Suécia

O extremismo da política sueca de imunidade do rebanho. Por Sinéad Baker

Espuma dos dias Suécia

Segundo os dados de múltiplas fontes, a doença Covid 19 é tanto mais perigosa quanto mais se sobe na faixa etária e também tanto mais quanto mais elevada forem as morbilidades dos atingidos faixa etária a faixa etária. Nos sistemas de Previdência Social a Ocidente fragilizados já pelas várias crises que se lhe sucederam e pela precariedade em que vivia grande parte da população, a maioria que hoje diríamos de trabalhadores essenciais, a Covid veio expor as fragilidades das nossas sociedades.

Olhemos para um exemplo de letalidade por faixas etárias no Reino Unido publicado pela BBC:

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Sejamos agora cínicos: no caso britânico cerca de 87% dos falecidos por Covid-19 estariam em princípio reformados. Isto significaria que o Covid-19 limparia parte dos problemas ligados às pensões de reforma uma vez que eliminaria grande parte dos reformados de hoje que pesam no sistema de pensões. Adicionalmente ajudaria financeiramente o sistema de saúde nacional porque também aqui limparia muita gente que é vítima de comorbilidades, e situada em todas as faixas, mas naturalmente com predominância situada nas faixas etárias acima dos 64 anos. Dois dos pilares mais fragilizados pelas políticas neoliberais dos últimos anos, seriam assim saneados pelo Covid-19.

Mas convenhamos, estranha forma de equilibrar o sistema e tudo isto me faz lembrar a peça que escrevi em torno 18 anos da minha neta e da sua leitura dos livros de Charles Dickens. Relembremos aqui, em torno de uma das posições de Scrooge face aos pobres:

“… “Não há prisões?” disse o Espírito, voltando-se contra ele pela última vez com as suas próprias palavras. “Não há casas de trabalho forçado para os pobres?” Na história de Charles Dickens de 1843 Um Cântico de Natal, o Fantasma do Natal Presente relembra a resposta sarcástica de Scrooge a um pedido de caridade para os “milhares [que] estão em falta de bens de necessidades básicas; centenas de milhares [que] estão em falta de conforto comum”. Quando se diz a Scrooge que ‘muitos preferem morrer’ a entrar para uma casa de trabalho forçado, ele responde que nesse caso ‘é melhor que o façam, e diminui-se assim o excesso de população’.”

Não será a imunização de grupo praticada por alguns dos regimes atuais uma forma de retomar os tempos de Dickens em que agora, em vez de se falar da eliminação dos pobres, se fala da eliminação de velhos e de doentes, se fala dos que pesam no sistema em termos de rentabilidade, de uma eliminação a ser feita em nome do bem-estar do grupo?  Estarei enganado?

Deixo-vos com o texto que acompanha esta nota

JM

Coimbra, 21 de Junho de 2020

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Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

O extremismo da política sueca de imunidade do rebanho [1]

Sem confinamento, a Suécia está a obrigar os pais a mandar os seus filhos para a escola. Alguns temem que seus filhos possam ser-lhes retirados se recusarem.

Sinéad Baker Por Sinéad Baker

Publicado por Business Insider em 21/06/2020 (ver aqui)

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Um rapaz atravessa a correr uma praça em Estocolmo, na Suécia, a 8 de maio de 2020. ONATHAN NACKSTRAND/AFP via Getty Images

 

– A Suécia tem mantido escolas abertas para crianças com menos de 15 anos, o que faz parte da sua política de evitar um confinamento generalizado durante a pandemia do coronavírus.

– A sua política é a de que os alunos devem frequentar fisicamente a escola em quase todas as circunstâncias, incluindo os alunos com condições que alguns indícios sugerem que podem torná-los mais expostos ao risco de apanharem o COVID-19.

– A Business Insider falou com alguns pais de muitas regiões da Suécia que estão a desobedecer às regras para manter os seus filhos em casa.

– Muitos afirmam que os funcionários locais ameaçaram envolver os serviços sociais se os pais não cedessem e não mandassem os filhos para a escola.

– Alguns pais dizem que o seu maior receio é que os seus filhos lhes sejam tirados.

– Os funcionários suecos disseram à Business Insider que normalmente não recorreriam a uma medida tão extrema, embora não negassem que se tratava de uma possibilidade.

 

A Suécia está a obrigar os pais a continuarem a enviar os seus filhos para a escola – incluindo os estudantes com condições que alguns indícios sugerem que podem torná-los mais em risco de apanhar o COVID-19 – como parte da sua política para evitar um confinamento em grande escala em resposta ao coronavírus.

Embora os sistemas escolares de outros países tenham cessado ou restringido fortemente a aprendizagem presencial, a Suécia diz que qualquer pessoa com menos de 15 anos deve continuar a frequentar a escola. Quase não há exceções.

Alguns pais recusaram-se a cumprir, provocando um impasse em relação aos funcionários do Estado.

Eles preocupam-se com o facto de esta situação poder acabar por se traduzir na retirada dos seus filhos – a represália do Governo em última instância -, embora os funcionários sublinhem que isso só aconteceria em cenários extremos.

A Business Insider falou com sete pais e professores de diversas regiões da Suécia, muitos dos quais decidiram manter os seus filhos em casa apesar das instruções em contrário do Governo.

Para alguns, são os seus filhos que poderão estar em risco elevado de apanhar o COVID-19, enquanto outros pais se consideram vulneráveis e temem que os seus filhos possam trazer a doença para casa.

Em cada caso, o Business Insider contactou os funcionários responsáveis pela educação das crianças, mas nenhum deles ofereceu uma resposta até ao momento da publicação.

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O filho de Mikaela Rydberg, que tem precisado frequentemente de tratamento com oxigénio. Mikaela Rydberg

Mikaela Rydberg e Eva Panarese são ambas mães em Estocolmo que mantêm os seus filhos em casa. O filho de Ryberg, Isac, que tem oito anos, tem paralisia cerebral e sofre de doenças respiratórias. Rydberg disse que já tinha sido hospitalizado com constipações e gripe.

No entanto, os seus esforços para persuadir a escola dele de que ele deveria ser mantido em casa para se proteger da COVID-19 não foram bem sucedidos.

Os funcionários de saúde suecos não consideram as crianças como um grupo em risco do coronavírus – mesmo crianças como Isac. Como este é o conselho oficial, os médicos recusaram-se a conceder a Isac uma isenção médica de ida à escola.

Em vez disso, Rydberg manteve-o em casa desde Março contra as instruções da escola, o que, segundo ela, levou os funcionários do governo local a dizerem-lhe que talvez tenham de envolver os serviços sociais.

A escola não respondeu ao pedido de comentários da Business Insider, enquanto a administração local, Upplands Väsby, afirmou: “Seguimos as recomendações das nossas autoridades e não fazemos comentários sobre casos individuais”.

Ela disse que por se tratar de uma questão de bem-estar do seu filho, não está preocupada com o que se poderá seguir. “Eu estou tão certa de que tenho razão que não estou preocupada com aquilo com que me ameaçam”, disse.

“A menos que me possam assegurar a 100% que ele não ficará realmente, realmente doente ou pior por causa deste vírus, então não o deixarei ir à escola”.

 

“A escola é obrigatória”.

Eva Panarese é mãe de dois filhos. Ela mantém o seu filho em casa para minimizar a exposição ao marido, que sofreu recentemente de pneumonia.

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Eva Panarese e a sua família. Eva Panarese

Panarese disse que ela relutantemente mandou a filha de volta à escola porque as épocas de exames estão a aproximar-se e ela sentiu que não havia outra opção.

Os e-mails da escola da criança analisados pela Business Insider insistem que as crianças vão à escola durante a pandemia, citando a política do governo. Uma mensagem, enviada em Abril, dizia: “Temos de voltar a sublinhar que a escola é obrigatória.”

Panarese disse que a sua situação mostra que não é possível proteger alguns membros de um agregado familiar se outros ainda forem obrigados a ir à escola e correrem o risco de infeção.

“Não sei quem estará certo ou errado, mas não quero assumir o risco”, disse. “Não quero fazer parte de uma grande experiência”.

A escola não respondeu ao pedido de comentários da Business Insider.

 

Sem excepções

A Agência de Saúde Pública da Suécia afirma que “não existem provas científicas” de que o encerramento de escolas ajudaria a mitigar a propagação do vírus.

A agência afirmou que fazê-lo “teria um impacto negativo na sociedade”, deixando os trabalhadores essenciais a lutar para encontrar estruturas de acolhimento de crianças. Segundo a agência, tal política pode colocar outros grupos de pessoas – como os avós – em maior risco se cuidarem de crianças.

A Suécia acredita firmemente nos direitos da criança, o que inclui o direito à educação, e normalmente não permite que essa aprendizagem tenha lugar fora da escola.

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As pessoas desfrutam de um tempo quente e primaveril durante o surto de coronavírus em Estocolmo, na Suécia, em 22 de Abril de 2020. ANDERS WIKLUND/TT NEWS AGENCY/AFP via Getty Images

 

Apenas o pessoal ou as crianças com sintomas devem ficar em casa, diz a Agência de Saúde Pública.

A Suécia não inclui as crianças como grupo de risco, mesmo as crianças que têm condições que, segundo reconhecem, aumentam a vulnerabilidade dos adultos, como a diabetes, os cancros do sangue, as condições imunossupressoras ou os tratamentos de cancro em curso.

Os estudos sugerem que as crianças correm geralmente menos riscos do que outros grupos, mas a maioria dos países fechou escolas ou mudou radicalmente o seu modo de funcionamento. Estão também a ser descobertos novos efeitos do vírus nas crianças, à medida que a pandemia avança.

O Governo prossegue a sua política habitual, que diz que quando as crianças estão repetidamente ausentes, as escolas devem investigar e, em alguns casos, informar as autoridades locais da situação, o que pode envolver os serviços sociais. O medo do coronavírus não é considerado uma razão válida para manter as crianças em casa.

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As pessoas aproveitaram o clima quente da Primavera em Estocolmo, a 21 de Abril de 2020, durante a pandemia da COVID-19.Jonathan Nackstrand/AFP via Getty Images

 

Medo de perderem os seus filhos

Ia Almström vive em Kungälv, a cerca de meia hora de carro da segunda maior cidade da Suécia, Gotemburgo.

As autoridades de Gotemburgo ameaçaram levá-la a tribunal se os seus filhos continuarem fora da escola.

Almström tem três filhos, que mantém em casa desde abril, porque enfrenta um risco acrescido do vírus devido à sua asma.

Recebeu uma carta do governo local em 5 de maio, vista por Business Insider, que dizia que ela poderia ser encaminhada para os serviços sociais, onde poderia enfrentar uma ordem judicial ou uma multa.

A autoridade em questão, Kungälvs Kommun, recusou-se a comentar o caso de Almström.

Almström disse: “É sem sentimentos a forma como a Suécia nos trata. Eles não levam a sério os nossos receios. Nós não recebemos ajuda, apenas ameaças”.

Almström disse que ela e muitos pais “têm medo de perder os nossos filhos ou algo parecido “.

“É isso que eles fazem quando pensam que os pais [não podem] tomar conta das crianças”. Depois afastam as crianças dos pais”. Por isso é algo de que temos medo”.

 

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Um grande cartaz dos serviços de saúde da Suécia é colocado num pavimento no coração de Estocolmo para instruir as pessoas a seguir a regra dos 2 metros, a fim de reduzir o risco de adoecerem. Em 4 de maio de 2020 durante a nova pandemia do coronavírus Covid-19. JONATHAN NACKSTRAND/AFP via Getty Images

Último recurso

Uma porta-voz do Conselho Nacional de Saúde e Bem-Estar Social da Suécia afirmou que tirar aos pais uma criança é o último recurso do Governo. Ela afirmou: “Normalmente, os serviços sociais falam com a criança, os pais e a escola – tentando descobrir o problema subjacente”.

