Rússia

Xi pede que os laços China-Rússia mantenham dinâmica sólida de desenvolvimento em um alto nível

Brasília, 13 nov (Xinhua) -- O presidente chinês, Xi Jinping, reuniu-se com o presidente russo Vladimir Putin na quarta-feira, pedindo a manutenção de uma dinâmica positiva e sólida do desenvolvimento das relações China-Rússia em um alto nível.

Xi falou da importância de 2019 como um ano em que as relações China-Rússia, que foram desenvolvidas com base nos avanços passados, seguiram se fortalecendo. Os dois lados celebraram o 70º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas com uma série de atividades e o ano de cooperação e intercâmbio local entre os dois países está chegando a um fim bem-sucedido, disse ele.

"Em particular, anunciamos em conjunto o desenvolvimento da parceria de coordenação estratégica abrangente China-Rússia para uma nova era, promovendo as relações bilaterais a um novo patamar histórico", afirmou Xi.

Xi enfatizou que os dois lados devem continuar a fazer esforços conjuntos, levar em consideração o desenvolvimento e as mudanças na situação internacional, fazer inovações em resposta às necessidades de desenvolvimento de cada país e da cooperação bilateral, manter uma dinâmica positiva e sólida do desenvolvimento das relações China-Rússia em um alto nível, além de conquistar constantemente novos êxitos para trazer mais benefícios aos dois povos, à região e ao mundo.

Observando as mudanças complexas e profundas no atual contexto internacional com crescente instabilidade e incerteza, Xi pediu que os dois países estabeleçam uma coordenação estratégica mais estreita para defender as normas básicas que governam as relações internacionais, opor-se ao unilateralismo, intimidação e interferência nos assuntos de outros países e salvaguardar as respectivas soberania e segurança, criando conjuntamente um ambiente internacional justo e igual.

Falando da recém-concluída segunda Exposição Internacional de Importação da China, Xi disse que o volume de transações dos expositores russos cresceu 74% em comparação com o ano passado.

Ele ressaltou a necessidade de expandir continuamente o comércio bidirecional e expressou a esperança de ver mais grandes projetos estratégicos dos dois países no setor de energia, com a rota leste do projeto de gasoduto China-Rússia entrando em operação em breve.

Xi também expressou o desejo de resultados frutíferos do ano China-Rússia de inovação científica e tecnológica de 2020 a 2021 e pediu novos progressos contínuos no alinhamento da Iniciativa do Cinturão e Rota e da União Econômica da Eurásia.

Apontando que a cúpula dos BRICS neste ano está sendo realizada em um momento crítico em que o cenário internacional está evoluindo e a governança global está em transformação, Xi disse que a China e a Rússia devem trabalhar juntas para promover solidariedade e cooperação entre todas as partes e enviar um sinal positivo de que os países do BRICS aderem ao multilateralismo e defendem o sistema de comércio multilateral.

Xi também prometeu apoio total à Rússia para sediar a cúpula do BRICS e a cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) no próximo ano.

Putin disse que as relações Rússia-China são sólidas e estáveis, não afetadas por nenhum fator externo e desfrutam de uma boa dinâmica de desenvolvimento e amplas perspectivas.

As relações Rússia-China são baseadas em profunda amizade e confiança mútua, estreita coordenação política, cooperação econômica mutuamente benéfica e estreita coordenação no cenário internacional, disse Putin, considerando tais relações como uma verdadeira parceria de coordenação estratégica abrangente.

Putin disse que a Rússia e a China compartilham importantes consensos e interesses comuns na manutenção da segurança e estabilidade estratégicas globais. Os dois lados devem continuar a manter uma estreita comunicação estratégica e se apoiar firmemente na salvaguarda dos direitos e interesses de soberania, segurança e desenvolvimento, disse ele.

A Rússia tem a confiança para aprimorar ainda mais a escala e o nível do comércio bilateral, acelerar o alinhamento da União Econômica da Eurásia com a Iniciativa do Cinturão e Rota, aprofundar a cooperação com a China na indústria, agricultura, aeroespacial, energia e finanças e aumentar a exportação de gás natural para a China, disse Putin.

Os dois lados devem continuar a fortalecer intercâmbios culturais e interpessoais, bem como em nível de governo local, acrescentou.

Assumindo a presidência rotativa do BRICS no próximo ano, a Rússia trabalhará em estreita colaboração com a China para aumentar a influência do mecanismo de cooperação do BRICS, disse Putin, acrescentando que a Rússia também está disposta para fortalecer a cooperação com a China no âmbito da OCS, especialmente em segurança e combate ao terrorismo.

Os dois chefes de Estado também tiveram profundas trocas de opiniões sobre os principais assuntos internacionais e regionais de preocupação comum.

Xi chegou à capital brasileira na terça-feira para a 11ª cúpula do BRICS. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/14/c_138554970.htm

Putin e Bolsonaro vão discutir na cúpula do BRICS situação na região, inclusive eventos na Bolívia

Líder russo Vladimir Putin se encontrou pela primeira vez com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro em Osaka, palco do G20
© Sputnik / Mikhail Klimentiev

No âmbito da cúpula do BRICS, os líderes da Rússia e do Brasil, Vladimir Putin e Jair Bolsonaro, planejam discutir questões da política bilateral e a situação na região, inclusive os eventos na Bolívia.

O assessor do presidente Vladimir Putin, Yuri Ushakov, afirmou aos jornalistas que os líderes da Rússia e do Brasil vão discutir questões da política bilateral e a situação na região.

"Só houve um encontro com Bolsonaro em Osaka; agora será realizada uma conversa mais profunda, isso será, antes de mais, a agenda bilateral e, certamente, os problemas atuais internacionais e regionais, inclusive a situação na Bolívia", disse Ushakov aos jornalistas.

Respondendo a uma pergunta sobre o tema da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e se os líderes vão discutir essa questão durante as negociações, o assessor do presidente russo disse que isso ficará ao critério dos próprios líderes e em primeiro plano estará a agenda bilateral.

"Eu não sei, isso será determinado pelos próprios líderes. Mas, antes de tudo, serão discutidas questões da agenda bilateral", explicou Ushakov.

No âmbito da cúpula do BRICS no Brasil, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, vai se encontrar com o primeiro-ministro da Índia, Narenda Modi, e o presidente da China, Xi Jinping, no dia 13 de novembro e com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no dia 14 de novembro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019111114759871-putin-e-bolsonaro-vao-discutir-na-cupula-brics-situacao-na-regiao-inclusive-eventos-na-bolivia/

Putin abre primeira "Cimeira Rússia-África". 4 países lusófonos presentes

 
 
O Presidente russo abre hoje a primeira "Cimeira Rússia-África", um sinal de uma ambição crescente da Rússia no continente africano, num encontro em que participam cerca de 30 líderes africanos, incluindo os de Angola, Moçambique e Cabo Verde.
 
Vladimir Putin recebe em Sochi, uma estância balnear no Mar Negro, onde Moscovo gosta de organizar as suas grandes incursões políticas, cerca de 30 líderes africanos e milhares de oradores a quem tentará deixar claro que a Rússia "tem muito a oferecer aos Estados africanos", na expressão divulgada pelo Kremlin
 
"Estamos a preparar e em vias de implementar projetos de investimento com participações russas na ordem dos milhares de milhões de dólares", afirmou Vladimir Putin, numa entrevista divulgada hoje pela agência de notícias estatal russa Tass.
 
O homólogo egípcio de Putin, Abdel Fattah al-Sisi, presidente em exercício da União Africana, foi o aliado estratégico escolhido pelo Presidente russo para coliderar a cimeira, numa fórmula diplomática que reproduz os "Fóruns de Cooperação Sino-Africana" que, desde 2000, têm permitido a Pequim tornar-se o principal parceiro do continente.
 
 
Em 20 anos no poder, Vladimir Putin apenas fez três viagens à região da África subsariana, sempre com a África do Sul no centro de cada um dos roteiros, mas chegou a altura de demonstrar que os interesses africanos ocupam uma parte importante das preocupações do Kremlin.
 
O chefe de Estado russo, numa entrevista divulgada no início da semana, cita como prova do compromisso de Moscovo com a região a "cooperação militar e de segurança", a ajuda no combate ao vírus Ébola, a formação de "quadros africanos" pelas universidades russas, garantindo que os projetos russos em África são caracterizados pela ausência de ingerência "política ou outra".
 
África é um "continente importante", com o qual Moscovo mantém "relações tradicionais, históricas e íntimas", sublinhou hoje, à comunicação social, Dmitry Peskov, porta-voz de Putin, numa referência à antiga União Soviética.
 
Entre os participantes, estão os presidentes de Angola, João Lourenço, de Moçambique, Filipe Nyusi, e Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, enquanto São Tomé e Príncipe se faz representar pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Elsa Pinto.
 
João Lourenço viaja pela segunda vez este ano para a Rússia, mais uma vez com vários acordos previstos na agenda. "Constam da missão presidencial em território russo a assinatura de acordos bilaterais em diversos domínios, como o da formação de quadros e a implementação de uma indústria de fertilizantes em Angola", adianta uma nota da Casa Civil do Presidente angolano.
 
Na Cimeira Rússia-África que vai decorrer em Sochi, João Lourenço vai intervir na sessão reservada às alocuções dos líderes convidados, na quarta-feira e, no dia seguinte, terá um encontro formal com Putin para avaliar "o estado das relações bilaterais" e debater "temas contemporâneos".
 
O chefe do executivo angolano vai ter também audiências com personalidades do universo político, social e económico da Rússia, incluindo dirigentes de bancos, de empresas industriais e agrícolas e produtoras de minérios preciosos como diamantes.
 
Em abril, João Lourenço deslocou-se a Moscovo para uma visita oficial de quatro dias, a convite do homólogo russo, com o objetivo de alargar a cooperação bilateral.
 
A acompanhar João Lourenço estarão os ministros da Economia e Planeamento; Relações Exteriores; Agricultura e Florestas; do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e dos Recursos Minerais e Petróleos.
 
Filipe Nyusi fez-se também acompanhar pelo chefe da diplomacia moçambicana, José Pacheco, assim como pelo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, pelo vice-ministro dos Recursos Minerais e Energia, Augusto Fernando e por vários quadros da Casa Civil do Presidente e de outras instituições do Estado, de acordo com um comunicado da Presidência moçambicana.
 
Nyusi participará no Fórum de Negócios Rússia-África, que se realiza à margem da cimeira, e receberá em audiência vários empresários russos.
A Lusa tentou confirmar quem representa a Guiné-Bissau, mas não foi possível até ao momento.
 
O país está a viver um novo clima de instabilidade depois de o primeiro-ministro, Aristides Gomes, ter denunciado na segunda-feira uma alegada tentativa de golpe de Estado e ter acusado diretamente Umaro Sissoco Embaló, candidato às eleições presidenciais marcadas para 24 de novembro apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15).
 
O Presidente guineense, José Mário Vaz, cancelou a agenda prevista para esta terça-feira.
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 
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Após negociações Putin-Erdogan, Ancara diz que ‘não há necessidade’ de nova ofensiva na Síria

Veículo militar da Turquia retorna à fronteira do seu país, no posto de fronteira de Jarabulus, a 30km de Manbij
© AP Photo / Emrah Gurel

Após negociações que se estenderam por mais de sete horas, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciaram que as tropas russas e sírias irão garantir a segurança no nordeste da Síria, enquanto a operação turca será limitada a uma área restrita.

Nesta terça-feira (22), os presidentes da Rússia e da Turquia se reuniram para negociações no balneário russo de Sochi. Na agenda, a ofensiva militar turca no nordeste da Síria. Após mais de sete horas de negociações, os líderes assinaram um memorando de entendimento.

O presidente Vladimir Putin disse que a Rússia compreende as razões que levaram a Turquia a realizar a ofensiva militar, mas alerta que ela não deve ser realizada em detrimento da integridade territorial síria ou beneficiar terroristas.

 

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, apresentam Acordo à imprensa, após sete horas de negociações em Sochi, na Rússia, em 22 de outubro de 2019
© Sputnik / Ramil Sitdikov
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, apresentam Acordo à imprensa, após sete horas de negociações em Sochi, na Rússia, em 22 de outubro de 2019

Putin reiterou a posição de Moscou de que a Síria deve ser liberada de toda "presença militar ilegal" em seu território.

 

Ministério da Defesa da Turquia: não haverá nova ofensiva

Após as negociações entre Putin e Erdogan, o Ministério da Defesa da Turquia anunciou que não haverá nova operação contra as milícias curdas na Síria.

De acordo com o Ministério "não há necessidade" de uma nova ofensiva "neste estágio", uma vez que o "corredor de paz" na zona de fronteira irá garantir o retorno de milhões de refugiados à Síria.

Turquia e Rússia selam acordo

O acordo prevê que as milícias curdas – o principal alvo das operações turcas – irão se afastar a uma distância mínima de 30 km da fronteira com a Turquia.

A operação turca, por sua vez, irá continuar somente entre as localidades de Tel Abyad e Ras al-Ayn, entrando no máximo uma profundidade de 32 km no território sírio.

Exército sírio na fronteirAs

As demais regiões fronteiriças da Síria – de Kobani a Tel Abyad, e de Ras al-Ayn até à fronteira com o Iraque - serão controladas pelo Exército da Síria, com apoio das forças russas.

Patrulhas russo-turcas na fronteira

Paralelamente, as áreas não atingidas pela operação turca serão patrulhadas em conjunto pela Turquia e Rússia, a uma profundidade máxima de 10 km no território sírio.

Prisioneiros de organizações terroristas

Um tema sensível das negociações foram os inúmeros prisioneiros do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e demais países) mantidos em prisões e campos no nordeste da Síria.

Putin insistiu que o caos gerado pela ofensiva turca não pode permitir que esses prisioneiros escapem.

"É importante que os membros de organizações terroristas, incluindo o Daesh, cujos militantes estão sendo mantidos prisioneiros por grupos armados curdos, não se aproveitem das ações das Forças Armadas da Turquia", ressaltou o presidente russo.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, por sua vez, advertiu que aqueles que criaram e mantêm as prisões devem compreender a sua "responsabilidade" pela prevenção de fugas.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, e seu homólogo turco, Mevlut Cavusoglu, durante conferência de imprensa após acordo Rússia-Turquia, em Sochi, na Rússia, em 22 de outubro de 2013
© Sputnik / Aleksei Drujinin
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, e seu homólogo turco, Mevlut Cavusoglu, durante conferência de imprensa após acordo Rússia-Turquia, em Sochi, na Rússia, em 22 de outubro de 2013

Revitalizando os Acordos de Adana de 1998

Ambos os países reiteraram a importância de revitalizar o Acordo de Adana, um pacto de segurança firmado entre a Turquia e a Síria em 1998.

O acordo permite incursões militares turcas na região fronteiriça, enquanto Damasco se comprometeu a não abrigar membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) em seu território. Ancara considera o PKK uma organização terrorista.

Curdos com bandeiras do PKK em Istambul, Turquia
© AP Photo / Ibrahim Usta
Curdos com bandeiras do PKK em Istambul, Turquia

Apesar da significativa deterioração das relações diplomáticas entre a Síria e a Turquia nesses oito anos de conflito, o acordo nunca foi denunciado. Moscou prometeu fornecer apoio para que o documento seja implementado, de acordo com a "realidade contemporânea".

O PKK luta há décadas pela criação de um Estado independente curdo, em algumas regiões do atual território da Turquia. A Turquia acusa as milícias curdas sírias de apoiarem o PKK. Apesar de bandeiras do PKK serem frequentemente hasteadas pelas milícias curdas da Síria, não é possível estabelecer o nível exato de relacionamento entre os dois movimentos.

Posição americana na Síria é muito “variável e contraditória” para ser considerada

O memorando assinado entre a Turquia e a Rússia trata dos mesmos temas e das mesmas regiões geográficas que o acordo entre Turquia e Estados Unidos, firmado há cinco dias pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o presidente da Turquia, em Ancara.

Vice presidente norte-americano Mike Pence durante entrevista coletiva após fechar acordo de cessar-fogo com a Turquia é observado pelo secretário de Estado Mike Pompeo, em 17 de outubro de 2019
© AP Photo / Jacquelyn Martin
Vice presidente norte-americano Mike Pence durante entrevista coletiva após fechar acordo de cessar-fogo com a Turquia é observado pelo secretário de Estado Mike Pompeo, em 17 de outubro de 2019

No entanto, o "cessar-fogo" acordado entre Washington e Ancara foi criticado ontem durante as negociações.

"Não estamos olhando para os Estados Unidos e para a sua posição. A posição [norte-americana] é demasiado variável e contraditória, e obviamente a coalizão liderada pelos Estados Unidos está em território sírio ilegalmente, como é sabido", declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, aos repórteres.

Damasco endossa as negociações

Após a reunião com Erdogan, o presidente da Rússia falou com o seu homólogo sírio, Bashar al-Assad, de acordo com o porta voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Assad endossou o memorando e declarou que os guardas de fronteiras sírios estão prontos para cooperar com as forças russas.

Ofensiva turca na Síria

No dia 9 de Outubro, o nordeste sírio foi invadido pelas Forças Armadas da Turquia. A operação teve como alvo as milícias curdas que atuam em território sírio, que Ancara considera "terroristas".

A ofensiva foi iniciada dois dias após Donald Trump ter anunciado a retirada das tropas norte-americanas do nordeste da Síria.

Cartas de jogos espalhadas sobre o chão da base de coordenação aérea abandonada do Exército dos EUA em Dadat, Síria
© Sputnik / Mikhail Alaeddin
Cartas de jogos espalhadas sobre o chão da base de coordenação aérea abandonada do Exército dos EUA em Dadat, Síria

Na semana passada, os EUA e a Turquia acordaram um cessar-fogo de cinco dias, que expirou às 22:00 do horário local (19:00 GMT) da terça-feira (22).

Ancara havia declarado estar pronta para retomar a operação, caso os norte-americanos não cumprissem com o prometido e garantissem a retirada das milícias curdas para 30 km de distância da fronteira turca.

Moscou incitou repetidamente a Turquia a restringir as suas atividades na fronteira turca e respeitar a integridade territorial da Síria.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102314678107-apos-negociacoes-putin-erdogan-ancara-diz-que-nao-ha-necessidade-de-nova-ofensiva-na-siria/

Rússia e a militarização do Ártico

 
 
 
Há séculos, a região do Ártico foi considerada como uma localidade geográfica periférica, inóspita e longínqua, que estava no imaginário de aventureiros ou visionários, onde as circunstâncias que separavam sua localização dos mais importantes centros populacionais e políticos do globo contribuíram para a concepção de uma região remota, que não apresentava fatores que atraíssem atenções ao seu verdadeiro potencial.
 
Com o passar do tempo, por conta do ímpeto exploratório mundial, a região passou a ser considerada como um novo espaço de poder e de futura concorrência geoeconómica global, atraindo não só a atenção de vários países, no intuito de explorar suas imensas riquezas, como também sendo causa da potencialização de processos de militarização da região por parte de nações que têm grande interesse político e económico, e vem agindo dessa forma, no intuito de proteger seus interesses.
 
Foi precisamente no contexto da Guerra Fria que a região ártica se consolidou como uma região geoestratégica de relevo, devido ao papel desempenhado no âmbito da estratégia de dissuasão nuclear e de disputas de poder entre as duas superpotências: os EUA e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
 
Na estratégia de dissuasão, o Norte foi o lugar ideal onde se cruzaram rotas planejadas dos bombardeiros de longo alcance e dos mísseis intercontinentais. Era também no Ártico que se realizavam os testes de armamento da União Soviética, então no seu papel de potência nuclear, nomeadamente em regiões como Novaya Zemlya, Plesetsk e Nenok. Neste sentido, o papel do Ártico na Guerra Fria moldou a caracterização da região em termos militares e estratégicos, caracterização essa que persistiu até o fim do conflito, e com a dissolução da URSS.
 
A Rússia, como maior território da região do Ártico, vem procurando desenvolver e aumentar as suas capacidades de atuação e presença na localidade. É possível associar essa intenção às condições geográficas do país, que tornam o Norte a sua maior fronteira, onde as águas do Oceano Glacial cobrem cerca de 60% dos mais de 37,6 mil quilômetros de litoral dessa nação e que, consequentemente, sempre situou o Ártico na sua esfera natural de influência, transformando o país numa potência dominante da região, segundo estudos do Instituto Sueco para os Assuntos Internacionais.
 
 
 
Neste sentido, o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, afirmou em 2014, numa das reuniões do Conselho de Segurança da Federação, que a região tem sido tradicionalmente uma esfera do interesse especial da Federação Russa, sendo uma concentração de praticamente todos os aspectos da segurança nacional-militar, político, económico, tecnológico e ambiental.
 
O ponto focal das preocupações do Kremlin a respeito do Ártico mostra uma junção muito estreita entre economia e segurança, em que a Estratégia de Segurança Nacional contempla os interesses nacionais da Federação Russa, as suas prioridades estratégicas e os seus objetivos e funções na esfera nacional e internacional, onde a importância do desenvolvimento económico para as políticas externa e interna está bem presente, principalmente no que tange a segurança energética, que é descrita como um dos principais meios para garantir a segurança nacional na esfera económica no longo prazo e deverá ser premissa nas explorações dos recursos offshore da região do Ártico.
 
Atualmente, o contínuo processo de exploração do Ártico trouxe aos Estados pertencentes à região a necessidade de buscar soluções para uma série de desafios económicos, políticos e de segurança. A atual tendência ao multilateralismo, ou à busca de soluções pacíficas para as eventuais disputas territoriais parece firmar-se na região, como foi o clássico caso da disputa entre a Rússia e a Noruega pelas águas do Mar de Barents, sobretudo tendo como base a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
 
Desta forma, no topo da lista de prioridades dos Estados-membros e de observadores do Conselho do Ártico devem constar, ao menos nos próximos anos, as discussões para a celebração de acordos acerca das possibilidades e da administração das regiões contestadas, sobretudo no que diz respeito à extensão da Zona Económica Especial (ZEE) de países do litoral ártico, tais como o Canadá, Noruega, Dinamarca, Rússia, e, também, as discussões das novas rotas marítimas.
 
Enquanto acordos não são firmados, a Federação Russa vem priorizando formas de garantir sua soberania na região. Cerca de 50 bases militares da época da União Soviética, foram reativadas recentemente e o Exército Russo incorporou novas brigadas militares para o Ártico. A frota da Marinha russa também está sendo abastecida com navios quebra-gelos de última geração[vídeo 1], assim como navios de patrulha adaptados às condições locais, essencialmente mini quebra-gelos armados com mísseis.
 
A primeira usina nuclear flutuante do mundo, Akademik Lomonosov, construída com recursos da agência nuclear russa, Rosatom, também teve seu destino concluído quando chegou a Pevek, no Distrito Autônomo de Chukotka, em 14 de setembro (2019), onde será conectada à rede elétrica local e estará operacional no final do ano (2019) para alimentar a infraestrutura local na exploração de hidrocarbonetos. Segundo informações de especialistas, a verdadeira utilização para esse tipo de equipamento seria prover energia a um sistema de monitoramento marítimo planejado pela Federação Russa que detecta e rastreia submarinos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
 
No último dia 16 de setembro (2019), a Rússia anunciou a instalação de seus sistemas de defesa antiaérea S-400 de última geração no arquipélago de Nova Zembla, no Ártico. Os sistemas S-400 foram implantados neste arquipélago localizado entre os mares de Barents e Kara para substituir os antigos S-300, anunciou a Frota do Norte. Os sistemas S-400 de última geração já foram implantados no Ártico nas regiões de Murmansk e Arcanjo, bem como na República de Sakha, de acordo com a imprensa russa.
 
Segundo declarações do Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, os EUA vão propor novos objetivos para fazer face à “atitude agressiva” por parte da Rússia na região do Ártico, deixando claro que, apesar de ser um local selvagem, não quer dizer que deverá se tornar um lugar sem fé nem lei e cheio de esforços de militarização e de reivindicações territoriais rivais, deixando pegadas de botas militares na neve.
 
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Fonte do vídeo:
 
 
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Fontes das Imagens:
 
Imagem 2 “Região do Ártico” (Fonte): https://pbs.twimg.com/media/DNtjRhcUMAAtBx4.png:large
Imagem 3 “Reunião do Conselho de Segurança sobre a política estatal no Ártico” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/20845
Imagem 4 “Sistema de defesa antiaérea S–400” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9b/Alabino05042017-69.jpg

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/10/russia-e-militarizacao-do-artico.html

Não se esqueçam de Stalingrado: Rússia manda recado após compra pela OTAN de camuflagens para a neve

Soldado durante treinamento na região de Murmanks, no Ártico.
© Sputnik / Pavel Lvov

Diplomatas russos foram pegos de surpresa após a compra pela OTAN de 78.000 kits de camuflados adaptados para combates no Ártico.

A aliança irá comprar "camuflagem de neve para operações no inverno", que inclui 78.000 conjuntos de calça, casacos e mochilas especiais. Os uniformes, conforme especificou o pedido, são capazes de aguentar temperaturas de até 40°C negativos, além de proteger os soldados contra "ventanias e avalanches de neve".

A encomenda, feita em forma de licitação, foi publicada originalmente em junho, mas não obteve resposta de fornecedores. Entre julho e setembro, empresas do Reino Unido, Eslováquia e Grécia ganharam a licitação, faturando contratos de cerca de R$ 322 milhões.

A Agência de Apoio e Aquisições, responsável pelas compras da aliança militar, não especificou onde tais operações a temperaturas abaixo de zero poderiam ocorrer.

A representação diplomática da Rússia na OTAN alertou a aliança, não sem uma certa dose de humor, que invadir o território russo durante o inverno pode não ser uma boa ideia. Os diplomatas russos também caçoaram do "planejamento militar totalmente defensivo".

​A OTAN fez uma licitação para adquirir camuflagem para neve (78.000 unidades) e uniformes de inverno (R$ 322 milhões) para operações militares a -40°C! Isso para provar o caráter totalmente defensivo do planejamento militar da OTAN? Talvez valha a pena licitar alguns livros de história, sobre a batalha de Stalingrado durante a Segunda Guerra Mundial. 

O tweet dos diplomatas russos se refere à famosa batalha de Stalingrado. A vitória nesta batalha pelo Exército Vermelho contra os nazistas é considerada um marco da Segunda Guerra Mundial. O inverno rigoroso na Rússia, frequentemente chamado de “General Inverno”, foi decisivo para a derrota de Hitler nessa batalha.

Olhos voltados para o Ártico

Apesar de ser improvável que a OTAN esteja planejando uma blitzkrieg na Rússia central, não é segredo para ninguém que a aliança tem interesse crescente nas regiões polares.

Veículo militar participa de exercícios na zona do Ártico, na Rússia
 
Veículo militar participa de exercícios na zona do Ártico, na Rússia

No centro da nova disputa geopolítica pelo Ártico está a Rota Marítima do Norte (NEP, na sigla em inglês), um corredor logístico que liga a China à Europa ao longo da costa norte da Rússia. A rota, ainda pouco utilizada, se tornará cada vez mais viável conforme o gelo da região vai derretendo.

Como esta rota marítima passa pela Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Rússia, Moscou considera-a parte de sua infraestrutura interna de transporte, enquanto os Estados Unidos e seus aliados gostariam que a rota fosse considerada internacional.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019102214672963-nao-se-esquecam-de-stalingrado-russia-manda-recado-apos-compra-pela-otan-de-camuflagens-para-a-neve/

Analista político-militar explica vitória da Rússia na Síria

Militares russos durante cerimônia de visita do presidente russo, Vladimir Putin, à base aérea em Hmeymim, na Síria
© Sputnik / Mikhail Klimentiev

O presidente russo, Vladimir Putin, ganhou na Síria, escreveu jornal alemão. O analista político-militar, Oleg Glazunov, explicou como exatamente a Rússia atingiu vitória no país árabe.

O presidente russo, Vladimir Putin, obteve a vitória na Síria sem guerra, escreveu Michael Stuermer, colunista do jornal alemão Die Welt. Segundo o colunista, após a saída das tropas norte-americanas da Síria, ninguém impedirá que Moscou realize uma "grande jogada" na região, sendo que, no início de 1990, muitos pensavam que a Rússia tinha perdido para sempre.

"Putin conseguiu o que quase todos os líderes militares inteligentes sonharam ao longo da história: vitórias sem guerra", escreveu Stuermer.

De acordo com o colunista alemão, a OTAN "viu os melhores dias" e a liderança da organização deve perceber a gravidade da situação e agir como se deve.

Reconhecimento da vitória da Rússia

Oleg Glazunov, integrante da Associação de Cientistas Políticos-Militares e professor do Departamento de Ciência Política e Sociologia da Universidade de Economia da Rússia Plekhanov, afirmou para o serviço russo da Rádio Sputnik que o reconhecimento da vitória da Rússia equivale ao reconhecimento da derrota da política dos EUA no Oriente Médio.

"A política do presidente dos EUA sobre o Oriente Médio é como um elefante em uma loja de porcelanas. Trump conseguiu discutir com todos, incluindo os seus aliados. Portanto, a autoridade dos EUA no Oriente Médio diminuiu significativamente, e a Europa sempre esteve no meio da política dos EUA sobre Oriente Médio."

Segundo Glazunov, se o Ocidente admitir que a Rússia ganhou na Síria, isso significaria derrota dos Estados Unidos, pois, como indica o professor, a "Guerra Fria realmente continua agora, então a vitória da Rússia na Síria seria uma pequena derrota dos EUA na Guerra Fria".

Capacidade para resolver problemas globais

O professor explicou que a Rússia provou a sua força e capacidade de resolver problemas globais e o mundo inteiro avalia positivamente as ações da Rússia não apenas na Síria, mas também no Oriente Médio como um todo. A Rússia demonstrou ser capaz de resolver problemas globais, incluindo os relacionados com a luta ao terrorismo.

"A Rússia mostrou também que é capaz de defender os seus interesses no Oriente Médio e que não está abandonando seus amigos. Bashar Assad permaneceu no poder, apesar do fato de os EUA e os seus aliados no bloco da OTAN terem insistido na saída de Assad. A autoridade da Rússia no Oriente Médio cresceu tremendamente, e não apenas lá, mas em todo o mundo", afirmou Oleg Glazunov.

No dia 9 de outubro, o líder turco Recep Tayyip Erdogan anunciou o lançamento da operação Fonte de Paz na Síria contra curdos e o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em várias outros países). Os EUA, por sua vez, anunciaram a saída de suas tropas do nordeste do país árabe.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102114668312-analista-politico-militar-explica-vitoria-da-russia-na-siria/

Rússia diz estar pronta para ajudar Venezuela a defender a sua soberania

Manifestação em Caracas, Venezuela
© AP Photo / Natacha Pisarenko

O presidente da câmara baixa do Parlamento russo afirmou que a Rússia está pronta para "estender a mão" à Venezuela para que ela defenda a sua soberania.

Durante a reunião em Moscou com Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Constituinte venezuelana, o presidente da Duma de Estado, Vyacheslav Volodin, declarou o apoio da Rússia ao país sul-americano.

Presidente da câmara baixa do parlamento russo, a Duma, Vyacheslav Volodin, em outubro de 2019
© Sputnik / Aleksei Nikolsky
Presidente da câmara baixa do parlamento russo, a Duma, Vyacheslav Volodin, em outubro de 2019

Segundo o alto responsável russo, Moscou considera inaceitável que Washington tente impor a sua vontade interferindo nos assuntos internos venezuelanos e tentando, por vias ilegais, "colocar as suas marionetes no poder" na Venezuela.

"Nesse contexto, gostaria de expressar mais uma vez o apoio da Rússia e disposição para estender a mão na defesa da soberania venezuelana. E para apoiar você nessa situação difícil", disse Volodin.

Mais cedo, o vice-primeiro-ministro da Rússia, Yuri Borisov, declarou que a Rússia e a Venezuela estão prontas para desenvolver um plano de cooperação de longo prazo.  

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019101714652766-russia-diz-estar-pronta-para-ajudar-venezuela-a-defender-a-sua-soberania/

Uma entente cordial turco-russo em formação

por M K Bhadrakumar

Operation Peace Spring. Iremos nós sentar no chão e dizer que já não há mais luz do dia entre a Rússia e a Turquia? Estamos quase aí. A incursão turca na Síria na quarta-feira é o ponto de inflexão. A Turquia e a Rússia estão em estreita coordenação. Considere-se o seguinte.

A Casa Branca anunciou no domingo que estava a retirar-se do nordeste da Síria antes das operações militares da Turquia através da fronteira. O presidente Donald Trump aparentemente tomou a decisão no domingo após um telefonema com o presidente turco Recep Erdogan. A chicotada da decisão de Trump abalou aliados dos EUA.

Houve críticas generalizadas na Beltway de que os EUA estão a por em risco no terreno seus parceiros curdos e a desencadear consequências imprevisíveis para a Síria – e, acima de tudo, a prejudicar gravemente a credibilidade dos EUA. Alguns advertem que o conflito sírio está a intensificar-se exactamente quando as brasas estavam a arrefecer.

Algumas destas críticas podem ser verdadeiras. Porque a Turquia é vingativa. Há muito que ela queria transpor a fronteira no norte da Síria, onde vê as forças curdas sírias ou YPG unidas com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão ou PKK, separatistas que a Turquia considera um grupo terrorista que há décadas trava uma insurgência e coloca a Turquia sob tensão.

Mas existe o fator "X": a Turquia está a empreender isto sozinha? Muito depende da resposta, a qual por sua vez se relaciona com a alquimia do entendimento estratégico geral turco-russo que transcende a questão Síria.

Num desenvolvimento pouco notado na última terça-feira – precisamente, durante o intervalo de 36 horas entre o anúncio de Trump de retirada de tropas da Síria e a incursão turca no norte da Síria – o Ministério das Finanças da Rússia anunciou que Moscovo e Ancara assinaram um acordo sobre a utilização do rublo russo e da lira turca em pagamentos e acordos mútuos. A RT informou que o acordo visa "maior expansão e fortalecimento da interacção interbancária, bem como a garantia de pagamentos ininterruptos entre entidades comerciais dos dois países".

Dito claramente, Moscovo e Ancara criaram uma firewall contra possíveis sanções futuras dos EUA e/ou ocidentais contra a Turquia.

A RT explicou que o novo sistema de pagamento turco-russo conectará bancos e empresas turcas ao análogo russo da rede de pagamentos SWIFT, "melhorando a infraestrutura na Turquia que permitiria o uso de cartões de pagamento MIR russos, projectados por Moscovo como alternativa ao MasterCard e Visa".

A reportagem sublinhou: "O novo acordo faz parte do esforço das duas nações para reduzir sua dependência do dólar americano... Erdogan anunciou no ano passado planos para acabar com o monopólio do dólar americano por meio de uma nova política que tem em vista o comércio sem dólares com os parceiros internacionais do país. "

O acordo com a Turquia torna-se assim o novo modelo do ambicioso projecto do presidente Putin de se livrar do dólar americano no comércio exterior da Rússia (o volume de comércio entre a Turquia e a Rússia é substancial; cresceu 16% no ano passado, chegando aos US$25,5 mil milhões). Claramente, o sistema de pagamentos russo-turco é um importante movimento de política externa dos dois países.

No dia seguinte, quarta-feira, começou a incursão militar turca na Síria. Significativamente, pouco antes da operação, o presidente turco Recep Erdogan falou com Putin por telefone.

O comunicado do Kremlin dizia: "À luz dos planos anunciados pela Turquia de executar uma operação militar no nordeste da Síria, Vladimir Putin instou nossos parceiros turcos a ponderarem cuidadosamente a situação de modo a não prejudicar nossos esforços mútuos para resolver a crise síria". Acrescentou que os dois presidentes enfatizaram "a importância de garantir a unidade e a integridade territorial da Síria e o respeito à sua soberania".

A reacção russa à operação militar turca é nuançada. Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, disse a repórteres durante uma visita ao Turquemenistão: "Desde o início da crise síria, enfatizámos que entendemos as preocupações da Turquia em relação à segurança nas suas fronteiras".

Lavrov sugeriu que essas preocupações poderiam ser atendidas no âmbito do acordo de Adana assinado entre a Turquia e a Síria em 1998 (o qual estipulava a coordenação directa de segurança entre Ancara e Damasco).

Lavrov atribuiu a culpa da incursão turca directamente às políticas dos EUA. Ele recordou que a Rússia advertira os EUA contra a utilização da "carta curda" e fazer com que tribos curdas e árabes ficassem frente a frente.

Combatentes do YPG. É importante o que Lavrov acrescentou: "Oficiais militares russos e turcos estão em contacto durante a operação. Agora, tentaremos estabelecer um diálogo entre Damasco e Ancara. Pensamos que isso é do interesse de ambos os lados".

No mesmo dia, quinta-feira, quando os países ocidentais pretenderam que o Conselho de Segurança da ONU condenasse a Turquia, a Rússia bloqueou o movimento , argumentando que pretendia que a "presença militar ilegal" de outros países (leia-se EUA, França, Alemanha, etc) também fosse tratada. A Rússia instou a um "diálogo directo" entre Ancara e Damasco.

Enquanto isso, a incursão turca está a mostrar algumas características interessantes. Não está claro até que ponto isso se deve à influência russa, mas acontece que a incursão fica muito aquém de uma guerra.

O principal é que a operação está focada nas regiões de maioria árabe do norte da Síria, onde há antipatia histórica em relação aos curdos e onde a YPG não está em posição de desafiar os militares turcos. O objectivo turco parece ser criar uma faixa de território, solidamente árabe, onde refugiados sírios podem ser reinstalados (rehabilitated) (há um crescente ressentimento entre os turcos com a presença indefinida de 4 milhões de refugiados sírios).

 

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A reacção moderada da Rússia leva em conta as garantias da Turquia de que a operação não visa as tradicionais terras natais curdas e que não haverá uma guerra épica com os curdos. Contudo, as coisas podem dar errado numa operação militar. Já existem relatos em conflito quanto a baixas turcas.

Na verdade, o destino dos combatentes do ISIS detidos em áreas controladas pelos curdos é uma questão extremamente importante para a comunidade internacional. Trump coloca o ónus sobre a Turquia. A Rússia também está preocupada. Putin disse na sexta-feira que a Turquia pode não ser capaz de conter militantes do ISIS activos no norte da Síria.

"As unidades curdas costumam vigiar essas áreas, mas agora que as tropas turcas estão a entrar na região, eles [militantes] podem simplesmente fugir. Não tenho certeza se o exército turco será capaz de assumir o controle da situação e rapidamente", observou Putin. A Rússia e os EUA precisam se coordenar no terreno para assegurar que o ISIS não levante a cabeça novamente. Trump está a favor disso.

Contudo, o objectivo final por trás da aceitação pelo Kremlin da ofensiva turca é que Erdogan cumpra os planos de Moscovo para o futuro da Síria, de modo a que o presidente Bashar al-Assad possa reafirmar o controle por toda a Síria. Moscovo não aceitará que a operação transfronteiriça da Turquia se transforme numa violação de longo prazo da soberania territorial da Síria. Basta dizer que a Rússia está a segurar a mão da Turquia com a expectativa de que a sinergia possa ajudar a moldar a Síria do pós-guerra.

Num caminho paralelo, a Rússia espera encontrar uma resposta para as preocupações curdas da Turquia, incentivando os curdos a iniciar um diálogo com Damasco a fim de garantir a segurança na fronteira turco-síria. A incursão turca é portanto, de certa forma, útil para o Kremlin ao dar-lhe força para pressionar os curdos a voltarem à Síria.

Neste intrincado equilíbrio de interesses contraditórios, o resultado final é que a Rússia continua a alimentar os laços cálidos com a Turquia. O grande troféu do Kremlin é que um grande país da NATO está a sair da órbita dos EUA. A pressão europeia sobre a Turquia aumentará nos próximos dias para chegar ao "está connosco ou contra nós". A França está a tomar a dianteira .

O acordo sobre o novo sistema de pagamentos na terça-feira sublinha que tanto Moscovo como Ancara estão conscientes de uma possível ruptura nas relações da Turquia com o Ocidente. A declaração de quinta-feira dos membros da UE no Conselho de Segurança da ONU tem insinuações ameaçadoras.

