USA

A escolha da senadora Kamala Harris

A escolha da senadora Kamala Harris como vice de Joe Biden, o anúncio pelo Rússia da primeira vacina contra Covid-19, a exclusão da Venezuela da Cúpula pela Amazônia e as manifestações no Líbano e na Bolívia estão entre os assuntos analisador por Ana Prestes.

 

Senadora Kamala Harris

A senadora pela Califórnia, Kamala Harris, foi a escolhida para compor chapa com Joe Biden pelos democratas na corrida presidencial dos EUA. Ela é a primeira mulher negra a compor uma chapa presidencial do partido democrata, os republicanos também nunca tiveram uma mulher negra candidata. Harris já foi procuradora-geral da Califórnia e no Senado está em duas comissões importantes, Justiça e Inteligência. A senadora é criticada pela esquerda e movimento civis e sociais da Califórnia por defender projetos que resultam no encarceramento em massa da população pobre e negra jovem como medida de combate ao crime. Por outro lado, ela está próxima de setores mais à esquerda dos democratas, como Sanders e Ocasio-Cortez, ao defender o Green New Deal como uma solução para transformar a matriz energética dos EUA e zerar as emissões de carbono até 2030. A chapa ainda precisa ser referendada pelos democratas em Convenção Nacional. Caso a chapa vença as eleições, muitos já falam que Harris seria a candidata natural dos democratas em 2024.

 

Sputnik V

O dia de ontem (12) foi de muitos comentários sobre o anúncio do governo russo de que teria finalmente chegado a uma vacina contra o novo coronavírus, a Sputnik V. O nome faz referência ao Sputnik, primeiro satélite artificial a orbitar a Terra lançado em 1957 pela então União Soviética. As avaliações mais críticas ao anúncio dizem que seria muito difícil provar a eficácia de uma vacina com apenas dois meses de testes. Outros dizem que não há suficiente debate internacional sobre os resultados atingidos nos testes, com publicação de artigos e promoção de intercâmbio científico. Entidades russas de professores, que devem estar no primeiro bloco de imunizados, após os médicos e profissionais da saúde, e a AOKI – Associação de Organizações de Pesquisa Clínica também pediram ao governo russo para evoluir mais nos testes antes de iniciar a aplicação, pois a população poderia ser exposta a uma vacina ainda não suficientemente testada. Por outro lado, muitos questionam se Putin e seu governo arriscariam tanto com a divulgação de uma vacina sem segurança sobre o produto. As autoridades russas hoje (12) reagiram ao criticismo internacional reafirmando seus procedimentos na validação da vacina. Fica a impressão de que a Rússia fez o registro, o anúncio, e vai “trocar os pneus com o carro andando”, ou seja, enquanto produz a vacina em escala, vai realizar a terceira fase de testes e fazer as publicações científicas correspondentes. A ver. A vacina não aparece na lista da OMS que relaciona os projetos que já chegaram à fase 3 de testes e a organização se pronunciou ontem dizendo que aguarda contato com autoridades russas para conhecer detalhes do imunizante. No Brasil, o governo do Paraná anunciou que deve assinar hoje (12) um acordo com a Rússia para a produção e distribuição da vacina, ficando a condução a cargo do Tecpar – Instituto de Tecnologia do Paraná.

 

Segunda Cúpula Presidencial pela Amazônia

Novamente com a Venezuela excluída os presidentes dos países amazônicos se reuniram na Segunda Cúpula Presidencial pela Amazônia. Desta vez o encontro foi por videoconferência. O primeiro encontro foi presencial, em setembro do ano passado, na cidade colombiana de Letícia. De onde saiu o Pacto de Letícia. Além do presidente Duque da Colômbia, participaram Bolsonaro pelo Brasil, Lenin Moreno pelo Equador, a de fato Añez pela Bolívia, Vizcarra pelo Peru e autoridades do Suriname e Guiana. A reunião teve como objetivo reafirmar os 52 pontos da Declaração de Letícia e a discussão sobre o financiamento dos projetos previstos nesses pontos. Participaram do encontro o presidente do BID, Luis Alberto Moreno e uma representante da OTCA – Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, com sede no Brasil, Maria Alexandra Moreira. Alvo de críticas internacionais por sua política ambiental e em especial com relação às queimadas na região amazônica, o Brasil não participou do primeiro encontro de Letícia. Nesse segundo encontro, o mundo inteiro noticiou a fala do presidente Bolsonaro, especialmente quando ele disse ser “mentira” que os incêndios estão devastando parte significativa da Amazônia brasileira. Ele contradisse dados de seu próprio governo que através do INPE deixam claro que em 12 meses aumentou em 33% a devastação da floresta. Ele ainda desafiou os líderes dos outros países a sobrevoarem a floresta e apontarem algum foco de incêndio ou hectare desmatado.

 

Jacinda Ardern

A Nova Zelândia tem eleições marcadas para setembro, mas a primeira ministra Jacinda Ardern anunciou que há hipótese de adiamento diante do ressurgimento de casos de coronavírus no país após mais de 100 dias sem infecções. Os casos surgiram em Auckland, maior cidade do país, e que agora está em confinamento. O partido de oposição, Partido Nacional, também pede adiamento das eleições para o fim do ano ou princípio de 2021. Com uma população de 5 milhões de habitantes, a NZ registrou 22 mortos por Covid-19 até agora, além de ter ficado 102 dias sem contágio registrado.

 

Coronavírus preocupa na Espanha

Na Europa, o coronavírus preocupa na Espanha. Na última semana, uma média de 4900 casos diários foram registrados. Superior aos números da França, Reino Unido, Alemanha e Itália juntos. Críticos ao governo dizem que houve “muita pressa” no desconfinamento, visto que a explosão de casos veio justamente duas semanas após a abertura.

 

Manifestações populares contra o governo, no Líbano

No Líbano, seguem as manifestações populares contra o governo, mesmo com a renúncia do premiê e todo seu gabinete. Ontem (12) milhares de pessoas marcharam perto do porto destruído e fizeram um minuto de silêncio no minuto exato em que há uma semana ocorreu a explosão. Cristãos e muçulmanos foram convocados por suas igrejas para fazerem um dia de orações. O número oficial de vítimas passou para 171, mas há estimativas de que são mais de 200. Deixo aqui o link da história de três bombeiros ainda desaparecidos que morreram ao tentarem apagar um incêndio no porto, sem saberem quem o galpão incendiado possuía nitrato de amônio.

 

Acordos de extradição com Hong Kong

Após Alemanha e França suspenderem acordos de extradição com Hong Kong. O executivo da ilha fez o mesmo por reciprocidade. Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia também anunciaram as mesmas medidas.

 

Protestos na Bielorrússia

Em Belarus, ou Bielorrússia, também seguem os protestos. Ontem foi a terceira noite de manifestações após as eleições de domingo (9). Muitas ruas na região da capital Minsk estão bloqueadas e cenas de prisões arbitrárias e violência policial pipocam nas redes. Milhares de pessoas foram detidas. Jornalistas também têm denunciado que suas câmeras estão sendo tomada ou tendo chips arrancados. A candidata de oposição a Lukashenko, que governa o país desde 1994, deixou o país e se refugiou na Lituânia.

 

Bolívia, “meter bala”

Na Bolívia também seguem os protestos e os bloqueios de vias. Ontem o ministro de governo, Arturo Murillo, reagiu dizendo à CNN que estão “tratando de evitar uma guerra civil no país, que tem horas contadas para começar”. Defendeu ainda que “meter bala” nos bloqueios seria “politicamente correto”. Os protestos são organizados pela COB (central de trabalhadores) e o Pacto de Unidad contra o adiamento das eleições para 18 de outubro. Embora o governo de fato ainda não tenha entrado mais fortemente com o exército e polícia contra as manifestações, grupos paramilitares estão sendo usados para atacar os manifestantes. O chefe das forças armadas, Sérgio Orellana, envolvido no golpe contra Evo, tem colocado uma série de condicionantes ao governo Añez para ir fazer os “desbloqueios” das vias ocupadas pela população. Uma delas é a imunidade quanto ao uso da força e armamentos e outra é quanto ao rebaixamento do papel das forças policiais.

 

Adiamento das eleições legislativas da Venezuela

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, pediu ontem (11) o adiamento das eleições legislativas da Venezuela marcadas para 6 de dezembro, diante da negativa de alguns partidos da oposição de participarem do pleito. A declaração foi feita após o chanceler Arreaza enviar convite à União Europeia para o envio de observadores internacionais durante o processo eleitoral.


por Ana Prestes, Cientista social. Mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG   |    Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 
 

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Como Trump conseguiu liderar o mundo com a pior resposta à pandemia do COVID-19

Milhões de pessoas foram condenadas nos EUA, pela incompetência da administração Trump, à infecção pelo coronavírus.

por Vijay Prashad | People’s Dispatch - Tradução de Bernardo Muratt para a Revista Opera

(Foto: Raymond Sarracino/U.S. Southern Command Public Affairs)

Seis meses atrás, em 30 de janeiro, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus,anunciou uma situação de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (PHEIC na sigla em inglês). Dez dias antes disso, o governo chinês haviadito – para grande preocupação – que o coronavírus poderia ser transmitido de humano para humano. O caráter contagioso do vírus levou a OMS a fazer o anúncio, que veio um mês depois de o Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças tercomunicado aos seus homólogos nos Estados Unidos sobre o vírus. No dia em que a OMS declarou a PHEIC, Trump deu uma entrevista coletiva, na qualdisse, de forma desconcertante: “Achamos que temos tudo sob controle”. De 30 de janeiro em diante, a resposta do governo Trump ao vírusfoi incoerente e escandalosamente incompetente.

Em 31 de julho, o Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional da OMS (2005) sereuniu, e no dia seguinte pediu aos governos que continuassem e, inclusive, aumentassem seu trabalho de educar suas populações de modo a zelar pelas regras básicas da OMS (usar máscaras, manter as mãos limpas); a OMS tambémpediu aos governos que “continuem a aumentar a capacidade de vigilância em saúde pública, testes e rastreamento de contatos”. Essas recomendações,emitidas pela primeira vez em 29 de janeiro, e desde suaatualização em 5 de junho, foram imediatamente seguidas pelos governos deCuba, Vietnã,Laos, Venezuela, Nova Zelândia, Coréia do Sul e o estado indiano de Kerala. Mas foram forçosamente ignoradas por países como Brasil, Índia, Reino Unido e Estados Unidos.

Surpreso

Em 30 de julho, o diretor executivo do Programa de Emergências Sanitárias da OMS, Dr. Mike Ryan,disse em uma coletiva de imprensa que estava “certamente surpreso” com a “lentidão geral dos sistemas para responder a deveres como rastreamento de contato, investigação de aglomerados de casos, testagem , [e] serem capazes de levarem adiante uma estratégia abrangente de saúde pública”. A OMS, disse ele, passou os primeiros meses após janeiro oferecendo assistência técnica e operacional aos países “que tradicionalmente pensávamos precisar dessa assistência”. Isso foi um erro. Em muitos países que a OMS presumiu que combateriam a pandemia de maneira eficaz, como os Estados Unidos da América e o Reino Unido, todo o sistema falhou.

“Acho que todos estamos aprendendo lições; que tem ocorrido um profundo subinvestimento na estrutura da saúde pública”, disse o Dr. Ryan. Este é um oficial da ONU sendo educado; parece que ele gostaria de simplesmente dizer que, em países como os Estados Unidos, o governo falhou completamente com o público.

Existem mais de 18 milhões de casos ativos no mundo, com mais de 4,8 milhões deles nos EUA. Os Estados Unidos têmcerca de 59.000 a 66.000 casos por dia – um número catastroficamente alto, especialmente quando se compara com oLaos e oVietnã, que quase não têm novos casos e têm poucas fatalidades (Laos não tem nenhuma; Vietnã teveseis). Como entender o fracasso total da administração Trump em quebrar a cadeia da infecção?

Austeridade

De 2010 a 2019, o orçamento dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA teve umcorte de 10%. Em fevereiro, depois que a PHEIC foi declarada, a administração Trump propôs um corte de financiamento para o Departamento de Saúde e Serviços Humanos de9,5 bilhões de dólares, que incluía umadiminuição de 15% para o CDC (1,2 bilhão de dólares) e uma redução acentuada na contribuição para o Fundo de Reserva de Resposta Rápida a Doenças Infecciosas. Em março, a equipe orçamentária de Trumpdefendeu esses cortes.

O governo dos EUA não apenas cortou os orçamentos de saúde pública para o CDC e outras agências federais, mas também se certificou de restringir os fundos para funcionários de saúde pública estaduais e locais. Em 2009, umrelatório daTrust for America’s Health concluiu que “houve um déficit de 20 bilhões de dólares anuais – entre os governos local, estadual e federal – no financiamento de programas cruciais de saúde pública dos EUA”. Umestudo mais recente da mesma organizaçãomostrou que o financiamento da saúde pública para governos locais caiu de “cerca de 1 bilhão de dólares após o 11 de setembro [de 2001] para menos de 650 milhões de dólares” em 2019. Uma excelente investigação daAssociated Press descobriu que “quase dois terços dos americanos moram em condados que gastam mais do que o dobro em policiamento do que em assistência médica não hospitalar, o que inclui saúde pública”.

Entre 2008 e 2017, como consequência da austeridade, as secretarias estaduais e locais de saúde tiveram quedemitir 55.000 pessoas – um em cada cinco profissionais de saúde. Em 2008, aAssociation of Schools of Public Health informou que até 2020 “a nação terá de encarar um déficit de mais de 250.000 trabalhadores de saúde pública”. Nada foi feito para atender a essa advertência.

Testes

Em março, o genro de Trump, Jared Kushner, foi encarregado de formar um comitê para gerenciar a pandemia. No comitê estavam amigos de Kushner, incluindo seu ex-colega de quarto da faculdade,supostamente um “supertime de pessoas que fazem as coisas acontecerem”; ausentes do comitê estavam líderes de departamentos chave do governo dos EUA, incluindo o almirante Brett Giroir, que havia sidonomeado em 12 de março para coordenar a testagem de diagnósticos do COVID-19 (eledeixou o cargo em junho).

Apesar do nepotismo no comitê,afirma-se que ele produziu um plano que incluía o estabelecimento de “um sistema nacional de supervisão e coordenação para fornecer suprimentos, alocar kits de teste, suspender barreiras regulamentares e contratuais e estabelecer um sistema generalizado de vigilância do vírus”. O plano nacional de testes,dizia-se, seria anunciado pelo presidente Trump no início de abril. Não foi.

Em vez disso, Trump continuou a sevangloriar da resposta de sua administração, a qual foi essencialmente nula. Em 27 de abril, Trump foi acompanhado na Casa Branca pelos CEOs da Quest Diagnostics e da LabCorp, que bravatearam sobre como suas empresas seriam capazes de atender à testagem. Steve Rusckowski, da Quest Diagnostics,disse ao estilo Trump: “Fizemos um progresso tremendo”. Eles estavam fazendo 50.000 testes por dia; eles estão atualmente fazendo cerca de150.000 testes por dia.

O problema não é o número de amostras de teste coletadas por dia, mas o tempo que leva para os resultados chegarem à pessoa testada. Em meados de julho, o Dr. Rajiv Shah, presidente da Fundação Rockefeller, sedisse desanimado com o sistema de testes do setor privado. “Ninguém esperava que o tempo de espera fosse de um ou dois dias para sete ou, em alguns casos, 14 dias”, disse Shah. “Com o tempo de espera de sete dias, você basicamente não está testando, é o equivalente estrutural de fazer zero testes.” Estas são palavras poderosas do ex-chefe da USAID, cuja fundaçãolançou em 16 de julho um “Plano de Ação de Testagem Nacional para COVID-19”, que deveria ter sido desenvolvido pelo governo dos Estados Unidos em março e colocado em prática imediatamente. A administração Trump não adotou o plano do comitê da Casa Branca de março, tampouco adotou o plano de Rockefeller; eles, de fato, não anunciaram plano algum.

Três dias depois que a Fundação Rockefeller divulgou seu plano, Trump fez outra de suas declarações ridículas. Ele foi àFox News eafirmou: “Os casos estão em alta porque temos a melhor testagem do mundo e somos os que mais testamos”. Não há nada de concreto em nenhuma dessas afirmações. Em junho, o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, Robert Redfield,disse que até 90% dos casos nos Estados Unidos estão sendo ignorados devido à ausência de testes. Provavelmente existem, portanto, 20 milhões de pessoas com a doença, em vez dos 2,3 milhões de casos confirmados. Mais testes mostrariam números mais altos.

A testagem e o rastreamento de contato permitiriam o isolamento preciso de populações que poderiam transmitir a infecção para outras pessoas. Nada disso está acontecendo. Quando o almirante Giroir foi questionado em uma audiência no Congresso em 31 de julho sobre se era possível obter os exames devolvidos dentro de 48 a 72 horas, elerespondeu: “Não é um critério possível que possamos alcançar atualmente, dada a oferta e demanda”.

A incompetência da administração Trump –espelhando a perigosa incompetência de Jair Bolsonaro no Brasil e Narendra Modi na Índia – culminando em um sistema de saúde público destruído e o estabelecimento de uma testagem falida do setor privado, condenou milhões de pessoas nos EUA a pegar a doença e passá-la adiante. Não há – até o presente momento – nenhuma perspectiva de quebrar a cadeia de infecção nos Estados Unidos.

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A pandemia é um bom negócio para os multimilionários nos Estados Unidos

Entre 18 de Março e 5 de Agosto, a riqueza total dos multimilionários norte-americanos aumentou 685 mil milhões de dólares, revelou a actualização do relatório emitido pelo organismo inequality.org.
Cartaz colado na baixa de Seattle, estado de Washington, EUA, pede a suspensão do pagamento de rendas, a 26 de Março de 2020. O desemprego disparou nos EUA devido ao encerramento de empresas causado pela actual pandemia e deixou na pobreza milhões de trabalhadoresCréditosEPA/STEPHEN BRASHEAR / LUSA

«A crise dupla – de saúde pública e económica – devastou a vida de milhões, mas, para uns quantos multimilionários, a pandemia foi um bom negócio nos Estados Unidos», destaca o diário Granma numa peça ontem publicada.

Segundo a actualização recente dos dados revelados pelo inequality.org, um projecto do Institute for Policy Studies (IPS), entre 18 de Março e os primeiros dias de Agosto, a riqueza total dos multimilionários norte-americanos (os que possuem fortunas superiores a mil milhões de dólares) cresceu 685 mil milhões de dólares.

O mesmo estudo refere que, actualmente, os multimilionários norte-americanos têm uma riqueza total acumulada de 3,65 milhões de milhões de dólares e que, no período referido, 467 multimilionários viram aumentar a sua riqueza nos EUA.

Entre os que mais beneficiaram nesta fase, contam-se Jeff Bezos (director-executivo da Amazon) com um aumento de riqueza líquida de 71 mil milhões; Mark Zuckerberg (co-fundador do Facebook), com um aumento de 38 mil milhões na sua fortuna pessonal; Elon Musk (director-executivo da Tesla e da SapceX), com 46 mil milhões; e Bill Gates, com 14 mil milhões, enumera o Granma.

Nesse período, mais de cinco milhões de pessoas infectaram-se com a Covid-19 e cerca de 160 mil morreram devido à doença nos EUA. Cerca de 30 milhões, segundo dados do inequality.org, continuam a receber subsídio de desemprego – números em que não entram todos aqueles que não têm direito a esse tipo de apoio, como os imigrantes sem papéis e as suas famílias.

Além disso, segundo informou a Bloomberg, estima-se que um terço dos inquilinos nos Estados Unidos não consiga pagar a renda da casa ao longo deste mês.

Sanders quer taxar aumento destas fortunas, mas não dar cabo do sistema

O senador democrata Bernie Sanders está a promover um projecto de lei com vista a taxar o aumento destas fortunas durante o período da pandemia em 60%, o que, segundo o Granma, poderia gerar mais de 400 mil milhões de dólares de receitas, que seriam destinadas às despesas médicas dos mais necessitados.

O senador Sanders, o candidato Biden, o Partido Democrata não querem mudar o sistema pela raiz e arrasar o capitalismo, e tanto assim é que, confrontados com o «caos» de Donald Trump, os guardiães de Wall Street até parecem estar a apostar mais – ou seja, a dar mais milhões de dólares à campanha – de Joe Biden, segundo dados divulgados pelo Center for Responsive Politics e apontados pelo Granma.

De acordo com o projecto de Sanders, ninguém com menos de mil milhões de dólares pagaria um cêntimo em impostos e multimilionários que até perderam dinheiro na pandemia ficariam isentos. E mesmo os que pagam ficam muito ricos. Portanto, Sanders garante que a desigualdade fica bem composta no país da águia que esteve para ser um peru.

Em todo o caso, Chuck Collins, director do programa de desigualdade do IPS, considera que o projecto de lei e o imposto não deixam de ser importantes, uma vez que «uma parte da extrema riqueza – agora não taxada – seria destinada a abordar a crise de Covid-19».

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Mike Pompeo diz que EUA têm hoje mais medo da China do que tinham da União Soviética

 
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo diz que o poder econômico torna a China um desafio maior do que era a União Soviética

 

 

247 - Mike Pompeo, responsável pela política externa estadunidense, afirmou nesta quarta-feira (12) que o atual poder econômico da China representa para Washington um desafio maior do que a União Soviética durante a Guerra Fria.

"O que está acontecendo agora não é uma Guerra Fria 2.0. O desafio de resistir à ameaça do Partido Comunista da China é, de alguma forma, muito mais difícil. O partido está envolvido em nossas economias, na nossa política e em nossas sociedades de uma maneira que a URSS nunca esteve", disse o chefe da diplomacia americana em discurso no Senado da República Tcheca, informa o UOL.

Pompeo convocou uma espécie de frente ampla dos Estados Unidos com aliados europeus para juntos lutarem contra a China.

Os EUA acusam o país asiático de usar o poder econômico para exercer influência em todo o mundo.

Pompeo apontou a China como o maior desafio, assinalando que Pequim tenta ganhar influência na Europa nos âmbitos político e militar.

Além de acusar o governo chinês de mentir e manipular, Pompeo o culpou de encobrir os primeiros surtos da pandemia de covid-19, de enviar um milhão de membros da minoria uigur a campos de detenção e de reprimir protestos em Hong Kong.

A República Tcheca é a primeira escala da viagem de Pompeo por quatro países da Europa Central para combater a influência da Rússia no setor energético e da tecnologia chinesa no desenvolvimento das redes 5G.

Mais de 97.000 crianças nos EUA testaram positivo para COVID-19 na segunda metade de julho

COVID-19 is now believed to attack kids, kidneys, hearts, and...
Washington, 10 ago (Xinhua) - Mais de 97.000 crianças americanas testaram positivo para COVID-19 nas últimas duas semanas de julho, de acordo com novos dados da Academia Americana de Pediatria Associação de Hospitais Infantis.

A pesquisa descobriu que 97.078 novos casos de crianças foram relatados entre 16 a 30 de julho, um aumento de 40 por cento nos casos infantis.

Embora as crianças representem apenas 8,8 por cento de todos os casos nos estados que relatam casos por idade, mais de 338.000 crianças tiveram resultado positivo para COVID-19 desde o início da pandemia, segundo o relatório.

A taxa geral é de 447 casos por 100.000 crianças na população, de acordo com o relatório.

As crianças representam entre 3 a 11,3 por cento do total dos testes estaduais, e entre 3,6 a 18,4 por cento das crianças testadas foram positivas, segundo o relatório.

Além disso, as crianças foram responsáveis ​​por 0,6 a 3,7 por cento do total de hospitalizações relatadas e de zero a 0,8 por cento de todas as mortes por COVID-19.

"Neste momento, parece que a grave doença referente ao COVID-19 é rara entre as crianças. No entanto, os estados devem continuar fornecendo relatórios detalhados sobre os casos, testes, hospitalizações e mortalidade de COVID-19 por idade, para que os efeitos do COVID- 19 sobre a saúde das crianças podem continuar sendo documentados e monitorados", afirmou o relatório.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-08/12/c_139284874.htm

“Pandemia de sem-abrigo” nos EUA. Há 30 milhões de pessoas sob risco de despejo

Nos Estados Unidos da América avizinha-se uma “pandemia de sem-abrigo”. Até ao final de setembro, 30 milhões de norte-americanos estão em risco de despejo devido à covid-19.
 

Nos Estados Unidos, a pandemia de covid-19 pode estar a levar a uma nova pandemia: a de sem-abrigo. Com a taxa de desemprego a disparar em flecha no país, muitas famílias deixam de conseguir pagar a rendas de habitação.

No fim de semana, o presidente norte-americano Donald Trump assinou uma ordem executiva que exige que os funcionários da administração “tomem todas as medidas legais para evitar despejos residenciais e execuções hipotecárias resultantes de dificuldades financeiras causadas pela covid-19”. Além disso, pretende alocar fundos para ajudar senhorios em dificuldades.

No entanto, escreve a NPR, a ordem de Trump não é suficiente para evitar problemas maiores, já que não proíbe totalmente os despejos nem oferece assistência de aluguer.

Face à pandemia de covid-19, vários Estados proibiram os despejos, mas agora essas proibições estão a expirar, assim como os apoios aos desempregados atribuídos em março. Até ao momento, o Congresso ainda não chegou a um consenso para prorrogar estes benefícios suplementares.

“Agora você está num momento em que ainda não voltou a trabalhar, a maioria dos benefícios do Governo foi interrompida e a renda ainda não foi paga”, disse Zach Neumann do Instituto Aspen, que fundou o Projeto de Defesa Contra o Despejo de Covid-19.

Neumann estima que cerca de 30 milhões de norte-americanos estão em risco de serem despejados até ao final de setembro.

Mesmo quando as proibições ainda estão em vigor, os inquilinos podem ter dificuldade para entender se estão protegidos pelos benefícios ou quais são seus direitos. Em alguns casos só estão aptas as pessoas que consigam provar que foram prejudicadas pela covid-19.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/pandemia-sem-abrigo-nos-eua-339891

China ameaça EUA e Taiwan: “Quem brinca com o fogo, queima-se”

Ritchie B. Tongo / EPA

 

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian, disse que Pequim continua a opor-se a quaisquer laços oficiais entre os EUA e Taiwan.

 

A Presidente de Taiwan recebeuesta segunda-feira o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Alex Azar, na mais importante deslocação de membros do Governo norte-americano desde a rutura formal das relações diplomáticas entre Washington e Taipé, em 1979.

Durante a visita de Azar, aviões da força aérea chinesa cruzaram a linha imaginária que separa o estreito de Taiwan. Segundo um comunicado difundido pelo ministério da Defesa de Taiwan, caças J-10 e J-11 sobrevoaram a referida área.

O exército da ilha seguiu os aviões, através do sistema de mísseis antiaéreos terrestres, e emitiu uma advertência verbal aos caças chineses, antes de enviar uma patrulha para os intercetar e “expulsá-los”.

Agora, a China avisa os dois países de que uma cooperação bilateral mais próxima arrisca uma reação negativa de Pequim, escreve a Newsweek.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian, disse aos jornalistas, na quarta-feira, que Pequim continua a opor-se a quaisquer laços oficiais entre os EUA e Taiwan. Zhao disse: “Pessoas que brincam com o fogo, queimam-se”, relatou o Beijing Daily, com a Reuters e o jornal estatal chinês Xinhua a noticiarem traduções semelhantes.

Os EUA apoiaram a luta pela independência em Taiwan com a venda de armas e são legalmente obrigados a ajudar a defender a ilha contra qualquer invasão.

ZAP //

 

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https://zap.aeiou.pt/china-avisa-eua-taiwan-brinca-fogo-queima-340263

Programa "Clean Network" de Washington dividirá a internet global

The White House's plan to purge Chinese tech from the internet is...
Londres, 11 ago (Xinhua) -- O chamado programa "Clean Network" de Washington "reforçará um movimento preocupante" em direção à divisão da internet global, disse um artigo recente da BBC.

"O governo dos EUA há muito tempo critica outros países por controlar o acesso à internet... e agora vemos os americanos fazendo a mesma coisa", disse o artigo ao citar Alan Woodward, especialista em segurança de computadores da Universidade de Surrey, na Grã-Bretanha.

"É chocante", disse Woodward, acrescentando: "esta é a Balcanização da internet acontecendo na frente dos nossos olhos".

Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou o lançamento de cinco novas linhas de esforço sob o programa para "proteger a importante infraestrutura de telecomunicações e tecnologia da América".

De acordo com as cinco linhas, Washington buscará remover aplicativos chineses "não confiáveis", como TikTok e WeChat, das lojas de aplicativos dos EUA, limitar a capacidade de provedores chineses de serviços em nuvem como Alibaba, Baidu e Tencent de acessar sistemas baseados em nuvem no país e garantir que os cabos submarinos "não sejam subvertidos para coleta de informações" pela China.

"É difícil não ver isso através do prisma das eleições dos EUA em novembro", disse o artigo intitulado "Os EUA estão prestes a dividir a internet?"

Para a Casa Branca, remover aplicativos chineses "não confiáveis" na verdade significa remover todos os aplicativos chineses, disse.

Tal visão da internet dos EUA só a tornará "um lugar muito mais dividido", acrescentou.

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http://portuguese.xinhuanet.com/2020-08/11/c_139282513.htm

Mais de 97 mil crianças nos EUA testam positivo para COVID-19 na segunda metade de julho

Covid-19. Polícia canta 'Parabéns' a crianças em quarentena nos EUA
Washington, 10 ago (Xinhua) -- Mais de 97 mil crianças nos Estados Unidos testaram positivo para a COVID-19 na última quinzena de julho, de acordo com os dados mais recentes da Academia Americana de Pediatria e da Associação Hospitalar Infantil.

A pesquisa constatou que 97.078 novos contágios entre crianças foram notificados de 16 a 30 de julho, um aumento de 40% nos casos infantis.

As crianças representaram apenas 8,8% de todas as transmissões nos estados que relatam casos por idade, mais de 338 mil crianças já testaram positivo para a COVID-19 desde o início da pandemia, segundo o levantamento.

A taxa global é de 447 casos por 100 mil crianças entre a população mundial, apontou o relatório.

Conforme o levantamento, as crianças representaram entre 3% a 11,3% do total de testes feitos pelos estados, e entre 3,6% a 18,4% das crianças testadas obtiveram resultados positivos.

Além disso, as crianças representaram de 0,6% a 3,7% do total de internações relatadas, e zero a 0,8% de todas as mortes por COVID-19.

"Neste momento, parece que entre crianças é raro o surgimento de casos graves de COVID-19. Entretanto, os estados devem continuar fornecendo relatórios detalhados sobre transmissões, testes, internações e mortalidade por faixa etária para que os efeitos da doença na saúde das crianças possam continuar sendo documentados e monitorados", ressaltou o relatório. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-08/11/c_139281414.htm

Uma empresa de ladrões dirigida por Washington para roubar petróleo sírio

por Ruaa al-Jazaeri
 Roubar os recursos do povo sírio e saquear a sua riqueza sempre foi um objectivo importante dos Estados Unidos na Síria. Eles consumaram sua abordagem hostil pelo apoio ao terrorismo no país através de um acordo com a milícia Qasad (SDF) para rapinar o petróleo sírio num crime agravado e declarado que viola as regras do direito internacional.

A administração do presidente Donald Trump trabalhou durante anos no esquema para pilhar o petróleo sírio, o qual foi finalmente incorporado no acordo entre Washington e a milícia Qasad. Fontes informadas revelaram à CNN que o acordo concede a uma companhia petrolífera americana chamada Delta Crescent Energy, criada para implementar o esquema americano, amplos poderes para confiscar metade dos campos petrolíferos sírios e investir neles.

"Fomos autorizados a participar em todos os aspectos do desenvolvimento energético, transporte, comercialização, refinação e exploração, a fim de desenvolver e redesenvolver as infra-estruturas na região", disse James Cain, antigo embaixador dos EUA na Dinamarca durante a administração George W. Bush e um dos co-fundadores da Delta Crescent Energy.

A CNN observou que os outros dois parceiros de Cain na empresa são James Reese, um oficial reformado da Delta Force do Exército que dirigia a sua própria empresa de segurança privada, e John Dorrier, um veterano executivo petrolífero com anos de experiência de operações no Médio Oriente.

O trio constituiu a nova empresa para o objectivo único de assegurar este acordo na Síria e tem trabalhado intensamente com funcionários do Departamento de Estado durante mais de um ano, informaram fontes da CNN.

O acordo entre a milícia Qasad e a empresa americana pode ser descrito simplesmente como uma continuação das violações de Washington das regras do direito internacional. Tal como confirmou no sábado o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, o acordo de pilhagem do petróleo sírio é uma continuação das violações de Washington do direito internacional e da soberania da Síria sobre as suas terras.

O Ministério observou que os americanos não estão satisfeitos com a sua ocupação ilegal de regiões da Síria, mas também participam no roubo e pilhagem dos recursos naturais do país e no comércio ilícito dos mesmos, sabendo que estes recursos pertencem apenas ao povo sírio.

Embora o Departamento de Estado dos EUA e o Pentágono tenham oficialmente procurado distanciar-se do projecto, as fontes disseram à CNN que, nos bastidores, o Departamento de Estado estava activo para a concretização do acordo.

Na semana passada, o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo confirmou pela primeira vez o acordo ao responder a uma pergunta da senadora republicana Lindsey Graham durante uma audiência no Capitólio.

"O acordo demorou um pouco mais, senadora, do que esperávamos e estamos agora em implementação. Ele pode ser muito poderoso", disse Pompeo a Graham.

ACORDO ENTRE LADRÕES QUE ROUBAM E LADRÕES QUE COMPRAM

Anteriormente, uma fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Expatriados disse numa declaração à agência SANA que este acordo representa um acordo entre ladrões que estão a roubar e ladrões que estão a comprar. Afirmando que este acordo é nulo e sem qualquer base legal, advertiu que tais actos desprezíveis exprimem a abordagem adoptada por aquelas milícias clientes que aceitaram ser um fantoche barato nas mãos da ocupação estado-unidense.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iemenita, Hisham Sharaf, também condenou a continuação da adopção de uma abordagem agressiva por parte dos EUA contra a Síria através do apoio aos grupos fora-da-lei e do seu envolvimento no roubo do petróleo sírio, sublinhando que o acordo para roubar petróleo sírio é nulo e praticado apenas por ladrões da riqueza dos povos e dos seus inimigos.

10/Agosto/2020
O original encontra-se em sana.sy/en/?p=199559

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/moriente/siria_petroleo_10ago20.html

Oficial do Fed dos EUA pede quarentena econômica para "esmagar vírus"

Fed's Kashkari says he supported rate cut as 'insurance' in face...
Washington, 8 ago (Xinhua) - O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) de Mineápolis, Neel Kashkari, pediu "uma quarentena mais restritiva" por até seis semanas para acabar com a disseminação de COVID-19, enquanto a "explosão viral" continua "furiosamente fora de controle".

 

Em um artigo de opinião do New York Times de sexta-feira que ele escreveu com Michael T. Osterholm, diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, o funcionário do Fed argumentou que o imperativo de uma quarentena mais restritiva é clara porque "o que fizemos até o momento, não funcionou".

 

"Cerca de 160.000 pessoas morreram e, nos últimos dias, cerca de mil morreram por dia. Estima-se que 30 milhões de americanos estão desempregados", observaram Kashkari e Osterholm.

 

Na noite de sábado, os Estados Unidos notificaram quase 5 milhões de casos confirmados de COVID-19, de acordo com uma contagem da Universidade Johns Hopkins. O país atingiu a marca de 3 milhões no dia 8 de julho e, a seguir, de 4 milhões no dia 23 de julho.

 

"Os próximos seis meses podem fazer o que vivemos até agora parecer apenas um aquecimento para uma catástrofe maior", escreveram Kashkari e Osterholm. "Com muitas escolas e faculdades, lojas e empresas reabrindo, e o início da temporada de calor dentro de casa, o número de novos casos crescerá rapidamente", disseram eles.

 

Refletindo sobre o fracasso da resposta de contenção ao COVID-19 dos EUA em comparação com muitas nações na Ásia e na Europa, os autores argumentaram que seu país desistiu dos esforços de quarentena para controlar a transmissão do vírus "muito antes dele estar sob controle".

 

Desde o final de abril, os estados dos EUA, muitos sem ver uma tendência significativa de queda nas infecções por COVID-19, começaram a reabrir total ou parcialmente suas economias. Até o final de maio, todos os estados já estavam em alguma fase de reabertura.

 

Apenas algumas semanas depois disso, muitos estados, especialmente aqueles no sul e oeste, viram um aumento nos casos de COVID-19, o que levou mais de 20 estados a pararem ou reverterem seus planos de reabertura.

 

Kashkari e Osterholm pediram aos legisladores que se comprometam com uma quarentena mais restritiva, em cada estado, por até seis semanas para reduzir a disseminação do vírus a menos de um novo caso por 100.000 pessoas diariamente, enquanto o país atualmente relata 17 novos casos por 100.000 pessoas diariamente.

 

Para reduzir com sucesso a taxa de casos, "devemos impor que todos ficassem em casa, exceto para os trabalhadores verdadeiramente essenciais", argumentaram eles.

 

"Com isso, queremos dizer que as pessoas devem ficar em casa e sair apenas por motivos essenciais: compras de alimentos e visitas a médicos e farmácias enquanto usam máscaras e lavam as mãos com frequência", disseram eles, observando que "para ser eficaz, o bloqueio tem que ser tão abrangente e rigoroso quanto possível".

 

"Se não estivermos dispostos a fazer essa ação, milhões de casos e muito mais mortes são prováveis ​​antes que uma vacina esteja disponível", disseram Kashkari e Osterholm.

 

"Além disso, a recuperação econômica será muito mais lenta, com muito mais falências de negócios e alto desemprego nos próximos um ou dois anos", disseram eles. "A trajetória do vírus determinará a trajetória da economia. Não haverá uma recuperação econômica robusta até que tenhamos o vírus sob controle".

 

"Não há compromisso entre saúde e economia. Ambas exigem o controle agressivo do vírus", acrescentaram eles.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-08/10/c_139279860.htm

Aumenta resistência a milícias curdas e tropas dos EUA no Nordeste da Síria

Em várias localidades, há um levantamento contra a repressão dos mercenários a soldo dos EUA. Tribos sírias anunciaram o início da resistência popular armada contra as forças de ocupação e seus aliados.

A presença das tropas norte-americanas na Síria foi sempre denunciada e considerada ilegítima pelo governo de DamascoCréditos / drimpic.pw

«As tropas norte-americanas e a sua mercenária milícia FDS pisaram todas as linhas vermelhas ao cometer crimes contra a pátria e a sociedade», indicou a tribo árabe al-Ukaidat numa declaração que emitiu após uma reunião dos seus dignatários e notáveis , este domingo, na província oriental de Deir ez-Zor, revela a Prensa Latina.

Denunciou o saque das riquezas naturais da Síria e o assassinato de líderes tribais, o último dos quais, refere a agência, foi o do chefe Mutashar al-Hafl. «Decidimos criar um conselho político da tribo cuja função é gerir os assuntos em coordenação com as autoridades do Estado sírio», afirmou.

A tribo, que é uma das maiores do país, decidiu também formar um exército de resistência. que começará a actuar de imediato em coordenação com o Exécito Árabe Sírio, com o objectivo de alcançar a libertação de todo o território das várias ocupações estrangeiras, que considerou um «alvo legítimo da resistência».

Tambem a agência SANA noticia que, em diversas aldeias e cidades do Nordeste do país, tem estado a ocorrer um levantamento popular «contra as práticas» das chamadas Forças Democráticas Curdas (FDS; maioritariamente curdas e apoiadas pelos EUA), num contexto de apelos crescentes à unidade, por parte de clãs e tribos árabes, de modo a fazer frente e expulsar as milícias das FDS, bem como as forças de ocupação norte-americanas e turcas em território sírio.

Manifestações, repressão e caravana das FDS destruída

Nas últimas semanas, aumentaram as manifestações populares, sobretudo nas províncias de Deir ez-Zor e Hasaka, contra a presença das milícias mercenárias curdas e das tropas dos EUA. As FDS responderam com o cerco a diversas aldeias, impedindo a saída dos habitantes, sequestraram várias pessoas – uma prática comum há muito reportada – e reforçaram a sua presença com a cobertura dos militares norte-americanos, que, segundo denúncias de meios locais, efectuaram voos rasantes com helicópteros sobre as terras árabes para intimidar a população.

Os confrontos entre a população árabe e as FDS têm vindo a aumentar, não havendo um registo preciso de baixas e danos, refere a Prensa Latina. O que diversas fontes confirmam é o ataque com armas ligeiras a uma caravana das FDS, formada por quatro viaturas, que seguia na estrada entre a cidade de Shadadi (Sul de Hasaka) e o campo petrolífero de Omar, na província de Deir ez-Zor. A caravana foi destruída.

No Nordeste da Síria, as FDS e os Estados Unidos controlam campos petrolíferos e de gás. O acordo recente entre as milícias curdas e uma empresa norte-americana para «roubar o petróleo à Síria» não foi bem acolhido por grande parte da população, que se manifestou, indicam a Prensa Latina e a PressTV, uma vez que as riquezas do país não são investidas nos serviços básicos.

As autoridades sírias condenaram o acordo, classificando-o como «nulo e sem efeito», e descrevendo-o como um contrato entre «ladrões que roubam e ladrões que compram».

Os Estados Unidos têm tropas e pelo menos uma dezena de bases militares no Norte das províncias de Deir ez-Zor, Raqqa e Hasaka, onde fazem chegar constantemente diverso material proveniente do Iraque.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/aumenta-resistencia-milicias-curdas-e-tropas-dos-eua-no-nordeste-da-siria

Estados Unidos vivem uma “Depressão Pandêmica”

 

Deve estar claro para quase todos agora que a repentina e acentuada crise econômica que começou no final de março é algo mais do que uma grave recessão. Esse rótulo foi, talvez, justificável para a Grande Recessão de 2007-2009, quando o desemprego atingiu um pico de 10%. Não é agora.

 

A opinião é do colunista do jornal The Washington Post, Robert J. Samuelson. Ele parte de uma avaliação dos economistas Carmen Reinhart e Vincent Reinhart. “Essa situação é tão terrível que merece ser chamada de ‘depressão’ – uma depressão pandêmica”, escrevem eles. “A memória da Grande Depressão impediu economistas e outros de usar essa palavra”, prosseguiram.

É compreensível, avalia Robert J. Samuelson. “As pessoas não querem ser acusadas de alarmismo e de estar piorando a situação. Mas essa reticência é auto destrutiva e histórica. Minimiza a gravidade da crise e ignora comparações com as décadas de 1930 e 1919. Isso importa. Se as hordas de festeiros tivessem entendido os verdadeiros perigos da pandemia, talvez tivessem sido mais responsáveis na prática do distanciamento social”, escreveu.

Segundo ele, mesmo após o relatório de empregos de julho, quando a taxa de desemprego caiu de 11,1% para 10,2% em junho, o mercado de trabalho continua desacelerado. “Aqui estão as comparações com fevereiro, o último mês antes da pandemia ser totalmente refletida nas estatísticas de trabalho: o número de empregados caiu 15,2 milhões; os desempregados aumentaram 10,6 milhões; e aqueles que não estão na força de trabalho aumentaram em 5,5 milhões”, lembra.

Ele alerta que Carmen Reinhart e Vincent Reinhart lembraram que “os séculos XIX e XX estavam cheios de depressões”. E falam com autoridade; ela é professora de Harvard, de licença e servindo como economista-chefe do Banco Mundial; ele era um alto funcionário do Federal Reserve (o Fed, o banco central norte-americano) e agora é economista-chefe no BNY Mellon (The Bank of New York Mellon, empresa de serviços bancários e financeiros em todo o mundo).

Segundo Robert J. Samuelson, o que está claro é que a Depressão Pandêmica se assemelha mais à Grande Depressão dos anos 1930 do que à típica recessão pós-Segunda Guerra Mundial. “Simplificando ligeiramente: a típica queda do pós-guerra ocorreu quando o Fed elevou as taxas de juros para reduzir a inflação dos preços ao consumidor. Eles reduziram as taxas para estimular o crescimento”, escreveu.

Em contraste, prosseguiu, tanto a Grande Recessão quanto a Depressão Pandêmica tiveram outras causas. “A Grande Recessão refletiu a especulação imobiliária e financeira descontrolada e seus efeitos adversos no sistema bancário. A Depressão Pandêmica ocorreu quando os temores de infecção e os mandatos do governo levaram a demissões e uma implosão dos gastos dos consumidores”, avaliou.

O dano colateral foi enorme, de acordo com Robert J. Samuelson. “As pequenas empresas representaram 47% dos empregos do setor privado em 2016, estima a Administração de Pequenas Empresas. Muitos quebraram porque não tinham dinheiro para sobreviver a um longo fechamento. Em um novo estudo, o economista Robert Fairlie, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, relata uma queda de 8% no número de pequenas empresas de fevereiro a junho. Entre afro-americanos, o declínio foi de 19%; entre os hispânicos, 10%”, constatou.

Em um aspecto, diz Robert J. Samuelson, os Reinharts subestimaram os paralelos entre a depressão atual e seu antecessor nos anos 1930. “O que foi irritante sobre a Grande Depressão é que suas causas não foram compreendidas na época. As pessoas temiam o que não podiam explicar. A crença de consenso era que as crises nos negócios precisavam de autocorreção. Estoques excedentes seriam vendidos; empresas ineficientes fracassariam; salários cairiam. Os sobreviventes deste processo brutal estariam então em posição de expandir”, lembrou.

Essa visão levou à paciência e à passividade, de acordo com Robert J. Samuelson. “Basta esperar; as coisas vão melhorar. Como não o fizeram, a ansiedade e o descontentamento aumentaram. Havia um vazio intelectual. A bolsa moderna preencheu o vazio. Se o governo tivesse sido mais agressivo, evitando falhas bancárias e adotando déficits orçamentários maiores para estimular os gastos, a economia não teria entrado em colapso. A Grande Depressão não teria sido tão grave”, avaliou.

Algo semelhante está ocorrendo hoje, segundo ele. “A interação entre medicina e economia muitas vezes desconcerta. Isso é uma crise de saúde ou uma crise econômica? Antes do New Deal, na década de 1930, os líderes nacionais seguiam a sabedoria convencional da época — fazendo pouco. Da mesma forma, os líderes agora estão seguindo a sabedoria convencional de hoje, que é gastar generosamente. Será que isso funciona ou a explosão da dívida pública vai, em última análise, criar um novo tipo de crise?”, prognostica.

A linguagem do passado se encaixa cada vez mais nas condições do presente, segundo Robert J. Samuelson. “Os muitos bustos do século XIX têm sido chamados há muito tempo como ‘depressões’ — por exemplo, no final dos anos 1830, 1870 e 1890. A realidade aceita na época era que meros mortais tinham pouco controle sobre os eventos econômicos. Pensamos que tínhamos seguido em frente, mas talvez não”, escreveu.

E concluiu: “As implicações para as perspectivas econômicas são assustadoras. Em seu ensaio, os Reinharts distinguem entre uma ‘recuperação’ econômica e uma ‘recuperação’ da economia. Uma recuperação implica um crescimento econômico positivo, que eles consideram provável, mas não o suficiente para alcançar a recuperação completa. Isso igualaria ou superaria o desempenho da economia antes da pandemia. Quanto tempo isso levaria? Cinco anos é o melhor palpite dos Reinharts – e talvez mais.”


por Osvaldo Bertolino, Jornalista e historiador   |    Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/estados-unidos-vivem-uma-depressao-pandemica/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=estados-unidos-vivem-uma-depressao-pandemica

Racismo estrutural

O recorte do Jornal de Notícias é de 28 de Julho de 1888. Mais de um século volvido sobre a Declaração de Independência dos EUA, onde solenemente se proclamava a crença de que todos os Homens foram criados iguais.

No estado de Nova Iorque, a escravatura foi abolida ainda no século XVIII, como sucedeu na generalidade dos estados do Norte. A derrota dos confederados na Guerra da Secessão (1861-65) ditou o fim da escravatura em todos os estados americanos.

Mesmo assim, na distinta sociedade novaiorquina de finais de oitocentos, ainda que homem livre e created equal, com dinheiro e “maneiras distintas”, um preto continuava a ser um preto…

racismo-ny

Recorte daqui.

EUA com 1.252 mortos e mais de 63 mil casos nas últimas 24 horas

 
 
Total de mais de 160 mil mortes e quase 5 milhões de casos confirmados

Os Estados Unidos registaram 1.252 mortos e 63.913 infetados com o novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo uma contagem independente da Universidade Johns Hopkins.

Os últimos números elevam o total de mortes para 162.304 e o de casos confirmados para 4.989.976.
 
O balanço realizado às 20:00 de sábado (01:00 de hoje em Lisboa) pela agência de notícias Efe apontou ainda que apesar de Nova Iorque não ser mais o estado com o maior número de infeções, ainda é a mais atingido em termos de mortes nos Estados Unidos, com 32.768, mais do que França ou Espanha.

Nova Iorque é seguida pela vizinha New Jersey com 15,849 mortos, Califórnia com 10,306, Texas com 9,056 e Massachusetts com 8,721.

Outros estados com grande número de mortes são Florida com 8.109, Illinois com 7.840, Pensilvânia com 7.310.

Em termos de infeções, a Califórnia tem 551.894, seguida da Florida com 526.577, Texas com 496.558, e Nova Iorque com 420.345.

O Presidente norte-americano estava confiante de que o número final seria entre 50 mil e 60 mil mortes, embora mais tarde tenha subido a estimativa para 110 mil óbitos, um número que também foi excedido.

Já o Instituto de Métricas e Avaliações de Saúde da Universidade de Washington, cujos modelos de previsão da evolução da pandemia têm servido de base para os cálculos feitos a partir da Casa Branca, indica atualmente que os Estados Unidos vão chegar às eleições presidenciais de 03 de novembro atingir os 250 mil e até 01 de dezembro os 295.000.

A pandemia de covid-19 já provocou cerca de 722 mil mortos e infetou mais de 19,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Notícias ao Minuto | Lusa

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/eua-com-1252-mortos-e-mais-de-63-mil.html

EUA | Donald, apetece-lhes algo americano

 
 
«Esta semana, o bilionário Elon Musk replicou à acusação de envolvimento estado-unidense no golpe contra o governo de Evo Morales, na Bolívia, com admissão pública: «Fazemos golpes onde nos apetecer». E é verdade. Até nos EUA.»
 
 
Se há coisa em que os EUA são mesmo os melhores do mundo, é na ciência do golpe de Estado. Palaciano ou militar, putsch ou revolução colorida, anti-terrorista ou humanitário, o que é certo é que nos últimos 75 anos não houve uma única administração americana que não tivesse orquestrado algures no mundo uma operação golpista de algum tipo ou feitio. O que impede um inquilino da Casa Branca de usar na própria casa toda essa experiência internacional, essa inteira ciência mil vezes testada, esses quase infinitos recursos militares, financeiros e tecnológicos? Esta semana, o bilionário Elon Musk replicou à acusação de envolvimento estado-unidense no golpe contra o governo de Evo Morales, na Bolívia, com admissão pública: «Fazemos golpes onde nos apetecer». E é verdade. Até nos EUA.

 


Se a ideia de um golpe de Estado nos EUA, seguido da instauração de uma ditadura presidencial, parecer uma ideia longínqua, é avisado reler a surpresa com que Isabel Allende descreve o golpe de 73: «Achávamos que golpes militares eram coisas que aconteciam nas Repúblicas das Bananas, algures na América Central. Nunca aconteceria no Chile. E depois aconteceu». O próprio Joe Biden, nomeado presidencial do Partido Democrata, admitiu que a perspectiva de Trump ocupar a Casa Branca pela via golpista é o seu «maior pesadelo». Seria, aliás, um pesadelo recorrente. Há 20 anos, o Supremo Tribunal travou a recontagem dos votos da Florida que condenariam a eleição de George W. Bush. O Partido Democrata revelou-se impotente, ou desinteressado, em impedir a usurpação da sala oval.
 
Quando Trump, na semana passada, mobilizou, milhares de paramilitares não identificados para reprimir os protestos anti-racistas nas ruas de Portland, no Óregon, estava a ensaiar um golpe de Estado. Fê-lo contra a vontade expressa desse Estado, do executivo da cidade e dos seus congressistas, tomando cuidadosamente o pulso à reacção democrata. Fê-lo testando as agências federais em que confia: como o Departamento de Segurança Interna (DHS na siga inglesa), os US Marshals, o ICE, o BORTAC e a Guarda Costeira. Fê-lo exercendo um nível de repressão extrajudicial a que a União Americana pelas Liberdades Civis chamou de «crise constitucional». Fê-lo prometendo fazê-lo a breve trecho noutras cidades governadas pelos democratas como Nova Iorque, Filadélfia, Detroit, Baltimore, Albuquerque, Cleveand e Oakland. A situação é tão tensa que Tom Ridge, antigo director do DHS durante os mandatos de W. Bush e portanto insuspeito de excesso de zelo democrata, disse ao Post que a agência «não foi criada para ser a milícia pessoal do presidente». Em declarações à mesma publicação, Paul Rosenzweig e Michael Chertoff, outros dois antigos dirigentes do DHS, caracterizaram a intervenção como «inconstitucional» «problemática» e «alarmante».

