NATO

França suspende participação em missão da OTAN devido à conduta da Turquia na Líbia

Navio turco durante exercícios conjuntos da Turquia e da OTAN no mar Negro
© AP Photo / Vadim Ghirda

A França suspendeu temporariamente sua participação nas operações de vigilância da OTAN no Mediterrâneo, confirmou nesta quarta-feira (1º) uma fonte do Ministério das Forças Armadas.

O governo francês solicitou esclarecimentos da OTAN antes de retomar as operações no quadro da missão Sea Guardian, acrescentou a mesma fonte, revela o jornal Ouest-France.

A suspensão foi comunicada pelo embaixador da Turquia em Paris, Ismail Hakki Musa, explicando que se deve às investigações da Aliança sobre o incidente.

A França acusou embarcações da Turquia de comportamento agressivo no mar Mediterrâneo quando houve uma tentativa de revistar um navio de carga com direção à Líbia. Contudo, a Turquia contestou que o navio francês navegava de maneira arriscada.

Após o incidente, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, anunciou que a Aliança investigaria o incidente entre os dois países membros.

Anteriormente, Emmanuel Macron, presidente da França, lamentou que a Turquia está realizando um "jogo perigoso" na Líbia. Além disso, o mandatário salientou que as ações de Ancara contrariam suas obrigações internacionais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020070115780111-franca-suspende-participacao-em-missao-da-otan-devido-a-conduta-da-turquia-na-libia/

A NATO ASSUME A SUA AMBIÇÃO IMPERIAL


2020-06-29

O processo de alargamento da NATO à zona Indo-Pacífico já começou. Foi criado oficialmente um grupo de trabalho para o efeito, não para reflectir a estratégia considerada mais adequada contra a China mas para a tornar pública e a justificar a posteriori, uma vez o trabalho concluído. Não existe qualquer diferença em relação ao período colonial, uma vez que se trata de conter a China, isto é, impedir o seu desenvolvimento. Tudo isto no âmbito imperial da Grande NATO Mundial no horizonte de 2030 – agregando Austrália, Nova Zelândia, Japão e outros países asiáticos.

Manlio Dinucci, Il Manifesto/O Lado Oculto

Os ministros da Defesa da NATO reuniram-se em videoconferência nos dias 17 e 18 de Junho e tomaram uma série de “decisões para reforçar a dissuasão da Aliança”. Mas disso pouco se fala nos países da organização, nem mesmo na comunicação social (incluindo as redes sociais) e no mundo político, onde reina sobre tudo isto um silêncio abrangente.

As decisões assumidas, ditadas fundamentalmente por Washington e subscritas em Portugal pelo ministro João Gomes Cravinho, traçam as linhas condutoras não apenas da política militar dos países abrangidos mas também da sua política externa. Antes de mais – anuncia o secretário-geral Jens Stoltenberg – “a NATO está em vias de se preparar para uma possível segunda vaga do COVID-19”, contra a qual já foram mobilizados meio milhão de soldados na Europa.

Stoltenberg não clarifica como a NATO pode prever uma possível segunda vaga da pandemia com um novo confinamento. Mas ele é muito claro num ponto: isso “não significa que outros desafios tenham desaparecido”. O maior – sublinham os ministros da Defesa – tem origem no “comportamento desestabilizador e perigoso da Rússia”, em especial a sua “retórica nuclear irresponsável com o objectivo de intimidar e ameaçar os aliados da NATO”. Ao dizer isto, invertem a realidade tentando apagar o facto de a NATO, uma vez terminada a guerra fria, se ter estendido até às fronteiras com a Rússia através das suas forças e das suas bases nucleares, sobretudo norte-americanas. Desenvolveu-se metodicamente, sob a direcção de Washington, uma estratégia com o objectivo de criar na Europa tensões crescentes com a Rússia.

Para decidir estas novas medidas militares contra a Rússia, os ministros da Defesa reuniram-se no Grupo de Planificação Nuclear, presidido pelos Estados Unidos. Desconhecem-se as decisões em matéria nuclear subscritas pelo ministro Cravinho e em Itália pelo ministro Guerini. Mas é óbvio que participando no grupo e alojando armas nucleares norte-americanas (utilizáveis também pela aeronáutica italiana) a Itália viola o Tratado de Não Proliferação e rejeita o Tratado da ONU de interdição de armas nucleares. Stoltenberg limitou-se a dizer: “Hoje decidimos novas etapas para que a dissuasão nuclear da NATO na Europa continue segura e eficiente”. Entre estas etapas encontra-se seguramente a próxima chegada, incluindo a Itália, das novas bombas nucleares norte-americanas B61-12.

Os “sistemas de mísseis” chineses

O outro “desafio” crescente de que falaram os ministros da Defesa da NATO é o relacionado com a China, que está pela primeira “no topo da agenda da NATO”. A China é o parceiro comercial de numerosos aliados mas, simultaneamente, “investiu fortemente em novos sistemas de mísseis que podem atingir todos os países da NATO”, explica Stoltenberg. A NATO começa assim a presentar a China como uma ameaça militar. Ao mesmo tempo, a aliança considera perigosos os investimentos chineses em países da organização. Com base nestas premissas, os ministros da Defesa actualizaram as linhas condutoras para a “resiliência nacional” com o objectivo de impedir que a energia, os transportes e as telecomunicações, nomeadamente a 5G, não acabem por ficar “sob propriedade e controlo estrangeiros” (leia-se “chinês”).

Eis as decisões subscritas pelos ministros da Defesa, entre os quais o de Portugal, na reunião da NATO. Alienam-se assim os Estados membros da aliança a uma estratégia de hostilidade crescente sobretudo contra a Rússia e a China, expondo os povos a riscos cada vez mais graves e desestabilizando o terreno sobre o qual repousam os próprios acordos económicos.

É uma estratégia a longo prazo, como revela o lançamento do projecto “NATO 2030”, em 8 de Junho, pelo secretário-geral Stoltenberg, para “reforçar a aliança militar e politicamente” incluindo países como a Austrália (já convidada para a reunião dos ministros da Defesa), a Nova Zelândia, o Japão e outros países asiáticos, numa função...

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https://www.oladooculto.com/noticias.php?id=820

A NATO no comando da política externa italiana

 
 
Manlio Dinucci*
 

O processo de abertura da NATO à zona Indo-Pacífico, que anunciamos há seis meses, acaba de surgir. Foi formado, ofi-cialmente, um grupo de trabalho não para reflectir sobre a estratégia mais apropriada em relação à China, mas para justificar ‘a posteriori’ e para tornar público o trabalho já realizado. Quase não existe nenhuma diferença em relação ao período colonial, pois trata-se de impedir o desenvolvimento da China (containment).

 
Os Ministros da Defesa da NATO (em representação da Itália, Lorenzo Guerini, PD), reunidos através de video conferência em 17 e 18 de Junho, tomaram uma série de "decisões para fortalecer a dissuasão da Aliança". No entanto, em Itália, ninguém fala sobre este assunto, nem na comunicação mediática (incluindo as redes sociais) nem no mundo político, onde reina um silêncio multipartidário absoluto sobre todo este tema. No entanto, estas decisões, ditadas basicamente por Washington e subescritas em nome da Itália, pelo Ministro Guerini, traçam as directrizes não só da nossa política militar, mas também da política externa.

Antes de tudo - anuncia o Secretário Geral, Jens Stoltenberg - "a NATO está a preparar-se para uma possível segunda vaga do Covid-19", contra a qual já mobilizou mais de meio milhão de soldados na Europa. Stoltenberg não esclarece como a NATO pode prever uma possível segunda pandemia de vírus com um novo ‘lockdown’. Porém, é claro num ponto: "Não significa que tenham desaparecido outros desafios".

Os principais - sublinham os Ministros da Defesa - provêm do "comportamento desestabilizador e perigoso da Rússia", em particular de sua "retórica nuclear irresponsável, destinada a intimidar e ameaçar os aliados da NATO". Desse modo, eles deturpam a realidade, apagando o facto de que foi a NATO, quando acabou a Guerra Fria, que se estendeu ao redor da Rússia com as suas forças e bases nucleares, sobretudo as dos Estados Unidos. Foi metodicamente estabelecia com a direcção de Washington, uma estratégia destinada a criar, na Europa, tensões crescentes com a Rússia.

 
Para decidir as novas medidas militares contra a Rússia, os Ministros da Defesa reuniram-se no Grupo de Planificação Nuclear, presidido pelos Estados Unidos. Não se sabe quais foram as decisões sobre matéria nuclear, assumidas pelo Ministro Guerini em nome da Itália. No entanto, é claro que, ao participar no Grupo e ao albergar armas nucleares dos EUA (a ser utilizadas pela nossa Força Aérea), a Itália viola o Tratado de Não-Proliferação e rejeita o Tratado ONU sobre a proibição de armas nucleares.

Stoltenberg limita-se a dizer: "Hoje decidimos adoptar novas medidas para manter segura e eficiente, a disuassão nuclear da NATO na Europa". Entre essas disposições, acontecerá, certamente, também em Itália, a próxima chegada das novas bombas nucleares B61-12 dos EUA.

O outro "desafio" constante, mencionado pelos Ministros da Defesa, é o da China, que pela primeira vez está "no topo da agenda da NATO". A China é ‘partner’ comercial de muitos aliados, mas, ao mesmo tempo, "investe fortemente em novos sistemas de mísseis que podem atingir todos os países da NATO", diz Stoltenberg.

➢ Assim, a NATO começa a apresentar a China como sendo uma ameaça militar.
➢ Ao mesmo tempo, apresenta os investimentos chineses nos países da Aliança como sendo perigosos.

Com base nessa premissa, os Ministros da Defesa actualizaram as directrizes para a "resistência na-cional", destinada a impedir que a energia, os transportes e as telecomunicações, em particular a tecnologia 5G, acabem sob a "alçada e controlo estrangeiros" (leia-se "chinês").

Estas são as decisões assinadas pela Itália na reunião da NATO dos Ministros da Defesa. Elas vinculam o nosso país a uma estratégia de crescente hostilidade, sobretudo contra a Rússia e contra a China, expondo-nos a riscos cada vez mais graves e tornando friável o terreno sobre o qual se apoiam os mesmos acordos económicos.

É uma estratégia a longo prazo, como demonstra o lançamento do projecto "NATO 2030", efectuado pelo Secretário Geral Stoltenberg, em 8 de Junho, para "fortalecer a Aliança nível militar e político", incluindo países como a Austrália (já convidada para a reunião dos Ministros da Defesa), Nova Zelândia, Japão e outros países asiáticos, em clara função anti-China [1].

Para o projecto Great Global NATO 2030, foi formado um grupo de 10 conselheiros [2], entre os quais a Professora Marta Dassù, a anterior Conselheira de Política Externa do governo D’Alema antes e durante a guerra da NATO na Jugoslávia, na qual a Itália participou, em 1999, sob comando USA, com as suas bases e bombardeiros.
 

Na imagem: O Secretário Geral da Aliança apresentou o plano de alargamento da NATO para Oriente (já em progresso, mas que um grupo de trabalho acaba de receber, ficticiamente, a tarefa de "esboçar") antes do Conselho Atlântico e do German Marshall Fund, 8 de Junho de 2020.
 
 
Notas:
[1] “A OTAN deseja tornar-se a Aliança atlântico-pacífico”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 11 de Dezembro de 2019.
[2] Mme Greta Bossenmaier (Canada), Mme Anja Dalgaard-Nielsen (Danemark), M. Hubert Védrine (France), M. Thomas de Maizière (Allemagne), Mme Marta Dassù (Italie), Mme Herna Verhagen (Pays-Bas), Mme Anna Fotyga (Pologne), M. Tacan Ildem (Turquie), M. John Bew (Royaume-Uni) et M. Wess Mitchell (États-Unis).

A NATO no comando da política externa italiana, Manlio Dinucci

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O Secretário Geral da Aliança apresentou o plano de alargamento da NATO para Oriente (já em progresso, mas que um grupo de trabalho acaba de receber, ficticiamente, a tarefa de "esboçar") antes do Conselho Atlântico e do German Marshall Fund, 8 de Junho de 2020.

Os Ministros da Defesa da NATO (em representação da Itália, Lorenzo Guerini, PD), reunidos através de video conferência em 17 e 18 de Junho, tomaram uma série de "decisões para fortalecer a dissuasão da Aliança". No entanto, em Itália, ninguém fala sobre este assunto, nem na comunicação mediática (incluindo as redes sociais) nem no mundo político, onde reina um silêncio multipartidário absoluto sobre todo este tema. No entanto, estas decisões, ditadas basicamente por Washington e subescritas em nome da Itália, pelo Ministro Guerini, traçam as directrizes não só da nossa política militar, mas também da política externa.

Antes de tudo - anuncia o Secretário Geral, Jens Stoltenberg - "a NATO está a preparar-se para uma possível segunda vaga do Covid-19", contra a qual já mobilizou mais de meio milhão de soldados na Europa. Stoltenberg não esclarece como a NATO pode prever uma possível segunda pandemia de vírus com um novo ‘lockdown’. Porém, é claro num ponto: "Não significa que tenham desaparecido outros desafios".

Os principais - sublinham os Ministros da Defesa - provêm do "comportamento desestabilizador e perigoso da Rússia", em particular de sua "retórica nuclear irresponsável, destinada a intimidar e ameaçar os aliados da NATO". Desse modo, eles deturpam a realidade, apagando o facto de que foi a NATO, quando acabou a Guerra Fria, que se estendeu ao redor da Rússia com as suas forças e bases nucleares, sobretudoas dos Estados Unidos. Foi metodicamente estabelecia com a direcção de Washington, uma estratégia destinada a criar, na Europa, tensões crescentes com a Rússia

Para decidir as novas medidas militares contra a Rússia, os Ministros da Defesa reuniram-se no Grupo de Planificação Nuclear, presidido pelos Estados Unidos. Não se sabe quais foram as decisões sobre matéria nuclear, assumidas pelo Ministro Guerini em nome da Itália. No entanto, é claro que, ao participar no Grupo e ao albergar armas nucleares dos EUA (a ser utilizadas pela nossa Força Aérea), a Itália viola o Tratado de Não-Proliferação e rejeita o Tratado ONU sobre a proibição de armas nucleares.

Stoltenberg limita-se a dizer: "Hoje decidimos adoptar novas medidas para manter segura e eficiente, a disuassão nuclear da NATO na Europa". Entre essas disposições, acontecerá, certamente, também em Itália, a próxima chegada das novas bombas nucleares B61-12 dos EUA.

O outro "desafio" constante, mencionado pelos Ministros da Defesa, é o da China, que pela primeira vez está "no topo da agenda da NATO". A China é ‘partner’ comercial de muitos aliados, mas, ao mesmo tempo, "investe fortemente em novos sistemas de mísseis que podem atingir todos os países da NATO", diz Stoltenberg.

➢ Assim, a NATO começa a apresentar a China como sendo uma ameaça militar.

➢ Ao mesmo tempo, apresenta os investimentos chineses nos países da Aliança como sendo perigosos.

Com base nessa premissa, os Ministros da Defesa actualizaram as directrizes para a "resistência na-cional", destinada a impedir que a energia, os transportes e as telecomunicações, em particular a tecnologia 5G, acabem sob a "alçada e controlo estrangeiros" (leia-se "chinês").

Estas são as decisões assinadas pela Itália na reunião da NATO dos Ministros da Defesa. Elas vinculam o nosso país a uma estratégia de crescente hostilidade, sobretudo contra a Rússia e contra a China, expondo-nos a riscos cada vez mais graves e tornando friável o terreno sobre o qual se apoiam os mesmos acordos económicos.

É uma estratégia a longo prazo, como demonstra o lançamento do projecto "NATO 2030", efectuado pelo Secretário Geral Stoltenberg, em 8 de Junho, para "fortalecer a Aliança nível militar e político", incluindo países como a Austrália (já convidada para a reunião dos Ministros da Defesa), Nova Zelândia, Japão e outros países asiáticos, em clara função anti-China [1].

Para o projecto Great Global NATO 2030, foi formado um grupo de 10 conselheiros [2], entre os quais a Professora Marta Dassù, a anterior Conselheira de Política Externa do governo D’Alema antes e durante a guerra da NATO na Jugoslávia, na qual a Itália participou, em 1999, sob comando USA, com as suas bases e bombardeiros.



[1] “A OTAN deseja tornar-se a Aliança atlântico-pacífico”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 11 de Dezembro de 2019.

[2] Mme Greta Bossenmaier (Canada), Mme Anja Dalgaard-Nielsen (Danemark), M. Hubert Védrine (France), M. Thomas de Maizière (Allemagne), Mme Marta Dassù (Italie), Mme Herna Verhagen (Pays-Bas), Mme Anna Fotyga (Pologne), M. Tacan Ildem (Turquie), M. John Bew (Royaume-Uni) et M. Wess Mitchell (États-Unis).

Original em 'Rede Voltaire' na seguinte ligação:

https://www.voltairenet.org/article210385.html

O recado da Praça Vermelha

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Por José Reinaldo Carvalho, doJornalistas pela Democracia - "É impossível imaginar o que teria acontecido no mundo se o Exército Vermelho não tivesse vindo em sua defesa". Pronunciadas em tom enfático perante 15 mil militares na manhã desta quarta-feira (24), em pleno verão moscovita, em uma Praça Vermelha engalanada, as palavras do presidente russo revestem-se de profundo significado.

O acontecimento é habitualmente comemorado a cada 9 de Maio, Dia da Vitória, mas neste ano foi adiada devido à pandemia de Covid-19.

Putin pediu que o povo russo relembre os ingentes sacrifícios das gerações passadas durante a Grande Guerra Patriótica (1941-1945) e tenha sempre presente que foram os povos soviéticos os que pagaram o maior preço da luta contra o nazifascismo, a maior ameaça à humanidade na primeira metade do século 20. Ao exaltar a façanha da União Soviética, o líder russo enfatizou a importância de "proteger e defender a verdade" sobre aquela guerra.

"Sempre vamos lembrar que o nazismo foi derrotado pelo povo soviético", disse Putin. "O povo soviético pôs fim ao Holocausto, salvou o mundo do fascismo".

O presidente observou que, depois de defender sua própria terra, os soldados soviéticos "continuaram a lutar".

"Eles libertaram os Estados europeus dos invasores, puseram fim à terrível tragédia do Holocausto, salvaram o povo da Alemanha".

Putin não deixou de frisar a importância da aliança antifascista e recolheu o ensinamento da história. "Apenas juntos podemos proteger o mundo de novas ameaças perigosas", asseverando que a Rússia está aberta ao diálogo e à cooperação com outros países.

 

O mandatário falou o óbvio, por isso mesmo poderá ter causado estranheza e assombro nas forças obscurantistas, reacionárias e recalcitrantes quando se trata de encarar as verdades históricas.

Mas as verdades históricas precisam ser sempre lembradas para que os acontecimentos trágicos jamais se repitam . E para que permaneça vivo na memória dos povos o espírito de resistência e luta que caracterizou a União Soviética e a façanha libertadora dos povos que constituíram aquele grande e poderoso país socialista.

Os povos da União Soviética pagaram o mais terrível preço em vidas humanas e prejuízos materiais, com a morte de 27 milhões dos seus cidadãos, incluindo 7,5 milhões de soldados.

 

As vitórias do Exército Vermelho nas históricas batalhas de Moscou (outubro de 1941 a janeiro de 1942), Stalingrado (agosto de 1942 a fevereiro de 1943), Kursk (entre a primavera e o verão de 1943) e Berlim, na primavera de 1945 permanecerão indelevelmente marcadas na memória da humanidade, como o tributo dos povos soviéticos para a causa da libertação.

A vitória sobre o nazifascismo foi fruto também da união dos povos e das forças democráticas no âmbito de cada país e da ação política e militar de uma ampla aliança internacional, de que fizeram parte a União Soviética, o Reino Unido e os Estados Unidos.

Mas há quem faça a leitura enviesada do discurso de Putin na comemoração do Dia da Vitória, atribuindo-lhe caráter eleitoreiro em face do referendo constitucional marcado para 1º de julho próximo. Pretende-se que Putin está jogando com o fervor patriótico que se mantém aceso quando ocorrem celebrações como esta. Seria uma cartada para manipular o sentimento popular, em um momento de evidentes dificuldades socioeconômicas no quadro da pandemia da Covid-19 que afetou imensamente a Rússia. Sobretudo, acusa-se Putin de arquitetar a sua unção como "ditador", ao postular o fim da limitação dos mandatos presidenciais.

Não há dúvidas de que a afirmação dos valores patrióticos podem exercer influência no eleitorado e favorecer as emendas constitucionais propostas por Putin. Mas não foi este o aspecto principal.

Essencialmente, o mandatário russo fez um apelo à unidade nacional para enfrentar os grandes desafios e ameaças com que o país se defronta. Decerto, a realização deste objetivo poderá ser mais factível na medida em que o apelo à unidade inclua medidas progressistas e gestos não apenas simbólicos para com os comunistas, força atuante no país.

Igualmente, a Rússia envia um sinal ao mundo, principalmente à superpotência americana, de que desempenha e pretende seguir desempenhando um papel de protagonista na cena internacional, no novo quadro geopolítico de multipolaridade que vai sendo configurado em meio a contradições e conflitos.

Os Estados Unidos já captaram a mensagem da Rússia e desde há algum tempo esboçam reação. O chefe da Casa Branca, Donald Trump, anunciou que os EUA provavelmente deslocarão para a Polônia, como sinal à Rússia, parte das tropas que serão retiradas da Alemanha. Encontram-se adiantados os acordos militares entre Washington e Varsóvia.

O conceito estratégico da Otan toma como uma de suas principais tarefas conter a "ameaça russa". O papel geopolítico da Rússia pode elevar-se bastante se tiver em conta a ameaça do imperialismo estadunidense, enfrentá-lo com firmeza estratégica e discernimento tático, fazendo as escolhas certas e distinguindo-se no concerto mundial como país partidário da paz, como foi a União Soviética.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/o-recado-da-praca-vermelha

Rixa franco-turca é 'morte cerebral' da OTAN

Rixa franco-turca é morte cerebral da OTAN

Incidente entre fragatas da Turquia e da França é considerado por Macron como prova da "morte cerebral" da OTAN, enquanto conflito na Líbia cria divergências dentro do bloco.

O incidente, ocorrido ainda em 10 de junho, se deu na costa líbia quando uma fragata francesa tentou se aproximar de uma embarcação turca, suspeitando que a mesma contrabandeava armas para a Líbia.

Logo em seguida, outros três navios militares turcos teriam feito pontaria ao navio francês e recusaram o pedido de revista pela fragata francesa.

Por sua vez, a Turquia afirmou que a fragata francesa realizou manobras perigosas.

O caso ressuscitou as palavras de Macron de que a OTAN, da qual fazem parte a França e a Turquia, teria sofrido "morte cerebral", ao passo que agora ele declarou que o recente incidente seria prova disso.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2020062315746205-rixa-franco-turca-e-morte-cerebral-da-otan/

NATO MULTIPLICA PROVOCAÇÕES À CHINA


 

2020-06-17

Brian Cloughley, Strategic Culture/O Lado Oculto

Em 8 de Junho o secretário-geral da aliança Estados Unidos-NATO, Jens Stoltenberg, fez um discurso na nova e espampanante sede da organização em Bruxelas. Seguiu-se uma selecção de perguntas idiotas mas, apesar da previsibilidade das declarações banais de Stoltenberg e da cumplicidade dos entrevistadores, foi dito o suficiente para se perceber que a NATO ainda está à procura de inimigos para tentar justificar a sua periclitante existência.

A novidade na lista de Stoltenberg é a China, que está muito longe do Atlântico Norte. A inimizade foi declarada quando o secretário-geral afirmou que “a China está a mudar decisivamente o equilíbrio global de poderes, acelerando a corrida pela supremacia económica e tecnológica, multiplicando as ameaças às sociedades abertas e às liberdades individuais e aumentando a competição contra o nosso modo de agir e os nossos valores de vida”. Stoltenberg pretende que a NATO se envolva com os Estados Unidos no confronto contra a China, que tem uma população de 1400 milhões de pessoas, a maior fronteira terrestre do mundo (22117 quilómetros) e uma costa de 14500 quilómetros (as costas dos Estados Unidos somam 19924 quilómetros) – um quadro que justifica amplamente uma grande força de defesa.

