto, no número total, mas há uma diminuição na rua”, valeu-se da informação recolhida nos pontos de distribuição de alimentação que hoje contactou para testemunhar que “há menos gente presente do que havia há um ano e, sobretudo, há dois anos”.

“Diria que aqui no Porto, à primeira vista, há casos de mais gente a ter casa, embora ainda com problemas devido ao custo da habitação, do arrendamento e há casos talvez menos complicados de resolver do que em Lisboa”, afirmou o Presidente da República.

E prosseguiu: “olhando para os casos, é porventura mais fácil vê-los em termos de recomeço de trabalho, de reinício de atividade e, portanto, de arrancar um novo ciclo da vida”.

Questionado sobre se os números positivos do Porto, que citou, poderiam constituir um exemplo para Lisboa, o chefe de Estado disse serem “situações diferentes”, dando como exemplo o haver “mais estrangeiros” na capital para além de “problemas mais complicados de mobilidade”, que embora existindo também a Norte “lá é maior”.

Como habitualmente muito solicitado para conversas públicas e particulares e selfies, já na Avenida dos Aliados, Marcelo Rebelo de Sousa foi surpreendido por um ex-sem-abrigo que lhe ofereceu um presépio como presente por “um acordo feito há dois anos e que correu muito bem”, numa outra visita aos sem-abrigo do Porto, contou o Presidente da República.

ZAP // Lusa


Voluntariado laboral, uma das melhores práticas pós-modernas de exploração laboral

 
O Sainsbury's é um conhecido supermercado inglês. Lá, como cá, recorre-se com frequência a prácticas predatórias de gestão que só podem fazer inchar de orgulho o maior avaro esclavagista.

Introduzem-se manuais de normas instrutoras (as célebres guidelines que retiram discernimento e iniciativa fundamentais em qualquer posto de trabalho), achatam-se as hierarquias e estabelecem-se regimes intensos de estágios profissionais não remunerados para reduzir os custos com o trabalho, para não haver haver a responsabilidade ética de gerir carreiras e valorizar a experiência e a antiguidade, enquanto se multiplica o fosso remuneratório entre os de baixo e a adminsitração. Atribuem-se nomes pomposos e longos para revalorizar socialmente funções que são depauperadas económico-financeiramente. Introduzem-se "contratos zero" em que apenas se é remunerado se se trabalhar. Porém, tem que se ter total disponibilidade para o momento em que se for chamado. Esta disponibilidade permanente não tem enquadramento legal, portanto não é remunerada.

Outra das prácticas predatórias preferidas, lá e cá, são os regimes de voluntariado - veja-se os pedidos da APEL para a feira do livro, os chorudos Websummit e Rock in Rio, ou mesmo a empresa de iogurtes em Castelo Branco que pagava com iogurtes, etc..

O voluntariado humanitário tem o mérito do altruismo. Porém, com a banalização das IPSS e das ONG, instituições sem fins lucrativos, tradicionalmente parcas de fundos e frequentemente imbuídas de caracter humanitário, foi um tirinho até essa coisa hedionda que é o voluntariado laboral.

Refira-se que precursor deste estado de coisas foi também a cedência feita pelo estado, o guardião da força de trabalho, à pressão para uma crescente desvalorização da importância de relações laborais estáveis, permitindo sem contravenção uma gritante precarização das relações laborais. A naturalização do problema da precarização laboral é tão grande que se vê com frequência as suas vítimas, os jovens millénials, a acusarem quem não aceita tamanha injustica de serem preguiçosos, "não querem trabalhar" costuma ser o epíteto.

Voltando ao Sainsbury's, este, usando as suas melhores competências e a mais apelativa e inclusiva rectórica, tentou resolver o seu problema: a renovação da sua cantina em Camdem a título gratuíto, como se de uma associação humanitária se tratasse. Um eloquente grupo de artistas, cansado da naturalização destas prácticas predatórias, respondeu à letra divulgando um anúncio em que solicita à melhor boa vontade dos supermercados, entre eles o Sainsbury, para gratuitamente lhes encher a despensa.

Resta saber se quem de direito - estado e empresas - se enxerga sobre a ilegitimidade desta, e outras, práticas de gestão. É que, quem faz voluntariado, não deixa de ser alimentado, vestido, transportado, protegido da intempérie, etc., apesar das empresas tratarem o assunto como se os seus voluntários vivessem do ar. A despesa com alimentação, habitação, transporte, vestuário, cultura e educação sai do bolso de alguém, pelo que estes métodos representam um subsídio ilegítimo a qualquer empresa que sistemáticamente a eles recorra.

