Solidariedade

CGTP-IN expressa a sua solidariedade com as mobilizações populares nos EUA, na sequência do assassinato de George Floyd

manifgeorge floydA CGTP-IN expressa a sua solidariedade com as importantes mobilizações populares que têm atravessado os EUA nestas últimas semanas, na sequência do assassinato de George Floyd pela polícia, que condenamos, vencendo as tentativas de intimidação, a repressão e as ameaças de criminalização.

A CGTP-IN chama a atenção e valoriza o significado da mobilização unitária de diversas camadas sociais, que se unem contra o racismo, a repressão e as profundas injustiças sociais que marcam a realidade na principal potência capitalista mundial.

Causa legítimo repúdio que a maior potência militar mundial, o país que leva a ingerência, a agressão, as sanções e bloqueios aos países que não se submetam aos seus interesses e ditames, tantas vezes com a desculpa cínica da defesa dos Direitos Humanos, responda à pandemia de COVID-19 com a distribuição de generosos apoios ao grande capital, alimentando a especulação e o parasitismo dos monopólios financeiros, dentro e fora das suas fronteiras, ao mesmo tempo que abandona milhões de americanos à sua sorte, sem direito a cuidados de saúde e protecção social, submetidos à precariedade generalizada, ao desemprego (dezenas de milhões de trabalhadores) e à pobreza, onde as descriminações, as violações de liberdades e a repressão marcam um dia-a-dia de injustiças e privações, configurando um cenário global de profunda crise social e graves violações dos Direitos Humanos.

A CGTP-IN expressa a sua solidariedade com todos os que são vítimas do racismo, da xenofobia e da exploração, das injustiças e desigualdades sociais, transmitindo uma sentida mensagem de solidariedade aos trabalhadores e ao povo dos EUA na sua luta contra todas as formas de injustiça, por melhores condições de trabalho e de vida, pela paz.

INT/CGTP-IN
14.06.2020

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CIÊNCIA E SOLIDARIEDADE OPÕEM E FRAGILIZAM A SOLIDARIEDADE, por EMMANUEL TOURINHO

OBRIGADO A EMMANUEL TOURINHO, CARTA CAPITAL E CAMILO JOSEPH

Selecção de Camilo Joseph

 

No conto “Civilização”, de Eça de Queiroz, um evento fortuito conduz o protagonista, “o [homem] mais complexamente civilizado”, a uma experiência de vida inédita e que encerra a possibilidade de realizações antes preteridas. De modo análogo, a pandemia do coronavírus inaugura para as sociedades contemporâneas uma realidade que expõe os limites de modos de vida que nos são muito familiares, ao tempo em que nos confronta com valores que contêm uma possibilidade de avanço civilizatório.

É preciso reconhecer que é muito cedo para dizer qual mundo sairá desta pandemia. Reflexões bem articuladas têm apontando possibilidades sobre a vida pós coronavírus que chegam a ser conflituantes, o que atesta que os sinais atuais são ainda insuficientes para previsões seguras. Mas a incerteza não impede a reflexão sobre questões possivelmente inescapáveis no futuro próximo.

A ciência – modalidade moderna de discurso explicativo da realidade, resultante de esforços intelectuais e investigativos inéditos, com impactos inigualáveis na produção de conforto e segurança para a vida cotidiana; e a solidariedade – valor ético que molda organizações e práticas que geram coesão e compartilhamento de oportunidades, que se contrapõem a processos de (re)produção de iniquidades e injustiças; ambos têm estado presentes em sociedades de todos os continentes nos últimos séculos.

Não são, portanto, uma novidade. Mas são, neste momento, o contraponto a uma onda que nas últimas décadas tem acumulado enorme expressão em muitas regiões do planeta. Obscurantismo e políticas econômicas concentradoras de riqueza e renda são as expressões máximas dessa onda anti-civilizatória e não é desprezível o seu alcance hoje, nem o universo de pessoas que morrem ou transitam para uma condição degradada de vida sob os seus efeitos.

