Noruega

Noruega, o país que recusa desconfinar. “Isto é um pesadelo”

Helena Tecedeiro - 23/06/2020
 

Com 248 mortos para uma população de quase 5 milhões e meio, a Noruega tem sido apontada como um caso de sucesso na luta contra a covid-19. E as autoridades estão empenhadas em que assim continue.

Este verão há uma nacionalidade que não vamos ver nas praias do sul da Europa: noruegueses. O país nórdico, um dos primeiros a controlar a pandemia de covid-19 é neste momento um dos que mais resiste à reabertura que se vê um pouco por todo o continente. A entrada na Noruega continua vedada a todos os não-residentes e as viagens para fora do país, não estando proibidas formalmente, obrigam a uma quarentena de dez dias no regresso. Isto pelo menos até 20 de agosto.

A própria primeira-ministra Erna Solberg já veio dizer que as férias que tinha marcadas em Espanha terão de ficar para outro ano.

Leia mais em Diário de Notícias

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/23/noruega-o-pais-que-recusa-desconfinar-isto-e-um-pesadelo/

Noruega diz 'não' ao escudo de defesa antimísseis da OTAN

Governo norueguês se recusa a integrar o sistema antimísseis da OTAN, mas aumenta os gastos com defesa, cedendo a pressões da aliança.

O governo da Noruega decidiu recusar a instalação do escudo de defesa antimísseis da OTAN em seu território. O debate sobre a possível participação da Noruega gerou controvérsia por poder afetar as relações bilaterais com a Rússia.

"Após uma avaliação extensa da situação de segurança, o governo decidiu que a Noruega não irá considerar a compra de sensores avançados ou mísseis de interceptação que possam fazer parte do sistema de defesa antimísseis balísticos da OTAN", declarou a comissão de orçamento do país escandinavo.

"Eu acho que isso irá evitar futuras tensões", declarou a especialista em assuntos da Rússia Julie Wilhelmsen, do Instituto Norueguês de Relações Internacionais (NUPI, na sigla em inglês), conforme reportou o canal local TV2.

Em 2017, um documento secreto da defesa norueguesa alegava a "ameaça" da Rússia como a razão pela qual a Noruega deveria aderir ao "escudo antimísseis". O documento também listava algumas falhas estratégicas graves no sistema de defesa antiaérea do país, o que o incapacitaria de "se defender sozinho".

Gastos de defesa em alta 

Por outro lado, o governo do país escandinavo aumentou o seu gasto com defesa em mais de R$ 2,3 bilhões. A cifra atual representa 1,8% do PIB norueguês e um esforço para atingir a meta estipulada pela OTAN de 2% do PIB em gastos de defesa.

No início do ano, a Noruega havia caído três posições no ranking de contribuintes da OTAN. Atualmente o país ocupa a décima terceira posição, uma queda em relação à décima posição em 2017.

"A maioria dos outros países aumentou os seus gastos de forma mais significativa do que a Noruega. E foi por isso que caímos no ranking de contribuições", explicou o secretário-geral da OTAN e ex-primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, ao jornal local Verdens Gang.

Porta-voz da OTAN e ex-primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg
© AP Photo / Virginia Mayo
Porta-voz da OTAN e ex-primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg

O ministro da Defesa do país, Frank Bakke-Jensen, rebateu a alegação de que o país gasta pouco com as suas Forças Armadas: "Manter as capacidades antigas pode ser mais caro do que as novas. Os avanços tecnológicos fizeram as Forças Armadas ficarem muito mais caras, então não há dúvidas que nós estamos dedicando recursos para as Forças Armadas".

Escudo de defesa antimísseis da OTAN na Europa

Durante a última década, os planos da OTAN para instalar seu escudo de defesa antimísseis na Europa geraram muitas tensões no relacionamento entre a aliança e a Rússia.

Apesar de a aliança insistir que o objetivo do sistema não é confrontar a Rússia, mas defender-se de mísseis provenientes de países extracontinentais, Moscou argumenta que o sistema quebra o equilíbrio de forças entre as potências nucleares na Europa e pode provocar uma nova corrida armamentista.

Um soldado da OTAN durante manobras militares na Noruega
Um soldado da OTAN durante manobras militares na Noruega

A posição da Noruega sobre a instalação do escudo antimísseis é oscilante. Se inicialmente o país escandinavo era a favor da instalação, em 2010 manifestou-se contra. Ironicamente, no grupo que se opunha à instalação do sistema encontrava-se o atual secretário-geral da OTAN, Stoltenberg, na época líder do Partido Trabalhista local.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019100814609183-noruega-diz-nao-ao-escudo-de-defesa-antimisseis-da-otan/

Responsáveis noruegueses admitem nada conhecer acerca da Líbia, mas isso não os impediu de participar nas acções visando a “mudança de regime”

Na Noruega, um relatório oficial constatou que o país participou na agressão contra a Líbia desconhecendo completamente o que estaria em causa e as consequências que teria. Os responsáveis desculpam-se, como se os recentes exemplos, da Jugoslávia ao Iraque, não fossem suficientemente conclusivos sobre a falsidade das razões invocadas, em particular pelos EUA, para cada ofensiva imperialista.


