Palestina

Milhares de palestinianos assinalaram o «Dia de Raiva» contra os planos anexionistas

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupadas, houve protestos contra o plano israelita de anexação do Vale do Jordão, que continua na agenda de Netanyahu, apesar de não ter sido já concretizado.

Jovem palestiniano mostra um cartaz contra os planos de anexação israelitasCréditos / Middle East Eye

Milhares de manifestantes de várias facções palestinianas, alguns dos quais exibindo bandeiras nacionais e cartazes contra o presidente norte-americano, Donald Trump, juntaram-se ontem na Faixa de Gaza ocupada para dizer «não» aos planos expansionistas de Israel, que implicam a perda de cerca de um terço do território ocupado da Cisjordânia.

Um manifestante disse à agência AFP que «é preciso reactivar a resistência» e outros pronunciaram-se em sentido semelhante, chamando a atenção para a possibilidade de uma terceira intifada, refere a Prensa Latina. Protestos semelhantes, enquadrados no «Dia de Raiva» convocado para esta quarta-feira, tiveram lugar em Ramallah e Jericó, na Margem Ocidental ocupada.

A coligação que governa em Israel, liderada por Benjamin Netanyahu, tinha anunciado que 1 de Julho era a data de arranque para impor a «soberania» de Telavive sobre 30% da Cisjordânia ocupada, incluindo a região fértil do Vale do Jordão.

No entanto, o esquema não saiu do papel, por enquanto, e o «regime» deixou à mostra que tem paus nas rodas: designadamente, divisões no seio da coligação governante – entre Netanyahu e os ministros da Defesa, Benny Gantz, e dos Negócios Estrangeiros, Gabi Ashkenazi.

O gabinete de Netanyahu emitiu um comunicado em que afirma que a anexação continuará a ser discutida com a administração dos EUA. «Nos próximos dias haverá mais discussões», lê-se na nota, citada pela PressTV.

Por seu lado, o ministro dos Assuntos Sociais, Ofir Akunis, disse que Israel irá anexar partes na Cisjordânia ainda este mês, mas só depois de o presidente norte-americano se ter posicionado sobre a questão. A anexação «só acontecerá depois de uma declaração de Trump», disse o ministro à Rádio do Exército Israelita.

De acordo com a PressTV, existem sinais de que a actual administração norte-americana está a hesitar na declaração do apoio oficial que Netanyahu procura – confrontada com vários problemas a nível interno e com receios de que esse passo prejudique as hipóteses de reeleição de Trump.

Entretanto, alguns dos firmes aliados dos EUA – e de Israel – deixaram clara a sua oposição à anexação. O Parlamento alemão aprovou uma resolução em que apela ao governo de Merkel para que «expresse ao governo israelita as nossas preocupações e a nossa exigência urgente de que trave a anexação de partes da Margem Ocidental [ocupada] e a expansão contínua dos colonatos, que violam o direito internacional».

Por seu lado, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, alertou para as consequências de uma anexação israelita dos territórios palestinianos, que será uma «violação do direito internacional» e «porá em causa os parâmetros para a resolução do conflito».

Alerta solidário em Lisboa

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) e a CGTP-IN agendaram um acto público em solidariedade com a Palestina para o próximo dia 6 de Julho, às 18h30, na Praça do Martim Moniz, em Lisboa.

Sublinham que é um «imperativo travar os planos anexionistas dos governos de Israel e dos EUA» e, nesse sentido, chamam «todos quantos são solidários com a justa causa do povo palestiniano, mas também de todos quantos defendem a Paz», a participar na iniciativa.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/milhares-de-palestinianos-assinalaram-o-dia-de-raiva-contra-os-planos-anexionistas

Crimes de Israel perante o Tribunal Penal Internacional

#Escrito em português do Brasil

No mesmo contexto, deve-se enfatizar que o Estado da Palestina depositou o instrumento de adesão ao Tribunal Penal Internacional como Estado Parte, que entrou em vigor em 1 de abril de 2015. Em geral, o Estado da Palestina entregou ao Escritório das queixas básicas do Procurador em três arquivos: ataques a assentamentos e colonos, a questão de prisioneiros palestinos e agressão israelense contra a Faixa de Gaza em 2014. 


Na prática, a Câmara de Pré-Julgamento do TPI deve decidir sobre o assunto, pois a solicitação do Promotor é a confirmação da jurisdição territorial; isto é, todos os crimes cometidos no território palestino ocupado, incluindo a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, são crimes sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional ”. Nesse contexto, deve-se enfatizar que “todos os estatutos e órgãos jurídicos internacionais relacionados a esse assunto reconheceram que os territórios ocupados são o território do Estado Palestino ocupado, uma esfera regional na qual o soberano é o povo palestino sozinho e ninguém mais. A decisão do tribunal levará a uma investigação oficial que levará, em última análise, à “acusação que ameaça oficiais políticos e militares israelenses atuais e ex-israelenses em mais de 100 países, o que acabará com os crimes de guerra israelenses cometidos nos territórios palestinos ocupados”.
 
Ainda transcorrerão dias para a abertura de uma investigação oficial sobre crimes israelenses cometidos nos territórios palestinos ocupados. Mas a preparação começou. Em 21 de dezembro de 2019, a promotora do Tribunal Penal Internacional, Fatou Bensouda, optou por fazer um pedido às Câmara de Julgamento do Tribunal Penal para decidir sobre a jurisdição dos territórios palestinos ocupados. A medida é parte prévia à abertura de uma investigação criminal sobre condutas de Israel nos territórios palestinos. Este passo é a primeira possibilidade de responsabilizar os criminosos de guerra israelenses pelos crimes resultantes do contínuo assentamento israelense na Cisjordânia ocupada e do confisco de terras e propriedades privadas palestinas; no entanto, permanece o receio de que os Estados Unidos e a potência ocupante recorram à pressão e ameacem juízes e promotores no Tribunal Penal para dissuadi-los de inmvestigar, ou usem os poderes dos EUA para enviar uma solicitação ao Conselho de Segurança de adiamento da consideração do caso por um ano.
 
Abd Alatyif Khader | Monitor do Oriente Médio
 
Na imagem: Chefe da Promotoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) Fatou Bensouda, em 8 de fevereiro de 2016 [Heinrich Böll-Stiftung/Flickr]

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/crimes-de-israel-perante-o-tribunal.html

Palestina rejeita plano parcial ou completo de anexação israelense, segundo Abbas

 

PA's Mahmoud Abbas declares suspension of all deals with Israel...

Ramala, 29 jun(Xinhua) - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse na segunda-feira que o plano israelense de anexar partes da Cisjordânia é rejeitado, seja parcial ou completo.

 

O anúncio de Abbas foi feito em uma conversa por telefone com Simonetta Sommaruga, presidente da Confederação Suíça, informou a agência de notícias oficial WAFA.

 

O relatório disse que Abbas enfatizou que os palestinos rejeitam o plano de paz no Oriente Médio dos EUA, acrescentando que ele viola todas as resoluções internacionais.

 

O presidente suíço disse que a Suíça se opõe a quaisquer ações unilaterais ou quaisquer mudanças que violem o direito internacional e a legitimidade internacional, e pediu a Israel e aos palestinos um diálogo.

 

Sommaruga disse a Abbas que seu país continuará fornecendo apoio à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo, principalmente no campo da saúde para combater a pandemia de coronavírus.

 

Em outro cenário, durante uma reunião on-line com 40 parlamentares britânicos, o primeiro-ministro palestino, Mohammed Ishtaye, acusou Israel de planejar dissolver a Autoridade Palestina (AP), acrescentando que os palestinos não permitirão que Israel o faça "porque a AP foi o resultado da Luta palestina".

 

"O plano de anexação israelense ameaça a existência do povo palestino e sua causa justa e também ameaça a segurança e a estabilidade na região", disse Ishtaye.

 

O governo israelense planeja anexar mais de 30 por cento da Cisjordânia, incluindo o Vale do Jordão. Também planeja impor soberania a vários assentamentos israelenses no território.

 

A tensão entre os dois lados aumentou depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que seu plano de anexação será implementado no dia 1º de julho.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/01/c_139180244.htm

Contra a anexação da Cisjordânia e os crimes de Israel

Face à ameaça de anexação de um terço da Cisjordânia por Israel, o MPPM instou o Governo português a reconhecer o Estado da Palestina. Para dia 6 de Julho foi marcado um acto público solidário em Lisboa.

O MPPM lançou uma carta aberta ao Governo português instando-o a defender de forma intransigente os direitos do povo palestinianoCréditos / ibtimes.com

Numa carta aberta dirigida ao Governo português, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) reclama o reconhecimento, por Portugal, do Estado da Palestina e uma posição firme face à ameaça de anexação de territórios palestinianos da Margem Ocidental do Rio Jordão por parte de Israel.

O documento – subscrito por personalidades da vida pública, cultural e académica, e para o qual o MPPM convida o leitor a dar a sua adesão – afirma que o actual governo de Israel, com o apoio da administração de Donald Trump, foi constituído com o propósito fundamental de «promover a anexação de jure de cerca de 30% dos territórios palestinianos ocupados em 1967, incluindo todo o vale do Rio Jordão e os colonatos instalados contra o direito internacional na Cisjordânia».

«O mundo não pode aceitar que este projecto se concretize, nem pode continuar a assistir passivamente à contínua limpeza étnica do povo palestiniano», sublinha o organismo português, considerando para além disso «imperioso» que Portugal assuma as suas responsabilidades. «Não há espaço para o silêncio ou a ambiguidade, que nos tornaria cúmplices das consequências desta anexação. É hora de agir», frisa.

Neste sentido, os subscritores da carta reclamam do Governo português o reconhecimento imediato do Estado da Palestina nos territórios ocupados por Israel em 1967, com Jerusalém Leste como capital; que reavalie todo o quadro de relacionamento com o Estado de Israel se se concretizar «o anunciado projecto de anexação de jure de território palestiniano»; que use todos os instrumentos políticos e diplomáticos ao seu alcance «no sentido da defesa intransigente» dos direitos do povo palestiniano.

«Não à anexação! Fim aos crimes de Israel!»

Tendo em conta a gravidade da situação na Palestina e a intenção de Israel de anexar vastos territórios da Cisjordânia ocupada, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), a CGTP-IN e o MPPM agendaram para o próximo dia 6 de Julho, às 18h30, na Praça do Martim Moniz, em Lisboa, um acto público de solidariedade com a Palestina.

As entidades promotoras apelam à participação na acção, que visa dizer «não» à anexação e exigir às autoridades portuguesas que dela se demarquem de forma clara e inequívoca.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/contra-anexacao-da-cisjordania-e-os-crimes-de-israel

ONU pede que Israel mude plano de anexar territórios palestinos na Cisjordânia

 

247 -A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, considera ilegal e perigoso o projeto israelense de anexação da Cisjordânia.

"A anexação é ilegal. Ponto final", disse Bachelet, por meio de um comunicado nesta segunda-feira (29). "Qualquer anexação. De 30% ou de 5% da Cisjordânia."

A oposição internacional à anexação da Cisjordânia aumentou nas últimas semanas. Líderes palestinos, países europeus e países árabes aliados a Israel são contra qualquer anexação de terras ocupadas pela força em 1967, informa a Folha de S.Paulo.

O projeto de anexação da Cisjordânia já provocou uma série de problemas geopolíticos e ameaça o novo governo israelense de coalizão.

Benny Gantz, o principal parceiro de coalizão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manifestou nesta segunda-feira sua oposição ao avanço de um plano para anexar partes da Cisjordânia ocupada, onde os palestinos querem estabelecer um Estado, informa a Reuters.

Mas Netanyahu, segundo seu porta-voz, disse aos parlamentares de seu partido de direita Likud que os passos da anexação a serem debatidos pelo gabinete já na quarta-feira não dependem do apoio de Gantz.

 

Os dois parceiros reticentes da coalizão formada no mês passado se encontrariam com autoridades de Washington, que querem ver um consenso dentro do governo israelense antes de dar sinal verde para os planos do premiê.

Uma desavença entre Netanyahu e Gantz pode, portanto, adiar um debate sobre a anexação no gabinete, que ambos haviam concordado que poderia começar no dia 1º de julho.

Segundo uma fonte de seu partido, Gantz disse nesta segunda-feira ao embaixador norte-americano David Friedman e ao conselheiro da Casa Branca Avi Berkowitz que a data de 1º de julho “não é sagrada”.

 

Em comentários transmitidos mais tarde, Gantz disse a membros do seu partido Azul e Branco que “o que não tem relação com o coronavírus vai esperar até o dia depois do vírus”. Ele estimou que a crise de saúde pode durar mais 18 meses.

Netanyahu disse que pretende estender a soberania israelense aos assentamentos judeus e ao Vale do Jordão, como contemplado em um plano anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em janeiro segundo o qual Israel controlaria 30% da Cisjordânia.

Rejeitada por completo pelos palestinos, a proposta de Trump também prevê um Estado palestino sob condições rigorosas.

A Palestina deve viver

 
 
 

Aos Chefes de Estados, Ministros das Relações Exteriores e Ministros do Comércio Exterior:

O tratamento do povo palestino tornou-se uma vergonha na consciência global. É hora do mundo se posicionar e agir para aplicar sanções a Israel até que os palestinos tenham direitos civis plenos e iguais. Apelamos a V. Exas. que atuem com liderança moral e ações concretas para salvar vidas.
 
 

Dentro de 5 dias, o Primeiro Ministro de Israel expandirá seu território, anexando uma grande parte da Palestina.

Apesar de ser reconhecida pelas Nações Unidas, o governo de Israel simplesmente está assumindo o controle da Palestina, em violação ao direito internacional.

Praticamente todo mundo se opõe, mas o ponto é: quem fará algo a respeito? A Europa e outros países têm o poder de fazer com que Israel pense duas vezes. Entretanto, antes de agirem,  eles precisam ouvir um apelo gigantesco, vindo de cidadãos do mundo todo. É aí que entramos!

Exija uma ação concreta pela Palestina agora

Israel está deixando pedaços de terra para serem autogovernados pelos palestinos, mas continua cercando-os com muros, colônias e torres militares. O Estado israelense poderá avançar sua anexação em etapas para diminuir o alarme internacional, mas o restante da Palestina já parece um queijo suíço, cheio de buracos: um estado impossível de se viver, de funcionar e de ser governado.

Os palestinos estariam efetivamente sendo presos em bolsões de terra - como grandes prisões ao ar livre, sob o rígido controle de Israel. Para muitos, trata-se de um Apartheid. Como maior parceiro comercial de Israel, a União Europeia pode deixar claro que a anexação e as violações dos direitos humanos na Palestina resultarão em sanções.

Essa é uma das ações mais ilegítimas já tomadas na longa e trágica história do conflito entre Israel e Palestina. Se o mundo fechar os olhos, uma nova era de injustiça e crueldade começará. Mas para isso existe a Avaaz - vamos dizer “estamos de olho e não vamos deixar isso acontecer” e exigir que nossos líderes tomem atitudes:

Exija uma ação concreta pela Palestina agora

A Avaaz lutou muito para que as Nações Unidas reconhecessem a Palestina como o 194º estado do mundo, e vencemos. Na época, o Embaixador da Palestina na Europa disse: "A Avaaz e seus membros em todo o mundo desempenharam um papel crucial para convencer os governos a apoiar a tentativa do povo palestino por um estado, liberdade e paz. Eles estiveram conosco durante todo o tempo e sua solidariedade e apoio serão lembrados com carinho em toda a Palestina". Vamos apoiar os palestinos, os israelenses e as pessoas de todos os lugares do mundo que desejam proteger direitos, liberdade e o sistema jurídico -- e não a “Lei do Mais Forte” que domina o mundo.

Com esperança e determinação,

Ricken, Marie, Fadi, Mike, Nax, Mohammad, Nathan e todo o time da Avaaz

MAS INFORMAÇÕES:

Secretário-geral da ONU e Liga Árabe pedem que Israel abandone plano de anexar partes da Cisjordânia (Folha de São Paulo)
https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/06/secretario-geral-da-onu-e-liga-arabe-pedem-que-israel-abandone-plano-de-anexar-partes-da-cisjordania.shtml

EUA mantêm respaldo aos planos de Israel para anexar parte da Cisjordânia (UOL)
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2020/06/24/eua-mantem-respaldo-aos-planos-de-israel-para-anexar-parte-da-cisjordania.htm 

Às vésperas de anexações na Cisjordânia, secretário-geral da ONU e Liga Arábe pedem que Israel abandone plano
https://oglobo.globo.com/mundo/as-vesperas-de-anexacoes-na-cisjordania-secretario-geral-da-onu-liga-arabe-pedem-que-israel-abandone-plano-24496168

ONU e Liga Árabe pedem que Israel abandone planos de anexação da Cisjordânia (RTP Notícias)
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/onu-e-liga-arabe-pedem-que-israel-abandone-planos-de-anexacao-da-cisjordania_n1239652

 
 
 
 

Conselho Mundial da Paz apela à ONU pelo fim da ocupação israelense da Palestina

O Conselho Mundial da Paz (CMP), de que o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) é membro, enviou um apelo, nesta segunda-feira (29), ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e a chefes de Missões Diplomáticas na sede do órgão, em Genebra, contra o plano de Israel de anexar vastas porções de território palestino e pelo fim da ocupação militar. O governo israelense pode apresentar projeto de anexação a partir de 1º de julho. Leia a tradução do texto do CMP:

 

Ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra

e às Missões Diplomáticas de Estados na ONU em Genebra

Declaração do Conselho Mundial da Paz

Atenas, 29 de junho de 2020

 

O Conselho Mundial da Paz, como organização internacional de movimentos de paz e em cooperação com o sistema da ONU em Nova York, Genebra e Viena, baseado em na longa defesa de 70 anos da causa da paz e da amizade entre os povos, expressa suas mais profundas preocupações e oposição aos planos do Estado de Israel de proceder, em 1º de julho de 2020, com a anexação de territórios palestinos do Vale do Jordão.

Queremos chamar sua atenção à corrente ocupação de territórios palestinos desde 5 de junho de 1967 (inclusive Jerusalém Oriental), que, apesar do “Acordo de Oslo” de 1993, atravessou vários estágios e fases. A ocupação tronou-se permanente e avança através das colônias ilegais israelenses na Cisjordânia palestina, através da criação de um muro de separação, o cerco à Faixa de Gaza, os assédios diários aos cidadãos palestinos e a violência contra eles, assim como o roubo de terras em Jerusalém Leste e os esforços pela judaização da cidade pelo governo israelense, contrariando todas as resoluções relevantes da ONU.

Sublinhamos nossa firme condenação à posição de governos que têm endossado, tolerado ou apoiado essas violações do direito internacional por Israel, alimentando sua corrida agressiva e expansionista contra o povo e o Estado da Palestina. Rejeitamos quaisquer políticas de opressão do povo palestino por décadas e apoiamos a solução do conflito com a criação de um Estado da Palestina independente, soberano e viável nas fronteiras anteriores a 4 de junho de 1967, com Jerusalém Leste como sua capital, ao lado de Israel.

Os recentes acontecimentos nos últimos anos, com a decisão do governo estadunidense de transferir sua Embaixada de Tel Aviv a Jerusalém e reconhecê-la como “capital indivisível israelense”, a “lei de nacionalidade” sobre cidadãos não judeus de Israel e o “Plano do Século” dos EUA sobre o conflito israelense-palestino prova claramente as intenções dos EUA e de Israel de ignorar os direitos inalienáveis do povo palestino a seu Estado. Além disso, o “Plano do Século” dos Estados Unidos inclui a anexação de 30% da Cisjordânia (a área do Vale do Jordão, áreas a norte do Mar Morto e grandes colônias na Cisjordânia), o que foi recentemente anunciado pelo governo israelense para 1º de julho de 2020.

O CMP declara sua firme rejeição e repúdio aos planos acima, que contrariam qualquer sentido de direito internacional e a opinião geral da grande maioria das nações e povos do mundo. Esses planos constituem uma grave violação das resoluções da ONU e vão piorar ainda mais as vidas do povo palestino. Os planos de anexação trazem ainda mais desestabilização e colocam obstáculos à paz em todo o Oriente Médio.

Instamos o Conselho de Segurança da ONU, todos os Estados Membro da ONU, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e todos os povos amantes da paz no mundo a condenar e se opor ao aprofundamento da ocupação de terras palestinas por estes ou por planos semelhantes marcados para 1º de julho ou qualquer outro momento por Israel. Reafirmamos nossa solidariedade com o povo palestino e seu direito à autodeterminação:

  • Pelo fim da ocupação israelense e um estado palestino independente nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Leste como sua capital;
  • Pelo reconhecimento, pelas Nações Unidas e seus Estados membro, do Estado da Palestina, como membro pleno da ONU;
  • Pelo desmantelamento das colônias e a partida dos colonos, a remoção do Muro de Separação e a implementação do direito de retorno de refugiados palestinos aos seus lares;
  • Pela libertação de todos os prisioneiros políticos palestinos dos cárceres israelenses.

Não pode haver Paz no Oriente Médio sem Justiça!

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

MPPM – É PRECISO AGIR – ACTO PÚBLICO DE SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA – SEGUNDA-FEIRA, 6 de JULHO, às 18.30, no Largo do MARTIM MONIZ, em LISBOA

 

Acto Público de Solidariedade com a Palestina
Segunda, 6 de Julho, 18.30 horas
Largo do Martim Moniz, Lisboa

O novo governo de Israel anunciou a anexação de 30% da Cisjordânia, internacionalmente reconhecida como território palestino, a partir do dia 1 de Julho. Uma tal anexação inviabiliza a criação do Estado da Palestina, prometido desde há décadas por múltiplas resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU.

A ameaça de anexação, inseparável da cumplicidade do Governo dos EUA e do Presidente Trump,  é um atentado aos inalienáveis direitos do povo palestino. Ao rasgar décadas de promessas e resoluções, é também um atentado ao Direito Internacional, à Carta das Nações Unidas, e ao próprio conceito de resolução pacífica e política dos conflitos internacionais.

Estamos perante a ameaça dum crime que irá incendiar a Palestina, todo o Médio Oriente, e que é uma real ameaça à Paz mundial. É por isso imperativo travar os planos anexionistas dos governos de Israel e dos EUA.
Perante a gravidade e urgência da situação, a CGTP-IN, o CPPC e o MPPM chamam todos quantos são solidários com a justa causa do povo palestiniano, mas também de todos quantos defendem a Paz, a participar num acto público de protesto, na 2ª-feira dia 6 de Julho, pelas 18h30 horas, no Largo Martim Moniz, em Lisboa, onde, respeitando as disposições de saúde pública em vigor, se diga não a anexação e se dê voz à exigência de que o Governo de Portugal dela se demarque de forma clara e inequívoca.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/06/29/mppm-e-preciso-agir-acto-publico-de-solidariedade-com-a-palestina-segunda-feira-6-de-julho-as-18-30-no-largo-do-martim-moniz-em-lisboa/

Netanyahu e Trump atiçam a revolta palestina

 

 

Por José Reinaldo Carvalho, do Jornalista pela Democracia - A partir da próxima quarta-feira, 1º de julho, o governo de Israel poderá apresentar o plano de anexação de territórios palestinos na Cisjordânia, onde estão instaladas colônias israelenses ilegalmente. Faz tempo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem manifestado essa intenção, que é apresentada ao público sionista como realização de promessas de campanha eleitoral. Ele contenta os apetites internos de forças expansionistas, mas atiça o conflito e revolta os palestinos.

De fato, em várias entrevistas e comícios eleitorais, Netanyahu anunciou sua intenção de anexar a Israel os assentamentos judaicos construídos no Vale do Jordão. A palavra de ordem dos sionistas é "aplicar a soberania de Israel imediatamente após as eleições".

"Se consumado, o plano sepulta qualquer chance de implementação do direito do povo palestino a consolidar seu Estado soberano", afirma documento da campanha mundial em que entidades palestinas recolhem assinaturas contra a iniciativa israelense.

Netanyahu pretende dar esse novo passo baseado na suposta força política do governo de coalizão e no respaldo adquirido no plano internacional do seu incondicional aliado, o imperialismo estadunidense, depois da adoção do "acordo do século". Com a finalidade de impedir qualquer ideia de concretizar a fundação de um Estado palestino, os Estados Unidos decidiram apoiar os planos de Israel para anexar grande parte da Cisjordânia.

O chamado “acordo do século” não é um acordo mas um plano a mais no quadro da estratégia norte-americana para a "solução" do conflito gerado pela ocupação israelense, desenhado para atender às exigências dos agressores e pôr as vítimas na defensiva. O plano Trump respalda a anexação de todas as colônias israelenses e proclama a soberania de Israel sobre territórios palestinos ocupados ilegalmente e pela força, com amparo "manu militari". É um plano unilateral, que desde o início foi rechaçado pelos palestinos

O Plano Trump estipula a perpetuação do domínio israelense sobre Jerusalém e rejeita categoricamente o retorno de refugiados

 

Trump dá total respaldo às exigências israelenses quanto à própria segurança e exige que um eventual Estado palestino seja desmilitarizado. Há um aspecto bizarro: exige-se que o controle de acesso às fronteiras palestinas, por terra, mar ou ar, continue nas mãos dos israelenses.

O governo Netanyahu pretende agora realizar com o apoio diplomático da superpotência estadunidense - que sempre corre paralelo ao apoio militar e financeiro - o sonho nascido sob a ação de grupos extremistas como Haganáh e assemelhados, baseados em uma ideologia que desde os seus primórdios representa um movimento colonialista destinado a forjar uma ponta de lança no Oriente Médio. Sempre com o apoio de potências imperialistas. Antes, o Império Britânico, hoje o norte-americano.

Hoje, na Cisjordânia, colonos armados até os dentes, se preparam para tomar definitivamente territórios palestinos que pilharam ilegalmente.

 

A concretização dos anunciados planos de Netanyahu vai sem dúvidas provocar a revolta palestina e pode suscitar repulsa mundial. O respaldo de Trump não será suficiente para legitimar o colonialismo israelense. O chefe da Casa Branca encontra-se isolado internamente e sem autoridade internacional.

Os palestinos preparam seu contra-ataque se a anexação da Cisjordânia ocorrer. A Autoridade Palestina pode declarar sua soberania sobre a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, o que tornaria incontornável a proclamação da independência e a fundação do Estado nacional palestino.

Qualquer outra solução pode gerar o imponderável no Oriente Médio.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/netanyahu-e-trump-aticam-a-revolta-palestina

Acto público de solidariedade com a Palestina - 6 Julho

actopublico6julho2020f

A CGTP-IN é uma das organizações promotoras de um acto público de solidariedade com a Palestina e de protesto contra a anexação e os crimes de Israel, que decorrerá na 2ª-feira, dia 6 de Julho, pelas 18h30 horas, no Largo Martim Moniz, em Lisboa.

Abaixo reproduzimos o texto do apelo conjunto das organizações promotoras e anexamos o respectivo cartaz.

«O novo governo de Israel anunciou a anexação de 30% da Cisjordânia, internacionalmente reconhecida como território palestiniano, a partir do dia 1 de Julho. Uma tal anexação visa inviabilizar a criação do Estado da Palestina, prometido desde há décadas por múltiplas resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU.

A ameaça de anexação, inseparável da cumplicidade do Governo dos EUA e do Presidente Trump, é um atentado aos inalienáveis direitos do povo palestiniano. Ao rasgar décadas de promessas e resoluções, é também um atentado ao Direito Internacional, à Carta das Nações Unidas, e ao próprio conceito de resolução pacífica e política dos conflitos internacionais.

Estamos perante a ameaça dum crime que poderá incendiar a Palestina e todo o Médio Oriente e que é uma real ameaça à Paz mundial. É por isso imperativo travar os planos anexionistas dos governos de Israel e dos EUA.

Perante a gravidade e urgência da situação, as organizações signatárias chamam todos quantos são solidários com a justa causa do povo palestiniano, mas também de todos quantos defendem a Paz, a participar num acto público de protesto, na 2ª-feira dia 6 de Julho, pelas 18h30 horas, no Largo Martim Moniz, em Lisboa, onde, respeitando as disposições de saúde pública em vigor, se diga não à anexação e se dê voz à exigência de que o Governo de Portugal dela se demarque de forma clara e inequívoca.»

actopublico6julho2020v

 

Ver original aqui

MPPM – NÃO À ANEXAÇÃO DA CISJORDÂNIA – PELO RECONHECIMENTO DO ESTADO DA PALESTINA

Ante a ameaça anunciada pelo Governo de Israel de avançar para a anexação de territórios palestinos na Margem Ocidental do rio Jordão, o MPPM tomou a iniciativa de promover uma carta-aberta dirigida ao Governo Português e subscrita por personalidades da vida pública, cultural e académica reclamando o reconhecimento por Portugal do Estado da Palestina e uma posição firme face à ameaça de anexação por parte de Israel.  Convidamo-lo/-la a dar força a esta iniciativa dando a sua adesão a esta petição. Seguem-se o texto da carta e a lista de primeiros subscritores:

Em tempo de pandemia, um governo dito de “unidade e urgência” foi constituído em Israel com um propósito central: promover a anexação de jure de cerca de 30% dos territórios palestinos ocupados em 1967, incluindo todo o vale do rio Jordão e os colonatos instalados contra o direito internacional na Cisjordânia. Escudada no apoio da Administração Trump, uma tal decisão – que o governo de Israel pretende concretizar a partir do dia 1 de Julho próximo – viola e afronta décadas de resoluções das Nações Unidas e as normas mais elementares do direito e da legalidade internacional, desde logo, o princípio da inadmissibilidade da aquisição de território pela força estabelecido na Carta das Nações Unidas (art. 2º) e reiterado na resolução nº 242 do Conselho de Segurança da ONU. O mundo não pode aceitar que este projecto se concretize, nem pode continuar a assistir passivamente à contínua limpeza étnica do povo palestino. A comunidade internacional tem uma dívida histórica para com o povo palestino. É imperioso que Portugal assuma as suas responsabilidades e se comprometa com a defesa dos direitos humanos fundamentais plasmados na Carta das Nações Unidas e na Constituição da República Portuguesa. Não há espaço para o silêncio ou a ambiguidade, que nos tornaria cúmplices das consequências desta anexação. É hora de agir. Por imperativo de consciência e em nome da paz e da justiça, os subscritores reclamam do Governo Português: 1) que reconheça, de imediato, o Estado da Palestina nos territórios ocupados por Israel em 1967, com Jerusalém Leste como capital, conforme as resoluções pertinentes das Nações Unidas; 2) que reavalie todo o quadro de relacionamento com o Estado de Israel caso o governo deste país, em violação do direito internacional, persista em concretizar o anunciado projecto de anexação de jure de território palestino; 3) que use todos os instrumentos políticos e diplomáticos ao seu alcance, em particular no sistema das Nações Unidas e na União Europeia, no sentido da defesa intransigente dos direitos do povo palestino. Primeiros subscritores: Maria do Céu Guerra
Alice Vieira
Álvaro Siza Vieira
António Antunes
António Vitorino de Almeida
Boaventura de Sousa Santos
Chullage
Cláudio Torres
Fernando Rosas
Ilda Figueiredo
Isabel Allegro Magalhães
Isabel Camarinha
D. Januário Torgal Ferreira
José Barata-Moura
José Luís Borges Coelho
José Neves
Manuel Carvalho da Silva
Manuel Gusmão
Miguel Vale de Almeida
Pedro Pezarat Correia
Pilar Del Rio
Ricardo Paes Mamede
Rui Namorado Rosa
Vasco Lourenço

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/06/26/mppm-nao-a-anexacao-da-cisjordania-pelo-reconhecimento-do-estado-da-palestina/

MPPM – A SOLIDARIEDADE COM OS REFUGIADOS RECLAMA MEDIDAS CORAJOSAS PARA PÔR TERMO ÀS POLÍTICAS QUE OS GERAM

 

No Dia Mundial dos Refugiados, o MPPM manifesta a sua solidariedade com os refugiados do mundo inteiro — e em particular com os milhões de refugiados palestinos — e adverte para a necessidade imperiosa de complementar as necessárias acções mitigadoras de apoio humanitário aos refugiados com medidas enérgicas que ponham termo às políticas de agressão, colonização e exploração económica que estão na sua origem.

As guerras de ingerência e destruição fomentadas e apoiadas pelas potências ocidentais, no Afeganistão, no Iraque, na Síria, na Líbia e no Iémen, foram a causa próxima das vagas de milhões de refugiados no caso do Médio Oriente.

Na Palestina, a ocupação sionista vem sujeitando os seus habitantes, há 72 anos, a expulsões, expropriações e deslocações forçadas, sem respeito pelos seus direitos, internacionalmente consagrados, designadamente pela Resolução 194 da AG da ONU (11 de Dezembro de 1948) e pela Resolução 237 do Conselho de Segurança (14 de Junho de 1967), que reconhecem aos refugiados e deslocados palestinos o direito de regressar às suas casas, de ver restituídas as suas propriedades e de serem compensados pelas suas perdas e danos.

Segundo uma estimativa do Badil (Resource Center for Palestinian Residency and Refugee Rights), o número de refugiados palestinos era, em 2018, de cerca de 7,9 milhões, correspondendo a dois terços do total da população palestina. Destes, 6,7 milhões são refugiados de 1948 (e seus descendentes), resultantes da campanha de limpeza étnica que acompanhou a criação do Estado de Israel. Uma segunda vaga, estimada em 1,2 milhões, foi criada pela guerra de ocupação conduzida por Israel em 1967. A estes refugiados há que juntar 760 000 deslocados internos, dos quais 54% vivem no Estado de Israel e os restantes nos territórios palestinos ocupados em 1967.

Neste quadro, os Estados Unidos tudo têm feito para agravar a situação da maior e mais antiga comunidade de refugiados do mundo. No ano passado cortaram o seu financiamento à UNRWA, a agência da ONU criada em 1950 para assegurar uma assistência vital aos refugiados palestinos na Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Síria e Líbano. Mas a Assembleia Geral da ONU (15 de Novembro de 2019) frustrou as intenções dos EUA, que pretendiam a extinção da agência, renovando, por maioria esmagadora, o seu mandato por mais três anos.

Numa outra vertente, os EUA querem retirar a milhões de palestinos o seu estatuto de refugiados, deste modo eliminando a evidência da limpeza étnica promovida por Israel. No hipocritamente chamado «Plano para a Paz e a Prosperidade» a administração Trump aponta três opções para os refugiados palestinos: absorção pela nova entidade palestina, integração nos actuais países de acolhimento ou migração para países da Organização de Cooperação Islâmica. A solução conforme ao direito internacional de retorno às suas casas e propriedades não é contemplada.

Presentemente, outra grave ameaça impende sobre o povo palestino, deixando antever uma nova vaga de deslocados: a anexação do Vale do Jordão e de larga parte da Cisjordânia, promessa eleitoral que Benjamin Netanyahu pretende cumprir a partir de 1 de Julho. Tendo já Netanyahu garantido que, aos palestinos que habitem nas áreas anexadas a Israel, não será reconhecida a cidadania israelita e terão direitos limitados, resta-lhes emigrar ou ficar a trabalhar para os novos senhores como servos da gleba do século XXI.

No Dia Mundial dos Refugiados, o MPPM reitera o seu compromisso com a luta do povo palestino pelos seus inalienáveis direitos nacionais, incluindo uma solução justa da questão dos refugiados conforme com as relevantes resoluções da ONU.

20 de Junho de 2020
A Direcção Nacional do MPPM

Na imagem: O campo de refugiados de Balata, o maior da Cisjordânia, acolhe 27 000 pessoas (Foto: UNRWA | Dominiek Benoot)

 

Sábado, 20 Junho, 2020 – 19:43

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/06/23/mppm-a-solidariedade-com-os-refugiados-reclama-medidas-corajosas-para-por-termo-as-politicas-que-os-geram/

Secretário Geral da ONU apoia conferência virtual sobre refugiados palestinos

Siga o Brasil 247 no Google NewsAssine a Newsletter 247

 

 

247 -A reunião é presidida pelo ministro das Relações Exteriores da Jordânia Ayman al-Safadi e pelo ministro sueco da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, Peter Eriksson, segundo Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário geral.

Este evento destaca a necessidade de contribuir com a agência da ONU sobre refugiados para garantir que receba recursos suficientes, previsíveis e sustentáveis a fim de continuar cumprindo seu mandato nos próximos anos.

No início de 2018, os Estados Unidos, um dos principais contribuintes, reduziram drasticamente seu financiamento e deixaram a agência com um déficit de cerca de US $ 250 milhões.

Isso levou a agência a uma crise financeira e a forçou a restringir o escopo de alguns de seus programas, problemas que permanecem até hoje.

Desde 1949, a agência multilateral para os refugiados palestinos fornece serviços de educação, saúde e ajuda, bem como assistência em habitação e microfinanças a mais de cinco milhões de refugiados palestinos registrados na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, além da Jordânia, Líbano e Síria.

Além de cortar abruptamente os fundos, os governos dos EUA e de Israel acusaram a agência da ONU de má administração e incitação ao ódio contra a população judaica.

Mas as mais altas autoridades da ONU reafirmaram seu apoio a esse órgão e incentivaram os Estados membros a permanecerem comprometidos em ajudar os refugiados palestinos, informa a Prensa Latina.

Colonos israelitas arrasam terra palestiniana para construir a «estrada americana»

O propósito é abrir caminho à construção da «Estrada Americana», o anel rodoviário que ligará os colonatos localizados a norte e a sul de Jerusalém e ajudará a concretizar a anexação da Cisjordânia.

A chamada «American Road» em construção, cercando ainda mais Jerusalém OrientalCréditos / Political Uprise

De acordo com a informação ontem divulgada pelo Palestinian Information Center, os colonos israelitas soltaram os seus bulldozers e arrasaram muitos hectares de terra na cidade de Qusra, a sul de Nablus, na Margem Ocidental ocupada.

Ghassan Daghlas, funcionário da Autoridade Palestiniana que monitoriza as actividades de expansão dos colonatos, disse que a acção se enquadra no objectivo de construir a Estrada Americana, um anel de oito quilómetros que irá ligar o posto avançado de Esh Kodesh ao colonato de Migdalim.

O governo israelita e os colonos embarcaram recentemente numa escalada de actividades relacionadas com os colonatos na Margem Ocidental, que se enquadra nos planos de Benjamin Netanyahu para anexar o Vale do Jordão e outras partes dos territórios ocupados da Palestina.

Daghlas acrescentou que o anel rodoviário, quando estiver completo, também irá ligar todos os colonatos e postos avançados israelitas no Norte da Cisjordânia aos do Vale do Jordão.

Uma reportagem da Reuters revelou, na segunda-feira passada, que as partes central e sul da chamada Estrada Americana já estavam a ser construídas e que o concurso para a parte norte seria lançado mais para o fim do ano, com um custo estimado de 187 milhões de dólares. Prevê-se que o custo do projecto, no total, ascenda a mais de 250 milhões de dólares.

As autoridades israelitas argumentam que a estrada vai aliviar o trânsito tanto para os colonos como para os palestinianos que residem na área. No entanto, os palestinianos dizem que este novo anel visa acima de tudo beneficiar os colonos israelitas e minar ainda mais a possibilidade de que Jerusalém seja a capital do seu futuro Estado.

«Este projecto separa os bairros palestinianos uns dos outros dentro da cidade», disse à Reuters o ministro palestiniano dos Assuntos de Jerusalém, Fadi al-Hidmi. A Estrada Americana faz parte do projecto de anel rodoviário «ilegal» de Israel, que visa «cercar Jerusalém Oriental ocupada, ligá-la mais aos colonatos israelitas e separar a capital ocupada da Palestina do resto da Margem Ocidental», acrescentou.

Tornar inviável um Estado da Palestina

Actualmente, mais de 400 mil israelitas vivem em unidades habitacionais nos colonatos e outros 200 mil residem em Jerusalém Oriental ocupada. Os palestinianos sublinham que o aumento do número de colonatos torna inviável um futuro Estado.

Esta é precisamente a aposta de Netanyahu, mais clara desde que, em Janeiro, recebeu o «apoio» da administração norte-americana, quando foi revelado o plano de Donald Trump para o Médio Oriente, o chamado «Acordo do Século».

Além dos anúncios repetidos de que Israel vai anexar partes da Cisjordânia e da actividade acrescida nos colonatos, nos últimos tempos intensificaram-se – a um ritmo diário – as operações nocturnas e diurnas das forças militares de ocupação israelita nas terras palestinianas da Cisjordânia ocupada, com invasões de propriedade, revistas às casas e dezenas de detenções de palestinianos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/colonos-israelitas-arrasam-terra-palestiniana-para-construir-estrada-americana

Israel planeja anexar Cisjordânia por partes, revela mídia

 Palestinos discutem com tropas israelenses durante protesto que marca o 72º aniversário de Nakba e contra o plano israelense de anexar partes da Cisjordânia ocupada. Povoado de Sawiya, perto de Nablus, em 15 de maio de 2020
© REUTERS / Mohamad Torokman

O primeiro-ministro de Israel planeja anexar 30% da Cisjordânia ocupada de forma gradual, revela mídia local.

Segundo o plano, divulgado pelo jornal pró-governo Israel Hayom, Israel anexará primeiramente os assentamentos ilegais e, futuramente, o Vale do Jordão.

Recentemente, Netanyahu afirmou em várias ocasiões que a anexação ocorrerá a partir de 1 de julho, conforme estipula o "acordo do século", aprovado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

O território palestino que Netanyahu planeja anexar em uma primeira fase representa 10% da Cisjordânia ocupada, enquanto o chamado acordo do século contempla a anexação de 30% da Cisjordânia.

O jornal israelense afirma que, quando a primeira fase estiver completa, Netanyahu convidará a Autoridade Palestina a negociar.

Se, como se espera, as autoridades palestinas recusarem realizar negociações, Netanyahu aplicará a segunda fase para anexar o restante 20% do território previsto pelo acordo.

Segundo o jornal de Tel Aviv, o primeiro-ministro demonstrará desta maneira ao mundo que Israel atua com "moderação" e não anexa todo o território de imediato.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020061715719151-israel-planeja-anexar-cisjordania-por-partes-revela-midia/

Anexação da Cisjordânia: uma oportunidade histórica ou um grave erro?

Construção do assentamento judaico de Givat Zeev, próximo da cidade palestina de Ramallah (foto de arquivo)
© AFP 2020 / AHMAD GHARABLI

Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu planeja expandir o território de Israel anexando os assentamentos judaicos na Cisjordânia, o assunto divide a sociedade israelense.

De acordo com os planos, a anexação de cerca de 30% do território da Cisjordânia a Israel se dará em julho, seguindo a linha proposta pelo "acordo do século" do presidente americano Donald Trump para solucionar a questão palestina.

Contudo, a sociedade israelense se dividiu sobre o tema, temendo possíveis consequências negativas da anexação.

Falando com a Sputnik, a ex-deputada israelense Ksenya Svetlova alertou sobre tais consequências e se juntou a um grupo de 25 ex-parlamentares israelenses que escreveram uma carta aos congressistas dos EUA contra a anexação.

"O maior bloco, é o bloco daqueles que acham que a anexação só irá nos trazer danos", afirmou.

Ainda segundo Svetlova, os opositores ao plano de Netanyahu afirmam que "em nenhuma circunstância se pode anexar alguma coisa, nem o Vale do Jordão, nem assentamentos específicos, blocos de assentamentos, nem muito menos os postos avançados dos colonos ou a Cisjordânia", declarou.

Risco de piora nas relações internacionais

O plano de anexação também tem sido ecoado com críticas por parte de países historicamente mais neutros em relação a Israel.

O embaixador dos Emirados Árabes Unidos em Washington, Yousef al-Otaiba, afirmou ontem (12) que o plano prometia algum aquecimento das relações árabe-israelenses.

"Isso pode provocar, em primeiro lugar, complicações aqui e regionais com os países vizinhos: Egito e Jordânia. [A anexação] também poderá ameaçar o processo de paz e propiciar um aumento das atividades terroristas no território da Cisjordânia, talvez mesmo na Faixa de Gaza. [Assim como] o enfraquecimento do Fatah e de Mahmoud Abbas em consequência do aumento da popularidade do Hamas e tudo o que daí decorre", acrescentou Svetlova.

Criação do Estado palestino?

Se, por um lado, o avanço israelense poderia ser a expansão de Israel, por outro lado os colonos dos assentamentos temem que a anexação de parte da Cisjordânia tenha um preço caro demais: o reconhecimento da soberania palestina sobre demais territórios previsto pela proposta de Trump.

"A principal 'farpa' deste plano, de fato, é a criação do Estado palestino, o qual o movimento de colonos nunca reconheceu e nunca reconhecerá, nem a criação de outro Estado, nem as pretensões sobre nossa terra por outro povo. É isso que causa a nossa forte reação", declarou Shlomo Neeman, presidente do Conselho dos Assentamentos.

