Uruguai

Chanceler uruguaio anuncia renúncia após se recusar a chamar Venezuela de "ditadura"

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247 - Depois de cumprir apenas três meses no cargo, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Ernesto Talvi, anunciou que está renunciando depois de se recusar a chamar a Venezuela de "ditadura", considerando que ele deveria usar "linguagem respeitosa". A informaçãoé do portal Página 12.

A data de sua saída ainda não foi divulgada, nem se sabe quem o substituirá no cargo. O comentário de Talvi sobre a Venezuela gerou tensões internas na coalizão da direita uruguaia.

Segundo a reportagem, o presidente Luis Lacalle Pou havia prometido durante a campanha eleitoral que ele mudaria a política externa desenvolvida pelos governos da Frente Ampla, antecipando o reconhecimento da oposição Juan Guaidó como "presidente encarregado" da Venezuela. Embora o ministro das Relações Exteriores Talvi tenha admitido ao seu governo que no país bolivariano "os direitos humanos são sistematicamente violados", ele enfatizou que havia concordado em "evitar o uso dos termos usados ​​na campanha porque sentimos que havia uma oportunidade de abrir um porta para contribuir para um diálogo que permita uma solução democrática na Venezuela ".

 

CGTP-IN solidária com os trabalhadores e o povo do Uruguai

urgente uruguayA CGTP-IN enviou uma mensagem de solidariedade aos trabalhadores uruguaios e ao PIT-CNT, a sua central sindical, por motivo da mobilização e luta populares do passado dia 4 de Junho.

A CGTP-IN saudou e valorizou a luta contra o aumento do custo de vida e da pobreza, o corte nos rendimentos do trabalho, em defesa do direito à saúde, de mais protecção social e melhores condições de trabalho e de vida; e valoriza a unidade dos trabalhadores e do povo contra o retrocesso democrático em que está empenhado o governo da direita uruguaia, do qual decorre a tentativa de impor graves limitações aos direitos de greve, protesto e liberdade de organização dos trabalhadores.

Valorizou ainda a resposta de luta e combate do PIT-CNT, com quem mantém uma relação de amizade e cooperação em defesa dos interesses de classe dos trabalhadores.

08.06.2020
INT /CGTP-IN 

Ver original aqui

Uruguaios mobilizam-se em defesa da saúde, do trabalho e dos salários

Centenas de trabalhadores concentraram-se frente ao Palácio Legislativo em «defesa da saúde do povo, pelo trabalho e pelos salários». «Nenhum uruguaio pode ficar sem apoio», sublinhou o PIT-CNT.

Centenas de trabalhadores manifestaram-se em Montevideu em defesa do trabalho e dos saláriosCréditosDiego Battiste / El Observador

Em dia de greve parcial convocada pelo Plenário Intersindical dos Trabalhadores – Convenção Nacional dos Trabalhadores (PIT-CNT), centenas de pessoas espalharam-se pela Avenida Libertador adiante, frente ao Palácio Legislativo, em Montevideu, em protesto contra o projecto de Lei de Urgente Consideração (LUC), promovido pelo governo de Luis Lacalle Pou e que já foi aprovado no Senado.

Marcelo Abdala, secretário-geral do PIT-CNT, afirmou esta quinta-feira que a LUC não dá resposta «aos problemas actuais do povo» e «não está à altura das necessidades das grandes maiorias populares», além de pôr em causa as liberdades individuais e o direito à greve.

Acompanhado no estrado por representantes de várias organizações, Abdala falou para centenas de trabalhadores com máscaras na cara e em pé nos lugares que haviam sido pintados no chão. O sindicalista acusou o governo uruguaio, de direita, de «abusar ao declarar [a lei como] urgente», quando regulamenta «matérias carentes de urgência» e não «ataca os efeitos sociais da crise». «Perguntamos então o que é urgente num contexto de emergência sanitária?», questionou.

Numa jornada de luta que decorreu sob o lema «A emergência são as pessoas», Abdala sublinhou que «o maior esforço do país tem de estar ao serviço da criação de emprego» e da luta contra a desigualdade, referem a Prensa Latina e a TeleSur.

Montevideu, Avenida Libertador (4/6/2020) / Diego Battiste / El Observador

«Estamos perante uma crise sanitária, social e económica de novo tipo, que necessita de soluções imediatas de novo tipo», afirmou o dirigente sindical ao referir-se aos impactos socioeconómicos da emergência sanitária.

Neste contexto, lembrou que no Uruguai há actualmente 200 mil trabalhadores com subsídio de desemprego, 75 mil a receber baixa e que 400 mil não têm qualquer apoio por não estarem inscritos da Segurança Social. «No nosso país, a Universidade da República estima que, se não forem tomadas medidas adicionais urgentes, más de 100 mil compatriotas serão atirados para a pobreza», disse.

A propósito dos propalados «ajustes salariais», Abdala sublinhou que «é fundamental proteger os rendimentos e os salários» dos trabalhadores, os pequenos empresários – «cujos interesses estão objectivamente muito mais perto da enorme classe trabalhadora do que da enorme riqueza acumulada» – e, sobretudo, os sectores mais desfavorecidos, num momento em que inflação atinge os 11%.

Neste sentido, advogou o «controlo de preços e bens de primeira necessidade a preços acessíveis», e defendeu que cada família tenha um rendimento básico de emergência por um período de três meses, equivalente ao salário mínimo nacional, para que «nenhum uruguaio fique sem apoio», informa El Observador.

