Turquia

Milícia curda acusa a Turquia de estabelecer bases militares no Iraque

Militares turcos na fronteira entre a Turquia e Iraque
© AFP 2020 / Mustafa Ozer

Grupos de milícias curdas acusaram a Turquia de estabelecer bases militares na região norte do Iraque.

A medida seria parte de uma ofensiva de Ancara contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), segundo publicou a emissora Al Arabiya neste domingo (28).

Segundo um porta-voz do grupo de milícias, as tropas turcas já chegaram a 40 quilômetros do território iraquiano como parte da Operação Claw-Tiger, informou a emissora. A milícia considera a invasão turca uma violação da soberania iraquiana.

© AP Photo / Yasin Bulbul
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, discursa em uma reunião do seu partido em Amasya, Turquia, em 28 de janeiro de 2018

Na sexta-feira (26), o Ministério da Defesa Nacional da Turquia informou que um dos soldados do país morreu em confrontos com as tropas do PKK no norte do Iraque. Outros soldados das forças especiais turcas foram enviados para a região em 21 de junho deste ano.

Ancara designou o PKK como organização terrorista e lançou uma ofensiva contra os curdos em meados de junho deste ano. O Ministério das Relações Exteriores do Iraque já emitiu duas vezes notas de protesto ao embaixador turco sobre o que Bagdá considera que são violações da soberania do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020062815767921-milicia-curda-acusa-a-turquia-de-estabelecer-bases-militares-no-iraque/

A Turquia anexa de facto o Norte da Síria

A Turquia impôs a sua moeda, a lira turca, nas zonas que ocupa no Norte da Síria.

De facto, a província de Idleb, controlada pela Alcaida [1], tornou-se uma extensão da Turquia da mesma forma que a República turca de Chipre do Norte se tornou em 1974, aquando da Operação Attila na ilha de Chipre.

Lembremos que a pseudo-República turca do Chipre Norte apenas é reconhecida pela Turquia e que, apesar da adesão de Chipre à União Europeia, em 2004, a União Europeia, autoproclamada «defensora da paz», jamais defendeu os cidadãos cipriotas sob ocupação turca.

A anexação de Idleb é concomitante à aplicação do cerco ocidental à Síria (“Cesar Act” -Lei César) [2], do incêndio coordenado dos campos agrícolas sírios pelas forças dos EUA e dos jiadistas [3], e do anúncio do regresso do Irão (Irã-br) ao lado da Turquia na Líbia [4].

Isto corresponde ao «Juramento Nacional» [5], redigido por Mustapha Kemal Atatürk, contra os Tratados de Paz da Primeira Guerra Mundial. Este apela igualmente para a anexação de outras regiões iraquianas, sírias e até gregas.


Tradução
Alva

[1] “Reorganização da Alcaida na Síria”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 23 de Junho de 2020.

[2] “Segundo Hassan Nasrallah, os EUA querem provocar a fome no Líbano”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 27 de Junho de 2020.

[3] “Os EUA e a UE provocam crise alimentar na Síria”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Junho de 2020.

[4] “O Irão mostra o seu apoio à OTAN na Líbia”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 23 de Junho de 2020.

[5] «Juramento Nacional turco», Red Voltaire , 28 de enero de 1920.

Original em 'Rede Voltaire' na seguinte ligação:

https://www.voltairenet.org/article210376.html

13.000 rebeldes da Síria apoiados pela Turquia chegaram à Líbia desde dezembro de 2019

Sex Slavery, ISIS & Illegal Arms Trade: Libya Plunged Into Failed...

 

 

Damasco, 19 mai (Xinhua) - Com a ajuda da Turquia, até 13.000 rebeldes da Síria chegaram até a Líbia para lutar contra o exército do leste liderado por Khalifa Haftar, informou um monitor de guerra na terça-feira.

 

Um total de 300 rebeldes foram mortos em batalhas na Líbia após serem transferidos da Síria para a Líbia através do território turco sob a supervisão da Turquia, disse o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

 

Os rebeldes apoiados pela Turquia abriram quatro centros na cidade de Afrin, no norte da Síria, para recrutar combatentes para serem enviados à Líbia.

 

A Turquia oferece um salário mensal de 2.000 dólares americanos para aqueles que concordam em ir à Líbia em contratos entre três e seis meses, disse o observatório.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/21/c_139074660.htm

Erdogan ameaça a Síria com forte ataque militar em Idlib

 

 

247 -Sob o pretexto de que o governo sírio poderia violar o cessar-fogo, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan ameaça atacar a Síria em Idlib.

“Estamos monitorando de perto o envio de forças sírias perto das zonas de cessar-fogo em Idlib. Se eles violarem o armistício, empreenderemos um ataque maior do que o realizado anteriormente ”, disse o presidente turco nesta quarta-feira (11), durante uma intervenção diante dos deputados do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

Ele acrescentou que a prioridade da Turquia na Síria é proteger seus 12 postos de observação estabelecidos na província síria de Idlib, a última fortaleza de grupos terroristas no país árabe. "Qualquer ataque contra essas posições será respondido com força", disse Erdogan.

 

Informações do site iranianoHispanTV

Putin e Erdogan acertam cessar-fogo na Síria

 
 
Líderes de Rússia e Turquia chegam a acordo após agravamento de conflito deixar tropas dos dois países próximas a confronto direto. Crise na província de Idlib levou à fuga de quase um milhão de pessoas desde dezembro.
 
Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciaram nesta quinta-feira (05/03) um acordo para um cessar-fogo no noroeste da Síria, onde o agravamento de um conflito ameaça deixar tropas dos dois países próximas a um confronto direto.
 
O pacto, atingido após seis horas de negociação em Moscou, visa à suspensão dos combates na província de Idlib, onde forças turcas combatem os avanços de tropas sírias apoiadas pela Rússia.
 
Um dos objetivos do acordo também seria evitar maiores danos às relações bilaterais e ao florescente comércio entre os dois países. O cessar-fogo entra em vigor à meia-noite, no horário sírio.
 
A província é a última região controlada pela oposição na Síria, após nove anos de guerra civil. Os conflitos levaram à fuga de quase um milhão de pessoas desde dezembro de 2019, quando teve início a mais recente ofensiva do governo de Bashar al-Assad.
 
 
Trata-se da maior onda de deslocamento desde o começo da guerra civil na Síria, em 2011. Muitos dos refugiados acabaram sendo empurrados para a fronteira da Síria com a Turquia, que já abriga 3,6 milhões de refugiados sírios e se recusa a acolher ainda mais.
 
Putin expressou o desejo de que o pacto sirva como base para o "fim dos combates na zona desmilitarizada em Idlib" e possa ainda "encerrar o sofrimento da população civil e conter a crescente crise humanitária".
 
Erdogan ressaltou que ele e o líder russo concordaram em ajudar os refugiados a retornarem para suas casas. Ele, porém, destacou que seu país se reserva o direito de "retaliar com toda a força qualquer ataque" das forças sírias.
 
Os dois líderes disseram que o acordo envolve a criação de um corredor de segurança de 12 quilômetros de extensão em torno de uma rodovia considerada estratégica em Idlib, que será patrulhada em conjunto pelos dois países a partir de 15 de março.
 
Putin ofereceu condolências a Erdogan pela morte de militares turcos em um ataque aéreo russo, mas ressaltou que as tropas sírias também tiveram baixas significativas. O total de mortes de soldados turcos na Síria aumentou para 59 nesta quinta-feira.
 
A situação na província de Idlib se agravou após a Turquia realizar pela primeira vez um ataque direto contra tropas de Assad. Nos últimos dias, houve violentos confrontos aéreos e por terra entre forças turcas e sírias.
 
Após a Turquia derrubar aviões da Força Aérea da Síria, Moscou, em tom de ameaça, alertou Ancara de que suas aeronaves não estariam seguras se adentrassem o espaço aéreo sírio. Aviões militares russos fornecem apoio a operações em solo das tropas sírias.
 
Deutsche Welle | RC/ap/afp

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/putin-e-erdogan-acertam-cessar-fogo-na.html

Análise: Movimento de refugiados da Turquia expõe falha política comum da EU, segundo especialistas

Pazarkule, Turquia, 4 mar (Xinhua) - A súbita decisão da Turquia de abrir os portões da Europa para refugiados expõe a frustração de Ancara pela falta de apoio e o fracasso de uma União Europeia (UE) distraída em concordar com uma política comum de migração, disseram especialistas.

 

A Turquia anunciou na semana passada que não impediria a passagem de refugiados que esperavam ir para a Europa em meio à crescente violência no noroeste da Síria, o que poderia levar a um novo afluxo de refugiados que fogem do país devastado pela guerra através de sua fronteira sul.

 

A medida também ameaça desvendar um acordo que a Turquia assinou com a UE em 2016 para interromper o fluxo de refugiados na Europa em troca de fundos alocados para ajudar Ancara a lidar com os milhões de refugiados sírios que hospeda.

 

Após a abertura do lado turco da fronteira, que ocorreu após o assassinato de 33 soldados turcos pelos ataques aéreos do governo sírio, milhares de refugiados cruzaram a Grécia, um membro da UE, causando conflitos violentos na fronteira terrestre de Pazarkule, na província de Edirne.

 

A Turquia abriga o maior número de refugiados no mundo: perto de 4,1 milhões, incluindo 3,7 milhões de sírios e quase 400.000 solicitantes de asilo e refugiados de outras nacionalidades, como iranianos e afegãos.

 

Especialistas em migração concordam que a iniciativa da Turquia é motivada principalmente pela falta de apoio internacional à Turquia para lidar com a crise dos refugiados e pela crescente pressão doméstica sobre a questão dos refugiados.

 

"É impossível para a Turquia assumir o fardo dos refugiados por conta própria e de outro êxodo adicional do norte da Síria, portanto Ancara tomou uma decisão emocional e abriu suas fronteiras no que só pode ser descrito como um ato de desespero, disse à Xinhua, Didem Isci, especialista dos Estudos de Migração do Bósforo (EMB), com sede em Ancara.

 

A Turquia pretende pressionar a UE a finalmente agir sobre a crise dos refugiados, um movimento que geralmente é aclamado pela população turca, cujo sentimento anti-refugiado está aumentando em meio a uma economia frágil, disse Isci.

 

Ele acrescentou que, do ponto de vista dos direitos humanos, a decisão da Turquia pode sair pela culatra.

 

"Viemos com 16 de nossos amigos assim que soubemos que a fronteira estava aberta, mas fomos empurrados por cinco dias pela polícia de choque grega que atirou em bombas de gás lacrimogêneo quase à queima-roupa", disse à Xinhua, um refugiado iraniano, que apenas identificou-se como Reza, na passagem da fronteira Pazarkule.

 

"Queremos ir para a Europa, e ainda tenho esperança de atravessar, você não pode viver sem esperança", acrescentou Reza.

 

No passado, Ancara havia sido acusada de usar refugiados sírios como ferramenta de pressão no trato com a UE. Essas acusações foram reativadas depois que a Turquia lançou recentemente sua grande ofensiva contra o exército sírio apoiado pela Rússia, pelo qual Ancara pediu o apoio da UE.

 

A Turquia havia ameaçado muitas vezes no passado avançar com essa medida, acusando a UE de não cumprir suas promessas, uma insatisfação também admitida pelos europeus distraída por um Brexit bagunçado que bloqueou um acordo sobre um novo sistema de asilo que facilitaria o processo de asilo nos estados da linha de frente, como a Grécia.

 

"A Grécia foi deixada sozinha por outros estados membros da UE que não são particularmente vulneráveis ​​por um fluxo migratório, uma situação que impediu o bloco de enfrentar o problema", disse Isci.

 

Em uma declaração em sua conta no Twitter, Kati Piri, ex-relatora da Turquia no Parlamento Europeu, criticou o bloco por não cumprir suas promessas feitas à Turquia.

 

Piri compartilhou uma longa lista de promessas não cumpridas pela UE, incluindo o fracasso na implementação de uma política de isenção de visto para os cidadãos turcos, embora devesse estar em vigor até o final de 2016.

 

Ela acrescentou que apenas 25.000 refugiados foram reassentados em três anos, embora o acordo prometesse reassentamento em larga escala nos estados membros da UE.

 

"Nossa generosidade e hospitalidade em relação aos sírios foram claramente mal interpretadas pela EU, fizemos nossa parte justa ao hospedar muitos migrantes, isso não poderia durar para sempre", disse uma fonte turca próxima ao governo à Xinhua.

 

A fonte, que falou sob condição de anonimato, disse que o bloco não fez "bom uso dos quatro anos que se passaram desde o nosso acordo (2016) para encontrar um terreno comum para uma política eficiente de asilo".

 

Autoridades turcas e comentaristas de TV criticaram as medidas da patrulha de fronteira grega para impedir que os refugiados entrem no país por terra e por mar.

 

Na quarta-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que a UE deve parar de "atropelar" os direitos dos migrantes e deve apoiar a Turquia na Síria, se quiser uma solução para o atual fluxo de refugiados.

 

"Nossos vizinhos gregos, que tentam todos os meios para barrar os migrantes, como afogá-los no mar ou matá-los a tiros, não devem esquecer que um dia eles podem precisar da mesma misericórdia", disse o líder turco em discurso no parlamento.

Ancara está buscando o apoio da UE para o estabelecimento de zonas seguras dentro da Síria para facilitar "retornos voluntários" para os refugiados que hospeda, mas esses pedidos são ignorados. A Turquia controla áreas de terra no norte da Síria, após três operações realizadas nos últimos anos contra combatentes curdos.

 

Na terça-feira, o ministro do Interior turco, Suleyman Soylu, disse no Twitter que quase 136.000 refugiados deixaram a Turquia para a Grécia, mas o número foi fortemente contestado pelas autoridades gregas.

 

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/06/c_138848836.htm

Erdogan aumenta pressão sobre UE após deflagrar crise na fronteira com Grécia

 
 
Presidente da Turquia diz que vaga de migrantes rumo à Grécia só terá fim se Bruxelas declarar apoio às manobras de Ancara na Síria. Europeus denunciam "chantagem" e fecham fronteiras temendo nova onda migratória.
 
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, elevou a pressão sobre a União Europeia nesta quarta-feira (04/03) ao afirmar que a crise na fronteira de seu país com a Grécia só poderá ser resolvida se a Europa declarar apoio ao que chamou de "soluções políticas e humanitárias" de Ancara no norte da Síria.
 
A declaração de Erdogan veio após um dia de novos confrontos ao longo da fronteira, quando uma multidão de migrantes tentou forçar a entrada na Grécia, fazendo com que as forças de segurança gregas tivessem de intervir para impedir uma invasão em seu território. Milhares de migrantes e refugiados se acumulam ao longo da fronteira greco-turca.
 
A crise teve início após Erdogan anunciar que seu governo não impediria mais os migrantes abrigados em seu país de tentar chegar à Europa através da Grécia, numa tentativa de forçar a UE a aumentar a ajuda ao país, que abriga em torno de 3,6 milhões de refugiados sírios.
 
A Turquia realiza operações militares contra o governo da Síria numa ampla faixa no norte do território sírio, em uma tentativa de impedir um novo fluxo migratório a partir de Idlib, região dominada por grupos insurgentes que está sob ataque de tropas de Damasco apoiadas por Moscovo.
 
 
Quase 1 milhão de habitantes de Idlib foram forçados a deslocar-se devido à violência, mas estão impedidos de entrar no território turco.
 
O chefe da política externa da UE, Josep Borrell, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, se reuniram com Erdogan em Ancara nesta quarta feira, e prometeram repassar 170 milhões de euros destinados à ajuda aos grupos em condições vulneráveis na Síria. Borrell afirmou que a UE reconhece as dificuldades que a Turquia enfrenta, mas que a abertura da fronteira para os migrantes "apenas agrava a situação".
 
O ministro alemão do Exterior, Horst Seehofer, alertou sobre a possível repetição do fluxo migratório que pegou a Europa de surpresa em 2015.
 
Em reunião com os demais ministros do Exterior da UE em Luxemburgo, ele pediu uma política comum de acolhimento no bloco, sem a qual "há o perigo de a migração descontrolada ocorrer mais uma vez por toda a Europa". "Já vimos isso antes, e não quero que aconteça novamente", reforçou.
 
O ministro francês do Exterior, Jean-Yves Le Drian, comentou que os europeus não devem sucumbir à "chantagem" de Ancara, ressaltando que as fronteiras do continente estão e permanecerão fechadas.
 
Acusações em meio ao aumento da violência
 
As forças de segurança da Grécia intervieram com bombas de gás lacrimogéneo e de efeito moral nesta quarta-feira para impedir a entrada ilegal de migrantes. Os confrontos ocorreram próximo às passagens fronteiriças em Pazarkulee e no vilarejo de Kastanies, ao longo de uma cerca que cobre parte da fronteira não demarcada pelo rio Evros.
 
Autoridades turcas afirmaram que tiros disparados por agentes gregos deixaram um morto e cinco feridos, o que o governo de Atenas desmentiu. "O lado turco cria e divulga notícias falsas contra a Grécia", acusou o porta-voz do governo Stelios Petsas. "Não houve nenhum incidente com armas de fogo por parte das autoridades gregas", reiterou.
 
Autoridades da Grécia disseram que a polícia turca atirou bombas de gás contra os migrantes, e apresentaram vídeos que supostamente comprovam a alegação.
 
Jornalistas no lado turco da fronteira relataram ter visto pelo menos quatro ambulâncias deixando o local. O chefe do setor de emergências do hospital da Universidade de Trakya, na Turquia, afirmou a repórteres que seis pessoas foram internadas nesta quarta-feira, sendo que uma delas morreu antes de chegar ao hospital. Entre os atendidos, três tinham ferimentos a bala.
 
Segundo relatos, a movimentação em massa de migrantes dentro da Turquia poderia ter sido previamente organizada, com alguns autocarros, táxis e automóveis transportando migrantes de Istambul até à fronteira. Alguns dos que conseguiram atravessar para o outro lado afirmaram que as autoridades turcas os orientaram para irem para a Grécia.
 
O governo grego considerou a situação uma ameaça direta à segurança nacional, e impôs medidas de emergência para acelerar as deportações e suspender o processamento dos pedidos de asilo durante um mês. Há relatos de migrantes sendo literalmente empurrados de volta para a Turquia através da fronteira.
 
Deutsche Welle | RC/ap/rtr/afp

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/erdogan-aumenta-pressao-sobre-ue-apos.html

Erdogan usa crise migratória para chantagear UE, diz deputado grego

Bandeiras no Parlamento Europeu em Estrasburgo, França
© AP Photo / Christian Lutz

Dimitrios Papadimoulis, vice-presidente do Parlamento Europeu e chefe da delegação do partido grego Syriza, acusou o líder turco, Recep Tayyip Erdogan, de usar a crise migratória na fronteira com a Grécia para chantagear a União Europeia.

"O presidente Erdogan tem uma agenda muito específica e está claramente tentando chantagear a Europa. E ele está usando as pessoas para fazer isso. Tais atos exigem uma resposta rápida e responsável da UE e sanções efetivas. O presidente Erdogan transgride unilateralmente o acordo UE-Turquia por sua própria conta", afirmou Papadimoulis nesta quarta-feira.

Questionado se o fluxo massivo de migrantes e refugiados na fronteira entre Grécia e Turquia nos últimos dias teria sido causado pelos conflitos em Idlib, o deputado grego disse que, obviamente, "tensões crescentes" contribuem para essa situação, "mas esse não é, definitivamente, o caso".

Para o parlamentar, ao violar deliberadamente o acordo com a União Europeia, o governo turco "usa os migrantes como arma humana para chantagear a UE em uma tentativa desumana de levar ao sucesso sua agenda não tão secreta assim". 

​Na semana passada, a Turquia anunciou que não seria mais capaz de conter o fluxo de migrantes e refugiados após o recente aumento das tensões na província síria de Idlib, invadida por tropas turcas, abrindo assim sua fronteira com a União Europeia para aqueles que desejavam atravessá-la. Milhares de migrantes correram imediatamente para a fronteira com a Grécia e a Bulgária, tentando entrar na Europa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020030415292000-erdogan-usa-crise-migratoria-para-chantagear-ue-diz-deputado-grego/

O Sultão Turco

… e o divino Divã do século XXI

 

 

O divã ou diwan (persa: دیوان, dīvān) era um alto funcionário do governo em vários estados islâmicos. O Divã também é sinónimo de Sublime Porta!

O primeiro DIVÃ foi criado no tempo do Califato de Omar (634–644) e teve períodos de existência e dinastias várias que o prolongaram até chegarmos, numa corrida por tempos remotos até aos Seljucidas que ocuparam a Sublime Porta e o Divã no século XI.

Cavaleiro Seljucida

Estes grandes seljúcidas tendiam a valorizar suas origens nómadas, com os seus sultões administrando uma corte itinerante que percorria as várias capitais do Império. Na ausência do Sultão em campanha militar ou em delicada visita ao harém, era o vizir quem assumia uma proeminência maior, concentrando a direção de assuntos civis, militares e religiosos no seu próprio gabinete, o “supremo dīwān“.

Ou seja, o objeto (a Porta, O Gabinete, ou o Divã ultrapassaram em fama e importância o próprio Sultão e/ou o Grão_Vizir).

A Instituição DIVÃ incluía um departamento de contabilidade, um escritório de supervisão fiscal, o departamento do exército, por sua vez dividido no departamento de recrutamento e logística, o departamento de salário e terra além de outros “ministérios” maiores e menores como o da reparação de queixas, o do tesouro do estado, do tesouro e cofres privados do sultão, o dos confiscos e de imposto sobre a terra. Não faltava o negócio das dádivas religiosas. E até havia serviço de Correios, sem telégrafos nem telefones, mas a cavalo! Ou seja, parecia um qualquer dos países europeus atuais.

Porque lembramos o Império Seljucida?

Primeiro, por humildade.

A nossa administração publica europeia será melhor do que a Seljucida porque temos telemóveis e computadores.

Depois, porque Erdogan, muçulmano sunita, cuja esposa sai sempre coberta com o respeitável véu de cerimónia, tem toda a vontade de se sentar no DIVÃ imperial, do qual, quanto a mim, poderá cair com uma fratura do colo do fémur! Talvez tenha uma costela que não gosta das suas origens turco-persas, que eram xiitas. Desentendimentos religiosos, que vêm do negrume notívago dos tempos em que os cascos dos cavalos faziam vibrar as estepes!

Voltando à humilde vaca fria: o tal Império Seljucida foi um império muçulmano sunita turco-persa medieval.

Ia da Anatólia e do Médio Oriente até às montanhas do Hindu Kush, a oriente, incluía territórios da Ásia Central ao Golfo Pérsico, ao sul.

Tughril Beg (990-1063) e o irmão Chaghri Beg (989-1060) fundaram este Império em 1037, momento em que Portugal ainda não existia, mas o nosso território já era desejado por Fernando I de Leão e Castela.

Ou seja, tudo isto aconteceu pela madrugada dos tempos.

Sultão Seljucida

Os Seljucidas vindos lá do Mar de Aral avançaram primeiro por Khorasan, depois na Pérsia continental, antes de finalmente capturarem Bagdad, acabando por se banquetearem com a maior parte da Anatólia do Império Bizantino, ou seja a actual TURQUIA. Depois de 1150-1250, o império seljucida foi encolhendo e acabou por ser conquistado pelos Mongóis que dividiram a Anatólia em emiratos. Eventualmente, um deles, o otomano, conquistaria o resto do território.

Seljuk deu seu nome ao império e à dinastia seljucida. Os Seljucidas tinham forte influência persa na sua cultura e na língua em que falavam. Tribos turcas colocadas na periferia do noroeste do império, para impedir invasões de estados vizinhos, levaram a uma progressiva influência turca dessas áreas.

O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, obcecado com a ideia de ser o novo sultão otomano, fez ataques selvagens a cidades e vilarejos sírios no nordeste e noroeste da Síria, especialmente na cidade de Aleppo, que foi agora final e totalmente libertada da presença de grupos terroristas (Frente Al-Nusra) alguns dias atrás.

Politicamente falando, a libertação pelo exército sírio da cidade de Aleppo, levando à fuga de grupos terroristas, terá repercussões para todas as partes envolvidas no sangrento conflito na Síria, é a conclusão dos mais diversos comentadores políticos.

Um analista sírio deixou claro que a localização geográfica estratégica da cidade de Aleppo na rota comercial entre três continentes é a principal razão por trás do conflito internacional que se avolumou pela sua captura.

Todos perceberam que a posse ou a queda de Aleppo seria muito importante para atingir, ou não, a queda de Damasco.

A aliança sírio-russa-iraniana percebeu que defendê-la era vital.

O primeiro beneficiário da libertação de Aleppo é a Síria, que iniciou a batalha pela libertação de todas as áreas ocupadas no norte e se livra de grupos terroristas.

Após a libertação de Idlib, os grupos terroristas provavelmente tentarão escapar para a Turquia, que é a maior fortaleza de todas as formas de Islamismo político, para fazer com que Erdogan assuma a responsabilidade com que se comprometeu pela ação Síria. Vão pedir contas à Sublime Porta!

Isto coloca Erdogan num divã de impasse político e militar e pode torná-lo ou dependente ou numa marioneta da Rússia e do Irão.

Esperemos que isso obrigue Erdogan a reconhecer a legitimidade do governo sírio e a retirar as suas tropas de todas as áreas que ocupa no norte da Síria e restaurar as relações com a Síria dentro de uma nova estrutura baseada na igualdade.

Ou seja Erdogan vai ter de reconhecer que a SUBLIME PORTA é perigosa demais e que a ambição o lançou numa corrida contra um tempo que já não existe.

Israel foi-se meter no vespeiro, foi ajudar a atacar locais militares sírios e iranianos tentando abrir corredores militares para grupos terroristas se infiltrarem na região central para reorganizar a região.

Israel deve saber calcular qual é o risco de se candidatar a Grão-Vizir.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-sultao-turco/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-sultao-turco

Turquia acusada de «empurrar» refugiados para a Europa

Refugiados sírios acusam as autoridades turcas de os ter desalojado de Istambul, onde viviam há mais de cinco anos, para os transportar para a fronteira, onde foram «empurrados» para o lado grego.

Um refugiado nada de volta para o lado turco depois de ficar preso por dois dias numa pequena ilha no rio Meric (Evros) para chegar à Europa, na fronteira turco-grega, em Edirne, Turquia, 1 Março de 2020CréditosERDEM SAHIN / EPA

Refugiados sírios chegados hoje à povoação grega de Lamara, na fronteira com a Turquia, acusaram as autoridades deste país de os ter desalojado das casas onde viviam há mais de cinco anos, em Istambul, despojado de bens pessoais e forçado a passar para o lado grego.

O grupo, constituído por dez pessoas, incluindo dois recém-nascidos, foi interpelado pela polícia grega. Um deles, que foi identificado pela agência France-Presse (AFP) como Taisir, 23 anos, natural de Damasco, referiu que «ontem [segunda-feira], eles [os turcos] tiraram-nos das casas onde estávamos, tiraram-nos o dinheiro que tínhamos e os nossos telefones».

Acrescentou que em seguida foram transportados para o rio Evros, na fronteira grego-turca, onde foram «abandonados nas margens do rio» pelo exército turco e lhes foi dito: «vão-se embora».

A AFP refere que é impossível verificar de momento a versão deste grupo sírio encontrado na Grécia mas sublinha que os relatos são semelhantes a outros ocorridos na mesma zona.

Os refugiados como arma da guerra

O conhecimento destes factos lança uma luz diferente sobre as recentes declarações de Ancara de não ir «impedir a passagem» de refugiados para o espaço da União Europeia (UE), a pretexto da guerra na Síria.

Após esse anúncio, feito na semana passada, milhares de pessoas dirigiram-se para território grego, tendo as autoridades de Atenas usado medidas de força para repeli-los. De acordo com as Nações Unidas, no sábado cerca de 13 mil refugiados encontravam-se na fronteira entre a Turquia e a Grécia, aos quais, segundo a AFP, se juntaram mais dois mil no domingo.

Já na segunda-feira, a Turquia ameaçou que «milhares» de pessoas «vão entrar na Europa», tendo o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pedido que esta «assuma a sua parte de responsabilidade» no acolhimento de migrantes e de refugiados «da Síria», na tentativa de obter mais apoio ocidental para o prosseguimento da sua ocupação militar ilegal de território sírio, directamente ou por intermédio de grupos jihadistas sob seu controlo político-militar.

A polícia grega confirma o aumento do fluxo de refugiados que chegam à zona de fronteira vindos da Turquia, indicando que tanto provêm da Síria como do Afeganistão, da Somália, do Paquistão e de Marrocos.

O desalojamento de refugiados há muito a viver na Turquia e o seu envio para a fronteira com a UE põe em causa a narrativa de Ancara de uma «onda de refugiados» causada pela evolução mais recente da ofensiva libertadora do EAS na província de Idlib.

Desde Agosto de 2019 que as forças de Damasco progridem no sul e no leste da província de Idlib, com o objectivo de a libertar do domínio do grupo terrorista Hayat Tahrir al-Sham (al-Qaeda).

Se no passado as autoridades turcas colocaram na frente de combate dezenas de milhar de jihadistas ao seu serviço no território sírio ocupado pela Turquia, a derrota desses combatentes e o contínuo avanço do EAS obrigou Ancara a colocar as suas tropas em apoio directo dos grupos terroristas, aproximando-as perigosamente da linha da frente.

Na semana passada tropas turcas foram atingidas e sofreram numerosas baixas, quando participavam, de forma encoberta, numa contra-ofensiva jihadista nas imediações da estratégica cidade de Saraqib, a 19 quilómetros a leste de Idlib.

 

a partir da Lusa

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/turquia-acusada-de-empurrar-refugiados-para-europa

Como uma galinha sem cabeça

por Darío Herchhoren

O título deste artigo decorre do modo como antigamente se sacrificavam as galinhas, em que o matador utilizava uma faca pesada ou um machado para decepar as cabeças com um só golpe. Uma vez arrancadas as cabeças a galinhas ainda corriam alguns metros até caírem mortas.

A análise da política turca torna verosímil a utilização dessa expressão a fim de qualificá-la, pois zigzagueia de um lado para outro sem cabeça.

Vejamos algo da história da Turquia. Os chamados turcos otomanos tomaram o império romano do oriente – conhecido como Bizâncio, ou Império Bizantino – quando ocuparam a sua capital. Esta era conhecida como Constantinopla, para recordar o imperador romano Constantino que dividiu o velho império romano entre os seus filhos, Arcádio e Honório.

Os turcos provêm da região de Altai, na Ásia Central, onde ainda hoje existem populações de origem turca no que se conhece como Turquestão russo e Turquestão chinês. Na China esta população é conhecida como uigur e nela predomina a religião muçulmana. Na Rússia são conhecidos como tadjiques, os quais foram reconhecidos pela antiga URSS como República Socialista do Tadjiquistão.

A história da Turquia está a condicionar o presente turco e é preciso ter em conta que isto implica certas fidelidades à tradição, ainda que por vezes as mesmas se entrecruzem. Temos por um lado a origem asiático; por outro a criação do império otomano que abrangia grandes territórios no norte de África. Nestes, assentaram-se na Líbia os misratas de origem turca, em todo o Egipto e Sudão, na península arábica e no que se conhece como Oriente Próximo (Síria, Iraque, Líbano e Palestina).

O alinhamento da Turquia com as chamadas potências centrais (Alemanha e Áustria-Hungria) na guerra de 1914-18 implicou na prática o fim do império turco, que caia aos pedaços, e a fundação por Mustafá Kemal Ataturk (o pai dos turcos) da República Turca em 1919, que mantém os territórios actuais.

Nesta fundação a Turquia perde a Grécia, uma parte do que era a Jugoslávia, Chipre e a Albânia.

A partir desse momento, e sobretudo depois da morte de Kemal Ataturk, é o exército que detém o poder real na Turquia. Até que um partido social-democrata encabeçado por Bulent Ecevit consegue retirar poder aos militares. Posteriormente estes voltam a dar outro golpe e retomam seus velhos hábitos golpistas.

A economia turca cresce rapidamente e isto leva a que a Turquia tente entrar na União Europeia. Mas para isso, há que abraçar certas formas democráticas, ainda que sejam apenas formais. E quando adoptaram estas formas a UE afastou-se e fez saber ao governo de Turgut Ozal que é um clube cristão e que lhe dará apenas o estatuto de associado à UE.

Com as coisas neste pé, a Turquia não encontra um lugar no mundo. Não rompe com a NATO, da qual faz parte com um exército de dois milhões de soldados (o maior desta organização). Mas tenta uma lua de mel com a Rússia, comprando-lhe armas como os lança mísseis S300 e S400. Primeiro forma um mercado comum com a Síria e a seguir apoia os jihadistas contra o governo sírio. Assina um acordo para levar a paz ao martirizado povo sírio, juntamente com a Rússia. E finalmente volta-se contra a Rússia, prejudicando a actuação dos militares russos na Síria.

Isto custou à Turquia a perda de mais de cem blindados nos últimos dias, destruídos pela aviação russa, e uma chamada de atenção do ministro Lavrov.

Estão pendentes por um fio as exportações turcas de frutas, verduras e aves para a Rússia. A sua possível perda significaria um golpe duríssimo para a sua economia.

Mas é preciso inscrever tudo isto dentro da nova guerra fria que os EUA estão a travar contra a Rússia. Os EUA firmaram com a Grécia um acordo pelo qual esta lhe entrega o controle de todas as suas bases militares. Isto implica que os EUA tentarão estrangular a Rússia, fechando o Mar Negro à navegação de navios russos através dos Dardanelos , a fim de impedir a passagem de naves russas para o Mediterrâneo.

Nas forças armadas turcas convivem as tendências pró russas e pró ianques. É muito possível que num futuro próximo vejamos um novo golpe de estado. Quem o dará primeiro? É preciso aguardar para ver. Enquanto isso os EUA protegem o clérigo turco Fetullah Gulem, que vive refugiado no seu território e que lhes pode ser útil nas tentativas de debilitar o governo de Erdogan. Este continua a correr como uma galinha sem cabeça, apesar de ainda a manter no seu lugar. Não esqueçamos que a CIA já tentou decapitar o seu governo há poucos anos e que, graças à informação transmitida pela Rússia ao governo Erdogan, este pôde abortá-lo.

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/turquia/galinha_sem_cabeca.html

A aposta perdida da Turquia na Síria

 
 
Tony Cartalucci | Global Research, 28 de fevereiro de 2020
 
A Turquia supostamente perdeu outras 33 tropas na Síria nesta semana, em meio a sua recusa em se retirar do território sírio em meio a ganhos do governo sírio na província de Idlib, no norte. 
 
 
Pelo menos 33 soldados turcos foram mortos em um ataque aéreo pelas "forças do regime" sírias no noroeste da Síria, disse uma alta autoridade turca.
 
Mais foram feridos na província de Idlib, disse Rahmi Dogan, governador da província de Hatay, na Turquia. Outros relatórios elevam o número de mortos.
 
A Turquia mais tarde retaliou contra os alvos do governo das tropas sírias.
 
A guerra por procuração liderada pelos EUA contra a Síria acabou. É apenas uma questão de tempo até Damasco e seus aliados restabelecerem o controle sobre toda a nação e começarem a se reconstruir.
 
Os terroristas armados e financiados pelos EUA que assolam o país desde 2011 foram expostos, esgotados e encurralados. Tão desesperado é o estado dessa guerra por procuração que, nos últimos anos, os EUA e seus aliados, incluindo Turquia e Israel, recorreram cada vez mais à ação militar direta contra Damasco, já que seus procuradores não são mais capazes de realizar operações militares sustentadas.
 
E, apesar da agressão descarada contra Damasco e suas forças - o poder militar combinado dos EUA, Turquia e Israel não conseguiu obter ganhos notáveis ​​ou sustentáveis ​​em contraste com a vitória iminente de Damasco.
 
