Terrorismo

Secreta britânica recrutou terroristas como espiões na Síria

Em declarações a jornalistas russos, um ex-membro do Daesh explica como os serviços de inteligência britânicos o recrutaram para espiar e fotografar posições militares sírias e russas em território sírio.

Símbolo do Daesh numa cidade síria de onde o grupo terrorista foi obrigado a retirar-se graças às ofensivas do Exército sírio e dos seus aliadosCréditos / The Independent

Mohammad Hussein Saud, ex-membro do Daesh (também conhecido como Estado Islâmico), afirma que o grupo terrorista obrigava os civis sírios a cooperar sob ameaça de morte.

Num depoimento publicado esta segunda-feira pelas agências russas TASS e Sputnik, Saud diz que, «antes da guerra, trabalhava no município de Palmira», na recolha de lixo. Acrescenta que, quando o Daesh controlou a cidade, na região desértica da província de Homs, todos os trabalhadores foram forçados a intregar-se nas fileiras do grupo terroristas. «Se não fizéssemos, éramos decapitados. Não tínhamos escolha», diz.

Saud, que integrou as fileiras do Daesh em 2015, confessa que colocavam explosivos nas estradas e diz que muitos dos terroristas eram estrangeiros. Conseguiu escapar ao Daesh em 2016, depois de o grupo ter assassinado o seu irmão – um antigo militar sírio –, por traição.

Em declarações recolhidas pela Sputnik, diz que fugiu para Raqqah e, depois, para a região de al-Tanf, perto da fronteira com a Jordânia e o Iraque, e onde os EUA têm uma base militar. Ali, teve como missão patrulhar o território da base norte-americana.

«Não houve qualquer treino. Entrei e comecei imediatamente a roubar os beduínos. Tirávamos-lhes a água e os objectos de metal, que depois vendíamos. O nosso chefe era um sírio, um delinquente; vendia drogas e armas. Pagavam-me 300 dólares por mês. Os norte-americanos pagavam ao nosso chefe e ele distribuía o dinheiro», conta Saud.

Contactos com os serviços secretos britânicos

«Decidi regressar à minha cidade natal. Os britânicos souberam disso através dos seus intermediários e disseram-me que ia trabalhar para eles como espião», diz Saud aos jornalistas russos.

Garante que os britânicos lhe ofereceram dinheiro e lhe deram ordens para fotografar instalações importantes dos serviços secretos sírios e dos militares russos e sírios. «Tinha de lhes enviar as imagens pela Internet», acrescenta.

O ex-membro do Daesh confessa que os serviços secretos britânicos o contactaram ainda na região zona de al-Tanf e explica que queriam informação detalhada sobre a vigilância das instalações russas e sírias, para depois poderem levar a cabo acções terroristas.

Os agentes britânicos, diz Saud, nomearam um guia turístico de Palmira, que sabia várias línguas, como chefe do grupo de espiões. Confirma que os serviços secretos sírios conseguiram capturar um dos espiões.

A cientista política Karine Guevorguián esclareceu aos jornalistas que a presença das forças britânicas é há muito conhecida.

«Os instrutores britânicos (...) ensinavam a fazer fortificações. Os jihadistas do Daesh fizeram todos os túneis com as instruções dos britânicos (…). Também lhes ensinaram a fazer artefactos de artilharia com meios caseiros (…). É o que sabem fazer e sempre se dedicaram a isso», afirmou Guevorguián à Sputnik.

Por seu lado, o cientista político Andrei Manoilo acredita que apenas 10% dos espiões conseguem informação concreta para os serviços britânicos Mi-6 e para a CIA.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/secreta-britanica-recrutou-terroristas-como-espioes-na-siria

Há 44 anos atentado criminoso de Lisboa

Há 44 anos uma violenta explosão na Embaixada de Cuba em Lisboa causou a morte de dois funcionários cubanos, a Adriana Corcho e o Efren Monteagudo.

 

Tudo indica que o objectivo dos terroristas era fazer coincidir o atentado com a chegada dos filhos dos funcionários que normalmente chegavam às instalações diplomáticas pouco depois das 16 horas, com o objetivo de também sacrificar as crianças.

 

Este foi mais um dos mais de 500 atentados contra bens e instalações cubanas no interior e exterior do país .O povo cubano e todos aqueles que são solidários com a revolução cubana e com os seus valores humanistas honram a memória dos seus mártires e assinalam esta data recordando Adriana e Efren!

Cuba vencerá!

Via: Home https://bit.ly/359BCmW

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/25/ha-44-anos-atentado-criminoso-de-lisboa/

Em tempos de confinamento, um livro que nos ajuda

“Uma bomba a iluminar a noite do Marão”
“É a memória que nos constrói, como cidadãos livres numa democracia plena.”
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Uma bomba a iluminar a noite do Marão”
Daniela Castro
 
(Edições Afrontamento, Porto)
 
 
 
Há 44 anos, um atentado bombista matou dois jovens transmontanos na flor da vida: Maximino de Sousa e Maria de Lurdes Correia. Foram vítimas do ódio político. O Padre Max, assim conhecido na comunidade, era tido como um Padre com ideias comunistas, e a Maria de Lurdes era uma jovem estudante, alegre e espontânea, a quem dera boleia.
Tratou-se de um crime político, planeado e executado por um comando da rede terrorista da extrema-direita, com apoios locais, que aconteceu numa fase já declinante do processo revolucionário, justamente em 2 de Abril de 1976, dia em que o Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes, promulgou a Constituição, no momento seguinte à sua votação final.
 
O golpe de 25 de Novembro acabou com a fase mais criadora da Revolução. O Governo e a Assembleia Constituinte continuaram em funções, mas havia forças que pensavam poder ainda reverter o curso da História. O período entre Novembro de 75 e Abril de 76 foi dos mais violentos e mortíferos, tendo sido cometidos 97 atentados bombistas. Lembro o assassínio a tiro, na própria noite de 25 de Novembro, do operário vidreiro e sindicalista António Almeida e Silva, numa rua do Porto, a morte de Rosinda Teixeira, em Santo Tirso, de duas pessoas da Embaixada de Cuba, de um cidadão junto do CT Vitória, do PCP, em Lisboa, vítimas de explosões, sem esquecer, noutro quadro, a morte, por disparos da GNR, de quatro pessoas, numa pequena multidão que se manifestava pacificamente, no final do ano, junto à cadeia de Custóias, onde estavam detidos militares de esquerda, acusados de envolvimento no 25 de Novembro. Foi nessa época que ocorreu o atentado bombista na Câmara Municipal de Vila Real, que por pouco não atingiu o Presidente da Comissão Administrativa, Rogério Fernandes, conhecido militante do PCP e amigo do Padre Max. Foi na mesma altura que uma bomba destruiu o carro do médico de Chaves Maximino Cunha. O crime infame que vitimou o Padre Max e a estudante Maria de Lurdes não foi um caso isolado. 
 
Um dos méritos do livro de Daniela Costa é o de mostrar o outro lado da História, para além dos números, dos factos e da sua interpretação. São as pessoas, os seus sonhos, as vivências, as emoções, os desejos, os conflitos, o sofrimento, o enfrentamento de interesses, o entorno social, o caldeio de lutas, a miséria moral e a grandeza humana, os acasos e as causas, o encanto e o desencanto, a sordidez dos actos e a beleza da vida, a inquietação, a magia, o mistério, o egotismo e a generosidade e o amor em dádiva, tudo isto, e muito mais do que isto, flui na leitura de um texto que transcende o tempo e o lugar.
 
Outro mérito advém do modelo narrativo. A voz da autora desdobra-se em outras vozes, todas elas com densidade própria, coloração, respiração, e uma autenticidade que nos transporta às fragas do Marão e às lonjuras, ao cheiro da terra, e aos socalcos do Douro, lá onde a mão humana esculpiu a paisagem. Uma escrita com rara mestria que permitiria mesmo uma expressão cénica pois, uma a uma, em diferentes registos, como que se apresentam num proscénio.
Logo de início uma primeira figura, antecedendo as demais, assim fala: “Os meus dedos grossos de trabalho e velhice arranham-me as maçãs do rosto de cada vez que enxugo estas lágrimas que não me deixam”. E com isto se anuncia o dramatismo da acção.
 
Em outras falas se cruzam palavras como sonho, fuga, liberdade, que lembram aquele verso de Torga “ grandes serras paradas à espera de movimento”. E com isto se define a essência de uma contradição: a fixidez, a imobilidade do que está, e a mudança a que se aspira.
Outra figura diz detestar um quadro torto e uma sala desarrumada. E com isto revela a fonte do desajustamento que o incomoda: não é a desordem das coisas mas sim a desordem das pessoas que não aceitam a perpetuação das desigualdades.
 
As figuras sucedem-se cada uma com o seu testemunho. Sempre ausentes e sempre presentes lá estão o Padre Max e a Maria de Lurdes através das palavras de quem os conheceu, e amou ou odiou.
 
Lá vem aquela suposta avó, mulher do campo digna, honesta, carinhosa, a quem os filhos emigrantes permitiram uma vida melhor na cidade, e que tanto estimava o seu hóspede Padre Maximino.
 
Lá vêm os colegas da Lurdes e alunos do Padre Max, a quem este apoiava com aulas gratuitas para poderem prosseguir os estudos.
 
Lá vêm os sacerdotes amigos de Max, um mais compreensivo, outro mais distante.
 
Lá vem o prelado com suas blandícias, espelhando as contradições da Igreja.
 
E o cacique de direita e suas más companhias.
 
E o grande proprietário do Douro a quem um dia as trabalhadoras reclamaram o justo pagamento.
 
E uma colega que juntava a altura da sua condição social à baixeza dos seus sentimentos.
 
E o filho família, de raiva exposta e verbo radical, um tanto aventureiro.
 
E o activista sindical da UDP que lutava na empresa por melhores salários.
 
E gente da rede terrorista e dos interesses de classe que serviam.
 
E o advogado, corajoso e persistente, que não deixou cair o caso na obscuridade.
 
E personagens luminosas, por ideais e afectos, e outras sombrias, pela trama de ódios e violências.
 
Uma a uma chegam ao proscénio e falam, os discursos não se cruzam mas vão construindo um quadro. Os percursos pessoais, as relações humanas, onde não falta um enredo amoroso e, em fundo, o eco de lutas sociais, pela devolução dos baldios aos povos, pela justa paga do trabalho nas vindimas e na apanha da azeitona, ou em torno da Gestão da Casa do Douro.
 
Foi a época das grandes manifestações, como a que foi organizada pela Igreja, com pretexto no caso da Rádio Renascença, mas que, talvez por diligências do PCP, designadamente junto do Bispo, e um Apelo dirigido aos cristãos de Vila Real, não causou violências, como, entre outras cidades, aconteceu em Braga, onde o Centro de Trabalho foi destruído.
 
Ou a manifestação em Lamego contra os militares do MFA da Comissão de Gestão da Casa do Douro. “Nem Cunhal nem Pardal” era o grito de guerra de uma multidão arrebanhada pelos caciques e que chegou à Assembleia Constituinte pela voz de um deputado da região.
 
Cenas da luta de classes em Trás-os-Montes, dir-se-á. O livro de Daniela Costa é isto, mas é muito mais do que isto, porque tem o dom da boa literatura: desde início a leitura nos prende e logo nos transporta e nos situa num outro mundo, e nos coloca dentro de uma história, como se tivéssemos também conhecido e convivido com o Padre Max, um jovem bom, generoso, um cristão convicto, um homem de fé.
 
Falámos das vítimas, falemos agora da rede terrorista a que já nos referimos, responsável por 566 actos violentos, entre Maio de 75 e Abril de 77, entre os quais 310 atentados bombistas e 194 incêndios e assaltos, tendo como alvo forças de esquerda e o movimento sindical.
 
Quem a constituía? O ELP, o MDLP, a rede Maria da Fonte e outras organizações congéneres, que tinham como base logística a Espanha franquista, onde actuavam com nomes de fachada como a empresa Tecnomotor ou a Fundação Nossa Senhora de Fátima. Uma das melhores fontes para conhecer este mundo sórdido é o livro de Maria José Tíscar “A contra-revolução no 25 de Abril” (edições Colibri).
 
Quem a dirigia? Inicialmente antigos dirigentes da PIDE como Barbieri Cardoso e Cunha Passo, ou o inspector Meneses Aguiar ou o legionário Rebordão Esteves Pinto, a que se juntou depois a corte spinolista que fugiu para Espanha, após o golpe falhado de 11 de Março.
 
Quem eram os efectivos? Antigos agentes da PIDE e legionários, alguns colonos inconformados, mercenários, fascistas convictos, gente a mando dos caciques, um certo lumpen de fácil recrutamento.
 
Quem os financiava? Banqueiros e grandes empresários que nunca aceitaram o 25 de Abril e muito menos o rumo socialista que tomou e veio a ser consagrado na Constituição, além de conhecidas agências de países da NATO.
 
Os crimes foram punidos? As primeiras prisões são do verão de 76, efectuadas pela Directoria do Porto da Polícia Judiciária, mas poucos foram os autores morais e materiais presos e menos os condenados. Em geral beneficiaram de uma teia de cumplicidades que lhes permitiu encontrar boas soluções de vida, e alguns vieram até a ser distinguidos pelo poder político emergente.
 
Houve mesmo quem publicasse livros em que se gaba dos seus feitos. Foi o caso de um tal Manuel Gaspar, de quem o jornalista Ricardo Saavedra escreveu as memórias (O Puto, edições Quetzal). Depois de ter participado no golpe racista de 7 de Setembro de 74 em Moçambique, donde era natural, e na marcha até Luanda com as forças sul-africanas que tentavam impedir a independência de Angola em 11 de Novembro, sob a direcção do MPLA, desembarcou em Portugal, onde logo entrou ao serviço da rede terrorista. É um dos participantes confessos no assassínio do Padre Max e da Maria de Lurdes que, nas pgs, 337 a 340, descreve com detalhe. É um relato impregnado de cinismo onde defende, como é habitual nestes casos, que a intenção não era matar mas apenas assustar. Começa, com certo gáudio, a descrever a cena em que “à hora certa”…”lá vinha Maria de Lurdes, toda fresca e radiante nos seus dezoito ou dezanove anos”, para terminar explicando as mortes: “Só que o destino do casal, infelizmente, estava traçado, e contra o destino não há planos que resistam”. Por curiosidade se acrescenta que o indivíduo esteve preso em Alcoentre, por outras acusações, donde fugiu passado pouco tempo.
 
No mesmo livro se transcreve um artigo do jornal fascista A Rua, de 8 de Junho de 77, onde se fazia a afirmação de que a Maria de Lurdes estava “grávida de 3 meses”, que ficou provado, mais tarde, ser uma abjecta calúnia.
 
O fascismo não é coisa do passado, está de regresso e em força. Há uma direita tradicional, que se move no campo democrático, que tem da violência fascista uma visão instrumental pelo que possa ser útil para os seus interesses de classe. Tende a contemporizar ou condescender porque teme, acima de tudo, o ascenso revolucionário que a crise do capitalismo possa gerar nas classes trabalhadoras. A grande burguesia, a alta finança, têm com as organizações fascistas laços de cumplicidade e mesmo vínculos orgânicos, muito resguardados. Como aconteceu nos anos 20 e 30 com os resultados conhecidos. Como aconteceu em Portugal nos anos da Revolução. Como hoje vai acontecendo na Europa ou no continente americano.
 
O livro de Daniela Costa, para além do valor literário que tem, é um contributo mais para conhecer a revolução e a contra-revolução no Portugal de Abril.
 
É a memória que nos constrói, como cidadãos livres numa democracia plena.
 
 
Jorge Sarabando
Abril de 2020
 
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Síria: desertor revela mais detalhes do envolvimento dos EUA com terroristas

Um desertor capturado admitiu ter sido treinado e pago pelos EUA, e que os «militantes» foram enviados para o Eufrates para realizar acções de sabotagem. Quem quer ganhar mais vai para Hasaka ou Idlib.

Os russos há muito que acusam os militares dos EUA de treinarem terroristas na região de al-TanfCréditos / Sputnik News

As tropas de ocupação norte-americanas, que controlam uma área de 55 quilómetros em redor da base ilegal de al-Tanf, no Sul da Síria, têm sido reiteradamente acusadas por Damasco e Moscovo de impedir a saída dos refugiados daquela região, em particular do campo de Rukban.

Além disso, os russos chegaram a chamar à zona estratégica que circunda al-Tanf – onde se juntam as fronteiras da Síria, da Jordânia e do Iraque – um «grande buraco negro», uma zona controlada pela coligação liderada pelos norte-americanos, onde, acusa Moscovo, operam e são treinados combatentes terroristas.

As informações agora veiculadas pela imprensa – agências Sputnik, TASS e Prensa Latina e os portais Fort Russ e News Front, entre outros –, com base no depoimento de um desertor capturado em Fevereiro, vêm confirmar as acusações russas.

Terroristas treinados e pagos pelos EUA

Sultan Aid Abdella Souda, preso como desertor pelos serviços secretos do Exército Árabe Sírio (EAS) ao tentar regressar a território controlado pelo governo, afirmou que, em 2016, se juntou ao grupo jihadista Maghawir al-Thawra, tendo sido treinado por instrutores norte-americanos em «actividades subversivas».

 

No depoimento – gravado em vídeo pelos militares sírios, que o puseram à disposição da imprensa russa e síria –, Souda revelou que eram os «americanos» que planeavam as operações e que pagavam aos «militantes» um salário mensal de 500 dólares.

Quanto às armas, «não havia problemas: eram-nos fornecidas pelos próprios militares norte-americanos. Foram importadas através da Arábia Saudita e da Jordânia», disse o desertor do EAS, precisando que eram de fabrico chinês ou de países da NATO.

«Depois de treinados pelos instrutores norte-americanos, eles [os terroristas] eram enviados para o Leste, para o Eufrates, para levar a cabo acções de sabotagem, sobretudo em instalações petrolíferas e infra-estruturas controladas pelo governo, para intimidar as pessoas e causar danos», revelou Souda, citado pelo portal fort-russ.com.

De al-Tanf para Hasaka e Idlib

Souda afirmou não saber o que se passou, mas, a dada altura, os norte-americanos «reduziram os fundos» e disseram aos jihadistas que, «se queriam ganhar mais, tinham de realizar operações fora da zona de 55 quilómetros» em redor da base ilegal de al-Tanf.

«Alguns militantes foram enviados para a província de Hasaka, outros para a de Idlib», acrescentou o antigo coronel agora detido pelas forças de segurança sírias, deixando assim claro o envolvimento dos EUA com as forças terroristas que o EAS e seus aliados combatem, com vista à libertação do país levantino.

De acordo com a Sputnik, Souda desertou em 2013 na sequência de ameaças contra a sua família por parte do Daesh e, em 2016, começou a colaborar com os militares dos EUA, tornando-se um comandante de um ponto de apoio em al-Tanf.

Em Dezembro de 2019, foi preso, por um período de 58 dias, por usar o telemóvel no território da base militar ilegal norte-americana, que decidiu abandonar posteriormente, com a sua família, revela a mesma fonte.

Preso pelos serviços secretos militares sírios, facultou informação sobre grupos armados ilegais, a quantidade de pessoal e armas na base norte-americana, e a localização de algumas instalações importantes.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/siria-desertor-revela-mais-detalhes-do-envolvimento-dos-eua-com-terroristas

Ex-coronel desertor sírio expõe envio de militantes pelos EUA em missões para Idlib

Militares americanos e rebeldes do Maghaweer al-Thawra, apoiado pelos EUA, em Al-Tanf, no sul da Síria (foto de arquivo)
© AP Photo / Hammurabi's Justice News

Os serviços de inteligência da Síria souberam que o Exército dos EUA está enviando militantes para conduzir sabotagens fora da zona de 55 quilômetros ao redor de sua base em Al-Tanf, nomeadamente na província de Idlib

Esta declaração foi feita pelo ex-coronel sírio Sultan Abdellah Hades Souda, detido por deserção em fevereiro por agentes da contraespionagem militar síria enquanto tentava retornar ao território controlado por Damasco.

Souda disse ter recebido formação em atividades subversivas ministrada por especialistas americanos que enviavam os militantes em missões.

"Depois de serem treinados por instrutores americanos, eles eram enviados para o leste, no Eufrates, para conduzir sabotagens, principalmente em instalações petrolíferas e infraestruturas controladas pelo governo, para intimidar as pessoas e provocar danos. Não sei exatamente o que aconteceu com os americanos, mas eles reduziram o financiamento e disseram que se vocês quiserem receber mais, então têm que conduzir operações fora da zona de 55 quilômetros […] Parte dos militantes foi enviada à província de Al-Hasakah e outros para Idlib", disse o ex-coronel, observando que o número de militantes na região de Al-Tanf diminuiu recentemente.

Fornecimento de armas

Ele disse que os instrutores militares americanos treinaram os combatentes, incluindo estrangeiros, no uso de armas, forneciam bons suprimentos e distribuíam as roupas usadas pelos terroristas.

"Não havia falta de armas: nós as recebíamos dos militares americanos. Entretanto as próprias armas eram enviadas através da Arábia Saudita e Jordânia. A origem das armas era muito diversificada: chinesa, da OTAN. As melhores são as da OTAN", disse o desertor.

Segundo a inteligência síria, Souda desertou em 2013 devido a ameaças à sua família feitas pelos militantes do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e outros países) e fugiu para o campo de refugiados de Rukban, onde possuía uma loja de Internet. Em 2016, ele aceitou do lado americano uma proposta de colaboração e serviu como comandante de um ponto de apoio na povoação de Al-Tanf. Em dezembro de 2019, ele foi preso por 58 dias por violação da proibição do uso de meios de comunicação móveis em vigor no território da base militar americana, então decidiu deixar Al-Tanf com sua família.

Forças dos EUA patrulhando nos arredores da cidade síria de Manbij, província de Aleppo (foto de arquivo)

© AP Photo / Arab 24 network
Forças dos EUA patrulhando nos arredores da cidade síria de Manbij, província de Aleppo (foto de arquivo)

Após sua prisão, ele forneceu informações sobre a quantidade de pessoal e armamento na base de apoio de Al-Tanf, sobre os grupos armados ilegais estacionados na base e sobre as coordenadas de instalações importantes. Ele também forneceu informações sobre o número aproximado de famílias que desejam retornar ao território controlado pelo governo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020031415328424-ex-coronel-desertor-sirio-expoe-envio-de-militantes-pelos-eua-em-missoes-para-idlib/

O terrorismo e a mãe de todas as mentiras

A 3 de Janeiro de 2020, em Bagdade, Iraque, o general Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irão e o maior inimigo operacional do Daesh (dito Estado Islâmico) e da Al-Qaeda, foi assassinado durante um ataque ordenado por Donald Trump, presidente dos EUA - AP Photo/ Evan Vucci/Office of the Iranian Supreme Leader
 
 
Suspeitava-se de que assim era, mas o apuramento mais pormenorizado de factos e circunstâncias confirmam-no: uma mentira esteve na base da recente escalada de violência no Médio Oriente.
 
José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
Uma mentira esteve na base da recente escalada de violência no Médio Oriente que culminou com o assassínio do general iraniano Qasem Soleimani. Suspeitava-se de que assim era, mas o apuramento mais pormenorizado de factos e circunstâncias confirmam-no. O mainstream global evita abordar os acontecimentos segundo este novo ângulo – apesar de o New York Times o ter feito – porque seria obrigado a substituir toda a conveniente narrativa montada. Porém, o que na realidade aconteceu foi: os terroristas do Estado Islâmico realizaram a operação que serviu de pretexto a Trump e ao Pentágono para assassinarem o maior inimigo do Estado Islâmico – e da al-Qaeda.
 
Há uma mentira fundadora da torrente de falsidades que acompanhou a escalada desencadeada pelos Estados Unidos contra o Irão e o Iraque no início do ano. Serviços militares iraquianos, entre eles o sector de inteligência, explicam que era impossível um grupo armado xiita como o Khataeb Hezbollah, qualificado como «pró-iraniano», ter sido o autor do ataque de 27 de Dezembro contra a base norte-americana K-1 na província iraquiana de Kirkuk.
 
Citado pelo New York Times, o brigadeiro general iraquiano Ahmed Adnan afirma que «todas as indicações vão no sentido de ter sido o Daesh», ou Isis, ou Estado Islâmico, a realizar a operação. «Nós próprios, como forças iraquianas, não podemos sequer entrar na área de onde foi feito o ataque a não ser com forças de envergadura, porque não é seguro», acrescenta. «Como poderia um grupo xiita, que não conhece a zona, chegar ao local, tomar posições e desencadear o ataque»?
 
Os pressupostos da confirmação do militar iraquiano são simples, elementares mesmo. A zona de onde foi lançado o ataque com rockets contra a base K-1 situa-se numa região de população sunita controlada pelo Estado Islâmico. Não há conhecimento de qualquer presença de grupos armados xiitas na área desde 2004. Os militares iraquianos tinham, entretanto, informado as tropas norte-americanas de ocupação de que havia um recrudescimento das actividades do Estado Islâmico durante as semanas que antecederam o ataque. Além disso, a viatura pickup de onde foram lançados os rockets foi encontrada a 300 metros de um local onde membros deste grupo procedem a execuções.
 
Todas as circunstâncias apontam no mesmo sentido: só poderia ter sido o Estado Islâmico a atacar a base norte-americana.
 
 

Enxurrada de mentiras

 
Desse ataque, segundo as fontes oficiais de Washington, terá resultado a morte de um civil norte-americano de uma empresa contratada pelo Pentágono, possivelmente um mercenário; e quatro militares teriam ficado feridos. Na realidade, nem estas informações podem ser dadas como adquiridas, porque as identificações da vítima mortal e dos feridos nunca foram divulgadas.
 
Segundo a versão oficial do Pentágono, dada a conhecer imediatamente após o ataque, a operação foi realizada por forças paramilitares xiitas do grupo «pró-iraniano» Khataeb Hezbollah, organização que integra as Forças Populares de Mobilização, todas elas associadas à maioria parlamentar que apoia o governo do Iraque.
 
No dia 28 de Dezembro, como «resposta» à acção, os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra bases do Khataeb Hezbollah na Síria e no Iraque, matando dezenas de pessoas.
 
As operações geraram uma onda de indignação em várias cidades iraquianas, principalmente em Bagdade, onde os manifestantes escolheram como alvo o edifício da Embaixada dos Estados Unidos, a maior e mais protegida do mundo.
 
E no dia 3 de Janeiro registou-se, nas imediações do aeroporto de Bagdade, o assassínio do general iraniano Qasem Soleimani e de Abul Mahdi al-Muhandis, vice-presidente das Forças Populares de Mobilização. A ordem para matar foi dada pessoalmente por Donald Trump e a operação significou a realização de actos de guerra contra os governos do Irão e do Iraque.
 
O presidente dos Estados Unidos declarou publicamente que mandou matar Soleimani «por ser o responsável pelo ataque de 27 de Dezembro» contra a base de Kirkuk e por estar «a preparar ataques iminentes contra embaixadas norte-americanas».
 
Quanto ao ser «responsável pelo ataque» de dia 27, já se percebeu tratar-se de uma redonda mentira. Ao invés, o chefe do regime de Washington assassinou o principal inimigo operacional de grupos terroristas como o Estado Islâmico e a al-Qaeda, usando como pretexto um ataque cometido pelo Estado Islâmico e cujas supostas vítimas permanecem anónimas.
 
Acresce que o presidente norte-americano não apresentou, até hoje, uma única prova de que estariam em preparação «ataques iminentes» contra embaixadas dos Estados Unidos, apesar de ter sido instado a fazê-lo por jornalistas e membros do Congresso.
 
Mais recentemente, no discurso sobre o estado da União proferido há uma semana, Donald Trump ufanou-se de ter «destruído o Estado Islâmico a cem por cento» – uma declaração desmentida pelas realidades que continuam a viver-se na Síria, no Iraque, no Afeganistão e mesmo na Líbia.
 
Se um dos objectivos desta coxíssima peta foi o de dar a entender que, uma vez «destruído», o Estado Islâmico não poderia ter sido o autor do ataque contra a base em Kirkuk o presidente norte-americano passou da mentira à falta de senso do ridículo – no que é acompanhado pelos media que continuam a dar-lhe crédito.
 

Terrorismo, o fulcro da questão

 
Conhece-se o epílogo desta escalada bélica do início do ano, o que não significa o fim das mentiras que a marcaram.
 
O Irão respondeu ao assassínio de Soleimani atacando duas bases norte-americanas ocupadas no Iraque; e no rescaldo da operação a anti-aérea iraniana abateu «por engano» um avião civil ucraniano. Uma acção que, apesar das admissões de Teerão, não está isenta de dúvidas e suspeitas sobre a eventual existência de pirataria informática externa na manipulação dos sistemas de defesa iranianos.
 
O que resultou da crise, com efeitos no presente e no futuro, foram novas sanções impostas contra o Irão, o fim do acordo internacional sobre o sistema nuclear civil iraniano – uma vez que as potências europeias se renderam, uma vez mais, às chantagens de Washington – e o aprofundamento da crise social e política no Iraque.
 
Este aspecto é de grande importância para todo o Médio Oriente se for lido à luz das denúncias feitas no Parlamento de Bagdade pelo ex-primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi. Na ocasião, citou conversas que manteve com Trump nas quais o presidente dos Estados Unidos lhe comunicou que a agitação social interna iria continuar, com incentivos de Washington, e que as tropas norte-americanas permanecerão se o governo iraquiano não cancelar o recente acordo com a China sobre a reconstrução do país.
 
Chega-se assim a uma das questões centrais relacionadas com os mais recentes desenvolvimentos no Médio Oriente. Os Estados Unidos, através do seu aparelho militar – e o da NATO – propõem-se fazer tudo para travar a crescente influência da China e da Rússia na região, designadamente na Síria, no Iraque, no Irão, inclusivamente na Arábia Saudita – o maior fornecedor de petróleo de Pequim.
 
Fazer tudo significa manter latente e activo, como braço armado, o terrorismo dito islâmico, que não é mais do que um exército mercenário informal em mobilidade através da região, coberto sob uma miríade de bandeiras que se resumem a duas – Estado Islâmico e al-Qaeda –, cumprindo objectivos de guerra e desestabilização.
 
No Iraque existe um claro recrudescimento do Estado Islâmico no quadro da política de «contenção da influência iraniana»; na Líbia actuam milhares de mercenários que já estiveram na Síria e foram transferidos sob a égide da Turquia para travar quaisquer esforços de solução pacífica da guerra civil.
 
E na Síria voltam a estar muito em evidência as conexões entre o terrorismo e a NATO através dos esforços que estão a ser desenvolvidos militarmente pela Turquia para impedir que as tropas regulares sírias libertem Idlib, o derradeiro bastião da al-Qaida no país.
 
Por isso, todas as mentiras que Trump e o Pentágono despejam em enxurrada de crise em crise, de episódio em episódio, convergem na mãe de todas as mentiras: a chamada «guerra global contra o terrorismo».
 
Não há guerra dos Estados Unidos e da NATO contra o terrorismo; há uma guerra feita de várias guerras regionais travada de braço dado com o «terrorismo islâmico», essa mezinha mágica da dominação imperial que começou a ser aplicada nos anos setenta e oitenta do século passado no Afeganistão e continua a ser usada contra os governos que se recusam a seguir a bússola de Washington. A NATO serviu-se do terrorismo para assassinar Khaddafi na Líbia e destroçar o país, da mesma maneira que a Turquia acode agora à al-Qaida na Síria interpretando os anseios da aliança, como Trump mandou matar o mais capacitado operacional do autêntico combate ao terrorismo servindo-se de uma operação montada com a colaboração dos terroristas do Estado Islâmico.
 
Quem é capaz de mentir sobre o flagelo do terror que acossa centenas de milhões de pessoas não hesitará em mentir sobre tudo o resto.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/o-terrorismo-e-mae-de-todas-as-mentiras.html

A Turquia prepara-se para a guerra contra a Síria e contra a Rússia

 
Durante o seu discurso aos parlamentares do seu partido, em 5 de Fevereiro de 2020, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan designou sob a expressão “elementos amigos”, os membros das milícias turquemenas que formam o “Exército Nacional da Síria” (Jaych al-Watani as-Suri) e os da Al-Qaeda que se aliaram a grupos locais para formar a Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Cham).
 
Em princípio, nunca se reivindica um vínculo de autoridade sobre os seus representantes de maneira a não ter de assumir a responsabilidade dos seus actos. Ora o Hayat Tahrir al-Cham assassinou 4 oficiais do FSB russo em Aleppo, em 1 de Fevereiro.
 
Em seguida, ele reivindicou a legitimidade do destacamento militar turco na Síria em nome dos acordos de Adana. Este documento, datado de 20 de Outubro de 1998, termina a guerra turco-síria anterior. Nunca foi publicado. Nós publicamos uma versão não confirmada [1]. A Síria renuncia a ajudar o PKK de Abdullah Öcalan (que era uma organização pró-soviética) e autoriza o exército turco a atacar a artilharia curda que bombardearia o seu território, penetrando 5 km no interior da Síria. Considerando que o actual PKK/YPG (que se tornou uma organização pró-NATO) dispõe do material mais moderno, a Turquia estendeu, unilateralmente, o seu direito de perseguição a 30 km, durante a operação “Fonte de paz” (9 a 22 de Outubro de 2019).
 
Os acordos da Adana nunca autorizaram a instalação turca em toda a província de Idleb. No entanto, isso foi feito pelos acordos russo-turco de Sochi, de 17 de Outubro de 2018, que foram validados pela Síria [2]. No entanto, esses acordos previam a retirada de todos os “grupos terroristas radicais” (incluindo Hayat Tahrir al-Cham da zona desmilitarizada, antes de 15 de Outubro de 2018. Mas a Turquia não conseguiu – tal como os Estados Unidos antes dela - distinguir e separar os “radicais” (jihadistas) dos “moderados” (adversários democrátas). Consequentemente, o exército árabe sírio tenta, desde então, libertar a província de Idleb da ocupação jihadista.
 
Ao citar os acordos de Adana em vez dos acordos de Sochi, a Turquia reconhece ter falhado cumprir as suas obrigações perante a Rússia. Sobretudo, ela desperta o período em que as duas potências estavam a travar uma guerra secreta no contexto da Guerra Fria.
 
Também no mesmo discurso, o Presidente Erdoğan, brandindo a sua filiação na Confraria dos Irmãos Muçulmanos - matriz dos jihadistas (foto), prosseguiu dando um prazo à Síria, até 28 de Fevereiro de 2020, para abandonar as localidades que acabou de libertar e retirar-se para trás da linha de cessar-fogo de Sochi.
 
À tarde, um homem-bomba do Hayat Tahrir al-Cham fez-se explodir num prédio que albergava forças russas. Ainda não sabemos o resultado dessa operação, que entendemos que deveria ser assumida pela Turquia.
 
Trata-se de uma reviravolta completa da situação. Em 13 de Janeiro de 2020, os chefes dos serviços secretos turcos e sírios encontraram-se discretamente em Moscovo para estabelecer um processo de paz. [3] Mas, em seguida, para surpresa dos ocidentais, que estavam persuadidos da oposição dos sírios em Damasco, o exército árabe sírio lançou uma ofensiva vitoriosa em Idleb, libertando quinze cidades. Os Estados Unidos apoiaram então a Turquia, enquanto se retiravam de operações conjuntas com o seu aliado. A Turquia suspendeu, em 19 de Janeiro, a transferência de 30.000 jihadistas de Idleb (Síria) para Trípoli (Líbia), que tinha iniciado no final de Dezembro. Apenas 2.500 tiveram tempo para migrar.
 
Ao receber esta manhã, os embaixadores estrangeiros para entrega das suas credenciais, o Presidente russo, Vladimir Putin, advertiu-os. Declarou: “Infelizmente, a Humanidade está mais uma vez perto de uma linha perigosa. Os conflitos regionais multiplicam-se, as ameaças terroristas e extremistas aumentam, o sistema de controlo de armas está prestes a ser abolido.”
 
Estamos a caminhar, a curto prazo, para um conflito entre a Turquia, membro da NATO, e a Rússia, membro da OTSC/Organização do Tratado de Segurança Colectiva
 
 
Notas:
[1] “The Adana Security Agreement”, Voltaire Network, 20 October 1998.
[3] “A Rússia propõe um acordo à Síria e à Turquia”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 20 de Janeiro de 2020.

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/a-turquia-prepara-se-para-guerra-contra.html

Incidente terrorista em Londres. Um morto, três feridos (um em perigo de vida)

 

A polícia de Londres informou que o incidente “relacionado com terrorismo” registado hoje num bairro da capital britânica, e que a fez abater um homem, resultou em três feridos, estando um em perigo de vida.

 

Um homem foi esta tarde abatido pela polícia de Londres, durante um incidente que foi considerado como “terrorismo” e que a polícia acredita ter motivações religiosas.

Segundo a polícia metropolitana, citada pela AP, 3 pessoas ficaram feridas, uma das quais, em estado grave, está a ser tratadoa ferimentos que o colocam em risco de vida.

Ao início da tarde de hoje, agentes da polícia londrina balearam mortalmente um homem, suspeito de estar envolvido numa cena de esfaqueamento decorrida numa rua de comércio do bairro de Streatham, no sul de Londres.

A polícia metropolitana declarou de imediato que o incidente violento está “relacionado com terrorismo” e que existem razões para crer que o homem era islamita. Segundo testemunhas citadas pela AP, o homem estava vestido com o que parecia ser um colete parecido com os que são usados em ataques-suicida.

De acordo com a estação de televisão britânica BBC, várias testemunhas relataram ter ouvido dois tiros cerca das 14:00, hora a que a polícia indicou ter “abatido” o suspeito.

Após o alerta, vários veículos de emergência médica deslocaram-se rapidamente para a rua onde aconteceu o incidente, igualmente sobrevoada por helicópteros, segundo vídeos partilhados nas redes sociais e citados pela AP.

O mayor de Londres, Sadiq Khan, confirmou o incidente e reagiu através de um comunicado publicado no seu perfil no Twitter.

 
 

My statement on today's incident in Streatham. pic.twitter.com/x7rWASs1Xs

— Mayor of London (@MayorofLondon) February 2, 2020

 

“Os terroristas querem dividir-nos e destruir o nosso modo de vida. Aqui em Londres nunca iremos deixar que isso aconteça”, declarou o autarca.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/incidente-terrorista-londres-um-morto-tres-feridos-um-perigo-vida-306363

Em primeira menção após morte de Soleimani, grupo terrorista Estado Islâmico diz que general foi 'apóstata'

247 -Na primeira referência ao chefe da Força Quds, unidade especial dos Guardiões da Revolução Islâmica, assassinado pelos Estaods Unidos em uma operação no aeroporto de Badá, no dia 3 de janeiro, o grupo terrorista Estado Islâmico disse que o general iraniano foi um "apóstata".

A afirmação foi feita em uma mensagem de áudio de 37 minutos transmitida nesta segunda-feira (27).

Além disso, o porta-voz apelou aos "muçulmanos na Palestina e em todos os países que atuem como ponta de lança na luta contra judeus e para que seus planos fracassassem", como o "Acordo do Século", tendo como iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para resolver o conflito palestino-israelense, que provavelmente será anunciado nesta terça-feira (28), informa a EFE.

 

EUA novamente acusados de levar elementos do Daesh para o Iraque

Segundo as acusações, os EUA estão a transferir terroristas do Daesh da Síria para o Iraque com o intuito de forçar o Parlamento iraquiano a recuar na decisão de pedir a saída das tropas norte-americanas.

A Síria e a Rússia têm acusado frequentemente os EUA de colaboração com o DaeshCréditos / Sputnik News

Qusai al-Anbari, dirigente da Organização Badr na província iraquiana de Anbar, afirmou este domingo, em declarações à agência em língua árabe al-Ma'alomah, que as forças militares dos EUA estão a transferir os combatentes do Daesh (também conhecido como Estado Islâmico) da Síria para a região fronteiriça iraquiana.

«Os norte-americanos estão a trabalhar no sentido de confundir a situação de segurança e trazer o Daesh com uma nova designação» para o Iraque, denunciou o funcionário do Badr na província de Anbar (Oeste do Iraque).

Explicou ainda que, apesar de as tropas norte-americanas terem impedido à parte ocidental do deserto de Anbar, as unidades populares iraquianas conseguiram eliminar por completo o Daesh dessa região.

Após o terreno ter sido sido desminado, acusa al-Anbari, os militares norte-americanos estacionados próximos da zona estão a ajudar os elementos do Daesh a movimentar-se, tendo para isso aberto corredores. Numa primeira fase, precisa – citado pela HispanTV –, as forças dos EUA recorreram a helicópteros para transportarem dirigentes do Daesh para a região.

A acusação é apoiada pelo especialista iraquiano em segurança Karim al-Khikani, que, em declarações à mesma agência, disse que os combatentes do Daesh foram treinados nas bases sírias de Hasaka e al-Tanf, numa região que os EUA ocupam ilegalmente, junto à fronteira com a Jordânia e o Iraque.

Citado pela Fars News, al-Khikani afirmou que, com este movimento, Washington pretende apresentar o Iraque no Conselho de Segurança das Nações Unidas como «primeira ameaça para a segurança global», de modo a justificar a permanência das suas tropas no país árabe a longo prazo.

De acordo com informação obtida pelos serviços de segurança iraquianos, os EUA usaram helicópteros Apache e Chinook para transferir terroristas do Daesh da Síria para a província iraquiana de Anbar, tendo como objectivo prepará-los para criar insegurança no país.

Recorde-se que o Parlamento iraquiano aprovou no passado dia 5 de Janeiro uma resolução com vista à saída das forças militares norte-americanas que actualmente instaladas no país árabe.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-novamente-acusados-de-levar-elementos-do-daesh-para-o-iraque

E ainda os Capacetes Brancos

James Le Mesurier era considerado um dos fundadores dos Capacetes Brancos, organização também conhecida como Defesa Civil da Síria, que supostamente ajuda a resgatar civis apanhados em ataques em áreas da Síria controladas pela oposição ao presidente Bashar al-Assad.
 

A 15 de Outubro de 2019, escrevi uma Crónica, título de “Os Capacetes Brancos andam por aí

James Le Mesurier era considerado um dos fundadores dos Capacetes Brancos, organização também conhecida como Defesa Civil da Síria, que supostamente ajuda a resgatar civis apanhados em ataques em áreas da Síria controladas pela oposição ao presidente Bashar al-Assad.

Era oficial do exército britânico na década de 1990, trabalhou com a força de manutenção da paz das Nações Unidas na ex-Iugoslávia.

Foi o diretor da Fundação Mayday Rescue, supostamente sem fins lucrativos. Três casamentos. Instabilidade emocional?

Ao que lhe parece, um bom homem pacífico e amante da paz?

Uma semana antes da morte de Le Mesurier, ele foi acusado no Twitter pelo Ministério das Relações Externas da Rússia, de ser um ex-agente do MI6 com “conexões com grupos terroristas”. A representante permanente do Reino Unido na ONU, Karen Pierce, descreveu Le Mesurier como um “verdadeiro herói”. Ela negou as acusações, dizendo que eram “categoricamente falsas. Ele era um soldado britânico”.

Le Mesurier foi encontrado morto em 11 de Novembro passado, na rua por debaixo da janela do seu apartamento na área de Beyoglu, em Istambul.

Porque vivia ele em Istambul?

Um exame post mortem constatou que a causa da morte foi “poli traumatismo por queda de grande altura”. Nenhum DNA pertencente a outra pessoa foi encontrado, acrescentou. Enquanto isso, o canal de notícias privado NTV disse que o relatório de toxicologia mostrou que Le Mesurier, 48 anos, havia tomado pílulas para dormir.

Segundo a última mulher, Emma Winberg, uma sueca, estaria deprimido.

A causa da morte é suspeita.

Um outro dos principais membros dos Capacetes Brancos foi morto numa prisão alemã.

Na verdade, Le Mesurier era um oficial dos serviços secretos e trabalhou ao longo de sua carreira na OTAN, no Afeganistão, Kosovo, Iraque e Líbano, e depois fundou os Capacetes Brancos na Síria.

Honra lhe seja pela escolha de carreira e de vida que terminou mal.

Em 22 de julho de 2018 Israel disse que realizou uma evacuação de membros do grupo de defesa civil dos Capacetes Brancos da Síria de uma zona de guerra no sudoeste da Síria. Cerca de 422 voluntários e familiares foram levados para a Jordânia pelas colinas de Golã, ocupadas por Israel, durante a noite. O Reino Unido, um dos países que solicitou a ajuda de Israel, saudou a operação e declarou-se pronto a ajudar na fase de nova procura de casa e de modo de vida. Os Capacetes Brancos consideravam-se como uma força de trabalho voluntária que atuava para salvar as pessoas nas zonas de guerra da Síria.

Agora a 7 de janeiro de 2020 inopinadamente os EUA anunciam, pela voz do embaixador dos EUA James Jeffrey, mais apoio aos Capacetes Brancos na Síria. O famoso grupo com atividades mais do que controversas em áreas controladas por terroristas da Síria, que muitos pensavam estar em dissolução. Os USA tencionam reativá-los? Quantos elementos ainda haverá na Síria? Ou na imaginação dos serviços da Casa Branca?

Os Capacetes Brancos são vistos na Síria como parte integrante de vários grupos terroristas que trabalham na confabulação de histórias falsas sobre os acontecimentos na Síria que permitiram intervenção estrangeira no país.

Todos as ações deste grupo são preparados e realizados por serviços secretos estrangeiros incluindo serviços turcos, difícil é saber quais.

Todas parecem ser ramificações da principal agência, a CIA.

Todas trabalham sob as ordens de um condutor de orquestra em coordenação e em harmonia uns com os outros. Os Capacetes Brancos são mais do mesmo. Ninguém na Síria acredita nos golpes de relações públicas desta desacreditada organização.

Já em Dezembro de 2017 o The Guardian reconhecia que apesar de um olhar internacional positivo sobre os Capacetes Brancos, havia uma contra-narrativa promovida pelas redes sociais com notícias alternativos contrárias à “agenda para HSH”. Considerava que alinhados com as posições da Síria e da Rússia e atraindo uma enorme audiência on-line, amplificada por personalidades famosas, aparições na TV estatal russa e um exército de Twitters.

“A maneira como a máquina de propaganda russa olha os Capacetes Brancos é um caso interessante nas guerras da informação predominantes. Expõe como boatos, teorias da conspiração e meias-verdades que chegam ao topo dos algoritmos de busca do YouTube, Google e Twitter.”

Enfim, narrativas!!

“Este é o coração da propaganda russa” queixava-se o The Guardian. Trata-se de confundir cada questão com tantas narrativas que as pessoas não conseguem reconhecer a verdade quando a veem ”, disse David Patrikarakos, autor de “Guerra em 140 caracteres”.

“Como os órgãos de comunicação social estão a fazer a narrativa dos conflitos no século XXI”

Patrikarakos editor colaborador do Daily Beast e escritor colaborador do Politico Europe.

Tantas narrativas e tanto trabalho para as decifrar!

 

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
    
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/e-ainda-os-capacetes-brancos/

Perto da Europa: Daesh está voltando e fincando raízes na Líbia, diz rei da Jordânia

Rei da Jordânia Abdullah II
© Sputnik / Aleksei Nikolsky

O grupo terrorista Daesh está novamente em ascensão no Oriente Médio, alertou o rei Abdullah, da Jordânia, acrescentando que "milhares" de combatentes se mudaram da Síria para a Líbia - aproximando todo o problema da Europa.

A revelação foi feita pelo rei durante uma entrevista exclusiva ao canal France 24, que foi ao ar nesta segunda-feira. O monarca disse que "sua maior preocupação é que vimos no ano passado o restabelecimento e o aumento do Daesh, não apenas no sul da Síria, mas também no oeste do Iraque".

"Temos que lidar com o ressurgimento do Daesh", acrescentou.

Ironicamente, a linha do tempo dada pelo rei Abdullah corresponde ao anúncio de uma vitória decisiva sobre o Daesh pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que se elogiava repetidamente pela conquista no início de 2019. Após essa "vitória", no entanto, o grupo terrorista aparentemente está se reerguendo.

Além disso, milhares de combatentes se mudaram da Síria para outro dos pontos terroristas da região, afirmou o rei da Jordânia, o que implica que eles foram capazes de viajar para lá pela Turquia. Esse fluxo de extremistas aproxima toda a bagunça do Oriente Médio da União Europeia (UE) - e o bloco deve lidar com isso o mais rápido possível.

Militantes de Daesh
© AP Photo / Karim Kadim
Militantes de Daesh

"Milhares de combatentes deixaram a cidade síria de Idlib através da fronteira norte e acabaram na Líbia. Isso é algo que nós da região, mas também nossos amigos europeus, teremos que abordar em 2020", prosseguiu o monarca.

A entrevista vem antes da viagem do rei Abdullah pela UE, com o monarca agendado para iniciar conversações em Bruxelas, Estrasburgo e Paris ainda esta semana. A situação na Líbia - e a entrada de terroristas que o país devastado pela guerra enfrenta - estarão entre os principais tópicos de discussão com os líderes europeus.

"Do ponto de vista europeu, com a Líbia muito mais próxima da Europa, essa será uma discussão importante nos próximos dias", completou Abdullah.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011315003186-perto-da-europa-daesh-esta-voltando-e-fincando-raizes-na-libia-diz-rei-da-jordania/

Explosão de carro-bomba mata mais de 90 pessoas na Somália (VÍDEO)

Ataque com carro-bomba na capital somali, Mogadíscio, deixou pelo menos 94 pessoas mortas neste sábado (28).

De acordo com um tweet publicado pelo ministro da Segurança Interna da Somália, Abdirizak Omar Mohamed, a maior parte das vítimas são civis.

Eu fui informado de que o número de mortos é superior a 90 pessoas, incluindo 17 policiais somalis, 73 civis e 4 cidadãos estrangeiros. Que Allah tenha piedade das vítimas deste ataque bárbaro.

Conforme publicou a rádio local Dalsan, o ataque foi executado por um suicida e teve dentre suas vítimas estudantes que iam para a escola e funcionários públicos a caminho do trabalho.

Em um vídeo publicado no Twitter é possível ver uma grande coluna de fumaça provocada pela explosão.

Urgente: Pelo menos 50 pessoas morreram após um ataque suicida em Mogadíscio, na Somália.

Grupo terrorista

A Somália é palco das ações do grupo radical islâmico Ash-Shabab, o qual possui relações estreitas com a Al-Qaeda (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países).

O grupo islâmico tem lutado contra o governo central local e criado obstáculos à atividade humanitária da ONU.

Contudo, o ataque de hoje ainda não teve sua autoria reivindicada por nenhum grupo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019122814945082-explosao-de-carro-bomba-mata-90-pessoas-na-somalia/

50 anos da piazza Fontana oTerrorismo fascista

Il y a cinquante ans, le 12 décembre 1969, une bombe explose dans une banque située sur la place Fontana, en plein centre de Milan. L’attentat, qui fait dix-sept morts et plusieurs dizaines de blessés, est suivi de trois autres détonations à Rome dans l’heure qui suit. Les premières investigations de la police ciblent le milieu anarchiste et des dizaines de militants sont arrêtés au cours des dernières semaines de l’année. Malgré leur acharnement, les autorités ne parviennent pourtant pas à faire porter le chapeau à l’extrême gauche, ce qui les amène trois ans plus tard à se tourner vers les structures néo-fascistes. Aujourd’hui encore, et bien que la culpabilité de l’organisation d’extrême droite Ordine Nuovo ait été prouvée, des doutes subsistent quant aux réels commanditaires de ces attentats.

La piste de ce qu’on appelle l’Etat profond est néanmoins privilégiée: des structures informelles qui n’hésitaient pas à faire recours aux organisations néofascistes pour instaurer un climat propice à la répression implacable des organisations révolutionnaires. En somme, la «main fasciste de la direction démocrate-chrétienne» à laquelle un cinéaste comme Pier Paolo Pasolini pouvait faire référence dans des textes écrits peu avant sa mort mystérieuse en 1975. La Démocratie chrétienne, le parti au pouvoir en Italie depuis 1945, craint en effet la montée en puissance de ses rivaux communistes, dont la force électorale dépasse le plus souvent les 25% des suffrages au niveau national et qui dispose d’un certain soutien de la rue.
C’est que l’Italie de 1969 est un véritable volcan social. A l’instar d’autres nations européennes, le pays a connu son lot de mobilisations l’année précédente et ce, avec un niveau d’intensité peu commun sur le continent. Entre 1966 et 1968 ce sont ainsi près de 10 000 travailleurs et étudiants qui sont condamnés pour activisme. Et le mouvement ne faiblit pas puisque 1969 est le théâtre d’un nombre impressionnant de grèves ouvrières, de mutineries carcérales et de manifestations estudiantines qui aboutissent sur un fameux «automne chaud», resté dans l’histoire. Il faut dire qu’à la puissance du Parti communiste italien s’ajoute désormais celle de la gauche extraparlementaire, apparue dans les années 1960 et qui culminera notamment lors des insurrections de 1977.
Les attentats du 12 décembre constituent dans tous les cas un tournant dans cette période politiquement agitée et ouvrent un nouveau cycle que les doctrines anti-insurrectionnelles étasuniennes n’hésiteront pas à qualifier de «guerre de basse intensité». La répression qui s’abat sur le mouvement populaire et la démonstration de la violence étatique vont en effet accélérer la radicalisation d’une frange de la gauche italienne, conduisant notamment à la création de plusieurs organisations de lutte armée, dont les célèbres Brigades Rouges. Mais les années 1970 sont aussi celles de l’autonomie italienne qui, à travers des groupes comme Potere Operaio ou Lotta Continua, va remettre en cause de l’hégémonie du Parti communiste dans les usines.
Afin de cerner cette période politique dans sa globalité il est nécessaire de se référer au climat politique international, en ce qu’il faisait peser la menace d’une transformation révolutionnaire pour les classes dominantes italiennes. Les mouvements de jeunesse et la lutte révolutionnaire dans de nombreux pays européens, la résistance du Vietnam contre l’impérialisme étasunien, les mouvements de libération anticoloniale en Afrique et en Asie, parallèlement à l’éclatement de l’énième crise systémique du capitalisme dans les années 1970, sont tous des éléments propres à un échiquier international en ébullition qui poussera la bourgeoisie italienne – en coordination avec les services secrets étasuniens – à se lancer dans une guerre non déclarée contre toute agitation révolutionnaire.
Un demi-siècle plus tard, la stratégie de la tension a changé de visage mais pas de substance. Il n’est pas surprenant de constater que la montée de l’extrême droite à l’échelle mondiale fait place à un nouvel espace où certaines pratiques deviennent la règle plutôt que l’exception. Encore un climat de «grande peur» qui se réaffirme, avec comme nouveaux ennemis les migrant-e-s, les pauvres, les travailleuses-eurs et les peuples qui résistent. En Italie et dans le monde, la paix sociale semble une chimère lointaine, presque autant qu’en ce 12 décembre 1969.
* L’association L’Atelier-Histoire en mouvement, à Genève, contribue à faire vivre et à diffuser la mémoire des luttes pour l’émancipation par l’organisation de conférences et la valorisation d’archives graphiques, info@atelier-hem.org

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2S1nVli

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/17/50-anos-da-piazza-fontana-oterrorismo-fascista/

EUA evacuaram centenas de famílias do Daesh da Síria para o Iraque

A colaboração entre os EUA e o Daesh foi revelada, esta quarta-feira, pela TV estatal síria, segundo a qual os cerca de 300 familiares dos terroristas foram transportados do campo de al-Hol para o Iraque.

A Síria acusa as tropas norte-americanas de várias «cooperações» com os terroristas do DaeshCréditos / Sputnik News

«As tropas ocupantes dos Estados Unidos levaram 300 familiares de membros do Daesh de origem estrangeira do campo de al-Hol para o Iraque», noticiou a TV estatal, citada pela agência Sputnik.

O campo de refugiados de al-Hol fica localizado na província síria de Hasaka, junto à fronteira com o Iraque, e a situação humanitária que ali se vive tem sido reiteradamente denunciada pelas autoridades sírias e pela Rússia.

De acordo com dados recentes das Nações Unidas, o campo, controlado pelas chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS; de maioria curda), alberga 69 mil pessoas, 40% das quais são sírias, 45% iraquianas e 15% possuem outras nacionalidades.

Presença militar dos EUA na Síria bem activa

Em Outubro, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a retirada das tropas norte-americanas da Síria, a que se seguiu uma fase de incerteza e especulação sobre as movimentações das forças militares ocupantes no país levantino.

No entanto, apesar de algumas manobras e saídas pontuais de algumas bases, a retirada nunca se veio a concretizar, com Trump a afirmar a necessidade de defender o petróleo ainda em poder dos seus «amigos» curdos, para impedir que caísse nas mãos de «terroristas».

No passado dia 7, no âmbito do Reagan National Defense Forum, na Califórnia, o secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper, não pôs de parte, inclusive, a possibilidade de reforçar o contingente militar na Síria, depois de já ter dito que o número de tropas no terreno não iria ultrapasar os actuais 600.

Colaborações frequentes com os terroristas do Daesh e seus familiares

As tropas norte-americanas e a chamada «coligação internacional» liderada pelos EUA foram reiteramente acusadas de transportar militantes do Daesh, «salvado-lhes a pele» em situações de aperto e dando-lhes «novo uso».

Na terceira semana de Outubro último, a agência estatal síria noticiou que, «no quadro do investimento no terrorismo» e na sequência da ofensiva turca em território sírio, iniciada a 9 desse mês, «as tropas dos EUA têm vindo a transportar centenas de terroristas do Daesh», que levam do Nordeste da Síria [região da Jazira] para o Iraque, «depois de os juntarem em bases ilegais».

Muitos outros casos foram reportados. A título de exemplo, o Irão acusou os EUA de transportar «um grande número de terroristas do Daesh» para o Afeganistão a partir da Síria, segundo noticiou a Al-Masdar News.

