Venezuela

'A situação está melhorando', diz Lavrov sobre crise na Venezuela

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em conferência sobre o Afeganistão em Genebra, Suíça
© Sputnik / Vitaliy Belousov

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, destacou mudanças positivas na Venezuela em entrevista desta terça-feira (23).

"Em relação à Venezuela, a situação está melhorando", afirmou o chanceler russo em entrevista à imprensa latinoamericana e à RT.

A entrevista foi concedida para responder questões sobre a viagem do diplomata à região, que será realizada entre esta terça-feira (23) e o sábado (27).

Lavrov apontou que depois que fracassaram as tentativas de "provocar a partir do exterior ma revolução colorida" se iniciou o processo de negociações em Oslo, na Noruega.

"Levando em conta as declarações positivas do presidente da Venezuela, [Nicolás] Maduro e seus opositores, quanto ao desenvolvimento do processo de negociações, espero que seja fechado um acordo que seja conveniente para todos e em primeiro lugar respeite os interesses do povo venezuelano", afirmou o chanceler.

O ministro informou que a Rússia se comunica com representantes dos círculos políticos da Venezuela.

"Nos comunicamos ativamente com os representantes dos círculos políticos da Venezuela: com o Governo, opositores, incluindo os representantes de Guaidó nos contatam; lhes explicamos que são inaceitáveis as tentativas de resolver os problemas internos provocando a ingerência a partir do exterior", disse.

Lavrov também mencionou, ainda falando sobre o contato com as partes venezuelanas, que são observadas ameaças constantes por parte dos Estados Unidos.

Crise continua, mas negociações avançam

Na semana passada, ocorreu em Barbados a quarta rodada de negociações entre o Governo venezuelano e a oposição, com mediação da Noruega.

Por sua parte, a chancelaria de Oslo emitiu um comunicado que assegurou que os diálogos vão continuar pediram às partes que adotem máxima precaução com as declarações emitidas.

Esta foi a segunda vez que as partes venezuelanas se encontram em Barbados para dar continuidade aos diálogos iniciados em 14 de maio, em Oslo.

Os contatos realizados no país europeu foram os primeiros de aproximação de o recente aumento da tensão política no país.

A crise venezuelana se agravou a partir de janeiro, quando Nicolás Maduro tomou posse do mandato de presidente e em seguida o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino em desafio à autoridade presidencial.

Guaidó foi reconhecido por diversas nações da região, como Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Paraguai e Chile, que se somaram ao apoio manifestado a Guaidó pelos Estados Unidos. Cerca de 50 países seguiram os norte-americanos, a metade destes na Europa.

Já Rússia, China, Índia, Turquia, Irã, Cuba, Bolívia, Uruguai e México estão entre os países que apenas reconhecem Maduro como o presidente legítimo da Venezuela.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019072314268711-a-situacao-esta-melhorando-diz-lavrov-sobre-crise-na-venezuela/

Governo Maduro culpa 'ataque eletromagnético' por novo apagão na Venezuela

Jorge Rodríguez, alcalde de Caracas
© REUTERS / Marco Bello

Os resultados das primeiras investigações realizadas pelo governo da Venezuela indicam que o blecaute que afeta grande parte do território nacional nesta segunda-feira foi um ataque eletromagnético, afirmou o ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez.

"As primeiras indicações recebidas da investigação [...] orientam a existência de um ataque eletromagnético que procurou afetar o sistema de geração hidrelétrica de Guayana, o principal provedor deste serviço no país", disse Rodriguez em um comunicado transmitido pela Telesur.

No entanto, o secretário de Estado venezuelano disse que, graças aos protocolos implementados pelo governo, o "fornecimento de eletricidade será reconectado no menor tempo possível".

A Venezuela estava no escuro nesta segunda-feira desde as 16h40 (hora local), e uma fonte do governo confirmou à Sputnik que todos os estados do país foram afetados.

"O apagão é geral, até o Bolívar (sul) está sem energia", informou a fonte do governo.

O blecaute afetou o transporte subterrâneo que liga Caracas de leste a oeste, bem como o sistema de trens que liga a capital às cidades periféricas, o que, somado à falta de semáforos, causou caos nos veículos nas ruas e avenidas.

Em março, a Venezuela foi afetada por uma série de apagões que deixaram quase todo o país sem eletricidade por vários dias que, segundo as investigações do governo, foram devidos a vários ataques para agravar a situação do país.

A crise econômica hiperinflacionária do país rico em petróleo levou à escassez generalizada de alimentos e remédios, levando mais de 4 milhões de venezuelanos a deixar o país.

A rede nacional de eletricidade da Venezuela caiu em desuso depois de anos de investimento e manutenção inadequados, segundo a oposição e especialistas em energia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019072214260719-governo-maduro-culpa-ataque-eletromagnetico-por-novo-apagao-na-venezuela/

Países Não Alinhados solidarizam-se com a Venezuela e afirmam a defesa da paz

O Movimento dos Países Não Alinhados (MPNA) apresentou uma declaração em que condena a ingerência dos Estados Unidos e a imposição de sanções unilaterais à Venezuela.

Sessão de abertura da reunião ministerial do Gabinete de Coordenação do MPNA, com a intervenção do presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás MaduroCréditos / http://mppre.gob.ve

A Declaração de Caracas foi assinada por representantes dos 120 países que participaram, este fim-de-semana, na reunião ministerial do Gabinete de Coordenação do MPNA, preparatória da XVIII Cimeira do Movimento, que deve ter lugar em Outubro no Azerbaijão, altura em que a Venezuela deixa a presidência da organização.

No documento, exige-se que os Estados Unidos levantem de imediato as sanções económicas e financeiras impostas ao país caribenho, sublinhando que só à Venezuela cabe decidir o seu futuro, sem interferências de nenhum outro Estado, de acordo com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas.

Rejeitando qualquer intervenção estrangeira no país sul-americano, a declaração do MPNA promove o apoio ao diálogo que o governo de Nicolás Maduro e a oposição levam a efeito em Barbados, sob os auspícios da Noruega.

Antes da leitura da Declaração e do encerramento do encontro, este domingo, o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, interveio para, entre outros aspectos, denunciar que as medidas unilaterais impostas de forma continuada por um grupo de países ocidentais contra diversos estados soberanos «violam os propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas», informa a AVN.

Intervenção do ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif Créditos

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, caracterizou «as sanções impostas pelo governo norte-americano» como «terrorismo económico».

«Não podemos permitir que os EUA continuem a implementar este tipo de acções porque são terrorismo puro», disse, frisando que as últimas sete administrações dos EUA quiseram castigar o Irão por «não apoiar o seu regime». Acrescentou que Cuba e Venezuela também foram vítimas da mesma política, «por se terem recusado a apoiar o terrorismo».

Grupo de trabalho contra medidas coercitivas e unilaterais

No âmbito das reuniões celebradas este fim-de-semana em Caracas, os países-membros do MPNA decidiram criar um grupo de trabalho contra as medidas coercitivas unilaterais impostas pela administração norte-americana e outros países ocidentais para asfixiar a soberania dos povos.

Durante o fórum, Jorge Arreaza informou que esse grupo vai incluir um grupo especial que se irá dedicar ao estudo da questão, de modo a «conter as agressões unilaterais contra a soberania dos nossos povos».

Por seu lado, o chefe da diplomacia cubana, Bruno Rodríguez, defendeu que a «comunidade internacional deve promover soluções baseadas no princípio do Direito Internacional», tendo lembrado que a região da América Latina e das Caraíbas «enfrenta o desafio de travar a tentativa de aplicação, por parte da administração dos EUA, a velha e obsoleta Doutrina Monroe».

«A isso, junta-se uma doutrina ferozmente macartista, com uma agenda anti-imigrante, com uma carga xenofóba, como as que vemos nos EUA contra as crianças do nosso continente», sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros da maior ilha das Antilhas.

Agressão à Palestina

Tendo em conta as agressões constantes ao povo da Palestina – nomeadamente o bloqueio de fundos por parte dos EUA – e o agravamento do conflito nesse país, o chefe da diplomacia venezuelana propôs a criação de um fundo humanitário que ajude a libertar os palestinianos dos ataques que enfrentam, revela a AVN.

Riyad al-Maliki, titular da pasta dos Negócios Estrangeiros da Palestina, disse que o MPNA tem a responsabilidade de defender uma ordem mundial baseada no respeito mútuo e na não agressão, e que a comunidade internacional deve tomar medidas contra as sanções unilaterais da Casa Branca.

A este propósito, al-Maliki lembrou aos restantes membros do Movimento dos Países Não Alinhados que «permitir a esta aliança entre Estados Unidos e Israel espezinhar o direito internacional na Palestina é conceder-lhe uma licença para que faça o mesmo em qualquer parte do mundo».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/paises-nao-alinhados-solidarizam-se-com-venezuela-e-afirmam-defesa-da-paz

Maduro propõe diálogo permanente com oposição venezuelana

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas
© Sputnik / Stringer

O governo da Venezuela está disposto a manter um diálogo permanente com a oposição, após resultados da última rodada de negociações em Barbados, disse o presidente Nicolás Maduro.

No início de julho, as autoridades venezuelanas anunciaram que o governo e a oposição haviam concordado em manter um diálogo permanente sobre a paz.

"Ontem, a delegação venezuelana retornou da segunda rodada de negociações em Barbados... Nossa proposta fundamental é criar uma 'mesa' permanente para o diálogo com a oposição venezuelana pela paz e pela Venezuela", disse Maduro durante uma reunião com o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

As partes têm mantido as conversas em Barbados com foco em economia, política, cultura e a esfera social. Maduro disse estar otimista sobre o resultado, enquanto o ministro das Comunicações, Jorge Rodriguez, classificou as negociações de "bem-sucedidas".

Em maio, Maduro ofereceu à oposição, que atualmente controla o parlamento, a realização de eleições antecipadas para o Congresso, que atualmente está praticamente paralisado, pois as funções legislativas são implementadas pela Assembléia Nacional Constituinte.

Nesta sexta-feira, Maduro sugeriu que as eleições estariam próximas e acrescentou que espera receber um plano detalhando dos seus assessores para preparar o PSUV para as próximas eleições.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019072014241076-maduro-propoe-dialogo-permanente-com-oposicao-venezuelana/

Política e organização social: o que são e como atuam os "coletivos" venezuelanos

 
 
Reportagem do Brasil de Fato conversou com líderes de algumas organizações cívico-militares; em Caracas, são mais de 80
 
Fania Rodrigues | Brasil de Fato, Caracas (Venezuela)
 
Aos pés do Quartel da Montanha 4F, onde repousam os restos mortais do ex-presidente Hugo Chávez, vivem homens e mulheres de ideias radicais. É nessa região central de Caracas onde estão localizados os bairros populares de La Piedrita e 23 de Enero, considerados históricos pelo chavismo revolucionário.

Trata-se do território das organizações conhecidas na Venezuela como coletivos revolucionários, movimentos sociais armados e que desempenham um amplo papel nas comunidades onde atuam – atividades sociais, políticas, culturais, esportivas, auxílio na organização da economia local, até a defesa em armas da Revolução Bolivariana.

A estimativa é de que existam cerca de 80 coletivos na grande Caracas. Alguns deles fazem parte dos cordões de segurança do palácio presidencial de Miraflores. É o caso do Coletivo Catedral Combativa, cuja sede está a poucos metros do palácio, dentro de sua zona de segurança.

 
"Revolução pacífica, mas não desarmada"

O Brasil de Fato esteve com coletivos e entrevistou com exclusividade alguns de seus líderes mais conhecidos.

Entre eles está o veterano Valentín Santana, líder do La Piedrita, o coletivo mais antigo da Venezuela, com 34 anos de atividades.

Segundo Valentín, atualmente, a principal tarefa dos coletivos revolucionários é a proteção de suas comunidades contra possíveis ataques de grupos armados vinculados à direita venezuelana, assim como contra as guarimbas – protestos violentos liderados por opositores ao governo de Nicolás Maduro.

Santana afirma que o acirramento do cenário político na Venezuela fez com os coletivos, que haviam entregado armas ao governo em 2014, voltassem a armar-se. “Apesar de que entregamos as armas em um ato com o presidente da República, no Quartel da Montanha, nos vimos obrigados a retomar o uso das armas, porque nosso inimigo está melhor armado que nós”, explicou.

Os coletivos afirmam que usam as armas apenas em situações de emergência, que envolvem a segurança nacional. Na maioria dos casos, informam, o arsenal de que dispõem fica custodiado pelas Forças Armadas.

Isso porque os integrantes desses grupos estão inscritos e organizados através das Brigadas Bolivarianas, que é um dos cinco componentes da Força Armada Nacional Bolivariana, além do exército, marinha, aeronáutica e a guarda nacional. Há ainda outra parte dos coletivos, fora das Brigadas, que está autorizada pelo Estado a custodiar as armas, sobretudo nas regiões onde é necessário maior esquema de segurança.
 
 
O líder do coletivo La Piedrita relata que setores mais radicais da oposição armaram grupos irregulares para atacar os coletivos e os líderes sociais chavistas. Desde 2014 foram assassinados 14 líderes políticos do chavismo, o mais destacado deles foi o deputado Robert Serra.

“Os grupos armados opositores compraram fuzis, pistolas 9 mm, granadas. Estão bem armados. Não deixaram outro caminho que não fosse a violência. Então estamos obrigados a nos defender, como o fizemos no passado”, afirma Valentín.

Já o líder do coletivo Resistencia y Rebelión, Jorge Navas, afirma que os grupos armados opositores contam com pelo menos 300 "soldados", que controlam a parte alta do território da capital venezuelana.

“Caracas é um vale e em todos os corredores estratégicos, nas partes altas desse vale, a direita está armando grupos paramilitares, para em momentos precisos atacar o processo bolivariano”, frisa o líder do coletivo Coordinadora Simón Bolívar, Juan Contreras.

De acordo com Contreras, o cenário tornou-se mais complexo nos últimos oito anos. “Depois de 2011, passamos a ver coisas que na Venezuela não existiam: grupos paramilitares e narcotraficantes controlando territórios, armados com fuzis. Trata-se de uma delinquência fortemente armada. Quando ocorrem guarimbas, esses grupos atuam sob orientação dos setores da direita”, ressalta.

"Esta é uma revolução pacífica, mas não está desarmada", dizia o ex presidente Hugo Chávez. O que se converteu em praticamente o lema dos coletivos armados, dispostos matar e morrer por aquilo que eles acreditam: o ideal socialista. “Falar sobre as armas na Venezuela não é tabu. As armas que estão na República Bolivariana da Venezuela, do lado chavista, são para defender o pátria e a revolução”, ressalta Valentín Santana.

Preparando-se para a guerra

As reiteradas ameaças de intervenção militar por parte do governo dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro acenderam os alarmes, sobretudo no setor chavista mais arraigado. Os integrantes da organização cívico-militar Brigadas Bolivarianas estão realizando treinamentos militares, além disso os próprios coletivos começaram a preparar-se para um possível cenário de conflito armado contra exércitos estrangeiros.

Por isso, estão criando campos de treinamento militar nos bairros populares para preparar toda a população.

O comandante da Frente de Coletivos da Venezuelana, Alfredo González, integrante da Comissão de Defesa acredita que os venezuelanos estão dispostos a enfrentar qualquer exército invasor. “Estamos dispostos a defender nossa pátria, como nossa própria vida, e com as armas, em perfeita união cívico-militar. Estamos convidando a todos, que se alistem, porque a qualquer momento o império vai nos ameaçar e nós vamos dizer: presidente, aqui está o povo em armas”.

“Estamos preparados para a hora da invasão. Temos inclusive pessoas responsáveis de evacuar às crianças, temos outras para resguardar às pessoas doentes, aos idosos. O bloqueio não está dando o resultado que eles esperavam, então lhes resta a alternativa militar. Estamos preparados para isso. Não tenha dúvida de que os gringos vão receber uma tremenda lição desse povo. Nós não somos guerreiristas, mas também não vamos deixar que nos destruam”, avisa Valentín, líder do coletivo da comunidade La Piedrita.

"Somos 30 milhões de habitantes e se tem algo que o império tem medo é de um povo organizado”, diz o comandante de treinamentos com os coletivos", completa Alfredo González.

Um olho no plantio, outro no fuzil

“Joelho em terra, fuzil no ombro e baioneta empunhada”, diz líder do coletivo Resistencia y Rebelión, Jorge Navas. Ele afirma que o momento atual da Venezuela exige que essas organizações tenham um olho na plantação de alimentos e o outro no fuzil: “Aqui não podemos nos dar o luxo de estar descuidados. O império diz que não vem [invadir a Venezuela] e nós temos que continuar preparados para cuidar a paz”.


Nesse contexto de escassez, muitos dos coletivos também estão dedicando ao plantio, em hortas comunitárias, mas também na criação de animais fontes de proteínas.

No extremo sul da capital venezuelana, no bairro Valle del Tuy, um coletivo homônimo é liderado pelo agricultor José Cárdenas. Segundo ele,  a principal tarefa política nessa região, uma das mais pobres de Caracas, é a segurança alimentaria.

“Estamos preparados para responder a qualquer cenário, tanto militar como organizativo. Temos produção comunitária, uma plantação onde todos os dias colhemos frutas e verduras. Com essa situação do país tivemos que voltar cultivar e criar peixe, gado, porco. Temos que estar preparados”, enfatiza Cárdenas.

Luis Cortés, líder do coletivo Catedral Combativa explica que há diversas formas de atuação dos coletivos: “[Trabalhamos] na área da cultura, da organização comunitária e, nesse momento em que vivemos uma guerra econômica, nos encarregamos da produção de alimentos de primeira necessidade. Estamos plantando e cultivando alimentos para atender a comunidade”.
 
Origem ligada à luta armada dos anos 1960

Para entender como esses movimentos sociais associaram armas com trabalho comunitário e social é preciso voltar no tempo. Sua origem está vinculada às guerrilhas e movimentos políticos insurgentes dos anos 1960, que optaram pela luta armada contra o governo autoritário do presidente Rómulo Betancourt (1959-1964).

"Nascemos de uma necessidade de nos proteger das forças repressivas dos governos da Quarta República [período entre 1953 e 1999]. Perseguiam os revolucionários e nos torturavam. Inclusive nos massacraram. Isso nos levou a estar mais unidos. Assim nascemos como coletivo”, conta Valentín Santana, líder do coletivo La Piedrita, fundado em 1985.

De acordo com Santana, a expressão “coletivo” vem da necessidade de andar juntos, "em coletivo, para poder mantermo-nos vivos”.

No bairro 23 de Enero, por exemplo, ele estima que mais de 130 dirigentes políticos tenham sido assassinados nos anos de “democracia” bipartidária.

Nessa época, existiam três partidos na Venezuela: o social-democrata Ação Democrática, de centro-direita, o social-cristão Coopei, que abrigava a burguesia mais conservadora, e o Partido Comunista, que estava na ilegalidade. Os partidos Ação Democrática e Coopei governaram o país por 51 anos, entre 1958 e 1999, revezando no poder a cada mandato.

O líder do coletivo Coordinadora Simón Bolívar, Juan Contreras, do bairro 23 de Enero conta um pouco dessa história. “A esquerda na Venezuela tem duas origens principais. Uma delas é o Partido Comunista da Venezuela [PCV], criado em 1931. A outra é o Movimento Esquerda Revolucionária [MIR], que nasce na década de 1960, produto de uma divisão do partido social-democrata Ação Democrática”, explica Contreras.
 
A maioria dos fundadores e integrantes dos coletivos têm como origem política essas organizações. Tanto o PCV como o MIR aderiram à luta armada nos anos 1960 e 1970. Em 1965, o PCV saiu da luta armada porque considerava que havia sido derrotada.

Nesse processo há uma divisão interna do partido de onde nasce o Partido da Revolução Venezuelana (PRV), que tinha como braço armado a guerrilha Fuerzas Armadas de Liberación Nacional, dirigida por Douglas Bravo. “Depois da morte de Ernesto Che Guevara, na Bolívia, o ano de 1965, podemos dizer que o guerrilheiro mais conhecido nesse momento era Douglas Bravo”, destaca Contreras.

No ano 1969 o MIR também passa por uma divisão, dando origem a duas novas organizações políticas armadas: Bandera Roja e Organización de Revolucionarios. As duas atuavam na ilegalidade, mas mantinham braços legais.

A Organización de Revolucionarios tinha como frente política legalizada a Liga Socialista, cujo fundador e dirigente era Jorge Rodríguez, pai do atual ministro da Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez e da vice-presidente da República, Delcy Rodríguez.

Jorge Rodríguez, o pai, morreu em uma sessão de tortura, acusado de participar do famoso sequestro do empresário norte-americano William Niehous, o mais longo sequestro político registrado na Venezuela, com duração de três anos, entre 1976 e 1979. Essa também foi a organização política em que o presidente Nicolás Maduro militou em sua juventude.

Por outro lado, alguns dos movimentos dessa época terminaram se aliando com a direita venezuelana. É o caso do Movimiento al Socialismo (Mas), um braço do MIR que havia se transformado em uma guerrilha, e da Bandera Roja. “Essas duas organizações fazem parte, atualmente, setor armado da oposição”, afirma Jorge Navas.
 
Chávez no poder

A maioria dos dirigentes dessas organizações tinham vida política no bairro 23 de Enero, que se tornou um ponto de resistência e luta subversiva.

“As guerrilhas estavam no campo, mas também nas cidades. As guerrilhas urbanas estavam no 23 de Enero. A esquerda sempre esteve presente no bairro mais pobres, devido às condições. Nós que crescemos aqui crescemos em meio ao calor dos combates entre a força pública e a guerrilha”, relembra Juan Contreras.

Mesmo durante os anos 1990, os líderes políticos dessas organizações seguiam perseguidos. A chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1998, provoca um processo de readequação dos movimentos de esquerda, dos coletivos e organizações populares de bairro.

Valentín Santana detalha como foi essa reorganização. “Antes do comandante Chávez chegar ao poder vivíamos clandestinos. Depois de  eleito ele reconheceu a legalidade dos coletivos. Passamos a integrar os Círculos Bolivarianos [organizações de base], criar um partido revolucionário, criar comunas, conselhos comunitários, Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), as Unidades de Batalha Hugo Chávez (UBChs). Passamos a ser coletivos abertos e trabalhamos diretamente com a comunidade”, relembra.

Mesmo na legalidade, os coletivos seguem estigmatizados por parte da população. Segundo Santana, a direita venezuelana, através dos meios de comunicação, busca a criminalizar a juventude revolucionária. “Incomodamos porque estamos construindo outro modelo social, que tem uma via ideológica forte. A Revolução Bolivariana é uma construção social, coletiva, onde buscamos a maior soma de felicidade possível”, argumenta.

Edição: Rodrigo Chagas
 
Imagem: Líderes dessas organizações afirmam que venezuelanos estão preparados para a resistência contra possível invasão dos EUA / Foto: AFP


 
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Pompeo confirma visita à América do Sul com foco na Venezuela

Secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo
© AP Photo / Phil Nijhuis

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, confirmou viagem à América Central e do Sul para reforçar esforços em relação à Venezuela, Cuba e Nicarágua.

A viagem está prevista para acontecer ao longo do final de semana para apoiar os povos desses países "na luta pela liberdade e pela democracia", declarou o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Morgan Ortagus. Pompeo passará por Argentina, Equador, México e El Salvador.

A agenda nos países prevê a participação de Pompeo em Buenos Aires na 2º encontro Ministerial de Contraterrorismo do Hemisfério Ocidental. O secretário norte-americano se contratá com o presidente da Argentina, Maurício Macri, com o ministro das Relações Exteriores do Chile, Teodoro Ribera, assim como o chanceler de Bahamas, Darren Henfield.

No México, no domingo (21), Pompeo se encontrará com o Ministério das Relações Exteriores local, Marcelo Ebrand, com o objetivo de discutir imigração ilegal, e o acordo comercial entre EUA, Canadá e México, disse Ortagus.

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Guarda-costas presos de Guaidó usaram armas roubadas em tentativa de golpe, diz Caracas

Jorge Rodríguez, ministro de Comunicación e Información de Venezuela
© REUTERS / Ricardo Rojas

O ministro da Informação venezuelano, Jorge Rodriguez, disse em uma entrevista coletiva neste sábado que os guarda-costas do líder oposicionista Juan Guaidó, detidos no início do dia por roubo de armas estatais, usaram as armas roubadas durante o golpe fracassado em abril e pretendiam vendê-las.

No sábado, Guaido informou no Twitter que seus guarda-costas foram "sequestrados" pelo atual presidente Nicolás Maduro em Caracas. Um dia antes, após conversações de três dias em Barbados e vários esforços anteriores de mediadores internacionais, o governo e a oposição concordaram em se engajar em negociações para normalizar a situação política no país.

"Eles pretendiam vender as armas que haviam roubado do arsenal das Forças Armadas Nacionais da Bolívia e o usaram para tentar um golpe em 30 de abril", revelou Rodriguez em entrevista coletiva.

Ele acrescentou que uma investigação de um mês descobriu que Erick Sanchez, Eduardo Gonzales e Jason Parisi planejavam arrecadar pelo menos US$ 35 mil para os canhões AK-103 roubados pertencentes às Forças Armadas especiais do país.

A Venezuela entrou em uma crise política turbulenta depois que Guaidó proclamou-se presidente interino em janeiro. Vários países, incluindo os Estados Unidos, o endossaram como líder da Venezuela e conclamaram Maduro a renunciar.

Maduro, por sua vez, acusou os Estados Unidos de tentarem orquestrar um golpe no país e levar Guaidó ao poder.

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Maduro diz que 'diálogo será sempre o caminho' para Venezuela sair da crise

Presidente venezuelano Nicolás Maduro fala perante apoiadores em Caracas, Venezuela
© Sputnik / Stringer

O presidente Nicolás Maduro enviou uma mensagem aos venezuelanos para pedir para que trabalhem com base no diálogo nacional para superar a crise enfrentada por essa nação.

"Aqueles de nós que acreditam em valores democráticos, sempre lutamos pelo direito à liberdade, tranquilidade e desenvolvimento do povo venezuelano, reitero meu apelo à paz e à união de todos os setores da vida nacional. O caminho será sempre o diálogo!", disse o presidente em mensagem postada no Twitter.

O presidente fez um discurso no dia 11 de julho no qual assegurou que as delegações da oposição e o governo haviam conseguido, em Barbados, a instalação de uma mesa de diálogo permanente com a mediação da Noruega, após três dias de conversações.

"Depois de 3 dias de um intenso dia de diálogo com as oposições da Venezuela, concordamos em estabelecer uma mesa de diálogo permanente, agradeço a disposição do governo norueguês e expresso minha fé absoluta de que em breve chegaremos a um grande acordo de paz e convivência", disse o presidente.

O governo da Noruega disse anteriormente em uma declaração que o diálogo continua e que as delegações retornaram a Caracas.

As duas partes estão reunidas em Barbados desde segunda-feira na terceira rodada de negociações, que começaram no dia 14 de maio em Oslo.

O ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez, disse que o dia em Barbados havia sido um sucesso e agradeceu ao primeiro-ministro do país, Mia Mottley, "pela sua hospitalidade".

Maduro havia dito dias atrás que as delegações trabalharam com base em seis pontos em que "há a visão de todo o país, as necessidades e questões de necessidade nacional: econômica, social, cultural, política e de todos os tipos".

Os contatos realizados na Noruega marcaram a primeira reaproximação entre os dois partidos desde a mais recente crise política, que eclodiu em janeiro após a posse de Maduro para o período 2019-2025 e a auto proclamação do deputado da oposição Juan Guaidó como "presidente interino".

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EUA fracassam em intervir na Venezuela, assegura Evo Morales

Presidente boliviano Evo Morales participa de reunião com seu homólogo russo, Vladimir Putin, no Kremlin em Moscou, Rússia, 11 de julho de 2019
© REUTERS / Kirill Kudryavtsev / Pool

Nesta quinta-feira (11), o presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que Washington falha ao tentar intervir em Caracas.

"Os Estados Unidos falham em sua intervenção na Venezuela, falham com a invasão, falham com [a tentativa de] golpe de Estado e com todas as políticas agressivas, econômicas e militares", afirmou Morales à Sputnik Mundo.

O presidente boliviano também acrescentou que as políticas "do governo dos EUA em relação à Venezuela não são políticas de governos latino-americanos".

O líder boliviano alertou anteriormente que nem uma intervenção estrangeira nem um golpe de Estado resolverão os problemas da Venezuela, e convocou os países latino-americanos a preservarem a paz regional.

Morales reafirmou seu apoio ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro, diante de problemas econômicos internos e forte pressão internacional liderada por Washington que apoia o autodenominado "presidente interino" Juan Guaidó.

Visita de Morales à Rússia

O presidente russo Vladimir Putin se reuniu com o presidente boliviano Evo Morales nesta quinta-feira (11) em Moscou para discutir a cooperação entre os dois países e trocar opiniões sobre as principais questões internacionais e regionais.

Ambos os líderes já debateram o estado atual das relações entre os dois países, bem como a cooperação nas esferas comercial, econômica e humanitária.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019071114191164-eua-fracassam-em-intervir-na-venezuela-assegura-evo-morales/

Problemas da Venezuela não serão resolvidos com intervenção ou com golpe, diz Evo Morales

Evo Morales, presidente da Bolívia, em Moscou
© Sputnik / Sergey Guneev

O presidente da Bolívia, Evo Morales, alertou que nem uma intervenção estrangeira nem um golpe de Estado resolverão os problemas da Venezuela, e convocou os países latino-americanos a preservarem a paz regional.

"Não compartilhamos com intervencionistas e líderes do golpe como na Venezuela, que não resolverá nada para os venezuelanos, nem para os latino-americanos", disse Morales em comunicado à rádio estatal Patria Nueva, de Paramaribo, capital do Suriname, onde faz uma breve visita oficial.

Morales reafirmou seu apoio ao governo de Nicolás Maduro, diante de problemas econômicos internos e forte pressão internacional liderada pelos Estados Unidos que apoia o autodenominado "presidente em exercício" Juan Guaidó.

"Esse processo de paz que temos no continente deve ser defendido e aprofundado", disse o líder boliviano no final de sua visita ao Suriname, durante o qual se encontrou com o presidente daquele país, Dési Bouterse, e assinou acordos de cooperação, de acordo com a mídia oficial boliviana.
Morales disse que lamenta que alguns países latino-americanos apoiem a política dos EUA em relação à Venezuela, que inclui um bloqueio econômico.

Depois de visitar Paramaribo, Morales continuou sua viagem a Moscou, onde será recebido na quinta-feira pelo líder russo Vladimir Putin para revisar os acordos de cooperação.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019071014187895-problemas-da-venezuela-nao-serao-resolvidos-com-intervencao-ou-com-golpe-diz-evo-morales/

Maduro pede diálogo e fim do 'conflito inútil'

Nicolás Maduro, presidente da República Bolivariana da Venezuela, durante um discurso em Caracas (arquivo)
© REUTERS / Manaure Quintero

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reiterou nesta terça-feira (9) a importância do diálogo com a oposição e pediu a cessação de conflitos e conspirações que afetam os cidadãos venezuelanos.

"Eu insisto no diálogo, uma, duas ou três vezes, até que haja resultados para a paz no país [...] já basta desse conflito inútil de você me diga, eu lhe falo, você me ataca, conspirações, tramas, de chamar a intervenção militar do exército gringo para vir e matar os venezuelanos", disse Maduro.

As declarações foram feitas durante um ato de dia produtivo econômico no palácio de Miraflores, onde Maduro pediu união ao país.

"Nossa maior vitória contra o bloqueio, a perseguição financeira, a perseguição ao comércio, o mal gringo imperialista contra a Venezuela, a guerra econômica, a maior vitória é produzir, produzir é vencer", disse o presidente venezuelano.

Caracas informou que sua equipe de negociação já está em Barbados para novas rodadas de discussão com a oposição. As negociações começaram em 14 de maio, com mediação da Noruega.

No dia 4 deste mês, Maduro disse que estava disposto a construir mais uma frente de diálogo para chegar a um acordo com a oposição. 

Em maio passado, foram realizadas duas reuniões em Oslo entre o governo e a oposição, mas as autoridades norueguesas limitaram-se a informar que as partes haviam discutido uma agenda com questões políticas, econômicas e eleitorais.

Os contatos realizados na Noruega representam a primeira reaproximação entre representantes do governo e da oposição desde a mais recente crise política, que eclodiu em janeiro após o juramento de Maduro para o período 2019-2025, e depois do líder da oposição, Juan Guaidó, se autodeclarar presidente interino. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019070914183728-maduro-pede-dialogo-e-fim-do-conflito-inutil/

Relatório de Bachelet sobre a Venezuela é desonesto, diz neto de Salvador Allende

Pablo Sepúlveda Allende apontou falhas no relatório sobre direitos humanos da alta comissária da ONU e ex-presidente chilena Michelle Bachelet

Médico radicado na Venezuela, Pablo Sepúlveda Allende, neto do ex-presidente do chileno Salvador Allende, acompanhou de perto a visita da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, também ex-presidente do Chile. Bachelet esteve na Venezuela entre os dias 19 e 21 de junho, em missão oficial. Sepúlveda chegou a fazer parte da comitiva de convidados ilustres que recebeu a alta comissária na sede do Ministério de Relações Exteriores da Venezuela. Na ocasião entregou uma carta a ex-presidente chilena falando sobre as razões da crise venezuelana e a realidade do país.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Pablo Sepúlveda Allende fala sobre o relatório final sobre a situação dos direitos humanos na Venezuela apresentado por Michelle Bachelet ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, nessa sexta-feira (05/07). Confira a seguir os principais trechos da conversa e os temas destacados pelo neto de Salvador Allende, ex-presidente alvo de um golpe de Estado apoiado pelos Estados Unidos, em setembro de 1973.

Falhas do relatório de Bachelet

É um informe totalmente parcial. Retrata uma realidade que foi distorcida. Fala, por exemplo, que o sistema CLAP (Comitês Locais de Abastecimento e Produção), abastecimento de alimentos subsidiados pelo Estado, obedece a critérios políticos, e afirma que quando a pessoa é opositora não recebe os alimentos do CLAP. Isso é totalmente falso. O que eu vejo, onde moro, é que a maioria das pessoas é opositora e recebe seu benefício. Também afirma que é um sistema de vigilância e controle social, o que não faz sentido.

Outro equívoco ocorre ao mencionar que as sanções econômicas estão direcionadas, em sua maioria, às pessoas do governo. Sabemos que as sanções estão fazendo com que muitos bancos retenham quantidades importantes de dinheiro venezuelano, destinado a compra de alimentos e medicamentos.

Por outro lado, o relatório pouco diz sobre a violência que os setores chavistas sofreram. Nos protestos de 2017, durante as guarimbas [protestos violentos de opositores], houve muitas mortes de chavistas. Foram agredidos devido a sua orientação política. Há casos de pessoas que foram queimadas vivas por serem chavistas, mas Bachelet não menciona isso em seu relatório.

Ela fala em ‘presos políticos’, mas não menciona que essas pessoas estão detidas por delitos de violência, inclusive por terrorismo. Ninguém está preso porque opina contra o governo.

Crise econômica e sanções

A crise econômica da Venezuela tem sua origem no mercado petroleiro, quando os preços do barril de petróleo sofreram forte queda a partir de 2014. A queda se manteve por dois anos e isso repercute em uma economia que depende em grande medida nos recursos da venda do petróleo. Cerca de 95% dos dólares que entram na Venezuela vêm do petróleo.

E quando a economia começava a dar sinais de recuperação, em 2017, com a alta no preço do petróleo, começaram as sanções contra a PDVSA. O Departamento do Tesouro proibiu a comercialização dos títulos de dívida da PDVSA e do governo venezuelano. Isso foi afetando a economia. Recordemos a palavras do ex-embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, William Brownfield." As sanções à PDVSA estão dirigidas para causar um colapso econômico e social". Portanto, é uma política planejada e anunciada publicamente por autoridades do governo dos EUA, e Bachelet não condena esse bloqueio.

Cifras de ONGs financiadas pelos EUA

As cifras utilizadas por Michelle Bachelet são fornecidas por ONG's que historicamente são de oposição e financiadas pela Usaid (sigla em inglês para Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e a NED (sigla em inglês para Fundação Nacional para a Democracia, ligada ao Partido Republicano). Também são financiadas por fundações como a Fundação Ford e a Open Society Foundations, do empresário norte-americano George Soros.

A organização Foro Penal, citada por Bachelet e que fornece cifras de ‘presos políticos’, é financiada por essas fundações, que instrumentaliza os direitos humanos com fins políticos e econômicos. Portanto, as fontes que são utilizadas nesse relatório são ONGs que recebem dinheiro dessas organizações estrangeiras e isso desprestigia e deslegitima o informe da alta comissária da ONU.

Lugar na história

O papel que desempenha Michelle Bachelet, com esse tipo de informe, é um bastante desonesto e vergonhoso, porque com isso está pavimentando o caminho para uma possível intervenção por "razões humanitárias". Vamos lembrar que em casos anteriores, como na Síria e na Líbia, deram esses mesmos passos prévios, com esses organismos, como a comissão de Direitos Humanos da ONU e também a Corte Penal Internacional, para condenar líderes políticos antes de uma intervenção militar.

Portanto, recai sobre Michelle Bachelet uma grande responsabilidade histórica e política, caso daqui em diante aumente as agressões contra a Venezuela. Isso terá seu custo histórico.

Além disso, ela está traindo os ideais que alguma vez defendeu e, os quais, o seu pai também defendeu. Está traindo um legado da esquerda chilena ao colocar-se ao lado de um agressor poderoso como os Estados Unidos, que ameaça constantemente a Venezuela. No fundo, esses agressores são os mesmos que agrediram o Chile no passado.

Violações durante o seu governo

Michelle Bachelet militarizou toda a zona de Araucanía, região do povo indígena Mapuche. Isso foi feito para criminalizar e satanizar a luta do povo Mapuche que tenta recuperar suas terras e recursos, contra os terratenentes e as empresas florestais [dedicadas a produção de madeira]. Isso foi constatado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que afirmou que nessa zona se violava os direitos humanos. Existem informes sobre a atuação policial e os efeitos na saúde mental das crianças, devido o grau de violência utilizado pelos policiais.

A população chilena, segundo pesquisas de opinião pública, queria o fechamento das casas penitenciárias de luxo, onde estão presos os militares por violação dos direitos humanos. Militares da época da ditadura, que cometeram crimes de lesa humanidade, estão presos em cárceres especiais, onde possuem até piscina. Bachelet se comprometeu a fechar essas prisões, mas não fez isso.

Verdade sobre a Venezuela

É muito importante que saibam o que de fato acontece na Venezuela. No mundo, existe um cerco midiático para invisibilizar a verdadeira realidade que se vive no país. Existe uma guerra declarada, nos âmbitos econômico, midiático, político, diplomático e até militar, através de grupo irregulares, terroristas e paramilitares. Temos notícias até de exércitos privados de mercenários, que estão se preparando na fronteira com a Colômbia.

Entre as questões invisibilizadas estão as verdadeiras causas da crise econômica e o esforço do governo e do povo venezuelano para conter a crise, para superá-la, através de programas sociais, como o sistema de alimentação do CLAP. Existe um acordo tácito entre os meios de comunicação de demonizar a Revolução Bolivariana.

Por isso é importante que se rompa esse cerco através de testemunhos, provas de investigação. Há um bombardeio de informação constante. Todas as formas de mentiras são utilizadas para criar uma visão negativa sobre a Venezuela. Esses são, realmente, meios de propaganda. A principal batalha é a da comunicação.

Fania Rorigues, Caracas | Brasil de Fato | em Opera Mundi

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/relatorio-de-bachelet-sobre-venezuela-e.html

Israel contra os Venezuelanos

Thierry Meyssan*

Uma nova tentativa de Golpe de Estado teve lugar em 24 de Junho na Venezuela. Thierry Meyssan releva que ela era dirigida ao mesmo tempo contra a Administração de Nicolás Maduro e contra o seu opositor pró-EUA, Juan Guaidó. Por outro lado, segundo as registos áudio das conversas dos conspiradores, ela era supervisionada por Israelitas.
Uma enésima tentativa de Golpe de Estado teve lugar durante o dia 24 de Junho 2019 na Venezuela. Todos os protagonistas foram detidos e o Ministro da Informação, Jorge Rodríguez, explicou demoradamente na televisão todos os detalhes da golpada. Ela foi eclipsada na imprensa pelo mal-estar de um dos chefes durante a sua comparência no tribunal, depois pela sua morte no hospital. Ora, ela é, na realidade, muito esclarecedora.

Com efeito, ao contrário das vezes precedentes, este complô era vigiado desde há 14 meses por uma unidade da Inteligência militar que havia sido treinada pela Inteligência cubana. Neste período, os Venezuelanos penetraram o grupo e vigiaram as suas comunicações áudio e vídeo. Assim, eles dispõem de 56 horas de gravações que fornecem uma quantidade de provas irrefutáveis.

Vários dos indivíduos detidos haviam estado envolvidos em complôs anteriores, de tal modo que é difícil conceber esta operação como sendo distinta das anteriormente comanditadas pela CIA.

Não melhor futuro para a Oposição do que para o governo

Duas constatações se impõem. Em primeiro lugar, este complô era ao mesmo tempo dirigido contra o Presidente constitucional, Nicolás Maduro, e contra o autoproclamado presidente, Juan Guaidó, a fim de levar um terceiro homem ao Poder, o General Raúl Baduel.

Este último, um antigo Chefe de Estado-Maior, depois Ministro da Defesa, fora demitido das suas funções pelo Presidente Hugo Chávez, virara-se contra ele e tomara a chefia da Oposição, em 2009. No entanto, provou-se que tinha desviado dinheiro do seu ministério. Foi julgado e condenado a 7 anos de prisão, que cumpriu. Foi de novo encarcerado durante o mandato do Presidente Nicolás Maduro e continua preso. Um comando deveria libertá-lo e levá-lo à televisão nacional para anunciar a mudança de regime.

O facto de promover um terceiro presidente confirma a nossa análise, publicada há dois anos [1], segundo a qual o objectivo dos Estados Unidos não era o de substituir o regime bolivariano por um outro mais obediente, mas destruir as estruturas estatais do país. Do ponto de vista dos EUA, nem a maioria nacionalista nem a oposição pró-EUA devem esperar ter um qualquer futuro.

Os Venezuelanos que seguem Guaidó e acreditam que o apoio dos EUA os levará à vitória devem agora constatar o seu erro. O Iraquiano Ahmed Chalabi e o Líbio Mahmoud Jibril voltaram aos seus países na bagagem dos GI’s. Mas, jamais tiveram o destino que pensavam vir a ter.

As análises clássicas do século XX, segundo as quais os Estados Unidos preferem governos vassalos a iguais estão, no actual estado do capitalismo financeiro transnacional,ultrapassadas. É o sentido da doutrina militar Rumsfeld/Cebrowski, em vigor desde 2001 [2], que já devastou o «Médio-Oriente Alargado» e se abate hoje em dia sobre a «Bacia das Caraíbas».
Segundo as gravações do complô, este não foi organizado pelos Estados Unidos, mesmo que seja provável que eles o tenham supervisionado, mas, sim, por israelitas (israelenses-br). No decurso dos últimos 72 anos, a CIA organizou uma incrível quantidade de «mudanças de regime» através de «golpes de estado» ou de «revoluções coloridas». Por uma questão de eficácia, a Agência pode confiar simultaneamente missões idênticas a várias unidades, ou até mesmo delegar a sub-contratados certas operações. É muitas vezes o caso da Mossad, que aluga igualmente os seus serviços a inúmeros outros clientes.

Assim, há quatro anos, uma outra tentativa de Golpe de Estado tinha acontecido na Venezuela. A operação previa, então, vários assassínios e uma manifestação que devia tomar de assalto o palácio presidencial de Miraflores. A TeleSur havia mostrado que essa tentativa era enquadrada por estrangeiros, os que chegaram ao país sobretudo nos dias que a precediam. Eles não falavam espanhol (castelhano-ndT). Além disso, também o percurso da manifestação havia sido misteriosamente marcado com grafites de estrelas de David e de instruções em hebraico.

Israel na América Latina

Prudentemente, o Ministro Jorge Rodríguez evitou publicamente pronunciar-se dizendo se os Israelitas que dirigiam o complô de 22 de Junho estavam, ou não, mandatados pelo seu Estado. Inúmeros exemplos atestam que isso é inteiramente possível.

O papel dos Serviços Secretos israelitas na América Latina remonta a 1982. Na Guatemala, o Presidente judaico-cristão Efraín Ríos Montt [3] massacrou 18. 000 Índios. Enquanto Ariel Sharon invadia o Líbano, a Mossad prosseguia, na sua sombra, as experiências sociais que tinha conduzido na África do Sul do apartheid desde 1975: criar Bantustões para os Maias; um modelo que será aplicado aos Palestinianos após os Acordos de Oslo (1994). Contrariamente a uma leitura optimista dos acontecimentos, o facto de o Primeiro-ministro Yitzhak Rabin ter pessoalmente supervisionado as experiências sociais na África do Sul [4] não abonava pela sua boa-fé quando se compromete em Oslo a reconhecer um Estado palestino desmilitarizado.

Nos dez últimos anos, os Serviços Secretos israelitas: 

- «autorizaram» a sociedade «privada» israelita Global CST a conduzir a operação «Xeque» de libertação de Íngrid Betancourt, refém das FARC colombianas (2008) [5].
  
- enviaram às Honduras snipers para assassinar os líderes das manifestações pró-democracia aquando do Golpe de Estado contra o Presidente, constitucionalmente eleito, Manuel Zelaya (2009) [6]. 

- participaram activamente no derrube da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, enquanto colocados no seio do Banco Central, da segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e do Senado (2016).

Além disso, As Forças de Defesa de Israel (Tsahal- ndT) alugaram uma base submarina no Chile; 

- enviaram milhares de soldados para seguir estágios de duas semanas na propriedade de Joe Lewis na Patagónia argentina [7].

Thierry Meyssan* | Voltaire.net.org | Tradução Alva | Fonte Al-Watan (Síria)
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

Foto
Em 24 de Junho de 2019, Nicolás Maduro e Juan Guaidó deviam ser eliminados em proveito de Raúl Baduel.
Documentos anexados
Al-Watan #3181
(PDF - 177.9 kb)
Notas:
[1] Vídeo : « Thierry Meyssan : El plan de Estados Unidos contra America latina » (entrevista con Russia Today), 22 de Mayo de 2017.
[2] The Pentagon’s New Map, Thomas P. M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004. “O projecto militar dos Estados Unidos pelo mundo”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Agosto de 2017.
[3] O General Efraín Ríos Montt era evangélico. Ele não se definia como «cristão», mas como «judaico-cristão». NdR.
[4] “Mandela e Israel”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 9 de Dezembro de 2013.
[5] «Israel incrementa su presencia militar en América Latina », Red Voltaire , 5 de noviembre de 2009.
[6] «El SouthCom toma el poder en un Estado del ALBA», por Thierry Meyssan, Red Voltaire, 3 de julio de 2009.
[7] “Qual é o projecto para Israel na Argentina ?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 12 de Dezembro de 2017.
---------
Ler Thierry Meyssan em Rede Voltaire:

-
“SOB OS NOSSOS OLHOS” - Os Irmãos Muçulmanos como assassinos
Acompanhe a série “SOB OS NOSSOS OLHOS” em Voltaire Net

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/israel-contra-os-venezuelanos.html

Noruega anuncia nova rodada de diálogo entre governo da Venezuela e oposição

Bandeira da Venezuela
© REUTERS / Juan Medina

O Ministério das Relações Exteriores da Noruega informou que representantes do governo e da oposição da Venezuela se reunirão esta semana em Barbados.

"Informamos que os representantes dos principais atores políticos da Venezuela decidiram continuar o processo de negociação facilitado pela Noruega", revelou o Ministério de Relações Exteriores do país nórdico em um comunicado.

O documento acrescenta que "as partes se reunirão esta semana em Barbados para avançar na busca por uma solução consensual e constitucional para o país".

"As negociações serão realizadas de forma contínua e expedita", informa o comunicado, observando que "a Noruega reitera seu reconhecimento das partes por seus esforços e espírito de cooperação".

​O ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, publicou a declaração no seu Twitter e manifestou a esperança de que o diálogo "produza resultados" e consolide a paz e a compreensão nacional.

"Representantes do Governo Bolivariano e a oposição venezuelana se reunirão esta semana em Barbados para fazer avançar o processo de diálogo, depois da Noruega propiciar um encontro entre os dois lados desde maio passado, com objetivo de encontrar uma solução pacífica para a situação no país", informou por sua vez em um comunicado o Ministério da Comunicação e Informação da Venezuela.

A oposição publicou um texto e também confirmou sua participação "uma reunião com representantes do regime" em Barbados.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019070714174338-noruega-anuncia-nova-rodada-de-dialogo-entre-governo-da-venezuela-e-oposicao/

Refinarias venezuelanas ficam fora de serviço devido a blackout

Logotipo da empresa venezuelana PDVSA
© REUTERS / Carlos Jasso

Uma aparente queda de energia afetou um complexo de refinarias de petróleo no noroeste da Venezuela na noite do último sábado, mergulhando uma comunidade próxima na escuridão.

