TIC

Autoridade belga multa Google em 600 mil euros por falha no “direito a ser esquecido”

A autoridade belga de proteção de dados anunciou na terça-feira que impôs uma multa de 600 mil euros à empresa Google Belgium por falta de conformidade no direito a ser esquecido, pedido por um cidadão.

 

Numa decisão histórica para a proteção de dados pessoais, esta foi a multa mais alta aplicada por aquela autoridade até ao momento, segundo explicou a instituição em comunicado, citado pelas agências AFP e Lusa.

O cidadão que apresentou a queixa, cuja identidade não foi revelada, mas que é apresentado como uma figura pública, pediu à Google Belgium para “desassociar artigos obsoletos que danificavam a sua reputação” encontrados através dos mecanismos de pesquisa daquela empresa, refere o comunicado.

“Parte das páginas que ele queria ver desassociadas ao seu nome dizem respeito a uma possível rotulagem política, que o próprio refuta. Uma segunda parte refere-se a uma queixa de assédio contra ele, que foi declarada infundada há muitos anos”, adianta ainda o comunicado.

“A Google tomou a decisão de não remover a referência de nenhuma das páginas em questão”, explicou a autoridade de proteção de dados, que considerou a empresa responsável por uma “violação grave” ao recusar-se a desassociar as páginas relacionadas à denúncia de assédio, porque “os factos não foram provados, são antigos e, provavelmente, têm sérias repercussões” para o autor da denúncia.

“A Google foi negligente, dado que a empresa tinha evidências da irrelevância e dos factos desatualizados”, declarou o presidente da câmara de litígios, Hielke Hijmans, que conduziu o processo.

“Esta decisão é histórica para a proteção de dados pessoais na Bélgica, não apenas pelo valor da pena, mas também porque garante que a proteção completa e eficaz do cidadão seja mantida em casos relacionados a grandes grupos internacionais, como a Google, que possui uma estrutura muito complexa”, afirmou Hielke Hijmans.

Já o presidente da autoridade de proteção de dados da Bélgica, David Stevens, realçou que a decisão “não é apenas importante para cidadãos belgas, mas é também uma prova da ambição de proteger melhor a privacidade ‘online’ em colaboração com parceiros europeus, o que exige ações concretas contra os atores ativos a nível mundial”.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/belgica-google-600-mil-falha-direito-esquecido-335375

Debate Sindical sobre Automação e Teletrabalho

tele trabA CGTP-IN realiza a 16 de Julho, no Hotel VIP Zurique, em Lisboa, um Debate Sindical sobre “Automação e Teletrabalho! Tempos e Ritmos da Ofensiva! Trabalho com Direitos!”.

No contexto das alterações tecnológicas em curso, se o desenvolvimento cientifico e tecnológico fosse colocado ao serviço da humanidade e não da exploração desta e associássemos a redução do horário de trabalho, o aumento das pausas para descanso e aumento dos dias de férias, tudo seria diferente.

No momento em que a pretexto do surto epidémico, algumas empresas procuram apresentar o teletrabalho como a solução ideal, não apenas nas circunstâncias especiais que estamos a viver, mas também para o futuro. Promovem-se ilusões sobre vantagens para os trabalhadores omitindo as consequências negativas.

O debate terá como oradores o Professor Doutor José João Abrantes “Teletrabalho e a Constituição”; o Médico Psiquiatra Dr. José Manuel Jara "A Saúde mental dos trabalhadores em situação de teletrabalho"; o Dr. Joaquim Dionísio (advogado) "Quem ganha e quem perde com a automação: a quem serve a transformação tecnológica em curso?" e o Professor Doutor Rogério Reis "que contradições podem emergir nas relações laborais com a digitalização e automação do processo produtivo?". As conclusões do debate serão proferidas pela Secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha.
DIF/CGTP-IN
15.07.2020

Via: CGTP-IN - CGTP-IN https://bit.ly/308s89g

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazineweb.blogspot.com/2020/07/debate-sindical-sobre-automacao-e.html

Trump diz que convenceu 'muitos países' a vetar participação da Huawei em redes nacionais de 5G

Sede da Huawei em Reading, Reino Unido, 14 de julho de 2020
© REUTERS / Matthew Childs

O presidente norte-americano disse ser pessoalmente responsável por "muitos países" estarem abandonando a construção de redes 5G da Huawei, que afirma ser "risco de segurança".

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na terça-feira (14) em uma coletiva de imprensa que ele próprio convenceu vários países a não fazer negócios com a gigante tecnológica chinesa Huawei em lançar suas redes nacionais de 5G.

"Convencemos muitos países, muitos países, eu próprio fiz isto na maior parte, a não usar Huawei, porque achamos que é um risco de segurança inseguro, é um grande risco de segurança."

Segundo o líder norte-americano, Washington ofereceu aos aliados um ultimato, que disse ser "um risco de segurança":

"Convenci muitos países a não usá-la [a Huawei]. Se quiserem fazer negócios conosco, não podem utilizá-la."

Trump mencionou Reino Unido, Itália e "muitos outros países" como tendo abandonado o negócio, sem, no entanto, confirmar que os convenceu a abandonar os serviços 5G da Huawei, nem especificar os outros países que teria levado nessa direção.

O Reino Unido negou que interferência externa tenha jogado um papel na decisão de excluir a empresa chinesa, diz a Reuters citando a emissora Sky News.

"Bem, todos nós conhecemos Donald Trump, não conhecemos?", disse Matt Hancock, secretário de Saúde britânico.

"Todo o tipo de pessoas pode tentar reclamar crédito pela decisão, mas isso foi baseado em uma avaliação técnica do Centro Nacional de Segurança Cibernética sobre como poderíamos ter os sistemas 5G da mais alta qualidade no futuro."

Em janeiro, o Reino Unido autorizou a empresa chinesa a desenvolver um papel parcial no desenvolvimento da rede 5G, mas Londres decidiu eliminar a Huawei do processo, provocando críticas de politização por parte de Pequim.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020071515833826-trump-diz-que-convenceu-muitos-paises-a-vetar-participacao-da-huawei-em-redes-nacionais-de-5g/

A usina bolsonarista de fake news

A decisão do Facebook de remover uma rede de contas e páginas ligadas ao bolsonarismo, na rede social e no Instagram, é um fato grave, de grande relevância.

 

São contas envolvidas com a criação de perfis falsos e com “comportamento inautêntico”. Ou seja: uma autêntica rede de mentiras, montada por falsificadores para manipular informações e promover práticas do submundo bolsonarista.

E isso inclui a difusão de mensagens ofensivas, anticonstitucionais, contra o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e autoridades da República. A rede de fake news também difundia ataques à veículos de comunicação e, mais grave, espalhava mentiras para disfarçar os graves efeitos da pandemia da Covid-19 e contra governadores e prefeitos que atuam no combate à doença A decisão do Facebook traz provas de que o chamado “gabinete do ódio” de fato existe e se vincula ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao seu clã.

De acordo com a empresa, apesar dos esforços para disfarçar quem estava por trás da atividade foram encontrados vínculos com assessores do presidente e de seus filhos Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL-SP), e Carlos Bolsonaro, vereador da cidade do Rio de Janeiro. Um dos operadores da rede bolsonarista, segundo o Facebook, é Tércio Arnaud Thomaz, assessor especial da presidência República e atua a partir do Palácio do Planalto. Todos operavam uma verdadeira usina de fake news, que participou da campanha presidencial e continuou funcionamento e se fortalecendo.

São provas documentais, relacionadas ao inquérito que tramita no STF, sob o comando do ministro Alexandre Moraes, parte da escalada bolsonarista para romper com o regime democrático e instaurar um regime autoritário, um Estado policial. O que foi revelado também deve ser incorporado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), além de servir de suporte ao inquérito do STF.

São provas também para outras vertentes dos crimes de Bolsonaro, as ações em trânsito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso eleitoral da chapa Bolsonaro-Mourão e o inquérito em curso no STF para apurar a tentativa do presidente de interferir na Polícia Federal (PF), que tem como base acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Aparece, com essas revelações, a ponta do iceberg, com provas documentais da responsabilidade do presidente na usina de fake news contra as instituições, instrumento de sua escalada autoritária.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-usina-bolsonarista-de-fake-news/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-usina-bolsonarista-de-fake-news

Zuckerberg implode o bolsonarismo

 
Mark Zuckerberg diz adeus a desafios anuais para se dedicar ao...
 

Zuckerberg, ao puxar ao tapete da turma bolsonarista, especializada em inverter a realidade com fantasias mentirosas, preserva o negócio dele e joga por terra a armação do movimento fascista tupiniquim que fez do facebook sua morada

 

 

Quem imaginaria fosse tão fácil destroçar o castelo de cartas nazi-fascista de Bolsonaro com uma rasteira dessa? Zuckerberg, o homem forte do Facebook, decidiu tirar do ar o Gabinete do Ódio, instalado no Planalto. Fez isso depois que internacionalizaram as denúncias investigadas pela CPI das Fakenews. Amplificadas e comprovadas viram provas para cassar a chapa Bolsonaro-Mourão no TSE por absoluta abundância de provas.

O Gabinete do Ódio, sobretudo, usou o Facebook, para produzir suas vítimas. Mas, ao fazer isso, colocou em risco o próprio Facebook em escala global. A rede de intriga, essência do poder bolsonarista, encontrou seu grande inimigo internacional: Zuckerberg. Jogar uns contra os outros, inventar, caluniar, mentir, fraudar, destroçar reputações, ameaçar sabotar, tudo de ruim, para conseguir surfar no poder, usando a rede de Zubckerberg o comprometeria irremediavelmente no mercado mundial de comunicação digital. Pensou o pessoal do presidente, instalado no palácio, dispor do poder absoluto, por cima das leis.

As manobras palacianas tinham, até agora, empurrado o assunto com a barriga, nos tribunais. Como usualmente se acostuma no Brasil, algo que vem de longe, os poderosos, quase sempre, se mostram invencíveis. Compram tudo, sentenças nos tribunais, consciências políticas no parlamento, silêncio dos conchavos, armações econômico-financeiras, artimanhas diplomáticas etc e tal.

Mas, eis que de repente uma lei não escrita entra em cena e dá suas coordenadas. Ainda não se chegou ao estágio civilizatório em que a mentira se estabelece como louvor ao bem. Bolsonaro e cia ltda se sentiram absolutos para elevar à N potência a mentiralhada como pretenso valor moral, disparada dos corredores do poder, como organização administrativa governamental.

A mentira parecia que representaria a essência da convivência convencional estabelecida pelos usos e costumes de uma poderosa nova classe de poder incontrastável – a do poder miliciano sem freios. O incômodo se internacionalizou. Foi colocada em xeque a honorabilidade de uma prática de convivência humana em escala global, como a que representam as relações estabelecidas pelo facebook, nas redes sociais. Perigo para sobrevivência comercial de Zuckerberg.

Para não perder o seu negócio, usado para fins nazi-fascistas, capazes de detonar a democracia, ele deu um basta no festival de mentira bolsonarista a serviço do ódio político. Como ficaria o marketing político filosófico que acompanha o sentimento americano de que ao expandir-se globalmente leva consigo os valores democráticos da América?

Zuckerberg, ao puxar ao tapete da turma bolsonarista, especializada em inverter a realidade com fantasias mentirosas, preserva o negócio dele e joga por terra a armação do movimento fascista tupiniquim que fez do Facebook sua morada.

Zuckberger, simplesmente, despejou o inquilino incômodo que estava comprometendo uma revolução das comunicações moderna, o face. Foi, portanto, aviso aos navegantes. Poder privado destruindo usurpação de poder estatal praticada pela bandidagem miliciana.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/zuckerberg-implode-o-bolsonarismo

O fim do dinheiro físico?

(Alexandre Abreu, in Expresso Diário, 09/07/2020)

Não é uma perspetiva tão presente como a generalização do teletrabalho, mas tal como esta última é mais uma mudança social relevante que poderá vir a ser acelerada pela atual pandemia e pela mudança de hábitos que tem vindo a provocar. Refiro-me ao eventual desaparecimento do dinheiro em espécie, ou seja, das notas em papel e das moedas metálicas. Até que ponto é uma verdadeira tendência e até que ponto é que a pandemia está a acentuá-la? E devemos alegrar-nos ou preocupar-nos com isso?

Naturalmente, o eventual fim do dinheiro físico é algo completamente distinto do fim do dinheiro em geral, se entendermos este último, da forma habitual, como meios líquidos de pagamento. Nas sociedades industrializadas contemporâneas, a maior parte do dinheiro não existe sob a forma de notas e moedas físicas mas sob a forma de depósitos bancários, mobilizáveis para a realização de pagamentos através de cartões de débito, cheques ou transferências. Na zona euro, por exemplo,  cerca de 1,3 biliões de euros em circulação sob a forma de notas e moedas (quase 4000 euros por habitante), mas o agregado monetário M1, que além das notas e moedas em espécie considera os depósitos à ordem, era várias vezes maior: qualquer coisa como 9,6 biliões de euros.

O que estamos aqui a falar é por isso da possível tendência para o desaparecimento dos pagamentos em espécie e da sua substituição por pagamentos em cheque ou, mais provavelmente, integralmente digitais. É fácil de perceber a relação com a atual pandemia: apesar de, pelo menos para já, não existir evidência de que o vírus se transmita através do dinheiro, foram muitas as pessoas que nos últimos meses preferiram evitar o mais possível o contacto com as notas e moedas, esses objetos físicos que mais trocam de mãos entre anónimos. A realização de pagamentos em cartão tem sido obrigatória nalguns locais específicos e ativamente recomendada e facilitada por muitos governos: por exemplo, eliminando as comissões sobre os pagamentos em terminais de pagamento automático ou aumentando os limites máximos para pagamentos contactless, como sucedeu em Portugal.

Em boa verdade, pelo menos para já não há sinais de que o dinheiro físico esteja em vias de desaparecimento. No primeiro trimestre de 2020 (até março, portanto), o volume de levantamentos em terminais Multibanco em Portugal reduziu-se face ao trimestre homólogo de 2019, de 6877 milhões para 6586 milhões de euros (-4%). Mas ao nível da zona euro como um todo e considerando os valores até maio de 2020, a quantidade de notas e moedas em circulação registou até  (que é já de si crescente), não uma diminuição.

Apesar disto, os entusiastas de uma futura sociedade cash-less antevêem nas mudanças de práticas dos últimos meses, pelo menos por parte de alguns, o anúncio de um futuro relativamente próximo em que as moedas e notas farão parte do passado e todos os pagamentos serão feitos simplesmente através de um cartão, um telemóvel ou uma pulseira, ativando a transferência eletrónica de fundos de forma puramente escritural e digital. Sem necessidade de deter papéis ou metais que passam de mão em mão, são pouco higiénicos, pesam no bolso e na carteira e são mais facilmente perdidos e roubados.

Porém, as eventuais consequências sociais a que devemos estar atentos vão para além desta mera conveniência imediata e quotidiana para a maioria. Os críticos do fim do dinheiro físico assinalam para começar, que o eventual fim da sua aceitação generalizada tenderá a prejudicar alguns grupos já de si mais vulneráveis, como as pessoas mais idosas, com menos desenvoltura tecnológica ou que não estão integradas no sistema financeiro. É verdade que poucas serão as pessoas na nossa sociedade que não têm algum tipo de conta bancária, mas num mundo sem dinheiro em espécie essa possibilidade torna-se verdadeiramente impossível.

Em 2016, os 1300 milhões de habitantes da India passaram por uma experiência social com semelhanças a este tipo de cenário, quando o governo de Narendra Modi decidiu retirar de circulação as notas de 1000 e 2000 rupias (cerca de 12 e 24 euros) com o objetivo anunciado de combater a economia informal, a evasão fiscal e o financiamento de grupos insurgentes considerados terroristas. Com escassas horas de antecedência, o governo anunciou que mais de quatro quintos do dinheiro em espécie em circulação deixaria de ter curso legal e poderia apenas ser depositado nos bancos ou convertido em novas notas. A operação foi gigantesca e extremamente controversa. Segundo os mais críticos, o impacto sobre a evasão fiscal terá sido limitado, mas o impacto económico e social, especialmente entre as populações rurais e mais pobres, foi substancial. Pelo menos da forma como foi implementada, a medida gerou grande perturbação social, provocando corridas caóticas aos bancos que resultaram em dezenas de mortes, para além de ter provocado uma escassez de meios de pagamento, especialmente nas zonas rurais, que afetou de forma adversa o emprego e os rendimentos dos mais pobres.

Regressando à discussão geral, o eventual fim do dinheiro em espécie representa sobretudo o fim da possibilidade de realização de pagamentos anónimos, e isto pode ter consequências tanto positivas como negativas. A possibilidade, pelo menos teórica, de escrutínio fiscal e judicial de todos os pagamentos e transferências de fundos significa, em princípio, a possibilidade de eliminar, ou pelo menos reprimir substancialmente, a economia informal e grande parte da atividade criminosa. Mas significa também dotar o Estado de uma capacidade de vigilância muito reforçada, com tudo o que isso implica: numa sociedade autoritária, por exemplo, a capacidade de repressão de minorias ou grupos dissidentes, como quer que estes sejam definidos, ver-se-á substancialmente reforçada.

A sociedade cash-less tem por isso algumas semelhanças com a sociedade de vigilância total, da qual constitui uma das componentes: tal como uma câmara de vigilância em cada esquina permitiria evitar muitos crimes e resolver muitos outros mas constrange significativamente a liberdade de todos e potencia o risco de autoritarismo distópico, também o fim do dinheiro em espécie e dos pagamentos anónimos introduz tantos ou mais problemas quanto aqueles que resolve.

É por isso que esta possibilidade é receada e criticada por muitos tanto à esquerda como à direita, principalmente entre quem perfilha posições políticas mais libertárias. É um alerta importante e plenamente válido, que justifica que esta possibilidade, por mais que não esteja imediatamente em questão, deva ser encarada com mais cautela do que entusiasmo.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Milícia digital implodida pelo Facebook é chefiada por Carlos Bolsonaro e deve ser investigada pela CPI e pelo STF

 

247 – A implosão do gabinete do ódio, milícia digital comandada pelos filhos de Jair Bolsonaro para espalhar mentiras e ataques a adversários políticos, pelo Facebook deve dar novo gás às investigações sobre fake news que vêm sendo conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal e pela Câmara dos Deputados.

"A oposição requereu ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes que investigue a ligação de assessores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seus filhos e aliados com 73 contas falsas derrubadas pelo Facebook", aponta reportagem de Renato Onofre, publicada na Folha de S. Paulo. "Moraes é o relator do inquérito que apura a existência de uma rede organizada para propagar ataques às instituições e disseminar fake news", lembra o jornalista, que diz que o grupo implodido pelo Facebook é "tutelado" pelo vereador Carlos Bolsonaro.

“É uma confirmação necessária e reforça o que investigamos até aqui”, diz a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), relatora da CPI das fake news. “Falta agora ação do WhatsApp para chegarmos aos autores de disparos em massa que vem atacando covardemente a honra das pessoas e das nossas instituições”, afirmou o deputado Ângelo Coronel, que preside a Comissão.

Saiba mais em reportagem da Reuters:

(Reuters) -O Facebook suspendeu nesta quarta-feira uma rede de contas na rede social que a empresa disse ter sido usada para espalhar mensagens políticas de desinformação por assessores do presidente Jair Bolsonaro e de dois de seus filhos.

A empresa afirmou que, apesar dos esforços para disfarçar quem estava por trás da atividade, foram encontrados vínculos com as equipes de dois parlamentares, assim como de assessores do presidente e de seus filhos Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que é deputado federal, e Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que é senador.

 

Nathaniel Gleicher, chefe da política de segurança cibernética do Facebook, disse que as contas foram removidas por usarem perfis falsos e outros tipos de “comportamento não-autêntico coordenado”, o que viola as regras da companhia.

Ele disse que não há evidências de que os próprios políticos tenham operado as contas. “O que podemos provar é que os funcionários desses gabinetes estão envolvidos em nossas plataformas nesse tipo de comportamento”, disse ele à Reuters antes do anúncio oficial da empresa.

Procurado pela Reuters, o Palácio do Planalto não respondeu de imediato a pedido de comentários.

 

Flávio Bolsonaro disse em nota que o governo Bolsonaro foi eleito com forte apoio popular nas ruas e nas redes sociais e, por isso, é possível encontrar milhares de perfis de apoio.

“Até onde se sabe, todos eles são livres e independentes”, disse a nota, acrescentando que, pelo relatório do Facebook, “é impossível avaliar que tipo de perfil foi banido e se a plataforma ultrapassou ou não os limites da censura”.

As alegações do Facebook se somam à atual crise política no Brasil, onde apoiadores de Bolsonaro e filhos do presidente têm sido acusados de realizar campanhas online coordenadas para atacar adversários políticos do presidente.

As acusações estão sendo abordadas em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Congresso, a CPMI das Fake News, e também são alvo de uma investigação separada do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre ataques ao Judiciário, que já resultou em operações policiais de busca e apreensão em casas e escritórios de aliados de Bolsonaro.

O presidente, que também é alvo de críticas pela resposta do governo federal à pandemia de coronavírus, disse que a investigação do STF é inconstitucional e pode resultar em censura no Brasil, ao restringir o que as pessoas podem dizer nas redes sociais.

O Facebook está sob crescente pressão nas últimas semanas para policiar melhor como os grupos políticos usam sua plataforma. Centenas de anunciantes aderiram a um boicote destinado a forçar a empresa a bloquear o discurso de ódio, e vários funcionários saíram no mês passado devido à decisão do CEO, Mark Zuckerberg, de não questionar posts inflamatórios de Trump.

O Facebook também suspendeu outras três redes de desinformação nesta quarta-feira, incluindo uma que atribuiu a Roger Stone, um amigo de longa data e conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No caso do Brasil, Gleicher disse que sua equipe identificou e suspendeu mais de 80 contas no Facebook e em seu site de compartilhamento de fotos, o Instagram, como parte da rede de desinformação. As contas acumulavam 1,8 milhão de seguidores, disse ele, e algumas datam de 2018.

Pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Forense Digital do centro de estudos Atlantic Council, que passaram uma semana analisando a atividade identificada pelo Facebook, disseram ter encontrado cinco assessores políticos atuais e do passado que registraram e operaram as contas.

Algumas dessas contas se passavam falsamente por pessoas e veículos de comunicação para espalhar “visões hiperpartidárias” de apoio a Bolsonaro e atacar seus críticos, disse a pesquisadora Luiza Bandeira. Entre os alvos estavam parlamentares da oposição, ex-ministros e membros do STF.

Mais recentemente, as contas também apoiaram as alegações de Bolsonaro de que os riscos da pandemia de coronavírus são exagerados. A doença já matou mais de 66.000 pessoas no Brasil, e o próprio Bolsonaro teve exame positivo nesta semana.

“Sabemos há muito tempo que, quando as pessoas discordam de Bolsonaro, são alvo dessa máquina que usa a desinformação online para ironizá-las e desacreditá-las”, disse Bandeira. “Então, saber agora que parte desses ataques vem de pessoas diretamente relacionadas à família Bolsonaro, isso explica muito.”

Facebook exclui páginas bolsonaristas por postagens de conteúdo falso

Presidente Jair Bolsonaro mexe no celular durante solenidade no Palácio do Planalto
© Folhapress / André Coelho

A rede social Facebook informou nesta quarta-feira (8) que removeu uma série de contas e páginas consideradas falsas, com ligações com a família do presidente Jair Bolsonaro e com o Partido Social Liberal (PSL), legenda pela qual o mandatário se elegeu em 2018.

Segundo a empresa tecnológica, foram apagadas 35 contas, 14 páginas e um grupo no Facebook, além de 38 contas na rede social Instagram, que também pertence à rede criada por Mark Zuckerberg.

"A atividade incluiu a criação de pessoas fictícias fingindo ser repórteres, publicação de conteúdo e gerenciamento de páginas fingindo ser veículos de notícias", declarou o Facebook em um comunicado.

Apesar das tentativas de ocultar a identidade, os responsáveis foram identificados pela plataforma e teriam ligações com os gabinetes de Jair Bolsonaro, Eduardo e Flávio Bolsonaro (deputado e senador, filhos do presidente), de Anderson Moraes e Alana Passos (deputados bolsonaristas filiados ao PSL), e ao próprio partido que elegeu Bolsonaro.

A rede social justificou que essas contas e páginas estavam envolvidas com comportamento inautêntico no Brasil. O Facebook também explicou que o grupo usava uma combinação de contas duplicadas e contas falsas para evitar a aplicação de políticas da plataforma.

Todavia, as contas removidas no Facebook e no Instagram não foram divulgadas. A medida atinge aproximadamente 883 mil pessoas que seguiam uma ou mais dessas páginas no Facebook, os 917 mil que seguiam contas do grupo no Instagram, além do próprio grupo removido que reunia cerca de 350 pessoas.

O Facebook destacou também que chegou ao grupo por meio de reportagens da imprensa e referências levantadas durante audiência no Congresso Nacional, e que os conteúdos postados pelos excluídos variavam de política à pandemia da COVID-19.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020070815808774-facebook-exclui-paginas-bolsonaristas-por-postagens-de-conteudo-falso/

Professores do Reino Unido pedem reavaliação de tecnologia educacional

 

Tecnologia na Educação: A TIC mudando o futuro da Educação

Londres, 4 jul (Xinhua) - Shaun Allen virou professor por uma simples razão: "fazer uma mudança positiva na vida das crianças, a fim de influenciá-las a se tornarem bons seres humanos". Para conseguir isso, ele se esforça para conhecer todos os seus alunos e suas famílias em um nível pessoal.

 

Allen é professor há mais de quatro anos e, na Escola Primária Tittensor, Staffordshire, ele fez um esforço para se tornar um modelo positivo para as crianças da comunidade.

 

Porém, devido à quarentena de COVID-19 e às restrições de distanciamento social, as escolas passaram por grandes mudanças em sua maneira de ensinar. Allen tem se esforçado para se envolver totalmente com seus alunos.

 

"Não ser professor na sala de aula tem sido a parte mais difícil da quarentena para mim", disse Allen à Xinhua.

 

Para Allen, as aulas on-line simplesmente não trazem o mesmo nível de envolvimento das aulas pessoalmente.

 

Ele não está sozinho, muitos professores que enviaram suas opiniões anonimamente à pesquisa "Bem-estar e carga de trabalho dos professores durante a COVID-19 da Universidade de Durham" (junho de 2020), disseram que se sentiram frustrados ou não realizados por meio do ensino on-line.

 

ENSINO ON-LINE NÃO PREPARADO

 

"Trabalhar a partir de um laptop não é apenas fisicamente difícil, mas não é recompensador", afirmou um professor na pesquisa.

 

"Muito pode ser aprendido e entendido a partir da linguagem corporal de um aluno, o que não é possível no ensino on-line. A conectividade está totalmente ausente. Todo aluno acaba de se tornar um número e um nome no ciberespaço", disse outro.

 

Muitas opiniões pareciam repetir os pensamentos de Allen, mas, de acordo com a Dra. Beng Huat See, professora associada da Universidade de Durham e autora da pesquisa, a questão pode não ser a própria tecnologia, mas o tipo de tecnologia atualmente disponível para as escolas.

 

No relatório, apenas 44 por cento dos professores se sentiram adequadamente providos para o ensino on-line.

 

"Eu escrevi pesquisas e fiz vídeos sobre o uso da tecnologia educacional. Na maioria das vezes, eles não funcionam. Alguns deles têm efeitos negativos nas crianças. Precisamos ter cuidado. Precisamos testar essa tecnologia com robustez primeiramente", disse ela.

 

Os resultados da pesquisa mostraram que escolas e professores não estavam bem preparados para a transição para a entrega de aulas remotamente.

 

Ela afirmou que isso era esperado, com uma quarentena tão repentina e inesperada, e que os resultados não foram apenas exclusivos da Inglaterra, mas do mundo inteiro.

 

"Existe uma necessidade urgente de ver que tipo de tecnologia educacional, que tipo de aplicativos ou software são úteis e seguros para as crianças usarem. É necessária uma avaliação adequada da tecnologia antes que as escolas as usem, não podemos simplesmente dar eles, quer queiram ou não, as escolas estão desesperadas por tecnologia e usarão o que estiver disponível", disse ela.

 

A pesquisa registrou as respostas de mais de 3.400 professores em toda a Grã-Bretanha e 66 por cento deles relataram ter muito pouca ou nenhuma experiência anterior no ensino on-line.

 

Apenas um terço disse que se sentia confiante em alguma medida no uso da tecnologia educacional para ministrar aulas on-line.

 

Dra. See acredita que deve haver um esforço maior para incluir mais tecnologia na formação de professores.

 

"Acho que as pessoas precisam se sentar e pensar em como fazer isso sistematicamente em larga escala? Acho que isso também tem implicações na formação e no desenvolvimento dos professores", disse ela.

 

TORNAR A TECNOLOGIA DA EDUCAÇÃO DISPONÍVEL PARA TODOS

 

A adoção repentina do ensino on-line em casa pode ter surpreendido muitos, e o relatório constatou que havia uma preocupação maior com escolas de comunidades mais pobres, onde o acesso a recursos on-line, ou mesmo à internet, não era possível em casa.

 

"Anos e anos atrás, estávamos conversando sobre equipar escolas e crianças pobres com acesso e dispositivos à internet. Não é novidade", disse Dra. See.

 

A partir das descobertas, parece que essa brecha digital e a ampliação do hiato de realização entre crianças ricas e pobres não foram diminuídos.

 

Na pesquisa, muitos professores pediram maiores investimentos do governo em infraestrutura tecnológica, conectividade à internet e financiamento nas escolas para apoiar o fornecimento de dispositivos digitais para crianças carentes.

 

Embora o governo tenha anunciado um pacote centralizado para apoiar algumas dessas crianças, o fornecimento de laptops e tablets, bem como o acesso à internet, foram priorizados para crianças em tratamento, crianças com assistente social e crianças desfavorecidas no ano 10, e isso só ocorreu um mês depois da quarentena.

 

Os dados da pesquisa do Escritório de Estatística Nacional publicados em 2019 declararam que cerca de 60.000 crianças de 11 a 18 anos na Grã-Bretanha não têm conexão com a internet em casa e cerca de 700.000 não têm computador, laptop, tablet ou iPad em casa.

 

Até o momento, essas crianças não foram capazes de se beneficiar de lições ou recursos on-line. Em vez disso, os professores tentaram fornecer pacotes de lições que as crianças podem usar sem precisar estar on-line.

 

DESEJO POR TECNOLOGIA

 

Apesar de mais da metade dos professores (54 por cento) acharem estressante o ensino on-line, houve quem afirmasse ter aproveitado a oportunidade para desenvolver suas habilidades tecnológicas.

 

"Eles foram positivos sobre isso. Disseram que era um meio-fio de aprendizado, mas que estavam aprendendo coisas novas. Alguns até disseram que tinham melhores interações com crianças mais velhas, que não tinham interrupções", disse See.

 

Ela acredita que esta pesquisa ajudará o aconselhamento sobre mudanças nas políticas educacionais no futuro e, esperançosamente, mostrará ao governo que é preciso haver uma avaliação crítica do uso e acesso à tecnologia no sistema educacional britânico.

 

"Sempre pensamos que as crianças não têm acesso a esses dispositivos, mas a pesquisa mostrou que os professores não têm a tecnologia em casa", disse ela.

 

Para ajudar a desenvolver um sistema de tecnologia educacional seguro e protegido na Grã-Bretanha, ela está pedindo ao governo que considere encomendar avaliações robustas independentes do impacto de recursos e plataformas potenciais usados ​​para o ensino remoto antes que eles sejam amplamente adotados.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/06/c_139191653.htm

Quase lá, mas ainda longe: por que precisamos de um imposto digital?

Google, Facebook, Amazon, Netflix, Apple ou Microsoft são algumas das empresas mais presentes no nosso dia-a-dia. São também as que têm registado mais ganhos desde o início da pandemia, devido às medidas de confinamento e às alterações das rotinas de trabalho e socialização. Além disso, estão ainda entre as empresas que menos impostos pagam: algumas estimativas apontam para que, entre 2010 e 2019, estes seis gigantes digitais tenham poupado mais de 100 mil milhões de euros devido a esquemas legais para evitarem a tributação.

 

Numa entrevista à Visão, Pascal Saint-Amans, o diretor do Centro de Política e Administração Fiscal da OCDE, destacou o caso da Netflix, que “normalmente não tem trabalhadores nem escritório onde tem consumidores, como Portugal ou França”, para defender que os gigantes digitais devem ser sujeitos a tributação direta. Saint-Amans deixou uma pergunta no ar: “Onde é criado o valor da Netflix? Na Califórnia, onde estão as pessoas que fazem a programação e concebem as séries ou em Portugal, onde estão as pessoas que veem?”.

Esta é uma das questões mais complicadas. Apesar de aparentemente não pagarmos pelos serviços fornecidos pelo Facebook ou a Google, a verdade é que somos a sua fonte de receitas principal. A razão para isto prende-se com a importância da informação que os utilizadores fornecem às empresas sobre os seus interesses, preferências e hábitos de consumo e de lazer. A informação é crucial para o modelo de negócios destas empresas, que registam enormes lucros com os serviços de intermediação (casos da Uber ou do Airbnb), publicidade online personalizada e transação de dados (como no caso do Facebook e da Cambridge Analytica). A The Economist não se enganou quando classificou a informação como “o petróleo dos dias de hoje”.

Embora operem um pouco por todo o mundo, tem sido difícilestabelecer um sistema de tributação eficaz sobre os gigantes digitais. Em 2017, os ministros das Finanças de França, Alemanha, Espanha e Itália defenderam um “imposto harmonizado sobre o volume de negócios gerado na Europa pelas empresas digitais”. A Comissão Europeia viria a avançar com duas propostas nesse sentido: uma de curto prazo, para criar uma taxa de 3% sobre serviços digitais, e outra de longo prazo, com o objetivo de rever o conceito de “estabelecimento estável” (tradicionalmente utilizado para efeitos fiscais e que liga tributação das empresas ao local onde a atividade é fisicamente desenvolvida) e incluir uma componente relacionada com a “presença digital significativa”. No entanto, não foi suficiente para superar a oposição da Holanda, Irlanda e Luxemburgo, paraísos fiscais que a União Europeia se recusa a reconhecer dentro de portas.

Depois de a OCDE ter anunciado a intenção de 129 países chegarem a acordo sobre um imposto digital até ao final do ano e de alguns meses de trabalho, os EUA anunciaram recentemente a sua saída das negociações. O anúncio controverso motivou protestos de outros países – Bruno Le Maire, ministro das Finanças francês, considerou-o uma “provocação” – e reacendeu o debate sobre a tributação dos gigantes digitais.

No Financial Times, Martin Sandbu foi lapidar: “O atual sistema para evitar a dupla tributação de atividades empresariais transfronteiriças foi desenhado para um mundo que já não existe”, sendo certo que “apenas a inércia e o lobbying empresarial o mantiveram até agora.” O problema de fundo, para Sandbu, é a facilidade com que as multinacionais podem alterar a sua sede para países ou estados onde as taxas efetivas de imposto são mais baixas. O facto de poderem operar em múltiplos países sem precisarem de uma presença física dificulta a tributação e leva à perda de receita nos países onde a atividade é desenvolvida. Exemplo disso é o estudo de Gabriel Zucman, Thomas Torslov e Ludwig Wier, que estimaram que os EUA e as principais economias da Europa perdem entre 14% e 28% da receita fiscal do setor empresarial devido às práticas de transferência de lucros para outras jurisdições. E isso tem uma consequência: menos receita fiscal implica menos financiamento dos serviços públicos ou mais impostos para o resto da sociedade.

O cenário é pouco auspicioso, já que a elisão fiscal está longe de ser um fenómeno pontual. Em 2017, dois investigadores do FMI, Philip Lane e Gian Milesi-Ferretti, olharam para os fluxos internacionais de capital e procuraram perceber as principais tendências. Os autores focaram-se no Investimento Direto Estrangeiro (IDE), o tipo de fluxo considerado mais desejável pelos países, por estar associado a investimentos de longo prazo, transferência de tecnologia e conhecimento do exterior e ser mais estável do que os investimentos de carteira. No entanto, o cenário encontrado por Lane e Milesi-Ferretti foi bem diferente: boa parte dos fluxos de IDE constituía investimento “fantasma”, isto é, movido pela engenharia financeira do setor empresarial.

A investigação recente do FMI e da Universidade de Copenhaga confirmou esta tendência e estimou que mais de 1/3 dos fluxos de IDE (cerca de 15 biliões de dólares) “passam por empresas fantasma vazias” sem qualquer “atividade empresarial real”, de acordo com os investigadores. Os principais beneficiados são a Holanda e o Luxemburgo, que recebem quase metade do investimento fantasma identificado pelo estudo. Alex Cobham, da Tax Justice Network, esclareceu que práticas como a transferência de lucros se tornaram dominantes na economia global: “É simplesmente a forma de fazer negócios hoje em dia”.

Sem surpresa, o objetivo das empresas é pagar o mínimo possível em impostos. Daí que a criação de um imposto digital internacional seja tão importante: é o que permite travar a corrida para o fundo na tributação das empresas e a perda de receita para paraísos fiscais. Numa altura em que pandemia fez disparar as necessidades de financiamento dos Estados, pode ser que o contexto ajude a forçar um debate sério sobre o papel da política fiscal nas nossas sociedades. Há quem diga que nunca se deve desperdiçar uma boa crise.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Zuckerberg perde milhões com saída de Coca-Cola e Unilever das redes

(Comentário:
Um 'incidente' que permite perceber como as chamadas 'redes sociais' estão, efetivamente, sob controlo das grandes multinacionais)
 
28/06/2020
 

Ações do Facebook caem 8,3% após anuncio de boicote das empresas

Após uma série de empresas, como Unilever e a Coca-Cola, afirmarem que irão suspender seus anúncios nas redes sociais, as ações do Facebook tiveram uma queda de 8,3% nesta sexta-feira (26), com uma perda de US$ 56 bilhões (R$ 306,8 bilhões) do valor de mercado da empresa.

Segundo a agência Bloomberg, com essa desvalorização, o presidente da companhia, Mark Zuckerberg, viu sua riqueza recuar US$ 7,2 bilhões (R$ 39,4 bilhões).

Leia mais em Folha de S.Paulo.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/28/zuckerberg-perde-milhoes-com-saida-de-coca-cola-e-unilever-das-redes/

Pela primeira vez, o reconhecimento facial levou à detenção de um homem inocente

Pela primeira vez, um algoritmo de inteligência artificial de reconhecimento facial usado por polícias levou a uma detenção indevida depois de identificar um homem inocente como criminoso.

 

De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, Robert Julian-Borchak Williams, um homem negro de 42 anos, foi preso em janeiro, depois de a polícia de Detroit lhe ter dito para se entregar. Quando Williams chegou à esquadra, foi preso porque a inteligência artificial de reconhecimento facial determinou que era a pessoa vista nas imagens de vigilância de um furto em 2018.

Embora Williams tenha sido libertado 30 horas depois após pagar a fiança e o caso tenha sido julgado improcedente, a sua prisão aponta para um problema muito maior de a polícia usar algoritmos não confiáveis.

Segundo o NPR, especialistas em direitos civis dizem que Williams é o primeiro exemplo documentado nos Estados Unidos de alguém preso indevidamente com base numa pista falsa produzido pela tecnologia de reconhecimento facial.

“Eu suspeito fortemente que este não é o primeiro caso a identificar mal alguém para prendê-lo por um crime que não cometeu”, disse Clare Garvie, advogada da Universidade de Georgetown. “Esta é apenas a primeira vez que sabemos sobre isso.”

Há muito tempo que críticos do reconhecimento facial argumentam que a tecnologia não é suficientemente sofisticada para identificar suspeitos de forma confiável – especialmente de fotografias de vigilância desfocadas.

Além disso, estudos académicos e governamentais demonstraram que os sistemas de reconhecimento facial identificam pessoas de cor com mais frequência do que as brancas.

Os programadores de reconhecimento facial alertaram repetidamente contra o uso da sua tecnologia como única base para uma detenção.

Aliás, o software que a polícia de Detroit usou para identificar incorretamente Williams exibe resultados ao lado do seguinte aviso: “Este documento não é uma identificaçãopositiva. É apenas uma pista de investigação e não é provável causa de prisão”.

ZAP //

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/pela-primeira-vez-o-reconhecimento-facial-levou-a-detencao-de-um-homem-inocente-331847

B-learning ou barata tonta?

joaq-azevedo.JPGQue dizer da ofensiva do eduquês de direita, capitaneado por Joaquim Azevedo, em prol do b-learning, e do seu deslumbramento pela tecnologia educativa?

Também já brincamos com cadeirinhas de rodinhas, senhor professor doutor?…

Em entrevista ao Público, que o apresenta com o duvidoso título de “membro mais antigo do Conselho Nacional de Educação”, ou seja, de decano do situacionismo educativo, o professor da Católica do Porto sai-se com esta:

O b-learning deveria ficar para sempre, mesmo que não haja pandemia.

Talvez a melhor resposta a este encantamento quase alucinado pelos artefactos da tecnologia, descurando o investimento em capital humano, fulcral na Educação, tenha sido dada ontem, também nas páginas do Público, através das palavras lúcidas de Santana Castilho:

Sendo necessária, a modernização digital não resolve o problema de fundo da Educação em 2020/2021, que requererá mais professores, mais assistentes operacionais e mais técnicos especializados. O que é crítico na profissão docente é a dimensão humana. A destreza manipulatória das tecnologias é necessária e extremamente útil, desde que submetida à tutela daquela dimensão, primeira e fundamental. Perdê-la, no vórtice do deslumbramento tecnológico, é perder a dignidade profissional. A Google e a Microsoft respondem pelos dividendos que distribuem aos accionistas. Os professores respondem pela humanidade que acrescentam aos seus alunos.

Futebol é o tema que mais ódio suscita no Facebook em Portugal

(Comentário:

Deve ser por isto que aquele ex-comentarista de futebolês travestido de poliqiqueiro fascista promove tanta ódio e violência nas redes sociais.)

 

De acordo com uma investigação levada a cabo pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, os maiores índices de ódio no Facebook em Portugal estão concentrados no tema do futebol, seguido das notícias que relatam crimes ou agressões.