“É um grave passo estar a afastar uma criança dos pais – não só a ausência escolar será normalmente uma razão para colocar uma criança em lares ou em famílias de acolhimento”, afirmou, deixando entender que outras questões com a forma como as crianças estão a ser tratadas ou criados teriam de ser encontradas para que a ação tivesse lugar.

No entanto, a escalada não é a única saída – alguns pais chegam a um compromisso com as suas escolas.

Jennifer Luetz, originária da Alemanha, vive a cerca de 160 km de Estocolmo, na cidade de Norrköping.

Ela disse que contactou a escola dos seus filhos no dia 12 de março para dizer que eles ficariam em casa, uma vez que tem um sistema imunitário enfraquecido.

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Uma enfermeira veste equipamento de proteção individual (EPP) numa tenda de um hospital de Estocolmo antes de testar um doente com o coronavírus na Suécia, em 22 de abril de 2020. Jonathan Nackstrand/AFP via Getty Images

Disse que a escola foi “compreensiva” e ajudou os seus filhos a trabalharem em casa.

Os funcionários, disse ela, decidiram não agravar o seu caso, uma vez que ela descreveu uma “razão válida” para os manter em casa.

Outros pais têm tido dificuldade em chegar a acordos semelhantes.

E Luetz disse que ainda está preocupada com a abordagem da saúde pública da Suécia e que enfrentou consequências sociais pela sua decisão.

“A minha rede de amigos sueca basicamente secou da noite para o dia”, disse ela. “Os meus amigos suecos deixaram de falar comigo”.

 

Os professores também estão preocupados

Um professor em Estocolmo, que pediu para permanecer anónimo por não estar autorizado a falar, disse que concorda com muitos dos pais que mantêm os seus filhos afastados.

O professor disse a Business Insider: “Não acredito que um bom epidemiologista nos obrigue a mandar os nossos filhos à escola quando muitos lares têm pessoas em risco a viver no mesmo lar”. O professor é originário dos EUA, mas vive em Estocolmo há seis anos, e disse que a sua esposa pertence a um grupo de risco.

O professor disse que eles se preocupam com a saúde dos professores mais velhos e dos pais que são idosos ou vulneráveis.

Andreia Rodrigues, uma professora do pré-escolar que também trabalha em Estocolmo, considerou o plano do governo “inaceitável”.

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As pessoas passeiam na rua principal da cidade velha de Estocolmo, na Suécia, em 25 de Março de 2020, enquanto o mundo luta contra o coronavírus. JONATHAN NACKSTRAND/AFP via Getty Images)

Ela disse que deixa os pais a terem de “decidir se querem enfrentar a escola e depois assumir as consequências”.

“Mesmo que as crianças tenham pais que tenham confirmação de terem o COVID-19 em casa, ainda lhes é permitido estar na escola “, disse.

“Não podemos recusar de receber  as crianças, mesmo que os pais venham ter connosco e nos digam, “eu tenho COVID-19′”.

 

 

“Temos tido sorte de ainda não termos sido denunciados”.

Lisa Meyler, que vive em Estocolmo, disse que tem mantido a sua filha de 11 anos em casa desde março.

Meyler tem uma doença auto-imune enquanto o seu marido é asmático.

“Recusamo-nos a colocar conscientemente em risco a saúde e a vida da nossa filha”, disse Meyler, dizendo que “não a deixará fazer parte desta experiência de imunidade do rebanho”.

“Tivemos a sorte de ainda não ter sido notificados, mas já foi tornado claro que não é uma opção deixá-la ficar em casa depois das férias de Verão”.

A escola que a sua filha frequenta não respondeu ao pedido da Business Insider para esclarecer a sua política.

Ela disse que ” retirarem-lhe os filhos é o maior receio” para os pais.

 

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A autora: Sinéad Bakeré repórter de notícias baseada no escritório da Business Insider em Londres. Cobre com mais frequência notícias de última hora, política dos EUA e censura global. É uma jornalista de investigação, com vasta experiência em notícias de última hora destinadas a audiências internacionais e com foco na política norte-americana e irlandesa. Publica em Business Insider, the Guardian, the Observer, the Independent, and TheJournal.ie e é antiga editora do multi-premiado The University Times. Licenciada em Lieteratura Inglesa e Filosofia pelo Trinity College de Dublin, e mestre em Jornalismo de Investigação pela City University de Londres.

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Nota

[1] O título do artigo é da responsabilidade do editor da versão portuguesa.

 

 

 

 

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/06/22/o-extremismo-da-politica-sueca-de-imunidade-do-rebanho-por-sinead-baker/

Suécia ultrapassa as 5.000 mortes. Progresso “surpreendentemente lento” na imunidade de grupo

 

O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven

As autoridades suecas continuam a defender que a estratégia não foi errada, ainda que admitam que a imunidade de grupo parece difícil de alcançar.

 

Esta quarta-feira, a Suécia ultrapassou a marca das 5.000 mortes por covid-19. A Agência de Saúde Pública informou que registou 5.041 mortes, o que representa a quinta maior taxa de mortalidade do mundo, com 499,1 por milhão de habitantes.

O epidemiologista chefe da Agência de Saúde Pública Anders Tegnell insistiu repetidamente que os confinamentos não funcionam. No entanto, admite agora que os números da imunidade de grupo estão a progredir de forma “surpreendentemente lenta“, apesar de manter a confiança na estratégia sueca.

“Quando os países levantarem as restrições e as rotinas normais forem retomadas, o vírus começará a circular novamente. Não se pode eliminar o vírus inteiramente a longo prazo”, disse na terça-feira.

No mesmo dia, foi revelado um estudo que indicou que 14% dos habitantes de Estocolmo que fizeram um teste voluntário a um custo de 750 coroas suecas (80,71 euros) apresentaram resultado positivo para anticorpos covid-19. Segundo o Diário de Notícias, as amostras foram recolhidas entre 27 de abril e 14 de junho.

Ainda que tenha reconhecido que os números são baixos, Tegnell disse que serão mais altos atualmente, dado que “a maioria dos 14% foi recolhida há duas ou três semanas, e hoje serão mais certamente”.

O diário aponta que alguns críticos sugeriram que as 50.000 pessoas testadas não representam uma amostra científica. Tendo em conta o alto custo do teste, aqueles que optaram por fazê-lo podem tê-lo feito porque suspeitavam ter apanhado o vírus.

No fim de semana, durante uma entrevista televisiva, o primeiro-ministro Stefan Lofven insistiu que as hospitalizações caíram acentuadamente e que a estratégia da Suécia de não entrar em confinamento “não foi um fracasso“.

Em relação às mortes em lares de idosos, o governante sublinhou que nada têm a ver “com a estratégia”. “Tem a ver com as falhas na sociedade que estamos a corrigir”, incluindo deficiências básicas de higiene em muitos lares, acrescentou.

Nas últimas semanas, têm crescido as críticas ao governo, nomeadamente em relação à luta do mesmo para retirar os testes em massa do terreno, que só começaram a serem feitos esta semana.

Os partidos à direita acusaram o governo de se esconder atrás de especialistas em saúde pública e de deixar de assumir a responsabilidade na crise.

O líder parlamentar dos liberais, Johan Pehrson, disse que a abordagem mais suave da Suécia “pode ​​ter contribuído para o alto número de mortos”, enquanto o chefe do Partido Moderado conservador, Ulf Kristersson, pediu que uma comissão fosse nomeada imediatamente para investigar o tratamento do governo da crise.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/suecia-lento-na-imunidade-grupo-330610

Primeiro-ministro da Suécia foi criticado e admitiu erros. Mas quer manter a sua estratégia

 

Apesar das críticas que recebeu devido à elevada taxa de mortalidade no país, o primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, quer manter a estratégia inicial que defende ser “a certa”.

 

Ao contrário dos restantes países europeus, a Suécia optou por não aplicar políticas de isolamento social como forma de travar a propagação da pandemia de covid-19. Esta abordagem tem sido criticada tanto interna como externamente, sobretudo devido ao elevado número de vítimas mortais.

De acordo com o Jornal de Negócios, este domingo, num debate político transmitido na televisão sueca, o líder do principal partido da oposição, conhecido como os “Moderados”, disse que existiram “falhas óbvias e básicas” na resposta dada ao vírus.

O epidemiologista Anders Tegnell, que aconselhou o Governo, admitiu erros, dizendo que havia margem para melhorar o desempenho do país e que a taxa de mortalidade é muito elevada. Na Suécia, morreram 4.500 pessoas infetadas com covid-19.

Desde o início da pandemia, Tegnell aconselhou o Governo a manter a economia aberta, alegando que seria mais sustentável a longo prazo.

As queixas estendem-se, por exemplo, à falta de proteção à população mais idosa. “Não obtivemos equipamento protetor para os lares apesar de todos saberem que os seus residentes eram os mais vulneráveis”, acusou o líder da oposição, Ulf Kristersson.

Porém, apesar das críticas, Lofven disse que “esta estratégia é a certa”. Ao mesmo tempo, contudo, admitiu espaço para melhorias e reconheceu que existem “demasiadas” mortes nos lares.

A oposição está a aproveitar o momento para insistir na mudança, de acordo com o The Hour. O líder do partido Sweden Democratsexigiu que Tegnell fosse demitido. Ebba Busch, líder do partido Christian Democrat, criticou Lofven por falta de liderança. “O governo sueco deliberadamente permitiu uma grande disseminação da doença”, disse Busch. “Numa crise difícil, estaremos sempre sem liderança enquanto este governo estiver no poder”.

Segundo as estatísticas mais recentes, os suecos perderam a confiançana resposta do Governo à crise sanitária.

Enquanto os países vizinhos, que adotaram políticas de isolamento, estão a regressar à normalidade, a Suécia está a enfrentar crescentes restrições de circulação para outros países tendo em conta a taxa de infeção elevada.

ZAP //

 

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https://zap.aeiou.pt/primeiro-ministro-suecia-estrategia-328897

Estudo de anticorpos não comprova estratégia de imunidade de grupo na Suécia

Homem usa máscara para se proteger do coronavírus na Suécia
© AP Photo / Andres Kudacki

Somente 7,3% dos habitantes de Estocolmo, cidade mais afetada pela COVID-19 na Suécia, aparentam ter desenvolvidos anticorpos.

Menos suecos do que se imaginava desenvolveram anticorpos para a COVID-19, indicam testes realizados pela Autoridade Nacional da Saúde, levantando dúvidas sobre as esperanças do país de atingir a imunidade de grupo no futuro próximo.

O estudo mostra que só 7,3% dos moradores da capital sueca – a região mais afetada do país – desenvolveu anticorpos, ou seja, possui imunidade contra o novo coronavírus. Os testes foram realizados na última semana de abril.

Este dado chocou muitos pesquisadores, incluindo o professor da Universidade de Estocolmo Tom Britton, que inicialmente previu que a imunidade de grupo seria alcançada em algum momento de maio, alterando depois seu prognóstico para junho.

"Isto significa que minhas previsões e da Autoridade Nacional da Saúde podem estar completamente erradas", comentou o professor ao canal SVT. "Acredito que todos estariam muito mais felizes se mais anticorpos tivessem sido desenvolvidos", acrescentou.

Britton também frisou o fato de nem todos os já infectados possuírem necessariamente anticorpos. Ao menos, não a um nível que possa ser detectado pelos testes. Esta possibilidade também foi enfatizada pelo imunologista Petter Brodin.

"É possível que você tenha uma infecção leve e, portanto, anticorpos mensuráveis muito fracos", avaliou Brodin, salientando que os testes não são infalíveis.

Desde o começo da pandemia, políticos e autoridades sanitárias da Suécia têm divulgado mensagens contraditórias sobre a imunidade de grupo, alternando entre desacreditar a estratégia e considerá-la como a única possível.