12/Outubro/2019

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/moriente/bhadrakumar_12out19.html

Feitiço virou contra feiticeiro: 'surpreendente' efeito das sanções contra Rússia

Trader em Wall Street observa queda brusca no índice Dow Jones, em Agosto de 2019.
© AP Photo / Richard Drew

A política de sanções econômicas imposta contra a Rússia estaria tendo efeitos adversos na economia dos países que a promovem, principalmente nas economias europeias, aponta estudo.

Os economistas Matthieu Crozet da Universidade Lingnan de Hong Kong e Julian Hinz do Instituto de Kiel de Economia Mundial publicaram recentemente um estudo intitulado "Fogo amigo: o impacto comercial das sanções contra a Rússia e das contramedidas".

Conforme reportou o jornal alemão Handelsbatt, os países que impuseram sanções contra a Rússia arcam com uns 45% dos custos, enquanto que a Rússia arca com 55%.

"Em geral, o preço da cesta básica russa subiu 0,2% devido às proibições de importação", aponta o estudo. 

A União Europeia é a mais afetada dentre os atores estudados e sofre 92% dos danos.

Um país particularmente prejudicado é a Alemanha. O país europeu arca com 38% das perdas, o que representa uma soma de cerca de US$ 8 bilhões anuais (cerca de R$ 33 bilhões).

As empresas francesas também sofrem com as sanções, uma vez que suas exportações para a Rússia despencaram. De acordo com os pesquisadores, a França teria compensado "apenas uma pequena parte das perdas" exportando para outros países.

Produtos franceses se tornaram uma radidade nas gôndolas de supermercado da Rússia
© Sputnik / Vladimir Astapkovich
Produtos franceses se tornaram uma radidade nas gôndolas de supermercado da Rússia

Política de sanções econômico-comerciais

As relações entre Moscou e o chamado Ocidente pioraram desde a incorporação da Crimeia à Rússia, em 2014. A incorporação foi aprovada por referendo popular, com 96% dos votos favoráveis.

No mesmo ano, os EUA, a União Europeia e alguns aliados aprovaram um pacote de sanções econômico-comerciais contra a Rússia.

Moscou, por sua vez, aprovou um embargo à importação de alimentos desses países. Em 2018, o Banco Central russo iniciou ainda uma política de desdolarização econômica, a fim de diminuir a exposição da Rússia às sanções econômicas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019101514637191-feitico-virou-contra-feiticeiro-surpreendente-efeito-das-sancoes-contra-russia-/

Putin pressiona EUA a apoiar extensão do tratado de redução de armas nucleares

Moscou, 13 out (Xinhua) -- O presidente russo, Vladimir Putin, alertou os Estados Unidos que se recusar a estender o Novo Tratado Estratégico de Redução de Armas (Novo START) traria mais perigos e incertezas à segurança mundial, afirmou o Kremlin neste domingo.

 

"O tratado Novo START é realmente o único tratado que temos para nos impedir de voltar a uma corrida armamentista em larga escala", disse Putin em entrevista à RT Arabic, Sky News Arabia e Al-Arabiya, de acordo com uma transcrição do Kremlin.

 

Putin observou que o tratado, que expira em 2021, serve para reduzir e limitar ainda mais toda a gama de armas ofensivas estratégicas, incluindo lançadores de mísseis balísticos intercontinentais de combate terrestre, marítimo e aéreo.

 

"Para garantir que seja prorrogado, precisamos trabalhar nisso agora", disse Putin.

 

O presidente disse que a Rússia já apresentou suas propostas ao governo dos EUA, mas ainda não recebeu a resposta deste último.

 

Ele expressou preocupação que Washington ainda não tenha se decidido sobre a necessidade de estender o tratado ou não, o que não é um sinal positivo para o futuro do pacto.

 

"Se esse tratado não for estendido, o mundo não terá meios de limitar o número de armas ofensivas, e isso é uma má notícia", disse Putin, acrescentando que "o mundo será menos seguro e um lugar muito menos previsível".

 

Moscou e Washington assinaram o tratado em 2010, que estipula os limites para o número de várias armas estratégicas obtidas por ambas as partes. O contrato pode ser prorrogado por no máximo cinco anos com o consentimento dos dois países.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/14/c_138470719.htm

Rússia dá ao mundo estabilidade, enquanto EUA são ameaça, diz ex-chanceler da Espanha

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante a coletiva de imprensa conjunta após a cúpula em Helsinque.
© Sputnik / Aleksei Nikolsky

A Rússia, que há muito é vista pelo Ocidente como uma ameaça à estabilidade internacional, provou ser uma garantia de segurança, disse a ex-ministra de Relações Exteriores da Espanha, Ana Palácio, acrescentando que os EUA se transformaram em um disruptor global.

Palácio, que também trabalhou como vice-presidente sênior e conselheiro geral do Banco Mundial, alertou as elites políticas ocidentais contra a percepção da Rússia como um "destruidor" que apenas busca "frustrar os planos do Ocidente" a cada passo. Embora essa visão de Moscou pareça ter prevalecido na Europa e do outro lado da lagoa desde que a crise eclodiu na Ucrânia em 2014, é hora de que essa abordagem seja revisada, acredita ela.

"Hoje, a Rússia é uma verdadeira influenciadora global", declarou.

A ex-chanceler espanhola observou que os esforços diplomáticos de Moscou parecem ter finalmente valido a pena agora, quando o presidente ucraniano Vladimir Zelensky anunciou o apoio de Kiev a um acordo sobre eleições nas regiões separatistas do leste, com o objetivo de conceder-lhes um status especial - algo que a Rússia advogou durante todo esse tempo.

Da mesma forma, em setembro, a ONU finalizou a formação de um comitê constitucional de 150 membros para a Síria - um órgão proposto pela primeira vez na conferência organizada pela Rússia em 2018.

A última resposta de Moscou ao ataque às instalações petrolíferas sauditas também a apresenta como um "potencial subscritor da estabilidade regional", destacou Palácio, saudando a Rússia por sua intenção de trabalhar com todas as partes da região em meio a tensões crescentes entre Riad e Teerã.

"Esta é a abordagem de um estrategista, não um destruidor", complementou.

São as políticas belicistas de Washington que estão mudando para o papel dos EUA para uma ameaça à estabilidade global, advertiu Palácio. Em um artigo para o site Project Syndicate, ela disse que a percepção da América como um "poder primário do status quo" não passa de uma "força do hábito", como os EUA ultimamente demonstraram "nenhuma inclinação para liderar".

Palácio criticou as decisões do presidente estadunidense Donald Trump de se retirar do marco do acordo nuclear iraniano de 2015 e do acordo climático de Paris de 2016, dizendo que "às vezes equivalem a se comportar como um destruidor".

Ela foi muito mais cautelosa ao avaliar o papel da Europa nas relações internacionais. Sem criticá-la, a política espanhola ainda atribui ao Velho Continente um papel não de uma força líder independente, mas de um "facilitador sistêmico".

Nesse sentido, a ex-diplomata da Espanha exortou os líderes europeus a rever suas abordagens "para considerar todas as consequências potenciais dos acordos que eles facilitam em uma ordem global instável" e "para saber exatamente a quem [seus] esforços servem".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019100714607886-russia-da-ao-mundo-estabilidade-enquanto-eua-sao-ameaca-diz-ex-chanceler-da-espanha/

Rússia reduz pela metade participação do dólar em suas reservas internacionais

Nota e moeda de um dólar americano
© Sputnik / Aleksei Sukhorukov

O Banco Central russo aumenta a participação do ouro, do yuan e do euro em suas reservas internacionais, que atingiram US$ 487,4 bilhões em março de 2019.

A Rússia reduziu em mais de 50% a participação do dólar norte-americano em suas reservas em um período de somente um ano. Em contrapartida, a participação do ouro, do yuan e do euro aumentou, informou o Banco Central russo em um informe publicando nesta quarta-feira.

O montante total das reservas internacionais da Rússia também cresceu em US$ 27,2 bilhões no mesmo período, atingindo US$ 487,4 bilhões de dólares.

A fatia do dólar no montante total das reservas caiu de 43,7% para 23,6%, uma queda de 54%, entre março de 2018 e março de 2019. O total de ativos nos EUA também teve queda significativa: de 29,3% para 9,2%.

Por outro lado, outras divisas apresentaram um aumento significativo nas reservas russas. A participação do yuan teve o maior aumento: subiu de 5% em março de 2018 para 14,2% em 2019, um crescimento de 35,2%.

Yuan, moeda chinesa
Yuan, moeda chinesa

A participação do euro aumentou em 8,1% durante o período, e hoje representa 30,3% das reservas internacionais russas.

O ouro, que já tinha uma percentagem elevada na composição das reservas em 2018, de 17,2%, alcançou 18,2% em 2019.

Política monetária do Banco Central russo

O Banco Central russo está implementando, desde abril de 2018, uma política de redução do papel do dólar norte-americano em suas reservas internacionais. Esta medida é uma resposta às sanções econômicas impostas pelos EUA contra Moscou.

Para diminuir a dependência do dólar, o Banco Central russo investiu ativamente na compra de ouro, tornando-se o maior comprador mundial deste metal precioso no ano passado.

O país também procura aumentar o uso de moeda local no seu comércio bilateral, que já atingiu níveis elevados nas transações com parceiros como a China, Irã e Turquia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019100314592345-russia-reduz-pela-metade-participacao-do-dolar-em-suas-reservas-internacionais/

Trump diz que EUA terão boas relações com a Rússia 'porque é inteligente'

O presidente dos EUA, Donald Trump, em evento do Partido Republicano.
© AP Photo / Jose Luis Magana

Os Estados Unidos terão um relacionamento amigável com a Rússia, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2).

"Seria ótimo se dar bem com a Rússia, e nós vamos nos dar bem com a Rússia porque é inteligente, mas ninguém foi mais duro com a Rússia do que Donald Trump", disse ele.

Também nesta quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que Moscou saúda a posição de Trump sobre a restauração dos laços bilaterais e comentou o aumento do comércio entre os dois países sob o mandato do presidente republicano. 

As relações entre os Estados Unidos e a Rússia chegaram ao que foi classificado como a pior fase desde o fim da Guerra Fria. Washington aplicou várias rodadas de sanções contra Moscou, ação que foi contestada pela Rússia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019100214591325-trump-diz-que-eua-terao-boas-relacoes-com-a-russia-porque-e-inteligente/

Problemas do mundo decorrem da relutância do Ocidente em renunciar ao domínio, segundo Lavrov

 O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse na sexta-feira que a situação indesejável no mundo de hoje decorre principalmente da falta de vontade do Ocidente em renunciar seu domínio nos assuntos mundiais.

 

O número de conflitos não diminuiu e a inimizade não diminuiu. Novos desafios mais agudos surgiram. A fragmentação da comunidade internacional está apenas aumentando, disse Lavrov à Assembleia Geral da ONU.

 

"Em nossa opinião, a razão para o atual estado de coisas é, antes de tudo, a falta de vontade dos países que se declararam vencedores na Guerra Fria de reconhecer os interesses legítimos de todos os outros estados, de aceitar as realidades do objetivo do curso da história", disse ele ao Debate Geral, um encontro anual de líderes mundiais.

 

"É difícil para o Ocidente aceitar ver seu domínio secular diminuindo nos assuntos mundiais. Novos centros de crescimento econômico e influência política surgiram e estão se desenvolvendo. Sem eles, é impossível encontrar uma solução duradoura para os desafios globais que só pode ser tratado com base firme na Carta da ONU através da balança de interesses de todos os estados ", afirmou ele.

 

Os principais países ocidentais estão tentando impedir o desenvolvimento do mundo policêntrico e têm sido cada vez mais relutantes em se lembrar do direito internacional e, com mais frequência, se debruçam sobre a "ordem baseada em regras", disse Lavrov.

 

Ele disse que o Ocidente pretende revisar as normas do direito internacional que não mais se adequam ao Ocidente, substituí-las pelas "regras" ajustadas aos seus esquemas de autosserviço, elaborados dependendo da conveniência política, e proclamar o Ocidente e apenas o Ocidente como uma fonte incontestável de legitimidade.

 

Em vez de um trabalho coletivo baseado em direitos iguais, são criados formatos fechados fora da estrutura multilateral legítima e as abordagens acordadas a portas fechadas por um grupo restrito de "poucos selecionados" são então declaradas "acordos multilaterais". Isso é acompanhado pelas tentativas de "privatizar" as secretarias de organizações internacionais e de usá-las para promover idéias não consensuais em contornar os mecanismos universais, disse ele.

 

Os ataques ao direito internacional atingiram níveis alarmantes, disse Lavrov, dando como exemplo a retirada de Washington do acordo nuclear do Irã em 2018.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/29/c_138432933.htm

Putin pede para Europa e Ásia não instalarem mísseis de curto e médio alcance

 
 
Kremlin confirmou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou proposta de introdução de moratória de instalação de mísseis de curto e médio alcance na Europa e Ásia.
 
O pedido de Putin foi enviado ao secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, à chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, bem como a líderes de vários países, incluindo membros da OTAN e sucede a rescisão do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, ou simplesmente Tratado INF.
 
Nesta quinta-feira (26), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou o envio da solicitação. Além disso, o Ministério da Defesa da Rússia declarou anteriormente que "a Rússia não testou e não possui mísseis de médio e curto alcance no arsenal, ao contrário dos EUA", e também "não planeia instalar tais mísseis na Europa ou em outras regiões do mundo até que mísseis de fabricação norte-americana sejam instalados".
 
 
Reação de países europeus
 
O presidente tcheco, Milos Zeman, recebeu a proposta do homólogo russo, Vladimir Putin, de moratória de instalação de mísseis de médio e curto alcance e está a analisando, declarou o porta-voz de Zeman, Jiri Ovcacek, à Sputnik.
 
Na quarta-feira (25), o governo alemão afirmou que Berlim pretende discutir a proposta do presidente russo com os parceiros da UE e da OTAN.
 
"Pretendemos discutir esta mensagem com os nossos parceiros mais próximos da OTAN e UE", afirmou a assessoria de imprensa do governo alemão à Sputnik, acrescentando que a Alemanha está sempre aberta ao "diálogo com a Rússia, acompanhado por tentativas sérias de esclarecimento de questões em aberto e de resolução de problemas".
 
Interesse europeu
 
O cientista político Aleksei Podberezkin conversou com o serviço russo da Rádio Sputnik sobre o interesse europeu na execução da proposta russa.
 
"Claro que os europeus têm interesse, porque estes mísseis são concebidos para operações de combate na Europa [...] em caso de guerra, os EUA teriam a oportunidade de se limitar ao território da Europa, como foi principalmente na Primeira e Segunda Guerras Mundiais", explicou.
 
De acordo com o especialista, das guerras mundiais, os Estados Unidos, ao contrário da Europa, saíram mais fortes.
 
"Então, agora: se mísseis americanos forem instalados, seriam suficientes para eliminar a Europa da face da terra, geograficamente falando, do Canal da Mancha aos Urais. Ou seja, pouco restaria da Europa, e os americanos do outro lado do Atlântico se sentiriam muito bem", ponderou Aleksei Podberezkin.
 
A história do tratado INF
 
O tratado INF foi assinado pela URSS e EUA em 1987: as partes se comprometeram a destruir todos os complexos de mísseis balísticos e de cruzeiro de médio alcance (de mil a 5,5 mil quilômetros) e de curto alcance (de 500 a mil quilômetros).
 
Em outubro de 2018, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a intenção de Washington de se retirar do tratado devido ao "não cumprimento" de Moscou de suas obrigações, mas o lado americano não forneceu provas.
 
Em 2019, a Rússia, em resposta às ações dos EUA, suspendeu sua participação no Tratado INF. O tratado foi encerrado no início de agosto.
 
Sputnik | Foto: © Sputnik / Yuri Kuydin

Adeus ao dólar: Rússia e Irão reduzem drasticamente uso da moeda em transações

 
 
O dirigente do Banco Central iraniano declarou que o país já utiliza moeda local em parte significativa de suas transações comerciais com a Rússia e Turquia.
 
A Rússia e o Irão firmaram um acordo para efetuar todas suas transações comerciais em moeda local, afirmou nesta quarta-feira (25) o diretor do Banco Central iraniano, Abdol Nasser Hemmati.
 
Hemmati notou ainda que o comércio entre o Irão e a Turquia já é realizado de 30% a 40% em moeda local. No restante das transações os países optam pelo euro.
 
"Não comerciamos com estes países [Rússia e Turquia] em dólares", confirmou Abdol Nasser Hemmati, citado pela agência de notícias iraniana IRNA.
 
Hoje em dia, diversos países optam por utilizar moeda local em suas transações comerciais para evitar a ingerência dos EUA. Esses processos, segundo o diretor, "retiram o dólar do ciclo de intercâmbio".
 
No contexto da saída dos EUA do acordo nuclear iraniano, o Departamento do Tesouro dos EUA introduziu sanções económicas contra o Banco Nacional do Irã, o Fundo Nacional de Desenvolvimento iraniano e a empresa Etemad Tejarat Pars Co, em 20 de setembro corrente.
 
Analistas colocam em dúvida a eficácia das medidas adotadas, uma vez que os bancos iranianos já estão fora do sistema financeiro norte-americano.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/adeus-ao-dolar-russia-e-irao-reduzem.html

China e Rússia devem se unir contra interferência externa, diz chefe do Legislativo chinês

Li Zhanshu, presidente do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo da China, durante encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, no dia 25 de setembro de 2019.
© REUTERS / Sergei Chirikov

Rússia e China devem se unir para defender seus interesses nacionais contra o protecionismo, disse Li Zhanshu, presidente do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo da China.

A declaração foi proferida nesta quinta-feira (26), durante a 5ª sessão do Comissão Interparlamentar de Cooperação entre as legislaturas dos dois países em Moscou.

"É necessário manter-se unido contra o protecionismo e a interferência externa, proteger conjuntamente os interesses nacionais. Nestas circunstâncias complicadas, precisamos fortalecer os esforços para superar a interferência externa e tentar impedir as tentativas de barrar o desenvolvimento da Rússia e da China", disse Li.

Zhanshu acrescentou que certos países estão tentando usar organizações não-governamentais e não-comerciais para minar o relacionamento entre a Rússia e a China e pediu o fortalecimento da cooperação em assuntos internacionais e regionais.

Atualmente, a China está envolvida em uma guerra comercial com os Estados Unidos, que acusa Pequim de práticas comerciais desleais.

Desde junho do ano passado, China e EUA impõem tarifa de importação mutuamente, ao mesmo tempo em mantêm negociações comerciais sobre as mesmas tarifas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019092614563861-china-e-russia-devem-se-unir-contra-interferencia-externa-diz-chefe-do-legislativo-chines/

China pronta para produção em massa de telas LCD auto-desenvolvidas

 

Hefei, 19 set (Xinhua) -- A primeira tela desenvolvida inteiramente pela China, TFT-LCD de 8,5ª geração, ou painel de display de cristal líquido de transistor de filme fino, saiu da linha de produção na quarta-feira em Bengbu, na Província de Anhui, leste da China, iniciando o caminho para a produção em série.

O TFT-LCD é um material estratégico fundamental para o setor de visualização de informações eletrônicas. Um painel TFT-LCD da 8,5ª geração, com 2,5 metros de comprimento e 2,2 metros de largura, pode ser usado para produzir seis telas de 55 polegadas, de acordo com o seu fabricante, o Instituto de Pesquisa e Design da Indústria do Vidro de Bengbu, subordinado ao China National Building Material Group.

A tecnologia crucial da tela LCD de alta definição foi monopolizada por algumas empresas estrangeiras.

A indústria de displays optoeletrônicos da China vem se desenvolvendo rapidamente nos últimos anos e o país já se tornou a maior base de fabricação do mundo para os terminais de displays. Muitos fabricantes chineses de painéis de TV estabeleceram várias linhas de produção dos TFT-LCD de 8,5ª geração.

A demanda anual da China pelo TFT-LCD da 8,5ª geração ou superior atingiu 380 milhões de metros quadrados. A produção em massa das telas TFT-LCD auto-desenvolvidas acabará com a dependência total chinesa de outros países em relação à tecnologia e produtos, disse a sua fabricante. Fim

Primeiro-ministro chinês se reúne com Putin para discutir laços bilaterais

 

RUSSIA-MOSCOW-CHINA-LI KEQIANG-PUTIN-MEETING

 (Xinhua/Liu Bin)

Moscou, 18 set (Xinhua) -- O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, reuniu-se na quarta-feira no Kremlin com o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir as relações bilaterais.

Li chegou a Moscou depois de realizar conversações e copresidir a 24ª reunião regular entre os chefes do governo chinês e russo com seu homólogo russo, Dmitry Medvedev, em São Petersburgo.

O primeiro-ministro chinês estendeu as saudações sinceras do presidente chinês Xi Jinping a Putin.

Ao recordar sua reunião com Medvedev, Li disse que esta visita ajudou a projetar um plano integral para os intercâmbios e a cooperação entre a China e a Rússia em diversos campos, e que obteve muitos novos resultados.

A visita de três dias ocorre em um momento no qual os dois países estão celebrando o 70º aniversário dos laços diplomáticos bilaterais. Durante a visita de Xi à Rússia em junho deste ano, as relações China-Rússia foram elevadas para uma parceria estratégica abrangente de coordenação para uma nova era.

A China e a Rússia são os maiores vizinhos um do outro, disse Li, que acrescentou que um desenvolvimento saudável e estável das relações bilaterais não apenas beneficia as duas partes, mas também favorece a região e o mundo.

A China está disposta a continuar consolidando a amizade, aprofundando a cooperação e fortalecendo os intercâmbios com a Rússia, assim como a proteger conjuntamente um sistema internacional com as Nações Unidas como seu núcleo e um sistema comercial multilateral com base nas regras da Organização Mundial do Comércio, o que é de grande importância para promover o desenvolvimento, a prosperidade, a paz e a estabilidade do mundo, disse o primeiro-ministro chinês.

Ao indicar que a China e a Rússia têm amplas perspectivas de cooperação, Li disse que a China está disposta a melhorar a sinergia da Iniciativa do Cinturão e Rota com a União Econômica Eurasiática, a fim de promover o aumento simultâneo tanto no volume como na qualidade do comércio bilateral.

"A China está ampliando ainda mais a abertura e o enorme potencial do mercado gerará mais oportunidades para as empresas de todo o mundo, incluindo da Rússia", disse Li, que expressou a esperança de que os dois países possam continuar abrindo um ao outro, ampliando o investimento e o acesso ao mercado e criando mais oportunidades de cooperação para as empresas dos dois países.

Com esforços conjuntos, a cooperação prática China-Rússia obterá mais resultados frutíferos e gerará mais benefícios para os dois povos na nova era, disse Li.

Ao expressar sua felicitação pelo 70º aniversário da fundação da República Popular da China, Putin disse que a relação com a China é uma prioridade da diplomacia russa.

A cooperação bilateral registrou avanços notáveis desde que os dois países estabeleceram laços diplomáticos há 70 anos, disse Putin, e assinalou que suas relações foram elevadas para uma parceria estratégica abrangente de coordenação para uma nova era.

As relações Rússia-China são um importante fator de estabilização nas relações internacionais, disse Putin.

Ao assinalar que a reunião entre Li e Medvedev promoveu efetivamente a cooperação prática bilateral com muitos novos resultados, Putin expressou a disposição da Rússia em alinhar melhor sua estratégia de desenvolvimento com a Iniciativa do Cinturão e Rota, ampliar constantemente o comércio entre os dois países e promover o desenvolvimento comum.

Ainda na quarta-feira, Li depositou uma coroa de flores na Tumba do Soldado Desconhecido em Moscou.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/19/c_138403739.htm

Os comunistas em Moscou e a Rússia de Putin

No dia 8 de setembro ocorreram as eleições para a câmara municipal (Duma) de Moscou, que foram marcadas pela informação de um revés sofrido pelo partido Rússia Unida (Edinaya Rossiya), o partido de Vladimir Putin. No parlamento de 45 cadeiras, onde ocupavam 38, perderam 13. É bom ressaltar, no entanto, que o partido não postulou candidatos oficialmente – eles saíram como “independentes”.

O Partido Comunista da Federação Russa (PCFR), liderado por Gennady Andreievitch Zyuganov, foi o partido que mais cresceu nas eleições, fato que gerou especulações sobre o futuro do putinismo na Rússia. Lideranças partidárias dos comunistas realizaram uma coletiva de imprensa no dia 11 de setembro, na qual expuseram um pouco da suas ambições para além da cidade de Moscou.

“Eu vejo o evento de hoje mais do que como uma coletiva de imprensa”, declarou Zyuganov, no que seria uma apresentação de sua estratégia.

A campanha foi feita com o programa “10 passos para uma vida digna para todos”, usado nas eleições presidenciais de 2018. “Não só 13 candidatos ganharam, mas 10 chegaram perto da vitória, em excelentes posições e apoio massivo dos votantes de Moscou”, declarou Zyuganov. Já o dirigente do partido em Moscou, Valery Fedorovich, falou de “20 candidatos próximos da vitória”, e outros sete que considera que venceram e tiveram a vitória roubada, o que se desdobrará na justiça. Eles defendem a recontagem manual, reclamam de fraude e do que consideram um fracasso do sistema de votação eletrônica (KOIB).

Apesar do Partido Comunista da Federação Russa ocupar um papel importante no sistema eleitoral, as reclamações sobre fraudes não são incomuns. Zyuganov, em seu primeiro discurso nos trabalhos da Duma nacional no outono, também denunciou casos diversos de fraude, dentre elas um recurso que teria sido usado em Moscou: o registro de uma organização acusada por Zyuganov de ser um espelho, inexistente, identificada como “Comunistas da Rússia” (liderada por Maxim Suraykin), feita para roubar votos do partido organizado.

Na coletiva de imprensa, também denunciaram perseguições contra ativistas comunistas dentro e fora das eleições. Exigiram o fim de processos criminais contra os que participaram de protestos e falaram de pressão política contra o candidato presidencial, Grudinin, a “perseguição de anos” contra Vladimir Bessonov “por razões políticas” e se referiram a Sergey Reznik, que teria cumprido um ano e meio de prisão injustamente por policiais terem plantado drogas contra ele. Em janeiro, em Novomoskovsk (região de Tula), Vadim Bagyagin foi detido e isolado em um prédio do Ministério do Interior por carregar cartazes do partido. Há também denúncias de policiais acompanhando reuniões do partido.

Os comunistas declararam que não existe efetivamente o partido Rússia Unida em Moscou, que o partido “se enterrou” – outros partidos, como o Rússia Justa (Spravedlivaya Rossiya) e o Partido Liberal Democrático de Vladimir Zhirinovsky seriam “candidatos do prefeito”. O Partido Comunista da Federação Russa, portanto, seria o único partido de oposição real.

No entanto, essas eleições também foram marcadas por manifestações em julho e agosto em virtude da desqualificação de 57 candidatos pela Comissão Eleitoral, por irregularidades envolvendo a coleta de assinaturas – parte deles ligados à rede oposicionista de Alexey Navalny, liberal anti-Putin com bastante projeção na mídia ocidental.

O fantasma da desintegração

Em tom de gravidade, Zyuganov observou que os candidatos de seu partido dividiram os recursos e “trabalharam diretamente com os cidadãos”: “Por que estou enfatizando isso? Pois a Duma do Estado criou uma comissão para investigar possíveis distúrbios que estariam sendo preparados em Moscou […] com interferência externa nesse treinamento”.

O líder do partido comunista relembrou que houveram poucas comissões desse tipo na história da Duma, três, sem contar a atual: sobre a Chechênia, sobre o impeachment de Yeltsin e o acidente da hidrelétrica Sayano-Shushenskaya. “Essa nova comissão foi criada pois há uma ameaça real à segurança de nosso país”, disse. Zyuganov explicou que isso ocorre como parte de um “projeto de destruição” que começa com a Perestroika, passa pelas Reformas e chegaria na sua fase final com a liquidação da Federação Russa como um sujeito da política mundial, o que incluiria a utilização de desestabilização interna da política russa (esse assunto é tratado pelo pensador brasileiro Moniz Bandeira em seu livro “A Segunda Guerra Fria” e os métodos retomados em seu outro volume, “A Desordem Mundial”).

A fala de Zyuganov tem um sentido político amplo, abrangente. Apologistas estritos de Vladimir Putin, adeptos do “campo patriótico” e anticomunistas defendem que os comunistas representam parte do risco de desintegração para a Federação Russa, risco que foi contido pela primeira vitória de Vladimir Putin. No caso dos mais putinistas, o elogio ao presidente consiste em dizer que ele teve que lidar com ameaças múltiplas: extremistas de várias cepas, nacionalistas, separatistas políticos e étnicos, islamistas e comunistas. No geral, existe a acusação de que uma vitória dos comunistas implicaria em uma convulsão na Rússia, já que muitos não aceitariam o retorno dos vermelhos ao poder.

Quanto à demissão de John Bolton, ex-conselheiro nacional de segurança de Trump, Zyuganov a considerou positiva e disse que Bolton era o maior dos “russófobos”, um organizador de provocações militares que queria fazer um massacre ao redor da Venezuela, mas complementou que a equipe de Trump no geral é agressiva e perigosa, dizendo que os russos devem de qualquer maneira se prevenir.

Pobreza e soberania

Zyuganov discorreu sobre política interna evocando os motes principais de seu partido: as questões da pobreza da população e a falta de soberania da nação. Referiu-se a um ritmo de crescimento de 0,7% que seria “cinco vezes menor” do que declarado por Vladimir Putin, argumentando que, nesse ritmo, a Rússia ficaria ainda mais para trás em relação aos países mais desenvolvidos, além de estar enfrentando um problema grave de depreciação dos equipamentos na indústria de gás e petróleo.

Falou também da redução demográfica no país, que marcou uma diminuição de 200 mil pessoas no período 2017-2018, se referindo também a 20 milhões de russos perdidos durante a época das reformas, o que seria pior do que a Segunda Guerra Mundial, um “desastre”. Na tônica do nacionalismo, Zyuganov disse que a parte do capital estrangeiro em “setores chave” da economia já chegou a 90%, o que significaria que a Rússia “não possui soberania”. Ao expor esse cenário, propôs que só existem dois caminhos: a “revanche liberal” como já passaram nos anos 90, ou um amplo movimento nacional patriótico liderado pelos comunistas.

No plano das medidas concretas, falou de elevação do orçamento nacional de 18 para 25 trilhões de rublos, também disse que a bancada do partido preparou doze leis e dentre elas uma para aumentar o salário mínimo, o que segundo ele beneficiaria principalmente pensionistas de guerra.

O “Plano Quinquenal” de Levchenko, governador de Irkutsk, do Partido Comunista da Federação Russa, também foi citado pelo líder do partido. Nascido em julho de 2018 com a criação de um Comissão de Planejamento Estadual e um Comitê do Estado para o Planejamento do Desenvolvimento Socio-Econômico, o plano foi acusado por críticos e opositores de ser “propaganda eleitoral”, “um monte de papel com arte folclórica e promessas populistas”.

O plano tem como objetivos principais a redução dos preços da cesta básica, controle das tarifas de energia e a construção de apartamentos (cinco milhões de metros quadrados, através de uma espécie de sistema de crédito barato). Outro item é sobre agricultura e segurança alimentar, propondo a criação de 20 novas fazendas de pecuária para alcançar autossuficiência regional de leite e carne. Também propõe a construção de estradas – apesar de até o momento o Serviço de Estradas da Região de Irkutsk estar abalado por prisões e investigações dos serviços de segurança – e um sistema de bonificação e aumentos para funcionários públicos (o partido a nível regional defende isso em função do aumento superavitário dos rendimentos, mas alerta que “o partido Rússia Unida [de Putin] pode bloquear isso na Duma regional, pois só protegem os grandes negócios”; o Estado é um empregador importante na região).

Outros objetivos incluem a fiscalização ambiental contra “empresas criminosas” e combate a madeireiros ilegais (multas especiais a serem revertidas a saúde pública – mais uma vez, linguagem politizada dirigida contra o Rússia Unida, como protetor de criminosos que “mandam super lucros para o offshore enquanto respiramos poluição”). Essa proposta é defendida em materiais de agitação e propaganda do partido, além do governador protagonista da medida ter feito um elogio da planificação, se referindo ao modelo chinês e até mesmo a Belarus.

No campo político, o PCFR também usou seu plano quinquenal regional para defender que na cidade de Irkutsk voltem as eleições diretas para prefeito, direito retirado pela assembleia legislativa. Os comunistas acusam o partido Rússia Unida de ser responsável por essa “decisão anti-povo”.

Zyuganov também se referiu à experiência de Novosibirsk, governada por seu partido. Lá, além do “plano quinquenal”, criaram “prioridades” que orientam o tal plano, também referidos por Zyuganov (giram ao redor de coisas como moradia/regularização de terrenos e infraestrutura de transporte, desenvolvimento de veículos elétricos no transporte público, criação de uma escola e uma clínica por bairro até 2025, etc.)

A nível nacional, o PCRF também propõe referendos nas áreas relativas a riquezas minerais, empresas estratégicas, uma escala de impostos progressiva, reforma da previdência, educação e saúde.

Pela coletiva de imprensa, o foco da atividade parlamentar dos comunistas será em questões relacionadas à moradia. Também foi feita referência ao combate ao uso de drogas entre crianças e jovens.

Rússia sem Putin? As ambições de um partido

Na Rússia paira a questão sobre o fim da Era Putin e as eleições presidenciais de 2024. Uma das possibilidades seria a manutenção de Putin na presidência, o que exige uma reforma constitucional (há o limite de dois mandatos consecutivos) ou a possível jogada de criar uma união com Belarus, à qual o Presidente de Belarus, Lukashenko, resiste de forma aberta e estridente.

Putin seguindo na liderança do país ou não, fato é que o sistema sobre o qual ele preside passa por turbulências. Nas altas cúpulas, inicia-se uma “corrida de ratos” por pedaços do poder, em que grupos da elite buscam se afirmar e já reivindicar territórios em um possível cenário pós-Putin. As prisões de Arashukov (ligado a clãs do Cáucaso), Abyzov (como um representante de um setor liberal da elite), Ishaev (que foi um enviado presidencial no oriente do país, envolvido em redes de poder do leste), Ulyukayev (ex-ministro da economia de Putin, pego em um caso de suborno envolvendo outro aliado de Putin, Igor Sechin, executivo chefe da estatal de petróleo Rosneft) são fraturas expostas do conflito.

Os comunistas são conscientes disso. Sergey Obukov, membro do Comitê Central e deputado na Duma nacional, por exemplo, assina artigos desde 2019 falando dos mecanismos anti-corrupção sendo usados na luta de poder entre facções oligárquicas no Kremlin.

Como devemos entender a atuação do partido de Zyuganov, então? A Rússia passa por um processo de reorganização do poder e pela antecipação do fim do governo de Putin. Enquanto figurões são presos, a economia não cresce (cresce mais do que a brasileira, na verdade) e a sociedade passa por mudanças ideológicas.

Algumas pesquisas realizadas pelo Instituto Levada recentemente devem ser lembradas. Stálin atingiu um ápice de aprovação enquanto figura histórica positiva, a popularidade de Putin caiu e atingiu o nível mais baixo desde 2013 (está em 66%), enquanto o exército aparece como uma instituição mais digna de confiança do que a presidência.

A aprovação da figura de Stálin pode ser interpretada como insatisfação com o governo (como bem notou, dentre outros, Maxim Trudolyubov, jornalista liberal membro do Wilson Center). Mais do que isso, é sintoma de um fenômeno mais geral de preocupação com a integridade e o desenvolvimento da Rússia. Putin intensificou a propaganda patriótica desde o início desta década, para contornar opositores e justificar o próprio governo, recorrendo à imagem sagrada da Grande Guerra Patriótica (a resistência contra “o fascismo alemão e o militarismo japonês”). Ainda que o presidente possa se beneficiar disso, é difícil para os políticos ao redor dele (ainda mais os engravatados, os politiqueiros e os tecnocratas). Os comunistas são os principais depositários da simbologia da guerra e constroem toda uma história soviética em seu entorno – as tentativas de desvencilhar a vitória russa da URSS e seus líderes feita por Putin e associados conservadores pode muito bem fracassar, enquanto os comunistas se beneficiam da elevação moral e da memória do esforço de guerra.

Dentre os engravatados, unindo às figuras de burocratas, politiqueiros e tecnocratas, se destaca “o terceiro homem do Kremlin”, Vladislav Surkov.

Surkov foi um dos engenheiros políticos do putinismo e do seu partido Rússia Unida, que para ele já possui condições de seguir sem Putin no futuro (o que é esperar que sua máquina triunfe).

Isso preocupa os putinistas mais patriotas, que tendem a cruzar os dedos e esperar que Sergey Shoygu, atual ministro da Defesa, seja o sucessor de Putin na presidência. Há também a possibilidade de Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior desde 2012, seja lançado como um político.

Apoiadores tendem a entender mal uma saída de Putin, especialmente se ela significar a entrada de um dos figurões próximos a ele hoje como substituto. Medvedev, que já foi presidente, é o mais provável – tanto que o ocidente lamentou sua saída, como alguém mais “moderado” e “disposto a negociar”.  Medvedev é visto como alguém de confiança por Putin e provavelmente faria a dobradinha com Surkov.

Para os comunistas, de toda maneira, é mais fácil bater em Surkov, Medvedev ou em qualquer burocrata jovem que Putin inventar a partir do aparato (como ele mesmo saiu do nada e como Medvedev também saiu do nada).

Lembremos: quando os “analistas ocidentais” fazem comentários sobre as eleições de 2012 terem sido fraudadas para Putin vencer no primeiro turno uma eleição que de toda maneira ele venceria no segundo, o adversário que disputaria o próximo round com ele era Zyuganov. Foi Zyuganov também que quase levou as eleições em 1996, com 40,7% dos votos no segundo turno contra Boris Yeltsin, com dez milhões de votos a menos, tendo sofrido uma campanha irregular, desproporcional, marcada por crimes de Yeltsin e possível fraude eleitoral.

Naquele momento, os ocidentais interferiram nas eleições ao lado de Yeltsin (que já tinha poderes efetivamente ditatoriais, no desenrolar do episódio em que ele bombardeou o parlamento) e seu grupo de oligarcas. A mídia russa, controlada pelos oligarcas, fez um coro uníssono contra Zyuganov, aplicando técnicas para espalhar histeria e notícias falsas orientados por empresas de publicidade dos Estados Unidos. Um dos patrocinadores dessa operação foi o bilionário George Soros.

Nas eleições de 2018, os oito milhões do candidato comunista Pavel Grudinin não chegaram nem perto dos mais de 50 milhões de votos para Putin, mas ainda assim é o segundo lugar. Grudinin aparece nas especulações de cidadãos russos como um nome “provável” ao lado de Medvedev e Shoygu. Só nisto os comunistas de Zyuganov conquistam mais um sucesso de manter a própria projeção e ocupar o imaginário dos russos.

Criam uma fortaleza, um barco forte enquanto a tempestade devasta a política russa e não poupa sequer o parlamento nacional. Se fortalecem enquanto assistem os outros se digladiar e, enquanto eles se matam, mantêm uma identidade coesa, bem alimentada pelos anos soviéticos, pelos temas vermelhos, os discursos previsíveis. Na política real, continuam fazendo propostas concretas mas bem apimentadas pelo discurso utópico – um plano de governo de repente é batizado de “plano quinquenal”, e até para a questão do desenvolvimento aparecem como uma resposta.

Os comunistas tem vantagens em se dizerem comunistas, mesmo que também paguem um preço; o passado afinal não é de todo um fardo. Para cada proposta no ramo da educação, dos esportes e das juventudes, com características prosaicas ou nada espalhafatosas, eles evocam a memória dos tempos soviéticos em que esses aspectos funcionavam melhor. Para cada discurso inflamado sobre a situação da indústria de defesa, vem a memória de uma complexo armamentista pujante nos tempos de Brezhnev. Quando se apresentam como campeões da aposentadoria e dos salários mínimos, reivindicam as glórias da seguridade social dos tempos socialistas. Querem brilhar como os herdeiros legítimos dos tempos soviéticos e triunfar por associação ao que havia de positivo – principalmente o que a memória guardou como positivo, enquanto grudam no Rússia Unida e em quem for necessário a pecha de burgueses, fora a vinculação com os “traidores dos anos 90”.