O país sul-americano, atingido por uma profunda crise, sofreu uma série de quedas de energia desde o começo de março, o que o governo atribuiu aos Estados Unidos e à oposição venezuelana, descrevendo os apagões como "ataques de sabotagem".

O atual apagão levou à suspensão das operações em Amuay e Cardon, duas refinarias de petróleo localizadas na península da Paraguaná, informou a Reuters, citando fontes da petroleira estatal PDVSA. Embora a empresa ainda não tenha confirmado a notícia, fotos do apagão começaram a aparecer nas mídias sociais. 

​Darío Tremont, coordenador regional do partido de oposição Voluntad Popular, afirmou que o apagão ocorreu perto da meia-noite após o rompimento da terceira turbina na refinaria de Cardon. Outro usuário disse que o problema afetou toda a península de Paraguaná. 

​Um corte de energia devastador deixou a maior parte da Venezuela sem eletricidade entre 7 e 14 de março, interrompendo as linhas telefônicas, o abastecimento de água e os serviços de transporte público, afetando também a internet. O ministro da Energia Elétrica disse que o blackout teria sido resultado de uma "sabotagem" deliberada da usina hidrelétrica de Guri, enquanto o presidente Nicolás Maduro culpou os Estados Unidos, que negaram qualquer envolvimento, e o líder opositor Juan Guaidó.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019070714173834-refinarias-venezuelanas-ficam-fora-de-servico-devido-a-blackout/

Uma vitória mais para a cultura de inteligência bolivariana! - Martinho Júnior


Um a um, os redutos mais radicais da oligarquia venezuelana clientelar do império da Doutrina Monroe estão a ser postos a descoberto nos seus propósitos mais retrógrados e mais perversamente antidemocráticos, por aqueles fiéis aos ideais de Simon Bolivar, de Hugo Chavez e da Pátria Grande que resolutamente optaram por um mundo emergente melhor!...

A inteligência popularabrangente e sequiosa de futuro, é parte intrínseca da essência duma revolução em marcha e vencedora de escolhos seculares que ainda hoje o império da hegemonia unipolar tenta semear no caminho das nações, dos estados progressistas emergentes e dos povos! (https://www.voltairenet.org/article201114.html).
Na Venezuela Socialista Bolivariana as forças progressistas que se aglutinam em torno do Presidente Nicolas Maduro, devem continuar a preparar-se intensamente para fazer face aos desafios que não cessam por parte dum império que de forma tão depreciativa ousa ainda desprezar a América Latina como se fosse seu próprio “pátio traseiro”!
01- Dizia eu na intervenção que fiz sobre a evolução na Venezuela, publicada a 10 de Junho no Página Global Blogspot, em jeito de introdução, o seguinte:
“Com toda a panóplia de meios ao seu dispor, as equipas de ingerência da hegemonia unipolar na Venezuela Socialista Bolivariana estão a perder o seu ariete de ocasião e com cada vez menos possibilidades de enfrentar, em relação a ele, as contramedidas que têm sido aplicadas por via do “Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional” pela Venezuela Bolivariana não só sobre ele, mas também sobre o ninho de cucos em que se transformou toda a clientelar oposição! (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/anatomia-da-intervencao-imperialista.html).
Não há grupúsculo algum de carácter neoliberal, por mais pintado que seja, capaz de sobreviver quando reduz a própria sensibilidade política aos preceitos dum cada vez mais alienado clube de empresários neoliberais!”… (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/guaido-de-cavalo-de-troia-cadaver.html).
Menos dum mês depois dessa minha intervenção, novos factos confirmam-na e reforçam-na: a 23 e 24 de Junho de 2019, mais um circuito do golpe permanente que o império tem distendido contra a Venezuela Socialista Bolivariana está a ser desmantelado, com um essencial de provas colectadas ao longo de 14 meses (56 horas de gravações realizadas por meios de inteligência infiltrados nos circuitos mercenários) disponíveis para levar os criminosos a tribunal!... (http://noticias.ciudadccs.info/presentaran-pruebas-vinculan-la-derecha-actos-desestabilizacion/).
02- O estado socialista bolivariano consegue assim pelo menos quatro relativos êxitos desde que o Presidente Nicolas Maduro assumiu o poder:
- Fragilizar paulatinamente a capacidade da testa-de-ponte de intervenção sócio-político-militar dentro do seu território, no âmbito da permanente e amplamente sistematizada agressão imperialista de que tem sido alvo; (http://misionverdad.com/la-guerra-en-venezuela/las-cinco-primeras-claves-de-la-desmontada-operacion-vuelvan-caras);
- Preparar julgamentos duma parte importante dos implicados na desestabilização, incapazes de fugir ao controlo das ingerências e manipulações do poder dominante do império e agora sob cheque do poder judicial venezuelano; (http://noticias.ciudadccs.info/fiscal-saab-presenta-balance-comision-la-verdad-la-justicia-la-paz/);
- Demonstrar a nível internacional, com todas as evidências e perante todas as organizações sociopolíticas da América Latina, quanto os vínculos do imperialismo são os responsáveis pela artificiosa situação neocolonial que desesperadamente tenta inviabilizar a aspiração digna de Pátria Grande; (http://www.cubadebate.cu/noticias/2019/06/26/venezuela-presentan-pruebas-sobre-nuevo-intento-de-golpe-de-estado-de-la-oposicion/#boletin20190626);
- Preparar julgamentos contra os Estados Unidos, por crimes contra a população venezuelana, (http://noticias.ciudadccs.info/venezuela-emprendera-acciones-eeuu-responda-crimenes-la-poblacion/) num momento em que a Venezuela se apresta a liderar o Movimento dos Não Alinhados! (http://noticias.ciudadccs.info/venezuela-dirigio-reunion-con-120-naciones-del-movimiento-de-paises-no-alineados-en-la-onu/).
03- A capacidade de inteligência da inteligência bolivariana sai assim uma vez mais vitoriosa e reforçada, nos termos da Pátria Grande e não só no espaço nacional venezuelano…
A própria União Europeia e seus componentes avassalados, escorrem em sua cínica vergonha do apoio a Guaidó, inclinando-se agora, sem outras alternativas por que com cada vez menos margem de manobra, numa tímida opção pela paz que deveria ter sido desde logo sua preocupação essencial!... (https://twitter.com/jaarreaza/status/1144588878059376642).
No que toca a Portugal, que agora se diz interessado na paz para a Venezuela, quando o Novo Banco vai entregar os 1.543 milhões de euros retidos à Venezuela, quantia essa era destinada à compra de medicamentos e de alimentos que se iriam importar?... (https://observador.pt/2019/05/03/organizacoes-da-venezuela-pedem-a-portugal-que-desbloqueie-1-543-me-retidos-no-novo-banco/).
Estabeleceu-se também um outro ganho, em jeito de antecipado alerta: uma outra avaliação prévia enquanto manancial de prevenção, perspectivando o que se poderá esperar depois do desbaste que a oligarquia venezuelana agenciada pelo império tem sofrido, algo que tem a ver com a instrumentalização de outros estados da região, nomeadamente e entre outros, a Colômbia e o Brasil, com quem a Venezuela tem fronteiras comuns e relações tensas.
A Colômbia por suas características sociopolíticas e o histórico grau de vassalagem para com as sucessivas administrações dos Estados Unidos, (https://www.globalresearch.ca/eua-e-colombia-vs-venezuela-conspiracao-trama-e-complot-2/5477815) é a que se vai perfilando como uma das principais ameaças externas directas, quer por via do actual detentor do poder, quer por via dos circuitos paramilitares filtrados pelos carteis da droga, quer ainda por via de sua apetência na cedência de seu território a mercenários e militares dos Estados Unidos. (https://www.resistencia.cc/bases-militares-dos-estados-unidos-na-colombia-se-voltam-para-a-venezuela/).
A instalação das bases militares estado-unidenses na Colômbia não é um dado novo sob o ponto de vista geoestratégico, enquanto impacto de intervenção, ingerência e manipulação na América Latina, desde logo uma questão oportunamente explicada pelo Comandante Hugo Chavez!... (https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2009/08/090816_chavezacordoameacacj).
Apesar disso, o poder na Colômbia tem limites, pois não quer correr o risco duma guerra de maior intensidade que alastre ao seu território, quando os desequilíbrios humanos têm vindo a alimentar crises e rebeliões de longa duração e até hoje insuperáveis!
Há também antecedentes que pesam a seu desfavor por que a identificam em actos que a vão colocando em cheque (https://cnnespanol.cnn.com/2019/03/14/detalles-exclusivos-del-complot-para-asesinar-a-maduro-con-drones/).
Por essa razão a presença de mercenários sionistas, com toda a experiência que têm de luta clandestina, de terrorismo e de disseminação de caos, é um sinal que tal como no Médio Oriente Alargado, esteja a ser instalada a tendência para o surgir de grupos que comecem a utilizar a cobardia da explosão de bombas nas cidades venezuelanas como (mais uma) arma apontada contra a Venezuela Socialista Bolivariana, seus principais dirigentes cívico-militares e seus pilares geoestratégicos!
Só Cuba sofreu e sofre uma agressão da magnitude do ataque contra a Venezuela… (http://www.granma.cu/mundo/2019-06-26/solo-cuba-sufre-una-agresion-de-la-magnitud-del-ataque-contra-venezuela-26-06-2019-22-06-31).
Apesar dos reveses do imperialismo, a guerra assimétrica contra a Venezuela Socialista Bolivariana vai continuar por parte da administração republicana de Donald Trump e, ali onde falharam seus próprios falcões, novos instrumentos vão ser utilizados, tendo em conta os formidáveis recursos que ainda dispõem, mesmo que em época eleitoral as coisas possam ser avaliadas numa outra óptica e tipologia de agressão!
Martinho Júnior - Luanda, 1 de Julho de 2019
Imagens:
01- Anúncio de mais um golpe falhado – o de 23 e 24 de Junho de 2019, com exibição de organograma da força-tarefa para o golpe falhado de 23 e 24 de Junho de 2019;
02- Página frontal do Correo del Orinoco, no dia 27 de Junho de 2019, dia em que foi dado a conhecer a última tentativa de golpe de estado na Venezuela;
03- O “Guaidó tuga” (Santos Silva), meio envergonhado do seu deliberado apoio ao golpe de estado na Venezuela, refugia-se na timidez duma paz cínica à sua própria medida, quando a paz é essencial para a Venezuela Socialista Bolivariana; quando o Novo Banco vai entregar os 1.543 milhões de dólares retidos da Venezuela, quantia essa que era destinada à compra de medicamentos e de alimentos que se iriam importar?

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/uma-vitoria-mais-para-cultura-de.html

Venezuela denuncia «parcialidade» e «erros de facto» no relatório de Bachelet

O governo de Maduro classificou o relatório que a alta comissária da ONU para os direitos humanos apresentou sobre a Venezuela como «tendencioso», «falho de rigor» e com «graves erros metodológicos».

Danny Subero, tenente reformado da Guarda Nacional Bolivariana, foi linchado por grupos da oposição no estado de Lara; os testemunhos da violência de extrema-direita foram silenciados por BacheletCréditos / Alba Ciudad

Na sequência da visita que realizou ao país sul-americano entre 19 e 21 de Junho, a convite do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, apresentou esta quinta-feira um relatório sobre a situação dos direitos humanos, que mereceu 70 observações relativas a «erros de facto» da parte do governo da República Bolivariana da Venezuela.

O executivo bolivariano «pediu ao gabinete da alta comissária das Nações Unidas que adopte as medidas necessárias para corrigir os erros do relatório A/HRC/41/18», através de um documento no qual expõe os «erros de facto», revela o Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros no seu portal.

Ao intervir, esta sexta-feira, na 41.ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra (Suíça), o vice-ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, William Castillo, denunciou precisamente o que considera ser a «parcialidade do relatório» apresentado pela alta comissária, Michelle Bachelet.

William Castillo, vice-ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, em Genebra Créditos

«A Venezuela está segura de que você sabe que o informe não reflecte a realidade do que viu […]. Exigimos a correcção do seu conteúdo e instamos a uma actuação ponderada e respeitosa do seu gabinete», referiu Castillo, que destacou que o documento «ignora quase totalmente a informação facultada pelo Estado e só leva em conta a obtida por representantes da oposição e fontes da imprensa», revela a AVN.

Entre as inconsistências apontadas ao relatório, disse que, das 558 entrevistas realizadas, 460 foram feitas fora da Venezuela (82% do material investigado). Castillo criticou ainda Bachelet por «não fazer qualquer menção aos avanços da Venezuela em matéria de direitos humanos e ignorar os graves impactos que o ilegal, criminoso e imoral bloqueio económico está a ter sobre o nosso povo».

Recorde-se que, no âmbito do bloqueio imposto à Venezuela, o país caribenho não pode refinanciar a sua dívida, foram-lhe ilegalmente confiscados 30 mil milhões de dólares em activos da empresa estatal petrolífera PDVSA e tem retidos, de forma ilegal, 5400 milhões de dólares em diversos bancos internacionais.

Castillo lembrou que, como consequência deste bloqueio, o país não consegue comprar medicamentos, alimentos e outro tipo de abastecimentos para o povo venezuelano, pelo que solicitou à alta comissária que, de acordo com as resoluções das Nações Unidas sobre medidas coercitivas unilaterais, exija o fim imediato do bloqueio à Venezuela».

Familares das vítimas das guarimbas foram ouvidos, mas «desapareceram»

«A violência política da oposição provocou a morte de 43 cidadãos em 2014 e de 120 em 2017. A alta comissária ouviu os familiares de pessoas que foram queimadas vivas só por parecerem chavistas ou terem pele escura. Lamentamos que o relatório tenha esquecido esses testemunhos».

Referindo-se ainda ao documento, disse também que a Venezuela rejeita a criminalização das forças de segurança e da Força Armada Nacional Bolivariana, que são acusados «genericamente de incorrer na prática de violações massivas dos direitos humanos».

William Castillo denunciou que o seu país é alvo de uma agressão multidimensional por parte dos EUA, em que se incluem golpes de Estado, atentados contra o presidente constitucional, Nicolás Maduro, sabotagens à indústria petrolífera e aos serviços públicos.

Destacou, além disso, diversos avanços que a Venezuela conheceu, como a entrega 2 600 000 casas, num período de oito anos, a 12 milhões de venezuelanos, ou a entrega de alimentos a seis milhões de famílias através dos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP).

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/venezuela-denuncia-parcialidade-e-erros-de-facto-no-relatorio-de-bachelet

Guaidó chama Maduro de 'ditador' em meio a discurso de reconciliação na Venezuela

Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, participa de manifestação contra o governo do presidente Nicolás Maduro, em Caracas, Venezuela, 5 de julho de 2019
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, apelou durante seu discurso à reconciliação e conversações com a oposição apoiada pelos EUA, que tem tentado repetidamente destituí-lo.

"Há espaço para todos nós dentro da Venezuela", disse Maduro durante seu discurso do Dia da Independência na sexta-feira (5) para um grupo de altos oficiais militares em Caracas.

"Todos nós devemos desistir de algo para chegarmos a um acordo", afirmou o líder bolivariano ao pretender retomar conversações mediadas com o líder da oposição Juan Guaidó, que se declarou presidente em janeiro com o apoio de Washington.

Aproveitando a oportunidade para criticar o governo de Maduro, Guaidó realizou um comício no Dia da Independência no qual ele instruiu os apoiadores a marcharem até ao quartel-general da contraespionagem militar, que é o local da suposta tortura do ex-capitão naval Rafael Acosta.

Essa foi sua primeira grande manifestação pública desde a tentativa fracassada de golpe de Estado em 30 de abril, na qual ele previa deserção militar em massa, mas que não se concretizou.

"Não há mais nenhum eufemismo válido para caracterizar este regime, além de ditadura. A sistemática violação dos direitos humanos, a repressão, a tortura [...] isso está claramente identificado no relatório [da ONU]", declarou Guaidó a repórteres na sexta-feira (5).

O referido relatório da diretora de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, foi criticado pelo governo por seu enfoque "seletivo" em "supostas execuções extrajudiciais pelas forças de segurança" e se desviou significativamente do tom dos comentários que Bachelet fez a Maduro em junho, sugerindo que ela entendia o papel central que as sanções norte-americanas tinham desempenhado na criação do desastre econômico da Venezuela.

Em Oslo, representantes de Maduro e Guaidó se reuniram várias vezes para discutir uma possível saída para as crises econômica e política da Venezuela, embora suas atitudes em relação às negociações sejam muito diferentes.

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de desfile militar para comemorar o 208º aniversário da declaração da Independência da Venezuela em Caracas, em 5 de julho de 2019
© REUTERS / Palácio de Miraflores/Handout
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de desfile militar para comemorar o 208º aniversário da declaração da Independência da Venezuela em Caracas, em 5 de julho de 2019

Enquanto Guaidó e o Departamento de Estado norte-americano têm insistido que a única solução possível é retirar o líder socialista, Maduro declarou no início desta semana que as duas partes chegariam a um "grande acordo sobre entendimento mútuo e paz, diálogo e democracia para a Venezuela" até o final do ano.

Caso Rafael Acosta

A última rodada de negociações em Oslo, na Noruega, foi cancelada após a morte do ex-capitão naval Rafael Acosta na prisão uma semana depois que ele foi preso sob acusação de traição por suposta conspiração para derrubar Maduro.

Enquanto a oposição alega que Acosta foi torturado sob custódia, o comandante venezuelano Remigio Ceballos declarou, sem nomeá-lo, que os militares "lamentam os eventos relacionados à perda do oficial naval aposentado" e disseram que o governo estava investigando o que levou à morte de Acosta.

Seis meses após autoproclamação de Guaidó

A Venezuela está passando por uma crise político-econômica que se intensificou em janeiro, depois que Guaidó proclamou-se presidente interino em uma tentativa de expulsar Maduro.

O líder oposicionista foi reconhecido pelos Estados Unidos, que passaram a impor sanções à Venezuela e a congelar bilhões de dólares em ativos venezuelanos.

A Rússia, que reconhece Maduro como o único presidente legítimo da Venezuela, disse que os Estados Unidos estão estrangulando o país com sanções, em uma tentativa de arrastá-lo ao caos.

Maduro chamou Guaidó de "fantoche dos EUA" e acusou os norte-americanos de orquestrarem um golpe na Venezuela para forçar uma mudança de governo e reivindicar os vastos recursos naturais do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019070614170032-guaido-chama-maduro-de-ditador-em-meio-a-discurso-de-reconciliacao-na-venezuela/

Povo venezuelano culpa Trump e EUA pela situação econômica do país, diz ativista

Apoiantes do presidente legítimo da Venezuela, Nicolás Maduro, se manifestam nas ruas de Caracas
© Sputnik / Eva Marie Uzcategui

Os venezuelanos estão cientes de que as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos estão afetando a economia do país.

É o que disse, à Sputnik News, William Camacaro, fundador e coordenador do Círculo Bolivariano de Nova York Alberto Lovera.

"A situação é difícil. As sanções são difíceis para as pessoas comuns", disse Camacaro. "Apesar disso, você não vê demonstrações e não ouve críticas contra o governo. As pessoas estão percebendo que as sanções estão afetando a economia e a maioria das pessoas está culpando Donald Trump e a administração dos Estados Unidos".

Camacaro explicou que há menos de um mês retornou da Venezuela, onde testemunhou uma determinação entre o povo venezuelano de lidar com a má situação econômica e organizar trocas de bens e serviços sem usar nenhuma moeda.

"Eles organizam trocas de comida e serviços. Não vejo grandes problemas surgidos do interior [do país]", disse Camacaro.

Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, realiza coletiva de imprensa após alegações de corrupção em Caracas, Venezuela, em 17 de junho de 2019
© REUTERS / Manaure Quintero
Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, realiza coletiva de imprensa após alegações de corrupção em Caracas, Venezuela, em 17 de junho de 2019

O problema que a Venezuela enfrenta é que a oposição de direita do país não tem capacidade de fazer nada e o governo dos EUA é efetivamente a oposição, explicou Camacaro.

A maioria das pessoas não conhecia o líder da oposição, Juan Guaidó, quando se proclamou presidente interino da Venezuela em janeiro, afirmou Camacaro.

Além disso, o público parece odiar Guaidó, especialmente depois de a oposição ser acusada em um escândalo de corrupção envolvendo milhões de dólares de ajuda humanitária enviada à Venezuela. As acusações foram negadas pelos acusados.

"Muitas pessoas estão bravas, chateadas com isso. É por isso que você não vê grandes manifestações em apoio a Guaidó", disse Camaçaro.

Camacaro também afirmou que durante a celebração do Dia de Maio, cerca de 150 mil pessoas compareceram à manifestação pró-Maduro, enquanto apenas 3 mil compareceram ao encontro pró-Guaidó.

"Eu não acho que ele tenha qualquer possibilidade de ganhar uma eleição na Venezuela, especialmente depois de tudo o que tem acontecido nos últimos seis meses. Ele é apenas um membro da Assembleia Nacional", disse Camacaro.

Quase 6 meses desde a autoproclamação de Guaidó

A Venezuela está passando por uma crise político-econômica que se intensificou em janeiro depois que Guaidó proclamou-se presidente interino em uma tentativa de expulsar Maduro. Os Estados Unidos reconheceram Guaidó e passaram a impor sanções à Venezuela e a congelar bilhões de dólares em ativos venezuelanos.

A Rússia, que reconhece Maduro como o único presidente legítimo da Venezuela, disse que os Estados Unidos estão estrangulando o país com sanções, em uma tentativa de arrastá-lo ao caos.

Maduro chamou Guaidó de fantoche dos EUA e acusou os norte-americanos de orquestrarem um golpe na Venezuela para forçar uma mudança de governo e reivindicar os vastos recursos naturais do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019070614169844-povo-venezuelano-culpa-trump-e-eua-pela-situacao-economica-do-pais-diz-ativista/

Maduro anuncia exercícios militares em 'defesa do território venezuelano'

Nicolás Maduro, presidente de Venezuela, durante unos ejercicios militares en Venezuela
© REUTERS / Miraflores Palace

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta sexta-feira (5) que deu a ordem às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas para realizar novos exercícios militares, no dia 24 de julho, para defender as fronteiras do país.

"Eu dei ordens para novos exercícios militares, exercícios militares que serão desenvolvidos em 24 de julho (...) para a defesa do Mar do Caribe, as costas venezuelanas e as fronteiras venezuelanas, especialmente para testar nossos planos de defesa nacional", disse o presidente.

A declaração foi feita no dia Dia da Independência da Venezuela quando protestos contra e a favor do presidente ocorrem em Caracas e em diversas cidades do país.

As tensões na Venezuela cresceram desde que o líder oposicionista Juan Guaidó se auto declarou presidente do país. Desde então, os EUA e diversos outros países não reconhecem mais Maduro como presidente legítimo do país e vêm aplicando sanções contra a Venezuela.

A Rússia, China e outras nações reconhecem Maduro como líder do país e criticam as sanções impostas pelos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2019070514169628-maduro-anuncia-exercicios-militares-para-a-defesa-do-territorio-venezuelano/

Israel contra os Venezuelanos

Uma nova tentativa de Golpe de Estado teve lugar em 24 de Junho na Venezuela. Thierry Meyssan releva que ela era dirigida ao mesmo tempo contra a Administração de Nicolás Maduro e contra o seu opositor pró-EUA, Juan Guaidó. Por outro lado, segundo as registos áudio das conversas dos conspiradores, ela era supervisionada por Israelitas.

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Em 24 de Junho de 2019, Nicolás Maduro e Juan Guaidó deviam ser eliminados em proveito de Raúl Baduel.

Uma enésima tentativa de Golpe de Estado teve lugar durante o dia 24 de Junho 2019 na Venezuela. Todos os protagonistas foram detidos e o Ministro da Informação, Jorge Rodríguez, explicou demoradamente na televisão todos os detalhes da golpada. Ela foi eclipsada na imprensa pelo mal-estar de um dos chefes durante a sua comparência no tribunal, depois pela sua morte no hospital. Ora, ela é, na realidade, muito esclarecedora.

Com efeito, ao contrário das vezes precedentes, este complô era vigiado desde há 14 meses por uma unidade da Inteligência militar que havia sido treinada pela Inteligência cubana. Neste período, os Venezuelanos penetraram o grupo e vigiaram as suas comunicações áudio e vídeo. Assim, eles dispõem de 56 horas de gravações que fornecem uma quantidade de provas irrefutáveis.

Vários dos indivíduos detidos haviam estado envolvidos em complôs anteriores, de tal modo que é difícil conceber esta operação como sendo distinta das anteriormente comanditadas pela CIA.

Não melhor futuro para a Oposição do que para o governo

Duas constatações se impõem. Em primeiro lugar, este complô era ao mesmo tempo dirigido contra o Presidente constitucional, Nicolás Maduro, e contra o autoproclamado presidente, Juan Guaidó, a fim de levar um terceiro homem ao Poder, o General Raúl Baduel.

Este último, um antigo Chefe de Estado-Maior, depois Ministro da Defesa, fora demitido das suas funções pelo Presidente Hugo Chávez, virara-se contra ele e tomara a chefia da Oposição, em 2009. No entanto, provou-se que tinha desviado dinheiro do seu ministério. Foi julgado e condenado a 7 anos de prisão, que cumpriu. Foi de novo encarcerado durante o mandato do Presidente Nicolás Maduro e continua preso. Um comando deveria libertá-lo e levá-lo à televisão nacional para anunciar a mudança de regime.

O facto de promover um terceiro presidente confirma a nossa análise, publicada há dois anos [1], segundo a qual o objectivo dos Estados Unidos não era o de substituir o regime bolivariano por um outro mais obediente, mas destruir as estruturas estatais do país. Do ponto de vista dos EUA, nem a maioria nacionalista nem a oposição pró-EUA devem esperar ter um qualquer futuro.

Os Venezuelanos que seguem Guaidó e acreditam que o apoio dos EUA os levará à vitória devem agora constatar o seu erro. O Iraquiano Ahmed Chalabi e o Líbio Mahmoud Jibril voltaram aos seus países na bagagem dos GI’s. Mas, jamais tiveram o destino que pensavam vir a ter.

As análises clássicas do século XX, segundo as quais os Estados Unidos preferem governos vassalos a iguais estão, no actual estado do capitalismo financeiro transnacional,ultrapassadas. É o sentido da doutrina militar Rumsfeld/Cebrowski, em vigor desde 2001 [2], que já devastou o «Médio-Oriente Alargado» e se abate hoje em dia sobre a «Bacia das Caraíbas».

Segundo as gravações do complô, este não foi organizado pelos Estados Unidos, mesmo que seja provável que eles o tenham supervisionado, mas, sim, por israelitas (israelenses-br). No decurso dos últimos 72 anos, a CIA organizou uma incrível quantidade de «mudanças de regime» através de «golpes de estado» ou de «revoluções coloridas». Por uma questão de eficácia, a Agência pode confiar simultaneamente missões idênticas a várias unidades, ou até mesmo delegar a sub-contratados certas operações. É muitas vezes o caso da Mossad, que aluga igualmente os seus serviços a inúmeros outros clientes.

Assim, há quatro anos, uma outra tentativa de Golpe de Estado tinha acontecido na Venezuela. A operação previa, então, vários assassínios e uma manifestação que devia tomar de assalto o palácio presidencial de Miraflores. A TeleSur havia mostrado que essa tentativa era enquadrada por estrangeiros, os que chegaram ao país sobretudo nos dias que a precediam. Eles não falavam espanhol (castelhano-ndT). Além disso, também o percurso da manifestação havia sido misteriosamente marcado com grafites de estrelas de David e de instruções em hebraico.

Israel na América Latina

Prudentemente, o Ministro Jorge Rodríguez evitou publicamente pronunciar-se dizendo se os Israelitas que dirigiam o complô de 22 de Junho estavam, ou não, mandatados pelo seu Estado. Inúmeros exemplos atestam que isso é inteiramente possível.

O papel dos Serviços Secretos israelitas na América Latina remonta a 1982. Na Guatemala, o Presidente judaico-cristão Efraín Ríos Montt [3] massacrou 18. 000 Índios. Enquanto Ariel Sharon invadia o Líbano, a Mossad prosseguia, na sua sombra, as experiências sociais que tinha conduzido na África do Sul do apartheid desde 1975 : criar Bantustões para os Maias; um modelo que será aplicado aos Palestinianos após os Acordos de Oslo (1994). Contrariamente a uma leitura optimista dos acontecimentos, o facto de o Primeiro-ministro Yitzhak Rabin ter pessoalmente supervisionado as experiências sociais na África do Sul [4] não abonava pela sua boa-fé quando se compromete em Oslo a reconhecer um Estado palestino desmilitarizado.

Nos dez últimos anos, os Serviços Secretos israelitas :
- «autorizaram» a sociedade «privada» israelita Global CST a conduzir a operação «Xeque» de libertação de Íngrid Betancourt, refém das FARC colombianas (2008) [5].
- enviaram às Honduras snipers para assassinar os líderes das manifestações pró-democracia aquando do Golpe de Estado contra o Presidente, constitucionalmente eleito, Manuel Zelaya (2009) [6].
- participaram activamente no derrube da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, enquanto colocados no seio do Banco Central, da segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e do Senado (2016).

Além disso, As Forças de Defesa de Israel (Tsahal- ndT)
- alugaram uma base submarina no Chile;
- enviaram milhares de soldados para seguir estágios de duas semanas na propriedade de Joe Lewis na Patagónia argentina [7].


[1] Vídeo : « Thierry Meyssan : El plan de Estados Unidos contra America latina » (entrevista con Russia Today), 22 de Mayo de 2017.

[2] The Pentagon’s New Map, Thomas P. M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004. “O projecto militar dos Estados Unidos pelo mundo”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Agosto de 2017.

[3] O General Efraín Ríos Montt era evangélico. Ele não se definia como «cristão», mas como «judaico-cristão». NdR.

[4] “Mandela e Israel”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 9 de Dezembro de 2013.

[5] «Israel incrementa su presencia militar en América Latina », Red Voltaire , 5 de noviembre de 2009.

[6] «El SouthCom toma el poder en un Estado del ALBA», por Thierry Meyssan, Red Voltaire, 3 de julio de 2009.

[7] “Qual é o projecto para Israel na Argentina ?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 12 de Dezembro de 2017.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Maduro diz que provavelmente chegará a um acordo com a oposição até o final de 2019

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas
© Sputnik / Stringer

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse que um acordo entre seu governo e a oposição provavelmente será alcançado até o final deste ano, acrescentando que sua administração está aberta ao diálogo com todos os grupos da oposição.

“Tenho certeza de que em 2019 chegaremos a um grande acordo de entendimento mútuo e de paz, diálogo e democracia para a Venezuela”, disse Maduro à TV estatal venezuelana.

O presidente também reafirmou a disposição de seu governo de continuar as negociações com a oposição na Noruega.

“Eu gostaria de reafirmar a prontidão do governo para o diálogo na Noruega, com o objetivo de criar um mecanismo permanente para conversações e busca de soluções. Esse é o objetivo e posso dizer que o processo está se desenvolvendo de uma maneira boa”, disse Maduro.

A situação na Venezuela está tensa desde janeiro, quando protestos anti-governo, alimentados pela auto proclamação do líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino do país.

Maduro criticou Guaidó, dizendo que agiu sob as ordens dos Estados Unidos, que tentaram instalá-lo como presidente do país e se apossar dos ativos de petróleo da Venezuela.

O governo e a oposição realizaram várias rodadas de negociações, mediadas pela Noruega, no entanto, nenhum acordo foi ainda alcançado.

O governo norueguês disse que houve progresso nas negociações entre as partes interessadas em Oslo. Eles supostamente incluem funcionários do governo e pessoas leais ao líder da oposição, Guaidó.

Os Estados Unidos e 54 países reconhecem Guaidó como líder da Venezuela. No entanto, Rússia, China, Irã e vários outros países reconhecem Maduro eleito constitucionalmente como o presidente legítimo da Venezuela.

A Rússia disse que os EUA estão estrangulando a Venezuela com sanções, na tentativa de arrastar a nação latino-americana para o caos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019070314152983-maduro-diz-que-provavelmente-chegara-a-um-acordo-com-a-oposicao-ate-o-final-de-2019/

'Tudo conversa': venezuelanos perdem paciência com Guaidó e veem Maduro mais forte

Opositor venezolano, Juan Guaidó
© Sputnik /

Quatro dias antes do líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, lançar uma rebelião militar em uma tentativa de derrubar o presidente Nicolás Maduro, ele disse a seus partidários em uma manifestação em Caracas: "Nos próximos dias, decidiremos nosso destino".

O homem de 35 anos, que havia alcançado destaque nacional três meses antes, terminou seu discurso com seu habitual grito de guerra para os venezuelanos desesperados pelo fim de 20 anos de governo socialista: "Estamos no caminho certo!"

No entanto, após a insurreição de 30 de abril ser rapidamente desfeita, com tropas permanecendo em seus quartéis e funcionários-chave do governo se recusando a mudar de lado, muitos venezuelanos não têm tanta certeza.

Entrevistas com mais de duas dúzias de pessoas em toda a Venezuela - bem como dados recentes sobre pesquisas - sugerem que muitas pessoas ficaram frustradas com o ritmo lento da mudança em meio às dificuldades da vida cotidiana. Vários declararam que estavam perdendo a esperança de que Guaidó pudesse desalojar Maduro.

"Estamos no caminho certo, mas é a pista errada", comentou Rafael Narvaez, motorista de táxi na cidade costeira de Punto Fijo, em entrevista à Agência Reuters.

Narvaez ponderou que estava cheio de esperança em 30 de abril quando viu Guaidó aparecer com oficiais militares em um vídeo postado no Twitter dizendo que era hora de se levantar contra Maduro.

"Eu pensei que finalmente chegara o momento de recuperar nosso país", afirmou Narvaez, de 43 anos. "Agora estou desapontado".

Los opositores venezolanos Juan Guaidó y Leopoldo López
Los opositores venezolanos Juan Guaidó y Leopoldo López

Analistas disseram que o resultado mais provável agora é que o status quo continue enquanto Maduro ganha a confiança de que sua ofensiva contra a oposição ficará relativamente impune e Guaidó busca uma nova estratégia para manter energizado um público cansado.

Quando Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional, proclamou em janeiro uma presidência rival em um ousado desafio a Maduro, ele injetou novas esperanças na oposição fragmentada da Venezuela. Com a maioria das nações ocidentais dizendo que a reeleição de Maduro no ano passado foi manipulada, Guaidó citou a constituição para anunciar uma presidência interina até que novas eleições possam ser realizadas.

Washington apoiou-o e impôs novas e duras sanções à indústria petrolífera da Venezuela, com o objetivo de forçar Maduro e seus aliados do poder.

Maduro, que assumiu o cargo em 2013 após a morte de seu mentor político, Hugo Chávez, supervisionou um colapso econômico que deixou uma parte do país outrora rico sem acesso confiável a energia, água, alimentos e remédios. Mais de 4 milhões de venezuelanos emigraram e a Organização dos Estados Americanos (OEA) alertou nesta semana que esse número pode dobrar até o final do próximo ano.

Guaidó ganhou o controle de alguns ativos venezuelanos nos Estados Unidos, nomeou diplomatas no exterior e revelou um plano econômico para reconstruir a Venezuela. Mas suas promessas de anistia não conseguiram influenciar as Forças Armadas, que permanecem leais a Maduro.

Desde o levante de 30 de abril, o ímpeto da oposição diminuiu. A participação nos comícios públicos de Guaidó caiu e a oposição não realizou grandes protestos desde então. Uma marcha marcada para sexta-feira será um teste decisivo para o apoio de Guaidó.

Maduro, que mantém a lealdade dos principais aliados da Rússia e da China, classificou Guaidó como um fantoche dos EUA.
Com uma remoção rápida de Maduro que não está à vista, a oposição diz que está se esforçando para uma campanha mais demorada e buscando construir uma organização de base para pressionar por eleições sem Maduro.

Yon Goicoechea, membro da equipe política de Guaidó, reconheceu que havia "fadiga" entre os venezuelanos. "Temos que lutar contra a desmobilização e o desespero", disse ele. "Nós, venezuelanos, precisamos nos manter consistentes em nosso apoio a Guaido e sermos pacientes".

Suporte à recuperação

Para manter o ímpeto, Goicoechea disse que Guaidó viajou para 11 dos 23 estados da Venezuela e viajaria pelo menos mais cinco neste mês para motivar seus partidários.

Goicoechea informou que Guaido estava focado em expandir uma rede de Comitês de Ajuda e Liberdade, um programa que a oposição iniciou em abril para organizar esforços em nível local - algo que o Partido Socialista, no poder, fez com sucesso.

No entanto, os participantes dizem que até agora os comitês têm pouca força. Rafael Mora, um médico de 27 anos e partidário de Guaidó na cidade de Barquisimeto, no noroeste do país, disse que muitos venezuelanos queriam uma mudança imediata sem estar dispostos a trabalhar para isso.

"Não podemos deixar toda a responsabilidade apenas nas mãos de um líder, um messias", afirmou Mora, que conheceu Guaidó quando ele visitou no final de maio.

O apoio a Guaidó continua alto, mas caiu de 61,2% em fevereiro para 56,7% em maio, de acordo com um relatório de 10 de junho do instituto venezuelano Datanalisis. Apenas 10,1% dos venezuelanos aprovaram Maduro em maio, o nível mais baixo para um presidente desde 1999, segundo a pesquisa.

Enquanto isso, uma pesquisa da DatinCorp mostrou a proporção de venezuelanos que reconheceram Guaidó como o presidente legítimo caiu de 49% em fevereiro para 36% em junho.

Raul Gallegos, diretor associado da consultoria Control Risks, disse que seu cenário base é que Maduro ainda esteja no poder até o final do ano e que a oposição perca força. Não parece que Guaidó tinha um "Plano B" para desalojar Maduro, disse Gallegos.

"Podemos esperar que a popularidade de Guaido continue a corroer enquanto ele não estiver exercendo poder", disse ele.

'Tudo conversa'

A crise da Venezuela recebeu menos atenção pública do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, nas últimas semanas, quando a Casa Branca se envolveu em um confronto com o Irã e as tensões sobre uma disputa comercial com a China.

Quando Trump lançou sua campanha de reeleição em Orlando, Flórida, em 18 de junho, ele fez apenas uma breve menção à Venezuela, embora os assessores insistam que ele continua comprometido com Guaidó.

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sorri durante reunião com membros do governo no Palácio de Miraflores, em Caracas, Venezuela, em 23 de abril de 2019
© REUTERS / Palácio de Miraflores
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sorri durante reunião com membros do governo no Palácio de Miraflores, em Caracas, Venezuela, em 23 de abril de 2019

Desde o levante de abril, o governo de Maduro reprimiu os aliados de Guaidó sem retaliação significativa da comunidade internacional. A Suprema Corte acusou 14 parlamentares da oposição de crimes como traição e conspiração, o que levou a maioria a fugir para o exterior ou se refugiar em embaixadas estrangeiras em Caracas.

Alguns venezuelanos entrevistados criticaram a decisão de Guaidó de enviar enviados a Oslo para conversas com representantes do governo de Maduro. Em vez disso, eles exigiram que Guaidó mudasse de estratégia e solicitasse uma intervenção militar liderada pelos EUA - uma possibilidade que Washington repetidamente minimizou.

"Não podemos nos livrar de Maduro com votos. Terá que ser uma saída violenta", disse Juan Parra, um professor de 67 anos na cidade andina de Mérida, enquanto esperava para ver Guaidó falar.

Enquanto o resultado mais desejado para os venezuelanos na pesquisa Datanalisis foram as negociações que levaram às eleições presidenciais deste ano, a preferência por uma invasão militar liderada pelos EUA subiu de 9,4% em abril para 11,9% em maio.

Para muitos venezuelanos, as mudanças demoram a chegar e dezenas de milhares estão deixando o país todas as semanas.

"Aposto que [Guaidó] mudaria nosso país", disse Andraimi Laya, uma ex-aluna de 22 anos, à Reuters, enquanto esperava em um posto de fronteira para entrar no Peru. "Mas, dado que é tudo conversa e não há organização, é muito difícil ficar lá".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019070114146981-venezuelanos-paciencia-apoio-guaido/

Países BRICS estão prontos para ajudar a resolver crise na Venezuela

Todos os cinco presidentes do BRICS se encontram às vésperas da cúpula do G20, Osaka, Japão
© Sputnik / Mikhail Klimentev

Os países do BRICS estão prontos para promover a solução da crise na Venezuela, esse tema foi discutido na reunião dos líderes dessa associação em Osaka, disse o vice-ministro das Finanças da Rússia, Sergei Storchak.

"A Venezuela foi discutida no BRICS. A questão é que a organização BRICS vai, na medida do possível, contribuir para a regularização deste processo", disse Storchak aos repórteres.

O vice-ministro direcionou a questão da ajuda dos países do BRICS para os diplomatas. "Se as partes em disputa puderem ser levadas à mesa de negociações, será um grande avanço", acrescentou Storchak.

Pagamento da dívida

Falando da questão do pagamento da dívida de Caracas perante Moscou, Storchak observou que "a Venezuela fez um pagamento urgente no final de março. "Se houver outro, vamos ver", acrescentou ele.

Storchak explicou anteriormente que o serviço da dívida pública venezuelana à Rússia envolve pagamentos duas vezes por ano. O pagamento anterior foi feito em abril. Atualmente, a Venezuela está pagando apenas juros sobre a dívida, e mais tarde deve começar o período de reembolso do empréstimo em si, juntamente com os juros.

No início de junho, o ministro venezuelano da Economia e Finanças, Simon Serpa, disse à Sputnik que Caracas pretende pagar integralmente a dívida a Moscou, e que o próximo pagamento está programado para 30 de setembro.

Crise na Venezuela

A Venezuela está enfrentando uma crise política, que foi agravada no dia 23 de janeiro com a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino do país. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que assumiu o segundo mandato em 10 de janeiro após as eleições, considerou a declaração de Guaidó uma tentativa de golpe de Estado e culpou os EUA por orquestrá-la.

A Rússia, China, Cuba, Bolívia, Irã, Turquia e outros países apoiam o governo de Maduro. Moscou descreveu o "status presidencial" de Guaidó como inexistente. Do outro lado, a União Europeia, EUA e grande parte dos países latino-americanos, incluindo o Brasil, apoiam Guaidó.

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Trump afirma que sua abordagem quanto à Venezuela 'pode mudar a qualquer momento'

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante a cúpula do G20, em Osaka, no Japão
© REUTERS / KEVIN LAMARQUE

O presidente estadunidense disse durante a coletiva de imprensa, após o segundo dia da cúpula do G20 que está decorrendo em Osaka no Japão, que tem vários planos para a Vanezuela.

Durante a coletiva de imprensa na cúpula do G20, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter "cinco estratégias diferentes" quanto à Venezuela, ao mesmo tempo esclarecendo que a sua abordagem do problemas da Venezuela poderia mudar em qualquer momento.

"Tenho muitas estratégias. Tenho cinco estratégias, posso mudar a qualquer momento", disse Donald Trump respondendo à pergunta de um jornalista sobre se ainda acredita na estratégia de apoio a Juan Guaidó, que no passado dia 23 de janeiro se autoproclamou "presidente interino" da Venezuela.

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou na quinta-feira (27) a inclusão de dois ex-membros do Governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro na lista SDN (lista de cidadãos nacionais especialmente designados e pessoas interditas de entrar no país) do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), tendo estes também sido acusados de lavagem de dinheiro.

Um dia depois, fez o mesmo com o filho do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A aplicação de sanções em relação a funcionários e ex-funcionários venezuelanos por parte da Casa Branca tem sido constante desde o passado mês de janeiro, quando Washington reconheceu Guaidó com presidente interino.

Por sua vez, Caracas anunciou na sexta-feira (28) que tomará "medidas firmes" para responsabilizar o governo dos EUA perante a comunidade internacional pelos "crimes confessados cometidos nos últimos meses contra o povo da Venezuela, sua democracia e instituições", de acordo com o comunicado emitido pelo Ministério dos Assuntos Exteriores venezuelano.

O texto condena a "flagrante violação" dos direitos internacionais e as "restrições ao nível econômico e humanitário" impostas por Washington.

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Assessor responsabilizado pelo golpe na Venezuela era agente da CIA, assegura Maduro

Logotipo da CIA
© AFP 2019 / Saul Loeb

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, qualificou como assassino o ex-assessor Iván Simonovis, responsabilizado pela violência ocorrida durante o golpe de Estado de 2002 contra Hugo Chávez.

Maduro afirmou que o ex-assessor sempre foi um agente da Agência Central de Inteligência dos EUA.

"O assassino [Iván] Simonovis foi recebido como herói em Washington, como agente da CIA que foi toda a vida, ele é um assassino, um criminoso, assassino sanguinário [...]", declarou Maduro.

Simonovis estava em prisão domiciliar , da qual se evadiu no passado 16 de maio. O ex-assessor falou sobre o plano de fuga para escapar de sua casa, onde cumpria a pena de prisão.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhado pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino Lopez e pelo comandante das Operações Estratégicas, almirante Remigio Ceballos, chegam para um encontro com as tropas de Fort Tiuna, em Caracas.
© AP Photo / Assessoria de Imprensa do Miraflores / Jhonn Zerpa
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhado pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino Lopez e pelo comandante das Operações Estratégicas, almirante Remigio Ceballos, chegam para um encontro com as tropas de Fort Tiuna, em Caracas.

Entretanto, no dia 26 de junho, o ministro venezuelano da Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, desmentiu a versão e assegurou que o líder da oposição, Juan Guaidó, pagou centenas de milhares de dólares para liberá-lo.

Simonovis, que atualmente está nos EUA, foi condenado a 30 anos de prisão por cumplicidade na execução de crime de homicídio qualificado.

Durante os protestos e o golpe de Estado de 2002 contra o então presidente, Hugo Chávez (1998-2013), Simonovis era assessor de Segurança Pública da Prefeitura de Caracas e foi responsabilizado pela violência que ocorreu na capital durante o conturbado período.

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Bachelet: Sanções econômicas impostas pelos EUA agravam crise na Venezuela

Primeira vez que um organismo internacional reconhece publicamente que os Estados Unidos também influenciaram a situação atual do país
Todas as partes envolvidas no conflito político venezuelano estão violando direitos humanos. Essa foi uma das constatações da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, após três dias de visita oficial na Venezuela. Em seu informe preliminar, dirigido à imprensa internacional, Bachelet apresentou um resumo das informações que colheu nos encontros que manteve com funcionários do governo, líderes opositores, assim como com as vítimas da violência política da oposição e também familiares de políticos opositores presos.

Michelle Bachelet afirmou que o bloqueio econômico contra a Venezuela está agravando a crise que o país vive. “Me preocupa que as sanções impostas este ano pelos Estados Unidos às exportações de petróleo e ao comércio de ouro exacerbem e agravem a crise econômica preexistente”. É a primeira vez que um organismo internacional reconhece publicamente que os Estados Unidos também influenciaram a situação atual do país.

A alta comissária disse ter falado com pessoas de todas vertentes políticas e classes sociais durante sua visita à Venezuela e que todos contaram como a situação  deteriorou de maneira extraordinária, incluindo o direito à alimentação, água, saúde, educação e outros direitos econômicos e sociais.

"O governo lançou projetos em um esforço para garantir o acesso universal a programas sociais, para os quais dedicou 75% do orçamento nacional. Porém, também ouvi testemunhos de muitos que, apesar de terem um emprego, não têm recursos suficientes para comprar medicamentos e garantir alimentos suficientes ou outras necessidades", disse.

A crise econômica precisa de soluções urgente, diz a alta comissionada, e que para isso contará com as agências da ONU já estão atuando no país. “As causas dessa imensa crise econômica, que piorou depois de 2013, são diversas e eu falei com o Estado venezuelano sobre a necessidade de solucioná-la urgentemente, com o apoio das agências das Nações Unidas, que tem reforçado sua presença na Venezuela", pontua.

Escutar as vítimas

A alta comissária da ONU reforçou a necessidade escutar às vítimas do conflito político e falou sobre os excessos cometidos pelas forças militares do governo, em conversa com familiares de vítimas. “Um pai se mostrou muito orgulhoso dos troféus e medalhas que seu filho tinha ganhado, jogando basquete, antes de ser assassinado nos protestos de 2017. Uma mãe relatou o assassinado de seu filho de 14 anos durante as manifestações de 30 de abril desse ano [data da tentativa de golpe de Estado organizado pela oposição]”, disse a chilena.

E também falou sobre chavistas, vítimas da violência opositora. “Também conheci vítimas da violência contra partidários do governo. Escutei o testemunho da mãe de um jovem que foi queimado vivo nos protestos de 2017 e passou 15 dias agonizando no hospital antes de morrer. Uma jovem me contou como seu pai, dirigente camponês, foi assassinado por defender o direito a terra”, disse Bachelet, ao afirmar que esses foram apenas alguns exemplos entre tantas histórias que escutou.

Michelle Bachelet indicou ainda que o governo aceitou que sua equipe tenha acesso aos centros de detenção e que possa monitorar as condições de detenção e falar com os detentos. Ela afirmou que espera que sua avaliação e assistência ajudem a fortalecer o acesso à justiça na Venezuela.