Sem o distanciamento necessário para observar todas as dimensões desse processo, muitas pessoas passaram a tratar como aceitáveis ou não prejudiciais discursos baseados no senso comum ou no capricho, a exemplo de campanhas contra vacinas e outros desenvolvimentos científicos, contra os cientistas e contra as instituições que fazem ciência – as universidades e os institutos de pesquisa. No limite, passaram a levar a sério a tese de que a terra é plana, um retorno explícito ao cosmo medieval, pré-científico.

Do mesmo modo, acolhem como válidas receitas econômicas que geram a supressão de direitos para grande parte da população, que reduzem os investimentos públicos em saúde, educação, ciência e tecnologia, ao passo que garantem lucros maiores para o mercado financeiro. Prescrições que têm mantido ou transportado milhões de pessoas de volta à condição de pobreza ou pobreza extrema, subtraindo ou perpetuando a ausência de condições para uma vida com dignidade.

A questão é que, enquanto discutimos se vale mais a ciência ou a ignorância (é inacreditável que isso esteja em pauta em algumas sociedades, mas está), se a política econômica deve ou não distribuir riqueza e renda, a realidade da pandemia chacoalha o debate para bradar: sem conhecimento científico, serão milhões de mortos; e, sim, todas as pessoas importam, absolutamente todas, e os mortos podem ser quaisquer uns. É com isso que estamos sendo confrontados neste momento.

Mudanças nos biomas de todos os continentes e novas práticas de consumo tornaram inevitável a circulação nas cidades de organismos antes restritos a ambientes não alterados por processos antrópicos. Os problemas de saúde pública serão recorrentes e cada vez mais graves (desafios de impactos comparáveis serão enfrentados em muitas outras áreas, por exemplo, clima, recursos energéticos, alimentos etc.). A ciência precisará ser eficiente e rápida. A ciência? Sim, ela mesma. E a nação que não dispuser de um sistema de ciência e tecnologia robusto vai pagar muito mais caro por tecnologias e tratamentos – se a eles tiver acesso.

 

Para continuar a ler clique em:

Ciência e solidariedade opõem e fragilizam a barbárie

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/05/03/ciencia-e-solidariedade-opoem-e-fragilizam-a-solidariedade-por-emmanuel-tourinho/

Este amigo que eu canto, (Portugal)

(Joaquim Vassalo Abreu, 18/04/2020)

Na Pandemia do Covid 19 o campeonato dos números está na ordem do dia!

Se isso me interessa? Interessa! Se me interessa de sobremaneira? Não! Se estou atento? Estou! Se me deixa feliz estar Portugal num óptimo lugar no ranking mundial da luta? Deixa e muito! Se isso me sossega? Não!

 

Mas há várias coisas que me deixam extremamente feliz e nem é preciso comparar com os nossos vizinhos espanhóis que em nada se entendem! Nós felizmente entendemo-nos e assumimos nesta “guerra” que somos todos soldados!

Na união por um objectivo e, ultrapassando demais considerandos, sabendo e intuindo ser por ora a grande batalha das nossas vidas!

Os nossos vizinhos olham para nós e não entendem como o nosso Parlamento, com pequenas divisões apenas de pormenor, não amplifica qualquer diferença e ao contrário deles se mostra solidário e uno nessa mesma missão, missão essa que, de resto, pertence a todos. E sem ódios nem acrimónias! Somos assim, nem convencidos nem arrogantes, somos assim…

Como pode um qualquer país vencer uma guerra se os seus Generais não se entendem, nem quanto à táctica nem quanto à acção? É o paradoxo espanhol numa ocasião como esta.

E aí sinto-me particularmente orgulhoso do nosso sentido de Nação mas, muito mais ainda, da nossa consciência solidária e no deixar para outros tempos o explicitar das diferentes visões! Pois elas são hoje uma só: A Nossa sobrevivência colectiva! Sem mais…

E a homenagem de gente que tem estado permanentemente no terreno, numa atitude sempre profilática e aconselhadora, que não repressiva, mas cumprindo e zelando sempre de modo eficiente e ao mesmo tempo condescendente a causa comum, numa sabedoria inata que vem do sentir de comunidade, Todas as Forças de Segurança, aos verdadeiros “soldados” das frentes de trincheira, emocionou-me ontem! 