Estratégia de confronto

Stoltenberg protestou contra o facto de a China “já ter o segundo maior orçamento de defesa”. “Eles estão a investir poderosamente em capacidades militares modernas, incluindo mísseis que podem atingir todos os aliados da NATO”, disse. “Aproximam-se de nós no ciberespaço, já os vemos no Ártico, em África, investindo nas nossas estruturas críticas. Trabalham cada vez mais em conjunto com a Rússia. Tudo isto tem consequências de segurança para os aliados da NATO. Portanto, precisamos de ser capazes de responder a eta situação”.

Nada disto é consistente com o Tratado do Atlântico Norte, que é explícito ao declarar que os membros da aliança militar “se comprometem, conforme o estabelecido na Carta das Nações Unidas, a resolver por meios pacíficos qualquer diferendo internacional em que possam estar envolvidos, de modo a que a paz, a segurança e a justiça internacionais não sejam ameaçadas e a abster-se da ameaça ou uso da força nas suas relações internacionais de uma maneira consistente com os objectivos das Nações Unidas”. No entanto, Stoltenberg, sob orientação enérgica de Washington, ameaça com uma “abordagem global” da aliança contra a China. O facto de a Rússia e a China estarem “a trabalhar cada vez mais juntos” é um factor importante nas alegações de Stoltenberg para acelerar o confronto; e Washington aprova em absoluto as medidas que possam interromper a cooperação mutuamente vantajosa entre Moscovo e Pequim. 

Em Maio de 2020, membros da Comissão de Forças Armadas do Senado dos Estados Unidos propuseram uma “iniciativa de dissuasão no Pacífico” com o objectivo de expandir as forças militares norte-americanas na Ásia e “enviar um forte sinal ao Partido Comunista da China de que o povo norte-americano está comprometido em defender os interesses do país no Indo-Pacífico”. Deste modo, no início de Junho o senador Tom Cotton (que defende o recurso a soldados em armas para atacar manifestantes no seu próprio país) apresentou uma proposta de lei intitulado “Preparando a resistência operacional à expansão chinesa” (FORCE, na sigla em inglês) prevendo despesas de milhares de milhões de dólares. A finalidade é “contribuir para frustrar o principal objectivo geopolítico do Partido Comunista da China de empurrar os Estados Unidos para fora do Pacífico Oriental e alcançar a unificação através do Estreito de Taiwan pela força militar”.

Manipulação dos orçamentos militares

Não é surpreendente, portanto, que Stoltenberg tenha cavalgado a onda anti-China, mas a sua alusão ao orçamento de defesa de Pequim como o segundo maior do mundo é bastante enganadora. Destacou que os países da NATO “são 30, quase mil milhões de pessoas”, mas não mencionou o facto de as despesas militares de todas essas nações totalizarem mais de um bilião (um milhão de milhões) de dólares (1 036 077 000 000 dólares) em 2019, enquanto as da China foram de 261 mil milhões de dólares. Só os Estados Unidos gastaram 732 mil milhões de dólares – pelo que o resto da NATO despendeu 471 mil milhões, o que é decididamente superior ao orçamento militar chinês. Como Stoltenberg anunciou em 29 de Novembro de 2019, os membros da NATO “também estão a investir milhares de milhões em novos recursos, contribuindo para a implantação da aliança em todo mundo. Estamos, portanto, no caminho certo mas não podemos ser complacentes. Temos de manter o ritmo”.

Desequilíbrio nuclear

Há ainda a questão das armas nucleares. De acordo com a Arms Control Association, os Estados Unidos (que estão a modificar os seus caças multifuncionais F-15 Strike Eagle para receber bombas nucleares gravitacionais B61-12) têm “1365 armas nucleares estratégicas implantadas em 656 mísseis balísticos intercontinentais que podem ser lançados de submarinos e bombardeiros estratégicos”. No que diz respeito directamente à NATO, os Estados Unidos implantaram cerca de 150 bombas nucleares gravitacionais B-61 em seis bases da aliança em cinco países europeus: Aviano e Ghedi, em Itália; Buchel, na Alemanha; Incirlik, na Turquia; Kleine Brogel, na Bélgica; e Volkel, na Holanda. Além das 300 armas nucleares da França e das 200 britânicas.

A China tem cerca de 290 armas nucleares, de maneira que só com uma imaginação delirante se pode qualificar a situação como uma ameaça expansionista nuclear ou global. De facto, a razão pela qual a China entrou num programa de armas nucleares nos anos cinquenta foi a ameaça nuclear dos Estados Unidos, declarada pelo então chefe do Comando Aéreo Estratégico, o quase psicótico general Curtis LeMay, quando lhe perguntaram o que pensava fazer no caso de a trégua na Coreia ser interrompida por alguma acção militar chinesa: “Não existem alvos aéreos adequados na Coreia; no entanto, eu lançaria bombas nucleares em lugares apropriados como China, Manchúria e Sudeste da Rússia”. O que fez com que os alarmes tocassem em Pequim (e Moscovo) – e toquem desde então.

Além dos voos sobre o Mar da China Meridional por bombardeiros nucleares da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e das manobras agressivas dos cruzadores equipados com mísseis da Marinha norte-americana, tentando provocar acções da China na região, o Pentágono está a operar o grupo de ataque do porta-aviões Ronald Reagan em águas próximas das Filipinas, enquanto o porta-aviões Theodore Roosevelt se prepara para partir de Guam. O comandante da Frota do Pacífico dos Estados Unidos anunciou em 8 de Junho que o porta-aviões Nimitz e o seu grupo de ataque deixaram San Diego “em apoio às operações globais de segurança marítima”; não há, porém, segredo sobre os seus objectivos operacionais: o director de operações do Comando Indo-Pacífico, almirante Stephen Koehler, disse à agência Associated Press que “os porta-aviões e os seus grupos de ataque são símbolos fenomenais do poder naval norte-americano. Estou muito satisfeito por termos três deles no momento”.

A imagem é de crescente cerco militar dos Estados Unidos à China, combinado com a pressão económica para enfraquecer o seu governo. Embora a NATO de Stoltenberg esteja ansiosa por participar nesta campanha para justificar a sua existência, a sua contribuição será insignificante, ao nível do absurdo. Stoltenberg afirma que “a NATO não vê a China como novo inimigo ou adversário”, mas pretende que a aliança “tenha em conta os efeitos na segurança provocados pela ascensão da China” – juntando-se assim às tropelias do Pentágono.

A NATO é um desastre e nada conseguiu com os envolvimentos no Iraque e no Afeganistão. Quando Stoltenberg a

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Manobras navais da OTAN comandadas de Portugal iniciam no Báltico perto da Rússia (VÍDEO)

Navios militares da OTAN durante exercícios navais no mar Negro perto do porto romeno de Constanta
© AFP 2020 / DANIEL MIHAILESCU

OTAN iniciou exercícios navais de grande escala com a participação de 19 países na região do Báltico perto da fronteira da Rússia.

Primeiro Grupo Naval Permanente da OTAN (SNMG1) e Primeiro Grupo de Contramedidas de Minas Permanente da OTAN irão participar dos exercícios BALTOPS, as principais manobras com foco no âmbito marítimo no Báltico.

De acordo com o departamento de relações públicas das Forças Navais de Ataque e Apoio da OTAN, entre 7 e 16 de junho forças aéreas e marítimas de 19 aliados da OTAN e nações parceiras irão participar de eventos de treinamento que incluem defesa antiaérea, combate antissubmarino, interdição marítima e operações de contramedidas de minas.

Pela primeira vez os exercícios serão comandados em terra a partir do quartel-general, localizado em Lisboa, das Forças Navais de Ataque e Apoio da OTAN (STRIKFORNATO, na sigla em inglês) através de seu novo centro de operações marítimas.

Para garantir a segurança e a saúde dos militares participantes do exercício, as manobras da OTAN BALTOPS 2020 irão ocorrer exclusivamente no mar, avança portal Defense Blog.

​[Exercícios navais] BALTOPS 2020 começam hoje [7 de junho]!

Esta precaução permite às unidades reforçarem a cooperação operacional multinacional, assegurando ao mesmo tempo que as tripulações permaneçam saudáveis e prontas para manter a segurança regional permanente.

De acordo com а comandante da Sexta Frota dos EUA, vice-almirante Lisa Franchetti, os atuais exercícios no Báltico não são uma ameaça para nenhum país e não irão levar à escalada nas relações com a Rússia.

Nações participantes incluem Alemanha, Canadá, Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Grécia, Itália, Portugal, Turquia, Reino Unido, Suécia, entre outras, com 28 unidades marítimas, 28 aeronaves e 3.000 efetivos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020060815674465-manobras-navais-da-otan-comandadas-de-portugal-iniciam-no-baltico-perto-da-russia-video/

OTAN | Aliados apelam aos EUA para que não se retirem do Tratado de Céus Abertos

 
 
Numa reunião de emergência realizada na sexta-feira (22), todos os aliados da OTAN teriam apelado aos Estados Unidos para não deixarem o Tratado de Céus Abertos, informa a agência AMNA.

Após os EUA terem anunciado sua retirada do Tratado de Céus Abertos na sexta-feira (22), os chanceleres dos países-membros da OTAN realizaram uma reunião urgente para discutir a "salvação" do tratado internacional. Alemanha insistiu para que os EUA revissem sua posição, segundo informa a agência grega AMNA.

Chanceleres da Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, República Tcheca e Suécia assinaram um comunicado onde expressaram seu "lamento pelo anúncio do governo dos EUA sobre sua intenção de se retirar do Tratado de Céus Abertos".

"O Tratado de Céus Abertos é um elemento fundamental do quadro de consolidação de confiança que foi criado nas últimas décadas com o objetivo de melhorar a transparência e a segurança abrangendo a zona euro-atlântica", diz o comunicado publicado no site do Ministério das Relações Exteriores da França.

 
Entretanto, o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, declarou que a "implementação seletiva da Rússia de suas obrigações no âmbito do Tratado de Céus Abertos tem prejudicado a contribuição deste importante Tratado para a segurança e estabilidade na região euro-atlântica" e apelou para que país volte a implementar suas obrigações.

"O retorno da Rússia ao cumprimento é a melhor maneira de preservar os benefícios do tratado", afirmou Stoltenberg em comunicado publicado no site da OTAN na sexta-feira (22).

O chefe da aliança lembrou que "os aliados pediram à Rússia que cumprisse totalmente o tratado desde a Cúpula de Gales em 2014, um apelo que repetiram na Cúpula de Varsóvia em 2016 e na Cúpula de Bruxelas em 2018".

"Os aliados da OTAN e os países associados mantiveram contactos com a Rússia, tanto das capitais quanto da OSCE [Organização para Segurança e Cooperação na Europa] em Viena", para trazer Moscovo "de volta ao cumprimento o mais rápido possível".

Além disso, segundo Stoltenberg, os países da OTAN "permanecem abertos ao diálogo no Conselho Rússia-OTAN sobre redução de riscos e transparência".

EUA anunciam saída

Na quinta-feira (21), o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que seu governo abandonará o Tratado de Céus Abertos e explicou que a decisão se dará por supostas violações do acordo por parte da Rússia.

No entanto, o presidente mencionou a possibilidade de reverter essa decisão ou elaborar um acordo semelhante, se a Rússia cumprir o tratado novamente.

Por sua vez, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou em comunicado que seu país deixará o Tratado de Céus Abertos dentro de seis meses a partir desta sexta-feira (22).

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexandr Grushko, afirmou que a Rússia respeitará o Tratado de Céus Abertos enquanto permanecer em vigor e confia que outros Estados-partes farão o mesmo.

O Tratado de Céus Abertos, assinado em 1992 em Helsínquia, permite que observadores militares realizem voos desarmados de vigilância aérea para obter imagens de movimentos de tropas e navios em um vasto território, da cidade canadense de Vancouver ao porto de Vladivostok, no Extremo Leste da Rússia.

Hoje, esse documento, em vigor desde 2002, possui 34 signatários, incluindo a Rússia, que o ratificou em maio de 2001.

Sputnik | Imagem: © AP Photo / Virginia Mayo
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/otan-aliados-apelam-aos-eua-para-que.html

COVID-19 desperta sonho de expansão asiática da OTAN

Soldados e bandeira da OTAN
© REUTERS / Ints Kalnins

Uma OTAN do Atlântico ao mar da China. Este é o sonho defendido por certos apoiadores da organização militar, que veem a crise da COVID-19 colocando Pequim como seu principal inimigo.

O desejo de criar uma "OTAN global", que surgiu no começo dos anos 2000, se fortalece com as críticas que a China tem recebido após a expansão da pandemia pelo planeta. A isto se somam manobras militares de Pequim em águas do mar do Sul da China, denunciadas pelos países limítrofes, como Vietnã, Filipinas, Malásia e, naturalmente, Taiwan.

Frente aos navios chineses, forças navais dos EUA e Austrália, um país associado da OTAN, realizam manobras na região. Para Washington, as provocações chinesas na área se multiplicaram desde o começo da crise da COVID-19. É uma pequena demonstração do que poderia supor uma extensão do clube além de sua zona tradicional de influência.

Asiáticos e, além disso, atlantistas

No entanto, recentemente Stoltenberg anunciou que a OTAN não iria se estender ao mar da China, rompendo assim a ilusão de alguns defensores desta estratégia no Japão, Coreia do Sul e Malásia, que desejam integrar uma aliança militar que, em seu Artigo 5, obriga todos seu membros a acudir em defesa de um de seus associados.

Caça estadunidense decola do porta-aviões USS Ronald Reagan para patrulhar águas internacionais perto do mar do sul da China

© AP Photo / Bullit Marquez
Caça estadunidense decola do porta-aviões USS Ronald Reagan para patrulhar águas internacionais perto do mar do sul da China

Uma projeção no Indo-Pacífico da OTAN seguirá no momento representando uma ilusão, mas não se sabe até quando. O ex-ministro das Relações Exteriores da França, Hubert Vedrine, considera que durante muito tempo não havia "espaço mental" para a China dentro da OTAN, mas, acrescenta que a questão é saber se um dia a aliança será capaz de se ocupar de assuntos na Ásia. Vedrine agora é membro do comitê responsável pelo estudo sobre o futuro da organização militar transatlântica.

A ambição asiática da OTAN ressurge poucos meses depois do presidente dos EUA, Donald Trump, considerar a instituição como "obsoleta". Pouco depois, o presidente francês, Emmanuel Macron, qualificou o bloco com palavras ainda mais duras, sentenciando "a morte cerebral" da associação militar.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020042815512339-covid-19-desperta-sonho-de-expansao-asiatica-da-otan/

Interesses imperialistas acima da pandemia

As vozes que, acreditando nas ameaças de Trump, davam conta do fim próximo da NATO, revelam-se precipitadas. O mesmo para as que acreditaram na retirada do imperialismo norte-americano dos cenários de conflito militar. O mesmo ainda para quem pensou que a crise sanitária global traria alguma trégua ao mundo.

Pelo contrário, está a tornar-se claro que para os dirigentes norte-americanos a preocupação dos povos com a pandemia é a ocasião óptima para incrementarem as ameaças militares e quiçá tentarem “resolver” alguns dos impasses dos últimos anos.

É o que se vê com o reforço do garrote económico ao Irão; com o envio de forças militares navais para as costas da Venezuela; com o destacamento de tropas norte-americanas para solo europeu (o maior desde a Guerra Fria) a pretexto de “defender a Europa”, sem que nenhum dos povos europeus tenha reclamado tal “defesa”.

É ainda o que se vê com o estrangulamento financeiro da Organização Mundial de Saúde em plena crise sanitária, um passo mais no projecto norte-americano de desarticular os organismos internacionais que, mal ou bem, estabelecem algum grau de cooperação regulamentada entre países e, no caso, alguma protecção aos povos.

O artigo de Manlio Dinucci que publicámos no dia 19 (ver aqui) dá bem conta da verdadeira invasão do território europeu pelos centuriões da NATO, da ameaça que manobras de tal envergadura representam para todos os povos da Europa — e da colaboração vergonhosa prestada, sem rebuço, pelos dirigentes europeus.

Um outro artigo do mesmo autor, que publicaremos proximamente, revela ainda duas coisas: que o combate à pandemia está a servir de cobertura para uma militarização da acção dos Estados; e que a colaboração EUA-UE-NATO se estende para lá da Europa (neste momento, forças navais francesas e britânicas deslocadas para as Caraíbas participam com os EUA, sempre a pretexto da pandemia, numa ameaça de invasão da Venezuela).

Tais decisões foram tomadas em reuniões da UE e da NATO em que participaram os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros e da Defesa e os líderes da Aliança Atlântica.

Na parte que nos toca, importa perguntar quem deu aval ao ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, para (numa reunião em Zagreb em 4-5 de Março) envolver o país de novo nessa verdadeira provocação que são as manobras da NATO, a decorrer em Abril e Maio na Europa Central. Qual o sentido de tais manobras senão mostrar — num aviso dado à Rússia e à China, bem como aos próprios dirigentes europeus — que a bota cardada dos EUA não sairá da Europa?

Importa também saber quem autorizou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a encarregar o general norte-americano Tod Wolters de “coordenar o apoio militar necessário para combater a crise do coronavírus”, como foi decidido na reunião da NATO tida em 2 de Abril. Que significa este “apoio militar” no combate a uma crise sanitária senão que, na iminência de uma crise política generalizada, será a NATO a chamar a si as rédeas do poder, isto é, a militarizar a vida dos povos europeus?

Numa altura em que os povos do mundo e da Europa se debatem com a crise sanitária, em que milhões de trabalhadores são despedidos ou vêem os salários reduzidos, em que a pobreza está a aumentar; numa altura em que todos os recursos orçamentais deveriam ser canalizados para reforçar os serviços de saúde e combater a pobreza — é nessa altura, precisamente, que os líderes da UE, da NATO e dos EUA se põem de acordo para esbanjar milhões em manobras militares e ameaças de guerra.

Os apertos orçamentais de um lado e o esbanjamento do outro dão conta das prioridades que estão em causa: assegurar acima de tudo — e, se necessário, com sacrifício de tudo — os interesses de poder e de dominação das potências europeias e dos EUA.

É altura de voltar a unir forças para denunciar o papel criminoso e reclamar o fim da NATO. De exigir o regresso a casa de todas as tropas portuguesas em missões no estrangeiro e de canalizar as verbas aí gastas para a saúde pública e o bem estar. De reclamar que o governo português, em vez de fazer de moleque da NATO, dos EUA e das potências europeias, conduza a política externa pelas regras da igualdade e da solidariedade entre os povos.

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

O choro inconformado dos nossos atlantistas

Uma entrevista televisiva a Nuno Severiano Teixeira revela quão descoroçoados andam os nossos atlantistas com as diatribes trumpianas, que os deixam inconsoláveis por virarem do avesso a sua vocação de submissos vassalos do imperialismo norte-americano. Agora foi ver aquele antigo ministro de um governo socialista a carpir as mágoas por ver os chineses aproveitarem o vazio deixado pelos rivais ocupando-o habilidosamente na cena política internacional.

 

Por muito que dê tratos à memória não me lembro de nenhuma ocasião subsequente à ocupação do Tibete em que os chineses tenham agredido militarmente ou invadido algum país. Quer com Hong Kong, quer com Taiwan têm demonstrado uma contenção, que a pertença histórica de tais territórios ao seu antigo império poderia justificar noutra atitude. Quanto aos norte-americanos o rol de invasões, promoção de golpes de estado, sabotagens, imposição de bloqueios económicos e outras estratégias agressivas revelar-se-ia interminável nos últimos setenta anos. Daí que não me reveja em nada nessa subserviência dos atlantistas e muito menos me agrada ter um deles como ministro dos negócios estrangeiros.

 

O que me espanta é a aparente candura de Severiano Teixeira quando formula a expectativa de ver um novo inquilino na Casa Branca e tudo voltar ao normal, ou seja a políticas de agressão de outros povos com a colaboração submissa de líderes europeus, mesmo que a coberto de falsas intenções quanto a ajudar à democratização de países não conformes com os interesses económicos e financeiros ocidentais. E por muito que deseje a substituição de Trump por Biden (um covid 19 sempre será melhor do que um ébola!) não tenho ilusões quanto ao que isso significará. É que, se nunca entenderei porque deram o Nobel da Literatura a Bob Dylan, muito menos considerarei ajustado o da Paz a um falcão como Barack Obama foi, que nunca se desviou dos intentos planeados desde sempre pelo Pentágono para assegurar a supremacia mundial como potência que em tudo manda. A forma sinistra como quis capturar Edward Snowden demonstra-o à saciedade.

 

Por muito que desagrade aos atlantistas do meu partido e dos que se acoitam nos das direitas, o anti-imperialismo continua a fazer todo o sentido nesta primeiro quartel do século XXI!
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/04/o-choro-inconformado-dos-nossos.html

[ Manlio Dinucci] A NATO PEGA EM ARMAS PARA «COMBATER O CORONAVÍRUS»

 
                                
 
 
 
Os 30 Ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO (Luigi Di Maio, em representação da Itália), que se reuniram, em 2 de Abril, por videoconferência (1) encarregaram o General norte-americano Tod Wolters, Comandante Supremo Aliado na Europa, de “coordenar o apoio militar necessário para combater a crise do coronavírus”.
É o mesmo general que, no Senado dos Estados Unidos, em 25 de Fevereiro passado, declarou que “as forças nucleares apoiam todas as operações militares USA, na Europa” e que ele é “um defensor de uma política flexível do primeiro uso” de armas nucleares, ou seja do, ataque nuclear de surpresa. (2) (“ O Doutor Strangelove cuida da nossa saúde", il manifesto, 24 de Março). (3)
O General Wolters é o Comandante Supremo da NATO, na qualidade de Chefe do Comando Europeu dos Estados Unidos, portanto, faz parte da cadeia de comando do Pentágono, que tem prioridade absoluta. Quais são as suas regras rígidas, confirma-o um episódio recente: o Capitão do porta-aviões Roosevelt, Brett Crozier, foi afastado do comando porque, perante a propagação do coronavírus a bordo, violou o segredo militar ao solicitar o envio de ajuda. (4)
Para “combater a crise do coronavírus”, o General Wolters tem “corredores preferenciais para vôos militares através do espaço aéreo europeu”, onde os vôos civis quase desapareceram. Os corredores preferenciais também são usados pelos bombardeiros americanos do ataque nuclear B2-Spirit: em 20 de Março, decolaram de Fairford, em Inglaterra, juntamente com caças noruegueses F-16, rumo ao Árctico, em direcção ao território russo (5). Deste modo - explica o General Basham, da Força Aérea dos EUA na Europa – “podemos responder, rápida e eficazmente, às ameaças na região, demonstrando a nossa determinação em levar o nosso poder de combate para qualquer lugar do mundo”. (6
Enquanto a NATO está comprometida em “combater o coronavírus” na Europa, dois dos principais aliados europeus, a França e a Grã-Bretanha, enviam os seus navios de guerra para as Caraíbas. O navio de ataque anfíbio Dixmund partiu de Toulon para a Guiana Francesa, em 3 de Abril, para o que o Presidente Macron define como “uma operação militar sem precedentes”, denominada «Resiliência» no contexto da «guerra ao coronavírus». (7) O Dixmund pode desempenhar a função secundária de navio hospitalar com 69 camas, 7 das quais para terapia intensiva. O papel principal deste navio enorme, de 200 m de comprimento e com uma ponte de voo de 5000 m2, é o de ataque anfíbio: ao aproximar-se da costa inimiga, ataca com dezenas de helicópteros e meios de desembarque que transportam tropas e veículos blindados. Características semelhantes, embora em menor escala, tem o navio britânico RFA Argus, que zarpou, em 2 de Abril, para a Guiana Britânica (8
Os dois navios europeus posicionar-se-ão, nas mesmas águas das Caraíbas, perto da Venezuela, onde está a chegar a frota de guerra - com os mais modernos navios de combate costeiro (construídos, também, pela Leonardo italiana, para a Marinha dos EUA) e milhares de fuzileiros navais - enviados oficialmente pelo Presidente Trump para impedir o tráfico de drogas. Ele acusa o Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, “de se aproveitar da crise do coronavírus para aumentar o narcotráfico com o qual ele financia o seu narco-Estado". (9)
O objectivo da operação, apoiada pela NATO, é fortalecer o aperto do embargo para estrangular economicamente a Venezuela (um país com as maiores reservas de petróleo do mundo), cuja situação é agravada pelo coronavírus que começou a espalhar-se. O objectivo é depor o Presidente Maduro, eleito regularmente (sobre cuja cabeça os USA colocaram uma recompensa de 15 milhões de dólares) (10) e instaurar um governo que conduza o país para a esfera de domínio USA. Não se pode excluir que possa ser provocado um incidente que sirva de pretexto para a invasão da Venezuela.
A crise do coronavírus cria condições internacionais favoráveis a uma operação deste tipo, talvez apresentada como “humanitária”.
Manlio Dinuci
 
il manifesto, 7 de Abril de 2020
 
 
 
(9) https://nypost.com/2020/04/02/us-to-deploy-navy-near-venezuela-to-stop-drug-trade 
 
 
 
COMMUNIQUÉ ON THE CONFERENCE OF 25 APRIL
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, 
em todos os países europeus da NATO
 
 
Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
 
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos 
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

A dissolução da NATO é uma urgência

Nos 71 anos da NATO, o CPPC sublinha que a existência do bloco é «injustificável» e contraria a paz e o desarmamento, pelo que a sua dissolução é mais que nunca uma «exigência colocada aos povos do mundo».