Estas e outras conclusões resultam de uma análise a 350 comentários, 913 respostas geradas e 23959 palavras contidas nas conversações das publicações das notícias mais partilhadas, mais comentadas e com mais gostos no Facebook nos anos de 2017, 2018 e 2019. Este estudo, realizado por Pedro Rodrigues Costa, investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), analisou a presença do ódio nas ideias, opiniões ou dilemas, revelando que nas notícias mais partilhadas, comentadas e com mais gostos, cerca de um terço revela associação ao ódio, sendo as publicações mais comentadas as que estabelecem maior relação.

Num outro plano, os posicionamentos de conflito (57%) e de controvérsia (27%) nos comentários face à notícia colocada no Facebook geram mais ódio do que as publicações com títulos que apelam mais ao consenso (apenas 21%).

Relativamente às palavras mais utilizadas, “vergonha” e “país” (habitualmente, vergonha de país), “vergonha” e “corruptos” (ou corrupção) e “volta” associado a “para a tua terra” são modos de insultos bastante comuns. A análise à distribuição dos insultos por tema revela também o futebol como temática com maior rácio de insultos, seguido do tema da política e dos temas associados a agressores/criminosos. De acordo com Pedro Rodrigues Costa, “nas publicações mais comentadas ou partilhadas, é comum existir imitação de insultos e de expressões que revelam agressividade. Chamar alguém de «corrupto» ou de «mamão» tornou-se habitual e entrou na corrente de imitações, levando a uma naturalização social de discursos que apelam ao ódio contra determinados grupos sociais. Este tom agressivo tem vindo a aumentar nas redes sociais digitais”. Ainda de acordo com o autor, o artigo estará em breve disponível numa revista académica da especialidade, aprovada por critério científico.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/19/futebol-e-o-tema-que-mais-odio-suscita-no-facebook-em-portugal/

Os computadores resolvem tudo?

many laptop on white background. 3d rendering.«…quem ler o Orçamento verá que o quadro plurianual de programação orçamental 2020-2023, acrescentado noutras rubricas, mantém inalterado o valor para o ensino básico e secundário e administração escolar em 5708 milhões, e nem mais um euro.

Segundo o Orçamento Suplementar, o próximo ano letivo será igual a todos os anteriores ou, pior, igual aos últimos meses. Ambas as ideias são trágicas. A primeira, porque não é concretizável face à pandemia e não fazer nada só agravará alguns problemas estruturais da escola pública. A segunda, porque se baseia na perigosa ilusão de que o sucesso do ensino à distância depende de equipar os alunos, os docentes e as escolas.

Sem equívocos, o programa de modernização digital é uma boa notícia que só peca por tardia, mas não resolve o problema essencial da educação em 2020/2021. As limitações do contacto educativo à distância não decorrem do acesso a computadores, mas do afastamento das crianças e jovens em relação à escola. Esse afastamento tem consequências pedagógicas e sociais e prejudica até direitos fundamentais das crianças e dos jovens.

É dado adquirido que o ensino à distância agrava as desigualdades. A Fenprof realizou um inquérito a 3500 docentes e 93,5% consideraram que o ensino à distância veio agravar as desigualdades entre os alunos. Particularmente preocupante é a ideia de que, em meados de maio, mais de metade (54,8%) dos professores continuava sem conseguir contactar os seus alunos, mas 70,5% estavam a lecionar novos conteúdos. Há dimensões da escola e da educação pré-escolar que não são substituíveis pelo ensino à distância, mesmo que ele se realizasse em condições pedagógicas perfeitas, o que está muito longe de se verificar. A socialização com os pares e com os docentes, dentro e fora das salas de aula, é um contributo insubstituível no percurso de desenvolvimento das crianças e dos jovens. O confinamento em casa impede essa socialização e prejudica de forma particular as crianças e os alunos com necessidades educativas especiais.

Os danos do afastamento serão tão mais permanentes quanto o tempo que ele durar. O que devia estar no centro do debate não são apenas os instrumentos do ensino à distância, mas as condições para o regresso às escolas em tempos de pandemia. Há muitos fatores que têm de ser tidos em conta, mas há um ao qual não é possível escapar: a diminuição do número de alunos por turma e o acompanhamento dos alunos que ficaram para trás durante este período. Vai ser preciso contratar mais professores, mais assistentes operacionais, mais técnicos especializados.

Sobre isto, nem uma palavra no Orçamento Suplementar…» (in jornal i)

O artigo de opinião de Mariana Mortágua coloca o dedo na ferida. A análise pertinente merece ser lida na totalidade, mas a ideia essencial fica bem expressa neste excerto: para combater os efeitos nefastos da pandemia é necessário investir na Educação, e não apenas na compra de computadores. Respondendo à pergunta que intitula o post, não tenho dúvidas responder pela negativa: se não forem acompanhados por outro tipo de medidas, os computadores não irão resolver nada.

As dúvidas que pudesse ter a este respeito esclareci-as no decurso deste longo terceiro período de ensino remoto. Um esforço conjunto do meu agrupamento, da autarquia e de outras entidades locais permitiu fornecer computadores, tablets e ligações à internet a quase todos os alunos que não dispunham destes meios. No entanto, se para alguns isto resolveu o seu principal problema, para outros pouco ou nada mudou: a verdadeira dificuldade está em não serem capazes ou não terem motivação para estudar autonomamente, sem a presença física de um professor ou de um adulto responsável.

Ao fim de três meses de confinamento, ficou claro que crianças e jovens precisam de ir à escola, de conviver e aprender uns com os outros e com os seus professores. Mas enquanto a pandemia não estiver neutralizada, não podem fazê-lo em turmas de 28 alunos, nem usar os espaços escolares como o faziam até aqui. Há necessidade de mobilizar mais recursos – sobretudo recursos humanos, que serão sempre o factor decisivo na organização escolar -, que custam dinheiro. E, a esse respeito, no Orçamento Suplementar, nem uma palavra.

A deputada bloquista conclui, e é difícil não estar de acordo, que as poupanças que se tentem fazer agora na Educação nos custarão bem caro no futuro. Em abandono escolar, em agravamento das desigualdades, em empobrecimento das aprendizagens, em desinvestimento nas novas gerações.

Se as escolas portuguesas fossem agências do Novo Banco, talvez o problema do financiamento fosse mais fácil de resolver…

[Manlio Dinucci] O FACEBOOK CIRCUNDA A ÁFRICA

                        
Muitas indústrias e empresas de serviços estão a falhar ou a redimensionar-se devido ao ‘lockdown’ e à crise consequente. Ao contrário, existe quem ganhou com tudo isto. O Facebook, Google (proprietário do YouTube), Microsoft, Apple e Amazon - escreve o New York Times – “estão a fazer agressivamente novas apostas, visto que a pandemia do coronavírus os tornou serviços quase essenciais”.
 
Todos estes “Tech Giants” (Gigantes da Tecnologia) são dos Estados Unidos. O Facebook - não mais definido como rede social, mas como “ecossistema”, do qual fazem parte o WhatsApp, Instagram e Messenger - ultrapassou os 3 biliões de utilizadores mensais. Portanto, não é de admirar que, em plena crise do coronavírus, o Facebook lance o projecto de uma das maiores redes de cabos submarinos, a 2Africa: com 37.000 km de comprimento (quase a circunferência máxima da Terra), que rodeará todo o continente africano, ligando-o a norte à Europa e a leste ao Médio Oriente.
Os países interligados serão, inicialmente, 23. Partindo da Grã-Bretanha, a rede ligará Portugal antes de iniciar o seu círculo em volta de África através do Senegal, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Gabão, República do Congo, República Democrática do Congo, África do Sul, Moçambique, Madagascar, Tanzânia, Quénia, Somália, Djibuti, Sudão, Egipto. Nesta última secção, a rede será ligada a Omã e à Arábia Saudita. Então, através do Mediterrâneo, chegará a Itália e daqui a França e a Espanha.
Esta rede de grande capacidade - explica o Facebook - será “o pilar de uma enorme expansão da Internet em África: as economias florescerão quando houver uma Internet amplamente acessível para as empresas. A rede permitirá que centenas de milhões de pessoas acedam a banda larga até à 5G”. Esta é, em resumo, a motivação oficial do projecto. Para pô-la em dúvida, basta um facto: na África subsariana, cerca de 600 milhões de pessoas não têm acesso à electricidade, o equivalente a mais da metade da população. Então, para que servirá a rede de banda larga?
Para ligar mais estreitamente às empresas-mãe das multinacionais, as elites africanas que representam os seus interesses nos países mais ricos em matérias-primas, enquanto aumenta o confronto com a China, que está a reforçar a sua presença económica em África. A rede também serve outros propósitos.
Há dois anos, em Maio de 2018, o Facebook estabeleceu uma parceria com o Atlantic Council (Conselho Atlântico), uma influente “organização não partidária”, com sede em Washington, que “promove a liderança e o compromisso USA no mundo, juntamente com os aliados”. O objectivo específico da parceria é garantir “o uso correto do Facebook nas eleições em todo o mundo, monitorando a desinformação e a interferência estrangeira, ajudando a educar os cidadãos e a sociedade civil”.
Qual é a honestidade do Conselho Atlântico, particularmente activo em África, pode ser deduzido da lista oficial de doadores que o financiam: Pentágono e NATO, Lockheed Martin e outras indústrias de guerra (incluindo a italiana Leonardo), ExxonMobil e outras empresas multinacionais, o Bank of America e outros grupos financeiros, as Fundações de Rockefeller e Soros.
 
Ø A rede, que ligará 16 países africanos a 5 aliados europeus da NATO, sob comando USA e a 2 aliados USA no Médio Oriente, poderá desempenhar um papel não só económico, mas político e estratégico.
 
Ø O “Laboratório de Pesquisa Digital Forense” do Conselho Atlântico, através do Facebook, poderá comunicar diariamente à comunicação mediática e aos políticos africanos quais as notícias que são “falsas” e quais as “verdadeiras”.
 
Ø As informações pessoais e os sistemas de rastreio do Facebook podem ser usados ​​para controlar e atingir os movimentos da oposição.
 
Ø A banda larga, mesmo em 5G, pode ser usada pelas forças especiais USA e por outras, nas suas operações em África.
 
Ao anunciar o projecto, o Facebook sublinha que África é “o continente menos ligado” e que o problema será resolvido pelos seus 37.000 km de cabos. No entanto, podem ser usados como uma versão moderna das antigas correntes coloniais.
Manlio Dinucci
il manifesto, 16 de Junho de 2020
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
Webpage: NO GUERRA NO NATO
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

A medalhinha da Microsoft

MIE«A pandemia de COVID-19 ditou a adoção das aulas online nas escolas um pouco por todo o mundo e Portugal não foi exceção. Embora os problemas no acesso ao ensino à distância continuem, levando o Governo a investir 400 milhões de euros na Escola Digital, os mais recentes dados da Microsoft apontam uma tendência positiva: Portugal é o quarto país europeu com mais professores inscritos no Centro para Educadores da gigante tecnológica.

A Microsoft detalha em comunicado que, em abril, o número de educadores inscritos quadruplicou, atingindo a mais elevada taxa de crescimento da Europa. Ao todo, Portugal é agora o décimo terceiro país com mais professores na plataforma.

No Centro para Educadores, os docentes têm acesso a cursos e formações gratuitas e, à medida que avançam, podem tornar-se Microsoft Innovative Educators (MIE), podendo alcançar ainda a categoria de MIE Exclusive. O programa exclusivo permite trabalhar de forma mais próxima com uma comunidade de educadores inovadores internacionais e as candidaturas estão abertas até 15 de julho.

O anúncio chega na mesma altura que as soluções para educação à distância da Microsoft alcançaram mais de 150 milhões de utilizadores, com o Teams, a plataforma de videoconferência da empresa, a ser utilizada como o ponto central de muitas aulas à distância.» (in tek.sapo)

Não me interpretem mal. Desde que não se queira reduzir o professor ao papel de um técnico de software educativo, esquecendo a dimensão humana fundamental na profissão, a formação nas novas tecnologias é útil e necessária aos professores. Como é evidente. E longe de mim, também, menosprezar o esforço dos colegas, o gasto de tempo e de energias que a formação em tempo de aulas implica.

O que me desagrada é ver as multinacionais a conquistar terreno no sector da educação e alguns professores a servir de seus propagandistas, iludidos com as medalhinhas que a Microsoft distribui. Como se o critério para ser “inovador” fosse simplesmente seguir a cartilha que a empresa destinou aos professores.

Claro que não vem mal ao mundo se, numa classe tão numerosa e diversa, uns procurarem a formação da Microsoft, outros da Google, outros ainda das plataformas dos grupos editoriais e, importante não esquecer, do software livre e de qualidade que também existe por aí. O que me parece preocupante é que um país que, em tantas coisas, caminha na cauda da Europa, se faça gala de estar entre os primeiros no uso da plataforma educativa da Microsoft.

A forma como os professores portugueses se vão deixando seduzir pelo canto da sereia das multinacionais, que por detrás das formações e dos acessos grátis espreitam o imenso potencial do mercado educativo e dos jovens clientes que os professores e as escolas se dispõem a oferecer-lhes de bandeja, é reveladora também a outro nível. Traduz a completa despreocupação do ME em oferecer às escolas plataformas, redes e serviços fiáveis e adequados às necessidades do ensino remoto, uma realidade que, de uma forma ou de outra, veio para ficar.

Ao nível da gestão escolar temos, como sabemos, uma miríade de aplicações e plataformas onde são constantemente lançados dados administrativos de todo o tipo, muitas vezes duplicando e triplicando informação. Gastam-se milhões num elefante branco virtual, a que chamam E360 e ao qual, apesar das promessas, ainda ninguém descobriu uma verdadeira utilidade. O ministério dito da Educação descura por completo a dimensão e o potencial pedagógico das TIC, como se fosse uma mera repartição administrativa, preocupado apenas em manter a papelada virtual bem arrumada, sem responsabilidades perante as escolas, os alunos e os professores.

Deixados por sua conta, os professores vão, por sua iniciativa, desbravando caminho…

 

As virtualidades do virtual

(José Gameiro, in Expresso, 13/06/2020)

Não há muito tempo, um jovem disse-me uma frase que me fez pensar. “Os mais velhos ainda não conseguiram perceber que, digam o que disserem, todas as tecnologias que nós usamos são para ficar. Podem ir mudando, mas não voltam para trás.” E acrescentou: “Parece que se esquecem das inovações que surgiram quando eram novos.”

Agora, em plena pandemia, recordei esta — não sei bem se lhe devo chamar “cházada”. As chamadas redes sociais foram, nos últimos anos, o “diabo” para muitos. Porque são um local de livre expressão, em que cada um diz o que pensa, apoia, critica, insulta os outros, tenta manipular pessoas, situações, comete fraudes, “cusca” os que lá se expõem, a relatarem, em direto, a sua vida. E fá-lo, na maioria das vezes, a coberto do anonimato…

Não me venham dizer que são resquícios da ditadura, as pessoas são o que são, e os portugueses não são particularmente frontais. A frontalidade é quase anticultural e malvista… A internet, em Portugal, começa nos anos 90. No seu início, muito centrada nas universidades, mais tarde alargada aos serviços e às pessoas. Mas é em 2004 que começa a tecnologia 3G e as redes sociais começam a divulgar-se, maciçamente.

Este alastramento do seu uso é particularmente notório nos jovens, primeiro nos de famílias com maior poder económico — a net não era acessível para muitos —, mas progressivamente é massificada com a baixa de preços e os pacotes de serviços ilimitados. Recorrentemente surgiam as críticas, algumas exageradas, outras previdentes, nos riscos da sua utilização pelos mais jovens e incautos, que, por vezes, foram apanhados em situações graves.

Agora imaginem estes tempos de pandemia sem internet. Em vez de teletrabalho, tudo em casa sem trabalhar, aulas completamente paradas, serviços inexistentes, comunicações lentas e difíceis, impossibilidade de conversas pessoais ou profissionais com mais de duas pessoas.

Imaginem os jovens sem poderem comunicar a toda a hora com os amigos, com os amores, com a família distante, em particular com os avós, tão importantes. Sem aulas, sem programas digitais que permitem centenas de pessoas, em simultâneo, numa aula ou numa conferência.

As redes sociais nesta pandemia foram fundamentais para ajudarem a manter a saúde mental de quem se viu, de repente, quase completamente isolado. O melhor ansiolítico e antidepressivo é poder falar com os outros, mais próximos, ou mesmo técnicos, quando a situação emocional se agrava.

Todos recebemos diariamente centenas de mensagens. Muitas são piadas. O humor, mais ou menos cáustico, mais ou menos brejeiro, tem sido fundamental para aliviar a tensão. Quantas vezes nos rimos, no meio disto, com as pequenas histórias que nos chegam. Como uma das que mais circularam: “Ao fim deste tempo em casa, até acho que a minha mulher é simpática.” Ou: “Quem não estiver confuso não está bem informado.” Ou: “Em breve, temos de caçar para comer, e eu não sei onde vivem as pizas.”

Foi o virtual e a esperança de que o confinamento não durasse muito tempo que nos aguentou estes meses. Infelizmente, as virtualidades do virtual não irão ajudar muito a grave crise económica que já aí está e de que, por muito que os economistas se esforcem, com as suas bolas de cristal, ninguém sabe a profundidade e a duração. Há uma coisa que podem já prever, sem receio de errarem. Não vai ser igual para todos.


 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Maravilhas da tecnologia informática – e os seus conhecidos malefícios

por Alexandre Weffort
 Passaram 30 anos sobre a apresentação de Yume (Sonhos) do cineasta Akira Kurosawa, à margem da competição, no Festival de Cannes de 1990. A memória dos oito sonhos de Kurosawa impõe-se nestes tempos de pandemia, guiando a reflexão em torno das questões tecnológicas. Kurosawa louva a vida, perante a incerteza de uma humanidade que caminha na senda do conflito nuclear, evocando figuras míticas da cultura nipónica: "Um raio de sol através da chuva"; "O jardim dos pessegueiros"; "A tempestade"; "O túnel"; "Corvos"; "Monte Fuji em chamas"; "O demónio que chora"; e, a finalizar, "O vilarejo dos moinhos". Neste último quadro, um ancião explica ao viajante a decisão tomada há muito tempo pela aldeia de recusar a influência poluidora da tecnologia moderna, retornando a modos de vida arcaicos em busca de uma sociedade mais limpa e feliz. O quadro mostra uma procissão fúnebre, o funeral de uma mulher. Mas, ao invés de um luto carregado, a aldeia escolhe celebrar antes a existência e o final de uma vida feliz.

Tecnologia informática na pandemia

A pandemia obriga ao confinamento, o confinamento ao uso intensivo das redes sociais e dos meios de comunicação informatizados. Milhões de crianças passam a realizar as aprendizagens escolares com recurso às tecnologias cibernéticas. A internet dá mais um passo no sentido da cobertura das múltiplas dimensões da vida humana. Dos objectos tecnológicos (computadores, tablets, smartphones, routers, etc.) com que se concretiza a internet enquanto ferramenta de comunicação humana passamos gradualmente para a "internet das coisas" – das coisas transformadas em entes comunicantes (os veículos, os semáforos, os mais variados aparelhos domésticos, da televisão à simples lâmpada de iluminação).

A tecnologia informática cobre paulatinamente todos os espaços, gestos e hábitos humanos, dominando o modo de realização das diversas actividades, mesmo daquelas que sempre se realizaram, positiva e plenamente, sem o recurso a tal tecnologia. A internet torna-se omnipresente e procura ser omnisciente (traços que merecem reflexão de todos, presentes nas utopias em que se fundam as diversas formulações ideológicas, nomeadamente do foro religioso).

Vivendo num casulo electromagnético

Um novo passo da tecnologia informática de uso doméstico aparece com a proliferação de soluções de rede "wi-fi mesh". Ou seja, de aparelhos que produzem a sincronização de "routers" (aquelas caixinhas que distribuem o sinal da internet sem fios em nossas casas), aparelhos que já vêm dotados de capacidades de fluxo de dados elevado, proporcionando a passagem do comum padrão 2.4G para o 5G (ou seja, passar de emissões de frequência rádio da banda dos 2,4 GHz para os 5.1 a 5.8 GHz) e, nessa passagem, ao recurso a ondas cada vez mais curtas (os aparelhos de cozinha por micro-ondas utilizam frequentemente 2,54 GHz). E, para reforçar a presença do sinal de rede, a rede "wi-fi mesh" pode ainda conectar-se à rede elétrica doméstica, utilizando-a como se fosse uma antena de reforço da presença do sinal "wi-fi" (ultrapassando assim as barreiras físicas, como sejam os pisos e as paredes de betão). Estamos, assim, prontos para a omnipresença da radiação electromagnética nas nossas vidas. Mas... Isso será bom?

Referimos já o uso dessa forma de energia para cozinhar alimentos (os fornos micro-ondas). E conhecemos também uma variedade de artefactos bélicos, baseados nas micro-ondas, designados genericamente por AED (armas de energia dirigida). A questão foca-se no termo que qualifica este tipo de energia - a radiação - e no seu uso indiscriminado dentro do espaço doméstico. As redes "wi-fi mesh" transformam a nossa casa literalmente numa antena de radiação eletromagnética virada para dentro, que nos envolve como um casulo.

Decorrente do confinamento e da prática do teletrabalho, acabamos por transformar as nossas próprias casas em centros produtores de radiação, vivendo literalmente dentro deles. Enquanto tal resultar de uma opção individual, do modo de fruição lúdica das tecnologias, estaremos num âmbito restrito do problema, na sua esfera privada. Mas quando essa é a forma de concretização da "escolaridade obrigatória" à qual são remetidos milhões de jovens, passamos à esfera pública e à necessidade de responsabilização dos decisores políticos.

A 5ª geração de sistemas sem fios – o 5G

Assistimos, nos meses percorridos pela pandemia, a situações de ataques a antenas de transmissão 5G e à teoria destas como promotoras do surgimento do novo coronavírus. Aquelas antenas que foram destruídas ou incendiadas transportavam também o sinal de comunicação noutras frequências (2G, 3G, 4G) utilizadas para a coordenação dos esforços de combate à pandemia. E uma parcela da argumentação tratou de focar, como alvo da crítica, a empresa chinesa Huawei, uma das mais fortes a nível mundial neste ramo de actividade, envolvida numa verdadeira guerra comercial polarizada entre a China e os Estados Unidos, embora haja outras empresas e outros países também a considerar neste âmbito. A guerra movida pelo governo dos EUA à Huawei tem como finalidade garantir o monopólio tecnológico – e a energia 5G da Huawei será tão nociva como a da Nokia, da Ericsson, da ZTE ou da Samsung.

O sistema 5G encontra-se já na fase de implantação comercial no Reino Unido, em Itália, em Espanha, na Alemanha, na Áustria, na Finlândia, na Roménia e na Estónia. Em Portugal, o sistema 5G encontra-se na fase de regulamentação. Pode ler-se no preâmbulo da Resolução do Conselho de Ministros n.º 7-A/2020, de 7 de Fevereiro:

"O 5G apresenta características que o tornam um poderoso instrumento da transição digital. A nova tecnologia de rede que agora emerge é a geração "gigabits", estimando-se que permita a transmissão mais rápida de um volume de dados muito maior (cem vezes superior), de forma praticamente instantânea (latência cinquenta vezes inferior), bem como a conexão de muitos mais dispositivos (um milhão de dispositivos por quilómetro quadrado)". E, no art.° 13°, alínea c), que compete ao governo: "Desenvolver e publicitar estudos relativos ao eventual impacto do 5G na saúde pública com o objectivo de dotar a população de informação rigorosa sobre o assunto".

Não abona especialmente os cuidados de saúde pública, num país que realiza conferências de imprensa diárias dedicadas à pandemia da COVID-19, verificar-se que o estudo do "eventual impacto do 5G na saúde pública" se deverá fazer com o objectivo de informar a população, mas em nada interfere na decisão de se proceder à sua implantação no território nacional, na rede de ensino e de hospitais públicos. Na senda das preocupações dominantes, o potencial económico do sistema 5G sobrepõe-se claramente a qualquer preocupação relativa à saúde pública. Para a conclusão ser outra, os estudos deveriam ser feitos antes de se tomar a decisão de instalar o sistema.

Não há ainda uma relação de causalidade comprovada entre o 5G e o aparecimento da COVID-19, mas esse dado - não haver comprovação - não significa que tal não possa existir. Pode resultar de algo simples: não terem sido promovidos estudos nesse sentido (pelo menos, em Portugal). Mas devemos acreditar que, em resultado da resolução citada, quando forem feitos os estudos pertinentes seremos certamente informados disso (isto é, se os estudos forem realizados, não esquecendo a forte e directa vinculação estabelecida hoje entre o meio académico e o interesse das indústrias).

O paralelo com a Talidomida

Retrocedendo na história, em finais da década de 1950 uma empresa farmacêutica comercializou um medicamento passível de venda sem receita médica, dadas as garantias de segurança afirmadas pelo fabricante, que provocava malformações nos fetos, atingindo mais de 10 mil crianças. Depois de retirado dos mercados (primeiro, dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha e, depois, de outros países), continuou a ser comercializado - com outro nome - no Brasil, tardando ainda uns anos a ser completamente retirado de circulação.

O comportamento da indústria farmacêutica foi, comprovadamente, com condenações na justiça, criminosamente negligente. O paralelo coloca-se, desde logo, na afirmação de segurança do produto para o consumo: razões de mercado fizeram saltar etapas nos testes requeridos para a colocação no mercado de um determinado medicamento; o mesmo se aprestam a fazer governos e indústrias farmacêuticas em relação à vacina para a COVID-19 ou, como fez Donald Trump, acolitamente seguido por Bolsonaro, na promoção da cloroquina e da hidroxicloroquina como medicamento adequado àquela doença.

Mas um outro paralelo foi apontado, já há alguns anos, em relação à tecnologia 5G e à Talidomida: a possibilidade de, pela potência, comprimento de onda e frequência, a radiação electromagnética produzida pelos sistemas "wi-fi" ser potencialmente prejudicial à saúde humana (e animal, em geral) e interagir com o meio ambiente (inclusivamente, no comportamento dos processos virais).

Evitando basear este texto em fontes sujeitas a grande polémica, envoltas na bruma das chamadas "teorias da conspiração" (como as denúncias protagonizadas por Berrie Trowers - investigador que sugere o paralelismo entre a tecnologia 5G e a Talidomida - ou o livro de Severac Claire, "A guerra secreta contra os povos", onde as questões aqui afloradas são objecto de aprofundamento), procuremos o olhar de uma fonte mais neutral (face às polémicas referidas).

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer) , do Ministério da Saúde do governo federal do Brasil:

"A radiação não ionizante é uma modalidade de radiação de baixa frequência e baixa energia, também denominada de campo eletromagnético, que se propaga através de uma onda eletromagnética, constituída por um campo elétrico e um campo magnético, podendo ser provenientes de fontes naturais e não naturais. Os dois principais subtipos de campos eletromagnéticos são:
– Eletromagnéticos de frequência extremamente baixa: Ondas de rádio - oriundas da rede elétrica e dos equipamentos elétricos e eletrônico.
– Radiofrequência/micro-ondas: Telefones celulares e sem fio, antenas de telefonia celular instaladas nos aparelhos móveis e nas torres, radares e transmissões de rádio e TV, luz elétrica, torres de transmissão e distribuição elétrica, fiação elétrica em construções, equipamentos que emitem radiação infravermelha, redes Wi-Fi.

(...) A exposição aos campos não ionizantes não é um fenômeno recente, embora a exposição não natural tenha aumentado no século XXI em função das demandas por eletricidade, aprimoramento tecnológico e mudanças no comportamento social. Quanto maior a intensidade do campo magnético externo maior a circulação de corrente no interior do corpo humano. Tanto os campos elétricos como magnéticos podem, quando suficientemente intensos, produzir estimulação em nervos e músculos ou afetar outros processos biológicos. As evidências sugerem que a exposição crônica à radiação não ionizante de baixa frequência e fontes de campos eletromagnéticos de frequência extremamente baixa pode aumentar o risco de câncer (cancro) em crianças e adultos" .

O texto é de teor didático e aborda os mesmos problemas atrás referidos como sujeitos à pecha de "teoria da conspiração": a potencial influência negativa para a saúde decorrente da exposição à radiação eletromagnética. Problemas de uma temática conhecida e que, pelo teor da resolução do governo português já referida, não justificaram maior investigação ou cuidado (antes de se decidir pela implantação do sistema 5G no território, nas escolas, nos hospitais, nas casas que hoje se querem "inteligentes").

Ecologia e ideologia

Pelas boas e pelas más razões, a "internet das coisas" deixou de ser um tema de interesse exclusivo de especialistas e passou a integrar o cardápio das temáticas correntes. A discussão destas questões terá de libertar-se, é certo, da atribuição preconcebida da etiqueta "teoria da conspiração" e ser assumida pela sociedade civil nas suas múltiplas dimensões (filosófica, científica, ética e técnica, desejavelmente por esta ordem de prioridades).

Foi inversão das prioridades e o abandono do critério ético que permitiram a existência da Talidomida. O que acontecerá com as tecnologias da informação? Continuaremos indefinidamente a fruir ingenuamente da tecnologia como valor autónomo, desligado das demais esferas da vida, chegando a sobrepor-se mesmo ao critério prioritário do respeito à vida?

Epílogo

O nono sonho de Kurosawa não chegou a ser filmado. Por razões orçamentais, a celebração do fim do pesadelo nuclear não integrou Yume. Nem esse objectivo foi realmente atingido, como demonstram o desenvolvimento armamentista das grandes potências, seja a nível nuclear, seja pelo recurso a novas armas onde os sistemas informáticos (e a chamada "inteligência artificial") são, cada vez mais, determinantes e onde a velocidade de comunicação em rede desempenha um papel crucial.

27/Maio/2020

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/5g_27mai20.html

O ensino não é isto!

ead-fenprofEnsino não é isto, nem nada que se pareça! – afirmou, assertivo, um dos docentes que respondeu ao inquérito da Fenprof sobre o ensino a distância que, em virtude da pandemia, foi implantado nas escolas portuguesas.

Entre os mais de 3500 professores e educadores que responderam, nota-se a percepção clara de que, ainda que esta possa ter sido a resposta possível perante as circunstâncias que ditaram o fecho das escolas, ela está longe de constituir uma resposta satisfatória às necessidades dos alunos.

O E@D exclui um elevado número de alunos e, apesar da exaustão a que leva os professores, tem conduzido a aprendizagens pobres e limitadas. Quando já se fala em continuar a brincadeira pelo próximo ano lectivo, é altura de assentar os pés na terra e prestar atenção a abordagens sérias e realistas acerca do ensino não presencial, construídas a partir do conhecimento e das percepções de quem está no terreno. De quem lida com a frustrante realidade de um modelo de pseudo-ensino que, de dia para dia, vai cavando cada vez mais o fosso da desigualdade no acesso à educação. E deixando um número crescente de alunos para trás…

«As respostas dos professores não deixam dúvidas, com a opinião maioritária a resumir-se numa afirmação que se poderá tornar icónica: O ensino não é isto, nem nada que se pareça!

Apesar disso, os professores, como sempre, foram solidários com os alunos e colocaram ao seu serviço as casas, o computador, a Internet, o telemóvel e, até, a sua privacidade. Fizeram-no porque, desde cedo, perceberam que a tutela não estava a fazer a sua parte. Não a de emitir ordens, orientações, circulares, disposições, plataformas ou aplicações, pois essas têm jorrado em cascata, mas a de, atempadamente, criar condições efetivas para o que designou por E@D. Deixou cada um à sua sorte e todos por sua conta.

Nas respostas abertas, há dois tópicos que os professores destacam:

– A desigualdade entre os alunos, que se agravou, em alguns casos, perigosamente. Assinalam, como principais razões, a falta de apoios, que, para alguns, são absolutamente indispensáveis e, também, as questões de ordem social que, já tendo contornos graves, se tornaram ainda mais problemáticas, com dois milhões de trabalhadores a ficarem em layoff ou no desemprego. Esta situação tem forte repercussão no funcionamento das famílias, designadamente no acompanhamento dos filhos;

– O desgaste dos professores, que manifestam enorme cansaço, decorre de diversos fatores, que vão da necessidade de adaptação a um modelo inédito de atividade até ao facto de ser bastante mais complicado, estando distante, acompanhar todos os alunos e satisfazer as necessidades educativas específicas de cada um; contribui, ainda, para este desgaste o facto de a atividade profissional ter tomado conta de todas as horas do dia e, ao invadir a casa de cada professor, dificultar a sua indispensável e saudável separação da vida familiar.

Confirma-se que, a meio do terceiro período letivo, mais de metade dos docentes ainda não tinha conseguido contactar com todos os seus alunos; apesar disso, mais de dois terços avançaram novos conteúdos curriculares, impelidos que foram pelas direções de algumas escolas e pelo ministério da Educação; porém, de entre esses docentes, é significativo o número dos que afirmam não considerar esses conteúdos na avaliação que farão dos seus alunos. Conscientes dos défices que se verificarão no final do presente ano letivo, os professores consideram inevitável, em 2020-2021, tê-los em conta, tentar superá-los e reforçar os apoios pedagógicos aos alunos» (in fenprof)

Os resultados completos do inquérito encontram-se aqui.

A falsa horizontalidade das manifestações intermediadas pelas redes sociais

No intenso e desgastante debate sobre se manifestantes deveriam tomar as ruas, mesmo durante a pandemia, não faltam aqueles que alegam que não podemos apenas ficar em casa nos comunicando pelas redes sociais. Existe, nesta acusação, uma grande confusão entre a necessidade de ficar em casa, o que impulsiona os manifestantes a irem para as ruas e o papel das redes sociais.

 

 

Importante deixar claro que defendo que lutar contra o Bolsonaro hoje é lutar pela quarentena, pelo isolamento social, pela vida, e não sair para rua e dar os braços para a morte. Existem formas e formas de protestar. Causar aglomeração hoje, só ajuda o desgoverno fascista.

Dito isso, quero me ater à questão das redes sociais e como sua influência vai para muito além do nosso sofá.

É um engano pensar que atos como o que ocorreu dia 31 de maio, na Avenida Paulista, dispensam as redes sociais. Não só não dispensam, como estão tão ou mais amarradas a elas quanto quem “ficou apenas em casa”. Isso porque estas manifestações sem liderança política conhecida e organizada são, justamente, resultado da ampla abrangência das articulações virtuais. Elas são organizadas, infladas, repercutem e geram engajamento através de postagens e viralizações.

Não é algo ruim em si. Não compreender esse mecanismo é o problema. Problema porque as manifestações organizadas desta forma sustentam uma aura de espontâneas, voluntárias e sem intermediários, quando, na verdade, são intermediadas por empresas como Facebook e Twitter. Isso é uma grande armadilha, uma vez que reforça a campanha de negação e desmoralização dos partidos e movimentos sociais, sobretudo o movimento sindical, travada com afinco pelo establishment.

Assistimos aqui no Brasil, em 2013, um fenômeno inédito no qual milhões de brasileiros foram para as ruas. Se inicialmente o protagonismo pode ser atribuído ao Movimento Passe Livre, em algum momento a situação fugiu do controle, passando a consistir em um movimento horizontal sem nenhuma liderança. Assim como no Brasil, os Coletes Amarelos, na França, os grandes levantes no Chile, etc, estão concatenados pelo potencial que se abriu com a disseminação dos smartphones e aplicativos de comunicação. É perigoso, entretanto, prescindir de comando, experiência e planejamento. Tanto é perigoso que, a despeito da grandiosidade destes eventos, o que se verificou desde 2013 não foi a ascensão de governos populares. Pelo contrário, o que cresceu foi uma direita retrógrada e fascista que pensávamos que estava enterrada desde a redemocratização de 1985.

Esta falsa horizontalidade reforçada pelas facilidades proporcionadas pela internet atende, desta forma, à um projeto de destruição de instituições democráticas e sociais que tradicionalmente organizam e reportam manifestações populares. Tais instituições, que abrangem os partidos, os sindicatos, a imprensa, os poderes, entidades de classe, etc, devem ser questionadas, criticadas e aprimoradas sim, mas devem, antes de tudo, ser assimiladas e apropriadas pelo povo, não destruídas.

Elas são mais representativas uma vez que baseiam suas ações em um grande debate interno e em um constante processo de construção. Por isso mesmo não podem valer-se de soluções apressadas e enganosas. As redes sociais, por sua vez, com sua infinita capacidade de produção de manifestações, não assumem compromissos políticos e sociais.

O jogo fica claro quando, no dia 31 de maio, início das mega manifestações nos EUA em protesto ao assassinato de George Floyd, o dono do Facebook, Marck Zuckerberg, lançou uma nota de apoio aos protestos em sua página oficial e, por outro lado, foi permissivo com relação às declarações inflamadas do presidente Donald Trump, mesmo após o Twitter ter adicionado etiquetas aos tuítes de Trump, dizendo que ele estava incitando a violência ou fazendo declarações falsas. Isso confirma uma prática, apontada por Julian Assange no livro Quando o Google encontrou o Wikileaks, de manter relações com todos os lados envolvidos.

Concluo que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão da internet como uma poderosa ferramenta de organização, comunicação e ação política, mas precisamos ter o senso crítico necessário para sermos apenas consumidores e não nos deixar consumir por ela.


Texto em português do Brasil


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-falsa-horizontalidade-das-manifestacoes-intermediadas-pelas-redes-sociais/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-falsa-horizontalidade-das-manifestacoes-intermediadas-pelas-redes-sociais

[Manlio Dinucci] 5G, NOVO CAMPO DA CORRIDA AOS ARMAMENTOS

                              YouTube s'attaque aux vidéos conspirationnistes liant 5G et...
Na base aérea de Nellis, no Nevada - anuncia o Pentágono - começará em Julho, a construção de uma rede experimental 5G que ficará operacional em Janeiro de 2021. Nesta base ocorreu, no passado mês de Março, o Red Flag, - o exercício aéreo mais importante dos Estados Unidos - com a presença de forças alemãs, espanholas e italianas. Estas últimas também incluiam caças F-35 que - comunica a Força Aérea – foram “integradas com os melhores activos da aviação americana”, de modo a “aproveitar ao máximo o potencial dos aviões e dos sistemas de armas fornecidos”, compreendendo, seguramente as armas nucleares.
 
No Red Flag 2021, provavelmente já estarão em funções para serem testadas num ambiente real, as redes móveis 5G formadas por torres que podem ser montadas e desmontadas em menos de uma hora para serem transferidas rapidamente, de acordo com as operações em curso. A base de Nellis é a quinta seleccionada pelo Pentágono para testar o uso militar da 5G: as outras encontram-se no Utah, na Geórgia, na Califórnia e em Washington.
 
Um documento do Serviço de Pesquisa do Congresso (National Security Implications of Fifth Generation 5G Mobile Technologies, de 22 de Maio de 2020) explica que esta tecnologia de transmissão de dados móveis, da quinta geração, pode ter “inúmeras aplicações militares”. Uma delas diz respeito a “veículos militares autónomos”, ou seja, veículos robóticos aéreos, terrestres e navais, capazes de realizar missões de ataque autonomamente, sem sequer serem pilotados à distância.
 
Este processo requer o armazenamento e processamento de uma enorme quantidade de dados que não podem ser executados só a bordo do veículo autónomo. A tecnologia 5G permitirá que este tipo de veículo use um sistema externo de armazenamento e processamento de dados, semelhante ao Cloud actual para armazenagem de arquivos pessoais. Este sistema pode possibilitar “novos conceitos operacionais militares”, como o do “enxame” no qual cada veículo se liga automaticamente aos outros para realizar a missão (por exemplo, de ataque aéreo a uma cidade ou de ataque naval a um porto).
 
A 5G permitirá fortalecer todo o sistema de comando e controlo das forças armadas dos Estados Unidos à escala mundial: actualmente - explica o documento - usa comunicações via satélite, mas, devido à distância, o sinal leva algum tempo a chegar, causando atrasos na execução de operações militares. Esses atrasos serão praticamente eliminados pela 5G. O mesmo terá um papel decisivo, em particular no uso de armas hipersónicas que, também equipadas com ogivas nucleares, viajam a velocidades superiores a 10 vezes superiores à do som. 
 
A 5G também será extremamente importante para os serviços secretos, tornando possível sistemas de controlo e espionagem muito mais eficientes do que os actuais. “A 5G é vital para manter as vantagens económicas e militares da América”, salienta o Pentágono. Particularmente vantajoso é o facto da “tecnologia 5G emergente, disponível comercialmente, oferecer ao Departamento de Defesa a oportunidade de usufruir este sistema a custos mais baixos para as suas exigências operacionais”. Por outras palavras, a rede comercial 5G, criada por empresas privadas, é usada pelos militares dos Estados Unidos com um custo muito menor do que seria necessário se a rede fosse construída apenas para fins militares. O mesmo também acontece noutros países.
 
Compreende-se, portanto, que o contencioso sobre a 5G, em particular entre os Estados Unidos e a China, não faz parte só da guerra comercial. A tecnologia 5G cria um novo campo de corrida aos armamentos, que acontece não tanto no plano quantitativo, mas no qualitativo. Esta realidade é silenciada pela comunicação mediática e amplamente ignorada até pelos críticos desta tecnologia, que concentram a sua atenção nos possíveis efeitos nocivos à saúde.
Implicação de grande importância, que deve ser combinada ao uso militar desta tecnologia, financiada sem o conhecimento dos usuários comuns dos telefones móveis da quinta geração.
 
Manlio Dinucci
il manifesto, 01 de Junho de 2020

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Funcionários do Facebook em “greve virtual” face à recusa de Zuckerberg em agir contra Trump

 

 

Os funcionários do Facebook estão insatisfeitos com a decisão do fundador da rede social de manter uma postura neutra perante as recentes publicações do Presidente dos Estados Unidos.

 

De acordo com o jornal The Guardian, os funcionários do Facebook estão a revoltar-se com a recusa de Mark Zuckerberg em agir contra Donald Trump, expressando a sua insatisfação publicamente nas redes sociais.

Mais de uma dúzia de trabalhadores publicaram mensagens no Twitter a mostrar a sua divergência de opiniões, esta segunda-feira, e alguns disseram mesmo que iam fazer uma “greve virtual”.

Segundo o jornal New York Times, a grande maioria destes colaboradores encontra-se a trabalhar em casa por causa da pandemia de covid-19. Dezenas pediram o dia de folga para apoiar os protestos que acontecem em todo o país contra a violência policial.

Perante esta situação, um porta-voz do Facebook afirmou que a empresa não vai exigir aos trabalhadores que queiram participar nesta paralisação que o façam através das suas folgas remuneradas.

