Negócio do futebol

Governo isenta de IRS e IRC organizadores da final da Liga dos Campeões

FIFA

 

O Governo aprovou uma proposta de lei que isenta de IRS e IRC os organizadores da “final a oito” da Liga dos Campeões de futebol, em Lisboa.

 

A prática, habitual em organizações de provas internacionais e normalmente uma exigência da UEFA, serve para ser proposto a aprovação “um regime fiscal específico consagrando a isenção” de IRS e IRC para os rendimentos auferidos “pelas entidades não residentes associadas a estas finais”, pode ler-se na proposta de lei publicada esta segunda-feira.

Assim, ficam abrangidos por este regime “as entidadesorganizadoras, os clubes desportivos e respetivos jogadores, bem como as equipastécnicasparticipantes”.

O Governo lembra, numa nota divulgada na segunda-feira, que esta proposta é “em tudo idêntica ao que foi aplicado aos rendimentos auferidos no âmbito do Euro2004, bem como nas finais da Liga dos Campeões e Liga dos Campeões feminina, em 2014, das finais da Liga das Nações, em 2019, e da Supertaça Europeia, em 2020”, sendo que esta última estava prevista para a cidade do Porto mas não vai ali realizar-se.

O objetivo desta medida é evitar uma dupla tributação por parte dos rendimentos auferidos (como prémios, por exemplo). O diploma aprovado na segunda-feira terá ainda de ser submetido à discussão e votação da Assembleia da República.

O Comité Executivo da UEFA decidiu que Lisboa vai ser o palco para o desfecho da edição de 2019/20 da Liga dos Campeões, com uma inédita “final a oito”, em eliminatórias apenas com um jogo, nos estádios da Luz e José Alvalade, entre 12 e 23 de agosto.

A principal competição continental de clubes foi suspensa no passado mês março, devido à pandemia de covid-19, quando faltavam disputar quatro jogos dos oitavos de final, Manchester City-Real Madrid (2-1), Juventus-Lyon (0-1), FC Barcelona-Nápoles (1-1) e Bayern Munique -Chelsea (3-0).

Atlético de Madrid, Atalanta, Leipzig e Paris Saint-Germain já estão apurados para os quartos de final, recorda ainda a agência Lusa.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/governo-isenta-irs-irc-organizadores-da-final-da-liga-dos-campeoes-332486

Uma cerimónia reveladora

O triste espectáculo dado pelas mais altas figuras do Estado português esta semana já foi alvo de muitas e justas críticas. Creio que existem duas ou três dimensões em que vale a pena insistir.
 

Em primeiro lugar, a UEFA é das principais encarnações institucionais da corrosão do carácter do futebol pelo dinheiro. As suas decisões devem sempre ser olhadas com a máxima desconfiança e jamais celebradas.

Em segundo lugar, num país sem instrumentos de política decentes, furtadas pela integração europeia com a cumplicidade das elites locais, estas figuras comportam-se como o equivalente político do organizador de eventos, actividade de resto em crise profunda. Temo bem que o esforço político para perpetuar o medíocre modelo Flórida da Europa dos últimos anos possa estar a minar a autoridade das responsáveis pela saúde pública.

Em terceiro lugar, um dos subprodutos deste contexto estrutural é a degradação intelectual e ético-política dos discursos dominantes, o que esteve bem patente na forma como António Costa apresentou esta fase final da Liga dos Campeões. Quem fala de um prémio para os profissionais de saúde perdeu as referências, perdeu toda a noção do que o reconhecimento implica neste difícil contexto.

Foi, de facto, uma cerimónia reveladora.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Portugal vai decidir se Champions vai ter público. Marcelo não percebe críticas

 

O Presidente da República afirmou na sexta-feira à noite que é Portugal quem irá decidir sobre a presença de público na fase final da Liga dos Campeões, e insistiu na importância de Lisboa receber esta competição.

 

“Se for uma situação que aconselha a que não haja público, não há público. Quer dizer, quem manda é o país onde se realiza“, disse Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta aos jornalistas na zona ribeirinha de Alcântara, em Lisboa.

O chefe de Estado declarou não compreender as críticas à cerimónia realizada no Palácio de Belém, na quarta-feira, para assinalar a decisão da UEFA de escolher Lisboa para a fase final da Liga dos Campeões, em agosto, defendendo que “para a economia do país isso significa uma promoção que não tem preço“.

“Quer dizer, se tivéssemos de fazer uma campanha internacional de turismo, custaria um balúrdio para ser equivalente ao efeito que aquilo tem. Outra coisa, como é evidente, são as regras sanitárias, que são para respeitar”, acrescentou o Presidente da República, para quem, “se fosse hoje, era óbvio que não devia haver público” nos estádios.

De acordo com o semanário Expresso, a convicção no Palácio de Belém é que esta edição da Champions não terá adeptos nos estádios, até por haver a possibilidade de nessa altura ser preciso evitar uma segunda vaga da pandemia na Europa

Questionado se compreende as críticas à cerimónia de quarta-feira, em que discursaram também os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o primeiro-ministro, António Costa, o chefe de Estado respondeu: “Francamente, não percebo”.

“As pessoas têm de perceber o seguinte: nós estamos a fazer o que podemos pela economia portuguesa”, prosseguiu, argumentando que esta competição permitirá “encher não sei quantos hotéis de Lisboa”, mesmo “só com as comitivas das equipas, sem público”, e representará “uma promoção a milhões e milhões e milhões de espectadores, potenciais turistas de todo o mundo, num momento em que isso é disputado por toda a gente, o que a senhora Merkel gostaria de ter, o que os governantes espanhóis gostariam de ter”.

Marcelo Rebelo de Sousa foi também interrogado sobre a afirmação do primeiro-ministro nessa cerimónia de quarta-feira de que a fase final da Liga dos Campeões em Lisboa “é também um prémio merecido aos profissionais de saúde”, que demonstraram que Portugal tem um Serviço Nacional de Saúde (SNS) “robusto para responder a qualquer eventualidade”, e deu o seu ponto de vista.

“Eu entendi assim: que não era possível obter isto, que começou a ser disputado em março e abril, e continuou em maio e junho, se não tem havido – e continua a haver, e continuará a haver – uma realidade fundamental, que é que são os profissionais de saúde que têm aguentado em primeira linha o combate à pandemia”, expôs.

“Não há dúvida, são eles. Os triunfadores são os portugueses, mas dentro dos portugueses quem deu mais o corpo ao manifesto foram os profissionais de saúde. Isso é um facto”, considerou.

A UEFA anunciou na quarta-feira que a fase final da Liga dos Campeões 2019/2020 se irá realizar em Lisboa, com quartos-de-final, meias-finais e final disputados entre 12 e 23 de agosto, nos estádios José Alvalade e da Luz, em eliminatórias de um só jogo.

A edição 2019/2020 da Liga dos Campeões foi interrompida em março devido à pandemia de covid-19. A final estava inicialmente prevista para maio, em Istambul, na Turquia.

A pandemia de covid-19, doença provocada por um novo coronavírus detetado em dezembro do ano passado no centro da China, atingiu 196 países e territórios e já fez mais de 454 mil mortos, segundo um balanço feito pela agência de notícias francesa AFP. Em Portugal, onde os primeiros casos foram confirmados no dia 2 de março, morreram 1.527 pessoas num total de 38.464 casos de infeção contabilizados, de acordo com o relatório de sexta-feira da Direção-Geral da Saúde (DGS).

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/portugal-vai-decidir-champions-vai-ter-publico-331076

Os bárbaros da bola, os juízes investigados e os almoços de Marcelo

1. O sucedido no autocarro do Benfica ou nas residências do treinador e alguns jogadores confirma o que concluí do julgamento dos energúmenos envolvidos no assalto à Academia de Alcochete: mostrando-se inexplicavelmente branda com os arguidos, a Justiça autorizou os bárbaros das bancadas dos estádios a replicarem tão hediondos comportamentos.

 

A (in)cultura sectária que os jornais desportivos e os intermináveis programas televisivos, com comentadores a emitirem «reflexões profundas» sobre o que nenhuma atenção justificaria, produziu uma geração abrutalhada, que reage como tal e facilmente se torna presa fácil da extrema-direita e de gangs criminosos.

 

O poder político já demorou demasiado tempo a travar uma dinâmica, que se vai traduzindo em delitos cada vez mais graves. Em Alcochete e no autocarro do Benfica agrediram-se jogadores esbatendo-se a distância entre ferimentos sérios e a morte provável de futuros alvos da ira de tal gente. Será que só então se proibirão as claques e se cria uma legislação fortemente repressiva contra quem se tem colocado à margem do que são os deveres dos cidadãos numa Democracia?

 

2. Sem surpresa surge mais um caso de investigação a um juiz que, singularmente, habita há vários anos numa casa de Queijas arrestada pela justiça no âmbito do processo BPN. Mais uma confirmação da brandura com que o poder político tem olhado para os casos de corrupção em juízos e magistrados, tal qual o constatara um organismo do Conselho da Europa esta semana. E assim se compreende melhor o sentido de certas sentenças e arquivamentos de investigações relacionadas com políticos de direita e de extrema-direita, cujas cumplicidades no aparelho de Justiça parecem evidentes.

 

3. Marcelo foi novamente almoçar com Rui Rio para sinalizar o quanto dele se sente próximo ideologicamente e se pretende demarcar da colagem assumida por António Costa na visita à Autoeuropa. Reconheça-se-lhe a honestidade: o escorpião, desta vez, não tenta iludir as intenções, avisando ao que vem antes de ser levado às costas por alguns socialistas na próxima eleição presidencial. Razão mais do que fundamentada para muitos socialistas - aqueles que se identificam com o anunciado incómodo de Pedro Nuno Santos! - nele não depositem o voto. Tanto mais que o Aldrabão vai-se afundando no sucessivo desmascarar da sua sinistra personalidade, poupando-os a opções que não fazem, nem nunca fizeram sentido!

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/06/os-barbaros-da-bola-os-juizes.html

O próximo Wolves? Charlton pode tornar-se “português”

(Comentário:

O negócio do futebol está em alta. Donde vem tanto capital?

Pelos vistos há 'empresários' portugueses que até têm dinheiro para comprar clubes ingleses.

Crise? Só para quem trabalha.)

 

O consórcio português Corporate Football Organisation Portugal (CFO), liderado por Fernando Côrte-Real, está a estudar a compra do Charlton, clube que milita no Championship, o segundo escalão inglês.

 

“A CFO Portugal já existe há pelo menos cinco anos e faz consultoria na área da gestão estratégica, financeira e internacionalização e agora abriu este leque para a vertente desportiva”, explicou o empresário em declarações ao jornal Record.

“É um clube com muita história e fãs extraordinários. O objetivo é conseguir voltar a colocar o Charlton na Premier League dentro de cinco anos”, acrescentou. Côrte-Real conta ainda com o apoio dos sócios Rafael Abêlha Santos e Rui Gomes.

Embora ainda esteja numa fase inicial do processo de compra, o empresário português afiança que “tem vindo a avançar com efetividade”. Sem revelar os montantes envolvidos numa eventual compra, Côrte-Real explica que o dinheiro é proveniente “de investidores que a CFO representa, essencialmente portugueses da área desportiva, industrial e do imobiliário”.

A confirmar-se a compra do emblema londrino, o Charlton pode tornar-se a próxima armada portuguesa em Inglaterra. Aliás, o líder do consórcio confessa que o Wolverhampton é um modelo a seguir. “É um caso de sucesso. Não os vejo como uma inspiração, mas como um caso a olhar”.