De acordo com dados da Universidade Johns Hopkins (EUA), o país escandinavo apresenta mais de 31 mil contágios pelo coronavírus. A estratégia do país de manter escolas, restaurantes, bares e comércios abertos levou a críticas internas e externas devido a taxas de mortalidade superiores às dos países vizinhos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020052115605983-estudo-de-anticorpos-nao-comprova-estrategia-de-imunidade-de-grupo-na-suecia/

Há quase 30 anos que não morria tanta gente na Suécia

Palácio de Drottningholm, em Estocolmo, na Suécia

Há quase três décadas que não morriam tantas pessoas na Suécia. As autoridades de saúde suecas registaram mais mortes em abril desde ano do que qualquer outro mês desde o final de 1993.

 

De acordo com a TSF, em abril, a Suécia registou cerca de 10.500 óbitos. Este é o número mais alto em quase 30 anos. Só em dezembro de 1993 foi mais alto: o país registou 11 mil mortes.

Segundo o Instituto de Estatística sueco, se as contas tiverem em conta o tamanho da população, em abril deste ano morreram 101 pessoas por cada 100 mil habitantes.

Em 1993 e em 2000 registaram-se, na Suécia, surtos do vírusInfluenza.

A Suécia optou por medidas menos restritivas de combate à pandemia de covid-19. Em vez de restringir as deslocações da população, confiou que esta manteria a distância social. Ginásios, escolas, restaurantes e lojas permaneceram abertas durante a propagação da pandemia.

Assim, ao contrário da maior parte dos países, a Suécia, começou por combater a pandemia com uma estratégia que visava a imunidade de grupo, não aplicando grandes restrições para combater a pandemia – confiou no “dever cívico” dos seus cidadãos.

Em abril, Stefan Löfven, primeiro-ministro da Suécia, admitiu falhas no combate ao novo coronavírus, dizendo que é “evidente, em vários aspetos” que o país não estava suficientemente preparado para lidar com uma pandemia.

Na semana passada, a Suécia anunciou que vai alterar a estratégia de combate à covid-19 devido ao recente disparo do número de mortesentre os cidadãos idosos, reforçando a proteção a esta população.

Segundo os analistas, embora a Suécia tenha optado por evitar um confinamento oficial, é pouco provável que consiga evitar as consequências económicas da pandemia.

A Suécia registou mais de 3.500 mortes por coronavírus, número pouco elevado quando comparado com as dezenas de milhares de mortes nos Estados Unidos. No entanto, a população da Suécia é de 10 milhões, o que torna a taxa de mortalidade do país uma das mais altas.

ZAP //

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ha-30-anos-nao-morria-gente-suecia-325273

Governo da Suécia precisa de 'ação rápida e radical' para evitar catástrofe, apelam 22 cientistas

Pessoas caminhando em Estocolmo em meio à propagação do coronavírus na Suécia, 4 de abril de 2020
© REUTERS / Henrik Montgomery / TT News Agency

Um grupo de cientistas do país apelou a medidas de contenção urgentes por parte do governo sueco, afirmando que mesmo que não sejam tomadas agora, seria necessário impô-las depois.

Um grupo de 22 cientistas suecos escreveu uma carta aberta exigindo "ação rápida e radical" ao governo do país para começar a conter a continuação da propagação do surto do coronavírus no país. Anteriormente, um grupo de mais de 2.300 pesquisadores locais pediu o mesmo.

Os 22 cientistas apelam ao governo para fechar imediatamente escolas e restaurantes, fazer testes em massa dos profissionais de saúde e forçar quarentenas entre as famílias em caso de uma infecção confirmada.

O governo da Suécia optou, em vez disso, por colocar sua fé no distanciamento social e no autoisolamento voluntário da população.

"Eles não estão inclinados a mudar suas recomendações, mesmo quando as curvas da Suécia começam a diferir radicalmente das dos países vizinhos", dizem os pesquisadores em referência aos números mais baixos de infecções em países como a Dinamarca, Noruega e Finlândia.

A Dinamarca, o país mais afetado entre os três e que, tal como a Noruega e a Finlândia, impôs uma estratégia muito mais restritiva, tem 6.876 casos e 309 mortes, em comparação com a Suécia, que registra 11.927 infecções e 1.203 vítimas.

De acordo com o grupo, a Agência de Saúde Pública da Suécia afirmou por pelo menos quatro vezes que a taxa de infecção do país tinha atingido seu pico antes de os números aumentarem ainda mais.

"Se não tomarmos medidas poderosas agora, teremos de fazê-lo mais tarde", advertiu Jan Lotvall, professor de alergias clínicas da Universidade de Gotemburgo.

Resposta à carta

No entanto, o homem por trás da estratégia do governo, o epidemiologista estatal Anders Tegnell, não compartilha esse ponto de vista.

"Eu não entendo o que eles querem dizer", disse. "O sistema de saúde esteve sempre sob controle. Se você olhar para a curva, temos tido consistentemente cerca de 60 mortos por dia. Tivemos um desenvolvimento infeliz no cuidado aos idosos e começamos a trabalhar muito nisso."

Tegnell apontou para a falha do isolamento em Nova York, que tem dez vezes o número de mortos da Suécia, apesar de ter uma população semelhante ao país. Segundo o epidemiologista, a diferença de contagem das mortes pelos países confunde muito, optando por proteger a economia sueca em vez de adotar medidas precipitadas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020041515461144-governo-da-suecia-precisa-de-acao-rapida-e-radical-para-evitar-catastrofe-apelam-22-cientistas/

Suécia já tem acordo para impor medidas restritivas (mas ainda não está convencida)

 

A Suécia vai recuar na sua abordagem light à covid-19 e prepara-se para aplicar medidas restritivas. Os partidos já chegaram a acordo, mas o Governo não tem planos para usar já os novos poderes.

 

Os partidos suecos chegaram esta terça-feira a acordo para dar poderes de emergência ao Governo para fechar lojas, escolas e restaurantes, mas o Governo não tem planos imediatos para usar já esses poderes. Para já, irá manter a sua política liberal, não impedindo as pessoas de continuarem a fazer a sua vida social na rua.

De acordo com o Observador, apesar de os números na Suécia não serem os mais alarmantes da Europa, mas há dados que chamam a atenção. O país tem 7.693 casos confirmados, mas o número de mortos é muito elevado (591), acima dos registados em Portugal, que tem mais de 12 mil habitantes infetados.

Quando se cruza a mortalidade por milhão de habitante, a Suécia volta a ficar mal no retrato: 56 contra 34 em Portugal. Segundo o diário, uma das causas para esta mortalidade tão alta é o descontrolo do contágio em lares de terceira idade.

A ministra da Saúde afirmou que o Governo não tem planos concretos para usar os novos poderes que serão aplicáveis entre 18 de abril e 30 de junho. Esta iniciativa preventiva dá a margem legal ao Executivo para atuar rapidamente na aprovação de medidas de emergência, sem ter de passar pelo Parlamento.

Se, por um lado, os especialistas em saúde pública estão confortáveis com os resultados, adiantando que a queda dos novos casos confirmados nos últimos dias é um bom sinal, quem está no terreno a lutar contra a covid-19 está mais apreensivo.

A Suécia pode, assim, seguir o mesmo caminho do Reino Unido, que começou por evitar as medidas restritivas para, depois, emendar – ainda que com um atraso de semanas, que colocou o país na rota dos mais atingidos pelo novo coronavírus.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/suecia-acordo-medidas-nao-convencida-318212

Com 400 mortes, Suécia prepara-se para mudar de estratégia e aplicar medidas restritivas

 

A Suécia pode estar prestes a mudar a sua estratégia para combater a pandemia-de covid-19 e a aplicar medidas restritivas para conter o vírus, no momento em que regista mais de 6.800 casos positivos e tem a lamentar 401 vítimas mortais.

Ao contrário da maioria dos países europeus, a Suécia optou por uma abordagem mais “relaxada” à covid-19, confiando no sentido cívico dos seus cidadãos.

Estabelecimentos, escolas e ginásios continuaram a funcionar e os movimentos das pessoas e o dia-a-dia das empresas não tinham sido alvo de medidas restritivas.

Apesar de as medidas terem sido bem recebidas pelos suecos – o movimento habitual diminuiu cerca 70% e as empresas foram aplicando, quando possível, o regime de teletrabalho -, a elevada taxa mortalidade do país obrigou o Governo sueco a rever  sua estratégia de combate à pandemia, conta o jornal Observador.

 
 

A Suécia regista neste momento 40 mortes por milhão, valor bem mais elevado do que os “vizinhos” Dinamarca (31), Noruega (13) e Finlândia (5).

Por tudo isto, o Governo equaciona agora aplicar medidas restritivas e os média locais, citados pela revista Sábado, escreve que está a ser preparadaumanova legislação.

O Executivo liderado por Stefan Löfven apresentou uma proposta de lei para poder passar a governar por decreto durante a pandemia, podendo assim aprovar medidas sem ter o aval do Parlamento. Contudo, a iniciativa foi rejeitada: o Executivo de Löfven precisa de passar no Parlamento qualquer medida que queira aplicar.

A Sábado recorda ainda que a Islândia adotou uma abordagem semelhante à da Suécia, mas frisa que há grandes diferenças entre os dois países nesta luta contra o novo coronavírus: a população e o número de testes que estão a ser realizados.

Com cerca de 364 mil habitantes, a Islândia realizou mais de 25 mil testes. Já a Suécia, com mais de 10 milhões de habitantes, realizou 37 mil testes.

O jornal Público, que definiu como “arriscada” a abordagem tomada pela Suécia, nota, citando um jornal local, que no país só são testados os que têm sintomas tão fortes que procuram tratamento hospitalar ou residentes em lares de idosos que apresentem sintomas – o que explica que o número de casos detetados se mantenha relativamente baixo.

Às 10 horas desta quinta-feira, a Suécia registava 6.830 casos positivos e 401 vítimas mortais. Há ainda registo de 205 pessoas recuperadas.

ZAP //

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/400-mortes-suecia-prepara-mudar-estrategia-317620

Com aumento de mortes, estratégia 'liberal' da Suécia para combater COVID-19 é alvo de críticas

Ciclista conversa com pedestres em meio à pandemia de COVID-19, em Estocolmo, na Suécia, 1º de abril de 2020
© REUTERS / Agência TT

Com cerca de 30 mortes diárias por COVID-19, a Suécia reluta em impor quarentena, com a vida seguindo normal na capital, Estocolmo. "Precisamos controlar essa situação", diz especialista.

A Suécia é frequentemente apontada como um país excepcional em relação a indicativos sociais, segurança e qualidade de vida. No entanto, em meio à pandemia de COVID-19, o país escandinavo é também exceção por ser um dos únicos na Europa a não impor quarentena nacional.

Apesar dos 6.443 casos de COVID-19 confirmados na Suécia e 373 vítimas fatais, os moradores da capital, Estocolmo, continuam indo a restaurantes e mandando seus filhos para a escola.

A abordagem "liberal" de combate ao novo coronavírus adotada pela Suécia, que visa minimizar a perturbação da vida social e econômica, no entanto, é alvo crescente de críticas.

"Não temos escolha, temos que fechar Estocolmo agora", disse Cecilia Soderberg-Naucler, professora de Patogênese Microbiana no Instituto Karolinska.

Sodeberg-Naucler se inclui no grupo de 2.300 acadêmicos que assinaram uma carta aberta ao governo pedindo medidas mais enérgicas de combate à COVID-19.

"Precisamos controlar essa situação, não podemos deixar que ela chegue a uma situação de caos. Ninguém ainda tentou esse caminho, então por que teríamos que testá-lo pela primeira vez na Suécia, sem haver consentimento embasado?", questiona a professora.

Nesta sexta-feira (3), a Suécia confirmou 612 casos em 24 horas, alcançando a marca de 6.000 casos de COVID-19. De acordo com a Agência de Saúde da Suécia, a média de mortes diária é de 25 a 30 pacientes.

'Tempestade' em Estocolmo

Existem sinais de que o novo coronavírus esteja se espalhando rapidamente em asilos na capital sueca. Agentes de saúde reportaram escassez de material adequado de proteção pessoal para combater a pandemia, conforme reportou a Reuters.

