Violência

Brasil | No Rio de Janeiro morreram 194 pessoas às mãos da polícia em julho

 
 
Os dados revelam uma média diária de seis pessoas mortas "por intervenção de agente do Estado", nome técnico dado aos óbitos levados a cabo por polícias.
 
Estado brasileiro do Rio de Janeiro registou em julho 194 vítimas mortais decorrentes de intervenções policiais, o número mais elevado desde 1998 para este mês, foi anunciado esta quinta-feira.
 
De acordo com o Instituto de Segurança Pública, o número de mortes representa um aumento de 49% em relação a julho de 2018 e de 29% em relação a junho de 2019.
 
Os dados revelam uma média diária de seis pessoas mortas "por intervenção de agente do Estado", nome técnico dado aos óbitos levados a cabo por polícias.
 
Até ao mês passado, o maior registo mensal de mortes pertencia a agosto de 2018, quando se contabilizaram 176.
 
Analisando os últimos três meses - maio, junho e julho - houve um aumento de 20% do número de mortes às mãos de agentes do Estado em relação com o mesmo período do ano passado.
 
 
O número registado em maio deste ano aproxima-se ao de julho, com 171 pessoas mortas.
Em entrevista ao noticiário Bom Dia Rio, da TV Globo, o secretário da Polícia Civil, delegado Marcus Vinícius Braga, declarou que a tendência é que o número de pessoas mortas por polícias suba até ao final do ano.
 
"A tendência é de subida até dezembro, porque as ações estão a ser feitas. Conforme formos trabalhando as investigações, a inteligência, a integração com a Polícia Militar, a tendência é diminuir. É um número alto, não é o número que desejamos", reconheceu Marcus Braga.
 
Desde que assumiu o cargo em janeiro, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, alinhado com a política de segurança do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, adotou uma forte retórica de combate ao crime, baseada no uso da violência.
 
Após a entrada de Witzel no poder estadual, o número de pessoas mortas pela polícia aumentou significativamente em comparação com anos anteriores.
 
Nos primeiros cinco meses do seu mandato, 731 pessoas morreram em operações policiais, um aumento de 19,1% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os últimos dados oficiais.
 
Na semana passada, uma jovem de 17 anos morreu quando passava pelo local onde decorriam confrontos entre a polícia e suspeitos de pertencerem a um grupo criminoso, numa comunidade no Rio de Janeiro, tendo sido atingida por 10 balas, enquanto carregava o seu filho de um ano e nove meses, também atingido por tiros.
 
O caso da jovem mãe junta-se aos de Dyogo Costa, de 16 anos, morto pela polícia quando estava a caminho de um treino de futebol, de Gabriel Pereira Alves, de 18 anos, baleado enquanto esperava o autocarro para ir para a escola, e Henrico de Menezes Júnior, de 19 anos, que foi baleado enquanto se dirigia para uma oficina para consertar a sua moto. Todas estas mortes ocorreram nas duas últimas semanas.
 
A morte dos quatro jovens por intervenção policial causou comoção e vários protestos em diferentes comunidades do Rio de Janeiro.
 
TSF | Lusa
 
Na foto: O governador, Wilson Witzel, alinhado com a política de segurança de Bolsonaro, desenvolveu o combate ao crime assente na violência policial
© Reuters
 
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/brasil-no-rio-de-janeiro-morreram-194.html

EUA evitam três tiroteios potenciais que poderiam provocar múltiplas vítimas

© REUTERS / Jeenah Moon

As autoridades norte-americanas detiveram em várias partes do país três pessoas que poderiam realizar tiroteios com múltiplas vítimas.

Segundo informa o canal CNN se referindo à polícia e ao Departamento Federal de Investigação, no estado de Connecticut foi detido um jovem de 22 anos, Brandon Wagshol. Ele foi preso após ter publicado na sua página do Facebook um post com intenção de realizar um tiroteio. Ele tentou encomendar um carregador para fuzil de grande capacidade e construir um fuzil próprio.

A polícia também informou que, na casa de Wagshol, foram encontrados vários tipos de armas, incluindo uma pistola, um fuzil, um aparelho de pontaria a laser, uma grande quantidade de cartuchos, um colete a prova de balas, um capacete balístico e outro equipamento.

O jovem foi acusado de posse ilegal de carregadores de grande capacidade e deve comparecer no tribunal em 6 de setembro, já que foi posto em liberdade sob fiança.