 
Desistir de uma Saída Graciosa 
 
A Turquia é membro da OTAN desde a década de 1950 e participou ativamente da guerra por procuração de Washington na Síria, permitindo que seu território e recursos sejam usados ​​para inundar a Síria com terroristas, armas, equipamentos e dinheiro para alimentar o destrutivo conflito de 9 anos.
 
Apesar do papel integral da Turquia na facilitação da malícia de Washington e da guerra destrutiva por procuração, os aliados da Síria - vendo o conflito terminando a favor de Damasco - tentaram criar uma saída graciosa para a Turquia e a possibilidade de desempenhar um papel mais construtivo na região em que eles - não Washington - agora estaria moldando.
 
Isso incluiu laços económicos e militares com a Rússia e o Irão para ajudar a aliviar a pressão de Washington, que estava tentando cortar os dois para punir e Ancara cada vez mais inconformada.
 
No entanto, eventos recentes parecem indicar que a Turquia rejeitou essa saída graciosa. As forças turcas se vêem cada vez mais escalando diretamente contra as forças sírias e agora até seus aliados russos com armas nucleares.
 
Nada que a Turquia possa fazer antes da guerra total no norte da Síria reverterá sua fortuna.
 
A ocupação do norte da Síria através do uso de proxies esgotados não é mais sustentável. A invasão e ocupação do norte da Síria por forças turcas capazes de repelir forças do governo sírio apoiadas pela Rússia com armas nucleares também não é uma política viável.
 
Descobrir o que quer que Ancara ainda esteja sendo prometida - ou ameaçada - por Washington para continuar sua política de beligerância e ruptura no norte da Síria será a chave para dissuadir a cooperação turca com os EUA - ou formular uma estratégia para frustrar e derrotar as maquinações remanescentes de Washington e seus dois principais parceiros - Turquia e Israel.
 
A Turquia agora se encontra na posição invejável de ter abandonado todos os laços promissores com os vencedores do conflito sírio e um papel construtivo na reorganização da região após o conflito - e agora também se dobrando em uma guerra claramente perdida que não custará à Turquia apenas sangue e tesouro, mas também sua posição na região no futuro próximo ao intermediário.
 
*Este artigo foi publicado originalmente no blog do autor, Land Destroyer Report.
 
A fonte original deste artigo é Global Research
Copyright © Tony Cartalucci , Global Research , 2020

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/a-aposta-perdida-da-turquia-na-siria.html

Países Árabes estão a virar as costas àTurquia na Síria?

Soldado turco posicionado na fronteira com a Síria em frente ao grafite do Mustafa Kemal Ataturk, fundador da da República da Turquia
© AP Photo / Lefteris Pitarakis

No auge do conflito sírio, vários países árabes uniram forças com a Turquia para fornecer apoio à oposição síria. Qual a posição deles agora que Ancara luta no último reduto rebelde na Síria?

A Turquia sofreu recentemente baixas significativas na província rebelde de Idlib, onde enfrenta um Exército sírio com experiência redobrada e com apoio de uma superpotência militar, a Rússia.

Os parceiros árabes de Ancara não expressaram apoio à ofensiva turca e aos poucos normalizam as relações com o presidente sírio, Bashar Assad.

"Agora, ele [Erdogan] está sozinho, combatendo uma superpotência como a Rússia e um Exército sírio experiente [lutando] em território sírio", disse Adbel Bari Atwan, editor-chefe do jornal online Rai al-Youm. "A posição dele é crítica."

Por outro lado, a reunião da OTAN solicitada pela Turquia, após sofrer baixas significativas em Idlib, não terminou com a promessa de auxílio concreto por parte da aliança militar.

"Sete anos atrás, a Turquia era a ponta de lança de uma coalizão que incluía 65 países. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Qatar apoiaram Erdogan em sua intervenção política e militar na Síria", disse Atwan.

Agora, o especialista acredita que somente o Qatar continua do lado da Turquia no conflito sírio. Os demais países árabes, pelo contrário, estariam buscando normalizar as relações com Damasco.

Mudando de lado

A Jordânia, que havia fornecido apoio aos rebeldes na Síria, anunciou em agosto de 2017 que as suas relações com Damasco estavam "indo na direção certa". Uma semana depois, a Arábia Saudita informou os líderes da oposição que estava se retirando do conflito sírio.

Em dezembro de 2018, os EAU e o Bahrein anunciaram que iriam reabrir as respectivas embaixadas em Damasco. Em março de 2019, os EAU terminam a sua transição, anunciando formalmente o apoio à Assad.Membros de uma coalizão de grupos rebeldes chamada Jaish al Fateh, também conhecido como Exército Fatah, em um posto de controle na cidade de Idlib, na Síria.

© REUTERS / Ammar Abdullah
Membros de uma coalizão de grupos rebeldes chamada "Jaish al Fateh", também conhecido como "Exército Fatah", em um posto de controle na cidade de Idlib, na Síria.

As informações acerca do atual posicionamento da Arábia Saudita no conflito sírio são menos claras. No entanto, o especialista lembra que o relacionamento entre Riad e Ancara ficou seriamente abalado desde o assassinato do jornalista Jamal Kashoggi.

Correlação de forças

Atwan acredita que os países árabes estão seguindo os passos dos EUA e retirando-se da Síria, adotando uma postura realista, considerando a mudança na correlação de forças no conflito.

Essas mudanças teriam sido provocadas pela entrada da Rússia na guerra, pela derrota significativa do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e demais países) e pela radicalização dos grupos de oposição.Bombardeiro de longo alcance Tu-22M3 realizando um ataque aéreo na Síria contra posições do grupo terrorista Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países)

© Sputnik / Ministério da Defesa da Rússia
Bombardeiro de longo alcance Tu-22M3 realizando um ataque aéreo na Síria contra posições do grupo terrorista Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países)

"Os EUA quase se retiraram do conflito e as fações revolucionárias passaram a ceder espaço para grupos islâmicos incluídos na lista de organizações terroristas de Washington", disse Atwan.

Opções limitadas

Atwan acredita que o presidente turco tem duas opções para sair da crise: ou a Turquia cumpre suas obrigações no âmbito do Acordo de Sochi de 2018, o que significa que ela deveria desarmar grupos terroristas na região, ou tem de se retirar de Idlib.

"A interferência contínua de Erdogan na Síria é interpretada como uma invasão e ocupação e não poderá ser mantida no longo prazo", disse Atwan. "Um envolvimento mais profundo [nesse conflito] não irá o beneficiar e ele enfrenta crescente oposição interna, principalmente após a morte de mais soldados [turcos]."

Além disso, caso a Turquia receba mais uma onda de refugiados, as tensões dentro da sociedade civil, que já estão altas, poderiam se agravar.

Abrir as fronteiras e permitir que os refugiados sigam para a Europa pode fazer Ancara perder bilhões de euros que recebe como parte do acordo selado com a União Europeia para a recepção deste tipo de migrantes.

O analista político turco Taha Odehoglu acredita que a Turquia ainda aposta em um acordo com a Rússia, reportou a DW.Presidente da Rússia, Vladimir Putin, observa seu homólogo turco, Erdogan, durante encontro em outubro de 2019

© Sputnik / Aleksei Drujinin
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, observa seu homólogo turco, Erdogan, durante encontro em outubro de 2019

"O revés sofrido por Ancara foi doloroso e qualquer passo em falso na sua reação pode ter repercussões sérias para a Turquia", disse Odehoglu. "Ela [Turquia] não quer perder a sua relação com a Rússia."

"Sem dúvida, a Turquia sente que está isolada entre os árabes e os europeus, e mesmo em relação aos americanos [...] mas a porta ainda não está completamente fechada com a Rússia", acredita.

As tensões na província síria de Idlib estão em alta, após 36 soldados turcos terem sido mortos e mais de 30 ficado feridos em consequência de um ataque aéreo.

 

 

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020030115280376-paises-arabes-estao-dando-as-costas-para-a-turquia-na-siria-/

Ministro da Defesa turco diz que ataques da Turquia neutralizaram mais de 2 mil soldados sírios

Soldado turco caminha perto de veículos militares turcos perto de Idlib, na Síria, 11 de fevereiro de 2020 (foto de arquivo)
© REUTERS / Khalil Ashawi

Em declaração feita neste domingo (1°), o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, disse que seu país não busca confrontação com a Rússia na Síria e informou sobre supostas perdas do lado sírio.

Enquanto a guerra na Síria ganha maior destaque entre os eventos internacionais, o ministro da Defesa da Turquia, Hulusi Akar, declarou:

"A Turquia não almeja uma confrontação militar com a Rússia na Síria. Nosso objetivo é prevenir os crimes do regime de Bashar Assad, eliminar a radicalização e prevenir a migração [...] Nosso alvo são somente os apoiadores de Assad", publicou as palavras do ministro a agência Anadolu.

Ainda de acordo com Akar, as forças turcas eliminaram um drone, oito helicópteros, 103 tanques, 72 obuseiros, três sistemas de artilharia antiaérea e neutralizaram 2.212 militares do Exército sírio.

Aumento das tensões

Apesar de a Turquia afirmar não ter como objetivo uma confrontação com a Rússia, nacionalistas radicais turcos, com identidade ainda não determinada, agiram com hostilidade na casa de jornalistas da Sputnik Turquia em Ancara.

A ação se deu logo após um protesto ter sido realizado perto do Consulado-Geral da Rússia na capital do país.

Também foi comunicada a detenção de quatro funcionários da Sputnik Turquia pela própria mídia. 

Enquanto isso, os EUA já anunciaram estar estudando formas de como ajudar a Turquia na guerra na Síria.

Avanços sírios

É válido ressaltar que o aumento das tensões na Síria se iniciou logo após as forças do presidente Bashar Assad retomarem diversas cidades e vilarejos nas províncias de Idlib e Aleppo, no norte do país árabe.

Deste então, embates entre militares da Turquia e da Síria têm sido registrados nas províncias sírias.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020030115279892-ministro-da-defesa-turco-diz-que-pais-neutralizou-mais-de-2-mil-soldados-sirios/

Mídia turca reporta abate de avião governamental sírio em idlib, enquanto Síria nega informação

Fumaça sube após ataque aéreo relatado perto de ponto de observação militar turco na cidade síria de Idlib, 20 de fevereiro de 2020
© AFP 2019 / Abdulaziz KETAZ

Neste domingo (1º), segundo agência de notícias turca Anadolu, um avião do governo sírio teria sido derrubado na zona de desescalada da província síria de idlib. A mídia estatal da Síria nega que o avião do governo tenha caído.

A mídia estatal síria SANA negou que um avião do governo tivesse sido derrubado e disse que seu Exército tinha derrubado um drone turco sobre a cidade síria de Saraqeb, na região de Idlib, noroeste da Síria.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também declarou que são falsas as informações sobre a suposta queda de um caça-bombardeiro Su-24 russo no espaço aéreo em idlib.

Ao mesmo tempo, as Forças Armadas da Síria alertam que irão abater qualquer avião que viole seu espaço aéreo, segundo uma fonte militar síria, citada pela SANA.

Nas últimas semanas, as forças turcas têm atingido alvos do governo sírio em Idlib. Em fevereiro, um total de 55 soldados turcos foram mortos em ataques do governo sírio, incluindo ataques aéreos, em Idlib.Caça-bombardeiro Su-24 levantando voo durante treinamento militar na região russa de Murmansk

© Sputnik / Pavel Lvov
Caça-bombardeiro Su-24 levantando voo durante treinamento militar na região russa de Murmansk

Os ataques aéreos das forças governamentais fazem parte de uma grande ofensiva para capturar a província, parte do último território restante detido por rebeldes apoiados pela Turquia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020030115279483-aviao-do-governo-sirio-teria-sido-derrubado-em-idlib-reporta-midia-turca-siria-nega/

EUA declaram apoio à Turquia após ataque sírio contra forças turcas

Militares turcos na fronteira turco-síria, foto de arquivo
© AP Photo / Burhan Ozbilici

O governo dos Estados Unidos afirmou nesta noite que está estudando a melhor forma de apoiar sua aliada Turquia após um ataque das forças de Damasco que matou mais de 30 militares turcos na região síria de Idlib.

"Nós apoiamos a Turquia, nossa aliada na OTAN, e continuamos a pedir o fim imediato dessa ofensiva desprezível do regime de [Bashar] Assad, da Rússia e das forças apoiadas pelo Irã", disse um porta-voz do Departamento de Estado citado pela AFP. "Estamos analisando opções de como podemos apoiar melhor a Turquia nessa crise".

Mais cedo, ao menos 33 soldados turcos foram mortos em um ataque das Forças Armadas da Síria na província de Idlib, realizado na sequência da derrubada de um drone turco que violou o espaço aéreo do país para, segundo Damasco, atacar posições do Exército Sírio na província. 

 

URGENTE: ministro das Relações Exteriores da Turquia e secretário-geral da OTAN discutem o ataque aéreo da Síria que matou pelo menos 29 soldados turcos. "Stoltenberg condenou os contínuos ataques aéreos indiscriminados do regime sírio e sua aliada Rússia na província de Idlib" ​

Após o incidente, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, convocou uma reunião de emergência para discutir uma retaliação às forças sírias, prometendo uma resposta "múltipla". De acordo com o Daily Sabah, essa resposta já teria sido dada, com ataques de mísseis a alvos sírios não apenas em Idlib, mas também em Hama, Latakia e Aleppo. Não há confirmação oficial até o momento.

A Turquia vem realizando intervenções não autorizadas no território sírio desde meados de 2016, se aliando a militantes locais a fim de defender seus interesses ao longo da fronteira entre os dois países. A atual ofensiva, lançada em outubro passado, tem como objetivo enfraquecer movimentos armados curdos localizados no norte da Síria, considerados terroristas por Ancara.

Damasco, por sua vez, considera ilegal a presença de tropas turcas no território sírio e, recentemente, as forças sírias vêm realizando ataques contra os militares turcos no país. Em Idlib, precisamente, as forças leais ao governo do presidente Bashar Assad vêm realizando uma ofensiva desde abril de 2019 a fim de retomar o controle de áreas ainda sob domínio de grupos rebeldes e jihadistas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020022715271489-eua-declaram-apoio-a-turquia-apos-ataque-sirio-contra-forcas-turcas/

22 soldados turcos foram mortos em ataque na província síria de Idlib

Imagem mostra fumaça no céu, após bomba ter atingido província de Idlib, na Síria, 19 de setembro de 2013 (imagem de arquivo)
© AP Photo /

Um ataque aéreo na província síria de Idlib nesta quinta-feira (27) deixou 22 soldados turcos mortos.

No início do dia, o Ministério da Defesa da Rússia havia informado que os sistemas de defesa aérea da Síria derrubaram um drone turco que violava o espaço aéreo da Síria para realizar ataques contra posições do governo na província. 

"Nós temos [militares] gravemente feridos que foram recebidos no nosso posto fronteiriço de Cilvegozu na Turquia. O tratamento continua [...] Os feridos estão nos [hospitais]", informaram o governador da província de Hatay, Rahmi Dogan, citado pela agência turca Anadolu nesta quinta-feira (27).

"Eu informei ao público sobre 9 mortos. Infelizmente esse número aumentou para 22", acrescentou o governador. 

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, manteve conversas por telefone com o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg.

A situação tem se agravado intensamente na província do noroeste da Síria desde o início de fevereiro, quando as forças do governo sírio expulsaram militantes de Idlib que violavam o regime de cessar-fogo e atacavam as posições do governo. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020022715271336-9-soldados-turcos-foram-mortos-em-ataque-na-provincia-siria-de-idlib/

Turquia diz que não vai recuar da ocupação em território sírio

 

247 - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, depois de reafirmar a continuidade da ocupação em território sírio, disse nesta quarta-feira (26), que vai expulsar as forças do governo sírio dos territórios que a Turquia controla no país árabe, em Idlib.

"Não daremos o menor passo para trás em Idlib, empurraremos [as tropas do] regime para fora das fronteiras que estabelecemos e garantiremos o retorno da população a suas casas", disse Erdogan a parlamentares de seu partido, segundo Russia Today.

 

Erdogan diz que Turquia não tem intenção de invadir a Síria

Istambul, 15 fev (Xinhua) - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse no sábado que a Turquia "não tem intenção de invadir ou anexar o território sírio".

 

Falando em um evento de seu partido no poder em Istambul, Erdogan observou que o problema em Idlib, a última fortaleza controlada pelos rebeldes na Síria, não seria resolvida até que as forças do governo sejam atraídas para os limites estabelecidos pelo acordo de Sochi.

 

"Caso contrário, lidaremos com isso antes do final de fevereiro", enfatizou o presidente turco.

 

No início do dia, Erdogan e o presidente dos EUA, Donald Trump, trocaram opiniões por telefone sobre o término da crise em Idlib o mais rápido possível, anunciou o Diretório de Comunicações da Turquia no Twitter.

 

Os dois líderes concordaram que os ataques das forças do governo sírio contra os soldados turcos em Idlib eram inaceitáveis.

 

Na segunda-feira, cinco soldados turcos foram mortos e outros cinco ficaram feridos em um ataque de artilharia das forças do governo sírio em Idlib.

 

No início de fevereiro, as forças sírias mataram oito turcos, incluindo cinco soldados, em outra ofensiva de artilharia na região.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-02/17/c_138790907.htm

A Turquia, em busca de poderio

 
 
Thierry Meyssan*
 
Embora alegrando-se a propósito, a imprensa internacional interpreta a reviravolta da Turquia, de novo em conflito com a Rússia, como uma prova mais do carácter fantasioso do sultão Erdoğan. Pelo contrário, para Thierry Meyssan, Ancara dá prova de constância na sua longa busca de identidade ao adaptar-se aos novos dados da situação, apesar de não conseguir escolher um destino.
 
Turquia actual é, ao mesmo tempo, a herdeira das hordas de Gengis Khan, do Império otomano e do Estado laico de Mustafá Kemal. Ela rejeitou a definição que lhe foi dada pelo Tratado de Sèvres (1920), impondo pela força as modificações do Tratado de Lausana (1923), mas continua a julgar-se incompreendida e amputada dos seus territórios gregos, cipriotas, sírios e iraquianos, os quais continua a reivindicar. Ela persiste na negação dos seus crimes do passado, entre os quais o genocídio dos não-muçulmanos.
 
Não conseguindo definir-se desde há um século, empreende uma política estrangeira de mera reacção às relações de força regionais e mundiais, dando erroneamente a impressão de uma vontade errática.
 
A completa reviravolta que acaba de dar face à Rússia não é um mergulho na fantasia, mas, pelo contrário, a prossecução da sua busca identitária num ambiente circundante instável.
 
1- O desaparecimento da URSS (1991)
 
Não tendo cuidado em se afirmar membro do campo de vencedores da Guerra Fria, a Turquia viu-se sem objectivos quando a URSS foi dissolvida, em 26 de Dezembro de 1991.
Ela pensara modernizar-se aderindo à Comunidade Europeia, mas os Europeus não tinham a menor intenção em aceitá-la e fizeram arrastar as negociações (Estado associado desde 1963 e Candidato desde 1987). Uma segunda opção que se abria era a de recuperar a liderança do mundo muçulmano, no rasto do Império Otomano, mas os Sauditas, que presidem à Conferência Islâmica, fizeram barragem. Uma terceira opção acabara de surgir: religar-se com as populações turcófonas de cultura mongol, agora independentes, na Ásia Central.
 
Tendo hesitado demasiado, a Turquia deixou passar esta «janela de oportunidade». Ao comandar a Operação Tempestade no Deserto para libertar o Kuwait e ao convocar a Conferência de Madrid sobre a Palestina (1991), o Presidente Bush Sr. criou uma ordem regional estável dirigida pelo triunvirato Arábia Saudita/Egipto/Síria. Com o fim de se atribuir a si própria um lugar, a Turquia estabeleceu então uma relação privilegiada com o outro órfão do Médio-Oriente : Israel, o qual partilha as suas fantasias irredentistas [1].
 
 
2- O 11-de-Setembro de 2001
 
Ao destruir os dois principais inimigos do Irão, o Afeganistão e o Iraque, o Presidente Bush Jr permitiu ao Irão jogar de novo um papel regional. Teerão tomou a cabeça de um «Eixo da Resistência» (Irão, Iraque, Síria, Líbano, Palestina) face a todos os outros, organizados em torno da Arábia Saudita e de Israel. Contrariamente às aparências e à simplista leitura ocidental, não se tratava nem de uma oposição entre pró e anti-EUA, nem entre xiitas e sunitas, mas de um conflito regional fictício, atiçado pelo Pentágono, como tinha feito durante uma década de inútil guerra Iraque-Irão. Sendo o objectivo final desta vez já não o de enfraquecer uns e outros, mas o de fazer destruir todas as estruturas estatais da região pelos seus próprios habitantes (estratégia Rumsfeld/Cebrowski).
 
Único Estado da região a compreender este jogo em tempo real, a Turquia escolheu proteger-se mantendo boas relações com os dois campos e pregando o desenvolvimento económico mais do que a guerra civil regional. Assumiu, então, distâncias para com Israel.
 
Quando em 2006, o Coronel Ralph Peters publicou o mapa de projectos do Estado-Maior dos EUA, pareceu que a Turquia seria também, a prazo, destruída pelo seu aliado Norte-Americano em proveito de um «Curdistão livre» [2], remotamente inspirado no Curdistão que eles haviam desenhado em 1920. Uma parte dos oficiais generais turcos colocou então em causa o alinhamento do seu país com Washington e preconizou tecer uma outra aliança. Eles apalparam o terreno pelo lado de Pequim (Moscovo não tinha ainda voltado a ser uma potência militar). Alguns franquearam o passo abrindo um canal de conversação e comprando algumas armas. Foram presos, em 2008, junto com responsáveis do Partido dos Trabalhadores (İşçi Partisi) (kemalo-maoistas) no quadro do escândalo de Ergenekon. Quase todos os oficiais do Estado-Maior foram condenados a pesadas penas de prisão, pretensamente por espionagem em benefício dos Estados Unidos, antes que a verdade surgisse à luz do dia e que a totalidade dos julgamentos fosse anulada.
 
Desapontada, Ancara aceitou criar um mercado comum com o seu vizinho sírio a fim de se proteger de uma eventual acção de charcutaria visando criar um «Curdistão livre».
 
3- As «Primaveras Árabes» (2011)
 
Por fim, durante a operação anglo-saxónica das «Primaveras Árabes», que visava colocar no Poder em todo o “Médio-Oriente Alargado” os Irmãos Muçulmanos, a Turquia esperou tirar proveito da pertença do Presidente Recep Tayyip Erdoğan a essa Confraria a fim de escapar ao caos anunciado. Ela acordou pois a tribo otomana dos Misratas na Líbia e ajudou a OTAN a derrubar o seu próprio aliado Muamar Kaddafi. Depois, entrou em guerra contra o seu parceiro sírio. Mas estas duas aventuras quebraram a sua economia até aí florescente.
 
Então quando a Rússia entrou em cena e derrotou o Daesh (E.I), a Turquia decidiu libertar-se dos Ocidentais. Ela aproximou-se de Moscovo, comprou S-400 e a central (usina-br) atómica de Akkuyu, e comprometeu-se na paz para a Síria, em Sochi e em Astana. A CIA respondeu-lhe manipulando, para tal, a organização de Fetullah Gülen e financiando o HDP (Partido das Minorias) contra o AKP (islamista). Ela fez abater um Sukhoi-24, tentou assassinar o Presidente Erdoğan, falhou um golpe de Estado, conseguiu assassinar o embaixador russo Andreї Karlov, etc.
 
Alarmada, a Turquia replicou com uma vasta caça às bruxas, chegando a prender meio milhão de pessoas suspeitas de terem participado numa tentativa de assassinato que envolvera, quando muito, apenas algumas centenas de militares.
 
Ancara colocou-se a meio caminho entre Washington e Moscovo, buscando a sua independência com o risco de ser esmagada, a qualquer momento, por um acordo entre os dois Grandes. Assim, a Turquia desdobrou-se de maneira a, ao mesmo tempo, apoiar e atrapalhar os seus dois patrocinadores: por um lado, ela toma parte na guerra contra a Síria e, por outro, apoiou o Irão e instalou bases no Catar, no Kuwait e no Sudão.
 
Para além do facto de que é impossível manter esta posição durante muito tempo, a Turquia via-se a caçar cinco lebres ao mesmo tempo: a UE, com a qual assinara um acordo sobre migrações, os Árabes, que pretende agora defender face a Israel, a Ásia Central, que ela abriga sob a sua asa, a OTAN, que ela não abandonou, e a Rússia que tentou seduzir.
 
4- O assassinato do General Soleimani (2020)
 
O mundo inteiro acreditou —erradamente— que os Estados Unidos, exaustos, se retiravam do Médio-Oriente e deixavam o campo livre à Rússia. Na realidade, retiravam as suas tropas, mas pensavam conservar o seu controle da região através de inúmeros e preparados mercenários, os jiadistas.
 
Tendo em vista a vontade dos Estados Unidos de prosseguir no Norte da África as destruições que iniciara na parte asiática do Médio-Oriente Alargado, e considerando que foi provavelmente o governo iraniano —e não Israel— quem ajudou o Pentágono a assassinar o General Qassem Suleimani, Ancara reviu de novo a sua lição.
 
A Turquia regressou à órbita de Washington. Ela que negociara a paz na Síria em Moscovo, a 13 de Janeiro, desafia brutalmente a mesma Rússia, em 1 de Fevereiro, matando quatro oficiais do FSB em Alepo [3].
 
O Exército turco, a tribo dos Misrata (Líbia) e os jiadistas de Idleb (Síria) —dos quais 5. 000 foram já transferidos pelos Serviços Secretos turcos num mês e meio—, começaram já a sangrar a Líbia com a cumplicidade, talvez involuntária, do Marechal Khalifa Haftar até ao completo esgotamento de todas as partes [4].
 
 
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008)
 
Imagem: Maquete do gigantesco complexo presidencial de Ancara, o «Palácio Branco». A Turquia compensa a sua incapacidade em se definir com uma forma de delírio de grandezas.
 
Notas:
[1] The Turkish-Israeli Relationhip. Changing Ties of Middle Eastern Outsiders, Ofra Bengio, Palgrave-Macmillan (2004).
[2] “Blood borders - How a better Middle East would look”, Colonel Ralph Peters, Armed Forces Journal, June 2006.
[3] “A Turquia manda abater 4 oficiais do FSB russo”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 4 de Fevereiro de 2020.
[4] “Preparação de uma nova guerra”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 7 de Janeiro de 2020.

A Turquia joga com um pau de dois bicos face à Rússia

 
Presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, comentando os confrontos militares em Alepo (Síria) [1], declarou a 3 de Fevereiro de 2020: «Devo dizer às autoridades russas que o nosso interlocutor aqui não são vocês, mas o "regime". Não vos atravesseis no nosso caminho».
 
O Ministro da Defesa, o General Hulusi Akar, confirmou que o exército turco atacou 54 alvos e matou 76 soldados sírios em retaliação pela morte de 5 de seus soldados e de 3 civis turcos.
 
No decurso de uma conversa telefónica entre os ministros russo e turco dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov e Mevlüt Çavuşoğlu, a Rússia sublinhou que os confrontos sírio-turcos foram a consequência da ausência da aplicação dos compromissos assumidos pelo presidente turco com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, em 17 de Setembro de 2018. A Rússia salientou também que as forças turcas não a haviam previamente informado da sua movimentação ao contrário do estabelecido nos Acordos de Sochi, o que o exército turco desmentiu.
 
Os exércitos russo e turco cessaram imediatamente as suas patrulhas conjuntas.
 
 
A imprensa turca observa que o ataque sírio ocorre quando acontece um arrefecimento nas relações de Ancara com a União Europeia, a propósito do oleoduto do Mediterrâneo e da Líbia.
 
A imprensa russa publica testemunhos de antigos jiadistas da Alcaida garantindo terem sido recrutados à força pelos Turcos para a Frente Al-Nusra, em 2011.
 
No dia seguinte, 4 de Fevereiro, Mevlüt Çavuşoğlu, presidiu, em Ancara, à Conferência de embaixadores turcos «A Ásia de novo». Ele aproveitou a oportunidade para assumir um perfil discreto vis-a-vis à Rússia e denunciar «a arrogância do regime de Damasco». Declarou que os processos de Sochi e Astana não estavam mortos, mas apenas «feridos». Nós não achamos apropriados os pretextos dos Russos afirmando que não conseguem controlar completamente o regime sírio», prosseguiu ele.
 
Durante a semana, para escapar aos combates, 151. 000 civis deslocaram-se para as zonas ocupadas pelo exército turco, mas não puderam atravessar a fronteira.
 
Chegando à Ucrânia para o 8º Conselho Estratégico Turco-Ucraniano, o Presidente Erdoğan, pelo contrário, endureceu o seu tom face à Rússia. Ao passar em revista a Guarda Nacional exclamou «Glória à Ucrânia»! Ao que os soldados responderam: «Pelos heróis da glória!» segundo os rituais dos colaboracionistas dos nazistas (os banderistas). Este grito é de novo utilizado contra os independentistas do Donbass.
 
Ele reafirmou não reconhecer «a anexação da Crimeia pela Rússia». E, ele recebeu o Chefe da Brigada Internacional Islamista, Mustafa Djemilev (dito «Mustafá Kırımoğlu»[foto] [2]).
 
Voltaire.net.org | Tradução Alva
 
Notas:
[1] “A Turquia manda abater 4 oficiais do FSB russo”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 4 de Fevereiro de 2020.
[2] «Ucrania y Turquía han creado una brigada internacional islámica contra Rusia», por Thierry Meyssan, Red Voltaire , 15 de agosto de 2015.

A Turquia manda abater 4 oficiais do FSB russo

 
As relações entre a Turquia e a Rússia atravessam uma crise muito mais grave do que quando milicianos turcomanos abateram um piloto russo na Síria, em Novembro de 2015.
 
Desta vez, foram quatro oficiais do FSB que foram eliminados pelas milícias turcomanas, a 1 de Fevereiro de 2020, em Alepo : o Tenente Vsevolod Vyacheslavovich Trofimov, o Comandante Bulat Rinatovich Akhmatyanov (quinto grupo do primeiro Departamento da Divisão «C»), bem como o Comandante Ruslan Gimadiev e o Capitão Dmitriy Minov (divisão «K»).
 
Eles caíram numa emboscada. O seu carro blindado pisou uma mina terrestre, depois foram capturados por milicianos que os abateram.
 
Ao mesmo tempo, outros milicianos atacaram jornalistas de dois canais de Televisão iraniana, ainda em Alepo.
 
No dia seguinte, desta vez em Idleb, um combate opôs os exércitos sírio e turco, fazendo 4 mortos e 9 feridos do lado turco, seguido por uma resposta que, segundo a Turquia,causou 30 a 35 mortos do lado sírio, o que Damasco desmente.
 
 
As forças turcas movimentaram-se na província de Idleb sem disso informar o Estado-Maior russo, contrariamente ao acordo entre as duas partes. Além de que as forças Sírias estão no seu país e a Turquia ocupa o seu território, Ancara violou os Acordos de Sochi e não pode, portanto, esperar ajuda da Rússia.
 
A situação em Idleb evolui em favor da Síria, que conseguiu nos últimos retomar a rodovia M4 ligando Alepo a Latáquia, libertando Maarat al-Nouman e Nayrab.
 
Postos de observação do Exército turco estão actualmente cercados pelo Exército sírio: Morek (desde Agosto de 2019), Surman (desde 23 de Dezembro) e agora Hich/Maar Heitat.
 
Estes acontecimentos ocorrem quando os Serviços Secretos turcos tinham começado a transferir 2.500 jiadistas de Idleb (Síria) para Trípoli (Líbia), via Djerba (Tunísia). Outros 30.000 jiadistas estão de partida, mas essa migração foi interrompida a seguir à Conferência de Berlim sobre a Líbia.
 
Voltaire.net.org | Tradução Alva

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/a-turquia-manda-abater-4-oficiais-do.html

A Turquia prepara-se para a guerra contra a Síria e contra a Rússia

 
Durante o seu discurso aos parlamentares do seu partido, em 5 de Fevereiro de 2020, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan designou sob a expressão “elementos amigos”, os membros das milícias turquemenas que formam o “Exército Nacional da Síria” (Jaych al-Watani as-Suri) e os da Al-Qaeda que se aliaram a grupos locais para formar a Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Cham).
 
Em princípio, nunca se reivindica um vínculo de autoridade sobre os seus representantes de maneira a não ter de assumir a responsabilidade dos seus actos. Ora o Hayat Tahrir al-Cham assassinou 4 oficiais do FSB russo em Aleppo, em 1 de Fevereiro.
 
Em seguida, ele reivindicou a legitimidade do destacamento militar turco na Síria em nome dos acordos de Adana. Este documento, datado de 20 de Outubro de 1998, termina a guerra turco-síria anterior. Nunca foi publicado. Nós publicamos uma versão não confirmada [1]. A Síria renuncia a ajudar o PKK de Abdullah Öcalan (que era uma organização pró-soviética) e autoriza o exército turco a atacar a artilharia curda que bombardearia o seu território, penetrando 5 km no interior da Síria. Considerando que o actual PKK/YPG (que se tornou uma organização pró-NATO) dispõe do material mais moderno, a Turquia estendeu, unilateralmente, o seu direito de perseguição a 30 km, durante a operação “Fonte de paz” (9 a 22 de Outubro de 2019).
 
Os acordos da Adana nunca autorizaram a instalação turca em toda a província de Idleb. No entanto, isso foi feito pelos acordos russo-turco de Sochi, de 17 de Outubro de 2018, que foram validados pela Síria [2]. No entanto, esses acordos previam a retirada de todos os “grupos terroristas radicais” (incluindo Hayat Tahrir al-Cham da zona desmilitarizada, antes de 15 de Outubro de 2018. Mas a Turquia não conseguiu – tal como os Estados Unidos antes dela - distinguir e separar os “radicais” (jihadistas) dos “moderados” (adversários democrátas). Consequentemente, o exército árabe sírio tenta, desde então, libertar a província de Idleb da ocupação jihadista.
 
Ao citar os acordos de Adana em vez dos acordos de Sochi, a Turquia reconhece ter falhado cumprir as suas obrigações perante a Rússia. Sobretudo, ela desperta o período em que as duas potências estavam a travar uma guerra secreta no contexto da Guerra Fria.
 
Também no mesmo discurso, o Presidente Erdoğan, brandindo a sua filiação na Confraria dos Irmãos Muçulmanos - matriz dos jihadistas (foto), prosseguiu dando um prazo à Síria, até 28 de Fevereiro de 2020, para abandonar as localidades que acabou de libertar e retirar-se para trás da linha de cessar-fogo de Sochi.
 
À tarde, um homem-bomba do Hayat Tahrir al-Cham fez-se explodir num prédio que albergava forças russas. Ainda não sabemos o resultado dessa operação, que entendemos que deveria ser assumida pela Turquia.
 
Trata-se de uma reviravolta completa da situação. Em 13 de Janeiro de 2020, os chefes dos serviços secretos turcos e sírios encontraram-se discretamente em Moscovo para estabelecer um processo de paz. [3] Mas, em seguida, para surpresa dos ocidentais, que estavam persuadidos da oposição dos sírios em Damasco, o exército árabe sírio lançou uma ofensiva vitoriosa em Idleb, libertando quinze cidades. Os Estados Unidos apoiaram então a Turquia, enquanto se retiravam de operações conjuntas com o seu aliado. A Turquia suspendeu, em 19 de Janeiro, a transferência de 30.000 jihadistas de Idleb (Síria) para Trípoli (Líbia), que tinha iniciado no final de Dezembro. Apenas 2.500 tiveram tempo para migrar.
 
Ao receber esta manhã, os embaixadores estrangeiros para entrega das suas credenciais, o Presidente russo, Vladimir Putin, advertiu-os. Declarou: “Infelizmente, a Humanidade está mais uma vez perto de uma linha perigosa. Os conflitos regionais multiplicam-se, as ameaças terroristas e extremistas aumentam, o sistema de controlo de armas está prestes a ser abolido.”
 
