Professores

Idade não chega para colocar professores em grupo de risco

 

O fator idade não será suficiente. Para faltarem às aulas com justificação, os professores terão de apresentar atestado médico.

 

O Ministério da Educação confirmou ao Público que a idade, por si só, não será um fator para que um docente seja considerado como pertencente a um grupo de risco e, desta forma, ficar dispensado de regressar às aulas presenciais a partir de 18 de maio.

Graça Freitas indicou, no final do mês de abril, que os professores mais velhos estariam incluídos no grupo de risco, tendo especificado que ainda estavam a ser definidos os “critérios etários” para tal definição.

No entanto, tal não vai acontecer. O gabinete de Tiago Brandão Rodrigues informou que, para os professores, estão em vigor as mesmas disposições que para a restante função pública no que respeita à possibilidade de terem “um regime especial de proteção”, que justifique a sua não comparência ao trabalho.

Nesta situação estão “os imunodeprimidos e os portadores de doença crónica que, de acordo com as orientações da autoridade de saúde, devam ser considerados de risco, designadamente os doentes cardiovasculares, os portadores de doença respiratória crónica, os doentes oncológicos e os portadores de insuficiência renal”.

O diário ressalva ainda que os diabéticos e os hipertensos figuravam numa primeira lista, mas acabaram por ser excluídos.

À semelhança dos restantes funcionários públicos, os professores que estejam incluídos nestes grupos podem justificar a falta “mediante declaração médica, desde que não possam desempenhar a sua atividade em regime de teletrabalho ou através de outras formas de prestação de actividade”.

Esta sexta-feira, Susana Amador, secretária de Estado da Educação, mostrou-se otimista quanto à possibilidade de substituir professores em tempo útil para o regresso às aulas, já no próximo dia 18 deste mês.

“Teremos condições para, com celeridade, resolver estes assuntos e estou certa de que os nossos professores e os nossos dirigentes escolares irão conseguir dar a resposta necessária”, disse a governante.

As escolas podem proceder à contratação de professores através das reservas de recrutamento, que são semanais, ou do regime de contratação de escola, que opera no prazo de quatro dias.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/idade-nao-chega-professores-risco-323566

Candidatos ao 5.º e 7.º escalão: mais de metade não terão vaga

Com um mês de atraso relativamente ao ano lectivo anterior, iniciou-se finalmente o processo de constituição da lista de graduação nacional para progressão aos 5.º e 7.º escalões. O calendário é o que consta da Nota Informativa de 30 de Abril:

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Desta lista de graduação irão constar, tal como nos anos anteriores, todos os docentes que, reunindo as condições legais para progredir àqueles escalões, tiveram “apenas” Bom na avaliação do desempenho. Pelo que estarão agora dependentes de obtenção de vaga. A DGAE informa também que haverá este ano, para o 5.º escalão, 857 vagas. Relativamente ao 7.º escalão, estarão disponíveis 1050.

Estes números são superiores aos do ano passado, mas ainda assim não contrariam uma realidade evidente: estes estrangulamentos artificiais da carreira docente estão a ter um efeito de funil que leva a que, de ano para ano, seja cada vez maior o número de professores impedidos de progredir.

Pelas listas de graduação de 2019, constatamos que 531 docentes não tiveram vaga para aceder ao 5.º escalão. Eles irão agora posicionar-se no topo da lista de 2020, o que significa que ficarão, depois de um ano de espera, com a maioria das vagas disponíveis. Mas no 7.º escalão a situação é mais grave: houve 1628 candidatos que não progrediram. Isto significa que haverá docentes que irão permanecer mais um ano a marcar passo, pois as 1050 vagas disponíveis não chegarão para todos. Quanto aos novos integrantes da lista em 2020, esses têm garantido para já, e na melhor das hipóteses, um ano de espera antes de poderem progredir.

Juntamente com a lotaria das aulas assistidas e as iníquas e burocráticas avaliações do desempenho, as barreiras à progressão do 5.º e do 7.º escalão são dos aspectos mais gravosos da actual estrutura de carreira, herdada do ocaso do socratismo e mantida intocada por sucessivos governos. Impedir e retardar progressões, fomentar rivalidades e individualismos numa profissão que deveria assentar numa cultura profissional de colaboração e partilha, dificultar ou mesmo impossibilitar o acesso ao topo da carreira: estes continuam, dez anos depois, desígnios que orientam o ME na gestão da carreira dos professores ao seu serviço, que deveria defender e valorizar. Até quando?…

Presidente do Instituto Politécnico do Porto marcou reunião para o 1.º de Maio

Sindicato dos Professores do Norte e Associação de Bolseiros de Investigação Científica afirmam, numa nota conjunta, que o presidente «testa limites do abuso». PCP questionou Governo sobre a matéria.

Instituto Politécnico do PortoCréditos / pt.wikipedia.org

No texto, a Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) e o Sindicato dos Professores do Norte (Fenprof/CGTP-IN) denunciam que, «com menos de 24 horas de antecedência, o presidente do Instituto Politécnico do Porto [IPP], professor João Rocha», convocou os funcionários docentes e não docentes para uma reunião, via plataforma Zoom, «a realizar em pleno feriado de 1.º de Maio, Dia do Trabalhador, sobre a "retoma das actividades lectivas"».

«Temos dificuldade em classificar este abuso», afirmam ambas as entidades, para as quais «parece pouco dizer que é uma falta de respeito quando de uma assentada não se respeitam os prazos de convocatória, os tempos de descanso dos trabalhadores e o direito ao gozo de um feriado – e tudo no icónico Dia do Trabalhador».

Consideram «lamentável» que o presidente de uma instituição pública «pareça desconhecer» que se trata de «um feriado obrigatório e não reconheça o valor simbólico deste dia». Além de informarem que vão denunciar a situação junto da Direcção-Geral do Ensino Superior e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, exortaram «todos os trabalhadores a não se deixarem intimidar e a não comparecerem à reunião».

Gestão democrática das instituições de ensino superior é urgente

O grupo parlamentar do PCP fez eco da denúncia, ainda na quinta-feira, ao questionar o Governo sobre a convocatória. No texto, os comunistas referem-se a uma comunicação posterior do presidente do IPP, na qual este afirma que «nenhum trabalhador foi convocado para estar presente em qualquer reunião» e que apenas se disponibilizou «para conversar com todos os docentes num espírito de total abertura para poder prestar os esclarecimentos que consideraram necessários».

João Rocha afirma que «só está presente quem quer» e diz ter «alguma dificuldade em perceber que possa estar impedido» de se «disponibilizar para falar com quem quiser falar» com ele «em qualquer dia ou hora». No final da comunicação, diz: «Sou, contudo, culpado de uma falha. Não devia ter sido utilizada a palavra "reunião" mas sim "conversa".»

A este propósito, os comunistas afirmam que «parece tratar-se de uma "conversa em família" que, por acaso, ocorre no feriado 1.º de Maio – Dia do Trabalhador, a convite de um presidente, identificado como tal, de uma instituição de ensino superior pública». Ou seja, trata-se de «uma actividade que não é desenvolvida informalmente por um qualquer desconhecido», mas, sim, «formalmente usando os meios de comunicação oficiais do IPP pela pessoa que assume e assina enquanto o responsável máximo da instituição».

O PCP sublinha que, a pretexto do «estado de emergência imposto ao País», se agravaram «notoriamente» muitas das «fragilidades estruturais do ensino superior», tendo ficado a descoberto a «precariedade laboral de uma grande parte da comunidade académica», que vive numa «permanente condição de incerteza, insegurança e coacção».

Neste sentido, os comunistas verificam que a «gestão democrática das instituições de ensino superior é uma necessidade cada vez mais urgente» e perguntam ao Governo como analisa a situação relatada e que medidas vai tomar de modo a garantir que os direitos de todos os trabalhadores do IPP são integralmente respeitados.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/presidente-do-instituto-politecnico-do-porto-marcou-reuniao-para-o-1o-de-maio

Quem paga o material de (tele)trabalho?

CardaDocente-ItaliaCom a generalidade dos docentes portugueses a trabalhar a partir de casa, há uma questão que tem vindo, com toda a pertinência, a ser colocada: quem é responsável por fornecer aos professores os computadores, as ligações à internet e restante equipamento necessário para trabalhar remotamente?

A verdade é que, desde o programa e-escolas, iniciado no tempo de Sócrates e desaparecido na voragem da crise financeira, nunca mais houve qualquer iniciativa destinada a apetrechar os professores, gratuitamente ou a custos módicos, com as ferramentas tecnológicas indispensáveis ao que se diz ser a escola do futuro. Mas é igualmente certo que nenhum trabalhador por conta de outrem deve ser obrigado a pagar do seu bolso os instrumentos de trabalho necessários ao exercício da profissão. Nem tão pouco a usar profissionalmente equipamentos que adquiriu para uso pessoal.

Como se resolve, noutros países, este problema? Por exemplo, em Itália, o país europeu mais massacrado pela pandemia, e onde os alunos estão há um mês e meio sem aulas presenciais?

Os professores italianos têm direito a um crédito anual de 500 euros para aquisição de livros, hardware e software informático, cursos de formação contínua e outros gastos inerentes à sua formação e valorização profissional. Em vez de estarem dependentes das iniciativas estatais ou das modas do momento, podem definir eles próprios as suas necessidades prioritárias e usar o saldo disponível na respectiva Carta del Docente para pagarem os custos correspondentes.

Por cá, continua a apostar-se num modelo centralista de formação contínua e a desprezar a autonomia profissional dos professores. Adquirir um computador, tal como comprar livros, visitar museus e centros de ciência, assistir a espectáculos culturais ou participar em encontros científicos – tudo isto são investimentos na profissão, tanto ou mais válidos do que as forma(ta)ções, de pertinência e qualidade duvidosas, arbitrariamente decididas pelas autoridades educativas. Eis uma evidência que, entre nós, tarda a impor-se…

 

Voo de repatriamento de professores em Timor-Leste "nos próximos dias"

 
 
Díli, 01 abr 2020 (Lusa) -- A Embaixada de Portugal em Díli informou hoje que é esperado "nos próximos dias" em Díli um voo para transportar para Lisboa professores, cooperantes e outros cidadãos portugueses em Timor-Leste.
 