«Habituarmo-nos ao desamparo não pode ser o caminho. O Estado tem de dar a resposta», frisou.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/uruguaios-mobilizam-se-em-defesa-da-saude-do-trabalho-e-dos-salarios

Caia quem cair, temos que saber a verdade, diz presidente do Paraguai sobre caso Ronaldinho Gaúcho

 

247 -O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benitéz, afirmou que determinou uma investigação profunda sobre o caso dos passaportes falsos utilizados pelo ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Roberto de Assis para entrarem no país. Em uma entrevista à televisão, Benitéz afirmou que disse ao ministro do Interior Euclides Acevedo, que “caia quem cair, temos que saber a verdade”.

Benitéz disse, ainda, que será aberta uma auditoria no órgão responsável pela emissão de passaportes e cédulas de identidade. Nesta terça-feira (10), será realizada uma nova audiência para definir se Ronaldinho será mantido em prisão domiciliar. O empresário brasileiro Wilmondes de Souza Lira, que foi detido na última quinta-feira, também foi transferido de uma prisão comum para o mesmo local onde o ex-jogador se encontra atualmente.

 

"Jovens precisam lutar pela igualdade e pela justiça", diz Mujica

 

Da Rede Brasil Atual – Na noite deste sábado o Festival dos 40 anos do PT promoveu uma mesa de diálogo entre os ex-presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o do Uruguai, Jose Pepe Mujica. Entre os temas abordados estiveram o atual modo de vida, as transformações do mundo do trabalho e a necessidade de se participar da vida política para a promoção de um mundo mais justo e menos desigual.

Mujica fez uma reflexão sobre a predominância do trabalho no dia a dia das pessoas. “A vida se vai e a pergunta é: basta gastar sua vida pagando contas, e contas, e contas? E você vai ter tempo para os afetos, para o amor, para seus filhos e amigos ou vai ser escravo do mercado? Essa é a pergunta que você tem que fazer”, provocou. “A vida não é só trabalhar, é preciso viver.”

O ex-presidente do Uruguai também criticou o consumismo. “Confunde-se felicidade com comprar, mas assim você não vai ser feliz, vai ser escravo das contas”, ponderou. “O mundo melhorará se o jovem se comprometer, se for capaz de gastar tempo da sua vida lutando pela justiça e pela igualdade em nossas vidas.”

Em sua intervenção, Lula criticou a flexibilização das leis trabalhistas e o uso de termos como o “empreendedorismo individual” para justificar a exploração do trabalhador. “Agora dizem para você que não vai ter mais emprego, que você vai trabalhar em casa, vai fazer o que aparecer e vai ser chamado de microempreendedor”, disse.

Para o ex-presidente, é necessária a ação estatal para assegurar a dignidade ao trabalhador. “Eu quero saber se é apenas o mercado que vai reger nossas condições de vida ou se o Estado vai agir para proteger os brasileiros que precisam de proteção do Estado”, contestou. “As pessoas trabalham sem parar, na hora do almoço, quando vão ao banheiro, quando voltam pra casa, uma infinidade de horas sem saber que estão trabalhando, e não ganham nada com isso A vida melhorou? A vida não melhorou.”

Lula refletiu que as transformações e facilidades que aparentemente tornam mais tranquila a vida das pessoas implicam em piores condições de vida e trabalho para muitos, acarretando em insegurança para a classe trabalhadora de forma geral. “Hoje um companheiro com um diploma universitário não tem a segurança que eu tinha com diploma de torneiro mecânico”, avaliou. “Estão transformando nós, seres humanos, em algoritmos.”

 

A importância da política

O ex-presidente brasileiro também destacou a necessidade de as pessoas participarem da vida política do país, em especial a juventude. “Ou assumimos a responsabilidade de fazer e discutir política ou seremos levados de roldão como aconteceu nas últimas eleições. Não existe saída fora da política”, afirmou. “Tem que se pensar como organizamos o movimento sindical outra vez, como organizar as lutas.”

Ele deu um exemplo concreto das consequências da omissão em relação à política. “Se a sociedade não tiver força este ano para aprovar o Fundeb no Congresso Nacional e se ele acabar, será um prejuízo inestimável para a sociedade brasileira. Vão só xingar o Bolsonaro e o ministro da Educação ou vamos pra rua exigir que eles possam mudar?”, questionou.

Mujica também ressaltou a importância da política. “Os seres humanos são gregários, não podemos viver em solidão, vivemos em grupos sociais. Tinha razão Aristóteles quando dizia que o homem é um animal político”, explicou. “A política é uma necessidade humana e não uma profissão, um trabalho. Não é um trabalho para ganhar dinheiro. A política é uma paixão, um compromisso e o político tem que aprender a viver como vive a maioria do seu povo e não como vive a minoria privilegiada.”

 

Em sua fala, Lula ainda falou a respeito do papel dos partidos oposicionistas e provocou o atual presidente. “O PT tem que lamentar do Bolsonaro ter sido eleito presidente pelo povo brasileiro. mas, ao mesmo tempo, para quem quer fazer oposição no país, não tem nada melhor que ter o Bolsonaro na presidência para fazer oposição de verdade.”