Em 22 de Setembro de 2018, a agência SANA reportou a existência de uma operação, por parte da «coligação internacional», de transporte aéreo de terroristas do Daesh, que foram levados dos arredores de al-Marashida, na província de Deir ez-Zor, para parte incerta.

Um ano antes, em Setembro de 2017, diversas fontes disseram à RIA Novosti que os militares norte-americanos tinham transportado membros do Daesh da região de al-Mayadin, em Deir ez-Zor, para parte incerta, quando o cerco do Exército Árabe Sírio apertava.

Numa reportagem publicada em Novembro de 2017, a BBC revelou vários detalhes de um acordo secreto que permitiu que centenas de combatentes do Daesh e as suas famílias saíssem da cidade de Raqqa, em meados de Outubro desse ano, acompanhados e protegidos pela coligação liderada pelos EUA, pouco antes de as chamadas FDS terem decretado a libertação da cidade.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-evacuaram-centenas-de-familias-do-daesh-da-siria-para-o-iraque

Turquia acusa Macron de “patrocinar” o terrorismo na Síria

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan

“[Macron] é um patrocinador da organização terrorista [YPG], recebe-os regularmente no Eliseu”, acusou o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu.

 

A Turquia acusou hoje Emmanuel Macron de “patrocinar o terrorismo”, numa reação a novas críticas do Presidente francês sobre a operação militar desencadeada por Ancara na Síria. As autoridades turcas lançaram no mês passado uma ofensiva contra a milícia curdasíria das Unidades de Proteção Popular (YPG), que qualifica de “terrorista” mas tem sido apoiada por países ocidentais, incluindo a França, contra o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI).

Macron, que tem criticado por diversas vezes a operação turca destinada a impedir a concretização da Rojava, a entidade autónoma curda no norte da Síria, declarou que Ancara “colocou os seus aliados perante um facto consumado” e “pôs em perigoaação da coligação contra o Daesh [acrónimo árabe que designa o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico] incluindo a NATO, da qual é membro, recordo”.

Esta declaração suscitou uma forte reação de Ancara, que tem acusado Paris de procurar estabelecer um Estado curdo na Síria. “De qualquer forma, ele [Macron] é um patrocinador da organização terrorista, recebe-os regularmente no Eliseu“, reagiu o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, citado pela agência noticiosa estatal Anadolu. “Que Macron não esqueça (…), a Turquia é também membro da NATO. Que se coloque ao lado dos seus aliados”, acrescentou.

 
 

No final de outubro, Ancara suspendeu a sua ofensiva contra as YPG após ter concluído com Washington e Moscovo acordos que preveem a retirada das forças curdas da maioria das suas posições junto à fronteira com a Turquia.

O Governo turco receia que a formação de uma entidade curda fronteiriça reforce as veleidades separatistas no seu território, onde desde 1984 o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), com afinidades às YPG, mantém uma rebelião armada.

// Lusa

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/turquia-acusa-macron-terrorismo-294219

A Itália na coligação “antiterrorismo”

 
 
Manlio Dinucci*
 
A Coligação Antiterrorista reuniu-se em 14 de Novembro de 2019 em Washington, a pedido expresso da França, ultrapassada pela reviravolta dos EUA na Síria. Essa reunião não mudou nada no jogo dos Estados Unidos e dos seus aliados, mas permitiu ao Secretário de Estado Mike Pompeo colocar, novamente, os franceses no seu lugar como simples executantes. É também uma oportunidade para Manlio Dinucci fazer um balanço sobre as proezas desta coligação.
 
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, acolhendo em Roma, os cinco soldados feridos no Iraque, declarou que “o Estado italiano nunca recuará um centímetro diante da ameaça terrorista e reagirá com toda a sua força diante dos que semeiam terror”. Voou, então, para Washington, a fim de participar na reunião de grupo restrito da “Coligação Global contra o Daesh”, do qual fazem parte, sob orientação USA, a Turquia, a Arábia Saudita, o Catar, a Jordânia e outros países que apoiaram o Daesh/ISIS e formações terroristas análogas, fornecendo-lhes armas e treino de combate (conforme documentamos neste jornal).
 
A Coligação - que inclui a NATO, a União Europeia, a Liga Árabe, a Comunidade dos Estados do Sahel/Sahara e a Interpol, mais 76 Estados individuais - afirma no seu comunicado de 14 de Novembro, “ter libertado o Iraque e o nordeste da Síria” do controlo do Daesh/ISIS», embora seja evidente que as forças da Coligação deixaram, deliberadamente, a mão livre ao Daesh/ISIS [1].
 
Esta e outras formações terroristas foram derrotadas apenas, quando a Rússia interveio militarmente em apoio às forças do governo sírio.
 
 
A Coligação também reivindica ter “fornecido 20 biliões de dólares em assistência humanitária e para a estabilização do povo iraquiano e sírio, treinado e equipado mais de 220.000 membros das forças de segurança para estabilizar as comunidades locais”. O objectivo desta “assistência” é, na realidade, não a estabilização, mas a contínua desestabilização do Iraque e da Síria, fomentando instrumentalmente, sobretudo, as diversas componentes do independentismo curdo, para desagregar esses Estados nacionais, controlar o seu território e as suas reservas de energia.
 
Como parte dessa estratégia, a Itália, definida como “um dos maiores contribuintes da Coligação”, está empenhada no Iraque, principalmente, no adestramento das “forças de segurança curdas” (Peshmerga), em particular, no uso de armas anti-tanque, morteiros, artilharia e espingardas de precisão, em cursos especiais para franco-atiradores.
 
Operam, actualmente, no Iraque, cerca de 1.100 soldados italianos, divididos em diversas ‘task force’/grupos de trabalho, em vários lugares, equipados com mais de 300 veículos terrestres e 12 meios aéreos, com uma despesa, em 2019, de 166 milhões de euro.
 
A do Iraque está apoiada por uma componente aérea italiana no Kuwait, com 4 caças-bombardeiros Typhoon, 3 drones Predator e um avião-tanque para reabastecimento em voo.
 
Com toda a probabilidade, as forças especiais italianas, às quais pertencem os cinco feridos, participam em acções de combate, mesmo que a sua tarefa oficial seja só de treino. O emprego de forças especiais é em si, secreto. Agora, torna-se ainda mais secreto porque o seu comando, o COMFOSE, foi transferido do quartel Folgore, em Pisa, para a área vizinha da base de Camp Darby, o maior arsenal USA fora da pátria, onde também são realizadas actividades de treino.
 
Na Coligação, a Itália também tem a tarefa de co-dirigir o “Grupo financeiro de combate ao “ISIS”, juntamente com a Arábia Saudita e os Estados Unidos, ou seja, aqueles que financiaram e organizaram o armamento das forças do ISIS e de outras formações terroristas [2].
 
Fortalecido com todos estes méritos, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Di Maio, apresentou em Washington a proposta, imediatamente aceite, de que seja a Itália a acolher a reunião plenária da Coligação, em 2020. Assim, a Itália terá a honra de receber oponentes infatigáveis do terrorismo como a Arábia Saudita que, depois de financiar o ISIS, agora gasta os seus petrodólares para financiar a sua guerra terrorista, no Iémen.
 
 
 
Notas:
[2] « Arms Airlift to Syria Rebels Expands, With Aid From C.I.A. », par C. J. Chivers and Eric Schmitt, The New York Times, March 14, 2013. “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/a-italia-na-coligacao-antiterrorismo.html

Funcionário dos EUA: Daesh vai descentralizar os seus 'milhões de dólares'

Terroristas do Daesh no nordeste da Síria (foto de arquivo)
© AP Photo / Site militar

É provável que o financiamento do grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia) mude de um sistema "centralizado" no Iraque e na Síria para um sistema muito mais fragmentado após a morte de seu líder, disse uma autoridade dos EUA nesta quarta-feira.

"Eles ainda têm acesso a milhões de dólares", afirmou Marshall Billingslea, secretário-adjunto do Tesouro dos EUA para financiamento do terrorismo, depois de participar de uma reunião no Luxemburgo focada em combater o Daesh.

Ele informou que as operações financeiras do grupo devem mudar "de um modelo centralizado no Iraque e na Síria para uma abordagem muito mais regionalizada", à medida que se adapta para lidar com a morte do líder Abu Bakr al-Baghdadi.

Baghdadi morreu em 26 de outubro durante um ataque das forças especiais dos EUA em seu esconderijo no noroeste da Síria, onde ficou escondido depois da derrota de seu califado que já se estendeu pelo norte da Síria e do Iraque.

Billingslea previu que o Daesh confiará "em seus diferentes órgãos regionais para se tornarem mais auto-suficientes", principalmente por meio de resgates de sequestros, extorsões e até roubo de vacas na Nigéria, onde também está presente.

A reunião do Luxemburgo reuniu representantes de países de uma coalizão formada para combater o financiamento do Daesh, sob a bandeira Counter ISIS Finance Group.

A coalizão, liderada pelos EUA, Itália e Arábia Saudita, recebeu dois novos membros: Malásia e Tailândia. A organização reúne-se duas vezes por ano em diferentes locais que não são comunicados com antecedência.

Na segunda-feira, o departamento do Tesouro dos EUA adicionou oito empresas e indivíduos na Turquia, Síria, Golfo e Europa à sua lista de sanções por supostamente fornecer apoio financeiro ao Daesh.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019112014798883-funcionario-dos-eua-daesh-vai-descentralizar-os-seus-milhoes-de-dolares/

A Turquia expulsará os jiadistas do Daesh a partir de 11 de Novembro

 

A 7 de Novembro, o Presidente da República turca, Recep Tayyip Erdoğan, declarou durante uma conferência de imprensa com o seu homólogo húngaro, Viktor Orbán, que o seu país ia continuar a acolher os migrantes, mas que sem a ajuda financeira da União Europeia, ele ia «abrir as portas».

A União Europeia tinha-se comprometido a pagar 2 mil milhões (bilhões-br) de euros anuais para ajudar a Turquia a acolher migrantes e a fechar-lhes a sua fronteira europeia. Este dinheiro foi pago a partir de 2016, mas, na realidade, para financiar a guerra na Síria. Ele não aparecia no orçamento oficial da União e ninguém sabe de onde provinha. Com o aproximar do fim da guerra, a União Europeia parou os seus pagamentos.

No dia seguinte à declaração presidencial, o ministro turco do Interior, Süleyman Soylu, anunciou que o seu país expulsaria os jiadistas europeus do Daesh (E.I.) prisioneiros na Turquia a partir de segunda-feira, 11 de Novembro de 2019 (foto).

De acordo com o Direito internacional, a Turquia tem legitimidade para reenviar os prisioneiros estrangeiros para os seus países de origem, por barco ou voo regular. Os Estados destinatários não podem continuar a opor-se a isso desde que o prisioneiro ponha os pés no seu solo. Os Estados europeus podem prevenir-se indo verificar os passaportes nos aviões e impedindo certas pessoas de sair da cabine. Neste caso, as companhias de transporte são as responsáveis pelos passageiros e devem devolvê-las ao remetente, se esse assim lho permitir.

Haveria cerca de 1.200 prisioneiros europeus visados nas prisões turcas. Pelo menos 80. 000 outros jiadistas (do Daesh, mas sobretudo da Alcaida) aguardam a sua sorte na província síria de Idlib, sob a proteção do Exército turco e alimentados por «ONGs» francesas e alemãs. Se a União Europeia subscrever esta chantagem, isso poderá dar ideias a outros protagonistas da guerra contra a Síria. Os mercenários curdos do PKK-YPG planeiam (planejam-br) já tirar proveito dos seus prisioneiros daechistas.

Durante quatro anos, a Turquia e os Europeus apoiaram, em conjunto, secretamente o Daesh (EI) na sua luta comum contra a República Árabe Síria. Mas no fim desta guerra, os diferentes aliados tentam atirar para cima dos outros as suas responsabilidades nas inconfessáveis operações. Entretanto, a União Europeia condenou a recente intervenção turca contra os terroristas do PKK-YPG no Norte da Síria.





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As insolúveis contradições do Daesh e do PKK/YPG

Só conhecemos o que se passa no Levante através da propaganda de guerra do país em que vivemos. Ignoramos os outros pontos de vista e, mais ainda, como os nossos exércitos se têm comportado. Para destrinçar o verdadeiro do falso, os historiadores terão que examinar os documentos disponíveis.

Ora, aquilo que nos diz a documentação militar ocidental contradiz as declarações dos políticos e a narrativa dos jornais. Apenas tomando em consideração a existência duma estratégia do Pentágono desde 2001 é que se poderá compreender o que se tem realmente passado, e porque é que, a este propósito, se chega hoje em dia a tais contradições.

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A remodelagem do Levante segundo o Estado-Maior do Pentágono para o Levante. Este mapa foi descrito pelo Coronel Ralph Peters num artigo, em 13 de Setembro de 2001, mas só foi publicado em 2006.

Não se compreende o que se passa no Norte da Síria porque se acredita, logo à partida, que uma luta aí opunha os malvados jiadistas do Daesh (E.I.) aos simpáticos Curdos do PKK/YPG. Ora, isto é absolutamente falso. Essa luta apenas acontecia quando se tratava de limitar os respectivos territórios ou por solidariedade étnica, jamais por razões ideológicas ou religiosas.

Além disso, não se quer ver o papel que jogou Donald Trump. Como a imprensa passa o seu tempo a insultar o Presidente eleito dos Estados Unidos, não se pode contar com ela para analisar e compreender a sua política no Médio-Oriente Alargado. Ora, há uma linha directriz clara: o fim da doutrina Rumsfeld/Cebrowski, herança do 11 de Setembro. Nisto, ele opõe-se aos seus generais —todos formatados nos mandatos Bush Jr e Obama em controlar o mundo— e à classe política da Europa ocidental.

Para compreender o que se passa, é preciso considerar os factos a montante e não a jusante. Regressemos ao plano elaborado pelo Pentágono no início da Administração Bush, em 2001, e revelado, dois dias após os atentados de 11 de Setembro, pelo Coronel Ralph Peters na Parameters [1], a revista do Exército de Terra dos EUA: a «remodelagem» do mundo, a começar pelo Médio-Oriente Alargado. Este plano foi confirmado, um mês mais tarde, pelo Secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, que nomeou o seu principal cérebro, o Almirante Arthur Cebrowski, director do Gabinete de Transformação da Força. Ele foi explicitado pelo assistente deste último, Thomas Barnett, em 2005, no The Pentagon’s New Map (O Novo Mapa do Pentágono -ndT) [2]. E, ilustrado pelo mesmo Ralph Peters logo que ele publicou, em 2006, no Armed Forces Journal (Jornal das Forças Armadas -ndT) o mapa do primeiro episódio: aquilo em que se devia tornar o Médio-Oriente Alargado [3]. Tendo em conta as dificuldades encontradas no terreno, ele foi objecto de uma emenda publicada por uma pesquisadora Pentágono, Robin Wright, no suplemento dominical do New York Times [4], em 2013.

Segundo estes documentos cinco Estados deviam ser desmembrados em quatorze entidades: a Síria e o Iraque, o Iémene, a Líbia e a Arábia Saudita.

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Mapa publicado por Robin Wright em 2013, quer dizer um ano antes da transformação do Daesh e antes da do PKK/YPG.

Em relação à Síria e ao Iraque, estes dois Estados deviam ser divididos em quatro. O mapa publicado em 2013 desenha os contornos de um «Sunnistão» e de um «Curdistão», ambos a cavalo sobre os dois Estados actuais. No ano seguinte, o primeiro foi criado pelo Daesh (EI), o segundo pelo YPG. No momento em que este mapa foi publicado, o Daesh não passava de uma minúscula organização terrorista anti-síria entre centenas de outras; enquanto o YPG era uma milícia pró-governamental, na qual os salários dos combatentes eram pagos pela República Árabe Síria. Nada no terreno permitia prever a criação do Califado e do Rojava desejada pelo Pentágono.

O quotidiano curdo turco Özgür Gündem [5] publicou o registo de decisão da reunião no decurso da qual a CIA preparou a maneira pela qual o Daesh (EI) invadiria o Iraque, a partir de Raqqa. Este documento indica que Masrour "Jomaa" Barzani, então Chefe da Inteligência no Governo regional do Curdistão, participou nesta reunião de planificação (planejamento-br), a 1 de Junho de 2014, em Amã (Jordânia). Ele tornou-se o Primeiro-ministro do Governo regional do Curdistão iraquiano em Julho passado.

Importa lembrar que, segundo o mapa de Robin Wright, o «Curdistão» dos EUA devia incluir o Nordeste da Síria (tal como o «Curdistão» francês de 1936) e a região curda do Iraque (o que os Franceses não haviam considerado).

O apoio do Governo regional do Curdistão iraquiano à invasão do Iraque pelo Daesh (EI) é incontestável: ele deixou os jiadistas massacrar os Curdos de religião Yazidi no Sinjar e reduzir as suas mulheres à escravidão. Os que foram salvos foram-no por Curdos turcos e sírios, vindos especialmente ao local, para lhes dar apoio salvador sob o olhar trocista dos peshmergas, os soldados Curdos iraquianos.

O Daesh cometeu inúmeras atrocidades, impondo o seu reino pelo terror. Ele realizou uma limpeza religiosa dos Curdos yazidis, Assírios cristãos, Árabes xiitas etc. Estes «rebeldes» beneficiaram da ajuda financeira e militar da CIA, do Pentágono e de, pelo menos, 17 Estados, tal como foi reportado, com documentos em suporte, pelos diários búlgaro Trud [6] e croata Jutarnji list [7]. Com um pessoal devidamente formado em Fort Benning (USA), o Daesh(EI) lançou impostos e abriu serviços públicos até se constituir em «Estado», muito embora ninguém o tenha reconhecido como tal.

Não sabemos como o PKK foi transformado, em 2005, de um partido político marxista-leninista pró-soviético para uma milícia ecologista libertária e pró-atlantista. E, ainda menos, como o YPG da Síria mudou de pele em 2014.

Ele passou para o comando operacional de oficiais turcos do PKK e da OTAN. Segundo o lado da fronteira turco-síria, o PKK-YPG é internacionalmente qualificado de maneira diferente. Se se estiver posicionado na Turquia, é «uma organização terrorista», mas se estiver na Síria, torna-se «um partido político de oposição à ditadura». Ora até 2014, ele não via ditadura na Síria. Batia-se pela defesa da República Árabe Síria e pela manutenção do Presidente Bashar al-Assad no Poder.

O YPG respeitou as leis da guerra e não cometeu atrocidades comparáveis às do Daesh (EI), mas não hesitou em limpar etnicamente o Nordeste da Síria para criar o «Rojava», o que constitui um crime contra a humanidade. Ele espoliou e expulsou centenas de milhar de Assírios e de Árabes. Acreditava bater-se pelo seu povo, mas estava apenas a realizar os sonhos do Pentágono. Para isso, beneficiou, publicamente, do armamento do Pentágono, tal como o semanário britânico dos mercados militares Jane’s [8] e o quotidiano italiano Il Manifesto [9] mostraram, e da França, tal como François Hollande o revelou. O Rojava acabou por não ter tempo de se fundir com a região curda do Iraque.

Após a queda do Califado, entre outros sob os golpes do PKK/YPG, este pediu a autorização do governo de Damasco para atravessar as linhas do Exército árabe sírio a fim de voar em socorro dos Curdos do Noroeste ameaçados pelo Exército turco. O que obteve. Mas assim que o PKK/YPG se movimentou, fez transitar oficiais do Daesh, em fuga, que foram presos pela República Árabe Síria.

Estes documentos e estes factos não nos dizem que protagonistas estão certos ou errados, isso é uma outra questão. No entanto, no terreno, é impossível ser ao mesmo tempo contra o Daesh(EI) e a favor do PKK/YPG sem cair em irreconciliáveis contradições .

Os actos de Donald Trump consistiram em destruir os pseudo-Estados fabricados pelo Pentágono : o Califado e o Rojava ; o que, no entanto, não significa nem o fim do Daesh (EI), nem o do PKK/YPG.


[1] “Stability, America’s Ennemy”, Ralph Peters, Parameters, Winter 2001-02, pp. 5-20. Également in Beyond Terror: Strategy in a Changing World, Stackpole Books.

[2] The Pentagon’s New Map, Thomas P. M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004.

[3] “Blood borders - How a better Middle East would look”, Colonel Ralph Peters, Armed Forces Journal, June 2006

[4] “Imagining a Remapped Middle East”, Robin Wright, The New York Times Sunday Review, 28 septembre 2013.

[5] « Yer : Amman, Tarih : 1, Konu : Musul », Akif Serhat, Özgür Gündem, 6 temmuz 2014.

[6] “350 diplomatic flights carry weapons for terrorists”, Dilyana Gaytandzhieva, Trud, July 2, 2017.

[7] “TAJNA LETOVA JORDANSKIH AVIONA S PLESA Sirijski pobunjenici dobivaju oružje preko Zagreba!”, Krešimir Žabec, Jutarnji list, 23 veljača 2013. «TRANSFER HRVATSKOG ORUŽJA POBUNJENICIMA U SIRIJI Sve je dogovoreno prošlog ljeta u Washingtonu!», Krešimir Žabec, Jutarnji list, 26 veljača 2013. “VIDEO: JUTARNJI OTKRIVA U 4 mjeseca za Siriju sa zagrebačkog aerodroma Pleso otišlo 75 aviona sa 3000 tona oružja!”, Krešimir Žabec, Jutarnji list, 7 ožujak 2013. “PUT KROZ ASADOVU SIRIJU Nevjerojatna priča o državi sravnjenoj sa zemljom i njezinim uništenim ljudima: ’Živote su nam ukrali, snove ubili...’”, Antonija Handabaka, Jutarnji list, 9 ožujak 2013.

[8] “US arms shipment to Syrian rebels detailed”, Jeremy Binnie & Neil Gibson, Jane’s, April 7th, 2016.

[9] “Da Camp Darby armi Usa per la guerra in Siria e Yemen”, Manlio Dinucci, Il Manifesto, 18 aprile 2017.



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Europa "não está livre de um novo ataque terrorista de larga escala"

 
 
O ISIS é uma "ameaça grave a curto e médio prazo" para a Europa
 
O diretor-geral do Serviço de Informações de Segurança (SIS), Adélio Neiva da Cruz, afirmou, esta terça-feira, em Braga, que a Europa "não está livre de um novo ataque terrorista de larga escala".
 
Neiva da Cruz alertou que a organização terrorista Estado Islâmico "continua a ser uma ameaça grave a curto e médio prazo", apesar da morte do seu líder, Abu Bakr Al-Baghdadi, divulgada em outubro.
 
"Continuamos a avaliar que a Europa não está livre de um novo ataque de larga escala nem essa hipótese está sequer excluída", vincou.
 
O diretor-geral do SIS falava na Universidade do Minho, durante um congresso internacional sobre "Prevenção, policiamento e segurança - Implicações nos direitos humanos", promovido pela Escola de Direito daquela academia.
 
Admitindo que a "derrota territorial" e, sobretudo, a morte do seu líder significaram um "golpe significativo" para o Estado Islâmico, Neiva da Cruz frisou que não consubstanciam "o fim ou a derrota da organização".
 
"A organização terrorista Estado Islâmico continua a ser uma ameaça grave a curto e médio prazo (...). Seria imprudente descansar", referiu, sublinhando que a morte de Abu Bakr Al-Baghdadi "não terá impacto nos planos da organização para a Europa".
 
 
No entanto, Neiva de Cruz considera que os estados estão hoje "coletivamente mais preparados do que nunca", já que "aprenderam com os seus erros, colmataram as suas vulnerabilidades e de forma concertada e articulada gizaram mecanismos céleres e eficientes para detetar e reprimir a concretização de ameaças terroristas".
 
Neiva da Cruz disse que, no espaço específico dos sistemas de informações de segurança interna, "a cooperação europeia assumiu patamares de confiança e partilha que no passado recente teriam sido considerados irrealistas e simplesmente impossíveis".
 
No âmbito da cooperação nacional, Neiva da Cruz destacou que a "transfiguração e a severidade" da ameaça levaram a uma "mudança de mentalidades" e à adoção de estratégias e ferramentas que "reforçam a dependência recíproca" e que "robustecem a capacidade coletiva de identificar e reprimir as ameaças".
 
Admitindo que Portugal ainda não tem todas aquelas ferramentas, adiantou que o esforço conjunto está já traduzido em "inúmeros casos concretos, longe dos holofotes do mediatismo, em que o pior cenário não se concretizou".
 
"Estamos hoje mais fortes e inequivocamente mais preparados e mais capacitados para combater a ameaça terrorista que se desenha no futuro", rematou.
 
TSF | Lusa | Imagem: © Google Maps
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/europa-nao-esta-livre-de-um-novo-ataque.html

'Mortes aos infiéis': polícia desarma 'ataque de grandes proporções' do Daesh na Alemanha

Policiais alemães detiveram suspeitos de um ataque terrorista em Frankfurt
© REUTERS / Ralph Orlowski

Três suspeitos que juraram lealdade ao grupo terrorista Daesh foram detidos durante uma grande operação antiterrorista perto de Frankfurt, que, segundo autoridades alemãs, frustrou um grande ataque terrorista envolvendo explosivos e armas de fogo.

Mais de 170 policiais, incluindo membros de uma equipe de elite da polícia antiterrorismo chamada SEK, invadiram três apartamentos na cidade de Offenbach-am-Main na noite de terça-feira. O principal suspeito era um alemão de 24 anos de origem macedônia, enquanto seus cúmplices - dois turcos de 22 e 21 anos - foram presos durante ações separadas na mesma cidade.

O principal suspeito chegou perturbadoramente perto de preparar um ataque, disse um promotor público de Frankfurt à mídia. Ele já havia adquirido peças para fabricar explosivos caseiros e tentou comprar armas na deep web, parte da internet frequentemente usada para negócios ilegais.

Os homens, que cresceram juntos em Offenbach, parecem ter planejado um ataque na região de Rhine-Main. Eles pretendiam matar "o maior número possível de pessoas, os chamados infiéis", declarou Nadja Niesen, porta-voz do gabinete do promotor.

Embora ainda não se saiba se eles escolheram um alvo específico, a intervenção policial "ocorreu a tempo de evitar uma ameaça concreta".

Polícia isola o caminhão, que colidiu com uma feira de natal em Berlim, Alemanha
Polícia isola o caminhão, que colidiu com uma feira de natal em Berlim, Alemanha

As autoridades conseguiram rastrear os suspeitos depois que eles receberam uma denúncia de testemunhas que os viram prometer lealdade ao Daesh. Um dos homens presos tem um parente que viajou para a Síria para se juntar à organização, informou o jornal Die Welt.

A Alemanha está em alerta máximo devido ao aumento da ameaça terrorista. Em 2016, o país sofreu o ataque mais mortal, quando um tunisiano de 23 anos de idade usou um caminhão sequestrado para atingir o mercado de Natal de Berlim, matando 12 pessoas.

Os ataques ocorrem apenas um dia após a Turquia anunciar que começará a enviar militantes do Daesh da Europa de volta aos países de onde vieram. A Alemanha aguarda a chegada de 10 homens, mulheres e crianças, todos com ligações ao grupo terrorista.

A chamada repatriação desencadeou um acalorado debate sobre a possibilidade de levar ou não os combatentes capturados. No início de abril, Berlim aprovou uma lei que despojava cidadãos de sua nacionalidade alemã se lutassem no exterior por grupos terroristas conhecidos.

Enquanto isso, aqueles que podem provar sua cidadania têm o direito de retornar, disse o governo na segunda-feira, mas suspeitos de serem militantes ainda podem ser julgados depois de chegarem em casa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019111314772328-mortes-aos-infieis-policia-desarma-ataque-de-grandes-proporcoes-do-daesh-na-alemanha/

The Caliph, um filme da CIA entre ficção e realidade

Manlio Dinucci    08.Nov.19

Trump, tal como Obama e Hillary Clinton antes dele, assiste no Situation Room da Casa Branca à eliminação de ex-aliados tornados incómodos. Foi assim com Bin Laden como agora com al Baghdadi. O acontecimento pouco difere da programação habitual de um canal de entretenimento EUA, com os seus heróis e os seus vilões. Neste caso, os principais vilões são os que estão na assistência.


 

“Foi como assistir a um filme”, ​​disse o presidente Trump após assistir à eliminação de Abu Bakr al Baghdadi, o Califa chefe do Isis (Daesh), transmitida na Sala de gestão de crises (Situation Room) da Casa Branca. Fora ali que, em 2011, o presidente Obama tinha assistido à eliminação do inimigo número um da época, Osama Bin Laden, chefe da Al Qaeda.

A mesma encenação: os serviços secretos dos EUA tinham há muito localizado o inimigo; este não é capturado, mas eliminado. Bin Laden é morto, al Baghdadi suicida-se ou é “suicidado”; o corpo desaparece, o de bin Laden sepultado no mar, os restos de al Baghdadi desintegrados pelo seu cinturão explosivo são também estão espalhados no mar.

Mesmo produtor do filme: a Comunidade de Informações, composta por 17 organizações federais. Para além da CIA (Agência Central de Informações), está o DIA (Agência de Informações de Defesa), mas cada sector das forças armadas, tal como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Interna, tem seu próprio serviço. secreto.

Para as acções militares, a Comunidade de Informações utilisa o Comando das Forças Especiais, instalado em pelo menos 75 países, cuja missão oficial inclui, além da “acção directa para eliminar ou capturar inimigos”, a “guerra não convencional conduzida por forças externas, treinadas e organizadas pelo Comando”.

É exactamente o que acontece na Síria em 2011, o mesmo ano em que a guerra da UE/NATO destruiu a Líbia. Demonstram-no provas documentadas, já publicada por Il Manifesto. Por exemplo: em Março de 2013, o New York Times publica uma investigação detalhada sobre a rede da CIA através da qual chegam à Turquia e à Jordânia, com financiamento da Arábia Saudita e de outras monarquias do Golfo, rios de armas para militantes islâmicos treinados pelo Comando das Forças Especiais dos EUA antes de serem infiltrados na Síria.

Em Maio de 2013, um mês após ter fundado o Isis (Daesh), al Baghdadi encontra-se na Síria com uma delegação do Senado dos Estados Unidos encabeçada por John McCain, como um documento fotográfico revela.

Em Maio de 2015, é divulgado pela Judicial Watch um documento do Pentágono, datado de 12 de Agosto de 2012, no qual se afirma que existe “a possibilidade de estabelecer um principado salafita no leste da Síria, e [que] é exactamente isso que querem os países ocidentais, os estados do Golfo e a Turquia que apoiam a oposição “.

Em Julho de 2016, é revelado pelo Wikileaks um e-mail de 2012 no qual a secretária de Estado Hillary Clinton escreve que, dada a relação Irão-Síria, “o derrube de Assad constituiria um imenso benefício para Israel, diminuindo seu receio de perder o monopólio nuclear “.
Isso explica por que, embora os EUA e seus aliados tenham lançado em 2014 a campanha militar contra o Daesh, as forças do Daesh possam avançar com longas colunas de veículos armados em espaços abertos sem serem incomodadas.

A intervenção militar russa em 2015, em apoio às forças de Damasco, inverte o destino do conflito. O objectivo estratégico de Moscovo é impedir a destruição do Estado sírio, que provocaria o caos como na Líbia, que os EUA e a NATO aproveitariam para atacar o Irão e cercar a Rússia.

Os Estados Unidos, curto-circuitados, continuam a jogar a carta de fragmentação da Síria, apoiando os independentistas curdos para depois os abandonar para não perderem a Turquia, posto avançado da NATO na região.

Em tal cenário é compreensível porque al Baghdadi, tal como Bin Laden (ex-aliado dos EUA contra a Rússia na guerra do Afeganistão), não podia ser capturado para ser publicamente julgado, mas tinha que desaparecer fisicamente para fazer desaparecer as provas do seu verdadeiro papel na estratégia dos EUA. É por isso que Trump tanto apreciou o filme que acaba bem.

Fonte: https://ilmanifesto.it/il-califfo-film-cia-tra-fiction-e-realta/

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^endereço (www.odiario.info)
  2. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Quando não aprendeu a controlar terroristas

 
Quando não aprendeu a controlar terroristas

O ministro do Interior da Turquia, Suleyman Soylu, acusou países europeus de estarem tentando obrigar Ancara a resolver o problema da presença dos terroristas por si só.

O ministro chamou a atitude da Europa com militantes cativos de "inaceitável e irresponsável". Ele sublinhou que a Turquia não planeja manter todos os terroristas no país e ameaçou enviá-los "para casa". "Não somos um hotel para terroristas", disse Soylu, citado pelo portal Hurriyet.

O ministro turco lembrou que uma parte dos militantes do Daesh (grupo terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) capturados na Síria era dos países estrangeiros que os privaram da cidadania.

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Turquia quer enviar terroristas islâmicos de volta à Europa

 
 
Países europeus recusam receber de volta cidadãos que foram lutar pelo "Estado Islâmico" na Síria. Ministro turco do Interior anuncia medida unilateral, advertindo que seu país não é "hotel para membros do EI".
 
O ministro turco do Interior, Süleyman Soylu, comunicou neste sábado (02/11) que pretende repatriar o mais rápido possível os membros do "Estado Islâmico" (EI) de origem europeia capturados na Síria.
 
A Turquia não é "nenhum hotel para membros do EI", frisou o chefe de pasta, criticando os Estados europeus por deixarem Ancara sozinha na questão de como lidar com os presos do grupo jihadista. Tal seria inaceitável e irresponsável, e países como o Reino Unido e a Holanda, de onde alguns dos capturados vêm, estariam assim tomando o caminho mais fácil, disse Soylu, sem revelar de quantos terroristas se trata.
 
Em outubro, durante uma ofensiva contra a milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG), no nordeste da Síria, as Forças Armadas turcas assumiram o controle de uma faixa de 120 quilômetros ao longo da fronteira entre os dois países. Na ocasião, foram capturados alguns integrantes do EI, escapados da prisão.
 
 
As fugas haviam ocorrido quando a Turquia avançou sobre o território ocupado pelos curdos, em 9 de outubro, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirar suas tropas, apesar dos protestos domésticos e internacionais. A ofensiva foi suspensa após oito dias, num cessar-fogo negociado pelos americanos. Na última semana, a Rússia, na qualidade de potência protetora do ditador sírio, Bashar al Assad, fechou acordo com a Turquia para o controle conjunto das regiões fronteiriças.
 
Ancara considera as YPG o braço sírio do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e as combate como organização terrorista. Diversos países europeus têm se recusado a receber de volta seus cidadãos que viajaram para Síria a fim de combater pelo EI, e haviam sido presos pelas Forças Democráticas Sírias (FDS).
 
Desde a sexta-feira a Organização das Nações Unidas estuda os planos do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de alojar milhões de refugiados sírios, atualmente residentes na Turquia, nos territórios ocupados no norte da Síria. O secretário-geral da ONU, António Guterres, encontrou-se em Istambul com Erdogan para se informar sobre a medida.
 
Deutsche Welle | AV/rtr,afp,dpa

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Turquia ameaça devolver terroristas do Daesh para Europa: 'Não somos hotel'

Bandeira do Daesh em um prédio localizado na fronteira da Síria com a Turquia
© REUTERS / Murad Sezer/Files

A Turquia ameaçou devolver os jihadistas do Daesh, detidos por Ancara, aos seus países de origem.

Apesar de alguns países europeus terem revogado as nacionalidades de alguns dos terroristas do Daesh, o ministro do Interior turco, Suleiman Soylu, disse que pretende devolver os presos aos seus países de origem.

"Não somos um hotel", disse Soylu, citado por Sputnik Mundo.

O ministro acrescentou que países como Holanda ou Reino Unido adotaram "o caminho mais fácil", revogando a cidadania dos jihadistas.

"Digamos que os prendamos por um tempo e depois os libertemos. O que fazemos depois? Concedemos cidadania turca? Não, enviaremos aos seus países de origem!", afirmou o político.

Soylu se referiu, em particular, aos combatentes do Daesh e seus parentes capturados durante a operação militar iniciada por Ancara no dia 9 de outubro e contra os militantes curdos e do Daesh na região fronteiriça da Síria.

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Supostamente morto pelos EUA, ex-líder do Daesh é 'uma criação dos EUA', diz Lavrov

Líder do Daesh, Abu Bakr al-Baghdadi, em 29 de abril de 2019
© REUTERS / Grupo do Estado Islâmico/Al Furqan Media Network/

Abu Bakr al-Baghdadi, ex-líder e fundador do Daesh , foi "uma criação dos Estados Unidos", declarou o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Al-Baghdadi "é, ou já foi, uma criação dos Estados Unidos", pontuou Lavrov em entrevista à rede russa Rossiya 24.

O ministro russo disse que "o Daesh surgiu após a invasão ilegal do Iraque, o colapso do Estado iraquiano".

"Portanto, até certo ponto, os americanos eliminaram quem eles mesmos haviam criado", prosseguiu o chanceler russo.

Ao mesmo tempo, Lavrov ressaltou que os militares russos ainda não confirmam o anúncio da eliminação de Al-Baghdadi pelos Estados Unidos e lembrou que o terrorista "foi declarado morto em diversas ocasiões". Se a informação for confirmada, ele disse, será um "desenvolvimento positivo".

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou em 27 de outubro a morte de Al-Baghdadi como resultado de uma operação especial das forças americanas no noroeste da Síria.

Possível local da operação norte-americana que teria assassinado Abu Bakr al-Baghdadi, no nordeste da Síria, no dia 28 de outubro de 2019
© AFP 2019 / Omar Haj Kadour
Possível local da operação norte-americana que teria assassinado Abu Bakr al-Baghdadi, no nordeste da Síria, no dia 28 de outubro de 2019

Mais tarde, o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, informou que a Rússia não tem informações verdadeiras sobre a operação das Forças Armadas dos EUA ou sobre "a morte do dia" de Al-Baghdadi.

Na quinta-feira passada, o Daesh confirmou a morte de Al-Baghdadi e anunciou seu novo líder.

Al-Baghdadi, nome verdadeiro Ibrahim Awwad Ibrahim al-Badri, é conhecido como líder terrorista desde 2014, quando proclamou de uma mesquita na cidade iraquiana de Mossul, tomada pelo Daesh, a criação do "califado islâmico" no Oriente Médio.

Desde então, em mais de uma ocasião, foram publicadas informações sobre sua morte, que posteriormente foram negadas.

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Assad suspeita da morte do líder do Daesh e a relaciona ao assassinato 'duvidoso' de bin Laden

O presidente sírio Bashar Assad durante um discurso em frente dos diplomatas, em 20 de agosto de 2017
© AP Photo / Página do Facebook da Presidência da Síria

Segundo presidente sírio, Bashar Assad, todo e qualquer anúncio feito por um político americano deve ser encarado com profundo ceticismo.

O líder sírio levanta suspeita em relação à operação dos EUA de assassinato de Abu Bakr al-Baghdadi, então líder do Daesh.

A amplamente divulgada operação das forças especiais americanas teria eliminado o líder do Daesh, deixando mais dúvidas do que respostas. A declaração foi dada por Assad durante uma entrevista concedida aos canais sírios, citados pela agência estatal SANA.

Damasco não teve qualquer tipo de participação na operação, declarou Assad, relatando que teve conhecimento da morte através da imprensa. Assad alega que acrescentar participantes nesta operação provavelmente daria credibilidade para ela, enquanto que países em tal lista considerariam um prestígio "fazer parte desta 'grande' operação".

"Nós não precisamos de tal crédito. Nós somos aqueles que enfrentam o terrorismo. Não temos nem relações nem contato com qualquer instituição norte-americana que seja", esclareceu o presidente sírio.

A exaltação norte-americana de suas próprias ações não convenceu Assad se "realmente ocorreram ou não". Além disso, o presidente sírio considera suspeita a operação como um todo, retomando a discussão sobre a morte do infame terrorista Osama bin Laden, então líder da Al-Qaeda.

Líder do Daesh, Abu Bakr al-Baghdadi, em 29 de abril de 2019
© REUTERS / Grupo do Estado Islâmico/Al Furqan Media Network/
Líder do Daesh, Abu Bakr al-Baghdadi, em 29 de abril de 2019

"Por que os restos de al-Baghdadi não foram apresentados? O mesmo cenário ocorreu com bin Laden. Caso diferentes motivos sejam utilizados para não apresentar os restos, deixe-nos recordar como o presidente Saddam Hussein foi capturado [...]; vídeos e imagens foram apresentados após sua captura."

"Essa é uma parte dos truques executados pelos norte-americanos. Por esse motivo nunca devemos acreditar na totalidade do que for dito por eles, a não ser que haja evidências. Os políticos norte-americanos são culpados até que se prove a inocência, não o oposto", adicionou Bashar Assad.

Mesmo que o líder tenha sido de fato eliminado e que o grupo terrorista conheça seu fim, nada mudaria, afirmou Assad, detalhando que o verdadeiro problema emana do wahabismo, que possui "mais de dois séculos" e não desaparecerá facilmente.

O pensamento radical islamista e al-Baghdadi não passaram de ferramentas dos EUA, que podem facilmente serem recolocadas em prática em outros lugares, acentuou Assad.

"Eu acredito que essa operação não passou de um truque. Al-Baghdadi vai ser recriado com um nome diferente, um indivíduo diferente, ou o próprio Daesh em sua íntegra pode ser revivido em um novo local, apresentando um novo nome, mas com o mesmo pensamento e propósito. O diretor de todo o cenário é o mesmo, os norte-americanos", concluiu.

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NOVA OBRA DE FICÇÃO DOS ESTÚDIOS CIA / DIA

 
 
Os estúdios CIA/DIA (Central Intelligence Agency / Defense Intelligence Agency) continuam a produzir obras de ficção para nos entreter. A última é a da morte do "califa" al Baghdadi, o qual depois de ser encurralado num tunel por um cão da CIA ter-se-ia feito explodir. 
 
A obra foi apreciada com deleite na "Situation Room" da Casa Branca, que divulgou a foto do cão.
 
A obra de ficção anterior dos referidos estúdios foi a suposta morte de Bin Laden por um comando SEAL. Em ambos os casos os cadáveres foram lançados ao mar e não há testemunhas. Por sua vez, as forças armadas russas presentes na Síria afirmaram não ter detectado movimentações militares dos EUA na região de Idleb onde teria morrido Baghdadi.
 
Seja como for, em termos estratégicos é irrelevante a morte deste auto-denominado "califa". Os terroristas do Daesh/ISIS/ISIL foram derrotados sobretudo pelas valentes Forças Armadas Sírias, com o apoio aéreo russo. Estes são os principais responsáveis pela derrota dos terroristas que infestavam a Síria, armados pelo imperialismo.
 
Resistir.info

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EUA confirmam que restos mortais de líder do Daesh foram depositados no mar

Líder do grupo terrorista Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi. (Arquivo)
© East News / Balkis Press

Os restos mortais do líder do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e outros países), Abu Bakr al-Baghdadi, foram depositados no fundo do mar 24 horas após sua morte, segundo uma fonte militar americana.

"Após a coleta de amostras para análises formais de DNA, os restos mortais de Baghdadi foram enterrados no mar, de acordo com as leis de conflitos armados, 24 horas após sua morte", disse nesta quarta-feira (30) o general Kenneth McKenzie, chefe do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). 

O militar não informou, no entanto, em que parte do oceano isso foi feito. O líder da Al-Qaeda Osama bin Laden também teve seu corpo depositado no mar após ser morto em uma operação americana no Paquistão, em 2 de maio de 2011. 

No domingo (27), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Abu Bakr al-Baghdadi tinha sido morto em uma operação das forças especiais americanas na Síria. O republicano explicou que o líder do Daesh estava sob monitoramento do Departamento de Defesa por algum tempo, até que se deram as condições para o ofensiva. 

Na terça-feira (29), o Pentágono informou que os EUA se livraram do corpo do líder terrorista pouco depois da confirmação de sua identidade, mas as informações sobre as provas do ataque e do seu sepultamento no mar permaneciam classificadas.

Na ocasião, o general do Exército dos EUA Mike Milley disse que após a operação no noroeste da Síria, o corpo de Baghdadi tinha sido mutilado e imediatamente levado "para uma instalação segura para confirmar sua identidade por meio de testes forenses de DNA".

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«A arte da guerra»O Califa, filme CIA entre a ficção e a realidade

É um produto bem definido. No final de uma vasta operação especial na qual uma arma inenarrável foi usada, é aconselhável encenar a morte da pessoa que a incorporou. Esta é a melhor maneira de apagar os acontecimentos na opinião pública. Após a morte de Bin Laden, aqui está a de al-Baghdadi

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“Foi como assistir a um filme”, disse o Presidente Trump, depois de testemunhar a eliminação de Abu Bakr al Baghdadi, o Califa, Chefe do ISIS, transmitido na Situation Room da Casa Branca. Aqui, em 2011, o Presidente Obama assistia à eliminação do então inimigo número um, Osama Bin Laden, Chefe da Al Qaeda. O mesmo argumento: os serviços secretos dos EUA tinham localizado,há muito tempo, o inimigo; este não é capturado, mas eliminado: Bin Laden é morto; al Baghdadi suicida-se ou é “suicidado”; o corpo desaparece: o de Bin Laden é sepultado no mar,os restos de al Baghdadi, desintegrados pelo cinto de explosivos,também esses são espalhados no mar. O mesmo produtor do filme: a Comunidade de Inteligência, formada por 17 organizações federais. Além da CIA (Agência Central de Inteligência), existe a DIA (Agência de Inteligência de Defesa), mas cada sector das Forças Armadas, bem como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Interna, têm o seu próprio serviço secreto.

Para as acções militares, a Comunidade de Inteligência usa o Comando das Forças Especiais, instalado em, pelo menos, 75 países, cuja missão oficial compreende, além da “acção directa para eliminar ou capturar inimigos”, a “guerra não convencional conduzida por forças externas, treinadas e organizadas pelo Comando ". É, exactamente, o que começou na Síria, em 2011, no mesmo ano em que a guerra USA/NATO destrói a Líbia. Demonstram-no as provas documentadas, já publicadas em ‘il manifesto’.

➢ Por exemplo, em Março de 2013, o New York Times publicou uma pesquisa detalhada sobre a rede da CIA, através da qual chegam à Turquia e à Jordânia, com o financiamento da Arábia Saudita e de outras monarquias do Golfo, rios de armas para os militantes islâmicos treinados pelo Comando de Forças Especiais USA, antes de serem infiltradas na Síria [1].

➢ Em Maio de 2013, um mês após ter fundado o ISIS, al Baghdadi, encontra na Síria uma delegação do Senado dos Estados Unidos chefiada por John McCain na Síria, como mostra a documentação fotográfica [2].

➢ Em Maio de 2015, um documento do Pentágono datado de 12 de Agosto de 2012 é desclassificado pela Judicial Watch, no qual se afirma que há “a possibilidade de estabelecer um principado salafita na Síria oriental, e é exactamente o que os países ocidentais desejam, os Estados do Golfo e a Turquia, que apoiam a oposição” [3].

➢ Em Julho de 2016, é desclassificado pelo Wikileaks um email de 2012 no qual a Secretária de Estado, Hillary Clinton, escreve que, dada a relação Irão-Síria, “a destituição de Assad constituiria um imenso benefício para Israel, diminuindo o medo de perder o monopólio nuclear.” Isso explica por que motivo, não obstante os EUA e os seus aliados iniciarem, em 2014, a campanha militar contra o ISIS, as forças do ISIS podem avançar sem perturbações em espaços abertos, com longas colunas de veículos armados [4].

A intervenção militar russa em 2015, de apoio às forças de Damasco, reverte o destino do conflito. O objectivo estratégico de Moscovo é impedir a demolição do estado sírio, que provocaria um caos do tipo líbio, vantajoso para os USA e para a NATO, para atacar o Irão e cercar a Rússia.

Os Estados Unidos, irracionais, continuam a jogar a cartada da fragmentação da Síria, apoiando os independentistas curdos e depois abandonando-os para não perder a Turquia, posto avançado da NATO na região.

Neste contexto, compreende-se por que al Baghdadi, como Bin Laden (anteriormente aliado dos USA contra a Rússia, na guerra do Afeganistão), não podia ser capturado para ser processado publicamente, mas que devia desaparecer fisicamente para fazer desaparecer as provas do seu verdadeiro papel na estratégia USA. Por isso, a Trump agradou tanto o filme com um final feliz.


[1] « Arms Airlift to Syria Rebels Expands, With Aid From C.I.A. », par C. J. Chivers and Eric Schmitt, The New York Times, March 14, 2013. “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.

[2] « John McCain, le chef d’orchestre du "printemps arabe", et le Calife », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 18 août 2014.

[3] Rapport de l’Agence de Renseignement militaire aux divers services de l’administration Obama sur les jihadistes en Syrie (document déclassifié en anglais), 12 août 2012.

[4] « New Iran and Syria », Hillary Clinton, December 31, 2012, Wikileaks.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Eu já vi este filme

Tintin e o seu cão Milou vistos por Spielberg no cinema
 
image  Hergé batizou de Milou o seu canito, mas por razões que só a CIA poderá explicar, o nome do canídeo de Trump continua em segredo.

Trump divulga a foto do cão que apanhou o líder do Daesh

image “O seu nome continua secreto”
 
Não se sabe o nome do animal, mas o presidente dos EUA fez questão de mostrar a imagem do cão que integrou a operação para capturar o líder do Estado Islâmico
 
“O general MarkMilley disse que os EUA "estão a proteger a identidade do cão", mantendo, por enquanto, que toda a informação sobre o animal está em segredo.”
 
Milley teria ainda dito que o Twitter trumpista, é eximio em fabricar casos imbecis para fortalecer a cretinice global e, que o produto se vende bem e resulta.
É CASO PARA DIZER QUE A MEDIA NOS TRATA ABAIXO DE CÃO.
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

«O CALIFA, FILME CIA ENTRE A FICÇÃO E A REALIDADE»

POR Manlio Dinucci -- A Arte da Guerra 
TRADUÇÃO DE : Maria Luísa de Vasconcellos
image
ITALIANO PORTUGUÊS
 
“Foi como assistir a um filme”, disse o Presidente Trump, depois de testemunhar a eliminação de Abu Bakr al Baghdadi, o Califa, Chefe do ISIS, transmitido na Situation Room da Casa Branca. Aqui, em 2011, o Presidente Obama assistia à eliminação do então inimigo número um, Osama Bin Laden, Chefe da Al Qaeda. O mesmo argumento: os serviços secretos dos EUA tinham localizado,há muito tempo, o inimigo; este não é capturado, mas eliminado: Bin Laden é morto; al Baghdadi suicida-se ou é “suicidado”; o corpo desaparece: o de Bin Laden é sepultado no mar,os restos de al Baghdadi, desintegrados pelo cinto de explosivos,também esses são espalhados no mar. O mesmo produtor do filme: a Comunidade de Inteligência, formada por 17 organizações federais. Além da CIA (Agência Central de Inteligência), existe a DIA (Agência de Inteligência de Defesa), mas cada sector das Forças Armadas, bem como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Interna, têm o seu próprio serviço secreto.


Para as acções militares, a Comunidade de Inteligência usa o Comando das Forças Especiais, instalado em, pelo menos, 75 países, cuja missão oficial compreende, além da “acção directa para eliminar ou capturar inimigos”, a “guerra não convencional conduzida por forças externas, treinadas e organizadas pelo Comando ". É, exactamente, o que começou na Síria, em 2011, no mesmo ano em que a guerra USA/NATO destrói a Líbia. Demonstram-no as provas documentadas, já publicadas em ‘il manifesto’.

- Por exemplo, em Março de 2013, o New York Times publicou uma pesquisa detalhada sobre a rede da CIA, através da qual chegam à Turquia e à Jordânia, com o financiamento da Arábia Saudita e de outras monarquias do Golfo, rios de armas para os militantes islâmicos treinados pelo Comando de Forças Especiais USA, antes de serem infiltradas na Síria. 

- Em Maio de 2013, um mês após ter fundado o ISIS, al Baghdadi, encontra na Síria uma delegação do Senado dos Estados Unidos chefiada por John McCain na Síria, como mostra a documentação fotográfica. 


- Em Maio de 2015, um documento do Pentágono datado de 12 de Agosto de 2012 é desclassificado pela Judicial Watch, no qual se afirma que há “a possibilidade de estabelecer um principado salafita na Síria oriental, e é exactamente o que os países ocidentais desejam, os Estados do Golfo e a Turquia, que apoiam a oposição”. 

- Em Julho de 2016, é desclassificado pelo Wikileaks um email de 2012 no qual a Secretária de Estado, Hillary Clinton, escreve que, dada a relação Irão-Síria, “a destituição de Assad constituiria um imenso benefício para Israel, diminuindo o medo de perder o monopólio nuclear.” Isso explica por que motivo, não obstante os EUA e os seus aliados iniciarem, em 2014, a campanha militar contra o ISIS, as forças do ISIS podem avançar sem perturbações em espaços abertos, com longas colunas de veículos armados.


A intervenção militar russa em 2015, de apoio às forças de Damasco, reverte o destino do conflito. O objectivo estratégico de Moscovo é impedir a demolição do estado sírio, que provocaria um caos do tipo líbio, vantajoso para os USA e para a NATO, para atacar o Irão e cercar a Rússia.


Os Estados Unidos, irracionais, continuam a jogar a cartada da fragmentação da Síria, apoiando os independentistas curdos e depois abandonando-os para não perder a Turquia, posto avançado da NATO na região.


Neste contexto, compreende-se por que al Baghdadi, como Bin Laden (anteriormente aliado dos USA contra a Rússia, na guerra do Afeganistão), não podia ser capturado para ser processado publicamente, mas que devia desaparecer fisicamente para fazer desaparecer as provas do seu verdadeiro papel na estratégia USA. Por isso, a Trump agradou tanto o filme com um final feliz.


il manifesto, 29 de Outubro de 2019

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Tesouro do Daesh é descoberto em deserto por pastores iraquianos

Barras de ouro
© Sputnik / Vitaliy Bezrukih

Pastores iraquianos descobriram no deserto um esconderijo onde os terroristas do Daesh tinham escondido dinheiro e objetos de valor.

De acordo com o tabloide britânico Mirror, esta informação foi providenciada por Mohammed Ali Sajet, familiar do líder Abu Bakr al-Baghdadi, supostamente eliminado há dias.

Segundo Ali Sajet, o esconderijo descoberto continha dinheiro, ouro e prata em um valor total aproximado de US$25,7 milhões.

No entanto, apesar de terem um plano bem elaborado sobre o que fazer com os itens escondidos, os jihadistas perderam os seus troféus, que foram posteriormente encontrados por pastores.

De acordo com o canal de televisão Al Arabiya, Mohammed Ali Sajet foi capturado pela inteligência iraquiana. Após os EUA terem anunciado a eliminação de al-Baghdadi durante uma operação militar na Síria, o canal mostrou uma entrevista com Ali Sajet, na qual ele falou sobre os tesouros, precisando que tinham sido encontrados no deserto, na província iraquiana de Anbar.

Esta região faz fronteira com a Síria, Jordânia e Arábia Saudita e integra o assim chamado triângulo sunita, território dominado por população árabe sunita. Uma importante parte da província tinha sido capturada pelo Daesh  em 2014.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019103014707011-tesouro-do-daesh-e-descoberto-em-deserto-por-pastores-iraquianos-/

Por que al-Baghdadi teria fugido para território inimigo? Analista comenta captura de terrorista

Possível local da operação norte-americana que teria assassinado Abu Bakr al-Baghdadi, no nordeste da Síria, no dia 28 de outubro de 2019
© AFP 2019 / Omar Haj Kadour

Neste domingo (27), o presidente Donald Trump anunciou a liquidação do líder do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e demais países) após uma operação em Idlib, no nordeste da Síria. Após testes de DNA terem comprovado a identidade do terrorista, algumas perguntas sobre a operação seguem sem resposta.

Em pronunciamento feito neste domingo (27), Donald Trump descreveu a operação norte-americana que teria eliminado Abu Bakr al-Baghdadi, líder da organização terrorista Daesh.

 

Ontem à noite, os EUA levaram o líder terrorista número um do mundo à justiça. O presidente Donald Trump fala sobre a morte de Abu Bakr al-Baghdadi, fundador e líder do ISIS [Daesh].

O serviço em inglês da Rádio Sputnik recebeu o analista de relações internacionais e segurança Mark Sleboda para conversar sobre o ocorrido e dissecar os detalhes da operação norte-americana.

O petróleo sírio

De acordo com o analista, o interesse dos EUA neste momento é garantir a posse do petróleo sírio:

"O interesse deles agora é se apossar do petróleo da Síria. O Ministério da Defesa da Rússia chegou mesmo a acusar os Estados Unidos de estarem envolvidos em contrabando de petróleo sírio", lembrou o analista.

De fato, o major-general russo Igor Konashenkov acusou os Estados Unidos de contrabandearem petróleo, com base em imagens de satélite, publicadas neste sábado (26).

Poço de petróleo nos arredores da cidade síria de Deir ez-Zor, na Síria
© Sputnik / Mikhail Voskresensky
Poço de petróleo nos arredores da cidade síria de Deir ez-Zor, na Síria

O major-general classificou a presença de tropas e a fortificação do terreno em torno dos poços de petróleo de al-Hakashah como "banditismo estatal internacional".

Uma empresa citada por Konashenkov é a norte-americana Sabcab (também conhecida como Sedcab). Apesar de ter sido criada com apoio da comunidade curda local, os seus lucros revertem para serviços de inteligência e empresas de segurança privadas ligados aos EUA.

Tanques M1 Abrams norte-americanos poderão ser enviados a campos de petróleona na Síria
© Sputnik / Sergey Melkonov
Tanques M1 Abrams norte-americanos poderão ser enviados a campos de petróleona na Síria

Sleboda explicou que os lucros provenientes do petróleo contrabandeado financiam "operações especiais e secretas" dos EUA na região.

Captura de Baghdadi em Idlib gera questionamentos

O analista notou que a captura em Idlib do líder do Daesh é passível de questionamentos. A cidade é um reduto da Al-Qaeda, um grupo bastante hostil ao Daesh.

"É estranho que Baghdadi tenha fugido para Idlib, um território controlado pelos seus inimigos", ponderou.