Relatório final

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos informou que apresentará o relatório final sobre a situação humanitária e dos direitos humanos na Venezuela no dia 5 de julho, e que conterá com muito mais informações e análises objetivas, além de recomendações sobre como avançar.

Em sua declaração final, antes de partir, Bachelet fez um chamado ao diálogo entre os políticos de todas as vertentes ideológicas, para juntos encontrarem uma maneira de enfrentar os desafios e o sofrimento do povo venezuelano. "Para isso, todas as vozes devem ser incluídas. Manter posições arraigadas em qualquer um dos dois lados só agravará a crise e os venezuelanos não podem permitir que a situação no país se deteriore ainda mais", ressaltou. Disse ainda que “não abandonará” a Venezuela.

Ela também reconheceu a institucionalidade do governo Nicolás Maduro e se referiu ao líder opositor Juan Guaidó como “presidente da Assembleia Nacional”, sem mencionar o fato de autoproclamar presidente interino da Venezuela. Veja aqui sua declaração completa, em espanhol e inglês.
FANIA RODRIGUES | Brasil de Fato | Edição: Pedro Ribeiro Nogueira | em Opera Mundi

 

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Em cinco meses, autoproclamação de Guaidó trouxe prejuízos bilionários à Venezuela

Última manobra do opositor junto aos EUA bloqueou a venda de diluentes do petróleo e pretende causar rombo de US$ 11 bi

Michele de Mello, do Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

No último domingo (23), a autoproclamação de Juan Guaidó como “presidente encarregado” da Venezuela completou cinco meses. O cenário atual é de diálogo entre representantes do deputado opositor e da administração do presidente Nicolás Maduro, que participam de mesas de negociação na Noruega.

No entanto, nem sempre houve espaço para diálogo. Nesse período como “presidente”, Juan Guaidó viajou para os Estados Unidos, Europa, Brasil, Colômbia, Paraguai, Argentina e Equador.

Além de pedir apoio e reconhecimento de outros países para seu governo autoproclamado, Guaidó transformou-se num dos principais incentivadores do recrudescimento do bloqueio econômico e diplomático contra seu próprio país.

A resposta dos seus apoiadores internacionais foi imediata. Até o momento, cerca de US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões) foram bloqueados em contas venezuelanas no exterior.

A principal afetada foi a indústria petrolífera, responsável pelo ingresso de 95% das divisas no país. Por conta de uma ordem executiva do Departamento de Tesouro dos EUA, foram bloqueados cerca de US$ 30 bilhões (cerca de R$120 bilhões) em ativos e bens da subsede da estatal PDVSA no Estados Unidos, a CITGO Petroleum, desde 28 de janeiro de 2019.
Apesar de não ter respaldo legal e legitimidade para gerir qualquer fundo estatal venezuelano, com manobras e apoios de governos de outros países, Guaidó tem conseguido se apropriar de dinheiro do país.

Sanções como arma de guerra

Há menos de um mês, no dia 7 de junho, os Estados Unidos bloquearam a venda de diluentes de petróleo – utilizados na produção de gasolina e outros combustíveis – à Venezuela.

Segundo estatísticas do próprio departamento de Estado dos EUA, divulgados pelo secretário John Bolton, as novas medidas esperam gerar um prejuízo de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 44 bilhões) ao país governado por Nicolás Maduro.

Os Estados Unidos parecem correr contra o tempo – o que não é mentira, já que neste mês Guaidó chega à metade do seu mandato como presidente da Assembleia Nacional e, quando deixar de ocupar o cargo, perderá também o pretexto legal utilizado para exercer a função de presidente interino da nação.

Como Guaidó se apropriou dos recursos da CITGO

O governo autoproclamado de Guaidó foi prontamente reconhecido pelos Estados Unidos. O reconhecimento de Trump permitiu ao grupo opositor apropriar-se da sede diplomática da Venezuela em Washington, além de garantir o controle da CITGO. É justamente nesse ambiente onde a oposição tem focado suas movimentações para seu autofinanciamento.

Andrés Eloy Padilla Villalba, diretor da CITGO, nomeado por Guaidó, se tornou corretor público de títulos da empresa na bolsa de valores. Em apenas uma oferta, US$ 5,5 milhões em títulos (cerca de R$ 22 milhões) foram vendidos. Ou melhor, privatizados.
O diretor é irmão de Luis Carlos Padilla Villalba, deputado pelo partido Ação Democrática e presidente da Comissão de Energia e Petróleo da Assembleia Nacional da Venezuela. O uso do dinheiro vendido nunca foi informado.

Outro corretor das ações da CITGO na bolsa é Germán Rivero Zerpa. O banqueiro foi designado diretor da Fundos de Desenvolvimento Social da Venezuela (Fivendes), uma empresa criada em março pelo primo de Juan Guaidó, Juan Víctor Salcedo Márquez – que atualmente vive em Chicago, mas abriu a conta bancária da empresa em Londres.

Márquez tem direito de administrar 75% da verba da Fivendes. Os outros 25% estão na mão de dois bancos privados.

Bônus 2020

Em maio deste ano, a Assembleia Nacional venezuelana, presidida por Guaidó, aprovou que a diretoria opositora da CITGO se apropriasse dos dólares do Estado venezuelano bloqueados pelos EUA para pagar os bônus da dívida da empresa na bolsa de valores.

O advogado Lee Buchheit foi nomeado como assessor “pro bônus” pelos opositores para propor um novo plano de reestruturação da dívida externa venezuelana, apesar de que o governo de Maduro segue pagando os juros e amortizações da dívida.

Só em 2018, o Estado desembolsou US$ 1,4 bilhão (R$ 5,6 milhões). Segundo o Banco Central da Venezuela (BCV), o país terminou 2015 com uma dívida pública de US$ 120 bilhões (R$ 480 bilhões).

Buchheit é o mesmo advogado responsável por “renegociar” dívida contraída pelo Iraque depois da guerra promovida pelo Estados Unidos, no início dos anos 2000. Mais recentemente, em 2016, também assessorou a secretaria de finanças da Argentina – país que possui a segunda maior taxa de inflação do continente e uma taxa de desemprego de 10,1%. Ele trabalha em um escritório da Unidade de Assessoria Internacional e Resolução de Disputas, em Londres, mesmo lugar onde a conta de Fivendes foi aberta.

Em paralelo, uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos apura a apropriação, por parte dos dirigentes de Guaidó, de cerca de US$ 70 milhões (cerca de R$ 280 milhões) que seriam destinados a pagar os bônus da dívida da empresa.
Jornal GGN | Edição: Rodrigo Chagas
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Secretário da OEA admite que diálogo com Guaidó consolidou Maduro na Venezuela

A figura do presidente venezuelano Nicolás Maduro foi consolidada, enquanto a situação do deputado e líder da oposição Juan Guaidó perdeu força depois que o esforço de diálogo entre as partes foi levado adiante na Noruega, disse o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro.

"Hoje vemos, depois da Noruega, que a imagem do presidente no comando [Guaidó] caiu muito, a de Maduro subiu e se consolidou, e de repente se tornou um interlocutor legitimado para certas coisas", avaliou Almagro ao portal de notícias PanAm Post.

Em 16 de maio, o governo de Maduro e a oposição venezuelana iniciaram um processo de diálogo e duas reuniões foram realizadas em Oslo. As autoridades norueguesas limitaram-se a informar que as partes discutiram uma agenda com questões políticas, econômicas e eleitorais.

É a primeira iniciativa de conversas que se conhece desde 21 de janeiro, quando começaram os protestos maciços contra Maduro na Venezuela, pouco depois do início de seu segundo mandato.

Almagro, um duro crítico do governo de Maduro, advertiu que as tentativas de diálogo entre o partido no poder e a oposição da Venezuela nos últimos cinco anos sempre levaram a reforçar o "status quo".

O secretário-geral da OEA disse que tem um bom relacionamento com Guaidó, a quem ele reconhece como presidente encarregado da Venezuela.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhado pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino Lopez e pelo comandante das Operações Estratégicas, almirante Remigio Ceballos, chegam para um encontro com as tropas de Fort Tiuna, em Caracas.
© AP Photo / Assessoria de Imprensa do Miraflores / Jhonn Zerpa
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhado pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino Lopez e pelo comandante das Operações Estratégicas, almirante Remigio Ceballos, chegam para um encontro com as tropas de Fort Tiuna, em Caracas.

"Nós conversamos no telefone há 10 dias, estamos em contato e vendo um pouco como você pode empurrar o barco para sair do colapso que está agora", comentou Almagro.

Guaidó é reconhecido como presidente interino por 54 países, enquanto Maduro conta com o apoio da Rússia, China, Cuba, Bolívia, Irã e Turquia, entre outros países.

Enquanto isso, México e Uruguai se recusaram a reconhecer Guaidó, declararam-se neutros e propuseram um diálogo entre as partes para superar a crise.

Em 5 de janeiro, o deputado Juan Guaidó foi eleito presidente da Assembleia Nacional. Em 23 de janeiro, dois dias depois de o Supremo Tribunal anulou a sua nomeação, o deputado que se auto-proclamou presidente interino, usou um artigo da Constituição que prevê tal figura no caso de haver um vácuo de poder, mas não sob o argumento de "usurpação da posição", como alegou Guaidó.

Maduro, que assumiu seu segundo mandato em 10 de janeiro, depois de uma eleição que a oposição boicotou, chamado de declaração Guaidó tentativa de golpe e culpou os EUA de terem orquestrado todo o plano.

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EUA devem invadir Venezuela para assustar Irã e Coreia do Norte, sugere senador americano

Presidente dos EUA Donald Trump durante cerimônia para comemorar o 75º aniversário do Dia D, Normandia, França, 6 de junho de 2019
© AP Photo / Alex Brandon

O senador americano Lindsey Graham sugeriu ao presidente Trump que tomasse uma grande medida através da "força militar" na luta contínua pela presidência da Venezuela.

Durante uma entrevista à Fox News na sexta-feira (14), o senador do estado americano da Carolina do Sul foi questionado sobre assuntos referentes aos desafios da política externa de Trump em relação ao presidente venezuelano Nicolás Maduro, além de questões envolvendo a Coreia do Norte, que continuam ignorando seu acordo, e o suposto ataque do Irã contra petroleiros no golfo de Omã.

"[Trump] disse que Maduro tem que sair. Ele tem razão. Deem a Cuba um ultimato. Sem Cuba, Maduro não dura um dia. Digam a Cuba para sair da Venezuela", ressaltou.

"É uma época de testes", disse Graham, acrescentando que o presidente Trump deveria "colocar a força militar na mesa", comparando-a à invasão de Granada pelo presidente Ronald Reagan em 1983 e argumentando que isso poderia acabar com o apoio de Cuba à Venezuela.


"Comece pelo seu próprio quintal [...] Arrume a Venezuela e todos saberão que você está falando sério", disse o senador do estado americano da Carolina do Sul, insinuando que a Coreia do Norte e o Irã entrariam na linha depois que Caracas fosse colocada no seu lugar.

Embora Graham tenha falado sobre as realizações não militares do presidente americano, felicitando-o relutantemente por desacelerar as ambições nucleares da Coreia do Norte, seu conselho não incluiu muito em termos de diplomacia.

Em maio, o representante do Congresso Nacional dos EUA afirmou que ele faria "exatamente o que Reagan fez" em relação à Venezuela.

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Importações norte-americanas de petróleo venezuelano estão no nível zero por 3 semanas consecutivas

Um barco-patrulha venezuelano passa pelo petroleiro Kim Jacob carregando 1 milhão de barris de petróleo bruto no estado oriental de Anzoátegui, na Venezuela.
© AP Photo / El Nuevo Dia,Omar Perez

A crise política na Venezuela tem se agravado desde o início deste ano, quando o líder da oposição Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino do país.

Caracas tem acusado Washington de tentar orquestrar um golpe de Estado para assumir o controle dos vastos recursos energéticos que o país latino-americano possui.

As importações norte-americanas de petróleo venezuelano estão no nível zero já há 3 semanas consecutivas, segundo dados do relatório semanal da Agência de Informação Energética.


O relatório nota como comparação que, no período homólogo do ano passado, os EUA importavam 663.000 barris de petróleo da Venezuela por dia.

Esta já é a terceira paragem absoluta desde janeiro. Em março, os EUA suspenderam todas as importações de petróleo venezuelano por um período de 3 semanas. No mês de maio, as importações estiveram no nível zero por 2 semanas.

Washington introduziu sanções contra a empresa petrolífera estatal da Venezuela PDVSA no fim de janeiro deste ano, se apoderando de ativos da empresa no estrangeiro no valor de cerca US$ 7 biliões, incluindo uma rede de postos de gás da empresa filial Citgo.

O Departamento do Tesouro dos EUA proibiu as empresas norte-americanas de fazerem negócios com a estatal venezuelana sob pena de sanções adicionais.

Washington criou também um fundo de reserva para financiar a oposição com o dinheiro apreendido da empresa estatal PDVSA.

Recentemente, o presidente venezuelano acusou a oposição de ter roubado as receitas provenientes do petróleo que pertencem ao povo venezuelano.

As sanções e, na prática, o embargo tiveram forte impacto nas exportações de petróleo venezuelano, e levaram Caracas a procurar mercados alternativos e a assinar acordos de cooperação com outros países.


No início do ano, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEC, na sigla em inglês), as exportações de petróleo da Venezuela caíram de 1,4 milhões de barris por dia, antes de os EUA terem imposto as sanções em janeiro, para 800.000 barris por dia em abril.

Na semana passada, o ministro do Petróleo da Venezuela, Manuel Quevedo, disse que a empresa estatal PDVSA irá abrir um escritório em Moscou no fim deste mês.

A Venezuela possui uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, com cerca de 90% das receitas do país a serem provenientes da venda deste combustível.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019061314051253-importacoes-norte-americanas-de-petroleo-venezuelano-estao-no-nivel-zero-por-3-semanas-consecutivas/

Autoridades venezuelanas prosseguem investigações sobre acções de golpistas

MP determinou a responsabilidade de 72 envolvidos no golpe de Estado e no atentado contra Maduro. Arreaza respondeu aos presidentes colombiano e argentino, que puseram em causa a legitimidade de Nicolás Maduro.

Retrato de graffiti com mulher. Caracas, Venezuela, 9 de Março de 2015. Os EUA tinham acabado de emitir sanções contra a Venezuela, a pretexto de que o país seria uma «ameaça à sua Segurança Nacional".CréditosJorge Silva / Reuters

Numa conferência de imprensa ontem dada na sede do Ministério Público (MP) em Caracas, o procurador-geral da República da Venezuela, Tarek William Saab, explicou que, no âmbito das investigações sobre o atentado contra o chefe de Estado, perpetrado a 4 de Agosto de 2018, foram indiciadas 38 pessoas, 31 das quais estão actualmente na prisão (às restantes sete foram aplicadas medidas alternativas à privação da liberdade).

O procurador acrescentou que existem mandados de detenção para mais 15 pessoas, mas que estas se encontram fora do país. Neste sentido, disse esperar que «a Colômbia e os Estados Unidos entreguem à Venezuela» as pessoas que são alvo de investigação criminal, informa a AVN.

No que respeita à tentativa de golpe de Estado conhecida como «Operação Liberdade», executado no passado dia 30 de Abril, William Saab, referiu que há 34 indivíduos sob investigação, 17 dos quais foram presos e indiciados.

Fazendo uma espécie de balanço da actividade da instituição que dirige, o procurador lembrou que «este ano esteve marcado por acções desestabilizadoras», sublinhando, no entanto, que «cada um dos responsáveis será julgado por essas acções», refere a Prensa Latina.

Na conferência de imprensa, Saab destacou ainda o papel do MP na luta contra a corrupção e contra o narcotráfico, tendo revelado que, ao longo deste ano, a instituição recebeu 3464 casos relativos a narcotráfico.

«A Nossa América quer o fim da produção de drogas na Colômbia e dos pacotes neoliberais na Argentina»

«A Nossa América quer o fim da produção e tráfico de drogas, violação de Direitos Humanos, o fim da guerra, do paramilitarismo, dos "falsos positivos" e da narcopolítica na Colômbia e o povo argentino quer o fim do infame e falhado pacote neoliberal selvagem de Macri», escreveu esta terça-feira o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, na sua conta de Twitter.

Jorge Arreaza respondeu de forma categórica às declarações de cariz intervencionista proferidas, em Buenos Aires, pelos presidentes colombiano e argentino

Estas afirmações de Arreaza surgem na sequência das declarações de cariz intervencionista proferidas, no dia anterior, em Buenos Aires, pelos presidentes da Colômbia, Iván Duque, e da Argentina, Mauricio Macri.

O chefe de Estado argentino declarou a vontade de «acabar com o usurpador Nicolás Maduro», obliterando o facto de que o presidente venezuelano foi reeleito, em Maio de 2018, com mais de 67% dos votos. Por seu lado, Iván Duque pediu que se «acelere» o cerco diplomático de modo «a alcançar o fim da usurpação e da ditadura, o governo de transição e o reestabelecimento da democracia» na Venezuela.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/autoridades-venezuelanas-prosseguem-investigacoes-sobre-accoes-de-golpistas

Venezuela: Compreender a guerra que aí vem

Elementos estrangeiros do exército das sombras (paramilitares, mercenários e forças especiais) 
A ofensiva imperialista contra a Venezuela segue em muitos aspectos um modelo bem conhecido. Aliás, a administração Trump confirmou-o quando encarregou Elliott Abrams da questão venezuelana. A cúpula imperialista há muito tem como aliado preferencial a escumalha do mundo do crime organizado e da extrema-direita. Da Colômbia a Israel, mobiliza-a e arma-a contra o processo bolivariano. E paga-a com os milhões roubados à nação venezuelana, parte dos quais passa por Portugal.
Em 14 de Março de 2018, Erick Prince, fundador da empresa privada Blackwater Military Company, reuniu cerca de cem celebridades no seu rancho de Virgínia. O convidado de honra naquele dia não era outro senão Oliver North, a figura principal juntamente com Elliott Abrams - o actual enviado especial dos EUA à Venezuela - para a guerra suja contra a Nicarágua na década de 1980 ( ). Este retorno de Erick Prince ao centro das atenções, depois de ter sido marginalizado pelos governos dos EUA (tal como o seu colega Abrams), deveria ter sido um sinal de alerta. Mas é apenas um ano depois que descobrimos que o fundador da Blackwater se estava a preparar para recrutar 5.000 mercenários por conta de Juan Guaidó (). Este plano macabro não teria, por agora, encontrado eco na Casa Branca, todavia sensível à influência de Prince, nem o financiamento necessário de 40 milhões, soma ridícula se se considerar o roubo pela administração dos EUA de milhares de milhões pertencentes ao Estado venezuelano.

No entanto, o recrutamento de mercenários já começou. Em 29 de Novembro de 2018, o presidente Maduro denunciou num discurso televisionado a constituição de um batalhão de 734 cães de guerra nas bases militares de Eglin na Flórida, e de Tolemaida, na Colômbia. Em 23 de Março de 2019 o ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez, anunciava que 48 mercenários recrutados em El Salvador, Honduras e Guatemala tinham entrado em território venezuelano a fim de levar a cabo atentados contra as mais altas autoridades do país, bem como actos de sabotagem e operações de bandeira falsa (). Segundo os serviços de informações da Venezuela, esses mercenários tinham sido recrutados por Roberto Marrero, o braço direito de Juan Guaido (). Quer seja via Erick Prince ou por outros meios, o recrutamento de mercenários para desestabilizar a Venezuela é uma sinistra realidade.

No dia da prisão de Marrero, os serviços de segurança venezuelanos capturaram Wilfrido Torres Gómez, aliás Necocli, chefe do bando narco-paramilitar colombiano “Los Rastrojos”. Tal como os mercenários, os paramilitares colombianos são um actor estrangeiro fundamental no futuro exército de que Guaido poderia dispor.

Paramilitares são uma excrescência do conflito colombiano. Criados primeiro por proprietários de terras e por militares, ou na esteira dos cartéis da droga, estes grupos encarregados ​​das tarefas mais inconfessáveis foram reunidos sob o comando das Forças de Autodefesa Unidas da Colômbia (AUC). De 1997 a 2006, fizeram o terror reinar, deslocando populações inteiras em território colombiano e encarregando-se dos abusos que os serviços do Estado não queriam assumir. Sob o governo de Álvaro Uribe (2002-2010), os paramilitares adquiriram presença real na cena política, forjando laços com responsáveis políticos e económicos e chegando até a financiar um terço dos parlamentares deste país, como mostraram os documentos capturados no computador do líder paramilitar Jorge 40 (). Se a sua principal actividade continua ligada ao tráfico de cocaína, os paramilitares actuam como um estado paralelo e influente. Dotados de uma autoridade adquirida através de uma extrema violência e terror psicológico, eles impõem as suas normas sociais, políticas e económicas aos territórios que controlam. A “desmobilização” das AUC em 2006 teve por consequência a sua implosão em estruturas menores, que mantiveram o mesmo modus operandi.

Os paramilitares colombianos chegam à Venezuela depois do golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002. Primeiro como assassinos a soldo de certos proprietários de terras, preocupados em eliminar os líderes camponeses que reivindicavam a aplicação da reforma agrária. Começam a investir sobre certas zonas das grandes cidades enquanto permanecendo muito activos na fronteira venezolano-colombiana.

Tornam-se conhecidos dos venezuelanos em Maio de 2004, depois de 124 paramilitares serem presos nos arredores de Caracas. Tinham sido trazidos por Roberto Alonso, um político da oposição, com o objectivo de assassinar Hugo Chávez e altos responsáveis da Revolução. Ao longo dos anos, a sua presença reforçou-se ao longo da fronteira (), tal como em algumas áreas das grandes cidades, onde constituíram várias células dormentes. Sem esquecer o eixo de comunicação estratégica que leva dos Andes à costa caribenha, corredor essencial para a distribuição da cocaína. É nessa parte do território que a maioria dos líderes paramilitares que estavam na Venezuela foram presos ou mortos. É também neste eixo que se encontram, e isso não é coincidência, as cidades onde ocorreram os confrontos mais duros quando das guarimbas de 2014 e 2017.

Ao contrário do crime organizado “clássico”, os paramilitares dispõem de uma hierarquia militar, de um aparelho de informações, de um armamento adequado, mas, principalmente, agem em função de uma politização marcado pelo seu anticomunismo, adquirida a partir da sua gênese na luta contra a guerrilha. Eles impõem a sua orientação ideológica às populações que submetem. Ao contrário do submundo, mantêm muito boas relações com as elites colombianas, para quem desempenham o papel de um exército paralelo. A sua utilização contra a Venezuela permitiria à Colômbia não desguarnecer as frentes internas que o seu exército mantém com a guerrilha.

Na fronteira com a Venezuela, os paramilitares controlam o tráfico de drogas bem como o contrabando de gasolina e alimentos. Como Freddy Bernal, prefeito desta região, nos lembrou em entrevista exclusiva “A Colômbia produz 900 toneladas de cocaína. Para produzir um quilo, necessitas de 36,5 litros de gasolina e a Colômbia não produz o suficiente. Os paramilitares são encarregados de encaminhar ​​pela via do contrabando 36 milhões de litros de gasolina provenientes da Venezuela destinada em grande parte à produção de cocaína “() e em troca controlam a distribuição de drogas no país vizinho, através degangues criminosos venezuelanos.

Os confrontos do Estado Bolivariano com os paramilitares são cada vez mais recorrentes. Não apenas para lutar contra os seus múltiplos tráficos mas sobretudo para defender a soberania do Estado sobre o território. Segundo Freddy Bernal, “os paramilitares desempenham o mesmo papel que o Daesh desempenhou no Iraque, na Líbia e na Síria. Visam fragmentar o nosso território. São o Daesh da América Latina “(). São uma engrenagem essencial na atomização do Estado-nação venezuelano, um dos principais objectivos da guerra que se anuncia.

De Roberto Alonso a Roberto Marrero, há muitos exemplos mostrando que os paramilitares colombianos estão ligados à oposição venezuelana. Mas eles respondem também aos planos do Pentágono nas suas ações planeadas contra a Venezuela. Como nos revelou um documento do SouthCom, a força militar dos Estados Unidos responsável pela América Latina, os estrategas militares estado-unidense preconizam “recrutar paramilitares principalmente nos campos de refugiados em Cúcuta, La Guajira e no norte da província de Santander, vastas zonas povoadas por cidadãos colombianos que emigraram para a Venezuela e agora regressam ao seu país para escapar a um regime que aumentou a instabilidade nas fronteiras, aproveitando o espaço vazio deixado pelas FARC, o ELN ainda beligerante e as actividades [paramilitares] na região do Cartel do Golfo “().

Como pode ver-se, os Estados Unidos e seus aliados latino-americanos dispõem já de um exército. É composto por um punhado de desertores e de combatentes civis venezuelanos, de membros do crime organizado, de mercenários estrangeiros e paramilitares colombianos, tudo estruturado por forças especiais dos Estados Unidos, já presentes na região () e pelo apoio táctico dos exércitos de países vizinhos. Outros actores poderiam mesmo fazer-se convidar para este conflito. O que explicaria a presença de várias centenas de soldados israelitas no Brasil e em Honduras.

O armamento dessa força militar irregular está também em curso. Como denunciou o governo russo pela voz de Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros daquele país, “os Estados Unidos e seus aliados da NATO estão actualmente a estudar a possibilidade de adquirir a um país da Europa de leste um importante lote de armas e munições destinado aos opositores venezuelanos. Trata-se de metralhadoras pesadas, de lança-granadas integrados e automáticos, de mísseis terra-ar portáteis, de diferentes munições para arma de fogo e peças de artilharia. Este carregamento deveria ser transportado para a Venezuela através do território de um país vizinho com a ajuda de aviões de carga da empresa estatal ucraniana Antonov “(). Não é necessário ser um especialista militar para compreender que esse tipo de arsenal é o mesmo que é usado pelos beligerantes que combatem contra a República Árabe da Síria. Neste caso, os Estados Unidos ou países vizinhos não teriam sequer que assumir um proeminente papel protagonista na guerra irregular contra a Venezuela.

Caso o estrangulamento económico, político e financeiro da Venezuela e as diferentes pressões psicológicas e diplomáticas não sejam suficientes para derrubar o presidente Maduro, então o cenário que descrevemos será inevitavelmente aplicado. Os diferentes componentes da frente militar terão a tarefa de desmantelar a Venezuela sem necessariamente responder a um comando central, mas com o objetivo comum de tornar impossível o controlo do território pelo poder legítimo. É conveniente analisar agora as estratégias para alcançar tais fins.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/venezuela-compreender-guerra-que-ai-vem.html

Compreender a guerra que aí vem Elementos estrangeiros do exército das sombras (paramilitares, mercenários e forças especiais)

A ofensiva imperialista contra a Venezuela segue em muitos aspectos um modelo bem conhecido. Aliás, a administração Trump confirmou-o quando encarregou Elliott Abrams da questão venezuelana. A cúpula imperialista há muito tem como aliado preferencial a escumalha do mundo do crime organizado e da extrema-direita. Da Colômbia a Israel, mobiliza-a e arma-a contra o processo bolivariano. E paga-a com os milhões roubados à nação venezuelana, parte dos quais passa por Portugal.

Em 14 de Março de 2018, Erick Prince, fundador da empresa privada Blackwater Military Company, reuniu cerca de cem celebridades no seu rancho de Virgínia. O convidado de honra naquele dia não era outro senão Oliver North, a figura principal juntamente com Elliott Abrams - o actual enviado especial dos EUA à Venezuela - para a guerra suja contra a Nicarágua na década de 1980 ( ). Este retorno de Erick Prince ao centro das atenções, depois de ter sido marginalizado pelos governos dos EUA (tal como o seu colega Abrams), deveria ter sido um sinal de alerta. Mas é apenas um ano depois que descobrimos que o fundador da Blackwater se estava a preparar para recrutar 5.000 mercenários por conta de Juan Guaidó (). Este plano macabro não teria, por agora, encontrado eco na Casa Branca, todavia sensível à influência de Prince, nem o financiamento necessário de 40 milhões, soma ridícula se se considerar o roubo pela administração dos EUA de milhares de milhões pertencentes ao Estado venezuelano.

No entanto, o recrutamento de mercenários já começou. Em 29 de Novembro de 2018, o presidente Maduro denunciou num discurso televisionado a constituição de um batalhão de 734 cães de guerra nas bases militares de Eglin na Flórida, e de Tolemaida, na Colômbia. Em 23 de Março de 2019 o ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez, anunciava que 48 mercenários recrutados em El Salvador, Honduras e Guatemala tinham entrado em território venezuelano a fim de levar a cabo atentados contra as mais altas autoridades do país, bem como actos de sabotagem e operações de bandeira falsa (). Segundo os serviços de informações da Venezuela, esses mercenários tinham sido recrutados por Roberto Marrero, o braço direito de Juan Guaido (). Quer seja via Erick Prince ou por outros meios, o recrutamento de mercenários para desestabilizar a Venezuela é uma sinistra realidade.

No dia da prisão de Marrero, os serviços de segurança venezuelanos capturaram Wilfrido Torres Gómez, aliás Necocli, chefe do bando narco-paramilitar colombiano “Los Rastrojos”. Tal como os mercenários, os paramilitares colombianos são um actor estrangeiro fundamental no futuro exército de que Guaido poderia dispor.

Paramilitares são uma excrescência do conflito colombiano. Criados primeiro por proprietários de terras e por militares, ou na esteira dos cartéis da droga, estes grupos encarregados ​​das tarefas mais inconfessáveis foram reunidos sob o comando das Forças de Autodefesa Unidas da Colômbia (AUC). De 1997 a 2006, fizeram o terror reinar, deslocando populações inteiras em território colombiano e encarregando-se dos abusos que os serviços do Estado não queriam assumir. Sob o governo de Álvaro Uribe (2002-2010), os paramilitares adquiriram presença real na cena política, forjando laços com responsáveis políticos e económicos e chegando até a financiar um terço dos parlamentares deste país, como mostraram os documentos capturados no computador do líder paramilitar Jorge 40 (). Se a sua principal actividade continua ligada ao tráfico de cocaína, os paramilitares actuam como um estado paralelo e influente. Dotados de uma autoridade adquirida através de uma extrema violência e terror psicológico, eles impõem as suas normas sociais, políticas e económicas aos territórios que controlam. A “desmobilização” das AUC em 2006 teve por consequência a sua implosão em estruturas menores, que mantiveram o mesmo modus operandi.

Os paramilitares colombianos chegam à Venezuela depois do golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002. Primeiro como assassinos a soldo de certos proprietários de terras, preocupados em eliminar os líderes camponeses que reivindicavam a aplicação da reforma agrária. Começam a investir sobre certas zonas das grandes cidades enquanto permanecendo muito activos na fronteira venezolano-colombiana.

Tornam-se conhecidos dos venezuelanos em Maio de 2004, depois de 124 paramilitares serem presos nos arredores de Caracas. Tinham sido trazidos por Roberto Alonso, um político da oposição, com o objectivo de assassinar Hugo Chávez e altos responsáveis da Revolução. Ao longo dos anos, a sua presença reforçou-se ao longo da fronteira (), tal como em algumas áreas das grandes cidades, onde constituíram várias células dormentes. Sem esquecer o eixo de comunicação estratégica que leva dos Andes à costa caribenha, corredor essencial para a distribuição da cocaína. É nessa parte do território que a maioria dos líderes paramilitares que estavam na Venezuela foram presos ou mortos. É também neste eixo que se encontram, e isso não é coincidência, as cidades onde ocorreram os confrontos mais duros quando das guarimbas de 2014 e 2017.

Ao contrário do crime organizado “clássico”, os paramilitares dispõem de uma hierarquia militar, de um aparelho de informações, de um armamento adequado, mas, principalmente, agem em função de uma politização marcado pelo seu anticomunismo, adquirida a partir da sua gênese na luta contra a guerrilha. Eles impõem a sua orientação ideológica às populações que submetem. Ao contrário do submundo, mantêm muito boas relações com as elites colombianas, para quem desempenham o papel de um exército paralelo. A sua utilização contra a Venezuela permitiria à Colômbia não desguarnecer as frentes internas que o seu exército mantém com a guerrilha.

Na fronteira com a Venezuela, os paramilitares controlam o tráfico de drogas bem como o contrabando de gasolina e alimentos. Como Freddy Bernal, prefeito desta região, nos lembrou em entrevista exclusiva “A Colômbia produz 900 toneladas de cocaína. Para produzir um quilo, necessitas de 36,5 litros de gasolina e a Colômbia não produz o suficiente. Os paramilitares são encarregados de encaminhar ​​pela via do contrabando 36 milhões de litros de gasolina provenientes da Venezuela destinada em grande parte à produção de cocaína “() e em troca controlam a distribuição de drogas no país vizinho, através de gangues criminosos venezuelanos.

Os confrontos do Estado Bolivariano com os paramilitares são cada vez mais recorrentes. Não apenas para lutar contra os seus múltiplos tráficos mas sobretudo para defender a soberania do Estado sobre o território. Segundo Freddy Bernal, “os paramilitares desempenham o mesmo papel que o Daesh desempenhou no Iraque, na Líbia e na Síria. Visam fragmentar o nosso território. São o Daesh da América Latina “(). São uma engrenagem essencial na atomização do Estado-nação venezuelano, um dos principais objectivos da guerra que se anuncia.
De Roberto Alonso a Roberto Marrero, há muitos exemplos mostrando que os paramilitares colombianos estão ligados à oposição venezuelana. Mas eles respondem também aos planos do Pentágono nas suas ações planeadas contra a Venezuela. Como nos revelou um documento do SouthCom, a força militar dos Estados Unidos responsável pela América Latina, os estrategas militares estado-unidense preconizam “recrutar paramilitares principalmente nos campos de refugiados em Cúcuta, La Guajira e no norte da província de Santander, vastas zonas povoadas por cidadãos colombianos que emigraram para a Venezuela e agora regressam ao seu país para escapar a um regime que aumentou a instabilidade nas fronteiras, aproveitando o espaço vazio deixado pelas FARC, o ELN ainda beligerante e as actividades [paramilitares] na região do Cartel do Golfo “().

Como pode ver-se, os Estados Unidos e seus aliados latino-americanos dispõem já de um exército. É composto por um punhado de desertores e de combatentes civis venezuelanos, de membros do crime organizado, de mercenários estrangeiros e paramilitares colombianos, tudo estruturado por forças especiais dos Estados Unidos, já presentes na região () e pelo apoio táctico dos exércitos de países vizinhos. Outros actores poderiam mesmo fazer-se convidar para este conflito. O que explicaria a presença de várias centenas de soldados israelitas no Brasil e em Honduras ().

O armamento dessa força militar irregular está também em curso. Como denunciou o governo russo pela voz de Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros daquele país, “os Estados Unidos e seus aliados da NATO estão actualmente a estudar a possibilidade de adquirir a um país da Europa de leste um importante lote de armas e munições destinado aos opositores venezuelanos. Trata-se de metralhadoras pesadas, de lança-granadas integrados e automáticos, de mísseis terra-ar portáteis, de diferentes munições para arma de fogo e peças de artilharia. Este carregamento deveria ser transportado para a Venezuela através do território de um país vizinho com a ajuda de aviões de carga da empresa estatal ucraniana Antonov “(). Não é necessário ser um especialista militar para compreender que esse tipo de arsenal é o mesmo que é usado pelos beligerantes que combatem contra a República Árabe da Síria. Neste caso, os Estados Unidos ou países vizinhos não teriam sequer que assumir um proeminente papel protagonista na guerra irregular contra a Venezuela.

Caso o estrangulamento económico, político e financeiro da Venezuela e as diferentes pressões psicológicas e diplomáticas não sejam suficientes para derrubar o presidente Maduro, então o cenário que descrevemos será inevitavelmente aplicado. Os diferentes componentes da frente militar terão a tarefa de desmantelar a Venezuela sem necessariamente responder a um comando central, mas com o objetivo comum de tornar impossível o controlo do território pelo poder legítimo. É conveniente analisar agora as estratégias para alcançar tais fins.

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Declarações de Bolton sobre Venezuela são perversas, diz chanceler

Jorge Arreaza, ministro das Relações Exteriores da Venezuela, durante coletiva de imprensa em Moscou, Rússia
© Sputnik / Yevgeny Odinokov

O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, repudiou as afirmações do conselheiro de segurança norte-americano, John Bolton, que afirmou que a situação da nação caribenha era instável.

"Por absurdo, falso, fraudulento e perverso, rejeitamos as declarações de John Bolton sobre a Venezuela hoje, e não é de surpreender que ele tenha fracassado a cada passo que deu, ele ignora completamente a realidade do país. É um homem estacionado em uma Guerra Fria anacrônica ", disse Arreaza em mensagem postada no Twitter.


Bolton concedeu na terça-feira uma entrevista ao jornal The Wall Street Jornal na qual ele disse que a Venezuela está passando por uma situação instável e indicou que o presidente venezuelano Nicolás Maduro está agora cercado por escorpiões.

"Dentro do próprio regime, a liderança é fraturada, eles são como um monte de escorpiões em uma garrafa, eles olham uns para os outros, eles não confiam uns nos outros, a situação atual é insustentável", disse Bolton.

Ele também disse que mais de 50 países continuarão a manter a pressão econômica contra Maduro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019061114044234-declaracoes-de-bolton-sobre-venezuela-sao-perversas-diz-chanceler/

O homem de Trump para as guerras sujas

Quem é Elliott Abrams, pretenso interventor na Venezuela e comandante das “mudanças de regime” patrocinadas pelos EUA. Qual seu passado — de sabotagens a ocultações de genocídios. Por que representa uma guinada na Casa Branca

O anúncio por parte do secretário de Estado estadunidense Michael Pompeo da nomeação do neoconservador Elliott Abrams para o cargo de enviado especial para a Venezuela, em 24 de janeiro, não passou despercebido. A imprensa interpretou a decisão de confiar a esse homem a missão de trabalhar para a queda de Nicolás Maduro como uma declaração de independência de Pompeo em relação a Donald Trump. De fato, seu desafortunado antecessor, Rex Tillerson – ex-presidente e diretor geral da ExxonMobil –, estava esperando somar-se a Abrams em sua equipe. Mas Trump se opôs, apesar da pressão de seu megadoador de extrema-direita Sheldon Adelson – que parece obter o que quer do presidente. A causa dessa rejeição? Abrams havia se unido a outros neoconservadores para criticar Trump durante as primárias republicanas em 2016. Até mesmo os esforços do genro do presidente, Jared Kushner, mostraram-se inúteis: o então conselheiro do “inquilino da Casa Branca”, Steve Bannon, conseguiu convencer Trump de que a reputação “globalista” de Abrams tirava seu crédito.

Segundo a revista Bloomberg, essa promoção revela uma “mudança”: “Suas posições representam uma política externa que Trump atacou durante sua campanha – sobretudo, o apoio à Guerra do Iraque, que critica já há certo tempo. Mas Abrams, da mesma forma que o presidente, parece ter mudado” (1). Essa ideia de que “as pessoas mudam” também figura entre as explicações avançadas de Abrams para ignorar seu papel no escândalo do Caso Irã-Contras – quando a administração do presidente Ronald Reagan financiou seu apoio aos “contras” antissandinistas da Nicaragua por meio da venda secretas de armas a Teerã –, apresentado como insignificante. No entanto, embolado nessa questão, Abrams teve que declarar-se culpado em relação às acusações de ocultar informação ao Congresso. O distrito de Columbia o impediu de exercer a advocacia, sendo posteriormente indultado pelo presidente George Bush pai. “Não acredito que isso tenha a menor importância”, comentou. “Não nos interessamos pelo que passou na década de 1980, mas sim no que passa em 2019” (2).

Da Micronésia à América Central 

Considerando o passado de Abrams, o ano de 2019 ameaça ser desastroso para o povo venezuelano. Ele foi assistente subalterno no Congresso, antes de ser nomeado para a administração de Reagan para uma série de cargos relacionados a direitos humanos na América Central, e esteve de novo na ativa na segunda administração do presidente George W. Bush filho. Desempenhou depois um papel militante em uma think tank, o Council on Foreign Relations (Conselho de Relações Internacionais), e de várias organizações de judeus conservadores. Exceto Henry Kissinger e Richard “Dick” Cheney, poucos altos funcionários estadunidenses fizeram tanto para promover a tortura e os assassinatos em massa em nome da democracia. Depois do Caso Irã-Contras, sua ascensão às altas esferas da política exterior estadunidense, com ajuda de um tratamento midiático que o faz passar por uma personalidade respeitável, lança luz sobre a realidade desse pequeno mundo. E, em particular, sobre sua falta de preocupação pelos valores que os políticos estadunidenses se comprometeram legalmente a defender.

No começo de sua carreira, a serviço dos senadores democratas Henry “Scoop” Jackson e Daniel Patrick Moynihan, Abrams participa dos esforços dos neoconservadores para converter o Partido Democrata dos anos 1970 ao intervencionismo bélico. Mas, afastados dos altos cargos da administração pelo presidente James Carter, acabam mudando de lado. “Nós estávamos completamente marginalizados”, reclamou Abrams. “Nós só tivemos uma posição insignificante: negociador especial. Não para a Polinésia. Nem para a Macronésia. Mas para a Micronésia” (3). Depois de construir um confortável ninho na administração de Reagan, ascende rapidamente ao escalão do Departamento de Estado. Passa pelo posto de secretário adjunto de Estado para as organizações internacionais, logo – ironicamente – para os “direitos humanos” e, finalmente, para assuntos interamericanos. Nesse último posto, protege o secretário de Estado George Shultz da ira dos reaganianos ávidos para entrar em guerra contra a União Soviética, realizando uma série de conflitos de poder na América Central.

Massacres e atos de genocídio

Poucas vezes a extrema-direita latino-americana contou com um aliado estadunidense tão enérgico como Abrams. Inclusive quando se trata de massacres de centenas, até milhares de camponeses inocentes em El Salvador, Nicarágua, Guatemala ou mesmo Panamá (que George Bush pai acabou invadindo), ele sempre sabe como encontrar um bode expiatório para mascarar sua responsabilidade: jornalistas, ativistas em busca de justiça e até as vítimas.

Em março de 1982, o general guatemalteco Efraín Ríos Montt chega ao poder mediante um golpe de Estado. Então secretário adjunto de Estado para os direitos humanos, Abrams se apressa em felicitá-lo por haver “trazido consideráveis progressos” na questão dos direitos fundamentais. Insiste no fato de que “o número de civis inocentes assassinados diminui progressivamente” (4). No entanto, no mesmo momento, segundo um documento desconfidencializado, o Departamento de Estado recebe “acusações bem fundamentadas referentes a massacres em grande escala de homens, mulheres e indígenas perpetrados pelo exército em uma área remota”. Mas isso não é obstáculo para que Abrams peça ao Congresso que forneça aos militares guatemaltecos armas sofisticadas, com a desculpa de que o “progresso deve ser recompensado e incentivado”. Em 2013, a comissão para a memória histórica, criada sob os auspícios das Nações Unidas, reconhece o general Ríos Montt culpado de “atos de genocídio” contra os Ixil Maias do departamento de Quiché.

Promovido, em 1985, ao cargo de secretário adjunto de Estado para assuntos interamericanos, Abrams não deixa de condenar as organizações que denunciam os assassinatos em massa perpetrados pelo general-ditador Ríos Montt e, depois, por seus sucessores, Óscar Mejía Víctores e Marco Vinicio Cerezo Arévalo. Em abril de 1985, a ativista guatemalteca María Rosário Godoy de Cuevas, dirigente do Grupo de Apoio Mútuo, uma organização que reunia mães de desaparecidos, é encontrada morta em um carro roubado junto com seu irmão e seu filho de três anos. Não satisfeito em sustentar a hipótese (pouco crível) do acidente cometido pelo regime, Abrams persegue nos tribunais aqueles que exigem a abertura de uma investigação. Quando o The New York Times publica uma carta aberta que questiona os números do Departamento de Estado sobre os assassinatos em massa, redigida por uma mulher testemunha de uma execução sumária ocorrida a plena luz do dia em Cidade de Guatemala que não teve repercussão na imprensa, dirige uma carta ao editor-chefe e mente descaradamente. Chega ao extremo de citar um artigo imaginário, publicado em um jornal inexistente, a fim de provar que, na verdade, o assassinato havia sido inventado pela imprensa.

Em 1982, o The New York Times e o Washington Post publicam artigos que apontavam um massacre cometido um ano antes, por tropas formadas e equipadas pelos Estado Unidos na região de El Mozote, em El Savador. Em socorro aos assassinos, Abrams declara diante de uma comissão do Senado que os artigos “não são críveis” e que “visivelmente” se tratava de um “incidente instrumentalizado” pelas guerrilhas. Em 1993, aComissão da Verdade das Nações Unidas conclui que cinco mil civis foram “deliberada e sistematicamente” assassinados em El Mozote.

Em 1985, quando o ditador panamenho Manuel Noriega ordena a tortura e assassinato por decapitação do guerrilheiro Hugo Spadafora, Abrams se mobiliza no Departamento de Estado e no Congresso para impor um silêncio sobre o assunto. “[Noriega] nos ajuda muito”, explica (…). “Não causa problemas. (…) Os panamenhos prometeram que nos ajudarão a combater os ‘contras’. Se levar eles a juízo, já não poderemos contar com eles” (5).

Uma legitimidade de “especialista”

Abrams está implicado no escândalo dos Irã-Contras em vários níveis. Em 1986, um piloto mercenário estadunidense é abatido quando transportava armas ilegais destinadas aos “contras” nicaraguenses. Abrams aparece, então, na CNN para certificar que o governo estadunidense não tem nada a ver com esses voos. “Seria ilegal”, explica. “Não temos o direito de fazer e não o faremos. Em hipótese alguma era uma operação do governo estadunidense. (…) Se as coisas sucedem assim, se estadunidenses são assassinados e seus aviões abatidos, é porque o Congresso não atua [financiando os ‘contras’]”. Em seguida, repete diante das comissões do Congresso que o voo não foi “nem organizado, nem ordenado, nem financiado pelo governo estadunidense”. Em várias ocasiões, assegura ao Congresso que “a função do Departamento de Estado [na questão de ajuda aos ‘contras’] não era arrecadar fundos, mas sim tentar obtê-los do Congresso”. Mente em todos os episódios. As entregas de armas são financiadas pelo tenente-coronel Oliver North e pela CIA.

Quando faz essas declarações, Abrams acabava de voltar do Brunei, onde havia arrecadado fundos para os “contras”. Em 1991, arevelação dessas falsificações o leva a ser condenado por ocultar informações ao Congresso.

Apesar de Abrams não ter conseguido fazer parte da administração de Bill Clinton, é contratado por seu sucessor, George W. Bush filho, para trabalhar no Conselho Nacional de Segurança em questões relacionadas a Israel e Palestina. Sua maior conquista na época, revelada por David Rose na Vanity Fair, é impedir que as eleições de 2006 desemboquem em um governo de coalização entre Hamás e Al Fatah na Cisjordânia e em Gaza, conspirando com o segundo para obrigar o governo eleito, dominado pelo Hamás, a exilar-se em Gaza (6). Essa manobra marca uma divisão, cujo fim não se vislumbra, entre facções incapazes de negociar uma paz duradoura com Israel (se Israel concordar com isso). Finalmente, segundo uma investigação do jornal britânico The Guardian (7), Abrams havia encorajado, em 2002, o golpe de Estado militar na Venezuela contra o governo democraticamente eleito de Hugo Chávez (que fracassou depois de uma imensa mobilização popular).

Nenhum desses fatos sobre armas impediu o Council on Foreign Relations de aceitar Abrams entre seus membros permanentes em 2009, conferindo-lhe, assim, uma legitimidade de “especialista”. Esse prestigiado think tank só manifestou certo embaraço quando seu novo membro atacou o presidente Barack Obama por ter nomeado para o cargo de secretário de Defesa Charles Hagel – um “antissemita” que, segundo Abrams, “parece ter problemas com os judeus” (National Public Radio, 7 de janeiro de 2013). Richard Haass, o diretor da organização, considerou o comentário um “absurdo” (ABC, 13 de janeiro de 2013). Por outro lado, nenhum membro pareceu incomodado por sua participação em manipulações eleitorais, massacres ou genocídios. Sua nomeação ao Council on Foreign Relations e, agora, para o posto de enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela mostra o controle que exercem os conservadores sobre a política exterior estadunidense.

Notas:
(1) Jennifer Jacobs y Nick Wadhams, “‘Never Trumpers’ can get State Department jobs with Pompeo there”, Bloomberg, Nueva York, 31 de enero de 2019.
(2) Citado en Grace Segers, “US envoy to Venezuela Elliott Abrams says his history with Iran-Contra isn’t an issue”, CBS News, 30 de enero de 2019.
(3) Citado en Sidney Blumenthal, The Rise of the Counter-Establishment. The Conservative Ascent to Political Power, Union Square Press, Nueva York, 2008 (1ª ed.: 1988).
(4) Elisabeth Malkin, “Trial on Guatemala civil war carnage lives out U.S. role”, The New York Times, 16 de mayo de 2013.
(5) Citado em Stephen Kinzer, Overthrow: America’s Century of Regime Change from Hawaii to Iraq, Times Books, Nueva York, 2006.
(6) David Rose, “The Gaza bombshell”, The Hive, 3 de marzo de 2008.
(7) Ed Vulliamy, “Venezuela coup linked to Bush team”, The Guardian, Londres, 21 de abril de 2002.

