Negócio

Está a gastar mais dinheiro no supermercado? Não é impressão sua

Sem prejuízo de comerem mais em casa, alguns portugueses sentiram que os preços dos alimentos terão aumentado durante a pandemia. Uma análise do ECO mostra que é mais do que simples perceção.

 
 
 

Todos os dias, milhões de portugueses vão aos hipermercados para abastecer a despensa lá de casa. Ninguém vive sem comer e a pandemia não extinguiu esta espécie de “ritual”. Porém, nem tudo está igual. É preciso usar máscara para prevenir a Covid-19 e as entradas são constantemente controladas por seguranças.

Mas olhando para o talão das compras, muitos consumidores também se aperceberam de que outra coisa terá mudado. Sem prejuízo de estarem a adquirir mais coisas, uma vez que também passaram a consumir mais refeições em casa devido ao confinamento, os preços de alguns produtos aparentam estar mais caros.

Quem acredita ter visto a “fatura” da mercearia a aumentar terá sido surpreendido pela última atualização da inflação pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Segundo o organismo oficial de estatística, os preços em Portugal terão caído no mês do desconfinamento, com o índice de preços no consumidor (IPC) a apresentar o valor de -0,7% em maio. Ou seja, terá havido deflação, isto é, uma redução generalizada dos preços.

Numa primeira análise, os dados parecem desmentir a perceção que muitas famílias tiveram de que as coisas ficaram mais caras nos meses da pandemia. Mas será mesmo assim? O ECO foi procurar saber, afinal, o que se passou para esta perceção se ter instalado entre muitos portugueses.

Um “mergulho” nos dados do INE coloca a descoberto uma realidade de subida generalizada dos preços dos bens alimentares em abril, seguido de recuos em cadeia, ou seja, entre abril e maio. Foi o efeito dos combustíveis que levou o IPC para terreno negativo no mês passado, porque, no que toca aos alimentos, a tendência é mesmo de subida.

É o próprio INE que, em resposta ao ECO, confirma essa subida: “Efetivamente, o IPC apurou em abril um aumento generalizado de preços na maioria das subcategorias da classe dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, dos quais se destacam os produtos hortícolas e o peixe, crustáceos e moluscos”, afirma fonte oficial do instituto.

Dados adicionais cedidos ao ECO mostram que, em abril, os preços dos produtos hortícolas subiram 7,72% face a março, enquanto a subcategoria do peixe, crustáceos e moluscos registou um aumento de 3,61%. Em termos homólogos, as subidas foram de 6,48% e de 5,69%, respetivamente.

Não foram, porém, as únicas subcategorias a registarem aumentos no mês em que Portugal registou o pico da pandemia, embora a volatilidade histórica destas componentes da inflação seja um fator a ter em conta. No caso das frutas, os preços subiram 1,56% em abril face a março, e registaram nova subida em maio face a abril, de 6,7%.

Aumento de custos ajuda a explicar

Não é claro o motivo exato por detrás destes aumentos, mas os constrangimentos provocados pelo novo coronavírus na economia ajudam na explicação.

Veja-se o caso dos produtos hortícolas, uma subcategoria que abrange dezenas ou mesmo centenas de diferentes produtos, tais como batata, beringela ou alface. Em declarações ao ECO, Domingos dos Santos, presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP), que representa fornecedores de todas as marcas de retalho nacionais, confirma que houve “um aumento dos custos em todos os processos”.

Admite, por isso, que as distribuidoras possam ter puxado pelos preços de alguns produtos de forma a mitigar o impacto nas margens de lucro. Mas nega que esses aumentos se verifiquem do lado do produtor. “Confirmo o aumento de custos na produção. Não há aumento de preço de venda pelo produtor, mas é possível que haja um aumento de preços ao consumidor”, indica, reiterando, ainda assim, não serem aumentos “generalizados”.

Dá como exemplo todo o processo desde a encomenda dos produtos pelas grandes superfícies ao transporte até às prateleiras dos hipermercados. Desde logo, um camionista, no passado, “chegava a central e ele próprio carregava as paletes. Agora, é preciso fazer procedimentos, desinfeção, monitorizar a temperatura corporal. Na própria central, as pessoas estão mais afastadas, algumas têm de fazer turnos”, explica.

Confirmo o aumento de custos na produção. Não há aumento de preço de venda pelo produtor, mas é possível que haja um aumento de preços ao consumidor. (Domingos dos SantosPresidente da FNOP)

 

No caso das carnes, o cenário é diferente. João Bastos, secretário-geral da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, garante que o preço no produtor até baixou no período da pandemia.

“Se a carne de porco está mais cara no retalho, não conseguimos encontrar justificações, uma vez que ao produtor o preço baixou (em termos médios) 30% no período compreendido entre a semana 11 e a semana 22 [9 de março a 31 de maio]. Nas semanas 23 e 24 [1 de junho a 14 de junho] já se assistiu à estabilização dos preços, prevendo-se que nas próximas semanas o preço pago ao produtor possa vir a subir mas nunca para níveis sequer próximos dos verificados no primeiro trimestre deste ano”, diz o responsável.

Contas feitas, havendo, o aumento será também no lado da distribuição, acredita: “Se efetivamente houve esse aumento dos preços ao consumidor, só podemos interpretar como um aproveitamento do apelo ao consumo de produtos nacionais para aumentar as margens de lucro na distribuição”, aponta.

O ECO contactou o Continente, que remeteu para a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). No entanto, mesmo após insistência, não foi possível obter resposta da associação em tempo útil. Contactada, a Associação dos Comerciantes de Pescado também não respondeu. O grupo Dia, dono de insígnias como o Minipreço, não quis comentar, tal como o grupo Mosqueteiros, dono de insígnias como o Intermarché.

Contactado pelo ECO, o Pingo Doce não respondeu diretamente sobre o aumento de preços patente nos dados do INE. Mas a marca da Jerónimo Martins garantiu, contudo, que “não só manteve os seus preços desde o início da pandemia como até aumentou a sua dinâmica promocional”. “Durante abril e maio, o Pingo Doce lançou uma forte campanha promocional em televisão, com grandes promoções em várias categorias de produtos, ao mesmo tempo que divulgava e promovia os produtos nacionais”, sublinhou.

Certo é que o retalho vive um momento de pressão por causa da pandemia, à semelhança da generalidade das empresas, mas forçado a manter as portas abertas para que os portugueses possam ter comida na mesa. Isto traduz-se em mais custos, mas engana-se quem acredita que as grandes superfícies comerciais saíram beneficiadas de tudo isto. A última atualização do INE mostra que o índice de volume de negócios no comércio a retalho afundou 21,6% em abril, depois de uma queda de 5,6% em março.

Para esta variação negativa contribuiu uma queda de 34,3% nas vendas de produtos não alimentares, enquanto os produtos alimentares caíram bem menos: recuaram 5% em abril, depois de uma subida de 9% em março, mês marcado pelo “açambarcamento” de alguns produtos.

 

Ver original em 'ECO' na seguinte ligação:

https://eco.sapo.pt/2020/06/26/esta-a-gastar-mais-dinheiro-no-supermercado-nao-e-impressao-sua/

Portugal da fraude | Dispara venda de máscaras com certificação falsa e sem proteção

 
 
"Não há nenhuma máscara certificada que resista a 25 lavagens, muito menos a 50 e ainda menos a 90", garante Braz Costa, diretor-geral do Citeve.
 
Prometem máscaras com cores, feitios e dezenas ou centenas de lavagens com certificação. No entanto, uma grande parte das empresas que vendem máscaras reutilizáveis na Internet e em algumas lojas de retalho nunca pediram testes de produtos ao Citeve, o único centro tecnológico têxtil com protocolo com o Infarmed e DGS para certificar.
 
Uma rápida pesquisa no Google ou Facebook permite encontrar dezenas de vendedores que asseguram estar certificados pelo centro tecnológico ou que vendem máscaras reutilizáveis várias vezes.
 
A "Safe Máscaras Reutilizáveis", por exemplo, promete "enorme resistência e durabilidade" em "mais de 100 lavagens". O problema é que o Citeve ainda não certificou máscaras que sejam reutilizáveis mais de cinco vezes. O JN confrontou a empresa, mas não obteve qualquer resposta.
 
Para Braz Costa, produtos com mais lavagens "podem não cumprir parâmetros fundamentais para que a proteção possa acontecer", uma vez que não foram testados.
 
Há ainda outras empresas que asseguram ter máscara "lavável até 50 vezes e certificada", como a Hospivida. No Facebook, a empresa refere que o produto é certificado "pelo Citeve". Contudo, o centro só terá certificado as propriedades antibacterianas do tecido, o que não garante a fiabilidade da máscara como um todo, pois ficam por analisar outros aspetos como a filtragem de partículas e a respirabilidade, por exemplo.
 
 
SÓ TECIDO NÃO BASTA
 
"A proteção não vai resistir a 50 lavagens", assegura Braz Costa, que revela que o uso da certificação do tecido como se fosse da máscara toda é o logro mais comum: "Já detetámos várias situações e entramos em contacto com as empresas para resolverem o problema".
 
Há ainda entidades públicas que caem no engano. A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior ofereceu, no dia 22, máscaras que dizia estarem "certificadas para 75 lavagens". O logro foi denunciado pelo "Sexta às 9", da RTP, e desde então a junta passou a anunciar que é o tecido que está certificado. Ou seja, a máscara não garante proteção contra as partículas de Covid-19. Ao JN, o presidente da Junta, Miguel Coelho, não quis falar sobre o assunto.
 
Entretanto, a ASAE tem multiplicado as ações de fiscalização junto de vendedores não certificados. Quem quiser vender deve "dar cumprimento aos normativos legais e à legislação aplicável", sob pena "de estar a ser desenvolvida uma atividade ilegal", refere aquela autoridade ao JN, que está a compilar o número de contraordenações e processos-crime já instaurados por venda irregular ou ilegal de equipamentos de proteção.
 
Delfim Machado | Jornal de Notícias
 
 
Na imagem: Câmara da Póvoa de Lanhoso distribuiu à população 12 mil máscaras que levaram o selo do Citeve sem estarem certificadas

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/portugal-da-fraude-dispara-venda-de.html

VACINAS, O GRANDE NEGÓCIO DO SÉCULO

                               
 
Vivemos uma época completamente inédita da História, não tanto pelas inovações nos diversos campos da tecnologia, como sobretudo, pela construção - já no presente, mesmo que poucos disso se apercebam - de um mundo onde todos os pequenos gestos do quotidiano de uma pessoa possam ser retraçados até ao pormenor. E isto, numa escala massiva, à escala de uma população inteira. 
Mas, como é que esta «maravilha» tecnológica da vigilância em massa se está sub-repticiamente infiltrando, não apenas em regimes ditatoriais, mas também e de forma oculta nos regimes ditos de democracia liberal, supostamente preocupados com a defesa dos direitos humanos? 
- O processo de levar a cabo esse controlo foi concebido e está a ser ensaiado em tempo e tamanho reais, nas nossas populações. 
O coronavírus, por muito devastador que seja, tem a vantagem, para os empórios farmacêuticos, de ser um negócio...multibilionário. 
Segundo um ilustre imunologista, são 60 laboratórios diferentes, espalhados pelo mundo, a ensaiar várias modalidades de vacina. Claro, que este processo está a ser apadrinhado pela Fundação Gates, em relação a determinadas propostas de vacinas, nomeadamente, a da firma Moderna, sediada em Cambridge, Massachusetts.
Mas, este processo não se limita a isto, pois vem acoplado com uma assinatura ou tatuagem invisível que as pessoas vacinadas terão no ante-braço, sem a qual não poderão viajar ou fazer outras coisas essenciais na sua vida. Assim, o número inscrito no antebraço, decifrado por meio de um algoritmo, processo patenteado pela Microsoft, dará a identificação do indivíduo às autoridades. Um indivíduo não poderá fazer nada se não for vacinado. Ou seja, graças à vacina, haverá um controlo total (totalitário) da população. 
Parece uma ideia extraída de um romance de ficção científica, mas não é. Os globalistas - Bill Gates, George Soros, Rockefeller, etc «as pessoas de Davos» - são também eugenistas e neo-malthusianos
As suas façanhas no passadonão deixam dúvidas. No presente, a pandemia do coronavírus - quer seja ou não um vírus fabricado em laboratório - serve às mil maravilhas para estenderem os seus tentáculos sobre organizações internacionais como a OMS e imporem as suas «soluções» aos governos, temerosos de um cataclismo sanitário. Para estes globalistas, é o momento ideal para fazerem passar por uma «luta pela saúde» a sua agenda neo-malthusiana. Segundo esta visão, «há pessoas a mais no planeta; logo, deveria haver meios técnicos e políticas para levar avante a tarefa de reduzir, o que seja necessário, desta população mundial».
 