A cidade, localizada a cerca de 8 quilômetros da fronteira com a Turquia, também seria de difícil acesso ao terrorista líder do Daesh:

"Para chegar até lá [Idblib], Baghdadi teria que ter atravessado muitos territórios inimigos: territórios controlados pelos curdos, pelos americanos, por milícias apoiadas pelos turcos, pelo governo sírio e pela Rússia", descreveu o analista.

O analista também notou que os norte-americanos não realizaram a operação a partir da Turquia, seu aliado da OTAN, preferindo realizá-la a partir do Iraque. Isso, segundo Sleboda, seria uma demonstração de que os norte-americanos não confiam no líder turco, Recep Tayyip Erdogan.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102914703473-por-que-al-baghdadi-fugiu-para-territorio-de-seus-inimigos-analista-comenta-captura-terrorista/

O ocaso do Jihadismo?

A morte do líder do Estado Islâmico pelas forças especiais norte-americanas é um facto de extrema relevância para o combate ao Jihadismo, como já tinha sido a morte de Bin Laden em 2011, embora não necessariamente como previsto, dado que o desaparecimento de Bin Laden facilitou a cisão da Al Qaeda e a expansão territorial do ISIS.

 

 

Independentemente da eliminação de Al Baghdadi vários sinais recentes apontam para um declínio da capacidade de mobilização do Jihadismo paralelamente à sua mobilização por lógicas imperialistas.

  1. Ásia do Sul

Em artigo que publiquei no ‘New Delhi Times’ expliquei por que razão penso que o Ocidente menorizou a importância da Ásia do Sul no desenvolvimento do moderno jihadismo.

Em primeiro lugar, o Ocidente percebeu as implicações do fenómeno tardiamente, na senda de um artigo seminal de Bernard Lewis, ‘O regresso do Islão’ editado em 1976. Bernard Lewis, falecido em 2018, foi um intelectual de primeira, talvez o principal orientalista.

Em segundo lugar, Bernard Lewis, como de resto a generalidade do Ocidente, esteve sempre mais preocupado com o islamismo no Médio Oriente do que na Ásia do Sul.

Bernard Lewis

Para o Ocidente o jihadismo egípcio aparecia como preocupante por se desenvolver às suas portas e se assumir claramente como antiocidental, enquanto o jihadismo na Transcaucásia e na Ásia Central era visto como força positiva que iria pôr em causa a União Soviética e o da Ásia do Sul era visto ou como algo que só deveria preocupar os indígenas e que, indirectamente, seria também útil para conter a União Soviética e o nacionalismo do terceiro mundo.

É por essa razão que é sempre dada mais atenção ao ramo egípcio do que ao ramo indiano daquilo que se veio a tornar na rede internacional da ‘Irmandade Muçulmana’. Conceptualmente, creio que se trata de um erro, porque um texto como ‘O Islão e a Jihad’ do então indiano Maulala Ala Maududi (fundador do Jamaat-e-Islami, JeI) é mais importante para a compreensão dos fundamentos do moderno jihadismo do que toda a literatura de Sayyid Qutb ou qualquer dos outros ícones da Irmandade Muçulmana egípcia.

Geopoliticamente, também me parece claramente um erro. O Islão da Ásia Central e mesmo na Ásia do Sul tem uma forte tradição sufista, ou seja, de um Islão nos antípodas do jihadismo. É uma tradição que provavelmente não era propícia ao lançamento da Jihad antissoviética, mas o problema, é que a Jihad não é especificamente antissoviética, é antitudo o que lhe possa fazer concorrência, e obviamente anti-ocidental em primeiro plano.

Se antes do 11 de Setembro a falta de entendimento sobre este tema poderia até certo ponto compreensível, depois, disso, é indesculpável. A verdade é que, perante a evidência dos perigos colocados pelo Jihadismo, o Ocidente continuou e continua cego, acreditando nas mais ridículas efabulações, como as de talibans moderados que se poderiam mesmo separar da Al Qaeda se lhes fosse pedido para isso, ou de uns jihadistas apenas anti India e interessados só no Cachemira.

Se na Ásia Central o refluxo do jihadismo já tinha começado há bastante tempo, o que me parece agora extremamente interessante é a progressiva incapacidade do Jihadismo para se impor no Afeganistão, no Cachemira ou nas zonas tribais paquistanesas.

A etnia Pashtun, maioritária no Afeganistão, nas antigas zonas tribais e em partes importantes do Norte paquistanês iniciou há dois anos uma revolta contra os Talibã e os seus patronos dos serviços secretos paquistaneses pondo de rastos o mito alimentado por estes de que o Jihadismo seria oriundo do sentir profundo das tribos Pashtun.

Essa revolta, iniciada no Paquistão, está progressivamente a propagar-se no Afeganistão, com os afegãos a distanciar-se cada vez mais das redes terroristas alimentadas pelo Paquistão e pelo Irão, e isto apesar da contínua deriva diplomática ocidental que parece mais interessada em agradar aos promotores do terrorismo do que dialogar com as populações.

No Cachemira, após uma enorme campanha feita a propósito de uma mudança constitucional, em que o Primeiro-ministro paquistanês chegou a ameaçar com a guerra nuclear, a revolta da população do Cachemira sob controlo paquistanês, num movimento secular, parece ser o resultado inesperado da movimentação paquistanesa.

A grande fronda internacional lançada pelo Paquistão contra a Índia foi recebida de forma glacial pelos Estados muçulmanos, tendo apenas os países alinhados com a Irmandade Muçulmana (Malásia, Turquia, Qatar, Gaza sob o Hamas, Trípoli na Líbia) e o Irão saído em sua defesa, com o Reino Unido a dar apenas conforto moral.

  1. Mundo árabe

Mas é no mundo árabe que a mudança é mais óbvia. Na Tunísia, os islamistas são claramente derrotados, embora seja verdade que o vencedor, apresentando-se como laico, tem um discurso e um programa de pendor fascista, tal como a Irmandade Muçulmana. Na Líbia, a milícia que controla Trípoli é sustentada em financiamento e armamento pelo Qatar e Turquia e resiste dificilmente aos seus opositores laicos. Nos regimes autoritários laicos – como a Argélia ou o Egipto – os islamistas não controlam nem sequer têm uma presença significativa nos protestos populares e, talvez o elemento mais significativo, seja a revolta aberta dos países colonizados pela teocracia como o Líbano ou o Iraque, mandando às malvas a suposta obediência aos líderes religiosos.

O principal argumento do Jihadismo, a luta em nome do Islão, não consegue já ser o motor do que quer que seja de popular no mundo árabe, que olha cada vez mais para ele como o problema e não como solução.

Estou em crer que esta crise aberta do fanatismo islâmico no mundo árabe se faz também sentir entre a população emigrada que cada vez mais ignora a propaganda fanática ou se afirma mesmo contra ela.

  1. Os novos impérios

A Turquia, em comunhão com o Qatar, é hoje a grande protagonista do Jihadismo promovido pela Irmandade Muçulmana, juntando à religião um discurso de nostalgia imperial num projecto político de restauração do Califado hegemonizado pela Turquia.

Depois de experimentar a primeira significativa derrota política, perdendo as eleições nas duas principais cidades turcas, Erdogan conseguiu ver o seu projecto expansionista na Síria aprovado pela teocracia iraniana e pelo presidente russo na cimeira de Ancara de 16 de Setembro enquanto o Ocidente se mostrou incapaz de tomar uma posição clara e sólida.

A prospeção de gás pelas autoridades turcas em águas cipriotas e a publicação simultânea pelo Ministro da Defesa turco de mapas imperiais de uma Turquia englobando áreas significativas dos seus vizinhos da União Europeia não pode deixar de ser lida como o prenúncio de mais expansionismo.

Nada houve de mais importante para a transformação de um movimento identitário baseado na religião num poder de Estado com ambição de se transformar no império dominante no mundo do que a Revolução Islâmica Iraniana.

Al Baghdadi

O Irão controla já hoje um Império que se estende do Índico ao Mediterrâneo e está presente de diversas formas no resto do mundo. Visto de forma benevolente pela Rússia e pela China enquanto potência que mais afronta os Estados Unidos, começa hoje a confrontar-se com revoltas nos países onde exerce um controlo mais apertado há mais tempo, o Líbano e o Iraque, que se juntam assim à profunda impopularidade do regime entre os iranianos que já é antiga mas que se tem agravado.

Simultaneamente rival e aliada do projecto da Irmandade Muçulmana, a República Islâmica do Irão espera apenas que os EUA acabem por ceder às suas imposições, como o têm feito sistematicamente no passado.

Baseados em cálculos e visões lineares do Xiismo versus Sunismo, os observadores ocidentais nunca entenderam que a posição aparentemente minoritária do Xiismo no Islão de modo algum é um obstáculo intransponível ao sucesso do projecto iraniano, algo que seria mais óbvio se conhecessem com mais rigor e de forma mais independente a sulfurosa história do Islão e das suas incontáveis dissidências e reencontros.

Tal como aconteceu com outros projectos imperais – como o do comunismo soviético – o apelo ideológico do Jihadismo parece estar esgotado, o que não quer dizer que o projecto não prossiga, agora mais baseado em argumentos de força e de dinheiro, na determinação e na sua capacidade estratégica que parecem faltar ao Ocidente.

Do ponto de vista dos impérios jihadistas como o Irão ou a Turquia, grupos com alto grau de autonomia estratégica como o ISIS são uma faca de dois gumes. Por um lado, permitem-lhes protestar inocência pelo terror que provocam no Ocidente mas por outro não obedecem às suas prioridades. Tudo indica que a decapitação do ISIS vai tornar o vasto manancial de guerra do grupo terrorista mais fácil de utilizar pelo imperialismo jihadista.


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-ocaso-do-jihadismo/

Pentágono: provas do ataque ao líder do Daesh e sua morte continuam confidenciais

Líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, em 29 de abril de 2019
© REUTERS / Grupo do Estado Islâmico/Al Furqan Media Network/

O Pentágono informou que os EUA se livraram do corpo do líder terrorista Abu Bakr al-Baghdadi pouco depois da confirmação de sua identidade, acrescentando que todas as provas do ataque e do seu sepultamento no mar permanecem classificadas.

Após a operação das forças especiais dos EUA no noroeste da Síria, na qual Washington afirma que o líder do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países) foi eliminado, o corpo mutilado foi imediatamente levado "para uma instalação segura para confirmar sua identidade por meio de testes forenses de DNA", disse o general do Exército dos EUA Mike Milley em coletiva de imprensa.

"A eliminação dos seus restos mortais foi feita e está completa e foi tratada de forma adequada […] Não estamos preparados, no momento, para liberar [as provas]", informa o Pentágono.

De acordo com o general, embora o ataque e os subsequentes processos de identificação e "eliminação" do corpo tenham sido documentados em numerosas fotografias e vídeos, ainda não passaram por um "processo de desclassificação".

Evidências concretas

O chefe do grupo terrorista do Estado Islâmico foi alegadamente sepultado no mar de acordo com a tradição islâmica, assim como o ex-líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden.

A equipe de monitoramento da ONU sobre grupos terroristas disse anteriormente que o anúncio dos EUA sobre a morte de al-Baghdadi parecia "confiante", mas que o caso ainda não foi confirmado com evidências concretas.

O Ministério da Defesa da Rússia questionou pelo menos parte da história, observando que, apesar das afirmações do presidente norte-americano Donald Trump, Moscou nunca abriu o espaço aéreo sírio sob seu controle para jatos americanos, e não registrou nenhum ataque aéreo da coalizão dos EUA na área.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102914702888-pentagono-provas-do-ataque-ao-lider-do-daesh-e-sua-morte-continuam-confidenciais/

Forças sírias informam que 'braço direito' do Daesh teria sido eliminado após líder al-Baghdadi

Vista da cidade síria Jarablus feita a partir da cidade turca de Karkamis
© AP Photo / STRINGER

As Forças Democráticas Sírias (FDS) informaram que o porta-voz do Estado Islâmico teria sido morto horas depois da eliminação do líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, durante uma operação dos EUA na Síria.

O comandante das FDS, Mazlum Abdi, comunicou em seu Twitter que o "braço direito" do Daesh , Abul-Hasan al-Muhajir, tinha sido eliminado ontem, 27 de outubro, em uma operação coordenada entre as forças sírias e militares dos EUA na aldeia de Ayn al-Bayda, perto da cidade de Jarablus, no norte da Síria.

 

​Em continuação da operação anterior, um assistente sênior de al-Bagdadi, chamado Abul-Hasan al-Muhajir, foi abatido em um vilarejo chamado Ayn al-Bayda, perto da cidade de Jarablus. A missão foi conduzida por coordenação direta da inteligência das SDF e Forças Armadas dos EUA como parte da atual operação de caça aos líderes do Daesh

Segundo Hussein Nasser, um ativista que afirma ter falado com testemunhas no local, o terrorista foi supostamente morto em um ataque aéreo americano quando seguia escondido na traseira de um caminhão-tanque, informa o The New York Times.

Muhajir foi nomeado porta-voz do Estado islâmico em 2016, após a morte do seu antecessor, que foi morto em um ataque aéreo norte-americano na província síria de Aleppo.

Até o momento, Muhajir é o segundo terrorista de alto escalão morto pelas forças especiais dos EUA nos últimos dias no norte da Síria.

Alegado assassinato

O porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, general Igor Konashenkov, declarou que "não dispõe de informações confiáveis" sobre a eliminação do líder do Estado Islâmico pelos EUA.

O ministério russo declarou que nem no dia da alegada eliminação de Abu Bakr al-Baghdadi, ocorrida em 26 de outubro, nem nos últimos dias, houve qualquer ataque aéreo dos EUA na região.

A morte de al-Baghdadi foi anunciada no domingo (27) pelo presidente americano Donald Trump. O líder terrorista teria detonado um colete suicida depois de ter sido encurralado em um túnel, durante um ataque na província síria de Idlib.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102814701222-forcas-sirias-informam-que-braco-direito-do-daesh-teria-sido-eliminado-apos-lider-al-baghdadi/

EUA transportam centenas de terroristas do Daesh da Síria para o Iraque

Desde o início da ofensiva turca, a 9 de Outubro, as «tropas de ocupação dos EUA» transportaram centenas de terroristas do Daesh e seus familiares de território sírio para o Iraque, informa a SANA.

Depois de lhes ter «salvo a pele» em várias ocasiões, Washington volta a transportar terroristas do DaeshCréditos / Sputnik

A agência estatal síria noticia, esta segunda-feira, que, «no quadro do investimento no terrorismo, as tropas dos EUA têm vindo a transportar centenas de terroristas do Daesh», que levam do Nordeste da Síria [região da Jazira] para o Iraque, «depois de os juntarem em bases ilegais».

Segundo fontes locais e órgãos de comunicação, os militares norte-americanos transportaram dezenas de presos do Daesh do campo de al-Hol, a leste da cidade de Hasaka, e têm realizado inúmeros voos de helicóptero sobre o acampamento. Isto ocorreu, de acordo com essas fontes, 24 horas depois de terem levado «230 terroristas estrangeiros da organização terrorista da prisão de al-Malkiya» para uma base em al-Shadadi, a sul da cidade de Hasaka.

 

Desde o início da ofensiva turca em território sírio, a 9 de Outubro último, as «tropas de ocupação dos EUA» transportaram centenas de terroristas do Daesh e seus familiares de território sírio para o Iraque. A SANA precisa que, a partir da base ilegal referida, os membros do Daesh e as suas mulheres foram levados de helicóptero para o país árabe vizinho em seis grupos.

Depois de formar a chamada «coligação internacional», em Agosto de 2014 – com o pretexto de combater o Daesh –, «hoje Washington decide sozinho, através das suas forças de ocupação no terreno, o destino dos terroristas, que detém para reutilizar e investir nos ataques a estados», no contexto da implementação «das suas agendas contra qualquer país e para atingir os seus interesses», lê-se na peça hoje publicada.

A SANA lembra ainda que, até há pouco tempo, as tropas norte-americanas transportaram de helicóptero terroristas do Daesh de um local para outro, de noite, em território sírio, para os salvar do Exército Árabe Sírio.

Colaborações frequentes

As tropas norte-americanas e a chamada «coligação internacional» liderada pelos EUA foram reiteramente acusadas de transportar militantes do Daesh, «salvado-lhes a pele» em situações de aperto e dando-lhes «novo uso».

A título de exemplo, o Irão acusou os EUA de transportar «um grande número de terroristas do Daesh» para o Afeganistão a partir da Síria, sublinhando a desestabilização que daí poderá resultar para a região da Ásia Central, lembra a Al-Masdar News.

Por seu lado, em 22 de Setembro de 2018, a agência SANA reportou a existência de uma operação, por parte da «coligação internacional», de transporte aéreo de terroristas do Daesh, que foram levados dos arredores de al-Marashida, na província de Deir ez-Zor, para parte incerta.

Um ano antes, em Setembro de 2017, diversas fontes disseram à RIA Novosti que os militares norte-americanos tinham transportado membros do Daesh da região de al-Mayadin, em Deir ez-Zor, para parte incerta, quando o cerco do Exército Árabe Sírio apertava.

Numa reportagem publicada em Novembro de 2017, a BBC revelou vários detalhes de um acordo secreto que permitiu que centenas de combatentes do Daesh e as suas famílias saíssem da cidade Raqqa, em meados de Outubro desse ano, acompanhados e protegidos pela coligação liderada pelos EUA, pouco antes de as chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS) terem decretado a libertação da cidade.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-transportam-centenas-de-terroristas-do-daesh-da-siria-para-o-iraque

'Ocidente se recusa a cooperar com Rússia e China na luta contra terrorismo', diz chanceler russo

Ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov durante uma coletiva de imprensa
© Sputnik / Maksim Blinov

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou nesta quarta-feira (16) que os países ocidentais se recusam a cooperar com a Rússia e a China na luta contra o uso da Internet para fins terroristas.

"A tarefa de desenvolver abordagens sistêmicas comuns contra o uso da Internet para fins terroristas e extremistas é cada vez mais urgente; mas agora, infelizmente, existem obstáculos nesse caminho", disse Lavrov ao participar da 18ª reunião de chefes dos serviços especiais e agências de segurança dos países parceiros do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB).

Ele acrescentou que "os parceiros ocidentais preferem cooperar nessa área em seu círculo estreito e não querem envolver países como Rússia e China no desenvolvimento de normas e padrões para as maiores empresas de tecnologia da informação do mundo".

"No entanto, estamos convencidos de que o bom senso prevalecerá", observou o ministro.

O chanceler russo enfatizou também que hoje "a luta contra a ideologia extremista, incluindo o espaço da informação, é de especial importância".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019101614648648-ocidente-se-recusa-a-cooperar-com-russia-e-china-na-luta-contra-terrorismo-diz-chanceler-russo/

Os Capacetes Brancos andam por aí

Em Abril de 2018 fui surpreendida pela notícia de que dois elementos dos Capacetes Brancos estavam no norte de Portugal, em FAFE. Nezal Izidem e Assad Hanna, membros dos Capacetes Brancos sírios revelaram nessa cidadezinha nortenha que eram uma organização que trabalhava em nove distritos sírios, com 137 postos de comunicação e 4000 voluntários.

 

 

“A nossa principal missão é busca e salvamento. O nosso trabalho é salvar as pessoas depois dos bombardeamentos diários de que são alvo e, posterior, reconstrução dos serviços básicos.”

Raul Cunha, Presidente da Câmara Municipal de Fafe,[membro do PS] revelou que o convite aos dois elementos:

 
"foi uma excelente forma de começar a quarta edição do Terra Justa, e pesasse embora diferentes ideologias políticas e distintas opiniões, eles eram pessoas que se preocupavam em ajudar vítimas da guerra e era este lado humanitário que queria reconhecer e homenagear. “
 

Pensei para comigo quem teria tido a brilhante ideia de trazer estes dois cabeças de giz até Fafe e quem teria pago esta prestimosa viagem de propaganda a um lugar tão longe da Síria.

Até fiquei a matutar com que VISTO de entrada no espaço Schengen andariam estes dois.

A 22 de julho de 2018, ou seja três meses depois da ida a Fafe de Nezal Izidem e Assad Hanna, a BBC News anuncia que Israel realizou uma evacuação de emergência de membros do grupo de defesa civil Capacetes Brancos da Síria de uma zona de guerra no sudoeste da Síria. Cerca de 422 voluntários e os seus familiares foram levados para a Jordânia pelas colinas de Golã, ocupadas por Israel, durante a noite. O Reino Unido, um dos países que solicitou a ajuda de Israel, saudou a operação e ajudará no restabelecimento desta gente. Porque foram evacuados? Porque a população síria lhes conhecia as verdadeiras atividades terroristas.

Onde estão eles? Andam por aí! De Israel, ao que se sabe, seguiram para vários países europeus que os acolheram.

Em 25 de setembro passado, jornalistas de 60 órgãos de comunicação da Ásia, Europa e América Latina visitam cidades libertadas pelo exercito sírio no interior de Hama e Idleb. Os repórteres também visitaram os serviços básicos prestados pelo governo sírio aos repatriados. A agência SANA disse que os repórteres percorreram a cidade de Khan Sheikhoun e seus arredores, onde observaram os túneis e cavernas escavadas pelos terroristas de Jabhat al-Nusra para usá-los como esconderijos de armas na área que se estende entre Khan Sheikhoun e a cidade de al-Tamane’a. Estes jornalistas também documentaram a enorme quantidade de munições encontradas em Wadi al-Asal, a oeste das cidades de Kafer Zeita e al-Latamneh, na zona norte de Hama.

Os mesmos jornalistas visitaram um dos esconderijos dos chamados terroristas Capacetes Brancos e verificaram seu conteúdo, que foi fotografado: incluía armas, munições e equipamentos que revelam as alegações desse grupo terrorista sobre suas atividades “humanitárias”.

O Eng. Mohammad Fadi Saadoun, governador em exercício de Idleb, disse aos repórteres que as oficinas de manutenção estão agora a trabalhar para reabilitar as infraestruturas e os serviços públicos em Khan Sheikoun, a fim de ajudar os moradores deslocados a voltar para sua cidade e retomar sua vida normal depois de o exército sírio ter restabelecido a segurança da cidade.

Dia 1 de Outubro último, numa palestra realizada pela Embaixada da Rússia na capital francesa Paris sob o título “Crise na Síria. Fatos e distorção” Máximo Grigoriev, diretor do grupo Russo de Pesquisa e Democracia, esclareceu mais uma vez que o grupo White Helmets está ligado à organização Jabhat al-Nusra, na Síria. Grigoriev ouviu testemunhos e declarações de mais de 40 elementos desse grupo terrorista. Grigoriev fez questão se sublinhar que a sede dos Capacetes Brancos é administrada pela mesma organização terrorista.

Os Capacetes Brancos foram criados em 2013 na Turquia com apoio financeiro das democracias americana e britânica. Inclusive foram encontrados documentos que ligam esta organização à preparação de ataques químicos tentando depois acusar o exército sírio da autoria delas por ex em Ghouta Oriental e em áreas de Alepo. No meio da confusão de uma guerra civil é difícil ter testemunhos independentes sobre quem é que fez o quê e quem é o autor de atrocidades. O mesmo aconteceu na Sérvia.

Todas as práticas dos “Capacetes Brancos” são monitorizadas por um membro das organizações terroristas. Grigoriev afirmou que os “Capacetes Brancos” cometeram crimes  contra a humanidade. Elementos da organização traziam para cenários filmados por órgãos de comunicação condescendentes e faziam vídeos com crianças e mulheres cobertas com maquilhagem para aparecerem como vítimas de um ataque químico. Pagariam cerca de cinco mil libras sírias a essas falsas vítimas e chegavam a transportar cadáveres que colocavam no lugar de um suposto ataque para animar mais as notícias.

O Ministério das Relações Exteriores dos EUA anunciou no ano passado que o presidente Donald Trump orçamentou cerca de  6,6 milhões de dólares para financiar estes beneméritos terroristas. No enclave de Idlib, no noroeste da Síria, os mesmos Capacetes Brancos organizam informações contraditórias para os órgãos de comunicação social tentando acusar a Rússia e o governo sírio de atacarem civis.

Quem quer saber realmente o que se passa e quem quer descortinar mentiras, tem muito que ler e investigar, tentando colar as pontas soltas da informação oficial.

 

Ilustração de Beatriz Lamas Oliveira



Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/os-capacetes-brancos-andam-por-ai/

Neonazis acusados de planear atentados vão a julgamento na Alemanha

 
 
Oito homens são suspeitos de formar uma célula terrorista e planear ataques contra militantes de esquerda e adeptos de Merkel. Agressões a estrangeiros em Chemnitz era "ensaio geral para revolução" em Berlim.
 
Começou nesta segunda-feira (30/09) em Dresden o processo contra um suposto grupo neonazis acusado de planear ataques na Alemanha. Oito homens entre 21 e 32 anos de idade são suspeitos de criar e participar de uma célula terrorista que planeava ações para provocar uma "mudança de sistema", a serem perpetradas em Berlim em 3 de outubro 2018, nos eventos de comemoração do Dia da Unidade Alemã. O julgamento, em que deverão ser ouvidas cerca de 75 testemunhas, deve durar pelo menos até abril de 2020.
 
Segundo os promotores, o grupo, autointitulado "Revolução Chemnitz", tinha como meta "exterminar" estrangeiros e rivais políticos. Em conversas na internet, a gangue teria planeado subverter a ordem democrática usando armas. No chat que levava o nome do movimento, eles pregavam contra o governo alemão e a chanceler federal Angela Merkel.
 
 
Cinco dos réus são acusados de atacar estrangeiros e um grupo de jovens em Chemnitz, em 14 de setembro de 2018, logo após uma manifestação do movimento extremista de direita Pro Chemnitz. Um iraquiano levou uma garrafada na cabeça, outro homem foi agredido fisicamente. Os investigadores afirmam que a iniciativa era uma espécie de "ensaio geral", destinado a aperfeiçoar a coordenação dos envolvidos em futuras ações da célula.
 
A principal delas previa uma "mudança de sistema" e uma "revolução com todas as consequências", a ser provocada durante os eventos de comemoração do Dia da Unidade Alemã. O "dia histórico" deveria se tornar, segundo a acusação, "um marco na história da Alemanha".
 
Para realizar a ação, os envolvidos já teriam encomendando armas de fogo. Entre os alvos, estariam "esquerdistas e zumbis da Merkel". Eram previstos também "atentados armados e letais contra aqueles considerados inimigos pelo grupo", ressaltaram os promotores.
 
Chemnitz, no Leste da Alemanha, próximo à fronteira com a República Checa, foi palco de protestos violentos de grupos neonazis em agosto e setembro de 2018, após um homem morrer esfaqueado durante uma festa pública. Um sírio condenado pelo crime, mas que recorre da sentença, e um iraquiano, que continua foragido, são considerados autores do crime em que um alemão foi morto e outro homem ficou gravemente ferido.
 
Deutsche Welle | MD/dpa/epd
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/neonazis-acusados-de-planear-atentados.html

Estado Islâmico reivindica ataque que fez 10 mortos em Moçambique

 
 
Autoridades moçambicanas e analistas consideraram no passado que envolvimento daquele grupo terrorista na violência armada no Norte de Moçambique era pouco credível. Novo ataque no início desta semana fez 10 mortos.
 
O grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI) reivindicou mais um ataque armado a um posto militar no Norte de Moçambique, ocorrido no início da semana e em que morreram pelo menos 10 pessoas, segundo mensagem difundida através da aplicação Telegram. Autoridades consideraram no passado envolvimento daquele grupo terrorista pouco credível.
 
A mensagem, que não integra o canal oficial do movimento terrorista, foi divulgada na quinta-feira (26.09) e é a segunda reivindicação de um ataque contra posições militares na província de Cabo Delgado que o grupo faz em cerca de uma semana.
 
Até ao momento, analistas e fontes no terreno contactadas pela Lusa, mas não identificadas pela agência de notícias, rejeitaram a ligação destes ataques no norte do país a movimentos terroristas internacionais de extremismo islâmico, apontando tensões locais nas comunidades como causa dos casos de violência. A mensagem fala dos agressores como "soldados do califado" que atacaram o "posto do exército cruzado moçambicano em Mbabu, há dois dias".
 
 
Apesar da grafia, o anúncio alinha-se com os confrontos entre homens armados e as forças de segurança, em Mbau, Mocímboa da Praia, que ocorreram na noite de segunda (23.09) para terça-feira (24.09) e em que além das vítimas, várias casas, incluindo a sede da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, foram incendiadas.
 
A reivindicação é acompanhada por uma foto de diversas metralhadoras AK alinhadas, juntamente com munições e outras armas que o grupo diz ter apreendido na sequência do ataque. "Confrontaram-se com uma variedade de armas" e a violência levou "à morte e ferimento de vários elementos", além de serem incendiadas "algumas casas de cruzados cristãos na vizinha do posto" do exército moçambicano, refere a mensagem.
 
As autoridades moçambicanas têm-se mantido em silêncio sobre os ataques em Cabo Delgado.
 
Outros ataques
 
grupo EI reivindicou pela primeira vez a 04 de junho uma ação no Norte de Moçambique, região afetada desde outubro de 2017 por ataques armados levados a cabo por grupos criados em mesquitas da região e que eclodiram em Mocímboa da Praia.
 
Como consequência já terão morrido, pelo menos, 200 pessoas, quase todas em aldeias isoladas e durante confrontos no mato, mas, nalgumas ocasiões, a violência já atingiu transportes na principal estrada asfaltada da região, bem como a área dos megaprojetos de exploração de gás - em que há várias empresas subempreiteiras são portuguesas.
 
Autoridades e analistas ouvidos pela Lusa têm considerado pouco credível que haja um envolvimento genuíno do grupo terrorista nos ataques, que vá além de algum contacto com movimentos no terreno.
 
Deutsche Welle | Agência Lusa

A OTAN aprovisiona Daesh no Iêmen em armas

Uma investigação de Dilyana Gaytandzhieva, publicada pela Arms Watch, mostrou, com documentos em apoio, que a Missão da OTAN no Afeganistão (Resolute Support Mission) serve como cobertura para o tráfico de armas norte-americano a fim de aprovisionar o Daesh (E.I.) no Iêmen.

A investigação revela de passagem que as Forças Especiais dos EUA (Task Force Smoking Gun, na Croácia) também enviaram armas a Alcaida (Frente al-Nusra) na Síria.

Muitas empresas estão envolvidas, incluindo a Sierra Four Industries, Orbital ATK, Global Ordnance e UDC nos Estados Unidos, bem como os governos azeri, sérvio e saudita.

A jornalista búlgara Dilyana Gaytandzhieva já ficara conhecida, dois anos atrás, por publicar documentos atestando o maior tráfico de armas da história, a operação Timber Sycamore [1].

- 1. “Islamic State weapons in Yemen traced back to US Government: Serbia files”;
- 2. “US Task Force Smoking Gun smuggles weapons to Syria: Serbia files”;
- 3. “Leaked arms dealers’ passports reveal who supplies terrorists in Yemen: Serbia files”.
by Dilyana Gaytandzhieva, Arms Watch, September 15, 2019.


[1] “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.



Ver original na 'Rede Voltaire'



A outra face da NATO

Rui Namorado Rosa    20.Sep.19

Publicámos este artigo em 2011. Nos oito anos passados o seu conteúdo não só não perdeu actualidade como justifica inteiramente a republicação, porque todos os traços que identifica na NATO enquanto principal braço armado do imperialismo se acentuaram. Tal como era observado, os meios que utiliza não se resumem às agressões militares abertas. Tem um longo e criminoso currículo de organização de grupos clandestinos e acções secretas de carácter terrorista e fascista, desde a época da sua fundação. Nos dias de hoje essa componente da sua actividade criminosa é provavelmente a de maior importância.

Todos nós já vivemos um lapso de tempo durante o qual numerosos sucessos conduziram a conflitos armados em quase todas as partes do mundo. A génese desses conflitos tem sido quase sempre intrigante. As notícias sobrecarregadas de imagens e as análises convertidas em propaganda, com suas doses de racionalidade e de emoção, as mensagens subliminares que circulam, a avalanche de factos e mensagens que nos submerge, anestesiam o observador que de cidadão corre o risco de ser convertido em espectador.
A racionalidade que justifica a inevitabilidade que desemboca em guerra é uma manipulação cruel e ignóbil. Compreender a realidade subjacente a “fazer a guerra” passa por entender um bocado de história e de economia e outros conhecimentos mais. Mas não basta depurar e avaliar os factos visíveis. É preciso ir aos estratos ocultos da realidade, porque “fazer a guerra” passa muito por ocultar, intimidar, manipular e mentir. Ao “inimigo”, aos aliados e ao próprio povo.
Obras publicadas por antigos oficiais na reserva e investigações conduzidas por novos investigadores têm vindo a iluminar, ainda que palidamente, essa face oculta de “fazer a guerra”. A NATO, cumpridos sessenta anos de experiência no terreno sob a liderança dos EUA, durante os quais esta potencia e aquela aliança acumularam uma impressionante sucessão de acções e golpes militares, de batalhas e de guerras prolongadas à roda do mundo, merece particular atenção. Muito do que se passa no mundo tem ou ameaça ter a sua mão. No Médio Oriente, nos Balcãs, no Cáucaso, na Ásia Central, na América Latina e em África, lá onde os conflitos e as guerras se sucedem “inexplicavelmente” - como se esse fosse o estado normal da natureza humana, o que não é.
Este artigo tomou como ponto de partida o trabalho do investigador suíço Daniele Ganser e outras investigações que têm emergido recentemente sobre a estratégia de tensão e particularmente a “Operação Gladio” conduzida sob os auspícios da NATO [1].

UMA REVELAÇÃO NO FIM DA GUERRA-FRIA

Em Itália, 1990, o juiz Felice Casson, enquanto investigando actos terroristas atribuídos à extrema-direita, descobriu nos arquivos dos serviços secretos militares italianos evidência de um até então desconhecido “exército de retaguarda” com ligação à NATO. Um documento datado de 1 de Junho de 1959 registava a existência de um “comité de planeamento clandestino” (CPC) directamente conectado ao supremo quartel-general das forças aliadas na Europa (SHAPE) sediado em Bruxelas, comité que coordenaria operações anti-comunistas clandestinas e operações armadas não convencionais. O mesmo documento remetia para um outro anterior, de 16 de Novembro de 1956, um acordo entre a CIA e o SIFAR (anterior serviço de informações das forças armadas italianas) que constituía a base da Operação Gladio [2,3].
O assunto foi levado ao Senado italiano, que no Verão desse ano de 1990 constituiu uma comissão de investigação na qual o primeiro-ministro Giulio Andreotti comprovou a existência da referida cooperação entre os serviços secretos dos dois países, sob a coordenação da NATO através do citado CPC e de um outro “comité clandestino aliado” (ACC). «Após organizada a [dita] resistência clandestina, a Itália foi chamada a participar nos trabalhos do CPC em 1959, no âmbito do “supremo quartel-general das forças aliadas na Europa” (SHAPE), […] em 1964 os serviços secretos italianos entraram também para o ACC, um organismo encarregue de coordenar a rede de evasão e fuga entre as várias nações» [4].
O primeiro-ministro mais informou e descreveu a existência de numerosos esconderijos de armamento e outros equipamentos espalhados pelo país, para aprovisionamento de unidades de guerrilha de retaguarda, independentes das forças regulares. E alegou que todos os primeiros-ministros anteriores o haviam sabido também. Vários outros políticos negaram colaborar no inquérito ou o conhecimento dos factos. Só o Presidente da Republica de então, Francesco Cossiga, o confirmou e por se orgulhar de ter sido anteriormente (logo após a Segunda Guerra Mundial) parte activa na implementação da Operação Gladio. O relatório da comissão do Senado foi publicado em 1995, não obstante o silencio de várias partes inquiridas e as dificuldades de consensualização no seio da mesma comissão [5,6].
Ainda assim a investigação estabeleceu que: «Obviamente as tensões que caracterizam estes 40 anos e que foram objecto de análise tiveram também raízes sociais e portanto internas. Contudo, tais tensões nunca teriam perdurado tanto tempo e não teriam atingido tão trágicas dimensões, e o caminho da verdade não teria sido bloqueado tantas vezes, se a situação política interna não tivesse sido condicionada e supervisionada pelo quadro internacional em que a Itália estava integrada» [7,8].
Os senadores reflectiam neste texto sintético o elevado nível atingido pela violência na Itália durante a Guerra-Fria comparativamente a outros países europeus. Na década de 70, acções terroristas, maioritariamente conduzidas por comandos de extrema-direita, provocaram cerca de 5 mil mortes; só no ano de 1978 registaram-se mais de 3 mil acções da extrema-direita, de que resultaram 831 mortos e 3121 feridos. O trágico rapto e assassínio de Aldo Moro em 1978 às mãos das “Brigadas Vermelhas” foi um acontecimento significativo; Aldo Moro, então presidente da Democracia Cristã, que fora chefe de governo por várias vezes e que então era o negociador do “compromisso histórico” entre a Democracia Cristã e o Partido Comunista para formação de um novo governo bipartidário foi, segundo vários testemunhos, “sacrificado” para proteger a Operação Gladio e fazer valer os objectivos desta. Nas palavras de Steve Pieczenik, agente enviado pelo Presidente dos EUA para integrar a “comissão de crise” que acompanhou o rapto: «Tivemos de sacrificar Aldo Moro para manter a estabilidade da Itália» [9] [10].
Um grupo de senadores encabeçados por Giovanni Pellegrini prosseguiu a sua investigação e publicou um relatório adicional em 2000. Aí afirmam que, para além de preparar a resistência a uma hipotética invasão soviética, a organização paramilitar secreta Gladio combateu os Partidos Comunista e Socialista Italianos, em colaboração com a CIA, os serviços secretos militares italianos e terroristas de extrema-direita italianos, a pretexto de que aqueles partidos atraiçoassem a NATO a partir do interior do país. Segundo o juiz Felice Casson, a estratégia de tensão foi aplicada durante a Guerra-Fria em contra-posição à esquerda italiana «isto é, visando criar tensões no seio do país a fim de promover tendências sociais e políticas conservadoras e reaccionárias (…) enquanto a estratégia era aplicada, era necessário proteger os que estavam por detrás dela, porque a evidencia que os implicava estava sendo descoberta. As testemunhas retiveram informação para protegerem os extremistas direitistas» [11,12].

Na análise de Daniele Ganser, a bivalência dos exércitos secretos manifestou-se diferentemente nos diferentes países, de acordo com a situação política interna de cada um. Em Itália, onde o partido comunista emergiu da guerra com prestígio pelo seu papel na resistência ao nazi-fascismo, com forte intervenção na vida política do país e implantação eleitoral, a Gladio teve um forte envolvimento na manipulação e desestabilização da vida política do país, que contribuíram para o enfraquecimento do sistema democrático. Na Suíça, onde aquelas condições não se verificaram, as respectivas consequências também não. Ainda segundo esse autor, em Espanha, Portugal, Grécia e Turquia, países com acentuado ascendente das forças armadas na vida política, os exércitos secretos intervieram no combate às oposições aos respectivos regimes [13].

Em 22 de Novembro de 1990, o Parlamento Europeu debateu as então recentes revelações das investigações feitas pelo juiz Felice Casson e pelo Senado italiano. A questão suscitou reacções desencontradas das várias famílias políticas, uns valorizando a “prudente precaução” outros as “fontes de terror”, uns denunciando a manipulação conduzida pelos exércitos secretos que em nome da defesa da democracia de facto a debilitaram, outros a ofensa aos órgãos de soberania a cujo controlo essas organizações clandestinas se subtraíram.

Sem competências expressas nas esferas da defesa e segurança, o Parlamento Europeu apenas aprovou uma resolução de protesto dirigida à NATO e aos EUA, e recomendou «a todos os estados membros que tomassem medidas, se necessário constituindo comissões parlamentares de inquérito, para recensear a lista completa de organizações envolvidas, e ao mesmo tempo apurar as suas ligações aos respectivos serviços de inteligência de estado, e as suas eventuais ligações com grupos terroristas e ou outras práticas ilegais». Apenas a Itália, a Bélgica e a Suíça (esta não sendo da União) realizaram investigações parlamentares e publicaram os correspondentes relatórios. Demais instâncias de países europeus, bem como dos EUA e a NATO, não deram qualquer seguimento às interpelações ou recomendações – prolongando o silenciamento de numerosos atentados terroristas e crimes de morte, e de usurpação de direitos e garantias fundamentais e de soberanias de estado.
Nas palavras do MP Vandemeulebroucke: «os orçamentos destas organizações secretas são igualmente secretos. Não foram discutidos em qualquer parlamento. E nós queremos expressar a nossa preocupação pelo facto de (…) agora se descobrir que existem centros de tomada de decisão e de sua consecução que não estão sujeitos a qualquer forma de controlo democrático». E nas do MP Falqui: «Não haverá um futuro, senhoras e senhores, se não eliminarmos a ideia de termos vivido numa espécie de estado dual - um aberto e democrático, o outro clandestino e reaccionário. É por isso que queremos saber o quê e quantas redes Gladio têm existido nos anos recentes nos estados membros da Comunidade Europeia» [14].

A GÉNESE DESSAS ORGANIZAÇÕES SUBVERSIVAS

Operações secretas na retaguarda da frente inimiga atingiram larga extensão durante a Segunda Guerra Mundial. Winston Churchill, 1940, criou um exército secreto britânico designado “Executivo de Operações Especiais” (SOE) cuja missão era «incendiar a Europa através do apoio a movimentos de resistência e da condução de acções subversivas em território detido pelo inimigo» [15]. O SOE manteria íntimas relações com os serviços de outros países onde o Reino Unido operou.
Em Outubro de 1945, o estado-maior britânico determinou a criação de uma rede, baseada na experiência da SOE, capaz quer de rápida expansão em caso de guerra, quer de assistir operações clandestinas britânicas em tempo de paz. Consequentemente, após a Guerra, alicerçados na longa experiencia do SOE em guerra secreta, os serviços secretos estrangeiros britânicos MI6 desempenham um papel fulcral no estabelecimento de exércitos secretos de retaguarda anti-comunista, organizados por vários serviços secretos nacionais estrangeiros [16].
Em Novembro de 1990, quando a Operação Gladio foi revelada na Itália com suas ramificações pelo continente, o primeiro-ministro John Major declinou comentar as revelações e as suspeitas. Mas o general italiano Gerardo Serravalle que comandara a Gladio italiana entre 1971 e 74, em entrevista à BBC em 1991 confirmou a intensa colaboração mantida com a organização britânica. Pela mesma altura foi confirmado também o íntimo envolvimento britânico com os serviços secretos suíços [17,18].
Em breve os serviços secretos norte-americanos se infiltrariam beneficiando da cumplicidade Anglo-Americana. Lício Gelli, líder da loja maçónica P2, desmascarada em Itália em 1981, ardente anti-comunista que manteve cumplicidades com os norte-americanos, bem como Rupert Allason, conservador inglês, editor de Intelligence Quarterly, confirmaram a secreta cooperação Anglo-Americana no apoio às redes de retaguarda anti-comunista na Europa ao longo da Guerra-Fria [19,20].

Os modernos serviços secretos norte-americanos foram também inspirados e assistidos pelos serviços secretos britânicos, desde o início da Segunda Grande Guerra Mundial, tirando partido da experiencia do SOE. Após o fim da Guerra, em 1947, os serviços norte-americanos foram reestruturados na “Central Intelligence Agency” (CIA) e no “National Security Council” (NSC). Logo em Junho de 1948 o NSC emitiu uma directiva autorizando a CIA a levar a cabo acções clandestinas em todo o mundo e criando um ramo da CIA (designado OPC) dedicado a tais acções.
Tais acções abrangiam e abrangem «propaganda, guerra económica, acções preventivas incluindo sabotagem, anti-sabotagem, demolição e medidas de evacuação; subversão contra estados hostis incluindo apoio a movimentos de resistência clandestinos, grupos de guerrilha e de libertação refugiados, e apoio a elementos autóctones anti-comunistas em países do mundo livre ameaçados». Todavia a directiva excluía a guerra convencional: «Tais operações não incluirão conflitos armados por forças militares identificadas, espionagem, contra-espionagem, nem acções de encobrimento e diversão para operações militares» [21].
Uma investigação no Senado dos EUA, liderada por Frank Church, concluída em 1976, verificou que as acções encobertas da CIA, até 1950 se haviam focalizado no estabelecimento de exércitos de retaguarda na Europa Ocidental, visando apoiar as forças armadas da NATO face a um hipotético ataque soviético; após o que essas acções passaram a compreender também golpes de estado e assassinatos de personalidades estrangeiras [22].
Uma investigação no Senado da Bélgica, no seguimento da “descoberta” dos exércitos secretos de retaguarda da NATO, revelou que desde 1948 existiu um “comité clandestino da união ocidental” (CCWU), que reunia regularmente responsáveis de serviços secretos europeus tendo em vista coordenar a guerra secreta não convencional anti-comunista. Quando o Tratado de Washington fundou a NATO em 1949, esse CCWU foi silenciosamente integrado na NATO, tendo tomado o nome “Clandestine Planning Committee” (CPC). Os senadores também confirmaram que um segundo centro de comando, designado “Allied Clandestine Committee” (ACC), tinha sido estabelecido em 1957 à ordem do supremo comando aliado para a Europa (SACEUR) [23].
O Pentágono, juntamente com a CIA, dirigia os exércitos clandestinos na Europa, enquanto no supremo comando SACEUR, um general norte-americano, supervisionava esses exércitos secretos.
A rede de guerra clandestina foi montada em extremo secretismo. Quando foi revelada em 1990, o porta-voz da NATO negou-a categoricamente num primeiro momento, a 5 de Novembro. No dia seguinte, um outro porta-voz declarou que o anterior desmentido fora falso, e que a NATO nunca comenta matérias de segredo militar [24].

A GLADIO EM PORTUGAL

Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento anti-fascista português acreditou que havia chegado a hora de mudança de regime e mobilizou-se para esse efeito. Porém a ditadura contou ainda com as suas forças internas, a polícia política e a Legião Portuguesa; como contou ainda com solidariedade externa, sobretudo da parte dos EUA, que lhe assegurou o acesso à NATO em 1949.
Aquando da revelação da Operação Gladio em Itália, 1990, a imprensa portuguesa publicou noticias relativas à existência de um braço da Gladio em Portugal, organizado no seio da NATO e financiado pela CIA, localmente dirigida pela PIDE e dissimulada na Aginter Press. Gládio teria estado envolvida em assassínios em Portugal e em suas antigas colónias. Nomes referidos a propósito incluem Humberto Delgado, Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral; embora a íntima cooperação entre várias organizações secretas com missões semelhantes ou complementares, de que a Operação Gladio era extensão e parte, torna essa atribuição individualizada vazia de sentido [25].
Segundo a investigação feita pelo Senado italiano, Aginter Press em Portugal escondia um exército secreto comandado pelo capitão Yves Guillon, alias Yves Guerin-Serac, um francês veterano das guerras da Coreia, da Argélia e do Vietname; e bem assim um centro de informação da CIA-PIDE especializado em acções provocatórias; mais apurou que o ramo português da Gladio providenciara treino a elementos da extrema-direita italiana, a pista que havia conduzido a investigação até Portugal [26, 27].
Guerin-Serac chegou a Portugal em fins de 1962, tendo sido integrado como instrutor na Legião Portuguesa, organização paramilitar fascista de apoio ao regime, e depois numa unidade anti-guerrilha militar. Em Setembro de 1966, foi um dos que se constituíram na Aginter Press, nome apto a dissimular o apoio financeiro e operacional recebido de serviços secretos estrangeiros, para além da PIDE, e a presença de operacionais e aventureiros de várias nacionalidades. Segundo o próprio Guerin-Serac, «As nossas forças compreendem dois tipos de homens: Oficiais que vieram até nós depois de combaterem na Indochina e Argélia, e alguns mesmo após a guerra da Coreia (…) Intelectuais que, nesse período se dedicaram ao estudo das técnicas de subversão Marxista (…) Durante este período estabelecemos contactos próximos entre grupos que emergiam em Itália, Bélgica, Alemanha, Espanha e Portugal, com ideias afins, com o fito de formarmos o núcleo de uma verdadeira Liga Ocidental de Luta contra o Marxismo» [28].
Também segundo Guerin-Serac a Aginter Press participou, em colaboração com a CIA e a Força Especial de Barretes Verdes (EUA), em grupos operacionais na campanha “antiterrorista” que na Guatemala, entre 1968 e 1971, terá provocado cerca de 50000 mortos. Aginter esteve depois envolvida na guerra secreta que no Chile, em 1973, conduziu ao assassinato do Presidente legítimo Salvador Allende e à instalação do ditador Augusto Pinochet [29].
Aquando do 25 de Abril de 1974, a sede da Aginter Press em Lisboa foi encerrada, documentação e operacionais desapareceram. No relato de um jornalista italiano: «Três colegas meus estavam lá quando os arquivos da Aginter foram confiscados. Tiraram fotos de partes, muito poucas, do grande volume de informação confiscada (…) Os documentos foram destruídos pelos militares portugueses porque obviamente eles recearam complicações diplomáticas com os governos de Itália, França e Alemanha, caso as actividades da Aginter nos vários países europeus fossem reveladas» [30].
E quando em Novembro de 1990 chegou a revelação, as autoridades portuguesas questionadas negaram peremptoriamente existir qualquer registo da existência ou actividade da “estrutura Gladio” em Portugal [31].
Mas a investigação feita no entretanto revelou a Aginter Press como uma organização de sinistro sucesso. Não só pela sua intervenção intimidatória e repressiva em Portugal, e na sabotagem política aos movimentos de libertação nas colónias portuguesas; como também no suporte a organizações neo-fascistas e na manipulação de organizações esquerdistas na Europa, e ainda no treino e fornecimento de meios conducentes a actos violentos no quadro da estratégia de tensão; e mais além, no apoio a organizações ou regimes repressivos e criminosos na América Latina. [32] Extintas no 25 de Abril, a PIDE e a Aginter Press, os seus agentes e operacionais dispersaram. Dos elementos mais responsáveis da PIDE alguns foram presos e levados a julgamento, a maioria dissimulou-se. Dos elementos da Aginter a maioria terá prosseguido a sua carreira criminosa no estrangeiro, outros ficaram dormentes no país. No auge do processo revolucionário, entre 1974 e 1976, de uns e de outros ressurgiu o Exercito de Libertação de Portugal (ELP) que, à sua maneira, prosseguiu a mesma estratégia de tensão, a clássica missão da Gladio, lançando acções terroristas, contra-informação, reanimação de grupos neofascistas, desestabilização política, visando eliminar a ferro e fogo e pela mentira a organização e o prestígio das forças democráticas incluindo o Partido Comunista. [33]

A Operação Gladio encontrou em Portugal terreno fértil durante a ditadura.
Um documento revelador da sua natureza e acção é uma carta de intimidação remetida a anti-fascistas na década de 60 ainda antes da constituição da Aginter Press. Essa carta ostenta a figura de um capacete romano com a palavra Gladius, e é subscrita por “Os Centuriões”. Dela destacamos as seguintes passagens: «Somos Cem. Poderíamos ser milhares a afirmar a Nação e defende-la dos Abutres e dos Traidores: dos abutres de fora; dos traidores de dentro. - Para afirmar a Nação e defendê-la dos Abutres seremos dezenas de milhar. Para defender a Nação dos traidores somos Cem. - Centuriões regressados de Angola, Moçambique e Guiné – somos cem. Condenamos a traição que o governo e os seus órgãos não consegue reprimir por meios legais. Somos cem que vimos tantas vezes a morte de perto que ela se tornou familiar. A morte será a nossa arma contra a traição!»
De forma sucinta, este documento comporta várias mensagens em consonância com os resultados das investigações feitas pelo Senado italiano e investigações subsequentes. Ele confirma a existência de uma organização clandestina com duas missões, uma de exército de retaguarda para a resistência em cenário de ocupação “soviética”, outra de vigilância e repressão sobre pessoas ou organizações que identificassem como ameaça “marxista”. Revela também a sua base e conexões militares, em Portugal e para além das suas fronteiras nas então colónias. E através das fórmulas de linguagem, identifica-se com a extrema-direita e a polícia política do passado regime.

O que mais uma vez comprova não ser bastante conhecermos a racionalidade do que nos é dito e mostrado, temos de também conhecer a racionalidade da mentira que nos é dada e da verdade ocultada. Isto no mundo tal qual é hoje e aqui.


Artigo publicado em Seara Nova n.º 1715, 2011, pp. 8-12

BIBLIOGRAFIA
1 - Daniele Ganser, NATO’s Secret Armies. Operation Gladio and Terrorism in Western Europe. Frank Cass, London January 2005.
Godon Duff: Gladio, How we terrorize ourselves, Veterans Today, November 14, 2010. (acedido 2 Março 2011)
http://www.veteranstoday.com/2010/11/14/gordon-duff-gladio-how-we-terrorize-ourselves/[1].
2 - Wikipedia, The Free Encyclopedia, Operation Gladio. (last modified on 23 February 2011; acedida 2 de Março de 2011)
http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Gladio[2]
3 - Stato Maggiore della Difesa, Servizio Informazioni delle Forze Armate. Ufficio R - Sezione SAD: Le forze speciali del SIFAR e l’operazione GLADIO. Roma, 1 Giugno 1959. Documento disponível in Mario Coglitore (ed.): La Notte dei Gladiatori. Omissioni e silenzi della Repubblica.. Padova, 1992.
4 - Franco Ferraresi: A secret structure codenamed Gladio. Italian Politics. A Review. 1992, p. 30. - Ferraresi transcreve o documento de Andreotti publicado no diario italiano L’Unita, 14 Novembro 1990.
5 - Jean Francois Brozzu-Gentile: L’ affaire Gladio. Paris, Editions Albin Michel, 1994. p. 105.
6 - British daily The Observer, November 18, 1990.
7 - Senato della Repubblica. Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabiliy delle stragi: Il terrorismo, le stragi ed il contesto storico politico. Redatta dal presidente della Commissione, Senatore Giovanni Pellegrino. Roma, 1995.
8 - Ibid., p. 364
9 - British political magazine Searchlight, No. 47, May 1979, p. 6.
10 – Hubert Artus, Pourquoi le pouvoir italien a lâché Aldo Moro, exécuté en 1978, Rue89, 02/06/2008. (acedido 2 Março 2011)
http://www.rue89.com/cabinet-de-lecture/pourquoi-le-pouvoir-italien-a-lache-aldo-moro-execute-en-1978[3]
11 - Senato della Repubblica. Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabiliy delle stragi: Stragi e terrorismo in Italia dal dopoguerra al 1974. Relazione del Gruppo Democratici di Sinistra l’Ulivo. Roma, June 2000.
12 - Peter Marshall, Gladio report, BBC Newsnight, April 4 1991.
13 - Daniele Ganser, The Secret Side of International Relations: An approach to NATO’s stay-behind armies in Western Europe. PSA conference, Leeds, April 7, 2005.
14 - Daniele Ganser, NATO’s secret armies linked to terrorism? 17 December 2004. http://globalresearch.ca/articles/GAN412A.html[4] (acedido 2 de Março de 2011).
15 - David Stafford, Britain and European Resistance, 1940-1945. A Survey of the Special Operations Executive. Oxford, St. Antony’s College, 1980, p. 20.
16 - ibid., p. 203.
17 - Peter Marshall, Gladio report, BBC Newsnight, April 4 1991.
18 - Kevin Liffey, Secret Swiss Resistance Force Trained by British. In: Reuter News Service, September 19, 1991.
19 - Jean Francois Brozzu-Gentile: L’ affaire Gladio. Paris, Editions Albin Michel, 1994. p. 28.
20 - International news service Associated Press, November 14, 1990.
21 - NSC 10/2: National Security Council Directive on Office of Special Projects. June 18, 1948. In: Etzold and Gaddis, Containment: Documents on American policy and strategy, 1945-1950. New York, Columbia University Press. 1978.
22 - United States Senate. Final Report of the Select Committee to Study Governmental Operations with respect to Intelligence activities. Book VI: Supplementary detailed staff reports on foreign and military intelligence. 1976. (acedido 2 Março 2011).
http://www.archive.org/stream/finalreportofsel06unit#page/16/mode/2up[5]
23 - Belgian Parliamentary Commission of Enquiry into Gladio, Resumo transcrito no periódico Belga Statewatch, Janeiro/Fevereiro, 1992.
24 - British daily The European, November 9, 1990.
25 - João Paulo Guerra: “Gladio” actuou em Portugal. O Jornal, 16 Novembro 1990.
26 - Senato della Repubblica. Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabiliy delle stragi: Il terrorismo, le stragi ed il contesto storico politico. Redatta dal presidente della Commissione, Senatore Giovanni Pellegrino. Roma, 1995. (acedido 2 Março 2011)
http://www.clarence.com/contents/societa/memoria/stragi/index.htm[6]
27 - Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabili delle stragi. 9ª Seduta, 12 Fevereiro 1997. (acedida 2 Março 2011)
http://www.parlamento.it/parlam/bicam/terror/stenografici/steno9.htm[7]
28 - Stuart Christie, Stefano Delle Chiaie. London, Anarchy Publications, 1984. p. 29.
29 - Peter Dale Scott, Transnational Repression: Parafascism and the US. British periodical Lobster Magazine, N.º 12, 1986. (acedido 2 Março 2011) http://www.8bitmode.com/rogerdog/lobster/lobster12.pdf[8]
30 - Egmont Koch and Olivier Schröm, Deckname Aginter. Die Geschichte einer faschistischen Terror Organisation. Referenciado em: Daniele Ganser, The Secret Side of International Relations: An approach to NATO’s stay-behind armies in Western Europe. 2005.
31 - Diário de Noticias, 17 November 1990.
32 - Jeffrey M. Bale, Right-wing Terrorists and the Extraparliamentary Left in Post-World War 2 Europe: Collusion or Manipulation? Lobster Magazine N.º 18, 1989 (acedido 2 Março 2011).
http://www.8bitmode.com/rogerdog/lobster/lobster18.pdf[9]
33 - Dossier Terrorismo – Um caso de violência política: o «Verão quente» de 1975, Lisboa, Edições Avante! 1978.

