Paraguai

Oposição do Paraguai convoca protesto contra presidente por acordo de Itaipu

Mario Abdo Benítez, presidente do Paraguai.
© REUTERS / Jorge Adorno

Os partidos da oposição no Paraguai convocaram um protesto para o próximo sábado contra o presidente Mario Abdo Benítez pelo controverso acordo de venda de energia firmado com o Brasil.

O senador Carlos Filizzola afirmou ao jornal ABC Color que "organizações sociais, estudantes e sindicatos de trabalhadores esperam que a justiça seja feita e que o governo castigue os responsáveis".

A oposição também anunciou a instalação de uma "tenda de resistência patriótica" na Plaza O'Leary, em Assunção, como forma de protesto.

Abdo Benítez enfrentou nas últimas semanas críticas pelo acordo feito de maneira secreta para a venda de energia de Itaipu para o Brasil. Na terça-feira (20), um pedido de impeachment contra o presidente foi arquivado. 

O acordo, assinado em 24 de maio sob sigilo, estipulou novos termos e cláusulas para o Paraguai que, segundo os críticos, implicariam aumentos nas tarifas para este país, entre outros danos.

Depois da divulgação dos termos e da repercussão negativa, o acordo foi cancelado

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019082114417058-oposicao-do-paraguai-convoca-protesto-contra-presidente-por-acordo-de-itaipu/

Congresso do Paraguai abre investigação sobre polêmico acordo com Brasil

Usina Hidrelétrica de Itaipu
Alexandre Marchetti/ Itaipu Binacional

Uma comissão bicameral do Congresso do Paraguai começou a investigar o polêmico acordo com o Brasil sobre a distribuição de energia da binacional Usina Hidrelétrica Itaipu.

"O cronograma de trabalho começará oficialmente no dia 19 de agosto, às 9h (às 10h em Brasília), horário em que foram convocados os engenheiros Luis Gilberto Valdez, diretor técnico de Itaipu, e Ubaldo Fernández, gerente técnico da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE)", de acordo com informação publicada no site do Senado paraguaio.

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, nas últimas semanas, vem sendo criticado pelo acordo falho com o Brasil sobre o uso da energia da usina hidrelétrica.

O acordo, assinado secretamente em 24 de maio, estipulava novos termos e disposições para Paraguai que, segundo críticos, implicariam no aumento de gastos paraguaios, entre outros danos.

No dia 19 de agosto, a comissão bicameral também recolherá depoimento do ex-chanceler Luis Alberto Castiglioni, o ex-diretor técnico de Itaipu, José Sánchez Tillería, o ex-gerente técnico de ANDE, Fabián Cáceres, e o ex-presidente da ANDE, Pedro Ferreira.

As sessões da comissão serão realizadas nos dias 19 e 20 de agosto e serão abertas.

Polêmicas em torno do acordo

No dia 16 de agosto, o presidente paraguaio afirmou que "não faz bem para a República utilizar a ferramenta de juízo político [impeachment], [que] é uma ferramenta constitucional, mas não faz bem usá-la como ameaça permanente ao presidente da República", segundo do jornal La Nación.

A instabilidade também afeta o Estado do Direito, o sistema republicano e a democracia paraguaia, observou o presidente.

No decorrer da semana, houve manifestações e fechamento de estradas em várias partes do país exigindo impeachment do presidente do Paraguai.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019081914405575-congresso-do-paraguai-abre-investigacao-sobre-polemico-acordo-com-brasil/

Paraguai: luta pelo impeachment do presidente continua

Mário Abdo mentiu quando disse ter sido mal informado a respeito da negociação com o Brasil. E a crise, que parecia atenuada, voltou com força e pode levar a novo pedido de impeachment.

 

 

A crise política persiste e se aprofunda no Paraguai, provocada pela postura entreguista do governo de Mário Abdo Benitez e das autoridades que negociaram, com o Brasil, uma renovação do tratado que envolve a usina de Itaipu.

Nesta quinta-feira (8), o Senado paraguaio amanheceu forrado de cartazes, nas bancadas da oposição, insistindo que Itaipú é uma “causa nacional” e “não à impunidade”. A cena repetiu a mesma situação do dia anterior, na Câmara dos Deputados, onde as bancadas da oposição (que tem 38 deputados num total de 80) foram cobertas com cartazes exigindo o início do processo de impeachment contra o presidente da República Mario Abdo Benítez, o vice Hugo Velázquez e o ministro da Fazenda Benigno López.