Estamos a caminhar, a curto prazo, para um conflito entre a Turquia, membro da NATO, e a Rússia, membro da OTSC/Organização do Tratado de Segurança Colectiva
 
 
Notas:
[1] “The Adana Security Agreement”, Voltaire Network, 20 October 1998.
[3] “A Rússia propõe um acordo à Síria e à Turquia”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 20 de Janeiro de 2020.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/a-turquia-prepara-se-para-guerra-contra.html

Turquia segue enviando equipamento militar para Idlib, na Síria

Tanque da Turquia perto da cidade de Manbij, no nordeste da Síria, em 15 de outubro de 2019, após a retirada das forças norte-americanas da região
© AP Photo / Ugur Can

A Turquia continua realizando a transferência de armas e veículos blindados para seus postos de observação na província de Idlib, no noroeste da Síria.

A região de Idlib abriga uma zona de diminuição de conflitos definida através de acordo entre Turquia e Rússia.

A informação de que os equipamentos militares turcos seguem sendo enviados à região foi publicada nesta quinta-feira (6) pelo jornal turco Aksam.

Segundo o jornal, essas armas são enviadas a Idlib para fortalecer os postos de observação turcos que monitoram a província.

A Turquia, ao lado da Rússia e do Irã, é fiadora do cessar-fogo na Síria. Em 2017, os lados concordaram em estabelecer zonas para diminuir as hostilidades no país árabe.

Na quarta-feira (5), o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, que pressione o presidente sírio, Bashar Assad, para pôr fim à ofensiva das forças armadas sírias em Idlib, onde permanece a zona entre Ancara e Moscou.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020020615122078-turquia-segue-enviando-equipamento-militar-para-idlib-na-siria/

Acção coordenada turco-israelita «mostra quem apoia o terrorismo» na Síria

Um comboio militar turco entrou na província de síria de Idlib, esta madrugada, quando Israel atacava com mísseis o Sudoeste do país árabe. A diplomacia síria afirma que «caíram as máscaras».

Defesa anti-aérea síria responde ao ataque israelita em DamascoCréditos / Twitter

O Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros denuncia, num comunicado hoje emitido, que a entrada de forças militares turcas no país – numa sincronia exposta e a coberto da agressão israelita – confirma a unidade de objectivos «entre o regime turco e a entidade israelita» no que respeita à protecção dos terroristas.

Em declarações anteriores, o Ministério sírio da Defesa havia informado que um comboio militar turco entrara na província de Idlib precisamente quando o país árabe era alvo de uma agressão com mísseis por parte de Israel.

Num momento em que o Exército Árabe Sírio (EAS) e seus aliados avançam a grande ritmo na ofensiva antiterrorista nas províncias de Alepo e Idlib, libertam dezenas de localidades, cercam a cidade estratégica de Saraqib (localizada na confluência entre as auto-estradas M4 e M5) e se aproxima de Idlib (capital da província homómina), os efectivos turcos foram colocados numa frente que abrange as aldeias de Binnish, Ma'ar Masrin e Taftanaz, para criar uma barreira de protecção aos terroristas em Idlib e, segundo denuncia o Ministério da Defesa, impedir as manobras do EAS contra a Jabhat al-Nusra.

Sobre o ataque israelita, a mesma fonte, citada pela agência SANA, indica que ocorreu entre a 1h e as 2h da madrugada, precisando que um grande número de mísseis foram disparados por aviões israelitas, a partir dos Montes Golã ocupados e do Sul do Líbano, contra alvos nos arredores de Damasco e nas províncias de Quneitra e de Daraa. Pelo menos oito soldados ficaram feridos.

Na nota do Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros, sublinha-se que a acção turca, em coincidência com a agressão israelita, constitui uma «violação flagrante da soberania da Síria e do direito internacional», e esclarece sobre quem «apoia e protege o terrorismo na Síria».

Para a diplomacia síria, a simultaneidade da agressão israelita e da entrada de forças militares turcas no país «fez cair as máscaras e mostrou a verdadeira cara feia do regime turco, que costumava afirmar a sua hostilidade a "Israel"».

As autoridades sírias afirmam ainda que estes actos de agressão não irão impedir o EAS de prosseguir a luta contra o terrorismo «até que todo o território sírio seja libertado».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/accao-coordenada-turco-israelita-mostra-quem-apoia-o-terrorismo-na-siria

A política externa da Turquia

 
João Ramos - CEIRI
 
 
A política externa do governo de Recep Tayyip Erdogan tem sido objeto de atenção já a algum tempo. O renovado interesse no mandatário turco decorre de ele buscar se consolidar como uma força política ativa em distintas questões do Médio Oriente.
 
Aliando um discurso extremamente nacionalista com uma aproximação de outros Estados na área, o governo da Turquia tem tentado tornar o país mais presente nos desafios políticos e se consolidar como um interlocutor razoável para países na região.
 
A Turquia tem buscado uma alternativa de alinhamento que alia diálogo com países e forças no Médio Oriente, bem como a consolidação de sua relação com atores extra-regionais como a China, mas, sobretudo, a Rússia.
 
Recentemente, o país vem empreendendo projetos ambiciosos em seu envolvimento na região. O primeiro é a presença militar na Líbia, visando, segundo Ankara, contribuir para solucionar as tensões naquele território. O segundo é o empreendimento de um gasoduto para explorar gás natural no Mediterrâneo. Em meio a esse contexto, guiada pela Rússia, a Turquia tem empreendido esforços para estabelecer um diálogo diplomático com a Síria.
 
Frente ao cenário de instabilidade do Médio Oriente, agravado pela escalada de violência entre os Estados Unidos e Irão após o ataque que matou o general iraniano Qassem Soleimani, a Turquia tomou rápidas atitudes para marcar sua posição.
 
 
Até ao momento, tem tomado posições pragmáticas, que podem indicar tanto o desejo de se envolver com uma questão que a desobrigue de participar do conflito entre EUA e Irão, bem como o desejo de aproveitar o momento para obter ganhos políticos.
 
 
 
Em 2 de janeiro de 2020, o Parlamento turco aprovou o envio de tropas do país para a Líbia. Esta decisão, resultado do diálogo entre o governo em Ankara e a gestão do primeiro-ministro líbio Fayez Sarraj, abre um novo capítulo da crise política que se estende desde 2011 naquele país.
 
A tropas turcas irão apoiar o Governo do Acordo Nacional (GAN), que assumiu o país no processo que seguiu à queda de Muammar Gadaffi e é reconhecido pelas Organização das Nações Unidas. Atualmente, este é frequentemente ameaçado pela ação do Exército Nacional da Líbia, grupo comandado pelo marechal Khalifa Haftar e que contesta a autoridade do governo de Trípoli.
 
 
Através da ação militar na região, a Turquia pretende fortalecer o GAN e estabelecer um aliado no Mediterrâneo e norte da África. Em artigo publicado no dia 18 de janeiro, já frente a expectativa de um encontro a ser realizado no dia 19 de janeiro em Berlim, com o objetivo de discutir a situação da Líbia, Erdogan afirmou que o mundo “não fez o suficiente para defender atores que buscam o diálogo” na Líbia. O Presidente da Turquia também salienta que a União Europeia deve se posicionar como um “ator relevante” e alerta sobre o risco de uma escalada no terrorismo se a situação da Líbia não chegar a uma conclusão.
 
O governo turco também aprofundou o diálogo junto ao governo da Síria sobre questões estratégicas que vinculam os dois países. As relações entre ambos, ainda que nunca profundamente amistosas, haviam enfrentado um teste ainda mais profundo com a Operação Primavera da Paz.
 
Esta ação militar, empreendida pelo Exército turco no noroeste da Síria, visava criar uma “zona de contenção”, já demandada pelo país há muito tempo. Após a escalada do conflito, um acordo mediado pela Rússia permitiu estabelecer um cessar-fogo entre tropas locais e as forças da Turquia.
 
 
Os primeiros passos do diálogo não resolvem a tensão diplomática entre os dois países, marcadas por acusações mútuas, como a recente afirmação por parte do governo da Turquia de que o governo da Síria seria responsável pelas recentes agressões perpetradas por rebeldes em Idlib. Entretanto, a predisposição para dialogar com o governo sírio pode indicar que a Turquia possui outros planos, ou não deve tomar a ação na Síria como prioridade em um futuro próximo.
 
A Turquia ainda declarou que empreenderá a construção de campos de refugiado na zona de contenção estabelecida no nordeste da Síria. O presidente Erdogan afirmou que possui planos para restabelecer até um milhão de refugiados sírios na região. A Organização das Nações Unidas reconhece que existem 5,5 milhões de cidadãos sírios em condição de refúgio em janeiro de 2020, e 3,5 milhões destes se encontram na Turquia.
 
Os planos para exploração de gás natural, que envolvem um gasoduto contornando o Chipre, permitindo assim a exploração do recurso energético também no leste do mar Mediterrâneo, tem causado desentendimentos com países vizinhos.
 
 
Em resposta às posições sobre a operação de extração de gás na região, o porta-voz para a assuntos exteriores e política de segurança da União Europeia, Peter Stano, publicou que considera as “atividades ilegais de exploração da Turquia na Zona Económica Exclusiva do Chipre”, pois, segundo Stano, são necessárias “medidas para criar um ambiente que conduza ao diálogo em boa fé”, complementando que as atitudes da Turquia vão, “lamentavelmente, na direção contrária”.
 
Observa-se que o governo da Turquia busca usar para a região uma estratégia semelhante à aplicada no âmbito interno. Ao mesmo tempo em que consegue equilibrar interesses de distintos grupos para fortalecer a posição do governo, da mesma forma também apresenta forte discurso nacionalista com a defesa de uma política com visão ampla de Oriente Médio, com a qual pretende transitar entre distintos interesses para fortalecer e remodelar a presença na região.
 
Obtendo presença militar e económica também no Mediterrâneo, a Turquia busca dar passos para construir um novo modelo geopolítico para o Médio Oriente. Em meio à presente crise política da região, é notório que o país possui dificuldades em promover mudanças de posicionamento e ainda não é completamente clara a natureza de suas ações. Entretanto, é possível observar que a Turquia atua de forma incisiva e pragmática para defender seus interesses na área.
 
Fontes das Imagens:
Imagem 1 “O presidente Erdogan em encontro com o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin” (Fonte – Página Oficial da Presidência da Turquia no Twitter, @trpresdiency): https://twitter.com/trpresidency/status/1218913903633141761
Imagem 2 “O Chanceler turco, Mevlüt Çavuşoğlu, reunido com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo” (Fonte – Página Oficial de Mevlüt Çavuşoğlu no Twitter, @MevlutCavusoglu): https://twitter.com/MevlutCavusoglu/status/1218824951739736064

Turquia não hesitará em usar força militar se Síria não cessar ataques em Idlib, diz Erdogan

Soldados turcos (imagem referencial)
© REUTERS / Kenan Gurbuz

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou usar poder militar, dentre outras opções, caso situação na província síria de Idlib não volte ao normal.

"Nós não vamos ficar vendo a situação na Síria [...] Nós não hesitaremos em fazer o que for, incluindo usar o poder militar [...] Faremos o que for necessário quando alguém está ameaçando o nosso território. Nós não teremos outra alternativa além de tomar o mesmo caminho de novo se a situação em Idlib não voltar ao normal rapidamente", publicou as palavras de Erdogan o canal NTV.

A declaração do presidente turco se deu logo após o Exército sírio avançar sobre pontos estratégicos na província de Idlib.

Os avanços têm logrado considerável sucesso para as forças do governo da Síria.

Nesta sexta-feira (31), o Exército sírio expandiu suas operações pelo oeste da rodovia internacional de Aleppo e Hama, assim como retomou a cidade de Hayysh e diversos vilarejos entre Khan Shaykhun e Maarat al-Numan, conforme publicou a agência SANA.

Os avanços fazem parte de um esforço de Damasco para combater a presença de grupos terroristas e forças rebeldes.

Intervenção militar

No ano passado, a Turquia conduziu a operação militar intitulada de Fonte de Paz dentro do território sírio contra forças curdas.

A ação resultou na realização de patrulhas conjuntas entre Ancara e Moscou na fronteira do país com a Síria para reduzir as tensões na região.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020013115081083-turquia-nao-hesitara-em-usar-forca-militar-se-siria-nao-cessar-ataques-em-idlib-diz-erdogan/

Forças turcas iniciam operação militar contra PKK no sudoeste do país

Curdos com bandeiras do PKK em Istambul, Turquia
© AP Photo / Ibrahim Usta

Turquia inicia nova fase da operação militar Kapan no sudoeste do país, contra os membros de uma organização considerada terrorista pelo governo turco, comunicou o Ministério do Interior da Turquia.

O Ministério do Interior da Turquia comunicou oficialmente que "o objetivo da operação Kapan-5, na qual participam 780 agentes da Polícia e Gendarmaria, é eliminar os terroristas do PKK na província de Sirnak".

Fundado na década de 1970 como um partido de extrema-esquerda, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo) lutou com armas em mão contra o governo de Ancara durante décadas, reivindicando a criação de um governo autônomo para curdos no sudoeste da Turquia.

A demanda por um Estado curdo inquieta as autoridades turcas desde que foi declarada a República turca em 1923. Movimentos independentistas curdos também são encontrados em países vizinhos, como Síria e Iraque, onde, em meio à luta contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países), surgiram regiões autônomas curdas.

O Ministério da Defesa turco informou que desde 2015 as forças de segurança neutralizaram mais de 10 mil militantes do PKK.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020013015075409-forcas-turcas-iniciam-operacao-militar-contra-pkk-no-sudoeste-do-pais/

A inauguração do gasoduto russo-turco

 
 
 
No dia 8 de janeiro deste ano (2020) o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reuniram-se na cidade de Istambul para a cerimónia oficial de inauguração do gasoduto Turkish Stream. O planeamento do gasoduto durou alguns anos e sofreu um leve revés em 2015 com o episódio da queda do avião de combate russo pelos turcos. Todavia, o incidente não inviabilizou o projeto o qual foi retomado em 2017 já com a construção da linha.
 
A principal linha do gasoduto possui 930 Km de extensão, e compreende 230 Km em águas marítimas russas e 700 Km em águas marítimas turcas. O Turkish Stream conecta o gás natural da cidade russa de Anapa, no Krai de Krasnodar, a cidade turca de Kiyikӧy, na província de Kirklareli, por debaixo do Mar Negro. A partir de Kiyikӧy inicia-se uma extensão da linha a qual estende-se por 69 Km até o centro de distribuição na cidade de Lüleburgaz, e por mais 145 Km até a cidade de Ipsala, na fronteira turco-grega.
 
O gasoduto russo-turco possui 2 operadores: a empresa Gazprom, que é a responsável pela seção onshore e offshore do lado russo; e a BOTAŞ, a empresa responsável pela seção onshore turca. Com custo estimado em 11,4 bilhões de euros (aproximadamente, US$ 12,6859 bilhões, ou R$ 52,1913 bilhões, conforme a cotação de 14 de janeiro de 2020), o projeto levou 1 ano e 3 meses para ser concluído, e tem capacidade total de fornecer até 31,5 bilhões de m³ de gás natural.
 
A Federação russa é uma das maiores exportadoras de gás natural para o continente europeu e abastece parcela considerável desse mercado energético, todavia, diversos Estados da própria Europa e inclusive os Estados Unidos tendem a rechaçar a expansão comercial do gás russo. A grande razão para o discurso dos opositores é a dependência que o país comprador poderia adquirir dos russos, e possíveis tentativas de interferência em assuntos internos desses últimos na realidade política regional.
 
Em relação a cerimónia de lançamento do gasoduto, o jornal Gazeta.Ru apresentou a declaração do Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, o qual disse: “Este é um sistema único e sem precedentes em seus parâmetros de transmissão de gás em alto mar. Vivemos em um mundo complexo. Na região em que estamos há tendências para uma exacerbação da situação. Mas a Turquia e a Rússia mostram exemplos completamente diferentes – interação e cooperação em benefício de nossos povos e de toda a Europa”.
 
 
 
O jornal Izvestia trouxe a declaração do Chefe do Departamento do Instituto de Pesquisa Energética da Academia Russa de Ciências, Vyacheslav Kulagin, sobre a questão do monopólio do gás russo, o qual mencionou a tendência de diminuição do fluxo de gás em trânsito pelos gasodutos europeus. Kulagin salientou: “Em breve, não mais que 20 a 25% do gás será entregue a nós por qualquer rota de exportação. Isso garante suprimentos confiáveis e a capacidade de trabalhar com flexibilidade no mercado. Quando houver uma reserva de capacidades, cada proprietário do gasoduto estará interessado em atrair um fornecedor e oferecerá condições mais convenientes”. 
 
A Turquia não aparenta compartilhar do receio europeu e dos Estados Unidos em comprar o gás russo, e compreende a instalação do Turkish Stream como um benefício para sua própria infraestrutura. No que tange a uma possível dependência energética dos russos os turcos rejeitam essa perspectiva, pois pretendem investir em novas fontes de energia, como a exploração de hidrocarbonetos.
 
Em relação a temática, o jornal Gazete Duvar apresentou a declaração do Presidente da Turquia, Recep Erdogan, o qual disse: “Ganhamos uma infraestrutura significativa de oferta de gás natural na região. Estamos conduzindo nossos esforços de exploração de hidrocarbonetos para descobrir novas fontes de suprimento e desenvolver nossas reservas existentes. Vamos virar o Mediterrâneo, que foi o berço das civilizações ao longo da História, para o campo da cooperação, não para o conflito. Nossas expectativas é que nossos interlocutores se voltem para a Turquia para alargar a cooperação”.
 
O jornal Diyalog Gazetesi trouxe a declaração do Ministro da Energia e Recursos Naturais da Turquia, Fatih Dӧnmez, o qual enfatizou a cooperação com o vizinho russo, e a importância do gasoduto para o desenvolvimento do país. Dӧnmez salientou: “O Turkish Stream é um passo histórico dado o profundamente no Mar Negro. O projeto mostrou mais uma vez a importância da cooperação e do ganha-ganha para o mundo”.
 
A cooperação entre ambos os atores é significativa e sólida, com duração de mais de 30 anos, nos quais cerca de 400 bilhões de m³ de gás já foram fornecidos da Rússia para a Turquia. Diante de um universo comercial atual equivalente US$ 100 bilhões por ano entre os dois países (próximos de 411,41 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 14 de janeiro de 2019), os especialistas estimam que a Gazprom poderá obter um lucro de aproximadamente US$ 500 milhões por ano (em torno de 2,057 bilhões de reais, conforme a mesma cotação).
 
Os analistas entendem que a conexão russo-turca mediante a operação do gasoduto Turkish Stream é estratégica no sentido económico e político. No primeiro caso, a Federação Russa obtém lucro a partir da expansão de sua rede de gasodutos, visto que o território turco possibilita criar um contorno ao gasoduto que passa pela Ucrânia, e, dessa forma, abre expectativa para novos clientes entre os Estados balcânicos.
 
No segundo caso, a Turquia ganha por exercer parte do controle sob o Turkish Stream, auferindo a possibilidade futura de negociações sobre o valor de exportação do gás russo, e, é claro, os turcos também poderiam vir a obter benefícios financeiros com a transmissão do gás para países vizinhos.
 
Em relação a questões políticas, o gasoduto não interfere no equilíbrio de poder regional, pois os principais Estados da localidade (Rússia e Turquia) uniram-se a favor de objetivos comuns. Todavia, é possível a ascensão de discursos acalorados no futuro caso os países do entorno resolvam importar seu gás em conexão com o Turkish Stream. Isso significaria uma possível tensão entre a Federação Russa e a União Europeia (UE), a qual observa com descrença o destaque da influência russa no mercado de gás do Leste Europeu.
 
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Fontes das Imagens:
Imagem 1 “Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e Presidente da Turquia, Recep Erdogan” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f2/Meeting_Vladimir_Putin_with_Recep_Tayyip_Erdogan_2017-03-10_03.jpg

O capitalismo em guerra sobre os escombros da Líbia

 
 
A realidade da situação da Líbia está para lá do que possam conceber as imaginações mais treinadas em tentar perceber os sentidos dos desenvolvimentos na arena internacional.
 
José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
A herança caótica deixada pela agressão da NATO contra a Líbia e que se aprofunda há quase nove anos está a degenerar numa situação aterradora de guerras cruzadas, motivadas por múltiplos interesses, capaz de fazer explodir alianças político-militares, afinidades religiosas e relações institucionais – com repercussões em todo o panorama internacional. O início, no dia de Natal, da transferência de terroristas da Al-Qaeda da Síria para território líbio, de modo a reforçar as forças do governo de Tripoli reconhecido pela ONU e a União Europeia, é apenas um dos muitos movimentos em curso na sombra dos holofotes mediáticos. E a Turquia acaba de aprovar o envio de tropas regulares para a Líbia.
 
A realidade da situação da Líbia está para lá do que possam conceber as imaginações mais treinadas em tentar perceber os sentidos dos desenvolvimentos na arena internacional. Habituada às notícias quase rotineiras relacionadas com os movimentos migratórios nas costas líbias e aos altos e baixos da guerra das tropas do governo de Benghazi contra as forças do executivo de Tripoli, a opinião pública mundial não faz a menor ideia do que está a acontecer. E do que pode vir a suceder de um momento para o outro.
 
A Líbia deixada pela guerra de destruição conduzida pela aliança entre a NATO e grupos terroristas islâmicos do universo Al-Qaeda/Isis tem actualmente três governos, além de um xadrez de zonas de influência controladas por milícias armadas correspondentes a facções tribais, tendências religiosas ou simples negócios de oportunidade, à cabeça dos quais estão o contrabando de petróleo e o tráfico de seres humanos.
 
 Haftar, à frente das tropas do chamado «Exército Nacional Líbio»; e um governo instalado no hotel Rixos, em Tripoli, formado pela Irmandade Muçulmana e do qual se diz que ninguém reconhece mas tem muitos apoios.
 
Nos últimos meses, a ofensiva das tropas do marechal Haftar chegou às imediações de Tripoli mas não conseguiu tomar a capital, apesar dos sangrentos bombardeamentos. Nos bastidores desta guerra diz-se que nenhum dos beligerantes está em condições de levar a melhor, esgotando-se num conflito sem solução à vista.
 
 
Uma guerra internacional
 
A guerra está num impasse, o caos e a ingovernabilidade agravam-se, mas não existe qualquer esforço de entendimento entre as facções líbias. Pelo contrário, cada centro de poder tem vindo a ser reforçado no quadro das perspectivas de continuação do conflito – porque não se trata de uma guerra civil, mas de uma guerra internacional.
 
No dia de Natal, como já se escreveu, começou a deslocação de grupos terroristas filiados na Al-Qaeda da província de Idlib, na Síria, para a Líbia. A movimentação é patrocinada pela Turquia, que deixou claro aos mercenários islâmicos que a única possibilidade de se salvarem da ofensiva final das tropas governamentais sírias é abandonarem as posições que ainda ocupam e, de certa forma, regressarem às origens. Recorda-se que grande parte dos terroristas que combateram na Síria contra o governo de Damasco foram transportados da Líbia, onde estiveram ao serviço da coligação com a NATO.
 
A operação iniciada no Natal foi montada pela Turquia com a colaboração da Tunísia: o presidente Erdogan acordou com o seu homólogo tunisino, Kais Saied – apoiado pela Irmandade Muçulmana – a utilização do porto e do aeroporto de Djerba para transporte dos grupos armados e material militar em direcção a Tripoli e Misrata, onde irão engrossar as fileiras do Governo de Unidade Nacional (GUN).
 
Em 15 de Dezembro, o presidente turco recebera em Istambul o chefe do GUN, al-Sarraj, a quem prometeu a entrega de drones e blindados ao exército às ordens do governo reconhecido pela ONU e a União Europeia; o legislativo turco acaba de aprovar o envio de forças militares regulares para a Líbia. Ao mesmo tempo, a Turquia acelerou o processo de produção de seis submarinos militares, encomendados à Alemanha.
 
Choques petrolíferos
 
A Turquia foi um dos países aos quais o governo de Tripoli pediu auxílio quando se iniciou a ofensiva das forças de Khalifa Haftar. Al-Sarraj dirigiu-se também à Argélia, Itália, Reino Unido e Estados Unidos. Sabe-se, entretanto, que Washington está de bem com todos os governos da Líbia e vê com muito bons olhos a continuação do conflito.
 
Não existem dúvidas, porém, de que foi a Turquia quem mais rápida e concretamente respondeu aos apelos do governo instalado em Tripoli.
 
Há razões que explicam porquê.
 
Erdogan revelou que assinou um acordo de princípio com al-Sarraj para exploração conjunta de petróleo no Mediterrâneo, podendo para isso dispor de instalações portuárias líbias – que se juntam assim às que a Turquia já utiliza em Chipre, onde ocupa militarmente o norte do país.
 
Como a Turquia tomou conta, em termos de exploração petrolífera, das águas territoriais de Chipre que confinam com o sector ocupado, o acordo com o governo de Tripoli proporciona uma combinação de Zonas Económicas Exclusivas que atingem águas cipriotas e gregas. A actuação de Ancara parece violar a Convenção do Direito Marítimo (UNCLOS), que aliás a Turquia ainda não assinou.
 
Em 22 de Dezembro, exactamente uma semana depois do encontro entre Erdogan e al-Sarraj em Istambul, o ministro grego dos Negócios Estrangeiros, Nikos Dendios, foi directamente a Benghazi encontrar-se com o próprio Khalifa Haftar e outros representantes do governo local. Depois viajou para o Cairo e para Chipre.
 
Atenas exige ao governo de Tripoli que se retire do acordo de incidência petrolífera e militar com a Turquia, num quadro em que as relações greco-turcas estão no nível mais elevado de agressividade de há muito tempo a esta parte.
 
Sabe-se ainda que a Grécia pretende accionar a NATO e a União Europeia para que cancelem o reconhecimento do governo líbio de Tripoli. Em suma, a guerra internacional com epicentro na Líbia passa pelo meio da NATO e da União Europeia.
 
Acresce que esta dança política, diplomática e militar decorre em simultâneo com os movimentos norte-americanos para usar a Grécia como antídoto à degradação das relações com a Turquia e no âmbito de um novo quadro de segurança regional para bloquear a Rússia no Mar Negro.
 
Isto é, Washington usa um membro da NATO contra outro membro da NATO e dá um novo passo na estratégia de quebrar as relações entre Atenas e Moscovo originalmente assentes em afinidades religiosas que têm vindo a ser deterioradas por conspirações dentro da Igreja Ortodoxa iniciadas na Ucrânia.
 
Não é difícil confirmar o ecumenismo dos Estados Unidos em relação aos governos líbios. Se está ao lado do executivo de Tripoli, juntamente com a União Europeia, a ONU e a NATO, também aposta em Benghazi, como se percebe através da estratégia montada com a Grécia.
 
O xadrez dos gasodutos
 
São amplos os cenários de confrontação a partir da situação líbia. Mais amplos ainda porque os acordos entre Ancara e o governo de Tripoli vêm potenciar a crise aberta com a exploração ilegal de petróleo pela Turquia na Zona Económica Exclusiva de Chipre.
 
Em causa não estão apenas interesses cipriotas, mas também da Grécia e de Israel, parceiros na exploração de hidrocarbonetos no Mediterrâneo e respectiva distribuição através do eixo Griscy (de Grécia, Chipre e Israel) – ideia fortemente encorajada pelos Estados Unidos para criar vias que permitam à Europa ter mais alternativas às fontes russas de energia. Trata-se de uma opção contra a Rússia que atinge também a Turquia, porque põe em causa o gasoduto turco-russo Turkish Stream.
 
Deste modo, não é surpreendente que a Turquia tenha procurado patrocinar o governo líbio de Tripoli.
 
Surpreendente, em termos abstractos, deveria ser a declaração do marechal Khalifa Haftar segundo a qual o governo de Benghazi tem todo o interesse em fazer entendimentos com Israel.
 
Na realidade, aprofundando a leitura desta declaração à luz da guerra internacional em torno da Líbia iremos encontrar países como a Arábia Saudita e o Egipto – muito próximos de Israel – ao lado de Khalifa Haftar em termos financeiros, políticos e militares; não espanta que Israel se junte ao grupo por estas afinidades e pelas explicadas razões energéticas. Através das quais iremos encontrar Estados Unidos Israel, Grécia e Chipre em oposição a um governo reconhecido por ONU, União Europeia, NATO e… Estados Unidos.
 
Sinal dos tempos
 
As frentes em confronto nesta guerra da Líbia são um sinal dos tempos. Os tempos em que os conflitos de interesses inter-capitalistas começam a dissolver linhas que definem alianças político-militares, coligações de países, associações regionais, afinidades religiosas, políticas e sistémicas que têm formatado o mundo desde a queda do Muro de Berlim. Com a particularidade de entidades como a NATO e a União Europeia não estarem a salvo da turbulência.
 
Tomemos como exemplo o assustador caso líbio. Do lado do governo de Tripoli, cuja legitimidade representativa do país é reconhecida pela ONU e a União Europeia, estão a Turquia, a Tunísia, o Qatar e terroristas islâmicos do universo Al-Qaeda e Estado Islâmico defendendo interesses económicos que coincidem com os da Rússia.
 
Do lado de Khalifa Haftar e do seu governo de Benghazi estão os Estados Unidos, Israel, Egipto, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, países da União Europeia como Chipre e Grécia, além de forças de reacção rápida sudanesas, mercenários russos e grupos terroristas próprios de uma região, a Cirenaica, considerada das mais fortes no abastecimento do extremismo islâmico internacional. Saif Khaddafi, filho do dirigente líbio assassinado pela NATO, juntou-se igualmente a Haftar1.
 
São dados a ter em conta quando a nova tragédia da Líbia explodir, então já sob os holofotes mediáticos.
 
Na imagem: Forças aliadas do governo de Tripoli, apoiado pela ONU, em Sirte, Líbia, a 12 de Março de 2019.CréditosAyman Al-Sahili / Reuters
 
Nota
1.Ayesha Khaddafi, irmã de Saif, apelou aos líbios para repelirem a invasão turca, em declarações à Jamahiriya Satellite TV: «quando as botas dos soldados turcos profanarem a nossa terra, adubada pelo sangue dos nossos mártires, se não houver entre vós que alguém para repelir esta agressão, então deixem o campo de batalha às mulheres livres da Líbia, e eu estarei entre as primeiras». Ver Almarsad, 3 de Janeiro de 2020.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/o-capitalismo-em-guerra-sobre-os.html

Parlamento da Turquia aprova envio de tropas à Líbia

Presidente da Turquia durante simpósio em Ancara, em 2 de janeiro de 2020
© REUTERS / Murat Cetinmuhurdar

Líder do parlamento turco, Mustafa Sentop, anunciou a aprovação de lei que abre caminho para o envio de tropas turcas à Líbia.

Nesta quinta-feira (2), o parlamento turco aprovou um projeto de lei que permite o envio de tropas para a Líbia.

O documento foi apresentado nesta segunda-feira (30) e  aprovado hoje (2), com 325 votos a favor e 184 deputados contra.

Os votos a favor foram de deputados do partido governante, Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK, na sigla em turco), e do Partido de Ação Nacionalista. Os votos contra foram de deputados do Partido Republicano do Povo, também conhecido como Saadet, e do partido Partido Democrático dos Povos, pró-curdo.

Deputados turcos votam projeto de lei que permite o envio de tropas para a Líbia, em Ancara, em 2 de janeiro de 2020
© REUTERS / Stringer
Deputados turcos votam projeto de lei que permite o envio de tropas para a Líbia, em Ancara, em 2 de janeiro de 2020

Mais cedo, a mídia havia reportado que o Governo do Acordo Nacional da Líbia havia solicitado ajuda militar a Ancara, após ataque contra a capital do país, Trípoli, realizado por forças lideradas por Khalifa Haftar.

Situação na Líbia

Após o assassinato do líder líbio Muammar Kadhafi, em 2011, a Líbia é administrada por dois governos paralelos: a leste há um governo parlamentar e a oeste um governo apoiado pela ONU, liderado por Fayez al-Sarraj, com capital em Trípoli.

Militante das forças líbias leais a Khalifa Haftar (foto de arquivo)
© REUTERS / Esam Omran Al-Fetori
Militante das forças líbias leais a Khalifa Haftar (foto de arquivo)

O governo do leste do país age de forma independente de Trípoli e mantém boas relações com o Exército Nacional da Líbia, liderado por Khalifa Haftar, que tenta ocupar a capital desde abril de 2019.

Em 12 de dezembro, Haftar anunciou uma ofensiva "decisiva" contra Trípoli. Antes disso, o exército de Haftar tinha obtido pouco sucesso, com ambos os lados mantendo suas posições.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010214962870-parlamento-da-turquia-aprova-envio-de-tropas-a-libia/

E ainda o sonho do Império Otomano?

A Turquia na Síria, na Líbia e no Corno de África

 

 

A Turquia começou a intervenção ativa no conflito na Síria dois meses após o início dos protestos de rua de 2011. Ajudou a organizar uma reunião de grupos da oposição síria em Istambul e recrutando terroristas para mais tarde lhes chamar de Exército Livre da Síria (FSA), informa ainda e também o Irish Times.

Irish Times

“A agitação prolongada permitiu a Ancara reforçar ambições territoriais na Síria”, afirma o jornal.

Em operações militares lançadas em 2016 e 2018, a Turquia invadiu cidades estratégicas no norte da Síria com a ajuda das ligações da Turquia a grupos terroristas.

Mais importante do que atingir a população síria parece ser a ideia megalómana de recriar um império otomano.

Por isso estas tropas de ocupação deveriam, quanto antes melhor, evacuar e retirar-se dos territórios soberanos sagrados da República Árabe da Síria.

O presidente Erdogan declarou ontem: “Não deixaremos a Síria até que o povo da Síria diga ‘obrigado, vocês podem sair agora'”, Isto num comício em Istambul, de acordo com o Sputnik.

Sputnik

Mas alguém convidou Erdogan a entrar na Síria? Recebeu algum mandato internacional para o fazer? A Turquia faz parte de alguma coligação encabeçada pelas Nações Unidas?

Emmanuel Macron confrontou seu colega turco, Erdogan, com seu aviso ainda mais direto ainda de que o comportamento recente de Ancara não é compatível com os membros da NATO.

Já na Líbia a presença de tropas turcas se apresenta de forma mais legalizada.

Atiradores de elite turcos e grupos de tropas especiais lutam nas fileiras do governo do Acordo Nacional da Líbia (GNA) na capital de Trípoli, disse uma fonte militar do rival Exército Nacional da Líbia (LNA).

“Vimos soldados turcos lutando no chão em direção a Khallet al-Furjan, em Trípoli, entre as milícias armadas da GNA. Vimos com nossos próprios olhos… atiradores de elite e grupos de assalto turcos”, disse a fonte citada pela SPUTNIK. Acrescentando:as unidades do Exercito Nacional Líbio ganham controle sobre novas posições em Tripoli diariamente. “O progresso é lento, mas contínuo”.

No início do dia de ontem, 20 de dezembro, houve informações de que a Turquia havia enviado as suas forças armadas, conselheiros militares e equipamento militar para Trípoli para apoiar o GNA, apoiado pela ONU. A medida intensificou-se depois do primeiro-ministro da GNA, Fayez Sarraj, ratificar na quinta-feira o acordo de cooperação militar com a Turquia feito em novembro e aceitar a oferta do país de enviar tropas para repelir a ofensiva da LNA. A situação na Líbia aumentou nas últimas semanas, quando Haftar anunciou uma ofensiva em Trípoli, realizada pela GNA. A cidade já foi o campo de batalha de um ataque semelhante em abril. A Líbia está dividida entre dois governos rivais desde 2011, quando seu antigo líder Muammar Gaddafi foi derrubado e morto. A parte oriental do país agora é governada pelo parlamento e pelo LNA de Haftar, seu aliado, enquanto o GNA, reconhecido pela ONU, opera no oeste do país.

