Saúde

COVID-19 e HIV agem da mesma forma para driblar as defesas humanas, aponta estudo chinês

Esta imagem de microscópio eletrônico sem data, disponibilizada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA em fevereiro de 2020, mostra o novo coronavírus SARS-CoV-2, amarelo, surgindo da superfície das células, azul/rosa, cultivadas em laboratório
© AP Photo / NIAID-RML

Pesquisadores na China apresentaram notícias bastante preocupantes e estão alertando que os vírus COVID-19 e o HIV apresentam características e táticas semelhantes, algo que pode significar que a humanidade terá que se adaptar à vida com o novo coronavírus.

Ambos os vírus removem marcadores, conhecidos como o principal complexo de histocompatibilidade ou MHC, na superfície das células usadas pelo nosso sistema imunológico para identificar e matar infecções. Pense nesses marcadores como uma equipe de forças especiais que marca um alvo com um laser antes de um ataque aéreo de precisão.

Os pesquisadores, liderados pelo virologista Zhang Hui, da Universidade Sun Yat-sen, em Guangzhou, coletaram células T assassinas, que são células imunes produzidas por pessoas após terem superado uma infecção, de cinco pacientes recuperados da COVID-19.

No entanto, as células T assassinas coletadas pelos pesquisadores eram ineficazes, pois os MHCs estavam ausentes, o que significa que o sistema imunológico dos pacientes estaria basicamente lutando sem visão caso fossem reinfectados no futuro, tornando a recuperação tão difícil na segunda vez quanto já foi da primeira, enquanto abre a possibilidade de infecção crônica.

O novo coronavírus remove esses marcadores produzindo uma proteína conhecida como ORF8 que se liga às moléculas do MHC e as puxa para dentro de uma célula infectada onde as destrói, fazendo com que a célula pareça normal ao sistema imunológico. Essa mesma proteína ORF8 é usada por um grande número de kits comerciais de teste de coronavírus para detectar cargas virais em cotonetes orais ou nasais.Primeira foto do novo coronavírus feita com microscópio eletrônico por cientistas chineses

© Foto / Arquivo nacional de microrganismos patogênicos da China
Primeira foto do novo coronavírus feita com microscópio eletrônico por cientistas chineses

Zhang e sua equipe propõem o desenvolvimento de medicamentos "visando especificamente o comprometimento do MHC pela ORF8 e, portanto, aprimorando a vigilância imunológica da infecção por SARS-CoV-2".

Eles também apontam que o coronavírus exibe "algumas características dos vírus [que causam] infecção crônica" em seu artigo não revisado por pares, publicado no site de pré-impressão bioRxiv.org no domingo (24), indicando que o coronavírus pode estar aqui para ficar.

Estudos anteriores identificaram outra semelhança entre coronavírus e HIV: ambos compartilham um pico de proteína que lhes permite entrar em muitos tipos de células humanas e se ligar a elas, tornando-as ainda mais persistentes do que outros tipos de infecção.

Zhang Shuye, do Centro Clínico de Saúde Pública de Xangai da Universidade Fudan, disse que os resultados não são surpreendentes e que os vírus podem compartilhar traços semelhantes se forem expostos a pressões seletivas semelhantes. Por exemplo, a supressão de moléculas de MHC também ocorre em vírus como o herpes, que podem persistir ao longo da vida de uma pessoa.

"O que precisamos ter em mente nessa pandemia é que, embora o vírus possa ter algumas características novas ou inesperadas, a maioria dos pacientes se recupera", revelou Zhang. "Isso deve nos dar um pouco de confiança".

Para comparação, a partir de 2018, aproximadamente 37,9 milhões de pessoas estão infectadas com o HIV em todo o mundo, enquanto se acredita que o número de mortes desde o primeiro surto inicial em 1981 seja de aproximadamente 32 milhões.

No entanto, felizmente, o coronavírus não sequestra as células T para se reproduzir, tornando-o muito menos mortal que a AIDS, a condição causada pela infecção pelo HIV, e também sofre mutação em um ritmo muito mais lento.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020052815634552-covid-19-e-hiv-agem-da-mesma-forma-para-driblar-as-defesas-humanas-aponta-estudo-chines/

Infarmed suspende hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com covid-19

 

O Infarmed suspendeu o uso de hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. Para além da OMS, outros países já tomaram a mesma decisão que Portugal.

 

A decisão vem no mesmo sentido da Organização Mundial de Saúde (OMS), que suspendeu temporariamente os ensaios clínicos com hidroxicloroquina. Em causa estão investigações que associam maior mortalidade ao uso daquele medicamento.

O estudo publicado na revista científica The Lancet refere que apesar de não haver evidências concretas em relação à utilização destes fármacos para tratar a covid-19, ao seu uso pode estar associada a “toxicidade cardíaca”, podendo aumentar o risco de morte.

Também em França, o Governo decidiu esta quarta-feira suspender os tratamentos. O Executivo revogou o decreto de 11 de maio que autorizava a prescrição e a administração de tratamentos com base em hidroxicloroquina a pacientes infetados com o novo coronavírus oriundo da China.

Na conferência de imprensa desta quinta-feira, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, tinha dito que estava a ser avaliado em que estatuto vai ficar o nosso país. “Estamos literalmente a fazer a esta hora essa avaliação”, disse, citada pelo Expresso.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde incluiu o medicamento nas orientações para o tratamento de doentes com covid-19 ainda em março. A indicação servia principalmente para aqueles que apresentavam os sintomas mais graves da doença.

“Não existem atualmente medicamentos autorizados para o tratamento de covid-19. Existem, contudo, várias moléculas apontadas como possíveis candidatos terapêuticos, embora nenhuma das potenciais aproximações terapêuticas referidas neste documento apresente evidência clínica robusta”, salientou, na altura, o Infarmed.

A hidroxicloroquina e a cloroquina são medicamentos validados para casos de malária e que têm estado a ser usados nesta pandemia em doentes internados com covid-19. Estes produtos estão a ser utilizados, por exemplo, na China ou em Singapura e até o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se mostrou favorávelà utilização destes fármacos, realçando que estava a tomar hidroxicloroquina de modo preventivo.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/infarmed-suspende-hidroxicloroquina-327147

Mobilizações pelo aborto legal, seguro e gratuito na Argentina

A Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito cumpre 15 anos de existência com uma «manifestação virtual», concentrações e a exigência renovada da despenalização da IVG.

Mulheres argentinas frente ao Congresso antes da votação histórica de 14 de Junho de 2018, que deu luz verde ao projecto de despenalização da IVG; seria chumbado em Agosto desse ano no SenadoCréditos / Campaña Nacional por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito

A Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito lançou-se ao caminho a 28 de Maio de 2005. Para assinalar este facto, as responsáveis da Campanha agendaram para hoje uma «manifestação virtual» sob o lema «15 anos de Campanha. Um Projecto de vida. Uma história partilhada», para a qual convidaram toda a gente a participar ao longo do dia, com «acções nas redes sociais».

Segundo explicaram num comunicado emitido no fim-de-semana passado, «serão divulgados materiais gráficos e audiovisuais, debates, entrevistas e performances artísticas», num dia que serve para reafirmar a exigência de aprovação do «Projecto de Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez [IVG], apresentado pela oitava vez consecutiva no Congresso há exactamente um ano».

 

Em 2018, em meados de Junho, a Câmara dos Deputados aprovou um texto que se baseava precisamente no projecto defendido pela Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, que contempla a despenalização da IVG até à 14.ª semana de gestação. Fora deste período, a mulher pode abortar em três casos: violação, risco de vida ou saúde para a gestante e diagnóstico de inviabilidade de vida extra-uterina do feto.

De acordo com dados então divulgados pela Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, que integra cerca de 500 organizações sociais e políticas, na Argentina são praticados anualmente mais de 500 mil abortos clandestinos, com perigo para a vida das mulheres. No entanto, apesar da «votação histórica» de Junho, a 8 de Agosto o Senado chumbou o projecto. E a reivindicação mantém-se.

Concentrações em várias cidades

Organizações sociais, sindicatos, grupos de defesa dos direitos das mulheres, partidos de esquerda promovem a realização de concentrações, em vários pontos da Argentina, para reivindicar a legalização do direito ao aborto – seguro e gratuito.

Respeitanto as medidas de distanciamento social relacionadas com a Covid-19, os organismos decidiram mobilizar-se para reclamar o reconhecimento e a aprovação desse direito, bem como a resposta urgente às exigências das trabalhadoras da Saúde, que estão na primeira linha da luta contra a epidemia. Estão previstas concentrações na Cidade de Buenos Aires, em Córdoba, La Plata, Neuquén, informa o Izquierda Diario.

No comunicado, a Campanha lembra que «a problemática dos abortos inseguros é uma questão de saúde pública» e que, «quando ocorre uma morte como consequência de uma criminalização desigual», isso é responsabilidade do Estado.

Os anos passam e o aborto não só não é lei como, no contexto da actual crise social, económica e sanitária, são as mulheres – sobretudo as mais jovens e pobres – as que mais mal passam. No entanto, a Campanha mostra-se confiante nos resultados da sua luta, da «persistência».

«Temos história, presente e um Projecto: aborto legal já. Será Lei em 2020», afirmam no comunicado.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mobilizacoes-pelo-aborto-legal-seguro-e-gratuito-na-argentina

Organismos internacionais alertam para violência contra enfermeiros

Os governos devem agir para conter a violência contra enfermeiros que trabalham com pacientes de covid-19. O Brasil é o país onde mais morreram profissionais de enfermagem na pandemia, até agora.

 

 

Ao parar em uma loja de conveniência para tomar um café, a enfermeira mexicana Sandra Alemán foi molhada por suco e refrigerante por crianças que gritavam: “Covid! Covid!” Quando ela repreendeu as crianças, sua mãe lhe deu um tapa na cara. Enquanto tentava fugir, ela disse que caiu e fraturou um dedo. Agora ela está sentindo algo que nunca experimentou em seus nove anos de trabalho: medo de sair em público de uniforme.

A violência contra enfermeiras e outros profissionais de saúde sempre foi um problema sério, mas nunca deve ser aceito como parte do trabalho, afirma um artigo publicado hoje no The Lancet, em co-autoria do diretor executivo do Conselho Internacional de Enfermeiras (ICN) Howard Catton. O artigo exorta os governos a agirem rapidamente para proteger os enfermeiros da linha de frente da violência e dos abusos e faz recomendações concretas.

Nas últimas semanas, a ICN tem ouvido de sua rede de associações nacionais de enfermeiros informações altamente preocupantes sobre o aumento da violência direcionada especificamente a enfermeiros e outros profissionais de saúde que estão na linha de frente da pandemia do COVID-19.

Os enfermeiros foram ostracizados, abusados ​​e até fisicamente atacados porque mantiveram contato próximo com pacientes da covid-19. Não obstante que esses ataques são completamente inaceitáveis ​​sob quaisquer circunstâncias. Essa violência exacerba estresse e burn-out (colapso nervoso) sem precedentes relacionados à covid-19 que profissionais de saúde e suas famílias estão experimentando nessa pandemia.

Do Oriente ao Ocidente

No Brasil, ataques e insultos se tornaram frequentes na vida dos profissionais de saúde e multiplicam-se os casos em que eles são impedidos de acessar o transporte público para voltar para sua casa ou cidade. Outros receberam mensagens anônimas nas quais seus vizinhos lhes pedem que se mudem enquanto a pandemia dura por medo de serem infectados.

Em Brasília, enfermeiros que fizeram uma manifestação em homenagem a um colega morto, foram atacados de forma inesperada por correligionários do presidente Jair Bolsonaro, que minimiza a doença, critica o isolamento social e credibiliza teorias da conspiração.

Enfermeiras e médicos foram atacados com ovos e agredidos fisicamente no México. Um médico foi espancado por impedir familiares de entrar numa área de quarentena onde o doente havia morrido. Uma enfermeira teve os dedos quebrados. Outro foi banhado em água sanitária dentro de um shopping center. Os relatos ainda incluem manifestações de repulsa e nojo com pessoas se afastando dos enfermeiros quando estes se aproximam.

A dimensão da violência contra profissionais de saúde (e até trabalhadores de supermercados) chegou a tal nível no México, que o presidente precisou se manifestar e foram criadas brigadas de proteção a estes profissionais. Até soldados do Exército se juntaram às tarefas de vigilância em alguns pontos. Hospitais providenciaram transporte próprio e hotéis foram cedidos para enfermeiros que queiram se refugiar das agressões.

Segundo dados do Conselho Nacional de Prevenção da Discriminação no México (Conapred), desde 19 de março até a última segunda-feira, foram recebidas 97 reclamações deste tipo, sendo que acredita-se em subnotificação.

Nas Filipinas, uma enfermeira teria sido atacada por homens que derramaram água sanitária em seu rosto, prejudicando sua visão. Em um incidente chocante, um homem teria atirado em um motorista de ambulância na semana passada na província de Quezon, nas Filipinas. O agressor estava preocupado com o fato de o veículo entrar em uma subdivisão e espalhar o vírus, informou o hospital. O motorista sobreviveu, com um ferimento no dedo.

Em toda a Índia, relatórios descrevem os profissionais de saúde sendo espancados, apedrejados, cuspidos, ameaçados e despejados de suas casas. Estes são apenas alguns exemplos entre muitos em vários países, incluindo EUA e Austrália. Uma enfermeira de Chicago disse ao canal de TV local ABC7 na semana passada que havia levado um soco nos olhos de um ônibus público por um homem que a acusou de espalhar o vírus. Em partes da Austrália, os hospitais estão pedindo aos enfermeiros que não usem seus uniformes em público, para evitar ataques.

Manifestantes em Abidjan, capital comercial da Costa do Marfim, tentaram destruir um centro de testes de coronavírus em construção na segunda-feira. Vídeos nas mídias sociais mostraram pessoas arrancando tábuas de madeira da estrutura enquanto a polícia disparava bombas de gás lacrimogêneo. Alguns disseram a repórteres que não queriam a instalação tão perto de suas casas. “Eles querem nos matar”, disse um deles à Reuters. Funcionários do Ministério da Saúde disseram que o centro não foi projetado para tratar pacientes com covid-19, a doença que o vírus causa, mas sim para testar o vírus.

Medidas urgentes

O artigo da Lancet também descreve as ações necessárias para proteger os enfermeiros que trabalham na linha de frente da pandemia. Catton, que escreveu o artigo com colegas da Physicians for Human Rights e da World Medical Association, disse:

“Quaisquer que sejam as razões para tal agressão e violência, e suspeito que grande parte disso seja resultado de desinformação e ignorância, as enfermeiras estão sendo colocadas em risco aumentado no momento em que suas comunidades precisam delas mais do que nunca.”

Durante um webinar recente da ICN com enfermeiras da América Central e da América Latina, uma enfermeira do México disse que ela e seus colegas foram excluídos por membros de sua comunidade.

Ela disse que muitas pessoas no México acreditavam que a covid-19 era uma farsa ou temiam que os enfermeiros estivessem espalhando a infecção na comunidade. Seus colegas haviam sido borrifados com água sanitária ou jogado café quente neles a caminho do trabalho.

Catton avalia:

 
Os enfermeiros já estão em uma situação de alto risco, especialmente aqueles que trabalham próximos a pacientes com covid-19 sem equipamento de proteção individual adequado. Mas o fato de que eles temem ataques físicos e abusos em suas viagens de ida e volta ao trabalho é completamente inaceitável. Estamos pedindo aos governos que adotem uma abordagem de tolerância zero e que imediatamente tomem medidas para interromper esses ataques e proporcionar uma passagem segura a esses trabalhadores-chave, para que possam ter a paz de espírito que merecem. Assim como nas taxas de infecção entre os profissionais de saúde relacionados ao covid-19, é essencial que tenhamos dados sobre todos esses ataques, físicos ou psicológicos, porque sem os dados não podemos criar adequadamente uma estratégia para evitá-los. Esses ataques são errados e repreensíveis, mas também em um momento, quando temos um déficit de seis milhões de enfermeiros e precisamos atrair mais para a profissão, essa é uma mensagem que mal podemos ouvir. ”
Catton
 
 

Em alguns casos, durante a pandemia de covid-19,, medo, pânico, desinformação sobre como o Sars-CoV-2 podem se espalhar provocando uma raiva dirigida. Alguns líderes de governo responderam anunciando rapidamente e, em alguns casos, punições draconianas para aqueles que atacam os profissionais de saúde. No entanto, ameaças de represália não abordam as causas de tal violência e, por si só, é improvável reduzir esses ataques. Respostas eficazes devem abordar as causas principais.

O artigo da Lancet faz recomendações sobre o que os governos precisam fazer para reduzir esses ataques a enfermeiros e garantir que os autores de violência contra qualquer profissional de saúde sejam tratados adequadamente pelas autoridades apropriadas. Exige:

  • A coleta de dados sobre a incidência e os tipos de ataques ao pessoal de saúde, inclusive no contexto da pandemia do covid-19.
  • Tais ataques contra profissionais de saúde devem ser evitados e, quando ocorrem, condenados.
  • Desinformação e falta de informação sobre a covid-19 devem ser combatidas. Teorias da conspiração contribuem para a demonização de certos grupos, como os profissionais de saúde.
  • A aplicação de ações fortes contra autores de ataques por governos locais e nacionais.
  • Investimento dos governos estaduais e locais em medidas de segurança da saúde para proteger os profissionais de saúde como parte dos orçamentos de emergência da COVID-19.
  • Unidade entre os profissionais de saúde e suas associações em se manifestar com força contra todos os atos de discriminação, intimidação e violência contra profissionais de saúde.

Brasil é onde mais morrem enfermeiros por covid-19

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN, sigla em inglês) afirmam que o Brasil é o país com mais mortes de enfermeiros e profissionais de saúde devido à pandemia.

De acordo com o Cofen, são 157 mortes de profissionais de enfermagem, sendo que, nesta quarta-feira (27), já foram confirmadas mais vítimas que ainda serão contabilizadas até o final do dia. O ICN informa que o país tem um número de mortes entre enfermeiros maior que o dos Estados Unidos, com 146 óbitos, e que o do Reino Unido, com 77.

O conselho brasileiro também diz que a tendência, com base nos dados nacionais, ainda é de crescimento no número de mortes na área.


por Cézar Xavier | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/organismos-internacionais-alertam-para-violencia-contra-enfermeiros/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=organismos-internacionais-alertam-para-violencia-contra-enfermeiros

Portugal | Curados da Covid-19 continuaram internados por falta de respostas sociais

(Comentário:
Uma situação que devia obrigar a uma reflexão séria (que não se irá efetuar porque os interesses instalados não o consentirão).
Face à pandemia o Serviço Nacional  de Saúde (SNS) evidenciou capacidade de resposta enquanto a rede  apoiada pela Segurança Social (IPSS, Mesericórdias, lares, etc etc) confirmou a sua enorme fragilidade e quase total incapacidade para enfrentar qualquer situação mais difícil.
É afinal a diferença entre um sistema (o da saúde) em que o Estado não se limita ser financiador e tem, também, um papel de liderança e de intervenção face a um outro (o da Segurança Social) em que o Estado quase só é o financiador (muito) de um sistema, "justifivcado" pelos dogmas ideológicos dos adoradores do mercado (a pseudo-liberdade), que a pretexto de uma falsa rentabilidade presta mau serviço, custa bastante caro e funciona como um lobi muito poderoso que delapida o erário público e obstaculiza melhores soluções.
A rede nacional da Segurança Social (nos seus vários domínios nomeadamente creches e lares) carece de uma resposta urgente que ultrapasse o paradigma da falsa caridade e do ilusório voluntariado (que mascaram a sobre-exploração dos seus trabalhadores e muitas gestões de duvidosa transparência) para um outro assente no profissionalismo, na qualidade e na responsabilidade do Estado em ser motor e garante do bem estar social com boas contas públicas)
 
 
 
 
Quase 20% dos doentes curados ficaram a ocupar uma cama, sem necessidade, durante cerca de duas semanas.
 
A conclusão é do barómetro especial sobre internamentos sociais, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH). Realizado anualmente, o estudo inclui, na 4.ª edição, um levantamento feito em Maio sobre os doentes com Covid-19. Esse barómetro especial revela que 18% dos doentes curados continuaram internados, em média 16,5 dias, por "falta de capacidade de familiares ou cuidadores", incapacidade dos lares em "garantir condições apropriadas de isolamento" ou por estarem a "aguardar por um teste negativo para poderem ser admitidos" na Rede de Cuidados Continuados. Destes internamentos inapropriados, a maioria (73%) estava na região Norte e tinha idade igual ou superior a 70 anos (77%).

O presidente da APAH, Alexandre Lourenço, sublinha que "deveria ter havido respostas sociais para os doentes com Covid-19 que não necessitam de cuidados hospitalares", defendendo que "para segundas ou terceiras vagas, é preciso planear este tipo de resposta de cuidados continuados ou de natureza social".
 
Na avaliação global, destaca-se um aumento de 87% do número de internamentos sociais, em comparação com 2019. No entanto, a subida dos números pode estar relacionada com um maior número de hospitais analisados (mais sete). O certo é que, à data do barómetro, eram 1551 os casos sociais, a maioria idosos com mais de 65 anos, internados em unidades de Lisboa e Vale do Tejo e no Norte do país.
 
Alexandre Lourenço realça que a área de Lisboa é a que tem carências mais graves. "O número de respostas é muito reduzido, com processos do século passado." O responsável da APAH considera que "é preciso reduzir a burocracia de acesso à rede, com processos mais ágeis e automatizados", para que as autorizações sejam mais rápidas.
 
Em média, os idosos em internamento social ficaram dois meses e meio a aguardar uma solução, mas, no caso mais difícil, um doente com alta teve de esperar 220 dias - mais de sete meses - até poder sair do hospital.

Alexandre Lourenço recorda que os riscos aumentam "por cada dia a mais que o doente está internado".
 
Pelas contas da APAH, os internamentos sociais vão custar ao Estado, só este ano, 184 milhões de euros.
 
O barómetro vai ser apresentado esta segunda-feira, numa iniciativa conjunta da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, da EY e da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.​
 
Cristina Lai Men | TSF
 
 
* a autora não segue o Acordo Ortográfico de 1990

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-curados-da-covid-19.html

OMS interrompe testes com cloroquina por motivos de segurança

Anvisa decide que compra de hidroxicloroquina exige receita médica...
 

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, anunciou nesta segunda-feira (25) que a organização está interrompendo os testes de tratamento do coronavírus com hidroxicloroquina após estudo indicar aumento do risco de morte.

"O grupo executivo do Estudo de Solidariedade, representando dez dos países participantes, se reuniu no sábado e concordou em revisar uma análise abrangente e uma avaliação crítica de todas as evidências disponíveis globalmente", disse Tedros em entrevista coletiva.

"O grupo executivo implementou uma pausa temporária do braço da hidroxicloroquina no Estudo de Solidariedade enquanto os dados de segurança são analisados pelo Conselho de Monitoramento de Segurança de Dados. Os outros ramos do estudo continuam", acrescentou o diretor da OMS.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020052515622224-oms-interrompe-testes-com-cloroquina-por-motivos-de-seguranca/

Novo Hospital de Lagos em debate na Assembleia da República

O Parlamento debate a 27 de Maio uma petição pública «Pelo Direito à Saúde nas Terras do Infante», para exigir a construção do novo Hospital de Lagos, no distrito de Faro.

Créditos / Região Sul

Com 4580 assinaturas, a petição entregue pela Assembleia Municipal de Lagos, em Março de 2019, teve origem numa proposta dos eleitos da CDU e é uma aspiração das populações dos concelhos de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo.

A reivindicação é antiga e esta já não é a primeira iniciativa daquele órgão autárquico a reclamar a construção de um novo hospital, seja por causa da degradação das condições em que são prestados os cuidados de saúde na actual unidade hospitalar, seja pelo crescimento demográfico, agravado com a procura turística nos três concelhos da área de influência do hospital.

Em 2008/2009, o Ministério da Saúde aprovou o «projecto, estudo e concretização do novo hospital». Orçado em cerca de 27 milhões de euros, seria construído num terreno cedido pela autarquia local, mas não chegou a sair do papel. Para tal contribuiu a obsessão pela consolidação orçamental, em detrimento do investimento público.

Além da petição, a 27 de Maio serão debatidos no Parlamento quatro projectos de resolução de PCP, PEV, BE e PAN. À excepção do último, todos apelam à construção célere da infra-estrutura.

De acordo com os diplomas do PCP e do PEV, o novo Hospital de Lagos deverá ter instalações modernas e adequadas à prestação dos cuidados hospitalares pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), mantendo o modelo integralmente público – recomendação vertida igualmente na iniciativa do BE.

Em 2011, o governo do PSD e do CDS-PP escudou-se no chamado memorando de entendimento da troika para justificar a falta de intervenção. Entretanto, os governos do PS também não priorizaram o projecto, apesar da degradação das instalações e da capacidade de prestação de cuidados de saúde, cada vez mais reduzida.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/novo-hospital-de-lagos-em-debate-na-assembleia-da-republica

Hidroxicloroquina e a COVID-19

Le monde
 
O fármaco contra a malária é tomado, por burrice, por Bolsonaro.

Trump usa a tolice para que os média a refiram, em vez de falarem dos 100 mil mortos e 36 milhões de desempregados provocados pela COVID-19 que ele menosprezou.

Os estudos médicos, publicados nos mais conceituados órgãos científicos, não só negam qualquer eficácia como afirmam a possibilidade de agravar os riscos.

Le Monde, de hoje, explica as razõesde Trump para preferir o ridículo, que os média exploram, às notícias que lhe podem fazer perder as eleições.

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/05/hidroxicloroquina-e-covid-19.html

Hidroxicloroquina que Trump está a tomar pode aumentar risco de morte em doentes com covid-19

Um estudo divulgado sexta-feira sugere que os antimaláricos cloroquina e hidroxicloroquina podem aumentar o risco de morte e arritmias em doentes hospitalizados com covid-19, defendendo que o seu uso como antivirais deve ser devidamente testado antes de tratar pacientes.

 

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira que estava a tomar, a título preventivo, hidroxicloroquina, apesar de a agência norte-americana do medicamento ter desaconselhado a utilização destes fármacos “fora do meio hospitalar ou de ensaios clínicos, devido ao risco de complicações cardíacas”.

O estudo, divulgado pela revista médica britânica The Lancet, baseou-se na observação de dados de 14.888 doentes hospitalizados com covid-19 (infeção respiratória viral) que foram tratados com um ou ambos os medicamentos para a malária, combinados ou não com a administração dos antibióticos azitromicina e claritromicina, utilizados no tratamento de infeções pulmonares bacterianas.

Os dados foram comparados com os de 81.144 doentes com covid-19 que foram igualmente hospitalizados, mas sem receber tratamento com estes medicamentos.

 
 

Os doentes que foram alvo do estudo — ao todo 96.032 — estiveram internados em 671 hospitais entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril de 2020. Todos estavam infetados pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 e, à data de 21 de abril, tiveram alta hospitalar ou morreram.

No grupo de controlo, o dos 81.144 doentes que não receberam tratamento com antimaláricos, um em cada 11 morreu no hospital. Em média, quase um em cada seis doentes medicados com um dos antimaláricos morreu.

Segundo o estudo, mais de um em cada cinco doentes tratados com cloroquina e um antibiótico (azitromicina ou claritromicina) morreu e quase um em cada quatro doentes morreu quando medicado com hidroxicloroquina em combinação com um dos antibióticos.

Apesar dos dados, os autores do estudo ressalvam que poderá haver outros fatores,não avaliados, na origem da possível ligação entre o tratamento de doentes com covid-19 com medicamentos para a malária e uma diminuição da sua sobrevivência.

Neste contexto, pedem para que sejam realizados com urgência ensaios clínicos aleatórios para aferir a eficácia e segurança do uso destes fármacos como antivirais antes de serem administrados a doentes com covid-19.

“Ensaios clínicos aleatórios são essenciais para confirmar danos ou benefícios associados a estes agentes. Até lá, propomos que estes medicamentos não sejam usados como tratamentos para a covid-19 fora dos ensaios clínicos”, afirmou, citado em comunicado, o primeiro autor do estudo, Mandeep R. Mehra, médico e diretor-executivo do Centro para a Doença Avançada do Coração no Hospital Brigham, nos Estados Unidos.

O estudo concluiu, ainda, que 8% dos doentes medicados com hidroxicloroquina e um antibiótico (azitromicina ou claritromicina) desenvolveram arritmia (alteração no ritmo cardíaco), por comparação com 0,3% dos doentes do grupo de controlo (sem qualquer medicação antimalárica).

Os autores advertem que não é possível inferir uma relação de causa e efeito entre o tratamento de doentes com covid-19 com medicamentos para a malária e o aparecimento de arritmias, uma vez que não foram avaliados outros fatores, e insistem para que se façam ensaios clínicos robustos, apesar dos efeitos antivirais dos fármacos cloroquina e hidroxicloroquina demonstrados em testes laboratoriais anteriores.

Em Portugal, o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, medicamentos aprovados para a malária, está autorizado para o tratamento de doentes com covid-19 internados nos hospitais que manifestem, por exemplo, insuficiência respiratória e pneumonia.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infetou mais de 5,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,9 milhões de doentes foram considerados curados. Em Portugal, morreram 1.289 pessoas das 30.200 confirmadas como infetadas, e há 7.590 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. A covid-19, doença respiratória aguda, é causada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/hidroxicloroquina-trump-risco-morte-326142

A Grande indústria farmacêutica – A cabeça da Hidra: a ascensão de Robert Kadlec (2ª parte-conclusão). Por Raul Diego e Whitney Webb

Espuma dos dias 2 Coronavirus e a Hidra

Seleção e tradução de Francisco Tavares 

 

Ver 1ª parte aqui:

_________________________

A Grande indústria farmacêutica – A cabeça da Hidra: a ascensão de Robert Kadlec (2ª parte-conclusão)

Por

Raul Diego 

Raul Diego e

Whitney Webb 

Whitney Webb

Publicado por MPN News em 15/05/2020 (ver aqui)

 

(2ª parte-conclusão)

Pondo as rodas em movimento

Apenas alguns meses antes do lançamento “oficial” da ANSER-IHS, foi lançada outra organização com um foco relacionado – a Iniciativa sobre a Ameaça Nuclear (NTI). Criada pelo magnata dos meios de comunicação social Ted Turner e pelo antigo senador Sam Nunn em Janeiro de 2001, a NTI visava não só “reduzir a ameaça” representada pelas armas nucleares, mas também pelas armas químicas e biológicas.

Ao anunciar a formação da NTI na CNN, rede fundada por Turner, Nunn declarou que, embora “as armas nucleares constituam um perigo gigantesco, as armas biológicas e químicas são as mais susceptíveis de serem utilizadas”. E há milhares de cientistas na antiga União Soviética que sabem como fabricar estas armas, incluindo químicas, biológicas e nucleares, mas não sabem como alimentar as suas famílias”. Nunn continuou, afirmando que a NTI esperava “começar a ajudar, alguma esperança de emprego remunerado para pessoas que não queremos que acabem a fabricar armas químicas e biológicas e nucleares em outras partes do mundo”. A missão da NTI a este respeito foi provavelmente uma boa notícia para Joshua Lederberg, que há muito defendia que os EUA oferecessem emprego a investigadores de armas biológicas da ex-União Soviética para evitar o seu emprego por “regimes desonestos”.

Ao lado de Nunn e Tuner na administração da NTI estava William Perry, um antigo Secretário da Defesa; o antigo Senador Dick Lugar, nomeado para o suspeito laboratório de armas biológicas dos EUA na Geórgia; e Margaret Hamburg, que era vice-presidente da NTI e supervisionava o seu trabalho sobre armas biológicas. O pai de Margaret Hamburg, David Hamburg, presidente de longa data da Carnegie Corporation, foi também conselheiro e “distinto companheiro” da NTI. David Hamburg foi durante muito tempo um conselheiro próximo, associado e amigo de Joshua Lederberg.

Tanto Sam Nunn como Margaret Hamburg da NTI, bem como altos funcionários da ANSER, reunir-se-iam em Junho de 2001 para participar num exercício de simulação de um ataque com armas biológicas chamado “Dark Winter”. Nunn desempenharia o papel de presidente em exercício e Hamburgo desempenharia o papel de chefe da HHS no cenário fictício. Jerome Hauer, então director-geral da Kroll Inc., empresa de serviços de informação, e vice-presidente da empresa de serviços de informação militar Scientific Applications International Corporation (SAIC), desempenhou o papel de chefe da FEMA (Federal Emergency Management).

O próprio exercício Dark Winter foi em grande parte escrito por Tara O’Toole (membro do conselho da ANSER-IHS) e Thomas Inglesby do Johns Hopkins Center for Civilian Bio-defense Studies, bem como por Randall Larsen da ANSER-IHS. Robert Kadlec também participou na criação do roteiro e aparece nos clipes de notícias fictícias e guiões utilizados no exercício.

Tal como se explica na Parte I desta série, o exercício Dark Winter previu de forma assustadora muitos aspectos do que se seguiria apenas meses depois, durante os ataques com antrax de 2001, incluindo previsões de que seriam enviadas cartas ameaçadoras aos membros da imprensa com a promessa de ataques com armas biológicas envolvendo antrax. Dark Winter forneceu também a narrativa inicial dos ataques com antrax de 2001, na qual se afirmava que o Iraque e a Al Qaeda tinham sido co-responsáveis. Contudo, logo após os ataques, as provas apontaram rapidamente para o facto de o antrax ter tido origem numa fonte interna ligada a experiências militares. Além disso, vários participantes e autores de Dark Winter tinham aparentemente conhecimento prévio desses ataques (especialmente Jerome Hauer) e/ou estavam envolvidos na controversa investigação do FBI sobre os ataques (nomeadamente Robert Kadlec).

No dia 11 de Setembro de 2001, Kadlec e Randall Larsen estavam prestes a começar a lecionar em conjunto um curso sobre “Segurança Interna” na Academia Nacional de Guerra. O programa do curso parte de citações sobre a ameaça iminente do bioterrorismo de Joshua Lederberg, bem como do participante do Dark Winter e antigo director da CIA James Woolsey, que chamou a um ataque com armas biológicas “a ameaça mais perigosa para a segurança nacional dos EUA num futuro próximo”.

O curso previa também incluir a sua própria longa utilização do exercício “Dark Winter”, em que os alunos iriam reencenar o exercício de Junho de 2001 como parte de um projecto de investigação de fim de semestre. Contudo, tendo em conta os acontecimentos ocorridos em 11 de Setembro de 2001, Kadlec nunca mais deu esse curso, uma vez que foi ao Pentágono para se concentrar na “ameaça bioterrorista” nas semanas que precederam os ataques com antrax de 2001.

 

O depois da festa (Antrax)

Imediatamente após os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, Kadlec tornou-se conselheiro especial para a guerra biológica do então Secretário da Defesa Donald Rumsfeld e do seu adjunto Paul Wolfowitz. Nos dias que se seguiram, Rumsfeld declarou aberta e publicamente que esperava que os inimigos da América, especificamente Saddam Hussein, ajudassem grupos terroristas não especificados a obter armas químicas e biológicas, uma narrativa análoga à utilizada no exercício do Dark Winter que Kadlec tinha ajudado a criar.

Na sequência imediata do 11 de Setembro, os outros co-autores de Dark Winter – Randall Larsen, Tara O’Toole e Thomas Inglesby – informaram pessoalmente Dick Cheney sobre Dark Winter, numa altura em que Cheney e o seu pessoal tinham sido avisados por outra figura de Dark Winter, Jerome Hauer, para tomarem o antibiótico Cipro para prevenir a infecção pelo antrax. Desconhece-se quantos membros da administração estavam a tomar Cipro e durante quanto tempo.

Hauer, juntamente com James Woolsey e a repórter do New York Times Judith Miller (que também participou no Dark Winter), passariam as semanas entre o 11 de Setembro e a divulgação pública dos ataques com antrax, fazendo numerosas aparições nos meios de comunicação social (e, no caso de Miller, escrevendo dezenas de reportagens) sobre a utilização do antrax como arma biológica. Os membros do controverso think tank Projecto para um Novo Século Americano (PNAC), que incluía Dick Cheney e Donald Rumsfeld entre as suas fileiras, alertaram também para o facto de um ataque com armas biológicas estar prestes a seguir-se ao 11 de Setembro. Estes incluíam Richard Perle, que depois aconselhou o Pentágono liderado por Rumsfeld, e Robert Kagan e Bill Kristol do The Weekly Standard.

Poder-se-ia pensar que todas estas advertências oportunas teriam deixado esta turma de infiltrados do governo menos surpreendida quando os ataques com antrax foram divulgados publicamente em 4 de Outubro de 2001. No entanto, apesar dos constantes avisos de apocalípticos cenários de ataque com antrax durante uma década e de aconselhar o Pentágono sobre esta mesma ameaça imediatamente a partir das semanas anteriores, Robert Kadlec afirmaria posteriormente ter gritado: “Tens de estar a gozar comigo!” quando soube pela primeira vez dos ataques.

Outro profeta do pré-ataque de antrax, Judith Miller, lembrar-se-ia de se ter desesperado e desanimado ao receber uma carta que parecia conter o antrax. A sua primeira reacção foi chamar William C. Patrick III, que a acalmou e lhe disse que o pó de antrax contido na carta “era muito provavelmente um embuste”. Com efeito, Patrick revelar-se-ia correcto na sua análise, uma vez que o pó da carta que Miller tinha aberto era, de facto, inofensivo.

Kadlec rapidamente começou a contribuir para a controversa investigação do FBI sobre os ataques, conhecida pelo seu nome de caso “Amerithrax”. Kadlec foi encarregado de acompanhar a alegada presença de bentonite no antrax utilizado nos ataques. A bentonite nunca foi efectivamente encontrada em nenhuma das amostras de antrax testadas pelo FBI, mas as afirmações de que foi encontrada foram utilizadas para ligar o antrax utilizado nos ataques à alegada utilização de bentonite pelo Iraque no seu programa de armas biológicas, de cuja própria existência ainda não se tinha provas concludentes.

Esta afirmação errada foi mencionada pela primeira vez ao Secretário Adjunto da Defesa Paul Wolfowitz por Peter Jahrling, um cientista de Fort Detrick, que afirmou durante um briefing que os esporos “pareciam ter sido tratados” com um “aditivo químico particular” semelhante à bentonite. Jahrling acrescentou então que o Governo iraquiano tinha utilizado bentonite para produzir “suspeitosamente” bacillus thuringiensis (Bt), um “primo não letal” do antrax amplamente utilizado na agricultura. “Todos se agarraram a isso”, recordaria Kadlec mais tarde sobre a ligação casual de Jahrling entre a bentonite e um primo inofensivo e distante do antrax.

Encarregado por Wolfowitz de reunir provas para a “arma fumegante” de bentonite, Kadlec contactaria um cientista da Marinha que o tinha acompanhado e a William Patrick ao Iraque nos seus esforços infrutíferos para encontrar provas das armas biológicas do Iraque em 1994, James Burans. Burans não estava convencido da ligação bentonítica e outros cientistas governamentais concordaram em breve.

Não obstante, os meios de comunicação social continuaram a fazer valer a alegação do bentonite-antrax como prova do papel do Iraque nos ataques com antrax, apesar das conclusões em contrário. No final de Outubro de 2001, uma sondagem a nível nacional concluiu que 74% dos inquiridos queriam que os EUA tomassem medidas militares contra o Iraque, apesar da falta de provas que ligassem o país ao 11 de Setembro ou aos ataques com antrax. Um mês mais tarde, Rumsfeld elaboraria planos em consulta com Wolfowitz sobre as justificações para iniciar a guerra com o Iraque, incluindo a descoberta de ligações entre Saddam Hussein e os ataques com antrax e o início de disputas com o Iraque por causa das inspecções às ADM.

Enquanto o Pentágono aconselhado por Kadlec procurava ligar os ataques com antrax ao Iraque, o NTI – encabeçado pelo “presidente” Sam Nunn, do Dark Winter – deu um forte impulso à sua agenda, afetando “2,4 milhões de dólares em subsídios iniciais para financiar a colaboração científica com cientistas que em tempos trabalharam no programa secreto de armas biológicas da ex-União Soviética”. A NTI também reservou mais milhões para transformar os laboratórios de armas biológicas da antiga União Soviética em “instalações de produção de vacinas” e “ajudar a identificar as empresas farmacêuticas ocidentais dispostas a trabalhar com os antigos fabricantes de armas biológicas soviéticos em empreendimentos comerciais”.

 

Investigação à porta fechada

William C. Patrick III participaria igualmente na investigação Amerithrax do FBI, apesar de ser inicialmente suspeito de envolvimento nos ataques. Contudo, após ter passado num teste de detector de mentiras, foi acrescentado ao “círculo interno” de consultores técnicos do FBI no caso Amerithrax, apesar de o protegido de Patrick, Stephen Hatfill, ser o principal suspeito do FBI na altura. Hatfill foi mais tarde ilibado de má conduta e o FBI acabou por culpar um cientista de Fort Detrick chamado Bruce Ivins pelo crime, escondendo uma “montanha” de provas que exoneravam de o ter feito, de acordo com o antigo investigador principal do FBI.

Nos anos 90, Patrick tinha falado aos associados do seu desejo de encontrar alguém que continuasse o seu trabalho, acabando por encontrar essa pessoa em Stephen Hatfill. Hatfill e a amizade de Patrick era próxima, com um especialista em bioterrorismo a chamá-los “como pai e filho”. Hatfill viajava frequentemente em conjunto e, por vezes, Hatfill levava Patrick aos seus empregos de consultor na SAIC, empresa de consultoria militar e de serviços secretos. Em 1999, Patrick retribuía o favor, ajudando Hatfill a conseguir um emprego na SAIC. Um ano mais tarde, Jerome Hauer, um amigo de Hatfill e Patrick, juntar-se-ia à SAIC como vice-presidente.

Nesse mesmo ano, Hatfill ofereceu a Patrick outro trabalho de consultoria na SAIC e encarregou Patrick de realizar um estudo descrevendo “um ataque terrorista fictício em que um envelope contendo antrax de qualidade de armamento é aberto num escritório”. O Baltimore Sun relataria mais tarde que o estudo de Patrick para o SAIC discutiu o “perigo de esporos de antrax se propagarem pelo ar e os requisitos de descontaminação após vários tipos de ataques”, bem como quantos gramas de antrax precisariam de ser colocados dentro de um envelope comercial padrão para se poder conduzir um ataque desse tipo.

O envolvimento de Patrick neste estudo SAIC é particularmente interessante dado que, na altura, ele também esteve envolvido noutro projecto envolvendo antrax, este gerido pelo Battelle Memorial Institute. Em 1997, o Pentágono criou planos para a engenharia genética de uma variedade mais potente de antrax, impulsionada pelo trabalho de cientistas russos que tinham publicado recentemente um estudo que descobriu que uma estirpe geneticamente modificada de antrax era resistente à vacina padrão contra o antrax, pelo menos em estudos com animais.

O objectivo declarado do plano do Pentágono, segundo um relatório de 2001 do The New York Times, era “ver se a vacina [de antrax] que os Estados Unidos pretendem fornecer às suas forças armadas é eficaz contra essa estirpe”. As instalações da Battelle em West Jefferson, Ohio, foram contratadas pelo Pentágono para criar o antrax geneticamente modificado, uma tarefa que foi supervisionada pelo então director de programas da Battelle para todas as coisas biológicas, Ken Alibek. Um artigo de 1998, publicado no New Yorker, referia que William Patrick, também consultor da Battelle e “amigo íntimo” da Alibek, estava a trabalhar com Alibek num projecto envolvendo o antrax na altura. Mais tarde seria revelado que o acesso à própria estirpe de antrax utilizada nos ataques, a estirpe Ames, era controlada pela Battelle.

Além disso, a suposta “arma de fumo” do FBI utilizada para ligar a de Bruce Ivins aos ataques com antrax estava o facto de ter sido determinado que um frasco no laboratório de Ivins com o rótulo RMR-1029 era a sua estirpe “mãe”. No entanto, seria mais tarde revelado que partes do RMR-1029 tinham sido enviadas por Ivins para as instalações da Battelle em Ohio antes dos ataques de antrax. Uma análise da água utilizada para fazer o antrax revelou também que os esporos de antrax tinham sido criados no nordeste dos Estados Unidos e análises de acompanhamento reduziram as únicas fontes possíveis como sendo provenientes de um de três laboratórios: Fort Detrick, um laboratório da Universidade de Scranton, ou instalação de West Jefferson.

Após o inoportuno “suicídio” de Ivins em 2008, os advogados civis do Departamento de Justiça contestariam publicamente as afirmações do FBI de que Ivins tinha sido o culpado e, em vez disso, “sugeriram que um laboratório privado em Ohio” gerido por Battelle “poderia ter estado envolvido nos ataques”.

O trabalho de Patrick com a Battelle na criação de uma forma mais potente de antrax, bem como o seu trabalho com a SAIC no estudo do efeito do antrax enviado através do correio, começou por volta da mesma altura em que BioPort tinha assegurado o monopólio da produção da vacina contra o antrax, recentemente tornado obrigatório para todas as tropas americanas pelo Pentágono. Conforme detalhado na Parte II desta série, as instalações do BioPort que produziam a sua vacina contra o antrax estavam, na altura, repletas de problemas e tinham perdido a sua licença para operar. Apesar de o Pentágono ter dado milhões ao BioPort para serem utilizados em renovações da fábrica, grande parte desse dinheiro foi destinado a prémios de gestão de topo e à redecoração dos escritórios executivos. Milhões mais simplesmente “desapareceram”.

Em 2000, pouco tempo depois de receber o seu primeiro resgate do Pentágono, o BioPort contratou nada mais nada menos que o Battelle Memorial Institute. O acordo deu à Battelle “exposição imediata à vacina” que estava a utilizar em ligação com o programa de antrax geneticamente modificado que envolvia tanto Alibek como Patrick. Esse programa começou então a utilizar a vacina fabricada pelo BioPort- em testes nas suas instalações em West Jefferson. Na altura, a Battelle também estava a emprestar “conhecimentos técnicos” ao BioPort e contratou 12 trabalhadores para enviar para as instalações problemáticas do BioPort em Michigan “para manter a operação a decorrer”.

Na altura, uma porta-voz do BioPort afirmou: “Temos uma relação com a Battelle para alargar o nosso alcance às pessoas que estamos a tentar atrair para posições críticas do nosso lado técnico. Estão também a ajudar-nos com os nossos testes de potência como uma espécie de apoio. Estão a validar os nossos testes de potência”. Relatórios sobre o contrato BioPort-Battelle declararam que os termos do seu acordo não foram divulgados publicamente, mas observaram também que as duas empresas tinham “anteriormente trabalhado em conjunto numa proposta infrutífera para fazer outras vacinas para o governo”.

Como já foi referido na Parte II desta série, o BioPort foi obrigado a perder totalmente o seu contrato para a vacina contra o antrax em Agosto de 2001 e a totalidade do seu negócio de vacinas contra o antrax foi resgatado pelos ataques de antrax de 2001, que viram a preocupação com a corrupção do BioPort ser substituída por pedidos fervorosos de mais da sua vacina contra o antrax.

 

Rumsfeld salva BioPort

Um dos defensores da salvação do contrato de vacina contra o antrax da BioPort foi Donald Rumsfeld, que declarou após os ataques que, “Vamos tentar salvá-lo, e tentar criar uma espécie de acordo que nos permita dar mais uma oportunidade de fazer o trabalho com esse equipamento [BioPort]. É o único equipamento neste país que tem alguma coisa em curso, e não está muito bem encaminhado, como refere”.

Enquanto Rumsfeld e outros trabalharam para salvar o problemático negócio da vacina BioPort-antrax, outra figura recorrente nesta sórdida saga, Jerome Hauer, também desempenharia um papel fundamental para impulsionar o aumento das compras do produto mais lucrativo e mais controverso do BioPort. Para além de ser director-geral da Kroll Inc. e vice-presidente da SAIC, Hauer foi também conselheiro de segurança nacional do Secretário da HHS Tommy Thompson em 11 de Setembro de 2001. Foi também nesse mesmo dia que Hauer disse também aos altos funcionários da administração para tomarem Cipro para prevenir a infecção pelo antrax.

Hauer desempenhou um papel fundamental no aconselhamento à liderança da HHS à medida que os ataques com antrax se desenrolavam. Após os ataques, Hauer pressionou Thompson a criar o Gabinete de Preparação da Saúde Pública (OPHP) dentro do HHS, que foi criado mais tarde nesse ano. Foi inicialmente dirigido por D.A. Henderson, um associado próximo de Joshua Lederberg e o fundador original do Grupo de Trabalho sobre Biodefesa Civil da Johns Hopkins, que incluía Jerome Hauer e a protegida de Henderson, Tara O’Toole. O próprio Hauer viria a substituir Henderson como OPHP apenas alguns meses mais tarde.

A legislação subsequente, moldada em parte por Robert Kadlec, veria o OPHP dar lugar ao cargo de Secretário Adjunto para a Preparação de Emergência da Saúde Pública (ASPHEP), um cargo que Hauer também preencheria. Hauer utilizaria este posto para promover a constituição de reservas de vacinas, incluindo a vacina contra o antrax da BioPort. Hauer e o seu adjunto, William Raub, ajudariam então a pressionar o Pentágono a reiniciar a vacinação das tropas, apesar das preocupações de longa data com a segurança da vacina. Pouco depois de deixar a HHS em 2004, Hauer seria rapidamente adicionado ao conselho de administração da BioPort com o seu novo nome Emergent Biosolutions, um cargo que ainda hoje ocupa.

 

Todos os sistemas funcionam

No rescaldo dos ataques com antrax, as previsões apocalípticas de Robert Kadlec sobre os incidentes bioterroristas tiveram um forte impulso. “Não é a varíola do tempo da tua mãe”, dizia Kadlec ao LA Times no final de Outubro de 2001, “É um caça furtivo F-17 – foi concebido para ser indetectável e para matar. Estamos a dar cabo dos nossos esforços em matéria de biodefesa. Não pensamos nisto como uma arma – olhamos ingenuamente para isto como uma doença”. Como o artigo observa, esta estirpe de “caça furtiva” da varíola não existia. Em vez disso, Kadlec – que agora tinha o ouvido de Rumsfeld em questões de biodefesa – esperava que essa estirpe pudesse em breve ser geneticamente modificada.

É claro que, na altura, o único governo que se sabia estar a modificar geneticamente um agente patogénico era o dos EUA, como relatou Judith Miller do New York Times. Miller relatou em Outubro de 2001 que o Pentágono, na sequência dos ataques com antrax, tinha aprovado “um projecto para fabricar uma forma potencialmente mais potente de bactéria antrax” através da modificação genética, um projecto que seria conduzido pelo Battelle Memorial Institute.

Esta era a continuação do projecto, que tinha envolvido William Patrick e Ken Alibek, e o Pentágono decidiu reiniciá-lo após os ataques, embora não seja claro se Patrick ou Alibek continuaram a trabalhar na iteração subsequente dos esforços de Battelle para produzir uma estirpe mais virulenta de antrax. Esse projecto foi interrompido um mês antes quando Miller e outros jornalistas revelaram a existência do programa num artigo publicado a 4 de Setembro de 2001.

Depois de terem sido noticiados os planos do Pentágono de voltar a desenvolver estirpes mais potentes de antrax, foram feitas acusações de que os EUA estavam a violar a convenção sobre armas biológicas. No entanto, os EUA evitaram por pouco ter de admitir que tinham violado a convenção, dado que, apenas um mês após o exercício Dark Winter, em Julho de 2001, os EUA tinham rejeitado um acordo que teria imposto a sua proibição de armas biológicas.

O New York Times observou especificamente que as experiências com antrax geneticamente modificado que estão a ser realizadas pelas instalações da Battelle em West Jefferson foram uma “razão significativa” por detrás da decisão da Administração Bush de rejeitar o projecto de acordo, tendo o Governo dos EUA argumentado na altura que “as visitas ilimitadas de inspectores estrangeiros a instalações farmacêuticas ou de defesa poderiam ser utilizadas para recolher informações estratégicas ou comerciais”. Evidentemente, uma dessas “instalações farmacêuticas ou de defesa” foi, em última análise, a fonte do antrax utilizado nos ataques.

 

O trabalho de base

No caos do final de 2001, a visão de Kadlec para a política de biodefesa dos EUA estava rapidamente a concretizar-se diante dos seus próprios olhos. O primeiro estatuto de habilitação para o SNS foi a Lei de Segurança da Saúde Pública e de Preparação para o Bioterrorismo de 2002, em grande parte motivada pelos ataques com antrax, que levou o Secretário do SNS a manter um “Armazém Estratégico Nacional (SNS)”. A legislação tinha sido o resultado directo de um processo iniciado anos antes, quando o Congresso afectou fundos para o CDC para o armazenamento de produtos farmacêuticos, em 1998. O programa foi inicialmente designado por Programa Nacional de Armazenagem de Produtos Farmacêuticos (NPS).

O papel de Kadlec na direcção dos desenvolvimentos subsequentes no SNS e de outros desenvolvimentos legislativos conexos foi considerável, dado que, em 2002, se tornou director para a biodefesa do recentemente criado Conselho de Segurança Interna. O seu trabalho no conselho, que deixou em 2005, resultou na “Política Nacional de Biodefesa para o Século XXI” da Administração Bush, que, sem surpresa, ecoou as recomendações do documento que Kadlec tinha patrocinado na Academia Nacional de Guerra.

Em 1 de Março de 2003, o NPS tornou-se o programa Estratégico Nacional de Armazenagem e foi gerido conjuntamente pelo DHS e HHS depois de George W. Bush ter emitido a Homeland Security Presidential Directive (HSPD-5). Dois dias antes, o Secretário da Segurança Nacional, Tom Ridge e depois o Secretário da HHS Tommy Thompson tinham apresentado o Projecto BioShield Act ao Congresso. Tratava-se de uma legislação que estabelecia o que viria a ser uma janela de dinheiro governamental para as Grandes Farmacêuticas, chamada Autoridade de Investigação e Desenvolvimento Avançado Biomédico (BARDA), entre outras entidades e poderes, entre os quais se destacava a transferência do controlo do SNS para longe do DHS e para mais perto do HHS.

Logo que o projeto BioShield foi aprovado como lei, BioPort/Emergent BioSolutions co-fundou um grupo de lobby chamado Alliance for Biosecurity como parte de sua estratégia para assegurar facilmente contratos lucrativos do BioShield. Esse grupo de lobby viu a Emergent BioSolutions unir forças com o Centro de Biossegurança da Universidade de Pittsburgh, que era então liderado por Tara O’Toole e aconselhado por Randall Larsen.

Com este enquadramento, a Política Nacional de Biodefesa para o Século XXI elaborada por Kadlec foi utilizada como enquadramento para a Directiva Presidencial 10 (HSPD-10) da Segurança Interna de Bush, que expandiu ainda mais o BioShield, o SNS e outros programas controversos. O lei BioShield foi aprovada em 2004 e, um ano depois, Kadlec juntou-se à subcomissão sobre bioterrorismo e saúde pública do senador Richard Burr. Lá, Kadlec atuou como diretor de pessoal no comité que elaborou a Lei de Prevenção para a Pandemia e Todos os Perigos (PAHPA), contendo as diretrizes políticas específicas para a implantação do Projeto BioShield e criando a futura posição da Kadlec no HHS.

O PAHPA foi aprovado no ano seguinte na sequência do furacão Katrina e estabeleceu a relação estatutária entre as várias agências promulgadas ou incluídas na legislação do BioShield. Isto inclui a delegação no novo cargo de Secretário Adjunto para a Preparação e Resposta (ASPR) do HHS do “exercício das responsabilidades e autoridades do Secretário [do HHS] no que respeita à coordenação do “arsenal e supervisionar a investigação avançada e o desenvolvimento de contramedidas médicas financiadas pelo BARDA, mas conduzidas pela Grande Indústria Farmacêutica”. Foi também atribuído à ASPR o papel de liderança na orientação da resposta da HHS a uma emergência sanitária nacional.

Ao lado de Kadlec na Casa Branca ao longo de todo este processo esteve Tevi Troy, Assistente Especial do Presidente para a Política Interna; um papel que fez dele o principal conselheiro da Casa Branca em matéria de cuidados de saúde, trabalho, educação e outras questões, com especial incidência na gestão de crises. Troy, que tinha vindo através do departamento do trabalho como assistente adjunto para as políticas, era já um Senior fellow tanto no Hudson Institute como no seu think tank satélite, o Potomac Institute for Policy Studies (PIPS), onde o verdadeiro trabalho de desenvolvimento de políticas era levado a cabo.

Tanto Troy como Kadlec abandonariam a administração no final do primeiro mandato de Bush e só regressariam na segunda metade do seu segundo mandato. Entretanto, as rodas tinham sido postas em marcha com a aprovação do Projecto BioShield e do PAHPA e, pouco depois desta aprovação, começou o pânico sobre um surto de “gripe aviária”, que se tinha propagado primeiro em 33 cidades do Vietname e depois levou a um surto da doença mortal das aves de capoeira que afectou toda a Eurásia, África e Médio Oriente. O surto desencadeou o pânico nos EUA no final de 2005, em grande parte graças aos avisos exagerados feitos pelo sucessor de Tommy Thompson como chefe da HHS, Michael Leavitt.

Apesar de as alegações de Leavitt serem extremamente inexactas, alguns funcionários da administração beneficiaram financeiramente do medo espalhado, como Donald Rumsfeld, cujas acções na empresa farmacêutica Gilead lhe renderam 5 milhões de dólares depois de o susto ter terminado. Parte da razão do salto de rentabilidade da Gilead resultou da decisão do Pentágono e de outras agências governamentais dos EUA de armazenar 80 milhões de doses de Tamiflu, um medicamento promovido para tratar a gripe das aves que foi originalmente desenvolvido pela Gilead. Rumsfeld tinha sido o executivo de topo da Gilead antes de entrar para a administração George W. Bush. Para além daqueles que beneficiaram monetariamente, o susto da gripe das aves também deu um impulso considerável à agenda “armazenamento” da biodefesa que Kadlec e outras fontes internas apoiaram.

Kadlec regressaria à Casa Branca como Assistente Especial para a Segurança Interna e Director Principal para a Política de Defesa Biológica em 2007 para solidificar ainda mais o seu eventual controlo sobre a Reserva Estratégica Nacional e o gabinete da ASPR, juntamente com o seu colaborador do Hudson Institute/PIPS, Tevi Troy, concomitantemente nomeado Director Adjunto da HHS. Isto colocou Troy a cargo da implementação das próprias políticas consagradas no PAHPA e das mudanças departamentais decretadas como parte do Projeto BioShield.

A Administração Bush chegou ao seu inevitável fim quando Barack Obama foi eleito e empossado, no início de 2009. Kadlec e Troy, mais uma vez, deixaram os seus cargos governamentais e desapareceram nos seus covis do setor privado. Mas, nesse mesmo ano, ocorreu a primeira corrida à reserva do SNS de Kadlec recentemente reequipada quando a pandemia de “gripe suína” (H1N1) desencadeou a sua “maior utilização” de sempre, distribuindo quase 13 milhões de regimes antivirais, bem como equipamento médico e outros medicamentos a nível nacional e internacional, em conjunto com o BARDA. A empresa Gilead (e Rumsfeld) beneficiou novamente de forma considerável, tal como outras grandes empresas farmacêuticas, que estavam ansiosas por reabastecer o SNS após a sua implantação em grande escala.

As origens do vírus têm sido objecto de controvérsia durante vários anos, tendo sido alternativamente identificadas como tendo surgido de suínos no México ou na Ásia. Um dos últimos estudos realizados em 2016 afirma ter localizado definitivamente a origem dos porcos no México. Independentemente da sua verdadeira origem, os observadores interessados puderam recolher dados vitais do exercício para se prepararem para o “próximo”.

 

Os cavalos de Tróia

Tevi Troy, director-adjunto da HHS, que deixava a HHS, assumiu rapidamente o cargo de lobista de alto nível da empresa JUUL e-cigarette, que tinha encontrado algumas barreiras regulamentares na sequência da Lei de Controlo do Tabaco, que tinham acabado de ser assinadas pelo então presidente Obama. Margaret Hamburgo, membro fundador da NTI, era então Comissária da FDA e paralizou a aplicação dos novos regulamentos; uma política de não aplicação tácita tinha persistido na FDA até à recente proibição do sabor, que se seguiu a novas preocupações em matéria de saúde levantadas por um relatório da NIH de 2018.

As razões por que um antigo funcionário da HHS se dedicaria a promover a utilização de um produto reconhecidamente prejudicial para a saúde podem ser respondidas analisando as estreitas ligações do Dr. Troy com o PIPS e o Instituto Hudson. Com uma retórica de mercado livre, estas instituições são veículos para as iniciativas políticas que os seus milionários financiadores querem ver implementadas, com os seus think tanks subsidiários, como o PIPS, a servir de satélites em órbita mais próxima do centro do poder.

Enquanto membro adjunto do Instituto Hudson e membro sénior do PIPS, Tevi Troy parece desempenhar um papel fulcral de coordenação entre os dois. O Hudson Institute foi fundado em 1961 por Herman Kahn, antigo estratega militar RAND, teórico de sistemas e inspirador do Dr. Strangelove. Após a morte de Kahn em 1983, o Instituto foi “fortemente contratado” pela Lilly Endowment – a maior fundação privada dos Estados Unidos, de longe – e tornou-se um íman para as mesmas redes milionárias conservadoras radicais que o patronizam hoje.

Entre os seus maiores doadores estão nomes familiares como Microsoft, Lockheed Martin Corporation, The Charles Koch Foundation, Boeing e Emergent BioSolutions. Em 2004, Lilly Endowment regressou a Washington D.C., anunciando que “voltaria às suas raízes de segurança nacional e política externa“, como resultado da guerra contra o terrorismo se ter tornado uma “preocupação nacional dominante”.

O PIPS e o Instituto Hudson viriam a desempenhar um papel central nos esforços seguintes de Kadlec para fazer da biodefesa uma prioridade nacional, com ele ao leme de um gabinete ASPR amplamente alargado. Mas, seriam ainda necessários alguns anos. Entretanto, havia mais a fazer no domínio da legislação, já para não falar da iniciativa privada.

Com base em todas as versões anteriores do PAHPA original de Kadlec, a Lei de Reautorização para a Prevenção da Pandemia e de Todos os Perigos (PAHPRA) de 2013 estabeleceu mais dois instrumentos que reforçaram o seu objectivo final. Em primeiro lugar, o Plano de Estratégia e Implementação da PHEMCE (SIP) foi codificado em lei, o que formalizou as ligações da legislação original ao gabinete do orçamento e, em segundo lugar, racionalizou a facilidade de Autorização de Uso de Emergência (EUA) para a FDA acelerar a aprovação de medicamentos.

 

Mostra-me o dinheiro

Logo ao voltar ao sector privado, Robert Kadlec ajudou a fundar em 2012 uma nova empresa chamada “East West Protection”, que desenvolve e fornece “sistemas integrados de prevenção e resposta a todos os riscos para as comunidades e nações soberanas”. A empresa também “aconselha comunidades e países sobre questões relacionadas com a ameaça de armas de destruição maciça e de pandemias naturais”.

Kadlec formou a empresa com W. Craig Vanderwagen, o primeiro HHS ASPR após a criação do posto ter sido largamente orquestrado pela Kadlec. O outro co-fundador da East West Protection foi Fuad El-Hibri, o fundador da BioPort/Emergent Biosolutions, que tinha acabado de se demitir do cargo de CEO da Emergent no início desse ano.

El-Hibri tem numerosas ligações comerciais ao Reino da Arábia Saudita, onde ele e o seu pai, Ibrahim El-Hibri, tinham em tempos vendido reservas de vacina contra o antrax ao governo saudita por um preço exorbitante por dose. A East West Protection perseguiu a oportunidade de equipar o Reino com um sistema de biodefesa personalizado, mas acabou por não concluir o acordo, apesar das ligações de El-Hibri. Em vez disso, a East West Protection vendeu os seus produtos a um punhado de estados dos EUA.

Kadlec foi o director da empresa desde a sua fundação até, pelo menos, 2015, tendo posteriormente vendido a sua participação na empresa a El-Hibri. Ao ser nomeado para servir como ASPR na administração Trump, Kadlec não revelou as suas ligações à East West Protection e a El-Hibri e, desde então, tem apenas afirmado ter estado envolvido na fundação da empresa, apesar das provas em contrário.