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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/o-homem-de-trump-para-as-guerras-sujas.html

GUAIDÓ, DE CAVALO-DE-TROIA A CADÁVER POLÍTICO – Martinho Júnior


Com toda a panóplia de meios ao seu dispor, as equipas de ingerência da hegemonia unipolar na Venezuela Socialista Bolivariana estão a perder o seu ariete de ocasião e com cada vez menos possibilidades de enfrentar, em relação a ele, as contramedidas que têm sido aplicadas por via do “Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional” pela Venezuela Bolivariana não só sobre ele, mas também sobre o ninho de cucos em que se transformou toda a clientelar oposição! (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/anatomia-da-intervencao-imperialista.html).

Não há grupúsculo algum de carácter neoliberal, por mais pintado que seja, capaz de sobreviver quando reduz a própria sensibilidade política aos preceitos dum cada vez mais alienado clube de empresários neoliberais!
1- A montagem dos mecanismos de pressão contra a Venezuela Bolivariana está toda ela fragilizada nas suas abordagens geradas a partir de filosofias e conceitos misto de radicalismo neoliberal, estruturalismo e velhas tendências “conservadoras”, tirando partido duma oligarquia contaminada por sonolências de décadas na sua acomodação a um artificioso poder, ao irremediável e decadente clientelismo de que se nutre sua própria essência identitária, antropológica e histórica!... (https://www.brasil247.com/pt/colunistas/jefersonmiola/381977/O-respeito-%C3%A0-soberania-na-Venezuela-e-a-paz-no-continente.htm).
Essa oligarquia demonstra estar incapaz de enfrentar a “incómoda”, a “elétrica” e a “eletrizante” emergência Bolivariana que vai conseguindo, imparável e decididamente, respostas saudáveis para tudo o que neste ambiente há a fazer na e pela Venezuela a partir de sua enorme mancha de pobreza e marginalização herdada do século XX! (https://diplomatique.org.br/venezuela-as-razoes-do-caos/).

A inércia mental dessa oligarquia acomodada é esclarecedora nos seus postulados e opções sociopolíticas. (http://www.avante.pt/pt/2357/temas/153067/20-anos-de-transforma%C3%A7%C3%B5es-e-resist%C3%AAncia-na-Venezuela.htm).
Essa auto penalização, ou autoflagelação mental da oligarquia venezuelana clientelar e habituada aos ciclos viciosos da representatividade, está a acontecer sobretudo por causa de sua própria inaptidão dialética enquanto oposição, sua falta de criatividade, seu egoísmo fechado ou mesmo obscurantista, sua incapacidade para a coesão, o grau de sua corrupção e seu pendor para as ilusões, as alienações e os imaginários quantas vezes criados por outros a partir de fora, que parecem estar cada vez mais longe das leituras que seriam aconselháveis num pujante país que é a Venezuela!... (https://www.resistir.info/petras/petras_18mai19.html).
Nessa senda, constata-se impotência para lidar face a face ao argumento e à acção ardentemente mobilizadora do vulcão Bolivariano, que além do mais busca transparência, procura não iludir, reconhece a necessidade da luta contra a corrupção e a burocracia e sente-se deveras incomodado por tanto que há a fazer em prol de benefícios para todo o povo do país, pelo seu bem-estar e pela sua felicidade! (https://resistir.info/venezuela/vulcao.html).
O Partido Socialista Unificado da Venezuela, em coligação com outras tendências (entre elas o Partido Comunista da Venezuela, reconhece que é o povo bolivariano o reitor da história e a fonte de sua própria inspiração!...
2- Por este andar, a esboroada oligarquia pode-se tornar sob o ponto de vista sociopolítico, até numa “fake” oligarquia, transformando-se em cada vez mais pequenos núcleos duros, meio herméticos, sem plasma aglutinador ou sem aparentemente dar por isso, em circenses palhaços radicais em função da continuada ingerência, cada vez mais instrumentalizados, perdendo em perspectiva própria por ficarem acondicionados ao “diktat” e leituras que lhes são determinadas em jeito de guião!... (https://venezuelanalysis.com/analysis/10641).
Ao longo do percurso contra o Comandante Hugo Chavez e Nicolas Maduro, as sensibilidades servindo essa oligarquia corroeram-se por dentro por falta de criatividade melhor pespectiva, por comportamentos e condutas desajustadas, inapropriadas ou ilusórias, por incapacidade para o diálogo, por ausência de práticas de busca de consensos e em resultado duma abrangência “contra natura” que acabou por ir dilacerando seu poder de mobilização, fraccionando o seu campo sociopolítico de implantação e manobra!... (http://paginaglobal.blogspot.pt/2018/04/oligarquias-da-corruptela-neoliberal.html).
De nada vale uma Mesa de Unidade Democrática, coligação de 18 partidos de oposição, quando as linhas mestras duma doutrina própria, integrando e sabendo articular, estejam por melhor definir, enquadrar e exercitar… (https://www.resistir.info/petras/petras_18mai19.html).
As tensões entre os radicalismos de rua e os acomodados políticos com horror às ruas minguam as possibilidades de coesão.
Por outro lado, o tempo de acção Bolivariana é frenético, a uma velocidade tal que esse é a principal afronta ao seu sonolento comodismo clientelar que acaba sem outra alternativa senão a de ir parar aos ambientes e políticas de ghetto a que põem o rótulo aderente de rua, ou de praça, ou de um distribuidor altaneiro, como na recente experiência em Altamira, a 30 de Abril do corrente ano!
Perante um tempo a uma velocidade superior, a velocidade dos que efectivamente estão incomodados com a situação que durante tantas décadas tem afectado o povo da Venezuela, a oligarquia fomentadora de oposição está perdida entre as opções de arruaça que derivam para o caos e as do velho clientelismo burocrático. (http://www.cubadebate.cu/especiales/2019/06/03/caracas-ciudad-trinchera-de-milicias-bolivarianas/#.XPpeNSZCdjo).
O movimento bolivariano é também bem avisado nas componentes duma aliança que soube forjar, que inclui o pequeno mas lucidamente crítico Partido Comunista da Venezuela. (https://prensapcv.wordpress.com/2019/05/13/el-pcv-consigno-en-miraflores-una-comunicacion-para-el-presidente-maduro/).

As coisas estão dramaticamente a chegar ao ponto-rebuçado de, perante a avalanche de tantas adversidades, uma parte das quais surgidas em função de sua acomodação de décadas, os radicalismos de ocasião se estarem também a esgotar, perdendo-se em seus derradeiros labirintos plasmados de fora e os interesses vão minguando por que agora há já imensas contrariedades em relação ao afã do lucro!... (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/venezuela-refem-da-pirataria-em-pleno.html).
A acomodada oligarquia tão pouco habituada a incómodos, menos ainda a exercícios continuados de enfrentamento, risco e incerteza, desse modo perde capacidade de mobilização e intervenção sociopolítica, abre brechas, mingua e perde cada vez mais no campo económico e financeiro, transformando o lucro em cada vez mais prejuízo, sem poder reequacionar os seus esforços para recuperar margem de manobra!
As sensibilidades políticas que são clubes de empresários neoliberais esvaem sem poder de mobilização e são reactivas, ao invés de proactivas! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2017/05/um-assalto-ininterrupto-venezuela.html).
Essa “fake” oligarquia meio desorientada, vai-se asfixiando a ela própria, vai ficando sem fôlego, esboroa-se e perde as últimas doses de ar oxigenado face ao frenético movimento dos cavalos da Revolução Bolivariana, que se desdobra entre acções de estado convencional e acções menos burocratizadas de múltiplas e oportunas missões, que confundem as possibilidades das manipuladas transversalidades, ainda que elas sejam de variável intensidade e geometria! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2017/05/um-assalto-ininterrupto-venezuela.html).
3- O plasma institucional e humano em que se move o SEBIN (“Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional”), permite-lhe explorar os interstícios e agenciar explorando o labirinto, com objectivos bem definidos e a energia que advém das mais desfavorecidas classes venezuelanas, onde são recrutados s seus membros, tal qual como os membros das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas!
Assim, até as componentes internas e externas que impulsionam a fraccionada oposição, acabaram por olhar de soslaio entre elas, algo que indicia a presença paquidérmica dum míope rinoceronte: um colosso de força bruta que pode até investir contra a própria sombra, perdendo a noção do alvo, distraindo-se com os fenómenos do ambiente circundante e com horizontes cheios de névoas, para depois se quedar por causa do esforço despendido em vão!... (https://mundo.sputniknews.com/opinion/201906071087552513-derecha-venezolana-postura-oslo-abrams-elliot-eeuu-usa/).
Do fraccionismo à anemia, ou à exaustão, o radicalismo é a única fórmula de tentar ganhar força, ainda que seja força bruta emanada do sustentáculo hegemónico externo que para o efeito recuperou a feudal Doutrina Monroe e arreganha os dentes como se tudo o mais continuasse a ser, em pleno século XXI, o século das emergências, um mero pátio traseiro!...
Entre divisionismos, radicalismos, artificiosas ingerências e manipulações, a República Bolivariana está a conduzir suas capacidades de inteligência grupúsculos de oligarquia adentro, penetrando em cada vez mais interstícios e neutralizando as contraditórias estratégias e até modos operandi. (http://paginaglobal.blogspot.pt/2018/01/venezuela-bolivariana-resiste.html).
Isso está a acontecer na Venezuela, ainda que esta guerra evocadora da Doutrina Monroe seja de carácter assimétrico, alimentar-se de geometrias variáveis e ter sempre uma grande margem de relatividade na sua conduta, método, mimetismo e objectivos!...
4- O grupúsculo Vontade Popular é uma prova dessa evidência que só o rinoceronte não consegue descortinar: uma cada vez maior impotência acomodatícia que radicalismo algum consegue disfarçar, num continuado e surrealista exercício circense típico de “muita parra e pouca uva”! (https://www.brasildefato.com.br/2019/05/31/por-dentro-da-tentativa-do-golpe-fracassado-de-30-de-abril-contra-maduro/).
A própria essência dessa Vontade Popular advém de dissidência e isso é um obstáculo ao aparente poder de aglutinação da Mesa de Unidade Democrática, por que o conceito de democracia representativa não dá para muito mais, esboroa-se entre protagonismos diversificados e divisionistas, em seus círculos na verdade fechados e de limitados horizontes. (https://www.brasildefato.com.br/2019/05/10/venezuela-or-auge-e-queda-do-mito-leopoldo-lopez/).
A grupúsculos desta natureza, cheios de injectados programas, de ilusões, de alienações e verborreia, minguados em seu poder de mobilização mas instrumentalizados a partir do exterior conforme ao plasma neoliberal, ainda que os rótulos sejam “de esquerda” nada os impede da inteligente penetração bolivariana ávida de futuro e movendo-se a superior velocidade mental e de acção! (https://www.globalresearch.ca/us-regime-change-venezuela-documented-evidence/5666500).
Eles contam com caixas de ressonância e “ampliação do som”, não só para o fomento do estado de opinião internacional, mas para estimular a capacidade de mobilização mercenária! (http://misionverdad.com/la-guerra-en-venezuela/el-csis-protagoniza-una-nueva-operacion-informativa-contra-venezuela-informe)...
As sensibilidades que são clubes de empresários neoliberais que se digladiam entre si precisando duma plataforma como a do MUD para com essa suposta jangada se manter à tona, não estão vacinadas, não estão invulneráveis e as questões que se prendem a espaço e tempo não estão a seu favor… (https://www.brasildefato.com.br/2017/12/05/principal-organizacao-opositora-venezuelana-a-mud-opta-por-desaparecer/).
Por outro lado, nos Estados Unidos as articulações dos falcões buscam desesperadamente “soluções”, com Mike Pompeo a, nesse aspecto, servir de “pivot” (https://www.voltairenet.org/article206555.html),  inclusive no Bilderberg (https://www.voltairenet.org/article206673.html)…
O cavalo-de-troia da subversiva Vontade Popular, qualquer que seja a opção de geometria variável, tem vindo a cair sucessivamente em várias armadilhas de que não conseguiu fugir, para por fim cair no ridículo do último afã de golpe de estado, restando apenas uma solução para a sua própria sobrevivência: a paz que deveria ter sido a sua primeira e maior preocupação! (https://www.resistir.info/venezuela/fazio_29mar19.html).
A paz é mesmo esó agora o refúgio de Guaidó, pois sua vida começa, de desespero em desespero, a correr perigo: os falcões de Trump querem-no aproveitar para instrumentalizado mártir, sabendo que passando a cadáver político deixou de ser útil, passou mesmo a entrave que vale muito mais morto e, por incrível que pareça, é o estado bolivariano e o SEBIN que o podem impedir, por que sabem que seu assassinato seria um fabricado pretexto para mais uma escalada repentina e desta vez ainda mais brutal de agressões! (http://www.cubadebate.cu/opinion/2019/06/08/la-crisis-oslo-de-la-derecha-venezolana/#boletin20190608).
O cavalo-de-troia que começou por ser Juan Guaidó, “queimados tantos cartuchos”, jaz meio inerte como protagonista (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/grotesco.html), como se fosse um espantalho e tem agora, corroída a jangada do MUD, uma única possibilidade de salvação: as conversações de paz, de diálogo e de busca de consensos que deveria ter tido sempre sua intrínseca vocação! (https://www.brasildefato.com.br/2019/05/30/mesa-de-negociacao-prossegue-na-noruega/).
Os falcões de Trump estão agora num curto intervalo, preparando o próximo “round” que implicará recrutamentos que vão substituir o cadáver político (http://noticias.ciudadccs.info/pompeo-aseguro-40-figuras-la-derecha-desean-la-presidencia-venezuela/).
Será que eles “diabolicamente” vão deixar cair Guaidó, para agarrar um dos 40 candidatos a ladrão (repete-se a história de “Ali Bábá e os 40 ladrões”!)... (http://www.cubadebate.cu/noticias/2019/06/06/pompeo-reconoce-que-mantener-unida-a-la-oposicion-venezolana-resulto-ser-diabolicamente-dificil/#.XPpCuiZCdjo).
Em Montreux o Bilderberg prepara os próximos “rounds” e a Venezuela está entre os temas dilectos dos mecanismos de tensão a estudar, sobre a mesa da aristocracia financeira mundial que pugna por hegemonia! (https://www.voltairenet.org/article169624.html).
O rinoceronte da hegemonia unipolar, pujante de força bruta mas tão míope, ficou cansado ao investir contra a própria sombra: a ilusão de óptica gerada no último jogo bolivariano a 30 de Abril de 2019, de que é incapaz de até hoje perceber e resolver, remeteu-o a um intervalo em que a ambiguidade pode voltar a tornar-se na ordem do dia! (https://mundo.sputniknews.com/america-latina/201906071087550494-abrams-abandona-retorica-intervencion-venezuela-cual-es-su-plan-ahora/).
Martinho Júnior | Luanda, 6 de Junho de 2019
Imagens: 5 caricaturas que falam por si.

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/guaido-de-cavalo-de-troia-cadaver.html

Concentração em Lisboa exige devolução do dinheiro roubado à Venezuela

Uma concentração em frente à sede do Novo Banco exigiu o desbloqueio imediato dos 1543 milhões de euros pertencentes à Venezuela e que se encontram ilegalmente retidos por aquela instituição bancária.

Manifestantes desfraldam um pano à frente da sede do Novo Banco, em Lisboa, exigindo o desbloqueio dos 1543 milhões de euros do Estado Venezuelano ilegalmente retidos por aquele banco.Créditos / Comissão de Solidariedade Venezuela Soberana

Uma concentração ocorreu hoje, dia 10 de Junho, em frente à sede do Novo Banco, na Av. da Liberdade, Lisboa, para exigir o desbloqueio imediato dos 1543 milhões de euros pertencentes ao Estado venezuelano e ilegalmente retidos por aquela instituição bancária.

Segundo comunicado da Comissão de Solidariedade Venezuela Soberana, organizadora do protesto, a escolha de 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, reveste-se de um carácter altamente simbólico, já que «o ilegal bloqueio promovido pelos EUA, e de que o Novo Banco é parte, prejudica fortemente o povo venezuelano, incluindo a numerosa comunidade portuguesa que aí reside».

A acção decorreu sob o lema «Devolvam o dinheiro roubado à Venezuela!» e congregou dezenas de activistas insatisfeitos com a transigência das autoridades portuguesas relativamente à participação do Novo Banco num bloqueio com consequências humanitárias graves para o povo venezuelano, e em particular as suas populações mais frágeis: crianças, mulheres, idosos e doentes.

Em folheto distribuído pelos activistas do Venezuela Soberana chamava-se a atenção para as consequências do bloqueio para o impedimento da «compra de bens alimentares, de medicamentos, de toda e qualquer transacção económica».

«O ilegal bloqueio do Novo Banco mata», sublinham os activistas do Venezuela Soberana, que consideram inadmissível a «conivência do governo português, que detém 25% deste banco» e nele «afunda milhares de milhões [de euros] do povo português, mas encarrega o ministro dos Negócios Estrangeiros de afirmar ser este «um banco privado» e por isso estar o governo impedido de nele «interferir».

A Comissão de Solidariedade Venezuela Soberana apresenta-se como um grupo de pessoas solidárias com o povo da Venezuela e a sua Revolução Bolivariana, que «em 20 anos pôs os recursos naturais daquele país ao serviço do povo retirando milhões da pobreza, acabando com o analfabetismo, garantindo habitação digna a mais 2 milhões e 600 mil famílias, garantindo o acesso à saúde e à educação, garantindo uma vida digna ao povo venezuelano».

Os activistas associam-se assim, ao amplo movimento internacional de apoio ao povo da Venezuela e à sua Revolução Bolivariana, e procurarão «difundir a verdade e desmontar a cadeia de falsas informações e manipulação informativa, desmascarando a campanha desenvolvida pelos órgãos de comunicação social dominantes (nacionais e internacionais), ao serviço dos interesses dos EUA e da oligarquia venezuelana e do seu objectivo de recuperar o controlo sobre as riquezas nacionais da Venezuela, e justificar o intervencionismo externo, em mais uma operação de "mudança de regime"».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/concentracao-em-lisboa-exige-devolucao-do-dinheiro-roubado-venezuela

Rússia pede que EUA abandonem plano de dividir exército da Venezuela

Militares das Forças Armadas da Venezuela
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

A representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, fez um apelo para que Washington renunciasse os seus planos de polarizar os militares venezuelanos.

"Pedimos a eles que abandonem suas ações destinadas a dividir as Forças Armadas venezuelanas, esta instituição deve defender a ordem constitucional e não participar dos assuntos de política interna", disse Zakharova.

Durante a coletiva de imprensa semanal, a diplomata também condenou as novas sanções dos Estados Unidos contra Cuba.


"Essas ações, em primeiro lugar, afetam os interesses dos cidadãos comuns, privando-os de seus direitos e liberdades fundamentais, o que Washington parece defender com tanto zelo", declarou o porta-voz.

A Venezuela está enfrentando crise política, que foi agravada no dia 23 de janeiro com a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino do país. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que assumiu segundo mandato em 10 de janeiro após eleição legítima, considerou a declaração de Guaidó uma tentativa de golpe de Estado e culpou os EUA por orquestrá-la.

Rússia, China, Cuba, Bolívia, Irã, Turquia e outros países apoiam o governo de Maduro. Moscou descreveu o "status presidencial" de Guaidó como inexistente. Do outro lado, União Europeia, EUA e grande parte dos países latino-americanos, incluindo o Brasil, prestam apoio a Guaidó.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019060914035867-russia-pede-que-eua-abandonem-plano-de-dividir-exercito-da-venezuela/

Venezuelanos nas ruas pela soberania alimentar, contra as ameaças de Trump

Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado, em Caracas, em defesa da soberania alimentar e contra as sanções impostas pelos EUA, cujas «tácticas genocidas» foram denunciadas por Diosdado Cabello.

Milhares de pessoas manifestaram-se, em Caracas, em defesa dos CLAP e contra a política de assédio da administração norte-americanaCréditos / @LaHojillaenTV

Durante a marcha de apoio aos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), que ontem reuniu muitos milhares de venezuelanos na capital do país, o primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, insistiu na denúncia das «tácticas genocidas» aplicadas pelos EUA contra a Venezuela.

«O povo da Venezuela ergueu mais uma vez a voz contra as tácticas genocidas dos Estados Unidos, que pretendem tirar ao povo venezuelano o acesso aos alimentos através dos CLAP», afirmou Cabello. «Os Estados Unidos aplicam tácticas genocidas para conduzir o povo ao desânimo, à violência, à rendição por via da fome; [mas] o nosso povo entendeu que não vai cair na provocação dos EUA», insistiu o dirigente político chavista, citado pela AVN, no decorrer da mobilização, ontem à tarde.

Neste sentido, o também presidente da Assembleia Nacional Constituinte destacou que «consciência e unidade máxima são dois elementos importantes para defender a entrega de alimentos através dos CLAP, face às ameaças e agressões da direita».

No final de uma marcha em que o povo chavista voltou a encher as ruas de Caracas, respondendo «sim» à convocatória feita pelo PSUV para denunciar as medidas unilaterais impostas pelos EUA contra a soberania alimentar do país sul-americano, Diosdado Cabello sublinhou a «hipocrisia da administração norte-americana», que «exerce um bloqueio para que não possam entrar alimentos na Venezuela, impõe sanções a organismos e empresas que podem ajudar a fazer entrar alimentos e medicamentos na Venezuela, e, depois, diz que há uma crise humanitária no país».

Ao intervir na mobilização, Diosdado Cabello denunciou as «tácticas genocidas» dos EUA, apelou à unidade do povo venezuelano e criticou a oposição Créditos

Pese embora os ataques, a Revolução Bolivariana está-se «a reinventar e a organizar», de modo a garantir os direitos dos venezuelanos, afirmou Cabello, que destacou «o esforço e a dedicação» do povo no que respeita à produção de alimentos, e agradeceu às «vozes que, pelo mundo fora, se fazem ouvir em solidariedade com a Revolução Bolivariana».

Cabello criticou a atitude de alguns sectores de oposição na Assembleia Nacional – órgão que se encontra em situação de desobediência jurídica, desde 2016, perante o Supremo Tribunal de Justiça –, que «se alegram quando [as caixas d]os CLAP não chegam ao povo».

A este propósito, disse que a «oposição está muito dividida» e, por isso, «não tem liderança para estar ao serviço do povo», tendo ainda lembrado ao presidente norte-americano que, «se quiser dialogar com base num princípio de respeito, deve fazê-lo com o chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro».

Defender os CLAP e a soberania, contra os bloqueios de Trump

Milhares de trabalhadores, estudantes, pensionistas vincaram, este sábado, o seu apoio aos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), que também são alvo do assédio norte-americano.

Esta semana, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, escreveu no Twitter que «o bloqueio ilegal da administração Trump é tão perverso que pretende afectar as capacidades e a distribuição dos CLAP, uma política essencial para o povo venezuelano». Também criticou a «oposição golpista», por «aplaudir estas medidas contra o seu próprio povo».

No mês passado, o chefe nacional dos CLAP, Freddy Bernal, disse que a administração norte-americana impôs sanções a dez das 12 transportadoras marítimas que traziam alimentos para a Venezuela – na sua maioria provenientes do México.

Como consequência dessa medida, os artigos chegam à Venezuela com atrasos. «Aquilo que demorava um mês a chegar agora demora três meses», denunciou Bernal, sublinhando que as medidas coercitivas impostas pela administração de Donald Trump afectam a vida quotidiana de todos os venezuelanos.

O programa estatal de distribuição de alimentos subsidiados através dos CLAP abrange mais de sete milhões de famílias em todo o território venezuelano. Concebido em Março de 2016 para ajudar o povo venezuelano a resistir às consequências da guerra económica, o programa tem sido «eficaz», na medida em que – sublinha a TeleSur – tem combatido fenómenos como a revenda, a especulação, o açambarcamento e o contrabando de bens de primeira necessidade.

«Se não fossem os CLAP, milhões de famílias estariam [a enfrentar] uma crise insustentável, devido às sanções impostas pelos Estados Unidos», sublinhou Bernal.

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https://www.abrilabril.pt/internacional/venezuelanos-nas-ruas-pela-soberania-alimentar-contra-ameacas-de-trump

Noruega confirma encontros entre Governo venezuelano e oposição

As autoridades norueguesas confirmaram hoje a sua mediação no sentido de iniciar o diálogo político entre "o Governo venezuelano e a oposição", para que seja alcançada uma solução para a crise na Venezuela.

"A Noruega informa que manteve contactos preliminares com representantes dos principais atores políticos da Venezuela, numa fase exploratória, com o objetivo de apoiar a busca de uma solução para a situação no país", refere uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Oslo.
A diplomacia norueguesa elogiou os "esforços" de ambas as partes e mostrou disposição para continuar a apoiá-las "na procura de uma solução pacífica".

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países, confirmou na quinta-feira os contactos que decorreram na Noruega.
"Sim, há uns enviados à Noruega [...]. Mas também o afirmo até me cansar que não nos vamos prestar a negociações falsas e que não nos conduzam a três coisas: fim da usurpação, governo de transição e eleições livres", afirmou Guaidó.

A televisão pública norueguesa NRK noticiou na quinta-feira que os contactos entre as duas partes começaram em Cuba, sendo que depois foram mantidas várias reuniões num local secreto em Oslo.


A delegação do Governo venezuelano foi constituída pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, e pelo governador de Miranda, Héctor Rodríguez, e a oposição foi representada pelo vice-presidente da Assembleia Nacional, Stalin González, pelo ex-deputado Gerardo Blyde e pelo ex-ministro Fernando Martínez Mottola.

Os nomes dos representantes da oposição foram mencionados por Guaidó, mas o Governo venezuelano não fez qualquer declaração oficial.

Guaidó, que há duas semanas encabeçou uma tentativa de levantamento militar em Caracas - encarada pelo Governo como golpe de Estado -, disse que "não há nenhum tipo de negociação" a não ser a resposta a uma proposta da Noruega, que se "esforçou" em iniciar "uma mediação".

Segundo o líder da oposição, a iniciativa procura um processo de saída para a crise e "parte de um país (Noruega) que quer colaborar".

Guaidó acrescentou que a mediação norueguesa é semelhante à que foi proposta por Espanha, pelo Canadá e pelo Grupo de Contacto formado por países da América Latina e da União Europeia, incluindo Portugal.

Entre setembro de 2017 e janeiro de 2018, Governo e oposição venezuelanos estabeleceram momentos de diálogo na República Dominicana, mas que não produziram resultados.

Ao contrário de outros países do continente europeu, a Noruega -- que não faz parte da União Europeia -- não reconhece Guaidó como presidente interino, apesar de o Governo de Oslo ter demonstrado apoio à oposição, pedindo diálogo e a realização de novas eleições.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Ine Eriksen Soreide, disse em janeiro que o país mantinha diálogo com as partes e que tinha oferecido ajuda para promover um novo processo político.

A Noruega desempenhou funções de mediação em mais de 20 processos de diálogo nas últimas décadas, destacando-se os acordos de Oslo entre israelitas e palestinianos ou as conversações entre o governo da Colômbia e as FARC.

Entretanto, o Presidente de facto da Venezuela, Nicolás Maduro, teve na quinta-feira uma reunião, no Palácio Presidencial em Caracas, com o Grupo de Contacto Internacional.

A missão conta com representantes de Portugal, Espanha, Alemanha, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia e, por parte da América Latina, com representantes da Costa Rica, Uruguai, Equador e Bolívia.

Maduro indicou através de uma mensagem transmitida pela rede social Twitter que a reunião serviu para informar acerca das "consequências do bloqueio e as sanções impostas pelos imperialistas dos Estados Unidos contra a Venezuela".

O Grupo de Contacto tinha também previstos encontros com a oposição venezuelana.

Notícias ao Minuto | Lusa | Foto: Reuters

 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/noruega-confirma-encontros-entre.html

China entrega à Venezuela mais 64 toneladas de medicamentos

Chegou esta quinta-feira ao país caribenho um avião com assistência técnica humanitária proveniente da República Popular da China, com 64 toneladas de material médico. É o terceiro desde 29 de Março.

Esta quinta-feira, chegou à Venezuela a terceira remessa de medicamentos proveniente da China; a quarta deverá chegar em JunhoCréditos / VTV

Em declarações à imprensa proferidas no Aeroporto de Maiquetia, o ministro venezuelano da Saúde, Carlos Alvarado, informou que este novo lote consiste, sobretudo, em material médico-cirúrgico necessário aos hospitais públicos e do Instituto Venezuelano de Segurança Social.

Este fornecimento enquadra-se num acordo bilateral entre ambos países para fazer frente às consequências do bloqueio «ilegal e criminoso» imposto à Venezuela pela administração dos Estados Unidos e os seus «cúmplices internacionais», indica a VTV.

Carlos Alvarado disse ainda que este carregamento (em que se incluem gaze, medicamentos, material cirúrgico e material diverso) se vem juntar a outros anteriormente enviados por China, Rússia, Organização Pan-americana da Saúde, UNICEF e Cruz Vermelha Internacional, que perfazem 356 toneladas.

«Isto ajuda a aliviar a situação gerada pelo bloqueio. Não é tudo aquilo de que se necessita, mas ajuda muito», disse Alvarado, referindo-se ao facto de o seu país ter retidos milhões de dólares e euros em bancos europeus – o que tem impedido a compra directa de medicamentos –, bem como ao sequestro de material já comprado e retido em países aliados dos EUA.

De acordo com o ministro, a Venezuela já negociou, através do governo chinês, 104 milhões de dólares em compras directas de materiais médicos à China, que devem chegar em Junho. Com essa remessa, a Venezuela irá adquirir um valor superior ao requerido pelo país em termos de medicamentos, equipamentos e materiais de saúde, refere a VTV.

A segunda remessa chegou no dia 13

O segundo avião proveniente da China com assistência técnica humanitária chegou a Caracas na passada segunda-feira, contendo 71 toneladas de medicamentos e material cirúrgico. Carlos Alvarado sublinhou, então, que o objectivo é dar continuidade ao fortalecimento do Sistema Público Nacional de Saúde e, desse modo, continuar a dar resposta ao «bloqueio económico imposto pelo imperialismo norte-americano».

Caracas recebeu o primeiro carregamento com medicamentos da China – 75 toneladas – em 29 de Março último. Essa remessa era constituída por medicamentos para diabéticos, analgésicos e material cirúrgico, segundo informou, então, o vice-presidente pata a Área Económica, Tareck El Aissami.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/china-entrega-venezuela-mais-64-toneladas-de-medicamentos

Portugal participa no confisco de bens à Venezuela

O que está a passar-se contra a Venezuela, com participação do governo de Portugal, é uma guerra avassaladora que envolve «crimes de lesa-humanidade» passíveis de cair sob a alçada do Tribunal Penal Internacional.
José Goulão | Sobre nós | opinião
O governo da República Portuguesa está envolvido, directa e indirectamente, na apropriação ilegal de pelo menos três mil milhões de euros de bens públicos da Venezuela a que o Estado venezuelano está impedido de recorrer para comprar medicamentos, alimentos e outros produtos de primeira necessidade para a sobrevivência da população do país. Dessa verba, 1359 milhões de dólares correspondem ao valor do ouro de Caracas extorquido pelo Banco de Inglaterra, com anuência dos países da União Europeia; e 1543 milhões de euros é a fatia de dinheiro confiscada pelo Novo Banco, uma entidade nacional que foi salva com dinheiro extraído dos bolsos dos portugueses e depois oferecida a um fundo abutre norte-americano.
Até prova em contrário, o governo de Portugal é parte responsável por estes actos – além do reconhecimento do golpe terrorista através do qual os Estados Unidos designaram o seu agente Juan Guaidó como «presidente interino» da Venezuela. Os portugueses continuam à espera de respostas concretas a perguntas directas sobre estas actividades governamentais praticadas à revelia e contra os interesses dos portugueses, sobretudo dos que vivem emigrados na Venezuela. Até agora só o silêncio tem respondido aos pedidos de esclarecimento, o que também não parece perturbar a comunicação mainstream que, assim sendo, só tem o que merece. Mas o silêncio governamental vai valendo como uma confissão de cumplicidade de Lisboa com os crimes cometidos pela direcção fascista dos Estados Unidos da América contra a República soberana da Venezuela. Quem cala consente, sobretudo sendo este um governo que tem palavra fácil.


«A nossa estratégia funciona…»

E o que está a passar-se contra a Venezuela, com participação do governo de Portugal, é uma guerra avassaladora que envolve «crimes de lesa-humanidade» passíveis de cair sob a alçada do Tribunal Penal Internacional, de acordo com um relatório pedido pela ONU e em poder da Comissão de Direitos Humanos da organização.

A guerra que atinge a Venezuela não resulta de sanções pontuais, como poderá pensar-se. O que os Estados Unidos montaram, desde que o presidente Obama declarou o país como «uma ameaça à segurança nacional» norte-americana, em 2014, é um sistema organizado de punição colectiva que visa a falência e o desmantelamento do Estado venezuelano.
O Conselho de Relações Externas dos Estados Unidos, o mais pesado dos famosos think tanks deste país, confessa que «as sanções são alternativas visíveis e menos dispendiosas do que uma intervenção militar». Por outras palavras, as sanções são uma guerra, admite.

Mais claro ainda nos termos usados é um membro do Departamento de Estado norte-americano, que prestou declarações sob condição de anonimato a um conjunto de jornalistas, entre os quais Maria Molina, da Rádio Colômbia. «Estamos a assistir a um colapso económico total da Venezuela», disse. «Portanto, a nossa política funciona, a nossa estratégia funciona».

É a pessoas deste jaez e com esta consciência humanitária que o governo de Portugal está associado.

No passado dia 25 de Abril, dois economistas norte-americanos, Max Weibrot e Jeffrey Sachs, do Centro de Investigação Política e Económica1, em Washington, concluíram que o bloqueio económico e humanitário representa uma «punição colectiva» que provocou já a morte de pelo menos 40 mil pessoas na Venezuela. Se as sanções não existissem, revelam os autores, a economia do país não teria sido afectada, seguiria o seu caminho; por outras palavras, não haveria «crise humanitária», não existiria «colapso»2.

Uma teia imperial

As sanções nada têm de acumulação de decisões pontuais aleatórias. São aplicadas através de uma teia estruturada com o objectivo de asfixiar os mecanismos que permitem a vida de um Estado e de um país.

A sucessão de Ordens Executivas emanadas pelos Estados Unidos mas com impacto global, sobrepondo-se à ordem internacional vigente segundo o sistema da ONU, ilustram o funcionamento de um verdadeiro poder imperial.
As medidas estabelecidas por Washington contra a Caracas – do mesmo tipo das impostas ao Irão e a Cuba – pretendem fazer com que a Venezuela deixe de funcionar com a banca internacional e o sistema financeiro em geral, não possa comercializar os produtos que garantam a subsistência do Estado e das populações, como o petróleo e o ouro. Neste quadro a Venezuela fica inibida de exportar e importar, de se administrar, de se financiar e de honrar as suas dívidas. Esta asfixia induz um processo sádico de punição de milhões de pessoa forçando-as, no limite, a submeter-se à miséria ou a virar-se contra um governo que não é, de facto, responsável pela degradação constante da situação.

Mercê da complexa teia de procedimentos aplicada de forma arbitrária em termos políticos, económicos, financeiros, sociais e humanitários, a Venezuela não pode vender petróleo e ouro, não pode comprar medicamentos em geral e vacinas em particular, não pode contrair empréstimos junto da banca internacional, onde também não pode movimentar os seus activos depositados ou em circulação no estrangeiro; além de não lhe ser permitido pagar as dívidas, para que depois possa ser acusada de não honrar prazos de pagamento e cair em default. Levando assim, por arrastamento, os impérios internacionais de notificação de créditos, como a Standard & Poor’s, a colocar a Venezuela nos últimos lugares, muito abaixo de «lixo» – situação mais grave ainda do que as de países vítimas de guerras e agressões militares.

Trata-se de um sistema maquiavélico, sádico, repete-se, porque atinge os seres humanos onde eles são mais débeis, dependentes e indefesos como a saúde, a alimentação, os bens essenciais de consumo. Uma guerra imposta sem tropas mas também com mortos, feridos e famintos.

A componente portuguesa

E o governo de Portugal participa de forma sorrateira, sem o assumir perante os portugueses, nesta operação que provoca danos deliberados na economia e no sistema de saúde venezuelano, com a agravante de originar «diversos casos de morte – o que implica crimes de lesa-humanidade», segundo o relatório apresentado pelo perito independente da ONU, Alfred-Maurice de Zayas3, na última sessão da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Uma participação portuguesa que não acontece apenas por arrastamento, devido às «nossas alianças» ou às inerências da União Europeia. É uma opção deliberada.

Já em Agosto de 2016, por exemplo, o Novo Banco decidiu que estava impossibilitado de fazer operações em dólares com os bancos venezuelanos, invocando pressões de outras entidades bancárias com as quais se relaciona. Fê-lo numa conjuntura em que instituições como o Citibank se negaram a receber fundos venezuelanos para importar 300 mil doses de insulina, o Crédit Suisse proibiu os seus clientes de realizarem operações financeiras com a Venezuela e, só em Novembro de 2017, foram bloqueadas por bancos internacionais 23 operações de compra de alimentos, produtos básicos e medicamentos, no valor de 39 milhões de dólares.

Mais recentemente, em Janeiro e Fevereiro deste ano, coincidindo com a entronização golpista de Juan Guaidó, o Novo Banco travou uma operação de importação venezuelana de vacinas contra a meningite, rotavírus e gripe, atitude que afectou directamente 2,9 milhões de crianças venezuelanas.

Outro banco com grande representação em Portugal, o Santander, surge envolvido em actuações deste tipo. Rejeitou uma movimentação de fundos para reparação dos equipamentos hemodinâmicos da área cardiológica, o que atingiu directamente pelo menos 500 crianças com cardiopatia congénita. Exemplos deste tipo multiplicam-se em cadeia, associados a centenas de instituições financeiras internacionais e respectivos ramos.

Os fundos do Estado venezuelano confiscados pelo Novo Banco atingem os 1543 milhões de euros, verbas para serem prioritariamente utilizadas em produtos essenciais como medicamentos e alimentação.

Não consta que o governo de Portugal, depois de ter oferecido o antigo Banco Espírito Santo, resgatado pelos contribuintes portugueses, a um fundo abutre norte-americano, se tenha movimentado para evitar as consequências das decisões desumanas da instituição – afinal um banco português.

Porém, observando o comportamento do executivo de Lisboa nas questões venezuelanas, seria contra-natura que o fizesse.

Porque – até prova em contrário – o governo da República Portuguesa e o Banco de Portugal deram aval à extorsão de ouro no valor de 1359 milhões de dólares à República da Venezuela. O secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que todos os governos e bancos centrais da União Europeia foram consultados sobre a operação, concretizada pelo Banco de Inglaterra, onde o ouro fora depositado de boa-fé; e ainda não houve ninguém que o desmentisse.
Aliás, como já anteriormente ficou registado [ver artigo em caixa], o governo português fez-se representar, em 11 de Abril, numa reunião com o mesmo Mnuchin dedicada à asfixia financeira contra a Venezuela. É do secretário do Tesouro de Trump a seguinte declaração: «Continuaremos a utilizar todas as nossas ferramentas diplomáticas e económicas para apoiar o presidente interino Guaidó».

Fiel aos tiques de «bom aluno», o executivo de Lisboa não poderia deixar de obedecer também à Ordem Executiva 13850 do governo norte-americano, que bloqueia, entre muitas outras coisas, o comércio de ouro com a empresa estatal venezuelana Minerven.

Como o governo de Portugal continua a manter o silêncio sobre estes seus envolvimentos, e como não poderá alegar engano sobre as verdadeiras intenções «democráticas» de Trump ou Mnuchin, não existem dúvidas de que se identifica com o carácter agressivo, desumano e anti-democrático do lado onde se colocou.

Objectivos claros e terroristas

O ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, costuma citar um dos seus interlocutores oficiais norte-americanos que lhe disse um dia: «já que não podemos mudar o governo venezuelano vamos arruinar a vossa economia».

A declaração resume, sem dúvida, todo um programa terrorista de âmbito transnacional sob a batuta dos Estados Unidos.

Segundo o relatório de Alfred-Maurice de Zayas, o perito independente designado pela ONU para avaliar a situação, esse programa «além de obstruir o acesso ao financiamento externo e aos pagamentos internacionais, afecta o financiamento normal do aparelho produtivo nacional, criando uma redução da oferta de bens e serviços locais».

Ainda segundo Zayas, as sanções de Trump e Obama e as medidas unilaterais do Canadá e da União Europeia «agravam directa e indirectamente a escassez de medicamentos como insulina e antirretrovirais, acarretando demoras na distribuição e funcionando como agravante em diversos casos de morte – o que implica crimes lesa-humanidade»4.

O compromisso de Alfred-Maurice Zayas para apreciar a situação é com a ONU5, não com Nicolás Maduro.

Seria, portanto, bastante mais digno e humanista que o compromisso do governo de Portugal fosse com as Nações Unidas, não com Donald Trump e o seu farsante Guaidó.
Notas:
1.O Centro de Investigação Política e Económica (CEPR, de Center for Economic and Policy Research) foi fundado em 1999 por Dean Baker e Max Weibrot a fim de «promover o debate democrático sobre os mais importantes temas sociais e económicos» e permitir aos cidadãos «escolher sobre as diversas opções políticas» que se lhes colocam, fazendo-o «informadamente». A instituição, que conjuga «pesquisa profissional e educação pública» na sua actividade, funciona em Washington DC (EUA) e conta no seu quadro de consultores receptores do Nobel da Economia, como Robert Solow e Joseph Stiglitz; Janet Gornick, professora na CUNY Graduate School e directora do Luxembourg Income Study; e Richard Freeman, professor de Economia na universidade de Harvard. Ver «Sobre nós». Um detalhe pouco habitual, revelador do nível de consciência política dos trabalhadores do CEPR, é o facto de, na página de apresentação da instituição, mencionar-se que «os funcionários do CEPR são membros do sindicato de funcionários sem fins lucrativos IFPTE Local 70» – e remeter uma ligação para a página do sindicato.
2.O artigo em questão, Economic Sanctions as Collective Punishment: The Case of Venezuela, pode ser lido na íntegra aqui[ ]. A biografia de Max Weibrot pode ser conhecida na nota anterior e a de Jeffrey Sachs na presente nota.
3.Alfred-Maurice de Zayas é um advogado americano, escritor, historiador, especialista no campo dos direitos humanos e do direito internacional e ex-alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU). A sua reconhecida independência valeu-lhe, em 2012, ser nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU como Especialista Independente das Nações Unidas na Promoção de uma Ordem Internacional Democrática e Equitativa – cargo que mantém na actualidade. O leitor pode consultar a sua biografia na Wikipédia e aceder ao interessante sítio pessoal de Alfred-Maurice de Zayas, Alfred de Zayas' Human Rights Corner.
4.O relatório, intitulado «Report of the Independent Expert on the promotion of a democratic and equitable international order on his mission to the Bolivarian Republic of Venezuela and Ecuador», pode ser encontrado na íntegra aqui.
5.O programa «Enclave Político» da Telesur entrevistou Alfred-Maurice Zayas (Alfred de Zayas) em 31 de Janeiro de  2019. Um excerto da entrevista foi legendado em português e publicado no Diário Liberdade. Todo o excerto tem interesse, mas o leitor compreenderá a dificuldade que encontram opiniões independentes e sérias em exprimir-se sobre a Venezuela, no mainstream media, – como acontece com aquele respeitado perito em Direitos Humanos – atentando na parte da entrevista entre os 5’ 20” e o final do vídeo. A esse propósito, no sítio pessoal de Alfred de Zayas, o leitor pode encontrar o artigo «Essay on Venezuela», antecedido das dignas palavras dirigidas pelo autor à prestigiada revista Georgetown Journal of International Affairs. O artigo fora encomendado pela revista ao autor mas, depois de o terem recebido, declinaram-no, ferindo o princípio do debate de ideias que deve presidir a uma publicação científica. Por fim, se tiver tempo e paciência para ver a entrevista integral de Alfred de Zayas à Telesur (cerca de 32 minutos), pode fazê-lo aqui. Não perderá o seu tempo.
Na imagem: Encontro do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, e do Secretário de Estado norte-americano Michael Pompeo, em Washington, Junho de 2018. Créditos/ US Department of State

 

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/portugal-participa-no-confisco-de-bens.html

Ex-chanceler chileno: Guaidó cruza linha vermelha ao buscar cooperação militar dos EUA

Heraldo Muñoz
© AFP 2019 / CRIS BOURONCLE

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, está cruzando a linha vermelha ao buscar a cooperação militar dos Estados Unidos, alertou o ex-ministro das Relações Exteriores do Chile e presidente do Partido da oposição para a democracia, Heraldo Muñoz.

Neste sábado, o autoproclamado "presidente encarregado" da Venezuela anunciou que ordenou ao seu representante nos EUA que se reunisse com o Comando Sul "para estabelecer uma relação de cooperação direta e de longo alcance".


"Isso já está na linha vermelha", twitou Muñoz, que serviu como chefe da diplomacia chilena durante o segundo mandato presidencial de Michelle Bachelet (2014-2018).

O político chileno exigiu ao governo de seu país e ao Grupo de Lima que se deve esclarecer se continuam apostando em uma solução pacífica para a Venezuela.

"Eles deveriam esclarecer se continuam em uma saída pacífica para a crise venezuelana, ou se agora apoiam Guaidó em uma intervenção militar expressa em uma declaração sobre 'todas as opções na mesa' e cooperação militar com os EUA", ele twittou.

Juan Guiadó já havia admitido que consideraria uma oferta de intervenção dos EUA, um país que o reconheceu como o "presidente encarregado" da nação caribenha.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019051213861349-chile-guaido-venezuela-eua/

Mais de 14 mil venezuelanos regressaram ao país com o «Plan Vuelta a la Patria»

No âmbito do programa criado por Nicolás Maduro, este sábado mais 170 venezuelanos regressam ao país, provenientes do Equador. Até ao momento, o «Plan Vuelta a la Patria» beneficiou 14 070 pessoas.

No Equador, sucederam-se as agressões e os ataques xenófobos contra cidadãos venezuelanos ali residentes; a Conviasa já realizou 30 voos com destino ao no país andino no âmbito do programa de repatriamento implementado por MaduroCréditos / mppre.gob.ve

A propósito do regresso a casa destes 170 compatriotas que se encontram no Equador, o Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros informou que 64% apontaram problemas económicos como motivo para voltarem, 54% referiram-se a questões de xenofobia e 21% a problemas de saúde.

Em Quito, capital do país andino, os beneficiados pelo Plano Regresso à Pátria partem da Embaixada venezuelana, acompanhados por funcionários da representação diplomática até ao Aeroporto Internacional Mariscal Sucre, de onde serão transportados num avião da Conviasa até ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, na Venezuela. Em simultâneo, um outro voo da companhia aérea estatal venezuelana parte da cidade equatoriana de Guayaquil, indicam a TeleSur e a VTV.

Em declarações à Prensa Latina, o responsável pelo processo de repatriamento dos venezuelanos a partir do Equador, Pedro Sassone, precisou que «se tratou de um processo sistemático, cujo cumprimento implicou, para a Venezuela, um grande esforço do ponto de vista económico e financeiro», uma vez que «é um programa de carácter social».

Ajudar compatriotas que emigraram, vítimas de xenofobia e exploração

O Plano Regresso à Pátria foi implementado em Agosto do ano passado pelo chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, tendo como objectivo apoiar os venezuelanos que emigraram para outros países da América Latina, onde pensavam encontrar novas oportunidades de trabalho e de melhorar as suas vidas, mas que acabaram por se deparar com uma realidade adversa, e expressaram a vontade de regressar à Venezuela.

De acordo com os próprios emigrantes, muitos manifestaram esse desejo depois de sofrerem acções de xenofobia, violência e discriminação, enfrentarem situações de desemprego, exploração e maus-tratos laborais, bem como problemas de saúde e dificuldades económicas existentes nos países de acolhimento.

De acordo com dados oficiais, divulgados pela VTV, o «Plan Vuelta a la Patria» beneficiou até ao momento 14 070 venezuelanos, possibilitando-lhes o regresso da Argentina (434), do Brasil (6965), do Chile (272), da Colômbia (764), do Equador (2797), do Panamá (1), do Peru (2561) e da República Dominicana (276).

Como explicaram as autoridades venezuelanas, não se trata de um simples programa de repatriamento de compatriotas em dificuldades, mas visa reintegrá-los na vida produtiva do país, «com a premissa de que estudem e trabalhem para a paz e a prosperidade socioeconómica» venezuelana.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mais-de-14-mil-venezuelanos-regressaram-ao-pais-com-o-plan-vuelta-la-patria

Venezuela: como o SEBIN armadilhou a CIA

O fiasco do Golpe de Estado de Juan Guaidó e da CIA na Venezuela, em 30 de abril e 1 de Maio de 2019, só foi possível graças à infiltração das redes da Oposição pró-EUA. Esse paciente trabalho não foi realizado pelos 300 mil soldados cubanos, evocados por John Bolton, e que ninguém jamais viu, mas pelo SEBIN com conselheiros russos.