O Wolves, graças ao apoio incontornável de Jorge Mendes, ascendeu do Championship à Premier League, onde agora ocupa o sexto lugar da tabela classificativa. Ao todo, o clube conta com oito jogadores portugueses na equipa principal – o dobro dos atletas ingleses.

A Segunda Liga Inglesa vai ser reatada no dia 20 de junho e o Charlton terá de dar à perna para evitar a despromoção, já que ocupa o 22.º lugar. A EFL, organizadora da prova, confirmou em comunicado que o regresso está dependente ainda da autorização das autoridades.

O único nome familiar ao público português na equipa do Charlton Athletic será Naby Sarr, jogador que passou pelo Sporting CP em 2014/15.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/charlton-pode-tornar-portugues-328311

Benfica critica presença de Rui Moreira na lista de Pinto da Costa

(Comentário:

A promiscuidade entre o negócio do futebol e a política é grave. É uma pouca vergonha que se arrasta desde há muito em quase todos os clubes.

A ligação entre clubes e autarcas é uma das vertentes dessa promiscuidade especialmente preocupante. A troca de interesses e compromissos entre 'municipalistas' e 'clubistas'  compromete a transparência da gestão camarária e dos muitos negócios que gravitam em torno do futebol assim como tende a instituir redes de caciquismo e de clientelismo inadmissíveis em democracia.
Mas não é só no Porto!)

 

O diretor de comunicação do SL Benfica, Luís Bernardo, criticou, esta quarta-feira, a presença de Rui Moreira na lista de Pinto da Costa às eleições para a presidência do FC Porto.

 

“Já não bastava o nível de promiscuidade política, sem paralelo, evidente nas listas de Pinto da Costa com um desfile de atuais e ex-políticos, ficámos agora a saber que o designado sucessor para presidente do FC Porto e atual presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, é notícia porque já reuniu com colegas autarcas para discutir assuntos relacionados com a construção da prometida futura academia do FC Porto“, escreveu o responsável pela comunicação das ‘águias’ num texto divulgadono site do clube.

Luís Bernardo alerta para “a gravidade de toda esta situação em que se misturam a gestão de cargos públicos com os interesses de um clube”. O funcionário benfiquista diz ainda que deixa de se perceber onde começa e acaba o papel do presidente da Câmara do Porto “e se confunde com o de futuro presidente do Conselho Superior do FCP e eventual sucessor de Pinto da Costa”.

“O que seria se o presidente da Câmara Municipal de Lisboa aceitasse integrar as listas de um dos candidatos à liderança de um clube da sua cidade, ao mesmo tempo que surgia a liderar a eventual oferta de terrenos e gestão de projetos de construção relacionados com esse mesmo clube que envolvem financiamentos avultados”, continuou Luís Bernardo.

Assim se expõe toda a hipocrisia de todos aqueles que rasgaram as vestes e tanto se indignaram com a banal oferta de dois bilhetes para um jogo a um responsável político, e que agora em situação de caos financeiro demonstram que afinal vale tudo, desde financiamentos públicos para o Porto Canal, passando por uma lista para o Conselho Superior manifestamente incompatível com a necessária transparência e salvaguarda do interesse geral”, acrescentou.

No final do texto, o diretor de comunicação do emblema da Luz remata: “Afinal quem é o vicário de quem entre Rui Moreira e Pinto da Costa?”.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, integra a lista de Pinto da Costa às eleições dos órgãos sociais FC Porto como cabeça de lista ao Conselho Superior.

“Orgulho-me muito de o ter nas minhas listas, não por ser meu amigo nem presidente da Câmara Municipal do Porto, mas por ser o presidente que é”, justificou o líder dos dragões, durante a apresentação do elenco da lista A, no Estádio do Dragão.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/benfica-rui-moreira-lista-pinto-da-costa-328297

O grande lóbi

 
A verdadeira força que o futebol tem neste país mede-se pelo modo como consegue “forçar”, em tempos sanitários bem duvidosos, o recomeço do campeonato.
 
Não houve um único partido a reclamar, porque todos estão infiltrados de lobistas dos vários clubes
 

Ver original em "duas ou três coisas" (aqui)

Os cabelos de Marques Mendes

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 06/05/2020)

Estou preocupado com os cabelos de Marques Mendes, que ficou com eles em pé com a eleição de uma deputada do PS para a FPF. É que quando o ex-deputado Gilberto Madaíl acumulou funções na FPF o seu líder parlamentar era Marques Mendes. E quando o ex-deputado Hermínio Loureiro foi eleito presidente da Liga o líder do partido era Marques Mendes. É preciso ter pontaria e resistência capilar.


 

Corria o ano de 1996 quando o deputado do PSD Gilberto Madaíl foi eleito presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). E como deputado permaneceu mais um ano, conseguindo a proeza de acumular a presidência da FPF com a da Comissão Parlamentar para o Desporto. Em 2006, o também deputado do PSD Hermínio Loureiro foi eleito presidente da Liga e vice-presidente da FPF, por inerência de funções. E acumulou as funções políticas e de dirigente desportivo durante três anos. A promiscuidade entre política e futebol ainda só era tema de gente politicamente marginal. E assim continuou até há poucos dias. Os presidentes de clubes eram namorados pelos partidos do poder, muitos deputados ocupam funções associativas e os painéis de comentadores desportivos forneceram candidatos a autarcas. Como André Ventura, o moralista mais promíscuo da nossa praça.

Tudo continuava nesta pouca-vergonha até o comentador político Marques Mendes ter ficado “de cabelos em pé” com a eleição de uma deputada do PS, Cláudia Santos, para presidente do Conselho de Disciplina da FPF. Visivelmente indignado, o comentador explicou-nos: “Isto é um problema político e ético. Isto é um problema de promiscuidade, de confusão, de ligação perigosa entre o futebol e a política.” Confesso que senti um arrebatamento. Finalmente alguém punha o dedo na ferida, dizia as coisas como têm de ser ditas e tudo o mais que se costuma escrever nas redes sociais quando um demagogo fala para a plateia a fazer figas atrás das costas.

Só que o passado é uma sarna que não larga o hipócrita. E toda a gente tem o seu. Quando trago à baila Madaíl e Loureiro não é para entrar na rábula da troca de cromos ente PS e PSD. Seria um jogo interminável. Apenas estou preocupado com os cabelos de Marques Mendes. É que quando Gilberto Madaíl acumulou funções, o seu líder parlamentar era, nem mais nem menos, o cabeludo Marques Mendes. E quando Hermínio Loureiro foi eleito presidente da Liga, o presidente do partido era, nem mais nem menos, o mesmo Marques Mendes. É preciso ter pontaria e resistência capilar. E a sorte é tanta que os três – Marques Mendes, Gilberto Madaíl e Hermínio Loureiro – foram eleitos pelo mesmo círculo de Aveiro. Ninguém sabe se ele disse aos dois senhores, como aconselhou agora, que aquilo não era “politicamente recomendável”. Ou se propôs que se mudasse a lei. Sei que não agiu nem falou, apesar de ter poder para o fazer, nos dois casos.

Ao contrário de muitos, acho normal ex-políticos fazerem comentário. O comentário é assinado e é para ter posição. E, tenho de confessar, ver Marques Mendes ter sobressaltos éticos com as promiscuidades dos outros é o meu “guilty pleasure”. E, por isso, espero ansioso pelo esclarecimento deste domingo, quando o comentador for confrontado com o que mudou para se ter transformado no guardião da ética que lhe escapava quando tinha poder para a impor. Se o comentário lhe serve para criar factos políticos, que desta vez seja ele o facto político. É que não é Marcelo quem quer, é Marcelo quem sabe. E, como se viu na polémica do 1º de Maio, na arte da fuga e da dissimulação todos são aprendizes ao pé do Presidente.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Partidas de futebol não devem ser jogadas até setembro, diz diretor médico da Fifa

Flamengo e Fluminense se enfrentam pelo Campeonato Carioca
© Folhapress / Brazil Photo Press

O diretor do comitê médico da FIFA, Michel D’Hooghe, afirmou nesta terça-feira (28) que o futebol não deve ser disputado até o início de setembro para evitar a propagação da COVID-19.

"Se há um momento onde prioridades absolutas deveriam ser dadas a assuntos médicos, é agora. Não é questão de dinheiro, mas de vida ou morte", disse D’Hooghe em entrevista ao canal inglês Sky Sports News.

Na segunda-feira (28), o ministro da Saúde do Brasil, Nelson Teich, disse que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fez um pedido para que sejam realizados jogos no país com portões fechados.

Michel D’Hooghe disse que ainda não é o momento de retomar as partidas de futebol.

"O mundo não está pronto para o futebol competitivo, eu espero que isso possa mudar muito rapidamente, e espero sinceramente. Hoje precisamos de mais paciência", disse.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/esportes/2020042915513747-partidas-de-futebol-nao-devem-ser-jogadas-ate-setembro-diz-diretor-medico-da-fifa/

Portugal | O HACKER RUI PINTO REGRESSA A CASA

 
 
Rui Pinto aceita revelar passwords de discos com milhões de documentos
 
O hacker Rui Pinto, que estava em prisão preventiva, foi colocado em prisão domiciliária, mas em habitações disponibilizadas pela Polícia Judiciária e sem acesso à internet, por decisão do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.
 
Uma das condições para a passagem do hacker à prisão domiciliária terá sido o compromisso de revelar as passwords dos dez discos rígidos com informação a que, devido ao sistema de encriptação avançado, nenhuma autoridade europeia conseguiu ainda explorar.
 
Carolina Rico | TSF

 
 
Rui Pinto aceita revelar passwords de discos com milhões de documentos
 
Ocriador do Football Leaks e autor das revelações do Luanda Leaks apresenta "agora um sentido crítico e uma disponibilidade para colaborar com a justiça", segundo o despacho judicial que determinou a alteração da medida de coação para prisão domiciliária.
 
ui Pinto, que estava em prisão preventiva desde 22 de março de 2019, foi colocado na quarta-feira em prisão domiciliária, mas em habitações disponibilizadas pela Polícia Judiciária (PJ) e sem acesso à internet, por decisão do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.
 
De acordo com o jornal Público , uma das condições para a passagem do hacker à prisão domiciliária foi o compromisso de revelar as passwords dos dez discos rígidos com informação a que, devido ao sistema de encriptação avançado, nenhuma autoridade europeia conseguiu ainda explorar.
 
O despacho da Juíza de Instrução Criminal (JIC) Cláudia Pina, a que a agência Lusa teve acesso, diz que, "analisando a pretensão" do arguido quanto à alteração da medida de coação e "as informações remetidas" pela PJ, constata-se que neste momento "encontram-se alteradas as exigências cautelares" relativas à aplicação da prisão preventiva, acrescentando que uma medida de coação menos gravosa "assegura de modo suficiente os perigos de fuga, de conservação da prova e de continuação da atividade criminosa".
 
"Por um lado, o arguido inverteu a sua postura, apresentando agora um sentido crítico e uma disponibilidade para colaborar com a justiça, por outro lado, neste momento as fronteiras encontram-se sujeitas a elevados controles devido à pandemia [de Covid-19], o que por si reduz o perigo de fuga, importando também salientar que ao arguido deverão ser dadas, como a qualquer outro cidadão, as melhores condições possíveis para que se mantenha saudável e em segurança", justifica a JIC.
 
O despacho acrescenta que a PJ "possui os meios necessários para garantir que o arguido não persiste na atividade criminosa nem possui meios de destruição de provas, garantindo que o mesmo se encontra alojado em local sob o seu controlo, sem acesso à internet".
 