As incursões de Robert Kadlec no setor privado durante este período foram muito mais longe do que a East West Protection. A empresa de consultoria de Kadlec, a RPK Consulting, compensou-o em 451.000 dólares só em 2014, onde aconselhou directamente a Emergent Biosolutions, bem como outras empresas farmacêuticas como a Bavarian Nordic. A Kadlec foi também consultora de empresas militares e de serviços secretos, como a Invincea, apoiada pela DARPA, e a Scitor, contratada pela NSA, que foi recentemente adquirida pela SAIC.

O trabalho de consultoria da Kadlec para empresas ligadas aos serviços de informações valeu-lhe os elogios de espiões que se tornaram empresários, incluindo nomeadamente Steve Cash – um antigo agente da CIA e fundador da Deck Prism, ela própria uma empresa de consultoria que contratou Kadlec. Cash disse recentemente ao The Washington Post que “todos adoram o Dr. Bob [Kadlec]”, acrescentando que ele era um “tesouro nacional”.

 

Na véspera da guerra biológica

Kadlec tinha certamente vindo a acumular um baú de tesouros de poder, ajudado por algumas relações muito acolhedoras no negócio da consultoria e, por esta altura, já estava preparado o palco para um grande impulso para criar um organismo oficial dentro dos corredores da legislatura; uma empresa de consultoria incorporada, de certa forma, para promover os desígnios da clique da guerra biológica.

Nesse ano, Robert Kadlec reuniu um Painel de Estudos Blue Ribbon, patrocinado conjuntamente pelo Hudson Institute e uma instituição subsidiária do PIPS, o Centro Inter-Universitário de Estudos do Terrorismo (IUCTS), gerido pelo Dr. Yonah Alexander. O Painel Blue Ribbon de Kadlec foi presidido pelo Senador Joe Lieberman e incluiu a contribuição indispensável de Tom Daschle, Donna Shalala e outros membros do clube de política da guerra biológica.

No final de 2015, o painel de estudo publicou um relatório intitulado “A National Blueprint for Biodefense” [Um modelo nacional para a defesa biológica], que apelava a 33 iniciativas específicas, tais como a criação de um “sistema hospitalar de defesa biológica” e a implementação de uma “colaboração militar-civil para a defesa biológica”. Além disso, o painel recomendava que o gabinete do Vice-Presidente dirigisse um “Conselho de Coordenação” da Casa Branca para supervisionar e orientar a política de defesa biológica.

Pouco depois, seria constituído um organismo oficial denominado Comissão Bipartidária sobre Defesa Biológica, com todos os membros do Painel Blue Ribbon e muitos outros, como o co-presidente da Comissão Tom Ridge e, talvez sem surpresa, Tevi Troy e Yonah Alexander, que são membros ex officio [por dever do seu cargo]. Juntamente com eles está Lewis “Scooter” Libby, ex-Chefe de Gabinete de Dick Cheney e Vice-Presidente Sénior do Hudson Institute, que por acaso é também o patrocinador fiscal da Comissão.

Nos agradecimentos, o relatório de 2015 do painel inclui uma homenagem a Robert Kadlec, a quem conferem o mérito pelo resultado, que só “existe devido à clarividência, paciência e optimismo perpétuo do Dr. Robert Kadlec. Bob compreendeu que, por muito progresso que tenha sido feito no esforço nacional de prevenção e preparação para as ameaças biológicas, ainda não é suficiente. Ele sabia que, com o impulso certo, poderíamos fazer muito mais, e considerou este Painel como um meio para esse fim. Estamos satisfeitos por ele o ter feito”.

Kadlec montou esta última ofensiva enquanto era director-adjunto do Comité de Selecção do Senado do Senador Richard Burr, cargo que desempenharia até às vésperas da eleição de Donald Trump, em 2016. Trump iria então nomeá-lo para o cargo de ASPR e Kadlec seria confirmado no início de Agosto do ano seguinte.

Faltava apenas uma peça do puzzle, mas não demoraria muito até Robert Kadlec se tornar o maior capo de todos eles com uma mudança subtil que foi introduzida na PAHPRA de 2018:

Título III – Sec 301

1) DELEGAÇÃO AO ASPR.-Subsecção (a)(1) da secção 319F-2 da Lei do Serviço de Saúde Pública (42 U.S.C. 247d-6b) é alterada com a notável substituição de “em colaboração com o Director dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças” por “actuando através do Secretário Adjunto para a Prevenção e Resposta”.

 

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Os autores:

Whitney Webb é uma jornalista colaboradora da MintPress News, sediada no Chile. Tem contribuído para vários meios de comunicação independentes, incluindo Global Research, EcoWatch, o Instituto Ron Paul e 21st Century Wire, entre outros. Já fez várias aparições na rádio e televisão e é a vencedora do Serena Shim Award for Uncompromised Integrity in Journalism [Integridade sem compromissos no Jornalismo], em 2019.

Raul Diego é escritor do MintPress News, fotojornalista independente, pesquisador, escritor e documentarista.

 

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Iniciais (traduzidas para português):

 

ANSER – Analytic Services, Inc.

ANSER-IHS – Instituto para a Segurança Interna

ASPHEP – Secretário Adjunto para a Preparação de Emergência da Saúde Pública

ASPR – Secretário Adjunto para a Prevenção e Reação

AVA – Vacina contra o antrax absorvida

BARDA – Autoridade de Investigação e Desenvolvimento Avançado Biomédico

BASIS – Sistemas de informação e vigilância de aerossóis biológicos

BW – armas biológicas

DARPA – Agência de Projectos de Investigação Avançada em matéria de Defesa

DHS – Departamento de Segurança Interna

DTRA – Agência de Redução de Ameaças para a Defesa

FDA – Administração de Alimentos e Medicamentos

FEMA – Agência de Gestão de Emergências

HHS – Departamento de Serviços de Saúde e de Recursos Humanos

H.R. – Projeto de lei com origem na Câmara dos Representantes

IUCTS – Centro Inter-Universitário de Estudos do Terrorismo (subsidiária de PIPS)

JSOC – Comando Conjunto de Operações Especiais

MIC – Complexo industrial militar

NASA – Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço

NHSA – Agência para a Segurança Interna Nacional

NPS – Armazenagem Farmacêutica Nacional

NTI – Iniciativa sobre a Ameaça Nuclear

OPHP – Gabinete de Prevenção para a Saúde Pública (do HHS)

OTA – Gabinete do Congresso de Avaliação Tecnológica

PAHPA – Lei de Prevenção para a Pandemia e Todos os Perigos

PAHPRA – Lei de Reautorização para a Prevenção da Pandemia e Todos os Perigos

PDDs – Directivas de decisão presidencial

PFIAB – Conselho Consultivo de Informações Externas do Presidente

PIPS – Instituto Potomac de Estudos Políticos

PNAC – Projeto para um Novo Século Americano

SAIC – Science Applications International Corporation

SNS – Armazenagem Estratégica Nacional

UNSCOM – Comissão especial das Nações Unidas

WHO/OMS – Organização Mundial de Saúde

WMD – armas de destruição massiva

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/05/23/a-grande-industria-farmaceutica-a-cabeca-da-hidra-a-ascensao-de-robert-kadlec-2a-parte-conclusao-por-raul-diego-e-whitney-webb/

A Grande indústria farmacêutica – A cabeça da Hidra: a ascensão de Robert Kadlec (1ª parte). Por Raul Diego e Whitney Webb

119 A Grande indústria farmacêutica A cabeça da Hidra a ascensão de Robert Kadlec 1

Espuma dos dias 2 Coronavirus e a Hidra

Seleção e tradução de Francisco Tavares 

Este é um importante e elucidativo artigo sobre a carreira de um homem que ocupa um lugar chave no sistema de governo dos Estados Unidos na área da saúde, intimamente ligado ao complexo militar industrial na área das armas biológicas. Apesar de os autores o apelidarem de “A Cabeça da Hidra”, do artigo é possível concluir que a Hidra da Grande Indústria Farmacêutica mais parece a Hidra de Lerna da mitologia grega que tem não se sabe quantas cabeças e que se uma desaparece logo reaparecem pelo menos mais duas para lhe ocupar o lugar. Potenciais sucessores à sua posição no sistema não faltam, seus companheiros de estrada: Tevi Troy, Yonah Alexander, Tom Daschle, Donna Shalala, Lewis “Scooter” Libby, Von Thaer, Craig Vanderwagen, Randall Larsen, Tara o’Toole, Jerome Hauer, Stephen Hatfill, William Patrick e muitos outros.

E o lugar requer alguém que, como ele, seja um alarmista do bioterrorismo, ficcionador de cenários iminentes, horríveis e apocalípticos de ataques com armas biológicas (por exemplo o exercício Dark Winter em junho de 2001) e que inspiraram, e inspiram, o medo entre presidentes, políticos de topo e o público americano. Os ataques de antrax ocorridos entre setembro e outubro de 2001 caíram que nem sopa no mel. Mais tarde, em agosto de 2008, o FBI acusou o cientista Bruce Ivins de ser o único responsável de tais ataques. Ivins trabalhava como investigador no Instituto de Investigação Médica do Exército dos Estados Unidos da América sobre Doenças Infecciosas, em Fort Detrick (Maryland), e suicidou-se dias antes em julho de 2008. As acusações nunca foram formalizadas e as conclusões do FBI foram contestadas, nomeadamente por senadores e deputados do Congresso que defenderam que Ivins não era o único responsável pelos ataques. Em 2011, um painel da academia de ciências concluiu não ser possível chegar a uma conclusão definitiva sobre a origem do antrax.

Não obstante, Kadlec e toda a entourage que o acompanha, e que ele acompanha, prosseguiram a sua “missão” de salvar os EUA e o mundo de hipotéticos ataques com armas biológicas. E a sua entourage não é outra senão a Grande Indústria Farmacêutica, o complexo industrial militar, e todo um conjunto de alarmistas bioterroristas e uma miríade de institutos (públicos e privados), fundações, empresas e outras organizações que percorrem e formam os interstícios deste sistema que é a Big Pharma, que toca e influencia os mais altos escalões do governo e das instituições dos EUA.

Cabe salientar que este senhor paranóico do bioterrorismo e da guerra biológica está intimamente associado à guerra, e subsequente destruição, do Iraque. Ele esteve presente no Iraque regularmente – 1994, 1996, 1998, 2003, 2004 – sem nunca ter conseguido comprovar, apesar das afirmações em contrário ou que deixavam a dúvida no ar (afirmações do tipo “a capacidade de descobrir a verdade sobre o programa de armas biológicas do Iraque nunca foi bem sucedida”, cf. declarações ao Comité de Segurança Interna da Câmara dos Representantes em fevereiro de 2014), a existência de um programa de armas biológicas do Iraque. O facto de “a verdadeira natureza do trabalho e a relevância para o esforço ofensivo das armas biológicas iraquiano nunca [ter sido] verificado” servia como suporte às afirmações da existência desse programa para lá de qualquer dúvida. Aliás, este tipo de afirmações falsas, incluindo a fabricação de provas, no que diz respeito à detenção de armas de destruição massiva pelo Iraque (também completamente desmentido pelo testemunho de ElBaradei, então diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, cf. A Era da Mentira, ed. Matéria-prima 2011) serviu de justificação perante o mundo para a invasão do Iraque em 2003, e a destruição que se lhe seguiu.

Naturalmente, este gigantesco sistema da Grande Indústria Farmacêutica envolve milhões de milhões, estamos a falar de medicamentos, vacinas, armas biológicas. O episódio relatado quanto ao ganho de 5 milhões de dólares por Donald Rumsfeld com as ações da empresa (Gilead) que descobriu e desenvolveu a vacina Tamiflu (contra a gripe aviária, 2005/2006) é tão só um pequeno apontamento sobre os montantes que estarão envolvidos. É curioso constatar como também na atual crise do Covid-19 declarações de responsáveis dos EUA sobre supostos resultados positivos de ensaios impactam imediatamente na valorização bolsista: “o NASDAQ aumentou 3,5%, depois de o conselheiro de saúde da Casa Branca, Dr. Anthony Fauci, ter anunciado que um ensaio com medicamentos Remdesivir, que envolveu cerca de 800 pacientes, deu boas notícias”, segundo relato de Victor Hill em A Journal of the Plague Year- Part the First. Com este medicamento encontramos novamente uma já nossa conhecida cara: a Gilead. Victor Hill refere também outro participante do Big Pharma: “no início de Abril, o Governo dos EUA afetou mil milhões de dólares a um projeto com a Johnson & Johnson (NYSE:JNJ), co-financiando a investigação através da BARDA- Autoridade de Investigação e Desenvolvimento Avançado Biomédico”.

Entretanto, hoje, Robert Kadlec é, desde 2017, confortavelmente, Secretário Adjunto da Saúde e dos Serviços Humanos para a Prevenção e Reação. Como dizem os autores, “vacinas, antídotos e medicamentos de propriedade federal – detidos em repositórios estrategicamente organizados em todo o país em caso de emergência sanitária – estão agora nas mãos de um único indivíduo. Esses repositórios, que compõem a Armazenagem Estratégica Nacional (SNS)”.

 

FT

Nota: Dada a sua extensão o artigo é apresentado em 2 partes. No final do texto apresenta-se uma listagem das iniciais utilizadas ao longo do texto e seu significado em português. 

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A Grande indústria farmacêutica – A cabeça da Hidra: a ascensão de Robert Kadlec (1ª parte)

Por Raul Diego

 Raul Diego e

Whitney Webb Whitney Webb

Publicado por MPN News em 15/05/2020 (ver aqui)

119 A Grande indústria farmacêutica A cabeça da Hidra a ascensão de Robert Kadlec 1

O Dr. Robert Kadlec testemunha perante uma audiência da Comissão de Educação, Trabalho e Pensões do Senado sobre o coronavírus no Capitólio, em 3 de Março de 2020, em Washington. Andrew Harnik | AP

Uma poderosa rede de agentes políticos, uma máfia global de vacinas e o seu homem em Washington.

 

WASHINGTON DC (The Last American Vagabond) – Na sexta-feira passada, um grupo de senadores democratas “exigiu” que o Secretário Adjunto para a Preparação e Resposta (ASPR) do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), Robert Kadlec, “revelasse com exactidão todos os seus laços pessoais, financeiros e políticos à luz das novas informações de que não o tinha feito anteriormente”, depois de ter sido revelado que não tinha registado todos os “potenciais conflitos de interesse” nos seus papéis de nomeação.

O relatório em questão, publicado na passada segunda-feira pelo The Washington Post, detalhava os laços da Kadlec com um homem chamado Fuad El-Hibri, o fundador de uma empresa de “ciências da vida”, inicialmente conhecida como BioPort e agora denominada Emergent Biosolutions. Kadlec tinha anteriormente revelado as suas ligações a El-Hibri e à Emergent Biosolutions para uma nomeação separada anos antes, mas não o fez quando foi nomeado para chefiar o ASPR.

Embora o Washington Post note a recente falha de Kadlec em divulgar estas ligações, o artigo saneia em grande parte a anterior mas crucial história de Kadlec e até ofusca toda a extensão dos seus laços com o fundador do BioPort, entre outras omissões gritantes. Na realidade, Kadlec tem muito mais do que os seus laços com El-Hibri, que se apresentam como “potenciais conflitos de interesses”, uma vez que a sua carreira de décadas na definição da política de “biodefesa” dos EUA foi directamente possibilitada pelos seus profundos laços com a inteligência, a Grande Indústria Farmacêutica, o Pentágono e uma série de personagens corruptos mas poderosos.

Graças a um longo e deliberado processo de introdução da política de biodefesa, conduzido por Robert Kadlec e pelos seus patrocinadores, 7 mil milhões de dólares de vacinas, antídotos e medicamentos de propriedade federal – detidos em repositórios estrategicamente organizados em todo o país em caso de emergência sanitária – estão agora nas mãos de um único indivíduo. Esses repositórios, que compõem a Armazenagem Estratégica Nacional (SNS), são do domínio exclusivo do ASPR da HHS, um posto criado sob o olhar atento de Kadlec e adaptado ao longo dos anos para satisfazer as suas necessidades muito específicas.

A partir desta posição, Robert Kadlec tem a última palavra sobre a proveniência do conteúdo das reservas armazenadas, bem como sobre como, quando e onde são implantadas. É o único fornecedor de material médico e farmacêutico, o que o torna o melhor amigo da Grande Indústria Farmacêutica e de outros gigantes da indústria da saúde que têm estado ao seu ouvido ao longo de todo o seu caminho.

Kadlec garante-nos, no entanto, que o facto de ocupar agora precisamente o cargo para o qual trabalhou durante tanto tempo é uma mera coincidência. “A minha participação no projecto ASPR começou na altura em que trabalhava para o presidente da Subcomissão sobre Bioterrorismo e Prevenção da Saúde Pública… O projecto de lei foi transformado em lei e o ASPR foi criado. Foi uma coincidência que, 12 ou 14 anos depois, me tenham pedido para me tornar o ASPR”, declarou Kadlec em 2018.

Foi tudo uma reviravolta aleatória do destino, afirma Kadlec, que o viu ocupar o ASPR neste momento crucial da história dos Estados Unidos. Na verdade, com o país agora no meio de uma pandemia de coronavírus declarada pela OMS, Kadlec tem agora o controlo total sobre os poderes de “emergência” desse mesmo gabinete, conferidos pela própria lei que ele tinha escrito.

A história de como um ex-cirurgião de voo da Força Aérea dos Estados Unidos veio a ter a licença exclusiva de comerciante sobre o maior depósito de drogas da história do mundo é tão perturbador quanto significativo à luz dos acontecimentos atuais, especialmente tendo em conta que Kadlec lidera agora a resposta do coronavírus para todos os serviços de saúde. No entanto, a ascensão da Kadlec ao poder não é um caso de um génio do mal conquistando um ponto único e vulnerável dos recursos da nação. Em vez disso, é um caso de um homem profundamente enredado no mundo da inteligência, da inteligência militar e da corrupção empresarial, cumprindo devidamente a visão dos seus amigos em lugares altos e à porta fechada.

Nesta terceira parte de “Engineering Contagion: Amerithrax, Coronavirus and the Rise of the Biotech-Industrial Complex“, Kadlec é comprovadamente proveniente de um grupo restrito de “alarmistas bioterroristas” do governo e do setor privado que ganharam destaque graças à sua propensão para imaginar os cenários mais horríveis, mas fictícios, que inspiraram o medo entre presidentes, políticos de topo e o público americano. Entre esses cenários fictícios estava o exercício “Inverno Negro”, discutido na Parte I [publicado em The Last American Vagabond).

Alguns destes alarmistas, entre os quais os “guerreiros do frio” dos tempos do Fort Detrick, que desenvolviam abertamente armas ofensivas, iriam participar em perturbadoras experiências e estudos de antrax, desenvolvendo ao mesmo tempo laços suspeitos, em 2000, com uma empresa chamada BioPort. Tal como referido na Parte II desta série publicada em The Last American Vagabond, a BioPort perderia tudo no início de Setembro de 2001, devido à controvérsia sobre a sua vacina contra o antrax. É claro que os ataques com antrax de 2001 que se seguiram pouco depois mudariam tudo, não só para a BioPort, mas também para a política de biodefesa dos EUA. Com o cenário montado, Kadlec entraria rapidamente em acção, orientando as grandes mudanças políticas na peugada dos grandes acontecimentos e catástrofes subsequentes, culminando com a sua coroação como rei do arsenal.

 

O louco acidental

Robert Kadlec descreve-se a si próprio como tendo sido um “turista acidental” no que respeita à sua introdução na guerra biológica. Médico da Força Aérea especializado em doenças tropicais, Kadlec diria mais tarde que o seu interesse na área começou quando foi designado para ser assistente especial de Guerra Química e Biológica do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC), aconselhando o então chefe do Comando de Operações Especiais Major-General Wayne Downing, na véspera da primeira Guerra do Golfo.

Mais tarde, Kadlec declararia que tinha testemunhado em primeira mão como os militares, imediatamente antes da Guerra do Golfo [N.T. também conhecida por Operação Tempestade no Deserto, 1990-1991, sendo presidente dos EUA George Bush pai], tinham “falta do necessário equipamento de protecção, detectores e contramedidas médicas, incluindo vacinas e antibióticos, contra as ameaças imediatas colocadas pelo Iraque”, o que alegadamente o levou a querer melhorar os esforços de biodefesa dos EUA.

Enquanto ocupava este posto no Comando JSOC, Kadlec estava a par dos conselhos de William C. Patrick III, um veterano do programa de armas biológicas dos EUA que tinha desenvolvido o método americano de armamento do antrax e detinha nada menos que cinco patentes classificadas relacionadas com a utilização da toxina na guerra. Patrick, que tinha deixado o serviço governamental em 1986 para se tornar consultor, aconselhou o Pentágono – então chefiado por Dick Cheney – que o risco de um ataque com armas biológicas por parte do Iraque, particularmente com o antrax, era elevado. O aviso de Patrick levou os militares norte-americanos a vacinar dezenas de milhares das suas tropas com a controversa vacina contra o antrax “anthrax vaccine adsorbed (AVA)”. Kadlec injectaria pessoalmente AVA em cerca de 800 membros das Forças Armadas dos EUA.

Kadlec observaria mais tarde no testemunho no Congresso que não foi encontrada qualquer prova definitiva de um alegado programa de armas biológicas iraquianas durante a guerra ou posteriormente, mas que, no entanto, os iraquianos admitiram mais tarde ter adquirido grandes quantidades de agentes biológicos – o antrax e a toxina do botulismo”, sugerindo que os avisos de Patrick tinham tido alguma base na realidade.

Contudo, Kadlec assinalou que estas amostras de antrax e botulismo tinham sido vendidas, com a aprovação total do governo dos EUA, ao Ministério da Educação do Iraque por uma entidade privada sem fins lucrativos dos EUA, a American Type Culture Collection. Donald Rumsfeld, que era então um enviado da administração Reagan e dirigia uma empresa farmacêutica vendida posteriormente à Monsanto, também estaria envolvido no envio dessas amostras para o Iraque [N.T. Aquando da invasão do Iraque em 2003, Rumsfeld era secretário da defesa de George Bush filho].

Após a guerra, o microbiologista americano Joshua Lederberg foi encarregado pelo Pentágono de chefiar a investigação do “Síndrome da Guerra do Golfo”, um fenómeno que estudos posteriores relacionaram com os efeitos adversos da vacina contra o antrax. O grupo de trabalho de Lederberg argumentou que as provas relativas a uma associação entre a sintomologia e a vacina contra o antrax eram insuficientes. Todavia, mais tarde, ele ficaria debaixo de fogo depois de ter sido noticiado que ele fazia parte da administração da American Type Culture Collection, a mesma empresa que tinha enviado antrax para o governo iraquiano entre 1985 e 1989 com a bênção do governo dos EUA. Lederberg admitiu mais tarde que a investigação que conduziu não tinha gasto “tempo e esforço suficientes para desenterrar os pormenores”. As conclusões do grupo de trabalho foram mais tarde duramente criticadas pelo Gabinete de Responsabilização do Governo.

O Dr. Lederberg [1925-2008] provaria ser uma influência inicial, se não mesmo seminal, da perspectiva de Robert Kadlec no que se refere ao tema da bio-guerra. O Prémio Nobel [de 1958] e presidente de longa data da Universidade Rockefeller foi um dos pais do alarmismo do bioterrorismo nos Estados Unidos, juntamente com William C. Patrick III e outros membros de um grupo restrito de microbiologistas “guerreiros do frio”. Kadlec e Lederberg continuariam a colaborar em vários livros e estudos políticos ao longo do final dos anos 90 e até 2001.

Anos mais tarde, numa audiência no Congresso, Kadlec diria que as palavras de Lederberg “ressoam constantemente comigo e servem como um aviso prático”. Além de Lederberg, Kadlec também escrevia numerosos livros e artigos com Randall Larsen, que mais tarde contrataria o médico para ensinar “estratégia e operações militares” na National War College, onde o amigo íntimo de Larsen – William C. Patrick III – também ensinava.

 

Um oásis envenenado

Muitos dos delírios bioterroristas de Kadlec foram preservados em livros escolares com 25 anos de idade, como um livro didático da Faculdade de Guerra Aérea dos Estados Unidos intitulado “Battlefield of the Future“, onde Kadlec apela ao governo para que crie um arsenal massivo de medicamentos e vacinas para proteger a população de um ataque com armas biológicas, particularmente antrax ou varíola. Num capítulo, Kadlec argumentou que as reservas de antibióticos, imunoglobulinas e vacinas necessárias teriam de ser adquiridas, mantidas e estar prontamente disponíveis para administração em poucas horas”.

As opiniões de Kadlec sobre o assunto na altura em que escreveu foram grandemente influenciadas pela sua primeira viagem como inspetor de armas da UNSCOM ao Iraque, em 1994, onde foi acompanhado por William Patrick, entre outros. Kadlec regressaria mais tarde ao Iraque na mesma qualidade, em 1996 e 1998, em busca dos alegados armazéns de antrax de armamento do Iraque, que Patrick tinha tanta certeza de que estavam lá, mas que nunca se materializaram.

Após três visitas, Kadlec confessaria mais tarde que, apesar do que ele chamou “o regime de inspecção e controlo mais intrusivo alguma vez concebido e implementado” pela ONU, os inspectores de armamento da UNSCOM, incluindo ele próprio e William Patrick, “não conseguiram descobrir qualquer prova irrefutável de um programa ofensivo de BW [armas biológicas]”. Kadlec regressaria mais tarde ao Iraque em duas ocasiões distintas após a invasão do país pelos EUA em 2003, mais uma vez sem encontrar qualquer prova da existência do programa.

Em 1995, Kadlec já estava imbuído do alarmismo das armas biológicas que tinha sido defendido por Lederberg e Patrick. Naquele ano, ele deu a conhecer vários “cenários ilustrativos” relativamente à utilização da “guerra económica biológica” contra os Estados Unidos. Um desses cenários fictícios, intitulado “Terrorismo do Milho”, envolve a China a planear “um acto de terrorismo agrícola”, pulverizando clandestinamente sementes de milho sobre o Midwest, utilizando aviões comerciais. O resultado do cenário “Terrorismo do Milho” é que “a China ganha uma parte significativa do mercado do milho e dezenas de milhares de milhões [de] dólares de lucros adicionais com a sua colheita”, enquanto os EUA vêem a sua colheita de milho obliterada, fazendo subir os preços dos alimentos e os EUA importarem milho. Outro cenário, intitulado “That’s a ‘Lousy’ Wine”, envolve “vinicultores europeus descontentes” que libertam secretamente piolhos de uva que têm escondidos em latas de paté para atingir os produtores de vinho da Califórnia.

Por esta mesma altura, em 1994, o relativamente jovem Gabinete do Congresso de Avaliação Tecnológica ou OTA, que informava as decisões políticas em torno de questões de complexidade tecnológica e científica em matéria de segurança nacional, foi cortado pela nova maioria republicana que ganhou ambas as câmaras (Representantes e Senado) nas eleições centrais de 1994 a meio do mandato. Na altura do corte no seu financiamento, Lederberg integrou o Conselho Consultivo de Avaliação Tecnológica da OTA (OTA-TAAC), juntamente com os membros da indústria farmacêutica da Bristol-Myers Squibb, da Lilly Research Labs e da Smith-Kline, antes da fusão, e presidiu a um dos seus últimos painéis de estudo.

No lugar da OTA, foi colocada uma entidade independente e sem fins lucrativos chamada The Potomac Institute for Policy Studies (PIPS) que foi co-fundada pelo consultor especial do Foreign Intelligence Advisory Board (PFIAB) do Presidente H.W. Bush e por um antigo monitor de programa da CIA, Michael S. Swetnam, que foi alegadamente “encarregado de traçar o perfil de Osama Bin Laden antes dos ataques de 11 de Setembro”.

O fim do financiamento do gabinete OTA e a subsequente criação do instituto Potomac (PIPS) transferiram a elaboração de políticas sobre aquelas que são, talvez, as questões mais sensíveis da segurança nacional para fora do Congresso e para uma fundação privada cheia de operadores provenientes das vastas profundezas do complexo industrial militar (MIC). Antigos oficiais militares, cientistas da DARPA (Agência de Projectos de Investigação Avançada em matéria de Defesa), peritos em política da NASA, agentes do FBI, operacionais da CIA e contratantes da defesa como Northrop Grumman, podem todos ser encontrados nos seus registos de membros e nas seus conselhos de administração.

O Instituto Potomac (PIPS) e os seus patrocinadores seguiriam de perto a carreira de Robert Kadlec no governo desde o início e mantêm-se hoje muito próximos dele. Um indivíduo ligado ao PIPS trabalharia em estreita colaboração com Kadlec, Tevi Troy – um membro sénior do PIPS e um membro adjunto do muito mais polido Instituto Hudson, ele próprio um dos principais financiadores do PIPS. Há muito que Troy tem sido parte integrante na definição da agenda política de biodefesa de Kadlec, que permaneceria manifestamente estática e imutável ao longo de toda a carreira que ele estava a iniciar.

 

A varíola americana

Em 1996, começaram conversações no seio da liderança militar sobre o que viria a ser o programa do Pentágono de vacinação obrigatória contra o antrax, uma política incansavelmente promovida por Joshua Lederberg, que estava envolvido na “investigação” das ligações entre a vacina contra o antrax e a Síndrome da Guerra do Golfo. As conversações privadas tiveram lugar em paralelo com um esforço público para trazer a guerra biológica para a linha da frente da consciência pública americana. Um exemplo particularmente flagrante ocorreu quando o então Secretário de Defesa William Cohen foi ao ABC News com um saco de açúcar de cinco quilos, afirmando que “esta quantidade de antraz podia ser espalhada por uma cidade, digamos do tamanho de Washington”. Destruiria pelo menos metade da população dessa cidade”.

Ao mesmo tempo, Joshua Lederberg também defendia o armazenamento de uma vacina contra a varíola, que os militares americanos também levaram a peito, dando a uma empresa chamada DynPort um contrato multimilionário exclusivo para produzir uma nova vacina contra a varíola em 1997. Pouco tempo depois, foi constituída a BioPort, a empresa irmã da DynPort, que em breve viria a monopolizar a produção dessa vacina.

Na altura em que a BioPort (agora conhecida como Emergent Biosolutions) tinha ganho de forma controversa o controlo sobre este lucrativo contrato do Pentágono em 1998, o então Presidente Bill Clinton avisava publicamente que os EUA deviam “enfrentar os novos perigos das armas biológicas e químicas”, acrescentando que Saddam Hussein estava especificamente “a desenvolver armas nucleares, químicas e biológicas e os mísseis para as entregar”. No entanto, não houve informações que apoiassem estas alegações, especialmente depois das tentativas falhadas dos inspectores de armamento, como Robert Kadlec e William Patrick, de encontrar quaisquer provas de um programa de armas biológicas iraquiano.

Apesar da falta de provas relativas aos alegados programas de “Armas de Destruição Massiva” do Iraque, a preocupação de Clinton com uma ameaça de armas biológicas terá sido o resultado da sua leitura de “The Cobra Event”, um romance sobre como um agente patogénico geneticamente modificado chamado “varíola cerebral” assola a cidade de Nova Iorque. O autor do romance, Richard Preston, tinha sido aconselhado sobre a guerra biológica e os agentes patogénicos geneticamente modificados por ninguém menos do que William Patrick. Patrick, então conselheiro da CIA, do FBI e dos serviços secretos militares, também participou em reuniões à porta fechada com Clinton sobre armas biológicas, alegando que a sua utilização era inevitável e que o mais mortífero dos agentes patogénicos podia facilmente ser feito numa “garagem de terroristas”.

É também provável que o alarmismo de Clinton em relação às armas biológicas e químicas tivesse sido informado, em parte, por uma mesa redonda organizada na Casa Branca em 10 de Abril de 1998. Esta “Mesa Redonda da Casa Branca sobre Engenharia Genética e Armas Biológicas” incluiu um grupo de “especialistas externos” liderado porJoshua Lederberg e incluiu vários outros alarmistas bioterroristas, como, por exemplo: Jerome Hauer, então director do Gabinete de Gestão de Emergências de Nova Iorque (que também foi assessorado por William Patrick III) e Thomas Monath, executivo da indústria de vacinas e consultor científico principal do director da CIA George Tenet.

Discutiram-se em profundidade na mesa redonda “as oportunidades e os desafios de segurança nacional colocados pela engenharia genética e pela biotecnologia”, bem como “material classificado relacionado com avaliações de ameaças e a forma como os Estados Unidos respondem a cenários específicos”.

Robert Kadlec, apesar de ser republicano, continua a gostar muito de Bill Clinton, talvez porque o ex-presidente estava tão atento às previsões terríveis dos “peritos em biodefesa” que acompanharam a própria carreira de Kadlec. Kadlec credita o ex-presidente a fazer “muitas coisas boas” e a dar importantes contribuições para o avanço da agenda política do complexo industrial biotecnológico.

Clinton emitiria várias ordens executivas e directivas de decisão presidencial (PDD) durante este período, como a PDD-62, que abordava especificamente os preparativos para um ataque “ADM” contra os EUA e solicitava que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), então liderado por Donna Shalala, liderasse a resposta nacional a um ataque com ADM. Fortuitamente para Kadlec, o PDD-62 apelou também à construção de um arsenal nacional de vacinas, antibióticos e outros produtos médicos.

Na altura, Kadlec já estava a evangelizar o público acerca de um ataque aparentemente iminente e apocalíptico, com a certeza de que iria atacar a qualquer momento. Como citado num artigo de 1998 do Vancouver Sun, Kadlec especulou:

“Se vários quilos de um agente como o antrax fossem hoje disseminados em Nova Iorque, as estimativas conservadoras situam em 400.000 o número de mortes que ocorrerriam nos primeiros dias. Milhares de outros estariam em risco de morrer em vários dias se não se iniciassem imediatamente os antibióticos e a vacinação adequados. Milhões de outras pessoas teriam receio de serem expostas e procurariam ou exigiriam também cuidados médicos. Para além das implicações sanitárias imediatas de um tal acto, o pânico potencial e a agitação civil criariam uma resposta igualmente grande”.

As especulações apocalípticas de Kadlec sobre ataques com armas biológicas chamaram a atenção de Randall Larsen, o então director do Departamento de Estratégia e Operações Militares da Academia Nacional de Guerra, que contratou Kadlec porque “se tinha convencido de que a ameaça mais grave para a segurança nacional não eram os mísseis russos ou chineses, mas sim uma pandemia – causada pelo homem ou que ocorre naturalmente”. Pouco tempo depois, Kadlec e Larsen colaborariam estreitamente, sendo co-autores de vários estudos em conjunto.

Entretanto, o seu colega na Academia Nacional de Guerra, William Patrick III, trabalhava simultaneamente para o contratante do exército americano e dos serviços secretos, o Battelle Memorial Institute, onde estava a desenvolver secretamente uma forma geneticamente modificada e mais potente de antraz para um programa classificado do Pentágono.

 

A intelligentsia do bioterrorismo

Um ano após ter contratado Robert Kadlec para leccionar no National War College, Randall Larsen também esteve envolvido na criação de uma nova organização chamada ANSER Institute for Homeland Security (ANSER-IHS), e serviu como seu director. Este Instituto para a Segurança Interna, iniciado e financiado em Outubro de 1999, foi uma extensão do Instituto ANSER, que tinha sido separado da Corporação RAND no final dos anos 50. A Corporação RAND é um “think tank” centrado na segurança nacional com laços de longa data com as Fundações Ford e Rockefeller e a Corporação Carnegie.

A expansão da ANSER através da ANSER-IHS foi precedida pela entrada da “defesa da pátria” no discurso político popular dos meios políticos de Washington. O termo terá tido origem num relatório do Painel de Defesa Nacional apresentado em 1997 e é creditado ao membro do Painel de Defesa e antigo oficial da CIA com ligações ao programa Phoenix da agência, Richard Armitage. Armitage fazia parte do grupo conhecido como os “Vulcanos“, que aconselharam George W. Bush sobre questões de política externa antes das eleições presidenciais de 2000.

Como a jornalista Margie Burns salientou num artigo de 2002, a necessidade de “defesa da pátria” como um dos principais focos da política do governo dos EUA, incluindo o impulso à criação de uma nova agência de “segurança interna”, foi dramaticamente ampliada na sequência da sua alegada criação por Armitage em 1997. Isto deveu-se, em parte, a uma teia de meios de comunicação social pertencentes ao líder de culto sul-coreano e a ativo da CIA Sun Myong Moon, nomeadamente o Washington Times, a Insight Magazine e a UPI, que publicaram numerosos artigos escritos por analistas da ANSER ou que citaram fortemente relatórios e funcionários da ANSER sobre a necessidade de um aparelho de “segurança interna” grandemente expandido.

Um desses artigos, publicado pela Insight Magazine em Maio de 2001 e intitulado “Preparing for the Next Pearl Harbor”, cita fortemente a ANSER e o seu Institute for Homeland Security como estando entre os “melhores peritos da nação”, alertando para a iminência de um ataque terrorista ao continente americano. Afirma ainda que “os primeiros a responder no campo de batalha de amanhã não serão soldados, mas sim trabalhadores das ambulâncias da cidade e bombeiros de pequenas cidades”.

A ANSER-IHS foi criada sob o impulso da CEO da ANSER, a Dra. Ruth David, que se tornou a principal executiva da ANSER depois de deixar uma longa carreira na CIA, onde tinha sido Directora Adjunta para a Ciência e Tecnologia da agência. Na direcção da ANSER-IHS na altura, ao lado de David, estavam Joshua Lederberg e a Dra. Tara O’Toole, então directora do Johns Hopkins Center for Civilian Bio-defense Studies, que mais tarde seria co-escritora do exercício Dark Winter.

Embora tenha sido criada pela primeira vez em 1999, a ANSER-IHS só foi oficialmente lançada em Abril de 2001. Nesse mesmo mês, Robert Kadlec, na National War College, patrocinou o artigo “A Micro-Ameaça com Macro-Impacto: A Ameaça biológica e a necessidade de uma estratégia nacional de segurança em matéria de bio-defesa“. Esse documento começa citando vários ex-funcionários da CIA, bem como o Dr. O’Toole (que agora trabalha para o braço de capital de risco da CIA, o In-Q-Tel) como prova de que um ataque bioterrorista é “talvez a maior ameaça que os EUA enfrentam no próximo século” e que tal ataque iria inevitavelmente atingir “americanos em solo americano”.

Este relatório patrocinado por Kadlec apelava igualmente à criação da Agência Nacional de Segurança Interna (NHSA), cujo enquadramento constava do R.H. 1158, introduzido um mês antes, em Março de 2001. O documento instava a que a criação desta nova agência a nível de gabinete fosse aprovada “rapidamente, para que o agente executivo único resultante (identificado a partir daqui como a NHSA) possa iniciar o seu trabalho crítico”. Defendeu ainda que esta agência inclui “um cargo de director-adjunto … especificamente responsável pela preparação e resposta a um bio-ataque”.

Outras medidas recomendadas no documento incluíam a grande expansão do arsenal de defesa nacional; a criação de um sistema nacional de notificação de doenças; e a criação de detectores automáticos em tempo real de ameaças biológicas. Estes últimos seriam iniciados logo após a publicação deste documento, resultando na polémica “Biological Aerosol Sentry and Information Systems” (BASIS). A BASIS foi discutida na Parte I desta série, particularmente o seu papel na “indução do próprio pânico e da perturbação social que se pretende contrariar” durante e após os ataques com antraz de 2001 que ocorreriam meses mais tarde. A BASIS foi desenvolvida em grande parte pelo Lawrence Livermore National Laboratory, cujo director da Agência de Redução de Ameaças para a Defesa (DTRA), Jay Davis, era então presidente do conselho de administração da ANSER.

Também é notável o facto de o relatório de Abril de 2001 de Kadlec citar o amplamente desacreditado mas ainda influente Ken Alibek em várias ocasiões, incluindo a sua alegação de que qualquer pessoa com acesso à Internet e alguns dólares poderia produzir e libertar facilmente o antraz para armas. Alguns dos maiores especialistas em antrax do país desacreditariam esta afirmação, com excepção de William C. Patrick III.

Isto é provável porque foi Patrick que tinha sido convidado pela CIA a “vetar” Alibek depois de ter desertado da União Soviética em 1992, tornando Patrick responsável por determinar a credibilidade das controversas alegações de Alibek, incluindo as suas afirmações incorrectas de que Saddam Hussein tinha supervisionado um programa massivo de armas biológicas. Quanto ao seu encontro, Patrick diria mais tarde: “Não direi que nos apaixonámos, mas ganhámos um respeito imediato um pelo outro”.

Na altura da deserção de Alibek, Robert Kadlec – que tinha sido destacado para o Gabinete do Secretário da Defesa do Pentágono para a Política de Contra-Proliferação após a Guerra do Golfo – recordaria mais tarde, durante o Congresso de 2014, ter “testemunhado os esforços para apurar a verdade por detrás do esforço [de armas biológicas] da ex-União Soviética”, que tinha envolvido intimamente Alibek e Patrick. Kadlec observaria ainda que “o destino destes agentes [relacionados com o programa BW da União Soviética] e armas associadas”, incluindo as descritas por Alibek, “nunca foi satisfatoriamente resolvido”.

As afirmações chocantes mas duvidosas de Alibek foram frequentemente utilizadas e promovidas por Joshua Lederberg (que tinha interrogado outros investigadores soviéticos sobre armas biológicas após as suas deserções), Patrick e outros para apoiar as suas políticas favoritas de “biodefesa”, bem como a necessidade de investigação “defensiva” sobre armas biológicas, incluindo esforços clandestinos de engenharia genética de antrax, nos quais Patrick e Alibek colaborariam mais tarde.

 

(continua)

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Os autores:

Whitney Webb é uma jornalista colaboradora da MintPress News, sediada no Chile. Tem contribuído para vários meios de comunicação independentes, incluindo Global Research, EcoWatch, o Instituto Ron Paul e 21st Century Wire, entre outros. Já fez várias aparições na rádio e televisão e é a vencedora do Serena Shim Award for Uncompromised Integrity in Journalism [Integridade sem compromissos no Jornalismo], em 2019.

Raul Diego é escritor do MintPress News, fotojornalista independente, pesquisador, escritor e documentarista.

 

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Iniciais (traduzidas para português):

 

ANSER – Analytic Services, Inc.

ANSER-IHS – Instituto para a Segurança Interna

ASPHEP – Secretário Adjunto para a Preparação de Emergência da Saúde Pública

ASPR – Secretário Adjunto para a Prevenção e Reação

AVA – Vacina contra o antrax absorvida

BARDA – Autoridade de Investigação e Desenvolvimento Avançado Biomédico

BASIS – Sistemas de informação e vigilância de aerossóis biológicos

BW – armas biológicas

DARPA – Agência de Projectos de Investigação Avançada em matéria de Defesa

DHS – Departamento de Segurança Interna

DTRA – Agência de Redução de Ameaças para a Defesa

FDA – Administração de Alimentos e Medicamentos

FEMA – Agência de Gestão de Emergências

HHS – Departamento de Serviços de Saúde e de Recursos Humanos

H.R. – Projeto de lei com origem na Câmara dos Representantes

IUCTS – Centro Inter-Universitário de Estudos do Terrorismo (subsidiária de PIPS)

JSOC – Comando Conjunto de Operações Especiais

MIC – Complexo industrial militar

NASA – Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço

NHSA – Agência para a Segurança Interna Nacional

NPS – Armazenagem Farmacêutica Nacional

NTI – Iniciativa sobre a Ameaça Nuclear

OPHP – Gabinete de Prevenção para a Saúde Pública (do HHS)

OTA – Gabinete do Congresso de Avaliação Tecnológica

PAHPA – Lei de Prevenção para a Pandemia e Todos os Perigos

PAHPRA – Lei de Reautorização para a Prevenção da Pandemia e Todos os Perigos

PDDs – Directivas de decisão presidencial

PFIAB – Conselho Consultivo de Informações Externas do Presidente

PIPS – Instituto Potomac de Estudos Políticos

PNAC – Projeto para um Novo Século Americano

SAIC – Science Applications International Corporation

SNS – Armazenagem Estratégica Nacional

UNSCOM – Comissão especial das Nações Unidas

WHO/OMS – Organização Mundial de Saúde

WMD – armas de destruição massiva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/05/23/a-grande-industria-farmaceutica-a-cabeca-da-hidra-a-ascensao-de-robert-kadlec-1a-parte-por-raul-diego-e-whitney-webb/

A Saúde Pós Covid - Alerta Vermelho

A25A

Da 'newsletter' da Associação 25 de Abril

Car@(s) Associad@(s)

Aparentemente, vamos evoluindo, o Covid começa a ser visto como menos perigoso, confiemos em que o tipo desapareça e não regresse numa segunda volta (deixemos isso para as competições desportivas). 
É tempo de reflexões, é tempo de tirar ilações e tomar decisões. 
As que se relacionam com a Saúde, nomeadamente o lugar e o papel do SNS, estão no primeiro lugar das preocupações de todos. 
A leitura de um artigo publicado no Observador fez-me pensar e decidir escrever algo sobre o assunto. 
Não será novidade, mas peço a vossa atenção: 

Sim, era este o panorama, eram estes os caminhos que se vinham percorrendo e contra os quais a Associação 25 de Abril se vinha manifestando, de há muito, juntamente com outras entidades e personalidades defensoras de um Serviço Nacional de Saúde, sério e verdadeiro, como o que António Arnaut sonhou e de que lançou os alicerces. 
A defesa do privado - própria do capitalismo financeiro selvagem, dos neoliberais a caminho do neofascismo - em detrimento do público, de há muito que fazia o seu caminho, obtinha resultados e continuava impante!  
E, por mais declarações de boas intenções dos responsáveis políticos (apesar de tudo, o ataque directo ao SNS ainda não era popular, ainda não dava votos), por mais aumentos envergonhados que se fizessem às verbas para o SNS, a sua recuperação e até a paragem do seu desmantelamento continuava longe de ser atingida. 
Enfim, pese embora alguns "sinais positivos", fruto da acção dos governos pós Troica, a morte do SNS estava mais que anunciada. 
Porque, não tenhamos dúvidas, só uma profunda alteração na vontade política dos principais responsáveis, permitirá vencer as poderosas forças que, insaciáveis nas suas ambições de lucro (custe o que custar, contra tudo e contra todos), não hesitam em atropelar o que for necessário para atingir os seus fins. 

Foi neste panorama que a enorme crise viral nos apanhou! 
Passado este primeiro embate, longe de vermos chegar o fim, longe de se poder respirar de alívio, é tempo de se fazer um primeiro balanço, tirar conclusões e assumir decisões. 
Apesar de fortemente debilitado, foi o SNS que valeu aos portugueses e a Portugal! 
Eis uma primeira conclusão, irrefutável e visível, a olho nu.   
Sem o SNS teria sido o caos, estaríamos a lamentar muitas mais mortes, muitas mais tragédias! 


Em contraponto, qual foi a atitude dos serviços privados de saúde? 
Fugiram do Covid, a sete pés, porque falharam na tentativa de capitalizar em grande, através das verbas do SNS - gorada a tentativa, face à firme atitude da Ministra da Saúde, meteram "o rabinho entre as pernas", nunca mais deram sinal de vida. A propósito, que é feito do hospital dos SAMS? Será que já reabriu? 
Mas, isso não chegou. Nos hospitais que não recebiam Covid, passaram a funcionar quase só com telemedicina . Nem as cirurgias privadas, quanto mais as com vouchers! Segundo parece, os médicos passaram a ir aos hospitais dois meios dias por semana.  
Na guerra de guerrilhas, há uma técnica dos guerrilheiros que definimos por "bate (atira) e foge"! Aqui, terá sido "toca e foge"! 

cravo01Face a este panorama, há que perguntar:  
Como vai ser? Vamos voltar à situação anterior, à estaca zero, como muito bem descreve o médico António Alvim, no artigo que publicou no Observador e que aqui transcrevemos, ou vai haver vontade política para apostar a sério no Serviço Nacional de Saúde? Sejam quais forem as alterações necessárias ao Orçamento de Estado? 
Como sou optimista, como não desisto, quero acreditar que a lição recebida nos obriga a todos, a começar pelos principais responsáveis políticos, a prosseguir o sonho do António Arnaut! 

Porque, se há campos onde esta pandemia obriga a profundas meditações, à tomada de decisões que alterem o paradigma de muitas coisas, onde a maneira de viver e de encarar os objectivos e a organização das sociedades sofrerá, inevitavelmente, grandes transformações, o da Saúde estará na primeira linha! Terá de estar, na primeira linha das preocupações do ser humano. A Felicidade não se atinge com dinheiro, pode ajudar, mas há momentos onde não serve para comprar sequer um bem grátis, como é o ar que respiramos! (declaração de filha de banqueiro, vítima do Covid). 

Saúde! Vamos vencer! 
Cordiais saudações de Abril  
Vasco Lourenço  

As verdadeiras vítimas de coronavírus: relações entre pessoas

 
 
 
Somente o toque, a medicina e a fala podem realmente curar
- Hipócrates , século V aC

Alguns dizem que o mundo vai mudar. Para mim, isso já mudou em março de 2020. Um mundo de "coronavírus".

Um mundo melhor? Depende.

Para mim, o mundo não muda para melhor. Nunca é apenas um ponto de vista, meu ponto de vista, porque para os grandes fabricantes de medicamentos futuros de drogas e vacinas [1], é claro, é uma mudança para melhor.

A minoria para quem o mundo está "mudando para melhor" por causa do coronavírus:

Lucros fenomenais à vista. Um jorro de dólares e euros por vir para os acionistas maioritários e CEOs da Big Pharma , que já são imensamente ricos.

Para as pessoas já mais ricas do mundo, é uma mudança para melhor, sim [2].

© imagem retirada do site: Graphseobourse.fr. Fonte Investir.
De acordo com a Forbes [3]:

“A taxa de desemprego e o número de casos de COVID-19 continuam subindo rapidamente, mas o mercado de ações está indo melhor. O Dow Jones Industrial Average e o S&P 500 saltaram mais de 12% na semana que terminou em 9 de abril (os mercados fecharam em 10 de abril para a Sexta-feira Santa). As ações subiram significativamente na quinta-feira, quando o Federal Reserve anunciou um empréstimo de US $ 2,3 triliões (triliões) para apoiar a economia. Os ganhos do mercado levaram a um aumento combinado de US $ 51,3 bilhões para 10 dos bilionários do mundo desde que o mercado fechou há uma semana, em 2 de abril.”

Eu sempre me perguntei por que, em tal nível de riqueza, você gostaria de ser ainda mais rico.

Mas esse é certamente o questionamento ingénuo de uma pessoa que não faz parte desse "mundo dos super-ricos" (e não quer fazer parte dele).

Para governos, líderes empresariais, diretores, para qualquer pessoa no poder atraída por uma deriva autoritária, mesmo totalitária, ditatorial [4], isso também é uma mudança para melhor.

É o caso no nível global, no nível nacional, mas também em todas as estruturas de poder, maiores e menores.

Onde os líderes preferem impor a propor, forçar a convencer, a crise do coronavírus torna possível suspender os direitos, estabelecer o manu militari seus programas de austeridade, quase nunca vistos nem conhecidos. ( ni vu ni connu )

A crise do coronavírus ameaça fazer-nos viver em uma ditadura de “estilo chinês” [5], um modelo social “Amazónia” [6], um modelo ético “Apple” [7], um modelo moral “Google” [8], um modelo de justiça no Facebook [9]... desta vez em escala mundial.

A expressão "mundo livre" não terá mais significado.

Já mordiscada, roída, atacada por todos os lados, essa expressão explodirá em milhares de pequenos pedaços irreconhecíveis. Já está bem encaminhado.

No mundo dos "coronavírus", você é "um número", um "pedaço de carne", um "pedaço de cérebro" mais ou menos lucrativo, sem proteção social, sem direitos, exceto o direito de fazer o que o "poder" lhe diz façam.

Sempre usando a mesma linguagem de propaganda:

"Mais segurança por menos liberdade".
"Estado de emergência... saúde".

Uma nova linguagem leitmotiv se repete ad infinitum, e quanto mais se repete, mais se aceita.

 
Por exemplo, em alguns países, os pacientes podem deixar o hospital concordando em usar uma pulseira electrónica [10]. Esta é apenas uma amostra de todas as medidas totalitárias planeadas ou mesmo já decididas por nossos governos em favor da crise do coronavírus . Vai muito mais longe, é ilimitado [11] e afeta boa parte do mundo, se não o mundo inteiro [12]:

“Depois dos drones equipados com alto-falantes que vimos chamando cidadãos recalcitrantes a se conformar, na China e depois em Paris, os dispositivos de rastreamento agora estão florescendo em todo o mundo. Na França, o aplicativo Stop-Covid está sendo promovido pelo governo como uma ferramenta necessária para o desconfinamento, enquanto no outro lado do Atlântico, as empresas rivais Apple e Google estão se unindo para produzir um aplicativo para subir na cadeia de transmissão."

Não é de surpreender que Apple, Google e Facebook estejam se colocando "ao serviço" (grandes lucros em perspectiva) desses desvios totalitários.

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O mesmo vale para o YouTube, cuja CEO Susan Wojcicki se arrogou com o direito de excluir todas as informações que não seguem as recomendações da OMS [13].

Depois de Bill Gates , uma pessoa não médica que nos diz o que fazer, agora é a vez do CEO de um site de vídeo online se intrometer em nossa saúde e decidir o que é bom ou ruim para nós sabermos. Em nome de quê? Em nome de quem?

Quanto aos médicos, os verdadeiros ou outros especialistas como o antropólogo da saúde Jean-Dominique Michel [14], eles são difamados. As pessoas são instruídas a não ouvi-las!

Que mundo invertido!

Mais controle versus menos autonomia.

Enquanto isso, todos os direitos constitucionais adquiridos pelos nossos ancestrais e todos os direitos humanos estão sob ataque.

Liberdade para demonstrar, reunir, liberdade de expressão, abraçar, respirar livremente, movimentar-se, desafiar qualquer dogma de saúde proveniente da linha oficial.

O que faz sentido e é cientificamente fundado são notícias falsas.

O que é notícia falsa é verdade inatacável.

Neste mundo de "coronavírus", que beneficiará a minoria descrita no início deste artigo.

Algumas pessoas foram forçadas internamente em hospitais psiquiátricos, uma prática que pensei relegada ao século passado ou a ditaduras comunistas. É hoje, na Itália [15], na Alemanha [16], neste novo mundo dos “coronavírus”.

Assim,
- Para pessoas muito ricas (não, é muito mais que isso, para pessoas estratosféricas)

- Para os acionistas maioritários e CEOs dos monstros financeiros em que as empresas farmacêuticas se tornaram ( 1000 biliões de euros em lucros ao longo de vinte anos ).

- Para a mídia corporativa, que ganha dinheiro e vive melhor espalhando medo e crises que vendem para seus leitores;

-  Para todos os interessados ​​em mais autoridade, mais poder para si e menos autonomia e liberdade para os cidadãos.

O mundo está mudando para melhor.

Para bilhões de pessoas, você, eu, o mundo está mudando para pior.

Sim, aqui, desde que você não seja um desses governantes, CEO de uma empresa farmacêutica, porta-voz de jornalistas de governos ou diretor viciado em poder forte, é você, sou eu quem estamos falando agora.

Esse mundo dos “coronavírus” é uma mudança para pior.

A menos que nós (você, eu) a rejeite "em massa":

Então devemos ser um número tão grande que é impossível nos comprometer a todos num hospital psiquiátrico, uma massa crítica o suficiente para que a repressão brutal de tantos cause o despertar de todos os outros.

Ainda mais porque, para mim, não é necessário se revoltar ou usar a violência, especialmente não!

É o suficiente:
- Para não participar mais dessa cena aterrorizante.
- Não seguir esse caminho que nos leva a mais pobreza, mais fome.

A tirania do coronavírus - e a morte por fome, por Peter Koenig , que trabalhou durante anos no Banco Mundial e na OMS:

“Até ao final de 2020, mais pessoas terão morrido de fome, desespero e suicídio do que por coronavírus. Nós, o mundo, estamos enfrentando uma pandemia de fome de proporções bíblicas. Esta verdadeira pandemia ultrapassará em muito a "pandemia do COVID-19" . A pandemia de fome lembra o filme “Jogos Vorazes” porque se baseia em circunstâncias semelhantes de uma minoria dominante que controla quem pode comer e quem morrerá - através da competição.»

Não tolerar essa destruição de todos os laços sociais, um fenómeno mortal que a ditadura do coronavírus ainda quer impor a nossos filhos do jardim de infância:

 
Pais, protejam seus filhos! Não apenas do coronavírus, mas principalmente desses abusos. Boicote escolas que atacam o próprio propósito da vida, as relações humanas, e isso é feito por meio de contato, brincadeira e ajuda mútua.

Uma revisão de estudos científicos não conseguiu encontrar um único caso de transmissão do vírus de uma criança para um adulto [18].

- Não aceitar esse distanciamento social:

 
Sim, vamos proteger os doentes, mas se não, vamos viver a vida pela qual estamos aqui na terra, com ênfase nos relacionamentos, apoio mútuo, solidariedade e empatia.

- Não colocar máscaras, todos nós, o tempo todo:

Rostos e sorrisos desaparecem sob máscaras, enquanto essas máscaras não nos protegem, nos impedem de respirar e de oxigenar [19], um parâmetro muito mais importante da boa saúde, podem agravar a situação, concentrando possíveis vírus exalados perto de nossas vias respiratórias, e que a própria OMS reserva essa prática apenas para os doentes (que devem ficar em casa) e para os cuidadores.

Todas essas são maneiras de resistir.

Escolha outra coisa.

Agora, duas visões de mundo estão em conflito, exacerbadas por essa crise de coronavírus.

Por um lado:
Um mundo frio, sem contato, mascarado e tirânico, o mesmo para todos, sem pensamento ou bom senso, prometendo enorme poder e lucro para uma minoria de pessoas já imensamente rica e poderosa .

Por outro lado:

Um mundo onde contato, calor, aparência, sorrisos permanecem a base inviolável de toda a humanidade.

Um mundo em que o toque, a medicina (natural) e a fala [20] continuam a formar o pilar inabalável da medicina humana.

Um mundo em que nem tudo é sacrificado, dignidade humana, direitos humanos (e direitos das mulheres), em troca da vida a todo custo, porque isso priva a vida de seu valor.

Testemunho desta mulher de 97 anos [21]:

Estou trancada, não é uma vida ”, ela diz, chorando. Nem posso ir à casa do meu vizinho. Nós nem podemos conversar. Durante todo o dia eu estou trancado lá. »
Ela quase não se alimenta mais porque sente que não vale a pena viver esta vida.

No momento, é mais provável que essa mulher morra de solidão do que de coronavírus.

Essa é a escolha humana que devemos fazer hoje.
 
*O Dr. Pascal Sacré é  intensivista em Anestesiologista e colaborador frequente da mondialisation.ca

*Traduzido do francês por Maya Chossudovsky-Ladouceur

Notas:
[1] Coronavírus: a corrida contra o tempo para encontrar uma vacina.
[2] O grande golpe do VIDOC 19: os 10 bilionários faturaram US $ 51 bilhões na semana passada…
[3] 10 bilionários ganharam US $ 51 biliões nesta semana, com os mercados subindo do estoque, Forbes.com, 11 de abril de 2020.
[4] Technotirania: Como o estado de segurança dos EUA está usando a crise dos coronavírus para realizar uma visão orwelliana.
[5] O coronavírus está pressionando a ditadura, e não apenas na China.
[6] Testemunhos de dentro mostraram outra face da Amazónia: a de uma empresa ultra liberal e abusiva, importando métodos de gerenciamento que dificilmente são compatíveis com a lei francesa. Nesse ponto, o ministro fica calado.
[7] A Apple é uma empresa ética: a grande ilusão do dividendo.
[8] O Google não respeita mais seus princípios éticos, de acordo com um ex-diretor. O ex-diretor de relações internacionais do Google acusa o gigante da Internet de ter abandonado seus valores morais fundamentais e de ser cúmplice das violações dos direitos humanos em alguns países, como China e Arábia Saudita.
[9] O Facebook e sua ética duvidosa, copiando usuários.
[10] Em vários países, como a Rússia, os pacientes podem decidir deixar o hospital se usarem uma pulseira electrónica. O governo francês estudaria essa possibilidade.
11] Em um jardim de infância em Varese, Itália, pulseiras electrónicas para o distanciamento social de crianças estão sendo usadas em uma escola infantil.
[12] Monitorado e dócil. É a vez de Justin Trudeau ser seduzido pelas sirenes dos aplicativos de rastreamento.
[13] Coronavírus: o YouTube remove todas as informações que não seguem as recomendações da OMS. A CEO do YouTube, Susan Wojcicki, disse à CNN que qualquer conteúdo relacionado ao coronavírus que contrarie as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) será removido de sua plataforma.
[14] Jean-Dominique Michel, antropólogo da saúde.
[15] Na Itália, um oponente do confinamento colocado em um hospital psiquiátrico, em 9 de maio de 2020.
16] Covid-19, advogada internada em psiquiatria porque ousou atrapalhar o coronavírus. Me Beate Bahner, advogada de Heidelberg / Alemanha, interpôs recurso de anulação das medidas adotadas pelo governo alemão. De fato, após o Covid-19, medidas restritivas foram adotadas pelo Chanceler. Me Bahner alega que os direitos de liberdade do povo alemão foram violados pelas medidas adotadas para conter a propagação do vírus. Por isso, pediu ao Tribunal Constitucional Federal que anulasse essas medidas que restringiam as liberdades. O resultado? Confinamento psiquiátrico!
Origem: Polizei trouxe “Coronoia” -Anwältin Bahner na Psiquiatria
"A polícia leva Bahner, advogado de Coronoia", ao psiquiatra "
[17] Mídia francesa, quem é o dono do quê?
[18] https://dontforgetthebubbles.com/wp-content/uploads/2020/04/COVID-data-top-10.pdf.
[19] Máscaras faciais apresentam riscos sérios para os saudáveis
[20] Le toucher, le remède, la parole, de Roberta Milanese e Simona Milanese, edições SATAS, edição original de 2015 em italiano em 2018, tradução para inglês. Curar é cuidar da pessoa tanto quanto da doença.
[21] “Estou preso, não é uma vida”: Jeanne, 96 anos, dá um testemunho emocionante, 21 de abril de 2020.

Pascal Sacré , Mondialisation.ca, 2020

A fonte original deste artigo é Global Research
Copyright © Pascal Sacré , Global Research
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/as-verdadeiras-vitimas-de-coronavirus.html

O SNS não fecha a porta

«O Serviço Nacional de Saúde não fecha a porta. E muitos privados puderam fazê-lo. Puderam exercer o mecanismo do lay-off. Os vales cirúrgicos, que puderam continuar a ser emitidos - e para os quais teria sido tão útil que o setor privado e social continuasse a garantir resposta - não tiveram utilização por duas ordens de razões. A primeira é porque as pessoas naturalmente tiveram receio e não os quiseram utilizar. A segunda é porque muitos convencionados, e poderemos fornecer-lhe a lista nominativa, disseram que queriam suspender as suas convenções. Disseram que não estavam lá, que não podiam. Que não era o momento, que também tinham medo. Que não estavam disponíveis para prestar serviços. E portanto isso fica agarrado à pele e não desaparece.»

Resposta da ministra Marta Temido (ver aqui, a partir dos 5' e 37'') à deputada Ana Rita Bessa (CDS-PP), que quis saber porque é que o Estado não recorreu mais aos privados da saúde no contexto da pandemia. Como se estes tivessem dado sinais, nos últimos meses (uma história ainda por sistematizar com o devido detalhe), de que se pode contar com eles quando as coisas se complicam.

Sabemos bem que a ideia de um «sistema único de saúde», que indiferencie prestadores públicos e privados (cabendo ao Estado financiar estes últimos), é um velho sonho da direita. Mas se há noção que a pandemia veio reforçar é a de estamos perante dois universos que priorizam objetivos claramente distintos - vidas salvas e lucros gerados - como bem aqui assinalou o Ricardo Paes Mamede. Ou, como constatava recentemente Amílcar Correia, sublinhando a importância do Estado Social, que «a calamidade seria outra, bem pior, na ausência de um serviço público de saúde decente e de um regime de Segurança Social capaz de responder aos casos mais extremos de necessidade».