Divulga o endereço[10] deste texto e o de odiario.info[11] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^http://www.veteranstoday.com/2010/11/14/gordon-duff-gladio-how-we-terrorize-ourselves/ (www.veteranstoday.com)
  2. ^http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Gladio (en.wikipedia.org)
  3. ^http://www.rue89.com/cabinet-de-lecture/pourquoi-le-pouvoir-italien-a-lache-aldo-moro-execute-en-1978 (www.rue89.com)
  4. ^http://globalresearch.ca/articles/GAN412A.html (globalresearch.ca)
  5. ^http://www.archive.org/stream/finalreportofsel06unit#page/16/mode/2up (www.archive.org)
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  7. ^http://www.parlamento.it/parlam/bicam/terror/stenografici/steno9.htm (www.parlamento.it)
  8. ^http://www.8bitmode.com/rogerdog/lobster/lobster12.pdf (www.8bitmode.com)
  9. ^http://www.8bitmode.com/rogerdog/lobster/lobster18.pdf (www.8bitmode.com)
  10. ^endereço (www.odiario.info)
  11. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

O 11/Setembro dezoito anos depois

por Paul Craig Roberts

Gostaria de perguntar aos leitores se encontraram nos media impressos, televisivos ou na National Public Radio alguma notícia da investigação altamente profissional realizada durante quatro anos acerca do desaparecimento do Edifício 7 do World Trade Center. A equipe internacional de engenheiros civis concluiu que a história oficial da destruição do edifício 7 é inteiramente falsa. Informei das suas descobertas aqui: www.paulcraigroberts.org/...

Suspeito que o relatório pericial já esteja no Buraco da Memória. A revista Popular Mechanics, a Wikipedia e a CNN não podem etiquetar uma equipe eminente como "teóricos da conspiração". Portanto os presstitutos e variados artistas do encobrimento do ataque de falsa bandeira do 11/Set aos Estados Unidos simplesmente actuarão como se nenhum relatório existisse. A vasta maioria dos povos no mundo nunca ouvirá nada acerca do relatório. Duvido que os perpetradores reais do 11/Set cheguem a contratar a sua própria equipe para "refutar" o relatório, pois isso traria o relatório para os noticiários, o último lugar em que os autores querem que esteja.

O relatório da Comissão do 11/Set não era de uma investigação e ignorou todas as evidências forenses. A simulação do colapso do Edifício 7 feita pelo NIST foi amanhada para obter o resultado desejado. As únicas investigações reais foram feitas por cientistas, engenheiros e arquitectos privados. Eles descobriram evidência clara da utilização do [explosivo] nano-thermite na destruição das torres gémeas. Mais de 100 membros de unidades de intervenção inicial (First Responders) testemunharam terem sentido um grande número de explosões dentro das torres, incluindo uma explosão maciça no subsolo antes do momento em que foi dito que os aviões atingiram a torre. Numerosos militares e pilotos civis disseram que as manobras de voo envolvidas nos ataques ao WTC e ao Pentágono estão para além das suas qualificações e ainda mais certamente para além das qualificações dos alegados sequestradores. Destroços dos aviões estão surpreendentemente ausentes dos sítios do impacto. E assim por diante e assim por diante. Que o Edifício 7 foi uma demolição controlada já não é mais discutível.

Na base da evidência conhecida, pessoas entendidas e informadas concluíram que o 11/Set foi um trabalho interno (inside job) organizado pelo vice-presidente Dick Cheney, sua cavalariça de neoconservadores e Israel para o objectivo de reconstruir o Médio Oriente no interesse de Israel e, neste processo, enriquecer o complexo militar/de segurança dos EUA.

A maior parte das pessoas está inconsciente do papel do director do FBI, Robert Mueller, em proteger da evidência a narrativa oficial do 11/Set. Paul Sperry informa no New York Post as muitas acções tomadas por Mueller como director do FBI para ocultar os factos ao Congresso e ao público. nypost.com/...

Patrick Pasin, um autor francês, fornece uma evidência adicional do mau uso do seu posto por parte de Mueller para proteger uma mentira oficial. Uma tradução em língua inglesa do livro de Pasin, The FBI Accomplice of 9/11 , foi publicada pela Talma Studios, em Dublim, Irlanda. www.bookdepository.com/...[*]

O livro de Pasin consiste em organizar a evidência conhecida, a qual tem sido suprimida a fim de perpetrar uma falsa narrativa do 11/Set, num relato irrefutável de como um ataque de falsa bandeira foi protegido da revelação. Ele pormenoriza o plano "através do qual o FBI tentou provar a narrativa conspiratória do governo – a qualquer custo. É de recordar que Mueller é um dos que no Estado Profundo provocou o presidente Trump. Negócios sujos é o negócio de Mueller.

Pasin colecciona as provas e as teias numa narrativa irrefutável. Está tudo ali. A utilização de informação privilegiada (insider trading) antes dos sequestros dos aviões, a impossibilidade de chamadas telefónicas a partir de aviões em 2001; as cartas com antraz enviadas aos senadores Tom Daschle e Patrick Leahy que abriram o caminho para o Patriot Act; o esforço para culpar cientistas militares americanos pelas cartas quando se revelou que o antraz só existia num laboratório militar estado-unidense; a total implausibilidade de encontrar um passaporte não danificado no entulho das torres gémeas onde os fogos eram alegadamente tão quentes que fundiam o aço.

É extraordinário que alguém pudesse ter acreditado numa só palavra disto. Tente imaginar um calor tão intenso que funde o aço mas não é suficiente para queimar um passaporte!

O livro de Pasin é de leitura fácil. Ele simplesmente expõe, revelando falsificação após falsificação, mentira após mentira. A narrativa obviamente falsa é transmitida ao mundo e os peritos que a revelam como falsa são chamados "teóricos da conspiração" por pessoas demasiado estúpidas e desinformadas para assimilar seus livros.

Esta é a América do século XXI e, aparentemente, o resto da população do mundo não é mais brilhante.

Dentro de três dias será o 18º aniversário do 11/Set. O que aprendemos nestes 18 anos? Aprendemos que milhares de peritos com provas concretas não podem prevalecer sobre uma transparente mentira oficial.

09/Setembro/2019
[1] Edição em francês: Le FBI, complice du 11 septembre, Talma Studios, 2019, 280 p.

Ver também:

 

O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2019/09/09/9-11-after-18-years/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/11set/roberts_09set19.html

Trump anuncia morte de filho de Osama bin Laden durante operação dos EUA

Hamza bin Laden, filho e herdeiro de Osama bin Laden
© Foto / Divulgação / FBI

Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Hamza bin Laden, filho de Osama, foi liquidado durante uma operação dos EUA.

No sábado (14), Donald Trump confirmou a morte de um filho do fundador e líder do grupo terrorista Al-Qaeda (organização proibida na Rússia e em vários outros países). Segundo o presidente estadunidense, Hamza bin Laden foi morto durante uma operação dos EUA.

"Hamza bin Laden, membro de alto nível da Al-Qaeda e filho de Osama bin Laden, foi morto durante uma operação antiterrorista dos EUA na região do Afeganistão e Paquistão", diz a declaração do presidente.

"A perda de Hamza bin Laden não só privará a Al-Qaeda das importantes qualidades de liderança e da ligação simbólica com o pai dele, mas também solapará importantes ações operacionais do grupo. Hamza bin Laden era responsável pelo planejamento e operações conjuntas com vários grupos terroristas", explicou Trump.

 Osama bin Laden
© AP Photo / File
Osama bin Laden

Mais cedo neste verão foram divulgadas informações sobre a eventual morte de Hamza bin Laden, mas os EUA não tinham confirmado a informação oficialmente.

Antes, os EUA anunciaram uma recompensa de até US$ 1 milhão por informações sobre Hamza bin Laden. Contra ele foram aplicadas sanções estadunidenses. Segundo informação do Departamento de Estado dos EUA, Hamza bin Laden fazia parte da Al-Quaeda desde o ano de 2015 e apelava a ataques em vários países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091414517081-trump-anuncia-morte-de-filho-de-osama-bin-laden-durante-operacao-dos-eua/

Talibã diz que EUA 'vão sofrer como ninguém' após Trump largar negociações

Membros do grupo radical Talibã (foto de arquivo).
© AP Photo / Allauddin Khan

Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) diz que Estados Unidos irão perder vidas e "sofrer como ninguém" após Trump cancelar encontro e pôr fim às negociações.

O grupo terrorista Talibã direcionou ameaças aos Estados Unidos após o presidente Donald Trump decidir cancelar as negociações entre o grupo e dirigentes afegãos.

"Os americanos vão sofrer mais do que todos os outros por terem cancelado as conversações", disse o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid.

Decisão de Trump

Até a decisão de Trump, encontros secretos estavam programados entre o presidente afegão Ashraf Ghani e líderes do Talibã. A princípio, Trump também estaria planejando um encontro em Camp David, nos Estados Unidos.

A decisão de Trump de colocar fim às conversações e cancelar o encontro teria sido a resposta a um ataque terrorista promovido pelo Talibã na capital do Afeganistão, Cabul. O ataque resultou na morte de doze pessoas, incluindo um militar americano. Trump também acusou o Talibã de realizar ataques para obter poder de barganha.

Um funcionário do serviço de segurança afegão reza em um subúrbio de Cabul após ataque do Talibã contra cadetes recém-graduados, em 30 de junho de 2016
© AFP 2019 / Wakil Kohsar
Um funcionário do serviço de segurança afegão reza em um subúrbio de Cabul após ataque do Talibã contra cadetes recém-graduados, em 30 de junho de 2016

Forças estrangeiras

A organização terrorista disse que cedo ou tarde os Estados Unidos terão que voltar às negociações. O Talibã reafirmou que lutará até a retirada total das forças estrangeiras do Afeganistão. Atualmente os EUA e países membros da OTAN têm milhares de soldados no país asiático.

Por sua vez, o governo afegão expressa esperança nas negociações. Sediq Sediqqi, um dos porta-vozes de Cabul, ressaltou que as negociações poderiam trazer o Talibã ao círculo político do país, publicou a Reuters.

"As negociações de paz deram uma oportunidade ao Talibã de abraçar a vida política", disse Sediqqi.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019090814493544-taliba-diz-que-eua-vao-perder-vidas-e-sofrer-como-ninguem-apos-trump-largar-negociacoes/

Putin teria avisado Bush sobre risco de ataques terroristas nos EUA 2 dias antes do 9/11

Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC) ardem depois do ataque terrorista, 11 de setembro de 2011 (foto de arquivo)
© AP Photo / Marty Lederhandler

O presidente russo foi também o primeiro chefe de Estado estrangeiro a telefonar ao presidente estadunidense para lhe expressar suas condolências e apoio na sequência da tragédia.

O ex-presidente dos EUA George W. Bush (2001-2009) foi informado com antecedência por seu homólogo russo, Vladimir Putin, da existência de uma ameaça terrorista contra os EUA, afirma o ex-analista da CIA George S. Beebe.

De acordo com o seu livro "Armadilha Russa: Como Nossa Guerra de Sombra com Rússia Pode se Converter em Catástrofe Nuclear", recentemente publicado, o presidente russo, Vladimir Putin, informou em 2001 o então chefe da Casa Branca sobre o risco de um ataque terrorista dois dias antes dos trágicos atentados contra as torres gêmeas de Nova York e o Pentágono.

George S. Beebe trabalhou para o Governo do Estados Unidos por quase 25 anos e, durante algum tempo, ocupou o cargo na CIA de diretor de grupo de análises da Rússia, bem como de assessor da Casa Branca para assuntos da Rússia, do então vice-presidente Dick Cheney. Atualmente é vice-presidente do Center for the National Interest, um 'think tank' sediado em Washington.

"Putin tinha telefonado ao presidente Bush dois dias antes dos ataques para advertir que a inteligência russa havia detectado sinais de uma campanha terrorista, algo de longa preparação, proveniente do Afeganistão", escreve Beebe no seu livro.

Mais uma confirmação

Nos arquivos do site oficial do Kremlin há um registro datado a 10 de setembro de 2001, no qual se afirma que Putin e Bush tiveram naquele dia uma conversa telefônica. É indicado que a chamada foi realizada por iniciativa dos EUA e que os líderes abordaram questões relacionadas à preparação de sua reunião bilateral no âmbito da cúpula da APEC, realizada em Xangai em outubro daquele ano.

Em 2016, por ocasião do 15º aniversário do pior ataque terrorista na história dos EUA, a edição Politico entrevistou diversos altos funcionários que tinham acompanhado George W. Bush naquele dia. Por razões de segurança, ele permaneceu a bordo do seu avião presidencial, o Air Force One, nos céus dos EUA.

De acordo com o então chefe de gabinete da Casa Branca, Andy Card, "um dos primeiros pensamentos do presidente [...] foi Vladimir Putin".

"[Putin] era muito importante", disse Gordon Johndroe, o ex-subsecretário de imprensa da Casa Branca. "Todos os sistemas militares foram colocados em alerta nuclear e era necessário avisar Putin que não estávamos preparando um ataque contra a Rússia", explicou.

Segundo ele, Putin "foi excelente", sendo que "disse de imediato que a Rússia, por sua parte, não iria responder e declarar alerta" e que "entendia que tínhamos sido atacados e que necessitávamos de estar em alerta".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019090614484880-ex-analista-da-cia-putin-avisou-bush-sobre-risco-de-ataque-terrorista-nos-eua-2-dias-antes-do-911/

«Justiça para as irmãs»

 

Os Serviços Secretos ocidentais seguem atentamente a campanha de angariação de fundos do «Justice pour les Sœurs» no serviço de mensagens encriptadas do Telegram.

Segundo o Rojava Information Center (Centro de Informações do Rojava-ndT) , as combatentes femininas do Daesh (E.I.) e os seus filhos que estão encarcerados no campo de Al-Hol esperam recolher 8.000 euros por «irmã». O Centro especifica que esse campo é gerido pelas Forças Democráticas da Síria (SDF). Na realidade, está colocado sob responsabilidade dos Estados Unidos e guardado por mercenários curdos das FDS.

A colecta utiliza contas do PayPal sob vários pretextos, tal como o intitulado «Viagem de Lua de Mel a Viena». Os Ocidentais, que apoiaram maciçamente o Daesh no Levante, de 2014 a 2017, estão hoje muito preocupados com o retorno dos jiadistas à Europa. No entanto, um mês após o alerta, ainda não bloquearam, nem fecharam estas contas a fim de identificar os doadores.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Turquia transfere terroristas islâmicos para deter avanço sírio

Cerca de 15 mil combatentes do Daesh ao serviço da Turquia foram ontem apressadamente transferidos para o sul da província de Idlib para conter o avanço do exército sírio em Khan Sheikhoun.

Combatentes das «Forças Tigre» entraram a 16 de Agosto de 2019 na cidade de Madaya, província de Idlib, depois de ferozes combates com terroristas da Al-qaeda.Créditos / Al-Masdar

O avanço do Exército Árabe Sírio (EAS) contra os terroristas da AlQaeda no sul da província de Idlib e a iminência da queda da estratégica cidade de Khan Sheikhoun alarmaram as autoridades de Ankara, que transferiram apressadamente para a zona uma força de choque de 14 mil combatentes jihadistas experimentados.

A movimentação foi feita entre as províncias de Aleppo e de Idlib, ambas parcialmente ocupadas pela Turquia ou por grupos jihadistas controlados por Ancara.

As forças incluem veteranos jihadistas das operações «Escudo do Eufrates» e «Ramo de Oliveira», desenvolvidas pela Turquia no norte da Síria, e cerca de seis mil membros do Jund al-Aqsa, do estado Islâmico (Daesh), refere a agência iraniana Fars a partir de fontes do Centro de Documentação Síria (em árabe).

A batalha por Khan Sheikhoun é «vital e decisiva para os grupos terroristas» e «Ankara está a fazer os maiores esforços para evitar a sua queda», segundo fontes sírias citadas pela Fars.

A cidade, desde 2014 nas mãos da Al-Qaeda, encontra-se praticamente deserta, segundo a France 24, e é considerada uma «chave» para a libertação por Damasco da região de Idlib, o maior bastião nas mãos dos jihadistas depois libertação de Aleppo em 2016 pelas forças governamentais.

Na quinta-feira passada as «Forças Tigre», unidade ofensiva de elite do EAS, capturaram a cidade de Madaya após «ferozes combates com os jihadistas», tendo estabelecido, segundo fontes militares citadas pelo libanês Al-Masnar, «a sua primeira presença a noroeste de Khan Sheikhoun» desde 2014, com o exército sírio e aviões russos «a atingirem das linhas de defesa rebeldes com fogo pesado».

Objectivos do acordo EUA-Turquia sobre «zona segura» tornam-se claros

Esta transferência de combatentes é a primeira consequência prática do acordo assinado entre os EUA e a Turquia sobre o estabelecimento de um «centro conjunto de operações», em território turco, para coordenar e gerir a criação de uma alegada «zona segura» na Síria.

Tanto os EUA como a Turquia mantêm, nas zonas por si ocupadas, largos milhares de combatentes jihadistas afectos à Al-Qaeda ou ao Daesh, que movimentam em diversos cenários de guerra de acordo com os interesses de Ankara ou Washington, com o silêncio da maioria da comunidade internacional.

O governo sírio rejeitou categoricamente «o acordo anunciado pelos ocupantes norte-americanos e turcos sobre a criação da chamada zona segura», sublinhando que constituiu uma «violação flagrante da soberania e integridade territorial da Síria», bem como «dos princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/turquia-transfere-terroristas-islamicos-para-deter-avanco-sirio

Doha Bank processado por ter financiado a Alcaida na Síria

Em Londres, foi apresentada uma queixa contra o Doha Bank e Moataz Al-Khayyat por ter enviado enormes somas de dinheiro para a Frente al-Nusra (Alcaida na Síria) e assim ter financiado as suas atrocidades [1].

A sede do banco é um edifício que reproduz o «D» do Doha Bank. Ele aparece em todas as fotos da capital catariana.

O Doha Bank é propriedade do Catar através do seu fundo de investimento soberano (Qatar Investment Authority). Vários membros da família real têm assento no seu Conselho de Administração. Moataz Al-Khayyat (foto) é um bilionário catari de origem síria. A sua empresa, a UrbaCon Trading & Contracting Company (UCC), constrói actualmente um palácio para o Emir al-Thani, em Londres, por £ 300 milhões de libras.


[1] «Qatari bank accused of funding Jihadis», Andrew Norfolk, The Times 7 August, 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Atirador de El Paso confirmou à polícia que alvos eram 'mexicanos'

Algumas pessoas entram em uma escola para procurar parentes próximos ao local de um tiroteio em El Paso, no Texas, no dia 3 de agosto de 2019. Dezenas de pessoas foram mortas no incidente.
© AP Photo / Rudy Gutierrez

O atirador acusado de matar 22 pessoas no Walmart em El Paso, no Texas, neste fim de semana, declarou à polícia que estava atacando "mexicanos", informou o Washington Post nesta sexta-feira.

O jornal afirmou ter obtido um documento da polícia, segundo o qual Patrick Crusius, de 21 anos, teria confessado ser o autor dos disparos.

"Eu sou o atirador", disse Crusius à polícia quando o prenderam, de acordo com o relato do Washington Post, baseado em relatório escrito pelo detetive Adrian Garcia no domingo, um dia depois do tiroteio.

"O réu declarou que, dentro da loja, abriu fogo usando seu AK-47, atirando em várias vítimas inocentes", escreveu Garcia. Crusius disse que seus alvos eram "mexicanos", afirmou o detetive, segundo o jornal, citado pela Reuters.

Crusius é acusado de matar 22 pessoas e ferir outras 24 no sábado passado, pouco depois de um manifesto ter aparecido on-line, explicando sua motivação e condenando uma "invasão hispânica" dos Estados Unidos.

Apenas algumas horas depois, um atirador abriu fogo em um bairro de Dayton, Ohio, matando nove pessoas, incluindo sua própria irmã.

O presidente Trump visitou ambas as comunidades na quinta-feira e foi recebido com manifestantes que o acusavam de inflamar as tensões com retórica anti-imigrantes e racistas.

O massacre na cidade predominantemente hispânica de El Paso está sendo investigado como um crime de ódio e um ato de terrorismo doméstico, disseram autoridades. O FBI informou que o atirador de Dayton também se interessava por ideologias violentas.

Candidatos à presidência democrata acusaram Donald Trump de ter criado um clima político propício à violência baseada em ódio.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019080914369163-atirador-de-el-paso-confirmou-a-policia-que-alvos-eram-mexicanos/

Inteligência dos EUA avisa sobre 'mais um 9/11' após morte presumível de filho de Osama bin Laden

Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC) ardem depois do ataque terrorista, 11 de setembro de 2011 (foto de arquivo)
© AP Photo / Marty Lederhandler

No fim do mês passado, a mídia dos EUA, citando fontes anônimas, afirmou que Hamza bin Laden, filho do líder do grupo terrorista Al-Qaeda, estaria morto. No entanto, ainda não há informações claras.

As fontes recusaram dar mais detalhes, e as autoridades dos EUA ainda não fizeram uma declaração oficial sobre o assunto.

As agências de inteligência dos EUA estão se preparando para uma possível retaliação da Al-Qaeda (organização proibida na Rússia) após a alegada morte do filho de Osama bin Laden, segundo fontes não identificadas citadas pelo jornal The Mirror.

"Existe uma vontade forte para fazer um novo 11 de setembro, o pesadelo de bin Laden está longe acabar – mesmo que seja provável que o único herdeiro terrorista possível do fundador tenha sido morto", afirmou uma das fontes.

A fonte descreve Hamza como inexperiente "operacionalmente", mas adiciona que ele era "irresistível" como um descendente do mais famoso terrorista que o mundo conheceu.

O terrorista mundial número um esperava que um dia seu filho "aceitasse o desafio de liderar Al-Qaeda, por isso o Ocidente ele não podia deixar que ele recolhesse apoios para uma nova e mais perigosa Al-Qaeda".

Os comentários surgem depois de NBS News ter citado três funcionários dos EUA, em julho, que teriam informado que Hamza bin Laden está morto. Os representantes oficiais não deram mais detalhes sobre onde ou quando ele teria sido morto ou se os EUA teriam tido algum papel na morte dele.

Hamza bin Laden no seu casamento (foto de arquivo)
© AP Photo / CIA
Hamza bin Laden no seu casamento (foto de arquivo)

Hamza, que antes tinha apelado aos seguidores da Al-Qaeda para atacarem os EUA pelo assassinato de seu pai, era visto como o provável sucessor do chefe do grupo terrorista Ayman al-Zawahiri.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos, por sua vez, propôs um prêmio de US$ 1 milhão por informações sobre o paradeiro do filho de bin Laden.

Osama bin Laden foi morto no dia 2 de maio de 2011 em Abbottabad, Paquistão, durante uma operação especial da tropa de elite da Marinha dos EUA, que se seguiu a uma caça ao homem que durou 10 anos. A operação foi iniciada como parte da resposta dos EUA à série de ataques nos EUA no dia 11 de setembro de 2001, nos quais cerca de 3.000 pessoas foram mortas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019080514343960-eua-avisam-sobre-mais-um-911-apos-morte-presumivel-filho-de-osama-bin-laden/

“Sob os nossos olhos” (7/25)O Daesh realiza o sonho dos Irmãos Muçulmanos : o Califado

Concluímos a publicação da parte do livro de Thierry Meyssan, «Sous nos yeux» (Sob os nossos olhos), consagrada aos Irmãos Muçulmanos. Neste episódio, a Irmandade realiza com o Daesh (E.I.) o seu sonho de restabelecer o Califado. Este primeiro Estado terrorista consegue funcionar durante dois anos com a ajuda ocidental.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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O Daesh torna-se conhecido pelos seus actos de tortura e degolamentos em público.

14— O Daesh e o Califado

Inicialmente, os membros da Frente Al-Nusra(Alcaida na Síria) são Sírios que tinham ido combater no Iraque após a queda de Bagdade, em 2003. Eles voltam à Síria para participar na operação planificada contra a República, a qual será, em definitivo, adiada para o mês de Julho de 2012. Durante dois anos —até 2005—, eles beneficiaram da ajuda da Síria que os deixou circular livremente pensando que combatiam o invasor norte-americano. No entanto, ficou claro logo que que o General David Petraeus chegou ao Iraque que a sua real função seria a de combater os xiitas Iraquianos, para grande deleite dos ocupantes. Em Abril de 2013, o Emirado Islâmico no Iraque, do qual eles são oriundos, é reactivado sob o nome de Emirado Islâmico no Iraque e no Levante (ÉIIL). Os membros da Frente Al-Nusra, que se apropriaram de grandes porções da Síria, recusam então reintegrar a sua casa-mãe.

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John McCain na Síria ocupada. No primeiro plano, à direita, reconhece-se o director da Syrian Emergency Task Force. Na moldura da porta, ao centro, o porta-voz da Tempestade do Norte (Alcaida), Mohammad Nour. As famílias de reféns libaneses apresentarão queixa contra o «Senador» por cumplicidade em sequestro. Este garantirá que não conhecia Nour. Ele ter-se-ia infiltrado nesta tomada de foto oficial difundida pelo seu secretariado parlamentar.

Em Maio de 2013, uma associação sionista americana, a Syrian Emergency Task Force, organiza a viagem do Senador McCain à Síria ocupada. Lá, ele encontra diversos criminosos entre os quais Mohammad Nour, porta-voz da katiba (brigada) Tempestade do Norte (Alcaida), que tinha raptado e sequestrava 11 peregrinos xiitas libaneses em Azaz. Uma fotografia difundida pelo seu serviço de imprensa mostra-o numa grande conversa com os líderes do Exército Sírio Livre, entre os quais alguns também carregam o estandarte da Frente Al-Nusra. Surge a dúvida sobre a identidade de um deles. Eu escreverei em seguida que se trata do futuro Califa do Daesh (E.I.), o que o secretariado do Senador desmentirá formalmente [1]. Tendo o mesmo homem servido de tradutor aos jornalistas, a dúvida é permitida. O secretariado afirmará que a minha hipótese é absurda, já que o Daesh ameaçara de morte o Senador várias vezes . Pouco depois, John McCain afirma na televisão, sem receio de se contradizer, conhecer pessoalmente os dirigentes do Daesh e estar «em contacto permanente com eles». Embora o Senador não tenha nenhuma ilusão sobre os Islamistas, ele afirma ter tirado lições do Vietname e apoiá-los contra o «regime de Bashar» por necessidade estratégica. Ora, ele tinha, no entanto, antes do início dos acontecimentos na Síria, organizado o seu aprovisionamento em armas a partir do Líbano e escolhido a vila de Ersal como futura base de retaguarda das operações. Durante esta deslocação à Síria jiadista, ele avalia as condições de funcionamento futuro do Daesh.

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John McCain e o Estado-Maior do Exército sírio livre. No primeiro plano, à esquerda, o homem que jogará mais tarde o papel de «Califa Ibrahim» do Daesh (E.I.), com quem o Senador está em via de trocar impressões. Precisamente a seguir, o Brigadeiro-General Salim Idriss (com óculos). O «Califa» é um actor que jamais teve quaisquer funções de responsabilidade. Segundo John McCain, não se tratava do califa, mais de uma pessoa parecida. No entanto o Senador confessará em seguida estar «em contacto permanente» com o Daesh.

Em Dezembro de 2013, a Polícia e a Justiça turcas estabelecem que o Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan recebe em segredo, desde há vários anos, Yasin Al-Qadi, o banqueiro da Alcaida. Fotografias provam que ele veio várias vezes, de avião particular, e foi recebido após as câmeras de vigilância do aeroporto terem sido desligadas. Anteriormente, Al-Qadi era (e é provavelmente ainda) amigo pessoal do Vice-presidente norte-americano Dick Cheney. Ele só foi removido da lista de pessoas procuradas pela ONU a 5 de Outubro de 2012 e pelo Departamento do Tesouro dos EUA a 26 de Novembro de 2014, mas vinha desde há muito mais tempo a encontrar-se com Erdoğan. Ele reconheceu ter sido responsável pelo financiamento da Legião Árabe de Bin Laden, na Bósnia-Herzegovina (1991-95), e ter financiado o presidente Alija Izetbegović. Segundo o FBI, teria igualmente jogado um papel central no financiamento dos atentados contra as embaixadas dos Estados Unidos na Tanzânia e no Quénia (1998). Sempre segundo o FBI, teria sido proprietário da empresa de informática Ptech (agora Go Agile), suposta de jogar um papel no terrorismo internacional.

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As câmaras de vigilância do aeroporto de Istambul surpreenderam Bilal Erdogan recebendo o tesoureiro da Alcaida, Yasin el-Kadi.

Pouco tempo depois, a polícia turca revista a sede do IHH e aí interpela Halis B., suspeito de ser o líder da Alcaida na Turquia e İbrahim. Ş., comandante-adjunto da organização para o Próximo-Oriente. Erdoğan acaba por conseguir despedir os polícias e manda libertar os suspeitos.

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No canal público saudita Al-Arabiya, um oficial do Daesh declara que a organização é dirigida pelo Príncipe Abdul Rahman Al-Faiçal

Em Janeiro de 2014, os Estados Unidos iniciam um vasto programa de desenvolvimento de uma organização jiadista, cujo nome não é comunicado. Três campos de treino são instalados na Turquia, em Şanlıurfa, Osmaniye e Karaman [2]. Chegam armas às carradas para o EIIL despertando a cobiça da Al-Nusra. Durante vários meses os dois grupos entregam-se a uma guerra sem quartel. A França e a Turquia que não compreenderam logo o que se prepara, enviam ao princípio munições para Al-Nusra (Alcaida) afim de que ela se apodere do espólio do EIIL. A Arábia Saudita reivindica o seu controlo sobre o EIIL, e indica que ele é agora dirigido pelo Príncipe Abdul Rahman al-Faiçal (irmão do Embaixador saudita nos Estados Unidos e do Ministro saudita dos Negócios Estrangeiros).

As coisas clarificam-se progressivamente: a Casa Branca convoca os Chefes dos Serviços Secretos da Arábia Saudita, da Jordânia, do Catar e da Turquia, em 18 de Fevereiro. A Conselheira de Segurança Nacional, Susan Rice, anuncia-lhes que o Príncipe Bandar não recupera a sua saúde e que será substituído pelo Príncipe Mohammed bin Nayef na supervisão dos jiadistas. Mas, Nayef não tem autoridade natural sobre esta gente, o que aguça os apetites dos Turcos. Ela comunica-lhes o novo organigrama do Exército Sírio Livre e informa-os que Washington lhes vai confiar uma vasta operação secreta para remodelar as fronteiras. No início de Maio, Abdelhakim Belhaj (antigo quadro da Alcaida, governador militar de Trípoli na Líbia e fundador do Exército Sírio Livre) dirige-se a Paris para informar o governo francês dos planos EU-jiadistas e pôr fim à guerra que a França faz ao EIIL. Ele é, nomeadamente, recebido no Quai d’Orsay. De 27 de Maio a 1 de Junho, vários chefes jiadistas são convidados para consultas em Amã (Jordânia).

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Extracto do processo verbal da reunião presidida pela CIA em Amã, redigida pelos Serviços de Inteligência turcos (documento difundido pelo quotidiano curdo «Özgür Gündem», de 6 de Julho de 2014).

De acordo com a acta desta reunião, os combatentes sunitas serão agrupados sob a bandeira do EIIL. Eles irão receber armas ucranianas, às toneladas, e meios de transporte. Eles irão assumir o controle de uma vasta zona a cavalo sobre a Síria e o Iraque, principalmente no deserto, e aí proclamarão um Estado independente. A sua missão é, ao mesmo tempo, a de cortar a estrada Beirute-Damasco-Bagdade-Teerão e a de apagar as fronteiras franco-britânicas da Síria e do Iraque. O antigo Vice-presidente iraquiano Ezzat Ibrahim al-Duri, que é o Grão-mestre da Ordem dos Nachqbandis no seu país, anuncia que providencia 80.000 antigos soldados do exército de Saddam. A CIA confirma que 120.000 combatentes das tribos sunitas de Al-Anbar se juntarão ao EIIL à sua chegada, e lhe darão o armamento pesado que o Pentágono irá encaminhar para o terreno, oficialmente para o exército iraquiano. Masrour «Jomaa» Barzani, Chefe dos Serviços Secretos do Governo Regional curdo do Iraque, obtém luz verde para poder anexar os territórios contestados de Kirkuk assim que o EIIL anexar Al-Anbar. Não se compreende o significado da presença do Mulá Krekar, o qual cumpre uma pena de prisão na Noruega e que veio num avião especial da OTAN. Com efeito, desde há vários anos ele desempenha um papel importante na preparação ideológica dos islamistas para a proclamação do Califado. Mas este assunto não será abordado durante a reunião.

Na mesma altura, na Academia militar de West Point, o Presidente Barack Obama anuncia a retoma da «guerra ao terrorismo» e a afectação de um orçamento anual de 5 mil milhões de dólares. A Casa-Branca anunciará ulteriormente que este programa prevê, entre outras, a formação de 5. 400 rebeldes moderados por ano.

Em Junho, o Emirado Islâmico lança um ataque primeiro no Iraque, depois na Síria, e proclama um califado. Até então, o Daesh(EI) –-é assim que é chamado agora segundo o seu acrónimo árabe--- era suposto não ter mais que algumas centenas de combatentes, mas miraculosamente, de repente, ele dispõe de várias centenas de milhares de mercenários. As portas do Iraque são-lhe abertas pelos antigos oficiais de Saddam Hussein, que se vingam assim do Governo de Bagdade, e por oficias xiitas que emigram então para os Estados Unidos. O Daesh(E.I.) apropria-se de armas do exército iraquiano, que o Pentágono acaba de fornecer, e das reservas do Banco Central em Mossul. Simultaneamente, e de forma coordenada, o Governo Regional do Curdistão anexa Kirkuk e anuncia a realização de um referendo de autodeterminação. De maneira a evitar que jiadistas de grupos concorrentes ao Emirado Islâmico recuem para a Turquia, Ancara fecha a sua fronteira com a Síria.

Desde a a sua instalação, o Daesh coloca administradores civis formados em Fort Bragg (EUA), e dos quais alguns fizeram parte até há pouco da Administração americana do Iraque. Do dia para a noite, o Daesh dispõe da administração de um Estado na acepção do State building do exército norte-americano. É, evidentemente, uma transformação completa para aquilo que não passava, ainda há algumas semanas atrás, de um grupúsculo terrorista.

Quase tudo foi previsto antecipadamente. Assim, logo que o Daesh captura os aeroportos militares iraquianos, ele dispõe instantaneamente de pilotos de avião e de helicópteros aptos para combate. Não podem ser pilotos do antigo exército iraquiano, já que a capacidade operacional é considerada como perdida ao fim de 6 meses de interrupção de vôo. Mas, os planeadores esqueceram-se das equipes técnicas necessárias, de maneira que uma parte deste equipamento não poderá ser utilizado.

O Daesh dispõe de um serviço de comunicação, que parece sobretudo formado por especialistas do MI6, ao mesmo tempo encarregue, tanto de editar os seus jornais, como de encenar a violência de Alá. É uma outra mudança para os jiadistas. Até aqui, eles utilizavam a violência para aterrorizar as populações. Agora, eles vão amplificá-la afim de as chocar e de as hipnotizar. Notavelmente filmados e com estética apurada, os seus vídeos vão impressionar os espíritos e recrutar os amantes de snuff movies.

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John McCain e Abdelhakim Belhaj. No momento em que esta foto é tomada a Interpol procura Belhaj como o emir do Daesh no Magrebe.

O retumbante sucesso do Daesh (EI) leva os islamistas do mundo inteiro a virar-se para ele. Se a Alcaida era a sua referência na época de Osama bin Laden e dos seus sósias, o califa «Ibrahim» é o seu novo ídolo. Um a um, a maioria dos grupos jiadistas no mundo juram fidelidade ao Daesh. A 23 de Fevereiro de 2015, o Procurador-Geral do Egipto Hichem Baraket, dirige uma nota à Interpol afirmando que Abdelhakim Belhadj, Governador militar de Trípoli, é o chefe do Daesh para o conjunto do Magrebe.

O Daesh explora o petróleo iraquiano e sírio [3]. O crude é transportado quer por oleoduto, controlado pelo Governo Regional curdo do Iraque, ou por camiões-cisterna das empresas Serii e Sam Otomotiv através dos postos fronteiriços de Karkamış, Akcakale, Cilvegozu e Oncupınar. Uma parte do crude é refinada para consumo turco pela Turkish Petroleum Refineries co. (Tupraş) em Batman. É embarcado em Ceyhan, Mersin e Dortyol em navios da Palmali Shipping & Agency JSC, a companhia do bilionário turco-azeri Mubariz Gurbanoğlu. A maior parte do crude é transportada para Israel onde recebe falsos certificados de origem e, depois, é expedida para a Europa (entre outros para França, para Fos-sur-Mer, onde é refinado). O resto é enviado directamente para a Ucrânia. Este dispositivo é perfeitamente conhecido dos profissionais e evocado durante o Congresso Mundial de companhias petrolíferas (15-19 de Junho em Moscovo). Oradores asseguram que a Aramco (EUA/Arábia Saudita) organiza a distribuição do petróleo do Daesh na Europa, enquanto a Exxon-Mobil (a companhia dos Rockefeller que reina sobre o Catar) escoa o da Al-Nusra [4]. Alguns meses mais tarde, a representante da União Europeia no Iraque, a Embaixatriz Jana Hybaskova, confirmará, durante uma audição perante o Parlamento Europeu, que Estados-membros da União financiam o Daesh ao escoar o seu petróleo.

Num primeiro tempo, o Conselho de Segurança da ONU não chega a denunciar este tráfico, no máximo o seu Presidente lembra a proibição de comerciar com organizações terroristas. É preciso esperar por Fevereiro de 2015 para que seja votada a Resolução 2199. Mubariz Gurbanoğlu aposenta-se então e vende vários dos seus navios (os Mecid Aslanov, Begim Aslanova, Poet Qabil, Armada Breeze e o Shovket Alekperova) à BMZ Group Denizcilik ve İnşaat A.Ş., a companhia de navegação de Bilal Erdogan, filho do Presidente Recep Tayyip Erdoğan,que prossegue o tráfico. Só em Novembro de 2015, aquando da Cimeira do G20, em Antalya, é que Vladimir Putin acusa a Turquia de violar a Resolução da ONU e de comercializar o petróleo do Daesh (EI). Face às negativas do Presidente Erdoğan, o Chefe de operações do Exército russo, o General Sergueï Rudskoy, torna públicas, durante uma conferência de imprensa, as imagens de satélite dos 8.500 camiões-cisterna cruzando a fronteira turca. De imediato a aviação de combate russa destrói os camiões presentes na Síria, mas o essencial do tráfico continua via Curdistão iraquiano, sob a responsabilidade do Presidente Massoud Barzani. Em seguida obras são empreendidas para aumentar o terminal petroleiro «Yumurtalık» (ligado ao oleoduto turco-iraquiano Kirkuk-Ceyhan), cuja capacidade de armazenamento subiu para 1,7 milhões de toneladas.

Os camiões-cisterna pertencem todos a uma empresa que tinha obtido, sem qualquer concurso, o monopólio do transporte de petróleo em território turco, a Powertans. Ela é controlada pela muito secreta Grand Fortune Ventures, sediada em Singapura, depois transferida para as Ilhas Caimão. Por trás desta montagem esconde-se a Calık Holding, a companhia de Berat Albayrak, o genro do Presidente Erdoğan e seu Ministro da Energia [5].

O petróleo que transitou pelo pipeline curdo é identicamente comercializado. No entanto, quando o Governo Iraquiano denuncia quer a cumplicidade dos Barzani com o Daesh, como o roubo de bens públicos iraquianos, ao qual eles procedem em conjunto, Ancara simula surpresa. Erdoğan bloqueia então os ganhos dos Curdos iraquianos numa conta bancária turca, esperando que Irbil e Bagdade clarifiquem as suas posições. É claro, estando este dinheiro supostamente bloqueado, os proveitos gerados pelo seu investimento não são declarados no orçamento turco, antes são pagos ao AKP.

Em Setembro de 2014, o califa purga os quadros da sua organização. Os oficiais magrebinos em geral, e os tunisinos em particular, são acusados de desobediência, condenados à morte e executados. São substituídos por Tchechenos da Geórgia e Uigures chineses.

O oficial da Inteligência militar georgiana, Tarkhan Batirashvili, torna-se o braço direito do califa, sob o nome de «Abu Omar al-Chichani». Inocentemente, o Ministro Georgiano da Defesa e antigo chefe do «governo abecásio no exílio» (sic), Irakli Alasania, anuncia, na mesma altura, aprestar-se para abrigar campos de treino para jiadistas sírios no seu país.

Reagindo às atrocidades cometidas em grande escala e à execução de dois jornalistas norte-americanos, o Presidente Obama anuncia, a 13 de Setembro, a criação de uma Coligação anti-Daesh. Aquando da batalha de Kobane (Síria), os aviões da Força aérea dos EU fazem durar a brincadeira bombardeando em certos dias o Daesh e lançando-lhe de pára-quedas armas e munições noutros.

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Segundo a imprensa norte-americana, o Francês David Drugeon, oficial dos Serviços Secretos militares franceses, era o perito bombista do Daesh que formou Mohammed Merah e os irmãos Kouachi. O Ministério da Defesa francês desmente tê-lo empregado enquanto a imprensa dos EUA mantêm a sua asserção. Oportunamente, ele foi dado como desaparecido depois de um bombardeamento aliado.

A Coligação declara realizar uma operação contra um certo grupo Khorasan da Alcaida na Síria. Embora não haja nenhuma evidência da existência deste grupo, a imprensa americana diz que é dirigido por um perito em explosivos dos Serviços Secretos franceses em missão, David Drugeon, o que o Ministério francês da Defesa desmente. Subsequentemente, a imprensa norte-americana afirma que Drugeon formou, por conta dos Serviços Secretos franceses, Mohammed Mera (responsável pelos atentados de Toulouse e Montauban, em 2012) e os irmãos Kouachi (responsáveis pelo atentado contra o Charlie Hebdo em Paris, em 2015).

Para aumentar os seus recursos, o Daesh cria impostos nos territórios que administra, impõe resgates de prisioneiros e trafica antiguidades. Esta última actividade é supervisionada por Abu Sayyaf al-Iraqi. As peças roubadas são encaminhadas para Gaziantep (Turquia). Elas são, ou expedidas directamente para colecionadores que as encomendaram através das empresas Şenocak Nakliyat, Devran Nakliyat, Karahan Nakliyat e Egemen Nakliyat, ou vendidas no mercado de Bakırcılar Carşısi [6].

Por outro lado, a máfia turca, dirigida pelo Primeiro-ministro Binali Yıldırım, instala fábricas de contrafacção no território do Emirado Islâmico e com elas inunda o mundo Ocidental.

Finalmente, quando o Presidente afegão Hamid Karzai deixa o Poder, ele retira o transporte do ópio e da heroína afegã aos Kosovares e passa-o para o Califado. Desde há muitos anos que a família do Presidente afegão —nomeadamente o seu irmão Ahmed Wali Karzai, até ao seu assassinato— reina sobre o principal cartel de ópio. Sob a proteção das Forças Armadas norte-americanas o Afeganistão produz 380 toneladas de heroína por ano, no total das 430 do mercado mundial. Este comércio teria trazido ao clã Karzai a soma de US $ 3 mil milhões de dólares em 2013. O Daesh (E.I.) é encarregado de transportar as drogas para a Europa através das suas filiais africanas e asiáticas.

15— A liquidação do Daesh

A 21 de Maio de 2017, o Presidente Donald Trump anuncia em Riade que os Estados Unidos renunciam a criar um «Sunnistão» (o Califado do Daesh), a cavalo sobre o Iraque e a Síria, e cessarão de apoiar o terrorismo internacional. Ele insta todos os Estados muçulmanos a fazer o mesmo. Este discurso foi cuidadosamente preparado com o Pentágono e o Príncipe Mohamed Bin Salman, mas não com Londres. Como boa obediente, a Arábia Saudita começa a desmantelar o gigantesco dispositivo de apoio aos Irmãos Muçulmanos que ela colocou em marcha nos últimos sessenta anos, o Reino Unido, o Catar, a Turquia e a Malásia recusam a mudança dos EUA.

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Tal como no Afeganistão o MI6 renomeara a «Frente unida islâmica para a salvação do Afeganistão» em «Aliança do Norte», afim de obter o apoio da opinião pública ocidental para estes «resistentes face aos Talibã», assim o MI6 renomeou no Mianmar o «Movimento para a Fé» em «Exército de libertação dos Rohingyas do Arakan». Nos dois casos, é preciso fazer desaparecer qualquer menção aos Irmãos Muçulmanos.

Em Agosto 2017, Londres lança O Exército de salvação dos Rohingyas do Arakan contra o governo birmanês. Durante um mês, a opinião pública internacional é inundada com informações truncadas atribuindo o êxodo dos Royinghas muçulmanos do Myanmar para Bengala à violência do Exército budista birmanês. Trata-se de lançar a segunda fase da guerra das civilizações : depois do ataque dos muçulmanos contra os cristãos, agora o dos budistas contra os muçulmanos. No entanto, a operação é interrompida assim que a Arábia Saudita cessa o seu apoio ao Exército de salvação dos Rohingyas, cuja sede era em Meca [7].

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Três dias antes dos atentados no Sri Lanka, o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita envia um telegrama secreto à sua embaixada em Colombo. Insta-a a confinar, tanto quanto possível, todo o seu pessoal durante três dias e de o interditar, em absoluto, de frequentar os locais que serão destruídos pelos atentados (fonte : Alahed News).

No fim, os Estados Unidos, o Irão e o Iraque liquidam o Daesh (E.I.) no Iraque, enquanto que a Síria e a Rússia o caçam na Síria.

A terminar, uma grande operação é organizada pelo Daesh(EI) no Sri Lanka por ocasião da festa cristã da Páscoa, a 21 de Abril de 2019, matando 258 pessoas e ferindo 496.

A restauração do califado, imaginada em 1928 por Hassan el-Banna, havia sido tentada pelo Presidente Anuar al-Sadate para seu proveito pessoal, o que lhe custou a vida. Ela foi finalmente realizada pelo Daesh(EI), mas saldou-se por um fiasco. A resistência das populações árabes foi muito forte e a oposição do Presidente Trump não permitiu prosseguir a experiência. Não é possível de momento saber se o Emirado Islâmico tinha mandato do Guia para se proclamar em Califado ou se ele se aproveitou do seu apoio ocidental para o fazer. Seja como for, os jiadistas não vão desistir.

(Continua …)


[1] “John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Agosto de 2014.

[2] “Israeli general says al Qaeda’s Syria fighters set up in Turkey”, Dan Williams, Reuters, January 29, 2014.

[3] Documento ONU S / 2016/94. «Información sobre el comercio ilegal de hidrocarburos por el Estado Islámico en el Iraq y el Levante (EIIL)», Red Voltaire , 29 de enero de 2016.

[4] “Jihadismo e indústria petrolífera”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria) , Rede Voltaire, 23 de Junho de 2014.

[5] “Hacked Emails Link Turkish Minister to Illicit Oil”, Ahmed Yayla, World Policy, October 17, 2016.

[6] Documento ONU S/2016/298. «Informe de la inteligencia de Rusia sobre el tráfico de antigüedades de Daesh», Red Voltaire , 8 de marzo de 2016.

[7] “O islão político contra a China”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 3 de Outubro de 2017.



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Massacre em El Paso é ato de terrorismo contra mexicanos nos EUA, diz chanceler

O México avalia iniciar uma demanda internacional por "terrorismo" depois que seis mexicanos perderam suas vidas e sete ficaram feridos no fim de semana durante um tiroteio no Texas, disse neste domingo (4) o ministro das Relações Exteriores do país latino-americano.

"No decorrer das próximas horas... se assim for decidido pelo promotor (Alejandro Gertz), ele iniciará a denúncia por terrorismo contra cidadãos mexicanos no território dos Estados Unidos", disse Ebrard em breve conversa com a imprensa. "Até onde sei, seria a primeira exigência dessa natureza na história."

O chanceler mexicano também afirmou que considera pedir a extradição do atirador que matou 20 pessoas neste final de semana no mercado Wal Mart de El Paso, no Texas. "Para o México, esse indivíduo é um terrorista", disse Ebrard.

Antes de cometer os homicídios, o atirador publicou um manifesto na internet em que fala de uma suposta "invasão hispânica" nos Estados Unidos. 

O local do crime costuma receber mexicanos que fazem compras na cidade fronteiriça. O episódio está sendo investigado pelas autoridades dos Estados Unidos como terrorismo doméstico

O ataque na manhã de sábado foi seguido menos de um dia depois por outro tiroteio que matou nove pessoas em Dayton, Ohio.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019080414337379-massacre-em-el-paso-e-ato-de-terrorismo-contra-mexicanos-nos-eua-diz-chanceler-/

Revelações sobre os atentados de 2004 e 2017 em Espanha

As recentes revelações sobre os atentados sobrevindos em Barcelona e em Cambrils em 2017 —tal como as anteriores sobre o atentado de 2004 em Madrid— suscitam exactamente as mesmas legítimas questões que as colocadas em outros países a propósito de outros atentados. Porquê, por todo o lado, os terroristas islamistas aparecem ligados à NATO ?

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Em 15 de Julho de 2019, o quotidiano republicano espanhol, Público, publicava, sob a assinatura de Carlos Enrique Bayo, o início de uma investigação, em quatro partes, sobre as relações entre o cérebro dos atentados de Catalunha de 2017 e os Serviços Secretos espanhóis [1].

Em Espanha, a espionagem e a contra-espionagem derivam de uma única instituição, o CNI (Centro Nacional de Inteligencia). Muito embora ele dependa administrativamente do Ministério da Defesa, o seu director tem o nível protocolar de ministro.

Os documentos publicados pelo quotidiano atestam que, contrariamente à versão oficial, o Imã de Ripoll, o Marroquino Abdelbaki Es-Satty,
- estava já radicalizado há muito tempo ;
- que ele havia sido recrutado como informador pelos Serviços de Inteligência ;
- que estes haviam falsificado o seu dossier na Justiça, para lhe evitar a expulsão, na sequência da sua condenação por tráfico de drogas ;
- que um «um esconderijo secreto para mensagens» lhe tinha sido atribuído para tratar com o seu oficial a cargo ;
- e que os telefones dos seus cúmplices eram escutados.

Acima de tudo, eles atestam que :
- o CNI seguia passo a passo os terroristas ;
- conhecia os alvos para os atentados ;
- e mantinha a vigilância, pelo menos quatro dias, antes da data em que os crimes foram cometidos.

Porquê é que o CNI não impediu estes atentados ?
Porquê é que escondeu o que sabia ?
Porquê é que já tinha em 2008 —quer dizer antes do recrutamento de Abdelbaki Es-Satty como informador — escondido elementos à Guarda Civil a fim de o proteger da investigação sobre o atentado de Madrid de 11 de Março de 2004 (dito «11-M») ?

Com efeito, Es-Satty estava já implicado na «Operação Chacal», o que o ligava aos atentados de Casablanca de 16 de Maio de 2003 [2], assim como ainda a um outro no Iraque contra as forças italianas [3].

Estas revelações trazem à memória os acontecimentos do 11-M, o mais gigantesco atentado sobrevindo na Europa após o 11 de Setembro de 2001, que provocou cerca de 200 mortos e 2. 000 feridos. Ora, se os executantes desta operação foram realmente julgados, continua a ignorar-se quem foram os comanditários.
- Acontece que a maior parte dos executantes eram informadores da polícia ;
- A NATO realizou secretamente em Madrid, na véspera do atentado, um exercício em que o cenário era o mesmo do atentado [4] — cenário que não podia ser do conhecimento dos terroristas muito embora eles o tenham representado ;
- Uma importante equipa da CIA deixou precipitadamente a Espanha no dia seguinte ao atentado [5].

Atribuiu-se então primeiro este atentado aos independentistas vascos da ETA, depois aos islamistas.

Nós tínhamos publicado uma investigação de Mathieu Miquel a este propósito. Aí, ele mostrava a solidez da hipótese de ter sido uma operação da OTAN sob falsa-bandeira [6].

Muito embora involuntariamente, esta foi confirmada pelo muito atlantista antigo Primeiro-ministro José-Maria Aznar. No início da «Primavera Árabe», ele revelou que o chefe da Alcaida na Líbia, Aldelhakim Belhaj, estava implicado no atentado do 11-M, mas não tinha podido ser preso e julgado [7]. Ora, este havia-se tornado com a ajuda da OTAN o governador militar de Tripoli. Depois, de acordo com o diário monárquico espanhol ABC, ele «deslocou-se para a Síria para "ajudar" a revolução», na verdade, de facto, para criar o Exército sírio livre por conta da França [8] ; Segundo o Embaixador russo no Conselho de Segurança, Vitali Tchurkine, Belhaj e os seus homens haviam sido transportados da Líbia para a Turquia pela ONU sob cobertura da assistência aos refugiados ; Segundo um pedido do Procurador-geral do Egipto, Hichem Baraket, à Interpol, tornara-se Emir do Daesh(EI) para o Magrebe em 2015 [9]. Ele governa hoje em dia o Leste da Líbia com o apoio militar da Turquia e do Catar e, o político, das Nações Unidas.

Recordemos que os historiadores estabeleceram a responsabilidade da OTAN durante a Guerra Fria pelos assassínios, atentados e Golpes de Estado nos Países membros da Aliança [10]. Segundo a literatura interna da Aliança, os Serviços Secretos da OTAN estavam colocados sob a responsabilidade conjunta do MI6 britânico e da CIA norte-americana.

Regressemos aos atentados da Catalunha. Segundo os documentos do Público, o Imã de Ripoll, Abdelbaki Es-Satty, tinha-se radicalizado há muito tempo, o que o CNI tinha negado até aqui. Ele militava no seio do Ansar al-Islam, um grupo que se fundiu progressivamente no Estado Islâmico do Iraque, esse mesmo tendo-se tornado no Daesh (E.I.).

Ora, o Ansar al-Islam foi liderado pelo Mullá curdo Krekar. Este está hoje confinado em prisão domiciliar na Noruega. No entanto, de acordo com o quotidiano curdo Turco Özgür Gündem (actualmente fechado por ordem do Presidente Erdogan), a CIA organizou uma reunião secreta em Amã (Jordânia) para planear (planejar-br) a conquista do Iraque pelo Daesh (EI) [11]. O jornal publicou um relatório dos Serviços Secretos turcos que o PKK lhes havia roubado. Parece que o Mullá Krekar, então sob prisão, participara nela. Ele viera da Noruega, num avião especial da OTAN, e depois foi silenciosamente devolvido à sua prisão.

Este caso provocou grande agitação em Espanha onde o Parlamento da Catalunha criou uma comissão de inquérito sobre os atentados, e onde o Ensemble para a Catalunha (o partido independentista de Carles Puigdemont) encharcou de perguntas o governo de Pedro Sánchez no Congresso dos Deputados.

Os independentistas catalães sugerem que o Governo espanhol deliberadamente permitiu que fosse cometido o atentado contra a população catalã. É certamente politicamente hábil, mas não passa de uma conjectura difamatória.

Os factos —e nós atemo-nos a eles— são que nestes atentados em Espanha como num enorme número de atentados islamistas, no Ocidente e no mundo árabe :
- geralmente elementos do aparelho de Estado estavam com antecedência muitíssimo bem informados ;
- os terroristas estavam sempre ligados à NATO/OTAN.

É claro, tudo isto pode não passar de puras coincidências, mas desde 2001 elas repetem-se uma e outra vez, quaisquer que sejam o lugar e os protagonistas.


[1] «La verdad sobre el imán de Ripoll» 1- «El cerebro de la masacre de Las Ramblas fue confidente del CNI hasta el día del atentado», 2- «El CNI escuchaba los móviles de los asesinos de Las Ramblas cinco días antes de la matanza», 3- «El CNI fichó a Es Satty en 2014 a cambio de no ser deportado y le ayudó a ser imán en Ripoll», 4- «El CNI quiso poner al imán en Barcelona pero el jefe local se negó a que lo controlara Madrid», Carlos Enrique Bayo, Público, 15, 16, 17 y 18 de Julio de 2019.

[2] Les attentats de Casablanca et le complot du 11 septembre, Omar Mounir, Marsam, 2004.

[3] “The Road to Las Ramblas”, Zach Campbell, The Intercept, September 3, 2018.

[4] « La OTAN simuló un atentado en Europa con 200 muertos », Carlos Segovia, El Mundo, 14 de marzo de 2004.

[5] « La investigación halla en los vuelos de la CIA decenas de ocupantes con estatus diplomático », Andreu Manresa, El País, 15 de noviembre de 2005.

[6] « 11 mars 2004 à Madrid : était-ce vraiment un attentat islamiste ? », « Attentats de Madrid : l’hypothèse atlantiste », Mathieu Miquel, Réseau Voltaire, 11 octobre et 6 novembre 2009.

[7] « Spain’s Former Prime Minister Jose Maria Aznar on the Arab Awakening and How the West Should React », CNBC.com, December 9, 2011.

[8] «Islamistas libios se desplazan a Siria para "ayudar" a la revolución», Daniel Iriarte, ABC, Red Voltaire, 17 de diciembre de 2011.

[9] “Segundo a Interpol, Abdelhakim Belhaj é o chefe do Emirado Islâmico no Magrebe”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 26 de Fevereiro de 2015.

[10] NATO’s secret armies: operation Gladio and terrorism in Western Europe, Daniele Ganser, Routledge, 2005.

[11] « Yer : Amman, Tarih : 1, Konu : Musul », Akif Serhat, Özgür Gündem, 6 juillet 2014.