A informação sobre o voo foi comunicada por 'email' aos portugueses que já confirmaram a sua vontade de partir, segundo a mensagem a que a agência Lusa teve acesso.
 
O 'email' informa as pessoas que já estão inscritas para o voo -- mais de 200 -- que a viagem deverá acontecer "nos próximos dias" estando apenas a aguardar-se "autorizações de escala e sobrevoo de alguns países".
 
Os viajantes devem estar preparados "para partir em breve (...). Serão informados assim que o voo saia de Lisboa, de modo a que possam ultimar os preparativos, evitando por outro lado que, quem se encontre fora de Díli, se desloque com demasiada antecedência", refere a embaixada.
 
No 'email' é explicado que o voo é comparticipado em 50%, pelo que cada passageiro terá que pagar 1.300 euros "mediante um compromisso de reembolso", tendo que para isso assinar um documento em que garante o pagamento ao Estado por transferência bancária.
 
 
A 28 de março os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Educação portugueses anunciaram, em comunicado conjunto a operação de transporte aéreo para regresso temporário a Portugal de professores sem atividades letivas presenciais.
 
Essa operação estava condicionada à manutenção da decisão de fecho de escolas que ficou confirmada no decreto das medidas do estado de emergência aprovado no sábado.
 
"A operação destina-se primordialmente a apoiar o regresso temporário de professores sem atividades letivas presenciais, nos termos a definir pelas entidades competentes, e seus familiares diretos", sublinhava o comunicado.
 
Fontes dos vários projetos em curso confirmaram à agência Lusa que nem todos os professores destacados em Timor-Leste querem regressar, tendo a oportunidade de utilizar o voo sido oferecida a outros cooperantes no país e, posteriormente, a outros cidadãos portugueses que pediram apoio consular, mas segundo vários critérios, inclusive estado de saúde.
 
A informação mais recente indica que já confirmaram a sua vontade de partir cerca de 90 dos 135 professores destacados nos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), um projeto lusotimorense espalhado por todos os municípios do país.
 
Somam-se 48 dos 66 professores em mobilidade e de contratação local na Escola Portuguesa de Díli mais os seus familiares e acompanhamentos, num total de 61.
 
Aproveitam ainda um número reduzido de outros cooperantes e seus familiares.
 
Até ao momento a Embaixada de Portugal não confirmou o total de lugares do avião nem a data prevista de partida de Timor-Leste.
 
Alguns portugueses, incluindo pelo menos duas professoras do projeto CAFE, viajaram no fim de semana em voo comercial para Bali de onde poderão partir, em breve, com outras ligações aéreas para Portugal.
 
Timor-Leste, onde residem um total estimado de cerca de mil portugueses, tem um caso confirmado de covid-19 e está em estado de emergência desde sábado.
 
ASP // SB

Mais 750 euros mensais…

…para o Ministro da Educação.

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Apesar de estar há 5 anos a viver e trabalhar em Lisboa, ainda é dado como residente na probínxia, pelo que continua a ter direito ao subsídio de alojamento.

Um suplemento mensal para compensar os incómodos de um homem do norte desterrado na capital…

Já os professores que percorrem o país com a casa às costas, esses ganham bem e gostam do que fazem, não precisam de nada disto…

Fenprof insta Governo a garantir regresso de professores que trabalham no estrangeiro

São principalmente dos PALOP os pedidos de professores que têm chegado à Federação Nacional de Professores. Trabalham em escolas portuguesas e querem regressar a Portugal neste tempo de pandemia.

Créditos / Jotta Club

Numa nota publicada na sua página na Internet, a Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN) explica que, a par dos professores que trabalham em escolas sob tutela directa do Governo de Portugal, há outros que se integram em projectos de cooperação entre o nosso país e aquele para onde vão trabalhar.

«Logo que chegaram os primeiros apelos, no caso, de docentes que exercem actividade na Escola Portuguesa de Díli (Timor)», a Fenprof informa que, através do Sindicato dos Professores no Estrangeiro (SPE), entrou em contacto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, através da Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, que «procurou articular a sua acção com o Ministério da Educação e, até, no caso de Timor, com o embaixador de Portugal em Díli».

A Fenprof lamenta não se conhecerem até ao momento «quaisquer desenvolvimentos e acções concretas que tenham resultado destas diligências iniciais». Não obstante, refere que começaram a surgir apelos de docentes que se encontram a trabalhar noutros países, «uns por necessidade de emprego e outros por fraterna solidariedade, no sentido de poderem regressar a Portugal».

A estrutura sindical frisa que «cabe ao Estado português, mais concretamente ao Governo, garantir que esse regresso acontecerá muito brevemente», acrescentando que estes professores se sentem «abandonados pelas autoridades do seu próprio país», contrariando «um tempo em que a prioridade terá de ser dada às pessoas, incluindo as que se encontram longe do seu país».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/fenprof-insta-governo-garantir-regresso-de-professores-que-trabalham-no-estrangeiro

Ninguém está de férias, diz o ministro

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«O ministro da Educação anunciou nesta sexta-feira que os professores e pessoal não docente vão ter de continuar a apresentar-se nas escolas enquanto vigorar a suspensão de todas as actividades lectivas e não lectivas presenciais que o Governo decretou a partir da próxima segunda-feira e até ao início das férias da Páscoa. “Ninguém está de férias”, frisou Tiago Brandão Rodrigues na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, que aprovou hoje um pacote de medidas em várias áreas para enfrentar a actual pandemia do novo coronavírus em Portugal (in Público)».

Entre as declarações ambíguas do ministro e as reacções exacerbadas de alguns professores nas redes sociais, talvez seja adequado fazer um apelo à ponderação e à calma, quando se equaciona o que irá ser o trabalho dos professores nas próximas duas semanas.

É evidente que os professores, desde que não estejam doentes ou noutras situações de impedimento, continuam ao serviço das suas escolas e sujeitos ao cumprimento das suas obrigações profissionais. Devem por isso abster-se de tomar posições públicas que possam sugerir a ideia de que reclamam férias fora de época ou, mais prosaicamente, “não querem trabalhar”.

Dito isto, há que reconhecer que, não havendo aulas nem alunos na escola, não faz sentido exigir o cumprimento do horário lectivo aos professores. Nem tão pouco inventar serviço não lectivo que obrigue a permanecer longas horas em espaços confinados no interior da escola.

Os professores têm sempre, nesta altura do ano, trabalho para fazer: corrigir testes e fichas, avaliar trabalhos, preparar as avaliações do final de período. Haverá reuniões já convocadas ou calendarizadas que terão, naturalmente, de se realizar. Muito deste trabalho pode ser, com vantagens para todos, feito a partir de casa. Tudo isto pode e deve ser equacionado e decidido dentro de cada escola ou agrupamento escolar, onde os professores devem defender os seus direitos e interesses, conjugando-os com as necessidades da organização escolar. Também aqui terá de haver sensatez: não faz sentido defender o trabalho a partir de casa e depois recusar o uso da “minha internet” ao serviço da escola.

Saibamos, enquanto profissionais da educação, assumir o nosso profissionalismo, como sempre fizemos. O que passa tanto por cumprir os nossos deveres profissionais como por defender os nossos direitos, incluindo o direito à saúde e o respeito da nossa dignidade profissional. O que implica por não sermos obrigados a “marcar presença” apenas porque sim, nem a inventarem-nos tarefas inúteis apenas para nos darem o que fazer.

 

Troca de favores

O esquema é antigo, e deveria envergonhar algum jornalismo que se considera de referência.

O Governo fornece informação privilegiada a um órgão de comunicação, permitindo-lhe elaborar uma notícia “exclusiva”. Em contrapartida, este produz uma manchete simpática para as intenções mistificadoras do Governo.

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Neste caso, interessava escamotear a realidade de que, de ano para ano, cada vez mais docentes ficam barrados na progressão ao 5º e 7º escalões. E assinala-se a progressão de 6 mil professores quando na verdade cerca de 4 mil progrediriam de qualquer forma, pois o resultado da avaliação de desempenho dispensa-os da necessidade de vaga.

Quanto ao ME, as menos de 2 mil vagas que irá abrir não permitirão a progressão da grande maioria dos docentes que tiveram Bom na última avaliação. Tendo em conta que nas listas do ano passado ficaram mais de 2 mil por colocar, e que de ano para ano vai aumentando o número de docentes que engrossam a lista dos afunilados, só resta concluir que, caso nada mude nesta matéria, o número de professores impedidos administrativamente de progredir na carreira continuará a aumentar.

Segundo dados do Ministério da Educação, citados pelo Público, mais de 6.000 docentes vão progredir para o 5.º e 7.º escalões (4.000 e 2.000, respetivamente). Trata-se de um aumento de 43% face ao mesmo período de 2019. Quando entram no 5.º escalão, os docentes têm um aumento salarial de cerca de 80 euros mensais — ficam a ganhar um salário médio líquidos de 1.415 euros. No caso do 7.º escalão, a subida remuneratória é de 180 euros mensais, para 1.575 euros.

O acesso aos 5.º e 7.º escalões depende, porém, do número de vagas que sejam abertas pelo Governo, só que, no caso dos docentes que na avaliação de desempenho tenham Muito Bom ou Excelente a progressão é automática. Segundo o Público, a maioria dos professores que progride (cerca de 4.000) para estes escalões, este ano, obteve as duas notas máximas na avaliação.

Serão, ainda, abertas 1.852 vagas (852 para o 5.º escalão e 1.043 para o 7.º). É o maior número de vagas desde o descongelamento das carreiras, em 2018.