Além disso, existe o risco de nem todos os assentamentos serem absorvidos por Israel, o que gera críticas por parte dos colonos.

Palestino em conflito com soldado israelense (foto de arquivo)

© AFP 2020 / JAAFAR ASHTIYEH
Palestino em conflito com soldado israelense (foto de arquivo)

Reação palestina

A Autoridade Palestina já anunciou o rompimento de todas as relações com Israel e com os EUA em diversas esferas devido ao projeto de Trump e Netanyahu.

Contudo, a reação não parece assustar as lideranças israelenses.

"Por isso, a luta contra o terrorismo e a ameaça com armas não é uma novidade para nós, e nós sabemos lidar com isso. Em relação à cooperação entre Israel e a Autoridade Palestina na área da segurança, aí há maior interesse por parte dos líderes do Fatah do que de Israel. Se não fosse a cooperação com Israel, o Hamas faria com eles o mesmo que fez na Faixa de Gaza", declarou à Sputnik o ministro dos Recursos Hídricos e Ensino Superior de Israel, Zeev Elkin.

Além disso, o ministro acredita que se no primeiro momento a comunidade internacional vier a se opor à anexação, com o tempo ela deverá aceitar as novas fronteiras de Israel.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020061315703171-anexacao-da-cisjordania-uma-oportunidade-historica-ou-um-grave-erro-/

Israel | Ministro pede a exército para se preparar para anexar Cisjordânia

 
 
O ministro da Defesa de Israel pediu hoje ao exército para se preparar para a anexação de partes da Cisjordânia ocupada, medida que é vista como uma aparente antecipação ao que poderão ser as reações palestinianas.

A declaração de Benny Gantz foi proferida depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ter analisado hoje a eventual anexação com Jared Kushner, conselheiro e genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, autor do plano da Casa Branca para o Médio Oriente que favorece largamente Israel.

Na declaração, Gantz, sem mais pormenores, pediu aos militares para acelerarem a preparação para a anexação e ao chefe das forças armadas israelitas para que o faça "antes dos passos políticos na agenda da questão palestiniana".

Além dos protestos palestinianos e regionais a que qualquer passo nessa direção poderá desencadear, a medida de Gantz poderá também vir a pôr em causa os laços de Israel com os Estados do Golfo Árabe.

Um desses países, os Emirados Árabes Unidos (EAU), pediu hoje a Israel para cancelar o plano para anexar partes da Cisjordânia ocupada, adicionando uma longa lista de Estados que condenaram já a previsível movimentação israelita.

 
O ministro de Estado e dos Negócios estrangeiros dos EAU, Anwar Gargash, publicou hoje na rede social Twitter uma mensagem em que advertiu que uma anexação dos territórios ocupados pelos palestinianos "vai prejudicar a possibilidade de uma paz regional".

"Qualquer movimentação unilateral de Israel será um sério revés para o processo de paz", disse, acrescentando que uma anexação "constituirá uma rejeição ao consenso árabe e internacional em torno da paz e da estabilidade".

Na sequência do plano para o Médio Oriente apresentado por Trump, o primeiro-ministro israelita disse que iria anexar parte da Cisjordânia, incluindo o estratégico Vale do Jordão e dezenas de colonatos judeus, movimentação que, segundo Netanyahu, começará em julho.

O plano norte-americano prevê deixar cerca de um terço da Cisjordânia, de que Israel se apoderou em 1967, sob permanente controlo israelita, garantindo aos palestinianos a expansão da autonomia no restante território.

Os palestinianos, que pretendem manter toda a Cisjordânia como parte de um Estado independente, rejeitaram o plano de Trump, considerando que beneficia "injustamente" Israel.

O plano de anexação provocou uma onda de críticas da comunidade internacional, mesmo de alguns dos mais próximos aliados de Israel, que defendem que qualquer alteração ao mapa no Médio Oriente destruirá as já poucas esperanças de criação de um Estado palestiniano e de um acordo de paz.

Os EAU estão entre os países do Golfo Árabe que não têm relações diplomáticas oficiais com Israel, funcionando, porém, nos bastidores com grande atividade.

Aguarda-se que este grupo de países possa desempenhar um papel fundamental numa potencial iniciativa de paz de Trump para a região.

A Arábia Saudita, outro país árabe influente, anunciou recentemente a "rejeição" ao plano de anexação israelita. A Jordânia e o Egito, os dois únicos países com acordos de paz formais com Israel, também condenaram o plano.

Os palestinianos afirmaram recentemente que já não se sentem obrigados a honrar os acordos assinados no passado com Israel e suspenderam a cooperação securitária como forma de protesto contra a anexação.

Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Reuters
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/israel-ministro-pede-exercito-para-se.html

Centenas despedem-se de palestiniano morto em Jerusalém por forças israelitas

Centenas de pessoas participaram este domingo no funeral de Iyad Khairi Hallak, um homem de 32 anos, com autismo, que as forças israelitas mataram no dia anterior na Cidade Velha de Jerusalém.

Cortejo fúnebre de Iyad Khairi Hallak, morto a tiro por forças israelitas, no sábado, quando se dirigia para a instituição para pessoas com necessidades especiais que frequentava, em JerusalémCréditos / bulletinmail.com

Iyad Khairi Hallak, habitante do bairro Wad el-Joz, em Jerusalém Oriental ocupada, ia a caminho da instituição para pessoas com necessidades especiais que frequentava, na Cidade Velha de Jerusalém, quando foi baleado e morto pela Polícia israelita, no sábado.

Hallak foi intimado a parar, mas teve medo ou não percebeu a ordem e começou a correr. Então, os agentes dispararam cerca de uma dezena tiros contra ele, deixando-o a sangrar até morrer. Em comunicado, a Polícia israelita alegou que ele «tinha um objecto suspeito que parecia ser uma arma», confirmando posteriormente que estava desarmado.

Ontem, apesar das medidas estritas de segurança a que estavam sujeitas, centenas de pessoas juntaram-se para participar no cortejo fúnebre de Iyad. O seu assassinato gerou ampla revolta e condenação, também fora da Palestina, e o ministro israelita dos Assuntos Militares, Benny Gantz, pediu desculpa e prometeu que o caso será investigado com rapidez, informa a PressTV.

Atirar a matar e impunidade

Em declarações à agência WAFA, o director do grupo de direitos humanos Al-Haq, Shawan Jabarin, disse que os tiroteios recentes das forças israelitas em Ramallah e Jerusalém evidenciam que o assassinato de civis palestinianos é uma prática tolerada pelas forças de ocupação.

Tanto o Exército como a Polícia israelitas sabem muito bem que não serão processados nem responsabilizados, afirmou Jabarin, sublinhando que a «política de ocupação israelita se baseia na responsabilidade zero e na impunidade total, e que o assassinato dos palestinianos é uma prática diária, comum e tolerada, que reflecte o espírito de discriminação e racismo inerente ao regime de ocupação israelita», pode ler-se no portal do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

Soldados israelitas, que foram filmados a rasgar pneus e a atirar gás lacrimogéneo para uma casa, danificaram 24 reservatórios de água na aldeia de Kafr Qaddum, em plena pandemia / B'tselem

Kafr Qaddum: forças israelitas rasgam pneus, lançam gás lacrimogéneo para casa

Entretanto, este domingo, o Centro de Informação Israelita para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados, B'tselem, publicou dois vídeos que mostram soldados israelitas a rasgar pneus e a atirar latas de gás lacrimogéneo para uma casa na aldeia palestiniana de Kafr Qaddum, localizada no distrito de Qalqiliya (Margem Ocidental ocupada).

Os habitantes de Kafr Qaddum realizam, há anos, protestos semanais contra a contínua expansão dos colonatos nas suas terras. Nestes vídeos, quando os soldados rasgam os pneus de um veículo branco e lançam gás lacrimogéneo para dentro de uma casa, as imagens não mostram qualquer protesto a decorrer.

Isso mesmo foi confirmado ao jornal israelita Haaretz por Murad Shetewi, organizador dos protestos e cuja casa foi o alvo dos soldados israelitas. No momento em que as bombas de gás caíram dentro de sua casa, estavam lá a sua mulher e cinco filhos, revelou, salientando que «não é a primeira vez que isto acontece». «Atiraram gás lacrimogéneo para a minha casa muitas vezes nos últimos anos», disse.

Já o dono do carro visado é Ayman Shetewi, que disse ao Haaretz que nem sequer participa nos protestos devido ao seu estado de saúde.

Murad Shetewi destacou ainda o facto de, «nos últimos dois meses, muitos dos reservatórios de água da aldeia, colocados no cimo das casas, terem sido atacados a tiro» pelas forças israelitas. «Danificaram-nos e, na fase do coronavírus, perdemos água preciosa para a higiene», disse.

De acordo com o B'tselem, os soldados isrealitas danificaram 24 reservatórios de água em Kafr Qaddum desde o início de Abril, sendo que alguns foram atingidos mais do que uma vez.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/centenas-despedem-se-de-palestiniano-morto-em-jerusalem-por-forcas-israelitas

Invadindo primeiro, negociando depois

Chegou a hora de negociar

Representante dos EUA na ONU propõe a Israel e Palestina iniciarem negociações enquanto governo israelense considera declarar soberania sobre territórios palestinos.

Em declaração na Organização das Nações Unidas, a embaixadora dos EUA na ONU, Kelly Craft, tentou ditar o que o Conselho de Segurança da ONU pode ou não fazer no conflito israelense-palestino:

"Este conselho não pode ditar o fim para este conflito. Nós só podemos encorajar as partes a se sentarem [à mesa de negociações] para determinar como eles querem progredir", publicou a Reuters.

Anteriormente, o chefe da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, decidiu romper todos os acordos com os EUA e Israel como resposta aos planos de Tel Aviv de expandir sua soberania sobre territórios palestinos, em particular no Vale do Jordão.

Por sua vez, o enviado da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, disse que "Israel deve abandonar sua ameaça de anexação".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2020052115606767-invadindo-primeiro-negociando-depois/

Diante de mais uma catástrofe, Autoridade Palestina denuncia acordos com Israel e Estados Unidos

O presidente palestino Mahmoud Abbas declarou a nulidade dos acordos já atropelados por Israel e os Estados Unidos nesta terça-feira (19). Poderá ser adequada embora batida a analogia do combate à pandemia no corte de laços (uma enfermidade grave e neste caso crônica) com os Estados Unidos dos ultimatos aos palestinos e favores a Israel, e com Israel, o algoz do povo palestino, que se prepara para anexar o restante da sua pátria.

Por Moara Crivelente*

 
 

 

“A Organização para a Libertação da Palestina e o Estado da Palestina estão liberados, a partir de hoje, de todos os acordos e entendimentos com os governos estadunidense e israelense e de todas as obrigações baseadas nesses entendimentos e acordos,” disse o presidente Abbas, citado pela agência palestina Wafa(leia a tradução do discurso aqui). Abbas convocara uma reunião de emergência para discutir a estratégia diante do plano declarado do governo israelense de anexação, que embora repudiável, não surpreende: Israel vem anexando a Palestina há muito. Entretanto, a situação toma novas dimensões.

Nas últimas semanas, diversos analistas examinaram as consequências da coalizão de governo recém-anunciada em Israel entre dois criminosos de guerra cuja única distinção mais relevante entre si é serem de extrema-direita ou de direita (ou “centro-direita”, segundo alguns). O acordo para a formação da coalizãoentre o atual premiê Benjamin Netanyahu (cuja supremacia, após uma década de mandato consecutivo, só foi posta em xeque por acusações de corrupção) e o ex-comandante das Forças Armadas de Israel Benny Gantz, prenunciava maior tensionamento. Um dos principais motivos era a já anunciada intenção de anexar vastas porções do que restou da Palestina, chancelada pela proposta de “acordo do século” (o “ultimato do século”) despejada pelo presidente estadunidense Donald Trump. A proposta poderá ser apresentada ao Parlamento israelense a partir de 1º de julho.

Abordamos em três episódios da TV Cebrapaz, atividades virtuais e artigos o 72º aniversário da Nakba, a Catástrofe na Palestina, rememorada todo 15 de maio, representada pelo massacre e expulsão de centenas de milhares de palestinos e a destruição de quase 600 vilas no processo de estabelecimento do Estado de Israel, no fim do “Mandato Britânico”, em 1948. Discutimos então como a ocupação militar e colonização israelense da Palestina toma rumos irreversíveis enquanto os ditos mediadores internacionais ainda ousavam falar de negociações para solucionar o “conflito”. Mas na chamada questão palestina, a “diplomacia” é tomada pelo ultimato das potências.

Catástrofe contínua

Porém, é valente o combate que o povo palestino travou e trava através da resistência, primeiro armada (sistematicamente taxada de “terrorismo” por seus algozes e cúmplices) e também jurídica e diplomática. Apostando na paz, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) reconheceu o Estado de Israel e se comprometeu com o estabelecimento do Estado da Palestina ao seu lado. Já seria um muito menor que o desenhado na resolução 181 adotada em 1947 pela Assembleia Geral da ONU, que recomendava a partilha da Palestina entre judeus e árabes em linhas desproporcionais, num plano rejeitado pelo povo palestino desde a década de 1930 porque já o enxergava como colonização da sua terra pelo movimento sionista sob o Mandato Britânico. Em um dos episódios da TV Cebrapaz, incluímos um vídeo ilustrando essa articulação, com a propaganda do exército britânico reprimindo revoltas palestinas (que, note-se, já eram taxadas de terrorismo).

O compromisso dos palestinos com uma solução diplomática ficou plasmado no discurso de Yasser Arafat na ONU em 1974 (quando caminhou até o púlpito ovacionado), convidado pelo presidente da Assembleia Geral, o argelino Abdelaziz Bouteflika, um exemplo da conquista do espaço pelo movimento anticolonial. O compromisso seria reforçado na Declaração de Independência da Palestina em 1988 e na Declaração de Princípios de 1993, que inaugurava o chamado processo de paz de Oslo para garantir a transição da ocupação militar israelense para a consolidação do Estado da Palestina até o fim daquela década. Neste quesito, “o processo” fracassou.

“O Estado da Palestina proclama seu compromisso com os princípios e objetivos das Nações Unidas e com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Proclama seu compromisso, ainda, com os princípios e políticas do Movimento Não Alinhado. Também anuncia ser um Estado amante da paz, aderindo aos princípios da coexistência pacífica. Se unirá a todos os estados e povos para assegurar uma paz permanente baseada na justiça e no respeito pelos direitos, para que o potencial da humanidade para o bem-estar seja garantido, um sincero concurso pela excelência seja mantido e em que a confiança no futuro elimine o temor daqueles que são justos e para quem a justiça é o único recurso.”
Trecho da Declaração de Independência da Palestina, 1988

No chamado processo de Oslo criou-se a Autoridade Nacional Palestina (ANP) como o Executivo para consolidar as instituições do Estado, monitorada de perto pelas potências europeias e instituições internacionais com seus programas econômicos e de “reforma do setor securitário”, assim como pelos Estados Unidos. Instituíram-se arranjos também supostamente temporários, como a fragmentação do território palestino em áreas A, B e C de controle pelas forças palestinas, controle compartilhado, ou controle israelense, respectivamente. A maior porção ficou sob controle israelense, com centenas de colônias com hoje cerca de 600 mil habitantes e que se expandem exponencialmente e com sua infraestrutura de abastecimento e acessos cortando as artérias do território palestino e capturando seus recursos.

Mapas da Partilha da Palestina
Sequência de alguns dos planos de “partilha da Palestina”. O último é o apresentado por Trump. 

Outros arranjos temporários incluíram a coordenação securitária com Israel e aspectos burocráticos que mantiveram o controle israelense sobre a economia e as finanças da Palestina, as fronteiras, vias internas, e quem pode viver ou ir aonde e quais planos para o futuro são permitidos. É este estado de coisas que os palestinos colocam em xeque.

O que a “diplomacia coerciva” dos Estados Unidos, corroborada não só por negligência pelos demais “parceiros”, garantiu foi o adiamento da autodeterminação do povo palestino e o enraizamento da colonização israelense, implementada pelo que não é mais apenas uma ocupação militar, mas um regime de apartheid.

O efeito colateral é o descrédito generalizado sobre uma solução negociada, como há décadas já se via e ouvia entre palestinos e também israelenses, ainda que em grande parte responsabilizando os primeiros por não aceitar tão complacentes condições. Um dos chavões reiterados pela liderança israelense é que os palestinos nunca aceitam as propostas de “paz” e, quando aceitaram, faltava ainda mais uma cláusula incluída depois (a Palestina seguia ocupada, mas passou a ser preciso não só reconhecer o Estado de Israel como agora o Estado Judeu de Israel, embora cerca de 20% da população seja palestina).

Resistência à diplomacia coerciva

Ao anunciar que deverá deixar esta marcha fúnebre para investir na cura à enfermidade que é o monopólio da situação pelos EUA, aliado incondicional de Israel, o presidente Mahmoud Abbas expressa a revolta do seu povo, que há tempos morre nos postos de controle militar, nas imediações das “barreiras” ou em suas próprias vilas e casas, nas prisões e nos campos de refugiados onde são amontoados há sete décadas. Sete décadas. Mesmo assim, a ousada decisão ainda enfrenta uma barreira colossal. A Palestina, seu povo e suas autoridades, afinal, seguem sob ocupação.

 

O presidente Abbas já havia anunciado a suspensão dos arranjos de Oslo em fevereiro, quando da divulgação do plano de Trump, o que poderia forçar a transferência das responsabilidades sobre o território ocupado à potência ocupante (status que, aliás, Israel refuta, alegando tratar-se de uma disputa territorial, mas o status é reconhecido internacionalmente). Este objetivo ficou plasmado no discurso de Abbas desta terça.

O Comitê Executivo da OLP também demandara o fim da coordenação securitária com Israel e a eventual denúncia dos acordos de Oslo. Há anos, instava os atores internacionais a tomar medidas contra as hostilidades do regime israelense e seus planos evidentes de “perpetuar a ocupação e controlar o futuro e o destino do povo palestino”, como se vê em uma declaração remetida à ONU. Afinal, já passaram duas décadas desde que a implementação dos acordos de Oslo deveria ter sido concluída e o que se vê hoje na Palestina é a inviabilidade de qualquer Estado soberano nessas condições.

A OLP lutou pelo reconhecimento do Estado da Palestina, hoje por mais de 130 países e pela ONU, desde 2012, como estado observador não-membro. Juntou-se ainda a dezenas de agências da ONU e organizações internacionais para se fazer representar nos mais diversos fóruns em que poderia não só contestar a ocupação israelense como se inserir na chamada comunidade internacional como membro pleno, de direito. E seguirá fazendo isso, conforme anunciou o presidente Abbas, apesar da pressão dos EUA contra essa estratégia, exercida inclusive sobre as próprias agências internacionais. 

As autoridades e entidades civis palestinas seguiram buscando vias para responsabilizar o regime israelense pelos crimes de guerra que perpetra não só através das devastadoras ofensivas que com frequência devastam Gaza, mas também através das políticas e práticas da ocupação militar no cotidiano, pelo que aderiu, também através de árdua luta, ao Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Nesta frente a batalha ainda é árdua.  

Mesmo assim, Israel e seu patrocinador oficial, o imperialismo estadunidense apenas agravado por Trump. Para alguns, parte da esperança está nas eleições de novembro nos EUA, quando se espera que Trump seja despejado da Casa Branca, substituído por Joe Biden, que se declara contrário, como um grande progressista (ironia) à anexação da Palestina. Há todo um comentário relevante sobre Biden, resguardado para outro texto, mas não é preciso dizer muito além de um nome: Barack Obama, aquele democrata cujo governo se gabava de ser o maior aliado de Israel. Está mais que provado que os EUA não têm outro papel que não a de cúmplice do algoz do povo palestino.

Nenhum momento será melhor que o agora para enfatizar que só através de um empenho acirrado dos anti-imperialistas e anticolonialistas, amigos da paz, em todo o mundo, será possível apoiar o povo palestino em sua luta por libertação, inclusive do jugo estadunidense e sua farsa “diplomática”. Os últimos eventos, mas também as últimas décadas, preconizam cada vez mais tensão na Palestina ocupada, cuja colonização, também está demonstrado, não passará sem resistência.

*Moara Crivelente é cientista política e diretora do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz). 

 

 

 

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Palestina se retira de todos os acordos com Israel e EUA, anuncia presidente Mahmoud Abbas

Mahmoud Abbas, presidente palestino, é visto durante um discurso pronunciado no Centro de Conferências Al-Azhar, no Cairo, em 17 de janeiro de 2018
© AP Photo / Amr Nabil

O presidente palestino Mahmoud Abbas anunciou que o seu país vai suspender todos os acordos com Israel e os EUA frente aos planos de anexação de territórios do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

"A Organização para a Libertação da Palestina e o Estado da Palestina a partir de hoje dispensam todos os acordos e entendimentos com os governos dos EUA e Israel e todas as obrigações com base nestes entendimentos e acordos, incluindo os [acordos] de segurança", disse o presidente palestino durante reunião de liderança em Ramallah.

Este anúncio surge em resposta aos planos de Netanyahu de anexar os territórios de assentamentos judaicos na Cisjordânia que foram definidos no "Acordo do Século" proposto pelo presidente dos EUA Donald Trump em janeiro deste ano.

Mahmoud Abbas deixou claro que ele vê Israel como uma "autoridade de ocupação" no que diz respeito à Cisjordânia.

"A autoridade de ocupação de Israel deve agora assumir todas as suas obrigações como potência ocupante dos territórios palestinos. [Israel] deve arcar com todas as consequências, e o direito internacional humanitário e a Convenção de Genebra também impõem à autoridade ocupante a responsabilidade de cuidar dos residentes sob ocupação", ressaltou Abbas, aponta RT.

Os acordos que a Autoridades Palestina considera agora anulados e sem efeito incluem os Acordos de Oslo (1993), o Protocolo de Hebro (1997) e o Memorando de Wye River (1998) que estabeleciam os parâmetros de segurança entre a Autoridade Palestina e Israel na Cisjordânia.

Anteriormente o embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, declarou em uma entrevista ao jornal Israel Hayom que o governo do presidente norte-americano Donald Trump está pronto para reconhecer a soberania de Israel sobre 30% da Cisjordânia.

Em 28 de janeiro, o presidente norte-americano Trump anunciou o "Acordo do Século", um projeto de acordo entre Israel e a Palestina que colocaria fim ao conflito na região.

O plano prevê o estabelecimento do Estado da Palestina e sua desmilitarização, com Israel mantendo o controle sobre o Leste do rio Jordão e Jerusalém permanecendo sua capital indivisível.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020052015598829-palestina-se-retira-de-todos-os-acordos-com-israel-e-eua-anuncia-presidente-mahmoud-abbas/

Palestina: do shabat sangrento ao apartheid do “Acordo do Século”

A maior parte da humanidade aproveitaria este sábado para, além de descansar, ver amigos e parentes, viajar, passear, dar liberdade ao corpo e ao espírito, não fosse o impedimento de ir e vir provocado por um vírus letal. Esta pandemia está servindo a grande parte da humanidade para que conheça o que é não poder sair de casa, não poder viajar, não poder visitar parentes ou entes queridos, ir de um bairro ao outro, de uma cidade a outra, sair do país. Pois é isso o que acontece na Palestina há 72 anos ininterruptos.

 

 

Tudo começou horas antes do descortinar de um sábado daquele brutal maio de 1948. Era 14 de maio quando estrangeiros euro-judeus, recém-chegados à Palestina na condição de imigrantes impostos à população originária pelo império colonial britânico, então mandatário nesta parte do mundo por uma ficção da antiga Liga das Nações, resolveram, de armas em punho e determinação genocida, autoproclamarem-se estado e autodenominarem-se Israel. Isso se deu às 16 horas daquela sexta-feira, dia sagrado aos muçulmanos, pouco antes do pôr do sol, momento em que se inicia o shabat, o dia da semana sagrado aos judeus.

E no dia seguinte, o shabat propriamente dito, que deveria ser guardado, pela tradição judaica, para o repouso e aos assuntos religiosos, foi dada a ordem a estes mesmos euro-judeus de matança dos palestinos, às suas expulsões massivas, às destruições de suas vilas, aldeias, bairros e cidades, ao aniquilamento de seus negócios e de suas lavouras e criações. Grupos fortemente armados e portadores de uma ideologia supremacista, forjada na Europa colonialista e racista, ainda na segunda metade dos 1800, estes nacionalistas euro-judeus promoveram uma verdadeira barbárie na Palestina, tudo em nome do que acreditavam ser um mandamento divino, de “retorno” a uma terra que teria sido habitada por seus ancestrais.

Na verdade, embora Deus e a fé tenham sido instrumentalizados pelos estrangeiros recém-chegados, o que de fato tinham em mente era a implantação, na Palestina, de um projeto colonial, racista, exclusivista, supremacista, de apartheid e que, conforme desenhado muito antes, deveria se dar numa palestina sem palestinos, faxinada etnicamente. A alegoria religiosa era apenas instrumento ideológico para afirmação de “direitos” pretensamente históricos. Ao que de fato davam andamento era o preconizado pela liderança sionista em finais dos 1800: “uma terra sem povo para um povo sem terra”.

Sem entrar em grandes detalhes acerca da impropriedade quanto à existência de um povo judeu, assunto já bem sedimentado no meio científico e acadêmico com resposta negativa (é apenas uma fé religiosa que aglutina pessoas de várias nacionalidades, línguas, culturas, etc.), o fato é que há um mito que precisa ser desmistificado: a Palestina era habitada, com densidade demográfica de 26 habitantes por KM², conforme o senso britânico de 1922. Para se ter uma ideia, a do Brasil, no mesmo período, não alcançava os 4 habitantes por KM², e a da China, já à época o país mais populoso do mundo, era de 37 por KM². E quando da limpeza étnica, em maio de 1948, a densidade demográfica na Palestina, excetuados os professantes do judaísmo, era de 50 habitantes por KM².

Portanto, o que estava por trás deste mito era outra coisa, bem mais concreta: prometiam fazer da Palestina uma terra sem povo, a despovoariam. E para levar a cabo este genocídio de proporções monumentais, os sionistas euro-judeus gestaram um plano, o chamado Plano Dalet, de 1947, que desenhou, metodicamente, vários procedimentos de expulsão da população nativa.

Em 9 de abril do ano seguinte, o Plano Dalet foi testado na pequena aldeia palestina de Deir Yassin, distante 5 Km de Jerusalém e habitada por cerca de 700 camponeses desarmados. Nem o fato de terem feito um pacto de não agressão com os grupos terroristas euro-judeus, justamente para evitar serem atacados, bastou. Cercaram o lugarejo pela madrugada e o invadiram pela manhã, quando os homens estavam nos campos, cultivando ou em pastoreio. Perto de 300 pessoas, maioria mulheres, anciãos e crianças, foram brutalmente assassinados e a notícia espalhada pelos assassinos. Buscavam plantar o terror na população palestina, um dos mandamentos do Plano Dalet, por meio de propaganda de guerra similar a usada pelos nazistas pouco tempo antes.

E o que se deu a partir de 15 de maio fez deste dia um shabat sangrento: 774 cidades e povoados palestinos foram ocupados, dos quais 531 totalmente destruídos; 70 massacres foram cometidos, com mais de 15 mil mortos, incontáveis feridos e mutilados e dois terços da população originária, a palestina, expulsa pelos estrangeiros recém-chegados.

Foram tomados pela força, pelo terror, pelas matanças e pela expulsão, 76% do território da Palestina Histórica e desta parcela de território, dos seus 900 mil habitantes, perto de 800 mil foram mortos ou expulsos, quase 90%.

A esta população foi negado o direito ao retorno. Tudo lhes foi tomado e é destes quase 1 milhão de desterrados que derivam os atuais 5 milhões 870 mil refugiados palestinos, a maior população refugiada do mundo, perto de 9% da atual população refugiada mundial, algo descomunal, especialmente porque a população total palestina, de 13 milhões, representa apenas 0,2% da população global. Isto dá, em cada grupo de 46 refugiados, absurdos 45 refugiados palestinos para cada 1 eventual refugiado de outro grupo étnico/nacional!

De lá para cá as coisas só se agravaram. Novas agressões, novos confiscos de terras, novas expulsões, imposição de um regime de apartheid, com cerca de 50 legislações aplicáveis somente aos palestinos, que vão da negativa do direito de construção e reformas em seus imóveis ao impedimento de acesso aos recursos hídricos.

Nenhuma das dezenas de resoluções da ONU, dentre elas a 194, a do retorno dos refugiados, foi acatada por Israel. O Direito Internacional segue sendo violado por Israel. Os sequestros políticos de palestinos, hoje mais de 6 mil nos cárceres ilegais da ocupação, aumentaram desde o início deste ano. As demolições de casas e negócios de palestinos aumentaram, inclusive impostas aos familiares dos presos, um dos castigos coletivos utilizados contra os palestinos pelos britânicos antes da Nakba.

Mapa do chamado “acordo do Século”

E tudo isso ameaça se agravar com a busca, com o apoio irrestrito dos EUA de Trump, da normalização da ocupação por meio de um mal denominado “Acordo do Século”, que prevê a anexação da maior parte da Cisjordânia. Os EUA têm descartado a Palestina aos poucos: reconhecendo Jerusalém capital de Israel e impedindo-a aos palestinos, negando aos refugiados o direito de retorno e cortando os fundos destinados à ONU para suas assistências, admitindo a anexação das Colinas de Golã, território sírio, bem como defendendo que os assentamentos judaicos ilegais na Cisjordânia não ferem o Direito Internacional, para dizer pouco só do que foi feito nesta gestão Trump.

Com o malfadado “Acordo do Século”, de que os Palestinos não tomam parte, isto é, é celebrado apenas entre os inimigos do povo palestino, será normalizada não apenas a ocupação, mas também o regime de apartheid em toda a sua extensão e profundidade. Num ligeiro resumo, este novo crime contra os direitos nacionais, civis e humanitários dos palestinos prevê:

  • Israel é um estado EXCLUSIVAMENTE JUDEU, único com esta natureza no mundo, baseado na supremacia de um grupo humano, étnico ou miticamente assim entendido;
  • Jerusalém é integralmente anexada por Israel, sendo impedido aos palestinos, muçulmanos ou cristãos, acesso à cidade;
  • Água e outras riquezas do subsolo serão controladas somente por Israel;
  • As colônias ilegais em terras confiscadas aos palestinos serão anexadas por Israel, incluindo o Vale do Jordão;
  • A Palestina não teria portos ou aeroportos próprios e pagaria a Israel pelo uso dos israelenses;
  • Os refugiados, expulsos pelos sionistas quando da limpeza étnica, não teriam direito de retorno;
  • O exército israelense de ocupação permaneceria para sempre na Palestina e, pior, os palestinos teriam que PAGAR a Israel pela sua “proteção”;
  • O “Estado” da Palestina não teria contiguidade territorial, sendo recortado por quase 100 blocos de assentamentos ilegais.

Ou seja: o que TRUMP chama de estado palestino seriam mais de 80 ilhotas, bantustões, enclaves, cercados de colônias de estrangeiros judeus recém-chegados à Palestina, recortados por estradas exclusivas para estes extremistas e para as forças de ocupação, por postos militares de controle etc. Os palestinos não se curvarão a isto.

Se os sionistas se enganaram ao acreditarem, quando do shabat sangrento de 1948, que “eles  morrerão (as vítimas da limpeza étnica) e seus filhos (todos os seus descendentes) esquecerão” (David Ben Gurion, primeiro-ministro do recém autoproclamado Israel), mais enganados ainda estão atualmente: não haverá paz enquanto a Palestina não for um estado soberano, com Jerusalém sua capital, o retorno dos refugiados e fronteiras definitivas. O pretenso “Acordo do Século” não passa de miragem sionista, como tudo o mais que construíram até agora sobre os escombros e cadáveres da Palestina.

A chave na mão não abrirá mais as portas das casas destruídas pelos invasores, mas são os símbolos da determinação palestina: Voltaremos!

Aproveitemos esta sexta-feira do sagrado mês de Ramadan, na qual infelizmente recordamos a catástrofe palestina pela 72ª vez, e que daqui a pouco dá início ao shabat, para refletirmos sobre esta injustiça histórica e buscar os meios de corrigi-la. Será bom para todos na Palestina. E também para os israelenses. Para os judeus ainda mais, porque precisam se livrar do sionismo, que só faz instrumentalizar a fé para legitimar seus crimes de lesa humanidade. Só a paz justa é duradoura e do interesse de todos.


por Ualid Rabah, Presidente da FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil  | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/palestina-do-shabat-sangrento-ao-apartheid-do-acordo-do-seculo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=palestina-do-shabat-sangrento-ao-apartheid-do-acordo-do-seculo

Nakba: A pandemia sionista que dura 72 anos na Palestina

O mundo está passando por um momento crucial de enfrentamento da pandemia da Covid-19, que afeta indistintamente todos os países do planeta, provocando milhares de mortes todos os dias. Neste 15 de maio queremos nos referir a uma pandemia sionista que afeta a Nação e o povo palestino há 72 anos, desde que a Organização das Nações Unidas decidiu adotar um Plano de Partilha em 1947, que dividiu a Palestina em dois Estados, dando origem ao vírus Covid-1948, também conhecido como o estado judeu de Israel.

Por Sayid Marcos Tenório*

Nakba 6

Após a partilha ilegal e injusta ser aprovada pela ONU, o estado judeu ficou com aproximadamente 55% das melhores terras da Palestina, embora os sionistas possuíssem apenas 7% da terra privada na Palestina. E mais: os judeus azkenazes representassem apenas cerca de 33% da população, sendo uma grande porcentagem deles imigrante transferidos em levas da Europa. Com a fundação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, o povo palestino foi atingido pela Nakba, palavra árabe que significa catástrofe, através da destruição de mais de 400 aldeias e a expulsão deliberada de cerca de 800 mil palestinos – mais do que toda população judaica existente naquela época – que perderam suas casas e seus bens e tornaram-se refugiados dentro do seu próprio território e nos países vizinhos, que hoje somam uma população de cerca de cinco milhões de pessoas.

Os vilarejos palestinos foram ocupados, destruídos e saqueados e seus moradores expulsos ou mortos antes que um único soldado das forças regulares dos países árabes entrasse na Palestina em socorro do seu povo, o que põe por terra a falácia israelense de que os palestinos “fugiram” assim que a invasão dos árabes começou. Quando, finalmente, os países árabes decidiram enviar suas tropas, os vilarejos já haviam sido destruídos e seus moradores expulsos ou mortos.

Diante daquele episódio catastrófico, a maioria dos governantes árabes postergaram tanto quanto puderam a inevitável intervenção militar sionista, e então preferiram encerrá-la prematuramente: eles sabiam que não apenas os palestinos já estavam derrotados, mas também que seus exércitos não teriam chance diante das forças judaicas, muito bem armadas depois de um acordo realizado entre o representante sionista em Nova Iorque, Moshe Sherlak, e o chanceler soviético Andrei Gromyko, que permitiu o envio de moderno armamento, que foi entregue às milícias sionistas pela Checoslováquia, que estava sob ocupação do exército soviético.

Quando, enfim, os países da Liga Árabe resolveram enviar suas tropas em socorro dos palestinos, no final de abril de 1948, mais de 250 mil palestinos já haviam sido expulsos, mais de 200 vilarejos destruídos e inúmeras cidades esvaziadas. Todos os países receberam o pedido do Conselho da Liga Árabe para enviar armas e voluntários, mas nem todos atenderam ao pedido. A inanição dos governos árabes mereceu o protesto de milhares de jovens, em vários dos países da região que se dispuseram a sacrificar suas vidas nos combates pelos palestinos. A luta anticolonial na Palestina, valente e feroz, fez incendiar o fervor nacionalista da juventude árabe por todo o Oriente Médio. No entanto, tudo o que as forças estrangeiras e locais tentaram, mas não conseguiram, foi proteger a população local palestina contra a agressão sionista.

Mesmo com o elevado número de palestinos expulsos e mortos, cerca de 100 mil conseguiram permanecer no território ao longo da guerra de 1948 e cerca de 40 mil voltaram para suas terras e casas durante a implementação do acordo de paz. Porém, da noite para o dia, aqueles palestinos se tornaram minoria em seu próprio país, recebendo a cidadania israelense conforme definido na partilha das Nações Unidas, e condenados a viver sob um regime militar até o final de 1966.

Os palestinos que conseguiram permanecer nos seus territórios foram isolados em uma zona de assentamento da qual só era permitido que saíssem após receber autorização dos militares. Seus movimentos foram restringidos, e as chances de encontrar emprego longe de casa tornaram-se ínfimas. Esse estado de coisas, somado à legislação israelense, que proíbe especificamente casamentos civis entre pessoas classificadas como judias e não judias, permitiu ao Estado sionista sua bem-sucedida implantação da política de colonização ‘étnica’ pura.

Os líderes sionistas que ocuparam postos de destaque no poder israelense sempre trataram os donos da terra com arrogância e desprezo. A ucraniana Golda Mabovitch Meir, que migrou para a Palestina na onda sionista de ocupação na década de 1920, e que mais tarde se tornaria primeira-ministra de Israel, disse, em 1969, que não existiam palestinos; Yitzhak Rabin, o quinto primeiro-ministro de Israel, no cargo entre 1974 e 1977, sempre se referia a eles como os “chamados palestinos”; e o imigrante da Bielorrússia, Menachem Begin, que foi primeiro-ministro entre 1977 e 1983, referia-se aos palestinos como os “negros” de Israel.

Inúmeros episódios abomináveis da limpeza étnica levada a cabo pelo Estado judaico ocorreram por meio de atos terroristas das milícias sionistas que tomaram a forma de massacres, como o de Deir Yassin, ocorrido na manhã de 9 de abril de 1948. Deir Yassin era um vilarejo nas cercanias de Jerusalém habitado por cerca de 700 pessoas. Os moradores haviam conseguido um pacto de não agressão com a Haganah , a principal milícia clandestina sionista na Palestina, que tinha como objetivo garantir e expandir as fronteiras de Israel e forçar a total e sistemática expulsão dos palestinos, por meio da limpeza étnica, destruição das aldeias, cidades e urbanizações, a fim de alcançar uma maioria judaica no novo Estado de Israel, com o máximo da terra palestina e o mínimo possível de palestinos vivendo nela.

Centenas de corpos de palestinos mortos pelas milícias sionistas foram estendidos pelo chão, como resultado do covarde massacre de Deir Yassin, praticado pelos terroristas israelenses entre 9 e 11 de abril de 1948.
O massacre de Deir Yassin teve um elevado número de vítimas, numa ação que a direção judaica orgulhosamente anunciou como o epicentro da catástrofe e serviria como aviso para todos os palestinos de que se se recusassem a abandonar seus lares e fugir, teriam destino semelhante. A carnificina foi friamente perpetrada por uma milícia de 120 judeus sionistas e custou a vida de 254 árabes, entre anciões, e crianças degoladas (30 bebês estavam entre os chacinados), mulheres grávidas estripadas por armas branca, com vários casos documentados de estupro, mutilação e humilhação, em que as vítimas eram, principalmente, mulheres palestinas cujos corpos depois foram queimados e jogados num poço.

Quando essa etapa da Nakba foi concluída pelas forças sionistas, o novo estado de Israel compreendia 78% da Palestina histórica, restando apenas a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, que estavam sob o controle da Jordânia e do Egito, respectivamente. Na guerra de 1967, Israel ocupou os 22% restantes e a colonização começou logo em seguida e não parou mais.

A pandemia da Nakba não terminou em 1948 e nem com o massacre perpetrado durante a chamada Guerra dos Seis Dias, a agressão terrorista das forças israelenses ocorrida entre 5 e 10 de junho de 1967, que ocupou a Faixa de Gaza, o Sinal (Egito) e as Colinas de Golã (Síria). Mas continua até hoje, com os sionistas se apressando em executar o processo de judaização completa da Palestina. Esse processo se dá em todos os campos, como o militar, administrativo, legislativo (como a Lei do Estado-Nação aprovada pelo Knesset em 2018), demográfico, religioso, histórico e cultural. O objetivo final é a completa desenraização e destruição da Palestina, que adquire novos contornos com o anúncio por parte do presidente Donald Trump de um unilateral “Acordo do Século”, que beneficia exclusivamente os sionistas, visando reconhecer o Estado de Israel no território da Palestina histórica, sem fronteiras definidas e em permanente expansão, tornando o que sobrar da Palestina em pequenas ilhas de terra como se fosse um mini Estado, pulverizado, cercado e sufocado pelo ocupante por todos os lados.

A pandemia da #Covid1948 continua na forma do roubo contínuo de terras palestinas para a criação de assentamentos e comunidades judaicas nos territórios ocupados. Também não cessou a destruição de casas e terras agrícolas palestinas, a revogação do direito de residência, deportações, brutais ataques militares periódicos, causando baixas civis em massa, como a que ocorreu em Gaza no verão de 2014, quando Israel assassinou 1.890 palestinos, sendo 550 crianças e 87 homens e mulheres com idades acima de 60 anos e deixando cerca de 100 mil residentes desabrigados, segundo o relatório “Vidas Fragmentadas” do Gabinete para a Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA, da sigla em inglês).

O povo palestino tem o direito legítimo de existir e de resistir à pandemia da ocupação sionista, ao apartheid e à limpeza ética, com todas as medidas e métodos. É um ato de autodefesa e uma expressão do direito natural de todos os povos à autodeterminação. A libertação da Palestina é o tema que tem a maior dimensão internacional, humanitária e civilizacional em nossos dias. É uma necessidade da afirmação e do cumprimento do Direito Internacional, da verdade e justiça.

O respeito à justiça exige que se cumpra com o direito ao Estado palestino totalmente soberano e independente, com Jerusalém sua capital eterna e ecumênica. Os palestinos lutam para que seus direitos sejam assegurados em concordância com a democracia, com o Direito Internacional e a justiça. Que seja respeitado o direito de regresso dos refugiados, a compensação e a permanência de todos na terra palestina, pondo fim à pandemia da #Covid1948 e a doença do sionismo que ceifou a vida, as terras, as casas e os sonhos de milhões de homens e mulheres na Palestina.

Sayid Marcos Tenório é historiador e Secretário-Geral do Instituto Brasil-Palestina (IBRASPAL). É autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência.

1 Askenaze ou asquenazim são os judeus provenientes da Europa Central e Europa Oriental. O termo provém do termo do hebraico medieval para a Alemanha, chamado Ashkenaz.

2 O Haganah foi uma organização paramilitar judaica de caráter sionista, atuante no território do que era então o Mandato Britânico da Palestina, entre 1920 e 1948. Lutou contra a população de etnia árabe. Viria a se constituir na base do exército israelense, as Forças de Defesa de Israel – IDF, da sigla em inglês.

3 Ocha: “2014 foi arrasador para palestinos nos territórios ocupados” – Disponível em https://news.un.org/pt/story/2015/03/1506391-ocha-2014-foi-arrasador-para-palestinos-nos-territorios-ocupados.

Fonte: IBRASPAL

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

MPPM – NAKBA – A CATÁSTROFE – FAZ HOJE 72 ANOS – 72 ANOS DE LIMPEZA ÉTNICA – 72 ANOS DE RESISTÊNCIA

Maria do Céu Guerra, presidente do MPPM, ao assinalar os 72 anos da Nakba palestina de 1948, alerta para o perigo de uma nova Nakba se se concretizarem os planos anexionistas de Israel. Mas o poema «Aqui ficaremos», de Tawfiq Zayyad, que diz neste vídeo, reflecte a determinação do povo palestino em continuar a lutar denodadamente pelos seus direitos.

O povo palestino assinala hoje, 15 de Maio, o 72º aniversário dos acontecimentos que ficaram conhecidos como “Nakba” – a catástrofe – e que rodearam a criação do Estado de Israel em 1948.

Na impossibilidade de nos reunirmos num acto público, como tem sido uso, a presidente do MPPM, actriz e encenadora Maria do Céu Guerra, gravou esta mensagem, em que a evocação do passado nos alerta para os perigos que ameaçam o futuro da Palestina.

Maria do Céu Guerra empresta também a sua voz para dar vida ao poema «Aqui ficaremos», de Tawfiq Zayyad, um manifesto de resistência do povo palestino.  