No passado, a biologia foi usada de modo bárbaro, vejam-se os horrores nos campos de concentração nazis, etc. Agora, a biologia está integrada dentro dos processos tecnológicos através da biotecnologia, para impor uma estandardização de todo o vivente: desde as culturas OGM (organismos geneticamente modificadas), às vacinas e à medicina robotizada através de AI (Artificial Intelligence), estamos muito avançados na construção desta distopia (= utopia negativa).
Aldous Huxley e George Orwell ficariam certamente tristes, senão aterrados, ao olhar o presente, pois ele não é menor pesadelo que as distopias que imaginaram e descreveram nos seus famosos romances «Admirável Mundo Novo» e «1984».
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Hospitais privados disponíveis para fazer negócio à conta do Covid-19*

(Comentário:

É triste constatar que há quem ponha o negocismo acima de quaisquer valores humanos.

Quem ouviu Óscar Gaspar (porta-voz dos Hospitais privados) na TSF terá reparado no ênfase que colocou na necessária CONTRATUALIZAÇÃO do Estado com os "Grupos de Saúde" lucrativos. Ou seja, os grandes grupos financeiros da doença (que 'desapareceram' logo que a pandemia começou) não vêm propor-se apoiar solidariamente o combate ao covid-19. O que querem é que o Estado transfira para eles os tratamentos não epidémicos pagando-lhes certamente a tão bom preço quanto o dos laboratórios Germano de Sousa que cobram  cada teste do covid-19 a 200€.

Esta 'jogada de antecipação' pretende provavelmente que o Governo português não siga o exemplo de Espanha em que o os Hospitais privados ficaram sob as ordens do Estado para fazer face à situação de crise. Lá se ía o negócio em tempo tão propício...)

 

 

O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) garante que os hospitais privados estão disponíveis para receber doentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A pandemia de coronavírus deixou os hospitais públicos sobrelotados. A APHP reúne-se hoje, por videoconferência, com a Direção-Geral de Saúde (DGS) para agilizar a forma como o sistema de saúde poderá organizar-se no futuro, escreve o jornal Público.

“A reunião é para falar sobre estas questões e perceber o que a DGS quer fazer em termos de reorganização do sistema. Na nossa perspetiva, entendemos que é preferível existirem hospitais que de alguma forma aliviem a carga dos hospitais como Santa Maria, São João ou Curry Cabral; para que casos que normalmente são seguidos por essas unidades possam ser encaminhados para os hospitais privados e faríamos esse trabalho”, explicou Óscar Gaspar, presidente da APHP.

As urgências dos hospitais estão muito sobrecarregadas neste momento e havendo capacidade nas urgências dos hospitais privados, podemos substitui-los nesse aspeto”, acrescentou.

Caso fosse tratado num hospital privado, não seria o doente a encarregar-se dos custos. Estes seriam suportados através de um contrato com o Ministério de Saúde.O que defendemos é uma contratualização, que não precisa de ser muito complexa nesta fase”, salienta Óscar Gaspar.

O presidente da APHP disse ainda ao Público que é importante ter uma ação conjunta, uma vez que “vão continuar a existir pessoas com AVC, traumatismos, a precisar de lugares de cuidados continuados”.

Independentemente daquilo que sair da reunião de hoje, Gaspar garante que os privados já se estão a preparar para receber os pacientes do setor público. O gestor conta que a DGS pediu também aos hospitais privados para começarem a fazer testes aos casos suspeitos de Covid-19.

“A Luz Saúde está a preparar dez ventiladores para ceder ao Hospital de Santa Maria para serem montados amanhã [terça-feira]”, disse Óscar Gaspar ao Público. A CUF, por sua vez, vai oferecer 50 ventiladores ao SNS.

DGS recomenda cremação de cadáveres de doentes

A Direção-Geral de Saúde (DGS) emitiu uma norma sobre cuidados ‘post-mortem’ com cadáveres de pessoas infetadas com o novo coronavírus, recomendando a cremação dos corpos e determinando, em caso de enterro, que o caixão não seja aberto.

A norma publicada esta segunda-feira na página da DGS emite um conjunto de orientações para os profissionais que têm que lidar com os cadáveres de doentes que morram com Covid-19, ou quando mesmo sem confirmação suspeitem que tenha sido essa a causa da morte, devendo neste último caso ser colhidas amostras biológicas antes do envio do corpo para a casa mortuária, que serão depois submetidas a análise.

Todos os dispositivos e materiais usados no tratamento devem ser retirados do corpo, descartados para os seus contentores específicos e o cadáver deve ser deixado limpo e seco, desinfetando orifícios e tamponando orifícios para impedir riscos de saída de fluidos.

“É essencial que os profissionais que realizam os funerais e todos os outros envolvidos no manuseio do corpo, sejam informados sobre o risco potencial de infeção, incluindo os familiares”, lê-se na norma, que obriga a diminuir a acumulação de cadáveres e proíbe o embalsamamento.

Ainda que não seja obrigatório, a DGS refere que os cadáveres devem, “de preferência” ser cremados, mas quando isso não aconteça os corpos, que devem sempre ser embalados em sacos impermeáveis, ficam em caixão fechado, estando as famílias também proibidas de os abrir.

A DGS determina também normas estritas de higiene e proteção pessoal para quem tenha que manusear o corpo, impondo o uso de material impermeável, máscaras cirúrgicas e óculos de proteção.

Os familiares devem procurar informação sobre o risco potencial de infeção e “cumprir integralmente as orientações recebidas”.

A norma indica detalhadamente como deve ser acondicionado o corpo, como proceder na desinfeção do quarto ou enfermaria e os cuidados a ter pelos profissionais que realizam a autópsia, quando esta é realizada, havendo também neste caso indicações sobre como proceder durante o processo e na desinfeção e limpeza do espaço, quando concluída.

20% dos infetados são médicos

A Ordem dos Médicos denunciou esta segunda-feira que 20% dos infetados com Covid-19 são médicos e alertou que a falta de equipamentos de proteção individual está a ser o calcanhar de Aquiles do combate ao novo coronavírus.

“Do número de casos de infeção pelo novo coronavírus conhecido até ao momento, pelo menos 20% são já em médicos”, revela a Ordem, alertando para a necessidade de serem divulgadas orientações claras sobre que equipamentos usar e em que circunstâncias e de os disponibilizar “a todos os profissionais que estão no terreno a combater esta situação de emergência de saúde pública internacional”.

“Na fase em que nos encontramos não é possível continuarmos a só proporcionar equipamentos de proteção individual em locais de apoio direto ao Covid-19”, defende a Ordem, frisando que, com cadeias de transmissão desconhecidas, “todas as pessoas que estão no terreno, em todas as unidades de saúde, precisam de estar devidamente protegidas”.

Na nota enviada às redações, o bastonário, Miguel Guimarães, diz que têm chegado à Ordem dos Médicos vários relatos de escassez ou inexistência de equipamentos de proteção individual, bem como da falta de orientações claras sobre que equipamentos os médicos devem usar e quando.

Miguel Guimarães insta a que todos os colegas reportem as falhas e exijam trabalhar devidamente protegidos, “por si, pelos doentes e pelos portugueses”.

ZAP // Lusa

* Título da PG
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/hospitais-privados-disponiveis-receber-pacientes-do-sns-314160

BIG PHARMA PREPARA-SE PARA LUCRAR COM O CORONAVÍRUS

 
 
 
À MEDIDA QUE O NOVO CORONAVÍRUS espalha doenças, mortes e catástrofes pelo mundo, praticamente nenhum setor económico foi poupado de danos. No entanto, em meio ao caos da pandemia global, um setor não apenas sobrevive, mas também lucra enormemente.
 
"As empresas farmacêuticas vêem o Covid-19 como uma oportunidade de negócios única na vida", disse Gerald Posner, autor de " Indústria farmacêutica: ganância, mentira e envenenamento da América ". O mundo precisa de produtos farmacêuticos, é claro. Para o novo surto de coronavírus, em particular, precisamos de tratamentos e vacinas e, nos EUA, testes. Agora, dezenas de empresas estão competindo para fazê-las.
 
"Eles estão todos nessa corrida", disse Posner, que descreveu os ganhos potenciais por vencer a corrida como enormes. A crise global "será potencialmente um sucesso de público para o setor em termos de vendas e lucros", disse ele, acrescentando que "quanto pior a pandemia, maior será o lucro final".
 
A capacidade de ganhar dinheiro com produtos farmacêuticos já é excepcionalmente grande nos EUA, que carece dos controles básicos de preços de outros países, dando às empresas farmacêuticas mais liberdade sobre a definição de preços para seus produtos do que em qualquer outro lugar do mundo . Durante a crise atual, os fabricantes de produtos farmacêuticos podem ter ainda mais margem de manobra do que o habitual por causa dos lobistas da indústria de idiomas inseridos em um pacote de gastos com coronavírus de US $ 8,3 bilhões, aprovado na semana passada, para maximizar seus lucros com a pandemia.
 
Inicialmente, alguns legisladores tentaram garantir que o governo federal limitasse o quanto as empresas farmacêuticas poderiam colher de vacinas e tratamentos para o novo coronavírus que eles desenvolveram com o uso de financiamento público. Em fevereiro, o deputado Jan Schakowsky, D-Ill. E outros membros da Câmara escreveram a Trump alegando que ele "assegura que qualquer vacina ou tratamento desenvolvido com o dinheiro dos contribuintes dos EUA seja acessível, disponível e acessível", uma meta que eles disseram que não poderiam seja cumprida "se as empresas farmacêuticas tiverem autoridade para definir preços e determinar a distribuição, colocando os interesses lucrativos acima das prioridades de saúde".
 
 
Quando o financiamento do coronavírus estava sendo negociado, Schakowsky tentou novamente, escrevendo ao secretário de Saúde e Serviços Humanos Alex Azar em 2 de março que seria “inaceitável se os direitos de produzir e comercializar a vacina fossem subsequentemente cedidos a um fabricante de produtos farmacêuticos por meio de um exclusivo licença sem condições de preço ou acesso, permitindo à empresa cobrar o que quiser e essencialmente vendendo a vacina de volta ao público que pagou pelo seu desenvolvimento. ”
 
Mas muitos republicanos se opuseram a acrescentar linguagem ao projeto que restringiria a capacidade de lucro do setor, argumentando que isso sufocaria a pesquisa e a inovação. E embora Azar, que atuou como o principal lobista e chefe de operações dos EUA para a gigante farmacêutica Eli Lilly antes de ingressar no governo Trump, tenha garantido a Schakowsky que ele compartilhava suas preocupações, o projeto passou a consagrar a capacidade das empresas farmacêuticas de estabelecer preços potencialmente exorbitantes para vacinas e medicamentos que eles desenvolvem com dólares dos contribuintes.
 
O pacote de ajuda final não apenas omitiu a linguagem que teria limitados os direitos de propriedade intelectual dos fabricantes de drogas, como proibiu especificamente o governo federal de tomar qualquer ação se houver preocupações de que os tratamentos ou vacinas desenvolvidos com fundos públicos tenham um preço muito alto.
 
"Esses lobistas merecem uma medalha de seus clientes farmacêuticos porque mataram essa provisão de propriedade intelectual", disse Posner, que acrescentou que a linguagem que proíbe o governo de responder a preços altos é ainda pior. "Permitir que eles tenham esse poder durante uma pandemia é escandaloso."
 
A verdade é que lucrar com o investimento público também é um negócio usual para a indústria farmacêutica. Desde a década de 1930, os Institutos Nacionais de Saúde investiram cerca de US $ 900 bilhões em pesquisas que as empresas farmacêuticas usavam para patentear medicamentos de marca, de acordo com os cálculos de Posner. Cada medicamento aprovado pela Food and Drug Administration entre 2010 e 2016 envolveu ciência financiada com dólares de impostos através do NIH, de acordo com o grupo de advocacia Pacientes por medicamentos acessíveis . Os contribuintes gastaram mais de US $ 100 bilhões nessa pesquisa.
 
Entre os medicamentos que foram desenvolvidos com algum financiamento público e que acabaram ganhando muito dinheiro para empresas privadas, estão o AZT e o tratamento contra o câncer Kymriah, que a Novartis agora vende por US $ 475.000.
 
Em seu livro "Pharma", Posner aponta para outro exemplo de empresas privadas que obtêm lucros exorbitantes com medicamentos produzidos com financiamento público. O medicamento antiviral sofosbuvir, usado no tratamento da hepatite C, surgiu de pesquisas-chave financiadas pelo National Institutes of Health. O medicamento agora é de propriedade da Gilead Sciences, que cobra US $ 1.000 por comprimido - mais do que muitas pessoas com hepatite C podem pagar; A Gilead faturou US $ 44 bilhões com o medicamento durante seus primeiros três anos no mercado.
 
