USA

PORQUE OS EUA PRECISAM DA GUERRA?

– Despesas militares atingem níveis inéditos
– Empreiteiros da defesa vendem sucata ao governo dos EUA a preços exorbitantes
 
Vladimir Platov [*]
 
Em 2003 um sítio alternativo com sede na Bélgica, o Indy Media, publicou um artigo inteligente intitulado "Why America Needs War", escrito pelo renomado historiador e cientista político Dr. Jacques R. Pauwels.

Dado o facto de este artigo ter sido republicado recentemente por um conhecido e respeitado site de media alternativa, o Global Research , muita atenção foi atraída para as intermináveis guerras de Washington. No artigo acima mencionado, era declarado que as guerras são um terrível desperdício de vidas e recursos e, por esse motivo, a maioria das pessoas se opõe, em princípio, às guerras.

No entanto, com os EUA presos num estado perpétuo de conflito com outros actores internacionais, é de perguntar o que há de errado com os políticos americanos. Será que todos eles sofrem de alguma doença mental?

 
A razão porque os eventos que observamos no cenário global estão realmente a verificar-se é o facto de os EUA confiarem no que Pauwels descreve como a "economia de guerra" na qual os EUA se apoiam há mais de um século. Esta economia permite que indivíduos e empresas ricas se beneficiem da violência e do derramamento de sangue, o que os torna propensos a advogar guerras ao invés de resolver pacificamente os conflitos. Contudo, o artigo afirma que sem guerras quentes ou frias esse sistema não pode senão produzir o resultado esperado na forma de lucros cada vez maiores, que os ricos e poderosos da América consideram como seu direito inato. Está claro que os EUA não podiam escapar das garras da Grande Depressão sem entrar na Segunda Guerra Mundial, como foi afirmado no artigo acima mencionado:
 
 
Durante a Segunda Guerra Mundial, os possuidores de riqueza e altos executivos das grandes corporações aprenderam uma lição muito importante: durante uma guerra há dinheiro a ser ganho, muito dinheiro. Por outras palavras, a árdua tarefa de maximizar lucros – a actividade chave na economia capitalista americana – pode ser absolvida com muito mais eficiência através da guerra do que através da paz. No entanto, para isso é necessária a cooperação benevolente do estado.
 
 
Contudo, o povo dos Estados Unidos não percebeu esta mudança pois estava hipnotizado pelo crescimento rápido dos salários e pelas empresas em expansão que precisavam de um número cada vez maior de novos empregados. Por isso não houve uma oposição real ao belicismo dos EUA dentro do país, o que significa que Washington estará à procura de novos inimigos mesmo quando não tem nenhum. Isto resulta em que estados como Rússia, China, Irão, Coreia do Norte, Cuba e Venezuela – que estavam dispostos, num momento ou outro, a discutirem suas diferenças com os EUA – serem antagonizados e designados como uma ameaça para os EUA e sua segurança nacional.

Eis porque as despesas militares nos EUA continuam a disparar, com programas de investigação e desenvolvimento para os militares a receberem financiamentos sem precedentes. No entanto, o que está a ser apresentado como uma corrida rumo a maior segurança representa um desvio desavergonhado do dinheiro pago pelo contribuinte americano para os bolsos dos principais empreiteiros da defesa. Seria apenas lógico se o sistema legal dos EUA, ao invés de investigar relatos duvidosos da suposta intromissão da Rússia nas eleições estado-unidenses, examinasse mais atentamente como o dinheiro sangrento está a moldar o mundo da política dos EUA.

Recordemos que o orçamento militar dos EUA para 2020 atingiu pela primeira vez o montante assombroso de 750 mil milhões de dólares! [NR] Nas últimas décadas, os Estados Unidos investiram cerca de 30 mil milhões de dólares em vários programas de armas, todos eles com um grau ou outro de falha, de acordo com The National Interest.

Não faltam relatos dos media a mostrarem o completo fracasso das modernas armas americanas as quais, apesar das enormes quantias desperdiçadas no seu desenvolvimento, não podem proteger nem os Estados Unidos nem os seus aliados.

Por exemplo, The National Interest recentemente fez o esforço de fazer uma comparação entre o caça russo Su-35 e um total de quatro competidores americanos: F-15s, F-16s, F-22s e F-35s. A publicação chegou a uma conclusão decepcionante de que, apesar da maciça campanha publicitária que acompanhou o desenvolvimento do F-35, ele não pode aguentar-se diante dos seus equivalentes russos.

O malfadado F-35 foi incluído recentemente na lista das piores armas já produzidas pelo Exército dos EUA devido aos seus custos inacreditavelmente altos e questões de fiabilidade, diz o Business Insider. Portanto, não é de surpreender que, além do presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, que anunciou sua intenção de comprar caças russos Su-35 e Su-57, em vez do material dos EUA, a Alemanha também tenha deixado claro que não tem intenção de adquirir esta caríssima catástrofe alada dos Estados Unidos. Para por mais lenha na fogueira, o portal americano We Are The Mighty (Nós somos os poderosos) listou recentemente um total de três caças russos entre os cinco jactos mais rápidos da história da aviação militar.

No mar, a situação não é melhor. No caso de um hipotético conflito militar entre os Estados Unidos e a Rússia, mesmo no Mar Negro, grupos de porta-aviões americanos seriam obliterados rapidamente por submarinos russos a diesel, sistemas de mísseis móveis terrestres e pequenos mas perigosos botes com mísseis. Isso antes mesmo de as unidades de aviação com base terrestre armadas com mísseis anti-navio hipersónicos baptizados como Dagger intervirem, afirma The National Interest. Outra publicação enfatiza que as corvetas russas de mísseis, que custam US$30 milhões por unidade, têm um alcance quatro vezes superior ao dos últimos destróiers e cruzadores dos EUA que têm um preço de 2 mil milhões de dólares.

Mas foram os sistemas americanos de defesa antimísseis, especialmente o Patriot, que recentemente se cobriram com uma vergonha escandalosa. Um ano atrás, o presidente Donald Trump anunciou que entre as novas prioridades do Pentágono a venda dos sistemas de defesa antimísseis dos EUA aos seus aliados era realmente muito alta. Para atingir esse objectivo, Washington tentou forçar aqueles estados que escolheram soluções muito mais eficazes – o S-300 e o S-400 da Rússia a repensarem sua decisão. Estas tentativas resultaram em Washington aprovar sanções contra alguns de seus aliados mais próximos, como a Turquia, a Índia e o Marrocos.

Enquanto isso, The National Interest admite que o novo S-500 russo é de longe o sistema de defesa aérea mais eficaz que existe, ao passo que The Hill reconhece que as armas hipersónicas da Rússia tornaram sem sentido sistemas de defesa antimísseis americanos como Patriot e THAAD.

Há um ano, os Estados Unidos anunciaram que uma rede de interceptores, radares e linhas de comunicação de mísseis terrestres e de superfície a um preço de 180 mil milhões de dólares poderia proteger o país de um ataque limitado lançado pela RPDC ou pelo Irão. No entanto, logo após esta declaração, sistemas de defesa aérea produzidos nos EUA não conseguiram repelir um ataque surpresa de drones às refinarias de petróleo sauditas, demonstrando portanto sua baixa eficácia. Ao mesmo tempo, não será descabido lembrar que um total de 88 lançadores do Patriot cobre a fronteira norte da Arábia Saudita, com mais três destróieres da US Navy armados com o sistema Aegis estacionados ao largo da mesma área. Nenhum destes sistemas respondeu ao ataque.

Mais uma vez, durante um ataque de retaliação lançado pelo Irão, os sistemas de defesa aérea americanos foram impotentes para abater um único míssil lançado contra duas bases americanas no Iraque.

É por isso que um certo número de clientes militares ocidentais recentemente tem dado passos para adquirir alternativas russas. Isto resultou de falhas graves nos sistemas de defesa aérea produzidos nos EUA, tais como o Patriot, cujos repetidos fracassos se tornaram aparentes recentemente em Israel, Arábia Saudita e Iraque. O último destes clientes foi a Coreia do Sul, que há muito demonstra forte interesse em jactos militares russos e sistemas de defesa aérea, mas não conseguiu adquiri-los devido à pressão exercida por Washington.

Estes factos mostram que os veículos e aeronaves militares publicitados pelos media ocidentais são bons só como sucata. Na verdade, isto tornou-se claro para toda a gente, quando Washington decidiu mostrar seus veículos blindados enferrujados na parada montada no ano passado para a comemoração do Dia da Independência.

 
16/Janeiro/2020
 
[NR] Para comparação:   O PIB português é da ordem dos 200 mil milhões de dólares.

Ver também:

[*] Especialista em Médio Oriente, colabora na revista New Eastern Outlook

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/porque-os-eua-precisam-da-guerra.html

'Arquitetos da tortura' da CIA prestarão depoimento inédito em Guantánamo sobre 11 de Setembro

Bandeira dos EUA hasteada em uma viga de aço danificada nos ataques de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center
© AP Photo / J. David Ake

Os psicólogos que aplicaram as "técnicas de interrogatório avançadas" comparecerão em uma audiência relacionada aos atentados de 11 de setembro de 2001.

Os psicólogos James E. Mitchell e John "Bruce" Jessen criaram e implementariam para a CIA os polêmicos métodos de interrogatório como o afogamento simulado, a privação de sono e o confinamento em locais minúsculos de tamanho inferior a um caixão e espancamentos. Eles prestarão depoimento nesta semana na base naval de Guantánamo em Cuba em audiências prévias relacionadas aos atentados do 11 de setembro de 2001.

Seus testemunhos poderão influenciar o destino de suspeitos dos ataques terroristas caso se demonstre que quer a CIA quer o FBI torturaram os prisioneiros violando os seus direitos fundamentais, recorrendo às "técnicas de interrogatório avançadas" e se ficar claro que as orientações emanaram do governo.

Se espera que Mitchell e Jessen iniciem seus depoimentos a partir de 20 de janeiro aquando das audiências preliminares contra Khalid Sheikh Mohammed e quatro outros detidos acusados de ajudar a planejar e de prestar assistência nos atentados. Os cinco acusados receberão pena de morte se forem declarados culpados. A questão agora levantada é se a justiça irá excluir as provas obtidas contra os detidos e obtidas sob tortura.

A Anistia Internacional alerta ao fato de as normas de processo dos Tribunais Militares que julgarão estes casos não garantirem um julgamento justo. Além disso, o protelamento sistemático dos processos provoca sentimentos de denegação de justiça e de desalento aos familiares das vítimas do 11 de setembro.

Memorandos secretos da CIA

A organização e os advogados dos réus se felicitam por pelo menos dois responsáveis pelas torturas e tratamentos inumanos prestarem finalmente contas perante a justiça apesar de tecnicamente as referidas técnicas não terem sido consideradas ilegais, por terem sido aprovadas em memorandos secretos da CIA, bem como pela administração de George W. Bush. É o que argumentam os referidos psicólogos, insistindo que nada de mal fizeram, tendo se limitado a cumprir o que lhes foi pedido e crendo estar agindo dentro da lei.

Segundo um relatório secreto da CIA sobre o papel de médicos nos seus programas de tortura entre os anos de 2002 e 2007 e divulgado em 2018 pela União Americana das Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), as experiências de tortura nos detidos foram legitimadas com recurso a médicos contratados pela CIA.

Os advogados da CIA lograram convencer o Departamento de Justiça dos EUA a legalizar o afogamento simulado, alegando que não representava risco de morte nem causaria danos cerebrais a longo prazo ou irreversíveis, não podendo ser considerado tortura pelos parâmetros dos Convênios de Genebra. Contudo, quer a ONU quer muitos defensores dos direitos humanos continuam achando que esta prática equivale à tortura.

Responsáveis pelo programa de torturas, 'protegidos e promovidos'

"Em vez de serem obrigados a prestar contas, as pessoas responsáveis pelo programa de torturas dos Estados Unidos — incluindo Mitchell e Jessen — foram protegidos e em alguns casos mesmo promovidos. O fato de estarem testemunhando nestas audiências de alto nível demonstra o fracasso da CIA em erradicar os abusos de direitos humanos de seu programa antiterrorista", considera Julia Hall, especialista principal da Anistia Internacional em matéria de luta antiterrorista, que presenciará os testemunhos dos psicólogos em Guantánamo.

"A tortura é injustificável e quem quer que seja que a utilize deve prestar contas", acrescentou, destacando que "esta impunidade é uma mancha na história dos Estados Unidos" representando "o trabalho perverso destes 'psicólogos' um retrocesso na luta global contra a tortura".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020012015028378-arquitetos-da-tortura-da-cia-prestarao-depoimento-inedito-em-guantanamo-sobre-11-de-setembro/

ROUBO DE US$35 MIL MILHÕES AO IRAQUE

 
 
 
O presidente Trump ameaça roubar os 35 mil milhões de dólares do Iraque que estão depositados no Federal Reserve de Nova York. 
 
"Disse-lhes que se formos embora [do Iraque] nos pagarão. Pagarão por embaixadas, pistas de aviação, reembolsarão tudo o que gastámos", disse o chefe da Casa Branca. "Agora temos US$35 mil milhões dos seus fundos nas nossas contas. Creio que pagarão, do contrário este dinheiro permanecerá na conta", acrescentou.
O precedente disto foi, no tempo em que Paul Bremer era o vice-rei do Iraque, o roubo do Fundo de Reserva iraquiano (dinheiros da exportação de petróleo no tempo de Saddam Hussein que ficaram congelados devido ao bloqueio). Esse dinheiro, que serviria para reconstruir o Iraque destruído pela agressão dos EUA, foi dilapidado pela Halliburton e outros monopólios dos EUA.
A prática do roubo vai-se tornando um hábito do imperialismo. Recentemente o Banco da Inglaterra apreendeu as reservas-ouro da Venezuela que estavam depositadas em Londres. E nos EUA o governo Trump tomou a empresa CITGO da sua proprietária, a companhia de petróleo da Venezuela.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/roubo-de-us35-mil-milhoes-ao-iraque.html

Sob risco de impeachment, Trump completa 3 anos de um governo errático

Governo Trump representa um desafio para historiadores e analistas, que têm dificuldades para encontrar paralelismos no passado ou para traçar linhas argumentativas. Para o resto do mundo, é um foco de instabilidade.

 

 

“Defendemos as fronteiras de outras nações enquanto nos recusávamos a defender as nossas, e gastamos bilhões de dólares em outros países enquanto a infraestrutura americana se deteriorava. Enriquecemos outros países enquanto a riqueza, a força e a confiança em nosso país desapareciam do horizonte.” Em 20 de janeiro de 2017, o presidente Donald Trump tomou posse do seu cargo com um discurso semelhante ao que o levou a vencer as eleições, pintando um retrato tenebroso do país mais poderoso do mundo.

“Esta carnificina americana acaba aqui e agora”, disse ele, referindo-se à desindustrialização e à epidemia de drogas – e antecipando a guinada nacionalista que viria. “A partir deste momento, a América estará em primeiro lugar. Cada decisão que tomarmos em comércio, impostos, imigração, relações exteriores – tudo será em benefício dos trabalhadores norte-americanos e das famílias norte-americanas”.

As palavras escritas nos blocos de anotações dos jornalistas que cobriram a posse ficaram rabiscadas pelas gotas d’água que começaram a cair justo quando o novo presidente tomou a palavra. A imprensa comparou aquele dia com as cerimônias de posse de Barack Obama, muito mais concorridas. De noite, no tradicional baile, Trump comentou exultante: “A multidão foi incrível hoje. Nem sequer houve chuva. Quando terminamos o discurso, fomos para dentro – e, então, caiu”.

E assim, com um debate tão prosaico como o tempo atmosférico, ou o sucesso de público, foi inaugurada a era dos “fatos alternativos”, como os batizou uma assessora do próprio Trump, Kellyanne Conway. Também teve início uma conexão doentia com os meios de comunicação – aos quais Trump despreza e insulta, mas ama aparecer neles e lhes oferece declarações de forma compulsiva – e um novo modelo de relação com o resto mundo que deixará sequelas muitos anos depois do final desse governo republicano, seja ou não reeleito em novembro deste ano.

A presidência de Trump, o empresário e showman que surpreendeu a todos vencendo as eleições de 2016, chega nesta segunda-feira (20) ao seu terceiro aniversário sob a marca do impeachment, o julgamento político no Senado para casos de crimes graves, que ocorreu apenas duas vezes antes dele na história dos EUA. Mas uma estranha sensação de rotina envolve o episódio, talvez porque a absolvição do mandatário seja tida como certa, dada a maioria republicana na Câmara Alta, ou porque chega após três anos pulando sobre um touro mecânico.

“É o ápice de uma das presidências mais erráticas da era moderna – mas o impeachment é a forma mais severa de controle político e constitucional que se pode invocar. A história guardará este processo como uma das principais coisas a mencionar para compreender essa administração”, observa Michael Bitzer, professor de Políticas e História no Catawba College, na Carolina do Norte.

O governo Trump representa um desafio para historiadores e analistas, que têm dificuldades para encontrar paralelismos no passado ou para traçar linhas argumentativas. Para o resto do mundo, é um foco de instabilidade.

Na segunda-feira seguinte à posse, 23 de janeiro de 2017, Trump tomou sua primeira decisão relevante como presidente, retirando os Estados Unidos do tratado comercial do Pacífico (TPP) que havia sido assinado por Obama com outros 11 países. Poucos meses depois, fez o mesmo com o Acordo Climático de Paris e, no ano seguinte, para desespero das grandes potências, também rompeu o pacto nuclear com o Irão.

Há apenas algumas semanas, ele ordenou o assassinato do general iraniano Qasem Soleiman, escalando a tensão no Oriente Médio. Tornou-se o primeiro mandatário norte-americano a pisar na Coreia do Norte, é pura simpatia com Vladimir Putin, começou uma guerra comercial com a China (agora em trégua) e executou a polêmica transferência da embaixada norte-americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

Trump tratou como inimigos alguns sócios tradicionais, como Canadá e Europa, dirigindo-lhes insultos públicos. Deixou sobressaltados os aliados em guerras, como a da Síria, e ameaçou impor punições tarifárias ao México e a outros vizinhos ao sul, exigindo que contivessem o fluxo migratório em direção aos EUA.

Para Amanda Sloat, pesquisadora do Instituto Brookings com dez anos de experiência no Departamento de Estado, as consequências serão duradouras. “Trump desdenhou da importância dos aliados na hora de encarar os desafios globais, chamou a União Europeia de inimiga e questionou o compromisso dos EUA com a OTAN. Essas ações foram corrosivas para a confiança da relação transatlântica”, diz. “Mesmo que haja um novo presidente, os europeus se perguntarão se a América irá abandoná-los algum dia.”

Nos EUA, Trump acaba de obter algumas vitórias políticas importantes: o novo acordo comercial norte-americano e o pacto com a China. Mas também aprendeu que governar não é tuitar; que substituir a reforma da saúde pública feita por Obama exigirá consenso sobre a alternativa; e que, para construir o polêmico muro no México, precisará da cumplicidade do Congresso, embora procure atalhos como a declaração de emergência nacional usando recursos do Pentágono. À base de ordens executivas (algo similar à medida provisória no Brasil), de fato impôs, como havia advertido, o veto migratório a um grupo de países de maioria muçulmana, além de restringir as condições para a imigração legal.

Mas, provavelmente, o mais irreversível e duradouro – o que dificilmente um novo governo poderá apagar – é a ruptura das normas não escritas da presidência dos EUA. Trump normalizou o insulto a partir da mais alta instituição federal, mostrando as entranhas de discussões que antes eram secretas, e transformou as mensagens no Twitter, escritas em maiúsculas e com exclamações, em sua via preferencial de comunicação, seja para ameaçar com uma guerra termonuclear, seja para comunicar ao seu secretário de Estado que ele está demitido.

Julian Zelizer, professor da Universidade de Princeton, considera que a única forma de comunicação do presidente é “de forma instantânea, sem filtro, e com uma linguagem crua”, e que o parâmetro da retórica presidencial já baixou para sempre. A opinião de Zelizer está no livro que ele acaba de publicar, Fault Lines – A History of the United States Since 1974 (Linhas de Falha – Uma História dos EUA desde 1974)

A guinada sobre a posição que os EUA desejam ocupar no mundo foi executada em meio a escândalos. O da trama russa eclodiu antes inclusive da posse. A investigação do promotor especial Robert S. Mueller não encontrou provas de sua conivência com o Kremlin, mas revelou suas tentativas de torpedear o inquérito e lançou as bases para acusá-lo de obstrução. Também é suspeito de um crime de financiamento ilegal de campanha pelos pagamentos a uma atriz pornô, a poucas semanas das eleições de 2016, para silenciar um suposto relacionamento. E está sendo investigado por aceitar dinheiro de governos estrangeiros através de seu império hoteleiro.

Mas foi um caso recente de manobras sobre o governo da Ucrânia para forçar uma investigação contra seu rival político Joe Biden, pré-candidato a presidente em 2020, que o levou a enfrentar um tribunal político por abuso de poder e obstrução da investigação parlamentar. A vitória democrata na Câmara de Representantes nas eleições legislativas de 2018 já havia se tornado o grande ponto de inflexão da era Trump e criou condições para a abertura desse processo.

Não está claro o efeito que o impeachment terá nas urnas em novembro, nem do ponto de vista do dano à credibilidade entre seus eleitores nem do suposto efeito-bumerangue que estimule suas bases a saírem correndo para defender o mandatário com seu voto. É tão frenético o ciclo de notícias em Washington que não se sabe até que ponto o impeachment será assunto em julho ou agosto, ou se o processo ficará na mente dos eleitores norte-americanos. A economia vai bem, e a popularidade de Trump se encontra em 45%, segundo os dados mais recentes do Gallup. O índice, embora pareça baixo, é o mais elevado do seu mandato.

É difícil tirar conclusões a respeito, sendo tão poucos os precedentes de impeachment na história (o de Andrew Johnson em 1868 e o de Bill Clinton em 1999). Mas o nível de partidarismo, de enfrentamento tribal, é superior agora ao de 20 anos atrás, conforme revelam as votações de todas as fases prévias deste julgamento, em que os legisladores seguiram quase milimetricamente as posições de seus respectivos partidos, com pouquíssimas exceções.

A sociedade, além disso, tornou-se mais cínica. Se fosse preciso citar um ponto de inflexão, poderíamos pensar no caso Watergate, que levou à renúncia de Richard Nixon antes do seu julgamento político. Até aquele episódio, em 1974, mais de metade dos norte-americanos respondia nas pesquisas que confiavam nas ações dos presidentes. Esses percentuais nunca se recuperaram.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/sob-risco-de-impeachment-trump-completa-3-anos-de-um-governo-erratico/

Guaidó vai à Colômbia receber instruções dos Estados Unidos

 

Sputinik –O líder da oposição venezuelana Juan Guaido está na Colômbia neste domingo (19) para reunir-se com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. Guaidó agradeceu o presidente da Colômbia, Iván Duque, por seu "apoio à luta".

O encontro entre Guaidó e Pompeo ocorre após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmar que está disposto a dialogar com os Estados Unidos para suspender as sanções aplicadas por Washington contra Caracas.

Guaidó é reconhecido como presidente interino da Venezuela pelos Estados Unidos e o Brasil. Ele deverá encontrar Pompeo em Bogotá, afirma a agência de notícias AFP.

 

O secretário de Estado dos EUA deve chegar em solo colombiano na segunda-feira e tem previsto uma série de visitas a países da América Latina.

"Geraremos as condições que nos levarão à liberdade", disse Guaidó, prevendo que ele retornará à Venezuela "cheio de boas notícias".

Uniforme da nova Força Espacial dos EUA gera risos na web

Soldado do Exército dos EUA (foto de arquivo)
© AP Photo / Visar Kryeziu

Após criação da Força Espacial dos EUA, a entidade militar deu a conhecer seu novo uniforme, causando risos entre os internautas.

A farda apresenta características típicas de uniformes militares usados em florestas, com seu padrão de camuflagem.

Como se vê na foto publicada pela Força Espacial dos EUA no Twitter, o uniforme apresenta quatro estrelas no peitoral esquerdo, indicando que o mesmo pertence ao general John Raymond, primeiro comandante da entidade.

 

Primeiro uniforme da Força Espacial com as tarjetas de identificação chegou ao Pentágono

De acordo com o portal Military.com, citando o porta-voz do Pentágono, Jonathan Hoffman, a Força Espacial ainda deve anunciar a sua estrutura, o sistema completo de uniformes e as designações de serviço. Tudo isso está sendo planejado pelo general Raymond.

Reação na Internet

Apesar de novo, o traje já se tornou razão de riso para muitos internautas.

Segundo um deles, o uniforme só será útil caso os militares da Força Espacial precisarem se esconder dos ewoks, raça fictícia de seres inteligentes da série de filmes "Guerra nas Estrelas".

Também outros usuários da web se indagaram sobre a utilidade de um uniforme com camuflagem para florestas em um ambiente espacial.

É válido ressaltar que a Força Espacial dos EUA foi criada pelo presidente Donald Trump no ano passado, contando com um orçamento de US$ 40 milhões (cerca de R$ 167 milhões) para este ano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020011915023658-uniforme-da-nova-forca-espacial-dos-eua-gera-risos-na-web-foto/

“Se o Irão consegue atacar-nos, a China poderia fazer muito mais estrago” -- EUA

 
 
O congressista americano Mike Gallagher destacou que as defesas dos EUA no Pacífico estão sob risco, ao passo que alertou sobre as capacidades da China contra seu país.
 
"Se adversários mais fracos [referência ao Irão] estão usando armamentos menos sofisticados para nos atacar [no Oriente Médio], a China poderia fazer muito mais estrago na [região] do Comando das Forças Armadas dos EUA no Indo-Pacífico", declarou o deputado republicano da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Gallagher, em um evento naval realizado próximo a Washington, EUA.
 
Ainda segundo o congressista, se as Forças Armadas dos EUA não se focarem em ameaças em tempo real, a Estratégia de Defesa Nacional de seu país, que visa a "competição entre grandes potências" perderá o seu sentido, conforme publicou o portal Military.com.
 
Para Gallagher, o uso de bases fixas pelos militares americanos seria um erro estratégico, o que facilitaria ataques como os perpetrados pelo Irão no Iraque.
 
O bombardeio de mísseis iraniano também seria um exemplo da vulnerabilidade dos EUA, segundo o político. Ele classificou o pequeno número de bases dos EUA na região do Indo-Pacífico como perigoso.
 
"Dado o pequeno número de bases fixas que temos [no Indo-Pacífico], o sinal de alerta vermelho já está piscando", afirmou.
 
 
Estratégia contra a China
 
Com o intuito de aprimorar as defesas de Washington em face da China no Indo-Pacífico, Gallagher defendeu a ideia de um movimento contínuo das unidades militares de seu país nas ilhas da região.
 
A estratégia tem como objetivo dificultar um ataque chinês, em caso de guerra, ao passo que os "alvos americanos" estariam mudando de posição constantemente.
 
Sem contar o uso de "posições fantasmas", com criação de artefatos militares falsos para enganar o inimigo.
 
Sputnik | Imagem: © CC0

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/se-o-irao-consegue-atacar-nos-china.html

EIXO DO MAL, QUEM?

 
 
Elenira Vilela (*), de Florianópolis, no Facebok
 
Existe um país no mundo que está sempre em guerra desde a sua própria unificação. Que nessas guerras desrespeita tratados internacionais. Que usa armas químicas, biológicas e usou inclusive armas nucleares (o único país do mundo a detonar bombas nucleares sobre cidades).
 
Essas armas mataram milhões de civis, destruíram o meio ambiente (por décadas e as vezes séculos pela contaminação) e impuseram que milhões de pessoas - antes saudáveis - desenvolvessem câncer e outras doenças e gerassem filhos com as mais diversas más-formações, incluindo seus próprios soldados.
 
Esse país tortura prisioneiros de guerra. Usa o estupro como arma sistemática e coordenada para "quebrar a moral do inimigo". Joga bombas em hospitais e escolas com o mesmo intuito.
 
Promove e financia manobras políticas, golpes de Estado e o crescimento e armamento de grupos terroristas contra governos democraticamente eleitos que não seguem sua cartilha à risca.
 
Esse país tem uma enorme indústria bélica que manda no governo (supostamente democrático, mas em que várias vezes o mais votado não é o eleito).
 
Esse país manda na ONU e se acha no direito de impor sanções económicas aos países que ironicamente apelida de "Eixo do Mal" na maior fake news (em bom português: mentira deslavada e consciente) da história da humanidade. Ataca e invade quando as sanções económicas não são suficientes para esses países se dobrarem a seus interesses.
  
Sempre que impõe essas sanções e ataca esses países, conta com grande apoio de países chamados de civilizados e desenvolvidos. Por exemplo, a tão cordial Inglaterra apoiou a invasão do Iraque com a desculpa mentirosa de que existiam armas químicas nunca encontradas.
 
França, Canadá, Bélgica, Japão, Turquia entre muitos outros apoiam, dão suporte, participam ativamente de muitas dessa ações, sejam económicas, mediáticas, políticas, boicotes e de ações de guerra propriamente ditas.
 
Esse país foi derrotado algumas vezes. A mais emblemática é a derrota para o Vietname depois de tentar massacrar esse povo por duas décadas (uma financiando a França e outra diretamente na guerra).
 
Mas o perigo são os outros, as ditaduras são as outras, a preocupação internacional é com os outros países. Por coincidência #sqn as ações mais contundentes atingem mais diretamente os países que têm ou descobrem novas reservas de petróleo.
 
Dou um doce para quem adivinhar de que país estou falando...
 
Não há dúvidas de que esse país em crise económica e política mais uma vez busca a saída para seus problemas no genocídio em massa.
 
O que aconteceu nesta sexta-feira (3) não é uma surpresa e esse país não tem o menor problema de mundializar esse conflito. Isso vai encher as burras de dinheiro e unificar o país cujo governo está sob ameaça de impeachment.
 
A guerra do Iraque unificou o país e segurou Clinton na presidência. A guerra ao Afeganistão reunificou e segurou o Bush filho na presidência. Esse país se alimenta de morte. Os capitalistas precisam da morte, do fascismo, da mentira, da destruição para permanecer acumulando capital.
 
Não será a primeira vez que a resposta para a crise será a guerra. Aliás essa tem sido uma resposta sistemática. Além das duas guerras mundiais, o capitalismo mantém ininterruptamente guerras em curso na África, na Ásia (especialmente no Oriente Médio) e mesmo na Europa (guerras recentes na Crimeia e na antiga Jugoslávia nas décadas de 1990 e 2000).
 
É pela paz que eu não quero seguir admitindo.
 
Abaixo o imperialismo
Socialismo ou barbárie
 
(*) Professora, sindicalista e feminista
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/eixo-do-mal-quem.html

Acordo comercial de primeira fase China-EUA tem importância econômica e política, diz vice-premiê chinês

Washington, 15 jan (Xinhua) -- O recém-assinado acordo econômico e comercial de primeira fase China-EUA tem importância econômica e política, tendo em vista que alivia tensões comerciais, apaga incertezas do mercado e beneficia a China e os Estados Unidos, assim como o mundo inteiro, disse o vice-primeiro-ministro chinês Liu He na quarta-feira.

Liu, que assinou quarta-feira o acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, fez as observações durante uma entrevista à imprensa chinesa à tarde.

Como as duas maiores economias e dois principais países com grandes responsabilidades nos assuntos internacionais, a China e os EUA alcançaram o acordo "com o quadro geral em mente", afirmou Liu.

"Do ponto de vista econômico, esse acordo ajuda a aliviar as tensões comerciais e a eliminar incertezas de mercado, sendo um acordo que estabiliza expectativas, fortalece confiança, cria oportunidades e promove prosperidade", disse o vice-primeiro-ministro.

"Politicamente, o acordo é propício para manter o desenvolvimento estável e sólido das relações gerais China-EUA, criando um bom ambiente internacional, e promovendo a paz e o desenvolvimento mundial", acrescentou Liu, também membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China.

"É por essa razão que as notícias de que a China e os EUA atingiram o acordo receberam uma boa-vinda imediata e maciça em ambos os países, na comunidade internacional e nos mercados financeiros globais", disse Liu.

O acordo contribuiu com "energia positiva" para a estabilidade e o desenvolvimento da economia mundial, afirmou o vice-primeiro-ministro.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/16/c_138710351.htm

Câmara dos EUA decide enviar destituição de Trump ao Senado

 
 
Após semanas parado, processo entra na segunda fase. Julgamento deve começar na próxima semana. Expectativa é o presidente ser absolvido pela maioria republicana do Senado.
 
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (15/01) uma resolução para enviar ao Senado os dois artigos de destituição contra o presidente Donald Trump, mais de um mês depois de as acusações terem sido votadas pelos deputados.
 
A resolução envolveu a escolha dos nomes de um comité que apresentará as acusações no Senado, funcionando como um grupo de promotores. Ele será formado por quatro deputados e três deputadas democratas. A liderança caberá ao deputado Adam Schiff, chefe do Comité de Inteligência da Câmara, que participou das investigações contra Trump.
 
A expectativa agora é que a segunda fase do processo de destituição – o julgamento dos dois artigos – comece já na próxima semana, concluindo-se no início de fevereiro. Caberá aos senadores decidir se o presidente é culpado ou não, e se deve ser ou não afastado. Esse será o terceiro julgamento de destituição contra um presidente na história dos EUA.
 
 
Trump segue no cargo enquanto durar o processo. Nos EUA, o presidente só é afastado após o aval do Senado, responsável pelo julgamento do caso – ao contrário do Brasil, onde o chefe do Executivo é afastado temporariamente já após a votação na Câmara.
 
Após o anúncio pela Câmara, um membro da Casa Branca disse à rede CNN que "já estava na hora" de o processo voltar a andar, sinalizando que o governo Trump deseja liquidar o assunto rapidamente. A expectativa é que ele seja barrado no Senado, com uma maioria republicana alinhada com o presidente. No Senado, são necessários dois terços dos votos para afastar o presidente. Os republicanos detêm 53 das 100 cadeiras da Casa.
 
O chefe da campanha à reeleição de Trump, Brad Parscale, também reclamou da demora do envio do processo ao Senado. Segundo ele, a decisão da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, de aguardar mais de um mês "provou que nunca houve nenhuma urgência".
 
A demora tem origem numa disputa entre a Câmara e o Senado sobre como o processo deve andar na segunda câmara legislativa. O líder da maioria do Senado, o republicano Mitch McConnell, pretende conduzir os procedimentos rapidamente, sem a necessidade de ouvir testemunhas, mas a maioria democrata da Câmara deseja novos depoimentos durante o julgamento.
 
Trump é acusado de abuso de poder e obstrução dos poderes investigativos do Congresso. Em 18 de dezembro, as duas acusações votadas separadamente foram aprovadas com folga na Câmara, de maioria democrata.
 
O caso envolve a suspeita de que Trump teria pressionado o governo da Ucrânia a investigar um adversário eleitoral, o ex-vice-presidente Joe Biden, pré-candidato à presidência pelo Partido Democrata. O republicano também é suspeito de tentar barrar esforços dos congressistas americanos para investigar as ações da Casa Branca.
 
Ao longo de 230 anos de história americana, a Câmara dos Representantes só aprovou o destituição de dois presidentes. Em 1868, Andrew Johnson foi acusado de remover um ministro sem autorização do Senado. Em 1998, foi a vez de Bill Clinton ser acusado de perjúrio e obstrução da Justiça. Os dois, porém, foram absolvidos no Senado. Um terceiro presidente, Richard Nixon, renunciou em 1974 pouco antes de a Câmara votar acusações de obstrução da Justiça e abuso de poder.
 
A análise do caso na Câmara dos Representantes se estendeu por quase três meses. Seis comités da Câmara de Representantes realizaram uma investigação para determinar se era possível abrir um processo de destituição contra o presidente. Testemunhas foram ouvidas em reuniões fechadas e também publicamente. Ao fim, o Comité de Justiça da Câmara publicou os detalhes do caso num documento de 658 páginas, em que o colegiado conclui que Trump traiu o país em busca de benefícios pessoais.
 
Trump ainda não se manifestou oficialmente sobre o mais recente do processo. Em dezembro, dias antes da votação na Câmara, ele acusou os democratas de conduzirem uma "tentativa partidária e ilegal de golpe", e de declararem guerra à democracia americana, ao buscar removê-lo do cargo.
 
"Isso nada mais é que uma tentativa partidária, ilegal de golpe e que irá, baseada nos sentimentos recentes, fracassar nas urnas de votação", afirmou Trump na carta, fazendo referência às eleições presidenciais de 2020, nas quais ele pretende tentar a reeleição.
 
O processo de destituição começou em setembro, quando uma denúncia anónima revelou aos serviços de inteligência do país o conteúdo de uma ligação entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski.
 
No fim de julho, Trump pediu que o ucraniano tomasse providências para investigar o ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho, Hunter, que é membro do conselho de uma empresa ucraniana. Uma transcrição da conversa foi finalmente divulgada pela Casa Branca em setembro, confirmando que Trump abordou o caso de Biden com Zelenski.
 
O americano também pediu que Zelenski entrasse em contato com o procurador-geral dos EUA, William P. Barr, e com seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, para discutir medidas para uma potencial investigação contra Biden.
 
De acordo com uma transcrição parcial da conversa liberada pela Casa Branca, Trump não fez nenhuma promessa específica para o ucraniano em troca da cooperação contra seu rival, mas disse em diversos momentos que os EUA "fazem muito pela Ucrânia".
 
Embora Trump não tenha mencionado nenhuma ajuda em troca, a imprensa americana e a oposição democrata apontaram que o republicano montou um cenário de pressão económica para conseguir a colaboração de Zelenski.
 
Uma semana antes do telefonema, Trump havia suspendido uma ajuda militar de cerca de 250 milhões de dólares para a Ucrânia, que trava uma guerra em seu território contra forças apoiadas pela Rússia. Em 11 de setembro, mais de um mês após a conversa, a verba foi descongelada.
 
A Casa Branca também foi acusada de manipular o desejo de Zelenski por um encontro com Trump na Casa Branca, atrelando o convite a uma eventual colaboração do ucraniano na investigação contra Biden. Zelenski tomou posse em maio, e seu país tenta desesperadamente conseguir aliados no exterior para conter a influência russa em seu território.
 
Durante a fase de depoimentos da destituição na Câmara, o embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, Gordon Sondland, admitiu ter dito a um conselheiro do governo ucraniano que a Casa Branca não concederia um pacote de ajuda militar até que a Ucrânia anunciasse uma investigação oficial contra políticos do Partido Democrata, incluindo Biden. O embaixador disse que comunicou essa mensagem a Andrei Yermak, um conselheiro do presidente Zelenski, durante uma reunião em Varsóvia em 1º de setembro.
 
Já em relação à acusação de obstrução, a justificativa é que Trump proibiu diversos funcionários ligados à sua administração de prestarem depoimento perante a Comissão da Câmara, inclusive os que haviam sido intimados. Em vez de recorrer à Justiça para forçar essas testemunhas a depor, os democratas preferiram usar as recusas como provas para a acusação de obstrução.
 
Um dos mais casos de mais destaque aconteceu quando o embaixador dos EUA na União Europeia, Gordon Sondland, chegou a se dirigir ao Congresso para depor após receber um convite, em outubro, mas teve sua participação cancelada minutos antes por determinação da Casa Branca. Na ocasião, o próprio Trump confirmou que não queria que Sondland falasse.
 
Deutsche Welle | JPS/ots
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/camara-dos-eua-decide-enviar.html

EUA: sindicalismo, imperialismo e anticomunismo

Durante o século 20, o governo dos EUA foi repetidamente adversário de movimentos de esquerda e apoiou ou promoveu golpes de Estado em todo o mundo, com o apoio e ajuda de líderes sindicais estadunidenses. Um acerto de contas da história espúria de colaboração entre a AFL-CIO e o imperialismo dos EUA ajuda a forjar no século 21 um sindicalismo avançado e verdadeiramente internacionalista.

 

 

por Jeff Schuhrke, na Jacobin | Tradução de José Carlos Ruy

Dois dias após a deposição do presidente socialista Evo Morales, da Bolívia, por um golpe militar de direita, em novembro passado, o presidente da AFL-CIO, Richard Trumka, usou o Twitter para condenar o golpe e elogiar Morales por reduzir a pobreza e defender os direitos indígenas. Ao fazer isso, Trumka juntou-se a Bernie Sanders, Ilhan Omar, Alexandria Ocasio-Cortez e outras figuras proeminentes da esquerda ao combater a narrativa dominante do establishment político e na mídia dos EUA – de que a deposição de Morales seria uma vitória da democracia.

Embora seja adequado que o presidente da maior federação sindical dos EUA denuncie um golpe de direita contra um líder de esquerda – golpe que foi endossado pelo Departamento de Estado dos EUA e pela CIA –, também representa uma importante quebra de precedente para a AFL-CIO.

Embora raramente discutida, a AFL-CIO tem uma longa história de apoio ao governo dos EUA na ação contra movimentos de esquerda em todo o mundo, inclusive através de golpes de Estado.

Durante a Guerra Fria, o Conselho Executivo da AFL-CIO e o Departamento de Assuntos Internacionais foram dirigidos por anticomunistas zelosos determinados a minar a ascensão de sindicatos de esquerda no exterior. Como seus parceiros no governo dos EUA, George Meany, presidente da AFL-CIO (1955-1979), e seu sucessor, Lane Kirkland (1979-1995), entenderam que se permitissem prosperar os movimentos de trabalhadores com consciência de classe representariam uma séria ameaça ao capital.

Meany, Kirkland e outros dirigentes da AFL-CIO aderiram a uma filosofia de “sindicalismo empresarial”, o que significa que eles não desejavam derrubar o capitalismo – mas promoveram a ideia de que a colaboração de classe e a negociação limitada no local de trabalho por questões de “pão com manteiga” trariam aos trabalhadores a prosperidade de que eles precisavam. Defendiam o nacionalismo econômico em detrimento da solidariedade internacional do trabalho, argumentando que os trabalhadores estadunidenses receberiam salários mais altos e haveria menos desemprego desde que as empresas dos EUA tivessem acesso fácil ao mercado dos outros países para vender produtos “made in USA” – uma versão do tipo de ideologia nacionalista que alimentou o racismo e a xenofobia entre segmentos da classe trabalhadora nos EUA e ajudou a ascensão de Trump ao poder.

Desde ajudar golpes militares apoiados pelos EUA no Brasil e no Chile até guerras de contra-insurgência implacáveis ​​no Vietname e em El Salvador, a política externa da AFL-CIO durante a Guerra Fria foi fundamentalmente voltada para os interesses do imperialismo americano. Na década de 1970 – quando o capital lançou seu forte ataque aos direitos dos trabalhadores em todo o mundo –, a AFL-CIO perdeu a credibilidade que poderia ter como veículo para a libertação mundial da classe trabalhadora. Foi ridicularizada pelos lutadores anti-imperialistas no país e no exterior , com o apelido de “AFL-CIA”.

Nesta nova década, a perspectiva rejuvenescida de um movimento de trabalhadores nos EUA é forte: uma nova geração de trabalhadores parece ansiosa por se sindicalizar; o número de greves é o maior em 30 anos; os Socialistas Democratas da América têm rápido crescimento com o objetivo puxar os sindicatos para a esquerda por meio de uma estratégia comum; Bernie Sanders, de longa data, planeja dobrar a filiação sindical se for eleito presidente; e sindicalistas militantes como Sara Nelson (que poderá vir a ser presidenta da AFL-CIO) se destacam.

É um bom momento, então, para ativistas e líderes sindicais de esquerda contarem a história do uso do sindicalismo de direita pelo imperialismo dos EUA – uma história ainda desconhecida pelos ativistas mais jovens que chegaram à maioridade no início do século 21. Contar essa história pode ajudar a garantir que um movimento sindical ressurgente nos EUA desempenhe um papel positivo e eficaz na construção da solidariedade mundial dos trabalhadores, em vez de sustentar uma ordem imperialista que prejudica a classe trabalhadora nos EUA e no mundo.

Embora décadas de propaganda empresarial tenham tentado dizer o contrário, o sindicato tem poder. Não apenas o poder de aumentar os salários ou ganhar uma folga remunerada, mas o poder de derrubar governos e parar as economias nacionais.

Durante a Guerra Fria, o governo dos EUA entendeu isso muito bem. Para as autoridades dos EUA determinadas a preservar e expandir o capitalismo internacional diante de uma esquerda mundial cada vez mais influente, os sindicatos representavam uma ameaça séria. Tornaram-se, portanto, um alvo crucial da intervenção imperialista dos EUA: em vez de lhes permitir montar um desafio efetivo ao capital radicalizando os trabalhadores e alimentando movimentos políticos de esquerda, os sindicatos precisariam ser transformados em instrumentos para conter o potencial revolucionário da classe trabalhadora.

Nesse processo, a arma mais poderosa do trabalho organizado – a greve – seria cooptada e usada para perseguir objetivos reacionários, ou seja, para minar os governos de esquerda. Para subverter sindicatos estrangeiros e atraí-los a seus próprios fins imperialistas, o Departamento de Estado dos EUA e a CIA encontraram um aliado entusiasmado na AFL-CIO.

A Guerra Fria coincidiu amplamente com o período em que o movimento dos trabalhadores, nos EUA, estava forte. Mais trabalhadores dos EUA foram sindicalizados nas décadas de 1950 e 1960 do que em qualquer outro momento da história, dando aos líderes sindicais como Meany grande influência política.

Como anticomunistas, os funcionários da AFL-CIO optaram por usar esse poder para ajudar o governo dos EUA a minar a influência esquerdista em sindicatos estrangeiros. Na prática, isso significava interferir nos processos internos dos sindicatos de outros países, fomentar rivalidades internacionais, criar e sustentar financeiramente organizações sindicais fragmentadas, formar sindicalistas conservadores e usar o poder da greve para sabotar governos progressistas.

Após décadas dessas intervenções imperiais, o trabalho organizado em todo o mundo ficou dividido e enfraquecido, facilitando ao capital transnacional explorar trabalhadores na era do neoliberalismo.

Graças à firme resistência contra o fascismo, os partidos comunistas da Europa Ocidental conquistaram amplo apoio popular durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente entre a classe trabalhadora. No final da guerra, federações sindicais como a Confederação Geral do Trabalho (CGT), na França, e a Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), na Itália, foram lideradas ou fortemente influenciadas pelos comunistas.

Em 1945, os movimentos sindicais das nações aliadas – incluindo a Grã-Bretanha, a União Soviética e os EUA – formaram a Federação Sindical Mundial (FSM), uma espécie de ONU para o trabalho. Nesse momento, a AFL e o CIO ainda eram entidades distintas e concorrentes.

Fundada em 1886, a AFL, politicamente conservadora, incluía sindicatos de trabalhadores qualificados e artesanais, enquanto o CIO – fundado em 1935 como uma organização que se separou da AFL – representava trabalhadores em indústrias, como automóveis e aço. Mais novo e mais progressista, o CIO, que devia seu crescimento ao trabalho de militantes comunistas e outros da esquerda, logo aderiu à FSM. Mas a AFL, maior e firmemente anticomunista, recusou-se a ter algo a ver com a nova organização mundial porque incluía sindicatos da União Soviética (URSS).

Líderes da AFL como Meany argumentaram que os esquerdistas – particularmente os comunistas – eram inerentemente “totalitários” e que quaisquer sindicatos que liderassem eram ilegítimos como representantes dos trabalhadores. Ele e o outros internacionalistas anticomunistas da AFL sustentaram que apenas sindicatos “democráticos” ou “livres” – isto é, pró-capitalistas e empresariais – tinham alguma legitimidade.

A ironia dos sindicalistas “livres” era que frequentemente pisoteavam a democracia e a autonomia sindicais enquanto afirmavam defender esses mesmos princípios. Sempre que comunistas ou outros esquerdistas alcançavam posições de liderança em sindicatos em outros países por métodos democráticos e com apoio comum, pessoas ligadas à AFL atuavam para garantir que seus sindicalistas anticomunistas escolhidos a dedo tivessem os recursos para montar sindicatos divisionistas e posições robustas de ruptura.

Em 1944, antes que as linhas de batalha da Guerra Fria tivessem sido traçadas, a AFL estabeleceu o Comitê de Sindicatos Livres (FTUC) para minar os sindicatos liderados pelos comunistas na Europa Ocidental. Jay Lovestone, que já fora líder do Partido Comunista dos EUA, mas que foi expulso em 1929, foi escolhido para dirigir a FTUC.

Lovestone havia ingressado no movimento sindical na década de 1930, através do Sindicato Internacional das Mulheres do Vestuário. Ansioso por vingança contra seus ex-companheiros, ele trabalhou para o presidente anticomunista do UAW (United Automobile Workers), Homer Martin, e usou seu conhecimento íntimo do Partido Comunista dos EUA para ajudar Martin a expulsar seus oponentes sindicais. Essa experiência fez dele a escolha perfeita para dirigir a FTUC.

Como diretor da FTUC, Lovestone enviou seu associado, Irving Brown, para ser seu homem na Europa. De um escritório em Paris, Brown começou a dividir o movimento sindical internacional acusando a FSM de ser uma organização dominada pelos soviéticos. Ele trabalhou particularmente para dividir a CGT francesa, apoiando sua facção interna não comunista, a Força Ouvrière, a se transformar em uma concorrente direta contra a CGT.

A Force Ouvrière havia começado como um pequeno grupo na CGT, disposto a coexistir com os comunistas. Brown ajudou a transformar esse grupo em uma organização sindical anticomunista separada, sustentada mais pelos fundos dos EUA do que pelo apoio popular.

Entre 1947 e 1948, o governo dos EUA alcançou a AFL na Guerra Fria; criou a CIA e lançou o Plano Marshall para garantir a “contenção” do comunismo, reconstruindo a economia europeia destruída pela guerra, dentro de uma estrutura capitalista. Reconhecendo o movimento sindical como um campo de batalha crucial da Guerra Fria, a CIA foi atraída pela FTUC de Lovestone e, em 1949, concordou em financiar os esforços da FTUC na ação contra os sindicatos comunistas no exterior, em troca de informações sobre organizações sindicais estrangeiras.

Os líderes da AFL Meany, David Dubinsky e Matthew Woll estavam na nova parceria, assim como Lovestone e Brown, mas outros sindicalistas da AFL e dos EUA mantiveram-se no escuro e sabiam pouco do que a FTUC estava planejando.

Pode ser difícil entender que líderes sindicais dos EUA forjaram uma aliança secreta com a CIA para dividir de forma não democrática os sindicatos no exterior. Mas os líderes da AFL e a CIA compartilhavam da crença de que os sindicatos de esquerda eram literalmente capazes de provocar a revolução proletária.

Para impedir que isso acontecesse, a CIA precisava da experiência da AFL. Como as direções anticomunistas pró-capitalistas da AFL já estavam trabalhando para minar os movimentos sindicais de esquerda antes mesmo da criação da CIA, eles não precisavam de nenhum convencimento.

Agora cheio de dinheiro da CIA, no início dos anos 50, Brown tinha a reputação de carregar malas de dinheiro para comprar a lealdade de sindicalistas na França, Itália, Alemanha Ocidental e outros lugares. Onde quer que os sindicatos comunistas fossem fortes, sindicatos anticomunistas eram criados e apoiados financeiramente pela FTUC/CIA.

A AFL também fez parceria com o Departamento de Estado dos EUA, que desenvolveu um corpo de adidos sindicais e os alocou em embaixadas dos EUA no exterior. Frequentemente egressos das fileiras dos sindicatos da AFL e examinados por Lovestone, os adidos sindicais do Departamento de Estado usavam sua influência diplomática para isolar e desacreditar os sindicatos liderados pelos comunistas da Europa.

Lovestone também enviou agentes da FTUC para a Ásia. Após a Revolução Chinesa de 1949, Willard Etter, representante da FTUC, instalou-se em Formosa (Taiwan). Com os recursos fornecidos pela CIA, Etter apoiou a Liga do Trabalho da China Livre, que serviu de fachada para atividades de espionagem e sabotagem.