 


Os ensaios de Trump para um eventual golpe são vendidos à classe dominante como uma solução eficaz para as expectáveis explosões sociais que se avizinham. A suspensão dos despejos caducou no dia 25 e, só no fim de Junho, 12 milhões de pessoas não conseguiram pagar a renda da casa. Todas as semanas, mais 1,4 milhões de trabalhadores juntam-se aos 30 milhões de desempregados. Apesar disso, esta segunda-feira, os republicanos anunciaram no Senado que planeiam cortar o apoio extraordinário aos desempregados de 600 para 200 dólares por semana. O horizonte de milhões de trabalhadores é a miséria e o desamparo.

 


A guerra civil de que, no séc. XIX, os confederados saíram derrotados, nunca sarou. Trump sabe-o. Procura habilmente reencenar a batalha pela «liberdade dos Estados» sob o signo da pandemia, intervindo agora em nome da preservação da liberdade, não de escravizar, mas de reabrir empresas e escolas sem máscaras, de reprimir protestos ou de ignorar eleições. Há 160 anos o governo interveio no Sul. Agora fá-lo-á no Norte. Se aos Musks lhes apetecer, claro.

 


*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2435, 30.07.2020

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/eua-donald-apetece-lhes-algo-americano.html

Comunidade científica critica Trump por dizer que NASA estava “morta”

Yuri Gripas / EPA POOL

 

Na quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou no Twitter que “a NASA estava fechada e morta” até que o próprio fez com que voltasse a funcionar, afirmação que gerou consternação na comunidade científica.
 

Na publicação, citada pelo Futurism, Trump incluiu uma ligação que remete para uma publicação da NASASpaceflight, na qual é mencionado o lançamento bem-sucedido da nave da SpaceX – empresa de Elon Musk -, que envolve a NASA apenas indiretamente.

A polémica em torno da publicação prende-se, primeiramente, com o facto de Trump poder ter confundido a nave espacial da SpaceX com o voo da nave Crew Dragon, realizado no mês passado, este sim estreitamente coordenado com a NASA.

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O facto de o Presidente ter dito que a NASA estava “fechada” e “morta” aumentou a polémica, com críticas de ex-astronautas e representantes de órgãos de comunicação. Na verdade, muitos dos sucessos recentes da agência se devem a décadas de trabalho que antecedem Trump e, em alguns casos, a administração Obama, frisou o Futurism.

Em reação à publicação do Presidente, o antigo astronauta da NASA Scott Kelly escreveu no Twitter que “grandes líderes assumem a culpa e passam adiante o crédito”.

Na mesma rede social, o escritor sénior da SpaceNews, Jeff Foust, indicou: “O teste da nave estelar que o Presidente” refere “não tem nada a ver com a NASA; é um esforço privado da SpaceX”.

“Curiosa para saber de onde vieram todos os funcionários da NASA, se a agência esteve fechada por tanto tempo”, escreveu por sua vez a jornalista do Verge, Loren Grush.

“Isso presta um desserviço às quase 17.000 mulheres e homens dedicados da NASA”, escreveu também o ex-funcionário da SpaceX, Phil Larson.

O recente sucesso da SpaceX em trazer astronautas com segurança na Crew Dragon remonta ao Programa de Carga Comercial de 2006, estabelecido cerca de uma década antes da eleição de Trump. O desenvolvimento do programa cresceu substancialmente durante o primeiro mandato de Obama.

O recente lançamento do Perseverance, da NASA, destinado a Marte, também se baseia em décadas de trabalho, com o desenvolvimento dos seus instrumentos a remontar a 2013.

Trump tentou aumentar o orçamento da NASA nos últimos anos, embora ainda não esteja claro quanto a agência vai receber do Congresso no próximo ano.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/comunidade-cientifica-trump-nasa-339482

A nova Guerra Fria não será fria

(Francisco Louçã, in Expresso, 08/08/2020)

Na relação com a China, Trump opta pela tensão máxima. Mas é a economia que manda no conflito, o que o torna mais imprevisível do que o confronto EUA-URSS

Mike Pompeo, um sempre surpreendente chefe da diplomacia norte-americana, fez há dias um discurso definindo o programa do conflito com a China em que anuncia que é tempo de terminar o “paradigma de compromisso cego” que vigora desde a viagem de Nixon em 1972, há quase 50 anos, e que, “se queremos um século XXI livre, o mundo livre tem de triunfar contra esta nova tirania”. Alguns analistas descobriram nesta agressividade o esboço de uma nova Guerra Fria ou uma repetição da história. Estão enganados.

A POLÍTICA DO MEDO

Na disputa pela sua reeleição, atormentado pela incompetência grosseira da sua resposta à pandemia, que levanta contra ele parte da “maioria silenciosa” que o elegeu, Trump só pode tentar salvar-se através de dois expedientes: o medo interno (a ordem contra os desordeiros) ou o medo externo (a tensão com a China). Vai usar os dois. O primeiro foi ensaiado por estes dias em Portland, com a intervenção na rua de agentes federais sem permissão das autoridades estaduais, procurando agravar o conflito e sobrepor-lhe uma confusão institucional. O segundo foi exposto por Pompeo e vai ser dramatizado até ao dia das eleições. Vai haver muito mais disto, com manobras militares, provocações e ameaças, logo veremos até onde pode ir, para dominar a agenda eleitoral. Só que não é uma nova Guerra Fria. A ser alguma coisa é diferente e só pode ser pior. A Trump, em rota de derrota, só resta a ordem do caos, e é nela que vai basear a sua tentativa de recuperação.

A Guerra Fria entre os EUA e a URSS foi uma estratégia bilateral de tensão política e militar de longo prazo, que bordejou o conflito aberto (a crise de Berlim, os mísseis em Cuba), mas sempre o evitou (as guerras eram por procuração, como em África). No entanto, as duas potências tinham escassa relação económica.

Hoje, a China é o principal destino das exportações norte-americanas (incluindo, por ordem de grandeza, a compra de aviões, máquinas, instrumento médicos e automóveis, produtos agrícolas) e os EUA são o principal destino das chinesas (por ordem, máquinas, móveis, brinquedos, plásticos), entre três e quatro vezes mais valiosas. Até abril, a diferença já ultrapassa 100 mil milhões de dólares. Poderá ser o triplo no final do ano.

DEPENDÊNCIA MÚTUA E TENSÃO MÁXIMA

Com esse rendimento, a China compra a dívida pública norte-americana e vende produtos baratos, além de mandar 400 mil estudantes cujas propinas sustentam as universidades dos EUA. Uma rutura teria uma implicação devastadora na economia norte-americana e significaria imediatamente a redução dos salários reais no país. Por isso, uma repetição de uma Guerra Fria de longo desgaste e isolamento dificilmente acontecerá, além de que poderia significar a derrota da potência dominante. Se a nova guerra é primordialmente económica, o que significa que não dispensa os porta-aviões mas que se concentra em novas ameaças, como a transformação do sistema de pagamentos bancários internacionais em arma de destruição massiva, as suas primeiras trincheiras já estão à nossa vista, são a Huawei e a TikTok ou a dominação dos sistemas de comunicações. Aí será a luta sem quartel.

Assim, é a economia que manda no conflito, o que o torna mais imprevisível do que o confronto EUA-URSS. Além disso, e ao contrário do que se passou durante a Guerra Fria, o limite institucional está agora consagrado à sobrevivência de um bufão. E, se só um Presidente desesperado pode escolher a tensão máxima, é mesmo um homem dessa raça que mora agora na Casa Branca, para quem o futuro é nada mais do que um jogo pessoal.


Dentro de meses será tarde demais para o Novo Banco

Se há algo em Portugal que seja tão regular e previsível como o relógio de cuco são os escândalos no Novo Banco. A administração, que já recebeu o quinhão anual prometido pelo contrato negociado por Sérgio Monteiro e certificado pelo Banco de Portugal e por Mário Centeno, exige agora mais €176 milhões por conta de prejuízos deste ano. Mas, sendo esta gula ilimitada, os supervisores sentiram-se forçados a revelar, a tal os obriga a pressão pública, que há €260 milhões que foram irregularmente incluídos nas contas e que estavam fora do perímetro das contas que determinam as injeções públicas. A trapalhada monumental em que se tornou o que foi o maior banco privado nacional estava inscrita desde o primeiro dia deste processo, mas não deixa de surpreender pela imaginação fértil.

O problema é que não foi difícil. Houve, como seria de esperar, uma conjugação de demasiada incompetência ou de interessada competência: a Deloitte atrasa a auditoria, já vai em cinco meses, e não se sabe o que apresentará, o Fundo de Resolução nem tem meios nem parece ter vontade de controlar as operações, o Ministério das Finanças aprecia mais as reivindicações do Lone Star do que as contas públicas. Todos se conjugaram para este maravilhoso resultado.

Se houver uma réstia de decência, substituir a administração do Novo Banco, cuja idoneidade está posta em causa por sucessivas operações desastradas para impor prejuízos ao erário público, é a primeira condição para o saneamento da instituição. Se assim não for, ao longo deste ano continuará a limpeza do baú em modo catástrofe, para no fim o cadáver do banco ser vendido a algum outro aventureiro por tuta e meia.


As dinastias do eixo do mal

Com dados da OCDE publicados esta semana, a Tax Justice Network, uma rede de investigadores que se dedica ao combate à fraude fiscal e à lavagem de dinheiro, detetou 467 mil milhões de dólares de lucros empresariais escondidos em offshores para evitar o pagamento de impostos no ano passado. As perdas em impostos devidos teriam sido de 117 mil milhões. Constata-se que o Reino Unido, a Suíça, o Luxemburgo e a Holanda captam 72% deste total. A Holanda é campeã, seguindo-se vários territórios britânicos (como as Bermudas). O Reino Unido, aliás, impediu agora a OCDE de publicar os dados detalhados país por país, apesar de há quatro anos o ter aceite.

Mas, como se trata de dados sobre unicamente 15 países, os investigadores usaram a metodologia do FMI para projetarem um total mundial de 1,3 biliões de dólares escondidos das autoridades fiscais, que perderão 330 mil milhões de pagamentos devidos. Nenhuma surpresa com esta constatação. É para isso que servem os offshores, para ocultar fortunas e para proteger a fuga ao fisco e a corrupção. Sem esses instrumentos, os bancos que procediam tradicionalmente a estas operações teriam muito mais dificuldade em ocultá-las. Aliás, como aqui lembrei um dia, foi precisamente para o garantir que foi aprovada a legislação do sigilo bancário na Europa na década de 30.

Não é de surpreender, portanto, que os offshores sejam tão conspícuos nos crimes de colarinho branco como a Dona Constança em cada festança. No caso recente da comissão saudita paga ao rei Juan Carlos e escondida numa conta suíça, o padrão é o mesmo. As contas secretas servem precisamente para isso, para ocultar as fortunas, para não pagar os impostos e para proteger o crime da corrupção. O certo é que não foi o primeiro caso, mesmo em tempos recentes. Há anos, o príncipe Bernhard, consorte da rainha Juliana da Holanda, recebeu um bónus da Lockheed para facilitar um contrato militar, o que só reconheceu no final da vida. O cunhado do atual rei de Espanha, Iñaki Urdangarin, foi condenado a prisão por fraude fiscal. O pequeno detalhe monárquico acrescenta uma dimensão nova a estes crimes: quem defende que a chefia do Estado deve ser entregue perpetuamente a uma família cujo poder não seja submetido à democracia e que aceite ainda a transmissão do poder por privilégio de nascimento dificilmente evitará a consequência: notar que o poder irrevogável facilita o crime. Então, se há neste imbróglio espanhol uma vantagem, é mostrar que, havendo delito, a dinastia favorece a perceção de impunidade pelos criminosos. Juan Carlos presta, assim, um último serviço à democracia: exibir a consequência do privilégio régio.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A cruzada profana dos EUA contra a China

No mês passado, o discurso anti-China feito pelo secretário de Estado Mike Pompeo foi extremista, simplista e perigoso. Se literalistas bíblicos como Pompeo permanecerem no poder após novembro, eles poderão muito bem trazer o mundo à beira de uma guerra que eles consideram provável e que, talvez, até mesmo busquem

 

 

Publicado originalmente em 'Project Syndicate' | Tradução de César Locatelli

Por Jeffrey D. Sachs,Carta Maior -No mês passado, o discurso anti-China feito pelo secretário de Estado Mike Pompeo foi extremista, simplista e perigoso. Se literalistas bíblicos como Pompeo permanecerem no poder após novembro, eles poderão muito bem trazer o mundo à beira de uma guerra que eles consideram provável e que, talvez, até mesmo busquem

Muitos evangélicos cristãos brancos nos Estados Unidos há muito acreditam que os Estados Unidos têm uma missão dada por Deus para salvar o mundo.

Sob a influência dessa mentalidade de cruzada, a política externa dos EUA muitas vezes se desviou da diplomacia para a guerra.

Corre-se o risco de que isso se repita.

No mês passado, o secretário de Estado Mike Pompeo lançou mais uma cruzada evangélica, desta vez contra a China. Seu discurso foi extremista, simplista e perigoso – e pode muito bem colocar os EUA em um caminho para um conflito com a China.

 

Segundo Pompeo, o presidente chinês Xi Jinping e o Partido Comunista da China (CPC) abrigam um "desejo de hegemonia global de décadas".

Isso é irônico.

Apenas um país – os EUA – tem uma estratégia de defesa que exige que o país seja a "potência militar preeminente do mundo", com "equilíbrios regionais favoráveis de poder no Indo-Pacífico, Europa, Oriente Médio e Hemisfério Ocidental".

 

O documento oficial de defesa da China, em contraste, afirma que "a China nunca seguirá o caminho batido pelas grandes potências na busca da hegemonia", e que, "à medida que a globalização econômica, a sociedade da informação e a diversificação cultural se desenvolvem em um mundo cada vez mais multipolar, a paz, o desenvolvimento e a cooperação ganha-ganha continuam sendo as tendências irreversíveis dos tempos".

Lembre-se da própria admoestação de Jesus:

"Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o cisco do olho do teu irmão" (Mateus 7:5).

Os gastos militares dos EUA totalizaram US$ 732 bilhões em 2019, quase três vezes os US$ 261 bilhões gastos pela China.

Os EUA, aliás, têm cerca de 800 bases militares no exterior, enquanto a China tem apenas uma (uma pequena base naval em Djibouti).

Os EUA têm muitas bases militares perto da China, que não tem nenhuma perto dos EUA.

Os EUA têm 5.800 ogivas nucleares; a China tem cerca de 320.

Os EUA têm 11 porta-aviões; a China tem um.

Os EUA lançaram muitas guerras no exterior nos últimos 40 anos; a China não lançou nenhuma (embora tenha sido criticada por escaramuças fronteiriças, mais recentemente com a Índia, que param aquém da guerra).

Os EUA rejeitaram ou se retiraram repetidamente dos tratados das Nações Unidas e das organizações da ONU nos últimos anos, incluindo a UNESCO, o acordo climático de Paris e, mais recentemente, a Organização Mundial da Saúde, enquanto a China apoia processos e agências da ONU.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou recentemente com sanções os funcionários do Tribunal Penal Internacional.

Pompeo protesta contra a repressão da China à sua população uigure, de maioria muçulmana, mas o ex-conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, afirma que Trump deu uma aprovação privada às ações da China, ou até mesmo as encorajou.

O mundo deu relativamente pouca atenção ao discurso de Pompeo, que não ofereceu nenhuma evidência para apoiar suas reivindicações da ambição hegemônica da China.

A rejeição da China à hegemonia dos EUA não significa que a própria China busque hegemonia.

De fato, fora dos EUA, há pouca crença de que a China vise o domínio global.

Os objetivos nacionais explicitamente declarados da China são de se tornar uma “sociedade moderadamente próspera” até 2021 (o centenário do PCC) e um “país totalmente desenvolvido” até 2049 (o centenário da República Popular).

Além disso, com um valor estimado de US$ 10.098 em 2019, o PIB per capita da China foi menos de um sexto do dos EUA (US$ 65.112) – não exatamente a base para a supremacia global.

A China ainda tem um caminho longo para alcançar até mesmo seus objetivos básicos de desenvolvimento econômico.

Supondo que Trump perca as eleições presidenciais de novembro, o discurso de Pompeo provavelmente não receberá nenhuma nova ação.

Os democratas certamente criticarão a China, mas sem os exageros descarados de Pompeo.

No entanto, se Trump ganhar, o discurso de Pompeo pode ser um prenúncio do caos.

O evangelismo de Pompeo é real, e os evangélicos brancos são a base política do Partido Republicano de hoje.

Os excessos zelosos de Pompeo têm raízes profundas na história norte-americana.

Como contei no meu recente livro, A New Foreign Policy [Uma Nova Política Externa], os colonos protestantes ingleses acreditavam que estavam fundando um Novo Israel na nova terra prometida, com as bênçãos providenciais de Deus.

Em 1845, John O'Sullivan cunhou a expressão "Destino Manifesto" para justificar e celebrar a violenta anexação da América do Norte pelos EUA.

"Tudo isso será nossa história futura", escreveu ele em 1839, "para estabelecer na terra a dignidade moral e a salvação do homem – a verdade imutável e a beneficência de Deus. Para esta missão abençoada para as nações do mundo, que estão excluídas da luz vivificante da verdade, a América foi escolhida…”

Com base em tais visões exaltadas de sua própria beneficência, os EUA se envolveram na escravidão em massa até a Guerra Civil e no apartheid em massa posteriormente; massacrou nativos americanos ao longo do século XIX e subjugou-os depois disso; e, com o fechamento da fronteira ocidental, estendeu o Destino Manifesto no exterior.

Mais tarde, com o início da Guerra Fria, o fervor anticomunista levou os EUA a lutar guerras desastrosas no Sudeste Asiático (Vietnã, Laos e Camboja) nas décadas de 1960 e 1970, e guerras brutais na América Central nos anos 1980.

Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o ardor evangélico foi direcionado contra o "Islã radical" ou o "fascismo islâmico", com quatro guerras escolhidas pelos EUA – no Afeganistão, Iraque, Síria e Líbia – todas elas permanecem debacles até hoje.

De repente, a suposta ameaça existencial do Islã radical foi esquecida, e a nova cruzada tem como alvo o Partido Comunista Chinês.

O próprio Pompeo é um literalista bíblico que acredita que o fim dos tempos, a batalha apocalíptica entre o bem e o mal, é iminente.

Pompeo descreveu suas crenças em um discurso de 2015 quando era congressista por Kansas: "Os Estados Unidos são uma nação judaico-cristã, a maior da história, cuja tarefa é lutar as batalhas de Deus até o Arrebatamento, quando os seguidores renascidos de Cristo, como Pompeo, serão varridos para o céu no Último Julgamento".

Os evangélicos brancos representam apenas cerca de 17% da população adulta dos EUA, mas compreendem cerca de 26% dos eleitores.

Eles votam esmagadoramente nos republicanos (cerca de 81% em 2016), tornando-os o bloco de votação mais importante do partido.

Isso lhes dá poderosa influência na política republicana, e em particular na política externa quando os republicanos controlam a Casa Branca e o Senado (com seus poderes ratificadores de tratados).

99% dos congressistas republicanos são cristãos, dos quais cerca de 70% são protestantes, incluindo uma proporção significativa, embora desconhecida, de evangélicos.

É claro que os democratas também abrigam alguns políticos que proclamam o excepcionalismo norte-americano e lançam guerras de cruzadas (por exemplo, as intervenções do presidente Barack Obama na Síria e na Líbia). No geral, no entanto, o Partido Democrata está menos ligado a reivindicações da hegemonia dos EUA do que a base evangélica do Partido Republicano.

A retórica inflamatória anti-China de Pompeo pode se tornar ainda mais apocalíptica nas próximas semanas, nem que seja apenas para incendiar a base republicana antes da eleição.

Se Trump for derrotado, como parece provável, o risco de um confronto dos EUA com a China recuará.

Mas se ele permanecer no poder, seja por uma verdadeira vitória eleitoral, fraude eleitoral ou mesmo um golpe (tudo é possível), a cruzada de Pompeo provavelmente prosseguiria, e poderia muito bem levar o mundo à beira de uma guerra que ele considera provável e que, talvez, até mesmo busque.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/mundo/a-cruzada-profana-dos-eua-contra-a-china

Estado de Nova Iorque com mais mortes por Covid-19 do que França ou Espanha

Mike Groll / Gabinete do Governador Andrew M. Cuomo

 

Os Estados Unidos registaram 1.252 mortos e 63.913 infetados com o novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo uma contagem independente da Universidade Johns Hopkins.

 

Os últimos números de casos e óbitos registados devido a Covid-19 nos Estados Unidos elevam o total de mortes para 162.304 e o de casos confirmados para 4.989.976.

O balanço realizado às 20:00 de sábado (01:00 de hoje em Lisboa) pela agência de notícias EFE apontou ainda que apesar de Nova Iorque não ser mais o estado com o maior número de infeções, ainda é a mais atingido em termos de mortes nos Estados Unidos, com 32.768 – mais do que França ou Espanha.

Nova Iorque é seguida pela vizinha New Jersey com 15,849 mortos, Califórnia com 10,306, Texas com 9,056 e Massachusetts com 8,721. Outros estados com grande número de mortes são Florida com 8.109, Illinois com 7.840, Pensilvânia com 7.310.

Em termos de infeções, a Califórnia tem 551.894, seguida da Florida com 526.577, Texas com 496.558, e Nova Iorque com 420.345.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, estava confiante de que o número final seria entre 50 mil e 60 mil mortes, embora mais tarde tenha subido a estimativa para 110 mil óbitos, um número que também foi excedido.

Já o Instituto de Métricas e Avaliações de Saúde da Universidade de Washington, cujos modelos de previsão da evolução da pandemia têm servido de base para os cálculos feitos a partir da Casa Branca, indica atualmente que os EUA vão chegar às eleições presidenciais de 3 de novembro com 250 milmortos — e até 1 de dezembro atingirão os 295.000.

 

México com 695 mortos e 6.495 infetados

O México registou 695 mortes e 6.495 casos de infeção com o novo coronavírus nas últimas 24 horas, anunciaram as autoridades de saúde mexicanas no sábado. No total, o país registou 52.006 óbitos e 475.902 contágios confirmados desde o início da pandemia.

O México ocupa o sexto lugar no mundo em número de casos globais, depois dos Estados Unidos, Brasil, Índia, Rússia e África do Sul, e é o terceiro com mais mortes, depois dos Estados Unidos e do Brasil.

O diretor da Agência Mexicana de Promoção da Saúde, Cortés Alcalá, revelou que 1.085.897 pessoas tinham sido testadas desde o início da pandemia. O responsável acrescentou ainda que 318.638 já recuperaram da doença.

 

Índia regista 861 mortes e quase 64.000 casos

A Índia registou 861 mortes e quase 64.000 casos da covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 2.153.010 infetados desde o início da pandemia. Segundo o Ministério da Saúde indiano, o total de mortes atingiu 43.379 no país, incluindo mais de 20.000 nos últimos 30 dias.

A Índia regista ainda uma média de cerca de 50.000 novos casos diários desde meados de junho. O país tem o terceiro maior número de casos do mundo, depois dos Estados Unidos e do Brasil. Apesar de a Índia registar o quinto maior número de mortes, a sua taxa de mortalidade de cerca de 2% é muito inferior à dos dois países mais duramente atingidos.

GCIS / Fotos Públicas

A África do Sul é o país com mais infetados no continente africano

 

África contabiliza hoje mais de 22.900 mortos

O número de mortes por covid-19 é hoje de 22.903 em África, continente que regista mais de um milhão de infetados pela doença, que afeta sobretudo as regiões Austral e do Norte, segundo os dados oficiais mais recentes.

O número de pessoas declaradas como recuperadas da doença subiu para 720.775, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), que reúne os dados mais recentes dos relatórios oficiais dos 55 países membros desta organização.​​​​​

O maior número de casos e de mortos de covid-19 continua a registar-se na África Austral, com 581.734 infetados e 10.841 vítimas mortais. Nesta região, a África do Sul, o país mais afetado do continente, contabiliza 553.188 infetados e 10.210 mortos.

A região da África do Norte, a segunda mais afetada pela pandemia, tem agora 174.727 infetados e 7.070 mortos e na África Ocidental o número de casos subiu para 139.169 e o de vítimas mortais para 2.067.

Na região da África Oriental, registam-se 89.005 casos e 1.971 mortos e na região da África Central são contabilizados hoje 50,296 casos de infeção e 955 óbitos.

No sábado, à África Central tinha sido atribuído um número superior de infetados, de 51.269 pessoas com a doença covid-19, por terem sido divulgados números incorretos relativamente aos Camarões, hoje corrigidos, explicou o África CDC. Este país é o mais atingido pela doença na África Central, com 17.586 infetados, 393 mortos e 16.060 pessoas declaradas recuperadas.

O Egito é o segundo país com mais vítimas mortais, a seguir à África do Sul, contabilizando 95.314 infetados e 4.992 óbitos, seguindo-se a Argélia, que conta hoje com 34.137 casos e 1.280 vítimas mortais.

Entre os cinco países mais afetados, estão também a Nigéria, que regista 46.140 infetados e 942 óbitos, e o Sudão, com 11.894 casos (o mesmo número reportado no sábado) e 773 vítimas mortais.

Entre os países africanos lusófonos, Cabo Verde lidera em número de casos (tem hoje 2.835 casos e 32 mortos), seguindo-se a Guiné-Bissau (2.050 casos e 29 mortos), Moçambique (2.241 casos e 16 mortos), Angola (1.572 infetados e 70 mortos) e São Tomé e Príncipe (878 casos e 15 mortos).

O primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito em 14 de fevereiro e a Nigéria foi o primeiro país da África Subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

 

722 mil mortos em todo o mundo

A pandemia de covid-19 provocou até agora cerca de 722 mil mortos e infetou mais de 19,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China. Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/nova-iorque-mais-mortes-covid-19-franca-espanha-339681

EUA | A fraude eleitoral é real: o sistema eleitoral é vulnerável

 

 
Faltam apenas três meses para a eleição nacional dos Estados Unidos e é de se esperar que as mentiras descaradas de ambos os partidos aumentem geometricamente à medida que a data da votação se aproxima. Uma das alegações mais interessantes sobre a própria eleição é a afirmação da Casa Branca de que a votação em grande escala pelo correio permitirá a fraude, tanto que o resultado da votação não será confiável ou contestado. Com certeza, não é como se a fraude eleitoral fosse desconhecida nos Estados Unidos. A vitória da eleição presidencial de John F. Kennedy em 1960 tem sido freqüentemente creditada a todos os cemitérios na votação do prefeito Richard Daley em Chicago para colocar Illinois no campo democrata.

 


Os democratas insistem que votar pelo correio é perfeitamente seguro e confiável, testemunha o uso de cédulas ausentes por muitos anos. As afirmações de funcionários eleitores afiliados ao Partido Democrata em vários estados e também de amigos no nível federal têm sido veiculadas na mídia para confirmar que a fraude nas eleições tem sido insignificante recentemente. Isso pode ser verdade, até agora.

 


Os democratas, é claro, têm uma agenda. Por razões que não são totalmente claras, eles acreditam que votar pelo correio os beneficiaria principalmente, então eles estão pressionando muito para que seus apoiadores se registrem em seus respectivos estados e votem na caixa postal local. No entanto, deve haver algum ceticismo sempre que um grande partido político americano deseja algo. Nesse caso, os democratas provavelmente estão presumindo que as pessoas de níveis de renda mais baixos que provavelmente votarão neles não se darão ao trabalho de se registrar e votar se for necessário realmente ir a algum lugar para fazê-lo. Eles falaram de “expansão do voto”, provavelmente para seu benefício. O correio é uma opção muito mais fácil.

 


Um apresentador da Fox News rejeitou a lógica impulsionadora por trás da opção de correio, dizendo “Não podemos simplesmente ter este momento para votar em um candidato a cada quatro anos e aparecer e votar sem lamber um envelope ou pressionar um carimbo? Se você pode comprar comida, se pode comprar bebidas, pode votar uma vez a cada quatro anos ”.

 


 
O problema fundamental com os argumentos vindos de ambos os lados é que não existe um sistema nacional de registro e votação nos Estados Unidos. As eleições são realizadas em nível estadual e os estados individuais têm seus próprios procedimentos. As cédulas reais também diferem de distrito para votação. É difícil determinar quais salvaguardas estão realmente embutidas no sistema, já que o modo como os cargos eleitorais realmente funcionam é considerado uma informação sensível por muitos, precisamente porque pode revelar vulnerabilidades no processo.

 


Para determinar como alguém pode realmente votar ilegalmente, analisei o processo necessário para registrar e votar pelo correio em meu próprio estado da Virgínia. Na Virgínia, pode-se registrar e votar sem nenhum contato humano. O processo de registro pode ser realizado preenchendo um formulário online, que está linkado aqui . Observe especialmente o seguinte: o formulário exige que se marque a caixa que indica a cidadania americana. Em seguida, pede o nome e endereço, bem como o número da segurança social, data de nascimento e se a pessoa tem antecedentes criminais ou se está desqualificado para votar. Em seguida, você deve assinar e datar o documento e enviá-lo pelo correio. Dentro de dez dias, você deve receber um cartão de eleitor da Virgínia, que poderá apresentar se votar pessoalmente, embora nem isso seja obrigatório.

 


Mas também observe o seguinte: nenhum documento precisa ser apresentado para comprovar o pedido, o que significa que todas as informações podem ser falsas. Você pode até optar por não fornecer um número de previdência social, indicando que você nunca recebeu um, embora o formulário indique que você deve ter um para ser registrado, e você também pode enviar um endereço temporário alegando que você é um “sem-teto. ” Mesmo as informações sobre a data de nascimento são inúteis, pois o formulário não pergunta onde você nasceu, que é como os registros de nascimento são arquivados pelos governos estaduais e locais. Em última análise, é apenas o número do seguro social que valida o documento e é o que também consta do título de eleitor, mas mesmo ele pode ser falso ou totalmente forjado, como descobriram muitos trabalhadores imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

 


Em um estado como a Virgínia, a cédula real pelo correio requer sua assinatura e a de uma testemunha, que pode ser qualquer pessoa. Isso também é verdade em seis outros estados. Trinta e um estados exigem apenas sua própria assinatura, enquanto apenas três estados exigem que o documento seja autenticado, uma boa salvaguarda, uma vez que exige que o eleitor realmente produza alguma documentação. Sete estados exigem sua assinatura adicional no envelope da cédula e dois estados exigem que uma fotocópia da identidade do eleitor acompanhe a cédula. Em outras palavras, as salvaguardas no sistema variam de estado para estado, mas na maioria dos casos, a fraude seria relativamente fácil.

 


E ainda há a questão de como as comissões eleitorais nos estados serão sobrecarregadas por dezenas de milhares de cédulas que poderão receber em novembro. Essa sobrecarga minimizaria qualquer verificação manual de nomes, endereços e números de previdência social que pudesse ocorrer. Jim Bovard especulou como “O sistema político americano pode estar às vésperas de sua pior crise de legitimidade desde a Guerra Civil. Sinais de alerta indicam que muitos estados podem sofrer falhas catastróficas na contagem de votos em novembro... Por causa da pandemia, muitos estados estão mudando principalmente para a votação pelo correio, embora as experiências com primárias recentes tenham sido um desastre. Na cidade de Nova York, as autoridades ainda estão lutandopara contar cédulas de correio das primárias de junho. Até 20% das cédulas “foram declaradas inválidas antes mesmo de serem abertas, com base em erros com seus envelopes externos”, observou o Washington Post , em grande parte graças à falta de carimbos ou assinaturas. Em Wisconsin, mais de 20.000 “ cédulas primárias foram rejeitadas porque os eleitores perderam pelo menos uma linha do formulário, tornando-os inválidos”. Alguns estados estão enviando cédulas para todos os nomes nas listas de votação, proporcionando a milhares de mortos a chance de votar da sepultura ”.

 


Adicione ao caldeirão da bruxa o uso contínuo de máquinas de votação antiquadas facilmente hackeadas, bem como cédulas confusas em muitos distritos, e a questão de saber se uma eleição pode até mesmo ser disputada com a expectativa de um resultado confiável torna-se primordial. O presidente Trump afirmou várias vezes que o aumento esperado na votação por correspondência poderia resultar no " voto mais corrupto da história de nosso país ". Trump muitas vezes se engana quando fala ou tweeta espontaneamente, mas desta vez ele pode estar certo.

 

 
*Ph.D., Diretor Executivo do Conselho de Interesse Nacional.

 

 
Philip Giraldi | Strategic Culture | Imagem: ©Reuters / Brian Snyder

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/eua-fraude-eleitoral-e-real-o-sistema.html

A suja "rede limpa" de Pompeo

US government considering ban on TikTok because it is Chinese...

Nova York, 6 ago (Xinhua) - O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou na quarta-feira o lançamento de cinco novas linhas de esforço sob o programa nomeado "Rede Limpa" para "proteger a infraestrutura crítica de telecomunicações e tecnologia da América", dando um passo adiante na supressão das empresas chinesas de tecnologia.

 

De acordo com as cinco linhas, Washington tentará remover aplicativos chineses "não confiáveis", como TikTok e WeChat, das lojas de aplicativos móveis dos EUA, limitar a capacidade dos provedores de serviços de nuvem chineses como Alibaba, Baidu e Tencent de acessar sistemas baseados em nuvem no país e garantir que os cabos submarinos "não sejam subvertidos para coleta de inteligência" pela China.

 

A natureza desse movimento é uma dissociação real nessas áreas entre a China e os Estados Unidos, bem como nos países que Pompeo tem pressionado para apoiar Washington. Embora ele chame isso de "rede limpa", as ideias por trás disso e os meios cujo ele empregou para alcançar, são sujos.

 

Não há nenhuma razão justificável para essas ações. As desculpas de Pompeo são que as empresas chinesas roubam tecnologias dos Estados Unidos, coletam dados e ameaçam a segurança nacional dos Estados Unidos, embora ele nunca tenha mostrado qualquer evidência convincente.

 

Pelo contrário, os Estados Unidos têm uma reputação notória de espionagem no mundo todo, até mesmo em seus aliados. Pompeo pode ter inventado as acusações contra as empresas chinesas simplesmente com base em suas próprias experiências, como certa vez se gabou em um discurso que "mentimos, trapaceamos, roubamos".

 

Essas ações terão graves consequências e as empresas chinesas não serão as únicas a sofrerem. Empresas de outros países, incluindo empresas dos Estados Unidos, também enfrentarão perdas devido as cadeias de suprimentos globais interrompidas e à cooperação científica e tecnológica internacional.

 

Essas ações prejudicarão também os interesses dos consumidores de produtos de tecnologia. O escrutínio político e a ameaça de expulsão ou venda forçada do popular aplicativo de compartilhamento de vídeo TikTok pelo governo dos EUA já enfrentaram fortes objeções dos jovens na América e foram amplamente criticados dentro e fora do país.

 

Essas ações desacreditarão ainda mais o ambiente de investimentos e negócios dos EUA, conforme alertam analistas sobre o caso do TikTok, que foi equiparado a uma ação semelhante a um pirata.

 

Pompeo se gabou de que mais de 30 países e territórios estão em seu barco, comprometidos em usarem exclusivamente "fornecedores confiáveis" em suas Redes Limpas. É óbvio que ele está tentando formar uma rede global para reprimir as empresas chinesas de tecnologia e impedir o desenvolvimento da China.

 

Mas seu esquema está fadado ao fracasso. Esses "países limpos" mencionados por Pompeo acabarão descobrindo que será uma perda para eles recusarem as tecnologias chinesas. E ao revisar o desenvolvimento da China nas últimas décadas, as pessoas podem ver facilmente que os truques de Pompeo dificilmente reduzirão o ritmo de desenvolvimento da China.

 

Os Estados Unidos há muito são o pilar do princípio do livre mercado e do jogo limpo nas trocas internacionais, mas agora estão esmagando cada pedacinho disso com as próprias mãos. Como única superpotência mundial, os Estados Unidos intimidam qualquer país, empresa ou indivíduo visto como um desafio potencial, sem qualquer respeito pelas regras e regulamentos internacionais.

 

Comentários recentemente veiculados por muitos meios de comunicação tradicionais dos EUA chamaram Pompeo de "o pior secretário de Estado" dos tempos modernos, ou até mesmo de sempre, principalmente por causa de seu indisfarçável senso de supremacia e desafio à etiqueta diplomática nas relações bilaterais e internacionais.

 

De acordo com uma pesquisa recente da AP-NORC, 80 por cento dos americanos dizem que o país está indo na direção errada, uma alta de todos os tempos.

 

Isso não é surpresa, já que sob a liderança de políticos da Casa Branca como Pompeo, é impossível para o país seguir na direção certa.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-08/08/c_139274863.htm

Estados Unidos ultrapassam 5 milhões de casos de coronavírus

 

Sputnik – Os Estados Unidos ultrapassaram neste sábado (8) a marca de 5 milhões de pessoas infectadas com o novo coronavírus, informou Reuters.

Com um em cada 66 residentes infectados, os Estados Unidos lideram o mundo em número de casos de COVID-19, informou uma análise da Reuters. O país registrou mais de 160 mil mortes, quase um quarto do total de casos no mundo.

Em função do alto número de infectados, o presidente Donald Trump assinou decretos com o objetivo de oferecer apoio econômico aos norte-americanos afetados pela pandemia.

Na sexta-feira (7), o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o crescimento do emprego nos EUA desacelerou em julho, ressaltando a necessidade de ajuda governamental.

Na quarta-feira (5), o dr. Anthony Fauci, principal autoridade em doenças infecciosas do país, disse à Reuters que pode haver pelo menos uma vacina que funcione e seja segura até o final do ano.

Segundo a Universidade Johns Hopkins, aproximadamente 19,5 milhões de casos do novo coronavírus foram registrados em todo o mundo.

Outra Hiroshima aproxima-se — se não a travarmos já

Hiroshima e Nagasaki foram actos de assassínio em massa premeditados que deram início a uma arma de criminalidade intrínseca. Foram justificados por mentiras que constituem o fundamento da propaganda de guerra dos EUA no século XXI, lançando um novo inimigo e alvo – a China.

 

 
John Pilger [*]

 

 
Quando em 1967 fui pela primeira vez a Hiroshima, a sombra sobre os degraus ainda estava ali. Era uma impressão quase perfeita de um ser humano em descanso: pernas estendidas, cabeça inclinada, uma mão ao seu lado enquanto aguardava a abertura de um banco. Às oito e um quarto na manhã de 6 de Agosto de 1945, ela e a sua silhueta foram queimadas no granito. Olhei para a sombra durante uma hora ou mais, depois desci até ao rio onde os sobreviventes ainda viviam em barracas. Encontrei um homem chamado Yukio, cujo tórax fora gravado com o padrão da camisa que estava a usar quando a bomba atómica foi lançada. Ele descreveu um enorme clarão sobre a cidade, "uma luz azulada, algo como um curto-circuito eléctrico", após o qual o vento soprou como um tornado e caiu chuva negra. "Fui atirado ao chão e reparei que apenas os caules das minhas flores tinham ficado. Tudo estava parado e silencioso e, quando me levantei, havia pessoas nuas, sem nada dizer. Algumas delas não tinham pele nem cabelo. Eu tinha a certeza de estar morto". Nove anos mais tarde, voltei a procurá-lo e ele havia morrido de leucemia.

 

 
Só um repórter, Wilfred Burchett, um australiano, enfrentou a perigosa jornada até Hiroshima no rescaldo imediato do bombardeio atómico, desafiando as autoridades de ocupação Aliadas, as quais controlavam o "pacote da imprensa".

 

 
"Escrevo isto como uma advertência ao mundo", relatou Burchett no London Daily Express de Londres em 5 de Setembro de 1945. Sentado nos escombros com a sua máquina de escrever Baby Hermes, descreveu as enfermarias do hospital cheias de pessoas sem lesões visíveis que estavam a morrer do que ele denominou "uma praga atómica". Por isso, a sua acreditação de imprensa foi retirada, ele foi posto no pelourinho e enlameado. O seu testemunho da verdade nunca foi perdoado. O bombardeamento atómico de Hiroshima e Nagasaki foi um acto de assassínio em massa premeditado em massa que desencadeou uma arma de criminalidade intrínseca. Ela foi justificada pelas mentiras que constituem a base da propaganda de guerra da América no século XXI, lançando um novo inimigo e alvo – a China.

 

Durante os 75 anos desde Hiroshima, a mentira mais duradoura é que a bomba atómica foi lançada para acabar com a guerra no Pacífico e poupar vidas. "Mesmo sem os ataques por bombardeio atómico", concluiu o United States Strategic Bombing Survey de 1946, "a supremacia aérea sobre o Japão poderia ter exercido pressão suficiente para provocar a rendição incondicional e evitar a necessidade de invasão. "Com base numa investigação pormenorizada de todos os factos e apoiada pelo testemunho dos líderes japoneses sobreviventes envolvidos, é opinião do Inquérito que... o Japão ter-se-ia rendido mesmo se as bombas atómicas não tivessem sido lançadas, mesmo se a Rússia não tivesse entrado na guerra [contra o Japão] e mesmo se nenhuma invasão tivesse sido planeada ou contemplada". Os Arquivos Nacionais em Washington contêm documentadas aberturas de paz japonesas já em 1943. Anenhuma foi dado seguimento. Um telegrama enviado em 5 de Maio de 1945 pelo embaixador da Alemanha em Tóquio e interceptado pelos EUA deixou claro que os japoneses estavam desesperados a rogar por paz, incluindo "capitulação mesmo se os termos fossem duros". Nada foi feito. O secretário da Guerra dos EUA, Henry Stimson, disse ao presidente Truman estar "temeroso" de que a US Air Force tivesse bombardeado tanto o Japão que a nova arma não seria capaz de "mostrar a sua força". Stimson admitiu mais tarde que "nenhum esforço foi feito e nenhum foi seriamente considerado, para conseguir a rendição simplesmente a fim de não ter de usar a bomba [atómica]". Os colegas de política externa de Stimson – a olharem mais adiante para a era do pós-guerra que estavam então a moldar "à nossa imagem", como o famoso planeador da Guerra Fria George Kennan afirmou – deixaram claro estarem ansiosos "por intimidar os russos com a bomba [atómica] que mantinham ostensivamente a tiracolo". O general Leslie Groves, director do Projecto Manhattan que fabricou a bomba atómica, testemunhou: "Nunca houve qualquer ilusão da minha parte de que a Rússia era nossa inimiga e que o projecto foi conduzido com base nisso". No dia seguinte à obliteração de Hiroshima, o presidente Harry Truman manifestou a sua satisfação com o "sucesso esmagador" da "experimento". O "experimento" continuou muito depois de a guerra estar acabada. Entre 1946 e 1958, os Estados Unidos explodiram 67 bombas nucleares nas Ilhas Marshall no Pacífico: o equivalente a mais do que uma Hiroshima todos os dias durante 12 anos. As consequências humanas e ambientais foram catastróficas. Durante a filmagem do meu documentário, The Coming War on China , fretei um pequeno avião e voei para o Atoll de Bikini, nas Ilhas Marshall. Foi ali que os Estados Unidos explodiram a primeira Bomba de Hidrogénio do mundo. Ali a terra permanece envenenada. Meus sapatos foram registados como "inseguros" no meu contador Geiger. Palmeiras erguiam-se em formações que não eram deste mundo. Não havia pássaros.

 

 
Trilhei através da selva até ao bunker de betão onde, às 6h45 da manhã de 1 de Março de 1954, foi premido o botão. O sol, que já se havia levantado, levantou-se novamente e vaporizou uma ilha inteira na laguna, deixando um vasto buraco negro, que visto do ar é um espectáculo ameaçador: um vazio mortal num lugar de beleza. A precipitação radioactiva propagou-se rapidamente e "inesperadamente". A história oficial afirma que "o vento mudou subitamente". Foi a primeira de muitas mentiras, como revelam documentos desclassificados e os testemunhos das vítimas. Gene Curbow, meteorologista designado para monitorizar o sítio do teste, disse: "Eles sabiam para onde iria a precipitação radioactiva. Mesmo no dia do disparo, ainda tinham oportunidade de evacuar pessoas, mas [as pessoas] não foram evacuadas; eu não fui evacuado... Os Estados Unidos precisavam de algumas cobaias para estudar que efeitos a radiação fariam".

 

 
Tal como Hiroshima, o segredo das Ilhas Marshall foi uma experimento calculado sobre as vidas de um grande número de pessoas. Este foi o Projecto 4.1, que começou como um estudo científico de ratos e se tornou uma experimento sobre "seres humanos expostos à radiação de uma arma nuclear". Os ilhéus das Marshall que encontrei em 2015 – tal como os sobreviventes de Hiroshima que entrevistei nas décadas de 1960 e 1970 – sofriam de um conjunto de cancros, habitualmente cancro da tiróide; milhares já haviam morrido. Abortos e natimortos eram comuns; os bebés que viviam estavam muitas vezes horrivelmente deformados. Ao contrário de Bikini, o atol vizinho de Rongelap não foi evacuado durante o teste de Bomba H. Directamente na direcção do vento de Bikini, os céus de Rongelap escureceram e choveu o que a princípio pareciam ser flocos de novo. Alimentos e água ficaram contaminados; e a população caiu vítima e cancros. Isto é verdade ainda hoje. Encontrei Nerje Joseph, que me mostrou uma fotografia sua de quando era criança em Rongelap. Elatinha terríveis queimaduras faciais e grande parte do seu cabelo estava a faltar. "Estávamos a banhar-nos no poço no dia em que explodiu a bomba", disse ela. "Um pó branco começou a cair do céu. Consegui apanhar o pó. Usámo-lo como sabão para lavar o nosso cabelo. Poucos dias depois, meu cabelo começou a cair". "Alguns de nós estavam em agonia", disse Lemoyo Abon. Outros tinham diarreia. Estávamos terrificados. Pensámos que deveia ser o fim do mundo". A filmagem do arquivo oficial dos EUA que incluí no meu filme refere-se aos ilhéus como "selvagens dóceis". Depois da explosão, um responsável da Agência de Energia Atómica dos EUA é visto a jactar-se de que Rongelap "é de longe o lugar mais contaminado da terra", acrescentando: "será interessante obter uma medida da absorção humana quando pessoas vivem num ambiente contaminado". Cientistas americanos, incluindo médicos, construíram carreiras distintas a estudar a "absorção humana". Lá estão eles a cintilar no filme, nas suas batas brancas, atentos às suas pranchetas. Quando um ilhéu morreu na sua adolescência, a sua família recebeu um cartão de simpatia do cientista que o estudou.

 

 
Fiz reportagens de cinco pontos de impacto ("ground zeros") através do mundo – no Japão, nas Ilhas Marshal, em Nevada, na Polinésia e em Maralinga, na Austrália. Ainda mais do que a minha experiência como correspondente de guerra, isto ensinou-me acerca da crueldade e imoralidade de uma grande potência: ou seja, a potência imperial, cujo cinismo é o verdadeiro inimigo da humanidade. Isto atingiu-me à força quando filmei no Ground Zero de Taranaki, em Maralinga, no deserto australiano. Numa cratera semelhante a um prato estava um obelisco sobre o qual estava inscrito: "Uma arma atómica britânica explodiu aqui a 9 de Outubro de 1957". Na borda da cratera estava este sinal:

 


AVISO: PERIGO DE RADIAÇÃO
 

Os níveis de radiação durante algumas centenas de metros
em torno deste ponto podem estar acima daqueles considerados
seguros para ocupação permanente.

Tanto quanto a vista podia alcançar, e mais além, o terreno estava irradiado. Plutónio bruto espalhado como pó de talco: o plutónio é tão perigoso para os humanos que um terço de um miligrama dá 50 por cento de probabilidades de cancro.

 


 
As únicas pessoas que poderiam ter visto o sinal eram indígenas australianos, para os quais não havia nenhum aviso. Segundo um relato oficial, se tivessem sorte "eram enxotados como coelhos".

A ameaça duradora Hoje, uma campanha de propaganda sem precedentes está a enxotar-nos a todos como coelhos. Não pretendemos questionar a torrente diária da retórica anti-chinesa, a qual está rapidamente a ultrapassar a torrente da retórica anti-russa. Qualquer coisa chinesa é ruim, anátema, uma ameaça: Wuhan... Huawei. Quão confuso é isto quando o "nosso" líder mais vilipendiado diz isso. A fase actual desta campanha começou não com Trump, mas com Barack Obama, o qual em 2011 foi à Austrália para declarar a maior acumulação de forças navais americanas na região da Ásia-Pacífico desde a Segunda Guerra Mundial. Subitamente, a China era uma "ameaça". Isto era um disparate, naturalmente. O que era ameaçado era a incontestada visão psicopática da América como a nação mais rica, mais bem sucedida, mais "indispensável". O que nunca esteve em causa foram suas proezas como valentão – com mais de 30 membros das Nações Unidas a sofrerem alguma espécie de sanções americanas e um rastro de sangue a correr por indefesos países bombardeados, com governos derrubados, com eleições interferidas e recursos saqueados. A declaração de Obama ficou conhecida como o "pivô para a Ásia". Uma de suas principais defensoras foi a sua secretária de Estado, Hillary Clinton, a qual, como revelou a WikiLeaks, queria renomear o Oceano Pacífico como "o Mar Americano". Enquanto Clinton nunca ocultou o seu belicismo, Obama era um maestro do marketing. "Afirmo claramente e com convicção", disse o novo presidente em 2009, "que o compromisso da América é buscar a paz e a segurança de um mundo sem armas nucleares".

 

 
Obama aumentou os gastos com ogivas nucleares mais rapidamente do que qualquer presidente desde o fim da Guerra Fria. Uma arma nuclear "utilizável" foi desenvolvida. Conhecida como B61 Modelo 12, significa, segundo o general James Cartwright, ex-vice-presidente do Estado-Maior Conjunto, que "tornar mais pequena [torna o seu uso] mais pensável". O alvo é a China. Hoje, mais de 400 bases militares americanas quase circundam a China com mísseis, bombardeiros, navios de guerra e armas nucleares . Do norte da Austrália, passando pelo Pacífico, ao sudeste asiático, ao Japão e à Coreia, passando pela Eurásia, ao Afeganistão e à Índia, as bases formam, como me disse um estratega americano, "o laço perfeito". O impensável Um estudo da RAND Corporation – a qual, desde o Vietname, tem planeado guerras dos EUA – intitula-se Guerra com a China: Considerando muito bem o impensável (War with China: Thinking Through the Unthinkable). Encomendado pelo US Army, os autores evocam o berro infame do seu estratega chefe da Guerra Fria, Herman Kahn – "pensar o impensável". O livro de Kahn, Sobre a Guerra Termonuclear (On Thermonuclear War), elaborava um plano para uma guerra nuclear "vencível". A visão apocalíptica de Kahn é partilhada pelo secretário de Estado de Trump, Mike Pompeo, um fanático evangélico que acredita no "êxtase do Fim" ("rapture of the End"). Ele talvez seja o mais perigoso dos homens vivos. "Eu era director da CIA", gabava-se ele, "Nós mentimos, trapaceámos, roubámos. Era como se tivéssemos cursos de treino completos". A obsessão de Pompeo é a China. A etapa final do extremismo de Pompeo raramente, se é que alguma vez, é discutida nos media anglo-americanos, onde os mitos e falsificações acerca da China são o cardápio corrente, bem como as mentiras sobre o Iraque. Um racismo virulento é o sub-texto desta propaganda. Classificados como "amarelo", muito embora fossem brancos, os chineses são o único grupo étnico que foi banido por uma "lei de exclusão" de entrar nos Estados Unidos, por serem chineses. A cultura popular declarou-os sinistros, inconfiáveis, "dissimulados", depravados, doentes, imorais. Uma revista australiana, The Bulletin, dedicou-se a promover o medo do "perigo amarelo" como se toda a Ásia estivesse prestes a cair sobre as colónias apenas de brancos pela força da gravidade.

 

 
Como escreve o historiador Martin Powers, reconhecer a modernidade da China, a sua moralidade laica e as "contribuições ao ameaçado pensamento liberal confrontam a Europa, de modo a tornar-se necessário suprimir o papel da China no debate do Século das Luzes.... Durante séculos, a ameaça da China ao mito da superioridade ocidental tornou-a um alvo fácil como chamariz racial". No Sydney Morning Herald, o incansável inimigo da China Peter Hartcher descreveu aqueles que espalham influência chinesa na Austrália como "ratos, moscas, mosquitos e pardais". Hartcher, que cita favoravelmente o demagogo americano Steve Bannon, gosta de interpretar os "sonhos" da actual elite chinesa, dos quais ele aparentemente tem conhecimento privado. Estes são inspirados por nostalgias do "Mandato do Céu" de 2.000 anos atrás. Ad nauseam. Para combater este "mandato", o governo australiano de Scott Morrison encomendou a um dos países mais seguros do mundo, cujo principal parceiro comercial é a China, mísseis americanos no valor de centenas de milhares de milhões de dólares que podem ser disparados contra a China. O gotejamento já é evidente. Num país historicamente marcado pelo racismo violento contra asiáticos, australianos de ascendência chinesa formaram um grupo vigilante para proteger os entregadores em motocicleta. Vídeostelefónicos mostram um entregador esmurrado na cara e um casal chinês abusado racialmente num supermercado. Entre Abril e Junho, houve quase 400 ataques racistas contra australianos de origem asiática. "Nós não somos seu inimigo", disse-me um estratega de alto nível na China, "mas se vocês [no Ocidente] decidir que somos, devemos nos preparar sem demora". O arsenal da China é pequeno em comparação com o dos Estados Unidos, mas está a crescer rapidamente, especialmente o desenvolvimento de mísseis marítimos concebidos para destruir frotas de navios. "Pela primeira vez", escreveu Gregory Kulacki da Union of Concerned Scientists, a “China está a discutir colocar seus mísseis nucleares em alerta máximo de modo a que possam ser lançados rapidamente diante do aviso de um ataque... Isto seria uma mudança significativa e perigosa na política chinesa..."