Uruguai perde com fiasco econômico de Brasil e Argentina: 'Vizinhos estão doentes', diz Mujica

Ex-presidente do Uruguai e atual senador, José Mujica, durante conferência na Universidade Iberoamericana (UIA), na Cidade do México, em 2 de dezembro de 2019
© REUTERS / Luis Cortes

Em visita ao México, o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, fala sobre derrocada da esquerda no país e futuro da América Latina e alerta: solução não está nas "velhas instituições" como a OEA.

Em conversas com estudantes e jornalistas, o ex-presidente e atual senador uruguaio, José "Pepe" Mujica, disse que a América Latina deve se unir para enfrentar os desafios geopolíticos atuais.

"Sou um sonhador. A América Latina é uma nação ainda não construída [...] construímos vários países. Mas ainda não construímos uma nação", disse.

Para ele, as grandes potências estão se unindo em grandes blocos multinacionais. Nesse contexto, uma América Latina dividida não teria futuro.

"O mundo está se organizando em torno de unidades colossais de Estados multinacionais. A China é uma nação multinacional milenária, a Índia também. A Europa, com todas as suas contradições, luta há um tempo por se unir", explicou.

"E a grande pergunta é: o que vamos fazer nesse mundo nós os latino-americanos atomizados em um conjunto de repúblicas?", questionou.

Para ele, a solução para a divisão latino-americana será apresentada pelas novas gerações, e não por "instituições velhas [...] como a Organização dos Estados Americanos (OEA)".

Derrota na esquerda no Uruguai

Questionado sobre a recente derrota da coalizão de esquerda no Uruguai, Mujica considerou que a estagnação econômica no país, causada em certa medida pelas crises no Brasil e Argentina, teve papel fundamental na vitória do candidato da centro-direita Luis Lacalle Pou nas últimas eleições presidenciais.

"Tivemos um período de crescimento, mas agora a economia está um pouco congelada, porque temos dois vizinhos enormes que estão doentes", disse.

Para o senador, o Uruguai deve se esforçar para não ser "arrastado" para a estagnação econômica da Argentina e do Brasil.

Mujica deixa sessão eleitoral com seu famoso fusca azul claro, em Montevidéu, em 27 de outubro de 2019
© AP Photo / Matilde Campodonico
Mujica deixa sessão eleitoral com seu famoso fusca azul claro, em Montevidéu, em 27 de outubro de 2019

Visita a Evo Morales

Mujica contou que visitou o mandatário deposto da Bolívia, Evo Morales, que recebeu asilo político no México:

"Sou amigo de Evo há muitos anos [...] Nós fomos presidentes, mas não deixamos de ser humanos e temos sentimentos […] Fui visitar um latino americano machucado", contou.

O ex-presidente agradeceu ao México por fornecer asilo ao boliviano e manifestou esperança de que a crise no país andino se resolva de maneira democrática:

"Espero que a desgraça que assola a Bolívia possa ser superada. Parece que há uma saída mais ou menos democrática”, disse, se referindo às prováveis eleições gerais bolivianas.

Recebi a visita do meu irmão Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai e lutador social incansável pela dignidade dos nossos povos. Agradeço a sua solidariedade com a nossa querida Bolívia nesses tempos.

Mujica demonstrou preocupação com a ascensão da intolerância e do fanatismo na América Latina:

"O fanatismo é uma atitude humana. É a negação permanente da convivência, da aceitação intelectual do diferente. O fanatismo é negar o reinado da dúvida. O fanatismo significa ignorar o pouco que sabemos e significa não tolerar a nossa pequenez diante dos desafios que temos que enfrentar", considerou.

Em 28 de novembro, o Tribunal Eleitoral do Uruguai confirmou a vitória do candidato do Partido Nacional, considerado de centro-direita, Luis Lacalle Pou, nas eleições presidenciais. A vitória colocou fim a 15 anos de governo da esquerda no país platino.

Sapatos do senador e ex-presidente uruguaio José Mujica. Com 84 anos, Mujica governou o Uruguai entre 2010 e 2015
© REUTERS / Luis Cortes
Sapatos do senador e ex-presidente uruguaio José Mujica. Com 84 anos, Mujica governou o Uruguai entre 2010 e 2015

José "Pepe" Mujica, por sua vez, foi eleito senador pela coalizão de esquerda Frente Ampla. O agricultor e político foi presidente do Uruguai entre 2010 a 2015, quando obteve 65% de aprovação pela sua gestão.

O ex-presidente e atual senador recebeu o título de "doutor honoris causa" da Universidade Ibero-Americana, na Cidade do México.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019120314846602-uruguai-perde-com-fiasco-economico-de-brasil-e-argentina-vizinhos-estao-doentes-diz-mujica/

Eleição presidencial 'empata' no Uruguai e tem resultado adiado

Os dois principais candidatos à presidência do Uruguai, Daniel Martínez, da Frente Ampla (à esquerda) e Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, (à direita) se cumprimentam durante um debate presidencial no Canal 4, em Montevidéu no dia 1º de outubro.
© REUTERS / Andres Cuenca Olaondo

Com a apuração da eleição presidencial quase concluída, o candidato da centro-direita, Lacalle Pou, está à frente do rival de centro-esquerda, Daniel Martínez. Porém, a pequena diferença entre ambos fez com que as autoridades adiassem o resultado oficial.

Devido a uma diferença de pouco mais de 30 mil votos entre os candidatos na apuração em andamento, o Tribunal Eleitoral uruguaio decidiu não divulgar o resultado hoje e adiá-lo para o dia 29 de novembro.