Equipes de agentes anticomunistas chineses viajaram secretamente de Formosa para a China continental, onde não apenas reportavam informações a Etter por transmissões de rádio – mas também explodiram o suprimento de combustível (causando baixas civis) e tentaram agitar os trabalhadores em fábricas estatais.

Com a operação na China da FTUC, a AFL tornou-se cúmplice em atividades terroristas patrocinadas pela CIA, afastando-se de seu objetivo básico de capacitar os trabalhadores. A maioria dos agentes de Etter foi capturada e executada pelo governo chinês depois que a CIA perdeu o interesse e os abandonou assim que a Guerra da Coreia começou.

A relação entre a AFL e a CIA era difícil. Lovestone se irritou com a burocracia e a supervisão da CIA, exigindo continuamente maior independência para sua FTUC. Por sua parte, alguns dos principais escalões da CIA – normalmente os WASPs da Ivy League [Nota da Redação: suposta aristocracia de brancos, protestantes e anglo-saxões, reunidos nas principais universidades dos EUA] – olhavam com desdém para os contatos da AFL, cuja maioria era de judeus e católicos irlandeses com educação de imigrantes e da classe trabalhadora.

A aversão era mútua, com Lovestone frequentemente ridicularizando seus parceiros da CIA como “garotos fracassados” em cartas a Brown. Tal acrimônia era um subproduto trivial da parceria desagradável entre a voz nominal da classe trabalhadora dos EUA e o estado imperialista dos EUA.

Apesar das tensões interpessoais, a aliança FTUC-CIA na Europa Ocidental alcançou o objetivo principal de dividir a FSM em 1949. Cada vez mais pressionado pela geopolítica da Guerra Fria, o CIO e o Sindicato Britânico de Comércio romperam com a FSM no início daquele ano. A ruptura resultou em desentendimentos sobre o Plano Marshall, ao qual os sindicatos liderados pelos comunistas se opuseram, alegando que era uma tentativa de minar sua influência e reconsolidar o sistema capitalista internacional, com os EUA no centro.

Foi no ano de 1949, também, que o movimento sindical nos EUA sofreu as mesmas divisões que a AFL espalhava pelo mundo. Querendo permanecer nas boas graças do governo, os líderes do CIO tomaram uma decisão à direita naquele ano, expulsaram os comunistas de suas fileiras e passaram a perseguir os sindicatos liderados pela esquerda. O resultado foi devastador. O CIO – que antes estava no centro de um movimento multirracial da classe trabalhadora por justiça social e econômica – foi transformado e virou à direita. Nesse contexto, em 1956 a AFL, maior e mais conservadora, absorveu o CIO, e o movimento sindical iniciou, nos EUA, um declínio de décadas.

Em dezembro de 1949, o CIO e o Sindicato dos Comércios Britânicos haviam se unido à AFL e a outros sindicatos anticomunistas para fundar a Confederação Internacional dos Sindicatos Livres (ICFTU), apresentada como a alternativa do mundo “livre” à FSM. Graças às maquinações da AFL, da CIA e do Departamento de Estado dos EUA, o movimento sindical internacional agora estava dividido em dois campos hostis, com os líderes sindicais estadunidenses mais concentrados em combater a esquerda do que em lutar contra o capital.

Após a reconstrução da Europa Ocidental, os líderes sindicais dos EUA e seus aliados no governo voltaram cada vez mais a atenção para os países em desenvolvimento – o então chamado 3º Mundo. No Hemisfério Ocidental, Lovestone teve uma presença mínima. Em vez disso, o “Representante Interamericano” da AFL era o emigrado italiano e ex-socialista Serafino Romualdi. Forçado a fugir da Itália por se opor a Mussolini, Romualdi se estabeleceu em Nova York. Como Lovestone, ele entrou no movimento dos trabalhadores através do Sindicato Internacional das Senhoras do Vestuário, de David Dubinsky, na década de 1930.

Durante a 2ª Guerra Mundial, Romualdi viajou pela América Latina em nome do escritório de Nelson Rockefeller, coordenador de Assuntos Interamericanos. Depois voltou brevemente à Itália como agente do escritório de Serviços Estratégicos – o precursor da CIA –, onde tentou marginalizar os comunistas.

Em 1946, Romualdi se tornou o principal representante da AFL na América Latina e no Caribe. Assim como Irving Brown trabalhou para dividir a FSM, a missão de Romualdi era enfraquecer a Confederação de Trabalhadores da América Latina (CTAL), que havia sido fundada, em 1938, pelo líder sindical mexicano Vicente Lombardo Toledano, para unir o movimento consciente da classe na América Latina.

A CTAL foi uma voz autêntica para o trabalho pan-americano, liderado por sindicalistas latino-americanos e livre do domínio imperial dos EUA. Como a FSM à qual era filiada, reuniu comunistas e não comunistas em torno do objetivo comum em defesa dos trabalhadores. Romualdi e a AFL procuraram minar a CTAL e substituí-la por uma confederação interamericana de trabalhadores liderada pelos EUA, garantindo que a classe trabalhadora latino-americana não se tornasse uma força forte e independente capaz de desafiar o controle dos EUA.

Com o apoio dos partidos socialdemocratas da América Latina e dos adidos sindicais do Departamento de Estado dos EUA, Romualdi conseguiu convencer muitos sindicalistas latino-americanas a se afastarem da CTAL, reunindo os sindicatos anticomunistas da região em 1948, com a criação da Confederação Interamericana de Trabalhadores, três anos depois reconstituída como Organização Regional Interamericana de Trabalhadores (Orit) para servir como o braço regional da ICFTU no Hemisfério Ocidental. Sob a influência de Romualdi, a Orit lutou contra sindicatos esquerdistas, peronistas e católicos em toda a região ao longo da década de 1950, com o resultado de que a classe trabalhadora latino-americana permaneceu dividida.

Após a Revolução Cubana de 1959, Meany, com apoio de seus aliados no establishment da política externa dos EUA rapidamente transformou a América Latina em sua nova prioridade para a “contenção” do comunismo. Infelizmente para ele, a FTUC havia sido fechada recentemente por insistência do presidente do UAW, Walter Reuther, depois que o CIO de Reuther se fundiu com a AFL.

Embora fosse um anticomunista, Reuther acreditava que poderia haver uma coexistência pacífica entre o Oriente e o Ocidente e não desejava aumentar as tensões com a União Soviética. Desprezando Lovestone por sua tentativa de dividir o UAW anos antes, Reuther queria que a AFL-CIO conduzisse sua política externa por meio da ICFTU multilateral, e não pela FTUC de Lovestone. Embora a ICFTU tenha sido formada a pedido da AFL, durante a década de 1950, Meany havia se desencantado com os sindicalistas europeus que a administravam, acreditando que não eram beligerantes o suficiente em seu anticomunismo.

Na esperança de reorientar a Guerra Fria dos trabalhadores na América Latina após a Revolução Cubana, mas não querendo confiar na ICFTU, Meany queria uma organização nova e unilateral nos moldes da agora extinta FTUC. Ele o conseguiria com a criação do Instituto Americano para o Desenvolvimento do Trabalho Livre (AIFLD). O AIFLD se tornaria o instrumento mais importante da AFL-CIO para a Guerra Fria.

A ideia foi proposta pela primeira vez pelo presidente da Communications Workers of America, Joseph Beirne, que teve assento no Conselho Executivo da AFL-CIO. Em 1959, Beirne trouxe 16 sindicalistas afiliados à Orit, da América Latina para a Virgínia, para um treinamento sobre como ser um sindicalista eficaz. Beirne procurou ampliar esse programa e transformá-lo em uma organização permanente, convencendo Meany a apoiar o plano.

Meany, então, convenceu o novo governo Kennedy de que a organização proposta, o AIFLD, serviria como auxiliar perfeito ao trabalho para a Alliance for Progress (Aliança para o Progresso) – uma iniciativa do tipo Plano Marshall para dar ajuda dos EUA aos governos latino-americanos anticomunistas para impedir o surgimento de outra Cuba revolucionária. Como na Europa do pós-guerra, esse trabalho ajudaria novamente o governo dos EUA a cumprir os objetivos da Guerra Fria.

Em 1962, o AIFLD entrou em operação. Quase exclusivamente financiado pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), no valor de vários milhões de dólares por ano, o Instituto rapidamente ampliou sua presença em quase todos os países da América Latina, coordenando suas atividades com o aparato da política externa dos EUA.

A principal atividade do AIFLD era a educação sindical, sobretudo treinando participantes sobre como combater a influência de esquerda em seus sindicatos. Os estagiários que fossem considerados com potencial excepcional seriam levados para uma instalação em Front Royal (Virgínia) para um curso de três meses. Era uma espécie de Escola das Américas para sindicalistas. De volta aos seus países, recebiam apoio financeiro para os esforços de organização antiesquerdista.

O Instituto também usou fundos da Usaid para realizar projetos de desenvolvimento em toda a América Latina, incluindo a construção de moradias populares para trabalhadores membros de sindicatos filiados à Orit, sinalizando a eles os benefícios de ingressar no movimento sindical “livre” patrocinado pelos EUA.

Para demonstrar o compromisso da AFL-CIO com a colaboração de classe, o AIFLD convidou empresários dos EUA com interesses na América Latina para fazer parte de seu conselho de curadores, incluindo os chefes da Anaconda Company, da Pan-American Airways e da WR Grace & Co., entre outros. Essas empresas não eram estranhas à ação contra os sindicatos, o que tornava a ansiedade da AFL-CIO especialmente perturbadora. O fato de concordarem em fazer parte do AIFLD demonstra como os capitalistas dos EUA não viam ameaça – mas apenas oportunidade – no tipo de sindicalismo que o Instituto estava encorajando.

Romualdi dirigiu o Instituto nos primeiros três anos até sua aposentadoria, quando foi substituído por William Doherty Jr. Doherty, cujo pai havia sido presidente da Associação Nacional de Portadores de Carta e embaixador dos EUA na Jamaica, era um suposto amigo da CIA e atuaria como diretor do AIFLD pelos próximos trinta anos.

No início dos anos 60, o AIFLD ajudou a minar o governo esquerdista democraticamente eleito de Cheddi Jagan na pequena nação sul-americana da Guiana, que era então uma colônia chamada Guiana Britânica. A colônia estava a caminho de uma transição planejada para a independência, e Jagan esperava reorganizar a economia de acordo com as linhas socialistas. Mas o governo Kennedy, temendo que Jagan fosse outro Fidel Castro, pressionou o Reino Unido a impedir a transição até que ele pudesse ser expulso do poder.

No verão de 1962, oito sindicalistas guianenses, de uma federação de direita, vinculados à oposição política a Jagan, participaram de um curso do AIFLD nos Estados Unidos, e voltaram para casa com os subsídios fornecidos pelo Instituto. Na primavera seguinte, eles ajudaram a liderar uma greve geral contra o governo de Jagan. A greve de três meses prejudicou a economia da colônia e se transformou em um tumulto racial, pondo a oposição afro-guiana em luta contra a base indo-guiana de Jagan.

O Departamento de Estado e a Usaid ficaram tão satisfeitos com o trabalho do AIFLD que aceitaram a proposta da AFL-CIO de criar institutos semelhantes para a África e a Ásia. Entre o final de 1964 e o início de 1965, foi criado o Centro Afro-Americano de Trabalho e, em 1968, foi lançado o Instituto Americano-Asiático de Trabalho Livre.

Como o AIFLD, essas duas organizações sem fins lucrativos foram quase inteiramente financiadas pela Usaid para realizar programas de treinamento e desenvolvimento para apoiar sindicatos anticomunistas e antiesquerda. Em 1977, uma quarta organização sem fins lucrativos – o Instituto de Sindicatos Livres – foi criada para se concentrar na Europa.

Na convenção da AFL-CIO de 1965 em São Francisco, Meany apresentou uma resolução, escrita por Lovestone, prometendo o “apoio irrestrito” da federação trabalhista à política do presidente Lyndon Johnson de ampliar a Guerra do Vietname. Quando a resolução estava prestes a ser votada sem discussão ou debate, um grupo de estudantes universitários que, da sacada, observava os procedimentos, levantou-se e gritou “Saia do Vietname!” e “Debate!”. Meany respondeu mandando-os embora do salão de convenções, descartando-os como “malucos”. A resolução pró-guerra foi então adotada por unanimidade.

Um punhado de sindicatos independentes, sindicatos locais e sindicalistas já havia expressado ceticismo em relação à guerra, se não à oposição total. Após testemunhar a hostilidade de Meany em relação ao movimento antiguerra e sua falta de vontade de permitir o debate, mais líderes sindicais – especialmente do UAW – começaram a expressar abertamente suas divergências com a política externa da AFL-CIO.

O presidente do UAW opôs-se à escalada militar no Vietname, querendo ver o fim da guerra através de negociações pacíficas. Além disso, ele não gostava da abordagem agressiva e independente de Meany para questões internacionais, preferindo trabalhar com a ICFTU. Reuther também não confiava em Lovestone, que agora era diretor do Departamento de Assuntos Internacionais da AFL-CIO. Ainda assim, ele estava relutante em divulgar suas divergências, não querendo criar uma brecha entre o UAW e a AFL-CIO.

Em vez disso, Victor Reuther – irmão mais novo de Walter, encarregado das relações internacionais do UAW – falou para a imprensa, em 1966, que Lovestone e a AFL-CIO estavam “envolvidos” com a CIA, e criticou o papel do AIFLD no golpe de 1964 contra João Goulart, no Brasil. No ano seguinte, uma série de matérias jornalísticas ajudou a substanciar a reivindicação de Victor, revelando os laços da CIA com a federação sindical e suas afiliadas, voltando à FTUC. Obviamente, Meany e os outros internacionalistas da AFL-CIO negaram vigorosamente qualquer relacionamento com a CIA.

Juntamente com a postura agressiva de Meany sobre o Vietname – que incluía tentativas de reforçar a Confederação Anticomunista Vietnamita do Trabalho do Vietname do Sul –, as revelações sobre a CIA prejudicaram gravemente a credibilidade da AFL-CIO entre liberais e membros da Nova Esquerda. Desentendimentos sobre política externa, bem como várias questões domésticas, finalmente levaram o UAW a se afastar da AFL-CIO em 1968 (retornaria em 1981).

Apesar dessas controvérsias, Meany, Lovestone e AIFLD não alteraram o curso. Quando o socialista Salvador Allende foi eleito presidente do Chile em 1970, eles decidiram ajudar o governo Nixon a desestabilizá-lo. Enquanto a classe trabalhadora chilena apoiava predominantemente a Allende, o AIFLD apoiou associações profissionais de direita e da classe média, junto com o sindicato conservador de trabalhadores marítimos do país. Em 1972, pelo menos 29 chilenos participaram do curso de treinamento do AIFLD na Virgínia (EUA), muito mais do que jamais haviam participado nos anos anteriores.

Com a ajuda do AIFLD, em 1972 e 1973, donos de caminhões e comerciantes em todo o Chile realizaram uma série de greves destinadas a criar um caos econômico e subverter o governo de Allende. Como na Guiana Britânica, nove anos antes, os grevistas receberam apoio da CIA. Os esforços dos EUA para minar Allende culminaram no violento golpe militar de 11 de setembro de 1973. A nova ditadura militar que o AIFLD ajudou a levar ao poder usando táticas tradicionais da classe trabalhadora, como a greve, ironicamente – e tragicamente – atropelou os direitos dos trabalhadores, prendeu e assassinou milhares de sindicalistas chilenos.

Depois que pesquisadores como Ruth Needleman e Fred Hirsch ajudaram a expor o papel do AIFLD no golpe chileno, obtendo documentos, realizando entrevistas e divulgando suas descobertas, os sindicalistas nos EUA começaram a exigir mais transparência em torno do AIFLD em meados dos anos 1970. Vários sindicalistas pediram à AFL-CIO que financie seus programas estrangeiros de forma independente, em vez de confiar na Usaid. Enquanto essas demandas foram ignoradas, Lovestone finalmente se aposentou em 1974, e Meany seguiu seu exemplo após cinco anos.

Depois da aposentadoria de Meany, seu antigo braço direito, Lane Kirkland, se tornou presidente da AFL-CIO. Como seu antecessor, Kirkland era um anticomunista de linha dura. Preparado para ser um diplomata na Escola de Serviços Estrangeiros de Georgetown, era amigo pessoal de Henry Kissinger.

Sob Kirkland, a AFL-CIO apoiou a política externa agressiva do governo Reagan, destinada a reacender a Guerra Fria, mesmo quando Reagan inaugurou uma nova era antissindical ao demitir 11 mil controladores de voo em 1981. Por insistência da AFL-CIO, Reagan supervisionou a criação da National Endowment for Democracy (NED) em 1983, uma fundação de doação financiada pelo governo para desembolsar dinheiro aos mesmos tipos de organizações anticomunistas no exterior, anteriormente financiadas secretamente pela CIA. Com Kirkland atuando no conselho de diretores da NED, o AIFLD e os outros institutos estrangeiros da AFL-CIO tornaram-se os principais beneficiários de subsídios.

Kirkland apoiou a política de Reagan na América Central de armar forças da repressão em El Salvador e contrarrevolucionários terroristas na Nicarágua. O AIFLD foi especialmente ativo em El Salvador na década de 1980, desempenhando um papel crítico no desenvolvimento e na implantação de um programa de reforma agrária destinado a minar o apoio rural ao movimento revolucionário de esquerda. O governo de contra-insurgência de El Salvador – totalmente apoiado por generosa ajuda militar dos EUA – combinou a reforma agrária com um estado de sítio em que milhares de camponeses foram assassinados brutalmente em uma onda de massacres.

Alarmados com o apoio de Kirkland à política externa de Reagan, os sindicalistas nos EUA se tornaram ativos no movimento de paz e solidariedade à América Central, exigindo a mudança de direção da AFL-CIO. Em um dos desenvolvimentos mais significativos para o internacionalismo sindical nos EUA desde o início da Guerra Fria, os presidentes de vários sindicatos nacionais filiados à AFL-CIO se uniram para formar o Comitê Nacional do Trabalho de Apoio à Democracia e aos Direitos Humanos em El Salvador (NLC).

O NLC se opôs abertamente a Kirkland e ao Conselho Executivo, pressionando o Congresso a cortar a ajuda militar dos EUA ao governo salvadorenho. O NLC também enviou delegações de sindicalistas dos EUA para El Salvador e Nicarágua, a fim de testemunhar em primeira mão como o apoio dos EUA estava ajudando os direitistas a assassinar e intimidar os trabalhadores da América Central. Mais tarde, o NLC evoluiu para uma organização que ajudou a expor a cumplicidade das principais marcas de roupas em violações dos direitos dos trabalhadores na América Central, no Caribe e na Ásia.

Enquanto enfrentava oposição interna ao seu programa na América Central, a AFL-CIO deu apoio financeiro e político ao Solidarność, o sindicato polonês liderado por Lech Wałęsa que acabou ajudando a derrubar o governo comunista na Polônia. Opondo-se a funcionários da política externa que temiam provocar hostilidades com a União Soviética, a ação da AFL-CIO na Polônia tem sido apontada pelos intervencionistas como um estudo de caso da “promoção da democracia”.

Embora Kirkland tenha reivindicado a vitória do sindicalismo “livre” na Polônia na década de 1990, os líderes sindicais associados ao NLC estavam convencidos de que a federação precisava muito para melhorar sua imagem no exterior. Além disso, vários presidentes sindicais no Conselho Executivo da AFL-CIO acreditavam que a federação havia se tornado letárgica diante dos anos de declínio da atividade sindical.

Nesse contexto, o sindicalista John Sweeney reuniu apoio suficiente para forçar Kirkland a se aposentar, e assumiu o controle da AFL-CIO em 1995. Chamando a si mesmos de ardósia da “Nova Voz”, Sweeney e seus aliados pretendiam revitalizar a AFL-CIO, organizando novos trabalhadores e abandonando as prioridades anticomunistas ultrapassadas.

Sob Sweeney, em 1997, o AIFLD e os outros institutos estrangeiros foram encerrados e reorganizados em uma nova ONG chamada Centro Americano de Solidariedade Internacional do Trabalho, ou Centro de Solidariedade, que continua sendo o braço operacional da AFL-CIO no Sul Global. Mas, como suas predecessoras, o Centro de Solidariedade é financiado principalmente pelo governo dos EUA, particularmente a Usaid, o Departamento de Estado e o NED, conhecido por se intrometer nos processos democráticos de outros países e promover a “mudança de regime” para manter o domínio global dos EUA, incluindo Venezuela, Haiti, Ucrânia e vários países da América Central.

Dada a história da FTUC e do AIFLD, a dependência financeira do Centro de Solidariedade em relação ao governo dos EUA e a associação com a NED devem ser motivos de preocupação no movimento sindical e merecem um exame mais minucioso. Isso não é particularmente surpreendente, considerando que a AFL-CIO ainda não reconheceu ou se desculpou formalmente pelo importante papel que desempenhou durante a Guerra Fria na divisão dos sindicatos no exterior, minando as democracias estrangeiras e endossando o militarismo – tudo o que serviu apenas para fortalecer o capital multinacional e enfraquecer o poder dos trabalhadores.


por Jeff Schuhrke, PhD em História na Universidade de Illinois (Chicago, EUA)   |   Texto em português do Brasil, com tradução, adaptação e seleção de trechos de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV (Fonte: Jacobin)/ Tornado


 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/eua-sindicalismo-imperialismo-e-anticomunismo/

O plano de Trump para militarizar o espaço

 
 
EUA investirão U$738 bi em nova Força Espacial que inclui satélites, aviões, espionagem e armas atómicas em órbita. Iniciativa fere acordos internacionais e pode levar China, Rússia e outros países a corrida armamentista ainda mais insana
 
Nazanín Armanian | Outras Palavras | Tradução: Rôney Rodrigues
 
Em 1983, Ronald Reagan, um fanático religioso e ator de cinema convertido em presidente dos EUA, lançou sua Guerra nas Estrelas com o código Excalibur: enviaria ao espaço cerca de 2.200 satélites equipados com armas de partículas subatómicas, ainda por inventar, e que com a velocidade da luz destruiriam as ogivas nucleares soviéticas, hipoteticamente lançadas em direção aos EUA. O projeto não se concretizou: custava cerca de 20 biliões de dólares e só serviria como um videojogo infantil.
 
Hoje, 34 anos depois, o Congresso dos EUA, de maioria democrata, aprovou um projeto de lei de “defesa”, com orçamento de 738 biliões de dólares, que inclui a criação da Força Espacial (FE), proposto por Donald Trump, outro “presidente por acidente” que afirma que o espaço é o “novo território de combate”.
 
Essa declaração de guerra ao mundo, como de costume, vem acompanhada por uma grande mentira: que “os EUA perderam a supremacia militar no espaço para a Rússia e a China” e não poderiam “sobreviver a um ataque furtivo da China” ou que o país de Mao “pode instalar uma base militar no pólo sul da Lua” e converter a Via Láctea em uma Rota da Seda espacial! Mas a versão oficial não relata que o maior ataque aos EUA, o 11 de Setembro, foi realizado por uma força “vinda da Idade da Pedra” e não por uma “espacial”?
 
Na verdade, os EUA seguem liderando o uso de satélites e a tecnologia militar espacial. Possuem 901 satélites (em comparação, China tem 280; Rússia, 150) e planeiam lançar mais 1.300. Mas o Madman de rosto alaranjado que reina em Washington acredita que as armas de destruição em massa existentes na Terra não são suficientes para acabar com todos os seres vivos do cosmo.
 
 
A Odisseia Espacial de Trump
 
Desde 1982 já existe o Comando Espacial da Força Aérea dos EUA, que emprega 36 mil pessoas. Trump propõe criar um órgão semelhante, pelos seguintes motivos:
 
1- Subornar a indústria de armamentos na reta para as eleições de 2020. O Congresso norte-americano, em um assalto sem precedentes ao dinheiro público, aprovou um adiantamento de 40 biliões de dólares para a implementação da FE, que contratará inicialmente 16 mil pessoas. A dimensão do que a indústria militar vai ganhar só é comparável com o que veio após o 11 de Setembro e a farsa da Guerra ao Terror. O fim da Guerra Fria havia fechado a torneira. Tiveram que inventar um novo inimigo contra quem lutar. Em 12 de setembro, os EUA dão um golpe em si mesmos, outorgando suas rendas a pistoleiros, que lançaram operações militares ilimitadas. Washington desfez-se das armas antigas, testou novas (como os drones), às custas da destruição de nações inteiras e da vida de centenas de milhões de pessoas, entre mortes, feridas, mutiladas, deslocadas e refugiadas.
 
Um dado revelador: os caças F-22, fabricados nos anos 1980 para enfrentar caças soviéticos semelhantes (que nem haviam sido construídos) nunca foram utilizados. E daí? A Lockheed Martin agora está construindo 2.443 aviões F-35, por 323 biliões de dólares. O negócio da “guerra perpétua” traz recursos permanentes para esse crime organizado, e também perdas permanentes, não apenas para as centenas de milhões de pessoas de outros Estados, mas para os próprios cidadãos norte-americanos. Segundo o Children’s Defense Fund, no país mais rico do planeta, 40 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza – o dobro do que havia há cinquenta anos. Destes, 13 milhões são crianças.
 
O número de menores sem moradia, 1,5 milhões, é três vezes maior que durante a Grande Depressão da década de 1930. Ao orçamento do Pentágono, que é de 750 biliões de dólares para 2020, devem-se somar os 70 biliões destinados às 16 agências de inteligência, outros 70 biliões que vão para o Departamento de Segurança Nacional, mais 30 biliões designados para o Departamento de Energia, os 200 biliões para a Administração de Veteranos, e o que se destina a outros departamentos para fins militares, como o de Justiça, que recebe biliões de dólares para buscar “terroristas” fantasmas contra quem lutar. Por isso, chegou a mudar a definição de “terrorismo”, para poder incluir um número maior de pessoas de todo o mundo. Esse departamento está vinculado com a indústria carcerária – cujo negócio sem fronteiras vai de Guantánamo, em Cuba, até Bagram, no Afeganistão, passando pela Roménia e Polónia – encarregadas de praticar a pedagogia do terror norte-americano. Muitos são os buracos negros que absorvem o alimento, a saúde e o teto de milhões de pessoas no país.
 
2- Manter e ampliar a máquina de matar dos EUA, que vão deixando de ser a superpotência económica, comercial e tecnológica.
 
3- Privatizar o espaço, colocando uma portaria militar no céu para quais países, corporações e em quais condições poderão acessá-lo.
 
4- Converter em arma de guerra a própria galáxia, que já está militarizada, para manter seu domínio militar na Terra. De fato, a FE será um comando geográfico parecido com o Comando Europeu (EUCOM), o Africano (AFRICOM), o Central (CENTCOM), o Pacífico (PACOM), o Norte (NORTHCOM), o Sul (SHOUTHCOM) e o Estratégico (STRATCOM).
 
5- Colocar interceptadores de mísseis ou armas satelitais no espaço, com o objetivo de bloquear ou piratear sinais de dispositivos de outros países. Isso já se fará não apenas com aparatos electrónicos, mas também com armas antissatélites, aviões de combate equipados com laser, ogivas nucleares instaladas em órbita. Atentar contra as comunicações, a navegação aérea e outros serviços civis de outras nações.
 
6- Militarizar ainda mais a política exterior dos EUA: a demissão de Rex Tillerson [ex-secretário de Estado] colocou fim à diplomacia do governo Trump.
 
7- Colar Trump em alguma página da história por algo tão grande como o tamanho do universo (principalmente agora que não lhe venderam a Groenlândia) e também na mesma medida da estupidez de quem o aplaude iludido por “colocar botas (militares) na Lua” em 2024. É vital para a psique do estadunidense provinciano saber que está governando o mundo!
 
E porque os parlamentares do Partido Democrata apoiaram no projeto? Nos EUA, a economia baseada na guerra tem um nexo direto com a dependência política em relação ao militarismo. Muitos políticos, tanto republicanos quanto democratas, não estariam no Congresso sem o dinheiro das companhias de armas em suas campanhas.
 
Assim começou o Star Treck trumpiano
 
A FE não é algo apenas de Trump e sua família: cabe a ele apenas levar adiante essa nova fase da doutrina militar dos EUA. Após a Segunda Guerra, Washington acolheu cientistas nazistas, que presentearam os novos patrões com conhecimento técnico encharcado na ideologia do supremacismo. Em Redstone Arsenal, localizado em Huntville, o coração do militarismo espacial do mundo, fabricaram um míssil balístico para transportar armas atómicas. E quando em 1957 a União Soviética lançou o Sputinik, exibindo sua capacidade para explorar o espaço, os EUA aceleraram o projeto do presidente Eisenhower para criar, em 1958, a NASA, agência com aparência civil, que distrairia a atenção pública dos projetos espaciais com fins militares.
 
Em 1967, EUA, União Soviética e China e outros países assinaram o Tratado do Espaço Exterior, que autoriza a exploração e o uso do espaço exterior por todas as nações e proíbe que alguns possam reclamar soberania sobre ele ou implantar armas de destruição em massa — incluídas nucleares — ainda que tenham esquecido de impedir atividades militares no céu.
 
Em 2001, a China propôs à ONU um Tratado Preventivo contra uma corrida armamentista no espaço, mas não conseguiu a assinatura dos EUA. Seis anos depois, o regime de George W. Bush, formado por pessoas vinculadas a companhias de armas e petróleo, bloqueou a resolução da ONU sobre o controle de armas no espaço e revogou o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, assinado com a União Soviética em 1972. A Guerra do Golfo Pérsico de 1991 seria a “primeira guerra espacial”: nela, os EUA usariam satélites para atacar o Iraque com novas armas guiadas, como os drones. Agora, Trump rompe a primeira medida de controle de armas nucleares de médio alcance (INF), assinado em 1987 com a União Soviética e também o acordo nuclear com o Irã. Quer ter as mãos livres e “Make America Great”, com o assalto da indústria aeroespacial a Casa Branca e ao Congresso.
 
Os EUA não serão mais um país mais seguro. A China, que baseia sua política exterior na coexistência pacífica, pode ver-se empurrada a uma corrida armamentista, como a União Soviética nos anos 80; o que não apenas prejudica a China e a economia mundial, mas também provocará o que se chama de “modelo espiral”. Quando um país aumenta suas forças militares para garantir sua segurança, provoca grande preocupação em outros, que por sua vez se armam, diminuindo a segurança do primeiro.
 
Com um multimilionário charlatão no Salão Oval, a ameaça de uma guerra espacial é muito séria. E sabem porque não existe um movimento antimilitarista em todo o mundo?
 
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/o-plano-de-trump-para-militarizar-o.html

REPORTAGEM DE «LES-CRISES» SOBRE UKRAINEGATE CENSURADA

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Facebook, sem aviso prévio, decidiu censurar a página facebook de «Les Crises», um site criado e coordenado por Olivier Berruyer
 
Com efeito, as revelações sobre o caso Burisma e a implicação profunda de Joe Biden, ingerindo-se directamente nos assuntos internos da Ucrânia, para salvar o seu filho Hunter e gabando-se disso, são demonstração cabal das duas faces do poder americano, sempre a criticar os outros por aquilo que pratica, numa escala ainda maior!
 
Veja o vídeo "UKRAINEGATE- PARTIE 1" no link abaixo:
https://www.les-crises.fr/video-ukrainegate-partie-1-un-procureur-pas-si-solide/
Ao vídeo acima vai suceder, em breve, outro sobre o mesmo tema. Nessa ocasião, iremos assinalar - neste mesmo artigo do blog - a sua publicação. Comentário pessoal: Não sei o que a oligarquia no poder nos EUA pretende, ao transportar a candidatura de Joe Biden para primeiro plano. Não tenho a mínima dúvida que são eles que têm subsidiado e dado todas as condições para Biden ser nomeado o candidato democrata às presidenciais de 2020. 
Talvez a possibilidade de um candidato «socialista», Elizabeth Warren ou Bernie Sanders, os encha de receio e prefiram a estes potenciais vencedores face a Trump, um velho corrupto e estúpido, fácil de ser manipulado e chantageado? 
Talvez estejam secretamente rendidos ao «charme» dos muitos biliões de dólares que Trump lhes fez ganhar, já não querendo a vitória dum candidato do partido democrata.
Neste caso, seria lógico empurrarem o incompetente e corrupto Biden para a frente, com o pretexto de que ele pertence à linha «centrista», contra a linha «esquerdista» de vários outros candidatos... Ao fazê-lo, estão a favorecer imenso Trump, pois Biden não conseguirá sequer os votos duma larga franja de eleitorado democrata! 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Nobel?

Agora que a poeira começa a assentar sobre a mais recente crise entre os EUA e o Irão é a oportunidade para reflectir, com ponderação e objectividade, se há a possibilidade de uma saída negociada para pôr fim ao conflito.
 

 

Por muito surpreendente que isto possa parecer há, neste momento, uma convergência dos objectivos de cada uma das partes, que pode levar a um entendimento para a resolução pacífica das principais divergências.

Os principais objectivos do Presidente dos EUA, Donald Trump, que importa referir para o caso vertente são:

  • ser reeleito;
  • vencer o Prémio Nobel da Paz;
  • não envolver-se em mais guerras intermináveis;
  • acabar com ou, pelo menos, diminuir a presença norte-americana no Médio Oriente;
  • impedir a obtenção de armas nucleares e o desenvolvimento de mísseis balísticos pelo Irão;
  • e parar ou mesmo reverter a expansão da influência e interferência da República Islâmica na vizinhança.

Por parte do Irão os seus principais objectivos são:

  • a manutenção do regime teocrático; a retirada dos EUA da região, principalmente do Iraque;
  • obter armas nucleares e mísseis balísticos;
  • alargar a sua área de influência;
  • e o levantamento das sanções.

Considerando que o objectivo primário, ao qual todos os outros subordinam-se, de cada um é, no caso de Trump, ser reeleito e no iraniano, a sobrevivência do seu regime, existem convergências possíveis. Os EUA podem trocar a sua retirada, mesmo que faseada, da região e o levantamento das sanções pelo abandono do nuclear, do programa de mísseis e da acção externa mais agressiva por parte do Irão.

Um entendimento com os iranianos permitiria a Donald Trump conseguir satisfazer uma das suas bandeiras de campanha, o fim dos envolvimentos dos Estados Unidos em guerras sem fim à vista. Poderia, assim, apresentar-se como um Presidente que cumpre com as suas promessas. E, além disso, que consegue, devido às suas capacidades pessoais de negociador, acordos melhores que aqueles que o seu antecessor conseguiu. Sublinhe-se que este tem sido um dos seus maiores desejos, como pode verificar-se pelos seus esforços em chegar a um entendimento com o líder da Coreia do Norte. Sendo este acordo fechado por si, ser-lhe-ia muito difícil quebrá-lo, pois passaria por um mau negociador. Mesmo tendo em conta que poderá haver um novo Presidente nos EUA pelo final do ano, dificilmente este teria condições para romper o acordado. Uma acção dessas não seria compatível com as críticas que tem sido desferidas contra Trump por ter abandonado o anterior acordo P5+1 com o Irão.

Para os dirigentes iranianos conseguir trocar o seu programa nuclear e de mísseis balísticos e a expansão regional pela retirada dos Estados Unidos e pelo levantamento das sanções, pode ser também um bom acordo. A situação económica do Irão é má e tem sido uma das causas do descontentamento popular, que tem-se traduzido em manifestações contra o regime. É de referir que o empenhamento na Síria e no Iraque é percepcionado pelos iranianos como um desperdício de recursos, tão necessários para o desenvolvimento do país. Também neste aspecto, o desaparecimento do gen. Qassem Soleimani pode ser benéfico, pois ele era o principal operacional do envolvimento do Irão no exterior.

Apesar de as eventuais negociações entre norte-americanos e iranianos parecerem condenadas ao fracasso, devido às divergências que à primeira vista parecem existir, uma avaliação mais objectiva, baseada nos fins de cada um, mostra que um eventual acordo é praticável. E se EUA e Irão chegarem a um entendimento é possível que Donald Trump consiga um dos seus maiores desejos, o Nobel da Paz.


 

 

 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/donald-trump-premio-nobel-paz/

EUA e China assinam 1ª fase de acordo comercial

Presidente dos EUA, Donald Trump, acena ao lado do presidente chinês, Xi Jinping, após coletiva de imprensa em Pequim, 9 de novembro de 2017
© AP Photo / Andy Wong

Os Estados Unidos e a China assinaram nesta quarta-feira (15) a primeira fase de um acordo para encerrar a guerra comercial em curso entre as duas maiores economias do mundo.

A cerimônia de assinatura do memorando de 86 páginas ocorreu na Casa Branca e contou com a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do vice-primeiro-ministro da China, Liu He.

Representantes de Washington afirmam que o acordo deverá levar a China a aumentar a compra de produtos agrícolas estadunidenses em US$ 50 bilhões anualmente e um total de US$ 200 bilhões em produtos dos Estados Unidos nos próximos dois anos.

Ainda assim, Trump afirmou, também nesta quarta-feira, que manterá suas tarifas contra a China até que seja concluída uma nova fase do acordo comercial.

"Estamos deixando as tarifas atuais [...], mas eu concordarei em removê-las se pudermos definir a fase dois. Então, eu as deixo em vigor [...], mas todas elas serão removidas assim que terminarmos a fase dois", disse Trump antes de assinar o acordo.

O presidente acrescentou que não espera que uma terceira fase seja necessária para encerrar tarifas adicionais que Washington e Pequim aplicaram reciprocamente. 

DETALHES A SEGUIR

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2020011515011392-eua-e-china-assinam-1-fase-de-acordo-comercial/

Iraque: o erro de Soleimani e o desastre de Trump

 
 
Irão perdia influência no país: general coordenava repressão violenta aos protestos, e com isso os insuflava. Então, houve o ataque ao aeroporto de Bagdade — e revelou-se o principal inimigo da liberdade iraquiana
 
Patrick Cockburn | Outras Palavras | Tradução Cauê Seigner Ameni, da Autonomia Literária
 
Os iraquianos têm um instinto aguçado para saber se há perigo próximo, graças a sua experiência tenebrosa de 40 anos de crise e guerra. Há três meses, perguntei a uma amiga em Bagdade como ela e seus amigos viam o futuro: afinal o Iraque me parecia estar em seu momento mais pacífico desde a invasão norte-americana e britânica, em 2003.
 
Ela respondeu que o clima geral entre as pessoas que conhecia era sombrio, por acreditarem que a próxima guerra entre os EUA e o Irão poderia ser travada no Iraque. Disse: “muitos dos meus amigos estão com tanto medo da guerra entre EUA e Irão, que estão usando o sua indemnização, ao deixar o serviço do governo, para comprar casas na Turquia”. Ela estava pensando em fazer o mesmo.
 
Meus amigos iraquianos acabaram tendo razão em seu prognóstico angustiante: a morte do major-general iraniano Qassem Soleimani, por um drone dos EUA no aeroporto de Bagdade, foi um ato irresponsável do presidente Donald Trump, que garante ao Iraque um futuro violento. Pode não levar a um conflito militar em larga escala, mas servirá de arena política e militar onde a rivalidade EUA-Irão será travada. Os iranianos e seus aliados iraquianos podem ou não realizar novas retaliações, mas seu contra-ataque mais importante será pressionar o governo, o parlamento e as forças de segurança do Iraque para remover os EUA de seu país.
 
 
Desde a queda de Saddam Hussein, o Irão costuma estar à frente dos EUA em qualquer luta por influência no Iraque. A principal razão para isso é que a comunidade xiita no Iraque, que representa dois terços da população e é politicamente dominante, tem procurado seus companheiros xiitas no Irão em busca de apoio contra seus inimigos. Ironicamente, a influência e a popularidade iranianas estavam seriamente prejudicadas por causa do general Soleimani, que supervisionava os esforços brutais das forças de segurança pró-iranianas e grupos paramilitares para esmagar os protestos nas ruas do Iraque, matando pelo menos 400 manifestantes e ferindo outros 15 mil.
 
A fúria popular crescente dos iraquianos contra o Irão, por interferir nos assuntos internos de seu país, provavelmente será compensada pelo ataque ainda mais flagrante à sua soberania nacional pelos EUA. É difícil pensar em um ato mais grosseiro de interferência de um Estado do que matar um general estrangeiro que estava aberta e legalmente no Iraque. Também foi morto pelo drone Abu Mahdi al-Muhandis, líder do Kata’ib Hezbollah, poderoso grupo paramilitar pró-iraniano. Os EUA podem considerar que comandantes paramilitares são terroristas cruéis, mas para muitos iraquianos xiitas são as pessoas que lutaram contra Saddam Hussein e as defenderam contra Estado Islâmico (ISIS).
 
Conversei com minha amiga pessimista em Bagdade no final de setembro, naqueles que vieram a ser os últimos dias de paz antes que a violência retornasse ao Iraque. Entrevistei vários comandantes paramilitares das Forças de Mobilização Popular Hashd al-Shaabi, que afirmavam que os EUA e Israel estavam ampliando os ataques dentro do país. Me perguntava o quanto disso era paranóia.
 
Conversei com Abu Alaa al-Walai, o líder do Kata’ib Sayyid al-Shuhada, um grupo dissidente do Kata’ib Hezbollah — um dos campos que foram destruídos por um ataque de drones em agosto pertencia a eles. Disse que 50 toneladas de suas armas e munições foram explodidas, culpando israelitas e norte-americanos por agirem em conjunto. Confrontado com a pergunta sobre se seus homens atacariam as forças norte-americanas no Iraque no caso de uma guerra EUA-Irão, disse: “Com toda certeza”. Em seguida, visitei o campo, chamado al-Saqr, nos arredores de Bagdade, onde uma explosão maciça destruiu barracões e queimou equipamentos.
 
Encontrei outros líderes paramilitares pró-iranianos nessa visita. Os ataques com drones os deixaram irritados, mas tive a impressão de que não esperavam realmente uma guerra EUA-Irã. Qais al-Khazali, chefe do Asaib Ahl al-Haq, me disse que não acreditava que haveria guerra “porque Trump não deseja”. Como evidência, apontou o fracasso do presidente norte-americano em retaliar, após o ataque de drones às instalações de petróleo da Arábia Saudita no início de setembro, cujo culpado, para Washington, era o Irão.
 
No entanto, os eventos se desenrolaram de maneira muito diferente do que eu e os comandantes paramilitares esperávamos. Alguns dias depois de conversar com eles, houve uma pequena manifestação no centro de Bagdade exigindo empregos, serviços públicos e o fim da corrupção. As forças de segurança e os paramilitares pró-iranianos abriram fogo, matando e ferindo muitos manifestantes pacíficos. Embora Qais al-Khazali mais tarde tenha alegado que ele e outros líderes do Hashd estavam tentando frustrar uma conspiração EUA-Israel, não havia me dito nada sobre isso. Parece que o general Soleimani suspeitava erroneamente que aquelas pequenas manifestações eram uma ameaça real, e ordenou que os paramilitares pró-iranianos abrissem fogo e tentassem suprimi-las.
 
Tudo isso poderia ter sido desastroso para a influência iraniana no Iraque. Soleimani cometera o erro clássico de um general de sucesso ao imaginar que o “cheiro do canhão” reprimiria rapidamente qualquer sinal de descontentamento popular. Às vezes isso funciona, mas em muitas outras, não – e o Iraque acabou pertencendo à segunda categoria.
 
O general Soleimani morreu na sequência de seu maior fracasso e falha de julgamento. Mas a maneira com que foi morto pode convencer muitos iraquianos xiitas de que os EUA são uma ameaça maior à independência do Iraque que o próprio Irão. Os próximos dias dirão se os protestos, que resistiram à violência com muita coragem, acabarão esvaziados pelo ataque ao aeroporto de Bagdade.
 
As guerras são vencidas por generais que cometem o menor número de equívocos. Soleimani cometeu erros graves nos últimos três meses, transformando manifestações modestas em algo próximo a um levante de massas. Trump pode ter cometido um erro ainda maior ao assassinar o general Soleimani e transformar o Iraque, lugar onde o Irão tem muito mais influência, em arena na qual a rivalidade entre essas duas potências será combatida. Agora percebo que minha amiga de Bagdade devia estar certa, três meses atrás, ao sugerir que a aposentadoria na Turquia poderia ser a opção mais segura.
 
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/iraque-o-erro-de-soleimani-e-o-desastre.html

Bernie Sanders diz que Trump mente e empurra os EUA à guerra com o Irã

247 -No último debate entre pré-candidatos democratas antes das primárias, realizado na terça-feira (14) no estado de Iowa, Bernie Sanders lembrou que os EUA atacaram o Vietnã (1955) e o Iraque (2003) "com base em mentiras" e agora o inquilino da Casa Branca "também mente", e poderia envolver o país em uma nova guerra, desta vez com o Irã.

O senador democrata pelo estado de Vermont voltou a alertar que essa guerra poderia ser pior do que a do Iraque. “Os dois maiores desastres de nossa época que enfrentamos como nação foram as guerras no Vietnã e no Iraque. Ambas foram baseadas em mentiras (...) Agora, o que me assusta é ter um presidente que ainda está mentindo e poderia nos arrastar para uma guerra que seria pior que a do Iraque”, disse Sanders.

As informações são do site iraniano HispanTV

 

Morte de Soleimani é parte de 'estratégia maior', afirma Pompeo

Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (foto de arquivo)
© REUTERS / Erin Scott

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, referiu que o general iraniano foi morto no Iraque como parte de uma "estratégia maior", e não por ser uma ameaça iminente, como referiu previamente.

Mike Pompeo afirmou na segunda-feira (13) que o general iraniano Qassem Soleimani foi morto como parte de uma estratégia alargada de dissuasão de desafios por parte de inimigos, que inclui Moscou e Pequim, contrariando sua afirmação anterior de que ele estava planejando ataques a alvos norte-americanos, relata o jornal The Guardian. 

"A importância da dissuasão não está confinada ao Irã", disse o secretário de Estado dos EUA. "Em todos os casos, temos de dissuadir os inimigos para defender a liberdade. Esse é o objetivo do trabalho do presidente Trump para tornar nossas forças militares as mais fortes de sempre [...] Estamos restaurando credibilidade à dissuasão".

"O presidente Trump e nós na sua equipe de segurança nacional estamos restabelecendo a dissuasão, a verdadeira dissuasão, contra a República Islâmica do Irã. O seu adversário deve entender não apenas que você tem a capacidade de impor custos, mas que está de fato disposto a fazê-lo", argumentou Pompeo, acrescentando que as sanções norte-americanas que afetaram a economia iraniana levaram à "maior posição de força em relação ao Irã que já 

Estratégia geral

Relativamente à estratégia de dissuasão aplicada a outros países, Mike Pompeo citou a retoma de ajuda militar letal à Ucrânia para "defesa contra separatistas apoiados pela Rússia", a retirada por Trump do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com Moscou e os testes de um novo míssil de cruzeiro de alcance intermediário dos EUA.

Quanto à China, ele apontou o aumento dos exercícios navais de Washington no mar do Sul da China, em resposta à militarização pela China de ilhas em disputa, e a imposição de tarifas às importações chinesas como aspectos da estratégia de dissuasão da administração.

Ideias contrárias

As afirmações da administração de Donald Trump sobre a iminente ameaça de ataques iranianos a alvos dos EUA antes do ataque com drone em Badgá foram contestadas previamente por democratas e alguns republicanos. O secretário da Defesa, Mark Esper, afirmou que não tinha visto qualquer alerta de inteligência sobre eventuais ataques iranianos. 

O premiê canadense, Justin Trudeau, comentou o caso dizendo que as vítimas do jato abatido pelo Irã ainda estariam vivas se não fosse a recente escalada de tensões parcialmente desencadeada pelos EUA, acrescentando que, embora a comunidade internacional tivesse referido a necessidade de um Irã não-nuclear, o mesmo se aplicava à "gestão das tensões na região que são provocadas também pelas ações dos EUA".

O primeiro-ministro do Canadá também disse que teria "obviamente" gostado de receber um aviso de Washington sobre o ataque de drone a Soleimani, mas não o recebeu. "Os EUA tomam suas determinações. Nós tentamos trabalhar como uma comunidade internacional nas grandes questões, mas às vezes os países tomam medidas sem informar seus aliados."

O próprio Mike Pompeo não mencionou no seu discurso previamente planejado a ideia que matar o militar mais importante do Irã era necessário para evitar ataques a alvos norte-americanos, apenas referindo isso em resposta a uma pergunta da audiência no Instituto Hoover da Universidade de Stanford, Califórnia.

O presidente dos EUA chegou a dizer posteriormente ao ataque que "realmente não importa" se Soleimani representava uma ameaça iminente.

Rescaldo das tensões

A morte do general Qassem Soleimani em 3 de janeiro por um drone norte-americano levou à subida de tensões na região.

Em resposta, na quarta-feira (8) Irã atacou duas bases dos EUA no Iraque sem vítimas mortais, algo que foi visto como uma tentativa de evitar uma espiral de escalada. Horas depois, a Guarda Revolucionária Iraniana abateu um avião Boeing de passageiros, matando 176 pessoas, algo que o presidente iraniano Hassan Rouhani chamou de "erro humano".

Em 5 de janeiro, o parlamento iraquiano passou uma resolução ainda não-vinculativa que exige que todas as tropas estrangeiras abandonem o país. Em resposta, alguns países, incluindo os EUA, já retiraram contingentes de tropas do Iraque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020011415006588-morte-de-soleimani-e-parte-de-estrategia-maior-afirma-pompeo/

Trump quer desviar mais 7,2 mil milhões de dólares do Pentágono para muro com o México

 

O Presidente norte-americano, Donald Trump, planeia desviar mais 7,2 mil milhões de dólares do orçamento do Pentágono para a construção do muro com o México, noticiou na segunda-feira o jornal TheWashington Post.

 

Estes fundos permitiriam ao Executivo completar cerca de 1.400 quilómetros de muro ao longo da fronteira que separa os Estados Unidos e o México, indicou o jornal, que teve acesso a documentos internos do Departamento de Defesa.

Trump já usou fundos do Pentágono destinados a infraestruturas e ao combate ao tráficodedrogas para construir o muro, uma das promessas que o levou ao poder em 2016 e na qual tem insistido para as eleições presidenciais deste ano.

Em dezembro, o Congresso dos Estados Unidos aprovou um pacote orçamentalde 1,4 biliões de dólares (1,26 biliões de euros), com verbas de 1,375 mil milhões de dólares (1,233 mil milhões de euros) para a construção do muro com o México.

 
 

Essa verba para o muro é a mesma que o Congresso aprovou em 2018 e que levou Trump a não assinar, impondo ao país uma longa paralisação administrativa, tendo depois declarado uma emergência nacional para desviar fundos de outras áreas. Com a emergência nacional, o governo reatribuiu ao muro cerca de 6,6 mil milhões (5,8 mil milhões de euros) do Pentágono e do Departamento do Tesouro, para a construção de 376 quilómetros de vedação.

Nos Estados Unidos, é o Congresso que decide o orçamento e, atualmente, esse ramo do Estado está dividido: os republicanos dominam o Senado, enquanto a oposição democrata tem maioria na Câmara dos Representantes. Os democratas opõem-se à construção do muro e têm exercido muita pressão sobre o Legislativo para impedir a promessa de Trump.

Recentemente, Donald Trump prometeu construir um muro no Estado deColorado, argumentando com a prioridade do combate à imigração clandestina. Este Estado do centro dos EUA, situado entre o Utah e o Kansas, não tem fronteira com o México, mas sim com o Estado norte-americano do Novo México.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/trump-quer-desviar-72-mil-milhoes-dolares-do-pentagono-muro-mexico-302232

Trump indaga sobre o desempenho de Bernie Sanders nas pesquisas e leva invertida: "significa que você vai perder"

247 - O presidente Donald Trump tentou não demonstrar preocupação com o desempenho do senador Bernie Sanders, candidato a presidente nas prévias do Partido Democrata, nas pesquisas e acabou levando uma invertida.

