Vietname

Vietname doou a Cuba 5000 toneladas de arroz

A doação, oficializada a 17 de Abril último numa cerimónia em Hanói, foi concretizada esta semana em Haiphong, cidade portuária também no Norte do país asiático.

A doação que agora se concretizou foi oficializada em meados de AbrilCréditos / Cubadebate

O Partido Comunista, o Estado e o povo vietnamitas procederam à entrega das 5000 toneladas de arroz que tinham prometido a Cuba, para ajudar a Ilha a resolver as suas dificuldades alimentares em plena luta contra a Covid-19.

A entrega ocorreu na cidade portuária de Haiphong, a mesma onde, nos anos 60 e 70 do século passado, chegavam o acúçar e outros produtos cubanos em apoio a um povo que então combatia pela sua liberdade e independência, indica o portal Cubadebate.

Ao agradecer a doação, a embaixadora de Cuba, Lianys Torres, referiu que este gesto nobre e solidário é expressão das históricas relações de amizade especial e fraternidade entre os dois países.

A doação tornou-se oficial no passado dia 17 de Abril, numa cerimónia em Hanói em que a embaixadora recebeu uma carta do secretário-geral do Partido Comunista e presidente do Vietname, Nguyen Phu Trong, dirigida ao seu par cubano, Raúl Castro, e ao presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

Então, a diplomata cubana lembrou que, 59 anos antes, Cuba enfrentava a invasão da Baía dos Porcos e, em menos de 72 horas, derrotava-a. «Com esse mesmo espírito, o nosso povo está a enfrentar a Covid-19 e também a venceremos», afirmou Torres na altura, antecipando o que está a acontecer agora na Ilha.

Na mesma ocasião, o chefe do governo vietnamita, Nguyen Xuan Phuc, expressou o agradecimento do Vietname pelo permanente apoio e a solidariedade de Cuba para com o povo vietnamita, e disse que o seu país estará ao lado do país caribenho para o ajudar a aliviar a dureza do bloqueio e a enfrentar as dificuldades resultantes da pandemia.

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Covid-19 está sob controle no Vietnã, há dois meses sem casos de infecção interna

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247 -Se o Vietnã ainda não se declarou completamente livre da Covid-19, é porque o governo cumpriu sua promessa de não deixar ninguém para trás e trouxe de volta os nacionais que, por vários motivos (estudo, trabalho, visitas familiares, turismo) foram surpreendidos pelo novo coronavírus em outras nações.

Assim, as últimas 194 pessoas que deram positivo para a Covid-19 desde 16 de Abril são repatriadas de territórios onde a situação epidemiológica era ou ainda é complicada (Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, China, Itália, Espanha, França...)

Certamente o processo de repatriação complicou as tarefas de prevenção e controle, mas o governo tomou todas as precauções e nenhum dos retornados foi a origem de um novo surto.

A fim de descartar os riscos de contágio, os recém-chegados são submetidos a verificações minuciosas assim que põem os pés nos aeroportos, e independentemente de se o teste é positivo ou não, eles cumprem uma quarentena preventiva de duas semanas. O mesmo é feito com diplomatas, assessores, especialistas e técnicos estrangeiros que trabalham no país.

Graças a um trabalho tão meticuloso, neste momento mais de nove mil pessoas estão em isolamento preventivo, quase todas elas vindas do exterior.

Considerando o alto contágio do vírus, a longa fronteira do Vietnã com a China e o intenso intercâmbio comercial e turístico entre os dois, muitos pensavam que a nação indochinesa seria uma das principais vítimas da síndrome respiratória aguda grave.

Mas a pandemia está agora essencialmente sob controle, e o governo tem chamado a população a lutar pela recuperação econômica dentro de uma 'nova normalidade' que implica a observância de medidas preventivas, informa a Prensa Latina.

Vietname ratifica tratado de livre comércio com UE

 

A Assembleia Nacional do Vietname ratificou esta segunda-feira o acordo de livre comércio com a União Europeia (UE), que nos próximos dez anos eliminará 99% dos direitos aduaneiros nas trocas comerciais entre as duas partes.

 

O tratado foi esta segunda-feira aprovado pelo regime comunista de Hanói com 94% dos votos e entrará em vigor a partir de julho, tendo já recebido a aprovação do Parlamento Europeu em fevereiro. Quando entrar em vigor, 71% das exportações vietnamitas para a UE estarão livres de direitos aduaneiros, com mais reduções nos próximos sete anos.

Em sentido contrário, 65% dos direitos aduaneiros aplicáveis aos produtos exportados pelos países da UE para o Vietname desaparecerão, enquanto os restantes serão reduzidos para 99% nos próximos dez anos. No caso de alguns produtos agrícolas vietnamitas, como o arroz, o alho ou os ovos, as exportações sem direitos aduaneiros serão limitadas.

A UE é o segundo maior destino das exportações vietnamitas, depois dos Estados Unidos (EUA), e é também o segundo maior exportador de produtos para o país asiático, também atrás dos norte-americanos.

De acordo com um relatório do Banco Mundial recentemente divulgado, o tratado permitirá ao país asiático aumentar o seu produto interno bruto em 2,4% durante a próxima década, graças a um forte aumento das exportações (12%), e ajudará a tirar dezenas de milhares de pessoas da pobreza.

O acordo foi saudado pelos economistas vietnamitas como um impulso para combater a recessão económica resultante da pandemia de covid-19, uma crise em que o Vietname está a tentar traduzir o seu sucesso na área da saúde para o setor económico, já que o país não registou quaisquer mortes até agora.

As negociações entre a UE e o Vietname começaram em 2012, mas passaram-se vários anos sem avanços, devido à recusa de Hánoi em aceitar cláusulas sobre o respeito dos direitos humanos e do ambiente.

Embora o acordo inclua uma secção dedicada a estas questões, um grupo de 28 organizações não governamentais (ONG) criticou o documento, acusando a UE de não comprometer o regime vietnamita com objetivos concretos.

// Lusa

 

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Vietname: sete semanas sem contágios de Covid-19

Em 49 dias, os casos registados são de cidadãos repatriados de países com situações epidemiológicas complicadas. A cidade de Hanói decidiu ajudar Nova Iorque na luta contra a doença, doando 150 mil máscaras.

As medidas de prevenção e controlo da epidemia de Covid-19 tomadas pelas autoridades vietnamitas estão a merecer o reconhecimento de vários organismos e governos, inclusive no OcidenteCréditos / voa

A Direcção Nacional para a Prevenção e o Controlo da Covid-19 confirmou que, desde 16 de Abril, foram detectados 188 portadores do vírus SARS-CoV-2, todos vietnamitas que regressaram do estrangeiro, e que não se registou nenhum caso de contágio dentro do país.

No processo de repatriamento, todos os recém-chegados passam por testes rigorosos nos aeroportos, tendo depois de permanecer em quarentena por um período de duas semanas ou sendo internados em centros especializados sob vigilância médica.

Neste contexto, estão actualmente em situação de isolamento preventivo mais de 7200 pessoas, quase todas repatriadas, informa a Agência Vietnamita de Notícias (VNA).

A mesma fonte revela que o número de pacientes confirmados com Covid-19 no Vietname se mantém em 328, sendo que 302 já recuperaram (92%). Os 26 ainda hospitalizados estão a evoluir favoravelmente e 13 já tiveram resultado negativo uma ou duas vezes nos testes de despistagem ao vírus.