A luta pelo afastamento de Abdo e das autoridades acusadas pela oposição de “traição à pátria” logo ultrapassou a esfera institucional e ganhou as ruas da capital Assunção, Ciudad de Este (próxima à usina de Itaipu e a segunda maior do país) e outros locais. Em Assunção, nesta quarta-feira (7) milhares de pessoas voltaram às ruas clamando “Itaipu não se vende, se defende”. O mesmo ocorreu em Ciudad del Este, onde o povo e estudantes ocuparam as ruas exigindo a instalação do processo de impeachment daquelas autoridades; ocuparam a rodovia qque liga os dois países, passando pela Ponte da Amizade, que a liga com a cidade brasileira de Foz do Iguaçu. Exigiam “uma resposta ante a entrega da soberania energética ao Brasil”.

Mário Abdo. presidente do Paraguai desde agosto de 2018, faz parte do setor mais conservador da oligarquia paraguaia, e tem ligações familiares com a ditadura de Alfredo Stroessner (1954- 1989), do qual o pai do presidente foi assessor.

A crise paraguaia cresceu após a divulgação, no final de julho, do conteúdo da negociação com o Brasil. Em 24 de maio os negociadores dos dois países assinaram uma contestada ata, lesiva aos interesses paraguaios – que ficou literalmente clandestina; seu conteúdo não foi divulgado na ocasião, e só se tornou de conhecimento público dois meses depois, em 24 de julho, após a renúncia de Pedro Ferreira, presidente da paraguaia

Administração Nacional de Eletricidade (Ande), parceira da Eletrobrás no comando de Itaipu. Ferreira se recusou a assinar o acordo por considerá-lo lesivo aos interesses de seu país.
A indignação paraguaia foi geral. Aquela contestada ata envolve, em certa altura, a comercialização, entre os dois países, da energia gerada por Itaipu, que os técnicos dividem em duas categorias: energia garantida (mais cara) e energia adicional, ou excedente (mais barata).

Pelo acordo assinado secretamente em 24 de maio de 2019, os representantes paraguaios renunciavam ao direito, reconhecido pelo acordo com o Brasil em 2007, do uso de energia excedente (mais barata), gerando um gasto adicional, para o país, de 200 milhões de dólares (segundo alguns cálculos; outros falam em muito mais – 350 ou 400 milhões de dólares) até 2022. Em 2023,quando o Tratado de Itaipu completa 50 anos, ele deverá ser renovado. E quem pagaria o acréscimo que consta na ata de 24 de maio seriam aqueles sobre quem sempre é jogado o custo destas decisões tomadas por governos neoliberais e conservadores, como o de Mário Abdo: os consumidores.

Além de afrontar os interesses paraguaios – acusa a imprensa de Assunção – o contestado acordo favorece de maneira irregular uma empresa ligada à família Bolsonaro, a Léros Comercializadora de Energia. O lobista e suplente de senador Alexandre Giordano (PSL-SP), acusa o diário ABC Color, de Assunção, participou diretamente da negociação. Ele atuou para que a empresa ligada à família Bolsonaro fosse a revendedora exclusiva da energia excedente do Paraguai no Brasil. Segundo a imprensa paraguaia, o lobby bolsonarista inclui também o advogado José Rodríguez González, assessor do vice-presidente Hugo Velázquez.

A evolução do escândalo, no lado paraguaio, foi rápida – no dia 24 de julho soube-se do atentado à soberania energética do país, e às contas nacionais. Já no dia 31 os partidos de oposição anunciaram a intenção de iniciar um processo de impeachment(julgamento político, na retórica usada por eles) contra o presidente, o vice e o ministro da Fazenda. E conseguiram para isso o apoio da Honor Colorado (Honra Colorada, movimento dissidente do partido de governo liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, que governou entre 2013 e 2018).

A oposição, que tem 38 votos entre os deputados, conseguiu com essa adesão os 53 votos necessários para aprovar na Câmara dos Deputados o pedido de processo político do presidente. Imediatamente entrou em ação a turma do deixa-disso, que incluiu partidários do governo e seus parceiros no Itamaraty e no governo brasileiro – inclusive o presidente Jair Bolsonaro que é, juntamente com o estadunidense Donald Trump, um dos principais aliados de Mario Abdo.