Professores exigem progressão na carreira docente

Centenas de professores concentraram-se junto ao Ministério da Educação, em Lisboa, e nas delegações regionais do Porto, Coimbra, Évora e Faro, para reclamar a progressão aos 5.º e 7.º escalões.

CréditosTiago Petinga / Agência LUSA

Nas concentrações desta quarta-feira estiveram professores e educadores que não progridem, alguns desde 2004. São 16 anos que lhes permitiriam estar quatro escalões acima daquele em que se encontram. 

A Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN) revela numa nota à imprensa que este bloqueio «não se repercute apenas no salário actual», uma vez que tem «implicações muito negativas no cálculo da futura pensão de aposentação». 

A Fenprof dá o exemplo de uma professora que participou no protesto, em Lisboa. Com 57 anos de idade e 34 de serviço (ainda no sexto escalão), esteve recentemente na Caixa Geral de Aposentações para obter uma simulação do valor da sua pensão. Caso se aposentasse agora, passaria a receber apenas 425 euros. 

A Federação entende que se trata de «um roubo inaceitável». «Este é um de entre tantos outros prejuízos que são provocados por este regime de vagas e por uma exígua abertura das mesmas nos dois anos em que tal aconteceu (2018 e 2019), tendo aumentado em 310% o número de docentes retidos no quarto e sexto escalões, só num ano», pode ler-se na nota.

No final das acções, os manifestantes aprovaram uma moção por unanimidade, que foi entregue no Ministério da Educação e nas delegações regionais do Porto, Coimbra, Évora e Faro. Entretanto, a estrutura sindical garante a que a luta dos professores em defesa da carreira, por uma aposentação «justa» e por horários de trabalho «adequados» vai continuar.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/professores-exigem-progressao-na-carreira-docente

A verdade sobre os sindicalistas presentes – e os ministros fujões

fuga.gifUm conselho de ministros em Bragança, no âmbito uma governação de proximidade e de abertura ao diálogo e ao contacto com as populações.

A narrativa governamental dizia mais ou menos isto, mas a retórica do diálogo e do confronto com os problemas e as realidades rapidamente foi descartada, perante a informação de que no exterior do local onde se realizou o conselho de ministros estava uma delegação da Fenprof. O seu objectivo seria entregar uns postais dos professores ao Governo e trocar breves palavras acerca das reivindicações da classe.

A opção de António Costa e do seu séquito ministerial foi então a saída pela porta dos fundos do Cineteatro de Bragança, evitando o diálogo com os manifestantes.

Entre as cenas pouco edificantes desse dia, há ainda a referir as insinuações postas a circular pelas hostes governamentais epela comunicação social –  que algum anti-sindicalismo docente resolveu também amplificar – de que os sindicalistas, frustrada a tentativa de chegar à fala com António Costa, terão tentado “forçar a entrada” no local da reunião.

Seria caso para dizer-se que, com colegas tão empenhados em dar tiros nos próprios pés e nos de quem os representa, os professores nem precisariam de inimigos. Valha-nos a PSP que veio, a bem da verdade, esclarecer como tudo se passou…

Segundo a PSP, “a entrada e saída dos membros do governo não sofreu qualquer alteração ou constrangimento causado pela presença de um conjunto de manifestantes afetos à FENPROF”, que organizou uma manifestação na Praça Cavaleiro de Ferreira, em frente ao Teatro Municipal, quando decorria o Conselho de Ministros. Na ocasião, Mário Nogueira disse aos jornalistas que queria entregar sete mil postais, com reivindicações ao primeiro-ministro, mas não chegaram a cruzar-se.

Na mesma nota de imprensa, a PSP esclarece que, “enquanto decorria a conferência de imprensa, o líder da FENPROF aproximou-se de uma das portas de acesso, questionando o comandante do policiamento quanto à possibilidade de efetuar a entrega de umas caixas, tendo-lhe sido comunicado que tal não era possível. Não existiu, em momento algum, qualquer atitude hostil por parte deste dirigente sindical que, apesar de aludir a algumas palavras de ordem, abandonou o local, sem registo de qualquer incidente”.

A PSP acrescenta que “os manifestantes mantiveram um comportamento que se pautou pelo respeito pela ordem e legalidade democrática, que não indiciava qualquer preocupação especial de segurança”.

Ex-director do Agrupamento Azevedo Neves demitido

azevedo-neves.pngJosé Biscaia dirigiu com mão de ferro o Agrupamento Azevedo Neves, um grupo de escolas problemáticas à frente do qual terá conseguido alguns sucessos.

Contudo, chegado àquela fase, crítica para alguns directores, em que o poder lhes sobe à cabeça, foram-se acumulando acusações de prepotência, ilegalidades, abuso de poder: favorecimentos nas contratações de escola, irregularidades na gestão financeira, agressões físicas a professores e castigos cruéis e humilhantes a alunos, como sujeitá-los a duches frios em pleno Inverno.

Na sequência das queixas, foi aberto um processo disciplinar do qual resultou a destituição do director e a suspensão de funções por 150 dias. Mas, como o director desrespeitou a decisão condenatória, permanecendo ilegalmente em funções, houve matéria para nova acção disciplinar, desta vez culminando na pena mais grave prevista na lei: a demissão.

Inconformado, José Biscaia recorreu judicialmente da decisão. O processo chegou até ao Tribunal Central Administrativo do Sul, que a 21 de Novembro último confirmou a pena de demissão, considerando que os factos dados como provados, nomeadamente os maus tratos aos alunos no exercício de funções, fundamentam a aplicação da pena mais grave prevista na lei.

O longo acórdão do tribunal pode ser consultado aqui. Da extensa mas bem fundamentada prosa transcrevo um excerto significativo, que pode constituir, para todos nós, leitura instrutiva…

…uma carreira com muitos anos de serviço, no caso 33 anos,sem qualquer punição, “impoluta”, não constitui circunstância atenuante especial da infração. Para que essa circunstância atenuante especial da infração opere é necessário não só que haja um comportamento e zelo que se prolonguem mais de 10 anos, mas também que o arguido possa ser considerado um modelo para os restantes funcionários. Exige-se, pois, um comportamento modelar por parte do funcionário em causa por um período superior a 10 anos.

[…]

A diferenciação e a destrinça que a sentença recorrida faz quanto às funções de diretor e de professor é puramente artificial e ficcionada, pois que não é pelo facto de um professor estar como diretor que deixa de ser professor.

A função docente é um conceito alargado, que engloba várias funções e atividades na Escola, umas letivas e outras não letivas e é nestas que se inserem as funções de direção, de administração, de acompanhamento e de apoio.

Não há dúvida de que a conduta do A inviabilizou, de modo irreversível, a manutenção do seu vínculo de emprego público, tendo o mesmo revelado uma personalidade imprópria e inadequada para o exercício da função docente, pelo que de acordo com o previsto nos artigos 187.º(4) e 297.º, n.º 3 al. a)(5), ambos da LTFP, a sanção aplicada é a de despedimento ou demissão por motivo disciplinar.

 

5000 professores escrevem ao Governo

PostaisBraganca_230E os respectivos postais serão hoje entregues ao primeiro-ministro em Bragança, onde se realizará o habitual Conselho de Ministros.

Quanto ao teor das missivas, ele não foge, infelizmente, aos temas que vêm marcando o  diálogo de surdos que tem sido a relação do Governo com os professores: perguntas sem resposta, direitos desrespeitados, reivindicações da classe rejeitadas, problemas ignorados e soluções indefinidamente adiadas.

São mais de 5.000 postais recolhidos desde que o governo anunciou que iria reunir em Bragança. A FENPROF pretende entregar estes postais ao Primeiro-Ministro no final da reunião do Conselho de Ministros naquela cidade, amanhã, dia 27 de fevereiro. Antes, pelas 11:45, na Praça do Professor Cavaleiro de Ferreira (Bragança), onde se concentrarão docentes em protesto, o Secretário-Geral da FENPROF, em Conferência de Imprensa, não só dará a conhecer as razões do protesto, como divulgará as exigências que, através dos postais assinados por educadores e professores, serão apresentadas ao Governo.

Os problemas para os quais se exigem soluções são bem conhecidos e relacionam-se com a carreira (roubo de tempo de serviço e outros obstáculos à normal progressão dos docentes), envelhecimento dos profissionais, precariedade e condições de trabalho nas escolas. Apesar de serem problemas para os quais se reclamam, há muito, soluções que respeitem e valorizem o exercício da profissão docente, os responsáveis do Ministério da Educação (ministro, secretários de estado, diretores gerais ou inspetor geral da Educação e Ciência) recusam reunir, dialogar e, no caso dos que integram a equipa ministerial, abrir negociações das quais resultem as medidas necessárias à sua superação.

Quanto ao Ministro da Educação, desde o início do seu novo mandato, limitou-se a convocar uma reunião, em 22 de janeiro, na qual reiterou indisponibilidade para o diálogo e para a abertura de processos negociais sobre matérias que não fossem por si decididas.

Face a esta situação, a FENPROF estará em Bragança amanhã, dia 27 de fevereiro para reclamar, junto do Governo e do Primeiro-Ministro em particular, respeito pelos professores, abertura de negociações e um ministro para a Educação.

Recenseamento adiado

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Afinal o recenseamento de docentes já não estará disponível para verificação por parte dos próprios no prazo previsto. Parece que os directores se atrasaram a inserir e confirmar as informações, pelo que o prazo para o fazerem foi alargado até 27 de Fevereiro.

Pela minha parte, continuo a ter muitas dúvidas acerca destes deveres e procedimentos que a administração escolar inventa para os professores. Gostaria mesmo de saber em que lei, estatuto ou regulamento se encontra prevista esta obrigatoriedade legal de confirmar dados que a administração recolhe a meu respeito. Interrogo-me se a base de dados assim constituída cumpre as regras nacionais e as directivas europeias acerca da protecção de dados. E continuo sem saber qual o valor legal de uma “nota informativa”, que parece ter-se tornado o meio de eleição do ME para indicar aos seus subordinados as coisas que têm de fazer.