O país do Sudeste Asiático não regista nenhuma morte por causa da Covid-19. O caso mais grave diz respeito ao paciente 91 ou «Paciente Inglês» – um britânico de 43 anos, contratado como piloto pela Vietnam Airlines. De acordo com a VNA, neste momento o doente está consciente e continua a melhorar.

«Economia dá sinais de recuperação»

Tendo em conta a elevado grau de contagiosidade do vírus, a extensa fronteira entre o Vietname e a China e as intensas trocas comerciais e turísticas entre ambos, o país da antiga Indochina tomou medidas rigorosas para travar a propagação do síndrome respiratório agudo severo e, em Abril, declarou a pandemia controlada no fundamental. Então, o governo vietnamita apelou à população para «travar a batalha da recuperação económica», embora observando determinadas medidas preventivas.

Na terça-feira, o primeiro-ministro, Nguyen Xuan Phuc, congratulou-se com o facto de o país ter conseguido passar a uma nova fase, em que «a economia já dá sinais de recuperação», na sequência de uma série de medidas e apoios à produção promovidos pelo governo, informa a Prensa Latina.

Reunido com o seu gabinete para fazer um balanço desta nova fase, Xuan Phuc afirmou que, se no primeiro trimestre a economia cresceu 3,8%, no resto do ano, num contexto epidemiológico que se espera bastante mais saneado, deverá fazê-lo a um ritmo muito maior.

Hanói apoia Nova Iorque na luta contra a pandemia

Numa cerimónia que contou com a presença, entre outros, do vice-ministro vietnamita dos Negócios Estrangeiros, Le Hoai Trung, e do embaixador dos EUA no Vietname, Daniel J. Kritenbrink, a cidade de Hanói doou à cidade de Nova Iorque, no passado dia 1, 100 mil máscaras de tecido antibacteriano e 50 mil máscaras sanitárias, com o objectivo de apoiar as autoridades e a população da urbe norte-americana na luta contra a Covid-19.

No seu discurso, o presidente do Comité Popular [Câmara Municipal] de Hanói, Nguyen Duc Chung, disse que a capital vietnamita «deseja partilhar uma parte dos seus recursos para ajudar o governo e o povo de Nova Iorque», informa a VNA.

Por seu lado, o embaixador norte-americano manifestou a sua gratidão e elogiou o governo do Vietname e as autoridades de Hanói em particular pelas medidas preventivas tomadas face à Covid-19.

Vietname há 36 dias sem contágios internos de Covid-19

O país asiático não regista novos casos de infecção de Covid-19, a nível interno, há 36 dias consecutivos, informou esta sexta-feira a Direcção Nacional para a Prevenção e o Controlo da doença.

O governo vietnamita afirmou que, sem desmontar determinadas medidas de prevenção, já é possível centrar-se na tarefa da recuperação da economiaCréditos / Nikkei Asian Review

Dos 324 pacientes infectados pelo vírus SARS-CoV-2, 266 foram curados e tiveram alta, revelou a Direcção Nacional para a Prevenção e o Controlo da Covid-19, acrescentando que todos os casos detectados no no Vietname desde 16 de Abril dizem respeito a cidadãos vietnamitas que foram repatriados de países onde a situação epidemiológica é complicada.

Os 58 pacientes ainda internados – em nove unidades hospitalares – estão a evoluir bem e vários já tiveram resultado negativo nos primeiros ou segundos testes de detecção do novo coronavírus, estimando-se que o número de recuperados possa aumentar nos próximos dias, segundo noticia a Prensa Latina.

Por seu lado, a Agência Vietnamita de Notícias (VNA) informa que 14 744 pessoas se encontram sob observação das autoridades sanitárias, em suas casas ou em hospitais, depois de terem tido contacto com doentes de Covid-19 ou terem regressado de países onde o quadro epidémico é considerado complicado.

O síndrome respiratório agudo severo não provocou qualquer morte no país da antiga Indochina. O caso mais grave – referente a um cidadão britânico de 43 anos, que ainda corre risco de vida – está a evoluir de «forma esperançosa».

Fontes do Hospital de Doenças Tropicais da Cidade de Ho Chi Minh indicaram que o paciente já não tem febre, apresenta uma pressão arterial estável e melhorias no estado do seu pulmão mais afectado. Nos últimos dias, teve resultado negativo cinco vezes nos testes de detecção do vírus SARS-CoV-2 e, na quarta-feira, foi declarado «livre de coronavírus».

Ainda assim, o seu estado de saúde continua a ser avaliado como «crítico» e os especialistas que o estão a tratar ainda ponderam a realização de um transplante de pulmões.

Recuperação da economia, dinamização do turismo nacional

Tendo em conta a melhoria sensível na situação epidemiológica do país, o governo vietnamita afirmou que, sem desmontar determinadas medidas de prevenção, já é possível às autoridades centrarem-se na tarefa da recuperação da economia.

A dinamização do sector do Turismo está entre as prioridades apontadas. Segundo as autoridades, o sector dá sinais de recuperação desde que, em Abril, houve evidência sobre o controlo da epidemia e foi decretada uma certa flexibização nas medidas de distanciamento social.

Autoridades, agências de viagens e companhias aéreas têm estado a promover pacotes destinados ao turismo nacional, com uma resposta muito boa – o que também evidencia a confiança dos vietnamitas nas medidas que têm estado a ser tomadas com vista ao controlo efectivo da Covid-19.

O Vietname registou uma quebra de 18% na entrada de estrangeiros no primeiro trimestre de 2020, por comparação com igual período de 2019, que se repercutiu numa quebra de rendimentos no sector do Turismo avaliada em 11%.

No entanto, a boa resposta do país do Sudeste Asiático à Covid-19 está a levar a que revistas do sector o apontem como primeiro destino – «seguro» – num cenário pós-pandemia, para lá das habituais referências à simpatia do povo, à beleza das paisagens e à excelência da comida.

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Ho Chi Minh: Aquele que ilumina

A Editora Anita Garibaldi acaba de lançar o livro “Ho Chi Minh – Vida e obra do líder da libertação nacional do Vietnã”.

 

 

Em 2 de setembro de 1945, mais de um milhão de pessoas se acotovelaram, na praça Ba Dinh, em Hanoi, para ouvir a leitura da Declaração da Independência da República Democrática do Vietnã, lida pelo líder nacional Ho Chi Minh. O texto em português daquela declaração faz parte do livro ora lançado pela Editora Anita Garibaldi, com apoio da Embaixada da República Socialista do Vietnã no Brasil, organizado por Pedro de Oliveira, sob o título “Ho Chi Minh – Vida e obra do líder da libertação nacional do Vietnã”.

É um livro memorável que registra a finura e amplitude políticas de Ho Chi Minh, o grande líder da revolução vietnamita que derrotou três imperialismos na busca da autonomia e independência nacional – a França, o Japão e os EUA.

Na Declaração da Independência, há a referência direta às Declarações de Independência dos Estados Unidos, de 1776, e a Declaração da Revolução Francesa, de 1791. “Todos os homens são criados iguais. Eles são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre eles a vida, a liberdade e a busca pela felicidade”.