Qualquer pessoa que acredite que o Partido Comunista da Federação Russa é uma espécie de “fantoche” do Putin, se engana. O suposto “realismo” dessas falas é na verdade uma narrativa russofóbica (“os russos controlados pelo despotismo oriental”) que gera uma ingenuidade: os comunistas continuam com os olhos na possibilidade de um dia ocupar a posição central do poder na Rússia.

O PCFR é o principal herdeiro eleitoral do poder de imagem da União Soviética. É também o principal partido de esquerda nas pautas econômicas. Possui uma postura sólida em relação ao nacionalismo, à política externa e o setor de defesa.  O partido de Zyuganov conta que só eles possuem uma estrutura coesa e forte o suficiente para sobreviver ao putinismo e dar o salto de ataque quando for sua hora. Um “partido de tenda” como o Rússia Unida não teria o mesmo nível de organização, nem a mesma força no plano da identidade – no plano da grande política, só eles seriam consequentes para responder às contradições sociais crescentes (ou o quase-eterno grito por pensões, para os velhinhos, as mães e os veteranos), só eles seriam consequentes no campo internacional, da Rússia forte – só um renascimento soviético para corresponder ao clima combinado de Guerra Fria e capitalismo decadente.

Enquanto isso, os putinistas acreditam no pêndulo do presidente, que ora vai para esquerda, ora para direita, de acordo com as inclinações do povo russo. A pergunta é até quando é possível ficar à deriva, fazendo concessões diversas e vivendo de vacilações pragmáticas.

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China e Rússia miram duplicar volume comercial e intensificar cooperação

São Petersburgo, Rússia, 17 set (Xinhua) -- A China e a Rússia concordaram na terça-feira em aumentar ainda mais a cooperação em comércio, energia e outras áreas e firmaram o objetivo de duplicar o volume do comércio bilateral.

O acordo foi atingido quando o primeiro-ministro chinês Li Keqiang esteve na Rússia e copresidiu a 24ª reunião regular entre os chefes do governo chinês e russo com o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev.

Li disse que a China está disposta a alinhar melhor a Iniciativa do Cinturão e Rota com a União Econômica Euroasiática, manter o crescente ímpeto do comércio China-Rússia e melhorar o nível de facilitação de comércio e investimentos.

O premiê chinês incentivou as duas partes a se esforçar pela meta de duplicar o volume do comércio bilateral.

A China é o principal parceiro comercial da Rússia há nove anos consecutivos. No ano passado, o volume do comércio bilateral aumentou 27,1% e superou a marca dos US$ 100 bilhões pela primeira vez.

Li pediu que a China e a Rússia implementem conjuntamente os importantes projetos de energia, abram mais seus respectivos mercados e explorarem um modelo de cooperação de refinação de petróleo e engenharia química.

Ele também pediu para intensificar a cooperação em ciência e inovação, finanças, agricultura e intercâmbios subnacionais e interpessoais.

Por seu lado, Medvedev disse que a Rússia está disposta a expandir ainda mais o comércio com a China e trabalhar arduamente para realizar a meta de duplicar o volume comercial.

Além da cooperação bilateral nas áreas tradicionais como energia, a Rússia aumentará a cooperação em alta tecnologia e promoverá a cooperação em áreas incluindo agricultura, indústria, aviação e espaço e energia nuclear para render mais resultados frutíferos, disse Medvedev.

A Rússia dá grande importância à cooperação subnacional e aos intercâmbios interpessoais, assinalou Medvedev, acrescentando que seu país espera realizar mais intercâmbios entre jovens, universidades e governos locais.

A visita de Li foi realizada na ocasião em que os dois países celebram o 70º aniversário do estabelecimento de suas relações diplomáticas. Durante a visita de Estado que o presidente chinês Xi Jinping fez à Rússia em junho deste ano, a relação China-Rússia foi elevada a uma parceria estratégica abrangente de coordenação para uma nova era.

Sendo os maiores vizinhos entre si e membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a China e a Rússia têm laços saudáveis e estáveis, disse Li.

No contexto da crescente incerteza e fatores instáveis na situação internacional, não somente beneficia os dois países, mas também contribui para a estabilidade e prosperidade regional e mundial que a China e a Rússia aumentem a coordenação estratégica, fortaleçam a confiança política mútua, aprofundem a cooperação pragmática e intensifiquem os intercâmbios culturais e interpessoais, acrescentou.

Medvedev disse que este ano é muito importante para as relações China-Rússia porque representa o 70º aniversário da fundação da República Popular a China, assim como o 70º aniversário dos laços diplomáticos entre os dois países.

Além de assinalar que os laços bilaterais se encontram em seu melhor momento da história, Medvedev disse que desenvolver os laços com a China é uma prioridade da política externa da Rússia, dado que se ajusta às próprias necessidades do país.

Ele disse que os dois países estão coordenando o cenário internacional e defendendo o cumprimento das regras internacionais multilaterais e opondo-se às sanções unilaterais.

Durante a reunião, Li e Medvedev acompanharam os relatórios dos vice-primeiros-ministros da China Sun Chunlan e Hu Chunhua, o primeiro vice-premiê russo Anton Siluanov e os vice-premiês da Rússia Dmitry Kozak, Tatyana Golikova e Maxim Akimov.

Os dois chefes de governo também realizaram profundos intercâmbios de opiniões sobre assuntos regionais e internacionais de preocupação comum.

Depois da reunião, Li e Medvedev assinaram um comunicado conjunto sobre a 24ª reunião regular e presenciaram a assinatura de uma série de acordos em áreas como investimento, economia e comércio, agricultura, energia nuclear, aviação, ciência e tecnologia e economia digital.

Li chegou na tarde de segunda-feira a São Petersburgo para realizar uma visita oficial de três dias. Fim

Rússia e China criarão frota de satélites que darão Internet rápida à Terra

Satélite espacial orbitando a Terra (imagem referencial)
© Depositphotos / Andrey Armyagov

Em projeto conjunto, Rússia e China irão desenvolver uma frota de satélites que deverá fornecer Internet rápida ao nosso planeta.

A notícia foi dada pelo vice-premiê russo, Maksim Akimov, durante fala a jornalistas.

De acordo com Akimov, a decisão teria sido tomada após o último encontro entre os líderes da Rússia e China, Vladimir Putin e Xi Jinping, respectivamente, ocorrido neste domingo (16) em Vladivostok, Rússia.

"Em outras áreas temos cooperação no espaço e no setor nuclear. Na nossa agenda espacial a cooperação já foi ratificada por ambos os lados e já entrou em vigor. Neste ano iremos assinar um acordo detalhado sobre os locais de posicionamento das estações do GLONASS [Sistema Global de Navegação via Satélite] e do [sistema análogo chinês] Baidu", disse Akimov.

As plataformas de satélite deverão ser de órbita terrestre baixa. Elas terão como objetivo fornecer conexão rápida via Internet ao nosso planeta.

"Nós temos um projeto interessante para uma frota de satélites em órbita terrestre baixa para a distribuição de Internet rápida. O desenvolvimento do projeto já teve início", acrescentou a autoridade russa.

Proposta chinesa

Ainda em 2018, uma fonte da Sputnik no ramo espacial afirmou que a China tinha proposto à Corporação Estatal de Atividades Espaciais da Rússia (Roscosmos) o desenvolvimento conjunto de satélites de distribuição de Internet semelhantes ao britânico OneWeb e o americano Starlink.

Ao mesmo tempo, o gigante asiático cogita criar um sistema nacional de satélites com mais de mil plataformas espaciais localizadas nas órbitas baixa, média e geoestacionária em relação à Terra.

Os chineses teriam convidado a Rússia para participar do projeto em 50% do desenvolvimento tecnológico e das despesas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019091814530924-russia-e-china-criarao-frota-de-satelites-que-darao-internet-rapida-pra-terra/

Erdogan recebe Putin e Rouhani em cúpula para debater contenção de refugiados sírios

Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do Irã, Hassan Rouhani, da esquerda para a direita, posam para fotos antes da reunião em Ancara
© Sputnik / Michael Klimentyev

A Turquia realiza uma reunião trilateral nesta segunda-feira, na qual o presidente Recep Tayyip Erdogan deve negociar com seus colegas russos e iranianos uma zona-tampão ao longo da fronteira para diminuir um possível afluxo de refugiados da província síria de Idlib.

Localizada na parte noroeste da Síria, Idlib é um dos dois grandes pedaços do país ainda não controlados por Damasco. Alguns dos grupos rebeldes baseados lá são apoiados pela Turquia, mas também há uma forte presença de jihadistas, sobre os quais Ancara tem pouca influência.

Em setembro passado, Erdogan conseguiu convencer o líder russo Vladimir Putin e o presidente iraniano Hassan Rouhani a pressionar Damasco e impedir qualquer tentativa de capturar a província para evitar baixas civis.

A esperança era que a Turquia usasse seu poder sobre os rebeldes para garantir um cessar-fogo duradouro, mas isso nunca aconteceu. Os ataques continuaram em posições e aldeias do governo sírio sob seu controle, assim como as tentativas de bombardear a base aérea russa na vizinha Latakia com drones.

No mês passado, uma grande ofensiva do Exército sírio apoiada por aviões de guerra russos resultou na captura de várias vilas e cidades na província de Idlib, incluindo o Khan Shaykhun, estrategicamente localizada. Temendo que Damasco continuasse e tomar a cidade de Idlib, a capital da província, à força, milhares de pessoas se mudaram para o norte, mais perto da fronteira com a Turquia.

Crise de refugiados

Ancara já abriga cerca de 3,6 milhões de refugiados da Síria e tem reclamado que carrega um fardo injusto, enquanto a comunidade internacional e particularmente as nações europeias não cumprem o que lhes é devido. O acordo já é impopular entre os turcos comuns, que veem os refugiados como uma das razões para uma desaceleração econômica. Uma nova onda de pessoas que atravessam a fronteira, algumas das quais podem ser islâmicas radicais disfarçadas de civis, deve atingir os índices de aprovação de Erdogan.

Capacetes Brancos limpando destroços de uma casa que foi atingida por um ataque aéreo do governo da Síria, em Idlib, 10 de setembro de 2010
© AP Photo / Uncredited / Source: Syrian Civil Defense White Helmets
Capacetes Brancos limpando destroços de uma casa que foi atingida por um ataque aéreo do governo da Síria, em Idlib, 10 de setembro de 2010

A solução preferida de Ancara para o problema é estabelecer uma "zona segura" de 30 km (18 milhas) ao longo da fronteira, onde os refugiados seriam assentados em Idlib. O governo sírio provavelmente se oporia a tal violação de sua soberania, mas, ao contrário de Ancara, Moscou e Teerã têm o poder de convencer Damasco a se dar bem.

A proposta de "zona segura" de Idlib não é diferente do que Erdogan deseja obter dos EUA no nordeste da Síria, onde está localizada a segunda faixa de terra síria não controlada por Damasco. O território a leste do rio Eufrates é um território curdo, que eles mantêm com o apoio militar e diplomático de Washington. Ancara vê os curdos sírios como uma grande ameaça à segurança, uma extensão de sua insurgência curda doméstica.

A Turquia quer uma zona-tampão de fronteira sem curdos no nordeste da Síria, onde potencialmente alguns dos refugiados que vivem atualmente na Turquia poderão ser reassentados. No entanto, o progresso no estabelecimento dessa zona segura foi lento na melhor das hipóteses.

Além do desastre sírio, Erdogan e Putin também podem discutir laços militares mais estreitos entre seus países, avaliou Nikita Mendkovich, pesquisadora do Oriente Médio no Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia, um think tank de Moscou.

"O interesse em armas russas aumentou consideravelmente em toda a região desde os eventos de 2015-17 na Síria, que é um dos fatores da influência cada vez menor de Washington", comentou à RT. A Turquia, membro da OTAN, comprou avançados mísseis S-400 de longo alcance da Rússia, apesar das ameaças de sanções vindas de Washington.

No final de agosto, o presidente turco visitou Moscou e Putin exibiu algumas das melhores tecnologias militares da Rússia para seu convidado. Depois que Washington expulsou Ancara de seu programa F-35 em retaliação ao acordo com o S-400, Moscou disse que estaria disposto a vender seus caças de ponta, possivelmente incluindo o Su-57 de primeira linha.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091614525628-erdogan-recebe-putin-e-rouhani-em-cupula-para-debater-contencao-de-refugiados-sirios/

França quer alívio das tensões com a Rússia após cúpula de ministros em Moscovo

 
 
Numa reunião importante entre os principais ministros franceses e russos, Paris sinalizou que deseja melhorar as relações com Moscovo para garantir a segurança europeia, já que a alternativa oferece apenas maiores problemas.
 
O ministro do Exterior da França, Jean-Yves Le Drian, e a ministra da Defesa, Florence Parly, se reuniram com seus colegas russos em Moscovo nesta segunda-feira, algo que não aconteceu nos últimos sete anos.
 
Durante a cúpula, Le Drian afirmou que queria aliviar as tensões com a Rússia, não apenas para melhorar os laços bilaterais, mas também para garantir a segurança europeia.
 
"Chegou a hora, é a hora certa, de trabalhar para reduzir a desconfiança", declarou.
 
Ele acrescentou que a Europa nunca estará segura sem "relações claras e fortes" com seu vizinho oriental. Por isso, Paris deseja uma "nova agenda de confiança e segurança" com a Rússia.
 
Um sentimento semelhante foi ecoado pela ministra da Defesa francesa, que disse que "é importante conversar um com o outro, para evitar mal-entendidos e atritos", embora reconheça que "não será um caminho fácil pela frente".
 
 
E as sanções?
 
Ela também destacou a questão das sanções da União Europeia (UE) a Moscovo, que não serão levantadas por enquanto, de acordo com o lado francês.
 
Dito isto, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, expressou sua concordância, afirmando que a reconstrução dos laços entre as duas nações é "possível e necessária".
 
O formato 2 + 2 marca a primeira vez desde 2012 que os ministros francês e russo mantêm discussões conjuntas. A última reunião do género aconteceu em Paris.
 
O encontro é apenas o último sinal de que Paris está tentando reiniciar as relações com Moscovo. Em agosto, o presidente francês Emmanuel Macron pediu uma "nova arquitetura de segurança e confiança" entre a UE e a Rússia e disse que Moscovo é "essencial" para resolver as crises no Irão, Ucrânia e Síria, e para o trabalho em andamento no setor nuclear de não proliferação.
 
As relações entre a França e a Rússia azedaram em 2014, depois que a UE foi pressionada por Washington a impor sanções a Moscovo, após o golpe na Ucrânia e a reunificação da Crimeia com a Rússia. A decisão retaliatória deste último de proibir a importação de alimentos da Europa sacudiu a indústria agrícola da França.
 
Sputnik | © Reuters / Shamil Zhumatov
 
 

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Putin e Macron conversam por telefone

Presidente da Rússia Vladimir Putin na reunião urgente com membros do Conselho de Segurança
© Sputnik / Aleksei Nikolsky

O presidente russo, Vladimir Putin, falou por telefone com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, informou o Kremlin neste domingo (8).

A Rússia ressaltou que o contato ocorreu após o recente encontro entre os dois líderes em Brégançon, na França. 

Os dois presidentes avaliaram de maneira positiva a libertação simultânea de 35 prisioneiros entre Ucrânia e Rússia

Putin também observou durante a conversa que agora existe a necessidade de Kiev cumprir os acordos alcançados como parte das negociações de alto nível que ocorreram em Paris e Berlim em 2015 e 2016, respectivamente.

Isso inclui o desligamento das forças da Ucrânia da linha de contato na região leste de Donbass e a redação da fórmula Steinmeier, apresentada em 2015 pelo ex-ministro das Relações Exteriores da Alemanha Frank-Walter Steinmeier como uma maneira de resolver o conflito na região, administrando uma regra local temporária de autogoverno local em certas regiões. 

Putin também discutiu com Macron a importância de uma preparação completa da agenda para a próxima cúpula do Quarteto da Normandia

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Rússia denuncia interferência do Google e Facebook em eleições regionais

Pessoas trabalhando em notebooks em frente ao símbolo do Google em Hanover, Alemanha (foto de arquivo)
© AP Photo / Jens Meyer

O Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Mídia da Rússia (Roskomnadzor) disse que o Google e o Facebook tentaram interferir em eleições no país.

Neste domingo (8), milhões de russos saíram para eleger seus governadores e deputados de diversas regiões e da prefeitura de Moscou. No entanto, segundo o Roskomnadzor, infrações foram cometidas no país tanto pelo Google quanto pelo Facebook.

Ambos os sites foram acusados de fazerem propaganda política quando tal atividade é proibida no país.

"Tais ações são uma verdadeira interferência nos assuntos soberanos da Rússia e um empecilho à realização de eleições democráticas no país", disse o Roskomnadzor em declaração pública.

Segundo o secretário de imprensa do Roskomnadzor, os citados sites fazem com frequência propaganda eleitoral de forma automática no chamado "dia do silêncio".

Por lei, o dia do silêncio é o período de 24 horas antes de o pleito começar. Qualquer tipo de propaganda eleitoral fica proibida no país, incluindo carreatas, distribuição de panfletos e transmissão eleitoral por rádio, televisão e outros meios.

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Reservas de ouro da Rússia atingem novos máximos em meio à desdolarização

A Rússia tem acumulado ouro em barra nos últimos anos em uma tentativa de diminuir a dependência de sua economia do dólar americano.

As reservas internacionais da Rússia atingiram US$ 529 bilhões (R$ 2,1 trilhões) em 31 de agosto, enquanto o estoque de ouro em barra está agora avaliado em US$ 109,5 bilhões (R$ 444,8 bilhões), de acordo com os dados do Banco Central do país publicados na sexta-feira (6).

Essa medida entra como parte da política do país de renunciar aos ativos em dólares em resposta às sanções dos EUA.

Segundo os últimos cálculos, Moscou aumentou sua reserva de metais preciosos em mais de US$ 7,5 bilhões (R$ 30,4 bilhões) em um mês. Dessa forma, a proporção de ouro nas reservas do país estabeleceu um novo recorde, passando de 19,6% para 20,7%.

O país continua aumentando suas reservas internacionais, que atingiram seus níveis mais altos desde fevereiro de 2013, depois de crescerem cerca de US$ 9,2 bilhões (R$ 37,3 bilhões) ou 1,8% em um mês.

Graças às compras massivas do metal precioso, a Rússia foi coroada como o maior comprador mundial de ouro no ano passado.

Reduzindo dependência

Em abril de 2018, o Banco Central da Rússia (CBR) empreendeu uma grande mudança na sua política, quando começou a alienar drasticamente os seus ativos denominados em moeda norte-americana em reação à pressão das sanções impostas por Washington.

Na tentativa de reduzir ainda mais a dependência da moeda norte-americana, o país eslavo tem investido ativamente no ouro, tornando-se no ano passado o país número um em termos de aquisição do metal precioso – uma liderança que manteve no primeiro trimestre de 2019.

Se Moscou continuar impulsionando suas reservas internacionais, que incluem moedas estrangeiras e ouro monetário, entre outros ativos, o país está prestes a ultrapassar a Arábia Saudita e a substituí-la como o quarto maior detentor de reservas em moeda estrangeira, de acordo com uma previsão recente da Bloomberg.

Os primeiros lugares nos rankings internacionais são ocupados pela China, Japão e Suíça.

Barras de ouro da URSS, 1937
© Sputnik / Mikhail Voskresenskiy
Barras de ouro da URSS, 1937

O crescente estoque provavelmente forneceria à Rússia uma maior influência dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e estabilizaria sua moeda nacional, o rublo, mesmo em caso de queda dos preços do petróleo, afirmam previsões de especialistas.

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Putin teria avisado Bush sobre risco de ataques terroristas nos EUA 2 dias antes do 9/11

Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC) ardem depois do ataque terrorista, 11 de setembro de 2011 (foto de arquivo)
© AP Photo / Marty Lederhandler

O presidente russo foi também o primeiro chefe de Estado estrangeiro a telefonar ao presidente estadunidense para lhe expressar suas condolências e apoio na sequência da tragédia.

O ex-presidente dos EUA George W. Bush (2001-2009) foi informado com antecedência por seu homólogo russo, Vladimir Putin, da existência de uma ameaça terrorista contra os EUA, afirma o ex-analista da CIA George S. Beebe.

De acordo com o seu livro "Armadilha Russa: Como Nossa Guerra de Sombra com Rússia Pode se Converter em Catástrofe Nuclear", recentemente publicado, o presidente russo, Vladimir Putin, informou em 2001 o então chefe da Casa Branca sobre o risco de um ataque terrorista dois dias antes dos trágicos atentados contra as torres gêmeas de Nova York e o Pentágono.

George S. Beebe trabalhou para o Governo do Estados Unidos por quase 25 anos e, durante algum tempo, ocupou o cargo na CIA de diretor de grupo de análises da Rússia, bem como de assessor da Casa Branca para assuntos da Rússia, do então vice-presidente Dick Cheney. Atualmente é vice-presidente do Center for the National Interest, um 'think tank' sediado em Washington.

"Putin tinha telefonado ao presidente Bush dois dias antes dos ataques para advertir que a inteligência russa havia detectado sinais de uma campanha terrorista, algo de longa preparação, proveniente do Afeganistão", escreve Beebe no seu livro.

Mais uma confirmação

Nos arquivos do site oficial do Kremlin há um registro datado a 10 de setembro de 2001, no qual se afirma que Putin e Bush tiveram naquele dia uma conversa telefônica. É indicado que a chamada foi realizada por iniciativa dos EUA e que os líderes abordaram questões relacionadas à preparação de sua reunião bilateral no âmbito da cúpula da APEC, realizada em Xangai em outubro daquele ano.

Em 2016, por ocasião do 15º aniversário do pior ataque terrorista na história dos EUA, a edição Politico entrevistou diversos altos funcionários que tinham acompanhado George W. Bush naquele dia. Por razões de segurança, ele permaneceu a bordo do seu avião presidencial, o Air Force One, nos céus dos EUA.

De acordo com o então chefe de gabinete da Casa Branca, Andy Card, "um dos primeiros pensamentos do presidente [...] foi Vladimir Putin".

"[Putin] era muito importante", disse Gordon Johndroe, o ex-subsecretário de imprensa da Casa Branca. "Todos os sistemas militares foram colocados em alerta nuclear e era necessário avisar Putin que não estávamos preparando um ataque contra a Rússia", explicou.

Segundo ele, Putin "foi excelente", sendo que "disse de imediato que a Rússia, por sua parte, não iria responder e declarar alerta" e que "entendia que tínhamos sido atacados e que necessitávamos de estar em alerta".

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https://br.sputniknews.com/americas/2019090614484880-ex-analista-da-cia-putin-avisou-bush-sobre-risco-de-ataque-terrorista-nos-eua-2-dias-antes-do-911/

O entretenimento e a defesa nacional

– Porque a Rússia tem munição mas não tem armas

por Tim Kirby [*]

Graças a algum tipo de acaso genético, não tenho medo de falar em público; na verdade, encaro isso como um desafio divertido de como transmitir minhas ideias ao público, sobretudo num segundo idioma – o russo. Como alguém que trabalha nos media russos desde há algum tempo, muitas vezes pedem-me para discutir a influência do media e a guerra de informação. Os intelectuais russos da variedade patriótica podem ver que seu país precisa de um exército forte para se tornar novamente poderoso e respeitado. Eles também podem ver que os media de notícias são um aspecto importante do Soft Power que tecem narrativas para competir contra os media (ocidentais) dominantes. Mas quando menciono a importância do entretenimento como um aspecto do Soft Power, começam sempre os sorrisos e os risos. Nenhum auto-intitulado intelectual russo pode aceitar o facto de que o entretenimento afecta profundamente nosso subconsciente e é a negação nacional da Rússia desse facto que impede o país de se tornar uma superpotência.

De muitos modos, quer seja um mapa de Hard Power militar, ou a tecnologia da indústria do Soft Power ou outras maneiras de avaliar, o mundo em que vivemos actualmente tem os EUA/NATO no topo com uma projecção de poder quase global. Os chineses vêm em segundo lugar, com controle total sobre a influência no seu próprio território mas com pouco efeito além das suas fronteiras. E a Rússia num distante terceiro lugar com alguma influência estrangeira inclusive, fortalezas [externas] no seu antigo território. Utilizando estes três grandes actores geopolíticos (com a Rússia sendo a possuidora de uma distante medalha de bronze), vemos uma imagem do mundo que reflecte a realidade em que vivemos. Mas quando se trata de entretenimento, a Rússia é essencialmente um não actor vassalo.

Grosso modo, e sem levar em conta as diferenças de valor da moeda, das 10 principais nações produtoras de filmes mais lucrativas da Terra seis fazem parte do Ocidente, somando aproximadamente US$740 mil milhões na venda mundial de ingressos. Não é de surpreender que a maior parte disso venha dos Estados Unidos. E, como seria de esperar, logo atrás dos anglo-saxões estão os chineses no seu status habitual de medalha de prata.

A Rússia, contudo, está em 15º lugar nos lucros mundiais com a venda de ingressos e este facto mostra um enorme buraco na defesa russa e em quaisquer perspectivas para o desenvolvimento futuro.

Quanto ao perigo de não ter uma poderosa indústria nacional de entretenimento, um colega egípcio certa vez contou-me algo em que realmente acertou em cheio…

"Mesmo sob a influência de Hollywood desde o berço até a tumba, 95% dos jovens permanecem no contexto cultural da sua nação nativa, eles podem vestir-se à ocidental, mas continuam a ser egípcios no seu íntimo. No entanto, 5% da população de jovens nacionais tornam-se "americanos" e passam a servir um mestre estrangeiro e estes 5% são a massa crítica necessária para iniciar qualquer revolução colorida".

E isto é o perigo para a Rússia: não ter meios de projectar uma visão civilizacional, alguém está constantemente a projectar a sua própria dentro da Rússia e, com o tempo, dada a opção entre ideias e não-ideias, os jovens aderirão a algum tipo de ideias mesmo que sejam estrangeiras e alienígenas. Algo em que acreditar é melhor que nada.

No curto prazo, é a falta de qualquer tipo de "Sonho russo" ou "projecto para um novo século russo" que em certa medida provoca pequenos movimentos de protesto em todo o país. O governo nada tem espiritualmente ou ideologicamente para à oferecer sua própria população e muito menos a estrangeiros e isso é uma enorme fraqueza. Os jovens ouvem que não são livres, e a liberdade soa bem, e como não há uma contra-visão de liberdade, sua ideia de liberdade é a que o Ocidente diz que ela é.

Toda criança na Terra foi doutrinada nos valores liberais da Guerra nas Estrelas/Disney, todo a gente já viu algum desenho animado (pelo menos quando criança) e o Facebook está cheio de clipes de filmes tolos de Bollywood, mas praticamente ninguém assistiu a qualquer espécie de filme russo quando olhamos as coisas globalmente. O Japão vassalo e a Índia, dominada pela pobreza, estão anos-luz à frente da indústria de entretenimento da Rússia.

As ideias de "Democracia iliberal", "Multipolaridade" e a "4ª Teoria Política" estão no cerne do discurso intelectual russo de hoje e têm um admirável potencial ideológico. Contudo, estas ideias não têm relações públicas ou meios de compartilhá-las como uma visão para as massas. Os estrangeiros quase nunca conseguem descrever o "sonho americano" em palavras, mas pode-se ver que eles têm um conceito em mente, graças a todos os filmes que assistiram. A visão de mundo do liberalismo tem tido uma promoção planetária absolutamente titânica graças a Hollywood, ao passo que a Rússia tem suas ideias discutidas em mesas-redondas por grupos de reflexão, os quais acreditam estarem a fazer mudanças escrevendo montes de documentos para compartilharem entre si. O surpreendente é que não vejam absolutamente nada de errado com este método e que zombem de mim, quando eles próprios consomem todo o lixo que a Netflix oferece diariamente.

A Rússia tem munição cultural/intelectual para se defender ideologicamente e promover uma visão que a levará outra vez a ser uma superpotência. O problema é que carece completamente de qualquer tipo de "arma" (media de entretenimento) para por a munição em uso. Mas por que isto é assim? Por que a Rússia é incapaz de produzir um filme com êxito internacional significativo?

 

  • O governo e os tipos que riem de mim por dizer que o entretenimento é uma parte importante da defesa nacional vêem o mundo de uma perspectiva tecnocrática. Mísseis nucleares e sua "influência" são fáceis de entender para tecnocratas, a validade de fazer um filme que lance a alma russa sobre o mundo para atrair "5% da juventude" de vários países é demasiado abstracto para a sua compreensão. Não são pessoas criativas, não são pessoas com uma visão, são contadores de feijões que existem para manter o barco à tona. A ideia deles é encontrar um conjunto de leis para optimizar quantas pessoas consomem álcool, não fornecer-lhes uma razão ideológica para não beber.
  • Os russos não acreditam que o subconsciente precise ser tratado. Todas as mensagens para estrangeiros devem ser feitas oficialmente através dos media profissionais. Este ponto de vista está em contraste directo com o modo como a publicidade e o marketing apelam a emoções. Os russos recusam-se a apelar para o subconsciente através dos media de entretenimento emocional.
  • A indústria cinematográfica russa é uma rede fechada repleta de liberais que odeiam a Rússia e tudo o que é russo, que prefere lançar filmes de arte para receber aplausos de uma sala cheia de degenerados viciados em drogas que entregam troféus em Cannes a invés de se por em contacto com a vida de milhões ou de pessoas normais por todo o mundo.
  • A Rússia não tem uma ideologia/visão de mundo canonizada ou parcialmente canonizada para projectar. Não há um "sonho russo" ou "visão russa" formulado. Apesar do facto de que criar este tipo de projecto ideológico poderia ser concluído nuns poucos meses de trabalho e com financiamento muito limitado do ponto de vista governamental.

Nações poderosas projectam uma poderosa visão cultural. A Rússia sempre permanecerá, como disse Obama como "uma potência regional", na medida em que for incapaz de produzir media de entretenimento que mostre uma Visão ou Sonho russo. O verdadeiro sinal de uma grande potência no século XXI é sua capacidade para produzir entretenimento que contenha visão cultural. Se não puder fazer filmes e videogames acerca da sua cultura, então a sua cultura provavelmente não é adequada para sobreviver num mundo globalizado.

Só posso esperar que, depois de ser ridicularizado durante uma década por poderosos homens engravatados acerca do valor do entretenimento para a defesa, um deles acorde e perceba que estou certo. Assim, talvez me dê a oportunidade e o financiamento para corrigir isso. Mas infelizmente acho que posso ter de enfrentar mais algumas décadas de ridículo pois a Rússia está satisfeita em continuar a ser um vassalo do entretenimento de Hollywood/Washington.

[*] Jornalista.

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/russia/kirby_31ago19.html

Quando parceiros não substituem a Rússia

 
Quando parceiros não substituem a Rússia

A volta da Rússia para o G7, sugerida por Donald Trump, provocou desacordo entre líder norte-americano e outros membros do grupo.

Segundo informa The Guardian, líderes de outros países do G7 não apoiaram a ideia de Donald Trump, o que levou até a uma discussão tensa, já que presidente norte-americano não consentia com argumentos dos colegas.

Só primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, apoiou a ideia, enquanto o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, manteve uma posição neutra.

Segundo Trump, "a Rússia deve estar presente na sala" para discutir problemas do Irã, Síria e Coreia do Norte.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2019082614434742-quando-parceiros-nao-substituem-a-russia/

Fim do tratado Novo START entre EUA e Rússia pode ter consequências fatais

START I
 

Fim do tratado Novo START entre EUA e Rússia pode ter consequências fatais para a estabilidade estratégica.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas é o único acordo que limita os armamentos dos EUA e da Rússia após a saída de Washington do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) em agosto de 2019.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou em uma declaração nesta segunda-feira (26) que uma potencial recusa da extensão do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START) pelos EUA teria graves consequências para o mundo.

"As consequências para a estabilidade estratégica global vão ser muito prejudiciais. A estabilidade estratégica em geral em escala global sem dúvida será prejudicada, já que nós, ou seja, toda a humanidade ficará praticamente sem qualquer documento que regule a esfera [de armamentos nucleares]", disse o porta-voz.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019082614433934-fim-do-tratado-novo-start-entre-eua-e-russia-pode-ter-consequencias-fatais/

Putin ordena tomada de 'medidas simétricas' após testes de mísseis dos EUA

 
 
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, convocou uma reunião urgente com o Conselho de Segurança em meio aos últimos testes de mísseis dos EUA.
 
Na reunião urgente, o presidente encarregou o Ministério da Defesa da Rússia e o Ministério das Relações Exteriores de analisarem o nível de ameaça à Rússia, criado pelas ações dos EUA.
 
"Além disso, tendo em conta as circunstâncias atuais, eu encarrego o Ministério da Defesa da Rússia, o Ministério das Relações Exteriores e outras instituições especiais de analisarem o nível da ameaça criada ao nosso país pelas ações mencionadas dos EUA e de tomarem as medidas necessárias de preparação de resposta simétrica."
 
O teste mais recente foi realizado pelos EUA em 18 de agosto. Trata-se de um míssil de cruzeiro de baseamento terrestre com alcance de 500 quilómetros, o que seria proibido pelo tratado INF.
 
Os EUA deixaram o tratado INF no início de agosto, tendo anunciado a saída ainda em outubro. Em julho, Vladimir Putin também anunciou a suspensa da participação da Rússia no acordo.
 
Sputnik | Foto: © Sputnik / Aleksei Nikolsky
 
 
 
 
 

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Muralha sino-russa contra a intromissão dos EUA

por M.K. Bhadrakumar [*]

Protesto no aeroporto de Hong Kong, 09/Agosto/2019. A China acusou explicitamente os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de fomentarem os protestos "pró-democracia" em Hong Kong. Pequim assumiu o assunto por meio do canal diplomático exigindo que a inteligência dos EUA pare de incitar e encorajar os manifestantes de Hong Kong.

Na semana passada, evidências fotográficas apareceram nos media mostrando a conselheira política do consulado dos EUA em Hong Kong, Julie Eadeh, a confabular no átrio de um hotel de luxo local com os líderes estudantis envolvidos neste movimento "pró-democracia" de Hong Kong.

Washington ficou ressentida pelo facto de a cobertura de Julie ter sido exposta. Ela é aparentemente uma especialista que organizou "revoluções coloridas" em outros países e foi revelado que estava envolvida na trama de "atos subversivos" na região do Médio Oriente. O Global Times escreveu um editorial furioso . Dizia:

"O governo dos EUA desempenhou um papel vergonhoso nos distúrbios de Hong Kong. Washington apoia publicamente os protestos e nunca condena a violência que atinge a polícia. O consulado geral dos EUA em Hong Kong está a aumentar a sua interferência directa na situação de Hong Kong. A administração dos EUA está a instigar tumultos em Hong Kong, da mesma forma que alimentou "revoluções coloridas" em outros lugares do mundo.

A alegação chinesa será plausível? Escrevendo no Asia Times , o renomado académico, economista e autor canadiano Ken Moak comentou recentemente que os protestos são generosamente financiados e que a sua logística e organização são de uma escala de recursos financeiros a que "só governos estrangeiros ou indivíduos ricos que poderiam lucrar com eles se comprometeriam". Ele pormenorizou exemplos passados de tentativas anglo-americanas para desestabilizar a China.

Moak prevê futuras operações subversivas "mais intensas e violentas" contra a China por parte EUA.

De facto, agentes provocadores estão a calibrar os protestos quase diariamente, como a queima da bandeira chinesa e a ocupação do aeroporto de Hong Kong. O plano do jogo é forçar Pequim a intervir para que se siga o dilúvio – sanções ocidentais, et al.

Com a tecnologia 5G prestes a ser lançada, este é um momento oportuno para os EUA arrebanharem seus aliados ocidentais num boicote económico à China, no momento em que países como a Alemanha e a Itália, que têm relações comerciais e de investimento florescentes com a China, abominam ficar a reboque os EUA.

O renomado jornalista e escritor italiano e observador de longa data da China baseado em Pequim, Francesco Sisci, escreveu recentemente que Hong Kong é, na verdade, a "válvula de segurança" de Pequim e sufocá-la pode causar asfixia em todo o sistema chinês. Sisci compara Hong Kong a "uma câmara de compensação, uma válvula de segurança entre a economia fechada da China continental e as economias abertas do resto do mundo".

Se a China podia globalizar com avidez e ainda assim manter a sua economia fechada era por ter Hong Kong, que era completamente aberta e proporcionava o terceiro maior mercado financeiro do mundo. Se ocorrer uma fuga de capital em larga escala em Hong Kong, a China terá que efectuar seus futuros acordos financeiros através de países sobre os quais não tem controle político. Para citar Sisci, "o actual status de Hong Kong pode ajudar Pequim a comprar tempo, mas a questão crucial ainda é o status da China. A época de estar dentro e fora do sistema comercial global graças a uma arquitectura complexa de acordos especiais está a esgotar-se rapidamente".

Dito simplesmente, a agitação em Hong Kong torna-se um modelo da abordagem de pressão máxima dos EUA para quebrar o ímpeto de crescimento da China e a sua ascensão como uma rival na tecnologia global do século XXI. As mãos nos EUA que influenciam a China já estão a abrir a garrafa de champanhe por "a revolução estar no ar em Hong Kong" – e, isso marcará "o fim do comunismo sobre o solo chinês".

Protesto em Moscovo, 10/Agosto/2019. Entra a Rússia. Coincidência ou não, ultimamente pequenos fogos estão a ser acesos também nas ruas de Moscovo e estão a propagar-se em protestos significativos contra o presidente Vladimir Putin. Se a lei de extradição foi o pretexto para o tumulto de Hong Kong, foi a eleição para a Duma de Moscovo (legislativo da cidade) que aparentemente provocou o protesto russo.

Assim como em Hong Kong há descontentamento económico e social, a popularidade de Putin diminuiu ultimamente, o que é atribuído à estagnação da economia russa.

Em ambos os casos, a agenda americana é descaradamente pela "mudança de regime". Isto pode parecer surpreendente, uma vez que as lideranças chinesa e russa parecem sólidas. A legitimidade do Partido Comunista Chinês presidido por Xi Jinping e a popularidade de Putin ainda estão a um nível que faz inveja a qualquer político em qualquer parte do mundo, mas a doutrina das "revoluções coloridas" não é construída sobre princípios democráticos.

As revoluções coloridas referem-se à inversão de uma ordem política estabelecida e não tem correlação com o apoio das massas. A revolução colorida é o golpe por outros meios. Não é nem mesmo acerca de democracia. As recentes eleições presidenciais e parlamentares na Ucrânia revelaram que a revolução colorida de 2014 foi uma insurreição que a nação repudia.

É claro que as apostas são muito altas quando se trata de desestabilizar a China e a Rússia. Nada menos do que o equilíbrio estratégico global está em causa. A estratégia de contenção dupla dos EUA contra a Rússia e a China é na sua quinta-essência o projecto New American Century – a hegemonia global dos EUA ao longo do século XXI.

Os EUA apostaram que Moscovo e Pequim seriam duramente pressionados para enfrentar o espectro das revoluções coloridas e que as isolariam. Afinal de contas, regimes autoritários são exclusivos e dentro do sanctum sanctorum das suas políticas internas nem os seus amigos ou aliados mais próximos são permitidos.

É aqui que Moscovo tem uma surpresa desagradável para Washington. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse em Moscovo na sexta-feira que a Rússia e a China deveriam intercambiar informações sobre a interferência dos EUA nos seus assuntos internos. Ela sinalizou que Moscovo está consciente das declarações chinesas de que os EUA interferem nos assuntos de Hong Kong e trata estas informações "com toda a seriedade".