Se quiser saber mais sobre a Nakba, sugerimos um filme:

The Land Speaks Arabic (Maryse Gargour,2007, 61’) – Relata a progressiva ocupação do território da Palestina pelos judeus, com a consequente expulsão dos seus habitantes milenares. O filme dá voz a um dos principais historiadores palestinos da actualidade, Nur Masalha, que explica a história do seu país antes da criação do Estado de Israel.

e alguns livros:

– Ilan Pappe, The Ethnic Cleansing of Palestine, Oxford, Oneworld Publications Limited, 2006
– Ilan Pappe, História da Palestina Moderna. Uma Terra, Dois Povos, Lisboa, Editorial Caminho, 2007 (2004)
– Nur Masalha, The Palestine Nakba. Decolonising History, Narrating the Subaltern, Reclaiming Memory, London & New York, 2012.
– Rashid Khalidi, The Hundred Years’ War on Palestine. A History of Settler Colonial Conquest and Resistance, London, Profile Books, 2020
– Elias Khoury, A Porta do Sol, Lisboa, Quetzal Editores, 2012 (1998)
– Susan Abulhawa, Madrugadas em Jenin, Lisboa, QUIDNOVI, 2009 (2006)
– Mahmoud Darwich, Na Presença da Ausência, Porto, Flâneur, 2018

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/05/15/mppm-nakba-a-catastrofe-faz-hoje-72-anos/

Nos 72 anos da Nakba: «não à anexação da Cisjordânia!»

No dia da Nakba – a catástrofe que se abateu sobre o povo palestiniano com a criação de Israel –, o MPPM alerta para a anexação anunciada de extensas zonas da Cisjordânia e o perigo real de uma nova Nakba.

Palestinianos seguram uma bandeira gigante do seu país na manifestação que teve lugar em Ramallah (Margem Ocidental ocupada) para assinalar o 69.º aniversário da Nakba (catástrofe)CréditosAlaa Badarneh / EPA

A 15 de Maio assinala-se a Nakba – a «catástrofe» –, que diz respeito à proclamação unilateral da independência de Israel, em 1948, e à campanha premeditada que acompanhou o processo de criação de Israel, em que as milícias sionistas destruíram centenas de aldeias, cometeram inúmeros massacres e expulsaram das suas casas cerca de 750 mil palestinianos.

Tratou-se de uma «limpeza étnica que deu origem àquela que é, ainda hoje, a maior comunidade de refugiados em todo o mundo», afirma o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) num comunicado emitido a propósito dos 72 anos da Nakba.

«Este aniversário da Nakba está marcado pelo perigo real da repetição da tragédia de 1948», sublinha o organismo solidário português, na medida em que «o programa do anunciado governo de coligação de Israel prevê a anexação de extensas zonas» da Margem Ocidental ocupada, numa «descarada violação do Direito Internacional» e das «resoluções aprovadas pela ONU ao longo de mais de 70 anos».

O MPPM alerta que a anexação de extensas áreas da Cisjordânia, anunciada para 1 de Julho, «seria um salto qualitativo duma gravidade inaudita», a culminar uma «escalada de provocações e desafios ao Direito Internacional, quer por Israel quer pelos EUA e o presidente Trump».

A anexação irá inviabilizar a criação de um Estado palestiniano, destaca o texto, da mesma forma que «destrói a perspectiva de solução negociada para a questão palestiniana» e «abre as portas à escalada e eternização dos conflitos no Médio Oriente».

Para além disso – alerta o MPPM –, a anexação de parcelas do território palestiniano «conduzirá a uma nova Nakba, que já se prenuncia nas notícias sobre a intensificação da violência dos colonos e o aumento das rusgas israelitas na Cisjordânia, visando mesmo instalações e equipamentos para o tratamento da pandemia Covid-19».

Impõe-se uma «reacção vigorosa»

«Estamos perante o perigo real de uma nova enorme traição ao povo palestiniano. A luta contra a pandemia Covid-19 – uma ameaça também para o povo palestiniano, em especial o povo sitiado de Gaza e os presos políticos palestinianos nas prisões de Israel – não pode fazer esquecer, nem esconder, a gravidade do momento», alerta o MPPM.

Neste sentido, o documento sublinha que «quem não tomar hoje uma posição clara, forte e sem ambiguidades em defesa da legalidade internacional tornar-se-á cúmplice do crime e não poderá amanhã vir a lamentar as consequências».

O MPPM considera «inaceitável que, perante a intenção proclamada de anexação, não haja uma posição imediata de reconhecimento pleno do Estado palestiniano, nas fronteiras de 1967», do mesmo que não aceita que «prossiga a cooperação e a colaboração da União Europeia e dos seus países-membros com Israel», designadamente no contexto do Acordo de Associação UE-Israel e, muito particularmente, «a cooperação no plano militar», que o MPPM tem denunciado repetidamente.

Afirmando a urgência de travar os planos anexionistas de Israel e de impedir uma nova Nakba, o organismo solidário com a Palestina «lamenta profundamente a atitude do Governo português», por se manter em silêncio e nem sequer acompanhar «iniciativas diplomáticas de alguns países da União Europeia, nomeadamente a de 11 embaixadores em Israel que comunicaram a Benjamin Netanyahu a sua oposição à anexação».

Ao não condenar firmemente a anexação – enfatiza o MPPM –, o Governo português despreza o Direito Internacional, sucessivas resoluções das Nações Unidas, a Constituição da República Portuguesa e a recomendação da Assembleia da República de que o Governo reconheça plenamente o Estado da Palestina.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/nos-72-anos-da-nakba-nao-anexacao-da-cisjordania

MPPM – NÃO A UMA NOVA NAKBA! NÃO À ANEXAÇÃO DA CISJORDÂNIA!

 

A 15 de Maio assinala-se o dia da Nakba – a catástrofe que, em 1948, se abateu sobre o povo palestino, acompanhando a proclamação unilateral da independência de Israel. Nas semanas seguintes, mais de 700 mil pessoas foram expulsas das suas casas e terras pela violência sionista, numa limpeza étnica que deu origem àquela que é, ainda hoje, a maior comunidade de refugiados em todo o mundo. Este aniversário da Nakba está marcado pelo perigo real da repetição da tragédia de 1948. Dando sequência aos planos de Netanyahu, o programa do anunciado governo de coligação de Israel prevê a anexação de extensas zonas da Cisjordânia, território palestino internacionalmente reconhecido. Esta anunciada anexação representa uma descarada violação do Direito Internacional, das resoluções aprovadas pela ONU ao longo de mais de 70 anos e até mesmo dos acordos assinados por Israel, incluindo os resultantes de processos conduzidos pelos EUA nos últimos 30 anos. Confirma a má-fé negocial de Israel, já patente na construção dos colonatos israelitas na Cisjordânia — e do muro do apartheid — e nas zonas de exclusão militar junto ao vale do Rio Jordão, agora ameaçadas de anexação por Israel. A anexação de extensas áreas da Cisjordânia, anunciada já para o próximo dia 1 de Julho, seria um salto qualitativo duma gravidade inaudita, culminando uma escalada de provocações e desafios ao Direito Internacional, quer por Israel quer pelos EUA e o presidente Trump. Décadas de aceitação e participação activa da parte palestina em processos políticos – dentro e fora do âmbito da ONU – e décadas de dolorosas concessões, que incluem a aceitação dum Estado palestino em apenas 22% do seu território histórico, são retribuídas com o prosseguimento da expansão em direcção ao Grande Israel, objectivo de sempre do movimento sionista. A anexação de qualquer parcela de território inviabiliza a criação dum Estado palestino. Destrói a perspectiva de solução negociada para a questão palestina. Descredibiliza a ONU e o próprio conceito de resolução negociada dos conflitos internacionais. Abre as portas à escalada e eternização dos conflitos no Médio Oriente. Conduzirá a uma nova Nakba, que já se prenuncia nas notícias sobre a intensificação da violência dos colonos e o aumento das rusgas israelitas na Cisjordânia, visando mesmo instalações e equipamentos para o tratamento da pandemia Covid-19. O perigo da intensificação dos abusos israelitas após uma anexação foi já denunciado pelo Relator Especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Michael Lynk. É imperioso que haja uma reacção vigorosa por parte dos governos que durante anos prometeram ao povo palestino a criação dum Estado palestino com as fronteiras de 1967 e Jerusalém-Leste como capital. Quem não tomar hoje uma posição clara, forte e sem ambiguidades em defesa da legalidade internacional tornar-se-á cúmplice do crime e não poderá amanhã vir a lamentar as consequências. É inaceitável que, perante a intenção proclamada de anexação, não haja uma posição imediata de reconhecimento pleno do Estado Palestino, nas fronteiras de 1967. É inaceitável que, perante a intenção proclamada de anexação, prossiga a cooperação e colaboração da União Europeia e dos seus países membros com Israel, nomeadamente no âmbito do Acordo de Associação UE-Israel, e muito em particular a cooperação no plano militar, cooperação que o MPPM já repetidamente denunciou. O MPPM lamenta profundamente a atitude do governo português, que se mantém em silêncio e, de acordo com os relatos da imprensa internacional, não acompanha sequer iniciativas diplomáticas de alguns países da União Europeia, nomeadamente a de 11 embaixadores em Israel que comunicaram a Benjamin Netanyahu a sua oposição à anexação. Não condenar firmemente a anexação significa desprezar o Direito Internacional, sucessivas resoluções das Nações Unidas, a Constituição da República Portuguesa e a recomendação da Assembleia da República de que o Governo reconheça plenamente o Estado da Palestina. Estamos perante o perigo real duma nova enorme traição ao povo palestino. A luta contra a pandemia Covid-19 – uma ameaça também para o povo palestino, em especial o povo sitiado de Gaza e os presos políticos palestinos nas prisões de Israel – não pode fazer esquecer, nem esconder, a gravidade do momento. É urgente travar os planos anexionistas de Israel! É urgente impedir uma nova Nakba do povo palestino! Lisboa, 15 de Maio de 2020 A Direcção Nacional do MPPM

Foto: Soldados israelitas expulsam os habitantes da aldeia de Imwas durante a Guerra de 1967 (palestineremembered.com) 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/05/14/mppm-nao-a-uma-nova-nakba-nao-a-anexacao-da-cisjordania/

Semana de Luta Palestiniana, para lembrar a Nakba e afirmar a resistência

A Samidoun lança um apelo à participação na Semana de Luta Palestiniana, de 15 a 22 de Maio, lembrando o significado que esta semana possui, há décadas: «solidariedade, resistência e luta».

Em 2019, milhares de palestinianos assinalaram em Gaza o 71.º aniversário da NakbaCréditos / MPPM

«Nestes dias, evocamos a Nakba [catástrofe], o roubo da terra palestiniana e a expulsão do povo palestiniano. Em simultâneo, celebramos, afirmamos e prometemos continuar os mais de 72 anos de resistência palestiniana pela libertação e pelo regresso», afirma no seu portal a Samidoun (rede de solidariedade com os presos palestinianos), ao instar organizações, activistas e movimentos a juntarem-se-lhe na Semana de Luta Palestiniana.

No site, é possível verificar as iniciativas já agendadas (on-line ou na rua) e entrar em contacto com o organismo solidário tanto para anunciar uma actividade como para declarar o apoio à Semana e, desse modo, manifestar o apoio ao povo palestiniano na sua «luta contra o sionismo, o imperialismo e a reacção».

Uma longa luta de resistência

No texto de apresentação da Semana, a Samidoun sublinha que o movimento popular palestiniano assinala, há décadas, o dia 15 de Maio [Dia da Nakba] e a semana seguinte como «uma semana de solidariedade, resistência e luta». Trata-se de assinalar «a luta palestiniana, árabe e internacional pela justiça e libertação». «Tal como a Nakba continua, a resistência persiste!», frisa.

 

O texto lembra que a projecto sionista de limpeza étnica não começou a 15 de Maio de 1948 – então, essa «missão» já tinha sido alcançada em 78% da Palestina histórica, depois de ter sido lançada em Dezembro de 1947 e depois de décadas de escalada militar, de colonialismo europeu na região e, em particular, após o mandato britânico e a Declaração Balfour.

Segundo a Samidoun, há hoje mais de sete milhões de refugiados palestinianos e mais de 13 milhões no exílio e na diáspora. «A implementação do direito de retorno», como direito colectivo e individual, «está no cerne da libertação da Palestina» e, em anos recentes, tem sido cada vez mais atacado, «culminando no chamado "Acordo do Século"».

Luta anti-imperialista

A Semana de Luta Palestiniana irá também espelhar a dimensão anti-imperialista da luta pela libertação da Palestina, denunciando a tentativa de imposição do «Acordo do Século» pelos EUA, bem como as medidas repressivas a que as potências imperialistas estão a recorrer para condicionar a luta dos palestinianos dentro das suas fronteiras, nomeadamente nos EUA, na Alemanha ou em França.

Os promotores dão particular ênfase ao bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza – pelo qual responsabilizam também os EUA, os países europeus e os «regimes árabes reaccionários» –, sublinhando a necessidade de pôr fim às sanções imperialistas no mundo.

Em simultâneo, a Samidoun lembra que Israel «não é a única colónia de colonos racistas erigida sobre a expulsão de povos originários e a extracção dos seus recursos», e afirma a sua defesa de «todos os povos oprimidos e movimentos indígenas que defendem as suas terras do capitalismo colonianista».

Estudantes, mulheres, presos, trabalhadores... na linha da frente

Desafiando qualquer tentativa de «normalizar o colonialismo», a Samidoun afirma o direito inalienável do povo palestiniano «a resistir à ocupação e à opressão». A juventude e os estudantes têm estado sempre na linha da frente da resistência, geração após geração, neste caminho de 72 anos, salienta o organismo solidário.

Do mesmo modo, são destacadas as mulheres, que «têm defendido a terra, educado gerações de lutadores e participado inteiramente na liderança da luta», ao nível da organização política e da luta popular e armada.

Também os operários e o campesinato têm «lutado para defender a sua terra e resistir à exploração e à opressão sob todas as formas», afirma a Samidoun, sublinhando os sacrifícios a que os trabalhadores têm sido sujeitos na Palestina e destacando o papel das camadas populares na liderança do movimento revolucionário de libertação.

Os presos palestinianos – que foram sempre um recurso do projecto colonialista na Palestina para manter a ocupação, o apartheid e a opressão – não são esquecidos no texto e não o serão nesta Semana, pois «os palestinianos atrás das grades continuam a estar no coração da resistência».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/semana-de-luta-palestiniana-para-lembrar-nakba-e-afirmar-resistencia

ONU exige libertação de crianças palestinianas detidas por Israel

 
 
A ONU denunciou hoje "a detenção continuada de crianças palestinianas" por Israel e exigiu que os seus direitos sejam protegidos através da sua libertação imediata para não serem contagiados com a covid-19.

"A melhor maneira de defender os direitos das crianças detidas no meio de uma pandemia perigosa é libertá-las", afirmaram, em comunicado conjunto, o coordenador humanitário da ONU para os territórios palestinianos ocupados, Jamie McGoldrick, o chefe da Unidade de Direitos Humanos da ONU na região, James Heenan, e a representante especial da Unicef para Palestina, Geneviève Boutin.
 
Segundo a ONU, no final de março foram colocados 194 menores palestinianos em prisões e centros de detenção israelitas, um número "ainda maior do que o número médio mensal de crianças detidas em 2019".

As Nações Unidas garantiram ainda que a maioria das crianças foi detida sem acusação por qualquer crime.

A organização chamou a atenção para o risco de estes menores detidos "contraírem covid-19", já que nos centros prisionais é mais difícil manter distância física e cumprir outras medidas preventivas.

Além disso, "os procedimentos legais estão suspensos" pelo que quase todas as visitas às prisões foram canceladas e "as crianças não têm acesso às suas famílias e advogados", adianta o mesmo comunicado.

Esta situação causa-lhes "sofrimento psicológico", não lhes permite receber "o apoio jurídico a que têm direito" e causa "maior pressão", podendo levá-los a "declararem-se culpados para serem libertados" mais rapidamente.

"Os direitos das crianças à proteção, segurança e bem-estar devem ser sempre respeitados", sobretudo em momentos como este, afirmam os três representantes da ONU.

 


A detenção e prisão de menores palestinianos tem sido denunciada várias vezes por organizações internacionais, organizações não-governamentais e entidades de defesa dos direitos humanos.

Tanto Israel como os territórios palestinianos superaram a pior fase da pandemia, que afetou moderadamente a região.

Durante semanas, o confinamento e as restrições para impedir a propagação das infeções praticamente suspenderam o conflito, tendo sido registados poucos incidentes.

Hoje de manhã, o exército israelita demoliu a casa da família de um palestiniano acusado de matar uma jovem israelita no verão passado, durante um ataque na Cisjordânia.

A demolição da casa, situada na cidade de Kobar, na Cisjordânia, provocou um confronto entre moradores e militares.

Desde que foi detetada na China, em dezembro passado, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 280 mil mortos e infetou mais de quatro milhões de pessoas em 195 países e territórios, segundo um balanço da agência de notícias AFP.

Mais de 1,3 milhões de doentes foram considerados curados.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (79.522) e mais casos de infeção confirmados (mais de 1,3 milhões).

Seguem-se o Reino Unido (31.855 mortos, mais de 219 mil casos), Itália (30.560 mortos, mais de 219 mil casos), Espanha (26.621 mortos, mais de 224 mil casos) e França (26.380 mortos, mais de 176 mil casos).

Por regiões, a Europa soma mais de 156 mil mortos (mais de 1,7 milhões de casos), Estados Unidos e Canadá mais de 83 mil mortos (mais de 1,3 milhões de casos), América Latina e Caribe mais de 20 mil mortos (mais de 361 mil casos), Ásia mais de 10 mil mortos (mais de 292 mil casos), Médio Oriente mais de 7.500 mortos (mais de 225 mil casos), África mais de 2.200 mortos (mais de 63 mil casos) e Oceânia com 125 mortos (mais de 8.200 casos).

Notícias ao Minuto | Lusa

Leia em Notícias ao Minuto: 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/onu-exige-libertacao-de-criancas.html

Comitê da ONU pede esforços para impedir anexação israelense do território ocupado da Palestina

Nações Unidas, 6 mai (Xinhua) - O Comitê da Organização das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino pediu à comunidade internacional que impeça a anexação planejada por Israel do território ocupado da Palestina.

Enquanto a atenção do mundo está voltada para o combate à pandemia do COVID-19, o povo palestino sob ocupação enfrenta uma crise adicional, a ameaça de anexação, afirmou o comitê em comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Israel continuou entrincheirando a ocupação ilegal e anunciou abertamente sua intenção de anexar grandes áreas do território palestino ocupado, enquanto continua o bloqueio de Gaza, disse o documento.

O comitê apela à comunidade internacional para reunir seu apoio e solidariedade ao povo palestino para impedir a anexação, o que, segundo ele, constitui uma grave violação do direito internacional e flagrante violação das resoluções da ONU.

A proibição de aquisição de território pela força é absoluta na Carta da ONU, afirmou.

A expansão do controle de Israel sobre o território palestino, incluindo Jerusalém Oriental, está corroendo a solução de dois estados acordada internacionalmente, alertou.

O comitê apela a Israel para que atenda à demanda de longa data de suspensão de suas ações e práticas ilegais no território palestino ocupado, incluindo todas as medidas destinadas a consolidar a ocupação e anexar o território.

O comitê também pede a Israel que garanta o respeito total dos direitos humanos da população civil palestina sob seu controle e forneça acesso e assistência humanitária, incluindo esforços para impedir a propagação de COVID-19.

Apela à comunidade internacional, particularmente ao Conselho de Segurança da ONU, para que assuma suas responsabilidades e tome medidas urgentes para combater a ameaça de anexação.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/08/c_139040230.htm

Palestina pede para Israel libertar prisioneiro diagnosticado com COVID-19

O aumento da tortura nas prisões israelenses - CartaCapital

Ramala, 25 abr (Xinhua) - A Palestina pediu no sábado que Israel libertasse um prisioneiro palestino diagnosticado com COVID-19, três dias depois de ser preso pelas forças israelenses na Cisjordânia.

 

Saeb Erekat, secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina, acusou Israel de violar o direito internacional, continuando com a detenção do jovem de 21 anos, exigindo sua libertação imediata.

 

"Mohamed Hasan é um estudante da Universidade Birzeit, detido pelo ocupante israelense em um centro de detenção em Jerusalém. Ele foi diagnosticado com COVID-19", disse Erekat em comunicado à imprensa.

 

Ele pediu à comunidade internacional e ao secretário-geral da ONU que "obriguem Israel a libertá-lo imediatamente, a fim de acompanhar sua condição médica", segundo o comunicado.

 

Segundo os advogados de Hasan, seu interrogatório foi prorrogado por mais oito dias, apesar do diagnóstico.

 

As autoridades palestinas alertaram que a situação de Hasan pode colocar centenas de outros prisioneiros palestinos nas prisões israelenses em risco de contrair o vírus.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-04/27/c_139012411.htm

Preso palestiniano de 23 anos morre numa cadeia israelita

Na nota em que dá conta do falecimento de Nour Jaber Barghouti, esta quarta-feira, a Sociedade dos Presos Palestinianos acusa os serviços prisionais israelitas de «serem responsáveis», por «negligência».

Mural solidário com os presos palestinianos numa rua de Belfast, no Norte da IrlandaCréditosBen Kerckx / 972mag.com

Barghouti, natural da aldeia de Aboud (Margem Ocidental ocupada) e que cumpria uma pena de oito anos por «resistência à ocupação israelita», caiu inconsciente, esta quarta-feira, numa casa de banho da prisão israelita de Naqab, informou a Sociedade dos Presos Palestinianos (SPP).

Quando os outros prisioneiros se aperceberam de que Barghouti estava inanimado, começaram a gritar por ajuda, mas a «administração prisional demorou mais de meia hora a prestar assistência médica» ao preso.

O jovem foi então declarado morto, refere a nota – citada pela Palestine Chronicle e a PressTV –, na qual a SPP acusa os serviços prisionais israelitas de serem responsáveis pela morte de Barghouti.

Vários responsáveis políticos palestinianos denunciaram este «novo crime» perpetrado por Israel, bem como a «política de negligência médica» que leva a efeito contra os prisioneiros palestinianos.

Recentemente, diversas organizações, a nível internacional, têm expressado preocupação com a situação dos presos palestinianos sob custódia israelita, nomeadamente por causa da pandemia do novo coronavírus.

«Quadro institucionalizado de negligência médica»

Numa nota que emitiu a propósito do Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinianos – 17 de Abril –, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) chamava precisamente a atenção para o facto de que «as condições de detenção dos palestinianos nas prisões israelitas não cumprem as normas internacionais mínimas estabelecidas pelo direito humanitário internacional», e denunciava «o quadro institucionalizado de negligência médica por parte das autoridades de Israel».

Se os presos palestinianos encerrados nas prisões israelitas enfrentam a «ameaça acrescida» à sua saúde e às suas vidas resultante da pandemia de Covid-19, esta é agravada pela «recusa reiterada» das autoridades israelitas em prestar «serviços médicos adequados aos prisioneiros palestinianos», denunciava o texto.

Um relatório referente a 2019, elaborado pela Sociedade dos Presos Palestinianos (SPP), pela Addameer – Associação de Apoio e Direitos Humanos dos Presos e pela Comissão de Assuntos dos Presos e ex-Presos, dava conta da utilização da tortura, por parte das forças israelitas, como «instrumento de vingança e coacção» sobre os presos.

De acordo com o informe, 95% dos detidos são submetidos a tortura, nas várias fases da detenção, e cinco presos perderam a vida em cadeias israelitas em 2019, como consequência das «políticas sistemáticas de tortura e morte lenta», que incluem «a demora ou a negação de tratamento médico», bem como a utilização do «acesso a cuidados médicos como táctica de coacção».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/preso-palestiniano-de-23-anos-morre-numa-cadeia-israelita

Israel | Ocupando território enquanto ninguém olha

 
 
Israel usa a situação global do coronavírus para continuar anexação e construção de assentamentos judeus em territórios palestinos, afirmou o secretário-geral da Liga Árabe (LAS), Ahmed Aboul Gheit.
 
Na segunda-feira (13), Gheit enviou uma mensagem a vários líderes mundiais, incluindo o secretário-geral da ONU e os chanceleres do Reino Unido, Alemanha, China, Rússia, EUA e França, onde descreveu a situação atual nos territórios palestinos e de seus perigos.
 
O chefe da comunidade árabe alertou "sobre a tendência perigosa e clara dos líderes israelenses, especialmente do partido Likud [liderado pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu], de tirar proveito das extraordinárias circunstâncias globais, que envolvem o confronto com a pandemia da COVID-19, para expandir seus assentamentos", nas proximidades de Jerusalém Oriental e da região do Vale do Jordão.
 
O secretário-geral da LAS também observou que os palestinos, que antes mesmo da pandemia enfrentavam dificuldades económicas, agora são forçados a enfrentar desafios ainda mais sérios.
 
Sputnik
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/israel-ocupando-territorio-enquanto.html

MPPM reclama a libertação dos presos palestinianos

No Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinianos, o MPPM reafirma o apoio à corajosa luta pela liberdade do seu povo e pelo reconhecimento da sua condição de presos políticos.

No final de Março, havia cerca de 5000 presos palestinianos nas cadeias israelitas; a propagação do novo coronavírus nas prisões é uma preocupação acrescida nestes temposCréditos / MPPM / Samidoun

O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) reitera a sua solidariedade com os presos palestinianos, sublinhando a luta que travam pelo respeito pelos seus direitos e dignidade, e «contra as degradantes condições a que são submetidos nas prisões israelitas».

Numa nota emitida a propósito do Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinianos, que hoje se assinala, o organismo solidário português lembra que «as condições de detenção dos palestinianos nas prisões israelitas não cumprem as normas internacionais mínimas estabelecidas pelo direito humanitário internacional», bem como «o quadro institucionalizado de negligência médica por parte das autoridades de Israel».

Os presos palestinianos encerrados nas prisões israelitas, que são «sistematicamente sujeitos a tortura, maus-tratos, castigos e humilhações», enfrentam agora a «ameaça acrescida» à sua saúde e às suas vidas resultante da pandemia de Covid-19, que é agravada pela «recusa reiterada» das autoridades israelitas em prestar «serviços médicos adequados aos prisioneiros palestinianos» e tomar «medidas urgentes para impedir a propagação do vírus no sistema prisional», denuncia-se no texto.

Num relatório referente a 2019, elaborado pela Sociedade dos Presos Palestinos (SPP), a Addameer – Associação de Apoio e Direitos Humanos dos Presos e a Comissão de Assuntos dos Presos e ex-Presos, dava-se conta da utilização da tortura, por parte das forças israelitas, como «instrumento de vingança e coacção» sobre os presos.

Segundo o relatório, 95% dos detidos são submetidos a tortura, nas várias fases da detenção, sendo que cinco presos perderam a vida em prisões israelitas, em 2019, como consequência das «políticas sistemáticas de tortura e morte lenta», que incluem a demora ou a negação de tratamento médico, bem como a utilização do acesso a cuidados médicos como táctica de coacção.

Mais detenções administrativas e prisões arbitrárias de crianças e jovens

No final de Março, estavam encarcerados nas prisões de Israel cerca de 5000 palestinianos, incluindo 183 menores e 43 mulheres. Destes, 430 estão em regime de detenção administrativa, sem culpa formada ou julgamento. Para além disso, cerca de 700 presos estão doentes, 200 dos quais com doenças crónicas e graves que os colocam em risco ainda maior caso a pandemia se espalhe pelas prisões.

As autoridades de ocupação israelitas recorrem à política da detenção administrativa para prender civis palestinianos e «prolongar indefinidamente a sua detenção, sem julgamento ou qualquer acusação deduzida». Só em 2019, foram emitidas 1035 ordens de detenção administrativa, refere o texto.

A prisão arbitrária de crianças e jovens palestinianos, que são «vítimas de múltiplas formas de tortura durante e após sua prisão», também se intensificou. Em 2019, as forças de ocupação israelitas prenderam 889 menores.

O MPPM sublinha que a prisão afecta quase todas as famílias palestinianas – nos territórios ocupados em 1967, na Cisjordânia, incluindo Jerusalém, e na Faixa de Gaza, nos territórios ocupados em 1948, no exílio e na diáspora.

As autoridades de ocupação israelitas «levam a cabo uma política de punição colectiva contra as famílias dos presos», que vai desde «a convocação para interrogatório ou prisão, a invasão das suas casas e o saque dos seus pertences, até à medida extrema da demolição das suas casas». Só em 2019, as autoridades israelitas demoliram oito casas de presos ou seus familiares, precisa o organismo.

O MPPM, que reclama ao Governo português o reconhecimento do Estado da Palestina, no respeito pelo direito internacional e pelas resoluções das Nações Unidas, lembra que a questão dos presos é central para «uma solução justa da questão palestiniana, a par do fim da ocupação da Cisjordânia e do cerco da Faixa de Gaza, do estatuto de Jerusalém e do direito ao retorno dos refugiados».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mppm-reclama-libertacao-dos-presos-palestinianos

Defender a libertação dos presos palestinianos é uma «necessidade humanitária»

Nos dias que antecedem o Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinianos, a Samidoun pede a todos os amigos do povo palestiniano que unam esforços em prol da libertação dos presos e do país.

Khalida Jarrar comparecendo no tribunal israelitaCréditos / addameer.org

A 17 de Abril celebra-se o Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinianos e, tal como tem feito noutras ocasiões, também este ano a Samidoun (rede de solidariedade com os presos palestinianos) convidou os amigos do povo palestiniano, organizações preocupadas com a justiça na Palestina e comunidades árabes e palestinianas a unirem-se e participarem numa «semana de acção».

Cada organização que queira participar pode comunicar à Samidoun as suas iniciativas usando o portal, a página de Facebook ou as conta de Twitter e Instagram da organização. O objectivo é, segundo a rede solidária, «juntar esforços para apoiar os presos e lutar juntos pela sua libertação e a da Palestina».

Desde dia 10, a Rede tem estado a dar ênfase a diferentes temas em cada dia – por vezes a mais que uma questão ou figura num dia –, com o propósito de chamar a atenção para a «causa da luta dos presos palestinianos» e aspectos a ela ligados.

Exemplo disso são os vídeos, acompanhados de extensa informação, sobre: o preso Ahmad Sa'adat, secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), líder revolucionário e diregente do movimento nacional de libertação; a presa Khalida Jarrar, feminista, defensora dos direitos dos presos palestinianos e militante da FPLP; o preso Georges Abdallah, comunista libanês e lutador pela libertação da Palestina preso em França há 35 anos.

 

Ameaças aos prisioneiros, novas e antigas

Na nota a propósito da «semana de acção para a libertação palestiniana», a Samidoun afirma que «há aproximadamente 5000 presos palestinianos encarcerados pelo colonialismo sionista, incluindo 180 crianças, 430 presos ao abrigo do regime de detenção administrativa, sem acusações ou julgamento, e 700 presos doentes, 200 dos quais com doenças crónicas e graves, que os colocam num risco ainda maior caso a pandemia de Covid-19 se espalhe pelas cadeias».

«O encarceramento de palestinianos é um ataque colonialista ao povo palestiniano», defende a organização, sublinhando que o encarceramento «atinge quase todas as famílias palestinianas na Margem Ocidental, em Jerusalém, na Faixa de Gaza, nos territórios ocupados em 1948 e até no exílio e na diáspora».

A defesa dos prisioneiros palestinianos e a exigência da sua imediata libertação são não apenas «uma necesidade humanitária, num momento em que as suas vidas estão grande em risco devido à Covid-19, mas também um imperativo político para todos os que se preocupam com a Justiça para a Palestina», destaca o texto.

A libertação dos presos – afirma a Samidoun – é fundamental para «a vitória do povo palestiniano e a libertação da Palestina».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/defender-libertacao-dos-presos-palestinianos-e-uma-necessidade-humanitaria

Imperialismo, direito internacional e a saúde do sistema internacional

A emersão da ciência nas manchetes da mídia, lugar geralmente cativo da política internacional, é apenas uma das consequências da pandemia de Covid-19 engolfando o mundo. Uma recente declaração, entretanto, do presidente dos Estados Unidos, sugerindo que o financiamento à Organização Mundial da Saúde (OMS) estaria em risco, oferece uma bem-vinda mudança à narrativa midiática, especialmente para aqueles em quarentena em casa que escolheram se dedicar ao direito e não à medicina.

Por Wesam Ahmad*, na página da entidade palestina Al-Haq

United Nations | LinkedIn

Embora a questão das ameaças estadunidenses ao financiamento de um organismo internacional possa ter parecido extraordinário para muitos na audiência, para palestinos houve uma breve sensação de retorno à normalidade. Afinal, as ameaças estadunidenses a organismos internacionais, financeiros ou outros, não são novidade para os palestinos. Desde a UNESCO até o Conselho de Direitos Humanos da ONU, ao Tribunal Penal Internacional, os EUA têm repetidamente usado sua vantagem para tentar inocular Israel contra críticas ou responsabilização dentro das instituições internacionais que deveriam preservar a integridade e o funcionamento saudável do sistema internacional.

Diferente de momentos anteriores, entretanto, essa ameaça não envolveu os empenhos palestinos, mas as percepções estadunidenses de que a OMS é enviesada a favor da China. Independentemente da visão da perspectiva dos EUA, a retórica da vantagem e das consequências direcionada à OMS ajudou a iluminar a fraqueza estrutural do sistema internacional. Como as experiências palestinas com os toques de recolher, cerco e vigilância, a pandemia também deu uma ideia da experiência palestina envolvendo o direito internacional e as instituições internacionais dentro do sistema internacional.

 

Palestina contra Plano Trump ONU
Presidente Mahmoud Abbas rechaça o plano apresentado por Donald Trump para a Palestina na ONU

Entretanto, as diferenças entre o conflito localizado envolvendo dois sistemas sociais e aquele de uma pandemia envolvendo a natureza e a humanidade são muitas; as semelhanças a nível de sistema não podem ser ignoradas. Da mesma forma que uma família não aderindo à ordem de quarentena pode impactar uma comunidade inteira, o desprezo de um estado pelo direito internacional pode impactar a comunidade internacional inteira. É a habilidade da comunidade de efetivamente garantir adesão às normas vigentes que determinam, a longo prazo,  a saúde e a viabilidade de toda a comunidade e de suas partes constituintes.

tump saídaOutro resultado indireto da pandemia é a emersão dos problemas sistêmicos ao nível da consciência geral, assim como a curiosidade inquisitiva para entender as causas por trás da perpetuação daqueles problemas, e como eles podem ser abordados. Se o vírus é ou não uma causa ou consequência certamente dependerá da percepção de quem observa. No contexto dessa pandemia, o vírus é chamado Covid-19 [novo coronavírus]. No contexto do direito internacional e do sistema internacional, o vírus pode ser o novo imperialismo. Entretanto, ao invés de simplesmente ser biologicamente movido por um empenho instintivo de sobrevivência e reprodução, o imperialismo é psicologicamente movido por uma consciente busca por poder, riqueza e status.

Com muito do foco da humanidade sobre a busca por uma cura à Covid-19, as oportunidades para a pesquisa e a reflexão que o isolamento trazem, para melhor compreendermos os problemas dentro do sistema internacional e buscar soluções que possam ao menos melhor regular o imperialismo, se não suprimi-lo, não devem ser desperdiçadas.

Infelizmente, porém, o maior desafio para a humanidade está no caso do imperialismo; porque abordá-lo requer a busca por tal empenho com a compreensão de que uma cura 100% eficaz nunca será encontrada e, enquanto existam seres humanos, nunca será completamente erradicado.

*Wesam Ahmad dirige a seção de pesquisa jurídica da entidade palestina Al-Haq de defesa dos direitos humanos, que tem status consultivo do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU. 

Fonte: Al-Haq

Tradução: Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Salvemos la vida de los prisioneros palestinos!

 
 
La Coalición Europea de Apoyo a los Prisioneros Palestinos ha lanzado una campaña internacional pidiendo a los gobiernos, parlamentos, partidos y organizaciones que se atienda con urgencia a las condiciones de salud de los hombres, mujeres y menores prisioneros en las cárceles y centros de detención del sionismo y que se encuentran hoy indefensos ante la pandemia del COVID-19 y que sean liberados de inmediato los más vulnerables.
 
He aquí el llamamiento:
 
 
El Frente Antiimperialista Internacionalista apoya con toda determinación esta campaña y aporta el siguiente documento, llamando a la participación en esta campaña: https://youtu.be/YoMzWufTVt4
 
 
 
Animamos a todas las personas que comparten los planteamientos del FAI a grabar un vídeo corto, de unos 20 a 40 segundos, con alguna de las reivindicaciones o con mensajes relativos a la campaña y a enviárnoslos, vía Wetransfer u otros medios de transferencia, a la dirección de correo electrónico frente_antiimperialista@riseup.net, así como a difundirlos por sus redes sociales con la etiqueta #LibertadPrisionerosDelSionismo.
 
Libertad para los prisioneros de la libertad!
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/salvemos-la-vida-de-los-prisioneros.html

Israel mantém 200 crianças palestinianas na cadeia

Cerca de 200 crianças palestinianas estão em cadeias israelitas, em «condições desumanas», sendo sujeitas a «interrogatórios duros» e a «tortura», denuncia uma comissão de apoio aos presos.

De acordo com a Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos, as forças israelitas prenderam mais de 17 mil menores palestinianos desde 2000Créditos / addameer.org

Os dados foram revelados pela Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos na véspera do Dia da Criança Palestiniana, que se assinala a 5 de Abril. Em comunicado, o director da comissão, Qadri Abu Bakr, disse que estes menores, residentes na Margem Ocidental e em Jerusalém Oriental ocupadas, se encontram em três prisões israelitas: Damon, Megiddo e Ofer.

As três prisões carecem dos elementos básicos à vida humana, afirmou Abu Bakr, advertindo que estes menores presos «são submetidos a tortura e a tratamento degradante que violam os princípios internacionais dos direitos humanos», informa a PressTV.

O director do organismo de defesa dos presos referiu que as forças israelitas prenderam mais de 17 mil menores palestinianos desde 2000, havendo registo de detenções de crianças com idades inferiores a dez anos. A maioria destes menores sofreram torturas físicas e psicológicas, insistiu.

Abu Bakr acusou as Nações Unidas e organizações internacionais de defesa dos direitos humanos de não terem conseguido «dar a mínima protecção às crianças palestinianas» face aos abusos físicos e psicológicos que enfrentam nas cadeias israelitas.

Neste sentido, instou o secretário-geral da ONU, o Conselho dos Direitos Humanos e outros organismos internacionais a actuarem depressa e com empenho para pressionar Telavive a libertar todos os prisioneiros palestinianos, em especial as crianças, cujas vidas estão ameaçadas também pela pandemia do coronavírus, noticia a agência WAFA.

Autoridades israelitas recusam-se a libertar as crianças, apesar dos apelos internacionais

Este domingo, o Clube dos Prisioneiros Palestinianos (CPP) denunciou, em comunicado, a recusa das autoridades israelitas em libertar as crianças presas, fazendo ouvidos moucos aos apelos reiterados de vários organismos internacionais, reforçados no contexto de propagação da pandemia de Covid-19.

O texto, publicado por ocasião do Dia da Criança Palestiniana e a que a PressTV faz referência, sublinha as más condições das cadeias onde as crianças são mantidas, bem como a violência a que são submetidas. Assim, o CPP exorta os organismo internacionais, com destaque para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a intervirem de imediato com vista à libertação dos menores.

Em 2019, uma comissão composta por especialistas independentes das Nações Unidas expressou particular preocupação com as operações nocturnas levadas a efeito pelas forças israelitas com o propósito de deter crianças e adolescentes na Cisjordânia ocupada, com «graves consequências para o seu bem-estar e gozo dos seus direitos».

Da crianças «detidas no sistema militar israelita […] a maioria [é] por delitos menores, como atirar pedras e publicações nas redes sociais», assinalou a comissão, denunciando o facto de os menores serem «levados para locais desconhecidos, presos em viaturas militares e sujeitos a ameaças e abusos verbais», bem como o facto de, por vezes, serem «obrigados a assinar confissões em hebraico, uma língua que não costumam entender», lia-se no texto da ONU.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/israel-mantem-200-criancas-palestinianas-na-cadeia

A terra palestina e o nascimento de um mundo melhor

Ontem, (30/03) foi o Dia da Terra Palestina, data em que lembramos a greve geral e as passeatas da população palestina – da Galileia ao Al Náqab – em 30 de março de 1976.

 

 

Esses protestos, contra a expropriação de terras palestinas pelo governo israelense para a construção de assentamentos judaicos, foram duramente reprimidos pela polícia e pelo exército de Israel. Seis árabes foram mortos e centenas ficaram feridos e/ou foram presos.

Todos os anos, esta data é relembrada em atos, por palestinos e defensores dos direitos humanos, para reforçar o repúdio à ocupação e para defender o Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Como o nome já diz, este é um movimento que pressiona o mundo todo e os organismos internacionais a bloquearem investimentos em Israel, a exemplo do que levou ao fim do regime de segregação racial na África do Sul, conhecido como apartheid. Investimentos que, invariavelmente, acabam financiando a violência de Estado.

Lembrar o Dia da Terra é também uma forma de pressionar pelo fim das atividades do Fundo Nacional Judeu. Em 1948, quando 750.000 palestinos foram expulsos de suas casas por milícias sionistas, formadas por estrangeiros recém-chegados à Palestina, para que Israel pudesse nascer, suas propriedades foram transferidas para esse fundo, que desde então financia a venda de terras exclusivamente para judeus.

Sabemos que as atenções do mundo neste momento estão voltadas para a contenção do coronavírus. O povo palestino também está sofrendo com isso, isolado pela ocupação, refém de um bloqueio econômico que impede a entrada de recursos e fragiliza seu sistema de saúde interno. E é em um momento de calamidade como esse – em que todos os povos civilizados estreitam seus laços de solidariedade – que fica ainda mais evidente a brutalidade do isolamento e do apartheid.

Temos esperança de que um mundo melhor nascerá depois dessa pandemia. De que projetos de poder baseados no ódio e na segregação serão em breve soterrados pelos seus próprios abusos e preconceitos. De que a insensatez desses falsos profetas seja confrontada por uma consciência coletiva que exige mais equilíbrio, respeito e compaixão. O que não falta – para nós, palestinos – é esperança. E força para resistir aos descalabros dessa campanha de extermínio.

 
Nas fotos, multidões de palestinos nas ruas e em atos políticos na província de Nazaré, em 1976. Registros também do funeral de um dos seis palestinos mortos pelas forças de ocupação israelense na ocasião
 
 
 
 

por Ualid Rabah, Presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL)   |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-terra-palestina-e-o-nascimento-de-um-mundo-melhor/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-terra-palestina-e-o-nascimento-de-um-mundo-melhor

No Dia da Terra, palestinianos em casa e bandeiras nos telhados

A 30 de Março, os palestinianos assinalam o Dia da Terra com mobilizações de massas, mas este ano, num contexto de pandemia, os eventos foram cancelados e foi feito um apelo para mostrar a bandeira nacional.

Homem palestiniano com a bandeira nacional (foto de arquivo)Créditos / kasihpalestina.com

Diversas facções palestinianas cancelaram, no sábado passado, as mobilizações que haviam convocado, na Faixa de Gaza cercada, para assinalar o 44.º aniversário do Dia da Terra Palestina e o segundo aniversário do início das mobilizações da Grande Marcha do Retorno, tendo em conta o contexto de pandemia de Covid-19.

A 30 de Março de 1976, no Norte de Israel, foram assassinados seis palestinianos que protestavam contra a expropriação de terras para dar lugar a aldeamentos judaicos. Além disso, cerca de 100 pessoas ficaram feridas e centenas foram presas durante a greve geral e as grandes manifestações de protesto que, no mesmo dia, ocorreram no território do Estado de Israel. A partir de então, os palestinianos passaram a comemorar o Dia da Terra a cada 30 de Março.

Precisamente nesse dia, em 2018, os palestinianos residentes no enclave cercado da Faixa de Gaza deram início aos protestos da Grande Marcha do Retorno. Com essas mobilizações, exigiam – e exigem – o direito dos refugiados palestinianos e seus descendentes a regressarem às terras, na Palestina histórica, de onde foram expulsos em 1948, no âmbito da campanha de limpeza étnica realizada pelas forças sionistas, por ocasião da criação de Israel, bem como nas décadas subsequentes.

 

Reclamam igualmente o levantamento do cerco imposto por Israel há mais de uma década ao enclave costeiro, onde vivem cerca de dois milhões de pessoas em condições humanitárias dramáticas.

No sábado, Khaled al-Batsh, representante da Jihad Islâmica, comunicou o cancelamento das iniciativas programadas e instou as pessoas a ficar em casa, para sua segurança, tendo em conta «a pandemia letal». Em vez disso – e tal como fizeram outros responsáveis palestinianos na Margem Ocidental ocupada –, pediu à população que exibisse a bandeira da Palestina nos telhados das suas casas, informam a PressTV e a Quds News Network.

Liga Árabe pede a organismos mundiais que denunciem crimes de Israel

Num comunicado emitido este domingo, a propósito do 44.º aniversário do Dia da Terra Palestina, a Liga Árabe (LA) denunciou as violações dos direitos da Palestina perpetradas por Israel e instou os organismos internacionais a expor abertamente as políticas racistas e os crimes que a entidade sionista comete contra o povo palestiniano.