Reconhecemos a dor que muitos dos nossos estão a sentir neste momento, especialmente entre a nossa comunidade negra. Encorajamos os colaboradores a falarem abertamente quando discordam da liderança”, declarou.

Na semana passada, o Twitter assinalou como apologia da violência um tweet difundido pelo Presidente norte-americano sobre os protestos contra a morte de George Floyd. Trump chamou “bandidos” aos manifestantes, ameaçando que “quando as pilhagens começarem, os tiros vão começar”.

No mesmo dia, escreve o jornal britânico, Zuckerberg disse discordar da interpretação do Twitter e afirmou que o post do chefe de Estado não seria removido do Facebook.

“Pessoalmente, tenho uma reação visceral negativa a este tipo de retórica divisória e inflamatória. Discordo totalmente da forma como o Presidente disse as coisas, mas acredito que as pessoas devem ser capazes de ver isso por si mesmas porque, em última análise, prestar contas aos que estão em posições de poder só pode acontecer quando o seu discurso é examinado abertamente”, explicou.

Entretanto, no domingo, o CEO da rede social anunciou que iria doar dez milhões de dólares, cerca de nove milhões de euros, a grupos que lutam pela justiça racial nos Estados Unidos.

Antes deste episódio, o Twitter já tinha entrado em ‘guerra’ com Trump, depois de, pela primeira vez na sua história, ter assinalado dois tweets do Presidente republicano com um link de “verificação de factos”.

Já nesta altura, Zuckerberg criticou a decisão do Twitter, tendo considerado que “as empresas privadas não se deviam colocar nessa posição”. “Acredito firmemente que o Facebook não deve ser o árbitro da verdade de tudo o que as pessoas dizem online”, declarou numa entrevista à Fox News.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/funcionarios-facebook-greve-virtual-327987

O teletrabalho e os riscos psicossociais

A partir do momento da prestação da actividade em regime de teletrabalho, a actividade laboral, acompanhada do poder de direcção da entidade patronal, passa a fazer parte do ambiente familiar.

CréditosPxhere / CC0 1.0

Um pouco por todo o lado e em resultado da necessidade de confinamento da nossa actividade pessoal ao espaço habitacional, o teletrabalho tem ressurgido como uma panaceia para diversos males, entre eles, o da dificuldade de conciliação entre a vida profissional e o trabalho.

Todos pudemos constatar, ao longo dos anos, que o teletrabalho era apresentado como a solução para quem, por exemplo, em virtude de ter de tomar conta de filhos, via diminuída a sua capacidade de integração dos afazeres profissionais no quadro das suas responsabilidades parentais.

Bem verdade é que, para quem vive a distância considerável do local de trabalho, poder trabalhar a partir de casa lhe faz ganhar um tempo precioso perdido em transportes e seria irrealista pensar que tal ganho não é susceptível de se reflectir na capacidade de conciliação entre a vida pessoal e o trabalho de cada um.

Mas, será que quem vê o teletrabalho apenas por este prisma, já reflectiu na invasão que este modo de organização laboral pode significar na esfera privada individual, familiar e social de quem trabalha?

Confinar o trabalho a um espaço físico pode ser positivo

A verdade é que, o trabalho, quando prestado num espaço físico determinado, propriedade da entidade patronal, ajuda o trabalhador a confinar a actividade laboral a um espaço físico concreto, o que, por si só, pode constituir um factor positivo para a conciliação entre a vida privada e trabalho.

O facto de o trabalhador poder localizar, mental e fisicamente, o trabalho, a um espaço determinado, pode ajudá-lo a compartimentar a sua vida profissional, na sua vida pessoal, social e familiar. Na medida em que seja capaz de fazer essa desconexão mental, para o trabalhador, torna-se mais fácil de fazer a separação.

«O afastamento do trabalhador para a sua casa, por motivo de teletrabalho […] não liberta o trabalhador dos factores de risco como a discriminação entre trabalhadores, a injustiça no tratamento de situações similares, a subvalorização do desempenho individual, a prepotência com que é exercido o poder de direcção»

Essa separação, a fazer-se, não apenas pode reflectir-se positivamente na forma como o trabalhador gere os riscos psicossociais a que está sujeito, durante o tempo de trabalho, como também se reflectirá positivamente na não sujeição dos que com ele vivem, às consequências que tais riscos têm para o próprio trabalhador.

Também devemos ter em conta que, se o trabalhador se afastar do seu espaço físico de trabalho, sob controlo da entidade patronal, também se pode estar a libertar de alguns dos riscos psicossociais que lhe estão associados. Mas, e quanto aos riscos que permanecem e que, ao contrário, são transportados para o seu lar?

Transportar o trabalho para o espaço doméstico, pode agravar a exposição aos riscos psicossociais

O afastamento do trabalhador para a sua casa, por motivo de teletrabalho, pode libertá-lo ou diminuir a sua exposição aos riscos psicossociais inerentes ás relações no local de trabalho. Contudo, não liberta o trabalhador dos factores de risco como a discriminação entre trabalhadores, a injustiça no tratamento de situações similares, a subvalorização do desempenho individual, a prepotência com que é exercido o poder de direcção…

«é possível a uma entidade patronal sujeitar um trabalhador isolado a uma carga cada vez maior de trabalho, associada a uma retribuição cada vez menor e dissociada do esforço suplementar, sem que ele perceba, sem que ele tenha os mesmos parâmetros de comparação que antes utilizava e que lhe permitiam saber se estava a ser discriminado ou não»

A estes factores tradicionais, podemos ainda adicionar o isolamento, a solidão, a escassez de contacto humano para discussão, a menor suscetibilidade na troca de experiências, a perda de poder reivindicativo e, em função desse desligamento, a sujeição a condições de trabalho que ele não pode comparar e controlar. Em ultima análise, é possível a uma entidade patronal sujeitar um trabalhador isolado a uma carga cada vez maior de trabalho, associada a uma retribuição cada vez menor e dissociada do esforço suplementar, sem que ele perceba, sem que ele tenha os mesmos parâmetros de comparação que antes utilizava e que lhe permitiam saber se estava a ser discriminado ou não. Em situação de teletrabalho, é bem possível que todo esse encadeamento de experiências, que ajudam o trabalhador a moldar a sua relação com o trabalho e com a entidade patronal, sejam profundamente afectados em seu desfavor. Todos sabemos que um trabalhador isolado é um trabalhador mais vulnerável à sobre-exploração.

Mas, se o que referimos anteriormente apenas se reflecte, numa primeira fase, no próprio trabalhador e na sua esfera individual, também é um facto, muito pouco reflectido e estudado, por sinal, que passar a prestar a actividade em regime de teletrabalho significa, antes de tudo, levar o trabalho fisicamente para dentro de casa.

O teletrabalho como invasor do espaço doméstico

Assim, um aspecto muito importante a considerar consiste na intrusão e invasão do trabalho – e de tudo o que ele comporta – no ambiente familiar e pessoal do trabalhador. Ao levar o trabalho para casa, este deixa de estar confinado a um espaço físico concreto, apenas indirecta e mentalmente presente na vida caseira do trabalhador.

A partir do momento da prestação da actividade em regime de teletrabalho, a actividade laboral, acompanhada do poder de direcção da entidade patronal, passa a fazer parte do ambiente familiar, aumentando consideravelmente o nível de intromissão e perturbação que o trabalho pode representar na vida de um determinado agregado familiar. Já não é só o trabalhador que é sujeito diretamente aos riscos psicossociais presentes na relação de trabalho, pode ser toda a família.

«Quanto vale esta intromissão e violação da nossa privacidade, intimidade e liberdade? Será que a troca entre «mais tempo ganho pela não deslocação» e o «trazer a relação e trabalho para dentro de casa» é efectivamente benéfica para o equilíbrio entre vida familiar, pessoal e o trabalho?»

Associados a todos os factores de risco psicossocial, normalmente presentes nas relações de trabalho, devemos adicionar outros como a pressão para o cumprimento das tarefas, a pressão decorrente da necessidade de criação e delimitação de um espaço físico apto para o trabalho, a imposição, em casa, de condições de trabalho, etc. São estes e outros condicionalismos que são introduzidos num espaço que deveria ser só do trabalhador e dos seus.

Tudo estaria melhor se coubesse ao trabalhador a liberdade da decisão. Mas não, a tendência observada e bem presente na actual situação de calamidade – e já antes no estado de emergência – é que esse poder é dado à entidade patronal, na medida em que, ao torná-lo obrigatório para o trabalhador, quando as tarefas o comportem, é aquela que se dá o poder de decisão de invadir, ou não, através do trabalho, o lar de um trabalhador. Aliás, mesmo numa situação normal, em que a decisão é lavrada «por acordo», devemos questionar em que medida um trabalhador é livre para, efectivamente, não aceitar esse «acordo».

Até agora o recurso às tecnologias tem sido utilizado para aumentar a exploração

Era importante que, antes de se abraçarem estas tendências, aparentemente modernas e sofisticadas, como tantas outras que mais não têm servido do que para aumentar os níveis de exploração, transportando para o trabalhador custos de produção que antes estavam a cargo das empresas, se procedesse ao estudo do processo disruptivo, a nível individual, familiar e social, que o teletrabalho pode implicar numa determinada família, com especial incidência nos casos em que os trabalhadores têm isenção de horário de trabalho ou um qualquer regime de disponibilidade.

Mas há um exemplo que já podemos antecipar, o facto de, por causa do teletrabalho, o trabalhador poder passar a ter de suportar maiores consumos de electricidade, água, internet, consumíveis, entre outros. A assunção – permitida na lei –, por parte do trabalhador, destes custos de produção, não apenas lhe baixa, objectivamente, a remuneração, como reduz o orçamento familiar.

Este é apenas um reflexo direto, contudo, podemos ir muito além. Por exemplo, ao introduzir o trabalho em casa, todo um conjunto de regras de funcionamento são introduzidas nessa residência, afectando a forma como as crianças ou quem com ele vive e coabita, partilham o mesmo espaço. O poder de direcção da entidade patronal deixa de se confinar às instalações da empresa e ao sujeito da relação de trabalho, para se impor a todos os que o rodeiam, no seio familiar.

A empresa passa a estar presente na vida de todos com muito mais ênfase. Quanto vale esta intromissão e violação da nossa privacidade, intimidade e liberdade? Será que a troca entre «mais tempo ganho pela não deslocação» e o «trazer a relação e trabalho para dentro de casa» é efectivamente benéfica para o equilíbrio entre vida familiar, pessoal e o trabalho? Temos muitas dúvidas. E para o equilíbrio psicossocial do trabalhador?

O teletrabalho transporta o poder patronal para a casa do trabalhador

Há um factor que não é despiciendo e não pode ser deixado ao acaso: o poder patronal, quando exercido no contexto do trabalho a partir da residência, significa poder patronal em casa do trabalhador, na sua intimidade. Quanto maior esse poder, na conformação da relação de trabalho às necessidades da empresa, maior a invasão dessa autoridade na vida do trabalhador e daqueles que com ele convivem.

Para além disso, os conflitos, as pressões, as contradições que o trabalhador antes vivia em espaço laboral determinado, passa agora a vivê-las em casa, à vista de todos e, como seres sociais que somos, pensar que esses factores psicossociais não intervêm na construção das personalidades dos que vivem com o trabalhador é algo de muito pouco realista.

Será que o teletrabalho contribui de facto para uma maior libertação do trabalho? Não, se as leis laborais continuarem a ser o que são, se os sindicatos continuarem a ficar à porta das empresas, se os trabalhadores continuarem a ser perseguidos por pensarem e forma diferente, se o período normal de trabalho não for reduzido, etc. Neste quadro, o teletrabalho, prestado a partir de casa, só pode significar mais exploração e maior sujeição do trabalhador – e da sua família – ao trabalho.

O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AE90)

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/o-teletrabalho-e-os-riscos-psicossociais

Trump e a censura nas redes sociais

trump_targets_twitter__derkaoui_abdellah«Usuário assíduo do Twitter, onde conta com mais de 80 milhões de seguidores, o presidente dos EUA teve algumas de suas postagens recentes moderadas pelo microblog.

Na última terça-feira (26), duas de suas publicações sobre o voto por correspondência foram sinalizadas pela plataforma como “potencialmente enganosas”, ganhando links que levam a artigos contestando as informações divulgadas por ele.

Foi por causa desta sinalização que Trump assinou um decreto permitindo punições às redes sociais. No documento, ele afirma ter tomado a medida em defesa à liberdade de expressão e acusa as plataformas de censura.

Nesta sexta-feira (29), o Twitter voltou a sinalizar uma publicação do político, desta vez por “apologia à violência”, ocultando a publicação. Na mensagem, ele fazia referência aos protestos em Minneapolis pela morte de um homem negro» (in tecmundo).

São curiosos os protestos em relação à censura nas redes sociais quando o Twitter começa a sinalizar – não a eliminar – publicações de Donald Trump que violam as regras da plataforma relativamente à divulgação de notícias falsas e incitamento à violência. Como se a capacidade de controlar e limitar aquilo que se publica e partilha e até de suspender ou eliminar contas que violem as “condições do serviço” não fizessem parte do ADN original de todas as redes sociais. Que são um negócio como outro qualquer e, como tal, regem-se pelas leis do mercado, não pelas regras da democracia.

Mais curioso ainda é que, depois de Trump ter ameaçado fechar a rede social onde escreve diariamente, Zuckerberg, o CEO do Facebook, tenha vindo a público demarcar-se das opções editoriais do Twitter:

Acredito firmemente que o Facebook não deve ser o árbitro da verdade de tudo o que as pessoas dizem online. As empresas privadas não se deviam colocar nessa posição.

Vamos a ver. Pessoalmente, abomino todo o tipo de filtros e censuras existentes tanto nos media tradicionais como nas redes sociais. Por isso optei, desde que decidi ter uma intervenção pública regular na internet, criar um blogue onde, até ver, me exprimo livremente e dou a palavra a todos os que, livremente também, a queiram usar. Mas se tivesse de escolher, dar-me-ia certamente melhor com o ecossistema muito mais liberal do Twitter, onde a regra habitual é as pessoas bloquearem ou deixarem de seguir quem não lhes interessa, do que o sistema das queixinhas e dos castigos vigente no Facebook.

Prefiro a moderação, claramente assumida e devidamente explicada, às intervenções reprováveis de um presidente – que nas redes sociais é um utilizador como outro qualquer – ao sistema hipócrita do Facebook, em que qualquer grupo organizado de utilizadores pode recorrer à denúncia de publicações para activar os filtros automáticos que eliminam posts e suspendem utilizadores. Como alguns dos professores mais interventivos nesta rede tiveram oportunidade de constatar nos últimos tempos. E lá cumpriram o castigo, sem direito a recurso nem defesa, nem oportunidade sequer de conhecer a acusação ou os acusadores…

 

Guerra aberta. Twitter assinala mensagem de Trump como apologia da violência

 

O Twitter assinalou como apologia da violência uma mensagem difundida pelo Presidente dos Estados Unidos em que ameaçou disparar contra as pessoas envolvidas nos protestos de Minneapolis.

 

“Este tweet violou as regras do Twitter sobre a apologia da violência. No entanto, o Twitter considera que no quadro do interesse público deve ficar acessível”, referiu a rede social.

Na referida mensagem, Donald Trump chamou “bandidos” às pessoas envolvidas nos protestos de Minneapolis contra a morte de George Floyd, ameaçando que “quando as pilhagens começarem, os tiros vão começar”.

“Estes bandidos estão a desonrar a memória de George Floyd e eu não vou deixar que isso aconteça. Acabei de falar com o governador Tim Waltz e disse-lhe que pode contar com os militares. Assim que aconteça qualquer dificuldade, nós assumimos o controlo. Quando as pilhagens começarem, os tiros começam. Obrigada!”, escreveu.

 

Na terça-feira, e pela primeira vez, a mesma rede social assinalou dois tweets do chefe de Estado com um link de “verificação de factos” no rodapé das mensagens em questão, por considerar “infundadas” e “potencialmente enganosas” as suas afirmações sobre o voto por correspondência.

Na sequência desta decisão, Trump ameaçou “regular” ou “fechar” as redes sociais.

“Os republicanos sentem que as plataformas de redes sociais censuram totalmente as vozes conservadoras. Vamos regulamentá-las severamente, ou fechá-las, para evitar que isso aconteça”, afirmou o Presidente num outro tweet.

Esta quinta-feira, Trump cumpriu a ameaça e assinou um decreto que pede a revisão da proteção legal das redes sociais. “Estamos aqui para defender a liberdade de expressão de um dos piores perigos que há”, disse o republicano, a partir da Sala Oval, na Casa Branca, enquanto assinava o documento, que é o ponto de partida de uma batalha judicial que se adivinha longa.

Na altura, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, criticou a decisão do Twitter de fazer “verificação de factos” aos tweets do Presidente, considerando que “as empresas privadas não se deviam colocar nessa posição”.

“Temos uma política diferente da do Twitter nisto. Acredito firmemente que o Facebook não deve ser o árbitro da verdade de tudo o que as pessoas dizem online”, declarou Zuckerberg, numa entrevista à Fox News.

Entretanto, o CEO do Twitter, Jack Dorsey, já respondeu às críticas do ‘colega de profissão’, afirmando que a rede social vai continuar a “chamar a atenção sobre informação incorreta ou duvidosa no que diz respeito a eleições”.

“Verificação de factos: existe alguém responsável pelas nossas ações como empresa, e essa pessoa sou eu. Por favor, deixem os nossos funcionários fora disto. Vamos continuar a apontar a informação incorreta ou duvidosa sobre as eleições em todo o mundo. E vamos admitir e reconhecer quaisquer erros que venhamos a cometer.”

“Isto não faz de nós um “árbitro da verdade”. A nossa intenção é ligar os pontos de declarações contraditórias e mostrar a informação em disputa para que as pessoas possam decidir por si mesmas. Mais transparência da nossa parte é fundamental para que as pessoas possam ver claramente o porquê das nossas ações”, disse ainda.

This does not make us an “arbiter of truth.” Our intention is to connect the dots of conflicting statements and show the information in dispute so people can judge for themselves. More transparency from us is critical so folks can clearly see the why behind our actions.

— jack (@jack) May 28, 2020

 

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/twitter-trump-apologia-violencia-327269

Ação do STF contra gabinete do ódio derruba ação de robôs bolsonaristas

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247 - A consultoria AP Exata apontou uma queda de 40,8% na atuação de robôs pró-Jair Bolsonaro no Twitter em relação a picos atingidos no passado e 10% na comparação com a média histórica em meio às investigações da Polícia Federal autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes contra um esquema de fake news. A informação é da coluna de Mônica Bergamo.

De acordo com levantamento da consultoria, as publicações dos chamados perfis de interferência caíram de uma média de 14% para 10% no Twitter. Elas já chegaram a ter pico de 17%.

A AP Exata avalia que, se os perfis de interferência forem desmobilizados, os bolsonaristas passarão a ter menos força para impor suas narrativas nas redes sociais.

Dentre os alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF estão os empresários bolsonaristas Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan e Edgard Corona, fundador da Smart Fit. A corporação também investiga oito deputados bolsonaristas, dentre eles Carla Zambelli. O ex-deputado federal Roberto Jefferson é outro investigado.

 

Depois de ameaçar fechar o Twitter, Trump assina decreto que pede revisão da proteção legal das redes sociais

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O Presidente dos Estados Unidos cumpriu a ameaça e assinou um decreto que pede a revisão da proteção legal das redes sociais, após o Twitter ter assinalado mensagens de Donald Trump com alertas de verificação de factos.

 

“Estamos aqui para defender a liberdade de expressão de um dos piores perigos que há”, disse Trump, a partir da Sala Oval, na Casa Branca, enquanto assinava o documento, que é o ponto de partida de uma batalha judicial que se adivinha longa.

Trump acusou o Twitter de tomar “decisões editoriais” e de fazer “ativismo político” depois de a plataforma ter assinalado posts seus com alertas de verificação de factos.

As redes sociais “têm um poder não controlado de censurar, editar, dissimular e modificar qualquer forma de comunicação entre as pessoas e largas audiências públicas”, justificou Trump. “Não podemos deixar que isso continue, é muito, muito injusto”, considerou.

O decreto assinado reclama uma nova regulamentação no sentido de que as redes sociais que façam “censura” percam a sua “proteção jurídica” em território americano.

A celebre secção 230 do documento “Communications Decency Act” (Lei da Decência nas Comunicações) concede aos gigantes de Silicon Valley (Facebook, Twitter, YouTube, Google) imunidade contra processos ligados aos conteúdos publicados por terceiros.

Donald Trump cumpriu esta quinta-feira o que havia ameaçado fazer na quarta-feira.

Na terça-feira, e pela primeira vez, a rede social Twitter assinalou dois tweets do Presidente dos Estados Unidos com um alerta de “verificação de factos” no rodapé das mensagens, por considerar “infundadas” e “potencialmente enganosas” as afirmações de Trump relacionadas com o voto por correspondência naquele país.

Nas mensagens em questão, Donald Trump afirmava que o voto por correspondência é “fraudulento” e que “as caixas de correio serão assaltadas”, em reação à decisão do governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, de enviar boletins de voto por correspondência a todos os eleitores registados naquele estado, como medida excecional no contexto da atual pandemia de covid-19.

Esta é a primeira vez que o Twitter aponta o dedo ao Presidente dos Estados Unidos, num contexto em que as redes sociais têm sido acusadas de serem permissivas no tratamento das mensagens de dirigentes políticos.

Antigo diretor de comunicação de Trump elogia Twitter

Um antigo diretor de comunicação de Donald Trump elogiou a decisão do Twitter de assinalar com alertas de verificação de factos mensagens em que o Presidente norte-americano levantou suspeitas sobre votos por correspondência.

“Tenho a certeza que Jack Dorsey [diretor-executivo do Twitter] consultou muitos advogados constitucionalistas”, afirmou Anthony Scaramucci, na quinta-feira, durante uma sessão virtual sobre gestão eficiente de crises.

Não foi atrás das teorias da conspiração, mas escolheu algo relacionado com a nossa democracia, o rigor do voto por correspondência e a ausência de fraude”, continuou.

“Parece que foi muito seletivo e aplaudo-o por isso”, disse.

O chefe de Estado norte-americano conta com mais de 80 milhões de seguidores no Twitter, a rede social que mais utiliza e através da qual comunica diretamente com os seus simpatizantes, sem passar pelo filtro do jornalismo.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/trump-assina-decreto-pede-revisao-protecao-legal-redes-sociais-327199

Sem fake news, Trump e Bolsonaro não se mantêm no poder, diz Hildegard Angel

Siga o Brasil 247 no Google NewsAssine a Newsletter 247

 

 

247 –"O desespero de Trump, nos EUA, e de Bolsonaro aqui, tem razão de ser: sem fake News eles não se reelegem nem conseguem se manter no poder. Eles não vão longe sem alimentar um ilusório universo de mentiras para enganar os trouxas. Sim, é como trouxas que eles veem seus eleitores", pontuou a jornalista Hildegard Angel, em seu twitter.

"As fake News são um vírus tão mortal quanto o corona. A vítima, que sufoca e morre de falência múltipla dos órgãos, é a Democracia. Se os representantes das leis não reagirem com presteza, eles vão meter o pé em nossas portas. E Lula avisou que eles já estão na varanda", disse ainda Hildegard.

 

Trump assina ordem executiva que retira proteção de redes sociais após polêmica com Twitter

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala sobre a situação epidemiológica do país, na Casa Branca, Washington, 20 de maio de 2020
© REUTERS / Leah Mills

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (28) uma ordem executiva que permite que redes sociais sejam legalmente responsabilizadas em processos.

Antes de assinar o documento, Trump justificou a medida dizendo que ela elimina o viés político por parte das empresas.

"Atualmente as empresas de mídias sociais gigantes como o Twitter recebem um escudo de responsabilidade sem precedentes, com base na teoria de que elas são uma plataforma neutra. O que elas não são", disse Trump.

https://twitter.com/WhiteHouse/status/1266106020205662212?ref_src=twsrc%5Etfw

Hoje, estou assinando uma Ordem Executiva para proteger e defender a liberdade de expressão e os direitos do povo americano​

A medida ocorre dois dias após o Twitter indicar para que os usuários "checassem os fatos" em dois posts do presidente dos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020052815634638-trump-assina-decreto-para-regular-redes-sociais-apos-polemica-com-twitter/

Queixas de consumidores sobre vendas online sobem 250%

 

 

A Associação de defesa de consumidores Deco recebeu 3.500 reclamações relativas a compras online entre janeiro e maio, um aumento de 250% face ao número registado em igual período do ano anterior.

 

Paulo Fonseca, da Deco, precisou à agência Lusa que a maioria das queixas se refere ao comércio de bens eletrónicos e eletrodomésticos, vestuário, calçado e brinquedos.

As denúncias mais frequentes estão relacionadas com dificuldades na contratação, na entrega dos bens e na segurança dos meios de pagamento, adiantou.

“A oferta de lojas digitais aumentou, mas também o número de burlas, nomeadamente em ‘sites’ de anúncios e redes sociais, que levaram a que muitos consumidores tivessem ficado sem o bem e o valor pago”, denuncia a Deco.

Problemas com a demora na entrega do bem são dos mais frequentes, assim como, segundo a associação, o desconhecimento das regras sobre o prazo de entrega e direitos do consumidor. Cerca de 80% dos casos são resolvidos pela associação, diz a Deco, salientando a importância da literacia dos consumidores, e apelando às empresas que reforcem os canais digitais, os serviços de entrega e o apoio ao cliente, e promovam informação sobre os direitos digitais dos consumidores.

A associação, no âmbito de um projeto financiado pelo Fundo dos Consumidores, acaba de lançar o ‘site’ e.comprascomdireitos.pt, com informação sobre quem, onde e como comprar, e onde os consumidores podem reclamar.

“A Deco acredita que, com informações sobre os seus direitos digitais, o consumidor teria evitado muitos dos atuais conflitos nas compras em linha”, disse Paulo Fonseca, jurista da associação, explicando que o objetivo do novo site é o de tornar os consumidores “os professores das empresas” de venda online.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/queixas-consumidores-vendas-online-sobem-250-326989

EUA ameaçam aumentar repressão à Huawei caso empresa contorne novas restrições de venda de chips

Bandeira dos EUA e smartphone com o logotipo da rede Huawei e 5G em uma placa-mãe de computador, 29 de janeiro de 2020
© REUTERS / Dado Ruvic

O Departamento de Comércio dos EUA anunciou novas restrições de venda de semicondutores à Huawei e Departamento de Estado diz estar analisando "as tentativas de contornar as regras".

O Departamento de Comércio dos EUA impôs licenças obrigatórias a produtores mundiais para a venda de semicondutores à Huawei que sejam feitos usando tecnologia dos EUA. A regra não cobre os chips que são enviados diretamente para os clientes da Huawei, o que gera preocupações nos EUA de que a empresa possa se aproveitar dessa lacuna.

As autoridades norte-americanas indicaram que podem restringir ainda mais as leis que visam limitar as vendas globais de chips ao gigante tecnológico chinês.

Na semana passada, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou uma nova regra que exige que as empresas estrangeiras obtenham uma licença norte-americana para poderem vender semicondutores à Huawei fabricados com tecnologia dos EUA.

A restrição expandiu o controle de Washington sobre o fornecimento de chips, que anteriormente cobria apenas equipamentos fabricados nos Estados Unidos. A TSMC, sediada em Taiwan, uma das principais fornecedoras de chips para a filial de semicondutores HiSilicon da Huawei, já suspendeu novas encomendas para cumprir as regras dos EUA.

Tanto a Huawei como a China criticaram a nova proibição, e Pequim ameaçou retaliar. Um mês antes do anúncio da nova restrição, a Huawei tinha começado a reduzir a produção de chips em Taiwan e a transferi-la para a China continental.

O presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, chegam ao Congresso Nacional do Povo, em Pequim, no dia 22 de maio de 2020.

© REUTERS / CARLOS GARCIA RAWLINS
O presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, chegam ao Congresso Nacional do Povo, em Pequim, no dia 22 de maio de 2020.

As novas licenças do Departamento de Comércio só se aplicam a chips concebidos pela Huawei, e não incluem as entregas diretas aos clientes da companhia chinesa, algo que os observadores da indústria chamam de lacuna.

Em resposta à pergunta se os EUA iriam fazer algo para tapar essa lacuna, Christopher Ashley Ford, funcionário do Departamento de Estado, disse aos repórteres na quarta-feira (20) que a própria regra forneceria ao governo "muito mais informações para fundamentar as decisões de controle de exportação, à medida que avançamos e tentamos encontrar a resposta certa para esses desafios, inclusive por meio de adaptação, se necessário, se a Huawei tentar contornar nossas regras de alguma forma".

Um funcionário do Departamento de Comércio, Cordell Hull, disse no mesmo briefing que os reguladores "vão analisar as tentativas de contornar as regras".

A administração Trump explorou várias outras formas de pressionar a Huawei, proibindo a empresa de concorrer a licitações do governo norte-americano e de fazer negócios com corporações dos EUA.

Ações anti-Huawei anteriores

Em dezembro de 2018, a diretora financeira da companhia chinesa, Meng Wanzhou, foi detida no Canadá e levada a tribunal com o objetivo de ser extraditada para os EUA sob acusação de fraude financeira com empresas que teriam violado proibições de comércio com o Irã. O Departamento de Justiça dos EUA ordenou a investigação.

Os EUA justificam as ações dizendo que a Huawei roubou propriedade intelectual e está espionando em nome do governo chinês, embora nenhuma evidência tenha sido liberada até agora para apoiar essas alegações, que tanto a Huawei quanto a China negam.

De acordo com muitos especialistas, a repressão contra a Huawei se encaixa em uma estratégia mais ampla de procurar minar a crescente influência política e econômica de Pequim.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2020052215609905-eua-ameacam-aumentar-repressao-a-huawei-caso-empresa-contorne-novas-restricoes-de-venda-de-chips/

Plano Rockfeller: Controlo militarizado da população

por Manlio Dinucci [*]

 A Fundação Rockefeller apresentou o " Plano de acção nacional Covid-19 ", indicando os "passos pragmáticos para reabrir os nossos locais de trabalho e a nossa comunidade". No entanto, como aparece no título, não se trata apenas de medidas de saúde.

O Plano – para o qual contribuíram algumas das universidades de maior prestígio (Harvard, Yale, Johns Hopkins e outros) – prefigura um verdadeiro modelo social hierárquico e militarizado.

No topo, o "Conselho de Controlo da Pandemia, análogo ao Conselho de Produção de Guerra que os Estados Unidos criaram na Segunda Guerra Mundial". Seria composto pelos "líderes do mundo dos negócios, do governo e do mundo académico" (assim enumerados por ordem de importância, em primeiro lugar, não os representantes do governo, mas os das finanças e da economia).

Este Conselho Supremo teria o poder de decidir produções e serviços, com uma autoridade semelhante à conferida ao Presidente dos Estados Unidos em tempo de guerra pela Lei de Produção de Defesa.

O plano prevê que sejam submetidos semanalmente ao teste Covid-19,  3 milhões de cidadãos dos EUA e que esse número deve ser elevado a 30 milhões de testes por semana, dentro de seis meses.  O objectivo, a ser alcançado dentro de um ano, é atingir a capacidade de testar Covid-19 em 30 milhões de pessoas por dia. Para cada teste, prevê-se "um reembolso adequado, ao preço do mercado, de 100 doláres". Assim, serão necessários, em dinheiro do erário público, "biliões de dólares por mês".

A Fundação Rockefeller e os seus parceiros financeiros ajudarão a criar uma rede para o fornecimento de garantias de crédito e a assinatura de contratos com fornecedores, ou seja, com grandes empresas produtoras de medicamentos e equipamentos médicos.

De acordo com o Plano, o "Conselho de Controlo de Pandemia" também está autorizado a criar um

"Corpo de Resposta à Pandemia":   uma força especial (não é por acaso que é denominada "Corpo" como o dos Marines/Fuzileiros Navais) com uma equipa de 100 a 300 mil componentes. Seriam recrutados entre os voluntários do Peace Corps e  dos Americacorps (oficialmente criados pelo Governo dos EUA para "ajudar os países em desenvolvimento") e entre os militares da Guarda Nacional. [1]

Os membros do "Pandemic Response Corps" receberiam um salário bruto médio de 40.000 dólares/ano, para o qual está prevista uma despesa estatal de  4 a12 mil milhões de dólares por ano.

O "Corpo de Resposta à Pandemia" teria, sobretudo, a tarefa de controlar a população com técnicas do tipo militar, através de sistemas de rastreio e identificação digital, nos locais de trabalho e estudo, nos bairros residenciais, nos locais públicos e de deslocação. Sistemas deste tipo – recorda a Rockefeller Foundation – são fabricados pela Apple, Google e Facebook.

De acordo com o Plano, as informações sobre os indivíduos, relacionadas com o seu estado de saúde e com as suas actividades, permaneceriam confidenciais "na medida do possível". No entanto, todas seriam centralizadas numa plataforma digital co-gerenciada pelo Estado Federal e por empresas privadas. Com base nos dados fornecidos pelo "Conselho do Controlo da Pandemia", seria decidido, periodicamente, quais as áreas que estariam sujeitas a confinamento (lockdown) e por quanto tempo. Este é, em resumo, o plano que a Fundação Rockefeller deseja concretizar nos Estados Unidos e não só.

Se fosse efectivado, ainda que parcialmente, haveria uma maior concentração do poder económico e político nas mãos de elites ainda mais reduzidas, em prejuízo de uma maioria crescente que seria privada dos direitos democráticos fundamentais. Operação realizada em nome do "controlo Covid-19", cuja taxa de mortalidade, segundo dados oficiais, até agora tem sido inferior a 0,03% da população dos EUA.

No Plano da Fundação Rockefeller, o vírus é usado como uma arma real, mais perigosa do que o próprio Covid-19.

19/Maio/2020
[1] Mencionado na pg. 17 do PDF da The Rockefeller Foundation .

[*] Jornalista, italiano.

O original encontra-se em il manifesto de 19/Maio/2020 e a tradução de Maria Luísa de Vasconcellos em paulcraigrobertstranslations.blogspot.com/...

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/pandemia/dinucci_19mai20.html

China ameaça retaliar após restrições impostas pelos Estados Unidos à Huawei

 

A China classifica as restrições adotadas pelos Estados Unidos como “abuso do poder estatal” e ameaça retaliar.

 

O Ministério do Comércio da China disse, esta segunda-feira, que vai tomar “todas as medidas necessárias” para retaliar as restrições impostas pelos Estados Unidos ao uso de tecnologia norte-americana pelo grupo chinês das telecomunicações Huawei.

Em comunicado, o Ministério classificou as restrições adotadas por Washington como “abuso do poder estatal” e “violação dos princípios do mercado” e advertiu que constituem uma ameaça para a segurança da “cadeia industrial e de fornecimento global”.

“Os EUA usam o poder do Estado, recorrendo à desculpa da segurança nacional, e abusam das medidas de controlo sobre as exportações para oprimir continuamente e conter empresas específicas de outros países.” A China “vai tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar, de forma determinada, os direitos e os interesses legítimos das empresas chinesas”, lê-se na mesma nota.

As novas regras estipulam que os fabricantes estrangeiros de semicondutores que usem tecnologia norte-americana devem obter licença para vender semicondutores fabricados para a Huawei.

 
 

O equipamento de design e fabrico de chips usado nas fábricas de semicondutores do mundo é fabricado sobretudo nos EUA, pelo que a nova regra afeta produtores estrangeiros que vendem para a Huawei e afiliadas, incluindo a HiSilicon, que projeta principalmente chipsets usados em telemóveis e estações base para redes sem fio da Huawei.

O Departamento de Comércio norte-americano disse que as empresas têm um período de carência de 120 dias para os chips já em produção.

A Huawei Technologies, a primeira marca global de tecnologia da China e líder no fabrico de equipamentos de rede e dispositivos móveis, está no centro de um conflito entre os Estados Unidos e a China motivado pelas ambições tecnológicas de Pequim.

Os Estados Unidos acusam a maior fabricante mundial de cooperar com os serviços secretos chineses. A Huawei nega a acusação e as autoridades chinesas dizem que o Governo de Donald Trump está a usar leis de segurança nacional para restringir um rival que ameaça o domínio exercido pelas empresas de tecnologia dos EUA.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/china-ameaca-retaliar-huawei-325043

Musk diz que a Neuralink pode tornar a linguagem humana obsoleta em 10 anos

(Comentário:

Caminhos MUITO perigosos... Mas eles andam por aí)

 

O empresário norte-americano Elon Musk disse, numa entrevista, que a tecnologia em que está a trabalhar, a Neuralink,  pode tornar a linguagem humana obsoleta em entre 5 a 10 anos.

 

Em entrevista ao podcast “The Joe Rogan Experience”, Elon Musk, fundador e CEO da Tesla e da SpaceX, previu que a sua nova empresa de neurotecnologia, a Neuralink, pode tornar a linguagem humana absoleta.

Musk disse que espera que a empresa consiga conectar um dispositivo Neuralink a um cérebro humano pela primeira vez no próximo ano. O chip, que é alimentado por bateria, será implantado no crânio e seus elótrodos inseridos “com muito cuidado” no cérebro.

A empresa quer desenvolver um dispositivo que liga o cérebro das pessoas a um computador para tratar lesões e traumas cerebrais, usando pequenos fios implantados diretamente nas partes relevantes do cérebro.

 

“Pode interagir com qualquer parte do cérebro, portanto pode ser algo queajude a curar a visão“, disse Musk. “Em princípio, poderá consertar quase tudo o que há de errado com o cérebro”.

Neuralink

 

Embora os dispositivos de primeira geração se concentrem em ajudar a tratar lesões e distúrbios cerebrais, Musk disse que as versões posteriores provavelmente serão capazes de fazer muito mais.

Segundo o empresário de tecnologia, falar é um método ineficiente de troca de dados e pode ser aprimorado se usarmos Inteligência Artificial (IA). “O nosso cérebro esforça-se muito para compactar um conceito complexo em palavras e há muita perda de informação” ao fazê-lo.

 

Rogan perguntou a Musk se a Neuralink poderia ajudar a criar um mundo “onde se possa ler as mentes uns dos outros e poderá interagir com os outros de uma forma não-verbal e não-física em que se transferem dados sem precisar usar a boca”.

“Não seria necessário falar”, disse Musk. “Será possível comunicar muito rapidamente e com muito mais precisão.Não sei o que aconteceria com a linguagem. Numa situação como esta, seria como Matrix. Quer falar num idioma diferente? Não há problema, basta fazer o download do programa”.

Questionado sobre quanto tempo demoraria a sua empresa a desenvolver tecnologia suficientemente avançada para fazê-lo, Musk disse entre 5 e 10 anos, “se o desenvolvimento continuar a acelerar”.

A Neuralink nasceu em 2016 como uma empresa de investigação médica na Califórnia e já angariou mais de 150 milhões de investidores, cerca de 100 milhões diretamente do seu CEO Elon Musk, e pretende no futuro oferecer melhorias cibernéticas às pessoas.

ZAP //

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/musk-neurolink-linguagem-humana-obsoleta-324295

Compras online vão ter novas regras até ao fim do ano

 

Vai haver novas regras no que toca a compras feitas online com cartão de crédito. Palavra-passe, mensagem por telemóvel ou impressão digital poderão ser algumas das opções para autenticação.

 

Até ao final deste ano, as compras feitas online com cartão vão sofrer alterações para terem uma nova camada de segurança, avança o Jornal de Negócios esta segunda-feira. A partir do próximo ano, o número de cartão de crédito e a data de validade vão passar a ser inválidos para compras online.

Desta forma, a autenticação passa a ser feita através de, no mínimo, dois fatores. Entre as opções está uma palavra-passe, uma mensagem enviada para o telemóvel ou através da impressão digital do utilizador. Os bancos nacionais estão prontos para implementar as novas regras dentro do prazo.

Em setembro do ano passado, os bancos passaram a ser obrigados a fazer uma autenticação forte dos clientes sempre que estes acedam online às suas contas, iniciem uma compra ou qualquer outro de ação que envolva risco de fraude ou abuso. Esta autenticação começará também a ser aplicada aos pagamentos com cartão feitos online.

 
 

“O novo enquadramento regulamentar deixa de considerar válidos para a autenticação em compras na internet os detalhes impressos nos cartões de pagamento (como, por exemplo, o número do cartão, a data de validade ou o código CVV/CVC), uma vez que poderão ser apropriados por terceiros”, explica o Banco de Portugal.

As alterações não foram aplicadas logo em setembro, uma vez que a Autoridade Bancária Europeia e as autoridades nacionais entenderam que os consumidores não estavam preparados “para a efetiva aplicação dos novos requisitos de autenticação ao comércio eletrónico”.

“O Banco de Portugal adotará a flexibilidade prevista pela EBA e acompanhará e monitorizará os planos de migração dos prestadores de serviços de pagamento, de forma a assegurar o pleno cumprimento dos requisitos até à data-limite definida”, lê-se no mais recente Relatório dos Sistemas de Pagamentos.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/compras-online-novas-regras-323902

O "face" ensadeceu... (2)

Há uns anos, mais de nove, montei neste meu espaço uma exposição bem composta.

Pequena exposição - Figuras do meu imaginário de adolescente e rostos que me povoam a mente 

Tinha a dita uma sala de entrada "Sala de afectos" e duas galerias. A uma, designei-a por "Galeria das "Minhas Influências e Crenças" a outra "Os nossos Ódios de Estimação".

Com essa implantação pendurei por lá a parte da obra que poderia até ser minha se tivesse o seu traço, a sua criatividade e arte. As figuras, lá expostas, ainda constam do meu imaginário e os rostos que lá coloquei continuam a povoar-me a mente. Entre mim e o Fernando há cumplicidades de uma geração que passou pelos mesmo e de um empenhamento militante semelhante. Ambos teimamos em tornar o mundo melhor. O facebook coloca-se ao lado de quem não gosta disso, e calou-lhe o bicoe ao meu mantém-o calado. 

Estamos ambos censurados!