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Plano de Emergência para a Saúde - Proposta do PCP

Reforçar o SNS, garantir o acesso à saúde

Partindo de uma análise rigorosa do trabalho realizado nestes últimos dois meses, das experiências recolhidas, das necessidades identificadas e dos meios necessários para combater o surto epidémico e regularizar a actividade normal do SNS, o PCP apresenta um plano de emergência para reforço do Serviço Nacional de Saúde:

1. Reforço das transferências OE para o SNS e fim da aplicação da lei dos compromissos na saúde

Com o objectivo de acabar com o subfinanciamento crónico a que foi sujeito por sucessivos governos, torna-se premente que sejam reforçadas as transferências de verbas do Orçamento do Estado para o SNS (no mínimo e no imediato, 25% do orçamento do SNS, tendo em conta que os meses de Março, Abril e Maio foram dedicados apenas ao COVID-19), a fim de dotar os serviços de saúde dos montantes necessários à prestação de cuidados e de investimento, bem como a autonomia das unidades de saúde.

Terminar com a aplicação da lei dos compromissos ao sector da saúde.

2, Mobilização e modernização da capacidade de diagnóstico e terapêutica instalada no SNS

Mobilização e modernização da capacidade de diagnóstico e terapêutica instalada no SNS e o seu alargamento designadamente através da internalização nos hospitais dos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, (incluindo de forma gradual a hemodiálise) e em articulação e contratualização com centros de investigação e desenvolvimento em particular associados a unidades públicas de ensino superior.

3. Recuperar até ao fim de 2020 todos os actos que ficaram em suspenso ou foram adiados

Recuperação até final do ano 2020, de todos os actos que ficaram em suspenso ou foram adiados em resultado da resposta ao surto epidémico, designadamente actos cirúrgicos, intervenções de diagnóstico e terapia oncológica, vacinações e exames complementares e consultas de saúde materna e de saúde infantil e juvenil.

4. Reforço dos recursos humanos do SNS:

  • Lançamento no prazo de 30 dias de um processo de contratação, recorrendo sempre que possível às listagens de ordenação de candidatos de procedimentos concursais já efectuados;
  • Conversão dos contratos dos trabalhadores contratados no âmbito do combate ao surto, para contratos com vínculo efectivo;
  • Aumento extraordinário dos salários de todos os actuais profissionais com actualizações anuais garantidas;
  • Consagração do horário de 35 horas para todos os trabalhadores;
  • Remuneração extraordinária do prolongamento do horário;
  • Generalização do vínculo público efectivo e das Carreiras Profissionais a todos os trabalhadores que o desejem com possibilidades de acréscimo da remuneração e dos dias de formação associado ao tempo de serviço;
  • Contratação de médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar e enfermeiros de família em falta;
  • Criação do regime de dedicação exclusiva a ser objecto de negociação colectiva com as organizações representativas dos trabalhadores;
  • Atribuição de um suplemento remuneratório (a atribuir a todos os trabalhadores que assegurem serviços essenciais nos termos do DL nº2-A/2020), no montante de 20% do vencimento base relativamente aos dias em que prestem efectivamente actividade, tendo em conta a exposição ao risco de contágio com COVID-19 a que se submetem no exercício das suas funções.

5. Iniciar a formação da especialização para todos os médicos

Iniciar até ao início de Setembro de 2020, a formação da especialização para todos os médicos em condições de iniciarem essa especialização integrando o quadro do internato de Especialidade das carreiras Médicas como forma de preparar os médicos necessários ao funcionamento do SNS.

6. Aumentar a capacidade instalada em 800 camas de agudos e reforçar o número de camas de Cuidados Intensivos

Aumentar a capacidade instalada em 800 camas de agudos, numa primeira fase, até final de Setembro de 2020 (20% das camas eliminadas) e reforçar o número de camas de Cuidados Intensivos por forma a garantir as necessidades de combate ao surto epidémico (caso se verifique um agravamento), sem comprometer a actividade regular no tratamento de outras patologias.

7. Alargar o número de camas de cuidados continuados e paliativos

Alargar o número de camas de cuidados continuados e paliativos (400 até Setembro), na rede pública, abrangendo igualmente respostas específicas no âmbito da saúde mental e da pediatria, por forma a libertar camas hospitalares.

8. Garantir uma reserva de equipamentos de protecção individual para os profissionais de saúde; garantir e alargar o número de testes e testes serológicos

No combate à COVID-19 é preciso garantir uma reserva estratégica de equipamentos de protecção individual para os profissionais de saúde, bem como, na actual fase de desconfinamento, garantir e alargar o número de testes a realizar para detectar pessoas atingidas e testes serológicos que ajudam a medir a imunidade da população.

9. Reforçar os meios humanos, técnicos e profissionais na área da saúde pública

Reforçar os meios humanos, técnicos e profissionais na área da saúde pública, e em particular o reforço dos profissionais de saúde.

10. Aumento da dotação global para a Saúde Mental

Num momento particularmente difícil para as famílias portuguesas em confinamento prolongado em suas casas, é fundamental aumentar a dotação global para a Saúde Mental de forma a corresponder às necessidades reais dos serviços existentes e permitir a implementação de novas unidades, consideradas na legislação existente, pondo termo a graves carências do sector.

Dotar todas as unidades operacionais de Cuidados de Saúde Primários de pelo menos 1 psicólogo com apoio administrativo adequado para apoio aos programas de saúde mental.

11. Adoptar uma estratégia nacional de segurança e saúde no trabalho

Em consonância com os sindicatos, organizações representativas de trabalhadores e associações patronais, sob a tutela das especialidades, adoptar uma estratégia nacional de segurança e saúde no trabalho que assegure, designadamente a criação e funcionamento dos serviços de segurança e saúde nos locais de trabalho.

Promover através da Escola Nacional de Saúde Pública durante os meses de Junho, Julho e Agosto um programa de informação/formação de médicos de saúde pública e médicos do trabalho sobre medidas de prevenção de risco epidémico e promoção da saúde no local de trabalho.

12. Serviços de medicina do trabalho em todos os estabelecimentos de saúde

Pôr a funcionar os serviços de medicina do trabalho em todos os estabelecimentos de saúde.

13. Concretização da criação do Laboratório Nacional do Medicamento

Avançar rapidamente com a concretização (até ao fim do mês de Julho de 2020), da decisão já tomada na Assembleia da República de criação do Laboratório Nacional do Medicamento, com a vertente de produção e investigação, dotando o Estado de um instrumento de criação de conhecimentos e ao mesmo tempo de defesa da independência e soberania nacionais.

14. Constituir uma reserva estratégica de medicamentos e dispositivos

Constituir uma reserva estratégica de medicamentos e dispositivos no quadro de uma interacção permanente com as unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde, revista periodicamente e pelo menos uma vez por ano, atendendo à evolução tecnológica e epidemiológica, sem nunca perderem o prazo de validade. Uma reserva estratégica descentralizada que terá uma parte armazenada nos hospitais que a vão renovando à medida que vão necessitando e uma reserva central armazenada no actual Laboratório Militar.

Dispormos de uma capacidade instalada para garantir e salvaguardar o acesso a medicamentos essenciais pelo Serviço Nacional de Saúde mediante a adopção de uma estratégia nacional de produção de medicamentos alicerçada quer em definitivo na capacidade efectiva de fabrico de medicamentos pelo Laboratório Militar (no futuro Laboratório Nacional do Medicamento), quer promovendo parcerias estratégicas com as empresas nacionais de capital nacional que assegurem essa capacidade.

15. Promover e incentivar a reconversão da indústria para a produção de equipamentos de protecção individual, materiais clínicos e equipamentos médicos, medicamentos e reagentes indispensáveis ao país

Promover e incentivar a reconversão da indústria para a produção de equipamentos de protecção individual, materiais clínicos e equipamentos médicos, medicamentos e reagentes indispensáveis ao País, com o objectivo de aumentar a capacidade nacional e reduzir a dependência externa.

Reforçar o SNS como serviço público, universal, geral e gratuito, eficiente e eficaz como prestador geral e universal de cuidados de saúde, atribuindo ao sector social e privado um papel supletivo, é o caminho que melhor serve os interesses do País e do portugueses.

 


 

Declaração de Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central, Conferência de Imprensa

Reforçar o Serviço Nacional de Saúde, garantir a todos prestação de cuidados no serviço público

Quando está em marcha uma grande operação dirigida a partir dos grupos económicos do negócio da doença, dos seus representantes políticos e propagandistas, incluindo sectores reaccionários que sempre quiseram a destruição do Serviço Nacional de Saúde, é um imperativo nacional, em nome da saúde dos portugueses, exigir o reforço do SNS por forma a garantir em pleno o direito à saúde.

Com o pretexto de que é necessário recuperar os atrasos provocados na actividade regular do SNS, devido às medidas de excepção tomadas nas unidades de saúde para garantir a resposta imediata à epidemia, os grupos privados da saúde que nos últimos dois meses se esconderam do surto epidémico e viram a sua actividade fortemente reduzida, desenvolvem uma campanha com o objectivo de pôr em causa a capacidade do serviço público garantir a recuperação dos atrasos provocados nas listas de espera.

Quando se provou e é reconhecido o papel insubstituível do Serviço Nacional de Saúde na resposta ao surto epidémico e se comprovou que é a única resposta capaz de garantir o direito à saúde, o momento que vivemos é decisivo para o futuro do SNS.

No combate ao surto epidémico têm-se destacado os médicos, enfermeiros, técnicos, pessoal administrativo, assistentes operacionais. São eles que arriscam em primeira linha, trabalhando até ao esgotamento se necessário.

Sem o SNS, o tratamento dos doentes afectados pela COVID-19, seria para muitos deles e para todos nós, uma ruína e um desastre. Não haveria, nesta situação, seguradoras nem prestadores privados que valessem aos portugueses.

Hoje está claro que o SNS não só mostrou uma elevada capacidade de realização da sua missão, como está em condições, caso sejam reforçadas as suas condições financeiras, técnicas e humanas, de manter simultaneamente o combate ao coronavírus e recuperar a actividade suspensa e manter a actividade regular.

Plano de emergência

O PCP reforça a exigência da concretização de um plano de emergência que, partindo de uma análise rigorosa do trabalho realizado nestes últimos dois meses, das experiências recolhidas, das necessidades identificadas e dos meios necessários para combater o surto epidémico e regularizar a actividade normal do SNS, não deixando ninguém para trás, aponta um conjunto de medidas prioritárias:

1 - Com o objectivo de acabar com o subfinanciamento crónico a que foi sujeito por sucessivos governos, torna-se premente que sejam reforçadas as transferências de verbas do Orçamento do Estado para o SNS (no mínimo e no imediato, 25% do orçamento do SNS, tendo em conta que os meses de Março, Abril e Maio foram dedicados apenas ao COVID-19), a fim de dotar os serviços de saúde dos montantes necessários à prestação de cuidados e de investimento, bem como a autonomia das unidades de saúde.

Terminar com a aplicação da lei dos compromissos ao sector da saúde.

2 - Mobilização e modernização da capacidade de diagnóstico e terapêutica instalada no SNS e o seu alargamento designadamente através da internalização nos hospitais dos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT), (incluindo de forma gradual a hemodiálise) e em articulação e contratualização com centros de investigação e desenvolvimento em particular associados a unidades públicas de ensino superior.

3 - Recuperação até final do ano 2020, de todos os actos que ficaram em suspenso ou foram adiados em resultado da resposta ao surto epidémico, designadamente actos cirúrgicos, intervenções de diagnóstico e terapia oncológica, vacinações e exames complementares e consultas de saúde materna e de saúde infantil e juvenil.

4 - Reforço dos recursos humanos do SNS através:

- Do lançamento no prazo de 30 dias de um processo de contratação, recorrendo sempre que possível às listagens de ordenação de candidatos de procedimentos concursais já efectuados;

- Da conversão dos contratos dos trabalhadores contratados no âmbito do combate ao surto, para contratos com vínculo efectivo;

- Do aumento extraordinário dos salários de todos os actuais profissionais com actualizações anuais garantidas;

- Da consagração do horário de 35 horas para todos os trabalhadores;

- Da remuneração extraordinária do prolongamento do horário;

- Da generalização do vínculo público efectivo e das Carreiras Profissionais a todos os trabalhadores que o desejem com possibilidades de acréscimo da remuneração e dos dias de formação associado ao tempo de serviço;

- Da contratação de médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar e enfermeiros de família em falta;

- Da criação do regime de dedicação exclusiva a ser objecto de negociação colectiva com as organizações representativas dos trabalhadores;

- Da atribuição de um suplemento remuneratório (a atribuir a todos os trabalhadores que assegurem serviços essenciais nos termos do DL nº2-A/2020), no montante de 20% do vencimento base relativamente aos dias em que prestem efectivamente actividade, tendo em conta a exposição ao risco de contágio com COVID-19 a que se submetem no exercício das suas funções.

5 - Iniciar até ao início de Setembro de 2020, a formação da especialização para todos os médicos em condições de iniciarem essa especialização integrando o quadro do internato de Especialidade das carreiras Médicas como forma de preparar os médicos necessários ao funcionamento do SNS.

6 - Aumentar a capacidade instalada em 800 camas de agudos, numa primeira fase, até final de Setembro de 2020 (20% das camas eliminadas) e reforçar o número de camas de Cuidados Intensivos por forma a garantir as necessidades de combate ao surto epidémico (caso se verifique um agravamento), sem comprometer a actividade regular no tratamento de outras patologias.

7 - Alargar o número de camas de cuidados continuados e paliativos (400 até Setembro), na rede pública, abrangendo igualmente respostas específicas no âmbito da saúde mental e da pediatria, por forma a libertar camas hospitalares.

8 – No combate à COVID-19 é preciso garantir uma reserva estratégica de equipamentos de protecção individual para os profissionais de saúde, bem como, na actual fase de desconfinamento, garantir e alargar o número de testes a realizar para detectar pessoas atingidas e testes serológicos que ajudam a medir a imunidade da população.

9 - Reforçar os meios humanos, técnicos e profissionais na área da saúde pública, e em particular o reforço dos profissionais de saúde.

10 - Num momento particularmente difícil para as famílias portuguesas em confinamento prolongado em suas casas, é fundamental aumentar a dotação global para a Saúde Mental de forma a corresponder às necessidades reais dos serviços existentes e permitir a implementação de novas unidades, consideradas na legislação existente, pondo termo a graves carências do sector.

Dotar todas as unidades operacionais de Cuidados de Saúde Primários de pelo menos 1 psicólogo com apoio administrativo adequado para apoio aos programas de saúde mental.

11 – Em consonância com os sindicatos, organizações representativas de trabalhadores e associações patronais, sob a tutela das especialidades, adoptar uma estratégia nacional de segurança e saúde no trabalho que assegure, designadamente a criação e funcionamento dos serviços de segurança e saúde nos locais de trabalho.

Promover através da Escola Nacional de Saúde Pública durante os meses de Junho, Julho e Agosto um programa de informação/formação de médicos de saúde pública e médicos do trabalho sobre medidas de prevenção de risco epidémico e promoção da saúde no local de trabalho.

12 – Pôr a funcionar os serviços de medicina do trabalho em todos os estabelecimentos de saúde.

13 – Avançar rapidamente com a concretização (até ao fim do mês de Julho de 2020), da decisão já tomada na Assembleia da República de criação do Laboratório Nacional do Medicamento, com a vertente de produção e investigação, dotando o Estado de um instrumento de criação de conhecimentos e ao mesmo tempo de defesa da independência e soberania nacionais.

14 – Constituir uma reserva estratégica de medicamentos e dispositivos no quadro de uma interacção permanente com as unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde, revista periodicamente e pelo menos uma vez por ano, atendendo à evolução tecnológica e epidemiológica, sem nunca perderem o prazo de validade. Uma reserva estratégica descentralizada que terá uma parte armazenada nos hospitais que a vão renovando à medida que vão necessitando e uma reserva central armazenada no actual Laboratório Militar.

Dispormos de uma capacidade instalada para garantir e salvaguardar o acesso a medicamentos essenciais pelo Serviço Nacional de Saúde mediante a adopção de uma estratégia nacional de produção de medicamentos alicerçada quer em definitivo na capacidade efectiva de fabrico de medicamentos pelo Laboratório Militar (no futuro Laboratório Nacional do Medicamento), quer promovendo parcerias estratégicas com as empresas nacionais de capital nacional que assegurem essa capacidade.

15 – Promover e incentivar a reconversão da indústria para a produção de equipamentos de protecção individual, materiais clínicos e equipamentos médicos, medicamentos e reagentes indispensáveis ao País, com o objectivo de aumentar a capacidade nacional e reduzir a dependência externa.

Reforçar o SNS como serviço público, universal, geral e gratuito, eficiente e eficaz como prestador geral e universal de cuidados de saúde, atribuindo ao sector social e privado um papel supletivo, é o caminho que melhor serve os interesses do País e do portugueses.

 

 

Ver original aqui

Manifesto pela Saúde: as propostas do Bloco para reforçar já o SNS

O Bloco de Esquerda apresenta neste manifesto um conjunto de medidas essenciais para o reforço do SNS, que devem ser implementadas desde já. Se o SNS é que nos salva e protege, então é nele que temos de investir.
 
Se dúvidas houvesse, a presente pandemia encarregou-se de as dissipar – o SNS é o único garante do direito à Saúde. Ele e só ele - público, universal, geral e gratuito - é que consegue dar a resposta necessária, seja em tempos de pandemia, seja em tempos de normalidade. Do setor privado não se pode esperar nada que não seja a busca intrínseca do lucro e do negócio, como ficou evidente na forma como hibernaram ou até encerraram quando o país mais precisava ou nas diferentes tentativas, muitas delas bem-sucedidas, para gerar receitas com a epidemia. A busca do lucro não serve a saúde nem protege os direitos da população.
Da epidemia não podem resultar respostas como as que foram dadas em crises passadas. Não, o SNS não é uma gordura do Estado e os profissionais de saúde não são descartáveis ou prescindíveis para serem enviados para a emigração forçada. O que tem de resultar desta epidemia é um SNS mais robusto e eficaz para continuar a combater a COVID-19 e, em simultâneo, recuperar a atividade programada suspensa e as listas de espera que já antes existiam, assim como desenvolver novas respostas para as necessidades de saúde que agora emergiram ou se agravaram.

O Bloco de Esquerda apresenta um conjunto de medidas essenciais para esse reforço, que devem ser implementadas desde já. Se o SNS é que nos salva e protege, então é nele que temos de investir.

1. Mais financiamento para um SNS mais robusto, com ou sem pandemia

O SNS foi cronicamente suborçamentado, sobrevivendo sempre com verbas muito aquém da despesa prevista, o que gerou dívida e limitou a sua capacidade de resposta. Somou-se a isto uma estratégia de transferência de recursos para o setor privado, que lhe mitigou, ainda mais, orçamento, profissionais, camas de internamento e capacidade de meios complementares de diagnóstico. Esse desinvestimento fez com que o SNS ficasse muito aquém das suas reais capacidades e faz de Portugal um dos países da OCDE em que as famílias mais pagam do seu bolso em saúde (28% da despesa total para a média na UE de 16%).

Este é o momento de aumentar significativamente o financiamento do SNS para que responda a todas as exigências. É necessário investimento em recursos humanos, em tecnologia, em terapêuticas inovadoras e em instalações dignas.

  • Reforçar em Orçamento Suplementar em 2020 a despesa prevista para o SNS com:

a) a contratação definitiva dos cerca de 2.300 profissionais de saúde contratados temporariamente;
b) as despesas que responderam à emergência da pandemia;
c) a contratação dos 8400 profissionais para o SNS que ficaram prometidos aquando da apresentação do OE2020.

  • Respeitando o espírito da nova lei de bases da saúde, a gestão dos estabelecimentos do SNS deve ser integralmente pública, sem qualquer tipo de PPP, e o orçamento do SNS deve ser usado para o desenvolvimento próprio e não para financiar o setor privado.

2. Recuperar atividade programada e listas de espera

O SNS é para todas e todos, seja na prevenção e tratamento da doença seja na promoção da saúde e reabilitação. Passada a emergência provocada pela presente pandemia, para que ninguém fique para trás, é necessário recuperar toda a atividade adiada, assim como as intervenções que já antes se encontravam em espera, dando especial atenção aos doentes crónicos. E é necessário preparar o SNS para outras situações inesperadas que venham a acontecer.

  • Definição de uma rede dedicada à COVID-19, com serviços de saúde dedicadas a doentes COVID e criação de circuitos separados para doentes suspeitos e não suspeitos nas consultas, blocos operatórios e exames complementares, com agendamento em blocos de tempo definidos e suficientes, evitando a acumulação nas salas de espera.
  • Ampliação dos horários de funcionamento dos serviços para melhor aproveitamento das infraestruturas e equipamentos, sempre no respeito pela organização do tempo de trabalho dos profissionais.
  • Estabelecimento de programas específicos com as unidades do SNS para recuperação de atividade e levantamento de necessidade a nível loco-regional que se traduzam em aumento do contratualizado com essas unidades e consequente financiamento.

3. Reforçar o dispositivo de Saúde Pública

A Saúde Pública não é uma despesa. Como ficou bem provado, é um investimento. O depauperamento da Saúde Pública observado nas últimas décadas - que colocou Portugal entre os quatro países da OMS Europa que reduziram o investimento nesta área desde o início do milénio - tem que ser rapidamente revertido.

  • Avançar com uma Reforma e decorrente Lei da Saúde Pública.
  • Assegurar o reforço de recursos humanos dos serviços de Saúde Pública permitindo que toda a atividade seja retomada ao mesmo tempo que se mantêm as estratégias essenciais de contenção de novos casos de infeção (vigilância epidemiológica, rastreio de contactos, isolamento profilático).
  • Aprofundar a natureza multidisciplinar das suas equipas com a inclusão de assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, epidemiologistas, entre outros, e as vagas para formação de profissionais em saúde pública.

4. Cuidados de Saúde Primários: mais proximidade e acesso

São recorrentes as referências na imprensa internacional ao facto de uma das chaves para o controlo da epidemia em Portugal ter sido o envolvimento, desde a primeira hora, dos Cuidados de Saúde Primários (CSP). Ficou clara a necessidade de centrar o SNS numa robusta rede de Cuidados de Saúde Primários mais próximos e acessíveis, através de:

  • Autonomia gestionária aos Cuidados de Saúde Primários para poderem desenvolver melhores e mais acessíveis práticas assistenciais.
  • Criação de serviços públicos de meios complementares de diagnóstico e terapêutica de proximidade, propiciando melhor acesso, prontidão e eficiência. Nalguns casos, o recurso ao laboratório do hospital público de proximidade poderá processar as análises, noutros casos poderá existir imagiologia básica no Centro de Saúde apoiada pelo hospital.
  • Criação e reforço de redes de cooperação entre Saúde, Poder Local, Segurança Social, “Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas” e “Lares Residenciais”, por forma a garantirem-se cuidados adequados aos mais vulneráveis e viabilizando a construção de efetivos Planos Regionais/Locais de Saúde.

5.  Autonomia aos hospitais e reforçar os cuidados intensivos

Nos últimos anos, o SNS perdeu camas de internamento para o setor privado. disponibilizando um número de camas de cuidados intensivos significativamente abaixo da média europeia. Percebe-se agora o quão perigoso isto pode ser e a necessidade de:

  • Reforçar o número de camas e equipamentos e aumentar a formação de profissionais e o treino específico para cuidados intensivos, com o objetivo de atingir a média europeia de número de camas por cada 100.000 habitantes;
  • Manter a autonomia para aquisição de equipamentos, contratação de profissionais e reorganização interna estabelecida durante a pandemia. A autonomia dos hospitais não pode existir apenas em momentos de exceção. Deve ser a regra.

6. Não há cuidados de saúde sem profissionais

A importância dos trabalhadores da área da saúde foi exemplarmente demonstrada. Um SNS moderno e fortalecido precisa não só de reter os melhores como ser um espaço de formação adequado e seguro. Para tal, é fundamental

  • Rever as carreiras de todos os trabalhadores da saúde, em particular as impostas unilateralmente pela tutela, sem a concordância das respetivas estruturas sindicais. Não esquecemos que há profissões sem carreira específica, como é o caso dos técnicos auxiliares de saúde.
  • Criar um estatuto de risco e penosidade para os profissionais de saúde.
  • A exclusividade de funções no SNS deve ser uma opção para todos os profissionais, com o devido enquadramento e valorização remuneratória (aumento de 40% para quem está em exclusividade e com horário integral).

7. Reforço imediato da Saúde Mental no SNS

Não há saúde sem saúde mental. Esta verdade tem sido quase ignorada ao longo dos anos, mas não pode continuar a sê-lo. A saúde mental tem de ser uma prioridade principalmente depois de uma epidemia onde o distanciamento físico, a incerteza, a angústia e os determinantes socioeconómicos levaram ao agravamento de situações previamente existentes e ao aparecimento de novas situações que necessitam de ajuda e intervenção. Afigura-se como prioritário

  • Implementar de imediato as medidas previstas no OE2020, por proposta do Bloco, nomeadamente os programas de prevenção e tratamento de ansiedade e depressão, as equipas comunitárias e a dispensa gratuita de antipsicóticos.
  • Manter as linhas telefónicas de apoio, locais e nacionais, com fluxogramas de resposta articulados com os Cuidados de Saúde Primários e os Serviços Locais de Saúde Mental e utilização de novas ferramentas de trabalho, nomeadamente as disponibilizadas pela telessaúde.
  • Garantir a proximidade e a continuidade de cuidados às populações com o aumento dos recursos humanos nas diferentes áreas profissionais (médicos, psicólogos, enfermeiros especialistas, técnicos superiores de serviço social, terapeutas ocupacionais, técnicos de psicomotricidade) e desenvolver estratégias concertadas de resposta nos diferentes níveis de cuidados.

8. Articulação do SNS com a Academia e com a Investigação

A resposta à pandemia mobilizou profissionais e serviços de primeira linha, mas também o dispositivo académico e científico do país. Em escassos dias, universidades e centros de investigação orientaram os seus recursos para a análise epidemiológica e elaboração de cenários, bem como para a realização de testes de diagnóstico ou sequenciação de material genético. Foram usados recursos próprios para produzir equipamentos de proteção individual e consumíveis. Foi disponibilizada informação que, além de chegar à população, ajudou autoridades de vários níveis na tomada de decisão e contribuiu para reforçar mecanismos de cooperação com os PALOP.

  • A articulação com a academia e a investigação provou ser uma aposta ganhadora, a ser reforçada e ampliada. É opção estratégica de fundo para o desenvolvimento do SNS e do sistema de saúde, com vantagens para a população, a economia e a ciência.
  • Criar parcerias, financiadas e desburocratizadas, entre o SNS, os laboratórios públicos e as universidades, para desenvolvimento de investigação na área da saúde.

9. Produção pública de medicamentos e produtos de saúde

A relevância de um Laboratório Militar, que produz a medicação que não interessa à indústria por não garantir lucro e que garante autonomia na produção de equipamento e material básico, tornou-se um facto evidente. Sempre defendemos a sua relevância para a saúde da população e para o SNS, apesar dos ataques que sofreu. Propomos

  • Transformar o Laboratório Militar num verdadeiro Laboratório Nacional do Medicamento, com reforço de competências e financiamento.
  • Produzir em Portugal bens e equipamentos essenciais ao dia a dia do SNS, desde equipamentos de proteção individual a outros produtos e materiais. O país não pode depender do exterior e dos mercados em matérias tão essenciais.
  • Internalizar no SNS a realização de análises laboratoriais e exames de imagem, entre outros procedimentos, de forma a aumentar a autonomia nacional e garantir poupanças a médio prazo.

10. Dispositivos tecnológicos e remotos para o SNS

A utilização das teleconsultas revelou-se uma “ferramenta” virtuosa ao propiciar respostas com prontidão e melhorar o acesso, sem impor aos cidadãos a deslocação e espera nas unidades de saúde. Esta aprendizagem de cidadãos e profissionais deverá estimular a continuidade desta prática. sendo fundamental:

  • Dotar as unidades de saúde com recursos tecnológicos que possibilitem as consultas por videoconferência como prática regular.
  • Redesenhar o sistema de informação em saúde, por forma a que cada cidadão tenha um processo clínico único, acessível em todas as unidades de saúde do SNS, com garantia de confidencialidade dos dados pessoais (a usar exclusivamente para efeitos clínicos e, se anonimizados, de investigação científica). A atual multiplicidade de aplicações, desgarradas, deve ser substituída por uma lógica de interoperabilidade que viabilize o acesso rápido e integral a toda a informação necessária, eliminando ao mesmo tempo redundâncias e atos burocráticos consumidores de tempo, energia e recursos, absolutamente desnecessários.
  • Apostar na Linha SNS24, assegurando a sua gratuitidade e gestão pública, a contratação definitiva de todos os profissionais contratados temporariamente e a criação de vínculos laborais destes profissionais com o SNS, assim como a aferição e revisão regular dos algoritmos utilizados, aumentando a eficácia da sua resposta.
Ver original aqui
 
 

Especialistas europeus de saúde subestimaram o coronavírus

China A União faz a força_Mário Cruz Agência L

Especialistas encarregados de aconselharem a União Europeia sobre questões de saúde subestimaram o risco do coronavírus durante uma reunião em 18 de fevereiro, pouco antes da pandemia emergir no continente, noticiou o jornal El País nesta terça-feira (19).

O jornal espanhol afirma ter acessado as atas de uma reunião do conselho consultivo do Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças (ECDC), com sede na Suécia, onde os participantes julgaram que o risco do vírus para a população era “baixo” e “baixo a moderado” para os sistemas de saúde.

A Europa havia detectado cerca de quarenta casos de coronavírus na época, a maioria importada por viajantes da Ásia. Mas três dias depois, um surto foi detectado na região da Lombardia, no norte da Itália, um país que agora ultrapassa 32.000 mortes por essa doença.

O representante espanhol no encontro, Dr. Fernando Simón, explicou nesta terça-feira que a pauta da reunião foi modificada para se concentrar apenas no coronavírus e garantiu que “em nenhum momento o risco foi subestimado, e que se falou sobre a ameaça existente naquele momento“.

Além disso, “o que foi avaliado não foi qual era o risco, que já sabíamos (…), mas quais seriam as medidas, não aquelas que gostaríamos de aplicar, mas aquelas que poderíamos usar“, afirmou o diretor de emergências sanitárias espanhol, encarregado de monitorar a crise em seu país.

Alguns países se destacaram por sua prudência durante essa reunião de dois dias. A Irlanda, com 1.547 mortes registradas na pandemia, anunciou que “declarou uma emergência de saúde e estocou” equipamentos de proteção individual para o pessoal de saúde, ao contrário de outros países que reconheceram encontrar problemas no mercado internacional.

A falta desses materiais foi especialmente aguda nos países mais afetados pela doença, como a Espanha, que tem mais de 27.000 mortes e mais de 51.000 profissionais médicos infectados.

A Alemanha anunciou na reunião que “distribuiu protocolos de testes de PCR para mais de 20 hospitais” e “realizou mais de 1.000 testes”. O país aplicou uma política sistemática de testes e até agora conseguiu conter o número de mortes por COVID-19 em 8.000.

O vírus foi subestimado“, disse Daniel López Acuña, ex-diretor da Organização Mundial da Saúde, ao El País.

Joan Ramón Villalbí, da Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária, indicou na mesma reportagem que as epidemias anteriores de coronavírus “SARS e MERS não apontaram em caso algum uma disseminação” como a do novo vírus.

O ECDC é responsável, entre outras coisas, por garantir “a detecção e análise precoces das ameaças emergentes na UE” e “ajudar os países do bloco a se prepararem para epidemias“.

Sublinhados meus

AQUI

 

Via: O CASTENDO https://bit.ly/2Zp7LFW

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/21/especialistas-europeus-de-saude-subestimaram-o-coronavirus/

O crime da cloroquina

O protocolo baixado pelo Ministério da Saúde sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes infectados por coronavírus, em qualquer estágio da doença, é um crime contra a saúde e a vida da população. Pessoas sofrerão efeitos colaterais, pessoas irão morrer por caírem no conto do curandeiro Jair Bolsonaro.

 

 

A impunidade para este e outros crime cometidos pelo governo federal no enfrentamento da pandemia de Covid19 já fora providenciada através da MP 966, aquela que exime previamente de responsabilidade os agentes públicos por decisões tomadas na pandemia, exceto em duas situações: quando se comprovar que houve dolo (intenção criminosa) ou quando forem cometidos erros grosseiros. Mas o que seria um erro grosseiro a MP não definiu, e com isso dificilmente alguém poderia ser punido por cometê-lo.

Hoje, porém, o plenário do STF julgará seis ações arguindo a inconstitucionalidade da MP. Pela relevância e urgência de barrar medida tão escandalosamente destinada a proteger o presidente e seus “agentes públicos” pelo que estão fazendo e deixando de fazer nesta hora de infortúnio para o povo brasileiro, o STF alterou a pauta do dia para nela incluir a decisão. O relator, ministro Roberto Barroso, evitou uma decisão monocrática e pediu a apreciação do plenário, o que foi bom. A decisão será da corte, não de um ministro, como já havia proposto o ministro Marco Aurélio para julgamentos envolvendo os outros poderes. Em seu parecer, que vai a voto, Barroso está propondo mudanças que, no futuro, poderão fazer com que Bolsonaro e o ministro que não é ministro, general Eduardo Pazuello, respondam pelo crime da cloroquina.

Barroso quer fazer constar da lei em que for convertida a MP que “a autoridade a quem compete decidir deve exigir que as opiniões técnicas em que baseará sua decisão tratem expressamente as normas e critérios científicos e técnicos aplicáveis à matéria, tais como estabelecidos por entidades médicas e sanitárias nacional e internacionalmente reconhecidas, e da observação dos princípios constitucionais da precaução e da prevenção sob pena de se tornarem corresponsáveis por eventuais violações a direitos.” Isso é o oposto do que embasa a decisão sobre a cloroquina.

Barroso tratou também de definir o que pode ser considerado “erro grosseiro”: “Configura erro grosseiro o ato administrativo que ensejar violação ao direito à vida, à saúde ou ao meio ambiente equilibrado por inobservância: i) de normas e critérios científicos e técnicos; ii) dos princípios constitucionais da precaução e da prevenção”. E isso abre a porta para a punição dos responsáveis pelo crime da cloroquina.

As pessoas já estão se “drogando” com cloroquina e hidroxicloroquina Brasil afora. Bolsonaristas, em São Paulo, fazem “corrente do bem”, distribuindo o remédio para uso preventivo ou combativo dos sintomas. O deputado estadual do PSL do Rio, Gil Vianna, que morreu na terça-feira, teria feito uso do remédio. Em Recife, há distribuição nas favelas. Isso vai ter consequências. E mesmo nos hospitais, embora a maioria dos médicos não deva submeter-se à norma do ministério, observando a responsabilidade pessoal pelo ato médico, haverá casos em que o uso das substâncias produzirá efeitos colaterais, talvez mortes.

A MP 966, com sua anistia prévia, abre também as portas para a corrupção. Compras e contratos milionários estão sendo realizados com dispensa de licitação, graças ao estatuto do estado de calamidade pública. O presidente do TCU, José Mucio Monteiro, já disse que ela abre brechas para os mal intencionados. Outras autoridades ligadas à vigilância das contas públicas já fizeram a mesma advertência.

Mas ficando só no crime contra a saúde e a vida representado pela medida tomada ontem – que pode ser no máximo uma norma, pois protocolo é algo muito mais complexo – Bolsonaro agora está satisfeito. Como disse o ministro do STJ Rogerio Schietti, “em nenhum país, pelo que se sabe, ministros da saúde são demitidos por não se ajustarem à opinião pessoal do governante máximo da Nação, e por não aceitarem, portanto, ser dirigidos por crenças e palpites que confrontam o que a generalidade dos demais países vem fazendo, na tentativa de conter o avanço dessa avassaladora pandemia”. Bolsonaro abateu Mandetta e Teich até colocar na Saúde um general, especialista em logística, que fez o que ele queria.

Mas o quê move Bolsonaro? Estes dias uma amiga escreveu-me dizendo assim: “Tereza, se Bolsonaro não liga para salvar vidas, como todos sabemos, porque ele se importa tanto com a cloroquina? De onde ele tira a crença nesse remédio”?

Bolsonaro, como Trump, sabe que a cloroquina e a hidroxicloroquina não são o elixir milagroso contra o vírus. Duvido que Trump esteja mesmo tomando o remédio preventivamente. Em comum, eles têm um motivo, que é o lobby. Trump é acionista de um fundo que é sócio de uma grande fabricante da droga. Bolsonaro agrada Trump, mas também ao empresário bolsonarista Ricardo Spallicci, dono da Apsen, uma das fabricantes da hidroxicloroquina no Brasil. Ela fabrica o Reuquinol, usado para lúpus e doenças reumáticas, e ampliou sua produção. A EMS, multinacional com filial no Brasil, é outra fabricante.

E ainda tem o estoque de um milhão de comprimidos fabricados pelo Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército (LQFEx) a mando de Bolsonaro, que não podem ficar encalhados. No primeiro semestre do ano passado, foram vendidos 3,4 milhões de comprimidos das duas drogas. Agora, incluindo o estoque do exército, mais de 11 milhões de drágeas estão disponíveis no Brasil.

Mas a razão principal da obsessão de Bolsonaro por cloroquina e hidroxicloroquina é criminosamente política. Bolsonaro fez da briga pelo uso das duas drogas um escudo para sua defesa do fim do isolamento social. Na medida em que as pessoas são convencidas de que existe remédio para Covid19 – e tanto existe, dirá o senso comum que o ministério da Saúde até regulamentou seu uso – as pessoas vão relaxar. Principalmente os pobres, que não podem mais ficar em casa sem ganhar o que ganhavam, geralmente com bicos, biscates, diárias, vendas ambulantes. Estas pessoas agora têm mais uma razão para ir à luta. Se pegarem o vírus, tomarão cloroquina. Grande campo de cobaias será o Brasil.

É tão ideológica a crença de Bolsonaro na cloroquina e na hidroxicloroquina que ele se permitiu fazer aquela piada infame: “quem for de direita toma cloroquina, quem for de esquerda toma tubaína”. Como eu já disse, a tubaína não entrou aí por ser um refrigerante de pobre, ou de comedor de mortadela, como se diz em referência à esquerda, mas porque remete ao tubo, ao entubamento dos que enfrentam problemas pulmonares com a Covid. Quem tiver juízo, ouvi alguém dizer, escute a medicina.

Em outra ponta, o governo asfixia financeiramente os pobres com a lerdeza na aprovação de pedidos de auxílio emergencial. Pelo menos 13 milhões de pessoas continuam com seus pedidos “em análise”. E uma secretária do Ministério da Saúde ainda teve a coragem de dizer que o tal protocolo foi feito para proteger os mais pobres, para garantir-lhes o direito ao tratamento com tais remédios. Se a preocupação do governo com os pobres fosse tão forte, Paulo Guedes não falaria em reduzir o auxílio emergencial para R$ 200,00.

Este crime contra a vida e a saúde não poderá ficar impune. Por isso é importante que hoje o plenário do STF aprove o voto de Barroso. Se possível, que abra mais a porta para a responsabilização dos responsáveis por outras ações e omissões que estão levando à perda de tantas vidas.


Texto original em português do Brasil



 

 

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

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OMS promete investigação independente sobre resposta à pandemia

 
 
A73.ª Assembleia Mundial da Saúde, que termina esta terça-feira, é um passo à frente no sentido de propor uma avaliação independente e transparente sobre o que correu mal no combate à pandemia do novo coronavírus.

 

 
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, garante que será investigada a resposta à pandemia de todos os atores  incluído a da própria OMS. "No momento oportuno, iremos iniciar uma avaliação independente para rever a experiência adquirida e as lições que aprendemos ao longo da crise. Depois, faremos recomendações no sentido de melhorar a preparação e a resposta nacional e mundial a uma pandemia. Mas uma coisa é certa: O mundo nunca mais vai ser o mesmo", frisou.

 


A assembleia geral da OMS decorre sob críticas do Presidente dos Estados Unidos de América. Donald Trump acusa a OMS de ser uma marioneta da China: "Nos últimos tempos prestaram um mau serviço. Os Estados Unidos dão à OMS 450 milhões de dólares por ano. A China dá 38 milhões de dólares por ano. Mas eles continuam atrás da China. Ou seja, a OMS é uma marioneta da China".

 


Interrogado sobre o futuro da contribuição financeira dos Estados Unidos para a OMS, Trump prometeu tomar uma decisão para breve. 

 


500 mil milhões de euros para fundo de recuperação europeu

 


Sem nenhuma referência direta ao Presidente norte-americano, a chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou o seu apoio aos esforços desenvolvidos pela OMS para combater a pandemia de Covid-19, realçando que os países devem "trabalhar para melhorar os procedimentos” naquele organismo internacional e também devem garantir a sustentabilidade do respetivo financiamento.

 

 
E para ajudar as economias mais afetadas pela pandemia, a Alemanha e França propuseram um valor de 500 mil milhões de euros para criação de um fundo europeu de recuperação económica. Numa declaração conjunta, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Emannuel Macron, indicaram que o fundo proposto será entregue a fundo perdido às economias mais afetadas.

 


Sobre a forma como a OMS gere a pandemia da Covid-19, Macron pediu uma resposta conjunta contra a doença: "Temos de examinar com a lucidez e com muito rigor, o que funcionou e o que não funcionou na gestão internacional da crise. Temos aqui uma oportunidade de dar uma resposta unida à pandemia, sem complacências e sem acusações infundadas."

 


O preço da falta de unidade

 


"A União Africana fez um apelo para que os países em desenvolvimento sejam ajudados nos seus esforços para combater a pandemia e para reconstruir as suas economias", disse Cyril Ramaphosa, Presidente da África do Sul, falando em nome do continente africano.

 


"Esta assistência deve incluir a redução da dívida, bem como a assistência em matéria de diagnóstico e de material médico terapêutico", precisou o chefe de Estado.

 


O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que o mundo está a pagar o preço da falta de unidade na resposta à pandemia de Covid-19 por causa dos países que ignoraram as recomendações da OMS. A 73.ª Assembleia Mundial da Saúde termina esta terça-feira (19.05) e decorre através de videoconferência.

 

 
Deutsche Welle | bd, com agências

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/oms-promete-investigacao-independente.html

Veterano que angariou milhões para o NHS vai ser nomeado cavaleiro pela Rainha Isabel

O veterano inglês Tom Moore tornou-se um verdadeiro herói nacional

O veterano britânico vai ser nomeado cavaleiro pela Rainha Isabel II, depois dos seus esforços para angariar dinheiro para o serviço nacional de saúde (NHS) para ajudar no combate à pandemia de covid-19.

 

Tom Moore, veterano da II Guerra Mundial, tornou-se um verdadeiro herói nacional quando, no mês de abril, conseguiu angariar 33 milhões de libras, cerca de 37 milhões de euros, para o serviço nacional de saúde britânico (NHS), ao dar 100 voltas no jardim de sua casa, em Bedfordshire.

O ex-combatente da II Guerra Mundial, que completou recentemente 100 anos de vida, vai agora ser nomeado cavaleiro pela Rainha Isabel II, noticia a BBC, depois de uma indicação especial do primeiro-ministro.

Em comunicado, Boris Johnson afirmou que o centenário, que tinha como objetivo inicial angariar mil libras, “quebrou recordes e inspirou todo o país”, tendo sido “um farol de luz através da névoa do coronavírus”.

“Em nome de todos os que se emocionaram com a sua incrível história, quero muito agradecer-lhe. Tom é um verdadeiro tesouro nacional“, disse ainda Johnson, citado pela emissora britânica.

De acordo com o Diário de Notícias, as doações do povo britânico chegaram aos 33 milhões de libras no dia em que o veterano comemorou 100 anos, tendo recebido algumas honras, como o voo de dois aviões da Royal Air Force e a chegada de 140 mil cartões de aniversário vindos de todo o mundo.

Entretanto, Moore viu o seu nome ser dado a um comboio de alta velocidade, o serviço postal britânico criou um selo especial em sua homenagem e foi nomeado membro honorário da seleção de críquete inglesa.

O veterano era engenheiro civil antes de se ter alistado no Exército britânico durante a II Guerra. Esteve na Índia, no Myanmar e na Indonésia, tendo chegado ao posto de Capitão.

ZAP //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/veterano-nomeado-cavaleiro-rainha-325534

França | SERÁ QUE A PANDEMIA DE COVID-19 PORÁ UM FIM A TRÊS DÉCADAS DE AUSTERIDADE HOSPITALAR? – por IVAN DU ROY e RACHEL KNAEBEL

 

 

 

La pandémie de Covid-19 va-t-elle mettre fin à trois décennies d’austérité imposée à l’hôpital?, por Ivan du Roy e Rachel Knaebel

Bastamag.net, 13 de Março de 2020

Selecção e interpretação de Júlio Marques Mota

 

O governo Macron não é o único responsável pela situação de abandono do hospital público. Trinta anos de políticas de redução de custos puseram-no de joelhos, apesar dos avisos dos profissionais de saúde.

“O que esta pandemia revela é que há bens e serviços que devem ser colocados fora das leis do mercado”, disse Emmanuel Macron no seu discurso televisivo de 12 de Março. “A saúde não tem preço. O governo mobilizará todos os meios financeiros necessários para prestar assistência, para cuidar dos doentes, para salvar vidas, custe o que custar”, acrescentou ele. Se estes anúncios se materializarem e ultrapassarem a fase da comunicação típica do Eliseu, romperão com três décadas de lento desmantelamento do hospital público.

No entanto, foi preciso uma pandemia que ameaçava fazer implodir o hospital público. No entanto, no último ano, os serviços de emergência têm estado em greve, tomando medidas e “SOS” para denunciar os efeitos devastadores dos cortes orçamentais e do encerramento de camas. Após meses de movimento sem precedentes, o governo já havia prometido algumas medidas que eram consideradas mínimas pelos profissionais de saúde. Brigitte Macron, esposa do presidente, chegou mesmo a pedir ajuda para os hospitais através de uma operação de caridade “moedas amarelas”, que dirigiu e que terminou em 15 de Fevereiro [1]. Uma lógica caritativa muito distante das declarações presidenciais um mês depois.

Isso sem contar com o Covid-19, que coloca os hospitais já ocupados a combater o fim da gripe sazonal, na linha da frente face a esta nova pandemia. O vírus, que apareceu em dezembro em Wuhan, China, e foi detetado na França em 24 de janeiro, continuou a  sua progressão exponencial, contaminando cada vez mais pessoas. Embora a sua letalidade pareça permanecer baixa, as pessoas que desenvolvem formas graves da doença requerem cuidados intensivos durante uma a duas semanas para se recuperarem. Como resultado, cada vez mais camas são ocupadas a longo prazo, mesmo quando a epidemia leva cada vez mais  pessoas diariamente para a sala de emergência.

Seis semanas após o surto do vírus em França, o pessoal de terapia intensiva de vários hospitais, particularmente na região de Oise, um dos centros de contaminação, diz já estar sobrecarregado. O que acontecerá se houver escassez de locais de reanimação diante de um afluxo de pessoas gravemente afetadas? Na Itália, alguns hospitais foram forçados a separar os doentes em situação de catástrofe, o que levanta sérias questões éticas: quem salvar e quem deixar morrer? [2]

“É, portanto, nosso dever continuar, apesar da epidemia de coronavírus, a fazer soar o alarme sobre a situação catastrófica em que se encontra uma série de serviços hospitalares. Por trás desta observação, são os cuidadores  que se dedicam totalmente à sua tarefa, que mais uma vez vão compensar as deficiências do sistema para proteger a população diante desta nova ameaça”, alertaram em 28 de fevereiro [3] Justin Breysse e Hugo Huon, dois porta-vozes do Colectivo inter-urgências, que conduz a mobilização dos cuidadores de saúde hospitalares  desde o ano passado. Pela primeira vez em um ano eles terão sido ouvidos?

Reverter a tendência e fortalecer os recursos do hospital público é de facto uma “ruptura”. Pois a sua “situação catastrófica” não surge do nada. Se a ex-ministra da Saúde Agnès Buzyn nada fez para remediar rapidamente, várias de suas antecessoras também são responsáveis por esse abandono. Três décadas de políticas orçamentais  têm-se concentrado na redução dos gastos com a saúde pública.

Começamos por quantificar a atividade do hospital…

Tudo começou em 1983, com a viragem do “rigor” tomado pelo governo socialista. Um alto-funcionário  público, Jean de Kervasdoué, criou um “programa para a medicalização dos sistemas de informação”. O objetivo era quantificar e padronizar a atividade e os recursos dos estabelecimentos de saúde. Oficialmente, o objetivo era reduzir as desigualdades entre os hospitais. Era também uma questão de controlar melhor as despesas [4].  O Ministério da Saúde desenvolve progressivamente um sistema de informação que classifica as estadias hospitalares em grandes categorias  e permite estabelecer o custo médio. “No início dos anos 2000, o Ministério pôde conhecer a “produção” de cada hospital, bem como o seu custo”, relatam os sociólogos Pierre-André Juven, Frédéric Pierru e Fanny Vincent no  seu livro La casse du siècle, publicado no ano passado [5].

Depois são estabelecidas “metas de despesas de saúde” que não devem ser excedidas, quaisquer que sejam as necessidades.

Alain Juppé foi então Primeiro-Ministro durante o primeiro mandato de Chirac. Ele promulgou por decreto, sem voto dos parlamentares, o Objectif national des dépenses d’assurance maladie (Ondam). Este é um limite de gastos com saúde que não deve ser excedido, quaisquer que sejam as necessidades da população. Todos os anos, este limite máximo é definido na Lei de Financiamento da Segurança Social. “Os objetivos claramente enunciados pelos poderes públicos eram reduzir o stock hospitalar francês em 100.000 camas, ou seja, quase um terço da sua capacidade”, explica o Instituto de Investigação e Documentação em Economia da Saúde [6].

Estas decisões levaram rapidamente ao encerramento dos estabelecimentos mais pequenos. Mais de 60.000 lugares hospitalares a tempo inteiro (definidos como o número de camas) desaparecerão entre 2003 e 2016, dos quais quase metade será em medicina e cirurgia [7]. Os governos têm-se sucedido  no poder, mas este limite de gastos está a tornar-se cada vez mais coercivo. No entanto, a população está a crescer, assim como a proporção de pessoas mais velhas e, portanto, mais frágeis, e o uso de serviços de emergência está a aumentar [8].

Determina -se a tarificação por ato médico e leva-se os hospitais a endividarem-se …

“Modernizar a gestão, promover o investimento, motivar cada ator no setor. “Foi assim que o Ministro da Saúde Jean-François Mattéi – sob o segundo mandato de Chirac – apresentou o seu “plano hospitalar 2007” [9]. Este projeto também foi adotado por despacho, ou seja, sem  debate democrático. Introduz a controversa tarificação por ato médico (T2A) na medicina, obstetrícia e cirurgia em hospitais públicos.

Sob este novo método de financiamento, as instituições recebem um orçamento baseado no número de atos médicos  nelas realizados. Cada ato  tem uma tabela de tarifa específica. Quanto mais procedimentos forem realizados, mais o orçamento aumenta. Este novo método de cálculo favorece assim os atos   técnicos e quantificáveis. Encoraja as pessoas a abandonar o trabalho de monitorização, apoio e trocas de opinião  com o paciente,  sempre  que isso não é quantificado e monetizado pelas folhas de cálculo dos gestores. Os hospitais estão assim sujeitos a mais pressão e a uma lógica de rentabilidade. “O sistema de preços implementado desde 2004 tem sido utilizado pelo Estado para forçar os hospitais a reduzir os seus custos de produção”, escrevem os autores de Le Casse du siècle.

Outra parte do plano hospitalar de 2007 é empurrar os hospitais para modernizarem e construírem novos edifícios. Na aparência, isto é uma coisa boa. Só que esta modernização é financiada em grande parte através de empréstimos nos mercados financeiros. A mesma política continua com o plano hospitalar de 2012, que foi lançado três anos antes, quando a crise financeira eclodiu.

Como resultado, os hospitais, como muitas autoridades locais, encontram-se presos por empréstimos tóxicos, em particular os concedidos pelo banco Dexia. As taxas destes empréstimos foram indexadas às taxas de moedas como o franco suíço, taxas que dispararam com a crise. A dívida tornou-se quase tão incontrolável como uma pandemia: entre 2002 e 2012, a dívida dos estabelecimentos de saúde pública triplicará [10].

Uma lei consagra os gestores-diretores contra os médicos

Em 2009, a Ministra da Saúde Roselyne Bachelot – desta vez sob a presidência de Sarkozy – aprovou a lei “Hospital, Pacientes, Saúde e Território”. Esta lei retira aos  médicos  uma grande parte do seu poder. A comissão médica do estabelecimento, composta por médicos, torna-se subordinada ao chefe do estabelecimento, que desempenha o papel de gestor. O poder é transferido na sua totalidade para os diretores. No entanto, esses diretores muitas vezes  já não são  médicos, vindos do trabalho directo, e não têm formação médica. São funcionários públicos superiores que passaram pela École des hautes études en santé publique, uma espécie de ENA dedicada à gestão financeira de hospitais.

Uma nova lei impõe reagrupamentos

Sob a presidência de François Hollande, Marisol Tourraine, por sua vez, aprovou uma lei para reorganizar o hospital. Esta “Lei de Modernização da Saúde” foi aprovada em 2016. Uma dessas medidas centrais é a criação de “agrupamentos  hospitalares de território”. Todos os hospitais são obrigados a aderirem. Estes agrupamentos destinam-se a incentivar as fusões entre hospitais, o que, em última análise, permitirá reduzir o número de estabelecimentos e continuar a reduzir o número de camas.

Sabe-se desde a crise da dívida que a austeridade é prejudicial aos cuidados de saúde.

“Se os italianos não têm capacidade para tratar é porque praticam a austeridade nos serviços públicos e hospitais há dez anos”. E nós na França não estamos longe disso”, advertiu o economista Thomas Porcher há alguns dias em  Regards, antes de a pandemia ser oficialmente reconhecida [11]. No início de 2010, países do sul da Europa, como Espanha, Grécia e Portugal, enfrentaram  uma crise da dívida pública e cortes na despesa pública impostos pela União Europeia. Os seus sistemas de saúde e, portanto, a saúde dos seus cidadãos, estão a sofrer as consequências dessa austeridade. Em Espanha, o governo adotou  em 2012 um plano para reduzir os gastos com a saúde em sete mil milhões de euros em dois anos (Bastamag falou sobre isso em 2015). O país está a fechar ou a privatizar dezenas de hospitais e centros de saúde. Quase 20.000 postos de enfermagem estão a ser suprimidos.

Em Portugal, o acordo alcançado em 2011 entre Lisboa e a Troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu) previa um corte de mais de 600 milhões de euros na saúde. Na Grécia, milhares de camas de hospital também estão a ser eliminadas. Estão a aparecer experiências em hospitais autogeridos para compensar a escassez e garantir o acesso a todos aos cuidados de saúde.

“O que esta pandemia já está a revelar  é que os cuidados de saúde gratuitos, independentemente de rendimento, de percursos pessoais ou profissão, e o nosso estado de bem-estar não são custos ou encargos, mas bens preciosos, bens indispensáveis quando o destino nos atinge”,  é uma verdade que Macron  parece   estar a entender. Até mesmo os proponentes alemães do orçamento do déficit zero, incluindo a chanceler Angela Merkel, acreditam que essa “regra de ouro” deixou de ser  válida na situação atual. Será que a Covid-19 vai forçar os governos a admitir os seus erros dramáticos?

 

Fonte: Rachel Knaebel et Ivan du Roy, La pandémie de Covid-19 va-t-elle mettre fin à trois décennies d’austérité imposée à l’hôpital?, 13 de  MARÇO  2020. Texto disponível em: https://www.bastamag.net/Coronavirus-Covid19-austerite-hopital-reduction-depenses-publiques-historique-lois-soins-sante

 

Notas

[1“Avec la fondation, on va se battre avec eux” : Brigitte Macron lance l’opération Pièces jaunes “pour aider l’hôpital”. (veja-se aqui)

[2] Ler cet article en français da lrevista The Conversation.

[3] Ver o communiqué.

[4] Ver L’hôpital sous pression. Enquête sur le « nouveau management public », Nicolas Belogrey, La Découverte, 2010, p 13.

[5La Casse du Siècle. À propos des réformes de l’hôpital public, Raison d’agir, 2019, p 87.

[6] « Les réformes hospitalières en France. Aspects historiques et réglementaires ». Synthèse documentaire, septembre 2017, Centre de documentation de l’Irdes, Marie-Odile Safon.

[7] Ver les chiffres de la Drees (direction de la recherche, des études, de l’évaluation et des statistiques), « Les établissements de santé – édition 2018 », ici.

[8] Ver L’hôpital sous pression, p 13.

[9] Ver ici.

[10] Ver le rapport.

[11] Ver a entrevista ici.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/05/20/crise-do-covid-19-e-a-incapacidade-das-sociedades-neoliberais-em-lhe-darem-resposta-xliv-sera-que-a-pandemia-de-covid-19-pora-um-fim-a-tres-decadas-de-austeridade-hospitalar-por/

SNS: um papel insubstituível

Os grupos económicos que se dedicam ao negócio da doença procuram agora posicionar-se para ficar com a recuperação de milhares de cirurgias, exames de diagnóstico e tratamentos, com dinheiros públicos

O primeiro-ministro, António Costa (C), ladeado por membros do Governo, intervém durante o debate quinzenal, na Assembleia da República, em Lisboa, 20 de maio de 2020. ANTÓNIO COTRIM/LUSACréditosAntónio Cotrim / LUSA

O Novo Banco (NB) foi um tema transversal a diversos grupos parlamentares no debate quinzenal desta quarta-feira, na Assembleia da República, nomeadamente o PAN, que abriu o debate, e o PSD, que falou apenas desse tema. Rui Rio, referindo o NB, falou do «maior crime de colarinho branco», omitindo a enorme responsabilidade do seu partido e do governo PSD/CDS-PP na resolução do banco, que o PS acabaria por vender ao desbarato.

O BE também não fugiu ao tema. Catarina Martins centrou a sua intervenção na questão do NB e nas chamadas «falhas de comunicação» entre o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, abordando ainda a necessidade de apoio aos trabalhadores precários, nomeadamente na área da cultura.

Por seu lado, o PCP, para além da questão relativa à saúde e segurança no trabalho, manifestou preocupação com a situação que está criada a milhares de micro, pequenas e médias empresas, considerando que as medidas de apoio do Governo a este sector «estão cheias de alçapões por onde se esvaem e desaparecem as medidas que se anunciam», transformando-se em «autênticas cláusulas travão», que nuns casos as anulam e noutros lhes retiram eficácia.

Jerónimo de Sousa, tal como já havia feito o grupo parlamentar do PS, sublinhou o papel insubstituível do Serviço Nacional de Saúde e a necessidade do seu reforço, manifestou preocupação face ao que considerou ser uma grande operação desencadeada pelos grupos económicos que se dedicam ao negócio da doença e que, a propósito dos atrasos verificados no tratamento de outras patologias, procuram agora «posicionar-se para ficar com a recuperação de milhares de cirurgias, exames de diagnóstico e tratamentos», a custa dos dinheiros públicos.

Entretanto, António Costa anunciou reuniões com os partidos representados no parlamento, para as próximas segunda e terça-feira, com o objectivo de discutir o orçamento suplementar.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/sns-um-papel-insubstituivel

Líderes mundiais pedem unidade, papel mais forte da OMS no combate à COVID-19

 

Paris, 18 mai (Xinhua) -- O mundo deve estar unido e a insubstituível Organização Mundial da Saúde (OMS) deve desempenhar um papel mais forte na luta contra a crise da COVID-19, disseram líderes mundiais na primeira sessão virtual da Assembleia Mundial da Saúde (AMS), aberta na segunda-feira.

"A COVID-19 deve ser um alerta", disse o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, ao abrir a 73ª sessão da AMS, com foco na pandemia que infectou mais de 4,5 milhões de pessoas e tirou mais de 300 mil vidas globalmente em poucos meses.

"Vimos alguma solidariedade, mas muito pouca unidade, em nossa resposta à COVID-19", lamentou o secretário geral da ONU.

"Muitos países ignoraram as recomendações da Organização Mundial da Saúde", afirmou. "Consequentemente, o vírus se espalhou pelo mundo."

Guterres reiterou o pedido da ONU de uma resposta coordenada em larga escala liderada pela OMS, com ênfase na solidariedade com os países em desenvolvimento e as pessoas vulneráveis.

"A menos que controlemos a propagação do vírus, a economia nunca se recuperará", afirmou o secretário-geral. "Precisamos aumentar massivamente os recursos disponíveis para o mundo em desenvolvimento".

Simonetta Sommaruga, presidente da Confederação Suíça que abriga a sede da OMS, agradeceu à OMS por seu incansável compromisso em combater a pandemia.

"Diretor-geral (Tedros Adhanom Ghebreyesus), ao passar por essa crise, tenha certeza de que tem todo o apoio e cooperação da Suíça", disse ela.

"Nosso apoio a você se baseia no nosso compromisso com o multilateralismo, a solidariedade e a cooperação internacional", acrescentou a presidente suíça. "Hoje, mais do que nunca, essas coisas são absolutamente essenciais e precisam ser fortalecidas".

Apelando a mais financiamento para a OMS, ela disse que a organização, que sempre conseguiu aprender lições das epidemias com as quais teve que lidar, também será capaz de realizar uma revisão completa da crise atual, a fim de melhorar seu futuro gerenciamento de emergência.

O presidente da França, Emmanuel Macron, também enfatizou a necessidade de mais financiamento para a organização global de saúde, que, segundo ele, desempenha um "papel insubstituível" na coordenação de ações, graças à sua experiência científica e conhecimento da situação no terreno.

Chamando a assembleia de "uma das assembleias mais importantes na história da OMS", Macron disse que este deve ser um momento de unidade e solidariedade, e também um momento de pensamento claro e ação eficaz.

Ele instou todas as partes interessadas, incluindo estados, organizações, fundos, empresas farmacêuticas ou cidadãos comuns a cooperarem com a OMS.

O presidente francês elogiou a iniciativa "Acesso ao Acelerador de Ferramentas COVID-19" (ACT), que é um projeto de cooperação internacional lançado pela OMS em abril para acelerar o desenvolvimento, a produção e a distribuição equitativa de novas ferramentas, tratamentos e vacinas em particular, para combater a COVID-19.

"Se entregarmos uma vacina contra a COVID-19, será um bem público global e todos deverão ter acesso a ele", disse Macron.

"Nenhum país pode se salvar sozinho. Temos que trabalhar juntos", disse a chanceler alemã, Angela Merkel. "A COVID-19 mostra que precisamos fazer mais na prevenção e pesquisa".

"A OMS é uma organização mundial legítima na área da saúde. Devemos continuar trabalhando para melhorar os procedimentos dentro da OMS", afirmou. "Devemos também analisar seu financiamento para garantir que seja sustentável".

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, disse que seu país fornecerá US$ 100 milhões em ajuda humanitária este ano e continuará a compartilhar suas experiências no combate a epidemias com a comunidade internacional.

Afirmando apoio total à OMS, a primeira-ministra de Barbados, Mia Amor Mottley, pediu atenção à pressão da dívida dos países vulneráveis, como os estados do Caribe, cuja situação foi agravada pelas consequências econômicas da pandemia.

Salientando o papel fundamental da OMS na liderança da luta global contra a pandemia, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, presidente da União Africana, pediu mais assistência, alívio da dívida e suprimentos médicos em particular, para os países em desenvolvimento.

"A África, extremamente vulnerável à devastação deste vírus, precisa de todo apoio e assistência possível", disse Ramaphosa à assembleia virtual.

"A União Africana apelou que os países em desenvolvimento devem ser auxiliados em seus esforços para combater a pandemia e reconstruir suas economias. Essa assistência precisa incluir alívio da dívida. Também precisa incluir assistência em relação a suprimentos médicos para diagnóstico e terapêuticos ," salientou ele.

A AMS é o órgão de decisão da OMS. A 73ª sessão da AMS, programada para segunda e terça-feiras, está sendo realizada por videoconferência devido ao impacto da atual pandemia.