 E emocionou-me porque senti não ser nada programado e nem sequer com qualquer resquício de hipocrisia, mas sim um acto voluntário de gente que estando de corpo e alma na mesma batalha reconhece que é ali, nos Hospitais, que trabalhando e doando, se salvam vidas mas também de arrisca a sua própria vida. E eles, todas as Forças de Segurança e de Protecção, que sabem ter um estatuto de exclusividade aceite e normativo, melhor reconhece que outra classe que não o tem, isso mesmo aceite e cumpra! De louvar? Sim, e duplamente!

Mas isto relembrou-me uma coisa que eu pela vida já um pouco longa que tenho nunca esqueci, nem a nossa História recusa: podemos ser tudo, ter todos os defeitos desta vida e nem vale a pena enumera-los pois também são nosso património ( cada Povo é como é…) , mas quando o nosso mesmo que diverso sentimento converge, venha lá quem venha, como no Futebol, venham Franças, Brasis ou Alemanhas… Somos sempre um só!

E como disse o Presidente ( que agora e nestes tempos também é o meu Presidente) :  Milagre? Milagre é Portugal!

E por isso hoje, sem qualquer rebuço eu digo: que sorte nós temos neste preciso momento histórico:

Ter um autêntico “couraçado” como Primeiro Ministro! Um Capitão do navio equilibrado e colaborante; marinheiros às velas que de tão atentos nem dormem; e todos os restantes membros da tripulação, qual olímpica regata, coordenados e eficientes e apenas fixados na vitória.

E comedidos todos, acrescento agora depois da metáfora!

Orgulho imenso eu sinto em ter nascido neste lugar no extremo da Europa e dando lições de vida ao poderoso vizinho, que é tão meu amigo, no Amor sim, mas muitas vezes exagerado no seu auto convencimento.

Este Amigo que eu Canto-

Portugal ( Ary dos Santos)

Desde quando nasci

Que o conheço e lhe quero

Como a um irmão meu

Como ao pai que perdi,

Como tudo o que espero.

É um homem que tem o condão da doçura

No sorriso de água, nos olhos cansados,

É metade alegria, é metade ternura

Nas palavras cantadas, nos gestos dançados,

Nos silêncios magoados.

Tem um rosto moreno

Que o inverno o marcou

E apesar de ser forte,

É um homem pequeno

Mas maior do que eu sou.

Tem defeitos, é certo. Como todos nós.

Sonha, às vezes demais,

Fala, às vezes no ar

Mas quando dentro dele a alma ganha a voz

É tal como se fosse o som do nosso mar,

Se pudesse falar…

Foi capaz de mentir,

Foi capaz de calar

É capaz de chorar e de rir,

Tem um quê de fadista,

Tem um quê de gaivota,

E a mania que há-de ser artista.

Quando vê que precisa

É capaz de roubar,

Mas também sabe dar a camisa.

Foi capaz de sofrer,

Foi capaz de lutar,

È capaz de ganhar

E perder.

É um amigo meu que às vezes me ofende

Mas que eu sei que me escuta,

Que eu sei que me ouve

E também compreende.

Quantas vezes lhe digo que tenha juízo,

Que a mania dos copos só lhe faz é mal,

Que a preguiça não paga e que o trabalho é preciso.

Ele encolhe-me os ombros num despreso total,

Este tipo é assim, mas…

Foi capaz de mentir,

Foi capaz de calar

É capaz de chorar e de rir,

Tem um quê de fadista,

Tem um quê de gaivota,

E a mania que há-de ser artista.

Quando vê que precisa

É capaz de roubar,

Mas também sabe dar a camisa.

Qual o nome final

Deste amigo que eu canto?

Pois é claro que é

Portugal.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

SOMOS TODOS ONDAS DO MESMO MAR

 
 