Soldados georgianos em partida para o Afeganistão, ao serviço da NATOCréditos / NewEurope

O «carácter belicista e agressivo da NATO» e a «urgência da sua dissolução» não são questões que se coloquem agora pela primeira vez, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte cumpre 71 anos. «Pelo contrário, são há muito evidentes», afirma o Conselho Português para a Paz e Cooperação numa nota emitida.

A sua natureza fica patente nas «guerras e agressões que promove», nas «fabulosas despesas com armamento que assume» ou na «doutrina nuclear que preconiza», arrogando-se o «direito» de utilização de armamento nuclear «num primeiro ataque contra outro Estado», lê-se no texto.

No entanto, a pandemia de Covid-19 deixa ainda mais em evidência como «este bloco político-militar coloca a guerra, o intervencionismo, a corrida armamentista, o militarismo acima do direito à saúde, ao bem-estar e à vida dos povos», denuncia o CPPC.

No actual contexto pandémico, em que se impõe «a canalização de amplos recursos para reforçar os sistemas de saúde pública e de protecção social», o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, veio insistir na necessidade os estados-membros «manterem o objectivo de incrementar os seus gastos militares para os níveis previstos», ou seja, «pelo menos 2% dos respectivos PIB, o mais tardar até 2024», critica o organismo português.

Outro elemento bem revelador da natureza belicista e agressiva da NATO é, para o CPPC, o facto de o bloco teimar, neste contexto de grave problema de saúde pública a nível mundial, em «realizar exercícios militares provocatórios contra a Rússia», que tem estado a enviar ajuda e pessoal especializado para alguns dos países que integram a NATO, designadamente Itália e os Estados Unidos da América.

Tal como previsto na Constituição da República...

Ao cumprir-se mais um aniversário da NATO – a 4 de Abril –, o CPPC insiste na necessidade da dissolução do bloco político-militar, tal como previsto na Constituição da República Portuguesa, e o estabelecimento, em seu lugar, de um «sistema de segurança colectiva, com base nos princípios da Acta da Conferência de Helsínquia de 1975, com vista a assegurar a paz e a cooperação nas relações entre os povos».

Neste sentido, o CPPC exorta ainda o Governo português a defender, no respeito da Constituição da República, a independência nacional, bem como a solução pacífica dos conflitos internacionais, a não ingerência nos assuntos internos dos outros estados e a cooperação com todos os outros povos, tendo em vista «a emancipação e o progresso da humanidade».

«Portugal deve rejeitar o militarismo, a corrida aos armamentos, a guerra, incluindo a participação de forças portuguesas na agressão contra outros povos», defende o documento, sublinhando igualmente a necessidade de o País se posicionar «do lado da paz e do desarmamento».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/dissolucao-da-nato-e-uma-urgencia

Deputado alemão chama 'ocupação' às armas nucleares dos EUA na Alemanha

 
 
Um membro do Comitê de Relações Exteriores do Bundestag, parlamento alemão, nomeou o motivo da presença das armas nucleares norte-americanas na Alemanha.
 
"As armas não foram retiradas porque a Alemanha ainda é, de fato, um país ocupado. Os americanos usam a sua posição como acham melhor", declarou Waldemar Gerdt, deputado do Comité de Relações Exteriores, em entrevista ao canal 360.
 
Segundo o deputado, Berlim tentou remover os soldados dos Estados Unidos, mas em troca recebeu a resposta de que a presença de forças americanas no território alemão deve ser vista como um ato de confiança e cooperação amigável.
 
"Ninguém vai tirar as tropas do nada. O mundo está à beira de redefinir as suas esferas de influência. É irrealista abandonar voluntariamente a influência na Alemanha. É necessário rezar para que as forças [armas nucleares] pelo menos fiquem onde estão - em armazéns", afirmou Gerdt.
 
Para o deputado, a Europa simplesmente não quer desistir por nada, por isso todos tentam proteger seus interesses políticos, mesmo no contexto da nova pandemia de coronavírus.
 
No final de 2019, o presidente da delegação do Partido de Esquerda no Bundestag, Dietmar Barch, afirmou que os EUA deveriam retirar as armas nucleares do território da Alemanha.
 
De acordo com dados disponibilizados pela mídia, cerca de 150 armas nucleares táticas dos EUA estão armazenadas na Europa.
 
O jornal belga De Morgen escreveu que as bombas estão armazenadas em seis bases americanas e europeias: na Bélgica, Alemanha, Itália, Países Baixos e Turquia.
 
Sputnik | Imagem: © flickr.com / Herman

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/deputado-alemao-classifica-como.html

Mais de 20 militares da OTAN testam positivo para coronavírus na Lituânia

Tropas da Lituânia ao lado de outras forças de 11 países da OTAN, 2 de dezembro de 2016
© REUTERS / Ints Kalnins

Na Lituânia, 24 soldados do batalhão internacional da OTAN testaram positivo para o coronavírus. A nacionalidade da maioria dos infetados é desconhecida. No entanto, sabe-se que dois dos infectados são holandeses e que já foram enviados para o seu país.

Para conter a propagação do vírus, os exercícios militares serão realizados apenas com efetivos do batalhão, exercícios conjuntos com outros departamentos são limitados.

O batalhão de combate das forças da OTAN, com cerca de mil militares, foi implantado na Lituânia em 2017 e é comandado pela Alemanha.

Quatro novos casos de coronavírus foram confirmados nesta quinta-feira (26) no batalhão internacional da OTAN na Lituânia, escreve portal lituano LRT.

"O número total de casos é 24" disse o porta-voz do batalhão da Presença Avançada da OTAN (EFP, na sigla em inglês), capitão holandês Evert-Jan Daniels.

De acordo com as informações mais recentes, na Lituânia ao menos 345 pessoas foram diagnosticadas com a COVID-19, cinco pessoas faleceram, três recuperaram. A quarentena irá perdurar até 13 de abril.

O primeiro-ministro do país, Saulius Skvernelis, disse que os cidadãos que se recusarem a cumprir o auto-isolamento de duas semanas após o regresso do exterior não poderão voltar para casa.

Anteriormente, Anthony Fauci, o diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alérgicas dos EUA (NIAID, na sigla em inglês), disse que os Estados Unidos deveriam estar preparados para que a doença do novo coronavírus seja cíclica.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020032715382179-mais-de-20-militares-da-otan-testam-positivo-para-coronavirus-na-lituania/

O Dr. Strangelove cuida da nossa saúde

por Manlio Dinucci [*]

General Tod D. Wolters 

Perante o Coronavírus – declara o US European Command (Comando Europeu dos Estados Unidos) – "a nossa primeira preocupação é proteger a saúde das nossas forças e a das forças dos nossos Aliados. Portanto, anuncia que reduziu o número de soldados do exercício Defender Europe 20 (Defensor da Europa 20). Mas esse mesmo exercício continua.

Em 16 de Março, o Comando afirma que "desde Janeiro o US Army enviou 6.000 soldados dos Estados Unidos para a Europa", com 12.000 peças de equipamento (desde armamentos pessoais a tanques) e que foi "completado o movimento de soldados e equipamentos, de vários portos para áreas de treino na Alemanha e na Polónia". Além de que, "9.000 soldados dos EUA estacionados na Europa", também participam no exercício.

Ø O objectivo declarado pelos EUA é "instalar uma força de combate credível na Europa, de apoio à NATO", evidentemente contra a "agressão russa".
Ø O objectivo verdadeiro – escrevemos há dois meses e meio , em il manifesto (o único jornal que então dava notícias do Defender Europe 20 ) – é semear tensão e alimentar a ideia do inimigo.

O cenário declarado do exercício nunca poderia verificar-se, também porque um confronto armado entre a NATO e a Rússia seria, inevitavelmente, nuclear. Esse é o cenário real para o qual se treinam as forças americanas, na Europa. Confirma-o o General Tod D. Wolters, Chefe do Comando Europeu dos Estados Unidos e, como tal, Comandante Supremo Aliado na Europa.

Numa audiência no Senado dos Estados Unidos, em 25 de Fevereiro de 2020, declara que "as forças nucleares, garantia suprema da segurança dos Aliados, apoiam todas as operações militares dos EUA na Europa". [1] O que significa que o Defender Europe 20 é um exercício não só de forças convencionais (não nucleares), mas também de forças nucleares.

Em 18 de Março, foi comunicado que dois bombardeiros nucleares B-2 Spirit, que fazem parte da task-force que chegou dos EUA em 9 de Março, decolaram de Fairford, em Inglaterra, para treinar na Islândia e no Atlântico Norte, juntamente com três caças noruegueses F-35 . Esses dois tipos de aviões foram projectados para o uso das novas bombas nucleares B61-12, que os EUA instalarão, em breve, em Itália e noutros países europeus, substituindo as actuais B-61.

Wolters eslarece na audiência do Senado, qual é a função das forças nucleares dos EUA na Europa. Quando o Senador Fischer lhe pergunta o que pensa do não primeiro uso das armas nucleares, o General responde: "Senador, sou defensor de uma política flexível de primeiro uso" . Aquele que, na Europa, detém nas suas mãos as armas nucleares EUA/NATO, declara oficialmente, baseado num critério "flexível", ser partidário do primeiro uso para o first strike – para o ataque nuclear de surpresa.

Perante uma declaração desta gravidade, que obriga os generais russos a colocar o dedo no gatilho nuclear, silêncio absoluto dos governos, dos parlamentos e dos grandes meios de comunicação mediática da Europa.

Na mesma audiência, o General Wolters afirma que
Ø "Desde 2015, a Aliança deu mais importância à aplicação das capacidades nucleares" e que
Ø "O Comando Europeu dos Estados Unidos apoia plenamente as recomendações, contidas na Nuclear Posture Review 2018 , para instalar o míssil balístico de baixa potência W76-2" .

A ogiva nuclear de baixa potência W76-2, já instalada em mísseis lançados de submarinos (anunciou o Pentágono, em 4 de Fevereiro), pode também ser instalada em mísseis balísticos com base no solo, perto do território inimigo. É particularmente perigosa. As armas nucleares de menor potência – alertam também especialistas americanos competentes – aumentam a tentação de usá-las primeiro, podem levar os comandantes a pressionar porque, num ataque, usa-se a bomba nuclear, sabendo que a "chuva de partículas radioactivas (fall out) " seria limitada". Seria como lançar um fósforo aceso num barril de pólvora .

24/Março/2020

[*] Jornalista e geógrafo, italiano.

O original encontra-se em il manifesto, de 24/Março/2020
e a tradução de Luisa Vasconcellos em sakerlatam.es/...

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/europa/dinucci_24mar20.html

EUA colocam saúde pública em risco ao não cancelar exercícios militares na Europa, diz especialista

Soldados dos EUA e do Reino Unido lado a lado após uma coletiva de imprensa sobre os exercícios militares Defender 2020, em Bruek, na Alemanha
© AP Photo / Soeren Stache

A decisão dos EUA de prosseguir com os exercícios militares Defensor da Europa 2020 (Defender Europe 2020), mesmo durante a propagação do novo coronavírus, mostra que, para evitar dar sinal de fraqueza, Washington está preparada para colocar a saúde pública em risco.

Os planos para a edição de 2020 dos exercícios militares Defensor da Europa 2020 previam a movimentação de 20.000 militares norte-americanos, o maior envio de efetivos dos EUA para o velho continente dos últimos 25 anos.

No entanto, os planos foram prejudicados pela pandemia do novo coronavírus, que já infectou mais de 245 mil pessoas ao redor do mundo e fez 10 mil vítimas fatais.

No dia 13 de março, as transferências de militares dos EUA para a Europa foram interrompidas. Nesta segunda-feira (16), o comandante militar dos EUA na Europa informou que os exercícios seriam "reduzidos em escala e escopo".

Até esta quarta-feira (18), o Pentágono já havia confirmado 80 casos de coronavírus em suas fileiras, incluindo 49 militares em serviço ativo. Casos também teriam sido detectados entre funcionários da OTAN em Bruxelas.

Ameaça para a saúde

Pat Elder, membro do grupo Mundo Além da Guerra (World Beyond War, em inglês), acredita que os EUA nunca iriam cancelar a realização de exercícios militares desta monta para não "admitir a derrota".

"Os propagandistas que estão por trás da postura belicista irracional do Exército [dos EUA] nunca 'cancelariam' completamente os exercícios. Isso poderia demonstrar fraqueza", disse.

Elder acredita que essa decisão de Washington irá colocar em risco a saúde daqueles que irão participar das manobras em função da propagação do coronavírus.

Soldados durante exercícios da OTAN

© AP Photo / Alik Keplicz
Soldados durante exercícios da OTAN

"Os EUA estão levando a ideia de 'dissuasão' a um limite absurdo. E fazem isso [...] para justificar seus crescentes gastos militares", disse.

A ex-agente especial do FBI e ativista do grupo Mulheres Contra a Loucura Belicista (Women Against Military Madness, em inglês) Coleen Rowley lembra que os exercícios previstos para decorrer no Ártico e na Coreia do Sul foram cancelados e o mesmo deveria ser feito com o Defensor da Europa 2020.

"A pandemia é terrível, mas serve para nos dar uma lição sobre como a guerra é estúpida, uma vez que nenhum arsenal militar, ou mesmo nuclear, consegue combater essa ameaça microscópica" representada pelo novo coronavírus, argumentou Rowley.

Ela nota que os EUA não estão se mostrando capazes de combater a COVID-19 em território nacional, mas seguem com os planos de mobilizar militares para exercícios no exterior.

Agressão contra Rússia

Os exercícios Defensor da Europa 2020 não passam de uma "ação agressiva" contra a Rússia, acredita o copresidente do Bureau pela Paz Internacional, Reiner Braun.

"Eu acredito que o que a OTAN está fazendo com os Defensor da Europa 2020 é uma ação agressiva contra a Rússia. Eles não querem iniciar uma guerra amanhã, mas estão se preparando para a guerra. De outra forma não seria necessário fazer um exercício desses na fronteira russa", disse.

Braun lembra que a fase ativa dos exercícios foi marcada para coincidir com as comemorações, na Rússia, do aniversário dos 75 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial.

Soldados russos durante parada militar, na Praça Vermelha, no dia 7 de novembro. Vladimir Putin garantiu que a Rússia seguirá atenta à modernização de suas forças armadas

© Sputnik / Alexander Zemlianichenko
Soldados russos durante parada militar, na Praça Vermelha, no dia 7 de novembro. Vladimir Putin garantiu que a Rússia seguirá atenta à modernização de suas forças armadas

"A grande provocação é que eles vão fazer isso em maio, bem quando a Rússia, seguindo a tradição soviética, celebra os 75 anos do aniversário da libertação da Europa. É totalmente inaceitável realizar essas manobras neste período", disse Braun.

Observadores russos

No início de março, o ministro da Defesa da Polônia emitiu um comunicado no qual informou que a Rússia poderia observar parte dos exercícios realizados na Polônia.

Braun acredita que observadores russos seriam admitidos nos exercícios, mas que eles só poderiam assistir a uma parte reduzida das atividades.

"Eles somente mostram algumas áreas nas quais nada está acontecendo. Eles não mostram os movimentos internos e desdobramento dos exércitos", disse.

O Ministério da Defesa da Polônia ainda não confirmou se, mesmo após o início da pandemia de coronavírus, a Rússia poderá acompanhar os exercícios militares.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020032015352470-eua-colocam-saude-publica-em-risco-ao-nao-cancelar-exercicios-militares-na-europa-diz-especialista/

Chegam (via Açores) à Europa do vírus, os bombardeiros USA de ataque nuclear

 
 
Manlio Dinucci*
 
Devido ao Coronavírus, a American Airlines e outras companhias aéreas dos EUA cancelaram muitos voos para a Europa. No entanto, existe uma “companhia” USA que, vice-versa, os aumentou: a US Air Force.
Há poucos dias, “instalou, na Europa, uma task force de bombardeiros furtivos B-2 Spirit” Anuncia-o de Estugarda, o US European Command, o Comando Europeu dos Estados Unidos. Está, actualmente, sob as ordens do General Tod D. Wolters, da US Air Force, que é, ao mesmo tempo, o Chefe das Forças Armadas da NATO, como Comandante Supremo Aliado na Europa. O US European Command afirma que a task force, composta por um número desconhecido de bombardeiros provenientes da base de Whiteman, no Missouri, “chegou, em 9 de Março, ao Campo das Lajes nos Açores, em Portugal”.
 
O bombardeiro estratégico B-2 Spirit, o avião mais caro do mundo, cujo custo ultrapassa os 2 biliões de dolares, é o avião USA de ataque nuclear mais avançado. Cada um pode transportar 16 bombas termonucleares B-61 ou B-83, com uma potência máxima total equivalente a mais de 1.200 bombas de Hiroshima. Devido à conformação, revestimento e contramedidas electrónicas, o B-2 Spirit é difícil de detectar por radar (por esse motivo, é designado como “avião invisível”). Embora já tenha sido usado na guerra, por exemplo, contra a Líbia em 2011, com bombas não nucleares de alta potência, orientadas por satélite (pode transportar 80), foi projectado para penetrar nas defesas inimigas e efectuar um ataque nuclear de surpresa.
 
Estes bombardeiros, especifica o US European Command, “operarão a partir de várias instalações militares na área de responsabilidade do Comando Europeu dos Estados Unidos”. Esta área inclui toda a região europeia e toda a Rússia (incluindo a parte asiática). Isto significa que os bombardeiros USA mais avançados de ataque nuclear, operarão a partir das bases na Europa, perto da Rússia. Invertendo o cenário, é como se os bombardeiros russos mais avançados de ataque nuclear da Rússia, estivessem a manobrar a partir de bases em Cuba, perto dos Estados Unidos.
 
Torna-se claro o objectivo almejado por Washington: aumentar a tensão com a Rússia, usando a Europa como primeira linha do confronto. Isto permite a Washington fortalecer a sua liderança sobre os aliados europeus e orientar a política externa e militar da União Europeia, da qual 22 dos 27 membros pertencem à NATO, sob comando USA.
 
 
 
Isso é confirmado pelo facto de que eles transferem os seus bombardeiros mais avançados de ataque nuclear com o consentimento de todos os governos e parlamentos europeus e da própria União Europeia e com o silêncio cúmplice de todos os principais meios de comunicação europeus.
 
O mesmo silêncio caiu sobre o Defender Europe 20, o maior destacamento de forças USA na Europa desde o final da Guerra Fria, sobre os quais a comunicação mediática só falou, quando o US European Command anunciou que, devido ao Coronavírus, reduzirá os soldados USA que participam no exercício de 30.000 para um número impreciso, mantendo, no entanto,  os “nossos objectivos de maior prioridade”.
 
No âmbito de uma verdadeira psy-op (operação psicológica militar), vários órgãos de “informação”, também em Itália, lançaram-se imediatamente contra “as mentiras sobre o exercício Defender Europe” (La Repubblica, 13 de Março)   e, através das redes sociais, espalhou-se o boato de que o exercício foi praticamente cancelado. Notícias tranquilizadoras, reforçadas pela garantia, dada pelo US European Command, de que “a nossa preocupação primordial é proteger a saúde das nossas forças e a das forças dos nossos aliados”.
 
Apenas substituindo, na Europa, um número indeterminado de soldados USA por um número desconhecido de bombardeiros americanos de ataque nuclear, cada um com uma potência destruidora igual a mais de 1.200 bombas de Hiroshima.
 
il manifesto, 17 de Março de 2020
 
Publicado em No War No NATO | Manlio Dinucci | Tradução: Luísa Vasconcelos

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/chegam-europa-do-virus-os-bombardeiros.html

[Manlio Dinucci] Chegam à Europa do vírus, os bombardeiros USA de ataque nuclear

                   
 
 
 
Devido ao Coronavírus, a American Airlines e outras companhias aéreas dos EUA cancelaram muitos voos para a Europa. No entanto, existe uma “companhia” USA que, vice-versa, os aumentou: a US Air Force.
 
Há poucos dias, “instalou, na Europa, uma task force de bombardeiros furtivos B-2 Spirit” Anuncia-o de Estugarda, o US European Command, o Comando Europeu dos Estados Unidos. Está, actualmente, sob as ordens do General Tod D. Wolters, da US Air Force, que é, ao mesmo tempo, o Chefe das Forças Armadas da NATO, como Comandante Supremo Aliado na Europa. O US European Command afirma que a task force, composta por um número desconhecido de bombardeiros provenientes da base de Whiteman, no Missouri, “chegou, em 9 de Março, ao Campo das Lajes nos Açores, em Portugal”.
 
O bombardeiro estratégico B-2 Spirit, o avião mais caro do mundo, cujo custo ultrapassa os 2 biliões de dolares, é o avião USA de ataque nuclear mais avançado. Cada um pode transportar 16 bombas termonucleares B-61 ou B-83, com uma potência máxima total equivalente a mais de 1.200 bombas de Hiroshima. Devido à conformação, revestimento e contramedidas electrónicas, o B-2 Spirit é difícil de detectar por radar (por esse motivo, é designado como “avião invisível”). Embora já tenha sido usado na guerra, por exemplo, contra a Líbia em 2011, com bombas não nucleares de alta potência, orientadas por satélite (pode transportar 80), foi projectado para penetrar nas defesas inimigas e efectuar um ataque nuclear de surpresa.
Estes bombardeiros, especifica o US European Command, “operarão a partir de várias instalações militares na área de responsabilidade do Comando Europeu dos Estados Unidos”. Esta área inclui toda a região europeia e toda a Rússia (incluindo a parte asiática). Isto significa que os bombardeiros USA mais avançados de ataque nuclear, operarão a partir das bases na Europa, perto da Rússia. Invertendo o cenário, é como se os bombardeiros russos mais avançados de ataque nuclear da Rússia, estivessem a manobrar a partir de bases em Cuba, perto dos Estados Unidos.
 
Torna-se claro o objectivo almejado por Washington: aumentar a tensão com a Rússia, usando a Europa como primeira linha do confronto. Isto permite a Washington fortalecer a sua liderança sobre os aliados europeus e orientar a política externa e militar da União Europeia, da qual 22 dos 27 membros pertencem à NATO, sob comando USA.
 
 
Isso é confirmado pelo facto de que eles transferem os seus bombardeiros mais avançados de ataque nuclear com o consentimento de todos os governos e parlamentos europeus e da própria União Europeia e com o silêncio cúmplice de todos os principais meios de comunicação europeus.
 
O mesmo silêncio caiu sobre o Defender Europe 20, o maior destacamento de forças USA na Europa desde o final da Guerra Fria, sobre os quais a comunicação mediática só falou, quando o US European Command anunciou que, devido ao Coronavírus, reduzirá os soldados USA que participam no exercício de 30.000 para um número impreciso, mantendo, no entanto, os “nossos objectivos de maior prioridade”.
 
No âmbito de uma verdadeira psy-op (operação psicológica militar), vários órgãos de “informação”, também em Itália, lançaram-se imediatamente contra “as mentiras sobre o exercício Defender Europe” (La Repubblica, 13 de Março) e, através das redes sociais, espalhou-se o boato de que o exercício foi praticamente cancelado. Notícias tranquilizadoras, reforçadas pela garantia, dada pelo US European Command, de que “a nossa preocupação primordial é proteger a saúde das nossas forças e a das forças dos nossos aliados”.
 
Apenas substituindo, na Europa, um número indeterminado de soldados USA por um número desconhecido de bombardeiros americanos de ataque nuclear, cada um com uma potência destruidora igual a mais de 1.200 bombas de Hiroshima.
 
il manifesto, 17 de Março de 2020
 
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DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, 
em todos os países europeus da NATO
 
 
Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
 
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Maior do que 'ameaça russa', COVID-19 faz EUA se retirarem de exercício da OTAN na Europa

Soldado britânico em exercícios militares da OTAN no leste da Europa em 21 de abril de 2015
© REUTERS / Radu Sigheti

O Pentágono anunciou que reduzirá drasticamente o "tamanho e o escopo" de sua participação no exercício da OTAN intitulado 'Defender Europe 2020', parando pouco antes de desistir da atividade muito elogiada que será executada até maio.