«Israel continua a violar os princípios básicos do direito internacional e as resoluções da Organização das Nações Unidas ao aumentar os seus colonatos ilegais nos territórios palestinianos ocupados», denunciou a LA, advertindo que as autoridades de Telavive pretendem transformar os territórios palestinianos em zonas exclusivamente judaicas, refere a HispanTV.

Reafirmando o seu apoio total aos palestinianos na luta contra Israel, o bloco pan-árabe insistiu na necessidade de criar um Estado palestiniano independente tendo como capital Jerusalém.

A Liga Árabe alerta ainda que Israel se está a aproveitar do facto de o foco mediático mundial estar centrado na pandemia da Covid-19 para levar a efeito os seus planos expansionistas e usurpar mais terras palestinianas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/no-dia-da-terra-palestinianos-em-casa-e-bandeiras-nos-telhados

PALESTINA NO MEIO DA PROPAGAÇÃO DO CORONAVÍRUS

Obrigado ao Carlos Patrão

 

Precisamos mais do que nunca de apoio internacional e de pressão. Os palestinianos estão hoje na situação dramática de ter de escolher entre aderir às medidas de prevenção para se protegerem do coronavírus ou continuar, contra todas as probabilidades, com a resistência popular colectiva. Em qualquer dos casos, eles arriscam as suas vidas. DIVULGUE ESTE APELO: a proteção dos direitos humanos e fundiários fundamentais do povo palestiniano não deve ser suspensa.

A pandemia de COVID-19 está cada vez mais a trazer à tona as políticas racistas e desumanas de Israel. O regime do apartheid de Israel está a aproveitar-se da pandemia de coronavírus para aumentar drasticamente os seus ataques brutais contra os palestinianos, com assassinatos quase diários, e avançar rapidamente com as suas políticas de anexação, expropriação de terras e expulsão do povo palestiniano. Os ataques dos colonos estão a aumentar.

No terreno, estamos a organizar-nos para garantir que as comunidades mais visadas pelo apartheid e a ocupação israelitas e os membros socialmente mais frágeis da nossa sociedade tenham o apoio de que precisam, dos desinfectantes à comida. Mas eles precisam também do seu apoio para denunciar o modo como Israel se aproveita até mesmo do COVID-19 para promover as suas políticas de expropriação e deslocamento.

Stop the Wall pede à comunidade internacional e às organizações de direitos humanos que intervenham e apoiem o povo palestiniano na sua luta para combater tanto o coronavírus como a ocupação israelita, que se está a aproveitar deste momento para escalar as suas práticas agressivas e de colonização contra o povo palestiniano.

Contexto

Desde a propagação do coronavírus, Israel e as autoridades palestinianas na Cisjordânia ocupada e em Gaza anunciaram o estado de emergência; a ocupação israelita intensificou os ataques violentos e as campanhas de detenções contra o povo palestiniano. Dois palestinianos foram mortos pelas forças de ocupação israelitas desde a escalada da violência.Stop the Wall está preocupado com o aproveitamento pelas forças de ocupação israelitas do bloqueio e das dificuldades em organizar-se uma acção popular colectiva para roubar mais terra e recursos hídricos.

Os cuidados de saúde sob a ocupação e o apartheid são, mesmo em circunstâncias normais, um desafio. A pandemia é agora mais uma razão para Israel testar e expandir a sua capacidade de bloqueio. Os palestinianos na chamada Área C, áreas que estão sob total controlo militar e administrativo israelita e atualmente em risco acrescido de anexação, são os mais vulneráveis a esta pandemia. Se o coronavírus atingir essas comunidades, Israel colocará restrições à AP e às organizações internacionais para o fornecimento de ajuda. Essas comunidades também são vulneráveis devido às políticas israelitas de apartheid, que fazem com que elas careçam da infraestrutura necessária, como o acesso à água limpa que lhes permitiria tomar as medidas necessárias para evitar a propagação do vírus.

A política de apartheid de Israel e a desumanização dos palestinianos tornam-se cada vez mais evidentes nestes tempos: enquanto os residentes palestinianos sofrem da agressão acentuada, os privilegiados colonos ilegais são tratados e protegidos, mesmo quando atacam palestinianos. A pandemia representa um excelente momento para Israel promover e acelerar o seu projecto de limpeza étnica e anexação de terras a favor dos colonos. A situação na faixa de Gaza é ainda mais desastrosa do que na Cisjordânia, já que o cerco desumano de 13 anos tornou o sistema de saúde deficiente.

No entanto, a juventude palestiniana está a mobilizar-se em solidariedade com as comunidades marginalizadas na área C e nos campos de refugiados sobrelotados dentro da Cisjordânia. Membros do comité do Fórum da Juventude Palestiniana estão a lançar uma iniciativa para ajudar as comunidades beduínas no Vale do Jordão e as famílias necessitadas em campos de refugiados a combater o vírus. Os jovens, dirigentes da próxima geração, fornecem a essas comunidades e famílias desinfectantes e kits de primeiros socorros, além de esclarecimentos sobre a disseminação do vírus e dicas para tomar medidas de protecção.

As vidas dos palestinianos estão ameaçadas pelas balas israelitas, não só pelo coronavírus

  • No domingo 22 de março, seis balas disparadas pelas forças de ocupação israelitas na cabeça de Sofyan Al-Khawaja, de 32 anos, roubaram-lhe a vida. Mahmoud Al-Khwaja, primo de Sofyan, também foi ferido com três balas nas costas. O acto de agressão das forças de ocupação israelitas ocorreu num checkpoint militar israelita construído em terras confiscadas aos agricultores de Ni’lin. Sofyan, acompanhado de Mahmoud, voltava no seu carro para casa à noite, antes que entrasse em vigor (22:00) a decisão de quarentena tomada pelo PM palestiniano Mohammed Shtayyah para conter a pandemia. As forças de ocupação israelitas levaram o corpo de Sofyan e até agora recusam-se a dá-lo à família.
  • Na quarta-feira 11 de março, as forças de ocupação israelitas mataram Mohammed Hamayel, de 15 anos, enquanto este tentava evitar que a sua terra, o Monte Al-Arma, perto da Vila Beita, ao sul de Nablus, fosse tomada por colonos ilegais israelitas. Mais de cem outros também foram feridos, dois com balas reais que se encontram em estado grave. O uso de balas reais e a brutal violência indiscriminada contra defensores dos direitos humanos e manifestantes pacíficos pelas forças de ocupação israelitas podem iniciar outra escalada de violência contra comunidades palestinianas, particularmente crianças e jovens. As forças de ocupação israelitas e colonos têm atacado os defensores dos direitos humanos a partir de uma tenda montada desde há um mês no Monte Al-Arma. Estando a reunião de pessoas proibida nos territórios palestinianos ocupados, como medida preventiva da propagação do coronavírus, o medo que têm os palestinianos da epidemia mistura-se com o medo dos passos concretos do ocupante israelita no terreno para confiscar o Monte Al-Arma. A importância do Monte Al-Arma está na sua localização estratégica. Tem vista para o Vale do Jordão, uma terra fértil ameaçada de confisco iminente. Ocupar o topo da colina representa uma ferramenta defensiva panóptica que concede à ocupação israelita uma vista panorâmica sobre o Vale do Jordão e todo o distrito de Nablus. O confisco do Monte Al-Arma também permitiria a Israel expandir o colonato Itamar construído ilegalmente nas terras das aldeias vizinhas de Beita-Beit Foreek, Biet Dajan, Yanoun, Awrta e Aqraba. Para obter mais informações sobre o assassinato de Mohammed, veja por favor o artigo publicado no website de Stop the Wall.

Escalada de detenções apesar da pandemia do coronavírus

  • No domingo 22 de março, as forças de ocupação israelitas invadiram as casas de Mamdouh Barry e Alaa’ Sadeq de Qalqilya e prenderam-nos apesar de todos os palestinianos na Cisjordânia estarem agora de quarentena. No meio da epidemia, as vidas de Barry e Sadeq ficam expostas ao perigo de apanharem o COVID-19 através de contacto com os soldados israelitas.
  • Na quarta-feira 18 de março, 9 jovens palestinianos foram presos num ataque durante a noite em diferentes áreas da Cisjordânia ocupada: seis jovens palestinianos foram detidos em Ramallah, dois em Jerusalém e um em Qalqilya. A detenção de palestinianos de Jerusalém nunca foi interrompida; alguns foram presos quando estavam a limpar os seus bairros como medida de protecção contra o coronavírus.1

O isolamento dos presos palestinianos não os protege do coronavírus

  • A Palestinian Prisoners’ Society anunciou no dia 19 de março que quatro presos palestinianos tinham sido infectados com o coronavírus na prisão de Megiddo, depois de terem tido contacto com um preso que por sua vez foi infectado por um interrogador israelita no centro de investigação “Petah Tikva”. Actualmente, os prisioneiros palestinianos nas cadeias israelitas estão em risco de serem infectados pelos guardas e investigadores que, evidentemente, já representavam uma ameaça para os presos antes da propagação do coronavírus.2
  • As autoridades israelitas de ocupação excluíram os 5.000 prisioneiros palestinianos das medidas de emergência para conter e mitigar a pandemia. A administração penitenciária israelita decidiu cortar o fornecimento de produtos desinfectantes e produtos químicos higiénicos para as cantinas que vendem produtos aos prisioneiros. Instamos as organizações internacionais de direitos humanos a intervir para proteger a vida dos prisioneiros palestinianos; principalmente, fornecendo-lhes desinfectantes e buscando medidas preventivas conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Enquanto a pandemia se expande, o território dos palestinianos encolhe

  • Há mais de uma semana, o PM israelita Benjamin Netanyahu anunciou perante os seus eleitores que pretende anexar o Vale do Jordão para torná-lo parte integrante de Israel, além de desenvolver colonatos ilegais israelitas noutras partes da Cisjordânia ocupada. O ministro israelita da Proteção Ambiental também proclamou que o objectivo é impor a soberania de Israel sobre o Vale do Jordão dentro de seis meses.3 No meio da pandemia, a luta popular dos palestinianos, que se mostrou eficaz para apoiar a firmeza das comunidades ameaçadas na área C e para evitar, ou pelo menos dificultar, os avanços da ocupação israelita para a anexação, tem de fazer uma pausa temporária. Isso significa que, para os palestinianos, a saúde e as terras estão em risco: os palestinianos soam o alarme sobre ambos, o coronavírus e a anexação do Vale do Jordão.
  • O Vale do Jordão constitui cerca de 30% da Cisjordânia. É uma faixa de terra fértil que os palestinianos consideram como a maior reserva de terra para o seu futuro Estado. A anexação do Vale do Jordão vai comprimir os palestinianos em bantustões ainda mais pequenos e impedi-los de conseguir qualquer desenvolvimento potencial. O “roubo do século” de Trump dá a Israel luz verde para anexar a área C, em particular o Vale do Jordão. A anexação de território palestiniano legitima e legaliza as práticas de expansão de colonatos na Cisjordânia desenvolvidas desde 1967.

Coronavírus: a nova maneira de os colonos israelitas intimidarem os palestinianos

  • Enquanto a Autoridade Palestiniana tenta restringir o movimento dos palestinianos até nas suas próprias cidades como medidas de proteção contra o coronavírus, no meio da escassez de instalações médicas, dezenas de colonos ilegais israelitas visitaram o sítio arqueológico de Sebastia (distrito de Nablus) sob a proteção do exército israelita. A presença dos colonos e do exército israelitas nas cidades palestinianas representa uma ameaça real, infligindo intimidação à população palestiniana, pois há uma notável expansão da pandemia entre os israelitas.4

Demolição de casas

  • Enquanto milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo em Israel, estão de quarentena nas suas casas, como forma de se protegerem contra o COVID-19, cerca de uma semana atrás, uma família palestiniana do campo de refugiados de Shufat em Jerusalém ocupada foi forçada a demolir a sua própria casa! O Supremo tribunal israelita ordenou que a família demolisse a sua casa, alegando que ela foi construída sem licença de construção, o que as autoridades israelitas dificilmente emitem para os palestinianos. Tareq Mohammed Ali, o dono da casa, decidiu demoli-la, pois se se recusasse a fazê-lo teria de pagar as despesas da demolição caso ela fosse realizada pelas autoridades de ocupação israelitas. As autoridades israelitas praticam o apartheid contra o povo de Jerusalém, incluindo a rejeição de licenças de construção como uma maneira de reduzir gradualmente o número de palestinianos que vivem em Jerusalém, enquanto aumentam o número de judeus como forma de limpeza étnica dos palestinianos da sua cidade.5

A faixa de Gaza sitiada é a mais vulnerável ao coronavírus

  • Países desenvolvidos como a Itália e a Coreia do Sul, que não sofrem com ocupação militar de longa data e tremendas práticas de opressão e apartheid, estão a enfrentar um verdadeiro desafio para conter e mitigar a epidemia. Dois palestinianos vindos do exterior contraíram o COVID-19 e estão de quarentena desde que chegaram a Gaza. Se o COVID-19 atingiu a densamente povoada faixa de Gaza e colocou os seus 2 milhões de pessoas, que ainda estão a tropeçar sobre os escombros das suas casas destruídas por violentos ataques israelitas e a tentar curar as feridas dos manifestantes pacíficos que protestaram nas fronteiras com Israel, quando a Grande Marcha do Retorno eclodiu em 2017, as consequências que serão infligidas ao povo de Gaza serão desastrosas.
  • Em 2012, as Nações Unidas alertaram que até 2020, a Faixa de Gaza tornar-se-ia inabitável.6 2020 começou e trouxe consigo uma epidemia que vai piorar a situação no momento em que a COVID -19 encontrar uma lacuna no cerco hermético que Israel impõe a Gaza, que, de acordo com relatórios da ONU, tem causado uma grave escassez de suprimentos médicos. De acordo com um relatório publicado pela OCHA, 97% da água em Gaza não é potável.7 Isso significa que os médicos em Gaza nem sequer encontram água limpa para desinfectar as mãos antes de tratar as pessoas. 70% das pessoas em Gaza são refugiados expulsos das suas terras quando Israel foi criado em 1948. Eles recebem ajuda da Agência das Nações Unidas para o Socorro e o Trabalho (UNRWA), incluindo medidas de saúde e proteção contra a pandemia. No entanto, a UNRWA anunciou recentemente que precisa urgentemente de 14 milhões de dólares para responder à forte situação de emergência na Palestina e nos países árabes receptores de refugiados após o surto do COVID-19. O apelo que a agência lançou recentemente aponta as necessidades para a saúde e outros serviços relacionados com a contenção e a mitigação da pandemia na Cisjordânia, Gaza, Jerusalém Oriental, Jordânia, Líbano e Síria. O comissário-geral interino da UNRWA, Christian Saunders, afirmou que “as condições de vida sobrelotadas, o stress físico e mental e os anos de conflito prolongado tornam vulnerável uma população de mais de 5,6 milhões de refugiados palestinianos particularmente susceptíveis à ameaça permanente do COVID-19.”.8
  • A crise financeira que a UNRWA enfrenta atualmente começou em 2018, quando o governo dos EUA cortou a ajuda financeira à UNRWA, uma “operação irremediavelmente falhada”, tal como a descreve a administração, especificamente para programas de apoio aos refugiados palestinianos em Gaza.9 A política do governo dos EUA em relação à UNRWA desde que o presidente Donald Trump chegou ao poder é uma tentativa de liquidar a causa dos refugiados palestinianos. Isso combina com o que Trump anunciou no “Acordo do Século” em janeiro passado: os refugiados palestinianos devem desistir do seu direito de retorno.

Notas:

1http://english.pnn.ps/2020/03/18/iof-arrest-9-palestinians-in-overnight-raids/

2https://www.middleeasteye.net/news/coronavirus-palestine-prisoners-israel-jail-test-positive-covid-19

3http://english.pnn.ps/2020/03/10/netanyahu-vows-to-impose-israeli-sovereignty-over-jordan-valley-and-settlements/

4https://www.palestinechronicle.com/israeli-army-allows-settlers-into-west-bank-site-despite-coronavirus-closure/

5https://www.palestinechronicle.com/palestinian-family-forced-to-demolish-its-home-in-jerusalem/

6https://www.unrwa.org/newsroom/press-releases/gaza-2020-liveable-place

7https://www.ochaopt.org/content/study-warns-water-sanitation-crisis-gaza-may-cause-disease-outbreak-and-possible-epidemic

8http://english.pnn.ps/2020/03/18/unrwa-launches-covid-19-us-14-million-flash-appeal-for-palestine-refugees/)

9https://www.theguardian.com/world/2018/aug/31/trump-to-cut-all-us-funding-for-uns-main-palestinian-refugee-programme

Versão original:

https://www.stopthewall.org/2020/03/24/palestine-amid-spread-coronavirus

 

__________________________________

palestinavence.blogs.sapo.pt

Plataforma BDS-Portugal:

https://www.facebook.com/BDS.Portugal

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/03/27/palestina-no-meio-da-propagacao-do-coronavirus/

Israel envenena a água dos palestinos

image
 
Aqui»» Israel envenena a água dos palestinos
Não acredito na justiça divina, mas tal como as bruxas, lá que a há, há. Os assustados que nos rodeiam têm assistido coniventes e impávidos à destruição de Gaza, e abrigados do vírus, o seu mundo confina-se a quatro paredes, enquanto os nazis de Israel vão assassinando os palestinos.
É um facto documentado de que Israel envenena poçospalestinos, águae terras de cultivo e bombardeia populações indefesas, e ninguém se revolta, e todos se ajoelham perante os criminosos. Não acredito em bruxas, mas…

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Palestina condena aumento de ataques israelitas na Cisjordânia ocupada

O Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros denunciou o aumento de ataques perpetrados por colonos israelitas contra terras e propriedades palestinianas na Margem Ocidental ocupada.

Colonos israelitas atacam palestinianos à pedrada na presença de forças militares israelitas (imagem de arquivo)Créditos / alwaght.com

«O aumento do número de ataques por organizações de colonatos contra os palestinianos é um resultado directo do encorajamento que recebem dos líderes políticos em Israel», afirmou o Ministério num comunicado emitido este domingo.

O documento, citado pela PressTV, acrescenta que «Israel procura intimidar os palestinianos e impedi-los de aceder às suas terras marcadas», em alusão às tentativas de Israel de se apoderar e anexar as terras palestinianas, com o objectivo de expandir os colonatos ilegais.

Neste contexto, a diplomacia palestiniana pediu à comunidade internacional que condene os crimes que estão a ser cometidos pelos colonos e as forças militares israelitas, e manifestou a necessidade de obrigar Telavive a obedecer às resoluções pertinentes da ONU, sobretudo a resolução 2334, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) em Dezembro de 2016.

Ataque de colonos em Huwara

O comunicado do Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros foi emitido umas horas depois de um grupo de colonos israelitas ter danificado cerca de duas dezenas de viaturas – partindo-lhes os pára-brisas – na cidade palestiniana de Huwara, perto de Nablus, no Norte da Cisjordânia ocupada.

Ghassan Daghlas, funcionário da Autoridade Palestiniana que monitoriza as actividades de expansão dos colonatos, afirmou que os israelitas atacaram as viaturas com pedras e acrescentou que, quando os residentes tentaram defender-se dos colonos, estes dispararam de forma indiscriminada contra os palestinianos. Até ao momento, não há registo de feridos entre os civis palestinianos.

Cerca de 600 mil israelitas vivem em mais de 230 colonatos construídos desde 1967 nos territórios palestinianos ocupados da Cisjordânia e Jerusalém Oriental – todos eles considerados ilegais à luz do direito internacional.

A cerca de um mês da tomada de posse do actual presidente norte-americano, Donald Trump, o CSNU aprovou a resolução 2334, na qual se afirmava que «a criação por Israel de colonatos no território palestiniano ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, não tem validade legal e constitui uma violação flagrante do direito internacional».

Mas a agressividade expansionista de Israel tem-se intensificado nos últimos anos, sob o impulso de Netanyahu e com o apoio da administração dos EUA, que reconheceu Jerusalém como capital de Israel e para ali mudou a sua embaixada; deixou de classificar como «ilegais» os colonatos israelitas; e traçou o chamado «Acordo do Século» – em estreita cooperação com Israel.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/palestina-condena-aumento-de-ataques-israelitas-na-cisjordania-ocupada

A “Solução Final” para a Palestina?

Jerome Irwin

Porque a tão procurada conclusão de tal guerra, em alguns círculos de poder do mundo, se baseia no sonho de uma fantasiosa profecia bíblica do fim dos tempos e no desejo esmagador entre os seus crentes de serem  levados para o céu para sempre ao lado de Deus, não importando quais sejam, no final, os custos para a vida humana e a existência futura da humanidade.


 

 

 

Sem Título (12).jpg

O chamado “Plano de Paz” do presidente Trump e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para a Palestina e os palestinianos não trará, nem por sonhos, a paz ao Médio Oriente. Este último plano americano lunático cristão fundamentalista & judaico ortodoxo kamikaze só pode trazer mais uma guerra mundial; porque a tão procurada conclusão de tal guerra, em alguns círculos de poder do mundo, se baseia no sonho de uma fantasiosa profecia bíblica do fim dos tempos e no desejo esmagador entre os seus crentes de serem  levados para o céu para sempre ao lado de Deus, não importando quais sejam, no final, os custos para a vida humana e a existência futura da humanidade.

Esse plano imundo proposto como uma resolução bem-sucedida para o conflito israelo-palestiniano de décadas representa simplesmente a loucura de mais uma horrenda guerra mundial futura conduzida, como outras guerras mundiais o foram, pelos sonhos enviesados semelhantes de outros loucos do passado, que também estavam preparados para levar a cabo as duas anteriores guerras mundiais e as mortes e a destruição de centenas de milhões de vidas humanas e não humanas, a civilização humana e a própria terra contra qualquer ideia ou filosofia que ameaçasse remotamente os seus sonhos.

Trump e Netanyahu são talhados do mesmo pano. Os governantes, ditadores e conquistadores implacáveis de hoje, não são diferentes do que eram os seus antecessores dos séculos passados, que se comportaram da maneira mais selvagem e primitiva, preparados para canibalizar os seus inimigos ou exterminar a sua própria espécie, a fim de conquistar quaisquer novas terras, recursos e obter mais e mais poder a qualquer preço para o mundo.

O “Plano de Paz” de Trump e Netanyahu é simplesmente um aviso ao mundo: “Cuidado! A próxima grande Terceira Guerra Mundial está a chegar mais cedo do que se pensa! ” Nasce dos medos horríveis e abomináveis sobre o futuro terrível da humanidade e do planeta como um todo. O que os judeus ortodoxos e os cristãos fundamentalistas americanos agora descrevem como “o acordo do século” para a raça humana é, mais propriamente, “a traição do século”.

A única coisa que poderia funcionar para impedir esses planos ad absurdum era todas as nações gritarem em uníssono, em voz alta e clara: “ Pelo amor de Deus! Parem com todas as ações de brutalidade, racismo e apartheid contra o povo palestino, AGORA!” Mas isso nunca funcionou muito bem com Hitler e a Alemanha nazi antes de milhões de judeus e outros morrerem primeiro no processo.

Se mentes mais racionais não prevalecerem em última instância e esse plano insano para a Palestina e os palestinianos continuar no seu rumo atual, o que acabará por lhes acontecer é terem um modo de vida que é um misto entre um bantustão de uma África do Sul dividida e um campo de concentração do tipo dos da Segunda Guerra Mundial. Tal plano só irá alimentar ainda mais, e trazer para muito mais perto da realidade, o Armagedão que, mesmo antes do presidente Trump e do primeiro-ministro Netanyahu apresentarem ao mundo o seu mais recente plano de “paz” kamikaze mal concebido, os cientistas e pensadores mais eminentes do mundo já tinham anunciado no seu Boletim dos Cientistas Atómicos, alertando para o quão próxima está do apocalipse a natureza precária e instável do mundo. Como resultado, ajustaram o Relógio do Dia do Juízo Final, usado como uma metáfora para designar o fim do mundo, para avançar perigosamente para apenas 90 segundos antes da meia-noite. Só podemos imaginar agora como esse chamado “Plano de Paz” fará avançar ainda mais os ponteiros do relógio, sendo o seu pêndulo como que uma espada de Dâmocles avançando cada vez mais ameaçadoramente para a meia-noite.

Mas é como tentar argumentar com uma parede. Talvez não haja mais motivos para continuar a discutir e debater os acertos ou erros do novo plano da América e de Israel a ser depois imposto à Palestina e aos palestinianos; ou debater as incontáveis violações das decisões do Conselho de Segurança da ONU e a revogação de leis e acordos internacionais, como Estados separados mas iguais entre Israel e Palestina, ou o “Direito de Regresso” dos palestinianos para retornar ao seu antigo direito por nascimento, que Israel flagrante e impunemente desrespeitou nos últimos setenta anos e que violou grosseiramente os direitos civis e humanos dos palestinianos e o direito inerente ao Estado da Palestina a existir como um estado livre e independente. Ambos continuarão a ser vitimados pelas arrogantes políticas de apartheid de Israel, porque a maioria dos democratas e republicanos no sistema político americano e os seus cidadãos as apoiam financeira, moral, política e militarmente sem questionar.

A decisão unilateral dos Estados Unidos e de Israel de disporem do destino da Palestina e dos povos palestinianos talvez possa ser mais bem caracterizada como a Solução Final para o Problema Palestiniano . A maioria dos americanos e judeus, sob os regimes de Trump e Netanyahu, parece ter o mesmo ódio aos palestinianos e desconhecer, ou ser indiferente ao seu destino, tanto quanto os alemães comuns o eram sobre o destino dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial sob os regimes de Hitler, Mussolini e outros líderes europeus que os odiavam igualmente na mesma medida.

Fonte: https://www.counterpunch.org/2020/02/06/the-final-solution-for-palestine/, publicado em 2020/02/06, acedido em 2020/02/15

Tradução do inglês de TAM

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/a-solucao-final-para-a-palestina-89383

O arcebispo ortodoxo de Jerusalém, Hilarion Cappucci

A Produção de Rádio e TV síria realizou uma conferência de imprensa no teatro na Casa de Cultura e Artes de al-Assad quando terminaram as filmagens da série de TV e de um filme intitulado “Guarda de Jerusalém”, do cenarista Hassan Yousef e diretor Bassel a-Khatib.

 

 

Yousef disse que o arcebispo Cappucci, que faleceu aos 94 anos em 2018, se destacou pela sua sabedoria e previsão, observando que há 41 anos, Cappucci disse que a guerra civil no Líbano visava enfraquecer a Síria.

Monsenhor Hilarion Capucci cumpriu dois anos de uma sentença de 12 anos, em Israel, antes de o Vaticano ter conseguido ajudar a garantir a sua libertação. Pelo presidente palestiniano Mahmoud Abbas foi referido aquando da sua morte como sendo um “combatente da liberdade”.

Nascido em Aleppo, era Arcebispo de Cesareia desde 1965.Em 1974, quando viajava de Beirute para Jerusalém num carro com matricula diplomática do Vaticano foi parado pelas forças de segurança israelitas.

Dentro do carro havia quatro espingardas Kalashnikov, duas pistolas, munições e granadas destinadas a membros da Organização de Libertação da Palestina.

Capucci insistiu que foi forçado a transportar as armas, mas um tribunal israelita condenou-o por contrabando. Nessa altura Maximus V Akim, o patriarca da Igreja Melquita, foi crítico acerbo da prisão de Capucci. Perguntou:

Este bispo é culpado porque pensou ser seu dever transportar armas para a resistência? Se conhecermos bem factos históricos encontramos outros bispos que contrabandearam armas, deram suas vidas e cometeram outras ações ilegais para salvar judeus da ocupação nazista. Não vejo por que um homem que está pronto para salvar vidas árabes deva ser condenado.

Maximus Akim acrescentou que Israel entrou em Jerusalém Oriental ilegalmente e contra as resoluções das Nações Unidas. A Igreja Católica Grega Melkita é uma Igreja Católica Oriental profundamente ligada ao Vaticano e parte da Igreja Católica mundial. É agora chefiada pelo Patriarca Youssef Absi, sediada na Catedral de Nossa Senhora Adormecida, em Damasco, Síria.

O Arcebispo Capucci em 1977 tentou mediar a crise dos reféns no Irão.

Lembro-me ainda de que em 1980 ele foi visitar os reféns americanos que estavam muito irritados com seus comentários públicos sobre a crise. Mesmo assim no mesmo ano desempenhou um papel fundamental na transferência dos corpos de oito aviadores americanos mortos numa missão de resgate fracassada. Em 1990, viajou para o Iraque de Sadam Hussein para ajudar a garantir a liberdade de 68 italianos impedidos de partir após a invasão do Kuwait. Dez anos depois, Capucci liderou uma delegação de clérigos e intelectuais que foram ao Iraque numa demonstração de solidariedade contra as sanções da ONU. Em 2010, Monsenhor estava a bordo do Mavi Marmara quando este navio de propriedade turca foi intercetado por comandos israelitas. O barco participava numa pequena frota de barcos de ajuda que tentava violar o bloqueio da Faixa de Gaza. Dez ativistas turcos, um deles cidadão norte-americano, foram mortos e feitos dezenas de feridos quando os comandos forçaram a entrada no barco, descendo dos helicópteros que os transportaram.

Rasheed Assaf

O ator Rasheed Assaf disse que protagonizar esse personagem é muito importante para ele. O arcebispo Cappucci foi e continua a ser uma grande personalidade nacional e espiritual no país. Rasheed Assaf acrescentou que a série esclarece que o caminho para o povo árabe é claro e a bússola é a Palestina. Lembrou que monsenhor Capucci durante o julgamento, dirigiu-se ao tribunal, falando em árabe e disse que se Jesus estivesse vivo, ambos chorariam juntos.

O diretor Basel al-Khatib disse que o filme e a série documentam de forma autêntica a biografia de um homem que fez grandes sacrifícios pelo seu país natal, a Síria e pela Palestina.

Membros da Igreja Síria ortodoxa expressaram prazer pela realização da série, ressaltando que este trabalho leva a mensagem da Síria à pátria árabe e ao mundo como um todo. A série “Guarda de Jerusalém” lida com a biografia do arcebispo Hilarion Cappucci, que em resumo, empregou a sua alta posição religiosa a serviço da questão da Palestina e apenas de causas árabes. O elenco inclui vários atores sírios de destaque, incluindo Salim Sabri, Sabah Jaza’eri e Amal Arafeh.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-arcebispo-ortodoxo-de-jerusalem-hilarion-cappucci/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-arcebispo-ortodoxo-de-jerusalem-hilarion-cappucci

Israelitas intensificam o roubo de terras nos territórios ocupados

Os palestinianos denunciam que, com as eleições em Israel, as forças de ocupação aceleraram o ritmo no confisco de terras na Margem Ocidental. Na província de Nablus, têm-se sucedido os protestos.

Palestinianos protestam contra a acção dos bulldozers em Qusra, na província de NablusCréditos / Al Jazeera

Os bulldozers israelitas têm andado a trabalhar num campo próximo do colonato ilegal de Migdalim, a pouca distância da aldeia palestiniana de Qusra, na província de Nablus. Os habitantes acreditam que a ocupação se prepara para «roubar mais terra» e «têm desafiado as forças israelitas, que guardam as máquinas», revela a PressTV.

«Eu vim aqui porque esta é a minha terra e eu quero morrer na minha terra, mas eles não me deixam aproximar dela», disse Joudat Odeh, um habitante de Qusra, de 70 anos, que protestou frente aos soldados israelitas por causa da acção dos bulldozers, que arrasam a terra, preparando-a para futuros colonatos e mais casas israelitas nos territórios ocupados.

 

«Eles estão contentes pela vitória de Netanyahu», disse ainda Odeh, citado pela PressTV, acrescentando: «Vêm controlar esta terra e nós estamos impotentes.»

Na mesma província, os residentes na aldeia de Beita têm levado a cabo protestos nos últimos dias, subindo até ao cimo da colina de al-Arma, onde montam uma tenda e erguem uma bandeira da Palestina, para defender o território dos colonos israelitas que vivem no colonato ilegal de Itamar, entrando por vezes em confronto com os militares israelitas.

Tensão crescente na Cisjordânia ocupada

Na terceiras eleições legislativas em menos de um ano, o partido Likud, de Benjamin Netanyahu, clamou vitória, embora o bloco de direita e extrema-direita não tenha conseguido a maioria absoluta (à justa).

As agressões israelitas e os protestos na Margem Ocidental, que têm vindo a subir de tom nos últimos dias, dão sequência a uma campanha eleitoral em que o ainda primeiro-ministro israelita prometeu anexar os colonatos na Cisjordânia e o Vale do Jordão, caso vencesse as eleições e formasse governo.

No mês passado, Netanyahu anunciou também a aprovação da construção de 5200 casas nos colonatos ilegais de Har Homa e Givat Hamatos, a sul de Jerusalém. A agressividade expansionista de Israel intensificou-se nos últimos anos sob o impulso de Netanyahu e com o apoio do seu grande aliado, o presidente norte-americano, Donald Trump, que reconheceu Jerusalém como capital de Israel, para ali mudou a embaixada dos EUA, deixou de classificar como «ilegais» os colonatos israelitas e traçou o chamado «Acordo do Século» – em estreita cooperação com Israel.

«A vitória de Netanyahu é uma vitória para a anexação»

Ao falar, esta quarta-feira, na 153.ª sessão do Conselho da Liga Árabe, no Cairo, o ministro palestiniano dos Negócios Estrangeiros, Riyad al-Maliki, sublinhou que os EUA e Israel têm de «enterrar este plano» e regressar ao direito internacional.

A vitória de Netanyahu nas eleições é «uma vitória para as políticas de anexação, confisco de terras e colonatos», disse, acrescentando que isso significa «mais violência, repressão, racismo e fascismo».

Maliki referiu ainda que a vitória de Netanyahu irá limitar a possibilidade de um Estado palestiniano independente, geograficamente viável e soberano com as fronteiras de 1967 e tendo Jerusalém Oriental como capital.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/israelitas-intensificam-o-roubo-de-terras-nos-territorios-ocupados

Ex-presidente dinamarquês compara 'Acordo do Século' de Trump a apartheid para palestinos

Manifestantes palestinos discutem com forças israelenses durante protesto na Cisjordânia, em 28 de fevereiro de 2020
© REUTERS / Mussa Qawasma

O ex-presidente dinamarquês, Mogens Lykketoft, afirmou que o plano de Trump para resolver o conflito israelo-palestino trará tudo menos paz à região.

Uma carta aberta, alertando sobre os perigos do "Acordo do Século", foi escrita por um grupo de ex-funcionários europeus, incluindo Lykketoft. Na mensagem, o grupo também pediu à União Europeia para rejeitar qualquer tentativa dos EUA de implementar o acordo.

Com o suposto propósito de trazer "paz" e criar um Estado palestino "independente", o plano foi revelado em fevereiro pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mas foi imediatamente condenado pelos palestinos e por muitos países em todo o mundo.

Na opinião do ex-líder da Dinamarca, esse acordo não cumprirá o que diz, principalmente em relação a "paz e solução de dois Estados". Ele ainda explica que os signatários da carta aberta acreditam que o plano de Trump só legitimará o status quo existente, ao mesmo tempo que torna as condições para os palestinos ainda piores.

Contradiz resoluções da ONU

"Ele [o acordo] vai perpetuar a ocupação e os direitos desiguais. Transformará o resto do território palestino em algo como os bantustões [pseudo-Estados criados pelo regime do apartheid] na África do Sul durante o período do apartheid. Não é uma receita para a paz, é uma receita para as condições desiguais e a falta de paz na região", argumentou o político dinamarquês ao canal russo RT.Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

© AP Photo / Manuel Balce Ceneta
Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

Lykketoft acredita que o processo de paz para Israel e Palestina deve se basear nas diretrizes negociadas pela ONU, e que o plano de Trump é "uma ruptura total dessas condições", pois contradiz um grande número das resoluções das Nações Unidas.

"O plano é realmente a confirmação da presença de condições totalmente instáveis e injustas no terreno. E isso certamente não contribui para algo como a paz no Oriente Médio", concluiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020030215282308-ex-presidente-dinamarques-compara-acordo-do-seculo-de-trump-a-apartheid-para-palestinos/

Rússia rejeita 'Acordo do Século' e pede multilateralismo para impasse palestino-israelense

Jerusalém Oriental, território disputado por Israel e Palestina
© REUTERS / Ammar Awad

A Rússia apoia a proposta da Liga Árabe sobre o início de negociações multilaterais sobre a resolução do conflito palestino-israelense, informou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

"Expressamos apoio às decisões tomadas no início de fevereiro no Cairo, na sessão da Liga dos Estados Árabes, onde a proposta de avançar para o processo de negociação multilateral sob a égide internacional foi registrada, estamos prontos para este trabalho", disse Lavrov disse após se reunir em Moscou com o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman al Safadi.

O ministro russo enfatizou que a Rússia e a Jordânia têm uma abordagem comum à questão do conflito palestino-israelense, afirmando que os dois países estão comprometidos com a estrutura do direito internacional para resolver esse conflito, incluindo as resoluções da ONU e a Iniciativa de Paz árabe

"Durante nossas negociações, destacamos que as tentativas de superar o conflito com base na política de fatos completos, por meio de medidas unilaterais, a favor de uma das partes no conflito, são contraproducentes, o que é confirmado pela reação da maioria dos países ao chamado 'Acordo do Aéculo' proposto por nossos colegas americanos", disse Lavrov.

Em 28 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou o chamado "Acordo do Aéculo" para a solução do conflito palestino-israelense ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Antes mesmo de ser apresentada, a proposta foi rejeitada pelos palestinos e pela grande maioria da comunidade árabe.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020021915235870-russia-rejeita-acordo-do-seculo-e-pede-multilateralismo-para-impasse-palestino-israelense/

Netanyahu forma grupo com EUA para determinar limites do 'Acordo do Século'

Primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anuncia que procurará obter imunidade de acusações de corrupção, em Jerusalém, no dia 1 de janeiro de 2020
© AP Photo / Ohad Zwigenberg

Israel formou um grupo para mapear as fronteiras relativas ao "Acordo do Século" dos EUA, que já está em pleno andamento, disse o premiê israelense Benjamin Netanyahu.

"Meu amigo presidente [dos EUA, Donald] Trump deixou claro que ele reconhece a soberania de Israel no Vale do Jordão, no norte do mar Morto, todos os assentamentos na Judeia e Samaria [termo israelense para a Cisjordânia] e na área ao redor. Nós estabelecemos um grupo israelense que vai trabalhar com os EUA para definir as fronteiras, o que já começou - e está em pleno andamento", citou o escritório de Netanyahu sua declaração na reunião semanal do governo israelense.

De acordo com o primeiro-ministro de Israel, a definição das fronteiras é feita em cooperação com os serviços de segurança israelenses e com a liderança dos assentamentos judeus na Cisjordânia.

Netanyahu também nomeou os funcionários que se juntaram ao grupo do lado israelense: o presidente do Conselho de Segurança Nacional de Israel, Meir Ben Shabbat, o ministro do Turismo Yariv Levin e o diretor-geral do Gabinete do primeiro-ministro, Ronen Peretz. O grupo trabalhará em cooperação com o embaixador de Israel nos EUA, Ron Dermer.

"Vamos fazer este trabalho o mais rápido possível", declarou o premiê israelense.

Fim ou aumento das tensões?

Em 28 de janeiro, o presidente norte-americano Trump anunciou o resultado do "Acordo do Século", um projeto de acordo entre Israel e a Palestina que colocaria fim ao conflito na região.

O plano prevê o estabelecimento do Estado da Palestina e sua desmilitarização, com Israel mantendo o controle sobre o leste do rio Jordão e Jerusalém permanecendo sua capital indivisível.

Manifestante durante protesto contra o Acordo do Século dos EUA para a solução do conflito israelense-palestino, próximo da embaixada americana na capital libanesa, Beirute
© Sputnik / Mikhail Voskresensky
Manifestante durante protesto contra o Acordo do Século dos EUA para a solução do conflito israelense-palestino, próximo da embaixada americana na capital libanesa, Beirute

O presidente palestino Mahmoud Abbas rejeitou o novo plano, dizendo que os palestinos insistem no reconhecimento de seu Estado nas fronteiras de 1967, com Jerusalém como sua capital.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020021615224918-netanyahu-forma-grupo-com-eua-para-determinar-limites-do-acordo-do-seculo/

Crise e Oportunidade: O desafio do “Acordo do Século” para os palestinos

Após inúmeros adiamentos, o presidente norte-americano Donald Trump por fim revelou detalhes de seu plano para o Oriente Médio, apelidado de “Acordo do Século”, em uma conferência coletiva de imprensa em Washington no dia 28 de janeiro.

Permanecendo triunfante ao lado de Trump, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, certamente deve ter entendido que a sincronia do anúncio do ‘Acordo do Século’, em algumas semanas antes da terceira eleição geral dentro de um ano em Israel, foi tecida especialmente para se encaixar no programa doméstico do líder israelense em apuros.

Consistindo em 80 páginas, das quais 50 são totalmente dedicadas a planos econômicos, o documento é uma reelaboração das últimas propostas israelenses que foram rejeitadas pelos governos árabes e palestino por falharem no objetivo de cumprir padrões mínimos de justiça, igualdade e direitos humanos.

O ex-negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou em uma entrevista  que o plano nem sequer é norte-americano, mas sim israelense. “O que vocês ouviram de Donald Trump na última noite(28) é o que eu ouvi de Netanyahu e seu time de negociações em 2011-2012” – diz Erak. “Eu posso assegurar a vocês que a equipe norte-americana de negociações não escreveu nem uma palavra e nem pingou um ponto nesse programa. Eu tenho os arquivos e estou disposto a revelar o que nos foi oferecido. Este plano é de Netanyahu e dos conselhos de colonos.”

Não foi surpresa, portanto, ler a reação do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que atribuiu ao plano de Trump a “lata de lixo da história.”

Como esperado, Trump assegurou a Netanyahu tudo que ele e Israel sempre quiseram. A visão norte-americana de “paz” não exige o desmantelamento de nenhum assentamento ilegal sionista e reconhece Jerusalém como a capital indisputada de Israel. Fala de um Estado palestino condicionado e desfigurado que só pode ser alcançado com base em expectativas vagas; rejeita totalmente o direito de retorno dos refugiados palestinos e falha em não mencionar a palavra “ocupação” nenhuma vez.

Obviamente, apenas Israel se beneficia do plano dos EUA; o discurso sionista baseado em ganhos territoriais máximos com presença palestina mínima finalmente prevaleceu. Todo pedido israelense foi atendido. Enquanto isso, os palestinos não receberam nada além da promessa de perseguir outra miragem de um Estado palestino que não tem continuidade territorial nem verdadeira soberania.

As preocupações palestinas continuam a ser ignoradas, tal como os direitos palestinos são ignorados há muito tempo, ignorados até mesmo no auge dos “processo de paz” no início e meados dos anos 90. Na época, todas as questões fundamentais haviam sido relegadas às “negociações finais de status”, que nunca aconteceram.

O “Acordo do Século” apenas validou o status quo, conforme previsto e realizado unilateralmente por Israel.

Dito isso, o plano de Trump falhará em resolver o conflito. Ou, pior: aumentará ainda mais o conflito, já que agora Israel tem um cheque em branco para acelerar seu empreendimento colonial e consolidar sua ocupação militar e oprimir ainda mais os palestinos, que certamente continuarão resistindo.

Quanto ao componente econômico do plano, a história provou que não pode haver prosperidade econômica sob ocupação militar. Netanyahu, e outros antes dele, tentaram uma série de métodos duvidosos de paz econômica e todos falharam miseravelmente.

Repetidamente, a ONU deixou claro que segue uma trajetória política diferente da seguida por Washington, e que todas as decisões dos EUA sobre o status de Jerusalém, dos assentamentos ilegais israelenses e as colinas de Golan são nulas e sem efeitos. Somente a lei internacional importa, pois nenhuma das ações de Trump nos últimos anos conseguiu alterar significamente o consenso árabe e internacional sobre os direitos dos palestinos.

Quanto ao status de – e os direitos dos palestinos em sua cidade ocupada – Jerusalém Oriental, a mudança de nome de alguns bairros – Kafr Aqab, a parte oriental de Shuafat e Abu Dis – como al-Quds, ou Jerusalém Oriental, é um antigo plano israelense que já falhou no passado. O falecido líder palestino, Yasser Arafat, tinha sagacidade política suficiente para rejeitá-lo, e nem Abbas nem qualquer outro funcionário palestino ousariam conceder sobre os direitos palestinos históricos e legais da cidade.

A liderança palestina não pode ser absolvida de sua responsabilidade perante o povo palestino e de seu fracasso em desenvolver uma estratégia nacional compreensível e abrangente.