​A polícia também deteve outro homem, Tristan Scott Wix, de 25 anos, no estado da Flórida. Ele enviou a sua ex-namorada várias mensagens ameaçando abrir fogo sobre a multidão e matar a tiro ao menos 100 pessoas.

Wix disse que o mais fácil seria fazer isso em uma escola.

Sua ex-namorada informou as forças de segurança. Na casa do homem, a polícia encontrou uma espingarda de calibre 22 e 400 cartuchos.

O terceiro homem é acusado de ameaça de tiroteio na Organização Judaica em Ohio. A polícia identificou um vídeo insólito no Instagram postado por James Patrick Reardon, de 20 anos.

​No vídeo alguém atirava de espingarda, e o centro comunitário judaico estava na descrição do vídeo. Toda a página estava repleta de comentários antissemitas, conteúdo agressivo e imagens de Reardon e outros atirando de pistolas.

Após a busca, que revelou um estoque de armas e munições, ele foi preso e acusado de comportamento agressivo e ameaças na Internet.

Vigília pelas vítimas do tiroteio em El Paso
© AP Photo / John Locher
Vigília pelas vítimas do tiroteio em El Paso

Estas prisões foram realizadas poucas semanas após diversos tiroteios terem ocorrido em várias partes dos EUA. O maior deles, na cidade de El-Paso, levou as vidas de 22 pessoas. O criminoso foi preso e acusado de terrorismo doméstico

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019081914403387-eua-evitam-tres-tiroteios-potenciais-que-poderiam-provocar-multiplas-vitimas/

Vendas de mochilas à prova de balas disparam nos EUA

Crianças acompanham a mãe em a votação durante a eleição geral dos EUA em Greenville, Carolina do Norte, EUA, em 8 de novembro de 2016 (foto de arquivo).
© REUTERS / Jonathan Drake

Após nova onda de ataques de atiradores nos Estados Unidos, a venda de mochilas escolares à prova de balas disparou no país.

Segundo reportou a agência CNN, as vendas de mochilas com proteção reforçada contra tiros já vinha em alta devido à volta às aulas no país, porém aumentou ainda mais após os novos ataques.

As empresas ouvidas pela agência apontam aumento nas vendas que variam entre 200% e 300%. A agência de notícias também constatou um aumento no número de ataques em escolas nos últimos 10 anos.

Na semana passada dois ataques no país voltaram a chocar a sociedade norte-americana e mundial. Apesar de não terem acontecido em escolas, os ataques remetem uma realidade que se repete e que vitima estudantes no país.

No primeiro do ataques mais recentes, em El Paso, no Texas, um supremacista branco de 21 anos matou 22 pessoas em um Centro Comercial. O homem mais tarde afirmou que seu alvo eram os mexicanos que vivem na região, que é próxima da fronteira com o México.

O segundo caso ocorreu em Dayton, no estado de Ohio, onde 9 pessoas foram mortas por um atirador. O caso ocorreu horas depois do ataques em El Paso.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019081014369357-vendas-de-mochilas-a-prova-de-balas-disparam-nos-eua/

Mais de 200 prefeitos dos EUA pedem regras mais rígidas para venda de armas

Loja de venda de armas no Colorado, Estados Unidos (foto de arquivo).
© AP Photo / Brennan Linsley

Mais de 200 prefeitos dos EUA exigiram nesta quinta-feira (8) que o Senado retorne de suas férias de verão e aprove imediatamente uma legislação sobre o controle de armas, depois que massacres em duas grandes cidades deixaram 31 mortos.

Eles escreveram ao líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, e ao democrata Chuck Schumer, exigindo que a casa aprove projetos de lei já chancelados pela Câmara dos Deputados e que implantam uma verificações de antecedentes para todas as compras de armas e regulamentação das vendas secundárias.

"Já em 2019, houve mais de 250 tiroteios em massa", disseram os 214 membros da influente Conferência de Prefeitos dos EUA, incluindo Dee Margo de El Paso, Texas, e Nan Whaley de Dayton, Ohio, — as duas cidades onde 31 pessoas foram mortas no fim de semana.

O pedido aumentará a crescente pressão sobre McConnell, que conteve os esforços do Congresso para expandir os controles de armas em meio ao temor dos republicanos de serem punidos nas urnas nas eleições do próximo ano. 