Escolas obrigadas a adiar reuniões no Carnaval

sala-reunioesCumpriu-se o objectivo deste primeiro dia de greve de professores durante a interrupção lectiva do Carnaval: impedir que as escolas aproveitassem a pausa para a realização de extemporâneas reuniões de avaliação.

Seguindo a velha regra de que a melhor greve é a que não chega a ser preciso fazer-se, o pré-aviso foi suficiente para que a generalidade das direcções escolares que tinham anunciado a intenção de convocar as reuniões desistissem de o fazer. E na única escola onde a decisão foi em frente, as reuniões não se fizeram devido à greve dos professores.

Segundo Mário Nogueira, das “várias dezenas de escolas” que tinham previsto reuniões para esta segunda-feira, apenas o Agrupamento de Escolas Professor António da Natividade, em Mesão Frio, manteve oito reuniões convocadas, sendo que as quatro agendadas para a manhã não se realizaram “porque os professores fizeram greve”.

O líder da Fenprof adiantou que as reuniões para esta segunda-feira e para quarta-feira, dia 26, foram marcadas “não porque eram necessárias, mas como retaliação” à greve que os professores têm vindo a realizar a estas horas extraordinárias.

Ao PÚBLICO, o dirigente sindical lembrou que a luta da Fenprof “contra os abusos e ilegalidades” em relação aos horários de trabalho dos professores já dura há bastante tempo, sem que o Ministério da Educação tenha feito qualquer coisa para resolver o problema.

Perante a intransigência do ME, que continua a apostar em “mais trabalho dos professores” em vez de dotar as escolas com os recursos materiais, humanos e financeiros adequados aos ambiciosos desafios da “escola do século XXI”, a resposta dos professores só pode ser esta: a recusa de todo o trabalho extraordinário que lhes vai sendo imposto, sem que seja reconhecido e remunerado como tal.

Greve dos professores deixa mais de 2 milhões de crianças sem aulas no Canadá

 

Toronto, 21 fev (Xinhua) -- Os principais sindicatos de professores da província canadense de Ontário entraram em greve na sexta-feira, deixando mais de 2 milhões de crianças em idade escolar sem aulas.

A greve viu 30.000 membros do sindicato no Queen's Park. Outros 20.000 estavam fazendo piquetes ao longo de um trecho de 30 km na estrada Highway 10 na região de Peel, informou a mídia local.

"Queremos que este governo entenda que mais de 200.000 professores e profissionais da educação em toda a província estão de pé e com uma voz pedindo para reduzir esses cortes", disse na sexta-feira, Liz Stuart, presidente da Associação de Professores Católicos de Ontário.

O ministro da Educação de Ontário, Stephen Lecce, disse que os alunos deveriam estar na escola.

"Os pais estão perdendo a paciência com a interrupção causada pelo sindicato em suas vidas, a inconsistência na educação de seus filhos e o impacto financeiro da luta por cuidados alternativos", disse Lecce.

O ministro disse que o principal ponto de discórdia nas negociações com os professores do ensino médio é a compensação.

Os sindicatos estão pedindo aumentos salariais de dois por cento para acompanhar a inflação, mas o governo aprovou legislação no ano passado limitando os aumentos salariais para todos os trabalhadores do setor público em um por cento durante três anos.

O governo provincial anunciou em março de 2019 que aumentaria a média das turmas do ensino médio de 22 para 28 e exigiria que os alunos fizessem quatro cursos de ensino on-line para se formarem, enquanto os sindicatos estão pedindo ao governo que recue nos cortes na educação.

O governo recuou parcialmente, oferecendo, em vez disso, aumentar o tamanho médio das turmas do ensino médio para 25 e exigir dois cursos de aprendizado on-line.

Os professores de Ontário estão sem contrato desde 31 de agosto de 2019 e as tensões aumentaram nos últimos meses entre eles e o governo.

Com uma média de tamanho de turma em toda a província de 22,5, a mudança para aumentar o tamanho da turma já levou as escolas a oferecerem centenas de cursos a menos, de acordo com relatos da mídia local.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-02/23/c_138809846.htm

Professores de todas as cores

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Podem ser, os professores, da cor que quiserem. A diversidade é, aliás, altamente desejável numa classe profissional que, mais do que meros transmissores de conhecimentos, exige profissionais reflexivos, críticos e criativos.

O que não convém é que o contraste entre os diferentes coloridos nos cegue e nos impeça de ver, para além das naturais diferenças, o muito que temos em comum.

Claro que quem quer desqualificar, subjugar e proletarizar os professores prefere ver-nos divididos e consumidos em guerras e rivalidades que nos desgastam e enfraquecem.

O poder político, que entende as reformas da Educação como uma luta contra os profissionais do sector, receia acima de tudo ter de enfrentar professores unidos em torno da defesa de direitos e interesses comuns e determinados a votar ao desprezo quem há muito os despreza. Docentes comprometidos com os seus alunos e a sua profissão em vez de serventuários do governo. Na sua tentativa constante de domesticar a classe, os governantes de turno recorrem a tudo o que tiverem à mão para manter os professores isolados, temerosos, desmoralizados e divididos.

Saibamos, com determinação e inteligência, contrariá-los…

Pelo fim do bloqueio às progressões

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A iniciativa da Fenprof é só para 4 de Março, mas convém ir registando na agenda.

Um número crescente de professores vai ficando, de ano para ano, parado no acesso ao 5.º ou ao 7.º escalão, por via das quotas administrativas que são usadas para impedir a progressão de quem não teve Muito Bom ou Excelente na anterior avaliação.

Na prática, e acrescentando a esta barreira o tempo de serviço não recuperado dos congelamentos, esta é uma forma de o ME concretizar o que sempre foi um objectivo não assumido de sucessivos governos: impedir a maioria dos professores actualmente no início ou a meio da carreira de atingir o seu topo.

Pelas redes sociais, alguns colegas têm descarregado o descontentamento e a frustração sobre os professores mais velhos, os poucos que estão agora no topo da carreira e aqueles que ainda têm hipótese de lá chegar antes da aposentação.

Rivalidades e divisões entre os professores não são o caminho, e não me cansarei de o sublinhar: o que venha a ser retirado aos professores mais antigos numa eventual revisão da carreira docente nunca será dado, de mão beijada, aos mais novos. O interesse do governo na revisão do ECD, com os custos políticos que tal processo implica, seria sempre o de reduzir a massa salarial destinada ao corpo docente, aplanando ainda mais a carreira e condicionando mais fortemente as progressões.

Pelo contrário, o caminho continuará a ser o da união e da luta colectiva. Neste contexto, as manifestações públicas, que alguns consideram estar fora de moda, continuarão a ser momentos importantes de afirmação de vontades e demonstração pública de unidade e determinação. Todos estão convocados.

Embora pessoalmente tenha já ultrapassado a barreira das quotas, entendo que esta luta é de todos os professores. Como tal, continua a ser minha: tenciono comparecer à chamada!

Pelo fim da precariedade na docência

Cartaz_TomarPosicao.jpgNuma altura em que o ME aposta no aprofundar de invejas, rivalidades e divisões entre a classe docente, é mais importante do que nunca a demonstração de unidade em torno de objectivos que devem ser comuns a todos os professores.

Sendo assim, exigir o fim da precariedade na docência não deve ser uma reivindicação apenas dos professores mais jovens. Trata-se de um princípio de dignidade e de justiça que deve importar a todos os docentes que defendem a valorização e a dignificação da sua profissão.

Por isso, divulgo a iniciativa da Fenprof e apelo a todos os professores que assinem e divulguem o postal digital contra a precariedade na profissão docente. E em defesa de regras justas e efectivas que permitam a vinculação dinâmica de todos os professores necessários ao sistema educativo.

Clicar no cartaz para aceder.

É mais do que tempo de acabar com o recurso abusivo à precariedade laboral na profissão docente!
A necessidades permanentes têm de corresponder vínculos efetivos.
Pelo cumprimento da Diretiva 1999/70/CE, fim dos abusos e das discriminações.
Pelo direito dos professores à vinculação com 3 anos de serviço.

Vagas para todos no acesso ao 5.º e 7.º escalão

madeira.JPGCalma, que ainda não chegámos à Madeira!…

O despacho agora publicado regula a progressão, em 2020, dos professores que tiveram Bom na avaliação do desempenho, definindo um número de vagas igual ao dos professores em condições de progredir. Mas apenas naquela região autónoma, pois por cá a regra continuará a ser a do funil, mantendo parados na carreira um número cada vez maior de professores que reúnem os requisitos para a progressão.

Recorde-se que na RAM os professores também recuperarão, até 2025, a totalidade do tempo de serviço perdido durante os anos do congelamento das carreiras. A devolução integral dos 9 anos, 4 meses e 2 dias será, para os nossos colegas, uma realidade. Tal como sucederá, embora com uma calendarização diferente, na região dos Açores.

Um país, três carreiras docentes…

Acaba de ser publicado o despacho conjunto da Vice-presidência do Governo Regional e da Secretaria Regional de Educação, Tecnologia e Ciência (SRE), que assegura o acesso ao 5.º e 7.º escalão da carreira a todos os professores que, tendo obtido a menção qualitativa de ‘Bom’, a 31 de Dezembro passado reuniam as demais condições para essa progressão.

Durante o ano civil de 2019, 500 docentes reuniram os requisitos de tempo de serviço, formação e avaliação para aceder ao 5.º e 7.º escalão da carreira, de acordo com a decisão da Secção de Avaliação de cada um dos estabelecimentos de ensino a que se encontram vinculados os referidos docentes.

Desse meio milhar de docentes, 253 (51%) obtiveram a menção qualitativa de ‘Excelente’ ou ‘Muito Bom’, ficando assim dispensados da obtenção de vaga para acesso àqueles escalões, conforme prevê o Estatuto da Carreira Docente (ECD) da RAM.