"Não seria ótimo ter parte dos lucros desses medicamentos voltando à pesquisa pública no NIH?" perguntou Posner.
 
Em vez disso, os lucros financiaram bónus enormes para executivos de empresas farmacêuticas e marketing agressivo de medicamentos para os consumidores. Eles também foram usados ​​para aumentar ainda mais a lucratividade do setor farmacêutico. De acordo com os cálculos da Axios , as empresas farmacêuticas obtêm 63% do lucro total da assistência médica nos EUA. Isso se deve em parte ao sucesso de seus esforços de lobby. Em 2019, a indústria farmacêutica gastou US $ 295 milhões no lobby, muito mais do que qualquer outro setor nos EUA. Isso é quase o dobro do próximo maior gasto - o setor de electrónicos, manufatura e equipamentos - e muito mais do que o dobro do que as empresas de petróleo e gás gastaram no lobby. A indústria também gasta generosamente em contribuições de campanha para legisladores democratas e republicanos. Nas primárias democratas, Joe Biden liderou o grupo entre os que receberam contribuições das indústrias de assistência médica e farmacêutica.
 
Os gastos da Big Pharma posicionaram bem o setor para a atual pandemia. Embora as bolsas de valores tenham despencado em reação aos problemas da administração Trump, mais de 20 empresas que trabalham com uma vacina e outros produtos relacionados ao novo vírus SARS-CoV-2 foram amplamente poupados. Os preços das ações da empresa de biotecnologia Moderna, que começou a recrutar participantes para um ensaio clínico de seu novo candidato a uma vacina contra o coronavírus há duas semanas, dispararam  durante esse período.
 
Na quinta-feira, um dia de carnificina geral nas bolsas de valores, as ações de Eli Lilly também tiveram um impulso depois que a empresa anunciou que também está se  unindo aos esforços  para criar uma terapia para o novo coronavírus. E a Gilead Sciences, que também trabalha em um tratamento potencial, também está  prosperando . O preço das ações da Gilead   já estava alto desde a notícia de que seu remdesivir antiviral, criado para tratar o ebola, estava sendo dado a pacientes do Covid-19. Hoje, depois que o Wall Street Journal informou que a droga teve um efeito positivo em um pequeno número de passageiros infectados de navios de cruzeiro, o preço subiu ainda mais.
 
Várias empresas, incluindo Johnson & Johnson, DiaSorin Molecular e QIAGEN deixaram claro que estão recebendo financiamento do Departamento de Saúde e Serviços Humanos por esforços relacionados à pandemia, mas não está claro se Eli Lilly e Gilead Sciences estão usando o governo dinheiro pelo seu trabalho no vírus. Até a presente data, o HHS não emitiu uma lista de destinatários. E, de acordo com a Reuters, o governo Trump disse às principais autoridades de saúde que tratem suas discussões sobre coronavírus como funcionários classificados e excluídos sem autorização de segurança das discussões sobre o vírus.
 
Os ex-lobistas de elite de Eli Lilly e Gilead agora servem na Força-Tarefa de Coronavírus da Casa Branca . Azar atuou como diretor de operações dos EUA para Eli Lilly e fez lobby para a empresa, enquanto Joe Grogan, agora servindo como diretor do Conselho de Política Doméstica, era o principal lobista da Gilead Sciences.
 
 

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Portugal | Os golos não têm cor

 
 
Jornal de Notícias | editorial
 
Já tínhamos visto de tudo no futebol português. Na verdade, pensávamos que já tínhamos visto de tudo no futebol português. Afinal, não. Afinal, ainda havia um nível subterrâneo para percorrer no imenso lodaçal em que germina o desporto mais mobilizador do país.
 
O racismo entrou em campo, vindo de fora do campo, e acabou como deve acabar. Fora de jogo. Os insultos racistas de que foi vítima Marega envergonham o futebol, mas envergonham sobretudo o país. E são, infelizmente, um retrato cru de uma guerra civil que, a cada jornada que passa, se alimenta com mais voragem de uma cultura de ódio que nada tem que ver com os valores do desporto ou sequer de uma sociedade livre, democrática e inclusiva.
 
Mas agora ponha o dedo no ar quem podia garantir que, mais cedo ou mais tarde, isto não iria acontecer. Que um jogador, fosse ele qual fosse, de que clube fosse, não ia, um dia, num jogo mais acalorado, decidir abandonar o terreno por ter sido rasteirado da forma mais vil possível. Porque não é a primeira vez que assistimos a episódios de racismo nos campos de futebol em Portugal, mas é a primeira vez que um profissional de futebol marca uma posição tão corajosa. E isso, no meio de tanta hipocrisia, é que releva o peso deste murro na mesa de um jogador que desistiu de fazer o que é suposto fazer. Marcar golos. Correr atrás de uma bola. Lutar. Ser um profissional.
 
Só que isto já não é "só" sobre futebol. O que se passou ontem em Guimarães ultrapassa o reduto das quatro linhas, dos comentadores aditivados e das cegueiras compulsivas. O que se passou ontem em Guimarães mostrou ao Mundo um Portugal que não pode ser tolerado. Seja nas bancadas de um estádio, seja noutro palco qualquer. Em Espanha, no Brasil e no Canadá, o Portugal que vai ser visto é um Portugal que não podemos aceitar como país acolhedor que somos, como país que convive pacificamente com a diversidade cultural, étnica e religiosa.
 
Seria de esperar que o caso Marega pudesse contribuir para elevar o debate no futebol português em torno do que verdadeiramente importa. Mas não. O clamor que vimos e ouvimos a alguns não foi suficiente para abafar a turba barulhenta que vive para atirar gasolina para a fogueira. Adeptos, dirigentes, comentadores. Eles que enchem a boca com futebol, mas que o tratam tão mal. A eles, a todos eles, só podemos responder com o vigor de uma certeza: os golos não têm cor. O futebol não pode tolerar racismos nem racistas. Por isso, Marega, faz dos golos a tua lição. A outra lição. Porque a maior de todas, essa, já a deste. Ao futebol, ao país e aos ignorantes que olharam para a tua pele e não te viram a ti.
 
A Direção

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Jardim à beira-esterco plantado!

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Já temos lixo que chegue, não necessitamos de mais imundice, venha de onde vier, muito menos de “lixo suspeito” negociado por gente suspeita, com “mafias napolitanas”, da Campânia mais que suspeita.
A Europa connosco faz de Portugal a sua esterqueira.
O nosso lixo tem nomes sonantes com currículos tóxicos, Miguel Relvas e Pedro Afonso Paulo ambos da “Universidade” Lusíada são operacionais deste gang:
«O homem forte do CITRI é o administrador Pedro Afonso de Paulo secretário de Estado do Ambiente no Governo de Pedro Passos Coelho. Durante o Governo de Durão Barroso, foi adjunto de Isaltino Morais ministro das Cidades, do Ordenamento do Território e do Ambiente, Luis Todo Bom ajudava à festa numa altura em que Miguel Relvas era uma das peças centrais do Governo de Passos Coelho». Foi ainda assessor de José Luís Arnaut, ministro no Governo de Santana Lopes. Nos últimos anos, esteve ligado como diretor do grupo Sapec, presidido por Eduardo Catroga.
Assunção Cristas, Jorge Moreira da Silva aparecem também nestes negócios sujos por onde escorrem milhões de euros, a céu aberto. Só de Itália a CITRI prevê receber um total de 60 mil toneladas.
Entretanto pagamos a formação de enfermeiros, médicos e engenheiros, que enviamos gratuitamente para a Europa, como se de lixo se tratasse e não pudéssemos guardar.
É triste viver governado por esta escumalha que nos infeta e aos nossos vindouros!

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Estoril-Praia na maior

Estoril Praia
 

VIVA O MEU CLUBE! FUTEBÓIS SÃO TUDO E QUEM DIZ O CONTRÁRIO NÃO É BOA PESSOA  - é preciso afirmá-lo bem alto antes de referir que o Clube Estoril-Praia  foi comprado pelo Fundo de Investimentos americano "MSP Sports Capital" que, por acaso, também vai emprestar uns milhões ao Sporting e que, segundo o  seu diretor, Jeff Moorad, está muito entusiasmado por adicionar o Estoril-Praia ao seu "portfólio desportivo".

Falar de coisas de futebol é perigoso. A 'clubite' irracional do pessoal menor é promovida em abundância e o negócio desta "industria" goza de proteções maiores.

Que o diga a ex-eurodeputada Ana Gomes que recentemente ousou insinuar uma eventual interferência de lavagem de dinheiro nas transferência milionárias de jogadores o que logo obrigou o presidente do seu Partido, Carlos César, a vir dizer que o PS não tem simpatia nenhuma por tais afirmações e justifica que o Benfica lhe tenha movido, contra ela, uma ação judicial.

LavarPouco importa que a OCDE tenha constatado, ainda em 2009,  que "os clubes de futebol são vistos pelos criminosos como veículos perfeitos para a lavagem de dinheiro" e que "a lavagem de dinheiro sujo através do futebol não passa apenas por investimento em clubes, mas também pelas transferências de jogadores, que por vezes envolvem verbas astronómicas" .

Como também nunca teve qualquer significado que o anterior dono do Estoril-Praia, José Hawilla,  tenha estado no centro do escândalo internacional que, em 2015, deu a conhecer alguma da corrupção praticada no futebol nas últimas décadas.

João Lagos que antes, em 2010, tinha vendido o clube à Traffic do tal José Hawilla ainda terá tentado recomprar o Estoril-Praiatendo em vista um plano para a sua "reabilitação empresarial" mas aquela entidade optou pelo negócio com a "MSP Sports Capital".

presidenteO Estoril-Praia é presidido, desde 2014, por Alexandre Faria que havia sido Vereador da Câmara de Cascais, eleito nas listas do PS que passou a integrar a maioria PSD-CDS (2009/2013) e foi administrador-executivo da empresa municipal "Cascais Dinâmica" (2013-2015).

Recentemente foi iniciada a polémica (2004) construção de um supermercado Pingo Docenos terrenos que o Estoril-Praia cedeu àquele grupo financiador da "NOVA- School of Business and Economics",em Carcavelos, na decorrência de autorização camarária atribuída em 2016.

Tudo se conjuga para que o Estoril-Praia regresse à Primeira Divisão e isso é que é importante.

 
 
 

Abateram 5 tílias na Quinta do Barão

SINTO-ME CHOCADA ?
Ainda ontem a vereadora Filipa Roseta veio à obra perceber porque haviam sido derrubado árvores a semana passada e os ecopontos estavam a ser recuados, sem o seu conhecimento.
Constatámos que enquanto não houver novo estudo de trânsito e novo projecto, AVANÇA O PROJECTO ANTIGO com a Jacinto Osidoro de Sousa com DUAS VIAS, uma ROTUNDA ENORME a entrar para dentro do bairro e não alinhada à Estrada da Alagôa que neste projecto ainda é pedonal.
A Vereadora diz que não pode mandar parar a obra, e o abate de árvores que iam tentar conter para 3 foi feito no seu cenário mais negativo.
Meio dia depois de tentarmos o diálogo ontem à tarde, ABATERAM HOJE DE MANHÃ 5 TÍLIAS à entrada do mosso bairro !!! Haja respeito pelo diálogo !

Autoeuropa e empresas de trabalho temporário lesam Segurança Social

Em período de férias da cliente Autoeuropa, empresas como a Randstad ou a Adecco preparam-se para despedir, colocando a Segurança Social a pagar o tempo em que os trabalhadores deveriam estar de férias.

A par do alerta, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE Sul/CGTP-IN) anuncia que já contactou a Volkswagen (VW) Autoeuropa e restantes empresas do Parque Industrial a propósito destes despedimentos ilegais. 

Autovision People, Adecco, Randstad e Kelly Services são algumas das empresas de trabalho temporário que pretendem despedir os trabalhadores com contratos de trabalho precário aquando da paragem para férias da sua principal cliente, a VW Autoeuropa. 

O sindicato afirma que são milhares os trabalhadores que, directa ou indirectamente, laboram com contratos de trabalho precário, seja nas formas de trabalho temporário, falsos recibos verdes e contratos a termo, apesar de serem necessários diariamente nas empresas.   

«Muitos deles preenchem postos de trabalho permanentes, mas quase todos são contratados com justificações como acréscimo temporário de trabalho ou substituição de trabalhadores efectivos que se encontram ausentes por motivo de acidente, baixa médica, doença profissional ou direitos de paternidade/maternidade», realça.

Porém, acrescenta a estrutura sindical, «quando chega a época de férias, as empresas procuram livrar-se deles através da rescisão do contrato de trabalho», recorrendo abusivamente à Segurança Social para lhes pagar o subsídio de desemprego.