Cerca de 20.000 soldados americanos, que deveriam formar a espinha dorsal do maciço treinamento de 37.000 soldados envolvendo forças de 18 Estados membros da OTAN, agora ficarão em casa ou - para os que já se mudaram para a Europa - retornarão aos EUA.

"Em 13 de março, todo movimento de pessoal e equipamento dos EUA para a Europa cessou", confirmou o Exército dos EUA na Europa em comunicado à imprensa na segunda-feira. "Enquanto fazemos os ajustes apropriados, os exercícios vinculados ao Exercício Defender-Europe 2020 - Frente Dinâmica, Avaliação Conjunta de Combate à Guerra, Ataque Sabre e Resposta Rápida - não serão realizados", acrescentou.

A mesma nota explicou que as forças já enviadas para a Europa para outros exercícios vinculados retornarão aos Estados Unidos.

O Comando Europeu dos EUA evitou cuidadosamente especificar o número de soldados que participariam do exercício reduzido, dizendo que "muitos detalhes ainda estão sendo trabalhados e discutidos com nossos aliados e parceiros". No entanto, expressou esperança de que pelo menos "a equipe de combate de brigada blindada já enviada para a Europa realize artilharia e outros eventos de treinamento combinado com os Aliados, como parte de um exercício modificado do Espírito Aliado".

Em vez disso, o Pentágono enfatizou seu compromisso sem precedentes com "alianças e parcerias" e se vangloriava de 6.000 soldados e 3.000 peças de equipamento que ele já havia transferido para a Europa - embora admitindo que "sejam antecipadas mudanças nos cronogramas de implantação" agora, devido à necessidade abrupta para enviar tudo de volta.

“Marcha de dragões” do OTAN na Europa

© REUTERS / Ints Kalnins
“Marcha de dragões” do OTAN na Europa

Segundo relatos anteriores, a embarcação Patriot - um navio de carga supostamente entregando equipamento militar dos EUA para a Europa para os exercícios - já mudou de rota e está retornando aos Estados Unidos. Dados de satélite sobre sua posição divulgada pela última vez em 13 de março mostraram que navegava a leste do arquipélago dos Açores e ainda estava a caminho da Bélgica. Dois outros navios envolvidos no transporte de equipamento militar dos EUA como parte da perfuração foram atracados no porto holandês de Vlissingen por um bom tempo - ainda assim, eles não foram descarregados.

Enquanto isso, outras nações também seguiram o exemplo, já que a Alemanha disse que reduziria sua participação em 250 soldados e deixaria de realizar alguns exercícios em abril.

Inicialmente, esperava-se que o Defender Europe fosse o maior exercício da OTAN em 25 anos, com a maior parte dos exercícios programados para abril e maio. O treinamento deveria ter sido realizado em seis estados europeus - Bélgica, Holanda, Alemanha, Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia.

O objetivo era praticar o envio de tropas americanas para a Europa, além de impedir uma possível agressão em larga escala. As Forças Armadas e altas autoridades dos EUA na OTAN disseram que as manobras não são direcionadas contra nenhum país em particular. Ainda assim, os exercícios foram criticados por Moscou, que os chamou de provocadores.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse anteriormente que a Rússia não prevê nenhum problema nos países bálticos que exigiria uma solução militar, acrescentando que o exercício mostrou apenas a falta de vontade da OTAN de aliviar as tensões com Moscou.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020031715340278-maior-do-que-ameaca-russa-covid-19-faz-eua-se-retirarem-de-exercicio-da-otan-na-europa/

Derrotado pela COVID-19: maior exercício militar da OTAN na Europa pode ser cancelado

As forças da OTAN na Letônia
© REUTERS / Ints Kalnins

A OTAN se preparava para realizar seu maior exercício militar em décadas, mas se deparou com um inimigo que não estava pronta para enfrentar - o coronavírus. Agora que a realização das manobras está em risco, seu verdadeiro objetivo vem à tona.

A Aliança Atlântica se preparava para realizar os exercícios militares de larga escala Defender Europe 2020, que deveriam ser os maiores da aliança em mais de um quarto de século. Cerca de 20.000 soldados dos EUA e outros 17.000 militares participariam das manobras, programadas para decorrerem na Alemanha, Polônia e nos países bálticos.

No contexto da propagação da pandemia de coronavírus, é cada vez mais improvável que os treinamentos em larga escala se realizem.

O Comando das forças dos EUA na Europa informou, no início desta semana, que reduziria a participação dos Estados Unidos nas manobras. A notícia veio logo após a Noruega cancelar a realização de outro exercício da OTAN devido à epidemia, reportou a RT.

Apesar da aliança ainda não ter anunciado o cancelamento do Defender Europe 2020, ou o cancelamento da participação dos EUA no mesmo, a probabilidade de tal acontecer é grande.

"Eu não ficaria surpreso se esses exercícios fossem adiados por vários meses", disse o ex-funcionário do Pentágono Michael Maloof. Já Karen Kwiatkowski, tenente-coronel aposentada da Força Aérea dos EUA, acredita que as manobras podem vir a ser canceladas.

De acordo com Kwiatkowski, os países ocidentais podem precisar dos seus soldados para lutar contra o coronavírus em seu país. As Forças Armadas podem ser necessárias para garantir o isolamento de grandes áreas, para aplicar a lei marcial ou controlar o movimento de pessoas.

Soldados durante exercícios da OTAN

© AP Photo / Alik Keplicz
Soldados durante exercícios da OTAN

Caso a situação com a COVID-19 venha a piorar, os governos podem precisar de seus exércitos para conter tensões sociais, acredita a militar.

"Governos caíram e colapsaram por muito menos do que esta pandemia já causou. Esse é provavelmente o principal medo dos governos, incluindo o governo dos EUA. Por isso, ninguém quer que suas tropas estejam no exterior neste momento", disse Kwiatkowski.

Além do mais, os soldados que retornarem do exterior podem colocar em risco a saúde pública de seus concidadãos, principalmente se forem enviados a regiões severamente atingidas pela pandemia.

"O esforço que estamos fazendo é para que as pessoas fiquem no mesmo lugar, para tentar manter as deslocações a um número mínimo. Essa é mais uma razão para reduzir a escala dos exercícios", explicou Maloof.

Além disso, de acordo com as normas dos EUA, os soldados enviados para a Europa para participar das manobras teriam que "passar por duas semanas obrigatórias" de quarentena, acrescentou o especialista.

Falta de preparo?

As forças da OTAN podem não estar preparadas para combater, ou mesmo realizar exercícios, diante de uma ameaça como o coronavírus. A falta de preparo se manifesta tanto em termos de equipamento, quanto de preparo psicológico.

As tropas dos EUA "recebem treinamento de guerra biológica e têm equipamento para isso", disse Maloof, admitindo, no entanto, não estar seguro se "esse equipamento é suficiente para combater o coronavírus em um ambiente de campo de batalha".

Soldados europeus da OTAN na Europa Oriental

© AFP 2020 / MICHAL CIZEK
Soldados europeus da OTAN na Europa Oriental

Além disso, assim como qualquer cidadão comum, os soldados também podem estar sendo afetados pelo pânico geral suscitado pelo coronavírus.

"O fator medo é real, talvez mais real do que o medo que é parte da rotina das tropas em combate", disse Kwiatkowski. "Se preparar para a presença de substâncias tóxicas no campo de batalha não é o mesmo do que se preparar para o que já está para além das linhas inimigas e está mesmo na sua própria cidade natal".

Mas nem só os soldados estariam expostos a riscos. Exercícios militares desta monta demandam a realização de uma quantidade significativa de reuniões de alto escalão, colocando militares graduados da aliança em risco de infecção, lembra o pesquisador sênior do Instituto Russo de Estudos Estratégicos, Sergei Mikhailov.

Imagem da aliança

Enviar tropas para áreas afetadas pela COVID-19 sem motivo de força maior pode ser um desastre de relações públicas para os líderes dos países da OTAN, acredita Mikhail Khodarenok, coronel aposentado da Força Aérea russa.

"Em tempos de paz, a ideia de colocar deliberadamente a saúde dos soldados em risco [...] dificilmente seria bem-vinda", acredita, "O público [...] dificilmente aceitaria."

Assumir o risco de deteriorar a imagem da aliança poderia frustrar o objetivo principal dos exercícios, evento que foi planejado, em larga medida, para ser uma ação de relações públicas, acredita Mikhailov.

Se o objetivo da OTAN era deixar claro para o mundo, e principalmente para o seu público interno, que a aliança segue poderosa e relevante, em tempos de coronavírus talvez essa não seja a mensagem entendida pelo eleitorado.

"O coronavírus é um problema global", disse Maloof. "As pessoas estão pensando em outras coisas, como na sua sobrevivência e alimentação. Países inteiros estão se desligando e entrando em modo de isolamento. É isso que está chamando a atenção das pessoas, e não militares realizando manobras".

Os exercícios Defender Europe 2020 estão planejados para ocorrer entre abril e maio de 2020, nos países do leste da Europa. Os EUA planejam enviar mais de 20.000 militares à região, o que seria o maior envio de forças norte-americanas para o continente europeu nos últimos 25 anos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020031515332716-derrotado-pela-covid-19-maior-exercicio-militar-da-otan-na-europa-pode-ser-cancelado/

«DEFENDER 2020» da NATO VAI REALIZAR-SE. Saiba porquê...

                Defender-Europe 20, Bremerhaven
 
Apesar da retirada da Finlândia e da Noruega do exercício Cold Response, o não-adiamento do exercício Defender 2020 da NATO, envolvendo 37 mil soldados, de vários países, dos quais 30 mil dos EUA, mostra que não lhes importa, aos senhores da guerra, a saúde e a segurança dos cidadãos europeus. 
Estão preocupados, apenas, com a venda de armas aos seus vassalos europeus (biliões de dólares):
 
Caso não haja adiamento, isso significa que os militares americanos da NATO foram - de alguma forma -  imunizados contra o Covid-19, mas não os militares dos países europeus, nem as populações.  
A eficácia dessa protecção será testada no terreno, com as manobras na Europa....
 
«Não seria impossível que as investigações envolvam soldados americanos - sem o saberem - injectados antes de partirem para a Europa com uma vacina, ou com um cocktail de anti-corpos contra o coronavírus que tenha uma função semelhante. Lembremos que, no caso da invasão do Iraque em 2003, muitos soldados americanos adoeceram devido ao excesso de estímulo do seu sistema imunitário, causado por vacinas múltiplas, naquilo que foi considerado uma doença misteriosa. Tal como no passado, não deveria surpreender-nos que os EUA se preparem para testar as várias versões de vacina e/ou de soro anti-covid-19. »
 
Segundo artigo do New Scientist, o mundo já estava avisado da possibilidade de novo coronavírus se espalhar. A utilização de existentes vacinas de SARS ou MERS (outros coronavírus), ou de adaptações destas, seria uma forma expedita de manter imunes - com uma elevada probabilidade - as tropas dos EUA/NATO, face a uma população indefesa.
O «DEFENDER 2020» assemelha-se a um exercício de ocupação de território inimigo infestado com uma  doença viral mortífera, para a qual só as tropas ocupantes possuem imunização.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Europa fechada pelo vírus e a UE abre as portas ao exército dos EUA

Os Ministros da Defesa dos 27 países da União Europeia (EU) reuniram-se nos dias 4 e 5 de março, em Zagreb. O tema central da reunião não foi o de como lidar com a crise do Coronavírus, que bloqueia a mobilidade civil, mas como aumentar a “mobilidade militar”.

 

 

Os Ministros da Defesa dos 27 países da União Europeia (EU), 22 dos quais são membros da Otan, reuniram-se nos dias 4 e 5 de março, em Zagreb, na Croácia. O tema central da reunião (na qual participou, em representação da Itália, o Ministro Guerini do Partido Democrata) não foi o de como lidar com a crise do Coronavírus, que bloqueia a mobilidade civil, mas como aumentar a “mobilidade militar”. O teste decisivo é o exercício Defender Europe 20 (Defensor da Europa 2020), em abril e maio.

O Secretário Geral da Otan, Stoltenberg, que participou na reunião da União Europeia, define-o como “o maior destacamento de forças americanas na Europa desde o fim da Guerra Fria”. Os 20.000 soldados que vêm dos EUA para a Europa – comunica o US Army Europe (Exército USA na Europa) – juntamente a 10.000 já presentes e a 7.000 aliados da Otan, “espalhar-se-ão através de toda a região europeia”.

As forças USA transportam 33.000 peças de equipamento militar, desde armamentos pessoais a tanques Abrams. Portanto, são necessárias infraestruturas adequadas para o seu transporte. No entanto, há um problema evidenciado num relatório do Parlamento Europeu (Fevereiro de 2020):

 
Desde os anos 90, as infraestruturas europeias têm sido desenvolvidas exclusivamente para fins civis. No entanto, a mobilidade militar voltou a ser uma questão fundamental para a NATO. Dado que faltam à Otan os instrumentos para melhorar a mobilidade militar na Europa, a União Europeia, que dispõe dos instrumentos legislativos e financeiros para o fazer, desempenha um papel indispensável”.
 
 
 

O Plano de ação sobre mobilidade militar, apresentado pela Comissão Europeia, em 2018, prevê modificar “as infraestruturas que não estão adaptadas ao peso ou às dimensões dos meios militares”. Por exemplo, se uma ponte não pode suportar o peso de uma coluna de tanques, deve ser reforçada ou reconstruída. Com base nesse critério, o teste de carga da nova ponte, que em Génova substituirá a ponte Morandi desmoronada, deveria ser realizado com tanques Abrams de 70 toneladas. Tais modificações, inúteis para uso civil, acarretam despesas pesadas para os países membros, com uma “possível contribuição financeira da União Europeia”.

A Comissão Europeia destinou para este fim, uma verba inicial de € 30 bilhões, dinheiro público proveniente dos nossos bolsos. O Plano também prevê “simplificar as formalidades alfandegárias para as operações militares e para o transporte de mercadorias perigosas de tipo militar”. O US Army Europe solicitou a instituição de “uma Área Schengen militar”, com a diferença de que a circular não haverá pessoas, mas tanques.

O exercício Defender Europe 20 – foi dito na reunião de Zagreb – permitirá “identificar quaisquer obstáculos na mobilidade militar que a UE terá de remover”. A rede de transporte da União Europeia será testada por 30.000 soldados USA, que “se espalharão pela região europeia”, isentos das normas do Coronavírus. Confirma-o, o vídeo do US Army Europe sobre a chegada à Baviera, em 6 de março, dos primeiros 200 soldados USA: enquanto na Lombardia, a algumas centenas de quilómetros de distância, se aplicam as normas mais severas, na Baviera – onde se verificou o primeiro contágio europeu do Coronavírus – os soldados USA, ao sair do avião, cumprimentam as autoridades alemãs e abraçam os seus companheiros, sem máscara. Surge, naturalmente, a pergunta: Será que talvez já estejam vacinados contra o coronavírus?

Também se pergunta que objetivo tem “o maior destacamento de forças USA na Europa, desde o final da Guerra Fria”, oficialmente, para “proteger a Europa de qualquer ameaça potencial” (com clara referência à “ameaça russa”), no momento em que a Europa está em crise devido à ameaça do coronavírus (até existe um caso no quartel general da Otan, em Bruxelas).

E como o US Army Europe comunica que “os movimentos de tropas e equipamentos, na Europa, durarão até Julho”, interrogamo-nos se todos os 20.000 soldados regressarão à sua pátria ou se uma parte permanecerá aqui, com os seus armamentos. Será que o Defensor não será o Invasor da Europa?


por Manlio Dinucci  |  Fonte: Il Manifesto, tradução Coletivo Tlaxcala | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/europa-fechada-pelo-virus-e-a-ue-abre-as-portas-ao-exercito-dos-eua/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=europa-fechada-pelo-virus-e-a-ue-abre-as-portas-ao-exercito-dos-eua

PCP critica a realização do Defender-Europe 20

Os comunistas querem saber a razão do «não cancelamento» deste exercício militar, «sobretudo num momento em que o cumprimento de medidas sanitárias e de restrição de movimentos é essencial».

Caças F-16 MLU da Força Aérea Portuguesa constituem a espinha dorsal da aviação de caça portuguesa, com 31 aeronaves.CréditosFonte: Portugal Defense News and Global

Sandra Pereira, deputada do PCP no Parlamento Europeu, quer também saber, por um lado, se «a Comissão tomou alguma medida no sentido de cancelar estas manobras e, em caso afirmativo, qual a resposta da NATO» e, por outro, «qual o montante do orçamento destinado a estas operações e se será possível direccioná-lo para o apoio ao combate ao COVID-19 nos Estados Membros».

Para a deputada comunista, os «EUA, que proibiram a entrada de cidadãos oriundos da Europa no seu território, fazem deslocar para a Europa milhares de soldados, meios e materiais, exigindo a abertura de fronteiras para as operações militares e transporte de mercadorias perigosas» para a realização deste exercício militar multinacional, num quadro em que «vários Estados-Membro da União Europeia estão a tomar medidas para combater o surto de COVID-19 que incluem encerramento de escolas, museus, auditórios, centros de convívio, organizações de índole social, ginásios, piscinas, pavilhões, estádios; restrição de movimentos, nomeadamente com o cancelamento de milhares de voos; e encerramento de fronteiras» e em que a «Itália decretou quarentena obrigatória em todo o País».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/pcp-critica-realizacao-do-defender-europe-20

«A Arte da Guerra»Na Europa fechada pelo vírus, a União Europeia abre as portas ao exército USA

30 000 soldados USA estão prontos para desembarcar na União Europeia, sem respeitar as medidas sanitárias decretadas por Bruxelas e pelos Estados membros. Ou o Comando do Exército USA para a Europa é incompetente e coloca desnecessariamente em risco a vida dos seus soldados, ou eles já foram vacinados.

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O Ministro do Interior bávaro, Joachim Herrmann, cumprimenta com um aperto de mão, os primeiros soldados USA ao chegar à Europa (Nuremberg, 3 de Março de 2020)

Os Ministros da Defesa dos 27 países da UE, 22 dos quais são membros da NATO, reuniram-se nos dias 4 e 5 de Março, em Zagreb, na Croácia. O tema central da reunião (na qual participou, em representação da Itália, o Ministro Guerini do Partido Democrata) não foi o de como lidar com a crise do Coronavírus, que bloqueia a mobilidade civil, mas como aumentar a “mobilidade militar”. O teste decisivo é o exercício Defender Europe 20 (Defensor da Europa 2020), em Abril e Maio.

O Secretário Geral da NATO, Stoltenberg, que participou na reunião da União Europeia, define-o como “o maior destacamento de forças americanas na Europa desde o fim da Guerra Fria”. Os 20.000 soldados que vêm dos EUA para a Europa - comunica o US Army Europe (Exército USA na Europa)- os 20.000 soldados que, juntamente a 10.000 já presentes e a 7.000 aliados da NATO, “espalhar-se-ão através de toda a região europeia”.

As forças USA transportam 33.000 peças de equipamento militar, desde armamentos pessoais a tanques Abrams. Portanto, são necessárias infraestruturas adequadas para o seu transporte. No entanto, há um problema evidenciado num relatório do Parlamento Europeu (Fevereiro de 2020): “Desde os anos 90, as infraestruturas europeias têm sido desenvolvidas exclusivamente para fins civis. No entanto, a mobilidade militar voltou a ser uma questão fundamental para a NATO. Dado que faltam à NATO os instrumentos para melhorar a mobilidade militar na Europa, a União Europeia, que dispõe dos instrumentos legislativos e financeiros para o fazer, desempenha um papel indispensável”.

O Plano de acção sobre mobilidade militar, apresentado pela Comissão Europeia, em 2018, prevê modificar “as infraestruturas que não estão adptadas ao peso ou às dimensões dos meios militares”. Por exemplo, se uma ponte não pode suportar o peso de uma coluna de tanques, deve ser reforçada ou reconstruída. Com base nesse critério, o teste de carga da nova ponte, que em Génova substituirá a ponte Morandi desmoronada, deveria ser realizado com tanques Abrams de 70 toneladas. Tais modificações, inúteis para uso civil, acarretam despesas pesadas para os países membros, com uma “possível contribuição financeira da União Europeia”.

A Comissão Europeia destinou para este fim, uma verba inicial de € 30 biliões, dinheiro público proveniente dos nossos bolsos. O Plano também prevê “simplificar as formalidades alfandegárias para as operações militares e para o transporte de mercadorias perigosas de tipo militar”. O US Army Europe solicitou a instituição de “uma Área Schengen militar”, com a diferença de que a circular não haverá pessoas, mas tanques.

O exercício Defender Europe 20 – foi dito na reunião de Zagreb - permitirá “identificar quaisquer obstáculos na mobilidade militar que a UE terá de remover”. A rede de transporte da União Europeia será testada por 30.000 soldados USA, que “se espalharão pela região europeia”, isentos das normas do Coronavírus. Confirma-o, o vídeo do US Army Europe sobre a chegada à Baviera, em 6 de Março, dos primeiros 200 soldados USA: enquanto na Lombardia, a algumas centenas de quilómetros de distância, se aplicam as normas mais severas, na Baviera – onde se verificou o primeiro contágio europeu do Coronavírus – os soldados USA, ao sair do avião, cumprimentam as autoridades alemãs e abraçam os seus companheiros, sem máscara. Surge, naturalmente, a pergunta: Será que talvez já estejam vacinados contra o coronavírus?

Também se pergunta que objectivo tem “o maior destacamento de forças USA na Europa, desde o final da Guerra Fria”, oficialmente, para “proteger a Europa de qualquer ameaça potencial” (com clara referência à “ameaça russa”), no momento em que a Europa está em crise devido à ameaça do coronavírus (até existe um caso no quartel general da NATO, em Bruxelas).

E como o US Army Europe comunica que “os movimentos de tropas e equipamentos, na Europa, durarão até Julho”, interrogamo-nos se todos os 20.000 soldados regressarão à sua pátria ou se uma parte permanecerá aqui, com os seus armamentos. Será que o Defensor não será o Invasor da Europa?





Ver original na 'Rede Voltaire'



[Manlio Dinucci] «... E, AGORA, ESTÃO A CHEGAR 20 MIL MILITARES DOS EUA À EUROPA»

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Não deixa de ser insólito e preocupante que perante os esforços conjugados de todos os países europeus para conter e pandemia do coronavírus, não seja adiado o gigantesco exercício militar da NATO previsto para Abril, que vai implicar somente a maior movimentação de tropas neste continente, desde o fim da IIª Guerra Mundial. 
Ainda mais estranho aparece este facto, face ao conjunto de notícias provenientes dos próprios EUA, segundo as quais haverá uma enorme contaminação na população e um número elevado de mortes, causados pelo vírus.
Para cúmulo, está previsto um mega-concerto para inaugurar o exercício da NATO, com a banda de «rock» do contingente europeu dos EUA na NATO. Já chegou à Polónia uma parte da força dos EUA que participará nestes «jogos de guerra» em tamanho real.
A passividade dos governos, o black out informativo e a falta de mobilização de forças populares significativas contra este acontecimento insólito e inquietante, fazem-me perguntar:
 
- Estarão os militares dos EUA imunizados contra o coronavírus?
- E os militares dos outros países da NATO que participarão no exercício (incluindo Portugal) estarão também eles imunizados?
- Estas movimentações de soldados, que podem ser portadores de vírus, não irão fragilizar ainda mais a população civil, em termos de possibilidade de contágio?
- Quais os verdadeiros motivos para que tal exercício maciço se mantenha, numa altura destas, algo que se pode adiar, não se trata de conter um perigo, uma ameaça, iminente? 
 
A cidadania dos países da NATO deveria exigir em termos enérgicos, aos respectivos governos, que este exercício seja cancelado ou pelo menos adiado.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

“NATO Go Home!”

 
Thierry Meyssan*
 
 
Desde há duas décadas, as tropas norte-americanas impõem a sua lei no Médio-Oriente Alargado. Agora, países inteiros estão privados de Estado que os defenda. Populações inteiras foram vítimas da ditadura dos islamistas. Assassínios em massa foram cometidos. Também imperaram fomes. O Presidente Donald Trump impôs aos seus generais o repatriamento dos soldados, mas o Pentágono entende prosseguir a sua campanha com os soldados da OTAN.
 