Wendi Song – Plataforma Macau | opinião
 
Após o início do surto de Covid-19 na China peritos alertaram o resto do mundo para o risco de este se alastrar para outros países. Porém, apenas em março, quando a Europa foi fortemente atingida pela epidemia e os EUA atingiram os 40 mil casos confirmados, é que os voos começaram a ser cancelados e as fronteiras a fechar. Todos podemos ser afetados. O impacto económico causado pelo surto tem sido cada vez mais evidente. Mas a pior consequência desta pandemia não é necessariamente a económica, mas sim a crescente desconfiança entre países numa era global. A prosperidade da segunda metade do século 20 e princípio do século 21 em grande parte surgiu devido à globalização, com a divisão internacional de mão-de-obra e a realocação de recursos. O desenvolvimento da globalização económica trouxe-nos grandes benefícios com o acelerar da integração de toda a humanidade. Devido ao desenvolvimento económico desequilibrado do mundo e a crescente disparidade entre classes, populismos, nacionalismos e protecionismo comercial tornaram-se cada vez mais comuns. Uma pandemia como esta  irá certamente alimentar ainda mais estas tendências. É necessário manter uma atitude cautelosa em relação à retórica racista e nacionalista que alguns políticos usam para cobrir erros e evitar conflitos internos. Agora é mais importante do que nunca manter a confiança na economia mundial e na globalização. Já fazemos parte de uma comunidade com um futuro comum para a humanidade. Nenhum país ou região pode isolar-se ou ser exceção. A pandemia irá eventualmente passar, aviões voltarão a voar, cruzeiros a partir, e talvez as mãos que se separaram com esta situação se voltem a unir. Afinal de contas, somos todos ondas do mesmo mar, folhas da mesma árvore e flores do mesmo jardim.
 
Wendi Song 27.03.2020

Inter afirma «solidariedade aos trabalhadores e aos povos» face ao surto epidémico

Esta solidariedade é «reforçada» no caso dos povos e países «vítimas das políticas de embargo, sanções, agressão, bloqueio e cerco» que o imperialismo norte-americano procura agora intensificar.

«A evolução da situação demonstra como o combate ao vírus é indissociável da luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus direitos« defende a InterCréditos / arynews.tv

Tendo em conta a pandemia de Covid-19, a CGTP-IN sublinha que a solidariedade assume um «carácter redobrado», porque, «além de prevenir e combater o vírus e defender a saúde e a vida», os trabalhadores e os povos enfrentam, no actual contexto, «o brutal agravamento da exploração, o ataque aos seus direitos, rendimentos e condições de vida».

«A evolução da situação demonstra como o combate ao vírus é indissociável da luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus direitos», afirma a central sindical numa nota de imprensa, na qual vinca a ideia de que esta luta terá «forçosamente de continuar e aprofundar-se no futuro», nela se incluindo «o reforço da solidariedade internacionalista».

Lembrando que, em Portugal, o combate ao surto epidémico é «pretexto para Governo e patrões torpedearem direitos, liberdades e garantias, e imporem a quem trabalha o custo do agravamento da crise económica que este problema de saúde pública potencia», a Intersindical diz ver com preocupação o «alastrar do vírus a países do Terceiro Mundo».

Estes, com «sistemas de saúde e economias ainda mais frágeis», em vez de receberem «a necessária ajuda genuína e cooperação internacional», são confrontados com a imposição das «mesmas políticas neoliberais e os mesmos protagonistas (FMI e Banco Mundial) que limitam ou impedem uma resposta cabal ao problema e agravarão os problemas económicos e sociais existentes», lê-se na nota.

A situação dos refugiados e imigrantes, «encurralados em centros de detenção sobrelotados e acampamentos», que são «terreno fértil para o vírus», também preocupa a Inter, que manifesta uma solidariedade «reforçada aos povos e aos países vítimas das políticas de embargo, sanções, agressão, bloqueio e cerco que o imperialismo norte-americano procura intensificar neste momento».

Entre os visados contam-se Cuba, Venezuela, Síria e China, que são alvo de uma «postura que, em tempos de surto epidémico, acentua o seu carácter criminoso», e que contrasta com a solidariedade desenvolvida por estes países, «levando genuína ajuda onde esta é solicitada».

Mensagem particular para os povos saarauí e palestiniano

O povo saarauí, que «continua sem conseguir constituir o seu Estado livre e independente», é destinatário da «mais firme e solidária mensagem» enviada pela CGTP-IN, que lembra as «brutais limitações ao acesso à saúde» a que os saarauís estão sujeitos tanto nos territórios ocupados como nos acampamentos de refugiados, «onde, apesar das medidas implementadas pelas autoridades saarauís, a população está mais fragilizada».