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Com a aquisição pela Venezuela de aviões Su-30, de sistemas anti-aéreos S-300, de tanques T-72, de baterias costeiras de Bastion russos, o Comando dos Estados Unidos para a América do Sul (UsSouthCom) colocou em acção meios de espionagem tecnológica (TechInt - Inteligência técnica) a fim de avaliar, de analisar e de interpretar as informações relativas ao material de combate do Exército venezuelano.

Trata-se de meios do tipo MasInt (Measurement and signature intelligence-Medição e assinatura de inteligência) que recebem à distância as vibrações, a pressão, a energia calórica produzida pelos sistemas de combate. Há igualmente outros meios (ElInt) relativos a emissões electrónicas de sistemas de radar e de rádio-navegação que equipam os mísseis terra-ar, os aviões e navios de guerra da Venezuela.

Mas a maior parte dos meios de espionagem foram utilizados para interceptar as redes de comunicação (ComInt). A Agência Nacional de Inteligência Electrónica (NSA) tem uma rede, chamada «Echelon», concebida para a interceptação e gravação de comunicações por telefone, fax, rádio e tráfego de dados graças aos satélites espiões norte-americanos.

O SouthCom foi capaz de avaliar, através do ComInt, o estado de espírito, a lealdade ou insatisfação dos comandantes do exército e dos chefes das autoridades políticas centrais e locais. A versão oficial da Rússia e da China, dificilmente crível, é que não enviaram peritos em espionagem e contra-espionagem para a Venezuela. Contrariamente a esta versão, desde Janeiro, quando os Estados Unidos introduziram o auto-proclamado presidente Juan Guaidó, a liderança da contra-espionagem da Venezuela parece ter sido tomada em mãos por um super James Bond. Uma das constatações do Pentágono foi a interrupção da colecta de dados pela NSA, através do processo ComInt. Ora, a Venezuela não tem tecnologia assim tão avançada que lhe permita bloquear a recepção de satélites da NSA.

Face a esta situação, a iniciativa na Venezuela foi retomada pela CIA, especializada em Humint (Inteligência Humana). Isto é, espionagem feita com agentes norte-americanos infiltrados, os quais por sua vez têm redes de informadores locais. Mas pouco tempo depois, o pequeno serviço de contra-espionagem venezuelano (SEBIN: Servicio Bolivariano de Inteligência Nacional) conseguiu humilhar a CIA. Só agora é que os Norte-americanos perceberam que todos os grupos da Oposição pró-EUA [1] ao regime de Caracas haviam sido infiltrados por agentes do SEBIN.

Graças a oficiais do SEBIN, infiltrados na imprensa financiada pelos Estados Unidos, houve uma operação com a seleção e a publicação das notícias mais miraculosas, mas pouco fiáveis, ligadas à evolução política na Venezuela. Houve assim várias «fugas» (vazamentos-br) que foram dadas à CIA, como, por exemplo, a intenção de certos generais da primeira força-tarefa venezuelana em trair o Presidente Nicolás Maduro e libertar os opositores políticos presos.

A fim de ganhar a confiança dos agentes da CIA, os membros do SEBIN até organizaram reuniões de conspiração com os generais venezuelanos, sob total controlo da Inteligência do SEBIN e da Contra-espionagem militar. A «deserção» do General Manuel Figuera, Chefe do SEBIN, a libertação de Leopoldo López [2] da sua prisão domiciliar, e a colocação à disposição, para Juan Guaidó, de um pelotão de soldados pertencendo ao SEBIN, para tomar a guarnição da Carlota, em Caracas, e mais de mil militares, faziam parte da operação de intoxicação dos agentes da CIA, a fim de convencer Washington do sucesso do Golpe de Estado.

Finalmente, a Casa Branca deu luz verde para a acção de 30 de Abril que se tornou o maior fracasso da CIA no decurso das últimas décadas. A Venezuela provou que lutar com patriotismo e profissionalismo, mesmo para um país sul-americano sob embargo, pode quebrar os planos da CIA.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Grandes roubos | Maduro reclama 1,54 mil milhões de euros retidos no Novo Banco

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou esta quinta-feira a reclamar os 28,35 mil milhões de euros retidos nos Estados Unidos e em Portugal, valor que disse estar destinado à importação de alimentos e medicamentos.

Segundo Nicolás Maduro, os Estados Unidos "roubaram à Venezuela" 30 mil milhões de dólares (26,81 mil milhões de euros) e em Portugal estão retidos 1,7 mil milhões de dólares (1,54 milhões de euros à taxa de câmbio atual).

"Há que aumentar (os esforços) para enfrentar o bloqueio económico que faz o Governo imperialista de Donald Trump. Uma sabotagem anormal, desumana. [O Governo norte-americano] sabota todas as importações que fazemos de matéria prima (...) Temos que inventar mil caminhos para comprar e para trazer o que o país precisa para fazer medicamentos", disse.

Nicolás Maduro falava no Forte de Tiuna, a principal base militar de Caracas, durante um ato que teve como tema central a saúde e que foi transmitido pela televisão estatal venezuelana.

"Continuo a denunciar. Não me cansarei de denunciar o roubo de mais de 30 mil milhões de dólares, pelo Governo dos EUA, contra a Venezuela", frisou.

"Em Portugal, por exemplo, num banco chamado Novo Banco, roubaram-nos 1.726 milhões de dólares que estavam destinados para trazer medicamentos (...) Assalto a plena luz do dia, por ordem do Governo 'gringo' americano", acusou.


"Temos de enfrentar e vamos continuar a enfrentar. Faça chuva, trovoada ou relâmpagos, ninguém nem nada deterá o rumo da revolução bolivariana na saúde e em todos os campos da nossa vida. Ninguém nos vai tirar o direito ao futuro, à felicidade e à paz, o direito à vida, não vou vão tirar", acrescentou.

Cerca de cinco dezenas de venezuelanos protestaram na quinta-feira junto ao Consulado-Geral de Portugal em Caracas, para exigir que o Governo português desbloqueie 1.543 milhões de euros que estão retidos no Novo Banco.

O protesto foi convocado pela Asobien, uma organização não governamental (ONG) dedicada a doentes com Parkinson e outras doenças, que insiste que esses recursos se destinam ao tratamento de doentes venezuelanos, no exterior.

Os manifestantes chegaram num autocarro do Governo venezuelano e, segundo fontes diplomáticas, entregaram uma carta a reclamar o desbloqueio do dinheiro.

No passado dia 2, 19 organizações de defesa dos direitos humanos e movimentos sociais venezuelanos tinham ido à Embaixada de Portugal em Caracas também para pedir que o Governo português interceda para que sejam desbloqueados 1.543 milhões de euros retidos no Novo Banco.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela explicou na altura que foi entregue "uma carta onde solicitam os bons ofícios do Governo português para que sejam desbloqueados 1.543 milhões de euros que foram ilegalmente retidos na entidade financeira Novo Banco".

Na mesma nota, a diretora da Sures, uma associação dedicada ao estudo, educação e defesa dos Direitos Humanos, Lucrécia Hernández, denunciou que "o bloqueio destes ativos têm impedido o pagamento necessário para atender 26 pacientes venezuelanos que se encontram em Itália, à espera de receber tratamento oncológico".

Devido a esta situação, a diretora de Sures, Lucrécia Hernández, "apelou aos bons ofícios do Governo de Portugal para que, através das ações legais que correspondam, o Novo Banco consiga destravar os recursos".

"Não temos podido concretizar a compra de medicamentos, de uma série de materiais, como consequência do bloqueio imposto pelos EUA e que o Novo Banco continuou", disse a diretora da organização Rompendo a Norma Alexis Bolívar.

O comunicado conclui afirmando que a representação diplomática portuguesa mostrou-se "aberta à solicitação e manifestou a disposição de tramitar o requerimento".

Já em 17 de abril, o Presidente da Venezuela tinha exortado o Governo português a desbloquear os ativos do Estado venezuelano retidos no Novo Banco, sublinhando que o dinheiro será usado para comprar "todos os medicamentos e alimentos".

"Libertem os recursos [da Venezuela] sequestrados na Europa. Peço ao Governo de Portugal que desbloqueie os 1,7 mil milhões de dólares [cerca de 1,5 mil milhões de euros] que nos roubaram, que nos tiraram" e que estão retidos no Novo Banco.

Lusa | Expresso

 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/grandes-roubos-maduro-reclama-154-mil.html

Marinha venezuelana expulsa navio de guerra norte-americano de suas águas (FOTOS)

Na sexta-feira (10), um navio de guerra norte-americano entrou em águas venezuelanas, mas as abandonou depois de ter comunicado com a Marinha venezuelana.

Segundo a Marinha da Venezuela, o navio da Guarda Costeira dos EUA USCGC James foi notado pela primeira vez pelas Forças Armadas venezuelanas na quarta-feira (8). Na quinta-feira, um navio de patrulha venezuelano se aproximou do navio americano e o convenceu a mudar de rumo.

"Depois de nossas comunicações por rádio, o USCGC James foi convencido da necessidade de mudar seu rumo e deixou nossas águas", afirmou a Marinha em um comunicado.

O USCGC James pertence à Guarda Costeira dos Estados Unidos. Alguns internautas rastrearam a suposta presença do navio dos EUA em águas venezuelanas.

O Comando Sul dos Estados Unidos (SOCOM) informou em um comunicado na terça-feira (7) que os EUA planejam enviar à região o navio de assistência hospitalar Comfort para prestar apoio aos países regionais em meio à crise na Venezuela.


Entretanto, o SOCOM não especificou quais seriam os países que o USNS Comfort visitaria, mas disse que os detalhes seriam anunciados mais tarde.

A Venezuela tem lidado com uma grave crise política, com o líder da oposição, Juan Guaidó, tendo se proclamado presidente interino do país em 23 de janeiro.

Os EUA e vários países da Europa e América Latina, inclusive o Brasil, reconheceram Guaidó como presidente interino do país.

A Rússia, China, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Turquia, México, Irã e muitos outros países manifestaram seu apoio a Maduro como presidente legítimo e exigiram que os outros países respeitem o princípio de não interferência nos assuntos internos venezuelanos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019051113857953-marinha-venezuelana-expulsa-navio-de-guerra-norte-americano-de-suas-aguas-fotos/

Guerra na Venezuela

– Os EUA já estão em guerra com a Venezuela. Uma guerra híbrida, não-convencional, mas uma guerra

por Marcelo Zero

A grande pergunta que todos se fazem no momento é se haverá ou não uma guerra na Venezuela.

Bom, em primeiro lugar, é preciso considerar que os EUA já estão em guerra com a Venezuela. Uma guerra híbrida, não-convencional, mas uma guerra.

Os EUA estão fazendo de tudo na Venezuela. Além do embargo comercial e financeiro , que já ocasionou a morte de pelo menos 40 mil pessoas, confiscaram ouro e outros ativos da Venezuela no exterior , promoveram atos de sabotagem que levaram a apagões , instituíram um títere ridículo (Guaidó) para tentar derrubar Maduro mediante um golpe , articularam o isolamento diplomático e político do nosso vizinho , fazem pressão para que os militares abandonem o governo constitucional , promovem uma grande campanha de desinformação sobre a Venezuela para criminalizar Maduro e o regime bolivariano, etc. etc.

A questão não é, portanto, se os EUA entrarão em guerra com a Venezuela, mas se a atual guerra híbrida escalará para uma guerra militar estrito senso.

Para tentar responder a essa pergunta, temos de levar em consideração dois grandes fatores.

O primeiro tange à nova geoestratégia dos EUA para América Latina. Eles querem implantar, a ferro e fogo, se necessário, a Nova Doutrina Monroe, segundo a qual a nossa região tem de ser, de novo, um espaço de influência exclusiva dos EUA. Um quintal. Um patio trasero, como dizem os hispânicos.

Nesse novo cenário, não haveria lugar para países que tenham políticas externas independentes e relações mais aprofundadas com China e Rússia, por exemplo, rivais geopolíticos e geoeconômicos dos EUA. Assim, a derrubada do governo Maduro é essencial para a agenda dos EUA na região, pois Caracas tem hoje relações bastante estreitas com esses rivais dos EUA e pratica uma política externa muito independente, embora jamais tenha deixado de prover seu petróleo para o gigante norte-americano. Diga-se de passagem, o governo brasileiro de Bolsonaro, bem-treinado que é, já ameaça sair do BRICS e abandonar programas sino-brasileiros .

O segundo fator diz respeito às divergências no governo dos EUA sobre o que e como fazer, em relação à Venezuela.

Como no Brasil, há dois grandes grupos no governo dos EUA que têm opiniões distintas sobre esse e outros assuntos.

Há o grupo dos ideólogos de extrema-direita, do qual fazem parte figuras sinistras como John Bolton (conselheiro de segurança nacional), Mike Pompeo (secretário de Estado), e o terrível Eliott Abrams (enviado especial para a Venezuela), entre outros. Embora mais sofisticados que o astrólogo da Virgínia [1] e os integrantes do Clã (qualquer coisa é), compõem um grupo extremado, um tanto delusional, gente que não tem contato muito estreito com a realidade.

Pois bem, esse pessoal, tutti buona gente, neocons de pura cepa, quer uma intervenção militar na Venezuela. Bolton, em particular, maior ideólogo da Nova Doutrina Monroe, já demandou ao Pentágono cenários variados para a intervenção, desde bombardeios localizados, até invasão com tropas em terra.

O problema, para ele, é que os militares do Pentágono, como os daqui, estão resistindo e advertindo Trump sobre os perigos de uma guerra na Venezuela, especialmente se esta envolver tropas em terra.

A Venezuela é duas vezes maior que o Iraque e tem um terreno extremamente difícil para operações em terra, com selvas impenetráveis, pântanos (llanos), montanhas, etc. Enfim, um terreno ideal para uma guerra defensiva de posições táticas e de guerrilhas. Além disso, como já escrevi anteriormente, a Venezuela vem se preparando para este cenário desde 2006, com o Nuevo Pensamiento Militar. Mesmo no caso de uma derrota completa das forças regulares venezuelanas, a Milícia Bolivariana, que poderia reunir até 500 mil membros, oporia feroz resistência por todo o território da Venezuela.

Não bastasse, os bolivarianos poderiam receber apoio logístico de China e Rússia, especialmente desta última, que desenvolveu cooperação militar estreita com a Venezuela.

Além dessas questões militares operacionais, pesam também contra uma intervenção militar, notadamente contra uma invasão por terra, a falta de apoio político internacional. O Grupo de Lima , que congrega a direita sul-americana e os satélites dos EUA na região, rejeita a escalada militar, embora apoie entusiasticamente a guerra híbrida contra a Venezuela. Os europeus também preferem apostar apenas na guerra híbrida.

Mas isso significa dizer que a transformação da guerra híbrida em guerra convencional está descartada?

Não, não está.

À medida que a “solução Guaidó” fracassa miseravelmente e não se investe numa solução negociada e pacífica, cresce a impaciência e o descontentamento dos neocons liderados por John Bolton. Há de se considerar que Bolton é um sujeito muito perigoso e influente, que tem um longo e inquietante histórico de manipulação de informações para fazer prevalecer suas teses.

Parte de grupos a ele ligados [propala] a cretina “informação” de que os generais venezuelanos seriam controlados por “agentes cubanos”, repetida por oligofrênicos da nossa imprensa conservadora. O alvo de Bolton é o lobby anticastrista, de enorme influência e Washington e decisivo no voto latino nos EUA.

Trump, embora reticente em aprovar qualquer intervenção militar, confia muito em Bolton e encarregou-o de cuidar do tema.

O presidente do America First e o resto que se dane não quer se envolver numa guerra que não poderia ganhar no curto prazo, mas também sabe que o atual cenário de fracasso e humilhação o está desgastando ante o eleitorado conservador.

Na persistência crônica desse cenário de impasse humilhante, é possível que se opte por uma intervenção militar restrita a alguns bombardeios punitivos contra alvos militares e políticos selecionados. [2]

Do ponto de vista logístico e militar, essa seria uma alternativa viável. A Venezuela está muito próxima dos EUA. Ademais, os EUA têm duas grandes bases militares bem próximas do território da Venezuela: Guantánamo (Cuba) e Soto Cano (Honduras). Os EUA também não teriam grandes dificuldades em usar instalações no Panamá, Colômbia ou, quem sabe, até no Brasil. O deslocamento de uma boa força naval até a costa da Venezuela também poderia se dar de forma muito rápida.

A capacidade de a Venezuela resistir a tal ataque é limitada, mesmo com seus Sukhois SU-30 e seus mísseis S-300. O poder dos mísseis Cruise e dos aviões com tecnologia stealth é avassalador. Ademais, a Venezuela não tem expertise em guerra eletrônica. Uma vez destruído o sistema de comunicação militar, pouca coisa poderá se fazer.

A decisão de se fazer ou não um ataque desse tipo dependerá da evolução das condições internas na Venezuela e dos efeitos esperados nos eleitores de Trump. Se o impasse político persistir, se abrirem fissuras nas forças venezuelanas e as condições econômicas continuarem a se deteriorar, e se os eleitores conservadores dos EUA começarem a ver com bons olhos uma ação mais firme, a hipótese de uma intervenção militar restrita, sem tropas em terra, pode não só se tornar factível, mas desejável.

Bastaria preparar o terreno com uma operação de falsa bandeira, que resultasse em mortos e feridos atribuíveis ao “ditador” Maduro, para que tal ação possa ser “justificada”. Outra hipótese, como esclarece o patético títere, seria o parlamento venezuelano convidar os americanos a destruírem a Venezuela.

Seria, de qualquer modo, uma aposta de alto risco. Porém, não se deve desprezar a crueldade e a truculência do Império e da direita venezuelana. Para assegurar seus interesses, o governo dos EUA não se importa em destruir países e matar milhões de pessoas, desde que não sejam vidas norte-americanas. Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria foram destruídos, milhões de vidas foram perdidas, ceifadas, direta ou indiretamente, pela guerra.

Alguns argumentam que, na América Latina, haveria maiores freios para ações como essas, dada à existência de uma grande população de origem latina nos EUA, mas, ante o total desprezo demonstrado por Trump ante o sofrimento de imigrantes latino-americanos, não é prudente supor que a atual administração dos EUA se guiará, no caso da Venezuela, por princípios humanistas e racionalidade.

O risco de uma escalada militar, que possa conduzir a Venezuela a uma guerra civil prolongada é, portanto, real.

Em outros tempos, o Brasil lideraria toda a América Latina contra essa loucura. Agora, no entanto, somos um paiseco submisso, que bate continência, até mesmo literalmente, para gente insana como Bolton.

Bolsonaro abriu os portões para a barbárie não apenas no Brasil, mas em toda a nossa região.

Oscar Wilde afirmou que os EUA eram o único país a passar da barbárie para a decadência sem passar pela fase histórica da civilização.

Já o Brasil dos capitães e astrólogos reúne, numa só fase histórica, decadência e barbárie.

06/Maio/2019

NR
[1] Refere-se a Olavo de Carvalho, um ex-astrlogo que reside em Virgnia (EUA) e inspira o presidente Jair Bolsonaro.
[2] A dita intervenção "restrita" poderia vir a ser realizada por mercenários. Ver Plano de utilização de mercenários para derrubar governo da Venezuela .

O original encontra-se em www.brasildefato.com.br/2019/05/06/artigo-or-guerra-na-venezuela/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/venezuela/mzero_06mai19.html

Guaidó declara que poderia aceitar intervenção militar dos EUA na Venezuela

Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana
© AP Photo / Fernando Llano

O opositor e o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, declarou que poderia aceitar uma intervenção militar dos EUA na Venezuela se isso ajudar a resolver a crise no país.

"Se os americanos propusessem uma intervenção militar, eu provavelmente aceitaria", disse Guaidó em uma entrevista ao jornal italiano La Stampa.

Guaidó não excluiu que as autoridades opositoras da Venezuela poderiam recorrer à norma constitucional que prevê a intervenção militar externa.

Segundo o opositor, atualmente as únicas subunidades militares estrangeiras que estão presentes na Venezuela são os militares de Cuba, que apoia o presidente legitimo Nicolás Maduro.

A crise na Venezuela se agravou em 30 de abril, quando o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó pediu uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".


Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam sendo completamente fiéis às autoridades legítimas.

A Venezuela tem lidado com uma grave crise política, com o líder da oposição, Juan Guaidó, proclamando-se presidente interino do país em 23 de janeiro.

Os EUA e vários países da Europa e América Latina, inclusive o Brasil, reconheceram Guaidó como presidente interino do país.

A Rússia, China, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Turquia, México, Irã e muitos outros países manifestaram seu apoio a Maduro como presidente legítimo e exigiram que os outros países respeitem o princípio de não interferência nos assuntos internos venezuelanos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019051013855396-guaido-declara-que-poderia-aceitar-intervencao-militar-dos-eua-na-venezuela/

Trump estende a mão a Cuba

 

Depois de ter tentado, em vão, desestabilizar a Venezuela, o Presidente Donald Trump propôs, em 2 de Maio, na Fox Business, uma abertura económica em Cuba se ela retirasse as suas tropas da República Bolivariana.

Nos últimos cinco meses, a Administração Trump evoca a presença de 300.000 soldados cubanos na Venezuela, entre os quais 25.000 nos Serviços de Inteligência. É, sempre segundo a Administração Trump, esta pressão que impediria 90% dos militares venezuelanos de apoiar o autoproclamado presidente Juan Guaidó.

Na realidade, qualquer pessoa que tenha visitado o país pode constatar que apenas a proteção próxima do Presidente da República, ou seja, menos de cinquenta pessoas, está confiada a Cubanos. Jamais houve tropas cubanas na Venezuela, tal como Havana muitas vezes repetiu. Como sempre, por força da repetição, a propaganda torna-se tão evidente para todos que nos perguntamos se os Estados Unidos são ainda capazes de distinguir o que fingem da realidade.

No decurso dos últimos meses, os Estados Unidos limitaram as transferências de divisas entre os emigrantes cubanos e a ilha. Também anunciaram a entrada em vigor das sanções em relação a firmas do Canadá e da União Europeia, adoptadas em 1996, mas continuamente adiadas.

A abertura económica dos EUA permitiria encontrar um responsável pelo fracasso do golpe de Estado de Juan Guaidó e voltar à razão com Cuba.

Ver original na 'Rede Voltaire'



Maduro: Venezuela está se tornando livre do dólar americano

Quantos antes afirmaram essa intenção (Sadam, Gadaffi,...) acabaram assassinados.E Maduro ?)

Dólar norte-americano (imagem de arquivo)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou que seu país esta ficando livre do dólar, apesar das autoridades do país terem liberalizado recentemente o mercado de câmbio.

Na terça-feira, um documento divulgado pelo Banco Central da Venezuela revelou que Caracas manteve sua política de liberalizar seu mercado de câmbio desde que introduziu venda e compra absolutamente livres de moedas estrangeiras, incluindo o dólar, em bancos comerciais.


"Estamos nos libertando das cordas, das chantagens e do dólar como um mecanismo financeiro. Um grande processo histórico está em andamento com as pessoas dizendo ao mundo — sim, somos capazes de produzir, viver e funcionar sem o dólar e sem o sistema financeiro do gringo", disse Maduro ao vivo em um canal estatal de TV nesta quarta-feira.

O presidente classificou as mudanças em curso de um processo de libertação do bloqueio dos EUA.

O governo venezuelano estabeleceu controle sobre todas as operações em moeda estrangeira no país desde 2003. Como resultado, um mercado ilegal de operações cambiais tomou forma no país, com sua taxa de câmbio excedendo a taxa de câmbio oficial em dezenas de vezes.

A Venezuela liberalizou as operações do dólar em agosto de 2018. No entanto, o sistema de intercâmbio oficial, o DICOM, permaneceu em vigor. Sua taxa só recentemente se tornou igual à chamada taxa do mercado negro e até a superou.

Enquanto isso, os novos regulamentos dão aos bancos comerciais o direito de vender e comprar moedas estrangeiras com suas próprias taxas. O documento, divulgado pelo Banco Central, no entanto, não menciona o sistema DICOM.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050913839688-maduro-venezuela-dolar-americano-liberalizacao/

Venezuela e o que (não) se diz dela! - IX

PORTUGAL PARTICIPA NO CONFISCO DE BENS À VENEZUELA


«O governo da República Portuguesa está envolvido, directa e indirectamente, na apropriação ilegal de pelo menos três mil milhões de euros de bens públicos da Venezuela a que o Estado venezuelano está impedido de recorrer para comprar medicamentos, alimentos e outros produtos de primeira necessidade para a sobrevivência da população do país. Dessa verba, 1359 milhões de dólares correspondem ao valor do ouro de Caracas extorquido pelo Banco de Inglaterra, com anuência dos países da União Europeia; e 1543 milhões de euros é a fatia de dinheiro confiscada pelo Novo Banco, uma entidade nacional que foi salva com dinheiro extraído dos bolsos dos portugueses e depois oferecida a um fundo abutre norte-americano.»

«Até prova em contrário, o governo de Portugal é parte responsável por estes actos – além do reconhecimento do golpe terrorista através do qual os Estados Unidos designaram o seu agente Juan Guaidó como “presidente interino” da Venezuela. Os portugueses continuam à espera de respostas concretas a perguntas directas sobre estas actividades governamentais praticadas à revelia e contra os interesses dos portugueses, sobretudo dos que vivem emigrados na Venezuela. Até agora só o silêncio tem respondido aos pedidos de esclarecimento, o que também não parece perturbar a comunicação mainstream que, assim sendo, só tem o que merece. Mas o silêncio governamental vai valendo com uma confissão de cumplicidade de Lisboa com os crimes cometidos pela direcção fascista dos Estados Unidos da América contra a República soberana da Venezuela. Quem cala consente, sobretudo sendo este um governo que tem palavra fácil. “A nossa estratégia funciona…”
E o que está a passar-se contra a Venezuela, com participação do governo de Portugal, é uma guerra avassaladora que envolve “crimes de lesa humanidade” passíveis de cair sob a alçada do Tribunal Penal Internacional, de acordo com um relatório pedido pela ONU e em poder da Comissão de Direitos Humanos da organização.
A guerra que atinge a Venezuela não resulta de sanções pontuais, como poderá pensar-se. O que os Estados Unidos montaram, desde que o presidente Obama declarou o país como “uma ameaça à segurança nacional” norte-americana, em 2014, é um sistema organizado de punição colectiva que visa a falência e o desmantelamento do Estado venezuelano.
O Conselho de Relações Externas dos Estados Unidos, o mais pesado dos famosos think tanks deste país, confessa que “as sanções são alternativas visíveis e menos dispendiosas do que uma intervenção militar”. Por outras palavras, as sanções são uma guerra, admite.
Mais claro ainda nos termos usados é um membro do Departamento de Estado norte-americano que prestou declarações sob condição de anonimato a um conjunto de jornalistas, entre os quais Maria Molina, da Rádio Colômbia. “Estamos a assistir a um colapso económico total da Venezuela”, disse. “Portanto, a nossa política funciona, a nossa estratégia funciona”.
É a pessoas deste jaez e com esta consciência humanitária que o governo de Portugal está associado.
No passado dia 25 de Abril, dois economistas norte-americanos, Max Weibrot e Jeffrey Sachs, do Centro de Investigação Política e Económica dos Estados Unidos, concluíram que o bloqueio económico e humanitário representa uma “punição colectiva” que provocou já a morte de pelo menos 40 mil pessoas na Venezuela. Se as sanções não existissem, revelam os autores, a economia do país não teria sido afectada, seguiria o seu caminho; por outras palavras, não haveria “crise humanitária”, não existiria “colapso”. Uma teia imperial
As sanções nada têm de acumulação de decisões pontuais aleatórias. São aplicadas através de uma teia estruturada com o objectivo de asfixiar os mecanismos que permitem a vida de um Estado e de um país.
A sucessão de Ordens Executivas emanadas pelos Estados Unidos mas com impacto global, sobrepondo-se à ordem internacional vigente segundo o sistema da ONU, ilustram o funcionamento de um verdadeiro poder imperial.
As medidas estabelecidas por Washington contra a Caracas – do mesmo tipo das impostas ao Irão e a Cuba – pretendem fazer com que a Venezuela deixe de funcionar com a banca internacional e o sistema financeiro em geral, não possa comercializar os produtos que garantam a subsistência do Estado e das populações, como o petróleo e o ouro. Neste quadro a Venezuela fica inibida de exportar e importar, de se administrar, de se financiar e de honrar as suas dívidas. Esta asfixia induz um processo sádico de punição de milhões de pessoa forçando-as, no limite, a submeter-se à miséria ou a virar-se contra um governo que não é, de facto, responsável pela degradação constante da situação.
Mercê da complexa teia de procedimentos aplicada de forma arbitrária em termos políticos, económicos, financeiros, sociais e humanitários, a Venezuela não pode vender petróleo e ouro, não pode comprar medicamentos em geral e vacinas em particular, não pode contrair empréstimos junto da banca internacional, onde também não pode movimentar os seus activos depositados ou em circulação no estrangeiro; além de não lhe ser permitido pagar as dívidas, para que depois possa ser acusada de não honrar prazos de pagamento e cair em default. Levando assim, por arrastamento, os impérios internacionais de notificação de créditos, como a Standard and Poor’s a colocar a Venezuela nos últimos lugares, muito abaixo de “lixo” – situação mais grave ainda do que as de países vítimas de guerras e agressões militares.
Trata-se de um sistema maquiavélico, sádico, repete-se, porque atinge os seres humanos onde eles são mais débeis, dependentes e indefesos como a saúde, a alimentação, os bens essenciais de consumo. Uma guerra imposta sem tropas mas também com mortos, feridos e famintos. A componente portuguesa
E o governo de Portugal participa de forma sorrateira, sem o assumir perante os portugueses, nesta operação que provoca danos deliberados na economia e no sistema de saúde venezuelano, com a agravante de originar “diversos casos de morte – o que implica crimes de lesa humanidade”, segundo o relatório apresentado pelo perito independente da ONU, Alfred-Maurice de Zayas, na última sessão da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Uma participação portuguesa que não acontece apenas por arrastamento, devido às “nossas alianças” ou às inerências da União Europeia. É uma opção deliberada.
Já em Agosto de 2016, por exemplo, o Novo Banco decidiu que estava impossibilitado de fazer operações em dólares com os bancos venezuelanos, invocando pressões de outras entidades bancárias com as quais se relaciona. Fê-lo numa conjuntura em que instituições como o Citibank se negaram a receber fundos venezuelanos para importar 300 mil doses de insulina, o Crédit Suisse proibiu os seus clientes de realizarem operações financeiras com a Venezuela e, só em Novembro de 2017, foram bloqueadas por bancos internacionais 23 operações de compra de alimentos, produtos básicos e medicamentos, no valor de 39 milhões de dólares.
Mais recentemente, em Janeiro e Fevereiro deste ano, coincidindo com a entronização golpista de Juan Guaidó, o Novo Banco travou uma operação de importação venezuelana de vacinas contra a meningite, rotavírus e gripe, atitude que afectou directamente 2,9 milhões de crianças venezuelanas.
Outro banco com grande representação em Portugal, o Santander, surge envolvido em actuações deste tipo. Rejeitou uma movimentação de fundos para reparação dos equipamentos hemodinâmicos da área cardiológica, o que atingiu directamente pelo menos 500 crianças com cardiopatia congénita. Exemplos deste tipo multiplicam-se em cadeia, associados a centenas de instituições financeiras internacionais e respectivos ramos.
Os fundos do Estado venezuelano confiscados pelo Novo Banco atingem os 1543 milhões de euros, verbas para serem prioritariamente utilizadas em produtos essenciais como medicamentos e alimentação.
Não consta que o governo de Portugal, depois de ter oferecido o antigo Banco Espírito Santo, resgatado pelos contribuintes portugueses, a um fundo abutre norte-americano, se tenha movimentado para evitar as consequências das decisões desumanas da instituição – afinal um banco português.
Porém, observando o comportamento do executivo de Lisboa nas questões venezuelanas, seria contra-natura que o fizesse.
Porque – até prova em contrário – o governo da República Portuguesa e o Banco de Portugal deram aval à extorsão de ouro no valor de 1359 milhões de dólares à República da Venezuela. O secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que todos os governos e bancos centrais da União Europeia foram consultados sobre a operação, concretizada pelo Banco de Inglaterra, onde o ouro fora depositado de boa-fé; e ainda não houve ninguém que o desmentisse.
Aliás, como já anteriormente ficou registado, o governo português fez-se representar, em 11 de Abril, numa reunião com o mesmo Mnuchin dedicada à asfixia financeira contra a Venezuela. É do secretário do Tesouro de Trump a seguinte declaração: “Continuaremos a utilizar todas as nossas ferramentas diplomáticas e económicas para apoiar o presidente interino Guaidó”.
Fiel aos tiques de “bom aluno”, o executivo de Lisboa não poderia deixar de obedecer também à Ordem Executiva 13850 do governo norte-americano, que boqueia, entre muitas outras coisas, o comércio de ouro com a empresa estatal venezuelana Minerven.
Como o governo de Portugal continua a manter o silêncio sobre estes seus envolvimentos, e como não poderá alegar engano sobre as verdadeiras intenções “democráticas” de Trump ou Mnuchin, não existem dúvidas de que se identifica com o carácter agressivo, desumano e anti-democrático do lado onde se colocou. Objectivos claros e terroristas
O ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, costuma citar um dos seus interlocutores oficiais norte-americanos que lhe disse um dia: “já que não podemos mudar o governo venezuelano vamos arruinar a vossa economia”.
A declaração resume, sem dúvida, todo um programa terrorista de âmbito transnacional sob a batuta dos Estados Unidos.
Segundo o relatório de Alfred-Maurice de Zayas, o perito independente designado pela ONU para avaliar a situação, esse programa “além de obstruir o acesso ao financiamento externo e aos pagamentos internacionais afecta o financiamento normal do aparelho produtivo nacional, criando uma redução da oferta de bens e serviços locais”.
Ainda segundo Zayas, as sanções de Trump e Obama e as medidas unilaterais do Canadá e da União Europeia “agravam directa e indirectamente a escassez de medicamentos como insulina e antirretrovirais, acarretando demoras na distribuição e funcionando como agravante em diversos casos de morte – o que implica crimes lesa-humanidade”.
O compromisso de Alfred-Maurice Zayas para apreciar a situação é com a ONU, não com Nicolás Maduro.
Seria, portanto, bastante mais digno e humanista que o compromisso do governo de Portugal fosse com as Nações Unidas, não com Donald Trump e o seu farsante Guaidó. por José Goulão,
n´O LADO OCULTO

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Autoridades venezuelanas responsabilizam EUA por morte de criança hospitalizada

Delcy Rodríguez e Jorge Arreaga denunciaram que as acções ilegais impostas pelos EUA contra a Venezuela são responsáveis pela morte de uma criança que aguardava por um transplante de medula óssea.

O bloquieo económico imposto pelos EUA à Venezuela provocou a morte de uma criança, facto classificado por Jorge Arreaza como «acção criminosa e desumana»Créditos / chile.embajada.gob.ve

Além da administração norte-americana, a vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, acusou ainda a extrema-direita venezuelana. No Twitter, Rodríguez escreveu esta terça-feira que «a administração dos EUA e os seus golpistas na Venezuela são responsáveis directos pela morte deste menino! Roubaram a CITGO [filial norte-americana da Petróleos de Venezuela (PDVSA)] para satisfazer os seus mesquinhos anseios imperiais e eliminaram nobres programas sociais para ajudar crianças no mundo concebidos no socialismo bolivariano».

Antes, pronunciou-se o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, que sublinhou o facto de as acções ilegais e unilaterais promovidas pelos Estados Unidos – através do bloqueio económico e financeiro imposto à Venezuela – estarem a provocar sofrimento ao povo venezuelano, sendo isso uma medida para concretizar uma mudança de governo no país.

O bloqueio económico e financeiro imposto pelos EUA à Venezuela tirou a vida a um menino de seis anos que necessitava de um trasplante de medula óssea, informou Arreaza, que classificou o facto como uma «acção criminosa e desumana».

«Andamos há semanas a denunciar que crianças como Giovanny podiam falecer devido ao bloqueio dos EUA. Reafirmo, sem descontextualizações jornalísticas: gerar sofrimento e dor através de um bloqueio económico para mudar um governo pela força é um acto criminoso e desumano», escreveu Arreaza na sua conta de Twitter.

Giovanny Figuera, o menino que morreu, fazia parte da lista de crianças venezuelanas que esperam por um trasplante e por medicamentos especializados, que são adquiridos através de um programa que é levado a cabo pela Petróleos de Venezuela, empresa estatal que é alvo das investidas do embargo económico decretado pela administração de Donald Trump.

Em meados de Abril, o governo da Venezuela alertou a comunidade internacional para o «impacto criminoso» gerado pelas sanções coercitivas e ilegais de Washington contra a empresa estatal PDVSA, que financia inúmeros programas sociais e acordos na área da saúde, que prestam atendimento aos seus trabalhadores e ao povo venezuelano.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/autoridades-venezuelanas-responsabilizam-eua-por-morte-de-crianca-hospitalizada

Pence mente para justificar agressão dos EUA, diz ex-vice-presidente venezuelano

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, gesticula durante o evento de criação da Força Espacial dos EUA.
© AP Photo / Evan Vucci

O ex-vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, acusou o governo dos Estados Unidos de construir falsas narrativas para justificar as agressões contra o país sul-americano.

A fala foi uma resposta ao vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que acusou El Aissami de lavar dinheiro, se associando com grupos terroristas.


"O imperialismo pretende construir matrizes falsas para justificar a escalada de agressões e violações do direito internacional, o senhor Pence mente porque eles nunca podem provar nada de suas infâmias, não importa o quanto eles nos ameacem, nossa resolução é vencer!!" o ministro em sua conta da rede social Twitter.

Aissami afirmou que a Venezuela rejeita "todas as ameaças e mentiras proferidas pelo Vice-Presidente Pence, elas não nos farão render, recuar ou quebrar nossa vontade de ser livre e soberano, ali imperialismo e suas mentiras, aqui nós com nossa moral e nossa história revolucionária".

Da mesma forma, El Aissami disse que as ameaças feitas pelo vice-presidente dos EUA demonstram o desespero dos Estados Unidos, após o fracasso da tentativa de golpe contra o presidente Nicolás Maduro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050813837077-pence-mente-agressao-eua-venezuela/

ODiario.info » Espanha, ao serviço do imperialismo dos EUA

Lidia Falcón 07.Maio.19 

A derrota da mais recente tentativa de golpe por parte do fantoche Guaidó não só não terá detido a ofensiva dos EUA como irá provavelmente irá fazê-la assumir contornos ainda mais agressivos. É isso que há a esperar de fascistas como Bolton, Pompeo ou Elliott Abrams. E os governos que alinham ao lado dos EUA na criminosa ofensiva contra a Venezuela bolivariana serão tão responsáveis pelo que venha ainda a acontecer como os delinquentes instalados na Casa Branca.



O nosso governo é o mais fiel servidor do Departamento de Estado dos EUA. Reconhecer o golpista venezuelano Guaidó como legítimo presidente da Venezuela, aceitar um enviado deste como seu representante diplomático e agora alojar Leopoldo López e sua família na embaixada espanhola em Caracas excede em muito aquilo de que eu acreditava serem capazes Pedro Sánchez e o seu governo para cumprirem as ordens de Donald Trump.
Nunca na história das nossas relações internacionais, especialmente com a América Latina, os governos espanhóis, nem sequer os da ditadura, mostraram um servilismo, uma entrega tão absoluta aos desejos e ordens do império norte-americano.

E Sanchez não só aceitou esse fantoche de Guaidó que se autoproclama presidente da Venezuela, cargo para que ninguém o escolheu nem existe legislação nacional ou internacional que o sustente, como a propaganda oficial, expressa em repetidas declarações do Primeiro-Ministro e do seu ilustre ministro dos Estrangeiros, Josep Borrell – o que nos explicou que os mísseis que enviamos para a Arábia Saudita são tão inteligentes que só matam quem têm que matar - se dedica a enganar o povo espanhol.
Nicolás Maduro foi eleito pelo povo venezuelano em eleições livres, absolutamente legais e legítimas. O governo bolivariano ganhou as eleições 19 vezes em 20! Os observadores internacionais que acompanharam as numerosas eleições realizadas no país, explicaram que o sistema de votação, distribuição dos círculos eleitorais e contagem de votos têm todas as garantias, com uma segurança bem acima da que existe nos EUA, cujas suspeitas de várias chapeladas se tornaram famosas.
A afirmação repetida de que o regime venezuelano é uma ditadura ficará escrita para a história como uma das grandes infâmias da propaganda política espanhola. Na Venezuela existem todos os tipos de partidos políticos, desde o Partido Comunista aos de extrema-direita como o que acolhe Guaidó e Leopoldo Lopez, que têm sedes abertas e fazem diariamente a sua propaganda, se apresentam a eleições que são convocadas cumprindo os prazos constitucionais, e realizam as campanhas sem qualquer obstáculo. No país publicam-se dezenas de jornais, revistas, panfletos e livros, são emitidos programas de rádio e televisão, celebram-se conferências, simpósios, debates, da oposição - fragmentada em vários partidos -, em que se critica acerbamente o regime bolivariano sem que ninguém o impeça. Quando hoje, 3 de Maio, Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, as associações de jornalistas nos dizem que no México 100 profissionais foram mortos desde 2006, quatro neste ano, o último ontem. Que inclusivamente na isso sucede Europa: Eslováquia e Malta, dois foram vítimas de tiroteios, um homem e uma mulher, sem que esses crimes fossem esclarecidos; em Espanha os grandes meios de comunicação ao serviço do capital, apenas balbuciam que na Venezuela se persegue a livre informação, sem que nenhum ofereça dados ou números concretos de tal perseguição.
Para os espanhóis deveria ser insultuoso que se afirme que o regime Maduro é uma ditadura, quando todos os dias da Televisão Espanhola nos apresenta imagens de comícios, manifestações, conferências de imprensa, públicas e multitudinárias que a oposição monta nas ruas, oposição que se levantou em rebelião tentando usurpar a presidência a Maduro. Para um país como a Espanha que sofreu uma das mais cruéis ditaduras do mundo durante quarenta anos, deveria ser motivo de indignação ouvir seu primeiro-ministro, eleito democraticamente, e os seus ministros declarar, declararem que na Venezuela se vive uma ditadura.
O governo venezuelano manifesta uma permissividade impensável em França ou na Alemanha ante as proclamações de políticos da oposição que incitam a população civil a sublevar-se e, o mais perigoso de tudo, o Exército. Nesses países, como em tantos outros democráticos, tais apelos seriam imediatamente reprimidos e aprisionados aqueles que o fizessem.
Leopoldo López foi condenado a quinze anos de prisão por incitar, ordenar e organizar, com outros sequazes dos partidos de direita, as “guarimbas”, distúrbios desencadeados por turbas de delinquentes e mercenários em 2014, durante vários meses, e que causaram dezenas de mortos, destruição de mobiliário público, incêndios de escolas e hospitais, assaltos e ferimentos à população civil e forças da ordem.
A oligarquia venezuelana, com a cumplicidade da burguesia e da classe média reaccionárias, vem sabotando o regime socialista bolivariano desde que este se implantou. Nenhuma delas quer abandonar os privilégios de serem os lacaios dos EUA e deixar de granjear os benefícios dos subornos e comissões que recebem pela entrega de petróleo às grandes empresas norte-americanas, enquanto o povo venezuelano vivia em barracas de papelão nas colinas, sem água, descalço, faminto e infestado de parasitas.
O governo bolivariano montou a saúde e a educação públicas, que não existiam; criou uma dúzia de universidades populares; construiu milhares de casas, com serviços de electricidade e água corrente, para os trabalhadores, e facilitou às mulheres a possibilidade de organizar um Movimento Feminista que se estende por todo o país. E tudo isso não pode ser tolerado pela burguesia que reinou na Venezuela durante duzentos anos, apropriando-se dos recursos naturais do país e afundando o povo na miséria.
Para cúmulo da tolerância que o presidente Maduro e seus ministros, o procurador-geral do Estado e a polícia responsável pela supressão dos motins estão mostrando, o criminoso Leopoldo Lopez, que rompeu a prisão domiciliar em que confortavelmente cumpria a sua sentença, apresenta-se ante a imprensa na entrada da embaixada espanhola e dedica-se durante mais de meia hora a fazer declarações subversivas que pretendem exaltar o ânimo da população e conseguir que o exército se subleve contra o presidente legítimo, sem que seja imediatamente detido. Seria bom recordar a reclusão que Julian Assange suportou durante sete anos por não poder sair nem à porta da embaixada equatoriana em Londres, e como foi detido e preso recentemente por actos muitíssimo menos perigosos do que aqueles que os políticos da direita venezuelana vêm há anos cometendo.
O embargo dos recursos financeiros e dos produtos de primeira necessidade, bem como a queda dos preços do petróleo, organizados pelos os EUA, levaram o país à situação de escassez econômica que agora denunciam Guaidó e seus comparsas, quando são eles os principais instigadores e cúmplices de semelhante situação. Porque a direita venezuelana, como a do mundo inteiro, antes mergulhará seu povo na miséria e o levará a um confronto armado em que será massacrado, do que aceitará que no seu país se construa o socialismo.
E não só a conduta dos EUA na Venezuela deveria ser motivo de condenação internacional, em vez das miseráveis ​​genuflexões que os governos europeus fazem a fim de servir o império, como a acção do governo daquele país durante quase duzentos anos teria de ser objecto de repúdio para qualquer político decente.
Desde 1846, o Exército dos EUA invadiu quase todos os países a sul do Rio Grande, começando com uma infame guerra em que arrebatou ao México o norte do seu território, incluindo os estados da Califórnia e do Texas. Em 1898, o governo dos EUA provocou a guerra contra a Espanha em Cuba e, com a sua derrota, o nosso país teve que ceder Porto Rico, Havaí, Guam e Filipinas. A partir desse momento o Panamá, República Dominicana, Honduras, Granada, El Salvador, Cuba, Guatemala, Brasil, Chile, Uruguai, Argentina, Colômbia, Venezuela, foram ocupadas militarmente, bombardeadas, saqueadas, economicamente intervencionadas, impostos os seus governantes e falsificadas as sua eleições pelo Departamento de Estado dos EUA e pela CIA.
Esses acontecimentos fazem parte da história da América Latina, e não será o nosso governo quem possa fingir ignorância. Os recursos naturais das nações a sul do Rio Grande foram e são vítimas da ânsia predatória e imperialista do seu vizinho do norte, que todos temem. Apenas alguns lacaios ao serviço da indústria militar dos EUA e do Capital podem posicionar-se de acordo com os ditames de Trump, como fazem os governos europeus e o nosso, que estão a obedecer às ordens recebidas de Washington.
Certamente as genuflexões que o governo espanhol realiza diante de Marrocos e Arábia Saudita, aliados fervorosos dos EUA, para apoiar os seus desmandos, não permitiram esperar deste PSOE, tão socialista, uma posição de dignidade e independência contra o império norte-americano, mas o que está a fazer com a Venezuela excede em muito o que o povo espanhol merece e deve suportar. Porque o regime bolivariano há vinte anos tenta construir uma sociedade mais justa e solidária em paz, sem que as forças da oligarquia o tenham consentido. Para isso têm o enorme apoio do governo dos EUA.
Se esta operação derivar para uma intervenção militar dos EUA na Venezuela, que o golpista Guaidó reclama todos os dias e que Trump parece encantado em realizar, e acontecem milhares de vítimas e a derrota do povo, o governo de Pedro Sánchez será tão culpado como Trump, e a Espanha escreverá uma das mais vergonhosas páginas da sua história.

Fonte: https://blogs.publico.es/lidia-falcon/2019/05/04/espana-al-servicio-del-imperialismo-estadounidense/[1]

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Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Analistas: Guaidó apoia intervenção dos EUA após perder credibilidade entre oposição

Líder da oposição venezuelana e presidente autoproclamado, Juan Guaidó, fala com os apoiadores perto da base aérea La Carlota, em Caracas
© AP Photo / Fernando Llano

Especialistas acreditam que, enquanto a administração Trump está pronta para explorar os recursos da Venezuela, o líder opositor venezuelano Juan Guaidó está desesperado pedindo a Washington que intervenha no país.

Steve Ellner, editor-chefe da revista Latin American Perspectives, disse à Sputnik Internacional que o golpe de Estado fracassado do dia 30 de abril forçou Guiado a tomar medidas mais drásticas.

"Três vezes neste ano - em 23 de janeiro, 23 de fevereiro e mais recentemente em 30 de abril - Guaidó assegurou aos seus seguidores que Maduro seria deposto em questão de dias. Como resultado dessas três derrotas, Guaidó perdeu credibilidade entre as fileiras da oposição. Seu apoio à intervenção militar norte-americana deve ser visto nesse contexto", disse Ellner.