 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Para o Guiness do descaramento

Uma "pequena" empresa
em aflitivas dificuldades
chamada... Amazon !
Amazon apresenta um pedido de
desemprego parcial, o Estado recusa
O gigante americano de comércio electrónico pediu em 30 de Abril o desemprego parcial (lay off) para seis dos seus sites cuja actividade foi suspensa depois de uma decisão da justiça. O pedido acaba de ser recusado em 4 de maio pela administração. ( aqui )
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Apps Covid: combater a pandemia sem infectar a democracia

Temos procurado, em textos anteriores, contribuir para um debate informado na procura de um equilíbrio entre liberdade e segurança na utilização de dados recolhidos nos smartphones dos cidadãos com vista a acrescentar ferramentas no combate à pandemia Covid-19. (Cf. "Apps para combater a pandemia, liberdade e segurança" e "Tecnologias contra a pandemia e a favor da liberdade".) O que me tem orientado nesta questão é a necessidade de conciliar dois olhares. Por um lado, evidentemente que não se pode desprezar o contributo que a tecnologia pode dar para sermos capazes de detectar precocemente qualquer possibilidade de infecção e, assim, cortar os caminhos de propagação da doença, que se espalha porque a falta de sintomas oculta a contaminação e dificulta o alerta a quem pode ter sido tocado. Por outro lado, seria insuportável à nossa cultura democrática qualquer capacidade de alguma entidade para seguir os nossos passos e recolher dados sobre nós, sem nosso consentimento e sem o enquadramento e as garantias previstas na lei. O equilíbrio entre estes dois olhares é delicado e qualquer fundamentalismo pode, em caso de medo generalizado, facilitar a imposição de soluções autoritárias. A recusa em estudar as soluções propostas, quando elas reivindicam conciliar um contributo para a saúde pública sem prejuízo da privacidade, é um caminho errado. É preciso um esforço sério para compreender as soluções em estudo, para perceber até onde vai a sua promessa de conciliar harmoniosamente os dois olhares acima enunciados. De qualquer modo, convém não fazermos o papel de ingénuos ou distraídos. Como lembrou o deputado José Magalhães, num debate recente promovido pela Federação Distrital de Aveiro da Juventude Socialista, que se pode ver no Facebook, (https://www.facebook.com/federacaoaveirojs/) já há base legal e já se pratica o acompanhamento dos movimentos dos doentes infecciosos, sem precisar de consentimento dessas pessoas, porque isso é considerado necessário e apropriado em termos de saúde pública. Convém, pois, não confundir as coisas. As notícias da fiscalização da circulação automóvel pelas forças de segurança já deviam ter feito perceber que há pessoas que têm o dever de estar confinadas e que a desobediência a esse dever é penalizável e deve ser controlada. Não se pode, no entanto, lançar controlos generalizados sobre os cidadãos fora desse enquadramento específico, apenas porque todos somos “infectáveis”… Neste quadro, a nossa preocupação é que o debate se faça com base em informação e não com base em preconceitos. E, para isso, o que procuramos é trazer elementos que permitam analisar o que se está ou não a fazer, o que se consegue ou não fazer, as opções reais que vamos ter ou não. Desta vez vamos seguir alguns aspectos do debate francês em curso, para aclarar alguns ângulos do problema.
O protocolo franco-alemão ROBERT
O governo francês engajou-se na iniciativa ROBERT (ROBust and privacy-presERving Proximity Tracing), em parceria com os alemães do Fraunhofer. Os documentos da iniciativa podem encontrar-se no endereço: https://github.com/ROBERT-proximity-tracing/documents. Os trabalhos foram confiados a um consórcio (grupos industriais privados e organismos públicos com responsabilidades na saúde pública e na segurança dos sistemas informáticos) liderado pelo Institut National de Recherche en Informatique et en Automatique (Inria). O presidente do Inria, Bruno Sportisse, publicou a 18 de Abril um documento de orientação da iniciativa (que pode ser encontrado aqui: « Contact tracing » : Bruno Sportisse, PDG d’Inria, donne quelques éléments pour mieux comprendre les enjeux ). O líder do projecto ROBERT dá do funcionamento do sistema uma descrição próxima da que eu próprio dei, em texto anterior, para uma categoria de iniciativas similares. Contudo, vou trazer para aqui essa descrição, quer para retomar aspectos centrais do debate, quer para aproveitar a clarificação de alguns problemas – até porque este sistema tem uma diferença importante face ao exemplo que dei anteriormente. Dá-nos a seguinte descrição:
- Uma pessoa, querendo participar na luta contra a propagação da epidemia, descarrega voluntariamente a aplicação no seu smartphone. O seu smartphone recebe então um conjunto de identificadores encriptados (ou um método para os gerar a cada 15 minutos).
- O detentor do smartphone, ao manter o Bluetooth activado, permite que a sua aplicação construa um histórico dos identificadores encriptados que tenha encontrado "nas proximidades", durante um período significativo de tempo enquanto viaja (estes identificadores encriptados são emitidos pelos smartphones das pessoas que também descarregaram a aplicação).
- Se a pessoa for diagnosticada positiva, envia o histórico dos identificadores encriptados com que se cruzou para o servidor de (por exemplo) uma autoridade sanitária, sem divulgar ao servidor os seus próprios identificadores encriptados. Nenhuma ligação é feita entre o telefone da pessoa e o seu histórico. Cada um destes identificadores encriptados está, portanto, potencialmente "em risco" (corresponde a um smartphone que esteve na proximidade de um smartphone transportado por uma pessoa que posteriormente foi diagnosticada como positiva, sem que seja possível estabelecer uma ligação entre um smartphone e uma pessoa).
- Além disso, cada smartphone com a aplicação verifica com o servidor central, "de vez em quando" (de hora a hora, todos os dias, isto faz parte dos parâmetros a definir) se os seus próprios identificadores encriptados estão entre os de risco. Se este for o caso, significa que o smartphone esteve muito próximo, no período anterior, de um smartphone usado por uma pessoa que mais tarde se revelou positiva. Esta descrição tem duas diferenças importantes relativamente à descrição que dei, em texto anterior, de um sistema considerado similar. Primeiro, a pessoa infectada não envia a informação acerca dos identificadores emitidos pelo seu próprio smartphone (não revela dados sobre o comportamento do seu próprio equipamento), envia informação acerca dos identificadores encriptados que recebeu. Segundo, a pessoa infectada é que toma a iniciativa de enviar os dados para o servidor central, enquanto no outro exemplo essa acção tinha de ser autorizada por uma autoridade de sanitária. O primeiro aspecto parece positivo, porque pode ser uma barreira teoricamente mais forte à identificação abusiva dos infectados. O segundo aspecto suscita um problema grave de fiabilidade do sistema, de que falaremos adiante. Entretanto, logo a seguir a esta descrição, o líder do projecto ROBERT escreve o seguinte: “A notificação é baseada numa avaliação de risco (cujo cálculo deve ser definidos com epidemiologistas) utilizando informações de proximidade. A flexibilidade do sistema é a chave para a gestão de uma crise de saúde, tendo em conta a rápida evolução dos conhecimentos médicos, incluindo a aprendizagem do próprio sistema (sempre com base em dados estatísticos anonimizados) para torná-lo mais eficaz, por exemplo, para reduzir a ocorrência de falsos positivos. Desde que a autoridade sanitária se mantenha no controle de tudo isto.” É importante, sempre, que se reconheça que se faz um trajecto dominado pela incerteza e que estas “soluções tecnológicas” não vão fazer nenhum milagre: só podem ser úteis, se o forem, na condição de servirem de auxiliares das autoridades de saúde.
Problemas que nos devem ajudar a pensar O sistema ROBERT pretende ser capaz de garantias importantes: não utiliza georreferenciação (não “sabe” por onde nós andamos), é anónimo (não permite identificar as pessoas com diagnóstico positivo para Covid-19, nem as suas interacções sociais), não é um instrumento de delação (eu é que devo declarar que estou infectado, não são outros a fazê-lo), é voluntário e repousa no consentimento. O que a aplicação faz é dizer-me que posso ter estado na proximidade de alguém que estaria infectado, levando-me a tomar as precauções correspondentes. Ninguém duvida de que os promotores destes sistemas querem fazer aquilo que anunciam. O problema é que se trata de projectos em andamento, com muitas incógnitas por resolver. Algumas dessas incógnitas são técnicas. A começar pelo Bluetooth, que é geralmente considerado pouco fiável em termos de segurança. Algumas marcas de smartphones impedem mesmo, a partir do próprio sistema operativo, um uso continuado do Bluetooth. Por outro lado, é duvidoso que as baterias dos telemóveis aguentem um uso continuado do Bluetooth, o que tornaria o sistema, no seu todo, frágil. Além do mais, o Bluetooth não foi concebido para estimar de forma razoavelmente precisa a distância a outros aparelhos, sendo que qualquer estimativa será influenciada por vários factores, o que implica que a informação a obter resultará de modelos estatísticos que serão provavelmente muito falíveis até estarem razoavelmente calibrados. Um problema grave é o dos falsos positivos: um funcionário a atender num balcão, bem protegido por uma placa de acrílico e máscara e viseira, está suficientemente perto do utente para que os seus smartphones troquem sinais de Bluetooth, nada os distinguindo de um contacto desprotegido. Quando ligam o Bluetooth em vossas casas, quantas máquinas dos vizinhos aparecem identificadas nas proximidades, apesar de haver paredes bem sólidas a separar os apartamentos? Ora, essas situações podem proporcionar falsos positivos, capazes de baralhar tudo. Outras incógnitas são sociais. Quantas pessoas têm smartphones? Estamos a criar um sistema para uma minoria privilegiada? Também podemos pensar que, com base em indícios, podemos espoletar caças às bruxas, em que os vizinhos tentam adivinhar, a partir de parca informação, quem é o infectado do prédio. E, talvez mais imediato, temos um enorme risco contido num sistema onde qualquer pessoa pode livremente declarar-se infectada, mesmo sem o estar, só para lançar a confusão.
Um sistema capturável por mal-intencionados
Um documento subscrito por vários académicos do mundo francófono, “Le traçage anonyme, dangereux oxymore. Analyse de risques à destination des non-spécialistes” (https://risques-tracage.fr/), de que consultámos a versão de 21 de Abril, contém vários dos alertas acima mencionados – e outros. Um dos alertas mais importantes diz respeito à preservação do anonimato. Dizem que estes sistemas prometem um anonimato que não é a toda a prova, porque, embora as bases de dados constituídas não tenham listas de nomes de pessoas, têm informação que, combinada com outra informação que pode ser recolhida, pode permitir a identificação. E citam o Regulamento Geral de Protecção de Dados, da União Europeia, segundo o qual os dados pessoais que tenham sido pseudonimizados, que possam ser atribuídos a uma pessoa singular mediante a utilização de informações suplementares, deverão ser considerados informações sobre uma pessoa singular identificável. E a questão está, pois, nas cautelas a ter quanto ao uso que outros possam dar a esses dados, transformando o que parece anónimo em material usado para, em cruzamento com outros meios, identificar indivíduos. O documento que estamos agora a referir contém uma linha de argumentação que merece cuidada atenção. Assume um princípio de segurança e fornece diversos cenários que devem ilustrar como ele pode ser ofendido. O princípio é assim formulado: “Um princípio essencial da segurança informática é que a inocuidade de um sistema nunca deve ser presumida com base na confiança na honestidade de alguns dos seus actores.” Os riscos devem, pois, ser calculados atendendo ao comportamento de intervenientes mal-intencionados. E esse cálculo é servido por vários cenários, de que anotamos apenas alguns exemplos. No cenário da entrevista de emprego, a agência de recrutamento quer garantir que não selecciona um candidato que venha a ficar doente até à assinatura do contrato. Para isso, liga discretamente o Bluetooth de um smartphone específico durante a entrevista, usado apenas para esse efeito, o qual receberá os códigos emitidos pelo smartphone do entrevistado. Para cada entrevista, faz o mesmo com diferentes smartphones (ou, em certos casos, pode apenas usar diferentes instâncias da aplicação de rastreamento de contactos). Se, até a assinatura do contrato, algum dos smartphones receber o alerta de contacto com um infectado, a agência de recrutamento sabe qual dos candidatos eliminar imediatamente. Neste caso, o anonimato é eliminado. No cenário do centro comercial é contornado o suposto carácter voluntário do uso da app: a segurança do espaço comercial usa uma antena dedicada Bluetooth, que pode captar sinais a grande distância (um quilómetro), para detectar os clientes que não estão a usar a app e recusar-lhes acesso. O cenário das falsas declarações explora a fragilidade do sistema que permita qualquer utilizador poder informar o sistema de que se encontra infectado: para eliminar um poderoso jogador de futebol (no documento chamam-lhe Gronaldo!) de um próximo jogo da Liga dos Campeões, basta conseguir que alguém tenha uma fugaz proximidade com ele uns dias antes, declarar-se infectado para o sistema e esperar que o alerta retira o jogador de circulação o tempo suficiente para falhar o encontro. Em geral, a possibilidade de falsas declarações, pontuais ou em massa, é uma fragilidade gigantesca para a credibilidade do sistema. Os cenários agrupáveis nesta categoria vão desde um aluno impreparado que quer impedir um exame, até um militante anti-sistema que foi infectado e envia o seu cão com o seu smartphone passear o dia inteiro pela cidade espalhando alarme, passando por um boicote de uma potência estrangeira a uma unidade militar. Note-se que todos os cenários de falsas declarações têm, em comum, uma característica muito elogiada por alguns dos proponentes de sistemas “respeitadores” do anonimato: é o próprio infectado que informa o sistema do facto, em vez de essa comunicação ter de passar pelos serviços de saúde. Há cenários que exploram as actividades das empresas que podem abusar dos nossos dados. Por exemplo, um grande armazém pode ligar os identificadores Bluetooth detectados durante a deambulação pelo espaço comercial aos dados do cartão de pagamento usado pelo mesmo cliente na caixa, que são pessoais, e fornecer essa informação à companhia de seguros do mesmo grupo no caso de ser detectada uma infecção. Vários outros cenários assentam nas possibilidade do cibercrime explorar as apps instaladas nos smartphones e os dados que passam por elas: uma peça de malware apanha no meu smartphone a informação de que estou infectado e permite a alguém que faça chantagem comigo para não ser exposto publicamente, uma aplicação malévola pode induzir na app instalada noutro smartphone um falso alerta de contacto com infectado. Todas estas possibilidades, que não são ficção científica, podem ser realizáveis num mundo onde milhões de pessoas são incentivadas a andar todo o dia com o Bluetooth ligado – algo que tem sido sistematicamente desaconselhado até agora, antes desta crise, precisamente por razões de segurança informática. O documento também propõe cenários inverosímeis, por exemplo quando desatende ao facto de que na própria residência não há qualquer justificação para usar a app. Contudo, globalmente, vários cenários chamam a atenção para o risco de utilização malévola do sistema – quando, aí está o alerta, um sistema não pode ser considerado seguro na base do pressuposto de que todos os utilizadores serão benevolentes. Outros cenários tratam de lembrar que a informação fornecida pelo sistema pode, cruzada com outra informação de contexto, desfazer o anonimato de uma identificação de pessoa infectada. No cenário do suspeito único, uma pessoa que é a única a sair de casa e apenas se desloca à mercearia do bairro para abastecimento, quando recebe uma notificação de contacto com infectado vai, imediatamente, deduzir que o merceeiro o infectou. E. noutros casos, com um leque mais alargado de possibilidades, vai suspeitar de que conseguiu fazer uma identificação acertada, mesmo que ela dependa fortemente de preconceitos sociais da mais diversa natureza, ou até de raciocínios probabilísticos verosímeis, mas que podem carecer de qualquer base empírica real (no prédio o mais provável contaminador é o enfermeiro?). Os cenários apresentados permitem pensar em problemas reais, colocando-nos num ponto de vista muito razoável: não interessam tanto as (boas) intenções dos programadores dos sistemas, interessam mais as (más) intenções daqueles que se dedicam a comprometer os sistemas existentes em favor de objectivos inaceitáveis num quadro de preservação dos direitos dos cidadãos. É muito simples: ainda há aldeias onde ninguém fechas as portas de casa, deixando até as chaves na fechadura, por confiança nas restantes pessoas da comunidade – mas é sabido que, na maior parte dos nossos contextos sociais, esse comportamento não garante a segurança de pessoas e bens. Por quê? Porque temos de contar com os malevolentes, não apenas com os benevolentes. Quer isto dizer que devemos desistir de encontrar soluções para este problema? Não. Quer dizer que só podemos aproximar-nos de uma solução aceitável se lutarmos encarniçadamente para não deixar por considerar nenhum aspecto essencial do que há a fazer e dos direitos que há a preservar. (Em texto posterior abordaremos o sistema proposto pela Google e pela Apple - e voltaremos às garantias e riscos diferentes consoante tenhamos sistemas centralizados ou descentralizados.) (O título deste texto é retomado de um artigo do site Data Rainbow.) Porfírio Silva, 4 de Maio de 2020

Ver original em "Machina Speculatrix" (aqui)

Especialista explica como podem nos observar através da câmera do celular

Homem com computador em fundo de código cibernético (imagem ilustrativa)
© REUTERS / Kacper Pempel

Situações relacionadas com vazamento de informações importantes a partir de celulares, incluindo registros de conversas e fotos, são comuns, garante professor universitário russo.

Aleksandr Timofeev, professor associado do Departamento de Informática da Universidade Econômica Russa Plekhanov, afirmou à agência Prime que diversas tecnologias permitem acessar os celulares sem conhecimento do usuário.

"O acesso não autorizado por software de tipo hacker à câmera de vídeo e microfone de seu smartphone, bem como à geolocalização, sistema de arquivos, histórico de buscas, conversas telefônicas, correspondência de aplicativos de mensagens e outros dados é uma realidade", garantiu o especialista.

De acordo com Timofeev, os dados dos usuários podem ser acessados utilizando tecnologias muito diferentes, havendo também diferentes níveis de acesso.

Em particular, o professor universitário destaca o próprio fabricante. Suas capacidades de acessar o smartphone são quase ilimitadas, incluindo a desconexão remota e irreversível do dispositivo.

De acordo com Timofeev, só é possível excluir completamente a interceptação de dados quando se utilizam sistemas eletrônicos de comunicação, recorrendo à criptografia completa de todos os fluxos de entrada e saída de informações.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2020042815510937-especialista-explica-como-podem-nos-observar-atraves-da-camera-do-celular/

Falha de segurança dos iPhones

À atenção de Ministros, CEO’s e outros ‘high-profile users’

 

 

There’s a severe security flaw in half a billion iPhones. US cybersecurity firm ZecOps discovered a bug in the iOS Mail app on phones and iPads, which it said had already been exploited in attacks against multiple high-profile users dating back to January 2018. Apple will roll out a fix in a forthcoming update.

 

Vídeo: Reuters

Flaw in iPhone, iPads may have allowed hackers to steal data for years

 

Vídeo: Reuters


Exclusivo Tornado / IntelNomics


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/falha-de-seguranca-dos-iphones/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=falha-de-seguranca-dos-iphones

Grupo neonazi divulga e-mails e senhas da OMS e da Fundação Bill e Melinda Gates

 

Um grupo neonazi divulgou quase 25 mil endereços de e-mail e senhas de funcionários da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Fundação Bill e Melinda Gates e de outras entidades que combatem a pandemia de Covid-19.

 

O grupo de inteligência do SITE – que monitoriza grupos terroristas islâmicos e de extrema-direita -, citado pelo Independent, indicou que esses dados foram divulgados no domingo e na segunda-feira.

“Neonazis e supremacistas brancos capitalizaram as listas e publicaram-nas de forma agressiva”, disse ao Washington Post Rita Katz, diretora executiva do SITE.

“Utilizando esses dados, membros de extrema-direita pediam uma campanha de assédio enquanto compartilhavam teorias da conspiração sobre a pandemia”, disse a responsável, acrescentando que “a distribuição dessas supostas credenciais é apenas uma parte de uma iniciativa da extrema-direita” que dura há meses.

 
 

Mais de nove mil e-mails e senhas pertencem aos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, 6.800 aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, 5.120 ao Banco Mundial e 2.732 à OMS. Outros dados pertenciam à Fundação Bill e Melinda Gates, que anunciou um fundo de 150 milhões de dólares (138 milhões de euros) para combater a pandemia de Covid-19.

Os dados foram partilhados no 4chan e depois encaminhados para o Twitter e para canais extremistas através do Telegram.

De acordo com o Washington Post, as informações obtidas com o uso desses dados já foram usadas para fins de desinformação, ligando o surto de coronavírus ao VIH.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/neonazis-mails-senhas-oms-fundacao-gates-320994

As inovações que podem limitar a nossa liberdade

Esta noite o canal franco-alemão ARTE apresenta três documentários subordinados a temas, que se revelam pertinentes nos nossos dias: deveremos aceitar a privação das nossas liberdades individuais para que, da vigilância tipo Big Brother a que nos sujeitem, resulte a sensação de segurança perante agressões de delinquentes? Será que a Inteligência Artificial trará como consequência inevitável o desemprego generalizado de significativas camadas da população? E até que ponto se continuará a permitir otrading de alta frequência, que satisfaz quem aufere enormíssimos lucros com operações financeiras sem qualquer relação consistente com a economia real?

 

No início dessa programação ficaremos a saber que existem atualmente 500 milhões de câmaras espalhadas pelo planeta para vigiarem todos os passos que damos. A pretexto da luta contra o terrorismo e a criminalidade desenvolveram-se tecnologias de controlo facial e até mesmo quando estamos de costas. O vírus da ideologia securitária instalou-se entre nós limitando o direito de nos movimentarmos sem que mais ninguém tenha a ver com o quanto façamos. E criou-se um enorme negócio, que se traduz em haver quem embolse fatias do imenso bolo de 40 mil milhões de dólares, o valor por que são comercializados anualmente novos equipamentos destinados a tal fim. O relacionamento entre as empresas vocacionadas para o seu fabrico e muitos Estados, mesmo ditos democráticos, toma a dimensão de indecorosa promiscuidade.

 

Pode-se dizer que, depois de ouvirmos tantas censuras aos campos de trabalho soviéticos, as mesmas sociedades que tanto apregoam as liberdades dos cidadãos, preparam-se para os sujeitar a um monstruoso gulag cibernético. E não se pense que essa hipótese acontecerá, sobretudo, nos outros países e em tempos distantes: há poucos dias não ouvimos o Chicão do CDS propor com indisfarçável entusiasmo, a geolocalização de todos os infetados comcovid-19 como forma expedita de pôr a economia a funcionar?

 

No segundo documentário da noite depararemos com os algoritmos que tendem a comandar-nos os dias. Os tais que Stephen Hawking reconhecia como integrando um dos grandes acontecimentos da História Humana, mas porventura também o derradeiro. E, se se ouvirão os que tecem loas à Inteligência Artificial por dela se alcançarem curas para doenças, soluções para contrariar os efeitos das mudanças climáticas ou para mitigar a pobreza planetária, também não faltarão as opiniões dos que temem ver-nos despojados da condição de indivíduos para nos reduzirmos á de meros dados.

 

E os mesmos algoritmos estão no terceiro documentário sobre as operações ultrarrápidas nas Bolsas mundiais a possibilitarem lucros obscenos a quem beneficia com as múltiplas transações em milissegundos que, apesar de se traduzirem em margens reduzidas, acabam por se revelar espantosamente rentáveis pela sua multiplicação. Em minutos o mesmo produto aumenta de valor graças ao número de compras e vendas de que se vê alvo.

 

Tendo dispensado os corretores, os donos das Bolsas puseram robôs a comandarem os mercados, daí resultando que, na atual fase do capitalismo, não é o investimento a fonte legítima do lucro, mas essas operações mais aparentadas com as atividades dos casinos. E assim corre o capitalismo para a sua definitiva destruição, embora esteja por determinar se não levará para esse desenlace a própria Humanidade.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/04/as-inovacoes-que-podem-limitar-nossa.html

Teletrabalho: da ficção oportunista à realidade objectiva

Fernando Sequeira    21.Abr.20 

A pandemia provocou perturbações sociais profundas, com consequências imprevisíveis e preocupantes a nível do emprego e das relações de trabalho, e atirou para a ribalta a questão do teletrabalho. Questão que tem uma dimensão ideológica: a ambição do capitalismo na sua actual fase seria de desestruturar e atomizar inteiramente o trabalho, da mesma forma que desejaria desmaterializar todas as relações sociais de produção. Para já, levar muito mais longe a anulação de contratos e vínculos, isolar os trabalhadores.

Num artigo do jornal Expresso de 21 de Março último, titulavam: «Estamos preparados para o teletrabalho? A pandemia COVID-19 pôs Portugal em trabalho remoto forçado. Para os especialistas pode ser o princípio de uma nova era.» (sublinhado meu).

Trata-se de um título profundamente preocupante e que nos dá a ideia das pretensões do grande capital em desequilibrar ainda mais em seu favor o quadro das relações de trabalho, cavalgando de forma completamente oportunista a desestruturação resultante da pandemia do COVID-19.

Esta pandemia, ao introduzir perturbações muito profundas nas sociedades, com consequências imprevisíveis e preocupantes, designadamente a nível do emprego e das relações de trabalho, atirou para a ribalta a questão do teletrabalho, e muitos fazedores de opinião, veiculando os interesses do capital, começam a eleger esta forma de organização do trabalho como o futuro.

Trata-se de uma completa ilusão e mentira, mas o mais grave é que muitas camadas da população acreditam que inevitavelmente assim será.

O que pretende o capital com a expansão do teletrabalho?

Em síntese, pretende aumentar a exploração, agora sob o «manto diáfano» da suposta melhoria da qualidade de vida e da conciliação do trabalho com a vida familiar. E como? Nomeadamente, por via do aumento do tempo de trabalho, da perda paulatina (ou não) do vínculo jurídico à empresa, transformando a prazo o assalariado em trabalhador por conta própria, com todos os riscos que tal acarreta, e pela transferência de custos gerais da empresa (custos de ocupação de espaço, eletricidade, água, seguros e outros custos gerais) para o trabalhador.

Sobre os limites materiais e organizacionais do teletrabalho

No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea o léxico teletrabalho é definido como: «Atividade remunerada desenvolvida no domicílio com recurso a meios informáticos e de telecomunicações».

Em linha com este, o Código do Trabalho define-o assim: «Considera-se teletrabalho a prestação laboral realizada em subordinação jurídica, habitualmente fora da empresa e através do recurso a tecnologias de informação e comunicação».

Retomemos as duas definições de teletrabalho e destaquemos delas dois traços dominantes: um, a situação de trabalho no domicílio (ou o trabalho fora da empresa), portanto do trabalho individual isolado, e o outro, o instrumento de trabalho dominante, ou seja, o computador (meios informáticos e de telecomunicações ou tecnologias de informação e comunicação).

Sobre as sociedades enquanto construção coletiva

A longa caminhada de centenas de milhar de anos do Homem, desde o Homo habilis até ao homem moderno, foi, é e continuará a ser um longo caminho coletivo, mas nunca um percurso individual.

Foi o trabalho coletivo que permitiu o crescimento incessante e crescente das forças produtivas ao longo dos milénios, desde a descoberta do fogo e da roda até ao projeto e construção de estações orbitais.

Não desvalorizando minimamente o caráter ímpar de algumas personalidades que marcaram a História, estas só chegaram aonde chegaram porque viveram em sociedades que foram acumulando historicamente saberes e experiências herdadas e enriquecidas ao longo de gerações e gerações.

De facto, aquilo que se designa por escola, e que foi permitindo a evolução, só foi possível porque escorada no trabalho coletivo, e as sociedades, tais como as conhecemos, são indiscutivelmente fruto dessa construção coletiva.

Por outro lado, o teletrabalho constitui também uma tendência anti-histórica.
E anti-histórica, porque a evolução das sociedades no-lo ensina, pelo menos relativamente à transformação material, pelo menos desde o Mundo Antigo, desde os artesãos isolados ou em grupo, passando pela manufacturas dos séculos XVIII e XIX e chegando à grande indústria moderna, com cada vez maiores coletivos de trabalhadores.

Mesmo no comércio o fenómeno é idêntico, com o enorme salto que vai desde a pequena tenda, de matriz greco-romana, até à grande superfície comercial.

A proletarização dos trabalhadores, quaisquer que sejam as suas qualificações, é um processo irreversível que o teletrabalho não faz desaparecer. O que faz é reduzir o grau da consciência de classe do teletrabalhador, que, embora continuando assalariado, pensa que o não é, ou que o é em reduzido grau.

Trabalho, teletrabalho e meios de produção

Relativamente aos meios de produção (objetos de trabalho e instrumentos de trabalho) e às formas de organização dos processos de produção, distribuição e comercialização da enorme diversidade de bens de consumo corrente e duradouro (e não esquecendo que para chegar a estes é necessário, a montante, produzir bens de equipamento e intermédios), eles são cada vez mais poderosos e especializados, exigindo uma cada vez melhor organização e melhores tecnologias verticais e horizontais, designadamente tecnologias da informação e da comunicação (TIC).

Por exemplo, na indústria transformadora são sempre necessários uma vasta gama de máquinas, equipamentos e dispositivos e poderosas infraestruturas (por exemplo, edifícios) para produzir tais bens.

Mas mais. Para alimentar a indústria transformadora é necessário ter a montante uma indústria extrativa. E é uma evidência, que qualquer mina, pedreira ou areeiro não «cabem» no domicílio de um qualquer teletrabalhador.

E como é possível, no domínio da construção de edifícios e da engenharia civil (construção de grandes infraestruturas tais como: estradas, portos, aeroportos, vias de caminhos de ferro, barragens, pontes, etc.) concretizar as empreitadas, senão “in situ”?
E no domínio do saneamento básico (recolha de resíduos, tratamento de águas residuais, etc.) são exigidas grandes infraestruturas.

Poderão as pescas, a aquacultura e a apanha de bivalves, que têm sempre lugar na Natureza, seja no mar, seja em rias, lagunas ou lagos, ser metidas dentro do domicílio do teletrabalhador?
Assim também na agricultura, mesmo na familiar, na qual é sempre necessário a existência de significativas áreas de solo arável, máquinas agrícolas e infraestruturas, e isto a multiplicar por dezenas de milhar de unidades agrícolas.

E de facto, também estas não «cabem» dentro do domicílio, pois que não estamos a falar de brincar à agricultura biológica na varanda, mas sim de alimentar com produtos agrícolas milhões e milhões de seres humanos.

E a pecuária? É uma evidência a necessidade de criarmos gado de diversas espécies, o qual precisa de campos para pastar.

E o mesmo se passa com a floresta e os seus múltiplos usos.

Mas, dir-se-á, isto são atividades da esfera produtiva, envolvendo somente cerca de 30% da população ativa.

Já com os serviços, então, porventura aí poderemos ter teletrabalho em grande escala?
Não de todo, exceto de forma residual e muito especializada.

Vejamos então porquê.

Comecemos pelo transporte coletivo de passageiros (comboios, metropolitanos, autocarros, barcos, táxis): será possível domiciliar estas atividades que envolvem dezenas de milhar de trabalhadores e por vezes poderosos meios materiais? Evidentemente que não.
E o transporte de mercadorias, seja por navio, seja por comboio, seja por camião, seja por avião, será também possível domiciliá-lo? Evidentemente que não.

E o comércio, seja por grosso, seja retalhista, não exige grandes superfícies comerciais, ou lojas de comércio tradicional, ou mercados e feiras e a montante deles grandes armazéns?
Então como se compaginará toda esta materialidade com o teletrabalho? Evidentemente que se não compagina.

E a restauração não necessita de restaurantes?

E a hotelaria? Como é possível atender e instalar os clientes senão em unidades hoteleiras?

E já agora, como se concretizarão as «pouco» importantes funções de Estado, como a saúde, a educação, a cultura, os diferentes apoios sociais, a segurança e a defesa, senão nos hospitais, escolas, universidades e institutos, teatros, quartéis de bombeiros, esquadras de polícia e postos da GNR?

Finalmente o fornecimento de eletricidade, sem o qual as sociedades modernas deixariam simplesmente de funcionar.

Pois que até o computador e a internet, que são a base do teletrabalho, só funcionam com eletricidade.

E esta é produzida em grandes centrais hidroelétricas, térmicas ou em parques eólicos e fotovoltaicos.

E então o que é que resta para o teletrabalho?

Desmontada, pelo menos em parte, a tese de que agora vamos quase todos para o teletrabalho, há que escorar a luta ideológica contra este novo e insidioso meio de instrumentalização e exploração dos trabalhadores.

Por outro lado, não podemos nem devemos confundir uma situação de normalidade social e económica com a que se vive atualmente, caracterizada por uma enorme e súbita desestruturação da sociedade.

Evidentemente, que nas atuais circunstâncias de confinamento e distanciamento social, o teletrabalho, para um número significativo, mas reduzido em termos relativos, é legítimo e obrigatório.

E então o que resta para o teletrabalho?

Primeiro: Em circunstâncias de normalidade económica, o teletrabalho, por não corresponder a nenhuma necessidade objetiva das sociedades, e ainda menos aos interesses dos trabalhadores, deverá ficar reduzido a uma dimensão residual.

Segundo: ao invés, é adequado relativamente ao exercício de determinadas profissões o recurso ao teletrabalho: projetistas de arquitetura e engenharias, especialistas de TIC, criativos de publicidade, consultores de organização e gestão, advogados, etc.

Numa outra perspetiva, é absolutamente natural o trabalho isolado, como em atividades culturais em que o indivíduo, isoladamente considerado, está no centro de processos criativos, tais como escritores, pintores, poetas, compositores musicais, etc.

À laia de contraponto: a invenção da informática corresponde a mais um enorme salto no desenvolvimento das forças produtivas, cujo permitiu aumentar fortemente a produtividade das economias, seja através da criação de novos processos de comunicação, seja na otimização de praticamente todas as tecnologias verticais, algumas já milenares.

E a informática, embora dando-lhe a base, não é minimamente responsável pelo teletrabalho, para além do objetivamente necessário.

O responsável tem nome e chama-se capitalismo.

Fonte: https://www.abrilabril.pt/trabalho/teletrabalho-da-ficcao-oportunista-realidade-objetiva

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

[Manlio Dinucci] O DISTANCIAMENTO SOCIAL DA DEMOCRACIA

 
                             
Manifestantes em Tel Aviv mantendo a distância social, 19 de Abril de 2020© AFP / Jack Guez
 
 
 
“O distanciamento social chegou para ficar muito mais do que algumas semanas. Num certo sentido, irá perturbar o nosso modo de vida para sempre”: anunciaram os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uma das universidades de maior prestígio dos Estados Unidos (MIT Technology Review, We’re not goingback to normal, 17 March 2020). 
 
Citam o relatório apresentado pelos pesquisadores do Imperial College London, segundo o qual o distanciamento social deve tornar-se uma norma constante e ser reduzido ou intensificado, de acordo com o número de pacientes hospitalizados pelo vírus, nas unidades de terapia intensiva. O modelo elaborado por estes e por outros pesquisadores não diz respeito só às medidas a ser tomadas contra o coronavírus. Torna-se num modelo social, real e preciso, do qual já se preparam os procedimentos e os instrumentos que os governos deverão impor como lei.
 
Os dois gigantes da Informática, Apple e Google, até agora rivais, associaram-se para inserir biliões de sistemas móveis para iPhone e Android, em todo o mundo, num programa de “seguimento de contactos” que avisa os clientes se alguém infectado com o vírus se está a aproximar deles. As duas empresas garantem que o programa “respeitará a transparência e a privacidade dos utentes”.
 
Um sistema de rastreio ainda mais eficaz é o dos “certificados digitais”, nos quais estão a trabalhar duas universidades americanas, a Rice University e o MIT, apoiadas pela Bill & Melinda Gates Foundation, a fundação americana criada por Bill Gates, fundador da Microsoft, a segunda pessoa mais rica do mundo na classificação da revista Forbes. Ele anunciou-o publicamente, respondendo a um empresário que lhe perguntou como retomar as actividades de produção, mantendo o distanciamento social:
 
“No final, teremos certificados digitais para mostrar quem se recuperou ou foi testado recentemente, ou quando tivermos uma vacina, se esse indivíduo a tomou. (The Blog of Bill Gates,31 questions and answers about COVID-19, 19 March 2020).
 
O certificado digital de que Gates fala, não é o actual cartão de saúde electrónico. A Rice University anunciou, em Dezembro de 2019, a invenção de pontos quânticos à base de cobre que, injectados no corpo juntamente com a vacina, “se tornam em algo semelhante a uma tatuagem de código de barras, que pode ser lida através de um smartphone personalizado”.(Rice University, Quantum-dot tattoos holdvaccination record, 18 Dicember 2019). A mesma tecnologia foi desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia Massachusetts (Scientific American, Invisible Ink CouldReveal whether Kids Have Been Vaccinated, 19 Dicember 2019). 
 
A invenção desta tecnologia foi encomendada e financiada pela Fundação Gates, que declara querer usá-la nas vacinas para crianças, principalmente nos países em desenvolvimento. Também poderia ser usada numa vacinação à escala global contra o coronavírus.
 
Este é o futuro “modo de vida” que nos é anunciado: o distanciamento social com estrutura variável sempre em vigor, o medo constante de ser abordado por um infectado pelo vírus sinalizado por um toque do nosso telemóvel, o controlo permanente pelo “código de barras” implantado no nosso corpo. Seria, essencialmente, uma extensão dos sistemas militares com os quais se podem seguir e acertar nos “alvos” humanos.
 
Sem subestimar o perigo do coronavírus - seja qual for a sua origem - e a necessidade de medidas para impedir a sua propagação, não podemos deixar nas mãos dos cientistas do MIT e da Fundação Gates a decisão de qual deve ser o nosso modo de vida. Também não podemos parar de pensar e fazer perguntas. Por exemplo:
 
É muito grave que o número de mortes devido ao coronavírus, na Europa, seja actualmente, quase 97.000, mas que medidas devem ser tomadas em proporção, contra as partículas finas, as PM2,5, que – segundo os dados oficiais da European Environment Agency (Airquality in Europe – 2019 report) – provocam, a cada ano, na Europa, a morte prematura de mais de 400.000 pessoas?
 