O povo e os trabalhadores palestinianos são também destinatários da expressão de uma «particular solidariedade» por parte da Intersindical. «A braços com a luta pelo direito de constituir o seu Estado livre e independente, sofrem de forma particular com a política opressora, agressiva e repressiva de Israel, e que se agrava com a crise sanitária que o mundo enfrenta», denuncia o documento.

O surto epidémico – lê-se no texto – não só «não fez recuar» como, pelo contrário, «intensificou a política de ocupação e bloqueio por parte do regime sionista», que limita acesso do povo palestiniano «aos mais básicos direitos, desde logo à saúde e à agua, nomeadamente em Gaza».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/inter-afirma-solidariedade-aos-trabalhadores-e-aos-povos-face-ao-surto-epidemico

A FALTA DO ABRAÇO

Domingos Lopes

 

A pandemia caiu sobre a Humanidade confinando-a preventivamente nos diversos espaços onde cada indivíduo mora.

Quando a pós-modernidade enaltecia o hedonismo, a supremacia do individualismo, eis o choque para nos fazer regressar à nossa humanidade; sem os outros não nos salvaríamos. Somos seres ligados entre todos, cada vez mais, de Hubei a Nova Iorque, de Milão a Tóquio. Só em comunidade os indivíduos podem sobreviver e viver.

A juventude é a mais poderosa força de renovação humana, a que garante a continuidade da vida humana. Neste momento histórico, em que parecia estar de costas para o mundo, ensimesmada, entretida nas mil aplicações tecnológicas vale a pena reconhecer que o problema é outro.

Não são os mais velhos que são mais solidários. A rebeldia dos jovens das décadas de 60/70 estava marcada por um conjunto de circunstâncias únicas. Qualquer jovem que tivesse frequentado o liceu tinha um emprego; um licenciado era um privilegiado, não lhe faltavam boas saídas profissionais. Dispunham do futuro.

No mundo atual cada jovem para ter acesso a uma vida minimamente digna esmifra-se entre diversos ganchos, o que o favorece a atomização. A Juventude não optou pelo em consciência pelo egoísmo. As circunstâncias são estas. E elas moldam as mentes enquanto os quadros dessa normalidade se reproduzirem.

A vida esbarrou nesta crise. Não dependemos dos mercados para sobreviver. As nossas vidas dependem em última instância dos que trabalham na saúde. Pelo que nos é dado ver os enfermeiros são jovens e têm mais de um emprego para poder viver.

É curioso que, até há muito pouco tempo, muitos dos que hoje aplaudem os médicos e enfermeiros olhavam-nos com desconfiança pelas suas reivindicações. Alguns, poucos, é verdade, insultavam e chegavam a agredir enfermeiros e médicos.

São assim os humanos. Sem as leis da comunidade seriam predadores. Açambarcadores. Bichos.

Este é um tempo para enfrentarmos uma prova de fogo. Estamos todos fechados, novos e velhos, sofrendo, em solidão. Claro que podemos contactar uns com os outros e as novas tecnologias facilitam, mas um post é um post. Um abraço é um abraço. A falta que nos faz. Talvez o vírus venha a contribuir para dar ao simples abraço a sua dimensão original. Dois corpos unidos, quentes.

https://www.publico.pt/2020/04/07/opiniao/opiniao/abraco-falta-faz-1911384

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2020/04/07/a-falta-do-abraco/

NA PANDEMIA, FERMENTA O COMUM

 
 
Índia, China, África do Sul, Europa. Face à crise, multiplicam-se pelo mundo iniciativas de compartilhamento e auxílio mútuo. São embrionárias. Mas apontam para novas relações e subjetividades, diante do colapso das lógicas neoliberais
 
George Monbiot | Outras Palavras | Tradução: Antonio Martins
 
Agora, assistimos ao vivo ao colapso do neoliberalismo. Os governos, cuja missão era reduzir ao máximo o Estado, cortar impostos e desmantelar os serviços públicos, estão descobrindo que as forças de mercado que fetichizavam não podem nos defender da crise. A teoria foi testada e abandonada em quase todos os lugares. Pode não ser verdade que não havia ateus nas trincheiras, mas não há neoliberais numa pandemia…
 
A mudança é ainda mais interessante do que parece à primeira vista. A iniciativa não migrou apenas do dinheiro para o Estado, mas de ambos para outro lugar: os Comuns locais. Em todo o mundo, as comunidades mobilizam-se, onde os governos fracassam.
 