 

 
Em Washington, conheci Amitai Etzioni, ilustre professor de assuntos internacionais da Universidade George Washington, que escreveu que estava planeado um "ataque cego à China", "com ataques que poderiam ser erroneamente percebidos [pelos chineses] como tentativas preventivas de excluir suas armas nucleares, encurralando-os assim num terrível dilema de utilizá-las ou perdê-las [que levaria] à guerra nuclear". Em 2019, os EUA encenaram seu maior exercício militar único desde a Guerra Fria, grande parte dele em alto segredo. Uma armada de navios e bombardeiros de longo alcance ensaiou um "Air-Sea Battle Concept for China" (ASB) bloqueando vias marítimas no Estreito de Malaca e cortando o acesso da China ao petróleo, ao gás e a outras matérias-primas do Médio Oriente e da África. É o medo de um tal bloqueio que fez a China desenvolver a sua Iniciativa Belt and Road ao longo da antiga Rota da Seda para a Europa e construir urgentemente pistas de aterragem estratégicas em recifes e ilhotas disputadas nas Ilhas Spratly. [NR] Em Xangai, conheci Lijia Zhang, uma jornalista e romancista de Pequim, típica de uma nova classe de personalidades independentes. Seu livro mais vendido tem o título irónico de Socialismo é ótimo! (Socialism Is Great!) Tendo crescido na caótica e brutal Revolução Cultural, ela viajou e viveu nos EUA e na Europa. "Muitos americanos imaginam", disse ela, "que o povo chinês vive uma vida miserável, reprimida e sem qualquer liberdade. A [ideia do] perigo amarelo nunca os abandonou... Eles não fazem ideia de que há cerca de 500 milhões de pessoas sendo retiradas da pobreza, e alguns diriam que são 600 milhões". As conquistas épicas da China moderna, sua derrota da pobreza em massa e o orgulho e contentamento do seu povo (medido por pesquisadores americanos como a Pew) são voluntariamente desconhecidos ou mal compreendidos no Ocidente. Isto por si só é uma confirmação do lamentável estado do jornalismo ocidental e do abandono da reportagem honesta. O lado negro repressivo da China e do que gostamos de chamar o seu "autoritarismo" são a fachada que nos permitem ver quase exclusivamente. É como se fôssemos alimentados com histórias intermináveis do malvado super-vilão Dr. Fu Manchu. E é hora de perguntarmos porquê:   antes que seja demasiado tarde para impedir a próxima Hiroshima.

 


03/Agosto/2020

 


[*] Jornalista e director de cinema, australiano. Ver www.johnpilger.com [NR] Acerca das Spratly ver O cerne da questão no Mar do Sul da China O original encontra-se em Consortium News  Este artigo encontra-se em https://resistir.info/

Investigação sobre o fim do “sonho americano”

 
 
Dois economistas sondam o empobrecimento e depressão dos operários, na antiga potência industrial do mundo. Em sua tragédia, as ciladas da racionalidade neoliberal, num sistema em que a grande realização é o consumo

 


Eleutério F. S. Prado* | Outras Palavras | Imagem: Lesley Oldaker

 

 
Eis como, os autores – por meio do pensamento positivo – se consolam diante de um presente que se afigura como bem desconsolado: “mantemos o otimismo; acreditamos no capitalismo; continuamos a crer que a globalização e a mudança tecnológica podem ser orientadas em benefício de todos”. A situação social que descrevem em Mortos pela desesperança e o futuro do capitalismo1 se apresenta como desastrosa e mesmo indignante, mas ao invés de fazer uma crítica radical do sistema que, aliás, chamam pelo seu verdadeiro nome, preferem vê-lo apenas como mal administrado. Anne Case e Angus Deaton, dois economistas consagrados da Universidade de Princeton (EUA), documentam nesse livro, de certo modo corajoso, os infortúnios, os abatimentos e os bloqueios sociais que os trabalhadores brancos menos instruídos (classe operária) vêm enfrentando na sociedade norte-americana.

 


O quadro deprimente que pintam está sintetizado na figura abaixo que apresenta estatísticas históricas de mortalidade nos EUA e em três outros países desenvolvidos (para pessoas entre 45 e 54 anos). Mas antes de poder analisá-lo melhor, ou seja, com maior extensão e profundidade, é preciso apresentar um contexto, uma rodada de contribuições analíticas em dois campos do conhecimento científico.

 


 
Como esses dois autores põe o problema da compreensão dos resultados da globalização neoliberal para a vida material e mental dessa fração da população nos Estados Unidos, é necessário começar apresentando uma tese clássica sobre o homem moderno no campo da psicologia social. Para Erich Fromm, este último se sente como indivíduo, ou seja, com um ser centrado em si mesmo que possui liberdade, vontade própria e capacidade crítica, que se pauta pelo seu auto-interesse e que, para tanto, confia sobretudo em si mesmo. Mas, ao mesmo tempo, ele se vê como um ser solitário, que está constantemente acossado pela concorrência e, por isso, encontra-se tomado por ansiedade, perturbações de caráter e medo do futuro. “A sociedade moderna” – diz Fromm – “afeta o homem de duas maneiras simultaneamente, ele se torna mais independente, autoconfiante e arguto, mas também mais só, isolado e temeroso”.2
 
Eis que esse indivíduo é a contrapartida social de um sistema econômico que funciona automaticamente, sem um controle social efetivo, e que se afigura por isso como uma segunda natureza. Como diz o próprio Fromm: por meio dessa inserção, “o homem se torna uma roda dentada na imensa máquina econômica”. Em consequência dessa disposição societária, ele está posto como um ser falsamente para si que sofre de solidão, ansiedade e medo – um “fraco” que recalca a sua fraqueza, cuja origem é estrutural. Por isso mesmo está sujeito à certas síndromes psicológicas como as neuroses e as perversões, às mortificações depressivas.

 


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Se esse indivíduo for um capitalista, ele pode se ver como alguém importante, tornando-se assim capaz de aplacar o seu sentimento de relativa impotência; se, porém, for um trabalhador, ele pode se sentir até mesmo como um ser insignificante que não consegue se realizar como indivíduo bem-sucedido no meio social. É preciso ver reflexivamente que as pessoas em geral se medem no capitalismo pelo seu sucesso profissional, pela sua capacidade de consumo conspícuo, enfim, por sua riqueza mercantil. Está última garante certa segurança para aqueles que se sentem bem-sucedidos nos períodos de boom econômico, mas costuma também perder parte desse atributo nos períodos de crise, quando então mesmos os mais ricos passam a temer a desvalorização do capital.

 


Ora, esse quadro foi fortemente agravado pela vinda do neoliberalismo a partir dos anos 1980 do século XX. Com ele, a proteção social aos trabalhadores em geral, garantida pela socialdemocracia prevalecente até então nos países do Ocidente, passou a ser pouco a pouco desmantelada. E essa proteção é crucial porque, com a ascensão da sociedade urbana, os laços familiares se tornaram cada vez mais tênues. Em consequência, as pessoas se encontram, também cada vez mais, socializadas como unidades individuais. Como se sabe, o neoliberalismo se constitui sobretudo como uma nova forma de subsunção real do trabalho ao capital, uma forma que se tornou dominante após 1980 e que pode ser caracterizada como intelectual e societária. A subsunção material da fábrica perde força, mas cresce a captura da subjetividade dos trabalhadores aos propósitos associados à acumulação de capital.

 


Assim, mais do que uma mera ideologia, o neoliberalismo se põe como uma racionalidade que procura moldar os indivíduos como seres mais bem adequados à concorrência capitalista, aos mercados, à produção mercantil. E essa lógica, como bem se sabe, espraia-se agora para todos os domínios da sociedade. O neoliberalismo aspira por todos os bens – sejam eles privados, comuns ou públicos – sob a forma de mercadoria, predicando que as pessoas devem se encarar como seres competitivos que buscam aumentar e valorizar constantemente o seu próprio “capital humano”.

 


As consequências sociais da difusão da racionalidade neoliberal na sociedade norte-americana foram devastadoras. E o livro de Case e Deaton, com base em estatísticas de doenças, vícios e mortes, traça um quadro dantesco desse impacto, especialmente nas condições de vida da classe operária branca dos Estados Unidos – uma fração que até o final dos anos 1970 se encarava como classe média privilegiada, possuidora de um padrão de vida consumerista, o qual fazia inveja aos pobres de espírito do resto do mundo e era motivo de orgulho e propaganda imperialista.

 


Os autores contam, na introdução, que foram levados a essa pesquisa empírica quando descobriram que as taxas de suicídio entre as pessoas de meia-idade estavam aumentando rapidamente nos Estados Unidos. O consumo de opioides, o alcoolismo e as mortes por overdose também cresciam desmedidamente. Na investigação, descobriram então que tais aumentos se deviam a uma pandemia de desesperança que tinha causas econômicas, sociais e psicológicas. Tratou-se para eles, então, de estudar o que os dados poderiam dizer sob a hipótese de que se tratava de um efeito da globalização na situação da força de trabalho nos Estados Unidos.

 


Ao consultarem as estatísticas, eles notaram rapidamente que as mortes causadas pela desesperança se concentravam especialmente naquela fração da população que não tinha um título de curso superior. Constataram que a evolução do mercado de força de trabalho nos Estados Unidos, nas décadas mais recentes, passara a privilegiar aqueles que tinham algum título de curso superior (quatro ou mais anos) e a discriminar aqueles que tinham uma formação que chegava apenas aos graus médios, geral ou profissional. Numa leitura clássica, a classe operária desse país ganhava assim uma nova/ruim experiência no capitalismo – e ela contrariou a que tiveram no passado, especialmente no chamado “período de ouro” (1945 – 1975).

 


O sistema meritocrático que governa esse mercado passara a contemplar melhor aqueles que tinham capacidade adquirida para trabalhar num mundo agora crescentemente informatizado, em que as mudanças tecnológicas ocorriam celeremente. Em consequência, enquanto esses trabalhadores tomavam a si mesmos como “vencedores”, todos aqueles com menos educação formal se viram como “perdedores” na corrida pelo sucesso. Como se sabe, na sociedade norte-americana impera como em nenhuma outra um individualismo competitivo que ajuda a ganhar títulos olímpicos, mas produz também muita ansiedade, frustração e obesidade mórbida, tal como observara já no passado Erich Fromm. Como se sabe, foi essa sociedade que lhe forneceu o material para o desenvolvimento de suas teses críticas no campo da psicologia social.

 


O processo da globalização eliminou grande parte do emprego industrial baseado em trabalho manualmente intensivo, incrementando ao mesmo tempo a ocupação no setor serviços, o qual se tornou o grande absorvedor de força de trabalho pouco qualificada nos Estados Unidos. A revolução tecnológica da informática e da comunicação, por sua vez, promoveu um crescimento da demanda de trabalhadores com estudos superiores nas diversas áreas do conhecimento, deixando para trás aqueles com menores graus de estudo e que estavam melhor adaptados às rotinas fabris, agora em decadência. Assim, tal como constatam Case e Deaton, “os menos instruídos foram desvalorizados e mesmo desrespeitados, pois passaram a ser encorajados a se verem como perdedores, como seres manipulados por um sistema que ficara contra eles”.

 


Os autores não investigaram apenas as estatísticas de mortalidade e, em particular, as de suicídios, mas também as que refletiam as ocorrências de doenças auto-infringidas, vícios com drogas psicotrópicas e desestruturação familiar. O número de crianças “sem” pais – só com mães – elevara-se enormemente na população, em particular, na coorte de pele branca, quando já era bem grande na população negra e hispânica. O uso de drogas contra a depressão, contra as dores do corpo e da alma crescera também de modo assustador nas últimas décadas.

 


A situação encontrada mostrou-se grave nesses múltiplos aspectos. Entretanto, uma imagem dramática sintética do que ocorreu e vem ocorrendo nos Estados Unidos encontra-se no gráfico antes apresentado que agora precisa ser interpretado. Aí se mostra a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes, entre os anos de 1990 e 2019, da população branca norte-americana não hispânica (cerca de 60% da população norte-americana). Ora, o evolver dessa taxa apresenta um comportamento claramente anômalo: ela sobe ou se mantém quando deveria cair conforme a tendência histórica e conforme o que ocorrera nos outros países desenvolvidos.

 


A comparação com o que vem ocorrendo na França, na Grã-Bretanha e na Suécia, presente nessa figura, mostra um resultado surpreendente: enquanto nesses três países a taxa mortalidade nas idades entre 45 e 54 continuou a cair, tal como vem o ocorrendo desde o começo do século XIX, ela cresceu um pouco nos Estados Unidos a partir de meados da década dos anos 1990 e, grosso modo, estabilizou-se desde então num nível bem acima dos outros três países. Ora, mas essa percepção imediata não diz tudo o que é preciso para compreender o que aconteceu e está acontecendo nesse país, um campeão na imposição da lógica da concorrência para toda a sociedade.

 


A taxa de mortalidade da fração com educação superior caiu continuamente, quase do mesmo modo que naqueles três países citados. Portanto, o dado gráfico relativo aos EUA mostra, de modo implícito, que essa taxa aumentou extraordinariamente na fração que não possui curso superior (cerca de 38% da população norte-americana). Assim, uma parte significativa da população trabalhadora, dependente da “máquina de progresso” da potência imperialista hegemônica, regrediu econômica e socialmente. E essa degradação se somou à tradicional degradação das condições de vida de grande parte da população negra, que é mais pobre, tem menos empregos e recebe menos benefícios sociais. Em consequência, a visão idílica mantida por muitos ainda sobre as condições de vida nos Estados Unidos precisa começar a se desfazer.

 


Por que a taxa de mortalidade teve aí uma evolução pior do que nos outros países desenvolvidos? Há várias razões. A principal delas, sem dúvida, tem por nome genérico “neoliberalismo”: “na América, mais do que em outros lugares” – dizem –, “o poder político e de mercado moveu-se do trabalho para o capital” nesse período. A globalização enfraqueceu os sindicatos e fortaleceu os empregadores em geral. As novas formas de subsunção do trabalho ao capital propiciadas pelas tecnologias da informática minaram o poder de barganha dos trabalhadores. Em consequência, a produtividade do trabalho continuou crescendo, mas os salários reais médios estagnaram. Já os salários médios dos trabalhadores com menores níveis de estudo formal tenderam a cair nesse mesmo período. Eis que a potência hegemônica tinha que continuar sendo hegemônica, inclusive por meio de um gasto militar extremamente alto e por meio do sacrifício de sua população trabalhadora.

 


Case e Deaton põem grande parte da responsabilidade por essa piora no índice de mortalidade aludido no sistema de saúde aí existente. E essa constatação é interessante porque mostra a ineficiência e a ineficácia do setor privado quando se trata de produzir um bem público importante ao bem-estar das pessoas e das famílias. Se ele fracassa, quem fracassa junto são aqueles que dele dependem.

 

Como se sabe, os serviços de proteção à Saúde são fortemente mercantilizados nos Estados Unidos. Mesmo estando entre os mais caros do mundo, são produzidos de modo insuficiente – porque mal orientados, mal distribuídos e mal administrados, apesar dos níveis de excelência técnica e tecnológica. Contribuíram, por exemplo, para uma epidemia no uso de opioides. Há cerca de 30 milhões de norte-americanos que não têm qualquer seguro de saúde, num país em que esse bem é fornecido quase que inteiramente de modo privado. “Sob proteção política” – afirmam esses dois autores –, “o sistema norte-americano de cuidados da saúde redistribui renda para cima, isto é, para os hospitais, os médicos, os produtores de equipamentos, as companhias farmacêuticas, ao mesmo tempo em que entrega à população os piores resultados em comparação com o que acontece entre os países ricos”.

Os autores têm várias sugestões para redirecionar o capitalismo nos Estados Unidos. E é com base nessas propostas – mesmo diante do triste quadro que foram capazes de apresentar – que afirmam e reafirmam o seu otimismo mágico. Partem da ideia de que o sistema econômico está produzindo uma repartição da renda muito desigual e, assim, gerando injustiças sobre injustiças. Propõem que se regule melhor o setor produtor de medicamentos para estancar a crise no uso de opioides. Sugerem que se deve fazer uma reforma radical do sistema de saúde para refrear o seu grau de mercantilização. Aconselham que se legisle no sentido de aumentar a progressividade da tributação, para criar um sistema de benéficos sociais mais amplos. Recomendam que as oportunidades de ter curso superior precisam ser elevadas etc. Nada de muito original, frente às políticas socialdemocratas que foram abandonadas no passado.

 


Para os autores, em resumo, deveria existir mais “futuro e não fracasso” para os trabalhadores norte-americanos. Ocorre que os economistas do “mainstream” – e mesmo aqueles que ganharam prêmios Nobel, como Angus Deaton – sofrem de um limite. Por se esmerarem na competência para analisar a realidade fenomênica, para construírem modelos abstratos cada vez mais sofisticados matematicamente, tornam-se incapazes de tomar ciência das condições estruturais do capitalismo realmente existente. É mérito desses dois autores terem sido capazes de tirar conclusões importantes meramente a partir de estatísticas descritivas – e não por meio de tortura (e picaretagem) econométrica.

 

 
A verdade é que o sistema econômico desse país está estagnado desde 1997, quando acaba o período da recuperação neoliberal iniciado no começo dos anos 1980. A taxa de lucro média tem caído desde então; com ela, os investimentos em inovações, assim como na ampliação e modernização da capacidade de produção. Ora, o neoliberalismo e, com ele, a desindustrialização e a globalização nunca foram mais do que respostas do capitalismo norte-americano na tentativa de enfrentar tendência à queda da taxa de lucro que tem se manifestado na economia dos países desenvolvidos a partir do final dos anos 1960. Eis que ele não pode reduzir agora o grau de exploração da força de trabalho e, por isso, vai continuar a produzir mais “fracasso e não futuro” para os trabalhadores norte-americanos – a não ser que reajam contrariando a dominação do capital de que falam até mesmo Case e Deaton.

 


Notas:
1 Case, Anne; Deaton, Angus – Deaths of despair and the future of capitalism. Princeton University Press, 2020.

 

2 Fromm, Erich – Medo à liberdade. Editora Zahar, 1983.

 


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*Eleutério S. Prado -- Professor titular e sênior do departamento de economia da FEA/USP. Mantém o blog Economia e Complexidade (http://eleuterioprado.wordpress.com). Correio eletrônico: eleuter@usp.br

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/investigacao-sobre-o-fim-do-sonho.html

Quem escolherá o próximo presidente dos EUA - o povo americano ou o Facebook?

 
 
Os titãs das mídias sociais são mais poderosos que os políticos. Mas não precisava ser assim
 
Jonathan Freedland | Carta Maior

 

 
Na semana passada, em uma audiência no Congresso americano, foi possível contemplar os homens com o poder de definir as eleições presidenciais de novembro e o futuro da democracia americana – mas os homens em questão não eram políticos. Eram os quatro titãs da tecnologia, convocados a falar a um comitê do congresso. Mesmo via link de vídeo, era possível observar o poder que irradiavam: os patrões do Facebook, Google, Amazon e Apple surgiam nos monitores como verdadeiros mestres do universo diante de seus inquiridores eleitos, meros terráqueos. Não se trata de exagerar seu poder. Juntos, com bilhões de usuários, o Facebook e o Google determinam boa parte do que a raça humana vê, lê e sabe. A autoridade de Mark Zuckerberg está espalhada pelo planeta, nenhum governo sendo capaz de constrangê-lo: ele é o imperador do conhecimento, o ministro da informação do mundo inteiro. Um mero ajuste de um algoritmo do Facebook pode decidir se discursos de ódio, mentiras e teorias da conspiração serão espalhadas ou extintas. Já é assim há algum tempo, mas em 2020 o tema ganhou urgência extra. Sabemos o impacto que as mídias sociais tiveram nas eleições americanas em 2016 – quando proliferaram mentiras e fantasias cada vez mais loucas sobre Hillary Clinton e quando, segundo o pesquisador de Oxford Philip Howard afirmou em um novo livro, Lie Machines (Máquinas de Mentiras, ainda sem tradução em português): “A proporção de notícias falsas para notícias verdadeiras compartilhadas pelos eleitores pelo Twitter foi de um para um”. Em menos de 100 dias, os americanos escolherão um presidente e nada garante que o mesmo cenário não vá se repetir.

Além disso, hoje está claro que a disseminação de mentiras on-line é uma questão de vida ou morte. (Como já se sabia em Mianmar, onde a violência contra o povo Rohingya foi incitada via Facebook.) Em meio a uma pandemia, informações consistentes e verificadas são uma ferramenta essencial de saúde pública. Se afirmações falsas e teorias conspiratórias malucas – como aquelas veiculadas em pseudodocumentários como o Plandemic – começam a aparecer nos feeds de notícias das pessoas, é como se a água encanada estivesse contaminada. O Facebook e o Youtube acabaram tirando do ar o Plandemic e suas afirmações sem provas – como a acusação de que o Covid-19 é culpa de Bill Gates e da Organização Mundial de Saúde, que vacinas são ruins e que usar uma máscara é algo perigoso – mas só depois que milhões de pessoas já tinham ingerido esse lixo nessas plataformas. É claro que sempre existiram doidos e alucinados, mas as redes sociais lhes deram um alcance com que nunca tinham sonhado. Armado com o Facebook, os pretensos ativistas podem espalhar mensagens globalmente e instantaneamente e, também, enviá-las a um público selecionado com precisão graças aos dados abundantes que o Facebook mantém sobre seus usuários, cuja utilização permite que os anúncios (pagos) sejam microdirecionados. E lembre-se que esses dados não se limitam às atitudes que você pode ter expressado on-line, mas podem incluir as compras feitas no seu cartão de crédito até detalhes mundanos de sua vida, registrados pelos gadgets que compõem a Internet das coisas. De tempos em tempos, os gigantes da mídia social são compelidos a pelo menos parecer estar tomando alguma atitude, mesmo que só por uma questão de cuidar de sua reputação. Aconteceu esta semana, com a remoção do artista de grime Wiley de várias plataformas, depois que ele fez um longo discurso cheio de ódio contra os judeus: depois de um "boicote" de 48 horas de seu Twitter, organizado por um grupo de ativistas e celebridades, a rede pareceu perceber que hospedar racismo de famosos não cai bem. Depois, o Twitter removeu a conta do supremacista branco David Duke, o que suscita a pergunta: por que diabos demoraram tanto? Não se engane, a presença de mentiras e ódio nessas plataformas não é um bug lamentável. É uma característica delas. O modelo de negócios das mídias sociais requer atenção – olhos – e a melhor maneira de conseguir isso é pelo engajamento. Mensagens que despertam raiva, fúria e, sim, ódio, são mais eficientes para manter as pessoas on-line do que conteúdos meramente interessantes ou divertidos. É por isso que estudos mostram que as notícias falsas se espalham mais rápido que as verdadeiras: os algoritmos são projetados para privilegiar a viralidade em detrimento da veracidade. O que pode ser feito? Ideias não faltam. Alguns começam pelo fact-checking e, após as eleições de 2016, o Facebook deu passos nessa direção. Mas quando foi revelado que um de seus parceiros de fact-checking era o Daily Caller, um site de notícias de direita conhecido por divulgar informações erradas, a credibilidade do projeto despencou. Ou, mais simplesmente, o Facebook, o Youtube e o Twitter poderiam admitir que são editores de conteúdo e, assim, deveriam assumir a responsabilidade que acompanha o grande poder que detêm. Se isso significa ter que contratar um milhão de moderadores para verificar seu conteúdo, eliminando mentiras e discurso de ódio, que assim seja. O que não poderiam é alegar falta de recursos: são empresas de cerca de um trilhão de dólares. Se eles não gostam da analogia com editores, então talvez prefiram ser tratados como, digamos, fabricantes de automóveis, que, se entregarem um produto defeituoso, precisam fazer recall e consertar o produto, independentemente do custo. No momento, os gigantes das mídias sociais gozam de proteção legal que os exime dessa responsabilidade nos EUA. Os políticos poderiam mudar isso, assim como poderiam seguir as recomendações de Howard em Lie Machines e romper a "monopolização de informações" das grandes empresas, garantindo por lei o direito dos cidadãos de doar seus dados para organizações menores: esses grupos seriam, assim, mais capazes de competir com os gigantes da tecnologia e com aqueles que podem pagar por seus serviços. Mas, como mostrou a audiência da última semana, os representantes eleitos não têm poder suficiente para fazer isso sozinhos. Governos do mundo todo teriam que trabalhar juntos. Eles precisariam do apoio de anunciantes, para retirar suas libras e dólares de empresas que dão espaço para o ódio. E precisariam que todos déssemos um basta nesse veneno que corre nas redes, e que só descansássemos quando a última gota tivesse sido eliminada. *Publicado originalmente em 'The Guardian' | Tradução de Clarisse Meireles

 

 
Na imagem: Mark Zuckerberg aparece em vídeo durante audiência do sub-comitê judiciário dos EUA, 'Online Platforms and Market Power', em Washington, em 29 de julho (Rex/Shutterstock)

 

 
Leia em Carta Maior: Especial 'Eleições nos EUA 2020'

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/quem-escolhera-o-proximo-presidente-dos.html

Donald Trump proíbe transações com empresa chinesa detentora do TikTok

Jim Lo Scalzo / EPA

 

Donald Trump assinou uma ordem executiva que proíbe as transações com a ByteDance no prazo de 45 dias e o Senado já aprovou o projeto de lei que proíbe o descarregamento e utilização da aplicação. Além de faltar a aprovação da Câmara dos Representantes, resta perceber se a ordem é exequível.

 

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou, esta quinta-feira, uma ordem executiva que proíbe todas as transações com a ByteDance, a empresa-mãe chinesa da rede social TikTok, no prazo de 45 dias.

O chefe de Estado falou de uma “emergência nacional” e acusou o TikTok de espionagem de utilizadores norte-americanos em nome de Pequim, num contexto de crescentes tensões comerciais e políticas com a China.

Na segunda-feira, Donald Trump tinha aceite a possibilidade de um grupo norte-americano comprar o TikTok, mas antes de 15 de setembro, sob pena de proibir a plataforma. A Microsoft está em negociações com a ByteDance para negociar uma compra forçada. A proibição também se aplica à plataforma WeChat, que pertence ao gigantesco Tencent.

“Tal como TikTok, o WeChat captura automaticamente grandes pedaços de informação sobre os seus utilizadores, ameaçando dar ao Partido Comunista Chinês acesso a informação pessoal sobre os norte-americanos”, lê-se no decreto.

O Senado norte-americano também aprovou por unanimidade um projeto de lei que proíbeo descarregamento e a utilização do TikTok em qualquer dispositivo emitido pelo Governo aos seus funcionários ou membros do Congresso.

“O TikTok é um grande risco de segurança e não tem lugar nos dispositivos governamentais”, escreveu o serviço de imprensa do senador republicano Josh Hawley, co-autor do projeto de lei.

Após a sua passagem pelo Senado controlado pelos Republicanos, o projeto de lei terá ainda de ser aprovado pela Câmara dos Representantes da Maioria Democrata antes de Trump o poder promulgar.

Na quarta-feira, o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, avisou que os EUA queriam proibir não só o TikTok, mas também outras aplicações chinesas consideradas como um risco para a segurança nacional.

A Associated Press questiona, no entanto, se isso é sequer possível. Apesar de republicanos e democratas partilharem preocupações em relação ao TikTok, até ao momento, não houve qualquer prova apresentada pelo Executivo que mostre que os dados dos utilizadores foram, de facto, entregues ao Governo chinês.

Mesmo que a administração Trump consiga impedir que as aplicações sejam adquiridas a partir de 15 de setembro, há muitos utilizadores que já as têm e podem usá-las em redes privadas virtuais (VPN). A questão aqui é saber se o Governo dos Estados Unidos tem capacidade para proibir o uso destas plataformas.

Paul Triolo, analista do Eurasia Group, referiu que as ordens do Governo norte-americano podem enfrentar desafios legais e que Pequim vai reagir com “severidade, pelo menos retoricamente”.

“O pensamento dos Estados Unidos é que tudo o que é chinês é suspeito”, disse Andy Mok, investigador do Center for China and Globalization, em Pequim. “A China está a ser alvejada não pelo que fez, mas por ser quem é.”

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/donald-trump-proibe-transacoes-com-empresa-chinesa-detentora-do-tiktok-339435

A guerra dos vinte anos?

Os soldados norte-americanos de 18 anos que hoje partem para a Guerra do Afeganistão ainda não tinham nascido quando ela foi desencadeada. Em 2012, Donald Trump já se decidira: «É tempo de abandonar o Afeganistão» [1]. Não é garantido, contudo, que Trump alcance os seus objectivos melhor do que o seu antecessor, Barack Obama. Porque todas as tentativas de retirar os Estados Unidos de um qualquer país – a Síria, a Líbia, a Coreia do Sul, a Alemanha – provocam em Washington um levantamento de rancho.

O lóbi da guerra exclama de imediato: estão aí os russos!, vêm aí os russos! Bem pode o orçamento militar dos Estados Unidos (738 mil milhões de dólares em 2020) representar mais de dez vezes o da Rússia, que agitar o medo de Moscovo é suficiente para que republicanos e democratas gritem em conjunto o seu pavor. E eles sabem que podem contar com o apoio editorial do New York Times.

A 27 de Junho, o diário americano publicou, portanto, uma fuga da Central Intelligence Agency (CIA), segundo a qual a Rússia teria pago prémios aos rebeldes afegãos para que eles matassem soldados americanos [2]. Ora, todos se recordam que, nos meses que antecederam a Guerra do Iraque, já o New York Times havia desempenhado um papel decisivo na disseminação de mentiras relativas às «armas de destruição em massa» de Saddam Hussein [3]. Aliás, a psicose anti-russa deste grande diário liberal entra pelos olhos adentro de quem quer que seja que escreva os termos «Russia» ou «Putin» no motor de busca do jornal.

O furo jornalístico afegão – de que o New York Times parecia já duvidar oito dias depois de o ter alardeado – levanta outras questões. Quem beneficia desta «informação», numa altura em que a retirada das últimas tropas parecia mais ou menos decidida? Terão os Estados Unidos motivos para se indignarem por um dos seus adversários declarados ajudar rebeldes afegãos quando o seu aliado, o Paquistão, faz o mesmo há muito tempo, e quando eles próprios, entre 1980 e 1988, entregaram aos mujahidines em guerra contra Moscovo armas sofisticadas, graças às quais estes mataram milhares de soldados soviéticos? Por fim, como explicar que o diário nova-iorquino, que não deixou de nos oferecer longos retratos comoventes dos três fuzileiros navais pretensamente vítimas dos «prémios russos» – um tinha bigode e fazia musculação, o outro gostava de rever o filme Star Wars, o último adorava as suas três filhas… –, se tenha antes de mais «esquecido» de nos informar que um outro organismo de informações norte-americano, a Agência Nacional de Segurança (NSA), não atribuía qualquer crédito ao furo da CIA [4]?

A 1 de Julho último, uma ampla coligação de parlamentares, democratas e republicanos, recorreu apesar disso às «revelações» do New York Times para tornar mais difícil uma retirada americana do Afeganistão. No entanto, a melhor forma de impedir que soldados americanos continuem a morrer nesse país seria que eles não estivessem lá.


[1] Twitter, 27 de Fevereiro de 2012.

[2] «Russia offered Afghans bounty to kill US troops, officials say», The New York Times, 27 de Junho de 2020.

[3] Cf. «Fake news, une fausse épidémie?», Manière de voir, n.° 172, Agosto-Setembro de 2020.

[4] «NSA differed from CIA, others on Russia bounty intelligence», The Wall Street Journal, Nova Iorque, 1 de Julho de 2020.

Ver o original em Le Monde Diplomatique PT (clique aqui)

EUA | Trump prepara o cenário para o caos

 

 

Crise da economia americana vem minando as chances de reeleição de Trump. Diante desse quadro, sua ideia é adiar o pleito. É a fúria destrutiva de um homem disposto a tudo para não perder, opina Ines Pohl.

O presidente americano fez de tudo para minimizar a pandemia. Encobriu, mentiu, tomou decisões desastrosas e, no final, até promoveu uma médica que acredita no poder curativo do DNA de alienígenas. Ele aceitou as mais de 150 mil mortes como um preço a pagar para evitar a crise econômica em seu país, e teve exatamente o efeito oposto.

 

A economia dos EUA vem passando por uma derrocada histórica, e não há um fim à vista. O número de infecções continua a explodir, aumentando o medo de que mais e mais americanos adoeçam. Tudo isso é ruim para os negócios. Especialmente levando em consideração a crise econômica global, que aos poucos vai mostrando sua terrível careta.

 

A última esperança de Trump de defender seu posto na Casa Branca está morrendo. Se a economia continuar em queda, o homem das grandes promessas não conseguirá ser reeleito. No momento, ele já está dois dígitos atrás do seu rival Joe Biden. A queda parece ser incontrolável – assim como a fúria destrutiva desse presidente.

 

 

Logo depois da divulgação da queda de 32,9% do produto interno bruto no últimos trimestre, Trump publicou um tuíte promovendo a ideia de adiar as eleições. Seu raciocínio: um pleito por meio do correio é particularmente suscetível à fraude eleitoral. Não há nenhuma prova disso, mas para ele tanto faz. Trump tampouco se importa que juridicamente um adiamento seja mais do que improvável, mesmo em meio a uma pandemia.

 

Posteriormente, ele tentou minimizar a afirmação, dizendo que não deseja mudar a data, mas apenas levantar a discussão sobre possíveis fraudes. Mas a ideia está lançada.

 

Quanto mais se aproxima de 3 de novembro, data do pleito presidencial, mais claro fica que Donald Trump está disposto a mergulhar o país no caos e enfraquecer a constitucionalidade democrática de forma duradoura, caso venha a perder as eleições. Com isso em mente, é preciso lançar luz sobre suas jogadas políticas.

 

Por que ele está enviando policiais federais para cidades como Portland? Não é para controlar a violência, mas para aumentar ainda mais a divisão do país. Por que discursou na noite anterior ao feriado de 4 de Julho no pé do Monte Rushmore, entre todos os lugares, e diante das gigantescas cabeças presidenciais esculpidas, que representam discriminação racial e comércio de escravos? Justamente agora, quando os ânimos no país estão tão acirrados? Ele quer dividir. Ele quer reabrir velhas feridas.

 

Figuras do Partido Democrata como Bernie Sanders e Joe Biden alertaram desde cedo que esse presidente não pretende aceitar a derrota sem lutar. Parece que esses temores serão confirmados. Para piorar, quanto mais reduzidas suas chances de conquistar a reeleição, maior será sua fúria destrutiva.

 

Donald Trump não deve conseguir minar o sistema legal dos EUA. No entanto estamos observando uma alarmante militarização da luta política nas ruas dos Estados Unidos. É bom o fato de cada vez mais republicanos se distanciarem de seu errático presidente. Parece que estão começando a entender que não têm um futuro com esse homem. E que no fim vão ter que arcar com a responsabilidade pelos atos dele.

Ines Pohl | Deutsche Welle | opinião

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/eua-trump-prepara-o-cenario-para-o-caos.html

China rejeita qualquer tentativa de criar a chamada "nova Guerra Fria", diz chancelaria

 
O acordo comercial China e Estados Unidos se desgasta. E agora...
 

Beijing, 5 ago (Xinhua) -- A China rejeita qualquer tentativa de criar a chamada "nova Guerra Fria", disse o conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores Wang Yi nesta quarta-feira.

Alguns políticos norte-americanos que são tendenciosos e hostis à China estão usando seu poder para denegrir a China com fabricações e impedir os laços normais com a China sob vários pretextos, disse Wang à Xinhua em uma entrevista exclusiva.

O que eles querem é reavivar o McCarthyism na tentativa de minar as relações dos EUA com a China, alimentar a hostilidade entre os dois povos e desgastar a confiança entre os dois países, disse Wang.

"Em última instância, eles querem arrastar a China e os Estados Unidos para novos conflitos e confrontos e mergulhar o mundo no caos e na divisão novamente", acrescentou o ministro.

Observando que a China não permitirá que essas pessoas sigam seu caminho, Wang enfatizou que a China rejeita qualquer tentativa de criar a chamada "nova Guerra Fria", porque isso contraria os interesses fundamentais dos povos chinês e norte-americano e a tendência global de desenvolvimento e progresso.

Quem tentar iniciar a chamada "nova Guerra Fria" no século 21 estará do lado errado da história e só será lembrado como quem rompeu com a cooperação internacional, disse Wang.

A China de hoje não é a antiga União Soviética e a China não tem intenção de se tornar um outro Estados Unidos, observou Wang.

Como o maior país em desenvolvimento do mundo e membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China permanecerá comprometida com o desenvolvimento pacífico e a buscar uma estratégia de abertura de benefício mútuo, destacou Wang.

"A China continuará promovendo a paz e o desenvolvimento global e a defender a ordem internacional", acrescentou Wang. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-08/05/c_139267612.htm

China responderá com firmeza a entraves dos EUA à sua imprensa

As autoridades chinesas reafirmaram esta terça-feira que darão uma resposta firme aos Estados Unidos se persistirem os entraves aos órgãos de comunicação chineses em solo norte-americano.

A China irá responder às «acções hostis» contra jornalistas chineses por parte dos EUACréditos / CGTN

Wang Wenbin, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, disse ontem em Pequim que o governo do seu país irá retaliar no caso de se manterem as «acções hostis» de Washington contra os jornalistas chineses, que poderão ser forçados a sair do país ocidental devido à não prorrogação dos vistos.

Wang denunciou que nenhum correspondente chinês nos Estados Unidos viu deferida a prorrogação de visto solicitada desde 11 de Maio último, quando Washington limitou a permanência dos jornalistas no país a um período de 90 dias, com opção de renovação de autorização.

«Os EUA têm vindo a escalar as suas acções contra os jornalistas chineses. Os EUA devem corrigir de imediato o seu erro e pôr fim a estas acções», disse o funcionário chinês, citado pela PressTV.

Advertiu que, se Washington insistir, a China dará a «resposta necessária e legítima para salvaguardar os seus direitos e interesses».

«Os Estados Unidos – disse – intensificaram a opressão política contra os órgãos de comunicação chineses, no meio da sua ofensiva assente numa mentalidade de guerra fria e preconceito ideológico».

Wang criticou ainda a hipocrisia da Casa Branca, por falar em defesa da liberdade de imprensa, por um lado, e por obstruir o trabalho jornalístico dos correspondentes do país asiático, por outro.

Antes, o jornal Global Times afirmou que, em caso de retaliação, os jornalistas norte-americanos colocados na região semi-autónoma de Hong Kong seriam os primeiros atingidos.

Ingerência crescente dos EUA

Durante a presidência de Donald Trump, as relações entre os EUA e a China atingiram o seu ponto mais baixo das últimas décadas, com a China a denunciar a ingerência de Washington nos seus assuntos internos – como Hong Kong – ou em temas que envolvem a China e outros países asiáticos e nos quais os Estados Unidos querem assumir um papel de «árbitro», como o Mar do Sul da China.

A política de Washington relativamente a Taiwan ou as acusações frequentes lançadas contra a China no que respeita à pandemia de Covid-19 também foram motivo de fricção, assim como a questão da «imprensa», que se intensificou em Fevereiro deste ano, quando Washington limitou a 100 o número de funcionários da agência Xinhua, da TV CGTN, da estação China Radio International e dos jornais China Daily e Diário do Povo instalados em solo norte-americano.

Essas entidades, lembra a Prensa Latina, também passaram a ser classificadas como «missões estrangeiras», ficando obrigadas a seguir as mesmas regras que as embaixadas e os consulados – com o argumento de que estão controladas pelo governo da China.

Como medida de retaliação, a China informou em Março que as delegações da Voice of America, New York Times, WSJ, Washington Post e Time no país devem entregar por escrito às autoridades chinesas os dados sobre os seus funcionários, finanças, operações e propriedades.

Exigiu ainda aos jornalistas destes órgãos cujas credenciais caducam este ano que entreguem as cédulas, pois deixarão de ter autorização para trabalhar na China continental, em Hong Kong e Macau, informa a agência cubana.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/china-respondera-com-firmeza-entraves-dos-eua-sua-imprensa

O QUE ESTÁ EM JOGO NO MAR DO SUL DA CHINA

 

2020-08-04

Pepe Escobar, Asia Times/O Lado Oculto

Quando os porta-aviões norte-americanos Ronald Reagan e Nimitz recentemente se envolveram em "operações" no Mar do Sul da China não deixou de notar-se que a Frota do Pacífico dos Estados Unidos estava a fazer os possíveis para transformar a teoria infantil da armadilha de Tucídides, uma provocação de guerra, numa profecia auto-realizável.

A posição oficial, divulgada através do contra-almirante Jim Kirk, comandante do Nimitz, é que as operações foram conduzidas para "reforçar o nosso compromisso com um Indo-Pacífico livre e aberto, com uma ordem internacional baseada em regras e com nossos aliados e parceiros".

Já ninguém presta atenção a estes lugares comuns porque a verdadeira mensagem foi transmitida por um operacional da CIA fazendo-se passar por um diplomata, o secretário de Estado Mike "Nós Mentimos, Trapaceamos, Roubamos" Pompeo: "A República Popular da China não tem fundamentos legais para impor unilateralmente sua vontade à região", numa referência à Linha das Nove Raias. Para o Departamento de Estado, Pequim não emprega nada além de "tácticas de gangsters" no Mar do Sul da China.

Mais uma vez, ninguém prestou atenção, porque os factos reais sobre a região são muito mais sérios e complexos. Qualquer coisa que se mova no Mar da China do Sul - a crucial artéria de comércio marítimo da China - está à mercê do Exército de Libertação Popular, que decide se e quando implantar os seus mísseis "carrier killer" DF-21D e DF-26. É absolutamente impossível que a frota do Pacífico dos Estados Unidos possa vencer uma guerra de troca de tiros no Mar do Sul da China.

Bloqueado electronicamente

Um relatório chinês crucial, não disponível e não referido pelos media ocidentais e traduzido pelo analista Thomas Wing Polin, sediado em Hong Kong, é essencial para entender o contexto.

O relatório diz respeito aos aviões de guerra eletrónicos US Growler, postos totalmente fora de controlo (Abril de 2018) por dispositivos electrónicos de interferência posicionados em ilhas e recifes no Mar do Sul da China.

De acordo com o relatório, "após o incidente, os Estados Unidos negociaram com a China exigindo que a China desmantelasse imediatamente o equipamento electrónico, o que foi rejeitado. Estes dispositivos electrónicos são uma parte importante da defesa marítima da China e não são armas ofensivas. Portanto, o pedido de desmantelamento dos militares americanos não é razoável".

Ainda há mais, segundo o mesmo relatório: "No mesmo dia, o ex-comandante Scott Swift da Frota do Pacífico dos Estados Unidos finalmente reconheceu que os militares norte-americanos tinham perdido o melhor momento para controlar o Mar do Sul da China. Acredita que a China implantou um grande número de mísseis de defesa aérea Hongqi 9, bombardeiros H-6K e sistemas electrónicos de interferência em ilhas e recifes. Pode-se dizer que a defesa é sólida. Se os caças norte-americanos se precipitarem para o Mar da China Meridional é provável que encontrem aí o seu 'Waterloo'".

O resultado final revela que os sistemas - incluindo o bloqueio electrónico - implantados pelo Exército de Libertação Popular em ilhas e recifes no Mar do Sul da China, cobrindo mais da metade da superfície total, são considerados por Pequim como parte do sistema de defesa nacional.

Já pormenorizei anteriormente o que o Almirante Philip Davidson, quando foi designado para chefiar o Comando do Pacífico dos EUA (PACOM), disse no Senado de Washington. Eis as suas três principais conclusões:

1) "A China procura capacidades avançadas (por exemplo, mísseis hipersónicos) contra as quais os Estados Unidos não têm nenhuma defesa actual. À medida que a China procurar estes sistemas avançados de armamento as forças norte-americanas em todo o Indo-Pacífico serão colocadas cada vez mais em risco".

2) "A China está a minar a ordem internacional baseada em regras". 

3) "A China é agora capaz de controlar o Mar do Sul da China em todos os cenários, sem guerra com os Estados Unidos".

Implicado em tudo isto está o "segredo" da estratégia Indo-Pacífico norte-americana: na melhor das hipóteses um exercício de contenção, já que a China continua a solidificar a Rota Marítima da Seda que liga o seu Mar do Sul ao Oceano Índico.

Algumas memórias

O Mar do Sul da China é e continuará a ser um dos principais pontos de fulgor geopolítico do jovem século XXI, onde grande parte do equilíbrio de poder Oriente-Ocidente será jogado.

Já falei disso com algum pormenor noutros momentos do passado, mas são essenciais algumas referências históricas para entender a actual conjuntura, à medida que o Mar da China Meridional se parece e se comporta cada vez mais como um lago chinês.

Comecemos por1890, quando Alfred Mahan, então presidente da Escola Naval dos EUA, escreveu o seminal “A Influência do Poder do Mar sobre a História, 1660-1783”. A tese central de Mahan é a de que os Estados Unidos devem tornar-se globais em busca de novos mercados e proteger essas novas rotas comerciais através de uma rede de bases navais.

Este é o embrião do império de bases dos EUA - que continua em vigor.

Foi o colonialismo ocidental – norte-americano e europeu - que traçou a maioria das fronteiras terrestres e marítimas dos Estados limítrofes do Mar do Sul da China: Filipinas, Indonésia, Malásia, Vietname.

Falamos de fronteiras entre diferentes possessões coloniais – o que implicou problemas intratáveis desde o início, posteriormente herdados pelas nações pós-coloniais.

Historicamente sempre existira um processo completamente diferente. Os melhores estudos antropológicos (de Bill Solheim, por exemplo) definem as comunidades seminómadas que realmente viajaram e comerciaram através do Mar do Sul da China desde tempos imemoriais como o Nusantao - uma palavra austronésia composta de "ilha do sul" e "povo".

Os Nusantao não eram um grupo étnico definido. Eram uma rede marítima. Ao longo dos séculos foram criando muitos pontos-chave, desde a linha costeira entre o centro do Vietname e Hong Kong até ao Delta do Mekong. Não estavam ligados a qualquer “Estado". A noção ocidental de "fronteiras" nem sequer existia. Em meados dos anos noventa tive o privilégio de encontrar alguns dos seus descendentes na Indonésia e no Vietname.

Por isso, foi somente no final do século XIX que o sistema colonial vestefaliano conseguiu congelar o Mar do Sul da China dentro de uma estrutura inamovível.

O que nos conduz ao ponto crucial para perceber por que a China é tão sensível quanto às suas fronteiras; porque elas estão diretamente ligadas ao "século da humilhação" - quando a corrupção e a fragilidade interna chinesa permitiram que os "bárbaros" ocidentais tomassem posse das suas terras.

Um lago japonês

 A Linha das Nove Raias é um problema extremamente complexo. Foi inventada em 1936 pelo eminente geógrafo chinês Bai Meichu, um feroz nacionalista, inicialmente como parte de um "Mapa de Humilhação Nacional Chinesa" na forma de uma "linha em forma de U" devorando o Mar do Sul da China até James Shoal, que fica 1500 quilómetros ao sul da China mas apenas a pouco mais de 100 quilómetros do Bornéu.

A Linha das Nove Raias, desde o início, foi impulsionada pelo governo chinês - lembre-se, na época ainda não comunista - como letra da lei em termos de reivindicações "históricas" chinesas sobre ilhas no Mar do Sul.

Um ano depois, o Japão invadiu a China. Os japoneses já tinham ocupado Taiwan em 1895. O Japão ocupou as Filipinas em 1942. Isto significou que praticamente toda a costa do Mar do Sul da China ficou a ser controlada por um único império, o que aconteceu pela primeira vez na história. O Mar da China Meridional tornara-se um lago japonês.

A situação prolongou-se até 1945. Os japoneses ocuparam a Ilha Woody nas Ilhas Paracelso e Itu Aba (hoje Taiping) nas Ilhas Spratley. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial e do bombardeamento nuclear norte-americano no Japão, as Filipinas tornaram-se independentes em 1946 e as Spratley foram imediatamente declaradas território filipino.

Em 1947, todas as ilhas do Mar do Sul da China receberam nomes chineses.

E em Dezembro de 1947 todas as ilhas foram colocadas sob o controlo da região chinesa de Hainan (ela própria uma ilha no sul da China.) Novos mapas surgiram então, mas agora com nomes chineses para as ilhas (ou recifes, ou ilhéus). Mas nasceu um enorme problema: ninguém explicou o significado desses traços indicadores (que eram originalmente onze).

Em Junho de 1947, a República da China reivindicara tudo dentro da Linha das Nove Raias - enquanto se proclamava aberta para negociar, mais tarde, fronteiras marítimas definitivas com outras nações. Entretanto, não haveria fronteiras.

A situação criou o cenário da imensamente complicada "ambiguidade estratégica" do Mar do Sul da China que ainda persiste - e permite ao Departamento de Estado acusar Pequim das "tácticas de gangsters". O auge de uma transição da milenar da "rede marítima" de povos seminómadas para o sistema vestefaliano de possessões coloniais não significara nada além de problemas.

Hora do Código de Conduta (COC)

E quanto à noção norte-americana de "liberdade de navegação"?

Em termos imperiais, a "liberdade de navegação" da Costa Oeste dos EUA à Ásia - através do Pacífico, do Mar do Sul da China, do Estreito de Malaca e do Oceano Índico - é estritamente uma questão de estratégia militar.

A Marinha dos Estados Unidos simplesmente não consegue imaginar o ter de lidar com zonas de exclusão marítima - ou ter de exigir uma "autorização" sempre que precisar de atravessá-las. Neste caso, o império das bases perderia o "acesso" às suas próprias bases.

Isto é agravado pela paranóia do Pentágono ao admitir uma situação em que uma "potência hostil" - a China - decidiria bloquear o comércio global. A premissa em si é ridícula, pois o Mar do Sul da China é a principal e vital artéria marítima para a economia globalizada dos chineses.

Portanto, não existe justificação racional para um programa de Liberdade de Navegação (FON). Para todos os fins práticos, estes porta-aviões como o Ronald Reagan e o Nimitz, que se exibem dentro e fora do Mar do Sul da China, equivalem à diplomacia da canhoneira do século XXI. O que não chega para impressionar Pequim.

No que diz respeito à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), com 10 membros, o que parece mais importante é a elaboração de um Código de Conduta (COC) para resolver todos os conflitos marítimos entre Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei e China.

No próximo ano a ASEAN e a China celebrarão 30 anos de fortes relações bilaterais. Existe uma importante possibilidade de essas relações serem elevadas para o estatuto de "parceria estratégica abrangente".

Devido à COVID-19, todos os participantes tiveram de adiar as negociações para a segunda leitura do projecto único do COC. Pequim queria que os contactos decorressem frente a frente - porque o documento é ultra sensível e, por enquanto, secreto. No entanto estabeleceu-se um acordo para a negociação on-line - através de textos pormenorizados.

Será uma tarefa difícil porque, como a ASEAN deixou claro numa cimeira virtual realizada no final de Junho, tudo tem de ficar de acordo com o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito Marítimo (UNCLOS).

Se todos puderem chegar a um entendimento sobre um COC até ao final de 2020, um acordo definitivo poderá ser aprovado pela ASEAN em meados de 2021. Não será necessário salientar a importância histórica desta eventualidade - porque esta negociação está em curso há pelo menos duas décadas.

Sem mencionar que a aprovação de um COC invalida qualquer pretensão dos Estados Unidos para assegurar “a liberdade de navegação” - numa área onde a navegação já é livre.

A “liberdade”, contudo, nunca foi a questão. Em terminologia imperial, "liberdade" significa que a China deve obedecer e manter o Mar do Sul da China aberto à Marinha dos EUA. Isso é possível, mas

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Veja o original em 'O Lado Oculto' na seguinte ligação:

https://www.oladooculto.com/noticias.php?id=841

Ameaça dos EUA ao TikTok cria 'precedente perigoso', diz fundador do Telegram

Uma pessoa segura um smartphone com o logotipo do TikTok, 7 de novembro de 2019
© REUTERS / Dado Ruvic

A ameaça dos Estados Unidos de proibir o aplicativo chinês TikTok abre um precedente perigoso para a internet, disse Pavel Durov, fundador do aplicativo de mensagens Telegram, nesta quarta-feira (5).

Depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou planos para banir o TikTok na semana passada, gigantes tecnologia dos EUA, incluindo Microsoft e Apple, expressaram interesse em comprar o aplicativo de seu desenvolvedor, a ByteDance.

"A ação dos EUA contra o TikTok está estabelecendo um precedente perigoso que pode acabar matando a Internet como uma rede verdadeiramente global (ou o que resta dela)", disse Durov em seu canal oficial do Telegram, explicando que "o problema EUA-TikTok é que ele legitima uma tática de extorsão anteriormente empregada apenas por regimes autoritários. "

Durov disse que o Telegram recebeu ofertas semelhantes para vender direitos de operação a organizações vinculadas a governos sob a ameaça de ter o serviço banido, mas nunca aceitou as propostas por acreditar que isso significaria "trair nossos usuários". O próprio Telegram é um dos aplicativos de mensagens mais populares do mundo, com mais de 400 milhões de usuários ativos.

Ao mesmo tempo, o fundador do Telegram disse que pode entender o raciocínio de Washington já que a China proibe quase todos os aplicativos de mídia social não chineses em seu território, então tornar o acesso ao mercado uma via de mão dupla é justo.

Trump definiu o prazo de 15 de setembro para a compra do TikTok ser concluída por uma empresa norte-americana. Caso contrário, o aplicativo de compartilhamento de vídeos será banido. O presidente dos EUA também disse que uma parte substancial dos lucros da venda deve ir para o Departamento do Tesouro dos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020080515910625-ameaca-dos-eua-ao-tiktok-cria-precedente-perigoso-diz-fundador-do-telegram/

Norte-americano detido depois de usar fundos da covid-19 para comprar um Lamborghini

(dr) Lamborghini

 

As autoridades dos Estados Unidos detiveram um empresário que comprou um carro de luxo da marca Lamborghini com dinheiro que recebeu de programas federais para ajudar os afetados pelo novo coronavírus (covid-19).

 

A notícia é avançada esta quarta-feira pela agência noticiosa AFP, que cita um comunicado do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Lee Price III, 29 anos, residente no estado norte-americano do Texas, foi acusado de fraude depois de conseguir mais de 1,6 milhões de dólares(1,35 milhões de euros) em empréstimos a prazo no âmbito do programa Paycheck Protection Program (PPP), aprovado em março pelo Congresso com o objetivo de a ajudar pequenas e médias empresas a sobreviver à pandemia do novo coronavírus

Com este valor, conta a AFP, fez transações imobiliárias, comprou um Lamborghini Urus (318.000 dólares), uma carrinha Ford F-350 de 2020 e um relógio Rolex.

Segundo o processo instaurado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o homem gastou parte do dinheiro em clubes de strip e boates.

Para conseguir este montante, Lee Price III pediu empréstimos que alegou que seriam utilizados para pagar salários dos funcionários de duas das suas empresas, a Price Enterprises Holdings e a 713 Construction.

Acabou depois por se descobrir que nenhuma das empresas apontadas tinha qualquer funcionário e que o CEO da 713 Construction morreu um mês antes de o pedido dar entrada nas instâncias federais norte-americanas.

Um caso semelhante veio a público na semana passada: David Hines, também com 29 anos, foi preso na Florida depois de usar fundos da covid-19 para comprar um um carro desportivo Lamborghini Huracán por 318.000 dólares, bem com outros bens de luxo.

Conseguiu um fundo de 3,9 milhões de dólares.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/norte-americano-detido-usar-fundos-da-covid-19-comprar-um-lamborghini-339178

Imprensa chinesa acusa EUA de “abuso de poder” para roubar TikTok

Um jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) acusou esta quarta-feira os Estados Unidos (EUA) de “abusarem do seu poder” para “roubarem” o TikTok, ao forçarem a venda da aplicação de vídeos detida pela empresa chinesa ByteDance.

 

“As regras de Washington são o vale tudo”, acusou o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão oficial do PCC, citado pela agência Lusa. “Os EUA, como um país poderoso, não apenas fazem as regras, mas também intencionalmente adotam medidas arbitrárias que violam as regras”, acrescentou, frisando: “Os outros países podem apenas manter as regras em mente e aceitar essas infrações”.

O debate sobre o futuro do TikTok, propriedade da empresa de tecnologia ByteDance, que tem sede em Pequim, surgiu no fim de semana quando o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou proibir a aplicação de operar nos EUA.

Membros do Congresso norte-americano têm expressado preocupação de que o TikTok possa representar uma ameaça à segurança nacional, caso o Governo chinês aceda aos dados de utilizadores norte-americanos.

O TikTok, no entanto, lembrou que armazena os dados recolhidos fora da China e que resistiria a qualquer tentativa de Pequim de aceder a informações.

Na segunda-feira, Trump disse que estaria aberto a permitir que uma empresa norte-americana comprasse o TikTok, embora com a ressalva de que qualquer acordo teria que incluir uma “quantidade substancial de dinheiro” destinada ao Tesouro norte-americano. A Microsoft, com sede em Washington, emergiu como potencial compradora.

Vários órgãos de comunicação ou redes sociais norte-americanas, incluindo o Facebook, Twitter ou Instagram, ou o motor de busca Google, estão banidos da rede chinesa, a maior do mundo, com mais de 710 milhões de utilizadores.

O Global Times garantiu, no entanto, que a política dos EUA face ao TikTok “não é recíproca”, alegando que a “China oferece condições sob as quais as empresas de tecnologia dos EUA podem operar no mercado chinês”, na condição de respeitarem as leis e regulamentos da China.

“A proibição do TikTok pelos EUA é uma ordem executiva arbitrária. [Washington] recusou-se a oferecer condições para o TikTok continuar a operar nos EUA”, lembrou o Global Times. O jornal estatal China Daily considerou uma possível venda da aplicação como uma tática de “destruir e agarrar”, orquestrada pelo Governo dos EUA.

“O assédio moral do Governo norte-americano às empresas de tecnologia chinesas decorre de os dados serem a nova fonte de riqueza e o de querer tudo, na sua visão da ‘América Primeiro'”, escreveu o China Daily, em editorial.

Num memorando interno enviado aos funcionários na segunda-feira, o CEO e fundador da ByteDance, Zhang Yiming, reconheceu que “os últimos meses constituíram um período de desafios para todos”. “Iniciamos discussões preliminares com uma empresa de tecnologia para ajudar a abrir caminho à continuação do TikTok nos EUA”, escreveu Zhang.

O jornal Guangming Daily lembrou que o debate sobre o TikTok é “emblemático do tipo de experiência” que pode aguardar outras empresas chinesas que planeiam expandir-se para além da China continental.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/imprensa-chinesa-eua-abuso-poder-tiktok-339142

TikTok deve ser vendida até 15 de setembro para continuar nos EUA

03/08/2020
 

A rede social TikTok, propriedade da empresa chinesa ByteDance, deve ser vendida até 15 de setembro para se manter em operação nos Estados Unidos, disse, esta segunda-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Depois de na sexta-feira ter anunciado que iria proibir a TikTok nos Estados Unidos, por “razões de segurança nacional”, Trump avisou que a rede social vai ser encerrada em meados de setembro, a menos que a norte-americana Microsoft ou outra empresa a compre.

“Ela [TikTok] vai ser fechada em 15 de setembro, a menos que a Microsoft ou outra empresa possa comprá-la e encontrar um acordo”, afirmou o Presidente dos Estados Unidos.

A multinacional sediada em Redmond, no estado de Washington, adiantou, num comunicado emitido no domingo, que tenciona concluir as negociações com a ByteDance para a aquisição do serviço da TikTok em território norte-americano até 15 de setembro, na sequência de um encontro entre o seu CEO, Satya Nadella, e Donald Trump.

Em caso de aquisição do serviço, a Microsoft prometeu “uma revisão de segurança completa” e a entrega dos “benefícios económicos apropriados” aos Estados Unidos, procurando garantir que “todos os dados privados dos utilizadores norte-americanos do TikTok” sejam transferidos e permaneçam no país.

As negociações começaram quando ambas as empresas comunicaram a intenção de explorar uma “proposta preliminar” referente à aquisição do serviço da TikTok nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e na Nova Zelândia.

Leia mais em Jornal de Notícias

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/08/03/tiktok-deve-ser-vendida-ate-15-de-setembro-para-continuar-nos-eua/

TRUMP VESTIDO DE ANJINHO

 
BING: Is Donald Trump an Angel? - UK Uncensored
Nestes dias cinzentos, tão feitos de notícias tristes, às vezes nem nos apetece sorrir com o anedotário político do mundo. E, no entanto, essa circunstância e essas situações anedóticas não são outra coisa senão o triste sinal dos tempos que vivemos. Há, é certo, desgraças incontroláveis ou inesperadas, veja-se a pandemia do codi-19, mas nem isso submerge a estupidez e a tontice daqueles que, apoiando-se em grupos com comportamentos espúrios à moral e ao bem público, e iludindo a bondade e ingenuidades de muitos – já se sabe que o bom senso não é a coisa mais bem repartida no mundo! – são senhores do mundo ou mandantes de países que bem mereciam melhor sorte. Lembramo-nos logo de Trump e Bolsonaro, campeões da estupidez e malfeitores com máscara de políticos, cujo cortejo de crimes é um um longo para quem sofre na pele as suas políticas. Quantas mortes têm eles às costas?

 

Apetece sorrir quando ouvimos Trump, como aconteceu há dias, levantar a possibilidade de se adiar as eleições presidenciais de 3 de Novembro, alegando as circunstâncias decorrentes do coronavírus. Esta insólita ideia surge precisamente quando as pesquisas dão uma clara vantagem ao candidato democrata Joe Biden.

 

Um sujeito que alcançou a Casa Branca com a suspeita de não poucas fraudes e com expedientes em que as “fake News” tiveram papel de relevo, vem agora chorar lágrimas de crocodilo, afirmando que “com o sistema universal de voto por correio, as eleições de 2020 serão as mais fraudulentas e imprecisas da história. Seria uma grande vergonha para os Estados Unidos. Adiamos as eleições até que as pessoas possam votar de forma adequada e segura.”

 

Há quem aponte, todavia, outras razões para fazer Trump correr para adiar o acto eleitoral, como lembrava o “El Pais”: “a caótica gestão da crise do coronavírus,a deterioração da economia e sua impermeabilidade ao clamor por justiça racial, que varreu o país desde a morte do afro-americano George Floyd nas mãos da polícia no final de maio, corroeram substancialmente a popularidade do presidente.”

 

Só nos faltava esta: Trump, vestido de anjinho, a chorar pela pureza democrática das eleições presidenciais americanas. É bom sorrir, com estas anedotas, para quebrar o cinzentismo dos dias.

 

3 de Julho de 2020  
 

Ver original em 'Notícias do Bloqueio' na seguinte ligação:

http://www.fernandopaulouro.com/2020/08/trump-vestido-de-anjinho.html

Com forte desvalorização, dólar pode 'cair no esquecimento', afirma analista

Nota e moeda de um dólar americano
© Sputnik / Aleksei Sukhorukov

O "raro" evento de uma depreciação geral da moeda líder sugere uma falta fundamental de confiança, estima analista.

A queda do dólar pode ser "um sinal de perigo real desta vez", argumenta em um artigo para o jornal South China Morning Post Anthony Rowley, jornalista especializado em análises de assuntos econômicos e financeiros asiáticos.

Rowley explica que o "raro" evento de uma de desvalorização geral da moeda líder sugere uma falta fundamental da confiança, que poderia "afundar os mercados financeiros e prejudicar a economia global".

'Sinais ameaçadores'

O jornalista constata que existem "sinais ameaçadores" de que o dólar "está com problemas", um dos quais é que a moeda norte-americana se desvaloriza não somente em relação a referências como ouro e prata, mas também contra muitas medidas de valor, incluindo moedas-chave.

Uma desvalorização geral da divisa norte-americana "é rara", indica o analista, que assegura que a declaração do presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Jerome Powell, de que o Banco Central manterá sua política monetária flexível ao menos até o fim deste ano, "prenuncia uma maior fraqueza".

Segundo Rowley, os acontecimentos recentes sugerem que o dólar poderia "se romper por dentro" à medida que os EUA "se retiram cada vez mais" das obrigações internacionais, enquanto sua economia interna se enfraquece.

'Muitas coisas poderiam cair com o dólar'

Por outro lado, a "confiança nas moedas e a fé nelas como medidas de valor e como meios de intercâmbios não podem sobreviver à ideia de que sua oferta é praticamente infinita", enfatiza o especialista, acrescentando que os mercados veem atualmente "uma moeda enfraquecida que apenas vale o papel em que está impressa", e, em seu lugar, estão comprando metais e moedas que não o dólar norte-americano.

Isso é "perigoso", pois "muitas coisas poderiam cair com o dólar", garante Rowley, "desde as reservas mundiais e o comércio global até as transações bancárias e financeiras e os produtos básicos".

Neste contexto, Washington poderia ser "o maior perdedor", salienta Rowley, que explica que o privilégio "exorbitante" de que desfruta o país norte-americano graças ao dólar ser a moeda global significa que os EUA não enfrentam crises da balança de pagamentos enquanto importa sua própria moeda.

Contudo, o mundo ancorado no dólar poderia cair no esquecimento "da mesma maneira que a zona da libra esterlina", adverte o jornalista.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020080415901244-com-forte-desvalorizacao-dolar-pode-cair-no-esquecimento-afirma-analista/

Donald Trump ameaça não reconhecer o resultado da eleição de novembro

O presidente dos EUA quer, ilegalmente, adiar a eleição presidencial de novembro. Para o Partido Comunista dos EUA é a preparação de um golpe e põe a democracia em risco.

 

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs na manhã da quinta-feira (30), pelo Twitter, que seja adiada a eleição presidencial, marcada para 3 de novembro (tradicionalmente a eleição presidencial nos EUA ocorre na primeira terça-feira de novembro). A proposta causou alarme nos setores democráticos do país.

O diário inglês “The Guardian”, de grande penetração nos EUA, qualificou a proposta como “incendiária”. Na mensagem, Trump alegou, sem evidências, que “a votação universal por correio” levaria à “eleição mais imprecisa e fraudulenta da história”.

Trump fez sua proposta 15 minutos após a divulgação do desastroso resultado do PIB – queda de 32,9% entre abril e junho – registrou o comentarista C.J. Atkins, no “People’s World”, jornal ligado ao Partido Comunista dos EUA). Além do desastre na economia, a proposta incendiária de Trump reflete não só a crise do coronavirus, mas também a péssima administração da economia e sua irresponsável conduta para enfrentar a pandemia, quando o número de afetados ultrapassa 2,5 milhões de pessoas, e supera 200 mil mortes – e, pior, números que se mantém crescentes. Outro fator importante na conjuntura dos EUA é o uso de forças federais, em Portland (Oregon) para reprimir protestos de massa contra o racismo e a violência policial, que se repetem desde o assassinato, em maio, por um policial branco, do negro George Floyd, na cidade de Minneapolis.

Mesmo em quarentena, a campanha eleitoral continua e as pesquisas de opinião mostram uma vantagem substantiva para Joe Biden, o candidato democrata, que sinaliza uma grande vitória contra Trump, que disputa a reeleição. Biden já aparece, na intenção de voto popular, com mais de 14 pontos percentuais à frente de Trump – com mais de 50% das intensões de voto, enquanto Trump se mantém em torno de 30%. Lá, o voto para presidente não é direto – os eleitores votam no partido (os maiores são o Democrata e o Republicano), para formar o colégio eleitoral que escolhe o presidente. Daí porque um candidato pode ter mais votos populares, mas se não tiver a maioria dos delegados, pode perder a eleição no colégio eleitoral. Mas, neste ano, tudo indica que Joe Biden poderá ter vantagem no voto popular e no colégio eleitoral. Daí a reação de Trump, no sentido de tentar manipular a eleição para eventualmente manter o poder.

O alarme provocado entre os setores democráticos, registrado pelo comentarista C.J. Atkins , no “People’s World”, decorre da compreensão de que, com sua atitude, Trump estaria preparando um golpe de Estado – sua proposta faria parte de uma estratégia para desmoralizar a eleição e permitir a ele não aceitar uma eventual derrota no voto, como fraudulenta – um pretexto para não aceitar o resultado.

As reações contra a proposta de Trump foram múltiplas. O historiador Michael Beschloss, por exemplo, ouvido pelo Guardian, esclareceu que “nunca na história dos EUA – nem mesmo na Guerra Civil e na Segunda Guerra Mundial – houve uma mudança bem-sucedida” de adiar a eleição presidencial.

No Congresso, mesmo os republicanos se distanciaram da proposta de Trump. O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, disse que a data da eleição é “imutável”. O senador Marco Rubio disse: “Eu gostaria que ele não tivesse dito isso, mas não vai mudar: vamos ter uma eleição em novembro”. Lindsey Graham, normalmente apoiador de Trump, disse não achar que o tweet de Trump sobre a eleição fosse “uma ideia particularmente boa”. Mesmo o secretário de Estado de Trump, Mike Pompeo, aparentemente pôs-se à margem da proposta de Trump. Ele comparecia perante o comitê de relações exteriores do Senado no momento em que o tuíte de Trump foi publicado, e tentou evitar perguntas sobre se o presidente tinha autoridade para adiar a eleição. “Não vou entrar com um julgamento legal em tempo real”, disse Pompeo. “O departamento de Justiça e outros farão essa determinação legal.”

O alarme foi registrado na manchete de “People’s World”, da edição do dia 30, onde diz: “A proposta de Trump para adiar a eleição é o ato preparatório de um golpe”, e acusou: “Trata-se de um ataque frontal à democracia americana”. E apela: o golpe deve ser barrado “por uma votação esmagadora contra o Partido Republicano” em 3 de novembro. Segundo o jornalista C.J. Atkins, a alegação de Trump, de que o voto pelo correio pode gerar fraude (embora não existam evidências disso) “é outra parte do esquema do Partido Republicano para reduzir o número de pessoas que votam – especialmente entre comunidades de cor, imigrantes e jovens.” E continua: “Trump e sua cabala planejam vários cenários para manter o poder, quer ele ganhe ou não”. Se houver “uma pequena margem, seja a favor de Trump ou a de Biden, Trump pode se declarar vencedor”, com amplo apoio da mídia de direita.

E apela aos eleitores para votarem em massa, em 3 de novembro: “democracia dos EUA será defendida e os dias do possível ditador na Casa Branca estarão contados.”

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/donald-trump-ameaca-nao-reconhecer-o-resultado-da-eleicao-de-novembro/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=donald-trump-ameaca-nao-reconhecer-o-resultado-da-eleicao-de-novembro

Bolsonaro repete a tragédia de Donald Trump

Os números impressionam, mas são reais. A economia dos Estados Unidos retraiu no segundo trimestre no ritmo mais acentuado desde a Grande Depressão, com queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 32,9% em taxa anualizada no trimestre passado. É o mais forte declínio desde que a medição começou a ser feita, em 1947, de acordo com o Departamento do Comércio norte-americano. A taxa na comparação entre os trimestres foi de uma queda de 9,5%.

 

A pandemia de Covid-19 teve forte influência, com redução drástica dos gastos dos consumidores e das empresas, mas pesam também os fundamentos da economia daquele país. Como disse o presidente do Federal Reserve – o Banco Central norte-americano, que recentemente manteve a taxa de juros perto de zero e prometeu continuar injetando dinheiro na economia (grande parte retida no circuito financeiro) –, Jerome Powell, a recuperação dependerá de políticas públicas de apoio.

Já se fala em pressão sobre a Casa Branca e o Congresso para fechar um segundo pacote de estímulo. Os pedidos de auxílio-desemprego voltaram a subir, um sinal perturbador de que a economia sente o aumento dos casos de coronavírus. Com o agravante de que as medidas preventivas, como o distanciamento social e a higienização sistemática, não estão sendo aplicadas com o rigor necessário, resultando em alta taxa de infecção, o que significa que o crescimento econômico não consegue ganhar força.

Com o mercado de trabalho enfraquecido – cerca de 30 milhões de pessoas, aproximadamente um em cada cinco trabalhadores norte-americanos, estão obtendo benefícios aos desempregados –, a demanda sofre redução drástica. Há ainda o término próximo da ajuda aos desempregados – que, se for prorrogado, deverá ser reduzida de US$ 600 para US$ 200 –, assim como os empréstimos a pequenas empresas que pouparam trabalhadores de demissões.

Muitos norte-americanos começam a ficar sem condições de pagar por comida, assistência médica, aluguel e outras contas. Como registrou o jornal The New York Times em editorial:

 
ao não conter o coronavírus, os Estados Unidos estão permitindo que o que começou como uma interrupção temporária da vida econômica cause danos duradouros à prosperidade e às perspectivas do país”.
 
 
 

As consequências já se revelam dramáticas. As previsões são de que 22% das famílias não podem mais pagar aluguel ou hipoteca. Os limites temporários de despejo, impostos nas primeiras semanas da crise, estão gradualmente terminando e um número crescente de credores e proprietários está tentando despejar os que não podem pagar. De acordo com o editorial, os Estados Unidos estão prestes a presenciar despejos em massa de famílias de baixa renda.

Para o Brasil, o dado grave é o seguidismo cego desse modelo pelo governo Bolsonaro. Além de atrapalhar a implementação das medidas de auxílio emergencial aos que ficaram sem fonte de renda, o socorro às empresas mais vulneráveis do espectro econômico e a compensação tributária aos estados e municípios, o governo propõe mais um arrocho na economia com sua proposta de “reforma” tributária, que sacrifica sobretudo as empresas de menor porte e beneficia o setor financeiro.

Com esses dados, fica demonstrado que a retomada do crescimento econômico só pode ser alcançada com o controle da pandemia. A conclusão é inescapável: as condutas de Donald Trump e Jair Bolsonaro – que age de maneira mimética em relação ao chefão da Casa Branca – resultam em crescimento das vítimas da Covid-19, ao mesmo tempo em que aumentam a recessão, além de atrasar e dificultar a retomada do crescimento.

 

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/bolsonaro-repete-a-tragedia-de-donald-trump/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=bolsonaro-repete-a-tragedia-de-donald-trump

EUA instalam sistemas de detecção de fraudes eleitorais em todos os estados

Em Westminster, no estado do Colorado, EUA, um eleitor deposita seu voto em uma urna durante as eleições legislativas norte-americanas, em 4 de novembro de 2014.
© REUTERS / Rick Wilking

Nesta segunda-feira (3), o chefe de segurança cibernética do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Christopher Krebs, afirmou que o país instalou sistemas de detecção de fraude eleitoral em seus 50 estados.

Krebs afirmou ainda, durante um evento virtual, que os EUA estão em melhores condições para frustrar fraudes eleitorais ou interferências deliberadas nas eleições presidenciais de 2020. As eleições deste ano terão uma disputa entre o democrata Joe Biden e o republicano Donald Trump, que tenta a reeleição.

"Temos uma prática vibrante de segurança nas eleições [...] com sistemas de detecção de inferência implementados em 50 estados", disse Krebs em uma entrevista virtual realizada pelo Wilson Center nesta segunda-feira (3).

Na semana passada, oficiais de inteligência dos EUA realizaram briefings classificados sobre segurança nas eleições para membros da Câmara. A palestrante Nancy Pelosi disse na sexta-feira (31) que a comunidade de inteligência informou aos legisladores que a Rússia está se intrometendo nas eleições norte-americanas, como fizeram em 2016.

Donald Trump faz discurso de 4 de julho na Casa Branca

 

© AP Photo / Patrick Semansky
Donald Trump faz discurso de 4 de julho na Casa Branca

A Rússia negou repetidamente quaisquer interferências no sistema político dos EUA, dizendo que tais atos são contrários aos princípios da política externa do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020080315900222-eua-instalam-sistemas-de-deteccao-de-fraudes-eleitorais-em-todos-os-estados/

A guerra tecnológica dos EUA à China e a batalha do 5G

por Prabir Purkayastha

 A guerra tecnológica dos EUA contra a China continua, com a proibição de equipamentos chineses na sua rede e pedidos aos seus parceiros dos Cinco Olhos e aliados da NATO para seguirem o seu exemplo. É um regime de negação do mercado da tecnologia que procura reconquistar o mercado que os EUA e países da Europa perderam para a China.

O comércio internacional assumia que bens e equipamentos poderiam ser provenientes de qualquer parte do mundo. A primeira violação deste esquema foi a rodada anterior de sanções dos EUA à Huawei no ano passado, de que qualquer empresa que use 25% ou mais de conteúdo estado-unidense tem de obedecer às regras de sanções dos EUA. Isso significava que o software e os chips dos EUA, baseados em desenhos dos EUA, não podiam ser exportados para a Huawei. A última rodada de sanções dos EUA, em Maio deste ano, amplia o alcance das sanções dos EUA para cobrir quaisquer bens produzidos com equipamento estado-unidense, estendendo sua soberania muito além das suas fronteiras.

Nas últimas décadas da globalização do comércio, os EUA terciarizaram cada vez mais a manufactura para outros países, mas ainda retiveram o controle sobre a economia global através do seu controle sobre as finanças globais – bancos, sistemas de pagamento, seguros e fundos de investimento. Com a nova série de sanções, revelou-se uma outra camada de controle dos EUA sobre a economia global: seu controle sobre a tecnologia, tanto em termos de propriedade intelectual como em equipamento para a fabricação de chips.

A nova sanção comercial que os EUA impuseram viola as regras da OMC. Assim, a razão porque os EUA estriparam a OMC, recusando-se a aceitar novas nomeações para o Tribunal de Solução de Disputas, torna-se clara: A China não pode levar as sanções ilegais dos EUA à OMC para uma solução da disputa, pois o órgão de solução das mesmas foi virtualmente extinto pelos EUA.

A batalha acerca do 5G e da Huawei tornou-se o terreno da guerra tecnológica EUA-China. Espera-se que o próprio mercado de redes 5G atinja 50 mil milhões de dólares em 10 anos, mas impulsionará a muitas vezes mais do que isso – milhões de milhões de dólares de produto económico – com as redes 5G. Qualquer empresa ou país que controle a tecnologia 5G terá uma vantagem sobre os outros neste espaço económico.

Para entender a guerra tecnológica sobre o 5G precisamos entender o seu papel. A internet é o fundamento sobre o qual serão implantadas quase todas as futuras tecnologias digitais. As redes 5G aumentam a velocidade da Internet sem fios em dez a quarenta vezes. Para os consumidores, a velocidade lenta da Internet é o estrangulamento de numerosas aplicações, tais como videoconferências, jogos online que permitem jogos com múltiplos jogadores, em que as velocidades de carregamento e descarregamento precisam ser altas. Esta é a diferença de consumir vídeos pela Internet, como o Netflix, onde apenas as velocidades de descarregamento são importantes. As redes 5G também permitiriam que a Internet de alta velocidade fosse implantada numa área muito maior e nos nossos dispositivos móveis.

As outras duas áreas que se beneficiariam do 5G são os carros sem condutor e a Internet das Coisas (Internet of Things, IoT), nos quais todos os nossos aparelhos conversarão uns com os outros pela Internet sem fios. Se bem que os carros sem condutor ainda estejam a alguma distância, a IoT poderia ser muito mais importante para melhorar a eficiência e manutenção da infraestrutura física de electricidade, semáforos, sistemas de água e esgotos em futuras "cidades inteligentes".

O G nas redes de telecomunicações refere-se a gerações – e cada geração de tecnologia de comunicações sem fios significa aumentar a quantidade de informações que as ondas de rádio transportam. As redes 5G são muito mais rápidas que as redes 4G equivalentes e suportam um número muito maior de dispositivos numa determinada área. O preço é que, ao contrário dos actuais 3G e 4G, o 5G não pode percorrer longas distâncias e precisa de vários saltos repetidos, ou células e antenas, para percorrer a mesma distância. Uma rede 5G pode fornecer as mesmas velocidades que uma rede de cabos de fibra óptica, sem o alto custo da cablagem física. Ela pode, portanto, alcançar centros populacionais menos densos, incluindo áreas rurais, com internet de alta velocidade a custos muito mais baixos.

Quem são os outros actores no espaço 5G? Os demais actores principais além da Huawei são Samsung (Coreia do Sul), Nokia (Finlândia), Ericsson (Suécia) e ZTE (China). Embora os EUA não tenham grandes actores ao nível de equipamentos de rede, possuem a Qualcomm que fabrica componentes e conjuntos de chips (chipsets) sem fios e a Apple que hoje é líder no mercado de smartphones.

As sanções dos EUA haviam anteriormente atacado a Huawei usando sua posição dominante em software. O Android do Google impulsiona a maior parte dos celulares da China, bem como a maior parte dos celulares não Apple. Nos chips semicondutores, actualmente os processadores ARM têm uma posição de liderança, com a maioria das empresas que exigem processadores avançados a passarem da Intel para o ARM. O ARM, uma empresa britânica, mas pertencente ao SoftBank do Japão, não fabrica chips por conta própria, mas fornece desenhos para núcleos que entram nos processadores. Estes são então licenciados a empresas como Huawei, Qualcomm, Samsung e Apple, que desenham seus processadores com base em 2, 4 ou 8 núcleos ARM e os fabricam em fundições de silício. Estes processadores movimentam equipamentos de redes móveis, telefones celulares ou os laptops dos diferentes fabricantes.

As fundições de silício que fabricam os actuais chips de processador a partir de desenhos da Huawei, Samsung ou Apple são fábricas como a Taiwan Silicon Manufacturing Company (TSMC), a maior do mundo, com 48% do mercado global. A Samsung também possui uma fundição de silício de alta capacidade, com 20% do mercado global. Ela usa a instalação cativa para as suas necessidades e também para outros fabricantes. A China possui a quinta maior fundição de silício do mundo, a Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC), mas é apenas um décimo da dimensão da TSMC. Só a TSMC e a Samsung possuem tecnologia de 7 nanómetros (dimensão do transístor nos chips), ao passo que a SMIC possui actualmente uma tecnologia de 14 nanómetros.

O ataque anterior dos EUA à Huawei e à China proibindo o software dos EUA significa que a Huawei teve de mudar do Android e de vários aplicativos que cavalgavam o sistema Android na loja de aplicativos do Google. Ela previu antecipadamente este ataque e criou o seu próprio sistema operacional, o HarmonyOS, e a sua própria loja de aplicativos. Como os seus utilizadores actuariam sem a loja de jogos do Google, ainda está para ser visto. Isto depende de os desenvolvedores de aplicativos mudarem para a Huawei em número suficientemente grande e da qualidade dos fabricantes de aplicativos chineses que já deram provas no mercado chinês.

Inicialmente, pensou-se que os processadores ARM não estariam disponíveis para a Huawei no futuro. Isso levantou um ponto de interrogação acerca dos equipamentos Huawei, pois dependem dos processadores ARM para equipamento de rede, telefones celulares e laptops. A ARM suspendeu inicialmente todas as vendas futuras dos seus processadores para a Huawei, pois os EUA alegavam que ela tinha mais de 25% de conteúdo estado-unidense e, portanto, enquadravam-se no regime de sanções dos EUA. Posteriormente, a ARM chegou à conclusão de que o seu conteúdo estado-unidense é inferior a 25% e, portanto, não está sujeito às sanções dos EUA.

Foi isto que precipitou as novas sanções que os EUA impuseram, que qualquer equipamento de origem norte-americana, se for usado para produzir componentes ou sistemas para a Huawei, também estará dentro de seu regime de sanções. A TSMC usa máquinas originárias dos EUA para a fabricação de chips. A Samsung possui uma mistura de máquinas americanas e não americanas para suas linhas de fabricação e poderia, se quisesse, trocar pelo menos algumas dessas linhas para usar apenas máquinas não americanas para a sua fabricação. Isto deixa uma janela para a Huawei vencer as sanções dos EUA, desde que a Samsung esteja disposta a fazer parceria com a Huawei.

Se a Huawei tiver de depender apenas de fontes internas, isto afectará a sua produção futura. Ela possui um stock acumulado de possivelmente 12 a 18 meses de chips fabricados, de modo que esse é o prazo que tem para um [encontrar] um novo fornecedor ou utilizar uma tecnologia menos densa – 10 ou 14 nanómetros .

Para o mercado 5G, a fabricação de 7 nanómetros pode não ser o decisor. A Huawei tem uma liderança significativa em rádios e antenas, que são os componentes chave da rede 5G. As redes 5G dependem do que é chamado de antenas MIMO (Massively Multi-input Multi-output), em que a Huawei está muito à frente dos outros. Isto, mais do que o tamanho do processador, pode decidir a vantagem técnica das ofertas da Huawei. A Nokia e a Ericsson estão a utilizar chips Intel que não estão à altura dos processadores ARM. E com o apoio da Huawei, o SMIC da China pode ser capaz de mudar rapidamente para uma tecnologia de 10 nanómetros, reduzindo o fosso entre os seus processadores e os dos outros.

A Huawei ainda tem algumas cartas para jogar, uma delas é ceder à Samsung o mercado de celulares avançados (high end) para acesso à fabricação de chips. E a Huawei é praticamente o único actor do mundo que pode fornecer uma solução 5G completa e instalá-la muito mais rapidamente do que os outros. Actualmente, o seu mercado interno é maior do que todos os outros mercados 5G do mundo somados, com o que ela pode impulsionar o seu crescimento.

Certamente não é um jogo acabado para a Huawei, como muitos outros analistas de tecnologia estão concluindo. Eles já declararam jogo acabado mais de um par de vezes, uma vez sobre a negação do sistema Android do Google, posteriormente com a proibição do processador ARM. Com esta proibição, se bem que os EUA tenham assegurado alguma vantagem temporária para outros actores ocidentais, criaram também um incentivo para a maior parte dos fabricantes de fora dos EUA se afastarem dos equipamentos estado-unidenses.

Portanto, é um jogo extremamente disputado para a Huawei e a China na guerra tecnológica. São as maiores forças da política económica que decidirão esta guerra. Tal como em qualquer outra guerra, não é uma batalha numa arena que decidirá a guerra. O 5G é apenas um teatro de batalha, existem muitos outros campos de batalha que decidirão o futuro desta guerra. E em muitos deles, a China detém as cartas.

02/Agosto/2020

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/eua/guerra_do_5g.html

EUA | Mentir e roubar

"OMNE de Trump procura a todo o custo um conflito de grandes proporções para travar o declínio dos EUA. A política dos EUA é, desde há muito, uma permanente demonstração de força bruta e ilegalidade. Hoje faz lembrar a Alemanha Nazi nas vésperas da II Guerra Mundial."

Jorge Cadima * | opinião

Enquanto os EUA se afundam na crise do Covid-19 e o seu povo se insurge nas ruas contra décadas de crescente miséria, violência policial sem limites e discriminação racial, o MNE de Trump procura a todo o custo um conflito de grandes proporções para travar o declínio dos EUA. A política dos EUA é, desde há muito, uma permanente demonstração de força bruta e ilegalidade. Hoje faz lembrar a Alemanha Nazi nas vésperas da II Guerra Mundial.

 

Falando na Biblioteca Nixon sobre «A China comunista e o futuro do mundo livre» (23.7.20), Pompeo confessa que a política dos EUA face à China no último meio século visava a subversão, mas fracassou: «o relacionamento que visávamos não trouxe o tipo de mudanças no seio da China que o Presidente Nixon esperava induzir». Após décadas a afirmar que a China progredia porque se tinha convertido ao capitalismo, mudam de ideias: «talvez tenhamos sido ingénuos sobre a virulência da estirpe de comunismo da China» diz Pompeo. «Temos de manter presente que o [PC da China] é um regime marxista-leninista. […] A América não pode continuar a ignorar as diferenças políticas e ideológicas fundamentais entre os nossos países, tal como o PCC nunca as ignorou». Irado com os êxitos da China, Pompeo entra em delírio. Faz parte do governo que mais tratados internacionais rasgou, mas proclama: «Beijing ameaça os acordos internacionais». As forças armadas dos EUA estão, às centenas de milhar, em bases espalhadas por todos os continentes, mas Pompeo vê um «império chinês».

 

 

 

Os EUA atacam quase todos os países e as suas empresas - mesmo de aliados - confiscam os bens da Venezuela, assaltam as propriedades diplomáticas da Rússia, Venezuela e China, mas Pompeo declara: «estou esperançado porque o PCC repete alguns dos erros cometidos pela União Soviética – alienando potenciais aliados, quebrando a confiança dentro e fora do país, rejeitando os direitos de propriedade e o Estado de Direito». Afirma: «se há algo que aprendi, é que os comunistas mentem quase sempre». Mas foi Pompeo que, na Universidade A&M do Texas (15.4.19), declarou para grande gáudio da sua assistência: «Fui Director da CIA. Mentíamos, vigarizávamos, roubávamos. Tínhamos cursos de formação inteiros sobre isso». E após os risos e aplausos da assistência acrescentou em tom sério: «Isso faz-nos reflectir sobre a glória da experiência americana»!

Alguém pode pensar que Michael «minto, vigarizo, roubo» Pompeo precisa dum espelho. Mas o problema é mais fundo. Esta é a face eterna das potências imperialistas: mentir, roubar … e matar para enriquecer. Pompeo e todos os imperialistas têm saudades dos tempos em que a China era um país prostrado pelo ópio que o Império Britânico para lá traficava em larga escala, a partir da sua colónia indiana e que em meados do Século XIX representava 15% das receitas coloniais e 31% das exportações da Índia (Chossudovski, globalresearch.ca, 25.6.20). Após duas Guerras do Ópio para defender essa «liberdade comercial», nas ‘concessões’ coloniais arrancadas pelas potências imperialistas à China afixavam-se cartazes proibindo a entrada nos jardins «a cães e chineses» (e por essa ordem…). A pilhagem foi sempre o único «valor ocidental». E o ataque à China continuará, qualquer que seja o resultado das eleições presidenciais nos EUA.

 

*O Diário.info

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/eua-mentir-e-roubar.html

As sete guerras que os Estados Unidos movem contra a China

O professor Lejeune Mirhan analisa o atual estágio da rivalidade entre os Estados Unidos e a China, um conflito em sete frentes, que ainda não pode ser caracterizado como uma "guerra quente", mas se torna cada vez mais intenso

 

 

Quando usamos o termo “guerra”, a primeira imagem que nos vêm à mente são as duas guerras mundiais, muitos tiros, mortes, bombardeios. Da mesma forma quando falamos em golpe, nos vêm à mente militares derrubando governos, torturando pessoas, prendendo opositores. Mas não é mais assim. Golpes dão-se hoje com engravatados do sistema judiciário e parlamento. E guerras se fazem de muitas formas sem que um tiro seja disparado. É disso que trataremos neste artigo. Das várias agressões, das mais variadas formas, que os EUA movem contra a República Popular da China

Introdução

Quando Mao Zedong proclamou a República Popular da China em 1º de outubro de 1949, aquele país era semi feudal. Um país agrário em mais de 80%, com poucas indústria. Mao governou até sua morte em 1976, quando instaura-se na China a chamada era “Deng Xiaoping”. A partir da década de 1990, quando a China cresceu 7% em 1999, de lá para cá, jamais cresceu em taxas menores que essa. Chegou a crescer em 2007 a uma taxa de 11,9%, quando boa parte do mundo jamais ultrapassava os 3%.

Após a morte de Deng em 1997, a China entra em um período de governantes com mandatos de cinco anos, com direito à reeleição, que dirigiram ao mesmo tempo o Partido Comunista da China, entre eles Hua Guofeng, Jiang Zemin, Hu Jintao e o atual Xi Jinping, que tomou posse em 2013 e governará a China até 2023, podendo obter mais mandatos, já que a constituição foi modificada. Não é objeto deste artigo estudar a China em particular, menos ainda seu sistema econômico que, alguns equivocados no Ocidente, dizem ser “capitalista” (sic).

A ascensão da China, que hoje já é a maior economia, levando-se em conta o PIB medido pelo poder de paridade de compra (1), passou a ser a questão central na política externa estadunidense. Particularmente desde 2009, quando Obama toma posse em janeiro, o objetivo era “conter a China’, ou seja, tudo deveria ser feito para impedir o crescimento da China. Nesse sentido, iniciam-se os vários tipos de guerra, que pretendo descrevê-las a seguir.

1. A Guerra Comercial

Antes mesmo da China ser admitida na OMC – Organização Mundial do Comércio em dezembro de 2001 – após 15 anos de muita negociação e tentativa de bloqueio pelos EUA – os EUA tudo faziam para impedir que o gigante asiático pudesse crescer e ofuscar o capitalismo ocidental. Derrotado por ampla margem na OMC, nesses quase 20 anos o que mais se viu por parte dos Estados Unidos foi a imposição de taxas e tarifas em produtos chineses que chegam ao mercado norte-americano. Violando inclusive, várias regras da própria OMC e do chamado “livre comércio”.

O superávit chinês faz com que a China tenha trilhões de dólares para aplicar em várias partes do mundo. Os dados disponíveis são de que ela já tenha aplicado mais de dois trilhões de dólares em mais de 160 países espalhados pelos continentes africano, europeu, latino-americano (180 bilhões de dólares) e asiático. Até mesmo nos Estados Unidos, a China tem aplicado em títulos do tesouro mais de um trilhão de dólares. Isso faz alguns autores dizerem que, se um dia a China pedir de volta esse dinheiro todo, poderia causar uma hecatombe nuclear no sistema financeiro internacional (2).

 

Acredito que a maioria das pessoas não sabem que países como Portugal, Grécia e Itália já caíram nos braços da China, estabelecendo contratos e acordos que deixam irritados os EUA. A própria Alemanha já negocia diretamente com a China. Hoje a economia europeia é mais dependente da China do que dos EUA. Mesmo o comércio em dólar vai caindo a níveis bastante drásticos. No caso do comércio bilateral entre China e Rússia, nunca havia se chegado ao nível mais baixo que o atual nas relações envolvendo o dólar.

A China abre no mundo o que os analistas chamam de Novas rotas da seda (3). O grande projeto mundial chinês é hoje denominado One belt, one way (Um cinturão, um caminho). Em 2013, um relatório do Departamento de Defesa dos EUA menciona pela primeira vez a existência de um “colar de pérolas” chinês, em uma alusão às iniciativas políticas e militares da China que tem por objetivo proporcionar à marinha chinesa – que já é a segunda do mundo hoje – acesso fácil à portos estratégicos nas grandes rotas petrolíferas nos mares Vermelho (estreito de Bab el Mandeb), Arábico, do sul da China (estreito de Malaca) e no golfo Pérsico (estreito de Ormuz), que serviriam para reabastecimento (4).

Mais recentemente, a China estabeleceu com a República Islâmica do Irã um acordo de longo prazo – por 25 anos – que poderá envolver até 500 bilhões de dólares (5). Exemplo do que o Irã fez com a Venezuela, ou seja, dois países sancionados (de forma ilegal e unilateral, sem aval da ONU) pelos EUA, estabelecendo livremente acordos bilaterais à revelia do império estadunidense.

 

Lembremos que o Irã enviou no mês de maio cinco super petroleiros com mais de 1,5 milhão de litros de gasolina para ajudar a Venezuela, bem como enviou ainda insumos para funcionar suas refinarias e peças e válvulas que a República Bolivariana da Venezuela não estava conseguindo importar em função do bloqueio a que estão submetidos. Até uma rede de supermercados o Irã inaugurou na Venezuela no último dia 29 de julho, chamado Megasis.

O problema central dessa “guerra”, chama-se SWIFT, uma sigla que em inglês significa Society for a World Wide Interbank Financial Telecommunication (Sociedade Interbancária financeira em rede mundial de telecomunicações), cuja sede fica na Bélgica. Essa é uma instituição fundada em 1973 por 293 bancos de 15 países, muito antes da existência da Internet, que começou a atuar em 1977. Seu grande objetivo é a transferência de dinheiro (em dólar, claro) entre países, entre bancos e entre empresas.

Por esse sistema passam trilhões de dólares de praticamente todo o comércio exterior realizado no mundo. Hoje a SWIFT já tem 209 países participantes com mais de 10 mil instituições usuárias. Nada se faz sem esse mecanismo. Assim, países como Rússia, China, Irã e Venezuela – para ficarmos nos principais sancionados pelos EUA – praticamente não têm como realizar operações interbancárias sem usar esse mecanismo que só aceita transferência em moeda estadunidense (6).

A China iniciou testes de um novo modelo de transferências interbancárias em 2015. Foram 19 bancos chineses e de outros países. Participaram 176 instituições e pessoas de 47 países em todos os seis continentes. Essa instituição chama-se Cross-Borders Inter-Bank Payments Systems ou Sistema de Pagamentos Interbancários Fronteiriços. Ainda que tenha convênio com o SWIFT, é sempre uma nova alternativa que se apresenta (7).

De forma ainda muito tímida, a Europa iniciou os testes a partir de janeiro de 2019, de uma rede alternativa ao SWIFT, chamada de INSTEX (Instrument in Support of Trade Exchanges) ou Instrumento de Apoio às Trocas Comerciais. Ele funciona para transações que não são feitas em dólar e que não usam o sistema controlado pelos EUA. Ele vem sendo usado na Europa basicamente para os acordos comerciais com o Irã, em especial para a compra de seu petróleo (8).

2. A guerra tecnológica

Em um mundo onde se diz que vivemos a revolução industrial 4.0 – da medicina gênica, da inteligência artificial, a bioengenharia, da impressora 3D – essa acaba sendo uma das guerras principais. Em meados da década de 1990, quando aqui passou a vigorar o “real” como moeda estável, começaram a aparecer lojas de R$1,99. Todas elas com quinquilharias chinesas importadas. E era comum dizer que eram produtos “imitados”, baratos e de “segunda linha”. Isso faz parte de um passado completamente esquecido.

As maiores empresas do mundo passaram a abrir grandes plantas fabris na China, incentivados pelo próprio governo chinês. A maior fábrica da Apple, por exemplo, fica na China. A GM – a maior empresa do mundo, com quase um milhão de empregados e que se dizia em 2008 to big, to fail – (muito grande para falir), tem seu segundo maior mercado de carros na China, que encontra-se muito mais avançada que os EUA em diversos campos tecnológicos. Concorre diretamente em microchips, em tecnologias de celulares e até na corrida espacial como veremos mais à frente.

O caso mais emblemático está relacionado com a empresa de telefonia móvel chamada Huawei, que já disputa o primeiro lugar no mundo. Essa empresa consegue produzir um celular com mais tecnologia e sofisticação que o celular da Apple, o Iphone. E o que é mais importante: pela metade do preço. Apoiar e promover essa empresa ou tentar destruí-la virou assunto de estado para os EUA e, claro, para a China, que a promove em todo o planeta.

Mas não é só isso. Está em disputa o mercado trilionário (em dólares, claro) da instalação da quinta geração de telefonia móvel, chamada 5G. A Huawei tem o melhor 5G do mundo. Na verdade, quase o único, já que os EUA não concluíram as suas pesquisas e desenvolvimento da nova geração. Mas, toda a sua máquina diplomática, militar e comercial, está empenhada para que países em todo o mundo não adotem o 5G chinês, que é melhor e mais barato. Ou seja, é uma ação não para que se adote um modelo melhor que o 5G chinês, mas para que não se adote modelo algum, já que eles não têm um para oferecer.

Não poderia deixar de registrar na forma de um parênteses, a degradante situação onde o embaixador dos EUA no Brasil, o Sr. Todd Chapman declarou no dia 29 de julho que se o Brasil adotasse a tecnologia 5G chinesa e permitisse a construção de uma fábrica da Huawei em nosso território que iríamos sofrer graves consequências (sic). Um governo soberano teria imediatamente chamado o embaixador a se explicar junto ao nosso ministério das Relações Exteriores. Mas, por aqui nada acontece porque nossa política externa é de subserviência aos EUA. E ficará tudo por isso mesmo.

Só para termos uma noção do significado dessa nova tecnologia – e nem quero falar em termos de velocidade impressionante para baixar programas e arquivos de qualquer dimensão – quero exemplificar com o recurso da telefonia quando vemos a pessoa com que falamos. Esse recurso é bastante comum hoje, pois todos os que têm o aplicativo chamado de WhatsApp (que por aqui popularmente conhecido como “Zap”).

A coisa mais comum hoje é “ligar com câmera”. Na nova tecnologia da Huawei – e também de outra fabricante chinesa de celulares, a Xiaomi – o ato de “ver” a pessoa com quem falamos passará por uma revolução. A pessoa com quem falamos será materializada em nossa frente como se nós a víssemos em tamanho real e a pudéssemos tocar a partir da projeção por um holograma. Isso já é possível a partir da tecnologia dos novos celulares Huawei.

3. A guerra ao coronavírus

Aqui é onde o disparate e as diferenças de ação ficam mais explícitas. A China – e diga-se de passagem, outros países socialistas também, que cuidam realmente da saúde de seus povos – praticamente erradicou e controlou a pandemia. Podemos ver esse disparate nos números mais recentes. Os dados instantâneos fornecidos pela Universidade John Hopkins mostram que a China permanece com 4.658 mortos pela Covid-19, enquanto nos EUA os mortos já chegam a 150.733, ou seja 32 vezes mais! (9).

Mas as diferenças não param por aí. Enquanto a China enviou para muitos países do mundo EPIs (Equipamentos de Proteção Individual para os profissionais de saúde), bem como enviou ventiladores pulmonares (respiradores artificiais) e tantas outras coisas, incluindo aí profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros – como Cuba faz com as suas brigadas médicas Henry Reeves, (candidata ao Nobel da Paz), os EUA se omitiram. Até mesmo a União Europeia deu as costas para a Itália quando esta mais precisou de ajuda (não por acaso a bandeira da UE foi arriada e a da China hasteada em Roma, na sede do governo italiano).

Mas, os chineses foram muito mais longe. Declararam total apoio à Organização Mundial da Saúde – OMS, um dos maiores organismos internacionais do sistema da Nações Unidas, aumentando inclusive seu aporte financeiro. E o que fez Donald Trump? Retirou-se da Organização sob críticas de que esta estava conduzindo muito mal a luta contra a pandemia (Washington respondia por 15% de todo o orçamento anual da OMS, com 893 milhões de dólares em um total de 2,8 bilhões de dólares) (10).

Não bastasse tudo isso, tanto Trump como este que se apresenta como “nosso” presidente e que atende pelo nome de Jair “Messias” (sic) Bolsonaro, acusaram de várias formas que o vírus poderia ter surgido na China e em um experimento de guerra bacteriológica. Um verdadeiro absurdo descartado pela comunidade científica do mundo. Chegaram – ambos os países – a até nominar o vírus de “comuna-vírus”.

Com todas essas atitudes e ações por parte dos EUA e as respostas que a China tem dado, mostram não só a sua superioridade moral, como a comprovação pelos números, de que todas as medidas que esse país adotou estão plenamente corretas. Trump deve pagar caro por tudo que não tem feito durante essa pandemia nas eleições de novembro próximo – se é que elas ocorrerão. Lá e aqui, pois a esta altura tenho sinceras dúvidas, que expressei anteriormente em artigo específico sobre a abstenção monstro que se avizinha por aqui.

4. A guerra naval

Quando eu era jovem, jogávamos um jogo chamado “Batalha Naval”, onde os participantes mencionavam números que diziam respeito à determinadas coordenadas em um papel quadriculado (para trabalhos matemáticos) e dizíamos o que havia nesses quadrantes (normalmente eram destroyers, contratorpedeiros, fragatas, submarinos e porta-aviões). Vencia quem afundava por completo as embarcações da “frota” do inimigo com seus “tiros” disparados por coordenadas matemática. Não sei se nossa juventude ainda joga esse jogo matemático de estratégia e inteligência. O que sei é que o mundo vive algo parecido em todos os mares e oceanos que existem na Terra (fala-se em “sete mares” e três oceanos).

A “senhora” dos mares no mundo há tempos deixou de ser a Inglaterra. Os Estados Unidos possuem hoje – indiscutivelmente – a maior armada do planeta. Ao todo são sete frotas navais totalmente operacionais (que são as frotas 2ª, 3ª, 4ª, 5ª; 6ª, 7ª e 10ª). No total eles possuem 430 navios de guerra, 3,7 mil aeronaves (fora os aviões da própria aeronáutica), 50 mil blindados (a maioria anfíbios) e 75 mil instalações militares espalhadas pelo mundo (11).

Não é objeto deste estudo nos aprofundarmos no poderio militar estadunidense. O certo é que cada uma dessas frotas navais é comandada por um vice-almirante, e tem como navio-principal um porta-aviões, cercados de pelo menos mais dez embarcações, cada uma delas para dar-lhe a devida proteção (essas belonaves são na prática aeroportos flutuantes, totalmente desprotegidos; cada um deles leva até 90 aviões e transporta seis mil marinheiros/as).

Apenas para efeitos de registro, qualquer ponto da terra está acessível a um ataque estadunidense feito a partir de um avião caça decolado de um desses porta-aviões espalhadas pelo mundo, em pelo menos 90 minutos. Uma ordem de ataque do presidente dos EUA faz com que esses aviões alcem voo de um porta-aviões, façam o seu ataque e retornem à mesma embarcação sem precisar de terra para pouco. É um poderio inimaginável.