Se o voluntariado humanitário se pode em algumas circunstâncias justificar, a sua banalização representa uma forma de exploração desonesta.

Poderá a criatividade pôr a ganância e a desonestidade no devido lugar? E quebrar o estado de negação em que vivem os próprios explorados, felizes por, "pelo menos terem trabalho"?

Postado por quinta-feira, 24 de maio de 2018
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/marcelo-sem-abrigo-porto-voluntariado-ensinado-escolas-295614

Prolixa desvergonha - Revista Sábado

O trabalho gratuito continua a alastrar como uma mancha de óleo. Para terem uma ideia de como este tipo de exploração laboral se tornou endógeno e estrutural ao sistema, basta referir uns quantos exemplos, muitíssimo reveladores do que se passa: na produção do Estoril Open de 2018, a organização utilizou mais de 600 colaboradores eventuais que não receberam um cêntimo pelas funções desempenhadas (isto apesar de o Estoril Open contar com o apoio ou o patrocínio do Millennium BCP, Câmara Municipal de Cascais, Peugeot, Emirates, Rolex, Nespresso, PT Empresas, CTT, Turismo

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de Portugal, entre outros de uma longa lista de "parceiros de prestígio"); o Rock in Rio faz-se graças aos serviços de centenas de pessoas (cerca de 400) que trabalham gratuitamente, o mesmo acontecendo no IndieLisboa-Festival Internacional de Cinema, no Motel/X-Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, na ModaLisboa, na Web Summit, na Câmara Municipal de Lisboa (na programação cultural), em diversos museus estatais, nas redacções dos jornais e das revistas (onde abundam os estágios falsos ou não remunerados, e onde alguns cronistas, com o intuito de aparecerem e serem vistos, aceitam escrever de borla), em inúmeras companhias de teatro, etecetera, etecetera.

O mais extremadamente vergonhoso, e que mostra bem até que ponto esta esperteza saloia está entranhada na sociedade portuguesa, é que surgiram, entretanto, empresas especializadas na organização e administração deste exército de trabalhadores não remunerados ("bolsas de voluntários", chamam-lhes), como o Marginal Voluntariado ou a Voluntify.

Esta última foi parceira do Estoril Open e define-se como uma "organização sem fins lucrativos" (cujos trabalhadores, por certo, recebem um ordenado) que visa a "gestão de voluntariado" em eventos (que palavra, evento) sociais, culturais e desportivos, e que se propõe "incentivar todos os cidadãos, e principalmente os jovens, a dedicarem os seus talentos em prol de boas causas, tendo como objectivo a consciencialização da sociedade".

Porém, o exemplo que mais poderosamente chama a minha atenção, porque ali me licenciei, ali me doutorei e ali dei aulas durante mais de uma década, é a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), em Lisboa, que acaba de comemorar 40 anos desde que iniciou a sua actividade, em 2 de Janeiro de 1978.
A crua realidade é que os muros do n.º 26 da Avenida de Berna escondem uma série de tipos de exploração.

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Exploração de pessoas que, depois de um périplo académico que incluiu licenciatura, mestrado, doutoramento, pós-doutoramento, conferências aqui e acolá, artigos científicos publicados cá e lá, se têm de sujeitar a dar aulas sem qualquer contrapartida financeira.

Uns porque o orientador ou supervisor da bolsa de investigação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) lhes pediu e aos quais não convém contrariar, porque deles dependem as renovações anuais das bolsas e o acesso aos postos, títulos e honrarias indispensáveis para progredir na carreira académica; outros porque a cenoura de um hipotético contrato num putativo futuro os induz a submeterem-se à nulidade total de superiores hierárquicos que só toleram a proximidade de autómatos e de pessoas servis, os porta borsa, como lhes chamam em Itália (os assistentes dóceis e submissos que transportam a pasta do regente da cadeira).

O que muitas destas pessoas ainda não perceberam é que os reitores, directores e professores que beneficiam com estas situações – muitos dos quais afirmam-se orgulhosamente de esquerda e dizem promover o pensamento crítico e valores como a justiça social – fazem e desfazem os acordos e as promessas ao sabor dos interesses de cada momento.

Se até aqui apenas os bolseiros de doutoramento e de pós-doutoramento dos centros de investigação é que prestavam serviço docente não remunerado (normalmente em cadeiras de opção livre), agora é a própria direcção da FCSH que se prepara para alargar essa prática às disciplinas oferecidas pelos próprios departamentos. Como? Aproveitando os investigadores que a FCSH terá de contratar, no âmbito da denominada "norma transitória" (DL n.º 57/2016, alterado pela Lei n.º 57/2017), e cujos custos serão financiados, na totalidade, e durante pelo menos cinco ou seis anos, pela FCT.