"Uau! Louco Bernie Sanders está surgindo nas pesquisas, aparecendo muito bem contra seus oponentes no Partido que não faz nada. Então, o que isso tudo significa? Fique ligado!", esccreveu Trump.

Bernie rebateu: "Isso significa que você vai perder".

 

Quem tem ganho com o corte de impostos de Trump?

Quando, em Novembro de 2017, Trump assinou a lei "Tax Cuts and Jobs Act" que reduziu a taxa de imposto sobre as empresas de 35% para 21%, o enorme benefício para o setor empresarial foi justificado pelo que ia trazer em investimento e criação de emprego nos EUA. A ideia não é nova e costuma ser defendida à direita como estratégia de desenvolvimento. A história, no entanto, tem sido outra, como argumentam os economistas William Lazonick, Mustafa Sakinç e Matt Hopkins num artigo publicado esta semana na Harvard Business Review.

Ao contrário do reinvestimento dos lucros prometido, os autores apontam que as empresas têm gasto o dinheiro noutros lados:

"Só em 2018, num ano em que os lucros empresariais foram impulsionados pelo Tax Cuts and Jobs Act de 2017, o conjunto das empresas representadas no Índice S&P 500 foram responsáveis por 806 mil milhões de dólares em recompra de ações, cerca de 200 mil milhões acima do recorde anterior, registado em 2007. Os 370 mil milhões em recompra de ações que estas empresas fizeram na primeira metade de 2019 mantém-nas a caminho de um total anual que apenas é superado pelo de 2018."

A compra das próprias ações (buybacks) é uma forma das empresas aumentaram artificialmente o seu valor bolsista e distribuir o lucro pelos acionistas. A manipulação do preço beneficia gestores de topo cuja remuneração depende do desempenho da empresa. O problema é que, ao fazê-lo, não só reduzem a liquidez disponível na empresa para investir ou fazer face a choques como aumentam a instabilidade financeira, ao contribuírem para uma bolha no mercado de ações. Pior, o FMI alertou recentemente que uma parte importante das recompras têm sido financiadas com recurso a dívida - o endividamento das empresas norte-americanas tem batido recordes nos últimos tempos, o que as deixa ainda mais vulneráveis face à próxima recessão.

Em vez de serem reinvestidos no desenvolvimento da capacidade produtiva, na aquisição de novos equipamentos ou no reforço dos salários, os lucros das empresas têm sido canalizados para buybacks. De facto, como é notado no artigo, mais de metade destas empresas não registou qualquer investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) em 2018. Mas o problema adensa-se: esta redistribuição do lucro pelos acionistas, num contexto de fraco crescimento dos salários, implica que as desigualdades não pararam de aumentar nos últimos anos.

É aqui que entra o corte de impostos de Trump, que explica o salto nos buybacks observado em 2018. A margem dada às empresas permitiu-lhes aumentar o volume de recompras sem recorrer a crédito. É o que explica casos como o da FedEx: em 2017, a empresa pagou 1,5 mil milhões em impostos; com o corte de impostos de Trump, pagou 0$ em 2018. O reinvestimento dos lucros foi diminuto, mas a poupança fiscal permitiu à empresa gastar este ano mais de 2 mil milhões na compra das próprias ações e em aumentos de dividendos para os acionistas.

A conclusão é clara: o Estado perde receita fiscal e capacidade de financiar os serviços públicos, enquanto os acionistas recebem a fatia de leão dos ganhos. Os rendimentos de capital aumentam, as desigualdades acentuam-se e cresce a vulnerabilidade financeira das empresas. É a racionalidade do mercado a funcionar.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

EUA admitem não ter provas de que Soleimani atacaria 4 embaixadas

247 - O Pentágono admitiu neste domingo (12) que os EUA não têm provas de que o general Soleimani atacaria quatro embaixadas norte-americanas.

"O presidente não citou uma evidência específica, e eu não o vi, no que diz respeito às quatro embaixadas", disse Esper, em entrevista à emissora "CBS News", informa a EFE.

O chefe do Pentágono afirmou, no entanto, concordar com Trump que "é provável que (os iranianos) ataquem as embaixadas, pois são o ponto de destaque da presença americana em um país".

Suas declarações se somam a mudança de narrativa de Trump para justificar a missão contra Soleimani, pois o presidente inicialmente disse que o comandante planejava ataques indefinidos contra alvos dos EUA, depois disse que queria "explodir" a embaixada em Bagdá, e depois falou sobre planos contra outras missões.

"Posso revelar que acho que provavelmente seriam quatro embaixadas", disse Trump, durante uma entrevista à "Fox News" na última sexta-feira.

Esper defendeu que o presidente nunca falou de evidências no caso das quatro embaixadas, mas disse que "acreditava" que esse era o plano de Soleimani e afirmou compartilhar dessa análise.

As mudanças na justificativa de Trump para essa missão geraram desconforto entre alguns membros do Congresso, que não receberam informações sobre a suposta ameaça a quatro embaixadas durante uma reunião que realizaram esta semana com Esper e outras autoridades, segundo vários meios de comunicação.

Além disso, a hipótese de que a operação contra Soleimani poderia fazer parte de um plano mais amplo destinado a enfraquecer os Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC) ganhou força depois que o jornal "Washington Post" revelou na sexta-feira que os EUA lançaram outro ataque aéreo no Iêmen no mesmo dia da missão em Bagdá, no último dia 2.

EUA: Uma autópsia de classe do impeachment

Os procedimentos de impeachment são chatos e resultam em nada – mas poderiam parecer muito diferentes se os membros do Partido Democrata buscassem um impeachment focado na flagrante corrupção de Donald Trump. O problema é que muitos democratas da Câmara são incrivelmente ricos e não querem irritar seus doadores ricos.

 

 

por Christian Parenti, na Jacobin | Tradução de José Carlos Ruy

Poderia ter havido uma versão de esquerda do impeachment? É improvável. Mas, tecnicamente falando, isso poderia ter acontecido se uma crítica do poder de classe tivesse sido a questão central. Para que isso acontecesse as violações da cláusula de emolumento e, especificamente, as violações da cláusula de emolumento doméstico, dentro do país, precisariam ser o foco central.

As duas cláusulas de emolumento na Constituição dos EUA impedem presentes de potências estrangeiras ao presidente da República e limitam sua remuneração ao salário presidencial.

As violações da cláusula de emolumentos cometidas por Trump, na medida em que podemos determinar sem uma investigação legalmente autorizada, parecem envolver pagamentos feitos a ele por meio de grandes reservas de aposentos não usados em seus hotéis e, talvez, a compra de condomínios em suas propriedades.

Mas, em vez de explorar essas questões – ou seja, como as grandes empresas fazem suborno político -, recebemos um maçante noticiário a respeito da segurança nacional ameaçada por um país pequeno e distante.

O que aconteceu com o ângulo de classe? Evidências circunstanciais indicam que a liderança democrata na Câmara evitou questões de emolumentos, porque as audiências focadas no tráfico de influência empresarial soariam algo como um comício do socialista Bernie Sanders. Os principais democratas não estão ansiosos para submeter as empresas e os ricos a um escrutínio público severo. Esse preconceito ideológico parece ainda mais forte agora que um socialista se aproxima da conquista da candidatura democrática à presidência da República.

Afinal, muitos dos principais deputados democratas não estão apenas do lado dos ricos – eles são os ricos. Por exemplo, a deputada Nancy Pelosi – democrata, presidenta da Câmara – valia US$ 58 milhões em 2016, mas já valeu mais de US$ 100 milhões por vários anos antes disso.

Um congressista me contou, em off, que alguns democratas estavam desconfortáveis ​​investigando violações dos emolumentos domésticos de Trump, porque isso abriria inevitavelmente uma discussão sobre os políticos e seu dinheiro, em geral. Para muitos deles, isso parece chegar muito próximo de casa…

Mas desde o início, as questões das cláusulas dos emolumentos estavam em pauta. A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, que é socialista, disse, por exemplo: “sempre foram emolumentos. Sempre foi isso para mim.” O deputado Jamie Raskin (de Maryland, EUA), estudioso do direito constitucional abordou agressivamente as questões de emolumentos em seus discursos. Muitos outros deputados que pediram o impeachment também fizeram das violações dos emolumentos uma preocupação central, , enquanto Pelosi ainda advertia contra.

As violações da cláusula de emolumentos domésticos – que significa suborno empresarial do presidente – eram um ponto de partida lógico, visceral e óbvio. Portanto, questões sobre violações das cláusulas de emolumentos – precisamente porque são convincentes – tiveram que morrer.

A deputada Pelosi, em seu inimitável estilo de gangster, se certificou da morte desse tema – sob sua influência as violações da cláusula emolument simplesmente desapareceram.

Adam Schiff, do Comitê de Inteligência, e Gerald Nadler, do Comitê Judiciário, ajudaram nesse desaparecimento ao levantar e reforçar preocupações de segurança nacional envolvendo a Ucrânia. Quando Raskin tentou reunir apoio para investigar questões de emolumentos depois que Trump sugeriu que o G-7 se reunisse em seu resort em Doral, na Flórida, Pelosi teria dito para ele desistir.

Quais poderiam ter sido os problemas? Sem uma investigação legalmente autorizada que possa examinar registros e intimar funcionários corporativos, temos apenas vislumbres do que poderia ter sido. Mas esses vislumbres são reveladores.

A ONG Public Citizen e o jornalista independente Zach Everson conduziram algumas das melhores pesquisas sobre os crimes econômicos cometidos por Trump na presidência. O Public Citizen, confiando em parte no trabalho de Everson, encontrou “51 empresas ou grupos de negócios dos EUA” que parecem ter usado as propriedades de Trump.

Everson merece uma menção especial pela criatividade de baixa tecnologia de seus métodos de pesquisa, focados essencialmente no Trump International, em Washington – vasculhando no lixo do bar do hotel as contas de executivos. Sendo esta a era de confissões on-line compulsórias, muitos gerentes, que nunca responderiam às perguntas de um jornalista, se gabam online de suas visitas a propriedades de Trump.

Depois de um ano, Everson concluiu que “deputados, lobistas e possíveis agentes do poder estavam aproveitando ao máximo a chance de melhorar sua situação, jogando alguns dólares no caminho do presidente”.

O Public Citizen constatou que “os grupos de negócios que realizam eventos nas propriedades da Organização Trump incluem o Institute of International Bankers, que realizou sua conferência anual de 2018 no Trump International Hotel em Washington, DC., a Associação de Serviços Financeiros da Comunidade, que representa os agiotas de dia de pagamento, realizou duas vezes (em 2018 e 2019) sua conferência anual no clube de golfe Trump National Doral, perto de Miami.” Os agiotas do dia de pagamento receberam reversões regulatórias do governo Trump.

A Conferência da Indústria de Opções foi realizada no Trump National Doral Resort. Como outras partes do setor financeiro, elas apóiam a desregulamentação financeira.

Outros convidados empresariais realizaram conferências e reuniões do conselho nas propriedades de Trump incluem a Sprint e a T-Mobile, que mais tarde tiveram uma fusão aprovada pelo governo Trump; a Seasonal Employment Alliance, representando empresas que usam trabalhadores estrangeiros; e a Associação Nacional de Mineração, que pressionou por mais acesso a terras públicas.

Uma importante conferência de importação/exportação de armas de fogo foi realizada no hotel de Trump em Washington e, mais tarde, o governo Trump afrouxou as regras sobre as exportações de armas de fogo.

Dizem que uma longa lista de lobistas do setor de energia ficou no hotel de Trump em Washington. Pelo menos duas empresas de carvão negociaram diretamente com o Trump Hotel durante o verão de 2019. Como o Public Citizen relatou, “o CEO da Murray Energy Corp. Bob Murray e Heath Lovell, principal porta-voz do LP de Alliance Craft Partners do magnata Joe Craft, eram “hóspedes VIPs” para estadias de uma noite em 20 de junho de 2018, de acordo com uma lista obtida pelo “Washington Post.” De maneira sugestiva, a equipe do Trump Hotel escreveu “High Rate” sob o nome de cada executivo.

Há rumores de que até o Facebook, que muitos pensariam ser uma empresa inclinada aos democratas, alugou blocos de aposentos não utilizados no Trump International Hotel em Washington, em uma possível tentativa de agradar o governo Trump. Como o Intercept relatou em outubro, a deputada Madeleine Dean (Democrata, Pensilvânia) perguntou a Mark Zuckerberg: “Existe alguma chance do Facebook reservar blocos de quartos no Trump International Hotel e não usá-los?” Zuckerberg se fez de bobo e prometeu investigar.

Há também a questão das visitas oficiais de presidentes estrangeiros, que Trump recebe em suas propriedades, e são pagas pelo governo – isto é, os contribuintes. De acordo com um relatório da Citizens for Responsability and Ethics em Washington, em agosto de 2019, Trump fez 362 ações desse tipo. Junto com cerca de 250 empregados do governo – funcionários da Casa Branca, membros do Gabinete e funcionários de agências – o governo Trump fez 630 visitas às suas propriedades. A partir desses fragmentos, temos uma noção das intimações que podem ter sido evitadas…

Em meados do verão de 2019, mais de duzentos deputados democratas pediram formalmente o impeachment, e Pelosi continuou contra.

Então veio setembro, com a notícia do telefonema de Trump ao presidente da Ucrânia, Zelynsky, em 25 de julho -, com o relato de um denunciante, indicando que a ligação seria possivelmente ilegal porque Trump havia instado ao presidente ucraniano a investigar o papel de Hunter Biden no conselho da maior e mais notoriamente corrupta empresa de gás da Ucrânia.
Em 9 de setembro, o inspetor geral da comunidade de inteligência notificou ao Congresso que o denunciante (que se diz membro da CIA) havia feito uma denúncia “acreditável” e “urgente”.

Então, sete deputados democratas, todos ex-oficiais da inteligência, publicaram uma carta no “Washington Post” expressando suas graves preocupações. Eles chamaram as alegações do denunciante de “uma ameaça a todos que juramos proteger”. Com isso o talismã legitimador da segurança nacional estava chocalhando, e os tagarelas liberais, como possuídos, estavam espumando. E os emolumentos ficaram longe.
Então, em 24 de setembro, Pelosi avançou e o impeachment estava ativo, e ela no comando. E as questões de classe associadas aos emolumentos afundaram no pântano.

Ao anunciar o processo de impeachment, Pelosi encarregou o Comitê de Inteligência, do qual fez parte há mais de vinte anos, de fazer um relatório que formaria a base do processo de investigação. Com isso, tudo acabou para qualquer política de classe emergir do impeachment. Conforme informou a CNN, Pelosi disse aos membros da Câmara: “que o Comitê de Inteligência seria o painel de pontos na investigação sobre a Ucrânia, dada a sua jurisdição e o foco restrito de sua investigação”. Pelosi supostamente “deixou claro que o Comitê de Inteligência estava no comando”.

O relatório do Comitê de Inteligência foi enviado ao Comitê Judiciário. Quando o relatório chegou, as questões relacionadas a suborno empresarial desapareceram. Em 3 de outubro, a deputada Alexandria Ocasio-Cortez (AOC) chamava o impeachment de “chato”, mesmo afirmando sua importância.

Pelosi, sempre do lado da capital, sem dúvida percebeu que se o poder de intimação do Congresso fosse usado para investigar os emolumentos, as relações com – e os interesses dos – ricos e principais doadores do Partido Democrata poderiam ser prejudicadas.

O “Federalist”, uma publicação de direita, foi um dos poucos veículos a reconhecer o que acontecia. “É sobre Pelosi perder o controle de seu caucus [referência ao sistema usado em eleições primárias em alguns estados dos EUA – nota da redação] caso ela continue a resistir ao impeachment, e Pelosi sentindo um desastre eleitoral iminente de proporções monumentais [uma vitória de Sanders?], o impeachment foi lançado fora dos parâmetros que ela define.…” Sem referências a nenhum hotel Trump, nem emolumentos… Apenas a Ucrânia.

Em outras palavras, à margem da disputa de Bernie Sanders, sem Facebook, sem T-Mobile, sem agiotas do dia de pagamento, sem executivos de petroleiras e carvão. Apenas um teatro Kabuki sagaz e envolto na bandeira sobre segurança nacional e Ucrânia – um país que poucos americanos conhecem ou com o qual se importam.


por Christian Parenti, Professor de Economia na John Jay College, Universidade da Cidade de Nova York   |   Texto em português do Brasil, com tradução de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV (Fonte: Jacobin)/ Tornado


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/eua-uma-autopsia-de-classe-do-impeachment/

O comportamento do “nosso querido Trump”

Não sou médico, psiquiatra ou psicólogo, o que não me impede de querer acompanhar, interpretar e qualificar o comportamento do surpreendente novo ator da cena política internacional, que ocupa a Presidência dos Estados Unidos. Os acontecimentos desta semana no Irão não nos permitem que possamos estar distraídos.

 

A necessidade de, permanentemente, fazermos os caminhos da Paz, da concórdia e da solidariedade não cessa de nos ser recordada pelas mais credíveis instâncias internacionais, nomeadamente pelo Papa Francisco e pelo Secretário Geral da Nações Unidas. Perante estes alertas, o Presidente dos Estados Unidos, com a necessidade que revela de, permanentemente, estar presente nas grandes agências noticiosas, toma uma atitude de desafio e surge como que querendo, voluntariamente contrariar os consensos laboriosamente alcançados pela comunidade internacional. 

 

Pode atribuir-se a este comportamento alguma racionalidade? Contrariamente ao que sistematicamente se tem vindo a dizer, eu creio que sim.

 

Não me parece que possa ser suportadas a grande maioria das interpretações que temos visto procurar explicar esse comportamento, em termos de “show off”, de comportamento errático, de irresponsabilidade, de violação de todas as regras da convivência internacional, de loucura, etc. Estes juízos têm como referência os normais comportamentos no seio de uma sociedade civilizada, que necessita de gerir interdependências. Trump está noutra galáxia.

 

Sendo verdade que sempre haverá alguma razoabilidade nas apreciações antes referidas, não me parece que elas sejam capazes de nos tirar a nossa sede de compreensão. O que pode, então, ser acrescentado?

 

Entendo que há que começar por não esquecer o percurso da vida deste personagem antes de chegar à presidência dos EUA. Trump, depois de ter tido a responsabilidade de vários negócios ruinosos, virou a página e tornou-se num construtor e promotor de imobiliário, de sucesso, primeiro nos EUA e, depois, noutras partes do mundo.

 

Convém recordar que o conseguiu apesar, ou talvez por causa, da sua ignorância acerca do funcionamento do mundo complexo construído na sequência da II Grande Guerra, do seu desprezo, ou ignorância, por uma ética em que estejam presentes os valores da Justiça e da Paz. A única coisa que lhe importa é o seu ego. Para isso, adopta como estratégia tudo fazer para que, a todo o momento e em qualquer lugar do mundo, poder reivindicar-se do exclusivo da “iniciativa”, ainda que para isso seja necessário passar por cima, de todos e todas, de compromissos assumidos na condução da vida económica e das políticas internacionais, etc.

 

É difícil encontrar ente mais desprezível no mundo da convivência internacional, por muito que o buscássemos. Tudo faz de modo a que os interlocutores se transformem em seus subordinados. Não encontraríamos melhor representante do que mais insano se pratica no mundo dos negócios. E o que é certo é que este comportamento encontra acolhimento em muitos dos seus concidadãos, nomeadamente oriundos da classe média. Por isso, foram eles, sobretudo, os maiores responsáveis da sua eleição.

 

Além disso, o seu aparecimento em público é, e sempre uma demonstração da falta de cultura, da ausência de valores, da incapacidade de articular três frases seguidas, de usar uma linguagem que ultrapasse simples lugares comuns. Frequentemente, o seu vocabulário parece reduzir-se a uma percentagem muito reduzida do léxico possuído pelo resto dos seus concidadãos.

 

E, contudo, a comunidade internacional parece olhar com indiferença para todas as suas diatribes. E porquê? Não será estranha a esta indiferença a circunstância dos EUA continuarem a ser a maior potência económica, política e militar, embora se reconheça que a maturidade das instituições da Nação americana estará em condições de neutralizar as medidas e declarações que possam pôr em causa a paz mundial.

 

Habituados que estávamos a olhar para os dois grandes partidos institucionais dos EUA, como garantes da estabilidade mundial, interrogo-me, hoje, como é que o partido republicano pode acolher no seu seio um tal personagem? Certamente, porque ainda não foi capaz de descalçar esta incómoda bota.

 

Para melhor justificar o que acima vem dito recordemos alguns episódios do seu percurso desde que chegou a Presidente dos EUA.

 

Mesmo antes, ainda em campanha eleitoral, deixou marcas a sua afirmação de que só ele iria ser capaz de tornar, de novo, a América um país “Grande e Respeitado”. O que é que naquela cabeça isto significa? Significa, que na América, ele fala e todos os restantes ficam calados ou comportam-se como cães de trela. Não quer dizer que se comportem imediatamente como Trump desejaria, mas também é verdade que não ousam contrariá-lo abertamente.

 

Recordem-se as suas iniciativas de puxão de orelhas relacionadas com o financiamento da Nato, as altercações com Macron por ocasião de uma sua deslocação à Europa, qual imperador deslocando-se aos territórios administrados por seus delegados, etc. Mas há mais: as suas declarações acerca do futuro da União Europeia; as suas ameaças de destruição da Coreia do Norte para pouco tempo depois declarar que o seu ditador é, afinal bom rapaz e poderá com ele construir uma sólida amizade; o seu atentado contra o general Soleimani, para no dia seguinte proclamar que, afinal é possível construir com o Irão uma boa convivência.

 

Muitos outros casos poderiam ser referidos, mas estes são suficientes para mostrar que a cabeça de Trump não tem outra ambição que não seja a de mostrar que, tanto na cena nacional, como na cena internacional, ele não tem que assumir compromissos com ninguém, porque só ele pode ser iluminado como o grande maestro do concerto das nações.

 

Publicada por Manuel Brandão Alves

 

Ver o original em A areia dos Dias

A complacência com Trump é um erro monumental

(José Pacheco Pereira, in Público, 11/01/2020)

Pacheco Pereira
 

Volto a Trump, a única coisa relevante que há hoje para discutir. É pouco mediático num país que é muito indiferente às questões internacionais, não dá títulos saborosos como os pequenos “casos” nacionais, cansa e parece monotemático, mas é decisivo para o nosso futuro.

O que fizer ou não fizer Trump, e o que nós lhe permitimos, vai decidir as próximas décadas. E cada vez parece mais uma obrigação ética travar o combate para o deter, porque estamos num desses momentos da história, em que esta se acelera, e, como na maldição, se torna “interessante”. Pensam que isto é um exagero e Trump um epifenómeno? Puro engano. Vejam só que ele já fez.

O que é perigoso na actual discussão é que mais uma vez se verifica algo que vi toda a vida: quando alguém tem força, essa mesma força é interiorizada como razão, como explicação, como realismo e dá-se uma falência crítica e perde-se clareza. E mais do que tudo com Trump é preciso ver claro. Os poderosos têm seguidores pelas vantagens de estar ao lado do poder, mas o efeito mais insidioso é a impregnação do pensamento e da crítica mesmo daqueles que se lhes opõem.

Leia-se o que se escreveu esta semana em Portugal. Vejo com espanto a facilidade com que o discurso trumpista se interioriza, e como o caos e as contradições resultam em discursos salomónicos, e em benefício da dúvida. Claro que não se pode esquecer que em Portugal há mais “trumpinhos” por aí à solta do que se imagina, quer os que o adoram, mas mais ainda os que precisam dele à direita para equilibrar um mundo que, pensam, se deslocou demasiado para a esquerda.

Não lhe dão palmas em público, mas dentro da cabeça, porque Trump bate nos mesmos inimigos em que eles gostariam de bater. É uma simpatia por afinidade que não ousa dizer o seu nome. Existe em Portugal, no Observador, no i , nalguns blogues muito à direita e que são câmaras de eco em bruto do Observador, mesmo na comunicação social de referência com gente mais preocupada em manter “equilíbrios” e distanciações, quando isso é exactamente o que os trumpistas querem.

O discurso de Trump é simples: há vitórias e vitoriosos e derrotados. Ele Trump teve uma “vitória”, porque os iranianos “cederam” e “recuaram” e assim ele pode obter o efeito útil de ter morto um adversário dos EUA, sem grandes consequências e mostrar força, fazer de Rambo e bater com as mãos no peito como o Tarzan para fins eleitorais. É o discurso habitual de Trump e os mecanismos mediáticos, que ele explora com sucesso, são hoje muito adequados a ver as coisas assim. Talvez, se se parasse para pensar, se perceba que não só esta é uma maneira muito grosseira de ver as coisas — o que se adapta muito bem a Trump e às colunas do sobe e desce, e às redes sociais —, como assenta mais no wishful thinking do que em factos, e não nos fornece uma visão coerente do que se passa. E acrescento não é muito complicado perceber que é uma história muito esfarrapada, ou como agora se diz “uma narrativa” que só se sustenta no peso da força e no ainda maior peso da preguiça mental.

Veja-se só, a título de exemplo, o próprio discurso vencedor de Trump — um discurso que em condições normais deveria arrepiar toda a gente. Mas que “passou” bem, porque pareceu moderado. Trump começa por dizer que os iranianos não atingiram ninguém, porque as contramedidas sofisticadas resultaram, impedindo-os de obter o objectivo de matar soldados americanos. Mais adiante, no mesmo discurso, sugeriu que os iranianos afinal deram uma resposta débil, porque recuaram com medo da resposta americana. Então queriam ou não matar americanos?

Nos dias seguintes, fontes militares disseram que sim, outras fontes acentuaram o recuo a “desescalada”, e a tese predominante é a segunda. Por sua vez, os iranianos mantêm também um discurso contraditório, mas porque lhes é vantajoso. Os iranianos não têm o poder dos EUA, como, aliás, os norte-coreanos. Medidos por essa bitola são sempre o lado mais fraco. Mas face a Trump são mais inteligentes, têm uma estratégia consistente e não dependem da imprensa do dia seguinte para prosseguir os seus objectivos — e não têm eleições para ganhar.

Qual é nos dias de hoje o “seguro de vida” do regime iraniano, como, aliás, do norte-coreano? Ter armas nucleares. Agora que não têm as peias do acordo é o que os iranianos vão fazer a toda a velocidade. Ora Israel e os EUA não o podem permitir, o que significa que terão de atacar o Irão. E como é? Vão só atacar de alto e não colocar “botas no chão”? Só com enormes baixas colaterais, civis. E não há Rússia e China?

O assassinato do general iraniano é uma distracção, neste contexto que radicaliza todas as frentes menores e não ajuda a maior, que Trump ajudou a estragar ao abandonar um acordo nuclear que estava a ser cumprido pelo Irão. Quando digo que o principal risco da política de Trump é ser errática e caótica, é por aqui que se mede. Não houve por isso vitória nenhuma, só encurralamento cada vez maior no caminho de uma guerra generalizada. Trump não quer saber disso para nada, desde que entenda que sai favorecido eleitoralmente. E, como quer ter vantagens sem grandes custos, apela aos países da NATO para lhe darem cobertura e homens e mulheres para não haver muitas baixas americanas. A resposta frouxa da NATO é quase tão perigosa como o caos de Trump.

Infelizmente, isto vai continuar.


 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Na Mira da China

El asesinato del general iraní Qassem Suleimani, con luz verde del presidente Donald Trump, ‎desató una reacción en cadena que se propagó incluso más allá del Medio Oriente. Esa era la ‎intención de quien aprobó la operación. Hace tiempo que Suleimani estaba en la mirilla de ‎Estados Unidos, pero los presidentes George W. Bush y Barack Obama no aprobaron su ‎asesinato.
 
‎¿Por qué lo hizo el presidente Donald Trump? Hay varias razones, como el interés personal del ‎actual presidente por evitar su propia destitución presentándose como un ardiente defensor de ‎‎«América» (léase “Estados Unidos”) ante un enemigo amenazante. Pero la principal razón de la ‎decisión de asesinar Suleimani, decisión adoptada por el Estado Profundo estadounidense antes ‎de que se tomara en la Casa Blanca, hay que buscarla en un factor que se ha hecho crítico para ‎los intereses estadounidenses sólo en estos últimos años: la creciente presencia económica china ‎en Irán. ‎
Irán desempeña un papel de primera importancia en la Nueva Ruta de la Seda cuya implantación ‎inició Pekín en 2013 y que ya se encuentra en una fase avanzada de realización. La Nueva Ruta ‎de la Seda consiste en una red de carreteras y vías férreas entre China y Europa a través del Asia ‎Central, el Medio Oriente y Rusia, combinada con una vía marítima a través del Océano Índico, ‎el Mar Rojo y el Mediterráneo. Para garantizar las infraestructuras (carreteras, vías férreas e ‎instalaciones portuarias) en más de 60 países, se prevén inversiones superiores a ‎‎1 000 millardos de dólares. En ese marco, China está invirtiendo en Irán unos 400 000 millones ‎de dólares: 280 000 millones en la industria del petróleo, en el gas y en el sector petroquímico, y ‎‎120 000 millones en las infraestructuras vinculadas al transporte, incluyendo oleoductos y ‎gasoductos. Se prevé que esas inversiones, efectuadas en un periodo de 5 años, han de ‎renovarse posteriormente. ‎

En el sector energético, la China National Petroleum Corporation, empresa estatal, firmó con el ‎gobierno iraní un contrato para garantizar el desarrollo del yacimiento offshore de South Pars, ‎en el Golfo Pérsico, considerado la mayor reserva de gas natural del mundo entero. Por otro ‎lado, otra empresa china, la Sinopec, con el Estado chino como socio mayoritario, se ha ‎comprometido a desarrollar la producción de los campos petrolíferos de West Karoun. ‎Desafiando el embargo estadounidense, China incrementa sus importaciones de petróleo iraní. ‎Pero más grave aún para Estados Unidos es el hecho que en todos esos acuerdos comerciales ‎entre China e Irán –y en muchos más– ambos países prevén una utilización creciente de la ‎moneda china y de monedas de otros países, excluyendo progresivamente el dólar estadounidense ‎de sus transacciones. ‎
En el sector del transporte, China ha firmado un contrato para la electrificación de 900 kilómetros ‎de líneas férreas en Irán, en el marco de un proyecto que debe garantizar la electrificación total ‎de la red ferroviaria iraní de aquí al año 2025 y la probable firma de un acuerdo para la creación ‎de la primera línea ferroviaria iraní de gran velocidad, que se extenderá a más de ‎‎400 kilómetros. La red ferroviaria iraní ya está conectada a la vía férrea de 2 300 kilómetros que ‎entró en servicio entre China e Irán, reduciendo los plazos del transporte de mercancías –que ‎antes eran de 45 días– a sólo 15 días. A través de Tabriz, gran ciudad industrial del noroeste ‎de Irán –desde donde parte un gasoducto de 2 500 kilómetros que llega hasta Ankara, la capital ‎turca– las infraestructuras de transporte de la Nueva Ruta de la Seda llegarán hasta Europa. ‎
Los acuerdos entre China e Irán no abarcan aspectos militares pero, según una fuente iraní, la ‎custodia de las instalaciones exigirá el despliegue de unos 5 000 agentes de seguridad chinos, al ‎servicio de las empresas constructoras. También es significativa la realización, a finales de ‎diciembre, del primer ejercicio naval conjunto entre Irán, China y Rusia, en aguas del Golfo ‎de Omán y del Océano Índico. ‎
Conociendo estos factores se hace más claro por qué Washington se decidió a asesinar al ‎general Suleimani: se trataba de provocar una respuesta militar de Teherán que justificara ‎intensificar el embargo contra Irán, afectando así el proyecto chino de Nueva Ruta de la Seda, ‎proyecto que Estados Unidos no está condiciones de obstaculizar en el plano económico. ‎La reacción en cadena provocada por el asesinato de Suleimani implica también a China y ‎a Rusia, con la creación de una situación cada vez más peligrosa. ‎

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/12/na-mira-da-china/

Pentágono está apreensivo com rápido desenvolvimento da Rússia e da China

General da Força Aérea dos Estados Unidos e vice-chefe do Estado‑Maior Conjunto dos EUA, John Hyten
© AP Photo / Nati Harnik

De acordo com John Hyten, general da Força Aérea dos Estados Unidos e vice-chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, os EUA devem acompanhar o rápido desenvolvimento da Rússia e da China.

"Temos de olhar para a China e para a Rússia e para a velocidade a que se movem", disse John Hyten.

"A China, em particular, está se movendo incrivelmente rápido. Portanto, temos que nos certificar de que nos desenvolvemos tão rápido ou mais rápido que nossos adversários potenciais", disse Hyten em uma entrevista divulgada no site do Pentágono.

De acordo com o general, o exército dos EUA "está na frente na maioria dos parâmetros", no entanto, essa vantagem não terá valor se o inimigo "estiver se desenvolvendo mais rápido".

Marinheiros iranianos fazem cerimônia de recebida do navio de patrulha russo Yaroslav Mudry durante exercícios navais conjuntos do Irã, Rússia e China. Foto tirada em 27 de dezembro de 2019
Marinheiros iranianos fazem cerimônia de recebida do navio de patrulha russo Yaroslav Mudry durante exercícios navais conjuntos do Irã, Rússia e China. Foto tirada em 27 de dezembro de 2019

A candidatura de John Hyten ao posto de vice-chefe do Estado‑Maior Conjunto dos EUA foi aprovada pelos senadores em agosto passado. Antes disso, Hyten liderou o Comando Estratégico, que reúne as forças nucleares, defesa antimíssil e forças espaciais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020011214998786-pentagono-esta-apreensivo-com-rapido-desenvolvimento-da-russia-e-da-china/

Militares dos EUA estavam em bunkers quando Irã atacou base aérea no Iraque, informa mídia

Foto aérea da base militar Ain Al-Asad, que abriga militares dos EUA no Iraque
© AP Photo / Nasser Nasser

Os militares estadunidenses deslocados na base aérea de Ain Al-Asad sabiam que um ataque iraniano estava iminente e, por isso, puderam se refugiar duas horas e meia antes de os mísseis terem atingido o complexo dos EUA.

Um correspondente da CNN, membro de um grupo de jornalistas que acedeu à instalação, soube pelos oficiais que a maioria dos militares da base a tinha abandonado até às 23h00 locais de 7 de janeiro ou se tinha escondido em bunkers antes do primeiro dos quatro lançamentos de mísseis, ocorrido por volta da 1h30 de 8 de janeiro.

No dia 8 de janeiro, o Exército do Irã bombardeou as bases usadas por militares estadunidenses no Iraque (Ain Al-Asad e Arbil) em resposta pela morte do general iraniano Qassem Soleimani, chefe da Força Quds do Irã, assassinado uma semana antes pelos EUA durante um ataque a Bagdá.

Iranianos caminham durante marcha fúnebre do major-general Qassem Soleimani
© REUTERS / Nazanin Tabatabaee / WANA NEWS AGENCY
Iranianos caminham durante marcha fúnebre do major-general Qassem Soleimani

Algumas horas depois de ter atacado as bases estadunidenses no Iraque, a defesa antiaérea do Irã derrubou um Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines que acabava de decolar com 176 pessoas a bordo do aeroporto de Teerã, com destino a Kiev.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011214998174-militares-dos-eua-estavam-em-bunkers-quando-ira-atacou-base-aerea-no-iraque-informa-midia/

A PROPÓSITO DAS ELEIÇÕES & CONCEITO DE DEMOCRACIA, NOS EUA

Não farei comentários sobre campanhas para a nomeação do candidato democrata, nem sobre as manobras de Trump, ou de outros... Nem irei fazer aqui uma análise sobre o significado que essas eleições possam ter para além das fronteiras dos EUA. Não; apenas queria chamar-vos a atenção para alguns factos, quando se fala sobre democracia. 
 
 
 
No mundo anglossaxónico, em especial americano, é comum fazerem-se apostas sobre muitas coisas, além das corridas de cavalos. É comum inferir resultados eleitorais a partir das quantias apostadas a favor ou contra a investidura de determinado candidato...como se pode verificar pelo gráfico abaixo, retirado do excelente site Zero Hedge:
 

 

 
                    image
 

 
Sim, justamente, como corrida especial, alguns acabam por ficar de fora, ou porque foram sujeitos a campanha assassina de imagem ou porque não conseguem recolher fundos suficientes para ultrapassar em volume de propaganda outros candidatos mais afortunados (ou subsidiados).
 

Nota-se que o resultado é conhecido de antemão, com segurança muito grande, pela simples comparação das somas investidas num determinado cavalo de corrida, perdão, candidato presidencial. 
Evidentemente, para se ter uma imagem rigorosa das somas investidas, seria necessário saber-se quais as somas que as corporações vão doar, na sua aposta por este ou aquele. 
Em geral, elas dão a candidatos dos dois partidos em contenda (mesmo que dêem mais a um, que a outro): assim, têm a sua influência garantida no pós-eleição, mesmo que tenha vencido o candidato que não é seu preferido. 
As somas astronómicas acabam por ser conhecidas, um ano depois das eleições pois são doações legais das empresas, descontáveis nos impostos, até um montante muito elevado. 
Além das empresas, os ricos costumam doar - a título individual - somas fabulosas, que são também registadas nas contas das campanhas dos partidos e candidatos e tornadas públicas.  Portanto, o resultado das eleições americanas é invariavelmente, desde há muitas décadas, estimado em função do montante de capitais investidos nos candidatos e esta avaliação é a mais fidedigna. Pelo menos, acerta mais vezes do que as sondagens por inquérito a cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais.
Um parêntesis sobre «universalidade» do direito de voto nos EUA: deve-se excluir deste número, a população prisional - a maior do mundo, em termos percentuais; os ex-presos, que tiveram condenações e cumpriram pena; os que não contam, porque nunca se inscreveram nos cadernos... por outro lado, tem de se incluir: os não-nacionais, imigrantes legais ou ilegais, inscritos e pagos para votar num determinado candidato; as pessoas já falecidas, cujos fantasmas insistem em votar... etc.
No fundo, a chamada «democracia americana» não é mais do que a contabilização dos «votos dólares»: quem conseguir mais apoios financeiros, compra mais espaço publicitário em redes de tv, rádio, jornais, consegue mobilizar maiores caravanas eleitorais que trilham todo o país... 
Eu não estou a exagerar, não tenho intenção de o fazer, nem preciso. O próprio leitor pode inquirir por si próprio; verá que as coisas são assim, ou piores do que eu as indico aqui. 
Estas considerações podem chocar pessoas que, na nossa «velha Europa», acreditam na existência dum modelo de «democracia ocidental». 
É verdade que nos últimos tempos, as campanhas eleitorais no lado de cá do Atlântico, vêm-se assemelhando assustadoramente às campanhas eleitorais no país do Tio Sam. Ingenuamente, poderia pensar-se que é meramente «uma questão de modas». No entanto, estarão enganadas, pois a aceitação desta democracia «do dólar» (ou «do euro») tem raízes filosóficas muito profundas.
Ao chamado «Novo Mundo», às colónias britânicas da América do Norte, aportaram no século XVII e seguintes, os puritanos, que eram reformados calvinistas, vindos de Inglaterra, mas também de outras terras europeias (Holanda, França, Alemanha...) 
A fé calvinista caracteriza-se pela doutrina da predestinação. Segundo esta doutrina, Deus escolheu, no início da Criação, os humanos todos - até ao fim dos tempos - destinados a serem salvos e os que estavam, de antemão, condenados. Podemos sorrir hoje em dia, mas nessa época de sectarismo e fanatismo religioso, as pessoas calvinistas acreditavam totalmente nesta doutrina. Portanto, ficavam muito inquietas e desejosas de saberem se faziam parte das «escolhidas», das salvas, indo para junto do Criador, ou se estavam condenadas. 
Nesta angústia, vislumbravam sinais que permitiam identificar quem era, ou não, «escolhido». Assim, uma pessoa bem sucedida nos negócios era, certamente, um «eleito do Senhor», segundo esta visão. 
Esta mentalidade, que perdura na elite do dinheiro dos EUA de hoje, propulsionou muito mais o capitalismo nascente, por comparação com outras paragens, como a Itália ou a Península Ibérica, católicas. 
Com o andar dos tempos, as pessoas (mesmo as não-crentes) mergulhadas na cultura calvinista/puritana, passaram a assimilar o sucesso financeiro, a ter uma benção. Se alguém possui muito capital, é um «eleito», um escolhido por Deus e - por isso mesmo - favorecido nos negócios e em todos os aspectos da vida. Ter riqueza é o sinal claro e evidente de que a pessoa tem virtude, foi escolhida por Deus. Ser rico é uma virtude (nos EUA). 
Nos países católicos, a visão das pessoas em relação à riqueza estava e está ainda marcada pela visão teológica medieval, associando a abundância de bens materiais, com luxo, com pecado... Na Europa católica, o rico e poderoso é temido e invejado, mas não amado ou respeitado. Considera-se que ele pode ter adquirido a sua riqueza por meios legítimos, ou não. Nos países católicos há muita inveja em relação aos ricos: é frequente ouvir-se dizer mal de alguém, insinuando que obteve sua fortuna por meios «pouco honestos».
Portanto, não nos devemos espantar se nos EUA, em vez de «um homem, um voto», se tem a equação «um dólar = um voto». Isso é um facto tão banal, que não choca quase ninguém.  Para mentalidade típica do europeu, as palavras democracia e eleições têm significados totalmente diferentes, em relação às mesmas expressões, nos EUA.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

EUA ameaçam cortar acesso do Iraque às receitas do petróleo caso Bagdá insista na retirada de tropas

Soldados dos EUA se dirigem à avião para deslocamento no Iraque (foto de arquivo)
© AP Photo / Hubert Delany III

O Iraque pode perder acesso às suas contas em dólares se insistir na retirada das tropas dos EUA de seu território. Após aprovação da lei que permite a Bagdá solicitar a retirada de forças estrangeiras, Donald Trump ameaçou responder com sanções.

A parlamentar iraquiana Majida al-Tamimi, membro do Comitê de Finanças do parlamento, disse que, caso o Iraque insista na retirada das tropas, pode perder o acesso aos seus recursos depositados em contas no banco central dos EUA.

Além disso, a parlamentar aponta que os EUA poderão exercer pressão sobre certas empresas para que interrompam suas atividades na indústria petrolífera do Iraque. O país árabe é o segundo maior produtor mundial da OPEP.

Trabalhador iraquiano no campo de petróleo Nihran Bin Omar, ao sul de Bagdá (foto de arquivo)
© AP Photo / Nabil al-Jurani
Trabalhador iraquiano no campo de petróleo Nihran Bin Omar, ao sul de Bagdá (foto de arquivo)

O Departamento de Estado já teria alertado o governo iraquiano sobre a possibilidade de bloquear seu acesso aos recursos depositados em contas nos EUA, conforme reportou a Bloomberg.

No dia 5 de janeiro, o parlamento iraquiano aprovou uma lei que autoriza o governo a pedir a retirada de forças estrangeiras do país. A medida, interpretada por muitos como dirigida aos EUA, levou Donald Trump a ameaçar Bagdá com sanções:

"Se eles nos pedirem para sair, e se isso não for feito de uma maneira muito amigável, iremos impor as sanções mais duras que eles já viram, que farão as sanções contra o Irã parecerem brandas", ameaçou o presidente dos EUA.

Desde então, os EUA não responderam aos pedidos de Bagdá para negociar um eventual processo de retirada das tropas.

O efeito imediato do bloqueio das contas do Iraque em dólares seria uma forte desvalorização da moeda iraquiana, o dinar.

Eventualmente, o governo do Iraque teria que converter as suas transações comerciais para euros, o que demandaria longas negociações com bancos europeus, informou Tamimi.

O Iraque foi alvo de um duro embargo financeiro e comercial entre 1990 e 2003, quando os EUA depuseram Saddam Hussein.

Iraquiano troca dinares iraquianos por dólares, logo depois da retirada de embargo de mais de 10 anos imposto ao país pelo Conselho de Segurança da ONU (foto de arquivo)
© AP Photo / Jassim Mohammed
Iraquiano troca dinares iraquianos por dólares, logo depois da retirada de embargo de mais de 10 anos imposto ao país pelo Conselho de Segurança da ONU (foto de arquivo)

As sanções, impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, geraram uma das mais sérias crises humanitárias da década de noventa, e incluíram a criação de programas emergenciais como o "petróleo por alimentos".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011214998014-eua-ameacam-cortar-acesso-do-iraque-as-receitas-do-petroleo-caso-bagda-insista-na-retirada-de/

Rússia condena Irã e Estados Unidos por desatre com avião ucraniano

Sputinik – Rússia condena as ações do Irã, que derrubou o avião ucraniano, mas entende que eles foram provocados pelos EUA.

O vice-presidente do Comitê de Defesa da Duma de Estado da Rússia, Yuri Shvytkin, declarou que o parlamento russo condena as ações do Irã, que derrubou a aeronave comercial ucraniana, no entanto entende que os iranianos foram provocados pelos EUA para efetuar o ataque.

"É evidente que nós condenamos tanto as ações dos EUA como os atos do Irã neste sentido […], mas temos que compreender que os Estados Unidos provocaram o Irã a retaliar", disse o parlamentar russo.

Irã não "escondeu a cabeça na areia", agiu com dignidade admitindo oficialmente sua culpa no acidente do avião ucraniano,disseà Sputnik o vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho de Federação russa, Vladimir Dzhabarov.

"Agora o Irã deverá apresentar oficialmente um pedido de desculpas e pagar indenizações às famílias das vítimas. A propaganda ocidental irá cair sobre o país anunciando sua culpa e o perigo que representa o seu Estado", opina Djabarov.

Mais cedo neste sábado (11), em comunicado o Irã reconheceu que derrubou o avião de passageiros ucraniano vitimando 176 pessoas. De acordo com a declaração, a aeronave estava voando perto de instalações militares do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica iraniana e acabou sendo confundido com uma possível ameaça.

O avião, um Boeing 737 operado pela Ukrainian International Airlines, caiu nos arredores de Teerã durante a decolagem algumas horas após o Irã ter lançado uma série de mísseis contra forças americanas estacionadas em bases militares no Iraque.

EUA avisam que não pretendem mais sair do Iraque

Sputinik –Após o assassinato do general iraniano Soleimani e de dois outros líderes militares pró-iranianos, ação que não foi autorizada pelo governo iraquiano, o Parlamento do Iraque adotou uma moção para que todas as forças militares estrangeiras sejam retiradas do país, incluindo as tropas norte-americanas.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que qualquer nova delegação enviada ao Iraque irá discutir o retorno a uma parceria de "cooperação estratégica" em vez da retirada de tropas do país.

"No entanto, é necessária uma negociação entre os governos dos Estados Unidos e Iraque, não somente em relação à segurança, mas também à nossa parceria financeira, econômica e diplomática", afirma a entidade.

O comunicado de imprensa observa que Washington busca ser "um amigo e parceiro de um Iraque soberano, próspero e estável", enquanto afirma que a presença militar norte-americana no país persistirá com o objetivo de lutar contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e outros países) e proteger os norte-americanos, iraquianos e parceiros da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

O Departamento de Estado também anunciou que discutiria o envolvimento da OTAN no Iraque com a delegação da Aliança durante um encontro que ocorrerá em 10 de janeiro. Além disso, o comunicado informa que a discussão está sendo tomada em linha com o último apelo do presidente Trump para que a OTAN se envolva mais em questões do Oriente Médio.

Iraque tenta expulsar tropas dos Estados Unidos

Em 5 de janeiro, o Parlamento do Iraque votou durante uma sessão extraordinária pela expulsão da presença militar estrangeira do país, incluindo as tropas norte-americanas que foram convidadas em 2014 para auxiliar no combate contra o grupo terrorista Daesh.

"O governo iraquiano deve trabalhar para eliminar a presença de quaisquer tropas estrangeiras em solo iraquiano e proibi-las de usar sua terra, espaço aéreo ou marítimo por qualquer razão", expressa a resolução do Parlamento.

A decisão do Parlamento veio como resposta aos ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos em território iraquiano sem discutir ou ao menos notificar Bagdá sobre os mesmos. O último ataque, que desencadeou o voto, matou o general Qassem Soleimani e dois proeminentes líderes militares iraquianos.

Porém, os Estados Unidos não anunciaram oficialmente qualquer intenção de retirar suas forças do país. Ainda assim, após o voto, uma carta começou a circular na mídia, em que Washington informa Bagdá que se prepara para uma futura retirada.

Mark Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, esclareceu mais tarde que a carta foi enviada por "engano" e que não reflete a realidade, ainda que seja "genuína".

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/mundo/eua-avisam-que-nao-pretendem-mais-sair-do-iraque

DUAS SEMANAS QUE ARREPIARAM O MUNDO

Antes que a enxurrada de desinformação produzida pela comunicação social corporativa mistifique a história oficial destes dias de guerra, caos e ilegalidade na cena internacional é altura de descodificar a cadeia de acontecimentos para que seja possível distribuir responsabilidades e invalidar mentiras. Se os Estados Unidos da América, como é habitual e natural, sobressaem como os artífices de uma trama que ameaça o planeta, é importante notar que o “nosso mundo civilizado”, com a NATO e a União Europeia à cabeça, não fazem figura de inocentes. Aliás, nem o governo da República Portuguesa se salva.
 
Já poucos terão presente que esta escalada de guerra dos Estados Unidos contra o Iraque e o Irão – ao que parece agora militarmente amainada – se iniciou em 27 de Dezembro com um suposto ataque da organização paramilitar iraquiana xiita Kataeb Hezbollah contra uma base ocupada por tropas norte-americanas no Iraque, provocando a morte de um contratado civil e ferimentos em quatro militares.
 
E aqui começa a história a ser mal contada.
 
Em momento algum, até hoje, as fontes oficiais e oficiosas norte-americanos prestaram informações adicionais sobre este incidente, por exemplo divulgando a identidade do falecido, a entidade para a qual trabalhava e os nomes dos feridos.
 
No dia seguinte veio a “resposta” norte-americana: caças F-15 bombardearam cinco bases do Kataeb Hezbollah no Iraque e na Síria, instalações que foram e continuam a ser fulcrais no combate contra o Isis ou Estado Islâmico e a al-Qaida. Desenhava-se aqui uma tendência: punir organizações ou entidades que contribuem para tentar desmantelar o terrorismo que descende directamente do que foi criado no Afeganistão por Bin Laden e a CIA em coordenação com outros serviços secretos, designadamente os britânicos, sauditas e paquistaneses.
 
O pormenor mais intrigante da “resposta” militar norte-americana levanta ainda outras fortes suspeitas sobre a versão dos acontecimentos difundida por Washington. As bases do Kataeb Hezbollah atingidas pelos bombardeamentos situam-se a mais de 500 quilómetros das instalações onde supostamente terá morrido o mercenário e foram feridos os quatro soldados. É de admitir, portanto, que o grupo paramilitar iraquiano não seja responsável pela acção, como o próprio garante; e que o suposto “ataque com rockets” não tenha passado de uma provocação que qualquer reminiscência do Isis ainda seja capaz de executar.
 
A acção terrorista norte-americana gerou reacções imediatas e espontâneas sobretudo no Iraque. O Kataeb Hezbollah é uma facção do bloco designado Unidades Populares de Mobilização (PMU), milícias associadas ao segundo maior grupo do Parlamento iraquiano. Além disso, integra operacionalmente o exército regular do país. Com esta representatividade não espanta que se tenham formado importantes manifestações contestando o bombardeamento norte-americano e tendo como alvo a Embaixada dos Estados Unidos. Em momento algum, porém, houve invasão das instalações diplomáticas, ao contrário do que foi afirmado pelos media corporativos ecoando as mensagens de propaganda emanadas do Departamento de Estado em Washington.  
 
Um acto de guerra
Os protestos, porém, serviram como novo pretexto para alimentar a escalada.
 
Invocando os focos de violência em torno da embaixada – motivo que depois desapareceu, para ser substituído por uma mentira que continua a ser repetida – os Estados Unidos assassinaram, em 3 de Janeiro, o general Qasem Soleimani, comandante da organização Al-Qods (Jerusalém) da Guarda Revolucionária do Irão. 
 