Na Índia, jovens auto-organizam-se em grande escala, para providenciar pacotes de ajuda aos diaristas: gente sem reservas financeiras ou estoque de mantimentos, que dependem totalmente do fluxo de receitas que agora foi interrompido. Em Wuhan, na China, assim que o transporte público foi suspenso, motoristas voluntários criaram uma frota comunitária, para transportar trabalhadores de Saúde entre suas casas e hospitais.
 
Na África do Sul, as comunidades de Johannesburg produziram pacotes de sobrevivência para pessoas que vivem em ocupações: álcool gel, papel higiénico, água engarrafada e comida. Na Cidade do Cabo, um grupo local mapeou interativamente todas causas de um distrito, pesquisou sobre seus moradores e reuniu gente com experiência médica, pronta para ajudar se a capacidade dos hospitais se esgotar. Outra comunidade instalou pias na estação de trem e trabalha para transformar um estúdio de cerâmica numa fábrica de desinfetantes.
 
Nos EUA, o HospitalHero conecta trabalhadores de Saúde agora sem tempo para cuidar de sua própria vida com pessoas que podem oferecer refeições e acomodação. Um grupo chamado WePals, criado por um garoto de oito anos, organiza encontros virtuais (“play dates”) para jogos, para crianças. Um novo site, o schoolclosures.org, permite que pais sobrecarregados busquem aulas, refeições e cuidado de última hora para crianças. Uma rede chamada Money During Corona [Dinheiro sob o Corona] reproduz notícias sobre oportunidades de emprego para gente a procura de trabalho.
 
Na Noruega, um grupo de pessoas que se recuperaram da Covid-19 oferece serviços que poderiam ser perigosos, se realizados por não-imunes. Em Belgrado, voluntários organizam cafés e aconselhamento sobre a crise. Estudantes, em Praga estão cuidando de filhxs de médicxs e enfermeirxs. Em Dublin, inventou-se o bingo de varandas: o sorteador senta-se numa praça entre os prédios, com um grande megafone, enquanto os jogadores sentam-se em suas varandas, de onde ouvem os números.
 
No Reino Unido, milhares de grupos de auxílio mútuo encarregam-se de fazer compras em supermercados e farmácias, instalar equipamentos digitais para idosos e organizar equipes de amizade por telefone. Um grupo de mulheres que costumavam correr juntas em Bristol reinventou-se como “corredoras por remédios”. Mantêm-se em forma transportando drogas das farmácias para pessoas que não podem deixar suas casas.
 
Em todo o mundo, grupos auto-organizados de médicos, tecnólogos, engenheiros e hackers estão oferecendo equipamentos e experiência a quem necessita. Na Letônia, programadores organizaram uma maratona de ideias (hackaton), para desenhar os componentes mais leves de uma máscara facial que pudessem ser produzidos com uma impressora 3D. Diversos grupos na Inglaterra estão pressionando empresas com equipamento de proteção em seus armazéns a doá-los a trabalhadores expostos no setor de Saúde. Nas Filipinas, designers de moda readaptaram seus espaços de trabalho para produzir roupas de proteção. Ao compartilhar tecnologias, por meio do site PatternReview, costureirxs que trabalham em casa estão produzindo máscaras e jalecos.
 
Em apenas uma semana, um grupo de médicos, tecnólogos e outros especialistas organizaram-se para conceber coletivamente um respirador artificial, o OxVent, que pode ser produzido por menos de R$ 6 mil, a partir de peças facilmente encontráveis. Outra opção o VentilatorPAL, pode ser construído por R$ 1800, segundo a comunidade de tecnólogos que o criou. O Manual Tecnológico do Coronavírus [Coronavirus Tech Handbook] é uma biblioteca copyleft que descreve tecnologias e novos modelos organizacionais para enfrentar a pandemia. Nos EUA, alguns grupos de especialistas auto-organizados estão enfrentando as catastróficas falhas na oferta de serviços de saúde, realizando projetos de testagem de vírus e rastreamento das vítimas, criando relações das pessoas vulneráveis, e colocando trabalhadores da saúde em contato com os hospitais que precisam deles.
 