A ata assinada em 24 de maio foi jogada fora, declarada sem efeito nas duas margens do rio Paraná. Jair Bolsonaro teve forte atuação e logo declarou a intensão de cancelar aquela ata – que foi tornada sem efeito na sexta-feira (dia 1º). Os ânimos pareciam serenados, a crise contornada e a negociação sobre Itaipu foi declarada reaberta pelos dois governos.

Alegando que a anulação da contestada ata eliminou o problema, o Honor Colorado recuou e deixou de apoiar o pedido de impeachement que havia apiado menos de 24 horas antes. A crise parecia esvaziada na Câmara dos Deputados depois que essa manobra eliminou a vantagem numérica que a oposição teria na votação.

Màrio Abdo, por sua vez, deu declarações contraditórias. Inicialmente elogiou o acordo, chegando a dizer que o Paraguai devia “se portar como um país sério”. Em seguida, mudou de opinião e pediu desculpas públicas por aquelas negociações, dando a entender que fora mal informado. E anunciou que os negociadores seriam demitidos, por má fé, negligência ou erros cometidos. Deu a entender não ter sido corretamente informado sobre a negociação.

Abdo, apoiado por Bolsonaro e pelo embaixador dos EUA, Lee McClenny, parecia ter vencido a crise.

Mas, na segunda-feira (5) a imprensa paraguaia publicou o conteúdo de mensagens de whatsapp trocadas entre o presidente Mário Abdo,os negociadores paraguaios e Pedro Ferreira, o ex-presidente da ANDE, e a crise voltou com força redobrada. Essa divulgação deixou claro que Abdo faltou com a verdade pois de fato acompanhou passo a passo as negociações, orientou-as e defendeu a não divulgação de seu conteúdo.

A crise voltou com força total. Na terça-feira (6). 30 deputados da oposição oficializaram o pedido de julgamento político do presidente e demais acusados.

As mensagens divulgadas mostraram que Abdo fora pressionado pelo governo brasileiro a aceitar a mudança registrada na ata que gerou a crise. E que reagiu pressionando, por sua vez, os negociadores paraguaios a aceitar a pretensão do governo brasileiro – cujo objetivo era, claramente, anular uma decisão tomada, anos antes (em 2007) pela diplomacia dirigida pelo governo Lula.

A divulgação daquelas mensagens revelou que Abdo pediu que o conteúdo da ata fosse mantido em sigilo e não revelado publicamente, e insistiu para que Pedro Ferreira, presidente ada ANDE, assinasse o acordo. Chegou a dizer que “não se pode ganhar tudo em uma negociação”. À resposta de Pedro Ferreira, de que o atendimento da exigência do governo brasileiro levaria no aumento no preço da energia elétrica no Paraguai, com impacto de até 400 milhões de dólares, Abdo respondeu: “Temos que negociar. E ao negociar se sacrificam posições e até algumas vezes princípios” Disse também ser preciso “manter o silêncio e não polemizar”. E insistiu neste ponto em nova mensagem, em 11 de junho: “há que manter em silêncio e não polemizar”.

Em 23 de junho, na véspera de completar um mês desde a assinatura da ata, outra mensagem de Mário Abdo revela que sabia da negociação com a Léros, “a empresa brasileira que que está no olho do furacão por haver sido, apadrinhada pelo vice presidente Hugo Velázquez.”
Nas mensagens reveladas há uma, de Pedo Ferreira a Mário Abdo, que desmente suas alegações, de que estaria mal informado. Ferreira diz: “A prova de que o acordo é claramente é que querem mantê-lo em segredo”.

A crise no Paraguai não está encerrada, e a próxima semana promete desdobramentos mais intensos. Nas ruas, em manifestações populares pelo impeachment de Abdo, e na Câmara dos Deputados, onde a exigência de julgamento político pode crescer.


Texto em português do Brasil


 

 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/paraguai-luta-pelo-impeachment-do-presidente-continua/

Itaipu: 'impasse binacional' envolve Bolsonaro e 'balança' Benítez no Paraguai

O presidente Jair Bolsonaro recebe o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, no Palácio do Planalto, em Brasília.
© Foto : Antonio Cruz/Agência Brasil

A usina de Itaipu liga Brasil e Paraguai e uma negociação secreta sobre ela pode derrubar um presidente e atrapalhar acordos comerciais. A Sputnik Brasil explica com 2 especialistas o impasse e aponta possíveis consequências.