Manlio Dinucci
 
il manifesto, 20 de Abril de 2020
 
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COMMUNIQUÉ ON THE CONFERENCE OF 25 APRIL
DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, 
em todos os países europeus da NATO
Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos 
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Tecnologias contra a pandemia e a favor da liberdade

Num texto anterior (Apps para combater a pandemia, liberdade e segurança) suscitei, de forma genérica, a questão da procura de um equilíbrio entre liberdade e segurança na utilização de dados recolhidos nos smartphones dos cidadãos com vista a acrescentar ferramentas no combate à pandemia Covid-19. Talvez por ser pouco concreto quanto às formas técnicas e tecnológicas de prosseguir esse equilíbrio, recebi o retorno de muito cepticismo. Muitos leitores que se dignaram dialogar comigo não acreditam que seja possível preservar a privacidade com qualquer utilização dessas máquinas e desses procedimentos. Esse cepticismo, saudável, fez-me voltar ao tema para procurar ser mais concreto. O ponto é este: os direitos digitais dos cidadãos, incluindo os direitos dos pacientes, não podem ser desprezados, ou sequer tratados com ligeireza, nem sequer neste contexto de pandemia. Não obstante, não podemos ser preguiçosos: não devemos descurar nenhuma possibilidade de usar as tecnologias disponíveis no combate à Covid-19, desde que encontremos formas de o fazer que respeitem aqueles direitos. Logo, temos de procurar soluções que façam esse equilíbrio. E temos de estar disponíveis para analisar essas questões. A boa notícia é que já há quem esteja a trabalhar nesse sentido. Creio que devemos manter-nos informados desses esforços. No que que segue, farei o seguinte: (1) exponho alguns elementos do método sul-coreano de uso das tecnologias para detectar percursos de infecção, assinalando alguns dos perigos contidos nesse método e de outros similares; (2) apresento um exemplo de más práticas ocorrido nos Estados Unidos e procuro encontrar pistas para o que precisamos de práticas aceitáveis; (3) apresento o essencial de um esforço de investigação que está em curso na Europa para encontrar uma solução tecnológica que responda aos equilíbrios de que necessitamos para proteger a nossa saúde e a nossa liberdade, sem descurar nem uma nem outra. 1. O método sul-coreano Num artigo recente, Max S. Kim (“Seoul’s Radical Experiment in Digital Contact Tracing”, The New Yorker, 17 de Abril) descreve os métodos de seguimento das pessoas com Covid-19 usados pelos sul-coreanos, que incluem a monitorização dos percursos feitos pelos infectados, dos transportes públicos que usaram, dos serviços de saúde onde são tratados – e a divulgação dessa informação. Embora o princípio seja o da preservação do anonimato, o que efectivamente se tem passado está longe desse princípio. Desde logo, porque as autoridades locais têm alguma margem de manobra nas decisões acerca do que podem divulgar, levando a situações de identificação pública dos indivíduos envolvidos. O ponto é que não é preciso dizer explicitamente quem é a pessoa em causa, basta fornecer certas informações para facilitar a identificação: idade, género, bairro de residência, locais públicos (de residência ou de trabalho) que tenham visitado, percursos, transportes usados. Com estas informações públicas, são espoletadas conversas e “investigações” privadas para determinar quem corresponde ao perfil, dando lugar a situações de assédio. O clima é de exigência popular por mais informação dessa: o público quer saber onde estão os infectados. As autoridades estão pressionadas por exigências de transparência criadas em crises sanitárias anteriores, quando foram acusadas de reter informação. Mas há especialistas preocupados mesmo com os efeitos sanitários dessas medidas: com um forte risco de estigmatização social provoca-se a reacção de esconder a doença e os sintomas, em vez de procurar tratamento adequado, com prováveis efeitos perversos na saúde pública. A publicação de mapas com percursos detalhados de infectados tem um efeito devastador e inapropriado. O articulista narra uma situação de um café que ficou sem clientes, porque foi publicado o percurso de uma pessoa infectada que tinha estado por breves momentos ao balcão desse estabelecimento à espera de uma bebida. 2. Más práticas a partir da Florida e lições a tirar A experiência sul-coreana exemplifica uma categoria de abordagens ao rastreamento electrónico que aposta em sistemas centralizados e que usam dados de georreferenciação (que ligam um indivíduo-com-smartphone a uma localização ou a um percurso). Dependendo das tradições culturais, do regime político e do quadro legal, nuns países há menos, noutros países há mais protecção contra os abusos a que os cidadãos podem ser submetidos em consequência da existência destes sistemas. Um artigo recente de John Naughton (“For non-intrusive tracking of Covid-19, smartphones have to be smarter”, The Guardian, 11 de abril), conta o que aconteceu quando, no fim-de-semana ensolarado de 20 e 21 de março, as praias da Florida se encheram de turistas que, manifestamente, não respeitavam qualquer tipo de distanciamento social. Duas empresas privadas especializadas em georreferenciação de smartphones trabalharam os dados dos telefones dos visitantes da praia de Fort Lauderdale e construíram um mapa que mostrava para onde tinham ido depois dessa visita: para todo o país, incluindo grandes cidades como Nova Iorque e Chicago. Publicaram o mapa no Twitter, ficando a sugestão de que aquela massa de trajectórias podia ser um mapa de espalhamento do vírus. Por muito chocante que a operação tenha sido, até por ser da autoria de empresas privadas e não de autoridades sanitárias, a publicação não revela mais do que informação que existe hoje em todos os países onde as telecomunicações cobrem o mundo do modo total que é o actual. Este é um aspecto curioso desta questão: muitas pessoas parece não estarem cientes da quantidade de dados que estão continuamente a oferecer a quem os queira apanhar, pelo simples facto de usarem os smartphones da forma que a maioria utiliza. E, de repente, escandalizam-se quando lhes dizem que se estão a recolher os dados que estão incessantemente a oferecer… A partir deste incidente americano, John Naughton transmite uma mensagem essencial: “Parece que estamos a caminhar para um futuro de pesadelo. Mas não tem de ser assim. Tudo depende de como projectamos e implantamos as capacidades de rastreamento dos smartphones. E ao contrário do que você vai ouvir de fontes governamentais e da indústria tecnológica, existem tecnologias que nos permitirão ter o benefício social (ser capaz de rastrear o vírus e manter indivíduos e autoridades informadas), minimizando ao mesmo tempo as intrusões na privacidade pessoal. Só temos de ser mais espertos.” Aqui, “ser mais esperto” é recusar os modelos que capturam dados (incluindo dados de localização) para os centralizar num único ponto e os analisar centralizadamente, em troca da promessa de que a privacidade está legalmente protegida. Sem curar de que muitas protecções legais são quebradas sem sequer o podermos saber. E sem curar do risco de esses dados serem capturados (roubados) por terceiros (porque não há segurança informática infalível). E tentando fazer passar despercebido que é ilusória a promessa de que esses dados serão anonimizados, porque é muito difícil anonimizar efectivamente dados com georreferenciação. Mas “ser mais esperto” também não é recusar a ajuda que estas máquinas podem dar no combate à pandemia. Ser mais inteligente é optar por outros sistemas, descentralizados, que deixam ficar nos smartphones dos utilizadores quase todos os dados, protegendo a privacidade, mas permitindo construir informação útil quando seja necessário e com o consentimento do próprio produtor dos dados. O articulista menciona, de passagem, vários exemplos de trabalhos em curso neste sentido. Um deles, Safe Paths, é americano, no MIT. O outro é europeu, envolvendo várias “universidades técnicas”. Vamos dar um pouco mais de atenção a este caso. 3. O projeto europeu Decentralised Privacy-Preserving Proximity Tracing O projeto Decentralised Privacy-Preserving Proximity Tracing (DP-3T) junta uma série de instituições de ensino superior europeias, a saber: EPFL – École polytechnique fédérale de Lausanne, ETHZ (Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Zurique), Universidade Católica de Leuven, Universidade Técnica de Delft, University College London, Centro Helmholtz para a Segurança da Informação em Saarbruecken, Universidade de Oxford, Instituto para o Intercâmbio Científico da Universidade de Turim. Vamos dar alguns elementos a partir de um texto dos investigadores, texto de uma fase inicial da investigação, que é público e de que dou o link: Decentralized Privacy-Preserving Proximity Tracing. O documento dá a ambição do projecto: um sistema de rastreamento de proximidade, em larga escala, que seja seguro e que preserve a privacidade. O objectivo do rastreamento de proximidade é poder informar alguém de que esteve na proximidade física de uma pessoa infectada, sem revelar nem a identidade do contacto nem o local desse contacto. Para alcançar este objectivo, os utilizadores instalam no seu smartphone uma aplicação e deixam-na a correr continuamente. Essa aplicação transmite um ID (identificador) efémero (não é um ID permanente, muda frequentemente, por exemplo a cada minuto), difundido localmente via Bluetooth. Esta modificação frequente do ID emitido inviabiliza o seguimento por um sistema centralizado que pudesse recolher esses sinais e reconstruir percursos. Um smartphone que esteja a correr a mesma aplicação, e que esteja próximo, pode captar esse sinal e gravar o ID efémero, junto com uma datação pouco fina (por exemplo, “2 de Abril”) e a duração do contacto. Se uma pessoa é diagnosticada com COVID-19, pode carregar para um servidor central uma representação compacta dos seus dados, mantendo o anonimato. Este passo deve requerer a aprovação de uma autoridade de saúde e depende da autorização explícita do indivíduo que transmite os dados: até aí, todos os dados permanecem exclusivamente no telefone do utilizador. Outras instâncias da aplicação (a serem usadas por outras pessoas), tendo acesso aos dados anónimos do servidor, calcularão localmente (no seu próprio smartphone) se houve um cruzamento perigoso com uma pessoa infectada: basta haver uma correspondência entre ID efémeros registados na sua aplicação e ID efémeros identificados pelo servidor central como tendo sido emitidos pelo telefone de um infectado. Caso a aplicação detecte um risco elevado (contacto dentro do período de contágio), ela informará o usuário. Além disso, o sistema permite que os utilizadores forneçam voluntariamente informações aos epidemiologistas, de modo a preservar a privacidade, para permitir estudos da evolução da doença e para ajudar a encontrar melhores políticas para prevenir mais infecções. A aplicação não faz o rastreamento de (uma vez que uma pessoa infectada tenha auto-reportado o seu caso, a aplicação não tenta rastreá-la), nem permite determinar locais ou trajectórias de utilizadores infectados (não recolhe de dados de localização, que são difíceis de publicar de uma forma que preserve a privacidade). O servidor central não dispõe de dados que comprometam a privacidade, pelo que, mesmo que o servidor seja comprometido ou tomado, a privacidade permanece intacta. O servidor central apenas serve a comunicação entre as aplicações dos utilizadores, não faz qualquer processamento de dados. Pretende-se que a aplicação garanta os seguintes requisitos funcionais: Completude: o histórico de contacto é abrangente em relação a eventos de contacto; Precisão: os eventos de contacto relatados devem reflectir a proximidade física real; Integridade: os eventos de contacto correspondentes a pessoas em risco são autênticos, ou seja, os utilizadores não podem falsificar eventos de contacto; Confidencialidade: um agente malicioso não pode aceder ao histórico de contactos de um utilizador; Notificação: os indivíduos em situação de risco podem ser informados. O sistema deve, ainda, garantir a preservação dos direitos de privacidade dos indivíduos face aos meios digitais, de acordo com o Regulamento Europeu de Protecção de Dados; limitar a recolha de dados ao estritamente necessário para o propósito explicitado (por exemplo, não deve recolher dados de geolocalização); controlar as inferências possíveis a partir dos dados recolhidos (cada entidade envolvida só deve poder aceder aos dados necessários para cumprir a sua parte); impedir a identificação de qualquer pessoa (sem a sua autorização); apagar todos os dados que sejam ou se tornem irrelevantes para os propósitos anunciados; ser escalável para a grandeza da pandemia; funcionar apenas com base em métodos e técnicas já dominadas e não em descobertas a fazer; usar dispositivos geralmente disponíveis. O sistema pode ser usado para além das fronteiras nacionais. Cabe notar que grandes empresas tecnológicas já tinham começado a explorar estas possibilidades, mas deram, entretanto, suporte a esta abordagem, que será mais poderosa. O que proponho ao leitor é que devemos pensar nisto, sendo firmes nos nossos valores democráticos e, ao mesmo tempo, estando abertos às possibilidades de fazer mais pelo combate à pandemia, inclusivamente sento criativo no uso das tecnologias. É um debate a que não podemos fugir, por responsabilidade cidadã.
Porfírio Silva, 20 de Abril de 2020

Ver original em "Machina Speculatrix" (aqui)

Apps para combater a pandemia, liberdade e segurança

Um dos desafios mais cruciais que a presente pandemia coloca às nossas sociedades diz respeito ao equilíbrio entre liberdade e segurança. Até certo ponto, nada de novo: a tentação de controlar os desviantes, ou os simplesmente diferentes, nunca desaparece de nenhuma sociedade, em qualquer tempo histórico, e qualquer risco, real e/ou publicamente percecionado, acaba sempre por ser aproveitado por alguns para propor formas de domesticar a massa. Em tempo de pandemia, esse debate torna-se mais complicado, porque a preservação da saúde, especialmente quando claramente associada à preservação da vida, é um valor que colocamos lá no alto das nossas prioridades – tanto racional como emocionalmente, porque a sensação de risco de ficarmos doentes ou morrermos é, claramente, perturbadora das condições para que a comunidade possa analisar as decisões a tomar com serenidade. E, entrando a saúde na equação, não será difícil desequilibrar os frágeis consensos democráticos em matéria tão delicada. Olhando para a experiência chinesa, quer pelo lado das possibilidades de um governo autoritário na gestão da vida social, quer pelo lado do elevado grau de imposição social das ferramentas tecnológicas de gestão da população, notamos que nem tudo o que poderia eventualmente ser útil para um determinado propósito concreto é, só por isso, possível numa democracia decente. Em certas circunstâncias, os regimes totalitários são mais eficazes do que os regimes democráticos. Infelizmente. Certo, certo, é isto: se tantos prescindem da sua privacidade para usar certas ferramentas que por aí andam, e que não servem tantas vezes realmente para nada, fornecendo carregamentos de informação pessoal sem qualquer cuidado, com que facilidade não se disporão a entregar a privacidade em troca da promessa de estarem mais protegidos em caso de contágio com o vírus que colocou o mundo em pandemia? Esse debate ainda não entrou em força em Portugal por uma razão muito simples: a maioria de nós ainda acredita que isto se resolve em mais algumas semanas. Poucos entenderam ainda que, enquanto não estiver massivamente disponível uma vacina apropriada, vamos conviver com o vírus. Teremos imunidade de grupo (quer dizer, teremos, coletivamente, criado uma significativa barreira ao contágio) quando uns 60% a 70% da população estiver imunizada. Estamos muito longe disso: com o sucesso da estratégia de isolamento social, não deverá haver sequer 2% da população imunizada. E, como não podemos ficar fechados em casa mais um ou dois anos (até a vacina ter permitido criar a tal imunidade de grupo), vamos ter de sair de casa, mas com duas condições: primeiro, com precauções adicionais (uso de máscaras muito mais generalizado, a acrescentar a um elevado grau de distanciamento nas linhas do que já conhecemos); segundo, com capacidade para identificar o mais rapidamente possível novas transmissões, para secar precocemente os caminhos de propagação do vírus. Só assim podemos regressar à vida (e temos de regressar à vida, a menos que esperemos que os marcianos venham produzir tudo o que nós precisamos para sobreviver) com a suficiente segurança de que o número de contaminados não volta a atingir níveis alarmantes e capazes de rebentar com a capacidade do serviço nacional de saúde. É aqui que entram as apps, na medida em que elas podem ajudar a detetar caminhos e ocasiões de propagação do vírus, para responder rapidamente a novas ameaças. As autoridades chinesas usaram as apps para controlar o acesso dos cidadãos a certas áreas: quem não podia mostrar o sinal verde no telemóvel, não entrava. Aqui entram, e chocam de frente, duas ideias: para uns, se é para nos proteger do vírus, que se faça; para outros, se põe em perigo a nossa privacidade, e podem seguir os nossos passos e identificar-nos como doentes, nem pensar. Provavelmente, vai ser preciso ir um pouco mais fundo neste debate. O ponto principal é este: pode saber-se muito acerca de fenómenos em curso numa população sem saber nada de relevante sobre esta ou aquela pessoa concreta. É por aí que temos de prosseguir a exploração. Vou, no que segue, deixar algumas notas sobre uma contribuição recente para este debate.
A rede eHealth é uma rede voluntária, criada ao abrigo do artigo 14.º da Diretiva 2011/24/UE, relativa ao exercício dos direitos dos doentes em matéria de cuidados de saúde transfronteiriços, funcionando como uma plataforma das autoridades competentes dos Estados-Membros que se ocupam da saúde digital. Ora, muito recentemente (há dois dias, 15 de abril), a eHealth divulgou um documento sobre as aplicações móveis de apoio à rastreabilidade dos contactos na luta da UE contra a COVID-19, propondo uma “caixa de ferramentas” comum da UE para os Estados-Membros. Esse documento parte do reconhecimento de que as aplicações móveis têm potencial para reforçar as estratégias de rastreio de contactos que podem ser úteis para conter e inverter a propagação da COVID-19, mas também do reconhecimento de que isso só será viável nas nossas sociedades se se encontrarem soluções que minimizem o tratamento de dados pessoais. A dimensão do desafio é acrescentada pela ideia de que a operação seria muito mais poderosa se houver uma estratégia coordenada comum a todos os territórios da UE, em vez de cada um ter a sua abordagem – podendo, até, facilitar a reabertura segura das fronteiras internas. O que propõem é que se faça um recurso forte às mais recentes soluções tecnológicas de melhoria da proteção da privacidade permitindo, mesmo assim, contactar indivíduos em risco e, se necessário, testá-los o mais rapidamente possível, independentemente do local onde se encontrem e da aplicação que utilizem. O valor acrescentado destas aplicações, dizem, é poderem registar contactos que uma pessoa pode não notar ou lembrar. Identificam quatro requisitos essenciais para as aplicações nacionais que entrassem nessa estratégia, nomeadamente o de serem:
- voluntárias;
- aprovados pela autoridade sanitária nacional;
- capazes de preservar a privacidade - os dados pessoais são codificados de forma segura; e
- desmantelados logo que deixem de ser necessárias. O documento considera que é preciso que toda a ação respeite as boas práticas em duas dimensões: basear-se em orientações epidemiológicas aceites (fazer só aquilo que seja necessário para a prossecução de objetivos de saúde pública) e respeitar as regras em matéria de cibersegurança e acessibilidade. Isto implica, nomeadamente, trabalhar para evitar o aparecimento de aplicações potencialmente nocivas não aprovadas, para que se estabeleçam critérios claros para avaliar o sucesso ou insucesso da ação, e garantir que haja um controlo coletivo da eficácia das aplicações, bem como comunicar adequadamente com as pessoas envolvidas. A jornalista Elena Sánchez Nicolás, escrevendo no euobserver, resume assim: “Os Estados Membros concordaram que as aplicações móveis Covid-19 não devem processar os dados de localização dos indivíduos, porque não é necessário nem recomendado para efeitos de rastreio de contactos". O documento da eHealth não propõe uma aplicação única europeia, só propõe uma estratégia coordenada. Já a Autoridade Europeia para a Proteção de Dados desconfia da viabilidade de garantir a segurança dessa estratégia com um sem número de aplicações a operar, pelo que defendeu a existência de uma aplicação pan-europeia Covid-19, em vez da proliferação de aplicações específicas em diferentes países. Ao mesmo tempo, surgem propostas alternativas para alcançar o mesmo desiderato, como seja usar o bluetooth para rastrear quem esteve em contato com casos de coronavírus, em vez de usar dados de localização. Há caminhos, temos de os trabalhar: nem desperdiçar nenhuma oportunidade de combater a pandemia, nem entregar as nossas liberdades em troca de segurança – porque essa é sempre, afinal, uma troca ilusória. (Clicar para ir para o documento da eHealth Network, “Mobile applications to support contact tracing in the EU’s fight against COVID-19. Common EU Toolbox for Member States”.)
Porfírio Silva, 17 de abril de 2020

Ver original em "Machina Speculatrix" (aqui)

Portugal | Barulho das obras, a banda sonora indesejada no teletrabalho

 
 
 
O sector da construção civil não parou, e entre pequenas e grandes obras multiplicam-se os pontos de conflito com um número anormal de teletrabalhadores que não têm como fugir ao ruído.
 
Abel Coentrão | Público
 
Há quem tenha normalizado, ou simplesmente se tenha refugiado nas profundezas de uns auscultadores. Há quem não o consiga normalizar de todo. Com mais gente confinada em casa, e a tentar trabalhar à distância, a vizinhança com outros trabalhos, os da construção civil, tornou-se num desafio difícil de resolver. Como dar aulas, ou ter reuniões com equipas por videoconferência, com o ruído das máquinas a partir pedra ali ao lado? Estas são questões para o tempo da pandemia, mas que um eventual incremento do teletrabalho vai colocar na nossa agenda colectiva, avisa o líder da associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira.
 
Em Portugal, apesar de haver legislação sobre o ruído, dele pouco se fala, e muitas vezes o barulho não é olhado como aquilo que é, um poluente, com impacto na nossa saúde e qualidade de vida, como o lixo, os esgotos ou o fumo dos carros. Este, por exemplo, desapareceu temporariamente das nossas cidades, que são notícia agora pelo ar límpido que não tinham há décadas, e com ele desapareceram também muitos ruídos que constituíam uma espécie de fundo sonoro da nossa urbanidade. Agora ouvimos de novo os pássaros mas...calma lá, para além do melro cantor, entra pela janela um esgar de um disco de uma rebarbadora perante o atrito da pedra, numa rouquidão contínua que nos faz agradecer aos céus quando pára. 
 
Pois é. Os trabalhos de construção civil não pararam. O sector bem tentou explicar as dificuldades que teria para cumprir as regras de isolamento físico numa obra qualquer, mas se há empresas que se adaptaram, fizeram planos de contingência e até deixaram de laborar, muitas outras não o puderam ou quiseram fazer. A impressão de quem vive em Lisboa e no Porto é a de que, com tanto alojamento local vazio, muito proprietário aproveitou para fazer aquelas obras que se iam adiando. E num mercado com um nível elevado de informalidade, não falta quem as faça, legal ou até mesmo ilegalmente. 
 
 
Quando os auscultadores não salvam
 
Mas voltemos ao ruído. Obras sempre houve. E gente a fazer de casa o escritório, também. Mas encolhido o espaço social, e fechadas as instalações de muitas empresas, de repente o número dos que estão confinados nas suas casas e apartamentos, em trabalho, multiplicou-se, multiplicando também as hipóteses de vizinhança com as empreitadas que, salvo uma ou outra fase, implicam sempre algum ou muito barulho. 
 
A situação até é resolúvel quando as tarefas implicam, por exemplo, escrever uma notícia já depois de feitas as entrevistas. Liga-se os auscultadores ao computador, procura-se por alguma coisa que não soe a música industrial - para isso já chega o que vem lá de fora -, e voilà, pomos a máscara, para usar uma expressão que se nos tornou cara por estes dias, mas que para Mariana Alves-Pereira, investigadora na área do ruído de baixas frequências, significa essa capacidade que uns sons têm de disfarçar a presença de outros: pelo menos à escala da nossa percepção mais imediata. Porque, na verdade, o que estamos é a sobrepor ruído ao ruído. 
 
Já lá iremos, às baixas frequências, uma espécie de dark side deste universo tão mal tratado do ruído. A Cristina Machado, nem o facto de viver numa casa, numa zona residencial, de baixa densidade, no concelho de Matosinhos, a salva. Confinou-se no lar no a 16 de Março e, nesse mesmo dia, começaram as obras para erguer uma moradia no lote ao lado do seu. E pronto, os planos desta investigadora na área da transformação digital da economia de fazer do escritório doméstico o ponto de acesso a alunos de mestrado e doutoramento, ou ponte para reuniões com equipas em vários pontos do país e no estrangeiro, tiveram todos de ser repensados. 
 
“Não posso ter aulas com o microfone desligado. Por isso, começo sempre por avisar sobre esta situação”, explica. A circunstância não podia ser mais incómoda, mas sempre que o proprietário da obra lhe liga (porque até se conhecem), e pede desculpas, ela mostra compreensão. Afinal, no seu caso, como no da maioria das pessoas com quem o PÚBLICO falou, os trabalhos decorrem nos períodos previstos na lei. Que, assinala Francisco Ferreira, docente universitário também na área da poluição sonora, foi pensada como se estivéssemos em casa do fim da tarde ao início da manhã. Nunca no resto do dia.
 
Desconectada deste extremo a que chegamos, o Regulamento Geral do Ruído trata-nos como se fossemos intrusos no nosso próprio espaço pessoal. Não devíamos estar em casa no horário de expediente. Desconhecendo quanto tempo temos de recolhimento, o líder da Zero admite que não seria mal pensado uma redução dos períodos em que se pode fazer barulho, o que implicaria alguma reorganização de quem anda nas obras. Até porque, entre aqueles que se conseguem adaptar - empurrando algumas tarefas que exigem silêncio para a noite, por exemplo - aquele arranque da manhã, ao som da rebarbadora, torna-se ainda mais perturbador. Esses primeiros sons matinais são, como lhes chama Cristina, as três pancadinhas de Moliére. Levanta-se o pano, que o dia vai começar. 
 
João Costa já não trabalha ao seu ritmo, mas ao das obras. Precisa de gravar conversas, para fazer podcasts, por exemplo, e ter esta banda-sonora em fundo, ali onde vive, no centro de Lisboa, não dá jeito nenhum. A casa não é um estúdio - e, longe disso, o cuidado com o isolamento acústico de muitas habitações em Portugal deixa, como se sabe, muito a desejar. São dois a partilhar o apartamento e, nos dias que correm, a dificuldade de ambos é semelhante. “Sabemos que o teletrabalho vai aumentar. Mas isso vai levantar muitas questões quanto ao ruído ambiente, mas também quanto à salubridade, à segurança e à ergonomia. Trabalhar no sofá parece giro, mas passada uma semana as costas ficam todas partidas”, vai reflectindo nesta conversa com o PÚBLICO.
 
A dificuldade repete-se a cada entrevistado. Cláudia, que vive em Campo de Ourique, Lisboa e pede para não ser identificada, tem o ruído a chegar-lhe de cima, num apartamento que se esvaziou e entrou em obras. Professora universitária, não está a ver como será este regresso às aulas. Patrícia Campos, no Porto, nem com os auscultadores sossega, porque a casa treme-lhe com as obras no prédio ao lado. Caiu-lhe estuque do tecto, e a paciência, essa, também já se espatifou pelo chão. Ali, na baixa do Porto em que o turismo fez um intervalo, mas a construção civil nem por isso, até pelo sábado dentro se trabalha ruidosamente, queixa-se. 
 
Muitas queixas, no Porto
 
“Temos recebido um número elevado de denúncias sobre a realização de obras, sobretudo em apartamentos. O facto de, no momento que vivemos, a esmagadora maioria das pessoas estar confinada na sua habitação tem ‘facilitado’ o processo de denúncia, sobretudo pelo incómodo sonoro que tais obras muitas vezes acarretam. No fundo, as pessoas estão há muito tempo em casa, impacientes e mais atentas à violação do seu bem-estar, e qualquer ruído mais intenso é denunciado à polícia”, admite a assessoria de imprensa da Câmara do Porto. Cidade onde têm sido detectadas, e embargadas, explica, algumas obras ilegais, iniciadas precisamente nesta fase por quem acreditaria, eventualmente, que também a fiscalização ficou confinada em casa.
 
Programador informático a viver em Lisboa, na rua D. Estefânia, a Daniel Silva nem a música alta lhe salvava a concentração quando o martelo pneumático de uma obra lhe invadia o horário de trabalho, há duas semanas. Aparentemente, a empreitada terminou, ou foi simplesmente interrompida, e o ambiente está mais sossegado. Com um apartamento virado para as traseiras da rua, nestes tempos de confinamento há um outro som que deixou de ouvir, o das unidades exteriores do sistema de ar condicionado de um ginásio próximo que fechou por causa da covid-19. 
 
Esta percepção, pela ausência, de um ruído que está sempre presente, a ponto de muitas vezes nem repararmos nele, é o outro lado desta situação em que vivemos. Quer Francisco Ferreira, quer Mariana Alves-Pereira assinalaram, ao PÚBLICO, que a eliminação, no ambiente urbano, de um conjunto de sons que interiorizamos como normais, nas nossas vidas (o dos carros a passar na rua em frente é um deles), deixa-nos mais disponíveis para o que sobra. Que pode ser o canto melodioso dos pássaros, mas também pode ser o barulho de uma obra, que se destaca ainda mais, nestes tempos. 
 
E as baixas frequências?
 
Especialista em baixas frequências e infra-sons, Mariana Alves-Pereira não cessa de chamar a atenção para esta outra poluição que a lei não identifica nem regula, que provêm de aparelhos como os de ar condicionado, frigoríficos e outros electrodomésticos, mas também, no exterior, de sistemas mais complexos, como as estações de tratamento de águas residuais ou parques eólicos, onde as pás das turbinas golpeiam o ar, lançando ondas sonoras a grandes distâncias, explica. A exposição a este tipo de sons, que tomamos como naturalmente presentes nas nossas vidas, têm efeitos na nossa saúde e, desde logo, estão associados a problemas de hipersensibilidade ao ruído, vinca esta investigadora.
 
Na sequência das alterações drásticas ao nosso quotidiano, muito se tem reflectido, e escrito, sobre as mudanças mais permanentes que poderiam ser aplicadas às nossas vidas, no pós-covid. A nossa relação com o ambiente sonoro mudou, também temporariamente, faltando saber, quando tudo regressar à normalidade, se o silêncio (um conceito relativo) vai continuar a ser um luxo de quem ousou sair da cidade, ou se mesmo nela vamos reivindicar um quotidiano menos poluído. Até lá, é rezar para que o vizinho não desate a partir paredes.

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/portugal-barulho-das-obras-banda-sonora.html

Era dos Magalhães II? Empresa está pronta a produzir novos computadores

 

A empresa responsável pelo lançamento do “Magalhães”, a JP Sá Couto, está disponível para produzir novos computadores para satisfazer a necessidade de assegurar o acesso a ferramentas digitais a todos os alunos no próximo ano letivo.

 

Ao Jornal de Notícias, João Paulo Sá Couto, administrador da JP Sá Couto, adiantou que ainda não foi contactado pelo Ministério da Educação. Ainda assim, revelou que a empresa tem disponibilidade para produzir novos computadores para alunos do primeiro e segundo ciclos.

O Governo, se necessitar, poderá contar com a toda colaboração e know how [saber fazer] adquirido ao logo destes 12 anos”, disse, acrescentando que a empresa está preparada para responder “à solução ideal” do Executivo “para este passo no ensino à distância”.

Dado que este tipo de ensino à distância requer, obrigatoriamente, uma ligação à Internet, a JP Sá Couto admite que a tutela poderá estar a contactar primeiro as operadoras. De acordo com o JN, a empresa já estabeleceu contactos com empresas de telecomunicações para poder oferecer melhores dispositivos para conteúdos educativos.

 
 

Os dispositivos produzidos por esta empresa são destinados aos primeiros anos de escolaridade. Além de serem mais resistentes, têm capacidade de autonomia suficiente para um dia inteiro de aulas.

O responsável adiantou que o sistema operativo ficaria a cargo de parceiros como a Microsoft, que também participou no “Magalhães”, ou a Intel.

Em 2007/2008, a JP Sá Couto foi responsável pelo programa “e-escolas”, para o 3.º ciclo, no qual foram distribuídos “mais de um milhão de computadores, de várias marcas, e pelo “e-escolinhas”, que se popularizou como “Magalhães”.

ZAP //

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/magalhaes-empresa-pronta-produzir-319287

“Muito mais do que ter um computador”. Costa promete acesso universal à Internet e a equipamentos

 

Em entrevista à agência Lusa, o primeiro-ministro, António Costa, afirma que no próximo ano letivo haverá acesso universal dos alunos dos ensinos básico e secundário à Internet e a equipamentos informáticos, considerando que este investimento avultado é essencial face aos riscos de pandemia.

 

“Assumimos um objetivo muito claro: Vamos iniciar o próximo ano letivo assegurando o acesso universal à rede e aos equipamentos a todos os alunos dos ensinos básico e secundário”, declara António Costa em entrevista à agência Lusa.

Questionado se cada aluno vai ter um computador, retomando-se uma medida tomada pelos governos de José Sócrates no âmbito do programa “Magalhães”, o líder do executivo responde que “é muito mais do que isso”.

“É muito mais do que ter um computador ou um tablet. É ter isso e possuir acesso garantido à rede em condições de igualdade em todo o território nacional e em todos os contextos familiares, assim como as ferramentas pedagógicas adequadas para se poder trabalhar plenamente em qualquer circunstância com essas ferramentas digitais”, adianta.

 
 

Confrontado com o facto de se tratar de um investimento avultado e a concretizar já no início do próximo ano letivo, António Costa defende que esse investimento “é essencial e é uma medida de prevenção do risco de pandemia”.

Interrogado se se trata de um programa “Magalhães 2″, agora mais ambicioso, o primeiro-ministro reage com uma nota de humor: “Para sermos generosos com os nossos vizinhos espanhóis até podemos dizer que é um programa [Juan Sebastián] Elcano, porque completa a viagem iniciada”.

Segundo António Costa, a atual crise provocada pelo surto do novo coronavírus “demonstrou uma extraordinária capacidade de adaptação das escolas a uma nova situação”. “De facto, a necessidade aguçou o engenho e em duas semanas avançou-se mais na literacia digital do que seguramente se teria avançado em muitos anos de uma ação programada. Temos de aproveitar este impulso para cumprir aquilo que era uma das grandes metas do programa do Governo: Acelerar a transição para a sociedade digital”.

“Temos de superar a desigualdade”

Mais importante, no entanto, é “garantir a necessidade de que, aconteça o que aconteça do ponto de vista sanitário durante o próximo ano letivo, não se assistirá a situações de disrupção, porque houve outra face da moeda que esta crise demonstrou”.

As desigualdades são muito mais persistentes do que aquilo que muitas vezes se pensa e, quando elas se diluem na mesma sala de aula, elas acentuam-se quando cada um vai para as suas casas. Ou por insuficiência da infraestrutura de comunicação, ou por falta de equipamentos, ou por diferentes de habitação, ou, ainda, por diferentes contextos familiares, essas desigualdades tornam-se mais visíveis. Por isso, o recurso à televisão, obviamente, é um contributo para mitigar essa desigualdade, mas aquilo que temos de superar é mesmo essa desigualdade”, justifica.

Questionado se a perspetiva de regresso às aulas presenciais em maio mereceu a concordância das associações de pais e dos sindicatos dos professores, António Costa alega que o Governo procedeu a audições, quer com os parceiros educativos, quer com os partidos com representação parlamentar ainda antes de encerrar as escolas.

E procedemos à audição de todos antes de tomarmos esta decisão [de eventual reabertura das aulas presenciais]. Para este programa seja possível de cumprir, é fundamental que as pessoas ganhem confiança. É necessário assegurar que vamos ter o menor número de pessoas nas escolas, que vamos as pessoas o mínimo tempo possível nas escolas e com a máxima segurança possível ao nível pessoal e da higienização dos espaços escolares. É necessário reunir o conjunto destas condições para que professores, trabalhadores não docentes, famílias e alunos tenham confiança de que podem ir à escola”.

Para o primeiro-ministro, “tão ou mais grave que os danos causados pelo vírus são os danos causados pelo pânico que o vírus gera”. “Não estamos só a combater uma pandemia viral, mas, também, uma pandemia de pânico. Para isso, é necessário reforçar as condições de confiança e de segurança de todos”, acrescenta.

// Lusa

 
 
 

“Heróis” da saúde, professores e outros profissionais. Tiktok vai doar 250 milhões

(dr) TikTok

 

A rede social TikTok, cuja popularidade explodiu com o confinamento, anunciou esta quinta-feira um donativo de 250 milhões de dólares (229 milhões de euros) para apoiar profissionais de saúde, professores e outros profissionais afetados pela pandemia do novo coronavírus (covid-19).

 

O grupo chinês vai atribuir 150 milhões ao seu “fundo de apoio aos heróis da saúde”, que os vai distribuir a organizações competentes, como a Cruz Vermelha, precisa a rede social num comunicado divulgado na Internet.

Outros 50 milhões de dólares são afetados a grupos “representativos de comunidades que utilizam a aplicação”, como artistas, enfermeiros e educadores. O montante restante é destinado a “professores, técnicos e associações que colocam os seus talentos e experiências ao serviço da educação”, para apoiar o ensino à distância.

Estes donativos da Tiktok foram anunciados depois de várias iniciativas similares da parte de conglomerados da tecnologia, como Google, Facebook e Netflix, bem como dos principais dirigentes da Microsoft, Amazon e Twitter.

ZAP // Lusa

 
 
 

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Facebook terá tentado comprar um software de espionagem em 2017

O Facebook tem estado envolvido em vários escândalos e o mais recente está relacionado com a alegada compra da ferramenta Pegasus, usada para hackear iPhones.

 

A empresa de segurança informática NSO Group, responsável pela Pegasus, alega que a rede social de Mark Zuckerberg tentou comprar o software para monitorizar os utilizadores de iPhone.

Shalev Hulio, diretor executivo da empresa, apresentou um conjunto de documentos com esta informação, num depoimento de apoio no processo que envolve as duas empresas, no qual o Facebook acusa a NSO Group de explorar uma falha de segurança no WhatsApp que permitiu expiar mais de 100 ativistas e jornalistas.

De acordo com a Vice, Hulio contou que dois representantes do Facebook contactaram a empresa de ciberespionagem em 2017 para comprar a ferramenta que permitiria monitorizar os utilizadores do iOS.

Este contacto aconteceu na altura em que a rede social lançou uma ferramenta de redes privadas virtuais (VPN) – Onavo – que, mais tarde, seria revelada como uma forma de a empresa monitorizar o tráfego dos utilizadores no smartphone. O objetivo era perceber que outras aplicações as pessoas estavam a usar além do Facebook.

Depois de se ter apercebido que a eficácia da Onavo nos utilizadores do iPhone era menor do que no sistema operativo Android, o Facebook procurou uma ferramenta que ajudasse a complementar a informação.

“Os representantes do Facebook disseram que o Facebook queria usar as capacidades implícitas do Pegasus para monitorizar utilizadores com dispositivos Apple e estavam dispostos a pagar pela capacidade de monitorizar os utilizadores do Onavo Protect”, lê-se no documento submetido pelos israelitas, citado pela Exame Informática.

O software Pegasus é uma ferramenta que permite aceder aos conteúdos dos smartphones dos utilizadores sem que eles tenham conhecimento e é vendida a Governos e forças de segurança de todo o mundo. Por este último motivo, a tecnológica israelita recusou vender a ferramenta ao Facebook, por não se enquadrar no perfil de clientes elegíveis.

ZAP //

 
 
 

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As armadilhas do “software grátis”

pc-apps.JPGUm alegado estado de emergência educativo tem vindo a ser usado como justificação para empurrar escolas, alunos e professores, para a implementação, do dia para a noite, do ensino a distância. Mas será que a pressa justifica tudo? A falta de tempo é razão para adoptar a primeira solução informática “chave na mão” que se encontre disponível? A insuficiência de verba, nos orçamentos escolares, para aquisição de programas e serviços informáticos, deve determinar a opção por software pretensamente grátis?

Aqui, impõe-se um parêntesis para recordar duas máximas que nos devem nortear nesta matéria. A primeira é o velho princípio de que não há almoços grátis. Não quer isto dizer que não exista software livre e gratuito, mas esse não é o caso de sistemas desenvolvidos por grandes empresas, que neles fizeram fortes investimentos. Essas empresas estão no mercado para ganhar dinheiro, pelo que, quando decidem oferecer a utilização do software, isso significa que irão facturar a partir do uso que os utilizadores farão do seu programa. O que nos leva à segunda máxima a ter em conta: se não paga pela utilização do produto, você é o produto!

Na prática, isto significa que soluções como o Google Classroom, o Microsoft Teams, o Zoom e outras que têm sido avidamente experimentadas nos últimos tempos, apresentam pelo menos um dos seguintes problemas: têm grandes limitações nas suas versões gratuitas, de forma a obrigar os utilizadores, depois de familiarizados com o programa, a subscrever a versão paga; existem sobretudo para promover a utilização de outras aplicações, essas sim, pagas; ou encerram graves violações dos direitos de propriedade e privacidade dos utilizadores.

Como entendidos na matéria explicam, num longo texto que Paulo Guinote publicou (dividido em partes 1, 2, 3 e 4), estas empresas reservam-se o direito de armazenar dados dos utilizadores, rastrear as comunicações escritas, gravar as videoconferências, construir perfis de clientes a partir da informação pessoal obtida através da utilização da plataforma. Mas a violação grosseira dos direitos de privacidade e de propriedade e das regras de protecção de dados não são apenas cometidas por estas empresas. A urgência e o confinamento social estão a levar escolas e professores a inscrever os seus alunos, introduzindo os respectivos dados pessoais sem autorização dos pais, o que trazer graves implicações legais perante algum encarregado de educação mais cioso dos seus direitos. E os professores, ao contrário das googles e das microsofts desta vida, não têm poderosos departamentos jurídicos a defendê-los perante processos judiciais.

Neste quadro, se o ME pretende ter os seus professores a trabalhar, o mais rapidamente possível, numa plataforma comercial de e-learning, o que teria de fazer, em vez de mandar mais uma vez “as escolas” desenrascarem-se, seria contratar esse serviço para todas as escolas públicas, negociando as condições da sua prestação e salvaguardando todos os direitos e garantias legais. Para ontem.

Caso contrário, e ao contrário de colegas que vejo por aí no papel de promotores de soluções comerciais para o ensino online, entendo que a aposta segura continua a ser o tradicional Moodle de que a maior parte das escolas e agrupamentos já dispõem. É certo que o design da maioria das versões não é o mais apelativo e que em certas utilizações são pouco intuitivas. Mas são em geral plataformas robustas e seguras, reunindo a maioria das funcionalidades de que necessitamos para a aprendizagem remota.

Pessoas que espalham ódio na Internet tendem a ser psicopatas

 

 

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Os utilizadores da Internet que publicam comentários de ódio sobre outras pessoas tendem a ter traços psicopáticos. Por outro lado, os cientistas não encontraram uma correlação entre essa prática e narcisismo ou maquiavelismo.
 

Estes utilizadores são diferentes dos chamados “trolls”. Os autores do novo estudo descrevem estes internautas como pessoas que publicam comentários a expressar “atitudes negativas e ofensivas” em relação às inadequações percebidas por outros, “mas não incluindo críticas construtivas”.

Enquanto isso, os trolls foram identificados em projetos anteriores como aqueles que se comportam de uma forma “enganosa, destrutiva ou perturbadora num ambiente social na Internet sem nenhum objetivo instrumental aparente“. Vários estudos já identificaram fortes correlações entre “trolling” e os três atributos da chamada Tríade Negra: psicopatia, narcisismo e maquiavelismo, além do sadismo.

Neste último estudo, publicado em março na revista científica Frontiers in Psychology, os investigadores analisaram os comentários do Facebook relacionados com o fraco desempenho dos atletas polacos nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 em Pyeongchang.

Os utilizadores que tinham publicado opiniões sobre esse assunto foram convidados a preencher uma série de questionários projetados para revelar traços de personalidade como psicopatia, narcisismo, maquiavelismo, inveja, frustração e satisfação com a vida.

No questionário, de acordo com o IFLScience, participaram 94 utilizadores da Internet, 46 dos quais tinham publicado comentários considerados odiosos. Exemplos de declarações de ódio incluem: “Ela desacredita o nosso país e faz isso pelo dinheiro dos contribuintes, devolva o meu dinheiro!” e “Representar o nosso país sendo tão feio deve ser banido”.

Depois de analisar as respostas dos participantes aos questionários, os autores do estudo escreveram que “altas pontuações na subescala Psicopatia eram preditores significativos de comentários de ódio online”, embora nenhuma das outras características pudesse ser usada para prever com segurança publicações online odiosas.

Enquanto isso, os participantes que não apresentavam tendências psicopáticas tendiam a ser mais filosóficos e medidos nos seus comentários, publicando declarações como: “Está tudo bem, mantemos os dedos cruzados, da próxima vez será melhor!”

ZAP //

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/pessoas-espalham-odio-na-internet-tendem-psicopatas-316538

Plataforma online ajuda médicos na batalha global contra vírus

Global MediXchange for Combating COVID-19 - Alibaba Cloud

Hangzhou, 30 mar (Xinhua) -- As plataformas online tornaram-se um canal importante para médicos de todo o mundo se unirem na batalha contra a doença do novo coronavírus (COVID-19).

Mais de 490 instituições médicas de 109 países e regiões se inscreveram para o Programa Global MediXchange for Combating COVID-19 (GMCC, em inglês) - uma plataforma online criada em conjunto pela Fundação Jack Ma e pela Fundação Alibaba - para combater a epidemia do coronavírus.

A maioria dos participantes são instituições médicas e profissionais nos Estados Unidos, Turquia, Grã-Bretanha, Paquistão, Espanha e Alemanha.

Projetado para os médicos de todo o mundo se comunicarem e compartilharem experiências no tratamento da COVID-19, o GMCC oferece aos médicos serviços gratuitos de teleconferência e bate-papo ao vivo.

Os médicos podem se comunicar individualmente ou em uma conversa em grupo com ajuda de um tradutor de inteligência artificial, que pode interpretar 11 idiomas em tempo real. Médicos do Primeiro Hospital da Província de Zhejiang, por exemplo, compartilharam seu conhecimento com médicos de 44 países na plataforma.

As teleconferências também podem ser reproduzidas para facilitar aqueles com fuso de horário.

"Conhecimento é poder! Lançamos uma plataforma online para médicos e enfermeiros de todo o mundo trocarem ideias, lições e experiência para combater o vírus. Damos as boas-vindas a todos os hospitais para se juntarem aos hospitais chineses nesta plataforma aberta", twittou Jack Ma em março 26.

Até o momento, várias instituições médicas chinesas na linha de frente da luta contra a epidemia aderiram à plataforma, incluindo o Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan, que agora assume o comando do Hospital Leishenshan de Wuhan - um hospital temporário construído em menos de duas semanas para tratar pacientes da COVID-19.

Um manual sobre prevenção e tratamento da COVID-19, também como parte do programa, elaborado pelos médicos da linha de frente da China, é disponível online gratuitamente.

Este manual fornece diretrizes abrangentes no tratamento da COVID-19 pelos principais especialistas em saúde da China . Agora está disponível em 14 idiomas, incluindo chinês, inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, japonês, persa, indonésio e sérvio, e versões em mais idiomas serão disponibilizadas online em breve.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/30/c_138930995.htm

Gigante chinesa na mira dos EUA: Huawei pode vir a enfrentar mais uma medida repressiva

Logo da empresa Huawei (imagem referencial)
© AP Photo / Mark Schiefelbein

EUA proibiram Huawei de comprar chips norte-americanos, que recorria ao mercado global. A nova medida, se adotada, corrigiria isso e limitaria o acesso da Huawei a componentes vitais.