No Corno de África a Turquia participa regularmente em novos debates sobre influência estrangeira na região, assim como especulações sobre seus motivos. Mais um contágio tóxico importado do Oriente Médio – a crise do Golfo que, desde 2017, colocou a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos (EAU), o Egito e o Bahrein contra o Catar e seu aliado Turquia.

Enquanto Ancara declara ser um poder benevolente impulsionado por uma política externa “empreendedora e humanitária”, os rivais do Golfo dizem que os movimentos do presidente Recep Tayyip Erdogan no Corno de África refletem uma busca perigosa por um renascimento do Império Otomano.

Brookings

Atatürk

Erdogan visitou Mogadíscio pela primeira vez em 2011 em plena devastação pela fome e foi o primeiro líder não-africano a visitar a capital devastada pela guerra em duas décadas. O que começou como uma iniciativa principalmente humanitária transformou-se numa política mais abrangente: Ancara aumentou o financiamento da ajuda, iniciou projetos de desenvolvimento, abriu escolas e assumiu um papel de liderança na definição da agenda de construção do estado, incluindo a abertura de uma instalação militar considerável para treinar soldados do governo somali. Hoje, as empresas turcas operam os portos marítimos e aéreos de Mogadíscio, os mercados somalis estão cheios de produtos maid in Turkey e a Turkish Airways voa diretamente para a capital – a primeira grande transportadora internacional a fazê-lo.

Hoje em dia é fácil confundir bondade com negócios e interesses. Aqui, no Portugal dos Pequeninos temos o Banco Alimentar. Além, os antigos impérios esforçam-se por ir buscar a outros países vantagens económicas, políticas e financeiras.

E a informação difundida sobre todos estes assuntos, tem de ser catada no meio das ervas daninhas, por olhos e ouvidos não ingénuos.

Após o fim do Império Otomano, entre 1908 e 1922, um dirigente turco, Mustafa Kemal Atatürk, foi um estadista revolucionário, autor e fundador da República da Turquia, servindo como seu primeiro presidente de 1923 até sua morte em 1938.

Aprovaria ele hoje a política externa da Turquia de Erdogan?


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/e-ainda-o-sonho-do-imperio-otomano/

Turquia acusa Macron de “patrocinar” o terrorismo na Síria

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan

“[Macron] é um patrocinador da organização terrorista [YPG], recebe-os regularmente no Eliseu”, acusou o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu.

 

A Turquia acusou hoje Emmanuel Macron de “patrocinar o terrorismo”, numa reação a novas críticas do Presidente francês sobre a operação militar desencadeada por Ancara na Síria. As autoridades turcas lançaram no mês passado uma ofensiva contra a milícia curdasíria das Unidades de Proteção Popular (YPG), que qualifica de “terrorista” mas tem sido apoiada por países ocidentais, incluindo a França, contra o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI).

Macron, que tem criticado por diversas vezes a operação turca destinada a impedir a concretização da Rojava, a entidade autónoma curda no norte da Síria, declarou que Ancara “colocou os seus aliados perante um facto consumado” e “pôs em perigoaação da coligação contra o Daesh [acrónimo árabe que designa o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico] incluindo a NATO, da qual é membro, recordo”.

Esta declaração suscitou uma forte reação de Ancara, que tem acusado Paris de procurar estabelecer um Estado curdo na Síria. “De qualquer forma, ele [Macron] é um patrocinador da organização terrorista, recebe-os regularmente no Eliseu“, reagiu o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, citado pela agência noticiosa estatal Anadolu. “Que Macron não esqueça (…), a Turquia é também membro da NATO. Que se coloque ao lado dos seus aliados”, acrescentou.

 
 

No final de outubro, Ancara suspendeu a sua ofensiva contra as YPG após ter concluído com Washington e Moscovo acordos que preveem a retirada das forças curdas da maioria das suas posições junto à fronteira com a Turquia.

O Governo turco receia que a formação de uma entidade curda fronteiriça reforce as veleidades separatistas no seu território, onde desde 1984 o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), com afinidades às YPG, mantém uma rebelião armada.

// Lusa

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/turquia-acusa-macron-terrorismo-294219

Na "pequena Síria" da Turquia, a esperança permanece entre refugiados, apesar de todas as probabilidades

 

Por Burak Akinci e Wang Feng

 

Gaziantepe, Turquia, 23 nov (Xinhua) - Gaziantepe, na Turquia, é uma cidade industrial de tamanho médio no sul que recebeu quase meio milhão de refugiados sírios que, com o apoio substancial da Sociedade do Crescente Vermelho Turco, ou Kizilay, continuam esperançosos para o futuro deles apesar de todas as probabilidades.

 

Devido ao tamanho da comunidade imigrante que cresceu exponencialmente desde o início da guerra na Síria, oito anos atrás, alguns distritos de Gaziantepe, localizados na fronteira da Turquia com a Síria, foram apelidados de "pequena Síria".

 

Segundo dados oficiais, 452.000 sírios vivem em Gaziantepe e constituem incríveis 22 por cento de sua população, a tornando um modelo de tolerância para com os recém-chegados.

 

"O principal desafio dos sírios é a barreira do idioma. Eles falam árabe. O idioma é realmente o primeiro desafio à adaptação à sociedade turca local", disse Hayriye Tirnova, assistente social da sede local de Kizilay.

 

Kizilay oferece cursos de língua turca, assistência médica e escolar, além de apoio psicológico e social para os sírios deslocados como parte de um programa multifacetado, observou ela.

 

Kizilay também faz esforços para integrar os sírios na força de trabalho local, ensinando a eles artesanato, acrescentou Tirnova.

 

Gaziantepe é conhecida por sua culinária diferenciada. É também uma cidade têxtil, localizada a apenas 100km ao norte de Aleppo, a cidade síria devastada pela guerra.

 

A maioria dos refugiados sírios na Turquia vive em cidades como Gaziantepe, onde a semelhança de culturas a torna mais acolhedora para os migrantes, ao contrário das metrópoles no oeste, onde o sentimento anti-refugiados é exorbitante em meio às dificuldades econômicas da Turquia.

 

"Foi muito difícil quando cheguei aqui, um ano atrás. Tivemos que morar em uma casa apertada com mais de 25 outras pessoas da Síria", disse à Xinhua, Reyan Saber, uma menina síria de 16 anos, com um sorriso no rosto.

 

A aluna do ensino médio disse que, graças a Kizilay, ela conseguiu voltar para a escola após um ano sabático.

 

Ela encontrou consolo na pintura, uma forma de arte através da qual expressa seus sentimentos interiores e mantém uma visão positiva da vida em um país estrangeiro.

 

Como voluntária de Kizilay na cidade, Reyan mantém sua esperança de um futuro melhor na Turquia, longe da guerra que ainda está acontecendo em partes de sua terra natal, que tragicamente levou sua mãe e dois irmãos.

 

Muhammed Saber, seu pai, teve que amputar uma das pernas depois de ser ferido por um projétil.

 

"Encontrei... uma vida totalmente nova na Turquia. Sou grato pelo apoio e assistência que nos foram entregues", disse Muhammed, pedindo às instituições internacionais que se esforcem mais pelas pessoas desse tipo na Turquia.

 

O homem é um beneficiário do cartão de débito emitido pela Kizilay como parte de um esquema local e internacional. O cartão foi distribuído para cerca de 2 milhões de refugiados, que podem retirar mensalmente uma pequena quantia em dinheiro para ajuda.

 

Salih Elallavi, o patriarca de uma família de 18 membros, disse que 17 deles receberam este precioso cartão, que oferece 2.040 liras (356 dólares americanos) por mês, uma quantia que está longe de ser suficiente para todas as suas necessidades essenciais, mas capaz de mantê-los adiante.

 

Muhammed Saber e Elallavi insistiram que não queriam deixar a Turquia, citando preocupações com seus filhos.

 

"Não quero arriscar o futuro deles. Gostaria que eles se formassem e depois trabalhassem aqui", disse Saber.

 

Um número surpreendente de sírios fugiu de seu país para países vizinhos, principalmente para a Turquia, que demonstrou extraordinária hospitalidade com os refugiados.

 

No entanto, o clima mudou com as preocupações políticas e econômicas.

 

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, prometeu enviar milhões de sírios de volta voluntariamente.

 

Os planos de repatriamento de Erdogan foram recebidos com críticas nacionais e internacionais.

 

Especialistas argumentaram que um empreendimento tão massivo não seria realista, exortando a Turquia a se concentrar mais na integração, pois as pesquisas concluíram que a maioria dos sírios está aqui para ficar permanentemente.

 

A maioria dos sírios na Turquia veio de Alepo e dos arredores, assim como Elallavi, que não gosta de ser reassentado com sua família em uma região desconhecida para ele.

 

"A região, onde a zona de segurança deve ser criada, faz parte do nosso país, mas ainda não é nossa terra natal, tornando impossível a nossa volta", afirmou o sírio.

 

(O repórter da Xinhu, Umut Ozlu, em Ancara também contribuiu para a matéria.)

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/25/c_138581534.htm

A Turquia expulsará os jiadistas do Daesh a partir de 11 de Novembro

 

A 7 de Novembro, o Presidente da República turca, Recep Tayyip Erdoğan, declarou durante uma conferência de imprensa com o seu homólogo húngaro, Viktor Orbán, que o seu país ia continuar a acolher os migrantes, mas que sem a ajuda financeira da União Europeia, ele ia «abrir as portas».

A União Europeia tinha-se comprometido a pagar 2 mil milhões (bilhões-br) de euros anuais para ajudar a Turquia a acolher migrantes e a fechar-lhes a sua fronteira europeia. Este dinheiro foi pago a partir de 2016, mas, na realidade, para financiar a guerra na Síria. Ele não aparecia no orçamento oficial da União e ninguém sabe de onde provinha. Com o aproximar do fim da guerra, a União Europeia parou os seus pagamentos.

No dia seguinte à declaração presidencial, o ministro turco do Interior, Süleyman Soylu, anunciou que o seu país expulsaria os jiadistas europeus do Daesh (E.I.) prisioneiros na Turquia a partir de segunda-feira, 11 de Novembro de 2019 (foto).

De acordo com o Direito internacional, a Turquia tem legitimidade para reenviar os prisioneiros estrangeiros para os seus países de origem, por barco ou voo regular. Os Estados destinatários não podem continuar a opor-se a isso desde que o prisioneiro ponha os pés no seu solo. Os Estados europeus podem prevenir-se indo verificar os passaportes nos aviões e impedindo certas pessoas de sair da cabine. Neste caso, as companhias de transporte são as responsáveis pelos passageiros e devem devolvê-las ao remetente, se esse assim lho permitir.

Haveria cerca de 1.200 prisioneiros europeus visados nas prisões turcas. Pelo menos 80. 000 outros jiadistas (do Daesh, mas sobretudo da Alcaida) aguardam a sua sorte na província síria de Idlib, sob a proteção do Exército turco e alimentados por «ONGs» francesas e alemãs. Se a União Europeia subscrever esta chantagem, isso poderá dar ideias a outros protagonistas da guerra contra a Síria. Os mercenários curdos do PKK-YPG planeiam (planejam-br) já tirar proveito dos seus prisioneiros daechistas.

Durante quatro anos, a Turquia e os Europeus apoiaram, em conjunto, secretamente o Daesh (EI) na sua luta comum contra a República Árabe Síria. Mas no fim desta guerra, os diferentes aliados tentam atirar para cima dos outros as suas responsabilidades nas inconfessáveis operações. Entretanto, a União Europeia condenou a recente intervenção turca contra os terroristas do PKK-YPG no Norte da Síria.





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Quando não aprendeu a controlar terroristas

 
Quando não aprendeu a controlar terroristas

O ministro do Interior da Turquia, Suleyman Soylu, acusou países europeus de estarem tentando obrigar Ancara a resolver o problema da presença dos terroristas por si só.

O ministro chamou a atitude da Europa com militantes cativos de "inaceitável e irresponsável". Ele sublinhou que a Turquia não planeja manter todos os terroristas no país e ameaçou enviá-los "para casa". "Não somos um hotel para terroristas", disse Soylu, citado pelo portal Hurriyet.

O ministro turco lembrou que uma parte dos militantes do Daesh (grupo terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) capturados na Síria era dos países estrangeiros que os privaram da cidadania.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2019110514734973-quando-nao-aprendeu-a-controlar-terroristas/

Turquia quer enviar terroristas islâmicos de volta à Europa

 
 
Países europeus recusam receber de volta cidadãos que foram lutar pelo "Estado Islâmico" na Síria. Ministro turco do Interior anuncia medida unilateral, advertindo que seu país não é "hotel para membros do EI".
 
O ministro turco do Interior, Süleyman Soylu, comunicou neste sábado (02/11) que pretende repatriar o mais rápido possível os membros do "Estado Islâmico" (EI) de origem europeia capturados na Síria.
 
A Turquia não é "nenhum hotel para membros do EI", frisou o chefe de pasta, criticando os Estados europeus por deixarem Ancara sozinha na questão de como lidar com os presos do grupo jihadista. Tal seria inaceitável e irresponsável, e países como o Reino Unido e a Holanda, de onde alguns dos capturados vêm, estariam assim tomando o caminho mais fácil, disse Soylu, sem revelar de quantos terroristas se trata.
 
Em outubro, durante uma ofensiva contra a milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG), no nordeste da Síria, as Forças Armadas turcas assumiram o controle de uma faixa de 120 quilômetros ao longo da fronteira entre os dois países. Na ocasião, foram capturados alguns integrantes do EI, escapados da prisão.
 
 
As fugas haviam ocorrido quando a Turquia avançou sobre o território ocupado pelos curdos, em 9 de outubro, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirar suas tropas, apesar dos protestos domésticos e internacionais. A ofensiva foi suspensa após oito dias, num cessar-fogo negociado pelos americanos. Na última semana, a Rússia, na qualidade de potência protetora do ditador sírio, Bashar al Assad, fechou acordo com a Turquia para o controle conjunto das regiões fronteiriças.
 
Ancara considera as YPG o braço sírio do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e as combate como organização terrorista. Diversos países europeus têm se recusado a receber de volta seus cidadãos que viajaram para Síria a fim de combater pelo EI, e haviam sido presos pelas Forças Democráticas Sírias (FDS).
 
Desde a sexta-feira a Organização das Nações Unidas estuda os planos do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de alojar milhões de refugiados sírios, atualmente residentes na Turquia, nos territórios ocupados no norte da Síria. O secretário-geral da ONU, António Guterres, encontrou-se em Istambul com Erdogan para se informar sobre a medida.
 
Deutsche Welle | AV/rtr,afp,dpa

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/turquia-quer-enviar-terroristas.html

Os Estados Unidos se dissociam do negacionismo turco

 

A Câmara de Representantes adotou uma Resolução afirmando a posição dos Estados Unidos face ao genocídio armênio (H.Res.296 Affirming the United States record on the Armenian Genocide)(«H.Res.296 Afirmando o registro dos Estados Unidos sobre o genocídio armênio»-ndT)

Este texto não é uma lei memorial: ele não visa editar uma verdade histórica, nem a designar culpados e ainda menos a abrir direitos à compensação. É uma moção política visando afirmar que os Estados Unidos se opuseram ao genocídio enquanto ele estava sendo cometido e se dissociam da atual negação turca.

Uma outra redação desta Resolução havia sido apresentada em 2007 pelo mesmo Representante desta, Adam Schiff (Democrata, Califórnia). Ela não fora aprovada à época por causa das ameaças de Ancara contra Washington. Mas, no contexto da intervenção turca contra os curdos do PKK-YPG, no Nordeste sírio, esta foi co-patrocinada por 141 parlamentares e adotada, em 29 de Outubro de 2019, por 405 votos contra 11.

Neste contexto político, não é surpreendente que este documento esqueça o papel dos auxiliares curdos neste massacre, depois sua instalação nas terras dos Armênios.

Um texto idêntico, (S.Res.150 - A resolution expressing the sense of the Senate that it is the policy of the United States to commemorate the Armenian Genocide through official recognition and remembrance) («S.Res.150 - Resolução expressando o senso do Senado de que é política dos Estados Unidos lembrar o genocídio armênio através de reconhecimento oficial e lembrança»-ndT), foi apresentado no Senado por Robert Menendez (Democrata, New Jersey).





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Turquia ameaça devolver terroristas do Daesh para Europa: 'Não somos hotel'

Bandeira do Daesh em um prédio localizado na fronteira da Síria com a Turquia
© REUTERS / Murad Sezer/Files

A Turquia ameaçou devolver os jihadistas do Daesh, detidos por Ancara, aos seus países de origem.

Apesar de alguns países europeus terem revogado as nacionalidades de alguns dos terroristas do Daesh, o ministro do Interior turco, Suleiman Soylu, disse que pretende devolver os presos aos seus países de origem.

"Não somos um hotel", disse Soylu, citado por Sputnik Mundo.

O ministro acrescentou que países como Holanda ou Reino Unido adotaram "o caminho mais fácil", revogando a cidadania dos jihadistas.

"Digamos que os prendamos por um tempo e depois os libertemos. O que fazemos depois? Concedemos cidadania turca? Não, enviaremos aos seus países de origem!", afirmou o político.

Soylu se referiu, em particular, aos combatentes do Daesh e seus parentes capturados durante a operação militar iniciada por Ancara no dia 9 de outubro e contra os militantes curdos e do Daesh na região fronteiriça da Síria.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019110214725189-turquia-ameaca-devolver-terroristas-do-daesh-para-europa-nao-somos-hotel/

«A Arte da Guerra»Erdogan quer a Bomba

O Presidente Recep Tayyip Erdoğan reagiu ao início do desmantelamento do arsenal nuclear dos EUA no seu solo, anunciando a intenção da Turquia adquiri-lo. É inteiramente legítimo perante a ameaça nuclear israelita e um passo na pior direcção.

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“Alguns países têm mísseis nucleares, mas o Ocidente insiste que não podemos possuí-los. Isto é inaceitável”: esta declaração do Presidente Erdo-gan revela, que a crise vai além daquela iniciada com a ofensiva turca na Síria.

Na Turquia, durante a Guerra Fria, os USA instalaram armas nucleares contra a União Soviética. Em 1962, nos acordos com a URSS para a solução da crise dos mísseis em Cuba, o Presidente Kennedy prometeu remover essas armas da Turquia, mas o mesmo não foi feito. Após a Guerra Fria, permaneceram na Turquia, na base aérea de Incirlik, cerca de 50 bombas nucleares USA B61 (as mesmas inseridas em Aviano e Ghedi, em Itália), direccionadas principalmente contra a Rússia.

Deste modo, seja os EUA ou a Turquia, ambos violam o Tratado de Não Proliferação. Os pilotos turcos, no âmbito da NATO, são treinados (como os pilotos italianos da base de Ghedi) ao ataque com bombas nucleares B61, sob o comando USA. Dentro de pouco tempo, as B61 devem ser substituídas pelos USA, também na Turquia (como será feito em Itália e noutros países europeus) pelas novas bombas nucleares B61-12, também direccionadas principalmente contra a Rússia.

Enquanto isso, porém, após a aquisição turca de mísseis antiaéreos russos S-400, os USA retiraram a Turquia do programa F-35, principal transportador das B61-12: o caça do qual a Turquia deveria ter comprado 100 exemplares e do qual era co-produtora. “O F-35 – declarou a Casa Branca - não pode coexistir com o sistema antiaéreo S-400, que pode ser usado para conhecer as capacidades do caça”, ou seja, pode ser usado pela Rússia para reforçar as defesas contra o F- 35. Ao fornecer a Ankara os mísseis anti-aéreos S-400, Moscovo conseguiu impedir (pelo menos, por agora) que sejam instalados no território turco 100 F-35, prontos para o ataque com as novas bombas nucleares USA, B61-12.

Parece, nesta altura, provável que, entre as opções consideradas em Washington, exista a transferência de armas nucleares USA da Turquia para outro país mais confiável. Segundo o conceituado Boletim dos Cientistas Atómicos (USA), “a base aérea de Aviano pode ser a melhor opção europeia do ponto de vista político, mas, provavelmente, não tem espaço suficiente para receber todas as armas nucleares de Incirlik”. No entanto, o espaço poderia ser obtido, dado que, em Aviano, já se iniciaram os trabalhos de reestruturação para receber as bombas nucleares B61-12.

Sobre este fundo coloca-se a declaração de Erdogan que, apostando também na presença ameaçadora do arsenal nuclear de Israel, anuncia a intenção turca de ter as suas próprias armas nucleares. O projecto não é fácil, mas não é irrealizável. A Turquia possui tecnologias militares avançadas, fornecidas em particular por empresas italianas, especialmente a Leonardo. Possui depósitos de urânio. Tem experiência no campo de reactores de pesquisa, fornecidos em particular pelos USA. Iniciou a construção de sua própria indústria de energia nuclear, adquirindo alguns reactores da Rússia, do Japão, da França e da China. Segundo algumas fontes, a Turquia já pode ter adquirido no “mercado negro nuclear”, centrífugadoras de enriquecimento de urânio.

O anúncio de Erdogan de que a Turquia se quer tornar uma potência nuclear, interpretado por alguns como um simples jogo a termo, a fim de ter mais peso na NATO, não deve, portanto, ser de subestimar. Ele descobre o que geralmente está oculto no debate mediático: o facto de que, na situação turbulenta causada pelas políticas de guerra, desempenha um papel cada vez mais importante, a posse de armas nucleares, pressionando os que não as possuem a procurá-las.





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Erdogan anuncia condições de retomada da operação militar na Síria

Tanque da Turquia perto da cidade de Manbij, no nordeste da Síria, em 15 de outubro de 2019, após a retirada das forças norte-americanas da região
© AP Photo / Ugur Can

A operação militar de Ancara na Síria será retomada se os EUA, após 120 horas de cessar-fogo, não cumprirem suas obrigações de afastar as forças curdas da zona de segurança.

No domingo (20), o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, citado pelo canal de televisão NTV, afirmou que a operação militar turca Fonte de Paz prosseguirá se os EUA não cumprirem suas obrigações de retirar as forças curdas da zona de segurança. Segundo Erdogan, as tropas turcas neutralizaram "765 terroristas" desde o início da operação.

Na quinta-feira passada (17), os EUA e a Turquia anunciaram um acordo sobre a suspensão, durante 5 dias, da operação militar de Ancara e de retirada das forças curdas da zona da segurança na fronteira turco-síria, zona que Ancara planeja controlar. No entanto, durante o cessar-fogo chegaram notícias sobre a continuação dos combates.

O presidente turco também declarou que Ancara discutiu a suspensão das ações militares com Washington com e não a "organização terrorista".

Fonte de Paz

No dia 9 de outubro, o presidente da Turquia anunciou o início da chamada operação Fonte de Paz no norte da Síria. O objetivo, segundo Ancara, é a criação de zona de segurança na fronteira entre a Síria e a Turquia.

As autoridades sírias do governo de Bashar Assad condenaram repetidamente a política de ocupação da Turquia no norte da Síria. A Rússia declarou que é necessário evitar ações que possam entravar a resolução do conflito sírio, que continua desde 2011.

Fumaça subindo sobre a cidade fronteiriça síria de Tel Abyad vista da cidade turca de Akcakale
© REUTERS / Stoyan Nenov
Fumaça subindo sobre a cidade fronteiriça síria de Tel Abyad vista da cidade turca de Akcakale

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Rússia: operação turca na Síria aumenta ameaça terrorista global

Turkey's President Recep Tayyip Erdogan, right, meets with Russia's Defence Minister Sergei Shoigu, left, in Istanbul
© AP Photo / Presidency Press Service, Pool

Prisões de terroristas estrangeiros ficaram desprotegidas em função da operação militar turca na Síria. O fato pode desencadear uma onda de migração de terroristas ao seus países de origem, alertou o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu.

A Turquia iniciou em 9 de outubro uma ofensiva no norte da Síria para combater milícias curdas na fronteira turca e estabelecer uma área segura no nordeste do país árabe para acomodar milhares de refugiados.

Em 17 de outubro, a Turquia e os EUA celebraram um cessar fogo na Síria por 120 horas para curdos sírios retirarem suas forças a 30 quilômetros da fronteira turca.

"As ações do exército turco fizeram com que oito campos de refugiados e 12 prisões para terroristas estrangeiros ficassem desprotegidos, o que pode causar uma onda de migração reversa de terroristas para seus países de origem", afirmou Shoigu.

Nesse contexto, o ministro instou a comunidade internacional a unir forças para "enfrentar os desafios colocados pelos terroristas, sua ideologia e propaganda".

"O Ministério da Defesa da Rússia tem uma enorme experiência nessa área, que estamos dispostos a compartilhar com nossos parceiros na região da Ásia-Pacífico", acrescentou a autoridade.

Shoigu também alertou para a crescente presença do grupo terrorista Daesh no sudeste da Ásia, após sua derrota na Síria. Segundo o russo, Indonésia, Malásia, Cingapura, Filipinas e Tailândia estão na mira do movimento.

Embora apenas alguns anos atrás o terrorismo "não fosse considerado uma grande ameaça" para os países da Ásia-Pacífico, "hoje na região há a atividade de numerosos grupos extremistas, dos quais cerca de 60 são classificados como terroristas", acrescentou o político.

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Desce a cortina para os EUA na Síria

por M.K. Bhadrakumar

bhadrakumar_15out19 O cenário acordado nos bastidores ao longo de meses de conversas confidenciais, muitas vezes só entre duas pessoas, dentre os líderes russos e turcos quanto ao Nordeste da Síria está a entrar numa fase crítica de implementação sobre o terreno com o acordo dos curdos e do governo Assad.

Temos um cenário complexo onde por um lado o exército turco e as unidades de oposição síria leais a Ancara estão implacavelmente a continuar sua ofensiva para Sul expandindo o controle sobre regiões fronteiriças da Síria habitadas pelos curdos. De acordo com o presidente turco, Recep Erdogan, 1000 km2 de território anteriormente sob controle curdo foi " libertado ".

Por outro lado, na sequência do acordo com os curdos, as primeiras colunas de forças do governo sírio moveram-se para o Norte do país rumo à fronteira turca.

À primeira vista, Damasco está a desafiar a ofensiva turca – como deveria – e, em princípio, uma confrontação pode seguir-se. Mas as coisas na Síria nunca são realmente exactamente o que parecem superficialmente.

Um choque entre forças turcas e síria está simplesmente fora de questão. Esse não é o jogo a ser jogado. Uma declaração do Ministério da Defesa turco na segunda-feira revelava que o militar chefe, general Yasar Guler e seu equivalente russo, o general Valery Gerasimov, estavam em contacto telefónico e discutiam a "situação da segurança na Síria e os desenvolvimentos recentes".

Não foram divulgados mais pormenores mas o quadro que emerge é que a Rússia propôs e a Turquia concordou em que unidades russas estarão a patrulhar entre as forças turcas e síria no Norte da Síria após a retirada das tropas dos EUA daquela área.

Consequentemente, o Ministério da Defesa de Moscovo revelou que a sua polícia militar na cidade curda de Manbij começou a patrulhar ao logo da fronteira sírio-turca e a interagir com autoridades turcas. Tropas russas entraram segunda-feira na cidade de Manbij com as forças do governo sírio.

Ainda mais importante, através da mediação russa Ancara e Damasco preferirão acordar sobre a divisão das zonas de controle no Norte da Síria. Isso equivale a dizer que em linhas gerais as coisas estão a mover-se na direcção do que o Acordo de Adana de 1998 (sobre a questão curda) pretendia, nomeadamente que a segurança da fronteira sírio-turca será um assunto bilateral entre Ancara e Damasco.

Na situação em causa, a necessidade imperativa da Turquia é impedir que surja um "Curdistão" contíguo nas suas fronteiras. A chamada "zona segura" destinava-se a frustrar os planos dos EUA de criar um Curdistão na Síria, semelhante ao que conseguiu criar no Iraque na era de Saddam Hussein.

É razoável argumentar que poderia haver congruência de interesses entre Ancara e Damasco acerca deste ponto (Teerão também tem interesses comuns com seus dois vizinhos quanto a isso).

Na verdade, para Damasco tudo isto é uma felicidade na medida em que a "retirada deliberada" (como o Pentágono colocou isto) ou, mais precisamente, a inevitável remoção das tropas dos EUA nas regiões a Norte da Síria desencadeadas pela incursão turca, permite-lhe reocupar parte das regiões nortistas, especialmente aquelas partes que são bem dotadas de recursos de água e reservas de hidrocarbonetos, as quais os militares americanos haviam designado como sua zona exclusiva.

Para o presidente Bashar al-Assad, isto é um grande salto em frente no cumprimento da sua promessa de reclamar o controle de toda a Síria (ver o comentário da Euronews: Damasco parece mais forte do que nunca: O que se passará a seguir na Síria quanto forças curdas se juntarem a Assad? ).

Quanto aos curdos, eles não têm nenhum lugar para ir excepto acomodar-se com Damasco. Eles simplesmente não estão à altura para o altamente profissional exército turco.

Claramente, a incursão turca e a iminente ofensiva contra os curdos tornou indefensável a continuada presença militar americana no Norte da Síria e a Rússia alavancou a situação para promover o acordo entre os curdos e Damasco.

Tendo conseguido êxito neste esforço, os russos ganharam a confiança dos turcos. Não surpreendentemente, o presidente Recep Erdogan é indiferente quanto ao acordo entre os curdos e Damasco e encolheu os ombros para os movimentos das tropas sírias junto às fronteiras da Turquia. Ele evasivamente referiu-se às garantias de Vladimir Putin.

Na análise final, os americanos estão a pagar um preço forte por serem espertos pela metade – tensionando a Turquia nos últimos anos enquanto metodicamente consolidavam o terreno para a criação de um Curdistão autónomo nas suas fronteiras, além de armar e treinar a milícia curda para transformá-la num exército regular.

Erdogan deu uma longa corda para que os americanos se enforcassem a si próprios, literalmente. Quando ele atacou, as contradições da política dos EUA foram reveladas de imediato – o plano de jogo de balcanizar a Síria e derrubar Assad; o pacto faustiano com um grupo terrorista que tem sido um sangrento aliado da NATO; e a agenda geopolítica de seccionar o eixo do Irão com a Síria e o Levante.

Basta dizer que, com a remoção das forças estado-unidenses do Norte da Síria, os turcos alcançaram algo que a Rússia e o Irão (e Damasco) sempre desejaram, mas não podiam conseguir. A partir deste ponto, a Rússia e o Irão prevalecerão sobre Ancara para que se reconcilie com Damasco.

Os EUA entenderam tardiamente que a Turquia terminou sumariamente sua intervenção de oito anos na Síria para derrubar o regime Assada. A rancorosa reacção de Trump e do secretário da Defesa dos EUA, Mark Esper ( aqui e aqui ) é evidente.

Mas a ameaça das sanções dos EUA não deterá Erdogan, pois o espectro do Curdistão em suas fronteiras ameaçava a soberania e a integridade territorial da Turquia e não há espaço para concessões quando a segurança nacional está sob ameaça. A propósito, a opinião pública interna turca é esmagadoramente favorável a Erdogan.

A Turquia foi estranhamente paciente com os EUA, esperando que este desistisse da ligaçlão com o YPG (milícia curda) quando a luta contra o ISIS estivesse acabada. Não é tanto Trump, mas sim o Pentágono, responsável pela quebra de confiança entre a Turquia e os EUA. Como na maior parte das questões de política externa, Washington tinha duas políticas na Síria – a de Trump e a do establishment de segurança e defesa dos EUA.

Os EUA, sob o direito internacional, não têm locus standii de manter uma presença militar permanente na Síria e quando anunciou pela primeira vez a retirada das tropas, ela deveria ter sido implementada. Mas, ao invés disso, o Pentágono minou a decisão de Trump, reduziu-a e finalmente ignorou-a completamente.

Erdogan sabe que os EUA vão bufar, mas vão se habituar ao "novo normal" na Síria. A Europa tão pouco terá um álibi, pois os russos nunca permitirão que o ISIS ascenda na Síria. Trump está a incumbir o vice-presidente Mike Pence de viajar à Turquia em busca de um "acordo negociado" – o que quer que isso possa significar para enfrentar o facto consumado criado por Erdogan.

15/Outubro/2019

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/moriente/bhadrakumar_15out19.html

Turquia e EUA anunciam cessar-fogo e ataques contra curdos sírios são suspensos

Vice-presidente dos EUA, Mike Pence, ao lado do secretário de Estado Mike Pompeo em Ancara, na Turquia
© REUTERS / Huseyin Aldemir

Os governos da Turquia e dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira um cessar-fogo e a suspensão dos ataques no nordeste da Síria, foco de uma operação turca contra curdos sírios.

O anúncio aconteceu após uma reunião de mais de quatro horas entre o vice-presidente estadunidense Mike Pence, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Robert O'Brien, e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan em Ancara.

Segundo Pence, "haverá uma pausa nas operações militares por 120 horas" para permitir a retirada dos curdos sírios aliados dos EUA do nordeste da Síria, na fronteira com a Turquia.

Ainda de acordo com ele, os EUA e a Turquia "se comprometeram mutuamente com a resolução pacífica e o futuro da zona segura".

Em suas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, saudou as "boas notícias", o que, para ele, irã salvar "milhões de vidas".

Pence explicou também, em entrevista coletiva, que não terá os seus militares envolvidos na retirada das forças curdas das Unidades de Proteção Popular (YPG) da zona de segurança na fronteira-sírio-turca.

O vice-presidente dos EUA destacou ainda que recebeu garantias dos curdos de que eles se retirarão de maneira ordenada da região fronteiriça, atendendo aos interesses da Turquia.

Anteriormente, o chefe de gabinete de Trump havia dito que o presidente poderia revogar um convite da Casa Branca estendido a Erdogan, dependendo do resultado das negociações em Ancara.

"Ainda está dentro do cronograma", disse Mike Mulvaney aos repórteres, "mas acho que é um daqueles que espera e vê as coisas". "O presidente tem sido muito claro sobre o que ele quer ver do presidente Erdogan", acrescentou.

Durante o encontro, os EUA alertaram para o tamanho das sanções econômicas que a Turquia enfrentaria, caso não interrompesse os seus ataques contra os curdos, estes aliados de Washington na luta contra os terroristas do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia) na região.

Da sua parte, uma autoridade turca disse à Agência Reuters que a Turquia "conseguiu exatamente o que queríamos fora da reunião", sem dar mais detalhes.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101714655707-turquia-e-eua-anunciam-cessar-fogo-e-ataques-contra-curdos-sirios-sao-suspensos/

'Não seja tolo': Trump ameaça destruir economia turca em carta a Erdogan

Presidente dos EUA Donald Trump conversa com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, enquanto visitam a nova sede da OTAN em Bruxelas, Bélgica, 11 de julho de 2018
© AP Photo / Serviço de Imprensa da Presidência

Ganhou grande publicidade nas redes sociais nesta quarta-feira a cópia de uma carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao chefe de Estado turco, Recep Tayyip Erdogan.

O documento, publicado por uma jornalista no Twitter, tem como pano de fundo a atual operação militar mantida pela Turquia na Síria, vista por boa parte da comunidade internacional como uma ação ilegal com consequências possivelmente devastadoras

 

​EXCLUSIVO: Obtive uma cópia da carta de Donald Trump a Erdogan. O presidente dos EUA aconselha Erdogan a não 'ser um cara durão! Não seja um tolo!'. Diz que ele poderia destruir a economia da Turquia se a Síria não for resolvida de uma maneira humana.

Na carta, datada de 9 de outubro, o líder norte-americano diz ao seu homólogo turco que trabalhou duro "para resolver alguns de seus problemas" e, por isso, pede que ele "não decepcione o mundo".

"Você pode fazer um grande acordo", afirma Trump, sugerindo que o comandante das Forças Democráticas da Síria (FDS), general Mazloum Kobani, estaria disposto a fazer grandes concessões a fim de obter um desfecho pacífico para a atual crise no noroeste sírio.