Presidente Trump consagrará o último ano do seu primeiro mandato a trazer os Boys (“Rapazes”- ndT) para casa. Todas as tropas norte-americanas estacionadas no Próximo-Oriente Alargado e em África deverão ser retiradas. No entanto esta retirada dos soldados não significará, de forma alguma, o fim da governança dos EUA nestas regiões do mundo. Muito pelo contrário.
 
A estratégia do Pentágono
 
Desde 2001 —e é uma das principais razões dos atentados do 11-de-Setembro—, os Estados Unidos adoptaram, em segredo, a estratégia enunciada por Donald Rumsfeld e pelo Almirante Arthur Cebrowski. Esta foi evocada na revista da Infantaria do Exército, pelo Coronel Ralf Peters, dois dias após os atentados [1] e confirmada, cinco anos mais tarde, pela publicação do mapa do Estado-Maior do novo Médio-Oriente [2]. Ela tinha sido mostrada em detalhe pelo assistente do Almirante Cebrowski, Thomas Barnett (Capitão-ndT), num livro para o grande público The Pentagon’s New Map (O novo mapa do Pentágono) [3] [4].
 
Tratava-se de adaptar as missões dos exércitos dos EUA a uma nova forma de capitalismo, dando o primado à Finança sobre a Economia. O mundo deve ser dividido em dois. De um lado, os Estados estáveis integrados na globalização (o que inclui a Rússia e a China); do outro, uma vasta zona de exploração de matérias-primas. Por isso é que convêm enfraquecer consideravelmente, idealmente arrasar, as estruturas estatais dos países dessa zona e impedir o seu ressurgimento por todos os meios. Este «caos construtor», segundo a expressão de Condoleeza Rice, não deve ser confundido com o conceito rabínico homónimo, mesmo que os partidários da teopolítica tudo tenham feito para isso. Não se trata de destruir uma ordem má para refazer uma ordem melhor, mas, sim de destruir todas as formas de organização humana para impedir qualquer forma de resistência e permitir às transnacionais explorar esta zona sem restrições políticas. Trata-se, portanto, de um projecto colonial no sentido anglo-saxónico do termo (não confundir com a colonização de povoamento).
 
Ao iniciar o lançamento desta estratégia, o Presidente George Bush Jr falou de «guerra sem fim». Com efeito, já não se tratava mais de ganhar guerras, e de vencer adversários, mas de as fazer durar o maior tempo possível, «um século» dissera ele. De facto, esta estratégia foi aplicada no «Médio-Oriente Alargado», quer dizer, numa zona indo do Paquistão até Marrocos e cobrindo todo o teatro de operações do CentCom e a parte Norte da do AfriCom. No passado, os GIs garantiam o acesso dos Estados Unidos ao petróleo do Golfo Pérsico (doutrina Carter). Hoje em dia, eles estão presentes numa zona quatro vezes mais vasta e ambicionam derrubar qualquer tipo de ordem, seja ela qual for. As estruturas estatais do Afeganistão desde 2001, do Iraque desde 2003, da Líbia desde 2011, da Síria desde 2012 e do Iémene desde 2015, já não são capazes de defender os seus cidadãos. Contrariamente ao discurso oficial, jamais se tratou de derrubar governos, mas muito mais de destruir Estados e de impedir a sua recuperação. A título de exemplo, a situação das populações no Afeganistão não melhorou com a queda dos Talibã, há 19 anos, antes piora inexoravelmente de dia para dia. O único exemplo contra poderia ser o da Síria que, de acordo com a sua tradição histórica, conservou o seu Estado apesar da guerra, absorveu os golpes e, muito embora arruinada hoje em dia, atravessou a tormenta.
 
Note-se de passagem que o Pentágono sempre considerou Israel como um Estado europeu e não como sendo médio-oriental. Portanto, ele não é envolvido neste vasto sobressalto.
 
Em 2001, o Coronel Ralf Peters entusiasmado assegurava que a limpeza étnica «funcionava!» (Sic), mas que as leis da guerra proibiam os EUA de a aplicar eles próprios. Daí a transformação da Alcaida e a criação do Daesh (E.I.) que fizeram por conta do Pentágono, o que ele desejava, mas não podia abertamente empreender.
 
Para bem captar a estratégia Rumsfeld/Cebrowski, convêm distingui-la da operação das «Primaveras Árabes», imaginada pelos Britânicos seguindo o modelo da «Grande Revolta Árabe». Nessa, tratava-se, então, de colocar a Confraria dos Irmãos Muçulmanos no Poder, tal como Lawrence da Arábia tinha colocado no Poder a dos Wahhabitas em 1915.
 
Os Ocidentais, em geral, não têm qualquer visão do Médio-Oriente Alargado como uma região geográfica em si. Só conhecem alguns países e imaginam cada um deles isoladamente dos outros. Deste modo, convencem-se a si mesmos que os trágicos acontecimentos experimentados por esses povos têm todos razões específicas, aqui uma guerra civil, acolá o derrube de um sanguinário ditador. Para cada país, dispõem de uma história bem escrita quanto à razão do drama, mas nunca têm nenhuma para explicar por que é que a guerra dura para além disso e, sobretudo, não querem que alguém os questione quanto a tal assunto. Em cada oportunidade, denunciam «a incúria dos Americanos» que não conseguiriam terminar a guerra, esquecendo que eles reconstruiram a Alemanha e o Japão após a Segunda Guerra Mundial. Recusam constatar que, desde há duas décadas, os Estados Unidos aplicam um plano, enunciado com antecedência, ao preço de milhões de mortos. Jamais se sentem, portanto, como responsáveis por estes massacres.
 
Os Estados Unidos, esses, face aos seus cidadãos negam aplicar esta estratégia. Assim, o Inspector-Geral encarregado de investigar a situação no Afeganistão redigiu um relatório lamentando-se sobre as muitas ocasiões falhadas pelo Pentágono em conseguir a paz, quando, exactamente, este nunca a desejava.
 
 
 
A intervenção russa
 
De forma a pulverizar todos os Estados do Médio-Oriente Alargado o Pentágono montou uma absurda guerra civil regional, da mesma maneira como havia inventado a guerra entre o Iraque e o Irão (1980-88). Por fim, o Presidente Saddam Hussein e o Aiatola Khomeini perceberam que se matavam por nada e fizeram a paz contrariando os Ocidentais.
 
Desta vez, é a oposição entre sunitas e xiitas. De um lado, a Arábia Saudita e os seus aliados, do outro o Irão e os seus. Pouco importa que a Arábia Saudita wahhabita e o Irão khomeinista tenham combatido juntos, sob o comando da OTAN, durante a guerra na Bósnia-Herzegovina (1992-95), ou que inúmeras tropas do «Eixo da Resistência» não sejam xiitas (100% dos Palestinianos da Jiade Islâmica, 70% dos Libaneses, 90% dos Sírios, 35% dos Iraquianos e 5% dos Iranianos).
 
Ninguém sabe por que é que estes dois campos se confrontam, mas acabam levados a sangrarem-se mutuamente.
 
Seja como for, em 2014, o Pentágono aprestava-se a fazer reconhecer dois novos Estados de acordo com o seu mapa de objectivos: o «Curdistão livre» (fusão do Rojava Sírio e da província curda do Iraque, ao qual uma parte do Irão e todo o Leste da Turquia deveriam ser posteriormente adicionados) e o «Sunnistão» (composto da parte sunita do Iraque e do Leste da Síria). Ao destruir quatro Estados, o Pentágono pensava abrir a via a uma reacção em cadeia que devia, por ricochete, destruir toda a região.
 
A Rússia interveio então militarmente e fez respeitar as fronteiras da Segunda Guerra Mundial. Escusado será dizer que estas são arbitrárias, decorrentes dos acordos Sykes-Picot-Sazonov de 1915, e por vezes difíceis de aceitar, mas sendo ainda menos aceitável modificá-las pelo sangue.
 
A propaganda do Pentágono sempre fingiu ignorar aquilo que estava em jogo. Ao mesmo tempo, porque não assume publicamente a estratégia Rumsfeld/Cebrowski como porque iguala a adesão da Crimeia à Federação da Rússia a um golpe de força.
 
A “troca de pele” dos partidários da estratégia Rumsfeld/Cebrowski
 
Após dois anos de luta encarniçada contra o Presidente Trump, os oficiais generais do Pentágono, dos quais quase todos foram pessoalmente formados pelo Almirante Cebrowski, submeteram-se a ele mas sob certas condições.
 
Assim, eles aceitaram não
- criar qualquer Estado terrorista (o Sunnistão ou Califado) ;
- modificar as fronteiras pela força ;
- manter tropas dos EUA nos campos de batalha do Médio-Oriente Alargado e de África.
Em troca, ordenaram ao seu fiel Procurador Robert Mueller —que já tinham utilizado contra o Panamá (1987-89), a Líbia (1988-92) e durante os atentados do 11-de-Setembro (2001)— para enterrar o seu inquérito sobre o “Russiagate”.
 
Tudo se desenrolou então como uma pauta musical.
 
A 27 de Outubro de 2019, o Presidente Trump ordenou a execução do califa Abu Bakr al-Baghdadi, principal figura militar do campo sunita. Dois meses mais tarde, a 3 de Janeiro de 2020, ordenou a do General iraniano Qassem Soleimani, principal figura militar do Eixo da Resistência.
 
Tendo desta maneira demonstrado que os EUA continuava a ser o mestre do jogo ao eliminar as personalidades mais simbólicas dos dois campos, reivindicando-o e sem incorrer em resposta significativa, o Secretário de Estado, Mike Pompeo, revelou o dispositivo final, a 19 de Janeiro, no Cairo. Este prevê prosseguir a estratégia de Rumsfeld/Cebrowski já não mais com os exércitos dos EUA, mas com os da OTAN, incluindo Israel e os países árabes.
 
A 1 de Fevereiro, a Turquia oficializava a sua ruptura com a Rússia ao assassinar quatro oficiais do FSB em Idleb. Depois, o Presidente Erdogan dirigiu-se à Ucrânia para gritar em coro a divisa dos Banderistas (os legionários ucranianos do IIIº Reich contra os Soviéticos) junto com a Guarda Nacional Ucraniana e para receber o Chefe da Brigada Islamista Internacional (os Tártaros anti-russos), Mustafa Djemilev (dito «Mustafa Kırımoğlu»).
 
A 12 e 13 de Fevereiro, os Ministros da Defesa da Aliança Atlântica tomaram nota da retirada inevitável das forças dos EUA e da próxima dissolução da Coligação Internacional contra o Daesh (EI). Muito embora sublinhando que não destacariam tropas de combate, eles aceitaram enviar os seus soldados para treinar os dos exércitos árabes, quer dizer, supervisionar os combates no terreno.
 
Os formadores da OTAN serão prioritariamente colocados na Tunísia, no Egipto, na Jordânia e no Iraque. Assim: - A Líbia será cercada a partir do Oeste e do Leste. Os dois governos rivais, de Fayez al-Sarraj —apoiado pela Turquia, pelo Catar e com já 5. 000 jiadistas vindos da Síria, via Tunísia— e o do Marechal Khalifa —apoiado pelo Egipto e pelos Emirados— poderão ir-se matando entre si eternamente. A Alemanha, muito feliz por retomar o papel internacional, do qual estava privada desde a Segunda Guerra Mundial, fará de pregador agitado dissertando sobre a paz para abafar os gemidos dos agonizantes. - A Síria será cercada por todos os lados. Israel é já de facto um membro da Aliança Atlântica e bombardeia o que quer e quando quer. A Jordânia é já o «melhor parceiro mundial» da OTAN.
 
O rei Abdalla II veio a Bruxelas para conversações muito demoradas com o Secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, em 14 de Janeiro, e para participar numa reunião do Conselho Atlântico. Israel e a Jordânia dispõem já de um gabinete permanente na sede da Aliança. O Iraque receberá também instrutores da OTAN, muito embora o seu Parlamento tenha acabado de votar pela retirada das tropas estrangeiras. A Turquia é já membro da Aliança e controla o Norte do Líbano graças à Jamaa Islamiya. Juntos, eles poderão fazer aplicar a lei «César» dos EUA que interdita qualquer empresa, seja de onde for, de ajudar na reconstrução deste país.
 
Assim, a pilhagem do Médio-Oriente Alargado, iniciada em 2001, prosseguirá. As populações mártires desta região, cuja única falha é a de estarem divididas, continuarão a sofrer e a morrer em massa. Os Estados Unidos conservarão os seus soldados em casa, no quentinho, como anjinhos de coro, enquanto os Europeus irão carregar com os crimes dos Generais dos EUA.
 
Segundo o Presidente Trump, a Aliança poderia mudar de nome e tornar-se talvez a OTAN-MédiOriente (OTAN-MO/NATO-ME). A sua função Anti-Russa passaria para segundo plano em favor da sua estratégia de destruição da zona não-globalizada.
 
Coloca-se a questão de saber como a Rússia e a China reagirão a esta redistribuição de cartas. A China precisa, para se desenvolver, de ter acesso às matérias-primas do Médio-Oriente. Portanto, ela deverá opor-se a este controle ocidental muito embora a sua preparação militar seja ainda insuficiente. Pelo contrário, a Rússia e o seu imenso território são auto-suficientes. Moscovo (Moscou-br) não tem nenhuma razão prática para se bater. Os Russos podem até ficar aliviados com a nova orientação da OTAN. No entanto, é provável que, por motivos espirituais, eles não deixem cair a Síria e talvez apoiem mesmo outros povos do Médio-Oriente Alargado.
 
 
Imagens:1 - Chegada ao Conselho Atlântico do Comandante Supremo das Forças norte-americanas para a Europa, e Comandante Supremo da Aliança do Atlântico Norte, o General Tod D. Wolters (Bruxelas, 12 de Fevereiro de 2020); 2 - O Conselho do Atlântico Norte aprova a ida de formadores da OTAN para o Médio-Oriente Alargado (Bruxelas, 13 de Fevereiro de 2020).
 
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

ARTIGO DOCUMENTADO COM MAPAS QUE PODE VER NA PÁGINA DE Voltairenet.org
 
Notas:
[1] “Stability, America’s Ennemy”, Ralph Peters, Parameters, Winter 2001-02, pp. 5-20. Reproduit in Beyond Terror : Strategy in a Changing World, Stackpole Books.
[2] “Blood borders - How a better Middle East would look”, Colonel Ralph Peters, Armed Forces Journal, June 2006.
[3] The Pentagon’s New Map, Thomas P.M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004.
[4] The Pentagon’s New Map, Thomas P.M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004.

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A NATO prepara a sua instalação no Médio Oriente alargado

 
 
Por fim, deve ser mesmo a NATO que irá dominar o mundo árabe após a retirada do CentCom (Comando Central dos EUA no Médio Oriente). A Alemanha poderia desempenhar um papel de liderança no seio da Aliança.
 
O Secretário Geral Jens Stoltenberg espera:
- 1. Instalar a Aliança na Tunísia e fazer durar, eternamente, a guerra na Líbia;
- 2. Instalar a Aliança no Iraque e na Jordânia e fazer durar, eternamente a guerra na Síria.
 
Em 1 de Fevereiro de 2020, a Turquia aproximou-se, subitamente, da NATO, da qual é membro e entrou em conflito com a Rússia, na Síria. Também retomou a transferência dos jihadistas da Síria, para a Líbia, através da Tunísia.
 
Em 12 de Fevereiro de 2020, os Ministros da Defesa da NATO decidiram, inicialmente, intensificar a sua “missão de assistência” no Iraque, embora o Parlamento iraquiano tenha exigido a retirada das tropas estrangeiras.
 
Jens Stoltenberg prepara este plano há mais de seis meses. Assim, ele concluiu acordos secretos com o rei Abdullah da Jordânia (foto) e com o Ministro tunisino dos Negócios Estrangeiros, que recebeu, durante bastante tempo, em Bruxelas.
 
Voltairenet.org | Tradução Maria Luísa de Vasconcellos

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Grécia vende bases militares aos Estados Unidos da América

 
 
 
O Parlamento grego ratificou o “Acordo de Cooperação para Defesa Mútua”, que concede aos Estados Unidos o uso de todas as bases militares gregas. Elas servirão às forças armadas USA não só para armazenar armamentos, reabastecer-se e treinar, mas também para operações de “resposta às emergências”, ou seja, para missões de ataque.
 
Particularmente importante, é a base aérea de Larissa, onde a Força Aérea dos EUA já instalou drones MQ-9 Reaper, e a de Stefanovikio, onde o Exército dos EUA já introduziu helicópteros Apache e Black Hawk.
 
O Acordo foi definido pelo Ministro da Defesa grego, Nikos Panagiotopoulos, “vantajoso para os nossos interesses nacionais, pois aumenta a importância da Grécia na planificação USA”. Importância que a Grécia tem já há algum tempo: basta recordar o golpe de Estado sangrento dos coronéis, organizado em 1967, no âmbito da operação Stay-Behind dirigida pela CIA, seguida em Itália pela temporada de massacres iniciada com a Piazza Fontana, em 1969.
 
Naquele mesmo ano, instalou-se na Grécia, em Souda Bay, na ilha de Creta, um Destacamento Naval USA proveniente da base de Sigonella, na Sicília, às ordens do Comando USA de Nápoles. Hoje, Souda Bay é uma das mais importantes bases aeronavais USA/NATO no Mediterrâneo, usada nas guerras no Médio Oriente e no Norte de África. Em Souda Bay, o Pentágono investirá outros 6 milhões de euros, que se juntarão aos 12 que investirá em Larissa, anuncia Panagiotopoulos, apresentando-o como um grande negócio para a Grécia.
 
 
No entanto, o Primeiro Ministro Kyriakos Mitsotakis indica com precisão que Atenas já assinou com o Pentágono, um  acordo para o reforço da sua frota de F-16, que custará à Grécia 1,5 bilião de dólares e que também está interessada em comprar aos USA, drones e caças F-35.
 
A Grécia também se destaca por ser na NATO, depois da Bulgária, o aliado europeu que destina há muito tempo, a maior percentagem do PIB (2,3%) para a despesa militar.
 
O Acordo também garante aos Estados Unidos “o uso ilimitado do porto de Alexandroupolis”. Está localizado no mar Egeu, perto do Estreito de Dardanelos que, ligando no território turco, o Mediterrâneo e o Mar Negro, constitui uma rota fundamental de trânsito marítimo, sobretudo para a Rússia. Além do mais, a vizinha Trácia Oriental (a pequena parte europeia da Turquia) é o ponto em que chega da Rússia através do Mar Negro, o gasoduto TurkStream.
 
O “investimento estratégico”, que Washington já está  a efectuar nas infraestruturas portuárias, visa fazer de Alexandroupolis uma das bases militares USA mais importantes da região, capaz de bloquear o acesso dos navios russos ao Mediterrâneo e, ao mesmo tempo, neutralizar a China, que pretende fazer do Pireu, um porto de escala importante da Nova Rota da Seda.
 
“Estamos a trabalhar com outros parceiros democráticos da região para repelir protagonistas malignos, como a Rússia e a China, acima de tudo a Rússia, que usa a energia como instrumento da sua influência malévola”, declara o Embaixador dos EUA em Atenas, Geoffrey Pyatt, salientando que “Alexandroupolis desempenha um papel crucial para a segurança energética e para a estabilidade da Europa”.
 
Nesse âmbito, insere-se o “Acordo de Cooperação para a Defesa Mútua” com os USA, que o Parlamento grego ratificou com 175 votos a favor, do centro-direita ao governo (Nova Democracia e outros) e 33 contra (Partido Comunista e outros), enquanto 80 declararam “presente”, de acordo com a fórmula do Congresso USA, equivalente à abstenção, em uso no Parlamento grego. O Syriza, a “Coligação da Esquerda Radical” liderada por Alex Tsipras, absteve-se. Partido este, que esteve primeiro no Governo, agora está na oposição, num país que depois de ser forçado a vender a própria economia, agora vende não só as suas bases militares, mas o pouco que resta da sua soberania.
 
Manlio Dinucci
 
Artigo original em italiano
ilmanifesto.it
 
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
 
Copyright © Manlio Dinucciilmanifesto.it, 2020

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OTAN concorda em expandir missão no Iraque sem permissão de Bagdá

Soldados e bandeira da OTAN
© REUTERS / Ints Kalnins

OTAN concordou "em princípio" em reforçar sua missão de treinamento no Iraque após reunião em Bruxelas. Contudo, devido à crescente interferência estrangeira no país, Iraque está relutante em aprovar o plano.

"A OTAN está no Iraque a convite do governo iraquiano e nós só ficaremos no Iraque enquanto formos bem-vindos. Porque a OTAN respeita plenamente a soberania e a integridade territorial do Iraque […] Tudo o que fizermos estará em estreita consulta e coordenação com o governo iraquiano", afirmou o secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg, quando perguntando se Bagdá tinha aprovado o projeto.

Devido à morte do general iraniano Qassem Soleimani a mando dos EUA em janeiro, quando ele ia se encontrar com o premiê iraquiano Adil Abdul, os iraquianos estão mais céticos do que nunca sobre a presença de tropas estrangeiras no país.

O assassinato provocou uma votação no Parlamento iraquiano exigindo a expulsão nó só das tropas norte-americanas, mas de todas as estrangeiras, embora o governo ainda não tenha dado seguimento ao movimento.

Apaziguar situação

A missão foi suspensa após o assassinato de Soleimani, mas Stoltenberg afirmou que o treino seria retomado "o mais depressa possível", não oferecendo detalhes sobre o estado das conversações com os oficiais iraquianos.

Como os EUA permanecem sendo o Estado-membro mais poderoso e influente da OTAN, a externalização da missão de treino para a aliança pode não fazer muito para apaziguar os iraquianos, desconfiados depois de repetidas violações da "soberania e integridade territorial" do país.

Tropas americanas durante cerimônia militar no Iraque (foto de arquivo)
© AFP 2019 / ALI AL-SAADI
Tropas americanas durante cerimônia militar no Iraque (foto de arquivo)

Anteriormente, o secretário de Defesa norte-americano, Mark Esper, declarou que a expansão da missão da OTAN permitiria a Washington reduzir a sua "presença" militar no Iraque e reimplantar essas tropas para outros locais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020021315212209-otan-concorda-em-expandir-missao-no-iraque-sem-permissao-de-bagda/

Expansão da OTAN foi um 'erro' e americanos agora 'estão pagando o preço', diz analista dos EUA

Soldados da Marinha britânica e fuzileiros navais portugueses durante os exercícios da OTAN Trident, Lisboa (foto de arquivo)
© AP Photo / Steven Governo

"Precisaríamos ter tido um presidente extraordinariamente visionário e imune às pressões políticas" para ter evitado o fiasco da expansão da OTAN, escreveu analista dos EUA. "Agora estamos pagando o preço".

A expansão da OTAN foi um erro geopolítico que poderá enfraquecer a aliança no longo prazo, afirmou o analista Michael Krepon, em artigo publicado na National Interest.

Após grandes progressos nas relações entre Washington e Moscou, que levaram ao desenvolvimento do sistema de controle de armamentos e de não proliferação, a situação da segurança mundial parece estar em forte deterioração.

Para o analista, o início da derrocada deu-se quando a administração Clinton bombardeou Belgrado durante os conflitos que se seguiram ao fim da Iugoslávia.

Apesar de, à época, a decisão ter parecido essencial para deter o sérvio Slobodan Milosevic, o custo para as relações entre Washington e Moscou foram incalculáveis. No entanto, a virada mais dramática nas relações entre as duas grandes potências foi o início do processo de expansão da OTAN, garante o analista.

Munições com urânio empobrecido que foram usadas durante bombardeios da OTAN na Iugoslávia nos anos 90, imagem referencial
© AP Photo / Hidajet delic
Munições com urânio empobrecido que foram usadas durante bombardeios da OTAN na Iugoslávia nos anos 90, imagem referencial

Parte da elite política norte-americana do início da década de noventa viu na expansão da OTAN uma possibilidade de angariar ganhos fáceis, frente a uma Rússia seriamente debilitada. Caso um dia a Rússia viesse a se reerguer, esses ganhos seriam de grande valia para Washington.

Mas o argumento colocado publicamente era mais palatável, e afirmava que a OTAN não tinha o que temer, uma vez que a Guerra Fria acabara e os anos de confrontação tinham ficado para trás. A era de confrontação, diziam, tinha sido substituída por uma era de parceria.