"Assim, e pese embora se entenda que apenas a aplicação de medida de coação privativa de liberdade assegura de modo suficiente as exigências cautelares, cumulada com a proibição de aceder à internet e a qualquer dispositivo que permitam o seu acesso, neste momento revela-se excessiva a aplicação da medida de prisão preventiva, cuja substituição se determina pela medida de obrigação de permanência na habitação, a executar nas habitações disponibilizadas pela Polícia Judiciária", explica a juíza.
 
A JIC autoriza que Rui Pinto tenha companhia ou que receba visitas de pais, parente próximo ou namorada, desde que se garanta que não são portadores de dispositivos que permitam acesso à internet.
 
Em comunicado, os advogados que defendem Rui Pinto mostraram-se satisfeitos com a alteração da medida de coação.
 
"A defesa de Rui Pinto congratula-se com esta decisão, e confia que outros passos serão dados no sentido da total liberdade do seu constituinte, cujas revelações já muito contribuíram para o combate à grande criminalidade, nomeadamente no âmbito do crime económico", sublinharam os advogados William Bourdon, Francisco Teixeira da Mota e Luísa Teixeira da Mota.
 
Na posse da investigação estão dez discos rígidos encriptados por Rui Pinto e aos quais a PJ ainda não conseguiu aceder.
 
Em janeiro, o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu levar a julgamento o advogado Aníbal Pinto (apenas pelo crime de tentativa de extorsão à Doyen), e Rui Pinto por 90 crimes de acesso ilegítimo, acesso indevido, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão, mas deixou cair 57 dos 147 crimes pelos quais o arguido havia sido acusado pelo Ministério Público (MP).
 
Contudo, a procuradora do MP Patrícia Barão recorreu da decisão instrutória para o Tribunal da Relação de Lisboa (TRL), defendendo que o arguido deve ser julgado pelos 147 crimes que constam da acusação, aguardando-se ainda por essa decisão.
 
Em setembro de 2019, o MP acusou Rui Pinto de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, sete deles agravados, um de sabotagem informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da Federação Portuguesa de Futebol e da Procuradoria-Geral da República, e posterior divulgação de dezenas de documentos confidenciais destas entidades.
 
Depois de ter sido detido na Hungria e enviado para Portugal, ao abrigo de um mandado de detenção europeu, Rui Pinto assumiu a entrega de um disco rígido à Plataforma de Proteção de Denunciantes na África, que permitiu a revelação dos Luanda Leaks, um caso de corrupção relacionado com a empresária angolana Isabel dos Santos.
 
TSF | Lusa | Imagem: Rui Pinto © Ferenc Isza/AFP
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/portugal-o-hacker-rui-pinto-regressa.html

Portugal | Fisco faz buscas em vários clubes, incluindo F.C. Porto, Benfica e Sporting

 
 
A Autoridade Tributária está a realizar buscas, esta quarta-feira (04.03), em vários clubes de futebol, incluindo F. C. Porto, Benfica e Sporting, numa operação relacionada com crimes fiscais.
 
São cerca de 50 buscas e estão a decorrer em simultâneo em todo o país em clubes e instalações das SAD´s de vários clubes de futebol e também em casa de dirigentes desportivos, confirmou o JN.
 
A operação visa a recolha de documentos no âmbito da investigação de crimes fiscais relacionados com transferências milionárias de jogadores com indícios de fuga ao fisco. Existem pagamentos de comissões a empresários que os investigadores do Fisco querem "passar a pente fino".
 
O JN sabe que um dos empresários visados é Jorge Mendes, conhecido como o "super-agente".
 
As buscas incluem as casas do dirigente do F. C. Porto Pinto da Costa; do presidente do Benfica Luís Filipe Vieira; jogadores de futebol e advogados, nomeadamente Carlos Osório de Castro, que representa Cristiano Ronaldo.
 
Entre os clubes visados estão ainda o Sporting de Braga, Vitória de Guimarães, Marítimo, Estoril e Portimonense, entre outros.
 
A operação teve a cooperação e troca de informações com entidades estrangeiras. A investigação tem pelo menos quatro anos.
 
Alexandre Panda com S.A. | Jornal de Notícias | Imagem: Global Imagens
 
…E o que é que Rui Pinto sabe sobre isso tudo?
 
No Jornal de Notícias de Abril de 1919 é mencionado que o Fisco solicitou informações ao Rui Pinto “sobre negócios de Jorge Mendes”, que interessante! Afinal usam o hacker para lhes dar informações mas depois acusam-no de crimes e mantêm-no na prisão. Mais recentemente usaram informações de Rui Pinto para deslindar o Luanda Leaks, sabe-se lá o que mais usaram para recolher informações que contribuíssem para as investigações de vários crimes em vários setores da economia portuguesa e do futebol... 
 
Porém, Rui Pinto continua acusado de crimes e na prisão. Primeiro é criminoso, mas o critério é usarem as informações dos “crimes” de que o acusam e enjaulam. 
 
Quer parecer que Rui Pinto obteve na sua atividade “criminosa” informações de gentes das elites políticas e económico-financeiras, do futebol, da elite judicial e outras, que não agrada à muito provável máfia que detém os poderes em Portugal e que por isso é que está silenciado, esses “crimes” estão a custar a Rui Pinto a liberdade… 
 
Cabe perguntar quem teme os conhecimentos que não convêm ser divulgados por Rui Pinto? Primeiro usam-no e depois acusam-no e encerram-no numa prisão? Tudo não deixa de ser muito estranho.
 
Também é facto relevante um título no JN, em Março de 2019, que refere que França copiou ficheiros de Rui Pinto por recear que Portugal destruísse provas. Que provas? E porquê o receio de destruição das mesmas? A quem afeta ou viria a afetar? Afetaria parasitas que nas elites criminosas (raramente descobertos) se mantêm a ser os Donos Disto Tudo? Para quando desvendarem esses mistérios?
 
Leia a notícia muito reduzida no JN do ano passado e a babuja a que se submeteu o Fisco com a solicitação ao “criminoso” Rui Pinto. Note que se surge e mantém-se a pergunta: Quem são os que estão a proteger? À populaça não é, com toda a certeza. Essa paga e não bufa. É roubada e “bico calado”.
 

 

Fisco pediu a Rui Pinto informações sobre negócios de Jorge Mendes
 
Quando Rui Pinto ainda estava em prisão domiciliária em Budapeste, na Hungria, a Autoridade Tributária (AT) tentou estabelecer uma colaboração com o alegado pirata informático.
 
Queria saber se Rui Pinto tem informações sobre sociedades com sedes em paraísos fiscais ou sobre transferências bancárias em nome de testas de ferro que possam ser úteis para uma investigação em curso envolvendo o mundo do futebol. Um dos alvos é o agente de futebolistas Jorge Mendes, cuja empresa frisa ao JN não ter qualquer problema com o Fisco.
 
 
Página Global com Jornal de Notícias

Na imagem intermédia: 
Empresário de futebol Jorge Mendes / Foto Álvaro Isidoro / Global Imagens

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/portugal-fisco-faz-buscas-em-varios.html

Portugal | Os longos braços do futebol

 
 
Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião
 
A Imprensa revelou esta semana que o Ministério Público terá novos suspeitos no âmbito da Operação Lex, que investiga possíveis crimes de tráfico de influências, corrupção, branqueamento e fraude envolvendo juízes do Tribunal da Relação de Lisboa com extensas ligações ao negócio do futebol.
 
No centro do caso estão os juízes desembargadores Rui Rangel e Fátima Galante, suspeitos, entre outras coisas, de terem influenciado vários processos judiciais que envolviam figuras do futebol português, como o empresário José Veiga e o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, ambos arguidos na Operação Lex. Outro arguido é o ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol João Rodrigues, que terá sido intermediário de Rangel, nomeadamente junto de Álvaro Sobrinho, acionista do Sporting e ex-presidente do BES Angola.
 
Mas as ramificações deste caso não ficam por aqui e envolvem já Luís Vaz das Neves, antigo presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, também constituído arguido, e Orlando Nascimento, o presidente da Relação de Lisboa que ontem se demitiu. Sobre ambos recai a suspeita de terem viciado a distribuição de processos judiciais de forma a atribuir casos específicos a certos magistrados.
 
Tanto Rui Rangel como Fátima Galante já foram afastados dos tribunais pelo Conselho Superior da Magistratura, mas as acusações que pendem sobre os restantes envolvidos são demasiado graves para serem ignoradas. O princípio constitucional da separação de poderes é para levar a sério e não está em causa. É por respeito e preocupação com o papel da Justiça no regime democrático que o óbvio pode e deve ser dito: todos os magistrados envolvidos, com elevadas responsabilidades no Tribunal da Relação de Lisboa, devem suspender funções de imediato.
 
Mas não é só o envolvimento da Justiça que torna este caso tão grave e importante. Há anos que os maiores clubes, com os seus barões e empresários, formam um dos maiores focos de corrupção e crime económico em Portugal. Está mais que na hora de esse poder, que tantas ramificações tem na Justiça, na Banca e na política (em particular no Parlamento), sair da impunidade.
 
*Deputada do BE

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/portugal-os-longos-bracos-do-futebol.html

FRATERNIZAR – O que nos revela o ‘Caso Marega’ -RACISMO OU A NEGAÇÃO DO DESPORTO COMO ARTE?! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 
 

 

Aconteceu no passado fim de semana, em Guimarães, no Estádio D. Afonso Henriques. Num jogo da Primeira Liga entre o VSC de Guimarães, de Júlio Mendes, treinado por Ivo Vieira, e o FCP, de Pinto da Costa, mais que vitalício no cargo, treinado por Sérgio Conceição. Depois de tantos escândalos já divulgados e muitos outros, ainda por divulgar pelo Futebol Leaks, inevitáveis todos neste tipo de Futebol dos milhões, qual é, a meu ver, a pior revelação que o ‘Caso Marega’ nos faz – um caso de Racismo, ou a negação pura e simples do Desporto, como actividade saudável ao ar livre e com todos os ingredientes para desfrutarmos uns com os outros, sem necessidade de recorrermos a qualquer tipo de policiamento nos respectivos locais?

Podem acusar-me de sonhador e utópico. Mas, então, deixemos de falar de Desporto, sempre que nos referimos ao futebol de milhões, implantado hoje tanto no Ocidente como no Oriente. Fazê-lo, é agredir o desporto como tal e os seus praticantes. O ‘caso Marega’ é uma acha mais, na fogueira que alimenta jornais desportivos – só em Portugal, pequeno país à beira-mar plantado, há três diários, sete dias por semana!!! E há as tvs privadas e as das SADs, entenda-se, Sociedades Anónimas Desportivas em que se transformaram os clubes. E há comentadores televisivos a granel que enchem horas, noites e dias de cada semana, durante todo o ano, a esmiuçar tudo ao pormenor e sempre com grandes audiências. E há jogadores e treinadores que se compram e se vendem por somas astronómicas e obscenas, onde o Senhor Dinheiro dita as regras e corrompe tudo e todos, sem quaisquer escrúpulos e possibilidades de controlo. Graças à cobertura de Federações nacionais e internacionais, onde a UEFA que a tudo preside, põe e dispõe na mais completa amoralidade. Porque a única coisa que conta é o Lucro, sem que os Estados e respectivos Governos tenham mão nesta máquina devoradora e trituradora do Humano, que converte nascidos de mulher em famosas marcas, como é o caso da marca CR7, nascido de uma mulher da Região Autónoma da Madeira.