São referências notáveis – a França era a metrópole colonial perante a qual o Vietnã declarava sua independência, e os Estados Unidos, a potência imperialista que se engajaria numa guerra selvagem contra a soberania e autonomia do Vietnã. Referência notável porque ecoa, na afirmação da independência do Vietnã, de forma clara, o caráter da luta nacional e democrática do povo vietnamita, ao de luta semelhante dos povos da França e dos EUA – que, em tempos passados, buscaram objetivos semelhantes aos que o povo do Vietnã buscava, em pleno século 20.

A antologia de textos que faz parte do livro agora lançado, revela Ho Chi Minh, um homem modesto e simples, como um gigante do pensamento e da ação política revolucionária que ele foi.

O livro é composto por um prefácio de Renato Rabelo (presidente da Fundação Maurício Grabois), uma introdução de autoria do organizador Pedro de Oliveira, a cronologia da vida de Ho Chi Minh, um caderno de imagens do líder revolucionário vietnamita e uma entrevista com Do Ba Khoa, embaixador da República Socialista do Vietnã.

Mas o grosso do livro é formado pela antologia de textos de Ho Chi Minh, finalizando com o poema “Ao fim de quatro meses”, escrito por ele num dos momentos em que passou pela prisão.

A antologia de textos é de grande importância, e permite que se aprofunde o conhecimento da obra daquele que pode ser visto como um continuador de Lênin no Oriente.

Formada por textos desde um escrito em 1919 – “Reivindicações do povo anamita” – até o “Testamento” que escreveu em 1969, apenas quatro meses antes de deixar a vida, aos 79 anos de idade.

Esta coleção de textos de Ho Chi Minh pode ser lida de forma prazerosa e agradável pois, sendo poeta, Ho Chi Minh aplica esta habilidade à escrita, mesmo de natureza política. Mas, mais importante que isso, os textos de Ho Chi Minh revelam sua grande preocupação contra todas as formas de opressão. E deixam claras as barbaridades cometidas pelos dominadores, sejam de classe, de raça ou de gênero. Há relatos jornalísticos comoventes, pela dramaticidade, sobre crimes bárbaros cometidos por europeus “civilizados” – desde agressões físicas ou verbais até estupros e assassinatos cometidos impunemente por colonizadores. Há também a descrição em cores vivas da crueldade de linchamentos racistas, de negros ou brancos que os apoiassem, que eram quase cotidianos nos EUA.

Há também o relato da construção política e ideológica de organizações revolucionárias, na França e, depois, na Indochina e no Vietnã. Sua preocupação permanente com a formação dos militantes revolucionários e comunistas – num texto chama a atenção para o maior valor da qualidade, ante a quantidade, no espírito leninista do mais vale pouco mas bom.

Como chefe de Estado, depois de 1945, empenhou-se profundamente na alfabetização de trabalhadores e camponeses, num esforço constante e consistente pela ampliação de sua consciência política.

Há textos que explicitam a forte ligação do pensamento de Ho Chi Minh ao do revolucionário russo Vladimir Ilich Lênin. Aliás, no texto “O caminho que me levou ao leninismo”, Ho Chi Minh lembra sua emoção ao participar nos debates, no Partido Socialista Francês (que depois se tornou o Partido Comunista Francês) sobre a participação na III Internacional, fundada por Lênin em 1919.

“O que eu mais queria saber – e o que justamente não era debatido nos encontros – era: qual Internacional está do lado dos povos das colônias? Eu levantei essa dúvida – a mais importante em minha opinião – no encontro. Alguns camaradas responderam: ‘é a III Internacional, não a II’. E um camarada me deu para ler a ‘Tese sobre as questões nacionais e coloniais’ de Lênin, publicadas pela ‘L’Humanité’. Havia termos políticos difíceis de entender nessa tese. Mas, por meio do esforço de lê-la e relê-la, pude finalmente apreender a maior parte deles. Que emoção, entusiasmo, esclarecimento e confiança essa obra provocou em mim!”

Ou seja, identificou em Lênin não só o patriotismo, mas, sobretudo, a visão de que a luta pela soberania nacional está ligada à luta pela emancipação da classe mais oprimida, contra o domínio capitalista.

Esta visão fez a força do pensamento de Ho Chi Minh ao identificar a luta nacional com a luta social, de classes, aliando-se a todas as forças sociais capazes de combater pela libertação de todos os homens, de lutar contra todas as formas de opressão.

As ideias que, fundamentadas nos ensinamentos de Marx, Engels e Lênin, fizeram de Ho Chi Minh o dirigente da luta pela independência do Vietnã, que derrotou três imperialismos – o francês, o japonês e o estadunidense – e que, hoje, iluminam a luta pela libertação nacional, contra o imperialismo e a luta de classes, contra o domínio capitalista. O significado do nome Ho Chi Minh permanece válido: “Aquele que ilumina”.


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Vietname sem reportar novos contágios de coronavírus desde 16 de Abril

As autoridades vietnamitas estão a avançar para uma nova etapa de «normalidade» na produção e na vida quotidiana, sob «rigorosos critérios científicos» que defendam a saúde do povo e dos trabalhadores.

Os dados mais recentes evidenciam que o Vietname está a conseguir enfrentar com êxito a pandemia de Covid-19Créditos / voanews.com

A Direcção Nacional para a Prevenção e o Controlo da Covid-19 informou esta segunda-feira que o Vietname não regista casos de contágio comunitário do vírus SARS-CoV-2 há 25 dias consecutivos.

Dos 288 pacientes de Covid-19 confirmados no país asiático, 241 recuperaram da doença e 47 continuam activos. Destes, pelo menos 13 já tiveram resultado negativo em dois testes consecutivos de detecção do vírus e quatro num primeiro teste, pelo que se espera que o número de recuperados possa aumentar nos próximos dias.

Apenas um doente – conhecido como Paciente 91 ou «Paciente Inglês», dado tratar-se de um piloto inglês ao serviço da Vietnam Airlines – se encontra em estado crítico.

Internado há mais de 40 dias no Hospital de Doenças Tropicais da Cidade de Ho Chi Minh, o seu estado é considerado muito grave e as autoridades do hospital, em conjunto com as de outros centros hospitalares vietnamitas e o Centro Nacional de Coordenação para o Transplante de Órgãos, avaliam a possibilidade de realizar um transplante de pulmões, informa a agência vietnamita VNA.

 

O país da antiga Indochina não regista até ao momento nenhuma morte relacionada com o novo coronavírus. Na última quinta-feira, o número de casos passou de 271 para 288 porque o Vietname está a repatriar cidadãos e 17 chegaram ao país infectados. Estão a recuperar sem problemas em unidades de saúde especializadas, segundo informam as autoridades.

Mais de 25 mil pessoas encontram-se sob observação em hospitais ou em suas casas, depois de terem tido contacto com doentes de Covid-19 ou terem regressado de países onde o quadro epidémico é considerado complicado.

Confiança e avanço para a «normalidade»

Considerando que a epidemia está sob controlo no país, as autoridades vietnamitas estão a avançar para uma nova fase, marcada pela existência de menos restrições no distanciamento social e pela normalização da produção e da vida quotidiana, mas sob «rigorosos critérios científicos», que evitem o surgimento de novos surtos epidémicos, e defendam a saúde do povo e dos trabalhadores.

O governo já autorizou a reabertura de locais que prestam serviços não essenciais, tendo ficado de fora os bares, clubes e salas de karaoke. As companhias aéreas nacionais também reiniciaram os voos domésticos, prevendo-se que os transportes públicos terrestre, marítimo e fluvial regressem em breve à actividade normal.