Os críticos argumentavam que a expansão da OTAN aumentaria as possibilidades de confronto com a Rússia e ampliaria perigosamente os compromissos militares internacionais dos EUA.

Exercício militar da OTAN Lobo de Ferro 2019 na Lituânia
Imagem da primeira fase dos exercícios militares da OTAN Lobo de Ferro 2019 na Lituânia

A administração Clinton acabou optando pela expansão, mas acreditava que poderia realizá-la de forma progressiva. Só que a porta agora estava aberta e a administração seguinte, liderada pelo presidente Bush, não hesitou em pressionar pela adesão de países como a Ucrânia e a Geórgia, o que era visto pelo Kremlin como uma "linha vermelha" que não se poderia nunca ser cruzada.

Para Krepon, a expansão da aliança militar foi um erro estratégico, que poderá resultar no enfraquecimento político e militar da Aliança.A OTAN aceitou em suas fileiras países com pouca ou nenhuma capacidade militar, cujos territórios são difíceis de ser defendidos por forças convencionais.

A aliança atualmente conta com 28 membros, contra 16 antes do fim da Guerra Fria, todos cobertos pela cláusula de defesa coletiva. Montenegro, o mais novo membro da OTAN, tem somente vinte e quatro mil militares na ativa.

A expansão da OTAN fez com que o período de progresso na área de controle de armamentos, não proliferação e relacionamento entre as potências militares fosse curto, sendo seguido por uma nova era de confrontação.

Tanques da OTAN na Letônia, perto da fronteira com a Rússia
© AP Photo / Mindaugas Kulbis
Tanques da OTAN na Letônia, perto da fronteira com a Rússia

Atualmente, tratados de grande relevância para a manutenção da segurança europeia e mundial foram abandonados, ou expiraram, como o Tratado INF e o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos.

No entanto, o analista acredita que a possibilidade de a Casa Branca ter evitado a expansão da OTAN e a consequente deterioração das relações com a Rússia era praticamente zero. Havia apenas um membro da equipa de Clinton (William Perry, no Pentágono) que expressou sérias dúvidas sobre a expansão da OTAN. A posição de Perry era tentar ganhar tempo, ao invés de se opor firmemente à expansão.

De acordo com o analista, as cartas já estavam dadas em 1993, e somente um presidente extraordinariamente visionário e imune às pressões políticas poderia ter optado por evitar a expansão da aliança. O nível de restrição necessário para evitar esse passo seria simplesmente muito grande.

"Mesmo que Clinton tivesse escolhido não expandir a OTAN, George W. Bush e a sua equipe de triunfalistas e românticos estavam decididos a fazê-lo", escreve Krepon. Para ele, os americanos agora estão "pagando o preço".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020013115079395-expansao-da-otan-foi-um-erro-e-americanos-agora-estao-pagando-o-preco-diz-analista-dos-eua/

[Manlio Dinucci] CHAMADA ÀS ARMAS, A NATO MOBILIZADA EM DUAS FRENTES

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NATOME: Assim, o Presidente Trump, que se orgulha do seu talento para criar siglas, já baptizou o destacamento da NATO no Médio Oriente, por ele solicitado por telefone, ao Secretário Geral da Aliança, Stoltenberg. Este concordou imediatamente, que a NATO deveria ter “um papel cada vez maior no Médio Oriente, particularmente, nas missões de treino”. Ele participou, em seguida, na reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, salientando que a União Europeia deve permanecer ao lado dos Estados Unidos e da NATO, porque “embora tenhamos feito progressos enormes, o Daesh pode regressar”.
 
Os Estados Unidos procuram, deste modo, envolver os aliados europeus na situação caótica provocada pelo assassínio, autorizado pelo próprio Trump, do General iraniano Soleimani, logo que desembarcou no aeroporto de Bagdad. Depois do Parlamento iraquiano ter deliberado a expulsão de mais de 5.000 soldados americanos presentes no país, juntamente com milhares de pessoal militar de empresas privadas, contratados pelo Pentágono, o Primeiro Ministro Abdul-Mahdi, pediu ao Departamento do Estado para enviar uma delegação a fim de estabelecer o procedimento da retirada. Os EUA - respondeu o Departamento – irão enviar uma delegação “não para discutir a retirada de tropas, mas o dispositivo adequado de forças no Médio Oriente”, acrescentando que em Washington se está a ajustar “o reforço do papel da NATO no Iraque, alinhado com o desejo do Presidente de que os Aliados partilhem o fardo de todos os esforços para a nossa defesa colectiva”.
 

O plano é claro: substituir, totalmente ou em parte, as tropas USA no Iraque pelas dos aliados europeus, que se encontrariam nas situações mais arriscadas, como demonstra o facto de que a própria NATO, depois do assassínio de Soleimani, suspendeu as missões de treino no Iraque. Além da frente meridional, a NATO está a ser mobilizada na frente oriental. Para “defender a Europa da ameaça russa”, está a preparar-se o exercício Defender Europe 20 que, em Abril e Maio, terá o maior destacamento de forças USA na Europa, dos últimos 25 anos. Chegarão dos Estados Unidos 20.000 soldados, incluindo vários milhares de militares da Guarda Nacional dos 12 estados USA, que se juntarão aos 9.000 já presentes na Europa, elevando o total para cerca de 30.000 militares. A eles juntar-se-ão 7.000 soldados de 13 países europeus da NATO, entre os quais a Itália e 2 parceiros, a Geórgia e a Finlândia. Além dos armamentos que virão do outro lado do Atlântico, as tropas americanas empregarão 13.000 tanques, canhões auto-propulsores, veículos blindados e outros meios militares dos “depósitos pré-posicionados” dos USA na Europa. Comboios militares com veículos blindados percorrerão 4.000 km por 12 artérias, operando em conjunto com aviões, helicópteros, drones e unidades navais. Páraquedistas USA da 173ª Brigada e italianos da Brigada Folgore serão lançados em conjunto, na Letónia.

O exercício Defender Europe 20 assume maior relevo, na estratégia USA/NATO, após o agravamento da crise no Médio Oriente. O Pentágono que, no ano passado enviou 14.000 soldados para o Médio Oriente, está a desviar na mesma região, algumas forças que se estavam a preparar para os exercícios de guerra na Europa: 4.000 paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada (incluindo algumas centenas de Vicenza) e 4.500 marinheiros e fuzileiros navais do navio de ataque anfíbio USS Bataan. Outras forças, antes ou depois do exercício na Europa, poderiam ser enviadas para o Médio Oriente. No entanto, o planeamento do Defender Europe 20, observa o Pentágono, permanece inalterado. Por outras palavras, 30.000 soldados dos EUA exercitar-se-ão a defender a Europa de uma agressão russa, um cenário que nunca poderia verificar-se porque no combate, usar-se-iam não tanques, mas mísseis nucleares. No entanto, é um cenário útil para semear tensões e alimentar a ideia do inimigo.

 

il manifesto, 9 de Janeiro 2020 image

 

http://www.natoexit.it/en/home-en/ -- ENGLISH

 

http://www.natoexit.it/ -- ITALIANO

 

 

 

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DECLARAÇÃO DE FLORENÇA Para uma frente internacional NATO EXIT,  em todos os países europeus da NATO DANSK DEUTSCH ENGLISH ESPAÑOL FRANÇAIS ITALIANO NEDERLANDS PORTUGUÊS ROMÎNA SLOVENSKÝ SVENSKA TÜRKÇE РУССКИЙ

 

 

Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.

 

Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos  Email: luisavasconcellos2012@gmail.com Webpage: NO WAR NO NATO

 

 
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

A complacência com Trump é um erro monumental

(José Pacheco Pereira, in Público, 11/01/2020)

Pacheco Pereira
 

Volto a Trump, a única coisa relevante que há hoje para discutir. É pouco mediático num país que é muito indiferente às questões internacionais, não dá títulos saborosos como os pequenos “casos” nacionais, cansa e parece monotemático, mas é decisivo para o nosso futuro.

O que fizer ou não fizer Trump, e o que nós lhe permitimos, vai decidir as próximas décadas. E cada vez parece mais uma obrigação ética travar o combate para o deter, porque estamos num desses momentos da história, em que esta se acelera, e, como na maldição, se torna “interessante”. Pensam que isto é um exagero e Trump um epifenómeno? Puro engano. Vejam só que ele já fez.

O que é perigoso na actual discussão é que mais uma vez se verifica algo que vi toda a vida: quando alguém tem força, essa mesma força é interiorizada como razão, como explicação, como realismo e dá-se uma falência crítica e perde-se clareza. E mais do que tudo com Trump é preciso ver claro. Os poderosos têm seguidores pelas vantagens de estar ao lado do poder, mas o efeito mais insidioso é a impregnação do pensamento e da crítica mesmo daqueles que se lhes opõem.

Leia-se o que se escreveu esta semana em Portugal. Vejo com espanto a facilidade com que o discurso trumpista se interioriza, e como o caos e as contradições resultam em discursos salomónicos, e em benefício da dúvida. Claro que não se pode esquecer que em Portugal há mais “trumpinhos” por aí à solta do que se imagina, quer os que o adoram, mas mais ainda os que precisam dele à direita para equilibrar um mundo que, pensam, se deslocou demasiado para a esquerda.

Não lhe dão palmas em público, mas dentro da cabeça, porque Trump bate nos mesmos inimigos em que eles gostariam de bater. É uma simpatia por afinidade que não ousa dizer o seu nome. Existe em Portugal, no Observador, no i , nalguns blogues muito à direita e que são câmaras de eco em bruto do Observador, mesmo na comunicação social de referência com gente mais preocupada em manter “equilíbrios” e distanciações, quando isso é exactamente o que os trumpistas querem.

O discurso de Trump é simples: há vitórias e vitoriosos e derrotados. Ele Trump teve uma “vitória”, porque os iranianos “cederam” e “recuaram” e assim ele pode obter o efeito útil de ter morto um adversário dos EUA, sem grandes consequências e mostrar força, fazer de Rambo e bater com as mãos no peito como o Tarzan para fins eleitorais. É o discurso habitual de Trump e os mecanismos mediáticos, que ele explora com sucesso, são hoje muito adequados a ver as coisas assim. Talvez, se se parasse para pensar, se perceba que não só esta é uma maneira muito grosseira de ver as coisas — o que se adapta muito bem a Trump e às colunas do sobe e desce, e às redes sociais —, como assenta mais no wishful thinking do que em factos, e não nos fornece uma visão coerente do que se passa. E acrescento não é muito complicado perceber que é uma história muito esfarrapada, ou como agora se diz “uma narrativa” que só se sustenta no peso da força e no ainda maior peso da preguiça mental.

Veja-se só, a título de exemplo, o próprio discurso vencedor de Trump — um discurso que em condições normais deveria arrepiar toda a gente. Mas que “passou” bem, porque pareceu moderado. Trump começa por dizer que os iranianos não atingiram ninguém, porque as contramedidas sofisticadas resultaram, impedindo-os de obter o objectivo de matar soldados americanos. Mais adiante, no mesmo discurso, sugeriu que os iranianos afinal deram uma resposta débil, porque recuaram com medo da resposta americana. Então queriam ou não matar americanos?

Nos dias seguintes, fontes militares disseram que sim, outras fontes acentuaram o recuo a “desescalada”, e a tese predominante é a segunda. Por sua vez, os iranianos mantêm também um discurso contraditório, mas porque lhes é vantajoso. Os iranianos não têm o poder dos EUA, como, aliás, os norte-coreanos. Medidos por essa bitola são sempre o lado mais fraco. Mas face a Trump são mais inteligentes, têm uma estratégia consistente e não dependem da imprensa do dia seguinte para prosseguir os seus objectivos — e não têm eleições para ganhar.

Qual é nos dias de hoje o “seguro de vida” do regime iraniano, como, aliás, do norte-coreano? Ter armas nucleares. Agora que não têm as peias do acordo é o que os iranianos vão fazer a toda a velocidade. Ora Israel e os EUA não o podem permitir, o que significa que terão de atacar o Irão. E como é? Vão só atacar de alto e não colocar “botas no chão”? Só com enormes baixas colaterais, civis. E não há Rússia e China?

O assassinato do general iraniano é uma distracção, neste contexto que radicaliza todas as frentes menores e não ajuda a maior, que Trump ajudou a estragar ao abandonar um acordo nuclear que estava a ser cumprido pelo Irão. Quando digo que o principal risco da política de Trump é ser errática e caótica, é por aqui que se mede. Não houve por isso vitória nenhuma, só encurralamento cada vez maior no caminho de uma guerra generalizada. Trump não quer saber disso para nada, desde que entenda que sai favorecido eleitoralmente. E, como quer ter vantagens sem grandes custos, apela aos países da NATO para lhe darem cobertura e homens e mulheres para não haver muitas baixas americanas. A resposta frouxa da NATO é quase tão perigosa como o caos de Trump.

Infelizmente, isto vai continuar.


 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

“O pessoal está sereno”

No país que Durão Barroso ajudou a destruir conjuntamente com Aznar, Blair e o outro criminoso chefe da matilha, Bush ou Trump o que vem dar ao mesmo, os agressores batem em retirada.
Mike Pompeo na última visita às alegres comadres, mantém  o Costa na fogueira, à prova de bala.
 
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image  «Até aqui, os militares portugueses tinham de andar dentro da base com o colete à prova de bala e o capacete sempre à mão. Hoje, quando circulam, têm de andar com o colete envergado, não vá haver algum rocket que caia lá dentro, e o capacete, arma pessoal e óculos.»
“O pessoal está sereno” conclui o chefe do Estado-Maior do Comando Conjunto para as Operações Militares, general Marco Serronha, o que não é de estranhar porque “O povo é sereno” como nos dizia o Almirante, que celebrizou o vernáculo “bardamerda”.
O Governo português ao serviço da NATO, pseudónimo dos EUA, tem militares comandados por espanhóis cumprindo rasteira e “serenamente” tarefas a que se submeteu.
 QUE VERGONHA!
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Ucrânia: Dez pontos de discussão para pessoas racionais

1. A Ucrânia é a maior nação da Europa, com uma fronteira terrestre de 2,2 mil km com a Rússia. O governo dos EUA, sob administrações desde Bill Clinton, tentou integrar a Ucrânia na aliança militar anti-russa da OTAN.

2. A OTAN é um artefato do início da Guerra Fria e da Doutrina Truman, que prometia usar todos os meios necessários para impedir a propagação do comunismo. Fundada em 1949, quando os EUA governavam a maior parte do mundo, incluía a maioria dos países da Europa, exceto os libertados do nazismo pelos soviéticos, como a Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária, Romênia, Iugoslávia e Albânia, onde partisans (guerrilheiros) antifascistas tomaram o poder.

3. Após a dissolução da URSS e do Pacto de Varsóvia (uma aliança de defesa formada em 1956 após a inclusão da Alemanha Ocidental na OTAN), em 1990, e a completa restauração do capitalismo nos países da antiga União Soviética, não havia um conflito ideológico leste-oeste ou outra justificativa para manter a aliança da OTAN. Assim, a aliança redefiniu gradualmente sua missão para “manter a estabilidade” na era pós-soviética, na esteira de conflitos étnicos em toda a Eurásia e “contra-terrorismo”. Mais tarde foram acrescentadas missões “humanitárias”.

4. Em 1989, o presidente George HW Bush prometeu ao secretário-geral soviético Mikhail Gorbachev que, após a reunificação da Alemanha com o consentimento de Moscou, a OTAN não “se moveria nem um centímetro” para o leste. Mas enquanto Bill Clinton era presidente em 1999, Polônia, Hungria e Tchecoslováquia se uniram à aliança. Sob o filho de Bush, em 2004, a lista cresceu: Estônia, Lituânia, Letônia, Bulgária, Romênia, Eslováquia e Eslovênia. A OTAN agora fazia fronteira com a própria Rússia. Obama acrescentou a Albânia e a Croácia. Sob Trump, Montenegro ingressou e a entrada da Macedônia do Norte é preparada. Obviamente, os EUA estão tentando incorporar todas as nações europeias possíveis em uma coalizão anti-russa para uso futuro.

5. As forças da OTAN nunca foram destacadas contra as forças soviéticas ou do Pacto de Varsóvia durante a Guerra Fria. Mas Clinton (incitado pela belicosa Hillary) as usou para derrubar posições sérvias na Bósnia nos anos 90 e bombardear Belgrado durante a guerra de 1999 para separar o Kosovo da Sérvia e convertê-lo em uma base da OTAN. (Nos dois casos, Clinton alegou motivos “humanitários”.) Eles também foram usados no Afeganistão e na Líbia, longe do Atlântico Norte, sob direção dos EUA, para derrubar o Taliban, produzindo assim uma insurgência contínua e destruir o estado moderno da Líbia de Gadhafi. Eles não são uma força do bem no mundo.

6. A Rússia respondeu com raiva, mas com cautela, à expansão incessante e inexplicável da OTAN. Os três momentos cruciais foram em 1999, quando as tropas russas correram para o aeroporto de Pristina, no Kosovo, para preservar algum orgulho nacional após a expansão da OTAN e a humilhação dos sérvios pelos EUA; em 2008, quando a Rússia invadiu brevemente a Geórgia para puni-la por ataques à Ossetia do Sul (e sua recém anunciada busca pela adesão à OTAN); e em 2014, quando em resposta ao golpe em Kiev, apoiado pelos EUA, Moscou se moveu para garantir o controle contínuo da Península da Crimeia. Obviamente, essas foram medidas para desencorajar a expansão da OTAN.

7. Para estrategistas e apoiadores da OTAN, a Ucrânia é o prêmio máximo. (Depois disso, apenas a Bielorrússia e a Geórgia precisam ser absorvidas.) O país ainda está programado para ser membro da OTAN, este ano; o secretário geral da aliança, Jens Soltenberg, reiterou esse compromisso em Kiev. Continua a ser a posição dos EUA que a Ucrânia e a Geórgia devem se juntar à OTAN. O governo alemão, por outro lado, muito mais sensível às questões históricas envolvidas, observa que a filiação ucraniana ou georgiana “cruzaria uma linha vermelha” com a Rússia. O povo ucraniano está dividido sobre o assunto. É bom se os alemães e outros possam bloquear a expansão do bloco.

8. De fevereiro de 2010 a fevereiro de 2014, a Ucrânia foi chefiada por um presidente eleito democraticamente, Viktor Yanukovych, que se opôs à adesão à OTAN. Ele foi eleito apesar da intromissão rotineira nas eleições por parte dos EUA. Ele foi retratado na imprensa dos EUA como “pró-russo” e se opondo à adesão da Ucrânia à União Europeia. Na verdade, ele buscou entrar na UE, usando seu assessor norte-americano Paul Manafort para esse fim, e desistiu de um acordo depois de perceber os custos políticos do programa de austeridade necessário. Ele era “pró-russo” por ser etnicamente russo em um país multiétnico e, enquanto estava no poder, estava disposto a manter boas relações com o vizinho. Ele foi alvejado pela nomeada de Hillary Clinton, Victoria Nuland (esposa do guerrista neoconservador Robert Kagan), e acusado de negar as “aspirações europeias” do povo ucraniano – ou seja, ele estava resistindo a uma associação com a UE (e a OTAN).

Ele foi de fato derrubado, sucedido por um novo regime que provocou revolta entre os russos étnicos no leste desde o início. A tentativa dos EUA de instalar um regime que pudesse se alinhar rapidamente com o Ocidente, juntando-se à UE e à OTAN com o pacote habitual, resultou em conflito civil e na reanexação russa da Crimeia. Finalmente, o esforço da OTAN para dominar a Eurásia encontrou um problema quando os russos disseram: de maneira alguma lhe concederemos o porto base da frota do Mar Negro, pertencente ao país desde a época da imperatriz Catherine, em 1785.

9. Após o golpe de 18 e 21 de fevereiro de 2014, Arseniy Yatsenyuk, escolhido a dedo por Nuland, tornou-se primeiro-ministro. A Rússia se recusou a reconhecer o governo que chefiava mancomunado com apoiadores da OTAN. Somente quando a Ucrânia realizou uma eleição presidencial e um candidato aceitável para Moscou, Petro Poroshenko, foi eleito, os russos se envolveram ativamente na diplomacia com Kiev. O resultado são os Acordos de Minsk e um processo contínuo de negociações entre Kiev, os separatistas do Donbass, Moscou, Alemanha e França. A questão-chave da autonomia do Donbass como pré-condição para a paz encontrou oposição no parlamento, mas desde a eleição de Volodomir Zelensky, houve movimentos concretos em direção à paz. Não que tenha havido muitos combates pesados desde 2015. A Rússia e a Ucrânia estão trabalhando com a Europa para encontrar uma solução. Seria bom para os EUA evitar interferências.

10. Após o golpe de fevereiro de 2014 (descrito na imprensa ocidental como uma “revolução” que derrubava um líder “pró-russo”), a Ucrânia ingressou informalmente no campo imperialista dos EUA. De fato, não há aliança formal, mas a Ucrânia agora é retratada como uma aliada, na verdade uma que precisa desesperadamente de armas dos EUA para resistir à invasão russa. Mas não houve invasão russa real, apenas muita publicidade; hoje em dia, os chefes de conversa se referem às forças “apoiadas pela Rússia” na Ucrânia, referindo-se a ucranianos etnicamente russos; eles exploram a ignorância geral das pessoas neste país sobre história e geografia e mesclam os russos com os russos-ucranianos (ou, às vezes, qualquer eslavo). E a anexação da Crimeia foi feita sem sangue, e popularmente apoiada. É improvável que a provisão de 380 milhões de dólares em mísseis anti-tanque e outras armas ao governo de Kiev contribua para a solução do problema do Donbass.

***

Em meio a toda a atenção aos detalhes, telefonemas e transcrições e visitas secretas, os que pressionam pelo impeachment de Trump (por motivos de suborno) nunca discutem o contexto desse pequeno escândalo. O fato de a Ucrânia ter sido irremediavelmente corrupta desde que se tornou independente, com a dissolução da URSS em 1991; o fato de os EUA terem subscrito o golpe de 2014; o fato do filho de Joe Biden, Hunter Biden, ter sido contratado pela Burisma Holdings dois meses após o golpe (enquanto seu pai era o homem de referência da equipe de Obama em corrupção na Ucrânia) e serviu até abril de 2019; e acima de tudo, o fato de os EUA quererem colocar a Ucrânia na OTAN, cercar a Rússia europeia e tomar a Crimeia para si.

Tentar adquirir sujeira dos Bidens numa queda de braço com um líder estrangeiro, ameaçando um corte no suprimento de armas, é ruim, por definição. Mas fornecer armas para alimentar um conflito desencadeado pela interferência dos EUA na Ucrânia é pior. Se os EUA não tivessem gasto 5 bilhões de dólares (dados da Nuland) para “apoiar as aspirações europeias do povo ucraniano”; se John McCain e Lesley Graham não tivessem distribuído biscoitos com Nuland durante o Euromaidan; se a OTAN não tivesse declarado sua intenção de incluir Kiev na aliança, o leste ficaria quieto como sempre. O golpe e a rescisão imediata da lei que respeita os direitos linguísticos dos falantes de russo provocaram rebelião.

O escândalo na Ucrânia poderia ser uma oportunidade de aprender: é para cá que a agressão dos EUA leva. Você provoca a Rússia repetidamente, a cada nova admissão na OTAN. Em algum momento, a Rússia precisa agir. Ela não pode permitir que um país do tamanho do Texas em seu flanco sul se junte a uma aliança militar direcionada a si mesma. Especialmente, não pode aceitar a perda de controle da Península da Crimeia.

O fato de Nuland, nos dias anteriores ao golpe planejado, não prever essa reação russa é intrigante. Ela realmente achou que a conquista da Ucrânia seria tão fácil? Ou ela esperava os contra-movimentos russos, pensando que, uma vez que a Ucrânia estivesse na OTAN, a Rússia teria que recuar? Essa ainda é a suposição dominante no Departamento de Estado?

Agora, um presidente com zero preocupação com a Ucrânia e seu povo é acusado de uma relutância chocante em entregar armas a um país invadido pela Rússia, “nosso maior adversário”, segundo os âncoras da TV a cabo. Que ele sofra o impeachment, é claro! Mas se ele cair, substituído pela liderança mais inclinada a provocar a Rússia pela expansão da OTAN, o mundo será mais perigoso do que está agora sob Trump.

*Gary Leupp é professor de História na Universidade Tufts e ocupa um cargo secundário no Departamento de Religião.