O primeiro-ministro Stefan Lotven, em conferência de imprensa nesta semana, discordou de que o aumento de casos em asilos seja um sinal de que a estratégia de seu governo esteja errada.

"Não acho que haja sinais disso. É assim que as coisas estão na Europa inteira", disse o primeiro-ministro. "Dissemos sempre que as coisas vão piorar antes de melhorarem".

A estratégia sueca é focada no isolamento e tratamento de doentes, ao invés de impor quarentena generalizada. O país tem um sistema de saúde desenvolvido e alto número de médicos per capita.

Foram adotadas medidas de contenção como a proibição de reuniões com mais de 50 pessoas, ensino à distância em universidades e foi pedido para que os cidadãos evitem viagens não essenciais

.Comércio aberto na capital sueca, Estocolmo, em meio à propagação do novo coronavírus, 4 de abril de 2020

© REUTERS / Agência TT
Comércio aberto na capital sueca, Estocolmo, em meio à propagação do novo coronavírus, 4 de abril de 2020

O epidemiologista chefe da Agência de Saúde da Suécia, Anders Tegnell, questionou a eficácia da quarentena.

"É importante ter uma política que possa ser mantida durante longos períodos, o que significa ficar em casa se você estiver doente", disse Tegnell.

"Trancar as pessoas em casa não vai funcionar no longo prazo", ele disse. "Mais cedo ou mais tarde, as pessoas começarão a sair de qualquer forma."”

O número total de casos de COVID-19 no mundo ultrapassa 1 milhão e 200 mil. Mais de 64 mil pessoas faleceram em consequência do vírus. Os países com maior número de casos são os EUA, Espanha e Itália.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020040515417673-com-aumento-de-mortes-estrategia-liberal-da-suecia-para-combater-covid-19-e-alvo-de-criticas/

A discreta presença Sueca na Síria

A Suécia tem sido discreta e não tem interesse em falar na ajuda ao que se chama de “oposição” síria, ajuda oferecida nos últimos oito anos de conflito.

 

 

Os suecos pagam impostos. Isso beneficia a oposição síria?

Patrik Paulov, jornalista freelancer e autor do livro “Vozes silenciadas da Síria”, residente em Gothenburg, escreve sobre isso num artigo de opinião publicado no jornal Svenska Dagbladet em 9 de outubro de 2019.

Ele coloca a pergunta ao governo sueco e aos órgãos de informação sobre qual a causa para tanto silêncio sobre a ajuda aos terroristas na Síria, enquanto outros países europeus quebraram o silêncio sobre esse mesmo assunto após a transmissão de documentários que revelavam que o dinheiro tinha sido entregue a terroristas extremistas armados.

A Suécia começou a apoiar a chamada “oposição democrática na Síria” em agosto de 2012, quando o então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Carl Bildt convidou figuras da “oposição” síria para uma reunião no castelo Hässelby, em Estocolmo.

“O apoio da Suécia ao projeto de ajuda liderado pela oposição Syria Recovery Trust Fund (SRTF) é um exemplo. Os financiadores da SRTF são 10 países ocidentais mais as ditaduras reais – Emirados Árabes Unidos e Kuwait”, disse Paulov, indicando que a Suécia contribuiu apenas duas vezes para a SRTF, na última vez em 2015. O valor total foi de 56,5 milhões de coroas.A avaliação do Ministério das Relações Exteriores da SRTF, assinada em 23 de outubro de 2018, não fala sobre a influência de grupos terroristas nas “áreas de oposição” onde o projeto foi implementado. Nada foi relatado sobre a colaboração entre a “oposição” síria, que preside a SRTF, e a Frente al-Nusra [Jabhat al-Nusra] e outros grupos extremistas armados.

Em abril de 2015, o chefe da chamada “coligação de oposição da Síria”, Khalid Khoja, admitiu que as suas organizações têm uma aliança tática com a Al-Qaeda. O cabeça dessa coligação, Ahmad Jarba, foi presidente do fundo de assistência que recebeu 40 milhões de coroas suecas. Em abril de 2014, visitou a cidade de Kassab, da qual 2000 cristãos sírios foram deslocados pela tal “oposição”, apoiada pelo exterior.

“Quando o primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, leu a Declaração do Governo em 10 de setembro, afirmou que “é um ato criminoso ter contactos com uma organização terrorista”. Como explicar que a ajuda sueca foi dada à oposição síria que trabalha em conjunto com terroristas?”, pergunta Paulov. O Ministro dos Negócios Estrangeiros Sueco recusou um seu pedido de entrevista. E o mesmo silêncio respondeu às perguntas colocadas pelo jornalista por escrito. A maioria dos políticos jornalistas e ainda menos a população da Suécia sabe o que realmente aconteceu na Síria.

Portanto ninguém respondeu às acusações e perguntas que colocou no artigo publicado pelo Svenska Dagbladet em outubro.

Por exemplo, a Holanda interrompeu sua ajuda aos grupos de oposição da Síria logo após o Ministro dos Negócios Estrangeiros holandês apresentar o relatório “Revisão do sistema de monitorização de três projetos na Síria”, que revelava que “grupos de oposição”, como o ‘Exército Sírio Livre’ e os Capacetes Brancos tinham contatos com terroristas.

“Há uma diferença entre a Suécia e a Holanda. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia parece não ter a abordagem crítica que existe na Holanda. Patrik Paulov acredita que nem tudo o que a Suécia faz na Síria está errado.

“A Síria precisa de assistência humanitária após quase nove anos de guerra destrutiva e a Suécia contribuiu muito. Mas ele destaca e discute nos artigos de investigação e no livro que publicou é que a Suécia, ao mesmo tempo, está envolvida no processo de mudança de regime.

 


NOTA: Svenska Dagbladet, abreviado SvD, é um jornal diário publicado em Estocolmo, Suécia, publicado pela primeira vez em 18 de dezembro de 1884.

”Hög tid att granska Sveriges Syrienbistånd”


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/patrik-paulov-a-discreta-presenca-sueca-na-siria/

O sonho da social-democracia na Suécia chegou ao fim?

A social-democracia sueca se encontra em um momento de retrocesso. Embora tenha conseguido, com dificuldades, manter-se no poder nas eleições do final de 2018, em aliança com os partidos de centro, o modelo do Estado de bem-estar igualitário vem recuando, a contrarreforma econômica se fortalecem, as desigualdades aumentaram e a extrema-direita nacionalista e xenófoba capitalizou parte da agitação social. Em suma, a esquerda continua sendo uma força significativa, embora necessite de uma nova energia, novas ideias e uma dose renovada de radicalismo em suas veias.

As eleições realizadas em 9 de setembro de 2018 resultaram no pior resultado obtido pelos sociais-democratas suecos desde que, em 1911, foi introduzido o sufrágio masculino quase universal. Naquela ocasião, o partido recebeu 28,5% dos votos; dessa vez, ele obteve 28,3%. Um século inteiro de avanço eleitoral se perdeu. Mesmo assim, a cúpula do partido recebeu o resultado como uma semivitória, e o líder do partido, Stefan Löfven – um respeitável homem de família de meia-idade – foi festejar (com a esposa) até tarde da noite. As ambições dos sociais-democratas suecos se tornaram bastante modestas. Historicamente, o Partido Social-Democrata dos Trabalhadores –Socialdemokratiska Arbetareparti (SAP) – foi, de longe, o mais bem-sucedido entre os partidos sociais-democratas e trabalhistas do mundo. Por mais de meio século, entre 1932 e 1988, ele obteve em todas as eleições mais de 40% dos votos, em um sistema caracterizado por representação proporcional, circunscrições de vários assentos e múltiplos partidos. Nenhum outro partido sueco ultrapassou 30% desde a Primeira Guerra Mundial. Ainda em 1994, o SAP obteve mais de 45%. Ele governou o país sem interrupções entre 1932 e 1976, exceto durante o governo das “férias de verão” em 1936 e novamente em 1982-1991, 1994-2006, 2014-2018 e até hoje.

A social-democracia chegou à Suécia por meio da Alemanha e Dinamarca, e os camaradas dinamarqueses serviram como modelo original para a primeira geração de reformistas suecos. Porém, desde meados da década de 1930, os suecos eram universalmente reconhecidos como os professores de sua turma. Entre 1932 e 1976, os sociais-democratas foram eminentemente exitosos como impulsionadores da reforma social governamental: cautelosos, graduais e bem-preparados. Podiam ambicionar o pleno emprego, uma economia próspera e aberta que fosse competitiva nos mercados mundiais, um generoso Estado de bem-estar social e uma sociedade igualitária, que apresentava em 1980 as menores taxas de desigualdade de renda e gênero do mundo. A proposta apresentada pelos sindicatos liderados pelo SAP para criar “fundos de investimento dos trabalhadores” em 1976 foi talvez a medida de maior alcance em direção a uma economia socialista já promovida por sociais-democratas convencionais.[1] A social-democratização do país foi profunda o suficiente para manter os partidos “burgueses” – como são oficialmente conhecidos na Suécia – da coalizão de centro-direita que governou em 1976-1982 no caminho do pleno emprego e dos direitos sociais.[2]

Contrarreforma

Foram os próprios líderes do SAP que deram início à contrarreforma socioeconômica no início dos anos 1980. A virada neoliberal começou como uma espécie de gestão de crise. Por causa dos seus custos, o setor de exportação estava se tornando menos competitivo. Os demais produtores de tecidos e roupas estavam sendo varridos, os estaleiros coreanos e japoneses finalmente superavam os suecos, e os setores siderúrgico e florestal foram forçados a reduzir seu tamanho. A rentabilidade era baixa, assim como o investimento. O balanço de pagamentos ficou no vermelho entre 1978 e 1981, e a participação dos benefícios sociais no valor agregado caiu de 30% na década de 1960 e início da década de 1970 para 24% em 1978. Isso foi apresentado como uma ameaça para os postos de trabalho, embora os níveis de emprego continuassem subindo mesmo com a crise internacional. Tanto os economistas da Confederação dos Sindicatos Suecos, conhecidos como LO (Landsorganisationen i Sverige), quanto os do SAP concordaram que seria necessário conter salários e aumentar os lucros. A principal ferramenta para conseguir isso foi desvalorizar a moeda de 16% assim que o SAP retornou ao poder em 1982. Os líderes do partido retiraram da proposta de criar fundos de investimento dos trabalhadores, apresentada por Rudolf Meidner, seu verdadeiro potencial transformador, ainda que tenha sido aprovada oficialmente uma versão diluída como um gesto simbólico aos congressos do partido e do sindicato.[3]

Os anos 1980 testemunharam o avanço internacional da teoria econômica neoliberal. Dentro dessa estrutura, um grupo de economistas do SAP organizou um seminário para estudar as novas ideias de Chicago que chegaram aos ouvidos do ministro das Finanças, Kjell-Olof Feldt, e do presidente do Banco Central. A mercantilização e o controle da inflação se tornaram as novas prioridades da política social-democrata. Em 1985, esse grupo impôs a liberalização dos mercados de crédito e capital na Suécia. Feldt disse que, quando apresentou a proposta a Olof Palme, o primeiro-ministro respondeu: “Faça o que quiser. Enfim, eu não entendo nada”. Essas decisões, juntamente com a reorganização da Bolsa de Estocolmo – por um longo período adormecida – abriram as comportas do capital financeiro especulativo, nacional e estrangeiro. Por sua vez, isso gerou, em 1991, uma crise financeira de origem interna, que acabou com o pleno emprego na Suécia, reduziu o PIB em 4% e custou aos contribuintes outros 4% do PIB para resgatar os bancos.