Por seu lado, as zonas turísticas estão a regressar de forma paulatina à normalidade, oferecendo, para já, pacotes com ofertas especiais destinadas ao vietnamitas. Também há revistas da especialidade, no Ocidente, a apontar o Vietname como um destino seguro, pelo modo como está a lidar com a pandemia.

Hoje, reabriram cerca 1900 escolas primárias e jardins de infância em Hanói, pondo fim a um encerramento de três meses. Tal como as escolas secundárias e pré-universitárias da capital, que já tinham aberto as portas no passado dia 4, estes estabelecimentos também têm de cumprir o rigoroso protocolo estabelecido pelo Ministério da Formação e Educação, em que se incluem 15 medidas destinadas a tornar o ambiente escolar seguro.

Nos últimos três meses – refere a VNA –, as escolas de todo o país promoveram o ensino através da Internet e da televisão. O ano lectivo 2019-2020 deve terminar até 15 de Julho, um mês e meio mais tarde do que o habitual.

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Vietnã: 45 anos da vitória contra o imperialismo dos EUA

Neste 30 de abril se comemorou os 45 anos da vitória do Vietnã contra os Estados Unidos numa das mais bárbaras e cruéis guerras já promovidas pelo imperialismo.

 

 

A imagem que ilustra este texto é épica: é o retrato da derrota dos EUA, em 30 de abril de 1975, ante as forças do Vietnã. É a imagem do pânico dos ocupantes e colaboradores em fuga, tentando embarcar num helicóptero, no teto da embaixada dos EUA em Saigon (atual Ho Chi Minh).

É a demonstração visual da derrota do imperialismo.

A área total do Vietnã corresponde à do estado Maranhão (em torno de 331.000 quilômetros quadrados) e hoje, 2020, sua população gira em torno de 95 milhões de habitantes. É muito menor que os EUA, em área e população, poderio financeiro, político e militar. Mesmo assim, venceu a guerra e derrotou a maior e melhor armada potência do planeta.

Foi a terceira vez que os vietnamitas derrotaram uma potência colonialista e imperialista.

Em três décadas, venceram três potências – expulsaram os japoneses, que ocuparam o país durante a Segunda Grande Guerra; depois, foi a vez da tentativa francesa de retomar o estatuto de potência colonizadora depois de 1945; e, finalmente, venceu os EUA e sua tentativa de manter o país dividido e o sul comandado por uma ditadura militar fiel ao governo de Washington.

A resistência contra a ocupação estrangeira se manifestou logo no início do século XX, como registrou o Informe Político ao 9º Congresso do Partido Comunista do Vietnã:

 
Desde o final do século XIX às primeiras décadas do século XX nosso povo nunca deixou de se insurgir contra o colonialismo”.
 
 
 

Em 1905 um grupo de estudantes e intelectuais organizou o movimento anticolonial contra o domínio francês e promoveu as primeiras lutas anti-imperialistas.

Com a Primeira Grande Guerra, o movimento cresceu. Na década seguinte, surgiram importantes organizações, como Liga Revolucionária da Juventude Vietnamita (1925), fundada por Ho Chi Minh, e o Partido Nacional do Vietnã (Viet-Nam Quôc Dân Dong, VNQDD), em 1927, indicando a força que, a partir de então, o nacionalismo revolucionário teria. Em fevereiro de 1930, o VNQDD liderou uma insurreição contra os franceses que, embora derrotada, foi um marco na luta pela independência nacional. Luta que, no Vietnã teve, desde cedo, um programa revolucionário e socialista. Em 1930, Ho Chi Minh fundou o Partido Comunista do Vietnã, que depois foi chamado de Partido Comunista da Indochina e, mais tarde, de Lao Dong, isto é, Partido do Trabalho do Vietnã, com forte base entre os camponeses e entre os trabalhadores rurais sem terra.

A nova organização foi herdeira da Liga Revolucionária da Juventude, ao lado de forças democráticas e patrióticas. Em em 1930 e 1931, o novo partido apoiou e organizou greves, protestos e grandes manifestações envolvendo milhares de camponeses e trabalhadores rurais, em luta contra impostos, arrendamentos extorsivos e más condições de trabalho; em alguns lugares foram criados sovietes e tribunais populares. A repressão francesa foi brutal. Em 1932, as prisões e campos de trabalho tinham 32 mil prisioneiros . “Os vietnamitas tem inúmeros mártires desta época; mais numerosos ainda são os mortos anônimos, em cujas sepulturass inscreveu-se apenas ‘trabalhador’”, escreveu Bertrand Russel, o filósofo inglês que, na década de 1960 criou o Tribunal que leva seu nome para julgar os crimes de guerra cometidos no Vietnã.

Ho Chi Minh já era um líder nacional reconhecidoo. Ele fez parte do grupo de patriótas vietnamitas que, na Conferência de Versalhes que reorganizou o mundo depois da Primeira Grande Guerra, teve a ousadia de exigir que os aliados (e a França, em particular), respeitassem a autonomia dos povos da Indochina. Foram rechaçados, mas esta primeira tentativa de negociar a independência teve grande repercussão popular no Vietnã, fazendo a fama daquele que, nas décadas seguintes seria o principal dirigente da resistência nacional.

Com a Segunda Grande Guerra, o quadro começou a a mudar aceleradamente. A França foi ocupada pelos nazistas em julho de 1940, que só reconheceram a autonomia francesa sobre o sul do território nacional, sob um governo pró-nazista títere dirigido pelo marechal Philippe Pétain, um simpatizante dos nazistas.

O Japão, o principal aliado asiático de Adolf Hitler, já desde 1910 extendia suas garras sobre a Ásia; naquele ano, ocupou a Coréia e, mais tarde, a Manchúria, parte do território chinês. Com a queda da França, ocupou também a Indochina, tendo o cuidado de manter – a seu serviço – a burocracia colonial francesa, encarada como “aliada”.

Para enfrentar a nova situação, com a ocupação do país por uma nova potência imperial, o Japão, a liderança comunista, tendo à frente dirigentes como Ho Chi Minh, Vo Nguyen Giap e Phahm Van Dong, formou, em maio de 1941, uma ampla frente patriótica, unindo os vietnamitas, independentemente de sua classe social, mas fossem capazes de atrair os setores mais oprimidos da sociedade. Nasceu assim, em maio de 1941, a Liga da Independência Vietnamita, (ou Viet Nam Doc Lap Dong Minh, conhecido como Viet Minh) e que, na década de 1960, os estadunidenses chamaram de Viet Cong no esforço inglório de tentar incompatibilizar a liga com a população ao dar-lhe o apelido de “comunista” (cong). A Liga uniu a resistência popular, teve enorme repercussão entre o povo e dirigiu a resistência tenaz contra a ocupação japonesa. usando a luta guerrilheira. Quando o fim da Segunda Grande Guerra se aproximava, os japoneses deram um golpe, em 9 de março de 1945, afastaram as autoridades coloniais franceseas e assumiram o controle direto de toda a Indochina. Contudo, naquele ano o Viet Minh havia consolidado sua presença em grandes áreas no país. Assim, diz Bertrand Russel, ao chegar o verão de 1945 “estavam em posição de exigir de fato o poder de Estado”. E agiu rapidamente para consolidar sua posição: em 19 de agosto de 1945 depuseram Bao Dai, o imperador títere dos franceses e japoneses, e formaram o governo nacional em Hanói, a capital do norte. E, em 2 de setembro de 1945, Ho Chi Minh proclamou a independência do Vietnã.