Para entender a geopolítica mundial, tenho me aprofundado nos estudos militares, em especial os comparativos entre as várias forças nacionais em todo o mundo. Tenho usado o termo “Clube dos porta-aviões”, em alusão ao chamado “Clube Atômico”. Apenas nove nações possuem artefatos nucleares, como sabemos: EUA, Inglaterra, França, China, Rússia, Índia, Paquistão, Correia Popular e Israel – (ainda que este país jamais tenha admitido isso). E apenas nove também possuem porta-aviões, a saber: As mesmas seis primeiras do Clube Atômico e mais Espanha, Itália e Tailândia (registro que estes três últimos possuem pequenos porta-aviões, pois estes deslocam até 40 mil toneladas enquanto os outros deslocam acima de 90 mil).

Em linguagem militar, um porta-aviões projeta o maior poder naval que se pode imaginar. Os EUA possuem 11 porta-aviões operacionais, China, Índia e Reino Unido possuem dois enquanto Rússia e França apenas um cada (os outros três pequenos países possuem dois pequenos porta-aviões, cada um deles). No caso dos EUA, os dez primeiros em operações são da chamada classe Nimitz (nucleares), com catapultas (e não rampa para decolagem) e o 11º é da nova classe Gerald Ford (comissionado em 2017), maiores e mais modernos que substituirão os da classe Nimitz). Todos os porta-aviões de outros países são eletrodiesel (12).

Ainda que a China tenha mais navios que os EUA (512 no total), sua frota de aviões chega apenas a 700, ou seja, um quinto do que tem a marinha estadunidense. No entanto, o que desespera os Estados Unidos são as pretensões navais chinesas. Até 2023 deve entrar em operações o seu terceiro porta-aviões, que será nuclear e com lançamento dos aviões por catapulta (e não mais por rampa). Mas, até 2030, a China terá um total de sete porta-aviões, número esse jamais sonhado por qualquer outra nação e fabricados todos em território chinês.

O maior fator de tensionamento existente hoje nos mares e oceanos ocorre no chamado Mar do Sul da China, que banha basicamente, além da própria China, os países como Vietnã, Brunei, Filipinas e Malásia. A China reivindica sua soberania em uma região inicialmente chamada de Onze Raias, fixadas em 1º de dezembro de 1947, quase dois anos antes do triunfo da Revolução Popular. O primeiro ministro da jovem República Popular da China, Zhou Enlai, diminuiu para Nove Raias, que é o atual traçado do mar do Sul da China, que banha os quatro países acima mencionado (13).

É preciso registrar que a China não realiza exploração comercial nas chamadas Zonas Econômicas Exclusivas fixadas pelo UNCLOS (Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar) de cada um dos respectivos quatro países. Apenas ela exerce o seu direito à livre navegação com seus navios, comerciais e militares, por essas regiões, o que lhe é assegurada pelas leis internacionais.

Mas o gigante asiático fez muito mais que isso. A China transformou dois pequenos arquipélagos praticamente desabitados e sem nenhum valor comercial – as ilhas Paracel e Spratly, em verdadeiras cidades marinhas, com aeroportos, milhares de habitantes e postos governamentais. E, claro, instalou bases militares nessas localidades que lhes é de direito. E fez mais. Transformou atóis em ilhas artificiais, lá também instalando equipamentos militares para a sua defesa. Isso irritou profundamente os EUA, mas também o Japão, Austrália, os quatro países citados e até a Índia se sentiu incomodada (este país, governado pela extrema direita com o Brasil e os EUA, vem realizando exercícios navais com o Japão e os EUA no chamado Oceano Índico.

Ocorre que nesse mar do Sul da China está situada a ilha de Taiwan, que alguns países chamam de República da China (sic), que representou a China na ONU até 1971. Essa localidade é quase uma possessão estadunidense, sem autonomia alguma. É uma base militar, um local que os EUA fornecem imensas quantidades de armas.

Eu costumo dizer que Taiwan é para os EUA no Sul da China o que Israel é no Oriente Médio árabe. A menina dos olhos. O grande pavor dos EUA é que a ilha – que a China considera uma espécie de província rebelde, mas adota o chamado “um país, um povo e dois sistemas”, aconteça o mesmo que ocorreu em Hong Kong – volte a ser administrada integralmente pela China, possessão inglesa entre 1842 e 1997.

5. A guerra espacial

Na década de 1950, não se usava o termo “guerra”, mas sim “Corrida Espacial”. Era uma marcha desenfreada – e a ciência agradece – que era disputada entre a antiga URSS e os EUA. E nessa “corrida” (guerra), os primeiros três lances do jogo, por assim dizer, a União Soviética venceu. Foi a primeira a colocar em órbita um satélite artificial, o Sputnik. Mas foi também a primeira a colocar em órbita um animal – a cachorrinha Laica – e a primeira a colocar um ser humano orbitando nosso planeta – o cosmonauta Yuri Gagarin.

Hoje, os EUA não têm concorrente na “guerra/corrida espacial”. Ou pelo menos não tinha. No dia 23 de julho, o foguete chamado Longa Marcha 5Y4 decolou rumo à Marte, o planeta vermelho. E leva consigo uma cápsula que orbitará até fevereiro do ano que vem o planeta e em seguida aterrissará no mesmo, e de dentro dessa cápsula sairá um veículo do tipo rover para explorar o planeta, tal qual os EUA fazem desde 6 de agosto de 2012, com o seu rover chamado Curiosity (14).

A reação estadunidense tem sido, já há algum tempo, militar. Não por acaso, em 1º de setembro de 1982, os EUA criaram uma Força Espacial, à época ainda subordinada ao Comando Aereo Espacial dos EUA. A partir de 20 de dezembro de 2019, eles criaram a United States Space Force – Força Espacial dos Estados Unidos, com uma dotação orçamentária de oito bilhões de dólares e ficará subordinada ao Departamento da Força Aérea dos EUA. Sabem qual será a sua missão principal? Acertou quem disse Guerra Espacial! (15).

6. A guerra diplomática

Os recentes episódios de fechamento de consulados – da China no Texas e dos EUA em Shengdu – são apenas uma pequena parte aparente de uma guerra antiga que tem ocorrido na esfera diplomática. Temos que lembrar que entre 1949 – ano da revolução popular na China e 1971, quem representava a China nas Nações Unidas era a tal “República da China”, cuja sede ficava em Taiwan e era integrada pelos perdedores da revolução Chinesa, liderados por Chiang Kai-sheck (16).

A Assembleia Geral da ONU, reunida no dia 25 de outubro de 1971, por ampla maioria de votos (76 a favor – quase 60% – e 35 contra, com 17 abstenções e três ausências), aprovou a Resolução nº 2.758 que excluía a tal “República da China” (leia-se Taiwan) e indicava a República Popular da China como única e legítima representante do povo chinês junto ao sistema das Nações Unidas. Ainda hoje Taiwan é reconhecida por 15 estados-membros da ONU, incluindo o Vaticano (Observador).

O polêmico e controverso presidente Richard Nixon (que eliminou a paridade do dólar com o ouro e mandou espionar a sede do Partido Democrata, no Edifício Watergate, do famoso escândalo), propiciou uma atitude que chocou parte do mundo à época. Apesar dos EUA terem votado contra a expulsão de Taiwan como “representante” do povo chinês na ONU no ano de 1971, em 21 de fevereiro de 1972, o presidente Richard Nixon desembarca em Pequim, onde é recebido no aeroporto por Zhou En-Lai, então primeiro Ministro da República Popular da China. Ele irá ficar no país até o dia 28 e reunir-se-ia com o lendário Mao Zedong (que morreria quatro anos mais tarde, quando passaria o comando do país para o também lendário Deng Chiaoping).

Apesar da visita, a batalha pelo reconhecimento diplomático e a troca de embaixadores ainda duraria alguns anos. Ela ocorreria apenas na gestão do presidente Jimmy Carter. A partir de 1º de janeiro de 1979, os EUA romperiam relações diplomáticas com Taiwan e passariam a ter relações apenas com a República Popular da China, transferindo a sua embaixada da cidade de Taipé, em Taiwan, para Pequim. Isso ocorre quase 30 anos após a Revolução Popular em 1949.

Mas, nunca foram tranquilas essas relações. O próprio Congresso dos EUA aprovaria em abril desse mesmo ano, uma resolução que dava certos privilégios e oportunidades à Taiwan – que segue até hoje se apresentando como “República da China” (sic).

Essa ilha – considerada pela China como uma espécie de província rebelde, tem ínfimos 25 milhões de habitantes – perto dos quase 1,5 bilhão de habitantes da China continental –, mas é um verdadeiro arsenal de guerra, tamanha a quantidade de armamentos que os EUA fornecem para o governo taiwanês.

Isso, claro, sempre irritou a China e é motivo de constante tensão entre os dois países até os dias atuais. Tal qual como faz com Hong Kong, a China menciona esses dois casos como “um país, dois sistemas” (socialista e capitalista).

A China ingressou na Organização Mundial do Comércio no ano de 2001. No entanto, durante 15 anos, os EUA tudo fizeram para que isso não ocorresse. Sob o esdrúxulo argumento que não existiria na China o chamado “livre comércio”. Isso provou-se uma falácia, pois hoje o que mais dinamiza a economia chinesa é exatamente o imenso consumo interno, a partir de seu “socialismo de mercado” (conceito esse que boa parte da esquerda não consegue compreender). Os EUA, sempre que podem, representam contra a China em órgãos internacionais multilaterais, em especial na própria OMC.

O episódio mais recente de tensionamento e de “guerra diplomática” foi o fechamento do consulado chinês na cidade texana de Houston ocorrido no dia 22 de julho, sob o argumento que os diplomatas e servidores chineses que lá trabalhavam eram “espiões” (sic). Isso é risível, pois em qualquer lugar do mundo, em qualquer país, todos os funcionários diplomáticos de qualquer governo têm a função básica e primordial de coletar informações do país onde estão sediados para enviar ao seu país de origem.

A China retaliou na mesma proporção. Dois dias depois, no dia 24 de julho, determinou o fechamento do consulado estadunidense na cidade de Shengdu (cidade com 16 milhões de habitantes), situada na província de Sichuan.

É sempre bom lembrar que cada um desses países possui cinco consulados, agora reduzidos para quatro (e sabe-se lá quantos mais poderão vir a ser fechado). Não devemos nos esquecer que os serviços consulares estão muito mais ligados aos cidadãos diretamente, aos seus interesses pessoais, resoluções de problemas burocráticos, de forma que o fechamento de uma unidade consular causa sempre grandes transtornos.

Registro que esse tensionamento elevou-se a um grau máximo, desde que a pandemia iniciou em janeiro deste ano. Analistas internacionais afirmam que essa tensão estaría hoje nos níveis de 1971, quando da votação na ONU – com apoio dos EUA – para que Taiwan seguisse “representando’ o povo chinês.

7. A guerra das vacinas

Destaco, finalmente, o que venho chamando de “Guerra” ou “Corrida” das Vacinas. Separei esta “guerra” do “Guerra contra o coronavírus” de forma proposital e consciente. Isso porque há uma disputa no campo da ciência sobre quem será o primeiro país que apresentará para a humanidade, a sua vacina contra a Covid-19. É importante registrar que a imprensa noticia a existência de mais de 160 pesquisas em curso de vacinas em todos os continentes, mas que 25 dessas pesquisas já se encontram em fases finais de testes.

É bom lembrar que essa doença, que decorre da contaminação pelo vírus da família Corona, não tem absolutamente nenhuma cura conhecida e nenhum medicamento (fármaco) conhecido que possa ser consumido de forma segura para eliminar a doença. Não vou me deter sobre essa temática, por fugir de nosso foco no artigo (17).

Desde janeiro, quando apareceram as primeiras mortes e com a contagem de infectados e óbitos, feitos por diversos órgãos e universidades no mundo, iniciou-se a corrida a uma vacina. Os cientistas diziam sempre que isso demoraria até 18 meses para estar plenamente testada e se iniciar a imunização em massa da população mundial, ou seja, que antes de meados de 2021 não se poderia ter esperança de a humanidade ter uma vacina. E lembro que a vacina imuniza contra o vírus, mas não curará os que já estão infectados.

A produção de uma vacina tem que passar por várias fases e etapas. A última fase – chamada de fase 3 – é quando se testam em larga escala grandes contingentes populacionais (algumas chegam a testar em até 50 mil pessoas). Mesmo depois disso, é preciso analisar os resultados para se iniciar a produção. Mas, o aspecto da “guerra” que aqui quero debater é exatamente a concepção por trás dessa corrida às vacinas.

De um lado, temos os EUA injetando grandes contingentes de recursos financeiros para que a vacina da empresa farmacêutica Pfizer, que é a segunda maior empresa do setor do mundo (perde apenas para a Johnson & Johnson) e a 48ª maior empresa no planeta, esteja disponível em dezembro deste ano.

Donald Trump – que com Bolsonaro e Modi da Índia, são considerados os três piores governantes no enfrentamento da pandemia – já comprou antecipadamente 100 milhões de doses dessa (possível) vacina, que ainda nem se sabe se funcionará mesmo. Ou seja, a concepção dessa gente é que uma vacina não deve ser um patrimônio da humanidade, mas sim objeto de comércio e de lucros.

Do lado da China – e também da Rússia, registre-se – a descoberta de uma vacina não gerará o patenteamento, mas sim a concessão livre para que os países e laboratórios públicos em todo o mundo possam fabricá-la em larga escala para a imunização total de suas populações. Isso nada tem a ver com o comércio e a mercantilização da saúde, como os capitalistas neoliberais fazem.

A Rússia até tem procurado o Instituto Osvaldo Cruz no Rio de janeiro para estabelecer convênios para a fabricação da sua vacina. Veicula-se na imprensa que as doses dessas vacinas da Pfizer podem chegar a 30 ou mais dólares, um verdadeiro absurdo quando o custo real disso ficaria em centavos de dólares ou no máximo um dólar.

Nunca é demais lembrar o caso do Dr. Jonas Edward Salk, o médico virologista que descobriu a vacina contra a poliomielite, que até a década de 1950 era o maior pavor entre as famílias nos EUA e nos países do mundo pois, se a doença não matasse, deixava sequelas nos seres humanos, desde crianças, com paralisia de vários tipos e níveis. Dr. Salk, que dizia-se trabalhava 16 horas por dia para descobrir a vacina, ao ser perguntado se ele patentearia a sua vacina, ele teria respondido: “A quem pertence a minha vacina? Ao povo! Você pode patentear o sol?” (18).

Aqui por estas bandas brasileiras, ao que tudo indica, o “governo” brasileiro deverá se associar aos Estados Unidos e adquirir a vacina da Pfizer, desprezando as vacinas chinesas ou mesmo russa.

Conclusões

A China, no rumo da construção de um mundo multipolar, em oposição à unipolaridade que vivemos hoje, vive dois grandes dilemas e problemas na atualidade, por assim dizer. O primeiro deles é a ainda grande hegemonia do dólar como moeda principal e quase exclusiva no comércio exterior em todo o mundo. O segundo, é exatamente o sistema chamado SWIFT, controlado pelos EUA, que só realiza operações de transferências de grandes volumes financeiros na moeda estadunidense. Esse sistema não aceita euros, yuan, iene ou mesmo rublos. E os outros dois sistemas alternativos a ele ainda são absolutamente insuficientes, ainda que eles já aceitem outras moedas nas transferências interbancárias.

Nesse sentido, segundo estudiosos de economia chinesas e ligados ao PC da China, o gigante asiático socialista adotará duas importantes medidas: 1. Internacionalizará ao máximo a sua moeda, o Yuan, procurando estabelecer comércios bilaterais com os países negociando com suas moedas locais e 2. Tudo fará para o chamado “desacoplamento” do dólar, ou seja, desdolarizar tudo que for possível, desindexar com relação à moeda estadunidense.

Não se sabe ainda se a China usará e mesmo procurará expandir o novo modelo europeu de pagamentos chamado INSTEX, criado basicamente para ser usado no comércio com o Irã. Ou se expandirá o outro modelo alternativo, o CIPS.

A China iniciou desde abril de 2019, os primeiros testes com a sua moeda digital, o Yuan Digital. Em abril de 2020, a experiência foi implantada nas grandes cidades Shenzhen, Suzhou, Shengdu e Xiong’na, cuja população recebeu uma carteirinha com o aplicativo que permite todos os pagamentos serem feitos com essa nova moeda digital. Até onde essa experiência chinesa vai desembocar ainda não se sabe. É provável que ela vá se expandindo para todo o país. E a diferença é que essa moeda teria um lastro e um governo que a apoie, completamente diferente da chamada “cripto moeda bitcoin”.

Há um forte debate na academia se essas guerras “sem tiros” possa desembocar mesmo em uma guerra “com tiros” e tudo o mais, nos moldes dos que foram as duas guerras mundiais anteriores (1914-1918 e 1939-1945).

O professor da Universidade de Harvard, Dr. Graham Alisson, produziu um artigo excepcional em setembro de 2015, mencionando o que ele chamou de “Armadilha de Tucídides”. Nesse trabalho ele indaga sobre a inevitabilidade de uma guerra real mesmo – “com tiros e com sangue” – entre os EUA e a China, relacionados com uma situação onde um país em ascensão passa a incomodar e ofuscar uma potência hegemônica em determinada época da história, como alertou o historiador ateniense por volta de 2.500 anos antes de nossa era atual.

Mas, esse será assunto para outro artigo em breve (18).

Notas de referência

  1. Veja no sitehttps://pt.wikipedia.org/wiki/Paridade_do_poder_de_compra. Vê-se claramente que a China tem um PIB de 23 trilhões de dólares, seguido pela União europeia, com 20 trilhões e os EUA com 19 trilhões.
  2. Dr. Alfredo Jalife emhttps://www.youtube.com/watch?v=8Ih71KvD8GA
  3. Sugiro a leitura do livro O coração do mundo – Uma nova história universal a partir da rota da seda, de Peter Frankopan, editora Crítica, 2019.
  4. Veja aqui mais detalheshttps://pt.wikipedia.org/wiki/Estrat%C3%A9gia_do_colar_de_p%C3%A9rolas
  5. Veja excelente artigo do Dr. Jalife publicado no Brasil por Outras palavras neste endereçohttps://bit.ly/2PavjZ2
  6. Veja detalhes emhttps://www.remessaonline.com.br/blog/o-que-e-a-taxa-swift/
  7. Vejam maiores informações emhttps://pt.qwe.wiki/wiki/Cross-Border_Inter-Bank_Payments_System.
  8. Veja maiores explicações emhttps://en.wikipedia.org/wiki/Instrument_in_Support_of_Trade_Exchanges
  9. Dados obtidos às 11h05 do dia 20/07/20 no sitehttps://coronavirus.jhu.edu/map.html. Para efeitos de comparação, por estas bandas nacionais morre-se 19 vezes mais que na China!
  10. Dados obtidos emhttps://bit.ly/2DfP3rs às 11h19 do dia 30 de julho de 2020.
  11. Detalhes podem ser obtidos aqui neste sitehttps://pt.qwe.wiki/wiki/United_States_Navy.
  12. Quem quiser saber de mais detalhes visitehttps://pt.wikipedia.org/wiki/Porta-avi%C3%B5es.
  13. Maiores detalhes emhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_das_nove_raias.
  14. Aos e às apaixonadas pelo espaço como eu podem assistir imagens ao vivo e em altíssima resolução do solo marciano podem ter acesso ao endereço:https://www.youtube.com/watch?v=rm88lveYadA.
  15. Vejam mais detalhes emhttps://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7a_Espacial_do_Estados_Unidos.
  16. Ver detalhes emhttps://bit.ly/30eUsYP.
  17. Tratei desse assunto em detalhes em um artigo onde estudei e comparei o vírus Corona atual, em sua especificação 19, com o vírus da Aids, com fartos dados e números comparativos, mostrando a mortalidade muito maior da Covid do que da própria Aids. Este trabalho pode ser lido aqui:https://bit.ly/3iVT4BP.
  18. Veja maiores informações emhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Jonas_Salk.
  19. Quem quiser ler desde já esse excepcional trabalho acadêmico pode acessar o endereçohttps://bit.ly/3ff4aie.

Adeus, Silicon Valley. Imigrantes do setor tecnológico estão a mudar-se para Toronto

Muitas pessoas da indústria tecnológica estão a escolher mudar-se para o Canadá, em vez dos Estados Unidos, devido às restritivas leis de imigração norte-americanas.

 

De acordo com o site Business Insider, dezenas de milhares de trabalhadores da indústria tecnológica decidiram mudar-se para Toronto nos últimos anos, fazendo com que a cidade canadiana seja o ‘tech hub’ que mais cresce na América do Norte.

Muitos deles estão a evitar propositadamente os Estados Unidos, onde se encontra a famosa Silicon Valley, uma vez que a administração Trump tem apostado em leis de imigração bastante restritivas.

No final de junho, por exemplo, o Presidente norte-americano suspendeu a emissão de novos vistos de trabalho e residência até 2021, nomeadamente os vistos H-1B, destinado a alguns trabalhadores qualificados, como desta indústria.

Mas, enquanto os EUA preferem fechar portas, o Canadá está a receber estas pessoas de braços abertos. Desde 2013, o número de empregos no setor da tecnologia em Toronto subiu de 148 mil para 228 mil, um aumento de 54%.

De acordo com um estudo de 2016, citado pelo mesmo site, 25% da força de trabalho do Canadá é composta por imigrantes. E, no setor tecnológico, esta percentagem é ainda maior: 40%, ou seja, 350 mil trabalhadores.

Além disso, a taxa de desemprego no setor é muito baixa (3%), quando comparada com a taxa geral de desemprego no país, que é de cerca de 12%.

O Canadá está a tentar atrair profissionais estrangeiros altamente qualificados através de programas de vistos como o Global Talent Stream, lançado em 2017. Especialistas em imigração dizem que é semelhante ao visto H-1B, mas muito melhor.

“É muito rápido. Demora cerca de duas semanas para concluir a primeira etapa. E, depois, a segunda etapa, que é a etapa da permissão de trabalho, demora mais duas semanas. Logo, é possível estar no Canadá num mês”, disse Blayne Kumar, fundadora da empresa de serviços de imigração Bright Immigration.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/imigrantes-tecnologia-mudar-toronto-338390

Visão negativa da China atinge alta histórica nos EUA, indica pesquisa

(Uma opinião sobre esta notícia:
É tão evidente que nos EUA se vão fomentando os passos para uma nova guerra...fria, esperemos)
Homem retirada placa do consulado dos EUA em Chengdu, na China
© REUTERS / Thomas Peter

A porcentagem da população dos EUA com uma visão desfavorável da China atingiu o mais alto índice dos últimos 15 anos e está em 73%, segundo pesquisa do Pew Research Center.

O número de pessoas com uma visão negativa de Pequim nos Estados Unidos aumentou 26 pontos percentuais desde 2018. Desde março, este número subiu sete pontos percentuais. O instituto de pesquisa afirmou que a pesquisa ocorre em um cenário em que "Joe Biden e Donald Trump fazem da China um ponto central da campanha antes das eleições presidenciais".

Além disso, cerca de 78% dos entrevistados atribuem à China grande parte ou justa parte da culpa pela disseminação global do novo coronavírus. Outros 20%, no entanto, acreditam que Pequim não é muito responsável ou nada responsável pela pandemia de COVID-19. 

Metade dos estadunidenses acredita que Washington deveria responsabilizar Pequim pela pandemia, ainda que isso signifique piorar as relações comerciais entre os dois países. Outros 38% acreditam que os Estados Unidos deveriam priorizar as relações das duas maiores economias do mundo, ainda que isso signifique ignorar o papel da China na pandemia. 

Quando perguntados se os Estados Unidos deveriam priorizar os direitos humanos na China ou as relações comerciais com Pequim,  73% dos entrevistados afirmou que a prioridade deve ser os direitos humanos, enquanto 23% disse que os laços comerciais são o mais importante. 

A pesquisa do Pew Research Center foi realizada entre adultos americanos de 16 de junho a 14 de julho.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020080215897480-visao-negativa-da-china-atinge-alta-historica-nos-eua-indica-pesquisa/

O cerne da questão no Mar do Sul da China

por Pepe Escobar [*]

Quando os grupos de ataque dos porta-aviões Ronald Reagan e Nimitz se envolveram recentemente em "operações" no Mar do Sul da China, não escapou a muitos cínicos que a Frota do Pacífico dos EUA estava a fazer todo o possível para transformar a teoria infantil da Armadilha de Tucídides numa profecia auto-cumprida.

A versão pro forma oficial, vinda do contra-almirante Jim Kirk, comandante do Nimitz, é que as operações eram conduzidas para "reforçar o nosso compromisso com uma ordem internacional livre e aberta no Índico-Pacífico, baseada em regras, para os nossos aliados e parceiros".

Ninguém presta atenção a estes clichês, porque a mensagem real foi apresentada por um operacional da CIA que posa como diplomata, o secretário de Estado Mike "Nós Mentimos, Nós Trapaceamos, Nós Roubamos" Pompeo. "A República Popular da China não tem bases legais para impor unilateralmente a sua vontade sobre a região", numa referência à Linha dos nove traços ( Nine-Dash Line ). Para o Departamento de Estado, Pequim utiliza nada menos que "tácticas de gangster" no Mar do Sul da China.

  Nine-Dash Line.

 

Mais uma vez, ninguém prestou atenção, porque os factos reais sobre o mar são muito claros. Qualquer coisa que se mova no Mar do Sul da China – a crucial artéria do comércio marítimo da China – está à mercê da Exército Popular de Libertação, o qual decide se e quando lançar os seus mortíferos mísseis "matadores de porta-aviões" DF-21D e DF-26. É absolutamente impossível que a frota do Pacífico dos EUA possa vencer uma guerra de tiros no Mar do Sul da China.

Interferidos electronicamente

Um relatório chinês crucial, não disponível e não mencionado pelos meios de comunicação ocidentais, traduzido pelo analista de Hong Kong Thomas Wing Polin, é essencial para entender o contexto.

O relatório refere-se a aviões de guerra electrónica Growler dos EUA tornados totalmente incontroláveis por dispositivos electrónicos de interferência (jamming) posicionados em ilhas e recifes no Mar do Sul da China.

De acordo com o relatório, "após o acidente, os Estados Unidos negociaram com a China, exigindo que a China desmantelasse imediatamente o equipamento electrónico, mas isto foi rejeitado. Estes dispositivos electrónicos são uma parte importante da defesa marítima da China e não são armas ofensivas. Portanto, o pedido de desmantelamento dos militares norte-americanos não é razoável".

Ainda melhor: "No mesmo dia, o antigo comandante Scott Swift da Frota do Pacífico dos EUA reconheceu finalmente que os militares americanos haviam perdido o melhor momento para controlar o Mar do Sul da China. Ele acredita que a China posicionou um grande número de mísseis de defesa aérea Hongqi 9, bombardeiros H-6K e sistemas electrónicos de interferência em ilhas e recifes. Pode dizer-se que a defesa é sólida. Se caças americanos irromperem no Mar do Sul da China é provável que encontrem ali o seu 'Waterloo'".

O resultado final é que os sistemas – incluindo a interferência electrónica – implantados pelo EPL em ilhas e recifes no Mar do Sul da China, cobrindo mais de metade da superfície total, são considerados por Pequim como parte do sistema de defesa nacional.

Anteriormente pormenorizei o que o almirante Philip Davidson, quando ainda era candidato à liderança do US Pacific Command (PACOM), disse ao Senado dos EUA. Aqui estão as suas Três Principais conclusões:

   1) "A China está a perseguir capacidades avançadas (por exemplo, mísseis hipersónicos) contra as quais actualmente os Estados Unidos não têm qualquer defesa. À medida que a China persegue estes sistemas avançados de armamento, as forças dos EUA em todo o Índico-Pacífico serão colocadas cada vez mais em risco".
   2) "A China está a minar a ordem internacional baseada em regras".
   3) "A China agora é capaz de controlar o Mar da China Meridional em todos os cenários excepto a guerra com os Estados Unidos".

Implícito em tudo acima está o "segredo" da estratégia Índico-Pacífico: na melhor das hipóteses um exercício de contenção, pois a China continua a consolidar a Estrada Marítima da Seda que liga o Mar da China Meridional ao Oceano Índico.

Recordem os nusantao

O Mar do Sul da China é e continuará a ser um dos principais pontos candentes geopolítico do jovem século XXI, onde será jogado uma grande parte do equilíbrio de poder Leste-Oeste.

Anteriormente tratei disto alhures com algum pormenor, mas um breve enquadramento histórico é mais uma vez essencial para compreender a actual conjuntura, no momento em que o Mar da China Meridional se assemelha e se sente cada vez mais como um lago chinês.

Vamos começar em 1890, quando Alfred Mahan, então presidente do US Naval College, escreveu o seminal The Influence of Sea Power Upon History, 1660-1783 . A tese central de Mahan é que os EUA deveriam se tornar globais em busca de novos mercados e proteger estas novas rotas comerciais através de uma rede de bases navais.

Este é embrião do Império de Bases dos EUA – o qual permanece em vigor.

Foi o colonialismo ocidental – americano e europeu – que propôs a maioria das fronteiras terrestres e marítimas dos Estados ribeirinhos do Mar do Sul da China: Filipinas, Indonésia, Malásia, Vietname.

Estamos a falar de fronteiras entre diferentes possessões coloniais – e isso implicou problemas intratáveis desde o início, posteriormente herdados pelas nações pós-coloniais.

Historicamente, sempre foi uma narrativa completamente diferente. Os melhores estudos antropológicos (de Bill Solheim, por exemplo) definem as comunidades semi-nómadas que realmente viajaram e comerciaram através do Mar do Sul da China desde tempos imemoriais como os Nusantao – uma palavra composta austronésia para "ilha do Sul" e "povo".

Os nusantao não eram um grupo étnico definido. Eram uma Internet marítima. Ao longo de séculos, tiveram muitos centros importantes, desde a linha costeira entre o Vietname central e Hong Kong até ao Delta do Mekong. Não estavam ligados a nenhum "estado". A noção ocidental de "fronteiras" não existia sequer. Em meados da década de 1990, tive o privilégio de encontrar alguns dos seus descendentes na Indonésia e no Vietname.

Assim, foi apenas no final do século XIX que o sistema westefaliano conseguiu congelar o Mar do Sul da China dentro de uma estrutura estática.

O que nos traz ao ponto crucial da razão porque a China é tão sensível acerca das suas fronteira; porque elas estão directamente ligadas ao "século da humilhação" – quando a corrupção interna e fraqueza chinesas permitiu que "bárbaros" ocidentais tomassem posse da terra chinesa.

Um lago japonês

A Linha dos nove traços (Nine Dash Line) é um problema imensamente complexo. Ela foi inventada em 1936 pelo eminente geógrafo chinês Bai Meichu, um ardente nacionalista, inicialmente como parte de um "Mapa da Humilhação Nacional Chinesa" na forma de uma "linha em formato de U" que abrangia o Mar do Sul da China até os Baixios James (James Shoal), que ficam 1500 km ao sul da China mas apenas a pouco mais de 100 km de Bornéo.

A Linha dos nove traços, desde o princípio, foi promovida pelo governo chinês – recorde-se que naquele tempo ainda não era comunista – como a letra da lei em termos de reivindicações "históricas" chinesas sobre ilhas no Mar do Sul da China.

Um ano depois, o Japão invadiu a China. O Japão havia ocupado Formosa já em 1895. O Japão ocupou as Filipinas em 1942. Isso significava que virtualmente toda a costa do Mar do Sul da China estava a ser controlada por um único império pela primeira vez na história. O Mar da China Meridional tornara-se um lago japonês.

Isso perdurou apenas até 1945. Os japoneses ocuparam a Ilha Woody na Paracels e Itu Aba (hoje Taiping) nas ilhas Spratlys. Após o fim da Segunda Guerra Mundial e do bombardeamento nuclear americano do Japão, as Filipinas tornaram-se independentes em 1946 e as Spratlys imediatamente foram declaradas território filipino.

Em 1947, todas as ilhas no Mar do Sul da China obtiveram nomes chineses.

E em Dezembro de 1947 todas as ilhas foram colocadas sob o controle de Hainan (ela própria uma ilha no sul da China). Novos mapas seguiram-se no momento devido, mas agora com nomes chineses para as ilhas (ou recifes, ou baixios). Mas há um enorme problema: ninguém explicou o significado daqueles traços (que originalmente eram onze).

Em Junho de 1947 a República da China reivindicou tudo no interior da linha – enquanto se proclamava aberta para negociar posteriormente fronteiras marítimas definitivas com outras nações. Mas, no momento, não existiam fronteiras.

E isso criou o cenário para a imensamente complicada "ambiguidade estratégica" do Mar do Sul da China que ainda persiste – e permite ao Departamento de Estado acusar Pequim de "tácticas de gangsters". O culminar de uma transição milenar da "Internet marítima" de povos semi-nómadas para o sistema westefaliano não significou senão perturbações.

Momento para um Código de Conduta

E quanto à noção estado-unidense de "liberdade de navegação"?

Em termos imperiais, "liberdade de navegação", desde a Costa Ocidental dos EUA até a Ásia – através do Pacífico, do Mar do Sul da China, do Estreito de Málaca e do Oceano Índico – é estritamente uma questão de estratégia militar.

A US Navy simplesmente não pode imaginar tratar com zonas de exclusão marítima – ou ter de pedir uma "autorização" toda a vez que precisam cruzá-las. Neste caso, o Império das Bases perderia "acesso" às suas próprias bases.

Isto é agravado pela paranóia do Pentágono, a jogar numa situação em que uma "potência hostil" – nomeadamente a China – decide bloquear o comércio global. A premissa em si própria é ridícula, porque o Mar do Sul da China é a principal e vital artéria marítima para a economia globalizada da China.

Portanto, não há justificação racional para um programa de Liberdade de Navegação (Freedom of Navigation, FON). Para todos os efeitos práticos, estes porta-aviões como o Ronald Reagan e o Nimitz, que se exibem dentro e fora do Mar do Sul da China, equivalem à diplomacia da canhoneira no século XXI. E Pequim não está impressionada.

Quanto às preocupações da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), com 10 membros, o que importa agora é elaborar um Código de Conduta (Code of Conduct, COC) para resolver todos os conflitos marítimos entre as Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei e China.

No próximo ano, a ASEAN e a China celebram 30 anos de fortes relações bilaterais. Há uma forte possibilidade de elas serem elevadas ao estatuto de "parceiro estratégico abrangente".

Devido ao Covid-19, todos os intervenientes tiveram de adiar as negociações sobre a segunda leitura da minuta única do COC. Pequim queria que todos estivessem frente a frente ?– porque o documento é ultra-sensível e por enquanto secreto. No entanto, finalmente concordaram em negociar online – através de textos pormenorizados.

Será uma árdua tarefa, pois como a ASEAN deixou claro numa cimeira virtual em finais de Junho, tudo tem de estar em conformidade com o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito dos Mares (UN Convention on the Law of the Seas, UNCLOS).

Se todos eles puderem concordar com um COC no fim de 2020, um acordo final poderia ser aprovado pela ASEAN em meados de 2021. O historial nem sequer chega a descrevê-lo – porque esta negociação está em curso há nada menos do que duas décadas.

Sem mencionar que o COC invalida qualquer pretensão dos EUA a assegurar "liberdade de navegação" numa área em que a navegação já é livre.

Mas a "liberdade" nunca esteve em causa. Na terminologia imperial, "liberdade" significa que a China deve obedecer e manter o Mar do Sul da China aberto à US Navy. Bem, isso é possível, mas tem de se comportar. Caso contrário, o Mar do Sul da China será negado à US Navy. Não é preciso ser Mahan para saber que isso significará o fim imperial do domínio dos sete mares.

30/Julho/2020
[*] Jornalista.

O original encontra-se no Asia Times e em thesaker.is/the-heart-of-the-matter-in-the-south-china-sea/

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/asia/escobar_30jul20.html

Organização portuguesa nos EUA pede mais ajuda para alcoólicos e sem-abrigo luso-americanos

24/07/2020
 

A organização luso-americana Bom Samaritano, que trabalha atualmente com mais de 110 casos de vício em álcool e noutras drogas na Califórnia, pediu hoje mais voluntariado, ajuda e envolvimento das organizações portuguesas nos Estados Unidos para “salvar vidas”.

Os problemas de vício, saúde mental ou sem-abrigo são muitas vezes ignorados ou omitidos pela comunidade luso-americana, por serem assuntos difíceis e “não glamorosos”, declarou hoje Alcides Machado, fundador da organização Bom Samaritano, numa sessão de sensibilização promovida pelo Conselho de Liderança Luso-Americano PALCUS.

A organização Portuguese Bom Samaritano Foundation registou um aumento de 45% de pedidos de ajuda desde que a pandemia de covid-19 começou, principalmente por abuso de álcool, ‘stress’, depressão, tendências suicidas ou ataques de pânico, alertou Alcides Machado.

O fundador da Bom Samaritano disse que recebe chamadas de pedidos de ajuda não só da Califórnia, como de outros locais dos EUA e também de Portugal: “Não há ideia como essas pessoas sofrem em silêncio”, considerou, na conversa com a presidente da PALCUS, Ângela Simões.

A organização sem fins lucrativos Bom Samaritano fornece serviços sociais, aconselhamento e tratamento, e está a ajudar atualmente 57 pessoas com problemas de álcool (com uma média de idade de 50 anos), 31 pessoas com problemas de droga (com uma média de 20 anos) e 19 pessoas com problemas de droga e álcool (com idades entre os 30 e os 40 anos).

Os tratamentos são fornecidos de forma gratuita, mas têm um custo para a organização de cerca de dois mil dólares por pessoa (cerca de 1.700 euros).

A organização está também a acompanhar 11 casos de violência doméstica, e pede mais envolvimento e ajuda de outras organizações portuguesas, como também voluntários para as atividades de acompanhamento e ajuda.

Não há “melhor oportunidade” de mostrar o orgulho de ser português num país estrangeiro do que ajudando os mais necessitados da comunidade, destacou Alcides Machado.

O fundador da organização sem fins lucrativos considerou que a comunidade portuguesa nos Estados Unidos, que mostra “com orgulho” a sua origem, ignora que existem cidadãos portugueses em situação de sem-abrigo.

Segundo os dados recolhidos pela organização, existem 28 luso-americanos nesta situação na cidade de São José, 12 na localidade de Hilmar, 11 em Tulare, nove em Los Banos e cinco em Mateca, ou seja, 65 portugueses sem-abrigo em vários locais da Califórnia.

Estes números refletem apenas casos conhecidos pela organização e podem estar incompletos, advertiu Alcides Machado.

“Eu sei que existem portugueses sem-abrigo porque vou lá, paro e olho-os nos olhos”, disse o fundador, acrescentando que a comunidade fica sem saber das pessoas mais necessitadas se não conversar ou tentar ajudar pessoas na rua.

Alcides Machado, que lutou contra o vício do álcool e está sóbrio há mais de sete anos, sublinhou que ajuda, aconselhamento e tratamento têm mais efeito na língua materna da pessoa que está a ser tratada e com um conhecimento da cultura, pelo que é importante o envolvimento de voluntários luso-americanos.

A organização sem fins lucrativos depende de donativos e da recolha de fundos para continuar a funcionar e, por isso, é importante que mais entidades luso-americanas deem o seu contributo e participem numa rede, para resolver comportamentos de vício na comunidade portuguesa, acrescentou Alcides Machado.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/24/organizacao-portuguesa-nos-eua-pede-mais-ajuda-para-alcoolicos-e-sem-abrigo-luso-americanos/

Após acosso a voo civil, Irão agirá legalmente contra «acto de terrorismo» dos EUA

Teerão condenou o «acosso» a um avião civil iraniano com destino a Beirute, por caças dos EUA, no espaço aéreo sírio, e anunciou que vai apresentar queixa na Organização da Aviação Civil Internacional.

Caça norte-americano filmado do interior do voo comercial 1152 da Mahan Air, quando da abordagem agressiva nos céus na SíriaCréditos / PressTV

Num comunicado hoje emitido, a Organização da Aviação Civil do Irão afirmou que irá «perseguir seriamente» o acosso, por parte dos caças norte-americanos, do voo 1152 da Mahan Air no espaço aéreo da Síria, sta quinta-feira.

O organismo iraniano instou a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO, na sigla em inglês) a abordar imediatamente a questão, que é «uma clara violação do direito internacional e das normas e padrões da aviação», refere a PressTV.

A vice-presidente iraniana para Questões Jurídicas, Laya Joneidi, disse também esta sexta-feira que o acosso a um avião de passageiros num terceiro país constitui uma violação flagrante da segurança da aviação, bem como uma quebra do princípio de liberdade de voo da aviação civil.

A acção dos caças norte-americanos viola ainda o artigo 3.º e o artigo 44.º da Convenção de Chicago (1944) e a Convenção de Montreal, de 1971, defendeu a advogada, que acusou a administração dos EUA de ser responsável pelas manobras perigosas dos caças, que o Irão pode perseguir judicialmente no Conselho da ICAO e no Tribunal Internacional de Justiça.

Por seu lado, o ministro iraniano das Estradas e do Desenvolvimento Urbano, Mohammad Eslami, descreveu a intervenção dos caças norte-americanos como um «acto terrorismo», e instou a comunidade internacional a condenad a manobra «venenosa».

«O nosso avião de passangeiros seguia na rota e no corredor dos voos comerciais internacionais, e a manobra ameaçadora dos caças americanos foi ilegal e desumana», disse, tendo ainda pedido aos governos do Líbano e da Síria para apresentarem queixa contra Washington na ICAO.

Manobra perigosa e agressiva nos céus da Síria

Na quinta-feira, vários passageiros que seguiam no voo 1152 da empresa iraniana Mahan Air, com destino a Beirute, ficaram feridos depois de dois aviões de combate dos EUA terem realizado «manobra perigosa e agressivas» nos céus da Síria, sobre a região de al-Tanf – onde as tropas dos EUA têm uma base ilegal.

Na sequência da abordagem dos caças, o piloto do avião, que havia partido de Teerão, foi obrigado a mudar bruscamente de altitude, voando baixo.

Em resposta às acusações relacionadas com a abordagem – de que existem gravações – o Comando Central dos EUA afirmou que um único F-15 fez uma «inspecção visual» do avião comercial iraniano, «de acordo com os padrões internacionais... para garantir a segurança das tropas da coligação» que opera ilegalmente na Síria e ocupa uma base militar na região de al-Tanf, junto à fronteira da Síria com a Jordânia e o Iraque.

«Uma vez que o piloto do F-15 identificou o avião como sendo o avião de passageiros da Mahan Air, o F-15 colocou-se a uma distância segura», indica a PressTV.

Sem qualquer autorização de Damasco, as tropas dos EUA têm estado a intervir no país árabe desde 2014, alegando estar a combater o Daesh. Seis anos volvidos, a ocupação de território sírio, a violação da sua soberania e o saque dos seus recursos por parte dos EUA prossegue, com ajuda de grupos terroristas, de amigos sionistas, companheiros da NATO e de aliados curdos de ocasião.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/apos-acosso-voo-civil-irao-agira-legalmente-contra-acto-de-terrorismo-dos-eua

Trump é um “Wannabe Fascist”

Segundo o District Attorney de Filadélfia, Larry Krasner, Trump é um aspirante a fascista.

 

O Presidente Trump anuncia uma “onda” de agentes federais nas principais cidades dos EUA para confrontar os manifestantes. O Democracy Now falou com o procurador distrital da Filadélfia, Larry Krasner, que adverte que prenderá e acusará as forças policiais de Trump se violarem os direitos dos moradores da sua cidade.

“A lei aplica-se ao presidente dos Estados Unidos, mesmo que ele não pense. A lei aplica-se à aplicação da lei. A lei aplica-se a civis. É bem simples ”, diz Krasner.

 

Veja o vídeo

Philly DA Larry Krasner: Trump Is a “Wannabe Fascist.” I Will Charge His Agents If They Break Law

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/trump-e-um-wannabe-fascist/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=trump-e-um-wannabe-fascist

Agentes encapuçados levam manifestantes: protestos em Portland há mais de 50 dias

Desde Maio que milhares protestam contra o racismo e a brutalidade policial na maior cidade de Oregon. A repressão ganhou nova dimensão com a intervenção dos militares, sem o aval das autoridades locais.

Os agentes federais foram enviados para Portland na sequência de uma ordem executiva assinada por Donald Trump, de acordo com a qual o governo federal pode enviar tropas para os estados sem autorização dos seus governadoresCréditos / Sputnik News

As tropas federais foram enviadas para o estado e o fogo cruzado entre o governo local e a Casa Branca tem-se multiplicado, sobretudo depois das denúncias de que agentes encapuçados, não identificados, prenderam manifestantes e os meteram em viaturas também não identificadas. Um cenário que não é estranho, por exemplo, nas manifestações de estudantes em Bogotá, na Colômbia.

«Estas acções estão fora de controlo […]. Mostram mais as tácticas de um governo liderado por um ditador, não de uma república democrática constitucional», escreveram funcionários locais numa carta de protesto dirigida às autoridades federais, revela o portal Cubadebate.

Por seu lado, o presidente norte-americano, que atribui a responsabilidade dos protestos na sequência da morte de George Floyd a «antifas e à esquerda radical» e se apresenta como «o presidente da lei e da ordem», afirma que as tropas procuram proteger a cidade e os seus habitantes.

Os agentes federais foram acusados de não usar identificação e de meterem manifestantes em viaturas também não identificadas / Cubadedate

«Estamos a tentar ajudar Portland, não prejudicá-la. Os seus líderes, durante meses, perderam o controlo dos anarquistas e agitadores. Não tomam decisões. Temos de proteger a propriedade federal e a nossa gente. Estes não foram simplesmente manifestantes, são o verdadeiro problema!», escreveu no Twitter este domingo.

No fim-de-semana e pela semana fora, houve vários confrontos entre os agentes federais e os manifestantes, enquanto aumentavam os protestos do governo local para as tropas se retirassem de forma imediata.

A União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) afirmou que a disputa entre as autoridades federais e locais criou uma «crise constitucional» e questionou o modo como as tropas têm estado a deter os manifestantes e a reprimir os protestos.

Mobilizações há mais de 50 dias

Enquanto os protestos pela morte de Floyd às mãos da Polícia iam perdendo fôlego noutros pontos do país, na cidade de Portland as marchas e os confrontos com a Polícia não pararam.

Recentemente, a situação piorou com a presença não solicitada dos agentes federais não identificados. Em vídeos e fotos que se tornaram virais nas redes sociais, aparecem agentes, encapuçados, não identificados, a disparar latas de gás lacrimogéneo e balas de borracha contra as multidões.

Mais controvérsia ainda geraram outras gravações em que se vêem manifestantes nas ruas a serem metidos à força em viaturas em viaturas não identificadas.

Apesar das exigências de retirada das forças federais, na segunda-feira passada o Departamento de Segurança Nacional (DHS, na sigla em inglês) disse que não tinha intenção de sair de Portland. «Não estamos a fazer escalar os protestos, estamos a proteger», disse à Fox News o secretário interino de Segurança Nacional, Chad Wolf, que qualificou os manifestantes como «máfia violenta» e «anarquistas».

Por seu lado, o dirigente do Serviço de Alfândegas e Protecção das Fronteiras dos EUA, Mark Morgan, escreveu no Twitter que a agência irá continuar a prender «criminosos violentos que estão a destruir propriedades federais».

Embora não levem identificação, os agentes parecem pertencer a uma nova unidade do DHS criada na sequência dos protestos em todo o país pela morte de Floyd, em Minneapolis (Minnesota).

Os agentes foram colocados no terreno ao abrigo de uma ordem executiva assinada por Donald Trump no mês passado, de acordo com a qual o governo federal pode enviar tropas e agentes para os estados sem autorização dos seus governadores.

Manobra política

A cerca de três meses das eleições presidenciais, Trump comprometeu-se a controlar os «distúrbios» e lançou acusações contra os democratas de «incapacidade» a lidar com os protestos. Ontem, o presidente dos EUA insistiu no envio de agentes federais para cidades como Albuquerque, Chicago ou Kansas City.

Autoridades locais de Albuquerque (Novo México) e Chicago (Illinois) já manifestaram a sua oposição à medida e acusaram Trump de estar a fazer uma manobra política para desviar as atenções do descalabro da situação da pandemia de Covid-19 no país.

Tropas federais atacam manifestantes em Portland, Oregon / WSWS

No estado de Oregon e em Portland, as medidas da Casa Branca foram postas em causa, uma vez que as forças federais tornaram o cenário mais tenso e «pioraram a situação», segundo referiu o presidente do Município de Portland, Ted Wheeler.

A governadora do estado, Kate Brown, apoiou os comentários de Wheeler e acusou Trump de mandar tropas federais para um «teatro político». Entretanto, o estado de Oregon apresentou uma queixa contra as agências federais envolvidas nas detenções da semana pasada, acusando-as de detenção ilegal de manifestantes.

A procuradora-geral, Ellen Rosenblum, pediu uma ordem de restrição para evitar que os agentes federais continuem a efectuar detenções. As autoridades locais defendem que, com raras excepções de grupos de «agitadores», as manifestações têm sido pacíficas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/agentes-encapucados-levam-manifestantes-protestos-em-portland-ha-mais-de-50-dias

A comercialização da violência nos EUA

 
 

Asociedade dos EUA é há muito fortemente militarizada. O papel central assumido pelo complexo militar-industrial ajuda a compreender esse fenómeno: a guerra e a violência armada são componentes nucleares do imperialismo EUA. O que vem surgindo com maior nitidez nos últimos tempos é que a grande burguesia EUA, que vem privatizando parte dos instrumentos da violência de Estado, tem montado um dispositivo de guerra contra o seu próprio povo.

 
 
O assassínio de um cidadão negro por um polícia desencadeou uma onda de protestos nos Estados Unidos que pôs em destaque uma doença mais profunda que aflige a sociedade daquele país. Alguns chamam-lhe “a comercialização da violência”.

 


Esse fenómeno surge, pelo menos, sob três aspectos evidentes: 1) a privatização das guerras; 2) a militarização da polícia; e 3) o negócio do sistema prisional.

 


A história das guerras dos EUA após os ataques terroristas de 11 de Setembro acusa uma transformação notável. O Pentágono “externaliza” progressivamente a execução da guerra nas mãos de empresas privadas de segurança que proliferaram desde então. Estas, e as empresas que subcontratam, consomem agora mais da metade do orçamento nacional da Defesa. É uma forma de esconder da população o custo humano e financeiro das novas guerras.

 


 
É por isso que, em 2019, destacavam no Médio Oriente mais de 53.000 efectivos dessas empresas, contratadas por empresas norte-americanas, enquanto o Pentágono lá tinha apenas cerca de 35.000 “soldados próprios”. Além disso, desde que em 2001 se iniciou a intervenção militar na zona, morreram no Médio Oriente cerca de 8.000 combatentes privados, mais 1.000 que o número total de baixas militares. Combatentes que em grande parte nem sequer eram cidadãos dos EUA, o que permitia “afastar” a guerra das preocupações domésticas e evitar protestos públicos como os que ocorreram durante a Guerra do Vietname.

 


Todo o anteriormente referido diz respeito à violência estatal bélica, ou seja a que está englobada no âmbito da Defesa nacional. Mas não é a única violência a tomar em conta. Ochamado “Programa 1033″ do Pentágono vem facilitando desde 1997 o fornecimento de equipamento militar “excedente” às várias forças policiais. Isto levou a uma militarização real da polícia, não apenas com armamento de guerra e equipamento militar, mas também nas formas de actuar e, o que é mais perigoso, na mentalidade. Isto multiplicou-se desde que Trump chegou ao poder, atingindo um máximo em 2019.

 


Forças policiais equipadas com armas de guerra acabam inevitavelmente adoptando a “cultura do guerreiro” e a considerar inimiga a população que deveriam proteger. Isto é também considerado natural para um povo que, em grande parte, nasceu imerso no culto das armas de fogo. Paradoxalmente, a morte de George Floyd ocorreu ante as câmaras não pelo uso de armas de guerra mas pelo primitivo procedimento policial de esmagar-lhe o pescoço com um joelho.

 


Quem ou quais beneficiam com tudo o anteriormente dito? A resposta é clara: o complexo militar-industrial, que fornece tudo, desde os drones que vigiam a fronteira com o México até aos veículos blindados que dispersam manifestantes pacíficos que protestam contra a violência racial da polícia, como acaba de acontecer.

 


O terceiro ramo desta comercialização de violência é ocupado pelo sistema penitenciário. Cerca de US $ 120.000 milhões anuais custa manter encerrados na prisão uns dois milhões de cidadãos norte-americanos, a maior população de reclusos de todo o mundo. Grande parte deles está confinada em prisões privadas, um negócio seguro que cresce ao longo do tempo, porque a taxa de encarceramento nacional cresceu 700% desde 1972, principalmente devido sobretudo à guerra contra o narcotráfico.

 


A reinserção social dos delinquentes passa assim a último plano e o sistema penitenciário preocupa-se em gerar benefícios económicos. O negócio das prisões é talvez a máxima expressão do capitalismo selvagem que continua a crescer.