Os dados mais recentes publicados dão conta de que 99,31% das urnas foram apuradas no Uruguai. Lacalle Pou, do Partido Nacional, tem 1.160.829 votos. Já seu adversário, Daniel Martínez, da Frente Ampla, tem 1.130.248 votos. A diferença entre os candidatos é de 30.581 votos e ainda pode diminuir.

Pesquisas de boca de urna chegaram a apontar a vitória de Lacalle Pou logo após o final da votação. Dados da companhia Cifra indicavam que o candidato de centro-direita obteve 49,5% dos votos, contra 46,4% de Martinez. O candidato da direita também tinha vantagem nas pesquisas eleitorais, conforme publicou o jornal El País.

A margem estreita de votos pode ser decidida pelos chamados votos observados, que são os de eleitores que votaram fora de suas sessões eleitorais. Os dados mais recentes apontam que esses votos podem totalizar até 34.900 nestas eleições.

Cerca de 2,7 milhões de uruguaios foram à urnas ao longo do domingo (24).

Lacalle Pou anuncia vitória, mas aguardará resultado oficial

Lacalle Pou afirmou após o anúncio inusitado do Tribunal Eleitoral que sua coalizão venceu a disputa do 2º turno das eleições uruguaias, mas que aguardará os resultados oficiais. Em torno dele, diversos partidos conservadores e de direita formaram uma aliança para derrotar a centro-esquerda.

Segundo publicou o jornal El País, no entanto, o candidato não pretende atacar a agenda de direitos criada pela esquerda no país, mas que deve focar em mudanças na economia e na gestão da segurança pública.

O candidato de direita é filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, que governou o Uruguai entre 1990 e 1995, e da ex-senadora Julia Pou. O candidato do Partido Nacional também já exerceu os cargos de deputado e senador no país.

Martínez anima suas bases com discurso de esperança

Em discurso à sua base eleitoral, Daniel Martínez afirmou que ainda é possível vencer o 2º turno das eleições. O candidato da situação foi o primeiro a falar publicamente após as eleições e informou o público da decisão do Tribunal Eleitoral de adiar o resultado.

Martínez afirmou que os votos observados podem ser decisivos e disse que já é certo que nenhum dos candidatos atingirá os 50% dos votos.

15 anos de centro-esquerda no poder

O já aguardado segundo turno entre Daniel Martínez, da Frente Ampla e Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, representa um desafio para os 15 anos do partido de Martínez à frente do Executivo no país.

A Frente Ampla está no poder desde 2005 no Uruguai, primeiro com Tabaré Vázquez (2005-2010), depois com Pepe Mujica (2010-2015), e novamente com Vásquez (2015-2020). Uma vitória de Martínez seria a 4ª seguida do partido que virou símbolo de progressismo na região.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019112514816985-eleicao-presidencial-apertada-no-uruguai-tem-resultado-adiado/

Ex-presidente José Mujica é eleito senador no Uruguai

Presidente do Uruguai, José Mujica.
© AP Photo / Matilde Campodonico

O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, foi eleito senador do país durante as eleições ocorridas neste domingo (27).

Mujica renunciou ao cargo no Senado em 2018 , quando justificou que "estava cansado da longa viagem" e se afastaria "antes de morrer de velho".

Nessas eleições Mujica decidiu se candidatar pelo Movimiento de Participación Popular (MPP), que faz parte da coalizão de esquerda Frente Ampla. O partido vai disputar a presidência em segundo turno, apoiando o candidato Daniel Martínez.

Os cidadãos uruguaios votaram para presidente e vice, deputados e senadores. No segundo turno, Daniel Martínez enfrentará Luis Lacalle Pou, candidato de direita pelo Partido Nacional. No primeiro turno, Martínez obteve 38,6% dos votos, enquanto Lacalle Pou obteve 28,2%.

Mujica disse que deve voltar às ruas para fazer campanha para Martínez, na disputa do segundo turno. A coalizão da qual Mujica e Martínez fazem parte está há 15 anos no poder.

A Frente Ampla elegeu 13 senadores e 41 deputados. O Partido Nacional elegeu 10 senadores e 31 deputados. O Partido Colorado conquistou 4 vagas para o Senado e 13 para a Câmara. O partido Cabildo Abierto, fundado este ano, conquistou 3 vagas para o Senado e 11 para a Câmara dos Deputados. O Partido Independente e o Partido da Gente conquistaram, cada um, um assento na Câmara.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019102814701707-ex-presidente-jose-mujica-e-eleito-senador-no-uruguai/

Eleição no Uruguai: Martínez e Lacalle Pou vão ao segundo turno

Daniel Martínez, candidato à presidência do Uruguai pelo Frente Amplio
© REUTERS / Mariana Greif

Dados preliminares da eleição uruguaia indicam que o governista Daniel Martínez (Frente Amplio) e o opositor Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, disputarão o segundo turno no próximo dia 24 de novembro.

De acordo com fontes citadas pelo El País, Martínez obteve 39,9% dos votos, contra 29% de Lacalle Pou. Completam a disputa Ernesto Talvi (Partido Colorado), com 12%, e Guido Manini Ríos (Cabildo Abierto), com 10,5%. 

"Já começamos o caminho do diálogo. Agora, os uruguaios votarão com base em critérios diferentes e com base das pessoas. Vamos dialogar com outros atores", disse o candidato governista durante discurso na sede eleitoral do Frente Amplio, segundo um correspondente da Sputnik.