Os colonialistas franceses logo iniciaram ações militares para retomar o domínio do Vietnã, agora com apoio militar inglês. Naquele mesmo ano começou a guerra contra a independência do Vietnã, e até no final de 1945, os franceses tinham 50 mil soldados no país. Eles ainda fizeram o teatro da negociação encenando, em março de 1946, um acordo que previa eleições gerais e o reconhecimento da independência, dentro da União Francesa. Mas não durou muito, e logo os franceses traíram o acordo. “A presença de tropas da Legião Estrangeira provocou hostilidades imediatas nas cidades”. “Os massacres se tornaram lugar- ccomum”, escreveu Bertrand Russel.

Os franceses reconduziram Bao Dai ao trono (em abril de 1949) e, desde então, a guerra colonialista assumiu a máscara de defesa do governo “legítimo” do imperador.

A guerra foi longa, com envolvimento crescente dos EUA. Em 1953, o Viet Minh controlava 3/4 do território ao norte do país e 1/3 ao sul. Este foi o ano decisivo da guerra contra os franceses, quando o governo de Hanoi preparou sua maior ofensiva.

O ano de 1954 foi o da batalha final , que ocorreu em Dien Bien Phu, uma importante posição estratégica no norte do país. O ataque, comandado por Vo Nguyen Giap, começou em novembro de 1953, quando a cidade foi cercada. Ela caiu em maio de 1954, numa derrota memorável que colocou a potência colonial de joelhos.

Naquele ano, o envolvimento dos EUA na guerra já era grande. Segundo o “The New York Times” (4/6/1954), citado por Bertrand Russel, Washington já era responsável por 78% dos custos da guerra. E, no começo de 1954, durante o início do cerco a Dien Bien Phu, o secretário de Estado do governo dos EUA, John Forster Dulles, ofereceu a seu colega francês, o chanceler Georges Bidault, o uso de bombas atômicas contra os vietnamitas para romper o cerco em Dien Bien Phu.

A vitória em Dien Bien Phu marcou o início de uma nova etapa na guerra. O armistício com a França, assinado em Genebra, Suíça, em julho de 1954, previa a divisão temporária do país: o norte ficava sob controle do Viet Minh, governado por Ho Chi Minh e seus companheiros. O sul, abaixo do paralelo 17, seria governado por Bao Dai até a eleição que decidiria sobre a reunificação do país. A eleição foi marcada para 1956.

O povo do Vietnã, entretanto, não aceitava a divisão e tudo indicava que em 1956 elegeria seu herói nacional Ho Chi Minh para governar o país e dirigir a reunificação. Antecipando-se à derrota, o primeiro ministro nomeado por Bao Daí, o direitista Ngô Dinh Diem, deu um golpe de Estado. Ele convocou um plebiscito para outubro de 1955, que pôs fim à monarquia e o elegeu presidente da República. Em seguida, rompendo os acordos de Genebra, Diem declarou o sul independente e cancelou a eleição marcada para 1956. O apoio de Washington foi imediato, justificado por uma declaração de 1954 do presidente dos EUA, o general Dwight David Eisenhower, e que lançou a chamada teoria do dominó:

 
Se você colocar uma série de peças de dominó em fila e empurrar a primeira, logo todas acabarão caindo, até a última… Se permitirmos que os comunistas conquistem o Vietnã corremos o risco de se provocar uma reação em cadeia e todo os estados da Ásia Oriental tornar-se-ão comunistas, um após o outro.”
 
 
 

Diem foi um títere feroz dos EUA. A presença de “conselheiros” militares estadunidenses crescia desde os anos anteriores.

Para lutar contra a ditadura, uma aliança entre comunistas e nacionalistas e patriotas criou, em dezembro de 1960, a Frente de Libertação Nacional (FLN), que iniciou a guerra de guerrilhas contra o governo sul-vietnamita. Tentando isolar os combatentes da FLN de sua base camponesa, o regime de Diem – sempre com apoio militar dos EUA – começou a esvaziar os povoados rurais suspeitos de apoiar a guerrilha, alojando a população em “povoados estratégicos” que eram verdadeiros campos de concentração. Foi o reinado do terror, e a polícia secreta logo chegou a ter centenas de milhares de agentes. “Seus processos eram incrivelmente cruéis”, diz Bertrand Russel, que citou denúncias do monge Thich Thien Hao segundo as quais até 1963 foram assassinadas cerca de 163 mil pessoas; outras 700 mil foram torturadas e mutiladas; havia 400 mil presos; 31 mil pessoas foram violentadas; três mil foram estripadas tendo o fígado arrancado enquanto ainda viviam; quatro mil foram queimadas vivas. E o auge da guerra ainda estava longe…

A escalada militar dos EUA na guerra foi exponencial. Suas tropas de ocupação passaram de 900 soldados em 1960 para 11 mil em 1962, 50 mil em 1963, 180 mil em 1965, até o auge de 540 mil em 1969.

Mas a determinação da resistência vietnamita foi demonstrada ao mundo em 1968. Em janeiro daquele ano, a ofensiva do Tet (ano novo lunar)atacou 36 cidades no sul e chegou a ocupar a embaixada dos EUA em Saigon (atual Ho Chi Minh). O ataque arrazador foi contido, mas a vitória política foi inegável, demonstrando ao mundo a disposição de expulsar os invasores e reunificar o país. O impacto sobre o governo dos EUA, e também sobre a opinião pública estadunidense e mundial , foi muito forte: a guerra era cada vez mais impopular, e os políticos de Washington tiveram que admitir que seu fim estava longe, e que o melhor que alcançariam seria uma “paz honrosa” naquele conflito em cujo horizonte estava o espectro da derrota da maior potência financeira e militar do planeta.

A crônica da guerra, a partir de então, foi um rosário crescente de barbáries cometidas pelas tropas de ocupação (um exemplo foi o massacre em My Lai, uma aldeia onde soldados dos EUA estupraram mulheres e mataram pelo menos 102 camponeses, denunciado em 1970).

Houve então grande esforço diplomático para negociar uma paz, que envolvia a busca da saída honrosa ansiada por Washington, as pretensões do governo sul-vietnamita, e a chantagem militar dos EUA, cujos ataques, principalmente bombardeios aéreos, cresciam nos intervalos das negociações.

Um exemplo foi o bombardeio aéreo de Hanói e Haiphong, entre 18 e 30 de dezembro de 1972, considerado o mais devastador da história. Ao mesmo tempo, a ação dos bombardeiros se generalizou pela península indochinesa, atingindo o Camboja e o Laos.

O Vietnã foi o país mais bombardeado em guerras no século XX. Os aviões dos EUA jogaram sobre seu território 45 milhões de toneladas de bombas, mais do que caiu sobre a Alemanha em toda a Segunda Grande Guerra. A criminosa guerra química teve larga aplicação, com o uso desde bombas de napalm até desfolhantes químicos de vários tipos – o principal deles foi o desfolhante chamado agente laranja – despejados sobre florestas e também sobre plantações, envenenando a terra, rios e lagos.