Segundo a OMS, sua agenda foi condensada apenas em questões essenciais, como a COVID-19 e a seleção de membros do conselho executivo.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, discursa na 73ª Assembleia Mundial da Saúde, na sede da OMS em Genebra, Suíça, em 18 de maio de 2020. (OMS/Divulgação via Xinhua)

Um espectador assiste à TV enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, fala no Palácio do Eliseu durante um discurso televisionado em Paris, França, em 13 de abril de 2020. (Xinhua/Gao Jing)

Foto tirada em 11 de março de 2020 mostra a chanceler alemã, Angela Merkel, participando de uma conferência de imprensa sobre a situação da COVID-19 na Alemanha em Berlim, capital da Alemanha. (Xinhua/Shan Yuqi)

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, fala durante um discurso especial televisionado nacionalmente para marcar seus três anos no cargo na Casa Azul em Seul, Coreia do Sul, em 10 de maio de 2020. (Casa Azul da Presidência da Coreia do Sul/via Xinhua)

Urgente: Vacina chinesa contra COVID-19 será bem público global quando disponível, diz Xi

China afirma que uma possível vacina que o país desenvolva será...
 
Beijing, 18 mai (Xinhua) -- O desenvolvimento e a implantação da vacina para COVID-19 na China, quando disponível, tornarão-se um bem público global, sendo a contribuição da China para garantir o acesso e a viabilidade da vacina nos países em desenvolvimento, discursou nesta segunda-feira, via videoconferência, o presidente chinês, Xi Jinping, na abertura da 73ª sessão da Assembleia Mundial da Saúde.
 

 

Segue o texto na íntegra do discurso:

Vencer a COVID-19 com Solidariedade e Cooperação e Construir uma Comunidade Global de Saúde para Todos

Discurso de Sua Excelência Xi Jinping, Presidente da República Popular da China,

na Abertura Virtual da 73ª Assembleia Mundial da Saúde

Beijing, 18 de maio de 2020

Senhor Presidente da Assembleia Mundial da Saúde,

Senhor Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde,

Senhores Representantes,

Primeiro, gostaria de salientar que é de extraordinária importância a realização da presente assembleia neste momento crítico da luta da humanidade contra a COVID-19.

O que estamos sofrendo é a emergência mais séria da saúde pública global desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Pegando o mundo de surpresa, a COVID-19 atingiu 210 países e regiões, tendo afetado mais de 7 bilhões de pessoas e causado a perda de mais de 300 mil vidas preciosas. Queria expressar as condolências aos falecidos e a solidariedade aos seus familiares!

A história da civilização humana é também uma cronologia de lutas contra doenças e desastres. O vírus não respeita fronteiras, nem distingue raças. A comunidade internacional não recuou diante da feroz COVID-19 e povos de todos os países são unidos como um só e avançam com coragem, ajudando-se um a outro. Com amor e compaixão, forjamos sinergia extraordinária na luta contra a COVID-19.

A China, com árduos esforços e enormes sacrifícios, tem revertido a situação, conseguindo proteger a vida e a saúde do povo. Com atitude de abertura, transparência e responsabilidade, informamos tempestivamente a OMS e os países relacionados sobre a COVID-19, disponibilizamos na primeira hora a sequência genética do vírus, compartilhamos, sem reserva nenhuma, as experiências do controle e tratamento com todas as partes, e oferecemos todos os apoios e assistências dentro das nossas capacidades aos países em necessidade.

Senhor Presidente,

A contínua propagação do vírus nos exige maiores esforços de controle e tratamento. Queria fazer as seguintes propostas:

Primeiro, temos que fazer tudo que podemos para garantir o controle e tratamento da COVID-19. Esse é a tarefa primordial. Temos que priorizar sempre o povo e as suas vidas. Precisamos disponibilizar de maneira coordenada os recursos médicos e os suprimentos essenciais. Precisamos adotar medidas efetivas nas áreas-chave como a prevenção, a quarentena, a deteção, o tratamento e o rastreamento. Precisamos agir o mais rápido possível para conter a propagação transfronteiriça e a disseminação no mundo do vírus. Precisamos reforçar o compartilhamento das informações, trocar as boas experiências e práticas, realizar a cooperação internacional em matéria de métodos de teste, tratamento clínico, e desenvolvimento das vacinas e medicamentos, bem como continuar apoiando as pesquisas científicas sobre as fontes e via de transmissão do vírus.

Segundo, temos que apoiar o papel de liderança da OMS. A organização, liderada pelo Dr. Tedros, tem feito contributos importantes em conduzir e impulsionar a resposta global à COVID-19, e o seu trabalho excelente é altamente reconhecido pela comunidade internacional. Neste momento crucial, apoiar a OMS é apoiar a cooperação internacional e a batalha de salvar vidas. A China apela a que a comunidade internacional aumente o apoio político e financeiro à OMS, e mobilize recursos de todo o mundo para vencer o vírus.

Terceiro, temos que aumentar o apoio aos países africanos. Os países em desenvolvimento, particularmente os africanos, têm sistemas da saúde pública relativamente frágeis. Ajudá-los a aumentar a capacidade deve ser a nossa prioridade. A comunidade internacional deve oferecer mais apoios materiais, tecnológicos e de recursos humanos aos países africanos. A China tem enviado uma grande quantidade de suprimentos médicos para mais de 50 países africanos e a União Africana, além de 5 equipes de especialistas médicos para o continente. Em total, nas últimas 7 décadas, mais de 200 milhões de africanos têm recebido serviços médicos oferecidos pelas equipes médicas chinesas. Atualmente, ainda há 46 equipes médicas chinesas residentes na África que estão ajudando com os trabalhos de contenção no local.

Quarto, temos que reforçar a governança global da saúde pública. O homem vai vencer o vírus. No entanto, esta não pode ser considerada a última vez que uma grande emergência de saúde pública nos desafia. É importante melhorar o sistema de governança para a segurança da saúde pública mirando as lacunas e insuficiências expostas. Precisamos responder mais rapidamente às emergências da saúde pública e estabelecer centros globais e regionais de reserva de suprimentos anti-epidêmicos. A China apoia a ideia de fazer uma revisão abrangente da resposta global quando o vírus estiver sob controle, para resumir experiências e colmatar as insuficiências. O trabalho deve ser baseado na ciência e profissionalismo, liderado pela OMS e efetuado de maneira objetiva e imparcial.

Quinto, temos que recuperar o desenvolvimento econômico e social. Os países com condições podem reabrir, de maneira ordenada, os negócios e as escolas, uma vez que não afrouxem os trabalhos de contenção do vírus e observem as recomendações profissionais da OMS. Devemos reforçar a coordenação internacional de políticas macroeconômicas, garantir que as cadeias industrial e de suprimentos globais sejam estáveis e não sofram rupturas, e fazer o máximo para promover a retomada do crescimento econômico mundial.

Sexto, temos que reforçar a cooperação internacional. A humanidade é uma comunidade de futuro compartilhado. A solidariedade e cooperação são as armas mais poderosas para vencer a COVID-19. Esta é uma importante experiência que a comunidade internacional tem obtido nas lutas contra VIH/SIDA, Ebola, Gripe Aviária, Gripe A (H1N1) e outras grandes epidemias. A solidariedade e cooperação constituem o caminho correto que nos conduzirá a vitória sobre a COVID-19.

Senhor Presidente,

A China, orientada pela visão da comunidade de futuro compartilhado da humanidade, cumpre suas responsabilidades não só pela vida e saúde do próprio povo, como também pela segurança pública global. Para promover a cooperação contra a COVID-19, gostaria de anunciar o seguinte:

- A China vai oferecer em dois anos U$ 2 bilhões para apoiar a resposta à COVID-19 e o desenvolvimento econômico e social dos países afetados, sobretudo os em desenvolvimento.

- A China vai trabalhar com a ONU para estabelecer na China um armazém e hub de resposta humanitária global, com vistas a garantir o funcionamento da cadeia de suprimentos anti-epidêmicos e criar "canais verdes" de rápido transporte e desalfandegamento.

- A China vai estabelecer um mecanismo de cooperação para seus hospitais emparelharem-se com 30 hospitais africanos, acelerar a construção de quartel do centro de controle e prevenção da África para ajudar o continente a ficar mais preparado e ter maior capacidade de controle de doenças.

- Assim que a vacina chinesa esteja desenvolvida e aplicada, ela será disponibilizada como um bem público global. Será o que a China contribui para garantir a disponibilidade e acessibilidade de preço da vacina nos países em desenvolvimento.

- A China vai trabalhar com os outros membros do G20 para implementar a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida para os países mais pobres. A China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para dar maior apoio aos países severamente afetados sob grande pressão do serviço da dívida, para que eles possam ultrapassar as dificuldades atuais.

Que trabalhemos de mãos dadas para proteger a vida e a saúde de povos de todos os países, salvaguardar o planeta Terra - o nosso lar comum-, e construir uma comunidade global de saúde para todos!

Obrigado.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/18/c_139066921.htm

“Guarda de desonra”. Profissionais de saúde receberam primeira-ministra belga de costas voltadas

 

Este sábado, a primeira-ministra da Bélgica, Sophie Wilmès, visitou o Hospital Saint-Pierre, em Bruxelas, onde foi recebidas por dezenas de profissionais de saúde de costas voltadas.

Sophie Wilmès, primeira-ministra belga, visitou, este sábado o Hospital Saint-Pierre, uma das instituições de referência para o tratamento dos doentes com covid-19 na Bélgica, e várias dezenas de profissionais de saúde fizeram questão de estar presentes para a receber – mas não pelas melhores razões.

Os profissionais estavam dispostos em duas filas ao longo do caminho até à porta principal do hospital em silêncio. À medida que os carros da comitiva da primeira-ministra passavam, dezenas de médicos, enfermeiros, auxiliares, funcionários administrativos e de limpeza foram virando as costas.

De acordo com o Observador, a “guarda de desonra” serviu para criticar o desempenho da governante na gestão da pandemia e para enfatizar o cansaço dos profissionais na linha da frente do combate ao novo coronavírus.

 
https://twitter.com/eliistender10/status/1261923533946527746?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Segundo o jornal belga The Brussels Time, os médicos queixam-se dos cortes orçamentais, dos baixos salários e da falta de pessoal e criticam a tentativa do Governo de contratar profissionais sem qualificação.

Depois da visita ao hospital de Bruxelas, Sophie Wilmès fdisse ter entendido o protesto como um pedido para o início de conversações entre o Governo e o setor da saúde.

Nada vai ser igual depois da crise, precisamos de reavaliar a importância da profissão de enfermagem”, disse, aludindo à luta dos enfermeiros, que exigem maior reconhecimento.

A Bélgica, com 11,5 milhões de habitantes, tem 55 mil casos de infeção confirmados e acima de nove mil mortos. Entre sábado e domingo, a Bélgica registou 291 novos casos de covid-19, menos 54 casos, e 47 mortes, o mesmo valor registado no dia anterior.

Entre os países mais atingidos pelo novo coronavírus, a Bélgica conta com maior número de mortos proporcionalmente à sua população, com 78 vítimas mortais por cada 100 mil habitantes.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/guarda-desonra-profissionais-saude-325044

DEPUTADA ITALIANA: BILL GATES CRIMINOSO CONTRA A HUMANIDADE

Italia. La diputada Sara Cunial denunció en el Parlamento a Bill...
Sara Cunial, deputada por Roma no Parlamento Italiano em discurso abaixo transcrito (inglês) denuncia Bill Gates como um 'criminoso das vacinas' e insta o Presidente de Itália a entregá-lo ao Tribunal Criminal Internacional por crimes contra a humanidade. 
Oiça e veja o vídeo do discurso e leia a transcrição do mesmo abaixo.
 

Speech delivered to the Italian Parliament
May 2020
Hobbes said that absolute power does not come from an imposition from above but by the choice of individuals who feel more protected renouncing to their own freedom and granting it to a third party.
With this, you are going on anesthetizing the minds with corrupted Mass Media with Amuchina (a brand of disinfectant promoted by Mass Media) and NLP, with words like “regime”, “to allow” and “to permit”, to the point of allowing you to regulate our emotional ties and feelings and certify our affects.
So, in this way, Phase 2 is nothing else than the persecution/continuation of Phase 1 – you just changed the name, as you did with the European Stability Mechanism (ESM). We have understood people, for sure, don’t die for the virus alone. So people will be allowed to die and suffer, thanks to you and your laws, for misery and poverty. And, as in the “best” regimes, the blame will be dropped only on citizens. You take away our freedom and say that we looked for it. Divide et Impera (Divide and Rule).
It is our children who will lose more, who are ‘raped souls’, with the help of the so-called “guarantor of their rights” and of CISMAI (Italian Coordination of Services against Child Abuse). In this way, the right to school will be granted only with a bracelet to get them used to probation, to get them used to slavery – involuntary treatment and to virtual lager. All this in exchange for a push-scooter and a tablet. All to satisfy the appetites of a financial capitalism whose driving force is the conflict of interest, conflict well represented by the WHO, whose main financier is the well-known “philanthropist and savior of the world” Bill Gates.
We all know it, now. Bill Gates, already in 2018, predicted a pandemic, simulated in October 2019 at the “Event 201”, together with Davos (Switzerland). For decades, Gates has been working on Depopulation policy and dictatorial control plans on global politics, aiming to obtain the primacy on agriculture, technology and energy.
Gates said, I quote exactly from his speech:
“If we do a good job on vaccines, health and reproduction, we can reduce the world population by 10-15%. Only a genocide can save the world”.
With his vaccines, Gates managed to sterilize millions of women in Africa. Gates caused a polio epidemic that paralyzed 500,000 children in India and still today with DTP, Gates causes more deaths than the disease itself. And he does the same with GMOs designed by Monsanto and “generously donated” to needy populations. All this while he is already thinking about distributing the quantum tattoo for vaccination recognition and mRNA vaccines as tools for reprogramming our immune system. In addition, Gates also does business with several multinationals that own 5G facilities in the USA.
On this table there is the entire Deep State in Italian sauce: Sanofi, together with GlaxoSmithKline are friends of the Ranieri Guerra, Ricciardi, and of the well-known virologist that we pay 2000 Euro every 10 minutes for the presentations on Rai (Italian state TV. She’s probably talking about Burioni). Sanofi and GlaxoSmithKline sign agreements with medical societies to indoctrinate future doctors, making fun of their autonomy of judgment and their oath.
Hi-Tech multinationals, like the Roman Engineering which is friend of the noble Mantoan, or Bending Spoons, of Pisano, which are there for control and manage our personal health datas in agreement with the European Agenda ID2020 of electronic identification, which aims to use mass vaccination to obtain a digital platform of digital ID. This is a continuation of the transfer of data started by Renzi to IBM. Renzi, in 2016, gave a plus 30% to Gates Global Fund.
On the Deep State table there are the people of Aspen, like the Saxon Colao, who with his 4-pages reports, paid 800 Euros/hour, with no scientific review, dictates its politics as a Bilderberg general as he is, staying away from the battlefield. The list is long. Very long. In the list there is also Mediatronic, by Arcuri and many more.
The Italian contribution to the International Alliance Against Coronavirus will be of 140 million Euros, of which 120 million Euros will be given to GAVI Alliance, the non-profit by Gates Foundation. They are just a part of the 7.4 billion Euro fund by the EU to find a vaccine against Coronavirus – vaccines which will be used as I said before.
No money, of course for serotherapy, which has the collateral effect of being super cheap. No money for prevention, a real prevention, which includes our lifestyles, our food and our relationship with the environment.
The real goal of all of this is total control. Absolute domination of human beings, transformed into guinea pigs and slaves, violating sovereignty and free will. All this thanks to tricks/hoax disguised as political compromises. While you rip up the Nuremberg code with involuntary treatment, fines and deportation, facial recognition and intimidation, endorsed by dogmatic scientism – protected by our “Multi-President” of the Republic who is real cultural epidemic of this country.
We, with the people, will multiply the fires of resistance in a way that you won’t be able to repress all of us.
I ask you, President, to be the spokesperson and give an advice to our President Conte: Dear Mr. President Conte, next time you receive a phone call from the philanthropist Bill Gates forward it directly to the International Criminal Court for crimes against humanity. If you won’t do this, tell us how we should define you, the “friend lawyer” who takes orders from a criminal.
Thank you.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Comentário: Assembleia Mundial da Saúde oferece oportunidade preciosa para reafirmar solidariedade na luta contra COVID-19

72.ª Assembleia Mundial da Saúde – SNS
72ª Assembleia mundial da Saúde
 

Genebra, 16 mai (Xinhua) -- A próxima 73ª sessão da Assembleia Mundial da Saúde acontecerá em uma conjuntura crítica de combate à pandemia da COVID-19. O evento representa uma valiosa oportunidade para o mundo reafirmar a solidariedade na batalha para salvaguardar a segurança sanitária global.

Nos últimos 70 anos desde a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a comunidade internacional eliminou com sucesso a varíola e controlou a disseminação de diversas doenças infecciosas.

A unidade global tem desempenhado um papel fundamental em cada tentativa bem-sucedida de manter a humanidade segura, com governos e organizações internacionais comprometidas com a cooperação multilateral dentro do sistema internacional centrado na Organização das Nações Unidas (ONU).

Quando os representantes dos governos de todo o mundo realizarem reuniões virtuais na próxima semana, eles enfrentarão a tarefa urgente de abordar a pandemia da COVID-19, que está colocando em risco a saúde da humanidade.

Se a história é um guia, a manutenção da solidariedade global desempenha um papel fundamental na vitória final da humanidade contra o surto do coronavírus.

Este ano marca o 40º aniversário da eliminação da varíola, considerada a primeira, e até hoje a única doença humana que foi erradicada no âmbito mundial.

Como disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o legado da varíola não é apenas a erradicação de uma doença, mas também "a demonstração de que quando o mundo se une, tudo é possível".

Essa mesma solidariedade e esforços internacionais coordenados são necessários agora mais do que nunca para derrotar a COVID-19.

Infelizmente, como observado recentemente pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, "está claro que não há humildade, unidade e solidariedade suficientes no mundo".

Desde o início do surto da COVID-19, a OMS tem se esforçado para reunir a solidariedade global na batalha contra a doença.

Infelizmente, impulsionados por sua agenda política de culpar a OMS e outros para encobrir sua própria resposta fracassada ao surto do coronavírus, políticos dos EUA distorceram os fatos e lançaram uma campanha de difamação contra a OMS e outros países.

O que o mundo testemunhou recentemente -- a politização indevida e as alegações infundadas contra a OMS-- criaram uma atmosfera tóxica que é tudo, menos construtiva, para a tão necessária solidariedade global contra o inimigo comum.

A próxima Assembleia Mundial da Saúde servirá como uma oportunidade preciosa para deixar bem claro que o papel de liderança da OMS na luta global contra a COVID-19 deve ser reforçado em vez de enfraquecido. A OMS foi, é, e continuará sendo a espinha dorsal do controle pandêmico atual.

Em um de seus discursos no mês passado, o chefe da OMS alertou que, sem uma forte unidade nacional e solidariedade global, "o pior ainda está por vir". A comunidade internacional deve prestar atenção ao alerta e manter a solidariedade na batalha contra a COVID-19 antes que seja tarde demais. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/17/c_139064175.htm

O papel da OMS no mundo

 
 
– Uma organização da ONU capturada pelo capital monopolista
– O interesse da Big Pharma na vacina para o Covid-19 & o seu desinteresse na cura dos infectados
– A medicina torna-se big business
– O neo-malthusianismo camuflado de Bill Gates e da classe dominante mundial
 
Larry Romanoff [*]
 
Parece não haver falta de argumentos de diversas fontes bem informadas e independentes de que a OMS tem duas funções principais, a primeira é ser uma ferramenta para a redução da população mundial em nome dos seus mestres e a segunda é ser um poderoso agente de marketing para as grandes empresas farmacêuticas – especificamente, para os fabricantes de vacinas. Muitos críticos apontaram que os 'especialistas em vacinação' da OMS estão "dominados pelos fabricantes de vacinas, que se beneficiam com os contratos enormemente lucrativos de vacinas e antivirais, concedidos pelos governos". E, de facto, as comissões consultivas e outras envolvidas nos programas de vacinas da OMS parecem bastante povoadas pelos que lucram directamente com esses mesmos programas.

Também, hoje, as justificações e as preocupações com o controlo e redução da população estão longe de ser teorias da conspiração, com muitas provas, algumas delas assustadoras de que actualmente essa é, de facto, a principal agenda da OMS. Já vimos muitos indícios concretos do envolvimento desse órgão em ambas as áreas para justificar que devemos ignorá-los como sendo medos inaceitáveis. Além de que existe uma lista perturbadora de indivíduos intimamente associados à OMS, que tiveram como projecto favorito, a redução da população ou a vacinação em massa; indivíduos como David Rothschild, David Rockefeller, George Soros, Donald Rumsfeld, Bill Gates e muitos mais, e a lista inclui organizações nacionais como o CDC, FEMA, Departamento de Segurança Interna dos EUA, Rockefeller e Carnegie Institutes, CFR e outros.

Baseados em todas as evidências, não é difícil concluir que a OMS é uma empresa criminosa internacional sob o controlo de um grupo notável, com dinastias corporativas europeias no seu centro que, como observou um escritor, "fornece liderança estratégica e financia o desenvolvimento, fabrico e libertação de vírus sintéticos fabricados pelo homem, apenas para justificar vacinas em massa imensamente lucrativas". Vimos muitos casos de um vírus não comum e produzido, aparentemente, em laboratório, surgir sem aviso prévio, sendo o início seguido imediatamente por declarações urgentes e preocupadas da OMS, de mais uma vacinação em massa obrigatória.

Temos a produção desenfreada de vírus mortais em laboratórios secretos ao redor do mundo e a repetida libertação "acidental" deles em várias populações (pensem no ZIKA) – ao que parece, inevitavelmente, sem explicações, desculpas ou mesmo com a aparência de ser uma investigação real, e muito menos uma censura, acusações criminais ou civis. Também temos a imunidade legal geral de todas as empresas farmacêuticas na criação e propagação de agentes patogénicos mortais através da vacinação. Quando adicionamos a esta mistura, a história de criminalidade da OMS, como no famoso programa internacional de esterilidade através da vacina do tétano/hCG, o curioso momento do início da SIDA/AIDS e as múltiplas ocorrências dos programas de vacinação da OMS que coincidem perfeitamente com um surto repentino de outra doença invulgar nas mesmas áreas e populações, seria necessário sermos idealistas inabaláveis para não nos surgirem grandes suspeitas.


Vacinação da OMS e controlo da população

No início dos anos 90, a OMS esteve a supervisionar campanhas maciças de vacinação contra o tétano na Nicarágua, México, Filipinas, Tanzânia e Nigéria. Todas contam uma história semelhante, uma narrativa que quase exige a crença, mas com factos claros demais para serem refutados. O tétano é uma doença cujo início costumamos associar a pisar um prego enferrujado ou algo deste tipo. Deveria ficar claro que os homens teriam maior probabilidade de defrontar-se com esta circunstância do que as mulheres, e talvez as crianças descuidadas mais do que os adultos, mas o programa de vacinação da OMS foi aplicado apenas a mulheres entre os 15 e os 45 anos de idade – por outras palavras, a idade fértil feminina. Na Nicarágua, os alvos eram mulheres dos 12 aos 49 anos.

Mais ainda, uma única injecção de tétano é universalmente aceite como sendo suficiente para fornecer uma duração protectora de dez anos ou mais, mas a OMS – inexplicavelmente – insistiu em vacinar essas mulheres cinco vezes, durante um período de vários meses. Logo após o início desses programas, começaram a surgir preocupações sobre abortos espontâneos e outras complicações decorrentes exclusivamente nas populações vacinadas. Devido a uma suspeita, um grupo no México analisou o soro da vacina e descobriu que continha a hormona gonadotrofina coriónica humana (hCG). Esta hormona é fundamental para o corpo feminino durante a gravidez. Causa a libertação de outras hormonas que preparam o revestimento uterino para a implantação do óvulo fertilizado. Sem ela, o corpo da mulher é incapaz de sustentar uma gravidez e o feto será abortado. Esta hormona foi injectada nos indivíduos de sexo feminino juntamente com o soro do tétano, fazendo com que o corpo feminino os reconhecesse como agentes estranhos e desenvolvesse anticorpos para destruir se, no futuro, aparecessem no corpo.

Ao engravidar, o corpo de uma mulher deixaria de reconhecer a hormona hCG como benigna e produziria anticorpos anti-hCG, estando agora, a vacinação anterior a induzir o sistema imunológico do seu corpo a atacar a hormona necessária para levar o feto a termo, impedindo gravidezes subsequentes e matando a hormona hCG necessária para sustentá-las. O que significa que cada mulher que recebeu a inoculação da OMS foi vacinada não só contra o tétano, mas também contra a gravidez. [1]   [2]

No início, a OMS negou os factos e menosprezou os resultados dos testes iniciais, mas depois desta revelação cada país realizou testes extensivos e, em todos os casos, a hormona hCG foi identificada como existente no soro da vacina contra o tétano. A OMS finalmente ficou em silêncio e interrompeu o seu programa, mas nessa altura muitos milhões de mulheres já tinham sido vacinadas – e tornadas estéreis. Um facto importante é que as três marcas diferentes da vacina anti-tetânica usadas neste projecto foram desenvolvidas, produzidas e distribuídas em sigilo e nenhuma delas jamais tinha sido testada ou licenciada para venda ou distribuição em qualquer lugar do mundo. As empresas que as produziram foram os Laboratórios Connaught e Intervex, do Canadá, e os Laboratórios CSL da Austrália. A Connaught é a mesma empresa que, juntamente com a Cruz Vermelha Canadiana, distribuiu conscientemente durante vários anos, produtos de sangue contaminados pela SIDA/AIDS, na década dos anos 80, uma organização criminosa que deveria ter sido processada judicialmente, juntamente com os seus proprietários. [3]

Outra prova culpabilizante que a comunicação mediática ocidental censurou foi o facto de a OMS estar activamente envolvida durante mais de 20 anos, no desenvolvimento de uma vacina anti-fertilidade utilizando a hCG ligada ao toxóide tetânico como portador – precisamente a mesma combinação usada nessas vacinas. Segundo os próprios relatórios da OMS, eles gastaram quase 400 milhões de dólares neste tipo de pesquisa de "saúde reprodutiva". Foram escritos mais de 20 artigos de pesquisa sobre este assunto, muitos deles pela própria OMS, que documentam detalhadamente as tentativas da OMS de criar uma vacina contra a fertilidade utilizando o toxóide tetânico. E não foram só eles; o UNFPA, o PNUD, o Banco Mundial e, é claro – sempre que encontramos esforços secretos no controlo da população – a omnipresente Fundação Rockefeller, estão todos aliados nesta causa, como estava o Instituto Nacional de Saúde dos EUA. O governo da Noruega também foi parceiro nesta farsa, contribuindo com mais de 40 milhões de dólares para desenvolver esta vacina contra o tétano e contra o aborto.

A Fundação Bill & Melinda Gates tem financiado fortemente a distribuição da vacina contra o tétano em África, através da UNICEF, que é a agência que forneceu ao Quénia a vacina com hCG. Gates disse: "Hoje o mundo tem 6,8 mil milhões de pessoas. Está a encaminhar-se para cerca de nove mil milhões. Se fizermos agora um trabalho excelente com novas vacinas, serviços de saúde e serviços de saúde reprodutiva, poderíamos diminuir esse número talvez em dez ou quinze por cento." [4] A Fundação Rockefeller também financiou poderosamente esta pesquisa e distribuição de vacinas. [5] Todo este procedimento traduz-se num genocídio à escala planetária.

Examinei detalhadamente o site da OMS e descobri que havia dezenas de artigos, muitos escritos por pesquisadores da OMS, a documentar em pormenor as tentativas da OMS de criar uma vacina anti-fertilidade utilizando o toxóide tetânico como transportador. [6] Alguns dos artigos principais incluem:


Vaccines for Fertility Regulation , Chapter 11, pp. 177-198, Research in Human Reproduction, Biennial Report (1986-1987), WHO Special Programme of Research, Development and Research Training in Human Reproduction (WHO, Geneva 1988) .
Anti-hCG Vaccines are in Clinical Trials , Scandinavian Journal of Immunology, Vol. 36, 1992, pp. 123-126.

Já em 1978, a OMS estava a explorar activamente maneiras de erradicar grande parte da população do Terceiro Mundo. Um artigo publicado pela OMS [7] foi intitulado "Avaliando... vacinas de antígeno placentário para regulação da fertilidade". O documento reconhecia um "progresso substancial" no seu programa mundial de eugenia de abate de indivíduos que não pertenciam à raça branca, mas ainda identificava "uma necessidade urgente de uma maior variedade de métodos" para impedir a fertilidade e declarava, com grande entusiasmo, o facto de que "a imunização como medida profilática está agora tão amplamente aceite", que o emprego de vacinas de esterilização seria bastante atraente (para os que disponibilizam as vacinas) e ofereceria "grande facilidade de inoculação".

Se o acima mencionado não for claro, a OMS está a dizer que as vacinas para outros fins – protecção contra doenças – são tão comuns e amplamente aceites, que a inoculação é provavelmente a maneira mais fácil de esterilizar as populações dos países não desenvolvidos. O artigo observa a acumulação de provas de que "existem proteínas específicas do sistema reprodutivo" que "poderiam ser bloqueadas" pelas vacinas e fornecem um novo método de "regulação da fertilidade". Uma das vantagens declaradas de uma vacina de esterilização é que ela pode impedir ou interromper a implantação do óvulo fertilizado na parede do útero e, assim, garantir que toda concepção (não branca) resultaria num desmancho ou aborto espontâneo, ou seja, pela utilização de uma vacina anti-hCG. O artigo continua:


"O ensaio clínico... revelará se uma única injecção é suficiente para atingir o nível desejado de imunização ou se serão necessárias várias injecções de reforço. O principal efeito desejado é atingir um grau de imunização suficiente para: (a) neutralizar a actividade da hormona do hCG in vivo e (b) impedir ou interromper o implante do feto numa fase muito inicial da gravidez. Ainda não está estabelecido se a imunização com o conjugado peptídico βhCG causará uma neutralização biológica irreversível do hCG... Provavelmente, varia de indivíduo para indivíduo. No primeiro caso, a indicação para a imunização será restrita à esterilização, enquanto na segunda eventualidade... a imunização pode ser considerada uma medida anti-fertilidade duradoura, porém reversível".

Em 17 e 18 de Agosto de 1992, a OMS elaborou um relatório intitulado "Vacinas Reguladoras da Fertilidade", resultante de uma grande reunião de cientistas e 'defensores da saúde das mulheres', em Genebra, "para rever o estatuto actual do desenvolvimento de vacinas reguladoras da fertilidade." A reunião foi uma iniciativa de um Programa Especial conjunto de pesquisa em reprodução do PNUD, UNFPA, OMS e do Banco Mundial. O relatório declarava: "... a pesquisa aplicada sobre as VRF (vacinas reguladoras da fertilidade) já dura há mais de vinte anos..." e abordava não só as vacinas anti-hCG que já estavam a ser submetidas a ensaios clínicos, mas também o desenvolvimento de outras vacinas, como uma vacina anti-GnRH, que aumentaria a infertilidade temporária devido à amamentação.

Esta vacina também estava a ser testada em campo, na época, com a possível intenção de empregar os dois antígenos na mesma vacina, supondo que uma única vacina não esterilizasse todas as vítimas. Reconheceram, igualmente, os perigos de administrar esta vacina a mulheres que já estavam grávidas e estavam conscientes de que, quase de certeza, os anticorpos estariam presentes no leite e, portanto, também podiam tornar os bebés permanentemente estéreis – com o enorme eufemismo de que essa situação "podia não acontecer" a todos os utentes em potencial... "Desde o início, os planeadores da OMS perceberam que durante as campanhas de vacinação em massa, muitas mulheres grávidas também seriam inoculadas com o soro anti-hCG, o que inevitavelmente resultaria não só em esterilização, desmanchos e abortos espontâneos, como também em distúrbios auto-imunes incuráveis e defeitos congénitos.

O mesmo artigo continuava a afirmar: "Além das mulheres serem imunizadas inadvertidamente durante uma gravidez estabelecida, os fetos podem ser expostos a potenciais efeitos teratológicos da imunização...". Por outras palavras, a equipa da OMS inocularia livremente mulheres grávidas e os embriões ou fetos que não abortassem espontaneamente experimentariam um crescimento patológico do qual resultariam vários defeitos congénitos indefinidos. A OMS não está a pesquisar a 'saúde reprodutiva', mas a impossibilidade reprodutiva e a sua vacina contra o tétano-hCG não está, de forma alguma, a 'regular' a fertilidade das mulheres, mas a tornar a sua fertilidade biologicamente impossível, o que não é a mesma coisa. O seu próprio artigo afirmava que a vacinação provavelmente "provocará uma neutralização biológica irreversível do hCG", o que significa a esterilização permanente de mulheres inocentes que concordaram em receber injecções da vacina de tétano.

130 MILHÕES DE MULHERES ESTERILIZADAS

Tentem compreender o que isto significa: a OMS recebeu, durante décadas, milhões de dólares de financiamentos para pesquisas e ensaios clínicos, a fim de produzir uma vacina anti-fertilidade que faria o sistema imunológico de uma mulher atacar e destruir os seus próprios bebés no útero, uma vacina que eles combinariam secretamente com uma vacina contra o tétano, sem informar as vítimas. Dizer que o seu engano foi bem-sucedido seria um eufemismo. A OMS inoculou mais de 130 milhões de mulheres em 52 países com esta vacina, esterilizando permanentemente uma percentagem muito grande delas sem o seu conhecimento ou consentimento. Somente quando um número enorme de mulheres em todos os países experimentou sangramento vaginal e aborto espontâneo imediatamente após a vacinação, é que o aditivo hormonal foi descoberto como sendo a causa. Surgiram suspeitas quando a OMS seleccionou apenas mulheres em idade fértil e especificou ainda a prática inédita de cinco injeções múltiplas ao longo de um período de três meses, mas as autoridades de saúde nesses países não desenvolvidos ainda acreditavam nos remédios do homem branco.

Após a descoberta da hormona na vacina, os médicos nigerianos declararam que os médicos da OMS disseram que a hormona hCG "não teria efeito sobre a reprodução humana", afirmações que sabiam serem falsas. Quando estas informações chegaram a público, a OMS assumiu uma posição ofensiva e repugnante, zombando e ridicularizando as nações que realizaram os ensaios clínicos e revelaram a contaminação, condenando-as como sendo incompetentes, que possuiam laboratórios de teste "inadequados" e que utilizavam amostras ou procedimentos inadequados. As autoridades da OMS alegaram que essas nações não tinham "o tipo certo de laboratório para fazer o teste. Esses laboratórios sabem, somente, como testar amostras de urina...". Esta é a resposta padrão das agências, dos governos e das empresas ocidentais, quando são apanhados com produtos adulterados. Quando se descobriu que as bebidas da Coca-Cola, na China, continham níveis assustadores de pesticidas e cloro, a acusação imediata foi que os laboratórios biológicos da China eram todos incompetentes. Quando se descobriu que o macarrão da Nestlé, na Índia, continha quantidades perigosamente tóxicas de chumbo, os laboratórios da Índia eram todos incompetentes. O passo seguinte é produzir cuidadosamente algumas amostras que se saibam não estar contaminadas, fornecê-las a um laboratório "independente" que, inevitavelmente, as declara limpas e depois afastar a história da primeira página.

Quando a descoberta foi consumada, muitas nações promulgaram decretos judiciais imediatos contra os programas de vacinas da OMS e da UNICEF. Funcionários da OMS e da UNICEF disseram que as "graves alegações" não foram "apoiadas com provas", o que não faz sentido. A UNICEF, a USAID e a OMS recusaram-se a reconhecer como provas, o sangramento vaginal, as perdas e os abortos espontâneos. Recusaram-se, igualmente, a discutir os motivos de uma série de cinco vacinas com um espaçamento reduzido, quando uma dose foi sempre suficiente, ignorando o conteúdo dos seus próprios documentos publicados, que declara que seriam necessárias várias injecções de uma vacina contra o tétano-hCG para obter uma esterilização eficaz.

Quando confrontados com os resultados documentados, os funcionários da OMS admitiram que a hormona existia, realmente, "em pequenas quantidades" em "alguma parte" do material da vacina, mas que foi o resultado inconsequente de "contaminação acidental". Ninguém na OMS tentou explicar a fonte da hormona hCG em quantidade suficiente para contaminar 130 milhões de doses de uma vacina, nem como essa "contaminação" se poderia inserir "acidentalmente" em todas essas vacinas. O Lancet informou que o Instituto Nacional de Saúde dos EUA forneceu grande parte da hormona hCG para as experiências e testes da OMS. Os meios de comunicação ocidentais estavam, obviamente, ocupados demais na época, dizendo-nos como o Irão era malvado, para notar o pequeno número de 130 milhões de mulheres que foram deliberadamente vacinadas contra a gravidez, sem o seu conhecimento. Como já mencionei noutros lugares, a comunicação mediática ocidental gosta excessivamente de demonizar Hitler, mas Hitler não esterilizou 130 milhões de mulheres sem o seu conhecimento ou consentimento; então, onde está a ofensa moral contra a OMS? A indignação está enterrada no facto de que nenhuma dessas 130 milhões de mulheres esterilizadas era branca.

A OMS ficou em silêncio durante um tempo, mas em 2015, a Rádio Vaticano acusou as organizações da ONU, OMS e UNICEF de estar a executar, novamente, enormes programas internacionais de despovoamento da Terra, ao usar sub-repticiamente vacinas para esterilizar mulheres, nos países do Terceiro Mundo, desta vez no Quénia. Afirmou que "os bispos católicos do Quénia se opuseram à campanha nacional de vacinação contra o tétano, que visa 2,3 milhões de mulheres e meninas quenianas em idade reprodutiva entre 15 e 49 anos, denominando a campanha como sendo um plano secreto do Governo para esterilizar as mulheres e controlar o crescimento da população". [8] Em Maio de 2018, foi relatado que estavam a ser usadas na Índia, vacinas reguladoras da fertilidade. [9]

E TAMBÉM A POLIOMIELITE

Em 2009, houve um surto de poliomielite na Nigéria, resultado directo de mais um programa de vacinação da OMS, desta vez diretamente relacionado à vacina que foi produzida a partir de um vírus vivo da poliomielite, que apresenta sempre o risco de causar poliomielite, em vez de proteger contra ela – como os americanos aprenderam há muitos anos, para seu desgosto. Hoje, no Ocidente, as vacinas contra a poliomielite são feitas a partir de um vírus morto que não pode causar a poliomielite. Este último surto, patrocinado pela OMS, começou realmente há vários anos, e a OMS atribuiu ao vírus vivo existente nas suas vacinas que, de alguma forma, tinha "sofrido mutações". Então, mais uma vez, a OMS está a causar a poliomielite no mundo subdesenvolvido, devido a provas de que, para todos os casos de poliomielite identificada, existem centenas de outras crianças que não desenvolvem a doença, mas permanecem portadoras e transmitem-na a outras. Reconhece-se, há muito tempo, que a vacina oral viva usada pela OMS pode provocar facilmente as mesmas epidemias que pretende eliminar e, é claro, não há evidências publicadas de que o vírus da poliomielite tenha realmente "sofrido uma mutação". O mesmo aconteceu no Quénia, desta vez usando a hormona hCG associada às vacinações contra a poliomielite, com os mesmos resultados trágicos. [10]

No final de 2013, aSíria sofreu um súbito surto de poliomielite, o primeiro naquele país em cerca de 20 anos, e numa área que estava sob controlo de mercenários rebeldes, apoiados pelos EUA. O governo sírio alegou ter provas de que esses estrangeiros trouxeram a doença, de agências ocidentais (EUA) para o país, a partir do Paquistão. A OMS estava activa no Paquistão, a aplicar mais um dos seus "programas de vacinação humanitária" que, estranhamente, coincidiu na área geográfica com um grave surto de poliomielite, e as autoridades sírias estavam convencidas de que o Ocidente a transmitiu para a sua nação quando foram compradas pela UNICEF 1,7 milhão de doses da vacina contra a poliomielite, apesar de não haver casos de poliomielite desde 1999. Após o início do programa de vacinação em massa, os casos de poliomielite começaram a reaparecer na Síria.

A UNICEF iniciou um programa semelhante de vacinação em massa com 500.000 doses de vacina viva contra a poliomielite nas Filipinas, apesar de não haver casos relatados de poliomielite nas Filipinas desde 1993. Isto encaixar-se-ia no padrão de outros casos de emergências repentinas de doenças. Ainda não consegui reconstruir a vacinação da OMS e outros programas em todos os locais, mas os surtos repentinos de vírus sempre são suspeitos, pois não podem ser criados a partir do nada e têm de ser introduzidos na população, e com uma regularidade surpreendente aparecem no rasto de alguns Programas de vacinação da OMS. O aparecimento repentino e inexplicável da peste bubónica no Peru e em Madagáscar são dois desses acontecimentos e, cada vez mais, os agentes patogénicos não parecem ser de origem natural. Em particular, o vírus do camelo relacionado à SARS, no Médio Oriente, apresentava alguns sinais óbvios de engenharia humana, assim como o próprio coronavírus da SARS. Existem muitos outros casos, que estão frequentemente associados à presença de algum programa da OMS.

A OMS também está a tornar-se activa na China, com um potencial alarmante de desastre. Como exemplo, no final de 2013, vários bebés chineses recém-nascidos morreram imediatamente após serem inoculados pela OMS contra a hepatite B. O representante da OMS na China, Dr. Bernhard Schwartlander, designou o programa da China como "muito bem sucedido", mas sou roido por desconfianças quanto à sua definição de 'sucesso'. As mortes dos bebés podem, de facto, ter sido um acidente infeliz, mas não fiquei convencido com o comentário de Schwartlander de que é "difícil estabelecer uma ligação de causalidade entre as vacinas e as mortes dos bebés". Conhecendo a história passada da OMS e as suas inoculações infecciosas, a "dificuldade de estabelecer uma associação de causa e efeito entre as vacinas da OMS e as mortes de civis" pode ter sido a parte que foi "bem sucedida".

Estudo do caso da Pfizer – A epidemia perfeitamente cronometrada

É bem sabido que muitos medicamentos novos são acompanhados de efeitos colaterais graves, tais como danos irreversíveis do fígado e, geralmente, são fatais para as crianças. Em 1996, a Pfizer desenvolveu um novo antibiótico chamado Trovan para tratar uma variedade de infecções – sendo um exemplo, a meningite. Muitos desses antibióticos novos são muito poderosos e com efeitos colaterais que, normalmente, os tornam muito perigosos para as crianças, causando frequentemente danos permanentes no fígado, doenças nas articulações e muitas outras complicações debilitantes. Inexplicavelmente, a Pfizer decidiu realizar testes em bebés. Noentanto, a Pfizer tinha o problema padrão de que a certificação da FDA, nos EUA, exigia ensaios clínicos em seres humanos, e isso é quase impossível de ser realizado em países desenvolvidos, porque nenhum pai está disposto a permitir que os seus filhos participem nesses ensaios clínicos de risco, para não falar nos processos de acções judiciais resultantes de ensaios clínicos que deram um resultado errado. Portanto, essas empresas farmacêuticas tendem quase universalmente, a proceder a ensaios clínicos nos países pobres da África, da Ásia e da América do Sul, onde as leis não estão preparadas e as pessoas não compreendem os riscos dos medicamentos não testados e não aprovados. Portanto, as empresas farmacêuticas americanas (e europeias) transformaram o mundo em desenvolvimento num enorme laboratório de ensaios clínicos que não tem capacidade para as poder responsabilizar financeiramente.

Por sorte, precisamente no momento em que a Pfizer estava pronta para iniciar os ensaios clínicos deste novo medicamento, a Nigéria foi repentina e inexplicavelmente atingida por uma das piores epidemias de meningite da História. E, claro, a Pfizer estava lá para ajudar o governo nigeriano a lidar com o surto. Mas a Pfizer não lidou exactamente com o surto – o que fez foi realizar um ensaio clínico condenável do seu novo medicamento, num grupo de vítimas que provavelmente não reclamaria. Em vez de "ajudar", como alegou, a Pfizer reuniu um grupo de ensaio e um grupo de controlo, dando ao grupo os novos medicamentos da Pfizer e o produto de um concorrente. Tornou-se óbvio, de imediato, que os americanos não estavam numa missão humanitária, mas estavam a poupar despesas de ensaios ao vivo. Depois de experimentar em cerca de 200 vítimas, recolheram as informações do ensaio e regressaram ao seu país – bem no auge da epidemia de meningite, sem salvar nenhuma vida. O governo nigeriano calculou as mortes em cerca de 11.000.

Este seria o final deste episódio, mas surgiu uma controvérsia logo depois, sobre a relação entre a necessidade dos testes da Pfizer e o surto de meningite. Por acaso, a OMS estava na Nigéria imediatamente antes deste período, noutro dos seus programas de vacinação para "salvar vidas", desta vez para a poliomielite, e o momento e o local do surto de meningite aparentemente, combinavam bem com o programa de vacinação da poliomielite da OMS. E, é claro, correspondia perfeitamente à necessidade da Pfizer de grande número de seres humanos para aplicar esse ensaio clínico. Houve acções judiciais e pagamentos, acusações e negações, mas até hoje a Nigéria recusa a entrada da OMS no país e não participará em mais nenhuma ajuda "humanitária" da ONU ou da OMS. Não podemos dizer definitivamente que a OMS criou, deliberadamente, a epidemia de meningite para benefício dos testes da Pfizer, mas é a única teoria que se encaixa em todos os factos conhecidos e é o tipo de acção que a OMS parece fazer regularmente. Devemos observar a intenção da Pfizer de comercializar o Trovan nos EUA e na Europa, após efectuar os testes nessas crianças africanas, mas a FDA [Food and Drug Administration] recusou-se a aprovar o Trovan para administrar em crianças americanas, devido aos consideráveis perigos inerentes.

O comportamento da Pfizer após acabarem estes "ensaios no campo" foi ainda mais perverso. Os processos judiciais eram baseados em alegações de que a Pfizer não tinha o consentimento apropriado dos pais para usar um medicamento experimental nos seus filhos, cujo uso não só deixou muitas crianças mortas, mas outras com danos cerebrais, paralisia ou fala arrastada. A Pfizer chegou, finalmente, a um acordo com o governo da Nigéria, de pagar 75 milhões de dólares em danos e criar um fundo de 35 milhões de dólares para compensar as vítimas. Isto aconteceu depois daquilo que o Guardian descreveu como "uma batalha judicial de 15 anos contra a Pfizer, devido a um julgamento de drogas ferozmente controverso". A Pfizer não só resistiu até ao fim, forçando as famílias pobres durante 15 anos ao inferno antes de finalmente ceder, mas recorreu à extorsão e à chantagem de funcionários do governo nigeriano, na tentativa de evitar fazer qualquer pagamento às famílias das crianças, vítimas do seu ensaio ilegal de drogas. O Guardian, do Reino Unido, relatou que as fugas de informações diplomáticas do governo dos EUA revelaram que "a Pfizer contratou investigadores para procurar provas de corrupção contra o Procurador Geral da Nigéria, num esforço para convencê-lo a desistir da acção judicial", com o conhecimento, visível e completo e, possivelmente, com a ajuda do Departamento de Estado dos EUA.

O Guardian afirmou que os telegramas diplomáticos registaram reuniões entre o gerente da Pfizer na Nigéria, Enrico Liggeri, e responsáveis dos EUA na Embaixada de Abuja, em 9 de Abril de 2009, afirmando: "Segundo Liggeri, a Pfizer contratou investigadores para descobrir ligações de corrupção ao Procurador Geral Federal, Michael Aondoakaa, a fim de expô-lo e pressioná-lo a desistir dos casos federais. Ele disse que os investigadores da Pfizer estavam a passar estas informações para a comunicação mediática local". O Guardian também informou que não havia sugestões ou provas de que o Procurador Geral da Nigéria tenha sido influenciado por esta pressão. É claro que a Pfizer alegou que toda a noção era "absurda", mas podemos considerar que os telegramas – que foram classificados como "Confidenciais" – não mentiram.

Parece que a Pfizer estava a ocultar todas as suas declarações, não só com reivindicações de ter a aprovação do governo e o conhecimento dos pais, mas com a alegação de que um médico nigeriano estava no comando e dirigiu os ensaios clínicos. O estudo do Governo descobriu que o médico local era director "apenas de nome" e, na maioria das vezes, nem era informado dos procedimentos do estudo e era tipicamente "mantido às escuras". A Pfizer também usou uma carta forjada de um departamento inexistente para obter a aprovação do FDA para esses ensaios clínicos. A Pfizer admitiu, finalmente, que a carta falsificada estava "incorreta", mas não tenho certeza de que este seja o adjectivo mais apropriado a ser usado. A Pfizer também fez a declaração irritantemente desonesta de que o seu antibiótico "Trovan tinha demonstado a maior taxa de sobrevivência de qualquer tratamento no hospital. Indiscutivelmente, o Trovan salvou vidas". Bem, talvez, mas os dados nos quais a Pfizer baseou esta afirmação foram o facto de que, num local cinco pacientes morreram após o uso da droga da Pfizer, enquanto seis pacientes morreram após o uso de outro medicamento, sem dados da gravidade da infecção ou qualquer outra coisa. Na melhor das hipóteses, uma alegação vazia e, fundamentalmente, desonesta.

Para desviar a questão de o Trovan da Pfizer ser letal para as crianças, a empresa alegou que o organismo internacional Médicos Sem Fronteiras (Médecins sans Frontières) estava a administrar o medicamento da Pfizer no seu programa de tratamento, uma afirmação que os MSF negaram veementemente, dizendo: "Nunca trabalhamos com essa família de antibióticos. Não o usamos para a meningite. Esta é a razão pela qual ficamos chocados ao ver este ensaio no hospital". Foi Liggeri, da Pfizer, que alegou que os processos contra a Pfizer "eram de natureza totalmente política", e foi Liggeri também, que inventou a acusação de que os MSF tinham administrado o Trovan da Pfizer às crianças.

Em 2006, o Washington Post publicou um longo estudo do governo nigeriano que concluía que a Pfizer violava o Direito Internacional ao testar o seu medicamento não aprovado em crianças com infecções cerebrais. Visivelmente, o Washington Post obteve uma cópia do relatório confidencial que esteve escondido durante cinco anos e afirmava que a Pfizer nunca tinha recebido autorização do governo para o seu ensaio clínico, tendo a aparente carta de autorização sido forjada em papel timbrado de um departamento inexistente e datada com uma data anterior ao estudo. Segundo o artigo do Post, o governo alegou que o 'esforço humanitário' da Pfizer era "um ensaio ilegal de uma droga não registada e um caso claro de exploração de pessoas ignorantes". [11]

A resposta americana não foi de vergonha por participar nesta fraude, nem o Departamento de Estado condenou a Pfizer por conduzir ensaios clínicos de drogas ou tentar a extorsão e a chantagem. Pelo contrário, o Embaixador dos EUA condenou a fuga dos telegramas da Embaixada dos EUA, como se a revelação pública do crime constituísse uma acção pior do que o próprio crime. O Departamento de Estado apressou-se a basear-se na moral elevada, para condenar o acto de "pôr em perigo criaturas inocentes" e "sabotar as relações pacíficas entre as nações", ignorando os factos de que os ensaios da Pfizer puseram muito mais em risco "as criaturas inocentes" e as "relações de sabotagem" do que teria acontecido se tivesse havido a revelação de um crime. Mas, aos olhos do Governo dos EUA, os americanos não cometem crimes e, de qualquer maneira, as vítimas não eram de raça branca. Os telegramas alegaram ainda que a Pfizer pagou só porque os honorários judiciais e de 'investigação' custaram à empresa mais de 15 milhões de dólares por ano, o que nos leva a imaginar o que acontecerá na mente dessas pessoas que irão gastar 15 milhões de dólares por ano, durante 15 anos, para evitar pagar metade dessa quantia para compensar as vidas que destruíram.

E ainda há mais. Temos visto tantos exemplos documentados de tribunais dos EUA a assumir jurisdição onde não têm nenhuma, concordando em julgar casos sem qualquer envolvimento dos EUA que tenham ocorrido totalmente fora dos EUA, em violações flagrantes do Direito Internacional e que são só indícios de arrogância imperial. Mas quando a Nigéria tentou registar acções contra a Pfizer, nos EUA, os tribunais americanos recusaram-se a ouvir os casos, alegando estranhamente que não tinham autoridade legal para aplicar as leis ou administrar a justiça. E não é a primeira vez que o Governo dos EUA, o Departamento de Estado e os tribunais dos EUA, se unem em defesa de um interesse comum, para proteger uma multinacional dos EUA, negando o acesso a tribunais.

Em 2004 e 2007, acomunicação mediática nigeriana divulgou relatórios que foram fortemente proibidos nos media americanos e ocidentais de que o país estava a recusar permitir que as autoridades de saúde da ONU realizassem uma administração adicional de vacinas contra a poliomielite, culpando a OMS de ter iniciado a epidemia de meningite, em 1996, que resultou no ensaio de drogas altamente questionável da Pfizer naquele país. Os dirigentes nigerianos também estavam preocupados que a poliomielite e outras vacinas estrangeiras fossem deliberadamente contaminadas com esterilizadores e outros agentes, como aconteceu nas Filipinas e noutras nações, na mesma época. Em grande parte de África, parece que pouco resta da confiança que existia nas agências internacionais e nas empresas farmacêuticas dos EUA e da Europa. Hoje, são vistas principalmente como predadores imperiais com uma agenda distintamente anti-humana ou, pelo menos, uma agenda contra os que não pertencem à raça branca. As partes da Nigéria e de outras nações africanas que ainda permitem as vacinas, insistem agora que elas sejam preparadas num país não ocidental confiável, sem o envolvimento da OMS ou de outras agências ocidentais.

Hoje, muitas nações insistem que a OMS é uma ferramenta destinada a reduzir as populações muçulmanas, uma afirmação cada vez mais difícil de ser afastada como simples paranóia. Na verdade, a Nigéria também descobriu esterilizantes nas vacinas da OMS, naquele país, que eram claramente capazes de reduzir a fertilidade nas mulheres. A comunicação mediática ocidental ignora firmemente o conjunto de evidências que apoiam essas afirmações e suspeitas e concentra-se numa preocupação moralista de que "o mundo pode estar a escorregar nos seus esforços para acabar com a póliomielite", catalogando as preocupações válidas de tantas nações como sendo ignorantes e de suspeita mal informada. É obvio que toda a comunicação mediática ocidental está a ler a mesma página dos autores deste ultraje.

Também temos os apologistas corporativos sempre presentes, a tecer as suas tapeçarias de informações erradas, a tentar confundir, irreversivelmente, um problema com irrelevâncias e a colocar dúvidas na mente do público. Uma afirmação constante é a de que "estes ataques às empresas farmacêuticas poderiam incentivar os países a aprovar uma legislação que reduzisse os lucros dos medicamentos, o que, por sua vez, poderia dificultar o desenvolvimento de novos medicamentos". Esta declaração imbecil de Roger Bate, "membro" da International Policy Network, que é um grupo lobby das grandes empresas farmacêuticas, é financiada pelas fundações e corporações habituais e mencionada, respeitosamente, pelo Daily Telegraph de Londres, na sua campanha para confundir o público desinformado. A declaração é realmente bastante inteligente, sugerindo que a nossa condenação das atrocidades e ilegalidades das grandes empresas farmacêuticas são, de alguma forma, "ataques" violentos injustificados contra empresas que não as merecem. No caso da Pfizer e dos seus ensaios clínicos nigerianos com o Trovan, o The Telegraph dá-nos um incentivo adicional para simpatizar com as grandes empresas farmacêuticas, dizendo-nos – sem provas ou documentação – que "os motivos do governo nigeriano (ao condenar a Pfizer) também eram questionáveis", sendo o assunto transformado, a partir dos julgamentos de drogas censuráveis que resultaram na morte de crianças, num problema de um governo não confiável, com motivos políticos discutíveis. Desta maneira, a comunicação mediática ocidental irá girar e tecer mentiras até que a verdade, em todas as suas formas, desapareça para sempre da paisagem.

Transmitam este artigo através das vossas listas de email. Publiquem nos vossos blogues, nos fóruns da Internet, etc.


(1) Tetanus vaccine laced with anti-fertility drug, www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12346214
(2) HCG found in WHO tetanus vaccine in Kenya, nexusnewsfeed.com/...
(3) Vaccines and Population Control: A Hidden Agenda, www.thelibertybeacon.com/are-new-vaccines-laced-with-birth-control-drugs/
(4) Bill Gates and the anti-fertility agent in African tetanus vaccine, www.sfaw.org/...
(5) Rockefeller-Funded Anti-Fertility Vaccine Coordinated by WHO, www.globalresearch.ca/...
(6) One need only search the WHO website for hCG to find the reports.
(7) Clin. exp. Immunol. (1978) 33, (360-375); February 8, 1978
(8) Vatican: UNICEF and WHO are sterilizing girls through vaccines, vaccinefactcheck.org/...
(9) Fertility-Regulating Vaccines are Being Tested in India, vactruth.com/2018/05/30/fertility-regulating-vaccines-india/
(10) Polio Vaccines Laced with Sterilizing Hormone Discovered in Kenya – WHO is Controlling Population?, healthimpactnews.com/...
(11) Panel Faults Pfizer in '96 Clinical Trial In Nigeria, www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/05/06/AR2006050601338.html
(12) Drugs companies fund patient groups which attack NHS, www.telegraph.co.uk/...

Do mesmo autor:

 Carta Aberta ao Presidente dos EUA, Donald Trump

[*] Consultor de administração e empresário aposentado. Ocupou cargos executivos de responsabilidade em empresas de consultoria internacionais e possuía um negócio internacional de importação e exportação. É professor visitante da Universidade Fudan de Shangai, apresentando estudos de casos de assuntos internacionais para as classes avançadas de EMBA [Executive Master of Business Administration]. Reside em Shanghai e está, actualmente, a escrever uma série de livros, geralmente relacionados com a China e com o Ocidente. Pode ser contactado por email: 2186604556@qq.com

O original encontra-se em www.moonofshanghai.com/2020/05/a-cautionary-tale-about-who.html


Tradução de Maria Luísa de Vasconcellos, luisavasconcellos2012@gmail.com

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ 

 

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/o-papel-da-oms-no-mundo.html

A direita sempre esteve contra o SNS

 
camilo lourenco
 
O enfraquecimento do SNS procurando reduzi-lo a um 'mínimo para pobres' tornou-se uma iniludível realidade desde que, em 2002, o PSD e o CDS (sózinhos) aprovaram uma Lei de Bases da Saúde para escancarar as portas à delapidação do SNS e à  "concorrência" com o serviço privado.
Durante anos o PS, apesar de ter tido uma maioria absoluta, nada fez para alterar essa situação. Apenas nos últimos dias da legislatura anterior, apesar de muitas hesitações de influentes sectores do PS e após a demissão de um seu ministro da Saúde, foi possível a Assembleia da República aprovar (com os votos contra do PSD e do CDS) uma nova Lei de Bases da Saúde que constituiu um primeiro, mas importante, passo para a salvação do SNS.
Durante os meses que mediaram entre a publicação da proposta/livro de António Arnaut e João Semedo "Salvar o SNS" até à aprovação da nova Lei de Bases a campanha mediática e o lobismo político para bloquear a sua aprovação e denegrir o SNS foram tremendos. Mas a Lei foi, finalmente, aprovada em Julho de 2019 com os votos do PS, do BE, do PCP, do PEV e do PAN..
Poucos meses volvidos surgiu a pandemia da Covid-19 e a imprescindibilidade do SNS a par da incapacidade do setor privado tornaram-se tão evidentes que o coro de loas ao SNS até parece, agora, pretender que pensemos que o SNS contou com décadas de apoio amplamente consensual.
Por isso importa lembrar que o PSD e o CDS sempre (nomeadamente nas votações parlamentares de 1990 e de 2019) estiveram contra o incremento de um SNS universal, geral e tendencialmente gratuitoe que os 'opinadores' ao serviço da direita económica e política não descansaram um dia sem atacarem o SNS e denegrirem os seus profissionais.
Será que agora o inefável Camilo Lourenço ainda se atreveria a escrever como num artigo do dia 1 de dezembro no "Jornal de Negócios"
«(...)Há dias um médico do SNS,(...) dizia-me com ar assustadoramente sério: "Olhe dr., faça o possível por evitar um hospital público. Pela sua saúde...".»
Provavelmente não lhe ficaria bem, neste momento, dizê-lo mas, não haja ilusões, a direita vai continuar a tudo fazer para destruir o SNS.
A memória importa e, também, a unidade para que sejam dados passos concretos na vivificação de SNS e na valorização dos seus profissionais .
 
 
 
 
 
 
 
 
 

«A tentação para desinvestimento no SNS vai ser tremenda»

Alexandre Lourenço

Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH)

 

O Hospital Público não recuperou da última crise, vivendo em permanente sobressalto e manifestações de descontentamento. Chega à pandemia de covid-19 bastante limitado, enfrentado graves problemas estruturais.
 
A covid-19 alterou as perceções sobre o sistema de saúde. Principalmente sobre a relevância dos profissionais de saúde. Como comunidade, percebemos a importância de ter um serviço de saúde universal e de ter um corpo profissional empenhado e qualificado. Contudo, a memória é curta – as pessoas que criticavam o SNS e os profissionais de saúde são as mesmas que agora batem palmas e que se sentem muito emocionadas com a resposta dos profissionais de saúde. Face à iminente crise económica e fiscal, veremos se a perceção da importância do SNS se mantém. Face às crescentes necessidades em saúde, dado o empobrecimento inevitável, com maior reflexo nos mais frágeis, veremos a prioridade dada ao SNS. Infelizmente, o comportamento dos agentes é mais oportunístico do que reflexo de convicções.

A tentação para desinvestimento no SNS vai ser tremenda. Mesmo dada a complexidade em manter um sistema dual em funcionamento: cuidados específicos para a covid-19 e cuidados gerais. Foi necessário vivermos uma crise com esta dimensão para o Ministério das Finanças desagrilhoar as instituições hospitalares. Nada de mais. O medo do colapso deu lugar à vontade política que tanto faltou nos últimos anos. Antes da tentativa de redução do financiamento, que vai surgir, há uma oportunidade para o Hospital Público promover a sua reestruturação. A transformação digital e a integração de cuidados de saúde (entre níveis de cuidados) e cuidados sociais permitem inovar os seus modelos de prestação. Os centros de responsabilidade integrados têm potencialidade para melhorar a qualidade e o acesso a cuidados de saúde. Mas, mais do que tudo, é necessário atalhar o problema estrutural de governação do Hospital Público, que limita tudo o resto. Não é possível continuar a aceitar que a gestão de topo não seja avaliada. Não é mais aceitável que o Hospital Público seja gerido por curiosos, por carreiristas, por arrivistas. Não é possível gerir o Hospital Público sem considerar a participação da comunidade, das universidades, dos doentes e suas famílias, e dos profissionais de saúde.

A covid-19 trouxe-nos novos problemas, sem que tenhamos resolvido os do passado. Ninguém tenha dúvidas de que entramos numa nova fase de problemas mais complexos. Como vamos gerir a conjunção da gripe sazonal com a covid-19? Como vamos garantir recursos humanos para o sistema dual? Como vamos enfrentar as desigualdades sociais? Como vamos garantir o acesso a cuidados de saúde? O Hospital Público precisa de liderança e de compromisso. De liderança para mostrar o caminho por entre a tormenta. De compromisso para não ser abandonado pelo poder político. Nós, o Hospital Público, aqui estaremos, como sempre estivemos. Com e sem covid-19.

O novo hospital em Évora faz falta

De acordo com o calendário assumido pelo Governo, a adjudicação da obra devia ter ocorrido em Janeiro. Mas, «atraso após atraso, o novo Hospital Central do Alentejo tem visto a sua construção adiada».

Imagem do actual Hospital de ÉvoraCréditos / radiocampanario.com

Dirigindo-se ao Ministério da Saúde, o Grupo Parlamentar do PCP questionou o Governo sobre o atraso na adjudicação da obra de construção do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, bem como sobre as medidas previstas para que a obra se inicie.

O contexto actual de combate ao surto epidémico de Covid-19 evidencia a importância de o Alentejo contar já com o novo Hospital Central em Évora – como o PCP propôs –, pois haveria «agora melhores condições para enfrentar os problemas» existentes no distrito de Évora, tanto ao nível do surto epidémico como da resposta às demais necessidades de saúde das populações.