O sindicato recorda que «já houve casos destes em tribunal», uma vez que os períodos de paragem de produção, como o período de férias, «são situações previstas e fazem parte do normal funcionamento das empresas».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/autoeuropa-e-empresas-de-trabalho-temporario-lesam-seguranca-social

Legrand, Construir Sem Planear

                                                                          10 JULHO 2019
No meio de enormes protestos dos moradores da zona, começaram em força as obras no espaço da antiga fábrica da Legrand, em Carcavelos.
Esta intervenção urbanística, pomposamente chamada de “Plano de Conversão Urbanística da Fábrica da Legrand”, que irá dar origem ao ainda mais pomposo “Alagoa Office & Retail Center”, tem de tudo menos de plano. O seu bonito nome em inglês, como não podia deixar de ser com esta administração autárquica, esconde uma insensibilidade ambiental, um desapego à realidade do território, uma incapacidade de planeamento e, o que é ainda mais grave, uma indiferença para com as condições de vida dos moradores na zona.
Como não poderia deixar de ser, tem suscitado fortes críticas de residentes e representantes de diversas forças políticas da oposição.
Mas comecemos pelos aspetos francamente positivos deste ''Plano''. Merece referência a oportunidade de fixar no concelho centenas de novos postos de trabalho e também a criação de uma série de residências universitárias para servir até 400 estudantes.
Mas a fatura é pesada. Destaco em particular a má implantação dos novos edifícios, a excessiva impermeabilização do solo, a inconcebível ausência de novos espaços verdes e as profundas e desajustadas alterações na rede viária.
A implantação dos novos edifícios, cinco prédios de cinco pisos com mais de 15.000m2 de construção colocados praticamente em cima da Estrada da Alagoa, não poderia ser mais desajustada, tornando ainda mais agressiva a intervenção em curso.
Por outro lado, a opção pela manutenção de alguns dos pavilhões arquitetonicamente desqualificados da fábrica da Legrand, tendo aqueles que mereciam ser preservados sido já demolidos, alastra a impermeabilização dos solos, com as nefastas consequências ambientais e agravamento do perigo de cheia bem conhecidos.
Também a inconcebível ausência de novos espaços verdes está por justificar. Não se compreende que uma intervenção no território desta dimensão não considere a construção de mais áreas verdes. A solução de cortar o trânsito na estrada da Alagoa para fazer uma ligação do novo empreendimento ao parque urbano existente não deve servir de pretexto para isentar o construtor das cedências para espaços verdes que a lei determina. Substituir estas cedências em terreno por dinheiro é um mau princípio. O ambiente não tem preço.
Para agravar a ausência de novos espaços verdes, a intervenção iniciou já o derrube de várias árvores saudáveis, em contraciclo, diria eu, com o que estão a fazer a generalidade das cidades do mundo.
Por fim, as profundas alterações na hierarquia da rede viária, desrespeitando o PDM e prejudiciais para as centenas de residentes na quinta do Barão, não resultam de nenhuma operação pensada mas apenas numa intervenção pontual destinada a favorecer o novo empreendimento.
Estes quatro pontos constituem motivos mais que suficientes para me associar à consternação dos moradores. Uma indignação crescente à medida que os contactos com a Câmara não produzem resultados satisfatórios e que a construção dos novos edifícios e o derrube de árvores avançam.
A somar a todos estes erros na intervenção no território está a pouca transparência do processo. A Câmara deveria ter optado por um plano de pormenor ou um plano de urbanização, instrumentos que obrigam a um relatório sobre o estado do ordenamento do território a nível local e permitem a participação dos cidadãos através de consulta pública. Estes terão de ser instrumentos privilegiados de intervenção no território para um futuro executivo municipal.
Por explicar fica também a razão pela qual esta área foi definida como “Área de Reabilitação Urbana”, se não se mantiveram edifícios nem tão pouco as fachadas. Com esta classificação o promotor beneficia, ilegitimamente, de substanciais isenções fiscais em IMT, IMI, IRC e até no IVA da construção. Estes benefícios destinam-se a quem invista na recuperação dos edifícios e não na sua demolição.
Termino perguntando: seria isto possível no quadro de um planeamento territorial competente do município? Seguramente que não!

Outros artigos de JOÃO SANDE E CASTRO
+O Meu Clube Já Tem Um Supermercado
+A árvore e a sinagoga

*Os artigos de opinião publicados são da inteira responsabilidade dos seus autores e não exprimem, necessariamente, o ponto de vista de Cascais24.
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/n-omeio-de-enormes-protestos-dos.html

Matilde e a pílula da morte – o capitalismo e a era dos ciclopes

O caso do medicamento da bebé Matilde, que os técnicos julgam poder melhorar de uma doença rara se for utilizado um medicamento de que uma empresa americana detém o registo da patente e que apenas vende a troco de 2 milhões de dólares, ficará como o marco da indignidade fundamental de um sistema que só salva a vida de um bebé a troco de um resgate de 2 milhões de dólares. E esta empresa parece que está cotada nas grandes bolsas do capitalismo com acções muito lucrativas!

Alexander Fleming, médico, microbiólogo e farmacologista britânico, notabilizou-se como o descobridor da proteína antimicrobiana lisozima, e da penicilina, obtida a partir do fungo Penicillium notatum, esta em 1928, há noventa anos. Fleming trabalhou no Hospital de St. Mary, Londres. Durante a Primeira Guerra Mundial foi médico militar nas frentes de batalha da França e ficou impressionado pela grande mortalidade nos hospitais de campanha causada pelas feridas de arma de fogo que resultavam em gangrena gasosa. Regressou ao Hospital St. Mary e procurou um novo anti-séptico que evitasse a dura agonia provocada pelas infecções durante a guerra.

Chegou à descoberta da penicilina ao observar uma cultura de bactérias do tipo estafilococo. Publicou os resultados desses estudos no British Journal of Experimental Pathologyem 1929. Mas Fleming não patenteou sua descoberta, pois entendeu que assim seria mais fácil a difusão de um produto necessário para o tratamento das infecções.

Conhecemos a importância da descoberta da penicilina para a medicina, que deu inicio à chamada “Era dos antibióticos”.

Hoje estamos na era dos abutres, das hienas. Na era dos ciclopes da medicina, da indústria farmacêutica, dos monstros que chantageiam os doentes e os frágeis. Estamos na era dos ciclopes, dos monstros de um só olho, a do lucro sem qualquer limite moral.

A raça dos ciclopes foi retratada nos poemas de Homero, na antiguidade grega, como constituída por gigantescos e insolentes pastores fora da lei, que habitavam a Sicília, a pátria da Máfia moderna, recorde-se. Os ciclopes não trabalhavam a terra, preferiam invadir os terrenos cultivados e assaltar rebanhos. Homero registou que, por vezes, comiam até mesmo carne humana. Como os actuais ciclopes da medicina e da farmácia. Por este motivo eram considerados seres sem leis ou moral.

Aqui em Portugal as greves dos médicos e enfermeiros à babugem dos tempos pré-eleitorais, propícios à chantagem, revelam como a moral e ética estão arredados do exercício da actividade destes novos mercadores da vida dos seus semelhantes.

O capitalismo utiliza hoje a saúde dos humanos como os ciclopes utilizavam na mitologia as forjas onde fabricavam as armas para os seus deuses, como uma arma para obter lucro. A produção e venda de medicamentos é hoje, um negócio de patentes. Devia ser um serviço público. Um bem público. Em 90 anos passámos da generosidade e consciência social de Fleming e da penicilina sem patente ao Zolgensma apenas disponível nos EUA, um bem exclusivo de uma empresa, um factor de lucro no farol do capitalismo, do império do mercado. Da barbárie, se pensarmos um pouco.

O caso do medicamento da bebé Matilde, que os técnicos julgam poder melhorar de uma doença rara se for utilizado um medicamento de que uma empresa americana detém o registo da patente e que apenas vende a troco de 2 milhões de dólares, ficará como o marco da indignidade fundamental de um sistema que só salva a vida de um bebé a troco de um resgate de 2 milhões de dólares. E esta empresa parece que está cotada nas grandes bolsas do capitalismo com acções muito lucrativas!

Numa reportagem, um médico de uma organização de apoio sanitário na Síria, confessou que chorou quando uma criança ferida na consequência da guerra de desestabilização que o “império” de que somos dependentes desenvolve no Médio Oriente lhe pediu um medicamento não para tratar das feridas, mas para lhe tirar a dor da fome.

O laboratório do Zolgensma fabrica fome, vive da fome, e não fabrica remédios para crianças com fome.

A normalidade com que hoje aceitamos as invasões dos ciclopes da saúde, aqui em Portugal, com as greves imorais e no farol do capitalismo, a América grande outra vez, através dos “comerciais” da empresa que só fornece o medicamento que pode salvar a vida de um bebé a troco de 2 milhões de dólares, porque “registou a patente”, é a imagem do estado de podridão a que chegou o capitalismo.

Contra estas infecções não há penicilina nem Fleming que consiga salvar a civilização em que ainda vivemos. A morte, a necrose, é o fim de um sistema imoral, que deixou de ter defesa.

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/matilde-e-a-pilula-da-morte-o-capitalismo-e-a-era-dos-ciclopes/

As rendas da saúde são poupança?

(Francisco Louçã, in Expresso Diário, 02/07/2019)

 

 

Quando se vai chegando à fase conclusiva das votações sobre a Lei de Bases da Saúde e a experiência ensina que ainda pode haver surpresas, permitam-me que olhe para os debates das últimas semanas usando uma análise documental dos relatórios sobre a realidade da gestão privada nos hospitais públicos. O que suscitou o meu renovado interesse pelo assunto foi desta vez um editorial de Mafalda Anjos, diretora da “Visão”, que declarou que “todos os estudos, do Tribunal de Contas aos da ARS e da UTAP, passando pela Universidade Católica, são consensuais em dizer que as PPP poupam dinheiro ao Estado e que todos estão satisfeitos com elas”. Há aqui muito “todos”: todos os estudos, todos satisfeitos, tudo muito consensual. Já li a mesma doutrina noutros escritos, porventura mais propagandistas, sempre expressando o mesmo entusiasmo todista. É uma espécie de certeza, tão óbvia para a autora e abundantemente repetida. O problema é que esta enfatuação não resiste aos factos.

João D’Espiney, no “Negócios”, fez um levantamento dos estudos oficiais sobre as PPP. Não inclui as encomendas dos grupos económicos, como o que a Universidade Católica sobre isto tenha publicado, nem um relatório do BPI sobre a parceria de Braga, dado que o banco garantia a assessoria financeira do contrato, nem outros estudos pagos pelas empresas privadas que gerem esses hospitais PPP. Limita-se a consultar os estudos oficiais que são públicos e que são seis, o da Entidade Reguladora da Saúde (2016), as duas auditorias gerais do Tribunal de Contas (2009 e 2013, espera-se a terceira agora) e as três auditorias pelo mesmo Tribunal sobre Cascais (2014), Loures (2015) e Braga (2016). Alguns outros estudos não são públicos, ou não estão integralmente acessíveis, como os das ARS e da Inspeção Geral de Finanças e da de Saúde.

A partir dos relatórios conhecidos pode identificar-se o peso dos contratos de PPP. Não são coisa marginal no SNS, como alegou o primeiro-ministro: as quatro atuais PPP (uma delas termina em agosto) asseguram os cuidados a 1,907 milhões de pessoas, ou seja, cerca de um quinto da população portuguesa, custando cerca de dois mil milhões de euros por legislatura. A ambição do programa de passagem de hospitais públicos para a gestão privada era mesmo grandiosa: em 1995, Cavaco Silva entregou o Amadora-Sintra ao grupo Mello, dando origem a um processo rocambolesco que passou por quezílias sucessivas em tribunal até ao fim deste contrato em 2009, mas Guterres retomara a ideia e, em 2001, nomeou uma unidade de missão que propôs dez hospitais a entregar aos privados até 2010 (primeiro Loures, Cascais, Braga, Vila Franca e Sintra, depois Évora, Gaia, Póvoa do Varzim, Algarve e Guarda). Luís Filipe Pereira, que fez carreira no grupo Mello e chegou a dirigir a sua unidade de saúde, foi alcandorado pelo PSD e CDS a ministro da Saúde e atribuiu Loures ao seu antigo grupo empresarial, mas esse contrato foi anulado pelo Governo seguinte e acabaria nas mãos da Espírito Santo Saúde, entretanto comprada pela chinesa Fosun.