Não há como conter esta trituração do Humano. Seja a dos craques que se compram e se vendem, numa sofisticada forma de prostituição, seja a dos frequentadores de todos aqueles-estados catedrais, como, na idade média, frequentavam as catedrais dos bispos e os templos paroquiais das aldeias. O resultado é o mesmo, num e noutro caso. As mudanças são pouco mais do que cosméticas, mais maléficas estas hoje, do que aquelas do passado. O ‘racismo’ então também era de outro tipo. Não tinha que ver com a cor da pele, embora, ‘descobridores’ e ‘conquistadores’ da era de Quinhentos, chegassem a perguntar se aqueles aborígenes residentes nus ou seminus, com os quais se deparavam, ao saírem das caravelas, e facilmente subjugavam mediante a Cruz e a Espada, ‘tinham alma’. Por então, ainda se não havia inventado a palavra ‘racismo’, mas já se praticava, sob outras designações, como a escravatura, à beira das quais o ‘caso Marega’ nem sequer o chega a ser. De modo que todo o alarido que em seu redor se criou e se vai alimentar por muitos dias serve sobretudo para esconder um dos piores crimes contra a Humanidade e contra o Desporto, como prática saudável ao ar livre , que é a existência cientificamente organizada do Futebol dos milhões.

Alerta, pois! Porque o Senhor Dinheiro tem o perverso condão de envelhecer-matar não só o corpo dos nascidos de mulher, mas também e sobretudo a sua ‘alma’, o Eu-sou único e irrepetível que cada uma cada, cada um de nós é. E que o ‘caso Marega’ ajuda a esconder, quando mais parece revelar. Ou acabamos já com o Futebol dos milhões e suas SADs e regressamos aos clubes de Futebol com equipas formadas exclusivamente por profissionais de cada um dos países, entre os quais se busca o desporto como Arte e fonte de amizade e da entre-ajuda, ou acabamos todos comidos por ele e seus abutres.

 

www.jornalfraternizar.pt

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/23/fraternizar-o-que-nos-revela-o-caso-marega-racismo-ou-a-negacao-do-desporto-como-arte-por-mario-de-oliveira/

White Angels. A claque do Guimarães que chamou racista a Marega

 
 
Segundo a PSP, a maior claque do Vitória de Guimarães terá cerca de 700 elementos, mas só estão registados 11. Não haverá ligações de membros a grupos violentos organizados de extrema-direita.
 
"Castiguem quem ousa não ser seguidor do 'estarolismo-mor'. Arranjem de tudo como é costume: desde insultarmos a própria cidade, até ao facto de sermos insultados por um preto, mas o racismo só existir quando nós o insultamos... Nada nos afecta, nem nunca afetará." A frase faz parte de um post publicado na noite de domingo na página de Facebook dos White Angels, a maior claque do Vitória de Guimarães, que tomou esta posição após os incidentes que envolveram o jogador portista Marega no passado domingo e que já motivaram a abertura de um inquérito pelo Ministério Público.
 
O internacional pelo Mali, que alinhou pelo V. Guimarães na temporada 2016-17, abandonou o terreno de jogo após ser alvo de insultos racistas vindos das bancadas do Estádio Dom Afonso Henriques, durante o jogo V. Guimarães-FC Porto, gerando com essa atitude uma avalancha de reações ao caso que teve destaque internacional e pôs o tema do racismo no futebol e na sociedade portuguesa a ser discutido em vários quadrantes. Uma dessas reações foi precisamente a dos White Angels, que foi mais longe neste comunicado considerando que Marega é um "jogador racista", assim como Sérgio Conceição, atual treinador do FC Porto e também ex-técnico do V. Guimarães. O futebolista dos dragões voltou a comentar o assunto nesta segunda-feira, garantido que os insultos racistas começaram ainda no aquecimento.
 
A claque White Angels foi formada a 15 de abril de 1999 e é uma das três associadas ao V. Guimarães que a PSP identifica como estando registadas no Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), juntamente com os grupos Suspeitos do Costume e Insane Guys. Ainda segundo a PSP, os White Angels terão cerca de 700 elementos, mas destes apenas 11 estão registados no IPDJ. Em 2018, a polícia contabilizava 20 elementos da claque com registos de prática de crimes associados ao fenómeno da violência do desporto e outros sete indiciados por outros crimes (principalmente roubos, furtos, tráfico de droga e agressões violentas). Estavam também identificados cerca de 70 adeptos ligados a subgrupos de casuals, que organizam ações violentas, como, por exemplo, em janeiro de 2018, a invasão do centro de treinos do Vitória seguida de agressões a jogadores do clube.
 
Os Suspeitos do Costume terão pouco mais de 500 membros (as contas da PSP são feitas tendo em conta a presença de adeptos nas bancadas). Os Insane Guys serão pouco mais de uma centena. Nenhuma destas claques tem elementos registados no IPDJ. Aliás, de acordo com os números a que o DN teve acesso, o rácio de elementos de claques vimaranenses registados no IPDJ é de apenas 0,5%, abaixo do que se passa no Sp. Braga (1,9%) e muito além do que acontece no Sporting (36%) e no FC Porto (34%) - o Benfica não tem qualquer claque registada.
 
 
No top 5 dos incidentes em estádios
 
O presidente do maior sindicato da PSP já veio dizer que insultos racistas contra os jogadores são "frequentes" nos estádios e que aos elementos da polícia "é pedido para não ligar". Talvez por isso, e apesar de serem "habituais" estas situações, de acordo com os últimos dados facultados ao DN pela PSP (relativos às épocas de 2015-2016 e 2016-2017), foram apenas registados 27 e 31 incidentes, respetivamente, por "incitamento à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância" - representando um crescimento de 14,8%.
 
Durante as épocas referidas, as claques do Vitória estiveram envolvidas em 9,8% dos incidentes registados em jogos de futebol da I Liga, menos do que os protagonizados por claques associadas ao Benfica (28%), ao FC Porto (24,7%) e ao Sporting (23,8%) e mais do que os que envolvem adeptos do Sp. Braga (5,5%).
 
O DN já pediu à PSP dados atualizados e está a aguardar a resposta, incluindo sobre o número de adeptos identificados pela polícia por proferirem insultos racistas e xenófobos.
 
Sem ligações a grupos violentos de extrema-direita
 
Se há ligações destas claques vimaranenses a movimentos racistas de extrema-direita, violentos e organizados (como os Portugal Hammerskins ou os Blood & Honour), ou a nacionalistas extremistas, a PSP ainda não esclareceu. No entanto, fonte da Frente Unitária Antifascista, que acompanha estes grupos, disse ao DN que "até agora não foram detetadas essas ligações" no Vitória de Guimarães.
 
Uma realidade diferente de claques de outros clubes onde "há, de facto, elementos que integram grupos organizados de extrema-direita". "Neste caso [do V. Guimarães] trata-se simplesmente de pessoas racistas cujo discurso, infelizmente, tende a ficar normalizado e legitimado. Muitos adeptos fazem isto apenas por pura provocação aos jogadores, nem sequer têm noção do racismo implícito. Há muita falta de consciência", conclui a mesma fonte.
 
Valentina Marcelino e Pedro Sequeira | Diário de Notícias | Imagem: © Leonel de Castro/Global Imagens
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/white-angels-claque-do-guimaraes-que.html

Moussa Marega, deixa-me dizer-te uma coisa

(Adriano Miranda, in Público, 17/02/2020)

 

A rua do meu bairro era bastante larga para a época. Não era asfaltada. Era de terra batida. E ao fim do dia, depois das aulas, os amigos juntavam-se em redor da bola de futebol. A rua era o nosso campo de futebol. Jogávamos com os nossos ídolos na cabeça. Não existiam camisolas dos clubes com os craques gravados por cima do número. O Eusébio, o Coluna, o Yazalde, o Damas, o Dinis, o Torres, o Simões estavam todos dentro da nossa cabeça. Guardados em sonhos na esperança de um dia sermos como eles. No meio do pó, braços e pernas dançavam ao som das melhores fintas, na proeza da melhor defesa. Estava o filho do bancário e o filho do sapateiro. O branco. O negro. O cigano. Estávamos todos unidos. A bola era o ponto da nossa união.

Como se poderia adivinhar pelo jeito que eu tinha a rematar, o sonho foi-se desvanecendo. Não aprendi a dar mais que três toques seguidos nem a fazer a finta genial. O Damas, o meu herói, fez-me sportinguista. Serei sempre. Mas os miúdos da minha rua ensinaram-me o valor das palavras amizade e solidariedade. O mais importante. Foi o que ficou das “futeboladas” ao final do dia.

Todos os domingos vou ao futebol. Ver o Filipe. Tem 15 anos. Joga desde os seis anos. É mil vezes melhor que o pai. Gosto de ver a sua combatividade. As suas fintas. Ouvir o nome dele na bancada com palavras de incentivo. Gosto. Mas do que gosto mais é quando o Filipe aleija algum adversário e fica junto dele até saber que a dor é passageira. Pede-lhe desculpa. Afaga-lhe sempre a cabeça. Ou quando aconchega algum adversário ou companheiro de equipa que chora com a derrota ou com o falhanço de um penálti. O Filipe já não joga numa qualquer estrada empoeirada. Joga em relva sintética, com chuteiras de marca. Mas o Filipe sabe o valor das palavras que o pai aprendeu: amizade e solidariedade. Ele também já as aprendeu. E isso vale mais do que qualquer golo.

Todos os fins-de-semana os campos de futebol dos clubes mais recônditos enchem-se de pais, treinadores, jogadores e dirigentes assanhados. Violência verbal, violência física. Tudo vale num estado quase hipnótico, esquecendo que na relva falsa estão crianças e jovens a praticar desporto. Tudo vale no chamado “futebol de formação”. Compra de resultados, aliciamento de árbitros, sorteios viciados, fugas fiscais, branqueamento de capitais, apadrinhamentos, ofensas verbais, ofensas corporais e ofensas racistas. Tudo vale e tudo assobia para o lado. Todos os maus exemplos do futebol sénior são implementados no “futebol de formação”. E quem pode acabar com isto de uma vez por todas? O Moussa Marega já lançou a semente.

Na sala, onde damos descanso aos músculos e enaltecemos a preguiça, o pivô deu-nos a notícia. Na televisão com alta definição, vimos, incrédulos, a arena selvagem própria dos tempos de Nero. Marega não me fez chorar pelo golo que marcou. Se fosse do Sporting, talvez chorasse. Chorei ao ritmo da sua indignação, da sua humilhação. Chorei ao vê-lo apontar a sua pele tingida com um cartão amarelo. Note-se que Marega foi o único castigado. Ofendido e castigado. Sinal de que caminhamos a passos largos para uma sociedade sem valores, Marega não teve a amizade e a solidariedade de ninguém. Nem daqueles que têm a mesma cor na camisola. Nem daqueles que têm a mesma cor de pele. A humilhação também era para eles. E o melhor golo da partida era vê-los abraçados a Marega a abandonarem a arena de Nero. E nas bancadas, os homens e as mulheres de bem, aplaudirem de pé os bravos.

Sabemos que o futebol é uma indústria de ódios e fanatismos. Irracional. Terreno lamacento para a extrema-direita se alimentar de recrutamentos e multidões. No jogo entre a Lazio e o Tottenham, numa tarja enorme, podia ler-se: “Auschwitz a vossa pátria, o forno a vossa casa.” São tantos os exemplos. De gente que não é gente. Eles começam a andar por aí. Até nós deixarmos.