O SAP teve a sorte de que, entre 1991 e 1994, uma coalizão “burguesa” estava no poder – liderada por Carl Bildt, do Partido Moderado, um adesista convicto da Guerra Fria – que precisou enfrentar as consequências desse estourar da bolha financeira. Foi uma tarefa na qual a coalizão teve um desempenho muito ruim, o que permitiu o retorno da social-democracia ao poder em 1994, com 45% dos votos. Os sociais-democratas conseguiram estabilizar a economia novamente e libertar o país de sua dependência dos banqueiros de Nova York. Entretanto, tratou-se de uma conquista de curto prazo, alcançada com medidas duras de austeridade e que não incluiu repensar as privatizações, a mercantilização ou a “nova gestão pública” – que utiliza as práticas de grandes empresas em serviços públicos – e, muito menos, preocupação igualitária alguma. As coalizões burguesas e as lideradas pelo SAP, que se alternam no poder desde 1991, agiram, pelo contrário, como intermediárias na promoção da desigualdade e da especulação. Juntos, elas eliminaram os impostos sobre a herança e bens imobiliários, fizeram com que os tributos sobre a renda do capital fossem menores que os sobre a renda do trabalho e restringiram a escala dos benefícios sociais, além de reduzirem o acesso a eles. Há dois anos, a revista Forbes declarou que “a Suécia está no topo da lista dos melhores países para se fazer negócios em 2017”, embora fosse um país governado por sociais-democratas.[4]

A desigualdade econômica disparou. A taxa de renda disponível aumentou 60% desde 1980 – de um coeficiente de Gini de 0,20 para 0,32 em 2013 –, o que retrocedeu a distribuição de renda do país ao nível da década de 1940 ou talvez ao final da de 1930. 2/3 desse aumento podem ser atribuídos a decisões políticas relacionadas a impostos e transferências sociais, e apenas 1/3 a uma distribuição mais desigual da renda familiar bruta. A atual distribuição de renda na Suécia tem alguma semelhança com a inglesa de 1688. O 0,1% mais rico tem uma renda média disponível, mesmo com impostos e transferências, 38 vezes superior à do assalariado médio. Na época da Revolução Gloriosa, os temporal lords da Inglaterra tinham uma renda 30 vezes maior que a dos mercadores e comerciantes urbanos de classe média.[5] A distribuição da riqueza piorou ainda mais, resultando no padrão mais desigual da Europa Ocidental, análogo aos do Brasil, África do Sul ou Estados Unidos.[6] Em 2002, o 1% mais rico da Suécia detinha 18% da riqueza familiar; em 2017, esse percentual subiu para 42%.[7] Outras desigualdades também estão se aprofundando. A Autoridade Nacional de Educação (Skolverket) concluiu que 1/4 das notas dos alunos agora pode ser relacionada à classe social dos pais, em comparação com 16% em 1998. A diferença de expectativa de vida aos 30 anos entre grupos de diferentes níveis educacionais tem, desde 2000, aumentado em dois anos para mulheres e um para homens; chega até seis anos a menos de vida para os menos instruídos se ambos os sexos forem levados em consideração, em comparação com os altamente instruídos. A desigualdade de gênero é uma exceção e não aumentou. As melhorias de 1968 e o movimento feminista não retrocederam e continuam a reverberar em um país profundamente secular sem uma direita religiosa significativo. Isso não significa que a Suécia esteja livre de dominação e machismo: pelo contrário, o movimento internacional MeToo, quando chegou à Suécia, converteu-se uma série de protestos coletivos em todo o país contra o assédio sexual, liderados por várias categorias, incluindo polícia, acadêmicas, médicas, advogadas e banqueiras.

Fatores

Como foi possível ter ocorrido esse movimento em direção a desigualdades cada vez mais profundas, que desfez mais de meio século de equalização gradual? O capitalismo pós-industrial, globalizado e financeirizado tem uma tendência intrínseca a aumentar a desigualdade econômica, enfraquecendo a posição dos sindicatos, fragmentando a classe trabalhadora e desqualificando partes dela por meio de mudanças na demanda de trabalho, para não mencionar a abertura de novas perspectivas para o capital, mediante sua realocação para países com salários mais baixos e o aumento das oportunidades para extrair renda financeira. Seria esperado, todavia, que a Suécia social-democrata estivesse entre os países mais bem-colocados para resistir a essas tendências e contê-las. Pelo contrário, a desigualdade na Suécia aumentou mais do que na maioria dos países da Europa Ocidental.

Parece haver três razões principais para a surpreendente evolução das últimas três décadas. Talvez o fator mais importante tenha sido a mudança de orientação dos líderes do SAP, que abandonaram qualquer preocupação significativa com a desigualdade e a justiça social. Um exemplo ilustrativo foi o acordo sobre as pensões, negociado em segredo entre o governo do SAP e os partidos burgueses na década de 1990 e aprovado pelo Parlamento em 1998. A ideia principal era tornar os benefícios dependentes de mudanças no PIB e das tendências demográficas. A intenção era tornar o sistema mais sustentável sob pressão econômica e demográfica, um objetivo racional após o colapso financeiro sueco de 1991. Contudo, os especialistas que calcularam e negociaram a questão não levaram em conta as consequências distributivas da nova estrutura de pensão. Aconteceu que, 15 anos depois, o sistema produziu um grau de pobreza relativa superior à média da União Europeia: 17% contra 14% em média na UE. Na Dinamarca, a porcentagem de aposentados pobres é de 8% a 9%.[8] Em outro acordo tributário alcançado em 1991, o governo do SAP introduziu alíquotas de impostos mais baixas para a renda de capital do que para a (substancial) renda do trabalho. Em 2004, o governo social-democrata aboliu todos os impostos sobre herança e doação.[9] A gestão da crise e a promoção do crescimento eliminaram outras preocupações econômicas. A social-democracia sueca sempre prestou atenção importante a esses temas, mas antes os equilibrava com uma equivalente preocupação à segurança social e à igualdade.

Em segundo lugar, houve uma ofensiva comercial intensiva e bem financiada, desenvolvida como resistência (e vingança) aos avanços dos trabalhadores na década de 1970. Em 1976, pela primeira vez em sua história, a federação de empresários escolheu como seu líder um executivo de negócios: todos os seus antecessores haviam sido funcionários ou semifuncionários das câmaras de comércio. Dois anos depois, a federação criou seu próprio escritório de propaganda, o Timbro, o primeiro grande think tank da Suécia. Em outubro de 1983, organizações empresariais organizaram o que pode ter sido a maior manifestação da história da Suécia para se oporem à proposta de criação dos fundos de investimento para os trabalhadores, contrataram 60 vagões de trem, 200 ônibus e até voos charter para levar manifestantes até Estocolmo (um dos principais organizadores consultou um líder estudantil de 1968 sobre como organizar um protesto). A ofensiva foi inteligente o bastante para não assumir uma atitude explicitamente antissindical em um país explicitamente sindicalizado, com uma forte tradição de colaboração de classe. Pelo contrário, eles pretendiam enfraquecer os sindicatos com meios sutis: tornar mais cara, por exemplo, a filiação sindical ou a qualificação para obter o seguro-desemprego de um sindicato, tal como fizeram os governos burgueses. Nessa campanha, eles não encontraram resistência. Em 2010, o professor de Direito, Göran Groskopf, especialista em aconselhar os suecos mais abastados em evasão fiscal, descreveu o país como um “paraíso fiscal (skatteparadis) para os ricos”.

O terceiro motor da desigualdade – especificamente, da distribuição da riqueza – tem sido o novo dinamismo do setor de exportação de alta tecnologia. Concentrada por um longo tempo na empresa de telecomunicações Ericsson, esse setor tem gerado recentemente uma série de prósperos inventores no setor de tecnologia da informação que logo acumularam grande riqueza: o Skype, o Spotify e jogos de computador como Candy Crush e Minecraft são todos suecos. As empresas de capital de risco, a forma mais agressiva de capital financeiro, estão excepcionalmente bem representadas na Suécia: em proporção do PIB, elas são as segundas maiores da Europa, depois das do Reino Unido.

Relatos nacionais

A crescente polarização de classe que está ocorrendo na sociedade sueca não passou despercebida. Os governos municipais de Estocolmo, Gotemburgo e Malmö criaram comissões para investigar a segregação residencial e o estado da saúde e educação, bem como as desigualdades econômicas. O movimento sindical estabeleceu um grupo de pesquisa sobre igualdade, que apresentou suas conclusões no congresso de 2019.[10] Entretanto, não foi possível colocar o tema no primeiro plano do cenário político.

A narrativa dominante sustenta que a Suécia se tornou uma sociedade ameaçada pela imigração. Na Suécia, em 2018, a linguagem burguesa é um pouco mais polida que a da Alemanha nas décadas de 1920 e 1930. Segundo o líder do Partido Moderado, que dirige a Aliança para a Suécia, composta por quatro partidos, a “integração” é o fator que conecta “muitos dos problemas que temos na Suécia”. Essa questão eleitoral persistente – a “questão do destino” – é um reconhecimento tácito de que o programa neoliberal de cortes de impostos e aumento da privatização, que ainda está incluído nas propostas da Aliança, não tem mais um apelo maciço.

No inverno e na primavera de 2018, o SAP e os quatro partidos burgueses convergiram para considerar os imigrantes e sua “integração” como a principal questão política enfrentada pelo país e competiram entre si para ser o mais bem-posicionado para enfrentá-lo. Essa abordagem os levou a jogar no campo dos Democratas da Suécia, xenófobos e anti-imigrantes, que dispararam nas pesquisas de opinião. Mais tarde, o SAP entendeu seu erro e começou a argumentar que as eleições de 2018 eram principalmente sobre política social ou välfärd (bem-estar), que na Suécia ainda é uma palavra com conotações positivas. À medida que a campanha avançava, o SAP girou um pouco para a esquerda, propiciando limites à especulação de serviços públicos, atacando propostas para reduzir impostos, anunciando planos para aumentar os impostos sobre capital e prometendo alguns benefícios sociais mais avançados. No final da campanha, essa tática valeu a pena no sentido de conter o desastre universalmente previsto. Da média de 23% a 25% mostrados pelas pesquisas, os eleitores acabaram dando 28% ao SAP, o que claramente reafirmou sua posição como o partido mais votado e provavelmente salvou a cabeça de seu líder, Stefan Löfven.

Imigração e xenofobia

Como a maior parte da Europa, a Suécia era historicamente um país de emigração, cuja população fugia massivamente da pobreza, mas também da perseguição religiosa e política. As minorias étnicas – finlandesas e samis, principalmente – eram pequenas e oprimidas e submetidas a assimilação forçada. No final da década de 1930, a opinião pública burguesa e estudantil se mobilizou contra a aceitação na Suécia de uma dúzia de médicos judeus que fugiam da Alemanha nazista; e, durante a Guerra, a “neutralidade” sueca implicava relações cordiais entre o governo do SAP e Berlim. Todavia, em 1943, as autoridades e os cidadãos suecos ajudaram os judeus dinamarqueses a atravessarem o estreito de Sund para escapar da ameaça de deportação para a Alemanha.

Após a guerra, e especialmente desde os anos 1960, a Suécia estava aberta à imigração significativa de trabalhadores, a maioria da Finlândia, mas alguns também do sul da Europa. Na década de 1970, o país aceitou refugiados políticos da América Latina, que, em geral, foram muito bem recebidos. Uma nova onda de imigrantes veio com o colapso da Iugoslávia no início dos anos 1990, coincidindo com a profunda recessão que se seguiu à crise financeira de 1991. Então, a situação havia mudado. Antes mesmo disso, movimentos racistas e xenófobos começaram a se organizar, especialmente na província mais ao sul, Skåne. Em 1979, começou a atuar um pequeno grupo ativista chamado Manter a Suécia Sueca (BSS, por sua sigla em sueco); um município de Skåne organizou um referendo contra a aceitação de refugiados em 1988, e a moção foi aprovada pela maioria de 2/3 do eleitorado. Nesse mesmo ano, apoiadores do BSS e outros ativistas estabeleceram um partido de extrema-direita com elementos neonazistas, os Democratas da Suécia.