Para a FCSH é o negócio da China, pois o trabalho lectivo dos contratados para se dedicarem apenas à investigação, mas que a direcção da FCSH e os directores dos respectivos departamentos planeiam pôr a dar aulas gratuitamente, permitirá à Faculdade descartar a maioria dos professores convidados pagos à percentagem (consoante o número de aulas semanais), sem os quais não era possível assegurar grande parte das necessidades permanentes de docência.

Dispondo, ali mesmo à mão, de uma força de trabalho grátis (fala-se de cerca de 120 contratos, uma percentagem altíssima se tivermos em conta que o total de docentes nos quadros da FCSH ronda os 200), já que todos esses salários serão custeados pela FCT (salários, note-se bem, que visam remunerar a investigação, não a docência), a Faculdade deixa de precisar dos professores com contratos a tempo parcial, a maioria dos quais perderá assim o seu trabalho.

O problema de fundo não é tanto a luta entre instalados e precários, entre o Portugal das elites e o Portugal profundo. É sobretudo o facto de, na FCSH como em muitos outros sítios que assentam neste complexo de clientelismo, de mentalidade anã e de exploração laboral, quase tudo ser decidido de forma arbitrária e pouco institucional pelos grupos que gerem as universidades em função de arcaicas lealdades tribais e da redistribuição de benesses pela sua corte ou facção; é o ambiente mental dos finórios que estão nos cargos de poder e que, na sua absoluta falta de escrúpulos, exercem a liderança com base em conveniências e arranjos de lugares; é a rigorosa mediocridade dos académicos que procuram maximizar os seus interesses particulares, recorrendo a manigâncias de secretaria e a jogadas de bastidores para recrutar os que se portam bem – através dos denominados "concursos com fotografia", ou seja, concursos públicos desenhados, a priori, com base no curriculum desses bajuladores ou lacaios –, em detrimento dos mais competentes e daqueles que, empenhados em fazer progredir a investigação científica (rejuvenescendo-a, renovando-a, internacionalizando-a), defendem a profissionalização dos aparelhos administrativos e a necessidade de reforçar a plausibilidade e a legitimidade das instituições sociais.

Finalizando: aos dirigentes da administração pública que fomentam os lambe-botas e os manteigueiros, apesar (ou por causa) da sua notória incompetência; aos patrões que consideram aceitável não pagar o trabalho de quem contribui para o funcionamento e para o lucro dos seus negócios; aos empresários e supostos empreendedores que continuam a mamar à vontade na teta do Estado e que se sustentam à custa dos favores, dos benefícios e dos privilégios fiscais e económicos concedidos por governantes corruptos, mais interessados em servir os interesses das suas clientelas do que em responder, de maneira eficaz, às necessidades concretas das pessoas, como encher o frigorífico, usufruir da liberdade da independência material ou investir-se de dignidade, a dignidade de quem contribui para a manutenção de uma casa e de uma família; aos deputados que não actuam para pôr termo aos abusos daqueles que, do alto da sua estabilidade profissional e dos seus empregos remunerados, se aproveitam da situação humana, social e económica dos cidadãos mais vulneráveis; aos legisladores e aos políticos que têm promovido, directa ou indirectamente, a precarização dos empregos, a desvalorização dos salários, o retrocesso na qualidade das contratações, e que permitem este regime de exploração laboral que consiste na existência de postos de trabalho não remunerados, a todos estes oportunistas e espertalhões devia cair-lhes a cara de vergonha.

Porque, afinal, são eles os principais responsáveis pelo formidável abalo na solidez e na expectativa de vida das democracias.

Ver o original aqui

Câmara de Cascais convida voluntários a reflorestar a serra de Sintra

Graphic 11 10 201817 36 42É difícil acreditar!

Uma Câmara que, graças aos elevados impostos,  tem uma disponibilidade de Milhões de euros como nenhuma outra, que tem milhares de trabalhadores, na Câmara e nas várias empresas municipais. Uma Câmara que gasta rios de dinheiro em propaganda e eventos que só beneficiam os empresários do turismo.

Vem esta Câmara fazer apelo ao 'voluntariado' (trabalho gratuito) para reflorestar os terrenos ardidos ?! Então isso não é uma clara competência da empresa "Cascais Ambiente" (ou se preferirem da Cascais Próxima que nos cobra tanto dinheiro e onde estão principescamento empregados tantos "boys") ?