Imediatamente após Trump anunciar seu plano, Abbas convocou todas as facções palestinas, incluindo seus rivais no movimento Hamas, para se unirem e desenvolverem uma estratégia em comum para combater o “Acordo do Século”.

Sabendo que a conspiração EUA-Israel era iminente, por que Abbas esperou tanto tempo para fazer um chamado a uma estratégia comum?

A unidade nacional entre palestinos não deveria nunca ser usada como barganha, como uma tática de medo ou como uma última opção destinada a validar a ineficiência de Abbas frente ao povo palestino.

A Autoridade Nacional Palestina agora enfrenta uma crise existencial. Sua própria formação, em 1994, pretendia marginalizar a mais democrática e abrangente Organização Para Libertação da Palestina (OLP).

Para os novos ditames norte-americanos, a Autoridade Nacional Palestina já ultrapassou seu tempo de utilidade.

Já para Israel, a Autoridade Palestina é necessária apenas para manter a “coordenação de segurança” com o exército israelense, o que significa, essencialmente, garantir a segurança dos colonos judeus armados na Palestina ocupada.

Embora  a unidade entre os partidos palestinos seja uma demanda primordial, a Autoridade Palestina dirigida por Abbas não pode esperar conseguir manter esse ridículo ato de equilíbrio: esperando uma unidade nacional verdadeira e duradoura enquanto ainda trabalha diligentemente no papel esperado dele por Israel e seus aliados.

Embora o falso “plano” de Trump não altere fundamentalmente a política externa dos EUA em Israel e na Palestina – tal como o viés das relações EUA-Israel precedem Trump em décadas-, definitivamente encerrou-se a farsa do “Processo de Paz” que dividiu os palestinos em campos “moderados” e “extremistas”. Agora todos os palestinos são extremistas no ponto de vista de Washington, todos igualmente evitados e marginalizados.

Abbas está terrivelmente enganado se ele pensa que o velho discurso político pode ser salvo – discurso que foi, curiosamente, escrito em Washington.

O problema com  a liderança palestina é que, apesar de seus frequentes protestos e condenações indignadas, eles ainda precisam começar a tomar iniciativas independentes e operar fora do paradigma norte-americano – israelense.

E este é o maior desafio da liderança palestina neste momento. Será que ela avançará com uma estratégia centrada na Palestina ou persistir na mesma estratégia, regurgitando a linguagem antiga e relembrando os bons velhos tempos?

The post Crise e Oportunidade: O desafio do “Acordo do Século” para os palestinos appeared first on Revista Opera.

Ver original em 'Revista Opera' (aqui)

Aniquilar a Palestina, ridicularizar a ONU

 
José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
Não são apenas a colonização e a segregação racial que o «acordo do século» agora «legaliza». O documento «legaliza» também a limpeza étnica em que assenta o Estado sionista desde a fundação, em 1948
 
«Visão de Paz» estampada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu em 28 de Janeiro como «solução» para o problema israelo-palestiniano não trouxe surpresas. Há meses que os seus conteúdos vinham sendo conhecidos às fatias, sob a designação pomposa de «acordo do século», pelo que nenhum dos aspectos focados ao longo das 80 páginas do documento contraria o que era esperado. Mais grave do que o texto é o facto de estar a ser aplicado há muito tempo, perante a inércia da chamada «comunidade internacional», e representar um patamar elevadíssimo – quase irreversível na actual relação de forças mundial – da estratégia de factos consumados seguida metodicamente por Israel e os Estados Unidos.
 
Para o povo palestiniano, o mais desprotegido na cena internacional, a divulgação desta obra do sionismo catapultada institucionalmente pelas mentes fascistas radicadas em Washington é a continuação da visão dos infernos em que foi transformada a sua existência. O cenário em que decorre a guerra de aniquilação, porém, alterou-se qualitativamente devido às novas condições que a envolvem e não por causa do teor da pagela. A «visão» de Trump e Netanyahu implica a revogação dos Acordos de Oslo de 1993, dos quais os Estados Unidos se retiraram logo em 30 de Janeiro; e significa que a maior potência militar mundial, que tem com Israel uma «indestrutível» aliança, deixou de reconhecer o articulado de normas internacionais que regem a regularização do problema israelo-palestiniano.
 
Há ainda um terceiro aspecto das novas condições criadas, provavelmente o mais perverso de todos. O «acordo do século» é inegavelmente uma imposição que tem por detrás um poder militar desmedido; e os seus autores consideram – unilateralmente, é certo, mas manda quem tem força – a parte palestiniana como comprometida – ainda que submetida. Isto é, os palestinianos terão assim uma oportunidade «única» para se renderem à «paz» que lhes é imposta. Se não aceitarem, o problema será deles, sofrerão as consequências.
 
Nova doutrina
 
Com a manobra da «Visão de Paz» os Estados Unidos e Israel colocaram na arena diplomática mundial uma «solução» da questão israelo-palestiniana que vem sobrepor-se, com repercussões no terreno, às normas internacionais que regem o problema e que são instrumentos da ONU, quase todas por aplicar e sem que se note poder real – e vontade – para as passar à prática.
 
Israel, com a cumplicidade de todas as sucessivas administrações de Washington, aproveitou a inércia envolvente para cumprir uma sucessão de factos consumados que, passo-a-passo, foram invalidando no terreno as possibilidades de concretizar o direito internacional.
 
O «acordo do século» veio agora dar esses factos como adquiridos enquadrando-os numa «solução» que os autores – num desplante que ridiculariza toda a «comunidade internacional» – consideram compatível com a ideia de «dois Estados».
 
O eixo central da estratégia de factos consumados foi o da colonização. Apesar de saberem perfeitamente que as alterações demográficas em territórios ocupados significam violações das convenções internacionais, as autoridades israelitas e os seus aliados norte-americanos autorizam e promovem a criação de colonatos na Cisjordânia e nos Montes Golã sírios desde 1967, prática que se traduz numa anexação gradual mas sistemática. A colonização foi acompanhada por uma limpeza étnica manu militari através da expulsão de populações, criação de estruturas físicas de apartheid, como o muro de separação e redes viárias reservadas a colonos, expropriação de terras, isolamento de comunidades, inclusivamente em relação às fontes de subsistência.
 
Hoje, 460 mil colonos ocupam a Cisjordânia, cerca de 22% do número de palestinianos que ali vivem submetidos a condições humilhantes, degradantes, sujeitos à violência, à arbitrariedade.
 
O «acordo do século» vem dar esta situação como adquirida, logo irreversível. Os colonatos são «legais», segundo afirma Trump; os mapas publicados integram os Montes Golã no território de Israel; Jerusalém é a «capital una e indivisível» do Estado israelita, apesar de o direito internacional considerar o sector Leste da cidade como capital de um futuro Estado palestiniano.
 
O «Estado» palestiniano, porém, vem contemplado na «Visão de Paz» de Trump e Netanyahu: as comunidades que restam na Cisjordânia, cercadas e aterrorizadas por colonatos, ligadas por um túnel rigorosamente vigiado à Faixa de Gaza, por sua vez cercada e asfixiada pelas tropas israelitas. Um «Estado» sem fronteiras, pulverizado, inviável, desmilitarizado – caso contrário poderia «ameaçar a segurança de Israel» – sem soberania, sem independência, com a capital numa aldeia dos subúrbios de Jerusalém, obrigado a reconhecer Israel como «Estado judeu». Os «bantustões» do apartheid do século XXI.
 
Apesar de o documento admitir «congelar» a colonização durante quatro anos, mas não definindo qualquer programa para depois dessa fase, se ela existir, Israel persiste na intenção de anexar o Vale do Jordão e as áreas C dos Acordos de Oslo, nas quais existe a ocupação militar permanente. Tais circunstâncias restringem ainda mais os territórios palestinianos em termos de área mas também, e sobretudo, no acesso a recursos naturais, designadamente a água e terrenos férteis.
 
Não são apenas a colonização e a segregação racial que o «acordo do século» agora «legaliza». O documento resolve de uma penada a situação dos milhões de palestinianos refugiados e cujo direito ao retorno lhes é assegurado pelo direito internacional; isto é, «legaliza» também a limpeza étnica em que assenta o Estado sionista desde a fundação, em 1948. Para Trump e Netanyahu deixam de existir refugiados e as instituições que os representam, incluindo a agência das Nações Unidas (UNRWA), uma vez que passa a haver um «Estado» palestiniano.
 
Um mundo inerte
 
A maior parte dos agentes que têm voz na «comunidade internacional» reagiram da maneira mais óbvia – e mais cómoda – a esta ofensiva séria contra o direito internacional protagonizada por figuras influentes nas Nações Unidas, no «mundo ocidental» e na NATO: reafirmaram a validade das normas estabelecidas no quadro da ONU, especialmente a da solução de dois Estados viáveis.
 
É a mesma atitude que foi assumida habitualmente apenas de maneira verbal, década após década, enquanto Israel foi consumando factos que agora, com apoio do mais poderoso exército mundial, transforma numa nova «solução», renegando as «antigas».
 
Estados Unidos e Israel desafiaram a «comunidade internacional» conhecendo antecipadamente as reacções que se seguiriam. Pelo que poderão agora aplicar o «acordo do século» sabendo que à sua volta continuarão a ouvir as mesmas recitações sobre as normas instituídas.
 
A União Europeia não conseguiu, sequer, uma plataforma de entendimento sobre uma posição comum. O chefe da política externa, Josep Borrell, fez uma reafirmação dos principais pontos do direito internacional mas nada avançou quanto a atitudes a tomar no caso de a «Visão de Paz» ser aplicada e invocada. Os chefes da União Europeia têm obrigação de saber que ninguém, muito menos quem tem a força do seu lado, se envolve numa manobra com esta envergadura para a deixar ficar no papel.
 
França considera que o documento de Trump e Netanyahu «não resolverá» o problema israelo-palestiniano, mas os poderes parisienses abstiveram-se de condenar abertamente a iniciativa.
 
As Nações Unidas reafirmaram as normas estabelecidas no direito internacional, mas fizeram-no através de um porta-voz do secretário-geral. António Guterres evitou dar a cara numa situação desta gravidade, o que diz muito quanto à disponibilidade para combater uma provocação ostensivamente dirigida contra a instituição de que é o principal dirigente executivo.
 
A Liga Árabe condenou a iniciativa norte-americana e israelita, mas não é segredo que a posição não terá consequências práticas, tendo em conta as cumplicidades com Israel assumidas por importantes membros da organização, como o Egipto e a Arábia Saudita.
 
Os palestinianos chegam a esta fase da sua longa resistência praticamente sozinhos. Têm, é certo, a solidariedade de povos de todo o mundo; no entanto, essas posições não se repercutem depois nas instituições que deveriam representá-los e se alheiam, deste modo, dos gravíssimos atropelos contra os direitos humanos e as leis internacionais.
 
Enrodilhados na armadilha da «autonomia» que restou dos Acordos de Oslo, divididos em duas áreas de governação limitada – Ramalah e Gaza – contando com uma Organização para a Libertação da Palestina (OLP) enfraquecida por esta divisão e respectivo impacto nas principais comunidades de refugiados, os palestinianos estão agora ainda mais vulneráveis perante um cenário de opressão mais agressivo.
 
Como sempre, a luta contra mais este passo para a anexação e a aniquilação partirá de dentro – os palestinianos já mostraram que não se rendem. Precisarão, mais do que nunca, de apoios populares internacionais, os quais, para lhes chegarem, terão de ser suficientemente fortes e convergentes para passarem por cima de governos, organizações internacionais e da barreira mediática-propagandística que tenderá a funcionar à medida das necessidades dos seus maiores manipuladores, os mesmos que apareceram agora com um novo plano de guerra contando com a vitória que sempre lhes tem escapado. E que, apesar de força bruta e brutal, irá fugir-lhes mais uma vez.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/aniquilar-palestina-ridicularizar-onu.html

A Palestina contra a farsa do século

Carlos Almeida    10.Feb.20   

Uma elucidativa síntese da situação actual dos palestinianos nos territórios ocupados. Décadas de ocupação e bloqueio, e de sistemática agressão sionista degradaram de tal modo as condições do seu quotidiano que a vida deixou de ser humanamente sustentável. Um genocídio acelerado, levado a cabo pelo sionismo e pelos seus cúmplices (entre os quais se conta o governo português) que o “Plano Trump/Netanyahu” pretende consagrar. Com ele as vítimas não serão apenas palestinianas. O direito internacional e a ONU serão igualmente liquidados.

Em 2012, um relatório da ONU anunciava uma previsão macabra: em 2020, a vida humana seria insustentável no território palestino da faixa de Gaza. À época, viviam naquela estreita língua de terra com cerca de 360 km2 de área, nas margens do Mediterrâneo, cerca de um milhão e seiscentas mil pessoas.

De acordo com esse estudo, para satisfazer as condições mínimas de subsistência seria necessário duplicar o fornecimento de energia eléctrica, construir dezenas de milhares de casas e centenas de escolas e serviços de saúde. Sem uma intervenção imediata, os danos provocados no aquífero seriam irreversíveis. Admitia-se que seria necessário um «esforço hercúleo» para travar a degradação em curso. Quando aquele relatório foi publicado, o bloqueio imposto por Israel levava cinco anos e a população palestina enfrentara, no final de 2008, uma agressão do exército israelita que provocara perto de mil e quatrocentos mortos.

Em 2017, a ONU publicou novo relatório sobre o território. Três anos antes, uma nova e ainda mais mortífera ofensiva militar abatera-se sobre a população com o balanço trágico de mais de 2200 mortos. Os bombardeamentos não pouparam nem as escolas da ONU usadas como refúgio pela população. No preâmbulo daquele relatório, o então coordenador das operações de ajuda humanitária nos territórios palestinos, Robert Piper, estimava que fora já ultrapassado o limite a partir do qual a vida humana deixava de ser viável.

À época, dez anos decorridos de bloqueio, uma criança com 11 anos nunca teria vivido um único dia com mais de 11 horas de electricidade e, nos tempos mais recentes, não mais que duas horas. Poucas pessoas tinham memória do dia em que a água potável corria das torneiras de forma regular e segura. O desemprego situava-se em mais de 60 por cento. Em 2016, a população da faixa de Gaza ultrapassara a fasquia dos 2 milhões e as estimativas para 2020 situavam-se na ordem de 2 milhões e duzentas mil pessoas. O cenário de catástrofe acelerava-se.

E eis-nos chegados a 2020. No ano anterior, o número médio per capita de litros de água diários não chegou aos 80, bem abaixo do mínimo de 100 litros recomendado pela OMS. Os níveis de poluição no mar provocados pela libertação de águas residuais são mais do dobro do aceitável. Os serviços de saúde atingiram o ponto de ruptura, em especial com a repressão pelo exército israelita das manifestações da Grande Marcha do Retorno. Só para o ano de 2019 e até Novembro, contam-se 108 mortos e 518 feridos, estes, na sua maioria, com incapacidades para o resto da vida. A percentagem de medicamentos essenciais no nível zero de armazenamento situa-se nos 46 por cento. Com 13 anos de bloqueio e duas ofensivas militares de larga escala, a economia está destruída. A agricultura e a pesca são sufocadas pelo garrote imposto por Israel. Em 2019, registaram-se 642 ocorrências em que soldados israelitas impediram, a tiro, a actividade piscatória ou o acesso aos campos de cultivo. Há poucos dias, a imprensa em Israel dava conta que o exército retomou as operações aéreas de pulverização das terras agrícolas com herbicida que, entre 2014 e 2018, destruíram culturas numa extensão de 14 km2.

Hipocrisias e cumplicidades

Nenhum dos dirigentes mundiais que visitou Jerusalém no passado 23 de Janeiro para participar no Fórum Mundial sobre o Holocausto, promovido pelo Governo de Israel, se deslocou a Gaza. Apesar dos alertas da ONU, todos, incluindo o Presidente da República português, preferiram ignorar a dramática situação que se vive a menos de 80 km de Jerusalém. Todos, mesmo os que promovem o branqueamento do fascismo, das suas figuras e das suas políticas, fizeram juras de nunca mais, mas a nenhum ocorreu visitar um território que é hoje o maior campo de concentração no mundo. Ali não existem câmaras de gás, mas a lógica genocida do seu funcionamento é por demais evidente.

Todos os que percorreram o parque de Yad Vashem fizeram por esquecer que pisavam o chão de aldeias palestinas apagadas do mapa pelas milícias sionistas durante a Nakba, entre 1947 e 1948. Todos autorizaram, com a sua presença, uma indecorosa operação de propaganda que, sobre a memória das vítimas do nazi-fascismo, promoveu a imagem de Netanyahu – acusado pelo Procurador Geral do seu país dos crimes de fraude e suborno – e a sua campanha a favor da guerra contra o Irão onde, diga-se, vive uma comunidade de judeus socialmente relevante. Ao ponto de ninguém se ter incomodado por dias antes o primeiro ministro de Israel ter apelado a sanções, pasme-se, contra o Tribunal Penal Internacional porque a sua procuradora geral, a jurista da Gâmbia Fatou Bensouda, admitiu uma investigação sobre a prática de crimes de guerra nos territórios palestinos ocupados por Israel em 1967.

Na ocasião, alguns líderes dedicaram-se a verdadeiros exercícios de hipocrisia. O herdeiro da coroa britânica aproveitou para visitar Belém e, confessando-se chocado com o sofrimento dos palestinos, expressou um apelo piedoso à «paz e reconciliação». Numa jornada de memória e reflexão sobre os crimes do passado, não lhe ocorreu uma referência à responsabilidade primeira da Grã-Bretanha no sofrimento de gerações de famílias palestinas que viram as suas vidas para sempre destroçadas pela política colonial do império britânico. Mas a medalha do fingimento vai, sem dúvida, para o presidente francês que, num arrufo de autoridade imperial, impediu a segurança israelita de entrar na igreja de Santa Ana, junto à Porta dos Leões, em Jerusalém, considerada como território soberano francês desde o final do séc. XIX, numa cena semelhante à protagonizada por Chirac, em 1996.

A imprensa elogiou a atitude de Macron, mas silenciou o facto de aquele acontecimento ser tudo menos invulgar. Na verdade, soldados israelitas armados até aos dentes a entrar violentamente dentro de casa alheia é uma realidade que nenhuma família, nenhuma criança palestina desconhece e que, pelo contrário, é parte do seu quotidiano de opressão e espoliação.

Singelas, mas significativas, estas acções ajudam a explicar a impunidade de que goza Israel. Elas permitem compreender por que razão os apelos da ONU sobre a catástrofe que se vive em Gaza permanecem sem resposta. Ou por que os relatórios de organizações de direitos humanos, denunciando a prática sistemática da tortura nas prisões de Israel, não merecem uma linha da imprensa internacional. Ou ainda por que razão a generalidade dos países da Europa, a começar por Portugal, não só não assume a defesa dos direitos do povo palestino como, pelo contrário, mantém e aprofunda relações políticas, económicas e até militares com Israel. Veja-se, a este propósito, o acordo, assinado em 2019 pelo governo português, para o equipamento dos aviões da Força Aérea com sistemas de guerra electrónica produzidos por Israel e testados na repressão contra a população palestina.

A farsa do século

Uns dias depois daquela encenação, agora em Washington, Trump divulgou o tão prometido «acordo do século», na presença de Netanyahu e dos embaixadores dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrain e de Omã. Sem surpresas, o plano confirma tudo o que se anunciava: a extensão da soberania de Israel aos colonatos na Margem Ocidental e suas áreas de expansão, incluindo toda a cidade de Jerusalém, bem como a anexação do vale do rio Jordão, o que, por junto, equivalerá a perto de metade da Margem Ocidental (que por sua vez constitui cerca de 20 por cento da Palestina administrada pelo Mandato britânico). O plano prevê a transferência da população palestina do chamado triângulo – um conjunto de povoações palestinas ocupadas em 1948 e depois anexadas por Israel nas negociações do armistício no ano seguinte – num total de cerca de 260 mil pessoas, de forma a garantir o princípio da anexação do máximo de terra com o mínimo de população. Consagra-se, por fim, a anexação dos montes Golã, território ocupado à Síria na guerra de 1967.

Para os palestinos, se aceitarem a humilhação, oferece-se a possibilidade de, a prazo, constituírem uma espécie de estado nos territórios sobrantes, incluindo Gaza: uma entidade descontínua, economicamente inviável, desmilitarizada, sem política externa, sem soberania sobre o espaço aéreo e marítimo, sem outras fronteiras senão Israel. O dito plano consagra, ainda, a abdicação dos direitos dos refugiados palestinos que a lei internacional reconhece desde a resolução da ONU n.º 194, de 1948. O plano vem acompanhado de uma campanha que os palestinos bem conhecem: trata-se da «melhor oferta de sempre» que estão obrigados a aceitar sob pena de sofrerem as consequências, dessa forma legitimadas, do seu impenitente radicalismo. Mas não é só nos seus termos propositivos que o plano de Trump é inaceitável. Todo o discurso que o sustenta, herdado da velha linguagem orientalista, etnocêntrica, típica dos discursos imperiais que pretendiam impor a civilização sobre os povos que colonizavam, apresentados como bárbaros, violentos e incapazes de se governarem, reproduz a narrativa legitimadora do sionismo, sem vislumbre de preocupação e respeito pela história. Como é fácil de ver, nenhum dirigente palestino pode aceitar tais condições.

A encenação de Trump não se destina a ser levada a sério como proposta de resolução do problema, mas nem por isso o seu alcance e gravidade devem ser menosprezados como parecem sugerir alguns comentários. No imediato, ela pretende legitimar o avanço da anexação e judaização de toda a Palestina, seja pela expulsão da população palestina seja pelo seu confinamento em enclaves segregados, como já é hoje Gaza e toda a Margem Ocidental, uma terceira Nakba como escreveu o jornalista Gideon Levy. Mas o plano de Trump transporta uma outra mensagem subliminar: ao pretender mudar as regras do jogo, estabelecendo o que chama «um novo capítulo na história do Médio Oriente», ele pretende inutilizar politicamente os fundamentos de direito e legalidade internacional que sustentam de forma sólida os direitos do povo palestino. Ao fazê-lo, na verdade, Trump e os círculos mais reaccionários do imperialismo norte-americano procuram instituir uma nova forma de regulação das relações internacionais que, fundada no que se designa como «realidades no terreno», legitima o primado do mais forte.

Dir-se-á que o sistema de relações internacionais era já uma expressão da conjugação de interesses que em cada momento se revelava mais poderosa. É verdade, mas ainda assim, mesmo que apenas como exercício retórico, não se dispensava a legitimação da acção política e diplomática nas fontes do direito internacional e designadamente na Carta das Nações Unidas e nas resoluções da ONU. O plano de Trump dispensa tudo isso, e pretende consagrar o exercício do poder do mais forte, por todas as formas, incluindo a guerra, enquanto fonte de direito e instrumento lícito nas relações internacionais. Por isso, nenhuma ambiguidade é aceitável na abordagem ao plano de Trump. Ele encerra a sentença de morte para a ONU e a abertura de um precedente com implicações imprevisíveis. Ver-se-á até onde irá o silêncio e a cumplicidade dos que, no mundo árabe ou na Europa, têm mantido um discurso oficial favorável à solução dos dois estados conforme as resoluções da ONU e ao mesmo tempo cooperam com Israel e comprometem a solução que dizem defender.

Um século decorrido de luta, com o sacrifício de gerações de homens e mulheres, o povo palestino enfrenta uma ofensiva poderosa contra os seus direitos num quadro internacional marcado por um grave desequilíbrio de forças. A unidade entre as forças da resistência nacional, assim como a força e determinação do movimento internacional de solidariedade com a sua luta, serão decisivos para travar esta batalha. Se na noite mais lúgubre dos campos de extermínio do nazi-fascismo foi possível resistir e manter viva a esperança na libertação, assim também o povo palestino saberá encontrar os caminhos para um futuro de paz, independência e soberania.

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

A Declaração Balfour

Pablo Jofre Leal *

A Declaração Balfour  é um documento que revela a cumplicidade entre a política imperial britânica e os corpos dirigentes do sionismo, que, pelo seu poderio financeiro e a sua privilegiada posição nos círculos de poder, na França, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, iniciaram um intenso lóbi destinado a obter a aprovação do Império Britânico – nesse momento, uma das principais potências económicas e militares do mundo – para intensificar o processo de colonização de terras palestinas. 

 

 

belforu.png_916636689.png

No dia 2 de novembro de 2017 comemorar-se-ão 100 anos desde o fatídico acordo entre o sionismo e o império britânico para dar rédea solta aos objetivos de colonização da Palestina. Um ano depois, a situação palestina agudizou o crime, a ocupação, o colonialismo e o apartheid contra o povo palestino.

Uma colonização que seria levada a cabo por colonos judeus europeus, incentivados pela liderança sionista e sob o mito religioso do retorno a uma terra prometida por uma divindade, que também exibia títulos de domínio e de exclusividade e preferência dos povos eleitos.

Balfour: Peça do projeto de domínio do Médio Oriente

Esse acordo que menciono chama-se “Declaração Balfour” e refere-se, especificamente, a uma carta enviada pelo Secretário das Relações Exteriores británico,  Arthur James Balfour,  ao Barão Lionel Walter Rothschild, líder da comunidade judaica da Grã-Bretanha e Irlanda, no 2 de novembro de 1917, para que o seu conteúdo fosse conhecido e discutido no seio da Federação Sionista. 

Uma Declaração que surge como parte de um projeto do domínio do Médio Oriente, que começa com o Acordo Sykes-Picot, entre a Grã-Bretanha e a França, que quebra as promessas feitas ao mundo árabe de permitir a formação de Estados Independentes, já que o objetivo era precisamente o de contar com o apoio desses povos para combater o Império otomano, a fim de se apoderar, de seguida, dos territórios sob o seu domínio. Assim, a continuação lógica de Sykes-Picot foi a Declaração Balfour, que também teria Mark Sykes como arquiteto dessa conduta, lesiva para milhões de seres humanos que viviam no Médio Oriente.

Uma Declaração com consequências até aos dias de hoje, dando um apoio político por parte da Grã - Bretanha e de outros governos ocidentais a um sionismo emergente, o que levou à criação do mandato britânico na Palestina após o derrubamento do Império Otomano, o que facilitaria a chegada de colonos judeus à Palestina e, assim, assentar as bases para a construção artificial da entidade sionista, em 1948, sustentáculo do atual conflito que abala esta zona do mundo. 

O Sykes que refiro é o mesmo que organizou uma reunião em Londres, em fevereiro de 1917, a que assistiram, entre otros, os multimilionários e influentes membros da Federação Sionista com sede na Grã-Bretanha, Walter Rothschild, Herbert Samuel – que apelou a um protetorado inglês sobre a Palestina – e Chaim Weizmann – de origem bielorrussa e que seria o primeiro presidente da entidade sionista, em 1948. O início, portanto, de uma migração de judeus, especialmente europeus, para uma região onde viviam muito poucos judeus, essencialmente religiosos, mas não sionistas como aqueles que chegavam de além do Mediterrâneo.

Declaração Balfour  é um documento que revela a cumplicidade entre a política imperial britânica e os corpos dirigentes do sionismo, que, pelo seu poderio financeiro e a sua privilegiada posição nos círculos de poder, na França, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, iniciaram um intenso lóbi destinado a obter a aprovação do Império Britânico – nesse momento, uma das principais potências económicas e militares do mundo – para intensificar o processo de colonização de terras palestinas. Um fomento da transferência de judeus, principalmente asquenazes, que se mudam para uma terra da qual não tinham qualquer referência nem raízes, mas da qual começam a interessar-se pelas promessas de possuir terras e bens fornecidos pelos multimilionários sionistas europeus, que financiavam essa operação colonial. Juntamente com o objetivo de hegemonia regional do governo britânico, que começa a almejar a hegemonia sobre essas terras, nessa altura sob o domínio de um império otomano em claro declínio. E para isso, que melhor do que contar com a mão de obra e o trabalho sujo de colonos dispostos a tudo por um ideal construído à conta de mitos?

Declaração Balfour, apesar da tentativa sionista de a apresentar como a base jurídica do seu suposto direito a uma terra que não lhes pertence, era uma carta de forte conteúdo político e propagandístico, que, na essência, menosprezava os direitos de milhões de habitantes que, naquele tempo, viviam na Palestina. Era uma carta que prometia algo que os ingleses não possuíam, a que não tinham direito com base em qualquer lei internacional. Portanto, não podiam entregar a outros o que não era deles. Numa carta, reveladora de uma mentalidade imperialista, assinalava-se: “Estimado lorde Rothschild. Tenho o prazer de lhe dirigir, em nome do Governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelas aspirações dos judeus sionistas, que foi submetida ao Gabinete e aprovada por ele. O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e envidará os seus melhores esforços para facilitar a realização desse objetivo, deixando bem entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judias existentes na Palestina, nem os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país. Ficar-lhe-ei grato se puder dar conhecimento desta declaração à Federação Sionista. Atenciosamente, Arthur James Balfour”.

A realidade mostrou que esses desejos eram uma mera hipocrisia e um apoio decidido ao Movimento Sionista para iniciar um processo de colonização de terras na Palestina. Tanto assim é que o próprio Balfour, que falava no respeitar e não prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judias existentes na Palestina, em 19 de janeiro de 1919 sustentou, noutra carta ao governo británico:  “Na Palestina nem sequer nos propomos passar pela formalidade de consultar os desejos dos atuais habitantes do país... As quatro grandes potências estão comprometidas com o sionismo, e o sionismo, bom ou mau, certo ou errado, está ancorado em antiquíssimas tradições, em necessidades atuais e em esperanças futuras de muito maior importância do que os desejos ou preocupações dos 700000 árabes que agora habitam esta antiga terra”.

Para bom entendedor, meia palavra basta, e estas mostravam claramente a complicidade criminosa entre um Império que começava o seu ocaso, mas capaz de causar prejuízos a milhões de pessoas, que ignoravam, nesse momento, os planos que se teciam nos bastidores e encontros entre o imperialismo inglês e um sionismo, que, – através de seu apoio financeiro a um império em guerra e sedento de recursos, para ultrapassar a campanha da Primeira Guerra Mundial – comprou uma aliança que lhe serviria como credencial política para intensificar a sua “aliyá” [1] e passar de ter 85.000 judeus num território onde viviam 600.000 palestinos, em 1915, a ter 600.000 colonos em 1947, perante 1,5 milhão de palestinos. Isto através de um constante processo de colonização protegido pelo império britânico, até ao último dia do seu mandato sobre a Palestina – apesar de certas divergências com grupos extremistas judeus que queriam acelerar o processo de ocupação do território palestino.

É indiscutível, por mais que a hasbara (propaganda sionista) o apresente como um documento jurídico, que a  Grã-Bretanha não tinha autoridade política, legal ou moral para fazer promessas de entregar ou compartilhar objetivos coloniais de uma ideologia que não conhecia a Palestina a não ser nos mapas, como o demonstra o facto de as discussões para encontrar “um lar nacional judeu” terem dividido as opções entre a Patagónia sul-americana, o Uganda e o leste mediterrânico. Questão que obrigou os ideólogos do sionismo a procurar as razões, linhas centrais e eixos discursivos, que lhes permitiram sustentar com alguma solidez que a Palestina era o destino final.

A Grã-Bretanha, num absurdo histórico, numa decisão abusiva e criminosa, prometeu entregar a terceiros – judeus europeus, cujo vínculo com a região era inexistente – um território que não era sua propriedade. Isso implicou avalizar um plano de colonização, que, na sua essência, levava o sinal do racismo, pois implicava povoar com estrangeiros uma terra habitada, expulsando a população residente nativa e criando as bases do atual sistema de apartheid que governa a Palestina histórica para os palestinos que lá residem e, brutalmente, para os que residem nos territórios palestinos ocupados e bloqueados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

A   Declaração Balfour foi o sinal para o sionismo aumentar a sua ambição e apetite territorial e concretizar ali os seus planos de instalação, para aqueles que se tornaram crentes alienados de um mito que praticou o controle e a pilhagem do território palestino. Ideologia que começa também a tecer a falsificação histórica que fez pensar ao mundo que eles – civilizadores ocidentais com direitos de propriedade concedidos por uma divindade – o que faziam no seu discurso de convencimento não era colonizar, invadindo terras, segregar e usurpar, mas que, simplesmente, estavam a ocupar uma terra estéril, sem população, ainda que nela habitassem 700.000 palestinos, com terras, plantações e com famílias que tinham as suas raízes nos primórdios da história. Um mito em todos os sentidos da palavra, que, até hoje, ensinam como dogma de fé, apoiando-se em escavações arqueológicas para demonstrar o seu mito religioso, em processos de esmagamento cultural do povo palestino. Tudo isso teve o seu processo catalizador com a Declaração Balfour.

Do requerimento de Palacios Rubio ao requerimento sionista.

É precisamente por esse aval perverso –, a Declaração Balfour –, concedido pelo império britânico ao sionismo, que aparece com força a exigência de que a Grã-Bretanha peça perdão por essa ação política e pelos danos por ela causados. Uma declaração usada como eixo das reivindicações legais e políticas sionistas, que exibia esta declaração como aqueles conquistadores espanhóis que mostravam o denominado Requerimento de Palacios Rubio aos indígenas, que nada sabiam sobre esses estrangeiros que vinham de além-mar para sustentar que essas novas terras pertenciam, por direito divino, à monarquia espanhola.

Neste caso, o requerimento sionista exibia as ideias imperiais, de generosidade com o alheio, contidas numa carta usurpadora dos direitos de outros. Dos desejos e objetivos estratégicos das autoridades de um império que tinha como propósito dominar um território e usar estes europeus dotados de uma ideologia racista, que nada tinha a ver com os judeus que habitavam a Palestina num número que não excedia vinte mil pessoas, num universo de 550 mil palestinos, antes da primeira Aliyá sionista no final do século XIX, como colonizadores e linha avançada da civilização ocidental. 

A Declaração Balfour é responsável, portanto, por avalizar o estabelecimento das bases políticas, militares, económicas, demográficas e culturais do que seria o nascimento da entidade sionista, em 1948.

Perante essa responsabilidade histórica, a Grã-Bretanha não só deve pedir perdão pelos danos causados, mas também executar políticas que permitam reparar esses danos; e uma delas é, claramente, reconhecer o Estado Palestino e exigir o fim da ocupação sionista dos territórios palestinos. Está a Grã-Bretanha disposta a fazê-lo? Não!!! Nesta altura é uma pergunta retórica, uma simples quimera, pois os vínculos políticos, militares e financeiros entre o sionismo internacional e Londres são profundos. A Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a França têm nas suas sociedades grupos de poder e lobistas do sionismo que tornam difícil separar os interesses colonialistas de Israel dos interesses dessas potências. É uma associação criada para praticar a delinquência, uma associação ilícita que, no Conselho de Segurança, protege a entidade mais criminosa do planeta. Isso, no âmbito das ações do Clube Bildenberg, convertido na reunião dos poderes políticos, económicos e mediáticos mais poderosos do mundo e, sob a égide sionista, convertido em fiel escudeiro e avalista dos crimes do sionismo.

Há ocasiões em que Londres aparenta ter pareceres equilibrados, como os de certas condenações a Israel no plano internacional: Resoluções da ONU, Decisões da UNESCO ou outras; mas isto não significa que se esqueça o seu compromisso com os governos israelitas. É a sociedade britânica que deve exigir aos seus governos que cessem o apoio à política colonialista, racista e criminosa de Israel; há uma responsabilidade histórica que a Grã-Bretanha não pode negar por mais amnésia que apresente. Como também é responsável a sociedade palestina pelo apelo a combater o ocupante e, para isso, o apoio do Eixo da Resistência é fundamental para mudar a atual correlação de forças. Só a combinação de todas as formas de luta dará a autodeterminação ao povo palestino –, nada se pode esperar daqueles poderes que têm sustentado o sionismo.

A aliança britânico-sionista – e, com ela, o papel desempenhado por Washington e os seus aliados regionais – teve um impacto catastrófico na vida de milhões de pessoas, não só na Palestina , mas também em todo o Levante mediterrânico. A Grã-Bretanha deve uma reparação ao povo palestino nos mais amplos aspectos, pois não é apenas culpado quem dispara à queima-roupa sobre homens e mulheres desarmados, quem usurpa territórios, destrói aldeias, arrasa casas, constrói muros. Também é responsável aquele que, com o seu silêncio, permite estes crimes; e a Grã-Bretanha, com o seu obsequioso silêncio, é responsável pela declaração Balfour e pelos sofrimentos de um povo submetido à selvageria colonial do sionismo.

[1]Aliyá ou Aliyah (translit. do hebraico עלייה: ascensão) é o termo que designa a imigração judaica para a Terra de Israel (em hebraico, Eretz Israel) – que, até 1948, correspondia ao território do Mandato Britânico da Palestina – e, a partir de 1948, para o Estado de Israel

https://www.google.com/search?q=aliy%C3%A1&rlz=1C1CHFX_enPT592PT592&oq=aliy%C3%A1&aqs=chrome..69i57j0l7.4946j1j8&sourceid=chrome&ie=UTF-8. NT

* Pablo Jofre Leal – Jornalista e escritor chileno. Analista internacional, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Complutense de Madrid. Especialista, principalmente, em temas da América Latina, Médio Oriente e Magrebe. É colaborador de várias cadeias de notícias internacionais: Hispantv, Russia Today, Telesur, www.islamoriente.com, Adital-Brasil, Resumo Latino-americano, Portal the Dawn news www.thedawn-news.org, Rádio e Diário Eletrónico da Universidade do Chile , El Ciudadano www.elciudadno.cl. Fundador do sítio web www.politicaycultura.cl. e www.analisisglocal.cl. Atualmente, está a concluir o seu livro sobre a luta do povo saharaui e o seu processo de autodeterminação e outro sobre a luta do povo palestino.

Fonte: https://www.telesurtv.net/bloggers/la-declaracion-balfour-pablo-jofre-20181106-0003.html, publicado em 2018/11/06, acedido em 2020/01/28

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/a-declaracao-balfour-87258

Seis mortos em três dias na Palestina ocupada

O anúncio do «acordo do século» por Donald Trump indignou os palestinianos e desencadeou uma vaga de protestos em Gaza e na Cisjordânia ocupada. O exército israelita endureceu a repressão.

Polícias palestinianos carregam o corpo do seu colega Tariq Badwan, assassinado por forças israelitas, durante o funeral deste em Azoun, cidade de Qalqilya, na Cisjordânia ocupada, a 7 de Fevereiro de 2020CréditosShadi Jarar’ah / APA Images

Um adolescente palestiniano morreu na sexta-feira passada após ter sido atingido a tiro por soldados israelitas, durante um protesto em Qaffin, a norte de Tulkarm, no noroeste da Cisjordânia, anunciou a agência palestiniana Wafa.

Badr Nedal Nafla, de 19 anos, foi atingido no pescoço por fogo real disparado pelo exército ocupante, tendo sofrido corte de uma artéria principal. Transportado para um hospital local, morreu poucos minutos depois de aí ter dado entrada, segundo fontes do Ministério da Saúde da Autoridade Palestiniana.

Trata-se do sexto palestiniano morto pelas forças ocupantes nos últimos três dias, durante os protestos desencadeados na Cisjordânia ocupada contra o chamado «acordo do século» de Donald Trump, dado a conhecer recentemente e que os palestinianos acusam de pretender consumar uma anexação, por Israel, da maioria do território da Palestina, destruindo definitivamente o direito do seu povo à soberania e à independência.

Dois polícias palestinianos entre os mortos

Também na sexta-feira, segundo a mesma agência, milhares de pessoas reuniram-se para prestar uma última homenagem ao sargento Tareq Ahmad Badwan, de 25 anos, morto pelo exército israelita na cidade de Jenin, no dia anterior, quando se encontrava de serviço à esquadra da polícia local.

Badwan encontrava-se no interior da esquadra e, segundo o Times of Israel, «aparentemente não representava qualquer ameaça para os soldados israelitas» – como, aliás, foi documentado por uma câmara de filmar instalada no local.

O funeral reuniu familiares e amigos da vítima mas também camaradas seus das forças policiais da Palestina, que transportaram o corpo e lhe prestaram uma emocionada guarda de honra.

Foi o segundo polícia palestiniano morto em Jenin na quinta-feira. Yazan Abu Tabikh, 19, um jovem cadete da polícia palestiniana, fora abatido a tiro por forças de segurança israelitas durante os confrontos que se seguiram a uma incursão destas para arrasar, pela segunda vez, a casa da família de Ahmed Kunba, um combatente palestiniano acusado por Israel de ter participado na morte do rabi Raziel Shevach, atacado em Janeiro de 2018 quando regressava ao colonato de Havat Gilad, estabelecido ilegalmente em território palestiniano.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/seis-mortos-em-tres-dias-na-palestina-ocupada

Trapaça do Século

Trump e Netanyahu apresentaram um “plano” que rasga de uma assentada sete décadas de resoluções da ONU sobre a questão palestiniana e até os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos EUA. É certo que uma coisa são tais resoluções, outra a vontade internacional – e da ONU – em fazê-las cumprir. O direito do povo palestiniano a um território e um país é uma causa humana central, e exige a multiplicação das acções de solidariedade em toda a parte. E perante este criminoso e cínico “plano” será mais difícil fingir ignorar o que está em causa.

O «plano do Século» apresentado na semana passada pelo Presidente Trump e por Benjamin Netanyahu, primeiro-Ministro em gestão corrente de Israel, rasga duma assentada sete décadas de resoluções da ONU sobre a questão palestiniana e até os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos EUA.

Concebido, escrito e apresentado pelos EUA e Israel, à revelia dos representantes do povo palestiniano e das Nações Unidas, o plano Trump-Netanyahu abre caminho à anexação por Israel de quase metade da Margem Ocidental, incluindo o Vale do Jordão e a quase totalidade dos colonatos. Jerusalém tornar-se-ia «capital indivisa de Israel».

Confirma-se que a construção dos colonatos e do Muro do Apartheid eram uma estratégia de longo prazo para criar o Grande Israel em todo o território histórico da Palestina. O plano do Século prevê bantustões para os palestinianos, sem contiguidade territorial nem viabilidade enquanto Estado e sob o controlo militar de Israel. Nega o direito às águas territoriais, como o mar em frente à Faixa de Gaza, que ficariam – juntamente com as reservas de gás que aí foram descobertas – sob o controlo de Israel. Proíbe o regresso de palestinianos da diáspora, inclusive aos bantustões.

Israel é campeão da violação do direito internacional e das resoluções da ONU. O infractor está agora a ser premiado pelo seu padrinho de sempre. Mal fará quem acreditar nas parcas promessas contidas no plano Trump-Netanyahu. O Ministro da Defesa de Israel, Naftali Bennett, já declarou que nunca reconhecerá qualquer Estado Palestiniano e o Embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, usando a linguagem de todos os colonizadores sobre os povos colonizados, afirmou numa reunião à porta fechada «com dirigentes judaicos e cristãos evangelistas» dos EUA que «levará um tempo considerável até que os palestinianos construam as instituições de que precisam para ter um Estado plenamente capaz de funcionar» (Times of Israel, 30.1.20).

Vinda no rescaldo do rompimento unilateral pelos EUA de numerosos outro acordos e convénios (do Tratado INF aos acordos climáticos e comerciais), a «Trapaça do Século» confirma que os EUA são negociadores de má fé, para quem os acordos de hoje valem apenas na medida em que sirvam para melhor preparar as agressões e as dominações de amanhã. A «abertura» inicial manifestada pela UE e a generalidade dos seus governos (incluindo o português) ao plano Trump-Netanyahu é reveladora, não obstante um recuo posterior. Apesar dos desaguisados entre as duas margens do Atlântico Norte, é forte a subordinação ao padrinho norte-americano, mesmo quando em causa está o direito internacional e a própria credibilidade da ONU. As promessas de alguns em apoio à criação dum Estado palestiniano revelam-se ocas e cúmplices da traição às justas e legítimas aspirações nacionais do povo palestiniano.

A rejeição da «Trapaça do Século» foi unânime pelo lado palestiniano. Espezinhados e humilhados, não obstante as múltiplas e enormes concessões que os seus dirigentes aceitaram, a troco de promessas sempre violadas da criação dum Estado soberano, o povo palestiniano encontra-se hoje perante uma situação de enorme complexidade e dificuldade. Em que a solidariedade internacional ganha ainda mais importância.

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Palestina aceitará desmilitarização após obter independência plena, declara embaixador

Palestinian President Mahmoud Abbas
© REUTERS / Issam Rimawi

Palestina aceitará se desmilitarizar somente após se tornar um Estado plenamente independente, declarou o embaixador palestino na Rússia, Abdel Hafiz Nofal.

"Não será um problema para nós nos converter em um Estado desmilitarizado se for alcançado um acordo sério sobre a criação de dois Estados e se forem cumpridas todas as exigências do nosso povo", declarou o embaixador em coletiva de imprensa celebrada na agência Rossiya Segodnya.