Moussa Marega, deixa-me dizer-te uma coisa. Desde domingo que fazes parte dos meus ídolos. Os ídolos que marcavam golos do outro mundo, os que ensopavam a camisola de suor, e agora tu, um ser humano excepcional. O Filipe, o aspirante a jogador, viu-te sair com a indignação no rosto. Aprendeu muito contigo. Aprendeu que somos todos filhos do mesmo chão. Obrigado, Marega. A promessa fica feita. O Filipe, se marcar algum golo, vai tirar a camisola de jogo e vai mostrar outra com o teu nome – MAREGA. Levará um cartão amarelo, até podia levar um vermelho. Que se lixe. Existem valores que falam mais alto. E a luta pela dignidade não conhece castigos.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Portugal | Marega reage novamente a insultos: "Senti-me realmente uma m****"

 
 
Depois da publicação, ainda a quente após o jogo, o avançado maliano voltou a falar sobre os insultos racistas em Guimarães.
 
Moussa Marega voltou, esta segunda-feira, a falar sobre os insultos racistas no Estádio D. Afonso Henriques, durante o Vitória SC - FC Porto. Em entrevista a uma rádio francesa, o atacante dos dragões desabafou e disse que ficou realmente "desiludido" com todos os comentários de que foi alvo.
 
"Ontem [domingo], senti-me realmente uma m****. Foi, verdadeiramente, uma grande humilhação, tocou-me verdadeiramente", disse Marega, em declarações ao programa ‘Team Duga’, da RMC Sport.
 
"Se pudesse falar com o presidente da República? Seria um honra e podia dizer-lhe o que senti ao ser insultado daquela forma. Não gostei mesmo nada de sentir aquele ódio, fiquei muito desiludido",  acrescentou ainda.
 
Recorde-se que Marega já tinha reagido aos insultos de que foi alvo em Guimarães, num texto publicado alguns minutos após o apito final do encontro.
 
Notícias ao Minuto | Imagem: © Getty Images
 
Leia em Notícias ao Minuto: 
 
 
Leia em Página Global:

Portugal | Os golos não têm cor

 
 
Jornal de Notícias | editorial
 
Já tínhamos visto de tudo no futebol português. Na verdade, pensávamos que já tínhamos visto de tudo no futebol português. Afinal, não. Afinal, ainda havia um nível subterrâneo para percorrer no imenso lodaçal em que germina o desporto mais mobilizador do país.
 
O racismo entrou em campo, vindo de fora do campo, e acabou como deve acabar. Fora de jogo. Os insultos racistas de que foi vítima Marega envergonham o futebol, mas envergonham sobretudo o país. E são, infelizmente, um retrato cru de uma guerra civil que, a cada jornada que passa, se alimenta com mais voragem de uma cultura de ódio que nada tem que ver com os valores do desporto ou sequer de uma sociedade livre, democrática e inclusiva.
 
Mas agora ponha o dedo no ar quem podia garantir que, mais cedo ou mais tarde, isto não iria acontecer. Que um jogador, fosse ele qual fosse, de que clube fosse, não ia, um dia, num jogo mais acalorado, decidir abandonar o terreno por ter sido rasteirado da forma mais vil possível. Porque não é a primeira vez que assistimos a episódios de racismo nos campos de futebol em Portugal, mas é a primeira vez que um profissional de futebol marca uma posição tão corajosa. E isso, no meio de tanta hipocrisia, é que releva o peso deste murro na mesa de um jogador que desistiu de fazer o que é suposto fazer. Marcar golos. Correr atrás de uma bola. Lutar. Ser um profissional.
 
Só que isto já não é "só" sobre futebol. O que se passou ontem em Guimarães ultrapassa o reduto das quatro linhas, dos comentadores aditivados e das cegueiras compulsivas. O que se passou ontem em Guimarães mostrou ao Mundo um Portugal que não pode ser tolerado. Seja nas bancadas de um estádio, seja noutro palco qualquer. Em Espanha, no Brasil e no Canadá, o Portugal que vai ser visto é um Portugal que não podemos aceitar como país acolhedor que somos, como país que convive pacificamente com a diversidade cultural, étnica e religiosa.
 
Seria de esperar que o caso Marega pudesse contribuir para elevar o debate no futebol português em torno do que verdadeiramente importa. Mas não. O clamor que vimos e ouvimos a alguns não foi suficiente para abafar a turba barulhenta que vive para atirar gasolina para a fogueira. Adeptos, dirigentes, comentadores. Eles que enchem a boca com futebol, mas que o tratam tão mal. A eles, a todos eles, só podemos responder com o vigor de uma certeza: os golos não têm cor. O futebol não pode tolerar racismos nem racistas. Por isso, Marega, faz dos golos a tua lição. A outra lição. Porque a maior de todas, essa, já a deste. Ao futebol, ao país e aos ignorantes que olharam para a tua pele e não te viram a ti.
 
A Direção

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/portugal-os-golos-nao-tem-cor.html

A cobardia e a incoerência dos fascistas

Sabe-se que Benito Mussolini era um cobarde: quando mandou invadir a Etiópia, para alimentar uma campanha de propaganda capaz de iludir milhões de italianos, enviou tanques, aviões e armas químicas contra um exército cujos meios defensivos não admitiam a mais pequena comparação. E, no entanto, na impressionante manifestação de 18 de setembro de 1938 em Trieste, centenas de milhares de seus admiradores celebraram-no como grande herói nacional. (Quantos deles celebrariam menos de seis anos depois a macabra exposição do seu cadáver, quando essas ilusões se haviam convertido em terrível pesadelo?)

 

No discurso desse dia, o ditador italiano decidiu dar mais uma guinada nas suas incoerentes opiniões. Embora assumidamente racista, pois fora sob a alegação «científica» da inferioridade dos negros que, às suas custas, quis fundar o império em África, ele não se virara até então contra os judeus. Pelo contrário até lhes endereçara palavras simpáticas quando, de alguns deles, colhera elogios pela «obra« em curso. Mas, nesse dia, anunciou as leis racistas que, aprovadas dois meses depois, condenaram os judeus italianos ao mais rigoroso ostracismo, levando os que podiam a rapidamente atravessarem o oceano para juntarem-se aos familiares acoitados em território norte-americano e os outros a optarem pelo suicídio ou a desesperarem na expetativa do momento em que se se veriam enfileirados e enviados para um destino desconhecido, depois crismado com os nomes de alguns dos mais horrendos campos de morte. De um momento para o outro, e para agradar a Hitler de quem pretendia obter proveitosa boleia e colher as sobras do banquete expansionista, Mussolini acabou com a proteção da Casa de Saboia aos judeus italianos e que lhes valera, no século anterior, a saída definitiva dos guetos a que estavam cingidos.

 

Cobardia de quem se julga forte e se dispõe a espezinhar os mais fracos é o que se viu ontem em Guimarães com uma turba fascista a invetivar um futebolista só por ser negro. Uma vez mais demonstra-se a urgência de se proibirem as claques de futebol tão evidente é o caldo de cultura, que lhes potencia o arreigado racismo dos seus apaniguados. Nesse comportamento de seita convencida de tudo poder por ser menor a força de quem toma por ódio de estimação, está escarrapachada a essência do fascismo mais primário.

 

Mas desconfio que, nos próximos dias, também o candidato aducelusitano sentirá a urgência de ler o clima criado à volta deste caso e imite Mussolini no oportunismo com que mudava de opinião: sendo tão veemente a condenação pública do comportamento ultrajante dos adeptos vimaranenses, o tratante deverá engolir as palavras de apoio a eles endereçadas apressadamente e que arriscam a deixá-lo isolado no Parlamento onde este assunto não deixará de ser abordado. Ora já vimos que os fascistas adoram agredir em grupo, mas fazem tudo por escapar com o rabo entre as pernas, quando se sentem sós. E com Marcelo e António Costa a juntarem-se ao ruidoso coro de personalidades e de gente anónima, que se envergonha com a imagem do país dada pelos criminosos de Guimarães, será provável ver o seu defensor a arranjar uma desculpa esfarrapada para se ausentar da previsível condenação. Para ele a coerência com o que pensa não bastará para que a ela se agarre quando os ventos lhe não sopram de feição...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/02/a-cobardia-e-incoerencia-dos-fascistas.html

MAREGA CAMPEÃO

Resultado de imagem para futebol guimarães

Quem tem animais de criação sabe que não pode juntar galináceos ou suínos a outros animais da mesma raça porque os donos do território (galinheiro ou pocilga) os matam.

Há, dizem os mais velhos e sabidos do assunto, que untar o porco com creolina ou juntar os galináceos durante a noite, sem que deles deem conta.

Os seres humanos quando se juntam e atuam segundo os princípios tribais ou de horda não são muito diferentes.

Nos humanos a justificação para humilhar, prender, torturar, escravizar e aniquilar pode ser a cor da pele.

Milhões de africanos foram arrancados dos seus lares, embarcados e enjaulados , tendo -se chegado a discutir no seio da própria Igreja (que tinha tantos escravos como os outros esclavagistas) se tinham alma.

Esta é uma chaga do passado da Humanidade. É revoltante e chocante que, depois de séculos de escravatura, de novo salte para a luz dos dias as trevas mais negras nas relações entre os humanos, mulheres e homens providos de cérebro.

Sem o contributo de jogadores negros o futebol não era o que hoje é. Sem o Rei Pelé que seria do perfume deste desporto? Quem seria capaz de fazer passar a bola por cima de três adversários (um de cada vez) e depositá-la no fundo das redes no último arco a passar por cima da cabeça do guarda-redes? Quem seria capaz de parar a corrida do pantera negra deixando para trás brancos e negros que quisessem travá-lo? Quem como o grande Eusébio seria capaz de bater a bola àquela velocidade e naquele alvo? Quem podia ombrear com a arte de George Whea? Quem como Matateu ou Hilário, um à frente outro atrás, encheria os campos de aceleração ou travão nos momentos ofensivos e defensivo respetivamente? Quem? Como se pode imaginar o futebol sem Eto, Drogba e por que não Marega?

Os racistas que vão ao futebol não gostam de futebol, nem dos clubes que dizem apoiar; gostam da violência de grupo que lhes garante a “ousadia” e a proteção.

O futebol abarca a Humanidade inteira num abraço de divertimento. Por vezes vira um espetáculo deprimente de violência, mesquinhez e até quase sempre de cobardia de catervas de energúmenos.

Em Guimarães, a selva no que ela tem mais cruelmente bárbaro, saiu de casa e foi parar às bancadas do estádio.

Os humanos têm sentimentos quando são verdadeiros humanos portadores de humanismo.

Mas os humanos portadores de maldade e covardia juntam-se, formas hordas para se promoverem através da agressão, tentando desvalorizar aqueles que tendo outra cor de pele suplantam no seu ofício os adversários. Só o puro instinto primitivo e descontrolado pode justificar que após um jogador negro marcar um golo, adeptos do Guimarães se tenham unido em coro para o achincalhar, insultar e agredir.

É a mentalidade que se pode equiparar ao cérebro dos galináceos e dos suínos que rejeitam outros que não sejam os do grupo.

São assim os cérebros desta gente que se continua a passear pelos estádios e a comportar-se como galináceos ou grunhos.

Só nos faltava, em nome desta bestialidade, os surdos que dizem não ter ouvido o que todos ouviram. Pilatos também lavou as mãos permitindo a crucificação.

E faltava também um deputado achar normal este mundo de bestialidades, e recalcitrante voltasse a insultar e a agredir todos os negros e brancos enquanto seres humanos. Os racistas nunca dizem que o são.

https://www.publico.pt/2020/02/17/desporto/opiniao/marega-campeao-1904461

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2020/02/17/marega-campeao/

O Marega? É o Futebol, Estúpido!

O que acontece com os insultos ao Marega e a outros atletas é o que acontecia nas batalhas antigas em que os guerreiros se insultavam com as piores ofensas para se sentirem fortes e desmoralizarem o inimigo. São manifestações de animalidade contra um concorrente.