Itaipu permite adjetivos. Até 2012, era a maior hidrelétrica do mundo e segue sendo a usina com maior produção de energia no planeta.

A Itaipu binacional foi criada em 1973 sob tratado dividindo a produção elétrica igualmente. À época, Brasil e Paraguai estavam em regimes militares sob comando de Ernesto Geisel e Alfredo Stroessner. Pelo tratado, Assunção vende a Brasília o que não consome, que por sua vez retém parte dos valores devido às dividas de construção.

Mas recentemente o Brasil defende que o Paraguai tem omitido o verdadeiro consumo energético para pagar menos pela energia excedente produzida. Sob o tratado, o Paraguai informa anualmente a quantidade de energia que irá necessitar e caso haja mais demanda, o valor pago diminui.

Para se ter uma ideia, o Paraguai consumiu 1.717 MWmed (megawatts médios) em 2018 vindos de Itaipu, segundo dados da própria usina. Em 898 MWmed, o Paraguai pagou US$ 43,80 por megawatt-hora. Já os 53% restantes do consumo, 819 Mwmed - sob valor especial sob tratado para a produção excedente - saíram por US$ 6 cada megawatt-hora.

Luis Alberto Castiglioni, ministro das Relações Exteriores do Paraguai, durante coletiva de imprensa em Assunção, capital do país, em 28 de julho de 2019
© REUTERS / Jorge Adorno
Luis Alberto Castiglioni, ministro das Relações Exteriores do Paraguai, durante coletiva de imprensa em Assunção, capital do país, em 28 de julho de 2019

Pensando em aumentar o valor pago pelos paraguaios, em 24 de maio Brasil e Paraguai fizeram um acordo secreto, aumentando gradualmente a declaração de energia paraguaia até 2022. Em 1º de agosto deste ano, o senado paraguaio cancelou o novo acordo binacional e a oposição acusou o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, de traição, ameaçando-o com um impeachment.

"Uma das principais atividades econômicas do Paraguai é a produção de energia elétrica e a venda dessa energia para os seus vizinhos - para o Brasil e para a Argentina. Então isso é extremamente importante para a economia paraguaia e qualquer tema que envolva esse tipo de acordo internacional com Brasil e Argentina tem potencial também para se tornar uma crise política grave no Paraguai", disse em entrevista à Sputnik Brasil o pesquisador da UERJ, Maurício Santoro, especialista em América Latina.

Itaipu é considerada um símbolo nacional no Paraguai e gera cerca de 90% da energia elétrica consumida no país. O acordo secreto com o Brasil aumentaria em até US$ 200 milhões por ano os custos da energia paraguaia.

"O problema do acordo atual é que houve uma falta de transparência muito grande dos negociadores paraguaios com a sua própria sociedade. E a opinião pública paraguaia ficou indignada. Achou que o acordo não foi bem feito, que ele prejudicava os interesses paraguaios e isso gerou uma crise de confiança com o governo que quase levou ao impeachment do atual presidente", afirmou Santoro, que também explica que o Brasil pode gastar até R$ 1 bilhão sem o acordo.

A força de uma hidrelétrica contra o presidente

A ameaça a Benítez veio também da população, que foi às ruas de Assunção contra o presidente. O escândalo revelado em 24 de julho já derrubou o embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Caballero, o chanceler paraguaio, Luís Castiglioni, e o presidente da ANDE, estatal energética do país, Pedro Ferreira.

"Itaipu é importantíssima para a economia paraguaia e também é um símbolo das relações exteriores do país. Muito mais do que ela para o Brasil. É diferente do caso brasileiro em que Itaipu é responsável por cerca de 20% da energia elétrica consumida no Brasil. É um percentual grande, é a maior usina do país, mas ela não tem o mesmo peso político e econômico que tem para o Paraguai", afirma Santoro.

A mesma tensão entre os países é afirmada pelo pesquisador Eduardo Heleno de Jesus, professor de Relações Internacionais da UFF, que acredita também que a situação impõe “maior tensão sobre o presidente Benítez".