"Os trágicos acontecimentos em El Paso e Dayton neste fim de semana são apenas os últimos lembretes de que nossa nação não pode mais esperar que o governo federal tome as medidas necessárias para impedir que pessoas que não deveriam ter acesso a armas de fogo possam comprá-las", diz a carta dos prefeitos dos EUA. 

Em 17 de junho de 2015, o supremacista branco Dylann Roof assassinou nove afro-americanos em uma igreja em Charleston, Carolina do Sul.

Apesar de um antecedente criminoso, Roof conseguiu comprar a arma que usou no tiroteio.

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump disse que apoia a proposta de legislação no Senado que irá bloquear as vendas de armas para pessoas com problemas de saúde mental.

Mas Trump disse que não achava que houvesse apoio político para uma legislação mais rígida, como a que já foi aprovada pela Câmara, ou a proibição de fuzis de assalto altamente letais usados ​​em muitos tiroteios em massa.

"Manter nossas cidades seguras não é uma questão partidária", disse Barnett, o prefeito de Rochester Hills, Michigan.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019080814364090-mais-de-200-prefeitos-dos-eua-pedem-regras-mais-rigidas-para-venda-de-armas/

OS DISPOSITIVOS QUE ESPALHAM (AINDA MAIS) A MORTE

Um dos atiradores norte-americanos (mais dois!) que mais recentemente se destacou nas notícias que nos chegam dos Estados Unidos, terá comprado um destes carregadores para acoplar à sua arma. Como se pode perceber pela fotografia, cada um daqueles tambores tem capacidade para 100 munições(!), 200 balas no total.
Em termos teóricos e se a arma não se encravar a meio, numa comparação que poderá dizer alguma coisa a quem tiver cumprido serviço militar, isso equivalerá ao poder de fogo de 10 G-3, ou seja, a toda uma secção de infantaria de combate. Para os veteranos das guerras de África pode até acrescentar-se, noutra comparação vivida, que um tipo com uma arma destas vale por todo o pessoal armado que seguia em cima de um Unimog...
Só que, lá pelos Estados Unidos, um gadget destes pode comprar-se numa loja qualquer e até ser encomendado por catálogo. Esclareça-se que os profissionais (militares e polícia) não os apreciam particularmente: como as armas originais não estão concebidas para ser submetidas a tais esforços, os canos têm uma grande tendência para sobreaquecer e a arma a encravar-se, no caso das munições não estarem a ser usadas com parcimónia; também não é apreciado o facto do dispositivo incentivar o consumo de munições, tornando as armas assim alimentadas comparativamente mais caras de manter.
Na verdade, estes robustos carregadores são o produto comercial típico que apela para um cliente civil, leigo e deslumbrado. O tal que, quando desequilibrado e sentindo-se cheio de poder, vai à procura de um inimigo.
Terá sido o que aconteceu - mais uma vez - lá pelos Estados Unidos, que é um país onde este género de coisas acontece, acontece, acontece, mas onde parece impossível adoptar legislação correctiva para que este género de actos não se repitam. Ou que, ao menos, se possam limitar as suas consequências danosas. Ainda na semana anterior aos incidentes, e de mansinhoa procuradora-geral do estado da Florida (republicana) se destacara pela sua proposta de revogar legislação que banira a venda de metralhadoras de guerra, uma decisão que fora aprovada após dois grandes massacres* ocorridos naquele estado.
A explicação canónica dos defensores do armamento e a que mais se costuma ler por aí é que não são as armas que interferem com os utilizadores tresloucados, que eles já existem, e apenas as usam, mas isso é o tipo de argumentação que quer contornar o facto óbvio de que são este tipo de armas e de apetrechos que lhes dão toda uma outra capacidade acrescida de matar. Mais gente.
E, para mim, há qualquer coisa de intelectualmente malsão em quem teima em não querer assumir esta evidência para base de discussão sobre o assunto.
* Por grandes massacres entenda-se aqueles onde morrem um substancial número de vítimas, para cima de uma dúzia de mortos e dezenas de feridos. Houve outros, como este, este, este ou este, todos eles também ocorridos na Florida nos últimos seis anos, e em que o número de vítimas mortais apenas rondou a meia dúzia...
 