Altos funcionários da administração Trump concordaram com novas medidas para impedir a gigante tecnológica chinesa Huawei de acessar a indústria global de fornecimento de chips, relata a CNBC, citando fontes familiarizadas ao assunto.

A ação está sendo planejada em um momento em que Washington sobe o tom contra Pequim por causa da pandemia.

A mudança de regras proposta exigiria que as empresas estrangeiras que utilizem tecnologia e software de fabricação de chips de origem norte-americana necessitassem obter uma licença dos EUA para poderem vender certos chips para a empresa chinesa.

Vedar acesso ao mercado à Huawei

As medidas visam atingir principalmente a TSMC, uma importante fornecedora de chips da subsidiária de semicondutores HiSilicon da Huawei, sediada em Taiwan.

A medida foi discutida durante uma reunião em 25 de março em que participaram altos funcionários do Conselho de Segurança Nacional e dos Departamentos de Estado, Defesa, Energia e Comércio dos EUA.

A lei de segurança nacional dos EUA permite impor esse tipo de restrição a qualquer empresa considerada "inimiga".

Não se conhece ainda a reação do presidente Trump, que anteriormente mostrou reservas à proibição de fornecimento de tecnologia norte-americana sob o pretexto de preocupações com a segurança nacional.

Longa perseguição

Huawei, a maior empresa de telecomunicações do mundo e que ocupa o segundo lugar na venda de smartphones no mercado mundial, tem estado no centro de uma batalha pelo domínio tecnológico entre os Estados Unidos e a China.

Vale recordar que a administração Trump orquestrou a prisão da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, no Canadá, por alegada violação das sanções comerciais dos EUA.

Em seguida, a Huawei foi proibida de fazer negócios com empresas norte-americanas e a Administração Trump fez lobby com seus aliados para impedir a gigante tecnológica chinesa de operar redes de banda larga móvel 5G - alegadamente para evitar espionagem.

Huawei negou as acusações e processou o governo dos EUA com o objetivo de revogar a proibição, enquanto procurava cortar sua dependência de peças e software norte-americanos, substituindo-os por alternativas, incluindo de fabricação nacional.

Esta postura da administração Trump afetou demais os fabricantes de chips norte-americanos, que argumentam que estando os semicondutores presentes na maioria dos equipamentos da Huawei amplamente disponíveis no mercado global, a proibição não elimina a suposta ameaça à segurança nacional, fragilizando somente as empresas estadunidenses em relação à concorrência estrangeira.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020032715383037-gigante-chinesa-na-mira-dos-eua-huawei-pode-vir-a-enfrentar-mais-uma-medida-repressiva/

China promete desenvolvimento mais rápido de 5G para arrefecer impacto do vírus

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Beijing, 25 mar (Xinhua) -- A China apertará o botão de "avançar rápido" no desenvolvimento da tecnologia 5G para mitigar os impactos econômicos do surto do novo coronavírus, garantiu nesta quarta-feira Han Xia, funcionária do Ministério da Indústria e Informatização.

O país apoiará as operadoras de telecomunicações para expandir a cobertura e a capacidade de rede 5G SA (5G standalone), prometeu ela.

A rede 5G SA, conhecida como a implantação 5G "real" com o núcleo 5G como centro, faz pleno uso da rede móvel 5G, cobrindo comunicações de alta taxa de transferência e baixa latência, Internet das Coisas massiva e divisão de rede.

Os governos locais serão incentivados a reunirem recursos para a construção de estações-base 5G, disse Han.

A China tinha 130 mil estações-base 5G no final do ano passado e a construção vai ser retomada este ano, enfatizou.

Han ressaltou que o desenvolvimento integrado do "5G plus medical health", do "5G plus industrial internet" e do "5G plus car networking" deve ser promovido.

Novos modelos de consumo relacionados à tecnologia 5G, como plataformas de compras em realidade virtual, serviços de transmissão ao vivo de performances, eventos esportivos e locais turísticos na internet devem ser cultivados, de acordo com o ministério.

Han também pediu esforços para fazer inovações técnicas e garantir a operação segura da tecnologia 5G.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/25/c_138916216.htm

Piratas informáticos atacam clientes do BCP, Crédito Agrícola e EDP

 

Os clientes do Millennium BCP, do Crédito Agrícola e da EDP foram alvo de ataques informários por hackers que pretendiam ter acesso aos seus dados.

 

O alerta feito pelo Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República (PGR) no seu site. Os ataques ocorreram a 13, 16 e 17 de março, sendo que, nos dois bancos, o objetivo era chegar a dados de acesso das contas dos clientes e, na elétrica, conseguir os dados dos cartões de crédito dos clientes.

Para isso, de acordo com o jornal Público, foram enviadas, para múltiplos destinatários, mensagens fraudulentas de correio eletrónico, em que eram anunciados falsos reembolsos e um link para o cliente aceder a esse alegado montante ou em que era anunciada uma mensagem no homebanking.

O phishing é um golpe que consiste, por exemplo, em criar sites falsos com o endereço, o nome e a imagem semelhantes a páginas de bancos para enganar as vítimas, enviando informações às pessoas via email. A partir desse esquema, o criminoso consegue roubar informações pessoais, como senhas de acesso, dados bancários e números de cartões de crédito.

 
 

Pedro Verdelho, responsável pelo Gabinete Cibercrime, confirmou ao Público, que “foi detectada nos últimos dias uma atividade mais frequente de cibercriminalidade, circunstância que foi já sublinhada pela Polícia Judiciária e pelo Centro Nacional de Cibersegurança”.

Segundo o responsável, “esta maior intensidade ocorre numa altura em que aumentou, exponencialmente, o número de pessoas em teletrabalho, ao mesmo tempo que a generalidade das entidades públicas e privadas tem solicitado que os contactos dos seus clientes ou utilizadores sejam feitos à distância, por telefone ou por outras vias digitais”.

Este mês, a Polícia Judiciária já tinha alertado para o aumento de ataques informáticos em Portugal devido ao novo coronavírus.

ZAP //

 
 

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https://zap.aeiou.pt/piratas-informaticos-clientes-bcp-credito-agricola-edp-315139

A importância da serenidade

computer[1]Insistir em formações instantâneas em ensino e aprendizagem online, perseguindo a ilusão de que tudo se operacionaliza em cima do joelho e à velocidade da luz?

Persistir na ideia de que os alunos trabalham remotamente, quando a maioria, em certos contextos sócio-familiares, não tem computador nem internet em casa?

Acreditar que, a uma semana do final do período, e na inquietude em torno de uma realidade que nunca vivemos, há condições para impor um ritmo de trabalho ainda mais intensivo e exigente do que o que existe nas escolas, nos últimos dias de aulas?

Ou tentar manter a calma e a cabeça fria, compreender os tempos de angústia e incerteza que estamos a viver, e tentar não criar ainda mais confusão, insegurança e exclusão?

Creio que a grande maioria dos professores e educadores são pessoas sensatas que subscrevem as reflexões da nossa colega Camila Sousa, amplamente partilhadas em grupos de professores no Facebook…

Pelo que vou lendo em alguns grupos fechados e em alguns agentes noticiosos começa a gerar-se em mim alguma inquietação acerca da necessidade imediata, para não dizer ávida, que algumas escolas, professores e até pais, estão a sentir em por os meninos a estudar, em praticarem ensino à distância, com medo de perderem não sei bem o quê, em mostrarem trabalho, só porque sim e a qualquer custo.

A sociedade não está preparada para que a escola ofereça, com equidade, ensino à distância, não podemos garantir igualdade de oportunidades no acesso à informação, mesmo que seja enviada diretamente pelo professor. E a prioridade neste momento não é essa.

Manter o contacto virtual possível, enviar tarefas pontuais, para que persista alguma ligação, algum objetivo nas mentes dos nossos alunos, é bom. Sentem que estamos juntos e atentos uns aos outros, dá confiança e mantém-nos à tona. (Felizmente que é assim que a maioria está a fazer)

Criar a falsa sensação de que se pode continuar o processo a esta distância, insistir nisso, querer muito isso, só vai contribuir para criar um fosso irrecuperável entre os alunos que têm acesso, que têm em casa quem os oriente e os outros, a grande maioria, que estão por conta própria e ainda os que não terão sequer acesso ao que, supostamente, chegaria à distância.

Estamos a viver um período crítico em termos sociais, não vamos agravar mais a situação, não criemos mais segregação, mais inquietação (e são também já muitos a quererem ser os pioneiros nisto, para serem notícia talvez, para estarem na linha da frente, ou até por medo, para eles próprios se sentirem seguros, ligados ao que conhecem, não sei).

Mantenhamo-nos serenos, acompanhemos cada um dos nossos alunos, sem esquecer um só, nada de pensar em seguir em frente e deixar alguém para trás. Um período letivo é só um período letivo, para todos os alunos, para todos os professores. Aguardemos com serenidade, pensemos antes de agir. Qual é a pressa?! Os meios nem sempre justificam os fins e, neste caso concreto, nem sequer há meios! Volto a dizer, não é essa a prioridade, não é este o momento. Parar custa, saber parar também se aprende. O desconhecido assusta, mas não estamos sozinhos. Adaptemo-nos com calma, há vida para além dos programas curriculares, vejamos outros aspetos da vida para os quais nem sempre temos tempo. Mantenhamo-nos serenos, respeitemos o direito à serenidade do outro, sem esquecer os valores da democracia e da liberdade. O outro são os alunos, os pais, os professores, os diretores das escolas, até o ministro da educação e o primeiro ministro. Todos têm de estar serenos para tomarem decisões bem mais importantes do que o cumprimento de programas.

Vejam isto como um apelo, de quem já anda pelo ensino há 25 anos, mas também pela vida há alguns mais e ama o ensino, os alunos, a justiça e a vida!

Ataques informáticos aumentam devido ao novo coronavírus

 

Os ataques informáticos estão a aumentar em Portugal devido ao novo coronavírus, alertou esta quarta-feira a Polícia Judiciária.

A Polícia Judiciária tem relatado a existência, em Portugal, de várias campanhas de phishing, nas quais os piratas informáticos se fazem passar por outras entidades, como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em comunicado citado pela TSF, a PJ sublinha que corre em Portugal um SMS que, supostamente, informa que de acordo com a lei estão a ser aplicadas medidas extraordinárias e que todos os cidadãos deverão ser vacinados.

De acordo com a mesma mensagem, a vacina tem um custo que, posteriormente, seria reembolsado depois do registo num site, mas tal não passa de uma fraude.

 
 

Além disso, há também várias campanhas de phishing onde os piratas informáticos tentam obter dados pessoais através e-mails fraudulentos, fazendo-se passar pela Organização Mundial de Saúde. Há ainda sites e aplicaçõesque aparentam divulgar informação em tempo real sobre a pandemia, mas que estão orientados para este tipo de ataques informáticos.

Segundo a Renascença, há esquemas de fraude digital partilhados por e-mail ou em redes sociais, que divulgam iniciativas de crowdsourcing para a recolha de donativos para falsas campanhas de compra de material médico ou de proteção pessoal.

No comunicado, a Judiciária lembra que situações de crise internacional costumam ser exploradas por quem usa a Internet de forma criminosa, dando exemplos dessas tentativas de aproveitamento já detetadas desde o início de fevereiro.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 198.000 pessoas, das quais mais de 7.900 morreram e 82.000 recuperaram.

Em Portugal, o número de infetados pelo novo coronavírus subiu para 642, mais 194 do que os contabilizados nesta terça-feira, anunciou a Direção-Geral da Saúde (DGS) esta quarta-feira ao final da manhã. Segundo o organismo, há ainda 351 casos a aguardar resultados laboratoriais e 6656 pessoas em vigilância.

ZAP //

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/ataques-informaticos-aumentam-coronavirus-314469

Dez recomendações da UNESCO sobre ensino a distância

unesco-logo-260pxO documento é conciso e equilibrado, embora nem sempre realista nas medidas propostas. Segue a linha do discurso redondo e consensual, sempre muito escorado em bons princípios e elevados ideais, de forma a ser relativamente imune a críticas. Não quer dizer que tudo o que ali é proposto seja viável, mas esse é o lado para o qual seus autores dormem melhor: eles têm as melhores ideias, quem está no terreno é que não as consegue pôr em prática…

1 – Analise a resposta e escolha as melhores ferramentas 

Escolha as tecnologias mais adequadas de acordo com os serviços de energia elétrica e comunicações da sua área, bem como as capacidades dos alunos e professores. Isso pode incluir plataformas na internet, lições de vídeo e até transmissão através da televisão ou rádio.  

2 – Assegure-se de que os programas são inclusivos

Implemente medidas que garantam o acesso de estudantes de baixa renda ou com deficiências. Considere instalar computadores dos laboratórios da escola na casa dos alunos e ajudar com a ligação à internet.  

3 – Atente para a segurança e a proteção de dados  

Avalie a segurança das comunicações online quando baixar informação sobre a escola e os alunos na internet. Tenha o mesmo cuidado quando partilhar esses dados com outras organizações e indivíduos. Garanta que o uso destas plataformas e aplicações não violam a privacidade dos alunos.  

4 – Dê prioridade a desafios psicossociais, antes de problemas educacionais  

Mobilize ferramentas que conectem escolas, pais, professores e alunos. Crie comunidades que assegurem interações humanas regulares, facilite medidas de cuidados sociais e resolva desafios que podem surgir quando os estudantes estão isolados.  

5 – Organização do calendário 

Organize discussões com os vários parceiros para compreender a duração da suspensão das aulas e para decidir se o programa deve centrar em novos conhecimentos ou consolidação de currículo antigo. Para organizar o calendário é preciso considerar as áreas afetadas, o nível de estudos, as necessidades dos alunos e a disponibilidade dos pais. Escolha metodologias de ensino de acordo com as exigências da quarentena evitando métodos de comunicação presencial.  

6 – Apoie pais e professores no uso de tecnologias digitais 

Organize formações e orientações de curta duração para alunos e professores. Ajude os docentes com as condições básicas de trabalho, como rede de internet para aulas por videoconferência.  

7 – Mescle diferentes abordagens e limite o número de aplicações  

Misture as várias ferramentas disponíveis e evite pedir aos alunos e pais que baixem ou testem demasiadas plataformas.  

8 – Crie regras e avalie a aprendizagem dos alunos 

Defina regras com pais e alunos. Crie testes e exercícios para avaliar de perto a aprendizagem. Facilite o envio da avaliação para os alunos, evitando sobrecarregar os pais.  

9 – Defina a duração das unidades com base na capacidade dos alunos  

Mantenha um calendário de acordo com a capacidade dos alunos se concentrarem sozinhos, sobretudo para aulas por videoconferência. De preferência, cada unidade não deve exceder os 20 minutos para o ensino primário e 40 minutos para o ensino secundário. 

10 – Crie comunidades e aumente a conexão 

Crie comunidades de professores, pais e diretores de escolas para combater o sentimento de solidão e desespero, facilitando a troca de experiências e discussão de estratégias para enfrentar as dificuldades. 

 

Pura fraude: hackers se aproveitam do pânico criado pelo coronavírus para lucrar

Um homem digita em um teclado de computador
© REUTERS / Kacper Pempel

O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido (NCSC, na sigla em inglês) tem advertido sobre hackers que estão se aproveitando do pânico causado pelo surto de coronavírus para executar ataques on-line e enganar pessoas.

Pesquisadores relataram que, durante as últimas semanas, foram enviados e-mails falsos que fingem ser comunicados oficiais de autoridades sanitárias.

As referidas mensagens contêm links com supostas atualizações importantes sobre a evolução da pandemia, mas, na realidade, levam as pessoas a sites infectados por malware.

Os criminosos criam nomes de domínio semelhantes aos endereços de web das instituições reais para enganar os destinatários dos e-mails para "solicitar senhas e até mesmo doações de bitcoins para financiar uma vacina falsa", alerta NCSC.

De acordo com relatório da entidade, existem também organizações criminosas que operam nos mercados da darknet, oferecendo acessórios de proteção do coronavírus como, por exemplo, máscaras.

Especialistas em segurança afirmam que há um grande risco de que muitos destes produtos sejam falsificados e, em alguns casos, nem sequer sejam enviados ao comprador, revela Sky News.

Dados dos Serviços Nacionais de Inteligência Antifraude do Reino Unido indicam que a população britânica tem sido enganada em um valor superior a 800 mil libras esterlinas (R$ 4,774 milhões).

Paul Chichester, diretor de operações da NCSC, adverte que "os criminosos cibernéticos são oportunistas, e buscarão explorar os medos das pessoas para se beneficiarem economicamente, como vem acontecendo devido ao surto de coronavírus e outras crises".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2020031615336220-pura-fraude-hackers-se-aproveitam-do-panico-criado-pelo-coronavirus-para-lucrar/

Já sei!

 Fui corrido do Facebook porque não contei a minha história, mas a das tropas dos EUA que a coberto do coronavírus estão a invadir a Europa com objetivos precisos (aqui).
 
Fui corrido do Facebook porque publiquei a solidariedade do governo chinês a auxiliar os italianos no combate ao COVID-19 e denunciei a angústia de milhões de norte-americanos sem condições para se tratarem. (aqui)e (aqui)
 
Fui corrido do Facebook porque não publiquei o que almocei, nem onde e denunciei a fome que o neoliberalismo provoca em todo o planeta.
 
Os “padrões do Facebook” não são os meus e as minhas “publicações” não se destinam a entreter e muito menos a bestealizar quem as possa ler.
 
O Facebook tem a faca, mas somos nós que temos o queijo na mão, e é nestes momentos de desnorte que podemos ver com mais clareza como atua e quem apunhala.

Via: as palavras são armas http://bit.ly/3d1DCkr

 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/03/14/ja-sei/

Bill Gates se afasta completamente da Microsoft

(Reuters) - Bill Gates, co-fundador da Microsoft, que ajudou a torná-la uma das empresas de tecnologia mais valiosas do mundo, deixou o conselho de administração nesta sexta-feira para se concentrar em trabalhos filantrópicos relacionados à saúde, educação e mudanças climáticas globais.

Gates e sua esposa Melinda administram uma das maiores instituições de caridade do mundo, a Gates Foundation, que possui bilhões em ativos e financia programas globais de saúde para combater doenças e pobreza.

O empresário deixou o cargo de executivo em tempo integral na Microsoft em 2008 e permaneceu como presidente do conselho até 2014. Desde então, ele é membro do conselho.

“Tem sido uma tremenda honra e privilégio ter trabalhado e aprendido com Bill ao longo dos anos”, disse o presidente-executivo Satya Nadella.

Com a saída de Gates, o conselho será agora será composto por 12 membros, informou a empresa.

Gates também deixou o conselho da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, onde atuava desde 2004.

Criador da Internet alerta para a intimidação, assédio e discriminação contra as mulheres

Tim Berners-Lee, o inventor da World Wide Web

Jovens e mulheres são cada vez mais vítimas de intimidação, assédio sexual e discriminação na Internet, alertou o criador da Internet, Tim Berners-Lee, a propósito do 31.º aniversário da World Wide Web esta quinta-feira.

 

Segundo o cientista britânico, citado pela agência Lusa, uma sondagem da Web Foundation e da Associação Mundial de Raparigas Escuteiras, revelou que metade das inquiridas queixou-se de violência na Internet, incluindo assédio sexual, mensagens ameaçadoras e imagens privadas partilhadas sem consentimento.

“Esses abusos forçam as mulheres a deixarem os empregos e faz com que as raparigas faltem à escola, prejudica as relações e causam um grande sofrimento. O assédio implacável silencia as mulheres e priva o mundo das suas opiniões e ideias, levando mulheres jornalistas e políticas a sair das redes sociais e dos seus cargos”, denunciou.

Tim Berners-Lee, cuja ideia em 1989 de um “sistema de gestão descentralizada de informação” resultou na criação da Internet, lançou 20 anos depois, em 2009, a Fundação Web, uma organização que promove o desenvolvimento e acesso da Internet no mundo.

Na sua missiva, Berners-Lee apela para mais empenho no combate à discriminação, alertando para os riscos que algoritmos e sistemas de inteligência artificial representam.

 
 

“Frequentemente, os algoritmos reproduzem e até aprofundam as desigualdades existentes. Em 2018, uma importante ferramenta de recrutamento automatizado teve que ser fechada porque sub-selecionou sistematicamente mulheres devido à preparação com base em dados históricos em que as funções foram preenchidas por homens”, referiu.

Tim Berners-Lee considera a resposta à crise por governos e empresas “muito lenta e muito pequena” e identifica várias ações que devem ser tomadas em 2020 para resolver o problema. “Todos nós devemos denunciar quando vemos ataques contra mulheres e raparias na Internet”, afirmou.

Entre as medidas que o cientista propõe estão a realização de mais estudos sobre as experiências das mulheres no uso da Internet e um maior envolvimento na criação de políticas e produtos de tecnologia e urge tanto mulheres como homens a serem “espetadores ativos” e a intervirem.

Lusa //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/criador-internet-intimidacao-assedio-mulheres-313353

Facebook perde espaço para novas redes sociais

 

247 -O avanço das mídias digitais vem provocando mudanças nas redes sociais e alterando os mecanismos de publicidade na internet. Apesar da liderança, marcada por 2,5 bilhões de usuários, o Facebook vem perdendo cada vez mais espaço para outras plataformas como a TIkTok e o Instagram.

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo aponta que uma pesquisa da Qualibest, realizada no ano passado, identificou que além da queda no número de usuário, as pessoas estão passando menos tempo no Facebook. Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados disseram que reduziram o tempo que passam na rede social, enquanto 24% afirmaram acessar mais vezes o Instagram e outros 27% o Youtube. Entre as razões apontadas para esta movimentação estão o interesse em outras redes (45%), disseminação de fake news (42%) e

Em 2019, segundo pesquisa feita pela QualiBest, os brasileiros passaram menos tempo no Facebook: 46% dos entrevistados diminuíram a frequência na rede. Por outro lado, 24% afirmaram ficar mais no Instagram, enquanto 27% passaram a acessar mais o YouTube. Entre os motivos para a evasão do Facebook estão o interesse em outras redes (45%), propagação de notícias falsas (42%) e falta de inovação (35%).

 

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/midia/facebook-perde-espaco-para-novas-redes-sociais

Portugal | A quem serve a prisão de Rui Pinto?

 
 
Se o hacker Rui Pinto merece ser judicialmente questionado, o denunciante Rui Pinto deve ser escutado e a informação recolhida tem de ser investigada.
 
Pedro Filipe Soares* | Público | opinião
 
A prisão preventiva de Rui Pinto dura há cerca de um ano. Detido em Budapeste a 16 de janeiro de 2019, está preso desde então, sujeito em alguns períodos a um isolamento completo. Faz sentido manter Rui Pinto preso preventivamente durante tanto tempo? Não me parece.
 
Atenção, não quero passar uma esponja sobre quaisquer crimes que Rui Pinto tenha cometido. A lei aplica-se a todos, sem exceção, é isso que defendo. Por esses crimes deve responder na justiça, sem dúvida. Mas, ainda está por explicar a razão que torna indispensável a manutenção da prisão preventiva durante tanto tempo quando o que o justifica é uma alegada prática de um crime de extorsão na forma tentada que ocorreu há quatro anos atrás.
 
Defendo o Estado de Direito e que a execução da Justiça é monopólio do próprio Estado. Isso vem em conjunto com a exigência do respeito por direitos fundamentais e garantias, onde a privacidade e a liberdade andam de mãos dadas. Por isso mesmo, não naturalizo ou normalizo qualquer atuação que coloque em causa esses direitos ou conflitue com essas liberdades e garantias, seja quem for o protagonista. E se isto arruma a opinião que tenho sobre um qualquer pirata informático, coisa diferente é ignorar que Rui Pinto é mais do que isso.
 
Rui Pinto é um denunciante? É um whistleblower? Ou apenas um criminoso? A validade destas perguntas é apenas formal, porque a realidade já lhes respondeu há muito. Apesar de não se enquadrar em casos como o de Edward Snowden ou Chelsea Manning, protagonistas de denúncias que vinham de dentro das instituições onde trabalhavam, a dimensão da informação que Rui Pinto forneceu e foi tornada pública não deixa dúvida quanto ao seu papel de denunciante. Não elimina os seus crimes, mas tem uma importância pública inequívoca.
 
 
A informação que Rui Pinto reuniu foi utilizada por consórcios jornalísticos internacionais para a denúncia de casos como o Football Leaks ou o Luanda Leaks. Essa informação tem sido usada por autoridades de vários países na investigação de crimes de corrupção, branqueamento de capitais ou fraude fiscal. E isso acontece porque foi o próprio quem decidiu livremente iniciar a colaboração com essas autoridades. Se o hacker Rui Pinto merece ser judicialmente questionado, o denunciante Rui Pinto deve ser escutado e a informação recolhida tem de ser investigada. Entre um e outro há centenas de milhares de documentos que não podem ser ignorados pelas autoridades portuguesas.
 
A realidade não tem apenas uma dimensão, isso fica bem claro com o caso Rui Pinto. Nem a nossa lei diz que a aplicação da Justiça é unidimensional. Não se percebe, portanto, o aparente desinteresse em usar Rui Pinto como colaborador dos agentes judiciais e, com isso, investigar a fundo os casos que vão sendo conhecidos. A figura da Justiça é sempre representada com os olhos vendados, mas o que me ensinaram é que isso significaria imparcialidade na tomada de decisão, não a vontade de ignorar provas ou informações. É a credibilidade da Justiça que está em causa, porque a consequência é a ideia da impunidade de uma elite com um extenso cadastro de crime económico.
 
É que em todo este debate teórico entre direitos, liberdades e garantias, há debates que não têm uma conclusão taxativa. Nos crimes em que os próprios escritórios de advogados são agentes principais nos esquemas montados para fraude fiscal ou lavagem de dinheiro dos seus clientes, fica em causa também o direito ao sigilo da relação entre clientes e advogados. A Ordem dos Advogados já fez esse debate ou também ignora o papel de escritórios de advogados portugueses no Football Leaks e no Luanda Leaks? E como se garante o combate ao crime financeiro quando os recursos para o crime vão desde a cobertura legal dos offshore aos escapes dilatórios que o código do processo penal permite? Questões que não passarão com a espuma dos dias.
 
Uma última nota para um desaparecido em combate. Alguém sabe do justiceiro do reino, André Ventura? Afinal, o combate à corrupção tem dias, pois no que toca a Rui Pinto e às suas denúncias parece que perdeu o pio. Nesta matéria, o silêncio é cúmplice com o sistema.
 
*Presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda
 
O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico
 
Ler em Público:

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/portugal-quem-serve-prisao-de-rui-pinto.html

Quando a conservação da natureza dá cobertura às tecnociências mortíferas

Este artigo lança um muito importante alerta. As velhas multinacionais dos OGM e os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft) empenham o seu imenso poder para fazer instalar em toda a parte a biologia sintética e se apossarem da terra e dos oceanos, “libertos” da agro-pecuária e da pesca. As implicações são enormes, gravosas e imprevisíveis. Mas as organizações de conservação da natureza, a começar pela IUCN, parecem já ter sido capturadas por esses potentados.

 Françoise Degert    06.Mar.20

Está confirmado: os conservacionistas, incluindo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), estendem o tapete vermelho à frente das piores tecnociências, em benefício das multinacionais e de investidores ricos

Conhecemos George Monbiot por seu amor pela natureza selvagem e pela sua aversão pela criação de animais, especialmente ovelhas, essa “praga lanosa que nos faz a gentileza de destruir o nosso campo” (). Este ex-jornalista da BBC escreve regularmente para o diário britânico The Guardian e continua a ser considerado um intelectual na comunidade da conservação da natureza. George Monbiot é um líder de opinião e seu artigo “Alimentos cultivados em laboratório vão em breve destruir a agricultura e salvar o planeta” () merece comentário.

Caldo de cultura transhumanista

Neste artigo, ele maravilha-se com alimentos sintéticos fabricados à base de terra, água e hidrogénio. Apreciou a espuma amarela, “esse caldo de cultura” que os técnicos de um laboratório de Helsínquia transformaram em crepe e que ele provou com prazer. “Tinha um gosto de crepe”, segundo ele. Graças às mais recentes descobertas da biologia, esta sopa primária serve também para fazer ovos, carne, peixe e pode mesmo extrair-se carboidratos dela. Aos seus olhos, este é o Santo Graal da alimentação humana. Não mais necessidade de agricultura e pecuária, a “comida sem terreno agrícola” salvará o planeta, a terra e os oceanos. A natureza selvagem poderá finalmente prosperar de novo na biosfera livre das actividades do mundo antigo. Enquanto espera que sejamos salvos pela tecnologia, ele recomenda prudentemente que os humanos se tornem vegetarianos (ou veganos, a coisa é algo imprecisa).

O seu artigo é interessante porque faz claramente a ligação entre a conservação da natureza e a ideologia transhumanista (a tecnologia transcenderá os humanos no sentido da sua imortalidade). Poderia também ter escrito o comunicado de imprensa da Technoprog (), uma associação francesa de transhumanistas, já que os dois escritos são muito semelhantes. Como George Monbiot, o Technoprog conclui pelos benefícios da alimentação sintética que “permitiriam limitar a criação e o abate de gado bovino, reduzir o sofrimento animal que lhe está associado, economizar água e áreas agrícolas ou reduzir o efeito de estufa”. Coincidência preocupante? Não, sabendo que essa ideologia, o transhumanismo, floresce nas start-up de Silicon Valley e nos GAFAM, que têm a ambição de mudar o mundo. O principal mérito de George Monbiot é dizer em voz alta o que está a ser tramado em voz baixa. E o que está a ser tramado entre os “Geeks” de Silicon Valley, as tecnociências, os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft) e suas fundações é nada menos que o desaparecimento dos agricultores e criadores de gado.

Mão-baixa sobre os recursos

A razão é simples. Os provedores de recursos naturais são a terra e os oceanos. Chegou a hora, para os gigantes das indústrias do agroalimentar, da pesca e outras, de os explorar directamente. À escala planetária, os mercados de retalho de alimentos representaram US $ 3 milhões de milhões e um rendimento de US $ 2,6 milhares de milhões para os agricultores em 2004 (a herdade atomizada). É suficiente para aguçar o apetite. Para meter a mão nesses mercados, esses gigantes e esses investidores ricos dispõem de uma vantagem de peso: a investigação tecnológica dos actores de Silicon Valley e outras start-up que florescendo um pouco por toda a parte do mundo.

Acto 1: os gigantes do agroalimentar fabricarão alimentos sintéticos para os humanos, como já fazem para animais com a ração para cães, por exemplo.
Acto 2: os mesmos estão prestes a substituir os agricultores e os criadores de gado por mão-de-obra barata, guiada pela “inteligência artificial” e as tecnologias de ponta em comunicação.
Acto 3: graças à biologia sintética, cultivaremos plantas nos nossos campos que se transformarão em borracha, chocolate ou outros e substituirão as matérias-primas industriais outrora importadas. Também se fala em tornar produtivas as terras incultas.

Os três actos estão em desenvolvimento, de forma desordenada, por vezes simultaneamente.
A fabricação do consentimento havia já começado nos anos 2000. Lembramos o calhamaço de de 500 páginas da FAO intitulado “A sombra projectada pela pecuária” (), publicada em francês em 2012 (2006 em inglês). Concluindo pela necessidade de pôr um fim à criação extensiva de gado acusada de ocupar 30% das terras do planeta, ela beneficiou da assistência esclarecida da IUCN e de investigadores do CIRAD, CIRAD que faz parte da IUCN. O seu ponto de vista foi retomado e é ainda compartilhado pelos partidários do re-selvajamento, também chamado “rewild”. A proliferação de associações de conservação da fauna selvagem, em particular dos grandes predadores, os movimentos veganos amplamente financiados por fundações americanas, há décadas que vêm manipulando a opinião pública contra a criação de animais e, principalmente, contra a criação extensiva. As motivações são hoje melhor compreendidas: lançar a confusão na alimentação humana, libertar as terras da produção de animais e da agricultura de alimentos, desenvolver novas matérias-primas graças às novas tecnologias.

Carne falsa para as classes populares

Bill Gates, Richard Branson, grandes multinacionais como Tyson Giants e Cargill, contribuíram com umas quantas dezenas de milhões de dólares em alguns anos para favorecer a criação do primeiro bife à base de proteínas in vitro. Este tipo de proteína era de particular interesse para a NASA. Em 2013, Mark Post e sua equipa (Holanda) apresentaram este “Frankenburger” em Londres. A sua produção em massa ainda requer alguns ajustes, mas o “Frankenburger” deve vir associar-se à fast food nos próximos dois anos ().

Actualmente, os bifes à base de vegetais estão em vantagem. Existem inúmeras start-ups que se lançaram nessa produção e os bifes veganos Beyond Meat (start-up norte-americana) estão nas prateleiras dos supermercados franceses desde 3 de Fevereiro. Também se encontram nos restaurantes de fast food Burger King e Mac Do, porque o alvo desse tipo de produto é uma clientela jovem, de classe média ou baixa. Os novos hábitos alimentares são moldados passo a passo, privilegiando as classes populares. E ainda não acabou: start-ups californianas congeminam há alguns anos uma dieta baseada em insectos… Porque as proteínas (), “esses tijolos do corpo constituem o nosso envelope: ossos, músculos, cabelos, unhas, pele, mas também os nossos mensageiros internos, como as hormonas, as enzimas ou os anticorpos do sistema imunitário, que nos defendem contra infecções. São essenciais para o homem porque ele não as sabe fabricar a partir de outros nutrientes, ao contrário dos glúcidos, por exemplo. Devem portanto ser obrigatoriamente fornecidas pela alimentação. Daí o novo mercado para proteínas de substituição estimado pelo JP Morgan em US $ 100 milhões de milhões em 15 anos para bifes à base de vegetais e US $ 140 milhões de milhões em 10 anos pelo Barclays para carne gerada a partir de células animais ().

Sabemos que alimentos ultraprocessados ​​multiplicam o risco de cancro. Até ao momento, nenhum estudo independente foi realizado sobre a segurança alimentar de bifes falsos. Temos que nos contentar com as garantias de George Monbiot sobre seus benefícios para a saúde e com o entusiasmo do Technoprog, que os vê como uma próxima etapa na adaptação dos seres humanos à biologia sintética, tala como fizeram ao longo de toda a sua história. …
Por detrás da ideologia transhumanista perfilam-se os apetites financeiros dos gigantes do agroalimentar e dos investidores ricos. George Monbiot e os transhumanistas ignoram que a alta tecnologia é o campo de jogos das multinacionais?

Uma agricultura subserviente à indústria

A alimentação sintética libertará terras para as matérias-primas industriais. Pneus em erva-leão, portas de carros de fibra de cânhamo ou até botas de trigo e não de borracha”: é este o programa da Ministra da Agricultura da Alemanha, Julia Klöckner, aprovada em 15 de Janeiro pelo Conselho de ministros (). De resto, não se fala já de agricultura, mas de “bioeconomia” (), a nova palavra de ordem lançada pela OCDE no início dos anos 2000 e adoptada pela Comissão Europeia. “A bioeconomia pretende substituir o petróleo pelo uso de recursos naturais ou bio-recursos, a fim de produzir bioenergia (biocombustíveis ou biocombustíveis), biomateriais (madeira, materiais compósitos) ou produtos de origem bio (bioplásticos, solventes, cosméticos, etc.) “. Ela generalizou-se a 60 países, incluindo a França. Sempre na vanguarda, o grupo AVRIL, anteriormente conhecido como SOFIPROTEOL, associou-se à Royal DSM em Julho passado para criar proteínas a partir de colza. O prefixo bio sugere já a orientação das dotações da próxima PAC (política agrícola comum) 2021-2027 para a agricultura industrial repleta de tecnologias. Obviamente, as áreas utilizadas para culturas alimentares e a criação de gado serão limitadas …

Projectada por e para a indústria, essa bioeconomia pretende ser competitiva antecipando os preços das matérias-primas. É aqui que entra em jogo o Big Data desenvolvido pelos GAFAM para planear as culturas em função do mercado. A Monsanto já não se contenta com vender pesticidas e fertilizantes. A multinacional comprou em 2013 “The Climate Corporation”, uma start-up fundada por ex-funcionários do Google, que realiza simulações climáticas de muito alta resolução. Estimado em US $ 20 milhões de milhões, o mercado de dados meteorológicos agrícolas revela-se suculento, sendo vendido a agricultores e grandes comerciantes como CARGILL e ADM (). Esta perspectiva chamou também a atenção da FNSEA, que vem experimentando a “agricultura conectada” desde 2014 em cerca de vinte explorações agrícolas (). Varrendo algumas preocupações, a presidente da FNSEA, Christiane Lambert, declarou em 26 de Outubro de 2016, em Angers, que “é necessário aceitar que a tecnologia digital nos permite agir mais rapidamente, com respostas mais adequadas e com menor impacto” ().

A robotização extrema

Em termos de impacto, as multinacionais têm a solução graças às nanotecnologias e à biossíntese. Assim, os Países Baixos decidiram reduzir a utilização de pesticidas usando-os “de maneira direcionada” (). “Quando são necessários, preferiremos substâncias de baixo risco”, explicou o governo holandês em comunicado em Abril de 2019. Uma das soluções adoptadas pelo governo é selecionar sementes particularmente resistentes usando novas técnicas de melhoramento de plantas (NTSP) modificando seu DNA. Qualificadas como organismos geneticamente modificados (OGM) pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), essas sementes caem no âmbito da directiva OGM. Neste momento ferve o debate sobre este ponto no seio da UE. A outra solução é “usar pesticidas de maneira inteligente, a fim de limitar as emissões ambientais e garantir uma produção agrícola de baixo resíduo”, segundo o comunicado. As multinacionais, como Monsanto-Bayer, Syngenta-ChemChina, propõem já a distribuição de pesticidas em nano cápsulas.

Na herdade de um futuro muito próximo, o agricultor verá a partir do seu computador portátil onde se encontram as ervas daninhas a ser removidas, as necessidades de água, fertilizantes ou pesticidas, os preços mundiais e a meteorologia. Guiará à distância o seu tractor robótico ou enviará para o terreno a sua mal paga mão-de-obra. Acabou-se o saber-fazer e a inteligência humana: o computador, os sistemas de informação geográfica (SIG), os sensores capazes de analisar as necessidades, espalhados pelos campos e ligados a um GPS (às vezes nano-sensores até para formar uma poeira inteligente), substitui-los-ão. A convergência das Nanotecnologias, Biotecnologias, Ciências da Informação e Ciências Cognitivas (NBIC) não poupa nem a criação de gado nem a piscicultura. Os nano-chips implantados nos animais detectam doenças, analisam cada um a nível genético para os selecionar, possibilitam a vigilância à distância do gado, privando-o durante longos períodos dos cuidados prestados pelos humanos.
Ajustando as nanopartículas das plantas cultivadas, poderá também produzir-se substitutos para várias matérias-primas industriais anteriormente importadas, como a borracha ou o chocolate. O que inevitavelmente arrastará uma queda nos preços mundiais de matérias-primas e produtos agrícolas.

Forçamento genético, uma arma de destruição em massa

A balbúrdia tecnológica vai muito além. A IUCN vê na biologia sintética e nas tecnologias da informação o meio para recriar espécies extintas, salvar espécies ameaçadas de extinção, estudá-las à distância … A farsa do regresso à Terra do mamute-lanoso torna possível ocultar programas incontroláveis ​​de manipulação genética projectados pelo “Gene Drive” (GD), também dito “orientação genética” ou, como os falantes de francês lhe chamam, “forçamento genético”, enquanto a IUCN fala de “Impulso genético”. É obtido seccionando o DNA, uma técnica inventada em 2012 por duas investigadoras, uma francesa, Emmanuelle Charpentier e uma norte-americana, Jennifer Doudna. Sendo mais rápida, precisa e barata, a técnica da “tesoura de corte de DNA”, também chamada CRISPR Cas9, espalhou-se como um rastilho de pólvora. Graças ao forçamento genético, a modificação de um gene torna o indivíduo modificado reproduzível. Ele interage com organismos vivos não modificados. No entanto, “essa mutação auto-amplificadora auto-replica-se e espalha-se mais rapidamente do que pela genética habitual”. “Se com os OGM clássicos a dispersão dos genes modificados devia ser evitada (…), com esses novos organismos geneticamente modificados a dispersão tornar-se-á a estratégia desejada”. O Tarjet Malaria Project, que reúne um consórcio de universidades e centros de investigação financiados em grande parte pela Fundação Bill e Melinda Gates, ambiciona modificar geneticamente os anófelis (mosquitos) para que eles deixem de ser portadores da malária. Este projecto foi experimentado sem sucesso no Brasil e nas Ilhas Cayman, onde o governo lhe pôs fim. A Fundação obviamente voltou-se para África, em particular para Burkina Faso, onde o Tarjet Malaria Project foi muito mal recebido pelas populações envolvidas, a quem fora esquecido pedir consentimento.

Porque as consequências de tal manipulação são imprevisíveis. Se se elimina um mosquito vector da malária, uma outra espécie poderá substituí-lo. Além disso, esses organismos modificados podem ser usados ​​para fins militares ao dispersar-se. O primeiro a accionar o alarme foi o chefe da CIA, James Clapper (). Num relatório desclassificado de Fevereiro de 2016 ele coloca o CRISPR Cas9 na categoria das “armas de destruição em massa”, no mesmo plano do “programa nuclear norte-coreano, das armas químicas sírias e dos mísseis russos!” ”
Mas os projectos de forçamento genético são financiados pela Agência de investigação Militar do Governo dos Estados Unidos (DARPA, Defence Advanced Research Projects Agency), a Fundação Bill e Melinda Gates, The Tata Trusts e o Open Philanthropy Project, apoiado pelo Facebook.

O IUCN, cavalo de Troia do ultraliberalismo e dos GAFAM

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada de 13 a 29 de Novembro de 2018 em Sharm el Sheikh (COP 14), colocou a força genética na ordem do dia. Cento e cinquenta ONG’s reclamaram uma moratória. Foi-lhes recusada. A CDB contentou-se com apelar aos governos que avaliem eles próprios os riscos e obtenham o consentimento das populações locais antes de lançar organismos exterminadores. Deve dizer-se que a Fundação Gates investiu US $ 1,6 milhão numa agência de relações públicas, a Emerging Ag Inc, para exercer influência sobre a CDB. Essa agência recorreu a cientistas aderentes à causa e ao seu financiamento, cientistas cuja reputação e trabalho haviam empolados por agências de comunicação.