"O próximo governo não será o governo do Partido Nacional, será o governo liderado pelo Partido Nacional. Quero agradecer a intenção de avançar nessa abordagem multicolorida de Ernesto Talvi, Guido Manini Ríos, Edgardo Novick ( Partido del Pueblo), Pablo Mieres (Partido Independente)", disse Lacalle em discurso para seus seguidores no centro da capital uruguaia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019102714699215-eleicao-no-uruguai-martinez-e-lacalle-pou-vao-ao-segundo-turno/

'Bolsonaro uruguaio': ex-chefe do Exército vira fenômeno antes do pleito de outubro

Guido Manini Ríos, ex-comandante do Exército uruguaio e candidato à presidência do país
© AP Photo / Matilde Campodonico

O Uruguai terá eleições presidenciais e legislativas no próximo dia 27 de outubro, e o país que ficou famoso recentemente por governos de esquerda, de forte defesa dos direitos humanos, pode ter a sua versão do líder brasileiro Jair Bolsonaro.

"Em breve vão nos impor uma lei pela qual a homossexualidade é obrigatória", reclamou Guillermo Domenech, candidato a vice-presidente do Uruguai para o novo partido Conselho Aberto em um recente evento de campanha.

A frase, irônica, reflete o caráter desse grupo que se tornou a grande surpresa da corrida eleitoral uruguaia.

Oposto a uma agenda de direitos consagrados pela esquerda no poder, como a legalização da maconha ou uma lei para apoiar a comunidade transexual e liderada por um ex-comandante em chefe do Exército, em menos de seis meses, o Conselho Aberto já está emergindo como a terceira ou quarta força política do país, com a intenção de voto que hoje varia entre 7% e 12%, segundo pesquisas, e continua a crescer.

A ascensão desse novo partido, que alguns analistas chamam de ultraconservador ou ultradireita, se baseia em um discurso que apela a restabelecer a autoridade em um país devastado por uma onda de crimes sem precedentes.

"Se eu colocar ordem no caos, no relaxamento que se vê hoje, se estiver certo, sou da direita e não tenho vergonha de dizer isso", afirmou o general Guido Manini Ríos, candidato à presidência pelo novo partido, em uma entrevista no canal público TV Ciudad.

Quando ele fala sobre o fim do "relaxamento", Manini Ríos se refere à interrupção de uma onda de crimes que em 2018 gerou um registro de homicídios e um aumento incessante de roubos com violência.

"Vamos pôr fim a que sigam nos matando na esquina, vamos pôr fim ao viver escondidos, trancados, com horas para sair e horas em que não podemos sair. Vamos pôr fim [à sensação de] viver com o coração na boca", acrescentou ele na mesma entrevista.

'Ideologia de gênero'

O novo partido questiona "a agenda de direitos" consagrada em uma série de leis promovidas pela coalizão de esquerda Frente Ampla nos 15 anos em que está no governo: aborto, casamento gay, venda de maconha em farmácias e direitos à comunidade trans. O Conselho Aberto propõe uma agenda alternativa de direitos, que garante segurança e emprego, e seu programa propõe a revogação do mercado legalizado da maconha e a revisão de textos escolares com conceitos de "ideologia de gênero" e guias educacionais sobre sexo. Manini Ríos também disse que é contra o aborto.

O uruguaio de 60 anos anunciou sua candidatura à presidência alguns dias após o dia 12 de março, quando foi demitido do cargo de comandante pelo presidente Tabaré Vázquez, porque questionou fortemente a maneira como o Judiciário tratava casos militares acusados de violar os direitos humanos durante a ditadura militar que governou entre 1973 e 1985. Além disso, ele enfrenta uma acusação por ter escondido que um militar confessou em uma corte de honra do Exército que jogou o corpo de uma pessoa desaparecida em um rio em 1973.

Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai, discursa em São Paulo para empresários
© AP Photo / Andre Penner
Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai, discursa em São Paulo para empresários

Quando ele lançou sua candidatura, a maioria dos analistas previu pouco sucesso, mas a intenção de votos que ele coleciona hoje lhe permitiria obter um forte grupo parlamentar.

"Vou votar em sua visão de mundo política continental, porque mostra que, em seu trabalho como comandante em chefe, ele fez contato com os problemas subjacentes do país, gerando uma enorme preocupação nele, e porque mostra que ele ama o povo e não quer nada para si mesmo", disse Gerardo Ruiz, professor de artes plásticas de 56 anos, à Agência Associated Press.

Os eleitores do novo partido se concentram especialmente em dois setores: o interior do país e os setores mais pobres da sociedade, avaliou Alain Mizrahi, diretor da Radar, uma empresa de medição de opinião pública no Uruguai.

Para o cientista político Adolfo Garcé, o sucesso do Conselho Aberto é explicado por uma combinação de razões. O primeiro é que Manini Rios reúne muitos votos na chamada "família militar": pessoal das Forças Armadas, ativo e aposentado, e seus parentes.

"Mas não é só isso. Seu sucesso também é explicado por duas outras razões. Por um lado, havia uma demanda insatisfeita da direita no Uruguai. Os grandes partidos da oposição correram para o centro e não representam mais o eleitor de extrema-direita, que reivindica ordem, autoridade, está farto da agenda de novos direitos e propõe retornar ao conservadorismo moral. Além disso, Manini conseguiu capturar muitas pessoas frustradas com a política tradicional", explicou.