«A verdade, lamentavelmente, é a oposta. Atraso após atraso, o novo Hospital Central do Alentejo tem visto a sua construção adiada», lamentam os comunistas, explicando que «o calendário assumido publicamente pelo Governo, que apontava para que a adjudicação da obra fosse concretizada em Janeiro de 2020, está já largamente ultrapassado».

«Surgem agora naturais preocupações de que, face aos impactos (já ocorridos ou previsíveis) do surto epidémico, os alentejanos possam vir a ser confrontados com novo adiamento da construção do novo hospital», lê-se no texto da pergunta.

A falta do novo hospital afecta «seriamente» as condições em que os profissionais de saúde trabalham e em que os utentes acedem aos cuidados, pelo que «pior seria agora se houvesse novo adiamento nesse investimento», alerta o PCP, sublinhando que tal decisão representaria «um sério golpe no direito dos alentejanos à saúde e nas possibilidades de desenvolvimento da região».

«É preciso que não haja mais atrasos no início da obra, que o Governo e a ARS [Administração Regional de Saúde] cumpram as suas responsabilidades e dêem andamento ao processo para que a obra não fique em quarentena», defendem os comunistas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/o-novo-hospital-em-evora-faz-falta

Brasil | Uma coisa é certa: vai piorar

Se o uso da cloroquina, mesmo em pacientes leves, tornar-se protocolo do tratamento, os conselhos de medicina e as demais autoridades sanitárias vão obedecer. Duvido que médicos responsáveis farão isso apenas porque o Ministério da Saúde está recomendando.

 

 

A saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde é um péssimo prenúncio. Não que ele estivesse sendo um bom ministro, ninguém poderá sê-lo com Bolsonaro, que agora partirá para a barbárie sanitária. Vai colocar na pasta alguém para fazer o que ele quiser, alguém sem compromisso científico, capaz de incluir a cloroquina no protocolo de tratamento da Covid19, e que tente romper o que resta do isolamento. Para cumprir este papel aí estão Osmar Terra e o próprio secretário-executivo e agora ministro interino, general Pazuello. Se a epidemia já está castigando muito o país, pior ficará.

Bolsonaro, na percepção de alguns congressistas, agora partirá para o “vai ou racha”. No pronunciamento de amanhã, estaria disposto a anunciar o fim do isolamento social em nome dos empregos e da economia, que já foi para o brejo, não por causa do isolamento, mas por causa da pandemia. Isso é aqui, é na Suécia (que agora ele gosta de citar como exemplo de país que não fez isolamento), é em todo o mundo. Só ele não entende.

Mas como poderá Bolsonaro decretar o fim do isolamento se o STF já decidiu que os governadores  e os prefeitos têm prerrogativas para adotar as medidas mais adequadas às suas realidades? Se não for com o golpe, será uma trombada com graves consequências.

Se o uso da cloroquina, mesmo em pacientes leves, tornar-se protocolo do tratamento, os conselhos de medicina e as demais autoridades sanitárias vão obedecer. Duvido que médicos responsáveis farão isso apenas porque o Ministério da Saúde está recomendando.

Mas o certo é que estaremos no pior dos mundos. Os governadores remando numa direção, o governo federal em outra. No ponto a que chegamos, não resta mesmo outro caminho às oposições senão apresentar um pedido de impeachment substancioso, apoiado por todos os partidos de esquerda e entidades representativas da sociedade, como farão agora PT e os demais. No caminho haverá a pedra Rodrigo Maia, mas mesmo ele, em algum momento,  chegará ao limite. Chegará porque estará expressando o fim da paciência das elites, que vêm embalando Bolsonaro em troca da agenda neoliberal. Mas o vírus já liquidou também com esta agenda, ninguém sairá da crise com ela.

A outra providência que precisa ser tomada é pelos governadores. Já que não tem governo federal atuando na pandemia, ou melhor, já que o governo federal atua a favor do vírus,  os governadores precisam criar uma coordenação nacional entre eles. Um consórcio, um organismo  informal que faça o que o Ministério da Saúde devia fazer.

O problema é que o ministro de Bolsonaro, seja quem for, é que terá poder para manusear os recursos da pasta. E por mais que possam e queiram os governadores, sem dinheiro eles poderão muito pouco.

Vai piorar bastante. Resta-nos também repetir Bolsonaro dizendo “Deus acima de todos”, o que significa também, “Deus acima de Bolsonaro”, para ter compaixão dos brasileiros.


Texto original em português do Brasil



 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/uso-da-cloroquina-uma-coisa-e-certa-vai-piorar/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=uso-da-cloroquina-uma-coisa-e-certa-vai-piorar

Gostava que a ministra se portasse como ministra da Saúde, não presidente do SNS [entrevista comentada do sr. CEO do Lusíadas]

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O CEO do grupo Lusíadas Saúde, Vasco Antunes Pereira (Foto cedida pelo próprio)

(Comentário:

Os agentes do neoliberalismo constroem narrativas conformes com os seus interesses que procuram 'naturalizar' junto da opinião pública apresentando-as como 'o' discurso do "bom senso" e da lógica "pragmática" para resolver problemas. Essas narrativas embusteiras têm contado com quase total conivência dos media assim como com demasiada complacência de vários setores políticos e tendem a ser transmutadas no "pensamento único" que não pode ser contestado nem deve, sequer, ser refletido criticamente.

Tem sido assim, nomeadamente, no setor da saúde em que o pensamento neoliberal sustentado por poderosíssimos grupos financeiros se tem constituído como pensamento hegemónico atentatório de quaisquer outras visões mais humanistas e democráticas. O grande negócio da doença (dos seguros à 'big pharma' passando pelos conglomerados hospitalares) é demasiado rentável para poder ser questionado ou admitir a subsistência da Saúde como um Direito Humano inalienável que deve ser Geral e Universal.

A entrevista do administrador do chamado Grupo Lusíada, que abaixo comentamos brevemente (com observações sublinhadas a amarelo), é um exemplo interessante de uma retórica que importa refletir com sentido crítico.

Importa lembrar que o "Grupo Lusíada" é, na sequência da privatização imposta pela Troika em 2013, apenas a fachada do maior império segurador do Mundo - o Unitedhealth Group)

 
 
Vasco Antunes Pereira, CEO do Lusíadas, está preocupado com adiamento da saúde em tempos de covid.
O líder do CEO do terceiro maior operador privado de saúde no país admite perdas de 90% nestes tempos de pandemia. Lamenta que não haja uma visão mais abrangente e menos ideológica (sempre o mesmo: quem pensa diferente deles tem uma visão pequenina e (supremo crime!) IDEOLÓGICA. Como se toda esta retórica neoliberal não fosse parcial e hiper-ideológica) de todo o sistema de saúde e admite concorrer a PPP. “Se tivermos as condições necessárias, iremos a jogo.”
 
 
Joana Petiz 16.05.2020  in "Dinheiro Vivo"
 
O Grupo Lusíadas Saúde anunciou 318 500 euros para apoiar as comunidades mais vulneráveis neste contexto de covid, num compromisso total de dez milhões de dólares do United Health Group para o combate internacional à pandemia….
Deixe-me explica o valor, que parece esquisito. O Lusíadas faz parte do United Health Group, maior empresa de saúde do mundo, que determinou o valor de 350 mil dólares (a conversão dá esses 318,5 mil euros) para apoiar a comunidade onde estamos inseridos – e é o primeiro investimento do United nesse sentido. Sabemos que há franjas mais frágeis e procurámos alocar esse valor às entidades com que já trabalhávamos – incluindo nomeadamente a Comunidade Vida e Paz, a Associação de Albergues Noturnos do Porto, o Movimento ao Serviço da Vida, a Associação Crescer Ser, o Refúgio Aboim Ascensão, a Escolinha de Rugby da Galiza e a Santa Casa da Misericórdia de Braga. Consideramos que é nossa obrigação contribuir para ajudar essas pessoas  [é a costumeira caridade para valorizar a imagem social da empresa, Neste caso a caridade teve muito baixo custo para uma empresa que, num ano, tem um volume de negócio na ordem dos 200.000 Milhões de euros, Comparem-se estes 350 mil dólares "doados" a Portugal com os 350 Milhões de dólares que mesma empresa pagou a uma Associação estadunidense para encerrar um 'caso' em que a Unitedhealth era  acusada de sobrefacturar os doentes e subremunerar os médicos]
E o dinheiro vem dos lucros?
Tudo o que fazemos é retirado de resultados do UHG, que deixam de existir. Neste ano, por causa da covid, é improvável que o Lusíadas chegue ao breakeven [! - ponto de equilíbrio] portanto a lógica nem é partilha de lucros mas acrescento aos prejuízos. Consideramos que temos mais capacidade interna de subsistir do que esta população mais vulnerável e queremos partilhar essa capacidade. Veremos como evolui a pandemia – e pode justificar novas ações do United, até para ações mais específicas – e estamos a analisar outros apoios. [tão bondosos...é pena não referir os lucros anteriormente acumulados]
O grupo Lusíadas disponibilizou-se para tratar doentes covid, depois a ministra da Saúde veio dizer que só seriam pagos casos encaminhados pelo SNS. O que aconteceu?
A pandemia aqui tem sido diferente, mas antecipava-se em Portugal uma evolução idêntica à de Espanha. [pois foi diferente, graças ao SNS...de certeza que não foi pela ação dos grandes grupos lucrativos] Por isso, nós e todos os grandes players [!] privados fizemos uma reunião com a DGS para nos disponibilizarmos para algo que não é um problema do Estado mas de todos. E fizemo-lo muito antes de qualquer discussão sobre dinheiros. , disponibilizámo-nos para ajudar[sempre bondosos..nem era para fazer lucro...era disponibilidade graciosa perante uma tragédia que anteviam! Depois é que se lembraram de qual era fatura que queriam apresentar...]. A seguir houve uma reação ao confinamento e às medidas do governo que ajudou a que não fosse necessário usar os meios todos à disposição. Portanto nós, privados, acabámos por tratar um número até reduzido de doentes covid e o que o governo queria garantir – um maior número de recursos à disposição, nomeadamente médicos, ventiladores, camas, enfermeiros – acabou por não ser necessário. E nessa altura o governo andou um pouco para trás [o governo não andou para trás, os privados é que andaram para a frente com exigências de pagamentos absurdas], pensou, temos capacidade para resolver e não faz sentido que uns vão para o SNS e outro para os privados e seja o Estado a pagar tudo. O que não me choca nada. Se a evolução agora no desconfinamento for linear, diria que o SNS, porque travou as cirurgias, tem muita capacidade dentro do sistema, dos hospitais públicos, para responder às necessidades. Mas se a evolução for exponencial não… [ver aqui]
Disse que o SNS atrasou cirurgias, os privados também atrasaram consultas, tratamentos…Quanto estão a custar esses atrasos nas vossas contas?
Posso dizer que a nossa receita privada caiu acima de 90%. As pessoas deixaram de ir às urgências, às consultas, só se mantém a atividade inadiável: gravidezes, tratamentos oncológicos, traumas e tudo o que não pode ser adiado. Tudo isto junto não responde a 10% da faturação do grupo. Estamos claramente no encarnado. Do ponto de vista financeiro, a covid foi uma desgraça para a economia em Portugal e a saúde não é exceção. Nos EUA, o governo já injetou 200 mil milhões nos hospitais para se aguentarem… Nós também vamos ter dificuldades enormes mas ter um acionista da dimensão da United dá-nos segurança acrescida. Todos os concorrentes estão estrangulados e nós vivemos momentos muito difíceis, mas não estamos estrangulados por causa disso.[os 200.000 Milhões de dólares(!!) dos cidadãos estadunidenses estão, também, a servir para ajudar o 'pobre' grupo Lusíadas..será que está a sugerir que os cidadãos portugueses (através do Estado português) deveriam igualmente injetar mais uns Milhões nos hospitais privados ?
Entretanto repare-se que este 'financiamento' meramente pontual do governo dos EUA aos seus hospitais privados é cerca de 15 vezes mais do que a despesa com todo o SNS português durante um ano inteiro (incluindo o combate à Covid-19). Isto dá uma ideia de como é mais caro sustentar um sistema privado de saúde.]
E que implicações tem esse adiamento na saúde dos portugueses?
A minha convicção é que vamos ter mais ano e meio a dois anos de covid – a vacina tem de ser descoberta, testada, escalada, terá esse prazo provável – por isso temos de aprender a viver com essa limitação. Fizemos uma iniciativa back on track [!], de assistência de clientes, e a expectativa é que vamos andar a 50%, no máximo 70% da capacidade de antes: não vai haver aglomerados, as salas de espera estarão muito limitadas, o número de doentes dentro dos hospitais terá de ser reduzido… e haverá uma fatura de saúde associada a isto, porque os meios não mudaram e só metade ou dois terços vão poder funcionar. Todos nós deveríamos manter um olhar próximo sobre o nosso corpo e a saúde, que hoje em dia vamos evitando ou adiando dada a conjuntura . E isso, nomeadamente no caso de deteções oncológicas, em que o tempo é crítico, vai degradar os nossos indicadores de saúde a médio prazo. Em Espanha, a assistência a enfartes caiu 40%: as pessoas têm enfartes na mesma, mas não vão ao hospital, não são vistas, e isso terá efeitos dramáticos.[repare-se neste 'ingénuo' amedrontamento dos cidadãos para estimular o consumo clínico na expectativa de que boa parte dele venha a ser encaminhado para o privado (ou para o público que o privado gere).]
Como se pode prevenir esse efeito?
Nesta crise, todos evoluímos para regimes virtuais de cuidados de saúde, com uma evolução em semanas que demoraria anos – é o reverso da medalha, um ganho de eficácia – e nós continuámos ligados aos clientes [as pessoas,eventualmente doentes, passaram a meros 'clientes'], com consultas virtuais – demos mais de dez mil – e temos a máquina montada para um doente que não queira ir ao hospital poder ser avaliado à distância pelo médico – com as limitações que esse modo tem, claro.[a telemedicina: o que alguns já anunciam como o grande negócio que aí vem]
É uma solução que vai ficar?
Claramente. Este atraso é uma questão que nos preocupa. O que fizemos e acho que os parceiros privados estão também a fazer, foi divulgar vídeos e comunicados que deem confiança às pessoas, para que agendem consultas, venham ao hospital [é preciso é estimular o consumo com o medo das doenças]. Nós temos elevadíssimos graus de segurança, para mitigar o risco, até porque usamos todas as aprendizagens: na semana passada, o UHG organizou uma conference call [!] com médicos de Wuhan para os nossos profissionais saberem como a onda foi passando, nesta reunimo-nos com os da Lombardia para aprender com a evolução de indicadores clínicos, padrões de ventilação e discussão inter-pares, tudo isto visando aumentar o grau de conhecimento entre profissionais de saúde. Temos de posicionar-nos aí, temos de aprender com quem passou por isso, tentar capitalizar esse conhecimento e transmitir a profissionais e doentes normas e graus de segurança.
Neste contexto, entre a covid e as outras doenças que pusemos em espera, vamos ter de olhar para a saúde de forma diferente? Será necessária a complementaridade entre SNS e privados?
Corremos o risco de ter uma fatura muito grande a pagar com o que está a acontecer, nos próximos 24 a 36 meses. Nós já esticámos as operações de quatro para sete dias por semana, numa lógica de conseguir manter uma resposta adequada. Porque estamos de facto perante uma situação muito complexa, que tem de ser bem gerida. Mas a complementaridade, infelizmente, é um tema político [esta ternura de dizer, como quem bebe um copo de água, que a complementaridade de cuidados sanitários entre o sector público e privado, a que na anterior Lei de Bases da Saúde tão gostosamente chamavam concorrência, já não é uma questão de saúde porque INFELIZMENTE passou a política que, como é sabido, é coisa má]. Está claríssimo que o SNS não tem capacidade para dar resposta às necessidades de saúde portuguesas [BRILHANTE!! Sem mais nem porquê o senhor CEO da Unitedhealth conclui uma verdade absoluta provavelmente made in USA com os bons resultados que lá se conhecem. Onde foi ele buscar tanta CLAREZA que por cá não se tem visto? É preciso viver num mundo irreal feito à imagem dos seus interesses para hoje fazer uma afirmação destas. Deve basear-se naquela velha 'máxima' de que uma mentira dita muitas vezes torna-se uma verdade]
Não tem?

Estamos a tentar chegar a acordo sobre o custo da operação hospitalar, que mudou racialmente [sic]: há hoje menos capacidade instalada (menos salas e pessoal, porque muitos estão a tratar covid) e operar em contexto desta pandemia é muito mais caro, nomeadamente pela necessidade de equipamento de proteção individual, etc. O que é um problema para o privado será também para o público. O que acho que vai acontecer em virtude da covid é que a forma como nos relacionamos terá de evoluir.[quer isto dizer: QUEREM MAIS DINHEIRO do Estado] Espero que os governantes tenham capacidade de vencer vozes mais dogmáticas [no bom estilo neoliberal: quem não se subordina ao 'pensamento único' é DOGMÁTICO. Vá lá, até costumam ser mais agressivos...] e ponham o interesse da saúde acima dos outros [claro: os interesse da Unitedhealth são os da saúde os interesses da defesa do SNS são OUTROS] . Não temos um bom track record (!) nisso, há um elevadíssimo nível de dogmatismo em Portugal [é dogmático tudo o que não seja pensar como eles, claro. É o chamado pluralismo da opinião única] – até porque o nosso SNS é relativamente recente, está muito ligado à liberdade e aos valores de abril e portanto existe uma politização de algo que nada tem de político, que são os cuidados de saúde, o número de pessoas que têm de ter cuidados e a capacidade do sistema de as tratar.[nesta frase sibilina fica sintetizado todo o pensamento político dum CEO ao serviço dos interesses financeiros de uma empresa de seguros estadunidense. Para ele o mal é da liberdade e dos valores de abril que politizam «os cuidados de saúde, o número de pessoas que têm de ter cuidados e a capacidade do sistema de as tratar» e, já agora, os custos inerentes, a sua gestão, etc. ou seja tudo o aquilo que é designado em qualquer parte do Mundo como fazendo parte da política de saúde. Mas, estranhamente, em Portugal «a liberdade e os valores de abril» politizaram a política de saúde.  Claro, todos sabemos que nos EUA, a gestão da saúde não é política...é só consenso, bom senso e amor. Talvez o sr. CEO antes de dar lições e denegrir a defesa do SNS deva informar-se melhor sobre a ação política da Unitedhealth. Por exemplo no livro de Guy Standing "The Corruption of Capitalism: Why Rentiers Thrive and Work Does Not Pay" encontrará algumas ilustrações interessantes sobre como a Unitedhealth faz política em vários países e à escala mundial. Parece que em muitos casos é uma política que se confunde com...lobismo e mesmo com corrupção.Já cansa esta conversa dita apolítica para enganar quem lhes paga os serviços, os lucros e o resto.]

Mas seria importante essa maior complementaridade?
Se me pergunta se o governo a quer ou se antevejo algo parecido a caminho, a resposta é não. Se acho que é absolutamente inevitável que o façamos, sim. [é INEVITÁVEL, mas o Governo não quer, portanto ou o governo cede ou...(a Unitedhealth também pode substituir o governo português, ou tem força lobista que chegue? )]Nem temos outra hipótese. Veja-se a ADSE. Há um ano que esperamos que se publiquem as tabelas, se o privado lhe fecha a porta, como vão acomodar aquelas pessoas todas? [chama-se a isto amedrontar os utentes para os usar como chantagem contra o Estado] O privado em Portugal está a ter enorme respeito e sentido de cidadania, porque o ónus está invertido, quem vai ter necessidade é o Estado.[claro os filantrópicos grandes grupos privados têm cidadania...nem é questão de negócio] Se nós simplesmente não atendêssemos ADSE ou qualquer sistema público, teríamos uma enorme força negocial – mas ninguém o faz, continuamos todos disponíveis para trabalhar com o Estado.[ameaça e chantagem como se não fosse o contrário. Os Hospitais privados é que fechariam as portas se os utentes da ADSE e outros pagos pelo erário público não lhes dessem MUITO LUCRO] Mesmo os nossos concorrentes não se têm precipitado em soluções que podiam parecer mais simples para atingir objetivos. Tem de haver muito bom senso e espero que haja menos política.[e volta ao mesmo: de um lado (o dele) está o bom senso e do outro (do Estado) está a malfadada política. Santo CEO!]
Este contexto pode mudar a visão do governo sobe as Parcerias Público-Privadas (PPP)?
Gostava, mas há aí muito populismo e dogmatismo [espantosa arrogância esta de catalogar quem não pensa ao sabor dos interesses da Unitedhealth]. Eu…respeito todas as opiniões, desde que baseadas em factos, mas há falta de conhecimento sobre o que se fala [será que este sr. CEO pensa que todos os que o leem são tótós? Julgará que ainda se acredita nesta treta neoliberal em que 'conhecimento' e 'factos' é apenas o que interessa ao santo "mercado" pois tudo o resto é ignorância e fantasia?] . Os temas de saúde são difíceis, porque se opera num local que é uma intercessão entre um bem social e um negócio [aqui quase lhe fugiu a boca para verdade mas seria mais correto se dissesse que há uma CONTRADIÇÃO «entre um bem social e um negócio». É essa contradição que o neoliberalismo quer resolver sempre a favor do negócio secundarizando, ou delapidando, o bem social] . Se pensarmos bem, a saúde tem de ser sustentável porque não podemos pagar mais impostos.[era bom que explicasse como é que a saúde é sustentável pondo os portugueses, nomeadamente através do Estado, a pagar os cuidados de saúde e ainda a contribuir para os LUCROS da Unitedhealth] Eu questiono-me, quando vejo a forte implicação da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), sempre em cima dos privados sobre o cumprimento de normas – e bem, é uma tentativa de ser tão seguro quanto possível. Mas teremos nós capacidade para viver num mundo assético? [?!!!] Eu entendo que o exijam, só não entendo que não se exija no público da mesma forma porque não há dinheiro. Porque então caminhamos para uma diferenciação da qualidade da saúde que é prestada. O privado vai seguir as melhores práticas e o público estará isento de cumprir regras.[então este sr. CEO está a dizer-nos que no Hospital de Cascais, um Hospital Público gerido pela Unitedhealth, as normas de qualidade são baixas? Isso devia ser investigado. É verdade que a adminsitração do Hospital de Cascais pressiona médicos para utilizarem materiais mais baratos mas isso é culpa da administração privada que quer aumentar os lucros, não é culpa do Estado ou da ERS] Estes temas são pescadinhas de rabo na boca, mas é impossível pensar a saúde só como SNS. E eu gostava que a ministra se comportasse mais como ministra da Saúde do que como presidente do conselho de administração do SNS. Se olhasse para isto como um sistema, provavelmente teríamos outra abrangência na forma como podemos ajudar.[atacar a ministra da Saúde neste momento é muito revelador da "ajuda" que os grandes grupos da doença querem prestar... Sejamos claros: os grandes grupos privados (assim como o restante setor privado e social) têm vários papéis a desempenhar e estão legalmente previstos acordos e convenções para o concretizar. Aos grandes grupos privados cabe um papel de subsidiariedade do SNS. O que não pode acontecer é, como querem estes grupos, continuar a vampirização do SNS até o reduzir a um serviço mínimo para pobres encaminhando os demais doentes (clientes, como lhe chamam) para os hospitais privados com o Estado (todos nós) a pagar. Percebe-se que a Unitedhealth ambicione ver em todo o Mundo "serviços" de saúde à imagem da lucrativa rede estadunidense mas também é compreensível que os portugueses queiram melhorar um SNS que tem muito mais qualidade e é bastante menos caro do que esse modelo norte-americano. Infelizmente estes grandes grupos privados têm demonstrado nas últimas décadas terem força política bastante para impôr os seus interesses.]
Já disse que a PPP de Cascais, que é gerida pelo Grupo Lusíadas tendo o contrato sido prorrogado até ao final do ano que vem, não chegou ao breakeven[!]. Há um novo concurso a caminho – em 2021, se não atrasar. O valor de 859,6 milhões até 2029 é justo?
Ainda não se disse qual é o custo público comparado – esse valor é o volume de encargo global nos 9 anos e o custo comparado é o que há de vir no caderno de encargos. Esse valor é o máximo que os privados podem apresentar nas propostas – quer dizer que se fosse acima disso, seria mais barato para o Estado operar ele próprio o hospital. Tendo em conta as poupanças relatadas pelo Tribunal de Contas, a mim parece-me difícil que o custo comparado que venha a ser publicado para Cascais seja abaixo do que é a nossa operação ou o nosso atual custo em PPP… Se tudo for linear e fizer sentido, espero que o caderno de encargos venha com custo público comparado superior ao que é hoje o custo do hospital de Cascais. O nosso contrato em Cascais tem 24% de redução no estudo comparado. Se o Estado fosse mais eficiente a gerir, mas não é o que vemos. Em seis meses de gestão pública, Braga consumiu mais 30 milhões do que se se tivesse mantido privado. [como é fácil fazer afirmações falsas. As PPP, mesmo com as artimanhas contabilísticas e outras que usam,  são mais caras do que a gestão pública e o Tribunal de Contas já o evidenciou]
Tem interesse em manter Cascais com as alterações previstas?
Temos, se tivermos as condições necessárias para fazer o projeto como fizemos em Cascais, iremos a jogo. [são altruístas...não lhes dá lucro mas querem continuar]  Se o preço ou as condicionantes de negócio apresentadas forem tais que não permitam uma proposta com a qualidade que prestamos, então não iremos a jogo. Braga era insustentável para o parceiro privado: ele tinha interesse em manter se houvesse reformulação do preço durante a transição, para não perder dinheiro, mas isso não foi aceite – e já estoirou [estoirou?! que se saiba o hospital de Braga está a funcionar bastante bem] A única outra reversão conhecida foi o Amadora-Sintra e tenho ideia que com resultados também dramáticos para a população [tem ideia mas está enganado. Apesar da insuficiência do Hospital para a população que serve e apesar da herança que os privados lá deixaram o Hospital Amadora Sintra tem vindo a melhorar]. Portanto, vamos olhar e apresentar uma proposta se houver condições para fazer do Hospital de Cascais o que achamos que deve ser, uma referência de saúde [referência em marketing é mas quanto aos cuidados de saúde prestados, apesar das boas  instalações asseguradas pelo Estado, tem muito que se lhe diga].
Já ponderou desistir das PPP e dedicar-se só à área privada?
Emocionalmente, várias vezes ao dia… parece que estamos a fazer um favor a alguém que não nos quer lá.[são tão altruistas...] Mas friamente não. Aquilo a que assistimos da parte da Entidade Reguladora da Saúde de Lisboa e Vale do Tejo foi uma tentativa de manter uma relação construtiva, e às vezes não é fácil, a produção legislativa gera um conjunto de indefinições muito cansativas de gerir.[era mais fácil com os "amigos" da Unitedhealth a legislar] Mas acho que a PPP é a melhor solução para um serviço de saúde que todos possamos pagar e que tenha qualidade, sem termos de esperar anos ou que nos deem um voucher para ir ao privado. O que eu queria, como cidadão, era que houvesse mais PPP em Portugal.[como cidadão ou como representante do negócio lucrativo da Unitedhealth? A hipocrisia destas declarações fala por si]
E como operador?
Acho que Cascais é um contrato que devia ter sido renovado por um período alargado. Gerir uma operação com 1600 pessoas a prazo é dificílimo, estamos a fazer um esforço imenso.[pois,,,pois,,,] Se alguém a desafiasse para um projeto profissional a ano e meio, ia? É difícil para nós operar aquele hospital desde que nos puseram a prazo – e não havia razão para o fazerem. Nós entregámos os pareceres ao então ministro, não foi essa a decisão e nós temos de respeitar. Estamos a operar um hospital que não é nosso e o dono entendeu que este é o caminho que quer seguir, é o que vamos seguir. Mas como operador, reuníamos todas as condições para podermos conduzir a evolução, em vez de estarmos à espera; a obra provavelmente já estaria feita, já estaríamos a servir a população da Amadora… Não foi essa a opção política.[importante é alargar o número de 'clientes']
Está disponível para concorrer a outras PPP?
É a mesma situação: se conseguirmos replicar Cascais, teríamos todo o gosto. Sabemos o que fazemos e achamos que está muito alinhado com a nossa missão de ajudar o sistema a funcionar melhor.[afinal é uma MISSÃO,,,e nós apensarmos que era o negócio] A saúde funciona melhor com mais PPP: é mais transparente, mais eficiente, gostava que houvesse mais concorrência. [claro: é preciso é que haja mais hospitais em que o Estado paga e os privados lucram]
Os investimentos do grupo foram adiados por causa da covid?
Temos investimento em dois níveis. Nos de operação corrente, houve uma reorganização do investimento, uma reprioritização. Nos 55 hospitais da United comprou-se qualquer coisa como 400 novos ventiladores – só em Portugal foram 52. Estamos a falar de uma reprioritização de verbas – adiámos outras decisões para tomar estas antes. Mas em termos globais, a United não parou os investimentos estratégicos, continuamos na mesma perspetiva [pois.. e Donald Trump bem tem tentado obrigarà privatização do Sistema de Saúde do Reino Unidopara acentuar os sórdidos negócios da Unitdhealthnaquele país]. Nós não somos oportunistas de mercado, não estamos aqui para a corrida rápida e haverá naturalmente um conjunto de empresas muito fragilizadas, teremos de dar tempo ao tempo para que se reorganizem. As áreas hospitalares são pesadas do ponto vista dos recursos humanos e há que olhar para isto do ponto de vista mais abrangente.[abrangência na linguagem neoliberal significa lucro]
Há projetos a andar em Portugal?
Temos primeira fase entregue agora do novo hospital que fizemos em Braga, além de um conjunto de beneficiações que levámos a cabo nos atuais projetos e das geografias que estamos a olhar para expandir a rede na mesma lógica pré-covid, que é a de conseguir servir a população nacional de uma forma mais abrangente e mais cómoda. O Lusíadas de Braga é exemplo disso: tínhamos a clínica de Santa Tecla, que era histórica mas que não tinha capacidade de servir na dimensão que queríamos, por isso fizemos uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Braga e ocupámos as instalações do antigo Hospital de São Marcos. É uma obra relevante, em que investimos mais de 10 milhões de euros só em equipamentos.
[certamente uma entrevista elucidativa sobre a ideologia e prática dos grandes grupos privados da doença]

Veja aqui a notícia

“Desmotivados”. ARS Norte não vai pagar horas extra a médicos de saúde pública

 

 

A Associação dos Médicos de Saúde Pública queixa-se da decisão da Autoridade Regional de Saúde (ARS) do Norte que decidiu não pagar horas extraordinárias a estes profissionais desde que a covid-19 chegou a Portugal.

 

A notícia é avançada esta sexta-feira pela TSF.

O presidente da associação, Ricardo Mexia, refere que o subsídio de disponibilidade permanente que estes médicos recebem não se enquadra no aumento do volume de trabalho que se regista há mais de dois meses

“As horas trabalhadas que, na prática, há várias semanas, têm sido de rotina, têm sido todos os dias – os médicos de saúde pública trabalham muito mais horas do que aquelas que têm no seu horário – essas horas dificilmente podem ser enquadradas ao abrigo deste regime”, explica Ricardo Mexia em declarações à TSF.

 

O mesmo responsável frisa que esta atitude da ARS Norte vai contribuir para uma atitude menos positiva entre estes profissionais de saúde.

“Estamos a falar de profissionais que, há muitas semanas, estão a dar o melhor de si para controlar o problema. Naturalmente, perante uma situação destas ficam um pouco abalados, desiludidos, desmotivados. Espero que isso se vá resolver oportunamente”.

A TSF observa ainda que, para já, a ARS Norte foi a única administração regional de saúde a dar conta de que não pretende pagar horas extras aos médicos de saúde pública.

Portugal registou nesta quinta-feira 1.184 mortes relacionadas com a covid-19, mais nove do que na quarta-feira, e 28.319 infetados (+187). Em comparação com os dados de quarta-feira, constatou-se um aumento de óbitos de 0,8%.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/desmotivados-ars-norte-nao-vai-pagar-horas-extra-medicos-saude-publica-324589

Quem foram os 'pacientes zero' de anteriores pandemias e doenças infecciosas?

Vírus (imagem de arquivo)
© Foto / Pixabay/ Qimono

Em meio a discussões acesas entre cientistas e países sobre a origem exata do novo coronavírus, os surtos de doenças conhecidas nos mostram como elas se disseminaram no passado.

O termo "paciente zero" ou "caso índice" é usado para descrever as vítimas de epidemias que parecem terem sido as primeiras a ser devidamente documentadas como portadoras da infecção. No entanto, nem sempre é fácil rastrear as origens das pandemias mais mortíferas do mundo.

Apesar de se acreditar agora que os primeiros casos do SARS-CoV-2 foram notificados, segundo alguns relatos recentes, na província chinesa de Hubei talvez já a 17 de novembro último, o "paciente zero" do novo coronavírus ainda não foi oficialmente confirmado.

Mas existem alguns casos na história em que os primeiros portadores de doenças infecciosas foram bem documentados.

Febre tifoide

A cozinheira irlandesa Mary Mallon ficou conhecida como a pessoa que espalhou a febre tifoide entre as famílias para as quais trabalhava no início do século XX nos EUA, apesar de ter sido avisada pelas autoridades de saúde de que não deveria sequer se aproximar de uma cozinha.

Era a bactéria tifoide na vesícula biliar de Mary, que ela foi aconselhada a remover, que estava causando mortes entre seus patrões, mas a mulher não acreditava ser a portadora da doença e se recusava a dar uma amostra de urina para testes.

Depois de ser colocada em quarentena e 1907, e libertada em 1910, ela voltou secretamente ao seu trabalho como cozinheira, apesar de instruções em contrário, e causou ondas de infecções onde quer que trabalhasse.

Artigo de tabloide de 1909 descrevendo o caso de Mary Mallon

© CC0 / Lupo / Mary Mallon
Mary Mallon em artigo de tabloide de 1909

Depois disso, em 1915 ela foi colocada à força em quarentena na Ilha North Brother, Nova York, para o resto de sua vida. Com a sua morte, foi confirmado que a vesícula biliar de Mary Mallon realmente continha bactérias tifoides.

'Paciente Zero' do HIV?

O hospedeiro Gaetan Dugas teria sido em tempos o primeiro homem a espalhar o vírus da imunodeficiência humana (HIV, na sigla em inglês) em Los Angeles e São Francisco, EUA, nos anos 70.

Embora esta hipótese tenha sido posteriormente contestada por muitos pesquisadores, que argumentaram que Dugas não era a fonte do vírus nos EUA, a sua história foi na verdade responsável pela origem do termo "Paciente Zero", pois foi ele quem recebeu o codinome "Paciente O" para indicar como "Fora da Califórnia [Out-of-California]".

Alguns anos mais tarde confundiram a letra "O" com o número "zero".

Vírus do ebola no Zaire

Em 1976, Mabalo Lokela, um professor do norte do Zaire, no que é hoje a República Democrática do Congo, voltou para casa depois de uma viagem ao rio Ebola e começou a apresentar estranhos sintomas que os médicos locais tomaram pela primeira vez como malária.

Del Conn, um paciente suspeito de Ebola, é mostrado sendo transferido de um veículo para um isolador plástico equipado com sistema de filtro de ar HEPA, durante uma evacuação médica de 1976, Zaire.

Um paciente suspeito de Ebola no Zaire em 1976 é mostrado sendo transferido de um veículo para um isolador plástico

Depois que sua condição piorou e ele acabou morrendo, aqueles que tinham estado em contato com ele, incluindo freiras belgas de um hospital local que não estavam esterilizando adequadamente os instrumentos médicos, também acabaram adoecendo.

O surto inicial no Zaire permaneceu localizado, com apenas várias centenas de mortes.

Gripe espanhola de 1918

O surto mais mortal e mais conhecido foi a pandemia de gripe espanhola em 1918, que causou entre 17 e 100 milhões de mortes, de acordo com várias estimativas. Nos EUA, o "paciente zero" foi reportado como sendo Albert Gitchell, um cozinheiro de uma instalação militar norte-americana no estado do Kansas.

Ele adoeceu oficialmente em 4 de março de 1918, mas aparentemente já tinha começado a apresentar sintomas de gripe quando estava trabalhando, infectando assim centenas de pessoas.

Os soldados que viajaram da base para diferentes locais ao redor do mundo no final da Primeira Guerra Mundial, incluindo a Europa, estavam, portanto, espalhando a doença.

Mulheres mascaradas seguram macas perto de ambulâncias durante a pandemia da gripe espanhola em St. Louis, Missouri, Estados Unidos, outubro de 1918

© REUTERS / Biblioteca do Congresso dos EUA / Handout
Mulheres mascaradas seguram macas perto de ambulâncias durante a pandemia da gripe espanhola nos EUA

O próprio Gitchell sobreviveu à pandemia e morreu 50 anos depois, aos 78 anos de idade.

Surto de gripe suína

Edgar Hernandez, de cinco anos de idade, de uma aldeia montanhosa no México, é considerado por alguns pesquisadores o "paciente zero" do surto de gripe suína, ou H1N1, em 2009, embora muitos tenham contestado essa hipótese. A mãe de Edgar alegou que era a fazenda de porcos local que deveria ser responsabilizada pela doença de seu filho.

Felizmente, o garoto recuperou totalmente. Milhares de outras vítimas do vírus em todo o mundo não tiveram tanta sorte.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2020051515581671-quem-foram-os-pacientes-zero-de-anteriores-pandemias-e-doencas-infecciosas/

SNS e a nossa saúde

DIA 15, FALAMOS

Uma das mais cínicas afirmações dos detractores do SNS é a de que as pessoas deviam poder escolher, deviam ter a liberdade de optar por outras alternativas (privadas, claro…).

 

 

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Habituámo-nos a ter um Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito. Melhorámos os cuidados básicos de saúde a milhões de portugueses. Temos excelente estatísticas no que diz respeito a saúde pública. Temos um serviço nacional de saúde que resistiu durante anos a inúmeras tentativas da sua destruição ou, pelo menos, da sua descaracterização sobre a essência da sua existência: o direito à saúde para todos. A sua manutenção ao longo de todo este tempo é uma das vitórias do 25 de Abril.

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O nosso SNS é há muitos anos alvo de ataques e de críticas de vários sectores. Por vezes, com razão como, por exemplo, devido aos atrasos das consultas, às listas de espera para cirurgias, à lentidão de alguns serviços.

Um aspecto curioso é que estas críticas redundam, habitualmente, não em propostas de resolução dos problemas mas em supostos argumentos sobre a necessidade e a premência da sua destruição uma vez que havia melhores soluções nas empresas privadas de saúde.

Uma das mais cínicas afirmações dos detractores do SNS é a de que as pessoas deviam poder escolher, deviam ter a liberdade de optar por outras alternativas (privadas, claro…).

Antes de mais, apetece-me sempre perguntar: que pessoas? As que vivem no limiar de pobreza? Os desempregados? As que ganham o salário mínimo nacional? Não me parece…

3

Mas, com este discurso, foram condicionando os governos que por convicção anti-SNS foram cortando verbas ao seu orçamento e criando barreiras, dificuldades e problemas. O essencial era desmantelar para que, no horizonte empresarial, surgissem oportunidades de negócio para os grandes grupos de saúde. E, como é óbvio, a iniciativa privada não se fez rogada: temos hoje uma oferta privada de grande dimensão, com uma fatia considerável do negócio da saúde em muitos ramos, designadamente nos mais lucrativos.

É a economia de mercado a funcionar, dirão… Pois é.

Mas, a crise gerada pela pandemia do COVID-19 veio mostrar que um (debilitado) Serviço Nacional de Saúde, a energia e a capacidade de milhares de profissionais de saúde são a melhor garantia para apoiar todos os portugueses que necessitem de cuidados de saúde.

Imagine-se o que seria hoje de nós todos se esta pandemia tivesse acontecido num Portugal sem SNS. Para mim, esta é a questão.

E esta é a grande lição a tirar: reforce-se a eficácia, a eficiência, os meios (designadamente recursos humanos qualificados) e os recursos técnico-científicos das unidades de saúde. Com o SNS temos saúde para todos. Pode não ser o sistema perfeito. Mas, quando mais foi preciso funcionou. E salvou milhares de vidas.

 

 
 

Um hospital privado no Porto estava a cobrar esta semana a módica quantia de 7 euros a cada cliente que lá se dirigiu para fazer um exame ou um raio X… Vem tudo na factura com a designação singular: «ACTOS DE ENFERMAGEM: Material de Prevenção e Controle infeção – 7,00€».

Uma lógica imbatível: há uma pandemia. Queremos vender os nossos serviços. As instalações para serem atractivas para esse negócio têm de estar limpas e têm de ter uma imagem de segurança e limpeza. Quem paga? Os clientes… Brilhante!


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/sns-e-a-nossa-saude/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=sns-e-a-nossa-saude

Brasil | Pandemia traz conta da austeridade e é necessário mais investimento na saúde, diz sanitarista

Médicos checam passageiros de um carro em Guarulhos, na Grande São Paulo
© AP Photo / Andre Penner

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório revelando que o Brasil investe menos em saúde do que os países vizinhos e europeus. A Sputnik Brasil consultou um médico sanitarista sobre o assunto, que apontou como esse quadro na pandemia da COVID-19.

Os dados da OMS apontam que dos 193 países membros da organização, 81 gastam mais com Saúde do que o Brasil, proporcionalmente ao orçamento público. Em 2017, o Brasil gastava 10,3% de seu orçamento público com saúde, abaixo da média das Américas - 13,2% - e também da Europa -12,3%.

A pandemia revelou a fraqueza do sistema público de saúde em diversos países e já se inicia um debate em torno do reforço dos sistemas de saúde mundo afora. É o que lembra o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores da ANVISA.

"Todos os países do mundo nesses últimos 15-20 anos, depois da crise de 2008, tiveram uma retração em seus investimentos sociais. Todos esses países de alguma forma privilegiaram o que é chamado de equilíbrio fiscal. E para alcançar o equilíbrio fiscal reduziram seus investimentos na área social, particularmente na área da saúde. A conta está chegando agora com a epidemia do coronavírus", afirma o médico sanitarista em entrevista à Sputnik Brasil.

Vecina Neto aponta que os cortes no investimento público em saúde também ocorreram no Brasil, seguindo a mesma tendência internacional.

"Nós estamos gastando muito pouco em saúde, essa é uma realidade insofismável. Compare do jeito que quiser comparar. O resto é hipocrisia e mentira", afirma.
O sanitarista Gonzalo Vecina Neto em entrevista ao Ministério da Saúde sobre a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, em 2017.
O sanitarista Gonzalo Vecina Neto em entrevista ao Ministério da Saúde sobre a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, em 2017.

O médico recorda que o Brasil investe menos em saúde do que os países vizinhos em relação ao PIB, mas que o país tem também características diferentes que devem ser ressaltadas, tanto no investimento quanto em relação à pandemia.

"Em primeiro lugar é o tamanho. O Uruguai tem 4 milhões de habitantes, o Paraguai tem 6 [milhões], a Argentina tem 38 [milhões], o Chile tem 18 milhões de habitantes. Essa doença é uma doença que precisa de gente para se espalhar. Quanto mais pessoas você tiver mais ela se espalha", aponta Vecina Neto.

A desigualdade social brasileira é uma outra diferença que aponta o médico fundador da Anvisa em relação aos países vizinhos.

"A outra diferença é que nós temos diferenças sociais muito maiores do que os vizinhos. Talvez o Paraguai seja um pouco mais próximo da nossa realidade. Mas a concentração de renda no Brasil é uma coisa estúpida. Nós somos um dos países que tem maior concentração de renda", aponta.
Desigualdade social: vista da favela de Paraisópolis, ao lado de um dos bairros mais ricos de São Paulo, o Morumbi
© Folhapress / Eduardo Knapp
Desigualdade social: vista da favela de Paraisópolis, ao lado de um dos bairros mais ricos de São Paulo, o Morumbi

Das diferenças sociais brasileiras, há consequências diretas sobre a saúde e também sobre a pandemia.

"E concentração de renda implica em dizer pobreza, temos muito pobres. Essa doença mata mais pobres, aliás isso já está acontecendo aqui. Quando a gente olha a mortalidade em São Paulo, a mortalidade foi para a periferia. Essa doença é uma doença que começou pela cobertura e vai terminar pelo subsolo, no porão do país", afirma o médico, ressaltando que essa situação faz com que negros morram mais pela doença do que brancos no Brasil.

O orçamento brasileiro em 2020 alcançou R$ 3,8 trilhões, dos quais R$ 125 bilhões foram encaminhados para a área da Saúde. Para Vecina Neto, uma boa medida que circula hoje é a proposta da Emenda Constitucional nº 29, que define o gasto mínimo em saúde na casa de 10% do PIB.

"Nós temos muito a pagar para a sociedade brasileira para ter um sistema de saúde melhor, que trate de maneira igual todos os cidadãos. mas para isso, temos que melhorar a nossa capacidade de financiamento e temos que, principalmente também, melhorar a gestão. Esse movimento nós temos que fazer no pós-COVID, é o futuro. Mas todos nós temos que saber que temos que construir esse futuro, senão não vamos construir esse futuro", conclui.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020051415579901--pandemia-trouxe-conta-da-austeridade-e-e-necessario-mais-investimento-na-saude-diz-sanitarista/

A situação do SNS e dos seus profissionais, a luta contra a Covid 19 e a necessidade resolver os graves problemas que tem causado a destruição do SNS

Eugénio Rosa

 

No período de governos PS (2016/2020), o saldo negativo [do SNS] foi de -5.365 milhões €. Mesmo em 2020, em que o atual governo anunciou que iria acabar o subfinanciamento crónico do SNS, a previsão é que a despesa seja superior às transferências do OE em 809 milhões €. Mesmo adicionando as taxas moderadoras – 170M€/ano – a receita continua a ser muito inferior à despesa.

 

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Numa altura em que se pede tanto ao SNS e aos seus profissionais é, certamente, o momento adequado para analisar, mais uma vez, a forma como estes trabalhadores e também o SNS têm sido tratados ao longo dos últimos anos pelos sucessivos governos e como os seus principais problemas têm sido ignorados ou mesmo desprezados. E isto até para que se olhe, num momento em que todos os portugueses lhe devem tanto, para a importância que têm para o país e para que se resolvam os principais problemas na área da saúde, que têm sido continuamente adiados ao longo dos anos, o que tem causado a degradação do SNS e a insatisfação profunda dos seus profissionais e contribuído para a explosão do negócio privado da saúde em Portugal.

Seria certamente a melhor e maior homenagem e reconhecimento que se poderia prestar aos profissionais de saúde pelo seu sacrifício, dedicação e competência – resolver os seus legítimos problemas continuamente ignorados e adiados – pois corre-se o risco, como muitas vezes sucede, que os heróis de hoje sejam amanhã esquecidos ou mesmo ignorados.

O SNS e os profissionais de saúde foram dos mais sacrificados pela ditadura do défice e pela obsessão de obter um saldo positivo nas contas do Estado

Para reduzir abruptamente o défice e obter um défice nulo e para o governo e Mário Centeno ficarem na história (a comunicação afeta não se cansava de o repetir) como o governo e o ministro das Finanças que, durante a democracia, conseguiram obter um saldo positivo nas contas públicas (+0,2% em 2019), cortou-se brutalmente no financiamento do SNS e destruíram-se as carreiras dos profissionais de saúde. Os dados do gráfico 1, construído com dados fornecidos à Assembleia da República pelo Ministério da Saúde, aquando do debate do Orçamento do Estado de cada ano, mostra a contínua insuficiência das transferências do Estado para o SNS (o subfinanciamento crónico em todos os anos, incluindo também em 2020), para assim reduzir artificialmente o défice orçamental, causando uma profunda degradação do SNS.

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No período 2014-2020, as transferências do OE para o SNS somaram 61.109 milhões € e a despesa do SNS foi de 68.697 milhões €, portanto, registou-se um saldo negativo de -7.588 milhões €. No período de governos PS (2016/2020), o saldo negativo foi de -5.365 milhões €. Mesmo em 2020, em que o atual governo anunciou que iria acabar o subfinanciamento crónico do SNS, a previsão é que a despesa seja superior às transferências do OE em 809 milhões €. Mesmo adicionando as taxas moderadoras – 170M€/ano – a receita continua a ser muito inferior à despesa.

Este subfinanciamento crónico do SNS pelo Orçamento determinou que, todos os anos, o SNS tenha apresentado elevados prejuízos e que a dívida do SNS a fornecedores seja enorme e tenha aumentado, como revela o quadro 1, cujos dados foram retirados do Relatório e Contas do SNS.

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No período 2015/2019, com Costa/Centeno, o SNS acumulou prejuízos no montante de 2.614 milhões €, o que determinou que a dívida a fornecedores, que já era enorme, aumentasse em 30% (459,5 milhões €). O SNS tem sido pelos sucessivos governos sacrificado no “altar do défice”, o que causou uma profunda degradação e explica as dificuldades que enfrentou e continua a enfrentar na luta contra o “coronavírus” e para garantir o serviço mínimo de saúde à população, pois foram cancelados, neste período de crise causada pelo COVID 19, a maior parte dos atos programados a outros doentes, em que os atrasos já eram enormes, para poder atender aos infetados com o “coronavírus”.

Os profissionais de saúde foram dos mais sacrificados pela ditadura do défice e para ter saldo positivo. É urgente acabar com o subfinanciamento do SNS, como provou a crise

Os profissionais de saúde foram um dos grupos mais sacrificados pela ditadura do défice e pelo desejo de Costa e Centeno de brilharem em Bruxelas, como revelam os dados do quadro 2.

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FONTE: Relatório Social do Ministério da Saúde e do SNS 2018

A despesa bruta (ilíquida) com pessoal do SNS, em 2018, foi de 4.065 milhões € a preços correntes, portanto, antes de deduzir o enorme aumento de IRS e dos descontos para a ADSE, e também antes de deduzir o efeito corrosivo do aumento de preços, sendo pouco superior à despesa de 2010 (3.938,8 milhões €) – ou seja, em 8 anos, a despesa nominal com profissionais do SNS aumentou apenas em 126,3 milhões € (3,2%). No entanto, este valor não tem em conta nem o aumento de trabalhadores registado entre 2010 e 2018, nem aquilo que o Estado “poupou” à custa dos profissionais de saúde com o aumento enorme da taxa de IRS que se verificou entre 2010 e 2018, nem com o facto do Orçamento Estado deixar de financiar a ADSE, passando esta a ser financiada pelos trabalhadores da Função Pública.

O quadro 3, construído também com dados oficiais, dá uma informação mais verdadeira da despesa suportada pelo Estado com os profissionais de saúde do SNS, no período 2010/2019.

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Entre 2010 e 2019, a despesa nominal com os profissionais de saúde do SNS aumentou em 11%, mas se retiramos aquilo que o Estado recupera através do IRS, o aumento é apenas de 7,1%. E se, para além disso, dividirmos pelo aumento de trabalhadores que entraram neste período (+12.157), a subida da despesa do Estado com cada profissional de saúde do SNS foi apenas de 1,3%. Se retiramos o IRS que reverte para o Estado, então o custo mensal de um trabalhador para o Estado até diminuiu, entre 2010 e 2019, em -2,2% a preços correntes, isto é, sem deduzir o efeito corrosivo do aumento de preços. Um contributo para a redução do défice à custa dos profissionais da saúde. Se deduzirmos o efeito do aumento de preços (10,33%) a quebra real na despesa por profissional de saúde é de -11,3%.

Mas despesa por trabalhador não é igual à remuneração por trabalhador. Considerando a remuneração média ilíquida que o Estado paga por profissional de saúde, sobre a qual é depois deduzida a taxa de desconto para ADSE e para o IRS; e se deduzirmos o efeito corrosivo do aumento de preços conclui-se que, entre 2010 e 2019, a remuneração liquida média, a preços de 2010, por profissional de saúde – ou seja, aquela que se obtém depois de deduzir o IRS, o desconto para a ADSE e o efeito do aumento de preços – passou, entre 2010 e 2019, de 1.519€ para 1.300€, ou seja, sofreu uma redução de 11,3%.

Cada profissional de saúde custa cada vez menos ao Estado (1.876€ em 2010 e apenas 1.665€ em 2019) , e a sua remuneração liquida em termos reais (em poder de compra) em 2019 é inferior em 14,4% à de 2010 (1.519€ em 2010 e apenas 1300€ em 2019), o que determina a degradação das suas condições de vida, o que tem servido para promover o negócio privado da saúde, já que os grandes grupos de saúde têm aproveitado essa situação para atrair os profissionais de saúde e para explorar a maioria deles.

Os sucessivos governos, com a sua política de sacrificar os profissionais de saúde, tem ajudado fortemente os grandes grupos privados da saúde e contribuído para a explosão do negócio privado da saúde em Portugal. É preciso que se tenha a coragem de afirmar com clareza isto, para que isto mude.

Se juntarmos a tudo isto a destruição das carreiras dos profissionais de saúde e a negociação individual de remunerações, o que transformou o SNS numa autêntica selva, em que os direitos dos profissionais de saúde não são respeitados nem valorizados, e em que se criou uma insegurança generalizada, fica-se bem com o retrato verdadeiro da situação atual do SNS. É altura – até porque as ameaças da continuação desta crise de saúde pública, assim como o aparecimento de outras no futuro são reais – de repensar e valorizar a atividade destes profissionais e do SNS. Não basta dizer que eles são heróis a enfrentar esta grave crise de saúde pública, arriscando a sua própria vida, e felicitá-los por isso, batendo muitas palmas e fazendo bonitos discursos e, logo no dia seguinte, esquecer tudo o que fizeram. O que é fundamental é reconhecer em atos o seu esforço, dedicação e competência, e resolver os graves problemas que o SNS e eles enfrentam, e cuja solução tem sido continuamente adiada.

Portugal é um dos países que menos investe por habitante na saúde, segundo a OCDE

Os dois gráficos que a seguir se apresentam foram retirados do “Health at a Glance 2019”, da OCDE, e mostram o baixo investimento em saúde em Portugal e o muito que o SNS tem ainda a fazer.

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Em 2018, o gasto público e privado, portanto a soma dos dois, em saúde por habitante em Portugal foi apenas de 2.861 dólares PPD por ano (PPD significa que se anulou o efeito da diferença de preços entre países), quando a média nos países da OCDE era de 3.994 dólares PPD/ano, ou seja, mais 1.133 dólares (+39,6%) por ano. E a percentagem da despesa total com saúde que é pública investida na saúde dos portugueses era muito inferior à de outros países como mostra o gráfico 3 da OCDE.

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Em Portugal, a despesa pública (do Estado) representa apenas 66% da despesa total com saúde (34% da despesa é suportada diretamente pelas famílias no nosso país, para além dos impostos que pagam para o SNS) quando a média nos países da OCDE é 71% (só 29% é das famílias).

Fazendo os cálculos necessários, utilizando para isso os dados do gráfico 2 e 3, conclui-se que a despesa pública por habitante em Portugal era apenas de 1.888 dólares PPD por ano, quando a média nos países da OCDE era de 2.836 dólares PPP por ano, ou seja, mais 50,2% do que no nosso país (na Alemanha era 4.669 dólares PPD por habitante por ano). É urgente que o Estado invista muito mais em saúde em Portugal para se poder ter um SNS que corresponda às necessidades do país e que satisfaça as legítimas reivindicações dos profissionais de saúde.

Interessa referir que Portugal é um dos países com uma das maiores percentagens de habitantes a considerar que a sua saúde é má ou muito má e, os com mais de 65 anos, com mais limitações por falta de saúde (gráficos 4 e 5, “HEALTH AT A GLANCE 2019” da OCDE), o que prova que o SNS ainda tem muito a melhorar e fazer.

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Em 2017, segundo a OCDE, 15,3% dos portugueses consideravam que a sua saúde era má ou muito má, quando a média dos países da OCDE era apenas 8,7%. O gráfico 5 completa o anterior.

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63% dos portugueses com mais de 65 anos consideram que têm limitações ou severas limitações por falta de saúde, quando a média nos países da OCDE é 50,1% e na Suécia apenas 21,4%.

Isto devia fazer pensar os responsáveis políticos e obrigá-los a encarar os problemas graves da saúde em Portugal, e resolverem os graves problemas do SNS (subfinanciamento crónico, enorme endividamento, má gestão, ineficiências e ausência de responsabilização na aplicação dos recursos disponibilizados pelo Estado) e dos profissionais (ausência de remunerações, de carreiras e de condições de trabalho dignas).

 É preciso preparar o SNS para enfrentar não só a crise de saúde publica causada pelo “coronavírus”, mas também muitas outras que surgirão, com certeza, no futuro, assim como para disponibilizar melhores serviços de saúde a todos portugueses que se degradaram muito nos últimos anos, de que é prova milhares e milhares de consultas, de cirurgias, etc. com atrasos enormes, centenas de camas nos corredores dos hospitais por falta de quartos, fecho de especialidades em hospitais por faltar profissionais, condições de trabalho horríveis, causados pela ditadura do défice.

É preciso que, passada a crise, não se esqueça novamente o SNS e a dedicação, sacrifício e competência dos seus profissionais, como muitas vezes acontece.

Eugénio Rosa, edr2@netcabo.pt – 19-4-2020

Fonte: http://eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2020/17-2020-situacao-SNS-e-seus-profissionais.pdf?ver=2020-04-19-102654-897, colocado e acedido em 2020/04/19

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/a-situacao-do-sns-e-dos-seus-94208

PSD quer prémio para profissionais do SNS no valor de 50% do salário mensal

 

O PSD de Rui Rio quer atribuir um prémio de desempenho a todos os profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) envolvidos no combate à covid-19.

A informação é avançada esta quinta-feira pelo Jornal Económico que cita um projeto de resolução entregue pelo PSD na Assembleia da República no qual se detalha que o valor do prémio será de 50% da remuneração base mensal dos profissionais de saúde.

Os sociais democratas sugerem ainda uma compensação ao nível do gozo de férias como reconhecimento pelos “altos e relevantes serviços prestados a favor do bem comum”.

Para o PSD, é “imperioso” reconhecer o “papel absolutamente ímpar de milhares de profissionais de saúde, principalmente os que trabalham no SNS, cuja abnegação, sacrifício pessoal, sentido de dever e profissionalismo tanto contribuíram para as relativamente baixas taxas de doentes infetados e de falecimentos por covid-19 no nosso país”.

“O que está em causa é um ato de homenagem que o Estado – e, através deste, toda a nação – devem prestar a esses trabalhadores, verdadeiros heróis nacionais, numa das mais graves emergências de saúde pública de que há memória em Portugal, na Europa e no Mundo”, lê-se no documento apresentado pelo PSD.

Para os profissionais na linha da frente no combate à covid-19, o PSD defende “um prémio de desempenho, pago uma única vez e até ao final do primeiro semestre de 2021, correspondente ao valor equivalente a 50% da remuneração base mensal do trabalhador ao qual seja atribuído”.

Quanto às férias, o partido de Rui Rio quer que seja dado “um dia de férias por cada período de 80 horas de trabalho normal efetivamente prestadas no período em que se verificou a situação de calamidade pública que fundamentou a declaração do Estado de Emergência”, acrescentando ainda a atribuição de “um dia de férias por cada período de 48 horas de trabalho suplementar” prestado em igual período.

ZAP //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/psd-quer-premio-profissionais-do-sns-no-valor-50-do-salario-mensal-324421

Mais que homenagens, os profissionais da enfermagem querem valorização

Nunca se falou tanto sobre os profissionais da enfermagem como neste momento. Não à toa. São as enfermeiras e enfermeiros, auxiliares, técnicos e obstetrizes que estão na linha de frente para vencer a pandemia do coronavírus.

 

 

Importante então ressaltar as condições de trabalho enfrentadas por esses profissionais que garantem o atendimento à saúde de todo mundo. Porque esta terça-feira (12) foi o Dia Internacional da Enfermagem, desde 1965, instituído pelo Conselho Internacional da Enfermagem. Com objetivo de homenagear o aniversário de nascimento de Florence Nightingale, considerada a pioneira na enfermagem como é conhecida atualmente.

Uma justa homenagem para quem trabalhou em guerras para salvar vidas. Para ela, a enfermagem é “a mais bela das artes” porque trata do “corpo vivo” para salvar pessoas.

Além da importante data, 2020 foi decretado o Ano da Enfermagem pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o tema “Enfermeiros: uma voz para liderar – Levando o mundo para a Saúde”. Essa determinação ocorreu inclusive antes do conhecimento da pandemia do novo coronavírus.

Os profissionais da saúde recebem homenagens no mundo inteiro pelo seu trabalho para preservar vidas. Dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) apontam a existência de 2.305.946 profissionais da área, com 80% de auxiliares e técnicos e 20% de enfermeiras e enfermeiros e composta quase 85% de mulheres.

O Cofen destaca ainda que 59,3% das equipes de enfermagem encontram-se no setor público; 31,8% no privado; 14,6% no filantrópico e 8,2% nas atividades de ensino.

No combate à pandemia, o Cofen informa que já recebeu mais de 5 mil reclamações sobre falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI). De acordo com o órgão, já são mais de 10 mil profissionais afastados por suspeita de Covid-19 e 88 óbitos causados pela contaminação da doença, até o dia 8 de maio.

“A pandemia desnudou as péssimas condições de trabalho dos profissionais da enfermagem no país”, afirma Elgiane Lago, secretária de Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Principalmente porque “as profissionais da enfermagem são as pessoas em contato mais direto por mais tempo com os enfermos”, assegura. Portanto, “os equipamentos de proteção são fundamentais para garantir que essas trabalhadoras continuem na linha de frente do combate ao coronavírus”.

Ressaltando que os profissionais da enfermagem “devem estar envolvidos nas formulações de políticas sobre a saúde”, defende Francisca Pereira da Rocha Seixas, secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Principalmente, porque “os profissionais da enfermagem são os responsáveis diretos pelos cuidados com os doentes”.

A OMS informa a necessidade de pelo menos mais 9 milhões de profissionais da enfermagem e obstetrícia no mundo. “Até porque há concentração de trabalhadoras e trabalhadores nos países mais ricos. No Brasil, por exemplo, a maioria está no Sudeste”, assinala Francisca.

Neste momento de pandemia, Elgiane afirma que “a CTB rende homenagem aos profissionais da enfermagem e se compromete a continuar lutando para as enfermeiras, enfermeiros, auxiliares, técnicas e técnicos e obstetrizes tenham a valorização merecida”.


Texto em português do Brasil


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/mais-que-homenagens-os-profissionais-da-enfermagem-querem-valorizacao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=mais-que-homenagens-os-profissionais-da-enfermagem-querem-valorizacao

O projecto político global imposto por ocasião do Covid-19

 
 
Thierry Meyssan*
 
As reacções ineptas dos governos europeus ao Covid-19 foram ditadas por antigos conselheiros de Donald Rumsfeld e de George W. Bush. Contrariamente à retórica pública, não têm qualquer pretensão médica. Longe de responder à realidade da epidemia, elas visam transformar as sociedades europeias a fim de as integrar no seu projecto político-financeiro.

Para lá de se saber se a epidemia de Covid-19 é natural ou foi provocada, ela providencia a ocasião a um grupo transnacional de impor, subitamente, o seu projecto político sem que ele seja discutido, ou sequer exposto.

Em algumas semanas, vimos Estados pretensamente democráticos suspender as liberdades fundamentais: proibir a saída de casa, sob pena de multa ou prisão, de participar em comícios e manifestações. A escola obrigatória para os menores de 16 anos foi provisoriamente abolida. Milhões de trabalhadores foram privados de emprego e colocados, por declaração, no desemprego. Centenas de milhares de empresas foram autoritariamente forçadas a fechar e não mais poderão reabrir.

Sem preparação prévia, os governos incentivaram as empresas ao teletrabalho. Todas as comunicações via internet foram imediatamente gravadas (registradas-br) pelo sistema Echelon. O que significa que os «Cinco Olhos» (Austrália/Canadá/Nova Zelândia/Reino Unido/EUA) dispõem, em arquivo, dos meios de apanhar os segredos de quase todos os industriais europeus. Agora, já é tarde demais.

 
Nenhuma das transformações das sociedades tem justificação médica. Nenhum livro de epidemiologia no mundo abordou e ainda menos preconizou o «confinamento generalizado obrigatório» para lutar contra uma epidemia.