"Além disso, penso que seria correcto e útil trocar tais informações através dos respectivos serviços", disse Zakharova, acrescentando que os lados russo e chinês discutirão a questão dentro em breve. Ela acrescentou que a agência de inteligência dos EUA está a utilizar tecnologia para desestabilizar a Rússia e a China.

Pouco antes, na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou o chefe da Secção Política da embaixada estado-unidense, Tim Richardson, e apresentou-lhe um protesto oficial contra o encorajamento dos EUA a uma manifestação não autorizada da oposição em Moscovo no dia 3 de Agosto.

Na verdade, Moscovo tem muito mais experiência do que Pequim em neutralizar operações secretas da inteligência dos EUA. É uma característica marcante da grande habilidade e perícia, bem como da tenacidade do sistema russo, que durante toda a era da Guerra Fria e no período "pós-soviético", nunca tenha havido nada parecido com os motins na Praça Tiananmen em Pequim (1989) ou em Hong Kong (2019) desencadeados pela inteligência dos EUA.

A mensagem de Moscovo para Pequim é directa e franca – "Unidos venceremos, divididos cairemos". Sem dúvida, os dois países estiveram em consultas e queriam que o resto do mundo soubesse disso. Na verdade, a mensagem transmitida por Zakharova – sobre uma muralha (firewall) conjunta contra a interferência dos EUA – é de significância histórica. Ela eleva a aliança russo-chinesa a um nível qualitativamente novo, criando mais um reforço político de segurança colectiva.

11/Agosto/2019
[*] Analista poltico, indiano.

O original encontra-se em indianpunchline.com/a-sino-russian-firewall-against-us-interference/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

 

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/china/bhadrakumar_11ago19.html

Macron diz que diálogo com Rússia pode gerar 'novas oportunidades' para Europa

Presidente russo, Vladimir Putin, se reúne com o presidente francês, Emmanuel Macron, em 19 de agosto de 2019.
© Sputnik / Sergei Guneev

O presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu com o líder da França, Emmanuel Macron, nesta segunda-feira (19) durante visita oficial a Paris. Durante o encontro eles abordaram temas como a Síria, a segurança na Europa e a relação bilateral. 

Ao falar com repórtes, Putin declarou que a Rússia apóia os esforços das tropas do governo sírio para neutralizar os terroristas na província de Idlib, na Síria.

"Houve várias tentativas para atacar nossa base aérea em Hmeymim diretamente da área de Idlib, então apoiamos os esforços do Exército Sírio para realizar operações locais para eliminar essas ameaças terroristas", disse Putin.

O presidente russo sublinhou que "antes da assinatura dos acordos sobre a desmilitarização de uma parte da área de Idlib em Sochi, 50% do território era controlado pelos terroristas e agora é 90%".

Além disso, ele indicou que as forças terroristas se transferem de Idlib para outras partes do mundo.

O presidente da França, por sua vez, expressou profunda preocupação com a situação em Idlib.

Presidente francês Emmanuel Macron durante reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, em 19 de agosto de 2019.
© Sputnik / Sergey Guneev
Presidente francês Emmanuel Macron durante reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, em 19 de agosto de 2019.

"Estamos profundamente preocupados com a situação em Idlib, onde a população civil vive sob bombardeios. Há vítimas entre a população civil e a França está muito preocupada com isso", disse Macron.

O presidente francês sublinhou a necessidade de "respeitar os acordos alcançados em Sochi".

Diálogo com a Rússia

Putin também agradeceu à França por sua posição sobre o retorno da Rússia ao Conselho da Europa.

"Somos gratos à França pela sua posição no Conselho da Europa, pelo retorno em grande escala da delegação russa. Penso que isso contribuirá para a construção de relações normais, plenas e de confiança no continente europeu, e espero que o apoio da França construa relações de trabalho com a União Europeia da mesma maneira", disse Putin a repórteres.

"A posição de Paris desempenhou um papel significativo no retorno da Rússia ao Conselho da Europa", completou Putin.

Ele acrescentou que Moscou está preocupada com a situação do Tratado de Proibição de Testes Nucleares e com a possível corrida armamentista no espaço.

O presidente francês, por sua vez, manifestou esperança de um diálogo aberto e franco com o presidente russo, sobre a situação em torno do fim do Tratado de Foças Nucleares de Alcance Intermediário (INF).

“Acredito que teremos sucesso em criar uma nova arquitetura de segurança entre a União Europeia e a Rússia. A França está pronta para desempenhar um papel nesse processo [...] Acho que poderemos trabalhar juntos na segurança do nosso continente", disse Macron.

"Acredito em uma Rússia europeia e na Europa soberana, isto é, uma Europa mais forte, que deve ganhar novas oportunidades através do diálogo com a Rússia", completou o presidente francês.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/russia/2019081914406235-macron-diz-que-dialogo-com-russia-pode-gerar-novas-oportunidades-para-europa/

Rússia nunca recusou o diálogo com EUA sobre o Tratado INF, afirma ministro da Defesa russo

Veículo de transporte do complexo Iskander-K, equipado com mísseis de cruzeiro R-500, durante manobras na região de Krasnodar
© Sputnik / Vitaly Timkiv

A Rússia nunca recusou o diálogo com os EUA sobre o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), mostrou abertura e transparência das suas ações, afirma o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu.

"Nunca nos recusámos a dialogar, propusemos isso durante todo o período de fevereiro a agosto. Mostrámos a nossa abertura. Mostrámos o míssil que levantava questões. Os americanos não vieram. Se eram necessários mais participantes, por que havia necessidade de destruir tudo?", disse Sergei Shoigu em entrevista ao canal de televisão Rossiya 24.

O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) foi definitivamente revogado em 2 de agosto. No início deste ano, Washington anunciou a sua saída unilateral do tratado, acusando a Rússia de violar o documento. Moscou negou todas as alegações.

Resposta recíproca

No início de julho, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou a lei sobre a suspensão do tratado. A Rússia afirmou várias vezes que cumpria por completo todas as condições do INF.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que Moscou tinha sérias perguntas a fazer a Washington quanto ao cumprimento do tratado pelos próprios norte-americanos. Segundo ele, as acusações dos EUA sobre as alegadas violações russas não tinham e não têm qualquer fundamento.

O presidente da Rússia sublinhou que todas as propostas da Rússia sobre o desarmamento nuclear "estão na mesa e que as portas estão abertas", mas exigiu que os ministros os ministros russos, a partir de agora, não iniciassem negociações sobre este assunto.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019081814401341-russia-nunca-recusou-o-dialogo-com-eua-sobre-o-tratado-inf-afirma-ministro-da-defesa-russo/

'Rússia vai pensar duas vezes': chanceler polonês espera aumento de tropas dos EUA no país

Brigada polonesa junto aos soldados da divisão norte-americana durante manobras Anakonda 16 da OTAN, Polônia
© REUTERS / Kacper Pempel

Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Jacek Czaputowicz, declarou que é melhor instalar tropas dos EUA na Polônia do que na Europa Ocidental para deter a Rússia.

Segundo o ministro, a presença de forças dos EUA na Polônia "tem um papel muito importante, dissuasor, muito mais importante do que a presença deles no ocidente".

"A Rússia vai pensar duas vezes antes de recorrer a meios militares se ela vir forças internacionais, especialmente forças estadunidenses, na Polônia", disse o ministro Czaputowicz, citado pelo portal Polsat.

O chanceler exprimiu a esperança que os EUA vão especificar o plano de posicionamento de tropas na Europa Ocidental durante a próxima visita de Donald Trump à Polônia.

Planos dos EUA

Antes, os EUA sugeriram aumentar o contingente militar na Polônia em 2.000 homens à custa das forças instaladas na Alemanha. A ideia foi explicada pelo fato que a Alemanha recusou aumentar seus gastos com defesa até dois por cento do PIB.

"É ofensivo esperar que os contribuintes norte-americanos continuem a pagar por milhares de militares dos EUA na Alemanha", declarou o embaixador norte-americano na Alemanha. Entretanto, a embaixadora estadunidense na Polônia destacou que o país cumpre suas obrigações perante a OTAN.

Por seu turno, o ministro da Defesa da Polônia respondeu positivamente à proposta do presidente norte-americano, informando que Varsóvia vai providenciar os EUA com seis locais para instalações das tropas, principalmente perto da fronteira oriental do país.

Em resposta, a Rússia prometeu também reforçar sua presença militar nas fronteiras ocidentais do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019081714399074-russia-vai-pensar-duas-vezes-chanceler-polones-espera-aumento-de-tropas-dos-eua-no-pais/

'Efeito contrário': mídia aponta que sanções dos EUA aumentam demanda por petróleo russo

Extração do petróleo no Ártico
© Sputnik / Serviço de imprensa de Rosneft

As sanções americanas contra o Irã e a Venezuela levaram inadvertidamente a um aumento na demanda pelo petróleo bruto da Rússia, escreve Bloomberg.

De acordo com a agência, de novembro de 2018 a julho de 2019, empresas petrolíferas russas receberam uma renda adicional de pelo menos US$ 905 milhões.

"O cálculo é baseado na diferença na dispersão entre Urals e Brent ao longo do período em comparação com a média de cinco anos", explica Bloomberg.

Nota-se que as sanções aumentaram a procura de petróleo russo devido à redução da produção dos países da OPEP e dos seus parceiros. Usualmente, o petróleo Urals era negociado com desconto em relação ao Brent.

No entanto, desde novembro do ano passado, quando os EUA limitaram as compras globais de petróleo bruto iraniano, o desconto no petróleo russo começou a desaparecer, e no início deste ano o Urals começou a ser negociado com um prêmio.

Sanções secundárias

Em maio de 2018, os EUA saíram unilateralmente do acordo nuclear e reintroduziram sanções contra o Irã, incluindo sanções secundárias a países que mantiverem negócios com Teerã.

Exceções incluem China, Índia, Itália, Grécia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Turquia. No entanto, a Casa Branca não prolongou posteriormente as medidas de flexibilização.

Além disso, no final de janeiro, os Estados Unidos impuseram sanções contra a empresa nacional venezuelana de petróleo e gás PDVSA, bloqueando bens da empresa em seu território em um valor estimado em US$ 7 bilhões. De acordo com a Casa Branca, mais 11 bilhões serão perdidos em exportações de petróleo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019081614395098-efeito-contrario-midia-aponta-que-sancoes-dos-eua-aumentam-demanda-por-petroleo-russo/

Rússia e Venezuela assinam acordo de visitas de navios de guerra

Cruzador de mísseis russo Marshal Ustinov
© Sputnik / Sergei Kompaniychenko

Ministros da Defesa da Rússia e Venezuela se encontraram hoje (15) em Moscou. Na ocasião, ambos os países firmaram acordos que permitem visitas mútuas de navios de guerra a portos de ambos os países.

O acordo foi firmado durante o encontro do ministro da Defesa da Rússia, Sergey Shoigu, com seu homólogo venezuelano Vladimir Padrino López em Moscou, Rússia.

Os ministros também discutiram a atual situação política no país sul-americano e formas de cooperação técnica militar, tal como assinaram um acordo que permite aos navios de guerra de ambos os países visitarem os portos respectivos.

"Estamos observando atentamente os eventos na Venezuela. Vemos que há em curso uma forte pressão por parte de Washington para desestabilizar o país de uma maneira sem precedentes. Apoiamos os esforços do governo do país em sua política externa independente e contra as tentativas dos EUA de remover do poder um governo legalmente eleito", disse Shoigu durante encontro.

O ministro russo também disse que as Forças Armadas do país latino-americano são a garantia de manutenção da integridade territorial da república e da ordem estabelecida.

 

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação

https://br.sputniknews.com/russia/2019081514391949-russia-e-venezuela-assinam-acordo-de-visitas-de-navios-de-guerra/

Rússia expulsa diplomata ucraniano em resposta à provocação de Kiev

Rússia e Ucrânia
© Sputnik / Konstantin Chalabov

Um diplomata do Consulado Geral da Ucrânia em São Petersburgo foi expulso da Rússia como uma resposta recíproca às ações de Kiev contra um diplomata russo, que ocorreu em maio.

“Em maio de 2019, os serviços de segurança ucranianos criaram uma provocação, declarando como persona non grata um diplomata do Consulado Geral da Rússia em Lviv sem nenhum motivo. Kiev não apresentou provas de qualquer atividade ilegal conduzida por nosso diplomata que fosse além do cumprimento de suas obrigações profissionais relacionadas ao trabalho da missão consular ", informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia nesta terça-feira (13) em comunicado.

"Em resposta a um movimento tão hostil e infundado por parte de Kiev, o lado russo foi forçado a declarar, numa base recíproca, um diplomata do Consulado Geral da Ucrânia em São Petersburgo como persona non grata", acrescenta a nota.

As relações entre Rússia e Ucrânia deterioraram-se a partir de 2014, depois que a Crimeia se separou da Ucrânia e foi reintegrada à Rússia após o resultado de um referendo.

Além disso, Kiev acusa Moscou de interferir nos assuntos internos e apoiar as forças contrárias ao governo no Leste da Ucrânia. O Kremlin nega qualquer envolvimento na crise ucraniana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019081314383495-russia-expulsa-diplomata-ucraniano-em-resposta-a-provocacao-de-kiev/

OLÁ, PETERSBURGO! -- ADEUS, LENINEGRADO!

 
 Notas de Viagem - I
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O Palácio de Inverno onde está instalado o Hermitage. 

CIDADE MÁGICA

Não foi por certo obra do acaso, Cesário Verde ter mencionado S. Petersburgo num dos poemas mais celebrados da poesia portuguesa, O Sentimento de um Ocidental. “Ocorrem-me em revista, exposições, países:/ Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!”, escreveu ele, em 1880, retratando, na fundura do seu intimismo, um desgraçado tempo português, configurado a uma nostálgica e cinzenta cidade de Lisboa.

Em S. Petersburgo, de onde quer que se observe o seu devir de cidade, encontramos sempre um longo tempo histórico e cultural que se respira na sua topografia urbana, na iconografia dos palácios e dos edifícios ou das praças e dos jardins, onde a expressão pública de uma arte escultural se impõe a cada passo pela sua monumentalidade.

Se a memória é alimento primordial das cidades, na construção do presente ou no desenho de futuros a haver, esta, onde estou agora e por onde me passeio, impõe esse olhar global sobre um universo a um tempo cheio de diversidades e de acontecimentos, cuja relevância planetária os torna sempre imemorialmente presentes no chão que pisamos.

Essa dimensão, hoje inscrita com nitidez na modernidade de um capitalismo, com os seus subterrâneos mafiosos, a que o músculo de Putin empresta sentido imperial – há sempre o regresso a uma certa orfandade czarista! --, é parte inteira desta cidade de mais de cinco milhões de habitantes, que tem uma relação profunda com a água: o Neva dominante e as suas pontes, o mar do golfo da Finlândia, os canais que serpenteiam por todo o lado, ladeados por belos gradeamentos de ferro forjado. Chamam-lhe “Veneza do Oriente” e não terá sido preciso grande imaginação para inventar o lugar-comum.

A história fez de S. Petersburgo uma realidade tocada pela magia de uma relação entre o  Oriente e o Ocidente, sempre com o traço identificador da “alma” russa -- a grande Rússia! -- desde que Pedro, o Grande, a sonhou como capital do império, indo buscar o fascínio da arte italiana, da arquitectura à pintura e a outras artes, a imponente celebração de um barroco com múltiplas tendências nacionais, cuja certidão de autenticidade está no museu aberto em que Petersburgo se abre à navegação dos olhares. Na sua relação com a Europa, o imperador não se confinou aos países vizinhos, do norte, foi mais longe, tocado pelo fascínio da Itália e da França, procurando superar a expressão artística em sumptuosidade. Então, à medida que nos apropriamos com os olhos do território, percebemos que nesta terra que já foi Petrogrado, Petersburgo, Leninegrado, e outra vez Petersburgo, a respiração da sua actualidade não é outra coisa senão a convergência desse particular caminhar histórico, numa simbiose de mudanças. Todos esses tempos, repletos de histórias, dramáticas ou de esperança (a servidão só foi abolida em 1868), estão nas ruas e nas praças, nos palácios e nas pontes, nos jardins e nos bosques.

JOHN REED

Tinha estado cá, vai para trinta anos, quando a cidade, sob um denso manto de neve, ainda se chamava Leninegrado. Vivia-se na euforia da Perestroika e da Glasnost de Gorbatchov, e eu tinha vindo a convite da Novosty, numa jornada com o jornalista e escritor Miguel Serrano, companheiro que era o rosto da bondade e de quem guardo muitas saudades. Queríamos os dois, perscrutando o vento de mudança, perceber as transformações operadas pelo cheirinho que soprava de liberdade. E muita coisa percebemos sobre a anquilose instalada no Kremlin.  image

 
Agora, tudo está remetido a memórias fragmentárias. Uma vaga simbologia da revolução, muito sóbria e residual, ainda emerge da paisagem: o Aurore continua ancorado no Neva, como museu flutuante da revolta dos marinheiros, e, no Instituto Smolensk, onde Lenine trabalhou a revolução, a sua estátua, que é imponente, não foi apeada.

Numa cidade cheia de vida, toda aberta ao sol do turismo, é fascinante descobrir nos passos que damos essas memórias fragmentárias. Não é possível andar pela imponente Praça do Palácio, frontal ao Palácio de Inverno, onde está instalado um dos maiores museus do mundo, o Hermitage, sem evocar a crónica dos Dez Dias Que Abalaram o Mundo, a emblemática obra do americano John Reed, talvez a melhor reportagem até hoje publicada sobre uma revolução. Evocamos, então, no esplendor físico da paisagem, esses dias tumultuosos, numa narrativa cuja dinâmica quase nos envolve nos acontecimentos. É impossível não imaginar a multidão (marinheiros, soldados, operários) que, há pouco mais de um século, aqui fez corpo com a História.

Então é inevitável pensar no sangue que aqui correu, em 1905, quando as forças do czar reprimiram brutalmente uma manifestação, ocasionando milhares de mortos, e depois em Lenine ou em Trotski (ideólogo e fundador do Exército Vermelho) os dois em 1917 dirigindo o assalto ao Palácio de Inverno.

HERMITAGE

Quando se toma contacto com o acervo patrimonial do Hermitage (diz-me uma guia russa: “São precisos oito anos para visitá-lo como deve ser!”), ou de outros inúmeros palácios, que fazem parte da geografia museológica de Petersburgo, contactamos uma realidade surpreendente e interrogamo-nos sobre como foi possível salvaguardá-la no meio do tumulto revolucionário. John Reed conta que, no assalto ao Palácio de Inverno, não faltaram ímpetos para o saque, mas logo foram travados com a palavra de ordem:

-- Ninguém toca em nada. Isto agora pertence ao povo!

Tudo foi nacionalizado. Por momentos, paramos para respirar a monumental harmonia da Praça, desenhada pelo arquitecto italiano, Carlo Rossi, dominada, ao centro, numa simetria perfeita, pela grandiosa coluna de Alexander Nevski, cujo túmulo imponente ocupa uma sala do Hermitage. Este príncipe russo é uma figura mítica: no século XIII, armou o povo e constituiu um exército que derrotou a invasão teutónica. Mas a Praça tem sobretudo o espírito de assinalar a derrota de Napoleão, na invasão de 1812 (Oiça-se a aberturs deTchaikovski. Eisenstein, o autor de O Couraçado Potemkine, dedicou um filme ao príncipe (Aleksander Névski) em que o tom biográfico, à semelhança de Ivan, o Terrí vel, se configura a, autocrático desígnio histórico e imperial da Grande Rússia, como terra mater, às vezes com exaltação de sabor metafísico.

A completar o classicismo das colecções do Palácio de Inverno, há um outro Hermitage, no edifício em frente, na Praça do Palácio, onde estão as colecções da pintura europeia, sobretudo a francesa, ou a modernista russa, com as fabulosas salas dedicadas a Matisse ou a Kandinski.

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O esplendor de Matisse
Neste monumental edifício, para lá do acervo nacional, há a colecção memorável dos irmãos Morozov, Mikahil e Ivan. Netos de um servo da gleba do czar, tornaram-se industriais de sucesso no têxtil, de tal forma que, Mikahil, apaixonado pela pintura francesa, reuniu um espólio apreciável, salas e salas com impressionistas franceses. E também de outros países. Estão lá todos. Não deixa de ser emocionante ver tantos quadros célebres, de Renoir, Dégas, Monet ou Gauguin, entre muitos outros.

A colecção foi nacionalizada com a revolução, passou por algumas vicissitudes, sobretudo quando Stalin a considerou formalista e burguesa, ficando fora dos olhares do público. Foi depois reunida e, agora, instalada como exposição permanente no Hermitage. Morozov que, em 1921, abandonou a Rússia, morreu poucos anos depois, na Suiça. Se pudesse saber, sorriria feliz ao destino que os seus quadros acabaram por ter.


Terça-Feira, 6 de Agosto


Ver o original em Notícias do Bloqueio (clique aqui)

Preço do ouro dispara enquanto Rússia e China aumentam reservas para acabar 'com hegemonia do dólar'

Barras de ouro (imagem de arquivo)
© AP Photo / Michael Probst

Na semana passada as reservas de ouro da Rússia ultrapassaram a marca de US$ 100 bilhões em meio a notícias de empresas chinesas terem recebido contratos para fundição e refino do ouro na África.

Os preços do metal precioso estão em constante aumento, subindo cerca de 1,6% por ano e atingindo uns incríveis 11% durante os dois últimos meses, informa Market Watch.

O que pode estar por trás deste crescimento?

De acordo com a mídia, a provável causa do aumento contínuo dos preços pode ser a sede insaciável da Rússia e da China pelo metal precioso.

"O valor do ouro deveria ter baixado ainda no ano passado. O preço no fim do ano deveria ser de cerca de US$ 1.000 por onça, em vez disso ele foi de US$ 1.200. Eu pensei que alguma coisa devia estar acontecendo", disse Crispin Odey, gestor do fundo de investimento Odey Asset Management do Reino Unido.

Desde essa altura o preço não parou de crescer com as cotações registradas na bolsa na terça-feira chegando até US$ 1.428,75 (R$ 5.406).

O Banco Central da Rússia já adquiriu 96,4 toneladas de ouro desde janeiro deste ano, por sua vez a China já comprou 74 toneladas em seis meses até maio, sendo assim, não se preveem razões para o abrandamento.

Na semana passada o Banco Central da Rússia confirmou que até 1º de julho a reserva total do ouro atingiu o valor de US$ 100,3 bilhões (R$ 379,5 bilhões). Só no mês de junho o país adicionou mais 18 toneladas às suas reservas, chegando a um total de 2.208 toneladas, em meio a esforços de se livrar da dependência da moeda norte-americana.

Segundo Odey, o ouro é um "passo natural" para os países que buscam acabar com a hegemonia do dólar estadunidense, e o seu fundo de investimento tem investido bastante em ouro apesar de ter sido cético no passado em relação ao metal precioso. "Você tem que fazer aquilo o que os bancos centrais fazem", disse.

No geral, a demanda por ouro está crescendo em meio à instabilidade da economia global: enquanto as moedas, mesmo as das economias mais fortes, podem se desvalorizar, o ouro, sendo um ativo sólido, representa uma espécie de investimento seguro. Seu preço pode ser variável, mas não pode cair a zero, contrariamente às moedas convencionais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019073114314413-preco-do-ouro-dispara-enquanto-russia-e-china-aumentam-reservas-para-acabar-com-hegemonia-do-dolar/

Polícia prende centenas em protesto por eleições livres em Moscovo

 
 
Manifestantes desafiam proibição e saem às ruas da capital russa para exigir pleito local justo, com participação da oposição. Mais de mil são presos, incluindo opositores que tiveram suas candidaturas barradas.
 
A polícia da Rússia prendeu centenas de pessoas neste sábado (27/07) durante um protesto não autorizado em Moscou a favor de eleições locais livres e justas. Segundo a plataforma OVD-Info, que monitora prisões em manifestações, mais de mil pessoas foram detidas na capital russa.
 
O ato teve início em frente à Câmara Municipal de Moscou para exigir a participação da oposição nas eleições parlamentares na cidade, marcadas para setembro, depois de autoridades terem invalidado o registro de dezenas de candidatos, muitos deles opositores.
 
A decisão, vista pela oposição como uma forma de minar eleições livres, já havia levado milhares de manifestantes às ruas há uma semana. O ato do sábado passado, autorizado pela polícia, foi o maior registrado na cidade em anos, com a presença de 22,4 mil pessoas, segundo uma organização especializada em contar manifestantes, e 12 mil, segundo a polícia.
 
 
 
Mesmo sem autorização para protestar, a oposição voltou às ruas de Moscou neste sábado, encontrando forte resistência da polícia.
 
A tropa de choque formou uma barreira para impedir que os manifestantes se aproximassem da Câmara Municipal, que fica na avenida Tverskaya, e os forçaram a ir para ruas próximas. Alguns deles resistiram fisicamente, enquanto muitos gritavam frases como "a Rússia será livre".
 
O forte esquema policial restringiu também o acesso ao local do protesto, a fim de impedir que mais pessoas comparecessem. A polícia de Moscou afirma que 3,5 mil pessoas participaram do ato não autorizado deste sábado.
 
Até as 21h (horário local), 1.007 pessoas haviam sido detidas em Moscou, segundo a OVD-Info. Não houve ainda informações oficiais sobre quais acusações essas pessoas podem enfrentar.
 
Além de manifestantes, antes do início do protesto foram presos vários candidatos opositores que pretendiam participar das eleições locais, mas tiveram suas candidaturas rejeitadas pela comissão eleitoral, entre eles Dmitri Gudkov, Ivan Zhdanov, Liubov Sobol e Yulia Galiamina.
 
 
Policiais também fizeram uma operação de busca e apreensão nas residências e centros de campanha dos opositores, que começou na noite de sexta-feira e continuou neste sábado, conforme relataram em redes sociais vários dos políticos envolvidos.
 
O veterano ativista Ilya Yashin foi levado a uma delegacia nos arredores de Moscou. Kira Yarmysh, porta-voz do líder opositor Alexei Navalny, e Ruslan Shaveddinov, ativista de uma organização de Navalny contra a corrupção, foram levados para serem interrogados.
 
O próprio Navalny foi detido na quarta-feira, 24 de julho, e cumpre uma sentença de 30 dias de prisão por ter feito apelos à população para participar da manifestação deste sábado.
 
Na sexta-feira, a polícia de Moscou afirmou que recorrerá a "todos os meios necessários para garantir a segurança dos cidadãos, prevenir e impedir a alteração do ordem pública".
 
A Câmara Municipal de Moscou, com 45 assentos e responsável pelo alto orçamento da cidade, é atualmente controlada pelo partido pró-Kremlin Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin. O pleito de 8 de setembro vai eleger ocupantes para todas as cadeiras, com mandatos de cinco anos.
 
Deutsche Welle | EK/afp/ap/efe
 
 

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/policia-prende-centenas-em-protesto-por.html

Ucrânia detém petroleiro russo

Iates de participantes da regata no estreito de Kerch, entre a península da Crimeia e a Rússia continental
© Sputnik / Aleksei Malgavko

Nesta quinta-feira (25) Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) deteve o petroleiro russo Neyma "por bloquear navios ucranianos no estreito de Kerch", informou o serviço de imprensa do ministério.

O navio foi detido no porto ucraniano de Izmail, localizado na região de Odessa. Agentes do SBU, procuradores militares e guardas fronteiriços realizaram uma busca ao navio, sancionada por um tribunal ucraniano, e apreenderam documentos, registros de comunicações e diários de bordo.

Eles também interrogaram a tripulação. O próprio navio foi considerado como prova material e está sendo preparado o pedido para a detenção dele.

Foi afirmado que o navio entrou no porto com o nome de NIKA SPIRIT. Os suspeitos no processo são 15 altos funcionários militares russos, incluindo um contra-almirante, dois vice-almirantes e um coronel-general.

Segundo informou à Sputnik uma fonte no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Moscou está informada da detenção do petroleiro e espera que as autoridades ucranianas esclareçam suas acusações concretas.

Tensões na região do estreito de Kerch

Deve ser destacado que a região do estreito de Kerch continua sendo um local de tensões russo-ucranianas.

Em novembro passado, três navios militares ucranianos violaram a fronteira russa realizando manobras perigosas durante horas e sem responder às legítimas exigências das autoridades russas.

Os guardas de fronteira da Rússia detiveram os perpetradores. Havia 24 militares a bordo dos navios, incluindo dois oficiais do SBU. O tribunal determinou sua prisão e os acusou de terem violado a fronteira.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019072514273401-ucrania-detem-petroleiro-russo-estreito-de-kerch/

Putin: Rússia quer retomar relações plenas com UE

Presidente russo Vladimir Putin durante reunião do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo 2019 (SPIEF 2019), em 7 de junho de 2019
© Sputnik / Grigory Sysoev

O presidente russo, Vladimir Putin, que visita a Itália nesta quinta-feira para encontro com autoridades, disse à imprensa local que o seu país deseja retomar relações completas com a União Europeia.

Em entrevista ao Corriere della Sera, o chefe de Estado da Rússia afirmou que os recentes boatos sobre uma suposta interferência russa em eleições na Europa teriam como objetivo continuar demonizando Moscou no continente. Segundo ele, o seu país está pronto para trabalhar com as forças eleitas pela população europeia a fim de manter a segurança e a estabilidade no território europeu. 

"Eu gostaria de deixar isso bem claro. Nós não nos intrometemos e não planejamos nos intrometer em assuntos internos de nenhum dos países da União Europeia nem de outros Estados do mundo. Essa é a nossa principal diferença em relação aos Estados Unidos e a alguns de seus aliados, que, por exemplo, apoiaram o golpe na Ucrânia em fevereiro de 2014", disse ele.

No que diz respeito à Europa Oriental, Putin declarou que o Kremlin se dispõe a estabelecer um diálogo construtivo com a Ucrânia se seu novo presidente, Vladimir Zelensky, fizer jus às promessas de campanha. 

​"Sim, é possível se Zelensky começar a cumprir suas promessas de campanha", disse quando perguntado se a vitória de Zelensky permitiu um degelo nas relações entre Moscou e Kiev, abrindo caminho para a resolução do conflito em Donbass e para o estabelecimento de um diálogo construtivo entre Rússia e Ucrânia. O líder russo lembrou que, durante o período de campanha eleitoral, Zelensky prometeu "estabelecer contatos diretos com seus compatriotas em Donbass e parar de chamá-los de separatistas".

Além das relações Europa-Rússia, o presidente russo também comentou os recentes desenvolvimentos do novo tratado START. De acordo com Putin, Moscou não vê nenhuma disposição de Washington para discutir a possível extensão do tratado de controle de armas, enquanto as perspectivas de cooperação EUA-Rússia na esfera das armas estratégicas permanecem incertas. No entanto, ele garantiu que Moscou tem vontade política para chegar a um acordo com os Estados Unidos na área de redução de armas, acrescentando que "a bola está agora na quadra dos EUA". 

Vladimir Putin visitará a Itália nesta quinta-feira para conversar com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, o presidente Sergio Mattarella e o papa Francisco sobre uma ampla gama de questões. De acordo com o assessor do Kremlin Yury Ushakov, a agenda do líder russo incluirá temas como cooperação Rússia-UE, programa nuclear iraniano, situação na Síria, Líbia e Ucrânia, além de assuntos relacionados a questões bilaterais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019070314160244-putin-russia-quer-retomar-relacoes-plenas-com-ue/

Rússia e China teriam acordado pagamentos em rublo e yuan ao invés de dólar

Rublo e yuan
© Sputnik / Aleksandr Demyanchuk

O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, e o governador do Banco Popular Chinês, Yi Gang, assinaram no dia 5 de junho um acordo intergovernamental para utilização de rublo e yuan em pagamentos mútuos.

A informação foi publicada pelo jornal Izvestiya nesta sexta-feira (28), citando uma carta do Ministério das Finanças da Rússia. Segundo o jornal, a informação sobre o acordo está em uma carta do vice-ministro das Finanças, Sergei Storchak, para o presidente do Comitê de Mercado Financeiro da Câmara Baixa do parlamento russo, Anatoly Aksakov.

A carta foi uma resposta à solicitação de Aksakov sobre a intensificação do ministério em acordos com parceiros econômicos quanto ao uso das moedas nacionais em transações, para "fortalecimento da segurança econômica do país". A carta também observa que novos mecanismos para pagamentos em moedas nacionais entre a Rússia e as empresas chinesas já estavam em desenvolvimento.

Sistemas de pagamento

Aksakov, por sua vez, disse ao jornal que uma das opções poderia ser criar análogos russo e chinês do sistema de pagamentos SWIFT. Um aumento nos pagamentos em moedas nacionais, no entanto, também exigiria a criação de um mercado de instrumentos financeiros de rublo e yuan, sublinhou o legislador sênior.

Isso, de acordo com Aksakov, permitiria que as duas nações cubram os riscos de flutuações da taxa de câmbio no comércio bilateral. Como resultado, a parcela de pagamentos de rublo com a China pode aumentar dos atuais 10% para 50% nos próximos anos, estima o legislador.

Três fontes próximas ao Banco Central da Rússia, por sua vez, disseram ao jornal que o banco russo VTB e o Banco Comercial da China estariam autorizados a pagar com moedas nacionais.

Posição de Moscou

Moscou tem estimulado parceiros comerciais em várias ocasiões a abandonarem as transações em dólares, tendo em conta que os EUA usam a moeda para pressionar outros países visando alinhamento da agenda com Washington.

Em 2018, a Rússia se livrou de grande parte dos títulos da dívida pública dos EUA em meio a uma das ondas de sanções, concentrando-se na compra de ouro. Nos últimos anos, Moscou tem promovido ativamente a ideia de pagar usando moedas nacionais com parceiros estrangeiros.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019062814130614-russia-china-teriam-acordado-pagamentos-rublo-yuan-inves-dolar/

China confirma encontro trilateral de Xi, Putin e Modi durante cúpula do G20

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, presidente de China, Xi jinping, e primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi
© REUTERS / Mark Schiefelbein

A próxima cúpula do Grupo dos 20 será realizada na cidade de Osaka, no Japão, nos dias 28 e 29 de junho, em meio às tensões no Oriente Médio.

O presidente chinês, Xi Jinping, se reunirá em formato trilateral com seu colega russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante a próxima cúpula do G20 em Osaka, informou o vice-ministro chinês de Relações Exteriores, Zhang Jun.

"O presidente Xi Jinping, durante a cúpula do G20, vai participar de uma reunião dos líderes no formato trilateral Rússia-Índia-China", disse o diplomata durante uma entrevista coletiva.

Zhang Jun não especificou a data da reunião. Por outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang, informou que o líder chinês permanecerá no Japão entre os dias 27 e 29 de junho.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também estará presente durante a reunião do G20 e, mais cedo, afirmou pretender realizar uma série de reuniões bilaterais. Segundo o político, ele e o presidente da Argentina, Mauricio Macri, tentarão realizar uma reunião conjunta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2019062414107495-xi-jinping-putin-modi-g20/

A estratégia dos EUA para a "mudança de regime" na Rússia

por Ollie Richardson

Numa admissão muito oportuna considerando o tema do meu último artigo – as relações internacionais do século XXI e a tomada de decisões –, o chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, Sergey Naryshkin, apontou para um método de baixo risco de guerra "híbrida" e mencionou um exemplo específico em que ele está a ser implementado. A RT informou o seguinte em 18 de Junho (ênfase minha):

"Os serviços secretos ocidentais estão a aperfeiçoar ferramentas clandestinas que são concebidas para enfraquecer países tal como os vírus enfraquecem corpos", disse o chefe da inteligência russa. Esta espécie de guerra é utilizada actualmente na Venezuela.

A crítica proveio de Sergey Naryshkin, que dirige a agência de inteligência estrangeira da Rússia, SVR. Ele afirmou que espiões estão constantemente a melhorar a ferramenta usada para desfazer-se de governos que o Ocidente não gosta.

"Estamos a falar acerca da criação de um algoritmo universal para conduzir operações de influência clandestina de maneira contínua e em escala global ", disse ele. Segundo o funcionário, esse trabalho clandestino "nunca pára e tem como alvo não apenas inimigos, mas também amigos e poderes neutros nos tempos de paz, de crise e de guerra".

'Isto pode ser comparado à acção de um vírus; podem passar décadas a destruir um organismo humano sem sintomas e, uma vez diagnosticado, muitas vezes é demasiado tarde para tratá-lo.

Os métodos utilizados para influenciar e desestabilizar outras nações incluem a criação de estruturas orientadas em rede que podem operar sob uma premissa de activismo público, arte, ciência, religião ou extremismo, disse o responsável russo. Depois de colectar dados sobre as linhas de fracturação numa sociedade-alvo, estas estruturas são utilizadas para atacar aqueles pontos fracos num ataque sincronizado, esmagando a capacidade do país para responder às crises.

Simultaneamente, os perpetradores propalam uma narrativa através dos media locais e globais e das redes sociais afirmando que a única maneira de resolver problemas é substituir o governo da nação vítima por um outro, possivelmente com um apoio externo directo.

"Podemos observar este cenário a ser implementado na Venezuela ", disse Naryshkin.

Os EUA estão actualmente a tentar substituir o presidente eleito da Venezuela, Nicolas Maduro, por outra pessoa, Juan Guaido, ao qual Washington reconheceu como o chefe legítimo da nação sul-americana.

Entre outros, os EUA respaldam a sua proposta com sanções económicas contra a Venezuela e uma maciça campanha diplomática e mediática em apoio ao pretendente. As tentativas de Guaido de realmente tomar o poder em Caracas têm sido fúteis até agora.

O chefe da inteligência russa falava num fórum de segurança internacional em Ufa, na Rússia, que é hospedado pelo Conselho Nacional de Segurança da Rússia. O evento é destinado a funcionários directamente envolvidos na elaboração de políticas sobre questões de segurança. Quase 120 nações participam do encontro deste ano. "

Começarei por dizer que Naryshkin poderia revelar muito mais se quisesse, mas por razões óbvias limita-se a apresentar uma tese abstracta – que a RT "por coincidência" retransmitiu – como uma espécie de sinal para as agências de inteligência ocidentais de que o espaço de manobra da Rússia no âmbito da informação não se limita apenas a publicar "notícias".

De modo superficial, pode parecer que ele está apenas a descrever um golpe de estado banal, em que um Estado interfere nos assuntos internos de outro Estado com o objectivo de derrubar o governo e levar ao poder um círculo político mais amistoso. Se alguém preferir tópicos simplistas e digeríveis, então pode parar de ler aqui – nada de novo sob o sol!

No entanto, aquilo a que o chefe do Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia está a aludir é uma matéria muito mais complexa e densa. Como a história tem mostrado, o golpe de Estado tradicional, semelhante aos que têm sido vistos na região do MENA [Médio Oriente e Norte de África] e na América do Sul durante décadas, não é o mesmo que o golpe de estado que se desenrolou, por exemplo, na Ucrânia em 2014. Por que?

O precursor da "revolução colorida"

A principal razão é porque o Ocidente tem trabalhado durante décadas na ocupação de terras e matérias-primas dos países do MENA. Se estes países podem ser considerados tribalistas em termos de estrutura e objectivos, então à primeira vista a Europa pós-Segunda Guerra Mundial é muito mais "desenvolvida" e "civilizada". Pus estas palavras entre aspas porque são as frases genéricas que organizações como a ONU utilizam quando descrevem o que os países do MENA deveriam aspirar para se tornarem "mais democráticos" e "progressistas" a fim de "combaterem a pobreza" e tornarem-se "prósperos". Por outras palavras, os países do MENA em geral não são tão tecnologicamente avançados quanto estados-nação modernos com "democracias" liberais. Isso não é um insulto aos MENA; é simplesmente um fato observável com base nas consequências da colonização. Portanto, o esquema para conquistar o território MENA é mais directo do que seria para conquistar, por exemplo, a Europa Oriental. Há um líder, há um pequeno círculo de elites ricas, há um exército (lealistas armados) e há agricultores / trabalhadores manuais. Os colonizadores anglo-saxônicos conseguiram conquistar as terras muito antes de as nações vítima poderem subir a escada da investigação científica e, assim, obterem formas cada vez mais eficazes de se defenderem.