Os filmes distópicos erraram. Ao invés de nos transformar em zumbis sedentos por corpos, a pandemia converteu milhões de pessoas em pessoas colaborativas.
 
No livro Free, Fair and Alive [“Livres, Justos e Vivos”], David Bollier e Silke Helfrich definem os Comuns com “uma forma social que permite às pessoas desfrutar de liberdade sem reprimir os demais, praticar justiça sem controle burocrático… e afirmar soberania sem nacionalismo”. Os Comuns não são nem capitalistas, nem comunistas; nem mercado, nem Estado. São uma insurgência de poder social, a que chegamos juntos como iguais, para enfrentar nossos desafios compartilhados.
 
Mil livros, filmes e fábulas empresariais repetem que o conto de fadas a que todos deveríamos aspirar é o de nos tornarmos milionários. Então, poderemos nos isolar da sociedade numa mansão com muros altos, Saúde, Educação e até um jato privado. Os Comuns sugerem um futuro oposto: encontrar significado, propósito e satisfação trabalhando juntos para melhorar as vidas de todos. Em tempos de crise, redescobrimos nossa natureza social.
 
É possível falar muito a respeito de uma sociedade a partir de suas idiossincrasias de linguagem. Nós frequentemente deturpamos a palavra “social”. Falamos de “distanciamento social”, quando nos referimos a distanciamento físico. Falamos sobre “segurança social” e a “rede de segurança social”, quando fazemos alusão a segurança econômica e redes de segurança econômica. Enquanto a segurança econômica é (ou deveria ser) oferecida pelos governos, a segurança social emerge da comunidade. Um dos aspectos extraordinários da resposta ao Covid-19 é que, durante o auto-isolamento, algumas pessoas – em especial, as mais velhas – sentem-se menos isoladas do que estiveram por anos. Suas vizinhanças asseguram-lhes que não estão sós.
 
Ainda precisamos do Estado: para garantir Saúde, Educação, redes de segurança económica. Para distribuir a riqueza social entre as comunidades. Para impedir que interesses privados tornem-se muito poderosos. Para nos defender de ameaças. O Estado realiza estas funções, ainda que de maneira pobre, por sua própria natureza. Mas se confiarmos apenas no Estado, vamos nos descobrir atirados em silos de abastecimento e altamente vulneráveis a cortes. Relações sociais ricas serão substituídas por relações frias, de transações. As comunidades não são um substituto para o Estado, mas um complemento essencial.
 
Não há garantia de que este ressurgimento da ação coletiva possa sobreviver à pandemia. Podemos retroceder ao isolamento e à passividade que tanto o capitalismo quanto o estatismo estimularam. Mas não creio que isso ocorra. Sinto que algo está criando raízes, algo que havíamos perdido: a força mobilizadora e transformadora do auxílio mútuo.
 
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/na-pandemia-fermenta-o-comum.html

Solidariedade, contra a crise e a cultura do ódio

Solidariedade é, hoje, a palavra que pode exprimir a capacidade para o enfrentamento da crise que recebeu o nome de coronavírus, mas que, mais do que isso, é a profunda crise do capitalismo.

 

 

A palavra “solidariedade” teria sido usada pela primeira vez em francês, no século 18 – supõe-se que pelo filósofo democrata e avançado Denis Diderot (1713–1784), que se opunha ao poder absoluto dos reis de França. Pode ser. A palavra solidariedade tem, em sua raiz, a expressão latina solidus (sólido). Exprime, assim, a solidez de um corpo único, inteiro, uniforme – e a noção de responsabilidade de cada um com os demais.

Solidariedade é, hoje, a palavra que pode exprimir a capacidade para o enfrentamento da crise que recebeu o nome de coronavírus, mas que, mais do que isso, é a profunda crise do capitalismo. Seu estopim foi a brusca queda no preço do petróleo, em consequência da disputa entre sauditas e russos, agravada pela difusão mundial do coronavírus, na China e em países da União Europeia (principalmente Itália e Espanha) e nos Estados Unidos.