Em 28 de janeiro, Donald Trump apresentou em Washington o chamado "acordo do século" para solucionar o conflito palestino-israelense.

O plano prevê a criação do Estado palestino e sua desmilitarização, a manutenção do controle israelense sobre a Cisjordânia e a proclamação de Jerusalém como capital "indivisível".

De acordo com o plano norte-americano, a capital palestina não seria em toda Jerusalém Oriental, como desejam as autoridades palestinas, mas, sim, em um setor localizado em áreas ao leste e norte da atual barreira divisória imposta por Israel.

O líder palestino, Mahmoud Abbas, expressou seu rechaço ao projeto ao afirmar que os palestinos insistem em que seu Estado tenha as fronteiras de 1967 reconhecidas, assim como a capital em Jerusalém.

Em 1º de fevereiro, a Liga Árabe recusou o "acordo do século" de Trump, qualificando-o como injusto, e instou a comunidade internacional a se opor às tentativas dos Estados Unidos de implementar o plano.

Durante a reunião da Liga Árabe, Abbas declarou que a Palestina romperia todas as relações com Estados Unidos e Israel.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020020415096733-palestina-aceitara-desmilitarizacao-apos-obter-independencia-plena-declara-embaixador/

Organização da Cooperação Islâmica rejeita o plano de paz de Trump para o Oriente Médio

Bandeiras de Israel e da Palestina
© AP Photo /

A Organização de Cooperação Islâmica (OCI), que consiste em mais de 50 países de maioria muçulmana, pediu aos Estados membros que não cooperem de forma alguma com o plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, para Israel e Palestina.

Durante uma sessão especial em Jeddah, na Arábia Saudita, nesta segunda-feira, o comitê executivo da OCI instou todos os Estados membros a "não se envolverem com o plano [de Trump] ou a cooperar com o governo dos EUA na implementação de qualquer forma".

O órgão também pediu aos membros absterem-se de qualquer ação que "não considerem os direitos inalienáveis ​​dos palestinos".

O secretário-geral da OCI, Yousef Al-Othaimeen, destacou que a organização apoiará qualquer esforço internacional de paz que esteja de acordo com o direito internacional.

Confronto entre manifestantes palestinos e soldados israelenses na Cisjordânia.
© Foto / REUTERS/Mohamad Torokman
Confronto entre manifestantes palestinos e soldados israelenses na Cisjordânia.

Apresentado como o 'Acordo do Século' pelo governo Trump, o plano descreve o estabelecimento de um Estado palestino independente, com sua capital estabelecida nos arredores de Jerusalém Oriental, atualmente controlada por Israel.

O plano, no entanto, permite que Israel mantenha os assentamentos existentes na Cisjordânia ocupada, que a ONU considera ilegal sob o direito internacional.

Além disso, o roteiro proposto também exclui o retorno de todos os refugiados palestinos, algo que a Autoridade Palestina (AP) e o mundo árabe consideram um dos principais requisitos para uma paz duradoura.

O plano de Trump foi endossado por Israel, mas universalmente rejeitado pelos palestinos e pela Liga Árabe, que veem o plano como fortemente distorcido em favor de Tel Aviv.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020020315092088-organizacao-da-cooperacao-islamica-rejeita-o-plano-de-paz-de-trump-para-o-oriente-medio/

MPPM denuncia o «embuste do século» que os EUA querem impor aos palestinos

O plano apresentado por Trump como «o acordo do século» para a criação de dois Estados – um dos quais, a Palestina, não passaria de uma farsa – corporiza mais abertamente que nunca a opção dos EUA pelo radicalismo sionista e pela extrema-direita israelita. Num Médio Oriente a ferro e fogo, Trump lança mais achas para a fogueira. E o governo português, tal como a UE, mantêm relações privilegiadas com Israel e conivência com este criminoso processo.

O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) condena firmemente o conteúdo do chamado «acordo do século» para a resolução da questão palestina, apresentado no dia 28 de Janeiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, acolitado pelo ainda primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Apresentado com soberba imperial, o mal designado plano «Paz para a Prosperidade» rasga todas as resoluções aprovadas ao longo de décadas pela ONU sobre a questão palestina, e rasga mesmo os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos Estados Unidos da América desde a década de 90. O «Plano» acompanha inteiramente as posições da extrema-direita israelita e assume a forma de um diktat que pretende impor ao povo palestino, cujos representantes não foram sequer considerados dignos de consulta, a total renúncia aos seus direitos nacionais, reconhecidos e consagrados pelo direito internacional.

A legitimação da anexação e o prosseguimento da limpeza étnica dos palestinos

O «acordo do século» proclama (de novo) Jerusalém indivisa como capital do Estado de Israel; promove a anexação por Israel de todos os colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada; reconhece a anexação do Vale do Jordão por Israel; nega aos refugiados palestinos, expulsos em sucessivas campanhas de limpeza étnica pelas forças sionistas e depois por Israel, o direito ao retorno. O mapa que acompanha o «Plano» traça uma fronteira que anexa a Israel os Montes Golã sírios, ao arrepio de toda a legitimidade internacional.

O arguido por corrupção Netanyahu não perde tempo: abençoado por Trump, quer que o governo de Israel discuta a primeira fase da anexação já no próximo domingo.

Em contrapartida, aos palestinos caberia aceitar um «Estado» de farsa, ainda assim remetido mais uma vez para as calendas gregas: uma entidade informe, fragmentada em guetos descontínuos que fazem lembrar os planos de bantustões da África do Sul do Apartheid, sem controlo das fronteiras, sem controlo do espaço aéreo e das águas territoriais, com capital num arrabalde de Jerusalém Oriental, sem o direito a ter forças militares próprias mas sujeita à eterna presença militar de Israel. Além disso, os palestinos teriam de renunciar aos subsídios financeiros às famílias dos presos e das vítimas mortais da repressão israelita; de reconhecer Israel como «Estado-nação do povo judeu», ou seja, a discriminação dos palestinos cidadãos de Israel; e de aceitar o desarmamento dos movimentos da resistência palestina.

Uma parte dos palestinos cidadãos de Israel estariam destinados a ser anexados à força ao pseudo-Estado palestino. A coberto do falacioso argumento de um Estado-nação para os judeus e de um Estado-nação para os palestinos, a pretexto de «compensação territorial» pelos colonatos implantados no coração da Cisjordânia, trata-se na realidade de mais uma medida de limpeza étnica, visando aquilo que o sionismo não conseguiu realizar em 1948: um Estado judaico «etnicamente puro», desembaraçado dos seus habitantes palestinos, muçulmanos e cristãos.

Na linha directa de medidas anteriores da administração Trump — reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e transferência para aí da embaixada dos EUA; corte do financiamento à UNRWA, a agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos; anexação dos Montes Golã sírios ocupados em 1967; negação do carácter ilegal dos colonatos israelitas nos territórios palestinos ocupados —, o plano estado-unidense parece saído da pena dos sionistas mais radicais, dos colonos mais extremistas. E não por acaso: é significativo que Trump e Netanyahu tenham ambos saudado o papel desempenhado neste processo por David Friedman, embaixador dos EUA em Israel, por Jason Greenblatt, enviado especial para o Médio Oriente, e por Jared Kushner, genro de Trump e principal autor do plano, todos sionistas assumidos com ligações estreitas ao movimento dos colonos.

Uma nova ordem internacional no Médio Oriente com o Irão na linha de mira

A relevância do que está em causa transcende o quadro estrito da questão palestina. Trata-se de uma violação brutal da legalidade internacional, para mais apresentada expressamente como parte de um plano de agressão contra o Irão. Trump afirmou, e Netanyahu reiterou e aplaudiu, que o plano surge na sequência do rompimento unilateral pelos EUA do acordo de limitação nuclear assinado com o Irão pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha, e jactou-se do assassínio em Bagdade, em gritante violação da soberania do Iraque, do general iraniano Qassem Soleimani, protagonista destacado do combate ao Daesh e outros terroristas que atentam contra a integridade e a soberania da Síria.

Trump silencia o terrorismo de Estado e a limpeza étnica praticados desde há décadas por Israel contra o povo palestino e outros povos da região, e quer retirar à questão palestina a centralidade que tem no estabelecimento de um clima de paz no Médio Oriente.

O que se visa é toda uma reorganização política e geoestratégica da região sob a égide imperial. Apresentando o Irão como principal fautor do terrorismo, o que se procura é criar em torno do eixo Israel-Arábia Saudita um alinhamento de certos países árabes contra os países e as forças que no Médio Oriente se opõem ao domínio dos Estados Unidos e se colocam ao lado do povo palestino. O documento explicita-o ao recomendar a criação de um «Conselho de Segurança Regional» composto pelos EUA, Israel, «Estado da Palestina», Jordânia, Egipto, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A comunidade internacional deve assumir as suas responsabilidades

De resto, a presença na sessão de apresentação do «acordo do século» dos embaixadores em Washington do Barém, de Omã e dos Emirados Árabes Unidos é bem o sintoma do estado avançado da realização deste plano — e da traição cada vez mais descarada e ignóbil de regimes reaccionários e ditatoriais árabes à causa palestina.

A gravidade inaudita do documento e dos perigos reais que faz pesar sobre os povos do Médio Oriente, e em primeiro lugar sobre o martirizado povo palestino, exige que a operação agora em curso seja barrada.

Para isso é necessário que países e organizações que defendem um mundo regido pelo direito internacional e não pela lei do mais forte actuem energicamente e sem demora, rejeitando de forma categórica o plano apresentado unilateralmente pelos EUA e reafirmando que a solução para o drama palestino é inconciliável com a continuação, seja sob que forma for, do controlo e colonização sionista dos territórios palestinos ocupados em 1967. A ONU, cuja legitimidade é directamente posta em causa por este plano, bem como a União Europeia, que reafirmaram já o seu continuado apego à solução de dois Estados, incluindo um Estado palestino nas fronteiras de 1967, devem, ademais, passar das pias declarações de princípios aos actos.

O MPPM considera intolerável que a União Europeia mantenha com Israel um Acordo de Associação, quando este refere como condição, logo no preâmbulo, o respeito pelos direitos humanos e pela democracia. O que a situação reclama são antes sanções contra Israel, violador contumaz e impenitente do direito internacional e dos direitos humanos dos palestinos.

Portugal não pode continuar a ser complacente com Israel

O MPPM considera inaceitável que o governo português continue a manter relativamente aos crimes e violações do direito internacional por parte de Israel uma atitude de chocante complacência. É inaceitável que o governo português mantenha uma cooperação de longa data com Israel nos domínios militar e de segurança, recentemente evidenciada na aquisição de equipamento israelita de guerra electrónica para os aviões KC-390 destinados à Força Aérea Portuguesa. É inaceitável que o governo português enfileire com aqueles que querem coarctar a justa crítica ao sionismo e aos crimes de Israel equiparando-a ao anti-semitismo, como pretende a capciosa definição da International Holocaust Remembrance Alliance que o governo subscreveu.

No cumprimento do preceituado pela Constituição, o MPPM considera que o governo português deve, ao invés, assumir uma posição activa de denúncia dos crimes e violações do direito por parte de Israel. O governo português deve dar cumprimento à recomendação da Assembleia da República e reconhecer soberanamente o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967, bem como agir nesse sentido dentro das instituições da União Europeia, aderindo à proposta do Luxemburgo.

Solidariedade com a causa palestina

Os desígnios dos EUA e do Estado sionista de liquidar de vez as aspirações do povo palestino à liberdade, à justiça para os refugiados, a um Estado soberano e independente contam com a oposição firme e cada vez mais unida do próprio povo palestino.

Neste momento de extrema dificuldade para o povo palestino, e num combate que é também pela paz e a justiça em todo o Médio Oriente e no mundo, o MPPM reitera a sua solidariedade de sempre à causa do povo da Palestina e apela à solidariedade activa de todas e todos os cidadãos e organizações portugueses com o povo palestino no seu anseio pela realização dos seus legítimos e imprescritíveis direitos nacionais.

30 de Janeiro de 2020
A Direcção Nacional do MPPM

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^endereço (www.odiario.info)
  2. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Rússia diz que 'Acordo do Século' dos EUA para Israel e Palestina contradiz várias resoluções da ONU

 

247 -"Há um conjunto de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e está bem claro que algumas cláusulas do plano [de Trump] não correspondem a elas", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em entrevista ao canal de TV Rossiya 1, informa o site Sputnik.

Por sua vez, neste sábado (1º/2), o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, demonstrou sua total discordância em relação ao plano, tendo anunciado o rompimento de todas as relações com os Estados Unidos e Israel.

A Liga Árabe e o Irã também rejeitaram a iniciativa do governo estadunidense.

 

Autoridade Palestina rompe todas as relações com EUA e Israel

 
 

247 -O presidente da Autoridade Nacional Palestina, que anteriormente havia alertado que não aceitaria o "Acordo do Século", revelado pelo presidente americano Donald Trump, o criticando por ter um voés dos EUA em favor do Estado sionista, anunciou o rompimento com os EUA e Israel.

"Nós enviamos duas cartas – uma para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e a segunda para os EUA – sobre o fato de que a Palestina não terá mais nenhuma relação com eles, inclusive na área de segurança, tendo em vista a negação por eles dos acordos fechados anteriormente e do direito internacional", declarou Abbas em uma reunião extraordinária da Liga dos Estados Árabes no Cairo, Egito.

Ainda segundo Abbas, os EUA "não são mais amigos" da Autoridade Palestina, informa o site Sputnik.

Ainda segundo Abbas, ele tinha comunicado ao presidente dos EUA sua intenção de tornar a Palestina um Estado desmilitarizado, embora a ideia tivesse a oposição de parte dos palestinos.

"Eu prefiro construir um hospital e não comprar um tanque", declarou.

Mahmoud Abbas diz que EUA entregaram 90% dos territórios palestinos a Israel

247 -O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas denunciou neste sábado (1º/2), ao participar de uma cúpula extraordinária da Liga Árabe, o chamado acordo do século proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o plano beneficia o Estado israelense com territórios palestinos.

Na última terça-feira (28), o presidente dos EUA, Donald Trump, divulgou seu controverso plano de paz, conhecido como 'acordo do século', que aponta para a cidade de Al-Quds (Jerusalém) como a "capital indivisível de Israel", aponta o site iraniano HispanTV.

Trump propôs também a soberania de Israel sobre o vale do Jordão e nos assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, impedindo o retorno de refugiados palestinos aos territórios ocupados e exigindo um Estado palestino desmilitarizado.

A ANP considera que os EUA entregaram 90% dos territórios palestinos a Israel

 

O embuste do século que os EUA querem impor aos palestinos

por MPPM [*]

O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) condena firmemente o conteúdo do chamado "acordo do século" para a resolução da questão palestina, apresentado no dia 28 de Janeiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, acolitado pelo ainda primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Apresentado com soberba imperial, o mal designado plano "Paz para a Prosperidade" rasga todas as resoluções aprovadas ao longo de décadas pela ONU sobre a questão palestina, e rasga mesmo os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos Estados Unidos da América desde a década de 90. O "Plano" acompanha inteiramente as posições da extrema-direita israelita e assume a forma de um diktat que pretende impor ao povo palestino, cujos representantes não foram sequer considerados dignos de consulta, a total renúncia aos seus direitos nacionais, reconhecidos e consagrados pelo direito internacional.

A legitimação da anexação e o prosseguimento da limpeza étnica dos palestinos

O "acordo do século" proclama (de novo) Jerusalém indivisa como capital do Estado de Israel; promove a anexação por Israel de todos os colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada; reconhece a anexação do Vale do Jordão por Israel; nega aos refugiados palestinos, expulsos em sucessivas campanhas de limpeza étnica pelas forças sionistas e depois por Israel, o direito ao retorno. O mapa que acompanha o "Plano" traça uma fronteira que anexa a Israel os Montes Golã sírios, ao arrepio de toda a legitimidade internacional.

O arguido por corrupção Netanyahu não perde tempo: abençoado por Trump, quer que o governo de Israel discuta a primeira fase da anexação já no próximo domingo.

Em contrapartida, aos palestinos caberia aceitar um "Estado" de farsa, ainda assim remetido mais uma vez para as calendas gregas: uma entidade informe, fragmentada em guetos descontínuos que fazem lembrar os planos de bantustões da África do Sul do Apartheid, sem controlo das fronteiras, sem controlo do espaço aéreo e das águas territoriais, com capital num arrabalde de Jerusalém Oriental, sem o direito a ter forças militares próprias mas sujeita à eterna presença militar de Israel. Além disso, os palestinos teriam de renunciar aos subsídios financeiros às famílias dos presos e das vítimas mortais da repressão israelita; de reconhecer Israel como "Estado-nação do povo judeu", ou seja, a discriminação dos palestinos cidadãos de Israel; e de aceitar o desarmamento dos movimentos da resistência palestina.

Uma parte dos palestinos cidadãos de Israel estariam destinados a ser anexados à força ao pseudo-Estado palestino. A coberto do falacioso argumento de um Estado-nação para os judeus e de um Estado-nação para os palestinos, a pretexto de "compensação territorial" pelos colonatos implantados no coração da Cisjordânia, trata-se na realidade de mais uma medida de limpeza étnica, visando aquilo que o sionismo não conseguiu realizar em 1948: um Estado judaico "etnicamente puro", desembaraçado dos seus habitantes palestinos, muçulmanos e cristãos.

Na linha directa de medidas anteriores da administração Trump — reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e transferência para aí da embaixada dos EUA; corte do financiamento à UNRWA, a agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos; anexação dos Montes Golã sírios ocupados em 1967; negação do carácter ilegal dos colonatos israelitas nos territórios palestinos ocupados —, o plano estado-unidense parece saído da pena dos sionistas mais radicais, dos colonos mais extremistas. E não por acaso: é significativo que Trump e Netanyahu tenham ambos saudado o papel desempenhado neste processo por David Friedman, embaixador dos EUA em Israel, por Jason Greenblatt, enviado especial para o Médio Oriente, e por Jared Kushner, genro de Trump e principal autor do plano, todos sionistas assumidos com ligações estreitas ao movimento dos colonos.

Uma nova ordem internacional no Médio Oriente com o Irão na linha de mira

A relevância do que está em causa transcende o quadro estrito da questão palestina. Trata-se de uma violação brutal da legalidade internacional, para mais apresentada expressamente como parte de um plano de agressão contra o Irão. Trump afirmou, e Netanyahu reiterou e aplaudiu, que o plano surge na sequência do rompimento unilateral pelos EUA do acordo de limitação nuclear assinado com o Irão pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha, e jactou-se do assassínio em Bagdade, em gritante violação da soberania do Iraque, do general iraniano Qassem Soleimani, protagonista destacado do combate ao Daesh e outros terroristas que atentam contra a integridade e a soberania da Síria.

Trump silencia o terrorismo de Estado e a limpeza étnica praticados desde há décadas por Israel contra o povo palestino e outros povos da região, e quer retirar à questão palestina a centralidade que tem no estabelecimento de um clima de paz no Médio Oriente.

O que se visa é toda uma reorganização política e geoestratégica da região sob a égide imperial. Apresentando o Irão como principal fautor do terrorismo, o que se procura é criar em torno do eixo Israel-Arábia Saudita um alinhamento de certos países árabes contra os países e as forças que no Médio Oriente se opõem ao domínio dos Estados Unidos e se colocam ao lado do povo palestino. O documento explicita-o ao recomendar a criação de um "Conselho de Segurança Regional" composto pelos EUA, Israel, "Estado da Palestina", Jordânia, Egipto, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A comunidade internacional deve assumir as suas responsabilidades

De resto, a presença na sessão de apresentação do "acordo do século" dos embaixadores em Washington do Barém, de Omã e dos Emirados Árabes Unidos é bem o sintoma do estado avançado da realização deste plano — e da traição cada vez mais descarada e ignóbil de regimes reaccionários e ditatoriais árabes à causa palestina.

A gravidade inaudita do documento e dos perigos reais que faz pesar sobre os povos do Médio Oriente, e em primeiro lugar sobre o martirizado povo palestino, exige que a operação agora em curso seja barrada.

Para isso é necessário que países e organizações que defendem um mundo regido pelo direito internacional e não pela lei do mais forte actuem energicamente e sem demora, rejeitando de forma categórica o plano apresentado unilateralmente pelos EUA e reafirmando que a solução para o drama palestino é inconciliável com a continuação, seja sob que forma for, do controlo e colonização sionista dos territórios palestinos ocupados em 1967. A ONU, cuja legitimidade é directamente posta em causa por este plano, bem como a União Europeia, que reafirmaram já o seu continuado apego à solução de dois Estados, incluindo um Estado palestino nas fronteiras de 1967, devem, ademais, passar das pias declarações de princípios aos actos.

O MPPM considera intolerável que a União Europeia mantenha com Israel um Acordo de Associação, quando este refere como condição, logo no preâmbulo, o respeito pelos direitos humanos e pela democracia. O que a situação reclama são antes sanções contra Israel, violador contumaz e impenitente do direito internacional e dos direitos humanos dos palestinos.

Portugal não pode continuar a ser complacente com Israel

O MPPM considera inaceitável que o governo português continue a manter relativamente aos crimes e violações do direito internacional por parte de Israel uma atitude de chocante complacência. É inaceitável que o governo português mantenha uma cooperação de longa data com Israel nos domínios militar e de segurança, recentemente evidenciada na aquisição de equipamento israelita de guerra electrónica para os aviões KC-390 destinados à Força Aérea Portuguesa. É inaceitável que o governo português enfileire com aqueles que querem coarctar a justa crítica ao sionismo e aos crimes de Israel equiparando-a ao anti-semitismo, como pretende a capciosa definição da International Holocaust Remembrance Alliance que o governo subscreveu.

No cumprimento do preceituado pela Constituição, o MPPM considera que o governo português deve, ao invés, assumir uma posição activa de denúncia dos crimes e violações do direito por parte de Israel. O governo português deve dar cumprimento à recomendação da Assembleia da República e reconhecer soberanamente o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967, bem como agir nesse sentido dentro das instituições da União Europeia, aderindo à proposta do Luxemburgo.

Solidariedade com a causa palestina

Os desígnios dos EUA e do Estado sionista de liquidar de vez as aspirações do povo palestino à liberdade, à justiça para os refugiados, a um Estado soberano e independente contam com a oposição firme e cada vez mais unida do próprio povo palestino.

Neste momento de extrema dificuldade para o povo palestino, e num combate que é também pela paz e a justiça em todo o Médio Oriente e no mundo, o MPPM reitera a sua solidariedade de sempre à causa do povo da Palestina e apela à solidariedade activa de todas e todos os cidadãos e organizações portugueses com o povo palestino no seu anseio pela realização dos seus legítimos e imprescritíveis direitos nacionais.

30 de Janeiro de 2020
A Direcção Nacional do MPPM

[*] Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, www.mppm-palestina.org

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/palestina/mppm_30jan20.html

China enfatiza opiniões palestinas à medida que Trump divulga plano de paz para Oriente Médio

Beijing, 30 jan (Xinhua) -- A China disse na quarta-feira que qualquer plano para a questão palestina deve ser feito "prestando atenção às opiniões e proposições das principais partes envolvidas, especialmente do lado palestino".

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, fez as observações depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou na terça-feira o aspecto político de seu controverso plano de paz para o Oriente Médio, que pede por uma solução de dois Estados enquanto reconhece Jerusalém como a "capital indivisível" de Israel.

Hua disse que o lado chinês está analisando o plano.

Ela enfatizou que a China sempre acreditou que as resoluções relevantes da ONU e o consenso internacional, como a solução de dois Estados e o princípio de terra por paz, constituem a base para a solução da questão palestina, o que deve ser observado.

A porta-voz pediu acordos por meio do diálogo e negociação em pé de igualdade, para facilitar a solução abrangente, justa e duradoura da questão palestina o mais breve possível.

Ex-presidente Carter diz que plano de Trump para Oriente Médio viola Direito Internacional

 

247 - Nesta quinta-feira (30).o ex-presidente dos Estados UNidos, Jimmy Carter, declarou que "o novo plano dos Estados Unidos acaba com as perspectivas de se alcançar a paz entre israelenses e palestinos".

Carter, que formulou o primeiro acordo de paz árabe-israelense, acfescentou que caso seja implementada, essa iniciativa "arruinará a única solução a longo prazo possível para esse conflito, que é a solução dos dois estados".

Para o ex-presidente, o plano de Trump "viola o Direito Internacional no que se refere à livre determinação, à aquisição de território à força, à anexação de territórios ocupados", acrescentou Carter, informa a AFP.

 

 

Moscou pretende trabalhar com Israel e Palestina sobre acordo de Trump

Briefing da representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em Moscou (arquivo)
© Sputnik / Evgeny Biyatov

A representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou nesta quinta-feira (30) que Moscou buscará coordenação com a Palestina e Israel com relação ao acordo proposto Donald Trump para a região.

A diplomata destacou que a Rússia está pronta para trabalhar conjuntamente de forma construtiva, visando a solução abrangente e sustentável do conflito árabe-israelense.

"Pretendemos coordenar nossas ações estreitamente com colegas palestinos e israelenses e, sem dúvida, com os países do Oriente Médio e Norte da África, membros do quarteto do Oriente Médio de internacionais, todos os lados interessados ​​em alcançar a paz sustentável no Oriente Médio o mais rápido possível", acrescentou Maria Zakharova.

Na última terça-feira (30) apresentou o chamado "Acordo do Século" de paz para Israel e Palestina. O plano do presidente norte-americano prevê que Jerusalém seja a capital israelense e que os assentamentos de Israel na Cisjordânia sejam reconhecidos pelos EUA.

Em troca, Israel congelaria a construção de novos assentamentos nos territórios palestinos por quatro anos enquanto corre a negociação do acordo e os EUA abririam uma embaixada para a Palestina na região oriental de Jerusalém.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2020013015076438-moscou-pretende-trabalhar-com-israel-e-palestina-sobre-acordo-de-trump/

O plano de Trump

«O roubo do século»
chamou-lhe o insuspeito
«The Economist»




 
 
COMUNICADO 02/2020
MPPM denuncia o «embuste do século» que os EUA
querem impor aos palestinos
 
«O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) condena firmemente o conteúdo do chamado «acordo do século» para a resolução da questão palestina, apresentado no dia 28 de Janeiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, acolitado pelo ainda primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Apresentado com soberba imperial, o mal designado plano «Paz para a Prosperidade» rasga todas as resoluções aprovadas ao longo de décadas pela ONU sobre a questão palestina, e rasga mesmo os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos Estados Unidos da América desde a década de 90. O «Plano» acompanha inteiramente as posições da extrema-direita israelita e assume a forma de um diktat que pretende impor ao povo palestino, cujos representantes não foram sequer considerados dignos de consulta, a total renúncia aos seus direitos nacionais, reconhecidos e consagrados pelo direito internacional.
A legitimação da anexação e o prosseguimento da limpeza étnica dos palestinos
O «acordo do século» proclama (de novo) Jerusalém indivisa como capital do Estado de Israel; promove a anexação por Israel de todos os colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada; reconhece a anexação do Vale do Jordão por Israel; nega aos refugiados palestinos, expulsos em sucessivas campanhas de limpeza étnica pelas forças sionistas e depois por Israel, o direito ao retorno. O mapa que acompanha o «Plano» traça uma fronteira que anexa a Israel os Montes Golã sírios, ao arrepio de toda a legitimidade internacional.
O arguido por corrupção Netanyahu não perde tempo: abençoado por Trump, quer que o governo de Israel discuta a primeira fase da anexação já no próximo domingo.
Em contrapartida, aos palestinos caberia aceitar um «Estado» de farsa, ainda assim remetido mais uma vez para as calendas gregas: uma entidade informe, fragmentada em guetos descontínuos que fazem lembrar os planos de bantustões da África do Sul do Apartheid, sem controlo das fronteiras, sem controlo do espaço aéreo e das águas territoriais, com capital num arrabalde de Jerusalém Oriental, sem o direito a ter forças militares próprias mas sujeita à eterna presença militar de Israel. Além disso, os palestinos teriam de renunciar aos subsídios financeiros às famílias dos presos e das vítimas mortais da repressão israelita; de reconhecer Israel como «Estado-nação do povo judeu», ou seja, a discriminação dos palestinos cidadãos de Israel; e de aceitar o desarmamento dos movimentos da resistência palestina.
Uma parte dos palestinos cidadãos de Israel estariam destinados a ser anexados à força ao pseudo-Estado palestino. A coberto do falacioso argumento de um Estado-nação para os judeus e de um Estado-nação para os palestinos, a pretexto de «compensação territorial» pelos colonatos implantados no coração da Cisjordânia, trata-se na realidade de mais uma medida de limpeza étnica, visando aquilo que o sionismo não conseguiu realizar em 1948: um Estado judaico «etnicamente puro», desembaraçado dos seus habitantes palestinos, muçulmanos e cristãos.
Na linha directa de medidas anteriores da administração Trump — reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e transferência para aí da embaixada dos EUA; corte do financiamento à UNRWA, a agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos; anexação dos Montes Golã sírios ocupados em 1967; negação do carácter ilegal dos colonatos israelitas nos territórios palestinos ocupados —, o plano estado-unidense parece saído da pena dos sionistas mais radicais, dos colonos mais extremistas. E não por acaso: é significativo que Trump e Netanyahu tenham ambos saudado o papel desempenhado neste processo por David Friedman, embaixador dos EUA em Israel, por Jason Greenblatt, enviado especial para o Médio Oriente, e por Jared Kushner, genro de Trump e principal autor do plano, todos sionistas assumidos com ligações estreitas ao movimento dos colonos. (...)»
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

O eixo da resistência disse «não» ao «acordo da rendição a Israel»

«Depois de décadas a apoiar o inimigo, a ocupação, a agressão contra os países árabes», os EUA estão agora «a tentar eliminar os direitos históricos e legítimos do povo palestiniano», denuncia o Hezbollah.

Protestos em Gaza contra o chamado «acordo do século»Créditos / Morning Star

De Cuba, da Venezuela, da Síria, do Irão, do Líbano surgiram declarações claras de condenação e repúdio ao «plano de paz» para o Médio Oriente que Donald Trump apresentou na terça-feira, ao lado de Netanyahu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou na sua conta de Twitter o repúdio por um «plano de paz» que classificou como «enviesado e enganoso».

Além disso, o dito plano dos EUA «consagra a ocupação israelita e viola o direito inalienável dos palestinianos a ter o seu próprio Estado nas fronteiras anteriores a 1967, com Jerusalém Oriental como capital, e ao retorno dos refugiados», escreveu o diplomata cubano.

Por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela emitiu um comunicado em que manifesta a «categórica rejeição da proposta anexionista e arbitrária apresentada pelo governo dos Estados Unidos denominada «acordo do século», uma vez que viola «as normas mais elementares do direito internacional» e representa um «agravo ao corajoso povo da Palestina».

Denunciando o conteúdo do plano apresentado em Washington e declarando o apoio ao direito de autodeterminação do povo palestiniano, tal como consagrado nas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a diplomacia venezuelana faz um apelo urgente à comunidade internacional para que evite «as imprevisíveis consequências que geraria a imposição desta proposta supremacista, que mais não faz que criar obstáculos às vias do diálogo».

O chamado «acordo do século» é a «receita para a rendição» a Israel

O governo da República Árabe da Síria também expressou uma «forte condenação» e «absoluta rejeição» do dito «acordo do século».

Num comunicado ontem emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, afirma-se que o plano norte-americano evidencia mais uma vez «a aliança entre Washington e a entidade sionista na sua extrema hostilidade à nação árabe e às suas causas», e sublinha-se que a política dos EUA no Médio Oriente «visa mais que tudo servir os interesses de "Israel" e os seus planos expansionistas, à custa dos direitos árabes».

O plano apresentado por Donald Trump é uma «receita para a rendição à ocupação usurpadora israelita», lê-se na nota, citada pela SANA, em que se faz um apelo à comunidade internacional para que «condene este desprezo por parte dos EUA perante a legitimidade internacional» e se reafirma o histórico e firme apoio de Damasco à «justa luta do povo palestiniano pela recuperação dos seus direitos».

Irão: plano «mais desprezível do século»

O presidente do Irão, Hassan Rouhani, classificou o «plano de paz» dos EUA para o Médio Oriente como «o mais desprezível do século». Por seu lado, Abbas Mousavi, porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, caracterizou-o como «traição do século».

Para Mousavi, a proposta norte-americana lesa os direitos inalienáveis dos palestinianos, pelo que cabe aos governos e países que defendem a liberdade responder a este «vergonhoso plano». «A terra e o território pertencem ao povo palestiniano e não ao ocupante do regime sionista», disse, citado pela Prensa Latina.

Hezbollah: passo muito perigoso para região

«O acordo do século é um passo muito perigoso que terá graves repercussões no futuro da região e dos seus habitantes», alerta o Movimento de resistência libanês Hezbollah num comunicado emitido terça-feira, em que afirma que a proposta é, na verdade, o «acordo da vergonha».

O Hezbollah acusa a administração dos EUA de, «depois de décadas a apoiar o inimigo, a ocupação, a agressão e os massacres contra os países árabes, hoje estar a tentar eliminar os direitos históricos e legítimos do povo palestiniano», refere a HispanTV.

O anúncio de Donald Trump deixa claro que «a única opção para libertar os territórios ocupados é resistir», defende o movimento de resistência libanês, que denunciou a normalização das relações entre Telavive e alguns estados árabes, nomeadamente a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

A proposta apresentada por Trump na terça-feira parece feita à medida dos interesses sionistas, uma vez que reconhece a soberania de Israel sobre os colonatos na Cisjordânia ocupada, apoia a anexação por parte de Israel do Vale do Jordão, define Jerusalém como capital indivisível de Israel e nega o direito de retorno dos refugiados palestinianos.

A Palestina pode ser um Estado, mas sob estrictas condições, que implicam nomeadamente a desmilitarização da resistência e aquilo a que os EUA chamam a «rejeição do terrorismo».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/o-eixo-da-resistencia-disse-nao-ao-acordo-da-rendicao-israel

Estados Unidos apresentam plano de tomada da Palestina

Foram retumbantes a ausência dos palestinos e o regozijo do primeiro-ministro israelense no anúncio do plano de Donald Trump, nesta terça-feira (28), que em seu linguajar promocional apresenta o que é um ultimato como “acordo do século”.

 

 

Benjamin Netanyahu, só com a cabeça para fora do furacão que o espera em Israel, agradecia efusivamente ao patrono por endossar a anexação da Palestina, enquanto os palestinos reforçam o repúdio ao papel dos EUA nesta farsa de décadas.

O projeto do governo Trump vinha sendo discutido desde que o presidente prometera, quando eleito, resolver “o problema no Oriente Médio” com um acordo irresistível. O genro de Trump, Jared Kushner, consultor para a região, tentou angariar apoio financeiro à empreitada numa espetaculosa conferência no Bahrein, em 2019, com uma apresentação intitulada “Paz à Prosperidade”. Buscou patrocinadores entre as monarquias regionais e seu engajamento no convencimento dos palestinos.

Quem viu ao plano então, resumido à parte econômica, o considerou uma brochura de um negócio imobiliário vendendo um futuro florido. Segundo a advogada Ephrat Livni, em artigo para a revista eletrônica Quartz, o portefólio estava “repleto de chavões, gráficos e tabelas” e alegava que os fundamentos do plano eram “liberar o potencial econômico, empoderar o povo palestino e melhorar a governança palestina”.

Em declarações à rede Al-Jazeera no mesmo evento desta terça, que alguns descreveram como um ato político de apoio a Israel, Kushner disse que o plano é prático e que os esforços palestinos pelo estabelecimento do seu Estado são “velhas reivindicações, mitos, mentiras”. Para compensar, o plano de Trump acenara já em Bahrein com um cheque de USD 50 bilhões para tentar comprar a luta dos palestinos por seu Estado nacional soberano e viável.

Incluindo um “Estado da Palestina”, algo que Netanyahu sempre prometeu recusar e os sucessivos governos dos Estados Unidos impediram, Trump tenta camuflar o absurdo da proposta. Com sua “autorização” à anexação do território palestino ocupado por mais de cem colônias israelenses com cerca de 600 mil residentes, reforça seu também ilegítimo reconhecimento de Jerusalém, “indivisível”, como capital de Israel. Em troca, Israel suspenderia a expansão das colônias por quatro anos para a negociação das configurações de um Estado palestino. Além de ultrajante, a última fórmula não é nova: já foi tentada no processo diplomático dos anos 1990 e resultou na expansão avassaladora das colônias e do controle israelense sobre a Palestina ao longo das últimas décadas — com o prazo para a conclusão de um acordo permanente expirado em mais de 20 anos.

Mapa da Palestina ocupada
Mapa do plano de Trump, para a Palestina

Trump alega ainda que o plano permitirá aos palestinos estabelecer sua capital no leste de Jerusalém, mas com o termo geográfico refere-se a outra Jerusalém Leste. Não seria aquela defendida como parte da solução, que inclui a porção da Cidade Antiga onde está a importante Mesquita Al-Aqsa e residem milhares de palestinos, mas um leste para lá do muro construído por Israel, que amputa a população palestina confinada a uma periferia sistematicamente empobrecida e cercada por colônias, acompanhadas de suas estradas exclusivas e postos de controle militar.

Ali, Trump diz desdenhosamente que os EUA até estabelecerão sua Embaixada para a Palestina. Seria como encravar a bandeira estadunidense num território conquistado: a capitulação palestina. Mas ele pode esperar sentado, prometem os palestinos.

Para alguns, o que Trump faz com seu plano pode cumprir um objetivo dos palestinos: fortalecer a unidade contra mais esta catástrofe. Em protestos populares e manifestações de diplomatas, membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, assim como da liderança da oposição no Hamas, já se proclama em uníssono o rechaço a este devaneio. Desvelam por fim que o monopólio estadunidense sobre as negociações não passa de um garrote para a causa palestina, como mostrou o decrépito Processo de Paz de Oslo que tanto fomentou a colonização e atou o destino da Palestina às vontades de Israel.

“O acordo de Trump não passará, nossos direitos nacionais não são negociáveis, a Palestina não está à venda” e “Todos os palestinos unem-se em resistência ao acordo de Trump”, dizem as faixas assinadas pela OLP em protesto de 2019

Mesmo assim, Netanyahu repetiu o chavão de sempre ao alegar que o rechaço palestino prova uma indisposição em aceitar a “oportunidade”, neste caso, de capitular. A isto somou os termos que explicam o fracasso de qualquer negociação, para além do apoio incondicional dos EUA a Israel: Netanyahu disse que o plano depende da desmilitarização, o desarmamento do Hamas, o reconhecimento de Israel como Estado Judeu e a adoção da sua soberania sobre as áreas ocupadas pelas colônias, que Trump oferece a Israel.

Àquilo que Trump ameaçou como uma “última oportunidade” para os palestinos, Abbas chamou “conspiração”. Em discurso emitido pela televisão em Ramallah, sede administrativa da Palestina, na Cisjordânia, o presidente disse: “Afirmo ao Trump e Netanyahu: Jerusalém não está à venda, nossos direitos não estão à venda e não estão sob barganha. E seu acordo, a conspiração, não passará”.

Para Trump e Netanyahu, o espetáculo vem a calhar. O primeiro está sob julgamento no Congresso para um possível impeachment por abuso de poder. O segundo, às vésperas da terceira eleição em Israel em meses — nem ele nem seu oponente lograram formar um governo — enfrenta acusações de corrupção tentando uma manobra perigosa na mesma terça, a de finalmente recusar sua imunidade parlamentar para ser indiciado. Como sempre, ou a guerra ou a ofensiva política contra os palestinos recobram ânimo em período eleitoral.

O oponente de Netanyahu, Benny Gantz, de centro-direita, saudou o plano de Trump, mas disse que será preciso um governo forte para levá-lo a cabo em Israel.

À esquerda, o Partido Comunista de Israel (PCI) rejeitou o “plano imperialista dos EUA para o Oriente Médio” em nota publicada no dia 26. Para o PCI, o plano pode reforçar o regime e a ocupação militar contra o povo palestino, a se arrastar por anos. Foi o que aconteceu com o Processo de Oslo, desde a Declaração de Princípios de 1993 e o acordo de 1995 sobre a gestão interina da Palestina ocupada. Neste processo a Palestina foi retalhada em três áreas de controle exclusivo militar israelense, de controle partilhado entre israelenses e palestinos, e de controle exclusivo palestino — a menor porção, enquanto as fronteiras e diversos serviços e infraestrutura seguem sob controle completo de Israel.

O PCI lembra ainda a promessa de Abbas de que, com o anúncio de um plano claramente enviesado, o governo palestino poderia se dissolver para entregar a administração do território a Israel, desvelando de vez sua responsabilidade como potência ocupante, em acordo com o direito internacional humanitário. A liderança israelense sempre rejeitou tal responsabilidade, mas seu reconhecimento pela ONU já fundamenta um inquérito do Tribunal Penal Internacional sobre os crimes de guerra de Israel

Segundo o portal de notícias Middle East Monitor em matéria desta quarta (29), a Secretaria-Geral da ONU já se posicionou contra o plano de Trump e reiterou que a questão só pode ser solucionada com base nas resoluções das Nações Unidas e no direito internacional, que para Trump e Netanyahu não passam de letra morta. Com seu plano, EUA e Israel tentam um xeque-mate contra os palestinos ou arriscam levar a situação às últimas consequências. Dependerá dos palestinos, da comunidade internacional e das forças solidárias em todo o mundo o resultado desta aposta.


por Moara Crivalente, Doutoranda em Política Internacional e diretora do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)   | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Cebrapaz) / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/estados-unidos-apresentam-plano-de-tomada-da-palestina/

Rouhani chama plano de Trump de 'Plano mais desprezível do século'

Presidente do Irã, Hassan Rouhani, se pronuncia em reunião sobre acidente aéreo
© AP Photo / Presidência do Irã

O presidente iraniano Hassan Rouhani descreveu a recém-anunciada iniciativa de paz no Oriente Médio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o "plano mais desprezível do século".

Na terça-feira (28), Trump anunciou seu chamado "acordo do século" ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Washington. O acordo estabelece termos para um futuro acordo de paz entre Israel e Palestina.

Netanyahu apoiou o acordo, assim como seu opositor e adversário político em Israel, Benny Gantz. Já os políticos palestinos condenaram o acordo, prometendo rejeitá-lo.

O acordo também foi mal visto entre líderes da região, como no caso do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e também do presidente iraniano, que se manifestou em sua página no Twitter.

Chega dessas tentativas tolas. O plano mais desprezível do século. #PlanoDesprezível.

 

O acordo de paz propõe uma solução de dois estados para resolver o conflito Israel-Palestina, mas também reconhece os assentamentos israelenses estabelecidos na Cisjordânia.

Segundo o acordo, o Estado palestino não receberia toda a Jerusalém Oriental. Em vez disso, a Palestina receberia um punhado de bairros que estariam fora de uma barreira de segurança construída por Israel, servindo como fronteira entre os territórios israelense e palestino.

O líder palestino Mahmoud Abbas criticou o plano de paz, dizendo que Jerusalém e os direitos dos palestinos não estão à venda e afirmando que os palestinos jogarão o plano de Trump na "lata de lixo da História".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020013015071484-rouhani-chama-plano-de-trump-de-plano-mais-desprezivel-do-seculo/

Porta-voz da ONU critica Plano Trump para o Oriente Médio

247 - Em uma reação à revelação do controverso "acordo do século" pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que supostamente busca acabar com o conflito entre israelenses e palestinos, Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU Antonio Guterres disse nesta terça-feira (28) que a ONU insiste em respeitar as fronteiras de 1967.

"As Nações Unidas continuam comprometidas com as resoluções do Conselho de Segurança e da Assembléia Geral sobre a solução de dois Estados", disse Dujarric, segundo a agência. Notícias francesas AFP.

Por seu turno, Elizabeth Warren, senadora democrata aspirante à presidência dos Estados Unidos, considerou que anunciar um plano sem consultar de antemão os palestinos é "uma vergonha", informa o site iraniano HispanTV.

 

Plano de Trump para Oriente Médio só agrada a Israel

247 - O presidente americano, Donald Trump, apresentou na terça-feira seu plano para o Oriente Médio, que prevê um Estado palestino sob muitas condições, assim como a anexação de assentamentos na Cisjordânia por parte de Israel, enquanto enterra o direito ao retorno para os refugiados palestinos.

Confira os pontos principais:

Solução de dois Estados

Os palestinos teriam direito a um Estado, mas sob condições. Devem reconhecer Israel como o "Estado judaico", "rechaçar o terrorismo em todas as suas formas" e fortalecer suas instituições.