Pode parecer muito simpático e 'criativo' mas trata-se.aqui, de recorrer à boa vontade das pessoas para a Câmara se furtar a assumir aquilo que é uma sua absoluta responsabilidade. Ou seja, os nossos impostos servem para eventos de luxo, festas e festarolas, marketing e subsidiodependência mas quando é necessário para uma ação útil vem o Presidente da Câmara apelar ao trabalho gratuito dos munícipes. E depois ainda são capazes de dizer que é uma "ação cívica" e pedagógica. É triste!
Voluntariado não pode ser mais uma forma de explorar o trabalho e de contribuir para o desemprego.

Comentário á seguinte notícia:


 

 

A Câmara Municipal de Cascais lançou um apelo para constituir um grupo de voluntários para iniciar os processos de limpeza e reflorestação do Parque Natural Sintra-Cascais.

Na página oficial do Facebook, o município afirma que não vai “esperar mais tempo” para iniciar a reflorestação. “Neste sábado, ‘por cada árvore levada pelo fogo, duas os cascalenses plantarão’”, pode ler-se na publicação.

Graphic 11 10 201817 37 48Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, já tinha anunciado, durante a visita a algumas das áreas afetadas pelo incêndio que no dia 6 e 7 de outubro fustigou o Parque Natural Sintra-Cascais, que iria ser constituído um grupo de voluntários para ajudar na limpeza de terrenos e na reflorestação da área ardida.

O autarca avançou, em declarações ao Diário de Notícias, que caso os proprietários não colaborem com a reflorestação, há a “hipótese de evoluir para expropriações”. “Será feita posse administrativa da mesma maneira que se faz quando um edifício não é mantido pelos seus proprietários”.

Os trabalhos de limpeza e reflorestação estão agendados para este sábado. "Vamos proceder ao corte das árvores ardidas que vão ser deixadas no terreno para servirem de barreira de contenção das terras quando vierem as chuvas", explica Carreiras.

Ver o original aqui

Seniores limpam escola e praia em Cascais

Este é um assunto sério.

Provavelmente as pessoas envolvidas até ficam satisfeitas por estarem ocupadas com algo que consideram útil. Até lhes dão um chapéu e uma camisola...
Mas, de facto, esta iniciativa da Junta de Freguesia Cascais-Estoril é um aproveitamento explorador de munícipes para fazer aquilo que é uma incumbência dos serviços de limpeza  da Câmara e da Junta. Afinal os cascalenses pagam imensos impostos para sustentar a proliferação de Empresas camarárias nomeadamente a CASCAIS PRÓXIMA (a mesma que recolhe milhões dos parquímetros)  a quem cabe fazer aquilo para que agora utilizaram estes cidadãos "séniores".

A Junta não é capaz de propiciar nada mais interessante para os "séniores" da freguesia do que limpar parede e apanhar beatas ? Qual foi a remuneração deste trabalho ?

Esta é  uma exploração e uma perversão do que deveriam ser efetivamente as iniciativas de voluntariado.

Aliás já vai sendo tempo de uma reflexão séria sobre aquilo para que muitos, em Portugal, estão a usar o "voluntariado"

Comentário à seguinte notícia:


Em causa está uma iniciativa da União de Freguesias de Cascais e Estoril.

Seniores limpam escola e praia em Cascais

Este é um exemplo paradigmático de que os mais velhos dão o exemplo e de que não há limite de idade quando o tema em questão é o voluntariado.

Ora, em comunicado enviado à redação do Notícias ao Minuto, a União de Freguesias de Cascais e Estoril dá conta de que os seniores dos centros de dia da Junta de Freguesia de Cascais e Estoril estão, esta quarta-feira, a limpar a Escola Secundária da Cidadela e a apanhar beatas das praias de Cascais.

Esta ação, pode ainda ler-se no comunicado, está enquadrada no Projeto Europeu no âmbito do programa Erasmus+, organizações de Portugal, Finlândia, Eslovénia e Itália.

Notícias ao Minuto

Seniores pintam muro em escola © União de Freguesias de Cascais e Estoril

O projeto tem como principal enfoque a “criação de um Programa inovador para a Promoção do Envelhecimento Ativo e Aprendizagem ao Longo da Vida através do envolvimento em trabalho voluntário, abordando temáticas como a cidadania Europeia, o meio ambiente, o diálogo intercultural, e a inclusão social, entre outros”.

Para além destas iniciativas, ao longo do ano vão sendo promovidas também atividades, de jovens e de seniores, de limpeza de praias, remoção de grafitis, convívios internacionais, plantação de árvores e ações de sensibilização ambiental.

Notícias ao Minuto

Seniores pintam muro em escola © União de Freguesias de Cascais e Estoril

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        Homicidal Cops Caught On Police Radio
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