Na última semana, Trump decidiu retirar as tropas americanas do norte da Síria, deixando seus antigos aliados curdos a mercê das forças turcas que avançam sobre o território sírio como parte de uma operação não autorizada.

Tal operação, intitulada Fonte de Paz, teria como objetivo, segundo Ancara, afastar os militantes curdo-sírios (considerados inimigos pelo governo turco) para longe da região de fronteira e criar uma zona segura para alojar refugiados sírios que se encontram na Turquia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019101714650234-nao-seja-tolo-trump-ameaca-destruir-economia-turca-em-carta-a-erdogan/

Tropas turcas ocupam mais terras no Norte da Síria

Forças turcas ocuparam localidades nas províncias setentrionais e maltrataram a população. Por seu lado, o Exército sírio assumiu o controlo de Manbij e entrou em Raqqa, que chegou a ser a «capital do Daesh».

Polícia Militar russa patrulha as regiões em redor de Manbij, depois de o Exército Árabe Sírio ter assumido o controlo total da cidadeCréditos / Kurdistan24

As «forças de ocupação turcas e seus mercenários prosseguiram a ofensiva em território sírio», informa a agência SANA, precisando que várias aldeias e vilas no Norte das províncias de Hasaka e Raqqa foram atingidas por ataques de artilharia e de aviação, levando à fuga de mais população, aterrorizada pela «brutalidade» dos ocupantes.

Esta terça-feira, o correspondente da SANA em Hasaka revelou que as tropas turcas ocuparam a aldeia de al-Manajir, perto de Tal Tamr, e que atacaram as aldeias de al-Ibrahimyia, Arisha Tahtani e al-Salihyia, na região de Ras al-Ain, ao mesmo tempo que se registaram fortes combates entre os terroristas a soldo dos turcos e as milícias curdas.

Mais tarde, ainda segundo a mesma fonte, as forças ocupantes entraram nas aldeias de Kuzlyia, al-Amiria e Lilyan, junto à estrada que liga Alepo (a oeste) e Tal Tamr (a leste), a cerca de dez quilómetros das positições entretanto ocupadas pelo Exécito Árabe Sírio (EAS), na sequência de um acordo alcançado com as chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS), maioritariamente curdas, sob mediação russa, para travar o avanço da ofensiva turca.

A SANA denuncia maus-tratos, por parte das forças turcas, à população civil em localidades ocupadas, casas saqueadas e queimadas, bem como a execução de dois civis na localidade de Abu Surra, a norte de Ain Issa (província de Raqqa).

A agência estatal síria dá ainda conta de que 250 mulheres (companheiras de combatentes estrangeiros do grupo terrorista Daesh) foram transportadas, por tropas norte-americanas, do campo de al-Hol para a base ilegítima de al-Shadadi, a sul da cidade de Hasaka.

Exército sírio entra em Raqqa e assume controlo de Manbij

Uma fonte no terreno revelou à agência Sputnik que uma unidade do Exército Árabe Sírio entrou esta quarta-feira em Raqqa, «pela primeira vez em cinco anos, e instalou alguns postos de observação na cidade». Raqqa chegou a ser declarada como a capital de facto do Daesh, depois de cair em poder do grupo terrorista em 2014.

A reconquista da cidade ao Daesh há dois anos, no âmbito de uma ofensiva das FDS e da chamada coligação internacional liderada pelos EUA, foi alvo de fortes críticas do governo de Damasco e de Moscovo, devido às elevadas baixas civis e ao arrasamento da cidade.

A entrada na cidade de Raqqa segue-se ao controlo total da cidade de Manbij (província de Alepo), por parte do EAS. Num comunicado emitido esta terça-feira, o Ministério russo da Defesa confirmou esse facto, bem como o de unidades da Polícia Militar russa estarem a patrulhar as áreas em redor de Manbij, junto à linha de contacto entre as tropas do EAS e as Forças Armadas turcas.

De acordo com o documento, a medida, que conta com cooperação turca, visa evitar choques directos entre as partes. Em todo o caso, o Kremlin declarou «inaceitável» a ofensiva lançada pela Turquia no passado dia 9 em território sírio e insiste que as tropas turcas, assim como todas as forças militares ilegalmente presentes na Síria, devem sair do país árabe.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/tropas-turcas-ocupam-mais-terras-no-norte-da-siria

Apesar de pressão por cessar-fogo, Erdogan diz que operação continua até curdos deixarem fronteira

Presidente turco Recep Tayyip Erdogan fala perante a Assembleia Geral da ONU
© REUTERS / Lucas Jackson

O presidente da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, disse que manterá a pressão sobre o território sírio e só interromperia a operação Fonte de Paz se os combatentes curdos abandonassem as armas e saíssem da região. 

Em discurso para parlamentares de seu partido realizado nesta quarta-feira (16), ele disse que a Turquia não seria coagida a parar a ofensiva ou aceitar ofertas de mediação com os curdos. Erdogan prometeu continuar avançando até as tropas turcas alcançarem cerca de 30 a 35 quilômetros dentro da área da fronteira com a Síria. 

"Nossa proposta é os terroristas abandonarem suas armas, deixarem seus equipamentos, destruírem as armadilhas que criaram e saírem da zona de segurança que designamos hoje", disse o presidente, segundo publicado pela agência AP. 

O objetivo da operação é expulsar da região as Forças Democráticas Sírias (FDS) e as Unidades de Proteção Popular (YPG), que Ancara considera grupos terroristas, e criar uma "zona segura" na fronteira, para onde seriam enviados os refugiados sírios que hoje vivem em campos instalados em território turco. 

"Caso isso seja feito, a Operação Fonte de Paz vai terminar", garantiu o chefe de Estado. A ofensiva teve início após os Estados Unidos anunciarem a retirada total de suas tropas da Síria. 

Esforços diplomáticos se intensificam

Enquanto os combates prosseguem, os esforços diplomáticos se intensificam. A Rússia vem trabalhando para evitar um conflito entra as tropas turcas e as forças do governo da Síria que se deslocaram para o nordeste do país. Os curdos pediram ajuda do Exército sírio para se defender do ataque de Ancara. 

Soldados turcos se aproximam da cidade síria de Manbij, em 14 de outubro de 2019
© AP Photo / Ugur Can
Soldados turcos se aproximam da cidade síria de Manbij, em 14 de outubro de 2019

A declaração de Erdogan ocorre um dia antes da visita a Turquia do vice-presidente americano, Mike Pence, que terá a missão de buscar um fim para os combates. Também fazem parte da comitiva americana o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o conselheiro de segurança nacional, Robert O'Brien. 

'Não procuramos por um mediador de paz'

Paralelamente, o Kremlin disse que o mandatário turco aceitou um convite do presidente russo, Vladimir Putin, para ir a Moscou nos próximos dias debater a questão síria. 

Erdogan disse a jornalistas que "não tinha" problemas em viajar para a Rússia. Mas ressaltou em seu discurso aos parlamentares que a Turquia não "procurava por um mediador de paz e nem precisava de um".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101614645549-apesar-de-pressao-por-cessar-fogo-erdogan-diz-que-operacao-continua-ate-curdos-deixarem-fronteira/

Será que EUA planejam tirar supostas armas nucleares da Turquia? Especialista responde

Um míssil nuclear ICBM Titan II desativado é visto em um silo no Missile Museum Titan (imagem referencial)
© AFP 2019 / BRENDAN SMIALOWSKI

Em entrevista à Sputnik Internacional, a professora de Ciências Políticas Jana Jabbour comentou a probabilidade dos EUA retirarem suas armas nucleares supostamente presentes na Turquia com o agravamento das relações entre ambos os países.

Desde que a Turquia iniciou sua operação Fonte de Paz na Síria, o país tem sido alvo de críticas internacionais e corre o risco de ficar isolado.

Entre os países descontentes com a política do presidente Turco, Recep Tayyip Erdogan, configuram os Estados Unidos. Washington tem ameaçado Ancara com sanções, apesar de as relações entre a Turquia e os EUA serem de longa data.

De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, os EUA estariam planejando a retirada das suas armas nucleares táticas supostamente presentes na Turquia.

Comentando o assunto, Jana Jabbour, professora de Ciências Políticas do Instituto de Estudos Políticos de Paris, França, explanou a complexidade do tema em entrevista à Sputnik Internacional.

Segundo Jana, as armas que estariam armazenadas na base aérea de Incirlik, na Turquia, possuem papel importante demais no Oriente Médio.

"As armas nucleares que estão na base aérea de Incirlik podem ser usadas a qualquer momento contra o Irã em caso de uma guerra surpresa entre os EUA e o país persa", afirmou Jabbour.

Desta forma, os EUA deverão manter essas armas no local devido às tensões entre Teerã e Washington. 

"Dada a importância estratégica da base aérea de Incirlik e a importância destas armas no contexto de uma potencial guerra no Oriente Médio, duvido muito que os Estados Unidos removam ou reinstalem estas armas nucleares", explicou ela.

Além disso, o armamento seria visto como um apoio à defesa dos aliados dos EUA na região.

"Estas armas podem servir ainda como uma garantia de segurança do vizinho [da Turquia] Israel", acrescentou Jabbour.

OTAN sem Turquia?

Ainda segundo a acadêmica, o discurso de Erdogan contra o Ocidente não deve ser visto como um sinal de que o país deseja sair da OTAN.

"Ele [Erdogan] continuará no caminho de críticas ao Ocidente, em particular aos EUA, por terem traído a Turquia e a abandonado em momentos cruciais, comprometendo a segurança do país. Porém, de forma alguma Erdogan consideraria uma saída da Turquia da OTAN", acrescentou a professora.

Ao mesmo tempo, o uso de tais armas em um conflito no Oriente Médio seria perigoso demais, de acordo com Jana Jabbour. O emprego de artefatos nucleares em um conflito local poderia dar início a uma guerra total de grande escala no Oriente Médio, acredita a professora.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019101614643992-sera-que-eua-planejam-tirar-supostas-armas-nucleares-da-turquia-especialista-responde/

MANLIO DINUCCI: A NATO POR TRÁS DO ATAQUE TURCO À SÍRIA

                                                   

                                     

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A Alemanha, a França, a Itália e outros países que, em trajes de membros da União Europeia, condenam a Turquia pelo ataque à Síria, são, juntamente com a Turquia, membros da NATO, a qual, quando já estava em curso o ataque, reiterou o seu apoio a Ancara. Fê-lo oficialmente, o Secretário Geral da NATO, Jens Stoltenberg, encontrando-se em 11 de Outubro na Turquia, com o Presidente Erdoğan e com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Çavuşoğlu.
 
“A Turquia está na primeira linha, nesta região muito volátil, nenhum outro Aliado sofreu mais ataques terroristas do que a Turquia, ninguém está mais exposto à violência e à turbulência proveniente do Médio Oriente”, disse Stoltenberg, reconhecendo que a Turquia tem preocupações “legítimas” com a sua própria segurança”. Depois de, diplomaticamente, tê-lo aconselhado a “agir com moderação”, Stoltenberg salientou que a Turquia é “um Aliado valoroso da NATO, importante para a nossa defesa colectiva”, e que a NATO está "fortemente empenhada em defender a sua segurança”. Para esse fim - especificou - a NATO aumentou a sua presença aérea e naval na Turquia e investiu mais de 5 biliões de dólares em bases e infraestruturas militares. Além do mais, colocou um comando importante (não mencionado por Stoltenberg): o LandCom, responsável pela coordenação de todas as forças terrestres da Aliança.

 

Stoltenberg evidênciou a importância dos “sistemas de defesa antimísseis” inseridos pela NATO para “proteger a fronteira sul da Turquia”, fornecidos em rotação pelos Aliados. A este respeito, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Çavuşoğlu agradeceu, em particular, à Itália. Desde Junho de 2016, a Itália instalou na província turca do sudeste, em Kahramanmaraş, o “sistema de defesa aérea” Samp-T, produzido em conjunto com a França. Uma unidade Samp-T compreende um veículo de comando e controlo e seis veículos lançadores, cada um armado com oito mísseis. Situados perto da Síria, eles podem abater qualquer avião no espaço aéreo sírio. Portanto, a sua função, é tudo menos defensiva. Em Julho passado, a Câmara e o Senado, com base na decisão das comissões estrangeiras conjuntas, deliberaram prolongar, até 31 de Dezembro, a presença da unidade de mísseis italiana na Turquia. Stoltenberg também informou que estão em curso negociações entre a Itália e a França, produtores conjuntos do sistema de mísseis Samp-T e a Turquia, que deseja comprá-lo. Neste ponto, com base no decreto anunciado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Di Maio, para bloquear a exportação de armas para a Turquia, a Itália deveria retirar imediatamente o sistema de mísseis Samp-T do território turco e comprometer-se a não vendê-lo à Turquia.

 

Continua, assim, o trágico teatro da política, enquanto na Síria o sangue continua a jorrar. Os que hoje ficam horrorizados com os novos massacres e pedem para bloquear a exportação de armas para a Turquia, são os mesmos que voltaram a cabeça quando o próprio New York Times publicou uma investigação detalhada sobre a rede da CIA, através da qual chegavam à Turquia, também da Croácia, rios de armas para a guerra camuflada na Síria (il manifesto, 27 de Março de 2013 e Réseau Voltaire).
Depois de ter demolido a Federação Jugoslava e a Líbia, a NATO tentou a mesma operação na Síria. A força do choque era constituída por um exército agressivo de grupos islâmicos (até há pouco rotulados por Washington como terroristas) provenientes do Afeganistão, da Bósnia, da Chechénia, da Líbia e de outros países. Eles afluíam às províncias turcas de Adana e Hatai, na fronteira com a Síria, onde a CIA tinha aberto centros de formação militar. O comando das operações estava a bordo de navios da NATO, no porto de Alessandretta. Tudo isto é suprimido e a Turquia é apresentada pelo Secretário Geral da NATO como o Aliado “mais exposto à violência e à turbulência do Médio Oriente”.
il manifesto, 15 de Outubro de 2019
RETIRADO DE NO WAR NO NATO
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Uma entente cordial turco-russo em formação

por M K Bhadrakumar

Operation Peace Spring. Iremos nós sentar no chão e dizer que já não há mais luz do dia entre a Rússia e a Turquia? Estamos quase aí. A incursão turca na Síria na quarta-feira é o ponto de inflexão. A Turquia e a Rússia estão em estreita coordenação. Considere-se o seguinte.

A Casa Branca anunciou no domingo que estava a retirar-se do nordeste da Síria antes das operações militares da Turquia através da fronteira. O presidente Donald Trump aparentemente tomou a decisão no domingo após um telefonema com o presidente turco Recep Erdogan. A chicotada da decisão de Trump abalou aliados dos EUA.

Houve críticas generalizadas na Beltway de que os EUA estão a por em risco no terreno seus parceiros curdos e a desencadear consequências imprevisíveis para a Síria – e, acima de tudo, a prejudicar gravemente a credibilidade dos EUA. Alguns advertem que o conflito sírio está a intensificar-se exactamente quando as brasas estavam a arrefecer.

Algumas destas críticas podem ser verdadeiras. Porque a Turquia é vingativa. Há muito que ela queria transpor a fronteira no norte da Síria, onde vê as forças curdas sírias ou YPG unidas com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão ou PKK, separatistas que a Turquia considera um grupo terrorista que há décadas trava uma insurgência e coloca a Turquia sob tensão.

Mas existe o fator "X": a Turquia está a empreender isto sozinha? Muito depende da resposta, a qual por sua vez se relaciona com a alquimia do entendimento estratégico geral turco-russo que transcende a questão Síria.

Num desenvolvimento pouco notado na última terça-feira – precisamente, durante o intervalo de 36 horas entre o anúncio de Trump de retirada de tropas da Síria e a incursão turca no norte da Síria – o Ministério das Finanças da Rússia anunciou que Moscovo e Ancara assinaram um acordo sobre a utilização do rublo russo e da lira turca em pagamentos e acordos mútuos. A RT informou que o acordo visa "maior expansão e fortalecimento da interacção interbancária, bem como a garantia de pagamentos ininterruptos entre entidades comerciais dos dois países".

Dito claramente, Moscovo e Ancara criaram uma firewall contra possíveis sanções futuras dos EUA e/ou ocidentais contra a Turquia.

A RT explicou que o novo sistema de pagamento turco-russo conectará bancos e empresas turcas ao análogo russo da rede de pagamentos SWIFT, "melhorando a infraestrutura na Turquia que permitiria o uso de cartões de pagamento MIR russos, projectados por Moscovo como alternativa ao MasterCard e Visa".

A reportagem sublinhou: "O novo acordo faz parte do esforço das duas nações para reduzir sua dependência do dólar americano... Erdogan anunciou no ano passado planos para acabar com o monopólio do dólar americano por meio de uma nova política que tem em vista o comércio sem dólares com os parceiros internacionais do país. "

O acordo com a Turquia torna-se assim o novo modelo do ambicioso projecto do presidente Putin de se livrar do dólar americano no comércio exterior da Rússia (o volume de comércio entre a Turquia e a Rússia é substancial; cresceu 16% no ano passado, chegando aos US$25,5 mil milhões). Claramente, o sistema de pagamentos russo-turco é um importante movimento de política externa dos dois países.

No dia seguinte, quarta-feira, começou a incursão militar turca na Síria. Significativamente, pouco antes da operação, o presidente turco Recep Erdogan falou com Putin por telefone.

O comunicado do Kremlin dizia: "À luz dos planos anunciados pela Turquia de executar uma operação militar no nordeste da Síria, Vladimir Putin instou nossos parceiros turcos a ponderarem cuidadosamente a situação de modo a não prejudicar nossos esforços mútuos para resolver a crise síria". Acrescentou que os dois presidentes enfatizaram "a importância de garantir a unidade e a integridade territorial da Síria e o respeito à sua soberania".

A reacção russa à operação militar turca é nuançada. Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, disse a repórteres durante uma visita ao Turquemenistão: "Desde o início da crise síria, enfatizámos que entendemos as preocupações da Turquia em relação à segurança nas suas fronteiras".

Lavrov sugeriu que essas preocupações poderiam ser atendidas no âmbito do acordo de Adana assinado entre a Turquia e a Síria em 1998 (o qual estipulava a coordenação directa de segurança entre Ancara e Damasco).

Lavrov atribuiu a culpa da incursão turca directamente às políticas dos EUA. Ele recordou que a Rússia advertira os EUA contra a utilização da "carta curda" e fazer com que tribos curdas e árabes ficassem frente a frente.

Combatentes do YPG. É importante o que Lavrov acrescentou: "Oficiais militares russos e turcos estão em contacto durante a operação. Agora, tentaremos estabelecer um diálogo entre Damasco e Ancara. Pensamos que isso é do interesse de ambos os lados".

No mesmo dia, quinta-feira, quando os países ocidentais pretenderam que o Conselho de Segurança da ONU condenasse a Turquia, a Rússia bloqueou o movimento , argumentando que pretendia que a "presença militar ilegal" de outros países (leia-se EUA, França, Alemanha, etc) também fosse tratada. A Rússia instou a um "diálogo directo" entre Ancara e Damasco.

Enquanto isso, a incursão turca está a mostrar algumas características interessantes. Não está claro até que ponto isso se deve à influência russa, mas acontece que a incursão fica muito aquém de uma guerra.

O principal é que a operação está focada nas regiões de maioria árabe do norte da Síria, onde há antipatia histórica em relação aos curdos e onde a YPG não está em posição de desafiar os militares turcos. O objectivo turco parece ser criar uma faixa de território, solidamente árabe, onde refugiados sírios podem ser reinstalados (rehabilitated) (há um crescente ressentimento entre os turcos com a presença indefinida de 4 milhões de refugiados sírios).

 

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A reacção moderada da Rússia leva em conta as garantias da Turquia de que a operação não visa as tradicionais terras natais curdas e que não haverá uma guerra épica com os curdos. Contudo, as coisas podem dar errado numa operação militar. Já existem relatos em conflito quanto a baixas turcas.

Na verdade, o destino dos combatentes do ISIS detidos em áreas controladas pelos curdos é uma questão extremamente importante para a comunidade internacional. Trump coloca o ónus sobre a Turquia. A Rússia também está preocupada. Putin disse na sexta-feira que a Turquia pode não ser capaz de conter militantes do ISIS activos no norte da Síria.

"As unidades curdas costumam vigiar essas áreas, mas agora que as tropas turcas estão a entrar na região, eles [militantes] podem simplesmente fugir. Não tenho certeza se o exército turco será capaz de assumir o controle da situação e rapidamente", observou Putin. A Rússia e os EUA precisam se coordenar no terreno para assegurar que o ISIS não levante a cabeça novamente. Trump está a favor disso.

Contudo, o objectivo final por trás da aceitação pelo Kremlin da ofensiva turca é que Erdogan cumpra os planos de Moscovo para o futuro da Síria, de modo a que o presidente Bashar al-Assad possa reafirmar o controle por toda a Síria. Moscovo não aceitará que a operação transfronteiriça da Turquia se transforme numa violação de longo prazo da soberania territorial da Síria. Basta dizer que a Rússia está a segurar a mão da Turquia com a expectativa de que a sinergia possa ajudar a moldar a Síria do pós-guerra.

Num caminho paralelo, a Rússia espera encontrar uma resposta para as preocupações curdas da Turquia, incentivando os curdos a iniciar um diálogo com Damasco a fim de garantir a segurança na fronteira turco-síria. A incursão turca é portanto, de certa forma, útil para o Kremlin ao dar-lhe força para pressionar os curdos a voltarem à Síria.

Neste intrincado equilíbrio de interesses contraditórios, o resultado final é que a Rússia continua a alimentar os laços cálidos com a Turquia. O grande troféu do Kremlin é que um grande país da NATO está a sair da órbita dos EUA. A pressão europeia sobre a Turquia aumentará nos próximos dias para chegar ao "está connosco ou contra nós". A França está a tomar a dianteira .

O acordo sobre o novo sistema de pagamentos na terça-feira sublinha que tanto Moscovo como Ancara estão conscientes de uma possível ruptura nas relações da Turquia com o Ocidente. A declaração de quinta-feira dos membros da UE no Conselho de Segurança da ONU tem insinuações ameaçadoras.

12/Outubro/2019

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/moriente/bhadrakumar_12out19.html

EUA querem retirar suas ogivas nucleares de base aérea na Turquia, reporta mídia

Imagem de ogiva nuclear norte-americana instalada no interior do estado de North Dakota
© AP Photo / Charlie Riedel

Funcionários do Departamento de Estado e do Departamento de Energia dos EUA estão estudando maneiras de retirar as suas armas nucleares táticas da base aérea turca de Incirlik, na Turquia.

Segundo o jornal norte-americano The New York Times, trata-se de cerca de 50 bombas nucleares B61 localizadas a cerca de 400 km da fronteira com a Síria.

Funcionários norte-americanos ouvidos pelo jornal dizem que as bombas são "reféns" do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e que retirá-las agora seria o equivalente a colocar um ponto final na aliança entre a Turquia e os EUA.

A retirada dessas armas do território turco é discutida desde a gestão de Barack Obama, mas as conversas inconclusivas levaram os países à situação delicada de agora.

Para um eventual uso das ogivas, os EUA teriam que fornecer os bombardeiros necessários, já que a Turquia não tem nenhum avião certificado para carregar armas nucleares.

Turquia sem armas nucleares é 'inaceitável'

A Turquia é membro do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1980, portanto renunciou ao desenvolvimento e uso de armas atômicas.

No entanto, no dia 5 de setembro deste ano, durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan classificou de "inaceitável" o fato de seu país não poder se armar nuclearmente.

Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, discursa na 74 Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro de 2019
© AP Photo / Richard Drew
Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, discursa na 74 Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro de 2019

Relíquias da Guerra Fria

As bombas B61 instaladas em Incirlik são consideradas uma relíquia da Guerra Fria e não têm operacionalidade em nenhum plano de guerra atual, segundo as fontes ouvidas pelo jornal.

A primeira vez que os Estados Unidos instalaram bombas nucleares na Turquia foi em 1959. Na época, mísseis Júpiter foram instalados para conter a União Soviética, que reagiu instalando mísseis na ilha de Cuba, desencadeando a famosa Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

Crise na aliança Turquia–EUA

No dia 9 de outubro, a Turquia iniciou a operação Fonte de Paz na região nordeste da Síria.

Os objetivos da operação, segundo declarou Ancara, seriam enfraquecer as milícias curdas na região fronteiriça, além de criar uma zona de segurança para repatriar refugiados que permanecem em solo turco.

Soldado turco posicionado na fronteira com a Síria em frente ao grafite do Mustafa Kemal Ataturk, fundador da da República da Turquia
© AP Photo / Lefteris Pitarakis
Soldado turco posicionado na fronteira com a Síria em frente ao grafite do Mustafa Kemal Ataturk, fundador da da República da Turquia

As forças curdas na Síria contavam com apoio financeiro e militar dos EUA, que retiraram as suas tropas antes do início da operação turca.

No entanto, em resposta ao início da operação, o Departamento do Tesouro norte-americano impôs sanções contra os ministérios da Defesa e de Energia da Turquia, assim como aos ministros titulares das pastas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101514640349-eua-querem-retirar-suas-ogivas-nucleares-de-base-aerea-na-turquia-reporta-midia/

Ancara: operação turca na Síria prosseguirá até atingir seus objetivos

Fumaça subindo sobre a cidade fronteiriça síria de Tel Abyad vista da cidade turca de Akcakale
© REUTERS / Stoyan Nenov

A Turquia não vai parar a sua operação militar no nordeste da Síria, apesar dos apelos dos países ocidentais, declarou o porta-voz da Presidência turca, Ibrahim Kalin.

"Aqueles que permaneceram em silêncio quando em Mosul, Al Raqa e Deir Ezzor mataram milhares de civis em pânico por causa do sucesso da Operação Primavera da Paz estão nos pedindo para pará-la, ameaçando a Turquia com sanções, mas não vamos parar até atingirmos nossos objetivos", afirmou Kalin em sua conta no Twitter.

Em 13 de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a Casa Branca e o Congresso dos EUA estão considerando sanções contra a Turquia por causa do ataque de Ancara às Forças Democráticas Sírias (FDS), que têm sido aliadas dos EUA na Síria.

A chanceler alemã, Angela Merkel, telefonou ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, exortando-o a parar imediatamente a operação.

A 9 de outubro, a Turquia iniciou a Operação Primavera da Paz na Síria. Ancara assegura que seus objetivos são retirar as milícias curdas da fronteira turca e estabelecer no nordeste do país árabe uma faixa segura para receber os milhares de refugiados sírios que hoje permanecem em território turco.

Militares do Exército Livre da Síria passando em veículos pela fronteira turco-síria após a Turquia ter lançado a operação militar Primavera da Paz no nordeste da Síria
© Sputnik / Stringer
Militares do Exército Livre da Síria passando em veículos pela fronteira turco-síria após a Turquia ter lançado a operação militar Primavera da Paz no nordeste da Síria

A ação militar visa expulsar as formações lideradas pelos curdos, incluindo as Forças Democráticas Sírias (FDS) e as YPG (Unidades de Proteção Popular), que dominam o nordeste da Síria.

Os Estados Unidos, principal aliado das milícias curdas na Síria, se recusaram a apoiar a intervenção da Turquia e retiraram suas forças da zona de combates.

Outras nações ocidentais, como a Alemanha e a França, já suspenderam as exportações de armas para a Turquia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101414633664-ancara-operacao-turca-na-siria-prosseguira-ate-atingir-seus-objetivos/

O Nordeste da Síria e a Primavera da Paz

Havrin Khalaf, uma política curda, uma mulher jovem, politicamente ativa, foi morta no sábado dia 12 de outubro, no nordeste da Síria por um grupo ainda não identificado, enquanto a luta entre as forças turcas e curdas continua. A ala política das forças lideradas pelos curdos alegou que seus assassinos eram mercenários “apoiados pela Turquia”.

 

 

Era secretária geral do Futuro Partido da Síria, famosa pela defesa dos direitos das mulheres.

De acordo com notícias transmitidas pela imprensa curda, (Rudaw.net) através da jornalista  Hannah Lynch.

Havrin foi morta quando seguia na estrada para Qamishli. Uma morte ignorada pela imprensa ocidental.

Inicialmente havia a hipótese de o carro ter sido atingido por forças turcas. As Forças Democráticas da Síria (SDF), liderada pelos curdos, no nordeste da Síria, também culpou a Turquia por sua morte. Na noite de sábado, a Syrian democratic Council afirmou que Khalaf e seu motorista foram “executados” por forças apoiadas pela Turquia.”Ela teria sido obrigada pela força a sair do carro num ataque apoiado pela Turquia e executada por facões mercenárias apoiadas pela Turquia na Estrada Internacional entre Qamishlo e Manbij, onde seu motorista também foi assassinado. Mas a agência curda síria ANHA, ligada ao principal grupo curdo do SDF, as Unidades de Proteção do Povo (YPG), disse que os militantes do Estado Islâmico (ISIS) foram responsáveis por sua morte. O futuro Partido da Síria foi criado em março de 2018. Olema, “Síria democrática, pluralista e descentralizada”.

O partido procura ter membros de grupos étnicos e religiões várias e múltiplas e construir relações com a Turquia e o Iraque.

Khalaf dava prioridade  às questões das mulheres no canto nordeste da Síria.

Em setembro participou de um fórum de mulheres tribais em Tabqa, na Síria, onde manifestou orgulho pelo progresso que as mulheres fizeram no nordeste da Síria sob a administração liderada pelos curdos.

Essa “enorme reunião de mulheres é uma evidência de que as mulheres conseguiram sair da concha ou deixar de se esconder atrás da máscara”, disse ela à ANHA nesse primeiro encontro.

Ancara considera o SDF uma organização terrorista e quer afastar as forças curdas da região de fronteira para estabelecer a chamada “zona segura”. O governo curdo acusa a Turquia de querer forçar mudanças demográficas de suas cidades e vilarejos.

A Turquia e os aliados que tem no terreno, descendentes das forças treinadas e armadas pelos USA, chamam a esta ofensiva ao nordeste sírio Primavera da Paz.

A ONU estima que 100.000 civis já foram deslocados das suas casas após três dias de ofensiva da Turquia.

Relatos de civis  mortos nos dois lados da fronteira. Há que nos cheguem As papoilas vermelhas de sangue no meio do oásis continuam a florescer. O Crescente Vermelho Curdo menciona 14 civis mortos e dezenas de feridos.

Jornais turcos também relatam oito civis mortos em ataques com foguetes e morteiros no lado turco da fronteira.

Também no   sábado de manhã, uma jovem mãe foi morta por um atirador especial em Qamishli, segundo os repórteres de Rudaw na cidade.

Chamava-se Iman Mohammed Omer, tinha 24 anos, fora comprar pão para sua família, o tal pão sírio.

O conflito militar também aumentou a ameaça de que o ISIS possa regressar à Síria, aproveitando a mudança de foco do SDF em direção à fronteira com a Turquia. Cinco militantes do ISIS escaparam de uma prisão perto de Qamishli na sexta-feira, e, certamente por coincidência,poucas horas depois que o ISIS explodiu um carro-bomba na cidade.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que a Turquia continuará com a ofensiva, independentemente da desaprovação universal. “Nunca pararemos este passo que tomamos contra o PYD / YPG”, disse ele na sexta-feira falando do principal partido político curdo e das forças armadas do norte da Síria. “Não vamos parar, não importa o que alguém diga.”

 

Nota da autora

Hannah Lynch é repórter  com interesses  em questões humanitárias e ambientais, além de cultura. Editora  na Rudaw Media Network, Erbil, Kurdistão.
http://www.rudaw.net

 


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/havrin-khalaf-o-nordeste-da-siria-e-a-primavera-da-paz/

Terras ocupadas e destruição no quinto dia da agressão turca à Síria

A ofensiva militar turca no Norte da Síria, em que se incluem grupos «rebeldes» com créditos firmados na longa guerra de agressão, continua a provocar destruição e mortandade entre os civis.

Bombardeamento das forças militares turcas no Norte da SíriaCréditos / thenational.ae

Iniciada na passada quarta-feira, a operação a que os turcos chamaram «Fonte de Paz» entrou hoje no seu quinto dia, em que, segundo a agência SANA, se verificou a ocupação da cidade de Suluk, no Nordeste da província de Raqqa, da barragem de Mabrouka e de várias aldeias, como Dweira, Harobi e Raj'an, na região de Ras al-Ain, no Norte da província de Hasaka.

A mesma fonte informa que partes da cidade de Tal Abyad (Norte da província de Raqqa) foram igualmente ocupadas e que as forças turcas e aliados conseguiram entrar ali no quartel-general das chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS), maioritariamente curdas.

A operação militar turca, em que se integram grupos terroristas que participaram em várias batalhas decisivas na guerra de agressão à Síria (como Alepo, Ghouta Oriental e Daraa), segundo refere um correspondente da RT, provocou grande destruição ao longo destes cinco dias no Norte e Nordeste do país árabe, nomeadamente em bairros residenciais e infra-estruturas de diverso tipo.

Um jornalista da SANA referiu-se ainda a movimentações das forças militares norte-americanas que se encontram ilegalmente na Síria. De acordo com a fonte, estas forças, protegidas por elementos da chamada coligação internacional, terão ajudado a passar terroristas do Daesh para o Iraque, depois de estes terem sido libertados de uma prisão na província de Hasaka.

Neste contexto, registaram-se «grandes protestos», este domingo, nas cidades de Hasaka e Qamishli contra a «agressão turca ao território sírio» e contra a «presencia ilegal dos EUA na Síria», informa também a SANA, que dá conta de mobilizações semelhantes, no dia anterior, em várias localidades do Norte da província de Deir ez-Zor – contra a agressão turca e em defesa da unidade e da soberania da Síria.

Mais de 130 mil deslocados pela ofensiva turca na Síria

A operação militar da Turquia e seus aliados visa atingir as Unidades de Protecção Popular (YPG) curdas, que integram as FDS e são vistas por Ancara como um prolongamento (terrorista) em território sírio do braço armado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), igualmente considerado terrorista pela Turquia.

A Casa Branca parecia «unha com carne» com as FDS – tal como as FDS, que se vangloriam de ter derrotado o Daesh, já foram «unha com carne» com este e aquele grupelho terrorista, conforme as ocasiões, sempre para «botar fora» o inimigo Bashar –, mas há uma semana anunciou que «curdos, nem por isso», e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, não demorou muito a decretar o início da operação militar no Norte da Síria, pela qual vinha a mostrar apetência há tempos.

De acordo com informação hoje divulgada pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA, na sigla inglesa), os bombardeamentos intensos da aviação e da artilharia turcas já provocaram, pelo menos, 130 mil deslocados internos, informa a TeleSur.

No sábado, as FDS insistiram em virar-se para os «aliados americanos», pedindo-lhes que assumam a sua «obrigação moral» de proteger as milícias curdas da ofensiva turca, refere a PressTV.

Por seu lado, o governo sírio, pela voz do governador da província de Hasaka, Jamir Hamoud Mousa, reafirmou que não irá negociar com grupos que procuram a desintegração da Síria e que, com a sua conduta traiçoeira, trouxeram para o país o ocupante turco e provocaram a agressão ao país, refere o periódico Al-Watan, citado pela Prensa Latina.

Exército sírio prepara-se para assumir o controlo de Manbij

Numa tentativa de impedir que os turcos conquistem Manbij, na província de Alepo, o controlo da cidade deve passar das FDS para o Exército Árabe Sírio, segundo informação divulgada ontem pela agência Sputnik.

De acordo com a fonte, a iniciativa resulta de um acordo alcançado entre a Rússia e a Síria, por uma lado, e a Rússia, os EUA e as FDS, por outro. No âmbito do acordo, o Exército Árabe Sírio irá destacar diversas unidades e armamento pesado para Manbij, podendo içar a bandeira nacional em edifícios governamentais e nas entradas da cidade.