 


Numerosas manifestações populares nos EUA têm nestes dias exibido o cartaz Defund the Police! (Não mais fundos para a polícia!), porque para aqueles que o sistema deixa de lado os fundos destinados a apoiar a violência policial deveriam ser aplicados em serviços sociais e nas instituições destinadas a proteger os mais fracos. Da mesma forma que investir mais em diplomacia, ajuda económica e intercâmbios culturais internacionais serviria melhor que a guerra os interesses generalizados de toda a humanidade, tanto nestes tempos de pandemia sanitária como para enfrentar os problemas que a crise climática em breve trará consigo. Avizinham-se novos modos de vida e haverá que estar dispostos a enfrentá-los.

 


*Publicado em O Diário.info

 


Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/a-comercializacao-da-violencia-nos-eua.html

Embaixada chinesa em Washington insta EUA a acalmar tensões

Bandeiras dos EUA e China tremulando em um edifício em Washington, EUA (foto de arquivo)
© REUTERS / Hyungwon Kang

A Embaixada da China em Washington emitiu um comunicado pedindo aos Estados Unidos que diminuam as tensões entre os dois países.

"Se o relacionamento China-EUA é um veículo, os EUA o estão seguindo no caminho errado e, pior ainda, estão apertando o acelerador", disse a Embaixada da China em comunicado na noite desta quarta-feira (22). "É hora de pisar no freio e voltar à direção certa".

Mais cedo nesta quarta-feira (22), o Departamento de Estado dos EUA confirmou à Sputnik que havia ordenado que a China fechasse o consulado em Houston, no estado do Texas, até o final desta semana. A ordem de fechamento vem após acusações de que a China se envolveu por anos em operações ilegais de espionagem e influência dentro dos EUA.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-premiê da China, Liu He, durante cerimônia de assinatura do acordo comercial entre os dois países na Casa Branca.

 

© AP Photo / Evan Vucci
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-premiê da China, Liu He, durante cerimônia de assinatura do acordo comercial entre os dois países na Casa Branca.

A China negou tais acusações e criticou os EUA por violações do direito internacional. A China também disse que os EUA têm incitado o ódio contra os cidadãos chineses, resultando em várias ameaças à embaixada em Washington.

A Embaixada da China disse em comunicado anterior que condenou veementemente o fechamento do consulado da China em Houston e alertou que Pequim responderia ao que considera uma "provocação política".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020072215856932-embaixada-chinesa-em-washington-insta-eua-a-acalmar-tensoes/

Embaixador chinês dá receita para manter boas relações com Estados Unidos

Huaxia - 20/07/2020
 

Embaixador chinês nos Estados Unidos defendeu que a chave para um relacionamento EUA-China mais estável e mais forte é identificar interesses comuns e gerir adequadamente quaisquer diferenças entre os dois países. Além disso, não devem permitir que suspeitas, medo ou ódio afetem a política externa.

“Para nós, o presidente Trump é o presidente dos Estados Unidos eleito pelo povo americano. Então, estamos prontos para trabalhar com ele e seu governo para construir uma relação mais estável e mais forte entre nossos dois grandes países”, disse o embaixador Cui Tiankai em entrevista exclusiva a Fareed Zakaria, apresentador do GPS Show da CNN.

“É claro que qualquer líder dos EUA, qualquer governo dos EUA representaria os interesses dos EUA. O mesmo vale para os líderes chineses e o governo chinês”, disse Cui em resposta a perguntas sobre os laços EUA-China. “Mas a chave é identificar nossos crescentes interesses comuns, áreas em que nossos dois países podem realmente trabalhar juntos pelos interesses comuns dos dois povos e pelos interesses comuns da comunidade internacional”.

Ao mesmo tempo, “temos que fazer um bom trabalho ao gerir quaisquer possíveis diferenças entre nós de uma maneira construtiva. Essa tem sido a nossa abordagem o tempo todo”, acrescentou.

Leia mais em Xinhua

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/20/embaixador-chines-da-receita-para-manter-boas-relacoes-com-estados-unidos/

EUA espiaram telefones de militares e diplomatas na Rússia, diz mídia

 
 
 
 

Telemóveis usados em instalações militares, prédios do governo e embaixadas estrangeiras na Rússia teriam sido rastreados por grupo de pesquisa patrocinado pelo Pentágono.

 

 
Um grupo de pesquisadores baseados em Starkville, no estado americano de Mississippi, desenvolveu um aplicativo chamado Locate X para rastrear os movimentos de pelo menos 48 telemoveis em 9 de agosto do ano passado, um dia depois de ocorrer uma forte explosão numa instalação militar russa na cidade de Severodvinsk.

 

 
O rastreio experimental foi conduzido pela Universidade Estatal do Mississipi e teria como objetivo demonstrar para os militares americanos como informação oriunda de telemóveis e disponível comercialmente poderia ser usada para operações de inteligência.

 

 
Utilizando dados de localização por GPS, usados em jogos e aplicativos de serviço meteorológico, os movimentos dos referidos telemóveis foram rastreados, publicou o Wall Street Journal.

 


 
De acordo com a mídia, alguns dos aparelhos rastreados viajaram até Moscovo, São Petersburgo, Severodvinsk e Arkhangelsk, cidades na Rússia que abrigam centros de comando militar, enquanto outros dois foram detectados em Cuba e no Azerbaijão.
 
A escolha dos alvos poderia estar relacionada com o incidente grave ocorrido em 8 de agosto de 2019, quando um motor experimental nuclear explodiu numa instalação militar, provocando cinco mortes.

 

 
O incidente levantou temores de uma catástrofe de grande proporção, o que foi refutado pelas autoridades russas.

 

 
Espiados não foram só militares

 

 
Além dos telefones usados pelos militares russos, delegações diplomáticas estrangeiras e telemóveis em edifícios do governo russo também estiveram na mira do rastreio.

 

 
Segundo a mídia, os operadores do rastreio não eram "analistas profissionais de inteligência", mas as agências de espionagem podem ter deixado a sua marca no projeto.

 

 
Enquanto isso, a ferramenta Locate X, produzida pela empresa de segurança cibernética Babel Street, já vendeu seus produtos para diversas agências de espionagem e órgãos de defesa de diferentes países, incluindo os EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha e outros.

 

 
Sputnik | Imagem: © Sputnik / Aleksei Malgavko

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/eua-espiaram-telefones-de-militares-e.html

CIA - Projecto MK-ULTRA

 
 
 

Ogoverno dos Estados Unidos financiou e realizou inúmeras experiências psicológicas em seres humanos sem eles o saberem, especialmente durante a Guerra Fria, talvez parcialmente para ajudar a desenvolver técnicas mais eficientes de tortura e interrogatório para os militares dos EUA e para a CIA, mas a extensão, o alcance e a duração quase inacreditáveis dessas actividades ultrapassaram muito as possíveis aplicações em interrogatórios e parecem ter sido realizadas a partir de uma desumanidade fundamental e monstruosa.

 
Ler  apenas os resumos, mesmos sem mencionar os detalhes, é por si só, quase traumatizante.

 

 
Em estudos iniciados no final da década de 1940 e no início da década de 1950, o Exército dos EUA começou a identificar e a testar soros da verdade, como mescalina e escopolamina, em seres humanos, que invocaram ser de utilidade durante os interrogatórios a espiões soviéticos. Esses programas acabaram por se expandir num projecto de amplo campo de acção e enorme ambição, centralizado sob a competência da CIA, no que viria a ser designado como Projecto MK-ULTRA, uma importante colecção de projectos de interrogatório e controlo da mente. Inspirada inicialmente pelas ilusões de um programa de lavagem cerebral, a CIA iniciou milhares de experiências usando indivíduos americanos e estrangeiros, muitas vezes sem o seu conhecimento ou contra a sua vontade, destruindo inúmeras dezenas de milhares de vidas e causando muitas mortes e suicídios. Financiada, em parte, pelas Fundações Rockefeller e Ford e operada conjuntamente pela CIA, pelo FBI e pelas divisões de inteligência (serviços secretos) de todos os grupos militares, essa pesquisa da CIA, que durou décadas, constituiu uma imensa colecção de algumas das atrocidades mais cruéis e desagradáveis ​​que se possam imaginar, num esforço determinado em desenvolver técnicas confiáveis ​​de controlo da mente humana.

 

Pelo menos 200 notáveis investigadores científicos privados fizeram parte neste programa, assim como muitos milhares de médicos, psiquiatras, psicólogos e outros semelhantes. Muitas destas instituições e indivíduos receberam o seu financiamento através das chamadas "bolsas" do que eram, nitidamente, empresas de fachada da CIA.

 

 
O MK-ULTRA foi algo que englobou um grande número de actividades clandestinas que faziam parte da pesquisa e do desenvolvimento da CIA, sobre Guerra Psicológica, consistindo em cerca de 150 projectos e subprojectos, muitos deles muito grandes por si só, com pesquisa e experimentação humana a ocorrer em mais de 80 instituições que incluíam cerca de 50 das faculdades e universidades mais conhecidas dos Estados Unidos, 15 ou 20 grandes fundações de pesquisa, incluindo a Fundação Rockefeller, dezenas de grandes hospitais, muitas prisões e instituições mentais e muitas empresas químicas e farmacêuticas. Pelo menos, 200 pesquisadores científicos privados e bem conhecidos, fizeram parte deste programa, assim como muitos milhares de médicos, psiquiatras, psicólogos e outros semelhantes. Muitas dessas instituições e indivíduos receberam o seu financiamento através dos chamados "subsídios" do que eram, claramente, empresas de fachada da CIA.

 

 
Em 1994, uma subcomissão do Congresso revelou que cerca de 500.000 americanos, sem terem qualquer conhecimento destes factos, foram ameaçados, danificados ou destruídos pelos testes secretos da CIA e dos militares, entre 1940 e 1974. Dada a destruição deliberada de todos os registos, a verdade completa sobre as vítimas do MK-ULTRA nunca será conhecida, como também não será sabido o número de mortos. Como o Inspector Geral do Exército dos EUA declarou posteriormente num relatório a uma comissão do Senado: "Nas universidades, hospitais e instituições de pesquisa, um número desconhecido de testes e experiências químicas... foi realizado em adultos saudáveis, nos que tinham doenças mentais e em indivíduos retidos na prisão". De acordo com um relatório do governo," em 149 experiências separadas de controlo da mente, sobre milhares de pessoas, os pesquisadores da CIA usaram a hipnose, tratamentos com eletrochoques, LSD, marijuana, morfina, benzedrina, mescalina, seconal, atropina e outras drogas". Os indivíduos que foram sujeitos aos testes eram geralmente pessoas que não podiam objectar facilmente - prisioneiros, pacientes mentais e membros de grupos minoritários - mas a agência também realizou muitas experiências em civis normais e saudáveis, ​​sem o seu conhecimento ou sem o seu consentimento.

 

 
O projecto estava sob o comando directo de um Dr. Sidney Gottlieb e recebeu milhões de dólares não revelados mas quase ilimitados, destinados a centenas de experiências em seres humanos, em centenas de locais nos Estados Unidos, Canadá e Europa, tendo o orçamento eventual para este programa, ao que tudo indica, ultrapassado 1 bilião de dólares por ano. O mal que se encontra em alguns destes documentos MK-ULTRA é quase palpável, um desses documentos de 1955, a declarar abertamente uma procura de “substâncias que irão provocar danos cerebrais (temporários ou) permanentes, bem como a perda de memória”. Parte da intenção era desenvolver "técnicas que iriam esmagar a psique humana ao ponto de admitir qualquer coisa". Num memorando do governo americano de 1952, um Director de programa perguntou: "Podemos conseguir o controlo de um indivíduo ao ponto de ele fazer o que lhe ordenamos contra a sua vontade e até contra leis fundamentais da natureza, como a auto preservação? Também enumerou a grande variedade de abusos horrendos aos quais as vítimas estariam sujeitas. Estas pessoas não eram relutantes quanto às suas intenções.

 

 
Os mecanismos incluíam uma programação sexual primordial para as mulheres na tentativa de eliminar as convicções morais aprendidas e estimular o instinto sexual primitivo desprovido de inibições, para criar uma espécie de máquina sexual - a prostituta fundamental para a espionagem diplomática. Vários pesquisadores afirmaram que o apetite sexual dessas mulheres foi desenvolvido em jovens, nos seus anos de formação, através de incesto constante com um funcionário do governo que havia sido deliberadamente desenvolvido como figura paterna dessas jovens. Em parte, estes programas envolviam condicionar a mente humana através da tortura, com uma parte deste programa destinada a treinar agentes especiais, para agirem como terroristas destemidos sem instintos de auto-preservação e que se iriam suicidar de bom grado, se fossem apanhados. Até fizeram experiências através de implantes electrónicos, sons inaudíveis, mensagens embutidas na mente subconsciente, drogas para alterar a mente e muito mais. Uma parte dessa extensa operação envolveu uma tentativa de criar um programa de assassinos, torná-los capazes de raptar indivíduos de outros países, submetê-los a hipnose e a outras técnicas e depois devolvê-los aos seus países de origem, a fim de assassinarem as  suas chefias.

 

 
Outra parte do projecto do controlo mental da CIA tinha como objectivo encontrar um "soro da verdade" para usar em espiões. Foi administrado aos indivíduos sujeitos ao teste LSD e outras drogas, muitas vezes sem o seu conhecimento ou consentimento, e alguns foram torturados. Muitas pessoas morreram - ou foram mortas - como resultado destas experiências e um número desconhecido de funcionários do governo, a trabalhar nestes projectos, foi assassinado com receio de que contassem o que tinham visto, talvez o mais conhecido seja Frank Olson, cuja morte descrevi noutro lugar. O projecto foi firmemente negado tanto pelo governo como pela CIA, mas foi, finalmente, exposto após as investigações da Comissão Rockefeller. Quando esta informação se tornou conhecida, o governo dos EUA pagou muitos milhões de dólares para resolver as centenas de  reclamações e processos judiciais que resultaram. Existem muitas provas de que estes programas nunca foram encerrados.

 

 
Foram orientados pela Faculdade de Medicina da Universidade de Cornell, muitos estudos iniciais de interrogatórios sob a direcção de um Dr. Harold Wolff , que solicitou à CIA qualquer informação sobre "ameaças, coerção, prisão, privação, humilhação, tortura, lavagem cerebral", "psiquiatria negra" e hipnose, ou qualquer combinação destes, com ou sem agentes químicos ". Segundo Wolff, a equipa de pesquisa iria então: "... reunir, recolher, analisar e assimilar estas informações e irá realizar investigações experimentais destinadas a desenvolver novas técnicas de uso de inteligência ofensiva/defensiva... Serão testadas, de maneira semelhante, drogas secretas potencialmente úteis [e diversas procedimentos que danifiquem o cérebro] para verificar o efeito fundamental sobre a função cerebral humana e sobre o humor do sujeito... ". Ele apontou ainda mais e de maneira arrepiante: "Quando qualquer um dos estudos envolver possíveis danos ao indivíduo, esperamos que a Agência disponibilize indivíduos e um local adequado para a realização das experiências necessárias".

 


 
 
Entre as múltiplas universidades e instituições de destaque a participar nesta farsa, estava a Universidade de Tulane, onde tanto a CIA como as forças armadas americanas tinham financiado em larga escala o que aparentava ser programas de experiências de controlo da mente baseados em traumas aplicados em crianças. Em 1955, o Exército dos EUA relatou estudos nos quais os pesquisadores implantaram eléctrodos no cérebro de pacientes mentais para avaliar os efeitos do LSD e de uma série de outras drogas não testadas. Foi em Tulane que foram realizados alguns dos primeiros testes de privação sensorial, isolando pessoas nessas câmaras onde teriam alucinações impotentes durante uma semana de cada vez, enquanto eram injectadas com drogas e bombardeadas com mensagens gravadas, para ver se poderiam ser "convertidas a novas crenças". Todos estes indivíduos eram vítimas indefesas que não tinham ideia do que lhes estava a acontecer. Há uma longa lista de outras universidades e hospitais americanos famosos que participaram numa destruição humana semelhante e todos eles ‘limparam’ cuidadosamente os seus registos.

 

 
Outra operação da CIA designada como ‘Midnight Climax’ consistia numa rede de locais da CIA, nos quais as prostitutas que faziam parte da folha de pagamento da CIA, iriam atrair clientes onde eram clandestinamente envolvidos por uma ampla gama de substâncias, incluindo LSD, e monitorados por trás de vidros de visão unidireccional. Foram desenvolvidas neste teatro de operações, várias técnicas operacionais significativas, incluindo uma extensa pesquisa sobre chantagem sexual, tecnologia de vigilância e o uso possível de drogas que alteram a mente em operações de campo. Na década de 1970, como sendo outra parte do seu programa de controlo mental, a CIA conspirou com a Eli Lilly and Company para produzir cem milhões de doses da droga ilegal LSD, quantidade suficiente para enviar quase todo mundo nos Estados Unidos a fazer uma viagem. Nenhuma explicação foi dada sobre o que a CIA fez com estes cem milhões de doses de ácido, mas, como grande parte desta actividade foi exportada, rever os acontecimentos políticos internacionais durante esse período pode trazer à mente possibilidades interessantes.

 

 
Como já acima observado, o projecto MK-ULTRA e os seus irmãos tiveram origem na Operação Paperclip, na qual mais de 10.000 japoneses e alguns cientistas alemães de todas as faixas foram transportados clandestinamente para os EUA após a Segunda Guerra Mundial, para fornecer ao governo informações sobre técnicas de tortura e interrogatório. Não está muito divulgado, mas, como parte da Operação Paperclip, a CIA recrutou para o MK-ULTRA, Shiro Ishii, o responsável pela Unidade 731 do Japão que chefiou algumas das mais horrendas atrocidades humanas da História, incluindo a vivissecção (dissecção executada num animal vivo com fins experimentais) ao vivo em crianças. Ao mesmo tempo, também importou pelo menos dez mil funcionários da Unidade 731, alojou-os em bases militares dos EUA e deu-lhes total imunidade nos processos judiciais pelos seus crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. Por este motivo é que nenhum japonês foi julgado pelos seus crimes: estavam todos na América, a contribuir com as suas competências para o MK-ULTRA. A CIA também trouxe do estrangeiro alguns alemães que tinham realizado experiências com seres humanos. Também não é amplamente sabido, mas todo esse projecto nasceu não nos EUA, mas no Instituto Tavistock de Relações Humanas, no Reino Unido, um instituto com um passado excepcionalmente a sangue-frio. Voltarei a Tavistock nos próximos capítulos.

 

 
A liderança da CIA estava preocupada com a descoberta do seu comportamento contrário à ética e ilegal, como evidenciado no Relatório Geral dos Inspectores de 1957, que afirmava: "Devem ser tomadas precauções não apenas para proteger as operações da exposição às forças inimigas, mas também para ocultar essas actividades dos americanos ao público, em geral. A noção de que a agência está a realizar actividades anti-éticas e ilícitas teria sérias repercussões nos círculos político e diplomático".

 

 
O antigo funcionário da CIA Richard Helms (à esquerda), com o Presidente Richard Nixon, em 1973, ajudou a lançar o programa na década de 1950.

 

 
As actividades MK-ULTRA da CIA continuaram até à década de 1970, quando o Director da CIA, Richard Helms, temendo ser exposto ao público, ordenou que o projecto fosse encerrado e todos os arquivos destruídos. No entanto, um erro administrativo tinha enviado muitos documentos para o departamento errado; portanto, quando os funcionários da CIA estavam a destruir os arquivos, alguns deles permaneceram e foram divulgados mais tarde perante uma solicitação da Lei de Liberdade de Informação (FOIA) do jornalista e investigador John Marks. No entanto, como quase todos os registos foram destruídos, os números e as identidades das vítimas nunca serão conhecidos.

 

 
O Instituto de Pesquisa Stanford (SRI) descreve a sua missão como sendo "criar soluções que mudam o mundo para tornar as pessoas mais seguras, saudáveis e produtivas". A Wikipedia diz-nos que os patronos da Universidade de Stanford estabeleceram o SRI, em 1946, como sendo "um centro de inovação para apoiar o desenvolvimento económico da região". Não tenho provas de que o SRI tenha tornado alguém mais seguro ou mais produtivo e, qualquer que seja o objectivo original desta instituição, não parecia estar muito no topo da lista apoiar o desenvolvimento económico da região. De acordo com a minha pesquisa, existem poucas instituições na América que tiveram as suas histórias mais higienizadas e refeitas do que o ISR. Claro que todas as referências à participação no MK-ULTRA da CIA e noutros projectos desumanos desapareceram da narrativa. Em Agosto de 1977, o Washington Post divulgou alguns destes projectos; provavelmente, havia muito mais.

 

 
Uma das actividades anteriores do SRI envolvia contratos adjudicados pela CIA e pela Marinha dos EUA para pesquisar e desenvolver o controlo mental a longa distância usando ondas de rádio. A CIA já tinha financiado projectos MK-ULTRA na Honeywell, a fim de obter "um método para penetrar na mente de um ser humano e controlar as suas ondas cerebrais a longa distância". Na década de 1960, o então Director da CIA, Richard Helms, estava empolgado com o que foi chamado de "comunicação biológica por rádio", e o Washington Post publicou provas concretas de que o controlo electrónico da mente era um dos principais objectos de estudo da SRI na época. A teoria era de que as ondas electromagnéticas de frequência extremamente baixa do cérebro podiam ser usadas para controlar indivíduos, às vezes chamados de "empáticos", muitos dos quais (inexplicavelmente) foram extraídos da Igreja de Scientology de  L. Ron Hubbard

 

 
De acordo com os relatórios, a CIA estava tão entusiasmada com as possibilidades destas experiências no SRI, que foram desviados muitos milhões de dólares para estes projectos, aumentados com testes de parapsicologia realizados simultaneamente em Fort Meade, pela NSA. A supervisão médica para essa enorme variedade de experiências estava sob o controle de outro pervertido da CIA,  Dr. Louis Jolyon West, então Professor de Psiquiatria da UCLA, um dos mais notáveis especialistas da CIA, sobre controlo mental no país. É difícil evitar a conclusão de que todas essas pessoas eram loucas, já que a CIA, a NSA e até o INSCOM e a inteligência militar/serviços secretos militares (e, claro, a Church of Scientology/Igreja de Scientology) cooperaram com o SRI em pesquisas que incluíam cartas de tarô, canalização de espíritos, comungando com demónios e muito mais.

 

 
Mas, de acordo com o próprio SRI, o trabalho do Dr. West incluía não só ondas de rádio e parapsicologia, mas a criação de personalidades dissociativas "que permitiam que os indivíduos sujeitos ao condicionamento mental se adaptassem ao trauma". West referiu-se a essas pessoas como “crianças trocadas”, que produziam estados mentais alternativos alucinantes, mas na verdade esquizofrénicos (personalidades múltiplas induzidas), para permitir que eles lidassem com o que foi designado como “stress ambiental prolongado”, isto é, injecções forçadas de drogas, abuso físico, mental e sexual e programação psíquica, utilizando, geralmente, grandes doses de LSD, o produto químico preferido de Gottlieb. Existe documentação adequada de que muitas pessoas que foram submetidas a esta "pesquisa" patrocinada pela CIA, desenvolveram várias personalidades, muitas das quais foram induzidas à força desde tenra idade. Existem histórias documentadas de alguns sobreviventes que falam de abusos enormes de todos os tipos, que lhes foram infligidos a partir dos quatro ou cinco anos de idade e de ter que lidar com o terror do que parecia ser muitas pessoas diferentes a viver dentro das suas mentes. O Dr. Jolyon West tornou-se uma espécie de especialista em pesquisa nesses estados dissociativos e grande parte de seu trabalho no programa MK-ULTRA da CIA concentrou-se na sua criação. Os registos revelam êxito na criação de amnésia, memórias falsas, personalidades alteradas, identidades falsas e muito mais, todas horripilantes e trágicas para os indivíduos envolvidos, todas da pesquisa de West com métodos para "interromper as funções que, normalmente, integram a personalidade" e tornar as pessoas totalmente sujeitas a um controlo remoto.

 

 
Quando West morreu em 1999, o New York Times, novamente fiel à sua forma, publicou um delicioso obituário escrito por Philip J. Hilts, que descreveu West como "um líder carismático em psiquiatria", um homem cujo trabalho " se centrava em pessoas que foram levadas aos limites da experiência humana, “como prisioneiros de guerra com lavagem cerebral”, vítimas de raptos e crianças abusadas”, sem se preocupar em mencionar que o suposto foco de West nessas pessoas não significava que ele estivesse a cuidar delas, mas que ele criou essas condições. West era, de facto, o homem que fazia a lavagem cerebral e o abuso de crianças, e não estava a cuidar dos seus males. Hilts disse-nos que West testemunhou outrora uma execução e permaneceu, para sempre, contra a pena de morte para prisioneiros. Parece lamentável que ele não seja contra a pena de morte das suas próprias vítimas. O New York Times diz-nos que West era "uma figura colorida, uma pessoa viva". Que bom. Todos os obituários tendem a ser lisonjeiros quando são escritos por familiares ou amigos, embora as necrologias destinadas somente a elogios sejam escritas pela comunicação mediática principal que tem um efeito poderoso na história no branqueamento, no arejo e na reescrita - o que certamente teria sido a intenção do New York Times. Nada mais poderia explicar essa descrição brilhante.

 


Devo discordar por um momento para discutir uma doença geralmente referida como Transtorno de Personalidade Múltipla ou Transtorno Dissociativo da Personalidade, uma condição na qual uma pessoa desenvolve várias 'personas' ou personalidades distintas na sua mente, geralmente totalmente afastadas, umas das outras e a maioria, frequentemente, criada como um mecanismo de defesa para proteger uma mente vulnerável à destruição devido aos horrores que ela sofreu. Em termos simples, uma mente torturada que testemunha e experimenta horrores indescritíveis, eventos terríveis demais para conviver, criará uma personalidade adicional na qual essa mente viverá, afastando a outra da consciência. São os próprios horrores, que consistem em todo tipo de abuso físico e sexual, tortura, tratamento com drogas e electrochoques, talvez testemunhando as mortes ou assassinatos de outras crianças, que forçam a criação destas múltiplas personalidades, aparentemente tão fácil de realizar quando feito em crianças de tenra idade.

 


A amnésia entre estas múltiplas personalidades é total: ao funcionar numa personalidade, o indivíduo (neste caso, a criança) não tem conhecimento da existência das outras e funciona como uma pessoa totalmente diferente. As paredes entre estas várias personalidades são construídas em aço. O objectivo de criar estas múltiplas personalidades é que o "médico" possa controlá-las, evocar qualquer uma delas a qualquer momento e, em sentido real, "desenhar" cada uma delas, criando para ela falsas lembranças, histórias, atitudes, padrões de comportamento, lealdades, moralidades, tudo e, especialmente, a obediência. Para compreender este processo, o leitor terá de pensar, vagamente, numa pessoa hipnotizada, a encenar e a seguir à letra várias sugestões pós-hipnóticas e, mais tarde, com amnésia total. Muitos psiquiatras alegaram que, na prática, este objectivo não é muito difícil de ser conseguido; a teoria e os métodos foram bem confirmados.

 


Na realidade, um assunto que percorreu todas as facetas do programa MK-ULTRA de Gottlieb, e que foi declarado, claramente, num documento MK-ULTRA de 1955, foi a pesquisa detalhada e minuciosa de "substâncias que produzam amnésia total e perda de memória [mesmo à custa de] dano cerebral permanente "em indivíduos que foram condicionados por psiquiatras da CIA, a amnésia incluindo não só as acções executadas pelas suas personalidades alternativas, mas também o facto de terem sido programadas.

 

 
A continuar

 

 
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

 

 
Na imagem: Director aposentado da CIA, Allen Dulles (no centro) com o Presidente dos EUA, John F Kennedy, e o substituto da DIA na CIA, John A. McCone, em Washington, DC. no início dos anos 1960.

 

 
Website: Moon of Shanghai

 

 
*Publicado em No War no NATO

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/cia-projecto-mk-ultra.html

Trump rejeita decreto nacional e nega a eficácia do uso de máscaras na luta contra a COVID-19

Máscara De Inverno Do Algodão Do Inverno Dos Homens On-line...

Washington, 18 jul (Xinhua) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na sexta-feira que não emitirá uma ordem a nível nacional que exija o uso de máscaras, mesmo com os Estados Unidos continuando a quebrar seu recorde em um único dia de casos de coronavírus, diante de uma pandemia longe de ser contida, e o uso de máscaras ter se tornado uma acalorada fonte de debates.

Questionado pelo âncora do Fox News, Chris Wallace, se ele consideraria emitir um mandato nacional de máscara para retardar a propagação do vírus, Trump disse: "Não, eu quero que as pessoas tenham uma certa liberdade e não acredito nisso, não", conforme uma chamada do noticiário da Fox News, cuja versão na íntegra será veiculada neste domingo

"Não concordo com a afirmação de que se todos usassem uma máscara, tudo desapareceria", acrescentou o presidente, enquanto Wallace apontava que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA afirmaram que o vírus ficaria sob controle se todos usassem máscaras.

"O Dr. (Anthony) Fauci disse para não usar uma máscara, nosso cirurgião geral - um cara fantástico - disse para não usar uma máscara". Todo mundo estava dizendo para não usar máscara, de repente todos têm que usar máscara", disse Trump. "E, como você sabe, as máscaras também causam problemas. Com isso sendo dito, eu sou um adepto das máscaras". Eu acho que máscaras são boas".

Trump tem se recusado a usar ele mesmo máscara desde que a pandemia eclodiu, citando sua boa saúde e os frequentes testes negativos para o vírus.

Ele foi visto usando máscara em público pela primeira vez em 11 de julho enquanto visitava o Centro Médico Nacional Militar Walter Reed em Bethesda, Maryland, cerca de três meses depois que o CDC recomendou que os americanos o fizessem porque os portadores assintomáticos do vírus ainda poderiam transmiti-lo a outros.

Junto com o aumento dos casos de coronavírus - 3,5 milhões, no máximo, após o impressionante recorde de 72.045 infecções em um único dia ter sido estabelecido na quinta-feira, segundo dados do CDC - a questão da máscara foi politizada ao ponto de se tornar um símbolo de lealdade: Aqueles que se recusam a usar máscaras apoiam Trump enquanto aqueles que as usam estão contra ele.

No início de julho, o Chefe de Gabinete da Casa Branca Mark Meadows também comentou que a opção de um mandato nacional de máscaras não estava em pauta. Ele disse ao programa "Fox & Friends" em 6 de julho que "um mandato nacional não está em vigor". Estamos permitindo que nossos governadores e nossos prefeitos locais ponderem sobre isso".

Nas últimas semanas, porém, até mesmo os republicanos se reuniram usando máscaras, com pelo menos um legislador do Partido Republicano sugerindo sem rodeios que o próprio Trump o fizesse publicamente.

Lamentando o fato de que a "simples prática de salvar vidas" de usar máscara foi politizada para mostrar se alguém apoia Trump ou não, o senador republicano Lamar Alexander disse em 30 de junho que havia "sugerido que o presidente deveria ocasionalmente usar máscara, embora não haja muitas ocasiões em que seja necessário que ele o faça".

Ao mesmo tempo, governadores e autoridades municipais solicitaram que os residentes usassem máscaras para conter uma reincidência da COVID-19.

Embora os governadores do Arkansas, Califórnia e Colorado tenham emitido mandatos de máscara eficazes em seus respectivos estados, a ordem do governador do Texas Greg Abbott se aplica aos residentes dos condados com mais de 20 casos de coronavírus, cobrindo efetivamente a maioria dos condados do estado.

Na Geórgia, no entanto, o governador republicano, Brian Kemp, e o procurador-geral do estado Chris Carr, também republicano, processaram a prefeita de Atlanta Keisha Lance Bottoms, uma democrata, e o Conselho da Cidade de Atlanta para suspender o mandato de máscara da prefeita, alegando que tal ordem colocou as empresas em perigo e prejudicou o crescimento econômico do estado, e que as ordens locais não devem exceder a ordem executiva do estado em restrições.

A ação, apresentada um dia depois que Kemp emitiu uma ordem executiva sobrepondo todos os mandatos locais de máscaras no estado, intensificou uma luta partidária sobre como lidar com a crise de saúde pública em um estado que está entre os primeiros a reabrir. A Geórgia teve uma reincidência de casos, com a média de sete dias de número de casos recentemente pairando em torno de 3 mil por dia. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/19/c_139224160.htm

A escolha dos EUA: ''uma horrível tirania corporativa'' ou a revolução

 
 
 


Estes são ''os bons tempos'', diz o renomado jornalista e escritor Chris Hedges, em comparação com o que pode estar por vir. Mas há esperança nas ruas

 
Chauncey DeVega | Carta Maior
 
O tempo está avariado nos Estados Unidos de Donald Trump. Minutos parecem horas, horas parecem dias. Semanas são meses, e meses são anos. E há uma sensação esmagadora de tempo deformado pelo temor à medida em que o país aderna na direção de um clímax perigoso no dia da eleição - seja qual for o resultado. A desorientação é uma característica da vida em uma democracia fracassada em que o fascismo é ascendente. Em uma conversa amplamente lida aqui no Salon durante as primeiras semanas do bloqueio provocado pela pandemia nacional e a implosão da economia americana, o jornalista e autor de best-sellers Chris Hedges alertou que, em comparação com o que pode estar por vir, "estes foram bons tempos". Isso foi antes da pandemia de coronavírus continuar sua marcha mortal, em que mais de 136.000 pessoas estão mortas. Os avisos de Hedges também foram dados antes de vermos o horror total da incompetência, da crueldade e da sabotagem de Trump, ou sua vontade de sacrificar milhões de americanos - incluindo, potencialmente, crianças - pela "economia", pelo capitalismo e, claro, por sua própria reeleição. Hedges também deu seu alerta sobre "os bons tempos" antes das ameaças de Trump de lançar mão da lei marcial e usar forças militares contra os protestos por George Floyd e a revolta do povo. Foi também antes de Donald Trump declarar guerra, no fim de semana do Dia da Independência, contra todo e qualquer norte-americano que se atrevesse a se opor a ele. Eu fui atrás de Hedges novamente e perguntei a ele: "Estes ainda são os bons tempos?" Sim, ele disse, eles são. Em nossa última conversa, Hedges explica por que este momento perigoso nos EUA será olhado com carinho, comparado com o que o futuro nos reserva. Ele vê pouca esperança em Joe Bidene no Partido Democrata, que ele acredita não ter soluções substantivas para a desigualdade social e para outros problemas institucionais que geraram Donald Trump e seu movimento neofascista branco. Hedges também está preocupado que os Estado Unidos estejam se transformando no tipo de violência etnopolítica que ele testemunhou pessoalmente na Iugoslávia, durante a guerra civil daquele país na década de 1990.
Mas Hedges também vê esperança para salvar os Estados Unidos da tirania iminente. Onde? Nos protestos por George Floyd e na possibilidade de mudança revolucionária.

Chauncey DeVega: Sob o reinado de Donald Trump, os EUA são um país administrado por uma família criminosa. Trump e seus republicanos não têm autoridade moral. Eles estão removendo todos os controles, demitindo inspetores-gerais dentro do governo federal, o que permitiu que Trump e seus aliados saqueassem bilhões de dólares dos recursos de ajuda ao coronavírus. Trump e seus comparsas se enfurecem na defesa da "lei e a ordem" e na detenção de pessoas que estavam saqueando durante a revolta por de George Floyd - quando, na realidade, os plutocratas estão saqueando um país inteiro e têm feito isso há décadas. Chris Hedges: É um estado da máfia. Não há controle. Não há regulamentação. O sistema está cheio de subornos legalizados. O processo eleitoral também é corrupto. Os tribunais estão empilhados com ideólogos de direita. A imprensa foi comprada e transformada em corporação. Muitos dos nossos direitos constitucionais como norte-americanos foram revogados por decreto judicial, incluindo o direito à privacidade. O dinheiro corporativo inunda as campanhas políticas em nome da "liberdade de expressão". Os Estados Unidos são uma democracia fracassada e um Estado mafioso, esse é o resultado natural do que acontece quando o capitalismo é desregulamentado. Chauncey DeVega: Trump, Mitch McConnell, os outros republicanos e seus aliados capitalistas gângsteres estão dizendo ao público que US$ 1.200 em dinheiro para alívio do coronavírus é adequado. Mas os bilionários e milionários são os que receberam a maior parte dos recursos destinados ao "alívio". Os bilionários norte-americanos estão agora 500 bilhões de dólares mais ricos por causa do desastre do coronavírus. O norte-americano médio está mais perto da falta de moradia. O capitalismo neoliberal equivale ao socialismo para os ricos e os "mercados livres" para todos os outros. Chris Hedges: Mitch McConnell e as outras elites realmente não descobriram o que está acontecendo neste momento de grande crise e revolta. O que estamos vendo agora nos Estados Unidos é muito mais do que as pessoas estarem cansadas da polícia matando pessoas inocentes. É uma revolta geracional e de classe. Sim, a Covid certamente exacerbou isso. Mas toda a lenha que agora arde já estava lá. Subemprego crônico, enorme endividamento do consumidor e estudantil, pessoas sendo, pelos preços, mandadas para fora do sistema de saúde com fins lucrativos e a expansão da polícia militarizada e do sistema prisional. Este movimento é multirracial. É liderado por pessoas não-brancas, mas certamente, há muitos jovens brancos por aí também, e minha impressão é que eles não estão mais aceitando ser abusados pelas elites. Chauncey DeVega: O império sempre contra-ataca. E então, como seria isso? Chris Hedges: Temos que reconhecer que o império está cambaleando em direção ao seu colapso. Então, o que é império? Império é a expressão da supremacia branca além de nossas fronteiras. Toda a natureza do império é ir para o Oriente Médio - anteriormente no Vietnã, América Latina, Filipinas e outros lugares - e roubar recursos naturais e explorar mão de obra barata em nome da supremacia branca. E, claro, temos uma sociedade norte-americana construída sobre a escravidão e o genocídio contra os povos indígenas. O que os impérios tradicionalmente fazem, no seu final, é que eles se envolvem no que os historiadores chamam de "micromilitarismo". No final, à medida que entram em um declínio irrevogável, os impérios se envolvem no aventureirismo militar, em uma tentativa desesperada de trazer de volta o poder perdido, a riqueza perdida e a glória perdida. Os Estados Unidos fizeram isso no Oriente Médio. O resultado é que o país foi esvaziado por dentro. No estágio final, as elites precisam das ferramentas que o império aperfeiçoou em pessoas não-brancas no exterior. É por isso que vemos os drones e a polícia militarizada e armas pesadas, como porta-aviões blindados sendo usados aqui nos Estados Unidos contra os próprios cidadãos do país. Chauncey DeVega: A supremacia branca machuca os brancos. Há tantos exemplos disso, desde a forma como os recursos federais e estaduais são gastos colocando pessoas negras e pardas na prisão em números desproporcionais até como o racismo branco prejudica a economia global. A polícia em Buffalo intencionalmente derrubou aquele homem branco mais velho, que estava lá com a cabeça sangrando enquanto a polícia caminhava sobre ele como se ele fosse lixo humano, foi uma metáfora tão profunda de como o racismo machuca os brancos. Com os protestos por George Floyd e a revolta das pessoas, os brancos estão vendo, novamente, que o que os negros e pardos têm dito sobre a brutalidade policial é verdade. Agora a polícia está brutalizando os brancos. Chris Hedges: Pessoas não-brancas sempre, ao longo da história norte-americana, sofrem primeiro. Eles são os primeiros a sofrer - e sofrem desproporcionalmente. Mas a desindustrialização atingiu a classe trabalhadora branca. As ferramentas de controle estão sendo usadas contra eles. No geral, não culpo tanto os racistas brancos. Eles são o que são. Culpo os progressistas brancos que realmente não prestaram atenção ao que estava acontecendo, principalmente, com as pessoas pobres não-brancas em áreas urbanas. Tudo o que agora está enfurecendo os progressistas brancos não é novo - remonta há décadas. Mas nunca foi realmente coberto pela grande mídia americana. As elites progressistas se ocuparam com o ativismo boutique de "diversidade" e "tolerância", "multiculturalismo" e afins. Claro, isso é bom, mas não quando tais abordagens são divorciadas da justiça econômica. Chauncey DeVega: Quando você olha para esses protestos multirraciais, intergeracionais, o que você vê? Chris Hedges: Houve uma privação de direitos econômicos em massa. Há uma crise de liderança também entre os democratas e os chamados progressistas. Por exemplo, veja o que o Comitê Negro do Congresso está fazendo. Eles estão repetindo o mesmo tipo de clichês cansados sobre a reforma policial que ouvimos há anos. A maioria das pessoas que participam dos protestos por George Floyd sabem que tais reformas são inúteis. Simbolismo vazio. A prefeita de Washington, D.C., Muriel Bowser, pinta "Black Lives Matter" em letras de mais de 10 metrosde altura em uma rua perto da Casa Branca. Mas, ao mesmo tempo, ela está pressionando por um aumento de 45 milhões de dólares no orçamento da polícia e a construção de uma nova prisão de 500 milhões de dólares. Eu não acho que as pessoas estejam engolindo tal performance. Também não acredito que as pessoas estejam comprando o truque Pelosi, de se vestir com um tecido com padrões africanos e "ajoelhar-se em solidariedade ao movimento Back Lives Matter”. Em parte, tais ações não têm credibilidade porque os brancos mais jovens não mais acreditam nas políticas dos oligarcas que produziram toda essa extrema desigualdade social em primeiro lugar. Pessoas não-brancas sabem há muito tempo essa verdade. Agora os brancos mais jovens estão sendo forçados a um novo tipo de percepção e consciência. Isso é muito bom. Chauncey DeVega: Eu me preocupo que os democratas estão se preparando para um grande fracasso e uma derrota esmagadora com toda essa celebração de como Biden está liderando Trump nestas primeiras pesquisas. As pesquisas são um instantâneo no tempo. Eles não são preditivos do resultado no dia da eleição. Hillary Clinton e Mike Dukakis tinham dois dígitos de vantagem em vários momentos, e ambos perderam para os republicanos. Chris Hedges: Por mais embaraçoso e horrível que Trump seja, ele serve ao poder corporativo como Joe Biden. Os grandes financiadores corporativos do Partido Democrata deixaram claro que se Bernie Sanders se tornasse o candidato presidencial, eles apoiariam Trump. A classe de doadores criou um sistema onde eles não podem falhar. Se for Trump ou Biden, Goldman Sachs não perde, ExxonMobil não perde, Raytheon não perde, Citibank não perde. Não há como eles perderem. Eles manipularam o sistema para que seus interesses sejam sempre atendidos. Chauncey DeVega: Donald Trump tentou ordenar que os militares dos Estados Unidos atacassem o povo norte-americano há várias semanas porque se atreveram a participar de protestos maciços contra a brutalidade policial e a desigualdade social. Esses protestos continuam e estudiosos do movimento social estão dizendo agora que os protestos por George Floyd podem ser as maiores mobilizações desse tipo na história norte-americana. Trump tentou implantar a lei marcial e os líderes sênior dos militares dos Estados Unidos basicamente lhe disseram que não. Por um lado, estou feliz que os militares desafiaram Trump. Por outro lado, estou profundamente preocupado com tal poder em uma democracia sendo normalizado. De qualquer forma, os Estados Unidos não são uma democracia saudável. Chris Hedges: Os militares não querem ser destacados para as ruas. Atualmente, são a instituição social e política mais respeitada do país. Os militares recebem ainda mais dinheiro do que pedem dos democratas e republicanos. Os militares, corretamente, viram que seria desastroso para eles seguir as ordens de Trump de reprimir e promulgar a lei marcial. De modo prático, os militares não precisam intervir contra os manifestantes por George Floyd e outros que tomaram as ruas, porque a polícia norte-americana é tão altamente militarizada. Nos Estados Unidos há equipes da SWAT que não parecem muito diferentes dos Rangers do Exército derrubando portas no Afeganistão. Em muitos aspectos, a força antidemocrática mais potente nos Estados Unidos são os militares. Eles são intocáveis. Os militares dos EUA não podem sequer ser auditados. Tal poder e influência são um sintoma clássico do fim de um império. A Guarda Pretoriana não pode mais ser controlada pelos supostos líderes políticos. Chauncey DeVega: Houve incidentes em todo o país em que multidões brancas atacaram manifestantes do Black Lives Matter, antifascistas e outros norte-americanos conscientes. Esses bandidos estão gritando slogans de Trump, vestindo sua roupa de gala e atacando com tacos de beisebol e outras armas. Os fiscais de rua de Trump também têm armas. Onde iremos a partir daqui? Chris Hedges: Quanto mais sitiado Donald Trump se torna, mais ele e os outros racistas e nativistas incitarão a violência. Os Estados Unidos agora me lembram a Iugoslávia durante a década de 1990. Chauncey DeVega: Os partidários de Donald Trump estão dispostos a matar e morrer por ele. Este é apenas o começo do que vai acontecer à medida que o Dia da Eleição se aproxima. Você esteve em zonas de guerra e países dilacerados pela limpeza étnica e genocídio. Como acontece isso das pessoas se virarem umas contra as outras? Chris Hedges: Começa com a disfunção econômica, que foi o que aconteceu na Iugoslávia. A Iugoslávia entrou em falência de fato. As enormes fábricas estatais fecharam, assim como aconteceu aqui nos Estados Unidos. Houve um desemprego maciço, os laços sociais no país foram rompidos. Havia filas de pão. As pessoas perderam tudo, incluindo o sentido de identidade. Como resultado, eles recuaram nessas narrativas míticas sobre si mesmos como sérvios, croatas e muçulmanos. Em um momento assim, o discurso público compartilhado é impossível. Essas outras identidades e seus mitos agora superaram fatos históricos verificáveis. Foi o que aconteceu na Iugoslávia, e isso faz parte do que está acontecendo nos Estados Unidos. Em seguida, há o surgimento de demagogos que demonizam um segmento da população e os visam como o Outro. Então começa a retórica de eliminação e a retórica violenta. Depois de quatro anos, as pessoas começaram a atirar umas nas outras na Iugoslávia. Os Estados Unidos estão se aproximando desse ponto. Chauncey DeVega: Nós nos falamos há vários meses, durante as primeiras semanas do bloqueio nacional do coronavírus e do colapso econômico. Você me disse que por mais horrível que as coisas fossem, eram de fato "os bons tempos". Vários meses se passaram. Os Estados Unidos ainda estão vivendo "bons tempos" em comparação com o que acontecerá no futuro? Chris Hedges: Sim, comparado com o que está por vir. As elites não estão respondendo racionalmente à pandemia de coronavírus, à devastação econômica e à miríade de outros problemas enfrentados pelos Estados Unidos neste momento. A classe dominante norte-americana está fazendo exatamente o que eles fizeram em 2008, que é alinhar seus próprios bolsos às custas do público e jogar o resto do país - os trabalhadores pobres e a classe trabalhadora - de lado como se fossem lixo humano. Isso é tudo muito míope, é claro, por causa dos efeitos reversos disso. As ramificações são catastróficas. Poderíamos pensar que as elites norte-americanas responderiam de uma maneira mais inteligente, mesmo que para sua própria autopreservação. Se eleito presidente, Joe Biden certamente não vai responder corretamente. Os protestos por George Floyd são mais precisamente descritos como uma revolta de classe geracional. Espero que os manifestantes e seus aliados ganhem, porque se não tomarmos o poder de volta deste estado da máfia norte-americana, então haverá um tipo horroroso de tirania no país. Como Aristóteles disse, uma vez que você tenha uma regra oligárquica, há apenas duas opções. É revolução ou tirania, e é isso. Não sou ingênuo o suficiente para dizer que a revolução vai ganhar, mas vou te dizer que se não ganhar, haverá uma tirania corporativa horrível nos Estados Unidos. As elites norte-americanas, a classe dominante, já reescreveram todas as leis. Eles já têm as celas das prisões. Eles já militarizaram as forças de segurança interna. Eles já legitimaram a revogação de direitos básicos como habeas corpus e o devido processo legal. Os norte-americanos já são a população mais vigiada, monitorada, vigiada e fotografada da história humana. As forças da tirania estão prontas. Estou mais otimista porque vejo a resistência nas ruas, que não estava lá há algumas semanas e meses. É aí que reside a esperança. Está nas ruas. E eu tenho que reconhecer essas pessoas. Eles são na maioria jovens, incrivelmente corajosos, eles estão lá fora enfrentando miséria econômica, prisões, uma violência policial indiscriminada, brutal e muitas vezes letal e a COVID-19, e, mesmo assim, eles estão lutando contra a injustiça e as elites. São todos heróis no meu livro.
 
Imagem: John Rudoff/Agência Anadolu/Ying Tang/NurPhoto/Getty Images *Publicado originalmente em 'Salon' | Tradução de César Locatelli
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/a-escolha-dos-eua-uma-horrivel-tirania.html

China pede aos EUA que parem de reprimir empresas chinesas

Hua Chunying – Hora do Povo

Beijing, 450 × 33718 jul (Xinhua) -- A China exortou os Estados Unidos a pararem de reprimir de forma injustificada determinadas empresas chinesas, de abusar do conceito de segurança nacional e de denegrir maliciosamente a China, declarou nesta sexta-feira a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying.

Hua fez as observações ao comentar sobre a implementação dos regulamentos em 13 de agosto, pelo governo dos Estados Unidos, que proibirão suas agências de comprar equipamentos e serviços de qualquer empresa que utilize produtos fabricados pela Huawei e outras quatro empresas chinesas.

A maior falha da Huawei aos olhos dos Estados Unidos é que ela é a empresa chinesa mais avançada no campo 5G, disse Hua em uma coletiva de imprensa.

"Parece que os Estados Unidos não toleraram que outros países sejam melhores em algo, portanto abusam de seu poder estatal para suprimir as empresas chinesas, como a Huawei, sob pretextos banais", disse Hua, enfatizando que é um ato de intimidação econômica e negação gritante dos princípios da economia de mercado que os Estados Unidos sempre se gabaram de ter defendido.

"Todos os países do mundo estão claramente cientes disso", disse ela, exortando o lado americano a proporcionar um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para que as empresas chinesas realizem negócios.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/18/c_139222424.htm

EUA ultrapassam marca de 140 mil mortes por COVID-19

Na Flórida, EUA, um trabalhador da área da saúde realiza testes de detecção da COVID-19, em 6 de julho de 2020.
© AP Photo / Lynne Sladky

A pandemia do novo coronavírus já matou mais de 140 mil pessoas nos Estados Unidos, segundo mostram dados da Universidade John Hopkins.

De acordo com os dados do painel do novo coronavírus da Universidade Johns Hopkins, considerado uma das principais fontes da dinâmica global da pandemia da COVID-19, o número de mortos nos EUA agora é de 140.119 fatalidades em 3.711.359 casos da infecção pela doença, enquanto 1,12 milhão se recuperou.

Com essas estatísticas os EUA seguem sendo o país mais afetado pela pandemia. O Brasil e a Índia, em segundo e terceiro lugar, têm pouco mais de dois milhões e um milhão de casos registrados, respectivamente. 

 

Equipe médica na unidade de terapia intensiva de COVID-19 do hospital United Memorial em Houston, Texas, EUA, 29 de junho de 2020.

© REUTERS / Callaghan O'Hare
Equipe médica trabalhando em unidade de terapia intensiva

Em número de mortes, a distância dos EUA para os outros países também é grande. O Brasil, o segundo em número de mortes, teve 78.772 mortes até agora. Já o Reino Unido, o terceiro na lista, soma 45.358 mortes pelo novo coronavírus.

Os EUA têm registrado recordes sucessivos de novos casos diários no país e alguns de seus estados estão voltando atrás com medidas de reabertura da economia, impondo novamente restrições sociais.

No mundo inteiro, o vírus infectou 14,2 milhões e matou mais de 600 mil pessoas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020071915846178-eua-ultrapassam-marca-de-140-mil-mortes-por-covid-19/

EUA | O dia que nunca chegará

"Eu tenho um sonho" - Martin Luther King jr.
 
 
David Chan* | opinião

 

 

Desde a morte do afro-americano George Floyd nos EUA que o país assiste a uma série de protestos contra discriminação racial que não parecem abrandar. Porém, a resposta da polícia americana tem sido igualmente forte, levando à morte de um afro-americano durante os protestos, e apenas alastrando ainda mais o movimento.

 


Na verdade, tanto os afro-americanos como outras minorias beneficiaram com a revolução industrial. O desenvolvimento do capitalismo levou a uma melhoria nos seus direitos humanos básicos. Durante este processo de mudança histórica existiram apoiantes e opositores, no entanto, aqueles que beneficiam da mudança, os afro-americanos, nunca foram donos do seu destino. A segunda tentativa no país de mudar esta realidade aconteceu a 28 de agosto de 1963, quando Martin Luther King Jr. proferiu o seu famoso discurso “Eu tenho um sonho”, em frente ao Memorial Lincoln. Mais tarde assistimos ao seu assassinato, que iniciou o movimento de luta pelos direitos dos afro-americanos na era moderna dos EUA. Embora os manuais escolares americanos declarem que a “emancipação do Homem negro” seja um símbolo da liberdade no país, e o início dos seus direitos humanos, foi realmente este acontecimento que levou ao nascimento dos movimentos de protesto? O governo americano anteriormente nunca pareceu temer estes protestos. Caso se juntasse um grande número de pessoas, poderiam sempre recorrer ao uso das forças policiais, Guarda Nacional ou até mesmo Forças Armadas. Mas desta vez Trump foi até obrigado a usar o seu bunker como proteção durante os protestos contra a morte de George Floyd. Embora tanto autoridades nacionais como locais tenham anunciado algumas reformas policiais como resposta, o principal foco das mesmas é a redução de violência excessiva contra cidadãos negros, continuando a ser usada a força considerada necessária. O Homem negro continua a lutar pelo seu sonho de ser igual detentor da sua nação, porém, parece que continuará a viver num país inundado por uma ideologia de supremacia branca.