Usina Hidrelétrica de Itaipu
Alexandre Marchetti/ Itaipu Binacional
Usina Hidrelétrica de Itaipu

"Ele tem que provar que está defendendo os interesses paraguaios e a atuação de durante a primeira negociação foi realmente muito ruim. Um ponto essencial foi a falta de transparência, foi essa falta de comunicação. Isso é imperdoável para uma disputa muito séria", ressalta o pesquisador da UERJ.

"A influência política de Itaipu no Paraguai é muito grande. E como o acordo [com o Brasil] na visão dos políticos paraguaios lesou os interesses nacionais, deu margem à tentativa de fazer um processo de impeachment", afirmou o especialista.

O partido de Benítez, o Colorado, é o principal partido paraguaio nos últimos 70 anos - inclusive no período da ditadura militar - conforme explica à Sputnik Brasil o pesquisador Eduardo Heleno de Jesus, que também afirma que disputas internas no partido poderiam dar força a um processo de impeachment.

"Mario Abdo Benítez tem uma história que aproxima ele do Bolsonaro. Primeiro, o pai dele fez parte da ditadura Stroessner. E a ditadura Stroessner é conhecida por ter uma forte ligação dos militares com o partido Colorado. Então, de certa maneira, a campanha do Marito [Benítez] foi muito identificada com os valores que o Bolsonaro usou na campanha aqui no Brasil", afirmou Eduardo Heleno de Jesus, em entrevista à Sputnik Brasil.

‘Não posso fechar algo contrário ao meu país’

Na manhã da terça-feira (6), o diário paraguaio ABC Color, divulgou conversas particulares que mostram que o presidente paraguaio sabia há meses do acordo com o Brasil e que o governo brasileiro pressionou Assunção.

As conversas mostram que em março de 2019, o presidente Benítez já pressionava Pedro Ferreira presidente da ANDE, a estatal energética paraguaia, e que Benítez chegou a dizer a Ferreira que “ao negociar se sacrificam posições e algumas vezes até princípios”.

Pedro Ferreira chegou a pedir a Benítez que se fosse “negociada sua cabeça” ao invés da ANDE e que não poderia “fechar algo contrário” ao Paraguai com o Brasil.

Benítez optou que as negociações fossem feitas de forma secreta com o objetivo de não atiçar a opinião pública e facilitar os termos do acordo.

Paraguai pode retaliar no acordo Mercosul-UE?

Uma das preocupações levantadas pelo impasse é de que o parlamento paraguaio use acordos comerciais como o Mercosul-União Europeia para pressionar o Brasil.

"Essa possibilidade existe. Realmente nós poderemos ter o Paraguai pressionando o Brasil na questão de Itaipu ameaçando algum tipo de retaliação na questão do acordo Mercosul União Europeia", afirma Santoro, especialista na questão.

Apesar disso, o pesquisador enxerga essa possibilidade como algo remoto.

"Não acredito que vá chegar a esse ponto. Acho que o Brasil tem uma percepção de como o sistema de Itaipu é sensível no Paraguai e tem mostrado uma disposição bastante ampla em ceder, em aceitar dialogar. O país entende que há uma relação política estratégica com o Paraguai, um vizinho muito menor, muito mais frágil e que é importante de ser mantida”, conclui.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sputnik_explica/2019080814362526-itaipu-impasse-binacional-envolve-bolsonaro-e-balanca-benitez-no-paraguai/

Itaipugate não pode ser abafado

Escândalo da usina de Itaipu e o governo Bolsonaro: “O resumo do negócio é simples: o Brasil obrigou o Paraguai a contratar pra si um volume maior de energia, superior à sua própria necessidade. Ao mesmo tempo, privou a Ande da exclusividade da revenda ao Brasil, abrindo caminho para a entrada da Léros no negócio”.

 

 

A condescendência da mídia brasileira para com Bolsonaro não pode chegar ao ponto de ignorar, ou relegar a notas e registros secundários, a gritante suspeita de que haja uma grossa história de corrupção, envolvendo a própria família do presidente, na crise política que agita o Paraguai, por conta do acordo secreto sobre a divisão da energia de Itaipu. Lá, o presidente Mario Abdo Benítez voltou a enfrentar o risco de impreachment. Aqui, o PT pediu ontem à Procuradoria Geral da República a abertura de investigações contra Bolsonaro, o chanceler Ernesto Araújo e o presidente brasileiro de Itaipu, general Luna e Silva, mas isso também será ignorado ou jogado aos pés de página.