Bertrand Russel citou o relato de um médico vietnamita que, na época, visitou várias aldeias que sofreram estes ataques. “Geralmente”, disse ele, “são empregados em forma de pó, ou lançados de forma líquida, sobre vastas extensões, por aeroplano”. Eles “envenenam a água, os alimentos, a vegetação, e toda vida animal e humana. O envenenamento da água e da vegetação amplia a ação das substâncias para áreas ainda maiores. Substâncias tóxicas são também misturadas ao arroz [e também ao açúcar – NR], que é a seguir vendido ou distribuído entre o povo. Encontrei isso nas províncias de Kon Tum e Gia Lai, em 1965”. Muitos vietnamitas morreram, entre grandes sofrimentos. “Examinei onze crianças que estavam seriamente doentes por terem nadado em um riacho que fora envenenado. Três delas ficaram cegas”.

Paradoxalmente – e demonstrando, mais uma vez, que a guerra é um acontecimento político, e não apenas tecnológico ou financeiro – essa inútil e sangrenta demonstração de força ocorria no período em que se acentuou o declínio da ocupação e do governo pró-EUA no sul. Em janeiro de 1973, o governo dos EUA, do então presidente Nixon, decidiu vietnamizar a guerra e começou a retirada de suas tropas, supondo que, dando armas e dinheiro, poderia transferir as operações para o exército títere do sul. Não deu certo, e o fim se aproximava rapidamente. A ofensiva guerrilheira e das tropas regulares dos vietnamitas cresceu em 1974, desarticulando as desmoralizadas forças militares do sul e, no final, seu próprio governo ilegítimo. Daí até a vitória final, em 30 de abril de 1975, foi um passo

Naquele 30 de abril de 1975 as tropas nortistas ocupam Saigon e a rebatizam como Ho Chi Minh, em homenagem ao líder falecido em 1969. A unificação nacional foi formalizada em 2 de julho de 1976 com o nome de República Socialista do Vietnã, 31 anos depois de ter sido anunciada.

Aquela foi uma guerra sórdida. Matou 1,5 milhão de vietnamitas (do norte e do sul), feriu 3 milhões – quase 4% de mortos e 8% de feridos numa população que atingia, então, 39 milhões de pessoas. Os EUA tiveram cerca de 58 mil mortos, 313 mil feridos, e gastaram no mínimo 600 bilhões de dólares.

O livro de Bertrand Russel, escrito no calor dos acontecimentos, é um relato de barbárie e heroísmo. E foi uma denúncia da barbárie da guerra imperialista e, também, uma homenagem aos que lutavam. “O povo do Vietnã é heróico e sua luta é épica: é um comovente e permanente exemplo do inacreditável ânimo de que os homens são possuídos quando lutam por um ideal nobre. Saudemos o povo do Vietnã”, escreveu ele. Este mesmo ânimo está na base do esforço de reconstrução e desenvolvimento do país, que marca o período de paz iniciado depois da derrota dos três imperialismos.

 
 
  • Hobsbawn, Eric. Era dos extremos – o breve século XX. São Paulo, Cia das Letras, 1995.
  • Le Thanh Khoi. “Algumas características dos movimentos nacionais no Sudeste Asiártico”. In Santiago, Theo.
    Descolonização. Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves Editora, 1977.
  • Morrock, Richard. “Revolução e intervenção no Vietname”. In Horowitz, David.
    Revolução e Repressão. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1969.
  • Partido Comunista do Vietnã. IXe Congrès National – documents. Hanoi, Editions Thê Giói, 2001_
  • Russel, Bertrand. Crimes de guerra no Vietnã. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1967.

Texto em português do Brasil



 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/vietna-45-anos-da-vitoria-contra-o-imperialismo-dos-eua/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=vietna-45-anos-da-vitoria-contra-o-imperialismo-dos-eua

Há 45 anos, o povo do Vietname venceu a agressão e conquistou a paz

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A libertação de Saigão (como então se chamava a atual Cidade de Ho Chi Mihn) com a entrada das forças da Frente de Libertação do Vietname, a 30 de abril de 1975, marca o fim da longa luta do povo vietnamita pela sua libertação nacional e fim da agressão estrangeira.

Desde a década de 40 do século XX, o povo vietnamita enfrentou a ocupação japonesa, o colonialismo francês e a agressão norte-americana, ou seja, a intervenção de poderosas potências económicas e militares, incluindo a mais poderosa do mundo. A todas venceu!

A tenacidade, abnegação, unidade e patriotismo do povo do Vietname revelaram-se mais fortes do que as mais avançadas armas e os mais bem equipados soldados. A vitória consumada em abril de 1975 mostrou que nenhuma força, por mais poderosa e brutal que seja, pode travar um povo que luta pelo seu direito a ser livre e a escolher soberanamente o seu próprio rumo de desenvolvimento.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação https://bit.ly/2SsdqH5

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/01/ha-45-anos-o-povo-do-vietname-venceu-a-agressao-e-conquistou-a-paz/

Vietname há 12 dias sem novos casos de Covid-19

Apesar de algum abrandamento nas medidas de distanciamento físico e da progressiva normalização da vida quotidiana, o país asiático já soma 12 dias sem novos infectados pelo coronavírus SARS-CoV-2.

O Vietname está há 12 dias sem novos casos de infecção pelo novo coronavírus, mas tem cerca de 45 mil pessoas em quarentena ou sob observaçãoCréditos / Nikkei Asian Review

O Vietname tem sido apontado como um exemplo na luta contra a Covid-19. Com cerca de 96 milhões de habitantes, regista 270 casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, 225 pacientes recuperados e zero falecidos.

A comissão nacional que lida com a pandemia referiu que, dos 45 doentes activos, 16 tiveram resultado negativo uma ou duas vezes no teste detecção, sendo assim previsível que o número de pessoas recuperadas possa aumentar nos próximos dias, informa a Prensa Latina.

Outro dado positivo diz respeito à diminuição dos que estão em quarentena ou sob observação em centros médicos ou nas suas casas, que, numa semana, passaram de 65 mil para os actuais 45 mil.

Outro desafio consiste em evitar novos contágios – uma tarefa que se complica em função do repatriamento, iniciado há alguns dias, de cidadãos que ficaram retidos no estrangeiro por questões de estudo, trabalho ou turismo.

Na sexta-feira, foi trazido de volta um grupo de vietnamitas que estavam no Japão, e, ao fazerem testes de despistagem à chegada, dois deles tiveram resultado positivo na infecção por SARS-CoV-2.

Vietnamitas amigos de Cuba doam verba para ajudar a combater Covid-19

O Clube de Ex-Estudantes Vietnamitas em Cuba juntou 67 600 dólares para ajudar a Ilha a enfrentar a pandemia. No acto de entrega, esta segunda-feira, a embaixadora de Cuba em Hanói, Lianys Torres, disse que recebia este dinheiro com «especial emoção», pois vem daqueles a que «Fidel chamou "cubanos nascidos noutro país"», e por ser conhecedora do «grande esforço que fizeram», na medida em que é dinheiro retirado «das suas poupanças e pensões».

Acto de entrega da verba recolhida pelo Clube de Ex-Estudantes Vietnamitas em Cuba / Embaixada de Cuba no Vietname / Prensa Latina

A diplomata cubana lembrou que o surto do novo coronavírus na Ilha coincide com o recrudescimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, pelo que, «a solidariedade» do Vietname possui um «valor incalculável», informa a Prensa Latina.Por seu lado, Tran Thanh Dong, presidente do Clube, disse que o gesto dos seus membros se fundamenta «na lembrança inolvidável» que têm de Cuba e no seu «amor» pelo país caribenho, bem como «na preocupação pelo momento difícil por que passam» os cubanos.