Aquilo de todos estarem satisfeitos com as PPP é uma afirmação algo extravagante. Com maior exatidão deveria escrever-se, no mínimo, que todos os relatórios oficiais dizem o contrário e apontam erros graves ou preocupações com o serviço prestado por estas gestões privadas que, aliás, estão agora todas sob investigação policial ou das autoridades de regulação

O Tribunal de Contas, ao auditar este programa das PPP e alguns dos seus hospitais, encontrou um panorama medíocre. Em 2009, concluía que, sete anos depois de lançado o concurso de Loures, “o programa de PPP ainda não havia dado origem a qualquer processo de contratação completo, pondo em causa a credibilidade do programa”. Em 2013, foi mais longe: “Ainda não existem evidências que permitam confirmar que a opção pelo modelo PPP gera valor acrescentado face ao modelo de contratação tradicional”. O estudo de 2016 da Entidade Reguladora da Saúde ia no mesmo sentido: “Não foi possível identificar diferenças estatisticamente significativas entre os resultados dos hospitais PPP e os outros hospitais do SNS”. Mas não deixava de notar que “os hospitais PPP apresentaram quase sempre menor percentagem de primeiras consultas médicas realizadas dentro do tempo máximo de resposta garantida”.

As auditorias a cada um dos hospitais concretizam este retrato com preocupações acentuadas. Diz a auditoria sobre a PPP de Cascais (2014) que “o desempenho do hospital foi idêntico ao do centro hospitalar de Entre Douro e Vouga”. Esta é a gestão que está a ser atualmente investigada pela suspeita de adulteração dos dados clínicos dos utentes para obter maior receita. A auditoria a Loures (2015) vai mais longe: “Não resulta evidente, da análise do primeiro ano de atividade completo, uma maior eficiência decorrente do seu modelo de gestão privada, face à gestão de outras unidades com gestão pública empresarial do SNS”. Acrescenta ainda que “o financiamento por doente padrão, em 2013, foi mais elevado do que o dos centros hospitalares públicos comparáveis”. Este hospital está a ser investigado por alegações de manipulação das listas das primeiras consultas.

Quanto a Braga, um relatório de 2013 indica que regista a maior diferença entre encargos incorridos e previstos e, por isso, “foi alvo de multas de montantes significativos por violação das obrigações de serviço público existindo por isso fundamento para a revogação do contrato pelo Estado”. Considerando as multas aplicadas por “violações das obrigações de serviço público” e que o hospital “vive em situação de falência técnica”, a ameaça de rescisão de contrato foi então ponderada. O Tribunal de Contas, em 2016, registava que “a produção acordada não se tem subordinado às necessidades da população, o que levou ao aumento das listas e tempos de espera”. E concluía ainda que “a entidade gestora apresenta uma situação económico-financeira frágil e opera desde 2011 numa situação de falência técnica”. Este contrato conclui-se em agosto de 2019 e não foi renovado.

Finalmente, a parceria de Vila Franca de Xira, que não foi objeto de auditoria pelo Tribunal de Contas, foi multada pela Entidade Reguladora da Saúde considerando que tinha usado durante quatro anos refeitórios e casas de banho para internar centenas de utentes. Este contrato também não será renovado.

Em resumo, aquilo de todos estarem satisfeitos com as PPP é uma afirmação algo extravagante. Com maior exatidão deveria escrever-se, no mínimo, que todos os relatórios oficiais dizem o contrário e apontam erros graves ou preocupações com o serviço prestado por estas gestões privadas que, aliás, estão agora todas sob investigação policial ou das autoridades de regulação. Pode porventura concluir-se ainda que as rendas pagas pela gestão privada dos hospitais públicos podem ser bons negócios e serão, o facto é que atraem alguns grandes grupos internacionais e um nacional. Mas não são poupança para o Estado nem garantia de qualidade para o utente. E isso é o que interessa.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

AINDA O NEGÓCIO DE JOÃO FÉLIX

AFINAL, HOUVE OU NÃO NEGOCIAÇÃO?

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Os comentadores profissionais de futebol, alguns deles, ao que parece, licenciados em direito, ainda não perceberam do que estão a falar a propósito da transferência de João Félix ou então fazem que não percebem.

Não vamos repetir aqui o que no post de baixo já dissemos sobre esse negócio, podendo, quem estiver interessado lê-lo aqui.

A questão a propósito da qual muito se tem falado é esta: negociou ou não a direcção de Benfica a transferência de João Félix para o Atlético de Madrid?

Ou o Benfica não negociou e o empresário Jorge Mendes nada tem a receber do Benfica pelo seu trabalho de intermediação entre o jogador e o clube espanhol (já que é esta que a única intermediação possível neste cenário); ou o Benfica negociou a transferência e o empresário tem de ser pago pelo Benfica pelo seu trabalho de intermediação.

No primeiro caso, não há nenhum contrato entre o Benfica e o Atlético de Madrid. O que há é o incumprimento, por parte do jogador, do contrato que este tem com o Benfica, facto que nos termos do dito contrato o faz incorrer no pagamento da indemnização fixada na cláusula penal – 120 milhões de euros.

No segundo caso, há negociação entre o Atlético de Madrid e o Benfica, e o empresário terá direito à chamada “comissão”. Negociar com o Benfica, neste segundo caso, não significa que o Benfica tenha participado nas negociações por parte dos seus órgãos dirigentes. O Benfica pode fazer-se representar nessas negociações pelo empresário do jogador habilitando-o com um mandato imperativo. Ou seja, o Benfica concorda em que o jogador seja transferido para o Atlético de Madrid desde que a transferência seja paga a pronto no montante correspondente ao fixado na cláusula penal – 120 milhões de euros. Nesta segunda hipótese, como já dissemos, o Benfica terá de pagar ao empresário os custos de intermediação.

As duas situações são, portanto, jurídica e financeiramente bastante distintas: Na primeira há incumprimento do contrato, responsabilidade contratual pelo incumprimento e pagamento da respectiva indemnização pelo jogador no montante de 120 milhões de euros na totalidade destinados aos cofres do Benfica.

Na segunda hipótese, há um contrato entre o Benfica e o Atlético de Madrid para transferência os direitos desportivos relativos ao jogador João Félix no montante de 120 milhões de euros pagos a pronto dos quais haverá a deduzir os custos de intermediação do empresário (10% do valor da transferência), ficando o Benfica, depois de deduzida esta percentagem, com 108 milhões de euros.

A outra questão, a de saber quanto financeiramente custou a transferência ao Atlético de Madrid, é, para o Benfica, uma questão completamente irrelevante. Se o atlético paga muito ou pouco pela disponibilidade imediata do dinheiro é uma questão tão irrelevante para o Benfica como para qualquer um de nós. A menos quo negócio seja outro. A menos que o Atlético não tenha pago realmente pago a pronto o valor da transferência ao Benfica, mas se tenha responsabilizado pelo pagamento dos juros correspondentes à disponibilização imediata daquele pelo Benfica junto de uma instituição de crédito. Neste caso seria interessante saber, não obstante a responsabilidade assumida pelo Atlético de Madrid, se o Benfica não é solidariamente ou subsidiariamente responsável pelo incumprimento do Atlético de Madrid. A insistência por parte de alguns comentadores num montante, aparentemente falso, da transferência (126 milhões de euros) e a recorrência com que apelam (pode ser simples ignorância) ao conceito de “factoring”, levantam algumas suspeitas.

O “Factoring” está regulado entre nós pelo Decreto Lei n.º 171/ 95 de 17 de Julho. Tem três intervenientes – o Factor – aquele a quem é cedido o crédito; Aderente  - a entidade que requer os serviços de “factoring”, na prática aquele que recebe adiantadamente o valor do crédito cedido ao factor; e o Devedor – que é o cliente do aderente, ou seja, o seu devedor.

O “Factoring” é assim uma operação de crédito (mas não necessariamente) por via da qual a entidade financeira adianta ou compra a outra empresa, chamada Aderente, os créditos, vencidos ou vincendos, que esta detém sobre os seus clientes (Devedor).

O “factoring” pode ser negociado com recurso e sem recurso . Diz-se que o “factoring” é com recurso quando o Factor tem o direito de receber do Aderente o valor do adiantamento no caso de incumprimento do devedor. E diz-se sem recurso na hipótese inversa, ou seja, quando o Factor assume o risco integral da operação nada podendo reclamar do aderente se o devedor não pagar.

Escusado será dizer que naqueles casos em que o “Factor” adianta a totalidade do crédito dificilmente se poderá conceber um “factoring” sem recurso; já na hipótese inversa, quando o Factor “ compra” o crédito por um montante muito inferior ao seu valor nominal, o “factoring” será normalmente sem recurso, assumindo o Factor o risco integral da operação.

É portanto caso para perguntar: a que propósito é que os “comentadores bem informados” vieram falar de “factoring”? Será por pura “parolice”.  Ou será que eles sabem mais do que aquilo que dizem, embora não tenham a correcta noção do que estão a dizer?

Tudo isto porque o mundo dos negócios é esta permanente obscuridade e opacidade, que não são exclusivas do futebol e muito menos deste ou daquele clube, desta ou daquela federação  ou união de federações, mas de todos os negócios, sempre em prejuízo dos mesmos!

 

Ver o original em Politeia (clique aqui)

Será que a Vinci quer mesmo Montijo?

(Dieter Dellinger, 12/01/2019)

montijo

Foto: Aeroporto Humberto Delgado como quer a Vinci.

Quem vai fazer o estudo de impacto ambiental é a própria Vinci (ANA) que já fez um que foi chumbado.

Um amigo que é administrador da ANA disse-me que a Vinci está preocupada em ressarcir-se dos 3 mil milhões de euros investidos no monopólio das concessões aeroportuárias em Portugal, até porque tem um “cashflow” muito baixo da ordem dos 200 milhões de euros e está a investir muito no aeroporto Sá Carneiro, cuja capacidade atual é equivalente à que iria ter o aeroporto de Montijo. Além disso, as ações da Vinci SA caíram 15,87% no ano passado.

António Costa disse que se o estudo de impacto ambiental for chumbado não haverá aeroporto complementar em Montijo nem Plano B. Na verdade, o PSD amarrou a Pátria à Vinci por 50 anos, pelo que ninguém de fora pode assumir o compromisso de investir num aeroporto novo.

A meu ver, a Vinci quer apenas alargar o Aeroporto Humberto Delgado para chegar dos atuais 29 milhões de passageiros aos quase 40 milhões com utilização durante a madrugada que é algo que a CML não quer.

A Vinci não quer investir mais de mil milhões de euros em Montijo e o Estado não está para isso.

Contudo, um aeroporto em Montijo aumentará os lucros do grupo Vinci que é proprietário de 40% do monopólio Lusoponte das duas travessias do Tejo, principalmente da Ponte Vasco da Gama que foi construída para mais de 130 mil carros por dia e ronda atualmente metade desse número.

O PSD fez contratos inimagináveis com a Vinci e a Ascendi francesa das autoestradas que detém 41% da Lusoponte. Assim, a Lusoponte só é responsável pelo piso dos tabuleiros e não pelas infraestruturas, mas mete ao bolso todo o valor das portagens. Sérgio Monteiro do PSD até contratualizou com as duas francesas da Lusoponte que o Estado se encarregaria de cobrir qualquer alteração dos impostos a pagar pela Lusoponte como o IRC e IVA.

É curioso como o Aníbal deu a construção da Ponte Vasco da Gama a uma empresa inglesa de vão de escada pertença da sua amiga Thatcher e do marido e que foi acusada pelos tablóides de ser um escritório de comissões corruptas a receber, encaixar e pagar aos clientes de material de guerra inglês e de grandes contratos.

Logo que ganhou o concurso, essa empresa fechou as portas depois de passar a construção a um consórcio em que a Vinci Highways SAS detinha a direção da obra e escolha dos construtores especializados e acabou por ser a segunda maior acionista das duas pontes sobre o Tejo.

A Vinci gostaria que o segundo aeroporto fosse feito como a Ponte Vasco da Gama que custou o equivalente a 897 milhões de euros, dos quais 319 milhões vieram do Fundo de Coesão da União Europeia, 299 milhões de um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos e 50 milhões deveriam ter origem nas receitas da Ponte 25 de Abril que há muitos anos passou dos 40 milhões por ano sem encargos.

Enfim, a generosidade do Aníbal Silva não tinha limites.