Os restantes 247 obtiveram a menção qualitativa de ‘Bom’, ficando dependentes do despacho conjunto do secretário regional de Educação, Ciência e Tecnologia e do vice-presidente do Governo Regional, que fixa a percentagem de casos que podem aceder aos referidos escalões.

Este despacho foi publicado esta sexta-feira, tem efeitos a partir de 1 de Janeiro do corrente ano, e estabelece que a totalidade daqueles 500 docentes serão colocados nos escalões imediatamente superior ao que se encontram entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2019.

De acordo com a informação obtida junto da SRE, 381 professores progrediram ao 5.º escalão porque tinham a menção de ‘Excelente’ ou ‘Muito Bom’ (188) ou de ‘Bom’ (193), e 119 progrediram ao 7.º escalão porque tinham a menção de ‘Excelente’ ou ‘Muito Bom’ (65) ou de ‘Bom’ (54).

Greve de professores durante Carnaval não se destina a todas as escolas

 

A greve de professores nos dias 24 e 26 de fevereiro só vai incidir sobre as escolas em que os docentes foram convocados para serviços durante a interrupção de Carnaval, esclareceu a Federação Nacional de Professores.

 

“A entrega de pré-avisos de greve para os dias de interrupção letiva corresponde ao pedido de professores que, tendo aderido à greve do ‘sobretrabalho’ (…) viram os respetivos diretores, num ato de prepotência, retaliarem com a ameaça e, em alguns casos, marcação de serviço para os dias 24 e 26″, lê-se no comunicado enviado às redações.

Esta ação é uma das várias formas de protesto definidas no projeto de resolução da Fenprof, apresentado e aprovado na quarta-feira durante o plenário nacional de professores e educadores, que juntou em Lisboa mais de 400 docentes.

No projeto de resolução, a estrutura sindical anuncia a entrega de “pré-avisos de greve a toda a atividade que, nas escolas, venha a ser marcada para os dias 24 e 26 de fevereiro”, à semelhança daquilo que já tinha feito durante as férias de Natal deste ano letivo, e de Carnaval e Páscoa do ano letivo anterior.

Segundo o comunicado, esta forma de protesto serve apenas para salvaguardar os professores que sejam convocados para trabalhardurante a interrupção letiva de Carnaval, não interferindo com a vida dos alunos, que não têm aulas durante estes dias.

Ao longo deste ano letivo, a Fenprof vai prolongar a greve às horas extraordinárias e promover protestos junto do Governo, nas localidades onde se realizem as próximas reuniões do conselho de ministros e concentrações regionais junto às delegações da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

Durante o plenário nacional de quarta-feira, o secretário-geral da federação, Mário Nogueira, admitiu que o recurso à greve e a realização de uma grande manifestação nacional no terceiro período letivo será inevitável, caso a tutela continue a não ouvir os sindicatos.

Em comunicado, a Fenprof volta a reforçar a necessidade de “relançar processos negociais bloqueados pelo Governo”, depois de ter sublinhado em plenário que à frente da Educação deve estar alguém conhecedor dos problemas do setor e “capaz de dialogar” com os professores, apelando para a substituição do ministro da tutela, Tiago Brandão Rodrigues.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/greve-professores-nao-todas-escolas-308545

Fenprof anuncia novas lutas

plenario-fenprof.JPG

(Comentário:

Merecia um estudo sociológico esta autofagia do PS que desde Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues teima em alienar um grupo profissional [professores] que durante décadas constituiu uma das suas principais bases sociais de apoio.)


 

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) vai avançar para uma greve nos dias 24 e 26 de Fevereiro, durante a interrupção lectiva do carnaval, avançou nesta quarta-feira o secretário-geral, Mário Nogueira.

O anúncio foi feito durante o plenário nacional de professores e educadores que reuniu esta quarta-feira em Lisboa mais de 400 docentes para decidir a estratégia de acção da estrutura sindical até ao final do ano lectivo, em resposta ao Orçamento do Estado para 2020.

A greve incide sobre todas as actividades que sejam marcadas pelas escolas durante estes dias, mas não vai interferir com as aulas, uma vez que coincide com o período de interrupção lectiva do Carnaval, inserindo-se no conjunto de greves às horas extraordinárias que se prolongam há mais de um ano.

Segundo Mário Nogueira, as irregularidades nos horários de trabalho que motivaram estas greves estão entre os vários problemas que não mereceram resposta no Orçamento do Estado de 2020, aprovado no dia 6 de Fevereiro, que o sindicalista voltou a considerar um “retrocesso para a educação”.

Referindo-se ao financiamento previsto no orçamento para o sector, o secretário-geral da Fenprof lamentou que o Governo não disponibilize o suficiente para resolver as dificuldades mais urgentes das escolas, afirmando que “sem ovos não se fazem omeletes e sem verbas não se resolvem problemas”.

Numa conjuntura que não se mostra de feição para grandes lutas, a Fenprof apresenta a sua agenda reivindicativa. Sem esquecer o problema de fundo, o tempo de serviço ainda por recuperar – uma bandeira que os professores não quererão deixar cair – outras questões pertinentes se levantam.

Desde logo a greve ao sobretrabalho, com a recusa de todo o serviço não lectivo que não conste do horário dos professores. É para continuar, e é nesse quadro que se deve entender a greve a eventuais reuniões de avaliação que as escolas resolvam realizar na pausa letiva do Carnaval.

Equaciona-se também a convocação de uma greve nacional, caso o ME continue a ignorar as exigências dos professores e dos seus sindicatos, bem a realização de concentrações e manifestações de docentes, para demonstrar publicamente o descontentamento da classe.

Foi ainda decidido, no plenário de dirigentes e activistas sindicais, o lançamento de uma petição contra a municipalização da educação.

Face à invisibilidade do ministro, e à sua evidente incapacidade política, a Fenprof decidiu pedir ao primeiro-ministro a sua substituição. É um gesto com evidente significado político; contudo, não se deve alimentar a ilusão de que Tiago Brandão Rodrigues saia antes de concluída a sua missão no ME – a qual passa também pela capacidade de desaparecer de cena em diversas ocasiões – muito menos acreditar que a mudança do titular implicará a alteração das políticas educativas.

Greve no Carnaval?

carnaval-2017

A Fenprof marcou greve para 24 e 26 de Fevereiro, dias em que não há aulas? Estarão bons da cabeça? – perguntam alguns professores.

A verdade é que o pré-aviso para estes dias faz todo o sentido. Na realidade, não se trata propriamente de marcar uma nova greve para esses dias, mas sim de prolongar, durante a pausa lectiva, uma luta que vem desde o início do ano.

Ou ainda não tinham dado conta de que está convocada greve ao sobretrabalho, ou seja, a todas as tarefas não lectivas que as escolas tentem impor aos professores para além do seu horário de trabalho?

É precisamente para prevenir a possibilidade de alguns directores aproveitarem a pausa do Carnaval para marcar uma maratona de reuniões, que a Fenprof decidiu estender o pré-aviso àqueles dias.

Como é evidente, não se está à espera que a esmagadora maioria dos professores, que não têm serviço marcado, faça greve. Aplica-se aqui, com inteira propriedade, um velho princípio do sindicalismo, que diz que a melhor greve é a que não tem de se fazer. Sinal de que o objectivo – neste caso, evitar a marcação de reuniões em tempo de interrupção lectiva – foi alcançado sem necessidade de a concretizar.

O pré-aviso de greve no Carnaval garante aos professores deslocados da residência que poderão aproveitar estes dias para estar com a família. E assegura, a quem tem outros  planos para esses dias, que não se verá obrigado a passar o dia na escola em reuniões.

"a liberdade não se conquista de joelhos"

O professor Carlos Pedro Guillermo era Secretário-Geral de Educação Indigena da União Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE-CNTE) algures no México, foi assassinado a golpes de machado quando se dirigia para casa com a sua mulher.
É um crime de rotina que a foto esclarece.

Leia original em

Negociações com professores retomadas quarta-feira

A pedido do Governo, está marcada para o próximo dia 11, no Ministério da Educação, uma nova reunião negocial sobre a contagem do tempo de serviço. Professores exigem todo o tempo, conforme na lei.

Professores exigem, principalmente, a contagem de todo o tempo de serviço, contrário ao «apagão» de 70% do GovernoCréditosANTÓNIO COTRIM / LUSA

Face à greve às reuniões de avaliação, marcadas por uma forte adesão, e perante os apelos da ampla frente sindical para que hajam «negociações sérias», o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, retomará amanhã o diálogo com os representantes dos professores.

Lembramos que a frente sindical em causa é composta por um total de dez estruturas sindicais, entre as quais as mais representivas: a Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) e Federação Nacional da Educação (FNE/UGT).

A unir todos está a postura intransigente do Governo em apagar cerca de 70% do tempo de serviço em que as progressões estiveram congeladas, ao afirmar  que só aceita pouco mais de dois anos, e, indo mais além, afirma que é isso ou nada. Uma postura à revelia do que está previsto na lei do Orçamento do Estado e na resolução aprovada na Assembleia da República – ambas prevêem a contabilização de todo o tempo de serviço (nove anos, quatros meses e dois dias).

Negociação do tempo é ilegal

No passado dia 6, no encerramento do encontro internacional sobre o desgaste dos professores, o secretário-geral da Fenprof afirmou que a retoma das negociações são sempre bem-vindas mas deixou um aviso ao Governo.

«Exigimos negociar, mas não aceitamos que nos imponham as regras. Este tempo é inegociável, aliás seria ilegal se o negociássemos», afirmou Mário Nogueira, apontando que apenas a forma da recuperação desse tempo está em cima da mesa, com disponibilidade para que a recuperação  do tempo seja faseada até 2023.