Os dirigentes políticos dos Estados membros da União Europeia foram petrificados por projecções matemáticas delirantes anunciando-lhes uma hecatombe doméstica [1]. Depois, foram consolados com soluções preparadas por um poderoso grupo de pressão, cujos membros haviam encontrado no Forum Económico de Davos e nas Conferências sobre Segurança de Munique [2].

O «confinamento generalizado obrigatório» foi concebido quinze anos antes, no seio da Administração Bush, não como uma ferramenta de saúde pública, mas para militarizar a sociedade norte-americana por ocasião de um ataque bioterrorista. E, é exactamente este projecto que ele aplica hoje na Europa.

O plano inicial, concebido há mais de vinte anos em torno do patrão do laboratório farmacêutico Gilead Science, Donald Rumsfeld, previa adaptar os Estados Unidos à financiarização global da economia. Tratava-se de reorganizar o planeta atribuindo para isso, geograficamente, as tarefas a cada um. As zonas ainda não-integradas na economia global deveriam ser privadas de Estado e tornar-se simples reservatórios de matérias-primas; as zonas desenvolvidas (entre as quais a União Europeia, a Rússia e a China) seriam responsáveis pela produção; e os Estados Unidos, por si sós, assegurariam a indústria de armamento e o policiamento do mundo.

 
Para isto, um grupo foi criado no seio de um «think-tank», o American Enterprise Institute, com o «Projecto para um Novo Século Americano». Este anunciou com toda a crueza uma parte do seu programa, e uma parte somente; a destinada a convencer grandes doadores a apoiar a campanha eleitoral de Gorge W. Bush. Tendo, no 11-de-Setembro, às 10 horas da manhã, dois aviões comerciais atingido o World Trade Center, em Nova Iorque, foi declarado o Programa de «Continuidade do Governo» (CoG), muito embora a situação não fosse de todo a prevista nas leis. O Presidente Bush foi levado para uma base militar. Os membros do Congresso e as suas equipas foram levadas para um imenso bunker, a 40 quilómetros de Washington. E, o muito secreto Governo de Continuidade, de que Rumsfeld fazia parte, assumiu o Poder até ao fim do dia.

Aproveitando-se do choque emocional causado nesse dia, este grupo fez adoptar um volumoso Código Anti-terrorista, escrito com bastante antecedência, o USA Patriot Act («Lei Patriota dos EUA»-ndT); criou um amplo sistema de vigilância interna, o Departamento de Segurança Interna (Homeland Security) ; reorientou a missão das Forças Armadas em função da divisão global do trabalho (Doutrina Cebrowski); e começou a «Guerra sem Fim». É neste mundo que eles moldaram que, desde há duas décadas, nós vamos vivendo como num pesadelo.

Se não nos precavermos a respeito, o grupo actual, do qual o Dr. Richard Hatchett é o elemento visível, transporá este programa dos Estados Unidos para a União Europeia. Ele irá impor ao longo do tempo uma aplicação (aplicativo-br) de rastreio de telemóvel (celular-br) a fim de vigiar os nossos contactos; arruinará certas economias para transferir a força de produção para as indústrias de armamento; e, por fim, irá convencer-nos de que a China é responsável pela epidemia e deve ser cercada (Containement).

Se não nos precavermos a respeito, a OTAN, que acreditávamos estar em estado de morte cerebral, irá reorganizar-se. Ela irá estender-se para o Pacífico com, para comerciar, a adesão da Austrália [3].

Se não nos precavermos a respeito, a escola será substituída por um ensino de saberes no domicílio. As nossas crianças irão tornar-se papagaios desprovidos de espírito crítico, ouvindo falar de tudo, mas não sabendo nada.

No mundo novo que se está a preparar para os Europeus da UE, os grande média (mídia-br) não mais serão financiados pela indústria do petróleo, mas pela Big Pharma. Eles irão convencer-nos que todas as medidas tomadas foram as melhores. Os motores de busca darão notas de credibilidade, aos média não-conformes, de acordo com os títulos dos signatários dos seus artigos e não pela qualidade do seu pensamento.

Ainda é tempo de reagir.


*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).


Notas: 

[1] “Covid-19 : Neil Ferguson, o Lyssenko liberal”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 20 de Abril de 2020.
[2] “O Covid-19 e a Alvorada Vermelha”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 28 de Abril de 2020.
[3] “A OTAN deseja tornar-se a Aliança atlântico-pacífico”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 11 de Dezembro de 2019.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/o-projecto-politico-global-imposto-por.html

Xi envia cumprimentos a enfermeiros antes do Dia Internacional do Enfermeiro

Beijing, 11 mai (Xinhua) -- O presidente chinês, Xi Jinping, também secretário geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central, enviou saudações aos enfermeiros de todo o país antes do Dia Internacional do Enfermeiro, celebrado no dia 12 de maio.

Desde o surto da COVID-19, um grande número de enfermeiros se engajou nesta batalha sem hesitação e provou ser digno da grande confiança depositada nesses profissionais, disse Xi.

Eles marcharam bravamente para as linhas de frente da luta contra a COVID-19 no país e no exterior, demonstrando o espírito nobre de respeitar e proteger a vida, curar os feridos e resgatar os moribundos, e se dedicar à causa, observou Xi.

A enfermagem é uma importante parte dos cuidados de saúde, disse Xi, pedindo aos comitês do Partido e governos em todos os níveis que cuidem dos enfermeiros, concentrem mais esforços no fortalecimento da força de trabalho da enfermagem e aprimorem os mecanismos de incentivo.

Xi expressou a esperança de que os enfermeiros repassem as boas tradições, promovam o espírito humanitário e contribuam mais ao desenvolvimento dos cuidados de saúde da China e à saúde pública global.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/11/c_139048083.htm

“A crise económica é uma consequência do desinvestimento na saúde”

 
No Público de domingo pode ler-se uma entrevista a Mark Honigsbaum, professor e historiador de Medicina na City University of London e autor do livro The Pandemic Century, publicado no ano passado.

Vale a pena ler a entrevista pelo que nos diz sobre a forma como a organização da sociedade em que vivemos constitui a base da crise que o mundo atravessa. O desinvestimento na saúde é, para o historiador, o principal fator responsável:

"Houve um desinvestimento grande nos cuidados de saúde, na preparação de médicos e de enfermeiros. Foi uma escolha feita depois da crise financeira de 2008, em que se optou por medidas violentas de austeridade."

Honigsbaum critica "os programas políticos [que] são cada vez mais pensados a curto prazo", algo que é particularmente problemático no caso do financiamento e organização dos serviços públicos - no início da pandemia, o Financial Times notou que uma década de austeridade deixou o serviço de saúde pública do Reino Unido (NHS) no "fio da navalha", com falta de camas hospitalares e menor capacidade de resposta. Mas o problema do imediatismo também se reflete no impacto que temos no planeta. “A busca pelo lucro e pela produção sem fim […] tem como consequência a destruição dos habitats naturais, que são substituídos por outras culturas. Temos que repensar isso tudo.”

Além disso, o historiador lembra que "o mais perigoso é que já há muita gente que não confia nas vacinas, nem na ciência biomédica. E qualquer passo em falso vai dar mais força a esses movimentos." É por isso que, na sua opinião, "precisamos que os cientistas cooperem. Quando aparecer uma vacina que seja verdadeiramente eficaz, vamos ainda enfrentar um desafio maior: produzir em grande escala, garantindo que esteja disponível para a maioria da população." A escala dos desafios que atravessamos é enorme e tudo indica que a crise que se aproxima terá proporções históricas. É mesmo preciso politizar a crise: afinal, o escrutínio das opções políticas que nos trouxeram a este ponto e das alternativas possíveis é tão importante hoje como sempre foi.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

O custo da vacina para o Covid-19 da Big Pharma serápago em vidas e em milhares de milhões de dólares

por Paul Craig Roberts

A grande indústria farmacêutica (Big Pharma) e seus apaniguados tais como Anthony Fauci e Robert Redfield estão determinados a usar o Covid-19 para vacinar todos nós a expensas das nossas vidas e dos nossos bolsos. Eles estão a utilizar os media, profissionais dependentes de subsídios, revistas médicas e os media presstitutos para efectuar uma campanha de desinformação acerca de um tratamento barato e com êxito a fim de abrir o caminho para uma vacina provavelmente sem êxito e possivelmente perigosa – mas muito lucrativa.

O tratamento bem sucedido é a hidroxicloroquina-azitromicina e zinco. A Hidroxicloroquina tem sido usada durante décadas para tratar malária, lupus e artrite reumatóide, tendo décadas de registo de segurança. Apesar dos recorde de utilização segura, a Big Pharma e seus contratados cozinharam uma narrativa de desinformação, dizendo que se a tomar terá um ataque de coração. Como Trump endossou a hidroxicloroquina, toda a gente que está contra Trump por outras razões optou pela linha da Big Pharma como mais uma via para o objectivo de desacreditar Trump.

A matéria de facto é que médicos envolvidos com o tratamento do Covid-19 relatam resultados de grande êxito com a hidroxicloroquina. Tenho postado um certo de relatos nos quais médicos e cientistas renomados informam a eficácia e a segurança geral da hidroxicloroquina.

Ver por exemplo:
www.paulcraigroberts.org/...
www.paulcraigroberts.org/...

A notícia do êxito da vitamina C no tratamento do Covid-19 também é objecto de desinformação por parte da Big Pharma e dos seus comparsas.

A campanha óbvia de desinformação contra tratamentos com êxito e baratos do Covid-19 levou muitos à conclusão de que "a pandemia do Covid-19 foi planeada antecipadamente desde o princípio" (ver por exemplo, www.lewrockwell.com/... ).

Deadly Medicines and Organised Crime. Quer tenha sido ou não planeada antecipadamente, a Big Pharma e Bill Gates pretendem ganhar muito dinheiro com uma vacina do Covid-19. Na verdade, a Big Pharma, Bill Gates e a escumalha sua associada são assassinos. Eles estão a matar pessoas com a sua campanha contra um tratamento eficaz e a preço acessível.

Isto pode impressionar algumas pessoas crédulas que confiam no sistema como sendo uma acusação excessiva, mas a Big Pharma desde há muito deixou claro que os lucros vêm antes da vida. O Dr. Peter C. Gotzsche, professor de investigação clínica, director do Nordic Cochrane Center e médico chefe do Rigshospitalet e da Universidade de Copenhagen documentou que as "medicinas" da Big Pharma são o terceiro maior homicida após as doenças do coração e do cancro
( pdf Deadly Medicines and Organised Crime: How Big Pharma Has Corrupted Healthcare (2.18 MB) ).

Foram-nos vendidas vacinas mesmo diante das provas dos danos que causam a algumas pessoas e do facto de serem utilizadas apesar de uma entendimento imperfeito do sistema imunitário humano. Além disso, os coronavírus não são de uma classe que permita vacinas eficazes.

Mas estamos em vias de ter uma, quer seja eficaz ou não e quer queiramos ou não ser vacinados. Bill Gates está a trabalhar para garantir que a vacinação seja obrigatória para todos. Caso contrário não poderá sair de casa ou do seu centro de contenção da FEMA [Federal Emergency Management Agency]. O dinheiro está a ser canalizado não para um tratamento eficaz conhecido mas sim para a investigação de vacinas, à medida que as companhias e os países correm em busca de uma patente. Bill Sardi informa que Chicago "já comprou as seringas e definiu locais para as estações de vacinação".
( www.lewrockwell.com/... ).

Os americanos precisam de se esforçar para compreender como o dinheiro corrompeu tudo. Muitas das pessoas e instituições em que antes confiávamos, na verdade agora dependem de subsídios de empresas, agências governamentais e doadores com interesses próprios com agendas em que a vítima é a verdade. Sim, cientistas agora mentirão por dinheiro. As universidades produzirão "estudos" que promoverão a agenda do doador. Médicos dependentes de donativos de Washington vão segurar suas línguas quando lhes forem apresentadas afirmações obviamente falsas, tais como as de edifícios de aço de construção sólida construídos para resistirem a colisões de aviões a entrarem em colapso devido a incêndios isolados de baixas temperaturas e choques de frágeis aviões de alumínio.

Há várias formas de estudos poderem ser concebidos para se chegar à conclusão de que um tratamento específico é ou não eficaz. Considere-se a hidroxicloroquina. Um estudo pode obter maus resultados com este tratamento, utilizando-o como um tratamento numa fase tardia quando o Covid-19 estiver tão avançado que o paciente está para além do tratamentos. Este parece ser o caso do relatório do New England Journal of Medicine o qual diz que "a utilização de hidroxicloroquina não estava associada a um risco significativamente maior ou menor de entubação ou morte".
( https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2012410 ).

Tal como qualquer doença, o tratamento com êxito precisa começar o mais cedo possível, não na etapa final. Os muitos médicos que relatam êxitos com a hidroxicloroquina enfatizam que o tratamento deveria começar cedo e não ser utilizado só como um último recurso.
Acontece que o estudo publicado pelo NEJM foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde, uma organização influenciada pela Big Pharma que é hostil a uma cura e não a uma vacina. Também é curioso que o artigo, "Observational Study of Hydroxychloroquine in Hospitalized Patients with Covid-19", tenha sido rapidamente publicado em poucas semanas, ao invés do extenso tempo habitual necessário para passar pelo processo de revisão por pares. E é igualmente curioso que muitos ficaram satisfeitos por usar o estudo a fim de desacreditar a hidroxicloroquina, apesar do estudo inconclusivo.

Um establishment corrupto e os media que podem vender-nos o 11/Set, armas de destruição maciça de Saddam Hussein, ogivas nucleares iranianas, utilização de armas químicas por Assad, uma invasão russa da Ucrânia, o Russiagate e um grande número de outras mentiras podem também vender-nos o bloqueio de um tratamento bem sucedido enquanto aguardamos por uma vacina.

Há muitas décadas George Stigler, da Universidade de Chicago, afirmou que o problema da regulamentação é que todas as agências reguladoras acabam por ser capturadas pelos negócios que estão incumbidas de regulamentar. Assim, vemos que a EPA [Environmental Protection Agency] está nas mãos de poluidores, a regulamentação da banca está nas mãos de banqueiros, a regulamentação das telecomunicações – 5G, por exemplo – está nas mãos de companhias de tecnologia que pretendem lucrar – e a aprovação de novos medicamentos está nas mãos da Big Pharma, tal como o currículo das escolas de medicina. Os médicos são treinados para ligar os sintomas aos testes e, quando confirmado por um teste, o médico consulta online o tratamento específico da Big Pharma.

A minha geração cresceu sem vacinas e sem todas as doenças associadas às vacinas entre a juventude super-vacinada de hoje. Hoje em dia, as vacinas começam ao nascer e aumentam com o passar dos anos. Será que o sistema imunitário natural alguma vez se desenvolveu?

Esta é uma pergunta irrelevante. A força motriz da vacinação é o lucro, não a saúde. Se quisermos um sistema de saúde ao invés de um sistema de morte, a Big Pharma tem de ser nacionalizada e administrada por cientistas com salários sem direitos de patente e "bónus de desempenho".

10/Maio/2020
O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/...

 

Baixar:

pdf Deadly Medicines and Organised Crime How Big Pharma Has Corrupted Healthcare (2.18 MB)

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/pandemia/roberts_10mai20.html

VÍRUS, VACINAS E PERIGOS DE CONTAMINAÇÃO

                  Blog | Armstrong Economics - Part 2

Segundo artigo abaixo da Dra Judy Mikovits(ou Michowitz) (1), a tecnologia de fabrico das vacinas não permite excluir a possibilidade de contaminação com vírus (retrovírus) de animais diversos, utilizados no processo de fabrico das vacinas, fazendo com que tais vírus sejam «naturalizados» na espécie humana.
Isto seria muito pior que a doença que estas vacinas pretendem prevenir. Na realidade, existem situações muito preocupantes com as vacinas da gripe, dadas com frequência, tanto a crianças como a idosos, actualmente. No passado e no presente, numerosos acidentes e falhas graves, conduzindo à morte ou incapacidade permanente, foram resultantes da utilização de vacinas com contaminantes diversos. 
Uma eventual vacina contra o coronavírus pode enfermar dos mesmos ou outros problemas. Aplicar tal vacina sem os cuidados necessários, é transformar os humanos em «cobaias» de algo que deveria ser cuidadosamente estudado, antes de se passar para ensaios envolvendo pessoas.
O que parece mais grave e que se está a fazer com as vacinas do coronavírus em estudo, apoiadas pela fundação Gates e pela OMS, é saltar etapas fundamentais para avaliar o risco de contaminantes e dos efeitos secundários da própria vacina (por exemplo, se causa ou não activação de retrovírus endógenos nos humanos).
 
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Nada de ilusões, a imunidade de grupo para o coronavírus não surgirá, demonstram cientistas

Homem infectado com a COVID-19 recebe potencial vacina nos EUA
© AP Photo / Ted S. Warren

Enquanto muita gente e alguns governos acreditam na imunidade de grupo como a melhor forma de combater a pandemia, cientistas asseguram que só uma vacina será confiável.

Cientistas do Departamento de Epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins (EUA) defenderam, em artigo publicado em 9 de maio na página do Centro de Pesquisas do Coronavírus da universidade, que a imunidade de grupo não será alcançada em parte alguma durante o ano de 2020.

"Algumas pessoas creem erradamente que a imunidade de grupo poderia retardar rapidamente a propagação da COVID-19", afirmaram os cientistas, classificando a ideia de "falsa e perigosa".

"Para atingir a imunidade de grupo para a COVID-19, provavelmente 70% ou mais da população precisaria ficar imune", o que em termos norte-americanos significaria que 200 milhões de cidadãos teriam que ser infectados para se atingir esse patamar, escreve-se no artigo.

Isto significaria que, ao ritmo atual da pandemia, a imunidade de grupo só poderia ser alcançada, na melhor das hipóteses, em 2021.

Mas a manterem-se as atuais taxas de mortalidade diária, mais de meio milhão de norte-americanos já teriam morrido de COVID-19 até lá, escrevem os cientistas da Johns Hopkins.

Cientistas trabalham em um laboratório testando amostras da COVID-19 no departamento de saúde de Nova York, durante o surto da doença do coronavírus (COVID-19) na cidade de Nova York, EUA, 23 de abril de 2020
© REUTERS / Brendan McDermid
Cientistas trabalham em um laboratório testando amostras da COVID-19

No entanto, embora o número de pessoas infectadas exceda agora quatro milhões, estudos científicos indicam que apenas 2% a 5% da população de um país estaria infectada com o SARS-CoV-2, assinalam os cientistas.

Idêntica posição é partilhada pelo epidemiologista Eric Feigl-Ding, pesquisador de saúde pública de Harvard, em sua página no Twitter, que aponta o caminho a seguir:

"Concordo. Por favor, parem de sonhar com a imunidade de grupo. Só a vacina é um caminho seguro para a comunidade", escreveu Ding.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2020051115566565-nada-de-ilusoes-a-imunidade-de-grupo-para-o-coronavirus-nao-surgira-demonstram-cientistas/

Brasil | Público e privado: Contradições na estratégia de combate à pandemia

O sistema é único, mas, na vida real, tem gente que usa o serviço público e tem quem pague por um serviço privado. O sistema é público, mas um volume considerável de renúncia fiscal do Estado ajuda a manter a clientela dos planos de saúde, que se resume a menos de 25% da população. O sistema é universal, mas no momento em que a pandemia gerou uma corrida às Unidades de Terapia Intensiva (UTI), cresce o número de pessoas que morrem em casa, sem atendimento, mesmo quando hospitais particulares da região ainda têm leitos desocupados. É verdade que essas contradições são muito mais antigas do que a Covid-19. Elas nasceram exatamente no momento em que a Constituição Federal estabeleceu, por um lado, que saúde é direito de todos e dever do Estado e, por outro, que as instituições privadas poderiam participar “de forma complementar” do Sistema Único de Saúde, o SUS, que acabava de ser criado.

Trinta e dois anos depois, em meio à crise sanitária causada pela pandemia de coronavírus, o país se deparou com um retrato alarmante daquilo que foi concebido apenas como um ‘complemento’: em todo o Brasil, enquanto o SUS tem cerca de 13,6 leitos de UTI disponíveis para cada 100 mil habitantes, no setor privado esse número sobe para 62,6, de acordo com uma nota técnica produzida pelos pesquisadores Nilson do Rosário, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e Marcos Junqueira, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Em comunicado de março deste ano, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) informava uma relação de 14 leitos públicos para 49 privados. De todo modo, ao cenário mais farto, podem ter acesso 47 milhões de pessoas, usuários de planos de saúde. Já as filas do lado mais carente estão destinadas a 162 milhões de brasileiros, que dependem exclusivamente do SUS. E essas diferenças se mantêm quando se olham os dados discriminados. De acordo com o levantamento, o estado com menos leitos públicos de UTI em relação à população é o Amapá: são apenas sete por 100 mil habitantes, contra 97 privados. Na outra ponta, está o Paraná, com 24 leitos SUS e 38 privados. O Amapá é também o único estado brasileiro em que nenhum município dispõe de leitos de UTI e equipamentos necessários neste momento, como respiradores, desfibriladores e tomógrafos, de acordo com outra nota técnica, intitulada ‘Limites e possibilidades dos municípios brasileiros para o enfrentamento dos casos graves de Covid-19’, produzida por Margareth Portela, também da ENSP/Fiocruz, junto com outros cinco pesquisadores. “A situação de desigualdade que temos no Brasil se reflete, obviamente, no nosso sistema de saúde”, resume Leonardo Mattos, um dos coordenadores da campanha ‘Leito para Todos’.

“Em calamidade, ninguém deve morrer enquanto não se esgotam os recursos disponíveis”
Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro

Não fosse o colapso dos sistemas de saúde de várias cidades que já têm todos os leitos públicos de UTI ocupados e continuam somando filas de doentes de Covid-19 em estado grave, talvez essas diferenças passassem despercebidas. Mas no momento em que esta reportagem foi finalizada, municípios como São Luiz e até um estado inteiro, como o Ceará, tinham 100% dos leitos públicos de UTI ocupados ou estavam próximos disso, como é o caso de Pernambuco. O Rio de Janeiro, que já tem fila de pacientes graves de Covid-19 sem UTI, chegou a produzir um protocolo para definir quem teria prioridade de acesso aos leitos de terapia intensiva. Diante dessa medida drástica, houve reação. Em nota, o Sindicato dos Médicos do município argumentou que a “escolha pela Medicina Paliativa” está relacionada a doenças para as quais não existe tratamento e cura, especialmente os casos de câncer, e ressalta que esse “não é o caso da Covid-19”. Falando especificamente sobre a cidade do Rio, o texto faz referência à existência de leitos vazios, tanto em hospitais privados quanto nos federais. “A seriedade do quadro epidemiológico não demanda gestores paliativos: requer decisões difíceis e a mobilização plena dos recursos em defesa da vida”, diz a nota, que completa: “Em calamidade, ninguém deve morrer enquanto não se esgotam os recursos disponíveis”.

E que recursos são esses?

Em números absolutos, a diferença entre público e privado nem é tão grande. De acordo com o levantamento feito pela Amib, em março deste ano, o país tinha 45,8 mil leitos de UTI, sendo 22,8 mil no SUS e 23 mil na rede particular. Somado, esse quantitativo é considerado “satisfatório” pela entidade. Mas quando se divide cada uma dessas partes pelo contingente da população que pode usufruir do serviço, identifica-se que um brasileiro com plano de saúde tem mais do triplo de chance de ter acesso a uma UTI neste momento do que os outros cerca de 77% da população que dependem exclusivamente do SUS. Os leitos disponíveis para o SUS encontram-se em hospitais públicos e conveniados, que são privados mas, em geral, classificados como filantrópicos.

“Espanha, Itália e outros que passaram por situação parecida com a do Brasil unificaram toda a capacidade pública e privada para atender a todos. E é isso que a gente está propondo fazer aqui”
Leonardo Mattos

A saturação do sistema de saúde que hoje algumas cidades começam a apresentar já era prevista em março, quando o estudo de Rosário e Junqueira simulou dois cenários distintos. No mais otimista, ele avalia a condição das redes em todos os estados considerando que, antes da epidemia, 50% desses leitos estavam ocupados. O mais pessimista – que leva em conta informação de documentos oficiais divulgados pelo site The Intercept em dezembro de 2019 – supõe uma ocupação prévia de 85%. No primeiro caso, 11 estados teriam disponíveis dez ou mais leitos por 100 mil habitantes. “Na prática, 68% da população brasileira residiam em um Estado da federação na condição crítica na disponibilidade de leitos de UTI em dezembro de 2019, mesmo usando parâmetros extremamente benevolentes para a taxa de ocupação”, diz o texto. Quando considerada a taxa de 85% de ocupação prévia no SUS, “todos os estados se encontravam completamente colapsados”. Isso, claro, contando-se apenas a disponibilidade de leitos do SUS. Agrava ainda mais a situação o fato de o tempo de permanência dos pacientes de Covid-19 na UTI – pelo menos 14 dias – ser bem superior à média que, segundo a Amib, é de 6,5 dias.

Fila única?

Foi prevendo que isso aconteceria que, ainda em março, um grupo de mais de 40 entidades, entre elas a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes) e a Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde, além de centenas de pessoas, incluindo três ex-ministros da saúde – Alexandre Padilha, José Gomes Temporão e José Saraiva Felipe – lançou um manifesto que reivindica a unificação das filas dos hospitais públicos e privados, sob gestão do Estado. Chamada ‘Leitos para Todos’, a campanha defende que “para enfrentar esta dramática e urgente situação, o poder público precisa tomar atitudes muito mais enfáticas para garantir atenção a todos os casos, independente da capacidade de pagamento”.

E essas não são vozes isoladas. No último dia 22 de abril, o Conselho Nacional de Saúde, instância máxima de controle social do SUS, emitiu uma recomendação ao Ministério e Secretarias estaduais e municipais de saúde para que seja criada uma fila única de leitos no país durante o enfrentamento da pandemia. Muito antes, já tinha sido apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), de nº 671, que também pede que o poder público passe a regular os leitos de UTI da rede privada, mas foi rejeitada. “Não é nada absurdo. Foi feito em diversos países europeus, como Irlanda, Espanha, Itália e outros que passaram por situação parecida com a do Brasil. Esses países unificaram toda a capacidade pública e privada para atender a todos. E é isso que a gente está propondo fazer aqui”, explica Leonardo Mattos. Ele reforça ainda que essa iniciativa tem respaldo legal, tanto na Constituição Federal quanto na Lei Orgânica da Saúde (nº 8.080) e na recente Lei de Calamidade Pública, aprovada já no contexto da Covid-19. Em todos esses casos, o uso dos leitos privados seria remunerado pelo Estado.

De acordo com Mattos, se tomada agora, essa medida ampliaria a capacidade de resposta do sistema de saúde como um todo num momento em que os hospitais de campanha que estão sendo construídos para ampliar as vagas ainda não estão em funcionamento. E ele alerta que esse processo dos novos hospitais é mais complexo do que parece, porque vai além da construção física, demandando, por exemplo, equipamentos de proteção individual e respiradores, que continuam em falta no país, sem contar a contratação de profissionais. “Já temos em diversos locais no Brasil sistemas de saúde que estão lotados, os leitos de UTI já estão esgotados, as pessoas estão tendo que morrer em casa. Essa é uma situação muito dramática”, alerta. E completa: “Na medida em que os governos se omitem de tomar essa decisão, eles estão assumindo que algumas vidas valem mais do que outras, que algumas vidas são descartáveis enquanto outras podem ter sua capacidade de atendimento preservada”.

A reportagem perguntou à Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) sobre sua posição em relação a essa proposta. A resposta, enviada em nota via assessoria de imprensa, foi que a entidade “reforça a importância do isolamento social e a necessidade de uma ação planejada e alinhada entre os setores público e privado, levando em consideração a evolução do surto e a demanda em relação à capacidade dos sistemas de cada local, haja visto que há cidades e estados mais acometidos pela doença, enquanto outros tiveram poucos ou não registraram casos”. A associação reafirma ainda “seu compromisso em contribuir para o enfrentamento da Covid-19 e informa que está em contato ativo e frequente com o governo para buscar soluções de forma ágil e objetiva, como o cenário atual requer”, mas não faz qualquer referência direta à proposta da campanha.

Informação privada

A Anahp vem sendo citada como fonte de reportagens recentes que trazem dados de ocupação de UTI especificamente no Rio de Janeiro, onde 80% desses leitos da rede privada também já estariam ocupados. Na nota enviada à reportagem, a entidade atualiza esse número para cerca de 90%, explicando que chegou a esse dado por meio de um “levantamento pontual” feito especificamente com 14 hospitais do estado. O texto não apresenta informação sobre nenhuma outra cidade ou estado mas, em comunicado publicado em fevereiro deste ano, outra associação, a Amib, afirmou que cerca de 80% dos leitos de UTI na saúde suplementar no Brasil estavam ocupados. “A gente nem sabe se isso é verdade porque não existe informação pública sobre isso”, questiona Leonardo Mattos.

De fato, os dados sobre ocupação dos leitos privados não são fáceis de acessar. Entre as perguntas que enviou à Anahp, a reportagem pediu esclarecimentos sobre as taxas de ocupação dos leitos de UTI da rede particular em meio à pandemia. Via assessoria de imprensa, a associação respondeu que “representa 122 entidades no Brasil e não possui dados de ocupação de todo o setor privado do País que, hoje, conta com mais de quatro mil instituições”. A nota explica ainda que, “para acompanhar o trabalho dos hospitais membros”, a Anahp utiliza um sistema de informação próprio, que é alimentado pelos associados com dados referentes ao mês anterior. E que não é de acesso público. “Os hospitais [privados] têm preferido voltar a fazer cirurgias eletivas, mantendo capacidade ociosa, do que atender o SUS”, denuncia Mattos, referindo-se a procedimentos que não são de urgência e que, portanto, poderiam esperar o recuo da pandemia para não sobrecarregar os serviços.

Apesar disso, Mattos não acha improvável que, em algumas capitais e regiões metropolitanas, a taxa de ocupação esteja tão alta também na rede privada. “Todos os cenários que foram projetados de colapso dos sistemas de saúde colocavam que, independentemente da quantidade de leito que se tivesse, públicos ou privados, isso aconteceria”, diz, destacando que, de todo modo, a realidade tem mostrado que a rede privada vai ser a última a entrar em colapso e a primeira a sair. “Mas quando ela sair, o setor público ainda vai estar em colapso. Não se trata de uma medida só para este momento, em que o colapso está começando a chegar aos estados e capitais, é para toda a pandemia. É uma medida atual e necessária independentemente da capacidade que os hospitais privados tenham ocupada hoje em dia”, defende.

Organizar o sistema

O coordenador da campanha ‘Leitos para Todos’ explica ainda que essa gestão unificada das vagas não atingiria apenas a rede privada. “A fila única vale tanto para leitos privados quanto para os públicos”, diz, ressaltando que o Rio de Janeiro é um “ótimo exemplo”. “A regulação única também trataria da inclusão dos leitos de hospitais federais no cômputo geral, o que não estava acontecendo até pouquíssimo tempo, quando houve uma determinação judicial. Também incluiria hospitais de militares e de servidores, que são de uso exclusivo. Além de leitos de municípios do interior que estão segurando vagas vazias, não querendo que a demanda das capitais chegue até eles”, enumera.

Apenas 421 dos mais de 5.570 municípios contavam com a estrutura necessária para atender pacientes graves em meio à pandemia.

A situação do Rio é exemplar porque o estado, ex-capital do país, concentra seis hospitais e três institutos federais. Parlamentares, entidades e movimentos da área da saúde têm denunciado a existência de um grande número de leitos ociosos (gerais e de UTI) nesses hospitais. Não existe informação precisa sobre a quantidade – matéria publicada pelo UOL afirma que, segundo estimativa feita pelos conselhos regionais de enfermagem (Coren-RJ) e medicina (Cremerj), esse número chegaria a 1.800. O que se sabe é que, no dia 22 de abril, a Justiça determinou que esses hospitais passassem a receber pacientes de Covid-19 encaminhados de outras unidades. Além da falta de aparelhos e insumos, como respiradores e equipamentos de proteção individual, o principal problema desses hospitais, que são administrados pelo governo federal, é a carência de profissionais.

Esse exemplo serve também para mostrar que quando se fala em terapia intensiva para os pacientes graves de Covid-19 ou de qualquer outra doença, a demanda vai muito além da estrutura física do hospital. Por isso, o levantamento feito pelos pesquisadores Margareth Portela, Claudia Pereira, Sheyla Lima, Carla de Andrade, Fernando Soares e Mônica Martins sobre a capacidade de resposta dos municípios à pressão de internação pelo coronavírus levou em conta a existência de leitos de UTI mas também de outros insumos, como equipamentos de proteção individual, respiradores, monitores de eletrocardiograma, desfibriladores, bombas de infusão e tomógrafos – todos potencialmente necessários para o tratamento da Covid-19. O resultado, referente a fevereiro deste ano, é que apenas 421 dos mais de 5.570 municípios contavam com a estrutura necessária para atender pacientes graves em meio à pandemia. E a maior parte deles está localizada nas capitais e regiões metropolitanas.

Em parte, isso expressa o desenho do sistema de saúde brasileiro, organizado em redes de assistência, a partir de regiões de saúde que juntam vários municípios para ganhar escala nos serviços de alta complexidade (sobre isso, leia mais aqui). Mas só em parte. Em outra nota técnica publicada pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, seis pesquisadores fizeram um levantamento da disponibilidade desses serviços considerando não os municípios mas as regiões de saúde brasileiras. E uma primeira conclusão é que, independentemente da pandemia, 72% das regiões não têm leitos de UTI suficientes no SUS. Segundo o estudo, mesmo somando-se sistemas públicos e privados, 279 das 436 regiões de saúde do país tinham menos de dez desses leitos para cada 100 mil habitantes. Quando se olha apenas os leitos SUS, 316 estão nessa situação, o que, de acordo com a nota, atinge 56% da população brasileira e 61% daqueles que dependem exclusivamente do SUS. Dessas, 142 não têm nenhum leito de UTI. E isso “sem a influência da Covid-19”.

Privado meio público

A relação entre público e privado no sistema de saúde brasileiro fica ainda mais complexa quando se analisa a participação do Estado no financiamento da saúde suplementar. Isso porque, como se sabe, por aqui parte das despesas com planos de saúde pode ser deduzida do imposto de renda, seja de pessoa física ou jurídica. De acordo com Carlos Ocké, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea), só em 2017 – últimos dados que ele tem sistematizados -, cerca de R$ 20,3 bilhões deixaram de entrar nos cofres públicos para que menos de 25% da população mantivesse planos privados de saúde. Isso sem contar os R$ 11,6 bilhões de renúncia fiscal – que envolve Imposto de Renda Pessoa Jurídica, CSLL, Cofins e CPP – feita aos hospitais filantrópicos.

Por tratar-se de um procedimento muito caro, são raros os casos em que leitos de UTI, como os que têm sido demandados agora na pandemia de Covid-19, são contratados por pagamento direto. Portanto, a maioria esmagadora dos leitos disponíveis nos hospitais privados hoje são usados por clientes dos planos de saúde, esse mercado que, no Brasil, funciona com subsídio estatal. E é esse mesmo Estado que é o protagonista de um subfinanciamento que marca o Sistema Único de Saúde desde a sua origem e que se agravou nos últimos anos – cálculos de Carlos Ocké, junto com Francisco Funcia e Rodrigo Benevides mostram que, só com a Emenda Constitucional 95, aprovada em 2016 e que estabeleceu um teto de gastos para o governo federal, o SUS perdeu quase R$ 22,5 bilhões entre 2018 e 2020.

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SNS: nota positiva em tempos difíceis

Em tempo de solidariedade e de muitas palmas aos trabalhadores do SNS, recrudesce, por entre algumas mentiras e meias-verdades, a campanha a favor dos grupos privados que da saúde fazem negócio.
A crise sanitária que vivemos veio sublinhar, por um lado, a importância e o papel insubstituível do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, por outro, a necessidade do reforço das suas estruturas, nomeadamente no plano financeiro, passando a canalizar para o SNS muito dos fundos públicos que têm alimentado os lucros dos grupos económicos que actuam na área da saúde e no negócio da doença.
 
Sem pôr em causa a contratualização temporária e limitada de serviços privados, o que se exige são verbas que permitam também valorizar os profissionais de saúde, designadamente quanto a remunerações e carreiras e, face às necessidades, fazer novas contratações. 
Foi aliás no SNS – que se revelou imprescindível – que milhares de doentes infectados pela Covid-19 encontraram tratamento, e não nas seguradoras ou nos grupos privados da saúde.
Entretanto, em tempo de solidariedade e de muitas palmas aos trabalhadores do SNS, recrudesce, por entre algumas mentiras e meias-verdades, a campanha a favor dos grupos privados que da saúde fazem negócio.
 
Promovida por comentadores e analistas ao seu serviço, primeiro trataram de questionar a capacidade de o serviço público responder ao surto epidémico, e agora vêm, de mansinho, pôr em causa a possibilidade de o SNS recuperar os doentes em lista de espera, na expectativa de continuarem a alimentar o sector privado da saúde com os milhares de milhões de euros que o erário público transfere anualmente, e se possível ainda com mais dinheiro.
 
Nesta nova operação de ataque ao SNS, lá estão, na linha da frente, os promotores da política de direita, nomeadamente o PSD e o CDS-PP, a falarem da necessidade e da exigência do reforço do SNS, esquecendo que é deles o velho slogan «quem quer saúde, paga-a». Aliás, um lema que os seus governos (e não só) procuraram aplicar a tudo o que são serviços públicos, em particular nas áreas sociais, nomeadamente através de privatizações ou de cortes substanciais no seu financiamento.
 
Mas também os propagandistas da chamada «reforma do Estado», que a apresentam como a panaceia para todos os males, embora sem dizerem ao que vêm. Sem concretizarem que a sua «reforma do Estado» passa pela destruição dos serviços públicos, nomeadamente nas áreas da saúde e da educação, e pela redução dos apoios sociais.
 
Nesse sentido, depois da «revolução nos transportes públicos» do ano passado, e num momento em que se desvanece o mito das vantagens da gestão privada e da empresarialização na saúde, importa partir do trabalho realizado nestes últimos dois meses e melhorar a capacidade do SNS, não apenas para responder a momentos de crise como o que vivemos, mas de forma permanente e em todas as circunstâncias.
 
Texto publicado em AbrilAbril 
 

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Privados têm de assegurar aos utentes previsão de custos relacionados com tratamento

 

As unidades de saúde privadas têm de assegurar aos utentes uma previsão dos custos “sobre a totalidade dos aspetos financeiros” relacionados com o tratamento da covid-19 e cujo “pagamento lhes seja exigível”, sublinhou a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

 

De acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira, a ERS esclareceu que as unidades de saúde do “setor privado, social e cooperativo” têm de “assegurar aos utentes uma previsão de custos correta sobre a totalidade dos aspetos financeiros relacionados com a prestação de cuidados de saúde e cujo pagamento lhes seja exigível”.

Esta regra, citou a agência Lusa, inclui “os valores associados a prestações e/ou consumos adicionais estimados em contexto” da pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), “garantindo uma total liberdade de escolha do utente no momento da contratação” destes serviços.

A resposta da ERS surge na sequência de várias notícias de que os prestadores de cuidados de saúde privados estavam a cobrar os equipamentos de proteção individual utilizados para o tratamento da covid-19 aos utentes que se dirigiam a estas unidades.

 
 

A ERS explicitou que “qualquer utente que acede a uma entidade prestadora de cuidados de saúde tem direito a ser previamente informado sobre todos os elementos necessários ao seu completo e efetivo esclarecimento”.

Por essa razão, os preços “devidos pelos cuidados de saúde” devem “constar de uma tabela de preços” e que deve “estar sempre disponível” para consulta pública no “estabelecimento a que diz respeito”, prosseguiu a ERS.

Estas unidades de saúde podem estabelecer “os preços dos cuidados de saúde que prestam aos seus utentes, desde que sejam escrupulosamente cumpridas as obrigações decorrentes da lei a este respeito – em especial, as regras aplicáveis aos utentes que se dirijam aos seus estabelecimentos na qualidade de utentes beneficiários do Serviço Nacional de Saúde ou de subsistemas públicos de saúde”, alertou ainda.

A nível global, a pandemia já provocou cerca de 267 mil mortos e infetou mais de 3,8 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Cerca de 1,2 milhões de doentes foram considerados curados.

Portugal contabiliza 1.105 mortos em 26.715 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia. Das pessoas infetadas, 874 estão hospitalizadas, das quais 135 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados passou de 2.076 para 2.258.

Portugal entrou domingo em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março. Esta nova fase prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

Lusa //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/privados-assegurar-previsao-custos-tratamento-323351

Próxima pandemia pode ser provocada por 'micróbios da Era do Gelo' devido a derretimento do Ártico

Imagem de um iceberg na região do Ártico
© AP Photo / Brennan Linsley

Derretimento do Ártico daria "nova vida" a bactérias e vírus congelados e pouco conhecidos, para além de doenças já erradicadas poderem voltar.

Além das consequências econômicas, políticas e sociais que o aquecimento global e as mudanças climáticas podem trazer, o derretimento das regiões geladas do mundo é visto como uma ameaça à saúde mundial pelo renomado especialista em doenças Dennis Carroll.

Ponderando a possibilidade de surgirem pandemias como a causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, o cientista disse ao portal Metro Online que bactérias e vírus pouco conhecidos pelos cientistas poderiam começar a circular pelo mundo após serem descongelados de áreas frias afetadas pelo aquecimento global.

Caso isso aconteça, tais micróbios podem trazer de volta doenças que já foram erradicadas pela humanidade no passado.

"O mundo se confronta com a real possibilidade de micróbios antigos que ficaram adormecidos sob a tundra congelada receberem nova vida com a mudança climática e o derretimento do norte do Ártico", afirmou Carroll.

Ártico mais quente

O alerta está diretamente relacionado com a subida da temperatura no Ártico registrada por diferentes estudos.

Nos últimos 30 anos, as temperaturas na região subiram dramaticamente e a previsão é de que o aumento continuará em um ritmo mais acelerado do que em outras áreas do planeta.

Anteriormente, cientistas conseguiram "ressuscitar" uma bactéria congelada há oito milhões de anos, enquanto sinais de novos vírus já foram encontrados no permafrost, solo no Ártico formado por rochas, terra e restos de vegetação permanentemente congelados.

Ainda de acordo com a Dra. Audrey Thévenon, da Universidade de Georgetown, EUA, citada pela mídia, o risco de pandemia é aumentado pelo maior movimento de animais selvagens, que podem estar contagiados, para áreas ocupadas pelos homens.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2020050815552071-proxima-pandemia-podera-ser-causada-pelo-derretimento-do-artico-diz-cientista/

Municípios vão avaliar a saúde da população

Os 57 municípios que integram a Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis estão a recolher informação, através de um inquérito online, no âmbito do projecto Atlas da Saúde.

Créditos / CC BY-SA 3.0

O Atlas da Saúde dos Municípios Saudáveis está a ser desenvolvido e coordenado por uma equipa de investigação do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Coimbra, em articulação com a Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis. 

Segundo um comunicado da Câmara Municipal de Setúbal, que integra esta associação, além de caracterizar o estado da saúde e o bem-estar da população, o projecto tem como objectivo apoiar a definição de políticas e estratégias públicas de promoção da saúde e de estilos de vida saudáveis.

A par da recolha e análise de indicadores estatísticos, está a ser desenvolvido um inquérito à população residente, com idade igual ou superior a 15 anos, para «identificar problemas, necessidades e expectativas em relação às condições do lugar de residência e à forma como estas influenciam o bem-estar e a qualidade de vida», lê-se na nota.

Tendo em conta o actual contexto de Covid-19, este inquérito integra ainda questões relacionadas com a doença, tais como o impacto do estado de emergência e do isolamento social na vida dos munícipes, bem como a resposta dada no plano local.

Constituída em 1997, a Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis, actualmente liderada pelo presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, tem como objectivo apoiar a divulgação, implementação e desenvolvimento do projecto Cidades Saudáveis nas autarquias que pretendam assumir a promoção da saúde como uma prioridade na agenda dos decisores políticos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/municipios-vao-avaliar-saude-da-populacao

Governo deve intervir para reabrir os SAMS

As estruturas representativas dos trabalhadores exigem que o primeiro-ministro intervenha no sentido de reabrir estas unidades de saúde e de resolver os problemas dos profissionais e dos utentes.

CréditosTiago Petinga / Agência LUSA

No seguimento do encerramento das unidades de saúde SAMS, a partir de 20 de Março, por decisão do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) – agora designado Mais Sindicato –, cerca de 1500 trabalhadores foram colocados em regime de lay-off. Na informação enviada aos trabalhadores, a administração afirmava que a decisão seria mantida, «previsivelmente», até ao dia 5 de Maio.

Perante esta comunicação, a comissão de trabalhadores e os seus sindicatos representativos, que nunca foram formalmente auscultados neste processo, pediram esclarecimentos aos responsáveis institucionais.

No entanto, afirmam que não foi apresentada, até hoje, qualquer proposta formal, nem esclarecimentos quanto ao funcionamento dos serviços e aos concretos termos do lay-off, nem tiveram qualquer informação ou conhecimento de intervenção por parte das responsáveis governamentais e da ACT.

Assim, decidiram recorrer ao Governo, por intermédio do primeiro-ministro, a quem solicitaram «urgente intervenção» neste processo. Nesta exposição reportaram «a situação de apreensão e drama que está a ser vivida pelos trabalhadores face ao corte salarial que lhes foi imposto», lembrando também os cerca de 100 mil beneficiários e utentes dos SAMS que «se viram privados dos seus profissionais de saúde e do acesso aos seus processos clínicos», para os quais continuam a descontar mensalmente.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/governo-deve-intervir-para-reabrir-os-sams

Sondagem reveladora

Eles bem querem
o que não têm
EUA : 69% dos inquiridos apoia
um sistema de saúde para todos
Segundo esta sondagem, o apoio a um serviço de saúde para todos obtém o apoio de 69% dos democratas e dos independentes e até de 46% dos republicanos; e de 91% dos afro-americanos, de 78% dos hispânicos e de 75% dos cidadãos no escalão etário 18-34 anos
 
«(...) Antes da pandemia, 87 milhões de pessoas estavam sem seguro ou com seguro insuficiente no nosso país, e mais de 30.000 pessoas morriam todos os anos porque não podiam ir ao médico quando precisavam ver um. Mais de meio milhão de famílias declaravam falência todos os anos por causa de dívidas médicas. Um em cada cinco americanos não podia pagar os medicamentos que os médicos lhes prescreverames. E os nossos resultados de saúde, desde mortes maternas até à expectativa de vida passando pela mortalidade infantil, ficaram atrás da maioria das outras nações industrializadas. (...)Nas últimas cinco semanas, mais de 26 milhões de americanos perderam seus empregos e agora enfrentam uma crise única entre os países avançados: para a maioria deles, os seus cuidados de saúde estavam ligados aos seus empregos. Na América, ao contrário de qualquer outro grande país, quando você perde seu emprego, você perde a sua cobertura de saúde. Como resultado, estima-se que até 35 milhões de americanos vejam asua cobertura de saúde desaparecer no meio deste pesadelo do Covid-19. E os prêmios para aqueles que mantêm seu seguro de saúde nesta crise podem aumentar até 40%. (...)»
 
- Bernie Sandersaqui no Guardian
ler maisaqui
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

A nova realidade

1. Despertamos para o primeiro dia útil depois do fim do estado de emergência e vemo-nos confrontados com o novo normal. Somos incentivados à paranoia de atentarmos em quantos andam à nossa roda e possam-nos transmitir o vírus. Acaso o apanhemos, eis-nos apontados como os pecadores bíblicos sujeitos às piores represálias desse deus que Saramago disse não ser de fiar. Porque tudo constituindo sua obra - é o que creem os prosélitos! - impõe-lhes o sofrimento da doença e a irreversível morte como “recompensa”.

 

Os que não se reconhecem na submissão à invisível e imaterial criatura condicionam-se adotando uma racionalidade, que minimize as tentações psicóticas e religiosas. Se Darwin nos ensinou a prodigiosa capacidade de todos os seres se mostrarem resilientes perante as circunstâncias mais adversas, assim seremos nós, que continuaremos a viver o melhor possível, com máscara quando necessário, lavando as mãos sempre que possível e reprimindo a vontade de apertar a mão aos amigos e conhecidos sempre que, no dia-a-dia, com eles nos cruzarmos.

 

Na idade provecta em que alguns de nós se situam, cada dia vivido é mais um, ganho à conta de uma existência que esse deus injusto se apressaria a tornar imortal porventura quisesse redimir-se de todas as pretéritas malfeitorias. Mesmo que concluíssemos, tal qual o dizia o grande poeta José Gomes Ferreira, que viver sempre também cansa. E para isso se aprovou a ainda insuficiente lei da morte assistida.

 

2. Estava escrito nas estrelas: evidenciada a intenção do Ministério da Saúde em recorrer aos hospitais privados para reduzir os prazos das consultas e cirurgias no SNS, o presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada, Óscar Gaspar, já veio dizer que os preços não podem ser aqueles que eram praticados antes da crise, porque, sem os fundamentar, diz serem outros os custos envolvidos. Não sobram dúvidas quanto à intenção desses grupos privados já salivarem por antecipação perante a oportunidade de se compensarem, com lautos juros, dos prejuízos sofridos nestes últimos dois meses e meio.

 

3. Pesaroso, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol veio carpir-se com o que antevê como realidade pós-covid 19: “o futebol, durante muitos anos, parecia o centro da vida de muitas pessoas, mas já todos percebemos que não é. As pessoas conseguem viver sem futebol”. E acrescento eu que, nestas coisas, não tenho papas na língua: para quem sempre teve o futebol como um dos tais F’s, que distraiam as multidões ululantes das bem mais relevantes preocupações, e execrou aquela gente enfatuada horas a fio a perorar nos ecrãs sobre jogadas e táticas de vinte e dois tipos a correrem atrás de uma bola com três outros, de preto, a apitar-lhes as supostas faltas, estas semanas têm sido agradavelmente benignas. Até por dar menor ensejo ao Aldrabão de aumentar a quota de mercado junto dos tolos que nele acreditam, à conta de se fazer seu cúmplice clubista. De facto se algo há de que podemos prescindir, o futebol, na sua vertente mais alienante, é uma das prioritárias...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/05/a-nova-realidade.html

Quando podiam fazer falta privados e misericórdias suspenderam 13 acordos de convenção com SNS

(Comentário:
É quando o país enfrenta uma grave pandemia que estas entidades privadas entendem fazer 'chantagem' para sacarem mais dinheiro do Estado (de todos nós) Felizmente o SNS tem sido suficientemente robusto para responder à crise sem precisar dos privados mas a atuação destes evidencia bem que pouco se importam com a saúde das populações (mesmo quando isso pode significar a morte de milhares de pessoas) porque o que para eles está em primeiro lugar é o negócio com a doença.
É mais uma peça do ataque ao SNS que a direita económica e política nunca parou de fazer e que vai continuar a promover)
 

 

Treze unidades de saúde, entre as quais o Hospital da Cruz Vermelha e o Hospital da Luz, suspenderam as convenções que tinham com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no período de confinamento por causa da covid-19.

 

Os dados revelados pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), a que a agência Lusa teve acesso, revelam que entre os dias 16 de março e 24 de abril, foram suspensas 13 convenções com o SNS, entre clínicas, hospitais e misericórdias.

A ministra da Saúde, Marta Temido, numa entrevista divulgada na semana passada, tinha revelado que várias convenções com os privados tinham sido suspensas durante a pandemia de covid-19, sublinhando que, apesar do recurso aos privados, haviaáreas em que apenas o SNS conseguia responder.

Questionada pela agência Lusa, a Administração Central do Sistema de Saúde respondeu que entre as unidades que suspenderam as convenções com o SNS estão o Hospital da Cruz Vermelha, o Hospital da Luz, S.A. (estabelecimento Torres de Lisboa), a Clínica Parque dos Poetas, a CLISA – Clínica Stº António, o Hospital da Confraria de Nª. Srª. da Nazaré e o Hospital da Ordem Terceira de S. Francisco da Cidade.

Foram igualmente suspensas as convenções pelo Hospital de Jesus – Venerável Ordem Terceira da Penitencia de São Francisco a Jesus, o Hospor – Hospitais Portugueses, SA – Hospital de Santiago e o Hospital da Misericórdia de Mealhada.

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, a CSC- Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa, a Santa Casa da Misericórdia de Leiria – Hospital Dom Manuel de Aguiar e a Santa Casa da Misericórdia de Benavente foram outras das entidades a suspender as convenções com o SNS entre 16 de março e 24 de abril.

A notícia da suspensão de convenções surge esta terça-feira depois de o presidente do PSD, Rui Rio, ter dito que o Ministério da Saúde não paga “nada desde janeiro” às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

O líder dos sociais democratas falava depois de uma reunião com os líderes da União das Misericórdias e da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) e com o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

Os últimos dados oficiais indicam que Portugal regista 1.063 mortos relacionadas com a covid-19 e 25.524 casos de infeção. O novo coronavírus, responsável pela covid-19 já provocou mais de 250 mil mortos e infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de um milhão de doentes foram considerados curados.

ZAP // Lusa

(título alterado)
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/privados-misericordias-suspenderam-13-acordos-convencao-sns-322637

Tempo para nada

"Altura para a entrevista com a ministra da Saúde, Marta Temido. Boa noite e bem-vinda a este jornal. Espero ter tempo porque são muitos assuntos que estes dois meses nos trouxeram..." 
Foi assim que o pivot Rodrigo Guedes de Carvalho (RGC), da cadeia SIC, inicou a entrevista no Jornal da Noite de sábado.

Mas depois, RGC ocupou onze (11!) minutos num interrogatório desnorteado e sem chá, cheio de si e na 1ª pessoa, enervado - "eu estou a falar de saúde pública", "estou-lhe a perguntar se...", "não foi isso que eu perguntei..", "Isto não é uma questão de concordar ou de deixar de concordar", "mas a celebração da UGT interessa pouco para uma ministra da Saúde"- marcado por preconceitos sobre o 1º de Maio da CGTP e os 73 anos de Jerónimo de Sousa, semelhantes aos do seu ex-patrão (e corroborado por Marques Guedes na edição de domingo na SIC). A ponto de ouvir a ministra dizer: "O estado de calamidade não é uma emergência totalitária. É uma emergência sanitária". RGC fugiu de um tabuleiroondecaíra para procurar outro onde engasgasse a ministra (ver em anexo), perdeu o controlo das emoções e perdeu até notícias - como aquela em que a ministra deu a entender que, se não há 13 de Maio em Fátima, é porque a igreja católica não quer, o que, aliás, veio a confirmar-se ontem, e ainda mais no acordo entre o governo e a igreja católicacomo se soube hoje. 

Enfim, depois de um mau serviço jornalístico durante onze (11!) penosos minutos e de vergonha alheia, RGC rematou...:

"Muito bem, avancemos, senão não vamos ter tempo para nada"!! 

RGC pode não entender o papel constitucional que as organizações sindicais têm. Pode não perceber a teoria geral do papel das organizações na sociedade, a ponto de as comparar às pessoas que querem visitar a família. Pode não entender a necessidade que certas pessoas sentem desde o século XIX de celebrar o 1º de Maio, dê por onde der. Pode não perceber a densidade histórica da data, destilada por décadas de lutas, sacrifícios, vidas perdidas, dádivas humanas, contra a desigualdade, pelo direito a uma vida. Pode nem se lembrar do objectivo dessa luta lançada nos Estados Unidos no 1º de Maio de 1886, a que nem dá importância alguma - oito horas diárias de trabalho. E pode nem se lembrar que, por acaso, após 135 anos, a reividicação continua a ser actual em Portugal, quando o trabalho extraordinário já é, em certos casos, mais barato do que em período normal de trabalho

Mas por tudo isso, deixo-lhe a circular oficial da Federação dos Sindicatos, de Novembro de 1885. Pode ser que ecoando estas frases com 135 anos, com a força que têm, pelo tempo e pelo tom, pela actualidade das suas palavras (apesar dos anacronismos) se aperceba das ridículas perguntas que fez sobre se era legal terem sido trazidos camionetas do Seixal para a Alameda... 

Camaradas trabalhadores,
Chegámos à época mais importante da história do trabalho. A questão é esta: entregamo-nos a um qualquer azar providencial para fixar a jornada de trabalho de oito horas ou contamos com as nossas forças, preparamo-nos para a luta e arrancaremos a jornada de oito horas àqueles que, por ignorância ou egoísmo, se opõem à sua adopção a 1 de Maio de 1886?
Se os assalariados estiverem unidos neste ponto e se se prepararem com fundos suficientes para aguentar a tempestade durante pelo menos um mês, eles trarão a vitória consigo. O trabalho agindo em unidade, tal como o capital, é todo poderoso. Ele pode impor reivindicações justas por meios pacifícos e legais. Unidade na acção e poupanças suficientes para manter o lobo em respeito durante um período curto, é tudo o que precisamos.
O movimento, para vencer, deverá abraçar todas as classes assalariados, de modo que os produtores não produzam senão quando as reivindicações forem aceites e os seus objectivos conseguidos. 
Trabalhadores:
O vosso dever junto de vós próprios, da vossa família, da prosperidade está claramente definido. Poupem uma determinada soma, metam dois dólares por semana, comprem mantimentos até 1 de Maio de 1886 e estarão em posição de ultrapassar a derrota. Eis o dever de cada um.
Mas qual é o dever das corporações e das sociedades? Que cada organização escolha um comité, para preparar os homens no seu ofício especial, envolvendo os sindicalizados e os não sindicalizados, no maior número possível para exigir as 8 horas em Maio de 1886.
Conseguir as vantagens de uma redução de trabalho quer dizer um trabalho mais regular e melhor remunerado, uma mais longa existência para os trabalhadores, façamos alguns sacrifícios. É tempo de agir.
Vinte anos de paz num país como o nosso, sem epidemias, sem exército permanente considerável, sem uma marinha dispendiosa, e sem que o pesado fardo do trabalho tenha sido aligeirado, mesmo quando por todo o lado a máquina poupa-trabalho é introduzida e que as ruas estejam pejadas de trabalhadores sem trabalho.
É aos trabalhadores e às sociedades que incumbe a tarefa de reduzir as horas de trabalho e de equilibrar o fardo da produção social.
Com a unidade na acção e 35 dólares de economia por cada trabalhador, poderemos levantarmo-nos e e vencer o capital. Tentemos a luta. Preparemo-nos!


ANEXO
Entrevista à ministra Marta Temido, na SIC:  

RGC: O que achou da forma da celebração da CGTP em Lisboa?
MT: Estava em linha com a excepcionalidade prevista no decreto presidencial que se referia ao estado de emergência e que contenmplava uma excepção para a celebração do Dia do Trabalhador. E que referia que deveriam ser respeitadas regras de distanciamento, sanitárias.
RGC: Na verdade, o decreto coloca nas suas mãos e na directora-geral da Saíde definir as regras. Diz apenas que essa comemoração deve ter em conta os limites de saúde pública, No limite, foi a senhora e a directora-geral da Saúde que acharam que aquela celebração se podia fazer assim. Mas são cerca de mil pessoas.
MT: Quem estabeleceu os limites, as condições em que a celebração foi efectuada foi a estrutura sindical que optou por esta forma de celebração. (...) Outras estruturas sindicais optaram por outra forma de celebração. Aquilo que o decreto presidencial referia era a possibilidade de, mesmo em estado de emergência, era assinalar o dia...
RGC: Violou  as regras.. .
MT:... dentro das regras definidas pelas autoridades  de saúde competentes. E portanrto, as autoridades de saúde competentes avaliaram a situação e imposeram determinadas restrições que são conhecidas de todos: o distanciamento, a protecção, o evitar de multidões, de aglomerações de pessoas...
RGC: E acha que aquilo que se viu ali não foi uma multidão, uma aglomeração de pessoas?
MT: Foi um número significativo de pessoas, superior ao número regra, mas um número enquadrado naquilo que era uma sinalização de uma data. Sei que há quem gostasse que tivesse sido de outra maneira, sei que outras estruturas sindicais optaram  por fazer a celebração de uma outra maneira e provavelmente...
RGC: [interrompendo] Então porque é que não deixou as pessoas virem para  a rua no 25 de Abril?
MT:... há muitas opiniões contraditórias...
RGC : [interrompendo] Porque é que não deixou as pessoas virem para  a rua no 25 de Abnril?
MT: O que me parece relevante é que a forma como foi assinalado do dia foi ordeira, foi pacifica, e o que eu gostaria de sinalizar é que não tivemos, por exemplo, eventos com distúrbios como aconteceu noutros paises europeus... 
RGC: [interrompendo] Sim, mas uma coisa não tem nada a ver com outra: eu estou a falar de saúde pública, não estou a falar de intervenções policiais. Falou-me do decreto de estado de emergência onde nada se refere a excepções de cidadãos nestes três dias passarem de concelhos para concelhos. E no entanto, à frente de toda a gente, vieram camionetas pelo menos do Seixal e outros locais. Não era possível a CGTP ter feito uma manifestação só com pessoas do concelho de Lisboa que é bastante grande?
MT: Isso é algo que tem de perguntar à CGTP. O Ministério da Saúde, as autoridades de saúde têm é de definir regras para a realização de determinadas iniciativas, nos termos em que os poderes democráticos as aprovem. O senhor Presidente da República [PR], o Governo, a Assembleia da República  entenderam que o Dia do Trabalhador devia ser sinalizado. Houve uma estrutura que entendeu ter pessoas na rua, dentro de determinadas regras que são as regras sanitárias que temos estabelecidas. Pode-se concordar mais, pode-se concordar menos, pode-se achar que poderia ter sido feita de outra maneira...
RGC: [interrompendo] Isto não é uma questão de concordar ou de deixar de concordar. Estou-lhe a perguntar se nestes três dias 1, 2 e 3 foi ou não proibido pelo PR que as pessoas se desloquem para fora dos seus concelhos.
MT: Não, foi pelo Governo.
RGC: Ou pelo Governo.
MT: Foi estabelecido que nestes 3 dias...
RGC: [interrompendo] E no entanto...
MT: que são dias que, num contexto normal, aproveitaríamos parta visitar amigos, para visitar a familia, para passarmos à beira-mar...
RGC: [iomterrompendo] E aquelas pessoas que não poderam fazer...
MT: Bom, o que estamos a falar é de indivíduos e dos seus gostos pessoais ou de uma entidade que para todos os efeitos é uma entidade representativa dos trabalhadores e que entende fazer uma sinalização do Dia do Trabalhador...
RGC: [interrompendo] Mas porque é que têm mais direitos que todos os portugueses?
MT: As instituições têm sempre uma forma de representação social que os indivíduos não têm. Poder-se-á dizer : "Por que é o Natal é mais importrante do que o aniversário de qualquer um de nós individualmente considerado? Porque são momentos sociais...
RGC: [Interrompendo] E acha que a Igreja Católica é uma instrituição?
MT: Naturalmente.
RGC: Por que é que a Fátima, que é um lugar muito maior do que a Alamada de Lisboa, não se pode aplicar estas regras das filas bem separadas e as pessoas ficarem bem separas umas das outras?
MT: Mas É possível que se possam aplicar essas regras se...
RGC: [interrompendo] Ai é possível?
MT: Se essa for a opção das celebrações que - tanto quanto é do conhecimentro daquilo que foi conversado - a opção este ano seria outra... 
RGC Mas vimos aqui o bispo de Leiria dar a coisa como perdida, dizer que infelizmente este ano não vai poder ser assim...
MT: Repare, a propósito do Dia do Trabalhador, para a mesma forma de expressão que o decreto presidencial tinha que era a celebração do Dia do Trabalhador, duas estruturas sindicais, optaram por fazer uma celebração de uma forma distinta. Portanto...
RGC: Mas a celebração da UGT interessa pouco para uma ministra da Saúde, estamos a falar de saúde pública. Estamos a falar de exemplos que vão sendo dados aos portugueses. E estamos a reparar que há algumas excepções. Mas não quero insistir neste ponto, mas num outro ponto que também tem a ver com o mesmo dia. Jerónimo de Sousa esteve presente, tem 73 anos e ele respondeu que "a idade não é critério absoluto para determionar o risco. A senhora ministra da Saúde concorda?
MT: Concordo, a idade não... 
RGC [interrompendo] Ai não?
MT:é um criteério absoluto para determinar  o risco. A idade é um critério de risco por si só. Mas não é absoluto. Nós sabemos...
RGC: [Interrompendo] Aqui estamos no campo da retórica, não é?
MT: Não é retórica: é uma realidade que está por detrás do factor 70 anos e do facto 70 anos com melhor saúde ou pior saúde.
RGC: A realidade é que, por causa do decreto do estado de emergência e do facto de factor de risco dos 70 anos... [lê] "ficam sujeitos a dever especiao de protecção, alinea a) os maiores de 70 anos". Isto foi o primeiro decreto do estado de emergência. E nós temos, eu já vi, agentes de segurança falarem com pessoas que eles percebem que eles têm mais de 70 anos e dizerem-lhes que eles têm o dever de regressar à sua casa.
MT: Vamos lá ver. As pessoas acima de uma certa faixa etária têm um risco por si só acrescido. A opção do nosso Estado foi semprte a sugerir às pessoas tinham um dever especial de se salvaguardarem. Mas não de as impedir de sair à rua. Parece-me que isso seria, por si só, desproporcional e eventualmente até ferido de outros problemas. Aquilo que temos de ter em presença é quem, ainda hoje a OMS tem um documento especifico a propósito das pessoas de maior idade neste contexto de doença que sabemos que é potencialmente mais agressiva para elas. Mas nós temos de perceber que não é o único critério.
RGC: Muito bem. 
MT: E não podemos confinar as pessoas só porque têm mais...
RGC: [Interrompendo] Certo...
MT:... de 70 anos, ficaram reclusas...
RGC: [Interrompendo] Então...
MT:... ao seu domicílio
RGC: [Interompendo] Então podemos ter agora os portugueses com mais de 70 anos a dar a mesma resposta, que será aceite pelas autoridades e compreendida pela ministra da Saúde.
MT: No contexto actual, sabemos que o dever que impende sobre todos os portugueses é o dever civico...
RGC: [Interrompendo] Não foi isso que eu perguntei..
MT: de recolhimento. Mas esta é a resposta.
RGC: Pronto, pronto...
MT: Esta é a resposta.
RGC: Então avancemos. Falamos aqui de Fátima. A senhora ministra abriu aqui a porta, afinal, de uma peregrinação a Fátima...
MT: Não abri.
RGC: Não abriu?
MT. Nâo.
RGC: Então formulo-lhe a pergunta: Por que é que em Fátima as pessoas, os peregrinos não podem estar lá presentes a ouvir a missa?
MT: Vamos lá ver: Se essa for a opção de quem organiza as celebrações - de celebração do 13 de Maio - onde possam estar várias pessoas desde que sejam respeitadas as regras santárias - isso é uma possibilidade. Agora cada organização de uma iniciativa tem de fazer um juízo de valor sobre aquilo que entende que são os riscos que vai correr. E pode haver entidades que entendam que aquilo que está em causa é compatível com determinadas regras e outras que não...
RGC: [Interrompendo] O mesmo que se aplica aos estádios de futebol?
MT: O estado de emergência, o estado de calamidade não é - como já disse - uma emergência totalitária. É uma emergência sanitária.E portanto as regras são sempre utilizadas com a proporcionalidade necessária à protecçãos anitária. Mas não mais do que isso. 
RGC: Muito bem. Campos de futebol, são também terrenos abertos. Podem também ter público?
MT: Não.
RGC: Porquê?
MT: Porque a opção neste momento será eventualmente a de não ter público. Mais uma vez, vamos fazer uma construção de medidas ao longo do tempo, que garantam a maior normalidade possível, mas num contexto que não é o regular, o normal, aquele que desejaríamos. E também porque avaliamos, os peritos, os organizadores avaliam aquilo que são...
RGC: [interrompendo] Eu quando estou a falar de público no futebol não estou a falar obviamente do estádio cheio. Mas aquela proporção que não se sabe qual será - um terço, dois terços - e pessoas separadas. Por que não é possível?
MT: São aspectos que estão eventualmente a ser ponderados num contexto, não daquilo que está em cima da mesa, porque aquilo que está em cima da mesa eventualmente serão jogos à porta fechada.
RGC: Muito bem, avancemos, senão temos tempo para nada.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Entrevista completa:

 

Proteção de Dados investiga autarquias que divulgaram nomes e moradas de infetados

Proteção de Dados investiga autarquias que divulgaram nomes e moradas de infetados
 
 
(Comentário:
carreiras dados01Ora aí está! Mais um 'grande' exemplo da MUNICIPALIZAÇÃO tão ambicionada por alguns autarcas lusos.
Era certamente para isto que o Presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, tanto se insurgiu contra a"lei da rolha"que o impedia de ter acesso aos dados de saúde dos infetados.
Esta é a notícia que não identifica quais as Câmaras que atuam à margem da lei divulgando dados privados...)
 