Entre os cerca de 700 doadores está a jovem Le Huong, que se licenciou em Ciências Farmacêuticas na província cubana de Villa Clara e entregou um cheque de 2000 dólares. Em declarações à agência cubana, disse que «Cuba deve saber que não está sozinha e que o Vietname estará sempre ao seu lado».

O vice-presidente permanente da Associação de Amizade Vietname-Cuba, Nguyen Viet Thao, referiu que, quase 60 anos depois de terem estabelecido relações diplomáticas, «os dois países se reencontram na solidariedade e na fraternidade».

Há dez dias, o Partido Comunista do Vietname, o Estado e o povo vietnamitas ofereceram ao país caribenho 5000 toneladas de arroz, para o ajudar a resolver as suas dificuldades alimentares em plena luta contra a Covid-19.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/vietname-ha-12-dias-sem-novos-casos-de-covid-19

Lenine por Minh


«Após a Primeira Guerra Mundial, eu levava minha vida em Paris, ora como retocador de fotografias, ora como pintor de “antiguidades chinesas” (feitas em França!). Também distribuía panfletos denunciando os crimes cometidos pelos colonizadores franceses no Vietname. 

Naquele tempo, eu apoiava a Revolução de Outubro apenas por intuição, não tendo em mente ainda toda a sua importância histórica. Eu amava e admirava Lenine porque ele era um grande patriota que libertara os seus compatriotas; até então, eu não havia lido nenhum dos seus livros.

A razão para eu ter aderido ao Partido Socialista Francês foi porque essas “damas e cavalheiros” – como eu chamava aos meus camaradas na época – demonstraram a sua simpatia por mim, pela luta dos povos oprimidos. Mas eu não entendia o que era um partido, um sindicato, nem mesmo o socialismo ou o comunismo.

Discussões acaloradas aconteciam nos comités do Partido Socialista sobre a dúvida de se deveríamos continuar na Segunda Internacional, se deveria ser fundada uma Segunda Internacional e Meia ou se o Partido deveria juntar-se à Terceira Internacional de Lenine. Eu comparecia aos encontros com frequência, duas ou três vezes por semana, e ouvia atentamente a discussão. No início, eu não conseguia entender o assunto por completo. Por que os debates eram tão acalorados? Seja com a Segunda, a Segunda e Meia ou a Terceira Internacional, a revolução poderia ser alcançada. Qual o objetivo de discutir sobre isso? E a Primeira Internacional, o que aconteceu com ela?

O que eu mais queria saber – e o que justamente não era debatido nos encontros – era: qual Internacional está do lado dos povos das colónias? Eu levantei essa dúvida – a mais importante em minha opinião – no encontro. Alguns camaradas responderam: é a Terceira Internacional, não a Segunda. E um camarada deu-me para ler a “Teses sobre a questão nacional e colonial” de Lenine, publicadas pelo L’Humanité.

Havia termos políticos difíceis de entender nessa teses. Mas por meio do esforço de lê-la e relê-la pude finalmente apreender a maior parte deles. Que emoção, entusiasmo, esclarecimento e confiança essa obra provocou em mim! Eu me regozijava em lágrimas. Embora estivesse sentado sozinho no meu quarto, eu gritei fortemente, como se me dirigisse a grandes multidões: “Caros mártires compatriotas! É disso que precisamos, este é o caminho para nossa libertação”! A partir dali, tive plena confiança em Lenine e na Terceira Internacional. »
No seguimento do que escrevi ontem, lembrei-me hoje deste texto memorável. A memória tem destas coisas. Antes de ser Ho Chi Minh, assinalando assim os 90 anos do nascimento de Lenine, nasceu com o nome de Nguyễn Sinh Cun. Como relata o historiador David Priestland em A Bandeira Vermelha, uma equilibrada história do comunismo, este vietnamita tentou chegar à fala com o presidente norte-americano Woodrow Wilson em 1919, na altura da Conferência Internacional de Paris, em nome do povo da Indochina, inspirado na altura pela ideia da autodeterminação nacional a que Wilson tinha dado aparentemente fôlego. Terá confirmado que o nacionalismo liberal ainda era basicamente para ocidentais (e como soará hoje estranha a junção destas duas palavras, nacionalista e liberal, para tantos ideólogos que andam por aí...). Para o resto do mundo, era mesmo imperialismo. Por isso, tenho defendido, contra a visão liberal da história, mais Lenine e menos Wilson. Afinal de contas, quem escreveu memoravelmente sobre imperialismo, em plena barbárie da Primeira Guerra Mundial, aprendendo tudo com a melhor economia política social-liberal britânica, com John Hobson, entre outros? Só partindo das formas de imperialismo se podia, e se pode, colocar universalmente as formas da decisiva questão nacional. Profundamente influenciado pela leitura histórico-filosófica de Domenico Losurdo, valorizo hoje mais o marxismo dito oriental, o que colocou as questões da construção do Estado, da inserção internacional, da combinação de mecanismos de coordenação económica do que um certo marxismo dito ocidental, o que acabou na crítica politicamente impotente, relativizando, por exemplo, a importância da igualização das relações humanas representada pelo levantamento anti-colonial e seus efeitos de longo prazo. Enfim, lembrei-me do líder da independência de um povo que derrotou os impérios japonês e francês e, já depois da sua morte, o império norte-americano e que hoje é reconhecidamente um exemplo no combate ao Covid-19. Adenda. Mudando de geografia, mas não de abordagem, regressando ao rectângulo, gostei de ler o artigo de João Ferreira sobre a União Europeia nos 150 anos de Lenine.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

O inédito caso do Vietname. Tinha tudo para correr mal, mas continua com zero mortes

 

O Vietname é um país em desenvolvimento, que possui uma grande fronteira terrestre com a China e uma população de 97 milhões de pessoas, mas ainda não relatou uma única morte por coronavírus.

A 21 de abril, o país havia relatado 268 casos de covid-19, com mais de 140 pessoas a recuperarem completamente.

A razão pela qual o Vietname conseguiu manter os pacientes à porta da morte é uma estratégia do Governo em três frentes distintas. Embora essas escolhas políticas possam não ser consistentes com a defesa das liberdades civis, elas estão a mostrar-se essenciais para manter a pandemia sob controlo.

Triagem e testes de temperatura

A partir de fevereiro, qualquer pessoa que chegasse ao aeroporto de uma grande cidade vietnamita precisava de passar por uma triagem compulsória de medição da temperatura corporal e preencher uma autodeclaração de saúde, informando os seus dados de contacto e histórico de viagens e saúde.

 
 

Agora, estas medidas são obrigatórias para todos os que entram nas principais cidades e algumas províncias por terra e para todos que entram num edifício governativo ou hospital.

Qualquer pessoa com temperatura corporal acima de 38°C é levada ao centro médico mais próximo para testes mais detalhados. Aqueles que comprovadamente mentiram na sua autodeclaração, ou que resistem a declarar completamente, podem ser acusados criminalmente.

Também houve testes intensivos por todo o país. Foram instaladas estações de teste nas cidades, nas quais todos os cidadãos podem participar. As comunidades que vivem perto de casos confirmados são rapidamente testadas e colocadas em confinamento.