No caso dos índios nativos, os ingleses já possuíam armas básicas, assim, os arcos e flechas dos primeiros eram inferiores. No caso da África, notórios colonizadores (que incluem os britânicos) chegaram com as mesmas armas e enfrentaram apenas lanças e outras armas relativamente primitivas. Por isso quase todo o continente africano foi tão facilmente subjugado. A diferença entre a colonização em geral e um golpe de Estado pode ser vista mais visivelmente depois de a CIA ser formada: derrubar um "ditador" torna-se tão simples quanto literalmente comprar o exército (tal como o Reino Unido foi pioneiro no uso de piratas), o que permite ao Ocidente capitalista que cuide dos negócios e utilize seus recursos de media para descrever outro projecto "democrático", "pacífico" e "bem-sucedido". Logo que um líder consegue chegar ao poder e tem como objectivo desafiar esta subjugação (Gaddafi é o exemplo mais recente no MENA, mas também há Patrice Lumumba e Thomas Sankara), eles experimentam o mesmo problema – são simplesmente dominados pelo colonizador tecnologicamente mais avançado.

Quando se trata de golpes de Estado no espaço pós-soviético, o jogo é diferente. Durante mais de 60 anos a URSS conseguiu repelir a influência dos "livres" (capitalistas) anglo-saxões – graças a um foco na investigação científica e portanto nas tecnologias nucleares – e criar uma União fortemente coesa baseada numa história e cultura comuns. No Ocidente, os governos disseram aos seus cidadãos que "daquele lado da cortina eles são 'totalitários'", enquanto que, na realidade, a América & Companhia lutavam para influenciar a sociedade soviética e não queria que seus próprios cidadãos vissem que no sistema soviético de governação todos tinham alguma coisa, ao invés de apenas algumas pessoas terem tudo (capitalismo). Por outras palavras, a URSS foi capaz de se defender contra o método do golpe de Estado tradicional.

Devido ao facto de que a URSS era um território desenvolvido e tinha estruturas políticas muito mais complexas do que as de um país africano médio, não era tão simples como enviar Thomas Lawrence ou Sidney Reilly e ludibriar chefões locais para assinarem acordos em que essencialmente renunciam a direitos de propriedade de matérias-primas. E também é importante ter em mente que as agências de inteligência soviéticas combatiam a CIA muito antes de 1991 . A mudança dos tempos simplesmente obrigou o Ocidente a actualizar o manual de golpes de estado antes que o país-alvo progredisse ao longo da linha de desenvolvimento científico e estabelecesse um mecanismo de defesa que tecnologicamente está 20 anos à frente das ferramentas subversivas dos EUA.

Não sendo fisicamente capaz de intimidar a URSS o suficiente para que se submetesse à sua vontade, uma vez que esta tinha armas nucleares, o Tio Sam percebeu que era muito mais sábio e seguro explodi-la a partir de dentro. Neste artigo não quero desviar demasiado do tópico central, portanto não apresentarei uma massa de pormenores sobre como os Estados Unidos conseguiram penetrar a URSS e injectar suas ideias liberais por toda a sociedade, mas um bom exemplo rápido que posso dar é o do envio de roupas / moda americanas para portos soviéticos, como Odessa. Hoje isso pode ser chamado de "soft power", mas na época em causa tais coisas serviam para convencer pessoas de que o individualismo poderia proporcionar uma vida mais frutífera do que o colectivismo.

O golpe de estado de 2014 na Ucrânia utilizou um plano actualizado baseado no modelo usado para desmantelar a União Soviética (e desencadear a crise constitucional de 1993). Quando a URSS entrou em colapso em 1991, a Ucrânia encontrou-se na posição de ser a herdeira mais rica do legado soviético: sua infraestrutura, medicina, educação, forças armadas, etc. eram as melhores da região. As coisas começaram a complicar-se por volta de 2004, quando a interferência da América começou a atingir novos patamares na época do "multi-vectorial" Kuchma , mas a Ucrânia de 2014 sob Yanukovych a flutuava e nadava confortavelmente. Numa tentativa de derrubar Putin antes de a Rússia se aproximar ainda mais da China, se fortalecesse e formasse a espinha dorsal do emergente bloco euro-asiático, os EUA planeiam romper o equilíbrio na Ucrânia e violentamente arrancá-la para longe da nação russa. Mas o problema para a América era "como fazer com que esse processo parecesse orgânico? Afinal de contas, simplesmente invadir a Ucrânia com o Exército dos EUA resultaria na liquidação dos próprios Estados Unidos da América".

Não vou gastar o precioso espaço deste artigo contando o que aconteceu em 2013/2014 na Ucrânia, pois já criei um ficheiro dedicado a ele, mas creio que o vídeo abaixo – John Tefft em 2013 a preparar o terreno em Donetsk para o que estava prestes a acontecer – encapsula muito bem a essência: ONGs dos EUA fizeram uma lavagem cerebral na sociedade para flertar com o liberalismo e sua nociva "democracia", semelhante àquele vírus de que falou Sergey Naryshkin ; são constituídas formações militantes locais na Galícia (principal exemplo: "Setor Direita") e capturam edifícios administrativos na Ucrânia Ocidental, antes de finalmente serem transportados a Kiev para a "revolução" de Fevereiro.

 

"Revolução colorida 2.0"

O que realmente quero focar é o modelo de golpe de Estado que está sendo implantado pela America & Companhia em 2019. Até agora, podemos dizer que existem 3 versões da tecnologia do golpe de Estado (estou a ser deliberadamente simplista e utilizo nomes e descrições provisórias, pois ainda estou a investigar esse tópico):

1. Golpe de Estado tradicional – um golpe simples e esmagador, eficaz contra o chamado "terceiro mundo" (exemplos: Laos, Guatemala, Zaire);
2. "Revolução colorida" – sequestrar temporariamente a "sociedade civil", eficaz contra estados mais tecnologicamente refinados, mas não superpotências (exemplos: Egipto, Síria, Ucrânia "independente");
3. Sondagem algorítmica (pode ser considerada como "revolução colorida 2.0") – tomada do controle sobre a nação desde o início, eficaz contra aliados de superpotências nucleares pós-2015, quando os Acordos de Minsk foram assinados e os jactos russos aterraram na base aérea de Hmeymim na Síria (exemplos: Venezuela, Hong Kong, Rússia, Sérvia).

Antes de começar a elaborar a versão nº 3, respeitante à guerra pós-síria (enfatizo que a Rússia terminou a guerra em 2015 – tudo o que aconteceu depois disso está logo atrás da cortina de negociações referente aos próximos 50 ou mais anos de ordem mundial), é necessário apresentar algumas das razões pelas quais a versão nº 2 já não funciona:

  • Campanhas de hashtags (palavras-chave) nos media sociais como aquelas vistas durante a "revolução" da Irmandade Muçulmana no Egipto não têm mais o mesmo efeito devido à mobilização exponencialmente crescente de utilizadores de media sociais anti-golpe ("pró-Rússia" / "pró-Assad" / "pró-Maduro" / "Pro-Nasrallah");
  • Tornou-se muito difícil manter a estética da operação limpa de modo sistemático – os "Capacetes Brancos" podem fazer algo que desacredite sua alegada autenticidade; o porta-voz da Rada [parlamento ucraniano] pode afirmar que "Hitler era um grande líder"; uma figura sénior do Qatar pode admitir ao vivo na TV que o Qatar financiou grupos militantes para remover Assad; Bana pode acabar com um tweet; um vídeo pode aparecer mostrando um líder "FSA" a ler um roteiro em frente a um produtor americano, etc;
  • A popularidade dos media de referência está a tornar-se cada vez menor (para não mencionar o efeito da campanha de RP de "fake news" de Trump) e a popularidade tanto dos media estatais não-ocidentais (RT, Sputnik, Press TV, Telesur, etc) quanto dos media independente (ou aparentemente independentes) está a crescer exponencialmente;
  • Os sítios web e os aplicativos de media social alternativos tornaram-se populares entre os falantes de inglês (VKontakte, Telegram, Instagram, Gab, Snapchat, etc);
  • A Eurásia foi capaz de estudar o comportamento passado tanto dos media tradicionais quanto dos utilizadores de media social do Ocidente, o que permitiu refinar os recursos que tinham e até mesmo criar novos e especializados;
  • A existência de jornalistas independentes e anti-golpistas que estão preparados para viajar entre diferentes teatros (por exemplo, Síria e Venezuela) e revelar o padrão dos métodos de "mudança de regime" do Ocidente.
  • O enfraquecimento do efeito de difamação de expressões como "anti-semitismo" devido ao efeito da acumulação de informações acerca dos crimes israelenses em Gaza e na Cisjordânia;
  • O fortalecimento geral da Eurásia e o declínio do Ocidente liberal (e as oportunidades que ele tem de violar o direito internacional em consequência) fazem com que os cidadãos da primeira não tenham razão para acreditar que este último seja o paraíso que pretende ser;
  • etc.

Por outras palavras, a realidade geopolítica que temos hoje não é a mesma que víamos antes do envolvimento da Rússia na Síria – o tabuleiro de xadrez com apostas mais elevadas no grande jogo. Lições foram aprendidas com o passado e decorreu tempo suficiente para mudanças serem calculadas e implementadas. Hoje, as superpotências são obrigadas a investir exponencialmente mais recursos em tecnologias (daí a razão pela qual a Rússia quer investir fortemente no sector da IA), uma vez que entender as tecnologias do inimigo é a diferença entre elas terem ou não êxito em penetrarem a sociedade. E não é uma coincidência que Naryshkin comece a utilizar termos como "vírus". Mas o que ele realmente quer dizer? Quais são as diferenças de concepção entre uma "revolução colorida" regular e o que hoje estamos a ver, por exemplo, na Venezuela?

Em primeiro lugar, uma "revolução colorida" é concebida para sequestrar a "sociedade civil" durante um período de vários meses (menos de 6), obter o apoio das elites e tem como objectivo colocar o líder alvo diante de duas más escolhas – uma armadilha: se sufocar protestos isso significa ser retratado pelas ONGs do Ocidente como um "ditador" e assim o Ocidente não corre o risco de receber um golpe de informação na sua retaguarda (se a sociedade ocidental não concordar com algo que o governo está a fazer, um o adversário pode explorar o facto e perturbar a situação socio-econômica de um ou muitos países ocidentais); se não reprimir os protestos isso significa simplesmente entregar o poder. Isto explica o que aconteceu a Viktor Yanukovich – ele não deu ordens à Berkut [polícia ucraniana] para dispersar Maidan por receio de ficar permanentemente estigmatizado nos media ocidentais, assim Joe Biden e seu bando de golpistas, depois de um bocado de teatro de franco-atiradores a fim de manter vivos os protestos, tomou a Rada. Perda-perda. Neste cenário, a Rússia não podia fazer nada uma vez que a) os ucranianos e suas elites são em última análise culpados pelo flerte com o Ocidente, e b) Yanukovych optou pela opção passiva e assim a única coisa que Moscovo podia fazer era rapidamente prever as consequências e andar vários passos à frente dos EUA (daí os supercomputadores que sabiam acerca da guerra na Jugoslávia). O resultado? Os Acordos de Minsk e a condução do projeto "anti-Rússia" dos EUA a um beco sem saída.

Em segundo lugar, uma "revolução colorida" sequestra o descontentamento social momentâneo em relação a um assunto em particular, incha-o e a seguir descarrega-o de uma maneira muito focalizada. O descontentamento precisa ser alimentado financeiramente e, portanto, pode-se deixar extingui-lo se os planos mudarem. Deveria ser notado que a sociedade-alvo já deve mostrar sinais de fragmentação: o trabalho para gradualmente arrancar a Ucrânia do seio da Rússia (desde o colapso da URSS) estava em andamento há décadas e ao longo do tempo Kiev sucumbiu ao veneno bandeirista do ocidente. Assim, o golpe de 2014 simplesmente trouxe à superfície o que estivera a fermentar por baixo desde os tempos da batalha do NKVD com a OUN-UPA . O caso sírio é muito parecido – o wahhabismo esteve a mordiscar o Levante durante décadas . É claro que os laços entre Hafez / Bashar al-Assad e a Rússia/URSS existem há mais de 30 anos, mas não se pode dizer que os dois países tiveram um relacionamento mais baseado no pragmatismo.

Em terceiro lugar, uma "revolução colorida" envolve a criação de um holograma informacional que proverbialmente flutua acima do território alvo, criando uma linha do tempo paralela (exemplo: a bandeira verde / negra / branca do mandato francês como a bandeira síria actual, e o Comité Superior de Negociações como o real governo da Síria reconhecido pela ONU – ambos são fraudes, naturalmente, mas permitiram que membros da NATO bombardeassem a Síria sem qualquer indignação da opinião pública ocidental), mas começa a desvanecer-se tão logo o equilíbrio de forças no terreno da guerra inclina-se a favor do alvo (nem mesmo a máquina mediática dos EUA pode vender a narrativa de que o Leste de Aleppo ainda não foi recapturado por Assad).

Em quarto lugar, uma "revolução colorida" não visa reprogramar todas as camadas da sociedade não-elitista em todas as regiões do país – ela tem como o objectivo apenas introduzir ideias liberais e manter o apoio tanto daqueles que já sofreram lavagem cerebral quanto daqueles que sucumbem a inculcação. Aqueles que eram anti-liberais antes permanecerão anti-liberais após o golpe e, portanto, representam uma ameaça para o regime fantoche. A Ucrânia é um excelente exemplo disto, pois a profundidade da linha de divisão histórica entre a Novorossiya e a Galicia pôde ser superada com alguns cookies e US$5 mil milhões em dinheiro de ONGs.

A versão nº 3 do golpe de Estado, à qual neste artigo refiro-me como "sondagem algorítmica", é portanto concebida para: verificar-se durante um período de tempo mais longo; ser alimentada a expensas do governo alvo e ligar várias fontes de descontentamento social; ser capaz de funcionar em condições em que não há uma guerra existente no terreno e a probabilidade de haver alguma no futuro é baixa; reprogramar a consciência nacional e ligar todas as camadas da sociedade tão geograficamente distantes e tão vastas quanto possível; dar passos em direcção ao sucesso, mesmo que as elites permaneçam fiéis ao líder alvo.

Em situações em que o aparelho de segurança do alvo é o mesmo, se não melhor, do que o do beligerante; onde o nível médio de confiança da sociedade no líder é o mesmo, se não superior ao do beligerante; e onde as capacidades de defesa do alvo combinam, se não dominam, as capacidades ofensivas do beligerante; torna-se demasiado arriscado para o beligerante tentar o esquema da "revolução colorida", uma vez que um fracasso pode comprometer quaisquer tentativas de golpe de estado – o líder do golpe pode ser detido e pode abrir a boca e dizer quem lhe deu ordens e o que eram elas, bem como qualquer informação valiosa de inteligência. O fracassado golpe na Turquia em 2016 foi o sinal de alerta para Washington de que a tecnologia habitual da "revolução colorida" não funcionaria no espaço euro-asiático "multipolar" (pista: a Turquia recebeu informações de aliados que frustraram o golpe).

Na Venezuela, os EUA estão a rever sua tecnologia de golpe de estado em tempo real. Há sinais da tecnologia da "revolução colorida": um líder da oposição fantoche que apela a protestos de rua; a expressão "o regime de Maduro"; a imposição de sanções para dar a ilusão de que o governo venezuelano está a esfaimar o seu próprio povo; até mesmo declarações como "todas as opções estão na mesa", o que é uma maneira amistosa de RP de dizer que não há opções. Há também alguns débeis sinais de "sondagem algorítmica": a transferência de activos nos Estados Unidos pertencentes ao Estado venezuelano para as mãos de Juan Guaido; o arrastamento do golpe de estado (ele está em curso há muito mais de 6 meses); não haver guerra civil no país e é improvável que haja alguma no futuro próximo, apesar da presença de ONGs dos EUA no país.

Contudo, a tentativa inicial de "revolução colorida" fracassou porque a Rússia e a China – superpotências nucleares – ajudaram Caracas a resistir à tempestade e a manter unida a sociedade. Posteriormente, a companhia petrolífera estatal venezuelana, PDVSA, transferiu seus activos para Moscovo, a Rússia enviou bem educados homens com fardas verdes para acalmar os EUA, tanto Moscovo como a China enviaram ajuda humanitária para o povo sancionado do país, e Juan Guaido foi exposto tanto que até seu namorado rico Richard Branson foi obrigado a deitá-lo abaixo:

 

A Virgin demarca-se da corrup

Mas neste exemplo, tal como em relação à guerra síria, a Rússia não precisa fazer muito trabalho informativo para justificar seu envolvimento, simplesmente porque os laços entre Caracas e Moscovo já existiam antes de o tandem Bolton-Pompeo chegar ao poder. Além disso. de qualquer modo a Rússia estaria a actuar dentro do direito internacional. Ou seja, a porta foi batida na cara da CIA e, para reabri-la, a única opção da América é ou remover as armas nucleares da Rússia (e, para isso, o S-400 deve ser removido da equação) ou reformular a sociedade venezuelana no nível das bases.

A versão de golpe de Estado "revolução colorida" ainda funciona menos na Rússia de Putin. Ele conseguiu construir um sistema que não deixa buracos para os ratos da CIA (por exemplo, sucessores de Gorbachev, Yeltsin ou outros notórios sabotadores liberais). Alguns podem chamar isto de "autoritário"; outros podem chamá-lo de resistente a golpe de estado.

O assassinato de Boris Nemtsov orquestrado pela CIA serviu como um balão de ensaio, para saber se o esquema ucraniano pode ser repetido (morte [s] de tiroteios —> protestos e confrontos com a imposição da lei —> presidente alvo foge). O objectivo era reunir pessoas suficientes em Moscovo para uma "marcha em memória de Nemtsov" e replicar o que aconteceu na Praça da Independência em Kiev, mas desta vez do lado de fora do Kremlin (quão conveniente para fotógrafos propagandistas – ele foi morto na ponte junto ao Kremlin!).

 

Não houve pessoas suficientes e as agências de segurança conseguiram bloquear o caminho para o Kremlin. O senador russo Evgeny Federov fez um trabalho fantástico ao explicar isso com mais pormenores:

 

O experimento seguinte foi a carta Navalny no período que antecedeu a eleição presidencial de 2018. Recomendo aprofundar o estudo do material encontrado aqui para mais pormenores acerca disso. Em resumo, a CIA tentou utilizar a imagem de crianças a serem presas pela [polícia] OMON durante protestos não sancionados a fim de abalar a sociedade russa. O resultado? Putin tornou a manifestação ilegal e, é claro, os propagandistas ocidentais puseram-se a berrar "repressão". Putin ganhou a eleição de qualquer modo, na presença de observadores internacionais também.

Avançando rapidamente para a mais recente provocação (no momento em que escrevo) – o caso de Ivan Golunov, que trabalha para a agência propagandista liberal Meduza – vemos coisas familiares: um quinto-coluna é utilizado como um aríete concebido para abalar a sociedade e remover o mau "ditador". Uma marcha não sancionada de "Golunov é um herói" ocorreu no dia 12 de Junho e a análise da filmagem mostra que não ela nada a ver com jornalismo e tudo sobre colocar Putin sob uma luz desfavorável. A multidão chega a cantar "Rússia sem Putin" e um palhaço contratado deu à mensagem um aspecto visual.
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Evgeny Federov observou que o clube de Golunov recusou a oferta do governo de realizar uma manifestação sancionada em 16 de junho, pois os EUA precisavam de imagens de "jornalistas e activistas inocentes" a serem detidos pelo "mau" OMON. A declaração de Federov na íntegra:

"Não há dúvida de que é uma tentativa de interferir. Tanto o Departamento de Estado dos EUA quanto Bruxelas fizeram declarações oficiais sobre este assunto. Eles incluíram suas forças e nós os conhecemos bem, muitos dos participantes da manifestação ilegal são bem conhecidos por nós. A partir das fotos nos furgões da polícia, você pode recordar que essas forças saíram repetidamente antes. Pessoalmente, eu os vi na Praça Pushkin, quando Navalny os levou ali.

Estas são forças estrangeiras óbvias, a quinta coluna no território da Rússia, eles se tornaram activos em 12 de Junho. Para eles, apenas precisavam de uma razão, mas a razão já desapareceu, Golunov foi libertado, mas eles pouco se importam. A equipe chegou, o dinheiro foi recebido e eles precisam dar-lhe- uso. As acções dos manifestantes estão ligadas ao sistema geral de sacudir a situação que é praticado no Ocidente, primariamente nos EUA. É suficiente ver como os eventos foram preparados na Ucrânia, na Geórgia, na Moldávia, como eles foram preparados em centenas de outros países através de intervenção estrangeira utilizando o método da tecnologia laranja.

Tudo acontece sempre da mesma maneira em toda parte. Primeiramente, uma vítima sagrada é seleccionada, então grupos comprovados que pouco se importam com a causa são utilizados. O principal para eles é que o desempenho seja contra a Rússia e em apoio de manipuladores estrangeiros. O mesmo esquema funciona na Rússia quanto à colecta de lixo e em Ekaterinburg . Não importa qual seja o motivo, o mais importante é continuar a abalar a situação. E enfatizo que os americanos conseguiram fazer isso muitas vezes. No segundo escalão, eles habitualmente envolvem separatistas e isto também está a ser preparado na Rússia. "

 

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Assim, em vez de realizar uma marcha sancionada no dia 16 de Junho, houve um evento de "apoio a Golunov".O comparecimento a este comício foi patético. Como diz Federov, Putin neutralizou a bomba de Golunov, libertando o "jornalista" e sacrificando alguns generais da polícia. É claro, os ataques da media social seguiram o mesmo roteiro que os protestos e prisões não autorizadas de Navalny (não se vê indignação contra a detenção de Kirill Vyshinsky, naturalmente):

Os media da quinta coluna russa em uníssono começaram a promover a campanha das ONGs "Eu/Nós Somos Golunov". Jornais do Reino Unido apresentaram a situação como Putin "recuando" e alegaram que "a imprensa independente é assediada, o que na realidade significa que o FSB não deixa a quinta coluna respirar. Houve também tentativas ( exemplo ) de estender o modelo Golunov a outras "prisões ilegais". E a cereja em cima do bolo é que o palhaço Navalny esteve presente na marcha não sancionada de Golunov:

Há, é claro, outros exemplos de agitação instigada pelos EUA na sociedade russa – variando de igrejas em Ekaterinburg às pensões de reforma – mas todos eles mostram os mesmos traços de uma "revolução colorida" e deparam-se com o mesmo problema: Putin está um passo à frente deles .

Para abreviar uma história longa, após a guerra da Síria a aplicação pela América de sua tecnologia da "revolução colorida" é inadequada quando se trata de derrubar líderes de superpotências nucleares ou líderes dos países seus aliados. Não é apenas a Eurásia que é alvo desses ataques – Trump também ataca a UE [ exemplo e exemplo ] – também os estados individuais qualificados, para utilizar a expressão de Naryshkin, como "potências amigas e neutrais em tempos de paz, crise e guerra". E considerando a actividade da Rússia e da China na África hoje, esta inadequação pode significar que os países do "terceiro mundo" que antes foram arrasados pelo método mais básico de capturar o poder estatal podem começar a escapar da rede de colonização e desfrutar a protecção oferecida pela "contraprova algorítmica" da Rússia. Afinal de contas, basicamente é isso que a Venezuela está a fazer e é a única razão pela qual Maduro, tal como Assad, ainda está no poder.

Por que utilizo a palavra "algorítmico"?

Se nos recordamos, no meu artigo anterior apresentei a ideia de que a tomada de decisões de política externa de superpotências nucleares está a ser assistida por supercomputadores, simplesmente porque o modo como nos comunicamos e enviamos/recebemos dados está a tornar-se exponencialmente mais rápido e o cérebro humano não é capaz de processar tais dados a essa velocidade. Devido a esta rapidez de comunicação, isso significa que um estado pode infringir a soberania de outro estado (tanto digitalmente como fisicamente), assestar um golpe e retirar-se para uma relativa segurança antes de o alvo ter tempo para responder adequadamente. Assim, a implantação do S-400 permitiu à Rússia estabelecer certas regras nas relações internacionais que: a) diminuíssem a pressão sobre as armas nucleares russas – a dissuasão de todas as dissuasões; e b) exercessem pressão sobre os EUA de tal forma que Washington actualmente – e provavelmente nos próximos 25 anos, pelo menos – não tem como contestar.

Então, entendemos a partir directamente da descrição acima que, como em qualquer sistema, pode haver latência/defasagem (latency/lag) quando se trata de responder. Mencionei no passado como a Rússia foi apanhada de surpresa com a primeira bandeira falsa dos "Capacetes Brancos" (Ghouta em 2013, a qual foi concebida para comprar tempo para os jihadistas), uma vez que foi utilizada uma tecnologia de media nunca foi vista antes. A segunda bandeira falsa – Khan Shaykhun – teve muito menos êxito pois a Rússia já havia posicionado seus jactos, foi capaz de aprender com a falsa bandeira anterior e portanto ajustou seu algoritmo (ver meu artigo anterior, especialmente a secção acerca da desinformação mediática com equações complexas) e desenvolveu uma campanha mediática contrária . A terceira bandeira falsa – Duma [parlamento] – foi mesmo mais do que um fracasso .

O objectivo do adversário é superar o rival no espaço da informação global através de uma media coordenada e campanha no terreno (cunhada por alguns como "guerra de quarta geração"). Os "Capacetes Brancos" têm de filmar a bandeira falsa e as agências têm de espalhar as imagens falsas em paralelo, coordenando-as com os tópicos diários gerais de tal modo que o consumidor sinta que o seu serviço de notícias regular "confiável" é o mesmo de sempre – porque a última coisa que um governo neoliberal quer é que os seus súbditos comecem a pensar gente do governo está a patrocinar a Al Qaeda. Por outras palavras, quanto maiores as apostas geopolíticas, mais tecnologicamente refinados são os métodos usados no espaço da informação.

Neste caso, não se trata apenas da velocidade de um ataque "híbrido", mas também da sua composição. Pode-se ter o algoritmo informacional "input—> processamento—> output" mais rápido, mas ele é inútil se não puder proporcionar ângulos de ataque múltiplos.

Aqui está um diagrama muito abstracto (apressado) que fiz só para ilustrar este ponto. O círculo negro representa um ponto designado no tempo, quando todos os recursos da media papagueiam em sincronia "Assad gaseou o seu próprio povo". O objectivo da América é coordenar o maior número possível de "informações de ataques químicos", fazendo com que pareçam "críveis". As setas vermelhas representam o contra-ataque da Rússia, que impedirá o círculo negro de crescer (o Ocidente de empregar mais recursos de media/ONGs para disseminar a desinformação) ou avançar (o Ocidente utilizar a mesma quantidade de recursos, mas relatando "actualizações" ao longo do tempo). Foi assim que a tentativa de executar uma quarta bandeira falsa foi negada – ver exemplos aqui , aqui , aqui e aqui . Como mencionei em outro artigo , esta mesma táctica preventiva foi muito usada no Donbass para travar a pressão agressiva exercida pelos EUA. É claro que o mapa não é o território, e o diagrama abaixo não representa literalmente como funciona o supercomputador do Ministério da Defesa russo.

 

Diagrama.

O leitor pode estar a pensar "Você disse que a Síria era exemplo de uma 'revolução colorida', não de 'sondagem algorítmica', então por que usá-la como exemplo?" A resposta é: a Síria não é uma superpotência nuclear e, portanto, a "tecnologia da revolução colorida (embora incrementalmente melhorada ao longo dos muitos anos da guerra) funcionou. No caso da Rússia, a tecnologia "revolução colorida" não funciona, ponto final. Por isso, a única opção dos EUA é tentar injectar este "vírus", como o chama Naryshkin. Assim, o objectivo da América é invadir o espaço de informação russo sem que as autoridades russas tenham tempo para repelir ataques. Quando encarado de uma perspectiva gestáltica, a América teria assim uma presença permanente no espaço de informação russo, uma vez que no momento em que a Rússia tapasse um buraco, outra pancada teria sido dada de outro ângulo.

Navalny, Golunov, o Centro de Yeltsin, RBK, Kommersant, Novaya Gazeta, Meduza, Roizman, Kasparov, Kasyanov, Gorbachev, Solzhenitsyn – a América certamente tem muitos recursos à sua disposição, mas todos eles sofrem do mesmo problema: eles são concebidos para fazer os povos ocidentais odiarem o mundo russo (duvido que os russos se importem com o que ratos como Jeremy Hunt pensam), mas eles não abalam perceptivelmente a situação interna na Rússia. E afinal de contas, são os próprios russos que determinam a legitimidade do governo russo, não Blogs do Joe em Coventry. Em consequência, a única esperança dos Estados Unidos quanto a paralisar o legado de Putin é criar uma identidade russa fantasma que possa desencadear uma guerra civil. Isto é tópico para um outro artigo, mas o leitor amigo da Rússia não deve começar a perder o sono de imediato, pois estou a falar acerca de processos que precisam de 10 a 20 anos antes de podermos começar a julgar se a tecnologia de golpe de Estado dos EUA adaptou-se ou não às necessidades da CIA.

Uma coisa é certa: na medida em que o Estado russo for viável e auto-suficiente, a inquietação social permanecerá para Washington apenas um sonho erótico, não uma realidade. E não está excluído que a situação socio-económica dentro dos Estados Unidos e/ou da UE ceda antes que qualquer algoritmo ianque começar a envenenar as raízes do Estado russo. Afinal, a América tem uma retaguarda, a Rússia também tem recursos de disseminação de informação e o S-400 não vai embora. E que espécie de tecnologia tem a China? Imagine se supercomputadores russos e chineses estiverem interconectados? Realmente não, porque eu não quero provocar dor de cabeça no leitor!

19/Junho/2019

A versão em inglês encontra-se em
thesaker.is/understanding-americas-regime-change-strategy-in-russia/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/russia/guerra_hibrida_19jun19.html

Putin compara os riscos climáticos aos nucleares

Num encontro com jornalistas à margem do recente Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, Vladimir Putin alertou para as ameaças – as já existentes e as que tendem a agravá-las - de uma confrontação nuclear global. Alertou para o contraste entre a projecção mediática atribuída às alterações climáticas e o quase absoluto silêncio sobre evoluções recentes, nomeadamente a conduta dos EUA que abre caminho a uma corrida armamentista sem quaisquer mecanismos de controlo possíveis.

Sergei Mikhailov: Temos sempre iniciado as nossas últimas reuniões concordando que o planeta atravessa um período de confronto extremamente perigoso: países em chamas, regiões inteiras em chamas, sanções e guerras comerciais, falsas informações – é esse o conteúdo de quase todos os fluxos de notícias de agências noticiosas globais. Falam de uma nova guerra fria. Cada país tem a certeza de quem é responsável por isso.
Porque devemos começar a nossa conversa em 2019 com a mesma pergunta: porque não se torna mais seguro o mundo? Para onde vai a nossa civilização? Vê luz ao fundo do túnel? Que podem fazer a esse respeito os países que são os principais actores do processo político? Esta é uma pergunta de carácter geral, senhor Presidente.
Vladimir Putin:
Se olharmos para as pinturas murais e os frescos em nosso redor, vemos que a guerra está em toda a parte. Infelizmente, tem sido este o caso desde há séculos. A história humana é cheia de histórias de conflito. É verdade que todos os conflitos eram seguidos por períodos de paz. Mas seria melhor evitar completamente os conflitos.
Depois da invenção e a criação de armas nucleares, a humanidade manteve um estado de paz mundial relativo durante quase 75 anos - relativo, evidentemente, com excepção dos conflitos regionais.
Lembremo-nos de Winston Churchill, que de início detestava a União Soviética, qualificou depois Stalin como grande revolucionário quando eles tiveram de combater o nazismo, e depois, quando os norte-americanos desenvolveram armas nucleares, praticamente apelou à destruição da União Soviética. Recordam-se do seu discurso de Fulton que desencadeou a Guerra Fria?
Mas assim que a União Soviética se dotou com armas nucleares, Churchill iniciou o conceito de coexistência dos dois sistemas. Não penso que ele fosse realmente um oportunista, mas tomava em conta a realidade. Aceitava a realidade. Era alguém inteligente e um homem político pragmático.
Pouco mudou desde então. Devemos ter em mente e entender efectivamente em que tipo de mundo vivemos e quais as ameaças e perigos que podem ameaçar-nos. Se não mantemos sob controlo esta “serpente ardente” (referência mitológica eslava), se deixarmos o génio do mal da lâmpada, Deus nos livre, isso poderia levar a uma catástrofe global.
Hoje, toda a gente fala das questões ambientais, e estão certos em fazê-lo, porque existem ameaças globais tais como a alteração climática, as emissões antropogénicas e assim por diante. Tudo isso é correcto. Mesmo as crianças, meninas e meninos em todo o mundo estão envolvidos contra esse perigo.
Mas não se dão conta, esses jovens, especialmente os adolescentes e as crianças, não estão conscientes da ameaça global e do sério desafio que representa a possibilidade de conflitos globais. Isso é algo sobre que os homens e mulheres adultos deveriam pensar mais.
No entanto, tenho a impressão de que essas questões se tornaram banais e foram deslocadas para segundo plano. Isso suscita legítimas preocupações.
Os nossos parceiros americanos retiraram-se do Tratado ABM (regulando os mísseis balísticos). Então, Senhoras e Senhores, gostaria de vos perguntar: algum de vós saiu à rua com cartazes para protestar contra este grave perigo?
Ninguém. Silêncio absoluto. Como se fosse algo de normal. Aliás, era o primeiro passo para uma desestabilização fundamental do quadro da segurança mundial e um passo muito importante nessa direção.
Hoje, ainda enfrentamos a supressão unilateral por parte dos nossos parceiros norte-americanos da sua adesão ao Tratado INF (Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio).
No primeiro caso, eles ao menos agiram honestamente e retiraram-se unilateralmente do tratado. No entanto, no segundo caso, aparentemente com total consciência do facto de que assumirão a responsabilidade, tentam fazê-la recair sobre a Rússia.
Ouçam-me: vós e os vossos leitores, o vosso público, deveriam abrir o Tratado INF e lê-lo. Os seus artigos estipulam claramente que os lançadores de mísseis de curto e médio alcance não podem ser instalados em terra. O tratado di-lo claramente. No entanto, eles foram em frente e implantaram-nos na Roménia e na Polónia, o que constitui uma violação directa.
Verifiquem quais são os parâmetros dos mísseis de curto e médio alcance, e depois comparem-nos com os dos drones. É a mesma coisa. Depois olhem para as especificações dos alvos para os antimísseis. São mísseis de curto e médio alcance.
Toda gente finge ser surda, cega ou disléxica. Devemos reagir a isso de uma forma outra, não é? Devemos claramente reagir. Começam imediatamente a procurar os culpados na Rússia. Claro, a ameaça é séria.
A renovação do tratado START-3 está na nossa agenda. No entanto, podemos optar por não o fazer. Os nossos sistemas mais recentes garantem a segurança da Rússia por um período futuro bastante longo. Porque fizemos avanços científicos espectaculares. E, devo dizê-lo francamente, ultrapassámos os nossos concorrentes em termos de criação de sistemas de armas hipersónicas. Se ninguém deseja renovar o tratado START-3, nós não o renovaremos. Dissemos já centenas de vezes que estamos prontos para o fazer, mas ninguém quer falar connosco sobre isso.
Façam o favor de registar que não existe um processo formal de negociação e que tudo expirará em 2021. Tenham bem consciência do que isto significa: deixará de haver instrumentos para limitar a corrida aos armamentos.
Nem mesmo, por exemplo, para instalar armas no espaço. Compreenderemos nós o que isso significa? Coloquem a questão aos especialistas. Isso significa que cada um de nós terá que viver todo o tempo, por exemplo, com uma arma nuclear em cima. Permanentemente! Mas as coisas seguem esse curso, e muito rapidamente. Será que alguém vai reflectir sobre isso, falar sobre isso ou mostrar alguma preocupação? Não, é o silêncio completo.
Podemos também considerar as armas nucleares tácticas, também ditas armas não estratégicas. E se um míssil estratégico de alcance global fosse lançado de um submarino situado a meio do oceano? Como saberemos se transporta uma carga nuclear ou não? Compreendem a que ponto isto é grave e perigoso?
E se o outro lado responder de imediato? Que vai acontecer? Estou profundamente convencido de que isto deveria ser objecto de um debate profissional aberto e absolutamente transparente, e que a comunidade internacional deveria estar envolvida neste processo tanto quanto é possível em casos deste tipo. Em qualquer caso, as pessoas têm o direito de saber o que se passa nesta área.
Para me repetir, nós estamos prontos para isso. Ainda uma vez, estamos confiantes na nossa segurança, mas o desmantelamento completo do conjunto do mecanismo de controlo das armas estratégicas e de não-proliferação suscita naturalmente preocupações.
Qual é a solução? É a cooperação, ponto final. A conversa mais recente que tive com o Presidente Trump, devo dizer, inspira um certo optimismo, porque Donald me disse que também ele estava preocupado com esta situação. Tem plena consciência do montante das despesas em armamento assumidas pelos Estados Unidos e outros países. Esse dinheiro poderia ser usado para outros fins. Concordo totalmente com ele.
O Secretário de Estado dos EUA veio aqui. Encontrámo-nos em Sochi e ele exprimiu-se no mesmo sentido. Se eles pensam realmente aquilo que dizem, deveríamos tomar medidas concretas para fazer um esforço comum.
Mais uma vez, hoje, as conversações entre os países dotados do potencial nuclear mais poderoso são o mais importante. No entanto, e numa nota pessoal, penso que todos os países dotados de armas nucleares deveriam estar envolvidos, sejam oficialmente reconhecidos como tal ou não.
Falar apenas com as potências nucleares oficialmente reconhecidas e deixar de lado os países não oficiais significa que eles continuarão a desenvolver armas nucleares. Em última análise, esse processo interromperá as discussões entre os estados nucleares oficiais. Devemos, portanto, criar uma vasta plataforma para discussão e tomada de decisões.
Nesse sentido, é claro, tal poderia ser a luz ao fundo do túnel.

Sergei Mikhailov: Obrigado, senhor Presidente.

Fontes: http://en.kremlin.ru/events/president/news/60675T; vídeo https://www.youtube.com/watch?v=LCeES8AGeD4[1]

https://www.legrandsoir.info/poutine-compare-les-risques-climatique-et-nucleaire.html[2]

Divulga o endereço[3] deste texto e o de odiario.info[4] entre os teus amigos e conhecidos

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Rússia-China: a Cimeira que não faz notícia

Manlio Dinucci*

O Fórum Económico Internacional, em São Petersburgo, mostrou a realização a grande velocidade da “Parceria da Eurásia Alargada”, mencionada pelo Presidente Putin no Fórum Valdai, em 2016, e anunciada pelo Ministro Lavrov na Assembleia Geral da ONU, em 2018. Agora incorporam-se os projectos chineses da "Rota da Seda" e russo da rede de comunicação da “União Económica Euroasiática”. Ao contrário das declarações oficiais, esta cimeira foi seguida por uma considerável delegação dos Estados Unidos.

A comunicação social mediática concentrou-se, em 5 de Junho, no Presidente Trump e nos dirigentes europeus da NATO que, no aniversário do Dia D, celebraram em Portsmouth “a paz, a liberdade e a democracia asseguradas na Europa”, comprometendo-se a “defendê-las quando ameaçadas”. Referência clara à Rússia.

Os grandes meios da comunicação mediática ignoraram ou relegaram para segundo plano, às vezes em tons sarcásticos, o encontro ocorrido no mesmo dia em Moscovo, entre os Presidentes da Rússia e da China. Vladimir Putin e Xi Jinping, quase no trigésimo encontro em seis anos, apresentaram conceitos não retóricos, mas uma série de factos. O intercâmbio entre os dois países, que ultrapassou 100 biliões de dólares no ano passado, aumentou cerca de 30 novos projectos de investimento chineses na Rússia, particularmente no sector energético, num total de 22 biliões. A Rússia tornou-se o maior exportador de petróleo da China e prepara-se também a sê-lo para o gás natural: em Dezembro entrará em função o grande gasoduto oriental, ao qual se juntará outro da Sibéria, mais duas grandes indústrias de exportação de gás natural liquefeito.