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Ver original em 'Revista Opera' (aqui)

Um oportunista em apuros

 
O figurão da fotografia ao lado chama-se Jens Stoltenberg e é o secretário-geral da NATO. Antes de assumir esse cargo foi primeiro-ministro norueguês pelo Partido Trabalhista, revelando o que de pior têm demonstrado os políticos ditos sociais-democratas, quando exercem o poder: mantèm discursivamente alguns floreados de esquerda, mas prosseguem uma governação claramente à direita com os resultados invariavelmente verificados quando tal sucede. Constitui regra quase axiomática que, entre a contrafação e os que são genuinamente de direita, os eleitores escolhem os segundos. Assim, mesmo depois da ridícula tentativa de evitar a derrota anunciada fazendo de taxista pelas ruas de Oslo a pretexto de “melhor auscultar as opiniões dos cidadãos”, acabou escorraçado, substituído pela oposição conservadora.

 

Não foi por muito tempo, porque quem manda na ordem internacional logo lhe arranjou proveitosa sinecura à frente da NATO. E Stoltenberg tem-se comportado de acordo com a vocação oportunista, sempre sua características. Mas por estes dias anda um bocado aflito com o que dizer. Por um lado o patrão mandou as aparências às malvas e assassinou o general iraniano sem ter sequer a «delicadeza» de informar os supostos aliados do que se preparava para fazer. Por outro não imagina como descalça a bota se os iranianos agirem de acordo com a legitimidade de quem se viu alvo de um ato de guerra e dá a devida resposta. Como conseguirá convencer os membros da organização, que têm de se pôr incondicionalmente ao lado do agressor por ser essa a obrigação ditada pelos Tratados?

 

Não é que vontade de ceder lhe faltasse, mas não sendo propriamente parvo de todo, Jens adivinha as imprevisíveis as reações de uma opinião pública europeia que, apesar de terem tantos comentadores e opinadores a manipulá-la, rejeitam liminarmente qualquer justificação para o ato de Trump que tenha outra explicação senão a de querer atirar areia para os olhos de quem possa ser confundido com a justeza da sua impugnação. É que por essa Europa há um vasto consenso em torno de uma apreciação muito próxima da que David Pontes escrevia por estes dias no «Público» “normalizar o assassinato de Estado é abrir o campo a todas as arbitrariedades, muito especialmente quando não existe uma situação de guerra declarada entre os dois países. (...)Não, não está em causa apoiar o regime iraniano, que deveria mudar radicalmente a bem do seu povo. O que está em causa é não deixarmos de afirmar os princípios básicos que devem reger as relações entre países e povos. É não deixarmos que o irracional se torne o normal.”
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/01/um-oportunista-em-apuros.html

No Kosovo, só se enganou «quem quis ser enganado»

Vinte anos volvidos sobre os bombardeamentos da NATO na Jugoslávia, o AbrilAbril colocou algumas questões ao major-general Raul Cunha, que recentemente publicou o livro Kosovo, a Incoerência de Uma Independência Inédita, sem passar ao lado de «alegações fabricadas» e «pretextos humanitários», manipulação mediática, «demonização dos sérvios» ou o papel do TPIJ.

Bombardeamento em Belgrado levado a cabo pela NATOCréditos / TASS

EmKosovo, a Incoerência de Uma Independência Inédita, o autor discorre sobre temas de que possui um «conhecimento seguro» e sobre os quais manifesta «fundadas opiniões», ou não se tratasse de um trabalho realizado com base em factos resultantes da vivência e do contacto directo do autor com protagonistas do conflito e da intervenção militar externa na Jugoslávia.

Esta foi uma das motivações para oAbrilAbril ouvir o major-general Raul Cunha, que adquiriu um profundo conhecimento da região dos Balcãs, também por ter integrado a KFOR (Kosovo Force, ao serviço NATO) e ter sido chefe da componente militar da UNMIK (Missão das Nações Unidas no Kosovo).

A perspectiva dominante sobre os acontecimentos é crítica. «Por isso» – afirma-se num dos prefácios da obra – «as conclusões a que [o autor] chegou são significativamente diferentes daquelas que prevaleceram nomainstream». AoAbrilAbril, Raul Cunha disse sentir-se «imune a quaisquer pressões ou sugestões para escamotear aquilo que consider[a] corresponder à realidade».

Refere-se ao alegado massacre de Račak, em Janeiro de 1999, como um elemento determinante para a intervenção da NATO na ex-Jugoslávia, na Primavera desse ano. Em seu entender, a acção militar teve por base «alegações fabricadas, imprecisas e por parte interessada». Pode desenvolver?

Quando recebeu a notícia do ocorrido em Račak, a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, comentou: «A Primavera chegou cedo ao Kosovo»; ou seja, já havia o ansiado argumento que faltava para poder ter lugar a intervenção da OTAN. De facto, foi assim possível pressionar a Sérvia para aceitar as negociações em Rambouillet e depois foi só introduzir no acordo uma cláusula (inaceitável para qualquer Estado soberano) que impedisse a Sérvia de assinar e abrir desse modo o caminho para os bombardeamentos pela Força Aérea da OTAN. Mesmo hoje, no Kosovo, no local onde estão as campas dos mortos em Račak, pode ser constatada a filiação da sua maioria na guerrilha do UÇK [Exército de Libertação do Kosovo], desmontando assim a alegação de terem sido abatidos civis inocentes pelas forças sérvias. E, se olharmos para a história das intervenções dos EUA nos vários conflitos em que decidem participar, esta fórmula de justificação tem sido consistentemente utilizada.

Outro ponto que a sua obra destaca é o do pretexto «humanitário» que serve de partida para a ingerência nos assuntos internos dos países, por questões de diversa índole... Depois do que se passou na Líbia e com o que ocorre actualmente na Síria ou no Afeganistão, digamos que há muito por onde pegar...

Tal como refiro na minha obra, na actualidade a soberania dos Estados está mais limitada, sobretudo devido ao possível escrutínio sobre as acções dos diferentes governos com ênfase na violação dos direitos humanos dos cidadãos; mas a realidade é também que, na quase totalidade das intervenções realizadas, a verdadeira motivação dos participantes tem sido os seus interesses geoestratégicos, daí que, na falta de um respaldo numa resolução do Conselho de Segurança da ONU, têm tido lugar operações conduzidas pelas ditas «coligações».

O major-general Raul Cunha a falar aos jornalistas, em Janeiro de 2008, em Pristina (Kosovo, Sérvia), quando era chefe dos oficiais de ligação militares da UNMIK / Mário Cruz, Lusa CréditosMário Cruz / Lusa

No concreto, torna-se muito difícil discernir a verdade entre a «necessidade de acorrer a uma crise humanitária» e os «interesses das nações que desejam intervir», e as operações que têm acabado por ocorrer levam-nos a crer que o pretexto «humanitário» é só isso mesmo – um pretexto para poder concretizar os interesses dos intervenientes.

No que respeita à promoção de agendas próprias – geoestratégicas e económicas –, o seu livro dá amplo destaque ao papel das potências ocidentais no desmembramento da Jugoslávia, na campanha de demonização dos sérvios e na afirmação do Kosovo como Estado independente: com os Estados Unidos da América e a Alemanha «muito à frente».

Quando fala dos objectivos estratégicos dos EUA na intervenção militar na Sérvia ou do papel que a Alemanha teve na apropriação de recursos naturais e na privatização das empresas no Kosovo, o seu livro deixa bem claro como uma pretensa imparcialidade na acção ou um pretenso humanitarismo nos propósitos eram para enganar os incautos. E parecem ter enganado, não é?

Penso que só enganou quem quis ser enganado, ou a quem esse facto não causou perturbação, ou faltou coragem (ou força) para discordar. Para a esmagadora maioria dos Militares que estiveram no terreno, a realidade dos factos foi bem evidente e foram muitos os que informaram os seus governos daquilo que constatavam. Mas as Alianças obrigam a que, por vezes, se tenha de fechar os olhos e consentir na vontade dos mais poderosos. Quando verificamos quais os países que se apressaram a reconhecer a independência do Kosovo e a pressionar os seus pares para o fazerem, facilmente concluímos quem tinha a lucrar com esse facto.

Outro elemento em destaque na sua obra é o papel desempenhado pelos órgãos de comunicação social (OCS) – a que se refere de modo muito crítico, nomeadamente pela importância que tiveram «na preparação da opinião pública para aceitar e aplaudir a guerra», para legitimar a guerra da NATO contra a Jugoslávia, «demonizar» os sérvios e Milošević. Como exemplo, fala da CNN como «braço de informações da NATO» ou da BBC a relatar os bombardeamentos como «o som de anjos»...

Quando é analisado tudo o que se propalou nos OCS do Ocidente (houve raras, mas honrosas, excepções em Portugal), facilmente se chega à conclusão de que se tratou de uma campanha perfeitamente orquestrada para a manipulação da opinião pública. Mais ainda, no caso do Kosovo, os OCS não só acompanharam com especial parcialidade o que ia ocorrendo, como foram mesmo um dos catalisadores do conflito, pressionando os seus governos para a intervenção, facto que alguns jornalistas acabaram mesmo por reconhecer.

Também assume particular relevo na obra a caracterização que faz do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ), do qual diz que a «justiça ideal – imparcial, séria, legítima – andou [dali] bastante arredada» e que acusa de ser um «colaborador judicial das relações públicas NATO». Quer dar-nos alguns exemplos?

Sobre a colaboração do TPIJ com a OTAN o livro contém bastantes exemplos e sobretudo especifica como as acusações dos promotores do tribunal serviram os interesses políticos do momento. Em termos de justiça «imparcial», num conflito em que quem estava no terreno não conseguia identificar quaisquer diferenças nas formas de actuação das forças das etnias presentes, atente-se nos resultados dos diferentes julgamentos do TPIJ:

– Condenados (90): 63 sérvios (quatro por crimes na Krajina croata), 18 croatas bosníacos, cinco muçulmanos bosníacos (nenhum mujahedin), dois montenegrinos, um macedónio, um albanês (por crimes contra os sérvios do Kosovo), zero croatas da Croácia.

Absolvidos (18): seis sérvios, quatro croatas (um bosníaco), quatro muçulmanos bosníacos, quatro albaneses.

Como curiosidade, note-se que houve quatro sérvios da Croácia condenados por crimes de limpeza étnica de croatas na Krajina (da ordem dos milhares), enquanto os três oficiais croatas ligados à maior limpeza étnica ocorrida no conflito jugoslavo (250 mil sérvios da Krajina) foram absolvidos.

Num dos dois prefácios do seu livro (o outro é do embaixador Tânger Corrêa), o major-general Carlos Branco sublinha que «entre a liberdade de pensamento e a conveniência, o Major General Raul Cunha escolheu inequivocamente a liberdade. Por isso, as conclusões a que chegou são significativamente diferentes daquelas que prevaleceram no mainstream, como "verdades" únicas, indiscutíveis e não sujeitas a contraditório. Essas "verdades", repetidas à exaustão, reflectindo narrativas maniqueístas do mal contra o bem tornaram-se intimidatórias para quem as questionasse».

Foi essa a razão deste livro, dar a conhecer uma outra realidade até aqui esmagada por «essas verdades repetidas até à exaustão» e torná-lo numa referência incontornável para quem se interessa por esta realidade?

Reprodução da capa de 'Kosovo, a Incoerência de Uma Independência Inédita' / fnac.pt Créditos

Este livro resultou da adaptação da minha tese de doutoramento sobre o mesmo tema e, quando por ele optei, foi porque entendi que poderia discorrer e discutir sobre algo de que possuía um conhecimento seguro e sobre o que tinha fundadas opiniões. A opção de publicar em livro resultou sobretudo por entender que aquele trabalho poderia contribuir para esclarecer o público em geral sobre esse conflito e as suas razões e contornos, através de factos que foram omitidos ou adulterados por muitos académicos e jornalistas, bem como alguns que eu próprio tive de reter por força das funções que então desempenhava. E também porque, dada a minha actual condição de «reformado», tenho o privilégio de estar totalmente imune a quaisquer pressões ou sugestões para escamotear aquilo que considero corresponder à realidade.

Conhecidas publicamente as suas opiniões sobre esta problemática, desde o tempo em que exerceu funções no Kosovo, e considerando que o questionamento de tais «verdades» se tornou intimidatório, essas posições influenciaram a sua carreira militar, nomeadamente penalizando-o na sua promoção a tenente-general?

Ao contrário do que possa parecer, penso que as minhas posições sobre esta problemática até me granjearam algum prestígio no seio da Instituição Militar, incluindo nos meus chefes e comandantes e, portanto, não prejudicaram a minha carreira. Na realidade, a minha não promoção a tenente-general deveu-se somente ao facto de, no último ano em que seria possível (2011), ter ocorrido a crise financeira do País e a tutela não ter permitido promoções durante um largo período, apesar de haver vagas para tal e, entretanto, eu ter atingido o limite de idade para o meu posto, tendo de passar obrigatoriamente à reserva.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/no-kosovo-so-se-enganou-quem-quis-ser-enganado

A NATO e a dignidade nacional perdida

por José Goulão [*]

Cimeira da NATO, 2019. Os exemplos sucedem-se, soltam-se do discurso oficial, passam pela comunicação social sem o menor sobressalto crítico e entranham-se na opinião pública como a mais inócua banalidade. Portugal já não governa os portugueses, o governo português delegou as decisões fulcrais sobre o destino dos portugueses em entidades, interesses e pessoas que não querem saber dos portugueses para nada a não ser como mão-de-obra barata ou membros de destacamentos armados envolvidos em policiamento colonial e guerras imperiais. A dignidade nacional esvaiu-se e chega perversamente a ser confundida com nacionalismo e populismo quando alguém ousa criticar o federalismo e a subserviência aos mecanismos imperiais.

O governo da República Portuguesa teve uma ideia sobre uma coisa tão simples como os critérios para definir as cobranças de energia eléctrica, mas tem de pedir autorização aos organismos não eleitos em Bruxelas para poder passá-la à prática… Ou não. Correm-se os olhos sobre a comunicação social e o que está em causa não é a humilhação de ter de pedir permissão para um acto elementar de gestão governativa, mas sim a dúvida sobre o lado para o qual irão cair os humores das cúpulas do federalismo europeu – não assumido, mas em actividade clandestina.

Os últimos dias têm sido animados, e prometem continuar a sê-lo depois do interregno comercial das festas, pela elaboração e aprovação do Orçamento do Estado. Uma coisa levada tão a sério, motivadora de sábios e académicos pareceres de analistas bastante monolíticos no seu pluralismo formal, que quase convence os portugueses de que a palavra final é dada aqui. Nada disso: o verdadeiro Orçamento do Estado Português para 2020 ou qualquer outro ano será aquele que tiver a chancela final dos eurocratas de Bruxelas.

Sendo o Orçamento o instrumento fundamental das decisões políticas e económicas a aplicar nos próximos meses, o seu conteúdo depende de alguém que os portugueses não foram chamados a escolher, que nem sequer conhecem e para quem não passam de números, metas, percentagens, inimigos de gestões correctas e lucrativas até prova em contrário.

A bússola aponta para Washington

Portugal, sempre acomodado, resguardando-se de tempestades assumindo com boa índole o lado de onde sopra o vento, cumpriu com a conveniente discrição o papel de um vinte e nove avos da recente Cimeira da NATO em Londres.

Uma reunião que trouxe polémica, algumas declarações fora da formatura, como as do presidente francês, algumas contradições nos campos de batalha, como as da Turquia na Síria, algumas expressões de rebelião já não apenas desabafadas entre dentes contra as contribuições financeiras impostas pelo quartel-general de Washington.

Portugal, uma velha entre as mais velhas nações aliadas, com uma independência – agora nominal – que caminha para os 900 anos de idade – passou de largo e de fininho pela tormenta, como se não existisse. Porém, através das declarações de circunstância, meias palavras e tweets dos representantes presentes em Londres percebeu-se que Portugal alinhou comodamente ao lado de quem manda, o que significa identificar-se com uma figura chamada Donald Trump.

Tão europeísta, tão federalista – sem que esteja mandatado para tal pelos portugueses – o governo de Portugal abriga-se em Washington quando a polémica interna da NATO passa pelo meio da União Europeia. Sejamos justos: o tique já vem de trás, recorde-se o caso do golpe de Guaidó na Venezuela, em que o governo de Lisboa se colocou expressamente ao lado dos Estados Unidos e das manobras fascistas e sem que a União Europeia, enquanto tal, tenha tomado uma posição favorável à usurpação.

Todos sabemos que o federalismo europeu é uma manifestação política do controlo político-militar dos Estados Unidos sobre a Europa. A fórmula governamental portuguesa formatada pelo bloco central acrescido do apêndice de extrema-direita, no entanto, excede-se como exemplo. Entre Bruxelas e Washington, as bússolas de Lisboa apontam sempre para a capital federal norte-americana independentemente de quem passa pela Casa Branca.

Com os canhões, marchar, marchar

Há poucos dias foram tornados públicos, em Washington, os chamados “Afghanistan Papers”, as conclusões de um inquérito interno conduzido pelo governo dos Estados Unidos e segundo as quais os responsáveis norte-americanos mentiram e mentem sobre a guerra do Afeganistão iniciada em 2001, sabendo que “nunca a poderão ganhar”.

De facto, além da destruição do país, da liquidação de milhares e milhares de civis num conflito sem fim, as tropas norte-americanas contribuíram também para transformar o Afeganistão num paraíso para o tráfico de drogas derivadas do ópio, com a heroína à cabeça.

Tropas norte-americanas e não só. A invasão e ocupação são obra da NATO, aliança da qual Portugal é membro, com tropas envolvidas no conflito.

Isto é, Portugal é parte de uma guerra imperial, criminosa e de agressão, envolvimento que acontece à revelia dos portugueses, que nunca foram tidos e achados para o caso.

Tal como em relação à guerra criminosa e colonial da NATO nos Balcãs que desmembrou a Jugoslávia e inventou situações que são ninho do terrorismo islâmico e de outras actividades delituosas, como a Bósnia e o Kosovo.

Tropas portuguesas integram igualmente as operações coloniais europeias e norte-americanas em regiões africanas, por exemplo na República Centro-Africana. A pretexto do combate ao terrorismo, que continua intocado, trata-se de defender o comércio e o tráfico de matérias-primas valiosas em benefício de interesses que são completamente alheios aos dos portugueses, com cobertura da televisão pública reciclada em modo colonial – com algum esforço ainda vai a tempo de recuperar as tradicionais “mensagens de Natal”.

Portugal é uma das nações aliadas que não cumpre a exigência de Trump de contribuir com dois por cento do PIB para a guerra imperial. Mas vai a caminho de o fazer: como se viu, posiciona-se do lado de Washington nesta questão; e projecta para 2024 atingir essa meta, isto é, reservar mais de quatro mil milhões de euros (4 000 000 000 euros, 360 euros por cada português) dos contribuintes nacionais para alimentar as guerras movidas pelo complexo militar e industrial que prospera nas duas margens do Atlântico independentemente de o capitalismo estar ou não mergulhado em crise.

A guerra é uma actividade sempre lucrativa: Portugal contribui para isso, mas limitado ao papel de ter de pagar. Resta dizer que, segundo as normas da NATO que são dogmas para Trump, 20% das participações dos Estados membros da NATO para a organização têm de ser destinadas à compra de material de guerra norte-americano. Portugal deverá, por isso, passar a dedicar 800 milhões de euros para alimentar os lucros gigantescos dos fornecedores do Pentágono, verdadeiro lixo tecnológico para um país que não tem inimigos no mundo a não ser as ficções que a NATO inventou para justificar a existência e o seu negócio da morte.

Foi um governo fascista que introduziu Portugal na NATO – coisa que em nada incomodou esta aliança dedicada a levar a “democracia” na boca dos canhões. Qualquer governo português pretensamente antifascista deveria, no mínimo, colocar esta participação absurda no aparelho de guerra imperial à discussão pelos portugueses, os quais, obviamente, não foram consultados na altura da adesão.

Como o governo actual e os seus semelhantes têm, no fundo, medo da democracia e nunca se dispuseram a conhecer a verdadeira opinião dos portugueses em aspectos decisivos da sua vida como a presença na União Europeia, no euro e na NATO, cabe aos cidadãos mobilizarem-se para que isso aconteça. Não há “valores civilizacionais” ou “democráticos” ou “ocidentais” que impliquem a presença de Portugal numa aliança militar que tem como objectivo montar mecanismos policiais repressivos, envenenar as relações internacionais e fazer guerras em defesa dos interesses mundiais dominantes, espalhando a morte e destruindo nações, agravando as desigualdades sociais e regionais, além de aprofundar os desequilíbrios ambientais do planeta.

Portugal não tem de ser membro da NATO. Cabe aos portugueses, inimigos jurados da guerra como ficou demonstrado em 25 de Abril de 1974, corrigir a enorme trapaça histórica que foi a integração na aliança, a gigantesca fraude política que é a insistência dos governos actuais num status quo que resultou de uma manobra através da qual o salazarismo ganhou alento e protecção aliada para sobreviver durante mais 25 anos.

Questionar a presença na NATO é uma questão de democracia e dignidade nacional. É uma tarefa dos cidadãos, porque já percebemos que este princípio é letra morta para o governo em funções, que aceita entregar a estrangeiros sem rosto – mas com interesses alheios aos de Portugal – as decisões que são fundamentais para a vida dos portugueses.

15/Dezembro/2019
[*] Jornalista.

O original encontra-se em https://www.oladooculto.com/noticias.php?id=591

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/portugal/goulao_15dez19.html

A OTAN deseja tornar-se a Aliança atlântico-pacífico

 
 
Thierry Meyssan*
 
Nada trava o Pentágono. Quando o projecto de colocação militar em torno da China, evocado por Hillary Clinton em 2011, havia sido oficialmente abandonado, a OTAN acaba de o oficializar pela Cimeira de Londres. O processo foi lançado e deverá começar pela adesão da Austrália em 2026.
 
A imprensa internacional apenas reteve da Cimeira (Cúpula-br) do 70º aniversário da OTAN, em Londres, a vozearia que a precedeu e os sarcasmos que a ritmaram. O que era importante estava, é claro, noutro lado [1].
 
Aquando da sua criação, a função da Aliança Atlântica foi resumida pelo seu Secretário-geral, Lord Hastings Lionel Ismay como a de «Manter a União Soviética no exterior, os Americanos no interior e os Alemães fora de jogo» (keep the Soviet Union out, the Americans in, and the Germans down) [2]. Tendo este objectivo desaparecido com a queda da «pátria do comunismo», houve um esforço para apresentar a Federação da Rússia como a sua continuação. Depois aceitou-se a ideia de autorizar a Alemanha a dispor da sua própria política. Por fim, encarou-se estender a Aliança para o Pacífico a fim de «barrar» a China; o que acaba de ser confirmado.
 
Os insultos actuais dão uma má imagem da Aliança, mas eles correspondem ao retorno da secular rivalidade franco-alemã. A França entende tornar-se uma enorme potência, ao mesmo tempo graças à sua bomba atómica como graças ao Estado supranacional europeu, enquanto a Alemanha não pode pensar voltar a ser uma potência militar sem a proteção nuclear da OTAN [3].
 
 
Este quadro afirma-se a propósito da Síria e do Sahel. Na Síria, a França pragueja a propósito do ataque turco contra os mercenários curdos do PKK/YPG, enquanto a Alemanha se propõe enviar as suas tropas sob controle da OTAN. Nenhum dos dois decide avançar, já que os Estados Unidos continuam a ser os únicos mestres do jogo. No Sahel, a França começa a achar muito duro o peso da manutenção do status quo, enquanto a Alemanha estaria pronta a aumentar a sua parte, mas exclusivamente sob o comando dos EUA. Ainda aqui, nenhum dos dois Estado decide avançar. Todos entenderam o que se joga por detrás da retórica anti-terrorista: a manutenção dos governos actuais que permitem a exploração dos recursos da região. Lá ainda, os Estados Unidos são os mestres exclusivos do jogo e tencionam ser os primeiros a sacar proveito dessa exploração.
 
A novidade, é a possível abertura da frente chinesa. Isso suporia transformar a Aliança Atlântica em «Aliança atlântico-pacífico». Segundo os estudos do Pentágono, conviria, desde logo, fazer aderir a Austrália, a Índia e o Japão de maneira a cercar a China tal como fizeram com a Rússia. Este processo, que deverá levar uma década, acaba de começar com a Cimeira de Londres.
 
Desde já, o US PaCom, quer dizer, o Comando dos Estados Unidos para o Pacífico, foi renomeado pelo Secretário de Defesa, Jim Mattis, como US IndoPaCom [4].
 