A Suécia do pós-Guerra se considerava um país internacionalista e social-democrata. A Organização das Nações Unidas (ONU) e a assistência ao desenvolvimento tinham amplo apoio. Olof Palme colocou seu governo e seu partido em oposição à Guerra do Vietnã. O embaixador sueco no Chile em 1973, Harald Edelstam, tornou-se um herói nacional junto com Raoul Wallenberg por ajudar numerosos chilenos a escaparem dos esquadrões da morte da ditadura militar. No início dos anos 2000, a Suécia recebeu muitos refugiados da guerra destrutiva dos EUA no Iraque e também dos conflitos no Chifre da África e (mais recentemente) no Afeganistão.[11] O prefeito de Södertälje, uma cidade industrial satélite de Estocolmo, testemunhou – com orgulho, mas também com preocupação – perante o Congresso americano que sua cidade estava admitindo mais refugiados da Guerra do Iraque do que os EUA. Não é de surpreender que, em 2015, a Suécia tenha sido, juntamente com a Alemanha, o único destinatário voluntário da onda de refugiados da Síria e do Afeganistão, com a admissão de mais de 160 mil: em proporção à sua população, equivaleria a hospedar quase um milhão refugiados no Reino Unido. Em 2017, quase 19% dos habitantes da Suécia nasceram no exterior e deles, 11% na África ou na Ásia.

Embora uma faixa racista e xenofóbica da população sueca se opusesse à política de abertura aos refugiados, a população em geral a apoiou. O clima predominante na época foi expresso por sucessivos primeiros-ministros: em 2004, o líder moderado Fredrik Reinfeldt incentivou seus concidadãos a “abrirem o coração” aos refugiados; em 2015, Löfven declarou: “Construímos pontes, não muros”. Porém, a Suécia agora tem, no entanto, um significativo partido xenofóbico e anti-imigração – os Democratas da Suécia. O partido entrou no Parlamento em 2010 com 5,7% dos votos e subiu para 12,9% em 2014. Em setembro de 2018, obteve 17,5% dos votos.

O florescente Partido Popular Dinamarquês forneceu um modelo tático, embora os Democratas da Suécia sejam mais conservadores e apresentem raízes neonazistas mais diretamente, ao contrário do partido dinamarquês. Como uma província fronteiriça com o continente através do Mar Báltico, a região de Skåne – onde a extrema-direita está crescendo – é o local de entrada para muitos imigrantes (embora o Condado de Estocolmo tenha uma maior proporção de residentes estrangeiros). É também uma região muito desigual, com vários municípios pós-industriais em declínio perto de áreas de riqueza e prosperidade. O nível mais baixo de apoio aos Democratas da Suécia em cidades e povoados similares situados mais ao norte reflete o funcionamento gradual de um processo de difusão, parecido com a expansão da social-democracia pelo país no final do século XIX. Mesmo aqui, no entanto, o partido tem um caráter claramente rural: os municípios de Skåne que escapam ao controle contam com as duas cidades maiores, Malmö e Helsingborg, a cidade universitária de Lund e as ricas e conservadoras áreas residenciais.

Apesar de terem avançado para o norte este ano, os Democratas da Suécia continuam sendo um partido predominantemente sulista e provincial. Em escala nacional, foi relativamente fraco em 2018 nas principais cidades – 10% dos votos em Estocolmo e 14% em Gotemburgo, embora tenha alcançado 17% em Malmö – e nas cidades universitárias, com 12% em Lund e Uppsala e 9% em Umeå. Os eleitores do partido vêm principalmente da direita tradicional.[12]

A atual liderança dos Democratas da Suécia assumiu o controle do partido em 2005 e o limpou de qualquer sinal de neonazismo explícito. Contudo, ainda é possível encontrar essas conexões entre seus políticos locais, que tendem a expressar fantasias assassinas nas redes sociais: colocando uma metralhadora na ponte de Öresund, desejando a um político do SAP um acidente fatal, desejando que uma balsa de refugiados afunde etc. A ascensão do partido ocorreu em duas fases. Até as eleições de 2014, o ressentimento entre os “perdedores” socioeconômicos era seu principal combustível. A região de Skåne foi especialmente atingida pela crise do início dos anos 1990. Aqueles que dependiam da assistência social sofreram novamente durante a crise financeira e a recessão de 2008, devido à política aplicada pela coalizão burguesa para favorecer seus funcionários e reduzir os benefícios sociais. A renda do terço mais pobre da população diminuiu entre 2008 e 2013. Naqueles anos, os Democratas da Suécia obtiveram um número desproporcional de apoiadores e, acima de tudo, ativistas e políticos locais entre desempregados, aposentados precoces e autônomos em situações precárias.[13]

Na segunda fase, das eleições de 2014 até o presente, os Democratas da Suécia se aproveitaram das preocupações sociais mais amplas sobre a imigração e penetraram substancialmente na classe trabalhadora – 1/4 dos trabalhadores votou no partido em 2018. Nas pesquisas de opinião, o apoio ao partido chegou quase a 20% das preferências em 2015, imediatamente após o afluxo de refugiados, depois caiu para 15% em 2017 e cresceu novamente em novembro de 2018. Essa última mudança parece ser devido a dois fatores. Um foi o retorno dos moderados, que transformaram a “integração” dos imigrantes na principal pauta política das eleições e de toda a Aliança burguesa. O segundo foi um pânico moral alimentado por informações divulgadas pela imprensa sobre a existência, em pequena escala, de guerras de facções criminosas, com uma série de tiroteios. Porém, os trabalhadores tinham outro motivo para se preocuparem. Em setores como transporte e construção, as empresas estrangeiras da União Europeia tentam cada vez mais flexibilizar o mercado de trabalho, trazendo trabalhadores estrangeiros mal remunerados (inclusive de países não pertencentes à UE, como no caso dos operários da construção civil tailandeses).

Além disso, entre 40% e 50% dos eleitores dos Democratas da Suécia – ou seja, cerca de 8% da população sueca total – parecem simplesmente racistas ou xenófobos: pessoas que não querem vizinhos imigrantes ou que um membro da família se case com um imigrante.[14] Os Democratas da Suécia não se encaixam bem no rótulo convencional de “populismo de direita”. Ele não está crescendo na onda da oratória demagógica, com ataques ferozes ao establishment e promessas desenfreadas à população. Seu líder não é um orador demagogo, mas um manipulador engenhoso e frio com inteligência estratégica. O partido se define como um “conservador social” com uma “base nacionalista”. Apesar de atrair votos de protesto da classe trabalhadora, a maioria de seus apoiadores se define como de direita.

A cultura universalista da Suécia do pós-Guerra continuou a se manifestar na atitude adotada em relação aos Democratas da Suécia pelos partidos burgueses tradicionais, que ainda hesitam em formar um governo de direita com o apoio dos xenófobos. Desde 2014, o Parlamento sueco contém três blocos políticos. O verde-vermelho é composto pelo SAP, o Partido do Meio Ambiente e o Partido de Esquerda, de tendência pós-comunista. Os dois primeiros formaram uma coalizão governante entre 2014 e 2018, com o apoio parlamentar externo deste último, necessário para alcançar a maioria. O segundo bloco é o da Aliança, composto por quatro partidos burgueses (Moderado, de Centro, Democrata Cristão e Liberal Popular), enquanto os Democratas da Suécia, por si só, constituem o terceiro bloco. Os Democratas da Suécia estão cortejando a Aliança, especialmente seus elementos culturalmente mais à direita, o Partido Moderado e os Democratas Cristãos – por enquanto, sem sucesso a nível nacional.

A queda do centro-esquerda

As rupturas socioeconômicas, as novas tecnologias de comunicação e as novas formas de mobilidade enfraqueceram – em alguns casos, praticamente se dissolveram – as comunidades populares, suas organizações (partidos e sindicatos) e sua cultura. As cidades e vilas industriais da Suécia experimentaram o esvaziamento de sua cultura de trabalho, outrora rica e densa. Entretanto, 61% dos trabalhadores manuais e 73% dos trabalhadores não manuais continuam filiados a algum sindicato. A Liga da Educação dos Trabalhadores (ABF, por sua sigla em sueco) está presente em todo o país, embora agora ofereça, principalmente, cursos relacionados a hobbies e ensino de línguas estrangeiras. Em 1982, 60% dos eleitores suecos se consideravam “identificados” com algum partido político. Em 2014, esse número havia caído para 27%. Em 1956, 11% dos eleitores haviam mudando sua preferência partidária em relação às eleições anteriores; em 1968, esse número era de 19%; em 1982, 30%; e em 2018 a proporção subiu para 40%.[15]

A erosão do apoio da classe trabalhadora ao SAP começou mais claramente após a virada à direita do partido na década de 1980. Entre 1982 e 1991, seu percentual de votos entre a classe trabalhadora caiu de 70% para 57% Na época, o principal beneficiário era a Nova Democracia, um partido neoliberal e populista com um corte claramente xenofóbico. Após uma breve recuperação em 1994, ocorreu outra queda nas eleições de 2006: nessa ocasião, os eleitores votaram predominantemente nos moderados, que se concentraram nas questões de emprego e na crescente diferença entre empregados e desempregados, fazendo com que, entre 2006 e 2010, duplicassem seu apoio eleitoral entre a classe trabalhadora. Esses trabalhadores que votaram no Partido Moderado em 2014 proporcionaram aos Democratas da Suécia a maior parte de seu crescimento eleitoral.[16]

Políticas migratórias

A nova onda de migração internacional (e intercontinental) criou um conjunto particular de problemas na Europa, que foi, durante meio milênio, o centro mundial de emigração, expansão e conquista, enviando seu clero cristão para converter seguidores de outras religiões. Quando a Europa dominou os mares, não se falava em “integração de imigrantes”. Os poucos europeus que se “passavam por nativos” foram desprezados, não idolatrados, na Europa. Agora, os descendentes empobrecidos dos antigos conquistados viajam para os países habitados pelos descendentes de seus conquistadores. Essa nova virada migratória – acelerada por uma série de guerras lideradas pelos EUA em sua zona de influência ao sul da Europa, do Afeganistão à Líbia – está criando um problema real para a social-democracia europeia, cujos eleitores tradicionais são muito afetados pelo influxo de pessoas pobres e para quem os direitos sociais e a justiça social sempre foram de alcance nacional.

Na época em que o racismo era abundante em todos os lugares, os movimentos trabalhistas dos países colonizadores europeus orgulhosamente levantaram slogans como “Trabalhadores do mundo se unem e lutam por uma África do Sul branca” (na greve militante realizadas pelos mineiros da África do Sul em 1922) ou “Manter a Austrália branca” (um ponto do programa do Partido Trabalhista Australiano). Em uma era de “pós-racismo” oficial, como os movimentos da Europa lidam com as massas de imigrantes pobres batendo nas portas de suas fronteiras? Os sindicatos suecos apoiaram uma imigração regulamentada de trabalhadores nas décadas de 1960 e 1970. Agora apoiam que ela deveria ser permitida apenas excepcionalmente. Eles também apoiam a política mais restritiva de refugiados adotada após 2015, embora continuem aceitando o direito de asilo. O que mais os preocupa são as empresas da UE que trazem seus próprios trabalhadores mal remunerados. Os líderes sindicais têm sido muito ativos na campanha contra os Democratas da Suécia – embora com efeitos limitados fora dos grandes espaços industriais – e alguns sindicatos proibiram seus membros de ocuparem posições sindicais. As massas de imigrantes pobres representam um sério desafio para os partidos populares e progressistas, mas a oscilação do apoio político à xenofobia demonstra que, em larga medida, tal desafio é politicamente contingente.