 


Tal como quando Trump se escondeu no seu bunker para se proteger dos protestantes e foi apelidado pelos media de “criança numa gruta”, podemos ver a elite americana a decidir brincar com a cobardia do seu presidente em vez de abordar todas as causas que levaram a estes protestos contra a discriminação racial. A elite americana que beneficia dos seus privilégios como brancos, escolhe assim simplesmente ignorar as vozes e indignação dos afro-americanos.

 


Plataforma

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/eua-o-dia-que-nunca-chegara.html

EUA | Cães polícias já se disfarçam com aparente aspeto humanoide

(Comentário a esta notícia:

Alguém acredita que a violência. repressiva e outra, vai desaparecer dos EUA? A violência, interna e externa, continuará a ser uma componente da superestrutura estadunidense enquanto persistir a base sistémica que a fundamenta. Entretanto é louvável e necessária a denúncia assim como a luta contra essa(s) violência(s). )

 

PoliciaUSA02

 

 
O vídeo que mostra a repressão em Los Angeles (EUA) sob um grupo de manifestantes demonstra o estado avançado da evolução tecnológica do império racista dos EUA. Agentes caninos da polícia já conseguem induzir em erro os que observem os seu aspeto humanoide, só se apercebendo que afinal não se trata de agentes humanos mas sim caninos ou pelo menos selvagens - no pior sentido - quando atuam e interagem com indubitáveis seres humanos. É isso que mostra o vídeo made in USA em apontamento publicado em Plataforma com ligação à fonte Folha de São Paulo. Comprovadamente, uma e outra publicação também foram induzida em erro. Observem atentamente. (PG)

 
Vídeo mostra polícias a derrubar manifestante negro de cadeira de rodas em protesto nos EUA
 
Manifestações em Los Angeles contra violência policial ecoam assassinato de George Floyd

Quando a cidade de Los Angeles completava 44 dias seguidos de protestos contra a violência policial nos Estados Unidos, na última terça-feira (14), a ação controversa de um grupo de agentes voltou a repercutir nas redes sociais.

Em um vídeo gravado por membros de um coletivo de ativistas, os policiais aparecem tentando imobilizar Joshua Wilson, 34, homem negro com deficiência.

Usando os braços para se defender, Wilson é derrubado por pelo menos três policiais e um deles joga sua cadeira de rodas a alguns metros de distância. Na sequência, ele é imobilizado por dois agentes que seguram seus braços e o mantém no chão.

Sob gritos e protestos das pessoas ao redor, mais policiais aparecem imobilizando outro homem ao lado de Wilson e impedindo manifestantes de se aproximarem.

Leia mais em Folha de S.Paulo

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/eua-caes-policias-ja-se-disfarcam-com.html

Recorde de novas infeções por Covid-19 nos EUA

 

Onúmero de novos casos de Covid-19 nos Estados Unidos não pára de aumentar.


De acordo com a universidade Johns Hopkins, no espaço de 24 horas, foram registadas mais de 67 mil novas infeções, um novo recorde.

 


A Florida ultrapassou a barreira dos 300 mil casos confirmados e o número diário de mortes por coronavírus foi, nos últimos dois dias, superior a cem.

 

A rápida propagação do vírus está a fazer aumentar o escrutínio sobre as decisões dos governadores.

 


O governador republicano do Oklahoma, Kevin Stitt, que apoiou um dos planos de reabertura mais agressivos do país e raramente usa máscara, tornou-se no primeiro governador dos Estados Unidos a testar positivo à Covid-19.

 


Stitt diz que sente "um pouco como uma simples constipação. Mas basicamente estou assintomático e, obviamente, batendo na madeira, está tudo bem aqui".

 


O Irão revelou que 140 dos seus trabalhadores da saúde morreram com Covid-19 desde o início da pandemia.

 


O país tem assistido a um rápido aumento do número de novos casos, depois de ter flexibilizado as restrições de confinamento em meados de abril.

 


O Presidente iraniano, Hassan Rohani, pede às pessoas que respeitem as diretrizes da saúde, incluindo o uso de máscaras e o distanciamento social.

 


No continente africano, a situação na África do Sul é a mais mais preocupante. O país já registou mais de 310 mil infeções por Covid-19 e integra a lista dos 10 países com mais casos no mundo.

 


Cerca de 4 mil e 500 pessoas morreram devido à doença, ou seja 1,5% do total de infetados, um número relativamente baixo que os especialistas acreditam dever-se ao facto de o país ter uma elevada percentagem de população jovem. Os especialistas alertam no entanto que a crescente falta de oxigénio e camas hospitalares pode fazer disparar a taxa de mortalidade por Covid-19.

 


Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/recorde-de-novas-infecoes-por-covid-19.html

Vídeo mostra polícias a derrubar manifestante negro de cadeira de rodas em protesto nos EUA

17/07/2020
policiaUSA
 

Manifestações em Los Angeles contra violência policial ecoam assassinato de George Floyd

Quando a cidade de Los Angeles completava 44 dias seguidos de protestos contra a violência policial nos Estados Unidos, na última terça-feira (14), a ação controversa de um grupo de agentes voltou a repercutir nas redes sociais.

Em um vídeo gravado por membros de um coletivo de ativistas, os policiais aparecem tentando imobilizar Joshua Wilson, 34, homem negro com deficiência.

Usando os braços para se defender, Wilson é derrubado por pelo menos três policiais e um deles joga sua cadeira de rodas a alguns metros de distância. Na sequência, ele é imobilizado por dois agentes que seguram seus braços e o mantém no chão.

Sob gritos e protestos das pessoas ao redor, mais policiais aparecem imobilizando outro homem ao lado de Wilson e impedindo manifestantes de se aproximarem.

Leia mais em Folha de S.Paulo

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/17/video-mostra-policias-a-derrubar-manifestante-negro-de-cadeira-de-rodas-em-protesto-nos-eua/

EUA registram 77 mil novos casos de Covid-19 em 24h e atingem novo recorde

Na semana passada, os EUA já haviam registrado um recorde diário com mais de 66 mil novos casos. Mais de 3,5 milhões de pessoas testaram positivo para o coronavírus no país

 

 

247 -Os Estados Unidos registraram recorde de infecções diárias pelo coronavírus, nesta quinta-feira (16), segundo a Universidade Johns Hopkins, que faz um monitoramento dos casos pelo mundo. O país registrou mais de 77 mil novos casos em 24 horas, de acordo com a instituição.

Na semana passada, os EUA já haviam registrado um recorde diário com mais de 66 mil novos casos. Mais de 3,5 milhões de pessoas testaram positivo para a Covid-19. O número de óbitos está por volta de 138 mil.

Desde junho, quando vários estados flexibilizaram ou abandonaram as medidas de isolamento social, o ritmo de contágios vem crescendo extraordinariamente. Agora, 30 dos 50 estados já registraram recordes de infecções neste mês, sendo o novo epicentro da pandemia o estado da Flórida, seguido pela Califórnia e o Texas.

 

Nos EUA, os professores estão tão preocupados com o regresso às aulas que já preparam testamentos

Este ano, o regresso às aulas vai ser um pouco diferente para muitos professores norte-americanos. Alguns deles estão tão preocupados com a evolução da pandemia no país que já preparam testamentos.

 

De acordo com a emissora norte-americana CNN, muitos professores dos Estados Unidos estão a preparar-se para o pior e já começaram a preparar testamentos para o caso de ficarem infetados com o novo coronavírus.

“Quão horrível é que uma das coisas da lista a fazer é ter um plano para o caso de estudantes e professores morrerem?”, questionou Denise Bradford, professora no Distrito Escolar Unificado de Saddleback Valley, na Califórnia.

Esta semana, o Conselho de Educação de Orange County votou a favor de fazer regressar as crianças às escolas sem máscaras nem distanciamento social, apesar do aumento nos casos de coronavírus e de mais de sete mil mortes de covid-19 no estado.

Em declarações à CNN, vários professores sob condição de anonimato mostraram um sentimento semelhante: apesar de sentirem falta dos alunos e do regime presencial, estão preocupados com a sua saúde caso regressem às escolas. “Sentimos muita falta das nossas crianças”, disse Bradford. “Ficamos acordados à noite a pensar se estão bem”.

Louise, professora de educação especial noutro estado onde a covid-19 está a surgir, disse mesmo que está a preparar um testamento e um testamento vital. Além disso, está a estudar um seguro de vida suplementar enquanto se prepara para voltar à escola no próximo mês.

Já Eleeza, professora do ensino médio do mesmo distrito, disse que está a atualizar o seu testamento e a organizar um fundo fiduciário para o seu filho de alto risco, que tem 19 anos. Além disso, também está a preparar um testamento vital para o filho.

Amy Forehand, professora do primeiro anos, disse que fazer um seguro de vida suplementar é uma prioridade para este fim de semana. “Como é que estamos no meio de uma pandemia e eu vou entrar naquela fábrica de germes sem testamento?”, interrogou.

Alguns professores sentem-se vulneráveis porque são mais velhos ou têm outras condições de saúde. Alguns pensam mesmo em despedir-se, mas preocupam-se com as repercussões financeiras se o fizerem.

As decisões sobre se as escolas serão reabertas e em que capacidade foram deixadas à responsabilidade dos distritos escolares com alguma orientação das autoridades estaduais e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

ZAP //

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/eua-professores-aulas-testamentos-335818

China defende que nos EUA 'perderam a razão e se tornaram loucos'

Bandeiras da China e dos EUA
© AP Photo / Andy Wong

"Um pássaro não pode entender a ambição de um cisne", declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying.

A porta-voz do ministério chinês, Hua Chunying, declarou nesta sexta-feira (17) que vários altos funcionários norte-americanos "ficaram loucos", entre eles o procurador-geral William Barr, quanto às relações com o país asiático.

"Estas pessoas, para seu próprio interesse e ganho político, não pensam duas vezes ao sequestrar a opinião pública interna […] até o ponto de perderem a razão e ficarem loucas", afirmou a porta-voz, conforme cita a agência AFP.

Neste contexto, Hua expressou a esperança de que as autoridades de Washington "voltem à racionalidade", acrescentando que a China não tem a intenção de substituir os EUA.

"Um pássaro não pode entender a ambição de um cisne", declarou. "É um erro de juízo e mal-entendido sobre as intenções estratégicas da China", salientou.

Nesta quinta-feira (16), Barr declarou que a "China está atualmente envolvida em uma guerra relâmpago econômica", cujo objetivo é "não somente se unir a outras economias industrializadas avançadas, mas também as substituir por completo".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020071715841068-china-defende-que-nos-eua-perderam-a-razao-e-se-tornaram-loucos/

Escalada de tensão: navios dos EUA voltam a realizar treinos militares no mar do Sul da China

USS Ronald Reagan e o USS Nimitz em formação durante exercícios em 6 de julho de 2020
© Foto / Marinha dos EUA/Jason Tarleton

Dois porta-aviões norte-americanos, escoltados por navios de apoio, vão realizar exercícios militares no mar do Sul da China a partir desta sexta-feira (17), anunciou a Marinha dos EUA.

Esta é a segunda vez em menos de 15 dias que os porta-aviões da Marinha norte-americana USS Ronald Reagan e USS Nimitz realizam exercícios de grande escala no mar do Sul da China.

O contra-almirante Jim Kirk, que comanda o Grupo de Ataque do USS Nimitz, garante que os porta-aviões estão operando onde o direito internacional permite "para reforçar nosso compromisso com um Indo-Pacífico livre e aberto, uma ordem internacional baseada em regras e com nossos aliados e parceiros na região".

 

O porta-aviões USS Nimitz transita pelo estreito de Balabac em 15 de julho de 2020

© Foto / Marinha dos EUA/Elliot Schaudt
O porta-aviões USS Nimitz transita pelo estreito de Balabac em 15 de julho de 2020

"Segurança e estabilidade são essenciais para a paz e a prosperidade para todas as nações e é por esse motivo que a Marinha dos EUA está presente e pronta no Pacífico há mais de 75 anos", afirma Kirk na nota.

Tensão nas relações EUA-China

Embora a Marinha dos EUA tenha indicado que a presença dos porta-aviões não seja uma resposta a eventos políticos, há meses as relações de Washington e Pequim têm piorado em várias áreas, especialmente na disputa por territórios no mar do Sul da China.

Como agravante, o anúncio dos exercícios militares ocorre logo depois de o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, declarar que "as coisas mudaram dramaticamente" nessa região. Pompeo garantiu que os Estados Unidos usarão "todas as ferramentas disponíveis" para apoiar os países da região que acreditam que tiveram sua soberania violada pela China.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020071715840780-escalada-de-tensao-navios-dos-eua-voltam-a-realizar-treinos-militares-no-mar-do-sul-da-china/

Campanha de Trump entra em crise a 111 dias da eleição nos EUA

A imagem de Trump para as eleições presidenciais nos EUA, já bastante abalada pela pandemia de Covid-19, recessão econômica e protestos antirracistas, passou a enfrentar uma situação bastante delicada com a troca do diretor de campanha

 

 

247 -Nos Estados Unidos, Donald Trump troca seu diretor de campanha com 111 dias para as eleições presidenciais. O novo indicado, Bill Stepien, ocupa o cargo deixado por Brad Pascale, que foi demitido após irritar Trump, criando uma expectativa de 100 mil inscritos para um comício em Tulsa, Oklahoma, que teve apenas 6 mil presentes. A informação é da coluna do portal G1.

A campanha de Trump, já bastante abalada pela pandemia de Covid-19, recessão econômica e protestos antirracistas, passou a enfrentar uma situação bastante delicada.

No momento, Joe Biden tem 52% das intenções de votos, contra 37% de Donald Trump. A margem divulgada na quarta-feira (15) é a maior já registrada pela Universidade Quinnipiac, responsável pela pesquisa realizada em nível nacional.

 

Sabotagem do CDC por políticos dos Estados Unidos é "irracional e perigosa", dizem ex-diretores do CDC

On coronavirus data, Team Trump decides to circumvent the CDC

Beijing, 16 jul (Xinhua) -- É "irracional e perigoso" que os políticos dos EUA sabotem os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) na luta contra a COVID-19, alertaram os ex-diretores do CDC em um artigo publicado recentemente pelo The Washington Post.

"Desde a semana passada até esta segunda-feira, o governo continuou questionando publicamente as recomendações e o papel da agência na informação e orientação da resposta pandêmica do país", destacou o artigo publicado nesta terça-feira e assinado por Tom Frieden, Jeffrey Koplan, David Satcher e Richard Besser.

Observando que o CDC tem reunido os pareceres de milhares de especialistas em saúde experientes, o que é fundamental para que os Estados Unidos vençam a batalha contra a pandemia, os ex-diretores do CDC afirmaram que "a ciência fundamentada deles está sendo contestada com críticas partidárias, semeando confusão e desconfiança, " tomando como exemplo as diretrizes do CDC para a reabertura das escolas.

As diretrizes, "destinadas a proteger crianças, professores, funcionários escolares e suas famílias", foram consideradas "um impedimento para reabrir as escolas rapidamente" por alguns políticos, comentaram eles, acrescentando que tais tentativas de abolir as diretrizes apenas gerarão um caos e colocarão vidas em perigo.

"O único motivo válido para mudar as diretrizes divulgadas é a nova informação e a nova ciência - não a política", disseram eles.

"Nós quatro lideramos o CDC por mais de 15 anos... Não recordamos dentro do nosso mandato coletivo uma única vez em que a pressão política levou a uma mudança na interpretação das evidências científicas", indicaram eles.

Os ex-diretores observaram que a campanha anti-CDC dos políticos já " desencadeou uma reação contra as autoridades de saúde pública em todo o país" e levou muitos estadunidenses a ignorarem as diretrizes do CDC, sendo esta a razão por trás das crescentes infecções e mortes nos Estados Unidos.

"Os Estados Unidos possuem um quarto das infecções e mortes pelo coronavírus, apesar de abrigarem apenas 4,4% da população mundial", apontaram.

"Infelizmente, não estamos nem perto de ter o vírus sob controle". Muito pelo contrário, de fato", escreveram.

Para conter a propagação do vírus o mais rápido possível, eles conclamaram os políticos americanos a restituírem o "devido papel" do CDC na luta antiepidêmica, e exortaram a população a aderir às diretrizes do CDC, usando máscaras e mantendo as medidas de distanciamento social.

"Tentar combater esta pandemia, subjugando a ciência, é como lutar de olhos vendados", afirmaram. Fim

Fauci diz que esforços da Casa Branca para desacreditá-lo são "bizarros"

Fauci fires back at White House aide who trashed him in op-ed...

Washington, 16 jul (Xinhua) -- Anthony Fauci, principal especialista em doenças infecciosas dos EUA, descreveu os ataques "bizarros" dos funcionários da Casa Branca como "absurdos" e "totalmente errados".

"Nem nos meus sonhos mais loucos poderia imaginar por que querem fazer isso", disse Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA e um importante membro do grupo de missão contra coronavírus da Casa Branca, em uma entrevista ao The Atlantic publicada na quarta-feira.

Essa reação ocorreu quando a Casa Branca supostamente intensificou seus esforços para desacreditar Fauci. Entre os ataques contra o especialista, o conselheiro presidencial Peter Navarro publicou um artigo no USA Today na terça-feira, criticando que Fauci "estava errado sobre tudo em que tenho interagido com ele".

"Não consigo explicar Perter Navarro", disse Fauci ao The Atlantic. "Ele vive em um mundo sozinho."

"A tentativa de desacreditar a experiência em saúde pública de Fauci é um movimento político com implicações desastrosas", disse a reportagem. "Os americanos que acreditam na campanha anticientífica da Casa Branca só arriscam ficar sem as informações que podem salvar suas vidas."

Cerca de 3,5 milhões de casos confirmados de COVID-19 foram notificados nos Estados Unidos, com mais de 137 mil mortes, de acordo com os dados mais recentes da Universidade de Johns Hopkins. Fim

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/16/c_139217662.htm

EUA ultrapassam pela primeira vez os 70 mil casos nas últimas 24 horas

16/07/2020
 

Os Estados Unidos ultrapassaram pela primeira vez a barreira dos 70 mil casos de covid-19, nas últimas 24 horas, elevando para mais de 3,49 milhões o total de contágios no país, indicou a Universidade Johns Hopkins.

De acordo com os números contabilizados pela universidade norte-americana, sediada em Baltimore (leste), até às 20:00 de quarta-feira (01:00 de hoje em Lisboa), as autoridades sanitárias dos EUA registaram 74.513 novas infeções, além de 803 mortos, aumentando para 137.235 óbitos desde o início da epidemia no país.

Estes números equivalem a cerca do dobro dos níveis de contaminação registados no mês de abril, quando grande parte do país estava confinado.

A primeira potência mundial sofreu nas últimas semanas um aumento de infeções no sul e oeste do país, de longe o mais afetado do mundo em termos absolutos, tanto em número de mortos como de casos.

As últimas atualizações de modelos epidemiológicos indicam que o país pode atingir entre 151 mil mortos a 01 de agosto e 157 mil a 08 de agosto, de acordo com a média dos modelos de 23 grupos de investigação, cujos resultados foram divulgados na terça-feira por uma equipa da Universidade de Massachusetts, em nome dos Centros de Prevenção e de Luta contra as Doenças (CDC) norte-americanos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 579 mil mortos e infetou mais de 13,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/16/eua-ultrapassam-pela-primeira-vez-os-70-mil-casos-nas-ultimas-24-horas/

China responde às pressões dos EUA e ameaça com sanções

Lusa - 16/07/2020
 

A China ameaçou hoje os Estados Unidos de represálias após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter aprovado uma lei que prevê sanções contra a “repressão” de Pequim no seu território semiautónomo de Hong Kong.

A ameaça consta de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, divulgado após ter convocado o embaixador norte-americano em Pequim para protestar contras as medidas sancionatórias de Washington.

“[A lei norte-americana é] uma ingerência flagrante nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos internos da China. Com o objetivo de salvaguardar os seus interesses legítimos, a China dará a resposta necessária e imporá sanções às pessoas e entidades norte-americanas que estão envolvidas”, advertiu Pequim.

“A China continuará firme na sua determinação e na sua vontade de salvaguardar a sua soberania”, sublinha-se ainda no comunicado do Ministério dos Negócios estrangeiros chinês.

A imposição por Pequim, em fins de junho, de uma lei sobre a segurança nacional na antiga colónia britânica (até 1997) fez crer um recuo das liberdades, tendo Washington, Londres e outras capitais ocidentais expressaram oposição.

Terça-feira, Trump acentuou a pressão ao anunciar o fim do regime económico preferencial atribuído pelos Estados Unidos a Hong Kong, um importante centro financeiro internacional, depois de aprovar uma lei que prevê a imposição de sanções contra responsáveis de Hong Kong e da China.

“Hong Kong será tratado como a China. Não haverá qualquer privilégio especial, nem um tratamento económico especial e não haverá exportações de tecnologias sensíveis”, disse Trump terça-feira, acrescentando que não tem também qualquer intenção de se encontrar com o homólogo chinês Xi Jinping para atenuar as tensões.

A lei, aprovada por unanimidade no início deste mês pelo Congresso norte-americano, visa não só responsáveis chineses, mas também a polícia de Hong Kong.

Por seu lado, a lei sobre a segurança em Hong Kong, visa reprimir atividades subversivas e o conluio com forças estrangeiras que ponham em causa a segurança nacional.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/16/china-responde-as-pressoes-dos-eua-e-ameaca-com-sancoes/

Covid-19 (III) – Estados Unidos e Brasil

No seguimento dos dois primeiros artigos dedicados ao surgimento da Covid-19 na China e ao seu aparecimento na Europa, descreve-se agora o sinuoso trajecto da abordagem da pandemia nos Estados Unidos e no Brasil.

CréditosJim Lo Scalzo / EPA

O governo dos USA seguiu o modelo 1 de Buffagni que vale a pena relembrar: «Aqueles que escolhem o modelo 1 fazem um cálculo de custo/benefício, e optam por sacrificar uma parte da população.»1

Como superpotência com influência mundial e devido à personalidade arrogante e boçal do presidente, a administração Trump constituiu-se em exemplo absoluto de incompetência, oportunismo e demagogia.

São inúmeros os vídeos com contraditórias afirmações do Presidente Trump ao longo do tempo, começando por menorizar a importância da pandemia – «é uma simples gripe», «vamos todos ficar bem», «a América vai continuar a trabalhar» – passando depois, perante a acumulação de mortos, a fazer o auto elogio e a culpabilizar os outros.

Tudo ainda é pior quando se soma o «sistema de ausência de sistema» dos USA, não existindo nenhuma organização nacional prestadora de cuidados de Saúde do tipo do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou do NHS inglês (hoje também fragilizado pelas políticas de Margareth Tatcher, Tony Blair e sucessores).

Nos USA é o «cada um trata de si», com seguros privados para quem os pode pagar (caros e com muitas exclusões e limites de despesa), a que se acrescentam perto de 50 milhões de pessoas sem qualquer cobertura e totalmente entregues à sua sorte.

Keith Corl, médico e professor na Universidade de Brown, refere: «O nosso sistema de saúde está perfeitamente desenhado para o negócio da medicina: Extrair lucro dos doentes.»2

Nessa lógica do business, a medicina preventiva fica para trás. De resto, em Novembro de 2008, o National Intelligence Council, da CIA, enviou à Casa Branca um relatório elaborado por peritos vários países – «Global Trends 2025: A Transformed World» – alertando para «a aparição de uma doença respiratória nova, (…) que se poderia converter numa pandemia global.»3

 

Desprezando esse e outros avisos (entre os quais um do Pentágono, em 2017), Trump, fechou, em 2018, o gabinete de Biodefesa e Saúde Global dirigido pelo almirante Timothy Ziemer, perito em epidemiologia, precisamente a instituição encarregada de coordenar o combate a pandemias.

Comentando, na altura, a decisão, Jeremy Konyndyke, dirigente da Agency for International Development durante a administração de Obama, afirmou: «Isto coloca-nos literalmente desprotegidos. É inexplicável.»4

Em vez de as autoridades governamentais tomarem precauções atempadas contra a pandemia, deixaram os profissionais de saúde sem equipamento de protecção e ameaçaram de despedimento os que denunciassem as faltas.5

E quando o número de infectados e mortos em Nova Iorque começou a ser o anúncio de uma catástrofe, Trump, com eleições no olho e o seu estilo da pior ficção televisiva, elevou o tom do ataque a cientistas, adversários políticos, à OMS (WHO) e à China, acusadas de uma perversa conspiração contra ele e os USA.

Assim, depois de se ter atirado aos governadores democratas por terem decretado alguma forma de confinamento, Trump resolveu interromper o financiamento à OMS, acusando-a de encobrir alegadas malfeitorias chinesas.

Richard Horton, editor da revista médica The Lancet, classificou a decisão de Trump como «um crime contra a humanidade» e «uma traição atroz contra a solidariedade global».6

Não contente com isso, Trump acrescentou o corte de bolsas e financiamento a investigadores americanos ligados à batalha contra a pandemia, e foi duramente criticado num artigo da revista Science publicado a 30 de Maio – «NIH’s axing of bat coronavirus grant a "horrible precedent" and might break rules»: «É a coisa mais contraproducente que eu podia imaginar, dada a relevância da investigação para perceber a corrente pandemia e poder evitar futuros surtos virais», disse Gerald Keuch, o anterior director do National Institute of Health (NIH) da Universidade de Boston.7

A isso somou ainda a recusa em participar na parceria internacional apoiada pela OMS para a descoberta e produção de uma vacina sem fins lucrativos.8

De resto, o presidente americano já tinha tentado comprar um laboratório alemão (CureVac), que está a desenvolver uma vacina, a fim de garantir o seu uso exclusivo nos USA, tendo sido impedido pelo governo alemão.9

Mas o primarismo de presidente dos USA atingiu o auge quando, numa conferência de imprensa, lançou a ideia de tratar o vírus «com uma tremenda luz que seja ultravioleta ou uma luz muito poderosa (…) vejo que o desinfectante agride o vírus num minuto, então há maneira de fazer algo, como com uma injecção ou quase uma limpeza, como podem ver chega aos pulmões e tem um efeito tremendo, vai ser interessante confirmar isso (sic..)».10

«Assim, depois de se ter atirado aos governadores democratas por terem decretado alguma forma de confinamento, Trump resolveu interromper o financiamento à OMS, acusando-a de encobrir alegadas malfeitorias chinesas.»

Anthony Fauci, assessor do presidente e director do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, e a OMS criticaram de imediato tais sugestões e, na comunicação social, as afirmações de Trump foram justamente consideradas «irresponsáveis e perigosas».11

Embora pessoalmente desprestigiado e sem credibilidade, as descabeladas campanhas de Trump & companhia continuam a ter repercussão mundial, sendo veiculadas de diversas formas mesmo por muitos dos que o criticam.

Um documento intitulado «Corona Big Book – Main Messages», do Comité Nacional do Senado do Partido Republicano sobre o que os seus candidatos ao Senado deveriam dizer nos debates e comícios, aconselhava-os a «se perguntarem se a propagação do coronavírus é culpa de Trump, devem responder desviando o tema para a China. Não defendam Trump, ataquem a China».12

Por isso, enquanto se multiplicavam afirmações de cientistas sobre a comprovada origem natural do vírus e a injusta acusação à OMS, passaram a repetir-se por todo o lado «comentários» e «análises» a falarem do fabrico ou fuga do novo agente infeccioso do Centro de Investigação de Wuhan, na China, também acusado de desleixo e falta de segurança.

Como a generalidade da comunidade científica, também Anthony Fauci, o já citado virologista assessor do presidente Trump (que frequentemente contradiz e corrige), considerou a acusação ao Centro de Whuan sem fundamento. «Toda a evolução ao longo do tempo aponta fortemente para que o vírus existente na natureza saltou para as diversas espécies.13

E quando, em fins de Maio, o número de mortos nos USA atingiu o dobro das perdas norte-americanas na guerra do Vietnam (mais de 100 000 – Covid-19/ 58 220 –Vietnam), a ofensiva da propaganda virou-se ainda mais contra a China, a nova encarnação do mal, culpada de tudo o que de pior pode vir do coronavírus.

Essa distorção da realidade, testemunhada pela comunidade científica norte-americana que mantém estreitas relações pessoais e científicas com os seus colegas chineses, fez com que os próprios investigadores americanos fossem alvo da retaliação trumpista.

Reagindo a isso, 77 prémios Nobel americanos e 31 sociedades científicas dos USA protestaram energicamente contra a já referida decisão da direcção do National Institute of Health (NIH) de cortar o financiamento à investigação de coronavírus na China, exigindo que «a acção do NIH deve ser imediatamente reconsiderada».14

Por outro lado, a 14 de Maio, o New York Times denunciou as pressões da administração Trump junto dos serviços secretos «para procurarem provas que suportem a mal baseada teoria de que o laboratório de Wuhan, China, está na origem da propagação do coronavírus».15

Contudo, foram as próprias «Five eys» – a parceria das agências secretas dos USA, Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia e Canadá – a desmentirem a descabida teoria de Trump: «Não há qualquer evidência que sugira que o coronavírus saiu de um laboratório de investigação chinesa, disseram fontes dos serviços secretos».16

Baralhando ainda mais a estratégia trumpista, a 25 de Abril 2020, a revista científica International Journal of Antimicrobial Agents publicou um artigo de médicos franceses intitulado «SARS-CoV-2 was already spreading in France in late December 2019», mostrando que a Covid-19 já estava presente em França em Dezembro de 2019, simultaneamente com os primeiros casos observados em Wuhan.

Michelle Roberts, editora para as questões de saúde da BBC, concluiu que, «se os resultados forem correctos, isso mostra que já havia (em França) casos de Covid-19 não diagnosticados, enquanto todos os olhos estavam virados para o Oriente e focados em Wuhan».17

Também em Itália foi noticiado que o novo coronavírus já estava presente nas águas residuais de Milão e Turim em Dezembro de 2019, dois meses antes de ter sido detectado o primeiro infectado em Itália.18

Essas e outras descobertas põem mais em cheque as aberrantes teorias acusatórias do presidente dos USA.

Apesar disso, muitos dirigentes políticos, embora torcendo o nariz à irresponsabilidade de Trump, seguem a linha que ele define, replicando as suas ideias.

Se, para sacudir o vírus do capote, o presidente dos USA diz mal da OMS e lhe tira dinheiro no auge de uma pandemia global, logo surge o compenetrado primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, a pedir um inquérito «transparente» à organização-alvo, com o gaulês Emanuel Macron, cheio de gravitas, a funcionar como câmara de eco.

«Apesar disso, muitos dirigentes políticos, embora torcendo o nariz à irresponsabilidade de Trump, seguem a linha que ele define, replicando as suas ideias.»

Em resposta, o governo chinês reagiu exemplarmente aceitando continuar a partilhar os conhecimentos e participar na parceria internacional proposta pela Costa Rica e adoptada pela OMS para investigar tratamentos e vacinas gratuitos, com o Presidente Xi Jiping a assegurar um aumento do apoio financeiro à OMS no valor de dois mil milhões de dólares, mais que duplicando o corte de Trump.19

Mas, se as teorias sobre a fabricação do vírus não chegam, há que criticar – por vezes de forma sinuosa – a ajuda da China e a qualidade do material que fabrica.

No Público de 29-5-20, o jornalista Jorge Almeida Fernandes, referia, a meio de um texto sobre a nova lei de segurança de Hong Kong: «(…) Trump parece mais interessado na "guerra" com a China do que no combate à pandemia, ou seja, apenas pensa nas eleições (…)».

Mas logo à frente, acrescentava: «Depois de ter escondido a epidemia, e de pôr a China no banco dos réus, Xi lançou uma agressiva ofensiva diplomática, baseada na "guerra das máscaras", para projectar a imagem de potência generosa e paladino da cooperação internacional.»20

Podemos ver como se reproduz (consciente ou inconscientemente) a estratégia do Partido Republicano dos USA de «não defender Trump, atacar a China», acusando-a falsamente de «ter escondido a pandemia», o que é cabalmente desmentido pela documentação referida no primeiro artigo desta série e na revista médica The Lancet.21

 

Já quanto à qualidade do material chinês, o programa Polígrafo (SIC-N), decidiu seleccionar, para escrutínio, «se milhares de máscaras compradas por Espanha à China, não eram seguras por serem fracas e não filtrarem o suficiente». A resposta foi «verdadeiro», omitindo que o governo chinês alertara os compradores internacionais para não adquirirem produtos a empresas não certificadas pelas autoridades chinesas.

Mais recentemente, a 7 de Julho de 2020, a RTP noticiou a compra por Portugal «à China» de centenas de milhares máscaras falsificadas, cortando que o dono da empresa já tinha sido condenado pelas autoridades judiciais chinesas, encontrando-se em fuga.22

Como dizia Bismark, «Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois da caça». Não sabemos se Trump e os mediaocidentais são caçadores, mas quanto ao resto, correspondem.

Contudo, o estratagema do presidente norte-americano de desviar as atenções da sua incompetência culpabilizando os outros, não travou a crise económica no seu país.

«Como dizia Bismark, "Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois da caça". Não sabemos se Trump e os mediaocidentais são caçadores, mas quanto ao resto, correspondem.»

Nos USA, o país mais rico do mundo, 30 milhões de crianças aguardavam ajudas contra a fome, porque o programa (Pandemic-EBT) de mitigação da falta de refeições escolares só abrangeu, até agora, 4,4 milhões de crianças.23

Em dois meses, 41 milhões de novos desempregados inscreveram-se a pedir ajuda. Segundo alguns economistas, a crise económica já ultrapassou a de 1929.24

Mas a cascata de contra-informação não parou e quando as teorias da fabricação do vírus «de Wuhan» e os defeitos das máscaras chinesas foram perdendo fulgor, uma nova acusação surgiu agora virada para um alegado atraso na sequenciação do vírus e da sua comunicação à OMS.

A 2 de Junho, quase meio ano depois da comunicação da sua sequenciação à OMS, o Público anunciava: «Covid-19: China atrasou partilha de mapa genético do vírus com a OMS».

No dia seguinte, o Expresso repetia o título. Segundo o semanário, a agência Associated Press(AP), «baseada em documentos internos e dezenas de entrevistas», revelava que, «os especialistas da agência das Nações Unidas para a saúde queixavam-se em privado da falta de informação partilhada por Pequim».

Nessa mesma noite, a notícia das «queixas em privado» de especialistas da OMS contra a China é repetida duas vezes com estrondo no Telejornal da RTP.

«Nos USA, o país mais rico do mundo, 30 milhões de crianças aguardavam ajudas contra a fome, porque o programa (Pandemic-EBT) de mitigação da falta de refeições escolares só abrangeu, até agora, 4,4 milhões de crianças»

Contudo, o texto (propositadamente?) confuso do Público, de 2-6-20, acabava por esclarecer que o director-geral da OMS, Tedros Ghebre, tinha negado firmemente a acusação, acrescentando: «Deveríamos realmente expressar o nosso respeito e gratidão à China pelo que está a fazer. Já fez coisas incríveis para limitar a transmissão do vírus para outros países.»

Relembremos que, desde os primeiros casos no hospital de Wuhan em que se suspeitou de um novo vírus (26-12-20), até à comunicação do facto à OMS (31-12-20), a China demorou apenas cinco dias. E a sequenciação genética do vírus, partilhada livremente por todo o mundo, demorou menos de duas semanas…

A 11 de Junho de 2020 o número de infectados nos USA era já superior a dois milhões (2 077 146), e a Covid-19 tinha feito 115 572 mortos.

A 27 de Junho, o número de infectados continuava a crescer (2 593 598) assim como o número de mortos (128 132) e o índice de mortos por milhão de habitantes elevava-se a 387, mostrando que a pandemia estava sem controlo.25

Como reacção, Trump começou a anunciar a suspensão dos testes para diminuir o número registado de infectados e pediu a Supremo Tribunal de Justiça para acabar com o apoio de cuidados de saúde proporcionado pelo «Obamacare» a 23 milhões de norte-americanos, mostrando a sua total insensibilidade perante a tragédia que afecta os seus concidadãos.26

A 12 de Julho de 2020, o número de infectados nos USA continua a subir, aproximando-se rapidamente dos três milhões e meio (3 410 812) e o número de mortos é de 137 767 (ultrapassando o dobro das perdas na guerra do Vietnam), com os hospitais de alguns Estados a atingirem o ponto de ruptura.

O Brasil

As atitudes do presidente Bolsonaro foram em tudo semelhantes às do seu «primo» norte-americano, quer na forma de menorizar o perigo da pandemia e de afrontar a comunidade científica, quer na culpabilização dos outros, nomeadamente a OMS.

Sucederam-se as declarações polémicas da presidência do Brasil, a que nem faltou a não utilização de máscara e a defesa fotocopiada da hidroxicloroquina – o remédio político usado por Trump para atenuar a sensação do perigo causado pela falta de medidas para evitar a propagação do vírus – levando à demissão sucessiva de vários ministros da Saúde.

«Talvez a maior ameaça à resposta à Covid-19 no Brasil seja seu presidente, Jair Bolsonaro», afirmava o editorial da revista médica The Lancet, de 9 de Maio de 2020.

«Em fins de Junho, enquanto o Brasil tinha 1 280 054 infectados e 56 109 mortos, com uma relação de 264 mortos por milhão de habitantes, na Venezuela da «ditadura» de Maduro, o total de infectados era de 4779, com um total de 41 mortos e uma relação de um morto por milhão de habitantes.»

Salientando que o primeiro caso tinha sido registado no Brasil só a 25 de Fevereiro, a The Lancet apontava que a disseminação da doença foi muito rápida, sendo o Brasil, a 4 de Maio, o país com mais casos e mortes de toda a América Latina – 105 222 infectados e 7288 mortos.27

A 30 de Maio, o Brasil já era o segundo país do mundo – a seguir aos USA – com um maior número de população infectada (498 440 casos e 28 834 mortos).

No fim da primeira semana de Junho esse número tinha duplicado (787 489 infectados e 40 276 mortos – Worldometer, 11-6-20), e o Presidente Bolsonaro começou a proibir a publicação dos registos totais do país, mostrando despudoramente o desejo de ocultar a realidade das consequências da Covid-19 e da sua irresponsável atitude.

Na América Latina, contrastando com o caos brasileiro e o seu reaccionário presidente, Cuba e Venezuela, apesar de cercados por duríssimos bloqueios e sanções impostos pelos USA, cujo carácter desumano se acentua mais no contexto de uma pandemia, assumiram como clara prioridade a protecção da população, não hesitando em tomar as medidas de confinamento e segurança necessárias, por muito que isso custasse no difícil quadro de limitações económicas que vivem.

Os resultados são claros:

Em fins de Junho, enquanto o Brasil tinha 1 280 054 infectados e 56 109 mortos, com uma relação de 264 mortos por milhão de habitantes, na Venezuela da «ditadura» de Maduro, o total de infectados era de 4779, com um total de 41 mortos e uma relação de um morto por milhão de habitantes.28

Já Cuba, para além do apoio médico solidário prestado a outros países (como Itália), conseguiu também excelentes resultados: um total de 2.330 infetados, 86 mortos e uma relação de oito mortos por milhão de habitantes.29

A 9 de Julho de 2020, poucos dias após o Presidente Bolsonaro confirmar que estava infectado com Covid-19 e de fazer uma inenarrável aparição na TV de frasco de comprimidos na mão transformado em vendedor de hidroxicloroquina, o Brasil mantinha-se como o segundo país com mais infectados (1 727 279), a seguir aos USA, tendo registado (por defeito), 68 355 mortes.30

(Continua na próxima semana – Covid 19 (IV) – Portugal)

 

Artigos anteriores: O início da Covid-19 / Covid-19 (II) – A Europa

 

  • 1.  R. Buffagni , Italiaeilmondo, 14-3-20
  • 2. «When the Covid-19 pandemic is over, health care must not return to business as usual», STAT, 3-4-20
  • 3. «La Pandemia y el sistema-mundo», I. Ramonet
  • 4. Washinton Post, 10-5-2018
  • 5. Observador, 2-4-20
  • 6. Times, 26-4-20
  • 7. Science, 30-4-20
  • 8. «WHO embraces plan for Covid-19 intellectual property pool», STAT, 15-5-20
  • 9. Expresso, 15-3-20
  • 10. You Tube, AFP, CNN, SIC Notícias, Rádio Renascença e outros, 24-4-20
  • 11. CNN
  • 12. (O´Donell & Associates, 17-4-20; Politico 24-4-20; Business Insider, 25-4-209
  • 13. Anthony Fauci, National Geografic, 4-5-20
  • 14. Science, 21-5-20
  • 15. New York Times,14-5-20
  • 16. The Guardian, 4-5-20
  • 17. BBC, 5-5-20
  • 18. DN,19-6-20
  • 19. «Speech by President Xi Jinping at opening of 73rd World Health Assembly», Global Times 18-5-20
  • 20. Público, 30-5-20
  • 21. «Why President Trump is wrong about WHO», The Lancet, 14-4-20
  • 22. Público, 7-7-20
  • 23. New York Times, 26-5-20
  • 24. SIC Notícias, 28-5-20
  • 25. Worldometer, 27-6-20
  • 26. «Trump Administration Asks Supreme Court to Strike Down Affordable Care Act», New York Times, 26-6-20
  • 27. The Lancet, 9-5-20
  • 28. Worldometer 27-6-20
  • 29. Worldometer, 27-6-20
  • 30. Wordlometer, 9-7-20

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/covid-19-iii-estados-unidos-e-brasil

Cuba considera proposta de Trump de vender Porto Rico como 'evidência' de desprezo

Chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla
© AP Photo / Alex Brandon

Elaine Duke, ex-secretária adjunta da Segurança Nacional do presidente dos EUA, recentemente revelou que Donald Trump havia proposto "alienar" ou "vender" a ilha após o furacão Maria.

O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, escreveu em sua conta do Twitter que a intenção de Donald Trump de "vender" o Estado Livre Associado de Porto Rico após ser atingido pelo furacão Maria "é uma evidência grosseira de desprezo do presidente norte-americano pelas nações do hemisfério".

https://twitter.com/BrunoRguezP/status/1283736845591949312?ref_src=twsrc%5Etfw

​A recentemente divulgada tentativa de vender Porto Rico é uma evidência grosseira de que o presidente dos EUA despreza as nações do hemisfério e explica a adesão à Doutrina Monroe, um instrumento colonial com uma história bem conhecida de mortes e dificuldades.

Recentemente, Elaine Duke, ex-secretária adjunta de Segurança Nacional do presidente dos EUA, Donald Trump, revelou em uma entrevista ao The New York Times que Trump propôs "alienar" ou "vender" a ilha logo depois de ser atingida pelo furacão Maria em 2017, o que resultou na morte de aproximadamente três mil pessoas, além de perdas estimadas em US$ 43 bilhões (R$ 229 bilhões).

Duke afirmou que "as ideias iniciais do presidente eram de um homem de negócios [...] Podemos terceirizar a eletricidade? Podemos vender a ilha? Ou alienar esse ativo?", teria se perguntado Trump.

No entanto, essa sugestão não foi considerada ou discutida de maneira séria, ressalta a ex-funcionária.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020071615837440-cuba-considera-proposta-de-trump-de-vender-porto-rico-como-evidencia-de-desprezo/

"Mito sobre reabertura da economia está custando vidas", diz colunista dos EUA

Frida Ghitis
 

Washington, 14 jul (Xinhua) - Não há negociação entre vencer a pandemia da COVID-19 e restaurar a economia, e "o mito de reabrir a economia está matando pessoas", afirmou a colunista Frida Ghitis.

Os Estados Unidos estão "batendo recordes todos os dias" no número de infecções pela COVID-19 "enquanto muitos outros países desenvolvidos voltam gradualmente ao normal", escreveu Ghitis em um recente artigo de opinião publicado pela CNN, destacando a necessidade urgente de combater o vírus no país.

"Combater a pandemia é um passo indispensável para o retorno ao crescimento. Não há negociação", escreveu ela. "Todos queremos que a economia se recupere, mas permitir que o coronavírus se alastre não é o caminho."

Citando dados do New York Times, Ghitis afirmou que os estados que "reabriram precoce e agressivamente... estão se tornando os novos epicentros", como a Flórida, que relatou um recorde de 15.299 novos casos no domingo.

"A reabertura cria uma cintilação da atividade econômica, uma ilusão fugaz de recuperação, seguida de uma explosão de contágios e mortes, o que exige novas paralisações", explicou a colunista.

"Se o país inteiro tivesse continuado um estrito fechamento além de algumas semanas na primavera", disse ela, "dezenas de milhares de vidas poderiam ter sido salvas".

A autora observou que a administração americana está entre aquelas que "propagam o mito", alegando que a crença "é armada e turbinada pela agenda eleitoral".

A administração também foi contra as recomendações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA em relação às escolas, já que os epidemiologistas da agência alertaram que as escolas e universidades representam o "maior risco" para a disseminação do vírus, acrescentou.

"Para indivíduos e funcionários públicos, é fundamental entender que a única maneira de voltar ao normal e proteger os empregos e os salários, é salvando vidas", concluiu o artigo. "Não há negociação."

De acordo com os dados compilados pela Universidade Johns Hopkins, o número de casos nos EUA ultrapassou 3,4 milhões na terça-feira, atingindo 3.406.945 até 16h38, horário local (2038 GMT), enquanto o total de óbitos subiu para 136.244.

 

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/15/c_139214466.htm

EUA com 850 mortos e mais de 63 mil infeções nas últimas 24 horas


 
Os Estados Unidos registaram 850 mortes causadas pela covid-19 e 63.262 novas infeções nas últimas 24 horas, indicou a Universidade Johns Hopkins.

Desde o início da epidemia no país, o total de óbitos eleva-se a 136.432, enquanto os casos identificados ultrapassaram já os 3,42 milhões, de acordo com os números contabilizados pela universidade norte-americana, sediada em Baltimore (leste), até às 20:30 de terça-feira (01:30 de hoje em Lisboa).
 
A primeira potência mundial sofreu nas últimas semanas um aumento de infeções no sul e oeste do país, de longe o mais afetado do mundo em termos absolutos, tanto em número de mortos como de casos.

Só o estado da Florida (sudeste), um dos primeiros a sair do confinamento, registou 132 mortos e mais de nove mil casos de covid-19 nas últimas 24 horas.
Esta situação levou alguns estados a recuarem na abertura de comércios e serviços, como a Califórnia (costa oeste), e muitos tornaram o uso de máscara em locais públicos obrigatório.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 574 mil mortos e infetou quase 13,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Notícias ao Minuto | Lusa

Leia em Notícias ao Minuto: 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/eua-com-850-mortos-e-mais-de-63-mil.html

Marinha dos EUA desafia 'excessiva' reivindicação marítima da Venezuela no Caribe

Destróier da Marinha dos EUA USS Pinckney
 
 

A Marinha dos EUA anunciou nesta quarta-feira (15) que segue com a operação de "liberdade de navegação" no mar do Caribe, apesar da "reclamação excessiva" da Venezuela aquando da operação anterior.

A mais recente manobra é liderada pelo destróier de mísseis USS Pinckney (DDG 91), da classe Arleigh Burke, um dos maiores e mais potentes construídos nos EUA.

Durante a operação anterior, os EUA asseguraram que as suas forças navais se mantiveram "fora das 12 milhas náuticas a partir da costa venezuelana". No entanto, os navios navegaram por uma zona que a Venezuela reivindica.

"Exercemos nosso direito legal de navegar livremente em águas internacionais sem aceitar reivindicações ilegais", argumentou o almirante Craig Faller, que preside o Comando Sul dos EUA.

Desde abril, navios da Marinha norte-americana navegam perto do litoral venezuelano como parte de uma "operação antinarcóticos" nas águas do Caribe.

https://twitter.com/Southcom/status/1283458124385525760?ref_src=twsrc%5Etfw

​O USS Pinckney conduz uma operação de liberdade de navegação no mar do Caribe, contestando reivindicação marítima excessiva da Venezuela.

Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que essas operações, executadas com a colaboração de "parceiros chave regionais", como a Colômbia, permitiram "1.000 prisões e a apreensão de 120 toneladas métricas de narcóticos [...]", supostamente destinados a "financiar" o líder venezuelano, que Washington acusa sem provas de utilizar "os benefícios da droga para manter seu poder".

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, repudiou as "acusações sujas, imundas e falsas" contra o país sul-americano, considerando que Washington tenta "ganhar votos para a reeleição de Donald Trump".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020071615835966-marinha-dos-eua-desafia-excessiva-reivindicacao-maritima-da-venezuela-no-caribe/

EUA:Extorsão neofeudal, declínio e colapso

por Charles Hugh Smith

 Os EUA possuem uma estrutura legal de autogoverno e propriedade do capital, mas na realidade são uma oligarquia neofeudal.

Segundo o mercado acionista, a pandemia está ultrapassada e a economia está de novo em força, estamos novamente a voltar aos bons e velhos tempos de 2019. Nada com que se preocupar, recuperamos a trajetória da alta e alta sempre mais alta, melhor todos os dias e de todas as formas.

Tudo está ótimo... exceto a podridão fatal no coração da economia dos EUA que nem sequer foi reconhecida, muito menos abordada: todos os setores da economia nada mais são que formas de extorsão neofeudal ou outra.

Vamos girar a máquina do tempo de volta ao final da Idade Média, no auge do feudalismo, e imaginar que tentamos levar um barco cheio de mercadorias para vender na cidade mais próxima. À medida que descemos o rio, somos constantemente impedidos e cobram-nos uma taxa pela passagem de um pequeno feudo após outro. Quando finalmente chegamos à cidade, há uma taxa de entrada para levar os nossos produtos ao mercado.

Observe-se que nenhuma dessas taxas foi paga por melhorias no transporte ou por serviços prestados; são simplesmente extorsão. Essa era a estrutura económica do feudalismo: pequenos feudos cobravam taxas extorsivas que financiavam o estilo de vida da nobreza.

É por isso que há muito tempo considero a economia americana como neofeudal: pagamos taxas cada vez maiores por serviços que se estão a degradar e não a melhorar. Essa é a essência da extorsão: não obtemos nenhuma melhoria em bens e serviços pelo dinheiro extra que somos obrigados a pagar.

Considere-se o ensino superior: os custos sobem enquanto o valor do "produto" – um diploma universitário – diminui. Que valor extra os estudantes recebem pela duplicação de propinas e outros encargos? A resposta é breve: "nenhum". Os diplomas universitários são em excesso em relação à procura do mercado, estudos mostram que a maioria dos estudantes recebe incrivelmente pouco de valor na universidade.

Como explico em meu livro Nearly Free University and the Emerging Economy , a solução não é credenciar a instituição, mas sim credenciar o aluno. Se o aluno aprendeu muito pouco, ele ou ela não será credenciada.

Se os alunos tivessem acesso às melhores palestras em sala de aula on-line (quase gratuitas) e aprendizagem no local de trabalho (quase gratuita ou talvez mesmo pagas), a aprendizagem seria significativamente melhorada e os custos reduzidos de 80% a 90%. Nesta estrutura, não haveria necessidade de campus e administrações dispendiosos; toda a estrutura do ensino superior poderia ser amplamente automatizada com software, exceto as aprendizagens no local de trabalho concentrando-se em estudos de caso e projetos do mundo real criando valor aqui e agora.

Considere a assistência médica: a qualidade da assistência médica duplicou juntamente com os custos? Os americanos são significativamente mais saudáveis porque os custos dos cuidados com a saúde triplicaram? No seu conjunto a saúde dos americanos reduziu-se, ao passo que as tensões impostas aos prestadores dos cuidados de saúde aumentaram pela carga cada vez mais pesada de imposições de conformidades e papelada.

E os martelos a 200 dólares e os aviões F-35 a 300 milhões de dólares, do complexo militar industrial? Mais uma vez, à medida que os custos aumentaram, a qualidade e a eficácia dos produtos fornecidos diminuíram.

E os serviços dos governos estaduais e locais? Melhoram à medida que os impostos e as taxas de lixo aumentam? Mais uma vez, à medida que os impostos e taxas aumentam descontroladamente, os serviços governamentais estão geralmente com a qualidade em declínio.

Setor após setor, a qualidade dos bens e serviços diminuiu enquanto os custos aumentam. Esse é o cúmulo do neofeudalismo: os que estão dentro do sistema e a nova nobreza absorvem fortunas, à medida que os preços disparam e a qualidade dos bens e serviços fornecidos decresce.