Outros países da região elegeram recentemente presidentes de direita. Mari Abdo Benítez assumiu em 2018 como presidente do Paraguai, e Jair Bolsonaro no Brasil em 2019. Este último obteve poder com uma posição semelhante à do Conselho Aberto. Manini Ríos visitou o vice-presidente brasileiro Antônio Hamilton Mourão semanas atrás, de quem se orgulha de ser amigo.

Desconfiança institucional

A última pesquisa do Latinobarômetro mostrou que apenas 21% dos uruguaios confiam em partidos políticos.
Entre os mais pobres, há um eleitorado que há dez anos votou no ex-guerrilheiro de esquerda José Mujica, mas hoje muitos estão inclinados ao candidato militar. "Essas pessoas humildes se identificaram com Mujica pela maneira como falam, como se vestem, mas hoje estão decepcionadas e encontram em Manini uma resposta credível às suas necessidades", declarou o coronel aposentado Rivera Elgue, gerente de campanha do Conselho Aberto.

Manini Ríos nasceu em uma família política que gerou ministros e homens de governo. Como comandante do Exército, ele abandonou o baixo perfil de seus antecessores para marcar posições fortes em defesa dos salários e aposentadorias dos soldados.

Ex-presidente uruguaio José Mujica
© Sputnik / Milica Markovic
Ex-presidente uruguaio José Mujica

"Nosso partido, por ser novo e por ser estranho ao sistema anterior, tem um grau de confiança muito importante. E o desempenho de Manini como comandante a reforça", disse Elgue.

No entanto, muitos também o temem ou o desprezam. A vice-presidente da Frente Ampla, Graciela Villar, comparou Manini ao ditador nazista Adolf Hitler.

Elgue nega que eles sejam um partido de extrema-direita e nem mesmo aceita que são da direita, embora ele admita seu anticomunismo.

"Somos contra qualquer ideologia totalitária e não acreditamos em nenhuma delas, nem no nazismo, no fascismo ou no comunismo. E nós os consideramos tão nefastos quanto alguns outros. O comunismo matou tanto quanto o nazismo e, onde governou, instalou regimes totalitários", prosseguiu.

Até agora, os favoritos para vencer as eleições são o candidato oficial Daniel Martínez e o líder do Partido Nacional da oposição, Luis Lacalle Pou.

Segundo todas as pesquisas, Martínez lidera as preferências com uma porcentagem que varia entre 30% e 40%, segundo a pesquisa. Lacalle ocupa o segundo lugar com a intenção de voto entre 22% e 28%.

Os analistas descartam que haverá uma segunda rodada em novembro, já que nenhum candidato receberá 50% mais um dos votos.

As últimas três eleições foram definidas em uma votação entre a Frente Ampla e o Partido Nacional, com a vitória da coalizão de esquerda nos três casos.

No entanto, os chamados casos de corrupção que obrigaram o vice-presidente Raul Sendic a renunciar, uma economia estagnada e um histórico de homicídios e crimes violentos fazem com que muitos analistas prevejam uma eleição acirrada.

Lacalle Pou antecipou que, se ele vencer, gostaria de adicionar o Conselho Aberto ao seu governo para obter uma maioria parlamentar.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019101514641837-bolsonaro-uruguaio-ex-chefe-do-exercito-vira-fenomeno-antes-do-pleito-de-outubro/

Uruguai anuncia retirada do Tratado Interamericano de Assistência (TIAR)

 
 
O Uruguai anunciou que iniciará o processo para sair oficialmente do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) e que o vai denunciar por abrir a possibilidade de uma intervenção armada na Venezuela.
 
O anúncio foi feito pelo ministro uruguaio dos Negócios Estrangeiros, Rodolfo Nin Novoa, durante uma conferência de imprensa em Montevidéu, depois ter sido aprovada, na segunda-feira, a reincorporação da Venezuela, a pedido da oposição deste país.
 
"O Uruguai tomou a decisão de votar contra esta resolução, não para favorecer o Governo da Venezuela, mas a favor do Direito Internacional e da paz", explicou o ministro.
 
Rodolfo Nin Novoa adiantou que "conforme o artigo 25.º do TIAR, o Governo uruguaio decidiu denunciar esse tratado, cujos efeitos remete à Secretaria-Geral da Organização de Estados Americanos [para] a notificação formal desta decisão".
 
Dezasseis dos 19 países membros do TIAR decidiram, na segunda-feira, ativar aquele tratado e reincorporar a Venezuela para "atuar coletivamente" perante a crise política, económica e social que tem provocado o êxodo de venezuelanos, anunciou o ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Carlos Holmes.
 
O Uruguai votou contra a resolução, Trinidad e Tobago absteve-se e Cuba não esteve presente no encontro, que decorreu em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.
 
 
A resolução, segundo o ministro colombiano, permitirá "identificar" e sancionar membros do Governo venezuelano alegadamente envolvidos em ações ilícitas.
 
Para o ministro uruguaio dos Negócios Estrangeiros, ao ativar-se o TIAR para sancionar membros do Governo venezuelano está a abrir-se um "passo para uma intervenção armada" na Venezuela a que o Uruguai "jamais se prestará".
 
"É um gravíssimo precedente (...), particularmente, no relacionado com o princípio de solução pacífica das controvérsias e o princípio de não intervencionismo", disse, recordando que a Carta das Nações Unidas "proíbe o uso de medidas coercivas, não armadas e armadas", quando não seja mediado pelo Conselho de Segurança da ONU.
 