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“Sob os nossos olhos” (6/25)Primeiros reveses dos Irmãos Muçulmanos

Prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sous nos yeux» (Sob os Nossos Olhos). A sorte dos acontecimentos dá uma volta neste episódio. O Presidente Americano-Egípcio Mohamed Morsi é derrubado no seguimento de manifestações monstras, enquanto que a tomada de Damas falha.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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Apesar dos 40. 000 homens envolvidos, os Irmãos Muçulmanos não conseguem tomar a capital síria. Longe de apoiar os «libertadores», a população resiste e a operação é um fiasco.

11— A «Primavera Árabe» na Síria

Desde 4 de Fevereiro, dia da abertura da reunião do Cairo, a coordenação da «Primavera Árabe» na Síria é assegurada pela conta de Facebook Syrian Revolution 2011. O enunciado é suficiente para compreender que a operação deveria derrubar rapidamente a República Árabe Síria, tal como foi o caso com outras «revoluções coloridas» uma vez que o objectivo não é mudar as mentalidades, mas unicamente as equipas dirigentes e algumas leis do país. No próprio dia da sua criação, a conta Syrian Revolution 2011 lança um apelo para manifestações em Damasco, que é difundida pela Al-Jazeera, enquanto o Facebook lhe cola dezenas de milhares de «Followers»(«Seguidores»-ndt). Pura magia de informática. Esta conta jogará um papel central durante os próximos cinco anos. Ela irá dedicar cada uma das sextas-feiras, dia de oração dos muçulmanos, a um objectivo dos Irmãos.

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O deputado harirista Okab Sakr

A 22 de Fevereiro, John McCain está no Líbano. Ele encontra-se com diversos dirigentes da Coligação pró-saudita do 14-Março, entre os quais o deputado Okab Sakr, a quem ele confia o encaminhar das armas para os Islamistas que atacam na Síria [1]. Depois, deixa Beirute e vai inspeccionar a fronteira Síria. Ele escolhe a aldeia de Ersal como futura base de operações.

Apesar dos apelos da misteriosa conta Syrian Revolution 2011, é preciso esperar até ao meio de Março para que as movimentações arranquem na Síria. Os Irmãos agrupam em Daraa, uma cidade do Sul reputada como muito Baathista, antigos jiadistas do Afeganistão e do Iraque. Eles desviam uma manifestação de funcionários que exigia um aumento dos seus salários e iniciam um saque ao Palácio da Justiça. No mesmo dia, enquadrados por agentes da Mossad, atacam um centro dos Serviços Secretos, situado fora da cidade, e exclusivamente utilizado para vigiar a actividade israelita no Golã ocupado.

Dando conta do acontecimento, a Al-Jazeera garante que os habitantes de Daraa protestam após a polícia ter torturado crianças que tinham tatuado slogans hostis ao Presidente Assad. A confusão reina enquanto os vândalos continuam a destruição do centro da cidade. Durante as semanas seguintes três grupos de Islamitas circulam no país atacando alvos secundários, mal defendidos. A impressão de agitação generaliza-se por todo o país, embora os distúrbios só atinjam três locais distintos ao mesmo tempo. Em algumas semanas, contam-se mais de 100 mortos, principalmente polícias e militares.

O Presidente Assad reage ao contrário do que se espera dele : longe de impor um Patriot Act local, ele revoga o estado de emergência que continuava em vigor —a Síria continua em estado de guerra contra Israel que ocupa o planalto do Golã— e dissolve o Tribunal de Segurança do Estado. Faz votar uma lei garantindo e regulando o direito de manifestação, denuncia um complô conduzido a partir do estrangeiro e apela ao Povo para apoiar as Instituições. Reúne os Chefes de Estado-Maior e interdita que os soldados façam uso das suas armas se existir risco de colateralmente matar civis.

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O Guia dos Irmãos Muçulmanos sírios, Ali Sadreddine al-Bayanouni (refugiado em Londres), faz aliança com o antigo Vice-presidente sírio Abdel Halim Khaddam (refugiado em Paris). Este último havia fugido do seu país quando se descobriu a maneira como ele cobria, junto com o Chefe dos Serviços de Inteligência Ghazi Kanaan, a pilhagem do Líbano pelo saudita Rafic Hariri.

Tomando o Presidente à letra, os Irmãos atacam um comboio militar em Banias (a cidade do antigo Vice-presidente Abdul Halim Khaddam) durante várias horas, à vista da população. Com medo de ferir os espectadores, os soldados obedecendo ao seu Presidente não fazem uso das suas armas. Uma dezena dentre eles são mortos. O Sargento que comanda o destacamento perde as duas pernas ao abafar com o seu corpo uma granada para que esta não mate os seus homens. A operação é organizada a partir de Paris pela Frente de Salvação de Khaddam e pelos Irmãos Muçulmanos. A 6 de Junho, são 120 polícias que são mortos numa situação idêntica em Jisr al-Shughur.

Manifestações hostis à República Árabe Síria acontecem em várias cidades. Contrariamente à ideia que repercutem os média ocidentais, jamais os manifestantes exigem Democracia. Os slogans mais gritados são: «O Povo quer a queda do regime», «Os cristãos para Beirute, os alauítas para o caixão», «Queremos um presidente que tema a Deus», «Abaixo o Irão e o Hezbolla». Vários outros slogans evocam a «liberdade», mas não no sentido ocidental. Os manifestantes exigem é a liberdade de aplicar a Charia.

Naquela altura, as pessoas só consideram como fonte credível de informação a Al-Jazeera e a Al-Arabiya que apoiaram as mudanças de regime na Tunísia e no Egipto. Elas são pois persuadidas que na Síria, também, o Presidente vai abdicar e os Irmãos Muçulmanos vão chegar ao Poder. A grande maioria dos Sírios assiste ao que pensa ser uma «revolução» e prepara-se para uma viragem islamista. É muito difícil quantificar o número de Sírios que se manifestam contra a República ou que apoiam os Irmãos Muçulmanos. Quando muito pode-se constatar que centenas de pequenas manifestações ocorrem no país e que a mais importante reuniu cerca de 100.000 pessoas em Hama. Os seus organizadores são recebidos pelo Presidente Assad em Damasco. Quando ele lhes pergunta quais são as suas reivindicações, eles respondem-lhe «interdição de acesso dos alauítas a Hama». Estupefacto, o Presidente —ele próprio um alauíta— põe fim à reunião.

A 4 de Julho em Paris, os Irmãos e o governo Israelita organizam, na sombra, uma reunião pública para mobilizar a classe dirigente francesa. Respondendo ao apelo do «filósofo» Bernard-Henry e dos antigos e futuros Ministros dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner, e Laurent Fabius, deputados de direita, do centro, de esquerda e ecologistas dão o seu apoio ao que lhes é apresentado como uma luta pela democracia. Ninguém assinala a presença na sala dos verdadeiros organizadores: Alex Goldfarb (conselheiro do ministro israelita da Defesa) e Melhem Droubi (responsável mundial das Relações externas da Irmandade, vindo especialmente da Arábia Saudita).

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Burhan Ghalioun deixa a Síria aos 24 anos e prossegue uma carreira de universitário em Paris. Paralelamente, com a ajuda da NED, ele cria a Organização árabe dos direitos do homem, em 1983, na Tunísia. Quando o Argelino Abassa Madani (da Frente Islâmica de Salvação) parte para o exílio no Catar, este laico ajuda-o a escrever os seus discursos. Em Junho de 2011, ele participa na Conferência para a Salvação Nacional dos Irmãos Muçulmanos e, sob proposta dos Estados Unidos, é eleito no mês seguinte para a presidência do Conselho Nacional Sírio (CNS). Desde logo, fica a receber um salário do Departamento de Estado por «representar o Povo Sírio».

Em Agosto, um Conselho Nacional Sírio é constituído em Istambul, copiando o modelo do Conselho Nacional de Transição Líbio. Ele reúne personalidades a viver desde há anos fora da Síria, uns poucos tendo acabado de sair do país, e Irmãos Muçulmanos. A estranha ideia de que este grupo procura estabelecer uma «democracia» parece ser validada pela presença de personalidades da extrema-esquerda, como o professor Burhan Ghalioun, o qual é catapultado a presidente. Ora, eis que ele há anos trabalha com a NED e os Irmãos Muçulmanos. Muito embora seja laico, escreveu, entre outros, os discursos de Abassi Madani (o presidente da Frente Islâmica da Salvação Argelina) desde que ele se exilou no Catar. É igualmente o caso de George Sabra e Michel Kilo, que trabalham, esses, com os Irmãos desde há mais de trinta anos e que seguiram os trotskistas norte-americanos para a NED, em 1982. Sob a liderança do Líbio Mahmoud Jibril, Sabra trabalhou, nomeadamente, no programa infantil Rua Sésamo, produzido pela francesa Lagardère Media e pela catariana Al-Jazeera, com Cheryl Benard, esposa do Embaixador dos EUA na ONU, e depois no Iraque, Zalmay Khalilzad. Ou, ainda Haytham Manna, o gestor de investimentos dos Irmãos sudaneses.

O Catar compra à OLP a Presidência rotativa da Liga Árabe por US $ 400 milhões de dólares. Violando os estatutos, consegue então fazer suspender a República Árabe Síria, portanto um dos membros fundadores da organização. Em seguida, propõe uma missão de observação no terreno presidida pelo Sudão (sempre governado pelos Irmãos). Este designa o antigo chefe dos Serviços Secretos e antigo embaixador no Catar, o General Mohammed Ahmed Mustafa al-Dabi, para chefiar a missão. Cada Estado-membro envia observadores, de maneira a representar todas as tendências. A República Árabe Síria concorda em receber a Liga e deixa a Missão instalar-se em todo o seu território. É a primeira e única vez que um órgão pluralista vai ao terreno, se encontra com todos os actores, e visita todo o país. É, na realidade, a única fonte externa digna de fé durante todo o conflito.

A nomeação do general Al-Dabi é saudada unanimemente por todas as partes. O homem negociou a separação do Sudão e do Sudão do Sul e é proposto por numerosos Estados árabes para o Prémio Nobel da Paz. No entanto, resulta da leitura dos relatórios preliminares que o Sudanês não pretende escrever o relatório do costume, mas, antes conduzir uma autêntica observação pluralista. Bruscamente, os média internacionais mudam de tom e acusam-no de ter sido um genocida no Darfur. Todos aqueles que tinham aprovado a sua designação exigem, agora, a sua demissão. O General atira-se ao ar.

Finalmente, um relatório intercalar é publicado atestando que não há revolução na Síria. A Missão confirma que os conflitos foram consideravelmente exagerados, que o Exército se retirou das cidades, que não há repressão, que as vítimas são principalmente soldados e policias, que mais de 5. 000 presos, dos quais ela transmitiu os nomes às autoridades, foram libertados, e que os média estrangeiros que o solicitaram puderam cobrir os acontecimentos. O Catar fica enraivecido e atira 2 mil milhões de dólares ao Sudão para que chame o General Al-Dabi de volta. E, opõe-se a que a Liga lhe designe um sucessor. Privada de chefe, a Missão é dissolvida no início de 2012.

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O jovem Abou Saleh torna-se correspondente permanente da France 24 e da Al-Jazeera no Emirado islâmico de Baba Amr (em Homs). Ele encena o bombardeamento imaginário do bairro durante dois meses pelas «forças do regime», participa na condenação à morte de 150 habitantes do bairro, dirige-se como se estivesse moribundo aos seus espectadores (foto), depois subitamente voltando à vida mete fogo a um "pipe-line", etc. Foge para Paris assim que o Emirado caí e irá reaparecer ulteriormente em Idlib.

Furiosos por ver a República Árabe Síria escapar incólume, os Irmãos decidem criar um Emirado Islâmico. Após várias tentativas, será num bairro novo de Homs, Baba Amr, onde foram previamente escavados e preparados túneis para assegurar o aprovisionamento em caso de cerco, que 3. 000 combatentes se concentram, entre os quais 2. 000 taqfiristas sírios. Estes, são os membros de um sub-grupo da Confraria, «Excommunicação e imigração», criado sob Sadate.

Eles montam um «Tribunal Revolucionário», julgam e condenam à morte mais de 150 habitantes locais que são degolados em público. Os habitantes fogem, à excepção de umas 40 famílias. Os taqfiristas erguem barricadas em todos os acessos ao bairro que as Forças Especiais francesas fortificam com material pesado. A campanha terrorista do primeiro ano evolui para uma guerra de posições, de acordo com o plano estabelecido, em 2004, na obra La Gestion de la barbarie. Agora, os Islamistas recebem da OTAN um armamento mais sofisticado que os Sírios, cujo exército está sob embargo desde 2005.

Uma manhã, o Exército Árabe Sírio entra em Baba Amr, cujas defesas foram desactivadas. Os Franceses, os jornalistas e alguns líderes fugiram e reaparecem alguns dias mais tarde no Líbano. Os taqfiristas rendem-se. A guerra que arrancava parece chegar ao seu fim, tal como no Líbano em 2007, aquando da vitória do Exército libanês sobre a Fatah al-Islam. Mas, os islamistas ainda não desistiram.

Uma nova operação está em preparação a partir da Jordânia, sob comando da OTAN. Ela prevê o ataque a Damasco no contexto de uma gigantesca operação psicológica. Mas é anulada à última hora. Os Islamistas, que foram abandonados pela França em Baba Amr, acabam de ser desconvocados pelos Estados Unidos. Estes últimos discutem uma possível partilha do Médio-Oriente com a Rússia. Uma promessa de paz é assinada em Genebra, a 30 de Junho de 2012.

12— O fim da «Primavera Árabe» no Egipto

No Egipto, a nova assembleia é dominada pelos Irmãos. Ela considera que a nova Constituição —que foi redigida para permitir a sua eleição—, não faz mais que retomar um texto antigo, com ligeiras emendas, muito embora tenha sido aprovada a 77% em referendo. Ela designa, pois, uma Assembleia Constituinte de 100 membros, dos quais desta vez 60 são Irmãos.

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Assim que o Presidente Mubarak é forçado por Washington a demitir-se, o Xeque Youssef Al-Qaradâwî regressa do Catar ao seu país em avião privado. Administrador do Centro de Oxford para os estudos islâmicos, presidido pelo Príncipe Charles, e Conselheiro espiritual na Al-Jazeera, anima uma emissão semanal sobre a Charia. Na praça Tahrir, ele aparece para rejeitar a democracia e defender a execução dos homossexuais.

Os Irmãos sublinham que os jovens democratas poderiam pôr em causa o Poder do exército. A sua campanha para a eleição presidencial é a ocasião de apelar à regeneração do país pelo Corão. Yussef al-Qaradâwî prega que é mais importante lutar contra os homossexuais e recuperar a Fé que combater contra Israel pelo reconhecimento dos direitos do Povo palestino [2]. Enquanto a abstenção dos sunitas é maciça, a Irmandade impede a realização das eleições nas cidades e aldeias cristãs, de modo que 600.000 eleitores não podem votar.

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A Comissão eleitoral presidencial «confirma Mohamed Morsi como presidente do Egipto, de maneira a prevenir um destino sangrento para o país se [ela proclamasse] a eleição do General Ahmed Shafiq».

Entretanto, os resultados das urnas dão o General Ahmed Chafik, antigo Primeiro-ministro de Mubarak, vencedor com uma ligeira vantagem de 30. 000 votos. A Irmandade ameaça então os membros da Comissão Eleitoral e as suas famílias, até que esta se decide, após 13 dias, a proclamar a vitória do Irmão Mohamed Morsi [3]. Fechando os olhos, a «comunidade internacional» congratula-se com o carácter «democrático» da eleição.

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Conferência de imprensa na sede dos Irmãos Muçulmanos com o Guia mundial da Irmandade e o Presidente Mohamed Morsi.

Mohamed Morsi é um engenheiro da NASA. Ele tem cidadania norte-americana e dispõe da autorização Segredo-de-Defesa do Pentágono. Desde a sua chegada ao Poder, começa a reabilitar e a favorecer o seu clã, e a reforçar os laços com Israel. Recebe no Palácio presidencial os assassinos do Presidente Sadate para o aniversário da sua execução. Nomeia Adel Mohammed al-Khayat, um dos chefes do Gamaa Al-Islamiya, (o grupo responsável do massacre de Luxor, em 1997), governador desse distrito. Persegue os democratas que se haviam manifestado contra certos aspectos da política de Hosni Mubarak (mas não pela sua demissão). Apoia uma vasta campanha de pogroms dos Irmãos Muçulmanos contra os Cristãos, e encobre os seus abusos: linchamentos, saque dos arcebispados, incêndios das igrejas. Simultaneamente, privatiza as grandes empresas e anuncia a possível venda do canal de Suez ao Catar, o qual apadrinha então a Irmandade. A partir do palácio presidencial, ele liga por telefone pelo menos quatro vezes a Ayman al-Zawahiri, o Chefe mundial da Alcaida. Em resumo, reúne a unanimidade contra si. Todos os partidos políticos, incluídos os salafistas (excepto, claro, a Irmandade) se manifestam contra ele. São 33 milhões a tomar conta das ruas e a apelar ao Exército para devolver o país ao Povo. Insensível ao grito da rua, o Presidente Morsi ordena ao Exército para se preparar para atacar a República Árabe Síria, afim de ir ajudar os Irmãos Muçulmanos sírios. Esta será a gota de água.

A 3 de Julho de 2013, à hora de fecho dos escritórios em Washington para o fim de semana do Dia Nacional, o Exército dá um Golpe de Estado. Mohamed Morsi é preso, enquanto as ruas se transformam em campo de batalha entre os Irmãos e suas famílias, de um lado, e as forças da Ordem do outro.

13— A Guerra contra a Síria

«Em política, as promessas apenas comprometem aqueles que nelas acreditam», diz-se. Um mês após a Conferência de Genebra e a assinatura da paz, e alguns dias após a Conferência dos «Amigos da Síria» em Paris, é novamente lançada a guerra. Não se tratará de uma acção da OTAN assistida pelos seus ajudantes jiadistas, mas, sim, unicamente de um ataque jiadista, apoiado pela OTAN. O seu nome de código : «Vulcão de Damasco e Terremoto na Síria»

Sumariamente treinados na Jordânia, 40.000 homens cruzam a fronteira e dirigem-se para a capital síria, enquanto um atentado mata os participantes de uma reunião do Conselho Nacional de Segurança. O Exército e os Serviços secretos são decapitados. Ainda hoje em dia, é difícil dizer se um kamikaze colocou uma bomba no lustre da sala ou se um drone atirou um míssil ao edifício. O Exército e os Serviços Secretos continuam decapitados.

Os jiadistas são mercenários que foram recrutados entre os pobres do mundo muçulmano. Muitos não falam árabe e tiveram um treino militar de apenas uma semana. Alguns acreditam que vêm combater contra os israelitas. Sofrem baixas consideráveis e retiram.

A longa guerra que se segue opõe um Exército Árabe Sírio que tenta proteger a sua população, e para isso deve recuar para as grandes cidades, a jiadistas que buscam tornar a vida impossível em vastos espaços. Estes combatentes são substituíveis até ao infinito. Todos os meses, chegam novos recrutas que substituem os mortos ou os desertores. Num primeiro tempo, todos os malandros do mundo muçulmano vêm tentar a sua sorte por algumas centenas de dólares ao mês. Escritórios de recrutamento são abertos publicamente em países como a Tunísia ou o Afeganistão, enquanto agem com mais discrição em outros países, como em Marrocos ou no Paquistão. No entanto, as perdas de combatentes são extremamente altas. Em Julho de 2013, de acordo com a Interpol, operações de evasão muito sofisticadas são montadas em nove Países para fazer escapar chefes islamistas e transferi-los para a Síria. Por exemplo:

- a 23 de Julho, 500 à 1. 000 presos evadem-se das prisões de Taj e de Abu Graïb (Iraque).
- a 27 de Julho , 1. 117 presos evadem-se da prisão de Kouafia (zona de Bengazi, Líbia) no seguimento de um motim interno combinado com um ataque externo.
- na noite de 29 para 30 de Julho, 243 Talibã evadem-se da prisão de Dera Ismaïl Khan (zonas tribais paquistanesas).

O Exército Árabe Sírio queima a maioria dos corpos de combatentes, mas conserva aqueles que consegue identificar. Eles são devolvidos às suas famílias. Vários Estados organizam discretamente canais de repatriamento, como por exemplo a Argélia com a Fundação Abdelkader. No entanto, o Exército Árabe Sírio guarda até hoje mais de 30.000 cadáveres identificados, mas não reclamados.

Os Estados ocidentais que, no início, tinham enviado Forças Especiais para o terreno, recrutando-as entre os seus soldados com dupla nacionalidade, geralmente muçulmanos originários do Magrebe, organizam os seus próprios canais de recrutamento de jiadistas. Assim, em França uma rede é estabelecida entre as prisões e as mesquitas salafistas. Esses poucos milhares de indivíduos juntam-se às dezenas de milhares vindos do «Médio-Oriente Alargado». Embora se ignore quantas pessoas irão participar nesta guerra, estima-se que o total de jiadistas combatendo, ao mesmo tempo, na Síria e no Iraque, locais e estrangeiros, desde 2011, ultrapassa os 350. 000. É um número superior ao de qualquer Exército regular da União Europeia e duas vezes maior que o Exército Árabe Sírio no fim da guerra.

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Nas ondas da televisão saudita al-Safa, o Xeque sírio Adnan Al-Arour apela ao massacre dos Alauítas. Ele irá tornar-se a referência religiosa do Exército sírio livre.

A unidade ideológica dos jiadistas é assegurada pelo «chefe espiritual do Exército Sírio Livre», o Xeque Adnan al-Aroor. Este personagem colorido atinge um público vasto, a cada semana, durante o seu programa de TV. Ele inflama paixões apelando ao derrube do tirano e defende uma visão patriarcal autoritária da sociedade. Progressivamente, deriva para apelos sectários ao massacre de Cristãos e de Alauítas. Oficial subalterno no Exército Árabe Sírio, foi preso depois de ter violado jovens recrutas. Fugiu então para a Arábia Saudita, onde se tornou xeque ao serviço de Alá.

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Reunião no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, a 13 de Junho de 2013, na Casa Branca. Reconhece-se Gayle Smith (segundo à direita) e o Irmão Rashad Hussain (quarto à esquerda). O Conselheiro de Segurança Nacional, Tom Donilon, participava igualmente na reunião, mas não aparece na foto. Sobretudo, vemos o representante dos Irmãos Muçulmanos e adjunto de Youssef al-Qaradâwî, o Xeque Abdallah Bin Bayyah (segundo à esquerda com o turbante).

Os jiadistas recebem em geral um armamento básico e dispõem de uma quantidade ilimitada de munições. Estão organizados em katibas, pequenas unidades de algumas centenas de homens cujos chefes recebem armamento ultra-sofisticado, nomeadamente maletas de comunicação permitindo-lhes receber, em directo, imagens de satélite dos movimentos do Exército Árabe Sírio. É, portanto, um combate assimétrico com o Exército Árabe Sírio que está realmente muito melhor treinado, mas cujas armas são todas anteriores a 2005 e que não dispõe de informações por satélite.

Contrariamente ao Exército Árabe Sírio, em que todas as unidades são coordenadas e colocadas sob a autoridade do Presidente Bachar Al-Assad, as katibas jiadistas não param de se atacar entre elas, como em todos os campos de batalha onde rivalizam «senhores de guerra». Todos, no entanto, recebem os seus reforços, armas, munições e informações, a partir de um Estado-maior único ao qual eles estão pois obrigados a obedecer. No entanto, os Estados Unidos têm a maior dificuldade em fazer funcionar este sistema porque inúmeros actores entendem executar operações às escondidas dos outros aliados, por exemplo os Franceses à revelia dos Britânicos, ou ainda os Catarianos em detrimento dos Sauditas.

Assim que um território é evacuado pelo Exército Árabe Sírio, os jiadistas que o ocupam “enterram-se” nele. Aí, eles constroem túneis e bunkers. Os Sauditas haviam enviado o bilionário Osama Bin Laden para o Afeganistão porque era um especialista em obras públicas. Ele supervisionara a construção de túneis nas montanhas –-ou mais exactamente o alargamento de rios subterrâneos---. Desta vez, os engenheiros da engenharia civil da OTAN vêm supervisionar a construção de linhas de defesa gigantescas.

(Continua…)


[1] « Un député libanais dirige le trafic d’armes vers la Syrie », Réseau Voltaire, 5 décembre 2012.

[2] Global Mufti: The Phenomenon of Yusuf Al-Qaradawi, Bettina Graf & Jakob Skovgaard-Petersen, Hurst (1999); Hamas and Ideology. Sheikh Yūsuf al-Qaraḍāwī on the Jews, Zionism and Israel, Shaul Bartal and Nesya Rubinstein-Shemer, Routledge (2018).

[3] “A Comissão Eleitoral das presidenciais Egípcias cede à chantagem da Irmandade Muçulmana”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 26 de Abril de 2016.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Os Irmãos Muçulmanos membros do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca

 
 
Thierry Meyssan*
 
Nós prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sous nos yeux» (Sob os Nossos Olhos). Neste episódio, ele regressa ao primeiro semestre de 2011 no decurso do qual, apoiados pelos Estados Unidos e o Reino Unido, os Irmãos Muçulmanos se aproximaram ou acederam ao Poder na Tunísia, no Egipto e na Líbia.
 
Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.  Ver o Índice dos assuntos.
 
7— O início das «Primaveras Árabes» na Tunísia
 
A 12 de Agosto de 2010, o Presidente Barack Obama assina a directiva presidencial de Segurança n° 11 (PSD-11). Ele informa todas as suas embaixadas no Médio-Oriente Alargado para se prepararem para «mudanças de regime» [1]. Ele nomeia Irmãos Muçulmanos para o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos a fim de coordenarem a acção secreta no terreno. Washington vai colocar em acção o plano britânico da «Primavera Árabe». Para a Irmandade, chegou o momento de glória.
 
A 17 de Dezembro de 2010, um comerciante ambulante, «Mohamed» (Tarek) Bouazizi, imolou-se pelo fogo na Tunísia após a polícia ter apreendido a sua carroça. A Irmandade apropria-se do caso e faz circular boatos segundo os quais o jovem era um universitário no desemprego e que tinha sido esbofeteado por uma mulher-polícia. Imediatamente, os homens da National Endowment for Democracy (a NED, a falsa ONG dos serviços secretos dos cinco Estados anglo-saxónicos) pagam à família do falecido para que ela não revele a tramóia e semeiam a rebelião no país. Enquanto se sucedem as manifestações contra o desemprego e os abusos policiais, Washington pede ao Presidente Zine El-Abidine Ben Ali para deixar o país, ao mesmo tempo que o MI6 organiza a partir de Londres o retorno triunfal do Guia dos Irmãos, Rached Ghannouchi.
 
É a «Revolução de Jasmim» [2]. O esquema desta mudança de regime é copiado tanto do da partida do Xá do Irão, seguida do regresso do imã Khomeiny, como do das revoluções coloridas.
 
Rached Ghannouchi havia formado um ramo local dos Irmãos Muçulmanos e tentado um golpe de Estado em 1987. Detido e encarcerado várias vezes, ele exila-se no Sudão, onde beneficia do apoio de Hassan al-Turabi, depois na Turquia onde se aproxima de Recep Tayyip Erdoğan (então dirigente da Millî Görüş). Em 1993, obtêm asilo político no Londristão onde fica a residir com as suas duas mulheres e filhos menores.
 
Os Anglo-Saxónicos ajudam-no a melhorar a imagem do seu Partido, o Movimento de tendência islâmica renomeado Movimento da Renascença(«Ennahda»). Para acalmar os receios da população em relação à Irmandade, a NED chama os seus peões da extrema-esquerda. Moncef Marzouki, o Presidente da Comissão Árabe dos Direitos Humanos faz de caução moral.
 
Ele garante que os Irmãos mudaram muito e que se tornaram democratas. É eleito Presidente da Tunísia. Ghannouchi ganha as eleições legislativas e consegue formar um governo que vai de Dezembro de 2011 aAgosto de 2013. Nele introduziu outros peões da NED, como Ahmed Najib Chebbi, ex-maoísta, depois trotskista reconvertido por Washington. Seguindo o exemplo de Hassan al-Banna, Ghannouchi forma então paralelamente ao partido uma milícia, a Liga de Protecção da Revolução, que procede aos assassinatos políticos, entre os quais o do líder da oposição Chokri Belaïd.
 
No entanto, apesar de um incontestável apoio de uma parte da população tunisina aquando do seu regresso, cedo o Ennahda é colocado em minoria. Antes de deixar o Poder, Rached Ghannouchi faz votar leis fiscais visando arruinar, a prazo, a burguesia laica. Desta forma, ele espera transformar a sociologia do seu país e voltar rapidamente para a frente do palco político.
 
Em Maio de 2016, o Xº Congresso do Ennahda é encenado pela Innovative Communications & Strategies, uma empresa criada pelo MI6. Os comunicadores asseguram que o Partido se tornou «civilista» e separa as actividades políticas e religiosas. Mas esta evolução não tem qualquer ligação com o laicismo, simplesmente pede-se aos responsáveis para dividir as tarefas e não exercer, ao mesmo tempo, como eleito e como imã.
 
 
8— A «Primavera Árabe» no Egipto
 
A 25 de Janeiro de 2011, quer dizer uma semana após a fuga do Presidente Ben Ali, a festa nacional egípcia transforma-se em manifestação contra o Poder. Os protestos são enquadrados pelo dispositivo tradicional dos EUA de revoluções coloridas: Os Sérvios treinados por Gene Sharp (teórico da OTAN, especializado em mudanças de regime suaves, sem recurso à guerra [3]) e os homens da NED. Os seus livros e brochuras traduzidos em árabe, e incluindo instruções para as manifestações, são amplamente distribuídas desde o primeiro dia. A maior parte destes espiões serão ulteriormente presos, julgados, condenados e depois expulsos. Os manifestantes são sobretudo mobilizados pelos Irmãos Muçulmanos, os quais dispõem de um apoio de 15 a 20% no país, e pelo Kifaya(Basta!), um grupo criado por Gene Sharp. É a «Revolução do Lótus» [4]. Os protestos ocorrem principalmente no Cairo, na Praça Tahrir, e também em sete outras grandes cidades. No entanto, está-se muito longe da vaga revolucionária que sacudiu a Tunísia.
 
Desde o princípio, os Irmãos utilizam armas. Na Praça Tahrir, eles recolhem os seus feridos para uma mesquita totalmente equipada para lhes fornecer os primeiros socorros. Os canais de TV das petro-ditaduras catariana, Al-Jazeera, e saudita, Al-Arabiya, apelam ao derrube do regime e difundem em directo informações vitais. Os Estados Unidos trazem de volta o antigo Director da Agência de energia atómica, o prémio Nobel da Paz Mohamed El-Baradei, presidente da Associação Nacional para a mudança. El-Baradei foi homenageado por ter acalmado os ardores de Hans Blix, o qual denunciara, em nome da ONU, as mentiras da Administração Bush visando justificar a guerra contra o Iraque. Ele preside há mais de um ano a uma coligação criada no modelo da Declaração de Damasco: um texto razoável, signatários de todos os quadrantes, mais os Irmãos Muçulmanos cujo programa é, na realidade, totalmente oposto ao da plataforma.
 
Em última análise, a Irmandade é a primeira organização egípcia a apelar para o derrube do regime. As televisões de todos os Estados-membros da OTAN ou do Conselho de Cooperação do Golfo predizem a fuga do Presidente Hosni Mubarak. Enquanto o enviado especial do Presidente Obama, o embaixador Frank Wisner (o padrasto de Nicolas Sarkozy), simula primeiro apoiar Mubarak e depois alinha atrás da multidão e o pressiona a retirar-se. Finalmente, após duas semanas de tumultos e de uma manifestação reunindo 1 milhão de pessoas, Mubarak recebe ordem de Washigton para ceder e demite-se.
 
No entanto, os Estados Unidos entendem mudar a Constituição antes de colocar os Irmãos no Poder. O Poder permanece pois temporariamente nas mãos do exército. O Marechal Mohammed Hussein Tantawi preside o Comité Militar que administra os assuntos correntes. Ele nomeia uma Comissão constituinte de 7 membros, entre os quais 2 Irmãos Muçulmanos. É, aliás, um deles, o juiz Tareq Al-Bishri, quem preside aos trabalhos.
 
No entretanto, a Irmandade mantém manifestações todas as sexta-feiras à saída das mesquitas e dedica-se a linchamentos de cristãos coptas sem qualquer intervenção da polícia.
 
9— Nada de revolução colorida no Barém e no Iémene
 
Não tendo a cultura iemenita nenhuma relação com a da África do Norte, a não ser o uso comum da mesma língua, uma contestação significativa sacode desde há vários meses o Barém e o Iémene. A concomitância com os eventos da Tunísia e do Egipto arrisca baralhar os dados. O Barém hospeda a Vª Frota dos E.U.A e controla o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, enquanto o Iémene controla com o Djibuti a entrada e saída do mar Vermelho e do Canal de Suez.
 
A dinastia reinante teme que a revolta popular derrube a monarquia e acusa, por reflexo, o Irão de a organizar. Com efeito, em 1981, um Aiatola(xiita) iraquiano tentou exportar a revolução do imã Khomeini e derrubar o regime fantoche colocado no Poder pelos Britânicos aquando da independência, em 1971.
 
O Secretário da Defesa, Robert Gates, dirige-se ao local e autoriza a Arábia Saudita a abafar estas genuínas revoluções à nascença. A repressão é dirigida pelo Príncipe Nayef. Ele pertence ao clã dos Sudeiris, tal como o Príncipe Bandar, embora Nayef seja seu primogénito e Bandar não passe do filho de uma escrava. A repartição de papéis entre os dois homens é clara: o tio mantém a Ordem reprimindo os movimentos populares, enquanto o sobrinho desestabiliza Estados através do terrorismo. O importante é distinguir muito bem os países nos quais eles operam [5].
 
 
10— A Primavera Árabe na Líbia
 
Se Washington previu o derrube das administrações aliadas de Ben Ali e de Mubarak sem recurso à guerra, a coisa vai ser diferente relativamente à Líbia e à Síria, governadas pelos revolucionários Kadhafi e Assad.
 
No início de Fevereiro, quando Mubarak ainda é Presidente do Egipto, a CIA organiza no Cairo o lançamento da continuação das operações. Uma reunião junta diversos actores, incluindo a NED (representada pelos senadores republicano John McCain e democrata Joe Liberman), a França (representada por Bernard-Henri Lévy) e os Irmãos Muçulmanos. A delegação líbia é dirigida pelo Irmão Mahmoud Jibril (o que formou os dirigentes do Golfo e reorganizou a Al-Jazeera). Ele entra na sala como número 2 do governo da Jamahiriya, mas sai como... chefe da oposição à «ditadura». Ele não voltará ao seu luxuoso gabinete de Trípoli, antes regressará a Bengazi, na Cirenaica. A delegação síria inclui Anas al-Abdeh (fundador do Observatório Sírio dos Direitos do Homem) e o seu irmão Malik al-Abdeh (director da Barada TV, uma televisão anti-síria financiada pela CIAe pelo Departamento de Estado). Washington dá instruções para o desencadear das guerras civis, tanto na Líbia como na Síria.
 
A 15 de Fevereiro, Fathi Terbil, advogado das famílias das vítimas do massacre na prisão de Abu Salim, em 1996, percorre a cidade de Bengazi garantindo que a prisão local está em chamas e apelando para a libertação dos presos. Ele é detido por pouco tempo e libertado no mesmo dia. No dia seguinte, a 16 de Fevereiro, sempre em Bengazi, desordeiros atacam três esquadras da Polícia, as instalações da Segurança Interna e as do Procurador. Defendendo o arsenal da Segurança Interna, a polícia mata 6 atacantes. Neste entretanto, em Al-Bayda, entre Bengazi e a fronteira egípcia, outros desordeiros atacam igualmente esquadras da Polícia e os serviços da Segurança Interna. Tomam o quartel Hussein Al-Jwaifi e a Base Aérea militar de Al- Abrag. Apoderam-se de uma grande quantidade de armas, dão uma tareia aos guardas e enforcam um soldado. Outros incidentes, menos espectaculares, ocorrem de forma coordenada em sete outras cidades [6].
 
Estes atacantes reivindicam-se do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL-Alcaida) [7]. São todos membros, ou antigos membros, dos Irmãos Muçulmanos. Dois dos seus chefes foram submetidos a uma lavagem de cérebro, em Guantánamo, segundo as técnicas dos Professores Albert D. Biderman e Martin Seligman [8]. No fim dos anos 90, o GICLtentou por quatro vezes assassinar Mouamar Kadhafi a pedido do MI6, e estabelecer uma guerrilha nas montanhas de Fezzan. Foi então tenazmente combatido pelo General Abdel Fattah Younés, que o forçou a abandonar o país. Ele figura desde os atentados de 2001 na lista das organizações terroristas estabelecida pelo Comité 1267 da ONU, mas dispõe de um escritório em Londres, sob a proteção do MI6.
 
O novo chefe do GICL, Abdelhakim Belhaj, que se batera no Afeganistão, ao lado de Osama Bin Laden, e no Iraque, havia sido detido na Malásia em 2004, depois transferido para uma prisão secreta da CIA na Tailândia, onde foi submetido ao soro da verdade e a tortura. No seguimento de um acordo entre os Estados Unidos e a Líbia foi reenviado para a Líbia, onde foi de novo torturado, mas, desta vez, por agentes britânicos na prisão de Abu Salim. Em 2007, o GICL e a Alcaida fundem-se. Entretanto, no quadro de negociações com os Estados Unidos, durante o período de 2008-10, Saif al-Islam Kaddafi tinha negociado uma trégua entre a Jamahiriya e o GICL (AlCaida). Este havia publicado um longo documento, Os Estudos Correctivos, no qual admite ter cometido um erro ao apelar para a jiade contra outros muçulmanos num país muçulmano. Em três vagas sucessivas, todos os membros da Alcaida foram amnistiados e libertados sob a exclusiva condição de renunciarem por escrito à violência. Em 1. 800 jiadistas, apenas uma centena recusa este acordo e prefere ficar na prisão. Após a sua libertação, Abdel Hakim Belhadj deixou a Líbia e instalou-se no Catar. Todos acabaram por conseguir regressar à Líbia sem despertar atenções,
 
A 17 de Fevereiro, os Irmãos organizam uma manifestação em Bengazi em memória dos 13 mortos ocorridos durante a manifestação contra o Consulado da Itália, em 2006. Segundo os organizadores, fora Muammar Kaddafi quem teria à época montado o caso das «caricaturas de Maomé» com a ajuda da Liga do Norte italiana. A manifestação degenera. Registam-se 14 mortos, entre os manifestantes e os polícias.
 
É o inicio da «revolução». Na realidade, os manifestantes não buscam derrubar a Jamahiriya, mas proclamar a independência da Cirenaica. Assim, em Bengazi, distribuem-se dezenas de milhar de bandeiras do rei Idris (1889-1983). A Líbia moderna agrupa três províncias do Império Otomano, que formam um país único apenas a partir de 1951. A Cirenaica foi governada de 1946 a1969 pela monarquia dos Senussi –-uma família wahhabita apoiada pelos Sauditas--- que acabou por estender o seu poder sobre toda a Líbia.
 
Muammar Kadhafi promete «fazer correr rios de sangue» para salvar a sua população dos Islamistas. Em Genebra, uma associação criada pela NED, a Liga Líbia dos Direitos do Homem, retira estas declarações do seu contexto e apresenta-as à imprensa ocidental como sendo ameaças contra o Povo Líbio. Ela garante que ele está a bombardear Tripoli. Na realidade, a Liga é uma espécie de concha vazia reunindo os futuros ministros do país após a invasão da OTAN.
 
A 21 de Fevereiro, o Xeque Youssef al-Qaradawi lança na Al-Jazeera uma fátua ordenando aos militares líbios que salvem o seu povo assassinando Muammar Kaddafi.
 
O Conselho de Segurança, baseando-se nos trabalhos do Conselho dos Direitos do Homem em Genebra —o qual ouviu a Liga e o Embaixador líbio— e a pedido do Conselho de Cooperação do Golfo, autoriza a utilização da força afim de proteger a população do ditador.
 
Quando o Pentágono lhe ordena para se coordenar com o GICL (Alcaida), o sangue do comandante do AfriCom, o General Carter Ham, ferve. Como podemos cooperar na Líbia com os indivíduos que combatemos no Iraque, e que mataram GI.s? Ele é imediatamente demitido das suas funções em favor do comandante da EuCom e da OTAN, o Almirante James Stavridis.
 
Intermezzo: A 1 de Maio de 2011, Barack Obama anuncia que, em Abbottabad (Paquistão), o comando 6 dos Navy Seals (tropa de fuzileiros- ndT) eliminou Osama bin Laden, do qual se estava sem novas credíveis desde há quase 10 anos. Este anúncio permite fechar o dossier Alcaida e renovar a imagem dos jiadistas para os refazer como aliados dos EUA, tal como nos bons velhos tempos das guerras do Afeganistão, Bósnia-Herzegovina, da Chechénia e do Kosovo. O corpo de «Bin Laden» é submerso em alto mar [9].
 
Durante seis meses, a linha da frente na Líbia permanece inalterada. O GICL controla Bengazi e proclama um Emirado islâmico em Derna, a cidade de onde a maioria dos seus membros são originários. Para aterrorizar os Líbios, rapta gente ao acaso. Mais tarde encontra-se os seus corpos desmembrados, os seus membros espalhados nas ruas. Sendo os jiadistas à partida pessoas normais, fazem-lhes tomar uma mistura de drogas naturais e sintéticas que lhes faz perder toda a razão. Podem pois, então, cometer atrocidades sem ter consciência das mesmas. Tendo a CIA subitamente necessidade de grandes quantidades de Captagon —um derivado de anfetaminas— solicita o Primeiro-ministro búlgaro, o chefe mafioso Boïko Borissov - o qual presidirá o Conselho Europeu em 2018. 
 
Este é um antigo guarda costas que se juntou à Security Insurance Company, uma das duas grandes organizações mafiosas dos Balcãs. Esta companhia dispõe de laboratórios clandestinos que produzem esta droga para os desportistas alemães. Borissov vai fornecer pastilhas milagrosas às toneladas, para tomar fumando juntamente haxixe [10].
 
O General Abdel Fattah Younes deserta e junta-se aos «revolucionários». É pelo menos o que se diz no Ocidente. Na realidade, ele permanece ao serviço da Jamahiriya tornando-se o chefe das forças da Cirenaica independente. Os Islamistas, que se lembram da sua ação contra eles uma década antes, não tardam a descobrir que ele está ainda em contacto com Saif al-Islam Kadhafi. Estendem-lhe uma armadilha, matam-no, queimam-no e devoram uma parte de seu corpo.
 
O Emir Hamad do Catar espera acabar com a Jamahiriya e instalar o novo Poder como já tinha feito com o “Presidente” inconstitucional do Líbano. Enquanto a OTAN se limita a atacar por via aérea, o Catar instala um aeroporto de campanha no deserto e desembarca homens e material. Mas as populações de Fezzan e da Tripolitânia permanecem fiéis à Jamahiriya e ao seu Guia.
 
Enquanto a OTAN lança um dilúvio de fogo sobre Tripoli, em Agosto, o Catar reuniu Forças especiais e desembarcou blindados na Tunísia. Estes milhares de homens não são evidentemente Cataris, mas mercenários –-principalmente Colombianos--- treinados pela Academi (ex-Blackwater/Xe) nos Emirados Árabes Unidos. Eles juntam-se à Alcaida (tornada aceitável, embora ainda considerada como terrorista pela ONU) em Trípoli, vestidos e encapuçados de negro, afim de que só se possa ver os seus olhos.
 
Apenas dois grupos de Líbios participam na tomada de Tripoli, os combatentes de Misrata, os quais obedecem à Turquia, e o GICL. A brigada de Tripoli (Alcaida) é comandada pelo Irlandês-Líbio Mahdi al-Harati e enquadrada por oficiais regulares do Exército francês.
 
Antes mesmo de Muammar Kaddafi ser linchado, um governo provisório é formado por Washington. Nele encontramos todos os heróis desta história : sob a presidência de Mustafa Abdel Jalil (o que encobriu as torturas às enfermeiras búlgaras e ao médico palestiniano), Mahmoud Jibril (que treinou os emires do Golfo, reorganizou a Al-Jazeera, e participou na reunião do Cairo em Fevereiro), Fathi Terbil (o que lançou a «revolução» em Bengazi). O chefe do GICL, e antigo número 3 mundial da Alcaida, Abdel Hakim Belhadj (implicado nos atentados da estação de Atocha, em Madrid), é nomeado «governador militar de Tripoli».
 
(Continua…)
 
Thierry Meyssan* | Voltaire.net.org | Tradução Alva
 
* Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).
 
Imagens:
1 - Ben Ali (Tunísia), Kadhadi (Líbia) e Mubarak (Egipto) eram, em 2011, três chefes de Estado às ordens de Washington (Kadhafi desde a sua reviravolta de 2003, os dois outros desde sempre). Apesar dos serviços prestados, eles foram varridos em proveito dos Irmãos Muçulmanos; 2 - Sob proposta da OTAN, Abdelhakim Belhaj (no centro), o chefe do GICL (ramo líbio da Alcaida) torna-se governador militar de Tripoli. Mahdi al-Harati (à esquerda), que o Presidente Erdogan tinha vindo felicitar aquando do episódio da Flotilha da Liberdade em Gaza, é o seu adjunto.
 
 
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Este livro está disponível em FrancêsEspanholRussoInglês e Italiano em versão em papel. Possui versão já traduzida em Língua Portuguesa (NdT).
 


LER TAMBÉM:

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/os-irmaos-muculmanos-membros-do.html

“Sob os nossos olhos” (5/25)Os Irmãos Muçulmanos como membros do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca

Nós prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sous nos yeux» (Sob os Nossos Olhos). Neste episódio, ele regressa ao primeiro semestre de 2011 no decurso do qual, apoiados pelos Estados Unidos e o Reino Unido, os Irmãos Muçulmanos se aproximaram ou acederam ao Poder na Tunísia, no Egipto e na Líbia.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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Ben Ali (Tunísia), Kadhadi (Líbia) e Mubarak (Egipto) eram, em 2011, três chefes de Estado às ordens de Washington (Kadhafi desde a sua reviravolta de 2003, os dois outros desde sempre). Apesar dos serviços prestados, eles foram varridos em proveito dos Irmãos Muçulmanos.

7— O início das «Primaveras Árabes» na Tunísia

A 12 de Agosto de 2010, o Presidente Barack Obama assina a directiva presidencial de Segurança n° 11 (PSD-11). Ele informa todas as suas embaixadas no Médio-Oriente Alargado para se prepararem para «mudanças de regime» [1]. Ele nomeia Irmãos Muçulmanos para o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos a fim de coordenarem a acção secreta no terreno. Washington vai colocar em acção o plano britânico da «Primavera Árabe». Para a Irmandade, chegou o momento de glória.

A 17 de Dezembro de 2010, um comerciante ambulante, «Mohamed» (Tarek) Bouazizi, imolou-se pelo fogo na Tunísia após a polícia ter apreendido a sua carroça. A Irmandade apropria-se do caso e faz circular boatos segundo os quais o jovem era um universitário no desemprego e que tinha sido esbofeteado por uma mulher-polícia. Imediatamente, os homens da National Endowment for Democracy (a NED, a falsa ONG dos serviços secretos dos cinco Estados anglo-saxónicos) pagam à família do falecido para que ela não revele a tramóia e semeiam a rebelião no país. Enquanto se sucedem as manifestações contra o desemprego e os abusos policiais, Washington pede ao Presidente Zine El-Abidine Ben Ali para deixar o país, ao mesmo tempo que o MI6 organiza a partir de Londres o retorno triunfal do Guia dos Irmãos, Rached Ghannouchi.

É a «Revolução de Jasmim» [2]. O esquema desta mudança de regime é copiado tanto do da partida do Xá do Irão, seguida do regresso do imã Khomeiny, como do das revoluções coloridas.

Rached Ghannouchi havia formado um ramo local dos Irmãos Muçulmanos e tentado um golpe de Estado em 1987. Detido e encarcerado várias vezes, ele exila-se no Sudão, onde beneficia do apoio de Hassan al-Turabi, depois na Turquia onde se aproxima de Recep Tayyip Erdoğan (então dirigente da Millî Görüş). Em 1993, obtêm asilo político no Londristão onde fica a residir com as suas duas mulheres e filhos menores.

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Duas personalidades apresentam-se como «anti-americanas» : Moncef Marzouki (extrema-esquerda trabalhando para a NED — EUA) e Rached Ghannouchi (Irmão Muçulmano trabalhando para a Westminster Foundation — RU)
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A «Liga de protecção da revolução» (LPR) é o equivalente tunisino do «Aparelho secreto» egípcio. O seu chefe, Ihmed Deghij, recebe de Rached Ghannouchi as instruções quanto às personalidades a eliminar.

Os Anglo-Saxónicos ajudam-no a melhorar a imagem do seu Partido, o Movimento de tendência islâmica renomeado Movimento da Renascença («Ennahda»). Para acalmar os receios da população em relação à Irmandade, a NED chama os seus peões da extrema-esquerda. Moncef Marzouki, o Presidente da Comissão Árabe dos Direitos Humanos faz de caução moral.

Ele garante que os Irmãos mudaram muito e que se tornaram democratas. É eleito Presidente da Tunísia. Ghannouchi ganha as eleições legislativas e consegue formar um governo que vai de Dezembro de 2011 a Agosto de 2013. Nele introduziu outros peões da NED, como Ahmed Najib Chebbi, ex-maoísta, depois trotskista reconvertido por Washington. Seguindo o exemplo de Hassan al-Banna, Ghannouchi forma então paralelamente ao partido uma milícia, a Liga de Protecção da Revolução, que procede aos assassinatos políticos, entre os quais o do líder da oposição Chokri Belaïd.

No entanto, apesar de um incontestável apoio de uma parte da população tunisina aquando do seu regresso, cedo o Ennahda é colocado em minoria. Antes de deixar o Poder, Rached Ghannouchi faz votar leis fiscais visando arruinar, a prazo, a burguesia laica. Desta forma, ele espera transformar a sociologia do seu país e voltar rapidamente para a frente do palco político.

Em Maio de 2016, o Xº Congresso do Ennahda é encenado pela Innovative Communications & Strategies, uma empresa criada pelo MI6. Os comunicadores asseguram que o Partido se tornou «civilista» e separa as actividades políticas e religiosas. Mas esta evolução não tem qualquer ligação com o laicismo, simplesmente pede-se aos responsáveis para dividir as tarefas e não exercer, ao mesmo tempo, como eleito e como imã.

8— A «Primavera Árabe» no Egipto

A 25 de Janeiro de 2011, quer dizer uma semana após a fuga do Presidente Ben Ali, a festa nacional egípcia transforma-se em manifestação contra o Poder. Os protestos são enquadrados pelo dispositivo tradicional dos EUA de revoluções coloridas: Os Sérvios treinados por Gene Sharp (teórico da OTAN, especializado em mudanças de regime suaves, sem recurso à guerra [3]) e os homens da NED. Os seus livros e brochuras traduzidos em árabe, e incluindo instruções para as manifestações, são amplamente distribuídas desde o primeiro dia. A maior parte destes espiões serão ulteriormente presos, julgados, condenados e depois expulsos. Os manifestantes são sobretudo mobilizados pelos Irmãos Muçulmanos, os quais dispõem de um apoio de 15 a 20% no país, e pelo Kifaya (Basta!), um grupo criado por Gene Sharp. É a «Revolução do Lótus» [4]. Os protestos ocorrem principalmente no Cairo, na Praça Tahrir, e também em sete outras grandes cidades. No entanto, está-se muito longe da vaga revolucionária que sacudiu a Tunísia.

Desde o princípio, os Irmãos utilizam armas. Na Praça Tahrir, eles recolhem os seus feridos para uma mesquita totalmente equipada para lhes fornecer os primeiros socorros. Os canais de TV das petro-ditaduras catariana, Al-Jazeera, e saudita, Al-Arabiya, apelam ao derrube do regime e difundem em directo informações vitais. Os Estados Unidos trazem de volta o antigo Director da Agência de energia atómica, o prémio Nobel da Paz Mohamed El-Baradei, presidente da Associação Nacional para a mudança. El-Baradei foi homenageado por ter acalmado os ardores de Hans Blix, o qual denunciara, em nome da ONU, as mentiras da Administração Bush visando justificar a guerra contra o Iraque. Ele preside há mais de um ano a uma coligação criada no modelo da Declaração de Damasco: um texto razoável, signatários de todos os quadrantes, mais os Irmãos Muçulmanos cujo programa é, na realidade, totalmente oposto ao da plataforma.

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Para o porta-voz dos Irmãos Muçulmanos no Egipto, Essam Elarian, pouco importam os Acordos de Camp David, a urgência está em criminalizar a homossexualidade.

Em última análise, a Irmandade é a primeira organização egípcia a apelar para o derrube do regime. As televisões de todos os Estados-membros da OTAN ou do Conselho de Cooperação do Golfo predizem a fuga do Presidente Hosni Mubarak. Enquanto o enviado especial do Presidente Obama, o embaixador Frank Wisner (o padrasto de Nicolas Sarkozy), simula primeiro apoiar Mubarak e depois alinha atrás da multidão e o pressiona a retirar-se. Finalmente, após duas semanas de tumultos e de uma manifestação reunindo 1 milhão de pessoas, Mubarak recebe ordem de Washigton para ceder e demite-se.

No entanto, os Estados Unidos entendem mudar a Constituição antes de colocar os Irmãos no Poder. O Poder permanece pois temporariamente nas mãos do exército. O Marechal Mohammed Hussein Tantawi preside o Comité Militar que administra os assuntos correntes. Ele nomeia uma Comissão constituinte de 7 membros, entre os quais 2 Irmãos Muçulmanos. É, aliás, um deles, o juiz Tareq Al-Bishri, quem preside aos trabalhos.

No entretanto, a Irmandade mantém manifestações todas as sexta-feiras à saída das mesquitas e dedica-se a linchamentos de cristãos coptas sem qualquer intervenção da polícia.

9— Nada de revolução colorida no Barém e no Iémene

Não tendo a cultura iemenita nenhuma relação com a da África do Norte, a não ser o uso comum da mesma língua, uma contestação significativa sacode desde há vários meses o Barém e o Iémene. A concomitância com os eventos da Tunísia e do Egipto arrisca baralhar os dados. O Barém hospeda a Vª Frota dos E.U.A e controla o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, enquanto o Iémene controla com o Djibuti a entrada e saída do mar Vermelho e do Canal de Suez.

A dinastia reinante teme que a revolta popular derrube a monarquia e acusa, por reflexo, o Irão de a organizar. Com efeito, em 1981, um Aiatola(xiita) iraquiano tentou exportar a revolução do imã Khomeini e derrubar o regime fantoche colocado no Poder pelos Britânicos aquando da independência, em 1971.

O Secretário da Defesa, Robert Gates, dirige-se ao local e autoriza a Arábia Saudita a abafar estas genuínas revoluções à nascença. A repressão é dirigida pelo Príncipe Nayef. Ele pertence ao clã dos Sudeiris, tal como o Príncipe Bandar, embora Nayef seja seu primogénito e Bandar não passe do filho de uma escrava. A repartição de papéis entre os dois homens é clara: o tio mantém a Ordem reprimindo os movimentos populares, enquanto o sobrinho desestabiliza Estados através do terrorismo. O importante é distinguir muito bem os países nos quais eles operam [5].

10— A Primavera Árabe na Líbia

Se Washington previu o derrube das administrações aliadas de Ben Ali e de Mubarak sem recurso à guerra, a coisa vai ser diferente relativamente à Líbia e à Síria, governadas pelos revolucionários Kadhafi e Assad.

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Depois de ter ensinado a linguagem democrática aos petro-ditadores, ter reorganizado a Al-Jazeera e instalado as sociedades dos EUA na Líbia, o Irmão Mahmoud Jibril torna-se o cabeça da «revolução» contra o regime que ainda na véspera servia.

No início de Fevereiro, quando Mubarak ainda é Presidente do Egipto, a CIA organiza no Cairo o lançamento da continuação das operações. Uma reunião junta diversos actores, incluindo a NED (representada pelos senadores republicano John McCain e democrata Joe Liberman), a França (representada por Bernard-Henri Lévy) e os Irmãos Muçulmanos. A delegação líbia é dirigida pelo Irmão Mahmoud Jibril (o que formou os dirigentes do Golfo e reorganizou a Al-Jazeera). Ele entra na sala como número 2 do governo da Jamahiriya, mas sai como... chefe da oposição à «ditadura». Ele não voltará ao seu luxuoso gabinete de Trípoli, antes regressará a Bengazi, na Cirenaica. A delegação síria inclui Anas al-Abdeh (fundador do Observatório Sírio dos Direitos do Homem) e o seu irmão Malik al-Abdeh (director da Barada TV, uma televisão anti-síria financiada pela CIAe pelo Departamento de Estado). Washington dá instruções para o desencadear das guerras civis, tanto na Líbia como na Síria.

A 15 de Fevereiro, Fathi Terbil, advogado das famílias das vítimas do massacre na prisão de Abu Salim, em 1996, percorre a cidade de Bengazi garantindo que a prisão local está em chamas e apelando para a libertação dos presos. Ele é detido por pouco tempo e libertado no mesmo dia. No dia seguinte, a 16 de Fevereiro, sempre em Bengazi, desordeiros atacam três esquadras da Polícia, as instalações da Segurança Interna e as do Procurador. Defendendo o arsenal da Segurança Interna, a polícia mata 6 atacantes. Neste entretanto, em Al-Bayda, entre Bengazi e a fronteira egípcia, outros desordeiros atacam igualmente esquadras da Polícia e os serviços da Segurança Interna. Tomam o quartel Hussein Al-Jwaifi e a Base Aérea militar de Al- Abrag. Apoderam-se de uma grande quantidade de armas, dão uma tareia aos guardas e enforcam um soldado. Outros incidentes, menos espectaculares, ocorrem de forma coordenada em sete outras cidades [6].