 
 
 
 
 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/08/os-dispositivos-que-espalham-ainda-mais.html

Mulher de 43 anos detida por agressões a marido de 61 anos em Cascais

Por Redação
05 agosto 2019
Uma mulher, 43 anos, foi detida este domingo, à tarde, no Bairro do Rosário, em Cascais, depois de ter agredido à chapada o marido, de 61 anos, na presença de agentes da PSP.
 
Os policias da 50ª Esquadra (Cascais) tinham sido chamados para um caso de violência doméstica, envolvendo o casal, que tem uma filha, 14 anos, em comum.
 
Já este domingo, de manhã, o homem teria sido agredido fisicamente, na sequência de mais uma discussão entre o casal.
 
À tarde, na presença dos agentes da PSP a mulher agrediu o marido à bofetada no rosto e no peito, tendo recebido ordem de detenção.
 
A mulher sofre, aparentemente, de problemas de alcoolismo e, segundo a filha menor relatou, as discussões e agressões são recorrentes por parte da mãe ao pai.
 
A mulher pernoitou nos calabouços da 51ª Esquadra (Estoril) para ser esta segunda-feira submetida a primeiro interrogatório judicial junto dos Serviços do Ministério Público do Tribunal de Cascais.
 
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/blog-page_613.html

Quatro tiroteios em questão de dias: marcas de sofrimento nos EUA

 

Quatro tiroteios em massa ocorreram nos Estados Unidos nos últimos dias, levantando mais uma vez as discussões sobre a posse e o porte de armas nos EUA.

Em El Paso, no Texas, e em Dayton, Ohio, dois atiradores mataram 29 pessoas e deixaram mais de 50 feridas em ataques realizados no dia 3 de agosto e na madrugada deste domingo (4), respectivamente. Logo ocorreram mais dois episódios, dessa vez, na cidade de Chicago, em Illinois. Pelo menos nove pessoas ficaram feridas.

Anteriormente, no dia 28 de julho, três pessoas morreram e 12 ficaram feridas após tiroteio no festival de comida Gilroy Garlic em Christmas Hill Park, San Jose, Califórnia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019080514339486/

ONU quer investigar milícias e execuções no Brasil, mas pedido segue parado

Jair Bolsonaro chegando ao encontro no Palácio do Planalto em Brasília (foto de arquivo)
© AP Photo / Eraldo Peres

A Organização das Nações Unidas (ONU) aguarda desde 2018 autorização para investigar execuções sumárias e a atuação das milícias no Brasil. A Sputnik Brasil ouviu um especialista em segurança pública para comentar o assunto.

O pedido de autorização da ONU está em meio a outros vários, apesar de uma política de portas abertas que o Brasil mantém com a organização.

Em 2018, por exemplo, nenhum desses pedidos foi atendido, apesar de o país apenas controlar as datas das visitas. Já em 2019, a promessa é de que o atual governo de Jair Bolsoanaro retome as agendas de visitas, mas nada foi feito ainda.


O pedido de autorização da ONU em relação para investigar execuções e milícias data de 2018 e solicita visita para este ano. Apesar de a visita ainda não ter sido autorizada, diversas denúncias já foram protocoladas na organização.

É o caso, por exemplo, de denúncia protocolada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa fluminense, que denunciou o governador do estado, Wilson Witzel. A presidente da comissão, Renata Souza (PSOL), apresenta na denúncia que 432 pessoas foram mortas em ações de forças de segurança nos primeiros três primeiros meses do ano no Rio de Janeiro. Posteriormente Witzel criticou a denúncia e sugeriu a cassação da deputada.


O governador Wilson Witzel toma posse na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) .
© Foto : Tomaz Silva/Agência Brasil
O governador Wilson Witzel toma posse na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) .

Ao UOL, o Itamaraty afirmou que as visitas são consideradas importantes pelo governo e que há dificuldades logísticas para realizá-las. Diante da questão, o governo afirma que ao menos três seriam recebidas este ano.

Duas visitas já foram agendadas. Uma delas já ocorre, da relatora especial para eliminação da discriminação contra pessoas afetadas pela hanseníase, Alice Cruz. Seu pedido de visita foi feito ainda em 2017. Já o relator especial sobre resíduos e substâncias tóxicas, Baskut Tuncak, que havia feito seu pedido em agosto de 2018, foi convidado para vir ao Brasil em dezembro deste ano, tendo em vista o desastre de Brumadinho.