Demonstrando que conhecia ao milímetro os movimentos do general, o Pentágono enviou um drone Reaper contra o conjunto de viaturas que transportava Soleimani do aeroporto internacional de Bagdade para uma reunião com o primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul al-Mahdi.
 
No ataque morreram também o número dois do PMU do Iraque e um destacado dirigente do Hezbollah libanês, organização que integra o governo do Líbano.
 
Os Estados Unidos tinham acabado de cometer um acto de guerra contra três Estados Soberanos.
O Iraque protestou oficialmente contra o evidente ataque à sua soberania.
E o Irão prometeu reagir.
Logo acudiu a chamada “comunidade internacional”, praticamente a uma voz e com uma só palavra de ordem: “contenção” – pedida a todas as partes, agressor e agredidos.
 
Do “nosso mundo civilizado” não se ouviu qualquer condenação do acto de barbárie.
 
A NATO, pela voz do secretário-geral Stoltenberg, garantiu que não estava envolvida mas fora informada e sabia de tudo. E recomendou ao Irão, país vítima de uma agressão primária que rasgou também o direito internacional, o cuidado de “abster-se de violência e provocações”
 
O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assegurou que se tratava de “um acontecimento americano” no qual o seu país não deveria ser “misturado”. E, no entanto, a operação replicou os muitos “assassínios selectivos” praticados pelo Estado sionista, principalmente na Faixa de Gaza. Netanyahu ameaçou ainda o Irão com uma “resposta retumbante” no caso de atacar alvos israelitas.
 
O secretário-geral da ONU, António Guterres, falou mais ou menos do sexo dos anjos, na impossibilidade de discorrer, por uma vez, das alterações climáticas: “O caldeirão de tensões conduz cada vez mais países a tomar decisões imprevistas com imprevistas consequências e risco profundo de erros de cálculo”, declarou. 
 
Concluiu ainda que “as tensões geopolíticas estão ao nível mais elevado deste século”, coisa que ainda ninguém tinha percebido.
 
Não se ouviu, no entanto, qualquer comentário de Guterres quando o Departamento de Estado norte-americano se recusou a emitir um visto ao ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Javad Zarif, que pretendia deslocar-se à sede das Nações Unidas, em Nova York, para explicar os acontecimentos. Uma recusa que deveria suscitar reacções exemplares da ONU, uma vez que viola o tratado celebrado entre esta organização e os Estados Unidos que regula, desde 1947, o funcionamento das Nações Unidas na cidade norte-americana.
 
A Rússia e a Turquia, em declaração conjunta, admitiram que as atitudes dos Estados Unidos no Médio Oriente são “ilegais”.
 
Guerra para calar negociações
O general Soleimani não era apenas um general admirado no seu país. Ficou conhecido como brilhante estratego do combate travado internacionalmente contra o Estado Islâmico – praticamente dizimado – e a al-Qaida - em vias de sofrer uma esmagadora derrota na Síria e em fase de transferência para a Líbia.
 
O assassínio de Qasem Soleimani confirma, portanto, a tendência norte-americana para ajustar contas com pessoas, entidades e organizações que combatem o terrorismo oriundo do tronco comum afegão. O que não surpreende, porque o Estado Islâmico e a al-Qaida desempenharam – e desempenham – funções de braços armados dos Estados Unidos e da NATO em guerras como as do Iraque, da Síria e da Líbia.
 
O primeiro-ministro do Iraque revelou, entretanto, que o general Soleimani se deslocara a Bagdade para se encontrar com ele próprio e entregar a resposta do governo do Irão a uma iniciativa da Arábia Saudita, na qual o Iraque serviu de mediador, e que tinha o objectivo de reduzir as tensões entre Teerão e Riade. Uma aproximação entre o Irão e a Arábia Saudita é fulcral para qualquer processo de pacificação em todo o Médio Oriente; por outro lado, seria um obstáculo à estratégia de “guerra sem fim” conduzida pelos Estados Unidos na região.
 
A intenção da administração norte-americana de fazer abortar negociações desenvolvidas entre Teerão e Riade através de Bagdade é muito mais do que uma simples suspeita.
A versão norte-americana sobre a viagem de Soleimani é diferente: o general iria preparar ataques contra alvos militares e interesses norte-americanos. Nem o secretário de Estado Pompeo nem o presidente Trump, em múltiplas intervenções, conseguiram ir além da formulação abstracta desta teoria, apesar de instados a apresentar pormenores. A acusação a Soleimani acaba por revelar-se uma deslavada e repetida mentira.
 
Vítima de uma agressão norte-americana contra o seu próprio território, o Parlamento iraquiano decidiu, por unanimidade, expulsar as tropas estrangeiras e revogar o pedido de assistência de uma coligação internacional com base na NATO, fundada com o alegado intuito de combater o Isis ou Estado Islâmico.
 
A NATO suspendeu as operações em solo do Iraque. O primeiro-ministro al-Mahdi recebeu uma carta norte-americana – com versões em inglês e em árabe – manifestando disponibilidade para acatar a decisão. Como os textos têm conteúdos diferentes nas duas línguas, o chefe do governo do Iraque pediu esclarecimentos. Então os Estados Unidos argumentaram que a carta não deveria ainda ter sido enviada, pelo que não existe resposta oficial à posição soberana de Bagdade.
 
Tanto quanto se sabe, a versão oficial de Donald Trump é a de que não tenciona retirar as tropas do Iraque. O assunto vai dar ainda muito pano para mangas.
 
A reacção iraniana
O Irão não tinha outra opção que não fosse a de reagir ao acto de guerra norte-americano. Por razões de dignidade e soberania, por necessidades internas e por lhe ser facultada pelo direito internacional.
 
Teerão começou por anunciar que deixa de respeitar os limites de enriquecimento de urânio impostos pelo acordo nuclear internacional 5+1, do qual os Estados Unidos já se tinham retirado.
E o circo da “comunidade internacional” voltou a reagir a preceito, argumentando que, agora sim, o Irão iria avançar para a bomba nuclear – circunstância que passou a valer propagandisticamente como se o regime iraniano já tivesse entrado no “clube atómico”, pronto a “varrer Israel do mapa”, como se ouviu a circunspectos analistas.
 
O filme começou, uma vez mais, a ser rodado ao contrário, escondendo que Israel é a única potência nuclear do Médio Oriente em condições de “varrer vizinhos do mapa”, actividade em que tem muita e proveitosa experiência.
 
A NATO garantiu que “não permitirá que o Irão tenha armas nucleares”. Donald Trump assegurou que “o Irão jamais terá armas nucleares”. Afinal, apesar dos “distanciamentos”, NATO e Trump, Trump e NATO actuam a uma só voz.
 
Na madrugada de 8 de Janeiro, o Irão bombardeou então duas bases iraquianas ocupadas por tropas norte-americanas. Na sua conta twitter, o chefe da diplomacia iraniana, Javad Zarif, explicou que “a resposta foi proporcional” ao ataque sofrido e o Irão abster-se-á de novos ataques.
 
As narrativas em torno deste ataque, porém, estão longe de serem coincidentes e de estarem concluídas.
Circulam informações, por um lado, de que antes da operação o Irão contactou o Iraque e este país os Estados Unidos a tempo de serem tomadas precauções para evitar baixas. Alguns mísseis, inclusivamente, teriam sido preparados para evitar danos.
 
Existem, porém, informações completamente diferentes. O Irão teria procedido exactamente como os Estados Unidos na altura do assassínio de Soleimani: informou o Iraque praticamente em cima da execução do ataque.
 
A versão oficial de Donald Trump é a de que o ataque não causou baixas nas tropas norte-americanas ou iraquianas.
 
Trump e os seus amigos
O presidente norte-americano fez um balanço oficial dos acontecimentos num “discurso à nação” proferido na manhã (de Washington) de dia 8, quarta-feira. Anunciou novas sanções contra o Irão, além de estar “a avaliar outras opções de resposta”. De momento, a escalada militar parece entre parêntesis, embora permaneçam todas as circunstâncias que conduziram a esta nova fase da agressão norte-americana. 
 
Trump pediu “maior envolvimento da NATO”, não especificando em quê relativamente à situação criada, confirmando assim a “decepção” transmitida por Pompeo perante a reacção da aliança ao assassínio de Soleimani. Ficou implícita, através desta abordagem, a obrigatória disponibilização de meios atlantistas para o que quer que se siga na guerra sem fim sustentada pelos Estados Unidos na região do Médio Oriente.
 
Donald Trump parece estar ainda a avaliar os resultados da situação, como manobra de diversão do impeachment, e as suas repercussões na campanha para as eleições de Novembro deste ano.
Além da pressão do impeachment, que em última análise será travado pela maioria republicana do Senado, Trump está sob pressão do Congresso por não ter comunicado previamente a operação contra Bagdade e por não dispôr de qualquer autorização válida para travar uma guerra contra o Irão. Alguns congressistas consideram este facto como a razão de maior peso para um impeachment de um presidente.
 
Apesar da agressividade, o discurso de Trump soou a recuo: está colocado perante a exigência de retirada das tropas do Iraque, as pressões do Congresso, a multiplicação de manifestações em dezenas de cidades do país contra a guerra, a denúncia das mentiras sobre Soleimani na própria comunicação social dominante e também a possibilidade de as versões sobre avultadas baixas militares ganharem terreno se forem, de facto, fundamentadas.
O ataque cerrado no discurso contra Obama, personificando na circunstância o Partido Democrático, confirma que a agressão contra o Irão integra os planos de Donald Trump para tentar retomar a iniciativa frente ao impeachment e desenvolver a campanha eleitoral.
 
A campanha “América primeiro” parece ter derivado para as campanhas de guerra como suporte da propaganda político-eleitoral, ao leme das quais, sem horizonte estratégico, vão Pompeo e os seus cristãos sionistas, os fundamentalistas evangélicos de Pence e as manobras sionistas do genro de Trump, Jarred Kushner, em sintonia absoluta com o primeiro-ministro de Israel.
 
Estando Trump e Netanyahu ambos acossados internamente, tanto em termos políticos como de justiça, a associação de circunstâncias não joga a favor da redução de tensões mas sim da sua exploração ao ritmo das batalhas político-jurídicas que se seguem nos Estados Unidos e em Israel.
 
O cenário mundial está assim refém das necessidades e interesses próprios dos Estados Unidos e seu satélite israelita – ou vice-versa – em plena guerra intercapitalista.
Enquanto a União Europeia prega a “contenção” ao Irão; e o governo português, na velha tradição de bom e respeitador aluno, esteve mudo perante a manobra terrorista que consumou o assassínio do general Soleimani mas já teve voz para condenar o ataque de retaliação conduzido pelo Irão. Comentários dispensam-se.
 
As duas últimas semanas foram exemplares da situação arrepiante a que a chamada “comunidade internacional” deixou que o mundo fosse conduzido pelas mãos de sociopatas incuráveis. 
 
 
Por José Goulão, n´O LADO OCULTO
*A versão inicial deste artigo, e que poderá já ter sido conhecida por alguns leitores, foi alterada. As referências alusivas aos dados em poder do jornalista israelita Jack Khoury foram suprimidas a pedido deste. As informações contidas na sua página de twitter - entretanto cancelada - fazendo alusão à existência de 224 militares norte-americanos feridos recebidos num hospital de Telavive são falsas. Khoury informa que a sua conta de twitter foi alvo de um acto de pirataria de que resultou a inserção de informações não verificadas ou inexistentes. Pelo facto peço desculpa aos leitores.
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Trump mandou assassinar outro general do Irã, mas operação falhou

247 -Autoridades dos Estados Unidos afirmam que o general Qassim Suleimani não foi o único alvo da ação norte-americana. a mando do presidente Donald Trump, forças militares norte-americanas atacaram outro comandante militar iraniano no Iêmen, Abdul Reza Shahlai.

A operação para assassinar o comandante, no entanto, falhou, disseram autoridades dos Estados Unidos, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

Detalhes sobre a operação contra Shahlai foram mantidos em sigilo. Embora sua morte tenha sido relatada por algumas contas de mídias sociais, oficiais dos EUA disseram que ele ainda está vivo.

 

EUA querem discutir retorno à parceria estratégica com Iraque em vez de retirar tropas

Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel sendo queimadas por participantes do funeral do major-general iraniano Qassem Soleimani
 

Após o assassinato do general iraniano Soleimani e de dois outros líderes militares pró-iranianos, ação que não foi autorizada pelo governo iraquiano, o Parlamento do Iraque adotou uma moção para que todas as forças militares estrangeiras sejam retiradas do país, incluindo as tropas norte-americanas.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que qualquer nova delegação enviada ao Iraque irá discutir o retorno a uma parceria de "cooperação estratégica" em vez da retirada de tropas do país.

"No entanto, é necessária uma negociação entre os governos dos Estados Unidos e Iraque, não somente em relação à segurança, mas também à nossa parceria financeira, econômica e diplomática", afirma a entidade.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011014992873-eua-quer-discutir-retorno-a-parceria-estrategica-com-iraque-em-vez-de-retirar-tropas/

EUA solicitaram apoio à intervenção nas eleições legislativas venezuelanas

A administração dos EUA fez circular uma nota diplomática a nível internacional, com um documento anexo, visando interferir nas eleições parlamentares que este ano se celebram na Venezuela.

Jorge Arreaza denunciou a estratégia intervencionista dos EUA relacionada com as eleições legislativas que este ano terão lugar na VenezuelaCréditos / VTV

Na conferência de imprensa que ontem deu na Casa Amarela (sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Caracas), o titular da pasta, Jorge Arreaza, denunciou a nova estratégia de ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos venezuelanos.

Referiu-se, concretamente, a uma nota diplomática – com um documento anexo – que os EUA fizeram circular no passado dia 17 de Dezembro a nível internacional, tendo como propósito encontrar apoio para a interferência nas eleições parlamentares que este ano terão lugar no país sul-americano.

De acordo com o texto apresentado pelo chefe da diplomacia venezuelana, os Estados Unidos consideram necessário encontrar um governo de transição na Venezuela, apoiar a Assembleia Nacional e pressionar política e economicamente a presidência de Nicolás Maduro, a cujo governo se referem como «o anterior regime».

O documento, intitulado «O governo dos Estados Unidos pede apoio para um comunicado eleitoral sobre eleições livres e justas para a Assembleia Nacional da Venezuela em 2020», terá sido enviado para que os responsáveis dos países receptores o analisassem e firmassem antes da data desejada de publicação – 5 de Janeiro, dia em que era elegida a nova mesa da presidência do Parlamento venezuelano.

«O governo dos Estados Unidos pede apoio para um comunicado eleitoral sobre eleições livres e justas para a Assembleia Nacional da Venezuela em 2020» Créditos

«O documento visa intervir nos processos administrativos, políticos, soberanos do nosso país com vista às eleições da Assembleia Nacional do ano em curso», sublinhou o diplomata, tendo acrescentado, com base no texto, que a administração norte-americana pretende prosseguir com a política de pressão diplomática e económica sobre a Venezuela, numa tentativa de forçar uma mudança de governo no país.

O texto põe em evidência «as estratégias intervencionistas da administração dos EUA contra a soberania do povo, a vontade popular e democrática dos venezuelanos», destacou Arreaza, que denunciou: «Eles falam de um governo de transição, isto é, insistem na mudança de governo pela força, como o fizeram na Bolívia, para convocar eleições sob os seus critérios, os seus padrões, o seu controlo, e isso na Venezuela jamais acontecerá, porque somos soberanos na tomada de decisões no país.»

O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou, igualmente, que este ano haverá eleições legislativas na Venezuela, em conformidade com a legislação venezuelana, de acordo com a Constituição do país. «Oxalá participem todas as forças políticas», disse.

Violação da Carta das Nações Unidas e crimes contra a Humanidade

Sublinhando que estes comunicados violam a Carta das Nações Unidas, Arreaza frisou que o documento deixa em evidência que os EUA impõem sanções e um bloqueio à Venezuela em detrimento do povo, quando destinam milhões de dólares à oposição para desestabilizar o país e, dessa forma, o governo de Maduro.

O diplomata afirmou que «estas medidas unilaterais são crimes contra a humanidade» e que o seu país está a trabalhar com Cuba, Nicarágua e outros mais «para denunciar estes abusos».

No documento, os EUA passam a noção de que foi graças às sanções que o governo de Nicolás Maduro se sentou à mesa com a oposição em vários processos de diálogo, tentando fazer passar a ideia de que as pressões geram benefícios.

Arreaza, que reafirmou o compromisso do executivo em que se integra para promover o diálogo com a oposição de direita interessada na paz e empenhada na denúncia do intervencionismo, sublinhou o desporopósito de tais alegações, tendo lembrado que foi Nicolás Maduro quem «fez o apelo ao diálogo».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-solicitaram-apoio-intervencao-nas-eleicoes-legislativas-venezuelanas

Iraque pede que EUA enviem representantes para acertar retirada de tropas estrangeiras

Bandeira dos EUA astiada na fronteira entre Iraque e Síria, em Feeshkhabour (foto de arquivo)
© AP Photo / Khalid Mohammed

O primeiro-ministro interino do Iraque, Adel Abdul Mahdi, pediu ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que seu país enviasse representantes para acordar a retirada das tropas estrangeiras do Iraque.

"Abdul Mahdi exigiu que o secretário de Estado dos EUA envie ao Iraque os representantes dos EUA para desenvolver um mecanismo para implementar a resolução do Conselho de Representantes [Parlamento] do Iraque sobre uma retirada segura das forças [estrangeiras] do território da país", diz o comunicado do escritório de Mahdi que a Sputnik teve acesso.

Foi acrescentado também que as partes examinaram os últimos acontecimentos na região e expressaram seu desejo de evitar um aumento nas tensões e uma guerra aberta.

Ao mesmo tempo, Mahdi enfatizou que o Iraque aspira manter "boas relações com os países e amigos vizinhos".

Tropas americanas sendo deslocadas para o Iraque (foto de arquivo)
© AFP 2019 / capitão do Exército dos EUA Robyn Haake
Tropas americanas sendo deslocadas para o Iraque (foto de arquivo)

Segundo o comunicado, durante a conversa telefônica o secretário de Estado Mike Pompeo, por sua vez, disse que os EUA respeitam a soberania do Iraque.

O Parlamento iraquiano aprovou em 5 de janeiro por maioria de votos a retirada das tropas estrangeiras e defendeu o fim da cooperação com as forças da coalizão internacional contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países).

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011014992745-iraque-pede-que-eua-enviem-representantes-para-acertar-retirada-de-tropas-estrangeiras/

Iraque pede que Estados Unidos retirem suas tropas do país

247 - O primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul Mahdi, pediu ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que envie uma delegação ao seu país para formular o mecanismo que viabilize a execução da resolução do Parlamento que determina a retirada de tropas.

"O primeiro-ministro disse que forças americanas entraram no Iraque e os drones dos EUA estão voando no espaço aéreo sem a permissão das autoridades iraquianas, o que é uma violação dos acordos bilaterais", informa Russia Today citando a AP.

Abdul Mahdi disse tambem que o Iraque rejeita todas as violações de sua soberania, incluindo o ataque do Pentágono que assassinou na quinta-feira da semana passada o general iraniano Qassem Soleimani no aeroporto de Bagdá e criticou Teerã por ter reagido ao crime de Washington atacando bases militares estadunidenses em território iraquiano.

 

As armas falarão mais alto e ditarão as suas leis?

Tornou-se um lugar-comum afirmar que o mundo está a ficar um local perigoso para se viver.

É indesmentível – a ordem que saiu da segunda guerra mundial está a esvair-se e a ser substituída por uma nova ordem ditada pelo desequilíbrio da força militar. Haverá força para contrariar esta tendência? Que reequilíbrios se poderão vir a estabelecer?

Os líderes que pugnam por uma nova ordem mundial são exatamente os mesmos que, no plano interno dos seus países, prosseguem políticas de apoio ao armamento dos cidadãos.

A configuração deste universo interno passa, no plano internacional, pela ação militar e o fim do apego à filosofia do atual direito internacional que proíbe a guerra.

Baseado numa superioridade militar/tecnológica, Trump vai-se apresentando como Sherif do mundo e ostenta os diversos troféus que vai eliminando.

O assassinato do general iraniano constitui uma ação de guerra contra outro país, com a agravante de ter sido cometido noutro país… Há quem entenda que aquela ação serviria para desviar a atenção dos cidadãos dos EUA do impeachement.

Portugal ficou em silêncio face ao assassinato do general iraniano, mas foi rápido a condenar o ataque militar iraniano aos EUA, igualmente no Iraque e também ele um ato de guerra no território de outro país. Pesos e medidas que não abonam a credibilidade internacional. São precisos Estados coerentes na defesa da paz no meio deste mundo caótico.

Apesar de toda a retórica Trump parece ter abandonado a cadeia das respostas e contra respostas, dado a perigosidade da prossecução desse caminho. Na madrugada de quarta feira o MNE iraniano já tinha deixado claro que aquela era a resposta, deixando antever o fim da “vingança”, esperando-se que tudo volte a uma certa normalidade em que as conversações substituam o ribombar das armas.

Os tempos, em certa medida, assemelham-se ao período que antecedeu a segunda guerra mundial em que todos se calavam para não enfurecer Hitler…

No Médio Oriente sauditas, iranianos, turcos, russos, e sobretudo os norte-americanos armam os grupos que fazem o seu jogo. Não são aceitáveis teorias que há terroristas melhores que outros. O terrorismo deve ser banido, seja ele qual for, incluindo o de Israel e da Arábia Saudita. Não eram iranianos os que atacaram Nova Iorque, muitos pertenciam à Arábia Saudita, país da origem de Ossama Bin Laden.

Qassem Soleimani não era nenhum anjinho, era o homem da política iraniana para a região da qual os EUA distam a mais de sete mil quilómetros, e apesar disso cercam toda a área por todos os lados acompanhados por tropas da NATO, incluindo portuguesas.

Trump chegou a pontos de ameaçar a destruição de centros culturais e civilizacionais que são pertença da Humanidade. Trump já se apropriou da linguagem do DAESH e das suas mensagens de destruição dos símbolos civilizacionais, arrependendo-se mais tarde, dado a lei internacional o proibir, algo que não lhe deve ter passado pela cabeça, mesmo sendo o Presidente dos EUA.

Nas relações entre Estados a arrogância e a fanfarronice é má conselheira. Vale sempre a pena ter presente que o Iraque tem hoje esta influência iraniana graças a George W. Bush.

Ser o país mais poderoso nos tempos atuais não chega para ser respeitado e admirado. Nem chega para impor ao mundo a sua política.

Por instantes o Presidente dos EUA, embora arengando ameaças, parece ter abandonado para já a sua terminologia catastrófica e belicista acerca do que o exército dos EUA é capaz de destruir.

Resta apesar de tudo o que não pode nunca morrer- a esperança da paz. Só a melhor consciência dos povos e de cada cidadão aliada a todos os Estados vinculados aos princípios da paz mundial poderá impedir o rumo para a barbárie. Que cada um pergunte a si e a todos se é inevitável o precipício.

https://www.publico.pt/2020/01/09/mundo/opiniao/armas-falarao-alto-ditarao-lei-1899797

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2020/01/10/as-armas-falarao-mais-alto-e-ditarao-as-suas-leis/

Não vale tudo

 
O presidente dos Estados Unidos da América ordenou a liquidação física, em território do Iraque, de um chefe militar do Irão. 
 
Os EUA não estão em guerra declarada com o Irão, embora seja evidente, desde há muito, a sua hostilidade para com o seu regime. Se olharmos para trás, verificaremos que o derrube do líder iraniano que Washington tinha como seu aliado fiel, o Xá Reza Pahlevi, em 1979, iniciou um período de ininterrupta tensão entre os dois países. A invasão da embaixada americana em Teerão, nesse mesmo ano, por entidades iranianas dependentes das respetivas autoridades, espoletou naturalmente essa tensão, que nunca mais se desvaneceu e atravessou, em maior ou menor grau, todas as posteriores administrações americanas. Os EUA, a partir de então, passaram a apoiar quem se opusesse ao Irão, como foi o caso do Iraque, na devastadora guerra entre os dois países (1980/88). 
 
Os evidentes e reiterados esforços do Irão para obterem a arma nuclear mereceram sempre uma forte rejeição da comunidade internacional, em especial dos EUA, do mundo ocidental em geral e dos adversários regionais de Teerão. Dentre estes, Israel (que possui armas nucleares, sem se submeter ao controlo da AIEA) é aquele que, reagindo às constantes ameaças do Irão face à sua existência como país, anunciou já poder vir a atacar as instalações nucleares iranianas, se a construção dessa bomba estiver prestes a concretizar-se (Israel fez isso contra o Iraque, pelos mesmos motivos, em 1981). Um grupo de importante de países ocidentais, incluindo os EUA (administração Obama), fez entretanto um acordo diplomático com o Irão, que previa um controlo vigiado do seu programa nuclear. Com Trump, os EUA afastaram-se desse acordo.
 
O Irão, não sendo um país árabe, é um Estado muçulmano que segue e promove o shiismo, uma das duas grandes obediências religiosas muçulmanas. A outra, o sunismo, tem como principal expoente a Arábia Saudita (mas também a Turquia ou a Irmandade Muçulmana do Egipto, embora com uma orientação divergente). Há países, porém, de que o Iraque é talvez o caso mais importante, onde o shiismo e o sunismo coexistem, com implicações no respetivo equilíbrio político interno, sendo o Irão regularmente acusado pelos seus adversários de promover núcleos shiitas em vários outros países, muitas vezes com fortes implicações político-militares, como acontece com o Hezzbolah, no Líbano, ou com as forças hutis, no Iémen. 
 
O proselitismo shiita do Irão, nas suas expressões agressivas, e a sua obsessão com a arma nuclear converteram o país num “trouble-maker” da sociedade internacional. Com um regime autoritário sob uma liderança religiosa de traços medievais, o Irão é um país que se sente acossado pela sua vizinhança, adotando com regularidade um discurso jingoísta que torna difícil a interlocução diplomática. Mais recentemente, porém, por um interesse próprio que se conjugou com outros esforços internacionais, as forças de Teerão desempenharam um papel não despiciendo na luta contra o Daesh.
 
Se quisermos ser honestos, teremos de reconhecer que os EUA, com a sua agressão unilateral contra o Iraque, em 2003, foram, a grande distância, os principais culpados da desregulação securitária que se vive na região do Médio Oriente. Se algumas fortes tensões já ali existiam, a invasão do Iraque, levada a cabo sob pretextos deliberadamente falsos, conduziu ao estilhaçar daquele país, com as consequências que se viram.
 
Ao atuarem violentamente como agora fizeram, sem o menor mandato internacional, executando uma ação de guerra, uma liquidação seletiva de um líder militar estrangeiro, à revelia das autoridades do país que os “convidou” para ajudarem à sua segurança nacional, os EUA colocam-se, com total desplante, à margem da ordem internacional, arrogando-se direitos que negam a todos os outros. Todas as razões que possam ter contra o Irão enfraquecem-se com este seu comportamento, convidando à retaliação e arriscando uma escalada. 
 
Os Estados de bem lutam por princípios, desde logo, seguindo-os. Essa deve ser a sua diferença.
 

Ver original em "duas ou três coisas" (aqui)

O primeiro round está acabado - uma avaliação inicial

por The Saker

Base Ain Al-Asad. Vamos ver como acabou o Primeiro Round. Comecemos por uma pequena recapitulação dos acontecimentos:

  • O Irão disparou um número relativamente pequeno de mísseis de curto alcance a uma base dos EUA, possivelmente duas
  • O IRGC (Guardas da Revolução Islâmica) indicou que se o Irão fosse atacado, então também Israel o será
  • Trump tuitou "até então, tudo bem"
  • Os EUA não relataram baixas

Numa linguagem simples isto indica que o ataque foi destinado tanto a ser altamente visível COMO TAMBÉM simbólico (o Irão tem MUITO mais mísseis, incluindo aqueles de longo alcance os quais, se o Irão quisesse, poderiam atacar simultaneamente cada uma das bases dos EUA no Médio Oriente.

Então, o que aconteceu?

Penso que o Irão quis humilhar os EUA mas de uma maneira que ficasse abaixo do patamar que garantiria um contra-ataque americano/israelense.

A seguir, forcei-me a ouvir Esper o Idiota-em-Chefe. Aqui estão os pontos salientes:

 

  • Esper reiterou que os EUA não querem guerra com o Irão
  • Os EUA não querem deixar o Iraque porque, ao contrário dos deputados iraquianos, muitos/a maior parte dos iraquianos querem que os EUA permaneçam
  • As forças armadas dos EUA são A MELHOR na história da galáxia
  • Trump nunca permitirá ao Irão ter ogivas nucleares
  • O Irão parece "encolher-se" ("standing down")
  • A Europa precisa livrar-se do JCPOA
  • O Irão é mau mau mau, os EUA são bom bom bom
  • As forças armadas dos EUA são AS MELHORES nesta história da galáxia
  • USA! USA! USA! (etc)

OK, para estes idiotas que aparentemente pensam que está tudo acabado. Ou talvez tenham esperança disto?

Posso afirmar-lhe com certeza que não está. O objectivo do Irão e dos seus aliados é por os EUA para fora do Médio Oriente.

Portanto estes ataques simbólicos parecem ter dados aos estado-unidenses/israelenses uma sensação de alívio a qual pode levá-los a baixar a sua guarda, tornando muito mais fácil para o Irão e seus aliados atacar outra vez.

É um tanto divertido ver como a máquina iraniana de RP "empacotou" isto: se você ousar atingir-nos, nós atingiremos vocês no que lhes é mais santo e sagrado, isto é, Israel. Até agora este "nós disparamos sobre você mas você não dispara de volta" tem funcionado, mas só porque o ataque iraniano foi simbólico.

Conclusão: isto está longe, muuuuuuiiiiiiiiiiito longe de acabado.

Ainda assim, tenho de reduzir a probabilidade de uma guerra maciça e iminente de 90% para 80%.

Finalmente, Putin viajou a Damasco para comparecer à celebração da Natividade com Bashar al-Assad. Ali visitou uma mesquita (posso imaginar quão irritado está a extrema-direita alternativa com o cuidado de Putin para com os muçulmanos, tanto na Rússia como no estrangeiro).

08/Janeiro/2020

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/irao/saker_08jan20.html

Temos aval para construir muro na fronteira com o México, diz Trump

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que o Tribunal de Apelações do Quinto Circuito deu aval para a construção de um muro na fronteira com o México. De acordo com o mandatário americano, serão aplicados US$ 4 bilhões nas obras.

"Notícias de última hora: O Tribunal de Apelações do Quinto Circuito acabou de reverter uma decisão do tribunal de primeira instância e nos deu o aval para construir uma das maiores seções do desesperadamente necessário muro da fronteira sul, quatro bilhões de dólares. O mural inteiro está em construção ou se preparando para começar!", postou Trump no Twitter.

https://twitter.com/realDonaldTrump/status/1215268595707543552?ref_src=twsrc%5Etfw

Menos sanções, mais negociações: China pede que EUA e Irã resolvam crise com diálogo

A bandeira da China
© AP Photo / Mark Schiefelbein

A China pediu aos EUA e ao Irã que resolvam desacordos existentes entre si por meio de diálogo e negociações, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang, nesta quinta-feira.

A fala do funcionário chinês veio ao comentar a intenção do presidente dos EUA, Donald Trump, de introduzir novas sanções econômicas contra o Irã.

As relações entre o Irã e os EUA ficaram gravemente agravadas no início de janeiro, depois que Washington conduziu um ataque aéreo para matar o principal general do Irã, Qassem Soleimani.

Na quarta-feira, o Irã lançou mísseis contra duas bases que abrigam tropas americanas no Iraque em retaliação pelas ações extrajudiciais de Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, não anunciou uma resposta militar aos ataques com mísseis, mas prometeu impor sanções econômicas adicionais à República Islâmica.

"A China defende consistentemente a resolução de questões internacionais com base na Carta da ONU e nos princípios fundamentais das relações internacionais. É necessário resolver desacordos mútuos por meio de diálogo, conversas e outros meios pacíficos", afirmou Shuang em um briefing com a imprensa.

O porta-voz chinês também pediu às partes que sigam a solução política dos problemas e tomem medidas reais para diminuir as tensões no Oriente Médio e no golfo Pérsico.

Vivendo a sua própria guerra (mas no campo comercial) com os EUA, Pequim é uma das signatárias do Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), o acordo nuclear formatado pelo governo de Barack Obama e o governo persa em 2015, e que foi abandonado pela Casa Branca em 2018.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020010914990465-menos-sancoes-mais-negociacoes-china-pede-que-eua-e-ira-resolvam-crise-com-dialogo/

Comandante iraniano diz que ataque com mísseis foi início de uma série

Reuters -Um comandante da Guarda Revolucionária do Irã disse que os ataques com mísseis a alvos norte-americanos no Iraque não visavam à morte de soldados dos Estados Unidos, mas sim danificar a “máquina militar” de Washington, acrescentando que foram o início de uma série de ataques pela região, informou a TV estatal.

Amirali Hajizadeh, chefe da Força Aérea, também afirmou que a “vingança apropriada” pelo assassinato do general Qassam Soleimani seria expulsar as forças norte-americanas do Oriente Médio, segundo a TV estatal.

Hajizadeh acrescentou que o Irã tem centenas de mísseis prontos e que, quando Teerã realizou os disparos na quarta-feira, utilizou “ataques cibernéticos para desativar os sistemas de navegação de aviões e drones (norte-americanos)”.

 

Embaixador do Irã na ONU esclarece por que é 'impossível' cooperar com EUA

Trump mostra a ordem executiva assinada que aumenta sanções contra o Irã, 24 de junho
© AP Photo / Alex Brandon

A proposta de cooperação feita por Washington a Teerã não pode ser aceita enquanto os EUA continuarem impondo sanções contra o Irã, declarou o embaixador iraniano na ONU, Majid Takht Ravanchi.

"Ravanchi qualificou como inacreditável a proposta norte-americana de cooperação e adicionou que enquanto os EUA seguirem apostando na hostilidade, as negociações não farão sentindo", citou a agência de notícias IRNA.

Além disso, o embaixador observou que as sanções "incomparáveis" impostas pelos EUA contradizem o direito internacional.

A embaixadora dos EUA na ONU, Kelly Craft, enviou ao Conselho de Segurança da ONU uma carta, onde ressaltou a disponibilidade dos EUA para negociar com o Irã sem condições prévias, para reduzir a tensão na região.

As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
© AFP 2019 / Don Emmert
As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã

No dia 8 de janeiro, o Irã bombardeou instalações militares utilizadas pelos EUA no Iraque, incluindo a base de Ain Al-Asad e Arbil, em represália pelo assassinato do general iraniano, Qassem Soleimani, durante suposto ataque de drones dos EUA.

Por sua vez, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou sanções econômicas punitivas adicionais contra o país persa, enquanto sua administração avalia uma resposta ao ataque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010914987311-embaixador-do-ira-na-onu-esclarece-por-que-e-impossivel-cooperar-com-eua/

Chanceler iraniano responde a Trump: 'O poder emana do povo, não de belas armas'

247 - "O belo equipamento militar não manda no mundo. O povo é quem manda", disse disse nesta quinta-feira (9) o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif.

Em mensagem postada no Twitter, endereçada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o ministro das Relações Exteriores do Irã enfatizou que uma exigência dos povos da Ásia Ocidental é o fim da presença estrangeira da região, informa o site iraniano HispanTV.

O chefe da diplomacia persa concedeu entrevista à CNN assinalando que Trump recebe informações falsas sobre a região.

 

Em referência ao ataque de represália do Irã contra bases americanas no Iraque, Zarif destacou que a ofensiva cumpriu a promessa dos iranianos de se vingar de Washington por matar o tenente-general Qasem Soleimani, comandante do Força Quds dos Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI), em um ataque terrorista no Iraque.

Trump: Discurso confuso mas com pelo menos um objetivo concreto

O discurso desta quarta-feira (8) do presidente estadunidense Donald Trump era ansiosamente aguardado desde que o Irão deflagrou, na madrugada do mesmo dia, um contundente ataque com 22 mísseis, dos quais 17 atingiram a base aérea americana Ain al-Asad, no Iraque, em resposta pelo assassinato do general Qassem Soleimani.

 

 

A mídia hegemônica internacional adotou um tom uníssono, a ponto de o jornal britânico The Guardian e o The New York Times exibirem em seus sites, logo após o discurso, quase que exatamente a mesma manchete, palavra por palavra: Trump se afasta de novo confronto militar com o Irão.

Manchetes praticamente iguais no The New York Times e no The Guardian

A toada foi seguida pela BBC (Em pronunciamento que reduziu a escalada de tensão com o Irão…), pela Reuters (Trump evita agravar crise com o Irão), pela DW (Presidente moderou o tom agressivo dos últimos dias e sinalizou que não pretende agravar o confronto) e por aí vai.

Não é preciso salientar que a mídia hegemônica brasileira apenas coloca em português o que os gringos escrevem.

Mas será que Trump disse isso mesmo? Vamos analisar seu discurso, parágrafo por parágrafo, através da transcrição publicada pelo The New York Times.

1º Parágrafo

O líder de extrema-direita, antes mesmo de saudar os presentes, adverte: “Enquanto eu for presidente dos Estados Unidos, o Irão nunca poderá ter uma arma nuclear”. Só depois disso vem um bom dia e a informação de que não teria havido baixas entre soldados americanos.

2º Parágrafo

Trump diz que o Irão “parece estar se acalmando”, afirmação bem estranha para quem acaba de sofrer um ataque pesado justamente do Irão e pouco depois do líder iraniano, Ali Khamenei, declarar ao mundo, em um discurso televisionado na cidade de Qom, que o ataque à base dos Estados Unidos no Iraque não foi suficiente e que é necessário expulsar as tropas americanas da região do Oriente Médio. Para Khamenei, “eles ganharam uma bofetada (com os lançamentos dos mísseis), mas tal ação militar não é suficiente. A presença corrupta dos EUA (no Oriente Médio) deve acabar“. Neste segundo parágrafo, Trump ainda atribuiu o fato de não ter havido baixas americanas às “precauções tomadas, à dispersão de forças e a um sistema de alerta precoce que funcionou muito bem”.

Do 3º ao 8º Parágrafos

Do terceiro ao oitavo parágrafos Trump dedicou-se inteiramente ao ataque contra o Irão, classificado como “principal patrocinador do terrorismo”, que “fomenta a violência, a agitação, o ódio e a guerra”, promotor de uma “campanha de terrorassassinato e caos (que) não será mais tolerada”, etc.; e contra a memória do general assassinado, tachado de “principal terrorista do mundo”, que “devia ter sido eliminado há muito tempo”, entre diversos outros insultos.

No que pode ser descrito como apogeu do cinismo, no 4º parágrafo Trump chega a atribuir ao Irão os ataques e mortes no Iêmen, Iraque, Síria, Afeganistão e Líbano, todos países vítimas de agressões diretas ou indiretas da sinistra aliança EUA-Otan/Israel/Arábia Saudita.

No 5º parágrafo, Trump exorta Reino Unido, Alemanha, França, Rússia e China a abandonar o que resta do acordo nuclear com o Irão, o chamado Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA na sigla em inglês). O pedido é irrealista em relação a Rússia e a China e tem grandes problemas para ser atendido pelos demais. Nesta mesma quarta-feira, Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, declarou ao parlamento: “é nossa opinião que o JCPOA continua sendo a melhor maneira de impedir a proliferação nuclear no Irão, a melhor maneira de incentivar os iranianos a não desenvolver uma arma nuclear”.

9º e 10º Parágrafos

Neste período do discurso Donald Trump fez campanha eleitoral aberta pela reeleição. “Nos últimos três anos, sob minha liderança, nossa economia está mais forte do que nunca e os Estados Unidos alcançaram independência energética. Essas realizações históricas mudaram nossas prioridades estratégicas. São conquistas que ninguém pensou serem possíveis. E opções no Oriente Médio se tornaram viáveis (…) As forças armadas americanas foram completamente reconstruídas sob minha administração a um custo de US $ 2,5 trilhões. As forças armadas dos EUA estão mais fortes do que nunca. Nossos mísseis são grandes, poderosos, precisos, letais e rápidos”.

11º e 12º Parágrafos

Finalmente, nos dois parágrafos que fecharam o discurso, Trump fala, ao seu modo, de paz. Atribuindo aos EUA a derrota do chamado Estado Islâmico, Trump diz que isso foi bom para o Irão e exorta: “devemos trabalhar juntos nesta e em outras prioridades compartilhadas”. No final do discurso dirige-se ao “povo e aos líderes do Irão” garantindo que “os Estados Unidos estão prontos para abraçar a paz com todos que a procuram”.

O objetivo principal

Dos doze parágrafos do discurso de Donald Trump, sete foram integralmente dedicados a um feroz ataque ao Irão, três exaltaram o próprio Trump ou as forças armadas estadunidenses e apenas dois falam de paz de um jeito muito confuso, pois como trabalhar “prioridades compartilhadas” com quem menos de 30 segundos antes era “uma ameaça ao mundo civilizado”?

Na verdade, em que pese o heroísmo do povo iraniano e o nosso desejo de que a paz prevaleça e se salvaguarde a soberania do Irão, ao meu ver o discurso de Trump representa uma tática momentânea, motivada principalmente por interesses econômicos, que não autoriza a falar em recuo do imperialismo ou projetar uma visão otimista quanto ao desenvolvimento das tensões provocadas pelo vil assassinato de Qassem Soleimani.

Trump reafirmou todos os elementos anteriormente presentes no confronto com o Irão: isolamento político e diplomático, sanções econômicas e ameaça bélica. Não anunciou um ataque militar para breve (até porque ataques deste tipo raramente são anunciados com antecedência) e apenas fez acenos tímidos de paz, avidamente supervalorizados pela mídia hegemônica internacional com um objetivo principal que logo ficou patente:

Petróleo despenca, ouro cai e ações sobem em NY após discurso de Trump”, trombeteou a manchete do Valor Investe, órgão do grupo Globo destinado ao mercado. “O pronunciamento do presidente americano, Donald Trump, confirmou a perspectiva dos investidores de que a escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irão não deve continuar. Com isso, os índices acionários americanos se firmaram em alta, enquanto o petróleo e os ativos de proteção passaram a anotar fortes quedas”, diz a matéria publicada pouco mais de 40 minutos após o fim do discurso.

Como confessa a matéria, o discurso de Trump “confirmou a perspectiva dos investidores”, ou seja, seguiu um determinado roteiro, que trouxe lucro a quem já o conhecia com antecedência.

Os mesmos investidores que lucraram com uma distensão momentânea são os que lucram com a guerra e com as consequências da guerra. Afinal, para eles é somente isso que importa, o lucro.

Para quem se interessa em defender vidas humanas e a paz mundial o discurso de hoje mostra que continuamos tendo muito com que nos preocupar, inclusive em relação à República Islâmica do Irão, com a qual devemos reforçar a solidariedade, na perspectiva da defesa da soberania iraniana e da solução pacífica da crise.


por Wevergton Brito Lima, Jornalista, vice-presidente do Cebrapaz  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/trump-discurso-confuso-mas-com-pelo-menos-um-objetivo-concreto/

EUA intensificam sua guerra "democrática" pelo petróleo do Médio Oriente

por Michael Hudson

Os meios de comunicação de referência estão a evitar cuidadosamente o método oculto por trás da aparente loucura americana em assassinar o general da Guarda Revolucionária Islâmica Qassim Suleimani para iniciar o Ano Novo. A lógica por trás do assassinato foi uma aplicação da consagrada política global dos EUA, não apenas uma "loucura" da personalidade de Donald Trump por acção impulsiva. Seu assassinato do líder militar iraniano Suleimani foi na verdade um acto de guerra unilateral que viola o direito internacional, mas foi um passo lógico numa estratégia americana consagrada. Foi explicitamente autorizado pelo Senado na lei de financiamento do Pentágono que aprovou no ano passado.

O assassinato destinava-se a escalar a presença dos EUA no Iraque a fim de manter o controle das reservas de petróleo da região e apoiar as tropas Wahabi da Arábia Saudita (Isis, Al Quaeda no Iraque, Al Nusra e outras divisões que na verdade são a legião estrangeira da América) para apoiar o controle dos EUA do petróleo do Oriente Próximo como um baluarte do US dólar. Isto permanece como a chave para o entendimento desta política e a razão porque ela está em processo de escalada, não de abrandamento.

Participei de discussões sobre esta política quando foi formulada há quase cinquenta anos atrás, quando trabalhava no Hudson Instituto e comparecia a reuniões na Casa Branca, encontrava-me com generais em vários think tanks das forças armadas e com diplomatas nas Nações Unidas. Meu papel era como economista especializado em balança de pagamentos, especializado durante uma década na Chase Manhattan, na Arthur Andersen e em grupos de estudo da indústria de petróleo e de gastos militares. Estas foram duas das três principais dinâmicas da política externa e da diplomacia americanas. (A terceira preocupação era como travar uma guerra numa democracia em que os eleitores rejeitavam a conscrição após a Guerra do Vietname.)

Os media e a discussão pública têm desviado a atenção desta estratégia ao propalar especulações de que o presidente Trump fez isso, não para combater a (não)ameaça de impeachment como um volteio, ou para apoiar impulsos israelenses por espaço vital (lebensraum) ou simplesmente para render a Casa Branca à síndrome do ódio neocon pelo Irãoo. O contexto real da acção dos neocon foi a balança de pagamentos e o papel do petróleo e da energia como uma alavanca de longo prazo da diplomacia americana.

A dimensão da balança de pagamentos

O principal défice da balança de pagamentos dos EUA tem sido os gastos militares no exterior. Todo o défice de pagamentos, começando com a Guerra da Coreia em 1950-51 e estendendo-se pela Guerra do Vietname da década de 1960, foi o responsável por forçar a retirada do dólar do ouro em 1971. O problema enfrentado pelos estrategas militares dos Estados Unidos era como continuar a suportar as 800 bases militares dos EUA em todo o mundo e suportar tropas aliadas sem perder a alavancagem financeira dos EUA.

A solução acabou por ser substituir o ouro por títulos do Tesouro dos EUA (IOUs) como a base das reservas dos bancos centrais estrangeiros. Depois de 1971, os bancos centrais estrangeiros tinham pouca opção sobre o que fazer com a sua entrada contínua de dólares, excepto reciclá-los para a economia dos EUA através da compra de títulos do US Treasury. O efeito dos gastos militares estrangeiros dos EUA, portanto, não corroeu a taxa de câmbio do dólar e nem mesmo forçou o Tesouro e o Federal Reserve a aumentar taxas de juros para atrair divisas que compensassem as saídas de dólares na conta militar. De facto, os gastos militares estrangeiros dos EUA ajudaram a financiar o défice do orçamento federal dos EUA.

A Arábia Saudita e outros países OPEP do Médio Oriente rapidamente tornaram-se um pilar do dólar. Depois que destes países quadruplicarem o preço do petróleo (em retaliação pelos Estados Unidos quadruplicarem o preço das suas exportações de cereais, um dos pilares da balança comercial dos EUA), os bancos americanos foram inundados com um influxo de muitos depósitos estrangeiros – os quais foram emprestados ao países do Terceiro Mundo numa explosão de empréstimos podres que explodiu em 1972 com a insolvência do México e destruiu o crédito dos governos do Terceiro Mundo durante uma década, forçando-o a depender dos Estados Unidos via FMI e Banco Mundial).

Para coroar tudo, é claro, o que a Arábia Saudita não salva em activos dolarizados com os seus ganhos na exportação de petróleo é gasto na compra de centenas de milhares de milhões de dólares de armas exportadas pelos EUA. Isto tranca-a na dependência do fornecimento de peças de reposição e reparações dos EUA e permite que os Estados Unidos desliguem o equipamento militar saudita a qualquer momento, caso os sauditas tentem actuar de modo independente da política externa dos EUA.

Portanto, manter o dólar como moeda de reserva mundial tornou-se um dos suportes principais dos gastos militares dos EUA. Os países estrangeiros não têm de pagar directamente ao Pentágono por estes gastos. Eles simplesmente financiam o Tesouro e o sistema bancário dos EUA.

O medo deste desenvolvimento foi uma das principais razões pelas quais os Estados Unidos actuaram contra a Líbia, cujas reservas estrangeiras eram mantidas em ouro, não em dólares, o que instava outros países africanos a seguirem o exemplo a fim de se libertarem da "Diplomacia do Dólar". Hillary e Obama invadiram-na, agarraram seus stocks de ouro (ainda não temos ideia de quem acabou com esse ouro no valor de milhares de milhões de dólares) e destruiu o governo da Líbia, seu sistema público de educação, sua infraestrutura pública e as demais políticas não-neoliberais.

A grande ameaça a isto é a desdolarização, pois a China, a Rússia e outros países procuram evitar a reciclagem de dólares. Sem a função do dólar como o veículo para a poupança mundial – com efeito, sem o papel do Pentágono em criar a dívida do Tesouro que é o veículo para as reservas dos bancos centrais do muno – os EUA se veriam constrangidos militarmente e portanto diplomaticamente, como acontecia sob o padrão divisas-ouro.

Esta é a mesma estratégia que os EUA têm seguido na Síria e no Iraque. O Irãoo estava a ameaçar esta estratégia de dolarização e o seu esteio na diplomacia estado-unidense do petróleo.

A indústria do petróleo como esteio da balança de pagamentos dos EUA e da diplomacia estrangeira

A balança comercial é respaldada pelo petróleo e excedentes agrícolas. O petróleo é a chave, porque é importado por empresas americanas quase sem nenhum custo para a balança de pagamentos (os pagamentos acabam nas administrações da indústria do petróleo como lucros e pagamentos à gestão), ao passo que os lucros nas vendas das empresas petrolíferas dos EUA a outros países são remetidos para os Estados Unidos (via centros de evasão fiscal offshore, durante muitos anos sobre a Libéria e o Panamá). E, como observado acima, os países da OPEP foram instruídos a manter suas reservas oficiais na forma de títulos dos EUA (acções e títulos, bem como títulos de dívida do Tesouro, mas não a compra directa de empresas dos EUA consideradas economicamente importantes). Financeiramente, os países da OPEP são estados clientes da Área do Dólar.

A tentativa americana de manter esse esteio explica a oposição dos EUA a quaisquer medidas de governos estrangeiros para reverter o aquecimento global [NR] e o estado atmosférico (weather) extremo causado pela dependência mundial do petróleo patrocinada pelos EUA. Quaisquer acções da Europa e de outros países que reduzisse a dependência das vendas de petróleo dos EUA e, portanto, a capacidade de os EUA controlarem a torneira global do petróleo como um meio de controle e coação, são encaradas como actos hostis.

O petróleo também explica a oposição dos EUA às exportações de combustíveis da Rússia via Nordstream. Os estrategas dos EUA querem tratar a energia como um monopólio nacional dos EUA. Outros países podem se beneficiar da maneira que a Arábia Saudita tem feito – enviando seus excedentes para a economia dos EUA – mas não para suportar o seu próprio crescimento económico e diplomacia. O controle do petróleo implica portanto apoio ao continuado aquecimento global [NR] como parte inerente da estratégia dos EUA.

Como uma nação "democrática" pode travar guerra e terrorismo internacionais

A Guerra do Vietname mostrou que as democracias modernas não podem montar exércitos para qualquer grande conflito militar, porque isto exigiria uma conscrição dos seus cidadãos. Isto levaria qualquer governo que tentasse tal projecto a ser votado para fora do poder. E sem tropas não é possível invadir um país para conquistá-lo.

O corolário desta percepção é que as democracias têm apenas duas opções quando se trata de estratégia militar: Elas só podem empregar poder aéreo, bombardeando oponentes; ou elas podem criar uma legião estrangeira, ou seja, contratar mercenários ou apoiar governos estrangeiros que providenciem este serviço militar.