Estes atacantes reivindicam-se do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL-Alcaida) [7]. São todos membros, ou antigos membros, dos Irmãos Muçulmanos. Dois dos seus chefes foram submetidos a uma lavagem de cérebro, em Guantánamo, segundo as técnicas dos Professores Albert D. Biderman e Martin Seligman [8]. No fim dos anos 90, o GICL tentou por quatro vezes assassinar Mouamar Kadhafi a pedido do MI6, e estabelecer uma guerrilha nas montanhas de Fezzan. Foi então tenazmente combatido pelo General Abdel Fattah Younés, que o forçou a abandonar o país. Ele figura desde os atentados de 2001 na lista das organizações terroristas estabelecida pelo Comité 1267 da ONU, mas dispõe de um escritório em Londres, sob a proteção do MI6.

O novo chefe do GICL, Abdelhakim Belhaj, que se batera no Afeganistão, ao lado de Osama Bin Laden, e no Iraque, havia sido detido na Malásia em 2004, depois transferido para uma prisão secreta da CIA na Tailândia, onde foi submetido ao soro da verdade e a tortura. No seguimento de um acordo entre os Estados Unidos e a Líbia foi reenviado para a Líbia, onde foi de novo torturado, mas, desta vez, por agentes britânicos na prisão de Abu Salim. Em 2007, o GICL e a Alcaida fundem-se. Entretanto, no quadro de negociações com os Estados Unidos, durante o período de 2008-10, Saif al-Islam Kaddafi tinha negociado uma trégua entre a Jamahiriya e o GICL (AlCaida). Este havia publicado um longo documento, Os Estudos Correctivos, no qual admite ter cometido um erro ao apelar para a jiade contra outros muçulmanos num país muçulmano. Em três vagas sucessivas, todos os membros da Alcaida foram amnistiados e libertados sob a exclusiva condição de renunciarem por escrito à violência. Em 1. 800 jiadistas, apenas uma centena recusa este acordo e prefere ficar na prisão. Após a sua libertação, Abdel Hakim Belhadj deixou a Líbia e instalou-se no Catar. Todos acabaram por conseguir regressar à Líbia sem despertar atenções,

A 17 de Fevereiro, os Irmãos organizam uma manifestação em Bengazi em memória dos 13 mortos ocorridos durante a manifestação contra o Consulado da Itália, em 2006. Segundo os organizadores, fora Muammar Kaddafi quem teria à época montado o caso das «caricaturas de Maomé» com a ajuda da Liga do Norte italiana. A manifestação degenera. Registam-se 14 mortos, entre os manifestantes e os polícias.

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Os Irmãos Muçulmanos distribuem a nova bandeira que querem para a Líbia : é a do antigo rei Idris e da colonização britânica.

É o inicio da «revolução». Na realidade, os manifestantes não buscam derrubar a Jamahiriya, mas proclamar a independência da Cirenaica. Assim, em Bengazi, distribuem-se dezenas de milhar de bandeiras do rei Idris (1889-1983). A Líbia moderna agrupa três províncias do Império Otomano, que formam um país único apenas a partir de 1951. A Cirenaica foi governada de 1946 a 1969 pela monarquia dos Senussi –-uma família wahhabita apoiada pelos Sauditas--- que acabou por estender o seu poder sobre toda a Líbia.

Muammar Kadhafi promete «fazer correr rios de sangue» para salvar a sua população dos Islamistas. Em Genebra, uma associação criada pela NED, a Liga Líbia dos Direitos do Homem, retira estas declarações do seu contexto e apresenta-as à imprensa ocidental como sendo ameaças contra o Povo Líbio. Ela garante que ele está a bombardear Tripoli. Na realidade, a Liga é uma espécie de concha vazia reunindo os futuros ministros do país após a invasão da OTAN.

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Mahmud Jibril reorganizou a Al-Jazeera, em 2005, para fazer dela o canal dos Irmãos Muçulmanos. Foi ela que manteve o mito de um Bin Laden sempre vivo. O seu conselheiro espiritual, o Xeque Youssef Al-Qaradâwî, mantêm aí uma emissão semanal no decurso da qual apela para o assassínio de Muamar Kadhafi.

A 21 de Fevereiro, o Xeque Youssef al-Qaradawi lança na Al-Jazeera uma fátua ordenando aos militares líbios que salvem o seu povo assassinando Muammar Kaddafi.

O Conselho de Segurança, baseando-se nos trabalhos do Conselho dos Direitos do Homem em Genebra —o qual ouviu a Liga e o Embaixador líbio— e a pedido do Conselho de Cooperação do Golfo, autoriza a utilização da força afim de proteger a população do ditador.

Quando o Pentágono lhe ordena para se coordenar com o GICL (Alcaida), o sangue do comandante do AfriCom, o General Carter Ham, ferve. Como podemos cooperar na Líbia com os indivíduos que combatemos no Iraque, e que mataram GI.s? Ele é imediatamente demitido das suas funções em favor do comandante da EuCom e da OTAN, o Almirante James Stavridis.

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Dos 38 soldados dos Navys Seals (aqui em treino) que participaram no pretenso assassinato de Osama Bin Laden no Paquistão, 30 foram morrendo no decurso de diversos acidentes nas semanas a seguir a esta operação.

Intermezzo : A 1 de Maio de 2011, Barack Obama anuncia que, em Abbottabad (Paquistão), o comando 6 dos Navy Seals (tropa de fuzileiros- ndT) eliminou Osama bin Laden, do qual se estava sem novas credíveis desde há quase 10 anos. Este anúncio permite fechar o dossier Alcaida e renovar a imagem dos jiadistas para os refazer como aliados dos EUA, tal como nos bons velhos tempos das guerras do Afeganistão, Bósnia-Herzegovina, da Chechénia e do Kosovo. O corpo de «Bin Laden» é submerso em alto mar [9].

Durante seis meses, a linha da frente na Líbia permanece inalterada. O GICL controla Bengazi e proclama um Emirado islâmico em Derna, a cidade de onde a maioria dos seus membros são originários. Para aterrorizar os Líbios, rapta gente ao acaso. Mais tarde encontra-se os seus corpos desmembrados, os seus membros espalhados nas ruas. Sendo os jiadistas à partida pessoas normais, fazem-lhes tomar uma mistura de drogas naturais e sintéticas que lhes faz perder toda a razão. Podem pois, então, cometer atrocidades sem ter consciência das mesmas. Tendo a CIA subitamente necessidade de grandes quantidades de Captagon —um derivado de anfetaminas— solicita o Primeiro-ministro búlgaro, o chefe mafioso Boïko Borissov ---o qual presidirá o Conselho Europeu em 2018--- . Este é um antigo guarda costas que se juntou à Security Insurance Company, uma das duas grandes organizações mafiosas dos Balcãs. Esta companhia dispõe de laboratórios clandestinos que produzem esta droga para os desportistas alemães. Borissov vai fornecer pastilhas milagrosas às toneladas, para tomar fumando juntamente haxixe [10].

O General Abdel Fattah Younes deserta e junta-se aos «revolucionários». É pelo menos o que se diz no Ocidente. Na realidade, ele permanece ao serviço da Jamahiriya tornando-se o chefe das forças da Cirenaica independente. Os Islamistas, que se lembram da sua ação contra eles uma década antes, não tardam a descobrir que ele está ainda em contacto com Saif al-Islam Kadhafi. Estendem-lhe uma armadilha, matam-no, queimam-no e devoram uma parte de seu corpo.

O Emir Hamad do Catar espera acabar com a Jamahiriya e instalar o novo Poder como já tinha feito com o “Presidente” inconstitucional do Líbano. Enquanto a OTAN se limita a atacar por via aérea, o Catar instala um aeroporto de campanha no deserto e desembarca homens e material. Mas as populações de Fezzan e da Tripolitânia permanecem fiéis à Jamahiriya e ao seu Guia.

Enquanto a OTAN lança um dilúvio de fogo sobre Tripoli, em Agosto, o Catar reuniu Forças especiais e desembarcou blindados na Tunísia. Estes milhares de homens não são evidentemente Cataris, mas mercenários –-principalmente Colombianos--- treinados pela Academi (ex-Blackwater/Xe) nos Emirados Árabes Unidos. Eles juntam-se à Alcaida (tornada aceitável, embora ainda considerada como terrorista pela ONU) em Trípoli, vestidos e encapuçados de negro, afim de que só se possa ver os seus olhos.

Apenas dois grupos de Líbios participam na tomada de Tripoli, os combatentes de Misrata, os quais obedecem à Turquia, e o GICL. A brigada de Tripoli (Alcaida) é comandada pelo Irlandês-Líbio Mahdi al-Harati e enquadrada por oficiais regulares do Exército francês.

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Sob proposta da OTAN, Abdelhakim Belhaj (no centro), o chefe do GICL (ramo líbio da Alcaida) torna-se governador militar de Tripoli. Mahdi al-Harati (à esquerda), que o Presidente Erdogan tinha vindo felicitar aquando do episódio da Flotilha da Liberdade em Gaza, é o seu adjunto.

Antes mesmo de Muammar Kaddafi ser linchado, um governo provisório é formado por Washington. Nele encontramos todos os heróis desta história : sob a presidência de Mustafa Abdel Jalil (o que encobriu as torturas às enfermeiras búlgaras e ao médico palestiniano), Mahmoud Jibril (que treinou os emires do Golfo, reorganizou a Al-Jazeera, e participou na reunião do Cairo em Fevereiro), Fathi Terbil (o que lançou a «revolução» em Bengazi). O chefe do GICL, e antigo número 3 mundial da Alcaida, Abdel Hakim Belhadj (implicado nos atentados da estação de Atocha, em Madrid), é nomeado «governador militar de Tripoli».

(Continua…)


[1] “Obama’s low-key strategy for the Middle East”, David Ignatius, Washington Post, March 6, 2011. “Identifiying the enemy: radical islamist terror”, Statement by Peter Hoekstra, House Committe on Homeland Security, United States House of Representatives, September 22, 2016.

[2] “Washington face à cólera do povo tunisino”, Thierry Meyssan, Tradução Resistir.info, Rede Voltaire, 27 de Janeiro de 2011.

[3] « L’Albert Einstein Institution : la non-violence version CIA », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 4 juin 2007.

[4] The International Dimensions of Democratization in Egypt: The Limits of Externally-Induced Change, Gamal M. Selim, Springer (2015).

[5] « La Contre-révolution au Proche-Orient », par Thierry Meyssan, Komsomolskaïa Pravda (Russie), Réseau Voltaire, 11 mai 2011.

[6] Rapport de la Mission d’enquête sur la crise actuelle en Libye, FFC (2011).

[7] “Once NATO enemies in Iraq and Afghanistan, now NATO allies in Libya”, by Webster G. Tarpley, Voltaire Network, 24 May 2011.

[8] “O Segredo de Guantanamo”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Odnako (Rússia) , Rede Voltaire, 10 de Setembro de 2014.

[9] “Reflexões sobre o anúncio oficial da morte de Osama Bin Laden”, Thierry Meyssan, Tradução David Lopes, Rede Voltaire, 4 de Junho de 2011.

[10] “Como a Bulgária forneceu drogas e armas à Al-Qaida e ao Daesh”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 4 de Janeiro de 2016.



Ver original na 'Rede Voltaire'



“Sob os nossos olhos” (4/25)Os Irmãos Muçulmanos como auxiliares do Pentágono

Prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sous nos yeux» (Sobos Nossos Olhos). Neste episódio, ele descreve como a organização terrorista dos Irmãos Muçulmanos foi integrada no Pentágono. Ela foi ligada às redes anti-Soviéticas constituídas com antigos nazis durante a Guerra Fria.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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O Saudita Ousama Bin Laden e o seu médico pessoal, o Egípcio Ayman al-Zawahiri, publicam em 1998 «A Frente islâmica mundial contra os judeus e os cruzados». Este texto foi difundido pelo seu escritório no Londonistan ("Londristão"-ndT), o Advice and Reformation Committee. Al-Zawahiri organizou o assassínio do Presidente Sadate, depois trabalhou para os Serviços Secretos sudaneses de Hassan al-Turabi e Omar al-Bashir. Ele dirige agora a Alcaida.

5— Os islamistas nas mãos do Pentágono

No início dos anos 90, o Pentágono decide incorporar os islamistas —que até aí estavam unicamente na dependência da CIA— às suas operações. É a Operação Gládio B, em referência aos Serviços Secretos da OTAN na Europa (Gládio A [1]).

Durante uma década, todos os chefes islamistas —aí incluídos Osama Bin Laden e Ayman al-Zawahiri— se deslocam a bordo de aviões da US Air Force (Força Aérea americana). O Reino Unido, a Turquia e o Azerbaijão participam na operação [2]. Por conseguinte, os islamistas —que até aí eram combatentes da sombra— são agora «publicamente» integrados nas Forças da Otan.

A Arábia Saudita que é ao mesmo tempo um Estado e propriedade privada dos Saud— torna-se oficialmente a instituição responsável pela gestão do islamismo mundial. O Rei proclama uma Lei Fundamental, em 1992, segundo a qual «O Estado protege a fé islâmica e aplica a Charia. Impõe o Bem e combate o Mal. Cumpre os deveres do Islão (...) A defesa do islamismo, da sociedade e da pátria muçulmana é o dever de todo o súbdito do Rei».

Em 1993, Carlos, o Príncipe de Gales, coloca o Oxford Center for Islamic Studies sob o seu patrocínio, enquanto o Chefe dos Serviços Secretos sauditas, o Príncipe Turki, toma a direcção do mesmo.

Londres torna-se abertamente o centro nevrálgico da Gládio B, a tal ponto que se fala de «Londonistan» («Londristão»-ndT) [3]. Sob a égide da Liga Islâmica Mundial, os Irmãos Muçulmanos árabes e a Jamaat-i-Islami paquistanesa criam uma quantidade de associações culturais e religiosas ligadas à mesquita de Finsbury Park. Este dispositivo irá permitir recrutar inúmeros kamikazes, desde aqueles que irão atacar a escola russa de Beslan até Richard Reid, o «Shoe bomber». O Londristão inclui, em especial, inúmeros média, editoras, jornais (al-Hayat e Asharq al-Awsat —ambos dirigidos por filhos do actual Rei Salman da Arábia—) e televisões (o grupo MBC do Príncipe Walid bin Talal emite uma vintena de canais), que não são destinados à diáspora muçulmana no Reino Unido, mas, sim com emissões dirigidas ao mundo árabe; tendo o acordo entre os Islamistas e a Arábia Saudita sido estendido ao Reino Unido –-total liberdade de acção, mas interdição de ingerência na política interna. Este conglomerado emprega vários milhares de pessoas e movimenta gigantescas quantias de dinheiro. Ele irá permanecer aberto até aos atentados de 11 de Setembro de 2001, quando se tornará impossível aos Britânicos continuar a justificar a sua existência.

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Abu Mussab « o Sírio » (aqui com Osama Bin Laden) teorizou em termos islâmicos a «estratégia da tensão». Ele criou uma agência em Madrid e outra em Londres, às claras, para supervisionar os atentados na Europa.

Abu Mussab, «O Sírio» —um sobrevivente do golpe de Estado abortado de Hama, tornado agente de ligação entre Bin Laden e o Grupo Islâmico Armado (GIA) argelino— teoriza a «jiade descentralizada». No seu Appel à la résistance islamique mondiale, ele coloca em termos islâmicos a já bem conhecida doutrina da «estratégia da tensão». Trata-se de provocar as autoridades para suscitar uma terrível repressão que levará o povo a revoltar-se contra elas. Esta teoria fora já utilizada pelas redes Gládio da CIA /OTAN ao manipular a extrema-esquerda europeia nos anos 70-80 (Grupo Baader-Meinhof, Brigadas Vermelhas, Action Directe). É claro que estava fora de questão que esta estratégia vencesse e a CIA/OTAN sabiam que não havia nenhuma chance de êxito —ela jamais fora bem sucedida, fosse onde fosse—, pretendia sim utilizar a reacção repressiva do Estado para colocar os seus homens no Poder. «O Sírio» designa a Europa —e, claramente, nunca os Estados Unidos— como o próximo campo de batalha dos islamistas. Em 1995, ele foge de França após os atentados desse ano. Dois anos mais tarde, cria em Madrid e no Londristão o Islamic Conflict Studies Bureau, dentro do modelo da Aginter Press, que a CIA tinha criado em Lisboa durante os anos 60-70. As duas estruturas superam-se na organização de atentados de falsa-bandeira (desde o atribuído à extrema-esquerda na Piazza Fontana, em 1969, até aos atribuídos aos muçulmanos em Londres, em 2005).

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O assessor de comunicação dos Irmãos Muçulmanos, Mahmoud Jibril el-Warfally, treina os ditadores muçulmanos para falarem a linguagem democrática. Ele reorganizou a Al-Jazeera, depois tornou-se responsável da implantação das empresas dos EUA durante o regime Kadhafi na Líbia, e por fim dirige o derrube do próprio Kadhafi.

Simultaneamente, os Irmãos elaboram um vasto programa de formação de líderes árabes pró-EU. O Líbio Mahmoud Jibril El-Warfally, professor na Universidade de Pittsburg, ensina-os a falar de forma «politicamente correcta». Assim, ele forma emires e generais da Arábia Saudita, do Barém, do Egipto, dos Emirados, da Jordânia, do Kuwait, de Marrocos e da Tunísia (mas também de Singapura). Misturando princípios de Relações Públicas e estudo dos relatórios do Banco Mundial, os piores ditadores são agora capazes de falar, sem se rir, dos seus ideais democráticos bem como do seu profundo respeito pelos Direitos do Homem.

A guerra contra a Argélia transborda para a França. Jacques Chirac e o seu Ministro do Interior, Charles Pasqua, interrompem o apoio de Paris aos Irmãos Muçulmanos e tratam mesmo de interditar os livros de Yussef al-Qaradawi (o pregador da Irmandade). Para eles trata-se de manter a presença francesa no Magrebe que os Britânicos querem riscar do mapa. O Grupo Islâmico Armado (GIA) toma como reféns os passageiros do vôo da Air France Argel-Paris (1994), faz explodir bombas no RER, e em diversos pontos da capital (1995), e planeia um gigantesco atentado —que será impedido— aquando do Campeonato do Mundo de futebol (1998), incluindo a queda de um avião sobre uma central eléctrica nuclear. Em todos os episódios, os suspeitos, que conseguem escapar, encontram asilo no Londristão.

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Desfile da « Legião Árabe » de Osama Bin Laden para o Presidente Alija Izetbegovic na Bósnia-Herzegovina.

A guerra da Bósnia-Herzegovina começa em 1992 [4]. A ordens de Washington, os Serviços Secretos paquistaneses (ISI), sempre apoiados financeiramente pela Arábia Saudita, enviam 90.000 homens para participar nela contra os Sérvios (apoiados por Moscovo). Osama Bin Laden recebe um passaporte diplomático bósnio e torna-se conselheiro militar do Presidente Alija Izetbegović (de quem o Norte-americano Richard Perle é conselheiro diplomático e o Francês Bernard-Henri Lévy, conselheiro de imprensa). Ele monta a Legião Árabe com antigos combatentes do Afeganistão e arranja financiamento da Liga Islâmica Mundial. Por reflexo comunitário, ou em competição com a Arábia Saudita, a República Islâmica do Irão vai também em socorro dos muçulmanos da Bósnia. Em perfeita combinação com o Pentágono, ela envia várias centenas de Guardas da Revolução e uma unidade do Hezbolla libanês. Acima de tudo, fornece o essencial das armas utilizadas pelo Exército bósnio.

Os Serviços Secretos russos, que infiltraram o campo de Bin Laden, constatam que toda a burocracia da Legião Árabe é redigida em inglês e que a Legião recebe as suas ordens directamente da OTAN. Após a guerra, um Tribunal Internacional especial é criado. Este processou inúmeros combatentes por crimes de guerra, mas nenhum membro da Legião Árabe.

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O Egípcio Muhammad al-Zawahiri participou junto com o seu irmão, Ayman (actual chefe da Alcaida), no assassínio do Presidente Sadate. Também participou ao lado da OTAN nas guerras da Bósnia-Herzegovina e do Kosovo. Ele comandou também uma unidade do UÇK (Exército de Libertação do Kosovo).

Após três anos de calma, a guerra entre muçulmanos e ortodoxos reacende-se na ex-Jugoslávia, no Kosovo desta vez. O Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) é formado a partir de grupos mafiosos treinados em combate pelas Forças Especiais Alemãs (KSK) na base turca de Incirlik. Os Albaneses e os Jugoslavos muçulmanos têm uma cultura Naqchbandie. Hakan Fidan, o futuro chefe dos Serviços Secretos turcos, é o oficial de ligação entre a OTAN e a Turquia. Os veteranos da Legião Árabe integram o UÇK, do qual uma brigada é comandada por um dos irmãos de Ayman al-Zawahiri. Este destrói sistematicamente as igrejas e os mosteiros ortodoxos, e caça os cristãos.

Em 1995, revivendo a tradição dos assassinatos políticos, Osama Bin Laden tenta eliminar o Presidente egípcio, Hosni Mubarak. Ele volta a tentar no ano seguinte com o Guia líbio, Muammar Kaddafi. Este segundo atentado é financiado, pela soma de £ 100.000 libras, pelos Serviços Secretos britânicos que querem punir o apoio líbio à resistência irlandesa [5]. Azaradamente a operação falha. Vários oficiais líbios fogem para o Reino Unido. Entre eles, Ramadan Abidi, cujo filho será encarregado anos mais tarde, sempre pelos serviços britânicos, de realizar um atentado em Manchester. A Líbia transmite provas à Interpol e emite o primeiro mandato de prisão internacional contra o próprio Osama Bin Laden, o qual continua a manter um escritório de relações públicas no Londristão.

Em 1998, a Comissão Árabe dos Direitos Humanos é fundada em Paris. Ela é financiada pela NED. O seu presidente é o Tunisino Moncef Marzouki, e o seu porta-voz o Sírio Haytham Manna. O seu objectivo é defender os Irmãos Muçulmanos que foram presos nos diferentes países árabes, por causa das suas actividades terroristas. Marzouki é um médico de esquerda que trabalha com eles há longo tempo. Manna é um escritor que gere os investimentos de Hassan al-Turabi e dos Irmãos sudaneses na Europa. Quando Manna se retira, a sua companheira mantêm-se como directora da associação. Ele é substituído pelo Argelino Rachid Mesli, que é advogado e é, nomeadamente, o de Abassi Madani e dos Irmãos argelinos.

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Filho espiritual do islamista turco Necmettin Erbakan (ao centro), Recep Tayyip Erdogan (à direita) dirigiu o seu grupo de acção secreta, a Millî Görüs. Ele organizou o encaminhamento de armas para a Tchechénia e abrigou, em Istambul, os principais emires anti-Russos

Em 1999 (ou seja, após a guerra do Kosovo e a tomada do Poder pelos islamistas em Grozny), Zbigniew Brzeziński funda com uma coorte de neo-conservadores o American Committee for Peace in Chechnya (Comité americano para a paz na Tchechénia). Se a primeira guerra na Tchechénia fora um assunto interno russo, no qual alguns islamistas se tinham imiscuído, a segunda visa a criação do Emirado Islâmico da Ichquéria. Brzeziński, que preparava esta operação há vários anos, tenta reproduzir a experiência afegã.

Os jiadistas tchechenos, como Chamil Bassaïev, não foram treinados no Sudão por Bin Laden, mas, sim no Afeganistão pelos Talibã. Durante toda a guerra, beneficiam do apoio «humanitário» da Millî Görüş turca de Necmettin Erbakan e Recep Tayyip Erdoğan e da «IHH - Direitos do homem e Liberdades». Esta Associação turca foi criada na Alemanha sob o nome de Internationale Humanitäre Hilfe (IHH). Em seguida, estes jiadistas organizarão várias grandes operações : nomeadamente contra o Teatro de Moscovo (2002, 170 mortos, 700 feridos), contra uma escola de Beslan (2004, 385 mortos, 783 feridos) e contra a cidade de Naltchik (2005, 128 mortos e 115 feridos). Após o massacre de Beslan e a morte do líder jiadista Chamil Bassaïev, a Milli Görüş e a IHH organizam, na mesquita de Fatih de Istambul, enormes exéquias sem o corpo mas com dezenas de milhares de militantes.

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Apresentado como um atentado «anti-americano», a destruição da embaixada dos Estados Unidos em Dar es-Salaam (Tanzânia), em 7 de Agosto de 1998, fez 85 feridos e 11 mortos… mas nenhuma vítima norte-americana.

Durante este período, três atentados importantes são atribuídos à Alcaida. No entanto, por muito importantes que estas operações sejam, elas representam um falhanço para os islamistas, os quais, por um lado, são integrados no seio da OTAN e se veem simultaneamente despromovidos para o nível de terroristas anti-americanos.
- Em 1996, um camião armadilhado faz explodir uma torre de oito andares em Khobar, na Arábia Saudita, matando 19 soldados dos EUA. Primeiro atribuído à Alcaida, a responsabilidade do atentado é transferida para cima do Irão, depois finalmente para ninguém.
- Em 1998, duas bombas explodem diante das embaixadas norte-americanas em Nairobi (Quénia) e Dar-es-Salam (Tanzânia), matando 298 africanos —mas nenhum Norte-americano— e ferindo mais de 4.500 pessoas. Estes atentados são reivindicados por um misterioso Exército Islâmico de Libertação dos Lugares Santos. Segundo as autoridades dos EU, eles teriam sido cometidos por membros da Jiade Islâmica egípcia em retorsão pela extradição de quatro dos seus membros. Ora, as mesmas autoridades acusam Osama Bin Laden de ser o comanditário e o FBI emite —por fim— um mandado de prisão internacional contra ele.
- Em 2000, uma embarcação suicida explode contra o costado do destróier USS Cole fundeado em Áden (Iémene). O atentado é reivindicado pela Alcaida na Península Arábica (AQPA), mas um tribunal norte-americano tornará responsável o Sudão.

Estes atentados ocorrem enquanto a colaboração entre Washington e os Islamistas continua. Assim, Osama bin Laden, conservou o seu escritório no Londristão até 1999. Situado no bairro de Wembley, o Advice and Reformation Committee (ARC) visa, ao mesmo tempo, difundir as declarações de Bin Laden e cobrir as actividades logísticas da Alcaida, inclusive em matéria de recrutamento, de pagamentos e de aquisição de materiais. Entre os seus colaboradores em Londres encontra-se o saudita Khaled al-Fawwaz e os egípcios Adel Abdel Bary e Ibrahim Eidarous, três homens que são alvo de mandados de detenção internacionais, mas que, no entanto, receberam asilo político no Reino Unido. É na mais perfeita legalidade, em Londres, que o escritório de Bin Laden publicará, em Fevereiro de 1998, o seu célebre Apelo à Jiade contra os Judeus e os Cruzados. Gravemente doente dos rins, Bin Laden é hospitalizado, em Agosto de 2001, no hospital Americano do Dubai. Um chefe de Estado do Golfo confirmou-me tê-lo ido visitar ao seu quarto, onde a sua segurança era garantida pela CIA.

6— A fusão das duas « Gládio » e a preparação do Daesh

Dentro da mesma lógica, a Administração Bush torna os Islamistas responsáveis pelos brutais atentados que ocorrem a 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos. A versão oficial impõe-se embora ela comporte numerosas incoerências. O Secretário da Justiça assegura que os aviões foram sequestrados por islamistas, muito embora segundo as companhias de aviação nenhum dos suspeitos tenha estado a bordo. O Departamento da Defesa publicará um vídeo no qual Bin Laden reivindica os atentados, quando o próprio os tinha rejeitado publicamente e os peritos em reconhecimento facial e vocal afirmam que o homem do vídeo não é Bin Laden.

Seja como for, estes acontecimentos servem de pretexto a Washington e a Londres para lançar a «Guerra sem fim» e atacar os seus antigos aliados, os Talibã no Afeganistão, e o Iraque de Saddam Hussein.

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Em 11 de Setembro de 2001, Osama Bin Laden não estava em estado de dirigir a menor operação terrorista. Ele estava, à beira da morte, sob diálise no hospital militar de Rawalpindi (Paquistão).

Muito embora ele já sofresse de insuficiência renal crónica, Osama Bin Laden apenas sucumbe à sua doença a 15 de Dezembro de 2001 como resultado de um síndrome de Marfan. Um representante do MI6 assiste às suas exéquias no Afeganistão. Posteriormente, vários sósias, mais ou menos parecidos, irão manter o seu simulacro vivo, dos quais um será assassinado por Omar Sheikh, em 2005, segundo a Primeiro-ministro paquistanesa Benazir Bhuto.

Em Agosto de 2002, o MI6 organiza uma conferência da Irmandade Muçulmana sobre o tema «a Síria para todos». Aí, os oradores desenvolvem a ideia que a Síria estaria a ser oprimida pela seita dos Alauítas e que apenas os Irmãos Muçulmanos garantiriam uma genuína igualdade.

Após Sayyed Qutb e Abu Mussab, «o Sírio», os Islamistas dotam-se de um novo estratega, Abu Bakr Naji. Em 2004, este personagem, que parece nunca ter existido, publica um livro na Internet, A Gestão da Barbárie, uma teoria do caos [6]. Embora alguns autores tenham acreditado reconhecer o estilo de um autor egípcio, parece que a obra foi escrita em inglês, depois enriquecida com citações corânicas supérfluas e traduzido para árabe. A «Barbárie» no título do livro, não designa o recurso ao terror, mas, sim o retorno ao estado da natureza antes da civilização ter criado o Estado. Trata-se de fazer regressar a Humanidade ao ponto onde «o homem é um lobo do homem». A estratégia do caos desenrola-se em três fases:
- Primeira, desmoralizar e esgotar o Estado atacando nos seus flancos menos bem protegidos. Escolhem-se portanto alvos secundários, muitas vezes sem interesse, mas fáceis de destruir e separados. Tratar-se-á de dar a impressão de um levantamento generalizado, de uma revolução.
- Em segundo lugar, assim que o Estado se tiver retirado dos subúrbios e dos campos, conquistar certas zonas e administrá-las. Impor a Charia para marcar a passagem a uma nova forma de Estado. Durante este período, serão estabelecidas alianças com todos aqueles que se opõem ao Poder, e que não se deixará de armar. Irá conduzir-se então uma guerra de posições.
- Em terceiro lugar, proclamar o Estado Islâmico.

Este tratado transpira ciência militar contemporânea. Ele dá uma enorme importância às operações psicológicas, nomeadamente à utilização da violência mediática. Na prática, esta estratégia nada tem a ver com uma revolução, mas com a conquista de um país por potências exteriores, já que ela pressupõe um investimento maciço. Como sempre na literatura subversiva, o mais interessante reside naquilo que não é dito ou apenas é mencionado de passagem:
- a preparação das populações para que elas acolham os jiadistas supõe a construção prévia de uma rede de mesquitas e de obras sociais, tal como foi feito na Argélia antes da guerra «civil».
- para serem postas em marcha, as primeiras operações militares necessitam de armas que é preciso importar de antemão. Sobretudo, em seguida, os jiadistas não terão nenhum meio para obter armas e ainda menos munições. Portanto, eles terão que ser apoiados a partir do exterior.
- A administração das zonas conquistadas supõe que se disponha de quadros formados previamente, como os dos exércitos regulares encarregados de «reconstruir Estados».
- Finalmente a guerra de posições supõe a construção de vastíssimas infra-estruturas que necessitarão de uma grande quantidade de materiais, de engenheiros e de arquitectos.

De facto, o reclamar a autoria desta obra atesta que os islamistas entendem continuar a jogar um papel militar por conta de potências exteriores, só que desta vez em grandíssima escala.

Em 2006, os Britânicos pedem ao Emir Ahmad do Catar para colocar o seu canal de televisão pan-árabe, Al-Jazeera, ao serviço dos Irmãos Muçulmanos [7]. O Líbio Mahmoud Jibril, que treinou a família real a falar em linguagem democrática, é encarregue de introduzir, passo a passo, os seus Irmãos no canal e de criar canais em línguas estrangeiras (inglês e, a seguir, bósnio e turco), assim como um canal para as crianças. O pregador Yusuf al-Qaradawi torna-se «conselheiro religioso» da Al-Jazeera. É claro, o canal irá transmitir e validar as gravações de áudio ou os vídeos dos «Osama Bin Laden».

No mesmo período, as tropas dos EUA no Iraque tem que fazer face a uma revolta que se generaliza. Depois de terem sido derrotados pela rapidez e pela brutalidade da invasão (técnica do «choque e pavor»), os Iraquianos organizam a sua resistência. O Embaixador norte-americano em Bagdade, depois Director da Inteligência Nacional, John Negroponte, propõe-se vencê-los pela divisão e virando a sua raiva contra si próprios, quer dizer transformar a Resistência à ocupação em guerra civil. Perito em operações secretas, ele participou, nomeadamente, na Operação Fénix no Vietname, montando depois a guerra civil civil em El Salvador e a operação Irão-Contras na Nicarágua, e levou ao colapso a rebelião no Chiapas mexicano. Negroponte chama um dos homens em que se apoiou em El Salvador, o Coronel James Steele. Confia-lhe a tarefa de criar milícias iraquianas de xiitas contra os sunitas e sunitas contra os xiitas. Quanto à milícia sunita, Steele recorre aos Islamistas. A partir da Alcaida no Iraque, ele arma uma coligação tribal, o Emirado islâmico no Iraque (futuro Daesh) sob cobertura da polícia especial («Brigada dos Lobos»). Para aterrorizar as vítimas e as suas famílias, ele treina o Emirado na tortura, segundo os métodos da Escola das Américas (School of América) e da Political Warfare Cadres Academy de Taiwan, onde ensinou. Em poucos meses, um novo horror abate-se sobre os Iraquianos e divide-os segundo a sua confissão religiosa. Em seguida, assim que o General David Petraeus assumir o comando das tropas norte-americanas no país, irá designar o Coronel James H. Coffman para trabalhar com Steele e lhe fornecer relatórios sobre a operação, enquanto Brett H. McGurk dará conta directamente ao Presidente. Os principais chefes do Emirado Islâmico são recrutados no campo de concentração de Bucca, mas são objecto de preparação na prisão de Abu Ghraib, segundo os métodos de «lavagem ao cérebro» dos professores Albert D. Biderman e Martin Seligman [8]. Tudo é supervisionado desde Washington pelo Secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, de quem Steele depende directamente.

Em 2007, Washington informa a Irmandade que vai derrubar os regimes laicos do Médio-Oriente Alargado, incluindo os dos Estados aliados, e que ela se deve preparar para exercer o Poder. A CIA organiza alianças entre os Irmãos e partidos, ou personalidades laicas, de todos os Estados da região. Simultaneamente, ela liga os dois ramos da «Gládio» tecendo laços entre os grupos nazis ocidentais e os grupos islamistas orientais.

Estas iniciativas de aliança são às vezes inconclusivas, como, por exemplo, aquando da «Conferência Nacional da Oposição Líbia», em Londres, onde os Irmãos não conseguem federar à sua volta senão o Grupo Islâmico Combatente na Líbia (Alcaida na Líbia) e a Irmandade wahhabita Senussi. A plataforma programática prevê restabelecer a monarquia e fazer do Islão a religião do Estado. Mais convincente é a constituição da Frente da Salvação Nacional, em Berlim, que oficializa a união dos Irmãos com o antigo Vice-presidente baathista sírio Abdel Halim Khaddam.

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Dmytro Iarosh durante o Congresso da Frente anti-imperialista de Ternopol (2007). Ele vai realizar a junção entre os nazis da Gládio A e os islamistas da Gládio B, depois irá tornar-se Secretário-adjunto do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia após a «revolução colorida» do EuroMaidan (2014).

A 8 de Maio de 2007, em Ternopol (oeste da Ucrânia), grupúsculos nazis e islamistas criam uma Frente anti-imperialista para lutar contra a Rússia. Organizações da Lituânia, da Polónia, da Ucrânia e da Rússia participam nela, entre as quais os separatistas Islamistas da Crimeia, da Adigueia, do Daguestão, da Inguchia, da Cabardino-Balcária, da Carachai-Cerquéssia, da Ossétia, da Chechénia. Não podendo viajar para lá devido as sanções internacionais impostas contra ele, Dokou Umarov —que aboliu a República da Chechénia e proclamou o Emirado Islâmico da Ichquéria—, fez ler a sua proclamação. A Frente é presidida pelo nazi Dmytro Yarosh, o qual se tornará durante o golpe de Estado de Kiev, em Fevereiro de 2014, Secretário-adjunto do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia.

No Líbano, em Maio-Junho de 2007, o Exército nacional empreende o cerco do campo palestino de Nahr el-Bared depois de membros da Fatah al-Islam se terem lá entrincheirado. Os combates duram 32 dias e custam a vida a 76 soldados, dos quais uma trintena são decapitados.

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O Turco-Irlandês El Mehdi El Hamid El Hamdi dito «Mahdi Al-Harati», agente da CIA presente na Flotilha da Liberdade, abraçado pelo Presidente Erdogan que veio visitá-lo ao hospital. Em seguida, ele irá tornar-se o número 2 do Exército sírio livre.

Em 2010, a Irmandade organiza a Flotilha da Liberdade através da IHH. Oficialmente trata-se de desafiar o embargo israelita e de levar assistência humanitária aos habitantes de Gaza [9]. Na realidade, o principal barco desta frota muda de bandeira durante a travessia e prossegue sob pavilhão turco. Numerosos espiões misturam-se com os militantes não-violentos participando na expedição, entre os quais um agente irlandês da CIA, Mahdi al-Harati. Caindo na armadilha que lhe estende os Estados Unidos, o Primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordena o assalto aos barcos, em águas internacionais, provocando 10 mortos e 54 feridos. O mundo inteiro condena esse acto de pirataria sob o olhar sarcástico da Casa Branca. Israel, que fornecia armas aos jiadistas no Afeganistão e apoiou a criação do Hamas contra a OLP de Yasser Arafat, virara-se contra os Islamistas em 2008 e bombardeou-os, assim como à população de Gaza. Netanyahu paga assim, desta maneira, a operação «Chumbo Endurecido» que levou a cabo, junto com a Arábia Saudita, contra a opinião da Casa Branca. No fim, os passageiros da Flotilha são libertados por Israel. A imprensa turca mostra então o Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan visitando Mahdi al-Harati num hospital.

(Continua …)


[1] NATO’s secret armies: operation Gladio and terrorism in Western Europe, Daniele Ganser, Foreword by Dr. John Prados, Frank Cass/Routledge (2005).

[2] Classified Woman: The Sibel Edmonds Story : A Memoir, Sibel Edmonds (2012).

[3] Londonistan, Melanie Phillips, Encounter Books (2006).

[4] Wie der Dschihad nach Europa kam, Jürgen Elsässer, NP Verlag (2005); Intelligence and the war in Bosnia 1992-1995: The role of the intelligence and security services, Nederlands Instituut voor Oologsdocumentatie (2010). Al-Qaida’s Jihad in Europe: The Afghan-Bosnian Network, Evan Kohlmann, Berg (2011).

[5] «David Shayler: «Dejé los servicios secretos británicos cuando el MI6 decidió financiar a los socios de Osama ben Laden»», Red Voltaire , 23 de noviembre de 2005.

[6] The Management of Savagery: The Most Critical Stage Through Which the Umma Will Pass, Abu Bakr Naji, Harvard University (2006).

[7] «Wadah Khanfar, Al-Jazeera y el triunfo de la propaganda televisiva », por Thierry Meyssan, Red Voltaire , 27 de septiembre de 2011.

[8] “O Segredo de Guantanamo”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Odnako (Rússia) , Rede Voltaire, 10 de Setembro de 2014.

[9] «Flotilla de la Libertad: el detalle que Netanyahu no conocía», por Thierry Meyssan, Red Voltaire , 11 de junio de 2010.



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“Sob os nossos olhos” (3/25)Os Irmão Muçulmanos como força de apoio do MI6 e da CIA

Prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sob os nossos Olhos». Neste episódio, ele descreve a maneira como o Presidente Jimmy Carter e o seu Conselheiro de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, usaram as capacidades terroristas dos Irmãos Muçulmanos contra os Soviéticos.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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O Conselheiro de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, imaginou utilizar os Irmãos Muçulmanos para operações terroristas contra o governo comunista afegão; o que provocou a intervenção da URSS.

3— A Irmandade ao serviço da estratégia Carter/Brzeziński

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Sir James Macqueen Craig, especialista sobre o Médio-Oriente, convenceu o Reino Unido a utilizar os Irmãos Muçulmanos para operações secretas fora do Egipto. Foi também ele quem concebeu o plano das «Primaveras Árabes» no modelo da operação realizada em 1915 por Lawrence da Arábia.

Em 1972-73, um responsável do Foreign Office —e provavelmente do MI6—, James Craig, e o embaixador britânico no Egipto, Sir Richard Beaumont, começam um intenso lóbing para que o seu país e os Estados Unidos se apoiem nos Irmãos Muçulmanos não apenas no Egipto, mas em todo o mundo muçulmano contra os Marxistas e os Nacionalistas. Sir Craig será em breve nomeado embaixador de sua Majestade na Síria, depois na Arábia, e terá ouvidos atentos na CIA. Muito mais tarde, ele será o ideólogo das «Primaveras Árabes».

Em 1977, nos Estados Unidos, Jimmy Carter é eleito Presidente. Ele designa Zbigniew Brzeziński como Conselheiro de Segurança Nacional. Este último decide utilizar o islamismo contra os Soviéticos. Dá luz verde aos Sauditas para aumentar os seus financiamentos à Liga Islâmica Mundial, organiza mudanças de regime no Paquistão, no Irão e na Síria, desestabiliza o Afeganistão e faz do acesso norte-americano ao petróleo do Médio Oriente um objectivo de segurança nacional. Finalmente, ele confia meios militares à Irmandade.

Esta estratégia é claramente explicada por Bernard Lewis aquando da reunião do Grupo de Bilderberg [1] que a OTAN organiza em Abril de 1979 na Áustria. O islamólogo anglo-israelo-americano assegura aí que os Irmãos Muçulmanos podem não só jogar um grande papel face aos Soviéticos, e provocar distúrbios internos na Ásia Central, mas, também balcanizar o Próximo-Oriente no interesse de Israel.

Contrariamente a uma ideia feita, os Irmãos não se limitaram apenas a seguir o plano Brzeziński, eles visaram mais longe e obtiveram a assistência de Riade e de Washington para formar outros ramos da Irmandade noutros países; ramos que irão dinamizar mais tarde o seu projecto. O rei da Arábia concede uma média de 5 mil milhões de dólares anuais à Liga Islâmica Mundial que estende as suas actividades a 120 países e financia guerras. A título indicativo, US $ 5 mil milhões de dólares era o equivalente ao orçamento militar da Coreia do Norte. A Liga obtém o Estatuto consultivo junto do Conselho Económico e Social da ONU e um estatuto de Observador junto da Unicef.

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O General Muhammad Zia-ul-Haq, primeiro Chefe de Estado membro dos Irmãos Muçulmanos fora do Egipto, permite aos combatentes da Irmandade dispor de uma base de retaguarda contra os comunistas afegãos.

No Paquistão, o General Muhammad Zia-ul-Haq, Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, formado em Forte Bragg nos Estados Unidos, derruba o Presidente Zulfikar Alî Bhutto e fá-lo enforcar. Membro da Jamaat-e-Islami, quer dizer da versão local da Irmandade Muçulmana, ele islamiza a sociedade. A Charia é progressivamente estabelecida –-incluindo a pena de morte por blasfémia--- e uma vasta rede de escolas islâmicas é instalada. É a primeira vez que a Irmandade está no Poder fora do Egipto.

No Irão, Brzeziński convence o Xá a sair e organiza o retorno do Imã Rouhollah Khomeini, o qual se define como um «islamista xiita». Na sua juventude, Khomeini tinha-se encontrado com Hasan el-Banna, no Cairo, em 1945, para o convencer a não alimentar o conflito sunitas/xiitas. Em seguida, ele traduziu dois livros de Sayyid Qutb. Os Irmãos e o Revolucionário iraniano concordam quanto a assuntos de sociedade, mas nada sobre as questões políticas. Brzeziński percebe o seu erro de cálculo no próprio dia da chegada do Aiatola a Teerão, porque este vai orar aos túmulos dos mártires do regime do Xá e apela ao exército para se revoltar contra o imperialismo. Brzeziński comete um segundo erro ao enviar a Força Delta socorrer os espiões norte-americanos que são feitos reféns na sua Embaixada em Teerão. Apesar de ter conseguido esconder aos olhos dos Ocidentais que os seus diplomatas eram falsos, ele mete os seus militares a ridículo com a falhada operação «Garra de Águia», e instala no Pentágono a ideia segundo a qual será preciso melhorar os meios para vencer os muçulmanos.

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O bilionário saudita Oussama Ben Laden, herói do Ocidente contra os Soviéticos.

No Afeganistão, Brzeziński põe de pé a «Operação Ciclone». Entre 17 a 35.000 Irmãos Muçulmanos, vindos de 40 países, irão bater-se contra a URSS que tinha vindo defender, a seu pedido, a República Democrática do Afeganistão do terrorismo dos Irmãos [2] –-jamais houve qualquer «invasão soviética» como alega a propaganda dos EUA---. Eles nunca ultrapassarão os 15. 000 à vez. Estes homens veem em reforço de uma Coligação de combatentes conservadores e de Irmãos Muçulmanos locais, entre os quais o pashtun Gulbuddin Hekmatyar e o tajique Ahmed Shah Massoud. Recebem o seu armamento essencialmente de Israel [3] –-oficialmente seu inimigo jurado, mas agora seu parceiro---. O conjunto destas forças é comandado a partir do Paquistão pelo General Muhammad Zia-ul-Haq, e financiado pelos Estados Unidos e Arábia Saudita. É a primeira vez que a Irmandade é usada pelos Anglo-Saxões para travar uma guerra.

Entre os combatentes presentes encontram-se os futuros responsáveis das guerras no Cáucaso, da Jamiat Islamyiah Indonésia, do grupo Abbou Sayaf nas Filipinas e, é claro, da Alcaida e do Daesh (EI). Nos Estados Unidos a operação anti-soviética é apoiada pelos Republicanos e um pequeno grupo de extrema-esquerda, os trotskistas do Social Democrats USA.

A estratégia Carter-Brzeziński representa uma mudança de escala [4]. A Arábia Saudita, que até aqui fora a financiadora dos grupos islamistas, vê-se encarregada de gerir os fundos da guerra contra os Soviéticos. O Director-geral da Inteligência saudita, o Príncipe Turki (filho do rei à época, Faisal), torna-se uma personalidade incontornável de todas as cimeiras ocidentais de Inteligência.

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O Palestino Abdallah Azzam e o Saudita Oussama Ben Laden foram treinados em Riade por Mohammad Qutb, o irmão de Sayyid Qutb. Eles dirigiram sucessivamente os combatentes dos Irmãos Muçulmanos no Afeganistão.

Sendo os problemas entre Árabes e Afegãos recorrentes, o Príncipe Turki envia primeiro o Palestino Abdullah Azzam, o «imã da Jiade», restaurar a ordem entre os Irmãos e administrar o escritório local da Liga Islâmica Mundial, depois o bilionário Ossama Bin Laden. Azzam e Bin Laden foram formados na Arábia Saudita pelo irmão de Sayyid Qutb.

Ainda durante o mandato de Carter, os Irmãos Muçulmanos empreendem uma longa campanha de terror na Síria, incluindo o assassínio de cadetes não-sunitas na Academia Militar de Alepo pela «Vanguarda Combatente». Dispõem de campos de treino na Jordânia, onde os Britânicos lhes dispensam uma formação militar. Durante estes anos de chumbo, a CIA consegue selar uma aliança entre os Irmãos Muçulmanos e o grupúsculo de ex-Comunistas de Ryad al-Turk. Este e os seus amigos, Georges Sabra e Michel Kilo, tinham rompido com Moscovo durante a guerra civil libanesa para apoiar o campo ocidental. Filiam-se no grupo trotskista norte-americano, Social Democrats USA. Os três homens redigem um manifesto no qual afirmam que os Irmãos Muçulmanos formam o novo proletariado, e que a Síria só poderá ser salva por uma intervenção militar norte-americana. Por fim, os Irmãos tentam um golpe de Estado em 1982, com o apoio do Baath iraquiano (o qual colaborava então com Washington contra o Irão) e da Arábia Saudita. Os combates que se seguiram em Hama fazem 2.000 mortos segundo o Pentágono, cerca de 40.000 segundo a Irmandade e a CIA. Posteriormente, centenas de prisioneiros são assassinados em Palmira pelo irmão do Presidente Hafez Al-Assad, Rifaat, que será demitido e forçado ao exílio em Paris quando ele tenta, por sua vez, um golpe de Estado contra o seu próprio irmão. Os trotskistas são presos, e a maioria dos Irmãos foge, quer para a Alemanha (onde reside já o antigo Guia sírio Issam al-Attar), quer para França (como Abu Mussab, o Sírio), onde o Chanceler Helmut Kohl e o Presidente François Mitterrand lhes dão asilo. Dois anos mais tarde, um escândalo rebenta no seio da Oposição, agora no exílio, no momento da partilha: 3 milhões de dólares desapareceram de um total de $ 10 milhões dados pela Liga Islâmica Mundial.

4— Para a constituição de uma Internacional da Jiade

Durante os anos 80, a Liga Islâmica Mundial recebe instruções de Washington para transformar a sociedade argelina. Durante um decénio, Riade oferece a construção de mesquitas nas aldeias. São-lhe acrescentadas sempre uma escola e um dispensário. As autoridades argelinas regozijam-se tanto mais com esta ajuda quanto elas já não conseguem garantir o acesso de todos à Saúde e à Educação. Progressivamente, as classes trabalhadoras argelinas distanciam-se de um Estado que não lhes vale de grande coisa e aproximam-se de tão generosas mesquitas.

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O Preidente Bush Sr, antigo director da CIA, toma-se de amizades pelo Embaixador saudita, o Príncipe Bandar ben Sultan ben Abdelaziz Al Saoud, que se tornará mais tarde seu homólogo, enquanto chefe dos Serviços de Inteligência do seu país. Ele considera-o como seu filho adoptivo, de onde lhe surge a alcunha de Bandar Bush.

Quando o Príncipe Fahd se torna rei da Arábia Saudita, em 1982, coloca o Príncipe Bandar (filho do Ministro da Defesa) como embaixador em Washington, cargo que ocupará durante todo o seu reinado. A sua função é dupla: por um lado, ele gere as relações saudo-americanas, por outro serve como uma interface entre o Director da Inteligência Turki e a CIA. Torna-se amigo do Vice-presidente e antigo chefe da CIA, George H. W. Bush, que o considera como seu «filho adoptivo»; depois com o Secretário da Defesa, Dick Cheney, e o futuro director da CIA, George Tenet. Ele insere-se na vida social das elites e integra tanto a seita cristã dos chefes de Estado-Maior do Pentágono, The Family, como o ultra-conservador Bohemian Club de San Francisco.

Bandar comanda os jiadistas a partir da Liga Islâmica Mundial. Ele negoceia com Londres, junto da British Aerospace, a compra de armamento para o seu Reino em troca de petróleo. Os contratos de «pato», (em árabe Al Yamamah), custarão entre 40 e 83 mil milhões de libras esterlinas a Riade, dos quais uma parte significativa será devolvida pelos Britânicos ao Príncipe.

Em 1983, o Presidente Ronald Reagan confia a Carl Gershman, o antigo líder dos Social Democrats USA, a direção da nova National Endowment for Democracy (NED) [5]. É uma agência dependente do acordo da «Cinco Olhos», camuflada em ONG. Ela é a fachada legal dos Serviços secretos australianos, britânicos, canadianos, norte-americanos e neo-zelandeses. Gershman já trabalhara com os seus camaradas trotskistas e os seus amigos dos Irmãos Muçulmanos no Líbano, na Síria e no Afeganistão. Ele põe a funcionar uma vasta rede de associações e de fundações que a CIA e o MI6 usam para apoiar a Irmandade, onde quer que seja possível. Ele reclama-se da «doutrina Kirkpatrick» : todas as alianças são correctas desde que sirvam o interesse dos Estados Unidos.

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Neste contexto, a CIA e o MI6 que haviam criado no mais aceso da Guerra Fria a Liga anti-comunista mundial (WACL), vão utilizá-la para encaminhar para o Afeganistão os fundos necessários à Jiade. Osama Bin Laden adere a esta organização que conta com vários chefes de Estado [6].

Em 1985, o Reino Unido, fiel à sua tradição de qualidade académica, dota-se de um Instituto encarregue de estudar as sociedades muçulmanas e a maneira pela qual os Irmãos as podem influenciar, o Oxford Center for Islamic Studies.

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Hassan al-Turabi e Omar al-Bashir impõem os Irmãos Muçulmanos no Sudão. No contexto particularmente sectário a atrasado do seu país, eles vão entrar em choque com a Irmandade antes de se destruírem mutuamente.

Em 1989, os Irmãos têm êxito num segundo Golpe de Estado, desta vez no Sudão em benefício do Coronel Omar al-Bashir. Ele não perde tempo a colocar o Guia local, Hassan al-Turabi, na presidência da Assembleia Nacional. Este último, numa conferência dada em Londres, anuncia que o seu país se vai tornar na base de retaguarda dos grupos islamistas do mundo inteiro.

Ainda em 1989, a Frente Islâmica da Salvação (FIS) surge na Argélia, em torno de Abassi Madani, enquanto o partido no Poder se afunda em diversos escândalos. A FIS é apoiada nas mesquitas «oferecidas» pelos Sauditas, e por conseguinte pelos Argelinos que as frequentam desde há uma década. Devido à rejeição aos dirigentes no Poder, e não por adesão à sua ideologia, ela ganha as eleições locais. Verificando o falhanço dos políticos e a impossibilidade ontológica de negociar com os islamistas, o exército dá um Golpe de Estado e anula as eleições. O país afunda-se numa longa e mortífera guerra civil da qual pouco se virá a saber. A guerrilha islamita fará mais de 150.000 vítimas. Os islamitas não hesitam em aplicar, ao mesmo tempo, punições a nível individual e colectivo, por exemplo, como quando massacram os habitantes de Ben Talha –-culpados de ter votado apesar da fátua a proibir--- e arrasam a aldeia. Como é evidente, a Argélia serve como laboratório para novas operações. Espalha-se o boato que é o exército e não os islamistas quem massacra os aldeões. Na realidade, vários altos responsáveis dos Serviços Secretos, que foram treinados nos Estados Unidos, juntam-se aos islamistas e semeiam a confusão.

Em 1991, Osama bin Laden, que voltou à Arábia Saudita como um herói da luta anti-comunista no fim da guerra do Afeganistão, oficialmente desentende-se com o Rei quando os «sururistas» se rebelam contra a monarquia. Esta insurreição, o «Despertar Islâmico», dura quatro anos e termina com a prisão dos principais líderes. Ela mostra à monarquia –-que supunha ter uma autoridade inquestionável--- que ao misturar religião e política, os Irmãos tinham criado as condições para uma revolta através das mesquitas.

É neste contexto que Osama bin Laden afirma ter proposto a ajuda de alguns milhares de veteranos combatentes do Afeganistão contra o Iraque de Saddam Husseini, mas, ó escândalo, o Rei preferira o milhão de soldados dos Estados Unidos e seus aliados. Ele parte «portanto» para o exílio, no Sudão, na realidade com a missão de retomar o controlo dos islamistas que escaparam à autoridade dos Irmãos e se tinham levantado contra a monarquia. Junto com Hassan al-Turabi, ele profere palestras populares pan-árabes e pan-islâmicas onde alicia os representantes dos movimentos islamistas e nacionalistas de cinquenta países. Trata-se de criar, ao nível dos partidos, o equivalente ao que a Arábia Saudita tinha feito com a Organização da Conferência Islâmica que reúne, essa, Estados. Os participantes ignoram que as reuniões são pagas pelos Sauditas e que os hotéis onde se realizam são monitorizados pela CIA. De Yasser Arafat ao Hezbolla libanês, todos participam nelas.

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O FBI consegue levar à condenação do BCCI, um gigantesco banco muçulmano que se tornara, com o decorrer do tempo, o banco utilizado pela CIA para as suas operações secretas, nomeadamente o financiamento da guerra no Afeganistão –-mas, também, o narcotráfico na América Latina [7]---. Quando a falência do banco é declarada, os seus pequenos clientes não são reembolsados, mas Osama bin Laden consegue recuperar $ 1,4 mil milhões de dólares para prosseguir o envolvimento dos Irmãos Muçulmanos ao serviço de Washington. A CIA movimenta então as suas actividades através do Faysal Islamic Bank e da sua filial Al-Baraka.

(Continua…)

 

[1] “O que Você ignora sobre o Grupo de Bilderberg”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Komsomolskaïa Pravda (Rússia) , Rede Voltaire, 23 de Setembro de 2012.

[2] « Brzezinski : "Oui, la CIA est entrée en Afghanistan avant les Russes …" », par Zbigniew Brzeziński, Nouvel Observateur (France) , Réseau Voltaire, 15 janvier 1998.

[3] Charlie Wilson’s War: The Extraordinary Story of How the Wildest Man in Congress and a Rogue CIA Agent Changed the History of Our Times, George Crile, Grove Press (2003).

[4] Les dollars de la terreur, Les États-Unis et les islamistes, Richard Labévière, Éditions Bernard Grasset (1999). English version: Dollars for Terror: The United States and Islam, Algora (2000).

[5] “A NED, vitrina legal da CIA”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Odnako (Rússia) , Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2016.

[6] Inside the League: The Shocking Expose of How Terrorists, Nazis, and Latin American Death Squads Have Infiltrated the World Anti-Communist League, Scott & Jon Lee Anderson, Dodd Mead & Company éd. (1986). « La Ligue anti-communiste mondiale, une internationale du crime », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 12 mai 2004.

[7] The BCCI Affair, John Kerry & Hank Brown, US Senate (1992); Crimes of a President: New Revelations on the Conspiracy and Cover Up in the Bush and Reagan Administration, Joel Bainerman, SP Books (1992); From BCCI to ISI: The Saga of Entrapment Continues, Abid Ullah Jan, Pragmatic Publishing (2006).