O Tratado Interamericano de Assistência Recíproca ou Tratado do Rio é um pacto de defesa mútua interamericano assinado em 2 de setembro de 1947 no Rio de Janeiro (Brasil) e que entrou em vigor em 12 de março de 1948.
 
Fazem parte do TIAR Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Bahamas e Canadá.
 
Integraram o TIAR mas depois retiraram-se México, Cuba, Nicarágua, Bolívia e Equador.
 
O Governo venezuelano retirou o país do TIAR em junho de 2012, mas em finais de abril último o parlamento da Venezuela, liderado pelo opositor Juan Guaidó, aprovou iniciar um processo de adesão, decisão que o executivo do Presidente Nicolás Maduro não reconhece.
 
Notícias ao Minuto | Lusa

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/uruguai-anuncia-retirada-do-tratado.html

MRE uruguaio sobre aviso dos EUA a turistas americanos: só veem problemas nos outros

Rodolfo Nin Novoa, chanceler do Uruguai (foto de arquivo)
© AP Photo / Roman Pilipey

O governo do Uruguai acusou os Estados Unidos de interferir na campanha eleitoral das eleições presidenciais que irão decorrer em outubro.

"Disse que os Estados Unidos se intrometiam […] na campanha eleitoral uruguaia", afirmou o chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, em entrevista a uma rádio local. Ele afirmou também que se trata de uma questão de "dignidade nacional". 

Esta declaração foi a resposta ao aumento do nível de advertência do Departamento do Estado aos cidadãos estadunidenses que viajam para o Uruguai pelo suposto "aumento de delinquência". O nível de advertência foi aumentado do Nível 1 (aplicação de precauções de segurança normais) para Nível 2 (aplicação de precauções de segurança acrescidas).

O chanceler do Uruguai não ficou satisfeito com a situação afirmando que "é como ver o argueiro no olho alheio e não ver a tranca no seu".

"Os Estados Unidos têm uma taxa de homicídios de 25 habitantes por cada 100.000", enquanto no Uruguai temos a metade disso", acrescentou ele, escreve La Diaria.

"Matam 30 pessoas em tiroteios em bares [nos Estados Unidos] e vêm nos dizer que tenham cuidado com Uruguai. Por favor!", exclamou Novoa.

Além disso, o governo uruguaio advertiu também sobre a "crescente violência indiscriminada" nos EUA, em grande parte por crimes de ódio, inclusive racismo. Citando a posse de armas de fogo por parte dos estadunidenses, ele disse que se devia evitar zonas superlotadas, como centros comerciais e festivais.

Durante 24 horas, entre os dias 3 e 4 de agosto, nos EUA houve três tiroteios em El Paso, Dayton e Chicago, onde morreram quase 30 pessoas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019080714358106-mre-uruguaio-revida-aviso-dos-eua-a-turistas-americanos-so-veem-problemas-nos-outros/

Amanhã, na Fundação José Saramago

Advogado uruguaio, presidente do Frente Amplio de Uruguay e candidato à presidência da República, Javier Miranda fará uma análise política sobre a situação atual do Uruguai no contexto da América Latina. Organizada pelo Centro de Estudos Sociais e pela Fundação José Saramago, a sessão tem lugar no auditório da Fundação José Saramago, em Lisboa, a partir das 18h30. Estão todos convidados, apareçam.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Mujica, sempre ele

«Temos muita gente com fome, sem abrigo ou com casas miseráveis, e conseguimos, até certo ponto, ajudar essa gente a se tornar bons consumidores. Mas não conseguimos transformá-los em cidadãos - os processos são lentos demais, é mais fácil resolver de imediato o problema da (falta de) comida, porque é algo que fala de imediato à nossa consciência. Mas não conseguimos cortar a imensa dependência que temos deste mundo atual que se expande cada vez mais.»
De uma entrevista que merece ser lida.
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Leia original aqui

Os ovos da serpente também estão incubados no Uruguai

A direita uruguaia continua apostando em uma estratégia para impor no imaginário coletivo a sensação de mal-estar e insegurança, para poder justificar depois qualquer tipo de intervenção externa: diplomática, política, militar ou de inteligência, devido à dificuldade em derrubar o bloco centro-esquerdista da Frente Ampla do governo.

A ideia agora é reinventar o fantasma do terrorismo, com uma teoria conspirativa de que o promotor argentino Alberto Nisman teria sido assassinado por uma célula iraniana do Hezbollah, com contatos na Venezuela e bases na Tríplice Fronteira (Brasil Argentina e Paraguai) e no Uruguai (em Montevideo), segundo (supostamente) os serviços de inteligência estadunidenses. Será um esquete do humorista argentino Peter Capusotto ou a trama de uma dessas horríveis séries da Netflix, que tenta ser complexa e termina sendo apenas um pastelão mal contado? Não, quem promove essa narrativa é a deputada uruguaia opositora Graciela Bianchi.

Destas declarações, surge a pergunta: por que os serviços de inteligência dos Estados Unidos dariam informação a uma deputada da oposição de um país onde não aconteceu a morte? Desde quando ela tem essa informação? Por que a apresentou aos meios de comunicação e não à Justiça? Sem dúvida, ela tinha um objetivo: gerar medo na população.

Mas, quem é Graciela Bianchi? Deputada do parlamento eleita com um discurso de “defensora da República”, se trata de uma ex-frenteamplista, conhecida por seu tom prepotente e ressentido, que terminou ingressando no Partido Nacional há pouco tempo. Seu papel, tanto no Parlamento quanto nas redes sociais, tem sido vergonhoso, como mostram suas declarações públicas.