 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A Amazon é o nosso destino

«“Anything. Anywhere. Anytime”: antes era uma prerrogativa de Deus, agora é a divisa da Amazon, segundo o mandamento de Jeff Bezos, criador e mestre de um universo empresarial que conquistou o planeta e já tem um projecto – chamado Blue Origin - de colonização espacial, pensado para o momento em que terá consumado a conquista de cada canto do nosso mundo, quando for preciso ir para além do nosso planeta para não estagnar. A estagnação é o que ele mais odeia. Outra divisa de Bezos, o homem mais rico do mundo, é que “cada dia é o primeiro”, isto é, tudo está sempre no início, a começar, porque se admitisse a lógica da inércia do segundo dia, aí iniciava-se a decadência. Nos últimos tempos, o lado negro da empresa - a condição de escravatura, robotização, precariedade e baixos salários a que submete os seus empregados - tem sido notícia, graças a testemunhos pessoais e reportagens. Ficámos então a saber que cada um dos gestos dos empregados é vigiado e contabilizado, a velocidade com que eles se deslocam nos armazéns é medida. Sobre nós, clientes, a empresa também sabe tudo sobre os nossos usos e gostos. Se comprámos o livro X, então também somos potenciais compradores do livro k, y e z. O algoritmo é o grande feiticeiro do nosso tempo.
Um excelente documentário difundido há pouco mais de uma semana no canal de televisão franco-alemão ARTE, realizado por David Carr-Brown, A Irresistível Ascensão da Amazon, mostra com eloquência e abundância de provas como funciona a Amazon, a sua lógica de crescimento permanente em tal grau que lhe é permitido aspirar a ser a única empresa do planeta. A obesidade e a proliferação cancerosa são a nossa condição histórica, mas neste caso estamos para além dela. Para descrevê-la, é preciso recorrer à linguagem da metafísica, falar no “destino” e na “destinação” da Amazon, mais do que da sua história. E é num sentido quase teológico que podemos ler a palavra “ascensão” que surge no título deste documentário.
Os centros de tratamento das encomendas actualmente existentes têm, no total, uma área superior a 500 vezes o Cental Park. E, cada ano que passa, são construídas novas fortalezas, plataformas de distribuição, que perfazem o tamanho de um Central Park. O seu modelo impôs-se em todo o mundo (todas as cadeias logísticas tentam hoje imitá-lo) e, impondo as suas regras sobre o comércio e o emprego, transforma profundamente a sociedade de maneira incontrolável. Um dos momentos fundamentais do documentário de Carr-Brown é a explicação do modo como a Amazon reinveste os seus lucros no crescimento da empresa: é uma empresa de extracção que aspira o dinheiro para o interior, ciclicamente, de maneira a expandir-se em permanência. Não faz circular o dinheiro para fora do seu círculo. A sua lógica de funcionamento é totalitária. Onde quer que penetra, ela explora os recursos existentes (a totalidade do mercado) e tem como objectivo tornar-se o único fornecedor, assumir o poder do monopólio. E quais são as consequências deste monopólio? No mercado do livro, para evocarmos o exemplo de um sector cheio de subtilezas e fragilidades, uma fatia enormíssima do mercado mundial está sob o seu controlo. O que significa que os próprios editores vão perdendo autonomia. Eles têm que editar para a Amazon distribuir e “satisfazer os desejos dos clientes no mais curto espaço de tempo“, como reza outra divisa da empresa. Colocar-se ao dispor da vontade do cliente é o princípio que serviu para definir a “indústria cultural” e os seus efeitos de homogeneização. Por todo o lado, as livrarias vão fechando e as que restam estão ameaçadas. Ou vão sendo colonizadas pela lógica “amazónica”, que vai retirando autonomia aos leitores e conduzindo-os por caminhos que não são eles a escolher livremente. A pouco e pouco, há espécies bibliográficas que quase nem aparecem à luz do dia ou entram em vias de extinção. Percebemos que a ascensão da Amazon é irresistível quando, sabendo aquilo que ela representa e o destino funesto que ela nos promete, não encontramos meios nem força para prescindir dela. É um monstro que satisfaz os nossos desejos, onde quer que seja, em qualquer lugar. Até que o desejo se extinga e triunfe a “miséria simbólica” que ela cria.»
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Consumismo, pesadelo sem fim?

Empresas estabeleceram controle orwelliano sobre necessidades e desejos das populações. Em resposta, busca-se agora a experiência social compartilhada
William Mebane, em Other News | Outras Palavras | Tradução: Marianna Braghini|Imagem: Banksy, Caçadores de Carrinhos (2004)
Os primeiros bens genéricos foram aqueles baseados em um único modelo universal. O modelo preto T, da Ford, é o exemplo clássico. A produção em massa permitiu uma enorme economia de escala e com redução de custos nunca antes realizada. A função básica do transporte rodoviário de pessoas foi satisfeita.Mas empresas temiam que, com produtos genéricos, todas as necessidades seriam logo satisfeitas e pouco restaria para produzir. Um primeiro passo para superar isso foi a introdução de mais escolhas, de acordo com a capacidade de compra. Uma grande diferenciação de produtos foi introduzida por meio das diferenças de preço e qualidade.
Os bens serviam a uma mesma função básica, mas uma média muito superior de preços foi possível pela introdução de bens de luxo (de classe alta). Os psicólogos ensinaram a empresários e marqueteiros como condicionar e manipular as emoções e necessidades de consumidores, conseguindo que eles comprassem coisas de que não precisavam. Os produtos poderiam ser propagandeados como se prometessem maior status social, ou sugestionassem uma ansiedade na mente do consumidor e apresentassem um produto que a aliviassem.
As empresas, interagindo com as observações da pirâmide de Maslow, começaram a suprir necessidades mais secundárias por meio de uma variedade de qualidades e preço. Isso seria mais socialmente aceitável se todos tivessem já satisfeito suas necessidades primárias de alimentação, vestimenta, moradia e educação. Obviamente, não era e nem é o caso. Mas com a desculpa de que a maré crescente da economia “levantaria todos os barcos”, foi dada uma atenção limitada ao excesso de bens não primários e serviços que eram produzidos e consumidos. Além disso, as empresas procuravam impulsionar a ascendente mobilidade de bens, passando dos básicos aos extraordinários, como num espelho da mobilidade social crescente. Isso funcionou bem quando de fato existia mobilidade social, do pós-II Guerra Mundial até os anos 1970.
Com o avanço dos processamentos informatizados, e mais tarde da Internet, os hábitos, compras, preferências e psicologia de indivíduos puderam ser identificados, medidos e classificados. Agora, os produtos podiam mirar um indivíduo único, de acordo com suas necessidades particulares e com grande precisão. Ao mesmo tempo, a produção, com a ajuda da automação, pôde introduzir uma ampla variação dentre os próprios produtos. Como as preferências eram extremamente diversas e uma necessidade secundária poderia sersatisfeita de infinitas maneiras, o potencial de demanda explodiu. As empresas não mais temiam um excesso de oferta. Os consumidores cedem seus dados de consumo e aos indivíduos são constantemente fornecidas (bombardeadas) propagandas e produtos que mais se adequam a eles. É difícil resistir à compra, e muitas famílias se envolvem em considerável dívida para que isso se viabilize. O consumismo triunfou, satisfazendo precisamente desejos individuais únicos. É claro que há a importante questão de renda e desigualdade de renda, mas a satisfação de consumo parece tão completa que o problema de salários estagnados do rendimento médio da família trabalhadora veio à baila apenas nas últimas décadas.
Esse novo consumismo evoluiu em favor de uma satisfação instantânea, de curto prazo: exemplos incluem todos os computadores e videogames, entretenimento de todos os tipos que estão disponíveis no Youtube. Há um interesse renovado em séries de TV superdramáticas com uma direção bem profissional, que oferecem episódios curtos (30 minutos) mas satisfatórios, como a NCIS e House of Cards. A própria televisão evoluiu para serviços on demand (sob demanda) e compete com programas e filmes, disponíveis de imediato, ofertados pela Netflix. O interesse em produtos mais difíceis e exigentes — como livros – declinou particularmente na geração mais jovem. Livrarias e pequenos cinemas estão fechando em todos os lugares.
Em vez disso, os armazéns e a entrega rápida da Amazon estão revolucionando o comércio com uma ampla seleção de produtos, preços baixos e entregas em um ou dois dias. O consumo instantâneo é possível. Também a maneira de produção e marketing de produtos da moda evoluiu com a Zara (Inditex), testando o mercado nas lojas e por meio de uma produção acelerada, provendo, em algumas semanas,os modelos aceitos. Finalmente, temos mídias sociais na forma do Facebook, WhatsApp, Instagram e Twitter, que realizam contato instantâneo, envio de mensagens e serviços.
Obviamente, a internet e os celulares revolucionaram as comunicações, tornando as conexões com pessoas, as informações e os produtos/serviços extremamente fáceis. A Nokia, que produziu inicialmente o celular mais vendido, tinha imaginado ofertar apenas serviços essenciais; entretanto, a decisão da Apple, de se abrir para aplicativos de terceiros, desencadeou centenas de milhares de novos serviços online, disponíveis nos smartphones. Isso somado ao ascenso da Amazon, que propôs uma rapidez até então desconhecida de entregas (até no mesmo dia) de milhões de produtos, combinado com a propaganda individualizada, constitui um nível de consumismo sem precedentes e extremamente individualizado.
Ao mesmo tempo, para conseguir mais compradores em potencial, essas mídias tiveram que entreter mais, ser melhor modeladas, chocantes e, em uma única palavra, viciantes. E o futuro de realidade virtual irá nos mergulhar em mundos artificiais convincentes, não necessariamente de nossa escolha. Novamente, o potencial é enorme, sem excluir as novas formas de arte, mas a oportunidade em propaganda é gigantesca, já que esta terá controle da realidade.
Mesmo adultos, não conseguimos ficar fora do telefone dia e noite. Talvez não seja surpreendente que os país que trabalham em empresas de tecnologia do Vale do Silício tenham se tornado mais restritivos ao uso de serviços móveis por seus filhos, numa indicação do excesso. A própria Apple começou a introduzir aplicativos para monitorar e limitar o uso.
Ainda está para ser visto qual tipo de relações de longo prazo entre pessoas este novo sistema irá favorecer. E, mais importante, a questão é qual controle podemos ter – enquanto consumidores e cidadãos – sobre o design dos novos sistemas. Iremos deixá-los, como sempre, sob controle das empresas?
Essa evolução de consumismo ocorreu dentro do contexto de globalização, onde economias de escala extremamente grandes são possíveis para países com grandes mercados internos e portanto com a possibilidade de produzir para estes – e então exportar para o resto do mundo a baixos custos. Até produtos complexos como o iPhone, com mais de 300 componentes, são produzidos por intermédio de terceirização da produção, nas melhores fábricas do mundo todo. Quanto a produtos menos complexos, como painéis solares, quase todos podem ser produzidos e exportados do maior mercado interno, a China. O controle de tecnologia e do acesso aos mega mercados internos dificulta a competição por atores mais limitados, como a indústria italiana. Milhões de postos de trabalho italianos foram perdidos por meio da realocação das fábricas no Oeste Europeu e Ásia. Por consequência da concentração de centros de produção, a partir dos quais se exporta e controla a tecnologia, a globalização definiu um novo conjunto de ganhadores e um grande conjunto de perdedores; criando desemprego em muitos setores e países onde atores minoritários não conseguem competir.
Os maoires perdedores continuam a ser as nações emdesenvolvimento, que na verdade não estão se desenvolvendo: a fome aumentou de 460 milhões de pessoas, em 1974, para 800 milhões atualmente e a pobreza é a mesma medida em 1984: aproximadamente 1 bilhão de pessoas sem nenhuma melhora em mais de 35 anos. Quase todos os ganhos na redução da pobreza relativa estiveram em um lugar, a China. Se uma linha mais alta de pobreza for utilizada – a de cinco dólares ao dia –, o número de pessoas pobres chega a 4,3 milhões, ou mais de 60% da humanidade. A saída líquida de recursos financeiros do mundo em desenvolvimento foi negativa em 26,5 trilhões de dólares entre 1980 e 2012, como confirma o relatório de 2016 da Global Financial Integrity and Center for Applied Research na Escola Norueguesa de Economia. Os países desenvolvidos são a rede de devedores das nações em desenvolvimento, o que exacerba bastante a situação de fome e pobreza. Justamente o oposto do que seria de esperar. O modelo de “desenvolvimento” proposto pelos ricos aos pobres na verdade ajuda os ricos. A pobreza tem mais a ver com a relação entre os pobres e os ricos e evoluiu para novas formas desde o passado colonial. Para superar a fome e pobreza no Sul global, este mecanismo precisa ser radicalmente mudado. “Por décadas nos contaram uma história: que a pobreza é um fenômeno natural e será erradicada por meio de ajudas. É um conto confortante, mas ignora as forças políticas mais amplas em jogo. Os países pobres são pobres porque são integrados no sistema global em termos desiguais e as “assitências” apenas ajudam a esconder isso.” Hickel, J. (2017).
Depois de décadas de intensa produção e consumo individualizados, talvez alguns de nós estejamos buscando alguma coisa. Há algo esquecido nas trocas e experiências sociais. É a intensa interação humana, geralmente entre muitas pessoas, que é compartilhada e altamente valorizada. Pode ser, por exemplo, uma viagem a um local primitivo e a chance de conversar e trocar ideiascom os que lá vivem. Pode ser um grupo da aula de culinária para norte-americanos na Toscana. A experiência é construída em torno das relações que podem ser estabelecidas localmente. Uma experiência muito importante é o compartilhamento direto de culturas diversas, da música à dança, à arte, à arquitetura, à antropologia. É claro que esta cultura pode ser compartilhada indiretamente e vendida como um produto ou vídeo. Existe um continuumentre a experiência direta e uma experiência indireta menos envolvente. Geralmente, a experiência direta é sentida como mais única, e enriquecida por inúmeros detalhes e acontecimentos locais. Há uma diferença entre subir os degraus da Torre de Pisa e ver a fotografia. Há muita diferença entre experienciar o Palio de Siena e assistir ao vídeo. O turismo é defato uma área onde a oferta de experiências pode reforçar seu valor. O que é requerido são mais programas locais, atividades e trocas pessoais. Outro exemplo de experiência é a educação colaborativa. Todos somos experts em algo, ou queremos conhecer mais de algo: esta é a base de criar valores por meio de seminários e compartilhar variadas formas de cultura entre amigos e conhecidos.
É claro que a experiência pode envolver muitas contradições e problemas. Geralmente em concertos de música clássica ou sessões de jazz, há uma alegria compartilhada entre os músicos e ouvintes. Este pode não ser sempre o caso; o provedor ou facilitador da experiência compartilhada pode não necessariamente compartilhar da alegria. Ele ou ela deverá ser adequadamente recompensado. No melhores casos, o facilitador da experiência deverá estimular os participantes a um nível profundo de troca, que deverá também ser satisfatório ao facilitador. Isso requer habilidades consideráveis em psicologia. É necessário treinamento para prover um nível alto de experiência. Há também uma parte da psicologia que investiga os picos de experiência dos indivíduos.
Uma característica chave da experiência, é que envolve quase sempre uma troca entre pessoas e portanto nos leva pra longe da forma individualista de consumismo. Outro elemento chave da experiência é que pode ser aplicada a qualquer atividade ou interesse. Isso possui uma variedade de formas, como os produtos individualizados. Significa que o espaço para experiências sociais é também infinito. E, é claro, experiências sociais não são uma novidade cultural e histórica. Os gregos valorizavam-nas bastante por meio de seu amor pela música, dança, histórias épicas, tragédia, comédia, filosofia e sua participação na democracia direta. Ainda que tivessem escravos, a maioria dos gregos não proclamava ou buscava uma acumulação excessíva de riqueza material.
O ponto é que nós podemos substituir consumismo frenético de produtos e serviços individualizados com as experiências criadas emgrande parte localmente e com uma pegada ecológica muito mais leve. Isso irá nos beneficiar como indivíduos e globalmente. Podendo ser uma parte essencial da evolução da sustentabilidade.
As experiências e trocas sociais podem ser um antídoto parcial ao globalismo. Não precisam ser produzidas em massa para exportação nos mega mercados. Elas satisfazem um das maiores necessidades da pirâmide de Maslow, ao passo que provêm ocupações e as necessidades primárias de todos os facilitadores locais.
Entretanto, isso requer uma mudança cultural significativa ao reconhecimento da importância fundamental das relações sociais. Um exemplo pode ser encontrado no turismo, que pode ser, e frequentemente é, uma jornada de hotel em hotel, com contato limitado com a população local. “É quinta feira, devemos estar na Bélgica.” Ou pode evoluir, contando com guias locais, diálogo com as populações e hospedagem com famílias locais, para aprendere compartilhar suas culturas.
Nas cidades, isso implica desenvolvimento amplo de oportunidades sociais e habilidades. Pode tomar a forma de amizade, em atividades como clubes de livro, grupos de discussão e viagens coletivas. Pode envolver ativismo político, educação adulta contínua ou trabalho em organizações voluntárias. Implica escutar seu cônjuge, vizinhos, amigos e conhecidos.
A evidência empírica apoia os benefícios de experiências e relações sociais. Nos estudos internacionais sobre felicidade, argumentou-se (Bjornskov 2003; Vermuri and Constanza 2006; Bjornskovet al 2008) que países felizes têm alto capital social e fortes redes de amizade. Um estudo notável por DiTella e MacCulloch (2008) explora o Paradoxo de Easterlin, referindo-se ao fato de que os dados sobre felicidade são tipicamente estáveis, independentemente de aumento considerável de renda. Eles aferiram as respostas sobre felicidade, dadas por aproximadamente 350 mil pessoas vivendo nos países da OCDE. Apesar das vastas mudanças concretas no padrão de vida, entre 1975 e 1997, muito poucas contribuições à felicidade podem ser atribuídas ao aumento na renda. Em compesação, elas estão negativamente correlacionadas com o número médio de horas trabalhadas, degradação ambiental (medida pelas emissões de óxido de enxofre), crime, abertura ao comércio, inflação e desemprego.
O famoso estudo de Harvard sobre Desenvolvimento Adulto, sumarizado por Mineo L. (2017), relata: “a pesquisa, que durou quase 80 anos, provou que abraçar a comunidade nos leva a viver mais e ser mais felizes. As relações próximas, mais do que o dinheiro ou a fama, são o que mantém as pessoas felizes em sua vidas, o estudo revelou. Aqueles laços protegem as pessoas dos descontentamentos da vida, ajudam a atrasar algum declínio físico ou mental e são melhores preditores de vidas longas e felizes do que classe social, nível de QI ou até mesmo genes. Essa descoberta provou-se verdade tanto entre os membros de Harvard quanto entre participantes das cidades do interior”. Em animais, a sociabilidade é uma reação de sobrevivência às pressões da evolução. Talvez o ser humano deva ser considerado um animal sob pressão evolucionária.
A conclusão é que o reconhecimento da importância de experiências e relações sociais pode nos ajudar a refrear o consumismo individualista e permitir que mais recursos sejam dedicados a necessidades primárias e sociais. Os consumidores, empresários e governos precisam ser mais inteligentes e entender as escolhas em jogo, o que pode apoiar uma resposta mais efetiva ao risco das mudanças climáticas.
* William Mebane, foi dIretor do Ente Nacional de Eficiência Energética da Itália
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/consumismo-pesadelo-sem-fim.html