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“Sob os nossos olhos” (1/25)De 11-de-Setembro a Donald Trump

Iniciamos a publicação por episódios do livro de Thierry Meyssan, «Sob os nossos Olhos». Trata-se de contar por escrito de forma ambiciosa a História dos dezoito últimos anos a partir da experiência do autor ao serviço de vários povos. Este livro não tem equivalente, e não pode ter, na medida em que nenhum outro homem participou nestes acontecimentos sucessivos na América Latina, em África e no Médio-Oriente ao lado dos governos postos em causa pelos Ocidentais.

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«Todos os Estados se devem abster de organizar, de ajudar, de fomentar, de financiar, de encorajar ou de tolerar actividades armadas subversivas ou terroristas destinadas a mudar pela violência o regime de um outro Estado, assim como de intervir nas lutas intestinas de um outro Estado» _ Resolução 2625, adoptada a 24 de Outubro de 1970 pela Assembleia Geral das Nações Unidas

Preâmbulo

Nenhum conhecimento é definitivo. A História, como qualquer outra ciência, é uma constante interrogação sobre o que se acreditava ser certo e o que, considerando novos elementos, se modifica, ou seja, é até mesmo desmentido.

Eu rejeito a escolha que nos é proposta entre o «limite da razão» e o «pensamento único» por um lado, e as emoções e a «post-verdade» por outro. Situo-me num outro plano : eu busco distinguir os factos das aparências, a verdade da propaganda. Acima de tudo, enquanto alguns homens tentarem explorar outros não creio que as relações internacionais possam ser totalmente democráticas e portanto transparentes. Por conseguinte, para lá da astúcia, por natureza é impossível interpretar com certeza os acontecimentos internacionais quando eles se dão. A verdade apenas pode vir à luz do dia com o tempo. Eu aceito a ideia de me poder enganar no imediato, mas jamais renuncio a questionar as minhas impressões e a refazê-las. Este exercício é tanto mais difícil quando o mundo experimenta guerras que nos obrigam a tomar posição sem demoras.

Pela minha parte, eu alinho no partido dos inocentes, os quais veem desconhecidos penetrar nas suas cidades e aí impor a sua lei, inocentes que ouvem as televisões internacionais repetir o mantra segundo o qual os seus dirigentes são tiranos e que devem ceder a posição aos Ocidentais, inocentes que se revoltam e são então esmagados pelas bombas da OTAN. Eu reivindico ser, ao mesmo tempo, um analista tentando analisar com objectividade e um homem que trás socorro, dentro dos seus meios, àqueles que sofrem.

Ao escrever este livro, pretendo ir ao fundo da documentação e dos testemunhos directos actuais. No entanto, ao contrário dos autores que me precederam, eu não procuro demonstrar a boa fé da política do meu país, mas antes compreender o encadear dos acontecimentos, a propósito dos quais acontece ter eu sido tanto um espectador como um interventor.

Alguns objectarão que, contrariamente a minha profissão de fé, eu busco, na realidade, justificar a minha acção e que, consciente ou inconscientemente, dou mostras de parcialidade. Espero que eles venham a participar no estabelecimento da verdade e me indiquem ou publiquem os documentos que eu ignoro.

Acontece, de facto, que o meu papel nestes acontecimentos me permitiu apreender, e verificar, numerosíssimos elementos desconhecidos do grande público, e bastantes vezes de muitos outros actores. Adquiri este conhecimento de maneira empírica. Só progressivamente é que eu compreendi a lógica dos acontecimentos.

Para permitir ao leitor seguir o meu percurso intelectual, eu não escrevi uma História Geral da Primavera Árabe, mas, sim três histórias parciais dos últimos dezoito anos, a partir de três pontos de vista diferentes : o dos Irmãos Muçulmanos, o dos sucessivos governos Franceses, e o das autoridades Norte-americanas. Para esta edição, inverti a ordem destas partes em relação às edições precedentes onde havia colocado a acção da França em primeiro lugar. Com efeito, trata-se aqui de abranger um público internacional.

Em busca do Poder, os Irmãos Muçulmanos colocaram-se ao serviço do Reino Unido e dos Estados Unidos, enquanto ponderavam sobre como atrair a França para a sua luta de domínio sobre os Povos. Perseguindo os seus próprios objectivos, os dirigentes franceses não procuraram compreender a lógica dos Irmãos Muçulmanos, nem a do seu suserano norte-americano, mas unicamente acertar nas vantagens da colonização e encher os bolsos. Apenas Washington e Londres tinham toda a informação sobre o que se passava e aquilo que preparavam.

O resultado assemelha-se pois ao das matrioskas russas: só com o desenrolar do tempo se percebe a organização dos acontecimentos que pareciam, à primeira vista, espontâneos, tais como as premissas e as conclusões de determinadas decisões.

O meu testemunho é de tal modo diferente do que os leitores terão lido ou ouvido sobre o mesmo assunto que alguns ficarão assustados com o que escrevo. Outros, pelo contrário, irão interrogar-se sobre esta gigantesca manipulação e do modo como lhe pôr um fim.

É provável que este livro, que expõe centenas de factos, inclua alguns erros que eu irei corrigindo no futuro. É possível que uma ou outra das correlações que eu saliento sejam apenas fruto do acaso, mas, seguramente, não a sua totalidade.

Inúmeras pequenas rectificações foram sendo incluídas em função de sucessivas revelações ulteriores sobre este período.

Que não restem dúvidas, os partidários do imperialismo não deixarão de me acusar de «conspiracionismo», de acordo com a sua expressão fetiche. É uma acusação gratuita que usam desde há 15 anos. Têm abusado dela desde que eu comecei a contestar a versão oficial dos atentados do 11-de-Setembro de 2001. Eles persistem na sua negação (ou mentira ?) e, claro, desmascaram-se quando apoiam publicamente a Alcaida na Líbia e na Síria ao mesmo tempo que a acusam de massacre nos Estados Unidos, na França, na Bélgica, etc.

O consenso de jornalistas e de políticos não tem mais valor do que o dos teólogos e dos astrónomos face às descobertas de Galileu. Jamais qualquer consenso permitiu estabelecer a verdade. Apenas a Razão aplicada às provas nos permite a sua aproximação.

Em última análise, uma vez os erros menores corrigidos, é a este somatório de factos que cada qual, sendo honesto, deverá responder propondo para tal uma explicação lógica e coerente.

(a continuar …)





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“Sob os nossos olhos” (2/25) - Os Irmãos Muçulmanos como assassinos

Prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sob os nossos olhos». Neste episódio, ele descreve a criação de uma sociedade secreta egípcia, os Irmãos Muçulmanos, depois a sua recriação após a Segunda Guerra Mundial pelos Serviços Secretos britânicos. Finalmente, a utilização deste grupo pelo MI6 para proceder a assassinatos políticos nesta antiga colónia da Coroa.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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Hassan el-Banna, fundador da sociedade secreta dos Irmãos Muçulmanos. Sabe-se pouco sobre a sua história familiar, apenas que eram relojoeiros; um ofício reservado à comunidade judaica no Egipto.

As «Primaveras Árabes»,
vividas pelos Irmãos Muçulmanos

Em 1951, os Serviços Secretos anglo-saxónicos constituíram, a partir da antiga organização homónima, uma sociedade secreta política : os Irmãos Muçulmanos.
Utilizaram-nos, sucessivamente, para assassinar personalidades que lhes opunham resistência, depois, a partir de 1979, como mercenários contra os Soviéticos. No início dos anos 90, incorporaram-nos na OTAN e nos anos 2010 tentaram levá-los ao Poder nos países árabes. Os Irmãos Muçulmanos e a Ordem sufi dos Naqchbandis são financiados, à escala de 80 mil milhões de dólares anuais, pela família reinante saudita, o que os transforma num dos mais importantes exércitos do mundo. Todos os líderes jiadistas, aqui incluídos os do Daesh (E.I.), pertencem a este dispositivo militar.

1— Os Irmãos Muçulmanos Egípcios

Quatro impérios desaparecem durante a Primeira guerra mundial, o Reich alemão, o Império austro-húngaro, a Santa Rússia czarista e a Sublime Porta otomana. Os vencedores não têm o menor bom senso ao impor as suas condições aos vencidos. Assim, na Europa, o Tratado de Versalhes aplica condições terríveis à Alemanha, que torna como única responsável do conflito. No Oriente, o retalhar do Império Otomano dá para o torto : na Conferência de San Remo (1920), em conformidade com os acordos secretos de Sykes-Picot-Sazonov (1916), o Reino Unido é autorizado a estabelecer o lar judeu da Palestina, enquanto a França pode colonizar a Síria (incluindo à época o actual Líbano). No entanto, no que resta do Império Otomano, Mustafá Kemal revolta-se tanto contra o Sultão, que perdeu a guerra, como contra os Ocidentais que se apoderam do seu país. Na Conferência de Sèvres (1920), cortam o Império em pequenos pedaços para criar toda a espécie de novos Estados, entre os quais um Curdistão. A população turco-mongol da Trácia e da Anatólia revolta-se e leva Kemal ao Poder. No fim, a Conferência de Lausana (1923) traça as fronteiras actuais, renuncia a um Curdistão e organiza gigantescas transferências de população que provocam mais de meio milhão de mortos.

Mas, tal como na Alemanha onde Adolf Hitler irá contestar a sorte do seu país, do mesmo modo no Próximo-Oriente, um homem se levanta contra a nova divisão da região. Um professor egípcio funda um movimento para restaurar o Califado que os Ocidentais venceram. Este homem é Hassan el-Banna, e esta organização é a Irmandade Muçulmana (1928).

O Califa é, em princípio, o sucessor do Profeta, ao qual todos devem obediência; um título de facto muito cobiçado. Sucessivas grandes linhagens de Califas se sucederam, os Omíadas, os Abássidas, os Fatímidas e os Otomanos. O próximo Califa deveria ser aquele que se apoderasse do título, neste caso o «Guia Chefe» da Irmandade, que se veria seguramente como senhor do mundo muçulmano.

A sociedade secreta espalha-se muito rapidamente. Ela entende operar no interior do sistema para restaurar as instituições islâmicas. Os candidatos devem jurar fidelidade ao fundador sobre o Alcorão e sobre um sabre, ou sobre um revólver. O objectivo da Irmandade é exclusivamente político, mesmo se ela o expressa em termos religiosos. Jamais, Hassan el-Banna ou os seus sucessores falarão de Islão como de uma religião, ou evocarão uma espiritualidade muçulmana. Para eles, o Islão é unicamente um dogma, uma submissão a Deus, e um meio de exercício do Poder. É claro, os Egípcios que apoiam a Irmandade não o percebem assim. Eles seguem-na porque ela alega seguir a Deus.

Para Hassan el-Banna, a legitimidade de um governo não se mede pela sua representatividade tal como se estima a dos governos ocidentais, mas, antes pela sua capacidade de defender o «modo de vida islâmico», ou seja, o do Egipto otomano do século XIX. Os Irmãos jamais considerarão que o Islão tenha uma História, e que os modos de vida muçulmanos variem consideravelmente segundo as regiões e as épocas. Jamais considerarão, sequer, que o Profeta tenha revolucionado a sociedade beduína na qual vivia, e que o modo de vida descrito no Alcorão fosse apenas uma etapa fixada para estes homens. Para eles, as regras penais do Alcorão –—a Charia--- não correspondem, portanto, a uma dada situação, fixam, isso sim, leis imutáveis nas quais o Poder se pode apoiar.

O facto de a religião muçulmana ter sido muitas vezes difundida pela espada justifica para a Irmandade o uso da força. Jamais os Irmãos reconhecerão que o Islão tenha podido propagar-se também pelo exemplo. Isso não impede al-Banna e os seus Irmãos de se apresentarem a eleições –-e de perder---. Se eles condenam os partidos políticos, não é por oposição ao multipartidarismo, mas, antes porque separando a religião da política cairiam na corrupção.

A doutrina dos Irmãos Muçulmanos, é a ideologia do «islão político», em francês diz-se do «islamismo» ; uma palavra que vai levantar celeuma.

Em 1936, Hassan el-Banna, escreve ao Primeiro-ministro Mustafá el-Nahhass Pacha. Exige-lhe: - «uma reforma da legislação e a colocação de todos os tribunais sob a Charia;
- o recrutamento no seio do exército instituindo para tal um voluntariado sob a bandeira da jiade;
- a conexão dos países muçulmanos e a preparação da restauração do Califado, em aplicação da unidade exigida pelo Islão».

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Irmandade declara-se neutral. Na realidade, ela transforma-se num serviço de Inteligência do Reich. Mas a partir da entrada na guerra dos Estados Unidos, assim que a sorte das armas parece inverter-se, ela faz um jogo duplo e faz-se financiar pelos Britânicos para lhes fornecer informações sobre o seu primeiro empregador. Ao fazer isto, a Irmandade mostra a sua total ausência de princípios e o seu puro oportunismo político.

A 24 de Fevereiro de 1945, os Irmãos tentam a sua sorte e assassinam, em plena sessão parlamentar, o Primeiro-ministro egípcio. Segue-se uma escalada de violência: uma repressão contra eles e uma série de assassinatos políticos, indo até à do novo Primeiro-ministro, a 28 de Dezembro de 1948, e em retaliação a do próprio Hassan al-Banna, a 12 de Fevereiro de 1949. Pouco tempo depois, um tribunal estabelecido pela lei marcial condena a maior parte dos Irmãos a uma pena de detenção e dissolve a sua associação.

Esta organização secreta não era mais, no fundo, que um bando de assassinos que ambicionava apoderar-se do Poder, mascarando a sua cobiça atrás do Alcorão. A sua história deveria ter terminado por ali. Mas, não foi nada disso que aconteceu.

2— A Confraria reformada pelos Anglo-Saxões e a paz separada com Israel

A capacidade da Confraria em mobilizar as pessoas e em as transformar em assassinos não deixa de intrigar as Grandes Potências.

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Contrariamente aos seus desmentidos, Sayyid Qutb era franco-mação. Ele publicou um artigo intitulado «Porque me tornei franco-mação», aparecido na revista al-Taj al-Masri (a «Coroa do Egipto»), em 23 de Abril de 1943.

Dois anos e meio após a sua dissolução, uma nova organização é formada pelos Anglo-Saxões reutilizando, para isso, o nome dos «Irmãos Muçulmanos». Aproveitando-se da prisão dos dirigentes históricos, o antigo juiz Hassan al-Hodeibi é eleito Guia-chefe. Contrariamente a uma ideia muitas vezes aceite, não há nenhuma continuidade histórica entre a antiga e a nova Irmandade. Verifica-se que uma unidade da antiga sociedade secreta, o «Aparelho Secreto», tinha sido encarregado por Hassan el-Banna de perpetrar os atentados dos quais ele negava a paternidade. Esta organização dentro da organização era tão secreta que ela não foi tocada pela dissolução da Irmandade e coloca-se agora à disposição do seu sucessor. O Guia decide repudiá-la e declara querer atingir os seus objectivos apenas de forma pacífica. É difícil estabelecer o que se passou exactamente naquele momento preciso entre os Anglo-Saxões, que queriam recriar a antiga sociedade secreta, e o Guia, o qual apenas queria recuperar sua audiência junto das massas. Em qualquer caso, o Aparelho Secreto perdurou e a autoridade do Guia apagou-se em proveito da de outros responsáveis da Irmandade, abrindo uma verdadeira guerra interna. A CIA colocou na sua direcção o franço-mação Sayyid Qtub [1], o teórico da Jiade, que o guia condenou antes de concluir um acordo com o MI6.

É impossível especificar as relações de subordinação interna entre uns e outros, por um lado porque cada ramo estrangeiro tem a sua própria autonomia e, por outro lado, porque as unidades secretas no seio da organização não dependem mais, absolutamente, nem do Guia-chefe, nem do Guia local, mas, por vezes, directamente da CIA e do MI6.

Durante o período seguinte à Segunda Guerra mundial, os Britânicos tentam organizar o mundo de maneira a mantê-lo fora do alcance dos Soviéticos. Em Setembro de 1946, em Zurique, Winston Churchill lançou a ideia dos Estados Unidos da Europa. Dentro do mesmo princípio, ele lança a Liga Árabe. Em ambos os casos, trata-se de conseguir a unidade de uma região sem a Rússia. Desde o início da Guerra Fria, os Estados Unidos da América, por seu lado, criam associações encarregadas de acompanhar este movimento em proveito próprio, o American Committee on United Europe e os American Friends of the Middle East [2]. No mundo árabe, a CIA organiza dois golpes de Estado, primeiro em favor do General Hosni Zaim em Damasco (Março de 1949), depois com os Oficiais Livres no Cairo (Julho de 1952). Trata-se de apoiar os nacionalistas que se supõe serem hostis aos comunistas. É com este estado de espírito que Washington traz ao Egipto o General SS Otto Skorzeny e ao Irão o General nazi Fazlollah Zahédi, acompanhados de centenas de antigos responsáveis da Gestapo para dirigir a luta anti-comunista. Skorzeny infelizmente modelou a polícia egípcia numa tradição de violência. Em 1963, ele escolherá a CIA e a Mossad contra Nasser. Zahédi, quanto a ele, criará a SAVAK, a mais cruel polícia política da época.

Se Hassan el-Banna tinha fixado o objectivo —tomar o Poder manipulando a religião—, Qutb definiu o meio : a jiade. Uma vez tendo os adeptos admitido a superioridade do Alcorão, podemos apoiar-nos nele para os organizar em exército e enviá-los para o combate. Qutb desenvolve uma teoria maniqueísta diferenciando o que é islamista e o que é «tenebroso». Para a CIA e o MI6, esta lavagem cerebral permite utilizar os fiéis para controlar os governos nacionalistas árabes, depois para desestabilizar as regiões muçulmanas da União Soviética. A Irmandade torna-se um inesgotável reservatório de terroristas sob o slogan : «Alá é o nosso fim. O Profeta é o nosso chefe. O Alcorão é a nossa lei. A jiade é a nossa via. O martírio, o nosso voto».

O pensamento de Qutb é racional, mas não razoável. Desenvolve uma retórica invariável Alá/Profeta/Corão/Jiade/Martírio que não permite nunca qualquer possibilidade de debate. Ele coloca a superioridade da sua lógica acima da razão humana.

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Recepção de uma delegação da sociedade secreta pelo Presidente Eisenhower na Casa Branca (23 de Setembro de 1953).

A CIA organiza um colóquio na Universidade de Princeton sobre «A situação dos muçulmanos na União Soviética». É a ocasião de receber nos Estados Unidos uma delegação dos Irmãos Muçulmanos conduzida por um dos chefes do seu ramo armado, Saïd Ramadan. No seu relatório, o oficial da CIA encarregue do acompanhamento nota que Ramadan não é um extremista religioso, antes se parece mais com um fascista ; uma maneira de sublinhar o carácter exclusivamente político dos Irmãos Muçulmanos. O colóquio concluiu com uma recepção na Casa Branca pelo Presidente Eisenhower, a 23 de Setembro de 1953. A aliança entre Washington e o jiadismo está firmada.

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(Da esquerda para a direita) Hassan el-Banna casou a sua filha com Saïd Ramadan, fazendo dele o seu sucessor. O casal dará origem a Hani (director do Centro Islâmico de Genebra) e Tariq Ramadan (que será professor titular da cadeira de estudos islâmicos contemporâneos na universidade de Oxford).

A CIA, que tinha recriado a Irmandade contra os comunistas, primeiro utilizou-a para ajudar os nacionalistas. Nesta época a Agência era representada no Médio-Oriente por anti-sionistas, saídos da classe média. Rapidamente, eles foram afastados em proveito de altos-funcionários de origem anglo-saxónica e puritana, saídos das grandes universidades e favoráveis a Israel. Washington entrou em conflito com os nacionalistas e a CIA voltou a Irmandade contra eles.

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Said Ramadan e Abdul Ala Mawdudi animaram uma emissão semanal na Rádio Paquistão, uma estação criada pelo MI6 britânico.

Said Ramadan tinha comandado alguns combatentes da Irmandade durante a breve guerra contra Israel em 1948, depois tinha ajudado Sayyid Abul Ala Maududi a criar no Paquistão a organização para-militar da Jamaat-i-Islami. Tratava-se, então, de fabricar uma identidade islâmica para os Indianos muçulmanos de modo a que eles constituam um novo Estado, o Paquistão. A Jamaat-i-Islami redigirá, aliás, a constituição paquistanesa. Ramadan desposa a filha de Hassan al-Banna e torna-se o chefe do braço armado dos novos «Irmãos Muçulmanos».

Enquanto no Egipto, tendo os Irmãos participado no golpe de Estado dos Oficiais Livres do General Mohammed Naguib –-Sayyid Qutb era o seu agente de ligação--- eles são encarregues de eliminar um dos seus líderes, Gamal Abdel Nasser, o qual entrou em conflito com Naguib. Não apenas falham, a 26 de Outubro de 1954, como Nasser toma o Poder, reprime a Irmandade e coloca Naguib sob prisão domiciliar. Sayyid Qutb será enforcado alguns anos mais tarde.

Interditos no Egipto, os Irmãos recuam para os Estados wahhabitas (Arábia Saudita, Catar e emirado de Sharjah) e para a Europa (Alemanha, França e Reino Unido, mais a neutral Suíça). Em todas as ocasiões, são acolhidos sempre como agentes ocidentais lutando contra a nascente aliança entre os Nacionalistas árabes e a União Soviética. Saïd Ramadan recebe um passaporte diplomático jordano e instala-se em Genebra, em 1958, de onde ele dirige a desestabilização do Cáucaso e da Ásia Central (ou seja o Afeganistão-Paquistão e o vale soviético de Ferghana). Ele assume o controle da Comissão para a construção de uma mesquita em Munique, o que lhe permite supervisionar quase todos os muçulmanos da Europa Ocidental. Com a ajuda do American Committe for Liberation of the Peoples of Russia (AmComLib), quer dizer da CIA, ele dispõe da Radio Liberty/Radio Free Europe, uma estação directamente financiada pelo Congresso norte-americano para difundir a ideologia da Irmandade [3].

Após a crise do Canal de Suez e a espectacular reviravolta de Nasser para o lado soviético, Washington decide apoiar sem limites os Irmãos Muçulmanos contra os Nacionalistas árabes. Um alto quadro da CIA, Miles Copeland, é encarregado –-em vão--- de selecionar na Irmandade uma personalidade que possa desempenhar no mundo árabe um papel equivalente ao do Pastor Billy Graham nos Estados Unidos. Será preciso esperar pelos anos 80 para encontrar um pregador desta envergadura, o egípcio Youssef al-Qaradawi.

Em 1961, a Irmandade estabelece uma conexão com outra sociedade secreta, a Ordem dos Naqchbandis. Trata-se de uma espécie de franco-maçonaria muçulmana misturando iniciação Sufi e política. Um dos seus teóricos indianos, Abu al-Hasan Ali al-Nadwi, publica um artigo na revista dos Irmãos. A Ordem é antiga e está presente em inúmeros países. No Iraque, o grão-mestre não é outro senão o futuro Vice-presidente Ezzat Ibrahim al-Duri. Ele apoiará a tentativa de golpe de Estado dos Irmãos na Síria, em 1982, depois a «campanha de retorno à Fé» organizada pelo Presidente Saddam Hussein, para reforçar a identidade do seu país, após o estabelecimento da área de exclusão aérea pelos Ocidentais. Na Turquia, a Ordem jogará um papel mais complexo. Ela irá incluir como responsáveis tanto Fethullah Gullen (fundador do Hizmet), como o Presidente Turgut Özal (1989-93) e o Primeiro-ministro Necmettin Erbakan (1996-97), fundador do Partido da Justiça (1961) e da Millî Görüş (1969). No Afeganistão, o antigo presidente Sibghatullah Mujaddidi (1992) foi seu grão-mestre. Na Rússia, com a ajuda do Império Otomano, a Ordem havia revoltado a Crimeia, o Usbequistão, a Tchechénia e o Daguestão, no século XIX, contra o czar. Até à queda da União Soviética, não teremos notícias deste ramo; tal como no Xinjiang chinês. A proximidade entre os Irmãos e os Naqchbandis muito raramente é estudada tendo em conta a oposição de princípios dos Islamistas à mística e às ordens Sufis em geral.

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A sede saudita da Liga Islâmica Mundial. Em 2015, o seu orçamento era superior à do Ministério saudita da Defesa. Primeiro comprador mundial de armas, a Arábia Saudita adquire armas que a Liga distribui às organizações dos Irmãos Muçulmanos e Naqchbandis.

Em 1962, a CIA encoraja a Arábia Saudita a criar a Liga Islâmica Mundial e a financiar, ao mesmo tempo, a Irmandade e a Ordem contra os nacionalistas e os comunistas [4]. Esta organização é, a principio, financiada pela Aramco (Arabian-American Oil Company). Entre a vintena dos seus membros fundadores conta-se três teóricos islamitas de que já falamos : o egípcio Saïd Ramadan, o paquistanês, Sayyid Abul Ala Mawdudi e o indiano Abu al-Hasan Ali al-Nadwi.

De facto a Arábia, que dispõe subitamente de enorme liquidez graças ao comércio do petróleo, torna-se a madrinha dos Irmãos no mundo inteiro. Em casa, a monarquia confia-lhes o sistema de ensino escolar e universitário, num país onde quase ninguém sabe ler e escrever. Os Irmãos têm de se adaptar aos seus anfitriões. Com efeito, a sua vassalagem ao rei impede-os de prestar fidelidade ao Guia-chefe. Seja como for, eles organizam-se em torno de Mohamed Qutb, o irmão de Sayyid, em duas correntes : os Irmãos sauditas de um lado e os «Sururistas», de outro. Estes últimos, que são Sauditas, ensaiam uma síntese entre a ideologia política da Irmandade e a teologia Wahhabista. Esta seita, da qual a família real é parte, defende uma interpretação do Islão extraída do pensamento beduíno, iconoclasta e anti-histórica. Até Riade dispor de petro-dólares, ela lançava anátemas às escolas muçulmanas tradicionais que, por sua vez, a consideravam como herética.

Na realidade, a política dos Irmãos e a religião Wahhabista nada têm em comum, mas são compatíveis. Salvo, que o pacto que liga a família dos Saud aos pregadores wahhabistas não pode subsistir com a Irmandade : a ideia de uma monarquia de direito divino esbarra no apetite dos Irmãos pelo Poder. É pois acordado que os Saud apoiarão os Irmãos por todo o mundo, com a condição de estes se absterem de entrar em política na Arábia.

O apoio dos wahhabitas sauditas aos Irmãos provoca uma rivalidade suplementar entre a Arábia e os dois outros Estados wahhabitas que são o Catar e o Emirado de Sharjah.

De 1962 a 1970, os Irmãos Muçulmanos participam na guerra civil do Iémene do Norte e tentam restabelecer a monarquia, ao lado da Arábia Saudita e do Reino Unido, contra os Nacionalistas árabes, o Egipto e a URSS; um conflito que prefigura o que se vai seguir durante meio século.

Em 1970, Gamal Abdel Nasser consegue estabelecer um acordo entre as facções Palestinas e o rei Hussein da Jordânia que põe um fim ao «Setembro Negro». Na noite da Cimeira da Liga Árabe que ratifica o acordo ele morre, oficialmente de ataque cardíaco, muito mais provavelmente assassinado. Nasser tinha três vice-presidentes, um de esquerda –-extremamente popular---, um centrista –-muito famoso---, e um conservador escolhido a pedido dos Estados Unidos e da Arábia Saudita: Anwar al-Sadate. Sujeito a pressões, o vice-presidente de esquerda diz-se incapaz para o cargo. O vice-presidente centrista prefere abandonar a política. Sadate é designado como candidato dos Nasseristas. Este é o drama de muitos países: o Presidente seleciona um Vice-Presidente entre os seus rivais de maneira a alargar a sua base eleitoral, mas este substitui-o quando ele morre e arrasa o seu legado.

Sadate, que havia servido o Reich durante a Segunda Guerra mundial e professa uma grande admiração pelo Führer, é um militar ultra-conservador que servia de alter-ego a Sayyid Qutb como agente de ligação entre a Irmandade e os Oficiais Livres. Logo após a sua ascensão ao Poder, ele liberta os Irmãos presos por Nasser. O «Presidente crente» é um aliado da Irmandade quanto à islamização da sociedade (a «revolução da rectificação»), mas seu rival quando pretende um proveito político. Esta relação ambígua é ilustrada pela criação de três grupos armados, que não são cisões da Irmandade mas unidades externas que lhe obedecem : o Partido da libertação islâmica, a Jiade Islâmica (do Xeque Omar Abdul Rahman) e a Excomunicação e Imigração (o «Takfir»). Todos declarando aplicar as instruções de Sayyid Qutb. Armada pelos serviços secretos, a Jiade Islâmica lança ataques contra os Cristãos coptas. Longe de acalmar a situação, «o Presidente crente» acusa os coptas de sedição e prende o seu Papa e oito dos seus bispos. Por último, Sadate intervêm na condução da Irmandade e toma posição pela Jiade Islâmica contra o Guia-chefe, que ele manda prender [5].

A instruções do Secretário de Estado, Henry Kissinger, ele convence a Síria a juntar-se ao Egipto para atacar Israel e restaurar os direitos dos Palestinianos. Em 6 de Outubro de 1973, os dois exércitos envolvem o país hebreu num movimento de pinça durante a festa do Yom Kippur. O Exército egípcio atravessa o canal do Suez, enquanto o sírio ataca a partir do planalto do Golã. No entanto, Sadate apenas utiliza parcialmente a sua cobertura anti-aérea e manda parar o seu exército a 15 km a Leste do canal, enquanto os Israelitas se precipitam sobre os Sírios, que se veem armadilhados e gritam contra o complô. Só após os reservistas israelitas mobilizados e o Exército sírio cercado pelas tropas de Ariel Sharon, é que Sadate ordena ao seu exército para retomar a progressão, depois pará-lo para negociar um cessar-fogo. Assistindo à traição egípcia, os Soviéticos que já tinham perdido um aliado com a morte de Nasser, ameaçam os Estados Unidos e exigem a paragem imediata dos combates.

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Antigo agente de ligação com Sayyid Qutb entre os «Oficiais Livres» e a Confraria, o «Presidente crente» Anuar al-Sadate devia ser proclamado «sexto califa» pelo Parlamento egípcio. Aqui, este admirador de Adolf Hitler no Knesset ao lado dos seus parceiros Golda Meïr e Shimon Peres.

Quatro anos mais tarde –-prosseguindo o plano da CIA--- o Presidente Sadate vai a Jerusalém e decide assinar uma paz separada com Israel em detrimento dos Palestinianos. Agora, a aliança entre os Irmãos e Israel está selada. Todos os Povos árabes vaiam esta traição e o Egipto é excluído da Liga Árabe, cuja sede é passada para Tunes.

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Responsável do «Aparelho secreto» dos Irmãos Muçulmanos, Ayman al-Zawahiri (actual chefe da Alcaida) organiza o assassinato do Presidente Sadate (6 de Outubro de 1981).

Washington decide virar a página, em 1981. A Jiade Islâmica é encarregue de liquidar Sadate, agora sem interesse. Ele é assassinado durante uma parada militar, quando o Parlamento se aprestava para o proclamar «Sexto Califa». Na tribuna oficial 7 pessoas são mortas e 28 feridas, mas, sentado ao lado do Presidente, o seu Vice-presidente, o General Mubarak, escapa. Prevenido, era a única pessoa na tribuna oficial a usar um colete à prova de bala. Ele sucede ao «Presidente crente» e a Liga Árabe pode agora ser repatriada para o Cairo.

(Continua …)

 

[1] “Sayyid Qutb era franco-maçom”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 1 de Junho de 2018.

[2] America’s Great Game: The CIA’s Secret Arabists and the Shaping of the Modern Middle East, Hugh Wilford, Basic Books (2013).

[3] A Mosque in Munich: Nazis, the CIA, and the Rise of the Muslim Brotherhood in the West, Ian Johnson, Houghton Mifflin Harcourt (2010).

[4] Dr. Saoud et Mr. Djihad. La diplomatie religieuse de l’Arabie saoudite, Pierre Conesa, préface d’Hubert Védrine, Robert Laffont (2016). English version: The Saudi Terror Machine: The Truth About Radical Islam and Saudi Arabia Revealed, Skyhorse (2018).

[5] Histoire secrète des Frères musulmans, Chérif Amir, préface d’Alain Chouet, Ellipses (2015).



Ver original na 'Rede Voltaire'



Após derrota na Síria, terroristas fogem em direção à África e Afeganistão, diz UE

Flag of the Islamic State in the conflict zone
© Sputnik / Andrey Stenin

Após a derrota do "califado físico" na Síria e no Iraque, militantes que lutaram nesses países estão se mudando para o Afeganistão e também para o norte da África, disse neste sábado (11) o coordenador da luta antiterrorista da União Europeia, Gilles de Kerchove.

"O fim do califado físico [no Iraque e na Síria] não acaba com o problema. Muitos combatentes europeus ainda estão lá. Outros se mudaram para outras áreas de conflito, incluindo Afeganistão, Sahel [região], Sinai e norte da África", disse o representante europeu em entrevista para a emissora belga RTBF. Ele acrescentou que a África pode ser o próximo alvo dos terroristas.


Em abril, o vice-ministro da Defesa da Rússia, Alexander Fomin, disse que alguns membros do Daesh* chegaram ao sul da África após a derrota na Síria.

Declarações semelhantes foram feitas pelo ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu. Segundo ele, os militantes do Daesh estavam se mudando para a Ásia Central e o Sudeste Asiático depois de terem sido derrotados na Síria e no Iraque.

O conflito armado na Síria está em andamento desde 2011. A vitória sobre o Daesh no Iraque e na Síria foi anunciada no final de 2017. As operações contra os militantes continuam em algumas áreas na Síria, mas o foco mudou em direção a um acordo político.

* O Daesh é um grupo terrorista banido do território da Rússia e de diversos outros países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019051113860741-daesh-russia-siria-terrorismo-africa/

Os novos territórios do Daesh

Thierry Meyssan*

Muito embora já não haja mais razão de ser para a divisão dos jiadistas entre Alcaida e Daesh, as duas organizações perduram fazendo guerra no Médio-Oriente Alargado. Paradoxalmente, é agora a Alcaida quem gere um pseudo-Estado, na província de Idlib, e o Daesh quem organiza atentados fora dos campos de batalha, no Congo e no Sri Lanka.
A libertação da zona administrada pelo Daesh (E.I.), tal como se fosse um Estado, não significou o fim desta organização jiadista. Com efeito, se este é uma criação dos Serviços de Inteligência da OTAN, ele incarna uma ideologia que mobiliza os jiadistas e que pode sobreviver-lhe.

A Alcaida era um exército auxiliar da OTAN que vimos combater no Afeganistão, depois na Bósnia-Herzegovina, e por fim no Iraque, na Líbia e na Síria. As suas principais acções são actos de guerra (sob a denominação de «Mujahedins» ou de «Legião Árabe», ou outras ainda), e, subsidiariamente, mais abertamente de operações terroristas como em Londres ou em Madrid.

Osama Bin Laden, oficialmente considerado como o inimigo público número1, vivia, na realidade, no Azerbaijão sob protecção dos EUA, tal como testemunhou uma vigilante do FBI [1].

Recordemos que os atentados do 11-de-Setembro em Nova Iorque e Washington jamais foram reivindicados pela Alcaida, que Osama Bin Laden declarou que não estava envolvido neles, e que o vídeo onde ele se contradiz só foi autenticado pelo seu empregador, o Pentágono, mas foi julgado falso por todos os peritos independentes.


Enquanto Osama bin Laden teria morrido em Dezembro de 2001, segundo as autoridades paquistanesas, e o MI6 se teria feito representar no seu enterro, actores desempenharam o seu papel até 2011, data em que os Estados Unidos alegaram tê-lo assassinado, mas sem jamais terem mostrado o seu corpo [2].

A morte oficial de Osama Bin Laden permitiu reabilitar os seus combatentes extraviados pelo seu malvado líder, de tal modo que a OTAN pôde, na Líbia e na Síria, apoiar-se abertamente na Alcaida, tal como já o havia feito na Bósnia-Herzegovina [3].

O Daesh (EI), pelo contrário, é um projecto de administração de um território, o "Sunnistão" ou Califado, que devia separar o Iraque da Síria, tal como explicou, com mapas na mão, uma investigadora do Pentágono, Robin Wright, antes da criação desta organização [4]. Ele foi directamente financiado e armado pelos Estados Unidos durante a operação «Timber Sycamore» [5]. Ele chocou os espíritos ao estabelecer uma lei pronta-a-usar, a lei da Xaria.

Se os jiadistas da Alcaida e Daesh (EI) foram vencidos no Iraque e na Síria, foi primeiro graças à coragem do Exército Árabe Sírio, depois da Força Aérea Russa, que usou bombas penetrantes contra as instalações subterrâneas dos combatentes e, por fim, dos seus aliados. Mas, se a guerra militar [6] se fechou foi graças a Donald Trump, que impediu que se continuasse a trazer jiadistas dos quatro cantos do mundo, principalmente da Península Arábica, do Magrebe, da China, da Rússia e, finalmente, da União Europeia.

Tanto quanto a Alcaida é uma força paramilitar auxiliar da OTAN, assim o Daesh (EI) é um exército terrestre aliado.

Paradoxalmente, enquanto o Daesh (EI) perdeu o território para cuja posse havia sido preparado, é a Alcaida que agora administra um, quando antes se opunha a esse tipo de encargo. Os Sírios acabaram com os vários focos de jiadistas em casa e enquistaram a doença na província de Idlib. Incapazes de romper com este tipo de aliados de circunstância, a Alemanha e a França tomaram-nos a cargo, em termos humanitários de alimentação e saúde. Assim, quando os Europeus falam hoje sobre a ajuda que fornecem aos refugiados sírios, é preciso entendê-lo como o apoio aos membros da Alcaida que não são, geralmente, nem civis, nem sírios. No fundo, a retirada dos soldados norte-americanos da Síria não muda grande coisa enquanto eles mantiverem os seus mercenários da Alcaida em Idlib.

Tendo o Daesh sido privado do seu território, os seus sobreviventes já não podem desempenhar o papel que lhes era atribuído pelos Ocidentais, mas apenas uma função comparável à da Alcaida : a de uma milícia terrorista. Além disso, durante a sua existência o Estado Islâmico praticava já o terrorismo fora do campo de batalha como vimos na Europa desde 2016.

Os atentados que ele realizou recentemente, a 16 de Abril no Congo [7] ou a 21 de Abril no Sri Lanka [8], não foram antecipados por ninguém, inclusive nós. Eles teriam podido ser, por outro lado, atribuídos a uma ou a outra organização. A única vantagem do Daesh sobre a Alcaida é a sua imagem de barbárie, muito embora isso não possa durar.

Se o Daesh pôde subitamente surgir na República Democrática do Congo, foi confiando o seu estandarte aos combatentes das «Forças Democráticas Aliadas» do Uganda.

Se ele conseguiu agir de maneira espectacular no Sri Lanka, foi porque os Serviços de Inteligência estavam totalmente virados contra a minoria hindu e não vigiavam os muçulmanos. Foi também talvez assim porque estes serviços foram preparados por Londres e Telavive, ou, ainda, por causa da oposição entre o Presidente da República, Maithripala Sirisena, e o Primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, que entravava a circulação da Informação.

O Sri Lanka é particularmente vulnerável porque ele imagina-se muito refinado para poder produzir uma tal bestialidade. O que está errado: o país ainda não esclareceu o modo como mais de 2.000 Tigres Tamil foram executados, depois que foram derrotados e se haviam rendido, em 2009. Ora, toda a vez que alguém se recusa olhar de frente os seus próprios crimes, expõe-se a provocar novos crendo-se mais civilizado que os outros.

Seja como for, os dramas do Congo e do Sri Lanka atestam que os jiadistas não irão desarmar e que os Ocidentais os continuarão a utilizar fora do Médio-Oriente Alargado.
Thierry Meyssan | Voltaire.net.org | Tradução Alva
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).
Notas:
[1] Classified Woman : The Sibel Edmonds Story: A Memoir, Sibel Edmonds, 2012
[2] “Reflexões sobre o anúncio oficial da morte de Osama Bin Laden”, Thierry Meyssan, Tradução David Lopes, Rede Voltaire, 4 de Junho de 2011.
[3Comment le Djihad est arrivé en Europe, Jürgen Elsässer, Préface de Jean-Pierre Chevènement, Xénia, 2006.
[4] “Imagining a Remapped Middle East”, Robin Wright, The New York Times Sunday Review, September 28, 2013.
[5] “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.
[6] O autor distingue a guerra pela via militar da que é conduzida hoje em dia pela via económica. NdR.
[7] «RDC : Daesh et les ADF se rapprochent au Nord-Kivu», Christophe Rigaud, Afrikarabia, 21 avril 2019.

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Anistia: saída dos EUA do Tratado Internacional de Comércio de Armas ajuda terroristas

Armas do Daesh
© Sputnik / MORAD SAEED

O plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de se retirar do Tratado Internacional de Comércio de Armas ajuda terroristas e promoverá conflitos em partes distantes do globo, alertou a Anistia Internacional nesta sexta-feira.

"O tratado exige que os governos avaliem o risco de violações da lei internacional humanitária e de direitos humanos antes de autorizar um acordo de armas para evitar que armas sejam usadas irresponsavelmente em conflitos brutais, por crime organizado ou terroristas", diz o texto divulgado pela organização internacional.


Trump anunciou nesta sexta-feira que os Estados Unidos se retirariam do Tratado Internacional de Comércio de Armas, do qual o país é um dos 130 signatários desde 2013. O documento foi assinado pelo presidente Barack Obama (2009-2017), mas o Congresso nunca ratificou o acordo.

A decisão do presidente dos Estados Unidos provavelmente "reabrirá as portas para a venda de armas com critérios de direitos humanos enfraquecidos, o que poderia alimentar conflitos brutais e resultar em menos segurança para todos", alertou a Anistia Internacional.

O tratado, que entrou em vigor em dezembro de 2014, "regula o comércio internacional de armas convencionais, desde armas pequenas até tanques de guerra, aviões de combate e navios de guerra", segundo o documento das Nações Unidas.

O tratado será aberto para modificações no próximo ano e algumas das alterações que podem ser introduzidas não podem ser apoiadas pelos Estados Unidos, de acordo com um comunicado da Casa Branca.

"O Acordo sobre Comércio de Armas não aborda o problema das transferências irresponsáveis ​​de armas, mas fornece uma plataforma para aqueles que buscam limitar nossa capacidade de vender armas para nossos aliados", disse a Casa Branca.

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3 explosões atingem o Sri Lanka

Ambulância tenta passar por multidão para prestar assistência às vítimas do atentado em Colombo, capital do Sri Lanka
© AP Photo / Eranga Jayawardena

Segundo a mídia local, as explosões foram registradas na cidade de Kalmunai, na região nordeste leste do Sri Lanka. As explosões acontecem apenas cinco dias após um ataque terrorista no país que deixou 359 mortos e mais de 500 feridos.

Ainda segundo a agência News 1st, suspeitos teriam explodido a si mesmos após o início de um tiroteio, após forças de segurança locais tentarem invadir um local supostamente utilizado para a construção de artefatos para ataques suicidas.


As forças de segurança apreenderam no local roupas e bandeiras ligadas ao grupo terrorista Daesh. Além disso, foram encontrados 150 bastões de nitroglicerina, 100 mil bolas do ferro, drones e pelo menos um traje alterado para ataques suicidas.

O porta-voz do Exército, Sumith Attapattu confirmou as informações, acrescentando que oficiais estavam aguardando mais informações.

De acordo com as informações mais recentes, a polícia do Sri Lanka prendeu mais de 70 pessoas após operações e busca em todo o país que ocorrem desde 21 de abril, quando os ataques a igrejas e hoteis atingiram o país, vitimando centenas de pessoas. A inteligência local acredita que a ameaça de novos ataques terroristas no país ainda é grande.

* O Daesh é um grupo terrorista banido da Rússia e de outros países.

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Sri Lanka, um país asiático nas mãos do terror islamista?

Atentados que mataram e feriram centenas chamam a atenção para tensões sociais e religiosas no país insular do Oceano Índico de maioria budista, onde há dez anos a violência comunal parecia relativamente sob controle.

O governo do Sri Lanka declarounesta segunda-feira (22/04) que o grupo fundamentalista islâmico local National Thowfeek Jamaath (NTJ) estaria por trás dos atentados fatais a bomba do Domingo de Páscoa, resultando em quase 300 mortos e outras centenas de feridos.

Segundo o porta-voz Rajitha Senaratne, que também integra o gabinete, o governo estaria examinando as ramificações do NTJ. "Não vemos como uma pequena organização como esta, neste país, pôde fazer tudo isso. Estamos agora investigando o apoio internacional a eles, suas outras conexões, como conseguiram os homens-bomba e bombas como essas."

Noticiou-se que em 11 de abril o chefe da polícia nacional divulgara uma advertência segundo a qual uma "agência internacional de inteligência" teria advertido que o grupo planejava atentados contra igrejas e contra a Alta Comissão Indiana. No domingo, as autoridades anunciaram a prisão de 13 cidadãos cingaleses suspeitos de ligação com os ataques.


"Não sabemos muito sobre o NTJ, mas ele parece semelhante a outros grupos terroristas ativos no Sul Asiático, como o Ansarullah Bangla Team (ABT) em Bangladesh. Ambossão aparentemente inspirados na Al Qaeda", explicou à DW Siegfried O. Wolf, especialista na região pelo Fórum Democrático do Sul Asiático, sediado em Bruxelas.

"Sua meta principal é espalhar uma ideologia jihadista e criar medo e ódio. Ele é também contra qualquer tipo de reconciliação nacional, e portanto trabalha para manter vivos os conflitos étnicos e religiosos."

Nos últimos anos, têm sido tensas as relações entre a comunidade budista majoritária do Sri Lanka e a minoria muçulmana. Em março de 2018 o governo declarou estado de emergência em nível nacional, a fim de coibir a violência comunitária entre muçulmanos e budistas. Segundo analistas, porém, apesar de devastado por décadas da insurgência separatista tâmil esmagada pelos militares em 2009, o estado insular tem pouco histórico de violência islamista.

A maioria da população cingalesa é budista, com apenas 10% de fé islâmica e 6% de cristãos. "Os grupos fundamentalistas islâmicos locais não são muito fortes. Mas também é verdade que a maioria dos suspeitos pelas detonações do domingo pertence à comunidade muçulmana", observa o ativista cingalês dos direitos humanos S.T. Nalini.

O analista Wolf observa que, assim como muitos grupos islamistas locais ativos no Sul da Ásia, também o NTJ quer alastrar o movimento jihadista por aquela ilha do Oceano Índico.

"Grupos terroristas internacionais estão cada vez mais se apoderando de conflitos locais para estender o jihad global a diferentes partes do mundo. O conflito dos uigures na província ocidental chinesa de Xinjiang e o dos rohingyas em Myanmar são dois exemplos. Em ambos os casos, as organizações globais procuram instrumentalizar problemáticas locais para ampliar sua influência."

As organizações tentam igualmente ganhar atenção internacional e adquirir novos recursos. "O Sri Lanka se tornou uma das mais populares destinações turísticas, nos últimos dez anos, através dos tremendos esforços do governo. Atentados como esses prometem atenção internacional", diz Wolf, segundo quem as igrejas da ilha são alvos fáceis para os terroristas.

Além disso, os grupos militantes cingaleses têm um longo histórico de se associar a organizações internacionais de terrorismo. "A necessidade de gerar fundos levou até mesmo grupos separatistas como os Tigres de Tâmil a procurarem ajuda externa."

Os atentados também suscitam temores de uma ressurgência da violência comunal que tem repetidamente afligido o país no Oceano Índico. No fim do domingo, a polícia informou que uma mesquita do noroeste sofrera um atentado a bomba de gasolina, e duas lojas de proprietários muçulmanos, no oeste, foram incendiadas.

As explosões representam, ainda, um forte golpe para as autoridades cingalesas, que nos últimos dez anos vinham, em parte, conseguindo manter sob controle a violência no país. As décadas de insurgência no norte do país mataram milhares, até que o ex-presidente Mahinda Rajapaksa derrotou o movimento separatista Liberation Tigers of Tamil Eelam (LTTE) numa operação militar, em 2009.

No entanto, a ausência de violência não significa que o Sri Lanka superara suas graves cisões sociais e políticas, alerta Siegfried Wolf. "O conflito étnico-religioso entre a maioria cingalesa budista e a minoria tâmil hindu terminou em 2009, mas o conflito ainda existe no país, pois não houve qualquer solução política para esse problema multifacetado."

Além disso as tensões econômicas e financeiras estariam crescendo devido à implementação da infraestrutura para a Iniciativa do Cinturão e Rota da China. "Apesar do incremento do turismo, o desenvolvimento desigual e as intervenções estrangeiras também estão funcionando como um catalizador para conflitos políticos no Sri Lanka", explica o analista do Fórum do Sul Asiático.
Shamil Shams (av) | Deutsche Welle

 

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Segundo Kurdistan24, um administrador do Daesh confessou o uso de morteiros de cloro

Um tribunal iraquiano condenou à morte por enforcamento o belga Bilal Abdul-Aziz al-Marshouhi (dito «Abu Fadhil al-Belgiki») pela sua pertença ao Daesh(E.I.).

«Eu nasci na Bélgica e tenho nacionalidade belga, apesar das minhas origens marroquinas (...) estudei engenharia na Universidade de Antuérpia. Tornei-me jiadista depois de ficar amigo de alguém que lia livros que apelavam a um islão radical», explicou ele.

Acusado de ter montado um site pornográfico, deixou a Frente Al-Nusra (Alcaida) depois de ter sido treinado no manejo de armas por ela. A seguir, juntou-se ao Daesh(EI) onde, primeiro, serviu na polícia (militar, criminal e de costumes) do Estado Islâmico em Alepo e, por fim, na administração geral na capital (Raqqa).

De acordo com o canal de televisão Kurdistan24, ele afirmou durante uma audiência que o seu grupo fazia uso de armas químicas, nomeadamente de morteiros de cloro, no distrito de Raqqa e num campo [1].

As Nações Unidas foram chamadas a intervir a respeito de 216 supostos ataques químicos na Síria. A República Árabe Síria e a Rússia acusaram os jiadistas, enquanto os Ocidentais atiravam a responsabilidade dos mesmos para o «regime de Bashar». Os inspetores da OPAQ (OPCW) confirmaram vários desses ataques sem poder determinar os autores. No entanto, o seu último relatório sobre o caso de Duma isenta de facto as autoridades de Damasco.




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Londres deliberadamente deixou uma rede criminosa financiar a jiade

Segundo o Sunday Times [1], as administrações britânicas deixaram uma rede criminosa desviar 8 bilhões (mil milhões-pt) de libras para financiar a jiade sem intervir.

O Sunday Times afirma que o MI5 não foi informado dessas atividades, mas não diz quem protegeu os financiadores da jiade.

Esta informação confirma a investigação de Thierry Meyssan sobre o apoio dado, por meio século, pela Coroa à Confraria dos Irmãos Muçulmanos e ao terrorismo islâmico [2].

O semanário menciona transferências de fundos observadas pela administração alfandegária para a Alcaida, bem como ligações com os autores dos atentados de Londres de 7 de Julho de 2005. Um funcionário garante até que viu um dos responsáveis da rede em conversação com o Primeiro-ministro Tony Blair durante a guerra contra o Iraque.


[1] “Taxman kept quiet while £8bn fraud helped fund Osama bin Laden”, Tom Harper, The Sunday Times, March 30, 2019.

[2] Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump, Thierry Meyssan, éditions Demi-Lune, 2017.



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Análise: o que está por trás das declarações dos EUA sobre a derrota do Daesh?

Forças dos EUA na Síria (foto de arquivo)
© AFP 2019 / DELIL SOULEIMAN

Os combatentes apoiados pelos EUA no leste da Síria declararam a vitória militar final sobre os terroristas do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia). A Agência Sputnik discutiu com especialistas o que pode estar por trás dessas declarações.

Na quinta-feira, a mídia curda informou que as Forças Democráticas da Síria (FDS) libertaram completamente Baghouz, a última cidade que o Daesh detinha no sudeste da Síria, mas depois desmentiram estes dados. A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders declarou no dia seguinte que a Síria está 100% "limpa de terroristas do Daesh".

Boris Dolgov, especialista do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da Academia de Ciências da Rússia, disse à Sputnik que os combates continuam. Dolgov explicou que as declarações dos EUA e das SDF têm um caráter de propaganda e autopromoção, pois a ideologia do grupo terrorista ainda persiste. O renascimento do Daesh, disse, é possível em algumas áreas.

"Tais declarações sobre a vitória completa sobre o Daesh são feitas pelos americanos e pelas FDS, mas é necessário dizer, em primeiro lugar, que o Daesh como estrutura político-militar terrorista foi suprimida e derrotada pelo exército do governo sírio com o apoio da Força Aeroespacial da Rússia", — disse Dolgov em uma entrevista com a Sputnik.


Ele explicou que agora algumas unidades do Daesh ainda existentes em diferentes partes da Síria foram derrotadas, é isso que as FDS e os EUA estão anunciando. "Mas dizer que Daesh está completamente derrotado na Síria ainda é prematuro, na minha opinião, porque ainda existem unidades "adormecidas" do Daesh.

Em segundo lugar, essas declarações são, em muitos aspetos, propagandísticas e têm um caráter de autopromoção, para apresentar o lado americano e as FDS como os principais vencedores do Daesh", acrescentou o especialista.

Ao mesmo tempo, Dolgov sublinhou que a ideologia do grupo ainda existe não só na Síria, mas também no Afeganistão e mesmo na Europa. Segundo ele, os ataques terroristas na Europa significam que as forças residuais do Daesh podem aparecer em algumas zonas da Síria se existirem as condições neсessárias.

Outro especialista, professor do Departamento de Ciência Política da Escola Superior de Economia da Rússia, Grigory Lukyanov, explicou que as recentes declarações são políticas e ajudam o líder americano Donald Trump a ganhar pontos para o seu programa eleitoral.

Lukyanov observou que hoje o Daesh está transformado em análogo da Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia), com a qual o grupo rompeu relações em 2014. Segundo ele, é impossível lutar contra o Daesh somente "no campo de batalha", e dizer que o Daesh "foi 100% derrotado" significa apenas fazer declarações políticas.


"Isto é o que a administração Trump e o próprio presidente Trump estão realizando. Suas declarações quanto à vitória sobre o Daesh são os chamados "pontos" em seu programa eleitoral. Se ele não disser que obteve uma vitória convincente sobre o Daesh, ninguém acreditará que ele está cumprindo suas promessas eleitorais", disse ele.

Lukyanov observou que, depois do ataque terrorista na Nova Zelândia, depois de várias declarações, inclusive sobre Israel, esta é outra declaração que se encaixa na lógica de Trump, mas não na lógica da luta real contra o terrorismo.
Os EUA e seus aliados realizam uma operação contra o Daesh na Síria e no Iraque desde 2014, sem o consentimento das autoridades oficiais do país. Em dezembro passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada das tropas da Síria.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019032313546842-analise-esta-tras-declaracoes-eua-sobre-derrota-daesh/

A ISLAMOFOBIA E FANATISMO NÃO EXPLICAM TUDO...

                              

O atentado de Christ Church (Nova Zelândia) contra muçulmanos que estavam pacificamente a efectuar as suas devoções de sexta-feira, por um extremista de direita é analisado no contexto das movidas de extrema direita e da ideologia que os move. 

Muitas vezes a sociedade ocidental, exclusivamente focalizada do radicalismo djihadista, esquece a existência de grupos armados, que se têm disseminado por todo o lado, com ideologia racista, claramente de extrema-direita. A sua pseudo-justificação para tais massacres passa frequentemente pela defesa da teoria da grande substituição. 

A grande substituição seria o projecto de uma oligarquia financeira completamente mundializada, indiferente aos interesses dos seus países ocidentais (aos quais, porém, esses elementos pertencem, quase todos), no sentido de substituir as populações brancas autóctones, por populações de países em vias de desenvolvimento, tornando assim possível um controlo da população e de manterem a funcionar o sistema de governo global, favorável a essa mesma oligarquia. 

Como todos os arrazoados ideológicos, mistura elementos de verdade com fabricações, com meias-verdades e com mentiras, para fundamentar uma tese, um projecto, uma linha política, que se traduzem no ódio contra tudo o que não seja «branco» e «ocidental». 
A verdade é que as populações de países em desenvolvimento são forçadas a buscar a subsistência noutras paragens, ou por causa da guerra ou por causa da pobreza extrema, esta muitas vezes associada a guerras presentes ou passadas.

Aquilo que os pseudo analistas que pontificam nos media ocidentais nunca esclarecem, nem sequer mencionam ao de leve, é que as guerras e os desastres ecológicos estão muitas vezes influenciados pela irreflectida e gananciosa ambição dos poderosos do «Primeiro Mundo», quando não mesmo, são resultantes da intervenção directa desses mesmos poderes.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Terrorismo de direita e racista cresce nos EUA

Membro do grupo KKK
© Foto : ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Os Estados Unidos vivenciam um considerável aumento de crimes de ódio e atos de terrorismo associados aos grupos que defendem a supremacia branca e neonazistas durante a última década.

Após o ataque terrorista de um supremacista branco contra fiéis muçulmanos na Nova Zelândia, nesta sexta-feira, a imprensa dos EUA apontou o também para o aumento do terrorismo doméstico praticado por grupos racistas e nacionalistas na América do Norte, informou CBS News.


Em outubro de 2018, uma igreja em Pittsburgh, na Pensilvânia, foi alvo de um ataque que matou 11 pessoas. Em Charlottesville, Virgínia, um comício contra manifestações nacionalistas terminou com três mortos, depois que um supremacista branco avançou em seu carro contra a multidão. 