Na mesma intervenção, ficou ainda endereçado um «convite» aos professores para se concentrarem amanhã à porta do Ministério da Educação, em Lisboa, enquanto decorre a reunião negocial, em solidariedade e «dando ainda mais força aos colegas que integrarão a delegação sindical».

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Portugal | Respeito e justiça!

Mário Nogueira | Jornal de Notícias | opinião
Os professores são dos grupos profissionais mais qualificados e com maior responsabilidade social, lidando diariamente com todas as crianças e jovens e, com o seu trabalho, preparando o futuro do país.
O facto de constituírem um grupo numeroso, ainda que abaixo das necessidades reais das escolas, tem levado os governos a tomar medidas de desvalorização material dos professores, não poucas vezes acompanhadas de campanhas destinadas a desvalorizá-los socialmente.
Resultado de políticas conducentes à redução de custos com os professores, sucessivos governos: remeteram milhares para o desemprego; acumularam trabalho nos que permanecem e que hoje têm horários efetivos superiores a 46 horas semanais; aumentaram os níveis de precariedade laboral; retiveram no escalão de ingresso os que nos últimos anos entraram na carreira; deixaram envelhecer o corpo docente, recusando a aprovação de normas adequadas de aposentação, essa sim, medida que permitiria o rejuvenescimento, promoveria o emprego e ainda reduziria os custos.
Alvo central e permanente das políticas de embaratecimento do trabalho dos docentes tem sido a sua carreira, sobre a qual se têm abatido medidas para a desvalorizar. Desde a sua criação, em 1989/90, tem sofrido os mais diversos ataques que, contudo, os professores têm sabido suster ou reverter.
Desta vez, pretende-se desvalorizar a carreira dos docentes, aumentando-a em 9 anos 4 meses e 2 dias. Isto é, obrigando os professores, para atingirem o topo, a trabalhar mais anos do que os estabelecidos para a aposentação, isto, para além de outras perdas e dos crivos intermédios destinados a travar a progressão nos tempos adequados.
Pressionado pela contestação dos professores, o Governo comprometeu-se a contabilizar o tempo congelado e a Assembleia da República, respeitando os professores e o compromisso do Governo, reiterou que o tempo a contar seria todo, definindo-se, em processo negocial, o prazo e o modo de o fazer. Ao contrário, o Governo, desrespeitando a Assembleia da República, o seu próprio compromisso e, acima de tudo, os professores, tenta apagar todo ou quase todo aquele tempo em que os professores trabalharam e cumpriram responsavelmente os seus deveres.
De novo pressionado pelos professores, o ministro vem agora dizer que quer negociar... Pois, se quer, não parece.
*Secretário-geral da Fenprof

Ver o original em 'Página Global':  http://paginaglobal.blogspot.com/2018/06/portugal-respeito-e-justica.html

A síndrome da paixão da educação

Francisco Louçã no Expresso Economia de 23.06.2018:
«É tudo uma embrulhada. Começa pelas contas: o gasto com a contagem do tempo de serviço dos professores seria de 90,2 milhões de euros este ano, dizia o Governo, agora é de 37 milhões, corrige o mesmo Governo. Mas não respire fundo, para o próximo ano a conta estava errada mas não por excesso, era por defeito, duplique o número. É tudo um bocado nas costas do envelope, mas é assim que vai o debate acerca do congelamento das progressões das professoras e professores. E depois vem a política, o voto do Parlamento e a declaração de compromisso assinada entre o ministro e os sindicatos previam a reposição no contexto da sustentabilidade das contas públicas, só que o Governo explica agora que se esqueceu de traduzir isto para português: é que a sustentabilidade impede a reposição, ponto final.
Há várias leituras políticas possíveis. Uma é que os sindicatos tomaram uma posição moderada, aceitando um plano de reposição em seis anos, o que significa que os professores aceitam um sacrifício. Outra é que o Governo deu sinais, compromissados e assinados, de querer conversar, mas afinal recusa negociar. Eleitoral e politicamente, este risco só é aceite pelo Governo se calcular que a demonstração de autoridade antissindical vale mais do que o voto dos sacrificados.
Mas há um problema mais de fundo: como é que foram retirados estes direitos legais? Foi em nome do argumento de uma situação de exceção. Repare bem, a lei não foi mudada. Quem ensina tem a mesma carreira. Só que se impôs a noção de que há um estado de sítio que permite anular o valor das leis por uma regra orçamental. Ora, a suspensão da legalidade em nome do direito de exceção tem imensas consequências para a vida democrática: onde para esse direito de ilegalizar as leis? Pelos vistos, para Tiago Brandão Rodrigues, esse estado de sítio eterniza-se.»
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Leia original aqui

PSD disponível para dar a mão ao Governo no conflito com os professores

O presidente do PSD já sinalizou a sua disponibilidade para mais um acordo do «bloco central».  Depois de apoiar o acordo de concertação social antes de o conhecer, Rio defende apagão nas carreiras.

O primeiro-ministro, António Costa, e o presidente do PSD, Rui Rio, falaram à imprensa após um encontro na residência oficial de São Bento, em Lisboa, 18 de Abril de 2018.CréditosAntónio Pedro Santos / Agência LUSA

Rui Rio está disponível para amparar o Governo e o PS na intenção de apagar o tempo de serviço dos trabalhadores da Administração Pública com carreiras especiais, em que as progressões estiveram congeladas, segundo fonte do PSD citada pelo Público.

Apesar de representar uma contradição com o que o seu vice-presidente (e ex-ministro da Educação) David Justino e com o que o líder parlamentar vêm defendendo, esta intenção recoloca o PSD na posição em que sempre esteve: não só contra a contagem do tempo do congelamento, mas contra o descongelamento – abstendo-se na votação das normas do Orçamento do Estado para 2018 em causa.

O líder do PSD disse, na passada sexta-feira, ser «compreensível» que não existam condições para pagar a contagem do tempo de serviço, mas, num arriscado exercício de equilibrismo, acrescentou que «o Governo ou dá ou tem de ter a penalização política de andar a assumir compromissos que não pode assumir». Já ontem, Fernando Negrão, na abertura das jornadas parlamentares do PSD, tentou o mesmo exercício e disse que, se a explicação for «convincente», o partido aceita o apagão.

Em todas as declarações, os responsáveis do PSD falam apenas dos professores, que, de facto, são a profissão com maior peso nas carreiras em causa. No entanto, também está em causa a situação de outros profissionais, como das forças e serviços de segurança, e dos militares.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Professores: Ensinam e aturam nossos filhos e ainda são desconsiderados e maltratados

Ser professor deve comparar-se cada vez mais como estar no inferno a dar aulas a diabinhos. Só por masoquismo é profissão a seguir ao longo da vida. E os que para tal profissão vão e lá ficam só podem ser masoquistas dispostos a encarnarem sacos de pancadaria que fazem deles bombos da festa dos governos, de muitos políticos, de pais, de gentes com línguas viperinas e até de jornalistas ou lá rentes à profissão que já deu o que tinha a dar do seu melhor e apaixonante em troca com o escrever por escrever ou falar por falar às ordens das vozes dos donos ou até por maus fígados herdados geneticamente. Isto para não referir aqui a maleita dos troca-tintas e dos permanentemente trombudos, além dos que sabem ler mas parecem não saber interpretar…
Retirando do Notícias ao Minuto prosa do dia 11 passado vimos sem surpresa que o comentador da SIC (pois) zurze nos professores sem saber ler nem escrever. E pronto: "pus a faladura e agora dá cá o meu."
Muito se podia aqui avançar, mas nem vale o tempo do bater com os dedos no teclado. Sousa Tavares safa-se assim na vida. Ele como muitos outros comentadores das televisões e de outras paragens. E isso é que é importante: “olha o meu”.
Depois há os que gostam daquelas avantesmas palavrosas nas televisões a exibirem-se, a botarem faladura opinativa como acham que “vende”. Dizer mal, pelo visto, dá mais lucro que dizer bem ou de terem o trabalho de se informarem corretamente, de ouvirem a outra parte, e tecerem o melhor possível a sua opinião. É que as televisões são o que nos entra pela casa dentro e têm a função de esclarecer, manipular ou estupidificar. Pena que prefiram as duas últimas alternativas por causa do ‘share’. Afinal não é por uma questão de sapiência mas sim por razão de preferirem Zés Gatos… e elevados ‘shares’. É o que está a dar.
Corre a notícia em baixo. É de ler.
MM | PG
“Nenhum professor ganha como o Sousa Tavares nem se comporta como ele"
Líder da Fenprof acusa comentador da SIC Notícias de mentir sobre a carreira dos docentes.
Professores e Governo continuam em guerra aberta e Mário Nogueira, líder da Fenprof, decidiu enviar, esta segunda-feira, às redações um comunicado sobre o estatuto da carreira docente para desmentir as “barbaridades que se têm ouvido”.
De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Professores, os docentes portugueses têm sido, ao longo dos anos, injustiçados quanto a várias questões.
Mário Nogueira garante que na cimeira sobre a situação dos professores que se realizou em Lisboa, em março, Andreas Schleicher, diretor da OCDE, confirmou que o nível salarial dos professores portugueses é inferior à média dos países da OCDE e tem vindo a deteriorar-se.
Além desta questão, o líder da Fenprof afirma que, em Portugal, ao contrário do que acontece na maioria dos países da OCDE, os professores demoram 34 anos a atingir o topo “se não houver perda de tempo de serviço”, sendo que para entrar na carreira é necessário entrar nos quadros e “há professores que se mantêm 10, 20 ou mesmo 30 anos sem o conseguir, o que significa, para um horário completo, um salário bruto de 1518 euros (na ordem dos 1000 euros líquidos), estando muitos destes docentes colocados a centenas de quilómetros de casa”.
Por estas e outras razões, Mário Nogueira explica que a carreira de docente “é agravada pelas quebras de tempo de serviço que nunca foram recuperadas” e que “a perda mais mediatizada é a que resulta dos congelamentos verificados: nove anos, quatro meses e dois dias”.
No mesmo documento, o líder da Fenprof desmente que os professores exijam o pagamento de retroativos e que estes profissionais tenham uma carreira melhor que outros trabalhadores.
“É verdade que, por norma, ganham mais do que uma empregada de limpeza, o que parece cair mal a Miguel Sousa Tavares. Mas há professores nas AEC que ganham igual ou abaixo dessa trabalhadora. Por outro lado, nenhum professor ganha como Miguel Sousa Tavares nem se comporta como ele. Estas mentiras têm, no entanto, um objetivo, que é o de rever a carreira docente”, refuta Mário Nogueira, adiantando que a carreira docente precisa de ser respeitada e é por isso que os professores estão a lutar.
Natacha Nunes Costa | Notícias ao Minuto

Ver o original em 'Página Global':  http://paginaglobal.blogspot.com/2018/06/professores-ensinam-e-aturam-nossos.html

Demos uma oportunidade à escola pública!