A agência refere ainda que os EUA retiraram, este sábado, o seu último equipamento militar da cidade, que foi conquistada ao Daesh em 2016.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/terras-ocupadas-e-destruicao-no-quinto-dia-da-agressao-turca-siria

ropas turcas tomam posse de cidade no norte da Síria

Consequências de ataque aéreo na província de Raqqa (Arquivo)
© REUTERS / Rodi Said

As tropas turcas capturaram a cidade fronteiriça de Suluk, na província síria de Raqqa, relata emissora síria neste domingo (13).

"Tropas do regime turco ocuparam a cidade de Suluk no nordeste de Raqqa", relata o canal de TV Ikhbariya.

No sábado (12), o Ministério da Defesa turco anunciou que a cidade estrategicamente importante de Ras al-Ain fora tomada sob o controle das Forças Armadas turcas e do Exército Livre da Síria, que estão conduzindo uma ofensiva no nordeste da Síria.

Operação turca na Síria

No dia 9 de outubro, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan anunciou o lançamento da operação militar Primavera da Paz no nordeste da Síria contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) da Turquia e o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em vários outros países).

No mesmo dia, a Força Aérea turca atacou a cidade de Ras al-Ain e várias outras cidades sírias na fronteira entre os dois países. Posteriormente, entraram as unidades terrestres.

Os principais objetivos da operação turca são limpar o território sírio, que faz fronteira com a Turquia, das forças de autodefesa curdas sírias, criar na região uma zona de segurança e acolher os refugiados sírios que estão na Turquia.

Damasco não reconhece a administração autônoma curda no nordeste da Síria, que controla o território a leste do rio Eufrates. As autoridades sírias condenaram repetidamente a política de ocupação da Turquia no norte da Síria.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101314630757-midia-tropas-turcas-tomam-posse-de-cidade-no-norte-da-siria/

França suspende venda de armas para Turquia em resposta à ofensiva na Síria

Soldado turco posicionado na fronteira com a Síria em frente ao grafite do Mustafa Kemal Ataturk, fundador da da República da Turquia
© AP Photo / Lefteris Pitarakis

O Ministério da Defesa francês informou em um comunicado neste sábado ter suspendido a exportação de armas para a Turquia, em função da operação militar da Ancara na Síria.

O presidente da França, Emmanuel Macron, já condenou a operação turca na Síria e pressionou Ancara pelo encerramento imediato das manobras.

"A França decidiu suspender todos os planos de exportação de equipamento militar para a Turquia, que possam ser usados como parte da ofensiva. [...] Esta decisão tem efeito imediato. O Conselho de Relações Exteriores da UE, que se reunirá em 14 de outubro em Luxemburgo, será uma oportunidade de coordenar uma abordagem européia nesse sentido", informou o comunicado.

A ofensiva turca - Primavera da Paz - no norte da Síria, atende o objetivo de longa data de Ancara, que deseja eliminar a presença das milícias curdas e dos militantes do Daesh em sua fronteira com o país árabe e criar uma zona de segurança ne região. A operação militar já resultou em mortes de civis dois lados da fronteira.

Damasco considera as manobras turcas como uma violação da integridade territorial da Síria. Vários países, incluindo a Rússia, pediram à Turquia que se abstenha de ações que possam criar obstáculos ao processo de paz no país abalado pela Guerra Civil desde 2011.
A operação militar turca foi duramente condenada pela comunidade internacional, inclusive por diversos países árabes.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101214630228-franca-suspende-venda-de-armas-para-turquia-em-resposta-a-ofensiva-na-siria/

'Já não vamos ceder': Erdogan responde aos apelos dos EUA para cessar operação na Síria

Soldados turcos
© AFP 2019 / OZAN KOSE

Ancara continuará sua operação militar na Síria apesar dos apelos dos Estados Unidos, disse o presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

Anteriormente, o chefe do Pentágono, Mark Esper, sugeriu que o Exército turco deveria parar suas ações no território sírio, pois pode colocar em perigo os militares dos EUA e o sucesso na luta contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e outros países).

Entretanto, segundo o líder turco, Washington não respondeu aos apelos de Ancara para que pusesse termo ao apoio às formações curdas.

"Recebemos ameaças para parar esta operação. Eu disse ao presidente americano Donald Trump e a outros países para "parar com isso" (apoio militar dos EUA às formações curdas), mas não o fizeram. Mas agora nós já não vamos ceder", sublinhou Erdogan.

O presidente turco observou que as "operações antiterroristas turcas no Iraque e na Síria não são dirigidas contra a integridade territorial desses países". Ele também afirmou que "a Turquia não está lutando com os curdos, mas com organizações terroristas".

"Ao limpar as organizações terroristas, vamos garantir a segurança de nossas fronteiras e o retorno dos refugiados sírios às suas casas", disse Erdogan.

Tensões entre Ancara e Washington

Recentemente o Pentágono confirmou oficialmente que militares dos EUA na vizinhança da cidade síria de Kobani foram sujeitos a fogo de artilharia a partir de posições turcas e especificou que não houve baixas entre o pessoal militar dos EUA.

O Ministério da Defesa turco disse que tomou todas as medidas necessárias para garantir que o posto de observação dos EUA não fosse danificado pelos bombardeios das forças curdas perto dessa posição militar.

Além disso, nesta quarta-feira (9) Donald Trump apontou as possíveis respostas dos EUA à operação turca na Síria, entre as quais estariam o envio de milhares de tropas para ganhar militarmente ou dar um forte golpe na Turquia financeiramente e com sanções.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101214627809-ja-nao-vamos-ceder-erdogan-responde-aos-apelos-dos-eua-para-cessar-operacao-na-siria/

Pentágono confirma que americanos teriam sido bombardeados pelos turcos na Síria

Forças dos EUA na Síria (foto de arquivo)
© AFP 2019 / DELIL SOULEIMAN

Forças especiais dos EUA ficaram sob fogo dos militares turcos durante a operação militar no nordeste da Síria, informou a Newsweek.

Segundo uma fonte do Pentágono, os militares dos EUA consideraram a possibilidade de fazer fogo de resposta em autodefesa, mas abandonaram a ideia depois que o exército turco parou de bombardear.

O interlocutor da Newsweek disse que Ancara deveria estar a par das posições do contingente militar americano. Ao mesmo tempo, a fonte não pôde precisar o número de militares americanos que ficaram sob fogo turco na cidade de Kobani (Ain al-Arab).

Mais tarde, o Pentágono confirmou oficialmente que os militares dos EUA na vizinhança da cidade síria de Kobani foram sujeitos a fogo de artilharia a partir de posições turcas e especificou que não houve baixas entre o pessoal militar dos EUA.

Comentários do lado turco

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Mark Milley, discutiu a situação na Síria com o chefe do Estado-Maior turco Yasar Guler.

O Ministério da Defesa turco disse que tomou todas as medidas necessárias para garantir que o posto de observação dos EUA não fosse danificado pelos bombardeios das posições curdas perto dessa posição militar.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101214627527-pentagono-confirma-que-americanos-teriam-sido-bombardeados-pelos-turcos-na-siria/

Criticado por ação na Síria, Erdogan ameaça enviar milhões de refugiados para a Europa

Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan
© AP Photo / Rebecca Blackwell

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, alertou a Europa contra a crítica da recém-lançada incursão militar de seu país na Síria, alegando que ele pode permitir que milhões de refugiados rumem para países da União Europeia (UE) se assim o desejar.

Em discurso aos legisladores do seu partido AK, Erdogan alertou que haveria repercussões se a Europa visse a operação da Turquia na Síria como uma invasão.

"Ei, UE, acorde. Repito: se você tentar enquadrar nossa operação como uma invasão, nossa tarefa é simples: abriremos as portas e enviaremos 3,6 milhões de migrantes para você", ameaçou.

O alerta ocorreu depois que o presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, declarou que Ancara "deve cessar a operação militar em andamento" no nordeste da Síria. Ele afirmou que a incursão "não funcionaria" e que a Turquia não deveria esperar a ajuda da Europa na criação da chamada "zona segura".

A Turquia lançou a Operação Primavera da Paz na quarta-feira, a fim de criar uma "zona segura" no lado sírio da fronteira. A área é controlada por milícias curdas apoiadas pelos EUA, que Ancara vê como terroristas. Erdogan afirmou que as forças turcas já mataram 109 "militantes" desde o início da operação.

As forças americanas se retiraram da região no início desta semana, provocando acusações de que o presidente dos EUA, Donald Trump, traiu os aliados curdos de Washington. Como resultado, os líderes das Forças Democráticas da Síria (FDS) sinalizaram que poderiam recorrer a Damasco e Moscou para repelir a incursão turca.

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O plano Erdoğan para o Norte da Síria

Durante a cerimônia de abertura do novo ano legislativo do Parlamento turco, o presidente Recep Tayyip Erdoğan apresentou seu plano de realocar (relocalizar-pt) 2 milhões de refugiados sírios, de acordo com o que já havia vazado quatro anos atrás.

Ele indicou que depois de terem sido abrigados pela Turquia, era chegado o momento de repatriar os refugiados garantindo sua segurança. Uma zona de segurança de 30 quilômetros de profundidade no território sírio seria colocada sob a responsabilidade conjunta do exército turco. Cerca de 1 milhão de pessoas será instalado em novas comunidades e outro 1 milhão em comunidades já existentes. «Nós vamos colocar as pessoas em 50 cidades de 30. 000 habitantes e 140 aldeias de 5. 000 moradores cada», precisou.

De acordo com o mapa anteriormente publicado pela Anadolu Agency, a faixa de terra em questão será cortada em Qamishli (excluída da zona), de modo que será impossível encarar a criação de um Estado independente. Mas ela incluirá Manbij.

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Este projeto teria sido aprovado pelos Estados Unidos e poderia contar com um financiamento internacional.

O presidente Erdoğan não evocou o destino dos outros 1. 650 milhões de refugiados sírios que restam na Turquia.

No passado, o presidente Hafez al-Assad havia acordado um direito de busca ao exército turco de maneira a poder perseguir combatentes curdos que tivessem bombardeado a Turquia desde o território sírio. Identicamente ele havia autorizado o exército israelense(israelita-pt) a se proteger dos disparos palestinos. A área de perseguição fora calculada com base no alcance dos tiros de morteiro, aproximadamente 30 quilômetros.





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'Agravamento': Irã alerta para as consequências da ofensiva turca na Síria

No parlamento do Irã, o ministro da Inteligência, Mahmoud Alavi (no centro), responde a perguntas dos deputados, em 25 de outubro de 2016
© AP Photo / Ebrahim Noroozi

A ofensiva que a Turquia lançou no nordeste da Síria vai agravar a crise no país árabe e causar uma nova onda de refugiados, declarou Hossein Amir-Abdollahian, assessor do presidente do Parlamento iraniano.

"A operação turca na Síria complica ainda mais a situação", escreveu ele em sua conta no Twitter.

Abdollahian alertou que a ofensiva turca vai agravar a crise, causar uma nova onda de refugiados e terrorismo.

"Soluções para segurança nas fronteiras: respeitem-se mutuamente a integridade territorial, negociações e acordos", avaliou.

Abdollahian expressou sua convicção de que a solução para a segurança nas fronteiras na Síria está no "respeito mútuo pela integridade territorial [do país], pelas negociações e pelos acordos".

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta quarta-feira o início da operação da Fonte da Paz no norte da Síria, que visa "neutralizar ameaças terroristas contra a Turquia e levar a uma zona segura que contribua para o retorno de refugiados sírios para suas casas".

Tanque do exército turco enviado para a Síria (imagem referencial)
© Sputnik / HIKMET DURGUN
Tanque do exército turco enviado para a Síria (imagem referencial)

Em 7 de outubro, o porta-voz da Presidência turca, Ibrahim Kalin, disse que a operação não visa à integridade territorial da Síria e só busca acabar com os combatentes curdos-sírios, as Forças Democráticas da Síria (FDS), que Ancara associa ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (YPG), a quem ele considera terroristas.

Os Estados Unidos, principal aliado das milícias curdas na Síria, já deixaram claro que não apoiarão a intervenção da Turquia e não estarão envolvidos nessa operação ou manterão suas forças na área.

Damasco não reconhece a autonomia curda no nordeste da Síria, que controla os territórios a leste do rio Eufrates, nem sua ala militar, as FDS.

Além disso, o Ministério de Relações Exteriores da Síria expressou seu protesto contra a operação turca, denunciando que viola a integridade territorial e o direito internacional da Síria. Ao mesmo tempo, a pasta responsabilizou vários grupos curdos pela situação "que optaram pelo projeto dos EUA".

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019100914617166-agravamento-ira-alerta-para-as-consequencias-da-ofensiva-turca-na-siria/

Putin espera que operação da Turquia na Síria não afete esforços comuns contra crise no país árabe

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, após a reunião que mantiveram em Istambul
© Sputnik / Sergey Guneev

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu ao seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, que a operação turca na Síria não prejudique o processo de paz no país.

Os presidentes da Rússia e da Turquia conversaram por telefone nesta quarta-feira, informou o Kremlin em um comunicado oficial.

"À luz dos planos anunciados pela Turquia de realizar uma operação militar no nordeste da Síria, Vladimir Putin solicitou aos parceiros turcos que avaliem cuidadosamente a situação de modoa a não prejudicar os esforços comuns para a resolução da crise na Síria", afirmou o comunicado do Kremlin.

O documento acrescentou que os dois líderes "enfatizaram a importância de garantir a unidade e a integridade territorial da Síria, respeitando sua soberania".

Além disso, Putin e Erdogan discutiram temas da agenda bilateral e concordaram em manter contato em diferentes níveis.

Nesta quarta-feira, a Turquia anunciou o início da operação "Fonte de Paz" das Forças Armadas da Turquia, em conjunto com o Exército Livre da Síria, contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia) no nordeste da Síria.

Os EUA, principal aliado das milícias curdas na Síria, já deixaram claro que não apoiarão a intervenção da Turquia no país árabe.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019100914616168-putin-espera-que-operacao-da-turquia-na-siria-nao-afete-esforcos-comuns-contra-crise-no-pais-arabe/

Erdogan anuncia início da operação militar turca no nordeste da Síria

Militares turcos na fronteira turco-síria
© REUTERS / Stringer

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan acrescenta que a operação visa o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização classificada como terrorista na Turquia, e o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e diversos outros países).

Segundo a televisão estatal síria, o exército turco lançou ataques aéreos contra a cidade de Ras al-Ayn, no nordeste do país.

 

Operação "Fonte de Paz" das Forças Armadas da Turquia, em conjunto com o Exército Livre da Síria, contra os PKK/YPG e o Daesh no nordeste da Síria já começou. Os nossos objetivos são destruir o corredor terrorista que estão a tentar criar nas nossas fronteiras meridionais e trazer paz e tranquilidade à região

Recep Tayyip Erdogan disse em 5 de outubro que a decisão sobre a operação turca no nordeste da Síria ao leste do Eufrates pode ser tomada nos próximos dias. 

Mais cedo na quarta-feira (9), presidente russo Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, discutiram ao telefone a operação militar turca e observaram a importância de assegurar a unidade e integridade territorial da Síria e o respeito pela sua soberania, segundo informou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Objetivos de Ancara

Os principais objetivos da operação turca são a limpeza do território sírio que faz fronteira com a Turquia das forças de autodefesa curdas sírias, a criação de uma zona de segurança nessa área e a instalação dos refugiados sírios que estão na Turquia.

Ancara tinha declarado anteriormente que tinha 4 milhões de refugiados e que não podia mantê-los indefinidamente. Entretanto, o governo da Síria não reconhece a administração autônoma no nordeste da Síria, que controla o território a leste do Eufrates.

DETALHES A SEGUIR

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019100914615660-erdogan-anuncia-inicio-da-operacao-militar-turca-no-nordeste-da-siria/

8 de outubro de 2019 – A continuação do genocídio curdo está em marcha

Há 80 anos, Hitler promulgou a anexação da Polónia com o apoio de muitos cúmplices polacos. Sabemos o que aconteceu depois e como já foram esquecidos o autoritarismo e a demência nazi do genocida nacionalista e racista, e o Holocausto.

Hoje, com a amnésia coletiva e a indiferença perante banalização dos genocídios, está iminente a invasão do Nordeste da Síria, de onde Trump mandou recuar as suas tropas para permitir ao fascista islâmico Erdogan exterminar os curdos, que aí se encontram e apoiaram os EUA na luta contra o ISIS. Calcula-se a selvajaria de que é capaz a horda nacionalista do autocrata turco, indiferente à catástrofe humanitária que desencadeia, só comparável à frieza e imbecilidade do cúmplice americano.

Não há sobressalto cívico a nível internacional que tolha a demência nacionalista turca e o genocídio com que o fascista islâmico dilata a fé, o império e o poder pessoal, depois de destruir o Estado de direito democrático e a laicidade legada por Atatürk?

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/10/8-de-outubro-de-2019-continuacao-do.html

Vice-presidente da Turquia reage à ameaça de Trump de 'destruir' economia turca

Um soldado turco no veículo militar blindado patrulha a beira entre a Turquia e a Síria, perto da vila de Besarslan do sudeste, na província de Hatay, Turquia (foto de arquivo)
© REUTERS / Umit Bektas

A Turquia não irá mudar a sua política por causa de ameaças, declarou o vice-presidente do país, Fuat Oktay. As declarações foram feitas após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que iria "destruir" a economia turca.

Nesta segunda-feira (7), Donald Trump utilizou a sua conta no Twitter para ameaçar "destruir e aniquilar" a economia da Turquia, caso os turcos façam algo que ultrapasse "os limites" na Síria. O presidente dos EUA afirmou que, agora, a Turquia, a Europa e "outros" devem "vigiar" os combatentes capturados do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e diversos outros países) e suas famílias.

O vice-presidente da Turquia declarou que "nossa mensagem para a comunidade internacional é clara: a Turquia não é um país que age sob ameaça. Vamos determinar nosso próprio caminho e cortar esse cordão umbilical quando julgarmos necessário. Nunca iremos permitir, custe o que custar, a formação de um corredor terrorista perto de nossas fronteiras".

"Nossa posição se manterá inalterada para garantir a tranquilidade nas nossas fronteiras e o futuro de nossos irmãos sírios, bem como em relação à integridade territorial síria e sua unidade política", declarou o vice-presidente em Ancara.

De acordo com ele, 370 mil refugiados já retornaram a suas casas na região nordeste da Síria, onde a Turquia realizou as operações militares Escudo do Eufrates, em 2017, e Ramo de Oliveira, em 2018.

"Agora é a vez de criar uma zona de segurança a leste do Eufrates. A Turquia irá "dar uma lição" aos terroristas que ameaçam o nosso país a partir da fronteira sul, e iremos possibilitar o retorno de refugiados sírios à sua terra natal", acrescentou o vice-presidente turco.

Família de refugiados provenientes da Síria na cidade de Kilis, na Turquia.
© REUTERS / Ekaterina Anchevskaya
Família de refugiados provenientes da Síria na cidade de Kilis, na Turquia

Anteriormente, Washington havia declarado que as Forças Armadas norte-americanas não participarão da operação militar turca no norte da Síria.

Após uma conversa telefônica entre os presidentes da Turquia e dos EUA, a Casa Branca emitiu uma declaração à imprensa, na qual informou que a Turquia se responsabilizará pelos combatentes do Daesh capturados nos últimos dois anos, após operações contra o grupo conduzidas pelos EUA.

O presidente da Turquia declarou há pouco que seu país poderia tomar a decisão acerca da operação no norte da Síria, a leste do rio Eufrates, nos próximos dias. Ele acrescentou que os objetivos da operação será liberar a fronteira das forças curdas, além de criar uma zona de segurança para alojar os refugiados sírios que atualmente se encontram em território turco.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019100814610327-vice-presidente-da-turquia-reage-a-ameaca-de-trump-de-destruir-economia-turca/

Irã adverte Turquia contra operação militar na Síria

Uma operação militar turca na Síria não resolverá os problemas de segurança do país e só causará danos, alertou o Ministério das Relações Exteriores do Irã.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã emitiu comunicado, no qual expressa preocupação em relação a possível operação da Turquia em território sírio.

"A chancelaria iraniana acompanha de perto as notícias preocupantes sobre a possível entrada de forças da Turquia em território sírio e está convencida de que, caso a Turquia dê esse passo, não somente não resolverá as suas preocupações em relação à segurança, como também provocará um grande dano material e humanitário", declara o ministério em comunicado.

O ministério iraniano reforçou que Teerã rechaça qualquer operação militar na Síria e está disposto a auxiliar Ancara e Damasco a restabelecerem o contato, de maneira a dissiparem suas preocupações por meios pacíficos.

No dia 7 de outubro, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, deu garantias ao seu homólogo iraniano, Mohamad Yavad Zarif, de que as ações que seu país tenciona realizar no noroeste na Síria serão temporárias.

Yavad Zarif, por sua vez, retrucou que Teerã é contra qualquer ação militar e considera vital respeitar a integridade territorial síria. Ademais, o ministro iraniano declarou que é necessário restabelecer a estabilidade e a segurança no país árabe.

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Yavad Zarif
© Sputnik / Vladimir Astapkovich
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Yavad Zarif

Em 5 de outubro, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan declarou que poderia iniciar em breve operações militares no norte da Síria, a leste do rio Eufrates. O objetivo seria liberar a fronteira das forças curdo-sírias, além de criar uma zona de segurança para alojar os refugiados sírios atualmente vivendo em território turco. 

No dia 7 de outubro, o Ministério da Defesa da Turquia comunicou que suas Forças Armadas estavam prontas para iniciar operações na Síria.

Enquanto isso, os EUA, aliados da Turquia na OTAN e, ao mesmo tempo, principais aliados das forças curdas no conflito sírio, afirmaram que não fariam parte desta operação e procederiam à retirada de suas tropas da região noroeste do país.

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Turquia prepara operação militar aérea e terrestre na Síria, afirma Erdogan

Soldados turcos em um tanque durante operação militar na fronteira turco-síria
© AFP 2019 / BULENT KILIC

O presidente turco Tayyip Erdogan disse no sábado (5) que seu país realizaria uma operação militar aérea e terrestre a leste do rio Eufrates, na Síria.

A Turquia exige a criação uma zona segura de 30-40 quilômetros de profundidade no norte da Síria, insistindo na necessidade de retirada das formações militares curdas para garantir seu controle sobre a área.

"Fizemos nossos preparativos, fizemos nossos planos de operação, demos as instruções necessárias", disse Erdogan, acrescentando que a Turquia lançaria a operação "hoje ou amanhã".

O vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa do Parlamento turco, Refik Ozen, falando à Sputnik sobre a criação de uma zona segura, sublinhou a falta de confiança da Turquia no lado americano.

Segundo Refik Ozen, os EUA não estariam a cumprir o acordo alcançado de criar uma zona de segurança no norte da Síria e, por isso, a Turquia irá fazê-lo sozinha.

"A situação mostra que as nossas preocupações com o adiamento e a perda de tempo por parte dos nossos colegas americanos, infelizmente, se tornaram realidade. Pela nossa parte, no decurso das negociações com eles, salientamos a nossa posição firme sobre a situação no Norte da Síria. É claro que gostaríamos de trabalhar em conjunto com os americanos para limpar a região dos elementos terroristas […]. Apesar das patrulhas e voos conjuntos em curso, ainda não conseguimos alcançar o resultado desejado. Em breve enfrentaremos a tarefa de criar um corredor de paz no norte da Síria, com 30 km de profundidade, e pretendemos estabelecê-lo com ou sem os Estados Unidos", disse ele.

Intenções da Turquia

Ozen ressaltou que a Turquia tem defendido a preservação da integridade territorial da Síria desde o início. Segundo ele, o objetivo de Ancara é garantir a possibilidade de 4 milhões de sírios, atualmente refugiados na Turquia, retornarem à sua terra natal.

"Na zona criada, queremos construir 140 aldeias com uma população de 5.000 pessoas e 50 assentamentos com uma população de 30.000 pessoas, criando um ambiente adequado para viver. Queremos criar essa infraestrutura para que nossos irmãos sírios, que agora estão na Turquia, possam voltar para casa e viver em suas terras", explicou Ozen.

Além disso o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse em seu recente discurso em Ancara que os EUA não responderam às expectativas da Turquia em relação ao processo de criação de uma zona segura, embora já tenham passado 2 meses desde que se chegou a acordo sobre o assunto com o lado americano.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019100514600872-turquia-prepara-operacao-militar-aerea-e-terrestre-na-siria-afirma-erdogan/

Erdogan recebe Putin e Rouhani em cúpula para debater contenção de refugiados sírios

Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do Irã, Hassan Rouhani, da esquerda para a direita, posam para fotos antes da reunião em Ancara
© Sputnik / Michael Klimentyev

A Turquia realiza uma reunião trilateral nesta segunda-feira, na qual o presidente Recep Tayyip Erdogan deve negociar com seus colegas russos e iranianos uma zona-tampão ao longo da fronteira para diminuir um possível afluxo de refugiados da província síria de Idlib.

Localizada na parte noroeste da Síria, Idlib é um dos dois grandes pedaços do país ainda não controlados por Damasco. Alguns dos grupos rebeldes baseados lá são apoiados pela Turquia, mas também há uma forte presença de jihadistas, sobre os quais Ancara tem pouca influência.

Em setembro passado, Erdogan conseguiu convencer o líder russo Vladimir Putin e o presidente iraniano Hassan Rouhani a pressionar Damasco e impedir qualquer tentativa de capturar a província para evitar baixas civis.

A esperança era que a Turquia usasse seu poder sobre os rebeldes para garantir um cessar-fogo duradouro, mas isso nunca aconteceu. Os ataques continuaram em posições e aldeias do governo sírio sob seu controle, assim como as tentativas de bombardear a base aérea russa na vizinha Latakia com drones.

No mês passado, uma grande ofensiva do Exército sírio apoiada por aviões de guerra russos resultou na captura de várias vilas e cidades na província de Idlib, incluindo o Khan Shaykhun, estrategicamente localizada. Temendo que Damasco continuasse e tomar a cidade de Idlib, a capital da província, à força, milhares de pessoas se mudaram para o norte, mais perto da fronteira com a Turquia.

Crise de refugiados

Ancara já abriga cerca de 3,6 milhões de refugiados da Síria e tem reclamado que carrega um fardo injusto, enquanto a comunidade internacional e particularmente as nações europeias não cumprem o que lhes é devido. O acordo já é impopular entre os turcos comuns, que veem os refugiados como uma das razões para uma desaceleração econômica. Uma nova onda de pessoas que atravessam a fronteira, algumas das quais podem ser islâmicas radicais disfarçadas de civis, deve atingir os índices de aprovação de Erdogan.

Capacetes Brancos limpando destroços de uma casa que foi atingida por um ataque aéreo do governo da Síria, em Idlib, 10 de setembro de 2010
© AP Photo / Uncredited / Source: Syrian Civil Defense White Helmets
Capacetes Brancos limpando destroços de uma casa que foi atingida por um ataque aéreo do governo da Síria, em Idlib, 10 de setembro de 2010

A solução preferida de Ancara para o problema é estabelecer uma "zona segura" de 30 km (18 milhas) ao longo da fronteira, onde os refugiados seriam assentados em Idlib. O governo sírio provavelmente se oporia a tal violação de sua soberania, mas, ao contrário de Ancara, Moscou e Teerã têm o poder de convencer Damasco a se dar bem.

A proposta de "zona segura" de Idlib não é diferente do que Erdogan deseja obter dos EUA no nordeste da Síria, onde está localizada a segunda faixa de terra síria não controlada por Damasco. O território a leste do rio Eufrates é um território curdo, que eles mantêm com o apoio militar e diplomático de Washington. Ancara vê os curdos sírios como uma grande ameaça à segurança, uma extensão de sua insurgência curda doméstica.

A Turquia quer uma zona-tampão de fronteira sem curdos no nordeste da Síria, onde potencialmente alguns dos refugiados que vivem atualmente na Turquia poderão ser reassentados. No entanto, o progresso no estabelecimento dessa zona segura foi lento na melhor das hipóteses.

Além do desastre sírio, Erdogan e Putin também podem discutir laços militares mais estreitos entre seus países, avaliou Nikita Mendkovich, pesquisadora do Oriente Médio no Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia, um think tank de Moscou.

"O interesse em armas russas aumentou consideravelmente em toda a região desde os eventos de 2015-17 na Síria, que é um dos fatores da influência cada vez menor de Washington", comentou à RT. A Turquia, membro da OTAN, comprou avançados mísseis S-400 de longo alcance da Rússia, apesar das ameaças de sanções vindas de Washington.

No final de agosto, o presidente turco visitou Moscou e Putin exibiu algumas das melhores tecnologias militares da Rússia para seu convidado. Depois que Washington expulsou Ancara de seu programa F-35 em retaliação ao acordo com o S-400, Moscou disse que estaria disposto a vender seus caças de ponta, possivelmente incluindo o Su-57 de primeira linha.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091614525628-erdogan-recebe-putin-e-rouhani-em-cupula-para-debater-contencao-de-refugiados-sirios/

O regresso da questão dos refugiados provindos da Turquia

 
 

Em 22 de Julho de 2019, o Ministro turco dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Mevlüt Çavuşoğlu, anunciou nas ondas da TGRT que suspendia o acordo com a União Europeia relativo às migrações [1].

Durante o mês de Agosto, a Frontex constatou uma significativa alta de refugiados passando da Turquia para a Grécia. O centro de acolhimento de Moria, previsto para receber 7.500 pessoas, está saturado e abriga mais de 15. 000 recém-chegados. Desde o início de Setembro, 13 embarcações desembarcaram 530 migrantes em Lesbos, etc.

Em 5 de Setembro, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan, falando durante uma reunião regional do AKP, em Ancara, declarou que a União Europeia não tinha pago uma parte da ajuda financeira à qual se tinha comprometido para acudir às necessidades dos refugiados na Turquia; o que a União desmentiu. As transferências de US $ mil milhões (bilhão-br) de dólares todos os seis meses não constam no orçamento da União. É, pois, impossível saber quem paga e se paga.

Segundo a Turquia, os milhões de refugiados afegãos, iraquianos e sírios implicam uma carga anual de US $ 4 milhões de dólares. Isto evidentemente não leva em conta os rendimentos (renda-br) que eles geram na indústria onde são amplamente mal remunerados. As contribuições da União Europeia são na realidade utilizadas para financiar a guerra na Síria. O retorno da questão dos refugiados deve, portanto, ser entendido como um meio de pressão de Ancara sobre a União Europeia no momento em que um acordo regional se conclui à volta do teatro de operações sírio.


[1] “A Turquia suspende seu acordo migratório com a UE”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 6 de Agosto de 2019.



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Erdogan diz que é inaceitável que a Turquia não possa ter armas nucleares

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, discursa em uma reunião do seu partido em Amasya, Turquia, em 28 de janeiro de 2018
© AP Photo / Yasin Bulbul

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta quarta-feira que é inaceitável que os Estados com armamentos atômicos proíbam Ancara de obter suas próprias armas nucleares, mas não disse se a Turquia tem planos de obtê-las.

"Alguns países têm mísseis com ogivas nucleares, não um ou dois. Mas [eles nos dizem que] nós não podemos tê-los. Isso, eu não posso aceitar", ponderou ele aos membros do partido governista AK na cidade de Sivas, no leste do país.

"Não existe nação desenvolvida no mundo que não os possua", acrescentou. Todavia, muitos países desenvolvidos não possuem armas nucleares.

A Turquia assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear em 1980 e também assinou o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares de 1996, que proíbe todas as detonações nucleares para qualquer finalidade.

Erdogan deu a entender que queria a mesma proteção para a Turquia que Israel já tem.

"Temos Israel por perto, como quase vizinhos. Eles assustam [outras nações] ao possuí-los. Ninguém pode tocá-los", reclamou o líder turco.

Analistas estrangeiros dizem que Israel possui um arsenal nuclear considerável. Israel mantém uma política de ambiguidade em torno da questão nuclear, recusando-se a confirmar ou negar suas capacidades.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019090414477062-erdogan-diz-que-e-inaceitavel-que-a-turquia-nao-possa-ter-armas-nucleares/

Turquia pretende iniciar ofensiva contra curdos no norte da Síria

Ofensiva da Turquia na Síria
© REUTERS / Assessoria de Imprensa das Forças Revolucionárias da Síria

Turquia pretende iniciar operação militar independente contra as forças curdas na Síria, a leste do rio Eufrates, se os Estados Unidos não cumprirem as condições de Ancara para criação de uma zona segura.

No início do mês, a Turquia e os Estados Unidos abriram um centro de controle conjunto para a zona-tampão em potencial. No entanto, os dois países não conseguem concluir as negociações sobre a estrutura e equilíbrio de forças na área.

"Se dentro de algumas semanas nossos militares não controlarem o leste do Eufrates, implementaremos nosso próprio plano de operação. Não temos muito tempo e paciência. Que ninguém tente nos enganar usando o Daesh como desculpa", disse o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, durante uma cerimônia de graduação de uma universidade militar em Istambul neste sábado.

As milícias curdas conhecidas como Unidades de Proteção Popular (YPG) desempenharam um papel considerável na guerra da Síria, e formaram a espinha dorsal das Forças Democráticas Sírias (FDS).

A Turquia alega que ambas as organizações são ramificações do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e as trata como grupos terroristas. Ancara combate as milícias curdas na Síria há anos, apesar dos protestos de Damasco contra a presença ilegal das forças turcas na Síria.

Em 2018, a Turquia e os Estados Unidos concordaram em um plano para retirada de todos os militantes curdos de Manbij para permitir que a população local estabelecesse um novo conselho da cidade. No entanto, não houve nenhum progresso nesse assunto, pois, segundo Ancara, Washington adiou a execução do plano.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, disse que Ancara não permitirá que Washington sabote o estabelecimento de zonas seguras no norte da Síria, como foi o caso da região síria de Manbij, onde os EUA supostamente não mantiveram seus compromissos com seu parceiro na OTAN.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019083114464622-turquia-pretende-iniciar-ofensiva-contra-curdos-no-norte-da-siria/

A Turquia renuncia pela segunda vez ao Califado

No islão, o papel do Papa não cabe a um teólogo, mas como no Cristianismo na época romana ao chefe de Estado mais poderoso. A função de Califa tornou-se muito mais uma questão política do que espiritual. Depois de ter acreditado que o Califado do Daesh oferecia à Turquia a possibilidade de reencontrar a sua grandeza otomana, o Presidente Erdoğan concluiu agora que, pelo contrário, precipitava o seu país na barbárie.

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Mensagem vídeo do Presidente Erdoğan por ocasião da Festa do sacrifício de 2019.

No século XVIII, durante a guerra da Crimeia, o Czar foi o primeiro chefe de Estado a reconhecer o duplo papel político e espiritual do Califa. Constantinopla havia perdido militarmente, mas o seu sultão conservava um poder sobre as almas dos Tártaros.

Os sultões haviam-se auto-proclamado sucessores de Maomé em nome do lugar que tinham conquistado na História do mundo muçulmano pela força da espada. Na ausência de rivais, assumiam a direcção espiritual destes fieis, aí incluídos os que estavam fora das fronteiras do seu Império.

No fim da Primeira Guerra Mundial, quando este foi definitivamente vencido e dissolvido, Mustafa Kemal viu-se realmente embaraçado por essa herança. Ele tentou separar o Poder temporal que havia tomado em mãos, do Poder espiritual, que tentou, em vão, transmitir sucessivamente a uma personalidade árabe, depois a uma outra indiana. Por fim, não achou outra saída senão a de abolir o Califado, a 5 de Março de 1924, afim de poder modernizar a Turquia [1].

Para o Rei de Inglaterra e chefe da Igreja anglicana, George V, era possível recuperar o Califado numa das suas colónias e, através da mesma, apoderar-se do Poder espiritual sobre o conjunto dos muçulmanos. Foi o que tentou em vão o Rei Fuad Iº no Egipto colonizado.