Pela mídia grande, Bolsonaro não é corretamente qualificado como de extrema-direita, como fazem, referindo-se a ele, veículos de todo o mundo. Produz mentiras diárias e não é chamado de mentiroso. E mesmo declarando ostensivamente que usa o aparelho de Estado para se vingar da mídia, dela não recebe a nomeação correta de seu ato: prevaricação. Ele mesmo confessou: “No dia de hoje, eu retribuí parte daquilo que grande parte da mídia me atacou”. Truncado, mas compreensível. A retribuição foi a assinatura de MP que subtrai dos jornais a receita obtida com a publicação anual de balanços, providência a que estão obrigadas as empresas de capital aberto. Bolsonaro as presenteia com a publicação gratuita dos balanços no Diário Oficial da União. Ou seja, faz cortesia com o dinheiro público para se vingar, para satisfazer seu interesse pessoal. Prevarica, além de atentar indiretamente contra a liberdade de imprensa ao tentar interferir na saúde financeira das empresas do setor. Não vi, entretanto, a tal MP ser condenada com o necessário rigor, pela gravidade que encerra.

Mas voltemos às trutas do lago de Itaipu. Em Assunção a história está na boca do povo, nos blocos que andam pelas ruas pedindo o impeachment do presidente Mario Abdo Benitez e de seu vice Hugo Velásquez. No início da semana a providência foi abortada pela anulação do acordo secreto de 24 de maio, mas ontem alguns partidos de oposição voltaram a protocolar o pedido de julgamento político do presidente, do vice e do ministro da Fazenda Benigno López. Mas sem o apoio do partido do ex-presidente Cartes, Honor Colorado, não dispõem, de maioria para aprovar o pedido na Câmara paraguaia. Por ora, porque lá a situação política vai escapando ao controle do governo. Quando há fato jurídico, etem povo na rua, a maioria acaba se formando.

Lá, já não acusam a trinca apenas de assinar um acordo lesivo ao Paraguai, mas de participação direta numa operação obscura que visava favorecer a empresa brasileira Léros, interessada em comprar o excedente da energia contratada pelo Paraguai.

Para isso, subtraiu-se do acordo a exclusividade da estatal Ande (Administradora Nacional de Eletricidade) na revenda. Uma Vazajato paraguaia revelou mensagens de whatsapp entre Benítez e o ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, explicitando que o presidente acompanhou de perto as negociações, que declarou-se pressionado pelo governo brasileiro a aceitar o acordo, e que, por sua vez pressionou Ferreira a aceitar o acordo. O presidente da Ande se recusou e deixou o cargo, dando início à crise.

Está na boca de todos, no país vizinho, o nome do advogado José Rodriguez González, que participou das tratativas como assessor jurídico do vice-presidente Velásquez mas defendia, de fato, os interesses da Léros, representada nas sombras por Alexandre Giordano, que vem a ser suplente do senador Major Olímpio, do PSL, que é líder do Bolsonaro no Senado.

O resumo do negócio é simples: o Brasil obrigou o Paraguai a contratar pra si um volume maior de energia, superior à sua própria necessidade. Ao mesmo tempo, privou a Ande da exclusividade da revenda ao Brasil, abrindo caminho para a entrada da Léros no negócio.

Em toda esta lambança, pelo menos uma coisa exige esclarecimento cabal: qual é a relação entre a família Bolsonaro e a empresa comercializadora Léros. Pois quando se referem a ela, nas mensagens vazadas, autoridades paraguaias se referem claramente a ligações com a “família presidencial”.


Texto original em português do Brasil


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/itaipugate-nao-pode-ser-abafado/

Roubo no Paraguai envolve PSL de Bolsonaro

O sofrido Paraguai – segundo país da América Latina, depois de Honduras e antes do Brasil, a sofrer um golpe parlamentar-judicial-midiático – segue sob forte tensão. Na semana passada, o presidente Abdo Benitez quase foi deposto.