Esta manhã, a Assembleia da República realizou um debate de actualidade sobre questões educativas. Deixo aqui registo da minha intervenção, para que possa ser devidamente escrutinada e não se recorra ao "método" de distorcer as palavras dos outros para esconder a falta de argumentos próprios de quem assim procede.
(Como de costume em textos oficiais, uso o novo acordo ortográfico no texto abaixo.)

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Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, A escola não é um edifício, nem um conjunto de edifícios e equipamentos. Quando falamos de escola, falamos de pessoas, de alunos, de professores, de pais.
A escola é, decerto, para os alunos, mas não há escola pública sem os seus profissionais: professores, técnicos, assistentes. Os professores podem não ser todos excelentes, como nós também não somos todos excelentes. Mas, em geral, educadores e professores fazem um trabalho notável. Mesmo em condições difíceis, formaram a geração mais qualificada de sempre. Mesmo uma classe envelhecida, mas muito qualificada, e que justamente deve ser remunerada por essa qualificação, continua a procurar respostas educativas para crianças e jovens que têm na escola pública a melhor hipótese de escapar ao fado das desigualdades. Se nos orgulhamos dos bons resultados no PISA, devemos também orgulhar-nos dos nossos professores. É por isto que se compreende muito bem que este Ministro da Educação, este governo e esta maioria tenham a valorização dos professores como uma das suas principais prioridades. Foi o fim da BCE, o fim da PACC, o fim da requalificação. É o combate à precariedade: 7000 novas vinculações de professores em apenas 2 anos, e a melhoria sucessiva da norma-travão; melhores condições de reposicionamento aquando da vinculação; aumento das vagas para vinculações aos quadros de escola; criação do Grupo de Recrutamento de Língua Gestual Portuguesa e regularização da situação dos docentes dos Grupos de Música e Dança; a inclusão dos intervalos do 1º Ciclo na componente letiva; a harmonização dos calendários do pré-escolar e do 1º Ciclo; a revalorização da monodocência; o regresso do investimento na formação contínua. E o descongelamento das carreiras. Muitas destas medidas tiveram a oposição da direita. Percebe-se bem por quê. Durante o mandato do governo anterior, a escola pública perdeu dezenas de milhares de professores. E não se desculpem com a troika, porque a direita escolheu investir nos contratos de associação e, ao mesmo tempo, sacrificar a escola pública. Por isso PSD e CDS cortaram na educação 1200 milhões de euros além do que estava previsto no Memorando de Entendimento. Pelo contrário, nesta legislatura já conseguimos aumentar cerca de 7000 professores na escola pública. Assim se vê quem valoriza os professores. Um senhor deputado do PSD falava há tempos de um descongelamento sem despesa. Percebemos a ideia, mas não é essa a nossa via. Este Governo, e bem, fez um descongelamento com despesa. Esse era o nosso compromisso, cumprido a tempo e horas. E os profissionais estão já a sentir, e vão continuar a sentir, ano após ano, a consequente valorização remuneratória. Surgiu, entretanto, uma questão nova: a recomposição da carreira. Perante uma questão nova, que não estava prevista no programa de governo, em nenhum acordo, a atitude do governo foi: vamos negociar. Em matérias que implicam a mobilização de recursos adicionais, onde há vontade política mas não basta a vontade política, é preciso negociar. O governo propôs a recuperação de quase três anos de tempo de serviço. Alguém pode dizer que isto é nada? Seriamente, ninguém poderá desvalorizar a relevância dessa proposta. Ora, desde que essa proposta foi feita, não houve da parte dos sindicatos nenhum passo de aproximação. Os sindicatos têm um papel importante numa democracia a sério. Por isso renovamos aqui o nosso apelo: esperamos que as negociações sejam retomadas e para isso é necessário que os sindicatos deem um sinal. O governo já disse que a sua proposta está em cima da mesa. Mas só há negociação se todas as partes derem passos. Por isso apelamos aos sindicatos para que deem um sinal claro de que não querem deixar morrer as negociações, para que se possa continuar a construir um acordo justo e sustentável. Demos uma oportunidade à escola pública! Não deixemos afunilar o debate. Continuemos a trabalhar para que todos os alunos aprendam mais e melhor e para que todos os profissionais da educação tenham melhores condições para fazer o seu trabalho. Não conseguiremos fazer nada disto em ambiente de crispação ou confronto. E esta verdade simples convoca-nos a todos para um caminho a percorrer.
Porfírio Silva, 15 de Junho de 2018

Ver original em "Machina Speculatrix" (aqui)

O novo idiota útil que as direitas prometem mimar

A grande vantagem de ter já vivido muitas vidas é que nelas couberam a passagem pela extrema-esquerda logo nos tempos subsequentes ao 25 de abrile ainda cabe a militância sindical.Tanto bastou para conhecer muitos lutadores empenhados em conseguirem mudar a sociedade no melhor sentido - o da maior justiça e igualdade entre quem nela vive! - mas também uns quantos oportunistas ali pousados apenas para dar satisfação aos seus inchados egos ou encontrarem forma de ascensão social.
O exemplo mais paradigmático do oportunista, que passou pela primeira daquelas experiências e depois se tornou no que foi e é hoje, chama-se Durão Barroso. Ele é o exemplo do medíocre arrivista capaz de tudo e o seu contrário para alcançar os seus fins, projetando-se muito para além do que justificariam os seus limitados dotes.
Que deixou escola não se duvide. Um outro exemplo bastante elucidativo tem sido o da progressiva deriva de Joana Amaral Dias para a direita, depois de ter sido uma das caras mais conhecidas do Bloco de Esquerda, quando este apareceu. Incapaz de se afirmar nesse partido, dele saiu aproximando-se dos socialistas, onde não encontrou abrigo suficientemente atrativo para as suas ambições. Nas eleições mais recentes vemo-la a concorrer em listas híbridas de coisas dificilmente enquadráveis num posicionamento político claro (o «Nós Cidadãos»). Mais tarde ou mais cedo não nos admiraria que surgisse a abrilhantar alguma coligação de direita de braço dado com a Cristas.
Na mesma linha está André Pestana, uma nova «estrela» do sindicalismo dos professores e a quem as televisões e os jornais têm levado ao colo desde que fundou o 23º sindicato da classe. Incapaz de conquistar um lugar ao sol num dos outros sindicatos existentes ele optou por essa opção divisionista na linha com o que já havia feito por onde passara: no mesmo Bloco da Joana, como ninguém o levou a sério saiu com Gil Garcia na expetativa de ver o MAS ganhar uma relevância, que nunca conheceu. Os eleitores têm olhado para esse arroto esquerdista com o desprezo, que merecem os seus defensores. Razão para o descoroçoado André tentar uma jogada oportunista com maior potencial: ultrapassando todos os demais sindicatos pela esquerda promete não mostrar qualquer transigência na negociação com o governo exigindo para já a contagem do tempo congelado durante a troika. É claro que encontrou uns quantos estarolas dispostos a agarrarem essa reivindicação com a ansia de rapidamente verem aumentados os seus rendimentos haja ou não dinheiro para tal, e independentemente das consequências que essa possibilidade acarretaria, mormente o regresso das direitas ao poder.
O enlevo com que as televisões e os jornais tratam o oportunista tem essa lógica: para as direitas o conflito entre professores e o governo traduz-se no quanto pior melhor. Se já no tempo de Sócrates foi assim que se abriram as avenidas largas para recuperarem o poder, porque não há-de a História repetir-se uma vez mais?
O novo sindicato apostou fortemente na inviabilização da avaliação dos estudantes antes dos exames explorando a regra de ela não acontecer mediante a falta de um dos professores em cada uma dessas reuniões. Um número mínimo de grevistas poderia assim bloquear todo esse processo e adiar os exames em todo o território nacional. Não contava com a resposta do governo, que encontrou inteligente forma de lhe frustrar os intentos. Claro que o Pestana veio mostrar a sua irritação para o espaço mediático prometendo ripostar. É de temer que, já não bastando o Nogueira para, de vez em quando, servir de idiota útil às direitas, estas encontrem nesta nova «estrela» vinda do tonto esquerdismo, o seu joker de estimação.