Bill Gates permanece empenhado em ver forçamento genético ratificado pela CBD, que se reunirá em Kunming (China) em Outubro próximo. Será a COP 15. A IUCN envolveu-se, sem que a agência de relações públicas tivesse de recorrer a cientistas amigos. Reuniu um grupo de trabalho para embelezar um relatório preparatório sobre a biologia sintética. Acontece que o grupo de trabalho que redigiu o relatório era maioritariamente composto por pessoas envolvidas no forçamento genético, muito frequentemente em evidentes conflitos de interesse. Obrigado aos canadenses do grupo ETC por alertarem o mundo sobre a composição deste grupo de trabalho. O seu documento, “Genetic Forcing Under Influence” (), fornece um histórico das decisões da IUCN e apresenta em ordem alfabética os autores favoráveis a esta nova tecnologia.
Deveríamos surpreender-nos? Não é a primeira vez que a IUCN, que prepara as convenções internacionais sobre o ambiente e os seus protocolos, estende o tapete vermelho diante das multinacionais e dos investidores ricos. Lembremos que a CDB criada em 1992, no Rio, inaugurou a privatização dos viventes por meio da propriedade intelectual estabelecida sobre a fauna, a flora e o know-how. Ou seja, dois anos antes do acordo sobre a propriedade intelectual (TRIPS), assinado em 1994 em Marrakech, com a criação da OMC (Organização Mundial do Comércio). Mais recentemente, a IUCN assinou em 2014 uma parceria com o grupo suíço Syngenta no momento em que publicava a sua avaliação sobre uma espécie de borboleta ameaçada por pesticidas. E, como por acaso, as soluções propostas pela IUCN eram idênticas às do grupo suíço. Grupo se tornou Syngenta-ChemChina desde a sua aquisição em 2017 por uma empresa chinesa.

No seu dossier temático sobre biologia sintética, datado de Maio de 2019 (), a IUCN contenta-se com propor, nas próximas negociações da CDB, “uma avaliação caso a caso”, por cientistas, governos, sociedade civil e organizações dos povos autóctones. A moratória não foi adoptada, Bill Gates está certamente aliviado. Essa proposta deveria contar com o apoio da China, onde será realizada a próxima conferência de Estados. Tanto mais que será apresentada pelo Presidente da IUCN, ZHANG Xinsheng, também chinês.

Este artigo não poderia ter sido feito sem o alerta dado pelo “Grupo ETC” sobre forçamento genético e o trabalho de investigação dessa associação canadiana. Fundado por Pat Mooney, o denunciante da geoengenharia, o grupo ETC é agora liderado por Jim Thomas. Aconselha-se vivamente a leitura dos seus relatórios, em particular “A herdade atomizada”

Site do Grupo ETC: https://www.etcgroup.org/fr

GLOSSÁRIO:
Biologia sintética: Enquanto a engenharia genética não envolve senão um ou alguns genes de cada vez, a biologia sintética cria organismos totalmente novos. Em 2003, J. Craig Venter e sua equipa de investigadores fabricou em duas semanas com sucesso um cromossoma totalmente sintético. Em 2008, o mesmo instituto anunciou a criação do primeiro genoma bacteriano dando um importante passo em direcção à vida artificial. A biologia sintética pode também apresentar sérios riscos imprevisíveis, como a criação de organismos nocivos. Uma nova arma, de algum modo. (de Conservation pour une ère nouvelle. Jeffrey A. McNeely, Susan A. Mainka, IUCN, 2009).

Conservacionistas: aqueles que querem conservar a natureza selvagem. As suas principais associações são a IUCN, o WWF, o ASPAS, a LPO etc …
Forçamento genético: a criação de organismos geneticamente modificados capazes de se reproduzir e interagir com o mundo real ou selvagem (GDO: Gene Drive Organism). Essa faculdade diferencia-os dos OGM. “Uma vez que o forçamento genético seja liberto da garrafa, ninguém descobriu realmente como voltar a introduzi-lo lá dentro”.

Nanotecnologias: manipulação da matéria à escala dos átomos e das moléculas (1 nanômetro, nm = 1 bilionésimo de metro). Não os vemos nos alimentos porque não são rotulados como tal (sumo de laranja, doces, etc …). Segundo Vyvian Howard, fundadora e redactora em chefe do Journal of nanotoxicology, o dimensão reduzida das nanopartículas aumenta sua toxicidade, porque os nanos se movem mais facilmente no organismo atravessando membranas protectoras (pele, barreira hematoencefálica, placenta).

Transhumanismo: um movimento cultural e intelectual internacional que defende o uso da ciência e da tecnologia para melhorar a condição humana, nomeadamente aumentando as capacidades físicas e mentais dos seres humanos (segundo a Wikipedia).

Para aprofundar:
- Silicon Valley a serviço do transhumanismo (por Cincinnatus) https: //cincivox.wordpress.com/2018/02/12/la-silicon-valley-au-service …
- A impostura do transhumanismo (de Danièle Tritsch e Jean Mariani)
- Google ou a revolução transhumanista via Big Data (por Eric Delbecque)
E, claro, o site da associação transhumanista francesa Technoprog

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

O "face" ensandeceu...

Ontem ao ir lá, fazer já não sei bem o quê, quando dei conta de o que lá tinha posto, tinha sido apagado... e não se limitara a eliminar dois ou três. Foi às carradas. 
Nem quis ver as opções...
E ainda agora me pergunto que raio de "padrões de comunidade" teria eu desrespeitado ao publicar isto? Isso, e tudo o resto!
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ÚLTIMAS NOTÍCIAS: JÁ LÁ TÁ TUDO
SÓ QUE EU NÃO GANHEI PARA O SUSTO
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Escolas fechadas, aulas pela internet

crianca-computador.JPGEnquanto por cá a desorientação e as mensagens contraditórias vão fazendo o seu caminho, noutros lados do mundo há quem esteja a tentar transformar a crise do coronavírus e o encerramento forçado das escolas em oportunidade para testar novos métodos de ensino…

«A aprendizazem online será testada num distrito escolar da área de Seattle que estará encerrado durante duas semanas devido ao surto do coronavírus.

A Superintendente do Distrito Escolar de Northshore, Michelle Reid, anunciou no final da quarta-feira que todas as 33 escolas estarão fechadas até 14 dias a partir de 5 de Março. O distrito, localizado ao norte de Seattle, mudará os cursos para uma plataforma de aprendizagem online baseada na nuvem, a partir de segunda-feira, 9 de Março.

“Deixem-me ser clara: a educação é um serviço com o qual o nosso distrito está decididamente comprometido. Não é um lugar”, escreveu Reid na sua carta aos pais. “Para isso, estamos a mudar a nossa educação da sala de aula com quatro paredes para a nuvem.”

O distrito usa várias aplicações e serviços para seus mais de 23 mil alunos, incluindo sessões de vídeo ao vivo, conversação online e envio de imagem/vídeo. Cada aluno tem uma conta Google através do Google Apps for Education. As contas são geridas e monitorizadas por funcionários do distrito.

Aos estudantes que precisem de um dispositivo e/ou ligação à Internet para o período de duas semanas de encerramento é solicitado o preenchimento de um formulário.» (in GeekWire)

Lendo o resto da notícia, percebe-se que não são apenas os pais, professores e autoridades escolares que estão atentos à necessidade de encontrar formas alternativas de aprender durante a paragem forçada das aulas. Os gigantes das novas tecnologias, como a Google e a Microsoft, estão a investir fortemente em software e equipamentos que lhes permitam posicionar-se nesta conquista de novos mercados, conquistando, entre os pequenos estudantes, novos clientes dos seus produtos e serviços. E estão a apoiar decididamente a decisão das autoridades escolares de Seattle.

Usar as tecnologias do século XXI sem ser usado e dominado pelas empresas que as tentam controlar: eis um desafio difícil, mas incontornável, para os professores dos tempos que aí vêm…

 

Presidência da República, polícias e bancos atacados por hackers (que usaram dados de sites para adultos)

 

Um grupo de piratas informáticos divulgou na Internet milhares de endereços de email e palavras-passe de acesso de entidades públicas, nomeadamente da Presidência da República, da Procuradoria-Geral da República, da Segurança Social, das polícias, de Bancos, de partidos e de clubes de futebol. Alguns dos dados foram “apanhados” em sites para adultos.

 

O ataque informático foi levado a cabo por um grupo auto-denominado CyberTeam e estará já a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ) que também foi alvo dos hackers, segundo avança o Correio da Manhã (CM).

Os dados “roubados” pelos hackers terão sido divulgados estrategicamente nesta altura, para coincidir com o arranque do julgamento do colectivo Anonymous, onde 21 pessoas, entre as quais o fundador do TugaLeaks, Rui Cruz, são acusadas de pirataria informática.

A divulgação dos dados será uma espécie de retaliação, como dá a entender o CM, notando que os hackers acederam a servidores de empresas e de organismos públicos, aproveitando falhas informáticas, mas que também conseguiram “apanhar” dados confidenciais em redes sociais, em aplicações de partilha de ficheiros e até em sites para adultos, nomeadamente de “busca de parceiros sexuais”, como aponta o CM.

Os hackers terão aproveitado o facto de haver pessoas que utilizam emails institucionais para se registarem naquele tipo de sites e de aplicações, recorrendo, em muitos casos, às mesmas passwords usadas no serviço profissional.

O “Luanda Leaks” que envolve documentos “roubados” por Rui Pinto também terá servido de fonte para a divulgação dos dados.

Na Internet, foram divulgados dados relativos a pessoas ligadas à Presidência da República – mas não do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa -, à Procuradoria-Geral da República, à Segurança Social, bem como às Câmaras Municipais de Lisboa, Porto, Santarém, Oeiras, Viana do Castelo e Bragança e aos Governos regionais dos Açores e da Madeira.

Alvo do “roubo” de dados foram também a GNR, a PSP, a Polícia Judiciária, a Força Aérea e a Marinha, além do Banco de Portugal, do Novo Banco, do BPI e da CGD.

A Universidade Técnica de Lisboa foi outro dos alvos, tal como CP, Águas de Portugal, Estradas de Portugal, Via Verde, Turismo de Portugal e CTT.

Os hackers ainda visaram as empresas EDP, MEO, Sonae, Pingo Doce, Rádio Popular, Worten, Fnac, Zon, NOS, Efacec e Sonangol, além da Federação Portuguesa de Futebol e dos clubes Benfica, FC Porto, Sporting e Sp. Braga.

Os jornais Público, Diário de Notícias e Jornal de Notícias, a Rádio TSF e a Agência Lusa também tiveram os seus dados expostos.

O CM afiança que o grupo CyberTeam tem atacado “sites do Estado e de grupos empresariais privados”, nomeadamente deixando mensagens nas páginas iniciais como aquela onde surgia o rosto de José Sócrates e a seguinte frase: “É um dever cívico de todos os portugueses lutarem contra a corrupção”.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/presidencia-policias-hackers-311955

CIA estaria realizando operações de ciberespionagem contra China há 11 anos

Hacker
© Sputnik / Aleksei Malgavko

A empresa chinesa de segurança cibernética Qihoo 360 afirmou que hackers americanos invadem setores importantes da China, incluindo setores governamentais, há mais de uma década.

As acusações da companhia, com sede em Pequim, foram feitas após uma pesquisa baseada na série de documentos Vault7, publicadas pelo WikiLeaks, que detalha atividades da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) na área da vigilância eletrônica e guerra cibernética.

Segundo o relato no blog da empresa, vários setores da indústria têm sido alvo de um grupo de hackers designado APT-C-39 (confirmado como vindo da CIA), incluindo empresas do setor da aviação, instituições de pesquisa científica, indústria petrolífera, empresas de Internet e agências governamentais.

"Dados da Qihoo 360 mostraram que as armas cibernéticas usadas pela organização e as armas cibernéticas descritas no projeto Vault 7 da CIA são quase idênticas", lê-se no site.

Os ataques foram rastreados até setembro de 2008, com a maior concentração de alvos nas províncias de Pequim, Guangdong e Zhejiang, disse a empresa.

'Hacking a nível estatal'

A empresa de cibersegurança chegou à conclusão de que o ataque foi iniciado por uma "organização de hacking a nível estatal" porque os hackers usaram "armas cibernéticas exclusivas da CIA", como o Fluxwire e o Grasshopper.

Os comandos de controle e esquemas de encriptação do APT-C-39 também coincidem com as revelações do Vault7, enquanto os tempos de compilação correspondiam ao "horário de trabalho norte-americano", revelou Qihoo.

Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA

© AP Photo / Carolyn Kaster
Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA

O ex-engenheiro informático da CIA acusado de vazar os documentos, Joshua A. Schulte, está atualmente em julgamento por espionagem nos EUA.

Em setembro de 2019, a empresa chinesa de antivírus Qi-Anxin também acusou a CIA de invadir empresas chinesas, principalmente do setor da aviação.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020030415287972-cia-estaria-realizando-operacoes-de-ciberespionagem-contra-china-ha-11-anos/

Apoiador de Trump compra parte do Twitter e quer até mudar o comando da empresa

 
 

247 -No momento em que as redes sociais são cada vez mais questionadas, a neutralidade do Twitter, hoje um dos principais espaços de debate político no mundo, será colocada em xeque. Isso porque parte da empresa foi vendida para um investidor que apoia abertamente Donald Trump, candidato à reeleição nos Estados Unidos.

Segundo reportagem do jornal Estado de S. Paulo, “um megadoador de recursos para campanhas do Partido Republicano, dos Estados Unidos, comprou uma parte das ações do Twitter e pretende implementar mudanças na companhia”, incluindo até a troca do presidente executivo e co-fundador da empresa, Jack Dorsey.

A agência de notícias Bloomberg informou que a gestora de investimentos Eliott Management adquiriu uma "parte considerável" da empresa e planeja pressionar por mudanças. “A Eliott Management foi fundada pelo bilionário Paul Singer, um grande doador do Partido Republicano. Singer foi contra Donald Trump em sua campanha para a presidência dos Estados Unidos, mas mudou de ideia com o passar do tempo”, aponta ainda a reportagem do Estado de S. Paulo.

 

Fuga de informação: Rede pan-europeia de bases de dados de reconhecimento facial

 
 
Fuga de informação de relatórios mostra que as polícias da UE estão a planear uma rede pan-europeia de bases de dados de reconhecimento facial
 
 
Amarcha da UE no sentido de um super-Estado prossegue também no plano da articulação entre forças de repressão, em estreita colaboração com as suas congéneres dos EUA. Trata-se de expandir a toda a UE o monstruoso mecanismo de fichagem de muitos milhões de pessoas - passando por cima dos direitos individuais, nomeadamente à privacidade - que já vigora nos EUA e em vários dos países membros, com cobertura legal ou sem ela.
 
Uma investigadora policial em Espanha está a tentar solucionar um crime, mas só tem uma imagem do rosto de um suspeito, captado por uma camara de segurança próxima. A polícia europeia tem há muito tempo acesso a bases de dados de impressões digitais e DNA nos 27 países da União Europeia e, em certos casos, dos Estados Unidos. Mas em breve essa investigadora poderá também pesquisar uma rede de bases de dados policiais abrangendo toda a Europa e os EUA.
 
De acordo com documentos internos da União Europeia de que houve fuga de informação, a UE poderá em breve criar uma rede de bases de dados policiais nacionais de reconhecimento facial. Um relatório elaborado pelas forças policiais nacionais de 10 estados membros da UE, liderado pela Áustria, apela à aprovação de legislação da UE para introduzir e interconectar essas bases de dados em todos os estados membros. O relatório, que The Intercept obteve de um funcionário europeu preocupado com o desenvolvimento dessa rede, circulou entre autoridades da UE e nacionais em Novembro de 2019. Se acordos anteriores de partilha de dados constituem um guia, a nova rede de reconhecimento facial estará provavelmente conectada a bases de dados semelhantes nos EUA, criando o que os investigadores sobre privacidade estão a chamar consolidação transatlântica maciça de dados biométricos.
 
 
 
 
O relatório foi produzido como parte das discussões sobre a expansão do sistema Prüm, uma iniciativa em toda a UE que conecta bases de dados de DNA, impressões digitais e registo de veículos para pesquiza mútua. Existe um sistema semelhante entre os EUA e qualquer país que faça parte do Programa de Isenção de Vistos, que inclui a maioria dos países da UE; acordos bilaterais permitem que agências dos EUA e da Europa acedam umas e outras às respectivas bases de dados de impressões digitais e de DNA.
 
Embora a nova legislação que dê seguimento à recomendação do relatório não esteja ainda em agenda, o trabalho preparatório está em andamento. Informação fornecida pela Comissão Europeia ao Parlamento Europeu em Novembro passado mostra que quase 700.000 euros (cerca de US $ 750.000) estão a ser atribuídos a um estudo da empresa de consultoria Deloitte sobre possíveis alterações no sistema Prüm, com parte do trabalho visando a tecnologia de reconhecimento facial. A Comissão Europeia pagou também separadamente 500.000 euros a um consórcio de agências públicas liderado pelo Instituto de Ciência Forense da Estónia para “inventariar a situação actual do reconhecimento facial em investigações criminais em todos os Estados-Membros da UE”, com o objectivo de avançar “em direção a uma possível troca de dados faciais”, de acordo com uma apresentação do projecto enviada a representantes nacionais em Bruxelas.
 
“Isto é preocupante a nível nacional e europeu, principalmente porque alguns países da UE se tende para governos mais autoritários”, disse Edin Omanovic, director de advocacia da Privacy International. Omanovic preocupa-se com o facto de uma base pan-europeia de dados faciais ser usada para “vigilância politicamente motivada” e não apenas para o trabalho policial normal. A possibilidade de vigilância generalizada, injustificada ou ilegal é uma das muitas críticas à tecnologia de reconhecimento facial. Outra é que é notoriamente imprecisa, principalmente para pessoas de cor.
 
“Sem a transparência e as garantias legais para a tecnologia de reconhecimento facial ser lícita”, disse Omanovic, “deveria haver nela uma moratória “.
 
A UE deu grandes passos no sentido de conectar uma série de bases de dados de migração e segurança nos últimos anos. Nova legislação aprovada em Abril passado estabeleceu uma base de dados que conterá as impressões digitais, imagens faciais e outros dados pessoais de até 300 milhões de cidadãos de fora da UE, fundindo dados de cinco sistemas separados. Segundo o relatório de 10 forças policiais, os consultores da Deloitte propuseram fazer o mesmo com imagens faciais da polícia, mas a ideia deparou-se com a oposição unânime dos agentes das forças de segurança.
 
No entanto, o relatório recomenda ligar todas as bases de dados faciais de todos os estados membros da UE, o que pareceria ter o mesmo efeito prático. Em outro relatório policial interno da UE - este de um grupo de trabalho sobre Prüm que analisou o intercâmbio de dados da carteira de motorista - a polícia observa que “uma rede de registos nacionais interconectados pode ser considerada um registo europeu virtual”.
 
Para a polícia, as vantagens das bases de dados de reconhecimento facial interligadas são claras. O relatório liderado pela Áustria vê a tecnologia como uma ferramenta biométrica “altamente adequada” para identificar suspeitos desconhecidos e sugere que os bancos de dados sejam criados e ligados “o mais rápido possível”. Também reconhece a necessidade de salvaguarda da protecção de dados, como a verificação humana de quaisquer mecanismos automáticos, mas especialistas em privacidade argumentam que a criação de qualquer sistema desse tipo é o primeiro passo para uma maior partilha e ligação de dados onde tais controlos são inadequados.
 
As movimentações europeias no sentido consolidar dados policiais de reconhecimento facial assemelham-se a esforços semelhantes nos EUA, disse Neema Singh Guliani, consultora legislativa sénior da American Civil Liberties Union. Muitas agências policiais dos EUA trabalham em “centros de fusão”, onde estão co-localizadas e em condições de partilhar dados. Se se tem um contrato de partilha de informações com o FBI ou o Departamento de Segurança Interna, disse Guliani, “existe o risco de que as informações possam funcionalmente ser partilhadas com níveis adicionais das forças de segurança nos EUA”.
 
“Isso levanta muitas questões”, acrescentou. “Como está a polícia a usar o reconhecimento facial e a colectar imagens, bem como, nos EUA, relativamente à legalidade devida e à expressão da Primeira Emenda. Dadas as relações de partilha de informações existentes, é muito provável que os EUA desejem aceder a essas informações.”
 
Já em 2004, a Embaixada dos EUA em Bruxelas apelava um relacionamento com a UE que permitisse “trocas alargadas e partilha de todas as formas de dados, incluindo dados pessoais”. Em anos recentes, os esforços para atingir esse objectivo intensificaram-se. De acordo com um relatório do Government Accountability Office, em 2015 o Departamento de Segurança Interna começou a exigir a implementação dos acordos de partilha de dados exigida aos países do Programa Visa Waiver. Isso incluiu o FBI prestar assistência a outros estados para configurar as redes de computadores necessárias.
 
A Áustria, por exemplo, começou a confrontar impressões digitais com as bases de dados criminais do FBI em Outubro de 2017, explicou Reinhard Schmid, alto funcionário do serviço de informações criminais austríaco. Desde então, as impressões de cerca de 12.000 pessoas foram objecto de verificação cruzada, resultando em 150 correspondências. “Cerca de 20 dessas pessoas identificadas estavam sob investigação e suspeitas de pertencerem a organizações terroristas”, enquanto em 56 casos os indivíduos tinham tentado usar uma identidade falsa, disse Schmid.
 
“Aqui a lógica deles é: ‘Quando tenho um crime grave e quero confrontar a foto de alguém sobre uma base de dados, por que é que não deveria dispor disso?’”, disse Guliani. No entanto, acrescentou ela, as implicações de privacidade são enormes. “Uma vez que tenhas acesso, podes em última análise identificar quase qualquer pessoa, em qualquer lugar.”
 
O relatório de 10 forças policiais apela à Europol, à agência da UE para a partilha de informações e análises policiais, a que desempenhem um papel no intercâmbio de reconhecimento facial e outros dados biométricos com países não pertencentes à UE. Isso faz eco das recomendações dos próprios governos europeus: uma declaração de Julho de 2018 apelava a que a comissão considerasse “ampliar o âmbito” da rede Prüm e que a Europol assumisse a liderança na partilha de dados com países terceiros.
 
O FBI e a Europol não responderam a perguntas sobre acordos de partilha de dados entre a UE e os EUA. Um porta-voz da Comissão Europeia reconheceu a perspectiva de adicionar dados de reconhecimento facial à rede Prüm, mas recusou-se a entrar em mais detalhes.
 
Fonte: https://theintercept.com/2020/02/21/eu-facial-recognition-database/
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/fuga-de-informacao-rede-pan-europeia-de.html

CRYPTO-FASCISMO

image (Entre as polícias políticas da América Latina, a coordenação da repressão passava pelas máquinas da Crypto AG, rebatizadas de «Condortel» 
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Editorial LE COURRIER VENDREDI 21 FÉVRIER 2020
BENITO PEREZ
CRYPTO-FASCISMO
O caso Crypto AG, nome da empresa que operou durante meio-século a partir de Zougem proveito da CIA, só surpreende pela escala e duração. Que a Suíça e a sua neutralidade de fachada estivessem subordinadas aos interesses do Estado americano, constata-se pelo menos depois da Guerra Fria. Reveladas no final do século passado, as organizações helvéticas secretas P26 e P27 permitiram também, que o exército e o establishment político - o mesmo que deu cobertura à Crypto – de colaborar com a OTAN com a maior hipocrisia. Uma aliança transatlântica que não diminuiu desde então.
Se de forma alguma nos surpreende, o caso Crypto (ou Rubicon, de acordo com seu último nome de código), no entanto, destaca uma certa conceção suíça de neutralidade. Os documentos extraídos dos arquivos da NSA, desenterrados há alguns dias pelo Washington Post, mostram também que as ferramentas de criptografia vendidas pela empresa Zugoise foram usadas em particular para rastrear os opositores das ditaduras da América do Sul em 1973, particularmente através do famoso 'Plano Condor'. Entre as polícias políticas (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), a coordenação das operações de vigilância e repressão transitavam pelas máquinas CX-52se depois pelas máquinas H-4605 da Crypto AG, rebatizadas de 'Condortel'... A caça orquestrada com o apoio dos Estados Unidos custou a vida a várias dezenas de milhares de militantes de esquerda. Sabemos agora que Washington podia acompanhar cada sequestro, tortura e desaparecimentos em direto graças aos produtos made in Switzerland. 
Um cenário sem dúvida idêntico ao do genocídio dos comunistas da Indonésia, outro país cliente da Crypto AG.
Para Berna, a qual o Postassegura que foi informada das atividades da CIA, a operação Rubicon tinha apenas vantagens: além da publicidade em termos da excelência tecnológica, a Confederação manteve uma neutralidade de fachada, mas favoreceu concretamente os regimes  conformes aos interesses económicos das suas elites. Tudo sem sujar as mãos. Enfim... a história os julgará.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

EUA apelam a União Europeia para usar 5G de concorrentes da Huawei

Funcionária da Huawei fala ao celular em escritório da empresa em Shenzhen, na China, em dezembro de 2019
© AP Photo / Mark Schiefelbein

Em visita a Lisboa, representante norte-americano expressou a vontade de que a UE adote a tecnologia 5G das principais concorrentes da Huawei, que considera igualmente avançadas tecnologicamente.

O diplomata norte-americano Robert Strayer disse, durante sua visita a Lisboa, que as tecnologias de rede 5G da Ericsson sueca, da Nokia finlandesa e da Samsung sul-coreana são tão avançadas tecnologicamente como a da Huawei, e devem ser usadas em lugar da gigante tecnológica chinesa.

Strayer, o vice-secretário adjunto para políticas cibernéticas, de comunicações internacionais e de informação do Departamento de Estado norte-americano, disse que era "necessário desmistificar" a noção de que a Huawei é mais avançada em 5G, exortando os países da UE a proibirem equipamentos de telecomunicações da empresa chinesa.

O alto responsável disse que os Estados Unidos estão encorajando os países europeus a pensar cuidadosamente sobre as implicações econômicas e de segurança de prosseguir com o uso da tecnologia da Huawei.

Criança brinca próxima ao logo da empresa Huawei, em Pequim (foto de arquivo)
© AP Photo / Ng Han Guan
Criança brinca próxima ao logo da empresa Huawei, em Pequim (foto de arquivo)

Há muito tempo que as autoridades americanas sustentam que a Huawei tem se envolvido em atividades de vigilância a favor do governo chinês. As alegações têm sido fortemente negadas tanto pela empresa como por Pequim.

"Não há como mitigar totalmente qualquer tipo de risco, exceto o uso de vendedores confiáveis de países democráticos", disse Strayer aos repórteres. "A boa notícia é que Ericsson, Nokia e Samsung todas fornecem tecnologia 5G que está no mesmo nível da que a Huawei está fornecendo hoje. Eles estão liderando o mundo no tipo de tecnologia que têm."

Robert Strayer garantiu que fornecedores ocidentais como a Ericsson e a Nokia usarão uma arquitetura aberta com mais funcionalidades, criando oportunidades para empresas nos Estados Unidos e na Europa fornecerem equipamentos compatíveis.

Huawei diz que empresas americanas são inferiores

A Huawei havia relatado anteriormente que gastou US$ 15 bilhões (R$ 65,5 bilhões) no ano de 2019 em pesquisa para lhe permitir alcançar a liderança de mercado, e dito que os Estados Unidos querem frustrar seu crescimento porque as empresas norte-americanas não conseguem oferecer a mesma gama de tecnologia a um preço competitivo.

A União Europeia afirmou que permitiria aos membros decidir que papel a Huawei chinesa pode desempenhar em redes 5G. O Reino Unido, que entretanto não é mais membro da UE, concedeu recentemente à Huawei um papel limitado na construção de uma rede móvel 5G.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2020022015239347-eua-apelam-a-uniao-europeia-para-usar-5g-de-concorrentes-da-huawei/

'Império de hackers': China reage à divulgação de operação de espionagem global dos EUA

Logo da empresa suíça de equipamentos para criptografia Crypto AG, usada pela CIA para espionagem, na cidade de Steinhausen, na Suíça, em 13 de fevereiro de 2020
© AFP 2019 / Fabrice Coffrini

Autoridade chinesa reage à publicação de documentos da operação "Rubicon", na qual EUA e Alemanha obtiveram informações secretas sobre mais de 120 países. Ataques cibernéticos realizados pelos EUA teriam atingido níveis sem precedentes de "desordem e ilegalidade".

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, reagiu à publicação de dados da Operação Rubicon, classificando os EUA como "império de hackers".

"Os fatos mostram que os EUA são o país líder em operações de espionagem no mundo virtual, por isso são literalmente um império de hackers", disse Geng.

Para o porta-voz, as operações de espionagem norte-americanas atingiram um nível sem precedentes de "caos, desordem e ilegalidade".

"E, ao mesmo tempo, os EUA se colocam como vítimas de ataques cibernéticos", lamentou o porta-voz.

A Rubicon consistiu em uma operação das agências de segurança dos EUA e da Alemanha, que, durante meio século, obtiveram acesso à correspondência secreta de mais de 120 países do mundo.

Informações sobre a operação foram publicadas na semana passada pelo canal público de televisão alemão ZDF e pela rádio suíça SRF.

Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA
© AP Photo / Carolyn Kaster
Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA

As investigações revelam que os serviços secretos da Alemanha e dos EUA utilizaram a empresa suíça fornecedora de equipamentos de criptografia Crypto AG para obter informações sobre seus clientes entre as décadas de 1950 e 2012.

A Crypto AG era secretamente controlada pela agência de inteligência dos EUA, a CIA, que interceptava as mensagens trocadas pelos clientes da empresa, como os governos do Irã, da Arábia Saudita, Vaticano, Argentina, Chile, entre muitos outros.

O jornal norte-americano Washington Post revelou como a Operação Rubicon ajudou os EUA a manterem o controle das ditaduras latino-americanas durante a segunda metade do século XX, coordenando-a com a Operação Condor.

Ataques cibernéticos

De acordo com as autoridades chinesas, grande parte dos ataques cibernéticos cometidos atualmente são perpetrados pelos EUA.

Em relatório publicado pelo Centro Estatal de Reação Rápida a Situações Emergenciais na Internet da China, publicado em 2019, o órgão sustenta que servidores nos EUA são utilizados para introduzir vírus e conduzir ataques a "computadores ativos" na China.

Os especialistas chineses acreditam que, em 2018, cerca de 14 mil servidores dos EUA conseguiram estabelecer o controle sobre 3,3 milhões de computadores-host chineses. Naquele ano, cerca de 2.607 sites chineses foram infectados por 3.325 endereços IP norte-americanos, diz o documento.

Computador mostra alerta de possível vírus ou conteúdo ilícito, em Pequim, na China (foto de arquivo)
© AP Photo / Ng Han Guan
Computador mostra alerta de possível vírus ou conteúdo ilícito, em Pequim, na China (foto de arquivo)

O diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade da Amizade dos Povos (RUDN, na sigla em russo), Pavel Feldman, acredita que os EUA têm a China como alvo prioritário de suas operações cibernéticas.

"Na China, os americanos têm interesse em obter informações nas áreas de medicina, saúde, biotecnologia. A China faz pesquisas que possuem limitações nos EUA, por isso eles têm interesse em realizar espionagem cibernética nessas áreas", disse Feldman à RT.

Os autores do relatório do governo chinês concluíram que os EUA foram capazes de construir uma rede de servidores na China, capaz de atacar indústrias, além dos sistemas de infraestrutura e telecomunicações do país.

Para os especialistas, os ataques cibernéticos teriam o objetivo de impedir que a China realize o seu potencial econômico.

Guerra Cibernética

Mas a China não é o único alvo de Washington quando o assunto é guerra cibernética.

Na semana passada, o general iraniano Golamrez Djalali informou que os EUA realizaram um ataque de grandes proporções à infraestrutura do país.

Em maio de 2019, um grupo de hackers norte-americanos teria invadido e interrompido a operação da usina hidrelétrica venezuelana de Guri, de acordo com Caracas.

Como resultado do ataque, 80% do território venezuelano ficou sem energia elétrica por alguns dias, no que o jornal local El Nacional classificou como o maior blackout da história da Venezuela.

Cachorro iluminado por farol de carro durante blackout em Maracaibo, na Venezuela, após suspeita de ataque cibernético contra hidroelétrica no país, em maio de 2019
© AP Photo / Rodrigo Abd
Cachorro iluminado por farol de carro durante blackout em Maracaibo, na Venezuela, após suspeita de ataque cibernético contra hidroelétrica no país, em maio de 2019

Em setembro de 2018, a Casa Branca aprovou a nova versão de sua Estratégia de Segurança Cibernética, a qual dá carta branca para que agências de inteligência do país realizem tanto operações de defesa, quanto ofensivas na esfera virtual.

De acordo com o documento, Washington deve monitorar com maior atenção as atividades cibernéticas de países como China, Rússia, Irã e Coreia do Norte.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020021815230187-imperio-de-hackers-china-reage-a-divulgacao-de-operacao-de-espionagem-global-dos-eua/

EUA cogitam restringir acesso da Huawei à tecnologia de chips

Logo da empresa Huawei (imagem referencial)
© AP Photo / Mark Schiefelbein

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos está ponderando impôr novas restrições à gigante chinesa de tecnologia Huawei para limitar o uso de equipamentos norte-americanos utilizados na fabricação de chips e, assim, reduzir o acesso da empresa à tecnologia, considerada vital.

A informação foi publicada nesta segunda-feira (17) pelo jornal norte-americano Wall Street Journal.

A possível medida permitiria que a agência exija licenças de fábricas de chips em todo o mundo se quiserem usar equipamentos dos EUA para fabricar chips para a Huawei.

Membros da indústria dos EUA, no entanto, disseram ao jornal que a medida poderia causar um duro golpe na cadeia global de fornecimento de semicondutores e sair pela culatra, atingindo as próprias empresas norte-americanas.

Segundo as informações, não há unanimidade  quanto a medida dentro do governo dos EUA e próprio presidente Donald Trump ainda deve rever as medidas propostas. O jornal, entretanto, lembrou que o presidente quer permitir que as empresas norte-americanas vendam seus equipamentos para a Huawei, caso isso não ameace a segurança nacional dos EUA.

Os EUA acusam a Huawei de colaborar com as forças armadas e a inteligência chinesas e de usar seu equipamento para fins de vigilância ilegal, algo que a empresa refuta.

Em maio de 2019, Washington colocou a Huawei em uma lista negra junto a cerca de 70 de suas afiliadas adquirindo tecnologia nos EUA e negociando com empresas norte-americanas sem autorização expressa do governo. Desde então, os EUA adiaram a proibição comercial em larga escala da Huawei várias vezes, mais recentemente em 18 de novembro do ano passado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020021715228563-eua-cogitam-restringir-acesso-da-huawei-a-tecnologia-de-chips/

Crypto Leaks: O “Golpe do Século” da CIA

Como a CIA interceptou as comunicações de “toda a gente” e como ainda conseguiu que os “interceptados” lhe pagassem por isso…

 

A esta operação, que começou por se chamar Thesaurus e depois foi rebaptizada Rubicon e que teve o apoio da Alemanha e durou décadas, o Washington Post chamou agora “o golpe do século”.

O blog suíço “Qui a le savoir a le pouvoir” regista a história…

 

 

Opération «Rubicon», révélations sur les complicités suisses avec l’espionnage international

 


 

 

Exclusivo Tornado / IntelNomics

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/crypto-leaks-o-golpe-do-seculo-da-cia/

A Morte da Boa Internet Foi um Trabalho Interno. Por Jason Linkins

 

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

A Morte da Boa Internet Foi um Trabalho Interno

Jason Linkins Por Jason Linkins

Publicado por The New Republic em 31 de dezembro de 2019 (ver aqui)

 

Bem-vindos àDécada Infernal, o nosso olhar sobre um período arbitrário de 10 anos que começou com uma grande efusão de esperança e terminou numa cavalgada para o  desespero.

9 A Morte da Boa Internet Foi um Trabalho Interno 1

 

Uma década de potencial desperdiçado pode ser colocada aos pés daqueles em quem se confiava para criar um mundo online democrático.

 

Lembro-me do momento exato em que a Internet se me tornou bastante desagradável. Era 1 de julho de 2013: o dia em que o Google Reader foi abatido pelos seus mestres empresariais. A morte de um Reader RSS [1] pode não parecer a maior tragédia que se abateu sobre a internet na última década – não foi – mas teve um impacto profundo na minha vida profissional e, portanto, intelectual.

O leitor, que entrou online no Outono de 2005, era uma pequena maravilha – uma pequena ideia que fez uma enorme diferença. Era um leitor de fontes personalizado de notícias e blogs de toda a web, tão específico ou amplo quanto se desejasse; ligado ao poderoso motor de busca do Google, também permitia aos utilizadores reunir instantaneamente as últimas informações sobre qualquer tópico debaixo do sol. Ou seja, o Reader enquadrou-me a internet e tornou-a legível. O Reader manteve-me mergulhado em novas perspetivas, o que me ajudou a obter uma melhor relação sinal/ruído do faroeste do material online e, como jornalista, melhorou a minha capacidade de conectar fios do discurso público. Não é uma coincidência que os meus anos de Reader tenham sido aqueles em que eu comecei realmente a florescer no meu trabalho.

Aqui está a melhor parte: O Reader não me pediu nada em troca. Sim, foi criado por um gigante da tecnologia que mais tarde desprezaria o seu slogan “Don’t be evil”, mas era utilitário e produtivo em vez de extrativo; não custava nada aos utilizadores, nem literal nem figurativamente. E foi provavelmente por isso que o Reader não sobreviveu – um destino partilhado com muitos dos sites cujos feeds RSS ele compilou.

Tem sido uma descida rápida desde então. As coisas que construímos estão em declínio, e os empregos que criámos estão a ser perdidos. A Boa Internet desapareceu.

Subordinámos o nosso pensamento crítico à caça de tendências e à alimentação de conteúdos que são verdadeiros fogos de artifício.

Dois anos após a morte do Reader, The Dissolve, um adorável blog de crítica cinematográfica movido por paixão e devoção, fechou. Um ano depois disso, Gawker, um sólido edifício da era dourada da internet, apagou-se, esmagado por um bilionário furioso. A ideia revolucionária que deu origem a esse blog, e a inúmeros outros, já não era operável. No lugar do blogue veio uma série de insaciáveis plataformas de media sociais, cada uma das quais parecia sugar energia, não gerá-la. Nichos caíram no meio da Regra dos Algoritmos. Subordinámos o nosso pensamento crítico à caça de tendências e à alimentação de conteúdos que são verdadeiros fogos de artifício.

A Boa Internet acreditava na promessa da comunidade – que se o leitor pudesse construir uma, tudo era possível. O leitor não precisava de guardiões, e podia enfrentar os poderosos sem medo. Mas como Nick Denton observou no último post de Gawker, “os leitores não têm o poder… Quando se tenta fazer um negócio a partir dessa liberdade, o sistema irá lutar contra si . Como a nossa experiência demonstrou, essa liberdade era ilusória. O sistema ainda está lá. Ele recuou, mas a estrutura de poder permanece.”

Isso é, de facto, parte da história. Mas é também a história de como aqueles de nós que ajudaram a moldar a Boa Internet desempenharam um papel igualmente forte para a deitarem abaixo .

Numa entrevista com Chris Hayes, em maio de 2018, Tim Wu, professor da Faculdade de Direito da Columbia, especialista em tecnologia que cunhou a ideia da “neutralidade da rede”, resumiu as boas ideias da Internet que estavam a florescer no início da década. Como Wu observou, havia três princípios que impulsionaram a revolução da web: a ideia de que “fronteiras e leis deixariam de ser importantes ” nos espaços on-line, a revolucionária “possibilidade de um tipo diferente de intimidade com outras pessoas” e a noção de que o que foi forjado pelo esforço “seria uma verdadeira democracia” com “ninguém no comando” – uma “governança auto-organizadora que cuidaria de tudo”.

Aqueles que estão na vanguarda do futuro da blogosfera estão totalmente empenhados com estas “ideias belas e brilhantes”, como Wu lhes chamou, e preparam-se para construir o trabalho de que tanto gostamos e para tal nos conectar a uma ampla rede de pessoas que pensam como nós. Havia um enxame de leitores lá fora que pareciam ansiosos para fazerem parte de um sistema de comunicação e de serem informados de uma nova maneira, e nós estávamos determinados a dominar a forma de como falar com eles – tal como falar de Internet. Passei de blogar no meu próprio site para me juntar a uma equipe no posto avançado de Gothamist, em Washington, D.C. De lá, fiz uma visita à Wonkette – um dos blogs políticos mais conhecidos da América – e mais tarde ajudei a criar o escritório do Huffington Post em D.C.

Para mim e para os meus colegas, este foi um período selvagem de experimentação, trazendo todos os dias a oportunidade de descobrir alguma nova forma de proporcionar lucro e prazer. Aprendemos a importância de forjar confiança, e construímos essa confiança proporcionando ao nosso público não só o nosso próprio trabalho criativo, mas também ligações com o trabalho dos outros. Era importante que qualquer pessoa que chegasse ao nosso canto da internet acelerasse o seu caminho para algo igualmente interessante. Dessa forma, até mesmo a discordância pode ser um ato de generosidade.

Aqueles que eventualmente se tornaram os nossos mestres notaram o que estávamos a fazer e entraram nas nossas vidas com os pés de mansinho.

Aqueles que eventualmente se tornaram os nossos mestres notaram o que estávamos a fazer e entraram nas nossas vidas com os pés de mansinho. Quando eles começaram a baralhar os atalhos e a utilizar truques algorítmicos, não os tratámos com dureza. A otimização dos motores de busca transformou os nossos títulos, as nossas competências, em coisas que pareciam ter sido traduzidas apressadamente para inglês a partir de alguma língua morta, mas nós alinhámos com isso – foi um grande truque que tornou tudo mais fácil. (Não é de admirar que, algum tempo depois, o próximo mandato do Algoritmo de Deus tenha transformado as nossas notícias  em promessas de “falta de curiosidade”). Quando as redes sociais surgiram, dando-nos uma “nova página de rosto” para a internet, pensamos: “Porque não?” Estes grandes operadores de motores de busca e plataformas de partilha só queriam facilitar as nossas vidas, afinal de contas.