Assim, o plano USA para isolar a Rússia com sanções, também concretizadas pela UE, juntamente com o corte nas exportações russas de energia para a Europa, vai fracassar.

A cooperação russo-chinesa não se limita ao sector energético. Foram divulgados projectos conjuntos no sector aeroespacial e noutros sectores de alta tecnologia. Estão a ser incrementadas vias de comunição ferroviárias, rodoviárias, fluviais e marítimas entre os dois países. Existe um forte aumento também nos intercâmbios culturais e nos fluxos turísticos. Uma cooperação em todos os campos, cuja visão estratégica emerge de duas decisões anunciadas no final do encontro: a assinatura de um acordo intergovernamental para expandir o uso de moedas nacionais, o rublo e o yuan, nas transações comerciais e financeiras, como alternativa ao dólar ainda dominante; a intensificação dos esforços para integrar a Nova Rota da Seda, promovida pela China, e a União Económica Euroasiática, promovida pela Rússia, com “a visão de formar, no futuro, uma parceria euroasiática mais alargada”.

Que esta visão não é simplesmente um projecto económico, confirma-o a “Declaração Conjunta sobre o Fortalecimento da Estabilidade Estratégica Global”, assinada no final da reunião. A Rússia e a China têm “posições idênticas ou muito próximas”, de facto, contrárias às posições USA/NATO, relativas à Síria, Irão, Venezuela e Coreia do Norte.

Advertem que a retirada dos EUA do Tratado INF (a fim de instalar mísseis nucleares de alcance intermédio perto da Rússia e da China) pode acelerar a corrida armamentista e aumentar a possibilidade de um conflito nuclear. Denunciam a decisão dos EUA de não ratificar o Tratado de Proibição de Testes Nucleares e preparar o local para possíveis testes nucleares. Declaram “irresponsáveis” o facto de alguns Estados, ao mesmo tempo que aderem ao Tratado de Não Proliferação, concretizarem “missões nucleares conjuntas” e exigirem que “devolvam aos territórios nacionais todas as armas nucleares instaladas fora das fronteiras”. Um pedido que diz respeito directamente à Itália e outros países europeus onde, violando o Tratado de Não-Proliferação, os Estados Unidos enviaram armas nucleares que também podem ser usadas pelos países anfitriões sob comando USA: bombas nucleares B-61 que serão substituídas a partir de 2020 pelas bombas nucleares B61-12, ainda mais perigosas.

De tudo isto não falou a comunicação mediática de destaque que, em 5 de Junho, estava ocupada a descrever os trajes deslumbrantes da First Lady, Melania Trump, nas cerimónias do Dia D.

Manlio Dinucci* | Voltaire.net.org | Tradução Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte Il Manifesto (Itália)

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/russia-china-cimeira-que-nao-faz-noticia.html

Regimento Imortal desfila em Moscou celebrando memória dos heróis da 2ª Guerra Mundial (VÍDEO)

Participantes da marcha Regimento Imortal em Moscou, 9 de maio de 2018
© Sputnik / Maksim Blinov

Milhares de pessoas saíram às ruas em Moscou para participar da marcha do Regimento Imortal no Dia da Vitória, em homenagem ao 74º aniversário do triunfo sobre a Alemanha nazista em 1945.

A marcha visa eternizar a memória dos heróis da Grande Guerra pela Pátria (parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945 e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados). Os participantes da passeata caminharam pelo centro da capital, segurando cartazes e fotografias dos familiares que tomaram parte da guerra.

Pela primeira vez a marcha foi organizada na Rússia, em 2012. Posteriormente, a ação veio a ganhar popularidade por todo o mundo, com mais países se juntando a cada ano.

  • Foto oficial do Regimento Imortal em frente ao Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro
    Foto oficial do Regimento Imortal em frente ao Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro
    © Sputnik / Sergei Monin
  • Familiares de combatentes se concentram na marcha do Regimento Imortal, no Rio de Janeiro
    Familiares de combatentes se concentram na marcha do Regimento Imortal, no Rio de Janeiro
    © Sputnik / Sergei Monin
  • A cerimônia do Regimento Imortal no Rio
    A cerimônia do Regimento Imortal no Rio
    © Sputnik / Sergei Monin
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© Sputnik / Sergei Monin
Foto oficial do Regimento Imortal em frente ao Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro

No Brasil, as passeatas decorreram no Rio de Janeiro e em São Paulo no passado dia 5 de maio, domingo.

Pela primeira vez, a marcha do Regimento Imortal decorreu no Brasil em 2017, em São Paulo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019050913842801-regimento-imortal-moscou-segunda-guerra-mundial-dia-vitoria-video-fotos/

«Insaciável sede de justiça social.»

«Insaciável sede de justiça social.» O nível de aprovação de Estaline atingiu um recorde histórico.

Ou dizemos que os russos são completamente masoquistas ou refletimos sobre o nosso próprio olhar para com eles… e sobre a sua história, e, então dizemos que para as pessoas que conheceram o socialismo, o capitalismo é realmente insuportável. Façam a vossa escolha (nota por  Danielle Bleitrach

imageO papel de Estaline na história do país foi avaliado positivamente por 70% dos entrevistados do Levada Center: 52% foram bastante positivos e 18% foram completamente positivos.Este é o recorde de todas as sondagens; em 2006-2009, esses números eram de 39 a 49%, e apenas 19% dos entrevistados tinham um parecer negativo para com o líder soviético (14% - bastante negativo, 5% - completamente negativo). Apenas um pequeno número de entrevistados respondeu ao inquérito em todas as pesquisas - 11% - tiveram dificuldade em responder.A publicação sublinha que o estudo revelou um indicador recorde de um indicador positivo em relação a Stalin desde que se fazem estas inquéritos.

Quarenta e um por cento das pessoas interrogadas declararam respeitar Estaline, 6% manifestaram a sua simpatia e 4% a sua admiração (2% em 2018). A personalidade de José Estaline é hostil e irritante para 6% dos russos, de para medo (3%) e repulsa e ódio (3%), 26% são indiferentes, e 7% não têm opinião.

À pergunta «Os sacrifícios humanos suportados pelo povo soviético na era estalinista justificam-se face aos grandes objetivos e os resultados obtidos a curto prazo?»46% dos russos responderam positivamente. Até 2011, menos de 30% dos entrevistados haviam respondido deste modo. Os russos que consideravam, que as vítimas humanas da era estalinista se justificavam, diminuíram.Em 2008, 60% dos russos não estavam de acordo que os objetivos justificavam os meios, ou seja, 49% em abril de 2017, e no atual segundo inquérito – 45%. Leonty Byzov, responsável do Instituto de Sociologia da Academia Russa de Ciências, relaciona o indicador recorde da aprovação das atividades de Estaline pelos russos, à politização e cisão social.Esses períodos são caracterizados por avaliações históricas mais radicais. Além disso, diz o especialista, o processo de formação de uma imagem positiva do dirigente soviético é apoiado pela mídia estatal. O redator chefe da agência de notícias REGNUM, Modest Kolerov, explicou a crescente popularidade de Stalin face à crescente injustiça social na Rússia. "A simpatia por Estaline testemunha uma constante sede de justiça social.Com efeito, o desenvolvimento do capitalismo na Rússia cava o fosso que separa os ricos do conjunto de toda a população. Disse Kolerov. Danielle Bleitrach

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Os russos e a saudade do socialismo

Pesquisa recém divulgada revela alta aprovação, pelos russos, do governo do líder histórico, Josef Stálin – resultado que pode ser visto como a rejeição do capitalismo e a saudade do socialismo.

A campanha contra Josef Stalin foi iniciada logo após sua morte, em 1953, por aquele que então dirigia a União Soviética: Nikita Khruschov. Campanha que se aprofundou no final da década de 1980, e tinha também o socialismo como alvo. Foi o tempo da chamada perestroika e dos governos de traição nacional de Mikhail Gorbatchov e Bóris Yeltsin, que levaram ao fim da União Soviética e ao retorno do capitalismo. Volta percebida pelo povo russo como uma verdadeira catástrofe, que contrariou todas as promessas de melhoria na vida feitas pelos líderes pró-capitalistas.

A campanha não deu certo e os russos ainda recordam, com saudades, o período socialista, substituido por um sistema capitalista catastrófico, cujas mazelas foram expotas inclusive pela diminuição da expectativa de vida do povo russo. Em 1975 os russos viviam, em média, 70 anos e, depois da volta do capitalismo, a média caiu para 65 anos, em 2007.  Reflexo da vida insegura e da criminalidade ascendente.

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (15) pelo Instituto independente Centro Levada, em Moscou, mostra esta realidade. Josef Stalin é vista positivamente por 51% dos russos. A pesquisa, feita entre os dias 21 e 27 de marçode 2019, mostrou ainda que 41% disseram sentir respeito, 6% simpatia e 4% admiração. 

Assim como Lênin, que tevel alta aprovação popular em outra pesquisa do mesmo instittuto divulgada em 2013. Lênin, que governou entre 1917 e 1924 (na época da pesquisa fazia 89 anos) permanecia na memória dos russos como um bom governante: teve 55% de aprovação.

Se se leva em conta a distância histórica entre os governos de Lênin (que durou até 1924) e Stálin (1953) e o fim do socialismo na Rússia (1991) – fatos históricos ocorridos há décadas – é legítima a conclusão de que, para os russos, as palavras Lênin e Stálin podem ser sinônimos de socialismo.
Conclusão reforçada pela análise de outra pesquisa semelhante, divulgada em 2016, com resultados parecidos. Naquela ocasião o especialista Aleksêi Makarkin, vice-presidente do Centro para Tecnologias Políticas, de Moscou, avaliou que a ‘desestalinização’ não funcionou porque o capitalismo reintroduzido na década de 1990 está associado a inúmeras falhas, infortúnios e mazelas.

Durante a perestroika – disse ele – Stálin foi duramente criticado e seus crimes vieram à tona, isso causou grande comoção. Agora, a perestroika é percebida como uma época de erros e falhas, e as pessoas aplicam a lógica ao contrário: ‘como a perestroika critica Stálin, devemos supor que ele era bom’”.

 

Ele destaca, entre as razões para a popularidade de Stálin, a vitória contra o nazismo na Segunda Grande Guerra – para os russos, a Grande Guerra Patriótica. Esta, diz Makarkin, é a principal razão para a popularidade do dirigente.

Stálin era o comandante supremo. Na sociedade russa o culto da vitória é muito forte, e no imaginário coletivo não se pode ignorar o papel desempenhado pelo homem que comandava o Exército”.

 

Mas há outras razões, explica. Foi “ele quem promoveu a industrialização do país, construiu fábricas e anexou novos territórios”. “Atualmente, na Rússia, prevalece a abordagem pragmática para a história, e não moral. Se é capaz de aumentar o país, você é um líder bem-sucedido”, conclui.

Isto é, a defesa da pátria e a construção do socialismo ajudam a entender a avaliação positiva dos líderes que então conduziram os destinos do povo russo. 


Texto em português do Brasil


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/os-russos-e-a-saudade-do-socialismo/

Excerto do Vladimir Putin Discurso na Assembleia Federal Russa

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Colegas, a Rússia tem sido e será sempre, um Estado soberano e independente. Isso é um dado adquirido, uma verdade. Sê-lo-á sempre ou, simplesmente, deixará de existir. Devemos compreendê-lo claramente. Sem soberania, a Rússia não pode ser um Estado. Alguns países podem fazê-lo, mas não a Rússia.

Construir relações com a Rússia significa trabalhar em conjunto para encontrar soluções para os assuntos mais complexos, em vez de tentar impor soluções. Não fazemos segredo sobre as nossas prioridades na política externa. Elas incluem o fortalecimento da confiança, o combate às ameaças globais, promoção de cooperação na economia e no comércio, educação, cultura, ciência e tecnologia, bem como facilitar o contacto entre as pessoas. Esses princípios advogam o nosso trabalho na ONU, na Comunidade de Estados Independentes, bem como no Grupo dos 20, nos BRICS e na Organização de Cooperação de Xangai.

Acreditamos na importância de promover uma cooperação mais estreita e essencial no interior do Estado da União da Rússia e da Bielorrússia, incluindo na política externa e na coordenação económica. Juntamente com nossos parceiros de integração dentro da União Económica Eurasiática, continuaremos a criar mercados comuns e esforços de disseminação. O que inclui estabelecer decisões para coordenar as actividades da EAEU com a iniciativa ‘Belt and Road’ da China, em direcção a uma parceria eurasiática mais alargada.

Actualmente, as relações iguais e mutuamente benéficas da Rússia com a China, agem como um factor importante de estabilidade nos assuntos internacionais e em termos de segurança euroasiática, oferecendo um modelo de cooperação económica produtiva. A Rússia valoriza a realização do potencial de parceria estratégica privilegiada especial com a Índia. Continuaremos a promover o diálogo político e a cooperação económica com o Japão. A Rússia está pronta para trabalhar com o Japão na procura de termos mutuamente aceitáveis para a assinatura de um tratado de paz. Pretendemos promover laços mais profundos com a Associação das Nações do Sudeste Asiático.

Também esperamos que a União Europeia e os principais países europeus finalmente tomem as medidas necessárias para regressar às relações políticas e económicas normais com a Rússia. Os povos desses países estão ansiosos por cooperar com a Rússia, incluindo as corporações, bem como pequenas e médias empresas e empresas europeias em geral. Escusado será dizer que isso serviria aos nossos interesses comuns.

A retirada unilateral dos EUA do Tratado INF é a questão mais urgente e mais discutida nas relações russo-americanas. Por esse motivo é que sou obrigado a falar sobre este assunto com mais detalhes. De facto, ocorreram mudanças preocupantes no mundo, desde que o Tratado foi assinado, em 1987. Muitos países desenvolveram e continuam a desenvolver estas armas, mas a Rússia ou os EUA não o fizeram – limitamo-nos, a esse respeito, por livre e espontânea vontade. Compreensivelmente, esse estado de coisas levanta questões. Os nossos parceiros americanos deveriam tê-lo dito com honestidade, em vez de fazerem acusações forjadas contra a Rússia, para justificar a sua retirada unilateral do Tratado.

Teria sido melhor se tivessem feito o que fizeram em 2002, quando abandonaram o Tratado ABM e o fizeram, aberta e honestamente. Se foi bom ou mau, é outro assunto. Penso que foi mau, mas eles fizeram-no e é o que aconteceu. Desta vez, também deveriam ter feito o mesmo. O que é que eles estão, realmente, a fazer? Primeiro, violam tudo, depois procuram desculpas e acusam a outra parte de ser culpada. Mas também estão a mobilizar os seus Estados satélites que são cautelosos, mas ainda fazem barulho em apoio aos EUA. Ao princípio, os americanos começaram a desenvolver e a usar mísseis de médio alcance, designando-os como “mísseis alvo” para defesa anti-mísseis. Depois, começaram a instalar sistemas de lançamento universal Mk-41, que podem possibilitar o uso de combate ofensivo dos Tomahawk, mísseis de cruzeiro de médio alcance.

Estou a falar sobre este assunto e a usar o meu tempo e o vosso, porque temos de responder às acusações que nos são feitas. Mas tendo feito tudo o que acabei de descrever, os americanos ignoraram, completamente, as disposições previstas pelos Artigos 4 e 6 do Tratado INF. De acordo com a Cláusula 1, do Artigo VI (estou a citar): “Cada Parte eliminará todos os mísseis de alcance intermédio e os lançadores de tais mísseis… de modo que… nenhum desses mísseis e lançadores… será possuído por nenhuma das Partes”. O parágrafo 1 do Artigo VI estabelece que (e passo a citar): “Após a entrada em vigor do Tratado e posteriormente, nenhuma das Partes poderá produzir ou testar em voo, qualquer míssil de alcance intermédio ou produzir quaisquer estágios ou lançadores de tais mísseis”. Fim da cotação.

Ao utilizar mísseis-alvo de médio alcance e ao instalar lançadores na Roménia e na Polónia que são adequados para o lançamento de mísseis de cruzeiro Tomahawk, os EUA violaram abertamente essas cláusulas do Tratado. Eles fizeram-no há algum tempo. Esses lançadores já estão estacionados na Roménia e nada acontece. Parece que nada está a acontecer. Isso é mesmo estranho. Não é completamente estranho para nós, mas as pessoas devem ser capazes de ver e compreender.

Como é que estamos a avaliar a situação neste contexto? Já disse e quero repetir: a Rússia não pretende - e isto é muito importante, estou a repeti-lo de propósito - a Rússia não pretende ser a primeira a colocar esses mísseis na Europa. Se eles realmente forem construídos e instalados no continente europeu, e os Estados Unidos têm planos para fazê-lo, pelo menos não ouvimos o contrário, irá exacerbar dramaticamente a situação de segurança internacional e criará uma séria ameaça à Rússia, porque alguns deles mísseis podem chegar a Moscovo em apenas 10 a 12 minutos. É uma ameaça muito perigosa para nós. Neste caso, seremos forçados, gostaria de salientar, seremos forçados a responder com acções idênticas ou assimétricas. O que é que isto significa?

Estou a dizê-lo, directa e abertamente, agora, para que ninguém possa culpar-nos mais tarde, para que fique claro para todos, com antecedência, o que está a ser dito aqui. A Rússia será forçada a criar e instalar armas que possam ser usadas, não apenas nas áreas onde somos ameaçados directamente, mas também nas áreas que contenham centros de tomada de decisão para os sistemas de mísseis que nos ameaçam.

O que é importante a este respeito? Há alguma informação nova. Estas armas corresponderão totalmente às ameaças dirigidas contra a Rússia nas suas especificações técnicas, incluindo os tempos de vôo para esses centros de tomada de decisão.

Sabemos como fazê-lo e accionaremos esses planos imediatamente, logo que as ameaças para nós se tornarem reais. Não creio que precisemos de mais nenhuma exacerbação irresponsável da situação internacional actual. Não queremos fazê-lo.

O que é que gostaria de acrescentar? Os nossos colegas americanos já tentaram obter superioridade militar absoluta com o seu projecto global de defesa antimíssil. Eles precisam não ter mais ilusões. A nossa resposta será sempre eficiente e eficaz.

O trabalho sobre protótipos promissores e sistemas de armas sobre os quais falei no meu discurso do ano passado, continua conforme programado e sem interrupções. Lançamos a produção em série do sistema Avangard, que já mencionei hoje. Como foi planeado, este ano, o primeiro regimento de Tropas de Mísseis Estratégicos será equipado com o Avangard. O míssil intercontinental super-pesado Sarmat, de potência sem precedentes, está a ser submetido a uma série de testes. A arma laser Peresvet e os sistemas de aviação equipados com mísseis balísticos hipersónicos Kinzhal, deram prova das suas características únicas durante as missões de alerta de teste e combate, enquanto o pessoal aprendia a manobrá-los. No próximo mês de Dezembro, todos os mísseis Peresvet fornecidos às Forças Armadas serão colocados em alerta. Continuaremos a expandir a infraestrutura dos interceptores do MiG-31,com capacidade de transportar mísseis Kinzhal. O míssil de cruzeiro nuclear Burevestnik de alcance ilimitado e o veículo submarino não tripulado nuclear Poseidon, de alcance ilimitado, estão a ser submetidos a testes, com sucesso.

Neste contexto, gostaria de fazer uma declaração importante. Não o anunciamos antes, mas podemos dizer hoje que, nesta primavera, será lançado o primeiro submarino movido a energia nuclear transportando este veículo não tripulado. O trabalho está a prosseguir como foi planeado.

Hoje também penso que posso informar-vos, oficialmente, sobre outra inovação promissora. Como se podem recordar, da última vez eu disse que tínhamos algo mais para mostrar, mas era um pouco cedo para fazê-lo. Então vou revelar, pouco a pouco, o que mais temos na manga. Outra inovação promissora, que está a ser desenvolvida com sucesso, de acordo com o planeado, é o Tsirkon, um míssil hipersónico que pode atingir velocidades de aproximadamente Mach 9 e atingir um alvo a mais de 1.000 km de distância, tanto debaixo d’água quanto no solo. Pode ser lançado a partir da água, de navios de superfície e de submarinos, incluindo aqueles que foram desenvolvidos e construídos para transportar mísseis Kalibr de alta precisão, o que significa que, para nós, não existe custo adicional.

Numa nota relacionada, quero ressaltar que, para a defesa dos interesses nacionais da Rússia, dois ou três anos antes do cronograma estabelecido pelo programa estatal de armamentos, a Marinha Russa receberá sete novos submarinos polivalentes e a construção começará com cinco embarcações projectadas para oceano aberto. Dezasseis embarcações suplementares desta classe, entrarão em serviço na Marinha Russa, até 2027.

Para concluir, sobre a retirada unilateral dos EUA do Tratado sobre a Eliminação de Mísseis de Alcance Intermédio e de Curto Alcance, aqui está o que eu gostaria de dizer: A política dos EUA em relação à Rússia, nos últimos anos, dificilmente pode ser considerada amigável. Os interesses legítimos da Rússia estão a ser ignorados, há campanhas constantes contra a Rússia e cada vez mais sanções, que são ilegais nos termos do Direito Internacional e são impostas sem nenhum motivo. Deixem-me salientar que não fizemos nada para provocar estas sanções. A arquitetura de segurança internacional que tomou forma nas últimas décadas está a ser completa e unilateralmente desmantelada, ao mesmo tempo que refere a Rússia, como sendo, práticamente, a principal ameaça contra os EUA.

Deixem-me dizer abertamente que isso não é verdade. A Rússia quer ter relações sólidas, iguais e amistosas com os EUA. A Rússia não está a ameaçar ninguém e tudo o que fazemos em termos de segurança, é simplesmente uma resposta, o que significa que as nossas ações são defensivas. Não estamos interessados em confrontos e não o queremos, especialmente com um poder global como os Estados Unidos da América. No entanto, parece que nossos parceiros não percebem a profundidade e o ritmo das mudanças em todo o mundo e para onde estão indo. Eles continuam com a sua política destrutiva e claramente equivocada. O que, dificilmente, vai ao encontro dos interesses dos próprios EUA. Mas, não cabe a nós, decidirmos.

Podemos ver que estamos a lidar com pessoas pró-activas e talentosas, mas dentro da elite, há também muitas pessoas que têm uma fé excessiva no seu excepcionalismo e supremacia sobre o resto do mundo. Claro que têm o direito de pensar o que quiserem. Mas eles sabem contar? Provavelmente, sim. Então, deixem que eles calculem o alcance e a velocidade dos nossos futuros sistemas de armas. É tudo o que pedimos: primeiro façam as contas e depois, tomem as decisões que criem novas ameaças perigosas para o nosso país. Escusado será dizer que estas decisões levarão a Rússia a responder a fim de garantir a sua segurança de forma fiável e incondicional.

Já disse e vou repetir: Estamos prontos para entabular conversações sobre desarmamento, mas jamais iremos bater a uma porta fechada. Esperaremos até que os nossos parceiros estejam preparados e conscientes da necessidade de dialogar sobre este assunto.

Continuamos a desenvolver as nossas Forças Armadas e melhorar a intensidade e a qualidade de treino de combate, em parte, usando a experiência que adquirimos na operação anti-terrorista na Síria. Foi adquirida muita experiência por praticamente todos os comandantes das Forças Terrestres, pelas forças de operações secretas e pela polícia militar, pelas tripulações dos navios de guerra, pelo exército, pela aviação táctica, estratégica e de transporte militar.

Gostaria de salientar, novamente, que precisamos de paz para um desenvolvimento sustentável a longo prazo. Os nossos esforços para aumentar a nossa capacidade de defesa têm, apenas, um propósito: garantir a segurança deste país e dos nossos cidadãos, para que ninguém sequer pensar em nos pressionar ou lançar uma agressão contra nós.

Colegas, estamos perante metas ambiciosas. Estamos a abordar soluções de maneira sistemática e consistente, a construir um modelo de desenvolvimento socio-económico que nos permitirá assegurar as melhores condições para a auto-realização da nossa gente e, assim, fornecer respostas adequadas aos desafios de um mundo que está a mudar rapidamente, e estamos a preservar a Rússia como uma civilização e com identidade própria, enraizada em tradições seculares e na cultura do nosso povo, dos nossos valores e costumes. Claro que só seremos capazes de alcançar os nossos objectivos, combinando os nossos esforços, juntamente com uma sociedade unida, se todos nós, todos os cidadãos da Rússia, estivermos dispostos a ter sucesso em empreendimentos específicos.

Tal solidariedade na luta pela mudança é sempre a escolha deliberada das pessoas. Elas fazem essa escolha quando compreendem que o desenvolvimento nacional depende delas, dos resultados do seu trabalho, quando o desejo de serem necessárias e úteis goza de apoio, quando todos encontram um trabalho por vocação com o qual se sentem felizes e o que é mais importante, quando existe justiça e um vasto espaço de liberdade e igualdade de oportunidades de trabalho, estudo, iniciativa e inovação.

Esses parâmetros para desenvolver descobertas não podem ser traduzidos em números ou indicadores, mas são estas coisas - uma sociedade unificada, pessoas envolvidas nos negócios do seu país e uma confiança comum no nosso poder - que desempenham o papel principal para alcançar o sucesso. E, se for necessário, alcançaremos esse sucesso de qualquer maneira.

Grato pela vossa atenção.





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Realização do cenário militar na Venezuela se tornará uma catástrofe, diz Moscou

Manifestantes por trás de uma barricada em chamas durante protestos em Caracas, Venezuela
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

A realização de um cenário militar na Venezuela, onde a crise política está se agravando, se tornará uma catástrofe, advertiu o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov.

"Apelamos, não apenas aos EUA, mas a todos os que possam estar envolvidos na realização dessas ideias para se absterem dessas ações. O uso da força militar pode se tornar catastrófico", disse o diplomata em uma entrevista à emissora americana CNN.

Além disso, Ryabkov acrescentou que as ações dos EUA em relação a Caracas atiçam ainda mais a crise na Venezuela.

"Estamos enfrentando um cenário que, se for realizado, pode levar a mais derramamento de sangue na Venezuela", afirmou o vice-chanceler, acrescentando que uma intervenção militar apenas "colocará mais lenha na fogueira".


Em 23 de janeiro, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, se proclamou presidente interino da Venezuela. Os EUA e uma série de outros países, inclusive o Brasil, reconheceram Guaidó como presidente da Venezuela. O atual líder venezuelano, Nicolás Maduro, afirma se manter como chefe de Estado constitucional e chamou Guiadó de “marionete dos EUA”. 

Os EUA, Brasília, Canadá, Argentina, Peru, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Chile e Geórgia reconheceram Guaidó como presidente da Venezuela. A Rússia, Cuba, México, Bolívia, Nicarágua, Turquia e Irã apoiam a permanência de Maduro.

Moscou declarou que seu posicionamento sobre o reconhecimento de Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela não mudaria, assinalando que a postura dos países ocidentais mostra a forma como eles encaram o direito internacional, a soberania e a não interferência nos assuntos internos dos outros países.

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Moscou: nova Estratégia de Defesa dos EUA revive corrida armamentista da Guerra Fria

O embaixador da Rússia nos EUA, à época ministro da Defesa da Rússia, Anatoly Antonov, fala em um briefing no Ministério da Defesa em Moscou (foto de arquivo)

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reagiu à nova Estratégia de Defesa antimísseis dos EUA, apresentada por Donald Trump na última quinta-feira.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou nesta sexta-feira que a nova Estratégia de Defesa antimísseis de Washington levará a uma perigosa corrida armamentista no espaço e equivale a um relançamento do programa Guerra nas Estrelas da era da Guerra Fria.

"Ao contrário das afirmações dos autores do estudo, a realização dos planos e abordagens que ele contém não fortalecerá a segurança dos Estados Unidos ou de seus aliados e parceiros", declarou a chancelaria russa.


Em um comunicado, o ministério descreveu o plano dos EUA como um confronto e disse que isso representaria um golpe para a já frágil estabilidade internacional.

Moscou pediu que Washington repense e se envolva com a Rússia em conversas construtivas sobre o equilíbrio de armas nucleares "antes que seja tarde demais".

O novo documento sobre a Estratégia de Defesa dos EUA, apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira, afirma que Coreia do Norte, Irã, Rússia e China, "representam uma ameaça" para Washington. Além disso, o estudo reconhece o espaço como um "novo domínio de guerra".

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Rússia passa Alemanha e chegará ao Top 5 das economias do mundo até 2020, diz relatório

Torcedores com bandeira russa passam pelo centro de Paris durante encontro entre seleções da Inglaterra e da Rússia na Euro 2016
© Sputnik / Irina Kalashnikova

Apesar dos anos de sanções ocidentais, a Rússia se tornará a quinta maior economia do mundo no próximo ano, ultrapassando a Alemanha e o Reino Unido, afirmou o banco britânico Standard Chartered em suas previsões de crescimento de longo prazo.

Em um relatório descrevendo projeções sobre a economia mundial até 2030, o banco disse que a China provavelmente derrubará os EUA para se tornar a maior economia do mundo em algum momento no próximo ano, quando medida por uma combinação de paridade de poder de compra, taxas de câmbio e produto interno bruto nominal.

Pequim será seguida pelos EUA, Índia, Japão e Rússia entre os cinco primeiros. Os 10 principais países também incluirão Alemanha, Indonésia, Brasil, Turquia e Reino Unido.

"Até 2020, a maioria da população mundial será classificada como classe média. A Ásia liderará o aumento das populações de classe média, mesmo quando as classes médias estagnarem no Ocidente", disse Madhur Jha, pesquisador do Standard Chartered.


O relatório previu que as economias asiáticas crescerão significativamente na próxima década, ocupando sete das dez primeiras posições na lista das maiores economias do mundo até 2030.

Na semana passada, o Banco Mundial disse em sua perspectiva econômica que espera um aumento na taxa de crescimento do PIB da Rússia para 1,8% em 2020 e 2021. O banco informou que a economia russa cresceu 1,6% no ano passado, registrando "inflação relativamente baixa e estável e aumento da produção de petróleo", apesar das sanções econômicas mais restritivas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão para o crescimento do PIB da Rússia em 2019 para 1,8%. O impacto positivo do aumento dos preços mundiais do petróleo na economia russa superaria o efeito negativo das sanções de Washington, informou.

Enquanto isso, os números oficiais do Departamento Federal de Estatísticas mostraram que a maior economia da Europa, a Alemanha, desacelerou acentuadamente em 2018. Ela cresceu 1,5% no ano passado, sua taxa mais baixa desde 2013. Uma economia global mais fraca e problemas na indústria automobilística foram citados como contribuindo para a desaceleração.

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Rússia e China planejam parceria para pesquisa em águas profundas

Ministério da Defesa da Rússia informa que navios da Frota do Pacífico russa chegaram à China para participar nos exercícios navais Interação Naval 2016
© AP Photo / Zha Chunming/Xinhua

Cientistas da Rússia e da China estão preparando um programa conjunto para a avaliação de recursos marinhos em águas profundas, disse, nesta quarta-feira (9), Alexander Sergeev, chefe da Academia Russa de Ciências (RAS) durante encontro com o presidente russo, Vladimir Putin.

Durante a reunião, Putin e Sergeev discutiram as questões relacionadas à ciência e ao desenvolvimento da comunidade científica, assim como áreas promissoras no trabalho de RAS.


"Uma dessas áreas é a pesquisa sobre os recursos marinhos em águas profundas. Em cerca de dois ou três meses, a primeira sessão de trabalho será realizada na China. Nós planejaremos projetos conjuntos, incluindo expedições conjuntas", disse Sergeev a repórteres.

Ele ainda acrescentou que a Rússia e a China também estão discutindo o envolvimento chinês na criação de instalações de pesquisa estrangeira de classe "Megascience" na Rússia, além da participação russa na criação de instalações similares na China.

Segundo Sergeev, ambos os países estão engajados em discussões acerca de pesquisas termo-nucleares chinesas, da mesma forma que pesquisas para a criação de um laser superpotente, também na China.

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Confirmação da nossa versão do incidente de Kerch

A Rússia tornou públicos três interrogatórios de marinheiros ucranianos feitos prisioneiros durante o incidente de Kerch, a 25 de Novembro de 2018, e um documento (foto) apreendido num dos navios.

De acordo com este documento e estes vídeos, o incidente foi planeado (planejado-br) pela Ucrânia em cooperação com potências estrangeiras. Dois oficiais dos Serviços Secretos militares ucranianos encontravam-se a bordo para coordenar as operações. Foram eles que interditaram os marinheiros de responder às mensagens dos Russos quando os navios de guerra entraram em águas territoriais russas reivindicadas pela Ucrânia.

Segundo o nosso colaborador Valentin Vasilescu, aviões de reconhecimento eletromagnético dos EUA e de Israel sobrevoaram a zona antes do incidente a fim de detectar as defesas russas [1].

Israel não é membro da OTAN, mas dispõe de um escritório de ligação na sede da OTAN em Bruxelas. Durante o golpe de Estado em Kiev, quatro oficiais e trinta e um soldados israelitas participaram nos combates da Praça Maidan, por conta do Partido ex-nazi Svoboda, como parte do Serviço Secreto da Aliança.

A operação de Kerch parece ter sido comanditada pela OTAN tendo em vista criar uma «ameaça russa» que justificaria a adesão da Ucrânia à Aliança. Ela foi supervisionada pelo Embaixador Kurt Volker. Este tinha sido recrutado pela CIA aquando dos seus estudos na Universidade de Georgetown. Depois de ter trabalhado na sede da Agência em Langley, entrou para o serviço diplomático e tornou-se «conselheiro» de Richard Hoolbroke durante as guerras da Jugoslávia. Tornou-se assistente de Victoria Nuland quando esta era embaixatriz na OTAN e sucedeu-a neste posto. Hoje em dia ele é embaixador em Kiev.


[1] “A quem aproveita o incidente do Estreito de Kerch ?”, Valentin Vasilescu, Tradução Alva, Rede Voltaire, 30 de Novembro de 2018.



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A quem aproveita o incidente do Estreito de Kerch ?

Valentin Vasilescu recapitula o papel dos aviões de reconhecimento dos EUA e de Israel no incidente de Kerch. Estes dados foram confirmados pelo FSB russo (do qual depende a Guarda Costeira), que divulgou vídeos do interrogatório dos marinheiros ucranianos e um documento apreendido a bordo de um dos seus navios.

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Um avião espião dos EUA fotografado durante um reconhecimento perto do estreito de Kerch

Os média (mídia-br) internacionais informaram mal quanto ao incidente acontecido no Estreito de Kerch, tentando fazer crer que se tratava de uma limitação de tráfego marítimo internacional pela Rússia. A minha opinião é que este incidente pode ter graves consequências militares para a Rússia, as quais poderiam levar à perda da Crimeia.

As tropas terrestres nem sempre dispõem de suficientes informações sobre o inimigo e utilizam um processo de «reconhecimento» para fornecer dados suplementares. Por exemplo, um grupo de reconhecimento, embarcado em veículos altamente móveis, inicia o combate contra o inimigo durante alguns minutos e em seguida, se não for capturado, retira-se muito rapidamente.

Durante o incidente ocorrido no Estreito de Kerch, em 25 de Novembro de 2018, as duas pequenas vedetas blindadas ucranianas (Berdyansk e Nikopol), da classe Gyurza-M, efectuavam uma missão de reconhecimento. O seu objectivo não era atravessar o Estreito de Kerch, mas o de desencadear uma reacção do dispositivo de combate russo encarregue de defender a ponte sobre o Estreito. Os dois navios estavam idealmente adaptados a este tipo de missão, já que eles são mais rápidos e mais manobráveis do que os navios da Guarda Costeira e os da Marinha, fortemente armados.

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Foi a parte visível do incidente. Houve um outro aspecto, invisível esse, muito mais importante do que aquele que os média apresentaram.

De facto, as informações resultantes da «operação de reconhecimento» não são coletadas pelo grupo de reconhecimento que estabelece o contacto com o inimigo, quer dizer, no caso presente, os pequenos navios Berdyansk e Nikopol da marinha militar ucraniana, antes uma outra estrutura de reconhecimento que age em segredo. Ela é especificamente posta em acção para vigiar a reacção do inimigo (quer dizer o dispositivo de defesa da ponte russa e do Estreito de Kerch) graças a pontos de observação terrestres, meios aéreos, meios navais, sistemas de intercepção de emissão em radiofrequências, sistemas de detecção de radar, infravermelhos, etc. O Exército ucraniano não montava um dispositivo de reconhecimento tão complexo perto do Estreito de Kerch, já que ele não dispõe dos meios para isso. Mas, como o havíamos mostrado num artigo precedente, um pouco antes do incidente, os Estados Unidos e Israel tinham estado muito activos na região.

A 5 de Novembro, um avião russo Su-27 interceptou um avião norte-americano, da série ELINT EP-3E 157316, indicativo AS17, que levantara da base de Souda, na ilha de Creta, voando na proximidade das águas territoriais da Crimeia. A 19 de Novembro, um avião de reconhecimento israelita Gulfstream G-550 Nachshon Aitam (indicativo de vôo 537) sobrevoou o Mar Negro à volta do Estreito de Kerch.

O incidente ocorrido no Estreito de Kerch foi vigiado, durante todo o dia, por aviões de reconhecimento norte-americanos US SIGINT. Um de entre eles, de tipo RC-135V, série 64-14841, indicativo JONAS 21, sediado na baía de Souda, na ilha de Creta, evoluiu na margem do Mar Negro, próximo à Crimeia. Uma segunda aeronave, um drone de alta altitude de tipo RQ-4B, série 11-2047, com o indicativo FORTE10, voou no Leste da Ucrânia perto do Mar de Azov. O RQ-4B é operado a partir da Base Naval americana de Sigonella, na ilha da Sicília.

A 27 de Novembro, outro avião de reconhecimento P-8A série 168859 P-8A, efectuou um vôo de reconhecimento no Estreito de Kerch e na Crimeia, a partir da base de Sigonella.

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O SIGINT (Signals intelligence) é um sistema de vigilância compreendendo a intercepção de comunicações (rádio, telefone móvel, linha de dados, Internet), quer dizer o COMINT (Comunications Inteligence), e a intercepção de sinais de radar e outros dispositivos de navegação, de detecção ou empastelamento (infravermelho, laser, etc.) chamados ELINT (Electronic Intelligence).

Graças a estes equipamentos montados em aviões de reconhecimento, o incidente provocado pelos navios ucranianos no Estreito de Kerch permitiu aos Estados Unidos saber com detalhe : ---A composição e a localização do dispositivo terrestre e marítimo russo destinado a proteger o Estreito —(a estrutura de gestão, as frequências de rádio utilizadas, as etapas do procedimento de intervenção e as responsabilidades das diferentes sub-unidades russas, a aérea, terrestre e a naval, de acordo com o plano de interligação operacional)— e as direções e sectores mal defendidos ou vulneráveis.

Assim, apesar de os pequenos navios ucranianos e as suas tripulações terem sido detidos pelas forças russas, eles fizeram o seu trabalho. Uma missão que só poderia ter sido ordenada pelos Estados Unidos.

Sobre o mesmo assunto:
- « Détroit de Kertch : l’incident semble avoir été préparé et planifié par les États-Unis et Israël », par Valentin Vasilescu, Traduction Avic, Réseau Voltaire, 27 novembre 2018.
- “Confirmação da nossa versão do incidente de Kerch”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 30 de Novembro de 2018.





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Kremlin: cancelamento da reunião de Putin e Trump não contribui para relações bilaterais

O pico do Kremlin e a bandeira russa na Praça Vermelha
© Sputnik / Kirill Kallinikov

O assessor do Kremlin, Yury Ushakov, declarou nesta sexta-feira (30) à Sputnik que o cancelamento do encontro do presidente dos EUA, Donald Trump, com o presidente russo, Vladimir Putin, não contribuiu para o desenvolvimento construtivo das relações bilaterais.