Em 1928, Hassan al-Banna criou a Confraria dos Irmãos Muçulmanos para regenerar a sociedade egípcia. A sua finalidade era exclusivamente moralizadora. No entanto, ela estabeleceu, desde o princípio, que uma vez o modo de vida do povo «islamizado» seria preciso restabelecer a unidade dos muçulmanos em volta do Califado, depois estendê-lo ao mundo inteiro. O Rei Fuad Iº viu nela um poderoso apoio ao seu regime colaboracionista com o Império britânico. Ela apresentou, portanto, candidatos às eleições legislativas de 1942 e fez assassinar o Primeiro-ministro laico, em 1948, segundo as expectativas do Rei Faruk.

O filósofo da Confraria, Sayyed Qutb, esse, descreveu o Califado não como um ideal a atingir num longínquo futuro, mas como o fruto maduro da regeneração social. Anuar al-Sadate, com quem ele havia servido de agente de ligação entre a Confraria e os «Oficiais Livres», chegou à presidência egípcia graças ao apoio da CIA. Ele islamizou a sociedade e preparou a sua proclamação como califa pelo Parlamento. Mas a Confraria, que não estava de acordo, mandou-o assassinar pela Jiade Islâmica de Ayman al-Zawahiri [2].

Identicamente o Daesh(E.I.) pode considerar —contra a opinião de Ayman al-Zahawiri, tornado emir da Alcaida— que havia imposto a ordem «islâmica» e atingido a sociedade perfeita em Rakka. Assim tinham, portanto, o direito de proclamar o Califado, em 14 de Junho de 2014.

Segundo o balanço da participação dos Serviços Secretos turcos na reunião preparatória de conquista do Iraque pelo Daesh (Amã, de 27 de Maio a 1 de Junho de 2014), revelado pelo quotidiano turco Özgür Gündem, esta proclamação não foi evocada pelos participantes anglo-israelo-americanos [3]. É, pois, possível que se tenha tratado de uma iniciativa de mercenários do Estado islâmico indo para lá da sua missão. Seja como for, para Ancara o Califado era a ocasião de reconquistar o Poder espiritual perdido sobre o conjunto do mundo muçulmano.

Logicamente a Turquia islamista apoiou sem reservas o Daesh (E.I.). Apenas a Rússia denunciou este estado de coisas, primeiro aquando do G20 de Antalya (Novembro de 2015), depois através de cinco relatórios de Inteligência remetidos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas entre 29 de Janeiro e 17 de Maio de 2016 [4].

O fracasso militar do Califado face aos exércitos sírio e iraquiano devolveu à Turquia a pior imagem de si própria que ela podia ter. Não há muita diferença entre as hordas de Tamerlão descendo sobre Bagdade e as caravanas de Toyotas tomando Mossul [5]. Nenhuma diferença entre o genocídio de não-muçulmanos ---entre os quais os cristãos arménios--- pelo Sultão Habdul Hamid II, depois pelos Jovens Turcos, e o dos Curdos Yazidis e as decapitações em cadeia de laicos. Em poucos meses, todo o trabalho feito por Mustafa Kemal para tirar da barbárie os «filhos do lobo das estepes» e construir uma Turquia moderna foi reduzido a nada.

É preciso, portanto, tomar muito a sério a mudança ocorrida em Ancara, por ocasião do 3º aniversário da tentativa de assassínio do Presidente Recep Tayyip Erdoğan, em Marmara, e do Golpe de Estado improvisado que se seguiu. A via dos Irmãos Muçulmanos levou este país a um impasse de horror e de violência. Depois de se ter imaginado como o «Protector» da Irmandade, o AKP deve regressar a uma separação entre a moral dos costumes e da política, na esteira de Atatürk. O que não é uma escolha, mas, sim uma necessidade vital [6].

A propaganda segundo a qual o pseudo-Rojava não abrigaria nenhum elemento do Daesh (E. I.) e o vago acordo concluído com os Estados Unidos a propósito do Norte da Síria nada mudarão quanto a esta reviravolta. Apenas adiam esta clarificação para um pouco mais tarde. Ancara não poderá senão prosseguir na via do processo Astana-Nour.

É por isso que, na sua mensagem vídeo da Festa do Sacrifício, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan relembrou o carácter unitário desse ritual em memória da revelação judaico-cristã-muçulmana de Abraão, depois das vitórias militares turcas, e terminou com um apelo incongruente à segurança rodoviária. Ancara vira-se cautelosamente para uma redefinição da sua identidade, já não mais religiosa, mas nacionalista, e já não mais exclusiva, mas, sim, inclusiva.


[1] The Inevitable Caliphate? A History of the Struggle for Global Islamic Union, 1924 to the Present, Reza Pankhurst, Oxford University press, 2013.

[2] “Os Irmãos Muçulmanos como assassinos”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 29 de Junho de 2019.

[3] “O Daesh realiza o sonho dos Irmãos Muçulmanos : o Califado”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 2 de Agosto de 2019.

[4] - 1. «Renseignements relatifs au commerce illégal d’hydrocarbures auquel se livre l’État islamique d’Iraq et du Levant» (S/2016/94), 29 janvier 2016.
- 2. «Recrutement de combattants terroristes étrangers à destination de la Syrie, facilitation de leurs mouvements transfrontières vers ce pays et livraisons d’armes aux groupes terroristes opérant sur son territoire» (S/2016/143), 10 février 2016.
- 3. «Trafic d’antiquités de Daesh» (S/2016/298), 8 mars 2016.
- 4. «Livraisons d’armes et de munitions de la Turquie vers le territoire syrien tenu par Daesh» (S/2016/262), 18 mars 2016.
- 5 «Approvisionnement de l’État islamique d’Iraq et du Levant en composantes destinées à la fabrication d’engins explosifs improvisés» (S/2016/457), Réseau Voltaire, 17 mai 2016.

[5] No século XIV os Mongóis conquistaram a Ásia Ocidental. Foram os seus descendentes quem fundou o Império otomano.

[6] “A Turquia não se alinhará nem com a OTAN, nem com a OTSC”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 6 de Agosto de 2019.



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Turquia condena embargo dos EUA contra Venezuela

Banderia da Turquia vista durante protestos em Antália. 15 de novembro, 2015.
© AP Photo / Emrah Gurel

A Turquia se opõe à decisão de Washington de adotar novas medidas restritivas em relação aos bens das autoridades venezuelanas, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Turquia, Hami Aksoy, nesta sexta-feira.

Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que bloqueia os ativos do governo da Venezuela dentro da jurisdição dos EUA, incluindo aqueles pertencentes ao banco central do país e à companhia de petróleo PDVSA. Também autoriza sanções contra quem apoiar o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

"Nós desaprovamos a Ordem Executiva dos EUA 'Bloqueio de Propriedade do Governo da Venezuela', prevendo sanções abrangentes à Venezuela...Estamos preocupados que a referida ordem executiva irá piorar as dificuldades econômicas já enfrentadas pelo povo venezuelano e impactar negativamente as iniciativas em encontrar uma solução política na Venezuela ", disse Aksoy em um comunicado.

O decreto norte-americano foi assinado no dia 5 de agosto, durante as negociações entre o governo venezuelano e a oposição em Barbados, mediados pela Noruega.

A Turquia acredita que, para encontrar a melhor solução para a crise na Venezuela, todas as partes devem continuar contribuindo para o processo de diálogo político, concluiu o porta-voz.

A Venezuela vive uma ampla crise política e humanitária que se intensificou em janeiro, quando, após contestar a reeleição de Maduro, o líder da oposição, Juan Guaidó, se declarou ilegalmente como presidente interino do país. Os Estados Unidos e alguns outros países reconheceram Guaidó. A Turquia, assim como a China, Cuba, Bolívia, Rússia e outros países seguem reconhecendo Maduro como o único presidente legítimo do país sul-americano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019080914369262-turquia-condena-embrago-dos-eua-contra-venezuela/

A Turquia prepara invasão do Norte da Síria

O exército turco está se preparando para invadir o Norte da Síria, a Leste do rio Eufrates. O Presidente Erdoğan presidiu um Conselho de Defesa, em 1 de Agosto, e nomeou novos Oficiais Generais em vista dessa operação.

Em 3 de Agosto de 2019, o governo turco rejeitou a proposta norte-americana de controle conjunto da zona ocupada dita «Rojava»; essa sendo suposta ser governada por uma população Curda recém-chegada.

Durante os anos 80, a Turquia considerava os Curdos como uma minoria a ser «turquificada» pela força. Centenas de milhares deles, ligados à sua cultura, fugiram para a Síria onde se beneficiaram de asilo político. No entanto, após a prisão de seu líder, Abdullah Öcallan, suas organizações foram gradualmente penetradas pelos Estados Unidos e Israel.

Pelo contrário, a Turquia após o golpe falhado de 2016 exige o patriotismo de seus cidadãos. Ela considera como inimigas as populações, incluindo as Curdas, que se tornam mercenárias do Pentágono. Assim, Ancara não hesita em nomear Turcos de etnia curda que são leais, mas hesita ainda menos em massacrar aqueles que tenham prometido vassalagem a um Estado estrangeiro mesmo sendo aliado no seio da OTAN.

É claro, os refugiados turcos não acreditam na sinceridade dessa mudança ideológica de Ancara. Mas, reciprocamente, Ancara não acredita na evolução do PKK passado, da noite para o dia, do marxismo-leninismo puro e duro para um suave anarquismo.

O Estado-Maior turco pretende impor uma zona tampão fronteira, com cerca de 30 km de profundidade, em território sírio que ocupa. Ele pretende relocalizar os refugiados sírios atualmente residindo na Turquia.

Nos anos 2000, a Síria havia exigido o desarmamento dos refugiados turcos de etnia curda e autorizado o exército turco a perseguir os elementos que o atacavam a partir de seu território. O exército turco podia penetrar numa zona de 30 quilômetros de profundidade, calculada em função do alcance da artilharia da época.

A Síria sempre temeu que essa possibilidade seja explorada pela Turquia para anexar território muito mais importante, incluindo Alepo, que é reivindicado pelos kemalistas desde a dissolução do Império Otomano.





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A Arábia Saudita contra a Turquia

Segundo o Middle East Eye, a Arábia Saudita teria concebido um plano para destruir a imagem positiva do Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan. É o que ressalta de um documento confidencial do Emirates Policy Center que a revista pôde consultar.

Vários jornais árabes relacionam este plano com a interdição de entrada, que acaba de ser feita pela Arábia Saudita, durante 12 dias a altas temperaturas, a 80 contentores transportando principalmente géneros alimentícios perecíveis.

Eles citam também a ausência do Presidente Erdoğan da última Cimeira (cúpula-br) da Organização de Cooperação Islâmica, na Arábia Saudita.

Outros lembram as tensões entre a Arábia Saudita e a Turquia desde que esta tornou público o assassinato do bilionário Jamal Kashoggi, no consulado saudita de Istambul. Este assassínio ocorreu após quatro outros desaparecimentos de personalidades sauditas no mundo que não recolheram a mesma atenção.

No entanto, raros são os que tratam em detalhe o conflito que opõe os dois Estados a propósito dos Irmãos Muçulmanos. Ou que analisam o cerco da Arábia Saudita pelo Exército turco, presente no Catar, no Kuwait, no Sudão e no Mar Vermelho.

EXCLUSIVE : Saudi Arabia’s ‘strategic plan’ to take Turkey down” («EXCLUSIVO : "O plano estratégico" da Arábia Saudita para derrubar a Turquia»- ndT), David Hearst & Ragip Soylu, Middle East Eye, August 5, 2019.





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A Turquia não se alinhará nem com a OTAN, nem com a OTSC

Após três anos de ausência relativa da cena internacional, a Turquia definiu a sua via. Ao mesmo tempo que permanece como membro da Aliança Atlântica, e do seu comando integrado, pensa agarrar a sua independência. Ela não irá receber ordens nem da Aliança Atlântica, nem do Tratado de Segurança Colectiva. No plano interno, ao mesmo tempo que se define como muçulmana, deseja integrar as minorias numa base nacional e combater os elementos subordinados aos Estados Unidos.

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Sob o retrato do fundador da Turquia moderna, o laico Mustafa Kemal Atatürk, Recep Tayyip Erdoğan tenta prosseguir a recuperação da Turquia.

A Turquia muda e as projecções de George Friedman, fundador da Stratfor, revelam-se falsas. Se o antigo Império Otomano visa desenvolver-se, ele não será vassalo dos Estados Unidos.

Mais do que julgar a Turquia através do olhar das normas ocidentais e troçar do seu «novo sultão», devemos tentar compreender como «o sujeito doente da Europa» tenta recuperar do seu atraso cultural em relação à modernidade e da sua derrota da Primeira Guerra mundial, sem portanto negar a sua especificidade histórica e geográfica. Com efeito, um século depois, a via insuflada por Atatürk não chegou ao seu termo e os problemas permanecem.

Nós tínhamos julgado que com o AKP, a Turquia se ia tornar uma democracia islâmica inclusiva, comparando a sua doutrina à da democracia-cristã europeia. Progressivamente, retomava a sua grandeza otomana tornando-se o porta-voz do mundo muçulmano. Apoiada pelos Estados Unidos, ela era levada a tornar-se uma potência económica de primeiro plano. Prosseguindo a sua modernização e a sua ocidentalização, virava então as costas ao seu cliente principal, a Líbia, depois ao seu parceiro económico, a Síria, e envolvia-se cada vez mais com o Ocidente.

No entanto, a tentativa de assassinato do recém-eleito Presidente Recep Tayyip Erdoğan, a 15 de Julho de 2016, em Marmaris, que se transformou num Golpe de Estado improvisado, falhou miseravelmente em reverter a situação. Durante três anos, o AKP tentou digerir esta evolução louca. Ele lançou-se numa introspecção da sua política. Assim, para clarificar as suas posições encenou o terceiro aniversário do Golpe de Estado .

Primeiro, contrariamente ao que se julgava ter compreendido, a Turquia moderna não está nem com o Ocidente, nem com o Leste. Ela define-se como um país a cavalo entre os dois mundos, meio asiático meio europeu, o que nem a sua adesão à Aliança Atlântica nem a sua participação nas guerras ocidentais das «Primaveras Árabes» muda.

E, o que é ilustrado pela compra do sistema anti-aéreo russo, S-400. Ancara reivindica, ao mesmo tempo, a pertença à OTAN tal como a sua capacidade de comprar armas ao adversário da Aliança. Ela precisa mesmo, com razão, que nada nos textos lhe interdita esta escolha, nem autoriza seja quem for a sancioná-la.

Mais do que nunca, os Turcos são «os filhos do lobo das estepes» que conquistaram a Ásia e parte da Europa. É nesse sentido que é preciso levar em conta as negociações de Astana (Rússia-Irão-Turquia) para a paz na Síria. Ou ainda as declarações anti-imperialistas da delegação turca à Conferência dos não-alinhados de Caracas.

Em segundo lugar, a Turquia assenta a sua independência económica sobre o seu projecto energético do Turkish Stream e na exploração da zona marítima exclusiva de Chipre. É evidentemente o ponto fraco. Alguns troços do gasoduto russo-europeu que passa pela Turquia estão já operacionais. Mas a Comissão Europeia pode sempre obstaculizá-lo sob pressão dos EUA; a importância dos investimentos apenas pesará mais na balança no caso do Nord Stream 2. Finalmente, segundo o Direito Internacional, a Turquia não tem quaisquer direitos na zona marítima exclusiva cipriota e o apoio da fantoche República turca de Chipre do Norte é nulo e sem futuro.

É neste contexto que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavuşoğlu, acaba de anunciar a suspensão do acordo migratório com a União Europeia (justamente após ter recebido o pagamento de 2 mil milhões de euros por ano).

Em terceiro lugar, a Turquia rompe com o modelo financeiro anglo-saxão. O nível de vida entrou num progressivo afundamento desde a guerra ocidental contra a Líbia e mais ainda durante a guerra, igualmente ocidental, contra a Síria. Ancara decidiu, pois, bruscamente retomar as rédeas do seu Banco Central e descer a taxa de juro de 24% para 19,75%. Ninguém sabe quais serão as consequências económicas desta decisão.

Em quarto lugar, contrariamente ao período inclusivo de 2002-2016, ser Turco é ainda possível para as minorias, mas não para indivíduos que concluíram alianças no estrangeiro. Desde o Golpe de Estado, uma gigantesca purga expulsou do exército e da administração todos aqueles que eram suspeitos de manter laços de subordinação com os Estados Unidos, e particularmente os discípulos de Fethullah Gülen (refugiado na Pensilvânia). Centenas de milhar de cidadãos foram presos. Não foi retomada a guerra contra a minoria curda, mas, sim contra os Curdos aliados de Washington.

Contrariamente à percepção que temos disso, Recep Tayyip Erdoğan não impõe uma ditadura por mitomania pessoal, antes recorre à violência para mudar o rumo do seu país.

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O Presidente Erdoğan, antigo quadro da Millî Görüş (uma organização de extrema-direita contra os não-muçulmanos), concedeu em 2017 uma derrogação autorizando a construção excepcional de uma igreja. Ele colocou a primeira pedra para tal, em 3 de Agosto de 2019.

Em quinto lugar, a Turquia define-se como um Estado muçulmano respeitador das minorias. O Presidente Erdoğan acaba, por exemplo, de colocar a primeira pedra de uma igreja siríaca em Istambul. Esta escolha é incompatível com o seu apoio cego à Confraria dos Irmãos Muçulmanos e ao seu projecto de Califado. A «solidariedade muçulmana» é uma ilusão desprovida de sentido e —.tal como para o Irão--- é preciso escolher de que «Islão» ela fala. Desde logo, rompeu com a sua posição anterior ao não apoiar tão fortemente os muçulmanos do Xinjiang chinês.

Actualmente, o exército turco ocupa Chipre-Norte, conduz uma guerra no Iraque, na Síria e na Líbia, e está a instalar-se a toda a volta da Arábia Saudita: no Catar, no Kuwait, no Sudão e no Mar Vermelho. Esta actividade a todos os azimutes não poderá durar e seguramente menos em oposição quer a Israel como à Aliança Atlântica.

Tudo isso mostra, de facto, novas perspectivas que não agradam aos Estados Unidos. Desde já o antigo Ministro da Economia, Ali Babacan, e o antigo Primeiro-ministro Ahmet Davutoğlu juntaram-se ao antigo Presidente, Abdullah Gül. Este último, que renunciara a rivalizar com o seu ex-parceiro Erdoğan durante as eleições legislativas, considera que a derrota do AKP nas eleições municipais —nomeadamente em Istambul--- abre a possibilidade de prevenir a instauração de uma ditadura. Juntos, eles tentam organizar, com a ajuda da CIA, uma dissidência no seio do AKP. Trata-se para Langley de alcançar por via eleitoral o mesmo objectivo da tentativa falhada de assassinato do Presidente Erdoğan em 2016.

«Se não se foi desapontado por eles, por quem o seria?» declarou o Presidente Erdoğan.





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A Turquia suspende seu acordo migratório com a UE

 

Sobe o tom entre a Turquia e os seus parceiros da OTAN.

A Turquia comprou misseis S-400 anti-aéreos à Rússia e planeia (planeja-br) comprar-lhe aeronaves. Esta compra não viola os compromissos da Turquia, mas, sim a implícita funcionalidade da Aliança contra a Rússia. Os Estados Unidos avisaram Ancara repetidamente contra esta aquisição. Apesar disso, a entrega dos S-400 acaba de ter lugar.

Simultaneamente, a Turquia começou a exploração petrolífera da zona marítima exclusiva de Chipre. A República de Chipre denunciou esta intrusão e obteve o apoio político da União Europeia, da qual faz parte.

No entanto, a Turquia deixou de reconhecer a República de Chipre desde que esta tratou de lutar pela sua independência (1960), ligando-se à Grécia (1963), o que a sua minoria turcófona recusou. Em 1974, a Turquia invadiu o Nordeste da ilha (Operação Átila), onde proclamou um "Estado Federado Turco de Chipre", que se tornará a «República turca de Chipre do Norte»; entidade não reconhecida pela comunidade internacional.

Nesta contexto, a Turquia afirma defender os direitos dos Turcos cipriotas, iguais proprietários tal como os seus compatriotas Cipriotas gregos, à sua zona marítima exclusiva. Ao contrário, a República de Chipre denuncia a ocupação militar do nordeste da ilha e a interferência turca na sua zona marítima exclusiva.

A União Europeia apoia a República de Chipre desde a sua adesão (2004), mas jamais tendo levantado sequer o dedo mínimo para a defender.

Em 22 de Julho de 2019, o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br) turco, Mevlüt Çavuşoğlu, anunciou, nas ondas da TGRT, que suspendia o acordo com a União Europeia relativo às migrações (informação não divulgada na União). Na sequência de reacções negativas das populações europeias face à grande vaga migratória, organizada desde a Turquia para a Alemanha em 2015, a Turquia comprometera-se a controlar as suas fronteiras com a União mediante a isenção de vistos para os seus nacionais viajando para a União e um subsídio anual de 3 bilhões de euros, para continuar a guerra contra a Síria. Este acordo foi assinado durante um Conselho de Chefes de Estado e de Governo europeus no qual participou o Secretário-Geral da OTAN, a 28 de Junho de 2016. Esta soma tem efectivamente sido paga regularmente sem que se saiba de onde provém este dinheiro, o qual não figura no orçamento da União.

A 24 de Julho, a Turquia anunciou abruptamente que prendera mais de 6. 000 migrantes, entre os quais alguns Sírios. A imprensa da União interpretou esta notícia em função das eleições para a Câmara Municipal (Prefeitura-br) de Istambul, sem fazer a ligação com a suspensão do acordo migratório com a União.

A tentativa de assassinato do Presidente Recep Tayyip Erdoğan, a 15 de Julho de 2016, cujos autores improvisaram um Golpe de Estado, mergulhou a Turquia num processo de saneamento que levou ao arrastar do dossier europeu. O momento da clarificação talvez tenha chegado.





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Mais de 2.200 migrantes são detidos na Turquia

Refugiados sírios à espera de transporte após atravessar a fronteira com a Turquia da cidade síria de Tal Abyad (arquivo)
© AFP 2019 / STR

Ao menos 2.212 imigrantes em situação irregular foram detidos na Turquia na última semana, em diferentes partes do país, segundo informou a mídia local nesta segunda-feira.

Nesta manhã, o governo de Istambul emitiu uma ordem para que todos os refugiados sírios sem visto de residência deixem a região até o próximo dia 20. Segundo as autoridades locais, aqueles que não cumprirem a determinação deverão ser deportados. 

A maior parte das detenções da última semana ocorreram nas províncias orientais de Van e Erzurum e em regiões costeiras, perto da Grécia e da Bulgária.

De acordo com a agência Anadolu, grande parte desses migrantes teria se dirigido à Turquia com o objetivo de seguir viagem para países da União Europeia em seguida. Mas, em vez do sonho europeu, acabaram indo parar em hospitais ou centros de detenção para imigrantes ilegais.

"Agência de assistência turca e ONU inauguram novo campo [para deslocados] em Idlib, na Síria."​

Atualmente, a Turquia abriga aproximadamente 3,7 milhões de imigrantes e refugiados, segundo a Organização Internacional para Migrações.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019072214259856-mais-de-2200-migrantes-sao-detidos-na-turquia/

Excluir Turquia da OTAN é impossível, afirma ministro turco

Militares turcos
© AFP 2019 / Ilyas Akengin

A Turquia continua sendo membro da OTAN e é impossível ela ser excluída, pois as decisões da aliança são tomadas por consenso, indica o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu.

Mevlut Cavusoglu explicou, em entrevista ao canal da televisão TGRT, que "as decisões da aliança são tomadas por consenso e, mesmo que apenas um país se oponha, a decisão não será tomada", por isso "é impossível excluir a Turquia da OTAN".

"Portanto, falar de uma 'mudança de ênfase' é manipulação política. Somos membros da OTAN há mais de 50 anos e continuamos a ser. Mas, entretanto, não pertencemos a ninguém. A Turquia está aberta a todo o mundo. Onde estão seus interesses, é para lá que vamos, e ninguém pode impedi-lo", disse Cavusoglu.

Além disso, o ministro turco afirmou que "embora a Turquia queira aderir à UE, ela não vai esperar à sua porta eternamente". Os turcos ingressaram na OTAN em 1952 e são candidatos a ingressar na União Europeia desde 1999.

Tensões entre Turquia e EUA

Entretanto, a compra dos novíssimos sistemas russos de defesa antiaérea S-400 provocou uma disputa internacional entre a Turquia e os EUA, que exigiram o abandono pelos turcos do acordo de compra dos sistemas russos, chegando até a oferecerem seus sistemas de mísseis Patriot em troca.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019072214257183-excluir-turquia-da-otan-e-impossivel-afirma-ministro-turco/

Turquia admite possibilidade de abandonar OTAN

Bandeiras da Turquia e da OTAN
© AFP 2019 / BENOIT DOPPAGNE / BELGA

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, assegurou que seu país está preparado para deixar a OTAN, durante uma reunião com o deputado russo Vladimir Zhirinovsky.

"Eu me encontrei duas vezes com o presidente da Turquia, Recep Erdogan, e ele me disse pessoalmente que a Turquia estava disposta a se retirar da OTAN", escreveu Zhirinovsky.

Turkey's President Recep Tayyip Erdogan speaks during an Iftar, the evening meal breaking the Ramadan fast, at his palace in Ankara, Turkey, Saturday, May 19, 2018
© AP Photo / Presidential Press Service/Pool
Turkey's President Recep Tayyip Erdogan speaks during an Iftar, the evening meal breaking the Ramadan fast, at his palace in Ankara, Turkey, Saturday, May 19, 2018

A Turquia pretende aderir à União Europeia, mas não é aceita mesmo cumprindo todas as condições, afirmou o deputado.

"A Turquia foi um dos primeiros países a ser recebido pela OTAN, pois seu território era adequado para ações contra a Rússia", disse Zhirinovsky, líder do Partido Liberal Democrata (LDPR).

Os turcos ingressaram na OTAN em 1952 e são candidatos ao ingresso na União Europeia desde 1999.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019071614220979-turquia-admite-possibilidade-de-abandonar-otan/

Turquia realiza ataque contra Síria

Militares turcos na fronteira turco-síria, foto de arquivo
© AP Photo / Burhan Ozbilici

A Turquia realizou um ataque contra as posições na Síria a partir das quais foram efetuados disparos contra um posto de observação em Idlib, informou a agência Anadolu, citando o Ministério da Defesa Nacional.

Mais cedo se soube que, durante o ataque contra as forças turcas na província, um soldado foi morto e três ficaram feridos. Ancara declarou que essa foi uma ação deliberada dos sírios.

Em relação ao incidente, ao Estado-Maior da Turquia foi convocado o adido russo, informou a Reuters na quinta-feira (27). No entanto, a embaixada da Rússia em Ancara não comenta esta informação. A Rússia, a Turquia e o Irã são os garantes da trégua na Síria, onde o conflito armado decorre desde 2011.

Idlib continua sendo a região mais problemática – as forças governamentais sírias ainda não a controlam. O confronto entre o Exército de Bashar Assad, a oposição e os terroristas continua nessa província.

A situação é ainda complicada pelo diálogo tradicionalmente difícil entre a Síria e a Turquia. Damasco considera que Ancara ocupou parte do país e exige que os territórios ocupados sejam libertados, particularmente em Idlib.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019062814133792-turquia-realiza-ataque-contra-siria/

Advocacia: uma profissão de risco na Turquia

A Associação Europeia de Advogados pela Democracia e Direitos Humanos considera que o exercício da advocacia na Turquia é uma profissão de risco.

Momento da detenção de advogados junto ao Tribunal de Esmirna, em 2016Créditos

Para Assinalar o Dia do Advogado em Perigo (24 de Janeiro), uma data que pretende relembrar o massacre de Atocha (Madrid), em 1977, em que foram brutalmente assassinados vários advogados que patrocinavam e defendiam causas de trabalhadores e sindicatos, a Associação Europeia de Advogados pela Democracia e Direitos Humanos escolhe todos os anos um país em que o exercício da advocacia seja considerado uma profissão de risco. Este ano a escolha recaiu na Turquia.

A Associação Portuguesa de Juristas Democratas (APJD) associou-se ao evento, emitindo um comunicado em que se solidariza com os seus colegas turcos «arbitrariamente detidos, presos, com processos criminais, e demitidos das suas funções».

O comunicado denuncia também o facto de, na Turquia e até final de 2017, terem sido detidas cerca de 160 mil pessoas e «presas cerca de 62 mil, incluindo 16 deputados, mais de 300 jornalistas, dois membros do Tribunal Constitucional, 2360 juízes e procuradores, 580 advogados (dos quais 14 eram presidentes ou ex-presidentes das ordens de advogados de várias províncias turcas)».

Para além destes números, a APJD sublinha o encerramento de cerca de 100 mil websites, a prisão e condenação com penas pesadas de 138 advogados, a demissão de «152 mil funcionários públicos, incluindo 4463 juízes e procuradores (mais de 25% do total), 8693 académicos, 6687 médicos e paramédicos», e 44 392 professores. 

A associação informa ainda sobre o encerramento compulsivo, com o confisco de bens, «de 3003 hospitais privados, escolas, dormitórios estudantis e universidades, 187 órgãos de imprensa» e 1719 associações, das quais 34 associações de juristas, incluindo a Associação dos Juristas Progressistas (Progressive Lawyers Association), filiada na Associação Internacional de Juristas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/advocacia-uma-profissao-de-risco-na-turquia

Erdogan promete erradicar 'o que restar' do Daesh na Síria, diz Trump

Coletiva de imprensa entre Donald Trump e Recep Tayyip Erdogan em 16 de maio, 2017 (foto de arquivo)
© REUTERS / Kevin Lamarque

Na quarta-feira (19), Trump anunciou a derrota do Daesh na Síria e a subsequente retirada das tropas americanas do país árabe, onde elas permaneciam unicamente para combater o Daesh.

No sábado (22), o presidente americano acrescentou que "os países locais, incluindo a Turquia" devem ser capazes de "tratar facilmente do que quer que tenha restado" do grupo terrorista.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, prometeu eliminar as forças que restaram do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em vários outros países) na Síria, disse na segunda-feira (24) o presidente dos EUA, Donald Trump.

"O presidente da Turquia me informou muito claramente que ele vai erradicar tudo o que restar do Daesh na Síria… e ele é um homem que pode fazê-lo bem, a Turquia está praticamente "ao lado". Nossas tropas estão voltando para casa!", escreveu Donald Trump no Twitter


No final do domingo (23), Trump disse que manteve uma conversa telefônica "longa e produtiva" com Erdogan, durante a qual eles discutiram seu "envolvimento mútuo" na Síria e a planejada retirada das tropas dos EUA da Síria. Segundo Erdogan, os dois presidentes se comprometeram a "expandir a coordenação" na Síria.

A coalizão liderada pelos EUA atua desde 2014 no Iraque e na Síria com o alegado objetivo de derrotar o grupo terrorista Daesh o autoproclamado Estado Islâmico. No entanto, as ações da coalizão na Síria são realizadas sem autorização das autoridades do país ou do Conselho de Segurança da ONU. Damasco instou a ONU a agir e a acabar com a presença ilegal da coalizão no país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018122412971259-erdogan-erradicar-resta-daesh-siria-trump/

Turquia ameaça ataque contra cidade síria se os EUA não removerem milícias curdas

Presidente turco Recep Tayyip Erdogan discursando em comício em Istambul - 5 de março de 2017
© REUTERS / Murad Sezer

Os Estados Unidos devem retirar as milícias curdas da cidade síria de Manbij, reforçou mais uma vez o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, nesta sexta-feira. Caso contrário, ele ordenará que suas tropas tomem o assentamento na região.

A ameaça, revelada durante um discurso em Istambul, eleva a retórica de Erdogan contra as milícias curdas das Unidades de Proteção Popular (YPG). Mais cedo na quarta-feira, ele se queixou publicamente de que os EUA, que apoiam os curdos no nordeste da Síria, estão deixando de cumprir sua promessa de limpar Manbij de combatentes curdos. Ancara considera os paramilitares curdos sírios como uma extensão das guerrilhas anti-governo baseadas na Turquia e considera as YPG como terroristas.

"Manbij é um lugar onde vivem os árabes, mas eles entregaram a área à organização terrorista", declarou o presidente turco em uma conferência do Judiciário. "Agora estamos dizendo que você deve limpá-los, removê-los, ou então entraremos em Manbij. Eu estou falando muito claramente".


Manbij está localizada a oeste do rio Eufrates, em uma estrada principal que leva à cidade de Aleppo. A Turquia considera todas as partes da Síria como fronteiriças como sensíveis do ponto de vista da segurança, mas relutantemente concordou que os EUA poderiam lidar com a situação a leste do rio, onde as terras historicamente curdas estão localizadas.

No início desta semana, Erdogan anunciou sua intenção de lançar uma operação militar nas áreas curdas "em poucos dias". No discurso, ele confirmou os planos, dizendo que a Turquia estava determinada a levar paz e segurança às áreas a leste do Eufrates.

Os EUA alertaram a Turquia contra a implementação dos planos, dizendo que uma ação militar unilateral prejudicaria a cooperação militar entre os países.

O lado curdo disse que responderia fortemente a qualquer ataque da Turquia.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018121412908181-turquia-ataque-manbij/

Erdogan: Turquia continuará comprando gás iraniano apesar das sanções dos EUA

Recep Tayyip Erdogan, presidente de Turquia (foto de arquivo)
© REUTERS / Osman Orsal

Ancara continuará comprando gás natural iraniano apesar das sanções dos EUA contra Teerã, declarou o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Em sua entrevista exclusiva à agência Reuters, o presidente turco afirmou que a Turquia continuará comprando gás ao Irã não obstante as sanções de Washington.


Além disso, Erdogan disse que é impossível que os esforços de paz na Síria continuem enquanto o presidente atual sírio, Bashar Assad, estiver no poder, acrescentando que a retirada de "grupos radicais" já começou de uma nova zona desmilitarizada na região síria de Idlib.

O presidente turco comentou também a prisão do pastor norte-americano Andrew Brunson, suspeito de ter estado envolvido no golpe de Estado fracassado em 2016 na Turquia. Segundo ele, será a justiça turca e não os políticos que decidirá o destino do pastor.

Anteriormente, durante seu discurso perante a 73ª Assembleia geral da ONU, em Nova York, Erdogan afirmou que o uso de sanções econômicas como arma é inaceitável. Ele criticou duramente as guerras comerciais e afirmou que a Turquia defende o livre comércio e a livre circulação de pessoas e mercadorias.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018092612296956-erdogan-turquia-sancoes-gas-iraniano/

A batalha do Idleb é adiada

Os Presidentes russo e turco reuniram-se em Sochi, em 17 de Setembro de 2018

Desde a sua reunião anterior, em 7 de Setembro, em Teerão, a Rússia endureceu o tom, evocando pela primeira vez, a natureza ilegal da presença militar turca em Idleb. Sublinhou que essa mesma presença deveria terminar.

Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdoğan assinaram, antes de tudo, acordos de cooperação económica a respeito da construção do gasoduto Turkish Stream e da central nuclear civil de Akkuyu; acordos particularmente bem-aceites por Ankara, cuja economia acaba de desmoronar brutalmente.

Em relação à zona ocupada actualmente pelos jihadistas e pelo exército turco na Síria - zona que corresponde aproximadamente à província de Idleb - os dois Estados decidiram dar-se uma nova oportunidade de separar a oposição armada síria dos jihadistas.

Acordos idênticos de não escalagem foram estabelecidos para esta região e para outras no passado, seja com os Estados Unidos ou com a Turquia. Todos falharam e tornaram-se obsoletos ao fim de seis meses. Na prática, descobriu-se que os jihadistas e a oposição armada síria são compostos pelos mesmos homens, que são mercenários antes de serem militantes. Frequentemente, eles pertenceram a vários grupos durante os sete anos de conflito, mudando de um para o outro, consoante as oportunidades financeiras.