Se acordarem negociar e acessar este Estado, cujo princípio foi aceito pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, este seria "desmilitarizado": Israel seguirá sendo responsável da segurança e o controle do espaço aéreo a oeste do Vale do Jordão, enquanto o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, seria "desarmado".

Os assentamentos anexados

 

Os Estados Unidos estão dispostos a reconhecer sem demora a anexação por parte de Israel dos assentamentos que estabeleceu na Cisjordânia ocupada. Assim, cerca de 30% de Cisjordânia voltaria oficialmente ao Estado hebreu.

Washington está pronto para dar a Israel a soberania do Vale do Jordão, uma faixa estratégica de terra na fronteira com a Jordânia.

Por fim, um futuro Estado palestino nestas rotas estaria muito abaixo das aspirações dos palestinos, que reivindicam todos os territórios ocupados por Israel desde 1967. No entanto, Trump insistiu, apoiando-se em um mapa, em que seu território dobraria em comparação com o que possuem hoje.

 

Israel se comprometeria a congelar o desenvolvimento de qualquer assentamento por quatro anos.

Jerusalém, uma ou duas capitais?

Trump disse nesta terça-feira que Jerusalém "continuará sendo a capital indivisível de Israel". Mas ele próprio pareceu contradizer essa promessa, ao assegurar que um futuro Estado palestino poderia ter sua capital em "Jerusalém oriental".

Se isto pudesse ser entendido como Jerusalém Oriental, ou seja, a parte ocupada e anexada por Israel em 1967 que os palestinos reivindicam como a capital de seu Estado, parece que a administração Trump está pensando em deixar-lhes apenas os subúrbios no leste da Cidade Santa, ou seja, localidades tecnicamente situadas em Jerusalém, mas na parte leste da barreira de segurança que separa Israel dos territórios palestinos.

Sobre os locais sagrados, o presidente americano pediu que se mantivesse o status quo da Esplanada das Mesquitas, também chamada de Monte do Templo pelos judeus, e que a Jordânia mantenha o controle deste lugar.

Um Estado "de uma única peça"

Os Estados Unidos propõem um Estado palestino "de uma única peça", o que pode resultar em um quebra-cabeças para este território fragmentado por assentamentos israelenses e formado pelos dois blocos separados por Israel, deixando de um lado a Faixa de Gaza junto ao Mar Mediterrâneo e a Cisjordânia no lado leste.

O plano de Trump propõe "redes de transporte modernas e eficientes" para que tanto pessoas quanto mercadorias circulem facilmente. Inclui uma linha ferroviária de alta velocidade entre Gaza e Cisjordânia.

O destino dos refugiados

Trump queria enterrar o direito dos refugiados palestinos de voltar a solo israelense se pertencerem a famílias que fugiram destas terras, particularmente durante a guerra de 1967.

Esta questão foi um verdadeiro nó em todas as tentativas prévias de acordo.

"Os refugiados palestinos terão a opção de viver no futuro Estado palestino, integrar-se aos países onde vivem atualmente ou se estabelecer em um terceiro país", informou a Casa Branca.

Os Estados Unidos prometem "trabalhar com a comunidade internacional" para ajudar "generosamente" a este processo de reassentamento.

Informações da AFP.

O Acordo do Século

A obsessão pela eliminação da questão palestiniana tornou-se o principal objetivo do governo americano, que aumentou o seu apoio e patrocínio ao poder sionista desde que Donald Trump assumiu o poder na Casa Branca.

 

 

Fornecendo armas avançadas, com decisões políticas contrárias a todas as resoluções e leis internacionais relacionadas com a questão palestiniana, tal como o reconhecimento americano de Jerusalém como capital da ocupação israelita e a declaração sobre a ocupação dos Montes Golan sírios. O governo Trump deu apoio para acordos na região que servem os ocupantes israelitas, até mesmo incentivando a normalização de relações entre os sheiks do Golfo e Israel. Tudo isto culmina no “Acordo do Século” congeminado pelo governo americano como sendo um “plano de paz”, mas que na prática se destina a eliminar a questão palestiniana. Este triste e miserável acordo está publicado pelos órgãos de comunicação social israelitas. Entretanto Washington pretende publicar seus “princípios” nos próximos dias.

As cláusulas mais que dúbias e perigosas, como a falta de controle da Autoridade Palestina nas fronteiras com a ocupação, e o controle total de Israel sobre Jerusalém, deixando para a Palestina uma presença simbólica, gritam bem alto as incongruências do Acordo do Assalto do Século.

Outra questão séria que eclode do plano americano, de acordo com os rumores que circulam e que afetaria milhões de refugiados palestinianos, é que não haveria compensação para os refugiados, nem possibilidade destes regressarem às casa e terrenos de onde foram expulsos, ou seja abolir o direito de retorno de refugiados palestinianos à terra natal. Ocupação e controle israelita do Vale Jordão e de partes da Cisjordânia.

A primeira reação oficial palestiniana foi feita da parte da presidência palestiniana, pelo porta-voz Nabil Abu Rudeina, que hoje alertou contra qualquer medida americana que viole a legitimidade internacional, enfatizando que a posição da Autoridade Palestiniana é clara e firme:

Rejeitam as decisões de Trump sobre Jerusalém ocupada e todo o conteúdo do “acordo do século”

Abu Rudeina afirmou ainda desmentir afirmações de Trump, esclarecendo que”Não houve conversas nem haverá com o governo dos EUA”.

É irónico notar que Trump enfrenta um processo de impeachment, e Netanyahu enfrenta três acusações de corrupção criminal e uma campanha eleitoral incerta.

Uns chefes e condutores de orquestra um tanto ridículos, manhosos mas poderosos.

“Este é um plano para proteger Trump do impeachment e proteger Netanyahu da prisão. Não é um plano de paz no Oriente Médio ”, disse Mohammad Shtayyeh, Primeiro Ministro da Autoridade Nacional Palestiniana numa reunião do gabinete.

Este Acordo do Século pareceu trouxe consigo uma demonstração de unidade das fações rivais palestinianas, Hamas em Gaza e Fatah na Cisjordânia ocupada.

Os dois partidos, inimigos de longa data e que travaram uma curta guerra civil em 2007 pelo controle de Gaza, concordaram em realizar uma reunião de emergência em Ramallah para discutir uma resposta conjunta.

Haverá protestos nos territórios palestinianos,aumentando a possibildade de confrontos com as tropas israelitas, que já declararam ter reforçado a segurança no vale do Jordão, aquela grande fatia da Cisjordânia que o governo de Israel pretende anexar.

E como vai a paz neste Acordo do Século?

À evidência, a paz vai como uma noz perdida nas ondas alterosas da História.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-acordo-do-seculo/

Irã critica plano de paz de Trump para Israel e Palestina: 'delirante'

Sputnik -O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, criticou o plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, que será revelado nesta terça-feira, para o conflito israelense-palestino, sugerindo que a proposta de referendo do Irã seria uma estratégia melhor.

Trump disse que divulgará seu "Acordo do Século" para Israel e Palestina - na verdade preparado por seu assessor e genro Jared Kushner -, mas Zarif já foi ao Twitter para condená-lo. Ele sugeriu que Washington abandonasse seu plano "ilusório" e apoiasse uma solução oferecida pelo líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

Diferentemente do plano dos EUA, cujos detalhes permanecem um mistério, a proposta apresentada por Khamenei equivale a realizar um referendo sobre um sistema de governo que inclui "muçulmanos, cristãos e judeus residentes da Palestina, bem como refugiados palestinos".

O líder iraniano também repetidamente criticou o "Acordo do Século" dos EUA, chamando-o de "traidor" e projetado para "destruir" a identidade da Palestina, pois ele aparentemente suspeita que o plano favorecerá muito Israel.

Embora pouco se saiba sobre o acordo, as informações já conhecidas sugerem que é improvável prever um Estado para os palestinos. A agência AFP informou que o presidente palestino Mahmoud Abbas já rejeitou o acordo antes de ser apresentado, e a Autoridade Palestina considera que uma solução de dois Estados é o único caminho a seguir.

É evidente que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e seu rival nas próximas eleições, Benny Gantz, participarão da cerimônia na Casa Branca, enquanto nenhum representante palestino estará presente.

Antecipando um plano fortemente pró-Israel, os líderes palestinos em Ramallah e Gaza também condenaram o próximo acordo e pediram um "dia de raiva" nesta terça-feira. Eles pediram aos palestinos que boicotassem os produtos americanos e removessem todos os símbolos americanos restantes na Cisjordânia.

Trump afirmou em uma entrevista coletiva no início desta semana que seu governo havia falado "brevemente" com os palestinos e prometeu conversar com eles novamente em algum momento no futuro. Ele admitiu que eles podem não gostar das propostas "no início". No entanto, ele também afirmou que seu plano é "realmente muito positivo para eles".

Washington reduziu centenas de milhões de dólares em ajuda e parou de financiar a agência da ONU que apoia refugiados palestinos. A decisão de Trump de transferir a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém também provocou a ira da Autoridade Palestina, que cortou todas as comunicações com os EUA posteriormente.

Palestinos jogarão plano de paz dos EUA na 'lata de lixo da História', diz Mahmoud Abbas

Palestinian President Mahmoud Abbas
© REUTERS / Issam Rimawi/Pool/File

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, criticou o chamado "acordo do século" proposto pelos Estados Unidos nesta terça-feira (28), e disse que o plano nunca se concretizará e que o povo palestino o jogará na "lata de lixo da História".

Mais cedo nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, revelou o plano como uma proposta de solução de dois Estados, alegando que a Palestina dobraria seu território com a proposta. Trump também revelou que os Estados Unidos e Israel formarão um comitê conjunto para monitorar a implementação do acordo.

"Jerusalém não está à venda, o 'acordo do século' não será cumprido e nosso povo a enviará para a lata de lixo da história", disse Abbas sobre a proposta.

Abbas acrescentou que os palestinos não se curvarão e não irão se render.

"Estamos unidos diante de todos os planos de extermínio que nosso povo rejeitará. Dizemos 'não, não, não' ao acordo do século", disse Abbas.

O chefe do departamento político do Hamas, Ismail Haniyeh, em um telefonema com o presidente Mahmoud Abbas, segundo publicou a agência de notícias WAFA, disse que o plano de paz dos EUA para Oriente Médio é uma tentativa de se livrar do projeto nacional da Palestina. O Hamas, apontado como grupo terrorista no documento do acordo, rejeita o plano, conforme revelou a agência WAFA.

Presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o líder palestino, Mahmoud Abbas, na Casa Branca
© REUTERS / Carlos Barria
Presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o líder palestino, Mahmoud Abbas, na Casa Branca
"A Palestina é o nosso lar. Também não haverá acordo sobre esta terra preciosa. Também não está à venda. Declaramos inequivocamente que rejeitamos o acordo do século. O Hamas considera que nunca se retirará da batalha contra o plano de Trump", afirmou Haniyeh.

O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel está pronto para negociar com a Palestina nos termos do acordo que, segundo ele, oferece um caminho realista para a paz.

As autoridades palestinas disseram que rejeitarão qualquer acordo que viole o direito internacional. A pedido do governo palestino, a Liga Árabe realizará uma reunião extraordinária no sábado (1º) para discutir os termos do plano de paz.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020012815065310-palestinos-jogarao-plano-de-paz-dos-eua-na-lata-de-lixo-da-historia-diz-mahmoud-abbas/

Nova anexação-“Plano de Paz “de Trump

 

 
Historiador y urbanista residente en Jerusalén
Si alguien necesitaba una prueba más del desequilibrio de Donald Trump, el “plan de paz’ que será oficialmente presentado la próxima semana y cuyos detalles ya han sido dados a conocer, corrobora el desvarío geopolítico de Estados Unidos en Oriente medio. El plan Trump, confeccionado a la medida de Bibi Netanyahu, se asemeja más a un atentado contra la paz que a un plan de paz. El gobierno israelí lo ha tomado como un regalo de reyes y ya se ha puesto en marcha el proyecto de anexión unilateral de un 30% de los territorios palestinos.Pero la actitud americana no es mucho más que una mísera bufonada. EEUU es una potencia internacional, pero a nivel de política internacional se ha convertido en un espantapájaros de aquellos que incluso las aves se burlan de él. El mejor ejemplo es el hecho que después de haber abierto embajada en Jerusalén, en escandalosa violación del derecho internacional, solo dos países latinoamericanos siguieron sus pasos, Guatemala y Honduras, y esta, poco tiempo después, cambió de posición y la clausuró. El hecho que Trump le haya dado luz verde a Israel para anexar tierra palestina, no significa que las Naciones Unidas, la Unión Europea o alguna institución internacional reconozcan dicha anexión. Por el contrario, este atropello contra el derecho internacional es motivo para implementar sanciones contra Israel e incluso, tal vez, para acelerar el proceso judicial en la Corte Internacional de Justicia de La Haya por violación de derechos humanos. La brusca iniciativa de Trump es ocasión para que la comunidad internacional vuelva a involucrarse activamente en el conflicto palestino-israelí, después de más de una década en segundo plano, y presione a Israel para poner fin a esta aberración. Este es un momento clave para la comunidad internacional y a pesar de que no ha demostrado hasta ahora estar a la altura de los acontecimientos, esta bofetada americano-israelí al derecho internacional no puede pasar inadvertida. Bien harán los palestinos, que obviamente rechazan el plan Trump unánimemente, en mantener su calma fría y evitar manifestaciones violentas, ya que este desdichado plan ha nacido muerto y la comunidad internacional se encargará de enterrarlo.
Pero lo mas interesante del caso es la circunstancia y los motivos velados de este plan. A poco más de un mes de las próximas elecciones israelíes, Bibi Netanyahu se encuentra en una embarazosa situación acusado de corrupción, y las encuestas le dan una pequeña ventaja al bloque “Azul-Blanco” liderado por el ex-general Benni Gantz. Ante esta incómoda situación, Trump le ha entregado a Netanyahu un regalo que vale los 2-3 escaños que le faltan para formar gobierno. Trump ha puesto a la coalición ‘Azul-Blanco’ en un aprieto, dado que está haciendo grandes esfuerzos para arrebatarle al Likud parte de sus votantes derechistas y si no apoya la iniciativa de Trump, perderá al electorado derechista. Pero si la acepta, perderá al electorado de centro izquierda. El Likud esta esperando que Gantz se pronuncie contra el plan de Trump para acusarlo de “izquierdista” y recuperar al electorado de centro-derecha que abandonó el partido después de que la fiscalía acusase abiertamente a Netanyahu de corrupción. Gantz no puede salir bien de este aprieto. El plan de Trump constituye una grotesca interferencia en las elecciones internas israelíes, en línea con tantas actitudes similares que los EEUU han tenido a lo largo de la historia en todo tipo de ‘repúblicas bananeras’. El israelí de la calle no capta lo que es tan obvio y muchos de elloscaerán en esta trampa.
Estamos en un momento histórico en que más que nunca necesitamos el apoyo de la comunidad internacional. Dos personajes peligrosos están jugando con la paz en Oriente Medio. Naciones Unidas no pueden permitir que el derecho internacional sea violado impunemente de esta manera.
 Sin Permisso.
 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/28/nova-anexacao-plano-de-paz-de-trump/

O que se sabe sobre o plano de paz de Trump no Médio Oriente

 
 
Espera-se que o presidente dos EUA divulgue os detalhes de um plano atrasado para a paz israelo-palestina em poucos dias.
 
 
O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, deve divulgar seu tão esperado  plano de paz no Médio Oriente dentro de dias - mais de dois anos depois que seu governo começou a esboçar sua visão para uma solução para o conflito entre israelitas e palestinos.
 
A proposta de política foi adiada várias vezes e foi amplamente mantida em sigilo.
 
Aqui está o que sabemos até agora:
 
A temporização
 
Trump disse que provavelmente divulgará detalhes de seu plano antes que o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu e seu rival nas próximas eleições israelitas, Benny Gantz, visitem a Casa Branca na terça-feira.  A liderança palestina, que rejeitou a proposta antes mesmo de ser divulgada, não foi convidada para as negociações em Washington.
 
"É um ótimo plano. É um plano que realmente funcionaria", disse Trump a repórteres no Air Force One.
 
"Adoro fazer acordos", disse ele.
 
"Eles dizem que a paz entre Israel e os palestinos é a mais difícil - a mais difícil de qualquer acordo".
 
O plano seria implementado à medida que o julgamento de impeachment de Trump no Senado continua no Capitólio e enquanto Netanyahu busca imunidade parlamentar da acusação em casos de corrupção. Ambos os líderes também enfrentam reeleições: os israelitas devem voltar às urnas em 2 de março e Trump prepara-se para a eleição presidencial nos EUA em  3 de novembro .
 
Os EUA tentaram libertar o plano várias vezes antes, mas Israel foi envolvido numa crise política depois que Netanyahu falhou em formar um governo maioritário duas vezes no ano passado, criando incerteza sobre quem será o encarregado de negociar um acordo de paz.
 
"Houve várias tentativas falsas do governo dos EUA na inauguração de um plano que já está pronto há algum tempo", disse Lucy Kurtzer-Ellenbogen, diretora do Programa de Conflitos Israelo-Palestino no Instituto de Paz dos Estados Unidos.
 
"Alguns acham que o governo está perdendo a paciência, esperando as eleições israelitas que podem mais uma vez não ser conclusivas", disse  Kurtzer-Ellenbogen à Al Jazeera.
 
Observadores dizem que, ao convidar os dois principais candidatos, os EUA podem ter a esperança de conseguir o próximo primeiro-ministro de Israel com antecedência.
 
 
 
Rejeição palestina
 
Os palestinos já rejeitaram "o acordo do século", como o plano de paz é amplamente apelidado, dizendo que provavelmente será fortemente inclinado a favor de Israel - como várias outras medidas tomadas por Trump desde que assumiu o cargo em janeiro de 2017.
 
Nos últimos três anos, o governo Trump reconheceu a controversa  Jerusalém como capital de Israel e mudou a embaixada dos EUA para lá de Tel Aviv; reverteu décadas da política dos EUA ao não aprovar uma solução de dois estados; anunciou que não vê mais os assentamentos israelitas em território ocupado como "inconsistentes com o direito internacional"; parou de financiar a  United Nations '  agência de refugiados palestinos UNRWA; e cortou centenas de milhões de dólares em ajuda aos palestinos, entre outras medidas.
 
A Autoridade Palestina interrompeu todas as conversações com Washington desde o primeiro desses movimentos, e um porta-voz do presidente Mahmoud Abbas disse nesta semana que a liderança palestina tinha uma "posição clara e inabalável" para rejeitar qualquer iniciativa liderada por Trump.
 
Em um post no Twitter, Saeb Erekat, secretário geral da Organização de Libertação da Palestina, disse que qualquer proposta que ignore os direitos palestinos será "registada na história como a fraude do século".
 
Trump disse que seu governo falou "brevemente" com os palestinos.
 
"Mas falaremos com eles num período certo de tempo", acrescentou. "E eles têm muito incentivo para fazer isso. Tenho a certeza de que talvez reajam negativamente em princípio, mas é realmente muito positivo para eles".
 
"Tirámos o dinheiro deles", acrescentou Trump. "Isso é muito dinheiro para eles."
 
As negociações de paz entre israelitas e palestinos entraram em colapso em 2014, e os palestinos dizem que as políticas do governo Trump tornaram Washington incapaz de ser um mediador honesto em futuras negociações. 
 
"Este plano de paz é um eufemismo", disse Noura Erakat, advogado de direitos humanos e professor assistente da Universidade Rutgers. "Não há paz incluída."
 
"É um ditame opressivo de cima a baixo para os palestinos que os Estados Unidos e Israel estão prestes a selar um statusquo opressivo para os palestinos", disse Erakat à Al Jazeera.
 
Os palestinos querem que Israel se retire totalmente da Cisjordânia ocupada, da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental - territórios que Israel ocupa desde a guerra de 1967. Os palestinos querem que esses territórios se tornem parte de um futuro estado independente, com Jerusalém Oriental como sua capital.
 
Eles também buscam o direito de retorno para milhões de refugiados.
 
Plano económico
 
A parte económica do plano velado foi publicada em 22 de junho, pouco antes de sua apresentação numa reunião no Bahrein, que foi boicotada pela liderança palestina.
 
O genro de Trump e o conselheiro sénior Jared Kushner propuseram um fundo de investimento de US $ 50 biliões durante um workshop de dois dias  chamado Peace to Prosperity, destinado a impulsionar as economias palestinas e árabes vizinhas, argumentando que essa abordagem poderia gerar prosperidade nos territórios palestinos ocupados, e Jordânia, Egito e Líbano.
 
O plano incluía projetos de infraestrutura, negócios e turismo, bem como a construção de um corredor de viagem em Israel que ligaria a Cisjordânia e a Faixa de Gaza a uma rodovia.
 
Autoridades do governo israelita não compareceram ao evento em Manama, enquanto vários estados árabes ficaram afastados ou enviaram delegações de baixo nível.
 
Conteúdo do plano
 
O desenvolvimento do plano de paz começou em novembro de 2017 por uma equipe de conselheiros e funcionários liderados por Kushner, incluindo  o negociador-chefe Jason Greenblatt, a vice-conselheira de Segurança Nacional Dina Powell e o embaixador em Israel David Friedman.
 
O plano tem dezenas de páginas, mas seus contornos políticos permanecem um segredo bem guardado.
 
Kushner disse que a proposta de paz não incluirá a frase "solução de dois estados". As administrações anteriores dos EUA supervisionaram o processo de paz entre os dois lados com base na solução de dois estados, que vê um estado palestino estabelecido dentro das fronteiras de 4 de junho de 1967 com Jerusalém Oriental como sua capital.
 
"Se você diz 'dois estados', significa uma coisa para os israelitas, significa uma coisa para os palestinos", disse Kushner ao  Instituto de Política para o Oriente Próximo de Washington em maio.
 
“Dissemos: 'Você sabe, não vamos dizer isso. Vamos apenas dizer que vamos trabalhar nos detalhes do que isso significa.'”
 
Em entrevista ao Times of Israel em 2018, Greenblatt disse: "Incluirá uma resolução para todas as questões centrais, incluindo a questão dos refugiados, e também se concentrará nas preocupações de segurança de Israel". De facto, ele acrescentou, a proposta "será fortemente focada nas necessidades de segurança de Israel".
 
"Mas também queremos ser justos com os palestinos. Tentamos encontrar um bom equilíbrio. Cada lado encontrará coisas neste plano de que não gosta. Não há soluções perfeitas".
 
Os palestinos temem que o plano procure usar incentivos económicos para suborná-los a aceitar a ocupação israelita, o que poderia ser um objetivo israelita de anexar a maioria da Cisjordânia e a maior parte do vale do Jordão, um país estratégico e fértil  faixa do território.
 
Suporte internacional não garantido
 
Ainda não se sabe que efeito o anúncio terá e o que virá a seguir. Também não está claro se o plano irá receber algum apoio internacional.  A ONU e a maioria da comunidade internacional há muito que apoiam uma solução negociada de dois Estados como base de qualquer plano de paz na região.
 
"Há alguns na Casa Branca que realmente acreditam que há bastante neste plano que pode fazer o lado palestino pensar duas vezes depois de lê-lo e poderia dizer,  'We don't como ele, mas deixe 's talk',"  disse Hady Amr, ex-vice-enviado especial para o conflito israelo-palestino sob o governo do antecessor de Trump, Barack Obama.
 
"Não sabemos exatamente o que vai acontecer, mas sabemos que eles têm algo rigoroso que foi escrito", disse Amr à Al Jazeera.
 
"Ele não responde a todas as perguntas, mas responde a várias perguntas". 
 
Imagens:Presidente dos EUA Donald Trump e primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu [Arquivo: Ronen Zvulun / Reuters]; 2 - Manifestantes jordanos participam num protesto contra o "acordo do século", depois das orações de sexta-feira em Amã, na Jordânia, com faixas onde se lê "Abaixo o acordo de humilhação e vergonha" e "Jerusalém apoia quem apoia" [Arquivo: Muhammad Hamed / Reuters] 
 
 
Fonte: Al Jazeera News – 24.01.20

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/o-que-se-sabe-sobre-o-plano-de-paz-de.html

Forças de Israel atingem alvos em Gaza em resposta a balões incendiários

Ataque israelense com mísseis na Faixa de Gaza
© Sputnik / Ahmed Abed

Israel realizou uma série de ataques aéreos a alvos do Hamas na Faixa de Gaza, em retaliação a múltiplos balões explosivos e incendiários lançados a partir do enclave nas últimas semanas.

Os alvos incluíam um suposto "local de produção de armas e um complexo militar", declararam as Forças de Defesa de Israel (FDI) em meio a relatos de explosões na Faixa de Gaza, bem como perto da vila de Khan Younis, no sul do país. Não houve relatos imediatos de vítimas.

As Forças de Defesa de Israel prometeram "continuar operando contra tentativas de prejudicar civis israelenses".

​Acabamos de atingir os alvos do Hamas em Gaza, depois que uma série de balões com explosivos foram lançados de Gaza contra Israel. Vamos continuar operando contra tentativas de prejudicar civis israelenses

No sábado (25), no deserto de Negev, a cerca de 70 quilômetros do enclave palestino controlado pelo Hamas, foi encontrada uma granada movida por foguetes, presa a vários balões.

De acordo com a mídia israelense, este não foi o primeiro incidente deste tipo nas últimas duas semanas.

O movimento Hamas, uma organização militante sunita palestina que controla a Faixa de Gaza desde 2007, lançou recentemente uma série de balões incendiários a partir do enclave, levando os militares israelenses a retaliar com ataques aéreos contra as instalações do Hamas, de acordo com as FDI.

Foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza contra Israel (imagem de arquivo)
© AP Photo / Ariel Schalit
Foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza contra Israel (imagem de arquivo)

Anteriormente, quatro projéteis foram disparados em direção ao território israelense, dois dos quais atingiram uma área aberta e os outros foram interceptados pelo sistema Cúpula de Ferro (Iron Dome), segundo as forças israelenses.

Tel Aviv considera o Hamas responsável pela maioria dos ataques vindos da Faixa de Gaza.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020012615052852-forcas-de-israel-atingem-alvos-em-gaza-em-resposta-a-baloes-incendiarios/

Palestina adverte os EUA e Israel que não aceitará 'soberania' israelense sobre a Cisjordânia

 

247 -O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, alertou nesta quinta-feira (23) os Estados Unidos e Israel a não ultrapassarem limites, depois de tomar conhecimento que os dois países discutirão na próxima semana em Washington o "acordo do século", que supostamente concederia a Israel soberania sobre a Cisjordânia ocupada.

"Se o plano for publicado de acordo com os detalhes revelados até agora, que rejeitamos veementemente, a liderança palestina anunciará uma série de medidas para salvaguardar nossos direitos legítimos", disse o porta-voz de Abbas.

Por sua parte, o presidente dos EUA, Donald Trump, receberá na próxima terça-feira (28) o primeiro-ministro israelense em exercício, Benjamin Netanyahu, com o objetivo de abordar a proposta dos EUA para o fim do conflito entre israelenses e palestinos, informa a Telesul.

 

Trump vai anunciar na próxima semana novo plano para o Oriente Médio

 

247 - O presidente norte-americano, Donald Trump, disse na quinta-feira (23) que apresentará seu tão esperado "plano de paz" para o Oriente Médio antes que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu visite Washington na próxima semana.

Falando a repórteres, Trump disse que os palestinos podem reagir negativamente a seu plano a princípio, mas que a proposta os beneficiará, informa a Reuters.

“É um ótimo plano”, disse Trump, que se encontrará com Netanyahu na Casa Branca na terça-feira. “É um plano que realmente funcionará", afirmou.

 

Latino-americanos se unem à Flotilha da Liberdade rumo a Gaza

Manifestantes na porta do Tribunal Penal Internacional, em Haia, demandando apreciação de caso sobre crimes de Guerra cometidos contra a Flotilha da Liberdade na costa da Faixa de Gaza
© AP Photo / Peter Dejong

Organizações internacionais organizam a próxima viagem da Flotilha da Liberdade rumo a Gaza, que tentará romper o bloqueio israelense contra o território palestino, em maio deste ano. Latino-americanos se unem aos esforços da coalizão internacional.

Coalizão internacional de ajuda humanitária irá organizar uma nova viagem da Flotilha da Liberdade rumo a Gaza. A Sputnik Mundo conversou com o médico argentino e ex-diretor dos Médicos Sem Fronteiras, Carlos Trotta, que saúda o engajamento de latino-americanos na empreitada.

Esta será mais uma tentativa de romper o bloqueio imposto pelo Estado de Israel à faixa de Gaza, “que impede as pessoas de exportar, importar, ou mesmo de pescar”, contou o médico. Desde 2008, oito flotilhas da liberdade foram interceptadas pela Marinha israelense.

"O objetivo é conscientizar as pessoas que Gaza vive uma crise humanitária. Se trata de uma emergência. A ONU, em 2012, já havia dito que, se o bloqueio não fosse levantado até 2020, Gaza ficaria inabitável."

Segundo ele, é exatamente isso o que está acontecendo: "Do ponto médico, foram bombardeados hospitais, sem misericórdia, ambulâncias, pacientes e pessoal qualificado. É muito difícil realizar tratamento oncológico ou de doenças crônicas como a diabetes e hipertensão. Em alguns casos é possível transportar os pacientes para o Egito [...] mas o Egito também fecha a fronteira."

Segundo Trotta, Gaza é, em realidade, "uma prisão a céu aberto de enormes proporções. Está fechada pelo controle estrito do espaço aéreo, por muros, por check points e, na costa, pela Marinha israelense".

Essa crise seria particularmente grave, de acordo com o médico argentino, porque "afeta sobretudo crianças e adolescentes: cerca de 70% da população de Gaza é composta por jovens que não têm nenhum tipo de liberdade de movimento, acesso a saúde, água ou alimentos de qualidade".

Barcos pesqueiros palestinos no porto da Cidade de Gaza, em junho de 2019, quando Israel proibiu a pesca na região
© AP Photo / Hatem Moussa
Barcos pesqueiros palestinos no porto da Cidade de Gaza, em junho de 2019, quando Israel proibiu a pesca na região

A flotilha, que deve tentar romper o cerco em maio deste ano, poderá ser interceptada pela Marinha de Israel: "Todas as missões anteriores fracassaram, porque a Marinha israelense impõe represálias imediatamente."

"O momento mais difícil foi em 2010, quando a flotilha foi atacada pela Marinha de Israel, que matou 10 pessoas, feriu 56, e deixou mais algumas com ferimentos leves. Aquilo foi um verdadeiro massacre", lamentou.

Hoje, os riscos devem ser outros, uma vez que, segundo Trotta, a Marinha teria mudado sua abordagem desde o incidente de 2010: "Agora teremos que enfrentar o tratamento rude da Marinha israelense, que aborda todos os barcos que tentam se aproximar, os escolta para portos israelenses, aprisiona os tripulantes por tempo limitado e depois os [...] encaminha para a deportação", contou.

Mesmo com os riscos, "os membros da flotilha têm a sensação de que algo deve ser feito para que Israel acabe com o bloqueio", declarou.

As primeiras viagens, promovidas por organizações da sociedade civil dos EUA, Canadá, Suécia, Noruega, Espanha, entre outros países, contaram com a presença de parlamentares e do escritor sueco Henning Mankell e Mairead Corrigan Maguire, laureado com o Prêmio Nobel da Paz.

"São pessoas de todo o mundo que, de forma pacífica, além de bandeiras políticas, questões étnicas ou de gênero, querem passar uma mensagem ao mundo", contou.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020012315041296-america-latina-se-une-a-flotilha-da-liberdade-rumo-a-gaza/

Bispos apelam ao reconhecimento internacional da Palestina

Um grupo de bispos da Europa e da América do Norte exortou os seus governos a insistirem na aplicação do direito internacional em Israel e na Palestina.

Bispos católicos da Europa, da América do Norte e da África do Sul, visitaram a Palestina, em Janeiro de 2020, e pronunciaram-se pelo reconhecimento do Estado da Palestina.Créditos / Twitter

Trinta e quatro bispos católicos, provenientes da Europa, da América do Norte e da África do Sul, exortaram os seus governos a insistirem na aplicação do direito internacional em Israel e na Palestina, releva um comunicado do MPPM - Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente.

A declaração dos prelados, que integram o organismo Coordenação da Terra Santa, surge na sequência de uma visita de cinco dias à Palestina ocupada, em apoio à Igreja local e para promover o diálogo e a paz na região.

Os bispos, que visitam a região todos os anos, afirmaram-se inspirados pela resiliência duradoura das pessoas que conheceram em Gaza, Jerusalém Oriental e Ramallah, apesar do agravamento da sua situação.

No comunicado final da sua visita dão voz ao lamento, por parte dos bispos católicos locais, de que a comunidade internacional não ajude a realizar a justiça e a paz «aqui, no local do nascimento de Cristo». Estes afirmaram que as pessoas enfrentam um ainda maior «evaporação da esperança numa solução durável» e alertaram para as condições de vida sob a ocupação israelita, que se estão a tornar «cada vez mais insuportáveis».

Os bispos visitantes referem ter testemunhado essa realidade em primeira mão, particularmente o modo como a construção de colonatos e o muro de separação estão a destruir qualquer perspectiva de dois Estados existindo em paz. Em alguns casos, os governos dos seus países, refere o comunicado dos bispos, «tornaram-se cúmplices activos dos males do conflito e da ocupação».

Implorando aos seus governos que ajudem a construir uma nova solução política, enraizada na dignidade humana e no direito internacional, os bispos pedem-lhes que sigam o exemplo da Santa Sé no reconhecimento do Estado da Palestina e que rejeitem o apoio político ou económico aos colonatos israelitas.

O comunicado dos bispos da Coordenação da Terra Santa afirma ainda: «Tomando essas medidas, a comunidade internacional pode solidarizar-se significativamente com os israelitas e palestinos que se recusam a desistir da sua luta não violenta pela justiça, a paz e os direitos humanos.»

As declarações produzidas pelos bispos visitantes e locais ecoaram também na imprensa da região. O saudita Arab News destacou, entre outras, as de Jamal Khader, pastor da Igreja Latina, de Ramallah, que louvou a escolha da cidade para residência base da visita de este ano, por permitir aos bispos conhecerem a comunidade local: «Os bispos ficaram extremamente comovidos com a sua visita às Irmãs Missionárias Combonianas. O convento foi dividido ao meio ao meio por um muro construído por Israel, que dividiu a comunidade e tornou impossível, para muitos, conseguirem chegar à escola e à creche, que são parte da missão».

O mesmo jornal refere que a delegação, além de ter sido recebida, em Jerusalém, pelo líder local da Igreja Católica, manteve encontros com Ziad Abu Amer, do governo da Palestina, e Hanan Ashrawi, do Comité Executivo da Organização de Libertação da Palestina (OLP).

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/bispos-apelam-ao-reconhecimento-internacional-da-palestina

Forças de Israel atacam instalações do Hamas em Gaza

Manifestante usando máscara arremessa pedras contra as tropas israelenses perto da fronteira da Faixa de Gaza com Israel durante protesto, em 29 de outubro de 2018
© AP Photo / Adel Hana

As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram hoje que atacaram instalações subterrâneas do grupo palestino Hamas na Faixa de Gaza.

Em comunicado divulgado em sua conta no Twitter, as forças israelenses explicaram que o ataque aéreo foi uma resposta a provocações anteriores realizadas pelos palestinos. 

 

Terroristas em Gaza lançaram balões explosivos em casas israelenses durante o dia. Em resposta, um helicóptero de ataque da IDF atingiu a infraestrutura subterrânea do Hamas. Não vamos deixar o Hamas aterrorizar civis israelenses.​

Pouco depois do ocorrido, começaram a circular vídeos nas redes sociais com supostas imagens do ataque. 

 

Imagens de um ataque da IDF na Faixa de Gaza, conforme registrado por uma câmera de segurança em Israel.​

O Hamas, uma organização militante sunita palestina que controla a Faixa de Gaza, está envolvido em um prolongado conflito com Israel, que ainda se recusa a reconhecer a Autoridade Nacional Palestina como uma entidade política e diplomática independente. Tel Aviv considera o Hamas responsável por qualquer ataque vindo da Faixa de Gaza.

Israel também acusa o grupo palestino de incitar a violência em suas fronteiras comuns e cavar túneis no país para atacar residentes judeus.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011615015564-forcas-de-israel-atacam-instalacoes-do-hamas-em-gaza/

Ahmad Zahran alcança vitória e termina greve de fome ao cabo de 113 dias

Na segunda-feira à noite, quando se preparava para entrar no 114.º dia de greve de fome, o preso palestiniano Ahmad Zahran anunciou a vitória alcançada contra a sua detenção administrativa por Israel.
Mobilização pela libertação de Ahmad Zahran, em RamallahCréditos / Wattan News

Na passada segunda-feira, dia 13, o preso palestiniano ligou à sua família (depois de as visitas e os telefonemas familiares lhe terem sido negados durante os quase quatro meses de greve de fome) do hospital de Kaplan, para onde havia sido transferido devido à gravidade do seu estado de saúde, informando que tinha chegado a um acordo com os serviços prisionais israelitas, que a sua detenção administrativa não seria renovada e terminaria em 25 de Fevereiro de 2020.

Ahmad Zahran, com 42 anos e residente na localidade de Deir Abu Mashal (perto de Ramallah), encontra-se preso desde Março de 2019 em regime de detenção administrativa, ao abrigo do qual os palestinianos podem ficar presos sem acusação nem julgamento e sem acesso a defesa, e esta foi a segunda greve de fome que realizou neste período.

A anterior durou 39 dias e terminou depois de lhe ser prometida a libertação; no entanto, a promessa não foi cumprida e a sua detenção administrativa foi renovada, informam nos seus portais o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) e a Samidoun (rede de solidariedade com os presos palestinianos).

Solidariedade de outros prisioneiros

A greve de Zahran, que já tinha passado quase 15 anos nas cadeias israelitas, foi acompanhada pela solidariedade de vários camaradas de prisão palestinianos, incluindo uma greve da fome de 16 dias de Jamil Ankoush e outra de cinco dias, fora da prisão, da ex-presa Sumoud Karajeh. Além disso, dezenas de presos da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) enfrentaram o isolamento e a repressão, em várias prisões, tendo levado a cabo greves da fome rotativas e protestos para exigir a liberdade de Zahran.

Num comunicado, a FPLP explica que o acordo que permitiu o fim da greve da fome surgiu após intensas negociações entre o Shin Bet (polícia de informações israelita) e a direcção do ramo prisional da FPLP. Saudando a vitória alcançada pelo seu dirigente Ahmad Zahran, a FPLP apela ao prosseguimento da luta pelo fim do regime de detenção administrativa e pela libertação dos presos palestinianos.

Zahran é um dos cerca de 460 palestinianos mantidos em regime de detenção administrativa, de um total de cerca de 5000 presos políticos palestinianos nos cárceres de Israel.

Tanto o MPPM como a Samidoun lembram que as ordens de detenção administrativa foram um dos instrumentos introduzidos na Palestina pelas autoridades coloniais britânicas no tempo Mandato, sendo posteriormente adoptadas pelo regime sionista. São emitidas por um comandante militar israelita, sem qualquer intervenção judicial, uma vez que os territórios palestinianos se encontram sujeitos a regime militar desde a sua ocupação, em 1967.

O fim regime de detenção administrativa é uma das grandes reivindicações do movimento dos presos palestinianos, uma vez que os detidos neste regime podem ficar presos até seis meses sem acusação nem julgamento, e as ordens são indefinidamente renováveis.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/ahmad-zahran-alcanca-vitoria-e-termina-greve-de-fome-ao-cabo-de-113-dias

Tribunal israelita rejeita apelo de Ahmad Zahran, em greve de fome há 109 dias

O tribunal militar israelita de Ofer rejeitou o recurso do preso palestiniano Ahmad Zahran, em greve de fome há 109 dias contra a detenção sem acusação nem julgamento, apesar da deterioração da sua saúde.

Poster de Ahmad Zahran numa mobilização de apoioCréditos / Quds News / Samidoun

Ahmad Zahran encontra-se preso desde Março de 2019 em regime de detenção administrativa, ao abrigo do qual os palestinianos podem ficar presos sem acusação nem julgamento e sem acesso a defesa, informa no seu portal o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

A detenção administrativa é realizada por simples ordem de um comandante militar israelita, uma vez que os territórios palestinianos ocupados se encontram submetidos a regime militar, explica o MPPM, acrescentando que, «podendo durar até seis meses, as ordens de detenção administrativa são indefinidamente renováveis».

A Samidoun (rede de solidariedade com os presos palestinianos) informa que, pese embora o agravamento do estado clínico de Zahran, o tribunal militar adiou repetidamente a decisão.

Precisamente devido à gravidade do seu estado de saúde, o preso palestiniano, com 42 anos e residente na localidade de Deir Abu Mashal (perto de Ramallah), foi transferido para o hospital civil de Kaplan, em Israel, na passada segunda-feira, dia 6. «Perdeu mais de 35 quilos, é incapaz de andar e tem dores em todo o corpo», revela a Samidoun numa nota publicada dia 7.

Este ano, Ahmad Zahran já tinha realizado uma outra greve de fome, com uma duração de 39 dias, que suspendeu depois de lhe ter sido prometido que a sua detenção não seria renovada. Contudo, o acordo foi violado e a detenção administrativa foi renovada, levando-o a lançar uma nova greve de fome. Anteriormente, já passara quase 15 anos em prisões israelitas, revelam o MPPM e a Samidoun.

Quando cumpria o 90.º dia da sua greve de fome, interrogadores israelitas apareceram na clínica prisional de Ramon invocando a necessidade de questionar Zahran para que o tribunal militar pudesse apreciar o seu recurso. No entanto, o interrogatório não pôde ter lugar, devido à gravidade do estado de saúde do preso, que, explica a Samidoun, nunca tinha sido submetido a qualquer interrogatório, nem antes da greve de fome, nem no decurso da sua realização.

A Sociedade dos Presos Palestinianos e o Centro de Estudos dos Presos Palestinianos indicam, em comunicado, que os serviços de informações israelitas se têm oposto a um acordo entre os serviços prisionais e Zahran, de modo a impedir uma vitória deste na greve de fome.

Vários presos palestinianos têm realizado greves prolongadas em apoio a Ahmad Zahran, e, na terça-feira passada, um grupo de presos da cadeia israelita de Gilboa iniciou uma greve de fome rotativa de um dia. O ramo prisional da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) sublinhou que os protestos serão intensificados se Zahran não for libertado.

Em 2019, informa o MPPM, foram emitidas pelo Exército de ocupação israelita 1035 ordens de detenção administrativa, sendo que, no final do ano, se encontravam detidos ao abrigo desse regime 460 presos nas cadeias israelitas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/tribunal-israelita-rejeita-apelo-de-ahmad-zahran-em-greve-de-fome-ha-109-dias

Centenas de palestinianos enfrentam forças de segurança israelitas em Gaza

O vento e a chuva forte que se abateram esta semana sobre Gaza não impediram centenas de manifestantes de participarem, na sexta-feira, na última manifestação de 2019 da Grande Marcha do Retorno.

Manifestantes palestinianos participam num protesto na sexta-feira perto da fronteira entre Israel e a Palestina (Faixa de Gaza), no leste da Faixa de Gaza, em 5 de Abril de 2019.CréditosMohammed Saber

Dezenas de palestinianos foram feridos esta sexta-feira pelas forças israelitas na Faixa de Gaza, quando participavam na 86.ª manifestação da Grande Marcha do Retorno, perto da vedação com que Israel isola o território palestino, segundo o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

Vários dos participantes nas manifestações, segundo o MPPM, foram feridos por balas reais e revestidas de borracha, enquanto dezenas de outros sofreram de asfixia por efeito do gás lacrimogéneo disparado pelas forças de ocupação.

Centenas de manifestantes participaram nos protestos apesar das adversas condições climatéricas. A Faixa de Gaza tem sido batida por vento e chuva forte na última semana, com as inundações a porem em risco cerca de 235 mil pessoas nas áreas mais baixas da Faixa de Gaza, segundo um relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) no território palestiniano ocupado.

A 30 de Março os palestinianos comemoram o Dia da Terra. Nesse dia, em 1976, no Norte de Israel, foram assassinados seis palestinianos que protestavam contra a expropriação de terras para dar lugar a aldeamentos judaicos. Cerca de 100 outras pessoas ficaram feridas e centenas foram presas durante a greve geral e as grandes manifestações de protesto que, no mesmo dia, ocorreram no território do Estado de Israel.

A 30 de Março de 2018 a comemoração atingiu uma dimensão inusitada, ao tornar a celebração deste dia como o primeiro de uma «Grande Marcha do Retorno», uma reclamação do direito de regresso dos refugiados aos seus lares – tal como prescreve a resolução 194 das Nações Unidas – à Palestina histórica, de onde mais de 700 mil pessoas foram expulsas pelas tropas israelitas em 1948, durante a chamada «catástrofe» («Nakba», em árabe).