Segundo pesquisas de opinião pública, a grande maioria dos venezuelanos se opõe à intervenção militar dos EUA na Venezuela.


O jornalista ressalta que o grupo de radicais oposicionistas incluem líderes como Antonio Ledezma, que usa o eufemismo "intervenção humanitária" para se referir à invasão militar, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que afirma que a intervenção militar norte-americana na Venezuela não violaria o direito internacional, Diego Arria, que afirma que uma intervenção norte-americana seria bem recebida pelo povo venezuelano, e, finalmente, o líder sindical exilado Carlos Ortega, que liderou duas tentativas de derrubar o então presidente Hugo Chávez em 2002-2003.

Na terça-feira (7), Maduro disse que os Estados Unidos querem intervir para assumir o controle dos recursos petrolíferos do país e de outras riquezas naturais, e convocou a comunidade internacional a condenar os planos de intervenção americana e "deter a loucura de Donald Trump".

A Venezuela possui uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, e Guaidó prometeu deixar as corporações americanas explorarem-na, privatizando a indústria petrolífera.


O ex-presidente Hugo Chávez, que liderou a Venezuela de 1999 a 2013, nacionalizou a indústria petrolífera do país, tendo expulsado grandes produtores de petróleo americanos e internacionais, como a Exxon Mobil, Chevron e BP.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Pittsburgh, Michael Brenner, acredita que o único debate entre os formuladores de políticas de Washington relativamente a Caracas é se os EUA devem continuar apoiando um fantoche como Guaidó ou se devem lançar uma invasão militar completa.

"Os EUA estão voltando ao estilo imperialista do século 19, pela coerção.[...] Vejo a resposta como uma mistura de domínio global do neoliberalismo pelas elites plutocráticas e tropas armadas, sendo movimentos neofascistas que os EUA estão modelando", afirmou Brenner.

No dia 30 de abril, Guaidó noticiou em todo o mundo que uma insurreição militar estava em andamento para derrubar o presidente Nicolás Maduro, porém, a ação fracassou.

Os Estados Unidos e 54 outros países reconheceram Guaidó após a sua autoproclamação a presidente interino da Venezuela no dia 23 de janeiro. Rússia, China e vários outros países disseram que reconhecem Maduro, eleito constitucionalmente, como o único presidente legítimo do país latino-americano.

As opiniões expressas pelos analistas neste artigo não refletem necessariamente as da Sputnik.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019050813831728-analistas-guaido-apoia-intervencao-eua-apos-perder-credibilidade-oposicao/

Ex-relator da ONU: Maduro poderia ser morto para EUA aumentarem pressão sobre Venezuela

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na frente de apoiadores, 6 de abril de 2019
© REUTERS /

Especialistas compartilharam suas opiniões referentes à recente tentativa de golpe de Estado na Venezuela, apoiada pelo EUA, e sobre os esforços fracassados de Washington para depor Maduro.

Segundo Alfred de Zayas, advogado, historiador e ex-relator da ONU para a Venezuela, o fracasso de Washington em substituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo líder da oposição, Juan Guaidó, pode levar os EUA a tentar matar o presidente legítimo da Venezuela.


"Sei de fontes confiáveis que há vários meses os EUA vêm oferecendo grandes quantias de dinheiro e prometendo outras regalias a qualquer militar que desertar […] Sem dúvida, eles têm financiado toda e qualquer tentativa de golpe, incluindo tentativas fracassadas de assassinato de Maduro. Os EUA continuarão neste caminho, e talvez consigam ter Maduro assassinado", disse ele à Sputnik Internacional.

No entanto, para o advogado americano, os EUA não conseguirão alcançar seu objetivo mesmo que se livrem de Maduro.

"De acordo com o artigo 233 da Constituição venezuelana, a atual vice-presidente, Delcy Rodríguez, se tornaria presidente interina, e não Guaidó, que, de acordo com a Constituição venezuelana, tem legitimidade zero", ressaltou o historiador.

Poderia haver ainda outro cenário, uma operação de bandeira falsa, na qual a CIA mataria Guaidó e o usaria como pretexto para intervir, sugeriu o advogado.

"É claro que [seria] totalmente ilegal, mas quando é que o direito internacional dissuadiu Washington?", perguntou retoricamente.


Já para Julia Buxton, professora de política comparativa na Universidade da Europa Central (Budapeste), a comunidade internacional está cada vez mais preocupada com um possível cenário militar.

"Penso que neste momento há receio, há preocupação e há ameaça de que os EUA possam envolver-se em alguma forma de ataque militar ou de ação militar. Eu não descartaria isso. O governo dos EUA está muito imprevisível neste momento", apontou a analista.

Contudo, o presidente dos EUA Donald Trump apelou recentemente à prudência entre os seus conselheiros, alertando-os contra a retórica belicosa, aparentemente devido ao fato de que a revolta militar, em que Guaidó e Washington estavam depositando esperanças, não conseguiu ganhar força.

Referindo-se a relatos de que a administração Trump estava buscando uma maneira de apoiar financeiramente Guaidó", o ex-relator da ONU sugeriu que Washington não gastaria seu próprio dinheiro, mas usaria ativos venezuelanos congelados, adicionando que os EUA "já estão enviando quantidades substanciais de dinheiro para o movimento de oposição venezuelano há pelo menos duas décadas".

"Tem sido uma quantia considerável de dinheiro, têm financiado muitas atividades de oposição ao longo dos anos, e tem sido um problema real e totalmente contraproducente para a oposição, porque o que a oposição precisa fazer é reconectar-se com a maioria do povo venezuelano", explicou.

Zayas opina que, independentemente desses esforços, bem como do congelamento de ativos e das sanções unilaterais, o governo venezuelano continua resistindo à pressão de Washington, pois Trump e seus assessores "não entendem nada da mentalidade venezuelana".

"Alguns oficiais e militares venezuelanos se permitiram ser subornados. A corrupção existe e é avidamente promovida por Washington. Mas [Elliott] Abrams está se iludindo se acha que todos os venezuelanos podem ser comprados pela CIA", conclui o advogado.


Enquanto isso, as autoridades de Washington estão tentando atribuir a culpa pelo fracasso à Rússia, que continua a apoiar o governo legítimo da Venezuela, juntamente com a China, Turquia, Cuba, México e muitos outros atores internacionais.

No dia 6 de maio, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, condenou a possibilidade de uma intervenção militar estrangeira na Venezuela, dizendo que Moscou é "contra as hostilidades em qualquer lugar em violação do direito internacional" e que o "uso da força só pode ser autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU".

A situação na Venezuela continua tensa desde janeiro, quando Guaidó se autoproclamou presidente interino. Os Estados Unidos e outros 54 países reconheceram o opositor e conclamaram Maduro a renunciar.

As opiniões expressas neste artigo não necessariamente se coincidem com as da Sputnik.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019050713824093-ex-relator-onu-maduro-morto-eua-aumentarem-pressao-venezuela/

Guaidó considera pedir aos EUA para intervirem na Venezuela

Líder da oposição venezuelana e presidente autoproclamado, Juan Guaidó, discursa em frente à base aérea La Carlota, em Caracas
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

Em entrevista à BBC, o autoproclamado líder venezuelano interino Juan Guaidó afirmou que é "responsável por avaliar" a possibilidade de intervenção internacional quando lhe foi perguntado se acolheria uma intervenção militar norte-americana.

Guaidó afirmou que acolherá com agrado o apoio dos EUA, qualificando-o como "decisivo".

"Eu, como presidente encarregado do parlamento nacional, avaliarei todas as opções se necessário […] Acho que a posição do presidente [Donald] Trump é muito firme, o que apreciamos, assim como a do mundo inteiro", disse à emissora britânica.


No domingo (5), o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, declarou à ABC que Donald Trump "possui toda a gama de competências do Artigo 2", referindo-se à possibilidade de uma intervenção militar americana na Venezuela sem a aprovação do Congresso.

Pompeo também ressaltou que os EUA ainda têm um "conjunto completo de opções", além de estar totalmente confiante de que "qualquer ação" que os EUA tomem na Venezuela será "legal".

Apesar de sua tentativa de golpe no dia 30 de abril ter fracassado, Guaidó afirmou que é "claramente visível que as Forças Armadas já não apoiam Maduro". Posteriormente, ele admitiu que a oposição tinha calculado mal seu apoio dentro das Forças Armadas durante a tentativa de golpe contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Em uma recente entrevista ao jornal Washington Post, o líder da oposição disse saudar as últimas discussões em Washington sobre opções militares, chamando-as de "excelentes notícias".

A situação na Venezuela vem se agravando desde o dia 23 de janeiro, quando Guaidó se autoproclamou ilegalmente presidente interino e foi imediatamente apoiado pelos EUA e seus aliados, enquanto Maduro recebeu o suporte de vários países, incluindo Rússia e China, e foi reconhecido como o único presidente legítimo da Venezuela.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050613817128-guaido-considera-pedir-eua-intervirem-venezuela/

EUA irresponsavelmente agravam crise na Venezuela e caluniam a Rússia

por Strategic Culture Foundation

O t A ilegalidade do governo dos EUA, ou mais precisamente "regime", não tem limites, como se pode ver mais do que nunca na fracassada tentativa de golpe na Venezuela nesta semana.

O chamado "levantamento" inicial de um minúsculo grupo de militares venezuelanos – confirmadamente armados com fuzis de assalto dos EUA ao invés das armas de fogo padrão – foi flagrantemente incitada por altos funcionários da Casa Branca nos media durante o horário nobre. O mau comportamento abertamente empenhado dos EUA está em total violação do direito internacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas de defender a soberania das nações.

Como se revelou, o lance do golpe foi um fracasso absoluto, degradando-se em farsa. Não foi a primeira vez nos últimos três meses que Washington tentou descaradamente instigar o caos na Venezuela – e fracassou.

No entanto, após a flagrante tentativa de Washington de desestabilizar aquele país sul-americano, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, teve a audácia de acusar a Rússia de interferência "ultrajante" na Venezuela. A administração Trump está temerariamente a escalar o conflito ao internacionalizar o que é um assunto político interno. Washington passou anos a fomentar dissensões na Venezuela a fim de derrubar o governo socialista legitimamente eleito de Caracas. Agora, os EUA tentam transformar a Venezuela num sítio para conflitos geopolíticos, com acusações ridículas contra a Rússia e Cuba por ousarem aliar-se ao presidente Nicolas Maduro e sua administração socialista naquele país rico em petróleo.

A política e a diplomacia americanas foram substituídas sem rodeios pelo gangsterismo, pela propaganda e pela desinformação.

A Casa Branca já declarou aberta e audaciosamente que está em busca de uma mudança de regime na Venezuela a fim de por as mãos na imensa riqueza petrolífera do país. Há motivos legais mais do que suficientes em termos legais para um processo a altos funcionários dos EUA, incluindo o presidente Trump, por crimes de agressão e guerra no estrangeiro.

A assim chamada oposição venezuelana, liderada por figuras apoiadas e orientadas pelos EUA como o auto-declarado "presidente interino", Juan Guaido, não tem mandato legal ou popular para exigir que Maduro se retire. Washington está a promover uma guerra civil no país pela sua imposição de sanções económicas para estrangular a economia dependente do petróleo. Altos funcionários dos EUA, como Pompeo e o conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, pediram repetidamente aos ministros e militares venezuelanos para actuar de forma traidora. Todos estes movimentos ultrajantes dos EUA exacerbaram as condições e tensões sociais na Venezuela, levando a violentos confrontos de rua, como se viu mais uma vez esta semana.

Como se a ilegalidade de Washington não fosse suficiente, nesta semana ela foi ainda mais longe na sua conduta ensandecida caluniando abertamente a Rússia e Cuba ao alegar estarem a apoiar a "ditadura de Maduro".

A Rússia e a maior parte (75%) dos estados membros da ONU continuam a reconhecer o governo venezuelano como autoridade legítima. Rússia, China, Cuba, México, Bolívia, Turquia, Irão, entre muitos outros, estão incontestavelmente do lado do direito internacional. São os EUA e certos estados latino-americanos pró-Washington, bem como estados europeus, que estão fora da lei, com seus esforços sem base para minar o governo venezuelano e ungir alguma figura menor de oposição como líder.

A mentira das afirmações de Washington quanto ao “apoio à democracia” na Venezuela é demonstrada pelo repetido fracasso em alcançar a mudança de regime. A maioria do povo venezuelano continua a apoiar o governo de Maduro, ou pelo menos é indiferente à solicitação de Washington de um levantamento. Crucialmente, os militares venezuelanos permanecem solidamente leais ao governo e à constituição do país. A farsa da tentativa de golpe esta semana é mais uma prova de que Washington está a tentar impor sua agenda ilegal ao país. Evidentemente, a administração Trump não está a ter êxito neste caminho vil – o que revela os limites do poder imperial americano no mundo de hoje. Mas na sua petulância sobre este fracasso embaraçoso, Washington parece estar a ultrapassar o limite da legalidade e a razão ao tentar envolver a Rússia, Cuba e outros aliados da Venezuela num conflito internacional.

Pompeo reiterou esta semana que os EUA estão preparados para utilizar a força militar contra a Venezuela. Tal retórica é um acto de agressão de tirar o fôlego numa longa linha de agressões. Não há absolutamente nenhum simulacro de os EUA terem qualquer desculpa de “segurança nacional” para lançar uma intervenção militar na Venezuela. Isto equivale a declarar terrorismo de estado, a par dos crimes condenados em Nuremberg pelos quais os líderes nazis foram enforcados.

Os EUA não têm o direito legal ou moral de ameaçar a Venezuela e intensificar a crise naquele país com a perda de vidas decorrente da violência e de privações. Certamente, nesta altura, os estados europeus devem perceber como erraram em grande estilo no seu apoio primitivo às exigências de Washington quanto à Venezuela.

O caminho americano é uma estrada para a perdição e os membros da União Europeia devem reverter sua cumplicidade nas criminosas maquinações de Washington de mudança de regime. O caminho americano para o desastre sobre a Venezuela emergiu à plena vista esta semana com o golpe fracassado, os confrontos mortais que provocou e, além disso, o modo pelo qual a administração Trump está a tentar orquestrar um conflito internacional com a Rússia que cumpre lei apoiando a Venezuela.

Após o fracasso da Baía dos Porcos em 1961, quando um golpe encoberto dos EUA em Cuba se transformou em desastre e ignomínia, pelo menos Washington teve por vergonha de demitir altos funcionários responsáveis por aquele desastre. Hoje, um fracasso semelhante na Venezuela resulta em funcionários dos EUA a redobrar a guerra. Washington é, portanto, um regime que está absolutamente fora de controle e para além de qualquer restrição.

03/Maio/2019

Ver também:

 

Este editorial encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/venezuela/editorial_sc_03mai19.html

Guaidó reconhece fracasso na tentativa de golpe contra Maduro

Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente interino, durante discurso em Caracas, Venezuela, em 19 de abril de 2019
© AFP 2019 / Yuri Cortez

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, reconheceu que foram cometidos erros na tentativa de iniciar uma revolta militar e que ele aceitaria qualquer oferta dos EUA para providenciar uma opção militar na Venezuela para votação.

No sábado (4), Guaidó admitiu que a oposição tinha calculado mal seu apoio dentro das Forças Armadas durante a tentativa de golpe contra o legítimo presidente venezuelano Nicolás Maduro no dia 30 de março.

O líder da oposição revelou em uma entrevista exclusiva ao jornal Washington Post que esperava que Maduro desistisse em meio a uma onda de desertores dentro das forças militares do país.

"Porque o fato de termos feito o que fizemos, e não termos conseguido na primeira vez, não significa que não seja válido […] Estamos enfrentando um muro que é uma ditadura absoluta. Reconhecemos nossos erros — o que não fizemos, e [o que] fizemos em demasia", disse.


O apelo de Guaidó para que as bases e os oficiais superiores dos militares abandonassem Maduro não produziu deserções em massa, observou o líder da oposição.

"Talvez porque ainda precisamos de mais soldados, e talvez precisemos de mais funcionários do regime para estarem dispostos a apoiá-lo, para apoiar a Constituição […] Acho que as variáveis são óbvias neste momento", continuou.

Ele também indicou que qualquer apoio militar americano deve estar ao lado das forças venezuelanas que se voltaram contra Maduro, mas não deu mais detalhes sobre o que seria aceitável.

O líder da oposição também disse que saudou as recentes discussões sobre opções militares em Washington, chamando-as de "excelentes notícias".

"Isso é uma excelente notícia para a Venezuela porque estamos avaliando todas as opções. É bom saber que aliados importantes como os EUA também estão avaliando a opção. Isso nos dá a possibilidade de que, se precisarmos de cooperação, sabemos que podemos obtê-la", afirmou, acrescentando que há soldados venezuelanos que querem "acabar com [as guerrilhas de esquerda] e ajudar o apoio humanitário a entrar, que ficariam felizes em obter cooperação para acabar com a usurpação."


Segundo o artigo, Guaidó revelou que não concordaria em se sentar e negociar com Maduro, a menos que ele se afastasse do seu posto como presidente da Venezuela.

"Sentar-se com Maduro não é uma opção […] Isso aconteceu em 2014, em 2016, em 2017… O fim da usurpação é uma pré-condição para qualquer diálogo possível", ressaltou.

Na sexta-feira (3), o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, e os generais do Pentágono deixaram claro que todas as opções para resolver o conflito venezuelano estão "sobre a mesa".

A crise em torno da Venezuela tem se intensificado desde 23 de janeiro, quando Guaidó se autoproclamou presidente interino e foi imediatamente apoiado pelos EUA e seus aliados, enquanto Maduro recebeu o suporte de vários países, incluindo Rússia e China, e foi reconhecido como o único presidente legítimo da Venezuela.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050513811068-guaido-reconhece-fracasso-tentativa-golpe-contra-maduro/

Maduro: caso EUA ataquem Venezuela, militares devem estar prontos para defendê-la

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
© REUTERS / Miraflores Palace

Os militares devem estar preparados para defender o país com armas na mão de um possível ataque dos Estados Unidos, disse o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

A declaração foi feita pelo mandatário venezuelano em um discurso perante milhares de jovens cadetes durante manobras militares no estado de Cojedes transmitido pelo canal de televisão RT.

"Os militares devem estar prontos para defender o país com armas na mão se um dia o império norte-americano ousar atacar esta terra, essa terra sagrada", declarou.

Além disso, o presidente venezuelano apontou para a necessidade de usar o maior poder que o país possui.

"Nós não somos um país fraco ou impotente. Somos um país com uma poderosa Força Armada Nacional Bolivariana que deve estar mais unida e leal que nunca."

Mais cedo, a agência AP informou que as autoridades dos EUA poderiam ter conseguido o apoio de altas patentes militares venezuelanas se, em maio de 2017, Washington tivesse ajudado um dos generais que precisava de visto para os EUA por causa da planejada operação de um filho de três anos em Boston.


A crise na Venezuela se agravou em 30 de abril, quando o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó apelou a uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".

Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam completamente fiéis às autoridades legítimas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050513810753-maduro-venezuela-forca-armada-ataque-eua/

3 soldados e 2 policiais morrem em emboscada na Venezuela

Soldados durante uma parada militar na Venezuela
© AP Photo / Ariana Cubillos

Pelo menos três soldados e dois policiais foram mortos na Venezuela neste sábado (4) após uma emboscada na região de La Guacamaya, no estado de Aragua. A informação foi divulgada pela polícia local.

"Eles foram surpreendidos na subida de La Guacamaya, resultando na morte do general da brigada, Jackson Alexis Silva Zapata, sargento Robert León Castellano, sargento Anjo Brito […] e os funcionários da polícia de Aragua, Bruno Benavides e Jesús Arraiz", diz o relatório policial.


Além disso, outros três militares ficaram feridos e foram levados para o hospital da cidade. Eles se encontram em estado crítico.

O relatório da polícia revela que os funcionários foram emboscados quando saiam de La Guacamaya para a fazenda Agro-FAN para receber apoio, logo depois de foi registrado na região um ataque a oficiais militares, que não resultou em vítimas. 

Até o momento as autoridades não sabem dizer quem foram os responsáveis pelo incidente.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050413809446-venezuela-militares-mortes-emboscada/

Trump contradiz declarações de Pompeo e Bolton sobre Venezuela após conversa com Putin

Presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo russo, Vladimir Putin, durante a reunião em Helsinque, Finlândia
© Sputnik / Aleksei Nikolsky

O presidente dos EUA Donald Trump parece contradizer as declarações de seus altos funcionários sobre o "envolvimento" russo na Venezuela após uma conversa telefônica com o presidente russo Vladimir Putin realizada em 3 de maio.

"Conversamos sobre muitas coisas. A Venezuela foi um dos temas. E ele [Vladimir Putin] não tem interesse de modo algum em se envolver na Venezuela, além de querer ver algo positivo acontecer com a Venezuela. E eu sinto o mesmo", disse Trump falando com jornalistas em Washington na sexta-feira (3) durante uma reunião com o primeiro-ministro eslovaco.

Segundo Trump, os EUA queriam ajudar a Venezuela “em uma base humanitária", inclusive com a entrega de alimentos e água para a população "faminta" do país. "Acho que tive uma conversa muito positiva com o presidente Putin sobre a Venezuela", disse Trump.

As declarações de Trump parecem estar em desacordo com as alegações anteriores de vários de seus principais funcionários, incluindo o secretário de Estado Mike Pompeo e o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, sobre a alegada "interferência" russa na Venezuela.


Durante uma prolongada conversa telefônica nesta sexta-feira (3), presidente dos EUA, Donald Trump, e seu colega russo, Vladimir Putin, discutiram a situação na Venezuela, informou a Casa Branca.

Na quarta-feira (1), Pompeo falou por telefone com o chanceler russo, Sergei Lavrov, tendo dito que a Rússia não deveria "interferir" no país latino-americano. Lavrov chamou as acusações de envolvimento russo nos assuntos venezuelanos de "bastante surrealistas" e disse que a "posição de princípio" da Rússia era "nunca interferir nos assuntos dos outros países".

Bolton, por sua vez, avisou os países "de fora do Hemisfério Ocidental" para que não instalem forças militares na Venezuela e confirmou que a Doutrina Monroe, adotada por Washington no final do século XIX, continua a ser seguida pelos dirigentes do seu país.


A crise na Venezuela se agravou em 30 de abril, quando o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó pediu uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".

Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam sendo completamente fiéis às autoridades legítimas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050413809278-trump-contradiz-declaracoes-de-pompeo-e-bolton-sobre-venezuela-apos-conversa-com-putin/

Maduro: existe uma conspiração com muito dinheiro para dividir Forças Armadas venezuelanas

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, faz sinal com as mãos depois de chegar à base militar de Forte Tiuna, em Caracas, Venezuela, 30 de janeiro de 2019
© AP Photo / Marcelo Garcia

Durante sua visita ao Centro de Treinamento G/J José Laurencio Silva, para assistir os exercícios militares dos cadetes da Universidade Militar Bolivariana, o líder venezuelano comentou a situação e apelou aos militares para estarem prontos a repelir os ataques dos EUA.

"O Método Tático de Resistência Revolucionária corresponde ao nosso conceito estratégico de guerra anti-imperialista de todo o povo", declarou Maduro durante sua visita ao centro de treinamento localizado no estado de Cojedes, no norte do país.

Nicolás Maduro assegurou que existe uma conspiração “com muito dinheiro” para dividir as Forças Armadas de seu país.

"Há uma guerra de caráter não convencional, para enfraquecer o país e há uma conspiração com muito dinheiro para enfraquecer, dividir e destruir a Força Armada Bolivariana a partir de dentro", disse ele durante a supervisão das atividades do centro de treinamento militar.

O presidente destacou que o governo estadunidense pretende usar a Doutrina Monroe para "recolonizar" a América Latina. "Eles estão de olho nas riquezas da Venezuela", disse Maduro, apelando aos militares para estarem atentos "aos traidores".

"Mantenham os olhos abertos em relação àqueles que vendem a Pátria, traidores e quinta coluna, lealdade, sim, mas ativa, confio nas Forças Armadas, confio em vocês, mas de olhos abertos, um punhado de traidores não pode prejudicar a imagem e a coesão das nossas Forças Armadas no mundo", disse ele.


Em 30 de abril, o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó pediu uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".

Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam sendo completamente fiéis às autoridades legítimas.

A Venezuela tem lidado com uma grave crise política, com o líder da oposição, Juan Guaidó, proclamando-se presidente interino do país em 23 de janeiro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050413809175-maduro-existe-uma-conspiracao-com-muito-dinheiro-para-dividir-forcas-armadas-venezuelanas/

Para isto serviu que a Espanha e a UE reconhecessem Guaidó como presidente

A intentona golpista de 30 de Abril na Venezuela fracassou. Ainda tardará até que sejam conhecidas todas as suas componentes e cumplicidades. Uma estava à partida adquirida: a do papel dirigente dos EUA, e a cumplicidade de países que agem como seus vassalos. O artigo foca-se em Espanha. Mas o papel do governo do PS em Portugal é igualmente vergonhoso. Veja-se a cínica e inqualificável declaração feita ontem: “total condenação de intervenções estrangeiras na Venezuela que visem manter artificialmente e contra a vontade da grande maioria da população uma situação política que impede a livre escolha pelos venezuelanos do seu futuro”.

No final do seu insólito “ultimato” de oito dias endereçado em 26 de Janeiro passado por Pedro Sanchez ao seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, para que convocasse imediatamente eleições gerais, a Espanha reconheceu Juan Guaidó como “presidente encarregado” da Venezuela.
A maioria dos países membros da União Europeia tinha esperado que a Espanha, o segundo maior investidor na Venezuela, desse esse passo para de imediato se pronunciar no mesmo sentido.
Na Venezuela e em outros países latino-americanos confiavam que Sanchez não se submeteria à pressão dos EUA e se distanciaria dos governos mais reaccionários oferecendo a Espanha como mediadora de negociações entre o Governo de Maduro e oposição.
Mas não foi assim. E mais, o reconhecimento de Guaidó por parte de Sanchez teve lugar dias depois de serem conhecidas as declarações do superfalcão Conselheiro de Segurança de Donald Trump, John Bolton, reconhecendo os verdadeiros interesses que moviam os Estados Unidos a substituir Nicolas Maduro no Palácio de Miraflores por um líder da oposição afim dos seus objectivos.

Objectivo: o petróleo venezuelano

“Faria economicamente uma grande diferença para os Estados Unidos “, declarava Bolton em entrevista à Fox Business “, se pudéssemos ter as empresas petroleiras norte-americanas investindo e produzindo petróleo na Venezuela. Temos muito em jogo, fazer com que isto aconteça da maneira correcta. ”
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo reconhecidas no mundo e exportava 500 mil barris de petróleo por dia para os EUA.
Alguns dias antes dessas declarações à Fox, Bolton anunciava um novo pacote de sanções contra a grande empresa estatal venezuelana (PDVSA). O influente conselheiro de Trump gabou-se então de que as novas sanções afectariam 7.000 milhões de dólares em activos PDVSA, e que causariam 11.000 milhões de dólares em perdas para a Venezuela em 2020.
Trata-se dos activos da empresa CITGO, filial da PDVSA com sede no Texas, e responsável pela refinação do petróleo venezuelano exportado para os EUA, empresa que conta também com mais de 6.000 estações de serviço em território norte-americano.
O governo Trump ofereceu a Guaidó transferir-lhe esses activos quando assuma o poder.
Esta medida e o anúncio de sanções para as empresas e países que se atrevam a comprar e/ou transportar petróleo venezuelano fazem parte do estrangulamento levado a cabo pelos EUA para impedir que o Governo obtenha fundos para comprar produtor de primeira necessidade e medicamentos para a povoação.
Seguem o mesmo modus operandi que os EUA utilizaram no início dos anos 70 com o governo de Salvador Allende antes golpe de Estado de Pinochet: asfixiar economicamente o governo, causar mal-estar social e desespero e, assim, o colapso do sistema.
A medida dos EUA obriga os compradores de petróleo venezuelano a pagar por ele em dinheiro vivo antes de os seus navios deixarem os portos venezuelanos, pois caso contrário os pagamentos que sejam feitos no exterior serão imediatamente congeladas pelos EUA, e a Venezuela não os poderá cobrar.
Isso fez já com que a maior empresa indiana de petróleo, Reliance Industries, um grande cliente da Venezuela, reduzisse drasticamente a compra de petróleo à PDVSA.
As empresas indianas compravam em média entre 500 mil e 600 mil barris de petróleo por dia à empresa petroleira venezuelana.
O Secretário de Estado, Mike Pompeo, reconhecia há um mês, após uma reunião com o ministro indiano dos Negócios Estrangeiro, Vijay Gokhale: “Estamos a pedir à Índia o mesmo que a todos os países, que não sejam a corda salva-vidas económica do regime de Maduro “.
Após essa reunião, a Reliance Industries decidiu não continuar vendendo à PDVSA o diluente necessário para comercializar o crude extra pesado.
Mas Nicolás Maduro continuou a resistir ao bloqueio. Passaram mais de três meses desde que Guaidó se autoproclamou “presidente encarregado” durante um protesto de rua, numa operação coordenada com os EUA e os países conservadores da América Latina, que o reconheceram minutos depois, mas o regime venezuelano não sucumbiu como esperavam.
Os Estados Unidos e os sectores mais duros da oposição venezuelana, agora representada pela Vontade Popular, o partido de López e Guaidó, teriam durante estes três meses tentado negociações secretas com sectores críticos das Forças Armadas e do Partido Socialista Unido governamental da Venezuela (PSUV ) a fim de encontrar apoios que permitissem forçar a queda de Maduro.
O deslize de Bolton
Embora Donald Trump tenha ameaçado que “todas as opções” estavam em aberto, parecia tentar evitar uma intervenção militar, pelo menos directa. A Rússia alertou que não permitiria uma operação militar na Venezuela, enquanto os EUA advertiam por sua vez Moscovo de que não tolerariam que continuasse a vender armas a Maduro e a treinar militarmente os seus oficiais.
Por seu lado, Jair Bolsonaro descartou publicamente que o Brasil fosse participar numa acção militar contra a sua vizinha Venezuela, embora a Colômbia tenha demonstrado ter maior disposição nesse sentido. De facto, grupos paramilitares ultradireitistas colombianos operam há anos tanto em zonas fronteiriças como no interior da Venezuela, com a permissão do governo colombiano, antes com Uribe e agora com Duque.
Na conferência de imprensa em que Bolton anunciou o congelamento dos activos da petroleira venezuelana nos EUA deixou acidentalmente à vista dos meios de comunicação um bloco de notas onde estava escrito a esferográfica negra: “5.000 militares para a Colômbia “, juntamente com uma anotação sobre as negociações de paz com os taliban. Jim Young, fotógrafo da agência Reuters, tirou uma foto do bloco que foi difundida aos assinantes do seu serviço.
Quando diferentes meios de comunicação questionaram posteriormente tanto o Pentágono como ao Governo da Colômbia sobre o assunto, ambos negaram que houvesse qualquer plano nesse sentido.
A mesma agência Reuters, pouco suspeita de apoiar a causa bolivariana, publicava por sua vez na segunda-feira 30 de Abril outra informação inquietante, que poderia estar relacionada com a anotação manuscrita de Bolton. Erik Prince, fundador da Blackwater, a poderosa e polémica empresa privada militar que forneceu milhares de mercenários à administração Bush para operações de alto risco no Iraque e no Afeganistão e esteve envolvida em várias matanças de civis de alto perfil, organizou um plano para enviar 5.000 homens em apoio de Juan Guaidó.
Citando quatro fontes diferentes, a poderosa agência de notícias britânica sustentou que o exército de mercenários seria recrutado na Colômbia e em outros países da América Latina.
“Ele (Prince) tem uma solução para a Venezuela, tal como tem uma solução para muitos outros lugares”, foi a única coisa que a Reuters conseguiu que Lital Leshem - director de relações com investidores do Frontier Resource Group, a nova empresa de Erik Prince com características semelhantes às da Blackwater - reconhecesse.
Este vendeu a Blackwater a um fundo de investimento em 2010 e agora chama-se Academi.
Segundo a agência Reuters o plano, para o qual Prince procuraria US $ 40 milhões de investidores privados, incluiria tanto recolha de informações, como operações de comando e de combate, e ainda de “estabilização” uma vez que Guaidó assumisse o cargo.
Prince doou US $ 250.000 para a campanha eleitoral de Trump - e este nomeou a sua irmã, Betsy DeVos, como secretária da Educação - e, segundo publicava o The Washington Post em 2017, teria desempenhado um papel fundamental de intermediação entre colaboradores de Putin e de Trump .
Nesta nova aventura golpista de Guaidó e López não pareceram ter conseguido arrastar nem o conjunto da oposição, nem a maior parte do grande patronato, nem aqueles amplos sectores da população que têm vindo nos últimos meses a participar nos seus comícios de rua.

Um inadmissível ingerência externa

Nesta nova intentona golpista, apoiada publicamente de forma inédita não só pela Administração Trump, mas também pelo Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro, e pelos governos da Colômbia, Brasil, Argentina, Chile e outros países latino-americanos, não estava em jogo apenas a sobrevivência do regime de Nicolás Maduro, mas a soberania de um país. E muitos cidadãos comuns terão visto claramente para que fim era procurada a sua cumplicidade, e não secundaram o desesperado apelo de Guaidó para que saíssem à rua em massa.
Raramente foi vista fora das guerras internacionais uma ingerência tão directa nos assuntos internos de um país por parte dos máximos responsáveis de um numeroso grupo de países e dirigentes políticos.
O Governo de Nicolás Maduro cometeu graves erros políticos nos últimos quatro anos, especialmente desde que a oposição obteve maioria absoluta nas eleições legislativas.
Fez uma má gestão da crise económica e não enfrentou com firmeza casos muito graves de corrupção na Administração pública.
A revolução bolivariana perdeu fôlego não só pelas consequências da crise internacional e da inegável agressão externa de que foi e continua sendo vítima, mas também pelas suas próprias incoerências e erros, o que fez com que o processo estagnasse, fossem perdidas muitas das conquistas alcançadas, e se perdesse o apoio de uma parte considerável de sua base social.
No entanto, nenhuma dessas críticas que alguma esquerda faz mal em tentar ocultar podem servir seja a quem for para justificar nem a guerra económica que a Venezuela suporta desde há vinte anos, nem a sistemática e histórica política golpista do sector mais ultra da oposição que agora encabeçou esta nova intentona golpista com um nada oculto apoio externo.
Tal como fizeram em Janeiro após a autoproclamação de Guaidó como “presidente encarregado”, mostraram praticamente em uníssono seu apoio ao golpe os presidentes de EUA, Colômbia, Brasil, Argentina, Chile, Panamá e outros países da América Latina, enquanto Cuba e Bolívia mantiveram em todos os momentos o seu apoio a Nicolas Maduro, e México e Uruguai defenderam a sua postura de não-ingerência em outros países.
A União Europeia optou desta vez para uma postura expectante, defendendo uma saída pacífica, mas o italiano Antonio Tajani, Presidente do Parlamento Europeu, juntou-se aos apelos aos militares venezuelanos a que se associassem ao golpe de Guaidó.
Por sua parte, o ministro das Relações Exteriores espanhol, Josep Borrell, pareceu surpreso com a tentativa golpista de Guaidó, que três meses antes a Espanha reconhera como “presidente encarregado”, mas não foi senão mais tarde que Sanchez rejeitou claramente qualquer acção militar. Já então se sabia que Leopoldo López e sua família tinham entrado na Embaixada do Chile em Caracas. Depois mudaram-se para a de Espanha.
Era evidente que o golpe tinha fracassado. Ainda assim, a ministra porta-voz do Governo espanhol, Isabel Celaá, sustentou que Guaidó continuava a ser a pessoa “legitimada para levar por diante uma transformação democrática” na Venezuela, pelo que contava com o apoio de Espanha.
Será que o governo espanhol não conhecia há três meses as consequências que poderia ter o reconhecimento de Guaidó como presidente “encarregado”, sendo dirigente do Vontade Popular, o partido mais violento da oposição e sendo Leopoldo López - membro de uma das mais conhecidas famílias da oligarquia venezuelana - um dos 400 signatários do golpe de 2002?
Não se lembrava o governo Sanchez que a aposta tanto de Felipe González como de José María Aznar contra Hugo Chávez desde o início do seu mandato, em 1999, serviu para encorajar o golpe de Estado de Abril de 2002?
É previsível - e desejável - que Pedro Sánchez volte a curto prazo a formar governo. Terá a batata quente de López na sua embaixada em Caracas.
¿Irá López converter-se num novo Assange, mas neste caso para a peregrinação dos Albert Rivera - que imediatamente se solidarizou com o golpe de Guaidó - Gonzalez, Aznar, os enviados de Trump, Bolsonaro e reaccionários d todo o mundo?
Ou será que o novo governo que se constituirá proximamente dotará por fim a Espanha de uma política externa independente, soberana, progressista?

Fonte: https://blogs.publico.es/dominiopublico/28559/para-esto-sirvio-que-espana-y-europa-reconocieran-a-guaido-como-presidente/[1]

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Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Golpe de Estado Hollywoodesco na Venezuela

 

Um Golpe de Estado, encenado à maneira de Hollywood, foi produzido este 30 de Abril de 2019 na Venezuela.

Os putschistas de salão, entre os quais o antigo presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, juntaram-se diante da Base militar de La Carlota. Eles posaram para fotografias com soldados que se lhes haviam juntado e anunciaram, nas redes sociais, ter tomado posse da Base. Depois, dirigiram-se ao centro da cidade para realizar aí uma reunião.

Segundo certas fontes, não confirmadas, o Chefe da Segurança ter-se-ia juntado a Juan Guaidó antes dos distúrbios.

Uma multidão numerosa reuniu-se em frente ao Palácio Presidencial de Miraflores para defender o Presidente caso uma unidade militar dissidente viesse atacá-lo.

Na realidade, os militares presentes, que se haviam juntado aos putschistas, não passavam de uma vintena. Descobriu-se em seguida que tinham recebido ordem de vir a este lugar, só que vários de entre eles, recusando ser envolvidos num Golpe de Estado, se juntaram definitivamente às Forças Armadas. Juan Guaidó tirou fotos numa junção elevada da autoestrada diante da Base militar, jamais se tendo aproximado da Base propriamente dita na qual estava o Chefe de operações do Exército. Da mesma forma, a manifestação no centro da cidade reuniu menos de 3.000 pessoas.

Durante todo o dia, circularam informações contraditórias. Segundo os canais de televisão, o Presidente Maduro tanto fazia preparar um avião para se refugiar em Cuba, como se mantinha em Miraflores e controlava a situação.

O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br) apelou a todas as partes para renunciarem à violência e manter as suas reivindicações dentro do respeito pela Constituição e pela Carta da ONU. O que o Conselheiro de Segurança Nacional e o Secretário de Estado dos EUA, John Bolton e Mike Pompeo, num estilo muito «Guerra Fria», interpretaram como uma ordem de Moscovo para o Presidente Maduro permanecer no seu posto.

Durante a noite tudo regressou à ordem e deverá retomar a normalidade no dia seguinte. Parece que agindo assim, Juan Guaidó decepciona progressivamente os seus apoios no país.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Desclassificado como ditador!

image Os dois títeres

O ministro luso das negociatas estrangeiras, os comediantes que o rodeiam além da caterva de jornalistas que o apaparicam, a toda essa gente e mais alguma, digo-lhes: “este ditador não está maduro para exercer as funções de ditador”.
O autoproclamado presidente venezuelano apela à rebelião armada, contacta militares, vai para as barricadas, entra e sai do país, volta todo lampeiro e nada lhe acontece. A Reuters anuncia que a blackwater já recrutou cinco mil mercenários para levar pelas armas o Guaidó para Miraflores. Eu não contratava Nicolás Maduro como ditador ao meu serviço.
Nicolás Maduro protege o agressor, procura que nada lhe aconteça, que não se constipe ou apanhe algum resfriado… o que não seria. «Após a tentativa fracassada de derrubar o governo de Nicolás Maduro, o opositor venezuelano Juan Guaidó "agora vale mais morto que vivo não apenas para a CIA", mas também "para sua própria gente da oposição", disse o analista Daniel McAdams
Entretanto neste 1º de Maio em França foram presos e feridos mais manifestantes do que na tão badalada intentona na Venezuela.
Greve geral na Argentina, repressão no Chile, no Brasil o Coiso é apupado nas ruas e apodado de tudo e mais alguma coisa.

MAS HÁ PESSOAS QUE SE CONSIDERAM INTELIGENTES E NÃO CONSEGUEM VISLUMBRAR QUE SÃO CONDUZIDAS COMO REBANHO, BEBEM TUDO O QUE OS MEDIA VOMITAM.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Putin para Trump: Tentativas de derrubar Maduro dificultam a solução para a Venezuela

Presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-americano, Donald Trump, durante o encontro no Palácio Presidencial em Helsinque, Finlândia
© Sputnik / Sergei Guneev

As tentativas de derrubar o governo legítimo da Venezuela minam as perspectivas de uma solução política para a crise no país caribenho, disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta sexta-feira, falando por telefone com seu colega americano, Donald Trump.

De acordo com um comunicado divulgado pelo Kremlin, "durante a troca de opiniões sobre a situação em torno Venezuela, o presidente russo ressaltou que apenas o povo venezuelano para decidir o futuro do seu país".


"Interferência externa nos assuntos internos da Venezuela, tenta alcançar pela força uma mudança de governo em Caracas minar as perspectivas de uma solução política para a crise", declarou o presidente russo.

Além disso, Putin informou resultados trombeta de sua recente cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong-un, na cidade russa de Vladivostok, e sublinhou que "o cumprimento de boa fé por Pyongyang de compromissos deve ser acompanhado por um alívio de sanções contra a Coreia do Norte".

Ambas as partes "enfatizaram a importância de promover a desnuclearização da península coreana e alcançar uma normalização duradoura" da situação.

Durante a conversa, Putin também mencionou a situação na Ucrânia no contexto das recentes eleições presidenciais, onde Volodymyr Zelensky prevaleceram, e o presidente russo "sublinhou que a nova administração em Kiev deve tomar medidas reais para cumprir os acordos de Minsk, importante chave para resolver o conflito interno" no Donbass, cujo saldo é de cerca de 13.000 mortes, cinco anos após o início da crise.

Em relação à agenda bilateral, os dois líderes "analisaram a situação e as perspectivas das relações com ênfase na cooperação econômica".


"Os presidentes falaram sobre o desenvolvimento de contatos de negócios e investimentos mutuamente benéficos" e "disposição confirmada para promover o diálogo em vários campos, incluindo a questão da estabilidade estratégica", informou a declaração da Presidência russa.

Putin e Trump "expressaram sua satisfação com a conversa realizada que tinha um caráter construtivo e substancial" e "concordaram em continuar os contatos em diferentes níveis", acrescentou a nota.

A conversa foi conduzida por iniciativa de Washington, poucos dias depois de uma tentativa de golpe que falhou em Caracas em 30 de abril.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050313804213-putin-trump-gol-venezuela/

Os Estados-Unidos contribuíram para afundar a Venezuela no caos – e a política de mudança de regime de Trump garantirá a persistência desta situação. Por Mark Weisbrot

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Texto publicado originalmente por The Intercept, em 2 de fevereiro de 2019 (ver aqui)

O presente texto foi traduzido a partir da versão francesa publicada por Les Crises em 22 de abril de 2019 (ver aqui)

 

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O presidente da Assembleia nacional da Venezuela, Juan Guaido, dirige-se aos muitos apoiantes da oposição num encontro público em Caracas em 16 de janeiro de 2019.Foto: Federico Parra/AFP/Getty Images

 

Washington tenta derrubar o governo da Venezuela desde há pelo menos 17 anos, mas a administração Trump mostra-se claramente mais agressiva que as anteriores administrações. Na semana passada, os responsáveis da administração aumentaram a velocidade ao darem o seu aval àquele que eles escolheram para suceder ao presidente venezuelano Nicolas Maduros Moros mesmo antes de qualquer golpe de Estado. Juan Guaidó, 35 anos, membro do congresso venezuelano proclamou-se presidente, e a administração Trump, como os governos aliados, reconheceram-no imediatamente como tal – segundo um plano pré-estabelecido.

É evidente que o Presidente Trump visa uma mudança de regime ; a sua administração nem sequer o esconde. E os seus aliados, como o vice presidente Mike Pence e o senador Marco Rubio, republicano do estado da Flórida, disseram-no claramente.

Seria lamentável continuar por este caminho. As políticas de Trump não só agravaram o sofrimento dos venezuelanos como também, além disso, tornaram quase impossível para o país sair da depressão económica e da hiperinflação.

 

É necessária uma resolução negociada do conflito político na Venezuela, mas a implicação da administração de Trump no derrube ilegal do atual regime exclui esta opção

É necessária uma resolução negociada do conflito político na Venezuela, mas a implicação da administração de Trump no derrube ilegal do atual regime exclui esta opção. Pior ainda, a estratégia manifesta de Trump é acentuar o sofrimento através das sanções – a maioria das quais só foram anunciadas – até que uma parte do exército inicie um golpe de força para instaurar um novo regime pro-Washington.

A regularidade das eleições presidenciais de 2018, boicotadas pela oposição, permanece por discutir, mas os principais problemas da estratégia de derrube do regime resultam de outras considerações. A Venezuela é um país dividido e derrubar o governo, mesmo que sem o envolvimento de Washington, não faria senão aumentar esta polarização e os riscos de violência ou mesmo de guerra civil.

Tomemos o exemplo da Nicarágua, onde em 1990 os Sandinistas de esquerda e os seus opositores apoiados pelos EUA aceitaram resolver as suas divergências através de uma eleição. Os partidos tiveram de aceitar determinadas condições para que os perdedores não fossem perseguidos: os Sandinistas mantiveram o exército sob controle depois do seu fracasso nas eleições, e a paz foi preservada.

Este tipo de compromisso seria impossível com a estratégia de mudança de regime praticada pela administração Trump.

A Venezuela está politicamente polarizada e está assim desde que Hugo Chavez foi eleito presidente em 1998 e lançou a sua Revolução bolivariana. A tentativa de golpe de estado militar pela oposição contra Chavez em 2002, apoiada e encorajada por responsáveis da administração Bush, bem como a vacilante vontade da oposição em aceitar os resultados de eleições democráticas nos anos seguintes prepararam o terreno para longos anos de desconfiança.

A polarização política da Venezuela interage com um cisma profundo que se encontra em praticamente todas as sociedades da América latina : uma divisão segundo as classes e as raças. Em quase todo o lado nas Américas, as duas estão correlacionadas. Nesta última década, foi fácil adivinhar, nas manifestações, olhando simplesmente para a roupa e para as nuances da tez dos participantes, se estes eram apoiantes ou opositores do governo. As multidões da oposição são visivelmente mais brancas e mais abastadas que as dos que apoiam o governo venezuelano. Durante as últimas manifestações, os pobres e os trabalhadores de Caracas intervieram mais que antigamente, mas não o suficiente para apagar a divisão de classe e de raça entre os Chavistas e a oposição.

Um outro vetor de polarização da Venezuela é a fé na soberania e na autodeterminação. Para os Chavistas, a independência vis-à-vis os EUA é uma questão central e o governo, quando tinha meios, aplicava políticas no seu hemisfério tendentes a mais independência para toda a região. A oposição e os inimigos dos Chavistas, pelo contrário, colaboraram estreitamente com os governos estado-unidenses durante as duas últimas décadas, como se pôde observar durante a última tentativa de golpe de estado. A intervenção de Washington agrava a polarização sobre a questão da soberania e torna a oposição suspeita de colaboração com um poder estrangeiro, um poder que teve historicamente um papel desastroso em toda a região. Para se poder fazer uma ideia da animosidade que isso criaria, basta pensar no que sucedeu nos EUA com a interferência russa nas eleições de 2016 e multiplicar isso várias vezes.

 

O impacto polarizador da operação de mudança de regime de Trump é o que a torna tão perigosa

O impacto polarizador da operação de mudança de regime de Trump é o que a torna tão perigosa. A inflação anual é provavelmente superior a um milhão por cento e a economia diminuiu provavelmente 50% nos cinco últimos anos. Milhões de pessoas deixaram o país para encontrarem trabalho. A oposição teria quase certamente ganho as últimas eleições presidenciais se nelas tivesse participado. (Note-se que os EUA terão ameaçado um candidato da oposição, Henri Falcon, com sanções financeiras pessoais se ele persistisse em apresentar a sua candidatura à presidência.)

Há que admitir que as políticas económicas governamentais desempenharam um papel nos males da Venezuela mas as sanções de Trump agravaram consideravelmente as coisas desde agosto de 2017 destruindo a indústria petrolífera e agravando a penúria de medicamentos, o que provocou a morte de muitos venezuelanos. Estas sanções tornaram o governo chavista praticamente incapaz de tomar medidas para sair da hiperinflação e da depressão.