Após o incidente na Nova Zelânda, mesquitas em todos os EUA tiveram sua segurança reforçada. Embora oficiais e investigadores tenham notado que não houve uma ameaça direta, as forças de segurança do país afirmaram que o extremismo de direita e o terrorismo motivado por motivos raciais parece estar aumentando nos Estados Unidos.

"Estamos vendo um aumento na propaganda", observou o vice-chefe de contraterrorismo do estado de Nova York, John Miller.

"[Grupos de ódio de direita] estão tomando emprestadas técnicas de propaganda de outros grupos terroristas", acrescentou ele, citado pela Cbsnews.com.

Ataques de nacionalistas de extrema-direita contra imigrantes na Europa aumentaram em 43% entre 2016 e 2017, enquanto nos EUA os extremistas de direita foram ligados a um mínimo de 50 assassinatos em 2018, um aumento de 35% em relação ao ano anterior, segundo a CBS News.


"Eu diria que a maior responsável por isso é propagada online. Na verdade, esta manhã, depois dos ataques [da Nova Zelândia], eu estava vendo celebrações dos ataques online nos sites de ódio anti-muçulmanos. É realmente repugnante", observou, Ibrahim Hooper, porta-voz dos Conselho Muçulmano dos Estados Unidos, citado por Msn.com.

Em fevereiro deste ano, um tenente da Guarda Costeira da ativa foi preso depois de ser apurado que ele estava guardando grande quantidade de armas para iniciar o que a supremacia branca chama de uma "guerra racial".

"Todos esses caras estão observando", alertou Fran Townsend, ex-assessora de Segurança Interna da Casa Branca.

"Eles observam a reação, eles observam as táticas daqueles que vieram antes deles. E devemos reconhecer que há um aumento no […] nacionalismo em todo o mundo", acrescentou ela, citada por Cbsnews.com.

O FBI atualmente estima estar acompanhando cerca de 900 casos de terrorismo doméstico ativo, e muitos estão relacionados aos supremacistas brancos, segundo relatos.

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https://br.sputniknews.com/opiniao/2019031613506070-supremacismo-branco-eua-online-terrorismo/

Jiadismo e alta traição

Thierry Meyssan*

Os cidadãos europeus, encorajados a juntar-se à luta armada na Síria ao lado dos mercenários pró-Ocidentais, não podem ser processados por conivência com o inimigo e alta traição na medida em que podem argumentar ter tido o apoio da OTAN e dos seus Estados membros. Os Estados europeus não podem julgar sem primeiro examinar a responsabilidade dos seus próprios dirigentes na guerra contra a Síria.

O Presidente Donald Trump pediu aos seus aliados ocidentais que repatriassem os seus jiadistas prisioneiros das Forças democráticas sírias e para os julgar no seus respectivos países. O Reino Unido opôs-se a isso, enquanto a França encara os regressos apenas caso a caso.

Ao retirar-se do território sírio, os Estados Unidos admitem que as Forças democráticas sírias não são um Exército propriamente dito, mas apenas uma força auxiliar sob enquadramento dos EUA. Da mesma forma, admitem que não há Estado curdo na Síria, um «Rojava», senão o que era uma ficção criada pelos jornalistas. Por conseguinte, a «Justiça curda» não era mais que uma encenação e os meios para aplicar as suas decisões desaparecerão em poucas semanas. Os detidos islamistas deverão ser libertados, ou remetidos à República Árabe Síria que os julgará segundo as suas leis inspiradas no Direito francês. Ora, este Estado pratica a pena de morte à qual os Europeus actualmente se opõem.


Pelo Direito, os cidadãos dos países europeus que partiram para fazer a jiade na Síria mantiveram uma «colaboração com o inimigo» e, eventualmente, cometeram um crime de «alta traição» ao combater os interesses europeus. Mas, tendo em vista os actos dos Estados ocidentais nesta guerra, nenhum jiadista ocidental será condenado no seu próprio país por estas acusações mestras.

O fim desta guerra traz-nos de volta à realidade. Durante 8 anos, os Europeus alegaram descobrir, com surpresa, uma «revolução» popular contra uma «ditadura alauíta». Ora, as acções encetadas pelos Estados europeus são hoje fáceis de expor e de provar. Elas não correspondem de forma alguma a esta narrativa : desde 2003 que eles prepararam os acontecimentos que começaram em 2011, e organizaram-nos até aos dias de hoje [1]. Esta guerra durou tanto tempo que as suas mentiras foram postas a nu.

Se jiadistas europeus fossem julgados por colaboração com o inimigo, ou mesmo por alta traição, o tribunal apenas poderia manter contra eles a acusação das suas atrocidades contra os Sírios e, eventualmente, os seus crimes a nível interno contra os seus concidadãos —já que o fanatismo não é considerado um delito—. Ele acabaria concluindo que apenas os dirigentes ocidentais deveriam ser julgados por alta traição.

Antes de mais, precisemos que a objecção segundo a qual grupos jiadistas, tal como a Alcaida e o Daesh(E.I.), não são assimiláveis a Estados reconhecidos não é válida. De facto, é evidente que organizações dispondo de tais meios militares não podem existir sem o apoio de Estados.

A título de exemplo, eis como eu construiria, em França, uma argumentação para a defesa destes fanáticos:

Os jiadistas não são traidores, mas sim soldados

1. Os réus, ao terem ido bater-se contra a República Árabe Síria e o seu Presidente, Bashar al-Assad, não fizeram mais do que agir a pedido do governo francês. As autoridades francesas não cessaram de qualificar a República Árabe Síria de «ditadura alauíta» e apelaram para o assassínio do Presidente Bashar al-Assad.

Assim, o actual Presidente do Conselho Constitucional, Laurent Fabius, quando era Ministro dos Negócios Estrangeiros, declarou: «Após ter ouvido os testemunhos perturbadores de pessoas aqui (...) quando se ouve isso e eu estou ciente da importância daquilo que estou em vias de dizer : o Sr. Bashar al-Assad não deveria estar na face da Terra» ; uma tomada de posição particularmente chocante para um país que revogou a pena de morte.

De modo a que não haja nenhuma confusão, que se compreenda bem que este apelo ao assassínio não se dirigia apenas aos Sírios mas a todos os Franceses, a cidade de Paris, por iniciativa da sua Presidente da Câmara (Prefeita -br), Anne Hidalgo, organizou na Torre Eiffel um dia de solidariedade com a Oposição síria. Um gabinete de recrutamento foi então instalado no sopé da Torre do qual a imprensa se fez eco.

É certo que em seguida este apoio mostrou-se menos visível e a partir de 2016, ou seja, cinco anos após o início dos acontecimentos, as autoridades francesas tomaram medidas para impedir efectivamente as partidas para a Síria. Mas em momento algum, jamais contradisseram as suas declarações precedentes de modo a que os réus pudessem crer que a França tentava conformar-se com os compromissos internacionais, que ela, afinal, não mudara a sua posição sobre a legitimidade dessa ação.

2. Todos os réus beneficiaram da ajuda indirecta do governo francês durante a sua jiade. O conjunto de grupúsculos jiadistas foi financiado e armado a partir do estrangeiro. Os concursos de compras do Pentágono atestam que este estabeleceu redes permanentes para importar armas para a Síria [2]. Os inquéritos da imprensa não-alinhada permitiram estabelecer, com provas claras, que várias dezenas de milhar de toneladas de armas foram ilegalmente importadas para a Síria no decurso da Operação Timber Sycamore, primeiro controlada pela CIA, depois pelo fundo de investimento privado KKR [3]. Pelo menos 17 Estados, entre os quais a Alemanha e o Reino Unido, participaram nesse tráfico. Além disso, se não está provado que a França nele participou directamente, ela está implicada na repartição e na distribuição destas armas, via o LandCom (Comando das Forças Terrestres) da OTAN, no qual se juntara ao comando integrado.

3. Os réus, tendo feito parte de grupos que se reclamavam da Alcaida beneficiaram da ajuda directa do governo francês. É o que atesta uma carta remetida pelo Embaixador Bashar Jaafari ao Conselho de Segurança, a 14 de Julho de 2014. Datada de 17 de Janeiro do mesmo ano, e assinada pelo Comandante-em-Chefe do Exército Livre da Síria (ASL), ela expõe a repartição das munições oferecidas pela França aos jiadistas e especifica que um terço é atribuído por Paris ao Exército Livre da Síria e que os outros dois terços devem ser entregues à Alcaida (dita na Síria «Frente al-Nusra»). Não dizia já o Sr. Fabius que «al-Nusra faz o bom trabalho» [4]?

Tendo os réus obedecido às instruções do governo francês, e tendo recebido indirectamente armas e, directamente, munições do Estado francês, não poderiam ser acusados de colaboração com o inimigo e de alta traição.

Os dirigentes europeus é que são traidores aos seus países

Pelo contrário, os dirigentes franceses, que publicamente garantiram o seu respeito pelos Direitos do Homem e secretamente apoiaram os jiadistas, deveriam ter que responder perante os tribunais. Eles deveriam igualmente explicar em que é que a República Árabe Síria, que eles designam como o «inimigo» da França, prejudicou os interesses franceses.

No início do conflito, era costume lembrar que, em 1981, durante a guerra civil libanesa, a Síria havia feito assassinar o Embaixador da França, Louis Delamare. No entanto, para além de que trinta anos separam este acontecimento do início da guerra contra a Síria, em resposta ela havia já sido castigada com um atentado contra o gabinete nacional de alistamento militar, em Damasco, que fez 175 mortos; atentado posteriormente reivindicado pelo Director da DGSE à época, o Almirante Pierre Lacoste.

Foi igualmente dito que a República Árabe Síria havia atacado os interesses franceses ao assassinar o antigo Primeiro-ministro libanês Rafic Hariri. A França apoiou, e continua a apoiar, uma organização híbrida dita «Tribunal Especial para o Líbano» a fim de julgar os Presidentes libanês e sírio, Emile Lahoud e Bashar al-Assad. No entanto, esta organização (que desempenha ao mesmo tempo o papel de procurador e de juiz) retirou as suas acusações após os depoimentos, em que se baseavam, terem demonstrado ser falsificações da Acusação. Ninguém mais acredita nessa acusação mentirosa, salvo os funcionários desta organização e seus comanditários, nem sequer os filhos do falecido. Assim, Baha’a Hariri, o filho mais velho de Rafic Hariri, fez uma calorosa visita ao Presidente Bashar al-Assad, no mês passado.

Para dirigir uma guerra contra um país amigo, a Síria, os dirigentes franceses apoiaram sem hesitação jiadistas. Ao fazê-lo, eles não apenas prejudicaram a imagem da França no mundo, como também os interesses franceses: puseram fim a uma frutuosa colaboração antiterrorista e posicionaram-se deliberadamente do lado dos terroristas. Alguns dos seus protegidos regressaram em seguida à França, por iniciativa própria, para aí cometer atentados.

Esses dirigentes deveriam, pois, ser acusados perante a Justiça francesa por cumplicidade com organizações terroristas que cometeram crimes em França, por colaboração com o inimigo e por alta traição.

*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

Notas:
[1] Ver Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump («Sob os nossos olhos. Do 11-de-Setembro a Donald Trump»-ndT), éditions Demi-lune, 2017. Obra disponível em seis línguas : espanholfrancêsinglêsitalianorusso (esgotada) e turco. E proximamente em árabe.
[2] « De Camp Darby, des armes US pour la guerre contre la Syrie et le Yémen », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto(Italie), Réseau Voltaire, 18 avril 2017.
[3] “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.
[4] Citado em « Pression militaire et succès diplomatique pour les rebelles syriens », Isabelle Maudraud, Le Monde, 13 décembre 2012.

 

 

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Jiadismo e alta traição

Os cidadãos europeus, encorajados a juntar-se à luta armada na Síria ao lado dos mercenários pró-Ocidentais, não podem ser processados por conivência com o inimigo e alta traição na medida em que podem argumentar ter tido o apoio da OTAN e dos seus Estados membros. Os Estados europeus não podem julgar sem primeiro examinar a responsabilidade dos seus próprios dirigentes na guerra contra a Síria.

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Os Ocidentais que se juntaram aos jiadistas devem ser processados pelas atrocidades que cometeram, mas isso não faz deles traidores.

O Presidente Donald Trump pediu aos seus aliados ocidentais que repatriassem os seus jiadistas prisioneiros das Forças democráticas sírias e para os julgar no seus respectivos países. O Reino Unido opôs-se a isso, enquanto a França encara os regressos apenas caso a caso.

Ao retirar-se do território sírio, os Estados Unidos admitem que as Forças democráticas sírias não são um Exército propriamente dito, mas apenas uma força auxiliar sob enquadramento dos EUA. Da mesma forma, admitem que não há Estado curdo na Síria, um «Rojava», senão o que era uma ficção criada pelos jornalistas. Por conseguinte, a «Justiça curda» não era mais que uma encenação e os meios para aplicar as suas decisões desaparecerão em poucas semanas. Os detidos islamistas deverão ser libertados, ou remetidos à República Árabe Síria que os julgará segundo as suas leis inspiradas no Direito francês. Ora, este Estado pratica a pena de morte à qual os Europeus actualmente se opõem.

Pelo Direito, os cidadãos dos países europeus que partiram para fazer a jiade na Síria mantiveram uma «colaboração com o inimigo» e, eventualmente, cometeram um crime de «alta traição» ao combater os interesses europeus. Mas, tendo em vista os actos dos Estados ocidentais nesta guerra, nenhum jiadista ocidental será condenado no seu próprio país por estas acusações mestras.

O fim desta guerra traz-nos de volta à realidade. Durante 8 anos, os Europeus alegaram descobrir, com surpresa, uma «revolução» popular contra uma «ditadura alauíta». Ora, as acções encetadas pelos Estados europeus são hoje fáceis de expor e de provar. Elas não correspondem de forma alguma a esta narrativa : desde 2003 que eles prepararam os acontecimentos que começaram em 2011, e organizaram-nos até aos dias de hoje [1]. Esta guerra durou tanto tempo que as suas mentiras foram postas a nu.

Se jiadistas europeus fossem julgados por colaboração com o inimigo, ou mesmo por alta traição, o tribunal apenas poderia manter contra eles a acusação das suas atrocidades contra os Sírios e, eventualmente, os seus crimes a nível interno contra os seus concidadãos —já que o fanatismo não é considerado um delito—. Ele acabaria concluindo que apenas os dirigentes ocidentais deveriam ser julgados por alta traição.

Antes de mais, precisemos que a objecção segundo a qual grupos jiadistas, tal como a Alcaida e o Daesh(E.I.), não são assimiláveis a Estados reconhecidos não é válida. De facto, é evidente que organizações dispondo de tais meios militares não podem existir sem o apoio de Estados.

A título de exemplo, eis como eu construiria, em França, uma argumentação para a defesa destes fanáticos :

Os jiadistas não são traidores, mas sim soldados

- 1. Os réus, ao terem ido bater-se contra a República Árabe Síria e o seu Presidente, Bashar al-Assad, não fizeram mais do que agir a pedido do governo francês. As autoridades francesas não cessaram de qualificar a República Árabe Síria de «ditadura alauíta» e apelaram para o assassínio do Presidente Bashar al-Assad.

Assim, o actual Presidente do Conselho Constitucional, Laurent Fabius, quando era Ministro dos Negócios Estrangeiros, declarou : «Após ter ouvido os testemunhos perturbadores de pessoas aqui (...) quando se ouve isso e eu estou ciente da importância daquilo que estou em vias de dizer : o Sr. Bashar al-Assad não deveria estar na face da Terra» ; uma tomada de posição particularmente chocante para um país que revogou a pena de morte.

De modo a que não haja nenhuma confusão, que se compreenda bem que este apelo ao assassínio não se dirigia apenas aos Sírios mas a todos os Franceses, a cidade de Paris, por iniciativa da sua Presidente da Câmara (Prefeita -br), Anne Hidalgo, organizou na Torre Eiffel um dia de solidariedade com a Oposição síria. Um gabinete de recrutamento foi então instalado no sopé da Torre do qual a imprensa se fez eco.

É certo que em seguida este apoio mostrou-se menos visível e a partir de 2016, ou seja, cinco anos após o início dos acontecimentos, as autoridades francesas tomaram medidas para impedir efectivamente as partidas para a Síria. Mas em momento algum, jamais contradisseram as suas declarações precedentes de modo a que os réus pudessem crer que a França tentava conformar-se com os compromissos internacionais, que ela, afinal, não mudara a sua posição sobre a legitimidade dessa ação.

- 2. Todos os réus beneficiaram da ajuda indirecta do governo francês durante a sua jiade. O conjunto de grupúsculos jiadistas foi financiado e armado a partir do estrangeiro. Os concursos de compras do Pentágono atestam que este estabeleceu redes permanentes para importar armas para a Síria [2]. Os inquéritos da imprensa não-alinhada permitiram estabelecer, com provas claras, que várias dezenas de milhar de toneladas de armas foram ilegalmente importadas para a Síria no decurso da Operação Timber Sycamore, primeiro controlada pela CIA, depois pelo fundo de investimento privado KKR [3]. Pelo menos 17 Estados, entre os quais a Alemanha e o Reino Unido, participaram nesse tráfico. Além disso, se não está provado que a França nele participou directamente, ela está implicada na repartição e na distribuição destas armas, via o LandCom (Comando das Forças Terrestres) da OTAN, no qual se juntara ao comando integrado.

- 3. Os réus, tendo feito parte de grupos que se reclamavam da Alcaida beneficiaram da ajuda directa do governo francês. É o que atesta uma carta remetida pelo Embaixador Bashar Jaafari ao Conselho de Segurança, a 14 de Julho de 2014. Datada de 17 de Janeiro do mesmo ano, e assinada pelo Comandante-em-Chefe do Exército Livre da Síria (ASL), ela expõe a repartição das munições oferecidas pela França aos jiadistas e especifica que um terço é atribuído por Paris ao Exército Livre da Síria e que os outros dois terços devem ser entregues à Alcaida (dita na Síria «Frente al-Nusra»). Não dizia já o Sr. Fabius que «al-Nusra faz o bom trabalho» [4]?

Tendo os réus obedecido às instruções do governo francês, e tendo recebido indirectamente armas e, directamente, munições do Estado francês, não poderiam ser acusados de colaboração com o inimigo e de alta traição.

Os dirigentes europeus é que são traidores aos seus países

Pelo contrário, os dirigentes franceses, que publicamente garantiram o seu respeito pelos Direitos do Homem e secretamente apoiaram os jiadistas, deveriam ter que responder perante os tribunais. Eles deveriam igualmente explicar em que é que a República Árabe Síria, que eles designam como o «inimigo» da França, prejudicou os interesses franceses.

No início do conflito, era costume lembrar que, em 1981, durante a guerra civil libanesa, a Síria havia feito assassinar o Embaixador da França, Louis Delamare. No entanto, para além de que trinta anos separam este acontecimento do início da guerra contra a Síria, em resposta ela havia já sido castigada com um atentado contra o gabinete nacional de alistamento militar, em Damasco, que fez 175 mortos; atentado posteriormente reivindicado pelo Director da DGSE à época, o Almirante Pierre Lacoste.

Foi igualmente dito que a República Árabe Síria havia atacado os interesses franceses ao assassinar o antigo Primeiro-ministro libanês Rafic Hariri. A França apoiou, e continua a apoiar, uma organização híbrida dita «Tribunal Especial para o Líbano» a fim de julgar os Presidentes libanês e sírio, Emile Lahoud e Bashar al-Assad. No entanto, esta organização (que desempenha ao mesmo tempo o papel de procurador e de juiz) retirou as suas acusações após os depoimentos, em que se baseavam, terem demonstrado ser falsificações da Acusação. Ninguém mais acredita nessa acusação mentirosa, salvo os funcionários desta organização e seus comanditários, nem sequer os filhos do falecido. Assim, Baha’a Hariri, o filho mais velho de Rafic Hariri, fez uma calorosa visita ao Presidente Bashar al-Assad, no mês passado.

Para dirigir uma guerra contra um país amigo, a Síria, os dirigentes franceses apoiaram sem hesitação jiadistas. Ao fazê-lo, eles não apenas prejudicaram a imagem da França no mundo, como também os interesses franceses: puseram fim a uma frutuosa colaboração antiterrorista e posicionaram-se deliberadamente do lado dos terroristas. Alguns dos seus protegidos regressaram em seguida à França, por iniciativa própria, para aí cometer atentados.

Esses dirigentes deveriam, pois, ser acusados perante a Justiça francesa por cumplicidade com organizações terroristas que cometeram crimes em França, por colaboração com o inimigo e por alta traição.


[1] Ver Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump («Sob os nossos olhos. Do 11-de-Setembro a Donald Trump»-ndT), éditions Demi-lune, 2017. Obra disponível em seis línguas : espanhol, francês, inglês, italiano, russo (esgotada) e turco. E proximamente em árabe.

[2] « De Camp Darby, des armes US pour la guerre contre la Syrie et le Yémen », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 18 avril 2017.

[3] “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.

[4] Citado em « Pression militaire et succès diplomatique pour les rebelles syriens », Isabelle Maudraud, Le Monde, 13 décembre 2012.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Hackers estão com arquivos para 'falar a verdade' sobre ataques de 11 de setembro

Um grupo internacional de hackers está ameaçando comprometer totalmente o governo dos EUA com informações sensacionalistas até então desconhecidas sobre os ataques de 11 de setembro às Torres Gêmeas.

O Dark Overlord, grupo de hackers que roubou arquivo de documentos ligados aos ataques de 11 de setembro, publicou chave de decodificação para um segundo cache de dados altamente confidenciais.


Pelo visto, os hackers estão sendo motivados por motivos econômicos, ao invés da busca da verdade, pois alegam que o governo americano pode comprar dados potencialmente comprometedores.

Ao culpar as agências de segurança dos EUA de impedi-los de "falar a verdade", o Dark Overlord desbloqueou o novo cache de dados depois de atingir necessários pagamentos de um público curioso.

"Não podemos permitir que a grande mídia guarde em segredo a verdade por mais tempo. Devemos garantir que a propaganda dela seja esmagada pelas verdades com as quais estamos lidando hoje", de acordo com comunicado dos hackers.


O "Layer 2", segundo pacote de dados, possui mais de 7.500 arquivos. Assim como a primeira remessa, que foi desbloqueada na semana passada, esse lote não forneceu nenhum material sensacional relacionado, por exemplo, a uma ocultação de informação sobre os ataques pelo governo dos EUA.

Os documentos recém-publicados correspondem, em grande parte, à correspondência entre seguradoras que estavam lidando com as reivindicações decorrentes da tragédia.

Trata-se de discussão sobre que danos deveriam ser considerados, analisando opções que vão de companhias aéreas à Autoridade de Aviação Federal dos EUA e terroristas. O Dark Overlord também especulou sobre se o então presidente George W. Bush ou a família real saudita tinha conhecimento prévio dos ataques, mas essa opinião não tem evidências de envolvimento do governo.


O grupo de hackers afirma ter obtido milhares de documentos de uma empresa de advocacia dos EUA. Eles dividiram todos os dados em cinco camadas, com informações mais sensíveis e confidenciais por camadas.

Eles ofereceram a todos os interessados a oportunidade de obter os documentos pagando com bitcoin, mas a quantia é desconhecida. O grupo foi banido do Twitter e do Reddit, bem como sua mais recente plataforma blockchain de código aberto Steemit.

O primeiro grupo de dados incluiu principalmente interrogatórios do FBI com funcionários da American Airlines e parentes de passageiros dos aviões sequestrados, bem como acordos de confidencialidade e pagamentos de seguro.

No entanto, os hackers afirmam ter uma terceira remessa, que contém até 8.279 arquivos, ameaçando "sepultar" o governo dos EUA e superar o "melhor trabalho de Snowden".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019011013080193-hackers-prometem-descobrir-sabia-bush-11-setembro-ataques/

Some interesting new information about 9/11

Some interesting new information about 9/11 - TruePublica

7th January 2019 / Global
Some interesting new information about 9/11

TruePublica Editor: We have published almost nothing about 9/11 on TruePublica. When independent news outlets do, they are immediately branded by the mainstream media and so-called ‘fact-checkers’ as conspiracy theorists. The BBC makes this point precisely in a 2018 article that starts like this – “On 11 September 2001, four passenger planes were hijacked by radical Islamist terrorists – almost 3,000 people were killed as the aircraft were flown into the World Trade Centre, the Pentagon and a Pennsylvania field. Just hours after the collapse of New York’s Twin Towers, a conspiracy theory surfaced online which persists more than 16 years later.”

The entire article is dedicated to all the ‘conspiracy theories’ involved in 9/11 and makes a mockery of anyone or anything that questions the official government line. They even heavily mock the brother of one man killed in 9/11 and frankly, true or not, the BBC’s report itself is rather sickening to read.

And yet, here we are, all these years later and it’s hardly surprising the theories of a conspiracy continue.

2016 study from Chapman University in California, found more than half of the American people believe the government is concealing information about the 9/11 attacks. This is in part because, large sections of the official US government report were redacted for years – and is still missing to this day.

The big problem is that the government is withholding crucial evidence. And then there’s other evidence the state and mainstream media refuse to even consider.

Paul Craig Roberts is an American economist and former United States Assistant Secretary of the Treasury for Economic Policy under President Reagan. Roberts was an associate editor and columnist for The Wall Street Journal and columnist for Business Week and has received the Warren Brookes Award for Excellence in Journalism. In 1993 the Forbes Media Guide ranked him as one of the top seven journalists in the United States.

Roberts wrote this really interesting piece of information just a few days ago that the mainstream media has been completely silent about: “Although the United States is allegedly a democracy with a rule of law, it has taken 17 years for public pressure to bring about the first grand jury investigation of 9/11. Based on the work of Architects & Engineers for 9/11 Truth led by Richard Gage, first responder and pilots organizations, books by David Ray Griffin and others, and eyewitness testimony, the Lawyers’ Committee for 9/11 Inquiry has presented enough hard facts to the US Attorney for the Southern District of New York to force his compliance with the provisions of federal law that require the convening of a federal grand jury to investigate for the first time the attacks of September 11, 2001. https://www.lawyerscommitteefor9-11inquiry.org

This puts the US Justice (sic) Department in an extraordinary position. There will be tremendous pressures on the US Attorney’s office to have the grand jury dismiss the evidence as an unpatriotic conspiracy theory or otherwise maneuver to discredit the evidence presented by the Lawyers’ Committee, or modify the official account without totally discrediting it.

“What the 9/11 truthers and the Lawyers’ Committee have achieved is the destruction of the designation of 9/11 skeptics as “conspiracy theorists.” No US Attorney would convene a grand jury on the basis of a conspiracy theory. Clearly, the evidence is compelling that has put the US Attorney in an unenviable position.”

If the Lawyers’ Committee and the 9/11 truthers trust the US Attorney to go entirely by the facts, little will come of the grand jury. If the United States had a rule of law, something as serious as 9/11 could not have gone for 17 years without investigation.”

Three weeks before Roberts’ made this statement a letter was published by Off-Guardian about a Huffington Post hit piece about an academic teaching journalism. Its first paragraph explains entirely its own position.

An academic teaching journalism students at one of the UK’s top universitieshas publicly supported long-discredited conspiracy theories about the 9/11 terror attack, HuffPost UK can reveal.

This entire article, like that of the BBC’s, vigorously attacks any individual or organisation that has the temerity to question the ‘official’ narrative on any major incident as offered up by the state, such as the Skripal poisonings, Syria’s chemical weapons, Iraq and Chilcot Report.

HuffPost even uses an unnamed former head of MI6 and an unnamed former Supreme Commander of Nato to dispel such challenges to this narrative and then attacks other sources of news such as RT as nothing more than Russian propaganda irrespective of the source. As a rule, TruePublica does not publish news sourced by RT but that does not make all of its content propaganda.

David Ray Griffin, a retired American professor and political writer who founded the Center for Process Studies which seeks to promote the common good by means of the relational approach found in process thought was the co-author of the book ‘9/11 Unmasked’ – part of the attack piece was centred on by the HuffPost hit piece.

The head of the 9/11 Consensus Panel, the other co-author, responded to the HuffPost.  For information, the goal of the Consensus Panel is to “provide a ready source of evidence-based research to any investigation that may be undertaken by the public, the media, academia, or any other investigative body or institution.”

That letter is as follows:

Jess Brammer, UK Huffington Post
Chris York, UK Huffington Post

Dear Ms. Brammar and Mr. York:

I was the head information specialist serving the Medical Health Officers of British Columbia, Canada, for 25 years.

Your attack piece on Professor Piers Robinson and on the scholarly work of Dr. David Ray Griffin is the least accurate and the lowest quality published article I have ever seen.

I have assisted Dr. Griffin with 10 of his investigative books into the events of 9/11. In 2011 we decided to create the international 9/11 Consensus Panel to review and evaluate the official claims relating to September 11, 2001. The Panel we formed has 23 members, including people from the fields of physics, chemistry, structural engineering, aeronautical engineering, piloting, airplane crash investigation, medicine, journalism, psychology, and religion (For the full list, see here).

In seeking a consensus methodology, I was advised by the former provincial epidemiologist of British Columbia to employ a leading model that is used in medicine to establish the best diagnostic and treatment evidence to guide the world’s doctors using medical consensus statements.

The Panel methodology has produced, seven years later, 51 refutations of the official claims, which were published as 911 Unmasked: An International Review Panel Investigation in September, 2018.

Each Consensus Point, now a chapter in this book, was given three rounds of review and feedback by the Panel members. The panelists were blind to one another throughout the process, providing strictly uninfluenced individual feedback. Any Points that did not receive 85% approval by the third round were set aside.

The Honorary Members of the Panel include the late British (and longest-serving) parliamentarian Michael Meacher, the late evolutionary biologist Lynn Margulis, and the late Honorary President of the Italian Supreme Court, Ferdinando Imposimato.

The Huffington Post drastically lowered its standards to publish this hit piece, and what influenced it to do so is a question worth pursuing.

Yours truly

Elizabeth Woodworth, Co-author with Dr. David Ray Griffin
9/11 Unmasked

It is over 18 years now since the world-changing event of 9/11. One wonders when the information held by the American government, that continues to anger so many people affected by it will ever emerge.

However, one reason why such questions persist is precisely that of the actions of the US government itself. One should not forget those so-called ‘conspiracy theories’ that actually came true that continues to pour petrol on the flames of doubt.

For example, the American government killed thousands by poisoning alcohol to prove its point that alcohol was bad for the general public during prohibition. This was a ‘conspiracy theory’ that went on for decades – until it was proven to be true.

Then, you can take your pick of the lies government tells when it comes to starting wars – how about the lie the Saddam Hussain and Iraq had WMD ready to fire at Western targets. Total deaths exceeded 1 million. Yet another classic American lie was the Gulf of Tonkin incident in August 1964, as a pretext for escalating the country’s involvement in the Vietnam War that killed 60,000 American soldiers. Total deaths racked up 1.35 million, all based on a lie. That incident only came about because of an unintentional declassification of an NSA file in 2005.

Edward Snowden proved with his revelations in 2013 that the government was spying on everyone when the government had denied they had ever done so. It took a whistleblower to let us all know. The UK government has been found by the highest courts in the land to have broken numerous privacy and surveillance laws as a result of mass civilian surveillance systems.

Operation Mockingbird was a US government operation where journalists were paid to publish CIA propaganda, only uncovered by the Watergate scandal. It took a thief to unknowingly capture secret documents and recordings for the public to find out.

The list goes on and on – just as 9/11 will, so it will be interesting to see how the US Attorney, presented with evidence from so many prominent professionals will bury yet more 9/11 evidence. Don’t hold your breath though, the same questions will, no doubt, still be being asked in another 18 years time.


Ver o original em "TruePublica" (clique aqui)

A OTAN prepara uma vaga de atentados na Europa

Várias fontes, situadas em diferentes países, indicam-nos que a OTAN prepara atentados em países da União Europeia.

Durante os «anos de chumbo» (isto é, do fim dos anos 60 até aos anos 80), os Serviços Secretos da OTAN lançaram a «estratégia da tensão». Tratava-se de organizar atentados sangrentos, atribuídos aos extremistas, a fim de instaurar um clima de medo e impedir a constituição de governos de aliança nacional incluindo os comunistas. Simultaneamente, a OTAN (pretensamente defensora da «democracia») organizou golpes de Estado ou tentativas de golpe na Grécia, na Itália e em Portugal.

Os Serviços Secretos da OTAN haviam sido montados pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido a partir do Gabinete de Coordenação Política da CIA. Eles apenas prestavam contas a Washington e a Berlim, e não aos outros membros da Aliança Atlântica. Estes serviços eram chamados stay-behind (forças de retaguarda- ndT), já que podiam actuar em caso de ocupação pela URSS, e integravam os melhores especialistas da luta anti-comunista do Reich nazi.

Serviços similares haviam sido criados pelos Anglo-Saxões em todo o mundo, seja como conselheiros de governos pró-EUA, seja clandestinamente na URSS e nos Estados que lhe estavam associados. Eram coordenados através da Liga Mundial Anti-Comunista. Em 1975, três comissões dos EUA levantaram o véu sobre essas práticas —a Comissão Church no Senado, Pike na Câmara e Rockfeller na Casa Branca—. Em 1977, o Presidente Jimmy Carter nomeou o Almirante Stansfield Turner como cabeça da CIA para limpar os Serviços Secretos. Em 1990, o Presidente do Conselho italiano, Giulio Andreotti, revelou a existência do ramo dos Serviços Secretos da OTAN em Itália, o Gladio. Seguiu-se uma gigantesca revelação e comissões de inquérito parlamentares na Alemanha, Bélgica e Itália. O conjunto teria então sido dissolvido.

No entanto, anos mais tarde encontramos indícios probatórios da responsabilidade da OTAN nos atentados de Madrid, de 11 de Março de 2004, e de Londres, de 7 de Julho de 2005.

É neste contexto que em França, um gendarme móvel, e antigo legionário, foi preso a 23 de Dezembro de 2018, na gare de Lyon (Paris), quando transportava explosivos. Após 96 horas sob custódia, foi indiciado.

Nós publicamos inúmeros documentos e estudos sobre o stay-behind, nomeadamente:
- « Stay-behind : les réseaux d’ingérence américains » (Stay-Behind: as redes da ingerência americanas»- ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 20 août 2001.
- Em 16 episódios, o livro do Professor Daniele Ganser Les Armées secrètes de l’OTAN, que é taxativo.
- «La Ligue anti-communiste mondiale, une internationale du crime» («A Liga Anti-comunista Mundial, uma internacional do crime»- ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 12 mai 2004.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Crimes que nunca se poderão esquecer

Horrível é o crime de que está a ser acusada uma alemã na casa dos trinta anos, por estes dias a ser julgada, e presumivelmente condenada a prisão perpétua.
Em agosto de 2014 juntou-se ao Daesh no califado sírio-iraquiano e não tardou a integrar a polícia dos costumes, que vigiava o vestuário e o comportamento das mulheres nos espaços públicos. Casando com um militante da causa, cuidou de comprar uma miúda de cinco anos no mercado de escravos alimentado pelas minorias religiosas subjugadas pela máquina de guerra da organização. A intenção era que a criança lhe fizesse os trabalhos domésticos, mas, decerto aterrorizada, a miúda urinava no colchão onde lhe permitiam descansar. Como castigo o casal acorrentou-a no quintal, deixando-a morrer à sede sob as elevadas temperaturas da região.
Aprisionada na Turquia, aonde se deslocara para renovar o passaporte, Jennifer foi devolvida à Alemanha, sendo-lhe inicialmente permitido que regressasse a casa na Baixa Saxónia, donde nunca desistiu de voltar a partir ao encontro dos antigos cúmplices.
Terá sido quando se acumularam provas do seu crime, que entrou no radar punitivo das autoridades. judiciárias. Mas será a prisão perpétua castigo merecido para quem demonstrou tanta falta de humanidade no seu fanatismo? Sou intransigente opositor da pena de morte, mas situações assim fazem-me vacilar a convicção.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/12/crimes-que-nunca-se-poderao-esquecer.html

Capacetes Brancos: «traficantes de órgãos, terroristas, saqueadores»

A Fundação para o Estudo da Democracia apresentou esta quinta-feira, na ONU, os resultados de uma investigação sobre a acção dos Capacetes Brancos na Síria, vincando a ligação do grupo ao terrorismo.

Os capacetes brancos e a Frente Al-Nusra, Alepo, Síria, 2016. Fonte: The Libertarian InstituteCréditosFonte: The Libertarian Institute

Embora sejam louvados pelas potências ocidentais pelo trabalho «voluntário de resgate humanitário», a acção dos Capacetes Brancos não fica assim tão bem vista após a investigação realizada pela Fundação para o Estudo da Democracia, sedeada na Rússia e cujos resultados foram ontem apresentados pelo seu director, Maxim Grigoriev, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque.

De acordo com Grigoriev, os Capacetes Brancos trabalham com grupos terroristas na Síria, roubam órgãos às vítimas que fingem estar a evacuar, participam na encenação de falsos ataques com armas químicas e outro tipo de ataques, e saqueiam as casas dos sírios mortos e feridos na guerra.

Presente na audiência, o representante permanente da Rússia junto das Nações Unidas, Vassily Nebenzia, afirmou que as provas apresentadas mostram que o grupo – há muito denunciado pelas autoridades sírias – é «perigoso», e defendeu a sua inclusão na lista de grupos terroristas designada pelas Nações Unidas.

O relatório baseou-se em entrevistas a mais de 100 testemunhas oculares, incluindo 40 membros dos Capacetes Brancos, 50 residentes de bairros de cidades sírias onde eles actuaram e 15 antigos combatentes terroristas. Para além disso, indica a RT, foram consultados mais de 500 civis nas cidades de Alepo e Daraa.

Pagos, traficantes de órgãos, militantes de grupos terroristas

«Em vez de serem voluntários, quase todos os membros dos Capacetes Brancos eram pagos», explicou Grigoriev, acrescentando ter «provas irrefutáveis» de que recebiam ordens por escrito do grupo terrorista Jaysh al-Islam.

«As pessoas evacuadas pelos Capacetes Brancos muitas vezes não voltavam com vida; apareciam mortas e sem os órgãos internos», disse Grigoriev, referindo-se aos testemunhos de residentes entrevistados.

Um dos testemunhos sobre a matéria é um antigo membro do grupo terrorista Ahrar al-Sham, que disse o comandante da organização, Shadi Kadik, conhecido como Abu Adel al-Halabi (de Alepo), aceitou participar na colheita de órgãos. Só em Alepo, «há várias centenas» de casos envolvendo roubo de órgãos humanos, disse Grigoriev.

O director da Fundação destacou ainda a prática habitual da pilhagem de casas destruídas por parte dos membros dos Capacetes Brancos, bem como a sua participação «na falsificação de ataques químicos, que era uma parte essencial das suas actividades». Um ataque por eles encenado em Douma, nos arredores de Damasco, esteve na origem do ataque com mísseis contra instalações do Exército sírio por parte da França, do Reino Unido e dos EUA, em Abril deste ano.

A propósito da «especialização» na «criação de falsas notícias e organização de evacuações encenadas», Grigoriev lembrou o caso ocorrido em Jisr al-Haj (Alepo), onde militantes incendiaram lixo e, depois, trouxeram corpos da morgue local, para encenar uma «evacuação» – filmada – pelos Capacetes Brancos. De acordo com uma testemunha, cada membro desta organização recebeu 50 dólares a mais pelo trabalho.

Em Ghouta Oriental, a Fundação estima que entre 100 e 150 membros da organização alegadamente humanitária fossem também membros de grupos terroristas, vangloriando-se desse facto nas redes sociais, mas negando-o sempre que eram entrevistados por repórteres ocidentais.

Em Julho deste ano, em plena operação de libertação do Sudoeste do país por parte do Exército sírio, centenas de membros dos Capacetes Brancos foram «salvos» por Israel, que os evacuou para a Jordânia, cujo governo disse ter aceitado a operação na medida em que o Reino Unido, o Canadá e a Alemanha tinham aceitado acolhê-los como refugiados.

A este propósito, Vassily Nebenzia disse entender que os Capacetes Brancos sejam defendidos no Ocidente. «Tem lógica proteger um investimento», frisou.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/capacetes-brancos-traficantes-de-orgaos-terroristas-saqueadores

Da ilusão da segurança

«Estava, como habitualmente, nos trabalhos da sessão plenária de Estrasburgo quando soube, ainda antes de ser notícia, que estava a haver um tiroteio no centro da cidade. É impossível não sofrer quando há tragédias, quando há mortes e ferimentos graves de pessoas que se limitavam a viver a sua vida ou a fazer o seu trabalho. É também evidente que toca ainda mais fundo quando, entre as pessoas atingidas, estão pessoas de quem sabemos os nomes, conhecemos ou nos cruzámos, como o jornalista italiano que estava a fazer a cobertura do mercado de Natal ou o músico polaco que integrava o movimento da música pela paz.
Talvez pelo facto de estar a decorrer o mercado de Natal, que é dos mais visitados do mundo, e na sequência das manifestações dos coletes amarelos, à chegada para a esta sessão plenária esperava-nos um aparato de "segurança" muito superior ao habitual. Os acessos ao Parlamento com mais controlo, a ter de se mostrar identificação não apenas à entrada como antes de entrar no perímetro da instituição, e a verificação das carteiras e das mochilas em cada um dos acessos ao centro da cidade, mas alargando o perímetro do centro em relação ao ano anterior. Ainda assim, o tiroteio aconteceu.
Pensei bastante sobre isto. O tiroteio decorreu na altura do ano em que a cidade está mais vigiada e, teoricamente, mais protegida. Esta coisa de nos armarmo-nos até aos dentes e de com isso se promover uma ideia de suposta segurança não é mais do que isso, armarmo-nos até aos dentes e promover uma ideia de suposta segurança. Como? Com mais militares nas ruas, mais forças policiais, mais seguranças, mais armas. Vê-los cria a ilusão e essa imagem naturaliza-se como sendo "a segurança". Devo confessar que a mim sempre me pareceu um sinal de profunda insegurança e que não percebo a ideia de que mais armas na rua são sinónimo de mais segurança. Pergunte-se aos familiares e aos amigos dos milhares de pessoas que todos os anos perdem a vida nos Estados Unidos ou no Brasil como é que encher as ruas de armas lhes trouxe mais segurança. Pergunte-se aos familiares e amigos das mulheres assassinadas todos os anos em Portugal ou em Espanha se ter armas em casa lhes trouxe mais segurança.
Do mesmo modo, custam-me as leituras simples. Quer saber-se sempre qual a nacionalidade dos criminosos e das vítimas. Quando se confirma, como até hoje, que a nacionalidade de todos os criminosos é europeia, vai-se até à origem. A origem serve para confirmar que têm família não europeia, de preferência do Médio Oriente ou de África. Já quanto às vítimas, ficamo-nos pela referência restrita da nacionalidade, de preferência europeia. E de que serve isto? Serve para alimentar outra ilusão, a de que se acabarmos com as migrações acabamos com a insegurança.
Ambas as teses não são apenas falsas, são perigosas. Não resolvem nenhum dos problemas estruturais que vivemos e agravam-nos. Há algum tempo, eu escrevia que a UE até poderia sobreviver a uma crise social, mas não sobreviveria a uma crise identitária. Eis que estamos perante uma equação que as junta e não se vê solução à vista. As políticas que nos trouxeram aqui são as mesmas que vendem estas ilusões. Demos a volta à equação e comecemos por duas outras premissas: só a paz nos pode salvar da guerra, só a eliminação das desigualdades nos pode salvar da insegurança. Que tal ter antes estes pontos de partida?»
.

Leia original aqui

Serguei Lavrov denuncia a manipulação do antiterrorismo

O Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, denunciou veementemente, em 7 de Novembro de 2018, a manipulação do conceito de antiterrorismo pelos Anglo-Saxões.

Segundo o Ministro, o novo conceito de «luta contra o extremismo opressivo» visa validar as ações dos terroristas quando eles servem a estratégia anglo-saxónica contra os governos que qualificam de «autoritários».

Lavrov lembrou que cada Estado é responsável, de acordo com as suas próprias leis, pelo modo como luta contra a ideologia extremista, enquanto a cooperação intergovernamental está sujeita à legislação universal das Nações Unidas.

Ele sublinhou que: «Os autores deste conceito [de «luta contra o extremismo opressivo»] estão sobretudo prontos a justificar os extremistas e a excluí-los de qualquer responsabilidade penal».

Sobre o mesmo assunto, leia-se: “Síria: a paz supõe a condenação internacional da ideologia dos Irmãos Muçulmanos”, por Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 6 de Novembro de 2018.





Ver original na 'Rede Voltaire'



A desenvoltura de Laurent Fabius

O Ministro dos Negócios dos Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, deu uma entrevista à Russia Today. Nesta, ele revela uma conversa telefónica com o seu homólogo francês, aquando da «Operação Serval» no Mali, Laurent Fabius.

«A França queria que o seu contingente no Mali obtivesse a aprovação do Conselho de Segurança da ONU para lutar contra essa ameaça terrorista. Laurent [Fabius] ligou-me e pediu-me para não nos opormos nele [...] Mas é preciso ter em mente, disse-lhe eu a ele, vocês vão reprimir as actividades de gente que armaram na Líbia. Ele riu-se e disse-me: «É a vida». E deve-se dizer, seja como for, que «é a vida» não é política. Evidentemente, é o princípio de dois pesos e duas medidas», declarou Serguei Lavrov.





Ver original na 'Rede Voltaire'



O anti-terrorismo versão Trump

Se a nova estratégia anti-terrorista dos Estados Unidos não muda grande coisa nessa luta, ela modifica em profundidade as regras de trabalho do Pentágono e da Secretaria da Segurança da Pátria. Não se trata tanto de uma racionalização daquilo que foi construído desde 2001, mas, mais, de uma redefinição de missões do Estado Federal.

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A Casa Branca publicou, a 4 de Outubro de 2018, a nova «Estratégia Nacional Contra-terrorista» (National Strategy for Counterterrorism) [1]. Este documento é apresentado como uma ruptura com o que a precedeu na matéria, o texto anterior datando da Administração Obama havia sido difundido em 2011. Na realidade, trata-se de um compromisso entre o Presidente Trump e o Pentágono.

Preâmbulo

O terrorismo é um método de combate ao qual todos os exércitos se reservam o direito de recorrer. As cinco potências permanentes do Conselho de Segurança fizeram um uso selectivo dele durante a Guerra Fria.

Nesse período, os actos terroristas eram, ou mensagens de Estado a Estado, ou operações secretas visando inibir um protagonista. Hoje em dia são generalizadas. Já não fazem parte do diálogo secreto entre Estados, antes visam enfraquecê-los.

A título de exemplo para os nossos leitores franceses, lembremos que durante a guerra civil do Líbano, o Presidente François Mitterrand comanditou o atentado contra o Gabinete da conscrição militar de Damasco, provocando 175 mortos, em retorsão pelo assassinato do Embaixador da França em Beirute, Louis Delamarre. Ou ainda, em 1985, o Presidente mandou explodir um barco da Greenpeace, o Rainbow Warrior, causando 1 morto, porque a sua presença impedia a continuação de ensaios nucleares no Pacífico.

Ambiguidades

Três ambiguidades permanecem constantes na retórica dos EUA desde 2001 :

  • - A noção de «Guerra Mundial contra o terrorismo» (GWOT), formulada por George Bush Jr., nunca teve o menor sentido. A palavra «terrorismo» não designa inimigos, mas um método de combate. A «guerra ao terrorismo» não tem, portanto, maior significado que a «guerra à guerra». Com efeito, tratava-se, antes, de anunciar aquilo que Donald Rumsfeld chamou a «guerra sem fim» : quer dizer a estratégia do Almirante Arthur Cebrowski de destruição das estruturas estatais dos países não-conectados à economia globalizada.
  • - O desenvolvimento das organizações muçulmanas que praticam o terrorismo apoia-se sobre uma ideologia, a do islão político, defendida e propagada pela Confraria dos Irmãos Muçulmanos. Simultaneamente, uma variante desta ideologia é propagada por certas correntes iranianas, mesmo se estes raramente fazem uso do terrorismo. Nada serve lutar contra o sintoma (a multiplicação de actos terroristas) sem lutar contra a doença (o islão político).
  • - A palavra «terrorismo» tornou-se pejorativa. Ela é muitas vezes empregue a propósito de organizações que só excepcionalmente praticam esse método de combate, mas que a Casa Branca deseja diabolizar (por exemplo o Hezbolla).

Evolução do anti-terrorismo

- Lançada pelo Presidente Bush Jr, após os atentados de 11 de Setembro de 2001, a guerra mundial contra o terrorismo não atingiu o seu anunciado objectivo. Muito pelo contrário, o número de actos terroristas no mundo não deixou de aumentar às dezenas. Toda ce tintamarre não passou de uma desculpa para instaurar uma vigilância generalizada sobre os cidadãos dos EUA (o Patriot Act e a criação do Secretariado para a Segurança da Pátria) e para justificar guerras de agressão (Afeganistão, Iraque).

- O Presidente Obama higienizou este sistema. Ele pôs fim a certas práticas (por exemplo a utilização da tortura) e não usou esta retórica para justificar as agressões contra a Líbia e a Síria. Ele enterrou a polémica sobre os atentados do 11-de-Setembro, manteve o Patriot Act (Lei Patriota-ndT) e desenvolveu as agência de vigilância da população. Só evocou a guerra ao terrorismo para criar um amplo esquema de assassinatos selectivos, a maior parte das vezes realizados através de drones. Simultaneamente, ele encenou a «morte» de Osama Bin Laden para reintegrar os seus companheiros no dispositivo inicial da CIA. Foi assim que se apoiou na Alcaida para as operações em terra na Líbia e na Síria. Finalmente, ele apoiou a criação de um Califado a cavalo sobre o Iraque e a Síria, fingindo, ao mesmo tempo, combater o Daesh (E.I.).

- O Presidente Trump, que havia previsto pôr fim ao uso do terrorismo pelos Aliados, foi forçado a modificar os seus objectivos após a demissão forçada do seu Conselheiro de Segurança Nacional, o General Michael T. Flynn. No fim, forçou os países do Golfo à cessar de financiar exércitos terroristas, pôs fim ao Califado enquanto Estado, e inscreveu a luta contra o terrorismo entre os objectivos da OTAN.

A nova estratégia anti-terrorista dos EUA

A nova doutrina dos EUA tenta conciliar o objectivo dos «Estados Unidos primeiro» (America first!) e as ferramentas do Estado Federal. Ela estabelece portanto que, agora, Washington apenas combaterá as organizações terroristas que ataquem os seus interesses. Ainda interpreta os «seus» interesses em sentido mais amplo, incluindo Israel.

Para justificar esta anexação estratégica, ela recicla a retórica de Bush Jr proclamando a necessidade de defender os Estados Unidos —e Israel incluído— porque eles são «a guarda avançada da liberdade, da democracia e da governança constitucional» (sic).

O Presidente Trump designa pois como organizações a combater:

- os grupos de tipo Alcaida, Daesh, Boko Haram, Tehrik-e-Taliban, Lashkar-e-Tayyiba na medida em que eles continuam a encorajar os seus combatentes a atacar os interesses dos EUA ;
- os grupos que resistem a Israel (Irão, Hezbolla, Hamas) ;
- outros extremistas (neo-nazis do Movimento de resistência nórdica e do National Action Group, siques de Babbar Khalsa, em resumo diferentes supremacistas).

Não escapa a ninguém que a designação de grupos muçulmanos e siques baseados no Paquistão prepara provavelmente uma operação de desestabilização desse país. Após o Daesh (EI) em Palmira, os nazis na Ucrânia e a «revolução» na Nicarágua, o Paquistão poderia ser o quarto sítio de perturbação do projecto chinês, «a Cintura e a Rota».

As prioridades

O que segue da nova estratégia, é o enunciado de ações a desenvolver. O Presidente Trump reconhece, prontamente, que os Estados Unidos não podem fazer tudo de uma vez e definem, portanto, as suas escolhas «prioritárias» ; uma maneira elegante de explicitar aquilo que não mais se deve fazer.

Note-se, de passagem, que o Presidente Trump valida a detenção de jiadistas em nome das leis da guerra; uma detenção que poderia ser perpétua tendo em conta a impossibilidade de acabar com esta guerra num prazo razoável.

As três grandes inovações são :

- O dispositivo, concebido internamente nos Estados Unidos, para vigiar as entradas no território e de rastreio de suspeitos, deverá ser estendido ao conjunto dos países Aliados. O lema dos «Estados Unidos primeiro» não significa os «Estados Unidos isoladamente». Quer a Casa Branca queira ou não, o Pentágono tentará restabelecer o «Império Americano» fingindo coordenar a luta anti-terrorista.

- Se existia até agora uma propaganda para lutar contra o alistamento de novos jiadistas, o Pentágono e o Secretariado para a Segurança da Pátria estão autorizados a fazer dela uma ideologia de Estado para mobilizar toda a sociedade. O anti-terrorismo é levado a tornar-se o que foi o anti-comunismo na época do Senador Joseph McCarthy.

- Ao mesmo tempo que combate os grupos qualificados de «terroristas», o Pentágono considerará, agora, que não pode prevenir todos os atentados no seu solo. Ele irá, portanto, desenvolver um programa de reparação de danos. É uma mudança completa de mentalidade. Até aqui, nunca nenhum inimigo atingiu o solo norte-americano e os exércitos dos EUA estão espalhados pelo mundo fora para impor a lei de Washington. O Pentágono começa a pensar em si como uma força de Defesa do território.

Em resumo, esta nova Estratégia Nacional anti-terrorista está muito distante das análises formuladas durante a campanha eleitoral por Donald Trump e Michael T. Flynn. Ela não terá mais que um reduzido impacto neste domínio. É para um outro lugar que devemos procurar entender a sua utilidade: o Presidente reformula passo a passo o aparelho de segurança do Estado Federal. Se for aplicado, este texto terá consequências profundas a longo prazo. Ele faz parte da vontade de transformar Forças Armadas imperialistas em órgãos de Defesa Nacional.


[1] National Strategy for Counterterrorism, The White House, October 2018.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Coalizão internacional evacua terroristas do Daesh de Deir ez-Zor

Edifícios destruidos em Deir ez-Zor
© REUTERS / Khalil Ashawi

A coalizão internacional liderada pelos EUA evacuou os terroristas do Daesh (proibido na Rússia e em vários outros países) da província síria de Deir ez-Zor, situada no nordeste da Síria, comunicou no domingo (7) a agência estatal síria SANA, citando moradores locais.

"No sábado [6] helicópteros da coalizão liderada pelos EUA pousaram perto da cidade de Al-Shafeh, uma bolsa no sudeste da província de Deir ez-Zor onde terroristas se encontram posicionados, e retiraram vários combatentes do Daesh de diferentes nacionalidades", informou a agência.


Exercícios de sistemas de mísseis Fateh, Irã (foto de arquivo)
© AFP 2018 / ARASH KHAMOUSHI / ISNA NEWS AGENCY

Em 22 de setembro a SANA informou que helicópteros da coalizão internacional evacuaram os líderes do Daesh do sudeste de Deir ez-Zor e voaram em direção desconhecida. De acordo com a nota da Operação Inherent Resolve (OIR), a coalizão não realizou quaisquer operações de evacuação de terroristas do Daesh.

 Os EUA e aliados realizam, desde 2014, ataques aéreos no Iraque e na Síria contra o Daesh. As operações na Síria são realizadas sem a autorização do governo do país. A Rússia deu início à missão antiterrorista na Síria em setembro de 2015 para dar suporte ao governo de seu aliado, o presidente Bashar Assad, e ajudou o governo sírio a retomar boa parte dos territórios que estavam sob comando de rebeldes.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018100712385512-coalizao-internacional-siria-evacua-terroristas-daesh-siria/

Analistas apontam para região que pode vir a ser novo 'ninho de vespas' do Daesh

Supostos militantes dos grupos terroristas Daesh e Talibã em uma delegacia no Afeganistão, 3 de outubro de 2017
© AFP 2018 / Noorullah Shirzada

Centro Antiterrorista da Comunidade dos Estados Independentes declarou que terroristas estão planejando criar um "califado" na Ásia Central. O cientista político Andrei Koshkin comentou a situação em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) quer criar um "califado" na Ásia Central, revelou Andrei Novikov, diretor do Centro Antiterrorista da Comunidade dos Estados Independentes, organização supranacional que engloba 11 repúblicas da antiga União Soviética.

De acordo com ele, terroristas estão tentando ativar células adormecidas na região.


O vice-primeiro-ministro do Quirguistão, Zhenish Razakov, sublinhou que ameaça terrorista na Ásia Central está aumentando cada vez mais e se tornando permanente. Maior preocupação é evidenciada nos terroristas que estão tentando invadir região do norte do Afeganistão para desestabilizar a situação, acrescentou.

Ainda em junho, o vice-diretor do Serviço Federal de Segurança e chefe do Comitê Nacional Antiterrorista da Rússia, Igor Sirotkin, declarou que o Daesh, apesar das perdas constantes, continua se espalhando pelo mundo como ameaça séria.

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o cientista político-militar e diretor do Departamento de Ciências Políticas e Sociologia da Plekhanov Universidade Russa de Economia, Andrei Koshkin, comentou a situação.

"É necessário lutar contra o terrorismo internacional em todo o mundo, e somente não em alguns países, que assumem a missão extremamente difícil, responsável e importante [de acabar com o terrorismo]", comentou ao serviço russo da Rádio Sputnik o cientista político-militar.


De acordo com Koshkin, o pseudocalifado do Daesh, destruído na Síria e no Iraque, seria reestabelecido em regiões do planeta onde há grandes problemas — acima de tudo — na esfera socioeconômica e onde há possibilidade de organizações terroristas desenvolverem seu trabalho obscuro.

"Hoje em dia, regiões deste tipo não são poucas, mas a Ásia central é o local, onde organizações terroristas se sentem muito seguras e, infelizmente, juntam forças e multiplicam possibilidades. E se nenhuma medida radical for posta em prática, então será formado um novo ‘ninho de vespas' do terrorismo internacional", concluiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018092512289629-daesh-ninho-vespas-terroristas-regiao/

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