Nas últimas eleições, os sociais-democratas conseguiram mudar as prioridades dos eleitores, afastando-os da questão migratória, e isso retardou a marcha em direção à xenofobia. Contudo, o Estado de bem-estar não era simplesmente um tema vitorioso para o SAP. Há muitas reclamações sobre listas de espera em hospitais e sobre as grandes distâncias que devem ser percorridas para alcançar clínicas na vasta região norte. Ainda que a Suécia não tenha sido submetida a um regime de austeridade comparável ao do governo conservador britânico, os recursos disponíveis são insuficientes para as crescentes demandas do envelhecimento da população. Os habitantes do norte acusam os políticos regionais do SAP de surdez ou insensibilidade às necessidades de saúde da população. No distrito eleitoral mais ao norte do país, historicamente um bastião do SAP e dos comunistas, um partido regional em defesa da saúde (Partido da Assistência Médica) se tornou a força mais votada. Os Democratas da Suécia também tentaram tirar proveito das injustiças relacionadas ao bem-estar, afirmando que os recursos eram inadequados porque o dinheiro foi gasto com refugiados. Os sociais-democratas não têm perdido apoio porque sua missão de realizar reformas sociais foi concluída; pelo contrário, estão sendo punidos por abandonarem a tarefa urgentemente necessária de melhora e intensificação dessas reformas.[17]

A análise da crise da social-democracia também deve prestar atenção à sua resiliência e ao espaço existente para o surgimento de uma nova esquerda. Essa resiliência tem dimensões econômicas, socioculturais e políticas. O aspecto econômico se refere, em especial, ao lugar que o país ocupa no sistema mundial: especificamente, na medida em que é vulnerável às flutuações do mercado mundial e às pressões dos credores, ou onde é prejudicado pelo subdesenvolvimento. Nesse aspecto, a Suécia se encontra em uma posição forte, como o noroeste da Europa em geral, mas anteriormente tinha a vantagem particular, agora reduzida, de ter sido uma economia igualitária, de tributação elevada e fortemente sindicalizada que competia com sucesso nos mercados mundiais.

Do ponto de vista social, a Suécia conserva, apesar de tudo, um legado duradouro de reformas. Não há cidades ou regiões inteiras arruinadas pelo deslocamento econômico. O princípio dos direitos sociais dos cidadãos permanece firmemente estabelecido. Do ponto de vista cultural, a orientação de solidariedade universalista e internacional observada no período pós-Guerra ainda persiste na Suécia, e isso torna mais difícil para que os partidos burgueses tradicionais formem um governo com o apoio da direita xenofóbica, como já fizeram suas contrapartes nos outros três países nórdicos.

A posição da social-democracia sueca no sistema partidário é muito mais favorável do que a de seus partidos irmãos em outras partes da Europa, especialmente fora da região nórdica. Não é preciso enfrentar um ou até dois grandes partidos burgueses, mas enfrenta uma infinidade dividida de formações menores de direita. O SAP continua sendo a maior força política em 25 dos 29 distritos eleitorais com múltiplas cadeiras na Suécia, embora haja somente um em que ainda receba mais de 40% dos votos, no extremo norte. Continua sendo o partido predominante da classe trabalhadora e mantém laços estreitos com um forte movimento sindical. Embora atualmente dominada por políticos profissionais, o SAP ainda pode se conectar com pessoas comuns, em grande parte graças ao atual chefe, Löfven, ex-líder do sindicato dos metalúrgicos, sem educação acadêmica, que exala decência popular, apesar de manter a mesma arrogância e preconceito que qualquer político europeu convencional. Às vezes, Löfven mostra seu instinto de classe, mas ele também é um representante típico dos quadros sindicais do setor de exportação, comprometidos com a colaboração de classe em benefício das empresas do setor.

Realinhamentos à esquerda?

A social-democracia sueca está realmente submersa em um pântano profundo, com um apoio eleitoral inferior ao alcançado em 1911. Porém, não está morrendo nem perdendo todo o seu peso político. A posição central do SAP no sistema político sueco foi reafirmada nas manobras pós-eleitorais, e o partido voltou lentamente a ter 30% nas pesquisas pós-eleitorais. Seus resultados recentes e suas perspectivas futuras questionam as reflexões simplistas sobre a crise terminal da social-democracia. Mesmo assim, a falta de regeneração da social-democracia tradicional está à vista, o que levanta outra questão quando enfrentamos as tendências direitistas atuais: há espaço para o surgimento de novas alternativas de esquerda?

Como vimos em vários países, a crise da social-democracia pode ser compensada pelo surgimento de novas forças de esquerda. O Partido da Esquerda Sueca deu um passo modesto nas eleições de 2018, aumentando seu voto para 8%. Atualmente, é um partido de tamanho intermediário nas três maiores cidades da Suécia, com entre 12% e 14% e alguns bastiões municipais em todo o país. É uma força social-democrata de esquerda razoável, apoiada por conselheiros diligentes e um líder popular, Jonas Sjöstedt, ainda que sem muita aptidão ideológica ou capacidade de inovação política. De origem comunista e, posteriormente, com posições eurocomunistas, o Partido de Esquerda mantém o legado político de 1968 na Suécia e sofreu um influxo considerável de novos afiliados nos últimos anos. Com o declínio do SAP, ele agora organiza as maiores manifestações em 1º de maio.

Tal qual na Alemanha, não há lugar para outro partido de centro-esquerda na Suécia, e os partidos existentes são fortemente institucionalizados, o que não deixa espaço real para algo semelhante à França Insubmissa se formar sobre suas ruínas. Pela mesma razão, não há porta aberta para os ativistas de esquerda entrarem em uma organização moribunda que, todavia, ainda mantém um peso parlamentar real, como o Partido Trabalhista britânico. E não há apoio algum para surgir um movimento popular como o Podemos – ao menos, até a próxima crise econômica. O que é necessário – é possível que seja alcançado – é que um amplo movimento não sectário venha a sacudir o SAP, o Partido de Esquerda e os Verdes, injetando nova energia, novas ideias e uma nova dose de radicalismo em suas veias e infundindo esperança e inspiração nas pessoas de tendência progressistas desiludidas com os partidos existentes. Poderíamos acrescentar que há mais potencial na classe média progressista da Suécia do que em muitos outros países, já que as camadas intermediárias suecas são compostas principalmente por funcionários sindicalizados. Vislumbra-se uma grande batalha social que incidirá sobre a dignidade do trabalho profissional – sua ética, vocação, autonomia e responsabilidade – sujeita aos ataques cada vez mais agressivos da “nova gestão pública”, os bucaneiros da privatização e seus sicários de consultoria empresariais. No entanto, essas alterações não são visíveis no momento. Assim, mesmo que um governo social-democrata tenha sido alcançado em janeiro de 2018 graças a uma aliança com liberais, verdes e centristas, é provável que a contrarreforma socioeconômica continue na Suécia, atingindo sem cessar o experimento de reforma social democrática e igualitária mais bem-sucedido do século passado.

Notas:

[1] – Foi um ambicioso projeto de socialização dos meios de produção por meio da participação de sindicatos e trabalhadores na propriedade de empresas e acesso dos trabalhadores à gestão de empresas e à democracia industrial [N. do E.].

[2] – A direita deveu sua vitória naquela ocasião à rejeição da energia nuclear pelo Partido de Centro e foi responsável por administrar a questão da energia em uma coalizão dividida.

[3] – V. a análise detalhada de Jonas Pontusson: “Radicalização e recuo na social-democracia sueca” na New Left Left Review 165, 9-10/1987.

[4] – “Sweden Heads the Best Countries for Business for 2017” na Forbes, 21/12/2016.

[5] – Angus Maddison: Contours of the World Economy, 1-2030 AD, Oxford UP, Oxford, 2007.

[6] – Credit Suisse: Global Wealth Databook 2017, quadro 6.5.

[7] – As distribuições comparativas de riqueza são mais difíceis de calcular do que as de renda, mas os dados sobre a extraordinária concentração da Suécia parecem muito sólidos. V., por exemplo, o trabalho do principal especialista sueco nesse campo, Daniel Waldenström, juntamente com Jacob Lundberg: “Desigualdade patrimonial na Suécia: o que podemos aprender com os dados de imposto de renda capitalizados?”, documento de trabalho, Departamento de Teoria Econômica Universidade de Uppsala, 22/04/2016. Segundo dados do Serviço de Estatística da Suécia, os 30% mais pobres do país não têm riqueza líquida, apenas dívidas líquidas (de fato, no conjunto, os 60% mais pobres não têm riqueza líquida). Mais documentação sobre os resultados da contrarreforma sueca pode ser encontrada em G. Therborn: “The ‘People’s Home’ is Falling Down, Time to Update Your View of Sweden” em Sociologisk Forskning vol. 54 n. 4, 2017, e Kapitalet, överheten och allá vi andra: Klassamhället i Sverige –det rådande och det kommande, Arkiv / a-z, Stockholm, 2018.

[8] – Pobreza relativa é definida quando a renda é inferior a 60% da renda média nacional. V. Serviço de Estatística da Suécia: “Högre andel äldre med låg inkomst e Sverige jämfört med Norden”, 25/10/2017.

[9] – Segundo Leif Pagrotsky, então ministro do SAP, a abolição do imposto sobre herança foi um presente feito por Göran Persson à classe empresarial sueca como uma expiação por não ter sido capaz de introduzir a Suécia no euro no referendo realizado em 2003. Erik Sandberg: Jakten på den försvunna skatten, Ordfront, Estocolmo, 2017.

[10] – No último ano, tive a honra de dirigir um projeto de análise política, “A classe na Suécia”, juntamente com Katalys, o think tank sindical, que, até agora, publicou cerca de 20 relatórios e o livro Kapitalet, överheten e ali vi andra: Klassamhället e Sverige – det rådande och det kommande, cit.

[11] – Desde o início do século, a Suécia também faz parte da “fábrica de refugiados”, com sua participação nas guerras dos EUA e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) nos países de origem dos requerentes de asilo, embora mais como uma promessa de lealdade ao poder imperial do que como uma grande força de destruição. O exército sueco se somou à ocupação do Afeganistão em 2002 e à guerra travada pela OTAN na Líbia em 2011. Apesar da guerra dos sauditas e dos EUA no Iêmen, a Suécia continua vendendo armas aos invasores.

[12] – Kirsti Jylhä, Jens Rydgren e Pontus Strimling: Sverigedemokraternas väljare, Institutet för Framtidsstudier, Stockholm, 2018. Esses dados proveem de uma grande pesquisa realizada em fevereiro e abril de 2018.

[13] – Olle Folke e outros: “Arbetslinjen och finanskris förklarar sd: s framgångar” em DN Debatt, 05/09/2018.

[14] – K. Jylhä, J. Rydgren e P. Strimling: Sverigedemokraternas väljare, cit.

[15] – Henrik Oscarsson e Sören Holmberg: “Swedish Behavior Behavior 1956-2014”, Departamento de Ciência Política, Universidade de Gotemburgo, 21/10/2015.

[16] – Per Hedberg: “Väljarnas partier 2014”, Departamento de Ciência Política, Universidade de Gotemburgo, 2015.

[17] – Os habitantes de Estocolmo viram isso de perto no escândalo sobre a construção de um novo hospital, o Nya Karolinska, por meio de uma aliança público-privada ao estilo Tony Blair, que se tornou um pântano de corrupção e compadrio, imposto, apesar da oposição de todas as organizações profissionais, por políticos burgueses e uma horda de conselheiros guiados por questões ideológicas e liderados pelo Boston Consulting Group.