Desde então o protesto repete-se semanalmente, violentamente reprimido pelas forças israelitas, incluindo com o recurso a snipers e fogo real directo. Como resultado, pelo menos 348 palestinos foram mortos em Gaza por fogo israelita desde o início das marchas, a maioria deles durante as manifestações, segundo uma contagem da AFP citada pelo MPPM.

Para além disso, o Ministério da Saúde de Gaza regista mais de 18 mil feridos pelas forças repressivas sionistas. Entre as baixas contam-se crianças, mulheres, muitos adolescentes, jornalistas e trabalhadores dos serviços de saúde que tentam socorrer os manifestantes.

Em Março, uma missão de averiguação da ONU concluiu que as forças israelitas cometeram violações de direitos humanos na repressão dos manifestantes em Gaza, o que pode constituir crimes de guerra.

Os organizadores da Grande Marcha do Retorno anunciaram nesta quinta-feira que os protestos seriam suspensos até Março de 2020, altura em que serão retomados, coincidindo com o seu segundo aniversário e também com o Dia da Terra palestina (30 de Março). A partir daí realizar-se-ão a um ritmo mensal.

Além do bloqueio a que sujeita a Faixa de Gaza, na última década Israel lançou três guerras de agressão contra o pequeno território palestino e dezenas de ataques de escala mais limitada, matando milhares de pessoas e causando enormes destruições de casas e infra-estruturas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/centenas-de-palestinianos-enfrentam-forcas-de-seguranca-israelitas-em-gaza

Turismo e militância política andam juntas na terra onde nasceu Jesus Cristo

(Foto: Manuela Simões)

Em nenhuma outra época do ano há tanto trabalho para os guias turísticos palestinos quanto no Natal. Cristãos de todos os lugares do mundo visitam Belém, cidade onde está a Basílica da Natividade, construída no século IV no suposto local de nascimento de Jesus Cristo.

 

 

por Inácio França, Jornalista e escritor | Marco Zero

Para Baha Hilo, o mais célebre entre os guias de turismo da Palestina, a celebração do Natal vai além de uma oportunidade de trabalho. É também uma ocasião para ampliar sua militância política, demonstrando para os turistas como seu povo sobrevive sob a ocupação e opressão de Israel.

Foi a necessidade que empurrou para a profissão de guia turístico esse cientista político e sociólogo graduado pela Universidade Birzeit, na Cisjordânia. Depois de estudar em Nova York e realizar trabalhos voluntários no Sri Lanka, ele voltou à sua terra natal para procurar emprego.

Sem muitas opções de trabalho num lugar onde seus 2,7 milhões de habitantes só podem circular numa área de 5.640 Kmcom autorização das forças armadas de Israel, Baha Hilo associou seus conhecimentos acadêmicos à atividade econômica para criar a To be There (algo como “estar lá”). Sua pequena empresa de receptivo oferece a turistas interessados num tour geopolítico, passeios com reflexões e discussões diante das principais atrações turísticas, intercalando com visitas a locais marcantes para a resistência palestina.

A interação constante com pessoas de vários países do mundo lhe garantiu certa notoriedade tanto entre a diáspora palestina quanto entre grupos solidários à causa, principalmente na esquerda global.

Este ano, graças a uma vaquinha virtual, ativistas palestinos no Brasil custearam sua vinda para uma jornada de debates em Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Como de outras vezes em seus 39 anos de vida, foi mais uma chance de sair em defesa do seu povo na condição de viajante, não como guia.No intervalo entre o almoço num restaurante de culinária árabe no Espinheiro, e mais um debate com universitários, Baha contou que só é possível ter ideia das terríveis condições de vida dos palestinos quando se visita seu destroçado país. “Fora isso, ninguém consegue sequer imaginar”.

Mediada pela advogada Jéssica Barbosa, que fez o papel de intérprete, a conversa com a Marco Zero transitou sobre quatro temas: a condição da mulher em sua terra, a visão dos estrangeiros a respeito da Palestina ocupada, as supostas raízes religiosas do conflito e se as mudanças na política interna de Israel interferem na vida dos palestinos.

Baha Hilo numa feira livre do interior da Paraíba (Foto: Aliança Palestina-Recife / Maurício Melo)

O olhar estrangeiro

“Enquanto não se vai lá, não é possível entender o tamanho da violência a que o povo palestino é submetido”.

“Os descendentes de palestinos na diáspora têm uma conexão romântica com a pátria dos seus pais e avós. Quando chegam, ficam chocados, horrorizados, quando veem como suas famílias vivem em contato com tanta opressão política. Quando compreendem a real dimensão da dor, param de romantizar e entram em conexão com a luta dos seus antepassados”.

“Os estrangeiros solidários à causa palestina e aqueles que acreditam que existe apenas ‘um conflito’ têm um ponto em comum: acreditam que Palestina e Israel são dois espaços geográficos separados, mas ficam perplexos quando entendem que são dois nomes para a mesma terra. Esses ficam chocados quando, ao se depararem com o controle que Israel exerce em todas as fronteiras e em todos os espaços, precisam se justificar explicando que estão lá por outros motivos, pois se disserem que estão visitando a Palestina, serão deportados”.

“Entre palestinos, um estrangeiro se sente na Palestina. Entre israelenses, se sente em Israel. Se você estiver num prédio em Jerusalém ou em Haifa e entrar no apartamento de um israelense, ali será Israel. Se entrar na residência de um palestino, você estará na Palestina”.

Detalhe de uma igreja cristã na Cisjordânia (Foto: Manuela Simões)

O conflito não é religioso

“Para mudar a percepção de que há um conflito de judeus contra muçulmanos é preciso ter uma grande máquina de propaganda, milhões de dólares e uma ótima estratégia contra a desinfomação. Se você tiver tudo isso, conseguirá reduzir um pouco os danos provocados pelos sionistas ao longo das últimas décadas”.

“Aquilo que nos fazem ver como uma questão religiosa é, na verdade, um marcador racial para garantir e justificar os privilégios das pessoas judias. Se o superior é judeu, com todos seus privilégios, quem são os inferiores que não podem ter acesso aos privilégios? Os muçulmanos, a outra maioria religiosa. Se você for palestino, será tratado como muçulmano, mesmo que seja bahaí, cristão, samaritano ou agnóstico como eu”.

“No dia em que você nasce, Israel determina qual é a sua religião. Antes que eu tivesse aprendido a falar, Israel já havia colocado em minha certidão de nascimento que sou muçulmano. Eles decidiram como será minha vida até eu morrer. Fazem os mesmos com os bebês cristãos”.

“Desde 1948, o Estado de Israel faz uso abusivo da religião para justificar comportamentos e políticas violentas. Da mesma forma, o cristianismo foi usado no Brasil para justificar o genocídio indígena. Os palestinos são oprimidos por falta de fé judaica e não pela fé judaica. Os profetas judeus dizem para ‘não matar e não roubar’.”

“Ilan Pappé, um historiador judeu que é proibido de ensinar nas universidades de Israel, fala que os sionistas não acreditam no deus dos judeus, mas acreditam que deus deu a terra dos palestinos ao povo judeu. Ele também diz que Israel não é regulado pela fé, mas sim pela ideologia sionista”.

O cotidiano sob ocupação militar nos muros grafitados (Foto: Manuela Simões)

As mulheres palestinas

“Não estou me posicionando no lugar de fala da mulher, não sou porta-voz das mulheres. Sou um homem que considera as mulheres como as pessoas mais inspiradoras ao assumirem a luta contra Israel, contra o assédio de idiotas, contra a violência doméstica”.

“O patriarcado é a forma mais antiga de dominação de gênero e oprime toda a sociedade. Os privilégios masculinos na Palestina podem ser, de uma forma ou de outra, diferentes dos privilégios masculinos brasileiros, mas estão lá, como estão cá”.

“Quando adicionamos mais uma forma de dominação, que é a ocupação militar de Israel, às formas de dominação já existentes na sociedade, as mulheres são obrigadas a conviver com várias formas de opressão que se sobrepõem. Assim, toda mulher palestina convive com a dominação masculina e com a dominação israelense, que tem componentes raciais, políticos e de gênero. As palestinas sobrevivem de formas diferentes a isso, mas todas lidam com isso submetidas a normas sociais que também as oprimem”.

“As mulheres palestinas mais inspiradoras são aquelas que compreendem e rejeitam o patriarcado, mas não separam essa luta da rejeição à dominação de Israel. Quando falamos em feministas palestinas, falamos de mulheres que estão na luta contra as duas opressões. Por isso, são as mais inspiradoras. Há organizações de base como o Centro de Estudos da Mulher, de Nablus, e o Centro de Direitos das Mulheres, de Bethlelem (Belém). Não há comunidade palestina que não tenha uma organização dessas, por menor que seja”.

A “esquerda” israelense

“Para nós, palestinos, não faz diferença quem ganha a eleição em Israel porque em relação à política para os territórios ocupados, não há diferença entre a esquerda e a direita israelense. São dois lados da política sionista. O Estado de Israel é um estado sionista, então seria como escolher entre Hitler ou Mussolini, entre Trump ou Bolsonaro”.

“Benny Gantz, líder da oposição a Benjamin Netanyahu e que hoje é a principal liderança israelense, é considerado um político com posições mais ao centro. No entanto, é um criminoso de guerra”.

“Se o político ou ativista israelense negar a identidade sionista do Estado de Israel, não consegue sequer concorrer às eleições, pois é considerado ilegal. Alguns resistem, mas o impacto dessa posição é quase zero na política nacional, mas é importante que eles existam porque, depois, será possível construir com eles uma Palestina mais igualitária. Mas, o fato é que hoje não fazem diferença”.

“Tem gente que atua por acreditar que conseguirá mudar Israel por dentro, mas isso é uma história romântica, impossível. Só se muda por pressão de fora. Ditaduras podem mudar por pressão interna, mas Israel é mais do que uma ditadura”.


por Inácio França, Jornalista e escritor. Trabalhou como repórter do extinto Diário Popular (SP) e da sucursal paulista de O Globo. Como repórter do Diário de Pernambuco recebeu, entre outros, os prêmios Cristina Tavares de Jornalismo e Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. Como free-lancer, assinou trabalhos pontuais nas revistas Época, Carta Capital, Globo Rural e no jornal Lance. Longe das redações, foi secretário de Comunicação de Olinda em duas oportunidades, além de oficial-assistente e consultor do Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef). Recebeu também o título de jornalista Amigo da Criança (Unicef/Fundação Abrinq). Publicou seis livros (crônicas de futebol, registros de memória e história oral e a novela ‘Terezas’)

Marco Zero | Texto original em português do Brasil

 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/turismo-e-militancia-politica-andam-juntas-na-terra-onde-nasceu-jesus-cristo/

Luxemburgo pede à UE para debater reconhecimento da Palestina

 
 
O chefe da diplomacia do Luxemburgo pediu hoje aos seus homólogos da União Europeia um debate sobre o reconhecimento da Palestina para ajudar, segundo ele, a salvar a solução de dois Estados que os colonatos israelitas ameaçam.
 
"Assistimos, dia após dia, ao desmantelamento da solução de dois Estados, peça por peça. A viabilidade dessa solução é corroída pelas atividades de colonização, as demolições, os confiscos e os deslocamentos forçados, todos ilegais face ao direito internacional, em particular a quarta Convenção de Genebra", lamentou Jean Asselborn num correio eletrónico dirigido ao chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, ao qual a agência France-Presse teve acesso.
 
A solução de dois Estados -- o de Israel e a criação de um Estado da Palestina, que viveriam lado a lado - é aceite por grande parte da comunidade internacional como uma hipótese de solução para o conflito israelo-palestiniano.
 
"Um modo de ajudar a salvar esta solução seria criar uma situação mais equitativa para os dois lados. Neste sentido, penso que é tempo de iniciar um debate no seio da União Europeia (UE) sobre a conveniência de um reconhecimento do Estado da Palestina por todos os seus Estados membros", defende.
 
Asselborn fez chegar hoje uma cópia daquela carta a cada um dos seus homólogos da UE durante uma reunião em Bruxelas e pediu a Josep Borrell para organizar o debate "no quadro de uma próxima reunião do Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia".
 
"O reconhecimento da Palestina enquanto Estado não seria nem um favor, nem um cheque em branco, mas um simples reconhecimento do direito do povo palestiniano ao seu próprio Estado", assinala.
 
"Não seria em qualquer caso dirigido contra Israel. De facto, se queremos contribuir para resolver o conflito entre Israel e a Palestina nunca devemos perder de vista as condições de segurança de Israel, bem como a justiça e a dignidade do povo palestiniano", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês.
 
A criação de dois Estados -- um judeu e um árabe - na região da Palestina foi aprovada pelas Nações Unidas em 1947. Em maio do ano seguinte, Israel declara a sua independência e um dia depois é invadido por cinco exércitos árabes, que não aceitam o novo país.
 
Os palestinianos designam de Nakba (catástrofe), o período posterior ao da criação do Estado hebraico, quando cerca de 700.000 mil fugiram ou foram expulsos das suas casas devido à guerra israelo-árabe, até março de 1949.
 
Notícias ao Minuto | Lusa, em 09.12.19

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/luxemburgo-pede-ue-para-debater.html

O Natal e a "cicatriz da vergonha"

A meio da tarde de hoje, a imprensa deu notícia do último trabalho do artista Banksy, revelado na simbólica cidade palestiniana de Belém, na Cisjordânia: um pequeno presépio em frente a um pedaço de muro perfurado por uma peça de artilharia. O artista deu-lhe por título "A cicatriz de Belém".
 
A obra foi apresentada ontem, sexta-feira, e está exposta na entrada do hotel "Walled-Off", que Banksy abriu em 2017 na cidade e cujos quartos dão para o muro construído por Israel e ao qual o artista já tinha dedicado um postal de Natal.
Neste, uma parte do muro, com as palavras paz e amor grafitadas, serve de pano de fundo a um presépio numa pequena mesa, com presentes ao pé. O impacto do obus no muro provocou um buraco com forma de estrela que fica acima do presépio.
Para Wissam Salsaa, diretor do hotel, "A cicatriz de Belém" simboliza uma "cicatriz da vergonha".
"O muro simboliza a vergonha por todos os que apoiam o que se passa na nossa terra, todos os que apoiam a ocupação ilegal" da Cisjordânia por Israel desde 1967.
Bansky continua a sua persistente denúncia, agora que a Cisjordânia é objecto de notícia recente. Eu, que desde sempre sigo o artista,  associo-me também à sua luta!
 
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Donald Trump atua como "dono do mundo", diz embaixador da Palestina

 
 
O Presidente norte-americano atua como "dono do mundo" e tomou "todas as decisões", incluindo reconhecer Jerusalém como capital de Israel, para acabar com as relações com os palestinianos, considera o embaixador da Palestina em Portugal.
 
"Infelizmente não temos qualquer relação (com a administração dos Estados Unidos). (Donald) Trump tomou todas as decisões para acabar com (...) as relações com os palestinianos", declara Nabil Abuznaid em entrevista à agência Lusa.
 
A 06 de dezembro de 2017, faz na próxima sexta-feira dois anos, o Presidente dos Estados Unidos reconheceu Jerusalém como capital de Israel, desencadeando a cólera dos palestinianos e rompendo com décadas de consenso internacional.
 
O estatuto da cidade é um dos problemas mais difíceis do conflito, os palestinianos reivindicam Jerusalém Oriental, ocupada por Israel em 1967 e depois anexada, como capital do Estado a que aspiram.
 
Abuznaid recorda que Trump também encerrou a missão da Palestina em Washington, deixou de financiar organizações de apoio aos palestinianos, nomeadamente aos refugiados, "mudou a embaixada para Jerusalém (na sequência do reconhecimento da cidade como capital israelita)" e acabou com o consulado nesta cidade "que negociava com os palestinianos" há muitos anos.
 
"Ele mudou tudo (...) age como se fosse o dono do mundo", diz o diplomata sobre o Presidente dos Estados Unidos.
 
 
Lembra que o direito à autodeterminação dos palestinianos foi apoiado por 164 países nas Nações Unidas há uma semana para sublinhar: "Onde é que está o nosso problema? (está) Com duas pessoas acusadas de crimes".
 
O representante da Autoridade Palestiniana em Lisboa referia-se às acusações de abuso de poder contra Trump, que está a ser investigado pela Câmara de Representantes num processo de destituição, e às de fraude, suborno e abuso de confiança em três casos de corrupção anunciadas recentemente contra o primeiro-ministro israelita em funções, Benjamin Netanyahu.
 
"O mundo é governado por pessoas que não são respeitadas dentro das suas próprias sociedades nem pelo resto do mundo", indica Abuznaid.
 
O embaixador considera que Trump e Netanyahu se "usam um ao outro à custa dos palestinianos", o primeiro precisa do segundo "para obter alguns votos de judeus nos Estados Unidos" e "Netanyahu precisa de Trump para lhe dar mais poder em coisas como Jerusalém".
 
Neste contexto, são insignificantes as expectativas de Nabil Abuznaid sobre o plano de paz norte-americano para o conflito israelo-palestiniano, que Trump prometeu apresentar para conseguir o "acordo do século".
 
"Lamentavelmente não vejo que quaisquer negociações possam acontecer em breve", afirma, adiantando que os palestinianos esperavam que a posição dos Estados Unidos fosse a de um "mediador neutro e parceiro para a paz".
 
O diplomata questiona a possibilidade de negociações quando, diz, é pedido aos palestinianos "não falem sobre Jerusalém (...), não falem de colonatos, não falem de refugiados".
 
"Com a política Trump-Netanyahu, com a sua posição em relação aos palestinianos (...) não há esperança para um Estado palestiniano e não negociamos por negociar, para dar mais tempo a Israel para construir colonatos", declara Abuznaid.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Lusa
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/donald-trump-atua-como-dono-do-mundo.html

Xi envia mensagem pelo Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino

Beijing, 28 nov (Xinhua) -- O presidente chinês, Xi Jinping, enviou uma mensagem congratulatória na quarta-feira para a reunião anual do Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, organizada pelas Nações Unidas.

Em sua mensagem, Xi disse que o assunto palestino é fundamental para a questão do Oriente Médio.

É de interesse da comunidade internacional encontrar uma solução abrangente e justa para a questão palestina e ajudar a Palestina e Israel a alcançarem a coexistência pacífica e o desenvolvimento comum, disse o presidente.

A comunidade internacional deve salvaguardar a equidade e a justiça e defender as resoluções relevantes da ONU, bem como o princípio "terra pela paz" e a solução de dois estados, de modo a criar uma atmosfera propícia à retomada das negociações de paz entre palestinos e israelenses, indicou Xi.

A China, como um bom amigo, parceiro e irmão do povo palestino, é um defensor firme da paz Palestina-Israel, enfatizou o presidente.

A China apoia a justa causa do povo palestino de restaurar seus direitos nacionais legítimos e a Palestina na construção de um estado independente e totalmente soberano com base nas fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital, disse Xi.

A China está pronta para trabalhar com a comunidade internacional para promover as negociações de paz Palestina-Israel e se esforçar para realizar a paz abrangente, justa e sustentável o mais breve possível no Oriente Médio, disse o presidente.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/28/c_138589178.htm

Palestina se diz disposta a 'romper totalmente' as relações com EUA

Manifestantes iraquianos queimando as bandeiras dos EUA e de Israel como gesto de apoio à Palestina
© AP Photo / Karim Kadim

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, declarou nesta terça-feira (26) que a liderança palestina está tomando medidas decisivas para reagir à posição dos EUA sobre os assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Em 18 de novembro, Pompeo disse que os EUA não consideravam que os assentamentos israelenses em territórios palestinos na Cisjordânia sejam uma violação do direito internacional.

De acordo com Mahmoud Abbas, a Palestina está disposta inclusive romper completamente as relações com a Casa Branca.

"A liderança palestina não pretende ficar à margem do que está acontecendo. Na semana passada, iniciamos nossas consultas com forças políticas sobre as medidas que devem ser tomadas para combater a posição adotada pelos americanos, estamos até prontos para romper completamente todas as relações com eles", disse Abbas a repórteres.

Para o presidente palestino, a declaração de Pompeo na verdade representa "uma continuação lógica" das ações anteriormente realizadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e "a implementação dos planos" do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019112614823590-palestina-se-diz-disposta-a-romper-totalmente-as-relacoes-com-eua/

Irã acusa EUA de ajudar Israel a 'ocupar' Palestina

Palestinos tentam remover parte da cerca israelense durante um protesto na Cisjordânia, em 30 de março
© REUTERS / Mussa Qawasma

O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou Washington de ajudar Israel a "ocupar" o território palestino da Cisjordânia.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, declarou em 18 de novembro que seu país não considera que os assentamentos judaicos estabelecidos por Israel no território palestino ocupado da Cisjordânia e Jerusalém Oriental violem o direito internacional.

"A declaração do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, confirma mais uma vez a cumplicidade dos Estados Unidos na ocupação dos territórios palestinos e verifica os crimes desse regime na Palestina", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi.

O porta-voz exortou Pompeo a renunciar à mentalidade ultrapassada de que "as potências acreditam estar acima do direito internacional".

Oficialmente os territórios da Cisjordânia não fazem parte de Israel, sendo considerados pela ONU como territórios "ocupados". Estima-se que mais de 800.000 colonos judeus residem atualmente nos territórios ocupados da Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019112114802606-ira-acusa-eua-de-ajudar-israel-a-ocupar-palestina/

MPPM – JANTAR PALESTINO – SEXTA-FEIRA, 22 de NOVEMBRO, às 20 horas, no GRUPO SPORTIVO ADICENSE, Rua de SÃO PEDRO, 2O, em ALFAMA, LISBOA

 

O MPPM vai organizar, no próximo dia 22 de Novembro, a partir das 20 horas, no Grupo Sportivo Adicense (Rua de São Pedro, 20, a Alfama, em Lisboa), o habitual Jantar Palestino integrado nas Jornadas de Solidariedade com a Palestina 2019.

O jantar deste ano é preparado por Make Food Not War, um projecto que começou em Outubro de 2016 e que divulga a gastronomia do Médio Oriente e de outras regiões confeccionada e servida por refugiados e migrantes que se encontram a residir em Portugal.

Esta é, assim, uma iniciativa duplamente solidária.

Na entrada, temos pão árabe, hummuse salada fattoush.

Segue-se uma sopa de lentilhas com iogurte e hortelã.

O prato principal é a tipicamente palestina maqlouba de frango. O frango é halal e há uma opção vegetariana que deve ser pedida no momento da inscrição.

Conclui o jantar um doce de côco, mel e cenoura.e café para quem desejar.

Acompanham a refeição água, vinho e refrigerantes.

Teremos ainda oportunidade de ouvir algumas canções palestinas interpretadas por Hanneen Abualsoud, uma refugiada palestina que integra a equipa de Make Food Not War.

Pedimos uma contribuição solidária de 20 eurospor pessoa..

Informações e inscrições pelo e-mail mppm.palestina@gmail.com ou pelos telefones 917407005 ou 935853652.

Ficamos a aguardar o vosso contacto.

Cordiais Saudações

A Comissão Executiva do MPPM

 

MPPM – MOVIMENTO PELOS DIREITOS DO POVO PALESTINO E PELA PAZ NO MÉDIO ORIENTE

Presidente da Assembleia Geral: Carlos Araújo Sequeira | Presidente da Direcção Nacional: Maria do Céu Guerra

Vice-Presidentes: Adel Sidarus,Carlos Almeida, Frei Bento Domingues

Presidente do Conselho Fiscal : Frederico Gama Carvalho

Rua Silva Carvalho, 184 – 1º Dtº | 1250-258 Lisboa | Portugal

mppm.palestina@gmail.com | www.mppm-palestina.org | www.facebook.com/mppm.movimento.palestina

O MPPM é uma Organização Não Governamental acreditada pelo Comité das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino (Deliberação de 17 de Setembro de 2009)

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/11/18/mppm-jantar-palestino-sexta-feira-22-de-novembro-as-20-horas-no-grupo-sportivo-adicense-rua-de-sao-pedro-2o-em-alfama-lisboa/

Acordo de cessar-fogo entrou em vigor em Gaza

Um acordo de cessar-fogo entre a Jihad Islâmica e as forças israelitas entrou em vigor em Gaza, revelaram fontes egípcias e do movimento palestiniano. Desde terça-feira, Israel matou mais de 30 palestinianos.

Os ataques efectuados em dois dias pelas forças israelitas sobre Gaza provocaram a morte a mais de 30 palestinianos e fizeram mais de uma centena de feridosCréditosAshraf Amraa / Middle East Monitor

Musab al-Braim, representante do movimento Jihad Islâmica, confirmou esta quinta-feira as notícias sobre o acordo de cessar-fogo, tendo afirmado que entrara em vigor às 5h30 da madrugada (hora local) e que está a ser respeitado pelo movimento palestiniano, depois de Israel ter aceitado as exigências fundamentais por ele colocadas, que incluíam o fim dos assassinatos selectivos dos seus militantes, revela a PressTV.

«O cessar-fogo teve início sob os auspícios do Egipto, depois de a Ocupação [Israel] ter aceitado as condições propostas pela Jihad Islâmica em nome das facções da resistência palestiniana», disse Braim à agência Reuters.

Musab al-Braim disse ainda que Telavive aceitou pôr fim aos assassinatos selectivos de militantes das resistência palestiniana e aos disparos mortais contra os manifestantes que, semanalmente, participam nas mobilizações da Grande Marcha do Retorno junto à vedação com Israel isola o território de Gaza.

Antes, fontes egípcias informaram que o «acordo de cessar-fogo surge como resultado dos esforços do Egipto» e que foi aceite «pelas facções palestinianas, incluindo a Jihad Islâmica». Apesar de não haver confirmação da parte israelita, a PressTV revela que «o regime de Telavive» aceitou as exigências do movimento palestiniano em troca da aceitação, por parte da resistência palestiniana, do fim do dispareiro de mísseis [rockets] para território israelita.

Ofensiva israelita desde terça-feira

A nova escalada de violência sobre o território cercado teve início na terça-feira passada, quando as forças isarelitas assassinaram um comandante destacado da Jihad Islâmica, Baha Abu al-Ata, bem como a sua mulher, num ataque à sua casa, na Faixa de Gaza.

Um ataque semelhante, no memso dia, atingiu a casa de um outro dirigente do movimento da resistência palestiniana, em Damasco, capital da Síria, mas falhou o alvo. Desde então, Israel lançou ataques contínuos sobre o enclave costeiro, matando mais de três dezenas de palestinianos – incluindo vários menores – e provocando uma centena de feridos.

Como retaliação pelo assassinato de al-Ata, a resistência palestiniana lançou cerca de 300 mísseis para Israel a partir de Gaza, alguns dos quais alcançaram Telavive e leavaram as autoridades israelitas a encerrar escolas no Centro e Sul do país.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/acordo-de-cessar-fogo-entrou-em-vigor-em-gaza

15 anos sem Arafat – O combatente do ramo de oliveira

No dia 11 de novembro de 2004 morria, aos 75 anos, o líder histórico da Palestina, Yasser Arafat. 15 anos depois sua morte ainda é envolta em mistério e autoridades do Estado Palestino afirmam que ele foi envenenado pelos sionistas. Seja como for, Arafat foi um líder que inspirou, não só o seu povo, mas tornou visível o que uma poderosa cortina de silêncio tentava ocultar: o martírio palestino.

 

 

Foi marcante a fala de Yasser Arafat na ONU em 1974. Era a primeira vez que a voz palestina era ouvida neste importante espaço. Ao subir ao púlpito Arafat disse que trazia em uma das mãos uma arma e na outra mão um ramo de oliveira, “venho com a arma do combatente da liberdade em uma mão e um ramo de oliveira na outra. Não deixem que o ramo de oliveira caia de minha mão”, discursou Arafat, sendo muito aplaudido. Foi uma fala que colocou a questão Palestina no centro do debate internacional e comoveu milhões de homens e mulheres ao redor do mundo, com toda carga simbólica da resistência de um povo oprimido.

Desde jovem, no Cairo, Arafat participou, no movimento estudantil, das lutas pela libertação nacional da Palestina. Foi fundador da Fatah e sofreu, ao longo de sua vida, inúmeros atentados. Nesta segunda-feira (11), em todos os territórios palestinos a população fez manifestações recordando sua memória. As agências de notícias confirmam que pelo menos um jovem de 22 anos foi assassinado pelas forças israelenses durante um destes atos.

Para Walter Sorrentino, vice-presidente nacional do PCdoB e Secretário de Política e Relações Internacionais:

 
É triste constatar que a opressão continua tanto tempo depois da morte de Yasser Arafat, mas por outro lado é reconfortante saber que o principal legado de Arafat, o legado da coragem, seguirá impulsionando, até a vitória, a luta heroica do indômito povo palestino”.
Walter Sorrentino
 
 

por Wevergton Brito Lima, da Redação do i21/PV |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Fonte: Pagina12) / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/15-anos-sem-yasser-arafat-o-combatente-do-ramo-de-oliveira/

Trump teria dito que cabia a Israel pagar ajuda financeira aos palestinos, segundo jornalista

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
© REUTERS / Ariel Schalit/Pool

Segundo Barak Ravid, repórter do canal 13 de Israel, Trump negou ajuda financeira aos palestinos e disse que era Netanyahu quem tinha que pagá-la.

O episódio teria ocorrido ainda no início deste ano, após funcionários da Casa Branca terem contado ao repórter que a administração Trump cortou uma ajuda de US$ 12 milhões (cerca de R$ 48 milhões) aos palestinos.

Conforme publicou Barak Ravid no portal Axios, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, teria insistido para que os EUA cessassem sua ajuda financeira a funcionários da Autoridade Palestina.

Em compensação, o governo israelense teria proposto a Trump passar o dinheiro para Israel, enquanto este repassaria para aliados seus dentre as autoridades palestinas.

Não satisfeito, Trump teria retrucado de uma maneira inesperada.

"Se isso é importante para Netanyahu, então ele deveria pagar aos palestinos os US$ 12 milhões", teria dito Trump.

Hoje (7) o caso repercutiu na mídia israelense, ao passo que a Casa Branca preferiu não comentar o suposto episódio.

Preocupações de Israel

Ainda segundo o repórter, o governo de Israel está preocupado com o financiamento de atividades terroristas por parte de militantes palestinos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019110714745560-trump-teria-dito-que-israel-devia-dar-ajuda-financeira-aos-palestinos-segundo-jornalista/

Khalida Jarrar de novo nas mãos dos sionistas

Uma vaga de prisões lançada pela espionagem israelita abateu-se na madrugada desta quinta-feira sobre a Palestina ocupada. Entre os presos está a dirigente política palestiniana Khalida Jarrar.

A casa de Khalida Jarrar, dirigente da FPLP, foi assaltada na madrugada de quinta-feira por mais de 70 soldados israelitasCréditosNedal Eshtayah / Anadolu Agency

A dirigente política e ex-deputada palestina Khalida Jarrar voltou a ser presa pelas forças de ocupação israelitas. A sua filha Yafa informou, através do Twitter, que a casa da família, em El Bireh, nos arredores de Ramallah, foi assaltada às 3h da madrugada desta quinta-feira por mais de 70 soldados e 12 veículos militares, segundo reporta o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) em notícia publicada na sua página.

Desde domingo, 27 de Outubro, que diariamente se sucedem assaltos a casas e prisões, em diferentes partes da Cisjordânia ocupada, de quadros da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP). Só na madrugada desta quinta-feira, da 31, foram presos 12 militantes da FPLP, entre os quais a dirigente Khalida Jarrar e o escritor Ali Jaradat. Segundo o saudita Al-Awsat, os restantes prisioneiros ainda não terão sido identificados pelo Clube de Prisioneiros Palestinianos em Ramalah.

Em comunicado, a FPLP exortou a Autoridade Palestina e os seus serviços de segurança a interromperem todas as formas de coordenação de segurança com as forças de ocupação.

A advogada de Khalida Jarrar, Sahar Francis, da Addameer (Associação de Apoio e Direitos Humanos dos Presos), declarou ao jornal israelita Haaretz que a dirigente palestina foi levada para local desconhecido. O Haaretz adianta que a prisão foi efectuada pelo Shin Bet, o serviço de espionagem interno de Israel.

Khalida Jarrar, de 57 anos, volta a ser detida apenas oito meses após ser libertada de uma prisão israelita, depois de passar quase dois anos (20 meses) no regime de detenção administrativa. Ao abrigo deste regime Israel pode manter os palestinianos encarcerados por períodos de até seis meses, indefinidamente renováveis, sem julgamento nem culpa formada e sem sequer justificar os motivos da detenção.

Esta é a quarta vez que Jarrar é encarcerada pelas autoridades de ocupação israelitas. A sua primeira prisão foi a 8 de Março de 1989, aos 17 anos, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher, tendo ficado detida um mês sem julgamento. Em 2 de Abril de 2015 foi presa na sequência de, no ano anterior, se ter recusado a acatar uma ordem de expulsão emitida pelo exército israelita, e apenas foi libertada depois de uma campanha internacional após cerca de 15 meses de prisão, a 3 de Junho de 2016. Em 2 Julho de 2017 foi presa pela terceira vez e mantida reclusa ao abrigo das infames «medidas de segurança», sucessivamente estendidas, sendo finalmente libertada em 28 de Fevereiro de 2019, sem julgamento ou que qualquer acusação tivesse sido produzida.

Khalida Jarrar nasceu em Nablus, em 1963. Tem um doutoramento em Direitos Humanos e Democracia e é reconhecida como uma influente activista neste campo. Desde 1998, após assistir a uma cimeira internacional sobre o tema, em Paris, foi proibida de viajar para fora da Cisjordânia pelo ocupante sionista. Sofrendo de trombose venosa profunda, apenas em 2010 foi autorizada a viajar para Amã, na Jordânia, para ser tratada, depois de intensas pressões internacionais.

Em 20 de Agosto de 2014, na sua casa, em Ramallah, recebeu uma ordem de expulsão do exército israelita por ser considerada «uma ameaça à segurança» do Estado de Israel, tendo-lhe sido designada residência em Jericó po seis meses. Jarrar recusou-se a partir e respondeu que «é a ocupação que deve partir da nossa pátria». Referia-se aos Acordos de Oslo de 1993 e 1995, em que Israel reconheceu ficar a área de Ramallah «completamente sob jurisdição e governo palestiniano. O protesto da activista e uma campanha internacional de solidariedade reduziu o tempo de expulsão para um mês mas nem assim Jarrar não deixou Ramallah.

Como activista política, Khalida Jarrar tem-se focado nos direitos dos presos, na legislação social e na melhoria da condição das mulheres. Foi vice-presidente e directora executivo da Addameer e deputada ao Conselho Legislativo Palestino (parlamento), eleita em 2006 na lista da FPLP, liderada pelo seu secretário-geral, Ahmad Sa'adat, que desde 2008 cumpre uma pena de prisão de 30 anos nas cadeias de Israel.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/khalida-jarrar-de-novo-nas-maos-dos-sionistas

Presidente da Palestina promete dialogar com Hamas para realizar eleições

Mahmoud Abbas, presidente da Palestina
© Sputnik / Michael Mordasov

O presidente palestino, Mahmud Abbas, disse neste domingo (6) que discutirá planos para novas eleições parlamentares com todas as facções, incluindo o Hamas.

Durante encontro com líderes palestinos de Ramallah na Cisjordânia ocupada, Abbas renovou o compromisso de realizar eleições, mas não estipulou nenhum prazo. O último pleito foi realizado em 2006.

O presidente palestino anunciou que criou comitês para "se comunicar com a comissão eleitoral e todas as facções, como o Hamas, bem como com as autoridades israelenses". Ele disse que qualquer eleição deve ocorrer "na Cisjordânia, Jerusalém e na Faixa de Gaza".

O Hamas e o Fatah romperam em 2007, quando os islâmicos tomaram Gaza e expulsaram as forças de Abbas, que são reconhecidas internacionalmente e mantiveram o controle da Cisjordânia.

Desde então, nenhuma eleição foi realizada e os dois lados culpam um ao outro. 

Várias tentativas de reconciliação falharam e analistas dizem que novas eleições são impossíveis sem melhores relações.

O Hamas disse em comunicado no sábado que "não sabia o que Abu Mazen quer dizer com eleição geral", usando o apelido comum de Abbas. O movimento disse que já havia se comprometido com eleições.

Abbas já havia prometido em várias ocasiões realizar eleições, mas sem resultados.

Enquanto isso, Abbas também confirmou que a Autoridade Palestina havia recebido no domingo US$ 430 milhões de Israel - representando impostos que foram retidos no Estado judeu.

O dinheiro vem de impostos alfandegários cobrados sobre mercadorias destinadas aos mercados palestinos que transitam pelos portos de Israel e constituem mais de 50% das receitas da Autoridade Palestina.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019100614604869-presidente-da-palestina-promete-dialogar-com-hamas-para-realizar-eleicoes/

Sete presos palestinianos em greve de fome contra a detenção administrativa

Sete palestinianos estão em greve de fome por tempo indeterminado, protestando pelo facto de serem submetidos ao regime de detenção administrativa nas cadeias israelitas, sem acusações ou julgamento.

As forças de ocupação israelitas prendem um palestiniano na Margem Ocidental ocupada (imagem de arquivo)Créditos / Middle East Monitor

A Comissão dos Presos Palestinianos informou, esta segunda-feira, que um dos detidos, identificado como Ahmad Ghannam, de 42 anos e habitante da cidade de Dura (a sudoeste de Hebron), começou a greve de fome há 79 dias, em 14 de Julho, dia em que foi preso e detido sem acusação. Viu ser-lhe renovada a detenção administrativa no passado dia 6 de Setembro e enfrenta problemas de saúde graves, sobretudo porque tem cancro, revelam o portal imemc.org e o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

Outros presos em greve de fome são: Ismael Ali, com 30 anos, habitante de Abu Dis (perto de Jerusalém), que foi detido em Janeiro deste ano e iniciou a greve de fome há 69 dias; Tareq Qa'adan, com 46 anos, natural da província de Jenin (Norte da Cisjordânia ocupada), começou a greve de fome há 62 dias.

Mais recentemente, entrou em greve de fome (há sete dias) Mos'ab al-Hindi, de 29 anos, natural de Tal (perto de Nablus), que foi preso no passado dia 4 de Setembro. Al-Hindi é um «antigo preso político, que já esteve em greve de fome contra o regime de detenção administrativa, que viu ser renovado [pelas autoridades israelitas] 24 vezes», refere o portal imemc.org.

Também há sete dias em greve de fome está o prisioneiro palestiniano Ahmad Zahran, com 42 anos, da cidade de Deir Abu Mashal (perto de Ramallah). Foi preso em Março deste ano e entrou novamente em greve de fome depois de Israel se ter recusado a libertá-lo, apesar de um acordo alcançado nesse sentido, após um greve de fome de 39 dias.

Monir Bassel Sawafta, de 36 anos e natural de Tubas (Nordeste da Margem Ocidental ocupada), foi preso em Março deste ano, tendo sido condenado a seis meses de detençãoa administrativa.

Por seu lado, Hiba al-Lubbadi, de anos 24, é cidadã jordana e portadora de cartão de identidade da Palestina; foi presa no início deste mês, quando se deslocava da Jordânia, onde vive, para a Cisjordânia ocupada, mais concretamente para Jenin, onde reside a sua família.

De acordo com o imemc.org, foi submetida a «duros interrogatórios durante 25 dias consecutivos». Condenada a cinco meses de detenção administrativa, entrou em greve de fome há uma semana.

101 detenções administrativas em Setembro

A Comissão de Assuntos dos Presos e ex-Presos palestinianos informou esta segunda-feira que, no mês de Setembro, as autoridades de ocupação israelitas emitiram ou renovaram ordens de detenção administrativa contra 101 palestinianos encarcerados nas cadeias de Israel, revelam a agência WAFA e o MPPM.

Organizações de apoio aos presos afirmam que há actualmente nas cadeias israelitas cerca de 500 palestinianos em regime de detenção administrativa.

O regime de detenção administrativa permite ao Estado de Israel manter os palestinianos presos, sem acusação nem julgamento, por ordem de um comandante militar do Exército de ocupação israelita, «com base em provas secretas», afirma o MPPM.

Cada ordem de detenção administrativa pode ir até até seis meses, sendo indefinidamente renovável. Ao abrigo deste regime de detenção, os presos palestinianos podem passar anos encarcerados, e o seu fim é uma importante reivindicação do movimento dos presos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/sete-presos-palestinianos-em-greve-de-fome-contra-detencao-administrativa

Mais de 140 presos palestinianos continuam em greve de fome nas cadeias israelitas

Os presos – alguns em greve de fome há 14 dias – exigem que os serviços prisionais retirem das cadeias os inibidores de sinal de telemóvel, que provocam dores de cabeça severas e podem gerar cancro.

A greve dos prisioneiros palestinianos nos cárceres israelitas foi lançada há quase 15 dias, por tempo indeterminado (imagem de arquivo)Créditos / Hindustan Times

A greve por tempo indeterminado, iniciada há duas semanas por cerca de duas dezenas de prisioneiros palestinianos, a que se juntaram outros 120, prossegue nos cárceres israelitas, uma vez que o serviço prisional das forças ocupantes continua a não dar resposta a um conjunto de exigências colocadas pelo movimento dos presos, informou este domingo The Palestinian Information Centre.

Entre estas, contam-se a remoção dos inibidores de sinal (jammers) colocados nas cadeias, que provocam dores de cabeças severas e geram doenças cancerígenas; a autorização do uso de telefones públicos cinco dias por semana; a autorização das visitas familiares; e o fim das medidas repressivas das autoridades israelitas, indicou o Clube dos Prisioneiros Palestinianos.

Prémio literário retirado na Alemanha a escritora que apoia «causa palestiniana»

A cidade alemã de Dortmund reverteu a decisão de atribuir um prémio literário à romancista britânico-paquistanesa Kamila Shamsie, por esta apoiar o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) de apoio ao povo palestiniano, informa numa nota o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

Kamila Shamsie, a quem o Prémio Nelly Sachs foi atribuído no passado dia 10 e retirado dia 18, declarou ao portal Middle East Eye a sua «grande tristeza» pelo facto de o júri «se curvar perante a pressão» e disse-se indignada por o movimento BDS, que «leva a cabo uma campanha contra o governo de Israel devido aos seus actos de discriminação e brutalidade contra os palestinianos», ser «considerado como algo vergonhoso e injusto».

A escritora lembrou ainda o contexto político em que o júri do prémio optou por lhe retirar o prémio: «Nas recentes eleições israelitas, Benjamin Netanyahu anunciou planos de anexar até um terço da Cisjordânia, em violação do direito internacional, e a objecção a isso do seu opositor político Benny Gantz foi que Netanyahu lhe tinha roubado a ideia; e isso pouco depois do assassínio de dois adolescentes palestinianos pelas forças israelitas.»

Recentemente, o MPPM denunciava «o recrudescimento, em vários países, das tentativas de criminalizar e deslegitimar a solidariedade com o povo palestiniano, nomeadamente procurando estabelecer uma espúria equivalência da crítica ao sionismo e à política de Israel com o anti-semitismo». Um exemplo disso é «a inaceitável resolução do Bundestag alemão [aprovada em Maio último] visando equiparar a anti-semitismo o movimento internacional BDS».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mais-de-140-presos-palestinianos-continuam-em-greve-de-fome-nas-cadeias-israelitas

Publicações mais recentes

Últimos posts (Cascais)

Itens com Pin
    Atividades Recentes
    Aqui ainda não existem atividades

    Últimos posts (País e Mundo)

    Itens com Pin
      Atividades Recentes
      • LEGALIZAÇÃO DAS CASAS DE PROSTITUIÇÃO

        Um debate que provavelmente vai ganhar dimensão.
        Legalização da prostituição - petição apresentada na A.R
        Gravação da reunião na Assembleia da República
        0
        0
        0
        0
        0
        0
        Publicação sobre moderação
        Item de fluxo publicado com sucesso. Item passa a ser visível no seu fluxo.
      • Homicidal Cops Caught On Police Radio
        #TheJimmyDoreShow
        Homicidal Cops Caught On Police Radio
        42 219 visualizações
        •05/06/2020
        0
        0
        0
        0
        0
        0
        Publicação sobre moderação
        Item de fluxo publicado com sucesso. Item passa a ser visível no seu fluxo.
      Aqui ainda não existem atividades
      LOGO4 vert01
      A Plataforma Cascais - movimento cívico é um grupo aberto de cidadãos, autónomo de quaisquer interesses económicos, religiosos ou partidários.
      Todas as publicações deste site refletem apenas as opiniões dos seus autores e não responsabilizam a PC-mc
      exceto quando expressamente assinadas por esta.
       

      SSL Certificate
      SSL Certificate