Embora os meios de comunicação americanos mantenham o silêncio sobre esta questão, é importante sublinhar que as sanções de Trump são, simultaneamente, violentamente imorais – elas matam – e ilegais. Elas são uma violação da Carta da ’Organização dos Estados Americanos, da das Nações Unidas e de outras convenções internationais de que os EUA fazem parte. Estas sanções violam igualmente as leis dos Estados-Unidos pois, para poder impôr tais medidas, o presidente dos EUA deve afirmar, o que é um absurdo, que a Venezuela representa « uma ameaça inabitual e extraordinária para a segurança nacional » dos Estados-Unidos.

A Venezuela não poderá sair desta crise política com um dos lados esmagando o outro, como o assumem os promotores de uma mudança de regime. O Vaticano que desempenhou um papel de mediador em 2016, o Uruguai e o México, que se mantiveram neutrais no conflito político, ofereceram, esta semana, a sua mediação. A equipa de Trump, que tem uma enorme influência sobre a oposição, não mostrou até ao momento nenhum interesse numa solução pacífica.

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O autor: Mark Weisbrot (1954-), economista, doutorado pela Universidade de Michigan, é co-fundador e co-director do Center for Economic and Policy Research em Washington, D.C. e presidente de  Just Foreign Policy. Entre outros trabalhos é autor de Failed: What the “Experts” Got Wrong About the Global Economy (2015, Oxford University Press).

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/05/03/os-estados-unidos-contribuiram-para-afundar-a-venezuela-no-caos-e-a-politica-de-mudanca-de-regime-de-trump-garantira-a-persistencia-desta-situacao-por-mark-weisbrot/

Como Trump quer se apropriar da empresa estatal petrolífera da Venezuela nos EUA

Citgo Petroleum, filial estadunidense da Petróleos de Venezuela (PDVSA), está sob intervenção do governo estadunidense

Michele de Mello | Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)
Em janeiro deste ano, o deputado opositor Juan Guaidó se autoproclamou presidente da Venezuela, um ato que já sinalizava a intenção da oposição venezuelana de tomar o poder à força, o que se tornou explícito ao mundo com a fracassada tentativa de golpe de Estado liderada por Guaidó na última terça-feira (30).

Assim que foi divulgada a autoproclamação de Guaidó, o secretário de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, confirmou a intenção da Casa Branca com o “novo governo”. Em entrevista para a FOX News ele admitiu: "Estamos olhando para os ativos de petróleo. Esse é o fluxo de renda mais importante para o governo da Venezuela. Estamos olhando o que fazer com isso. Estamos conversando com grandes empresas americanas agora. Isso fará uma grande diferença para os Estados Unidos economicamente se pudermos ter companhias petrolíferas americanas realmente investindo e produzindo as capacidades petrolíferas na Venezuela".
A Venezuela é o país com maior reserva de petróleo do mundo: 309 bilhões de barris

 

O primeiro ataque do governo Donald Trump foi contra a Citgo Petroleum Corporation – filial da Petróleos de Venezuela (PDVSA) nos Estados Unidos. Os EUA bloquearam cerca de US$ 7 bilhões (R$ 28 bilhões) em ativos da estatal venezuelana e reconheceram uma nova diretoria, nomeada pelo opositor Juan Guaidó.

Mas a história não começa aí. As sanções contra a empresa estatal venezuelana iniciaram em 2017. Em agosto daquele ano, Donald Trump assinou um decreto proibindo a Citgo de enviar lucros à empresa matriz, em Caracas.


Entre 2015 e 2017, a Citgo teve um lucro de cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 10 bilhões). Ao total, a filial da PDVSA tem três refinarias (nos estados de Texas, Illinois e Lousiana), três pontos de abastecimento de combustível e vários postos de gasolina na costa leste dos EUA. É responsável por 4% do refino de petróleo no país e um dos principais provedores de combustível para a aviação civil.

A Citgo refina petróleo da Venezuela, do México e dos Estados Unidos e revende para esses mesmos países, totalizando cerca de 759 mil barris diários. Outra penalidade da sanção aprovada em 2017 é justamente o cancelamento das vendas de petróleo cru para ser refinado pela empresa, impedindo que suas atividades centrais fossem mantidas.

"Primeiro o bloqueio da compra de petróleo; depois o bloqueio dos seus fundos financeiros; e, por fim, o bloqueio das contas bancárias venezuelanas em solo estrangeiro são o conjunto de ações que deixaram clara a intenção e a tentativa dos EUA de se apropriar da Citgo”, analisa Franco Vielma, sociólogo e analista do portal venezuelano Misión Verdad.
PDVSA minada por dentro

Em novembro de 2017, seis diretores da Citgo foram presos em Caracas depois de uma denúncia do Ministério Público venezuelano que atribuía a eles a responsabilidade por negócios da filial da PDVSA nos EUA com financeiras que faziam uso de fundos de investimento de alto risco – os chamados "fundos abutres" – sem o consentimento da direção central da empresa.

No caso denunciado, os diretores haviam pedido um empréstimo de US$ 4 bilhões (R$ 16 bilhões) para o investimento nesses fundos. Como garantia, hipotecavam a própria sede da empresa.

Todos os funcionários tinham dupla nacionalidade, o que fez com que a Justiça estadunidense fosse acionada para defendê-los da prisão.

Para Vielma, esse episódio escancara a presença de infiltrados do Pentágono na empresa, com objetivo de desestabilizá-la por dentro.
Todas as últimas guerras iniciadas pelos Estados Unidos foram contra países grandes produtores de petróleo

 

Mesma tática, personagens diferentes

Ao contrário do que poderia esperar a oposição, a tentativa de endividar e hipotecar a Citgo fracassou. Mas, em 2019, aempresa volta a ser alvo de ataques.

Uma das primeiras ações de Carlos Vecchio, advogado nomeado como embaixador da Venezuela nos EUA pelo opositor Juan Guaidó, foi solicitar um novo financiamento, para endividar a empresa, dando as ações da Citgo-PDVSA na bolsa de valores como garantia.

A manobra só pôde ser realizada porque tanto o Executivo quanto o Legislativo dos Estados Unidos reconhecem Juan Guaidó e seus nomeados como representantes oficiais da Venezuela no país.

Enquanto isso, todos os ativos da Citgo-PDVSA estão sob intervenção do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, devido a outro decreto, aprovado em 2015, pelo presidente Barack Obama, definindo a Venezuela como uma “ameaça inusual e extraordinária à segurança dos Estados Unidos”. De acordo com o decreto, as propriedades venezuelanas dentro do território estadunidense devem receber o mesmo tratamento de qualquer tipo de propriedade de organizações consideradas terroristas pela Casa Branca, ou seja, podem ser confiscadas.
O consumo diário mundial de petróleo em 2018 foi de 98,82 milhões de barris, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)

 

"É muito difícil que a Venezuela possa retomar a Citgo diante das condições atuais. O mais provável é que a Citgo se converta em uma empresa de capital aberto nos Estados Unidos. Essa, provavelmente, será a ação dessa nova diretiva nomeada pelo Guaidó: vender as ações da empresa, impedindo que o Estado venezuelano as recupere", comenta o analista Vielma.
Histórico

Citgo Petroleum Corporation foi comprada pelo Estado venezuelano, nos anos 1980, como parte de um processo de internacionalização do petróleo da Venezuela. A expectativa era que a compra desse grupo de refinarias iria alavancar a indústria petroleira nacional. No entanto, desde aquela época, já se denunciava que as estruturas dessa empresa estariam obsoletas.

"Apesar de sua compra ter sido parte de um episódio de corrupção da antiga PDVSA, a Citgo serviu para comercializar petróleo refinado para o México e os Estados Unidos", explica Vielma.

Papel social

Desde 2006, o governo venezuelano provê diesel para abastecer o sistema de calefação de famílias de baixa renda dos Estados Unidos. O combustível é distribuído nos postos de gasolina e refinarias da Citgo e atende a centenas de famílias de Chicago e Nova York. Estima-se que são distribuídos cerca de 100 mil barris de diesel durante os quatro meses de inverno.

Edição: Rodrigo Chagas

 

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Venezuela: a extrema-direita perde mais uma

Além de Juan Guaidó, EUA e Bolsonaro – que cantaram vitória muito cedo – são os grandes derrotados no golpe que fracassou. Mas situação do país ainda é muito difícil
Antonio Martins | Outras Palavras
Talvez nem fosse preciso, mas as pegadas de Washington, na nova tentativa de golpe de Estado que a Venezuela sofreu sexta-feira (30/4), ficaram claras na fala que o Conselheiro Nacional de Segurança dos EUA, John Bolton, fez pela tarde, na Casa Branca. Ela beira o bizarro.
Conhecido por seu papel destacado entre a extrema-direita norte-americana, Bolton nomeou, um a um, os funcionários do governo venezuelano que, segundo ele, teriam participado da conspiração militar para entregar o poder a Juan Guaidó, “presidente” autoproclamado. “Figuras como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, o chefe da Suprema Corte, Maikel Moreno, o comandante da guarda presidencial, Rafael Hernandez Dala. Todos concordaram que Maduro tinha de ir embora. É muito importante que agora cumpram seus compromissos…”.
Bolton teria caído em cilada? Seus supostos interlocutores faltaram ao encontro. E às 19h de 30/4, quando se escreve esta nota, parece claro que, por hoje, o golpe fracassou. Guaidó estaria em busca de refúgio na embaixada da França. Outro político opositor, Leopoldo López, já rumou para a representação diplomática do Chile. Coube ao governo Bolsonaro um papel menor: oferecer alívio a 25 militares – todos de baixa patente – que se somaram à aventura fracassada.


A intentona começou pela manhã. Por volta das 9h, o autoproclamado Guaidó apareceu na Praça Altamira – zona nobre de Caracas – ladeado, segundo os jornais internacionais confiáveis, de alguns militares fortemente armados. Também o acompanhava Leopoldó Lópes, que escapara pouco antes de sua própria casa, onde cumpria prisão domiciliar. Guaidó garganteou contar com apoio militar e anunciou que começava, com suas palavras, a “Operação Liberdade”. Dessa vez, ele entraria, enfim, no Palácio Miraflores. Para isso, convocou a população a “ir às ruas”.

O apoio social foi escasso, como demonstram as múltiplas imagens da jornada de hoje. Mas alguma sustentação na caserna, o autoproclamado obteve – tanto que rumou para a Base Aérea de La Carlota, situada no coração da capital. Ainda é incerto que tenha conseguido adentrar. Pouco a pouco, o grosso dos comandantes militares manifestou seu apoio ao presidente Nicolás Maduro. Por volta do meio dia, o ministro da Defesa – o Vladimir Padriño com quem John Bolton contava – anunciou na TV estatal que a “violência de alguns membros das Forças Armadas” estava debelada.

A jornalista venezuelana Luz Mely Reyes, que o Guardian britânico considera fonte confiável, construiu, então, uma tantativa de explicação para o fiasco. Houve precipitação, segundo ela. Oputsch estava programado para mais adiante. Foi subitamente antecipado porque alguns opositores temiam que a informação vazasse e Gaidó fosse preso. Tratou-se, a crer nesta hipótese, de quartelada típica, sem adesão popular – e portanto sujeita tanto a nascer quanto a perecer na caserna.

Já nas primeiras horas da manhã, a Casa Branca apoiou a movimentação golpista – “pela democracia”, segundo informou em novilíngua… Mas os EUA não foram os únicos a se pendurar na brocha. Jair Bolsonaro apressou-se a fornecer seu apoio. Além de um tuíte matutino, em que chamou Nicolás Maduro de “ditador apoiado pelo PT, PSOL e alinhados ideológicos”, convocou reunião do Conselho de Defesa Nacional. É provável que, nela, tenha prevalecido a posição dos militares, muito menos delirante que a da família presidencial. Ao final do encontro, o general Augusto, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), apressou-se a dizer que considera Guaidó “fraco militarmente”; que o autoproclamado agiu provavelmente numa ação de “autopropaganda”; e que “eles sabem que não vamos intervir”.

A derrota do golpe merece ser celebrada – ainda mais numa conjuntura em que a direita latino-americana defronta-se com a crescente crise argentina, e pode ser tentada a resolver suas dificuldades pelo caminho da violência. Mas os problemas de fundo da Venezuela não terminaram. Continua atual o dossiê que Outras Palavras publicou a respeito, há dois meses. Entre os textos, destaca-se uma análise do cientista político Edgardo Lander, crítico do chavismo pela esquerda. Ele sustenta: o processo produziu reformas profundas, mas jamais libertou-se do extrativismo, este elemento crítico a herança colonial que marca a América Latina. Só o futuro dirá se ainda há tempo para sair da cilada — e manter a ultra-direita distante.
Na foto: Dois apressados: Juan Guadó, o “autoproclamado” discursa na Praça Altamira, zona nobre de Caracas. Ao fundo, Leopoldo López, “recém-libertado” pelos militares golpistas

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Sem bloqueio econômico dos EUA, Venezuela não estaria em crise

Sanções do governo Trump e queda do preço do barril de petróleo prejudicaram a economia venezuelana e parte do abastecimento.

De acordo com o jornalista e analista político Amauri Chamorro, o bloqueio econômico norte-americano é um dos principais vilões da crise econômica e política da Venezuela, sendo responsável em grande medida pelo problema de abastecimento e da hiperinflação na economia local.

Os Estados Unidos proibiram que qualquer instituição financeira que tenha sede em solo americano faça qualquer tipo de transação com o Estado, com alguma pessoa ou com uma empresa venezuelana. Se ela fizer, terá os bens bloqueados nos EUA. Então, os bancos do mundo inteiro não fazem mais transação com venezuelanos”.

Amauri, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas na Rádio Brasil Atual

 

Os embargos norte-americanos não são apenas para os bancos, e chegam até as transportadoras responsáveis pelo alimento que chega à Venezuela.

Os EUA têm um monitoramento de todos os barcos que atracam nos portos venezuelanos. (Se eles param lá) Essas embarcações estão proibidas de chegar na Europa, ou seja, as companhias de transporte naval não querem mais levar produtos à Venezuela, porque serão proibidas de atracarem nos Estados Unidos e Europa. Então, isso origina um processo de desabastecimento”.

Amauri Chamorro

 

O jornalista, que está em Caracas, relata que há comida para a população, o problema é o preço elevado, dificultando o acesso da população mais pobre. Para ele, fica evidente que, sem as sanções norte-americanas, não haveria a crise no país.

Na Venezuela tem uma crise econômica, por conta da hiperinflação. Eles importam tudo o que consomem, até o leite, porque só vivem da exportação de petróleo. Então, são vítimas da queda do preço do barril de petróleo, somada ao bloqueio econômico”.

Amauri Chamorro

 

Desde a última terça-feira (30), o presidente venezuelano Nicolás Maduro, enfrenta uma tentativa de golpe do autodeclarado presidente da Venezuela, Juan Guaidó. Entretanto, o líder eleito ainda obtém maior apoio popular. 

Chamorro explica também que o apoio a Maduro se dá pelo fato de o governo não ter abandonado a população em meio a crise.

O governo criou uma coordenação de abastecimento de remédios, comidas e higiene pessoal. Uma vez por semana, um caminhão entrega tudo que uma família precisa, com um preço fixo e acessível. Atualmente, quatro milhões de casas são atendidas”.

Amauri Chamorro

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (RBA) / Tornado


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Alemanha e México se dizem contra intervenções militares na Venezuela

Manifestación en Caracas, Venezuela
© AP Photo / Natacha Pisarenko

O México e a Alemanha anunciaram que são contra quaisquer cenários de intervenção militar na Venezuela. A afirmação veio através dos ministros das Relações Exteriores dos dois países em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (2).

"O México condena qualquer tentativa de intervenção militar na Venezuela ou em qualquer outro país da América Latina. Será um desastre e um grande erro se acontecer", disse o secretário de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, durante a coletiva de imprensa realizada na Cidade do México.

Segundo Ebrard, o México defende uma solução pacífica para a crise venezuelana, uma postura que coincide com defendida por Berlim.


O chanceler alemão Heiko Maas, por sua vez, afirmou que a União Europeia se mantém aberta a facilitar o diálogo entre as partes na Venezuela, mas não descartou que o bloco possa reforçar sanções contra Venezuela.

Em 23 de janeiro a crise política na Venezuela se agravou devido à autoproclamação de Juan Guaidó, líder da oposição e da Assembleia Nacional, como presidente interino do país. A medida foi reconhecida por diversos países da União Europeia, como a Alemanha, além dos Estados Unidos.

Já Nicolás Maduro, reeleito presidente venezuelano em 2018, é considerado o líder legítimo por países como a Rússia, China e Turquia, além de outras dezenas de nações mundo afora.

Tanto México quanto Uruguai também se recusaram a reconhecer Guaidó, declarando-se neutros e promovendo a solução da crise por meio do diálogo.

Na terça-feira (30) o dia amanheceu com clima político tenso na Venezuela após uma tentativa de golpe promovida por Guaidó contra o governo Maduro. Caracas, no entanto, afirmou que a tentativa de golpe havia fracassado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050213798805-alemanha-mexico-intervencao-militar-venezuela-nicolas-maduro-juan-guaido/

Tal como a Líbia e a Síria, a Venezuela não é “só sobre petróleo”

(Por André Vltchek, 01/05/2019, Tradução de Luís Garcia)

Sim, a mais recente pesquisa confirma que a Venezuela é tão rica em recursos naturais que poderia sozinha satisfazer toda a procura mundial de petróleo durante mais de 30 anos. E tem muito mais do que petróleo para oferecer na sua bacia do Orinoco e noutras áreas do país.

Mas a questão aqui não é só “só sobre petróleo”. Longe disso!

 

Aqueles que acreditam que o que impulsiona a propagação do terror Ocidental pelo mundo afora são apenas alguns “interesses comerciais” e a lendária ganância Ocidental estão, do meu ponto de vista, a passar ao lado da questão.

Noto que tais indivíduos e analistas deveras acreditam que “o capitalismo é responsável por tudo” e que este cria a cultura da violência de que, quer vítimas quer agressores, já se tornaram todos reféns.

Depois de ter trabalhado em todas as partes do mundo, estou cada vez mais convencido de que, na realidade, o capitalismo é que é fruto da cultura ocidental, cultura essa que se baseia predominantemente no expansionismo, no excepcionalismo e na agressão. Esta cultura assenta também num desejo profundamente enraizado de controlar e de ditar. A ganância financeiro-monetária é apenas um subproduto desta cultura que elevou a sua superioridade a algo que poderia até ser definido como religioso ou mesmo religiosamente fundamentalista.

Por outras palavras, a crença na sua própria superioridade é, actualmente, a principal religião quer na Europa quer na América do Norte.

O que torna afinal tão semelhantes os cenários líbios, sírios e venezuelanos? Porque é que o Ocidente se mostra tão ansioso por atacar e destruir estes três países que, à primeira vista, parecem ser tão diferentes?

A resposta é simples, embora raramente seja pronunciada no Ocidente (pelo menos publicamente):

“Os três países estiveram na vanguarda da promoção e luta determinada por conceitos como o “pan-africanismo”, o “pan-arabismo” e a Patria Grande que, na sua essência, defende a independência e unidade Latino-Americana.”

Gaddafi, al-Assad e Chávez foram regional e internacionalmente reconhecidos como combatentes anti-imperialistas, inspirando e dando esperança a centenas de milhões de pessoas.

Gaddafi foi assassinado, Chávez provavelmente também foi morto e Al-Assad e sua nação têm vindo a lutar literalmente, e por vários anos, pela sua sobrevivência.

O actual presidente venezuelano Maduro, que é decididamente leal aos ideais revolucionários Bolivarianos, já sobreviveu a pelo menos uma tentativa de assassinato e, agora, enfrenta ameaças directas ao bom estilo mafioso provenientes do Ocidente. A qualquer momento, o seu país pode ser atacado, directamente ou através dos estados latino-americanos “vassalos” do Ocidente.

Assim é porque a África, o Médio Oriente e a América Latina foram durante séculos tratados como suas colónias. Assim é porque sempre que as pessoas se revoltavam, eram quase imediatamente esmagadas pelo punho de ferro do imperialismo ocidental. E aqueles que pensam que estão ao comando do planeta graças a algum divino desígnio, esses não querem que as coisas jamais mudem.

A Europa e a América do Norte estão obcecadas com a ideia de controlar os outros e, para o fazer, sentem que têm de se certificar que exterminam toda e qualquer oposição nas suas colónias e neo-colónias.

É um verdadeiro estado de enfermidade mental no qual o Ocidente se encontra; um estado que eu, em meus trabalhos anteriores, defini como Transtorno Sádico de Personalidade (TSD).

Para se obter um quadro completo, é preciso também recordar a Indonésia, que foi literalmente liquidada enquanto nação independente e progressista em 1965. O seu presidente internacionalista, Sukarno (pai do Movimento dos Países Não-Alinhados e aliado próximo do Partido Comunista da Indonésia, o PKI), foi derrubado pelo general Suharto escolhido a dedo pelo Ocidente, um intelectual traiçoeiro e moralmente perturbado, abrindo assim as portas ao turbo-capitalismo e à pilhagem desenfreada dos recursos naturais da sua nação. Outrora uma luz orientadora da luta pela independência de toda a Ásia, depois do horrífico genocídio orquestrado pelos EUA/Reino Unido/Austrália, a Indonésia foi reduzida a nada mais do que um estado “vassalo” do Ocidente, pobre e lobotomizado.

O Ocidente tem a incrível capacidade de identificar verdadeiros líderes independentistas regionais e os desacreditar e os tornar vulneráveis através da mentira para, em seguida, defender a assim chamada “oposição local” e, mais tarde, liquidá-los a eles e também aos seus países e até mesmo as suas regiões inteiras.

Às vezes, o Ocidente ataca países específicos, como foi o caso do Irão (1953), Iraque ou Nicarágua. Mas, mais frequentemente, ataca directamente o “peixe graúdo” (líderes de oposição a um nível regional), como na Líbia, na Indonésia, na Síria e agora na Venezuela.

Muitos indivíduos, desafiadores da ordem ocidental já foram literalmente assassinados: Gaddafi, Hussein, Lumumba e Chávez, para citar apenas alguns.

E claro, faça o que fizer, o Ocidente está tentado em destruir os maiores líderes da coligação anti-ocidental e anti-imperialista: Rússia e China.

A questão está bem longe de ser apenas sobre petróleo ou sobre lucros.

O Ocidente sente necessidade de governar. É obcecado com a ideia de controlar o mundo, de sentir-se superior e excepcional. É um jogo, um jogo mortal. Durante séculos, o Ocidente tem-se comportado como um fanático religioso fundamentalista, e o seu povo nunca sequer reparou que as suas perspectivas sobre o mundo se tornaram de facto sinónimos de excepcionalismo e de superioridade cultural. É por isso que o Ocidente é tão bem-sucedido em criar e injectar movimentos religiosos extremistas de todas as denominações em praticamente todas as partes do mundo: da Oceânia à Ásia, da África à América Latina e, claro, na China. Os líderes ocidentais sentem-se “em casa” com extremistas cristãos, muçulmanos ou até budistas.

Mas a Síria conseguiu sobreviver e até hoje mantém-se pé. A única razão pela qual as forças governamentais não estão tentando reconquistar o último bastião terrorista de Idlib é porque a população civil sofreria enormes perdas durante essa batalha.

A Venezuela também recusa se ajoelhar e render-se. E é claro que, se o Ocidente e seus aliados se se atreverem a atacar, a resistência, alguns milhões de pessoas, irão lutar pelas suas vilas e campos e, se necessário, retirar-se-ão para a selva e haverão de travar uma guerra de libertação de guerrilha contra os invasores e contra as traidoras elites.

Washington, Londres, Paris e Madrid estão claramente utilizando uma estratégia extremamente desactualizada: uma estratégia que funcionou contra a Líbia, mas que falhou completamente na Síria.

Recentemente, na Síria, perto da linha de frente de Idlib, dois comandantes de alta patente disseram-me que estão lutando “não só pela Síria, mas por todo o mundo oprimido, incluindo a Venezuela”. Eles perceberam com clareza que o Ocidente está usando contra Caracas exactamente a mesma estratégia que tentou usar contra Damasco.

Agora, também a Venezuela também está sofrendo e lutando em nome de todo o mundo oprimido.

Não tem “o direito de falhar”, tal como a Síria não teve o direito de se render.

A destruição da Líbia já havia causado um enorme impacto negativo em África. E abriu as portas à renovada e desenfreada pilhagem francesa do continente. A França prontamente juntou-se ao Reino Unido e aos Estados Unidos.

A Síria é o último bastião no Médio Oriente. É tudo o que sobra agora, resistindo ao controlo total do Médio Oriente pelo Ocidente. Síria e Irão. Mas o Irão ainda não é uma “frente”, embora muitas vezes pareça que em breve se possa tornar numa.

A Venezuela não pode cair, pelas mesmas razões. Está no extremo norte da América do Sul. Abaixo, há um continente inteiro aterrorizado pela Europa e pela América do Norte,  e que durante séculos e séculos foi brutalizado, pilhado e torturado. Uma América do Sul onde dezenas de milhões de pessoas costumavam ser exterminadas como animais, forçadas a se converter ao cristianismo, roubadas de tudo e obrigadas a seguir bizarros modelos políticos e económicos ocidentais.

No Brasil, o governo socialista progressista do PT já foi derrubado.

Se a Venezuela cair, tudo pode ser perdido, por décadas, talvez até séculos.

E por isso lutará. Juntamente com os outros poucos países de esquerda que ainda sobram nesse “hemisfério ocidental”; países que os ditadores em Washington D.C. abertamente descrevem como “o seu quintal”.

Caracas ergue-se e luta pelas vastas favelas do Peru, por milhões de carentes no Paraguai, pelas favelas brasileiras, por aquíferos privatizados e pela floresta tropical assassinada no Brasil.

Exactamente como a Síria tem lutado pela Palestina, pelas abandonadas minorias da Arábia Saudita e do Barém, pelo Iémene, pelo Iraque e pelo Afeganistão (estes últimos, dois países a quem a NATO roubou quase tudo).

A Rússia já mostrou o que pode fazer pelos seus irmãos árabes, e agora está a demonstrar a sua disponibilidade para apoiar o seu outro aliado chegado, a Venezuela.

A China está rapidamente juntando-se à coligação de combatentes anti-imperialistas. Outro exemplo é a África do Sul.

Não, a Venezuela não é só sobre petróleo.

É sobre o Ocidente ser capaz de impedir o acesso de navios chineses ao Canal do Panamá.

É sobre o controlo total do mundo: ideológica, política, económica e socialmente. Sobre liquidar toda a oposição no Hemisfério Ocidental.

Se a Venezuela cair, o Ocidente pode ousar atacar a Nicarágua e, em seguida, atacar o bastião do socialismo e do internacionalismo: Cuba.

É por isso que não se deverá nunca permitir que a Venezuela caia. 

A batalha pela Venezuela já está a ser travada, em todas as frentes, incluindo a ideológica. Na Venezuela não estamos apenas lutando por Caracas, Maracaibo ou Ciudad Bolivar. Estamos lutando por todo o mundo oprimido, como fizemos e estamos fazendo em Damasco, Aleppo, Homs e Idlib, como podemos ter que fazer em breve em muitas outras cidades do mundo inteiro. Enquanto o imperialismo Ocidental se mantiver vivo, enquanto não desistir dos seus sonhos de controlar e arruinar a totalidade do planeta, não podemos descansar, não podemos baixar a guarda, não podemos celebrar vitória final em nenhuma parte do mundo.

E portanto, tudo isto está longe de ser “apenas sobre petróleo”. É sobre a sobrevivência do nosso planeta inteiro.


Traduzido para o português por Luís Garcia

Versão original em inglês na NEO – New Eastern Outlook.

André Vltchek é um filósofo, romancista, cineasta e jornalista de investigação. Cobriu e cobre guerras e conflitos em dezenas de países. Três dos seus últimos livros são Revolutionary Optimism, Western Nihilism, o revolucionário romance Aurora e um trabalho best-seller de análise política: “Exposing Lies Of The Empire”. Em português, Vltchek vem de publicar o livro Por Lula: O Brasil de Bolsonaro – O Novo Tubarão Num Mar Infestado de Tubarões. Veja os seus outros livros aqui. Assista ao Rwanda Gambit, o seu documentário inovador sobre o Ruanda e a República Democrática do Congo, assim como ao seu filme/diálogo com Noam Chomsky On Western Terrorism. Pode contactar André Vltchek através do seu site ou da sua conta no Twitter.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Congressista americana culpa sanções dos EUA por 'devastação' na Venezuela

A deputada norte-americana Ilhan Omar, do Partido Democrata, responsabilizou em parte as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela pela situação de caos instalada no país sul-americano.

Em entrevista ao Democracy Now!, Omar, que representa os eleitores do estado do Minnesota, afirmou que tais medidas, além de prejudicar os venezuelanos, também não atendem aos interesses dos EUA. 

"Ilhan Omar fala contra as sanções dos EUA e apoio bipartidário para a mudança de regime na Venezuela."

​"Muitas das políticas que implementamos meio que ajudaram a levar a Venezuela à devastação", disse ela.

De acordo com a congressista, os norte-americanos prepararam o cenário ao qual "estamos chegando hoje", que, para ela, não traz benefícios a ninguém.

"Esse bullying em particular e o uso de sanções para eventualmente intervir e fazer mudanças de regime realmente não ajudam as pessoas de países como a Venezuela, e certamente não ajudam e não são do interesse dos Estados Unidos."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050213797779-sancoes-americanas-venezuela/

Venezuela: Esmagar a conspiração desestabilizadora da ultra-direita

por PCV

O Partido Comunista da Venezuela (PCV) condena a nova acção desestabilizadora da ultra-direita encabeçada pelo títere Juan Guaidó e o reincidente fugitivo da justiça venezuelana Leopoldo López, os quais ao serviço do imperialismo estado-unidense continuam no desenvolvimento de golpe de Estado.

Perante esta nova escalada desestabilizadora, o PCV e a JCV activaram a movilização nacional e convocam todo o povo organizado a derrotar as acções terroristas que a oposição apátrida tenta realizar em cada rincão do país.

Hoje mais do que nunca cabe à Força Armada Nacional Bolivariana, em conjunto com todo o povo, manter sua unidade e coesão interna, avançar aprofundar a unidade cívico-militar em defesa da soberania, da independência da pátria e das conquistas alcançadas pelo povo trabalhador da cidade e do campo.

O PCV e a JCV apelam à organização e à mobilização activa do povo trabalhador rumo a Miraflores para rechaçar as acções terroristas de sectores da ultra-direita. Além disso, ratificam a convocação à maior mobilização operária, camponesa, comuneira e popular para amanhã 1 de Maio.

Pela Comissão Política do Comité Central do PCV:
Oscar Figuera
Secretário-geral

30/Abril/2019

O original encontra-se em prensapcv.wordpress.com/...

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/venezuela/declaracao_pcv_30abr19.html

Venezuela | O fracasso do senhorito Guaidó

Após o fracasso da tentativa de golpe de 23 de Fevereiro, em 30 de Abril o senhorito Guaidó fez uma nova tentativa e teve um novo fracasso. Isto revela muito acerca da inépcia dos agentes designados pelo império. 

Ao referido indivíduo fora ministrado um curso do NED, na ex-Juguslávia, acerca de técnicas para fazer revoluções coloridas. Mas hoje, diante deste novo flop, pode-se verificar que o seu aproveitamento foi pequeno. 

A tradição do imperialismo de arrebanhar lumpens, marginais e mercenários para promover tumultos e golpes – tal como fez a CIA em 1953 contra o governo iraniano, de Mossadegh – é inútil quando se depara com a coesão das Forças Armadas e a consciência anti-imperialista do seu povo. É o que acontece na Venezuela Bolivariana, apesar de todas as sabotagens e tentativas de desestabilização contra ela.

Registe-se o papel ridículo dos vassalos americanos da UE (governo português inclusive) que servilmente, cumprindo ordens de Washington, reconheceram o governo do supracitado senhorito. Registe-se ainda a actuação repugnante e histérica da TV portuguesa na cobertura dos acontecimentos na Venezuela.

Resistir.info

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/venezuela-o-fracasso-do-senhorito-guaido.html

Venezuela | O estranho "golpe" de que pouco se sabe

Era para ser esta quarta-feira a maior manifestação de sempre na Venezuela. O autoproclamado presidente interino antecipou-se, num vídeo filmado à porta da base aérea de La Carlota, rodeado de duas mãos cheias de militares.

"O 1.o de Maio, o fim definitivo de usurpação, começou hoje [terça-feira]", dizia Juan Guaidó, anunciando ter conquistado os militares, único garante da força do poder do presidente venezuelano que tenta há mais de três meses derrubar, Nicolás Maduro. Guaidó pediu ao povo que descesse à rua e chamou à sublevação "fase final da Operação Liberdade". Maduro desmentiu Guaidó e anunciou estar a debelar um golpe de Estado, as redes sociais e televisões foram limitadas e, ao final do dia, pouco se sabia. A não ser que a mobilização nas ruas não era tão massiva quanto o esperado e que, mais uma vez, sobraram imagens de confrontos que incluíram um blindado a avançar sobre manifestantes e 71 feridos ao final da tarde.

A questão permanecia a da tendência dos militares. O dia começara com a libertação de Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular de Guaidó, a cumprir em prisão domiciliária uma pena de 14 anos. Garantia ele que a libertação coube aos agentes do Serviço Bolivariano de Informações que o vigiavam, que não contrariaram o indulto decretado por Guaidó aos presos políticos. Ambos se encontrariam depois junto a La Carlota, com o dito punhado de militares que pareceu manter-se à sua roda ao longo do dia, até no comício promovido depois, com a já famosa imagem de um megafone brandido de cima do tejadilho de um carro.


Versão norte-americana

Mais adiante, López afirmaria aos jornalistas que tudo estava a ser feito em contacto com elites militares e, até, com membros do Governo de Maduro. Dos EUA, que apoiaram imediatamente a operação, o conselheiro para Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, garantiria pouco depois que o presidente do Tribunal Superior de Justiça, altas patentes militares e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, eram defensores da saída de Maduro. Ora, o próprio Padrino denunciaria "uma tentativa de golpe de Estado de magnitude medíocre" e republicava tweets alheios glorificando o presidente. E Maduro garantia ter falado com todas as hierarquias militares e obtido garantias de lealdade, aplaudindo "nervos de aço".

Já à noite, regressava a polémica vinda de Washington. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, completava a informação de Bolton, assegurando que o próprio Maduro estaria pronto a descolar para Cuba, mas foi convencido a ficar pela Rússia, apoiante fiel (e credor) do Governo de Caracas, apesar de, alegadamente, parte dos seus ministros defender essa partida.

Nas ruas, Guaidó mantinha consigo a mesma quantidade de militares e López refugiava-se com a família na Embaixada do Chile, enquanto 25 militares de baixa patente pediam asilo na Embaixada do Brasil. "Os levantamentos militares parciais não mobilizam a tropa", recorda o "El País". E Maduro - que não apareceu durante o dia - contava, logo às primeiras horas da "operação", com a mobilização da Guardia Nacional, das Forças de Ações Especiais e dos "motorizados, coletivos e milícias".

Guaidó antecipou-se ao 1.o de Maio para marchar até Miraflores. Esta quarta-feira, terá lá à sua espera esta barreira provavelmente impossível de vencer.

Ivete Carneiro | Jornal de Notícias | Foto: EPA/Miguel Gutierrez

 

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Venezuela, o «Império» contra-ataca

O império tentou mais um ataque contra a soberania da Venezuela. Assim como fizeram em Cuba, a tal Operação Liberdade, buscou usurpar parte do exército junto com mercenários do próprio país treinados pela CIA, comandados por um fantoche da oposição, para um levante seguido de uma possível investida militar a fim de derrubar do poder quem não se alinha aos seus interesses econômicos.

A história se repete, os EUA não largam mão da política externa intervencionista, de estrangular economicamente os povos latino-americanos, de manipular as suas políticas internas, e até mesmo atentar militarmente contra os seus povos. Não conseguem enxergar que a política intervencionista só aflora ainda mais o nacionalismo e o sentimento anti-imperialista nos países. A desculpa de levar a democracia liberal, é na verdade a Doutrina Monroe, ninguém coloca a mão no meu quintal.

Após a primeira tentativa de golpe com a autoproclamação de Juan Guaidó a Presidente Interino em 23 de janeiro, a segunda tentativa golpista patrocinada pelo Departamento de Estado norte-americano fracassou. Guaidó não tinha nem o exército, nem as milícias populares, nem o povo ao seu lado, seu apoio vem da diplomacia norte-americana e de pequenos grupos possivelmente introduzidos pela própria CIA para dar caráter popular a operação.

A diplomacia brasileira que sempre preservou a política de não intervenção e de autodeterminação dos povos, que reconheceu a Revolução de Fidel Castro em Cuba, que liderou a solução diplomática para o equilíbrio e legitimidade do Governo Chávez diante da comunidade internacional, hoje é patrocinadora do golpismo e da interferência da Casa Branca em Caracas, uma posição vergonhosa para o Brasil e submissa a política imperialista. O Presidente Jair Bolsonaro quer de todo jeito algum protagonismo pela queda do Governo Maduro, mas não passa de um fantoche de Donald Trump. 

Juscelino Kubitschek em encontro com Fidel Castro certa vez afirmou: “a oportunidade de conhecer, em profundidade, seu pensamento”, dizendo que ele era “um idealista amargurado, que sofrera na carne as conseqüências do apoio dado pelos Estados Unidos às ditaduras na América Latina” concluindo que a acensão ao poder do líder nacionalista só foi possível devido a política intervencionista dos EUA, que financiaram ditaduras sangrentas alinhadas aos seus interesses.

O ex-presidente Lula em sua recente entrevista a Folha de São Paulo e ao El País comenta que intermediou a solução pacífica para a Venezuela de Hugo Chávez com a comunidade internacional após tentativas de golpes influenciados pela diplomacia dos EUA. Lula chegou a dizer que ligava para Bush para esse conter a interferência norte-americana nos assuntos internos de Caracas, quanto mais Bush abria a boca contra a Venezuela, mais aflorava o nacionalismo, as passeatas e a coesão do regime bolivariano.

Maduro poderá unificar mais ainda as suas bases de sustentação diante de uma intervenção militar, conta com apoio de China e da Russia, além de Cuba e Nicarágua. O Governo Bolivariano tem paradigma anti-imperialista do contrário que diz a guerra ideológica e o panfleto anti-comunista dos EUA. Enquanto o poder chavista não enxergar que a alternativa ao Maduro é a não intervenção dos yankees, eles não vão se render. Se a alternativa que se apresenta ao poder é alinhada a diplomacia e os interesses norte-americanos, terá resistência.

Se os EUA provocarem um derramamento de sangue na Venezuela poderão ascender a fagulha nacionalista em toda a América Latina, hoje é cada vez mais crescente o sentimento anti-imperialista em diversos países devido a volta da política agressiva dos EUA de controle e intervenção na AL principalmente sob o Governo Trump.

Os golpes de Estado recentes no Paraguai, Honduras, e no Brasil, os embargos econômicos criminosos contra Cuba e Nicarágua, e agora os avanços com todas as garras sobre a Venezuela deixam exposta a diplomacia norte-americana. Novo capítulo do imperialismo estadunidense sobre a América Latina, que foi nos últimos 20 anos a maior expressão de resistência ao neoliberalismo.

Uma intervenção militar aberta na Venezuela, mesmo que disfarçada de revolta popular porque é claramente financiada pelos americanos, pode desencadear um processo global de desintegração da América Latina assim como foi a primavera árabe. Tudo pela guerra do Petróleo, os EUA querem a expropriação das maiores reservas de petróleo mundias que se encontram hoje em território venezuelano.

Devido a polarização política mundial das novas potências econômicas que remontam o período da Guerra Fria, assistimos dois mundos: enquanto do lado de cá os EUA usam de intervenção, morte e expropriação do petróleo, do outro lado, sob a liderança da China, assistimos a implantação da nova rota da Seda, gerando livre comércio, desenvolvimento e integração.

 

  • BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. De Martí a Fidel: A Revolução Cubana e a América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998, 687 p.

por Bernardo Gomes, Estudante de Gestão Pública da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e membro do PCdoB | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


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https://www.jornaltornado.pt/venezuela-o-imperio-contra-ataca/

A realidade continua a pôr em causa os desejos trumpianos

Perante a tentativa de golpe de Estado ontem verificada na Venezuela - que permitiu olhar para as nossas televisões como caricaturas do que deve ser uma Informação objetiva, baseada nos factos, e não nos preconceitos dos seus diretores e chefes de redação! -, podemos compreender melhor o afã com que, dias atrás, Trump andou a cuidar da significativa subida do preço do petróleo, invocando para o efeito um boicote mais ativo ao Irão.

 

A Casa Branca sabe que, se o golpe resultasse, teria de abrir os cordões à bolsa para permitir a Guaidó a liquidez bastante para importar os alimentos e os medicamentos de que o país tanto carece, e lhe tem faltado pela sua persistente ação de sabotagem económica. Como não poderá dispor de dinheiros federais, que nem estão orçamentados, nem provavelmente passariam no Congresso, Trump e os seus lobistas da industria do petróleo - que seriam os óbvios beneficiados com a pronta privatização das reservas existentes no solo venezuelano - cuidam de aumentar o preço do petróleo no mercado internacional facilitando afluxos rápidos de divisas aos cofres do regime saído do golpe. Esperariam assim que parte significativa do povo venezuelano, apoiante do bolivarismo, se deixasse iludir com efémero alívio dos apertos por que tem passado.

 

Se com Obama a estratégia passou por levar a Rússia, o Irão e a Venezuela à falência, mediante políticas, que impunham preços do barril abaixo dos custos de extração de petróleo nalguns dos seus poços mais inacessíveis, Trump joga agora diferentemente nos três tabuleiros: promove um draconiano boicote aos aiatolas, fomenta o golpe em Caracas e possibilita um alívio aos cofres de Putin, ajudando assim um aliado, que tanto o ajudou a ganhar as eleições de 2016. Dando aos amigos sauditas mais dinheiro para lhe comprarem mais aviões e outros engenhos militares.

 

O problema é que, nesta altura, o tal presidente, que nunca o chegou a ser, continua a dar passos em falso e a mostrar que não passa de mera marioneta de quem lhe tem financiado as arruaças.

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/05/a-realidade-continua-por-em-causa-os.html

Em discurso, Maduro diz que oposição e imperialismo querem levar país a uma guerra civil

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas
© Sputnik / Stringer

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse nesta quarta-feira (1º), em discurso para seus apoiadores, que o governo dos EUA e a oposição querem levar seu país a uma guerra civil para defender a intervenção.

"É isso que a oposição e o imperialismo querem nos levar a uma guerra civil (…) Se eu tivesse mandado tanques e tanques e todas as forças especiais que estávamos prontos para enfrentar esse punhado de líderes golpistas, o que teria acontecido?" disse o chefe de estado.


Maduro comentou também que as autoridades de segurança do país estão na trilha dos militares que se revoltaram contra seu governo na terça-feira.

"Todas as forças de segurança estão por trás da captura, na busca por esses golpistas que terminaram sozinhos e derrotados", disse o presidente da Venezuela em frente ao Palácio de Miraflores.

Maduro prometeu também que vai se reunir com a alta cúpula de seu governo para traçar um "grande plano de mudanças" no seu governo para corrigir erros.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050113793731-maduro-pais-guerra-civil-venezuela/

Militares dos EUA negam ter mobilizado tropas para ação contra a Venezuela

Soldado americano junto à bandeira dos EUA (arquivo)
© AP Photo / Hasan Jamali

Os militares dos EUA não foram ordenados por seus líderes a se preparar para qualquer tipo de ação militar na Venezuela, disse a secretária de Defesa Adjunta para Assuntos de Segurança Internacional, Kathryn Wheelbarger, durante uma audiência no Congresso nesta quarta-feira.

"Nós, é claro, sempre revisamos as opções disponíveis e planejamos as contingências", explicou Wheelbarger. "Mas neste caso não recebemos esse tipo de ordens que você está discutindo".


O almirante da Marinha dos EUA Craig Faller, comandante do Comando Sul dos EUA, que supervisiona as forças americanas na América Latina, declarou que o planejamento inclui preparação para evacuações não-combatentes e ajuda humanitária americana, mas ressaltou que seu principal foco na região é a construção de parcerias.

Quando perguntado se ele viu um papel para os militares americanos derrubando o governo de Maduro, Faller afirmou: "Nossa liderança tem sido clara: tem que ser, deve ser, principalmente, uma transição democrática".

"Estamos em total apoio à diplomacia e estamos prontos para apoiar esse esforço", acrescentou.

No início do dia, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, alertou que a ação militar dos EUA na Venezuela é "possível", apesar de ele afirmar que os EUA ainda preferem uma transição pacífica de poder.

A Venezuela enfrenta uma crise política que começou em janeiro, quando o líder da oposição Juan Guaidó, apoiado pelos EUA, proclamou-se o presidente interino do país em uma tentativa de desafiar a reeleição do presidente Nicolás Maduro.


Maduro, apoiado pela China e pela Rússia, entre outros, acusou Guaidó de conspirar para derrubá-lo com a ajuda de Washington.

Guaidó e seus partidários fizeram outra tentativa de depor Maduro na terça-feira, reunindo-se em Caracas em uma estrada em frente à base militar de La Carlota. Guaidó pediu ao povo da Venezuela e ao Exército que saiam às ruas para concluir a operação para derrubar o presidente legítimo da Venezuela.

Em resposta, Maduro disse que os comandantes de todas as regiões e zonas de defesa integral haviam reiterado sua total lealdade ao povo, à constituição e à pátria. Segundo o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, as forças armadas do país continuam a apoiar firmemente a "Constituição e autoridades legítimas".

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https://br.sputniknews.com/americas/2019050113792555-eua-tropas-venezuela/

Pressionada, Rússia alerta sobre 'consequências graves' por ações dos EUA na Venezuela

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, durante conversações com homólogo japonês Taro Kono (imagem de arquivo)
© Sputnik / Ramil Sitdikov

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, que mais "medidas agressivas" na Venezuela estariam repletas das consequências mais graves, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia nesta quarta-feira.

Lavrov também condenou o que chamou de "interferência" dos Estados Unidos nos assuntos internos da Venezuela como uma violação do direito internacional, acrescentando que o diálogo entre todas as forças políticas é necessário no país latino-americano.


O posicionamento acontece após a Casa Branca anunciar que planeja aumentar a pressão sobre a Rússia, em um esforço para impedir que o país apoie o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Em uma entrevista à Fox News, Pompeo insinuou que Moscou poderia ser alvo de novas sanções, caso mantenha o seu apoio ao governo de Maduro.

"Você viu o trabalho que já fizemos para aumentar o custo para os cubanos", declarou Pompeo. "Há mais que continuaremos a trabalhar. Faremos o mesmo com os russos".

Os Estados Unidos anunciaram em abril um conjunto abrangente de novas sanções contra Cuba por seu apoio a Maduro.
Pompeo reiterou a posição do presidente estadunidense Donald Trump de que a Rússia deve deixar a Venezuela.

"Eles precisam ir, e os russos precisam ter o custo disso aumentado", acrescentou.

A Venezuela enfrenta uma crise política que começou em janeiro, quando o líder da oposição Juan Guaidó, apoiado pelos Estados Unidos, proclamou-se o presidente interino do país em uma tentativa de desafiar a reeleição de Maduro.


Maduro, apoiado pela China e pela Rússia, entre outros, acusou Guaidó de conspirar para derrubá-lo com a ajuda de Washington.

Guaidó e seus partidários fizeram outra tentativa de depor Maduro na terça-feira, reunindo-se em Caracas em uma estrada em frente à base militar de La Carlota. Guaidó pediu ao povo da Venezuela e ao Exército que saiam às ruas para concluir a operação para derrubar o presidente legítimo da Venezuela.

Em resposta, Maduro disse que os comandantes de todas as regiões e zonas de defesa integral haviam reiterado sua total lealdade ao povo, à constituição e à pátria. Segundo o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas do país continuam a apoiar firmemente a "Constituição e autoridades legítimas".

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Vêm à tona detalhes sobre tentativa de golpe de Estado na Venezuela

Militares venezuelanos perto de Palácio de Miraflores em Caracas
© Sputnik / Magda Gibelli

A Sputnik falou com a vice-presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, Tania Díaz, que revelou a verdade sobre as ações da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e como alguns chefes militares enganaram os soldados para "um cenário de confronto golpista".

Díaz disse à Sputnik Mundo o que aconteceu no dia 30 de abril na Venezuela, depois que Juan Guaidó publicou um vídeo com o oposicionista Leopoldo López, convidando a população e os militares a saírem às ruas para "recuperar a liberdade".

Anteriormente, havia sido relatado que o governo do presidente Nicolás Maduro reprimiu uma tentativa de golpe de "um pequeno grupo de militares traidores". Segundo Díaz, "esse grupo rebelde" de soldados foi orquestrado por "um par de comandantes" que "não tem nem tropas nem raízes, não tem liderança na FANB".


"Eles agarraram um grupo de rapazes a quem eles comandaram, e lhes disseram que eles iriam fazer uma operação X e os levaram enganados para o cenário de confronto de golpe de Estado na frente da base aérea militar La Carlota", revelou a vice-presidente. Díaz explicou que as ações da FANB se baseiam em "um dos pilares da revolução chavista […]: a união cívico-militar".