A crise é muito grave. Pode ter dimensões sanitárias inimagináveis, potencializadas pelo empobrecimento da população e pela precariedade no trabalho e no emprego. Analistas e providências tomadas por governos estrangeiros – principalmente Alemanha, Espanha e Itália – indicam a admissão da falência de princípios neoliberais hegemônicos há 40 anos e a bobagem da tese do Estado mínimo. Ao contrário, muita gente – inclusive apóstolos do neolibealismo – reconhece que a dimensão social e econômica da atual crise só pode ser enfrentada com instrumentos próprios do Estado, e não pela sacrossanta “mão invisível do mercado”.

A solidariedade – a ação da sociedade representada pela força do governo e do Estado – volta a assumir a linha de frente no combate à crise e ao vírus.

Mas o Brasil, sob Bolsonaro – o direitista ultraliberal que atua no Palácio do Planalto – está na contramão. Enquanto mesmo governos de direita, como o da Itália, aceitou a solidariedade chinesa no combate à moderna peste negra que assola o mundo, no Brasil um eminente membro do clã Bolsonaro – o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República – ofendeu a China e o povo chinês atribuindo a eles a responsabilidade pelo coronavírus.

Essa cultura do ódio, que rejeita ideologias diferentes da sua, rachou o Brasil desde pelo menos 2013. Uma divisão que agora piora e impede que aquele sentimento simples e humano – a solidariedade – mantenha os brasileiros unidos para enfrentar uma ameaça que extrapola a política, sendo também social e existencial.

Os brasileiros são tradicionalmente cordiais, como a sociologia diz – e solidários. Aqui, até poucos anos atrás, era vergonhosa a manifestação de repúdio e o ódio a outras pessoas. Entre o povo, eram malvistas as manifestações de ódio aos demais. Mas nos últimos anos, a luta de classes se acirrou no País, e a solidariedade foi sua principal vítima, opondo os setores mais radicalizados da direita ao conjunto dos brasileiros.

Como diz a infectologista Ceuci Nunes, do Hospital Couto Maia, na Bahia, “precisamos da solidariedade da população”. Ela tem razão. Só a solidariedade – o sentimento de totalidade, de fazer parte de um todo onde cada um é responsável pelos demais – pode ajudar aos brasileiros a vencer esta guerra, que se dá não só em território nacional mas também no exterior, pois acomete a humanidade.

Solidariedade da qual, no Brasil, o governo direitista de Jair Bolsonaro se exclui, a julgar pelas medidas que anunciou na mascarada entrevista da quarta-feira (18), em que o ministro Paulo Guedes anunciou um socorro aos bancos pelo menos 11 vezes maior do que à população mais pobre. Para o povo, destina cupons no valor médio de R$ 191 – num total de R$ 15 bilhões. Para os bancos, muito mais: US$ 31 bilhões – ou R$ 161. Há solidariedade do governo com a população? Ou a mesma cantilena neoliberal que diz a nós tudo, ao povo o que o governo acha possível?

Na saúde, na economia e na sociedade, a crise exige a responsabilidade de todos e, mesmo aos ultraliberais mais empedernidos, impõe a solidariedade – natural no povo brasileiro em situações de anormalidade. Os liberais pagarão o alto preço de dar as costas ao Brasil e aos brasileiros, como revelam os recentes panelaços e as pesquisas de opinião, que consolidam a rejeição a um presidente alienado do País e do povo. Cresce até mesmo o número daqueles que querem Bolsonaro fora do mais alto cargo da Nação, por absoluta inépcia e incapacidade.


Texto em português do Brasil



 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/solidariedade-contra-a-crise-e-a-cultura-do-odio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=solidariedade-contra-a-crise-e-a-cultura-do-odio

O internacionalismo é terrorismo?

Angeles Maestro    02.Sep.19 

Prossegue em Espanha o processo contra Angeles Maestro e duas outras camaradas. Respondendo ao incitamento de organizações sionistas, a Audiência Nacional considera existirem “indícios de criminalidade” na solidariedade prestada ao martirizado povo palestino. O que está efectivamente a ser processado não é apenas a solidariedade com o povo palestino, mas a solidariedade internacionalista em geral. Toda a solidariedade a Angeles Maestro e companheiras! Um dia virá em que Israel e toda a agressão imperialista se sentarão no banco dos réus e responderão pelos seus crimes.

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  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

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