De acordo com ele, os dois líderes planejavam discutir o atual impasse nas relações entre os dois países durante o encontro.


"[O cancelamento da reunião de Putin e Trump] não ajuda a desenvolver relações construtivas. Isso é perturbador porque planejamos realizar uma discussão abrangente e discutir a estabilidade estratégica, dados os planos dos EUA de se retirarem do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário [INF]", afirmou.  

"Queríamos discutir conflitos regionais, incluindo o acordo sírio e a Coreia do Norte — tudo o que está atualmente na agenda. Queríamos discutir o impasse nas relações bilaterais", completou o assessor do Kremlin. 

O presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu na última quinta-feira (29) cancelar uma reunião marcada com seu colega russo Vladimir Putin na cúpula do G20 na Argentina. O anúncio do presidente dos EUA aconteceu menos de uma hora depois que ele afirmou que era um "bom momento" para se encontrar com Putin, mas que tomaria uma decisão depois de receber um relatório completo sobre o incidente do Estreito de Kerch.

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https://br.sputniknews.com/russia/2018113012807767-russia-eua-putin-trump-encontro/

Putin lamenta cancelamento de encontro com Trump e se diz 'disponível para manter contato'

O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião no palácio presidencial em Helsinque.
© Sputnik / Aleksey Nikolski

Por meio do porta-voz oficial do Kremlin, o presidente russo, Vladimir Putin lamentou a decisão de Trump em cancelar a reunião agendada entre os dois líderes, se colocando à disposição para manter contato com o mandatário norte-americano.

"Lamentamos a decisão do governo dos EUA de cancelar a reunião planejada entre os dois presidentes em Buenos Aires… Isso significa que a discussão de questões internacionais e bilaterais seria adiada por um período incerto de tempo", disse Peskov. "Quanto ao presidente russo, Vladimir Putin, ele está disponível para manter contato com seu colega dos EUA", acrescentou o porta-voz do Kremlin.


Enquanto isso, o embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, disse que os Estados Unidos e a Rússia devem continuar o diálogo para preservar o tratado das Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), fundamental para a segurança global.

"Nós ainda defendemos consultas contínuas com vistas a preservar o Tratado INF como um dos pilares da segurança internacional", disse Antonov na quinta-feira durante seu discurso na Universidade de Princeton.

Mais cedo, Donald Trump disse que decidiu cancelar uma reunião marcada com seu colega russo Vladimir Putin na cúpula do G20 na Argentina. O anúncio do presidente dos EUA aconteceu menos de uma hora depois que ele afirmou que era um "bom momento" para se encontrar com Putin, mas que tomaria uma decisão depois de receber um relatório completo sobre o incidente do Estreito de Kerch.

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https://br.sputniknews.com/russia/2018112912798843-putin-trump-contato/

O que explica a bravata ucraniana no Estreito de Kersh

Vladimir Putin não me merece simpatia, mas o homólogo ucraniano ainda muito menos. Se um fez a Rússia manter-se num regime repressivo e incapaz de se desenvolver à medida das suas potencialidades, o outro - um oligarca! - julgou-se talhado para marioneta dos interesses ocidentais, desejosos de eliminarem de vez o perigo russo se recuperada a dimensão de superpotência. Daí que compreenda a decisão do Kremlin em recuperar uma península historicamente ligada à Rússia desde há muitos séculos e que Krushev terá dado à sua Ucrânia natal numa noite de bebedeira, como o recordou ainda ontem Miguel Sousa Tavares na sua rubrica semanal na TVI.
Até porque a maioria da sua população é russófona a Crimeia voltou para quem legitimamente a pode e deve reclamar. Que a NATO não o queira aceitar compreende-se! Sobretudo porque procura nos confrontos a leste a razão de ser para justificar uma existência, que deveria ter cessado quando o Pacto de Varsóvia se extinguiu.
Existe outra razão de tomo para estar contra a Ucrânia na guerra permanente com a Rússia desde que as agências de espionagem ocidentais trataram de suscitar um golpe de Estado em Kiev: o retorno dos movimentos nazis que, durante a Segunda Guerra Mundial, colaboraram ativamente na repressão dos seus compatriotas e agora recuperaram a liberdade de movimentos para se exprimirem com o maior dos à-vontades. A nazificação da sociedade ucraniana não é um risco sério, pois passou a ser ameaça muito grave com grande exequibilidade de se vir a concretizar. Ora, se essas mesmas agências ocidentais cuidaram de apoiar ativamente terroristas, quando assumiram o objetivo de derrubar Bashar al-Assad (e anteriormente Kadhafi ou Saddam Hussein), também não se coibirão de tomar como instrumentos dos seus objetivos os criminosos, que ostentam a suástica com repugnante orgulho.
Há ainda uma outra razão - e essa é de enormíssima pertinência - para a provocação encomendada pelo regime de Kiev aos tripulantes das três embarcações, apresadas pelas autoridades russas.Petro Poroshenko tem a popularidade nos mínimos mais risíveis e admite-se que, nas eleições presidenciais de março, conte com votação humilhante. Esta manobra figuraria, assim, como tentativa de recuperar apoio junto dos eleitores à conta de uma bravata, afinal com presumíveis razões para lhe correr mal...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/11/o-que-explica-bravata-ucraniana-no.html

'Provocação da Ucrânia': Rússia convoca reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU

Embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, fala durante um encontro do Consleho de Segurança da ONU, em 18 de Abril de 2018.
© AP Photo / Mary Altaffer

A Rússia solicitou uma reunião urgente dos membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para as 14h (horário de Brasília) desta segunda-feira (26) para discutir a situação no Mar de Azov, disse o primeiro vice-embaixador russo à ONU, Dmitry Polyanskiy.

Em sua conta no Twitter, Dmitry Polyanskiy afirmou que a reunião foi marcada para discutir "provocações perigosas da Ucrânia no Mar de Azov e no estreito de Kerch, próximo à Crimeia, colocando em risco a paz e a segurança internacional".

​No domingo (25), três navios da Marinha ucraniana, em violação dos artigos 19 e 21 da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, cruzaram a fronteira marítima russa.

O navios adentraram uma área temporariamente fechada das águas territoriais russas e se moviam do Mar Negro em direção ao Estreito de Kerch, de acordo com o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB).


Um outro grupo de navios se dirigia para o Estreito de Kerch a partir do porto de Berdyans'k, no Mar de Azov. O Estreito de Kerch, que liga o Mar Negro ao Mar de Azov, foi fechado pela Rússia no domingo (26) para navios civis devido a razões de segurança.

​No mesmo dia, o FSB informou que os mesmos três navios da Marinha da Ucrânia — Berdyansk, Nikopol e Yany Kapu — haviam sido detidos por violaren a fronteira da Rússia. Segundo observado pelo FSB, os navios ucranianos não reagiram às exigências legais dos navios que os abordaram e fizeram manobras perigosas.

"Em conexão com o desenvolvimento perigoso da situação no Mar de Azov e os eventos que se seguiram, a Rússia requisitou uma convocação urgente de uma reunião aberta do Conselho de Segurança na manhã de 26 de novembro sob o item da agenda 'Manutenção de paz e segurança internacional", disse Polyanskiy.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2018112612760173-russia-ucrania-fsb-onu-conselho-de-seguranca/

Forças ucranianas atacam área residencial de Donbass com artilharia pesada

Veículo de emergência médica em Donetsk (foto de arquivo).
© Sputnik / Sergei Averin

Militares ucranianos abriram fogo neste domingo contra áreas residenciais da autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD), na região de Donbass.

De acordo com um correspondente da RIA Novosti, o ataque, que inclui artilharia pesada, teria começado pouco antes das 18h de Brasília.


Na última sexta-feira, o vice-comandante do Comando Operacional da RPD, Eduard Basurin, já havia alertado para a possibilidade de haver um aumento nas atividades militares ucranianas no leste do país devido à chegada de novos armamentos adquiridos da Polônia. Segundo ele, em meados deste mês, uma empresa polonesa entregou mais de 23 mil projéteis para morteiros às forças de Kiev. 

A atual operação do Exército ucraniano em Donbass teve início em 2014 com o objetivo de reprimir uma revolta lançada por habitantes de Donetsk e Lugansk insatisfeitos com a brusca mudança de poder ocorrida no mês de fevereiro daquele ano na Ucrânia. Apesar de acordos firmados e diferentes regimes de cessar-fogo estabelecidos ao longo dos últimos anos, os confrontos entre as partes seguem até hoje na região. 

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https://br.sputniknews.com/europa/2018112512759560-conflito-leste-ucrania/

Chancelaria russa aponta negociações frutíferas entre Sergei Lavrov e seu homólogo luso

Chanceler russo Sergei Lavrov e seu homólogo português Augusto Santos Silva apertam mãos após negociações realizadas em Lisboa, em 24 de novembro de 2018
© REUTERS / RAFAEL MARCHANTE

Na sequência da visita oficial realizada ontem (24) a Portugal pelo chanceler Sergei Lavrov, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia publicou um comunicado, revelando os detalhes do evento.

Ontem, o titular da pasta russo visitou Lisboa depois de passar pela Itália. Na capital italiana ele se encontrou com seu homólogo e premiê do país e participou dos chamados "Diálogos do Mediterrâneo". Na capital lusa, se reuniu primeiro com o chanceler português Augusto Santos Silva e, à tarde, foi recebido em audiência pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.


Na sequência do encontro dos dois ministros, ressalta a chancelaria russa, os dois países acordaram incentivar a cooperação comercial e econômica, bem como de investimentos, em primeiro lugar no campo de alta tecnologia.

"As partes se manifestaram a favor do aprofundamento ulterior do diálogo político, o que foi estabelecido pelo Memorando Conjunto de Entendimento entre os ministérios dos dois países em relação às consultas políticas, assinado em resultado das conversações", informa o ministério.

Para além disso, a entidade diplomática russa informou que os titulares da pasta haviam discutido a situação atual nas relações bilaterais luso-russas, traçaram caminhos para uma maior cooperação em várias áreas, inclusive em órgãos multilaterais.

"Na discussão da agenda internacional, uma atenção especial foi dada à cooperação em plataformas multilaterais, em primeiro lugar na ONU e na OSCE, às questões de maior segurança europeia e atuais relações russas com a União Europeia e a OTAN", diz-se no comunicado.

O ministério acrescentou que Sergei Lavrov e Augusto Santos Silva trocaram opiniões sobre o conflito ucraniano, situação na Síria e na Líbia, bem como sobre alguns assuntos relacionados com a situação no continente latino-americano e africano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2018112512756843-lavros-augusto-santos-silva-portugal-russia-encontro/

EUA sancionam... e não podem parar

EUA sancionam... e não podem parar

Ao longo dos últimos anos, Washington introduziu 62 rodadas de sanções contra Moscou, afirmou nesta quinta-feira (8) a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.

"O tempo passa e os motivos são encontrados. Entendemos que novas [limitações e proibições] podem seguir com a mesma facilidade e irresponsabilidade com que foram aprovadas anteriormente", assinalou Zakharova. 

Anteriormente, o representante do Departamento do Estado norte-americano, Robert Palladino, comunicou ao Congresso que até 6 de novembro Moscou não cumpriu as exigências no âmbito da lei norte-americana para controle de armas químicas, assinada em 1991, acrescentando que Washington já está mantendo consultas com o Congresso quanto a novas sanções antirrussas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2018110812628767-eua-russia-sancoes-maria-zakharova/

Primeiro-ministro russo visita a China para se reunir com o governo do país

Prime Minister Dmitry Medvedev at Skolkovo Foundation Board of Trustees meeting
© Sputnik / Alexander Astafyev

O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, inicia sua visita de três dias à China em 5 de novembro para negociar com seu colega chinês, Li Keqiang, e com o presidente do país, Xi Jinping.

Espera-se que durante a visita de Medvedev os políticos examinem a cooperação russo-chinesa e assinem uma série de documentos intergovernamentais, interdepartamentais e corporativos sobre vários aspectos da interação bilateral.


Vários projetos conjuntos também serão abordados nos campos da indústria, energia, veículos, economia agrícola, pesquisa científica e tecnologias inovadoras, de acordo com o serviço de imprensa do Gabinete de Ministros da Rússia.

Além disso, Medvedev participará da inauguração da primeira Exposição Internacional de Importação da China, a ser realizada em Xangai de 5 a 10 de novembro e reunirá mais de 2.800 empresas de cerca de 130 países, incluindo a Rússia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018110412599259-primeiro-ministro-russo-visita-china/

Sanções aplicadas à Rússia acarretam consequência imprevisível, diz ex-líder francês

Rublos e yuans
© Sputnik / Aleksandr Demyanchuk

As sanções impostas à Rússia causaram "um efeito inesperado", fazendo com que Moscou se distancie da Europa e se aproxime de Pequim, afirmou o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy à edição Point.

O ex-líder acredita que as sanções aplicadas contra Moscou são contraproducentes e não correspondem aos interesses da Europa, sendo impostas pelo presidente americano Donald Trump.

Para Sarkozy, as restrições econômicas contra Moscou se limitam a "fazer tudo para empurrar a Rússia para os braços da China".


"É necessário normalizar as relações com a Rússia. Agora é preciso imaginarmos uma nova organização supranacional que junte as três partes: Europa, Turquia e Rússia", disse Sarkozy à edição.

O ex-presidente francês se pronuncia a favor de intensificar o diálogo entre Moscou e Bruxelas e de uma maior integração da Rússia, achando que isso "fortaleceria a arquitetura do continente", pois países como a Ucrânia não precisariam de escolher entre a Rússia e o Ocidente.

Após o golpe ocorrido na Ucrânia e a reunificação da Crimeia à Rússia (através de referendo e de forma democrática), as relações entre o país eslavo e o Ocidente pioraram. Os EUA, junto com outros países, acusaram Moscou de intervenção nos assuntos internos ucranianos, o que foi repetidamente negado pela Rússia.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2018110312587732-sancoes-russia-ocidente-consequencia-imprevisivel-sarkozy/

O dilema geoestratégico da Índia não fica resolvido com a compra dos S-400

Pepe EscobarA Índia adquiriu à Rússia um conjunto de sistemas antimíssil, e o seu primeiro-ministro afirmou uma perspectiva de reforço das relações económicas e da cooperação entre os dois países. Mas tem também (em nome de uma política de «multi-alinhamento») mantido e reforçado laços, nomeadamente no plano militar, com os EUA, cuja estratégia de confronto com a China, a Rússia e o Irão é conhecida. Uma importante questão, cuja clarificação está por fazer.


 

A cimeira Índia-Rússia de 2018 pode bem ter uma repercussão histórica. Na aparência, o que estava no centro das atenções era se a Índia iria concluir a aquisição à Rússia de cinco sistemas de defesa antimíssil S-400 por $5.43 milhares de milhões.

O negócio ficou fechado imediatamente após o Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi e o Presidente russo Vladimir Putin terem finalizado o seu encontro em Nova Deli. As negociações tiveram início em 2015. Os S-400 serão entregues em 2020.

O que virá então a seguir? Sanções da administração Trump ao abrigo do Countering America’s Adversaries Through Sanctions Act (CAATSA) [Acta de constrangimento os adversários dos EUA através de sanções].

Oxalá todas as mudanças de rumo geopolítico fossem assim claras.

Trata-se de um negócio de armamento que envolve Rússia, India e China – uma chave, se não a chave da tríade dos BRICS e da Shanghai Cooperation Organization (SCO). A nova realidade é que todos esses membros BRICS/SCO estão agora em condições de instalar os altamente efectivos S-400.

Mas isso não significa que dois deles – Índia e China – teriam necessariamente de activar S-400 um contra o outro em caso de ataque unilateral.

Putin foi muito insistente em afirmar que a Rússia irá acelerar fortemente a sua cooperação bilateral com a Índia não apenas na SCO mas também na ONU e no G20. Modi, por seu lado, reafirmou que tanto a Índia como a Rússia são favoráveis a um mundo multipolar.

Modi espera que a Rússia irá ajudar a Índia a desenvolver o seu programa espacial – que envolve a possibilidade de Nova Deli enviar astronautas indianos para o espaço por volta de 2022. Sublinhou que a Rússia tem sempre “estado lado-a-lado com a Índia no sector da energia e nos nossos objectivos.” Os “nossos objectivos” incluem de forma crucial a sincronia Rússia/Índia em termos da preservação do JCPOA, mais conhecido como o acordo nuclear do Irão. Uma consequência inevitável disso é que a Índia não irá deixar de comprar petróleo e gás iraniano, mesmo se ameaçado de sanções pelos EUA.

A administração Trump poderá até não avançar com sanções contra a Índia – de acordo com o National Defense Authorization Act – se o Presidente Trump decidir que Nova Deli não prejudicou interesses estratégicos dos EUA ao adquirir mísseis russos.

É evidente que o veredicto permanece absolutamente em aberto.

Decide-te, Nova Deli

No Fórum de Negócios Russo-Indiano, o Ministro do Desenvolvimento Económico Maksim Oreshkin insistiu em que a Índia e a Rússia estão em vias de aumentar o comércio e o investimento no sentido de alcançar “um movimento comercial de $30 milhares de milhões…e de incrementar os investimentos até aos $50 milhares de milhões por volta de 2025”.

No mês passado Nova Deli sugeriu a criação de uma zona económica especial (SEZ) para os negócios com a Rússia – para além de um “corredor verde” para facilitação das relações comerciais, já discutido.

Tudo isto se encaixa no quadro histórico de boas relações entre Rússia e Índia. Todavia, o quadro geral é bastante mais matizado, na medida em que ilumina os pontos mais delicados do equilíbrio estratégico entre os três grandes parceiros BRICS/SCO.

Putin e Xi Jinping estabeleceram já que as Novas Rotas da Seda, conhecidas como a Iniciativa Cinturão e Estrada (BRI) e a União Económica Eurasiana (EAEU) irão associar-se em múltiplas frentes.

Tal deixaria Nova Deli como o parceiro posto de lado. A Índia não está alinhada com a BRI e está em franca oposição a um dos projectos emblemáticos BRI: o Corredor Económico China-Paquistão (CPEC). Nada que Pequim não seja capaz de resolver, por exemplo com ajustamentos cuidadosos na proximidade de Caxemira.

Por seu lado, Moscovo e Pequim estão conscientes em extremo de que a Índia pode ser utilizada por Washington como um Cavalo de Tróia para minar a integração eurasiana.

Provas nesse sentido incluem o recente Acordo de Compatibilidade e Segurança de Comunicações (COMCASA) que converte de facto Nova Deli num aliado militar dos EUA; o novo estatuto da Índia como o único “parceiro de maior importância” de Washington; e o papel desempenhado pela Índia (juntamente com Japão e Austrália) no ressuscitar do QUAD pela administração Trump, algo que Pequim interpreta como uma tentativa de cerco no Mar dos Sul da China.

O problema é que os ultranacionalistas hindus do BJP, o partido de Modi, efectivamente apoiam o cerco e/ou a contenção da China. A razão-chave, nunca enunciada, é de ordem económica. O BJP receia que, no caso de a Índia se associar à BRI, uma enxurrada de Made in China viesse simplesmente destruir as indústrias domésticas indianas, muito como sucedeu com alguns sectores industriais no Brasil, país membro BRICS e o maior parceiro comercial da China na América Latina.

O que Pequim e Moscovo desejam é que a sua parceria estratégica de largo espectro – e sinergia – avance no sentido de um processo de integração eurasiano encabeçado por BRI/EAU. Não é claro que isto constitua uma prioridade estratégica para a Índia.

A prioridade estratégica de Washington é bastante clara: dividir para reinar, por todos os meios, o encaminhar concertado BRI-EAEU-BRICS-SCO no sentido da integração eurasiana e da multipolaridade global.

Portanto, com o negócio dos S-400 fechado, a bola está de facto do lado de Nova Deli. A tão gabada política oficial de “multi-alinhamento” deixa ainda a questão geoestratégica fundamental em aberto: irá a Índia inclinar-se no sentido do Dividir para Reinar ao estilo EUA, disfarçado de Equilíbrio de Poderes, ou a favor de uma dinâmica multipolar no sentido da integração da Eurásia?

Fonte: http://www.atimes.com/article/s-400s-dont-solve-indias-geostrategic-dilemma/

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Leia original aqui

Kremlin refuta informações sobre novo 'suspeito' no caso Skripal

Cidade britânica de Salisbury onde Sergei Skripal e sua filha foram envenenados
© Sputnik / Aleksei Filippov

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, refutou as informações da mídia sobre uma condecoração que a Rússia teria concedido a Anatoly Chepiga, indicado pelo portal britânico Bellingcat como nome real de Ruslan Boshirov, suspeito no caso Skripal.

O porta-voz disse ter verificado, tal como prometeu na véspera aos jornalistas, as informações mas não encontrou nada sobre um coronel Anatoliy Chepiga, supostamente condecorado pelo presidente Vladimir Putin.

"Sim, verifiquei. Não tenho nenhuma informação sobre uma pessoa com este nome ter sido condecorada", afirmou Peskov.


Falando sobre o cada vez maior número de notícias que surgem em relação ao caso Skripal, o porta-voz observou que é difícil distinguir o verdadeiro do falso.

"Já ninguém consegue distinguir quais das notícias são falsas e quais são verdadeiras", disse.

Peskov sublinhou que o Kremlin não quer se envolver na discussão com a mídia sobre as identidades de supostos suspeitos no caso Skripal e reiterou a posição de Moscou de que os serviços de segurança russos precisam de dados oficiais sobre o incidente em Salisbury para apoiar Londres e participar da investigação.

O comentário se refere à matéria publicada na quarta-feira (26) pelo blog investigativo britânico Bellingcat e a edição The Insider Russia segundo a qual Ruslan Boshirov, suspeito no caso do envenenamento de ex-agente russo Sergei Skripal e sua filha Yulia, seria um coronel da inteligência russa chamado Anatoly Chepiga.


Também de acordo com o blog, ele teria sido condecorado com uma alta distinção estatal russa pessoalmente por Putin.

No início deste mês, as autoridades britânicas acusaram dois cidadãos russos, identificados como Ruslan Boshirov e Aleksandr Petrov, de tentativa de assassinato do ex-espião Sergei Skripal e sua filha Yulia Skripal, além do policial britânico Nick Bailey, supostamente contaminados com o agente nervoso A-234 (também conhecido como Novichok). Mas, em entrevista ao canal RT, os dois negaram qualquer envolvimento no caso, afirmando que visitaram Salisbury apenas como turistas e que trabalham na indústria de fitness.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2018092812317212-kremlin-refuta-suspeito-caso-skripal-boshirov-chepiga/

« A Arte da Guerra »A estratégia da demonização da Rússia

A estratégia dos partidos populistas europeus ligados a Steve Bannon encara uma contradição difícil: a lógica incentivava a que eles apoiassem uma aproximação à Rússia – o que fizeram, por exemplo, os Italianos – mas o seu patrocinador dos EUA agiu ao contrário para sabotar a economia e a afirmação política de Moscovo.

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O Director do Departamento dos Assuntos Europeus e Euroasiáticos do Departamento do Estado, Wess Mitchell, está encarregado de impedir o desenvolvimento da Rússia como competidor dos EUA. No passado mês de Julho, Ele felicitou o Deputado tatar ucraniano Moustafa Djemilev ( Moustafa Abdülcemil Cemiloğlu) pelas suas acções de sabotagem na Crimeia. Agente histórico da CIA, Djemilev fundou, com a ajuda da Ucrânia e da Turquia, a Brigada Internacional Islãmica.

O contrato do governo assinado em Maio de 2018, pelo Movimento 5 Stelle e pela Lega, reitera que a Itália considera os Estados Unidos como o seu “aliado privilegiado”. Laço fortalecido pelo Primeiro Ministro Conte que, no encontro com o Presidente Trump em Julho, estabeleceu com os USA “uma cooperação estratégica, quase uma geminação, em virtude da qual a Itália torna-se a interlocutora privilegiada dos Estados Unidos para os principais desafios a enfrentar”. No entanto, simultaneamente, o novo governo comprometeu-se no contrato a “uma abertura à Rússia, para ser percebida não como uma ameaça, mas como um parceiro económico" e até mesmo como um “parceiro potencial para a NATO”. É como conciliar o diabo com a água benta.

De facto, é ignorada, tanto pelo governo como pela oposição, a estratégia USA de demonização da Rússia, destinada a criar a imagem do inimigo ameaçador contra o qual nos devemos preparar para lutar. Esta estratégia foi apresentada numa audiência no Senado, por Wess Mitchell, Sub-Secretário do Departamento de Estado para os Assuntos Europeus e Eurasiáticos: "Para enfrentar a ameaça proveniente da Rússia, a diplomacia USA deve ser apoiada por um poder militar que seja o melhor de todos e totalmente integrado com os nossos aliados e com todos os nossos instrumentos de poder " [1].

Ao aumentar o orçamento militar, os Estados Unidos começaram a “recapitalizar o arsenal nuclear”, incluindo as novas bombas nucleares B61-12 que, em 2020, serão instaladas contra a Rússia, na Itália e noutros países europeus. Os Estados Unidos - específica o Sub-Secretário - gastaram em 2015, 11 biliões de dólares (que aumentarão em mais 16, em 2019) para a “Iniciativa Europeia de Dissuasão”, ou seja, para reforçar a sua presença militar na Europa contra a Rússia.

Dentro da NATO, eles conseguiram um aumento de mais de 40 biliões de dólares, acrescido à despesa militar dos aliados europeus e estabeleceram dois novos comandos, dos quais o Comando Atlântico contra a “ameaça dos submarinos russos”, localizado nos USA.

Na Europa, os Estados Unidos apoiam, em particular, “os Estados na linha de frente”, como a Polónia e os Países Bálticos, e eliminaram as restrições para fornecer armas à Geórgia e à Ucrânia (ou seja, aos Estados que, com agressão à Ossétia do Sul e o putsch da Praça Maidan, desencadearam a escalada USA/NATO contra a Rússia).

O expoente do Departamento de Estado acusa a Rússia não só de agressão militar, mas de concretizar nos Estados Unidos e nos Estados europeus “campanhas psicológicas de massa contra a população para desestabilizar a sociedade e o governo”. Para realizar essas operações, que fazem parte do “esforço contínuo do sistema putiniano para o domínio internacional”, o Kremlin usa “o arsenal de políticas subversivas usado no passado pelos bolcheviques e pelo Estado soviético, actualizado para a era digital”. Wess Mitchell acusa a Rússia daquilo em que os USA são mestres: eles têm 17 agências federais de espionagem e subversão, entre as quais, o Departamento de Estado. O mesmo Departamento que acaba de criar uma nova figura: "o Conselheiro Senior para as Actividades Malignas da Rússia" (ou SARMAT), encarregado de desenvolver estratégias inter-regionais.

Nesta base todas as 49 missões diplomáticas dos USA na Europa e na Eurásia devem concretizar, nos seus respectivos países, planos de acção específicos contra a influência russa.

Não sabemos qual é o plano de acção da Embaixada dos EUA na Itália. No entanto, sabê-lo-á o Primeiro Ministro Conte, na qualidade de “interlocutor privilegiado dos Estados Unidos”. Então, comunique-o ao Parlamento e ao país, antes das “actividades” da Rússia desestabilizarem a Itália.


[1] “A Estratégia dos EUA em Relação à Federação Russa”, A. Wess Mitchell, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Rede Voltaire, 21 de Agosto de 2018.



Ver original na 'Rede Voltaire'



A batalha do Idleb é adiada

Os Presidentes russo e turco reuniram-se em Sochi, em 17 de Setembro de 2018

Desde a sua reunião anterior, em 7 de Setembro, em Teerão, a Rússia endureceu o tom, evocando pela primeira vez, a natureza ilegal da presença militar turca em Idleb. Sublinhou que essa mesma presença deveria terminar.

Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdoğan assinaram, antes de tudo, acordos de cooperação económica a respeito da construção do gasoduto Turkish Stream e da central nuclear civil de Akkuyu; acordos particularmente bem-aceites por Ankara, cuja economia acaba de desmoronar brutalmente.

Em relação à zona ocupada actualmente pelos jihadistas e pelo exército turco na Síria - zona que corresponde aproximadamente à província de Idleb - os dois Estados decidiram dar-se uma nova oportunidade de separar a oposição armada síria dos jihadistas.

Acordos idênticos de não escalagem foram estabelecidos para esta região e para outras no passado, seja com os Estados Unidos ou com a Turquia. Todos falharam e tornaram-se obsoletos ao fim de seis meses. Na prática, descobriu-se que os jihadistas e a oposição armada síria são compostos pelos mesmos homens, que são mercenários antes de serem militantes. Frequentemente, eles pertenceram a vários grupos durante os sete anos de conflito, mudando de um para o outro, consoante as oportunidades financeiras.

A República Árabe da Síria já havia feito saber que considerava prudente adiar a libertação de Idleb para depois das eleições legislativas dos Estados Unidos, em 6 de Novembro. De facto, em caso de ataque, teria sido suficiente ao Reino Unido concretizar uma operação química de falsa bandeira para forçar o Presidente Trump a atacar a Síria, durante sua campanha eleitoral.

O Presidente Erdoğan apresenta ao seu povo o acordo que ele acaba de concluir como uma dupla vitória: ele teria salvaguardado a população civil de Idleb da guerra e teria obtido contratos vantajosos da Rússia.

No entanto, a realidade é bem diferente: a Turquia estava numa posição de grande fraqueza para negociar com o seu inimigo histórico e amigo de um dia, a Rússia. A sua economia só sobrevive graças à presença dos turistas russos e Moscovo já mostrou que eles podiam chegar ou partir, num instante.

Os acordos económicos afastam um pouco mais, Ancara da NATO.

Será estabelecida, em 5 de Outubro, uma linha de demarcação entre a zona jihadista e o resto da Síria. Esta zona desmilitarizada estará sob a responsabilidade conjunta da Rússia e da Turquia. As tropas turcas deveriam recuar alguns quilómetros dentro da actual zona, de modo a deixar os sírios libertar a autoestrada que liga Damasco a Alepo.

Assim, a Rússia afasta a Turquia dos ocidentais, evita colocar o seu aliado sírio em perigo e continua a libertação de seu território sem ter de envolver-se em combates.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Rússia responsabiliza Israel por abate de avião Il-20 na Síria

Um avião russo foi destruído pela defesa anti-aérea síria. Os militares russos afirmam que a «provocação israelita» está na origem do sucedido e reservam-se «o direito de responder em conformidade».

Ataque ao porto de Latakia levado a cabo pelas forças israelitasCréditos / Twitter

O comando da base aérea russa de Khmeimim, na província síria de Latakia, perdeu o contacto com o Il-20 ontem à noite, pelas 23h (hora local), quando o avião se encontrava sobre o Mar Mediterrâneo, a cerca de 35 quilómetros da referida base, indicou hoje em comunicado o Ministério russo da Defesa.

O desaparecimento ocorreu no momento em que quatro caças israelitas F-16 lançaram um ataque contra alvos em Latakia. De acordo com os militares russos, os aviões israelitas usaram o avião de transporte militar Il-20 «como escudo, expondo-o ao fogo da defesa anti-aérea síria».

Assim, «como a superfície reflectora efectiva» do Il-20 é muito maior que a de um F-16, o primeiro foi abatido por um míssil terra-ar S-200 sírio, precisa a nota.

«Quinze militares russos morreram por culpa das acções irresponsáveis de Israel na Síria», afirma o comunicado, referindo que os aviões israelitas criaram «deliberadamente uma situação perigosa» ao realizar o ataque perto da fragata francesa Auvergne e do avião Il-20, que se preparava para aterrar.

Moscovo, que «se reserva o direito a responder em conformidade», criticou ainda os israelitas por não terem avisado antecipadamente o comando russo sobre a operação. «Fomos avisados por linha directa menos de um minuto antes de começar o ataque, o que não deu tempo para retirar o avião para uma zona segura», afirma o texto, citado pela HispanTV.

Ataques frequentes de Israel à Síria

Israel, como é habitual nestas ocasiões, não fez comentários sobre os raides aéreos na Síria. No entanto, desde o início da guerra de agressão à Síria, têm sido frequentes os ataques aéreos israelitas contra alvos no país vizinho.

Recentemente, militares israelitas reconheceram ter realizado mais de 200 ataques em território sírio nos últimos 18 meses, alegando estar a destruir alvos iranianos. Damasco tem reiterado as acusações contra as forças sionistas de violação da sua soberania e de ajuda militar, médica e logística aos grupos terroristas.

O ataque de ontem dá-se poucas horas depois de, em Sochi (Rússia), os presidentes russo, Vladimir Putin, e turco, Recep Tayyip Erdogan, terem chegado a um acordo para criar uma zona desmilitarizada – com 15 a 20 quilómetros de largura – entre o Exército Árabe Sírio e os grupos terroristas em toda a fronteira administrativa entre a província de Idlib e as de Hama e Alepo. De acordo com o ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu, o acordo conta com o apoio de Damasco.

O ataque ocorre também num contexto em que os EUA e vários países-membros da NATO enviam cada vez mais navios de guerra para o Mediterrâneo Oriental, onde a Rússia também mantém forte presença – navios equipados com mísseis de cruzeiro Kalibr e submarinos.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Geopolítica: a Eurásia renasce — e quer ser alternativa

Ferrovias. Energia. Resistência à pressão militar dos EUA. Substituição gradual do dólar. Fórum de Vladivostok consolida parceria estratégica entre China e Rússia, no instante em que Ocidente permanece em crise 

Por Pepe Escobar, no Asian Times 

Xi Jinping e Vladimir Putin foram vistos numa joint venture culinária. Panquecas com caviar (blin, em russo), empurrados com um shot de vodca. Aconteceu há dias, no Fórum Econômico Oriental em Vladivostok. É metáfora desenhada (e comestível) para selar a sempre crescente ‘parceria estratégica abrangente russo-chinesa’. Assista:

Já há alguns anos, o Fórum de Vladivostok vem oferecendo um mapa inigualável do caminho, a quem se interesse por rastrear o progresso da integração da Eurásia.

Ano passado, às margens do Fórum, Moscou e Seul fizeram o lançamento bombástico de uma plataforma comercial trilateral, a qual, crucialmente, integrou Pyongyang, girando em torno de um corredor de conectividade de toda a península coreana com o Extremo Oriente da Rússia.

Tópicos de discussão em mesa redonda, esse ano, incluíram a integração do Extremo Oriente da Rússia em conexões logísticas; mais uma vez, a conexão entre Rússia e as Coreias – com o objetivo de construir uma Ferrovia Trans-Coreana conectada à Trans-Siberiana e um ramo do “Oleogasodutostão” que se conecta com a Coreia do Sul via China. Outros tópicos foram a parceria Rússia-Japão em termos de aumentar o trânsito eurasiano, centrado na conexão da Trans-Siberiana com a Linha Principal [ing. Baikal-Amur Mainline (BAM)], já ampliado para uma ferrovia projetada até a ilha de Sakhalin, e dali direto até a ilha de Hokkaido.

O futuro: de Tóquio a Londres, direto, por trem.

E há também a integração de Rússia e Associação de Nações do Sudeste Asiático, ANSA [ing. ASEAN] – ampliando projetos atuais de infraestrutura, agrícolas e de construção de navios, para energia, setor agroindustrial e de florestas, como delineado por Ivan Polyakov, presidente do Conselho de Negócios Rússia-ANSA.

Essencialmente aí se trata de construir simultaneamente um eixo crescente Oriente-Ocidente e também um eixo Norte-Sul. Rússia, China, Japão, as Coreias e o Vietnã, avançam, lentamente, mas com firmeza, rumo a sólida integração geoeconômica.

A mesa de discussão talvez mais fascinante em Vladivostok foi Crossroads on the Silk Road  [Cruzamentos na Rota da Seda], que reuniu, dentre outros, Sergey Gorkov, vice-ministro de Desenvolvimento Econômico da Rússia; Wang Yilin, presidente da gigante chinesa do petróleoCNPC, e Zhou Xiaochun, vice-presidente do grupo de diretores do essencial Boao Forum.

O ímpeto de Moscou é unir as Novas Rotas da Seda, ou Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE) com a União Econômica Eurasiana (UEE). Mas o objetivo geoeconômico final é ainda mais ambicioso: uma “parceria Eurasiana Expandida”, na qual a ICE converge na direção da UEE, da Organização de Cooperação de Xangai, OCX, e ANSA. No coração desse gigante está a parceria estratégica Rússia-China.

O mapa do caminho adiante, é claro, envolve tocar as cordas certas de um acorde complexo de equilíbrio entre interesses políticos e práticas gerenciais em múltiplos projetos Oriente-Ocidente. A simbiose cultural tem de entrar nesse quadro. A parceria Rússia-China tende cada vez mais a pensar em termos de Go (weiqi, o jogo), visão partilhada, baseada em princípios estratégicos universais.

Outra mesa de discussão chave em Vladivostok reuniu Fyodor Lukyanov, diretor de pesquisa no sempre essencial Clube de Discussão Valdai, e Lanxin Xiang, diretor do Centro de Estudos de Um Cinturão, Uma Estrada, no Instituto Nacional Chinês para Colaboração Internacional da OCX. A discussão aí se centrou na interação geopolítica asiática, envolvendo Rússia, China e Índia, países-chaves dos (B)RICS, e em como a Rússia pode capitalizar sobre essa interação, ao mesmo tempo em que navega pelo pântano da guerra comercial de sanções cada vez mais violentas.

Toda a energia vem da Sibéria

Tudo volta sempre ao básico e à parceria estratégica Rússia-China sempre em evolução. Xi e Putin autoenvolveram-se nela até o âmago. Xi define a parceria como o melhor mecanismo para que “se neutralizem conjuntamente os riscos e desafios externos”. Para Putin, “nossas relações são cruciais, não só para nossos países, mas também para o mundo.” É a primeira vez que um líder chinês participa nas discussões de Vladivostok.

A China está progressivamente se interconectando com o Extremo Oriente da Rússia. Corredores internacionais de transporte – Primorye 1 e Primorye 2 – darão novo impulso ao trânsito de cargas entre Vladivostok e o nordeste da China. A empresa Gazprom está próxima de completar o trecho russo do gigantesco gasoduto “Energia [poder] da Sibéria” até a China, em parceria com a CNPC. Mais de 2 mil quilômetros de dutos já foram instalados de Yakutia até a fronteira russo-chinesa. O gasoduto Energia [poder] da Sibéria começará a operar em dezembro de 2019.

Segundo o Fundo Russo de Investimento Direto, FRID [ing. Russian Direct Investment Fund (RDIF)], a parceria está avaliando 73 projetos de investimento no valor total de mais de $100 bilhões. A Comissão Comercial Russo-Chinesa de Aconselhamento faz a supervisão, incluindo mais de 150 executivos das maiores empresas russas e chinesas. O CEO do FRID, Kirill Dmitriev, está convencido de que “haverá transações particularmente promissoras nos acordos bilaterais que serão resultado do relacionamento produtivo entre Rússia e China.”

Em Vladivostok, Putin e Xi mais uma vez concordaram em manter crescente comércio bilateral em yuan e rublos, deixando de lado o EUA-dólar – já efeito da decisão tomada por ambos em junho, de aumentar o número de contratos denominados em yuan-rublo. Paralelamente, o ministro do Desenvolvimento Econômico Maksim Oreshkin aconselhou os russos a vender EUA-dólares e comprar rublos.

Moscou espera apreciação do rublo para cerca de 64 por EUA-dólar, no próximo ano. Atualmente é comercializado em cerca de 70 rublos /dólar, puxado para baixo pelas sanções EUA e pelo estrago que o dólar-arma-política está causando no Brasil, Índia e África do Sul, e também em estados aspirantes a ser (B)RICS, chamados “BRICS Plus“, como Turquia e Indonésia.

Putin e Xi mais uma vez reafirmaram que continuarão a trabalhar coordenadamente em seu mapa do caminho intercoreano baseado em um “duplo esfriamento” – a Coreia do Norte suspende os testes nucleares e lançamentos de mísseis balísticos, e os EUA suspendem os exercícios militares com Seul.