"Ao contrário do Chile e de outros países da região", continuou Díaz, "a FANB é formada por homens e mulheres do povo, da extração popular, de setores humildes. O comandante Hugo Chávez conseguiu que as esperanças destes homens do povo se somem às do povo civil, para a construção de um projeto que é próprio e tem como origem a participação popular".


Ao mesmo tempo, a vice-presidente recordou o artigo 5 da Constituição, que literalmente diz que "a soberania reside intransferivelmente no povo", que a exerce diretamente através da Constituição e das leis, e indiretamente através do voto.

"Isso marca a diferença do que é esse processo na Venezuela, que muitas democracias representativas tradicionais não entendem: não é uma democracia representativa, não é que votamos a cada cinco anos e deixamos que aqueles que elegemos decidam o que vai acontecer no país […] Foi o que vimos hoje nessa FANB que está cada vez mais imbricada nesses desejos, desejos da pátria do povo venezuelano", concluiu.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019050113790217-vem-tona-detalhes-tentativa-golpe-estado-venezuela/

Morales: Trump fracassou de novo em sua ofensiva golpista

“Trump fracassou de novo em sua ofensiva golpista. Lamentavelmente, alguns governos estão errados e o apoiam. Temos sempre que apostar na soberania e na paz ; o povo venezuelano demonstrou com firmeza que esse é seu caminho. Apoiaremos qualquer iniciativa de diálogo que possa surgir”, declarou o presidente boliviano na sua conta no Twitter

O presidente da Bolívia, Evo Morales, escreveu na sua conta no Twitter que o presidente dos EUA, Donald Trump, “fracassou de novo em sua ofensiva golpista”, comentando a tentativa fracassada de golpe de Estado na Venezuela, liderada pelo opositor Juan Guiadó.

Morales, que anteriormente repudiou a tentativa de golpe promovida pela direita venezuelana “submissa aos interesses estrangeiros”, declarou que a Bolívia sempre apostará “na soberania e paz” e apoiará “qualquer iniciativa de diálogo que possa surgir”.

Trump fracassou de novo em sua ofensiva golpista. Lamentavelmente, alguns governos estão errados e o apoiam. Temos sempre que apostar na soberania e na paz; o povo venezuelano demonstrou com firmeza que esse é seu caminho. Apoiaremos qualquer iniciativa de diálogo que possa surgir”.

Presidente da Bolívia, Evo Morales, na sua conta no Twitter

 

O líder cubano, Miguel Díaz-Canel, por sua vez, rejeitou a tentativa de golpe da oposição venezuelana, que ele acusou de propiciar a violência na nação sul-americana. Outros países, como México, Rússia e Espanha, pediram a resolução pacífica do conflito, através do diálogo, para evitar o “derramamento de sangue”.

Em vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea militar La Carlota, em Caracas. Guaidó pede uma “luta não violenta”, diz ter os militares ao seu lado e afirma que “o momento é agora”.

A movimentação recebeu apoio dos Estados Unidos. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou no Twitter que “o governo dos EUA apoia totalmente o povo venezuelano em sua busca de liberdade e democracia. A democracia não pode ser derrotada”.

Já Maduro diz que os principais comandantes militares estão ao seu lado e pediu “máxima mobilização popular para assegurar a vitória da paz.”


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


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https://www.jornaltornado.pt/morales-trump-fracassou-de-novo-em-sua-ofensiva-golpista/

As inquietantes reuniões do governo português

Nada distingue a política externa do governo minoritário do PS da dos governos anteriores: o seu alinhamento com o que de pior se movimenta no plano internacional tem infelizmente ficado bem à vista. Surgem notícias sobre coisas que não estarão tanto à vista e que suscitam ainda maior condenação. A serem confirmadas, já não se trata apenas de actuar em flagrante violação da Constituição da República. Trata-se de actuar em violação de princípios elementares de conduta democrática.

No dia 11 de Abril, a duas escassas semanas das celebrações dos 45 anos da revolução que devolveu a Portugal as condições e o poder de ter voz na cena internacional, o governo português fez-se representar numa reunião em Washington tutelada pelo secretário das Finanças do presidente Donald Trump, precisamente Steven Mnuchin, alguém que fez a indispensável recruta no Goldman Sachs – o «banco que governa o mundo».

O leitor mais desatento às permanentes tropelias que o executivo de Lisboa comete em matéria de política externa pode interrogar-se sobre a relevância desta anotação. Tanto mais que se tornou um hábito, desde que Novembro se vingou, como sublinha o José Mário Branco, os consecutivos governos nacionais actuarem, sem excepção, sob vozes de comando externas, mesmo que a Constituição da República tenha vindo ditar exactamente o contrário.

A norma tem sido, de facto, o comportamento internacional de Portugal regular-se pelas instruções dos nossos «aliados», que quase sempre ordenam o contrário do espírito da Revolução de Abril e da letra da Constituição.

Que terá, pois, de especial esta reunião de Washington, em relação a tantas outras não referenciadas pela obediente comunicação mainstream, isto é, deliberadamente silenciadas pelo próprio governo?

Divulguemos contexto e conteúdos e cada um retirará as respectivas ilações.

Um passo para o abismo

Em termos vagos, a data de 11 de Abril pouco dirá. Mas corresponde ao dia seguinte àquele em que, na mesma cidade de Washington, várias figuras compondo uma associação de malfeitores se encontraram para preparar uma agressão militar contra a Venezuela patrocinada pelos Estados Unidos da América. Entre os participantes, como então se revelou, estiveram representantes no activo da administração de Donald Trump e sua corte fascista.

A reunião de dia 11, e para a qual Steven Mnuchin convocou ministros das Finanças e outros representantes dos «aliados», entre os quais Portugal, dedicou-se afinal a preparar o suporte financeiro dessa agressão – que já está em curso e viola as mais elementares normas do direito e do decoro internacional, às quais sucessivas autoridades portugueses se vincularam.

O objectivo do encontro não foi explicado bem assim. Tratou-se, segundo as fontes que divulgaram a sua realização, de reforçar o apoio que cerca de 50 países transmitiram ao projecto de golpe de Estado que os Estados Unidos puseram em andamento com o reconhecimento do «presidente interino» Juan Guaidó – e que suporia a destituição dos dirigentes da República Bolivariana da Venezuela, democraticamente eleitos.
Não se ficaram por aí os projectos. A reunião dedicou-se ao debate do «auxílio financeiro» que a chamada comunidade internacional prestará à Venezuela assim que se der o derrube do presidente Nicolás Maduro.
Algo que o fascista John Bolton, presidente do Conselho Nacional de Segurança de Trump, definiu como só ele sabe: «injectar o capital necessário na ineficiente indústria petrolífera venezuelana, estando as nossas empresas petrolíferas preparadas para restaurar a indústria de hidrocarbonetos da Venezuela em termos lucrativos».

Foi nesta manobra de financiamento do terrorismo e de preparação de uma rapina organizada1 que Portugal se fez supostamente representar. Em companhia dos seus «amigos e aliados» de sempre, como a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido, mas também de outros luminosos governos democráticos como são os do Brasil de Bolsonaro, da Argentina de Macri, do Equador que acaba de depositar Assange nas mãos dos seus algozes, da Guatemala, do Panamá e do executivo dessa democratíssima Colômbia, que foi o cenário do primeiro grande assalto golpista contra a Venezuela, e que teve condão «humanitário» como o mundo inteiro percebeu.

O que foi pouco divulgado na ocasião foram as diligências efectuadas pelo presidente do município de Cúcuta, a zona colombiana escolhida para a «acção humanitária», indagando do seu chefe de Estado se os bens alimentares a encaminhar à força para território venezuelano não poderiam antes ficar mesmo na área de Cúcuta, bem mais carenciada do que o país vizinho.
Nada feito: como a «ajuda» foi rejeitada pelo destinatários, a horda terrorista ao serviço das hostes humanitárias decidiu pura e simplesmente queimá-la, como ficou registado em imagens bem elucidativas.

Pois o governo português não terá evitado manter-se associado a esta gente. E como não revela aos portugueses o essencial destas suas actividades desconhece-se quem e a que nível esteve presente na conspiração agora presidida pelo secretário das Finanças de Trump.

Será elementar que os cidadãos do país que fez a Revolução de Abril fiquem a saber o que tem o governo a dizer sobre este assunto. É matéria fundamental para avaliação do nível de transparência democrática que consegue respeitar.

Nada a dizer sobre o ouro?

Tanto mais que não é a primeira vez que o nome de Portugal surge associado ao mesmo Steven Mnuchin enquanto este capitaneia uma operação financeira contra a Venezuela democrática.

Regressamos, por isso, ao episódio do roubo de 31 toneladas de ouro pertencentes ao Estado venezuelano e colocadas à guarda do Banco de Inglaterra. Caracas pediu a sua devolução e Londres rejeitou-a, deixando nas linhas e entrelinhas que estaria na disposição de remetê-las sim ao «interino» Guaidó. O qual, uma vez testado por actores que se fizeram passar pelo presidente da Suíça, não se coibiu de aceitar que os bens nacionais venezuelanos fossem sonegados a Caracas e acondicionados numa sua conta pessoal.

Segundo o secretário das Finanças de Trump, não foi o Banco de Inglaterra que assumiu isoladamente o acto de sonegar o ouro à Venezuela. Steven Mnuchin explicou que o desvio dos lingotes ficou assente depois de ele próprio ter contactado os governos e bancos centrais dos países da União Europeia, que terão concordado com a manobra.

PERGUNTAS AO GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

1) Fez-se o Governo da República Portuguesa representar na reunião de 11 de Abril, em Washington, tutelada pelo secretário de Estado das Finanças do presidente Donald Trump, Steven Mnuchin, durante a qual foram debatidos o reforço do apoio financeiro ao «presidente interino» da Venezuela, Juan Guaidó, e o financiamento da Venezuela quando Nicolás Maduro for derrubado?

2) Caso afirmativo, a que nível e por quem foi o Governo representado? Pelo Ministro das Finanças, como indica a «Declaração do secretário de Estado Mnuchin a seguir ao V Encontro de ministros das Finanças sobre a Venezuela», citamos: «Dou as boas-vindas aos ministros das Finanças, [presentes] no Departamento do Tesouro hoje para discutir a terrível situação económica e humanitária da Venezuela. Os participantes nesta conferência incluíram representantes da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, França, Alemanha, Guatemala, Guiana, Itália, Japão, México, Panamá, Portugal, Perú, Espanha, e o Reino Unido»? Pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, que a 11 de Abril se encontrava em Washington para as reuniões de Primavera do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, como indica um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros?

3) Foi o Governo da República Portuguesa contactado pelo secretário das Finanças dos Estados Unidos da América, Steven Mnuchin, sobre o confisco pelo Banco de Inglaterra de 31 toneladas de ouro do Estado venezuelano? E o Banco de Portugal foi igualmente accionado?

José Goulão, jornalista

Já anteriormente o governo de Portugal e o Banco de Portugal foram convidados a dar as suas versões dos acontecimentos: se os contactos e a anuência existiram mesmo ou foram delírios formalistas de Mnuchin. Nada foi dito.

Agora é altura de esclarecer de vez essa dúvida e a outra que entretanto surgiu, partindo ainda, em derradeira instância, da possibilidade de se tratar de uma reunião inventada por Mnuchin.

Não só é importante como essencial ficarmos a saber de viva voz a resposta do governo português a estas perguntas simples:

Fez-se representar na reunião de 11 de Abril em Washington durante a qual foram debatidos o reforço do apoio financeiro ao «presidente interino» da Venezuela, Juan Guaidó, e o financiamento da Venezuela quando Nicolás Maduro for derrubado?

Foi contactado pelo secretário das Finanças dos Estados Unidos da América, Sr. Steven Mnuchin, sobre o confisco pelo Banco de Inglaterra de 31 toneladas de ouro do Estado venezuelano? E o Banco de Portugal foi igualmente accionado?

Todos sabemos que as fake news andam aí, pelo que é aconselhável ficarmos esclarecidos sobre situações graves e delicadas como as que foram citadas.
Se formos informados que o governo português nada teve a ver com tais acontecimentos, isso será tranquilizador: é porque ainda houve quem tenha sabido parar na última fronteira da decência e da lei.

Se tal não acontecer, e o silêncio continuar a cobrir actividades como estas, ficaremos a saber que, havendo muitas maneiras de fechar as portas que Abril abriu, o governo em funções não se coibiu de recorrer a algumas das mais extremistas, como são as da conspiração internacional que fere a democracia e a do terrorismo contra uma população que pretende ser independente e soberana. Tal como desejaram os portugueses, quando fizeram o 25 de Abril. Mas sobre isso já lá vão 45 anos, foi há tanto tempo, não foi?

Fonte: https://www.abrilabril.pt/internacional/inquietantes-reunioes-do-governo-portugues

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

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Relatório estima que sanções dos EUA contra Venezuela tenham causado mais de 40 mil mortos

Manifestantes em Caracas
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

As sanções dos EUA contra a Venezuela, introduzidas desde agosto de 2017, causaram a "morte de dezenas de milhares de pessoas e estão agravando a crise humanitária" no país, revelou o novo relatório do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (CEPR).

O estudo, realizado pelos economistas Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs, estima que as medidas aplicadas pelo governo de Donald Trump causaram a morte de cerca de 40 mil pessoas na Venezuela entre 2017 e 2018.

"As sanções reduziram a disponibilidade de alimentos e remédios, aumentando as doenças e a mortalidade", lê-se no relatório do CEPR, com sede em Washington.

Quanto a outras consequências, as sanções contribuíram para uma forte redução na produção de petróleo, que causou grande prejuízo à população civil venezuelana, porque as exportações de petróleo são responsáveis pela maioria das receitas orçamentárias do país.


As sanções aplicadas em agosto de 2017 proíbem que os investidores americanos comprem novas emissões de dívida de Caracas ou ações da petroleira estatal venezuelana PDVSA, bem como alguns outros títulos emitidos pelo setor público venezuelano.

Os autores do relatório sublinham que as novas medidas restritivas adotadas desde janeiro de 2019, após a autoproclamação do opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, "levaram quase certamente a dezenas de milhares de mortes evitáveis".

O estudo faz estimativas baseadas em "aproximadamente 80 mil pessoas com HIV que não receberam tratamento antirretroviral desde 2017, 16 mil pessoas que precisam de diálise, 16 mil pessoas com câncer e 4 milhões de pessoas com diabetes e hipertensão".

Segundo o estudo, desde janeiro desse ano, a produção de petróleo diminuiu devido às sanções, "o que acelerará em grande medida a crise humanitária".


Nos últimos três meses, os EUA congelaram cerca de sete bilhões de dólares de ativos da PDVSA. Além disso, eles entregaram a Guaidó o controle sobre os fundos do governo venezuelano depositados nos bancos em território americano e sancionaram o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela (BANDES) e suas subsidiárias no Uruguai e na Bolívia.

Jeffrey Sachs acredita que as medidas tomadas pelos EUA fazem parte de "uma política implacável, infrutífera, ilegal e fracassada, que causa sérios danos ao povo venezuelano".

O segundo autor do estudo, Mark Weisbrot, considera que "isso é ilegal segundo o direito americano e internacional e os tratados que os EUA assinaram" e, por isso, apela ao Congresso para suspender as sanções.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019042613758939-relatorio-estima-que-sancoes-dos-eua-contra-venezuela-tenham-causado-mais-de-40-mil-mortos/

É capaz de fazer jeito um banco para se sentarem

Devemos ao jornalista Max Blumenthal a divulgação de uma reunião em Washington, que deveria ficar secreta segundo a vontade dos seus promotores - a tripla Pence/ Pompeo/ Bolton que manda na política externa norte-americana - e destinada a promover a única alternativa, que lhes resta para derrubarem o governo bolivariano de Nicolás Maduro. 

 

Frustrada a entronização da sua marionete (Guaidó), que nem o lamentável apoio da maioria dos países da União Europeia, conseguiu fazer prevalecer, esgotada a campanha sobre a penúria por que passa o povo, falhada a possibilidade dos sucessivos apagões terem levado ao caos definitivo, os que, desde o início da crise a andam a fomentar, já não alimentam mais ilusões e apostam na força militar como alternativa, que lhes resta.

 

Não admira que, na reunião do dia 10 de abril tivesse estado presente Roger Noriega, sempre convidado para esse tipo de eventos, quando se trata de conspirar militarmente contra países, que resistam à sua condição de «quintal das traseiras» do arrogante vizinho.

 

Do que se sabe de quanto se passou naquela reunião, fica a convicção dos participantes quanto à severa punição por que deverão passar os venezuelanos ao escusarem-se a apoiar o «presidente», que nada conseguiu presidir, e o aviso aos chineses e aos russos para não se intrometerem nos assuntos, que julgam caber apenas aos que ainda mandam na Casa Branca.

 

Depois de ter estado por dias a «incontornável vitória» de Guaidó - com muitos ingénuos das redes sociais a congratularem-se com tal expetativa, exclusivamente do interesse norte-americanos relacionados com a extração do petróleo - será sempre curioso verificar por quanto tempo mais resistirá o regime chavista. É que, em tempos, quem igualmente se apressou a prever a rápida queda do castrismo em Cuba bem teve se se sentar, porque ele continua de pedra e cal...

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/04/e-capaz-de-fazer-jeito-um-banco-para-se.html

Venezuela prende 5 e pede extradição de outros 3 suspeitos por blecautes

Moradores se reúnem durante um apagão em Caracas, Venezuela.
© REUTERS / Ivan Alvarado

Autoridades venezuelanas prenderam 5 pessoas e tentaram extraditar outras 3 por acusações de sabotagem da rede elétrica venezuelana, que levou a blecautes a partir de 7 de março, segundo informou a Bloomberg, citando o ministro venezuelano da Informação, Jorge Rodriguez.

Os supostos ataques às linhas de energia e aos transformadores da usina hidrelétrica de Guri levaram a maior parte do país à escuridão, interrompendo o fornecimento de alimentos, água potável, combustível e remédios.

O governo da Venezuela identificou um total de 19 pessoas responsáveis ​​por 45 "ataques menores" à rede elétrica, incluindo a sabotagem direta da infraestrutura e a criação de incêndios florestais com o objetivo de danificar linhas de energia, disse Rodriguez em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (24).


O ministro também acrescentou que o governo está próximo de "estabilizar permanentemente o serviço de eletricidade".

"Este foi o ataque mais brutal e criminoso contra uma população", disse Rodriguez. "O governo de Maduro está enfrentando terroristas e os derrotando".

A Venezuela também buscará assistência da Interpol para encontrar outros suspeitos que estariam na Colômbia, na Espanha e nos EUA, acrescentou o ministro.

O líder da oposição, Juan Guaidó, utilizou a falta de energia para fins de agitação pública e derrubar o presidente legítimo venezuelano, Nicolás Maduro. O governo da Venezuela culpou a oposição e os EUA pelo ataque à hidrelétrica.

Os EUA e seus aliados reconhecem Guaidó como o presidente interino da Venezuela, enquanto Rússia, China, Turquia e vários outros países continuam a reconhecer Maduro como o líder legítimo do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019042413746038-venezuela-nicolas-maduro-juan-guaido-blecaute/

'Batam palmas': Rússia pede que EUA sigam 'longe do gatilho' por guerra na Venezuela

Manifestante com a bandeira venezuelana
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

Respondendo ao Departamento de Estado dos EUA que estava "aplaudindo" os países que ficaram do lado dos esforços de mudança de regime de Washington na Venezuela, o Ministério de Relações Exteriores da Rússia disse que aplaudir pelo menos manteve o dedo dos EUA fora do gatilho.

Aplaudindo a decisão de Malta de negar a passagem para aviões russos com destino a Caracas, a recém-indicada porta-voz do Departamento de Estado, Morgan Ortagus, conclamou todos os países a "seguir o exemplo de Malta para impedir o apoio do Kremlin ao ditador", o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

"Aplaudimos o governo do #Malta por se recusar a permitir que os aviões russos usem seu espaço aéreo para abastecer o brutal regime anterior na Venezuela. Pedimos a todos os países que sigam o exemplo de Malta para impedir o apoio do Kremlin ao ditador Maduro. #EstamosUnidosVE @MFAMalta", escreveu a porta-voz norte-americana.

Respondendo a Ortagus no Twitter, o Ministério de Relações Exteriores da Rússia destacou que os EUA deveriam continuar batendo palmas, já que isso a manteria ocupada o suficiente para não iniciar nenhuma guerra.

"Estamos nos esforçando para manter as mãos longe do gatilho. Então continue aplaudindo - pelo menos é inofensivo", rebateu.

O entendimento do Departamento de Estado dos EUA sobre "democracia" na Venezuela é apoiar o líder da oposição, Juan Guaidó, e impor sanções até que ele seja instalado no poder. As tentativas de Guaidó de reivindicar o título de "presidente interino" desde janeiro não conseguiram impressionar a polícia, os militares e a maior parte do povo venezuelano.


Lembrando aos EUA como as suas tentativas de "promover a democracia" em todo o mundo geralmente acabam, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou a repórteres na quinta-feira que a situação lamentável com o espaço aéreo de Malta não era novidade.

"Deixe-me lembrá-lo de que já passamos por isso antes", afirmou Zakharova. "Quando enviamos ajuda humanitária para a Síria, nossos aviões também tiveram negada a liberação do espaço aéreo. Lembre-se dos obstáculos que eles colocam antes dos voos russos".

Os mesmos países que buscavam impedir a ajuda russa à Síria estavam tentando realizar uma "mudança de regime" em Damasco, dando apoio ilegítimo a militantes "moderados", observou Zakharova.

"Todos nos lembramos de como isso terminou", completou ela.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041913719942-russia-gatilho-eua-venezuela/

Os EUA e a mudança de regime na Venezuela

A conspiração imperialista contra a Venezuela utiliza um amplo leque de meios: militares, económicos, mediáticos, políticos, culturais. É uma guerra de “quarta geração.” Criou e preparou os seus próprios fantoches. Inflige ao povo venezuelano todas as dificuldades e violências. Mas essa constante agressão, que teve início ainda Chávez não tinha assumido o poder, ainda não quebrou a resistência bolivariana, que exige e merece toda a solidariedade do mundo.

No quadro de uma guerra global de classes de expansionista e agressiva nos últimos 20 anos, durante quatro presidências sucessivas de democratas e republicanos na Casa Branca: William Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump, a diplomacia de guerra dos EUA tem vindo a impulsionar uma política de mudança de regime na Venezuela contra os governos constitucionais e legítimos de Hugo Chávez e Nicolas Maduro.

Acções abertas e clandestinas dos EUA inscrevem-se na dominação de espectro completo, um conceito concebido pelo Pentágono antes dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, que envolve uma política combinada, em que as componentes militar, política, económica, jurídica/para-institucional, mediática e cultural têm objectivos comuns e complementares. Uma vez que o âmbito é geográfico, espacial, social e cultural, para impor a dominação é necessário fabricar o consentimento. Ou seja, colocar na sociedade determinados sentidos comuns que, de tanto repetidos, se incorporam no imaginário colectivo e introduzem, como única, a visão de mundo do poder hegemónico. Isso implica o treino e manipulação ideológica (doutrinação) de um grupo e/ou uma opinião pública legitimadoras do modelo.

São chave para a fabricação de consenso as imagens e narrativa dos meios de comunicação de massa, com os seus mitos, meias verdades, mentiras e falsidades. Apelando à psicologia de massas e à propaganda negra impõem na sociedade a cultura do medo. A fabricação social do temor inclui a construção de inimigos internos.
Manuais do Pentágono atribuem grande importância à luta ideológica no campo da informação e ao papel dos meios de comunicação e redes sociais (Internet e telefones móveis) como armas estratégicas e políticas para gerar violência e caos planificado. Um desses documentos indica que as guerras modernas têm lugar em espaços que vão para além dos simples elementos físicos do campo de batalha. Um dos mais importantes são os meios nos quais ocorrerá a disputa da narrativa. A percepção é tão importante para o seu sucesso quanto o próprio evento. No final do dia, a percepção do que aconteceu é mais importante do que o que realmente aconteceu.

A percepção pode ser criada com base em uma notícia falsa e ser imposta às massas por meio de campanhas de operações psicológicas nos media e/ou nas redes de Internet (guerra social em rede), ou através de grupos de reflexão (Think-tank), centros académicos, fundações, ONGs e intelectuais orgânicos, a partir de matrizes de opinião elaboradas por especialistas em informações e militares. As campanhas de intoxicação (des)informativa exploram preconceitos e vulnerabilidades psicológicas, económicas e políticas da população de um país objectivo, e gerem um guião propagandístico desestabilizador, com eixo em denúncias de corrupção e repressão, rotulando o regime de turno como uma ditadura e acenando como bandeiras a defesa dos direitos humanos, a liberdade de imprensa e a ajuda humanitária.

Antes de Hugo Chávez chegar ao Governo em 2 de Fevereiro de 1999 já tinha sido começada a construir a sua lenda negra, e os meios de comunicação hegemónicos classistas e racistas venezuelanos referiam-se a ele como El Mono Chávez, Gorila rojo, um negro em Miraflores, e aos seus seguidores chamaram hordas chavistas.

Depois, e a par de a Agência Central de Inteligência (CIA) criar a organização sérvia Otpor (Resistência) e treinar os seus membros nas técnicas do golpe suave com o objectivo de derrubar Slobodan Milosevic na ex-Jugoslávia, foi sendo forjado o golpe de Estado de 2002 na Venezuela. Como parte de uma guerra não convencional e assimétrica de quarta de geração, utilizou a Internet e os meios de comunicação de massa (Venevision, Globovision, Rádio Caracas Televisión e entre outros os jornais Tal Cual, El Nacional e El universal), para promover matrizes de opinião antichavistas e projectar informação manipulada, distorcida e falsificada, com a intenção de desacreditar o governo bolivariano.

Fracassado o golpe, o lockout (bloqueio patronal) de corporações empresariais da Venezuela agrupados em Fedecámaras e Conindustria, e a sabotagem da gerontocracia da PDVSA (entidade petroleira estatal). Em 24 de Março de 2004, testemunhando perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes dos EUA, o general James T. Hill, chefe do Comando Sul do Pentágono, cunhou a designação de populismo radical em clara referência a Hugo Chávez. O termo foi de imediato usado com fins de propaganda maciça e foi adaptado no México a Andrés Manuel Lopez Obrador, o messias tropical (E. Krauze dixit).

Em Dezembro seguinte triunfava a revolução laranja de factura norte-americana na Ucrânia e, em 2005, com financiamento do Washington, eram enviados para o Centro de Acção e Estratégias Não Violentas Aplicadas (lona), da Universidade de Belgrado, na Sérvia, cinco líderes estudantis da Venezuela para formação nas políticas de mudança de regime segundo as técnicas insurreccionais das revoluções coloridas e golpes suaves de Gene Sharp. Entre eles figuravam Yon Goicoechea, Freddy Guevara e Juan Guaidó.

A combinação das técnicas de uma revolução colorida (golpe suave) com as da guerra não convencional (golpe duro), mergulhou Venezuela numa guerra híbrida
Desde 2005, a partir da experiência acumulada após os erros tácticos cometidos no breve espaço de tempo decorrido desde a chegada de Hugo Chávez ao governo: golpe de Estado, lockout patronal, sabotagem petroleira, guerra mediática e outros ardis desestabilizadores para uma mudança de regime na Venezuela, a Agência Central de inteligência e o Pentágono tinham no terreno, não obstante, os recursos humanos necessários para desenvolver uma guerra híbrida contra a revolução bolivariana: a combinação de manifestações de massas estudantis para uma revolução colorida (golpe suave) com milícias armadas para uma guerra não convencional (golpe duro).

Dois anos mais tarde, Yon Goicoechea, Freddy Guevara, Carlos Graffe, David Smolansky e Juan Guaidó, os estudantes treinados na Sérvia e autonomeados de Geração de 2007, eram elogiados pelo então embaixador dos EUA em Caracas, William Brownfield, como líderes emergentes que desafiavam o chavismo.

Até então, os cinco activistas e outros estudantes também recrutados na Universidade Católica Andrés Bello - cujo reitor era o jesuíta Luis Ugalde, uma das principais fontes dos libelos antichavistas de Enrique Krauze - tinham assistido aos cursos de formação em mudança de regime de Gene Sharp no Instituto Fletcher na Universidade Tufts, em Boston, EUA.

O movimento estudantil tinha reunido fundos do Instituto Cato dos irmãos Koch em Washington, DC, do Institute for Open Society de George Soros, da Fundação Konrad Adenauer do partido democrata-cristão alemão (da senhora Merkel) e da Fundação FAES, do neofranquista José María Aznar, e eram os quadros que deviam impulsionar na Venezuela a chamada revolução calêndula, similar das revoluções rosa (Geórgia, 2003), laranja (Ucrânia, 2004) e tulipa (Quirguistão, 2005).

Com essa tarefa, Goicoechea, Guevara, Guaidó et al participaram em 2007 nas violentas manifestações de rua (guarimbas) antigovernamentais a pretexto da não-renovação da concessão de espaço radioeléctrico a Radio Caracas Television (RCTV), por esgotamento do seu prazo legal (essa estação privada tinha participado activamente no golpe de Estado de 2002, apelando inclusivamente ao assassínio de Hugo Chávez em clara violação da Constituição).

Nessa conjuntura o movimento estudantil mãos brancas levou às ruas venezuelanas as tácticas indirectas do paradoxal caos sistémico organizado e dirigido pelo Instituto Albert Einstein de Gene Sharp e o grupo Otpor usando mesmo um logotipo semelhante ao da organização sérvia, que incluía a palavra Resistência e uma mão (símbolo também usado por Felipe Calderon na sua campanha eleitoral de 2006 contra Andrés Manuel López Obrador, sob o lema AMLO, um perigo para o México).

Com outro elemento relacionado com todas as revoluções de cores: a guerra de quarta geração, que inclui como armas operacionais e estratégicas acções psicológicas clandestinas e campanhas de (des)informação televisionadas, bem como a guerra social em rede (via plataformas como Facebook e Twitter ) como a forma mais eficiente de disseminar e viralizar a mensagem para a administração das percepções e o controlo invisível da sociedade-alvo.

Perante os reiterados fracassos dos seus planos desestabilizadores, em Novembro de 2010, já com Barack Obama na Casa Branca e com a bênção do ex-embaixador dos EUA em Caracas, Otto Reich - perito do reaganismo em propaganda negra e implicado no tráfico de cocaína do escândalo Irangate para financiar a contra nicaraguense adversa ao governo sandinista -, círculos dos serviços de informações dos EUA organizaram uma reunião de activistas estudantis venezuelanos num hotel na Cidade do México.

Nesse encontro, denominado Fiesta Mexicana, participaram membros da Geração 2007 (Goicoechea, Guevara, Smolansky, Guaidó) e dirigentes estudantis como Gaby Arellano, Daniel Ceballos e Amilcar Fernandez, além de dois generais aposentados. Da reunião, que contou com o apoio político do ex-presidente do México, Vicente Fox, surgiu um plano para derrubar o presidente Chávez gerando o caos através de prolongados espasmos de violência de rua.

Com o objectivo de gerar um golpe suave na Venezuela, a conspiração Fiesta Mexicana seria combinada a partir de 2012 com o desenvolvimento de uma infraestrutura de apoio clandestino e toda formação de um grupo subversivo capaz de realizar uma guerra de guerrilha (rural e urbana), executar acções terroristas e sabotagens estratégicas contra as forças do governo e infraestruturas críticas, difundir propaganda, traficar contrabando e reunir informações, de acordo com o manual de guerra não convencional do Pentágono (Special Forces Unconventional Warfare, também conhecido como TC 18-01).

A partir de então a combinação das técnicas de uma revolução colorida (golpe suave) com as da guerra não convencional (golpe duro), mergulhou a Venezuela numa guerra híbrida até aos dias de hoje, cujo objectivo é fragmentar o Estado e derrubar o governo constitucional e legítimo de Nicolás Maduro. Com a Casa Branca (primeiro Obama, depois Trump) exercendo a liderança velada.

Fonte: https://www.lahaine.org/mundo.php/eeuu-y-el-cambio-de
https://www.lahaine.org/mundo.php/eeuu-y-el-cambio-de-1

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

UE conivente com a propaganda de guerra contra Cuba e Venezuela

por Ramón Pedregal Casanova [*]

Não são artistas, não são pessoas de imaginação insuperável, não são construtores ou produtores: são assassinos: obscurecem o horizonte até fazê-lo desaparecer. Como é possível que haja alguém que lhes dê um palco para espalhar o seu obscurantismo aterrorizante entre as pessoas que, dia após dia, deixam suas casas para tentar obter o que necessitam? Só pode ser explicado por uma razão: partilham interesses. Pense-se nisto. Que tipo de relacionamento pode haver entre eles?

Em Bruxelas, num espaço que a Comunidade Europeia oferece como alto-falante, os bárbaros que compõem uma secção da liderança imperial, no dia 9 de abril vociferarem contra Cuba e Venezuela .

A tropa belicista é liderada por um indivíduo acusado de corrupção, tráfico de influências e outros vícios, que foi forçado a demitir-se do Congresso dos EUA em 2010, ao saírem do fundo das suas águas sujas e flutuarem à vista dos americanos, os seus "negócios" fora da lei, destacando-se os contratos com o complexo industrial-militar para promover destruição de países que não se deixam chantagear pelo império. Mas havia mais, e de grande calibre, que quando caiu na mão de outros congressistas detonaram perante o público, e isso não o puderam consentir tais personagens. Assim se foi a arrogância imperial deste golpista. Mas eu não disse o nome do abutre? Deixo aqui para que não seja esquecido: Lincoln Diaz Balart, um fascista anti-cubano. Podem ler sobre o seu caso em escandalosenmiami.wordpress.com/... e algo mais em escandalosenmiami.wordpress.com/...

Este Lincoln Díaz Balart é quem comanda o grupo.

Com ele, partilha informações Rosa Maria Paya, de quem temos informações em www.revistapueblos.org/... e em www.resumenlatinoamericano.org/... .

Outro membro escolhido para difundir o objetivo imperial é Pavel Telicka, eurodeputado da Aliança dos Democratas e Liberais Europeus, empresário e seguidor de Andrej Babis, o segundo mais rico da República Tcheca e fundador do partido de direita ANO 2011, e do "think tank" Instituto de Política e Sociedade, laboratório de estratégias para implantar o liberalismo, que poderia ser comparado ao FAES do Partido Popular na Espanha, fundação na qual se encaixam os ultraliberais e fascistas mais conhecidos.

Outro no esquadrão da direita com direito a palavra é Orlando Viera Blanco, nada mais nada menos do que o representante do fantoche egocêntrico que se auto-nomeou presidente – uma coisa nunca vista em nenhum terreno político, contra qualquer lei e toda a razão democrática – Guaidó, personagem escolhido por Trump, esse conhecido "democrata". Orlando Viera Blanco define-se na sua defesa do império com a afirmação de que as democracias mais fortes do mundo apoiam o líder golpista Guaidó, que pede aos seus pagadores para invadir o país de petróleo, diamantes, ouro e muitas outras riquezas naturais que o empório representado por Trump quer possuir. Trump, o "democrata" mais solvente, dele direi algo no fim da contagem dos ultras que utilizam a Comunidade Europeia em Bruxelas para atacar a Venezuela e Cuba.

Junto a estes, está o Comissário para os Direitos Humanos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, nomeado pela OEA, Francisco José Eguiguren Pradi. A OEA é aquele órgão que apodrece nas mãos da ultra-direita norte-americana porque não consegue por-se contra a Venezuela. Trata-se de um órgão presidido pelo conhecido mercenário Almagro, que na sua última tentativa tentou que a OEA expulsasse os representantes legítimos da Venezuela para dar lugar aos mercenários de Guaidó, a fim de que estes pedissem a invasão militar.

Mas vamos pormenorizar algo sobre o líder deste bando. Lincoln Díaz Balart foi padrinho do terrorista Guillermo Novo Sampoll, assassino de Orlanto Letelier, embaixador chileno em Washington no governo de Salvador Allende. Também patrocinou os terroristas Orlando Bosch e Posada Carriles, membros da CIA, assassinos que participaram da Operação Condor e deixaram a América Latina semeada de cadáveres de democratas a fim de impor ditaduras fascistas programadas pelos EUA. Mas se isto não bastasse, foram reconhecidos como autores da explosão durante o voo do avião da companhia aérea Cubana em 1976, causando a morte dos 73 passageiros.

Lincoln Díaz-Balart foi quem pressionou nos EUA a favor da libertação do terrorista Guillermo Novo, o assassino do embaixador socialista do Chile nos Estados Unidos, o qual foi posto em liberdade em 1989.

Ele também pressionou a presidente do Panamá, Mirella Moscoso, a libertar os terroristas Posada Carriles, Pedro Ramón Crispin, Gaspar Giménez Escobedo e Novo Sampoll, acusados e condenados por atentado contra o presidente Fidel Castro em 2003.

Continuando com a informação sobre o comandante do grupo, Lincoln Díaz Balart foi o protetor dos terroristas da organização CORU, relacionada com os ataques a Prats, Leighton e Letelier. O mais conhecido terrorista desta organização, Orlando Bosch, foi seu protegido perante o governo dos EUA para que fosse indultado. Num livro de Stella Calloni, a escritora explica como eles participaram na Operação Condor e, mais especificamente, no Chile de Pinochet.

Conhecem a história das galinhas cloradas? Nos Estados Unidos, submergem em cloro as galinhas mortas que serão colocadas à venda, e fazem isso para remover o mau cheiro e o sabor, devido à má conservação e falta de controle para a venda do produto. Lincoln Díaz Balart clorou os terroristas até que ele mesmo teve que colocar-se num caldeirão de cloro, tal a sujeira e a podridão que dele emana e o tornaram indesejável publicamente. Mas em Bruxelas, a Comunidade Europeia abre-lhe a porta.

Atrás dele está Trump, aquele que ameaça o mundo, aplica sanções, bloqueios, guerras a todos os níveis, rodeado de condenados por genocídio com apelidos como Furious Dog, golpista chefe, e outros semelhantes, como Trump que enche a boca de barbaridades, próprias de um selvagem. Acontece que ele tem uma história de covarde: aquele que tanto apela à guerra e a leva a tantos lugares do planeta para continuar o negócio da morte, quando foi convocado para ir para a Guerra do Vietname escapou-se por cinco vezes com falsas doenças, defeitos físicos e outros pretextos que foram descobertos como falsos.

Trump e seus comandos em Bruxelas fingem ser como o calor solar que produziu explosões de minas na costa vietnamita em 1972, na guerra do Vietname, da qual escapou. O calor excessivo activou as minas que os assassinos imperialistas colocavam. Eles querem produzir algo semelhante, desde longe, para fazer explodir suas minas europeias contra Cuba e Venezuela, para que a Europa seja usada contra o surgimento de um modelo social alternativo ao capitalismo em plena decadência.

Mas há outro dado sobre Trump como representante daquele sistema decrépito em que o império vive: segundo estudo realizado pela Universidade de North Texas que o Washington Post tornou público, naqueles territórios que deram mais votos a Trump devido ao seu discurso racista e xenófobo, os actos criminosos contra pessoas que não são brancas quadruplicaram. Por extensão, a nível internacional, podem-se ver os mesmos efeitos, a extrema direita cresce e, para esse fim, Trump apoia Lincoln Diaz Balart e seu grupo fascista na sua viagem a Bruxelas a fim de fazer a sua proposta estratégica de atacar a Venezuela e Cuba.

Estamos no 70º aniversário da criação da NATO, os celebrantes abrem o caminho para o bando de Lincoln Díaz Balart. Devemos dizer quem são e quais as suas intenções, trabalhar pela defesa dos povos que, conscientes de sua liberdade, não querem o império.

08/Abril/2019

[*] Autor dos livros: "Gaza 51 días", "Palestina. Crónicas de vida y Resistencia", "Dietario de Crisis", "Belver Yin en la perspectiva de género y Jesús Ferrero", y "Siete Novelas de la Memoria Histórica. Posfacios". É Presidente da Associação Europeia de Cooperação Internacional e Estudos Sociais AMANE, Membro da Comissão Europeia para o Apoio aos Presos Palestinos. Membro da Frente Anti-imperialista Internacionalista (FAI).

O original encontra-se em https://www.rebelion.org/noticia.php?id=254550

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/cuba/propaganda_de_guerra.html

Chomsky: Prisão de Assange é "escandalosa" e destaca o alcance extraterritorial dos EUA

Chomsky
Em entrevista ao Democracy Now, Noam Chomsky afirmou que “a prisão de Assange é escandalosa em vários aspetos”. Um deles é o papel de vários governos no sentido de silenciar o ciberativista. Outro é o controlo que os EUA têm sobre o que se passa noutras partes do mundo.
Países como os Estados Unidos da América, o Reino Unido, o Equador ou a Suécia uniram esforços para “silenciar um jornalista que estava a produzir materiais que as pessoas no poder” não queriam que fosse do conhecimento do público em geral, afirmou o ativista político norte-americano.

“Esse é o tipo de coisa, o tipo de escândalo, que acontece, infelizmente, de novo e de novo”, frisou.

Chomsky deu o exemplo também da prisão de Lula, condenado a um “confinamento solitário, essencialmente uma sentença de morte, 25 anos de prisão, proibido de ler jornais ou livros e, crucialmente, impedido de fazer uma declaração pública - ao contrário dos assassinos em massa no corredor da morte”.

“Isso, a fim de silenciar a pessoa que provavelmente venceria a eleição. Ele é o prisioneiro político mais importante do mundo. Ouvimos alguma coisa sobre isso?”, questionou.

De acordo com o linguista e filósofo, “Assange é um caso similar”, é alguém que tem de ser silenciado. Avançando ainda com o exemplo da prisão de Antonio Gramsci, pelo governo fascista de Mussolini, Chomsky assinalou que “Isso é Assange. Esse é o Lula. Existem outros casos. Esse é um escândalo”.

O que também é “chocante” no entender de Noam Chomsky é “o alcance extraterritorial dos Estados Unidos”, o controlo que o país tem sobre o que os outros estão a fazer noutras partes do mundo.

“É uma situação estranha” que acontece a todo o momento, realçou.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/chomsky-prisao-de-assange-e-escandalosa.html

Qual é a meta do centro estratégico dos EUA que convocou reunião secreta contra Venezuela?

Bandeiras da Venezuela e dos EUA
© AFP 2019 / Don Emmert

A reunião secreta convocada pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) dos EUA aconteceu em um contexto marcado pela ameaça de intervenção militar contra Venezuela. Mas o que é esse centro e quais seus reais objetivos?

Previamente, o CSIS organizou uma reunião privada denominada "Avaliação do uso da força militar na Venezuela", que alegadamente será submetida às autoridades políticas e judiciais internacionais por Caracas.

De acordo com o próprio site do centro, o CSIS é definido como uma organização de pesquisa "sem fins lucrativos" que se dedica a fornecer "ideias estratégicas e soluções políticas".


A instituição foi criada em 1962 por Ray S. Cline, o então diretor de pesquisa da Agência Central de Inteligência (CIA), e servia como lugar "preferido dos analistas da Guerra Fria", segundo escreve o portal Voltaire.

Já para o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, o instituto é um promotor das guerras americanas, que são financiadas por "corporações petrolíferas" e "produtores de armas" dos EUA.

Na página da web do CSIS há uma seção separada nomeada de "Iniciativa Venezuela", na qual propõe como os Estados Unidos, juntamente com a comunidade internacional, devem promover "ações mais eficazes e coordenadas" para o que chamam de "dia seguinte" no país caribenho.

Segundo o site, o centro estratégico disponibiliza essas "análises e recomendações" para a Venezuela, pois crê que uma vez que o país caribenho conta com "um governo legítimo e democraticamente eleito", a nação bolivariana enfrentará "uma variedade de desafios sociais, econômicos, de segurança, legais, institucionais e humanitários",

Sobre isso comentou o diplomata Moncada, que classifica o centro como um dos principais "órgãos de propaganda que promovem a guerra contra Caracas em Washington". Para o embaixador venezuelano, o CSIS é tão influente em setores opostos à revolução bolivariana que conseguiu que Gustavo Tarre fosse nomeado como representante permanente "designado" pelo parlamento venezuelano, liderado pelo oposicionista Juan Guaidó.


Moncada garantiu que Tarre, com o aval do CSIS, logo "pedirá uma invasão humanitária" na Venezuela, aludindo ao uso de meios militares para depor o governo do presidente Nicolás Maduro.

A polêmica notícia sobre o encontro foi publicada pelo jornalista investigativo norte-americano Max Blumenthal no site Grayzone, que confirmou que a reunião prova que "as opções militares estão sendo seriamente consideradas neste momento", depois que "todos os outros mecanismos que Trump colocou em jogo parecem ter falhado".

A crise política venezuelana se agravou depois da autoproclamação de Guaidó, em 23 de janeiro. O presidente Maduro classificou a ação como um "golpe de Estado" liderado pelos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041713697520-meta-centro-estrategico-eua-convocou-reuniao-secreta-venezuela/

Maduro exige que Portugal desbloqueie fundos da Venezuela no valor de US$ 1,7 bilhão

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela (foto de arquivo)
© Sputnik / Sergei Guneev

O presidente venezuelano Nicolás Maduro exigiu que o governo de Portugal desbloqueie mias de 1,7 bilhão de dólares que o país europeu mantém retidos e que são destinados para comprar medicamentos e alimentos.

"Em um banco em Portugal nos sequestraram, de onde pagámos medicamentos e alimentos, nos sequestraram 1,726 bilhão de dólares […] Peço ao Governo de Portugal que desbloqueie os recursos. Por que nos tiram esse dinheiro? É o nosso!", declarou Maduro em uma transmissão na rádio e televisão.

O presidente também apelou ao presidente dos EUA Donald Trump e à chefe de política externa da UE, Federica Mogherini para libertarem dinheiro bloqueado no âmbito das sanções econômicas impostas contra Caracas.


Em 16 de abril na Venezuela começou a distribuição da ajuda humanitária da Cruz Vermelha Internacional, equiparada pela organização da entrega de ajuda humanitária na Síria da Síria.

"Chegamos a um acordo e eu disse sim por bem, tudo de bom, tudo constitucional, por nada coisas ruins, nada ilegal, assinamos um acordo e a Cruz Vermelha enviou hoje o primeiro lote de ajuda, legalmente", disse Maduro.

O presidente lembrou que existem acordos com a China, Rússia, Bielorrússia, Irã e Índia, e que toneladas de ajuda necessária para o país cchegam à Venezuela cada semana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041713696989-maduro-exige-portugal-desbloqueie-fundos-retidos-venezuelanos/

'Algo dramático': EUA saberiam o que devem fazer para conseguir algo na Venezuela?

Líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó, durante comício em San Mateo, Venezuela, em 22 de março de 2019
© REUTERS / Carlos Jasso

De acordo com relatório exclusivo do projeto Grayzone, 40 conselheiros militares e estrategistas de alto escalão se encontraram durante um evento no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, para discutir eventual intervenção militar norte-americana na Venezuela.

O encontro teria ocorrido no dia 10 de abril, contando com as pessoas mais influentes por trás da política do presidente Donald Trump na Venezuela. Havia também autoridades das embaixadas do Brasil e da Colômbia, assim como representantes da oposição venezuelana.

Durante entrevista à Sputnik Internacional, Francisco Dominguez, da Campanha de Solidariedade da Venezuela, afirmou acreditar que os EUA não pretendem encontrar uma saída alternativa a não ser a intervenção militar, já que os norte-americanos estão tentando de todas as maneiras fazer com que isso aconteça, inclusive através de um ataque sem precedentes ao sistema de eletricidade da Venezuela.

Além disso, Francisco Dominguez ressalta que todas as tentativas dos EUA em desestabilizar a política venezuelana falharam e estão sendo desvantajosas para os próprios EUA, já que a Venezuela está se reorganizando no mercado global, e é por isso que os norte-americanos não veem outras opções a não ser a intervenção militar.


Com relação aos envolvidos, o analista acredita que todos os envolvidos na reunião secreta participaram de ações anteriores para desestabilizar a nação bolivariana e que não há surpresa quanto aos nomes mencionados, entretanto, a maior surpresa é que os envolvidos sempre se dizem a favor da democracia e dos direitos humanos, como por exemplo, Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano.

O analista acredita que, depois do governo de Hugo Chávez, os EUA acreditavam ser capazes de retirar o governo venezuelano do poder, algo que os norte-americanos desejam desde 1999. É por isso que os norte-americanos lançaram imediatamente uma guerra econômica, porém, falharam todas as vezes que tentaram. E, mais uma vez, estão tentando através do líder da oposição venezuelana, considerado um novo tipo de presidente, estratégia que também não está funcionando.

Os EUA também tentaram alcançar objetivo através de uma possível tentativa de ajuda humanitária pela fronteira, sendo mais um fracasso norte-americano, reforça o analista, acrescentando que norte-americanos ainda tentaram ataque cibernético e ataque ao sistema elétrico venezuelano, fracassando em todas essas tentativas. Francisco Dominguez acredita que os EUA perceberam que terão que fazer algo dramático para derrubar o governo da Venezuela. "E o tempo, neste sentido, está do lado de Nicolás Maduro."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019041613694162-dramatico-eua-conseguir-venezuela/