"Onde o crime se estabeleceu de forma consistente, avançou para o poder"

Paulo Storani, ex-instrutor do BOPE e professor de Ciências Criminais da Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro acredita que a ONU cumpre seu papel ao lançar uma investigação sobre as execuções sumárias e a atuação da milícia no Brasil.

Ele afirma que as atividades de milícias se estruturaram em torno do poder público repetindo padrões de ação vistos em outros países ao longo da história.

"Em todo o lugar na história da humanidade onde o crime se estabeleceu de uma forma consistente, avançou para o poder — no processo de tomada de decisão do poder público, na verdade. Se imiscuindo muitas das vezes pela corrupção junto aos órgãos fiscalizadores, posteriormente buscando exercer uma influência nas decisões do governo, colocando representantes legislativos nas casas adequadas", afirma.

Para Storlani, esse tipo de inserção das atividades do crime dentro do poder acontece a nível municipal, estadual e também federal.

"Vamos lembrar, por exemplo, a máfia nos Estados Unidos patrocinou muitos políticos americanos. Além da corrupção envolvendo os próprios agentes públicos e os policiais", lembra o professor que também cita exemplos como a Colômbia, em que há caso de grandes traficantes que chegaram ao Legislativo.

"Então isso é um processo histórico […] de influência no poder através da própria ferramenta democrática, sendo eleito, patrocinando políticos, tutelando determinadas decisões que são feitas nessas casas legislativas", afirma Storlani, que também ressalta que o poder Executivo chega a ser tocado por essas decisões.

O especialista em segurança pública lembra que essas interferência no poder altera políticas na área de segurança de forma que possa conduzir aos resultados buscados pelos corruptores. No caso do Rio de Janeiro, há o exemplo das milícias que se espalham pelo estado.

"É assim com a milícia aqui no Rio de Janeiro, como já foi provado, [onde foram] presos legisladores envolvidos diretamente com milícias. Mas também nós temos aqui outra tantas situações que ocorrem que mostram essa influência cada vez mais permanente em razão da falta de fiscalização", aponta.

O especialista também vê a falta de efetividade na ação de combate às milícias como um problema estrutural. Para ele, o Estado não consegue conter as milícias "da mesma forma que não consegue conter a ação dos narcotraficantes".

Storlani se recorda de que houve momentos em que a ação da Polícia Civil no Rio de Janeiro conseguiu conter o avanço das milícias na região, porém acredita que a permanência de governos corruptos interrompeu essa trajetória.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019051013857462-onu-milicias-crime-organizado-rio-de-janeiro-wilson-witzel-jair-bolsonaro/

Violência doméstica: mais do que punir é preciso reforçar o apoio às vítimas

É o crime que mais mata em Portugal mas não é com o aumento das penas que se erradica. Foi esta a tónica do debate sobre violência doméstica no Parlamento, onde sobressaiu a falta de investimento público.

Violência doméstica
CréditosJosé Sena Goulão / Agência Lusa

Ao todo foram 15 os projectos de lei do PSD, PS, CDS-PP, PCP, BE e PAN sobre os quais se debateu o crime de violência doméstica esta tarde, na Assembleia da República.  

A proposta mais polémica pertence ao PSD, que apresenta um projecto de lei de alteração ao Código de Processo Penal, de modo a impedir que a vítima de violência doméstica se recuse a depor e pedindo a suspensão provisória dos processos por crime de violência doméstica. 

A medida representa uma violência acrescida e vai contra a Convenção de Istambul, que diz que não pode haver dupla vitimização. Por outro lado, cria uma desigualdade relativamente às vítimas de violência doméstica, uma vez que o Código Penal prevê que, em qualquer crime, a pessoa não é obrigada a prestar declarações quando o arguido é um familiar próximo.   

O PSD defende alterações à lei que estabelece o regime jurídico para a prevenção da violência doméstica, protecção e assistência às vítimas e quer ainda que seja assegurada a formação obrigatória dos magistrados, tal como o CDS-PP, que propõe igualmente uma alteração ao Código Penal para que os crimes de ameaça e coacção sejam considerados crime público.

Entre os cinco projectos do PSD está também uma alteração ao Código Penal para criar restrições à suspensão da execução da pena de prisão nos processos por crime de violência doméstica, aumentando a moldura penal.