Veja o original em 'Ventos Semeados': https://ventossemeados.blogspot.com/2018/06/o-novo-idiota-util-que-as-direitas.html

O PS tem um problema com os professores

Pedro Filipe Soares * | Diário de Notícias | opinião
O ministro da Educação confirmou à comunicação social o apagão total na carreira dos professores. No dia seguinte, António Costa desmentiu o ministro e explicou que se tratava de uma tática negocial, que o governo mantinha abertura para a negociação desde que os sindicatos aceitassem as condições impostas. Quais são? Manter um apagão parcial sobre larga maioria do tempo em que as carreiras estiveram descongeladas. Inaceitável, claro.
Ficou desmascarada, em primeiro lugar, a estratégia do governo: chantagem sobre os professores. Em vez de tentar uma posição de convergência, o governo deu preferência à prepotência.
Por outro lado, fica também claro como a posição do governo é a de, intencionalmente, fazer as negociações fracassar. Com isso, tornar reféns as carreiras dos professores da estratégia de Mário Centeno. Contudo, ignora um aspeto fundamentar: o governo não tem mandato para a proposta que faz e não respeita o que acordou com os sindicatos.
Vamos por partes: o Orçamento do Estado para 2018 diz ao governo que "a expressão remuneratória do tempo de serviço nas carreiras (...) é considerada em processo negocial com vista a definir o prazo e o modo para a sua concretização, tendo em conta a sustentabilidade e compatibilização com os recursos disponíveis". O tempo das carreiras é integral, não uma fração ou uma abstração que permita diferentes interpretações. O governo não tem mandato para propor aos sindicatos um apagão total ou parcial das carreiras dos professores. Essa é uma proposta fora da lei. O que o governo tem é a obrigação de "definir o prazo e o modo" para a reposição do tempo de serviço.
Será que a norma no Orçamento apareceu por engano ou foi um texto pouco ponderado? Não, decorre de uma proposta apresentada pelo próprio PS, depois de negociações com Bloco de Esquerda e PCP. E não é, sequer, uma proposta inflexível, dado que permite um faseamento tendo em conta as disponibilidades orçamentais. O que agora acontece é termos um governo minoritário que não quer cumprir a lei que a maioria na Assembleia da República aprovou. Tiques de maioria num governo de minoria.
É por isto que as negociações estão num impasse: os sindicatos dizem que estão disponíveis para definir um faseamento que seja comportável pelas contas públicas, enquanto o governo não discute nenhum faseamento porque simplesmente não quer reconhecer o tempo de serviço.
Por outro lado, o próprio governo, em paralelo com o processo orçamental, foi negociando com os sindicatos e afirmou que o "tempo de serviço prestado durante o período de congelamento das carreiras seria contado para efeitos de progressão". Acordo assinado entre os sindicatos e o governo em novembro passado. Imagino o espanto dos representantes sindicais quando o governo lhes anuncia meses depois que deu o dito pelo não dito. Mais uma prova de ser o governo a criar dificuldades para alcançar qualquer compromisso na atualidade.
Depois, há a chantagem pública com um argumento estafado: "Não há dinheiro", diz o primeiro-ministro, "não temos 600 milhões de euros para pagar esta reivindicação sindical", para gáudio de Rui Rio e do PSD. Fosse um banco e o dinheiro rapidamente aparecia de supetão. Mas, acima de tudo, as contas estão erradas porque não incorporam o faseamento que os sindicatos estão disponíveis para negociar. E a retórica de transformar os direitos e a dignidade das carreiras dos professores numa "reivindicação sindical" é uma formulação que apela ao preconceito social contra os sindicatos. Isolar os professores, dividir e polarizar a sociedade, desrespeitando um dos pilares da escola pública. Muito diferente do que foi feito por António Guterres, que numa situação similar reconheceu a carreira por inteiro aos professores.
Face a este percurso errático, que conclusões podemos tirar? Será esta uma forma de defender a escola pública? Há, sequer, defesa da escola pública quando se escolhe fazer uma guerra contra os professores?
Já vimos este filme num governo PS: caricaturar os professores numa classe profissional privilegiada dentro da administração pública e no país, humilhando e enxovalhando aqueles e aquelas que dão tudo, todos os dias, para que a nossa escola pública seja uma referência. Parece um regresso ao passado, ao tempo de Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates, em que o PS elegeu os professores como alvo e tentou virar toda a sociedade contra esta classe profissional.
*Líder parlamentar do Bloco de Esquerda

Ver o original em 'Página Global':   http://paginaglobal.blogspot.com/2018/06/portugal-o-ps-tem-um-problema-com-os.html

António Centeno Primeiro-Ministro da Junta de Freguesia Portugal

 

doc2018060524296485miguelalopes 63434622d0d baseComo quem não quer assumir Costa envia sinais de estar a alterar o rumo da política que segundo ele deu bons resultados, aliás visíveis por toda a gente, menos por Cristas e Rio.

A austeridade que Passos transformou em eixo da sua política de empobrecimento está nestes meses de 2018 a emergir e até com o mesmo argumentário, ou seja, não há dinheiro, o que não é verdade, nem sequer no anunciado montante referente à despesa com a progressão dos professores na sua carreira.

Quer Tiago Rodrigues, quer Costa não discutem o problema com base em qualquer outro fundamento que não seja o da inexistência dos alegados seiscentos milhões de euros…Ou seja atiram para cima de todos os professores a aleivosia de se quererem apoderar de algo que o país não tem, e com esse despropósito criar sérias dificuldades em Bruxelas e Berlim onde tudo se decide. Trata-se de um problema interno, onde os portugueses são relegados para uma espécie de nativos coloniais que têm na chancelerina e no Président Macron os seus tutores ou ajudantes da missa como os Monsieur Moscovici E Monsieur Drombrovsky, os Comissários europeus das Finanças e da Economia…apesar de por cá o Presidente omnipresente invocar a qualidade de bom aluno, uma verdadeira Junta de freguesia entre o mar e a raia de Espanha.

Os professores  são apresentados como uma classe que não olha a meios para atingir os seus fins e ameaça com greve os pobres dos alunos, como se os pais dos alunos não tivessem tido a possibilidade de subir na sua carreira profissional.

Marcelo, Costa, Santos Silva e Centeno quando se trata enfrentar Bruxelas pelos cortes brutais nos fundos de coesão já acham que menos sete por cento é bem melhor que menos quatorze , como se Portugal se apresentasse à U.E. de mão estendida e internamente, diante de uma classe estratégica para o desenvolvimento do país, de pau em riste. É caso para perguntar onde está a paixão pela educação?

O argumento do bom aluno do Eurogrupo que Marcelo gosta de invocar serve para tentar meter na cabeça dos portugueses que o terror austeritário é o único critério para governar e assim manter o país com as reformas que consistem sempre em cortes na despesa pública, satisfazendo as novas divindades, os mercados.

A situação acentuou-se desde que Centeno foi levado para Presidente do Eurogrupo, que ninguém sabe bem o que é do ponto de vista institucional.

Ainda gostava de ver Centeno defender que na Alemanha o tempo de trabalho dos professores alemães não contava para a progressão na carreira profissional. Cairia, em Berlim, a torre da televisão na Alexanderplatz e o rio Spree saía do leito…Até a Madame Europa, como a tratam com toda a sabujice  alguns jornalistas, se revoltaria contra tal despautério.

Claro que para esta elite de cá uma coisa são os professores da Presidente da Europa e outra coisa são os nossos professores da Junta de freguesia Portugal.

Os professores pertencem a um grupo profissional absolutamente indispensável para fazer o país progredir, dado o relevo da educação nas novas condições da produção. Acentua-se, como bem se sabe, a substituição da produção manual pela altamente especializada

Só através da extensão e sofisticação da educação se pode chegar ao desenvolvimento económico que o país necessita. Tenha-se na devida conta que nos países com maior índice de desenvolvimento humano a profissão de professor é das mais concorridas e prestigiadas.

Só o governo de um país desinteressado nesse tipo de desenvolvimento ataca os professores no seu conjunto acusando-os de chantagistas, tentando atirar a opinião pública contra eles, em vez de os defender.

Se diante do país o Primeiro-Ministro acha que não há dinheiro para o direito mais elementar na vida de um cidadão forçosamente transmite a ideia que o Estado é alguém em que se não pode confiar com todas as consequências negativas advenientes.

Costa parece estar a absorver a filosofia centeneana que por sua vez absorveu a bruxelense, isto é, a de Portugal não passar de uma Junta de freguesia da Europa alemã.

Texto publicado hoje no Público online

 

Ver original em ' O Chocalho':   https://ochocalho.com/2018/06/08/antonio-centeno-primeiro-ministro-da-junta-de-freguesia-portugal/

Portugal | A época da chantagem

Paula Ferreira | Jornal de Notícias | opinião
Aguerra está aberta entre sindicatos de professores e Ministério da Educação. E a altura do ano escolhida não podia ser pior. Afinal que têm os alunos a ver com esta luta, sem fim à vista? Tudo e nada. Tudo, porque só professores motivados conseguem dar aulas que conquistem os mais novos; nada, porque o foco dos estudantes, neste momento, são os exames - que, no atual sistema de ensino, significa o futuro.
A luta dos professores será justa. Não é isso que está em causa, é também o futuro da classe em jogo. Todavia, ameaçar fazer greve às avaliações, deixando milhares de alunos com o destino suspenso, não parece o melhor caminho.
Tenho dúvidas que os propósitos de Mário Nogueira e de João Dias da Silva tenham sucesso junto da classe que representam. Um professor acompanha o percurso dos seus alunos, um professor faz do sucesso do aluno o seu sucesso e o fracasso será também o seu fracasso. Como irão os docentes, por mais plausíveis que sejam as suas reivindicações, reagir perante os olhares ansiosos dos alunos, que acompanharam ao longo de um ano ou de um ciclo de ensino? Uma décima, a mais ou a menos, na nota de um exame, pode mudar o rumo das suas vidas.
Uma decisão difícil. Exigem a recuperação dos nove anos, quatro meses e dois dias de serviço em que a contagem está congelada. Do outro lado, o Ministério da Educação mostra-se disponível a contar apenas dois anos, nove meses e 18 dias.
O compromisso com os alunos não é da exclusiva responsabilidade dos professores. O Estado de igual modo o deve ter. Tiago Brandão Rodrigues ao pôr um ponto final nas reuniões com os sindicatos, depois de recusada a sua proposta - que apaga parte da vida profissional de muitos docentes -, coloca o contencioso no plano do inegociável. O ministro tem a obrigação de perceber uma coisa: a altura do ano não é propícia a chantagem.
*Editora-executiva-adjunta

Ver o original em 'Página Global':   http://paginaglobal.blogspot.com/2018/06/portugal-epoca-da-chantagem.html

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