A 5 de março, o Vietname tinha validado três kits de teste diferentes, cada um a custar menos de 25 dólares e produzindo resultados em 90 minutos. Tudo isto está a ser fabricado no Vietname. O custo dos testes é importante em todos os lugares, mas é particularmente importante em economias emergentes como o Vietname e estes kits de teste acessíveis ajudaram a estratégia intensiva de testes do Governo.

Confinamentos direcionados

O segundo ponto da abordagem do Vietname é a quarentena e os confinamentos. Desde meados de fevereiro, o povo vietnamita que volta para casa do exterior fica em quarentena durante 14 dias na chegada e faz o teste para a covid-19.

A mesma política de quarentena foi aplicada aos estrangeiros que vieram para o Vietname. Qualquer pessoa que tenha entrado em contacto direto com uma pessoa infetada, cujos detalhes sejam divulgados, é incentivada a entrar em quarentena. Se for descoberto que alguém entrou em contacto com alguém que deu positivo, eles serão colocados em quarentena obrigatória.

Em março, o Vietname começou a pôr cidades inteiras em quarentena. Viajar entre cidades agora é altamente restrito. Em Danang, no centro do Vietname, qualquer pessoa que não seja um residente registado da cidade, mas deseje entrar, deve submeter-se a uma quarentena de 14 dias numa instalação aprovada pelo Governo.

Aldeias de 10.000 pessoas foram cercadas por conta de casos únicos. Bach Mai, um famoso hospital de 3.200 pessoas em Hanói, que também é um dos principais centros de tratamento covid-19, foi fechado no final de março após um membro da equipe contratado externamente ter testado positivo. Empresas, estatais e privadas, são fechadas, e os setores de turismo e companhias aéreas são essencialmente congelados.

Comunicações constantes

Desde o início de janeiro, o Governo vietnamita comunicou amplamente aos cidadãos sobre a gravidade do coronavírus. As comunicações foram claras: a covid-19 não é apenas uma gripe má, mas algo a ser levado extremamente a sério; portanto, as pessoas são aconselhadas a não arriscarem a sua vida ou a de outras pessoas.

O Governo tem sido criativo nos seus métodos de comunicação. A cada dia, diferentes partes do Governo vietnamita enviam informações aos cidadãos. Detalhes sobre sintomas e medidas de proteção são comunicados via texto para telemóveis em todo o país. O Governo também fez parceria com plataformas de mensagens para distribuir atualizações.

Isto é associado à arte da propaganda em todo o país e aos carimbos que disseminam ainda mais as mensagens de saúde pública sobre o vírus. As cidades do Vietname são enfeitadas com pósteres que lembram os cidadãos do seu papel de impedir a propagação do vírus.

Mesmo que alguns casos ainda não tenham sido detetados pelas autoridades, não há dúvida de que a abordagem vietnamita foi eficaz na redução da propagação do vírus. Combinadas, estas medidas significam que o Vietname ainda não sofreu nenhum surto comunitário de larga escala, o que devastaria uma cidade como Ho Chi Minh, com uma população de 11 milhões de habitantes, e sobrecarregaria o sistema de saúde do país.

As três frentes da estratégia do Vietname podem não ser totalmente consistentes com os ideais liberais, mas estão a funcionar. O sistema de saúde tem tempo para tratar cada paciente e, ao fazer isso, mantém o número de mortes por covid-19 em zero. O Vietname oferece lições importantes, pois a covid-19 deve espalhar-se ainda mais pelos países em desenvolvimento.

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/inedito-caso-vietname-320503

Vietname defende diálogo sem ingerências na Venezuela

A presidente da Assembleia Nacional, Nguyen Thi Kim Ngan, defendeu o diálogo entre venezuelanos, tendo como base a Constituição e sem ingerências externas, como via para solucionar a situação no país.

A presidente da Assembleia Nacional do Vietname, Kim Ngan, lembrou, ao receber Diosdado Cabello, que o seu país também sofreu um forte bloqueio e conseguiu superá-lo, com mais produçãoCréditos / noticias24.com

«Apoiamos o processo constituinte democrático na Venezuela, sob a liderança do presidente Nicolás Maduro, em prol de um desenvolvimento próspero», disse Kim Ngan esta segunda-feira, ao receber Diosdado Cabello, primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

Em nome do Partido Comunista e do Estado, a líder do Parlamento vietnamita expressou o desejo de que as forças políticas do país sul-americano dialoguem e encontrem soluções de longo prazo, tendo como base a Constituição, informa a Prensa Latina.

A também dirigente do Partido Comunista do Vietname (PCV) manifestou ainda a disposição do seu país para partilhar com Caracas experiências ao nível do desenvolvimento socioeconómico, especialmente na área da produção agrícola.

Por seu lado, Diosdado Cabello expôs os desafios que a Venezuela enfrenta no meio das campanhas crescentes da oposição, com a ajuda externa, para estrangular a economia e isolar politicamente e derrubar o governo legítimo de Maduro, contra a vontade da maioria do povo.

Avançar para nova etapa das relações bilaterais

O dirigente do PSUV elogiou os avanços da economia e da sociedade vietnamitas, e deixou clara a vontade do seu país em reforçar os laços de amizade com o país asiático, avançando para uma nova etapa das relações bilaterais de cooperação económica e de solidariedade, quando se aproxima o 30.º aniversário das relações diplomáticas Vietname-Venezuela.

Kim Ngan, que saudou a presença no Vietname de Cabello e dos demais elementos que integram a delegação venezuelana, recordou «com prazer o comandante Hugo Chávez e a denominada Operação Van Troi, executada há décadas por movimentos de esquerda do país bolivariano», refere a VTV.

Disse ainda: «Nós também estivemos no vosso lugar; depois da guerra, sofremos um forte bloqueio, e isso obrigou-nos a melhorar a produção, ao ponto de hoje podermos dizer que somos um dos grandes exportadores de arroz. Assim, tenho a certeza de vocês também conseguirão [vencer].»

Durante a sua permanência no Vietname, a delegação liderada por Cabello manteve encontros com diversos representantes vietnamitas, nomeadamente no Ministério dos Negócios Estrangeiros, na Academia Nacional de Política Ho Chi Minh e na União de Organizações de Amizade do Vietname.

Também visitou o Instituto de Investigação de Cultivos e Zonas de Desenvolvimento Agrícola, na província nortenha de Hai Duong.

Visita também à República Popular Democrática da Coreia

A chegada da delegação venezuelana ao Vietname, no sábado passado, foi precedida por uma visita «com sucesso» à Coreia do Norte, para também ali «reforçar os laços políticos e diplomáticos», indica a TeleSur.

Diosdado Cabello depositando um ramo de flores no monumento de Mansudae, em Pyongyang Créditos

Em Piongyang, Diosdado Cabello entregou ao líder norte-coreano, Kim Jong-un, uma carta enviada pelo presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, tendo sido ainda recebido por Pak Thae Song, presidente da Assembleia Popular, e mantido encontros com várias outras personalidades.

No Grande Monumento Mansudae, também na capital norte-coreana, o presidente da ANC prestou tributo aos antigos líderes Kim Il Sung e Kim Jong-Il, tendo depositado flores junto às estátuas que a ambos representam.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/vietname-defende-dialogo-sem-ingerencias-na-venezuela

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