A República Árabe da Síria já havia feito saber que considerava prudente adiar a libertação de Idleb para depois das eleições legislativas dos Estados Unidos, em 6 de Novembro. De facto, em caso de ataque, teria sido suficiente ao Reino Unido concretizar uma operação química de falsa bandeira para forçar o Presidente Trump a atacar a Síria, durante sua campanha eleitoral.

O Presidente Erdoğan apresenta ao seu povo o acordo que ele acaba de concluir como uma dupla vitória: ele teria salvaguardado a população civil de Idleb da guerra e teria obtido contratos vantajosos da Rússia.

No entanto, a realidade é bem diferente: a Turquia estava numa posição de grande fraqueza para negociar com o seu inimigo histórico e amigo de um dia, a Rússia. A sua economia só sobrevive graças à presença dos turistas russos e Moscovo já mostrou que eles podiam chegar ou partir, num instante.

Os acordos económicos afastam um pouco mais, Ancara da NATO.

Será estabelecida, em 5 de Outubro, uma linha de demarcação entre a zona jihadista e o resto da Síria. Esta zona desmilitarizada estará sob a responsabilidade conjunta da Rússia e da Turquia. As tropas turcas deveriam recuar alguns quilómetros dentro da actual zona, de modo a deixar os sírios libertar a autoestrada que liga Damasco a Alepo.

Assim, a Rússia afasta a Turquia dos ocidentais, evita colocar o seu aliado sírio em perigo e continua a libertação de seu território sem ter de envolver-se em combates.





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Erdogan: EUA estão por trás da 'tentativa de assassinato econômico' da Turquia

Recep Tayyip Erdogan, presidente de Turquia (foto de arquivo)
© REUTERS / Osman Orsal

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou os EUA de terem desencadeado uma guerra econômica contra seu país. Em uma reunião do partido governamental realizada em Ancara nesta sexta-feira (15), o presidente defendeu o aumento do papel da lira turca nos pagamentos mútuos com outros países.

"Temos enfrentando um feroz ataque que tem como alvo a economia turca depois de que uma série de declarações negativas dos EUA sobre nosso país foi utilizada como pretexto", afirmou Erdogan, citado pela agência Reuters, qualificando a queda da moeda nacional em relação ao dólar como "tentativa de assassinato econômico".

O governo turco está tentando estabilizar a lira, que desvalorizou mais de 40% em relação ao dólar este ano devido às preocupações dos investidores em relação à política do Banco Central da Turquia e às tensões entre Ancara e Washington. Ergodan apelou aos turcos para que convertessem todas as suas poupanças em liras e pediu ao setor privado para não abandonar a produção e os investimentos.

A lira turca reforçou suas posições depois de o Banco Central do país aumentar a taxa de juros em 6,25 pontos percentuais até 24%. O presidente é um oponente da subida da taxa de juros e alguns investidores na economia turca se mostram preocupados que Erdogan possa intervir na atividade do Banco Central.

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https://br.sputniknews.com/economia/2018091512214678-eua-turquia-economia-lira-queda-tensoes-erdogan/

A aliança Turquia/EUA atinge o ponto de não retorno

M.K.BhadrakumarAs “guerras económicas” que a administração Trump tem vindo a desencadear criaram um poderoso foco de crise na Turquia. As consequências de uma ruptura Turquia/EUA podem constituir um sério erro de cálculo para os aventureiros da Casa Branca. O nacionalismo turco sentiu-se atingido e humilhado, e Erdogan declarou que pode necessitar de encontrar “novos amigos e aliados.”

A lira turca caiu 22% na sexta-feira recuperando depois para 17% sobre o pano de fundo do anúncio da administração Trump de que duplicaria as taxas sobre as importações de aço e alumínio turcos. As taxas afectam exportações turcas no valor de mais de 1 milhar de milhões de dólares nas suas trocas comerciais com os EUA.

Os EUA eram o principal destino das exportações turcas em 2017. A Turquia ocupava a sexta posição entre os países de onde os EUA importaram aço no ano passado, e o aço turco correspondia a 7% do total das importações norte-americanas de aço.

Mais especificamente, o presidente Trump sugeriu com descaro que se tratava de uma decisão política e fez notar, de modo zombeteiro, que tinha também debaixo de olho a taxa de câmbio da lira turca.

Twittou Trump: “Acabei de autorizar a duplicação das taxas sobre Aço e Alumínio relativamente à Turquia uma vez que a sua moeda, a lira turca, está rapidamente em queda em relação ao nosso muito forte dólar! Será 20% sobre Alumínio e 50% sobre Aço. As nossas relações com a Turquia não são nesta altura boas!”

O tweett de Trump foi a causa próxima da confusão que atingiu a lira turca no mercado. Culmina o movimento de retirada de capitais do mercado turco que investidores estrangeiros vêm fazendo nos últimos meses, mesmo com a Reserva Federal dos EUA a subir as taxas de juro e a cortar na facilitação da redução quantitativa de activos. Sem surpresa, o dólar aumentou bruscamente de valor e a lira perdeu-o, e as taxas sobre títulos de empréstimo turcos subiram.

Tradicionalmente, a Turquia recorria aos empréstimos externos em moeda estrangeira para superar os défices das contas correntes. Fundos externos eram atraídos para a economia turca em resultado de retornos mais elevados, alimentando o crescimento da economia turca, em particular no sector da construção.

Com a retirada de dinheiro do mercado turco nos meses recentes, as empresas e os bancos turcos, que contraíam empréstimos em dólares ou em euros, deparam-se com uma crise potencial no pagamento das suas dívidas. Em resumo, a volatilidade da taxa de câmbio da moeda está a tornar-se uma crise da dívida e da liquidez.

A crise financeira significa que muitas empresas turcas poderão ter que declarar a bancarrota, o que afectará os bancos. Está entretanto a formar-se um ciclo em que a confiança dos investidores entra em queda apesar da política de baixas taxas de juro do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Em momento como estes, os factores psicológicos desempenham um importante papel. Efectivamente, a administração Trump prefere desencadear guerras económicas a recorrer à força militar para exercer “máxima pressão” no sentido alcançar objectivos de política externa. A Rússia, China, Venezuela, Irão. etc. são disso exemplos flagrantes. A Turquia juntou-se agora à galeria dos marginais.

Também Erdogan se tornou um homem marcado devido às suas políticas externas independentes que minam estratégias regionais dos EUA. A agenda de Trump consiste indubitavelmente em fazer Erdogan ajoelhar.

O Partido da Justiça e do Desenvolvimento agora no poder retirava tradicionalmente o seu apoio do “bazar” e dos chamados “Tigres da Anatólia,” que formam o núcleo central da base de Erdogan e que são os mais afectados por esta crise.

A intervenção em conjunturas críticas das agências de crédito Merrill Lynch e Standard & Poor’s no sentido de classificar como lixo o crédito da Turquia constituíram uma advertência antecipada de um conflito económico iminente.

O dilema de Erdogan é duplo. Poderia dirigir-se ao Fundo Monetário Internacional para obter um resgate, o que é o que Wall Street e Trump esperam que faça. Mas se o fizer, as políticas turcas serão objecto de um apertado escrutínio por parte dos EUA. E Erdogan não capitulará.

A alternativa será Erdogan encontrar ajuda noutro lugar. Numa declaração publicada no New York Times da semana passada, Erdogan advertiu firmemente Trump: “Antes que seja demasiado tarde, Washington deve abandonar a errada noção de que as nossas relações podem ser assimétricas e reconhecer o facto de que a Turquia tem alternativas. Se não for revertida esta linha de unilateralismo e desrespeito teremos de começar a procurar novos amigos e aliados.”

Trump contudo ignorou-o, duplicando as taxas sobre o aço e alumínio turcos. Erdogan fica furioso. No domingo disse: “Declaro que identificámos a vossa estratégia e estamos a desafia-la. Não existe qualquer razão económica para a presente situação [de afundamento da moeda]. Trata-se de uma manobra para forçar a Turquia a render-se em todos os campos, da finança à política, para fazer ajoelhar a Turquia e o seu povo.”

O sentimento de indignação entre os turcos não deveria ser subestimado, o que torna isto uma ruptura excepcional naquilo que tem sido sempre um relacionamento problemático no decurso das sete últimas décadas. Na quinta-feira Erdogan disse que iria decretar um embargo a todos os produtos electrónicos norte-americanos – incluindo o iPhone tão relevantemente utilizado na FaceTime CNN Turk na fatídica tentativa de golpe de há dois anos.

Afastar-se da Turquia a este ponto constituirá uma arriscada aventura de política externa por parte de Trump. Os EUA não podem ter uma política efectiva para o Médio Oriente se se antagonizarem ao mesmo tempo com a Turquia e o Irão.

Estão ainda por definir as ramificações geopolíticas mais amplas. A Turquia é um estado em equilíbrio instável e as suas políticas projectam-se sobre diversas regiões – dos Balcãs, Cáucaso e Ásia Central ao Médio Oriente, Norte de África e Mediterrâneo.

O Irão ganhou amplamente em profundidade estratégica. Teerão exprimiu forte solidariedade a Erdogan. Um enviado especial visitou Ancara e encontrou-se com Erdogan no fim-de – semana. Erdogan exprimiu o desejo de se encontrar em breve com o presidente iraniano Hassan Rouhani.

Declarações de Berlim e Roma transmitem já um crescente sentimento de exasperação relativamente às sanções de Trump contra a Turquia, sem aviso prévio. Erdogan é um parceiro crucial para a UE na abordagem da crise de migrantes ou refugiados. A Turquia tem também um Acordo Alfandegário com a UE.

A parte assombrosa é que tudo isto se desenrola numa altura em que os EUA e a NATO procuram redesenhar o mapa estratégico do Mar Negro a fim de desafiar a Rússia e quando a presença militar dos EUA no Iraque e na Síria se depara com uma crescente oposição local.

Erdogan disse no domingo que a Turquia está a considerar outros mercados e alternativas políticas à sua “parceria estratégica” com Washington. Sem dúvida que China será a grande vencedora. A China atribui prioridade à Turquia enquanto parceiro-chave na sua Iniciativa Cinturão e Estrada.

Trump está a subestimar seriamente a potência do nacionalismo turco, que está a levantar-se em crescendo. Na sua Arte do Negócio, o nacionalismo não tem lugar – o negócio vai para a melhor oferta. Na opinião turca consolida-se a ideia de que os EUA estavam por detrás da falhada tentativa de golpe de Julho de 2016, numa estratégia concertada para assumis o controlo das políticas turcas, e de que a “guerra económica” é a mais recente manifestação disso.

Fonte: http://www.atimes.com/article/us-turkish-alliance-reaches-the-point-of-no-return/

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Leia original aqui

A Turquia força as Igrejas judaicas e cristãs turcas a assinar uma declaração

O governo turco forçou os responsáveis de 18 Igrejas judaicas e cristãs a assinar uma declaração atestando que gozam de liberdade religiosa. Entre os signatários estão o Patriarca ortodoxo grego Bartolomeu I, o Arcebispo arménio Aram Ateşyan, e o Rabino-chefe Ishak Haleva.

Esta declaração foi publicada pela Agência Nacional Anadolu [1], e depois citada pelo Presidente Recep Tayyip Erdoğan para garantir que não persegue os cristãos.

Este estranho caso surge no contexto da demanda turca de extradição dos Estados Unidos do pregador muçulmano Fethullah Gülen; da recusa dos EUA em entregar este colaborador da CIA; e da prisão, por sua vez, pela Turquia do pastor evangélico norte-americano Andrew Brunson.

Ancara tenta agora chantagear Washington e trocar um religioso pelo outro. Apoiando-se na declaração extorquida às Igrejas arménia e ortodoxa, o Presidente Erdoğan garante que o seu país respeita a liberdade de religião.

Lembremos que a lei turca interdita a construção de lugares de culto cristãos. O Patriarcado Ecuménico de Constantinopla não é reconhecido pela Turquia. Os seminários cristãos foram fechados pela polícia em 1971, de modo a que não mais seja possível formar padres ou pastores. Inúmeras igrejas e mosteiros foram apreendidos pelo Estado.

Entretanto, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan agora saúda fazendo com as mãos o sinal dos Irmãos Muçulmanos.


[1] “Azınlık cemaatlerinden ’baskı’ iddialarına yalanlama”, Anatolu Ajensi, 31de Julho de 2018.



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A delícia turca de Trump

«Em 1889, o Expresso do Oriente partiu da Gare de l'Est em Paris e chegou, finalmente, a Istambul. Os europeus puderam, finalmente, ir de comboio até aos limites do continente e vislumbrar o Oriente. Istambul, já desde os tempos da Rota da Seda, era uma ponte geográfica entre o Ocidente e o Oriente. Foi a jóia de impérios e centro de poder político e espiritual. Do Império Romano do Oriente, Bizâncio, e do Império Otomano, até 1923. Ataturk modernizou-a. E a Turquia, na sua grandeza, tornou-se a porta por onde dois mundos se espreitavam e conheciam. Erdogan, rechaçado pela União Europeia, procurou um novo rumo, mais musculado, para a Turquia, tentando torná-la um exemplo para o Médio Oriente e para a Ásia Central. E foi aí que este importante país da NATO (com o seu segundo maior exército) entrou em choque com os Estados Unidos. Ancara está contra o apoio dos EUA aos curdos, está ao lado do Irão e do Qatar contra a Arábia Saudita e é a voz mais sólida para confrontar Israel na região. Nada disso agrada a Donald Trump. O caso do pastor americano preso na Turquia é um disfarce para as suas reais intenções: domar Erdogan.
A táctica é a mesma: a asfixia económica, transformada na arma política por excelência da era Trump. Cuidem-se pois todos os países que desafiem os "tweets" do CEO da Casa Branca. Só que esta pressão sobre Erdogan e sobre a economia da Turquia é inaceitável. Mesmo que a Europa não goste de Erdogan e das suas políticas, uma crise profunda da sociedade turca é tudo o que menos interessa à Europa. Porque seria uma vitória de um Trump que quer destruir a União Europeia. Mas também porque a Europa não pode esperar que um país com uma economia arruinada seja uma barreira contra terroristas ao mesmo tempo que acolhe milhões de refugiados de África. Isto para já não falar da necessidade que a Europa terá do segundo maior exército da NATO. Desestabilizar a Turquia é correr um risco equivalente a brincar com a chegada de um tsunami imprevisível. A Europa não pode esquecer isto.»
Fernando Sobral
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Leia original aqui

A VERDADEIRA CAUSA DA GUERRA COMERCIAL EUA-TURQUIA

Authors: in Manuel Banet, ele próprio

Turkey favors switching from dollars to national currencies in trade with Russia & China
Empresários turcos seguram dólares para trocá-los por liras

A verdadeira razão pela qual os EUA impôs tarifas sobre produtos turcos, causando uma crise de confiança na lira, não é por causa do pastor protestante que é julgado por -segundo Ancara - ter conspirado contra Erdogan. A razão verdadeira[1] é simplesmente o facto da Turquia ter decidido aderir ao bloco Rússia- China- Irão e estabelecer trocas fora do dólar. As trocas em dólares passam por um mecanismo de «clearance» (despacho) que passa pelos bancos americanos e entidades de controlo dos mesmos, que pode ser bloqueado, criando uma arma de chantagem do governo dos EUA sobre qualquer outro governo ou entidade. Agora a Turquia está a retaliar.[2] Nada será como dantes, tanto nas relações bilaterais com os EUA como na esfera de organizações como a NATO ou a OMC.

Provavelmente, a Turquia já escolheu o seu campo: os BRICS.

Leia original aqui

A Turquia falha o rapto de um dos seus nacionais na Mongólia

Os Serviços Secretos turcos do MIT (Millî İstihbarat Teşkilatı) tentaram sequestrar um cidadão turco na Mongólia sem o conseguir.

Considerado pelo MIT como estando ligado ao pregador Fethullah Gülen, o professor Veysel Akçay foi raptado à entrada da sua escola por cinco membros dos Serviços Secretos turcos, depois transportado para o aeroporto de Ulan Bator onde um CL604 Challenger do Exército turco o aguardava.

Prevenida pelos colegas do professor, a polícia mongol interditou a descolagem (decolagem-br) do aparelho enquanto Veysel Akçay estivesse retido. Ele foi finalmente libertado após oito horas de negociações.

Durante o incidente, as autoridades turcas, incluindo o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavuşoğlu, negaram a acção dos seus Serviços Secretos.

O Vice primeiro-ministro turco, Bekir Bozdağ, tinha declarado, em Abril passado, que 80 cidadãos turcos haviam sido «empacotados» pelo MIT em 18 países diferentes [1]. Se sequestros, com a cumplicidade das autoridades locais, foram relatados na Ucrânia e no Gabão sem problemas, uma outra operação dera origem a um escândalo no Kosovo [2].


[1] “Ancara «empacotou» 80 dos seus nacionais no estrangeiro”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 10 de Abril de 2018.

[2] “Erdoğan força o Primeiro-ministro kosovar a conservar o chefe dos seus Serviços Secretos”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 7 de Abril de 2018.



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Erdoğan põe fim a dois anos do estado de emergência

O Presidente Recep Tayyip Erdoğan decretou o levantamento do estado de emergência.

No seguimento da tentativa de assassinato organizado pela CIA contra ele e o subsequente golpe militar improvisado que se seguira, a 15 de Julho de 2016, este fora introduzido por três meses e prorrogado 7 vezes.

As autoridades turcas aproveitaram o estado de emergência para purgar a administração e a sociedade de elementos hostis ao AKP, particularmente de pessoas ligadas ao pregador fundamentalista Fethullah Gülen. Este, que havia participado na conquista do Poder pelo Presidente Erdoğan, permanecera fiel ao aliado norte-americano, o que o levou a separar-se do seu antigo parceiro turco.

Mais de 150.000 funcionários públicos foram demitidos. Mais de 80.000 cidadãos foram encarcerados, o que forçou a administração penitenciária a libertar criminosos comuns para abrir espaço nas prisões. Foram condenados 28.000 opositores.

Na próxima semana, a Grande Assembleia Nacional da Turquia deverá introduzir na lei ordinária disposições relacionadas com o estado de emergência. As manifestações nocturnas seriam interditas e o Estado poderia continuar a demitir funcionários públicos sem ter que se justificar.





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O "sultão" Erdoğan entronizado nas suas funções

Recep Tayyip Erdoğan foi entronizado nas suas novas funções de Presidente da República da Turquia; novas, tanto porque foi reeleito, como porque agora reina a nova Constituição.

No seguimento de uma cerimónia faustosa no Palácio Branco, o “sultão” voou para o Azerbaijão e para o Chipre ocupado afim de mostrar que os limites do seu império não se limitam aos da Turquia.

Durante seus diversos discursos, o “sultão” saudou fazendo com a mão não o “V” da Vitória, mas, antes, o “sinal de rabia”, sinal de união dos Irmãos Muçulmanos desde a queda de Mohamed Morsi no Egipto, país onde ele é punível com 5 anos de prisão. A imprensa turca assegura que este símbolo teria sido inventado à época pelo próprio Erdoğan.

O “sultão” designou um gabinete restrito e confiou o Ministério da Economia ao seu genro, Berat Albayrak. Este último organizara, através da sua empresa Çalık Holding, o transporte por meio de 8.500 camiões-cisterna do petróleo roubado pelo Daesh (E.I.) [1].

Todos os ex-colaboradores do antigo Primeiro-ministro, Ahmet Davutoğlu, foram demitidos das suas funções.


[1] “A família Erdoğan e o Daesh (EI) (continuação)”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 8 de Novembro de 2016.



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Para onde vai a Turquia de Erdogan?

Vamos falar neste artigo sobre a Turquia. Em nosso conceito de Oriente Médio expandido, onde estão todos os países árabes, incluindo os do Norte da África, nós incluímos ainda o Irão, que é um país persa e a Turquia. E não se pode confundir, jamais, esses três povos distintos.

A Turquia fica na Eurásia ou em região que alguns geógrafos chamam de “euroasiática”. É país estratégico, como veremos, pela imensa base militar da OTAN chamada Incirlik. Por fim, é governada pela mesma pessoa – seja como primeiro ministro ou presidente – já há pelo menos 15 anos, tendo ganhado um mandato presidencial que o manterá no poder até pelo menos 2022.

Uma breve história da Turquia

O nome “Turquia” quer dizer “a terra dos turcos” na linguagem turca. Sua origem vem do império Otomano, de orientação islâmica, que surge na Anatólia a partir do século XIII. Ao expandirem seu império à época, acabaram cruzando as fronteiras europeias e conquistaram grande parte da região dos Balcãs, quando derrotaram o império bizantino (em alusão ao império romano do Oriente, cuja capital ficava em Bizâncio, que se chamava Constantinopla, hoje Istambul na Turquia; o nome Constantinopla vem de 324 quando o Imperador Constantino a conquistou).

Já completamente islamizados, os turcos (que pertencem à etnia turca) conquistaram Constantinopla em 1453, quando praticamente termina o Império Romano do Oriente. Aqui é importante registrar que desde o início do Império Islâmico, a etnia dos árabes comandava o império. Assim, o Império, que era também árabe, virou otomano. Mas, seguiu sendo islâmico, ainda que com outra orientação. Essa era uma região que sofreu muitas ocupações, da mesma forma que a Palestina sofrera. Ali passaram os impérios gregos, macedônio, romano e islâmico.

No período que compreende a ocorrência da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), o Império Otomano integrava a chamada Tríplice Aliança, junto com a Alemanha e o Império Austro-Húngaro. Estes deflagraram uma guerra contra a chamada Tríplice Entènte, integrada pela Inglaterra, França e apoiada pela Rússia czarista. No entanto, o que conhecemos hoje como Turquia propriamente, é mais recente. Sua fundação ocorreu em 29 de outubro de 1923, quando foi proclamada por Moustafa Kemal, mais conhecido como Ataturk (que em turco que dizer “pai dos turcos”).

A localização geográfica da Turquia é estratégica, pois ela separa a Europa de toda a Ásia (recomendo aos que gostam de cinema o filme de David Lean, chamado Lawrence da Arábia, que conta a história de T. E. Lawrence, agente da inteligência inglesa que é enviado ao Oriente Médio para articular a entrada dos árabes na guerra contra o Império Otomano, em troca da independência dos países árabes, que não ocorreu por traição da Inglaterra… mas, isso é outro tema).

A Turquia Moderna

Quando dizemos que a Turquia atual em nada tem a ver com o Império Otomano é porque quando esse império começa a se desmoronar e é finalmente dissolvido em 10 de agosto de 1920, a partir do Tratado de Sévres, assinado pelos vencedores da 1ª Guerra Mundial. Aqui estamos nos referindo a um conjunto de 40 países que vão surgir após o seu fim.

A dissolução do Império foi gradual e não dependeu apenas do final da Guerra. Ele contou com a participação e da resistência dos chamados “Jovens Turcos”, que fizeram uma revolução em 3 de julho de 1908. Contribuiu para isso ainda a Revolta Árabe de 1916. E ainda mais diversos massacres perpetrados pelo império Otomano, em especial em 1915 dos Armênios. Mas houve também os massacres e perseguições do gregos cristãos, dos arameus (syriannes), dos assírios e tantos outros. Agindo como todos os impérios em decadência agem, os Otomanos fizeram barbaridades que colocaram o mundo contra eles. Com esse desmoronamento do Império, os vencedores da 1ª Guerra ameaçam tomar o espólio imperial. Eles ocupam Constantinopla e os gregos Esmirna. A partir daí, em maio de 1919, surge o Movimento Nacional Turco, quando se deflagra o que se chamou de guerra da independência.

O sultanato turco foi abolido em 1º de novembro de 1923 (seu último sultão foi Mehmet I) e o califado foi abolido em 3 de março de 1924. Foi apenas com o tratado de Laussane (cidade suíça), assinado pelos vencedores da 1ª Guerra em 24 de julho de 1923 é que a Turquia será reconhecida (a sua Assembleia Nacional tem a data de 29 de outubro de 1923 como de sua constituição e independência final). Quem emerge como seu grande líder será Ataturk, que governará o país até 10 de novembro de 1938.

É preciso registrar aqui os grandes êxodos populacionais já conhecidos. Milhões de pessoas de etnias não turcas começam a sair do Império Otomano, muito antes de seu fim. Calcula-se que dois milhões de cristãos ortodoxos deixaram a região em função das perseguições que sofreram, entre 1900 e 1920. Uma parte desses cristãos, denominados de syriannes, migrou para o Brasil (estes eram descendentes do povo arameu/caldeu e falavam, além do árabe, o aramaico). Mesmo os que vieram de outras regiões do Oriente Médio até o final do império Otomano, vinham com o passaporte turco e por isso a confusão de chamar de turco os árabes.

Ataturk, de fato, modernizou a Turquia a seu modo. Queria livrar-se de toda a herança dos otomanos e de seu sangrento império. A mais importante medida foi a laicização do Estado turco. A religião foi completamente separada do Estado, ainda que a população turca seja muçulmana em índices que beiram a 100%. Ataturk impôs a mudança da escrita, abolindo a grafia siríaca e impondo a latina com adaptações de sinais e acentos. Estabeleceu a igualdade entre homens e mulheres (essa foi medida positiva). E, aboliu todas as escolas islâmicas no país.

Após o final da 2ª Guerra Mundial, em 1945 e com a criação da chamada “cortina de ferro” e com a chamada Guerra Fria, a Turquia vai se aproximando do campo dos Estados Unidos e da Europa, de forma que em 1952 ela ingressa na OTAN, a Aliança militar Atlântica para conter a expansão e avanço da influência da União Soviética. Não só ingressa na OTAN, como autoriza a construção pelos EUA da maior das suas bases no exterior, que é chamada de Incirlik, onde atuam mais de cinco mil militares e dezenas de aviões dos mais modernos ficam permanentemente estacionados, como que a ameaçar a Rússia atual e todo o Oriente Médio. Fala-se que nessa base existam cem mísseis com ogivas nucleares.

A Turquia sempre viveu instabilidades políticas e mesmo ditaduras cruéis e sanguinárias. Golpes de estado de caráter militar ocorreram nos anos de 1960, 1971, 1980 e 1997, sem falar o mais recente em 15 de julho de 2016 (pouco depois da derrubada da presidente Dilma Roussef aqui no brasil por um golpe parlamentar, apoiado pelo poder judiciário e pela mídia). A reação do governo Erdogan foi fortíssima. O mais respeitado jornal inglês, o The Independent fala em 145 mil prisões e 134 mil demissões de servidores. Outro jornal importante da própria Turquia, o Hurriyet, menciona quase 10 mil militares presos, mais de dois mil juízes e promotores demitidos e também presos. Um verdadeiro expurgo.

Esses golpes na Turquia ocorrem pelo fato que, quando Kemal Ataturk montou e estruturou a Turquia moderna, ele criou uma espécie de Tribunal Constitucional que era quem zelava para que a Turquia fosse sempre como ele a deixou, ou seja, religião separada do Estado. E designou o exército como uma espécie de guardião desse procedimento. Dizem os especialistas que sempre que os militares percebem que o país estaría voltando a se islamizar, eles interviriam diretamente. Aliás, foi o mesmo Tribunal, apoiado pelo exército, que vem observando de perto a vida política de Erdogan e de seu Partido, o AKP – Partido para a Justiça e o Desenvolvimento. Este já teve muitos militantes proibidos de exercer a vida pública por querer misturar atividade política com a religiosa.

Podemos dizer que o grande sonho dessa Turquia moderna, que Erdogan encara muito bem, é ingressar na União Europeia. Pessoalmente, duvido muito que isso venha a ocorrer um dia. Até pelos preconceitos que os europeus têm contra o país, que eles consideram asiático.

A era Erdogan

A Turquia é uma República parlamentarista, com presidente eleito e com amplos poderes, pelo voto direto. Um modelo mais ou menos parecido com o francês, onde existe um primeiro ministro, mas que cuida de tarefas específicas de governar e administrar a máquina pública federal. As pessoas quase nem se lembram quem é o primeiro ministro tanto da Turquia quanto da França, pois seus primeiros ministros não são figuras públicas fortes e nem eleitos diretamente pelo povo, mas indicados pelo próprio presidente. O presidente é o chefe das forças armadas e cuida da política externa e da segurança.

O Partido a que Erdogan pertence é conservador. Nada tem de progressista ou esquerdista. Em muitos aspectos, em especial na economia, é neoliberal. Analistas internacionais falam de um partido “moderadamente islâmico”. Mas, em vários casos e fatos, o governo de Erdogan, seja quando ele foi primeiro ministro, seja como presidente, vem dando demonstrações de aumentar paulatinamente a islamização do país. Houve momentos inclusive de tensão entre ele e as forças armadas e o Tribunal Constitucional. Erdogan tentou derrubar a proibição do uso do veu islâmico, mas recuou.

O projeto de Erdogan deve ultrapassar a 20 anos de poder. Ele venceu as eleições para primeiro ministro em 2003 e governos até 2014 nessa condição. Depois candidatou-se á presidente em 2014, sendo eleito no primeiro turno e se recandidatou-se novamente em 2018, também eleito no primeiro turno. Assim, ele está garantido até 2022, ou seja, praticamente 20 anos.

A Turquia tem hoje em torno de 75 milhões de habitante, a mesma população do Irã (perde em tamanho apenas para o Egito com seus 92 milhões, sendo o maior país do chamado Oriente Médio expandido). O parlamento turco tem 550 deputados (um para cada 136 mil cidadãos; no Brasil essa proporção é de um para cada 403 mil cidadãos). Na Turquia existem 50 partidos políticos legalizados (enquanto no Brasil são só 35 e muita gente fica reclamando do “excesso” de partidos).

Erdogan e o novo Califado

Não é de hoje que Erdogan alimenta o desejo de se tornar um novo Califa ou Sultão. Como muçulmano sunita, ele acaba sendo adepto de correntes no islamismo que pregam a volta desse califado. Por isso faz sentido que ele tenha apoiado quase que abertamente o chamado “Estado Islâmico” (que não é nem estado, nem muito menos é islâmico). São terroristas financiados pela Arábia Saudita que tem por objetivo eliminar muçulmanos xiitas e cristãos, além de outras correntes. Esses mercenários e terroristas chegaram a ocupar uma grande região entre as fronteiras sírias e iraquianas. Hoje encontram-se em seu final de vida, já que vem sendo derrotados pelo exército árabe da Síria, com seus aliados do Irã, Líbano e mesmo do Iraque, apoiados pelos guerrilheiros do Hezbolláh libanês.

A raiz desse pensamento da volta do Califado vem de um grupo chamado Fraternidade Muçulmana, que é muito forte no Egito e Erdogan é um dos seus adeptos mais famosos. Essa organização, que mistura política e religião – por isso chamamos de Islã político – foi fundada em 1928 por dois egípcios, de forma que lá no Egito eles são muito fortes (chegaram a eleger o presidente Mohammad Mursi em 2011, mas foi derrubado tempos depois). Seus dois fundadores são Hassan al-Banna e Sayed Qutb. Essa organização atua em mais de 70 países. Seu lema pode ser traduzido dessa forma: “Allah é o nosso objetivo, Mohammad é o nosso líder, o Corão é a nossa lei e a jihad é o nosso caminho. Morrer no caminho de Allah é nossa maior esperança”.

Por esses dizeres é possível observar o quanto radical esses muçulmanos são. Na prática, eles acabam sendo defensores de um estado teocrático, quando dizem que o Corão (livro sagrado dos muçulmanos) deve ser a lei das pessoas que vivem nos países por eles governados. Eles pregam um tipo de islamismo radical e fundamentalista, onde rechaçam toda e qualquer influência ocidental. As organizações mais ligadas à Fraternidade (ou Irmandade) são a Al Qaeda, organização terrorista fundada por Osama Bin Laden no Afeganistão e pelo Hamas, organização da resistência islâmica palestina que atua na Faixa de Gaza.

Erdogan mantém uma política externa muito dúbia. Ora se aproxima de Israel, ora se afasta dele. Mesmo sabendo que seu sonho de ser europeu vai ficando cada vez mais distante, ele mantém boas relações com a Europa. Alguns autores vêm chamando esse sonho da volta do califado como “otomanismo”. Existe ainda a questão dos curdos, cuja maioria desse povo vive em território turco. Esse é um povo que, ao sonhar também com seu estado e país próprio – que eles chamam de Curdistão – acabam fazendo alianças as mais díspares e muitas vezes equivocadas. No caso da Turquia, Erdogan os enfrenta com firmeza, na mesma medida que os usa no combate ao governo legitimo da Síria do presidente Bashar Al Assad.

Hoje, podemos dizer que esse projeto de Califado, bem como o chamado Estado Islâmico, está praticamente derrotado. E foram derrotados pelo chamado Arco da Resistência, formado na prática pelos países Irã, Iraque, Síria e Líbano, bem como os guerrilheiros do Hezbolláh e mais um conjunto de forças que englobam os comunistas, socialistas, patriotas, nasseristas, cristãos. Não é um acordo formal. Apenas uma aliança política que existe na prática. É como – usando uma linguagem militar – todos marchassem separados, mas golpeassem o mesmo inimigo juntos.

O futuro tanto de Erdogan quanto da própria Turquia

Não há que se negar a importância da Turquia em qualquer cenário no Oriente Médio expandido (22 países árabes, mais o Irã, a Turquia e Israel; quatro povos em uma só região riquíssima em petróleo). Podemos resumir o futuro de ambos relacionado com duas questões:

1. Devemos nos indagar sobre o quanto Erdogan estaría disposto a islamizar o seu país, dando passos atrás com relação à laicidade do Estado turco. Aqui também devemos observar o quanto poderá ser tolerante tanto o Tribunal Constitucional quanto as forças armadas turcas, que são os guardiões da constituição, que sabem de uma progressiva islamização do país;

2. Devemos ainda acompanhar o quanto Erdogan continuará virando suas costas para o mundo muçulmano e seus vizinhos árabes e persas, com seu jogo duplo e ambíguo. Sonhar com uma Turquia europeia é sonho cada vez mais distante, para uma Turquia cada vez mais asiática. Aqui também é preciso ver o quanto ele vai se aproximar ou se afastar de Israel, que ainda ocupa as colinas de Golã na Síria.

Não arriscamos previsões em um país imprevisível como a Turquia. Mas, o limite é uma ruptura total com o Ocidente e os chamados “atlanticistas” (povos do mar como prega Alexander Duguin) e até a saída da OTAN, como parte do eleitorado turco vem defendendo (a oposição hoje representa em torno de 40% do eleitorado). Esse rompimento beneficiaria a Rússia e seguramente mudaría a correlação de forças políticas não só no Oriente Médio como em todo o mundo. Vamos conferir.

Por Lejeune Mirhan, Sociólogo, professor (aposentado), escritor e analista internacional. Foi presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de SP e da Federação Nacional dos Sociólogos. Ministrou aulas na Unimep por 20 anos | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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Governo turco anuncia vitória de Erdogan nas eleições

Um porta-voz do governo turco anunciou neste domingo (24) que o presidente turco, Recip Tayyip Erdogan, conquistou a reeleição com 52,8% dos votos.

Apesar de 95,1% dos votos terem sido contabilizados, o principal partido de oposição da Turquia declarou que o resultado estava muito disputado para ser anunciada a vitória.

O porta-voz do principal partido da oposição, Bulent Tezcan, disse em uma coletiva de imprensa que os votos das maiores cidades ainda não haviam sido contados e previu que as eleições chegariam ao segundo turno. Ele citou os dados do próprio partido, que mostraram que apenas 39% dos votos foram contados e que a porcentagem de votos de Erdogan era de apenas 51,7% no momento.

Foram as primeiras eleições desde que a Turquia mudou para o sistema de governo presidencialista após o referendo constitucional de abril de 2017.

A mudança no sistema político turco ocorreu na sequência da tentativa fracassada de golpe em julho de 2016. Erdogan acusou seu antigo aliado e agora inimigo, o clérigo Fethullah Gülen, baseado nos EUA, de planejar o golpe. O clérigo rejeitou firmemente as acusações.

Após o golpe fracassado, a Turquia está em estado de emergência há quase dois anos.

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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