Já foi flagrada dormindo durante uma sessão parlamentar e publicando enraivecidos manifestos nas redes sociais, com uma redação surpreendente para quem já foi uma diretora de escola secundária pública.

Mas isso não é somente um delírio e não visa o mero espetáculo político. É uma estratégia para gerar um contínuo mal-estar na população. Cultivar a sensação de insegurança para logo justificar qualquer tipo de intervenção estrangeira. Desta forma, o Estado de exceção volta a ser regra. Bianchi derrapou de forma atroz e até a cúpula do seu partido não lhe deu crédito, mas conseguiu gerar na população o efeito desejado.

O dano já está feito, e já se observa como surgem conspirações terroristas no seio da sociedade uruguaia. Bianchi não está sozinha, a direita tem um leque de opções para derrotar a Frente Ampla na eleição de 2019:

  • Verónica Alonso (Partido Nacional), líder da bancada contra a “ideologia de gênero” e a favor de um só tipo de família convencional, junto com pastores evangélicos e fanáticos religiosos associados a movimentos regionais que se posicionam sobre o tema.
  • Carlos Lafigliola (Partido Nacional), ultraconservador em termos de direitos civis, que quer acabar com a Lei do Aborto impulsada pelo governo de Mujica, entre outras.
  • Jorge Larrañaga (Partido Nacional), líder da campanha “viver sem medo”, a favor do uso dos militares na segurança pública – embora ele mesmo afirme não viver com medo no Uruguai.
  • Luis Alberto Aparicio Alejandro “Cuquito” Lacalle Pou (Partido Nacional), que aproveita o fato de liderar as pesquisas internas do seu partido, mostra uma imagem de moderado, mas é conservador no âmbito social e liberal no econômico. Não votou a favor dos projetos de lei importantes para os trabalhadores, tampouco apoiou os das minorias que sempre são discriminadas.
  • Edgardo Novick (Partido da Gente), um empresário que paga salários miseráveis em suas lojas comerciais. É um antimujiquista e sua campanha é sustentada por sua fortuna, já que carece de ideias.
  • Ernesto Talvi (Partido Colorado), associado internacional à Rede Atlas. Um visionário que, no final do Século XX, fez previsões positivas sobre o futuro econômico do Uruguai, e três anos depois o país padeceu a pior crise de sua história. A Rede Atlas acaba de desembarcar no Uruguai através do movimento Ação Republicana, encabeçado pela guatemalteca Gloria Álvarez.

Como brinde, está o caso do presidente do Centro Militar, coronel Silva Valiente, que fez fortes declarações contra a comunidade LGBT, ao melhor estilo Jair Bolsonaro, e também afirmou que o Uruguai não teve uma ditadura militar, reivindicando uma homenagem ao ex-presidente de fato, o general Gregorio “Goyo” Álvarez. Ademais, disse que o candidato ultradireitista à Presidência do Brasil merece o seu respeito: “temos que ser tolerantes com Bolsonaro”.

Embriagados de conjuntura

Assim está o panorama. É assustador imaginar os efeitos que podem ter no país os exemplos dos Bolsonaro, dos Trump, que parecem seres vindos de outra realidade, de uma ficção. Ficamos em choque diante do obsceno de algumas declarações, mas não percebemos as pequenas mostras cotidianas que nos deixam sem reação: o taxista que pede pena de morte, o colega de trabalho que quer o fim dos sindicatos, o chefe que assedia uma colega, o vizinho que defende a morte dos indigentes.

Todas estas pistas nos conduzem à bestialidade, mas nós caminhamos com a cabeça abaixada, relativizando um sentido comum fascista, até começar a escutar o golpe das angústias no peito. Como diz o pensador português Boaventura de Sousa Santos, vivemos em sociedades politicamente democráticas e socialmente fascistas, e este é um fenômeno que vem crescendo.

O Uruguai não será uma exceção dentro da região. A estratégia é continental, vem sendo gerada há décadas, e orquestrada no norte. O Uruguai não é uma potência mundial, mas o interesse que desperta nos planos imperialistas demonstra que cada território deve ser disputado, e que o inimigo é implacável.

Vemos disputas partidárias que começam a perder a forma tradicional. As batalhas eleitorais passam a enfrentar dois tipos de projetos: o ajuste, a repressão e o fascismo por um lado, e por outro a democracia – com todos os seus defeitos, mas democracia enfim. Ou como definiu o cientista político estadunidense Robert Dahl, uma “poliarquia”, já que não existem as democracias perfeitas.

O mundo de alguns poucos, onde a desigualdade e a miséria serão cada vez maiores, contra um mundo onde caibam as grandes maiorias. E ali se visualizará claramente quem luta com e para o povo.

Os partidos políticos poderão deixar de existir, os Estados-nação também. As formas e as disputas conjunturais podem mudar. Mas enquanto não arrancarmos da raiz este sistema, a disputa será sempre entre os de baixo contra os de cima. “Se as barbas de seu vizinho você vê arder, organize-se e ao fascismo ajude a varrer”, respondem os universitários uruguaios.

Por Nicolás Centurión, Estudante de Psicologia da Universidade da República do Uruguai. Analista associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE) |  Texto em português do Brasil  |  Tradução: Victor Farinelli

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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Ver artigo original em "O TORNADO"

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