Observem-se os aumentos dos custos no ensino superior, na assistência médica, na assistência à infância e pergunte-se se a qualidade desses serviços aumentou em paralelo com os aumentos de preços.

Isto não passa de extorsão neofeudal. Os cartéis aumentam os preços e somos obrigados a pagá-los, tal como os plebeus no feudalismo eram obrigados a pagar.

Mas a extorsão não é a única característica do neofeudalismo que está a levar ao colapso. Tão importante quanto a lenta erosão do autogoverno dos cidadãos a posse de capital produtivo é significativa.

Essa dinâmica é explorada em profundidade em The Inheritance of Rome: Illuminating the Dark Ages 400-1000 . Esta erosão gradual, quase impercetível, é a essência do neofeudalismo, um processo de transferência de poder político e económico do povo para uma nova aristocracia financeira/nobreza.

Se examinarmos a "riqueza" da classe média/classe trabalhadora (geralmente considerada característica definidora a dependência do rendimento do trabalho, em vez de viver de rendimentos obtidos pelo capital), encontraremos também como capital primário a casa da família, que, como expliquei muitas vezes, é improdutivo, essencialmente uma forma de consumo e não uma fonte de rendimento.

Numa economia globalizada e financeirizada, o único capital que vale a pena possuir é o capital móvel, capital que pode ser deslocado com um toque de tecla para evitar a desvalorização ou obter um retorno mais elevado.

Habitação e planos de poupança reforma são "capital ocioso", formas de capital que não são móveis, a menos que seja liquidado antes que as crises ou a expropriação ocorram. Também fico impressionado com as crescentes barreiras para iniciar ou mesmo operar pequenas empresas, uma forma básica de capital, à medida que as empresas geram rendimento e (potencialmente) ganhos de capital. (A pandemia apenas aumentou as barreiras que já eram altas.)

O capital e a experiência em gestão necessários para iniciar e desenvolver uma empresa legal é significativa, e é pelo menos em parte o motivo pelo qual uma nação de agricultores independentes, lojistas, artesãos e comerciantes é agora uma nação de funcionários do governo e de grandes empresas.

Que tipo de capital pode ser agora adquirido pelo cidadão comum? Suficiente para desafiar a riqueza e o poder político da nobreza financeira?

Em termos de influência política um estudo recente descobriu que os eleitores tinham muito pouco poder nos EUA, o que corresponde efetivamente uma oligarquia: Testing Theories of American Politics: Elites, Interest Groups, and Average Citizens .

Em resumo: "O governo dos EUA não representa os interesses da maioria dos cidadãos do país, mas é governado pelos ricos e poderosos, concluiu um novo estudo das universidades de Princeton e do Noroeste".

O neofeudalismo não é uma repetição do feudalismo. É uma nova e aprimorada versão empresarial do estado de servidão. O processo de implantação do feudalismo exigiu a erosão dos direitos dos camponeses de possuir ativos produtivos, o que numa economia agrária significava propriedade da terra. A propriedade da terra foi substituída por obrigações para com o senhor ou mosteiro feudal local – trabalho gratuito por períodos que variavam de alguns dias a meses; uma parte das colheitas e assim por diante.

A outra dinâmica chave do feudalismo foi a remoção do campesinato da esfera pública. Na era pré-feudal (por exemplo, no reinado de Carlos Magno), os camponeses ainda podiam participar de conselhos públicos e fazer ouvir suas vozes, e havia um sistema aproximado de justiça no qual os camponeses podiam pedir às autoridades compensações.

Do ponto de vista capitalista, o feudalismo restringia o acesso dos servos aos mercados monetários, onde eles podiam vender o seu trabalho ou colheitas. Mas a principal característica do capitalismo não são apenas os mercados – é a propriedade irrestrita de ativos produtivos – terras, ferramentas, manufaturas e o capital social de competências, redes financeiras, associações de comercio, corporações, etc.

O sistema dos EUA é neofeudal porque as não-elites não têm voz real na esfera pública e a propriedade do capital produtivo é indiretamente suprimida pelo duopólio do Estado e grandes empresas.

Existe uma estrutura legal de autogoverno e propriedade do capital, mas, na realidade, é uma oligarquia neofeudal. O declínio é visível, assim como a trajetória de colapso.

Discuto estas dinâmicas em maior profundidade nos meus livros: Pathfinding our Destiny: Preventing the Final Fall of Our Democratic Republic ,   Inequality and the Collapse of Privilege e   Why our Status Quo Failed and Is Beyond Reform.

 

Podemos ver a desigualdade neofeudal da riqueza aqui:


Em 2014 os super ricos praticamente acumulavam toda a riqueza criada

 

 

O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/55323.htm

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/eua/extorsao_declinio_colapso.html

Trump diz que convenceu 'muitos países' a vetar participação da Huawei em redes nacionais de 5G

Sede da Huawei em Reading, Reino Unido, 14 de julho de 2020
© REUTERS / Matthew Childs

O presidente norte-americano disse ser pessoalmente responsável por "muitos países" estarem abandonando a construção de redes 5G da Huawei, que afirma ser "risco de segurança".

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na terça-feira (14) em uma coletiva de imprensa que ele próprio convenceu vários países a não fazer negócios com a gigante tecnológica chinesa Huawei em lançar suas redes nacionais de 5G.

"Convencemos muitos países, muitos países, eu próprio fiz isto na maior parte, a não usar Huawei, porque achamos que é um risco de segurança inseguro, é um grande risco de segurança."

Segundo o líder norte-americano, Washington ofereceu aos aliados um ultimato, que disse ser "um risco de segurança":

"Convenci muitos países a não usá-la [a Huawei]. Se quiserem fazer negócios conosco, não podem utilizá-la."

Trump mencionou Reino Unido, Itália e "muitos outros países" como tendo abandonado o negócio, sem, no entanto, confirmar que os convenceu a abandonar os serviços 5G da Huawei, nem especificar os outros países que teria levado nessa direção.

O Reino Unido negou que interferência externa tenha jogado um papel na decisão de excluir a empresa chinesa, diz a Reuters citando a emissora Sky News.

"Bem, todos nós conhecemos Donald Trump, não conhecemos?", disse Matt Hancock, secretário de Saúde britânico.

"Todo o tipo de pessoas pode tentar reclamar crédito pela decisão, mas isso foi baseado em uma avaliação técnica do Centro Nacional de Segurança Cibernética sobre como poderíamos ter os sistemas 5G da mais alta qualidade no futuro."

Em janeiro, o Reino Unido autorizou a empresa chinesa a desenvolver um papel parcial no desenvolvimento da rede 5G, mas Londres decidiu eliminar a Huawei do processo, provocando críticas de politização por parte de Pequim.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020071515833826-trump-diz-que-convenceu-muitos-paises-a-vetar-participacao-da-huawei-em-redes-nacionais-de-5g/

TRUMP, BOLSONARO E O DEEP STATE


Nos EUA, o Estado Profundo – leia-se CIA, NSA, Clintons, Bolton, Wall Street, etc – está numa luta feroz contra Trump e quer impedir a sua reeleição a todo custo.  Este facto tem reflexos externos, nomeadamente no Brasil.

 
 
Ali o Deep State quer descartar o sr. Bolsonaro, que identifica (correctamente) como homem de Trump.  Daí as lutas intestinas que agora se desenrolam no Brasil e que levaram à demissão do homem da CIA no governo Bolsonaro, sr. Sérgio Moro.  
 
Os episódios rocambolescos no Brasil, inclusive no aparelho judicial, são também reflexo desta luta entre os trumpianos/bolsonaristas e a direita pró-imperialista anti-trumpiana.  
 
O episódio grotesco de 4 de Julho, quando o sr. Bolsonaro prestou um acto de vassalagem ao embaixador trumpiano, insere-se neste quadro de análise.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/trump-bolsonaro-e-o-deep-state.html

O Exército dos EUA contra Trump


A Arma de Infantaria do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) enviou um correio electrónico a todo o seu pessoal civil e militar, denunciando o supremacismo branco.

Segundo este “e-mail”, o facto de celebrar o Dia de Cristobal Colón (“Colombo”), de negar a existência de privilégios brancos, de falar de “excepcionalismo norte-americano” e de pretender que existe apenas uma única raça humana são sinais característicos de extrema-direita (quer dizer: do Presidente Trump).

Este “e-mail” foi expedido pela Agência da Arma de Infantaria para a Equidade e a Inclusão do Exército no quadro da sua Operação Inclusão. Estava assinado por Casey Wardynski (foto), assistente do Secretário da Arma de Infantaria encarregado do Pessoal e dos Assuntos Reservados.

Este “e-mail” viola o Hatch Act (Lei Hatch- ndT), que impõe um dever de reserva a todos os funcionários federais e proíbe qualquer forma de envolvimento político.

O Pentágono garantiu que este “e-correio” fora enviado por engano e anulou-o.

O membro dos Representantes (Republicano pelo Alabama) Mo Brooks apresentou queixa ao Procurador-Geral, William Barr.

Segundo os institutos de sondagens (pesquisas-br), os oficiais-generais do Exército dos EUA votaram maciçamente por Hillary Clinton nas eleições presidenciais, enquanto a tropa votou também de maneira esmagadora por Donald Trump.


Tradução
Alva

Original em 'Rede Voltaire' na seguinte ligação:

https://www.voltairenet.org/article210541.html

EUA : a derrapagem do racismo igualitário, Thierry Meyssan

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Isto poderá parecer humorístico, mas é infelizmente um slogan puritano a tomar ao pé da letra : « Os homens negros são uma espécie em perigo » (Black Men are an endangered species).

Os Puritanos anglo-saxões

A dada altura, cerca de quatro centenas de fieis da Igreja de Inglaterra fugiram do seu país onde eram considerados como fanáticos. Refugiaram-se em Leiden (Holanda), onde puderam viver segundo a tradição calvinista, ou mais precisamente a interpretação puritana do cristianismo. Provavelmente a pedido do Rei James Iº, eles enviaram dois grupos para as Américas a fim de aí lutar contra o Império espanhol. O primeiro fundou aquilo que viria a tornar-se os Estados Unidos, o segundo perdeu-se na América Central.

Em seguida, os Puritanos tomaram o Poder em Inglaterra com Lord Cromwell. Decapitaram o Rei papista Carlos Iº, instauraram uma República igualitária (Commonwealth) e colonizaram a Irlanda massacrando em massa os católicos. Esta experiência sanguinária foi de curta duração e desacreditou, durante muito tempo, a ideia de um Interesse Geral (Res Publica) aos olhos do Ingleses.

Os 35 «Pais Peregrinos» (Pilgrim fathers) partiram de Leiden, fizeram escala em Inglaterra; depois atravessaram o oceano a bordo do Mayflower. Chegaram à América do Norte em 1620 para aí poderem praticar a sua religião livremente. Durante a sua viagem, assinaram um Pacto pelo qual juraram estabelecer uma sociedade modelo (estrita observância da fé e do culto calvinista, vida comunitária intensa, disciplina social e moral sem falhas). Ao criar a Colónia de Plymouth, eles tiverem a esperança de construir a «Nova Jerusalém», depois de terem fugido do «Faraó» (James Iº) e atravessado o «Mar Vermelho» (o Atlântico). Ao fim de um ano, deram graças a Deus pela sua epopeia, celebração comemorada todos os anos sob o nome de Thanksgiving (Ação de Graças-ndT) [1]. Eles estabeleceram a sua capital a 60 quilómetros a Norte, em Boston. A sua comunidade velava as mulheres, praticava confissões públicas e castigos corporais.

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O logotipo da muito poderosa Pilgrim’s Society : o Pai Peregrino está simbolizado ao lado do leão britânico e da águia norte-americana.

Estes acontecimentos não são apenas mitos que todo o Norte-americano deve conhecer, eles moldam o sistema político dos Estados Unidos. Oito presidentes em 45 (incluindo os Bush) são descendentes directos dos 35 «Pais Peregrinos». Apesar da chegada de dezenas de milhões de imigrantes e das aparências institucionais, a sua ideologia permaneceu no Poder durante quatro séculos, até à eleição de Donald Trump. Um clube muito exclusivo, a Pilgrim’s Sociey, reúne sob a autoridade do monarca inglês muito altas personalidades britânicas e norte-americanas. Ele implantou a «relação especial» (Special Relationship) entre Londres e Washington e forneceu, nomeadamente, inúmero secretários e conselheiros ao Presidente Obama.

Muitas cerimónias previstas este ano pelo 400º aniversário do Mayflower foram canceladas devido à luta contra a epidemia do coronavírus, nomeadamente a conferência que o antigo Conselheiro de Segurança Nacional britânico devia pronunciar perante a Pilgrim’s Society. As más línguas garantem que a epidemia terminará no dia seguinte à eleição presidencial dos EUA, se Donald Trump a perder, e que as festividades poderão, então, ter lugar.

Desde sempre, existem duas culturas opostas nos Estados Unidos entre os cristãos: os Calvinistas ou Puritanos, por um lado, os Católicos, Anglicanos e Luteranos, por outro. Se certas «denominações», entre as oitocentas Igrejas dos EUA, se alinham resolutamente de um lado, a maior parte é atravessada por estas duas correntes porque o puritanismo não tem um “corpus” teológico definido. É mais uma certa maneira de pensar.

A Guerra da Independência começou em 1773 com o Boston Tea Party (a revolta do chá de Boston). O seu primeiro actor tinha por advogado John Adams, outro descendente directo de um dos 35 «Pais Peregrinos», e segundo Presidente dos Estados Unidos. Enquanto o apelo à independência foi lançado pelo jornalista político Thomas Paine a partir de argumentos religiosos, muito embora ele próprio não acreditasse fosse no que fosse.

De uma certa maneira, a Guerra da Independência prolongou, nas Américas, a Guerra Civil Britânica de Lord Cromwell (a «Grande Rebelião»). Esse conflito ressurgirá uma terceira vez com a Guerra da Secessão que, lembremos, não tem nenhuma relação com a escravatura (os dois campos praticavam-na no início da guerra e os dois campos revogaram-na no decurso da guerra para recrutar antigos escravos para os seus exércitos).

Os Puritanos perderam em Inglaterra com a República de Cromwell, mas venceram nas duas vezes seguintes nos Estados Unidos. O historiador Kevin Phillips, que foi conselheiro eleitoral do republicano Richard Nixon (descendente de um irmão de um dos 35 «Pais Peregrinos»), estudou longamente este conflito de séculos [2]. Foi em função desses dados que ele imaginou a estratégia da «Lei e Ordem», face ao democrata segregacionista George Wallace, aquando da eleição presidencial de 1968; estratégia retomada por Donald Trump para a campanha de 2020.

Tudo isto para dizer que as aparências enganam. As linhas de clivagem não se encontram onde o resto do mundo pensa que estão.

- Os puritanos sempre defenderam a igualdade absoluta, mas unicamente entre cristãos. Eles interditaram durante muito tempo o acesso dos Judeus à função pública e massacraram os Índios que alegavam amar. Durante a Guerra da Secessão, estenderam o seu igualitarismo aos Negros (ao contrário dos Puritanos da África Austral que defenderam o apartheid até ao fim), dando origem ao mito falacioso de uma guerra contra a escravidão. Hoje em dia, defendem a ideia de que a humanidade está dividida entre raças iguais e, se possível, separadas. Eles continuam a ser reticentes ao que chamam de casamentos inter-raciais.
- Os Puritanos colocam a mentira no fundo da sua escala de valores. Essa não pode ser para eles um expediente, mas, sim sempre o pior dos crimes, muito mais grave que roubo e o assassínio. No século XVII, eles puniam com vara o facto de mentir a um pastor, fosse qual fosse a razão. Eles estabeleceram leis punindo ainda hoje a mentira de um funcionário público federal seja qual for a razão.

O Evangelismo dos EUA

Com o tempo e particularmente no século 19, uma outra corrente de pensamento surgiu no seio do cristianismo americano: o evangelismo. São cristãos de todas as denominações que buscam aproximar-se do cristianismo original do qual não sabem grande coisa. Portanto, fiam-se assim nos textos sagrados. Tal como os Puritanos, os Evangélicos são fundamentalistas, ou seja, eles concedem às Escrituras o papel de uma palavra divina e interpretam-nas recusando qualquer contextualização dos textos. Mas, são muito mais pragmáticos. Em tudo, têm uma posição de princípio, mas, quando confrontados por um problema, agem em consciência e não segundo o regulamento da sua comunidade.

É muito fácil fazer troça (zombar-br) das convicções grotescas dos Evangélicos contra a teoria da evolução, mas isso não tem grande importância e eles abandonam-na logo que necessário. É muito mais significativo, mas infelizmente mais raro, denunciar a visão puritana de uma humanidade dividida em raças distintas, iguais, mas separadas. O que, no entanto, tem graves consequências no quotidiano.

Os Puritanos permaneceram os donos da política norte-americana até 1997, data em que o Presidente libertino Bill Clinton proibiu por decreto qualquer expressão de fé religiosa nas Instituições Federais. Seguiu-se uma mudança da religião da Administração para o sector privado. Todas as grandes empresas aceitaram grupos de oração nos locais de trabalho. Esta deslocação foi favorável à emergência pública dos Evangélicos em detrimento dos Puritanos.

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Durante os motins diante da Casa Branca, o Presidente Trump dirigiu-se à igreja Episcopaliana de Saint-John (S. João) para se apresentar, de Bíblia na mão, como defensor das convicções religiosas de todos os cristãos face ao fanatismo Puritano.

O retorno do fanatismo puritano

O conflito entre os Puritanos e o resto da sociedade retoma hoje uma forma radical e religiosa. Ele opõe duas mentalidades, uma idealista, igualitária dentro da sua comunidade e fanática, a outra, por vezes ainda mais extravagante, concordando com as desigualdades, mas realista.

A Puritana Hillary Clinton hesitou em tornar-se pastora metodista após o seu fracasso na eleição presidencial [3]. Ela pecou muito (a sua ligação com Vince Foster), foi castigada por Deus (a ligação do seu marido com Monica Lewinsky), arrependeu-se (no seio da Family do Pentágono [4]) e foi “salva”. Ela está convicta de ter sido escolhida por Deus e orgulha-se da sua violência contra os povos não-cristãos. Ela apoia todas as guerras contra os « inimigos da América » e espera assistir ao retorno de Cristo.

Pelo contrário, Donald Trump não manifesta nenhum interesse pela teologia, dispõe apenas de um conhecimento aproximado da Bible e de uma fé básica. Pecou tanto como os outros, mas vangloria-se do que conseguiu, mais do que de se arrepender das suas falhas em público. Ele duvida de si mesmo e compensa o seu sentimento de inferioridade por um egotismo desmesurado. Ele adora rivalizar com os seus inimigos, mas não deseja arrasá-los. Seja como for, ele encarna a vontade de restaurar a grandeza do seu país (« Make America Great Again ! ») ( «Tornar a América Grande de Novo»-ndT) mais do que prosseguir guerras continuamente e por todo o lado, o que faz dele o campeão dos Evangélicos contra os Puritanos. Ele oferece aos cristãos a oportunidade de se reformarem a eles próprios mais do que andar a converter o mundo.

Durante a campanha eleitoral de 2016, eu havia colocado a pergunta “Os Estados Unidos vão reformar-se, ou dilacerar-se?” [5]. A meu ver, apenas Donald Trump podia permitir que os Estados Unidos continuassem como Nação, enquanto Hillary Clinton iria provocar uma guerra civil e provavelmente a dissolução do país, dentro do modelo do fim da URSS. O que se passa desde a morte de George Flyod mostra que não me havia enganado.

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Hillary Clinton durante a campanha eleitoral de 2016.

Os partidários de Hillary Clinton e do Partido Democrata impõem a sua ideologia. Eles lutam contra a mentira e destroem as estátuas tal como os seus ancestrais Puritanos queimavam as “bruxas” de Salem. Eles desenvolvem uma leitura absurda da sua própria sociedade, negando os conflitos sociais e interpretando as desigualdades sob o mero olhar das pretensas raças humanas distintas. Eles desarmam as polícias locais e forçam personalidades «brancas» a desculpar-se em público de desfrutar de um privilégio invisível.

No chamado caso russo, o arquivo das acusações contra o antigo Conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, e o perdão presidencial do antigo Conselheiro de Donald Trump, Roger Stone, provocaram protestos enraivecidos dos Puritanos. Ora, nenhum destes dois homens causou prejuízo a ninguém, mas eles haviam ousado mentir ao FBI para o manter fora da Casa Branca.

O Presidente da Câmara (Prefeito-br) de Minneapolis (a cidade de George Flyod) foi humilhado em público por se recusar a dissolver a polícia municipal «racista». Enquanto o Conselho municipal de Seattle acaba de reduzir para metade o orçamento da sua polícia municipal. Isto não incomoda as classes sociais altas, que vivem em residências particulares bem guardadas, mas priva de segurança aqueles que não têm como pagar guardas particulares.

A Associated Press, depois o New Yok Times, o Los Angeles Times e logo de seguida quase todos os média dos EUA, decidiram escrever Negro (Black) com maiúscula quando designa a « raça » (sic) [6], mas não Branco (white) com o mesmo fim. Com efeito, o facto de escrever Branco com uma maiúscula (White) é um sinal distintivo dos supremacistas brancos [7].

O Pentágono considerou renomear as suas bases militares que levam o nome de personalidades sulistas acusadas de terem sido «racistas»; depois enviou um “e-mail” a todo o pessoal civil e militar da Arma de Infantaria (US Army) denunciando, nomeadamente, como de «extrema-direita» a afirmação, segundo ele falsa, de que existe apenas uma, e única, raça humana. Claro, estas iniciativas provocaram uma viva reação dos soldados (G.I.s) trumpistas e fracassaram, mas elas marcam uma escalada muito perigosa [8].

Um grande número de tomadas d posição que manifestam uma perda de racionalidade colectiva.


Tradução
Alva

[1] This Land Is Their Land: The Wampanoag Indians, Plymouth Colony, and the Troubled History of Thanksgiving, David J. Silverman, Bloomsbury Publishing (2019).

[2] The Cousins’ Wars: Religion, Politics and the Triumph of Anglo-America, Kevin Phillips, Basic Books (1999).

[3] “Hillary Wants to Preach”, Emma Green, The Atlantic, August 6, 2017.

[4] The Family: The Secret Fundamentalism at the Heart of American Power, Jeff Sharlet, Harper Perennial (2009).

[5] “Os Estados Unidos vão reformar-se, ou dilacerar-se?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 26 de Outubro de 2016.

[6] “Racismo e anti-racismo como mentiras”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Junho de 2020.

[7] Uppercasing ‘Black’, Dean Baquet and Phil Corbett, The New York Times, June 30, 2020.

[8] « L’US Army contre Trump », Réseau Voltaire, 10 juillet 2020.

Original em 'Rede Voltaire' na seguinte ligação:

https://www.voltairenet.org/article210540.html

Casa Branca pressiona FDA a reconsiderar controversa hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19

Washington, 13 jul (Xinhua) -- A Casa Branca está pressionando a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) para que restabeleça sua autorização de uso de emergência (AUE) para a hidroxicloroquina, a droga antimalária apontada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para combater a COVID-19, noticiou a imprensa.

Semanas atrás, a FDA revogou os AUEs que permitiam usar a hidroxicloroquina em certos pacientes hospitalizados com a COVID-19, depois que a agência determinou que "é improvável ser eficaz no tratamento da COVID-19 para os usos autorizados nos EUA" e destacou os potenciais efeitos colaterais graves.

"O consultor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, está liderando um esforço do governo Trump para que a FDA reverter seu curso", informou The Washington Post.

"Uma reversão (na hidroxicloroquina) seria amplamente vista como uma tendência à vontade política da Casa Branca", afirmou Steven Joffe, especialista em ética médica da Universidade da Pensilvânia, segundo The Washington Post.

Como a agência assumirá a liderança na aprovação de uma vacina para o coronavírus no país, "os especialistas em saúde dizem que é importante que a agência, que foi criticada por sua decisão inicial de aprovar a hidroxicloroquina em março, guarde sua credibilidade enquanto se prepara para tomar essas decisões de referência para um público às vezes cético em relação às vacinas", alertou a matéria.

 

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/14/c_139211651.htm

17 anos depois, Estados Unidos voltam a aplicar a pena capital a nível federal

Os Estados Unidos procederam, esta terça-feira, à primeira execução federal de um prisioneiro no “corredor da morte” em 17 anos, através de uma injeção letal.

 

Daniel Lewis Lee, 47 anos, natural de Yukon (Oklahoma), foi executado na prisão federal de Terre Haute, no Indiana, com uma dose letal de pentobarbital, após ter sido condenado por ter assassinado, nos anos 90, uma família do Arkansas.

Nas últimas palavras que proferiu antes da execução da sentença, Lewis Lee reiterou a sua inocência. “Não fui eu. Cometi uma série de erros na minha vida, mas não sou um assassino. Estão a matar um homem inocente“, afirmou, antes de lhe ser aplicada a injeção letal.

A decisão de concretizar a execução – a primeira ordenada pelo Departamento de Prisões norte-americana desde 2003 –, foi alvo de protestos de organizações dos direitos civis e de familiares e amigos de Lewis Lee, que tentaram travar a execução, alegando preocupações relacionadas com a pandemia de covid-19.

Os mais críticos argumentaram que o Governo está a criar uma “nova e desnecessária urgência” para obter “ganhos políticos”.

“O Governo tem estado a tentar avançar com as execuções apesar de muitas perguntas por responder sobre a legalidade do seu novo protocolo de execuções”, afirmou Shawn Nolan, um dos advogados dos detidos que aguardam ainda pela execução das suas sentenças no chamado “corredor da morte”.

Os desenvolvimentos, defendeu, vão provavelmente acrescentar a questão ao debate nacional sobre as reformas no sistema criminal norte-americano, tendo como pano de fundo as eleições Presidenciais, agendadas para 3 de novembro, que opõem o republicano e atual Presidente, Donald Trump, ao democrata Joe Biden.

A execução de Lewis Lee, cuja morte foi declarada às 08h57 locais, culminou uma série de dúvidas legais dissipadas, hoje de manhã, pelo Supremo Tribunal dos EUA numa votação em que cinco votaram a favor e quatro contra o recomeço das execuções federais no país, após 17 anos de interrupção.

O Tribunal do Apelo, com jurisdição nacional, revogou uma sentença anterior, de um juízo de primeira instância, que tinha mandado suspender a execução de Daniel Lewis Lee que, em 1996, matou a tiro, no Arkansas, um negociante de armas, a mulher e a filha de oito anos.

O tribunal de primeira instância tinha suspendido há quatro dias a execução, marcada para segunda-feira, numa prisão do estado de Indiana, invocando preocupação com os familiares das vítimas que pretendem assistir à execução, expondo-se assim à possibilidade de serem infetados pelo novo coronavírus, que já matou mais de 135 mil pessoas nos EUA.

Essa possibilidade tinha sido levantada em primeira mão pelos familiares das vítimas. Os familiares garantiam que a intenção não era adiar a execução, mas antes assegurar que podiam “exercer os seus direitos legais de assistir à morte” de Lee em condições sanitárias de segurança.

O Departamento de Justiça norte-americano recorreu da decisão para o Tribunal de Apelo, que revogou a sentença da juíza Jane Magnus-Stinson, descrevendo-a como frívola e sem fundamento legal. No recurso, o Departamento de Justiça alegou que o serviço federal que supervisiona as prisões tomará medidas para acomodar a família das vítimas e aplicará protocolos de segurança adicionais por causa da pandemia de Covid-19.

“As preocupações da família não superam o interesse público em finalmente cumprir a sentença legalmente imposta neste caso”, argumentou o Departamento de Estado.

A decisão da administração de Donald Trump de retomar as execuções em tempos de pandemia de covid-19 tem sido descrita como “uma jogada perigosa e política”. Os críticos argumentam que o Governo está a criar uma urgência desnecessária e encenada em torno de um assunto que não está no topo da lista de preocupações americanas no momento.

Daniel Lewis Lee é a primeira de cinco pessoas cuja execução deve acontecer entre esta terça-feira e o fim do ano, avança o semanário Expresso. Segundo o jornal, persistem as dúvidas sobre a mistura de drogas letais injetada nos condenados, que pode provocar vários segundos ou minutos de dor aguda, mas que, ao serem paralisados pela primeira droga administrada, não podem exprimir essa dor.

A pena de morte federal acontece quando o estado em que uma cerca pessoa cometeu um crime considerado federal não prevê a pena de morte – que vigora em 28 dos 50 estados do país.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/eua-pena-capital-nivel-federal-335278

ONU culpa Donald Trump pela degradação da liberdade de imprensa

13/07/2020
 

O Governo liderado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma influência negativa no estado global da liberdade de imprensa, após anos de ataques a esta, disse hoje o relator da ONU para a liberdade de expressão.

“Uma característica que sobressai nos últimos três, quatro anos, é a forma como este Presidente se tem dirigido aos media, denegrindo a imprensa e a liberdade de imprensa”, destacou o relator especial das Nações Unidas para a liberdade de opinião e expressão, David Kaye, citado pela agência Efe.

O relator da ONU, que falava durante uma conferência de imprensa em Genebra, Suíça, explicou que o sistema político dos Estados Unidos provou, finalmente, que é “mais frágil do que se pensava” na hora de defender a liberdade de imprensa e de controlar os ataques presidenciais.

David Kaye acrescentou que esses ataques são a “habitual desinformação a partir da Casa Branca” e a limitação de acesso dos jornalistas ao espaço.

O relator norte-americano, que na sexta-feira apresentou diante do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, um relatório sobre a deterioração da liberdade de imprensa devido à pandemia de covid-19, disse hoje faltar saber se a presidência de Donald Trump mantém ou não esta tendência.

“Ainda não sabemos se se trata de um vazio, uma anomalia da atual Administração, mas queremos que acabe”, sublinhou.

David Kaye manifestou também a sua preocupação pelo futuro da liberdade de imprensa e de informação em Hong Kong, após a entrada em vigor da lei de segurança nacional imposta pela China naquela ex-colónia britânica.

Na sexta-feira, o relator da ONU apresentou perante o Conselho dos Direitos Humanos a sua preocupação pelas restrições à informação que muitos governos impuseram durante a pandemia, que na sua opinião custaram muitas vidas.

“Morreram pessoas porque houve governos que mentiram, ocultaram informação, prenderam jornalistas, não expuseram a verdadeira gravidade da ameaça e criminalizaram pessoas com o pretexto de terem divulgado informação falsa”, denunciou David Kaye.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/13/onu-culpa-donald-trump-pela-degradacao-da-liberdade-de-imprensa/

Principal epidemiologista dos EUA é alvo de Donald Trump

Trump culpa Fauci, veterano que aos 79 anos já trabalhou com 5 de seus antecessores e principal epidemiologista dos EUA, por supostamente conduzi-lo para um caminho contrário ao que dizia sua intuição.

 

O principal epidemiologista dos Estados Unidos, Anthony Fauci, tem sido alvo de fritura de Donald Trump, que tenta transferir ao profissional de saúde toda a responsabilidade pelo fracasso do país no controle da pandemia de Covid-19. Trump questiona publicamente a competência do veterano, que aos 79 anos já trabalhou com 5 de seus antecessores. A informação é da especialista em assuntos internacionais Sandra Cohen, publicada no portal G1.

As entrevistas diárias concedidas na Casa Branca, que agora estão suspensas, marcaram o atrito existente entre Donald Trump e Fauci. No momento, uma média de 60 mil novos casos diários de coronavírus são confirmados nos EUA, mas Trump e outros integrantes de seu governo desqualificam o maior especialista em doenças infecciosas do país, acrescenta a reportagem.

Trump ainda culpa Fauci por supostamente conduzi-lo para um caminho contrário ao que dizia sua intuição. “Ele é um cara legal, mas cometeu muitos erros”, afirmou. Os dois não se encontram desde o início do mês de junho.


Texto em português do Brasil

Fonte: Brasil247


 

 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/fauci-principal-epidemiologista-dos-eua-e-alvo-de-frituras-publicas-de-donald-trump/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=fauci-principal-epidemiologista-dos-eua-e-alvo-de-frituras-publicas-de-donald-trump

China acusa EUA de sabotarem paz regional após posição sobre Mar do Sul da China

US NAVY/MC 3RD CLASS KURTIS A. HATCHER HANDOUT / Lusa

 

A China reivindica quase toda a área do mar do Sul da China e opõe-se, frequentemente, a qualquer manobra ou ação militar dos Estados Unidos na região.

 

Esta terça-feira, a China acusou os Estados Unidos de “sabotarem a paz e estabilidade regionais”, depois de o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, ter classificado como “ilegais” as reivindicações territoriais de Pequim no Mar do Sul da China.

É uma acusação totalmente injustificada“, afirmou, em comunicado, a embaixada da China nos EUA, acrescentando que “o lado chinês se opõe firmemente” aos comentários de Pompeo.

O secretário de Estado norte-americano alertou, na segunda-feira, que os EUA consideram “ilegais” as reivindicações chinesas, aumentando a pressão sobre Pequim. “Os Estados Unidos defendem a ideia de uma região livre e aberta no Indo-Pacífico. Hoje, estamos a fortalecer a política dos Estados Unidos numa área vital e disputada da região: o Mar do Sul da China”, de acordo com um comunicado de Mike Pompeo.

“Nós dizemo-lo claramente: as reivindicações de Pequim sobre os recursos offshore na maior parte do mar do Sul da China são completamente ilegais, tal como o é a campanha de intimidação para o controlar”, sublinhou o responsável norte-americano.

Embora os Estados Unidos recusem há muito a soberania chinesa sobre a maioria do território do mar do Sul da China, é a primeira vez que Washington articula formalmente uma posição por escrito, num comunicado que pormenoriza o perímetro que considera estar fora do controlo legítimo de Pequim.

Pompeo lembrou que o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia decidiu em 2016 que a China não tem base legal para reivindicar “direitos históricos” naquela área. “A decisão do tribunal arbitral é final e é executória para ambas as partes”, concluiu. “O mundo não permitirá que a China trate o mar do Sul da China como o seu império marítimo”, advertiu.

Os Estados Unidos têm repetidamente acusado Pequim de “militarizar” a região para estender o domínio territorial. Pequim reivindica quase toda a área do mar do Sul da China, apesar dos protestos dos países vizinhos, e opõe-se, frequentemente, a qualquer manobra ou ação militar dos Estados Unidos na região.

No início deste mês, o Pentágono denunciou exercícios militares chineses em torno do arquipélago disputado das Paracel, reivindicado pela China, Vietname e Taiwan. Mais do que as Paracel, é o arquipélago das Spratly, mais a sul, que cristaliza a maioria das tensões marítimas regionais, sobrepondo as reivindicações dos vários países vizinhos.

Antes do comunicado de Pompeo, que assume uma posição explícita de Washington em relação às reivindicações da China, os Estados Unidos limitaram-se, até à data, a apoiar a “liberdade de navegação”, evitando qualquer posição mais firme sobre as disputas territoriais na região.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/china-eua-sabotar-paz-regional-335107

EUA pressionaram países a aceitar centenas de voos de deportação com infetados

O Serviço de Imigração e Controlo de Fronteiras (ICE) dos EUA já fretou centenas de voos de deportação de imigrantes infetados com covid-19 desde o início da pandemia, segundo uma investigação do The New York Times e Projeto Marshall.

 

A investigação divulgada na segunda-feira mostra que as condições de sobrelotação de alguns centros de detenção de imigrantes, a escassez de provas e a deportação que continua a acontecer desde março, resultaram na propagação do novo coronavírus por parte do ICE, dentro e fora das fronteiras do Estados Unidos.

Segundo noticia a agência EFE, a investigação confirmou que centenas de deportados com covid-19 foram devolvidos aos seus países de origem desde março.

O ICE já deportou mais de 40 mil imigrantes, a maioria da América Central, onde se registaram casos de pacientes com covid-19 que foram transferidos para os seus países de origem apesar do risco de contágio.

O jornal New York Times investigou mais de 750 voos nacionais da ICE, além de outros 200 com destino a outros países, entre março e junho, a maioria para Guatemala, El Salvador e Honduras.

El Salvador e Honduras aceitaram mais de 6 mil deportados desde março, apesar das restrições impostas para evitar a propagação da pandemia.

Apenas a Guatemala manifestou o seu desacordo com Washington pelo facto de receber pessoas infetadas com covid-19.

O Governo liderado por Donald Trump pressionou os países de origem de deportação, com ameaças de restrições aos vistos, caso estes se opusessem aos voos de repatriação.

Até agora, cerca de 11 países confirmaram ter recebido deportados doentes com covid-19, muitos dos quais podem ter sido infetados devido às condições existentes nos centros de detenção nos Estados Unidos.

O ICE realiza testes aleatórios às pessoas que estão à espera de serem deportadas para outros países, fazendo apenas verificações gerais de controlo da temperatura.

A agência de imigração disse estar a seguir as diretrizes do Centro de Controlo de Doenças (CDC).

 

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/eua-centenas-voos-deportacao-infetados-335083

EUA num “buraco negro de Covid-19”

13/07/2020
 

Os Estados Unidos estão retidos no “buraco negro da COVID-19” e não têm “nenhum plano de saída”, assegurou uma análise recente da CNN.

“So se vê contradição, ofuscação e confusão por parte dos funcionários federais, que deviam estar a traçar um percurso nacional”, lê-se na análise, publicada sexta-feira, citando o “vazio de liderança” como razão do fracasso dos EUA no controle epidémico.

A análise lamentou a ausência de “um esforço massivo de teste e rastreamento integrados que pudesse identificar e isolar os epicentros de infeção”, criticando a tentativa da Casa Branca de reabrir de forma prematura as escolas, uma medida sobre a qual houve mensagens contrapostas inclusive dentro da Administração.

A análise chega num momento em que os Estados Unidos renovam o seu recorde diário de casos quase todos os dias e a curva de mortalidade apresenta também uma tendência para aumentar.

Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, os casos confirmados da Covid-19 nos EUA superaram no sábado os 3.243.000 e o número de óbitos, 134.700.
De acordo com o Bloomberg News, no sábado foram confirmados outros 71.389 casos em todo o país.

“Depois de meses na pior crise nacional desde a Segunda Guerra Mundial, não há a sensação de que o país, fraturado, esteja unido para enfrentar o inimigo comum. As pessoas continuam A discutir sobre o uso de máscaras — uma pequena violação da liberdade individual que representa uma das maiores esperanças para reduzir os contágios”, argumentou a análise.

As medidas antiepidémicas, como o isolamento prévio, distanciamento social, uso de máscaras e planos de reabertura prudentes, que foram efetivas tanto nos Estados Unidos como no restante do mundo, não parecem convencer o governo federal, continuou.

“Não há sinal de que essa competência chegue aos EUA. A Administração, que descarregou nos estados a sua responsabilidade pela luta contra o vírus, não parece ter o desejo nem a capacidade de construir um sistema desse tipo”, referindo ainda as tentativas reiteradas do presidente Donald Trump de pintar um quadro agradável da pandemia com afirmações duvidosas.

Depois de mencionar que o trabalho antiepidémico do país “não representa mais do que uma derrocada política”, a análise assegurou que as tentativas tardias de deter o vírus nos estados do Sul e Oeste são obstaculizadas pelas lutas entre prefeitos democratas que querem mandatos de máscaras e governadores republicanos algemados por “ideologias”.

 

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/13/eua-num-buraco-negro-de-covid-19/

Trump critica muro construído por apoiantes na fronteira dos EUA com o México

12/07/2020
 

O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) criticou hoje um muro construído por apoiantes na fronteira americana com o México e que está em risco de ruir, defendendo que o objetivo do grupo era prejudicar a sua imagem.

Apesar de ter anteriormente apoiado o projeto do grupo “Nós Construímos o Muro”, Donald Trump assegurou, numa mensagem publicada na rede social Twitter, nunca ter estado de acordo com a construção naquele local no sul do estado do Texas, que arrancou em maio de 2019.

“Não concordei em fazer esta pequena (minúscula) secção do muro, numa área complicada, por um grupo privado que angariou dinheiro através de anúncios. Só foi feito para me fazer ficar mal, e agora nem sequer funciona. Devia ter sido construída como o resto do muro”, escreveu Trump, após notícias de que a construção exibia sinais de erosão e pode cair no Rio Grande, que separa México e EUA, se não for reparada.

A estrutura foi erguida nas margens do rio, na sequência da recolha de fundos pelo grupo de apoiantes do Presidente, que chegou a angariar cerca de 25 milhões de dólares em doações através da Internet. Entre os elementos ligados ao “Nós Construímos o Muro” figuram Steve Bannon, antigo conselheiro de Donald Trump, e Kris Kobach, igualmente conselheiro político do Presidente americano.

Na campanha para as eleições presidenciais de 2016, Trump fez da construção de um muro com o México uma das suas principais promessas eleitorais. Contudo, o Congresso recusou-se a financiá-lo na sua totalidade, pelo que apenas algumas partes foram construídas.

Até agora, o Governo dos EUA construiu aproximadamente 338 quilómetros de uma vedação de aço – e não um muro de betão – na fronteira, ou seja, apenas 10,6% dos cerca de 3.180 quilómetros da fronteira com o México, sendo que somente 26 quilómetros de obra avançou em áreas sem qualquer tipo de estrutura.

Também este domingo, Donald Trump assegurou através do Twitter que o país terá mais 720 quilómetros de muro construído até ao final de 2020, embora sem avançar detalhes do projeto.

Na mesma mensagem, o Presidente americano reiterou ter “alguns dos melhores números de sempre” a nível da imigração ilegal e acusou o Partido Democrata de querer abrir por completo as fronteiras e permitir a entrada de criminosos.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/12/trump-critica-muro-construido-por-apoiantes-na-fronteira-dos-eua-com-o-mexico/

A Paz que pretendemos e merecemos

 
 
A Paz que pretendemos e merecemos
 
Por Marques Pinto
 
Vogal da Direcção
 

Para muitos dos leitores que assistam aos nossos noticiários televisivos ou tentem compreender pela leitura da nossa imprensa, o que se vai passando nos últimos meses nos EUA, deve ser difícil de destrinçar o programa proposto pelo partido Republicano, conhecido abreviadamente por GOP - good old party - actualmente no poder com Donald Trump sentado na Sala Oval do programa do Partido Democrata.

 
Realmente quando assistimos há poucos meses ao discurso do candidato Bernie Sanders, com preocupações de caracter social pacifista e agora ouvimos Joe Biden que segundo alguns comentadores, mesmo que ganhe as eleições, será apenas uma figura para esquecer pois deverá ser substituído rapidamente pela/o vice-presidente, dado o seu estado de saúde mental, penso que nada de novo se avizinha na perspectiva de pacificação e redução das tensões militares entre os grandes blocos.
 
No meu ponto de vista como Europeu e sobretudo como defensor da busca tão rápida quanto possível de uma situação de paz e equilíbrio politico-económico no mundo, creio que o desanuviamento da tensão militar está a passos largos caminhando no sentido oposto, e com ambos os partidos norte-americanos a caminharem juntos e em uníssono no mesmo sentido belicista e afirmando ao mundo que se o bloco oriental não ceder ás suas exigências de cedência do controlo territorial, marítimo e aéreo nas suas próprias zonas costeiras e espaço marítimo, os Estados Unidos assim os obrigarão como Polícia Marítimo e Aéreo do Globo terrestre.
 
Claro que desde há muito vimos a instalação de fortes dispositivos militares por toda a “nossa” Europa em volta do território Russo, alguns até a poucas dezenas de quilómetros da fronteira como é patente na Polónia.
 
Gostaria de saber qual a resposta do direito de reciprocidade caso a China ou a Rússia alugassem um espaço para instalação militar no Canadá ou no México.
 
Claro que hoje cada vez menos as instalações fixas e bem referenciadas se tornam importantes numa confrontação militar - que desejo ardentemente nunca presenciar - pois a capacidade instalada nos modernos submarinos nucleares cujo paradeiro e localização parece cada vez mais improvável saber - como foi o caso do tal submarino desconhecido que durante meses andou pelo mar Báltico - supera em muito qualquer arsenal nuclear dos anos 80.
 
Penso que seria mais ajuizado e profícuo que neste momento de pandemia os governantes europeus, pelo menos aqueles que não estão ainda à volta da grande manjedoura das notas verdes - cuja rotativa não para enquanto houver papel e tinta verde - e que alimentará e atrairá cada vez mais bajuladores, se dispusessem a negar apoio aos belicistas e chamar á razão todos aqueles que ameaçam a paz e a segurança de todos nós e a não seguir o caminho que um qualquer despenteado mental inglês tomou, enviando mais forças navais e aéreas para o Mar da China aumentando e engrossando as provocações de parte a parte.
 

Ver original em GPS & Media na seguinte ligação:

http://gpsemedia.blogspot.com/2020/07/a-paz-que-pretendemos-e-merecemos.html

Quem tem medo da «esquerda radical»?

A «esquerda radical» que tanto amedronta Trump – não dizem que os rufias só são rufias por não saberem lidar com as suas inseguranças? – está nas mãos dos jovens, e eles não vão a lado nenhum.

Para se falar da esquerda nos Estados Unidos é preciso reconhecer o «elefante na sala»: entre movimentos pelos direitos civis, a contracultura hippie, o labor movement e os sindicatos e uma forte tradição de subversão e luta contra o sistema.

A história da esquerda na América é uma história rica e faz tão parte da cultura americana quanto o estereotipado conservadorismo e religiosidade absurda americanos que a Europa tanto fetichiza. Contudo, ser abertamente de esquerda – e defender abertamente a esquerda – na América não é tarefa simples.

Nas comemorações do feriado de 4 de Julho nos Estados Unidos, dia da Independência e quiçá um dos feriados mais amados pela população americana – um povo criado num amor cego, irracional e patrioticamente absurdo pela sua nação –, o presidente Trump faz uma declaração de quase-guerra àquele que ele chama a «esquerda radical».

Nas suas próprias palavras: «Estamos agora no processo de derrotar a esquerda radical: os marxistas, os anarquistas, os agitadores, os saqueadores e todos aqueles que, em muitas instâncias, não sabem o que estão a fazer. (...) Nunca permitiremos que uma multidão em fúria destrua as nossas estátuas, apague a nossa História, endoutrine as nossas crianças ou espezinhe as nossas liberdades.» 

Nos últimos dias, e entre várias declarações admitidamente absurdas – como, por exemplo, a acusação absurda de Trump ao candidato à presidência Joe Biden de que este é «extrema esquerda» – e medidas progressivamente mais destrutivas – entre as quais a limitação de acesso a métodos contraceptivos ou a ordem de deportação de todos os estudantes internacionais em território americano que frequentem aulas online –, Trump parece ter como objectivo marcar os últimos meses deste mandato a fazer uso da desculpa da pandemia mundial e a aproveitar-se dos medos do cidadão americano médio para fazer uma guerra de ódio contra esse grande monstro da «esquerda radical».

Falar da esquerda – e ser de esquerda – na América significa navegar uma série de barreiras conceptuais, semânticas e de sensibilidades culturais; é necessário, acima de tudo, reconhecer os mitos em que a América foi construída e que estão tão intrinsecamente associados ao que significa crescer e viver neste país, e compreender que ser left-wing neste país tão vasto e imenso, e com uma paisagem política e social tão variada, é caminhar uma linha ténue entre valores comuns e desejos individuais.

«(...) ser abertamente de esquerda – e defender abertamente a esquerda – na América não é tarefa simples.»

 

Quando me mudei para a Califórnia – admitidamente o estado mais «à esquerda» da América (pelo menos na sua zona litoral, no eixo entre a baía de São Francisco e Los Angeles), influenciada pelas lendas das grandes revoltas e movimentos civis e movimentos contra-cultura, não imaginava a dificuldade que seria ter conversas sobre o que é ser de esquerda, mesmo com aqueles que tanto se definiam como «de esquerda».

Primeiro, importa elucidar sobre uma questão semântica: ser «liberal» na América do século XX é ser de esquerda – os ditos liberals, essa categoria política a que os media se referem continuamente, seja em tom de defesa ou em tom jocoso, acusativo (caso estejamos a falar da Fox News), representam uma abrangente categoria de gente que, em palavras simples, defende políticas sociais progressistas: um sistema de saúde público, investimento na educação, políticas de imigração menos hostis, preocupações ambientais, entre vários outros; medidas que, para todos efeitos, consideraríamos talvez na Europa como uma esquerda dita «ligeira», púdica e sem grandes afiliações teóricas.

Falar de socialismo, ainda que muitas vezes em surdina, é como dizer uma palavra feia, carregada de um legado de medo e ódio. Bernie Sanders, senador e ex-candidato à presidência dos Estados Unidos na última eleição e na eleição deste ano, foi capaz de, despudoradamente, definir-se como socialista e trazer esta ideia de «socialismo» finalmente ao debate público americano; isto fê-lo, talvez, perder uma parte significativa de eleitorado pouco elucidado, e a sua dolorosa derrota face Joe Biden como candidato de oposição nas próximas eleições relembrou-nos de que a América nunca gostou de «radicais».

Medidas sociais progressistas à parte, os conceitos facilmente se misturam e as ideologias tornam-se difíceis de navegar. Há valores que entram em confronto directo.

Circulei primeiro pela Academia americana e depois pelo meio desta left-wing profissional e educada com uma certeza quase inabalável de que me encontrava em terreno fértil, disponível para discussões abertas sobre o que é ser esquerda e como podemos fortalecer a esquerda na América.Em várias conversas que fui tendo ao longo dos anos, a maior parte delas com pessoas da minha faixa etária – jovens adultos nos seus 20 e 30 anos, auto-designados liberals –, ouvia confissões cansadas de gente que sonhava com um país mais aberto, mais progressista e que melhor tratasse os seus cidadãos; as medidas por que suspiravam, como as que mencionei no parágrafo anterior, não eram particularmente «radicais», nem tão pouco impossíveis, mas sim semelhantes a tantas outras políticas «socialistas» europeias que eu tanto tomava como garantidas.

Por outro lado, deparei-me várias vezes com a outra face da moeda: que muitos dentro desta categoria – e especialmente na região de Silicon Valley – se auto-definiam como liberals e que sonhavam com medidas de esquerda, mas sem quererem «pagar» por elas, e recusavam a ideia de pagar tantos (ou mais) impostos, ou de depender tão significativamente de impostos: os chamados «socially liberal, but fiscally conservative» (em português: «socialmente liberal, mas conservador em termos fiscais»).

Tentar explicar-lhes que a maneira como se financiam serviços públicos, como a saúde e a educação, era, acima de tudo, através de impostos era por vezes um desafio. Seja por uma descrença generalizada na capacidade do governo americano saber gerir o dinheiro público, ou pelo sistema fiscal americano e o pagamento de impostos ser um absolutamente pesadelo, os sonhos de esquerda de muitos embatiam com força na cruel realidade de que para atingir bens colectivos é preciso esforços colectivos.

Não pretendo generalizar que esta questão de descrença nos impostos sejam muito comuns; creio, acima de tudo, que são um símbolo de um dos grandes problemas que a esquerda americana várias vezes tem de entrentar.

Creio que é aqui que reside, talvez, o cerne do grande desafio da esquerda americana, aquilo que a tem levado a falhar vezes e vezes sem conta, a razão pelo qual me parece improvável, ou impossível, levar um presidente abertamente «socialist ao poder: o individualismo extremo que caracteriza a sociedade americana.

A crença cega na ideia de mobilidade social. A ideia do self-mademan, que faz pela sua vida e não quer ajudar os outros porque chegou onde chegou pelo seu próprio trabalho. Ideias que, noutros países, a esquerda repele – ou tentar repelir. E crescer, viver entre estes mitos é um desafio por si só.

Trump encerra o seu discurso de 4 de Julho com uma acusação: «Ao longo dos tempos, sempre houve quem esteve disposto a mentir sobre o passado para ganhar poder no presente. Aqueles que mentem sobre a nossa História, aqueles que querem que tenhamos vergonha de quem somos, não estão interessados em justiça ou em cura. O objectivo deles é a demolição.» 

Não deixa de ser irónico que Trump se preocupe com esta «esquerda» cujo único objectivo é a destruição quando, depois de três anos e meio de um mandato durante o qual foram feitos tantos esforços – muitos com sucesso – para demolir importantes medidas sociais conquistadas ao longo de décadas, ou mesmo séculos, de luta.

Para Trump e para o conservadorismo americano, a esquerda há-de ser sempre o inimigo. Que dizer então das tentativas contínuas da administração actual de tentar silenciar a história da esquerda deste país, e destas tentativas contínuas de silenciar vozes dissonantes?

Se ainda existe esperança, a pouca que talvez exista, ela reside nesta nova geração de jovens, que, embora a braços com os seus demónios e dúvidas individuais, aprendem hoje sobre a esquerda e, a cada dia que passa, se orgulham cada vez mais da orientação política, e cada vez mais a defendem.

Se, por um lado, o individualismo faz parte da cultura americana, por outro, vejo nos movimentos sociais recentes uma generosidade que enche o coração e uma fome de justiça aquece a alma, e dá esperança pelo futuro.

A «esquerda radical» que tanto amedronta Trump – não dizem que os rufias só são rufias por não saberem lidar com as suas inseguranças? – está nas mãos dos jovens, e eles não vão a lado nenhum.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/quem-tem-medo-da-esquerda-radical

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