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Suécia isola a extrema direita

O primeiro-ministro sueco Löfven conseguiu se manter à frente do governo
Após meses de impasse, partidos chegam a acordo para manter social-democrata como premiê no país escandinavo e deixar populistas longe do poder. Sobrevive assim um dos últimos governos de centro-esquerda da Europa.
O social-democrata Stefan Löfven tomará posse nesta segunda-feira (21/01) para mais um mandato como primeiro-ministro da Suécia, após um pacto no Parlamento, na sequência de quatro meses de paralisa política, para isolar a extrema direita do poder. 
O impasse político na Suécia se estendia desde setembro, quando o Partido Social-Democrata, do premiê Löfven, obteve seu pior resultado em um século nas urnas, em meio à ascensão dos Democratas Suecos, uma legenda de origem nazista e retórica anti-imigração.
Como ficou definido em apertada votação no Parlamento na sexta-feira, Löfven vai liderar um frágil governo de minoria, em parceria com o Partido Verde. Para se manter no poder, ele obteve apoio de parte de uma aliança opositora de centro-direita.
"Nota-se como partidos populistas e racistas fortaleceram suas posições ao redor do mundo”, disse o deputado liberal Jan Bjorklund, que apoiou a formação do governo, citando França, Estados Unidos e Hungria como exemplo. "Mas nós, na Suécia, escolhemos outro caminho.”
Na Suécia, o primeiro-ministro pode governar em minoria, desde que não haja uma aliança majoritária contra ele. "Serão quatro anos difíceis”, afirmou Löfven.
As eleições de setembro na Suécia geraram um Parlamento em que os blocos de centro-direita e centro-esquerda ficaram com cerca de 40% das cadeiras cada, insuficientes para que governassem de forma independente.
Os populistas de direita obtiveram 17% dos votos na eleição, e nenhum partido aceitou fazer aliança com eles. Com a formação do novo governo, os Democratas Suecos ficam como a terceira maior força de oposição, com 62 dos 349 deputados do Parlamento.
Com 10 milhões de habitantes, a Suécia concedeu refúgio a cerca de 160 mil pessoas em 2015 – maior número de refugiados per capita na Europa, tema que polarizou os eleitores durante a campanha para o pleito de setembro. 
Os números de 2015 exacerbaram temores sobre o sistema de bem-estar social da Suécia, que, na visão de muitos eleitores, já estaria em crise, apesar da queda contínua no número de refugiados a entrar no país desde então.
As crescentes filas para cirurgias críticas no sistema de saúde, a falta de médicos e professores, assim como o fracasso da polícia em lidar com a violência de gangues têm, na visão de especialistas, abalado a fé no "modelo sueco", baseado na promessa de inclusão social.
Como parte do acordo para dar sobrevida a um dos últimos governos de centro-esquerda da Europa, social-democratas e verdes assinaram uma declaração de intenções de 73 pontos, que incluí uma série de pautas de legendas conservadoras. Entre os itens, está a obrigatoriedade de teste de língua sueca para se tornar cidadão; corte nos impostos; e flexibilização das leis trabalhistas. Também foi descartada qualquer influência do partido A Esquerda, herdeiro do antigo Partido Comunista sueco.
RPR/afp/ap | Deutsche Welle

 

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Por Olof Palme… contra o nazismo!

O artigo de opinião que se segue foi publicado ontem às primeiras horas do dia 9 (domingo), antes das urnas de voto na Suécia abrirem. Afonso Camões, o autor e diretor do JN, lembra Olof Palme, o impulsionador da social-democracia que fez da Suécia exemplo para o mundo. Infelizmente os resultados das eleições demonstraram que nem a social-democracia (de facto), nem a memória da obra de Olof Palm, foram bem lembrados pelos eleitores suecos, que rumaram à direita falsamente dita democrática – capa que esconde o nazismo que a impregna das entranhas à pele exterior. Chamam-lhe extrema-direita, será isso também, mas o mais factual e correto é ser objeto e identificar este avanço eleitoral de movimento nazi que se alarga por toda a União Europeia. Que mais e melhor opção estratégica existe para conquistar a Europa – intenção e ação de Hitler – se não ver os chamados populistas, os da extrema-direita, concretamente os nazis ocuparem muito maioritariamente o Parlamento Europeu, a União Europeia? E depois é que vão ser elas…(PG)
Por Olof Palme!
Afonso Camões* | Jornal de Notícias | opinião

Existe uma lei, não escrita, segundo a qual se um pé não entra no sapato, é talvez mais prático refazer o sapato do que mutilar o pé. E quem diz refazer, diz reformar, exatamente os verbos em que a maioria dos líderes europeus tem revelado maior incompetência, quando se trata de encontrar soluções para assegurar a coesão entre os estados-membros, ou adotar políticas de asilo comuns que permitam enfrentar, de forma solidária, a crise migratória.

Ora, as eleições de hoje, na Suécia, são um duplo teste para toda a Europa. Desde logo porque ocorrem no país que tem sido, ao longo de décadas, um dos faróis da social-democracia europeia, guardiã dos valores do Estado social, e primeiro entre todos a resolver uma crise bancária. Mas dos resultados de hoje esperam-se sinal e resposta a duas questões sensíveis que dividem cada vez mais os suecos: o futuro do "Estado de bem-estar" (sociais-democratas e verdes, no poder, pretendem reforçá-lo, enquanto os quatro partidos do centro-direita preconizam cortes); e o rápido crescimento do populismo anti-imigração, cuja força "Democratas Suecos", de extrema-direita, reclama deportações maciças e veto à reunificação familiar, para além de propor um referendo para saída da União Europeia.

O caudal de audiências desta corrente xenófoba engrossou, sobretudo, com o grande fluxo migratório da Grécia, em 2015, e a proverbial solidariedade pública dos suecos: só naquele ano, este país escandinavo, com uma população inferior à nossa, absorveu 163 mil migrantes em busca de asilo. Hoje à noite, uma sensível inclinação da balança eleitoral para a direita, com o eventual crescimento dos antieuropeus e xenófobos, significaria o refrescamento de um espetro temido e conhecido em Bruxelas: o Swexit. E um imerecido golpe na memória de Olof Palme, antigo primeiro-ministro sueco (assassinado em 1986), um dos europeus que mais apoiaram a democratização portuguesa, pós-revolução, e os movimentos independentistas africanos.

*Diretor do JN

 

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Passado neonazista assombra partido populista na Suécia

Pesquisas apontam que legenda anti-imigração Democratas Suecos pode obter até 20% dos votos em eleição legislativa. Com raízes em movimento neonazista, agremiação tenta se afastar de imagem de racista.
Instantes depois que Jimmie Akesson, o líder de 39 anos do partido populista Democratas Suecos (SD, na sigla em sueco), pegou no microfone em Malmö, o público começou a entoar gritos como "Não aos racistas em nossas ruas!". Manifestantes seguravam cartazes com os dizeres "Cale a boca, seu racista maldito" ou "SD: nazistas em 1988, nazistas em 2018".

A esmagadora maioria daqueles que saíram de casa para assistir ao discurso de Akesson são o que ele chamaria de "helt vanligt folk", ou "povo completamente comum".

Os antifascistas que compareceram ao local do discurso do político não são os únicos que chamam o partido de nazista. O primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, descreveu a legenda como "um partido neofascista de tema único", com "raízes nazistas e racistas". E os apoiadores do partido admitem: o estigma é um problema.

"Pode ser difícil com algumas pessoas", disse "UC" Nilsson, de 16 anos e que apoia o SD. Ele foi ao evento com colegas de escola. "Recebemos reações negativas muito fortes porque algumas pessoas não gostam da política do partido. Mas acho que isso é bom para a Suécia: não podemos acolher tantos imigrantes", disse.

"Nacionalismo cultural"

Ideologicamente, os Democratas Suecos são menos extremos do que outras legendas populistas europeias, pregando um "nacionalismo cultural" aberto a todos, não importando onde nasceram ou a cor de sua pele.

Ao mesmo tempo, o partido defende uma imigração altamente restrita. A legenda quer que o país aceite apenas refugiados da Dinamarca, da Noruega e da Finlândia, e também defende um sistema de vistos de trabalho bem mais rígido do que o vigente.

O que faz com que o SD se destaque é que, de fato, o partido tem raízes no movimento neonazista sueco. Até Mattias Karlsson, líder parlamentar e arquiteto ideológico da legenda, reconhece que muitos membros fundadores vieram do grupo "Bevara Sverige Svenskt" ("Mantenha a Suécia Sueca", em tradução livre), abertamente racista.

"Mas essa organização foi desmantelada em 1986, e o SD foi formado em 1988", destaca Karlsson. "Então, o SD não é uma continuação daquela organização."

O primeiro tesoureiro do partido, Gustaf Ekstrom, é ex-membro da Waffen-SS (tropa de elite nazista). O primeiro líder do SD, Anders Klarstrom, atuou no partido nazista Reino Nórdico ("Nordiska rikspartiet").

A questão é se essas origens ainda mancham o partido, apesar dos esforços de Akesson de reformá-lo desde que assumiu sua liderança, em 2005.

"Somos muito firmes e não cedemos em relação a esses temas", disse Karlsson à DW. "Se há algum sinal de xenofobia ou racismo, expulsamos esses representantes imediatamente", explicou.

Julia Kronlid, a mulher com o mais alto posto na liderança do partido, diz que o estigma hoje é menor do que quando ela "se assumiu" como apoiadora do SD, há dez anos.

"Na igreja, quando meu marido e eu dissemos que estávamos entrando para o SD, as pessoas quase se engasgaram com seu café", lembra. "Mas, agora, reconhecem o que eu fiz, e algumas querem entrar para o partido."

No entanto, Cecilia Bladh, outra política do SD oriunda da classe média, reclama que ativistas locais ainda correm o risco de serem afastados por seus empregadores.

"Espero que isso mude, porque, se temos um quinto da população sueca nos apoiando não dá para continuar assim", considera, referindo-se a pesquisas de intenção de voto, em que o SD aparece com cerca de 20%.

Sombra do nazismo

Parte do motivo pelo qual a situação não mudou é que muitos membros do SD claramente ainda são racistas. Na semana passada, o jornal Expressen revelou que um político local escreveu sobre "a praga dos judeus" num grupo fechado do Facebook, e argumentou que "Hitler não estava errado sobre os judeus".

David Baas, autor da reportagem, diz que é normal ativistas do SD postarem comentários racistas como esse em fóruns fechados e no site d mídia social russa VK. "Eles têm duas caras: em seus perfis públicos do Facebook, não escrevem essas coisas. Mas na VK, escrevem algo muito diferente", detalha.
Juntamente com a revista antiextremista Expo, o Expressen também revelou que pelo menos oito atuais candidatos do SD à eleição legislativa do próximo domingo (09/09) são ex-membros de grupos neonazistas, com um deles pagando mensalidades para o Movimento de Resistência Nórdico até 2016.

Andreas Olofsson, que faz campanha para os Democratas Suecos em Klippan, cidade que antigamente abrigava uma fábrica de papel, a uma hora de Malmö, liderou a filial local da neonazista Frente Nacional-Socialista ("Nationalsocialistisk front") no final dos anos 1990.

"Foi um período muito triste para mim", relata Olofsson. "Eu era jovem e burro. Sou uma pessoa completamente diferente agora", afirma.

Tolerância zero com o racismo?

O partido diz vetar todos os candidatos, mas o passado de Olofsson é do conhecimento de todos na cidade, onde também é amplamente perdoado.

Jonathan Leman, pesquisador da Expo e que trabalhou nas investigações, diz que suas descobertas são provas de que a política de tolerância zero "não está enraizada no partido".

"Eles passaram mais tempo contando às pessoas que têm essa política do que a explicando a integrantes do partido e garantindo que ela é ensinada e praticada", coloca.

Em Malmö, o apoiador do SD Ricky Lowenborg começou a perder a paciência com os slogans que se sobrepõem ao pronunciamento de Akesson. "Nazistas? São os social-democratas que são nazistas", disse.
"Meu dinheiro dos impostos vai para essa escória ali. Por isso é que estou furioso", afirmou, referindo-se aos imigrantes, que, segundo ele, querem "construir complexos de mesquitas gigantescos, com minaretes enormes, em todo lugar".

"Não somos nazistas", diz, firme. "Eles pensam que nós somos nazistas, mas não somos, absolutamente não. Eu não sou racista, espero que você escreva isso. Sou casado com uma filipina. Amo estrangeiros", declara.
Richard Orange (de Malmö/rk) | Deutsche Welle

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