Existe agora uma plataforma massiva e intrusiva, possuidora de um poder extrativo tão imenso e de um monopólio da informação tão impune que se pode legitimamente dizer que tem um efeito de distorção na nossa democracia. De todos os acordos feitos pelos criadores de conteúdo que moldaram a sua experiência na Internet na última década, o que foi feito com o Facebook é o mais Faustiano. Como acontece em muitos arranjos, a indústria de conteúdos alinhou com o Facebook na promessa de uma vida mais simplificada – o trabalho chato e complicado de compreensão e os rendimentos seriam entregues aos nossos melhores. A transferência dessas tarefas teve um efeito deletério: confundimos o dever essencial de alcançar os leitores e de garantir o nosso futuro como sendo simples tarefas que qualquer um poderia realizar, quando, na realidade, eram tarefas essenciais para o nosso trabalho. Esses eram os processos pelos quais coletávamos informações vitais sobre os nossos próprios negócios, o material de origem necessário para fazer julgamentos editoriais críticos e escolhas criativas.

O Facebook desfez todo o trabalho que tínhamos passado anos a aperfeiçoar e a confiança que tínhamos conquistado.

O que conseguimos na troca foi uma plataforma poderosa, mas aquela plataforma desfez todo o trabalho que tínhamos passado anos a aperfeiçoar e a confiança que tínhamos conquistado. O Facebook não se importa com as nossas inovações na gestão de conteúdos ou com as nossas decisões estéticas. O Facebook não se importa com o espírito animador que guiou a indústria dos media durante os seus anos de formação – que procura construir uma nova e democrática língua franca com um público sedento por novas ideias, ou simplesmente para se sentir mais à vontade no mundo. O Facebook simplesmente impõe, esmagando todas as distinções e diferenças que foram sendo aperfeiçoadas ao longo de anos de experimentação.

Com o tempo, o Facebook descobriu a maneira barata e suja de chegar ao mundo: afinar as amígdalas dos seus utilizadores através da constante provocação, gerar uma vaga de emoções extremas (raiva, medo, êxtase e tristeza), e recompensar aqueles capazes de correr essa corrente elétrica bárbara através da sua rede. E acontece que aqueles que provaram ser mais capazes disso vêm de um universo de charlatães: falsificadores de notícias, propagandistas e golpistas. Desprendidos de qualquer senso de normas, esses maus atores floresceram. Eles não o teriam feito se não tivéssemos emprestado a estas plataformas o nosso prestígio – não tivéssemos tratado a confiança que ganhamos como o bem de menos valor de que podíamos dispor.

Começamos como céticos do poder, determinados a construir algo democrático. Mas esse ceticismo desvaneceu-se e foi substituído por uma espécie de obediência. É difícil desafiar o establishment  quando se lhe cedeu tanto do ganha-pão de cada um de nós. Se aqueles que outrora afluíram às nossas criações com entusiasmo agora nos veem como elites insuportáveis e incontroláveis, dificilmente poderemos censurá-los. Nós falhamos em entregar o mundo que prometemos fazer e não fizémos. O fluxo de informação é controlado mais uma vez por alguns guardiões, e as nossas vidas on-line – tudo o que criamos e como o consumimos – têm sido mercantilizadas. Os poderosos estão a puxar-nos para os dados dos utilizadores. Nós, os crentes da Boa Internet, deveríamos ser o baluarte contra este inferno da Internet e, em vez disso, abrimos-lhe as portas de par em par.

 

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Nota

[1] N.T. Um leitor de RSS [formato de distribuição de informações em tempo real pela internet], também chamado de leitor de fontes, é um programa complementar do navegador projetado para reunir e exibir fontes RSS de acordo com parâmetros definíveis pelo usuário. Um leitor de RSS pode reduzir o tempo e o esforço necessários para verificar publicações online para atualizações. Ele cria, com efeito, uma assinatura de notícias personalizada para o utilizador da Internet. Vd. https://whatis.techtarget.com/definition/RSS-reader e https://pt.wikipedia.org/wiki/RSS

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O autor: Jason Linkins é editor sénior da The New Republic. Anteriormente, ele trabalhou como editor sénior na ThinkProgress e como redator de longa data no The Huffington Post. O seu trabalho já apareceu no The Baffler, The Awl, Maclean’s, e DCist.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/12/2009-2019-uma-decada-infernal-9-a-morte-da-boa-internet-foi-um-trabalho-interno-por-jason-linkins/

O maior edifício do mundo impresso em 3D foi inaugurado no Dubai

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O Dubai inaugurou recentemente o maior edifício do mundo impresso em 3D. O município espera que, até 2030, 25% de todas as construções da cidade sejam erguidas através da impressão 3D.
 
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Há uns anos, a ideia de uma impressora “construir” uma casa seria estapafúrdia para a maioria das pessoas. No entanto, em vários países, vários edifícios foram impressos por impressoras 3D, entusiasmando e surpreendendo os mais céticos.

O edifício mais alto impresso em 3D do mundo mora em Suzhou, na China, desde 2015, mas agora tem um rival à altura: o maior edifício impresso em 3D do mundo foi concluído recentemente no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

O prédio chinês – um complexo de apartamentos de cinco andares – é o mais alto, mas o prédio do Dubai, com mais de 9 metros, é o maior em volume. Ainda assim, o objetivo é um pouco menos emocionante do que a sua construção: será usado para albergar escritórios para a administração municipal.

O edifício de dois pavimentos, encomendado à empresa norte-americana Apis Cor, é o primeiro de muitos, uma vez que o governo local espera que, até 2030, 25% de todas as infraestruturas da cidade sejam erguidas via impressão 3D.

Para cobrir os 640 metros quadrados, a empresa usou uma impressora 3D acoplada a um guindaste, de modo a deslocar os materiais por toda a área. Segundo o SingularityHub, foi apenas necessária a ajuda de três funcionários, além da máquina, para erguer o edifício.

O único problema que se atravessou pelo caminho foi o material usado, devido às condições climáticas extremas que se fazem sentir naquela região. Nikita Cheniuntai, CEO e fundadora da Apis Cor, explica que a empresa testou e melhorou a mistura para que o resultado se traduzisse num “grande avanço não só para nós, como também para a indústria de impressão 3D em cimento”.

A empresa usou uma mistura com restos de materiais de construção reciclados e cimento. O resultado é um material 50% mais leve graças ao gesso na composição e mais durável a longo prazo.

O prédio começou a ser erguido de maneira convencional, isto é, os alicerces foram feitos com misturas de cimento e só depois a impressora 3D começou a erguer as paredes. Depois de a impressora ter concluído todas as paredes – a empresa não especificou quanto temo demorou o processo – os empreiteiros adicionaram o telhado e as janelas.

Há atualmente uma crescente necessidade de construir casas baratas, com boa qualidade e da forma mais rápida possível. A procura por este tipo de moradias aumenta à medida que as populações crescem e se deslocam para as grandes cidades.

A impressão 3D pode ser uma solução viável e de baixo custo para adicionar novos imóveis em áreas de alta procura.

ZAP //

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/maior-edificio-impresso-3d-307793

Denunciados quase 700 casos de pornografia infantil online em 2019

 

Em 2019, a Linha Internet Segura, serviço da alçada da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), recebeu 676 denúncias de pornografia infantil.

 

Os números, que esta terça-feira são avançados pelo Jornal de Notícias e pelo Público, revelam que os crimes de pornografia infantil representam quase a totalidade dos casos reportados à hotline da Linha Internet Segura.

Do total de 701 denúncias, apenas 25 dizem estão relacionadas com outros temas, destacando-se a discriminação racial, que soma 24 casos.

Em declarações ao jornal Público, o gestor da Linha Internet Segura, Ricardo Estrela, afirma que a pornografia infantil online “está a aumentar em termos internacionais e Portugal não é exceção”. Os casos denunciados no ano passado envolvem menores com idades compreendidas entre os oito e os 13 anos.

Partindo das denúncias, a APAV analisou milhares de imagens. Cada um dos quase 700 links ilegais recebidos incluía entre 40 a 200 fotografias. Os responsáveis não conseguem determinar se os menores que surgem nas imagens são ou não portugueses.

O Público explica ainda que sempre que há uma denúncia deste tipo, o procedimento padrão passa por verificar o país em que está alojado o conteúdo ilegal para garantir que o mesmo é bloqueado. Os casos são denunciados às autoridades policiais dos países em que estão sediados os servidores.

ZAP //

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/denunciados-quase-700-casos-pornografia-infantil-307868

Doentes digitais

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Mais do que nativos digitais, não estaremos acima de tudo a formar uma geração de seres humanos emocionalmente frágeis, criados na dependência da internet e das interacções nas redes sociais?

Jovens que substituem a presença física pelo contacto online, viciados no jogo – mais os rapazes – e nas redes virtuais – sobretudo as raparigas -, que não dormem o suficiente, não desenvolvem competências sociais e se mostram cada vez mais vulneráveis às doenças mentais: eis um retrato da adolescência que não é mera invenção de pensadores retrógrados do século XX: é já a realidade dos nossos dias, descrita por um número crescente de estudos científicos.

Bullying e auto-mutilação, depressões, comportamentos suicidas e outros distúrbios mentais são cada vez mais frequentes entre os adolescentes. Quando, numa província do Canadá, a prevalência de doenças mentais entre os jovens chega a atingir os 39%, estamos perante uma calamidade em termos de saúde pública. Talvez não tão virulenta como o coronavírus, mas certamente com um impacto social muito mais profundo e prolongado.

Em dia de internet segura, e em vez das banalidades do costume, vale a pena pensar nisto.

O uso intensivo de telemóveis e de redes sociais está associado a um aumento dos problemas mentais, comportamentos de automutilação e suicídio entre os jovens, segundo um estudo canadiano que mostra que o fenómeno afeta mais as raparigas.

Uma equipa de investigadores de um hospital infantil em Toronto publicou esta segunda-feira na revista Canadian Medical Association Journal (CMAJ) um estudo que reafirma os efeitos nocivos do uso das redes sociais entre os jovens.

As doenças mentais, os comportamentos auto-lesivos e as tentativas de suicídio aumentaram nos últimos anos entre a população adolescente.

Existe uma relação entre estes fenómenos e o uso excessivo das redes sociais e “os efeitos parecem ser maiores entre as raparigas”, refere o estudo que está disponível na página na internet da CMAJ.

Tecnologia 5G já é comercializada em 10 países europeus. Portugal de fora

 

A tecnologia 5G já é comercializada em 10 países da União Europeia (UE), sendo que Portugal ainda não integra a lista, de acordo com o último relatório trimestral do Observatório Europeu para o 5G divulgado esta segunda-feira.

 

Segundo os dados do Observatório, criado em 2018 pela Comissão Europeia, “até ao final e 2019, os serviços comerciais de 5G [quinta geração móvel]” estavam disponíveis em 10 países da UE. Alemanha, Áustria, Finlândia, Hungria, Irlanda, Itália, Espanha, Estónia, Reino Unido e Roménia são os países que disponibilizam, a nível comercial, serviços com esta nova tecnologia.

O Observatório sublinha que “em alguns países há mais que um fornecedor de serviços de 5G”, por exemplo no Reino Unido são três, tal como na Roménia. Em Itália são dois, tal como na Alemanha e na Finlândia.

Portugal ainda não consta na lista dos países que disponibilizam a tecnologia, uma vez que o início do leilão para a atribuição das licenças de 5G arranca em abril e termina em junho próximo, estando previsto que a conclusão dos procedimentos de atribuição dos Direitos de Utilização de Frequências (DUF) aconteça até agosto.

 
 

Os operadores de telecomunicações portugueses têm apontado que Portugal está atrasadona corrida do 5G, atribuindo responsabilidades à Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), com o regulador a negar que haja qualquer atraso nos trabalhos preparatórios. A Anacom tem marcado para esta segunda-feira uma conferência de imprensa sobre o projeto de regulamento do leilão para a atribuição das licenças.

“Os operadores europeus têm vindo a trabalhar há dois anos com fabricantes de equipamentos e players verticais em vários testes para validar as capacidades do 5G. No final de dezembro de 2019, ficou claro que estavam fortemente envolvidos nos testes 5G com 181 ensaios [testes piloto]”, o que compara com 138 no último trimestre de 2018, nos 28 Estados-membros.

Portugal integra a lista “top 10” dos países europeus onde testes-pilotos são organizados, segundo o estudo realizado para a Comissão Europeia pela Idate DigiWorld. Se contarmos com a Rússia, San Marino, Noruega, Turquia e Suíça, o número de testes ascende a 222. Estes 222 testes foram organizados em 30 países, 181 em 25 dos 28 Estados-membros da UE e 41 na Rússia, San Marino, Noruega, Turquia e Suíça.

“Nenhum teste foi registado até ao momento nos seguintes Estados-membros: Chipre, Malta e Eslovénia”, refere o relatório.

O plano de ação da Comissão Europeia de setembro de 2016, confirmado pelo Conselho da UE em dezembro de 2017, visa a implantação comercial de 5G em pelo menos uma grande cidade em todos os Estados-membros até o final de 2020.

O Observatório para o 5G estima ainda que no final de dezembro havia 147 cidades capacitadas com 5G (138 na UE a 28).

O Governo português planeia, até final do ano, ter duas cidades, uma no litoral, com mais de 50 mil habitantes, e outra no interior, com cobertura de 5G, mas ainda não está definido quais são.

Segundo o Observatório, apenas 11 países tinham publicado o roteiro nacional para o 5G no final de 2019, incluindo estratégias para o espectro: Alemanha, Áustria, Dinamarca, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Holanda, Luxemburgo, Reino Unido e Suécia.

A estratégia para o 5G foi aprovada na semana passada, no dia 7 de fevereiro, pelo Governo.

“Não é só na Europa que o 5G é um tema ‘quente’, mas também em outras regiões do globo, uma vez que se trata de uma tecnologia que promete revolucionar o mundo, não só pela quantidade de objetos que vão estar conectados (Internet das Coisas – IoT), como também pela velocidade da transmissão de dados (essencial para os veículos autónomos, por exemplo). Por exemplo, na Coreia do Sul todos os três operadores já lançaram serviços 5G, tendo registado no final de outubro três milhões de subscritores de quinta geração móvel, estimando atingirem os cinco milhões no final de 2019, refere o relatório.

Na Austrália, o serviço foi lançado e a tecnologia cobre 10 cidades, entre as quais Melbourne e Sydney, prevendo-se alargar a mais 25 cidades durante este ano.

A China, os três operadores China Mobile, China Telecom e China Unicom lançaram serviços 5G em novembro passado e já conseguiram garantir nove milhõesde subscritores de quinta geração móvel. Nos EUA, três dos quatro maiores operadores lançaram serviços nesta área.

Países como Bahrain, Kuwait, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita também já anunciaram a disponibilização de 5G.

Na Índia, o governo está fortemente empenhado no desenvolvimento da tecnologia, mas ainda está numa fase inicial de reflexão, estimando que esta seja “lançada em 2022”.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/tecnologia-5g-comercializada-10-paises-europeus-307626

Irã repele ataque cibernético de escala sem precedentes, informa vice-ministro

Ciberataque (imagem referncial)
© Foto / Pixabay

O Irã repeliu um ataque cibernético de grande escala, cujo objetivo era obstruir a rede de Internet do país. Teerã enfrenta agora uma "segunda onda" de ataques, informou o vice-ministro iraniano das Tecnologias de Informação e Comunicação, Hamid Fatakhi.

O vice-ministro iraniano das Tecnologias de Informação e Comunicação do Irã informou que o país repeliu ataque cibernético contra a estrutura de telecomunicação do país, informou o canal local IRINN:

"Hackers mercenários realizaram o maior ataque contra a infraestrutura do Irã em sua história", escreveu Fatakhi no Twitter.

Neste domingo (9), o canal informou que o ataque teria sido muito bem organizado e atingido escala sem precedentes.

"Esses ataques continuam, e a segunda onda já começou. Esperamos conseguir combatê-la com sucesso", disse Fatahi.

Neste sábado (8), as autoridades iranianas informaram que, no dia anterior, o país sofrera um ataque cibernético, que causou a queda do serviço de algumas operadoras de Internet por cerca de uma hora. O ataque foi repelido com sucesso.

O Irã é alvo deste tipo de ataques regularmente. A última vez que as autoridades relataram um incidente similar foi em dezembro de 2019. O ministro das Tecnologias de Informação e Comunicação, Mohammad Jawad Azari Jahromi, informou que o Irã já neutralizou milhões de ataques cibernéticos. Por outro lado, outros países também denunciam periodicamente a ocorrência de ataques por parte de "hackers iranianos".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020020915199112-ira-repele-ataque-cibernetico-de-escala-sem-precedentes-informa-vice-ministro/

5G da discórdia: Trump eleva o tom contra Boris Johnson em conversa sobre Huawei

Donald Trump fala com repórteres no jardim externo da Casa Branca, em Washington, EUA, em 7 de fevereiro de 2020
© AP Photo / J. Scott Applewhite

Donald Trump repreendeu o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, após Londres ter rejeitado as exigências dos EUA e autorizado a instalação da rede 5G da empresa chinesa Huawei.

A administração Trump tentou persuadir o Reino Unido a recusar os equipamentos da Huawei durante meses, mas sem sucesso.

Há indícios de que a visita do primeiro-ministro britânico a Washington seja adiada por causa da discórdia em torno da Huawei.

A reação dura do presidente dos EUA, Donald Trump, reportada inicialmente pelo jornal britânico Financial Times, pode prejudicar a posição britânica durante o processo de negociação do novo acordo de livre comércio com os Estados Unidos.

O futuro acordo de livre comércio entre os dois países foi apontado pelo governo de Johnson como um dos principais trunfos que Londres poderá obter após a saída do país da União Europeia, concretizada em 31 de janeiro.

Primeiro ministro britânico, Boris Johnson, observa performance em comemoração ao Ano Novo chinês, em Downing Street, Londres, Reino Unido, em 24 de janeiro de 2020
© AP Photo / Matt Dunham
Primeiro ministro britânico, Boris Johnson, observa performance em comemoração ao Ano Novo chinês, em Downing Street, Londres, Reino Unido, em 24 de janeiro de 2020

No dia 28 de janeiro, o governo do Reino Unido optou por permitir que a Huawei instale equipamentos "não centrais" para operar a rede 5G do país.

A gigante tecnológica chinesa ficará limitada a 35% do mercado do Reino Unido e não poderá operar em locais considerados sensíveis, como instalações nucleares ou militares.

Os Estados Unidos adotaram uma política de contenção da expansão da empresa chinesa Huawei, que tomou a dianteira no desenvolvimento da infraestrutura para a tecnologia 5G e oferece acesso mais rápido à Internet para os consumidores.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020020915198793-5g-da-discordia-trump-eleva-o-tom-contra-boris-johnson-em-conversa-sobre-huawei/

Redes sociais têm grande impacto nas escolhas políticas

47% dos utilizadores com menos de 40 anos dizem que as redes sociais influenciam as suas posições políticas.

 

 

Social media is having a greater impact on the nation’s political debate, with nearly half of younger voters now saying it influences their opinions. But with YouTube the latest to announce censorship efforts, voters have little confidence that social media will be able to fairly weed out questionable material. A new Rasmussen Reports national telephone and online survey finds just 19% of Likely U.S. Voters say they rarely or never use social media like Facebook and Twitter. Sixty-one percent (61%) use social media every day or nearly every day.

47% of Users Under 40 Say Social Media Influences Their Politics

 


Exclusivo Tornado / IntelNomics

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/social-media-redes-sociais-tem-grande-impacto-nas-escolhas-politicas/

Unesco lança biblioteca digital mundial disponível na internet

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Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.

 

 Biblioteca Digital Mundial (BDM) não oferecerá documentos correntes, a não ser “com valor de patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes:árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas”.

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta. Tem, sobretudo, caráter patrimonial” , antecipou em La Nacion  Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani, um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Mapa Geográfico do Brasil. Este mapa do Brasil foi publicado por Giovanni Battista Albrizzi (1698-1777), um proeminente editor veneziano de livros e mapas. As notas no mapa, em italiano, incluem várias observações especulativas acerca das pessoas e da geografia do interior do Brasil, nessa época, ainda bastante desconhecido dos europeus.

Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original. Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840.

Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das “Fábulas” de La Fontaine , o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A .C.

O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade de se registrarem.

Com um simples clique, podem-se passar as páginas um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos.

Embora seja apresentado oficialmente na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet.


Texto em português do Brasil

Rádio Peão Brasil / Tornado

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/unesco-lanca-biblioteca-digital-mundial-disponivel-na-internet/

Coronavírus também já está a espalhar-se pela Internet

 

Estão a circular pela Internet ficheiros maliciosos mascarados de documentos PDF, mp4 e docx relacionados com o coronavírus.

 

A empresa de cibersegurança Kaspersky encontrou ficheiros maliciosos disfarçados de documentos relacionados com o coronavírus. Os ficheiros estavam mascarados em ficheiros PDF, mp4 e docx, e tinham uma designação que indicava que continham instruções em vídeo sobre formas de proteção e deteção do vírus, assim como as últimas atualizações sobre o tema.

No entanto, os ficheiros eram apenas o veículo para um conjunto de ameaças (trojans e worms) com capacidade de bloquear, modificar, copiar e até destruir dados ou interferir com o funcionamento de computadores e redes informáticas.

O surto do novo vírus detetado na China já se transformou numa ameaça real à cibersegurança e, até à data, a empresa já identificou 10 ficheiros maliciosos.

 
 

“O coronavírus e a evolução do seu estado de propagação são atualmente notícia em todos os meios, sendo este um tema tão mediático que já foi utilizado pelos hackers como isco”, sublinha, em comunicado, Anton Ivanov, analista de malware da Kaspersky.

“Até ao momento, identificámos dez ficheiros de malware, mas é previsível que este número aumente, devido ao interesse que a doença suscita, não só junto de órgãos de comunicação social, como da população em geral”, acrescentou o responsável.

“À medida que as pessoas virem cada vez mais a sua saúde em risco, é de prever que se propague mais malware oculto em documentos falsos sobre o coronavírus”, justificou, citado pelo Expresso.

A empresa de cibersegurança recomenda que os utilizadores evitem links suspeitos que prometem conteúdos exclusivos, estejam atentos à extensão dos ficheiros descarregados e recorram a soluções de segurança fiáveis para proteger os seus computadores.

ZAP //

 
 
 

Saiba como limpar os dados que o Facebook recebe sobre você

 

Agência Brasil -O Facebook anunciou mudanças em suas configurações de privacidade para permitir que os usuários aumentem a proteção de seus dados. Entre as novidades estão a possibilidade de “limpar” os dados que a plataforma compartilha com terceiros, além de novas configurações de perfil e avisos de login.

As medidas foram divulgadas por ocasião do Dia Internacional da Privacidade de Dados, celebrado ontem (28). O Facebook vem sendo criticado nos últimos anos pelo uso que faz das informações de seus usuários. O emprego de dados de dezenas de milhões de pessoas para fins de manipulação de eleições e processos pela empresa Cambridge Analytica colocou a empresa em evidência.

Com o recurso “Atividade Fora do Facebook”, o usuário pode configurar as informações que empresas e instituições compartilham com a plataforma, como as visitas realizadas aos sites delas. O usuário pode clicar em “gerenciar sua atividade fora do Facebook” e optar pela exclusão dos dados – ou “desconectar o histórico” na linguagem da plataforma. Ao configurar esse recurso como teste durante a redação desta matéria, o repórter descobriu que 86 apps e sites enviavam dados para o Facebook.

A ferramenta permite também desativar a atividade fora do FB a partir do momento do ajuste feito pelo usuário. Contudo, isso não impede o compartilhamento de dados por terceiros, que continuarão sendo procedidos “para fins de mensuração e para fazer melhorias em nossos sistemas de anúncios, mas estará desconectada da sua conta”, explica a página do mecanismo. Anúncios continuarão sendo exibidos com base nas preferências e na atividade do usuário na rede social.

Privacidade

Na ferramenta de “Verificação de Privacidade”, na seção “configuração de dados”, o usuário pode gerir as informações disponibilizadas pelo Facebook a terceiros. Esse acesso ocorre por diversas ferramentas da plataforma, como o login utilizando a conta do FB. É possível definir quais apps e sites podem manter este acesso, ou retirá-los da lista. Veja um guia rápido para desabilitar os acessos:

Facebook

Na seção “quem pode ver o que você compartilha”, uma das funções é definir o grau de visibilidade das informações do usuário. Registros como telefone, e-mail, escola e cidade, além das próprias publicações na plataforma, podem ser ajustados para acesso público, por amigos, por amigos dos amigos ou apenas pelo próprio usuário. É possível bloquear e gerir a lista de pessoas colocadas em cada uma dessas listas.

 

Por meio da nova ferramenta, o usuário pode ainda controlar quem pode lhe enviar solicitações de amizade, se qualquer pessoa na rede social ou apenas amigos de amigos.

Mudanças

Em mensagem publicada no site da companhia, o diretor-executivo, Mark Zuckerberg, afirmou que o intuito das mudanças é fazer com que o usuário “possa entender e gerenciar facilmente suas informações, por isso fortalecer seus controles de privacidade é tão importante”.

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Para a organização internacional de defesa da privacidade Eletronic Frontier Foundation (EFF), o anúncio foi um “bom passo”, mas uma “medida incompleta”, tanto pelo desconhecimento da população quanto por não cessar a coleta intensa de dados dos usuários.

 

“Nós sabemos que usuários dificilmente vão ajustar suas configurações. Nos Estados Unidos, 75% dos adultos não conhecem as preferências de anúncio. A ferramenta não cobre todas as formas pelas quais o Facebook coleta e monetiza os dados dos usuários. Estes continuarão sendo objeto de anúncios segmentados”, pondera a coordenadora de pesquisa em direitos dos consumidores e vigilância da entidade, Gennie Gebhart.

O BOM HACKER

Suponhamos que muito antes do Caso Marquês os responsáveis da SONAE pretendiam vingar-se do BES e do Ricardo Salgado, por os ter impedido de comprara a PT, decidissem vasculhar os ficheiros do grupo BES em busca de indícios de corrupção. Pagavam umas dezenas ou mesmo centenas de milhares de euros a um bom hacker e nada fosse encontrado tudo bem, ao menos ficavam a saber de todos os segredos do Ricardo Salgado. Se encontrassem algo que pudesse indiciar Sócrates por corrupção, antecipavam o caso Marquês em vários anos e o hoje o hacker concorria com o Carlos Alexandre no protagonismo.
 
 
Por este andar os grandes grupos passariam a contratar hackers para saber os segredos da concorrência, os clubes de futebol tentariam ganhar com a ajuda de um hacker o que não conseguiam com os muitos milhões gastos em contratações falhadas. Daqui a que os próprios governos decidissem iludir as regras em matéria de direito penal, arranjando formas mais expeditas de investigação é um passo. Se já ouvi uma ministra de um governo de esquerda manifestar apoio à delação premiada não me admiraria se a ouvisse defender a investigação paga.
 
Os fins justificam os meios e parece que toda a evolução civilizacional em matéria de direito penal está sendo ignorada em nome de mais justiça. Primeira a delação premiada, a seguir os hackers contratados, um dia destes alguém encontra bons argumentos contra a tortura. Pergunte-se a um pai cujo filho desapareceu se concorda ou não com o recurso à tortura de um suspeito para recuperar esse filho com vida. Faça-se um referendo e vejam-se os resultados.
 
Num tempo em que são os jornalistas a promover o crime ou a aproveitarem-se dele para conseguirem primeiras páginas vale de tudo. Lá se foram os bons princípios de Balsemão, agora que a sua empresa é a beneficiária local dos negócios de um hacker os bons valores da democracia devem ser ignorados.
 
De certeza que o hacker que copiou os servidores do Benfica não foi pago por um ou vários rivais com o fim de destruir este clube? De certeza que o Estado angolano não pagou o serviço ao hacker para desta forma conseguir o que o seu general procurador-geral não conseguiria? De certeza que o hacker é um rapaz generoso que vive do ar enquanto se dedica a copiar servidores de bancos, de procuradores, de clubes e de advogados?
 

Ver original em 'O Jumento' (aqui)

Ou a esquerda invade a internet, ou morre na praia

As 'acomodações' político-eleitorais são de uma ingratidão abusiva. O PT vinha ganhando sempre do PSDB. Foram 4 lavadas nas urnas, encaminhando para a quinta. Quem não quer ter um adversário político assim? Um derrotado contumaz que esperneia e não sabe perder (o que faz a vitória ser ainda mais gostosa)?

Ganhar do PSDB se tornou um vício, uma diversão, às vezes, até uma maldade. O PSDB não tinha penetração social, não tinha inteligência de redes digitais e se afogava no próprio discurso patético de Estado mínimo, privatização e política de mercado.

Ninguém entendia isso. Era sempre chance zero de encontrar qualquer engajamento popular suficiente para vencer um pleito nacional.

O PSDB convencia essa elite atrasada do estado de São Paulo, essa gente racista e sem imaginação que permanecia razoavelmente saciada evitando a vitória do PT no estado eleição após eleição.

Era um pouco a política das compensações: o PT governa o país e nos estados, mantém-se as práticas excludentes de governança privada.

O PT, inclusive, ajudou muito os governos tucanos nos estados, uma vez que tinha noção do caráter universal de um governo responsável que não poderia privilegiar apenas governos do mesmo campo político.

Essa engrenagem eleitoral e conceitual funcionou até a paciência do PSDB e das elites brasileiras estourar. A partir da reeleição de Dilma Rousseff, só o vale-tudo do ódio e do impeachment sem crime daria conta de interromper a "absurda" série vitoriosa do PT.

É como se diz no discurso popular: "esse, só prendendo" (e foi o que aconteceu).

Falar depois é fácil, já diriam analistas autocríticos da autocrítica. Mas, fato é que o PT se acostumou demais a ganhar do PSDB e subestimou a sanha golpista de nossa elite empresarial.

 

Era difícil, claro. Tinha toda imprensa contra si, tinha o jogo baixo dos tucanos, tinha a manipulação de debates e tinha o sentimento crescente de frustração da classe média, que viu seu assistencialismo vagabundo ser substituído pelo combate à pobreza sério, com resultados espetaculares e premiado no mundo inteiro.

Ainda assim, o PT sempre ganhava.

Uma das explicações é de que o PSDB era analógico. Não tinha - nem nunca teve - estratégia de comunicação. Os tucanos tinham um traço virtuoso que era "ir para o debate", com todas as ferramentas sujas da mentira e do simulacro, mas com o destino fatal de se aceitar as consequências de um debate público

O PSDB não fugia, pelo menos não à luz do dia.

Sabe quando o PT seria derrotado no plano nacional com um adversário desses? Nunca.

É por isso que o golpe foi "necessário" para os tucanos. É também por isso que o golpe teve o efeito colateral de esmigalhar o PSDB, transformando-o em um partido quase insignificante, que não chegou a 5% dos votos em 2018.

Ora, mas o que se quer com todas essas constatações meridianas, cuja consciência até as pedras no meio do caminho de Itabira possuem e se locupletam?

Quer-se contemplar o cenário eleitoral presente.

Se ganhar do PSDB era fácil, encarar as redes de ódio militarizadas do bolsonarismo é o desafio atual.

O PT não pode se transformar no PSDB do Bolsonaro. E se o PT não quiser se transformar no PSDB de Bolsonaro, ele precisa minar a operação de seu adversário no campo do adversário: as redes sociais.

As redes sociais tornaram o debate público quase secundário. A tarefa é ocupar as redes para re-estabelecer esse debate público o mais rápido possível.

Mas, para isso, é preciso ganhar eleições.

O PT sabe perder. Aliás, o espírito democrático do PT é uma de suas maiores virtudes. Foram aquelas três derrotas de Lula que prepararam um terreno conjuntural espetacular para que o primeiro governo petista desse um drible da vaca no jornalismo golpista e permanecesse forte e pleno das ações.

Foi quase uma sorte. Se Lula tivesse vencido em 1989, seria expelido do poder como foi Collor e talvez nós nunca tivéssemos conhecido sua monumentalidade enquanto líder político.

Mas quis a história que os fatos se encadeassem desse jeito: com lições duras, muitas feridas e muito aprendizado, além do cultivo obrigatório de um comportamento politico dotado de extrema humildade e soberania democrática.

O desafio agora é destruir a máquina digital de mentiras do bolsonarismo. Ela está forte e vai continuar forte.

Querer apenas debater o país em níveis civilizados neste momento pode ser mais uma irresponsabilidade do que um gesto democrático.

É inocência.

É preciso debater o país, mas é preciso fazer muito mais do que isso.

É preciso fazer o que o PSDB não fez na sua série histórica de derrotas. Ali, se o PSDB debatesse o país com honestidade e com um projeto claro, talvez pudesse até vencer algumas daquelas eleições.

Mas, o PSDB decidiu partir para a desconstrução de seu adversário, para a negação de tudo o que estava sendo feito no país. Deu no que deu. Era preciso desconstruir mas também construir, oferecer algo novo ao eleitorado.

Agora, o desafio do PT diante de Bolsonaro é parecido: é preciso desconstruir Bolsonaro, mas é preciso também trazer algo novo.

A discurso de retomada do passado forte econômica e socialmente também é um risco. A memória do eleitor não funciona da mesma maneira que a nossa memória individual.

A engrenagem da comunicação exige que se apresente algo novo, mesmo que seja um "velho" que deu certo reciclado de novo.

Mas o mais importante é combater o preconceito ao uso profissional das redes sociais, a ocupar esse espaço com a competência habitual que sempre caracterizou a esquerda pragmática e de resultados do PT.

A batalha política está sendo travada ali, nas redes. É preciso levar o debate público qualificado para lá - até como gesto de responsabilidade política - mas também é preciso levar as "pílulas" de debate, a disciplina de um "operário digital", que organize e potencialize ações e gestos do campo da esquerda.

O campo da esquerda precisa voltar a ser atrativo para o usuário de rede - e não está sendo.

A esquerda é complexa, gosta de palavras difíceis e de discurso rebuscado. Lula sempre foi uma falsa antítese disto, porque seu discurso é profundamente complexo.

Mas a "forma" do discurso de Lula é simples. E ele chega ao eleitor com força descomunal.

Se essa energia política for corretamente catalisada por uma inteligencia de rede digital, o PT pode abreviar em muitos anos a restituição da verdade política no país.

Não podemos ter preconceito com as redes. Não podemos ser presunçosos como foram os tucanos ao longo de décadas em negarem a si a possibilidade de elaborar um projeto de país com originalidade, dignidade e inteligência.

Se os bolsonaristas têm o seu exército digital, que construamos a nossa fábrica digital, com operários de rede que não tenham medo nem preconceito de retuitar mensagens estratégicas, de publicar memes provocadores, de exaltar os fatos positivos e reprimir a profusão de mentiras.

Nós temos lado. As redes estão do nosso lado. O Google e o Facebook querem coibir as fake news como nós.

O que estamos esperando para entrar de sola nessa batalha?

Responsáveis da ONU são instados a não usar o WhatsApp

Logotipo do WhatsApp no monitor do smartphone e computador, 25 de março de 2017
© Sputnik / Natalia Seliverstova

Os funcionários das Nações Unidas foram solicitados a não comunicar através da WhatsApp por razões de segurança, afirmou nesta quinta-feira (23) um porta-voz da ONU.

A novidade foi divulgada em uma coletiva de imprensa no dia imediato à publicação de um relatório de dois especialistas da ONU, em que se relatou haver fortes suspeitas que a Arábia Saudita invadiu o telefone do chefe da Amazon, Jeff Bezos, em 2018 através deste popular aplicativo.

Farhan Haq, porta-voz da ONU, acabaria igualmente por informar que essa instrução data já desde junho de 2019 por não ser um aplicativo considerado seguro. Questionado se o celular do secretário-geral havia sido hackeado em uma qualquer conversa com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Haq respondeu laconicamente que António Guterres não usa o aplicativo.

Os responsáveis do WhatsApp reagiram de imediato garantindo aos seus mais de 1,5 bilhão de usuários que não há motivo para preocupações por sua utilização ser totalmente segura.

Relembre-se que o Brasil é um dos países com maior penetração no mercado do WhatsApp, com um número de usuários rondando os 120-140 milhões.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2020012715059637-responsaveis-da-onu-sao-instados-a-nao-usar-o-whatsapp/

Huawei vai instalar sistema operacional russo em seus servidores

Criança brinca próxima ao logo da empresa Huawei, em Pequim (foto de arquivo)
© AP Photo / Ng Han Guan

Os servidores Huawei Taishan 200 serão baseados no sistema operacional russo Red OS, totalmente compatível com a arquitetura do servidor.

O fabricante chinês e a empresa russa Red Soft chegaram a acordo sobre a instalação do sistema operacional Red OS nos servidores Taishan 200 da Huawei, destinados a centros de dados.

Foi anunciado que os testes de funcionamento dos mais recentes servidores Huawei Taishan com a Rede OS foram concluídos com sucesso.

"Temos o prazer de poder proporcionar a nossos clientes os servidores Taishan dotados com o sistema operacional Red Soft. A Huawei planeja desenvolver cooperação com a Red Soft na criação de soluções conjuntas de hardware e software para uma ampla gama de clientes", disse o representante da Huawei na Rússia.

Além disso, foi anunciado que os servidores Taishan serão atualizados com outros sistemas operacionais de produção russa. A Huawei tem de momento acordos de parceria tecnológica com os desenvolvedores do Astra Linux e Alt Linux.

Está assim dado um importantíssimo passo na direção da autonomia e independência tecnológica da Huawei em relação às empresas norte-americanas. Recorde-se que a Huawei se tornou um símbolo da prolongada guerra comercial entre os EUA e a China.

Trump tem vindo a tomar, desde o ano passado, diversas medidas contra a Huawei - a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações e a segunda maior produtora de celulares –, alegando sem provas concretas que a empresa poderia ajudar o governo chinês a espionar outros países e empresas que usam seus dispositivos.

Além de cortar o acesso da Huawei ao mercado de componentes e tecnologia americano, Trump também tem vindo a pressionar as empresas para impedir que a tecnologia americana chegue indiretamente ao gigante chinês.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2020012415042206-huawei-vai-instalar-sistema-operacional-russo-em-seus-servidores/

Shanghai planeja ser centro global de fintech em 5 anos

Shanghai, 16 jan (Xinhua) -- A cidade chinesa de Shanghai quer se tornar um centro de fintechcompetitivo a nível mundial em cinco anos, assinala uma diretriz publicada nesta quarta-feira.

As autoridades da metrópole ampliarão a pesquisa e desenvolvimento em âmbitos como big data, inteligência artificial, cadeia de blocos, computação na nuvem, 5G e computação quântica, indica o documento.

A cidade cultivará 20 destacadas companhias de fintech com reconhecimento internacional e empreenderá 50 projetos inovadores. Também unificará os padrões de supervisão do setor no Delta do Rio Yangtze, segundo o texto.

"A diretriz propôs 25 medidas, o que criará um bom ambiente para a indústria", avalia Zhao Wanbing, oficial local de supervisão financeira. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/16/c_138709294.htm

Adeus ao Windows 7: o fim de uma era?

rip-windows7.JPGNão é novidade nenhuma o que a Microsoft tem preparado para hoje. O fim do suporte ao Windows 7 é uma realidade e não irá ser revogado de maneira nenhuma. A Microsoft tem alertado para esta situação e finalmente o dia esperado chegou.

Com este fim do Windows 7, a empresa de Redmond termina o suporte e deixa de lançar atualizações para o seu sistema. Todos os problemas que surjam no futuro, sejam de segurança ou do próprio sistema, ficam por resolver e não vão ter solução.

O suporte oficial àquele que é talvez o Windows mais popular de sempre terminou finalmente. Claro que este descontinuar de um sistema operativo não é novidade, nem contraria o que sempre foi política da Microsoft: ao fim de dez anos, interessa continuar a vender e a desenvolver produtos novos. Ainda que a maioria dos consumidores pareçam pouco convencidos da necessidade da mudança.

Mas se essa necessidade não é sentida é talvez porque os computadores continuam, na esmagadora dos usos pessoais e empresariais, a servir basicamente para o mesmo que já faziam há dez anos atrás. As inovações, essencialmente utilitárias e recreativas, trazidas pelas novas tecnologias, desenvolveram-se sobretudo ao nível dos dispositivos móveis. Para ouvir música, ver vídeos, jogar ou navegar nas redes sociais em qualquer lado, os tablets e os smartphones são uma solução quase perfeita e conquistaram a preferência da maioria dos utilizadores.

Ao nível de vendas, o clássico computador de secretária tem vindo a decair continuamente ao longo dos últimos anos, cedendo terreno, primeiro aos portáteis, posteriormente aos tablets e, sobretudo, aos omnipresentes e versáteis telemóveis. Hoje, o PC já quase só é usado para trabalhar…

É por isso que o funeral anunciado do Windows 7 marca, de certa forma, o fim de uma era. A época de ouro dos PCs, quando os telemóveis com internet iam dando os primeiros passos e os computadores portáteis eram lentos, pesados e com pouca autonomia. Agora, a própria Microsoft procura seguir a tendência do momento, e nem o conselho que dá aos seus clientes – troquem de sistema operativo e, já agora, de computador  – é inocente: esperam certamente vender, à boleia desta actualização forçada, mais uns bons milhares dos dispendiosos PCs Surface

 

Vírus espionou militares e políticos da América do Sul

247 - Um estudo feito por pesquisadores argentinos, da Universidade Técnica da República Tcheca, em Praga, constatou que integrantes dos setores militar e político da América do Sul foram alvos de ciberespionagem durante os anos de 2011 e de 2019 por um malware, espécie de vírus.

O grupo estudou diversas versões do vírus que estiveram ativas no último ano para analisar países e temas usados para infectar computadores do continente — inclusive do Brasil, como revelou reportagemdo jornal O Globo.

Apesar da atuação em solo brasileiro, os principais alvos desse vírus, chamado de Manchete, estavam na Venezuela e na Nicarágua, segundo a pesquisa. O foco foi descoberto porque os responsáveis por sua disseminação costumavam utilizar documentos falsos. Quando os usuários baixavam esses arquivos, seus computadores eram infectados. Um dos documentos compartilhava a notícia da visita do então Ministro da Defesa, Raul Jungmann, em janeiro de 2017, ao Sistema de Monitoramento da Fronteira, o Sisfron, na cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul. O Sisfron é um dos principais investimentos feitos pelas Forças Armadas nos últimos anos, diz a reportagem.

 

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        Homicidal Cops Caught On Police Radio
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        •05/06/2020
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