A atrocidade, o mundo e Portugal

Ainda estamos longe de um pedido de desculpas ao mais alto nível, que um dia acontecerá. Até lá, devemos perceber melhor o tráfico de escravos do Atlântico e como Portugal e os portugueses se envolveram. Um caminho que nos ajudará a melhor perceber o mundo global de hoje e reconhecer o quanto foi feito à custa da repressão dos mais fracos. Um passado que nos põe de sobreaviso sobre a necessidade de se resolverem problemas actuais, à escala global. O mundo pode e deve ser diferente.
Os dados são claros. Entre 1500 e 1875, foram embarcadas nas costas de África cerca de 12,5 milhões de pessoas escravizadas, tendo chegado ao seu destino, na sua esmagadora maioria às costas das Américas, cerca de 10,7 milhões. No mesmo período, foram embarcadas 5,5 milhões de escravos para o Brasil, onde chegaram 4,9 milhões. Na última década do século XVIII, o pico desse tráfico, foram traficadas cerca de 80 mil pessoas por ano, morrendo 8.500 na viagem. A participação de Portugal e do Brasil, enquanto colónia, nesta gigantesca operação tem de ser entendida.
A descoberta do Atlântico deu lugar a um império que pôs Portugal entre as nações mais abertas ao comércio transoceânico. Um bom indicador desse relevo é o valor do comércio por habitante. Desde 1600, Portugal encontrava-se à frente da Espanha, com ou sem o comércio de prata e ouro e, a partir de 1700, ombreava com a Inglaterra e a Holanda, só sendo significativamente ultrapassada por estas nações em finais do século XVIII.
O tráfico de escravos por navios portugueses de Portugal ou do Brasil era todavia proporcionalmente maior do que o comércio de ouro e de mercadorias. O que explica esse maior envolvimento de Portugal? O facto de ser o colonizador de uma parte significativa da costa ocidental de África e do Brasil é uma explicação necessária mas não suficiente, pois quem colonizava, como a história o demonstra, não estava escrito na pedra.
Para responder cabalmente àquela pergunta, é preciso compreender que o tráfico de escravos se inseria numa complexa rede de comércio que envolvia várias partes do mundo. Não se tratava simplesmente de navios que saiam de Lisboa, aportavam nas costas africanas, viajando depois para o Brasil carregados de escravos, para depois regressarem a Lisboa com açúcar ou ouro. Era mais do que isso e são várias as ideias sobre o assunto.
Uma delas [narrativas] , baseada na investigação sobre negócios efectuados, navios embarcados ou histórias concretas de negociantes, introduz um circuito mais complexo. Fala-nos de navios, saídos de Lisboa, carregados de panos vindos da Índia, usados para pagamento dos escravos na costa africana, depois traficados para o Brasil, onde os negociantes locais os pagavam com prata, adquirida a troco de ouro no Rio da Prata, na actual Argentina, prata essa que era depois remetida para Lisboa, usada para pagar os panos comprados na Índia e assim fechar o círculo. Os capitais deste comércio podiam ser portugueses, brasileiros, indianos, espanhóis, ingleses ou holandeses, seguindo os fluxos financeiros de então, cada vez mais globais. Deve aqui acrescentar-se, para melhor compreensão dessa rede, que a Índia tinha a prata como principal meio monetário.
Nesta história, entram os comerciantes e traficantes de Lisboa e do Brasil, os traficantes africanos, os colonos espanhóis do Rio da Prata, os comerciantes indianos, e os capitalistas de várias origens. Toda uma rede global em que os africanos escravizados se viram envolvidos, enquanto elo mais fraco. Esta visão alargada do tráfico de escravos mostra a complexidade da operação e a multiplicidade das responsabilidades. Mostra também que a globalização, deixada ao mercado livre, com responsabilidades mútuas e repartidas, sem peias, sem política, pode levar e levou a resultados assim. Essa é sem dúvida uma lição da História.
O tráfico de escravos terminou, em meados do século XIX, quando era ainda negócio rentável e por deliberada acção política, guiada pelo iluminismo e pela incipiente opinião pública de então.
Portugal, um dia que decida tomar a sua responsabilidade nesta história, estará em boas condições para recordar que a boa globalização é aquela que é bem supervisionada. E que, hoje como dantes, os dias são sempre de acção e não de contemplação.
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Quais são os comportamentos dos portugueses na hora de comprar online

O Inquérito sobre E-Commerce analisou o comportamento dos portugueses na hora de comprar online.
As mulheres e os jovens são os mais influenciáveis.
Os Homens comparam mais os produtos e serviços do que as mulheres.

eCommerce consumidor

O “Portal da Queixa” realizou, em parceria com a empresa Netquest, um inquérito nacional sobre E-commerce, para perceber quais são os comportamentos dos portugueses na hora de comprar online, o que pesquisam e onde, e se são influenciados na decisão de compra.

Entre as principais conclusões estão:

  • 53% costuma pesquisar na internet pela opinião de outros clientes;
  • As opiniões de outros consumidores influenciam na decisão de compra;
  • As mulheres e os jovens são os mais influenciáveis;
  • Antes de realizarem uma compra online, 8 em cada 10 inquiridos, opta por comparar preços ou funcionalidades, bem como, a opinião de outros consumidores em sites e plataformas como o Portal da Queixa.
  • Os homens comparam mais os produtos e serviços do que as mulheres, mas procuram menos as opiniões de outros consumidores.

São os portugueses influenciáveis por terceiros no momento da compra?

Dos mais de 5000 inquiridos, 53% afirma que consulta “sempre” as opiniões de outros clientes na Internet antes de comprar online. Apenas 3% afirma “nunca” consultar nenhum tipo de informação antes de comprar online.

O inquérito revelou que os consumidores com menor idade são os que estão mais acostumados a consultar a opinião de outros clientes. Também os homens e os heavy buyers (consumidores mais ativos) são os grupos que consultam com maior frequência do que os restantes segmentos.

Questionados diretamente sobre se as opiniões influenciam a decisão de compra, a maioria dos entrevistados admitiu que as opiniões de terceiros influenciam bastante a decisão final. Os inquiridos atribuem a essa influência uma média de 2.9 numa escala de 1 a 4, onde 4 significa “que influencia muito” e 1 que “não tem influência”. As mulheres e os mais jovens são os segmentos mais influenciáveis.

Comparando os resultados, deste estudo, com um outro inquérito realizado pelo Portal da Queixa e pela Netquest, em março de 2018, no âmbito do Dia Mundial do Consumidor, é possível concluir que os portugueses são bastante influenciáveis no momento da decisão de compra por opiniões que leem na internet.

À pergunta “Como classifica a influência na decisão de compra, acerca das reclamações e opiniões públicas que lê relativas a uma marca?” (realizada no inquérito de março de 2018), a maioria dos inquiridos avaliou como “importante” para a decisão de compra, a influência de reclamações e opiniões públicas que lê sobre determinada marca: 7,4 (numa escala de 1 a 10). O estudo de março revelou ainda que, quanto mais jovem o consumidor, maior é a influência na sua decisão de compra. Os entrevistados que já utilizaram o Portal da Queixa também admitiram valorizar, no momento da compra, a reputação das marcas na plataforma [reclamações, resoluções, índice de satisfação atribuído]. A resolução da reclamação pela marca também é fator de influência na decisão da compra: 7,3 (numa escala de 1 a 10) classificou como “importante”.