Aqui, mais uma vez, a Arábia Saudita desempenha um papel crítico, através do seu controle dos Wahabi Sunita transformados em terroristas jihadistas dispostos a sabotar, bombardear, assassinar, explodir e combater qualquer alvo designado como um inimigo do "Islão", o eufemismo para a actuação da Arábia Saudita como estado do cliente dos EUA. (A religião realmente não é a chave; não sei de nenhum ISIS ou ataque Wahabi semelhante a alvos israelenses.) Os Estados Unidos precisam que os sauditas forneçam ou financiem wahabistas loucos. Assim, além de desempenharem um papel chave na balança de pagamentos dos EUA pela reciclagem dos seus ganhos com a exportação de petróleo em acções, títulos e outros investimentos nos EUA, a Arábia Saudita fornece mão-de-obra apoiando os membros Wahabi da legião estrangeira americana, o ISIS e Al-Nusra/Al Qaeda. O terrorismo tornou-se o modo "democrático" de hoje da política militar dos EUA.

O que torna a guerra do petróleo da América no Médio Oriente "democrática" é que esta é a única espécie de guerra que uma democracia pode travar – uma guerra aérea, seguida por um exército terrorista odioso que compensa o facto de nenhuma democracia poder colocar em campo o seu próprio exército no mundo de hoje. O corolário é que o terrorismo se tornou o modo "democrático" de fazer a guerra.

Do ponto de vista dos EUA, o que é uma "democracia"? No vocabulário orwelliano de hoje, significa qualquer país que apoie a política externa dos EUA. Bolívia e Honduras tornaram-se "democracias" desde seus golpes, juntamente com o Brasil. O Chile, sob Pinochet era uma democracia de livre mercado no estilo Chicago. O mesmo acontecia com o Irãoo sob o xá e a Rússia sob Yeltsin – mas não desde que elegeu o presidente Vladimir Putin, tal como a China sob o presidente Xi.

O antónimo de "democracia" é "terrorista". Isso significa simplesmente uma nação disposta a combater para se tornar independente da democracia neoliberal dos EUA. Isto não inclui os exércitos por procuração dos EUA.

O papel do Irãoo como inimigo norte-americano

O que obstaculiza a dolarização, o petróleo e a estratégia militar dos EUA? Obviamente, a Rússia e a China têm sido visadas como inimigos estratégicos de longo prazo por buscarem suas próprias políticas económicas e diplomacia independentes. Mas a seguir a elas, o Irão está na mira dos Estados Unidos há quase setenta anos.

O ódio americano ao Irãoo começa com sua tentativa de controlar sua própria produção, exportações e ganhos de petróleo. Isso remonta a 1953, quando Mossadegh foi derrubado porque pretendia soberania interna sobre o petróleo da Anglo-Persian. O golpe da CIA-MI6 substituiu-o pelo flexível Xá, que impôs um estado policial para impedir a independência iraniana da política dos EUA. Os únicos lugares físicos livres da polícia eram as mesquitas. Isso fez da República Islâmica o caminho de menor resistência para o derrube do xá e a reafirmação da soberania iraniana.

Os Estados Unidos chegaram a termos com a independência petrolífera da OPEP em 1974, mas o antagonismo em relação ao Irão estende-se a considerações demográficas e religiosas. O apoio iraniano à sua população xiita e ao Iraque e outros países – enfatizando o apoio aos pobres e a políticas quase-socialistas em vez do neoliberalismo – tornou-o o principal rival religioso do sectarismo sunita da Arábia Saudita e do seu papel como legião estrangeira americana dos Wahabi.

Os EUA opuseram-se ao general Suleimani, acima de tudo, porque ele estava combatendo contra o ISIS e outros terroristas apoiados pelos EUA na tentativa de romper a Síria e substituir o regime de Assad por um conjunto de líderes locais acomodatícios com os EUA – o velho estratagema britânico "dividir e conquistar". Na ocasião, Suleimani havia cooperado com tropas americanas no combate contra grupos do ISIS que ficaram "fora de linha", o que significa a linha do partido dos EUA. Mas todas as indicações são de que ele estava no Iraque para trabalhar com o governo que procurava recuperar o controle dos campos de petróleo que o presidente Trump jactou-se em alta voz de capturar.

Já no início de 2018, o presidente Trump pediu ao Iraque que reembolsasse os EUA pelo custo de "salvar sua democracia" pelo bombardeamento do remanescente da economia de Saddam. O reembolso era para assumir a forma de Petróleo Iraquiano. Mais recentemente, em 2019, o presidente Trump perguntou: por que não simplesmente agarrar o petróleo iraquiano. O gigantesco campo petrolífero tornou-se o prémio da guerra do petróleo de Bush-Cheney após o 11 de Setembro. "'Foi em geral uma reunião muito comum e discreta", disse a Axios uma fonte que estava na sala. E então, no final, Trump diz algo provocante, com um sorriso afectado no rosto e diz: 'Então, o que vamos fazer acerca do petróleo?' " [1]

A ideia de Trump de que os EUA deveriam "obter algo" dos seus gastos militares na destruição das economias iraquiana e síria reflecte simplesmente a política dos EUA.

No final de Outubro de 2019, o New York Times informou que: "Nos últimos dias, Trump estabeleceu as reservas de petróleo da Síria como uma nova lógica para parecer inverter o curso e enviar centenas de tropas adicionais para o país devastado pela guerra. Ele declarou que os Estados Unidos "asseguraram" campos de petróleo no nordeste caótico do país e sugeriu que a captura (seizure) do principal recurso natural do país justifica que os EUA ampliem ainda mais sua presença militar ali. 'Tomamos e garantimo-lo', disse Trump sobre o petróleo da Síria durante declarações na Casa Branca no domingo, depois de anunciar a morte do líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi. " [2] Um funcionário da CIA lembrou ao jornalista que tomar o petróleo do Iraque era uma promessa da campanha de Trump.

Isso explica a invasão do Iraque por petróleo em 2003, e novamente este ano, como o presidente Trump disse: "Por que simplesmente não tomamos o petróleo deles?" Também explica o ataque Obama-Hillary à Líbia – não apenas pelo seu petróleo, mas por investir suas reservas estrangeiras em ouro ao invés de reciclar suas receitas excedentes de petróleo em títulos do Tesouro dos EUA – e, é claro, por promover um estado socialista laico.

Explica porque os neoconservadores dos EUA temiam o plano de Suleimani de ajudar o Iraque a reafirmar o controle do seu petróleo e a resistir aos ataques terroristas ao Iraque apoiados pelos EUA e pela Arábia Saudita. Foi isso que tornou o seu assassínio um impulso imediato.

Os políticos americanos desacreditaram-se ao começarem a sua condenação de Trump dizendo, como fez Elizabeth Warren, quão "má" pessoa era Suleimani, como ele havia matado tropas americanas ao planear a defesa iraquiana de bombardementos rodoviários e outras políticas que tentavam repelir a invasão dos EUA para agarrar o seu petróleo. Ela estava simplesmente a papaguear a descrição de Suleimani como um monstro feita pelos media americanos, desviando a atenção da questão política que explica porque ele foi assassinado agora.

A contra-estratégia dos EUA para a diplomacia do petróleo, do dólar e do aquecimento global

Esta estratégia continuará até que países estrangeiros a rejeitem. Se a Europa e outras regiões não o fizerem, sofrerão as consequências desta estratégia dos EUA na forma de uma guerra crescente patrocinada pelos EUA por meio do terrorismo, do fluxo de refugiados e da aceleração do aquecimento global [NR] e de condições climáticas extremas.

A Rússia, a China e seus aliados já lideram o caminho da desdolarização como meio de conter a política militar global dos EUA como meio de apoio à sua balança de pagamentos. Mas todo mundo agora está a especular sobre qual deveria ser a resposta do Irão.

A pretensão – ou mais precisamente, o diversionismo – dos media norte-americanos no fim-de-semana foi descrever os Estados Unidos como estando sob ataque iminente. O presidente da municipalidade de Blasio posicionou policias em cruzamentos importantes para nos informar o quão iminente é o terrorismo iraniano – como se fosse o Irão, não a Arábia Saudita que montou o 11 de Setembro, e como se o Irão tivesse de facto efectuado alguma acção contundente contra os Estados Unidos. Os media e os tertulianos da televisão saturaram o público com advertências de terrorismo islâmico. Os âncoras da televisão estão simplesmente a sugerir onde será mais provável que ocorram os ataques.

A mensagem é que o assassinato do general Soleimani foi para nos proteger. Como Donald Trump e vários porta-vozes militares disseram, ele havia matado americanos – e agora eles devem estar a planear um ataque enorme que ferirá e matará muitos mais americanos inocentes. Esta posição tornou-se a postura da América no mundo: fraca e ameaçada, exigindo uma forte defesa – na forma de um forte ataque.

Mas qual é o interesse real do Irão? Se é realmente minar a estratégia do dólar e do petróleo, a primeira política deve ser a retirada das forças militares dos EUA do Oriente Próximo, incluindo a ocupação americana dos seus campos de petróleo. Acontece que o acto precipitado do presidente Trump agiu como um catalisador, provocando exactamente o oposto do que ele queria. Em 5 de Janeiro, o parlamento iraquiano reuniu-se para insistir em que os Estados Unidos saíssem. O general Suleimani era um convidado, não um invasor iraniano. São as tropas americanas que estão no Iraque em violação do direito internacional. Se eles partirem, Trump e os neocons perdem o controle do petróleo – e também da sua capacidade de interferir na defesa mútua iraniano-iraquiana-síria-libanesa.

Para além do Iraque, surge a Arábia Saudita. Tornou-se o Grande Satanás, o defensor do extremismo wahabista, a legião terrorista dos exércitos mercenários dos EUA que lutam para manter o controle das reservas de petróleo e de divisa estrangeira do Oriente Próximo, a causa do grande êxodo de refugiados para a Turquia, Europa e para onde mais puderem fugir das armas e do dinheiro fornecidos pelos apoiantes americanos do Isis, da Al Qaeda no Iraque e das suas legiões aliadas sauditas wahabistas.

O ideal lógico, em princípio, seria destruir o poder saudita. Esse poder jaz nos seus campos de petróleo. Eles já foram atacados por modestas bombas iemenitas. Se os neocons americanos ameaçarem seriamente o Irão, a sua resposta seria o bombardeio e a destruição por atacado dos campos de petróleo sauditas, juntamente com os do Kuwait e xeques aliados do Oriente Próximo. Isto acabaria com o apoio saudita aos terroristas wahabistas, bem como ao dólar americano.

Uma tal actuação seria, sem dúvida, coordenada com um apelo aos palestinos e outros trabalhadores estrangeiros na Arábia Saudita se levantassem e expulsassem a monarquia e seus milhares de vassalos familiares.

Além da Arábia Saudita, o Irão e outros defensores de uma ruptura diplomática multilateral com o unilateralismo neoliberal e neocon dos EUA deveriam pressionar a Europa a retirar-se da NATO, na medida em que esta organização funciona principalmente como uma ferramenta militar centrada nos EUA na sua diplomacia do dólar e do petróleo e, portanto, opondo-se às políticas de mudança climática [NR] e de confrontação militar que ameaçam tornar a Europa parte do turbilhão dos EUA.

Finalmente, o que podem fazer os opositores à guerra dos EUA para resistir à tentativa neocon de destruir qualquer parte do mundo que resista à autocracia neoliberal dos EUA? Esta foi a resposta mais decepcionante ao longo do fim-de-semana. Eles estão debater. Não foi útil para Warren, Buttigieg e outros acusarem Trump de agir precipitadamente, sem pensar nas consequências das suas acções. Aquela abordagem evita o reconhecimento de que a sua acção na verdade tinha uma lógica – trace uma linha na areia, para dizer que sim, a América IRÁ à guerra, combaterá o Irão, fará qualquer coisa para defender seu controle do petróleo do Oriente Próximo e ditará à OPEP a política dos bancos centrais, defenderá suas legiões do ISIS como se qualquer oposição a esta política fosse um ataque aos próprios Estados Unidos.

Posso entender a resposta emocional ou ainda novos pedidos de impeachment de Donald Trump. Mas isso é uma óbvia não-solução, em parte porque tem sido obviamente um movimento partidário do Partido Democrata. Mais importante é a falsa e egoísta acusação de que o presidente Trump ultrapassou seu limite constitucional ao cometer um acto de guerra contra o Irão ao assassinar Soleimani.

O Congresso endossou o assassínio cometido por Trump e é totalmente culpado por ter aprovado o orçamento do Pentágono com a remoção pelo Senado da emenda à Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2019 que Bernie Sanders, Tom Udall e Ro Khanna haviam inserido na versão da Câmara dos Deputados, explicitamente não autorizando o Pentágono a travar guerra contra o Irão ou assassinar seus responsáveis. Quando este orçamento foi enviado ao Senado, a Casa Branca e o Pentágono (também conhecido como complexo militar-industrial e neoconservadores) removeram aquela restrição. Era uma bandeira vermelha anunciando que o Pentágono e a Casa Branca realmente pretendiam fazer guerra contra o Irão e/ou assassinar seus responsáveis. Faltou ao Congresso coragem para discutir este ponto no primeiro plano das discussões públicas.

Por trás de tudo isso está o acto do 11 de Setembro de inspiração saudita, que retira o único poder do Congresso de travar guerra – sua Autorização para o Uso da Força Militar, de 2002 (2002 Authorization for Use of Military Force), tirada da gaveta ostensivamente contra a Al Qaeda, mas na verdade o primeiro passo no longo apoio dos Estados Unidos ao próprio grupo que foi responsável pelo 11 de Setembro, os sequestradores sauditas de aviões.

A questão é: como fazer com que os políticos do mundo – EUA, Europa e Ásia – vejam como a política americana de tudo ou nada está a ameaçar novas ondas de guerra, refugiados, interrupção do comércio de petróleo no Estreito de Ormuz e, finalmente, global aquecimento [NR] e dolarização neoliberal impostas a todos os países. É um sinal de quão pouco poder existe nas Nações Unidas que não haja nenhum país a clamar por um novo julgamento de crimes de guerra no estilo de Nuremberga, nenhuma ameaça de retirada da NATO ou mesmo de evitar manter reservas sob a forma de dinheiro emprestado ao Tesouro dos EUA para financiar o orçamento militar dos EUA.

05/Janeiro/2020
[1] www.axios.com/... O artigo acrescenta: "Na reunião de Março, o primeiro-ministro iraquiano respondeu: 'O que quer dizer isso?' segundo a fonte na sala. E Trump diz: 'Bem, fizemos muito, fizemos muito por lá, gastamos triliões por lá e muitas pessoas têm falado sobre o petróleo' ". ?
[2] Michael Crowly, " 'Keep the Oil': Trump Revives Charged Slogan for new Syria Troop Mission' ", The New York Times, 26/Outubro/2019. https://www.nytimes.com/2019/10/26/us/politics /trump-syria-oil-fields.html . O artigo acrescenta: "Eu disse para ficarem com o petróleo", tornou a dizer Trump. "Se vão para o Iraque, que fiquem com o petróleo. Eles nunca o fizeram. Nunca o fizeram". ?

[NR] Hudson sabe muito de economia, finanças e balanças de pagamentos – mas não de climatologia.   Aparentemente deixou-se influenciar pela mistificação aquecimentista , agora transformada numa espécie de nova "religião" global.   Mas o mundo já tem problemas reais suficientes e não precisa inventar outros adicionais.

O original encontra-se em thesaker.is/america-escalates-its-democratic-oil-war-in-the-near-east/

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/irao/hudson_05jan20.html

A guerra EUA/ Irão

 
O assassinato ordenado por Trump, contra o general sírio Qasem Soleimani, chefe da Força Revolucionária da Guarda Quds do Irão, em Bagdad, demonstrou a insânia de um demente e a arrogância de um déspota. A posterior ameaça de destruir o rico património histórico da civilização persa, ameaça de que já recuou, revela a sua indigência cultural e a indiferença perante mais um crime previsto nas leis internacionais.

A execução do importante general e de mais oito pessoas, no país ocupado pelos EUA, a convite das autoridades locais, foi um crime para aliviar a pressão do “impeachment”, em apreciação, que os seus ataques reiterados à legalidade e à ética exigiram.

Este crime é uma afronta à legalidade internacional de alguém, com um poderio brutal, capaz de tudo para garantir a reeleição e a impunidade à sua conduta. A transferência da embaixada de Telavive para Jerusalém foi uma provocação gratuita aos muçulmanos, ao arrepio dos países tradicionalmente aliados dos EUA, e só serviu para acirrar ódios e aumentar a tensão na região.

Nesta altura não se podem esquecer os nomes sinistros de Bush, Blair, Aznar e Barroso na invasão do Iraque, invasão criminosa que agravou os problemas do Médio Oriente e pôs o mundo em progressivo sobressalto, sem que o TPI os possa julgar.

Que o Irão é uma teocracia, abjeta como todas as teocracias, uma ditadura fascista como a Arábia Saudita, do Eixo do Bem, ninguém duvida. Que o Islão político é quase tão perigoso como Trump é evidente, mas ninguém, até hoje, tinha ido tão longe no desafio a leis internacionais e desprezo pelos tratados que o próprio país assinou, como os EUA de Trump.

Como danos colaterais há o reforço dos grupos terroristas islâmicos e a iminência de um desastre global com uma guerra que, se começar, pode não deixar ninguém para contar.
Não se esperava de um presidente americano, apesar dos vários e graves desvarios após a guerra de 1939/45, que houvesse um Trump que atraiçoasse os tratados assinados, que se atribuísse o direito de negar vistos a participantes na ONU, como se fosse refém do país em cujo território tem a sede, e que decidisse guerras em nome da NATO sem a anuência dos seus aliados.

Enfim, a barbárie já começou. O futuro do mundo é cada vez mais incerto e reduzido. A atitude da Rússia e da China são decisivas. A chantagem de Trump sobre a UE já se faz sentir e a comunicação social já está a ser submetida aos seus interesses.

A opinião pública mundial hesita entre o medo, a angústia e a revolta.

 

Ponte Europa / Sorumbático
 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/01/a-guerra-eua-irao.html

Cronologia das invasões norte-americanas no mundo

A palavra imperialismo, quando usada para descrever o acionar belicista dos Estados Unidos ao redor do mundo, é considerada um termo exclusivo de comunistas, de intelectuais marxistas, e que pretende desqualificar as intencionalidades democratizantes do país do norte nas civilizações que são vítimas de governos ditatoriais. A história recente demonstra que a guerra do Iraque, de 2003, foi apoiada por uma opinião pública que foi previamente manipulada pela mídia nacional, que anunciava o envolvimento direto do Saddam Hussein no atentado às Torres Gêmeas e a produção de armas nucleares e outras químicas de destruição massiva. Após a invasão, nem a CIA, nem a NSA conseguiram provar a existência dessas armas, nem do envolvimento de Saddam Hussein nos atentados de setembro de 2001. As consequências da guerra foram de mais de 600.000 pessoas mortas, de forma direta ou indireta, e a de um país endividado, devastado pelo poder destrutor da força de coalizão, liderada pelos Estados Unidos, que se estima, gastou mais de 800 bilhões de dólares na operação. Cineastas, historiadores e jornalistas ao redor do mundo denunciaram os fortes vínculos entre G. W. Bush e as empresas privadas de fabricação de armamentos, assim como os vínculos que essa família tem desde há décadas com os maiores empresários de petróleo do mundo. E que a guerra foi um agir oportunista dessas interessas para expandir seu poder em oriente médio. Em 2005, Nestor Kirchner, presidente da Argentina, contou para Oliver Stone, que Bush tinha falado para ele, em confissão íntima, que “Estados Unidos não se fez rico por ter políticas como as do plano Marshall e sim por fazer a guerra”. A guerra do Iraque, em definitiva, e sem ninguém com argumentos suficiente para rebater esse argumento, foi consequência do interesse dos Estados Unidos (O governo e os setores empresariais que sustentam suas políticas) em se apropriar da exploração do petróleo naquele país, e pelo negócio que resulta para USA (para os mega empresários da indústria das armas) entrar em conflitos armados.

Em novembro de 2019, o Irã anuncia a descoberta de um importante campo de petróleo na província do Khuzistão. Em menos de dois meses, Estados Unidos instiga a mais uma guerra a milhares de quilômetros de distância, agindo de forma desproporcional e violando todos os acordos diplomáticos internacionais.

Vale lembrar que imperialismo, ou neoimperialismo (que qualifica o acionar sobretudo de USA na nossa era contemporânea) não se resume aos confrontos bélicos, nem se refere a um estado liderado por um único sujeito sem renovação de mandato pelo através do sufrágio. O imperialismo seria uma forma de expansão forçada e unilateral de uma forma de fazer política, de uma identidade cultural, de uma prática económica. As indústrias culturais, sobretudo as que são ligadas ao que a gente conhece como “cultura de massas” (como a música e o cinema, em todos os países e com raras exceções), são também vítimas da pressão norte-americana por expandir sua cultura, o que tem como consequência lógica uma expansão da sua economia. Se a indústria cinematográfica norte-americana se expande em território brasileiro é porque a indústria local dá o espaço para que isto aconteça. O que tem consequências económicas inegáveis no país. As grades dos cinemas, hoje, no Brasil, têm uma programação maioritariamente norte-americana, o que, como resulta óbvio, prejudica a indústria nacional, restringindo e enfraquecendo a capacidade de autofinanciamento para produzir localmente.

De forma direta ou indireta, Estados Unidos impõe sua supremacia em todos os países. Seu potencial bélico é uma ferramenta de pressão na hora de aplicar sanções económicas a países que se recusam a praticar os esquemas económicos que contrariam seus interesses. Se o poder bélico dos Estados Unidos é regulador, de forma direta ou indireta, do que acontece na vida económica, social e cultural de diferentes países ao redor do mundo, estamos falando sim, de um procedimento imperialista, no sentidos mais elementar do termo.

É casual que a primeira potência bélica a nível mundial seja quem impôs sua língua, sua cultura? É democrático o agir unilateral nos últimos conflitos armados sobre populações soberanas como Síria, Iraque e hoje, potencialmente, o Irã?

O jornalista e ex-professor Urias Rocha, de Mato Grosso do Sul, realizou uma breve cronologia das invasões e ataques dos Estados Unidos ao redor do mundo nos últimos 150 anos. A quantidade de mortes pelas quais são responsáveis é de aproximadamente 110 milhões de pessoas. Nunca foram denunciados formalmente ante tribunais internacionais:

 

1846/1848 - México – Invasão e ataque por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas;

1891 - Chile - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas;

1891 - Haiti - Tropas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA;

 

1893 - Hawai - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA;

1894 - Nicarágua - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês;

1894/1895 - China - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa;

1894/1896 - Coréia - Tropas permanecem em Seul durante a guerra;

1895 - Panamá - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana;

1898/1900 - China - Tropas ocupam a China durante a Rebelião Boxer;

1898/1910 - Filipinas - Luta pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, 27/09/1901, e Bud Bagsak, Sulu, 11/15/1913; 600.000 filipinos mortos;

1898/1902 - Cuba - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana;

1898 - Porto Rico - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos;

1898 - Ilha de Guam - Marinha desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje;

1898 - Espanha - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial;

1898 - Nicarágua - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur;

1899 - Ilha de Samoa - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa;

1899 - Nicarágua - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez);

1901/1914 - Panamá - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção;

1903 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho;

1903/1904 - República Dominicana - Tropas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução;

1904/1905 - Coréia - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa;

1906/1909 - Cuba -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições;

1907 - Nicarágua - Tropas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua;

1907 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua;

1908 - Panamá - Fuzileiros invadem o Panamá durante período de eleições;

1910 - Nicarágua - Fuzileiros navais desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua;

1911 - Honduras - Tropas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil invadem Honduras;

1911/1941 - China - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas;

1912 - Cuba - Tropas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana;

1912 - Panamá - Fuzileiros navais invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais;

1912 - Honduras - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano;

1912/1933 - Nicarágua - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos;

1913 - México - Fuzileiros da Marinha invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução;

1913 - México - Durante a revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas;

1914/1918 - Primeira Guerra Mundial - EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens;

1914 - República Dominicana - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução em Santo Domingo;

1914/1918 - México - Marinha e exército invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas;

1915/1934 - Haiti - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos;

1916/1924 - República Dominicana - Os EUA invadem e estabelecem governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos;

1917/1933 - Cuba - Tropas desembarcam em Cuba e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos;

1918/1922 - Rússia - Marinha e tropas enviadas para combater a revolução bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles;

1919 - Honduras - Fuzileiros desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço;

1918 - Iugoslávia - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia;

1920 - Guatemala - Tropas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala;

1922 - Turquia - Tropas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna;

1922/1927 - China - Marinha e Exército mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista;

1924/1925 - Honduras - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional;

1925 - Panamá - Tropas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos;

1927/1934 - China - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos ocupando o território;

1932 - El Salvador - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN - comandadas por Marti;

1939/1945 - II Guerra Mundial - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki;

1946 - Irã - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã;

1946 - Iugoslávia - Presença da marinha ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos;

1947/1949 - Grécia - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego;

1947 - Venezuela - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder;

1948/1949 - China - Fuzileiros invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista;

1950 - Porto Rico - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce;

1951/1953 - Coréia - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul;

1954 - Guatemala - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária;

1956 - Egito - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal;

1958 - Líbano - Forças da Marinha invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil;

1958 - Panamá - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos;

1961/1975 - Vietnã. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas;

1962 - Laos - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao;

1964 - Panamá - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira de seu país;

1965/1966 - República Dominicana - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas desembarcaram na capital do país, São Domingo, para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924;

1966/1967 - Guatemala - Boinas Verdes e marines invadem o país para combater movimento revolucionário contrário aos interesses econômicos do capital americano;

1969/1975 - Camboja - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja;

1971/1975 - Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana;

1975 - Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez;

1980 - Irã - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então;

1982/1984 - Líbano - Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos no país logo após a invasão por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas;

1983/1984 - Ilha de Granada - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha;

1983/1989 - Honduras - Tropas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras;

1986 - Bolívia - Exército invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína;

1989 - Ilhas Virgens - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano;

1989 - Panamá - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.

1990 - Libéria - Tropas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil;

1990/1991 - Iraque - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo;

1990/1991 - Arábia Saudita - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque;

1992/1994 - Somália - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país;

1993 - Iraque - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait;

1994/1999 - Haiti - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos;

1996/1997 - Zaire (ex-República do Congo) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus;

1997 - Libéria - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes;

1997 - Albânia - Tropas invadem a Albânia para evacuar estrangeiros;

2000 - Colômbia - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde");

2001 - Afeganistão - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje;

2003 - Iraque - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.

ENTRE 2014/2016 esteve por trás do golpe que derrubou a nossa PRESIDENTA DILMA e claro com o objetivo de roubar o nosso Petróleo.

2020: matou o GENERAL QASEEM SULEIMANI com certeza por conta do Petróleo . Irã anuncia descoberta de imenso campo de petróleo

Total de mortos promovidos pelos EUA atingiram 110 milhões de pessoas direto ou indireto. Sem ser denunciados em tribunais internacionais

Fonte: Urias Rocha, jornalista e ex professor de Mato Grosso do Sul.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/cronologia-das-invasoes-norte-americanas-no-mundo

Governos dos EUA mataram 110 milhões de pessoas ao longo do século

A palavra imperialismo, quando usada para descrever o acionar belicista dos Estados Unidos ao redor do mundo, é considerada um termo exclusivo de comunistas, de intelectuais marxistas, e que pretende desqualificar as intencionalidades democratizantes do país do norte nas civilizações que são vitimas de governos ditatoriais. A história recente demonstra que a guerra do Iraque, de 2003, foi apoiada por uma opinião publica que foi previamente manipulada pela mídia nacional, que anunciava o envolvimento direto do Saddam Hussein no atentando às Torres Gêmeas e a produção de armas nucleares e outras químicas de destruição massiva. Após a invasão, nem a CIA, nem a NSA conseguiram provar a existência dessas armas, nem do envolvimento de Saddam Hussein nos atentados de setembro de 2001. As consequências da guerra foram de mais de 600.000 pessoas mortas, de forma direta ou indireta, e a de um país endividado, devastado pelo poder destrutor da força de coalisão, liderada pelos Estados Unidos, que se estima, gastou mais de 800 bilhões de dólares na operação. Cineastas, historiadores e jornalistas ao redor do mundo denunciaram os fortes vínculos entre G. W. Bush e as empresas privadas de fabricação de armamentos, assim como os vínculos que essa família tem desde há décadas com os maiores empresários de petróleo do mundo. E que a guerra foi um agir oportunista dessas interessas para expandir seu poder em oriente médio. Em 2005, Nestor Kirchner, presidente da Argentina, contou para Oliver Stone, que Bush tinha falado para ele, em confissão intima, que “Estados Unidos não se fez rico por ter políticas como as do plano Marshall e sim por fazer a guerra”. A guerra do Iraque, em definitiva, e sem ninguém com argumentos suficiente para rebater esse argumento, foi consequência do interesse dos Estados Unidos (O governo e os setores empresariais que sustentam suas políticas) em se apropriar da exploração do petróleo naquele país, e pelo negócio que resulta para USA (para os mega empresários da indústria das armas) entrar em conflitos armados.

Em novembro de 2019, o Irã anuncia a descoberta de um importante campo de petróleo na província do Khuzistão. Em menos de dois meses, Estados Unidos instiga a mais uma guerra a milhares de quilômetros de distância, agindo de forma desproporcional e violando todos os acordos diplomáticos internacionais.

Vale lembrar que imperialismo, ou neoimperialismo (que qualifica o acionar sobretudo de USA na nossa era contemporânea) não se resume aos confrontos bélicos, nem se refere a um estado liderado por um único sujeito sem renovação de mandato pelo a través do sufrágio. O imperialismo seria uma forma de expansão forçada e unilateral de uma forma de fazer política, de uma identidade cultural, de uma prática económica. As industrias culturais, sobretudo as que são ligas ao que a gente conhece como “cultura de massas” (como a música e o cinema, em todos os países e com raras exceções) são também vítimas da pressão norte-americana por expandir sua cultura, o que tem como consequência lógica uma expansão da sua economia. Se a indústria cinematográfica norte-americana se expande em território brasileiro é porque a indústria local dá o espaço para que isto aconteça. O que tem consequências económicas inegáveis no país. As grades dos cinemas, hoje, no Brasil, têm uma programação maioritariamente norte-americana, o que, como resulta obvio, prejudica a indústria nacional, restringindo e enfraquecendo a capacidade de autofinanciamento para produzir localmente.

De forma direta ou indireta, Estados Unidos impõe sua supremacia em todos os países. Seu potencial bélico é uma ferramenta de pressão na hora de aplicar sansões económicas a países que se recusam a praticar os esquemas económicos que contrariam seus interesses. Se o poder bélico dos Estados Unidos é regulador, de forma direita ou indireta, do que acontece na vida económica, social e cultural de diferentes países ao redor do mundo, estamos falando sim, de um procedimento imperialista, no sentidos mais elementar do termo.

É casual que a primeira potência bélica a nível mundial seja quem impõe sua língua, sua cultura? É democrático o agir unilateral nos últimos conflitos armados sobre populações soberanas como Síria, Iraque e hoje, potencialmente, o Irã?

O jornalista e ex-professor Urias Rocha, de Mato Grosso do Sul realizou uma breve cronologia das invasões e ataques dos Estados Unidos ao redor do mundo nos últimos 150 anos. A quantidade de mortes pelas quais são responsáveis é de aproximadamente 110 milhões de pessoas. Nunca foram denunciados formalmente ante tribunais internacionais:

 

1846/1848 - México – Invasão e ataque por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas;

1891 - Chile - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas;

1891 - Haiti - Tropas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA;

 

1893 - Hawai - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA;

1894 - Nicarágua - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês;

1894/1895 - China - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa;

1894/1896 - Coréia - Tropas permanecem em Seul durante a guerra;

1895 - Panamá - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana;

1898/1900 - China - Tropas ocupam a China durante a Rebelião Boxer;

1898/1910 - Filipinas - Luta pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, 27/09/1901, e Bud Bagsak, Sulu, 11/15/1913; 600.000 filipinos mortos;

1898/1902 - Cuba - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana;

1898 - Porto Rico - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos;

1898 - Ilha de Guam - Marinha desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje;

1898 - Espanha - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial;

1898 - Nicarágua - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur;

1899 - Ilha de Samoa - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa;

1899 - Nicarágua - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez);

1901/1914 - Panamá - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção;

1903 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho;

1903/1904 - República Dominicana - Tropas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução;

1904/1905 - Coréia - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa;

1906/1909 - Cuba -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições;

1907 - Nicarágua - Tropas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua;

1907 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua;

1908 - Panamá - Fuzileiros invadem o Panamá durante período de eleições;

1910 - Nicarágua - Fuzileiros navais desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua;

1911 - Honduras - Tropas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil invadem Honduras;

1911/1941 - China - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas;

1912 - Cuba - Tropas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana;

1912 - Panamá - Fuzileiros navais invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais;

1912 - Honduras - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano;

1912/1933 - Nicarágua - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos;

1913 - México - Fuzileiros da Marinha invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução;

1913 - México - Durante a revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas;

1914/1918 - Primeira Guerra Mundial - EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens;

1914 - República Dominicana - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução em Santo Domingo;

1914/1918 - México - Marinha e exército invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas;

1915/1934 - Haiti - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos;

1916/1924 - República Dominicana - Os EUA invadem e estabelecem governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos;

1917/1933 - Cuba - Tropas desembarcam em Cuba e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos;

1918/1922 - Rússia - Marinha e tropas enviadas para combater a revolução bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles;

1919 - Honduras - Fuzileiros desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço;

1918 - Iugoslávia - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia;

1920 - Guatemala - Tropas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala;

1922 - Turquia - Tropas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna;

1922/1927 - China - Marinha e Exército mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista;

1924/1925 - Honduras - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional;

1925 - Panamá - Tropas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos;

1927/1934 - China - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos ocupando o território;

1932 - El Salvador - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN - comandadas por Marti;

1939/1945 - II Guerra Mundial - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki;

1946 - Irã - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã;

1946 - Iugoslávia - Presença da marinha ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos;

1947/1949 - Grécia - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego;

1947 - Venezuela - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder;

1948/1949 - China - Fuzileiros invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista;

1950 - Porto Rico - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce;

1951/1953 - Coréia - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul;

1954 - Guatemala - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária;

1956 - Egito - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal;

1958 - Líbano - Forças da Marinha invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil;

1958 - Panamá - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos;

1961/1975 - Vietnã. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas;

1962 - Laos - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao;

1964 - Panamá - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira de seu país;

1965/1966 - República Dominicana - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas desembarcaram na capital do país, São Domingo, para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924;

1966/1967 - Guatemala - Boinas Verdes e marines invadem o país para combater movimento revolucionário contrário aos interesses econômicos do capital americano;

1969/1975 - Camboja - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja;

1971/1975 - Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana;

1975 - Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez;

1980 - Irã - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então;

1982/1984 - Líbano - Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos no país logo após a invasão por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas;

1983/1984 - Ilha de Granada - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha;

1983/1989 - Honduras - Tropas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras;

1986 - Bolívia - Exército invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína;

1989 - Ilhas Virgens - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano;

1989 - Panamá - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.

1990 - Libéria - Tropas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil;

1990/1991 - Iraque - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo;

1990/1991 - Arábia Saudita - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque;

1992/1994 - Somália - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país;

1993 - Iraque - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait;

1994/1999 - Haiti - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos;

1996/1997 - Zaire (ex-República do Congo) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus;

1997 - Libéria - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes;

1997 - Albânia - Tropas invadem a Albânia para evacuar estrangeiros;

2000 - Colômbia - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde");

2001 - Afeganistão - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje;

2003 - Iraque - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.

ENTRE 2014/2016 esteve por trás do golpe que derrubou a nossa PRESIDENTA DILMA e claro com o objetivo de roubar o nosso Petróleo. ..

2020 : matou o GENERAL QASEEM SULEIMANI com certeza por conta do Petróleo . Irã anuncia descoberta de imenso campo de petróleo

Total de mortos promovidos pelos EUA atingiram 110 milhões de pessoas direto ou indireto. Sem ser denunciados em tribunais internacionais

Fonte: Urias Rocha, jornalista e ex professor de Mato Grosso do Sul.

“Se Estados Unidos revidarem, pode haver guerra nuclear”, diz senador russo

247 -"Os ataques recíprocos dos EUA e Irã podem levar a uma guerra total na região, caso Washington entenda sua incapacidade de conseguir o que quer, existindo o risco de início de uma guerra nuclear", declarou à Sputnik o primeiro-vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho da Federação da Rússia, Vladimir Dzhabarov.

A autoridade russa ainda ressaltou que o Conselho de Segurança da ONU deve ser acionado para que se evite o aumento das tensões no Oriente Médio.

Contudo, Dzhabarov acredita que o início de uma guerra total entre ambos os países possa resultar em críticas dentro dos EUA.

"As ações agressivas dos EUA em relação ao Iraque e Irã estão ligadas, provavelmente, com a campanha pré-eleitoral [do presidente Trump], mas suas ações ocasionarão críticas nos EUA. Trump receberá um golpe de seus oponentes", acrescentou o político.

Da mesma forma vê o senador russo Aleksei Pushkov, que ressaltou no Twitter que os ataques iranianos a bases da coalizão internacional, onde estão instalados soldados norte-americanos, no Iraque eram "esperados".

Como era de se esperar, o Irã realizou ataque de resposta contra bases dos EUA no Iraque. Se os EUA responderem, primeiro uma grande guerra com mísseis e depois terrestre será praticamente iminente. Ela [a guerra] não será popular nos EUA e, provavelmente, custará a vitória de Trump nas eleições. É melhor parar.

Desta forma, Pushkov acredita que o presidente americano está entre o desejo de salvar sua imagem, a reputação de seu próprio país de grande potência e o desinteresse em iniciar uma guerra em ano de eleições.

Irão, Estados Unidos e a geopolítica do Grande Oriente Médio

Públicas e notáveis são as tensões que permeiam as relações entre Irão e Estados Unidos da América desde a revolução de 1979, que levou à implantação da República Islâmica.

 

 

À época, a ditadura do Xá Reza Pahlavi recebia extensa assistência dos EUA – 24.000 americanos auxiliavam o regime nas mais diversas atividades -, visando fortalecer sua posição numa das fronteiras mais quentes da Guerra Fria. Para além de sustentar parte da aliança militar que estabelecia na região, o apoio ao Xá também advinha da necessidade de frear a onda nacionalista, instrumentalizada pelos comunistas, que há décadas ascendia nos territórios desta civilização, herdeira do milenar Império Persa. Afinal, não fora apagada da memória iraniana a chamada Operação Ajax – dirigida pela CIA e o M16 em 1953, dois anos após o parlamento nacionalizar o complexo petrolífero do país -, resultante na queda do então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh e na execução de lideranças do partido comunista, o Tudeh, e do Partido Nacional.

Nas gigantescas manifestações de 1979, prevaleceu a força do fundamentalismo xiita, personificado na figura do Aiatolá Khomeini, derrotando a ditadura do Xá mas também a burguesia liberal e o próprio Tudeh, que, vinculado à URSS, disputava os rumos da revolução. Mesmo que distante do marxismo, o novo regime representava evidente ameaça aos interesses estadunidenses na região. Ainda na esteira das manifestações, a crise dos reféns americanos – na qual 52 estadunidenses foram mantidos reféns por um grupo de militantes islâmicos – potencializou as turbulências, ainda mais após a missão militar de resgate, tentada pelos EUA em 1980, fracassar de forma vexatória, ferindo também o orgulho nacional norte-americano.

O que interessa notar é que, destes eventos em diante, a rivalidade entre EUA e Irão apenas seria amplificada, repercutindo no conjunto das movimentações regionais no Grande Oriente Médio. De pronto, uma série de sanções unilaterais seriam adotadas pelos EUA, estabelecendo embargos comerciais ao Irão e pressionando terceiros países a fazerem o mesmo, ao tempo em que influenciava as coalizões da fratricida Guerra Irão-Iraque, que por 8 anos consumiria o regime xiita numa guerra santa contra o vizinho, então dirigido por Saddam Hussein. Da mesma forma, seria cessado todo e qualquer apoio dos EUA e das potências ocidentais ao programa nuclear iraniano – criado na década de 1950, e que vinha sendo potencializado com especial ajuda de EUA, França, Alemanha Ocidental, África do Sul e Israel. Progressivamente, a república islâmica se aproximaria de China e Rússia, após lapsos de cooperação com o Paquistão, para prosseguir com seu programa.

A influência exercida pelo Irão sobre agrupamentos políticos e militares no Líbano, Palestina, Síria, Iraque, Iêmen, Afeganistão, dentre outros, manteve uma espécie de Nova Guerra Fria no Grande Oriente Médio, que persiste até os dias atuais, com os iranianos antagonizando EUA, Israel e Arábia Saudita em diversos cenários. Mas foi na primeira década do século XXI que as escaramuças se acirraram: se por um lado os eventos do 11 de Setembro e a Guerra Global ao Terror desencadeada por Washington afirmaram o Irão no chamado Eixo do Mal, por outro a denúncia, de 2002, acerca de atividades nucleares não-supervisionadas no Irão acendeu o sinal de alerta sobre o programa nuclear do país. Para piorar, em 2003 a Coreia do Norte denunciaria o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), detonando seu primeiro artefato militar nuclear em 2006: mesmo parte do TNP, nada impedia que o Irão tomasse medida similar aos norte-coreanos.

Nesse quadro, seriam intensificadas as ondas de sanções unilaterais, por parte dos EUA, e multilaterais, com aprovação do Conselho de Segurança da ONU, ao Irão, visando obstar a evidente atividade nuclear clandestina em seu território, que poderia evoluir para além dos fins pacíficos então alegados. A China sempre buscou evitar a adoção de medidas que cerceassem as exportações energéticas iranianas, que ascendiam espetacularmente em direção ao gigante asiático, ao tempo em que a União Europeia também tergiversava, buscando meios de atingir uma solução pacífica, dados os investimentos que possuía, até então, no setor energético do país. Ainda assim, tanto as gestões do Conselho de Segurança quanto as de atores externos – como a Turquia e o Brasil na Declaração de Teerão, de 2010 – fracassaram, durante anos, em chegar a um acordo plausível para as partes. Quando atingido, acabava reprovado pelo parlamento iraniano ou por alguma das grandes potências envolvidas nas negociações.

Foi no contexto de inflexão da política externa estadunidense para o Oriente Médio que se chegou, finalmente, ao Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), em 2015, impondo restrições ao programa nuclear iraniano que permitissem uma verificação confiável de suas finalidades pacíficas. Em contrapartida, o país veria retiradas as sanções de bloqueio financeiro e comercial às quais estava submetido, além de descongelar seus bilhões de dólares então retidos no exterior e voltar a ter permissão para a compra de aeronaves. No entanto, inúmeras seriam as repercussões do acordo no contexto geopolítico da região. Ao mesmo tempo em que abria portas para investimentos ocidentais no Irão (possibilitando reduzir a imensa ascendência econômica chinesa sobre este), também fortalecia estruturalmente o país, que vinha demonstrando imenso vigor na capacidade de exercer influência em outros importantes cenários do Oriente Médio. Ou seja, se por um lado abria as portas para os EUA dialogarem com o Irão visando a resolução de conflitos como os da Síria, Iraque e Afeganistão – possibilitando o cumprimento da promessa eleitoral de Obama, de gradual retirada das tropas estadunidenses destes sítios -, por outro afrontava estrondosamente os interesses de Israel e Arábia Saudita, ao verem um Irão fortalecido na Guerra Fria que paira sobre a região.

Valendo-se destas contradições, Donald Trump não titubeou em catalogar, ao longo de sua campanha, o JCPOA enquanto “o pior acordo do mundo”, enfatizando as cláusulas que gradualmente terminariam, em 15 anos, com as restrições inicialmente impostas. Cabe observar que o megaempresário sionista Sheldon Adelson, com profundos vínculos com o governo israelense de Benjamin Netanyahu, foi o principal doador individual nas campanhas eleitorais estadunidenses de 2016, atingindo a cifra de nada menos do que 82 milhões de dólares em doações para Trump e outras candidaturas do Partido Republicano. O primeiro país a ser visitado por Trump após sua eleição foi a Arábia Saudita, com a qual assinou o maior contrato de venda de armas da história dos EUA, chegando às cifras de cerca de 110 bilhões de dólares. É muito provável que Riad tenha colocado na mesa de negociações o isolamento de Teerão. O fato é que, em 2018, os EUA se retiraram do JCPOA, retomando as sanções unilaterais, ao tempo em que ameaçavam empresas e terceiros países que não fizessem o mesmo.

Hoje, Trump encontra-se emparedado por uma ofensiva oposicionista interna que avança em prol de um processo de impeachment. Ainda que debilitando o Irão com a retomada das sanções e o boicote aos acertos do JCPOA, as gestões do governo Trump parecem ter sido insuficientes para garantir a total lealdade de parte de seus mais importantes aliados, e financiadores, para os momentos decisivos que antecedem não apenas as votações do impeachment, mas também a próxima corrida eleitoral. Assim, além de adotar a agenda prioritária de parte de suas bases de sustentação, também recorre à histórica prática de criação do inimigo externo, tentando dar coesão à política doméstica estadunidense – artifício reiteradamente utilizado em tempos de disputas por reeleições.

No cenário externo, a incapacidade de imposição dos EUA em cenários como os da Venezuela, Síria e Coreia do Norte, além das sucessivas dificuldades nas rusgas com China e Rússia conformam um panorama de relativo fracasso das opções do governo. Na tentativa de ampliar sua presença no Oriente Médio, provocando fricções e convulsões, corre o risco de conformar novos alinhamentos regionais – repetindo casos como os que resultaram na inflexão da diplomacia turca, no fortalecimento da presença russa na Síria e na aproximação sino-iraniana, fruto das sanções ao programa nuclear do Irã. Num quadro internacional de instabilidade política e crise econômica, o brusco movimento que resultou no assassinato de Qasem Soleimani – em mais uma flagrante violação do direito internacional por parte dos EUA – conforma um panorama de profunda incerteza. Este evento deve ser percebido como resultante do entrelaçamento do conjunto destas contradições e tênues movimentações de aliados, inimigos e terceiros elementos que ainda não se posicionaram no tabuleiro.

Até o momento, apenas Israel se posicionou de forma mais veemente apoiando a gestão estadunidense. A discrição saudita em muito remete à hábil estratégia chinesa, que há décadas vem balanceando suas boas relações com Irão e Arábia Saudita, visando atraí-los para sua órbita pela via da preponderância comercial nos seus respectivos mercados. Os satélites iranianos nos demais países da região mantêm seus postos, aguardando orientações de um regime que acaba de perder uma de suas mais nobres figuras, um estrategista de difícil reposição: o homem que era comandante da unidade especial de guerra irregular e operações de inteligência, a Força Quds; que se somou aos esforços para liquidar o Estado Islâmico; e responsável pela articulação do chamado Eixo de Resistência, envolvendo forças políticas no Líbano, Síria, Iraque, Palestina, dentre outros.

A futurologia não é um exercício que costuma triunfar nas análises políticas. No entanto, algo evidente resta ressaltar. O Irão é herdeiro de uma civilização milenar, que resistiu às mais diversas invasões e privações. Contemporaneamente, encontra-se em franca oposição aos desígnios do mais poderoso país do mundo – economicamente e militarmente – há pelo menos quatro décadas. Àqueles que esperam por uma resposta rápida e desequilibrada: esqueçam. O sistema internacional passa por um explícito período de transição, no qual os EUA perdem progressivamente a capacidade de manter sua hegemonia, e a China aparece enquanto a mais forte candidata a ascender ao primeiro posto global, tendo no projeto da Nova Rota da Seda o baluarte de sua estratégia corrente. O Irão é um país-chave nisso tudo, não apenas pela questão energética, mas pela sua posição territorial crucial para a integração Eurasiática. Nos últimos anos, o país logrou importantes vitórias na Síria e no Iraque, colaborando robustamente no esfacelamento do temido Estado Islâmico.

Com certeza, um contra-ataque será orquestrado. No entanto, não virá em 280 caracteres, tampouco desprovido de uma reflexão afim às pretensões do país por ora atacado. Os iranianos sabem onde estão, o que representam, e o porquê de serem atacados. Sabem que o atual episódio se trata de uma isca para que o país se torne o epicentro de uma nova guerra no Golfo. Mas também sabem das dificuldades que os EUA teriam em sustentar a invasão de um país grande, populoso, com condições geográficas dificultosas, com importante base urbano-industrial e com expressivo grau de legitimidade e coesão política das forças governantes. Portanto, a resposta tende a tomar contornos indiretos, e aguardar seu tempo propício.

Por fim, Teerão também sabe que a prioridade resta em fortalecer sua influência no plano regional, ao tempo em que consolida suas relações com a Rússia e a China no plano global. A resiliência iraniana ao cerco dos EUA e as recorrentes rusgas entre os dois países apontam não para uma escalada militar de gigantescas proporções, mas para a adoção de minuciosos cálculos de poder, e quiçá o estabelecimento de um novo equilíbrio para a retomada das negociações. É fato, contudo, que os quadros de transição sistêmica tendem a conformar eventos disruptivos. Se ocorrerão, apenas o tempo e as decisões políticas dirão.


por Diego Pautasso e Tiago Nogara  | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Portal Disparada) / Tornado

  • Diego Pautasso, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Tiago Nogara, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), da Universidade de Brasília (UnB)
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/irao-estados-unidos-e-a-geopolitica-do-grande-oriente-medio/

"ALL IS WELL" Trump diz que 'está tudo bem', após ataque a bases dos EUA no Iraque

247 -O presidente norte- americano Donald Trump reagiu no Twitter na noite desta terça-feira (7) ao ataque iraniano a duas bases militares que abrigam tropas dos Estados Unidos no Iraque.

"Está tudo bem! Mísseis lançados do Irã contra duas bases militares localizadas no Iraque. Avaliação das vítimas e mortes ocorrendo agora. Até o momento, tudo bem! Temos, de longe, as forças armadas mais poderosas e bem equipadas do mundo! Farei uma declaração amanhã de manhã."

 
https://twitter.com/realDonaldTrump/status/1214739853025394693?ref_src=twsrc%5Etfw

Um militar americano afirmou à rede de televisão americana CNN que as forças armadas tiveram um aviso antecipado do ataque, e que as pessoas tiveram tempo de se abrigar em bunkers. Autoridades americanas informaram à imprensa que não há relatos de vítimas dos EUA.

Inicialmente, fontes de segurança do Iraque relataram à CNN que havia vítimas iraquianas, mas, depois, outras fontes do país não confirmaram a informação, relata o G1.