 

 

E o futebol é o Circo romano! Ou o auto de fé!

Os abutres que vivem do futebol lançaram uma campanha, de sucesso, diga-se, e grande alarido a culpar o racismo pelos insultos sofridos por um jogador do Futebol Clube do Porto. Um escândalo! Uma vergonha!

Ninguém se lembrou, que eu tenha visto ou lido, de reparar que há centenas de atletas portugueses das mais variadas proveniências e com as mais variadas tonalidades de pele que nunca foram insultados por motivos racistas, lembro ao correr da pena o Nelson Évora, a Mamona, o Obikwelu, no atletismo, Jorge Fonseca no Judo, a Fu Yu no pinguepongue, há jogadores e jogadoras de todas as cores no basquetebol, no voleibol, no râguebi, na ginástica sem problemas de racismo. Orgulhamo-nos deles e eu respeito-os, tal como ao Marega.

Onde o centro do problema dos cobardes insultos se coloca não é no racismo – embora o racismo seja um fator presente nas sociedades, em todas – é no mundo do futebol. É no facto do futebol ter sido erigido, eleito pelos manipuladores do poder, como o escape das frustrações dos povos, como o ponto de reunião da sociedade do vale tudo, do sucesso sem regras, da lei da selva, que o futebol tenha sido na Europa o substituto do Circo romano e dos autos de fé como espetáculo de alienação dos grupos sociais que se sentem à margem do sucesso, do enriquecimento rápido, da subida ao olimpo dos “famosos”. O futebol é o meio pantanoso onde os dirigentes e os atores obtêm reconhecimento social apesar das graves suspeitas que sobre eles impendem. O problema do Marega é do futebol e da sociedade que se alimenta e bem dele.

O que acontece com os insultos ao Marega e a outros atletas é o que acontecia nas batalhas antigas em que os guerreiros se insultavam com as piores ofensas para se sentirem fortes e desmoralizarem o inimigo. São manifestações de animalidade contra um concorrente.

Os insultos racistas são uma imagem da nossa barbárie e do triste e perigoso reconhecimento que essa barbárie organizada para alienar, para lavar dinheiro, para promover negócios obtém junto de instituições que deviam ser referências morais e éticas.

Quando um Presidente da República ou de Câmara recebe o “mundo do futebol” está a avalizar estas práticas.

Do mundo do futebol e dos seus donos e pregadores (aquilo tem dono e tem homens de mão) se dirá, como Nietszche disse de certas espécies perigosas que não se deve estender a mão, mas as garras. É gente que não se pode convidar para casa.

Mas a questão da unanimidade acrítica, do rasgar de véus e de afirmações “Eu sou Marega” ainda levanta mais questões. É que entre muitos dos que ”são Marega” – e eu sou antirracista desde que estudei com tantos colegas africanos no Colégio Nun’Alvares de Tomar – estão muitos que não se coíbem de insultar o primeiro-ministro como o “Chamuça”! E estão muitos dos que se benzem e cospem nos que defendem uma morte digna através da eutanásia e estão muitos que defendem as touradas, como escape tradicional de violência. Um escape do mesmo tipo dos insultos racistas, embora me possam dizer que as ofensas a um toiro não têm a mesma gravidade das feitas a um ser humano, o que é certo, mas a raiz da violência e da ausência de respeito é do mesmo tipo: o outro tem de ser humilhado, seja com farpas, seja com palavras.

Mas, mais grave, é que é deste mundo corrupto e que apela aos mais primários instintos, ao pior que os seres humanos têm, que saem políticos com ambições a governarem a República, comentadores que falam de moral! Ora, o mundo desta gente da bola não é compatível com o mundo de valores éticos e morais.

Há quem acredite que a salvação lhe poderá vir das fossas e dos esgotos! Eu não!

O Marega, um africano que procurou uma vida melhor utilizando um talento nos circos dos europeus, foi atirado às feras para gáudio dos empresários do futebol, não por ser negro, mas por ser o que marcou um golo no mundo do futebol!

O futebol, tal como está, não é frequentável, nem regenerável!


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-marega-e-o-futebol-estupido/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-marega-e-o-futebol-estupido

Pedro Proença e a violência no futebol: “É chegada a altura de o Governo assumir responsabilidades”

 

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol (LPFP), Pedro Proença, disse esta segunda-feira, depois de uma reunião no Ministério da Administração Interna (MAI), que o governo deve assumir responsabilidades sobre os recentes casos de violência no futebol.

 

“O que discutimos com o sr. ministro tem que ver com questões de segurança pública e é chegada a altura de o governo assumir responsabilidades na matéria. O futebol profissional tem seguido o seu percurso de autor regulatório, com capacidade de impor sanções aos seus próprios clubes, e o que viemos exigir é que esta franja de adeptos seja claramente vistoriada. Queremos que haja medidas exemplares de segurança relativamente a esta matéria”, pediu Pedro Proença.

O presidente da LPFP frisou que esta é uma “luta” dos 34 clubes profissionais de futebol e que não permitirá que “um conjunto muito reduzido de adeptos manchem as competições profissionais”.

“O futebol vai continuar nessa guerra, que é uma guerra de combate à violência, e em que não admitiremos que quem tem responsabilidade em termos de segurança pública não o faça, porque o futebol paga muito dinheiro para que isto não aconteça”, atirou o ex-árbitro internacional português.

Pedro Proença adiantou ainda que ficou agendada uma reunião para daqui a 30 dias, para apresentação de uma série de medidas, frisando que este “é um caminho que não terá retorno”.

Numa nota à comunicação social, o MAI revela que vão ser realizadas auditorias de segurança aos estádios da I Liga, através da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), Forças de Segurança e Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, na sequência das quais serão determinadas as alterações a introduzir nos estádios, de modo a permitir a realização de jogos na próxima época.

Adianta ainda esta nota enviada às redações que serão tomadas medidas adicionais de controlo do acesso do público aos jogos considerados de risco elevado, relembrando que na próxima época desportiva entra em vigor o cartão de adepto, que possibilitará a identificação de todos os adeptos que pretendam assistir a um espetáculo desportivo nas zonas reservadas a adeptos que queiram ser portadores de materiais de claque.

Na reunião desta segunda-feira, e além de Pedro Proença e elementos da direção da LPFP, estiveram presentes o presidente do Mafra e do Cova da Piedade, assim como Lourenço Coelho, em representação do Benfica, e Patrícia Silva Lopes, em nome do Sporting.

Do lado do governo, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrito, e João Paulo Rebelo, secretário de Estado do Juventude e Desporto, representaram o governo, numa reunião agendada a pedido da LPFP na sequência dos incidentes no dérbi entre Sporting e Benfica, em que adeptos das claques ‘leoninas’ lançaram tochas para o relvado, obrigando à interrupção da partida por vários minutos.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/pedro-proenca-violencia-no-futebol-chegada-altura-governo-assumir-responsabilidades-305178

Portugal | Catarina Martins critica ir atrás de Rui Pinto sem investigar fugas

 
 
A coordenadora do BE considera incompreensível que a justiça "vá atrás" de Rui Pinto "com tanta força" sem investigar os "crimes que as fugas parecem indicar", criticando que exista quase "uma exceção de Estado de direito no futebol português".
 
Em entrevista ao Porto Canal, que ser+a transmitida hoje, a líder bloquista, Catarina Martins, foi questionada sobre o caso de Rui Pinto, criador do Football Leaks, tendo considerando que "há três questões diferentes que é bom ponderar".
 
"Em primeiro lugar, as responsabilidades que Rui Pinto tenha tido devem ter o seu julgamento próprio, como é óbvio. Nós já tivemos denunciantes no passado que fizeram grandes fugas de informação de uma forma altruísta pelo interesse público e há outros casos em que há crime por trás e portanto não há esse altruísmo. O Ministério Público português tem de fazer esse trabalho", defendeu.
 
Outro problema, na ótica de Catarina Martins "é saber o que é que se faz com a informação vinda deste processo", defendendo que as fugas, "não sendo provas legítimas e não sendo fruto de uma investigação judicial", a justiça "tem de investigar e tem de perceber o que lá está".
 
"É muito difícil compreender que se vá atrás do denunciante com tanta força" e não se faça a investigação, criticou Catarina Martins.
 
 
 
Para a coordenadora do BE "essa é a parte inaceitável" ou seja "a justiça tem de investigar as informações que tem, todas elas".
 
"Há depois um terceiro aspeto que inquina normalmente este debate chamado 'futebol leaks' e aqui inquina neste debate por duas razões: primeiro porque há paixões futebolísticas e as pessoas acham que têm de estar de acordo ou contra de acordo com o seu clube de futebol", apontou.
 
Catarina Martins assume que não tem clube de futebol, mas dá o exemplo da eurodeputada bloquista Marisa Matias "que é do Benfica e disse sempre que tem de ser investigado o que diz o Rui Pinto".
 
"Há aqui um problema que é que existe quase uma exceção de Estado de Direito no futebol português em todos os clubes que não pode mais existir. Não só sobre crimes que tem a ver com crime económico, com questões de violência", condenou.
 
Para a dirigente bloquista "isso é um problema grave que Portugal tem".
 
"Acho que a Justiça tem muita dificuldade em agir no que diz respeito ao futebol e isso é um problema não pode haver exceções ao Estado de direito", disse.
 
O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu, em 17 de janeiro, levar a julgamento Rui Pinto, criador do Football Leaks, por 90 crimes de acesso ilegítimo, acesso indevido, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão, deixando cair 57 crimes. (Passa do total de 93 para 90 crimes, e de 54 para 57 crimes).
 
Em setembro de 2019, o Ministério Público (MP) acusou Rui Pinto de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, um de sabotagem informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da Federação Portuguesa de Futebol, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Plataforma Score e posterior divulgação de dezenas de documentos confidenciais destas entidades.
 
Na leitura da decisão instrutória, a juíza de instrução criminal (JIC) Cláudia Pina pronunciou (levou a julgamento) Rui Pinto por 68 crimes de acesso indevido, por 14 crimes de violação de correspondência, por seis crimes de acesso ilegítimo e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e extorsão, na forma tentada, este último, crime pelo qual o advogado Aníbal Pinto também foi pronunciado. (Passa de 17 para 14 crimes de violação de correspondência).
 
A instrução, fase facultativa que visa decidir se o processo segue e em que moldes para julgamento, foi requerida pela defesa dos dois arguidos no processo: Rui Pinto e o seu advogado, à data dos factos, Aníbal Pinto, acusado de intermediar a tentativa de extorsão, de entre 500.000 euros a um milhão de euros, ao fundo de investimento Doyen.
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 
Leia em Página Global:

O Benfica, a Escusa do Venerando Desembargador, a Paixão, a Razão e a Relação

O  juiz, que tem uma paixão pelo S.L. Benfica, e que é acionista da SAD e tem lugar cativo e red passna catedral, teve a coragem de pedir a escusa no julgamento dos emails postos a nu.

O Juiz, seguramente pela sua experiência de tantos anos, conhece os limites da emoção, dos sentimentos e da razão fria e desapaixonada.

Por isso e para que a decisão, sobre a matéria, não pudesse ser objeto de qualquer suspeita tomou a decisão que é de todos conhecida – escusa.

É de presumir que a decisão de pedir escusa tenha sido amadurecida como sendo a melhor para a boa decisão da causa.

Como também é conhecido da opinião pública, Deus não dorme e o Senhor Juiz Desembargador, após o sorteio lhe ter atribuído o processo, a convite da Administração da SAD foi visitar as instalações do Seixal, o que deve ter deixado o convidado, apaixonado do Benfica, perto do sétimo céu, dado o primor do centro benfiquista.