 

Câmaras municipais e juntas de freguesia podem ser alvo de multa

por divulgação indevida de dados pessoais de munícipes com Covid-19.

Ministra admite mais vales-cirurgia. Privados querem outras condições

 

A ministra da Saúde admitiu este domingo que poderão ser emitidos mais vales cirúrgicos para os utentes se tratarem em hospitais privados, caso o Serviço Nacional de Saúde tenha dificuldade em responder atempadamente aos doentes.

 

De acordo com a ministra, uma vez que atos considerados prioritários e muito prioritários foram suspensos desde 16 de março, com o critério clínico sempre a prevalecer, e como agora começará a ser feito o seu reagendamento, poderá haver dificuldade em o Serviço Nacional de Saúde responder de modo atempado a todas as necessidades, nomeadamente na cirurgia. Assim, admite que poderão ser passados aos utentes mais vales cirúrgicos.

“O que nos interessa em definitivo é tratar da saúde das portuguesas e dos portugueses e resolver os seus problemas de saúde, se for necessário emitir mais vales de cirurgia fá-lo-emos”, afirmou, na conferência de imprensa regular sobre a evolução da covid-19.

Marta Temido acrescentou que isso mesmo consta do despacho sobre a retoma da atividade não covid-19, emitido este sábado, que já chegou aos estabelecimentos e serviços de saúde, e que será público nos próximos dias.

 
 

Contudo, disse, isto não se trata de passar a responsabilidade de tratar os cidadãos a outros, aos serviços privados e do setor social.

“O Serviço Nacional de Saúde tem, em termos normativos, constitucionais e do seu posicionamento no sistema, a primeira resposta, a primeira obrigação, e tem estado à altura dela. Não há aqui deixar a parte mais fácil para outros, até porque a parte que aí vem não é menos fácil, estamos num momento da luta da pandemia em que não sabemos o que nos espera, e penso que não é justo, não é correto pensar que podemos prescindir de quem quer que seja, precisamos de todos para dar estas resposta”, afirmou.

Privados querem outras condições

Em declarações ao jornal Público, o presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada (APHP) diz que os privados estão disponíveis para reforçar a colaboração, mas considera que as condições não devem ser as mesmas.

Em tempos de pandemia, sustenta, vão crescer os custos associados à necessidade de fazer mais testes, bem como o uso de equipamentos de proteção individual.

“Os hospitais privados estão disponíveis para colaborar e mesmo para reforçar o nível de colaboração com o SNS, mas não é admissível nem justo que se pretenda que as condições de atividade se mantenham nesta fase extraordinária”, disse ao mesmo jornal o presidente da APHP, por escrito.

No seu entender, as as normas e orientações da Direção-Geral da Saúde e da Ordem dos Médicos criaram uma “realidade totalmente diferente e não expectável”.

Qualquer cirurgia “tem que ser antecedida de teste covid-19 ao paciente e em que há a necessidade de utilização de equipamentos de proteção individual, alguns dos quais descartáveis após cada ato”, continua o mesmo responsável.

“Afigura-se que se pretende alijar responsabilidades que são do SNS: estes doentes estão no sistema pelo SNS e são intervencionismos com referência ao hospital de origem (público). Esta questão é importante porque, face às condições estabelecidas para os episódios SIGIC, teme-se que, em muitos casos, as novas exigências inviabilizem a possibilidade da realização de procedimentos por parte de alguns operadores, o que se traduziria numa perda em termos de acesso para os portugueses”, aponta Óscar Gaspar.

ZAP // Lusa

 
 
 

A motosserra do Sr. Rodrigo G. Carvalho

Guedes de carvalho   ministra

É hoje forte o sentimento na nossa comunidade que o SN de Saúde foi até à data o serviço público que tratou e salvou os doentes COVID-19, apesar de descapitalizado, atacado e desprezado pelos vários governos. Sem o SNS a pandemia teria dizimado muitos milhares de portugueses.

Aliás os países com um forte SNS responderam muito melhor à crise que os países onde os cidadãos que queiram ter acesso à saúde têm de a pagar.

Na verdade, serviços públicos fortes, modernos, desburocratizados e ao serviço das populações são elementos chave de um Estado moderno, democrático e vocacionado para proteger.

Ora esta conclusão óbvia não se encaixa nas ideias dominantes de sobrevalorização do papel do indivíduo prevalecente sobre o da comunidade que está em sintonia com a elevação da empresa a um novo paradigma de proteção estatal fundado num quase direito natural.

O que parece contar é a sorte das empresas, sobretudo as grandes. O Estado, a entidade “despesista e gastadora”, de repente tem de ir socorrê-las para a sua salvação. O tal Estado malfadado faz-lhes falta quando a iniciativa privada não está capaz de responder aos seus desafios próprio das sacrossantas leis do mercado. Vejamos de outro ângulo – quando há lucros fabulosos a ordem é arrecadar, quando há prejuízos a ordem é para lançar impostos e os cidadãos pagarem.

Há até quem candidamente defenda que o Estado garanta um empréstimo à TAP de 300 milhões de euros para salvá-la e entrega-la a reluzir à sociedade Barraqueiro/Neelman…que grandes capitalistas…

Parece ser uma nova religião que preconiza que o Estado subvencione os mais poderosos e sobrecarregue os que vivem da força do seu trabalho, como se o salário fosse um peso e sempre imerecido. Felizmente que muitos são os patrões que não têm esta visão, mas esses não têm voz nos media.

A iniciativa privada é essencial numa sociedade moderna, mas de acordo com as regras do mercado e não baseada no critério de que na sua atividade o risco é do Estado e o lucro do capital.

Aliás os lucros de algumas dessas empresas vão direitinhos para os “repugnantes” holandeses enchendo-lhes ao cofres e deixando o maldito Estado português à míngua, mas obrigado a socorrer os mesmos de sempre.

Quando chegar a hora de fazer contas vira o disco e toca o mesmo – austeridade. Não se pode tocar nos lucros, só nos rendimentos dos que trabalham e nesses pode ser à bruta porque aguentam, aguentam, como afirmou o célebre banqueiro…

Dinheiro já (não pode ser amanhã de manhã) a fundo perdido. E a vida das famílias, dos trabalhadores com menos um terço do vencimento?…Alguém deu conta da necessidade de remunerar mais dignamente os enfermeiros, os médicos, os cientistas das várias áreas sem os quais as mortes eram aos milhares…Já foi feito o ato de contrição sobre o sair da zona de conforto que levou milhares de enfermeiros e médicos portugueses a sair do país? Um dos rostos desse período negro aparece confortavelmente e todo pimpão, com ares de cientista, pianinho, pianinho, a botar postas de pescada sobre o coronavírus. Refiro-me a Sua Excelência o Paulino das Feiras, dos retornados, dos ex-combatentes, do irrevogável, do Vice-Primeiro-Ministro que ultrapassou na corrida Maria Luís e todo lampeiro perora na TVI. Ele é que sabe e por isso estendem-lhe a passadeira…Depois de tudo o que foi agora é virologista formado na Rua do Caldas.

Na SIC, em entrevista à Ministra da Saúde, o Sr. Rodrigo atirou-se como uma fera a propósito da comemoração do 1º de maio da CGTP e instou-a a esclarecer o que lá fazia Jerónimo de Sousa de cima dos seus setenta e três anos. Veja bem Sra. Ministra aquele velho desconfinado, um dirigente do PCP nas comemorações do 1º de maio…

O Sr. Rodrigo estabeleceu uma linha fortificada que ia da Alameda até à Cova da Iria. Queria a todo o custo saber porque não autorizara a peregrinação e a missa no santuário, em contraste com o que se passara na Alameda.

Marta Temido explicou o conteúdo da decisão presidencial contida no Estado de Emergência sobre aquela data e referiu as conversações com a Igreja que não passaram pelo modelo da Alameda.

Porém, como o Sr. Rodrigo se achava portador do inconfessável propósito da Ministra, a entrevista tornou-se num interrogatório. Com toda a simplicidade do mundo, um sorriso e um olhar firme teve de responder ao Sr. Rodrigo que estava ali para esclarecer e para tanto esclareceria. Foi então que ele deu conta que se acabara a gasolina da motoserra. Ficou a imagem de Marta Temido feliz com a resposta do SNS.

https://www.publico.pt/2020/05/04/opiniao/opiniao/sns-motoserra-senhor-rodrigo-g-carvalho-1914955

 
 

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2020/05/04/a-motosserra-do-sr-rodrigo-g-carvalho/

Ação pelos profissionais de saúde em Portugal

Neste Dia do Trabalhador a Amnistia Internacional faz um apelo à acção por todos os profissionais de saúde em Portugal que, na actual situação, colocam a sua vida em risco para proteger todas as pessoas, mesmo quando não dispõem da protecção necessária e recomendada.

 

 

À Amnistia Internacional chegaram testemunhos de profissionais de saúde que apontaram as carências de equipamentos de protecção individual em diferentes contextos em Portugal. Segundo eles, a falta destes equipamentos é o principal desafio para quem está na linha da frente da resposta à pandemia da COVID-19.

O que lhe pedimos esta semana é que assine a nossa petição e a partilhe com os seus contactos, pedindo-lhes para também assinarem e partilharem, criando assim uma cadeia de solidariedade para garantir a protecção de quem está na linha da frente no combate a esta pandemia.

Esta acção pode ser realizada até ao final de domingo, dia 3 de maio. Depois, fecharemos a petição e iremos entregar todas as assinaturas às autoridades portuguesas, para que, nestes tempos extraordinários, o governo português garanta que as respostas estão à altura do desafio.

 

 

Porque precisamos de si?

Actualmente, em todo o mundo, milhões de profissionais de saúde saem diariamente de casa, deixando a sua família e com a certeza de que o trabalho já não se faz como dantes.

Chegados ao destino, começa a batalha ingrata para salvarem vidas com recurso limitado ao equipamento de protecção individual de que dispõem. Neste cenário desolador, Portugal não é excepção.

À Amnistia Internacional chegaram vários relatos de profissionais de saúde que denunciam a falta de máscaras, luvas, fatos de protecção, desinfetantes alcoólicos e viseiras de protecção. A estas carências somam-se ainda o stress emocional, o cansaço físico, a burocracia e o medo.

Apenas juntos conseguiremos ultrapassar estes obstáculos e, citando um dos relatos que nos chegou, “para ultrapassar o medo, os profissionais de saúde precisam de material de protecção individual.”

 

O que queremos?

Queremos que o Governo português tome todas as medidas necessárias para proteger quem cuida de nós. Para isso, iremos enviar todas as assinaturas recolhidas na nossa petição ao Primeiro-Ministro António Costa, para que garanta que a proteção de quem está na linha da frente contra a COVID-19 seja, sempre, uma prioridade.

 

Qual é a sua missão?

  1. Assinar a nossa petição, se ainda não o tiver feito: Se a linha da frente cai, cairemos todos: queremos proteção para os profissionais de saúde
  2. Partilhar a petição nas suas redes sociais, convidando outras pessoas a assinarem também.

 

Informação adicional

 

Para mais informação veja o PDF – Queremos_Protecao_Profissionais_Saude_RAU


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/acao-pelos-profissionais-de-saude-em-portugal/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=acao-pelos-profissionais-de-saude-em-portugal

China pede a EUA que resolvam preocupação internacional sobre seus biolaboratórios

O Pentágono e as armas biológicas - Parte I - Dossier SUL

Beijing, 29 abr (Xinhua) -- A China pediu nesta quarta-feira aos Estados Unidos que levem a sério a preocupação da comunidade internacional sobre seus biolaboratórios nos países da ex-União Soviética e protejam a saúde e a segurança dos povos locais, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, nesta quarta-feira.

O funcionário fez as observações em uma coletiva de imprensa de rotina depois que um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo expressou tal preocupação.

A mídia estrangeira também divulgou que esses laboratórios são completamente liderados pelo lado americano e recebem ordens do Ministério da Defesa dos EUA para estudar doenças perigosas direcionadas a grupos específicos de pessoas ou mesmo realizar alguns projetos de pesquisa que são proibidos nos Estados Unidos.

"Os Estados Unidos estabeleceram uma série de laboratórios biológicos nos países da ex-União Soviética, mas mantiveram silêncio sobre suas funções, usos e fatores de segurança", disse Geng, observando que a medida despertou profunda preocupação entre as pessoas locais e os países vizinhos, e algumas pessoas exigem fortemente o fechamento dos laboratórios relevantes.

"Esperamos que o lado americano leve a sério a preocupação da comunidade internacional, considere a saúde e a segurança da população local de forma responsável e tome medidas concretas para reduzir as preocupações", disse ele.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-04/29/c_139018476.htm

Apoiar OMS ajuda a salvar mais vidas, diz chanceler chinês

 

Beijing, 29 abr (Xinhua) -- Apoiar a Organização Mundial da Saúde (OMS) ajuda a salvar mais vidas e dar tratamento a mais pacientes, afirmou na terça-feira o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi.

Isso permite uma resposta mais efetiva contra a COVID-19 e favorece a reunião de força global, disse Wang, também conselheiro de Estado, ao falar por vídeo na Conferência Extraordinária dos Ministros das Relações Exteriores do BRICS sobre a COVID-19.

Wang sublinhou que os países BRICS, que incluem Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, devem apoiar os órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) para que cumpram seu devido papel na luta contra a COVID-19.

A OMS é uma força central na coordenação da resposta global, e é indispensável para ajudar aos países em desenvolvimento, especialmente a nossos irmãos e irmãs da África, na luta contra a doença, disse o ministro das Relações Exteriores chinês.

"Em um momento crucial na luta conjunta da humanidade contra o vírus, qualquer tentativa de escavar a autoridade da OMS e de obstruir seu papel será a mais inoportuna e não encontrará apoio na comunidade internacional", afirmou.

Wang disse que, além de pagar suas devidas contribuições à OMS a tempo e completas, a China recentemente doou um total de US$ 50 milhões.

A China também proporcionará apoio financeiro ao plano de Resposta Humanitária Global da ONU e fará tudo o que estiver dentro de sua capacidade para reduzir a carga da dívida dos países africanos e para ajudá-los a aumentar suas capacidades contra a epidemia, indicou.

"Em vista da debilidade e deficiências expostas durante a crise, também precisamos fortalecer a governança global de saúde pública, torná-la uma prioridade maior na agenda internacional e trabalhar juntos para construir uma comunidade saudável para todos", disse.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-04/29/c_139017671.htm

Assim vamos nós

Novo Hospital Central do Alentejo trará importantes benefícios à...
 
“O grupo espanhol Acciona venceu o concurso público para a construção do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, num investimento de 180 milhões de euros, revelou esta quarta-feira o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS).
“O concurso está fechado. Vamos fazer a adjudicação o mais rápido possível para, depois, enviar o processo para o Tribunal de Contas“, afirmou o presidente da ARS do Alentejo, José Robalo, em declarações à agência Lusa. O responsável precisou que os espanhóis da Acciona ganharam o concurso público internacional para a empreitada da nova unidade hospitalar, indicando que as outras empresas interessadas acabaram por ser excluídas do processo.
Em janeiro deste ano, o presidente da ARS do Alentejo disse à Lusa que o relatório preliminar do concurso tinha identificado a Acciona “como a única” empresa que “cumpriu todos os requisitos exigidos” das oito que manifestaram interesse. Após vários avanços e recuos, ao longo dos últimos anos, o concurso público internacional para a construção do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, foi lançado no dia 14 de agosto de 2019″
.

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/3bQaMT8

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/29/assim-vamos-nos/

Governo contratou mais de 1.800 profissionais de saúde para reforçar o SNS

 

O Governo contratou 1.864 profissionais de saúde para reforçar o Sistema Nacional de Saúde (SNS) durante a epidemia de covid-19, que já fez mais de 900 vítimas mortais em Portugal.

 

Os números constam de um relatório sobre o segundo período do estado de emergência esta quarta-feira divulgado e citado pela agência Lusa.

O documento, elaborado pelo Governo e entregue à Assembleia da República, detalha que foram foram contratados 76 médicos, 618enfermeiros, 896 assistentesoperacionais, 121 assistentes técnicos, 10 farmacêuticos, 113 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e 27 técnicos superiores.

O mesmo relatório refere que estas contratações têm como objetivo “garantir que os serviços e estabelecimentos que integram o SNS se mantêm em pleno funcionamento, dispondo, designadamente, de todos os profissionais de saúde que se revelem necessários e indispensáveis” no contexto do surto pandémico.

Estas contratações inserem-se num “regime excecional em matéria de recursos humanos”, sendo contratos de trabalho por um período de quatro meses, que podem ser renovados, por iguais períodos, sublinha o relatório sobre a aplicação do segundo período do estado de emergência, entre 3 e 17 de abril.

 
 

Portugal contabiliza 948 mortos associados à covid-19 em 24.322 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado esta terça-feira.

ZAP // Lusa

 
 
 

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Ordem dos Enfermeiros apoia retoma das consultas e cirurgias, mas com proteção

 

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE) considerou hoje que a retoma das consultas e cirurgias programadas que foram suspensas devido à covid-19 “impõe que sejam acauteladas e reforçadas as medidas de proteção, de doentes e profissionais”.

 

“Todos os procedimentos adotados nos últimos tempos relativamente aos equipamentos de proteção individual e diferentes circuitos de circulação nas unidades de Saúde têm que ser mantidos”, disse à agência Lusa Ana Rita Cavaco.

A bastonária disse que mais cedo ou mais tarde irá haver uma abertura progressiva de atividades que se encontram suspensas e que a Ordem dos Enfermeiros se encontra “neste momento a preparar um documento com orientações para a retoma assistencial não covid-19″.

Independentemente da decisão que venha a ser tomada esta semana sobre o levantamento do estado de emergência, a bastonária da OE salientou que “é importante que todos tenham presente que a pandemia não passou e que o eventual fim do estado de emergência não significa o fim da pandemia”.

 
 

Da mesma maneira – adiantou – o fim do confinamento não significa que não se continue a adotar medidas de resguardo, ainda que as mesmas não sejam impostas.

Ainda acerca do retomar de atividades hospitalares que estavam suspensas, Ana Rita Cavaco sublinhou que a OE tem alertado que “há outras doenças que continuam a matar” e, por isso, a população não pode deixar de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente, e a título de exemplo, no caso da vacinação, que é “uma questão que muito preocupa” a OE.

Assim, a OE está a preparar um documento com orientações para a retoma assistencial não Covid-19, designadamente as consultas e as cirurgias programadas que foram suspensas, com contributos de enfermeiros dos órgãos da OE e de profissionais que se encontram no terreno.

Avançou contudo com a ideia de que todos os procedimentos adotados nos últimos tempos relativamente aos equipamentos de proteção individual e diferentes circuitos de circulação nas unidades de saúde “têm que ser mantidos”, advertindo: “Não é hora de aliviar na proteção”.

Segundo a bastonária, a retoma assistencial não covid-19 vai, naturalmente, levar mais utentes às unidades de saúde, pelo que é necessário que sejam “previstas e acauteladas as necessidades de material de proteção, para que não se volte a ter profissionais em risco ou dependentes da boa vontade da sociedade civil”.

// Lusa

 
 
 

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OMS agradece contribuição de 500 mil euros de Portugal

 

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) agradeceu, esta segunda-feira, a contribuição de 500 mil euros feita pelo Governo português para auxiliar no combate à pandemia de covid-19.

 

“Agradeço ao Governo e às pessoas de Portugal pela contribuição de 500 mil euros para a resposta global à covid-19″, escreveu Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, no Twitter.

https://twitter.com/DrTedros/status/1254834463562964992?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Também hoje, Ghebreyesus disse, em conferência de imprensa a partir de Genebra (Suíça), que o mundo devia ter ouvido melhor a OMS quando foi declarada a emergência global de saúde, em janeiro.

 
 

“O mundo devia ter ouvido com atenção nessa altura, quando só havia 82 casos e nenhuma morte fora da China. Todos os países podiam ter desencadeado todas as medidas de saúde pública possíveis. E isso basta para atestar a importância de ouvir os conselhos da OMS”, declarou.

A nível global, segundo um balanço da agência AFP, a pandemia de covid-19 já provocou cerca de 207 mil mortos e infetou quase três milhões de pessoas em 193 países e territórios. Perto de 810 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 928 pessoas das 24.027 confirmadas como infetadas, e há 1357 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

ZAP // Lusa

 
 
 

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ONU arrasa comportamento "hipócrita" do Reino Unido no combate à pandemia

 
 
Philip Alston acusa o governo britânico de causar "dano e miséria" à população com as políticas de "austeridade".
 
Philip Alston, relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a pobreza extrema e os direitos humanos, apontou, esta segunda-feira, o dedo à forma como o Reino Unido se comportou durante o combate à pandemia de Covid-19.
 
O responsável sublinha que, pese embora os rasgados elogios que o governo liderado por Boris Johnson tem tecido ao serviço nacional de saúde britânico (NHS), este foi delapidado pelas políticas de "austeridade" dos últimos anos.
 
"Os meus pensamentos remontam ao sentido de quão tremendamente hipócrita é agora abandonar a austeridade com tamanho entusiasmo, após todo o dano e miséria causados a indivíduos e ao fatal enfraquecimento da capacidade da comunidade em lidar e reagir ao longo dos últimos dez anos", atirou, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
 
"E, claro, muitos dos piores e mais danosos aspetos da austeridade não podem e não vão ser revertidos. Os danos causados à coesão da comunidade e à infraestrutura social irão, provavelmente, revelar-se permanentes", acrescentou o especialista.
 
Philip Alston não ficou, no entanto, por aqui, e afirmou que "as políticas de vários estados refletem uma filosofia de Darwinismo social que prioritiza os interesses económicos dos mais ricos, ao passo que pouco fazem por aqueles que trabalham arduamente para providenciar serviços essenciais ou são incapazes para se sustentarem a si mesmos
 
"Os governos fecharam países inteiros sem fazerem, sequer, o mínimo esforço para assegurar que as pessoas conseguem sobreviver. Muitas delas, que estão na pobreza, vivem diariamente, sem poupanças nem comida excedente. E, claro, os sem-abrigo não podem, simplesmente, ficar em casa", concluiu.
 
Notícias ao Minuto | Imagem: © Getty Images
 
Leia em Notícias ao Minuto: 
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/onu-arrasa-comportamento-hipocrita-do.html

A necessidade de resolver os graves problemas que tem causado a destruição do SNS

Numa altura em que se pede tanto ao SNS e aos seus profissionais é certamente o momento adequado para analisar, mais uma vez, a forma como estes trabalhadores e também o SNS têm sido tratados ao longo dos últimos anos pelos sucessivos governos, como os seus principais problemas têm sido ignorados ou mesmo desprezados. Corre-se o risco, como muitas vezes sucede, que os heróis de hoje sejam amanhã esquecidos ou mesmo ignorados. Mas isso será tanto mais difícil quanto mais se consolide na opinião pública aquilo que hoje ninguém será capaz de negar: que sem um SNS reforçado, com os seus profissionais justamente valorizados, não pode concretizar-se o direito de todos à saúde.
 
 
 

Numa altura em que se pede tanto ao SNS e aos seus profissionais é certamente o momento adequado para analisar, mais uma vez, a forma como estes trabalhadores e também o SNS têm sido tratados ao longo dos últimos anos pelos sucessivos governos, como os seus principais problemas têm sido ignorados ou mesmo desprezados. E isto até para que se olhe, num momento em que todos os portugueses lhe devem tanto, para a importância que têm para o país, e que se resolvam os principais problemas na área da saúde que têm sido continuamente adiados ao longo dos anos o que tem causado a degradação do SNS e a insatisfação profunda dos seus profissionais, e contribuído para a explosão do negócio privado da saúde em Portugal. Seria certamente a melhor e maior homenagem e reconhecimento que se poderia prestar aos profissionais de saúde pelo seu sacrifício, dedicação e competência resolver os seus legítimos problemas continuamente ignorados e adiados pois corre-se o risco, como muitas vezes sucede, que os heróis de hoje são amanhã esquecidos ou mesmo ignorados.

O SNS E OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE FORAM DOS MAIS SACRIFICADOS PELA DITADURA DO DÉFICE E
PELA OBSESSÃO DE OBTER UM SALDO POSITIVO NAS CONTAS DO ESTADO

Para reduzir abruptamente o défice, e obter um défice nulo e, para o governo e Mário Centeno ficarem na história (a comunicação afeta não se cansava de o repetir), como o governo e o ministro das Finanças que, durante a democracia, conseguiram obter um saldo positivo nas contas publicas (+0,2% em 2019), cortou-se brutalmente no financiamento do SNS e destruíram-se as carreiras dos profissionais de saúde. Os dados do gráfico 1, construído com dados fornecidos à Assembleia da República pelo Ministério da Saúde, aquando do debate do Orçamento do Estado de cada ano mostra a continua insuficiência das transferências do Estado para o SNS (o subfinanciamento crónico em todos os anos incluindo também em 2020) para assim reduzir artificialmente o défice orçamental, causando uma profunda degradação do SNS.

Gráfico 1- As transferências do OE para o SNS, a despesa anual do SNS e o saldo negativo anual- Milhões €

Grafico1

No período 2014 -2020, as transferências do OE para o SNS somaram 61.109 milhões €, e a despesa do SNS foi de 68.697 milhões €, portanto registou-se um saldo negativo de -7.588 milhões €. No período de governos PS (2016/2020) o saldo negativo foi de -5.365 milhões €. Mesmo em 2020, em que o atual governo anunciou que iria acabar o subfinanciamento crónico do SNS, a previsão é que a despesa seja superior às transferências do OE em 809 milhões €. Mesmo adicionado as taxas moderadoras - 170M€/ano- a receita continua a ser muito inferior à despesa.

Este subfinanciamento crónico do SNS pelo Orçamento determinou que, todos os anos, o SNS
tenha apresentado elevados prejuízos e que a divida do SNS a fornecedores seja enorme e tenha
aumentado como revela o quadro 1, cujos dados foram retirados do Relatório e Contas do SNS.
Quadro 1- Os prejuízos e a divida do SNS a fornecedores no período 2015/2019 devido a transferências

insuficientes do Orçamento durante os governos de António Costa/Mário Centeno

RÚBRICAS

2015

Milhões €

2016

Milhões €

2017

Milhões €

2018

Milhões €

2019

Milhões €

SOMA Milhões €

Resultados liquidos do ano

-407,8

-391,3

-345,8

-848,2

-620,9

-2 614,0

Dividas a fornecedores (*)

1 529,5

1 778,4

2 163,6

1 994,9

1 989,0

Entre 2015/2019 aumenta 30%

(*) A divida de 2019, refere-se a Nov.2019, foi a que forneceu à Assembeia da República durante o debate do OE-2020

FONTE: Contas consolidada do SNS, Relatório e Contas do Ministério da Saúde e do SNS 2016, 2017 e 2018

 
 

No período 2015/2019, com Costa/Centeno, o SNS acumulou prejuízos no montante de 2.614 milhões € o que determinou que a divida a fornecedores, que já era enorme, aumentasse em 30% (459,5 milhões €). O SNS tem sido pelos sucessivos governos sacrificado no "altar do défice, o que causou uma profunda degradação e explicam as dificuldades que enfrentou e continua a enfrentar na luta contra o "coronavírus” e para garantir o serviço mínimo de saúde à população pois foram cancelados, neste período de crise causada pelo COVID 19 a maior parte dos atos programados a outros doentes, em que os atrasos já eram enormes, para poder atender aos infetados com o "coronavírus”.

OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE FORAM DOS MAIS SACRIFICADOS PELA DITADURA DO DÉFICE E PARA TER
SALDO POSITIVO. É URGENTE ACABAR COM O SUBFINANCIAMENTO DO SNS COMO PROVOU A CRISE

Os profissionais de saúde foram um dos grupos mais sacrificados pela ditadura do défice e pelo desejo Costa e Centeno de brilharem em Bruxelas como revelam os dados do quadro 2 Quadro 2 - Despesas com pessoal do SNS entre 2010 e 2018 (o relatório de 2019 ainda não foi publicado) Quadro 46. Encargos com pessoal - totais e por entidades SPA e EPE

Ano

EPE

SPA

SNS

2010

2 782 028 563,71 €

1 156 854 057,36 €

3 938 882 621,07 €

2011

2 533 61 O 577,44 €

967 486 417,48 €

3 501 096 994,92 €

2012

2 480 112 058,35 €

865 621 371,97 €

3 345 733 430,32 €

2013

2 543 023 308,91 €

925 205 663,78 €

3 468 228 972,69 €

2014

2 522 028 241,89 €

943 176 846,73 €

3 465 205 088,62 €

2015

2 541 611 914,34 €

926 112 216,55 €

3 467 724 1 30,89 €

2016

2 688 346 731,03 €

966 688 328,66 €

3 655 035 059,69 €

2017

2 828 476 291,20 €

1 015 240 166,00 €

3 843 716 457,20 €

2018

3 047 035 956,47 €

1 018 097 428,89 €

4 065 133 385,36 €

Legenda: EPE - Entidade Pública Empresarial; SPA - Setor Público Administrativo; SNS - Serviço Nacional de Saúde Fonte: Relatório e Contas do SNS e informação financeira adicional do Instituto Oftalmológico Gama Pinto

FONTE: Relatório Social do Ministério da Saúde e do SNS 2018

A despesa bruta (ilíquida) com pessoal do SNS em 2018 foi de 4.065 milhões € a preços correntes,
portanto antes de deduzir o enorme aumento de IRS e dos descontos para a ADSE, e também antes
de deduzir o efeito corrosivo do aumento de preços, sendo pouco superior à despesa de 2010 (3.938,8
milhões €), ou seja, em 8 anos a despesa nominal com profissionais do SNS aumentou apenas em
126,3 milhões € (3,2%). No entanto, este valor não tem em conta nem o aumento de trabalhadores
registado entre 2010 e 2018 , nem aquilo que o Estado "poupou " à custa dos profissionais de saúde
com o aumento enorme da taxa de IRS que se verificou entre 2010 e 2018, nem com o facto do
Orçamento Estado deixar de financiar a ADSE, passando esta a ser financiada pelos trabalhadores da
Função Pública. O quadro 3, construído também com dados oficiais, dá uma informação mais verdadeira
da despesa suportada pelo Estados com os profissionais de saúde do SNS no período 2010/2019.
Quadro 3 - Variação real no período 2010/2019 da despesa do Estado com os profissionais do SNS e do poder

de compra dessa despesa que causou uma redução significativa dos rendimentos reais dos trabalhadores

ANO

2010

2018

2019 (P)

Var. 2010-19

DESPESA DE PESSOAL (iliquida) DO ESTADO COM OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DO SNS

3 938 882 621 €

4 065 133 385 €

4 371 000 000 €

11,0%

Recuperação pelo Estado desta despesa através do IRS (taxa de IRS sobre apenas sobre as remunerações dos trabalhadores)

585 908 790 €

701 438 766 €

780 223 500 €

33,2%

DESPESA REAL DO ESTADO COM OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DO SNS APÓS DEDUÇÃO IRS

3 352 973 831 €

3 363 694 619 €

3 590 776 500 €

7,1%

NUMERO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE DO SNS

127 493

135 650

139 650

9,5%

Despesa média mensal iliquida (antes de descontos) por profissional de saúde suportada pelo Estado

2 207 €

2 141 €

2 236 €

1,3%

Despesa média mensal após dedução IRS que reverte para o Estado por profissional de saúde

1 879 €

1 771 €

1 837 €

-2,2%

Despesa média iliquidado Estado por profissional de saude após a dedução do IRS e do efeito do aumento preços

1 876 €

1 609 €

1 665 €

-11,3%

CALCULO DA REDUÇÃO DO PODER DE COMPRA DA REMUNERAÇÃO MÉDIA DE CADA PROFISSIONAL DE SAÚDE 2010/2019

REMUNERAÇÃO MEDIA ILIQUIDA MENSAL POR PROFISSIONAL DE SAÚDE

1 876 €

1 819 €

1 900 €

1,3%

Taxa de desconto para a ADSE (deixou de ser financiada pelo OE e passou a ser pelos trabalhadores, em 2019 os descontos atingiram 608 milhões € )

1,5%

3,5%

3,5%

133,3%

Taxa de retenção de IRS (casal com um filho)

17,5%

20,3%

21,0%

20,0%

Aumento de preços ( IPC do INE) entre 2010 e 2018 e entre 2010 e 2019

 

10,09%

10,33%

 

Desconto para a ADSE por profissional de saúde - em euros

28 €

64 €

67 €

136,4%

IRS - retenção por profissinal de saúde (casal com um filho) - em euros

328 €

369 €

399 €

21,6%

Remuneração média mensal por profissional de saúde após descontos para a ADSE e IRS

1 519 €

1 386 €

1 435 €

-5,6%

Remuneração média mensal por profissional de saúde após descontos para ADSE, IRS e a IPC (a preços constantes de 2010)

1 519 €

1 259 €

1 300 €

-14,4%

FONTE: Relatorio Social do Ministério da Saúde e do SNS 2019 e Nota Explicativa do OE 2020 do Ministério da Saúde

Entre 2010 e 2019, a despesa nominal com os profissionais de saúde do SNS aumentou em 11%, mas se retiramos aquilo que o Estado recupera através do IRS, o aumento é apenas de 7,1%. E se, para além disso, dividirmos pelo aumento de trabalhadores que entraram neste período (+12.157) a subida

da despesa do Estado com cada profissional de saúde do SNS foi apenas de 1,3%. Se retiramos o IRS que reverte para o Estado então o custo mensal de uma trabalhador para o Estado até diminuiu, entre 2010 e 2019, em -2,2% a preços correntes, isto é , sem deduzir o efeito corrosivo do aumento de preços. Um contributo para a redução do défice à custa dos profissionais da saúde. Se deduzirmos o efeito do aumento de preços (10,33%) a quebra real na despesa por profissional de saúde é de -11,3%.

Mas despesa por trabalhador não é igual à remuneração por trabalhador. Consideração a remuneração média ilíquida que o Estado paga por profissional de saúde, sobre a qual é depois deduzida a taxa de desconto para ADSE e para o IRS, e se deduzirmos o efeito corrosivo do aumento de preços conclui- se que, entre 2010 e 2019, a remuneração liquida média a preços de 2010 por profissional de saúde, ou seja, aquela que se obtém depois de deduzir o IRS, o desconto para a ADSE e o efeito do aumento de preços, passou, entre 2010 e 2019, de 1.519€ para 1.300€, ou seja, sofreu uma redução de 11,3%. Cada profissional de saúde custa cada vez menos ao Estado (1.876€ em 2010 e apenas 1.665€ em 2019) , e a sua remuneração liquida em termos reais (em poder de compra) em 2019 é inferior em 14,4% à de 2010 (1.519€ em 2010 e apenas 1300€ em 2019), o que determina a degradação das suas condições de vida, o que tem servido para promover o negócio privado saúde, já que os grandes grupos de saúde tem aproveitado essa situação para atrair os profissionais de saúde e para explorar a maioria deles. Os sucessivos governos com a sua politica de sacrificar os profissionais de saúde tem ajudado fortemente os grandes grupos privados da saúde e contribuído para explosão do negócio privado da saúde em Portugal. É preciso que se tenha a coragem de afirmar com clareza isso para que isto mude.

Se juntarmos a tudo isto, a destruição das carreiras dos profissionais de saúde e a negociação individual de remunerações, o que transformou o SNS numa autêntica selva em que os direitos dos profissionais de saúde não são respeitados nem valorizados, e em que se criou uma insegurança generalizada, fica- se bem com o retrato verdadeiro da situação atual do SNS. É altura, até porque as ameaças da continuação desta crise de saúde publica assim como o aparecimento de outras no futuro são reais, de repensar e valorizar a atividade destes profissionais e do SNS. Não basta dizer que eles são heróis a enfrentar esta grave crise de saúde pública, arriscando a sua própria vida, e felicitá-los por isso, batendo muitas palmas e fazendo bonitos discursos e, logo no dia seguinte, esquecer tudo o que fizeram. O que é fundamental é reconhecer em atos o seu esforço, dedicação e competência, e resolver os graves problemas que o SNS e eles enfrentam, e cuja solução tem sido continuamente adiada.

PORTUGAL É UM DOS PAISES QUE MENOS INVESTE POR HABITANTE NA SAÚDE SEGUNDO A OCDE Os dois gráficos que a seguir se apresentam foram retirados do "Health at a Glance 2019’’ da OCDE, e mostram o baixo investimento em saúde em Portugal e o muito que o SNS tem ainda a fazer

Gráfico 2- Despesa publica + privada em saúde nos países da OCDE e em Portugal por habitante/ano em 2018-

Government/Compulsory                                   H Voluntary/Out-of-pocket

USD PPP 10000

Grafico2

Gráfico 3 - % da despesa total com saúde financiada pelo Estado (pública) nos países da OCDE e em Portugal -2017

 

%

grafico3

 

Em Portugal, a despesa pública (do Estado) representa apenas 66% da despesa total com saúde (34% da despesa é suportada diretamente pelas famílias no nosso país, para além dos impostos que pagam para o SNS) quando a média nos países da OCDE é 71% (só 29% é das famílias). Fazendo os cálculos necessários, utilizando para isso os dados do gráfico 2 e 3, conclui-se que a despesa pública por habitante em Portugal era apenas de 1.888 dólares PPD por ano, quando a média nos países da OCDE era de 2.836 dólares PPP por ano, ou seja, mais 50,2% do que no nosso país (na Alemanha era 4.669 dólares PPD por habitante por ano). É urgente que o Estado invista muito mais em saúde em Portugal para se poder ter um SNS que corresponda às necessidades do país e que satisfaça as legitimas reivindicações dos profissionais de saúde (remunerações, carreiras e condições de trabalho dignas, acabando com a promiscuidade público-privado que está a destruir o SNS e a alimentar os grupos privados de saúde).

Ainda ligado a tudo isto, interessa recordar que Portugal é um dos países com uma das maiores percentagens de habitantes a considerar que a sua saúde é má ou muito má como mostra o gráfico 4 da publicação da OCDE “HEALTH AT A gLaNCE 2019” o que prova que o SNS ainda tem muito a fazer

Gráfico 4 - Percentagem de portugueses que consideram que a sua saúde é má ou muito má- 2017

 

grafico4

Em 2017, segundo a OCDE, 15,3% dos portugueses consideravam que a sua saúde era má ou muito má, quando a média dos países da OCDE era apenas 8,7%. Isto devia fazer pensar os responsáveis políticos e obrigá-los a encarar de frente os problemas graves da saúde em Portugal, e resolverem os grandes problemas do SNS (subfinanciamento crónico, enorme endividamento, má gestão, ineficiências e ausência de responsabilização na aplicação dos recursos disponibilizados pelo Estado) e dos profissionais (ausência de remunerações, de carreiras e de condições de trabalho dignas). Basta de palavras, de grandes e belas declarações sobre a defesa do SNS e dos seus profissionais, o que é necessário agora e o que se espera são atos e medidas que resolvam verdadeiramente os graves problemas que enfrenta o SNS e os seus profissionais, e cuja resolução é continuamente adiada. É preciso preparar o SNS para enfrentar não só a crise de saúde publica causada pelo “coronavírus” mas também muitas outras que surgirão com certeza no futuro assim como para disponibilizar melhores de serviços de saúde a todos portugueses que se degradaram muito nos últimos anos, de que é prova milhares e milhares de consultas, de cirurgias, etc. com atrasos enormes, centenas de camas nos corredores dos hospitais por falta de quartos, fecho de especialidades em hospitais por faltar profissionais, condições de trabalho horríveis, causado pela ditadura do défice. É preciso que, passada a crise, não se esqueça novamente o SNS e a dedicação, sacrifício e competência dos seus profissionais, como muitas vezes acontece.

Eugénio Rosa,edr2@netcabo.pt - 19-4-2020

Eugénio Rosa, economista, mais estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com

 Baixar o estudo aqui

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Médicos dos centros de saúde vão acompanhar doentes em lares

 

Os doentes com Covid-19 que estão em lares de idosos e não precisam de internamento serão acompanhados diariamente por médicos e enfermeiros dos respetivos agrupamentos de centros de saúde.

Como noticiou no domingo o Público, de acordo com o despacho publicado sexta-feira pelo Ministério da Saúde, este trabalho será articulado com os hospitais da área de referência. Até à passada quinta-feira, registaram-se 327 mortes por Covid-19 em utentes que estavam em lares de idosos, o equivalente a quase 40% do total de mortes até então.

Reconhecendo que os idosos “continuam a merecer especial preocupação”, o Ministério da Saúde propõe-se a apoiar os profissionais dos lares, assegurando que estes receberão formação quanto à utilização de equipamento de proteção individual, cumprimento das regras de higiene e etiqueta respiratória e higienização dos espaços.

Os profissionais do Serviço Nacional de Saúde apoiarão a colheita de amostras biológicas para realização dos testes laboratoriais de diagnóstico aos profissionais e utentes dos lares, apoio que será dado “a todos os estabelecimentos de apoio social a pessoas idosas de cariz residencial, independentemente do seu estado de licenciamento”.

 
 

Na sexta-feira, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, informou que mais de metade dos trabalhadores desses lares foram testados e que 10% estão infetados com Covid-19. No sábado, a ministra da Saúde, Marta Temido, frisou que espera ter todos os profissionais dos lares testados até ao final de abril ou início de maio. Estes profissionais terão prioridade no acesso aos testes.

ZAP //

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/medicos-dos-centros-saude-doentes-lares-321385

Carência de enfermeiros deve-se às más condições laborais

O número das admissões de enfermeiros nos meses de Fevereiro e Março, já com a pandemia declarada, é «inadmissível», considera o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Créditos

«A carência de enfermeiros no SNS [Serviço Nacional de Saúde] é uma denúncia recorrente e uma infeliz característica», denuncia o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP/CGTP-IN) em nota enviada à imprensa.

 

O balanço é feito da comparação entre instituições que têm a mesma forma de organização: Unidades Locais de Saúde (USL) compostas por, pelo menos, um hospital e vários centros de saúde.

O documento apresentado analisa o número de enfermeiros nas várias regiões do País, concluindo, por exemplo, que no Alentejo o número é «impressionantemente» baixo tendo em conta «a dispersão geográfica e populacional, as fracas rodovias, o envelhecimento da população, a incidência de uma taxa alta de suicídio reveladora de doença mental, o turismo, os imigrantes que trabalham na agricultura».

Mas mesmo noutras ULS com mais enfermeiros, como as de Castelo Branco, Guarda, Matosinhos e Alto Minho, o número destes profissionais continua abaixo das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece a relação de um enfermeiro para cada 1200 utentes.

Por outro lado, a análise torna evidente que o número de admissões nos meses de Fevereiro e Março, já com a pandemia de Covid-19 declarada, é «inadmissível», uma vez que as ULS têm um estatuto empresarial e poderiam contratar mais rapidamente.

No entender do sindicato, estas admissões não estão a acontecer porque não são garantidas condições de trabalho e de estabilidade aos enfermeiros, nomeadamente no que toca aos vínculos laborais.

O SEP exige, assim, que todos os enfermeiros contratados em regime de substituição passem para um contrato por tempo indeterminado; que a todos os enfermeiros contratados ou a contratar no âmbito da pandemia seja feito um contrato por tempo indeterminado, ao invés da solução de contratos por quatro meses, avançada pelo Governo; e que todos os jovens enfermeiros que terminem, durante o ano em curso, a sua licenciatura sejam imediatamente contratados, nomeadamente, nas regiões de implementação das faculdades de enfermagem.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/carencia-de-enfermeiros-deve-se-mas-condicoes-laborais

Ingrediente-chave para o tratamento da Covid-19 pode estar em Macau

 
 
Ivermectina é o nome do princípio activo produzido pela Hovione Macau que, segundo uma equipa de investigadores de Melbourne, na Austrália, pode ser a solução no tratamento da Covid-19. É nos laboratórios de Macau que a empresa portuguesa produz para todo o mundo o fármaco usado principalmente como desparasitante, e que poderá servir também para travar o novo coronavírus. 
 
Há uma embalagem transparente com cinco gramas de um pó branco em exposição dentro de uma das caixas de luz de um dos laboratórios da Hovione Macau. É a ivermectina, e nem Eddy Leong, director-geral das operações de Macau da farmacêutica portuguesa, nem Philip Lee, líder da equipa de controlo de qualidade, se atrevem a adivinhar um preço para aquele pacote. “Quanto mais branco, mais puro”, diz apenas Philip ao PONTO FINAL.
 
No laboratório de cromatografia, que serve para os profissionais da Hovione Macau purificarem as substâncias com as quais trabalham, há dez aparelhos HPLC nas bancadas, ventiladores a sair do tecto e quatro cientistas de luvas, óculos e bata branca. Nesta sala, explica Philip Lee, confirma-se a qualidade das amostras e verifica-se o nível de impurezas. Aqui são analisadas amostras dos cerca de 15 fármacos produzidos pela Hovione Macau.
 
O laboratório imediatamente ao lado tem um propósito semelhante. Aqui, os aparelhos pousados nas bancadas chamam-se Mastersizer 3000 e servem para analisar o tamanho das partículas de cada amostra. “Para que, por exemplo, cada partícula tenha o tamanho certo para ser absorvida pelo corpo humano”, explica Philip Lee. Ao lado, há dois UV Spectrometer. “O da direita é novo, foi comprado já este ano”, frisa Philip. Estes aparelhos são usados para analisar a qualidade das partículas através da luz ultravioleta. Na sala, mais microscópios, balanças, fornos, tubos de ensaio, lâmpadas e tubos brancos vindos do tecto.
 
 
 
ESPERANÇA NO TRATAMENTO DA COVID-19
 
O pó branco em exposição na caixa de luz tem estado em destaque nas últimas semanas porque uma equipa de investigadores da universidade australiana de Monash, em Melbourne, concluiu, através de testes ‘in vitro’, que a ivermectina pode eliminar o novo coronavírus em 48 horas. O estudo foi publicado pela revista científica Antiviral Research. As atenções voltaram-se, então, para Macau, já que grande parte da produção da ivermectina é assegurada no território.
 
A ivermectina é um princípio activo desparasitante, usado habitualmente em medicamentos para combater os piolhos, a rosácea e a Cegueira dos Rios, uma doença causada pela picada de moscas e cujas larvas acabam por provocar cegueira em humanos. As conclusões do estudo australiano para a aplicação em casos de infecção pela Covid-19 foram apenas feitas, até agora, ‘in vitro’, e ainda não há data para os testes em humanos.
 
DE LOURES PARA A TAIPA
 
A Hovione foi fundada, em 1959, em Loures, Portugal, pelo francês Ivan Villax. O químico esteve na China no final da década de 1970. Em 1979, abriu um escritório em Hong Kong e, em 1983, abriu a fábrica de Macau. O empreendimento custou 30 milhões de patacas e reaproveitou as antigas instalações da fábrica de panchões Him Un Iec Kei Chan, na Taipa.
 
Hoje, a Hovione investiga e desenvolve novos processos químicos e dispositivos médicos. Além disso, produz princípios activos para a indústria farmacêutica mundial. Tem actualmente cinco fábricas, em Portugal, Macau, Nova Jérsia, nos Estados Unidos, em Taizhou, na China, e em Cork, na Irlanda. Até 2028, a empresa quer ser a principal fornecedora de soluções farmacêuticas a nível global, lê-se no site da empresa. Nas instalações de Macau, há cerca de 200 funcionários, 15 dos quais portugueses.
 
EFICÁCIA DA DOXICICLINA CONTRA O ANTRAX
 
Em 2001, o antrax começou a ser usado como arma biológica, principalmente nos Estados Unidos. Uma substância chamada doxiciclina provou ser eficaz no tratamento das infecções pulmonares, na pele e nos intestinos associadas ao antrax. Essa substância, à semelhança daquilo que acontece agora com a ivermectina, era produzida quase em exclusivo pela Hovione Macau.
 
De acordo com um comunicado divulgado a 31 de Outubro de 2001, pela própria Hovione, a fábrica de Macau registou, na altura, um aumento “dramático” nas vendas da doxiciclina. “A Hovione, com uma unidade de produção na ilha da Taipa, Macau, aumentou a produção de doxiciclina para atender à crescente procura por parte dos Estados Unidos, provocada pelos ataques bioterroristas com antrax”, lê-se na nota da empresa. Uma semana depois, a emissora norte-americana CNN noticiava que a doxiciclina era o fármaco escolhido pela Administração de George W. Bush para o tratamento das infecções. “As autoridades de saúde de Washington anunciaram que vão dar às pessoas que precisem de tratamento preventivo contra o antrax o antibiótico doxiciclina”. Na altura, a Hovione Macau exportou a substância para a América, Europa, Austrália, Paquistão, Índia e Irão, por exemplo. No total, foram mais de 30 países os que receberam a doxiciclina de Macau.
 
André Vinagre | Ponto Final (mo) | Imagens: Eduardo Martins
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/ingrediente-chave-para-o-tratamento-da.html

Conselho de Escolas Médicas: alguma coisa não “bate” certo…

Considera-se que os estudantes e trabalhadores “vulgares” podem regressar à sua “normalidade possível” com máscaras artesanais, mas os estudantes de medicina – de entre todos os mais sensibilizados e preparados para uma situação destas – não?

 

O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) constituiu-se como uma organização de referência com projeção pública. De forma inequívoca o CEMP declarou em 25 de março: “se queremos minorar o impacto deste terrível desafio no SNS e em todo o povo português, teremos de ser rápidos nas decisões a tomar, e eficazes na implementação das decisões já tomadas! O CEMP continuará a manter uma intervenção cívica ativa que entende ser um seu dever e obrigação, de que não se demitirá, mantendo toda a sua disponibilidade para colaborar com as autoridades nacionais” (comunicado CEMP de 25 de março).

Consequentemente, estranha-se que perante o repto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) para a elaboração de“planos para o levantamento progressivo das medidas de contenção motivadas pela pandemia COVID-19, o Conselho das Escolas Médicas, contrariando o MCTES e em desarticulação  da restante academia, se tenha apressado a deliberar que os alunos do curso de Medicina não terão mais aulas presenciais até ao fim do ano letivo.

Para além da falta de solidariedade institucional, a justificação que o CEMP apresenta para fundamentar a decisão é incompreensível: “atendendo, sobretudo, ao alto risco de contaminação, mesmo com precauções adicionais, quer pela sua localização, na maioria dos casos em ambiente hospitalar, quer pela presença de docentes que são profissionais de saúde, profissão de risco”(!) (comunicado CEMP, 20 abril).

Esperar-se-ia que o CEMP – tendo manifestado preocupação com a diminuição de idas ao hospital pelos doentes crónicos por causa de receio de contágio – tivesse, pelo menos, procurado justificar a ausência de aulas presenciais com a necessidade de mobilização dos profissionais de saúde (docentes) para atender às necessidades da pandemia.

Mas não, o CEMP justifica a ausência de aulas presenciais – para alunos que têm formação específica em saúde e que estão a ser treinados para fazer face a diversas situações de saúde, incluindo as epidémicas – com o “alto risco de contaminação (…) pela sua localização, na maioria dos casos em ambiente hospitalar”(?!) e pela “presença de docentes que são profissionais de saúde, profissão de risco”(?!)

Impõe-se perguntar:

  • Como deverá “o povo português” (como o próprio CEMP designa) confiar em deslocar-se aos hospitais?!
  • Como confiar em ir ao médico se estes são identificados como fatores de exposição a um risco acrescido?!
  • Como confiar no CEMP quando o seu Presidente pretende assegurar que “os hospitais dispõem de ‘zonas limpas’ e de ‘zonas covid-19’, e que há hospitais ‘não covid-19’, todos preparados para manter o funcionamento normal do sistema de saúde” (no qual se incluem atividades de ensino-aprendizagem)?!
  • Como não temer ações de discriminação contra profissionais de saúde, que o CEMP identifica como um risco, como aquelas a que se assistem noutros países?!

Acresce à estranheza da decisão e da justificação o facto de personalidades com responsabilidade de docência médica universitária terem assinado uma carta ao Presidente da República onde é sugerida a “libertação” da economia.

Nessa carta os signatários visam que se “[permita] que a atividade volte à normalidade possível dentro do quadro que vivemos, situação fundamental dado o contexto económico que enfrentamos”. Com efeito destaca-se que, de entre os múltiplos médicos e enfermeiros signatários, encontram-se Jaime C. Branco Director da NOVA Medical School da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade NOVA de Lisboa e José Ferreira Machado, o próprio Vice-Reitor da Universidade NOVA de Lisboa, sendo também de salientar a assinatura de Ricardo Mexia, Presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública.

Importa lembrar que uma das recomendações preconizadas pelos signatários é o “uso obrigatório de máscaras por parte de toda a população para reduzir a transmissão do vírus. No caso de se verificar a escassez de máscaras, as mesmas devem ser confecionadas em casa seguindo as instruções do Conselho das Escolas Médicas Portuguesas e de entidades internacionais como o ‘Centers for Disease Control and Prevention’ (CDC) dos EUA” e que o próprio CEMP alertou para “a necessidade do uso obrigatório de máscara, o qual deverá ser especialmente reforçado quando terminar o confinamento caseiro, chamando a atenção das autoridades de Saúde para a necessidade de implementação de metodologias pedagógicas, que expliquem à população a importância do uso de máscara e a forma como a mesma deve ser usada” (comunicado CEMP, 20 abril).

Afinal, em que ficamos?

Considera-se que os estudantes e trabalhadores “vulgares” podem regressar à sua “normalidade possível” com máscaras artesanais, mas os estudantes de medicina – de entre todos os mais sensibilizados e preparados para uma situação destas – não?

Sugere-se que as faculdades, empresas e organizações “vulgares” têm que se adaptar e reorganizar, enquanto as Escolas Médicas se recusam a assumir um papel tangível de exemplaridade?

Pretende o CEMP ensinar aos estudantes de medicina – na preparação para a profissionalidade – que o abandono dos deveres que lhes estão incumbidos é possível sempre que exista risco de saúde pública?

Propõe-se o CEMP demonstrar aos estudantes de medicina que o Juramento que farão é meramente cerimonial porque se lhes nega a aprendizagem prática de:

 
  • (…) CONSAGRAR A MINHA VIDA AO SERVIÇO DA HUMANIDADE;
  • CONSIDERAREI A SAÚDE DO MEU DOENTE COMO MEU PRIMEIRO CUIDADO;
  • OS MEUS COLEGAS SERÃO MEUS IRMÃOS;
  • GUARDAREI RESPEITO ABSOLUTO PELA VIDA HUMANA DESDE O INÍCIO, MESMO SOB AMEAÇA ?

 

(parte do Juramento de Hipócrates)
 
 

Seria conveniente que o bom nome e a idoneidade do CEMP fossem acautelados, pois algumas pessoas poderão, até, pensar que a instituição está a responder a outros interesses que não os do Ensino Médico e da Saúde Pública.

Alguma coisa não “bate” certo…

 

MANTEREI, POR TODOS OS MEIOS AO MEU ALCANCE, A HONRA E AS NOBRES TRADIÇÕES DA PROFISSÃO MÉDICA”.

 

 
 
 

por Maria Catarina Sanches Torga | Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

 

 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/conselho-de-escolas-medicas-alguma-coisa-nao-bate-certo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=conselho-de-escolas-medicas-alguma-coisa-nao-bate-certo

Traje de proteção médica reutilizável recebe aprovação na China

First reusable medical protective suit gets okayed - SHINE News

Beijing, 23 abr (Xinhua) -- O primeiro traje de proteção médica reutilizável da China recebeu aprovação do mercado, anunciou a Administração de Produtos Médicos de Beijing nesta quarta-feira.

A veste passou pelos testes clínicos e pode ser reutilizada 10 vezes, disse um executivo da BW Techtextile, a desenvolvedora com sede na cidade.

O traje de proteção médica pode ajudar a aliviar a escassez de versões descartáveis, ocasionada pelo grande consumo e um longo ciclo de produção, segundo o executivo.

Testes mostraram que o novo produto superou os padrões nacionais para trajes de proteção médica descartáveis em termos de propriedades-chave, como resistência à força, eficiência de filtragem e resistência ao sangue e água sintéticos.

A BW Techtextile revelou que o traje é feito de um material composto de três camadas, desenvolvido pela própria empresa.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-04/23/c_139001086.htm

Nicotina pode ter efeito protetor, dizem investigadores em França

 

A nicotina pode ter um efeito protetor contra a infeção pelo novo coronavíus, que provoca a doença covid-19, dizem investigadores em França, onde vão ser feitos ensaios com adesivos de nicotina.

 

A hipótese é apoiada pelo baixo número de fumadores entre os doentes com covid-19 hospitalizados, segundo vários estudos em todo o mundo, com taxas que variam entre 1,4 e 12,5%, afirma a agência de notícias francesa, AFP.

Um estudo francês com 350 pacientes hospitalizados e 150 com sintomas mais leves, mas todos com covid-19, também confirma essa baixa percentagem de fumadores entre os infetados. “Entre os pacientes havia apenas 0,5% de fumadores“, disse à mesma agência noticiosa francesas o professor de medicina interna Zahir Amoura, autor do estudo, explicando que há “80% menos fumadores em pacientes covid-19 do que na população em geral do mesmo sexo e idade”.

Questionado pela agência Lusa sobre esta hipótese, o pneumologista Filipe Froes disse achar estranho, “para não dizer surreal”, porque até hoje “nenhum estudo demonstrou a eficácia do tabaco em qualquer infeção respiratória”.

“Nesta fase de tentativa de conhecimento sobre a covid-19 há estudos que não seguem metodologias corretas e que tiram conclusões precipitadas. Assistimos nos últimos meses a estudos cujos resultados não se confirmaram”, disse o especialista, dando como exemplo um sobre a eficácia da hidroxicloroquina, que não se veio a confirmar.

O pneumologista acrescentou: “Nesta altura a necessidade de divulgar conhecimento científico faz com a revisão e o rigor sejam mais frágeis”, o que faz com que todos os dias surjam “estudos milagrosos” apesar de nada se ter provado até agora.

Jean-Pierre Changeux, do Instituto Pasteur, admite, citado pela AFP, que a nicotina, ao ligar-se ao recetor celular usado pelo coronavírus, impede ou retém a fixação do vírus.

Hipótese por provar

A hipótese da nicotina está no entanto por provar, sendo importante haver ensaios clínicos. Quando tiverem autorização os investigadores vão administrar diferentes dosagens de nicotina em adesivo em três ensaios, no hospital La Pitié-Salpêtrière, em Paris.

Os médicos ouvidos pela AFP salientam que estes estudos não devem incentivar as pessoas a fumar ou a usar adesivos de nicotina, recordando que fumar danifica os pulmões. Em França o tabaco mata 70.000 pessoas por ano.

Felipe Froes disse que há “demasiada especulação para os curtos meses que a doença tem”, e adiantou: “Valoriza-se o que se quer ouvir para se fazer o que se quer fazer”.

Nos últimos tempos, têm-se multiplicado as investigações sobre sintomas e outros efeitos associados à covid-19. Investigadores espanhóis estão a estudar a possibilidade de o aparecimento de manchas na pele, semelhantes às da varicela ou do sarampo, serem um sintoma da infeção por covid-19.

Surgiram vários casos em Espanha, Itália, França e na China que apontam para essa possibilidade, mas a associação ainda não está clinicamente confirmada.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/nicotina-pode-ter-efeito-protetor-dizem-investigadores-franca-320914

Guerra e Armas Biológicas. Vários Factos e Algumas Questões

Frederico Carvalho    23.Abr.20

Quando os EUA e o seu aparelho de manipulação mediática global têm em marcha uma histérica campanha em torno da atribuição de responsabilidades pelo desencadeamento da actual pandemia, é particularmente esclarecedor o ponto da situação feito neste texto. Haverá provavelmente alguns ladrões a gritar “agarra que é ladrão”.