Mas o que parece estar realmente capturando a imaginação das duas Coreias é a ferrovia Transcoreana. Kim Chang-sik, presidente do desenvolvimento de ferrovias em Pyongyang disse: “Desenvolveremos ainda mais esse projeto a partir de negociações entre Rússia, Coreia do Norte e Coreia do Sul, de modo que os proprietários do projeto serão os países da Península Coreana.”

Isso se conecta ao que disse o presidente sul-coreano Moon Jae-in há apenas três meses: “Tão logo a linha principal Trans-Coreana esteja construída, poderá ser conectada à Ferrovia Trans-Siberiana. Com isso, será possível entregar produtos da Coreia do Sul à Europa, o que será economicamente benéfico não só para as Coreias, do Sul e do Norte, mas também para a Rússia.”

Compreenda a matryoshka

Ao contrário do que reza a histeria ocidental mal informada ou manipulada, os jogos de guerra em Vostok, na Trans-Baikal do Extremo Oriente da Rússia, incluindo 3 mil soldados chineses, são apenas uma parte da muito mais profunda complexa parceria estratégica Rússia-China. É feito uma matryoshka: o jogo de guerra é uma boneca dentro do jogo geoeconômico.

Em ‘China and Rússia: The New Rapprochement’ [China e Rússia: a nova reaproximação], Alexander Lukin, da Escola Superior de Economia da Universidade Nacional em Moscou, expõe em detalhes todo o mapa do caminho; a ampla parceria ainda em construção para toda a Eurásia, é parte de um conceito muito mais amplo e abrangente de “Eurásia Expandida” [ing. “Greater Eurasia”]. Esse é o âmago da entente Rússia-China, levando a o que o cientista político Sergey Karaganov chamou de “um espaço comum para cooperação econômica, logística e de informação, paz e segurança, de Xangai a Lisboa e de Nova Delhi a Murmansk.”

Sem compreender o Grande Quadro que envolve debates como a reunião anual em Vladivostok, é impossível compreender o modo como a integração progressiva de ICE, UEE, OCX, ANSA, (B)RICS e (B)RICS Plus está orientada para mudar irreversivelmente o atual sistema-mundo.

Ver o original em 'Outras Palavras' na seguinte ligação:

https://outraspalavras.net/uncategorized/geopolitica-a-eurasia-renasce-e-quer-ser-alternativa/

 

EUA esforçam-se por alcançar a tecnologia hipersónica russa

Andrei Akulov [*]
A Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) está a avançar uma nova iniciativa para conter ameaças hipersónicas, tais como o míssil russo Kinzhal (Adaga), o qual é capaz de viajar 10 vezes mais rápido do que a velocidade do som. O general da Força Aérea John Hyten, comandante do US Strategic Command, disse que os Estados Unidos actualmente nada têm para combater esta ameaça. De acordo com The Drive , "a DARPA exibiu a arte conceptual da parte interceptora do Glide Breaker pela primeira vez no seu D60 Simpósio D60, que em Setembro de 2018 homenageia o 60º aniversário da organização". Poucos pormenores foram divulgados e não se sabe se aquele programa está relacionado com o projecto de defesa hipersónica da Missile Defense Agency (MDA). Interceptores cinéticos de difícil aniquilação serão um elemento de um sistema multi-camadas. Os EUA estão empenhados numa corrida hipersónica com a Rússia, a China e Israel. No mês passado a Força Aérea atribuiu à Lockheed Martin um contrato no valor de US$480 milhões para começar a desenhar um protótipo de arma hipersónica designado como AGM-183 Air-Launched Rapid Response Weapon, ou ARRW. Em Junho, aquela companhia recebeu um contrato de US$928 milhões para o Hypersonic Conventional Strike Weapon (HCSW). Secretário da Força Aérea Heather Wilson: "Estamos a avançar depressa e a aproveitar a melhor tecnologia disponível a fim de obter capacidade hipersónica de combate tão logo quanto possível". Está a ser feito tudo para atingir este objectivo e, como os acontecimentos mostram, os meios para fazer isto não estão limitados a meramente criar defesas ou sistemas de ataque hipersónicos. Os EUA não se coíbem de utilizar espiões para descobrir mais acerca do programa da Rússia. Em Julho, Viktor Kudryavtsev, que trabalhava no Instituto Central de Investigação de Construção de Máquinas (TsNIIMash), o qual está associado à Agência Espacial Federal, foi detido e a seguir aprisionado depois de ser acusado de espionagem . Foi formada uma comissão para vasculhar actividades no instituto, o qual foca o desenvolvimento de naves espaciais. Os media russos informaram que serviços de segurança ocidentais haviam obtido informação sobre a nova e classificada tecnologia hipersónica que está a ser desenvolvida pela indústria russa. Quão bem sucedidos virão a ser os esforços da América para tomar a dianteira em tecnologia hipersónica? Os EUA estão realmente apenas a começar a por o pés nesta área, ao passo que a Rússia já tem armas hipersónicas no seu stock. Pelo menos dez caças MiG-31 equipados com Kinzhal estão operacionais. Cada avião carrega um míssil, mas o conjunto do armamento do bombardeiro Tu-22M3 inclui quatro deles. O Kinzhal baseado em bombardeiros serátestado  em breve. Os EUAdemorarão pelo menos 10 a12 anos para desenvolver um interceptor. E naturalmente a Rússia não ficará ociosa. Nessa altura terá armas hipersónicas muito mais refinadas no seu arsenal. A emergência de armas hipersónicas é uma revolução que muda todo o conceito da guerra contemporânea. Sua simples velocidade torna quaisquer sistemas anti-aéreos obsoletos. O S-500 russo é o único sistema de defesa aérea que pode interceptar alvos a voarem a Mach 5.0-6.0. No ano passado, o novo porta-aviões classe Ford de US$15 mil milhões foi comissionado com grande fanfarra, só para se tornar um alvo para os mísseis hipersónicos Kinzhal da Rússia que ficaram plenamente operacionais e prontos para combate apenas uns meses antes daquela cerimónia ter lugar. Trata-se de uma corrida às armas que os EUA já estão a perder apesar de um orçamento de defesa que excede os US$760 mil milhões, a serem comparados com os US$50 mil milhões da Rússia. A Rússia gasta menos de um décimo do que os EUA gastam, mas produz armas contra as quais os EUA não têm defesa. O Pentágono tem estado a perseguir a tecnologia hipersónica há mais de uma década, mas tem falhado em alcançar os seus objectivos. Os EUA estão obviamente a perder a competição geral "custo-eficiência". Exemplo: muito tem sido escrito e dito acerca do conceito US Prompt Global Strike (PGS), mas foi a Rússia, não a América, quem primeiro adquiriu capacidade global, rápida, de primeiro ataque, pois suas armas hipersónicas podem ser armadas com ogivas convencionais. Talvez seja isso que está a motivar os EUA a levarem a corrida armamentista ao espaço , pois parecem ter perdido sua vantagem tecnológica em outros domínio e ficaram para trás no desenvolvimento hipersónico. Os EUA têm de correr para alcançar, mas não há como saber se conseguirá. E a acrescentar-se a isto está a sua enorme dívida nacional – o fardo pesado que os EUA têm de carregar, ao contrário da Rússia ou da China. 
10/Setembro/2018

[*] Coronel russo, reformado, perito em questões de segurança internacional. O original encontra-se em www.strategic-culture.org/... Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

 

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http://paginaglobal.blogspot.com/2018/09/andrei-akulov-defense-advanced.html

Equipamento militar russo não terá mais componentes ucranianos

“A questão da dependência dos fornecimentos da Ucrânia está encerrada e encerrada completamente. Todos os pontos fracos que tínhamos ainda em 2014 foram superados”, salientou.

Borisov lembrou que Moscou dependia principalmente do fornecimento de motores para helicópteros, fabricados pela empresa ucraniana Motor Sich, além de turbinas e redutores para corvetas e fragatas. As empresas russas Saturn e Klimov resolveram esse problema.

"Agora estão terminando os testes e a certificação deste tipo de equipamento. A partir desse momento, são feitos os fornecimentos precisamente dos motores de fabricação russa", comunicou o vice-primeiro-ministro.

Segundo Borisov, quanto à ampla gama de produtos eletrônicos que a Rússia historicamente comprava à Ucrânia, esses fornecimentos "não tinham importância decisiva" e equipavam na sua maior parte os armamentos que já faziam parte do Exército russo, disse Borisov.

O analista Oleg Glazunov, em entrevista concedida ao serviço russo da Rádio Sputnik, comentou a situação.

"Praticamente em quatro anos conseguimos construir nossas próprias fábricas para a produção dos componentes que nos faltavam, aqueles que recebíamos da Ucrânia. Tudo está indo bem, não há nada que suscite preocupação. A ruptura dos laços com a Ucrânia é obviamente ruim, mas podemos garantir por nós próprios a nossa segurança e o nosso complexo militar e industrial", disse o analista.

"No entanto é possível que a Ucrânia tente fazer algum tipo de competição no mercado de armamento, vendendo seus componentes para países aos quais vendemos nossas armas", concluiu Glazunov.

Assassinato de Alexander Zakharchnenko

A 31 de Agosto de 2018, Alexander Zakharchenko, o Presidente da República Popular de Donetsk (ou Malorossia), foi morto aquando de um atentado à bomba. O Ministro das Finanças, Alexander Timofeyev, e dez outras pessoas ficaram feridas.

A polícia conseguiu identificar os autores do atentado e uma caça ao homem foi aberta. Os assassinos trabalhariam para o Serviço de Segurança da Ucrânia.

Alexander Zakharchnenko foi signatário dos Acordos de Minsk II que o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, se recusa a aplicar.

Três dias de luto foram decretados em Donestsk pelo Conselho de Ministros.

A Federação da Rússia apelou imediatamente para um inquérito internacional. O Presidente Vladimir Putin apresentou as suas condolências à família do falecido e ao povo de Donestk. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, anulou todas as reuniões de negociações no formato Normandia (Alemanha, França, Rússia e Ucrânia).

A República Popular de Donetsk é reconhecida apenas pela Ossétia do Sul. O Presidente Anatoly Bibilov denunciou o atentado como sendo um «terrorismo de Estado».





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A Rússia denuncia a diarquia na ONU e nos Estados Unidos

Thierry Meyssan*

Promovendo o desenvolvimento doméstico da propaganda e da doutrinação para a guerra, inexoravelmente os países ocidentais dotam-se de uma censura à Internet. Neste contexto, uma tensão extremamente violenta divide de forma profunda a cena internacional. Constatando o risco acrescido de uma confrontação geral, Moscovo tenta encontrar interlocutores credíveis na ONU e nos Estados Unidos. Aquilo que se passa actualmente não tem equivalente desde 1938 e pode degenerar da mesma maneira.

Durante uma conferência de imprensa a 20 de Agosto, em Moscovo, o Ministro russo dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Sergueï Lavrov, denunciou as instruções dadas pelo Secretariado-geral da ONU a todas as suas agências interditando-as de participar, sob que forma seja, na reconstrução da Síria.

Ele fazia referência a um documento intitulado Parameters and Principles of UN Assistance (Parâmetros e princípios da Assistência das Nações Unidas) redigido, em Outubro de 2017, pelo Director dos Assuntos Políticos e numero 2 da ONU à época, Jeffrey Feltman.

Pode-se aí ler precisamente: «As Nações Unidas só estarão disponíveis para ajudar na reconstrução da Síria quando uma transição política global, autêntica e inclusiva, negociada pelas partes sírias em conflito, for firmemente posta em prática» [1].

Este texto é contrário aos objectivos das Nações Unidas, mas é defendido pelo seu Secretariado-geral. Os Estados membros da ONU jamais foram associados à sua redacção, nem sequer informados da sua existência. Ele corresponde ao ponto de vista dos governos do Reino Unido e da França, mas não ao dos Estados Unidos.

Lavrov declarou ter pedido esclarecimentos ao Secretário-geral, o socialista português António Guterres.

Tanto quanto é do meu conhecimento é a primeira vez que um Estado membro do Conselho de Segurança põe em causa um documento político interno do Secretariado-geral. Este problema não é, no entanto, novo. Em fins de 2015, a Rússia tinha tido conhecimento de um conjunto de documentos internos da ONU, conhecidos como o «Plano Feltman para a Síria» [2]. Tratava-se de um plano detalhado de capitulação total e incondicional da República Árabe Síria, mais drástico ainda que o imposto pelo General McArthur ao Japão [3].

Moscovo (Moscou-br) via-se, então, numa situação muito delicada. Se tornasse públicos estes documentos, a credibilidade da ONU ao serviço da paz teria sido destruída e teria de propôr novas instituições intergovernamentais para a substituir. Vladimir Putin decidiu, prudentemente, conservar o segredo, negociar com Barack Obama e salvar a ONU.

No entanto, na prática, nada mudou: Feltman foi reconduzido nas suas funções por Guterres e apresentou, de novo, um documento com o fim de sabotar a paz. Agora, ele foi substituído pela sua compatriota dos EUA, Rosemary DiCarlo, a qual não revogou as suas instruções.

Desta vez a Rússia não se contentará com desculpas e comentários dilatórios. Ora, é Guterres é o superior efectivo de DiCarlo ou existe uma dupla hierarquia no seio da ONU, uma pública e favorável à paz e outra, desconhecida e empurrando para a guerra?

No início da Guerra Fria, os EUA idealizaram como sobreviver a um ataque nuclear soviético que mataria de um golpe o seu presidente e os seus parlamentares. Assim, o Presidente Eisenhower nomeou um governo fantasma encarregado de assegurar a continuidade se uma tal catástrofe ocorresse. Esta entidade secreta foi periodicamente renovada pelos seus sucessores e ainda hoje existe.

Desde há dezoito anos, defendo a tese segundo a qual os EUA já não são governados pelo seu Presidente e o seu Congresso, mas, antes por esta entidade de substituição. Apoiando-me em documentos oficiais dos EUA, eu interpretei os atentados de 11 de Setembro de 2001 como um Golpe de Estado operado por esta instância não eleita. Temendo que eu ponha em cheque o ideal democrático, os meus contraditores rejeitaram os meus trabalhos em bloco sem realmente os debater, ou sem sequer os ler.

Poderia crer-se que após o segundo mandato de George Bush Jr. e de Barack Obama este debate se tornara obsoleto. Ora, durante a sua campanha eleitoral, Donald Trump denunciou a existência deste «Estado Profundo» que, segundo ele, não mais serviria os interesses do povo, mas, sim os interesses da Finança transnacional.

É claro, nenhum Estado estrangeiro assumiu posição pública sobre uma questão que releva da política interna e da soberania dos EUA. Salvo o Presidente Putin que, na semana passada, se meteu por esta via. Comentando, a 22 de Agosto ---quer dizer, dois dias após a intervenção pública do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br) contra a ONU---, as sanções de Washington contra o seu país, ele declarou: «E, não é somente a posição do Presidente dos Estados Unidos o que conta. É a posição da instituição que pretende ser o Estado, da classe dominante, no sentido amplo do termo. Eu espero que a tomada de consciência de que esta política não tem futuro chegará um dia aos nossos parceiros e que então começaremos a cooperar de uma maneira normal» [4].

Sim, leram bem. O Presidente Putin afirma que não há um Poder nos Estados Unidos, mas, sim, dois. O primeiro é composto pelos representantes eleitos do Congresso e pela Presidência, o segundo é ilegítimo e por vezes mais poderoso.

Em dois dias, a Federação da Rússia colocou em causa a coerência das Nações Unidas e a dos Estados Unidos.

Infelizmente, aqueles que ainda não analisaram os acontecimentos do 11-de-Setembro, nem tiraram as conclusões das guerras que se seguiram, permanecem na vulgata oficial. Provavelmente interpretarão a posição russa como uma maquinação visando perturbar as democracias ocidentais.

Do ponto de vista de Moscovo, é preciso terminar a guerra de agressão ---por interpostos jiadistas--- contra a Síria e levantar as sanções unilaterais dos Estados Unidos, do Canadá e da União Europeia contra a Rússia. Assim, o problema ao qual todos devemos fazer face não é o da defesa da democracia, mas, sim o do perigo de guerra.

Uma hierarquia paralela, em Nova Iorque e em Washington, desprovida de qualquer legitimidade, pretende mergulhar o mundo num conflito generalizado.

Thierry Meyssan* | Tradução Alva | Fonte Al-Watan (Síria)
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).
Notas
[1] “The UN will be ready to assist in the reconstruction of Syria only when a comprehensive, genuine and inclusive political transition, negotiated by the Syrian parties in the conflict is firmly under way”
[2] “Draft Geneva Communique Implementation Framework”, “Confidence Building Measures”, “Essential Principles”, “Representativness and Inclusivity”, “The Preparatory Phase”, “The Transitional Governing Body”, “The Joint Military Council and Ceasefire Bodies”, “The Invitation to the International Community to Help Combat Terrorist Organizations”, “The Syrian National Council and Legislative Powers during the Trasition”, “Transitional Justice”, “Local Governance”, “Preservation and Reform of State Institutions”, “Explanatory Memorandum”, “Key Principles revealed during Consultations with Syrian Stake-holders”, “Thematic Groups”.
[3] “A Alemanha e a ONU contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria) , Rede Voltaire, 28 de Janeiro de 2016.
[4] «И дело не только в позиции Президента Соединённых Штатов, дело в позиции так называемого истеблишмента – правящего класса в широком смысле этого слова. Надеюсь, что осознание того, что эта политика не имеет перспектив, всё-таки когда-нибудь придёт к нашим американским партнёрам, и мы начнём сотрудничать в нормальном режиме».

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A impotência auto-imposta dos governos russo e chinês

Paul Craig Roberts
Tanto o governo russo como o chinês são enigmáticos. Eles detêm todas as cartas nas guerras das sanções e sentam-se sem saber como jogá-las. Os russos não obterão qualquer ajuda dos media ocidentais que obscurecem o caso ao enfatizarem que o governo russo não quer privar seus cidadãos de bens de consumo do Ocidente, o que é precisamente aquilo que as sanções de Washington pretendem fazer. O governo russo e o chinês estão nas mãos de Washington porque ambos, a pensarem que o capitalismo venceu, rapidamente adoptaram a teoria económica neoliberal americana, a qual é um dispositivo de propaganda que serve apenas os interesses de Washington. Durante anos a NASA tem sido incapaz de funcionar sem motores de foguete russos. Mas apesar de todas as sanções, insultos, provocações militares, o governo russo ainda envia os motores à NASA. Por que? Porque os economistas russos dizem ao governo que as divisas estrangeiras são essenciais para o desenvolvimento da Rússia. A Europa está dependente da energia da Rússia para mover suas fábricas e manter-se aquecida no inverno. Mas a Rússia não desliga a energia em resposta à participação da Europa nas sanções de Washington, porque os economistas russos dizem ao governo que divisas estrangeiras são essenciais para o desenvolvimento da Rússia. Como Michael Hudson e eu explicámos em numerosas ocasiões, isto é um contra-senso. O desenvolvimento da Rússia não está dependente de modo algum da aquisição de divisas estrangeiras. Os russos também estão convencidos de que precisam de investimento estrangeiro, o qual serve só para drenar lucros para fora da sua economia. Os russos também estão convencidos de que deveriam comercializar livremente a sua divisa, com isso sujeitando o rublo à manipulação nos mercados cambiais do estrangeiro.Se Washington quiser provocar uma crise de divisas à Rússia, tudo o que o Federal Reserve e os seus vassalos nos bancos centrais japonês, da UE e britânico tem a fazer é vender o rublo a descoberto. Os hedge funds e especuladores participarão dos lucros.

A teoria económica neoliberal é uma farsa e os russos caíram nela. Assim como os chineses. Suponha que quando começaram todas estas acusações contra a Rússia – tome-se o alegado ataque ao Skirpals como exemplo – Putin se tivesse levantado e dito: "O governo britânico está a mentir com todos os seus dentes, assim como todos os governo incluindo o de Washington que reflectem esta mentira. A Rússia encara esta mentira como altamente provocadora e como parte de uma campanha de propaganda para preparar povos do ocidente para um ataque militar à Rússia. O fluxo constante de mentiras gratuitas e exercícios militares junto às nossas fronteiras convenceram a Rússia de que o ocidente pretende a guerra. A consequência será a destruição total dos Estados Unidos e dos seus fantoches". Isso teria sido o fim das provocações gratuitas, exercícios militares e sanções. Ao invés disso, ouvimos acerca de "mal entendidos" com nossos "parceiros americanos", o que encoraja mais mentiras e mais provocações. Ou, numa resposta mais moderada, Putin poderia ter anunciado: "Como Washington e seus servis fantoches europeus nos sancionaram, nós desligamos os nossos motores de foguetes, toda a energia para a Europa, o titânio para companhias aeronáuticas dos EUA, proibimos sobrevoos de aviões cargueiros e de passageiros dos EUA e colocamos em vigor medidas punitivas contra todas as firmas estado-unidenses que operam na Rússia".

Talvez uma razão para a Rússia não fazer isso, além da sua crença errada de que precisa da moeda e da boa vontade do ocidente, é a Rússia pensar erradamente que Washington roubará o seu mercado europeu de energia e despachará gás natural dos EUA para a Europa. Mas nada de tal infraestrutura existe. Levaria vários anos para desenvolve-la. Nessa altura a Europa teria desemprego em massa e estaria congelada nos invernos frios. E quanto à China? A China abriga um grande número de importantes corporações dos EUA, incluindo a Apple, a maior corporação capitalizada do mundo. A China pode simplesmente nacionalizar sem compensação, como a África do Sul está a fazer a agricultores brancos sul-africanos sem qualquer protesto ocidental, todas as corporações globais a operarem na China. Washington seria esmagada por corporações globais a exigirem a remoção de toda sanção sobre a China e a completa subserviência de Washington ao governo chinês. Ou em alternativa, ou como acréscimo, a China poderia despejar todos os seus US$1,2 milhão de milhões de Títulos do Tesouro dos EUA. O Federal Reserve rapidamente imprimiria a moeda para comprar os títulos de modo a que o seu preço não entrasse em colapso. A China poderia então despejar os dólares que o Fed havia impresso a fim de resgatar os títulos. O Fed não pode imprimir divisas estrangeiras para comprar os dólares. O dólar mergulharia e não valeria nem um bolívar venezuelano a menos que Washington pudesse ordenar aos seus banqueiros centrais fantoches no Japão, Reino Unido e UE que imprimissem suas divisas a fim de comprar os dólares. Isto, mesmo se fosse cumprido, provocaria uma grande tensão no que é chamado de "a aliança ocidental", mas que na verdade é o Império de Washington. Por que os russos e chineses não jogam suas mãos vencedoras? A razão é que nenhum dos dois governos têm conselheiros que não tenham os cérebros lavados pelo neoliberalismo. A lavagem cerebral que os americanos deram à Rússia durante os anos Yeltsin foi instaurada nas instituições russas. Presa nesta caixa, a Rússia é um pato sentado para Washington. A Turquia [1] é uma oportunidade perfeita para a Rússia e a China avançarem e removeram-na da NATO. Ambos os países poderiam oferecer à Turquia a entrada para o BRICS, acordos comerciais e tratados de segurança mútua. A China poderia facilmente comprar a divisa turca nos mercados de câmbios estrangeiros. O mesmo poderia ser feito quanto a Irão. Mas nem a Rússia nem a China parecem capazes de acção decisiva. Os dois países, ambos sob o ataque de Washington tal como a Turquia, sentam-se a chuparem os seus dedos.

12/Agosto/2018

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Conselheiros de Trump citam esforços da Rússia para interferir em eleição nos EUA

Conselheiros do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre eles o diretor de inteligência, Dan Coats, vieram a público nesta quinta-feira (2) para acusar a Rússia de estar por trás de esforços “abrangentes” para interferir nas próximas eleições norte-americanas.

Os principais conselheiros do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disseram nesta quinta-feira (2) que a Rússia está por trás de esforços “abrangentes” para interferir nas próximas eleições norte-americanas, uma rejeição das negações de intromissão que o presidente russo, Vladimir Putin, fez diretamente a Trump.

A equipe de segurança nacional de Trump, inclusive o diretor de inteligência, Dan Coats, e o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, foram à sala de imprensa da Casa Branca para enfatizar que existe um grande empenho para proteger a integridade das eleições parlamentares de novembro e a eleição presidencial de 2020.

Trump expressou publicamente seu ceticismo a respeito de um papel russo na interferência eleitoral nos EUA, o que levou tanto democratas quanto republicanos a acusá-lo de estar ignorando uma ameaça à democracia do país.

“Tenho grande confiança em minha equipe de inteligência, mas direi a vocês que o presidente Putin foi extremamente poderoso e forte em sua negação hoje”, disse Trump depois de conversar com Putin em Helsinque, na Finlândia, no dia 16 de julho.

Mas Coats, Bolton, o diretor do FBI, Christopher Wray, a secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, e o diretor da Agência Nacional de Segurança, Paul Nakasone, disseram que a Rússia tem culpa, além de outras entidades estrangeiras.

“Nosso foco aqui hoje é simplesmente dizer ao povo americano que reconhecemos a ameaça, ela é real, é contínua, e estamos fazendo tudo que podemos para ter uma eleição legítima”, disse Coats, acrescentando:

Ela é abrangente, está em andamento, com a intenção de… criar uma cisão e minar nossos valores democráticos.”

As atividades cibernéticas ilegais incluem esforços criminosos para impedir votações e proporcionar fundos de campanha ilegais, ataques cibernéticos contra a infraestrutura eleitoral e invasões de computadores visando autoridades eleitas e outros, disseram autoridades dos EUA.

Quanto ao envolvimento russo nas eleições intermediárias, continuamos a ver uma mensagem de campanha abrangente da Rússia para tentar enfraquecer e dividir os Estados Unidos.(…) Continuaremos a monitorar e alertar para tais esforços”.
Coats

Coats disse que o esforço de intromissão da Rússia chegou ao próprio Kremlin. Ele não deu detalhes.

“A Rússia tem usado inúmeras maneiras pelas quais quer influenciar, através da mídia, mídia social, através de atores que contrata, através de proxies – todos os itens acima, e potencialmente mais”, afirmou ele.

 
 
Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 (Reuters )/ Tornado

Ver artigo original em "O TORNADO"

Putin defende aproximação com União Europeia

Presidente russo nega desejo de desestabilizar bloco europeu e pede fortalecimento dos laços entre Moscou e Bruxelas. "Quanto mais problemas houver na UE, maiores serão os riscos e as incertezas para nós", diz.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu uma maior cooperação entre o governo russo e a União Europeia (UE). Segundo Putin, Moscou não busca a desestabilização do bloco comunitário europeu – apesar de se aproximar de partidos críticos da UE.
"Não estamos perseguindo o objetivo de dividir algo ou alguém na UE", disse Putin em entrevista à emissora estatal austríaca Österreichischer Rundfunk (ORF), um dia antes de visitar Viena.
Em vez disso, é de interesse da liderança russa "que a União Europeia esteja unida e floresça". "A UE é nosso parceiro comercial e econômico mais importante", justificou o presidente russo.
Segundo ele, quaisquer contatos de nível partidário com movimentos nacionalistas e eurocéticos não visam desestabilizar o bloco. "Pelo contrário, precisamos fortalecer a cooperação com a UE", disse Putin. "Quanto mais problemas houver na UE, maiores serão os riscos e as incertezas para nós."
A cooperação entre a legenda Rússia Unida – partido do qual foi fundador – e partidos de direita, como a Alternativa para a Alemanha (AfD) e o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), é decidida de forma pragmática.
Putin afirmou que a Rússia Unida também gostaria de estabelecer contatos com outras forças políticas. "Tentamos cooperar com aqueles que expressam publicamente o desejo de trabalhar conosco", disse.
Putin é aguardado nesta terça-feira (05/06) para uma visita de um dia à Áustria. É a primeira visita de Putin a um país da União Europeia desde a sua reeleição como presidente russo em março. O homem mais poderoso da Rússia e líderes do Estado e do governo austríaco, entre eles o chanceler federal Sebastian Kurz, pretendem dialogar sobre a crise na Ucrânia, sanções econômicas e a situação política global.
Putin enalteceu os bons contatos com a Áustria, que faz parte da União Europeia, mas não da Otan. "Apesar de todas as dificuldades, o diálogo não foi interrompido nos últimos anos", disse.
PV/dpa/rtr | Deutsche Welle

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Geopolítica de petróleo e gás: Aproxima-se uma tempestade de petróleo

Rússia, sauditas e Irão têm todas as cartas
“Chevron e Exxon Mobil têm participação na petroleira em Tengiz; Exxon, em Kashagan; e Chevron, em Karachaganak, todas no Cazaquistão. (…) OK. Agora, então, imaginem que Washington resolva que Chevron e Exxon Mobil não podem continuar a fazer negócios com empresas russas ‘sancionadas’…”
Pepe Escobar, Asia Times (de Doha) in Russia Insider*
Rússia e Arábia Saudita estão em debate profundo sobre aumentar a produção de petróleo OPEP e não OPEP em 1 milhão de barris/dia para compensar a queda drástica na produção na Venezuela além de possíveis reduções depois que as novas sanções dos EUA contra o Irã entrarem em vigência em novembro.
O problema é que nem esse aumento pensado na produção bastará, segundo o Credit Suisse; apenas 500 mil barris/dia seriam acrescentados ao mercado global.
O petróleo já alcançou $80 o barril – de que não se ouve falar desde 2014. O aumento da produção poderia certamente alterar a tendência. Ao mesmo tempo, fornecedores chaves manteriam o cru nos mercados futuros em $70-$80 o barril. Mas o preço poderia chegar até a $100 antes do fim do ano, dependendo do impacto que tenham as sanções norte-americanas.
Corretores de petróleo no Golfo Persa disseram a Asia Times que o preço atual do petróleo seria “muito mais alto hoje, se os estados do Golfo cumprissem o papel que sempre tiveram, de reduzir a produção” – para 10% ou 15% ou 20% da oferta da OPEP. Segundo um trader de Abu Dhabi, “os atuais cortes da OPEP só atingem 1,8 milhões de barris por dia, o que é ridículo e indica que os EUA ainda estão pressionando para manter baixo o preço.”
Um acordo russo-saudita poderia com certeza virar a mesa.
E há também a questão adicional da redução da oferta da OPEP. Há um consenso entre os traders de que “o corte a ser substituído é de cerca de 8% do suprimento total, que dá aproximadamente 8 milhões de barris/dia/ano. Grande parte disso foi alcançado na extração pré-2014, mas nos próximos quatro anos a extração cairá consideravelmente, colapso estimado em 50%.”
Implica dizer que a única regra é a incerteza. Como se não bastasse, a Société Générale previu que as sanções dos EUA podem tirar do mercado global até 500 mil barris/dia de cru iraniano.
E isso nos leva ao assunto realmente importante no futuro de curto prazo, que surgiu de análises que Asia Times cruzou, de traders do Golfo Persa e de diplomatas na União Europeia: à parte as questões técnicas, a questão é como os mercados de petróleo e energia são hoje reféns da pressão geopolítica.
Os EUA estão em posição relativamente confortável. A produção de petróleo alcançou 10,7 milhões de barris/dia – o suficiente para as necessidades domésticas. E a produção do petróleo de xisto deve chegar no próximo mês à produção recorde de 7,18 milhões de barris/dia, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.
Os EUA importam apenas 3,7 milhões de barris/dia – três milhões dos quais, do Canadá. Como traders no Golfo Persa confirmaram, os EUA “importam óleo pesado e exportam óleo leve. Em três anos, o país estará essencialmente totalmente independente.”
Sancionar ou morrer
Mais uma vez, o coração da matéria tem a ver com o petrodólar. Depois que o governo Trump separou-se unilateralmente do acordo nuclear iraniano (Plano Amplo Conjunto de Ação, ing. Joint Comprehensive Plan of Action, JCPOA), diplomatas da União Europeia em Bruxelas admitem off the record e ainda em choque, que erraram muito gravemente ao “não configurar a Eurozona como área distinta e separada da hegemonia do dólar”. Agora podem ter de pagar o alto preço da própria impotência, cedendo o comércio com o Irã, tornado “ilegal”.
A União Europeia – pelo menos na retórica – quer agora pagar em euros pelo petróleo iraniano. Acrescente-se a isso o ultimatum que o governo Trump fez à chanceler Merkel: desista do gasoduto Ramo Norte II a partir da Rússia, ou os EUA aplicarão tarifas extras sobre o aço e o alumínio –, isso, para que se possa avaliar o ponto de ignição do qual se aproximam hoje as relações EUA-UE.
Essa matéria do Deutsche Bank Research tem o mérito de destacar as vantagens do gasoduto Ramo Norte II. E toca num dos nervos, quando destaca que “os fluxos de gás russo que atravessam a Ucrânia parecem instalados para se manterem depois de 2019, quando expirarem os velhos contratos”. E isso “pode promover a aceitação do Ramo Norte II”.
Mas essa não é a história completa.
Diplomatas da União Europeia temem que “os EUA possam estrangular o Irã, bloqueando o acesso dos iranianos aos sistemas SWIFT e CHIPS [dois sistemas de compensações bancárias internacionais], o que impedirá que façam as compensações do que recebam, além de também estrangular o Irã com sanções.”
Simultaneamente, no Golfo Persa não é segredo entre os traders que mais cedo ou mais tarde todos terão de enfrentar a realidade de que o Irã, se atacado pelos EUA, “tem poder para derrubar as economias ocidentais, se destruir 20% da produção de petróleo no Oriente Médio. E a Rússia também tem esse poder.
A Rússia é amplamente autossuficiente para atender as próprias necessidades. Pode ganhar dessa vez – como batalha econômica, em vez de batalha militar”.
Os EUA parecem estar ampliando a proverbial “oferta que ninguém pode recusar” também à União Europeia: uma entrega furtiva, garantida, de Gás Natural Liquefeito (GNL), na eventualidade (pouco provável) de corte do fornecimento de gás natural russo para a União Europeia.
Para começar, a Gazprom russa não tem qualquer intenção de deixar vedar seu extremamente lucrativo mercado europeu. Além disso, essa suposta capacidade dos EUA para fornecer GNL “ainda não existe nos EUA. Os EUA não podem substituir o petróleo ou o gás russos para a União Europeia” – disseram os traders –, ainda que “o petróleo russo fornecido à UE tenha diminuído 40%, ao tempo em que as exportações de petróleo russo para a China cresceram 30%.”
Indiferente à realidade objetiva, o EUA-Capitólio, servindo-se da lei CAATSA, Countering America’s Adversaries Through Sanctions Act [“lei das sanções”], prepara-se para atacar os setores russos de defesa e energia com sanções secundárias (que se aplicam a nações que negociem com Moscou) devastadoras.
E esse movimento de aprofundar as sanções sobre o Irã e sobre a Rússia, sem dúvida terá repercussões imensas não só na Europa, mas em toda a Ásia Central.
Problemas no Cazaquistão
Considerem-se os três principais projetos de energia do Cazaquistão: Tengiz, Kashagan e Karachaganak. A maior parte das exportações de cru do Cazaquistão corre pelos 1.500 km do oleoduto Caspian Pipeline Consortium, CPC – que pertence em parte a Moscou (Transneft é proprietária de 24%, contra 15% da Chevron e 7,5% da Exxon Mobil).
A expansão dos dois projetos, Tengiz e Kashagan, que bombeia cerca de 950 mil barris/dia para a costa russa do Mar Negro, depende de rotas russas de trânsito.
Os 250 mil barris/dia de condensado de Karachaganak seguem Caspian Pipeline Consortium, CPC, e quase 18 bilhões de metros cúbicos de gás ao ano vão para a Rússia e são comercializados pela Gazprom.
Chevron e Exxon Mobil têm participação em Tengiz; Exxon, em Kashagan; e Chevron, em Karachaganak.
Executivos de petróleo e gás russos foram apanhados na rede das sanções dos EUA. A Transneft está sob sanções desde 2014. OK. Agora, então, imaginem que Washington resolva que Chevron e Exxon Mobil não podem continuar a fazer negócios com empresas russas…
Acrescente-se a tudo isso a reação da Rússia. Recente legislação aprovada na Rússia criminaliza empresas russas que aceitem sanções dos EUA – e ainda é possível retaliar também com proibição de empresas norte-americanas trabalharem na construção de infraestrutura na Rússia.
Traders no Golfo Persa dizem que, se a Rússia finalmente se convencer a “redirecionar sua oferta de petróleo e gás natural para a China, e a União Europeia ficar totalmente exposta ao Oriente Médio para receber petróleo extraído de/por estados do Golfo, todos gravemente instáveis, toda a Europa pode a qualquer momento ver-se em colapso, no sentido econômico, no caso de corte na produção de um ou outro estado do Golfo.”
A opção nuclear
Com isso somos lançados no coração do jogo geopolítico, como já admitem, jamais on the record, especialistas em Bruxelas: a União Europeia tem de reavaliar sua aliança estratégica com EUA essencialmente independentes em termos energéticos. “Estamos arriscando todos os nossos recursos de energia naquelas análises geopolíticas à Halford Mackinder, de que eles têm de conseguir separar Rússia e China.”
É referência direta ao falecido epígono de Mackinder, Zbigniew “Grande Tabuleiro de Xadrez” Brzezinski, que morreu sonhando com conseguir pôr a China contra a Rússia.
Em Bruxelas, há crescente percepção de que a pressão dos EUA contra Irã, Rússia e China é efeito do medo geopolítico de que toda a massa continental eurasiana, organizada como super bloco comercial via a Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE), a União Econômica Eurasiana (UEE), a Organização de Cooperação de Xangai (OCX), o Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura (BAII) está escapando da influência de Washington.
Essa análise[1] aproxima-se muito de como os três nodos chaves da integração da Eurásia no século21 – Rússia, China e Irã – identificaram a questão chave: ambas as moedas, o euro e o yuan têm afastar-se do petrodólar; o meio ideal, como os chineses destacam, para “pôr fim à oscilação entre ciclos de dólar forte e ciclos de dólar fraco, que são tão lucrativos para instituições financeiras norte-americanas, mas letais para mercados emergentes.”
E é por isso que os mercados de petróleo futuro de Xangai estão passando por tamanha mudança, já aprofundando o mercado de papéis soberanos da China. Traders do Golfo Persa manifestam forte interesse em como os traders asiáticos lucram do fato de o petroyuan ter lastro ouro (pode ser resgatado em ouro). O petróleo iraniano vendido em Xangai também expandirá esse processo.
Tampouco é segredo entre os traders do Golfo Persa que no caso – esperemos que nunca aconteça – de uma guerra Israel-sauditas-EUA no sudoeste da Ásia, contra o Irã, um cenário de guerra a favor do qual o Pentágono jogará seria “destruir os poços de petróleo nos países do Conselho de Cooperação do Golfo. O Estreito de Ormuz nem precisaria ser bloqueado, porque destruir os poços de petróleo teria efeito muitas vezes mais eficaz.”
E o que a possível perda de mais de 20% do suprimento mundial de petróleo pode significar é apavorante: a implosão, de consequências inimagináveis, da pirâmide de quatrilhão de derivativos e, consequentemente, da superestrutura de todo o cassino financeiro ocidental.
Podem chamar de reação em cadeia de uma arma nuclear financeira de destruição em massa. Comparada a isso, a crise financeira de 2008 não passaria de passeio num parque de preservação ecológica.
*Em Oriente Mídia | Traduzido por Vila Vudu
* “A storm IS coming” [Vem aí uma tempestade] – RI deu título muito pertinente ao meu mais recente mergulho na matrix de petróleo e gás. E está muito próxima, It’s just a shot away [aprox. “à distância de um tiro/de um beijo”, by The Rolling Stones]” (Pepe Escobar, pelo Facebook).

[1] “De tanto que distribuem sanções pelo mundo, EUA inadvertidamente firmam e confirmam o multipolarismo”, 28/5/2018, Alastair Crooke, Strategic Culture Foundation(traduzido em Blog do Alok [NTs]).

Ver o original em 'Página Global':  http://paginaglobal.blogspot.com/2018/06/geopolitica-de-petroleo-e-gas-aproxima.html