Como já se conhecia que aquele era o Juiz é de supor que a decisão da Administração da SAD do SLB tenha pensado que um homem da têmpera do Senhor Desembargador jamais se deixaria influenciar pela visita, pois faria como o grande BUDA, olharia em frente e conseguiria com um apego último à sua RAZÃO apagar no cérebro palavras, estádio, instalações e com essa milagrosa esponja estaria de novo recapacitado para se atirar desapaixonadamente à Apelação interposta pelo FC Porto.

Tudo porque Deus não dorme, nem o tal gabinete de crise criado quando Paulo Gonçalves era braço direito de Luís Filipe Vieira, mas afinal trabalhava para si mesmo, sem qualquer conhecimento do Presidente, homem impoluto, talvez a condecorar, como tantos já medalhados.

Afinal o Sr. Dr. Juiz, Presidente do Venerando Tribunal da Relação do Porto, veio acalmar os ânimos e decidir que o Sr. Dr. Juiz Desembargador Relator podia decidir porque era apaixonado do Benfica, tinha red pass, era acionista, mas isso pouco contava face ao desvelado amor à RAZÃO e daí poder decidir como o mármore de Carrara – friamente.

E além do mais havia outros Desembargadores no julgamento, coisa que não se imaginava, face ao número de casos vindos a público dando conta das chamadas assinaturas de cruz nos Doutos Acórdãos prolatados. Cruzes.

Claro que com toda a frieza que se é capaz de obter a partir de uma arca congelada a 17 graus centígrados abaixo de zero, seja qual for a decisão que o Sr. Dr. Juiz Desembargador tome, ninguém vai dela duvidar.

Jamais passaria pela cabeça a qualquer português imaginar que ela resultou de ele ser benfiquista e daí que se ela for favorável ao Porto, se ter encolhido e, se ela for favorável ao Benfica, o que já se sabia.

Face a este cenário com toda a frieza – não havia outro Juiz? Parece que não. Ficou a parecer que tinha que ser aquele.

 

https://www.publico.pt/2020/01/24/opiniao/opiniao/benfica-escusa-venerando-desembargador-paixao-relacao-1901614

 
 

Partilhar isto:

Se se metem com o futebol, levam!

(Pacheco Pereira, in Público, 18/01/2020)

 

Se eu olhar para a televisão sem som, o maior criminoso português e europeu é um homem com ar de adolescente tardio, com cabelo espetado para cima, completamente nerd.

Vejo esse homem-rapaz algemado, transportado por polícias de várias nacionalidades, com aspecto de ser um enorme risco de segurança, a julgar pelo aparato à sua volta, de um lado para o outro. O ar dele é de desafio e nunca faz aquela cena de esconder a cara. Pelo contrário, parece arrogante ou pelo menos indiferente ao que o rodeia, pelo que ainda mais criminoso me parece. Não me lembro de ver pedófilos, assaltantes, homicidas a serem expostos e “passeados” assim pelas polícias.

Se eu ligar o som, a televisão diz-me que esse homem se chama Rui Pinto e, segundo a última contabilidade (os números são um pouco confusos e estão a mudar todos os dias), cometeu seis crimes de acesso ilegítimo, um de sabotagem informática, 17 de violação de correspondência, 68 de acesso indevido e um de extorsão. É obra, é um hacker de sucesso, tem a carreira no ramo garantida quando sair da prisão, e usa os seus dotes para o crime, mas, que eu saiba, não feriu nem matou ninguém.

Fique claro que eu não tenho dúvida nenhuma de que o homem é um criminoso, mas o seu tratamento contrasta com aquele que é dado aos criminosos de colarinho branco, aos homens que falsificaram documentos, que manipularam registos bancários, que fugiram ao fisco, que lavaram dinheiro, que roubaram o seu país de origem em que milhões vivem na mais abjecta pobreza, que levaram muitas empresas à miséria, trabalhadores ao despedimento e deixaram um rastro de “lesados” que perderam as poupanças de uma vida de trabalho. Muitos desses homens continuam a frequentar a melhor sociedade, passeiam-se pelos salões e o máximo que lhes acontece é estarem em casa em prisão domiciliária com uma pulseira. O contraste é gritante.

É muito simples responder à questão de saber por que razão existe este contraste. O homem meteu as mãos, ou melhor, o computador e o softwareno mundo do futebol. Não no futebol popular, não no “clube mais perigoso do mundo”, o Canelas Gaia Futebol Clube, uma emanação da claque dos Super Dragões que, como se sabe, também não é flor que se cheire, mas no mundo do futebol de milhões, de muitos milhões, em que circula a elite dos clubes, dos negócios, dos fundos de investimento, da advocacia, das agências de publicidade, da banca, dos agentes e intermediários detentores de passes de jogadores, etc.

Um mundo em que os crimes de lavagem de dinheiro e as fugas ao fisco, várias manipulações fiscais no limite da legalidade, violações dos próprios códigos de ética das associações de futebol, publicidade disfarçada, acordos de silenciamento, entendimentos secretos para manipular os mercados de jogadores, a utilização generalizada de offshores, a publicitação de valores falsos de transacções de jogadores, são o habitual. Nem tudo são crimes, mas tudo são procedimentos proibidos pelas próprias regras de ética que os clubes aceitaram, incluindo a falta de transparência e a manipulação da opinião pública por jornalistas e comentadores que actuam por conta dos clubes. Foi isso que revelaram e continuam a revelar os chamados “Football Leaks, com a colaboração dos jornalistas de investigação da imprensa europeia de referência, com a hostilidade e a censura mesmo de muitas autoridades nacionais, que aceitam com facilidade suspeita calar estas denúncias.

Não se pense que estou a minimizar os crimes de Rui Pinto pelo facto de ele ter mexido na lama de ouro e fazer os “grandes” ter de pagar o que tinham escondido ao fisco e mostrar como o “grande” futebol funciona como uma máfia. Não estou. Pinto não o fez pelo amor à “verdade desportiva”, nem por repúdio pelas manigâncias do grande futebol – fê-lo para chantagem e extorsão. Nem sequer sou muito sensível ao facto de que parece que Rui Pinto está a ajudar as autoridades com informações para investigações em curso. Nem muito menos ao proverbial princípio de que “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Nada disso.

O que não percebo, ou melhor percebo demasiado bem, é a desproporção de tratamento, a sanha persecutória contra um criminoso cujas vítimas foram outros criminosos, ou gente gananciosa na zona cinzenta da lei, que nunca andariam de algemas, os grandes clubes como o Mónaco, o Real Madrid, o Tottenham, o Manchester City, o Paris Saint Germain, o Sporting, várias federações nacionais de futebol, incluindo a portuguesa, a FIFA e pessoas como Ronaldo, Neymar, Mourinho, e só cito os nomes mais sonantes porque não sei muito de futebol.

A sanha contra Rui Pinto não passa apenas pela justa condenação pelos seus crimes – revela uma enorme duplicidade, a mesma duplicidade que explica a complacência popular face às malfeitorias do futebol e que explica por que razão um jogador pode fugir ao fisco com milhões e, se for do nosso clube ou uma emanação da pátria, ninguém quer saber. Na verdade, ninguém queria nem quer saber das revelações dos “Football Leaks”, recebidas com um encolher de ombros, mas atira-se com violência face ao delator, em particular se a denúncia for do “nosso” clube. O reverso, que explica o cartaz reproduzido acima, é da mesma natureza. É que o populismo habita o futebol, mas não se vê ao espelho. O mal de Rui Pinto foi que, para ganhar uns cobres, deu-lhes um espelho indesejado.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

O racismo no futebol brasileiro na visão de Roger Machado

Em entrevista ao UOL, publicada nesta sexta-feira (17), Roger Machado, técnico do Bahia, único negro no cargo na Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol, afirma que “o futebol embranquece o negro”. Porque, diz ele, “em torno dessa habilidade artística com a bola nos pés, você é aceito” em “lugares que a maioria de nós não consegue frequentar”.

 

 

Mesmo assim, como mostra o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, foram registrados 59 casos de injúria racial nos estádios brasileiros no ano passado e as manifestações racistas vêm crescendo como mostra o gráfico abaixo.

Como comprovação do que afirma Machado, a pesquisadora Roberta Pereira e Silva, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, conta que a primeira reação de atletas jovens que sofrem casos de racismo é perguntar: “Eu sou negro?”.

Para Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o racismo é tão profundo no país que “para justificar o destaque desses atletas negros, têm de desmantelar a sua identidade, até mesmo para a própria ascensão social deles”.

Afirmação importante no conturbado mundo do esporte bretão, que chegou ao Brasil pelas malas de Charles Miller em fins do século 19, que voltava ao Brasil após uma temporada na Inglaterra. O futebol passou a ser difundido aqui como um esporte de elite. Ficou vedado aos negros por muitos anos.

“O racismo foi forjado para justificar a escravização, por 388 anos, dos seres humanos trazidos à força da África e permanece até hoje para impedir a ascensão da maioria da população brasileira”, acentua Mônica. Portanto, “não seria diferente no futebol”.

O mulato de olhos verdes, Arthur Friedenreich, autor do gol que daria o primeiro título à Seleção Brasileira, no Sul-Americano de 1919, era obrigado a esticar o cabelo para entrar em campo. Antes dele, Carlos Alberto, entrava em campo, pelo Fluminense, em 1914, maquiado com pó de arroz e cabelo esticado. Durante as partidas a maquiagem ia escorrendo com o suor, o que valeu o apelido aos torcedores do clube carioca, de pó de arroz.

Mais grave ainda foi a recomendação do presidente Epitácio Pessoa, em 1921, para que a seleção brasileira não levasse jogadores negros à Argentina para o torneio sul-americano para “outra imagem” do país com o “melhor de nossa sociedade”.

As coisas mudaram, então houve a necessidade de mudar de tática também, alega Mônica. “Como impedir Garrincha e Pelé de atuar na seleção?”, questiona. Destaca-se o brilhantismo dos atletas negros nas figuras do zagueiro do Bangu, do Rio de Janeiro, Domingos da Guia e principalmente de Leônidas da Silva, o Diamante Negro, atleta do São Paulo, artilheiro da Copa do Mundo de 1938 e criador da bicicleta, quando a bola está muito alta para se alcançar com a cabeça, salta-se deitado e imita os movimentos dos pedais da bicicleta.

Os jogadores negros são muitos, a conscientização para atuar contra o racismo é pouca e o mundo do futebol, entre clubes, mídia, empresários e tudo o que cerca o esporte, “trata de mimetizar o atleta negro para difundir o racismo sem parecer racista”, reforça Mônica.

Roger Machado complementa seu pensamento ao afirmar que teve “a janela aberta durante o período como jogador”, mas a janela “quase se fechou depois, quando eu decidi me tornar treinador e fazer faculdade de educação física”. Aí ele sentiu que estar “na direção não é ‘lugar de negro’, em todos os setores”, ironiza Mônica para denunciar o caráter hipócrita do racismo tupiniquim.


Texto em português do Brasil


 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-racismo-no-futebol-brasileiro-na-visao-de-roger-machado/

“O Benfica é como um polvo que abrange toda a elite de Portugal”, diz Rui Pinto

cv (YouTube)

 

Numa entrevista ao Der Spiegel, o pirata informático Rui Pinto considerou que o Benfica “é como um polvo, cujos braços atingem toda a elite do país”, estando “intimamente ligado à polícia, às agências policiais e à política”.

 

Estas declarações de Rui Pinto surgiram quando respondia a uma questão sobre o futebol europeu e a luta contra a impunidade na modalidade, dando o exemplo de Portugal, noticiou na sexta-feira o Sapo, citando aquele jornal alemão.