Na bancada do PS, a deputada Susana Amador reagiu dizendo que se tratava de «derivas populistas». Mas antes, já o deputado do PCP, António Filipe, tinha frisado a discordância com as propostas da direita, sublinhando que a gravidade do crime de violência doméstica «não pode servir para liquidar as bases do direito processual penal», as quais representam «conquistas civilizacionais que custaram a conquistar».  

Reforço das penas «não resolve nada»

A deputada do PEV, Heloísa Apolónia, afirmou que o reforço das molduras penais «não resolve nada» e constitui um desvio do que deve ser considerado «fundamental» para acabar com o flagelo, designadamente o reforço de meios para o apoio e protecção das vítimas, salientando o papel da educação para se atingirem resultados a longo prazo.

Neste sentido, a deputada do PCP, Rita Rato, admitiu que «é imperioso» reforçar o investimento público e a contratação de mais meios humanos e técnicos em serviços públicos como o Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social, PSP e também nas escolas públicas, dotando-as de psicólogos, sublinhando que «hoje não estão garantidas as condições de investimento público para garantir a aplicação da lei». 

O PCP apresentou dois projectos de lei, um deles pelo reforço dos mecanismos legais de protecção das vítimas de violência, o outro implica alterações ao Código de Processo Penal para que seja possível impor condutas ou a proibição de contacto quando há fortes indícios da prática de crime de perseguição, tal como o segundo projecto de lei apresentado pelo BE.

O PS apresentou um único projecto de lei que reformula os crimes de violação, coacção sexual e abuso sexual de pessoa inconsciente ou incapaz no Código Penal, tendo merecido críticas da deputada do BE, Sandra Cunha, que considerou que o abuso sexual de pessoa consciente ou inconsciente é sempre uma violação. 

O BE apresentou ainda um projecto que protege as crianças que testemunhem crimes de violência doméstica, defendendo a obrigatoriedade da recolha de declarações para memória futura no decorrer do inquérito. Neste sentido, o PAN apresentou também um projecto de lei por uma maior protecção das crianças enquanto vítimas. 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/violencia-domestica-mais-do-que-punir-e-preciso-reforcar-o-apoio-vitimas

A insânia e a violência tomaram conta do Brasil de Bolsonaro

Na semana passada, 14 de fevereiro, a polícia militar do Rio de Janeiro encurralou num prédio de uma favela um numeroso grupo de presumíveis traficantes de droga, tendo matado 13, cujos corpos, levados para um hospital, apresentaram fortes indícios de fuzilamentos, bárbaras agressões à facada e tortura.

A polícia limitou-se a interpretar o pensamento reiteradamente expresso por Bolsonaro, adepto da repressão ao crime, através do aumento do número de armas e de execuções expeditas.

Wilson Witzel, um ex-fuzileiro e juiz federal, exonerado para se filiar no Partido Social Cristão, pelo qual se tornou governador, veio logo defender o massacre, coerente com a sua candidatura, quando prometeu criar atiradores furtivos para dispararem contra os criminosos, numa atitude policial dura, em rota de colisão com a legalidade. “A polícia vai mirar na cabecinha e… fogo!” – disse durante a campanha, que o elegeu com 60% dos votos.

As vítimas, que tinham entre 15 e 20 anos, eram apenas suspeitos e os investigadores da Defensoria, órgão equivalente à Provedoria de Justiça portuguesa, referiram um quadro de “extrema violência”, no morro Fallet-Fogueteiro, contra os suspeitos que, segundo os residentes queriam entregar-se, e acabaram baleados pelas costas, esfaqueados e mortos.

A polícia nega as execuções e a tortura, face às evidências, e o Governador, que era juiz, apressou-se a dizer que “o que aconteceu foi uma ação legítima da Polícia Militar”.
Nem outra coisa era de esperar perante os bandidos, que eram ou podiam vir a ser, num local onde, de longe, a polícia faz tiro ao alvo para afinar a pontaria. Mesmo que fossem abatidos e seviciados por engano, serviram para treino policial e não passam de negros e pobres do país de Bolsonaro onde, mais 13 ou menos 13, são números irrisórios.

Não consta que Marcelo Crivella, bispo da IURD, prefeito do Rio de Janeiro lhes tenha dedicado uma simples missa ou condenado o fusilamento.

Há até quem pense que esta violência serviu para prestigiar o PR e mostrar que estão a ser cumpridas as promessas eleitorais, quer do Governador, quer do PR. Se Duterte tem êxito nas Filipinas, por que razão não deve ser imitado no Brasil?