O QUE ESTÁ POR DETRÁS DO ASSASSINATO DO GENERAL SOLEIMANI

                              image
Para além da decisão táctica de Trump e do Pentágono de eliminar Soleimani, o que está em jogo é o controlo da região mais rica em petróleo e decisiva para o abastecimento internacional. 
Até agora, os americanos contentaram-se em obter acordos de «protecção» dos reinos petrolíferos a troco da exclusividade da venda do petróleo em dólares. Lembre-se que as transacções em US$ são rastreadas pelos bancos dos EUA, e podem ser eficazmente embargadas por ordem de Washington.  Lembremos também o papel decisivo dos petro-dólares na compensação do défice crónico e monstruoso do orçamento dos EUA. O défice é colmatado graças à compra de obrigações do tesouro dos EUA por parte das petro-monarquias. Além disso, com os dólares obtidos, a Arábia Saudita e outros, compram armamento sofisticado e sua manutenção à indústria bélica americana (o maior exportador de armamento mundial).
Se decidiram assassinar Soleimani, não foi certamente pelas razões invocadas. Mas antes, porque estão desesperados por não conseguir mais fazer funcionar o sistema do petro-dólar, pois demasiados actores estão a rebelar-se ou a - discretamente - virar a casaca, para garantirem protecção dos poderosos aliados Rússia e China. Esta é a realidade estratégica global a que os EUA estão confrontados. 
A resposta a esta situação foi - com certeza - cozinhada pelas forças que controlam Washington e que têm Trump na mão (chame-se complexo militar industrial, Estado profundo, militaristas do Pentágono...): Para eles, a solução longamente planeada era o confronto directo com o Irão, única forma que encaravam para contrariar a deserção de uma série de aliados na região e portanto, a perda de hegemonia e o fim do sistema do petro-dólar. Eis a lógica intrínseca deles: Como não conseguem mais obter, como dantes, a submissão dos seus aliados-vassalos no Médio-Oriente, têm de fomentar uma guerra. Assim, poderão obter o alinhamento forçado destes contra o Irão.  Eventualmente, conseguirão - em caso de vitória - o controlo directo dos poços de petróleo iraquianos, o que revela sua ambição totalitária de domínio mundial. Esta ambição de guerra já existia há muito tempo, manifestou-se múltiplas vezes, mas muitas pessoas não conseguiam compreender a natureza verdadeira do jogo.  Agora, com a pretensão de Trump de se apropriar (roubar) o petróleo, não só da Síria, como do Iraque, está-se perante uma afirmação clara e descarada de apropriar o petróleo do Médio-Oriente, como despojo de guerra. 
Claro que, tanto os inimigos como os amigos dos EUA, vêm isto tudo e estão a posicionar-se em conformidade.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Sobre a actualidade trumpiana

Cartoons que
acertam em cheio

«Trump vai seguir o desafio de atacar instituições culturais»- Democracia, Verdade, Primado da Lei.»
-«Ele diz que é cultura inimiga».
 
«Atacar os nossos símbolos culturais ?
então atacanos o símbolo cultural de
Donald Trump!»
 
«Se não gostas do que está dar, muda de canal.»
 
Guerra -«a carta para a re-eleição de Trump»
 
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Sanders: a Guerra do Iraque mostra por que devemos enfrentar Trump

 
 

247 - Postulante à presidência dos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders, do Partido Democrata, repudiou a maneira como o governo Donald Trump agiu sobre conflitos no Orinete Médio, depois forças americanas mataram o general iraniano Qasem Soleimani no Iraque.

"Após 16 anos de guerra no Iraque, trilhões de dólares, a morte de 4.500 soldados dos EUA e centenas de milhares de iraquianos, o governo iraquiano está agora tentando nos expulsar de seu país. Todo esse sofrimento, toda aquela morte, todo esse enorme gasto de dinheiro, para quê?", escreveu o parlamentar no Twitter.

"As consequências não intencionais da Guerra do Iraque nos mostram por que devemos enfrentar Trump, fazer todo o possível para impedir uma guerra com o Irã e terminar guerras sem fim", disse.

De acordo com o parlamentar, "a Câmara e o Senado devem agir rapidamente para avançar na legislação que reafirma a autoridade constitucional do Congresso sobre a guerra". "Devemos proibir qualquer financiamento para forças militares ofensivas no ou contra o Irã sem autorização".

https://twitter.com/BernieSanders/status/1214260451162411008?ref_src=twsrc%5Etfw
https://twitter.com/BernieSanders/status/1214260451925790720?ref_src=twsrc%5Etfw

Unesco adverte Trump para não ameaçar patrimônio cultural do Irã

247 -A Unesco advertiu severamente os EUA sobre a possibilidade de ataques ao patrimônio cultural do Irã.

No sábado (4), Trump disse no Twitter que os EUA fizeram uma lista de 52 locais que poderão ser alvo, caso o Irã tente retaliar o assassinato de um de seus generais de alto escalão. Ele acrescentou que alguns desses alvos são de "muito alto nível e importantes para o Irã e a cultura iraniana."

 

Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, encontrou-se nessa segunda-feira (6) com o embaixador do Irã na organização e observou que tanto os Estados Unidos quanto o Irã já ratificaram duas convenções, uma voltada à proteção de propriedades culturais durante conflitos armados e outra para proteger os patrimônios culturais e naturais da humanidade. Ela lembrou que essas convenções proíbem quaisquer ataques a esses locais, informa a Agência Brasil.

Trump vem sido criticado pela ameaça, mesmo dentro dos Estados Unidos, com algumas pessoas argumentando que isso seria uma violação do direito internacional.

Donald Trump e os mandões da política externa querem guerra com o Irão

“O último contexto é a crescente tensão entre os EUA e o Irão desde que o governo Trump rompeu no ano passado o acordo nuclear com o país dos aiatolás, de 2015 – e isso já levou a vários incidentes violentos dentro e ao redor do Golfo Pérsico”.

 

 

por Derek Davison, na Jacobin | Tradução de José Carlos Ruy

Tudo o que Donald Trump fez desde que assumiu a presidência foi aproximar os EUA da guerra com o Irão. O assassinato de Qassem Soleimani empurra o país ainda mais nesse caminho catastrófico.

Então, deixe-me fazer esta observação geral: 2020 não está perdendo tempo. A Turquia pode estar prestes a enviar soldados para a Líbia. A Coreia do Norte pode estar planejando fazer algo grande e provocador. Os líderes do sul do Iêmen desistiram de suas negociações de paz com o governo, potencialmente reabrindo a guerra no Iêmen. O Talibã pode estar prestes a declarar um cessar-fogo no Afeganistão… ou então, talvez não. A Austrália está rapidamente se tornando inabitável, enquanto seu primeiro ministro, que nega as mudanças climáticas, fica sentado e assistindo.

E, agora, Donald Trump pode ter começado uma guerra real com o Irão.

Uma história que começou quinta-feira (26) à noite com relatos incompletos sobre um ou possivelmente dois ataques com mísseis fora do aeroporto de Bagdá se transformou em um relatório confirmado de que os EUA mataram o comandante da Força Quds iraniana Qassem Soleimani, em Bagdá. No mesmo ataque com drones, foram mortos também Abu Mahdi al-Muhandis, vice-líder do Comitê de Mobilização Popular do Iraque (PMC), o órgão que supervisiona as inúmeras facções das milícias do Iraque. Embora tecnicamente o vice-chefe do PMC, al-Muhandis também fosse o líder da milícia mais influente do Iraque, o Kata’ib Hezbollah, o que o tornou indiscutivelmente a figura mais poderosa da comunidade das milícias iraquianas. Sua morte é uma enorme escalada na última crise política do Iraque. Mas, obviamente, sua morte e a repercussão é ofuscada pela de Soleimani.

Quem acompanha o noticiário nos últimos dois meses sabe que o Iraque está à beira do caos, com manifestantes irritados com corrupção, ineficácia do governo e influência estrangeira (principalmente de Teerã). Estão nas ruas exigindo mudanças políticas por atacado. A resposta violenta do governo iraquiano, a maioria provavelmente liderada pelas milícias da Mobilização Popular, deixou centenas de mortos e forçou a renúncia do primeiro-ministro Adil Abdul-Mahdi. Mas a política iraquiana está tão completamente quebrada que Abdul-Mahdi permanece no cargo de primeiro-ministro interino, porque os líderes políticos iraquianos não conseguiram chegar a um acordo. Isso faz parte do contexto em que eventos recentes ocorreram.

Paralelamente ao colapso político, o Iraque passou por uma escalada de violência envolvendo as milícias. Isso (provavelmente) inclui a morte de manifestantes, mas também inclui ataques esporádicos de foguetes contra bases militares iraquianas, onde estão posicionadas forças dos EUA, e também inclui ataques aéreos esporádicos, não atribuídos, mas provavelmente realizados por Israel (e / ou Arábia Saudita), visando bases de milícias e esconderijos de armas. Os líderes da milícia culparam os EUA por ajudar ou, pelo menos, permitir esses ataques.

O último contexto aqui é a crescente tensão entre os EUA e o Irão desde que o governo Trump rompeu no ano passadoo acordo nuclear com o país dos aiatolás, de 2015 – e isso já levou a vários incidentes violentos dentro e ao redor do Golfo Pérsico. O principal é lembrar que a instabilidade que tomou conta dessa região nos últimos meses decorre da decisão do governo de Trump de cancelar um acordo internacional que a) estava funcionando e b) oferecia um caminho fácil para diminuir as tensões EUA-Irão e estabilizar o Golfo Pérsico.

Isso nos leva a 27 de dezembro, quando um desses ataques esporádicos com foguetes atingiu uma base militar iraquiana em Kirkuk e matou um empreiteiro civil estadunidense e feriu vários funcionários dos EUA e iraquianos. A expressão “empreiteiro civil” poderia cobrir qualquer coisa, de um funcionário de escritório a um oficial de segurança mercenário que não havia se envolvido em combate, mas independentemente de ter sido um cidadão americano morto, e os EUA acusaram o Hezbollah Kata’ib (fundada em 2003, e uma das principais milícias que resistem à ocupação dos EUA no Iraque no pós-guerra, e que enviou combatentes para ajudar Bashar al-Assad na Síria) estava por trás do ataque. Assim revidou, no fim de semana, atingindo cinco alvos do Kata’ib Hezbollah no Iraque e na Síria. O Hezbollah de Kata’ib disse que pelo menos 24 de seus membros foram mortos nos ataques e al-Muhandis prometeu algum tipo de resposta.

A resposta inicial veio do governo iraquiano, na segunda-feira; ele condenou os ataques dos EUA como, em primeiro lugar, uma violação da soberania iraquiana. O que sustenta essa condenação é um medo iraquiano profundo e muito compreensível de que qualquer guerra entre os EUA e o Irão (e seus aliados) provavelmente cause mais danos ao Iraque do que em qualquer outro lugar. O governo dos EUA rejeitou as queixas dos iraquianos acusando o governo de Bagdá de não proteger seu pessoal.

A resposta maior ocorreu durante a segunda-feira e na terça-feira, quando uma multidão de combatentes e apoiadores do Kata’ib Hezbollah invadiu a embaixada dos EUA em Bagdá. Eles a incendiaram, mas foram impedidos de invadir o complexo pela segurança. Talvez o mais importante seja que dois grandes atores da política iraquiana – o clérigo populista Muqtada al-Sadr e o grande aiatolá Ali al-Sistani se juntaram à multidão na condenação do ataque norte-americano. Al-Sadr pediu à multidão que parasse de atacar a embaixada e disse que usaria meios políticos para tentar forçar os EUA a sair do Iraque. Nem Al-Sadr nem Al-Sistani podem ser descritos como “pró-americanos”, mas ambos estavam muito mais preocupados com a interferência iraniana nos assuntos iraquianos nos últimos meses. Os ataques aéreos nos EUA parecem ter mudado isso.

Agora, os EUA mataram al-Muhandis e Soleimani, uma das figuras mais poderosas e populares do Irão, que perdeu parte de seu brilho nos últimos dois anos, mas que ainda é uma das talvez duas ou três pessoas cuja influência dentro do Irão é ofuscada apenas pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. É obviamente muito cedo para saber quais serão as consequências, mas é inconcebível que o governo iraniano não venha a retaliar de alguma forma, e essa retaliação não precisa vir na forma de uma guerra em grande escala. Seus aliados em toda a região, do Paquistão ao Líbano e Israel-Palestina, podem realizar muitos ataques de retaliação contra os interesses dos EUA e de seus aliados.

Também é inconcebível que o governo iraquiano permita que isso permaneça. Deixando de lado a dependência política de Bagdá a Teerã, esta é a segunda vez em poucos dias que os EUA tratam a soberania iraquiana como uma piada, e desta vez resultou no assassinato de um alto funcionário iraquiano e de uma alta autoridade oficial iraniana que estava sob garantia da segurança iraquiana. Há uma possibilidade muito forte de que o governo iraquiano exija que as forças armadas dos EUA desocupem completamente o país, e se a segurança do pessoal diplomático e de suas famílias na embaixada dos EUA em Bagdá já estava em risco antes, esse risco acaba de ser consideravelmente aumentado.

Também deve ser enfatizado que tudo o que vem a seguir será de responsabilidade de um presidente dos EUA que afirma ser anti-guerra, afirma entender que a Guerra do Iraque foi incrivelmente estúpida e vingativa e ainda assim pode ter provocado um conflito ainda mais catastrófico. Tudo o que Trump fez desde que assumiu a presidência aproximou os EUA da guerra com o Irão, para a alegria de um establishment da política externa de Washington que busca exatamente isso há mais de quarenta anos.

É indubitavelmente verdade que, como o desfile de supostos especialistas, na TV, na noite passada (31/12) reiterou repetidamente, poucas pessoas fora do Irão e alguns poucos locais no Oriente Médio lamentarão a morte de Soleimani. Mas seu assassinato não é, como Donald Trump certamente reivindicará nas próximas horas – algum feito espetacular do poder militar americano. Soleimani não estava escondido como Osama bin Laden ou Abu Bakr al-Baghdadi. Matá-lo foi relativamente fácil, mas também foi extremamente estúpido. Soleimani agora é um mártir da arrogância dos EUA, e sua morte quase certamente tornará o Oriente Médio menos seguro.


por Derek Davison, Escritor e analista especializado em política externa do Oriente Médio e dos EUA  |  Texto em português do Brasil, com tradução de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV (Fonte: Jacobin)/ Tornado


 
 
 

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Trump diz que EUA não sairão do Iraque até Bagdad pagar base aérea no país

 
 
O presidente Donald Trump disse neste domingo (5), a bordo do avião presidencial, que as tropas norte-americanas só deixarão o Iraque se Bagdad pagar por uma base aérea dos EUA instalada no país.
 
Mais cedo, o Parlamento do Iraque aprovou uma resolução pedindo a retirada das tropas estrangeiras do país, incluindo as forças norte-americanas, que têm forte presença no território iraquiano. 
 
"Nós temos uma base aérea extraordinariamente cara lá. Custou biliões de dólares para construí-la, muito tempo antes de mim. Nós não vamos sair até que eles nos paguem por isso", afirmou o presidente norte-americanos para jornalistas a bordo do Air Force One, segundo publicado pela agência Reuters. 
 
Além disso, Trump ameaçou impor sanções contra o Iraque como "eles nunca viram" caso Bagdad realize atos hostis contra os EUA. 
 
"Caso se verifique algum ato hostil, se fizerem algo que consideremos inaceitável, imporemos sanções contra o Iraque, sanções muito duras", disse Trump. 
 
O republicano também disse que a retaliação norte-americana fará as "sanções iranianas parecerem algo inofensivo". 
 
A tensão no Oriente Médio vem crescendo desde a morte do general iraniano Qassam Solaimani nos arredores de Bagdad, em bombardeio ordenado por Trump.
 
Sputnik | Imagem: © Reuters / Leah Millis
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/trump-diz-que-eua-nao-sairao-do-iraque.html

A Europa vê a guerra no sofá

 
 
Pedro Ivo Carvalho* | Jornal de Notícias | opinião
 
Quem ainda fica horrorizado com a insolência política de Donald Trump pode muito bem acordar do coma. Já passaram quase quatro anos e é mais do que tempo de olharmos para ele e para a política externa dos Estados Unidos da América (EUA) com menos desdém e incredulidade e mais proatividade e músculo.
 
E quando digo nós falo da Europa que, mais uma vez, ficou a assistir ao desenrolar dos acontecimentos a partir do sofá, enquanto lunáticos e fanáticos ameaçam empurrar o Oriente e o Ocidente para um perigoso pântano militar.
 
Basta ouvir o que disseram os políticos franceses, alemães e britânicos para perceber que foram tão avisados sobre o ataque norte-americano que aniquilou a segunda figura do regime iraniano como o foi um pardacento agricultor da Andaluzia. Souberam todos ao mesmo tempo. Não que essa irrelevância europeia fosse contrariada caso Washington tivesse um acesso de consciência e decidisse avisar os parceiros históricos das suas intenções no Médio Oriente. Porque se a Europa soubesse antes, o mais provável é que Trump ordenasse o ataque na mesma.
 
Ainda é cedo para percebermos quão expressiva será a escalada entre EUA e Irão, mas os apelos ao diálogo e à paz que a Europa vai reiterando podem ser insuficientes caso o conflito degenere numa coisa mais feia. E aí, a Europa, que depende em grande medida dos norte-americanos para se defender, pode ser forçada a escolher um lado. Quem são os bons e os maus? Ao Velho Continente parece estar destinado o papel do espectador passivo, do bombeiro diplomático, do amortecedor de crises internacionais. Naturalmente que ver o Mundo a partir do sofá, na sala dos adultos, tem as suas vantagens. Desde logo porque a Europa privilegia a paz e a estabilidade. E devemos relevar estes valores acima de todos os outros. Mas esta declarada ambiguidade encerra um perigo, à medida que EUA, China e Rússia se agigantam como arquitetos globais. A de termos uma Europa que responde a tudo com diplomacia e paciência, mas que, no final, fica a falar sozinha ao espelho.
 
*Diretor-adjunto

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Trump ameaça com "reação desproporcional". Há mais líderes iranianos como alvo

 
 
Presidente dos EUA alerta para uma resposta imediata e secretário de Estado norte-americano assegura que custos serão imputados ao Irão e à liderança do país.
 
Trump também voltou a ameaçar Teerão, mas pelo Twitter: "Se o Irão ataca nem que seja um só dos nossos homens a nossa reação será imediata e talvez desproporcional." Uma "notificação legal que não é necessária, no entanto fica feita", avisou o presidente norte-americano que se dirigiu ao Congresso Norte-Americano através da rede social.
 
Já durante uma ronda de entrevistas em várias estações televisivas, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmou que o Irão e os seus líderes militares serão alvo de novos ataques, se interesses dos EUA forem atacados. Pompeo disse ainda que os EUA atingirão o Irão, mesmo que as retaliações aconteçam a partir dos seus aliados, como a Síria, Iémen, Líbano ou outros. "Os custos serão imputados ao Irão e à sua liderança. (...) Esses são dados que os líderes iranianos devem ter em conta", afirmou o chefe da diplomacia norte-americana.
 
Mike Pompeo diz que, nesse cenário, qualquer ataque militar dos EUA em território iraniano terá cobertura legal. "Vamos comportar-nos dentro do sistema. (...) Sempre o fizemos e sempre o faremos", assegurou o secretário de Estado, contornando as questões colocadas pelos jornalistas sobre a mensagem enviada na rede social Twitter pelo Presidente Donald Trump, que ameaçou atacar "locais da cultura iraniana", se os interesses norte-americanos forem visados.
O general Qassem Soleimani morreu sexta-feira num ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Bagdad que o Pentágono declarou ter sido ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos. No mesmo ataque morreu também o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras seis pessoas. O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente. O ataque já suscitou várias reações, tendo quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas -- Rússia, França, Reino Unido e China - alertado para o inevitável aumento das tensões na região e pedem as partes envolvidas que reduzam a tensão. O quinto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU são os Estados Unidos. No Irão, o sentimento é de vingança, com o Presidente e os Guardas da Revolução a garantirem que o país e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos. Também o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte do general e declarou três dias de luto nacional, enquanto o chefe da diplomacia considerou que a morte como "um ato de terrorismo internacional".
 
TSF | Lusa | Imagem: © Shawn Thew/EPA
 

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Parlamento do Iraque quer expulsar militares dos EUA do país

Votação ocorreu este domingo. Estão 5 mil operacionais norte-americanos em território iraquiano.       [e alguém se lembre que também lá estão 30 portugueses]

in Mundo ao Minuto
 
Parlamento do Iraque quer expulsar militares dos EUA do país
 

O parlamento do Iraque votou favoravelmente à expulsão dos militares norte-americanos do país, avança a Associated Press. Esta resolução, de acordo com a agência de notícias, quer colocar um ponto final no acordo com Washington, que levou tropas norte-americanas ao Iraque para ajudar a combater o Estado Islâmico.

A votação, que ocorreu este domingo, teve lugar dois dias depois de uma ofensiva dos Estados Unidos que levou à morte do general iraniano Qassem Soleimani, em solo iraquiano. Este acontecimento levou à escalada da tensão no Médio Oriente. 

Recorde-se que também o líder do grupo xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, pediu hoje para que o Iraque seja libertado da "ocupação" dos EUA. "O nosso pedido, a nossa esperança, o que é esperado dos nossos irmãos no parlamento iraquiano é [...] adotar uma lei exigindo a saída das forças americanas do Iraque", afirmou Nasrallhah, durante um discurso divulgado por uma estação libanesa.

Já a coligação internacional liderada pelos EUA anunciou este domingo a suspensão das suas atividades de apoio e treino às tropas iraquianas, para se concentrar na proteção das bases estacionadas no Iraque, segundo um comunicado oficial.

No mesmo ataque que tirou a vida a Soleimani morreu também Abu Mehdi al-Muhandis, o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, conhecida como Mobilização Popular (Hachd al-Chaabi), além de outras seis pessoas.

Estão 5 mil operacionais norte-americanos em território iraquiano.

 

O Presidente dos Estados Unidos vai atacar o Irão e começar uma guerra para ser reeleito (disse Trump)

Michael Reynolds / EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Vários tweets de Donald Trump, no qual o Presidente norte-americano acusava o seu antecessor Barack Obama de desencadear uma guerra com o Irão para conseguir ser reeleito, foram agora recuperados depois do ataque ordenado pelos Estados Unidos para matar o general da elite do Irão Qassem Soleimani.

 

Na passada quinta-feira, Trump ordenou a morte do comandante da força de elite iraniana Al-Quds. “Por ordem do Presidente, as forças armadas dos Estados Unidos tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal norte-americano no estrangeiro, matando Qassem Soleimani”, disse o Departamento de Defesa norte-americano.

O ataque aéreo, que matou mais sete pessoas incluindo o “número dois” da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, levou vários utilizadores a recuperarem antigas publicações de Trump, datadas de 2011 e 2013.

No Twitter, Trump insinuou pelo menos 14 vezes que Barack Obama atacaria o Irão e iniciaria uma guerra para conseguir ser reeleito Presidente dos Estados Unidos.

“O nosso Presidente vai começar uma guerra com o Irão porque não tem absolutamente nenhuma capacidade de negociar. É fraco e ineficaz. Portanto, a única forma de que conseguiu encontrar para ser eleito (…) é começar uma guerra com o Irão”, disse Donald Trump em 16 de novembro de 2016, citado pelo portal Business Insider.

 
 

“Para ser eleito, Barack Obama vai começar uma guerra com o Irão”, voltou a escrever, pouco dias depois, a 29 de novembro de 2011. “Obama vai atacar o Irão para ser reeleito”, 17 de janeiro de 2012. “Agora que os números do Barack Obama não estão bem, esperem até fazer um ataque contra a Líbia ou o Irão. Está desesperado”, 9 de outubro de 2012.

Barack Obama acabou por ser reeleito Presidente dos Estados Unidos em novembro de 2012 para o segundo e último mandato, sendo empossado em janeiro de 2013.

Após a reeleição, as previsões e insinuações de Donald Trump continuaram no Twitter.

“Prevejo que o Presidente Obama vai, em algum momento, atacar o Irão para salvar a própria pele”, 16 de setembro de 2013. “Lembrem-se do que eu disse: um dia o Obama vai atacar o Irão para mostrar quão duro é”, voltou a insistir, a 25 de setembro de 2013.

https://twitter.com/realDonaldTrump/status/382923478157910016?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Apesar de ter vaticinado que Obama atacaria o Irão, foi agora o próprio Trump a ordenar um ataque a um general iraniano pouco antes da realização de presidenciais nos Estados Unidos, cujo escrutínio está marcado para 3 de novembro de 2020.

Em comunicado, citado pela agência Lusa, o Pentágono alegou que levou a cabo o ataque porque Soleimani estava “ativamente a desenvolver planos para atacar diplomatas e membros de serviço norte-americanos no Iraque e em toda a região”.

Por sua vez, o Irão, pela voz do seu líder supremo, prometeu vingar a morte do seu general. “O martírio é a recompensa pelo trabalho incansável durante todos estes anos. Se Deus quiser, o seu trabalho e o seu caminho não vão acabar aqui. Uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires”, afirmou Ali Khamenei, citado pela a agência France-Presse.

SA, ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/presidente-eua-vai-atacar-irao-reeleito-disse-trump-300858

Guerra dos EUA pela dominação global

 
 
Nota do autor 
 
O texto a seguir foi apresentado na Sociedade de Defesa dos Direitos Civis e da Dignidade Humana (GBM), Berlim, de 10 a 11 de dezembro de 2003, e na Universidade Humboldt, Berlim, em 12 de dezembro de 2003.
 
Escrito 16 anos atrás, após a invasão do Iraque liderada pelos EUA (março a abril de 2003), o artigo identifica "a próxima fase da guerra liderada pelos EUA", incluindo a intenção de Washington de travar uma guerra contra o Irã. Também se concentra no plano de Tel Aviv de "criar um Grande Israel", o que equivale a destruir a Palestina. 
 
Ele aborda a questão de "Bandeiras Falsas" e o papel da mídia na divulgação de propaganda de guerra. 
 
Dezesseis anos depois, a agenda militar hegemônica da América atingiu um limiar perigoso: o assassinato do general Soleimani do IRGC, ordenado por Donald Trump em 2 de janeiro de 2020, equivale a um Ato de Guerra contra o Irã.
 
O secretário de Defesa dos EUA, Mark T. Esper, descreveu como uma "ação defensiva decisiva", confirmando que a operação ordenada por Donald Trump havia sido realizada pelo Pentágono. "O jogo mudou", disse o secretário de Defesa Esper.  
 
Como reverter a maré da guerra?
 
Minar com força o aparato de propaganda da mídia que procura justificar “guerras humanitárias” sob a bandeira da responsabilidade de proteger (R2P).
 
Acuse todos os criminosos de alto cargo, incluindo o POTUS, bem como todo o aparato do Congresso que presta homenagem às guerras lideradas pelos EUA.
 
Alveje os poderosos interesses econômicos  que sustentam a guerra americana sem fronteiras,  incluindo Wall Street, Big Oil e o Complexo Industrial Militar
 
Como restaurar a democracia? 
 
“Para reverter a maré da guerra, as bases militares devem ser fechadas, a máquina de guerra (ou seja, a produção de sistemas avançados de armas como armas de destruição em massa) deve ser parada e o crescente estado policial deve ser desmantelado. Em geral, devemos reverter as reformas do “mercado livre”, desmantelar as instituições do capitalismo global e desarmar os mercados financeiros.
 
A luta deve ser ampla e democrática, abrangendo todos os setores da sociedade em todos os níveis, em todos os países, unindo-se em um grande impulso: trabalhadores, agricultores, produtores independentes, pequenas empresas, profissionais, artistas, funcionários públicos, membros do clero, estudantes e intelectuais.
 
Os movimentos anti-guerra e anti-globalização devem ser integrados em um único movimento mundial. As pessoas devem estar unidas entre os setores, os grupos de “questão única” devem dar as mãos em um entendimento comum e coletivo sobre como a Nova Ordem Mundial destrói e empobrece. ”(M. Chossudovsky, dezembro de 2003)
 
Não é tarefa fácil. Derrubar o projeto hegemônico.
 
Mudança de regime na América? 
 
Michel Chossudovsky , 4 de janeiro de 2020

 
 
 
Estamos no momento da crise mais séria da história moderna
 
O governo Bush embarcou em uma aventura militar que ameaça o futuro da humanidade
 
As guerras no Afeganistão e no Iraque fazem parte de uma agenda militar mais ampla, lançada no final da Guerra Fria. A agenda de guerra em andamento é uma continuação da Guerra do Golfo de 1991 e das guerras da OTAN na Iugoslávia (1991-2001).
 
(Professor Michel Chossudovsky, juntamente com o Almirante (aposentado) Elmar Schmaehling, Universidade Humboldt, Berlim, dezembro de 2003)
 
O período pós-Guerra Fria também foi marcado por numerosas operações secretas dos EUA na antiga União Soviética, que foram fundamentais para desencadear guerras civis em várias das antigas repúblicas, incluindo a Chechênia (dentro da Federação Russa), a Geórgia e o Azerbaijão. Neste último, essas operações secretas foram lançadas com o objetivo de garantir o controle estratégico sobre os corredores de oleodutos e gasodutos.
 
As operações militares e de inteligência dos EUA no período pós Guerra Fria foram lideradas em estreita coordenação com as "reformas de livre mercado" impostas sob orientação do FMI na Europa Oriental, na antiga União Soviética e nos Bálcãs, o que resultou na desestabilização das economias nacionais e no empobrecimento de milhões de pessoas.
 
Os programas de privatização patrocinados pelo Banco Mundial nesses países permitiram que o capital ocidental adquirisse propriedade e ganhasse o controle de uma grande parte da economia dos antigos países do bloco oriental. Esse processo também está na base das fusões e / ou aquisições estratégicas da antiga indústria soviética de petróleo e gás por poderosos conglomerados ocidentais, por meio de manipulação financeira e práticas políticas corruptas.
 
Em outras palavras, o que está em jogo na guerra liderada pelos EUA é a recolonização de uma vasta região que se estende dos Balcãs à Ásia Central.
 
A implantação da máquina de guerra dos EUA pretende aumentar a esfera de influência econômica dos Estados Unidos. Os EUA estabeleceram uma presença militar permanente, não apenas no Iraque e no Afeganistão, mas também com bases militares em várias das antigas repúblicas soviéticas na fronteira ocidental da China. Por sua vez, desde 1999, houve um acúmulo militar no mar da China Meridional.
 
Guerra e globalização andam de mãos dadas. A militarização apóia a conquista de novas fronteiras econômicas e a imposição mundial do sistema de "mercado livre".
 
A próxima fase da guerra
 
O governo Bush já identificou a Síria como a próxima etapa do "roteiro da guerra". O bombardeio de presumidas 'bases terroristas' na Síria pela Força Aérea Israelense em outubro pretendia fornecer uma justificativa para intervenções militares preventivas subsequentes. Ariel Sharon lançou os ataques com a aprovação de Donald Rumsfeld. (Ver Gordon Thomas, Global Outlook, nº 6, inverno de 2004)
 
Essa extensão planejada da guerra na Síria tem sérias implicações. Isso significa que Israel se torna um importante ator militar na guerra liderada pelos EUA, bem como um membro 'oficial' da coalizão anglo-americana.
 
O Pentágono vê o 'controle territorial' sobre a Síria, que constitui uma ponte terrestre entre Israel e o Iraque ocupado, como 'estratégico' do ponto de vista militar e econômico. Também constitui um meio de controlar a fronteira iraquiana e restringir o fluxo de combatentes voluntários, que estão viajando para Bagdá para se juntar ao movimento de resistência iraquiano.
 
Esta ampliação do teatro de guerra é consistente com o plano de Ariel Sharon de construir um 'Grande Israel' “nas ruínas do nacionalismo palestino”. Enquanto Israel procura estender seu domínio territorial em direção ao rio Eufrates, com áreas designadas de assentamentos judaicos no coração da Síria, os palestinos são presos em Gaza e na Cisjordânia, atrás de um 'Muro do Apartheid'.
 
Enquanto isso, o Congresso dos EUA reforçou as sanções econômicas à Líbia e ao Irã. Além disso, Washington está sugerindo a necessidade de uma "mudança de regime" na Arábia Saudita. Pressões políticas estão se formando na Turquia.
 
Portanto, a guerra poderia realmente se espalhar para uma região muito mais ampla, que se estendia do Mediterrâneo Oriental ao subcontinente indiano e à fronteira ocidental da China.
 
O uso "preventivo" de armas nucleares
 
Washington adotou uma primeira política nuclear "preventiva", que agora recebeu aprovação do Congresso. As armas nucleares não são mais uma arma de último recurso, como durante a era da Guerra Fria.
 
Os EUA, a Grã-Bretanha e Israel têm uma política coordenada de armas nucleares. Ogivas nucleares israelenses são apontadas nas principais cidades do Oriente Médio. Os governos dos três países declararam abertamente, antes da guerra no Iraque, que estão preparados para usar armas nucleares "se forem atacados" com as chamadas "armas de destruição em massa". Israel é a quinta energia nuclear em o mundo. Seu arsenal nuclear é mais avançado que o da Grã-Bretanha.
 
Poucas semanas após a entrada dos fuzileiros navais dos EUA em Bagdá, o Comitê de Serviços Armados do Senado dos EUA deu luz verde ao Pentágono para desenvolver uma nova bomba nuclear tática, a ser usada em teatros de guerra convencionais, "com um rendimento [de até para] seis vezes mais poderoso que a bomba de Hiroshima ”.
 
Após a decisão do Senado, o Pentágono redefiniu os detalhes de sua agenda nuclear em uma reunião secreta com altos executivos da indústria nuclear e do complexo industrial militar realizado na sede do Comando Central na Base da Força Aérea de Offutt, em Nebraska. A reunião foi realizada em 6 de agosto, o dia em que a primeira bomba atômica foi lançada em Hiroshima, 58 anos atrás.
 
A nova política nuclear envolve explicitamente os grandes contratados de defesa na tomada de decisões. Isso equivale à "privatização" da guerra nuclear. As empresas não apenas obtêm lucros multibilionários com a produção de bombas nucleares, mas também têm voz direta na definição da agenda referente ao uso e uso de armas nucleares.
 
Enquanto isso, o Pentágono lançou uma grande campanha de propaganda e relações públicas com o objetivo de manter o uso de armas nucleares para a "defesa da pátria americana".
 
Totalmente endossado pelo Congresso dos EUA, as mini-armas nucleares são consideradas "seguras para os civis".
 
Esta nova geração de armas nucleares está programada para ser usada na próxima fase desta guerra, em "teatros de guerra convencionais" (por exemplo, no Oriente Médio e na Ásia Central), ao lado de armas convencionais.
 
Em dezembro de 2003, o Congresso dos EUA destinou US $ 6,3 bilhões apenas para 2004, para desenvolver essa nova geração de armas nucleares "defensivas".
 
O orçamento anual total de defesa é da ordem de US $ 400 bilhões, aproximadamente da mesma ordem de grandeza que todo o Produto Interno Bruto (PIB) da Federação Russa.
 
Embora não exista uma evidência firme do uso de minicombustíveis nos teatros de guerra do Iraque e do Afeganistão, testes realizados pelo Centro de Pesquisa Médica do Canadá (UMRC), no Afeganistão, confirmam que a radiação tóxica registrada não era atribuível ao urânio empobrecido do 'heavy metal' munição (DU), mas a outra forma não identificada de contaminação por urânio:
 
“Alguma forma de arma de urânio havia sido usada (...) Os resultados foram surpreendentes: os doadores apresentaram concentrações de isótopos tóxicos e radioativos entre 100 e 400 vezes maiores do que os veteranos da Guerra do Golfo testados em 1999.” www.umrc.net
 
O Planejamento da Guerra
 
A guerra contra o Iraque está em fase de planejamento, pelo menos desde meados dos anos 90.
 
Um documento de segurança nacional de 1995 do governo Clinton afirmou claramente que o objetivo da guerra é o petróleo. “Para proteger o acesso ininterrupto e seguro dos EUA ao petróleo.
 
Em setembro de 2000, alguns meses antes da adesão de George W. Bush à Casa Branca, o Projeto para um Novo Século Americano (PNAC) publicou seu projeto de dominação global sob o título: "Reconstruindo as defesas da América".
 
O PNAC é um think tank neoconservador ligado ao establishment de Inteligência de Defesa, ao Partido Republicano e ao poderoso Conselho de Relações Exteriores (CFR), que desempenha um papel nos bastidores na formulação da política externa dos EUA.
 
O objetivo declarado do PNAC é bastante simples:
 
"Lute e vença decisivamente em várias guerras simultâneas no teatro".
 
Esta declaração indica que os EUA planejam se envolver simultaneamente em vários teatros de guerra em diferentes regiões do mundo.
 
O vice-secretário de Defesa Paul Wolfowitz, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld e o vice-presidente Dick Cheney encomendaram o plano da PNAC antes das eleições presidenciais.
 
O PNAC traça um roteiro de conquista. Apela à “imposição direta de“ bases avançadas ”dos EUA em toda a Ásia Central e no Oriente Médio“, com o objetivo de garantir o domínio econômico do mundo, enquanto estrangula qualquer “rival” potencial ou alternativa viável à visão americana de um 'livre' "economia de mercado" (Ver Chris Floyd, Cruzada do império de Bush, Global Outlook, No. 6, 2003)
 
O papel dos “eventos massivos de produção de baixas”
 
O plano da PNAC também descreve uma estrutura consistente de propaganda de guerra. Um ano antes do 11 de setembro, o PNAC pediu "algum evento catastrófico e catalisador, como um novo Pearl Harbor", que serviria para galvanizar a opinião pública dos EUA em apoio a uma agenda de guerra. (Veja isto )
 
Os arquitetos da PNAC parecem ter antecipado com precisão cínica o uso dos ataques de 11 de setembro como "um incidente de pretexto de guerra".
 
A referência da PNAC a um "evento catastrófico e catalisador" ecoa uma declaração semelhante de David Rockefeller ao Conselho Empresarial das Nações Unidas em 1994:
 
“Estamos à beira da transformação global. Tudo o que precisamos é da grande crise certa e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial. ”
 
Da mesma forma, nas palavras Zbigniew Brzezinski em seu livro The Grand Chessboard:
 
"... pode ser mais difícil estabelecer um consenso [na América] sobre questões de política externa, exceto nas circunstâncias de uma ameaça externa direta verdadeiramente massiva e amplamente percebida".
 
Zbigniew Brzezinski, que foi consultor de segurança nacional do presidente Jimmy Carter, foi um dos principais arquitetos da rede Al Qaeda, criada pela CIA após o ataque da guerra soviética no Afeganistão (1979-1989).
 
O "evento catastrófico e catalisador", conforme declarado pelo PNAC, é parte integrante do planejamento da inteligência militar dos EUA. O general Franks, que liderou a campanha militar no Iraque, apontou recentemente (outubro de 2003) para o papel de um "evento massivo de produção de baixas" para reunir apoio à imposição do regime militar na América. (Ver o general Tommy Franks pede a revogação da Constituição dos EUA, novembro de 2003 ).
 
Franks identifica o cenário exato pelo qual o governo militar será estabelecido:
 
“Um evento terrorista, maciço e causador de baixas [ocorrerá] em algum lugar do mundo ocidental - pode ser nos Estados Unidos da América - que faz com que nossa população questione nossa própria Constituição e comece a militarizar nosso país para evitar uma repetição de outro evento massivo de produção de vítimas. ”(Ibid)
 
Esta declaração de um indivíduo, que estava ativamente envolvido no planejamento militar e de inteligência nos níveis mais altos, sugere que a “militarização do nosso país” é uma suposição operacional em andamento. Faz parte do "consenso de Washington" mais amplo. Ele identifica o "roteiro" da administração Bush de guerra e "Defesa da Pátria". Desnecessário dizer que também é parte integrante da agenda neoliberal.
 
O “evento terrorista de produção maciça de vítimas” é apresentado pelo general Franks como um ponto de virada política crucial. A crise resultante e a turbulência social visam facilitar uma grande mudança nas estruturas políticas, sociais e institucionais dos EUA.
 
A declaração do general Franks reflete um consenso entre os militares dos EUA sobre como os eventos devem se desenrolar. A "guerra ao terrorismo" é uma justificativa para a revogação do Estado de Direito, com o objetivo de "preservar as liberdades civis".
 
A entrevista de Franks sugere que um ataque terrorista patrocinado pela Al Qaeda será usado como um "mecanismo de gatilho" para um golpe de estado militar na América. O “evento do tipo Pearl Harbor” do PNAC seria usado como justificativa para declarar um estado de emergência, levando ao estabelecimento de um governo militar.
 
Em muitos aspectos, a militarização de instituições civis do Estado nos EUA já é funcional sob a fachada de uma falsa democracia.
 
Propaganda de Guerra
 
Após os ataques de setembro ao World Trade Center, o Secretário de Defesa Donald Rumsfeld criou para o Escritório de Influência Estratégica (OSI), ou "Escritório de Desinformação", como foi rotulado por seus críticos:
 
“O Departamento de Defesa disse que eles precisavam fazer isso e que estavam indo para plantar histórias falsas em países estrangeiros - como um esforço para influenciar a opinião pública em todo o mundo. (Entrevista com Steve Adubato, Fox News, 26 de dezembro de 2002.)
 
E, de repente, o OSI foi formalmente dissolvido após pressões políticas e histórias "incômodas" da mídia de que "seu objetivo era deliberadamente mentir para promover os interesses americanos". (Air Force Magazine, janeiro de 2003, itálico acrescentou) Rumsfeld recuou e disse que isso é embaraçoso. ”(Adubato, op. cit. itálicos acrescentados) No entanto, apesar dessa aparente mudança de direção, a campanha de desinformação orwelliana do Pentágono permanece funcionalmente intacta:“ [O] secretário de defesa não está sendo particularmente sincero aqui. A desinformação na propaganda militar faz parte da guerra. ”(Ibid)
 
Rumsfeld mais tarde confirmou em uma entrevista à imprensa que, embora o OSI não exista mais no nome, as "funções pretendidas do Escritório estão sendo executadas". (Citado no Secrecy News da Federação de Cientistas Americanos (FAS) , a entrevista à imprensa de Rumsfeld pode ser consultada aqui ).
 
Várias agências governamentais e unidades de inteligência - com ligações ao Pentágono - permanecem ativamente envolvidas em vários componentes da campanha de propaganda. As realidades estão de cabeça para baixo. Atos de guerra são anunciados como "intervenções humanitárias" voltadas para "mudança de regime" e "restauração da democracia". A ocupação militar e o assassinato de civis são apresentados como "manutenção da paz". A derrogação das liberdades civis - no contexto da chamada "legislação antiterrorista" - é retratada como um meio de proporcionar "segurança doméstica" e defender as liberdades civis.
 
O papel central da Al Qaeda na doutrina de segurança nacional de Bush
 
Explicada na Estratégia de Segurança Nacional (NSS), a doutrina preventiva da “guerra defensiva” e a “guerra ao terrorismo” contra a Al Qaeda constituem os dois elementos essenciais da campanha de propaganda do Pentágono.
 
O objetivo é apresentar a "ação militar preventiva" - significando a guerra como um ato de "autodefesa" contra duas categorias de inimigos, "Estados desonestos" e "terroristas islâmicos":
 
“A guerra contra terroristas de alcance global é uma empresa global de duração incerta. (…) Os EUA agirão contra essas ameaças emergentes antes de serem totalmente formadas.
 
... Estados desonestos e terroristas não procuram nos atacar usando meios convencionais. Eles sabem que esses ataques falhariam. Em vez disso, eles se baseiam em atos de terror e, potencialmente, no uso de armas de destruição em massa (…)
 
Os alvos desses ataques são nossas forças militares e nossa população civil, violando diretamente uma das principais normas da lei de guerra. Como foi demonstrado pelas perdas de 11 de setembro de 2001, as baixas civis em massa são o objetivo específico dos terroristas e essas perdas seriam exponencialmente mais graves se os terroristas adquirissem e usassem armas de destruição em massa.
 
Os Estados Unidos mantêm há muito a opção de ações preventivas para combater uma ameaça suficiente à nossa segurança nacional. Quanto maior a ameaça, maior o risco de inação - e mais convincente é o caso de tomar ações antecipadas para nos defendermos (...). Para prevenir ou impedir tais atos hostis de nossos adversários, os Estados Unidos, se necessário, agirão preventivamente. ”12 ( Estratégia de Segurança Nacional, Casa Branca, 2002 )
 
Para justificar ações militares preventivas, a Doutrina de Segurança Nacional exige a "fabricação" de uma ameaça terrorista, ou seja. "Um inimigo externo". Também precisa vincular essas ameaças terroristas ao "patrocínio estatal" pelos chamados "estados desonestos".
 
Mas isso também significa que os vários “eventos maciços de produção de vítimas”, supostamente da Al Qaeda (o inimigo fabricado), fazem parte da agenda de Segurança Nacional.
 
Nos meses que antecederam a invasão do Iraque, operações secretas de "truques sujos" foram lançadas para produzir informações enganosas referentes às armas de destruição em massa (armas de destruição em massa) e à Al Qaeda, que depois foram introduzidas na cadeia de notícias.
 
Na esteira da guerra, enquanto a ameaça de armas de destruição em massa foi atenuada, as ameaças da Al Qaeda à 'Pátria' continuam repetidas ad náuseas em declarações oficiais, comentadas na rede de TV e coladas diariamente nos tablóides de notícias.
 
E por trás dessas realidades manipuladas, as ocorrências terroristas de "Osama bin Laden" estão sendo confirmadas como justificativa para a próxima fase desta guerra. O último articula de maneira muito direta:
 
1) a eficácia da campanha de propaganda do Pentágono-CIA, que é inserida na cadeia de notícias.
 
2) A ocorrência real de “eventos de produção massiva de vítimas”, conforme descrito no PNAC
 
O que isso significa é que os eventos terroristas reais (“produção massiva de vítimas”) são parte integrante do planejamento militar.
 
Ataques terroristas reais
 
Em outras palavras, para ser "eficaz", a campanha de medo e desinformação não pode se basear apenas em "avisos" infundados de ataques futuros, mas também requer ocorrências ou "incidentes" terroristas "reais", que dão credibilidade aos planos de guerra de Washington. Esses eventos terroristas são usados ​​para justificar a implementação de "medidas de emergência", bem como "ações militares de retaliação". Eles são obrigados, no contexto atual, a criar a ilusão de "um inimigo externo" que está ameaçando a pátria americana.
 
O desencadeamento de "incidentes de pretexto de guerra" faz parte das suposições do Pentágono. De fato, é parte integrante da história militar dos EUA (ver Richard Sanders, Incidentes de pretexto de guerra, Como iniciar uma guerra, Perspectiva Global, publicada em duas partes, Edições 2 e 3, 2002-2003).
 
Em 1962, os Chefes do Estado-Maior Conjunto haviam planejado um plano secreto intitulado "Operação Northwoods", para deliberadamente provocar vítimas civis para justificar a invasão de Cuba:
 
“Poderíamos explodir um navio americano na Baía de Guantánamo e culpar Cuba”. “Poderíamos desenvolver uma campanha terrorista comunista cubana na área de Miami, em outras cidades da Flórida e até em Washington”. de indignação nacional. ”(Veja o documento Top Secret 1962, desclassificado, intitulado“ Justificativa para a intervenção militar dos EUA em Cuba ”16 (Veja a Operação Northwoods aqui ).
 
 
Não há evidências de que o Pentágono ou a CIA tenham desempenhado um papel direto nos recentes ataques terroristas, incluindo na Indonésia (2002), Índia (2001), Turquia (2003) e Arábia Saudita (2003).
 
Segundo os relatórios, os ataques foram realizados por organizações (ou células dessas organizações), que operam de forma bastante independente, com um certo grau de autonomia. Essa independência é da natureza de uma operação secreta de inteligência. O «ativo de inteligência» não está em contato direto com seus patrocinadores secretos. Não é necessariamente consciente do papel que desempenha em nome de seus patrocinadores de inteligência.
 
A questão fundamental é quem está por trás deles? Através de quais fontes eles estão sendo financiados? Qual é a rede subjacente de laços?
 
Por exemplo, no caso do ataque a bomba em Bali em 2002, a suposta organização terrorista Jemaah Islamiah tinha links para a inteligência militar da Indonésia (BIN), que por sua vez tem links para a CIA e a inteligência australiana.
 
Os ataques terroristas de dezembro de 2001 ao Parlamento indiano - que contribuíram para levar a Índia e o Paquistão à beira da guerra - foram supostamente conduzidos por dois grupos rebeldes do Paquistão, Lashkar-e-Taiba (“Exército dos Puros”) e Jaish- e-Muhammad ("Exército de Mohammed"), ambos de acordo com o Conselho de Relações Exteriores (CFR), com o apoio do ISI do Paquistão. ( Conselho de Relações Exteriores , Washington 2002).
 
O que o CFR deixa de reconhecer é a relação crucial entre o ISI e a CIA e o fato de o ISI continuar a apoiar Lashkar, Jaish e o militante Jammu e Kashmir Hizbul Mujahideen (JKHM), além de colaborar com a CIA. (Para mais detalhes, consulte Michel Chossudovsky, Fabricating an Enemy, março de 2003 )
 
Uma investigação classificada em 2002, elaborada para orientar o Pentágono, “pede a criação do chamado 'Grupo de Operações Proativas e Preemptivas' (P2OG), para lançar operações secretas destinadas a“ estimular reações ”entre terroristas e estados que possuem armas de massa. destruição - isto é, por exemplo, instigando as células terroristas a se exporem a ataques de 'resposta rápida' das forças americanas. ”(William Arkin, The Secret War, The Los Angeles Times, 27 de outubro de 2002)
 
A iniciativa P2OG não é novidade. Estende essencialmente um aparato existente de operações secretas. Amplamente documentada, a CIA apoia grupos terroristas desde a era da Guerra Fria. Esse “estímulo de células terroristas” sob operações secretas de inteligência geralmente requer a infiltração e o treinamento de grupos radicais ligados à Al Qaeda.
 
Nesse sentido, o apoio secreto do aparato militar e de inteligência dos EUA foi canalizado para várias organizações terroristas islâmicas por meio de uma complexa rede de intermediários e representantes de inteligência. No decurso dos anos 90, agências do governo dos EUA colaboraram com a Al Qaeda em várias operações secretas, como confirmado por um relatório de 1997 do Comitê do Partido Republicano do Congresso dos EUA. (Ver Congresso dos EUA, 16 de janeiro de 1997 ). De fato, durante a guerra na Bósnia, os inspetores de armas dos EUA estavam trabalhando com agentes da Al Qaeda, trazendo grandes quantidades de armas para o Exército Muçulmano da Bósnia.
 
Em outras palavras, o governo Clinton estava "abrigando terroristas". Além disso, declarações oficiais e relatórios de inteligência confirmam as ligações entre as unidades de inteligência militar dos EUA e os agentes da Al Qaeda, como ocorreu na Bósnia (meados dos anos 90), Kosovo (1998-99) e Macedônia (2001). (Veja Michel Chossudovsky, Guerra e Globalização, A verdade por trás de 11 de setembro, Visão Global, 2003, Capítulo 3 )
 
A administração Bush e a OTAN tinham ligações com a Al Qaeda na Macedônia. E isso aconteceu poucas semanas antes de 11 de setembro de 2001, os conselheiros militares dos EUA de uma equipe particular de mercenários contratados pelo Pentágono estavam lutando ao lado de Mujahideen nos ataques terroristas às forças de segurança da Macedônia. Isso está documentado pela imprensa macedônia e declarações feitas pelas autoridades macedônicas. (Veja Michel Chossudovsky, op cit). O governo dos EUA e a Rede Militante Islâmica estavam trabalhando juntos no apoio e financiamento do Exército de Libertação Nacional (NLA), que estava envolvido nos ataques terroristas na Macedônia.
 
Em outras palavras, os militares dos EUA estavam colaborando diretamente com a Al Qaeda poucas semanas antes do 11 de setembro.
 
Al Qaeda e Inteligência Militar do Paquistão (ISI)
 
É de fato revelador que em praticamente todas as ocorrências terroristas pós-11 de setembro, a organização terrorista é relatada (pela mídia e em declarações oficiais) como tendo “laços com a Al Qaeda de Osama bin Laden”. Isso por si só é uma informação crucial. Obviamente, o fato de a Al Qaeda ser uma criação da CIA não é mencionado nas reportagens da imprensa nem é considerado relevante para a compreensão dessas ocorrências terroristas.
 
Os laços dessas organizações terroristas (particularmente as da Ásia) com a inteligência militar do Paquistão (ISI) são reconhecidos em alguns casos por fontes oficiais e comunicados de imprensa. Confirmado pelo Conselho de Relações Exteriores (CFR), alguns desses grupos teriam links para o ISI do Paquistão, sem identificar a natureza desses links. Escusado será dizer que esta informação é crucial para identificar os patrocinadores desses ataques terroristas. Em outras palavras, diz-se que o ISI apóia essas organizações terroristas, mantendo ao mesmo tempo laços estreitos com a CIA.
 