“Veja o maior clube português, o Benfica. É como um polvo, cujos braços atingem toda a elite do país. O clube está tão intimamente ligado à polícia, às agências policiais e à política. Recebem regularmente bilhetes VIP para os jogos do Benfica. Seria um enorme conflito de interesses se eles tivessem que examinar seriamente o clube”, acusou o hacker.

“As autoridades portuguesas têm medo do que eu sei. É por isso que não posso perder a cabeça em nenhuma circunstância. Há autoridades de outros países que estão dispostas a cooperar comigo e a usar a informação que eu tenho para resolver crimes no mundo do futebol. Não é incrível? Em Portugal, não só os denunciantes são criminalizados como as pessoas que os querem apoiar”, criticou.

Ao Der Spiegel, Rui Pinto (em prisão preventiva), acusou o Ministério Público de não investigar os crimes denunciados: “A Procuradora disse-me que a única coisa que queria de mim como cooperação era que me assumisse culpado. Ela não quer utilizar a informação do Football Leaks, apesar de ter imensas provas de crimes no mundo do futebol”, contou.

“[A prisão preventiva] é completamente infundado e injusto. Pedi permissão ao juiz para aguardar o julgamento em casa. Mas o Ministério Público disse que eu poderia impedir a investigação. Dizendo até que há o risco de eu poder realizar atividades ilegais com o apoio de potências estrangeiras. É totalmente ridículo”, terminou.

Os 147 crimes de que é acusado “parecem um grande número”, mas, para Rui Pinto, “toda a acusação é tendenciosa. Ter acedido à PLMJ [empresa de advogados] devia ser contado como um crime, mas os investigadores contam todos e cada um dos endereços de e-mail e acrescentam 70 crimes”, referiu.

(dr)

 

Rui Pinto explicou ainda a razão da criação do ‘Football Leaks’ para expor os negócios obscuros do mundo do futebol.

“No ano passado, o Spiegel e a EIC revelaram como os grandes clubes da Europa planeavam uma Super Liga. Após a publicação, os clubes negaram. Mas repare nas últimas notícias: Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, fundou uma nova associação internacional de clubes, apontando para a implementação da Super Liga. Tem sido a mesma porcaria há anos. Apenas continua”, indicou.

E acrescentou ainda: “Enquanto a equipa favorita vencer, as pessoas não se importam com mais nada – mesmo que saibam sobre irregularidades e crimes. Não posso fazer nada contra isso. O futebol é intocável. E as autoridades protegem a indústria porque é de tão grande interesse público”.

Na mesma entrevista, lamentou: “Arrependo-me do primeiro contacto com a Doyen em 2015. Foi ingénuo e foi um erro evidente. As autoridades interpretam como uma tentativa de extorsão e usam isso para me ter preso. Abordei a empresa para testar o valor da informação, nunca tentei extorquir dinheiro”.

 

Rui Pinto está formalmente acusado de 147 crimes. Questionado sobre se foi o próprio a aceder ao servidor da firma de advogados PLMJ, disse que essa é uma questão “discutível”, e que é “prematuro falar sobre isso agora”.

Acabou por confessar que “no final, este caso irá acabar no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos porque Portugal não quer saber da proteção aos denunciantes”, concluindo: “Eu não vou denunciar ninguém”.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/benfica-polvo-abrange-elite-portugal-rui-pinto-298697

Rui Pinto diz que o mundo do futebol “é a mesma porcaria há anos”

Rui Pinto / Twitter

 

Rui Pinto deu ao jornal germânico Der Spiegel a sua primeira entrevista desde que está preso em Portugal. O jovem português abriu o livro sobre a sua detenção e falou sobre o mundo do futebol, que “é a mesma porcaria há anos”.

 

Apesar do desfecho que teve, Rui Pinto vê mérito no projeto Football Leaks, que revelou alguns dos podres do futebol a nível mundial. O whistleblower (ou pirata informático) lança duras críticas ao estado atual do desporto rei e diz que a situação não mostra sinais de melhorar.

“No ano passado a Der Spiegel e o EIC [European Investigative Collaborations] revelaram como os grandes clubes da Europa planeavam juntar forças para uma Superliga exclusiva. Depois da publicação, todos negaram essas notícias“, começou por dizer.

“Mas reparem nas notícias mais recentes. Florentino Perez, o presidente do Real Madrid, criou uma nova associação internacional de clubes, que irá concorrer com a UEFA e a Associação de Clubes Europeus. Eles querem fazer a Superliga. É a mesma porcaria há anos.E continua“, acrescentou Rui Pinto, citado pelo Expresso.

Nos últimos quatro anos, Rui Pinto entregou à Der Spiegel mais de 70 milhões de ficheiros que foram analisados juntamente com o EIC. Até ao momento, em Portugal, não são conhecidos desenvolvimentos de processos relacionados com o Football Leaks. Por outro lado, em Espanha, por exemplo, Cristiano Ronaldo foi condenado a dois anos de prisão com pena suspensa e ao pagamento de quase 19 milhões de euros ao fisco.

Ao Der Spiegel, Rui Pinto reitera que não considera ser um hacker. “Para mim pirataria é entrar à força num sistema e explorá-lo. Nunca o fiz”, atirou.

ZAP //

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/rui-pinto-futebol-mesma-porcaria-ha-anos-298644

Portugal | A direção do Benfica e a violação da Lei

 
 
Jornal de Notícias | editorial
 
A direção do Sport Lisboa e Benfica decidiu não passar a acreditação a um jornalista do Jornal de Notícias para o jogo de quarta-feira, frente ao Portimonense, e impedir o acesso ao Estádio da Luz, numa flagrante violação da Lei. O direito de acesso à informação foi ilegitimamente violado e é inegociável.
 
O repórter do JN, que se dedica praticamente em exclusivo a noticiar as atividades do clube, numa relação profissional clara e transparente ao longo dos anos, fez, mesmo assim, o que lhe competia: foi ao estádio para trabalhar e, impedido pela direção do clube, participou o caso às autoridades, para que este siga o seu caminho processual.
 
Pergunta o leitor: o que leva a direção de um clube a proibir a entrada de um repórter cuja missão é informar? Por escrito, a direção do Benfica só esta quinta-feira explicou, através da sua newsletter, que aguardava um esclarecimento da Direção do JN sobre declarações proferidas, na passada segunda-feira, por um jornalista numa conferência de Imprensa no Rio de Janeiro. Antes, sem que o clube tenha assumido formalmente as razões da proibição, o diretor de Comunicação ligou insistentemente para a Administração da Global Media, detentora deste diário, e para a Redação, exigindo um pedido de desculpa do JN, por escrito, mas que se manteria sob reserva.
 
 
Em causa estão considerações meramente pessoais de um outro jornalista do quadro do JN e expressas como tal na conferência de Imprensa do treinador Jorge Jesus, após o jogo frente ao CSA. Considerações pessoais que precederam a formulação de perguntas, essas sim objetivas. E que, como todas as opiniões, em nada vinculam o Jornal de Notícias, mas apenas quem as profere.
 
A opinião do jornalista em causa também não foi refletida em qualquer texto ou vídeo publicados pelo JN, tendo a notícia, na tradição secular da separação entre factos e opinião, respeitado todos os procedimentos e regras deontológicas inerentes ao exercício da profissão.
 
O Jornal de Notícias, instituição centenária, orgulha-se dos pergaminhos de isenção, imparcialidade, seriedade e honestidade que sempre pautaram esta marca, seja dos poderes económicos, religiosos, políticos ou clubísticos.
 
O Jornal de Notícias não confunde as instituições com quem temporariamente as representa. E não deixará, com maior ou menor dificuldade, de prosseguir a sua missão.

A Direção
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/portugal-direcao-do-benfica-e-violacao.html

Portugal | Rui Pinto acusa procurador de ocultar ajuda a outros países

 
 
Football Leaks
 
O hacker gaiense Rui Pinto acusou um procurador português de ter ocultado "deliberadamente" a sua colaboração com outros países, que terá originado a abertura de um processo do Eurojust, agência europeia criada para lutar contra formas graves de criminalidade organizada.
 
Na sua conta pessoal de Twitter, o jovem começou por relatar que, no passado dia 19 de fevereiro, houve uma conferência de imprensa na sede do Eurojust, com a presença dos procuradores franceses Jean Yves Lourgouilloux e Eric Russo, e de representantes de vários Estados-membros, incluindo Portugal.
 
"Nessa ocasião, foi anunciada a abertura de um processo Eurojust que visa investigar, entre outros, os crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e associação criminosa. Foi ainda explicitamente referido pelos procuradores franceses que apenas foi possível iniciar esse processo devido à minha colaboração como testemunha junto do Parquet National Financier, e da entrega de 12 milhões de documentos. Ainda assim, esse facto foi deliberadamente ocultado do processo em que sou investigado em Portugal", acusa, na mensagem publicada esta tarde (31.10).
 
 
"José Eduardo Guerra, adjunto do membro nacional de Portugal no Eurojust, limitou-se a confirmar a existência de um processo com número de identificação 50566, registado por França no Eurojust, para obter o auxílio de diversos Estados-membros, e referiu que 'da documentação e informação que nos foi disponibilizada não resultam elementos que nos permitam confirmar ou infirmar a colaboração com autoridades de outros Estados-membros que alega ter prestado'", escreveu ainda Rui Pinto, acrescentando que o procurador foi oficiado, em julho, "para esclarecer a que diz respeito esse processo e qual o envolvimento do gabinete de Portugal no mesmo", não tendo ainda respondido.
 
"É para dizer, ou o Senhor Guerra é uma pessoa muito desatenta, ou há aqui marosca à portuguesa", rematou.
 
Rui Pinto, colaborador do Football Leaks, foi acusado pelo Ministério Público de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, sete deles agravados, um de sabotagem informática e um de tentativa de extorsão.
 
Além dos acessos ilegais aos servidores do Sporting e da Doyen Sports, fundo de investimento alvo da tentativa de extorsão, a acusação deduzida também abrange crimes envolvendo outros organismos.
 
Jornal de Notícias | Imagem: Getty Images
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/portugal-rui-pinto-acusa-procurador-de.html

Publicações mais recentes

Últimos posts (Cascais)

Itens com Pin
    Atividades Recentes
    Aqui ainda não existem atividades

    Últimos posts (País e Mundo)

    Itens com Pin
      Atividades Recentes
      • LEGALIZAÇÃO DAS CASAS DE PROSTITUIÇÃO

        Um debate que provavelmente vai ganhar dimensão.
        Legalização da prostituição - petição apresentada na A.R
        Gravação da reunião na Assembleia da República
        0
        0
        0
        0
        0
        0
        Publicação sobre moderação
        Item de fluxo publicado com sucesso. Item passa a ser visível no seu fluxo.
      • Homicidal Cops Caught On Police Radio
        #TheJimmyDoreShow
        Homicidal Cops Caught On Police Radio
        42 219 visualizações
        •05/06/2020
        0
        0
        0
        0
        0
        0
        Publicação sobre moderação
        Item de fluxo publicado com sucesso. Item passa a ser visível no seu fluxo.
      Aqui ainda não existem atividades
      LOGO4 vert01
      A Plataforma Cascais - movimento cívico é um grupo aberto de cidadãos, autónomo de quaisquer interesses económicos, religiosos ou partidários.
      Todas as publicações deste site refletem apenas as opiniões dos seus autores e não responsabilizam a PC-mc
      exceto quando expressamente assinadas por esta.
       

      SSL Certificate
      SSL Certificate