Estão em curso medidas para aprofundar as desigualdades sociais, que não deixarão de criar bandidos e permitir às polícias o seu abate sistemático e instantâneo. Isto foi só o início promissor da abertura da caça ao bandido cujo incremento será estimulado pelas autoridades, a partir do Palácio do Planalto, em Brasília.

Trump não fará qualquer censura, agora que o Brasil passou para o Eixo do Bem, onde já estava a Arábia Saudita. Apenas ficam mais repulsivas os defensores que vão repetir, até à náusea, que foram livres as eleições.

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  • Voltaram as Festas do Mar e vale a pena ir ver alguns dos espetáculos.
    A Câmara autopropagandeia-se com elas, claro.
    Na televisão vemos um dos organizadores do evento dizer que as Festas são muito boas para a "vila" (vila é o que a aritocratoburguesia local gosta de chamar a esta terra por estultas razões que estão devidamente caracterizadas) e que não têm nenhuns custos para os munícipes.

    Duvidamos mas ele argumenta que o dinheiro vem das verbas do jogo (Casino) e dos patrocinadores. Claro...
    Voltaram as Festas do Mar e vale a pena ir ver alguns dos espetáculos.
    A Câmara autopropagandeia-se com elas, claro.
    Na televisão vemos um dos organizadores do evento dizer que as Festas são muito boas para a "vila" (vila é o que a aritocratoburguesia local gosta de chamar a esta terra por estultas razões que estão devidamente caracterizadas) e que não têm nenhuns custos para os munícipes.

    Duvidamos mas ele argumenta que o dinheiro vem das verbas do jogo (Casino) e dos patrocinadores. Claro que as verbas do jogo são verbas dos munícipes (não são um 'dinheiro de bolso' para festejos e mais o que alguns queiram) mas, mesmo assim, duvidamos. Seria bom que oposição camarária tentasse (sabemos que é muito difícil conhecer as contas da Câmara) deslindar quanto é que os cascalenses pagam efetivamente por estas Festas.


    Ao ouvir o dito organizador percebia-se que a conversa era de jotinha de carreira (não obrigatoriamente do Carreiras, entenda-se) e fomos ver.

    Bastou googlar para nos aparecer à cabeça que o Dr. Bernardo Barros é um distinto Administrador Executivo da Empresa Municipal "CASCAIS DINÂMICA" (as empresas municipais, em geral, servem para fazer o que a Câmara deixa de fazer porque é mais fácil meter os boys e girls nestas empresas, pagas pelos munícipes, do que na própria Câmara) com um currículo com muitas derivações do seu enlace camarário (do "Americas Cup World Series - Cascais" à "NOVA SBE – Intensive Management Program " passando pelo "Sailors for the Sea Portugal – Presidente" e pela "Escola Superior de Hotelaria do Estoril (ESHTE) – Membro do Conselho Geral").

    Mas o que conta verdadeiramente é que, depois de uns anitos como escuteiro já em 2006 era " Conselheiro Distrital de Lisboa da JSD" e em 2010 passou a "Conselheiro Nacional da JSD"o que, entretanto, lhe permitiu ingressar como " Secretário Político do Vereador na Câmara Municipal de Cascais" até com "representação do Vereador em atos oficiais, visitas diplomáticas e conferências".

    A partir daí foi só subir. Em 2011 já estava na " Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD" e logo (2012) passava para "Adjunto do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cascais" e, simultaneamente, para "Vice-Presidente da Associação de Turismo de Cascais (Associação de direito privado)", seguindo-se, em 2015, o atual lugar de "Administrador Executivo na Cascais Dinâmica" onde organiza as Festas do Mar.

    Nada nos move contra este distintíssimo quadro da esfera camarária cascalense. Provavelmente é uma excelente pessoa e um funcionário exemplar.

    Apenas se lamenta constatar que o poder político/administrativo é cada vez mais feito destas carreiras partidarizadas e clientelares.

    Certamente que há gente competente nos Partidos do velho "Arco da Governação" (os outros ficam de fora obviamente). Mas só há quadros competentes com o cartão destes Partidos ? Não há muita gente competente que não esteja em Partido nenhum ou que opte por outros dos muitos Partidos existentes ?

    É que isto, aqui por Cascais, tresanda.
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