11 de setembro
 
Enquanto Colin Powell - sem apoiar evidências - apontou em seu discurso da ONU em fevereiro de 2003 ao "nexo sinistro entre o Iraque e a rede terrorista da Al Qaeda", documentos oficiais, relatórios de imprensa e inteligência confirmam que sucessivas administrações dos EUA apoiaram e incentivaram a rede militante islâmica . Essa relação é um fato estabelecido, corroborado por numerosos estudos, reconhecidos pelos principais think tanks de Washington.
 
Colin Powell e seu vice Richard Armitage , que nos meses que antecederam a guerra acusaram Bagdá e outros governos estrangeiros de "abrigar" a Al Qaeda, tiveram um papel direto, em diferentes pontos de suas carreiras, no apoio a organizações terroristas.
 
Os dois homens estavam envolvidos - operando nos bastidores - no escândalo de Irangate Contra durante o governo Reagan, que envolveu a venda ilegal de armas ao Irã para financiar o exército paramilitar da Nicarágua Contra e os Mujahideen afegãos. (Para mais detalhes, consulte Michel Chossudovsky, Expor as ligações entre a Al Qaeda e a administração Bush )
 
Além disso, Richard Armitage e Colin Powell tiveram um papel importante no encobrimento do 11 de setembro. As investigações e pesquisas realizadas nos últimos dois anos, incluindo documentos oficiais, testemunhos e relatórios de inteligência, indicam que o 11 de setembro foi uma operação de inteligência cuidadosamente planejada, e não um ato conduzido por uma organização terrorista. (Para mais detalhes, consulte Center for Research on Globalization, 24 artigos principais, setembro de 2003)
 
O FBI confirmou em um relatório divulgado ao final de setembro de 2001 o papel da Inteligência Militar do Paquistão. Segundo o relatório, o suposto líder do anel do 11 de setembro, Mohammed Atta, foi financiado por fontes do Paquistão. Um relatório de inteligência subsequente confirmou que o então chefe do general ISI Mahmoud Ahmad havia transferido dinheiro para Mohammed Atta. (Veja Michel Chossudovsky, Guerra e Globalização, op.cit.)
 
Além disso, relatos da imprensa e declarações oficiais confirmam que o chefe do ISI foi uma visita oficial aos EUA de 4 a 13 de setembro de 2001. Em outras palavras, o chefe do ISI do Paquistão, que supostamente transferiu dinheiro para os terroristas também tinha um relacionamento pessoal próximo com vários altos funcionários do governo Bush, incluindo Colin Powell, o diretor da CIA George Tenet e o vice-secretário Richard Armitage, que ele conheceu durante sua visita a Washington. (Ibidem)
 
O movimento anti-guerra
 
Um movimento anti-guerra coeso não pode basear-se apenas na mobilização de sentimentos anti-guerra. Em última análise, deve derrubar os criminosos de guerra e questionar seu direito de governar.
 
Uma condição necessária para derrubar os governantes é enfraquecer e eventualmente desmantelar sua campanha de propaganda.
 
O momento dos grandes comícios antiguerra nos EUA, na União Européia e no mundo todo deve estabelecer as bases de uma rede permanente composta por dezenas de milhares de comitês antiguerra em bairros, locais de trabalho, paróquias, escolas , universidades etc. É finalmente através dessa rede que a legitimidade daqueles que “governam em nosso nome” será contestada.
 
Para desviar os planos de guerra da administração Bush e desativar sua máquina de propaganda, precisamos alcançar nossos concidadãos em todo o país, nos EUA, Europa e em todo o mundo, para os milhões de pessoas comuns que foram enganadas sobre as causas e consequências desta guerra.
 
Isso também implica descobrir completamente as mentiras por trás da "guerra ao terrorismo" e revelar a cumplicidade política do governo Bush nos eventos do 11 de setembro.
 
11 de setembro é uma farsa. É a maior mentira da história dos EUA.
 
Desnecessário dizer que o uso de "eventos massivos de produção de baixas" como pretexto para a guerra é um ato criminoso. Nas palavras de Andreas van Buelow, ex-ministro da Tecnologia da Alemanha e autor da CIA e 11 de setembro:
 
"Se o que eu digo está certo, todo o governo dos EUA deve acabar atrás das grades."
 
No entanto, não basta remover George W. Bush ou Tony Blair, que são meros fantoches. Também devemos abordar o papel dos bancos, corporações e instituições financeiras globais, que estão indelevelmente por trás dos atores militares e políticos.
 
Cada vez mais, o establishment da inteligência militar (em vez do Departamento de Estado, da Casa Branca e do Congresso dos EUA) está dando os tiros na política externa dos EUA. Enquanto isso, os gigantes do petróleo do Texas, os contratados de defesa, Wall Street e os poderosos gigantes da mídia, operando discretamente nos bastidores, estão se esforçando. Se os políticos se tornam uma fonte de grande constrangimento, eles próprios podem ser desacreditados pela mídia, descartados e uma nova equipe de fantoches políticos pode ser levada ao cargo.
 
Criminalização do Estado
 
A “criminalização do Estado” é quando criminosos de guerra ocupam legitimamente posições de autoridade, o que lhes permite decidir “quem são os criminosos”, quando na verdade eles são criminosos.
 
Nos EUA, republicanos e democratas compartilham a mesma agenda de guerra e há criminosos de guerra em ambas as partes. Ambas as partes são cúmplices no encobrimento do 11 de setembro e na busca resultante pela dominação mundial. Todas as evidências apontam para o que é melhor descrito como “a criminalização do Estado”, que inclui o Judiciário e os corredores bipartidários do Congresso dos EUA.
 
Sob a agenda da guerra, oficiais de alto escalão do governo Bush, membros das forças armadas, do Congresso dos EUA e do Judiciário receberam a autoridade não apenas para cometer atos criminosos, mas também para designar aqueles no movimento anti-guerra que se opõem a estes. atos criminosos como "inimigos do Estado".
 
De maneira mais geral, o aparato militar e de segurança dos EUA endossa e apóia interesses econômicos e financeiros dominantes - isto é, a formação, bem como o exercício de forças armadas, pode impor o "livre comércio". O Pentágono é um braço de Wall Street; A OTAN coordena suas operações militares com o Banco Mundial e as intervenções políticas do FMI e vice-versa. Consistentemente, os órgãos de segurança e defesa da aliança militar ocidental, juntamente com as várias burocracias civis e governamentais e intergovernamentais (por exemplo, FMI, Banco Mundial, OMC) compartilham um entendimento comum, consenso ideológico e compromisso com a Nova Ordem Mundial.
 
Para reverter a maré da guerra, as bases militares devem ser fechadas, a máquina de guerra (ou seja, a produção de sistemas avançados de armas como armas de destruição em massa) deve ser parada e o crescente estado policial deve ser desmantelado. Em geral, devemos reverter as reformas do “mercado livre”, desmantelar as instituições do capitalismo global e desarmar os mercados financeiros.
 
A luta deve ser ampla e democrática, abrangendo todos os setores da sociedade em todos os níveis, em todos os países, unindo-se em um grande impulso: trabalhadores, agricultores, produtores independentes, pequenas empresas, profissionais, artistas, funcionários públicos, membros do clero, estudantes e intelectuais.
 
Os movimentos anti-guerra e anti-globalização devem ser integrados em um único movimento mundial. As pessoas devem estar unidas entre os setores, os grupos de “questão única” devem dar as mãos em um entendimento comum e coletivo sobre como a Nova Ordem Mundial destrói e empobrece.
 
A globalização dessa luta é fundamental, exigindo um grau de solidariedade e internacionalismo sem precedentes na história mundial. Esse sistema econômico global se alimenta da divisão social entre e dentro dos países. A unidade de propósitos e a coordenação mundial entre diversos grupos e movimentos sociais é crucial. É necessário um grande impulso que reúna movimentos sociais em todas as principais regiões do mundo em uma busca e compromisso comuns com a eliminação da pobreza e uma paz mundial duradoura.
 
***
No dia dos direitos humanos, em 10 de dezembro de 2003, Michel Chossudovsky recebeu o Prêmio de Direitos Humanos da Sociedade para a Proteção dos Direitos Civis e da Dignidade Humana (GBM), de 2003. [ detalhes deutsch ] Fotos do evento GBM em Berlim, clique aqui
 
O texto em alemão deste artigo foi publicado por Junge Welt: Vortrag von Michel Chossudovsky Neuordnung der Welt Der Krieg der USA um mundo hegemônico (Teil 1)   Die Gesellschaft zum Schutz Von Bürgerrecht Und Menschenwürde (GBM), 10 de dezembro de 2003
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/guerra-dos-eua-pela-dominacao-global.html

Iraque inicia preparo para retirada de tropas estrangeiras, afirma porta-voz militar

Autoridades iraquianas deram início ao preparo para retirada das forças estrangeiras do país, declarou o porta-voz militar iraquiano, Abdel Karim Khalaf, em uma coletiva de imprensa em Bagdá nesta segunda-feira (6).

O porta-voz indicou que "o governo iraquiano restringiu o movimento terrestre e aéreo das forças militares da coalizão internacional, além de não permitir o movimento das mesmas onde quer que seja".

"O governo do Iraque se preparou para o início da retirada das tropas norte-americanas do Iraque. As atividades da coalizão internacional no Iraque serão limitadas a aconselhamentos, armamentos e treinamentos de militares, já as forças armadas sairão do Iraque [...] Os últimos ataques norte-americanos foram uma insensatez que não pode ser abafada", expressou Khalaf em entrevista ao canal Al-Jazeera.

De acordo com Khalaf, os norte-americanos realizaram operações sozinhos, sem notificar o Estado-Maior iraquiano.

No dia 3 de janeiro, os EUA realizaram um ataque aéreo contra o aeroporto internacional nos subúrbios de Bagdá em que mataram o major-general iraniano Qassem Soleimani e outras 11 pessoas. A ação não contou com a autorização das autoridades iraquianas, provocando indignação do governo e rechaço à presença norte-americana.

Desde então, a região vive uma nova escalada de tensões, em uma troca constante de acusações entre os Estados Unidos e Irã, que pode eclodir em um enfrentamento militar entre os dois países.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010614976079-iraque-iniciou-preparo-de-retirada-de-tropas-estrangeiras-afirma-comandante-iraquiano/

O APODRECIMENTO DO IMPÉRIO EUA

 
 
Desde há décadas o imperialismo manda assassinar aqueles que em todo o mundo parecem ameaçar os seus interesses. Estadistas como Lumumba no Congo e Omar Torrijos no Panamá caíram vítimas das tramas dos serviços secretos estado-unidenses.
 
As tentativas de assassínio de Fidel Castro precisariam de uma base de dados para serem listadas, pois foram às centenas. Até agora, todos esses crimes eram cometidos de modo encoberto. Os métodos utilizados eram sempre camuflados e a CIA, na sua linguagem característica, procurava ter uma "negação plausível" para isentar-se de responsabilidades. 
 
Agora, com o assassínio do general Soleimani, tudo isto mudou. Assim, vemos o chefe de Estado da potência imperial assumir publicamente a responsabilidade de ter sido o mandante do crime. Isto é inédito – indica o grau de deterioração moral do governo dos EUA. Ele já se comporta descaradamente como gangster.
 
Resistir.info

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/o-apodrecimento-do-imperio-eua.html

Islâmicos jamais perdoarão aos EUA assassínio de Soleimani

O reconhecimento dos EUA em relação à autoria do crime contra o general Soleimani do Irão demonstra que se tratou de um assassínio premeditado. O crime foi maquiavélico, sem escrúpulos, ordenado por um monstro. Talvez por isso, a Rússia, China e Irão já realizam acções militares conjuntas.

 

 

O ataque a Bagdad, meticulosamente planeado pelos EUA (e por Israel), assumido despudoradamente pelo Pentágono, teve como alvos estratégicos e específicos o general Soleimani e o comandante Al-Muhandis (Comandante das Unidades de Mobilização Popular – UMF).

Este ataque, claramente direccionado para o Irão, Iraque e Líbano, irá contribuir de forma dramática para a exponencial de graves conflitos na região.

Portanto, a questão em causa, não é discutir, nem fazer juízos de valor sobre a personalidade e as idiossincrasias associadas ao general Soleimani, como alguns pró-trumpistas se apressaram a fazer, para (tentar) justificar um crime altamente condenável.

Ora, se quisermos fazer juízos de valor, e falar em moral, deixemos de hipocrisias, devemos começar por apontar o dedo aos EUA.

Quem não se recorda dos bombardeamentos atómicos das cidades de Hiroshima e Nagasaki realizados pelos EUA em Agosto de 1945? O único momento na história em que armas nucleares foram usadas contra seres humanos foi sob ordem daqueles que agora decidem intitular de terroristas quem está contra eles.

Esta propensão dos EUA (e de alguns países europeus) pelas bombas nucleares é crescente e sabe-se que haverá actualmente mais de 100 bombas nucleares colocadas pelos EUA em vários países da Europa, nomeadamente na Itália, Alemanha, Holanda, entre outros.

No caso de Hiroshima a destruição da cidade foi incalculável, ficou um campo totalmente destruído, com poeira tóxica, com mais de 60 mil mortos, porque a explosão ocorreu no ar. Se tivesse ocorrido em terra não haveria sobreviventes porque a onda de choque espalhar-se-ia de forma horizontal.

Obviamente, em 2020, para morrermos todos não serão necessárias tantas bombas atómicas como essas que o monstro do Trump anda a espalhar pela Europa e por outros cantos do mundo.

Portanto, no actual contexto político-militar, face à gravidade da situação, em primeiro lugar, urge denunciar e condenar um acto criminoso que retirou a vida a uma figura político-militar de alto prestígio na região, o segundo homem do Irão.

Seguidamente, denunciar que houve uma clara violação da soberania do Iraque, uma grave violação do direito internacional, que já está a provocar uma escalada da violência no Médio Oriente (após o ataque do EUA ao Iraque tem havido rebentamentos na Zona Verde de Bagdad) e a originar vários posicionamentos políticos, geo-estratégicos e militares.

Rússia, China, Irão e Iraque reagem à «Declaração de Guerra» dos EUA

A «ordem para matar» Soleimani, como qualquer pessoa de bom senso concordará, repito, tratou-se de um comportamento maquiavélico e sem escrúpulos de Donald Trump.

Obviamente, entre outros aspectos, como era do seu interesse e dos republicanos, desde logo, parou-se o julgamento de impechement de Trump porque os democratas, também eles, ficam agora mergulhados no imbróglio criado com os ataques militares dos EUA ao Iraque.

A «ordem para matar» o general Soleimani, até na opinião de Philip Gordon, antigo responsável da Casa Branca para o Médio Oriente e o Golfo Pérsico no tempo de Obama, corresponde a uma «Declaração de Guerra» dos EUA (Fonte: BBC News).

Philip Gordon – antigo responsável da Casa Branca para o Médio Oriente

As consequências do assassinato do general Soleimani começaram a ganhar forma e a assumir contornos complexos, nomeadamente, no Iraque.

Neste Domingo, dia 5, em sessão extraordinária o Parlamento iraquiano decidiu-se pela expulsão das tropas americanas do país.

A deliberação tomada reflecte o ódio aos americanos e foi a primeira represália ao assassinato internacional do general Soleimani e do comandante iraquiano Mahdi al-Muhandis, uma humilhação para a grande América de Donald Trump.

Parlamento iraquiano vota expulsão de tropas americanas do país (Fonte: Handout / Reuters)

A expulsão do território nacional do Iraque das tropas americanas, recordo que existem perto de 5 mil tropas dos EUA, foi uma retaliação, mas, no terreno, tudo poderá acontecer contra a Zona Verde onde está instalada a embaixada dos EUA em Bagdad.

Para além da expulsão das tropas americanas, a resolução refere que o governo deve proibir que as forças estrangeiras usem a terra, espaço aéreo ou água por qualquer motivo e que sejam cancelados quaisquer pedidos de ajuda do Iraque ao governo americano.

Entretanto, o Irão também já anunciou que irá retomar o programa nuclear que tinha interrompido.

The nuclear water reactor of Arak, south of capital Tehran. ©  AFP / Iranian Atomic Energy Organisation

A vingança do Irão é tão certa que o Major-General Mohsén Rezai, em Bagdad, já avisou os EUA que Israel será imediatamente atacada se os EUA concretizarem mais agressões militares contra o Irão depois de se consumar a vingança do assassínio do general Qassem Soleimani.

A Rússia, a China e o Irão realizaram manobras militares conjuntas, uma acção que agradou ao presidente do Irão, Hassan Rouhani, tendo-as considerado “complexas” e que tiveram “importância estratégica”.

Estas manobras assumem relevância especial porque acontecem no actual contexto, na medida em que segundo Rouhani “são duas super-potências aliadas às forças navais dos guardiões da revolução islâmica” (Fonte: Press TV)

Nos últimos dias de Dezembro do ano de 2019 as marinhas da Rússia, China e Irão realizaram exercícios com navios de guerra no Oceano Índico e no Golfo de Omã.

A Rússia e a China declararam que tomarão medidas conjuntas para resolver pacificamente os conflitos.

Donald Trump, sempre arrogante, igual a si próprio

O ataque ao Iraque para o assassínio do general iraniano foi mais uma demonstração da ambição norte-americana do seu poderio militar e de afirmação dos interesses imperialistas, que ultrapassam e violam o direito internacional.

Donald Trump, sempre arrogante, igual a si próprio, com mais este triste espectáculo baseado no seu poder considera-se no direito de estabelecer um «novo direito», de intervir, julgar e matar, em qualquer parte do mundo.

Neste quadro dramático haverá, seguramente, uma resposta à «Declaração de Guerra» de Donald Trump. Os seguidores do Islão não perdoarão aos EUA os assassinatos de Soleimani e Al-Muhandis.

E se dúvidas houver, basta pensar nos milhões de iranianos que saíram às ruas e nas dezenas de deputados do Irão que se posicionaram frente ao Congresso neste Domingo, dia 5, a gritar, “morte à América”.


 

 

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/islamicos-jamais-perdoarao-aos-eua-assassinio-de-soleimani/

Trump volta a ameaçar atacar sítios culturais do Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste domingo (5) atacar sítios culturais do Irã, minimizando preocupações de que isso poderia se constituir um crime de guerra. 

"Eles podem matar nosso povo. Eles podem torturar e mutilar nosso povo. Eles podem usar bombas na estrada e explodir nosso povo. E nós não podemos encostar em seus sítios culturais? Não funciona desse jeito", disse Trump a bordo do avião presidencial ao voltar da Florida para Washington, segundo citado pela agência AP. 

O presidente americano já havia mencionado a possibilidade de atingir sítios culturais iranianos por meio de um post no Twitter publicado no sábado (4). O Irã tem uma herança cultural milenar e possui muitos sítios arqueológicos reconhecidos mundialmente. 

'Grande retaliação'

A bordo do Air Force One, ele afirmou ainda que se o Teerã "fizer alguma coisa haverá uma grande retaliação". 

Trump disse também que as tropas norte-americanas só deixarão o Iraque se Bagdá pagar por uma base aérea dos EUA instalada no país.

Mais cedo, o Parlamento do Iraque aprovou uma resolução pedindo a retirada das tropas estrangeiras do país, incluindo as forças norte-americanas, que têm forte presença no território iraquiano. 

A tensão no Oriente Médio vem crescendo desde a morte do general iraniano Qassam Solaimani nos arredores de Bagdá, em bombardeio ordenado por Trump.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse neste domingo que os EUA podem atacar outros líderes iranianos caso Teerã decida retaliar. Por outro lado, o Irã anunciou que não tinha mais compromissos com o acordo nuclear assinado em 2015.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010514973653-trump-ameaca-atacar-sitios-culturais-do-ira/

EUA dizem que estão 'desapontados' com decisão que pede saída de tropas americanas do Iraque

Canhão americano M777 howitzer em ação (foto de arquivo)
© AP Photo / Sgt. Paul Sale

Os EUA expressaram "desapontamento" com a decisão do Parlamento do Iraque de pedir a saída de todas as tropas estrangeiras do território iraquiano, entre elas as forças norte-americanas. 

Os Estados Unidos mantêm forte presença no Iraque desde a invasão aprovada pelo então presidente George W. Bush, em 2003. 

A votação no parlamento ocorreu neste domingo (5) e agora precisa de autorização do governo. 

"Os Estados Unidos estão desapontados com a ação tomada hoje no Conselho de Representantes do Iraque. Enquanto aguardamos mais esclarecimentos sobre a natureza legal e o impacto da resolução de hoje, instamos fortemente os líderes iraquianos a considerar a importância da relação econômica e de segurança em andamento entre os dois países, e da presença contínua da Coalizão Global para Derrotar o Daesh [grupo terrorista proibido na Rússia e vários outros países]", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Morgan Ortagus. 

A resolução do Parlamento também determinou a retirada do apoio iraquiano à coalizão internacional contra o terrorismo liderada pelos EUA. 

O presidente norte-americano, Donald Trump, por sua vez, disse que os EUA só deixarão o Iraque se Bagdá pagar por uma base aérea instalada no território iraquiano. Além disso, ameaçou impor sanções contra o Iraque. 

Compromisso com 'Iraque soberano e estável'

"Nós acreditamos que é do interesse mútuo dos Estados Unidos e do Iraque continuar a combater o Daesh juntos. Essa administração permanece compromissada com um um Iraque soberano, estável e próspero", afirmou o porta-voz. 

A tensão no Oriente Médio aumentou desde a morte do general Qassem Soleimani e Abu Mahdi al-Muhandis, comandante-adjunto de um grupo de milícias xiitas iraquianas, em um ataque ordenado pelo presidente dos Estados Unidos. A ação ocorreu nos arredores de Bagdá, próximo ao aeroporto internacional da capital. 

Milhares de pessoas saíram às ruas do Iraque e do Irã neste sábado e domingo para prestar homenagens aos dois líderes. Autoridades iranianas prometeram vingar a morte de Soleimani, considerado umas das pessoas mais influentes da região.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020010514973615-eua-dizem-que-estao-desapontados-com-decisao-que-pede-saida-de-tropas-americanas-do-iraque/

Assassínio de Soleimani: o que pode acontecer a seguir?

por The Saker

General Soleimani. Primeiro, um rápido resumo da situação

Precisamos começar por resumir rapidamente o que acaba de acontecer:

1. O general Soleimani estava em Bagdad numa visita oficial para acompanhar o funeral dos iraquianos assassinados pelos EUA no dia 29
2. Os EUA agora assumiram oficialmente a responsabilidade por este assassinato
3. O Supremo Líder iraniano, aiatola Ali Khamenei declarou oficialmente que "Contudo, uma severa retaliação aguarda os criminosos que pintaram as suas mãos corruptas com o sangue dele e dos seus companheiros martirizados ontem à noite"

Os EUA colocam-se a si próprios – e ao Irão – em apuros

Os iranianos simplesmente não tiveram outra escolha senão declarar que haverá uma retaliação. Existem alguns problemas básicos com o que acontece a seguir. Vamos examiná-los um por um:

1. Primeiro, é bastante óbvio a partir dos disparates da agitação de bandeiras nos EUA que o Tio Shmuel [1] está "bloqueado e embriagado" por acções e reacções ainda mais machas. De facto, o secretário Esper basicamente descreveu os EUA no que eu chamaria de uma "super-reacção de encurralamento" ao declarar que "o jogo mudou" e que os EUA tomarão "acção antecipativa" sempre que se sintam ameaçados. Portanto, os iranianos têm de assumir que os EUA super-reagirão a qualquer coisas que mesmo remotamente se pareça a uma retaliação iraniana.

2. Não menos alarmante é que isto cria as condições absolutamente perfeitas para uma falsa bandeira como o " USS Liberty ". Exactamente agora, os israelenses tornaram-se pelo menos um grande perigo para os soldados e instalações dos EUA por todo o Médio Oriente, tal como os próprios iranianos. Como? Simples! Disparam um míssil/torpedo/mina a qualquer navio da US Navy e culpam o Irão. Todos nós sabemos que se isto acontecer as elites políticas dos EUA farão o que fizeram da última vez que isto aconteceu: deixam soldados dos EUA morrerem e protegem Israel a todo custo (leia sobre o USS Liberty se não sabe acerca disto).

3. Também há um risco muito real de "retaliações espontâneas" de outras partes (não o Irão ou seus aliados). De facto, na sua mensagem o aiatola Ali Khamenei declarou especificamente que "o martir Suleimani é uma face internacional para a Resistência e todos os amantes da Resistência partilham um anseio de retaliação pelo seu sangue . Todos os amigos – bem como todos os inimigos – agora devem saber que o caminho do Combate e Resistência continuará com duplicação da vontade e que a vitória final está decididamente a aguardar quem combate neste caminho". Ele está certo, Soleimani era amado e reverenciado por muitas pessoas em todo o globo, algumas das quais podem decidir vingar a sua morte. Isto significa que podemos muito bem ver alguma espécie de retaliação a qual, naturalmente, será atribuída ao Irão mas que poder não ser o resultado de quaisquer acções iranianas.

4. Finalmente, se os iranianos decidissem não retaliar, então podemos estar absolutamente certos de que o Tio Shmuel verá isto como uma prova da sua putativa "invencibilidade" e considerará que é uma licença para empenhar-se em acções ainda mais provocatórias.

Se examinarmos estes quatro factores em conjunto teremos de chegar à conclusão de que o Irão TEM de retaliar e TEM de fazê-lo publicamente.

Por que?

Porque quer os iranianos retaliem ou não, é quase garantido que sofrerão outro ataque dos EUA em retaliação a qualquer coisa que se pareça a uma retaliação, esteja o Irão envolvido ou não.

A dinâmica interna da política estado-unidense

Vamos a seguir examinar a dinâmica da política interna dos EUA:

Sempre afirmei que para os Neocons Donald Trump é um "presidente descartável". O que quero dizer com isso? Quero dizer que os Neocons utilizaram Trump para toda espécie de coisas fantasticamente estúpidas (quase TODAS as suas decisões políticas em relação a Israel e/ou Síria) por uma razão muito simples. Se Trump fizer algo extremamente estúpido e perigoso, ou ele se safará disso, caso em que os Neocons ficarão felizes, ou fracassará ou as consequências de suas decisões serão catastróficas, até ao ponto de os Neocons o jogarem fora e substituirem-no por um indivíduo ainda mais subserviente (digamos, Pence ou Pelosi). Por outras palavras, para os Neocons ter Trump a fazer algo ao mesmo tempo incrivelmente perigoso e fantatiscamente estúpido é uma situação em que sempre saem a ganhar!

Exactamente agora, os democratas (ainda o partido favorito dos Neocons) parecem estar decidido a cometer suicídio político com aquela ridícula (e traidora) insensatez do impeachment. Agora pense nisto do ponto de vista Neocon. Eles podem ser capazes de obter que os gentios (goyim, não judeus) dos EUA ataquem o Irão E livrarem-se de Trump. Suponho que o seu pensamento será algo como isto:

Trump parece pronto para vencer em 2020. Nós não queremos isso. No entanto, estamos fazendo tudo ao nosso alcance para desencadear um ataque dos EUA ao Irão desde praticamente 1979. Vamos fazer com que Trump faça isso. Se ele "vencer" (seja qual for a definição – mais acerca disso abaixo), nós vencemos. Se ele perder, os iranianos ainda estarão num mundo de sofrimento e sempre podemos descartá-lo como uma camisinha usado (usada para supostamente prejudicar alguém com segurança sem riscos para si mesmo). Além disso, se a região explodir, isso ajudará nosso amado Bibi e unirá os judeus dos EUA atrás de Israel. Finalmente, se Israel for atacado, imediatamente exigiremos (e, é claro, obteremos) um ataque maciço dos EUA ao Irão, apoiado por todo o establishment político e os media dos EUA. E, finalmente, se Israel for atingido duramente, sempre podemos usar nossas ogivas nucleares e dizer aos gentios (goyim) que "o Irão quer gasear 6 milhões de judeus e varrer a única democracia no Médio Oriente da face da terra" ou alguma coisa igualmente insípida.

Desde que Trump chegou à Casa Branca, nós o vimos bajular o lobby de Israel com um deleite extremo, mesmo para os padrões dos EUA. Suponho que o seu cálculo seja algo como "com o lobby de Israel atrás de mim, estou seguro na Casa Branca". Ele é obviamente demasiado estúpido e narcisista para perceber que tem sido usado o tempo todo. Para seu crédito (ou de um de seus principais conselheiros), ele NÃO permitiu que os Neocons iniciassem uma grande guerra contra a Rússia, China, RPDC, Venezuela, Iémen, Síria etc. No entanto, o Irão é um caso totalmente diferente, pois é o "número um" dos objectivos neocons e Israel queria atacá-lo e destruí-lo. Os Neocons até tinham este lema : "meninos vão para Bagdad, homens de verdade vão para Teerão". Agora que o tio Shmuel perdeu todas estas guerras selectas, agora que as forças armadas dos EUA já não têm mais credibilidade, agora é a hora de restaurar a auto-imagem "macho" do tio Shmuel e, de facto, "ir para Teerão" por assim dizer.

Os democratas (Biden) já estão a dizer que Trump simplesmente "lançou uma banana de dinamite para dentro de um paiol", como se eles se importassem com qualquer coisa além dos seus próprios, pequenos, objectivos políticos e de poder. Ainda assim, tenho de admitir que a metáfora de Biden é correcta – pois é exactamente o que Trump (e seus patrões reais) fizeram.

Se assumirmos que estou correcto na minha avaliação de que Trump é o "presidente descartável" dos neocon/israelenses, então temos de aceitar o facto de que as forças armadas dos neocon/israelenses também são "descartáveis". Isto na verdade é muito má notícia, pois significa que do ponto de vista neocon/israelense não há riscos reais em lançar os EUA numa guerra com o Irão.

Na verdade, a posição dos democratas é uma obra prima de hipocrisia, que pode ser resumida como se segue: o assassinato de Suleimani é um evento maravilhoso, mas Trump é um monstro por ter feito com que isto acontecesse.

Qual seria o resultado provável de uma guerra dos EUA ao Irão?

Tenho escrito tão frequentemente acerca deste tópico que não vou entrar aqui em todos os possíveis cenário. Tudo o que direi é o seguinte:

 

  • Para os EUA, "vencer" significa alcançar mudança de regime ou, na falta disso, destruir a economia iraniana.
  • Para o Irão, "vencer" significa simplesmente sobreviver à carnificina dos EUA.

Isto é uma ENORME assimetria que basicamente significa que os EUA não podem vencer e o Irão só pode vencer.

E, não, os iranianos não têm de derrotar o CENTCOM/NATO! Eles não precisam empenhar-se em grandes operações militares. Tudo o que eles precisam fazer é: permanecer "de pé" uma vez assentada a poeira.

Ho Chi Minh certa vez disse a um francês: "Você pode matar dez dos meus homens para cada um que eu mate dos seus, mas mesmo com esta vantagem você perderá e eu vencerei". Isto é exactamente porque o Irão finalmente prevalecerá, talvez a um enorme custo (Amaleque [2] deve ser destruído, não é), mas ainda assim será uma vitória

Agora vamos examinar os dois tipos de cenários de guerra mais básicos: fora do Irão e dentro do Irão.

Os iranianos, incluindo o próprio general Soleimani, declararam publicamente muitas vezes que ao tentar cercar o Irão e o Médio Oriente com numerosas forças de instalações os EUA deram ao Irão uma longa lista de alvos proveitosos. O campo de batalha mais óbvio para uma guerra por procuração (proxy war) é claramente o Iraque onde há uma grande quantidade de forças pró e anti iranianas que dão condições para um conflito longo, sangrento e arrastado (Moqtada al-Sadr acaba de declarar que o Exército Mahdi será remobiizado). Mas o Iraque está longe de ser o único lugar onde pode se verificar uma explosão de violência: a TOTALIDADE DO MÉDIO ORIENTE está bem dentro do "alcance" iraniano, seja por ataque directo ou através de ataque por forças simpáticas/aliadas. A seguir ao Iraque há também o Afeganistão e, potencialmente, o Paquistão. Em termos de escolha de instrumentos, as opções iranianas vão desde ataques de mísseis, até a acção directa de forças especiais, à sabotagem e muitas outras mais. A única limitação aqui é a imaginação dos iranianos e, acreditem-me, eles têm muita!

Se uma tal retaliação acontecer, os EUA terão duas opções básicas: atacar amigos e aliados do Irão fora do Irão ou, como Esper agora sugeriu, atacar o interior do Irão. Neste último caso, podemos seguramente assumir que qualquer de tais ataques resultará numa retaliação iraniana maciça às forças e instalações dos EUA por toda a região e num encerramento do Estreito de Ormuz.

Manter em mente que o slogan neocon "meninos vão para Bagdad, homens de verdade vão para Teerão", implicitamente reconhece o facto de que uma guerra contra o Irão seria qualitativamente (e mesmo quantitativamente) uma guerra diferente do que uma guerra contra o Iraque. E, isto é verdade, se os EUA planeiam seriamente atacar dentro do Irão eles seriam confrontados com uma explosão que faria todas as guerras desde a II Guerra Mundial parecerem comparativamente menores. Mas a tentação de provar ao mundo que Trump e seus apaniguados são "homens de verdade", em oposição a "meninos", pode ser demasiado forte, especialmente para um presidente que não entende que é uma ferramenta descartável nas mãos dos Neocons.

Agora, vamos examinar rapidamente o que NÃO acontecerá

A Rússia e/ou a China não ficarão envolvidas militarmente. Nem tão pouco os EUA utilizarão esta crise como um pretexto para atacar a Rússia e/ou a China. O Pentágono claramente não tem estômago para uma guerra (convencional ou nuclear) contra a Rússia e nem a Rússia tem qualquer desejo de uma guerra contra os EUA. O mesmo se passa com a China. Contudo, é importante recordar que a Rússia e a China têm outras opções, políticas e encobertas, para realmente ferirem os EUA e ajudarem o Irão. Há o Conselho de Segurança da ONU onde a Rússia e a China bloquearão qualquer resolução condenando o Irão. Sim, eu sei, o Tio Shmuel pouco se importa com a ONU ou o direito internacional, mas a maior parte do resto do mundo importa-se muito. Esta assimetria é mais uma vez exacerbada pelo tempo de atenção do Tio Shmuel (semanas no máximo) com a Rússia e a China (décadas). Isso importa?

Absolutamente.

Se os iraquianos declararem oficialmente que os EUA são uma força de ocupação (o que é verdade), uma força de ocupação que se empenha em actos de guerra contra o Iraque (o que é verdade) e que o povo iraquiano quer que o Tio Shmuel e seu discurso hipócrita acerca de "democracia" sejam empacotados e desapareçam, o que pode fazer o nosso Tio Shmuel? Ele tentará resistir, naturalmente, mas uma vez desaparecida a minúscula folha de figueira da "construção da nação", substituída por ainda outra ocupação feia e brutal dos EUA, a pressão política sobre os EUA para que dêem o fora será extremamente difícil de administrar, tanto dentro como fora dos EUA.

De facto, a televisão do estado iraniano classificou a ordem de Trump para mater Soleimani como "o maior erro de cálculo dos EUA" desde a II Guerra Mundial. "O povo da região não permitirá mais a permanência dos americanos", disse.

A seguir, tanto a Rússia como a China podem ajudar o Irão militarmente com inteligência, sistemas de armas, conselheiros e economicamente, de modos aberto e encoberto.

Finalmente, tanto a Rússia como a China têm os meios para, diremos, "sugerir fortemente" outros alvos estado-unidenses na "lista de países a atingir" pois agora será o momento perfeito para atacar os interesses dos EUA (por exemplo, no Extremo Oriente).

Assim, a Rússia e a China poderão e ajudarão, mas farão isto do modo que a CIA gosta de chamar "negabilidade plausível".

Retorno à Grande Questão: o que pode/fará o Irão a seguir?

Os iranianos são jogadores muito mais refinados do que a maior parte dos americanos despistados. Assim, a primeira coisa que eu sugeriria é ser improvável que os iranianos façam algo que os EUA esperem que façam. Ou farão alguma coisa totalmente diferente, ou actuarão muito mais tarde, uma vez que os EUA tenham baixado sua guarda (como sempre acontece depois de declararem "vitória").

Perguntei a um amigo bem informado se ainda era possível evitar a guerra. Aqui está o que ele respondeu:

"Sim, acredito que uma guerra em plena escala possa ser evitada. Acredito que o Irão pode tentar usar a sua influência política para unir forças política iraquianas para pedirem oficialmente a remoção de tropas estado-unidenses do Iraque. Chutar os EUA para fora do Iraque significará que eles não poderão mais ocupar o leste da Síria uma vez que as suas tropas ficarão em perigo entre dois estados hostis. Se os americanos abandonarem a Síria e o Iraque isso constituirá a vingança final para o Irão sem ter disparado um único tiro".

Tenho de dizer que concordo com esta ideia: uma das coisas mais penosas que o Irão poderia fazer a seguir seria utilizar este evento fantasticamente temerário para chutar os EUA para fora do Iraque em primeiro lugar e da Síria a seguir. Tal opção, se puder ser exercida, pode também proteger vidas iranianas e a sociedade iraniana de um ataque directo dos EUA. Finalmente, uma tal resultante daria ao assassínio do general Soleimani um significado muito diferente e belo: o sangue deste mártir libertou o Médio Oriente!

Finalmente, se esta for realmente a estratégia escolhida pelo Irão, isto não significa que ao nível táctico os iranianos não extraiam um preço das forças dos EUA na região ou mesmo algures no planeta. Exemplo: há alguns rumores de que a destruição do PanAm 103 sobre a Escócia não foi uma acção líbia, mas sim iraniana em retaliação directa pelo derrube deliberado pela US Navy do Airbus IranAir 655 sobre o Golfo Pérsico. Não estou a dizer que sei isto como um facto realmente acontecido, digo apenas que o Irão tem opções retaliatórias não limitadas ao Médio Oriente.

Conclusão: aguardemos o próximo movimento do Irão

Está previsto que o Parlamento iraquiano debata uma resolução pedindo a retirada das forças estado-unidenses do Iraque. Apenas digo que apesar de não acreditar que os EUA cavalheirescamente concordem com tais pedidos, isto colocará o conflito no âmago político. Isto é – por definição – muito mais desejável do que qualquer forma de violência, por mais justificada que ela possa parecer. Assim, sugiro fortemente àqueles que querem a paz que rezem para que os deputados iraquianos mostrem alguma honra e espinha dorsal e digam ao Tio Shmuel o que todo país sempre quis dos EUA: Yankees, go home!

Se isto acontecer será uma vitória total para o Irão e mais uma derrota abjecta (auto-derrota, realmente) do Tio Shmuel. Este é o melhor de todos os cenários possíveis.

Mas se isto não acontecer, então todas as apostas serão canceladas e o impulso desencadeado por este último acto de terrorismo dos EUA resultará em muito mais mortes.

Neste exacto momento (19:24 UTC), ainda penso que há aproximadamente 80% de probabilidade de uma guerra em grande escala no Médio Oriente e, mais uma vez, deixarei 20% para "acontecimentos inesperados" (espero que sejam bons).

03/Janeiro/2020
 
PS: este é um texto escrito sob grande pressão de tempo e não foi editado para eliminar gralhas ou outros erros. Peço aos auto-nomeados Gestapo da gramática para tomarem um descanso e não protestarem outra vez. Obrigado.
[1] Shmuel: Samuel, em hebraico.
[2] Amaleque: Filho de Elifaz e neto de Esaú (Bíblia); antiga tribo nómada descendente de Amaleque que habitava as terras de Canaã em tempos bíblicos.

Ver também:

 

O original encontra-se em thesaker.is/soleimani-murder-what-could-happen-next/

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/irao/saker_irao_03jan20.html

Trump arrisca uma guerra no Médio Oriente

 
 
Com a morte do general iraniano Qassim Soleimani, o presidente americano instiga um surto incontrolável de violência e enfraquece as forças democráticas no Irão e na região, opina Rainer Sollich.
 
Após a morte do general iraniano Qassim Soleimani em Bagdade, durante um ataque-surpresa dos Estados Unidos, todos os sinais apontam para uma escalada da violência. A situação é altamente perigosa. Juras de vingança já foram proferidas pelo regime em Teerão e seus aliados, e temem-se ações violentas. A situação pode sair de controle rapidamente.
 
Aliados dos EUA, como Israel e Arábia Saudita, mas também o Líbano e sobretudo o próprio Iraque, poderiam eventualmente sofrer graves consequências. Desde atentados sangrentos contra pessoas, lugares ou instituições, passando por ataques a petroleiros ou oleodutos, até o disparo de mísseis contra aliados dos EUA – nada pode ser seriamente descartado no momento, pois Teerão só pode ver a morte de Soleimani como humilhação e uma declaração de guerra de fato. Por razões de política interna, Teerão dificilmente pode se permitir deixar a morte sem resposta.
 
 
O Irão pode, mas não necessariamente tem que agir militarmente. O país dispõe – especialmente devido às atividades militares e de inteligência bastante eficazes de Soleimani nos últimos anos – de uma rede de tropas auxiliares altamente equipadas e em ótimo funcionamento na região: das milícias pró-Irão no Iraque e na Síria, até o Hisbolá libanês e os rebeldes houthis do Iémene, que há tempos confrontam diretamente a rival do Irão Arábia Saudita, além de serem inimigos declarados de Israel e dos EUA.
 
Com Soleimani, foi eliminado o líder operacional da política iraniana de poder e expansão na região. E – falando com neutralidade – é mais do que surpreendente o regime em Teerão não ter sido capaz de proteger de tal ataque seu mais importante general no exterior. Mas também no Médio Oriente ninguém é insubstituível, nem mesmo Qassim Soleimani como chefe da famosa Força Quds: a rede de milícias leais ao Irão criada por ele deve permanecer poderosa e perigosa, e já foi nomeado um sucessor para o general morto.
 
Soleimani certamente tem mérito militar na luta conta o grupo jihadista "Estado Islâmico" (EI) no Iraque e na Síria. Mas ele foi fantoche de um regime que apoia o terror e a mais brutal tirania. Não há razão para ter qualquer simpatia por um homem do tipo. No entanto sua morte foi um erro político.
 
Com ela, Donald Trump, como presidente dos EUA e comandante-chefe das Forças Armadas americanas, não só deixa em perigo de guerra todo o Oriente Médio – região da qual ele, a rigor, quer retirar seu país militarmente. Ele também arrisca um efeito de solidariedade antiamericana na região.
 
E esse sentimento pode aniquilar politicamente movimentos de protesto democráticos no Iraque, no Líbano e no Irão, pois todos esses protestos também tiveram, direta ou indiretamente, o regime em Teerão como alvo. Se isso se concretizar, justamente Trump teria servido aos interesses de Teerão de forma direta.
 
Rainer Sollich | Deutsche Welle | opinião

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/trump-arrisca-uma-guerra-no-oriente.html

Autoridades de alto escalão da China e EUA discutem Oriente Médio por telefone

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Beijing, 4 jan (Xinhua) -- As diferenças devem ser resolvidas através do diálogo e consulta, disse Yang Jiechi, membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC) na sexta-feira em uma conversa telefônica com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo.

Durante a conversa, o lado americano informou sua posição na atual situação do Oriente Médio.

Yang, que também é diretor do Escritório da Comissão de Assuntos Exteriores do Comitê Central do PCC, disse que a China está muito preocupada com a atual situação no Oriente Médio.

A China sempre defendeu que as diferenças devem ser resolvidas através do diálogo e consultas, disse Yang, acrescentando que a China se opõe ao uso da força nas relações internacionais.

A China espera que todas as partes pertinentes, especialmente os Estados Unidos, exerçam a contenção e voltem à via do diálogo o mais breve possível para acalmar as tensões, disse Yang.

Ambos os lados também trocaram opiniões sobre as relações China-EUA.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/04/c_138678234.htm

A arrogância e a impreparação de Trump para se situar no mundo atual

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O passo que os E.U.A deram ao ordenar a execução, em Bagdad, capital do Iraque, do general Qassem Soleimani, Comandante dos Guardas da Revolução, força militar especial iraniana, abre uma nova frente no conflito entre aquele país e o Irão e com repercussão em toda a região.

Este ataque a um dos mais altos dirigentes iranianos em solo iraquiano atinge e viola de modo grosseiro a soberania iraquiana.

Esta politica trumpiana – a de assassinar em solo de outro país que não o dos conflituantes revela o mais total desrespeito pelo direito internacional e é preciso condená-lo antes que a lei do Texas volte às relações internacionais.

Trata-se de um confronto aberto com os mais elementares princípios em que assenta a ordem internacional elaborada com grande participação pelos EUA após o fim da segunda guerra mundial.

Trump, apoiado pelos ultras com John Bolton à cabeça, nunca aceitou o Acordo assinado entre Baraka Obama, os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e o Irão.

A justificação de que é o fim de uma guerra é um disparate de tal forma ridículo que revela também a completa impreparação da personagem para se comportar como um Presidente de um país civilizado.

Trump, a contas com um processo de impeachement devido ao condicionamento de um auxílio militar à Ucrânia à perseguição a um candidato democrata na sua corrida eleitoral à Casa Branca, não tem capacidade para olhar para o mundo para além de um enorme espaço pronto para urbanizar onde puder ganhar big money.

A peregrina ideia de que o Irão nunca ganhou uma guerra, mas nunca perdeu uma negociação é tão infantil que não atinge o patamar de ridícula. É própria de um analfabeto arrogante que não deve saber que o Irão é a antiga Pérsia onde floresceu uma das mais avançadas civilizações e que criou um Império apenas batido pelo Grande Alexandre da Macedónia, lídimo representante do melhor da cultura grega. E que se reergueu continuando a ganhar e a perder guerras, como todos os países.

Trump para além do mundo da Fox pouco deve conhecer. Derredor dele juntam-se os mais reacionários cavalheiros evangélicos unidos no seu apego ao dinheiro pugnando por um mundo que não avance em direção ao progresso por temerem perderem os seus privilégios. Para eles o mundo é a elite branca dos EUA e mais uns tantos príncipes cheios de petrodólares e os dirigentes israelitas que pregam a eliminação da Palestina e do Irão.

Nunca se pode perder de vista que foi George. W. Bush e Tony Blair( apoiados por Barroso e Portas ) quem criou a atual situação no Iraque com a intervenção militar à margem do direito internacional. Não instaurou a democracia no Iraque, antes ofereceu o poder aos chiitas em Bagdad. Foi Bush quem deu ao Irão a influência que tem no Iraque. E não aprenderam nada, pelos vistos.

De certo modo Trump continua a linha de Bush juntando-lhe a sua incapacidade para compreender o mundo atual agindo como uma pulsão quase narcísica.

Este passo de Trump na escalada do conflito pode levar a um crescendo de respostas e contra respostas, envolvendo outros atores, com o perigoso agravamento de toda a situação.

O Secretário-Geral da ONU, os principais dirigentes mundiais têm a obrigação de falarem e condenarem a cegueira de Trump.

Tardam a ouvir-se vozes realistas, comprometidas com um mundo de paz, respeitadores de um mundo diverso, capazes de construir um futuro para todos e não apenas para a sua casta e o seu núcleo de amigos internos e externos.

 

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2020/01/05/a-arrogancia-e-a-impreparacao-de-trump-para-se-situar-no-mundo-atual/

EUA enviarão mais de 3.500 tropas para o Oriente Médio, diz mídia

Washington, 3 jan (Xinhua) -- Os Estados Unidos enviarão cerca de 3.500 tropas adicionais para o Oriente Médio já neste fim de semana, depois que um ataque lançado pelo país matou um importante comandante iraniano, informou a mídia local na sexta-feira, citando funcionários dos EUA.

As tropas adicionais da 82ª Divisão Aerotransportada serão enviadas ao Iraque, Kuait e outras partes da região, informou o NBC News, citando diversos funcionários norte-americanos de defesa e militares.

Algumas das tropas poderão partir já neste fim de semana para o Kuait, informou o The Wall Street Journal em uma reportagem na sexta-feira.

A mais recente medida pelo Pentágono veio horas depois que os EUA mataram o general de divisão iraniano, Qassem Soleimani, comandante das Forças Quds, subordinadas à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, e o comandante da milícia iraquiana, Abu Mahdi al-Muhandis, em um ataque aéreo próximo ao Aeroporto Internacional de Bagdá.

O supremo líder do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, disse na sexta-feira que aqueles que assassinaram Soleimani devem receber uma resposta severa do Irã, informou a emissora estatal iraniana de TV.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/04/c_138678179.htm

Milhares marcham por Soleimani no Iraque e novo ataque dos EUA deixa mais vítimas

BAGDÁ (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas marcharam em Bagdá neste sábado, em luto pelo chefe do exército iraniano Qassem Soleimani e o líder de milícia iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis, mortos em um ataque aéreo dos EUA que aumentou o espectro de um conflito mais amplo do Oriente Médio.

Ao ordenar o ataque contra o comandante das legiões estrangeiras da Guarda Revolucionária Iraniana, o presidente Donald Trump levou Washington e seus aliados, especialmente Arábia Saudita e Israel, a um território desconhecido em seu confronto contra o Irã e as milícias que apoia na região.

Gholamali Abuhamzeh, importante comandante da Guarda Revolucionária do Irã, disse que Teerã punirá os americanos “onde estiverem ao alcance” e citou a possibilidade de ataques a navios no Golfo.

A embaixada dos EUA em Bagdá pediu que cidadãos americanos deixem o Iraque, após o ataque que matou Soleimani. Dúzias de funcionários americanos de empresas de petróleo deixaram a cidade de Bosra, no sul do país, na sexta-feira.

O Reino Unido, aliado próximo dos EUA, alertou seus cidadãos para evitarem qualquer viagem ao Iraque, com exceção da região autônoma do Curdistão, e que viajem ao Irã apenas se essencial.

Os EUA e seus aliados suspenderam o treinamento de forças iraquianas devido à ameaça cada vez maior, disse o exército alemão, em uma carta vista pela Reuters, no fim da sexta-feira.

 

General de 62 anos, Soleimani era o principal comandante militar de Teerã e, como chefe das Forças da Guarda Revolucionária, arquiteto da crescente influência do Irã no Oriente Médio.

Muhandis era o vice-comandante das Forças de Mobilização Popular (PMF) do Iraque, órgão com grupos paramilitares sob seu comando.

Uma marcha carregando os corpos de Soleimani, Muhandis e outros iraquianos mortos no ataque americano foi realizada na Zona Verde de Bagdá.

 

As pessoas em luto incluíram membros da milícia em uniforme para quem Muhandis e Soleimani eram heróis. Eles carregaram retratos de ambos, colocaram-nos nas paredes e em veículos blindados, e gritaram “Morte à América” e “Israel, não, não”.

O primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi e comandante de milícias iraquianas Hadi al-Amiri, aliado próximo do Irã e principal candidato a suceder Muhandis, compareceram.

Na sexta, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu retaliação e disse que a morte de Soleimani aumentará a resistência da República Islâmica aos EUA e Israel.

Abuhamzeh, comandante da Guarda Revolucionária na província de Kerman, mencionou uma série de possíveis alvos para represálias, incluindo a hidrovia do Golfo pela qual por volta de um terço do petróleo transportado por navios do mundo é exportado para mercados globais.

Trump ameaça atacar Irã 'ainda mais forte do que eles foram atacados antes'

Presidente dos EUA Donald Trump descendo do Marine One no Aeroporto Executivo de Miami, na Flórida, 3 de janeiro de 2020
© REUTERS / Tom Brenner

Logo quando o corpo do recém-assassinado general Soleimani chegou ao Irã para despedida, o presidente Trump ameaçou Teerã com resposta dura caso o país persa atacar os EUA.

Na noite de domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu no seu Twitter ao senador Dan Crenshaw que comentou um artigo do Foreign Policy:

 

Para aqueles que dizem que "não há plano", que isso foi "imprudente":
Passo #1 de qualquer estratégia é deixar de permitir que regimes terroristas nos ataquem sem repercussão
Por que essa verdade básica da política externa é tão controversa?

Trump escreveu que o Irã vai enfrentar uma resposta dura se der algum passo ameaçador em direção aos EUA.