 

Nas ruas de Assunção, milhares de populares gritaram “Itaipu não se vende, se defende”, criticaram um criminoso acordo firmado com o Brasil sobre a hidrelétrica binacional e exigiram o impeachment do governante ultradireitista e trambiqueiro. Ele só não caiu porque recuou na negociata, que teve o envolvimento direto de um lobista do PSL de Jair Bolsonaro, conforme denúncias dos jornais paraguaios “ABC Collor” e “Última Hora”.

Segundo estes veículos, uma empresa ligada ao “capetão” seria beneficiada “através da exclusividade nas vendas do excedente de energia elétrica do Paraguai no mercado brasileiro”. O acordo entre os presidente Abdo Benitez e Jair Bolsonaro foi assinado em 24 de maio, mas seus detalhes foram mantidos em segredo. Quando alguns itens foram vazados pela imprensa local, o clima foi de indignação e revolta. Após cálculos de que o acordo de Itaipu iria causar prejuízos de mais de US$ 200 milhões aos cofres paraguaios até 2022, a crise política instalou-se no país.

Conforme relato do jornal Hora do Povo, o clima piorou a partir de 24 de julho, “quando o presidente da ANDE (Administração Nacional de Eletricidade), Pedro Ferreira, anunciou a sua renúncia. Ele considerou o acordo de ‘alta traição’ aos interesses paraguaios e de ‘extorsão financeira’. O Senado do país vizinho, assim que a renúncia de Ferreira foi anunciada, pediu esclarecimentos sobre o acordo, até aquele momento mantido em sigilo diante do parlamento paraguaio”. Na sequência, também anunciaram suas renúncias o ministro do Exterior, Luis Castiglioni, e o embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier, além de outros dirigentes da estatal Itaipu. O jornal Hora Povo ainda dá algumas pistas sobre o envolvimento de figuras ligadas ao presidente Jair Bolsonaro.

“Os jornais paraguaios denunciaram que um lobby bolsonarista, incluindo o advogado José Rodríguez González, assessor jurídico do vice-presidente Hugo Velázquez, atuou em conjunto com o suplente de senador pelo PSL de São Paulo, Alexandre Giordano”. A gangue pressionou para que a empresa Léros Comercializadora de Energia fosse a revendedora exclusiva da energia excedente do Paraguai no Brasil. “Segundo o jornal, o advogado afirmou que ‘em todas as conversações que tivemos com esse grupo empresarial brasileiro, a primeira coisa que fizeram foi dizer que têm o apoio do alto comando brasileiro para conseguir as autorizações de importação de energia’”.

“O jornal ABC vai além e conecta a exclusão do ‘item 6’ [sobre venda de energia] aos interesses de Bolsonaro. Diz que em 23 de maio, portanto, na véspera do dia em que o acordo foi assinado, o lobista González mandou uma mensagem aos diretores da ANDE em nome do próprio presidente Abdo Benítez e de seu vice, Hugo Velázquez. Nela, ele solicita a exclusão do item do novo acordo. Na mensagem, ainda segundo o jornal, ele diz que o item 6 deveria ser excluído ‘porque em conversas com o mais alto comando do país vizinho concluiu-se que não é o mais favorável a fim de proteger o manuseio para que a operação em andamento seja efetivada com o sucesso’”.

Alexandre Giordano, o suplente de senador do PSL – já batizado de Partido Só de Laranjas – confirmou ao jornal Estadão que participou da reunião no Paraguai com a ANDE, ao lado de um representante da empresa Léros. Mas negou ter falado em nome do clã Bolsonaro: “Meu contato com a família Bolsonaro é zero. Fui lá em interesse da minha empresa. Não tem nada a ver com o acordo de Itaipu”. O Estadão, porém, colocou em dúvida a resposta do suplente. Já a Folha relata que as mensagens vazadas do lobista José Rodrigues Gonzalez confirmaram que a “empresa brasileira Léros representaria a ‘família presidencial do país vizinho’, ou seja, a família do presidente Jair Bolsonaro… Rodríguez menciona ainda Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), como receptor da carta de intenções relacionada à venda de energia ao Brasil”.

Há algo muito estranho no escândalo que quase levou à queda do presidente fascistoide e bandido do Paraguai!


por Altamiro Borges, Jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé   |  Texto original em português do Brasil


Exclusivo Editorial PV / Tornado


 
 
 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/roubo-no-paraguai-envolve-psl-de-bolsonaro/

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