Dados mais recentes sobre o Portal da Queixa - recolhidos pelo Google Analytics - revelam ainda que, dos mais de 3 milhões de consumidores que visitam o Portal da Queixa, cerca de 98% pesquisa na plataforma informações sobre uma marca ou serviço antes de procederem à decisão da compra final.

Que tipo de informações pesquisam os consumidores portugueses?

Antes de realizarem uma compra online, 8 em cada 10 inquiridos, opta por comparar preços ou funcionalidades, bem como, a opinião de outos consumidores em sites e plataformas como o Portal da Queixa. Os homens comparam mais os produtos e serviços do que as mulheres, mas procuram menos as opiniões de outros consumidores.

Já os mais jovens são o segmento que pesquisa um maior tipo de informações antes de comprar online como, a morada física das lojas, cupões de desconto ou ofertas especiais, assistem a vídeos de demonstração ou procuram descobrir novas marcas.

Quais são as plataformas mais usadas para efetuar pesquisas?

A maioria dos consumidores, 8 em cada 10, consulta informação prévia à compra online em motores de busca. Mais de metade usa o site da marca ou comparadores de preço, enquanto que 4 em cada 10 consulta o Portal da Queixa.

Os homens são os que utilizam mais os comparadores de preço, enquanto as mulheres destacam o uso do Portal da Queixa e das redes sociais. Os segmentos mais jovens, especialmente os inquiridos com menos de 40 anos, são os que mais acedem ao Portal da Queixa à procura de informação.

18 de Setembro de 2018
Dpt. Desenvolvimento Sustentável/Consumidores/CGTP-IN

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Para informações adicionais consultar www.portaldaqueixa.com

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Portugal | Combater a especulação imobiliária

Mariana Mortágua* | Jornal de Notícias | opinião

Desde 2015, o preço da habitação não parou de subir em Portugal. Os últimos dados apontam para um aumento médio de 16,4% entre maio de 2017 e 2018, para o qual contribuíram as valorizações nas áreas de Lisboa e Porto.

Quem desespera à procura de casa já deu pelo problema há muito, mas só neste junho é que o Banco de Portugal começou a alertar para o risco de sobrevalorização do mercado imobiliário, sobretudo devido ao investimento estrangeiro. Há dias, a líder do Conselho de Supervisão do BCE avisou que a próxima crise estará associada ao mercado imobiliário.

A bolha imobiliária em Portugal não apareceu do nada. É o produto de uma tempestade perfeita entre políticas e circunstâncias económicas. Com a manutenção das restrições orçamentais, a política do BCE de juros baixos e injeção de liquidez contribuiu para o sobreaquecimento dos mercados de ações, obrigações e imobiliário. O Governo de PSD/CDS quis e soube atrair esse "investimento" financeiro: road shows pelo Mundo, vistos gold, aposta no regime de IRS para residentes não habituais, taxas reduzidas para alojamento local. A promoção do "turismo residencial" foi um objetivo político sem preocupação com as consequências. Por isso, os governantes do CDS se congratulavam com a venda a estrangeiros de 39 casas por dia.

As principais autarquias, interessadas nas receitas vindas da grande rotação dos imóveis e do turismo, participaram neste movimento de forma acrítica, tal como o atual Governo. Até agora, as medidas de combate à especulação foram tímidas, e nem o sinistro regime dos vistos gold foi revogado.

Perante esta situação, há duas opções. A primeira, adotada pelo CDS, é fechar os olhos à crise na habitação que ajudou a criar. A segunda, há muito defendida pelo Bloco, é avançar com políticas públicas que contrariem a bolha.

Por isso, propusemos ao Governo, no início das negociações orçamentais, uma nova tributação sobre mais-valias imobiliárias, em duas vertentes: a excessiva valorização do preço e a excessiva rotação dos imóveis (às vezes, comprados por atacado por fundos que os vendem logo nos meses seguintes). Esta medida não resolverá todos os problemas, mas contribuirá para dar passos da direção certa, dotando o Estado e as autarquias de recursos para investir em políticas de habitação.

Não é a primeira vez que apresentamos medidas para taxar de forma mais justa o mercado imobiliário. Sabemos que geram ruído, mas que não perdem por isso a sua justeza. Depois do ruído, serão os votos a ditar a determinação com que cada partido combate a especulação.

*Deputada do BE

Sucatear

Manuel Carvalho da Silva* | Jornal de Notícias | opinião

Sucatear é termo muito utilizado no Brasil para designar a atividade dos políticos de Direita, e as suas recorrentes práticas de imposição de subfinanciamento intencional a empresas e serviços públicos, com o propósito de os colocar em crise e, desse modo, demonstrarem a necessidade da sua privatização. A estratégia de sucateamento é ainda, em particular, uma forma de ação política permanentemente utilizada pelo neoliberalismo à escala global contra o Estado social e contra a propriedade coletiva.

Os exercícios de sucateamento atingem muitas vezes os objetivos pretendidos. A empresa ou o serviço sucateados são "justificadamente" vendidos baratinhos. Depois, os capitalistas privados, fazendo pequenos investimentos conseguem retirar desses serviços e empresas chorudas rendas, exatamente porque as crises anunciadas eram fictícias, no todo ou em áreas estratégicas. E não são poucos os casos em que os promotores das "crises" têm o cuidado de colocar em evidência uma ou outra dificuldade que essas empresas ou serviços tinham, pois, como sabemos e António Aleixo bem explicitou, "Para a mentira ser segura e atingir profundidade, tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade". Em regra, nesses processos, os resultados positivos para os privados surgem garantidos, também, por contratos extravagantes com o Estado.

Entretanto, existem outros casos em que o sucateamento não resulta e tudo desagua em desastre. As empresas ou serviços em causa vão sendo degradados de forma prolongada, degenerando-se e morrendo antes que as privatizações ocorram. De certa forma, o mesmo se passa com o enfraquecimento de instituições e propriedades coletivas, como agora aconteceu com o Museu Nacional no Rio de Janeiro, que chegou a um estado tal de fragilização que "simplesmente" ardeu. Os cortes orçamentais nas empresas e serviços que são propriedade pública, a sobreposição de interesses imediatos e egoístas sobre valores perenes das sociedades, são hoje políticas demolidoras à escala nacional e global. A construção de um estádio de futebol vale mais que o mais importante museu de um continente; os custos da lavagem dos carros dos deputados brasileiros são o triplo do orçamento daquele importante museu. Isto sim, é crise: nos processos de- desenvolvimento das sociedades. No Brasil como em Portugal e na maioria dos países.

São muitos os casos de sucateamento em Portugal. Vêm de longe e acentuaram-se no período da troica e do Governo PSD-CDS. Sucateou-se o território, sucateou-se o SNS, sucateou-se a Escola Pública, sucateou-se a TAP, sucateou-se a CP e outras empresas públicas de transportes, sucateou-se os CTT e o que faltava sucatear na PT e noutras empresas do setor energético ou da Banca, sucateou-se a Proteção Social e tentou-se sucatear a Segurança Social. Sucatearam-se os Direitos no Trabalho e a Cidadania. Sucateou-se em nome da necessidade de emagrecer o Estado ("o monstro anafado"), em nome da imperatividade de reduzir impostos às grandes empresas e a detentores de rendimentos pessoais elevados, em nome de educar o povo a não "viver acima das suas possibilidades" e de o obrigar a aprender a ser poupado e obediente ao sacrossanto mercado e às políticas, mesmo que desastrosas, das instâncias europeias.

Quando a casa abre fendas, vai abaixo ou simplesmente pega fogo, os mesmos que quiseram sucatear, são os primeiros a dizer, aqui d"el-rei que o Estado falhou. É caso para lhes perguntarmos, então em que ficamos? Continuamos e aprofundamos as políticas e as práticas que conduzem a desastres pesadíssimos? Abandonam-se os interesses do coletivo da sociedade na estruturação e prestação de direitos fundamentais como a saúde, a educação e a justiça, na dignidade e valorização do trabalho, na cultura e na preservação da memória, na defesa do ambiente, na colocação de valores sociais e humanos na organização económica?

É duvidoso que alguma vez a Direita nos responda. Prefere, como se diz em português corrente, "fazer o mal e a caramunha", na expetativa de vir a erguer sobre uma montanha de sucata os lucrativos empreendimentos do futuro. A palavra sucatear tem, pois, de estar no nosso léxico.

*Investigador e professor universitário
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/09/sucatear.html

Fidelidade aproveita veto de Marcelo para fechar venda de casas

A Fidelidade está a aproveitar o veto da lei que reforçava o direito de preferência dos seus inquilinos para concretizar a venda de algumas das cerca de 2000 casa que negociou com a Apollo.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão solene comemorativa dos 44 anos da Revolução de Abril na Assembleia da República, em Lisboa. 25 de Abril de 2018CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

As escrituras da venda de alguns dos 277 imóveis que a Fidelidade decidiu vender ao fundo de investimento norte-americano Apollo já estão assinadas, escreve o Jornal de Negócios na sua edição de hoje.

A seguradora privatizada pelo anterior governo do PSD e do CDS-PP só espera concretizar a alienação de todo o seu património imobiliários, integrado por cerca de 2000 fracções, até ao final do ano. O avanço do processo só foi possível pelo veto do Presidente da República à lei que reforçava o direito de preferência dos arrendatários no caso destas vendas em bloco.

A Fidelidade notificou os seus inquilinos que podiam exercer o direito de preferência face ao negócio com a Apollo, de acordo com a lei. Mas estes só podiam concretizá-lo em relação a todo o patrimonio envolvido no negócios, o que, na prática, o tornou proibitivo.

A aprovação da alteração legislativa foi acelerada precisamente para proteger os inquilinos da Fidelidade, alguns dos quais já receberam notificações da empresa no sentido de terminar os contratos. O veto de Marcelo, que o assumiu como político, veio pôr em risco essa intenção.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Está a chegar a Cascais um novo estilo de vida

Como se vende mais betão para Cascais com arrogância a rodos (mas o que sabem do 'estilo' de vida em Cascais?)

Muito merketing e piroseiras bastantes (em inglês de preferência...). Haverá sempre uns pato-bravos mais  alguns turistas para comprar a elevado preço e os cascalenses que aguentem com a destruição ambiental e com a sobrelotação do espaço urbano

Negócio é negócio e as gentes que se... mudem se não gostam.

A chefia da Câmara rejubila.

 

(comentário à seguinte notícia)


O ONE Livingsitua-se numa das regiões mais nobres da charmosa Vila de Cascais, a Gandarinha,onde se vive o prestígio e o privilégio de um passado histórico. Com diversas praias a poucos minutos de distância, alguns dos melhores campos de golfe da europa e diversas escolas internacionais, a localização do ONE Living confere-lhe um valor único.[...] "Há uma relação muito íntima entre o interior e exterior, criando uma vivência de moradia com toda a segurança associada a um apartamento. Este foi um cuidado que quisemos ter desde o início do projeto",reforça o arquiteto Valsassina.

Cada unidade do ONE Living é uma experiência: as Penthouses oferecem múltiplas zonas exclusivas para viver e conviver; as Sky Villas proporcionam a grandeza de uma moradia com a segurança de um apartamento; para quem privilegia um estilo de vida cosmopolita, terá as Urban Residences e finalmente estarão também disponíveis as Garden Villas, onde é explorado o privilégio de viver nos jardins privados de cada unidade.[,,,]

A proximidade ao mar é um dos principais elementos deste novo empreendimento que ganha vida em Cascais, estando presente em todos os detalhes arquitetónicos do ONE living:

Viver no ONE Living é também poder desfrutar de mais de 10.000 m2 de zonas exteriores, com diversas zonas de lazer e bem-estar, rodeadas por espaços verdes. As grandes piscinas e jardins, combinados com a excelente localização, fazem do ONE Living um empreendimento de nova geração que marca um estilo de vida.[...]

“Este projeto é um marco histórico na cidade de Cascais, situado numa das localizações mais premium da região: a antiga Praça de Touros. Todos os espaços foram pensados ao detalhe pelo Arquiteto Valsassina, com construção e acabamentos de topo a cargo da Teixeira Duarte. O ONE Living apresenta um conceito residencial único e raro, renovando e revitalizando a zona em que se insere, a Gandarinha. Para nós, Porta da Frente Christie’s, é um grande privilégio estarmos ligados a este empreendimento que vai marcar o futuro da arquitetura de Cascais”, afirma Rafael Ascenso, diretor Geral da Porta da Frente Christie’s.

 

Ver o original aqui

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