 

Se eles [iranianos] nos atacarem, nós batemos em resposta. Se eles atacarem de novo, o que eu lhes aconselharia vivamente que não façam, nós vamos atacá-los mais duramente do que eles já foram atacados antes!

Ele também ameaçou enviar mais equipamento bélico para a região:

 

Os Estados Unidos acabam de gastar dois trilhões de dólares em equipamento militar. Nós somos os maiores e de longe os MELHORES no mundo! Se o Irã atacar uma base americana, ou qualquer americano, nós vamos enviar algum desse maravilhoso equipamento completamente novo na sua direção... e sem hesitação!

 

As novas ameaças de Trump surgem umas horas após ele ter prometido atacar 52 locais no Irã, que "representam 52 reféns feitos pelo Irã há muitos anos", caso Teerã atacar algum americano ou ativos americanos.

As tensões entre dois países continuam se agravando desde o fim de dezembro, quando a Embaixada dos EUA no Iraque foi bloqueada por manifestantes. Trump acusou o Irã por este ataque e uns dias depois, em 3 de janeiro, os EUA realizaram um ataque aéreo contra o aeroporto internacional nos subúrbios de Bagdá em que mataram um major-general iraniano, o comandante da força Quds, Qassem Soliemani.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010514970989-trump-ameaca-atacar-ira-ainda-mais-forte-do-que-eles-foram-atacados-antes/

Detesto cobardolas!

É verdade: detesto os cobardolas! Ao longo de toda a minha vida profissional sempre execrei os que faziam algo de errado e cuidavam de para outros, normalmente indefesos subordinados, transferirem as culpas só a eles atribuíveis. Ou, noutra versão não menos odiosa, aqueles que se apressavam a mostrarem-se corajosos poltrões quando a prosápia verbal lhes parecia render juros e mais aceleradamente davam o dito pelo não dito, pondo-se a milhas dos que persistiriam na justeza das posições independentemente das consequências envolvidas.

 

Conheci quem se ajustasse a ambas as fórmulas de cobardia e lembro-os como dos mais desprezíveis trastes que tive a desdita de aturar.

 

Sobre Trump não há nada a acrescentar quanto à índole, tão consensual é a reprovação da sua conduta. Mas convenhamos que a vileza do seu comportamento, a cobardia do seu ato, ultrapassa tudo quanto até agora vinha fazendo. Porque arrisca a possibilidade de uma guerra de imprevisíveis consequências e por nem sequer validar a decisão de um ato de guerra pela Câmara dos Representantes. Se já sobravam muitos motivos para a impugnação esse ostensivo desprezo por quem deve autorizar-lhe tais decisões, será só mais um a acrescentar á lista.

 

Mas é, sobretudo, repugnante, essa decisão de dar ordem para que alguém carregasse num botão e direcionasse um drone armado com um míssil contra o carro do general iraniano. Se há cena cinematográfica, que este caso lembra é a de Indiana Jones enfrentar a arma branca brandida por um ameaçador árabe e pegando na pistola para o matar com um tiro. Na altura a plateia ria-se com a caricatura inerente à desproporção de meios entre o assassino e o assassinado, mas poucos a terão associado a uma corrosiva metáfora sobre a natureza do imperialismo.

 

Não é que Qassem Soleimani fosse um menino de coro: bastava ser o responsável de uma ditadura teocrática para o ajuizarmos como alguém que o povo iraniano deveria afastar do poder e responsabilizá-lo pela repressão de que tem sido alvo. Mas do que dele se conhecia há que admirar uma qualidade em Trump inimaginável: a coragem com que costumava ir para a frente dos combates, que comandava, e o hábito de nunca usar coletes antibala.

 

Ninguém pode imaginar o que advirá deste crime, que os iranianos prometem vingar, embora se suponha possível algo entre o pior e o menos mau. Avançamos ano adentro com céus mais carregados de cinzento a toldarem-nos o céu limpo por que ansiávamos. Mas convirá que relativizemos o momento sabendo que, mesmo os mais ameaçadores ditadores, acabam por colher da História um juízo pouco lisonjeiro, se é que, antes disso, não são eles próprios a sentirem os efeitos do tapete subitamente puxado debaixo dos respetivos pés...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/01/detesto-cobardolas.html

Trump ameaça bombardear 52 alvos no Irã

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (foto de arquivo)
© REUTERS / Leah Millis

Donald Trump escreveu no seu Twitter que o ataque aéreo do seu país contra aeroporto de Bagdá foi retaliação às atividades do Irã na região e ameaçou realizar ataques aéreos contra cidades do Irã.

O comandante militar iraniano Qasem Soleimani foi morto nesta sexta-feira em Bagdá por um ataque aéreo dos EUA autorizado pelo presidente Donald Trump. O Irã prometeu vingar-se severamente do assassinato, enquanto o governo Trump alegou estar buscando acalmar as tensões na região.

Por outro lado, Donald Trump publicou uma em uma série de tweets neste sábado às ameaças da liderança iraniana. O presidente dos EUA ameaçou Teerã, alertando sobre um possível ataque contra "52 locais iranianos".

"O Irã está falando muito ousadamente sobre ter como alvo certos ativos dos EUA como vingança por livrarmos o mundo de seu líder terrorista que acabara de matar um americano e ferir gravemente muitos outros, sem mencionar todas as pessoas que ele matou ao longo de sua vida, incluindo recentemente centenas de manifestantes iranianos. Ele já estava atacando nossa embaixada e se preparando para ataques adicionais em outros locais.", escreveu o norte-americano.

"O Irã tem sido um problema há muitos anos. Que isso sirva como um aviso de que, se o Irã atingir americanos ou ativos americanos, temos 52 locais iranianos na mira (representando os 52 reféns americanos tomados pelo Irã há muitos anos), alguns em um nível muito alto e importante para o Irã e a cultura iraniana, e esses alvos, e o próprio Irã, serão atingidos rápidamente e com muita força. Os EUA não querem mais ameaças!", concluiu Donald Trump.

Trump se referiu aos eventos dramáticos que chocaram a comunidade global em 1979. Na época, 52 funcionários diplomáticos americanos foram mantidos como reféns no Irã por 444 dias. Em função desses eventos, Estados Unidos e o Irã romperam laços diplomáticos. Desde então, os Estados Unidos iniciaram a adoção de sanções contra o Irã.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010414970642-trump-ameaca-bombardear-52-cidades-no-ira/

O planeta dos macacos

Somos símios, uma condição que Trump nos recorda com brutal crueza.

 

 

Somos, os humanos, também animais predadores, logo matamos. Somos humanos, símios e predadores, logo matamos os da nossa espécie. É este o silogismo que Trump nos atira continuamente às ventas.

Reduzamos o assassínio do general iraniano em Bagdad à sua dimensão histórica e antropológica. Se do vulgar assassínio a situação evoluir para o descontrolo, nada de alarme.

Em 1914 um radical nacionalista assassinou o arquiduque Fernando da Áustria e o planeta voltou ao normal após uma Grande Guerra, a maior até então, a que se seguiu a Segunda e nada nos impede de avançar para a Terceira!

O assassínio de um general iraniano, no aeroporto de Bagdad, no Iraque, às ordens de um civil americano em Washington, através de um projétil disparado de um drone dirigido (provavelmente) a partir do Texas, com informações recebidas de um satélite artificial da Terra, prova dois simples factos: a globalização do ato de matar e o avanço tecnológico atingido pela espécie de símios que somos para o conseguir.

Da pedrada bíblica do Caim, que rebentou o crânio do irmão Abel a uns dez metros, até este assassínio intercontinental e espacial os símios humanos percorreram um trajeto de progresso do qual têm sobejos motivos para se orgulhar!

Obrigado ao Deus que assim nos quis à sua semelhança! Graças a Trump, aos vários Trump que dirigem os bandos de símios que habitam o planeta, havemos de terminar a obra que ele começou no Génesis e voltar ao caos primordial!

God bless America.

De resto, nada de novo quanto à morte do iraniano chefe das brigadas chiitas às mãos do americano chefe das brigadas de robots armados e dirigidos à distância.

Há milénios que os chefes dos grupos de primatas mais fortes matam os chefes dos grupos que lhes ameaçam o poder.

Chefe é o que arreganha os dentes e atira cocos certeiros à cabeça dos adversários. Neste caso com um míssil teleguiado a partir de uma funda de alta tecnologia alcunhada de MQ9Reaper.

Continuamos no âmbito da antropologia. Matar um chefe inimigo tem apenas uma finalidade: a afirmação do poder do macho que mata perante os do seu bando.

Ao mandar assassinar um general erigido em inimigo, Trump tem como único objetivo afirmar-se entre os seus fiéis e assegurar que continua a ser o seu chefe. Viva o chefe!

Internamente avisa também os seus concorrentes para não se meterem com ele nem com as suas mulheres. Trump marca um território, não com urina, mas com uma morteirada! A velha adaptação dos meios às finalidades que Darwin conceptualizou.

As consequências do seu ato são-lhe indiferentes, desde que Trump seja percebido pelos seus como o chefe, o poderoso, o que come primeiro, escolhe as fêmeas e se instala no ramo mais alto da árvore.

Estamos no planeta dos macacos, uma espécie que destrói e devasta uma plantação de bananeiras para comer uma só banana. Os javalis fazem o mesmo, mas com as culturas de superfície…

É a esta criação que pertencemos, garante Trump com uma demonstração prática de belo efeito!

Quanto aos apelos à moderação dos santinhos do costume. São muito bem vindos, mas acredito que esses querubins (verdadeiros ou falsos), ou acreditam na eficácia de pregar aos peixes, ou na bondade de pedir a um enxame de abelhas para regressar à colmeia depois de um urso lhe dar um pontapé!

Entretanto, como vemos, no estádio de desenvolvimento da nossa espécie, é mais fácil a um caçador de cabeças acertar num carro em movimento em Bagdad com uma arma apontada do Texas, do que encontrar um meio de apagar as chamas de um mortífero incêndio na Austrália!

Somos predadores, não somos bombeiros! Há que respeitar as prioridades.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

 

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/simios-o-planeta-dos-macacos/

Um novo ano e um novo erro de política externa de Trump no Iraque

 
 
Medea Benjamin e Nicolas J. S. Davies | Global Research, January 03, 2020
 
É um ano novo, e os EUA encontraram um novo inimigo - uma milícia iraquiana chamada Kata'ib Hezbollah. Quão tragicamente previsível foi isso? Então, quem ou o que é o Hezbollah Kata'ib? Por que as forças americanas estão atacando? E para onde isso vai levar?
 
O Hezbollah de Kata'ib é uma das Unidades de Mobilização Popular (UGP) que foram recrutadas para combater o Estado Islâmico após o colapso das forças armadas iraquianas e Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, caiu para o IS em junho de 2014. As seis primeiras UGP foram formadas por cinco milícias xiitas que receberam apoio do Irã, além da Companhia Nacional da Paz iraquiana de Muqtada al-Sadr, a reencarnação de sua milícia anti-ocupação do Exército Mahdi, que ele havia desarmado em 2008 sob um acordo com o governo iraquiano.
 
O Hezbollah Kata'ib era uma dessas cinco milícias xiitas originais e existia muito antes da luta contra o Estado Islâmico (EI). Era um pequeno grupo xiita fundado antes da invasão do Iraque pelos EUA em 2003 e fazia parte da resistência iraquiana durante toda a ocupação americana. Em 2011, supostamente havia 1.000 combatentes, que recebiam de US $ 300 a US $ 500 por mês, provavelmente financiados principalmente pelo Irão. Lutou ferozmente até as últimas forças de ocupação dos EUA serem retiradas em dezembro de 2011 e assumiu a responsabilidade por um ataque com foguete que matou 5 soldados americanos em Bagdad em junho de 2011. Desde a formação de uma PMU em 2014, seu líder, Abu Mahdi al-Muhandis, foi o comandante militar geral das UGP, reportando-se diretamente ao conselheiro de segurança nacional no gabinete do primeiro-ministro.
Na luta contra o EI, as PMUs proliferaram rapidamente. A maioria dos partidos políticos no Iraque respondeu a uma fatwa do Grande Ayatollah al-Sistani para formar e ingressar nessas unidades, formando suas próprias. No auge da guerra com o EI, as PMUs compreendiam cerca de 60 brigadas com centenas de milhares de combatentes xiitas e incluíam até 40.000 iraquianos sunitas .
 
No contexto da guerra contra o Estado Islâmico, os EUA e o Irã prestaram grande apoio militar à PMU e a outras forças iraquianas, e as peshmerga curdas do Iraque também receberam apoio do Irão. O secretário de Estado John Kerry se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Irã Mohammad Zarif em Nova York em setembro de 2014 para discutir a crise, e o embaixador dos EUA Stuart Jones disse em dezembro de 2014: “Vamos ser sinceros, o Irão é um vizinho importante do Iraque. Tem que haver cooperação entre o Irão e o Iraque. Os iranianos estão conversando com as forças de segurança iraquianas e estamos conversando com as forças de segurança iraquianas... Estamos confiando neles para fazer o desconflito.”
 
As autoridades americanas e a mídia corporativa estão falsamente pintando o Hezbollah Kata'ib e as PMUs como milícias independentes e renegadas no Iraque, apoiadas pelo Irão, mas são realmente uma parte oficial das forças de segurança do Iraque. Como um comunicado do gabinete do primeiro-ministro iraquiano deixou claro, os ataques aéreos norte-americanos foram um “ataque americano sobre as forças armadas iraquianas.” E estes não eram quaisquer forças militares iraquianas, mas as forças que têm suportado o peso de alguns dos combates mais ferozes contra o Estado islâmico.
 
A hostilidade aberta entre as forças americanas e o Hezbollah Kata'ib começou seis meses atrás, quando os EUA permitiram que Israel usasse bases americanas no Iraque e / ou na Síria para lançar ataques de drones contra o Kata'ib Hezbollah e outras forças da PMU no Iraque. Há relatos conflitantes sobre exatamente de onde os drones israelitas foram lançados, mas os EUA tinham controle efetivo do espaço aéreo iraquiano e eram claramente cúmplices dos ataques com drones. Isso levou a uma campanha do clérigo / político xiita Muqtada al-Sadr e de outros partidos e políticos anti-ocupação na Assembleia Nacional do Iraque para pedir mais uma vez a expulsão das forças americanas do Iraque, como fizeram com sucesso em 2011 e nos EUA. foi forçado a aceitar novas restrições ao uso do espaço aéreo iraquiano.
 
Então, no final de outubro, as bases americanas e a Zona Verde de Bagdad passaram por uma nova onda de ataques com foguetes e morteiros . Enquanto ataques anteriores foram atribuídos ao Estado Islâmico, os EUA culparam a nova rodada de ataques ao Hezbollah Kata'ib. Após um forte aumento nos ataques com foguetes contra bases americanas em dezembro, incluindo um que matou um empreiteiro militar dos EUA em 27 de dezembro, o governo Trump lançou ataques aéreos em 29 de dezembro que mataram 25 membros do Hezbollah Kata'ib e feriram 55. Primeiro-ministro Abdul -Mahdi chamou os ataques uma violação da soberania iraquiana e declarou três dias de luto nacional para as tropas iraquianas que as forças norte-americanas mataram.
 
Os ataques dos EUA também levaram a protestos maciços que cercaram a Embaixada dos EUA e a antiga sede de ocupação dos EUA na Zona Verde em Bagdad. As forças dos EUA na embaixada supostamente usou gás lacrimogéneo e granadas de efeito moral contra os manifestantes, deixando 62 milicianos e civis feridos. Após o cerco, o governo Trump anunciou que enviaria mais tropas para o Oriente Médio. Espera -se que aproximadamente 750 soldados sejam enviados como resultado do ataque à embaixada e outros 3.000 poderão ser enviados nos próximos dias.
 
A retaliação dos EUA estava fadada a inflamar as tensões com o governo iraquiano e aumentar a pressão popular para fechar as bases americanas no Iraque. De fato, se o Hezbollah Kata'ib é de fato responsável pelos ataques de foguetes e morteiros, essa provavelmente é exatamente a cadeia de eventos que eles pretendem provocar. Enfurecidos com o flagrante desrespeito do governo Trump pela soberania iraquiana e preocupados com o fato de o Iraque ser arrastado para uma guerra por procuração dos EUA com o Irão que ficará fora de controle, uma ampla faixa de líderes políticos iraquianos está agora pedindo a retirada das tropas dos EUA.
 
A presença militar dos EUA no Iraque foi restabelecida em 2014 como parte da campanha contra o Estado Islâmico, mas essa campanha foi encerrada substancialmente desde a quase destruição e reocupação de Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, em 2017. O número de ataques e terroristas os incidentes ligados ao Estado Islâmico no Iraque diminuíram constantemente desde então, de 239 em março de 2018 para 51 em novembro de 2019, de acordo com o pesquisador do Iraque Joel Wing. Os dados de Wing deixam claro que o EI é uma força muito reduzida no Iraque.
 
A crise real que o Iraque enfrenta não é um EI crescente, mas os enormes protestos públicos, a partir de outubro, que expuseram a disfunção do próprio governo iraquiano. Meses de protestos nas ruas forçaram o primeiro-ministro Abdul-Mahdi a renunciar - ele agora está simplesmente atuando como zelador enquanto aguarda novas eleições. A severa repressão das forças do governo deixou mais de 400 manifestantes mortos, mas isso só aumentou ainda mais a indignação pública.
 
Essas manifestações não são dirigidas apenas contra políticos iraquianos individuais ou contra a influência iraniana no Iraque, mas contra todo o regime político pós-2003 estabelecido pela ocupação americana. Os manifestantes culpam o sectarismo do governo, sua corrupção e a influência estrangeira duradoura do Irão e dos EUA pelo fracasso em investir a riqueza petrolífera do Iraque na reconstrução do Iraque e na melhoria da vida de uma nova geração de jovens iraquianos.
 
O recente ataque ao Hezbollah Kata'ib realmente trabalhou a favor do Irão, tornando a opinião pública iraquiana e os líderes iraquianos mais solidamente contra a presença militar dos EUA. Então, por que os EUA colocaram em risco a influência que ainda tem no Iraque ao lançar ataques aéreos contra as forças iraquianas? E por que os EUA mantêm as 5.200 tropas americanas no Iraque, na base aérea de Al-Asad, na província de Anbar, e em bases menores em todo o Iraque? Já possui quase 70.000 soldados em outros países da região, pelo menos 13.000 no vizinho Kuwait, sua maior base estrangeira permanente depois da Alemanha, Japão e Coreia do Sul.
 
Enquanto o Pentágono continua insistindo que a presença de tropas dos EUA é apenas para ajudar o Iraque a combater o ISIS, o próprio Trump definiu sua missão como "também vigiar o Irão". Ele disse isso aos militares dos EUA no Iraque em uma visita de Natal em dezembro de 2018 e reiterou em uma entrevista da CBS em fevereiro de 2019 . O primeiro-ministro iraquiano Abdul-Mahdi deixou claro que os EUA não têm permissão para usar o Iraque como base para enfrentar o Irão. Tal missão seria claramente ilegal sob a constituição do Iraque de 2005 , elaborada com a ajuda dos Estados Unidos, que proíbe o uso do território do país para prejudicar seus vizinhos.
 
Nos termos do Acordo-Quadro Estratégico de 2008 entre os EUA e o Iraque, as forças dos EUA só podem permanecer no Iraque a “pedido e convite” do governo iraquiano. Se esse convite for retirado, eles deverão sair, como foram forçados a fazer em 2011. A presença dos EUA no Iraque agora é quase universalmente impopular, especialmente após os ataques dos EUA às forças armadas iraquianas que supostamente estão lá para apoiar.
 
O esforço de Trump para culpar o Irão por esta crise é simplesmente um truque para desviar a atenção de sua própria política confusa. Na realidade, a culpa pela crise atual deve ser colocada diretamente na porta da própria Casa Branca. A decisão imprudente do governo Trump de se retirar do acordo nuclear de 2015 com o Irão e reverter para a política dos EUA de ameaças e sanções que nunca funcionaram antes está saindo tão mal quanto o resto do mundo previu que seria, e Trump é o único culpado por isso - e talvez John Bolton.
 
Então, 2020 será o ano em que Donald Trump será finalmente forçado a cumprir suas promessas infinitas de trazer as tropas americanas para casa de pelo menos uma de suas intermináveis ​​guerras e ocupações militares? Ou será que a propensão de Trump por se dobrar em políticas brutais e contraproducentes só nos levará mais fundo em seu atoleiro pet de conflito cada vez maior com o Irão, com as forças sitiadas dos EUA no Iraque como peões em mais uma guerra invencível?
 
Esperamos que 2020 seja o ano em que o público americano finalmente olhe para a fatídica escolha entre guerra e paz com a visão 20/20, e que comecemos a punir severamente Trump e qualquer outro político dos EUA que opte por ameaças sobre a diplomacia, coerção sobre cooperação e guerra pela paz.
 
*Medea Benjamin é co-fundadora do CODEPINK for Peace e autor de vários livros, incluindo Inside Iran: The Real History and Politics da República Islâmica do Irão.
 
*Nicolas JS Davies é jornalista independente, pesquisador do CODEPINK e autor de Blood On Our Hands: a invasão e destruição americana do Iraque.
 
Imagem em destaque: Embaixada dos EUA no Iraque sitiada / Creative Commons
 
A fonte original deste artigo é Global Research
 
Copyright © Medea Benjamin e Nicolas JS Davies , Global Research, 2020

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"É impossível o Irão não responder à morte de Soleimani"

 
 
Especialista questiona se governo americano calculou potencial de conflito no Oriente Médio ao decidir matar o mais poderoso general iraniano e teme uma guerra total entre EUA e Teerão.
 
Qassim Soleimani, líder da poderosa Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, foi morto nesta sexta-feira (03/01) por um bombardeio americano em Bagdad ordenado por Donald Trump.
 
O general Soleimani era chefe da unidade de elite responsável pelo serviço de inteligência do Irão e por conduzir operações militares secretas no exterior.
 
Para Sanam Vakil, vice-chefe e pesquisadora sénior do programa para o Médio Oriente e Norte da África o instituto Chatham House de Londres, uma resposta iraniana à morte do general é inevitável.
 
Em entrevista à DW, ela diz que uma escalada na região é provável, sobretudo no Iraque, e no momento considera difícil evitar um conflito militar total entre Teerão e Washington.
 
DW: Qual é a importância de Soleimani no Irão?
 
Sanam Vakil: Qassim Soleimani era um estrategista e general muito bem sucedido e desenvolveu a doutrina atual da política externa iraniana. Acredita-se que a doutrina tenha obtido muito sucesso ao afastar as ameaças das fronteiras iranianas e fortalecer as relações assimétricas de Teerão com atores não estatais em todo o Oriente Médio.
 
Soleimani tinha uma relação muito próxima com o líder supremo do Irão. No entanto, o general trabalhava dentro do sistema da Guarda Revolucionária.  A sua morte vai ser incrivelmente celebrada e lamentada ao mesmo tempo dentro do Irão. E vai ser quase impossível para a República Islâmica não responder ao seu assassinato.
 
Qual era a estratégia de Soleimani?
 
A sua estratégia foi construída com base na ideia de defesa avançada, que era afastar as ameaças da fronteira iraniana. Ele construiu fortes laços com o Hisbolá no Líbano e com grupos de milícias no Iraque. Essa estratégia expandiu a influência do Irão de uma forma muito pouco convencional e desestabilizadora em toda a região, mas protegeu o Irão e deu alavancagem a Teerã em alguns países.
 
O que esperar do Irão agora?
 
É muito complicado agora prever a resposta imediata iraniana. Eu acho que provavelmente o primeiro passo do governo iraniano será lamentar a morte de Qassim Soleimani e fazer uma grande cerimónia de luto por ele. Ao mesmo tempo, eles vão planear como responder à morte. Será impossível para o governo iraniano não responder à sua morte. Portanto, a questão é na verdade é como será essa resposta.
 
Penso que vai haver uma série de consequências que poderemos ver nos próximos dias. Primeiro de tudo, a escalada no Iraque é a forma mais provável que eu acho que os iranianos vão responder. Este é um lugar que já está em conflito e que tem um vácuo de poder.
 
Outra possibilidade é aumentar a atividade de enriquecimento de urânio. Ao mesmo tempo, não podemos ignorar que o Irão pode começar a atacar navios no Golfo Pérsico e pode até atacar um país do Golfo Árabe com mísseis, semelhante aos ataques de 14 de setembro.
 
Por que os EUA mataram Soleimani?
 
O ataque foi preventivo. Foi baseado no fato de que as agências de inteligência dos EUA tinham informações sugerindo que Soleimani estava planeando novos ataques a funcionários do governo e militares dos EUA no Médio Oriente. Mas não tenho certeza se o governo americano pensou em algumas das consequências potenciais da sua ação ou se está preparado para proteger os seus militares das consequências deste conflito se o Iraque virar uma zona de guerra, com mísseis iranianos atacando bases americanas e mais perdas de vidas americanas. É muito difícil não ver um conflito militar total entre Teerão e Washington.
 
Rodion Ebbighausen (rpr) | Deutsche Welle

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Com ação terrorista Trump fortalece plano de reeleição, mas joga EUA e mundo no inferno

 

A ação terrorista de Donald Trump que culminou no assassinato do general iraniano Qasem Soleimani abre um capítulo imponderável de tensões, incertezas e insegurança no mundo.

É preciso se certificar se existe na história mundial um acontecimento de tamanho valor semiótico, em que o comandante da hiperpotência imperial tenha ordenado o assassinato do mais alto comandante militar de um Estado soberano para ser executado no território dum terceiro Estado!

Nunca é demais lembrar que os EUA jamais ousariam incursionar pelo território iraniano, nação que possui poder nuclear suficiente para dissuadir aventuras invasoras.

A ação terrorista de Trump é um acontecimento de altíssimo significado geopolítico e militar que vergonhosamente não mereceu a condenação enérgica da ONU e tampouco dos governos satélites e capachos dos EUA, como os do miliciano Jair Bolsonaro e os de muitos países europeus.

A Rússia, a China e a França, países que integram o Conselho de Segurança da ONU, condenaram o terrorismo estadunidense e alertaram para os riscos que o banditismo imperial representa para o mundo.

É difícil, neste momento, predizer o que poderá acontecer, inclusive porque a vingança prometida pelo Irã deverá acontecer de modo planejado e estratégico; não será uma reação passional, atabalhoada ou improvisada.

 

O Irã sabe que, dependendo de sua reação, poderá favorecer a reeleição do fascista que o trata como inimigo capital. Por isso a inteligência do país planeja diligentemente o quêfazer.

O certo, de qualquer modo, é que haverá uma resposta. E deverá ser uma resposta contundente, sistemática e duradoura a este ataque que corresponde a uma declaração de guerra permanente.

As alegações para o ato terrorista – a principal delas, a de que Soleimani programava ações contra os EUA – são falsas, como eram falsas as alegações de Bush-filho em relação às armas químicas do Sadam Houssein. O petróleo também não é, em definitivo, o fator essencial para este empreendimento terrorista do Trump e da elite estadunidense.

 

São farsas escritas num release ditado por Trump para ser reproduzido pela mídia hegemônica e pelos governos servis aos EUA mundo afora. A ação terrorista do Trump foi motivada por cálculos domésticos da política estadunidense em ano eleitoral, não por fatores de segurança nacional ou de qualquer outra índole.

Trump não é o primeiro nem será o último ditador imperial a declarar guerras com objetivos re-eleitorais. Antes de Trump, nas últimas décadas Reagan, os Bush [pai e filho], Clinton e Obama também provocaram guerras contra inimigos imaginários para alavancar seus planos re-eleitorais.

Bush-pai foi o único deles que não conseguiu se reeleger, apesar da mobilização de guerra contra o Iraque em 1991 [aliás, o Iraque e o Oriente Médio estão sempre presentes como textos e pretextos das eleições dos EUA].

Na política doméstica, Trump enfrenta o impeachment aprovado pela Câmara dos Deputados, de maioria do Partido Democrata.

O discurso do combate ao “inimigo externo”, por isso, é extremamente funcional e eficaz para neutralizar a opinião como a da deputada democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes [deputados], que diz que Trump declarou guerra sem aprovação prévia do Congresso dos EUA.

Nunca houve, em toda história dos EUA, presidente que tenha sido impedido estando em guerra contra um “inimigo”. E não será desta vez que isso acontecerá.

Com a economia dos EUA controlada, Trump precisaria estancar os danos que a ameaça do impeachment poderiam representar ao seu plano de reeleição.

Com sua ação terrorista, Trump poderá fortalecer seu plano de reeleição. Ele poderá colher fruto re-eleitoral no curto prazo, mas deverá jogar os EUA e o mundo no inferno.

Trump é um criminoso que deveria responder no Tribunal Penal Internacional de Haia.

Trump, o Irão e os álibis do terrorismo americano

A política intervencionista americana continua seguindo o conservadorismo de sua história.

 

 

Não é preciso ser um grande estudioso do assunto, para perceber que quando as coisas vão mal para um governo, uma guerra, uma intervenção, uma invasão, cai muito bem para a imagem de um presidente. Com Trump, parece não ser diferente. Afinal, o seu processo de impeachment cresce e, apesar dos analistas falarem que não dará em nada efetivamente, pode atrapalhar sim seus planos de reeleição.

O ataque ao Aeroporto de Bagdá, no Iraque, que matou Qassem Soleimani, líder das forças especiais e o mais poderoso líder militar do Irão, nos dá aquela sensação de déjà-vu. O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, disse que Soleimani tinha planos para atacar tropas e diplomatas norte-americanos, mas sem apresentar nada contundente que corroborasse com essa afirmação. O que nos faz lembrar do próprio Iraque em 2003, invadido sob o falso pretexto de que o então país de Saddam Hussein guardava armas de destruição em massa. O próprio EUA, anos depois, disse ter forjado essa informação como álibi para invadir aquele país.

Imagina então se Saddam Hussein, naquela época, bombardeasse algum aeroporto de algum país aliado dos EUA, em que se encontrasse Donald Rumsfeld, então secretário de defesa dos EUA. Mesmo com a afirmação de que Rumsfeld planejava invadir o Iraque e matar tropas e diplomatas iraquianos (nesse caso já provado), como a grande mídia e o mundo ocidental se refeririam ao assunto? Não tenho dúvidas de que diriam ter se tratado de um atentado terrorista do Iraque contra os EUA. Então, por que o contrário não ocorre? Por que a moral é tão relativa, quando quem tem o poder dá as cartas?

Em 2003, quando o Iraque foi invadido, destruído e saqueado pelos EUA, o país havia quebrado algumas resoluções da ONU. Israel já quebrou 45 dessas resoluções. Quando então os americanos ameaçaram invadir o seu grande aliado ideológico? Nunca! Além das inúmeras acusações de enriquecimento de urânio por parte do Irão, para construírem armas nucleares, quando o único país na história que usou bombas atômicas contra uma população foi o próprio EUA, nos absurdos ataques de Hiroshima e Nagasaki. O que deveria fazer com que os EUA fossem de fato um dos países proibidos de tê-las. Mas é o contrário!

Se pegarmos a carta formulada pelo juiz norte-americano, Robert Jackson, em Nuremberg ali logo após a Segunda Grande Guerra, e que define o que um país precisa fazer para ser considerado uma nação que comete terrorismo internacional, veremos que os EUA e Israel são talvez os únicos países que já quebraram todos esses protocolos, o que numa sociedade racional, seriam taxados de “os países mais terroristas do mundo”. O problema é que os EUA é quem pauta o que é ou não terrorismo, e a comunidade internacional sempre compra a sua versão.

E essas quebras de protocolos se dão em intervenções diretas e indiretas, como nos casos da Primavera Árabe – já sabido da influência dos EUA por trás – em que antigos aliados pereceram. O Egito virou uma Ditadura Militar, a Líbia um local em que até tráfico de escravos existe hoje, e a Síria, bem, a Síria ainda recebe “intervenções humanitárias” dos ianques, em forma de Guerra Civil. É como canta a banda recifense e precursora do Mangue Beat, Mundo Livre S/A, na música “Super Homem Plus”: “É bom rezar todo dia, fera, pra gente nunca virar alvo de uma missão humanitária aliada.”


por Rodrigo Barradas  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/trump-o-irao-e-os-alibis-do-terrorismo-americano/

Comandante da Força Al Quds do Irão assassinado pelos EUA

Quassem Soleimani, comandante da Força Al Quds, Unidade Especial da Guarda Revolucionária do Irão, foi assassinado no passado dia 2, nos arredores do aeroporto de Bagdad, na sequência de um violento ataque aéreo sob responsabilidade dos EUA.

 

 

Esta informação, proveniente da televisão pública do Irão (Al Arabya), foi confirmada por meios de comunicação social de bastante credibilidade, tais como a Televisão Al-Jazira, Reuters, BBC, entre outras.

Segundo vários meios da comunicação social este ataque originou outros mortos e ferimentos a iraquianos e libaneses, e poderá ter atingido mortalmente Al-Muhandis (Comandante das Unidades de Mobilização Popular – UMF).

A confirmar-se o assassinato de Al-Muhandis, tudo indica que sim, a situação no Iraque poderá assumir contornos muito violentos e por isso Donald Trump já pediu aos seus cidadãos norte-americanos para fugirem destes dois países (Iraque e Irão), o que começou a acontecer com os funcionários americanos das empresas petrolíferas.

O ataque com várias bombas, realizado contra viaturas que transportavam os combatentes do Irão ao aeroporto de Bagdad, foi ordenado por Donald Trump e terá sido preparado com o apoio da Mossad, secreta israelita.

 

Donald Trump fortemente criticado por pré-candidato presidencial dos EUA

O presidente Donald Trump, logo após ter sido concretizado o ataque e confirmada a morte do general iraniano, decidiu postar a bandeira dos EUA na sua conta do twitter.

pic.twitter.com/VXeKiVzpTf

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) January 3, 2020

 

Contudo, Bernie Sanders, pré-candidato presidencial norte-americano, criticou fortemente Donald Trump, afirmando que o presidente dos EUA pode contribuir para mais uma guerra entre os dois países.

Segundo Sanders “a perigosa escalada de Trump aproxima-nos de outra guerra desastrosa no Médio Oriente que pode custar inúmeras vidas e trilhões de dólares. Trump prometeu acabar com guerras sem fim, mas essa acção coloca-nos no caminho de outra” (Fonte: twitter).

 

Consequências e reacções ao assassinato de Soleimani ordenado por Trump

As consequências imediatas foram a alteração do preço do petróleo com um aumento de três dólares, podendo haver outras alterações e, eventualmente, interrupção do fornecimento do petróleo no Médio Oriente.

As reacções de vingança, principalmente do Médio Oriente,  estão a ser divulgadas pelas redes sociais.

O Hezbollah, através do deu líder, Hassan Nasrallah,  clama por vingança. Segundo a BBC, Hassan referiu que “determinar a punição apropriada para esses assassinos criminosos será responsabilidade e tarefa de todos os combatentes da resistência em todo o mundo”.

O ministro da Relações Exteriores do Irão, Java Zarif, considerou o assassinato do general como “escalada extremamente perigosa e imprudente”, enquanto o ex-chefe dos Guardiões da Revolução, Mohsen Rezai, afirmou que “a vingança contra os EUA será terrível”.

Milhares de Iranianos nas ruas – Marcha em Kerman, no Irão, após morte de Qassem Soleimani (Fonte:Tasnim News Agency)

O Chanceler do Irão, Mohamad Zarif, considerou como “acto de terrorismo” e que os “os EUA são os responsáveis por todas as consequências do seu aventureirismo desonesto”.

O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, referiu que aos “criminosos que assassinaram o major-general Qassem Soleimani” uma “vingança dura os espera”.

🎥هم‌اکنون، عزاداری و راهپیمایی مردم کرمان در پی شهادت #سردار_قاسم_سلیمانی pic.twitter.com/97ShaMxI2E

— خبرگزاری تسنیم 🇮🇷 (@Tasnimnews_Fa) January 3, 2020

 

 

Rússia e Iraque criticam EUA e alertam para escalada de tensão na região

Após o ataque e a confirmação do assassinato do general iraniano, a Rússia e o Iraque criticaram com muita dureza os EUA.

A porta-voz do Kremlin para os assuntos exteriores, Zakharov, afirmou no canal «Russo Rossiva 24» que a “eliminação de um representante do governo de um Estado soberano, um funcionário público, sem uma correlação destas acções com alguma base jurídica, é um facto extremamente importante, e que leva a situação na região a um plano completamente distinto ao que havia até então”.

Maria Zakharov, Porta-Voz do Kremlin

Segundo a dirigente do Kremlin, o assunto deve “ser abordado com urgência, na reunião do Conselho de Segurança da ONU”.

Primeiro-Ministro do Iraque Abdul-Mahdi

Também, o primeiro-ministro do Iraque, Abdul-Mahdi, profundamente revoltado, criticou o ataque dos EUA como um “flagrante acto de agressão” que “desencadeia uma guerra devastadora”.

Na opinião de Abdul-Mahdi, idêntica à de outros líderes regionais, o general Soleimani e al-Muhandis eram “ícones da vitória do Iraque sobre os terroristas do Daesh apoiados pelo Ocidente”.

Mahdi pediu ao parlamento iraquiano que convoque uma sessão parlamentar extraordinária para decidir-se sobre a presença militar dos EUA.

Quem era o General Quassem Suleimani

Quassem Suleimani, de 62 anos de idade, já tinha sido alvo de várias tentativas de assassinato porque era considerado um poderoso general, e foi muito próximo do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

Na opinião de vários analistas militares e políticos internacionais, Soleimani, que liderava há mais de 20 anos a força Quds, era um dos principais estrategas do Irão em matéria militar e geo-política do país ao ponto de ter mais influência diplomática que o próprio ministro das Relações Exteriores, Javad Zarif.

Suleimani era muito querido no Irão, por várias razões. Para além de ser admirado pelo seu povo por ser grande estratega militar, foi também o principal combatente contra o “Estado” Islâmico.

Numa outra vertente, mais humanista, era apreciado pela sua inspiração artística e veia poética. A jornalista norte-americana Farnaz Fassihi do «The New York Times» postou um vídeo onde se observa o general a recitar uma poesia sobre amigos.

Rare personal video of Gen. Suleimani reciting poetry shared by a source in #Iran. About friends departing & him being left behind.#قاسم_سليماني pic.twitter.com/vUX4LrkMQY

— Farnaz Fassihi (@farnazfassihi) January 3, 2020

 


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/comandante-da-forca-al-quds-do-irao-assassinado-pelos-eua/

China diz que assassinato de Soleimani no Iraque pelos EUA viola a soberania do país árabe

247 -"Pedimos que as partes relevantes, especialmente os Estados Unidos, mantenham a calma e exercitem restrições para evitar novas tensões", disse o porta-voz chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, durante uma entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (3), após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani pelo governo de Donald Trump.

 

O representante da Chancelaria chinesa instou as partes a respeitarem os princípios da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e as normas básicas das relações internacionais, informa o site iraniano HispanTV.

Ele também enfatizou que Pequim sempre expressou sua oposição ao uso da força nas relações internacionais. Segundo as palavras de Geng, o assassinato do comandante das Forças Quds do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI) do Irã, general Soleimani, em um ataque dos EUA ao aeroporto internacional de Bagdá, capital do Iraque, na madrugada desta sexta-feira, viola a soberania, a independência e a integridade territorial do país árabe.

EUA matam o general Qassem Soleimani, figura destacada na luta contra o Daesh

O general iraniano, que teve um papel determinante na libertação de Alepo, foi assassinado esta madrugada perto do aeroporto de Bagdade. O Departamento da Defesa dos EUA confirmou que a ordem partiu de Trump.

O general Qassem Soleimani, à frente da Força Quds iraniana, teve um papel decisivo na Batalha de Alepo (na imagem, o bairro libertado de Bustan al-Qasr, em Dezembro de 2016)Créditos

O ataque das forças norte-americanas, perpetrado com aviões não tripulados, ocorreu esta madrugada numa estrada junto ao aeroporto internacional da capital iraquiana [imagens da agência FARS].

Além do líder da Força Quds dos Guardiães da Revolução, o general iraniano Qassem Soleimani, foram assassinados Abu Mehdi al-Muhandes, subcomandante das Unidades de Mobilização Popular (UMP; Hashd al-Shaabi, em árabe), e vários outros quadros desta organização iraquiana, que é uma aliança de várias milícias criada há vários anos para combater os terroristas do Daesh.

«Sob ordens do presidente, o Exército dos Estados Unidos tomou medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal norte-americano no estrangiero, ao matar Qassem Soleimani», referiu o Pentágono num comunicado, citado pela Prensa Latina.

Para justificar a acção contra uma figura de reconhecido prestígio militar na luta antiterrorista no Médio Oriente e que teve um papel determinante na batalha decisiva de Alepo, no Norte da Síria, a administração dos EUA defendeu, numa nota, que o general iraniano «estava a desenvolver activamente planos para atacar os diplomatas e membros do serviço norte-americanos no Iraque e em toda a região».

No domingo, as forças militares norte-americanas mataram pelo menos 25 combatentes e feriram cerca de 50 da Kata'ib Hezbollah, uma das milícias que integram as UMP e que Washington acusa de ter levado a cabo a acção em que, na sexta-feira anterior, foi morto um empreiteiro norte-americano. Washington, que classifica o Corpo dos Guardiães da Revolução como uma organização terrorista, afirma que Soleimani e a Força Quds desse corpo apoiaram o ataque.

Seguiram-se, na terça-feira, fortes protestos junto à Embaixada norte-americana em Bagdade, que se tornaram violentos e que Donald Trump disse serem fomentados pelo Irão, com ameaças pelo meio. O Irão negou a responsabilidade pelos factos ocorridos no país vizinho.

Condenações e alertas

Recorrendo à sua conta de Twitter, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, classificou o assassinato de Qassem Soleimani – «a força mais eficaz na luta contra o Daesh, a al-Nusra, a Al-Qaeda e etc.» – como um «acto de terrorismo» por parte dos Estados Unidos e uma «escalada extremamente perigosa e tonta», tendo sublinhado que os EUA «são inteiramente responsáveis por todas as consequências do seu aventureirismo sem escrúpulos».

Por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria emitiu uma nota em que «condena nos termos mais enérgicos a agressão crminosa dos EUA» que levou à morte de Qassem Soleimani e de Abu Mehdi al-Muhandes e dos demais quadros das UMP – uma organização que recentemente aprofundou com o Exército Árabe Sírio a coordenação das tarefas de controlo e observação antiterrorista ao longo dos mais de 600 quilómetros de fronteira sírio-iraquiana.

As autoridades sírias sublinham que se trata de uma «escalada perigosa da situação na região» e destacam que as «políticas dos EUA visam gerar tensões e alimentar conflitos nos países» do Médio Oriente, com «o intuito de os dominar e de fortalecer a entidade zionista», refere a agência SANA.

Numa curta nota hoje emitida, citada pela RT, o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros alerta que o assassinato do líder da Força Quds iraniana é «um passo aventureiro que irá conduzir ao aumento das tensões em toda a região».

Por seu lado, Hassan Nasrallah, líder do movimento de resistência libanês Hezbollah, afirmou que os EUA não vão conseguir nada do que pretendem com o assassinato, no Iraque, de duas figuras destacadas na luta contra o Daesh.

Ao invés, defendeu, numa mensagem enviada à Prensa Latina, que a perda de Soleimani e al-Muhandes constituirá «um forte incentivo para alcançar um Iraque independente, forte, próspero, livre do terrorismo e da ocupação estrangeira».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-matam-o-general-qassem-soleimani-figura-destacada-na-luta-contra-o-daesh

Petróleo dispara após assassinato comandado por Trump e risco de Terceira Guerra

 
 

LONDRES (Reuters) -Os contratos futuros do petróleo subiam cerca de 3 dólares nesta sexta-feira, depois que um ataque aéreo dos Estados Unidos em Bagdá matou o chefe da força de elite Quds, do Irã, provocando preocupações sobre a escalada das tensões regionais e a interrupção do fornecimento de petróleo.

O petróleo Brent subia 2,95 dólares, ou 4,45%, a 69,2 dólares por barril, às 8:19 (horário de Brasília). O petróleo dos Estados Unidos avançava 2,62 dólares, ou 4,28%, a 63,8 dólares por barril.

Um ataque aéreo no aeroporto de Bagdá matou o major-general Qassem Soleimani, arquiteto da crescente influência militar do Irã no Oriente Médio e um herói entre muitos iranianos e xiitas da região.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que uma dura vingança aguarda os “criminosos” que mataram Soleimani.

“Esperamos que confrontos de nível moderado a baixo durem pelo menos um mês e provavelmente fiquem limitados ao Iraque”, disse Henry Rome, analista do Irã na Eurasia.

A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá pediu nesta sexta-feira a todos os cidadãos norte-americanos que deixem o Iraque imediatamente devido à escalada nas tensões.

O Iraque, o segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), exporta cerca de 3,4 milhões de barris de petróleo bruto por dia.

Americanos fogem do Iraque após atentado terrorista comandado por Trump contra general iraniano

 

Sputinik –Dezenas de cidadãos dos EUA que trabalham para empresas petrolíferas estrangeiras na cidade iraquiana de Basra estão se preparando para deixar o país.

De acordo com informações recentes divulgadas pela Reuters, citando fontes de uma empresa petrolífera, a Embaixada dos EUA em Bagdá a todos os cidadãos estadunidenses que abandonem o país imediatamente, horas depois do assassinato do comandante iraniano Qasem Soleimani, um dos líderes da Guarda Revolucionária do Irã, em resultado do ataque aéreo realizado pelos EUA.

 

A evacuação dos funcionários não afetará as operações, produção ou exportação, segundo os representantes da petrolífera iraquiana.

General iraniano Qasem Soleimani, chefe da unidade Força Quds, foi morto na manhã da sexta-feira em um bombardeio do Aeroporto Internacional de Bagdá, no Iraque.

O Pentágono confirmou sua responsabilidade pela morte de Soleimani e disse que um dos objetivos do ataque foi impedir os futuros planos de ataque iranianos.

Moscou adverte que assassinato de Soleimani aumentará tensões no Oriente Médio

Manifestantes próximos à Embaixada dos EUA em Bagdá, no Iraque, no dia 31 de dezembro de 2019
© AP Photo / Khalid Mohammed

Rússia considera que a morte do comandante da Força Quds iraniana, o general Qasem Soleimani, em um ataque dos Estados Unidos no Iraque provocará novas tensões no Oriente Médio, declarou o Ministério de Relações Exteriores da Rússia.

O ministério russo expressou suas condolências ao povo iraniano pela morte do general Soleimani.

"Consideramos o assassinato de Soleimani na sequência do ataque dos Estados Unidos contra imediações de Bagdá como um passo aventureiro, que conduzirá a um aumento de tensões em toda a região", disse à rádio Sputnik.

O general Soleimani morreu na madrugada de 3 de janeiro em um ataque aéreo norte-americano na capital iraquiana por ordem direta do presidente Donald Trump.

O Pentágono declarou que a operação foi realizada para "proteger os cidadãos norte-americanos no exterior" e tinha como objetivo impedir "futuros planos de ataque" por parte do Irã.

Washington considera que Soleimani está implicado nos ataques contra bases da coalizão no Iraque e contra a Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá em 31 de dezembro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010314964905-moscou-adverte-que-assassinato-de-soleimani-aumentara-tensoes-no-oriente-medio/

Pentágono diz que general iraniano foi assassinado por ordem direta de Trump

Sputinik –O Pentágono confirmou que general iraniano Qasem Soleimani, chefe da unidade Força Quds, do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, foi morto por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump.

Soleimani foi morto em bombardeio no Aeroporto Internacional de Bagdá, no Iraque, junto com o vice-chefe da Forças de Mobilização Popular Shia do Iraque, Abu Mahdi al-Muhandis, e outras vítimas.

 

De acordo com Washington, Soleimani havia autorizado ataques contra a embaixada dos Estados Unidos no Iraque, que foi recentemente invadida por manifestantes, e também um ataque contra a base de Kirkuk, que matou um soldado terceirizado dos Estados Unidos e deixou estadunidenses e iraquianos feridos.

A morte de Soleimani, indicado pelo jornal Financial Times como uma das 50 pessoas que marcaram a década, já foi confirmada pela imprensa estatal do Irã. A Rede de Notícias da República Islâmica, canal de televisão de Teerã, afirma que o ataque causou 7 mortes.

"Sob a direção do presidente, os militares dos EUA tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal dos EUA no exterior, matando Qasem Soleimani, chefe da unidade Força Quds, do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, uma organização designada como terrorista pelos EUA", disse o Pentágono em comunicado.

O Pentágono também afirmou que o ataque "teve como objetivo impedir futuros planos de ataque iranianos" e que os "Estados Unidos continuarão a tomar todas as medidas necessárias para proteger nosso povo e nossos interesses onde quer que estejam ao redor do mundo."

EUA ampliarão programa de devolução de migrantes ao México

Caravana de migrantes hondurenhos atravessam o México na direção à fronteira dos EUA
© Sputnik / Jesus Alvarado

Os Estados Unidos ampliarão o programa que devolve imigrantes não mexicanos que atravessam a fronteira do México para aguardar suas audiências nos tribunais locais.

Washington já enviou mais de 56 mil migrantes para o México pelo programa, conhecido como "Migrant Protection Protocols" (MPP). A maioria são centro-americanos solicitando asilo nos Estados Unidos, informa a agência de notícias Reuters.

A política, que foi implementada no ano passado no Texas e na Califórnia, será aplicada em Tucson, Arizona. Anteriormente, os migrantes encontrados naquela área eram enviados para El Paso, Texas, para processar seu retorno ao México.

O presidente Donald Trump fez das políticas migratórias o foco principal de seu primeiro mandato e continua com a mesma bandeira antes das eleições de 2020.

O secretário interino de Segurança Nacional, Chad Wolf, disse em comunicado quinta-feira que o programa MPP tem sido "uma ferramenta extremamente eficaz" para os Estados Unidos.

Os críticos apontam que a iniciativa expõe os migrantes à violência no México e restringe sua capacidade de buscar proteção nos Estados Unidos.

A Comissão Mexicana de Assistência a Refugiados disse quarta-feira que recebeu 66.915 pedidos de asilo em 2019, cerca de 126% a mais que no ano anterior.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020010214963600-eua-ampliarao-programa-para-devolver-migrantes-ao-mexico/

EUA atacam alvos de grupos militares apoiados pelo Irã no Iraque e na Síria

Washington, 29 dez (Xinhua) -- O Pentágono disse no domingo que os militares dos EUA realizaram ataques contra grupos militares apoiados pelo Irã no Iraque e na Síria, dois dias após um ataque com foguete contra uma base iraquiana que levou à morte de um contratante civil americano.

 

As forças americanas realizaram "ataques defensivos de precisão" contra três instalações do Kata'ib Hezbollah (KH) no Iraque e duas na Síria, disse em comunicado o assistente do secretário de Defesa, Jonathan Hoffman.

 

Esses alvos incluem instalações de armazenamento de armas e locais de comando e controle que o KH usa para planejar e executar ataques às forças da coalizão Operação Resolução Inerente (ORI), acrescentou o comunicado.

 

O Pentágono apontou que o ataque militar foi uma resposta ao ataque de foguetes do KH a uma base iraquiana perto de Kirkuk na sexta-feira, que resultou na morte de um cidadão americano, feriu quatro militares americanos e dois membros das Forças de Segurança Iraquianas (FSI).

 

O KH tem uma forte ligação com a Força Quds do Irã e recebeu repetidamente ajuda letal e outro apoio do Irã, segundo o comunicado.

 

Mais de 5.000 tropas dos EUA foram destacadas no Iraque para apoiar as forças iraquianas nas batalhas contra militantes do Estado Islâmico (EI), principalmente fornecendo treinamento e aconselhamento às forças iraquianas.

 

As tropas fazem parte da coalizão internacional liderada pelos EUA que realiza ataques aéreos contra alvos do EI no Iraque e na Síria.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/30/c_138666729.htm

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