 

Via: ODiario.info https://bit.ly/2xUQlpk

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/23/guerra-e-armas-biologicas-varios-factos-e-algumas-questoes/

A geografia da covid-19: algumas precisões

É, sem dúvida, importante divulgar informação regionalizada e apontar potenciais causas para os resultados diferenciados observados nas diversas regiões. Mas convém enquadrar estes resultados numa visão mais ampla, quer do ponto de vista conceptual, quer no que se refere ao conhecimento do território de Portugal continental.

É, sem dúvida, importante divulgar informação regionalizada e apontar potenciais causas para os resultados diferenciados observados nas diversas regiões. Mas convém enquadrar estes resultados numa visão mais ampla, quer do ponto de vista conceptual, quer no que se refere ao conhecimento do território de Portugal continental.

 A primeira distinção a fazer é entre exposição, suscetibilidade e vulnerabilidade. Sendo a origem do coronavírus externa ao país, o conceito de exposição define-se, numa primeira fase, em função do grau de abertura de cada território ao exterior. Por exemplo, as áreas metropolitanas, as regiões exportadoras, as regiões com dinâmicas transfronteiriças mais intensas ou as áreas que mantêm uma circulação regular de pessoas com comunidades emigrantes (neste caso, da Europa) estão mais expostas à possibilidade de importação de vírus. Mas as características de cada um desses tipos de territórios são diferenciadas sob muitos pontos de vista, das características sociodemográficas e habitacionais das populações que aí residem à dotação de serviços de saúde. Assim, podemos imaginar duas áreas com idêntico grau de exposição a focos externos da pandemia mas que, tendo suscetibilidades diferenciadas, revelam níveis de vulnerabilidade distintos.

No sentido oposto, e apesar de as pessoas com mais de 70 anos corresponderem a um grupo de risco reconhecido pela OMS e confirmado pelos resultados de países onde a pandemia se fez sentir mais cedo e também em Portugal, uma região com uma estrutura demográfica muito envelhecida (portanto, potencialmente muito suscetível), mas pouco exposta ao exterior (internacional e mesmo nacional), pode revelar-se pouco vulnerável. Em suma, a vulnerabilidade de cada região – neste caso, medida através da incidência de casos de infeção e da sua gravidade – são o resultado do jogo de duas componentes – exposição e suscetibilidade – que pode variar ao longo do ciclo epidemiológico, sobretudo à medida que a exposição externa vai sendo mais controlada (encerramento seletivo de fronteiras, cancelamento de voos, etc.).

Esta última observação permite realçar uma outra distinção: numa segunda fase da pandemia, a exposição passa a definir-se sobretudo em função de focos internos através de dois tipos de difusão, uma por contiguidade física e outra por interação funcional. A primeira ocorre a partir da expansão em mancha de óleo dos focos preexistentes em direção a áreas e concelhos vizinhos, baseada em movimentos pendulares casa-trabalho, cadeias de abastecimento, enfim, todo o leque de interações físicas que famílias, empresas e outras entidades com uma localização relativa próxima mantêm entre si. É o que sucede, por exemplo, nas áreas metropolitanas ou nas áreas de industrialização rural dispersa. A segunda, difusão por interação funcional, envolve as cidades de média dimensão (em geral, capitais de distrito). Estas aglomerações urbanas, pelo tipo de serviços especializados que possuem (universidades e politécnicos, hospitais regionais, equipamentos públicos de nível supramunicipal, etc.) e pelos grupos sociais que aí residem (com maior mobilidade), mantêm uma relação significativa quer com as áreas mais expostas internacionalmente (e que estiveram na primeira linha da importação de casos infetados), quer com concelhos das áreas rurais.

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É preciso olhar com cuidado para os números diariamente divulgados pela DGS SENA GOULÃO/LUSA

À luz deste enquadramento, é agora mais fácil reinterpretar quer as diferenças regionais, quer a pertinência dos três fatores explicativos acima invocados: estrutura etária, densidade demográfica e total de lares de idosos existentes.

Os dados disponíveis, apesar de todas as dúvidas que suscitam no que se refere à sua efetiva cobertura e fiabilidade, permitem identificar quatro questões relevantes.

Em primeiro lugar, não são as regiões ou concelhos com uma estrutura demográfica mais envelhecida que revelam um maior número de infetados, tanto em valor absoluto como relativo. Pelo contrário, a haver uma relação generalizada (o que merece sempre a maior prudência) ela aponta para que seja nas áreas com uma estrutura etária mais jovem que, muitas vezes, se verifica uma maior incidência da covid-19. Ou seja, o grupo etário com mais de 70 anos é efetivamente um grupo de risco, mas uma área com uma população muito envelhecida não é necessariamente uma área de risco

Em segundo lugar, a densidade populacional, por si só, não se associa de forma relevante com o grau de incidência da covid-19. Áreas com densidades demográficas muito distintas podem ter taxas de incidência relativamente semelhantes e superiores à média. Simetricamente, áreas com densidades idênticas podem revelar uma presença muito diversificada de habitantes infetados. De facto, sob a designação genérica “densidade demográfica” escondem-se dois aspetos distintos: grau de urbanização e tipo de povoamento. Claro que nas cidades, grandes e médias, a densidade demográfica é maior e, por isso e sobretudo pelo seu modo de funcionamento enquanto espaços de estudo, trabalho, consumo e lazer, a interação pessoal, direta e indireta, é mais intensa. A difusão comunitária, quer por transmissão direta, quer através do uso de superfícies comuns, tende, pois, a ser mais elevada do que a média. Mas o tipo de povoamento também é relevante. Em áreas de povoamento difuso e de pequena propriedade, onde se misturam num mesmo território funções residenciais e atividades agrícolas e industriais, os contactos sociais são igualmente densos. Pelo contrário, em áreas com povoamento concentrado, caracterizado por povoações relativamente isoladas e maioritariamente habitadas por idosos com fraca mobilidade, o potencial de difusão comunitária é muito menor. Ou seja, a densidade demográfica apenas possui poder explicativo nos casos extremos (cidades ou territórios com um elevado grau de despovoamento), pelo que, por si só, esconde mais do que esclarece.

Em terceiro lugar, a questão dos lares de idosos. A um nível micro, e correspondendo estes equipamentos a uma concentração de idosos, eles são, naturalmente, locais de risco. Mas os casos mais graves podem ocorrer em contextos territoriais muito distintos, e resultam de uma conjugação de fatores internos e externos a cada um dos lares. Parece difícil aceitar a hipótese – mas apenas estudos aprofundados o poderão confirmar ou infirmar – de que existe uma relação entre o total de lares de idosos e o grau de incidência de infetados e mortos ao nível regional.

Finalmente, os mapas por concelho disponibilizados diariamente pela DGS, independentemente das limitações que poderão ter como atrás se salientou, aconselham alguma prudência quando se comparam dados de diferentes regiões. Sobretudo nas que têm uma configuração transversal ao país – as regiões Norte e Centro –, as diferenciações internas são tão significativas que dificilmente tem sentido falar das regiões como um todo. Deste ponto de vista, a região Norte é particularmente interessante, já que os resultados globalmente elevados apenas são compreensíveis se considerarmos que existem vários Nortes particularmente expostos e suscetíveis: a área metropolitana, com as suas franjas suburbanas mais pobres; as áreas de industrialização difusa, sobretudo do Vale do Ave; as cidades médias (Viana do Castelo, Braga, Guimarães, Vila Real, Bragança); os concelhos junto à Galiza, o troço da fronteira luso-espanhola com uma dinâmica transfronteiriça mais intensa; e Trás-os-Montes, com uma forte relação com comunidades emigrantes de vários países europeus (desde o regresso de portugueses despedidos recentemente ao vaivém de trabalhadores da construção civil). Dizer que a região Norte tem valores mais elevados porque “por acaso” alguém veio infetado de uma feira no Piemonte, a região italiana com maior incidência da covid-19, é não entender que estes vários Nortes conciliam, ainda que em graus diferenciados, uma forte exposição externa e uma suscetibilidade local elevada, ou seja, um significativo potencial de vulnerabilidade em relação a esta ou a qualquer outra doença infecciosa. Os mapas por concelho diariamente disponibilizados pela DGS mostram ainda que, no caso da região Centro, o contraste entre os municípios do litoral e do interior é tão acentuado que os totais regionais têm um valor igualmente enganador.

Será, então, que não vale a pena dar atenção aos valores regionais e municipais diariamente divulgados pela DGS sobre a evolução da covid-19? Muito pelo contrário. Pelo que revelam e pelas dúvidas e questões que suscitam, esses dados abrem mais uma janela de observação para conhecermos e compreendermos melhor não só a pandemia, mas o próprio país na sua diversidade territorial. Dados fiáveis ao nível municipal e estudos aprofundados baseados em evidência empírica permitirão no futuro conhecer as várias geografias da exposição, suscetibilidade e vulnerabilidade a doenças infecciosas, replicando os avanços científicos alcançados na última década no domínio das alterações climáticas e seus impactos.

 

 

 

Eles não aprendem. Por Carlos Branco

 

Obrigado a Carlos Branco e à Associação 25 de Abril na pessoa de Vasco Lourenço, por autorizarem a publicação deste texto

Carlos Branco 

Por Carlos Branco

Publicado por jornal economico-1  em 17/04/2020 (ver aqui)

Divulgado por Associacao 25Abrilem 21/04/2020

 

A reabilitação tardia do Hospital Militar de Belém transporta-nos para o comportamento displicente das autoridades relativamente ao emprego das Forças Armadas na crise que vivemos

 

No dia 7 de abril teve lugar uma audição do Ministro da Defesa Nacional (MDN) na Comissão Parlamentar de Defesa, cujo tema geral se prendeu com a participação das Forças Armadas no combate à Covid-19, na qual se insere a reabilitação do defunto Hospital Militar de Belém (HMB), especializado em doenças infectocontagiosas, desativado em 2012. Escolhemos esse tema para esta reflexão.

Devido à pandemia causada pela Covid-19, foi decidido reativar o HMB (parcialmente) e transformá-lo num Centro de Apoio Militar Covid-19. Para tal foram mobilizados 130 trabalhadores que operaram num regime de 24/24. O MDN anunciou que o hospital entraria em funcionamento no dia 13, sem indicar o mês. Provavelmente referia-se ao mês de maio, esperando ajuda divina

O MDN afirmou que “as obras que foram feitas não serão desperdiçadas, porque essa infraestrutura [HMB] têm de ter uma utilidade. Estava já previsto que essa estrutura fosse utilizada por uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Santa Casa da Misericórdia (SCM), como um centro de cuidados continuados em que antigos combatentes tivessem acesso privilegiado… Um ou dois andares serão dedicados aos antigos combatentes”. O MDN estaria seguramente a referir-se aos deficientes das Forças Armadas, quando disse “antigos combatentes”. A concretização de tal parceria entre a CML e a SCM anunciada pelo MDN levanta várias questões.

Qual a apetência da CML para gerir hospitais? Tornou-se à última hora uma Direção-Geral do Ministério da Saúde? O dinheiro público serve para reabilitar um hospital que vai ser cedido a privados? Iniciativa privada à custa de dinheiro dos contribuintes é seguramente uma atividade muito aliciante. Seria interessante o MDN divulgar os valores da reabilitação.

Interrogamo-nos sobre a vantagem de alienar um hospital público especializado numa valência deficitária (doenças infectocontagiosas), como ficou demonstrado na recente crise originada pela Covid-19, para o transformar numa infraestrutura hospitalar privada especializada em cuidados continuados, um campo em que a oferta pública também é manifestamente insuficiente.

Fará seguramente mais sentido aumentar a capacidade hospitalar do SNS para combater doenças infectocontagiosas, antes da crise reduzida apenas a Serviços num reduzido número de hospitais. Por algum motivo se teve de mandar reabrir o HMB e criar à pressa uma nova unidade de cuidados intensivos no hospital Pedro Hispano, entre outras medidas tomadas. Não abona nada insistir em políticas que provaram ser erradas.

Não parece avisado alienar bens públicos necessários ao país. É o que está em causa na proposta do MDN. Significa que, no futuro, terá de se recorrer ao privado para colmatar a ausência de capacidade pública entretanto alienada. Não foi o que se verificou desta vez, mas será o que acontecerá se o MDN concretizar o plano anunciado.

É de interesse nacional dar vida ao HMB. Reforçaria o SNS e dotaria o país de capacidades numa área médica que se tornou crítica, cuja importância tem tendência a aumentar. Nada desaconselha que fique na órbita das Forças Armadas, como esteve no passado. A decisão de o fechar foi errada, erro que por falta de visão estratégica as autoridades se preparam para repetir. Fazer obras no HMB para o reabrir por uns dias, e entregá-lo a privados, é um ato que fere o interesse nacional. Não vale a pena passar a vida a gemer contra os populismos e o crescimento do autoritarismo. Decisões desta natureza, que não passam despercebidas à população, são a centelha que alimenta essa fogueira.

A posição do MDN sobre o HMB traz-nos à memória desenvolvimentos desagradáveis relacionados com a sanha alienadora de imóveis do Estado utilizados por militares. Depois de alienados, os novos donos votaram-nos ao abandono, sem cumprirem os objetivos com que se tinham comprometido. O leque de casos é imenso. Recordamos as instalações da antiga Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, cujas instalações não ocupadas pela Câmara estão ao abandono. Situação semelhante ocorre com as instalações do antigo Instituto de Odivelas, que se encontram vandalizadas, e os seus azulejos de valor histórico incalculável roubados.

Relativamente ao HMB reina a indecisão. O projeto anunciado pelo ministro é o mais sombrio das hipóteses possíveis. Recorda-nos o projeto que visa transferir o Ministério da Defesa Nacional das atuais instalações na Avenida Ilha da Madeira para as antigas instalações do Regimento de Lanceiros.

A reabilitação tardia do HMB (na verdade não se sabe quando estará funcional) transporta-nos para o comportamento displicente das autoridades relativamente ao emprego das Forças Armadas na crise que vivemos. Não tiveram pejo de as utilizar contra trabalhadores, como fura-greves, para conduzir viaturas de empresas privadas, durante a greve dos motoristas de matérias perigosas, sem declaração do estado de emergência, apenas com base na requisição civil. Numa situação de catástrofe nacional, com o estado de emergência declarado, como aquela que vive o país, optaram por minimizar a sua intervenção.

Também se estranha os hospitais privados não terem sido objeto de requisição civil. Será que a crise em que nos encontramos não o justifica? Em vez de termos pacientes instalados em tendas, em situações precárias, teria sido melhor acomodá-los em hospitais que estiveram sempre vazios.

 

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O autor: Carlos Branco,Major-general e investigador do IPRI-NOVA.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/04/22/eles-nao-aprendem-por-carlos-branco/

Hospitais privados estão a cobrar taxas pelo material de proteção

 

Os hospitais privados estão a cobrar aos seus clientes taxas pelos equipamentos de proteção individual que os profissionais de saúde estão a usar devido à pandemia de covid-19.

De acordo com o jornal Público, que avança a notícia esta quarta-feira, os preços cobrados variam de acordo com o tipo de serviço prestado e com o grupo de saúde.

A situação já gerou queixas dos doentes e a Entidade Reguladora da Saúde emitiu um alerta aos prestadores de cuidados de saúde, para que não cobrem estes valores sem informarem previamente os doentes dos custos associados.

Ao jornal, a CUF assumiu que está a cobrar pelo material de proteção que os seus profissionais são obrigados a usar nesta fase. Na CUF, o custo cobrado no atendimento permanente é de oito euros, imagiologia 10 e a diária do internamento custa mais 15 euros por dia. Nos exames especiais, o valor cobrado é de 45 euros e no bloco operatório de 90 euros.

 
 

Já o grupo Luz Saúde não cobra nada no atendimento permanente, 10 euros no internamento, entre oito e 10 euros na imagiologia e entre 115 e 175 euros nas cirurgias.

Nos Lusíadas, a taxa adicional é de 10 euros no atendimento permanente, 22 euros no internamento, 98 euros nas cirurgias e sete euros na imagiologia.

Face a esta nova prática, a Entidade Reguladora da Saúde alerta para que os prestadores de cuidados de saúde devem “assegurar aos utentes uma previsão de custos correta sobre a totalidade dos aspetos financeiros relacionados com a prestação de cuidados de saúde e cujo pagamento lhes seja exigível, designadamente, os valores associados a prestações e/ou consumos adicionais estimados em contexto de epidemia SARS-CoV-2”.

ZAP //

 

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/hospitais-privados-taxas-material-protecao-320609

Burocracia atrasa notificação de doentes. Médicos passam “mais de metade do tempo” ao computador

 

Durante o processo de identificação e tratamento de um doente com covid-19, há quase uma dezena de programas informáticos que podem ser usados pelos médicos.

 

Médicos denunciam um excesso de burocracia que atrasa a notificação de doentes de covid-19. Em alguns hospitais, há quase uma dezena de programas informáticos que são necessários para fazer o registo clínico de um doente. Nuno Tavares, médico do Hospital de São João, defende que se passa “demasiado” tempo neste processo meramente burocrático.

“Estamos a falar de uma carga horária diária que é extremamente dissipativa. Provavelmente, mais de metade do tempo que passamos é seguramente ao computador a inserir esse mesmo registo”, explica o médico.

Os programas informáticos utilizados são quase tantos como os passos dados no processo, avança a Rádio Renascença. Registo clínico na urgência, resultados de testes, outros exames, registo de internamento, prescrições de medicamentos, monitorização depois da alta, prescrições de medicamentos em ambulatório, registo epidemiológico e óbito têm todos uma plataforma diferente que deve ser usada no tratamento do doente.

 
 

“A existência de demasiados sistemas informáticos concomitantes parece ser um problema transversal”, admite Miguel Abreu, infecciologista no Hospital de Santo António. “No Santo António temos vários programas em simultâneo, feitos por empresas diferentes, para a mesma coisa. Este é um problema pré-covid“.

A notificação dos casos é feita no SINAVE (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), mas também na Trace-COVID. Apesar desta última plataforma ter as suas vantagens, Nuno Tavares argumenta que “é mais uma plataforma extra a somar à complexidade do sistema”.

Miguel Abreu acusa também a DGS de não dar ouvidos a quem está no terreno. “Ora, se nós já estamos um bocadinho atrapalhados com o volume de doentes que temos, [com este processo] gastamos ainda mais tempo, que normalmente já é pouco“, diz o infecciologista, em declarações à Renascença.

Fernando Maltez, diretor do serviço de doenças infecciosas do hospital Curry Cabral conta que, como o seu, há outros hospitais que só notificam os casos positivos. “O risco de subnotificação existe em Portugal, como em qualquer outra parte do mundo e tem a ver com os recursos humanos disponíveis”, explica.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/burocracia-atrasa-notificacao-doentes-320603

Autoridades de Saúde e Sistema de Protecção Civil

Direcção-Geral de Saúde não é uma Direcção-Geral como as outras, que são livremente reestruturadas, fundidas, cindidas ou simplesmente redenominadas, sempre que muda o Governo, perdendo-se a identidade, a tradição, e o conhecimento acumulado.

 

 

A Autoridade de Saúde Nacional

Numa das primeiras conferências de imprensa da actual crise da COVID – 19 o Governo, ao falar aos jornalistas em “Autoridade de Saúde”, teve de explicar que a Autoridade de Saúde Nacional era aquela senhora, Directora-Geral de Saúde, que estava sentada ali ao lado…

De facto, a Direcção-Geral de Saúde não é uma Direcção-Geral como as outras, que são livremente reestruturadas, fundidas, cindidas ou simplesmente redenominadas, sempre que muda o Governo, perdendo-se a identidade, a tradição, e o conhecimento acumulado.

A Direcção-Geral de Saúde, fundada em 1901, tem atravessado os vários regimes e, se viu a sua denominação alterada em 1984 para Direcção-Geral dos Cuidados de Saúde Primários e absorveu, entre outros, os serviços centrais dos antigos “serviços médico – sociais das caixas de previdência”, veio a constatar-se ser manifestamente exagerada a notícia da sua morte, dada nessa altura:

 

Entende-se que a Direcção-Geral de Saúde constituída pelo Doutor Ricardo Jorge em 1901, aproveitando toda uma gama de instituições de saúde que remontam, pelo menos, aos primórdios do século XIX e às mais vetustas instituições municipais, deu ao País uma acção meritória mas que deixou de satisfazer os próprios médicos e outros profissionais de saúde pública, porque as concepções neste domínio obviamente têm evoluído, postulando hoje a perspectiva que usualmente se designa por saúde comunitária.”[i]

 

 
 
 

De facto foi restabelecida em 1993 a denominação Direcção-Geral de Saúde para a – no intervalo – designada Direcção-Geral de Cuidados de Saúde Primários, na qual foi integrada a Direcção-Geral dos Hospitais[ii].

Repare-se que com a implementação da desconcentração regional da Administração Pública e com a empresarialização dos hospitais a gestão directa de unidades de saúde ficou fora da Direcção-Geral de Saúde, que se preocupa com as políticas de saúde e com a gestão, que lhe é tradicional, da prevenção e combate aos surtos de doenças infecto-contagiosas, sendo interessante ver que a Lei aprovada no novo Estado Novo em 1949[iii] vigorou 60 anos até ser substituída[iv].

Quanto ao estatuto de Autoridade de Saúde, em que o Director-Geral de Saúde – e a nível municipal, médicos indicados para o efeito, então designados por “delegados de saúde” – são tradicionalmente “autoridades” e se articulam directamente com os homólogos estrangeiros, cabe referir que só durante o tempo de existência da Direcção-Geral de Cuidados de Saúde Primários a lei admitiu que o Ministro da Saúde fosse autoridade de saúde ele próprio. Posteriormente, por força da própria Lei de Bases da Saúde, o exercício de funções de autoridade de saúde tem cabido a médicos sensibilizados para a problemática de saúde pública ou mesmo com essa especialidade[v].

Percebe-se a necessidade de as autoridades de saúde terem formação cientifica adequada, sobretudo num terreno em que é importante saber que não há certezas.

Entretanto a situação de facto conta muito. Recordemos o longo exercício de funções, sob vários governos, como Director-Geral de Saúde, de Francisco George, tendo a sua aposentação por limite de idade sido pretexto para prever um mecanismo excepcional de prorrogação de funções para os dirigentes[vi]. O lugar de Director-Geral da Saúde não é dos que estão “no mercado” para os boys dos vários partidos.

Seria entretanto importante perceber como tem decorrido o relacionamento entre a actual titular, Graça Freitas[vii], e o Governo, mas não existem muitos elementos para alicerçar uma análise. Quanto ao agora denominado Conselho Nacional de Saúde, considerou que não deveria recomendar a suspensão das actividades lectivas e foi prontamente descredibilizado, desaparecendo do mapa. Curiosamente cabia-lhe por lei propor a declaração de calamidade pública – e olhando para a lei[viii] percebe-se por que razão António Costa o tinha como suficiente – e até o estado de emergência. Mas a Presidência da República ultrapassou tudo e todos.

Tem sido instrutivo para a opinião pública fazer aparecer nas conferências de imprensa também dirigentes de outros organismos do Ministério.

Já o número e grau de tecnicidade das normas e orientações que vão sendo produzidas pela Direcção – Geral passará talvez despercebido à generalidade da população.

Convém em todo o caso sinalizar problemas que poderão ser explicados pela organização adoptada ou pelo menos aspectos em que pareçam estar a gerar-se disfunções.

 

 A cadeia de “autoridades de saúde”

Abaixo da “Autoridade de Saúde Nacional”, que como vimos, é a Directora-Geral de Saúde, encontramos, simplificando, Autoridades de Saúde Regionais, enquistadas nas Administrações Regionais de Saúde, as quais dispõem de Departamentos de Saúde Pública, e estruturas homólogas nos Agrupamentos de Centros de Saúde, sendo que, existindo vários Agrupamentos num município, se designará um delegado municipal que exercerá funções correspondentes aos antigos delegados de saúde.

Existe um diploma que aponta para a unidade de actuação deste conjunto de autoridades de saúde e que prevê mesmo o funcionamento de um Conselho de Autoridades de Saúde para este efeito.[ix]

Quanto à nova Lei de Bases[x] refere a autoridade de saúde como se se tratasse de uma única entidade, e o espírito será efectivamente esse.

A Lei de Bases de Saúde que esteve em vigor até 2019 e de que os decretos-leis em que nos apoiamos são diplomas de desenvolvimento, estatuía claramente:

 

As funções de autoridade de saúde são independentes das de natureza operativa dos serviços de saúde e são desempenhadas por médicos, preferencialmente da carreira de saúde pública.”

 

 
 
 

Como é que isto funciona na prática, e em especial no decorrer de uma situação de emergência como a relativa à COVID-19? Aparentemente, fazendo-se as Administrações Regionais de Saúde representar pelos seus Departamentos de Saúde Pública nas estruturas em que têm assento. No entanto, parece ter havido problemas, por exemplo, quanto a garantir os recursos adequados ao tratamento de outros utentes em situações complexas para reservar recursos para o internamento dos doentes COVID-19. À hora em que escrevo o Ministério da Saúde reforçara a sua orientação de reduzir os internamentos COViD-19 ao mínimo, e embora a duplicação do número de ventiladores existentes a nível nacional se revelasse até agora uma miragem, aparentemente continuava a ser possível internar em cuidados intensivos todos os doentes que deles necessitavam. Mas os doentes com outras afecções que estavam a ser seguidos ou necessitam de intervenções cirúrgicas terão ficado em muitos casos desamparados, não por uma impossibilidade absoluta de os apoiar, mas por uma gestão com pouco grau de precisão.

A situação dos lares e residências para idosos foi, neste aspecto, muito mais complexa de gerir. Em vão se terá determinado que elaborassem planos de contingência (será que os destinatários conheciam sequer o conceito?), e cada caso de detecção de um número elevado de infectados determinou frequentemente não a separação interna, mas a retirada dos não-infectados para locais que tiverem de ser obtidos caso a caso[xi].

Numa das conferências de imprensa, Graça Freitas explicou que este tipo de situações deveria ser gerida a nível de Agrupamento de Centros de Saúde. Resposta by the book, formalmente correcta, mas que não resolveu nem resolve muitas situações.

Valeu que os laboratórios de investigação conseguiram criar os seus próprios testes e, como este esforço foi visto como um bónus (o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior não integrava o gabinete de crise) e não foi integrado na rotina de aprovisionamento dos serviços de saúde, lá se decidiu que fossem aplicar os testes aos lares e residências ao sabor de um programa com prioridades talvez demasiado vagamente esboçadas. À hora em que escrevo, alguém contudo percebeu que se impunham decisões:

 
Para o Norte, rapidamente e em força, testar 20 mil trabalhadores de lares e residências !”
 
 
 

 

No terreno, também e sobretudo a Protecção Civil

A arquitectura actual da Protecção Civil deve-se no essencial a duas Leis, uma de 2006, que definiu a arquitectura do Sistema de Protecção Civil e que reflectirá a visão na altura do então Ministro do Interior António Costa, a qual “Aprova a Lei de Bases da Protecção Civil”[xii], e outra do ano seguinte, que regulou com maior precisão a protecção civil municipal[xiii].

Os presidentes de câmara durante o Estado Novo estavam investidos de uma dupla qualidade: por um lado eram agentes do Governo, que os nomeava, por outro lado presidiam à câmara, onde tinham assento vereadores (indirectamente) eleitos. Durante o debate da regionalização, em particular o que precedeu o famoso referendo do tempo de Guterres, tornou-se aparente que a instituição de regiões não era muito popular entre vários deles, por dificultar o acesso ao Terreiro do Paço, ou a possibilidade de passar culpas ao poder central[xiv]. Eduardo Cabrita passara uns anos a preparar, com estatuto remuneratório de Subsecretário de Estado, o plano que foi reprovado. Ultimamente, com o estatuto, não apenas remuneratório, de Ministro Adjunto, passou uns anos a tratar de uma descentralização de geometria variável que imbrica de tal forma a Administração Central e a Administração Local que ninguém sabe muito bem onde começa uma e acaba outra. Os casos judiciais dos incêndios florestais de 2017 e da pedreira de Borba ainda hão-de dar muito que falar.

No capítulo específico da protecção civil, que tem de actuar em situações de calamidade pública, incluindo as decorrentes do alastramento da COVID-19 e cujas estruturas estão aparentemente vocacionadas para propor medidas como a criação de cercas sanitárias – mas não discutiremos aqui nesta fase o episódio Rui Moreira- Graça Freitas – não é claro o que compete ou não às câmaras municipais:

  • decorre da lei que os planos municipais de protecção civil deverão seguir na sua elaboração as orientações da Comissão Nacional de Protecção Civil;
  • em matéria assistencial parece haver um consenso de que devem ser as câmaras municipais devem arranjar soluções.

No entanto a realização de investimentos em equipamentos de emergência na área da Saúde, em articulação com os Centros Hospitalares, que tem sendo anunciada, por exemplo na cidade do Porto, pode deixar a dúvida se o acesso a esses equipamentos pode ser vedado a não munícipes. A lei deveria ser clara a excluir tal hipótese.

Quanto ao dispêndio de importâncias dos erários municipais em equipamentos de protecção necessários ao pessoal dos serviços de saúde como máscaras cirúrgicas ou realização de testes para fundamentar estratégias de saúde municipais, como mostrou Teresa Gago estar a fazer a Câmara de Cascais em recente artigo no Jornal Tornado, deveria ser vedado a qualquer autarquia local.

 

Os governadores civis do Estado de Emergência

Credite-se António Costa com o ter sido o único protagonista de uma crítica à extinção dos Governos Civis, decidida por Passos Coelho e Miguel Macedo, à qual apontou ir retirar ao Ministério da Administração Interna os seus serviços desconcentrados e que na lógica da Lei de Bases de Protecção Civil aprovada em 2006 asseguravam a coordenação distrital dos serviços desconcentrados dos vários Ministérios e a articulação com os municípios.

Suponho que hoje se terá por pacífico ter entregue a emissão de passaportes aos serviços de identificação civil e desmantelado o sistema de governadores civis / distribuidores de benesses dos seus cofres / cabos eleitorais dos círculos distritais.

Mas a coordenação de serviços desconcentrados e a articulação destes com as câmaras exige uma presença no terreno, e a nomeação de cinco dos secretários de Estado do Governo mais obeso da nossa história democrática para actuarem como pro-cônsules a nível das NUTS 2 terá tido provavelmente bons resultados.

Veremos que conclusões vão ser tiradas daí.

 

 

 
 

[i] Preâmbulo do Decreto-Lei nº 74-C/84, de 2 de Março.

[ii] Decreto-Lei nº 10/93, de 15 de Janeiro.

[iii] Lei nº 2 036, de 9 de Agosto de 1949.

[iv] Pela Lei nº 81/2009, de 21 de Agosto (Institui um sistema de vigilância em saúde pública, que identifica situações de risco, recolhe, actualiza, analisa e divulga os dados relativos a doenças transmissíveis e outros riscos em saúde pública, bem como prepara planos de contingência face a situações de emergência ou tão graves como de calamidade pública).

[v] Lei nº 48/90, de 24 de Agosto..

[vi] Faço esta referência sem me pronunciar sobre as polémicas que têm rodeado o seu desempenho como Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa.

[vii] Também não me pronuncio aqui sobre o desempenho da actual Directora-Geral.

[viii] Lei nº 81/2009,atrás referida.

[ix] Decreto-Lei nº 82/2009, de 2 de Abril.

[x] Lei nº 95/2019, de 4 de Setembro.

[xi] A avaliar por um documento subscrito conjuntamente pela União das Misericórdias Portuguesas e pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade estas teriam preferido que lhes retirassem os infectados mas lhes deixassem os restantes.

[xii] Lei nº 27/2006, de 3 de Julho.

[xiii] Lei nº 65/2007, de 12 de Novembro.

[xiv] Curiosamente o Presidente da Câmara de Vila do Bispo, um dos foram mais claros nessa posição, viu o seu concelho votar favoravelmente a regionalização.

 


 

 

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/autoridades-de-saude-e-sistema-de-proteccao-civil/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=autoridades-de-saude-e-sistema-de-proteccao-civil

[Manlio Dinucci] O DISTANCIAMENTO SOCIAL DA DEMOCRACIA

 
                             
Manifestantes em Tel Aviv mantendo a distância social, 19 de Abril de 2020© AFP / Jack Guez
 
 
 
“O distanciamento social chegou para ficar muito mais do que algumas semanas. Num certo sentido, irá perturbar o nosso modo de vida para sempre”: anunciaram os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uma das universidades de maior prestígio dos Estados Unidos (MIT Technology Review, We’re not goingback to normal, 17 March 2020). 
 
Citam o relatório apresentado pelos pesquisadores do Imperial College London, segundo o qual o distanciamento social deve tornar-se uma norma constante e ser reduzido ou intensificado, de acordo com o número de pacientes hospitalizados pelo vírus, nas unidades de terapia intensiva. O modelo elaborado por estes e por outros pesquisadores não diz respeito só às medidas a ser tomadas contra o coronavírus. Torna-se num modelo social, real e preciso, do qual já se preparam os procedimentos e os instrumentos que os governos deverão impor como lei.
 
Os dois gigantes da Informática, Apple e Google, até agora rivais, associaram-se para inserir biliões de sistemas móveis para iPhone e Android, em todo o mundo, num programa de “seguimento de contactos” que avisa os clientes se alguém infectado com o vírus se está a aproximar deles. As duas empresas garantem que o programa “respeitará a transparência e a privacidade dos utentes”.
 
Um sistema de rastreio ainda mais eficaz é o dos “certificados digitais”, nos quais estão a trabalhar duas universidades americanas, a Rice University e o MIT, apoiadas pela Bill & Melinda Gates Foundation, a fundação americana criada por Bill Gates, fundador da Microsoft, a segunda pessoa mais rica do mundo na classificação da revista Forbes. Ele anunciou-o publicamente, respondendo a um empresário que lhe perguntou como retomar as actividades de produção, mantendo o distanciamento social:
 
“No final, teremos certificados digitais para mostrar quem se recuperou ou foi testado recentemente, ou quando tivermos uma vacina, se esse indivíduo a tomou. (The Blog of Bill Gates,31 questions and answers about COVID-19, 19 March 2020).
 
O certificado digital de que Gates fala, não é o actual cartão de saúde electrónico. A Rice University anunciou, em Dezembro de 2019, a invenção de pontos quânticos à base de cobre que, injectados no corpo juntamente com a vacina, “se tornam em algo semelhante a uma tatuagem de código de barras, que pode ser lida através de um smartphone personalizado”.(Rice University, Quantum-dot tattoos holdvaccination record, 18 Dicember 2019). A mesma tecnologia foi desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia Massachusetts (Scientific American, Invisible Ink CouldReveal whether Kids Have Been Vaccinated, 19 Dicember 2019). 
 
A invenção desta tecnologia foi encomendada e financiada pela Fundação Gates, que declara querer usá-la nas vacinas para crianças, principalmente nos países em desenvolvimento. Também poderia ser usada numa vacinação à escala global contra o coronavírus.
 
Este é o futuro “modo de vida” que nos é anunciado: o distanciamento social com estrutura variável sempre em vigor, o medo constante de ser abordado por um infectado pelo vírus sinalizado por um toque do nosso telemóvel, o controlo permanente pelo “código de barras” implantado no nosso corpo. Seria, essencialmente, uma extensão dos sistemas militares com os quais se podem seguir e acertar nos “alvos” humanos.
 
Sem subestimar o perigo do coronavírus - seja qual for a sua origem - e a necessidade de medidas para impedir a sua propagação, não podemos deixar nas mãos dos cientistas do MIT e da Fundação Gates a decisão de qual deve ser o nosso modo de vida. Também não podemos parar de pensar e fazer perguntas. Por exemplo:
 
É muito grave que o número de mortes devido ao coronavírus, na Europa, seja actualmente, quase 97.000, mas que medidas devem ser tomadas em proporção, contra as partículas finas, as PM2,5, que – segundo os dados oficiais da European Environment Agency (Airquality in Europe – 2019 report) – provocam, a cada ano, na Europa, a morte prematura de mais de 400.000 pessoas?
 
Manlio Dinucci
 
il manifesto, 20 de Abril de 2020
 
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COMMUNIQUÉ ON THE CONFERENCE OF 25 APRIL
DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, 
em todos os países europeus da NATO
Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos 
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

UM VÍRUS, A HUMANIDADE E A TERRA

 
 
Um pequeno vírus pode ajudar-nos a dar um grande passo à frente para fundar uma nova civilização planetária ecologista, baseada na harmonia com a natureza. Ou, então, podemos continuar vivendo a fantasia do domínio sobre o planeta e continuar avançando até à próxima pandemia. E, por último, até a extinção", escreve Vandana Shiva, física, ecofeminista, ativista ambiental, defensora da soberania alimentar e fundadora do Movimento Navdanya, em artigo publicado por El Salto, 11-04-2020. A tradução é do Cepat.
 
Vandana Shiva*
 
Um pequeno vírus confinou o mundo, parou a economia global, levou embora a vida de milhares e o sustento de milhões de pessoas. Que lições podemos aprender, graças ao coronavírus, sobre a nossa espécie humana, os paradigmas económicos e tecnológicos dominantes e a terra?
 
A primeira coisa é que o confinamento nos recorda é que a terra é para todas as espécies e que quando abrimos espaço e liberamos as ruas de carros, a poluição se reduz. Os elefantes podem ter acesso às áreas residenciais de Dehradun e se banhar no Ganges, no ghat de Har Ki Pauri, em Haridwar. Um leopardo vagueia livremente em Chandigarh, a cidade projetada por Le Corbusier.
 
 A segunda lição é que esta pandemia não é um desastre natural, assim como os fenómenos climáticos extremos também não são. As epidemias emergentes, assim como a mudança climática, são antropogénicas, ou seja, causadas pelas atividades humanas.
 
Os cientistas nos avisam que ao invadir os ecossistemas florestais, destruir os habitats de muitas espécies e manipular as plantas e os animais para obter lucro económico, fomentamos o surgimento de novas doenças. Ao longo dos últimos 50 anos, apareceram 300 novos patógenos. Está escancaradamente documentado que 70% dos patógenos que afetam o ser humano, entre os quais estão o HIV, o ebola, a gripe, a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS, na sigla em inglês) e a síndrome respiratória aguda grave (SARS, na sigla em inglês) surgem quando os ecossistemas florestais são invadidos e os vírus se transferem de animais para pessoas. Quando se amontoam animais em fazendas industriais para maximizar os lucros, afloram novas doenças como a gripe suína e a aviária.
 
A avareza humana, que não respeita os direitos de outras espécies, nem os direitos dos membros de nossa mesma espécie, é a raiz desta pandemia e das pandemias que a seguirão. Uma economia global baseada na ilusão do crescimento ilimitado se traduz em um apetite insaciável pelos recursos planetários, o que, como consequência, se traduz em uma ilimitada transgressão dos limites do planeta, dos ecossistemas e das espécies.
 
 
 A terceira lição que o vírus nos ensina é que a emergência sanitária está relacionada com a emergência da extinção massiva de espécies. Também com a emergência climática. Ao se utilizar venenos como inseticidas e herbicidas para matar insetos e plantas é inevitável provocar uma crise de extinção. Ao queimar combustíveis que a terra fossilizou há 600 milhões de anos, transgredimos os limites planetários. A consequência é a mudança climática.
 
Os prognósticos dos cientistas estabelecem que se não frearmos esta guerra antropogénica contra a terra e as espécies que a habitam, em cem anos teremos destruído as condições que permitem aos humanos viver e prosperar. Nossa extinção será uma a mais entre as 200 que ocorrem diariamente. Iremos nos converter em uma espécie em risco de extinção pela avareza, arrogância e irresponsabilidade humanas.
 
Todas as emergências que na atualidade colocam em risco vidas têm sua origem na visão mecanicista, militarista e antropogénica dos humanos como seres à margem da natureza, como amos e senhores da terra que podem dominar, manipular e controlar outras espécies como fontes de lucro. Também têm sua origem em um modelo económico que considera os limites ecológicos e éticos como obstáculos que devem ser superados para aumentar o crescimento dos lucros empresariais.
 
Nesse modelo, não cabem os direitos da Mãe Terra, os direitos de outras espécies, os direitos humanos, nem os das gerações futuras. Durante esta crise e a recuperação após o confinamento, precisamos aprender a proteger a terra, seu clima, os direitos e os habitats das diferentes espécies, os direitos dos povos indígenas, das mulheres, dos agricultores e agricultoras e dos trabalhadores e trabalhadoras.
 
Temos que romper com a economia do lucro e o crescimento ilimitado que nos levou a uma crise de sobrevivência. Temos que aprender de uma vez por todas que somos membros da família planetária e que a verdadeira economia é a economia dos cuidados: o cuidado do planeta e o cuidado mútuo.
 
Para prevenir futuras pandemias, carestias e a perspectiva de nos tornarmos sociedades em que a vida humana não tenha valor, temos que romper com o sistema económico global que está gerando a mudança climática, a extinção de muitas espécies e a propagação de doenças mortais. O retorno ao local abre espaço para que as diferentes espécies, as diferentes culturas e as variadas economias locais se desenvolvam.
 
Temos que reduzir de maneira consciente nossa pegada ecológica para deixar recursos e espaço disponíveis para outras espécies, para o restante dos seres humanos e para as gerações futuras. A emergência sanitária e o confinamento demonstraram que quando há vontade política, é possível reverter o processo de globalização. Façamos com que esta reversão seja permanente e voltemos à produção local e de proximidade, em consonância com os princípios do swadeshi (autossuficiência) que Gandhi promulgava, ou seja, o restabelecimento da económica doméstica.
 
Nossa experiência no [movimento] Navdanya nos ensinou, ao longo de três décadas, que os sistemas de produção de policultivos locais e ecológicos são capazes de prover alimento à população sem empobrecer o solo, poluir a água e danificar a biodiversidade.
 
A riqueza da biodiversidade são as matas, os cultivos, os alimentos que consumimos, a microbiota intestinal, um fio condutor que comunica o planeta e suas diferentes espécies, também os seres humanos, por meio da saúde, não da doença.
 
Um pequeno vírus pode nos ajudar a dar um grande passo à frente para fundar uma nova civilização planetária ecologista, baseada na harmonia com a natureza. Ou, então, podemos continuar vivendo a fantasia do domínio sobre o planeta e continuar avançando até a próxima pandemia. E, por último, até a extinção.
 
A terra seguirá, connosco ou sem nós.
 
*Fonte: IHU On Line | Publicado em Pravda.ru
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/um-virus-humanidade-e-terra.html

Vírus feito em laboratório pode dizimar metade da humanidade

 
Algumas pequenas alterações. Isso é tudo que foi necessário para que um grupo de pesquisadores holandeses transformasse o vírus H5N1 (conhecido como causador da gripe do frango ou gripe aviária) em algo que pode potencialmente acabar com metade da civilização como a conhecemos. Já haviam rumores sobre a pesquisa, como noticiado aqui mesmo no Tecmundo, mas agora os resultados finalmente serão divulgados.
 
De acordo com a revista especializada Science Insider, a nova variação do vírus é facilmente transmissível entre furões, que são animais que reagem de uma forma parecida à dos humanos em relação a gripe. A revista ainda afirma que outros estudos paralelos alcançaram os mesmos resultados nos Estados Unidos e em Tóquio.
 
Embora essa descoberta possa ser um grande passo no controle da transmissibilidade dos vírus, outros cientistas estão demonstrando suas preocupações com a chamada “pesquisa dupla”. Isso porque os resultados podem ser utilizados tanto para o bem, quanto para criação de armas biológicas e ataques terroristas caso as informações acabem vazando.
 
O vírus H5N1 sempre afetou os pássaros, mas nos últimos 10 anos passou a aparecer entre os humanos. Foram em torno de 600 casos diagnosticados, com mais de 500 mortes no mundo todo. A razão de que o vírus não se tornou comum é que ele não é transmissível entre humanos pelas vias aéreas. Ou ao menos não era, pois essa nova versão da ameaça proporciona justamente isso.
 
Em defesa ao projeto, o virologista holandês Ron Fouchier acredita que a publicação dos resultados ajudará a comunidade científica a estar preparada para o caso de ocorrer uma pandemia de H5N1. Por outro lado, não publicar irá deixar todos no escuro sobre como reagir ao problema.
 
Só nos resta esperar que esse vírus não caia nas mãos erradas, como foi o caso do anthrax (que aliás é muito menos perigoso que essa nova versão do H5N1).
 
Thiago Szymanski| Publicado em Tecmundo - 29.11.2011
 
Imagem: Vírus H5N1 // Daily Mail / Reuters

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/virus-feito-em-laboratorio-pode-dizimar.html

Os profissionais de saúde foram dos mais sacrificados pela ditadura do défice

A situação do SNS e dos seus profissionais, a luta contra o “COVID-19”, a necessidade de resolver os graves problemas que tem causado a destruição do SNS e a insatisfação dos profissionais de saúde

 

 

 

Neste estudo mostro, utilizando dados dos relatórios e contas anuais do Ministério da Saúde e do SNS, assim como a “Nota explicativa do OE 2020 do Ministério da Saúde”, bem como a publicação da OCDE “Health at a Glance 2019”, os problemas que enfrenta atualmente o SNS e os seus profissionais:

subfinanciamento crónico, prejuízos e dividas enormes todos os anos, ineficiências, desresponsabilização na utilização dos recursos disponibilizados pelo Estado, ausência de remunerações, carreiras e condições de trabalho dignas para os seus profissionais, atrasos enormes na consultas, cirurgias , etc, falta de profissionais de saúde que tem levado ao fecho de especialidades, investimento público na saúde inferior à media dos países da OCDE, o que tem obrigado as famílias a suportarem um custo crescente com saúde, Portugal é dos países da OCDE em que maior percentagem da população diz que tem má ou muita má saúde, etc,

Concluindo  que seria certamente a melhor e maior homenagem e reconhecimento que se poderia prestar aos profissionais de saúde pelo seu sacrifício, dedicação e competência na crise de saúde pública causada pelo COVID 19 resolver os graves problemas que enfrenta o SNS assim como os destes profissionais, que têm sido continuamente ignorados e adiados pelos sucessivos governos pois corre-se o risco, como muitas vezes sucede, que os heróis de hoje são amanhã esquecidos ou mesmo ignorados

Espero que este estudo possa ser útil para a reflexão e debate sobre situação atual do SNS e dos seus profissionais pois é fundamental preparar o pais não só para a atual crise de saúde publica, mas também para aquelas que certamente se verificarão no futuro, bem como para prestar um melhor serviço de saúde publico aos portugueses, vital no combate à doença, por melhor saúde e maior produtividade dos trabalhadores, e na luta contra as desigualdades que se têm agravado no país.

 

 
 
 
 

Estudo

A situação do SNS e dos seus profissionais, a luta contra o “COVID-19”, a necessidade de resolver os graves problemas que tem causado a destruição do SNS e a insatisfação dos profissionais de saúde

Numa altura em que se pede tanto ao SNS e aos seus profissionais é certamente o momento adequado para analisar, mais uma vez, a forma como estes trabalhadores e também o SNS têm sido tratados ao longo dos últimos anos pelos sucessivos governos, como os seus principais problemas têm sido ignorados ou mesmo desprezados. E isto até para que se olhe, num momento em que todos os portugueses lhe devem tanto, para a importância que têm para o país, e que se resolvam os principais problemas na área da saúde que têm sido continuamente adiados ao longo dos anos o que tem causado a degradação do SNS e a insatisfação profunda dos seus profissionais, e contribuído para a explosão do negócio privado da saúde em Portugal. Seria certamente a melhor e maior homenagem e reconhecimento que se poderia prestar aos profissionais de saúde pelo seu sacrifício, dedicação e competência resolver os seus legítimos problemas continuamente ignorados e adiados pois corre-se o risco, como muitas vezes sucede, que os heróis de hoje são amanhã esquecidos ou mesmo ignorados.

 

O SNS e os profissionais de saúde foram dos mais sacrificados pela ditadura do défice e pela obsessão de obter um saldo positivo nas contas do estado

Para reduzir abruptamente o défice, e obter um défice nulo e, para o governo e Mário Centeno ficarem na história (a comunicação afeta não se cansava de o repetir), como o governo e o ministro das Finanças que, durante a democracia, conseguiram obter um saldo positivo nas contas publicas (+0,2% em 2019), cortou-se brutalmente no financiamento do SNS e destruíram-se as carreiras dos profissionais de saúde. Os dados do gráfico 1, construído com dados fornecidos à Assembleia da República pelo Ministério da Saúde, aquando do debate do Orçamento do Estado de cada ano mostra a continua insuficiência das transferências do Estado para o SNS (o subfinanciamento crónico em todos os anos incluindo também em 2020) para assim reduzir artificialmente o défice orçamental, causando uma profunda degradação do SNS.

 

Gráfico 1 – As transferências do OE para o SNS, a despesa anual do SNS e o saldo negativo anual – Milhões €

 

No período 2014 -2020, as transferências do OE para o SNS somaram 61.109 milhões €, e a despesa do SNS foi de 68.697 milhões €, portanto registou-se um saldo negativo de -7.588 milhões €. No período de governos PS (2016/2020) o saldo negativo foi de -5.365 milhões €. Mesmo em 2020, em que o atual governo anunciou que iria acabar o subfinanciamento crónico do SNS, a previsão é que a despesa seja superior às transferências do OE em 809 milhões €. Mesmo adicionado as taxas moderadoras – 170 M€/ano- a receita continua a ser muito inferior à despesa.

Este subfinanciamento crónico do SNS pelo Orçamento determinou que, todos os anos, o SNS tenha apresentado elevados prejuízos e que a divida do SNS a fornecedores seja enorme e tenha aumentado como revela o quadro 1, cujos dados foram retirados do Relatório e Contas do SNS.

 

Quadro 1 – Os prejuízos e a divida do SNS a fornecedores no período 2015/2019 devido a transferências insuficientes do
Orçamento durante os governos de António Costa/Mário Centeno

 

No período 2015/2019, com Costa/Centeno, o SNS acumulou prejuízos no montante de 2.614 milhões € o que determinou que a divida a fornecedores, que já era enorme, aumentasse em 30% (459,5 milhões €). O SNS tem sido pelos sucessivos governos sacrificado no “altar do défice, o que causou uma profunda degradação e explicam as dificuldades que enfrentou e continua a enfrentar na luta contra o “coronavírus” e para garantir o serviço mínimo de saúde à população pois foram cancelados, neste período de crise causada pelo COVID 19 a maior parte dos atos programados a outros doentes, em que os atrasos já eram enormes, para poder atender aos infetados com o “coronavírus”.

 

Os profissionais de saúde foram dos mais sacrificados pela ditadura do défice e para ter saldo positivo. É urgente acabar com o subfinanciamento do SNS como provou a crise

Os profissionais de saúde foram um dos grupos mais sacrificados pela ditadura do défice e pelo desejo Costa e Centeno de brilharem em Bruxelas como revelam os dados do quadro 2.

 

Quadro 2 – Despesas com pessoal do SNS entre 2010 e 2018 (o relatório de 2019 ainda não foi publicado)

 

A despesa bruta (ilíquida) com pessoal do SNS em 2018 foi de 4.065 milhões € a preços correntes, portanto antes de deduzir o enorme aumento de IRS e dos descontos para a ADSE, e também antes de deduzir o efeito corrosivo do aumento de preços, sendo pouco superior à despesa de 2010 (3.938,8 milhões €), ou seja, em 8 anos a despesa nominal com profissionais do SNS aumentou apenas em 126,3 milhões € (3,2%). No entanto, este valor não tem em conta nem o aumento de trabalhadores registado entre 2010 e 2018 , nem aquilo que o Estado “poupou “ à custa dos profissionais de saúde com o aumento enorme da taxa de IRS que se verificou entre 2010 e 2018, nem com o facto do Orçamento Estado deixar de financiar a ADSE, passando esta a ser financiada pelos trabalhadores da Função Pública. O quadro 3, construído também com dados oficiais, dá uma informação mais verdadeira da despesa suportada pelo Estados com os profissionais de saúde do SNS no período 2010/2019.

 

Quadro 3 – Variação real no período 2010/2019 da despesa do Estado com os profissionais do SNS e do poder de compra dessa despesa que causou uma redução significativa dos rendimentos reais dos trabalhadores

 

Entre 2010 e 2019, a despesa nominal com os profissionais de saúde do SNS aumentou em 11%, mas se retiramos aquilo que o Estado recupera através do IRS, o aumento é apenas de 7,1%. E se, para além disso, dividirmos pelo aumento de trabalhadores que entraram neste período (+12.157) a subida da despesa do Estado com cada profissional de saúde do SNS foi apenas de 1,3%. Se retiramos o IRS que reverte para o Estado então o custo mensal de uma trabalhador para o Estado até diminuiu, entre 2010 e 2019, em -2,2% a preços correntes, isto é , sem deduzir o efeito corrosivo do aumento de preços. Um contributo para a redução do défice à custa dos profissionais da saúde. Se deduzirmos o efeito do aumento de preços (10,33%) a quebra real na despesa por profissional de saúde é de -11,3%.

Mas despesa por trabalhador não é igual à remuneração por trabalhador. Consideração a remuneração média ilíquida que o Estado paga por profissional de saúde, sobre a qual é depois deduzida a taxa de desconto para ADSE e para o IRS, e se deduzirmos o efeito corrosivo do aumento de preços conclui-se que, entre 2010 e 2019, a remuneração liquida média a preços de 2010 por profissional de saúde, ou seja, aquela que se obtém depois de deduzir o IRS, o desconto para a ADSE e o efeito do aumento de preços, passou, entre 2010 e 2019, de 1.519€ para 1.300€, ou seja, sofreu uma redução de 11,3%. Cada profissional de saúde custa cada vez menos ao Estado (1.876€ em 2010 e apenas 1.665€ em 2019) , e a sua remuneração liquida em termos reais (em poder de compra) em 2019 é inferior em 14,4% à de 2010 (1.519€ em 2010 e apenas 1300€ em 2019), o que determina a degradação das suas condições de vida, o que tem servido para promover o negócio privado saúde, já que os grandes grupos de saúde tem aproveitado essa situação para atrair os profissionais de saúde e para explorar a maioria deles. Os sucessivos governos com a sua politica de sacrificar os profissionais de saúde tem ajudado fortemente os grandes grupos privados da saúde e contribuído para explosão do negócio privado da saúde em Portugal. É preciso que se tenha a coragem de afirmar com clareza isso para que isto mude.

Se juntarmos a tudo isto, a destruição das carreiras dos profissionais de saúde e a negociação individual de remunerações, o que transformou o SNS numa autêntica selva em que os direitos dos profissionais de saúde não são respeitados nem valorizados, e em que se criou uma insegurança generalizada, fica-se bem com o retrato verdadeiro da situação atual do SNS. É altura, até porque as ameaças da continuação desta crise de saúde publica assim como o aparecimento de outras no futuro são reais, de repensar e valorizar a atividade destes profissionais e do SNS. Não basta dizer que eles são heróis a enfrentar esta grave crise de saúde pública, arriscando a sua própria vida, e felicitá-los por isso, batendo muitas palmas e fazendo bonitos discursos e, logo no dia seguinte, esquecer tudo o que fizeram. O que é fundamental é reconhecer em atos o seu esforço, dedicação e competência, e resolver os graves problemas que o SNS e eles enfrentam, e cuja solução tem sido continuamente adiada.

 

Portugal é um dos países que menos investe por habitante na saúde segundo a OCDE

Os dois gráficos que a seguir se apresentam foram retirados do “Health at a Glance 2019” da OCDE, e mostram o baixo investimento em saúde em Portugal e o muito que o SNS tem ainda a fazer.

 

Gráfico 2 – Despesa publica + privada em saúde nos países da OCDE e em Portugal por habitante/ano em 2018

 

Em 2018, o gasto publico e privado, portanto a soma dos dois, em saúde por habitante em Portugal foi apenas 2.861 dólares PPD por ano (PPD significa que se anulou o efeito da diferença de preços entre países), quando a média nos países da OCDE era de 3.994 dólares PPD/ano, ou seja, mais 1.133 dólares (+39,6%) por ano. E a percentagem da despesa total com saúde que é pública investida na saúde dos portugueses era muito inferior à de outros países como mostra o gráfico 3 da OCDE.

 

Gráfico 3 – Percentagem da despesa total com saúde financiada pelo Estado (pública) nos países da OCDE e em Portugal – 2017

 

Em Portugal, a despesa pública (do Estado) representa apenas 66% da despesa total com saúde (34% da despesa é suportada diretamente pelas famílias no nosso país, para além dos impostos que pagam para o SNS) quando a média nos países da OCDE é 71% (só 29% é das famílias). Fazendo os cálculos necessários (dados do gráfico 2 e 3), conclui-se que a despesa pública por habitante em Portugal era apenas de 1.888 dólares PPD por ano, quando a média nos países da OCDE era de 2.836 dólares PPP por ano, ou seja, mais 50,2% do que no nosso país (na Alemanha era 4.669 dólares PPD por habitante por ano). É urgente que o Estado invista muito mais em saúde em Portugal para se poder ter um SNS que corresponda às necessidades do país e que satisfaça as legitimas reivindicações dos profissionais de saúde. Interessa referir que Portugal é um dos países com uma das maiores percentagens de habitantes a considerar que a sua saúde é má ou muito má, e os com mais de 65 anos com mais limitações por falta de saúde (gráficos 4 e 5, “HEALTH AT A GLANCE 2019” da OCDE) o que prova que o SNS ainda tem muito a melhorar e fazer.

 

Gráfico 4 – Percentagem de portugueses que consideram que a sua saúde é má ou muito má – 2017

 

Em 2017, segundo a OCDE, 15,3% dos portugueses consideravam que a sua saúde era má ou muito má, quando a média dos países da OCDE era apenas 8,7%. O gráfico 5 completa o anterior.

 

Gráfico 5 – Percentagem de portugueses com mais 65 anos que têm limitações ou severas limitações por falta de saúde – 2017

 

63% dos portugueses com mais de 65 anos consideram que têm limitações ou severas limitações por falta de saúde, quando a média nos países da OCDE é 50,1% e na Suécia apenas 21,4%. Isto devia fazer pensar os responsáveis políticos e obrigá-los a encarar de frente os problemas da saúde em Portugal, e resolverem os graves  problemas do SNS (subfinanciamento crónico, enorme endividamento, má gestão, ineficiências e ausência de responsabilização na aplicação dos recursos disponibilizados pelo Estado) e dos profissionais (ausência de remunerações, de carreiras e de condições de trabalho dignas). É preciso preparar o SNS para enfrentar não só a crise de saúde publica causada pelo “coronavírus” mas também muitas outras que surgirão com certeza no futuro assim como para disponibilizar melhores de serviços de saúde a todos portugueses que se degradaram muito nos últimos anos, de que é prova milhares e milhares de consultas, de cirurgias, etc. com atrasos enormes, centenas de camas nos corredores dos hospitais por falta de quartos, fecho de especialidades em hospitais por faltar profissionais, condições de trabalho horríveis, causado pela ditadura do défice. É preciso que, passada a crise, não se esqueça novamente o SNS e a dedicação, sacrifício e competência dos seus profissionais, como muitas vezes acontece.



 

 
 
 

 


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/os-profissionais-de-saude-foram-dos-mais-sacrificados-pela-ditadura-do-defice/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=os-profissionais-de-saude-foram-dos-mais-sacrificados-pela-ditadura-do-defice

Carta a Graça Freitas. Por Luís Osório

84 Carta a Graça Freitas

Seleção de Francisco Tavares

 

Com a devida vénia e agradecimento a Luís Osório, reproduzo aqui na Viagem dos Argonautas a sua excelente “Carta a Graça Freitas”. No entanto, não resisto a deixar aqui o comentário de um médico meu amigo, a propósito desta carta:

Foi minha professora de saude pública e medicina preventiva na faculdade. Pessoa de elevado valor científico e técnico e com um talento para ensinar espetacular. Das pessoas mais humildes que vi ensinar na minha faculdade, sempre aberta a críticas pois tive aulas com ela na sequência de grandes controvérsias de saúde pública que recaíram sobre ela (a vacinação contra o hpv e a aquisição do tamiflu para a gripe das aves). Sempre chamou a ela a responsabilidade das decisões que tomou e sempre teve a postura que tem hoje (quando o escândalo rebentava adivinhem quem o George mandava responder a entrevistas?). Sim pode ter cometido erros de comunicação ou de política mas reafirmo que deve ser a pessoa em Portugal mais competente para lidar com a questão de saúde. Agora não podem esperar que lide com a economia (disponibilidade de meios de protecção no mercado) , com a religião (missas, funerais) ou com a política (25 de abril e afins). Em suma, na minha opinião que não sou especialista em nada estamos em mãos não perfeitas mas muito capazes.”

FT

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Carta a Graça Freitas

Luís Osório

Por Luís Osório

Publicado por Comunidade Cultura e Arte.jpg em 15/04/2020 (ver aqui)

 

 

Não nos conhecemos. Na verdade, não me parece sequer que nos tenhamos cruzado em alguma circunstância. Mas tenho-a visto (eu e certamente a larga maioria dos portugueses) todos os dias a dar a cara pela evolução da pandemia no nosso país.

Posso imaginar a pressão diária, mas apenas imaginar. Sem dúvida que se nota o cansaço, está mais magra, impossível não o notar. Dá-me ideia, admito desde já a especulação, que se irrita com algumas das críticas que lhe têm sido feitas, pressinto-lhe o enfado.

É exatamente por isso que lhe escrevo.

Quero dizer-lhe que, face às circunstâncias, está a correr bem. Não ligue mais do que a conta à cólera da maledicência e à ignorância atrevida. Nunca se esqueça de que Portugal é o país de onde saíram os navegadores, mas também é o país em que ficaram os velhos do Restelo a dizer mal dos navegadores.

Imagino que a irrite muito.

De repente, a sua história e percurso não servem para nada.

Todo o trabalho de dedicação à saúde pública; a revolução que fez no sistema de vacinação português; as centenas de médicos a quem influenciou com as suas aulas na Faculdade de Medicina; o trabalho de sapa que permitiu que o seu antecessor brilhasse; os elogios internacionais pelo seu contributo nas reuniões do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

Não, Dra. Graça Freitas, esqueça.

Para muitos comentadores, autarcas ou agitadores de redes sociais isso não interessa nada. De repente, são todos especialistas no que a senhora estuda há quarenta anos. São imunologistas, matemáticos, físicos e tudo o resto de que se faz o cardápio do grupo de trabalho que lidera.

Errou várias vezes. Teve de alterar previsões. Disse uma coisa nuns dias e teve de se desdizer noutros. Imprudentemente falou demasiado cedo de situações que acabaram por não se concretizar – atenção que em política os murros na mesa nunca se anunciam, dão-se simplesmente. Por vezes falou com demasiada certeza, o que nunca é avisado.

Mas pergunto-me se poderia ser de outra maneira? Existia alguém que pudesse antecipar o que iria acontecer antes de acontecer? Existiu algum precedente que pudesse ajudar a antecipar? Sei que não. E isso obrigou a navegar à vista, a corrigir em mar alto, a tentar que a viagem prosseguisse com o mínimo de danos.

Ao ouvir determinadas pessoas a gritarem-lhe ao ouvido imagino o que seria se não estivesse a cumprir os objetivos. Imagino o que seria se Portugal tivesse os mortos (em proporção) de Espanha, Itália, Inglaterra ou França. Imagino o que seria se Portugal não fosse elogiado pelo New York Times, se o El País não nos definisse como os “suecos do sul” ou se tantos investigadores não estivessem a elogiar-nos pelo trabalho feito nesta primeira fase da pandemia. O que seria, Graça? Consegue imaginar?

Sei que gosta de cuidar das suas orquídeas, li algures. Aposto que também gostará de Confúcio que tratava as orquídeas com paixão e zelo. Gabava-lhes a beleza e a delicadeza. E foi Confúcio quem, muito a propósito, nos deixou a frase definitiva: “O que sabemos, saber que o sabemos. Aquilo que não sabemos, saber que não o sabemos: eis o verdadeiro saber.

 

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O autor: Luís Osório é hoje mais um escritor do que um jornalista. Mãe, Promete-me que Lês é o seu sétimo livro e sucede à Queda de Um Homem, o primeiro romance. F