 

Um novo relatório oficial apresentado pelo governo norueguês ilustra o persistente absurdo do aventureirismo no estrangeiro e da expansão da NATO para lugares muito distantes do “Atlântico Norte” explicito no nome North Atlantic Treaty Organization – lugares como Afeganistão, Líbia, Ucrânia ou Síria.

Responsáveis noruegueses de topo admitiram agora que “tinham um conhecimento muito limitado” dos acontecimentos em desenvolvimento na Líbia durante 2010 e 2011, anteriores à intervenção da NATO em apoio dos rebeldes anti-Khadafi – uma guerra cujo resultado foi uma mudança de regime e um Estado falhado dirigido até aos dias de hoje por governos competindo entre si e milícias extremistas. A Noruega associou-se entusiasticamente ao bombardeamento do país comandado pelos EUA, Grã-Bretanha e França que teve início em Março de 2011, apesar de ter inteiro conhecimento de que os seus militares não conheciam praticamente nada do que se verificava no terreno.

Mas de que dispunham os que decidiram prosseguir? Registem o absurdo que o relatório oficial[1] reconhece: “Em situações como estas, os decisores frequentemente apoiam-se em informação dos media e de outros países,” lê-se no relatório.

A comissão que produziu o relatório era presidida por um anterior Ministro dos Estrangeiros Jan Petersen, e acaba por concluir que políticos em Oslo arrastaram o país para o bombardeamento liderado pelos EUA sem tomar qualquer consideração acerca daquilo que viria a seguir.

O relatório da comissão constata que não existiam[2] “quaisquer fontes documentais” que minimamente tentassem descrever a natureza do conflito a que a Noruega se iria associar. Os responsáveis não foram capazes de “caracterizar o tipo de conflito em que a Noruega estava a intervir”, reconhece.

O nome NATO para a operação era o nome de código EUA ‘Operation Odyssey Dawn’ (Operação Odisseia Amanhecer), e a Noruega participou com 596 missões de combate durante os primeiros cinco meses na intervenção NATO, lançando 588 bombas sobre alvos líbios, segundo o relatório. A Noruega fornecera seis jactos de combate F-16 e refere-se que os seus pilotos realizaram 10% de todos os ataques da coligação contra forças pró-Khadafi.

O anterior líder do Partido do Centro Liv Signe Navarsete disse acerca do relatório[3] final que: “Quando olhamos para o que sucedeu a seguir, com a Líbia a tornar-se um centro de concentração do terrorismo, não podemos orgulhar-nos da decisão tomada.”

A guerra tinha sido vendida ao público europeu em termos “humanitários” e incluía sensacionais histórias de atrocidades, muitas das quais veio depois a provar-se serem falsas, representando o dirigente líbio Muhammar Khadafi como um maníaco homicida irracional.

Uma história notável explicitamente promovida pelo Departamento de Estado e pela embaixadora dos EUA junto da ONU Susan Rice foi a história da violação em massa alimentada a Viagra, que pretendia que Khadafi teria supostamente fornecido Viagra às suas tropas de modo a desencadear terrorismo sexual contra a população civil. A Amnistia Internacional e outros investigadores sobre direitos humanos provaram depois que essa história era completamente falsa.

Alguns políticos noruegueses afirmam agora que o país foi enganadoramente envolvido em mais uma operação de mudança de regime dirigida pelos EUA semelhante ao derrubamento de Saddam Hussein em 2003. Entretanto, tendo em conta que os dirigentes europeus tinham perante si o flagrantemente óbvio exemplo do Iraque e das mentiras sobre as quais fora construído numa situação historicamente tão recente, isto parece mais o inventar de desculpas para evitar assumir a responsabilidade pública.

Há muito que a Líbia foi esquecida pelos grandes meios de comunicação ocidentais, mas regressou aos títulos de primeira página quando uma pequena guerra civil irrompeu recentemente no interior de áreas sob o controlo do Governo de Acordo Nacional (GNA) reconhecido pela ONU, em Trípoli. Desde o derrube de Khadafi o país tem sido disputado por três (e por vezes quatro) governos rivais enquanto as ruas são dominadas pelas milícias islamitas, incluindo terroristas do ISIS em algumas áreas.

De acordo com uma reportagem CNN do ano passado, passaram desde então a existir mercados de escravos a céu aberto, enquanto a Líbia permanece em grande medida sem lei e uma infra-estrutura e uma economia nacional estável foi arruinada.

Fonte: https://www.zerohedge.com/news/2018-09-18/norway-officials-admit-they-knew-nothing-about-libya-joined-regime-change-efforts

 

References

  1. ^ o relatório oficial (www.regjeringen.no)
  2. ^ não existiam (www.regjeringen.no)
  3. ^ disse acerca do relatório (www.rt.com)
  4. ^ endereço (www.odiario.info)
  5. ^ odiario.info (odiario.info)

 

 

Leia original aqui

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