Depois o novo Secretário de Defesa, Mark Esper, o Secretário de Estado, Mike Pompeo, e o Secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, foram discretamente a Sidney, no início de Agosto passado, para sondar os dirigentes australianos, os quais se sentiram muito lisonjeados embora também assustados com a perspectiva de ter que abrigar mísseis nucleares [5]. Contactos foram identicamente feitos com a Índia e o Japão, mas foram muito menos frutuosos. Além disso, os Estados Unidos reviram a sua política em relação à Coreia do Sul, à Indonésia, ao Mianmar, às Filipinas, à Tailândia e ao Vietname (Vietnã-br) para aproximar seus respectivos exércitos. Estes Estados estão acostumados a trabalhar com o pessoal do Pentágono, mas nem por isso uns com os outros.
 
Pequim tinha percebido desde 2014 que a vontade dos EUA em deixar o Tratado sobre as Forças Nucleares de Alcance Intermédio traduzia menos uma perspectiva anti-russa e mais uma ameaça para si. É agora claro que haverá uma colocação de mísseis nucleares dos EUA a toda a volta da China e que a OTAN se seguirá.
 
Para os Chineses, é um regresso ao passado, quando no fim do século XIX os Estados Unidos elaboraram a sua «doutrina da Porta aberta». Tratava-se de instaurar um pacto entre os impérios coloniais a fim de que estabelecessem uma forma de livre concorrência comercial entre si, e explorassem regiões subdesenvolvidas, em vez de se guerrearem para se apropriarem de um território. Dada a sua superioridade industrial, Washington estava segura em prevalecer. Para prosseguir esta agressão, desenvolveu um discurso calmante. Apoiou a «integridade territorial e a soberania» de países onde desejava fazer negócios. Favoreceu o fortalecimento de governos locais na medida em que só esses podiam garantir a aplicação de tratados desiguais. Desta maneira, controlavam-se os povos a si próprios em seu benefício. O carácter mentiroso das declarações de princípio dos EUA foi verificada durante as agressões japonesas contra a China: Washington apoiou todas as demandas japonesas e deixou despedaçar a China Oriental.
 
Foi precisamente esta experiência de se ter batido contra todos os Impérios coloniais coligados contra si — e incluída a Rússia czarista — que levou o Presidente Xi Jinping a aproximar-se do seu homólogo russo, Vladimir Putin, já que o seu país sofreu de seguida o mesmo tipo de agressão : no seu íntimo os dois Estados sabem que terão que os enfrentar mais dia menos dia. No entanto, o Pentágono apostou que quando a ameaça chegar Moscovo não apoiará Pequim; uma avaliação de risco anterior aos mísseis hipersónicos russos.
 
A China não prevê esta guerra nos mesmos termos que a OTAN: ela pensa deslocar o campo de batalha para a esfera informática e destruir as armas da Aliança do Atlântico Norte Ampliada com ciberataques antes que esta as utilize.
 
Em Outubro de 2011, a Secretária de Estado Hillary Clinton lançava, na Foreign Policy, o seu apelo à «viragem para a Ásia» (pivot to Asia) : os Estados Unidos deviam deixar a Europa e o Médio-Oriente Alargado para se deslocar para o Extremo-Oriente [6]. O Conselheiro de Segurança Nacional, Tom Donilon, explicitava este plano, em Março de 2013, perante a Asia Society [7]. Ele envolvia, nomeadamente, um dispositivo diplomático e financeiro, o projecto de Acordo de Parceria do Transpacífico. No entanto, muito rapidamente o Pentágono rectificou o tiro: não se trataria de abandonar uma parte do mundo por outra, mas de se estender de uma para a outra. Era a noção de «reequilíbrio» (rebalance), única compatível com a continuação da «guerra sem fim» (war without end) no Médio-Oriente Alargado. Não conseguindo convencer, o Pentágono colocou abruptamente fim ao debate sublinhando que era impossível, de um ponto de vista orçamental, manter três frentes ao mesmo tempo [8]. Em seguida, o Pentágono adquiriu uma grande quantidade de armas que tem vindo a armazenar no Pacífico.
 
Desde a sua chegada à Casa Branca, o Presidente Donald Trump tentou parar esta miragem retirando os Estados Unidos do Acordo de Parceria do Transpacífico. Mas nada conseguiu. O Pentágono prosseguiu inexoravelmente o seu rumo e acaba de impor a sua visão após nove anos de inútil palavreado.
 
Enquanto que do ponto de vista francês, a OTAN está em estado de «morte cerebral», o Pentágono começou a sua mutação para uma organização global. Todos os Países-Membros assinaram, sem reflectir, a Declaração de Londres que estipula:
«Estamos conscientes que a influência crescente e as políticas internacionais da China significam, simultaneamente, oportunidades e desafios, aos quais devemos responder conjuntamente, como Aliança» [9].
 
O processo está lançado.
 
Thierry Meyssan* | Voltaire.net.org | Tradução Alva
 
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).
 
Imagem: O Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, pronunciou-se, a 7 de Agosto de 2019, perante o Lowy Institute de Sydney. Lá ele afirmou que a OTAN não que quer instalar-se no Pacífico... mas que a China aí ameaça os Aliados.
 
Notas:
[1] “Cimeira NATO, reforça-se o partido da guerra”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 8 de Dezembro de 2019.
[2] Whitehall, Peter Hennessy, The Free Press, 1989.
[3] “Seis projectos contraditórios de ordem mundial”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 19 de Novembro de 2019.
[4] “O US PaCom torna-se US IndoPaCom”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 5 de Junho de 2018.
[5] “Australia-US Ministerial Consultations (AUSMIN) 2019”, Voltaire Network, 4 August 2019.
[6] “America’s Pacific Century”, Hillary Clinton, Foreign Policy, October 11, 2011.
[7] “The United States and the Asia-Pacific in 2013”, by Tom Donilon, Voltaire Network, 11 March 2013.
[9] « Déclaration de Londres », Réseau Voltaire, 4 décembre 2019.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/a-otan-deseja-tornar-se-alianca.html

OTAN existe para vender armas e empregar burocratas em Bruxelas, declara senador dos EUA

Sessão plenária da cúpula da OTAN no Reino Unido
© AFP 2019 / Murat Cetinmuhurdar/Turkish Presidental Press Service

A OTAN hoje em dia existe apenas para vender armas e contratar burocratas para Bruxelas, disse um senador norte-americano, que também diz que a Rússia não é um inimigo.

"Hoje, a OTAN existe estritamente para vender armas e empregar burocratas abastados em Bruxelas. E, infelizmente, não pode existir sem um inimigo. E essa é a única razão da nossa hostilidade para com a Rússia", afirmou Richard Black, senador do estado da Virgínia dos EUA e antigo oficial da OTAN.

Na recente cúpula da OTAN, acrescentou Black em suas declarações na segunda-feira (9), o presidente francês Emmanuel Macron perguntou ao presidente norte-americano, Donald Trump: "Quem é o nosso inimigo agora?"

"E essa era a pergunta chave. Nós não temos um inimigo. A Rússia não é um inimigo. A França reconhece que a Rússia não é um inimigo", respondeu Black.

Macron disse em dezembro que nem todos os membros da OTAN veem a Rússia como um inimigo, já que a situação mudou nos últimos 30 anos.

"O presidente Trump vê a OTAN principalmente como um mercado lucrativo para os negociantes de armas", afirmou Black. "Ele deixou claro durante sua campanha que achava que a OTAN era uma perda de tempo. Mas o presidente Trump gosta de vender armas, não há dúvida sobre isso."

"É por isso que ele está tentando fazer com que a Europa aumente seus gastos em defesa para que eles comprem armas dos EUA. Mas, como disse Macron, a OTAN está em morte cerebral, não tem nenhum propósito. É interessante que Macron também tenha dito sentir que a Rússia iria avançar para um projeto de parceria com a Europa", comenta o antigo militar.

Rússia como parceira

Em junho, Macron disse que queria virar uma nova página sobre a relação da Europa com a Rússia.

"Concordo com isso", opina o senador da Virgínia. "A Rússia é um país europeu, e é um país que tem muito a oferecer e não representa nenhuma ameaça, a menos que, é a única ressalva, nós os continuarmos empurrando e algo correr terrivelmente mal em uma dessas provocações, e nós desencadearmos sem querer uma guerra nuclear. Por que a Rússia é muito forte em poder nuclear."

"Infelizmente, temos pessoas que estão realizando atos muito imprudentes em relação à Rússia para provocá-los, para que eles possam continuar com este mito de que a OTAN tem um propósito. Mas não tem", avalia Richard Black.

Black também disse que a França não é a única que não vê a Rússia como uma ameaça.

Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante o encontro dos líderes dos países da OTAN na cidade de Watford, Reino Unido
© AP Photo / Francisco Seco
Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante o encontro dos líderes dos países da OTAN na cidade de Watford, Reino Unido

"Se você olhar para ela, em toda a Europa, a Alemanha é a joia da coroa industrial da Europa. Este é o motor industrial de todo o continente... Nenhum país tem maior interesse em saber sobre ameaças militares da Rússia do que a Alemanha. No entanto, a Alemanha tem apenas 200 tanques para defender toda a sua fronteira. Por isso, é claro que a Alemanha vê que a Rússia não a está ameaçando de jeito nenhum, e nem sequer está disposta a financiar mais de duzentos tanques para toda a sua fronteira", diz.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou em novembro que o aumento das despesas militares para 2% da produção industrial até 2031 era ambicioso, mas realista. A Alemanha planeja atingir a meta de 1,5% até 2024.

Gastos da OTAN

"Por amor de Deus, na batalha síria por Aleppo os terroristas usaram mais de duzentos tanques. No entanto, isso é o que a Alemanha tem para toda a defesa contra a Rússia e qualquer outro que possa ser uma ameaça. Por isso, o fato é que a Rússia não é uma ameaça. A Rússia está mesmo trabalhando em estreita colaboração com a Alemanha para construir o gasoduto Nord Stream 2. São muito interdependentes. A razão pela qual os alemães não estão gastando tanto dinheiro quanto o presidente Trump gostaria em defesa, é porque não veem uma ameaça, e eles não vão desperdiçar dinheiro."

Em uma série de reuniões bilaterais durante a cúpula da OTAN em Londres, Trump continuou pressionando seus homólogos sobre a necessidade de aumentar os gastos militares de seus países até 2% do PIB.

"Não creio que devam ser reforçados. Servi como oficial na OTAN. Fui tenente-coronel na Europa de 1981 a 1984. A aliança da OTAN nessa altura era necessária e eficaz. Nessa altura acreditávamos que o Pacto de Varsóvia era uma ameaça para a Europa Ocidental. Contudo, se passarmos desse ponto nos anos 80 até 1991, no final da Guerra Fria, quando o Pacto de Varsóvia se dissolveu, a NATO deveria ter sido dissolvida. Não tinha qualquer propósito."

Expansão da OTAN

Black também lembrou que, no final da Guerra Fria, os Estados Unidos prometeram à União Soviética que não fariam avançar a OTAN um centímetro para leste, desde que eles aceitassem a reunificação alemã.

"A União Soviética disse: muito bem, não vamos bloquear a reunificação da Alemanha, por isso eles cumpriram sua parte do acordo, mas nós não", disse ele. "E não passou muito tempo até violarmos o acordo e avançarmos constantemente até estarmos literalmente à porta da Rússia. Isto é muito perigoso, porque no final da Guerra Fria tínhamos uma grande distância entre a OTAN e a Rússia, e isso era muito positivo porque lhes dava mais tempo para resolver mal-entendidos, etc."

Soldados da OTAN no tanque alemão Leopard 2 durante exercício da aliança na Lituânia
© AP Photo / Mindaugas Kulbis
Soldados da OTAN no tanque alemão Leopard 2 durante exercício da aliança na Lituânia

Nos últimos anos, a Aliança triplicou a dimensão da Força de Reação da OTAN para cerca de 40.000 militares, com uma nova Força de Vanguarda de 5.000 homens no seu núcleo.

A OTAN também destacou quatro agrupamentos tácticos multinacionais para os Estados Bálticos e para a Polônia, aumentou sua presença na região do mar Negro e estabeleceu uma série de pequenos quartéis-generais para ligar as forças nacionais e as da OTAN, diz a declaração da organização.

Moscou tem advertido repetidamente que o reforço militar da OTAN perto das fronteiras da Rússia pode desencadear um conflito, desestabilizar a região e conduzir a uma corrida global aos armamentos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019121014875973-otan-existe-para-vender-armas-e-empregar-burocratas-em-bruxelas-declara-senador-dos-eua/

Não convém falar claro

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 07/12/2019)

Miguel Sousa Tavares

 

1 A ideia de que criar regiões administrativas dotadas de legitimidade política própria contribuiria para que, num golpe de pura magia, se resolvessem os problemas de desertificação e atraso do interior ou de injusta distribuição dos escassos recursos do país é das mais continuadas mistificações em cena na política portuguesa. Porventura décadas atrás ou num país grande e dividido, uniformemente povoado e com comunicações difíceis, tal fizesse sentido; hoje, num país com uma só etnia, uma só língua e uma só religião, que se atravessa em seis horas graças às auto-estradas que serviram para o tornar ainda mais pequeno mas também para despovoar o seu interior, a regionalização não é mais do que uma aspiração da classe política partidária, sem correspondência a nível popular — como se viu no referendo de 1998. Quando olhamos à nossa volta e vemos, logo ali na Catalunha, as ameaças à desintegração dos Estados e aos próprios regimes democráticos em resultado do separatismo regionalista, poderíamos ter a certeza de vir a ser o primeiro Estado que decidia fragmentar-se voluntariamente, de cima para baixo e sem ser por imposição popular.

Depois… depois, bem podiam esperar sentados, porque, se as regiões se podem criar por decreto, a riqueza das regiões não. A propósito do Plano Nacional de Habitação Acessível, dizia há dias o vereador da Habitação da Câmara de Évora que “não vale a pena criar instrumentos e políticas conceptualmente intocáveis mas que depois não casam com o território. Só se tirarmos o território do território e o colocarmos num laboratório”. Extrapolando, é exactamente o que se passa com os propagandistas da regionalização, como a chamada Comissão Independente para a Descentralização, que de independente nada teve e de descentralização nada se ocupou, pois nasceu e feneceu com o objectivo único e não disfarçado de recomendar ao Governo a urgente regionalização. Eles, certamente, conhecem mal o território chamado Portugal. Esse território está cheio de parques industriais sem empresas, apesar de o terreno e as infra-estruturas serem gratuitos, de piscinas municipais sem utentes, de centros de congressos sem conferencistas, de cineteatros sem músicos, nem actores, nem público. Tem escolas sem alunos, centros de saúde ou hospitais sem médicos, mesmo com habitação e melhores ordenados oferecidos, campos sem agricultores, casas sem habitantes. Nas aldeias e povoados, restam os centros de dia para os velhotes quando há auxiliares e os turismos rurais e restaurantes quando há mão-de-obra local (uma raridade), além do inevitável café, que já nem jornais vende. Quanto às cidades, salvam-se aquelas que felizmente apostaram em sediar universidades ou pólos universitários: Braga, Guimarães, Aveiro, Coimbra, Castelo Branco, Faro, Elvas ou Évora (em rápida descaracterização).

Tudo isto não aconteceu por acaso ou fatalidade, mas em resultado de décadas de políticas irresponsáveis de abandono, primeiro da agricultura e depois, por arrasto, do mundo rural e do interior. Como sempre, houve quem avisasse para as consequências, mas, como sempre também, a voragem de arrecadar primeiro e pensar depois, a vertigem dos dinheiros europeus foi mais forte do que tudo. É a nossa fatalidade: nunca pensar o país para lá do próximo ciclo eleitoral e das reivindicações que estão na ordem do dia. E porque dá trabalho ter ideias novas e elas só são mobilizadoras se forem a curto prazo, regressa ciclicamente a ideia supostamente salvadora da regionalização. Muito embora já tenha sido amplamente discutida e chumbada uma vez — e uma vez deveria ser suficiente para quem anda sempre a dizer que temos um problema de afastamento entre a classe política e os eleitores.

A regionalização nunca criará riqueza em zonas despovoadas pela simples razão de que quem cria riqueza são as pessoas — o seu trabalho, o seu investimento, a sua criatividade. Na melhor das hipóteses, o Governo central irá gastar parte dos preciosos recursos recolhidos aos contribuintes para distribuir um, dois, três envelopes de dinheiro pelas várias regiões. E os políticos regionais gastarão parte consigo mesmos e outra parte a fazer mais centros de saúde, mais piscinas, mais rotundas, mais estradas — onde, para seu grande espanto, nada acontecerá.

Pode ainda dizer-se, todavia, que, mesmo que não sirva para criar riqueza por si mesma, a regionalização pode ao menos servir para a distribuir melhor pelo país. Pois, justamente, essa é a maior e mais perigosa das mentiras. As estatísticas mostram que a distribuição de dinheiros públicos per capita é feita de forma crescente das regiões mais pobres para as mais ricas e inversamente à cobrança fiscal: Trás-os-Montes, Açores, Alentejo, Beiras, etc. Ou seja, o Estado central cumpre o seu dever de justiça social, como lhe compete. Mas uma vez dividido em regiões, e com cada governo regional a ter de se bater pelos votos do seu eleitorado, as regiões mais ricas não vão querer saber da solidariedade para com as mais pobres: aí temos os exemplos da Catalunha, do País Basco, do Piemonte, da Flandres e de vários outros que o demonstram.


2 Há um ano, Donald Trump declarava a NATO “obsoleta” e ameaçava mesmo retirar-se da organização. Mas um ano depois apareceu na Cimeira de Londres travestido de grande defensor da NATO contra o seu destruidor, o francês Emmanuel Macron. Com o Presidente francês sentado ao seu lado, Trump classificou como “insultuosas” a afirmação de que a NATO estava em morte cerebral e de que a Europa precisava de encontrar a sua própria estratégia e meios de defesa, não podendo confiar já nos Estados Unidos. “Sejamos sérios”, respondeu-lhe Macron, avançando com o exemplo da Turquia, o novo parceiro estratégico de Trump, que, com o seu beneplácito, invadiu a Síria para perseguir os guerrilheiros curdos que ajudaram a NATO e os americanos a derrotar o Daesh e que nos corredores da cimeira andou a chantagear outros membros da Aliança para que declarassem as milícias curdas como “terroristas”. A Turquia, um membro da NATO que foi comprar mísseis à Rússia. “Isso foi porque Obama não quis vender mísseis americanos” ripostou Trump, que não consegue digerir a popularidade que o seu antecessor tem na Europa, em contraste com o desprezo de que ele goza (ao ponto de Boris Johnson lhe ter suplicado que, por favor, não abrisse a boca para o apoiar nas eleições inglesas, porque só o iria prejudicar). O que Trump se “esqueceu”, porém, de dizer é que Obama não vendeu os mísseis porque Israel, o grande protegido dos Estados Unidos, e particularmente de Trump, se opôs.

No final, ganhou a Turquia, que não conseguindo ver os curdos classificados como “terroristas” e o seu massacre como “uma operação de contraterrorismo”, também não viu essa infâmia condenada — ou, nas palavras de António Costa, “registou-se uma diferença de pontos de vista”. Ganhou Trump, que conseguiu que a Aliança, no resumo do secretário-geral, “passe a acompanhar o desenvolvimento militar e tecnológico da China e a responder às políticas internacionais de Pequim”. A NATO prepara-se, pois, para se estender para os mares do sul da China, em apoio da posição estratégica dos Estados Unidos: era isto que Trump queria e é por isso que agora defende a NATO. E ele, que defende a desintegração da União Europeia, que denunciou o Acordo de Paris e se recusa a fazer parte do combate às alterações climáticas (para as quais os Estados Unidos são o maior contribuinte), exige, porém, que todos os membros europeus da NATO gastem 2% do PIB com as suas Forças Armadas.

E, Portugal, como se situa no meio disto tudo? Ah, Portugal está de bem com tudo e com todos. Se nem a Inglaterra nem a Espanha querem receber o encontro Netanyahu/Mike Pompeo, recebemos nós; sobre os curdos (disse-o António Costa) professamos os “valores da NATO” (!) mas também percebemos a “dimensão interna” da questão para os turcos; queremos ajudar a salvar o planeta mas lá arranjaremos 2% para gastar em armamento para ajudar a NATO nas suas novas missões; fomos os primeiros a abrir-nos, de par em par, aos interesses estratégicos chineses e assim continuaremos, mas claro que iremos para os mares do sul da China ao toque de chamada dos nossos “aliados”. É a política externa da Maria-vai-com-todos.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A Cimeira da Nato

 

Esta cimeira parece não preocupar os que querem salvar o planeta em Madrid

A NATO no Espaço, custos até às estrelas

 
Realizou se em Londres, em 4 de Dezembro, o Conselho Atlântico Norte dos Chefes de Estado e de Governo, que celebra o 70º aniversário da NATO, definida pelo Secretário Geral, Jens Stoltenberg, como “a aliança mais bem sucedida da História”.
Um “sucesso” inegável. Desde a demolição através da guerra, da Federação Jugoslava, em 1999, a NATO alargou de 16 para 29 países (30 se agora incluir a Macedónia do Norte), expandindo-se para Leste, muito próxima da Rússia. “Pela primeira vez na nossa História – sublinha Stoltenberg – temos tropas prontas para combate no Leste da nossa Aliança”. Mas a Organização do Tratado do Atlântico Norte foi além, estendendo as suas operações bélicas desde as montanhas afegãs e através dos desertos africanos e do Médio Oriente.
Agora a Grande Aliança ambiciona mais. Na Cimeira de Londres – anuncia, antecipadamente, Stoltenberg – os dirigentes dos 29 países membros “reconhecerão o Espaço como nosso quinto campo operativo”, que se junta ao terrestre, ao marítimo, ao aéreo e ao ciberespaço. “O Espaço é essencial para o sucesso das nossas operações”, sublinha o Secretário Geral, dixando perceber que a NATO desenvolverá um programa espacial militar. Obviamente, não fornece detalhes, mas informa que a NATO assinou um primeiro contrato de 1 bilião de dólares para modernizar os seus 14 aviões AWACS. Eles não são simples aviões radares, mas centros de comando voadores, produzidos pela Boeing americana, para a gestão da batalha através de sistemas espaciais.
Certamente quase nenhum dos líderes europeus (para a Itália, o Primeiro Ministro Conte) que, em 4 de Dezembro, “reconhecerão o Espaço como o nosso quinto campo de operativo”, conhece o programa espacial militar da NATO, preparado pelo Pentágono e pelos altos comandos militares europeus subordinados, juntamente com as principais indústrias aeroespaciais. Muito menos sabem os Parlamentos, como o italiano, que aceitam qualquer decisão da NATO, sob comando USA, sem se preocupar com suas implicações político-militares e económicas.
A NATO é lançada no Espaço no prosseguimento do novo Comando Espacial criado pelo Pentágono, em Agosto passado, com o objectivo, declarado pelo Presidente Trump, de “garantir que o domínio americano do Espaço nunca seja ameaçado”. Trump então anunciou o estabelecimento subsequente da Força Espacial dos Estados Unidos, com a tarefa de “defender os interesses vitais americanos no Espaço, o próximo campo de batalha da guerra”. A Rússia e a China acusam os EUA de abrir o caminho para a militarização do Espaço, alertando que têm capacidade para responder. Tudo isso aumenta o perigo de guerra nuclear.

 

Mesmo que o programa espacial militar da NATO ainda não seja conhecido, uma coisa é certa: será extremamente caro. Na Cimeira, Trump pressionará os aliados europeus para que aumentem as suas despesas militares para 2% ou mais, do PIB. Até agora, fizeram-no oito países: Bulgária (que elevou para 3,25%, um pouco abaixo de 3,42%, dos EUA), Grécia, Grã-Bretanha, Estónia, Roménia, Lituânia, Letónia e Polónia. Os outros, apesar de permanecerem abaixo de 2%, estão empenhados em aumentá-la. Impulsionada pela enorme despesa USA – 730 biliões de dólares em 2019, 10 vezes superior à da Rússia – a despesa militar anual da NATO, segundo dados oficiais, ultrapassa 1 trilião de dólares. Na realidade, é superior à indicado pela NATO, pois que não inclui vários elementos de natureza militar: por exemplo, o das armas nucleares dos EUA, inscrita no orçamento, não do Pentágono, mas do Departamento de Energia.
A despesa militar italiana, que subiu de 13º para 11º lugar no mundo, importa, em termos reais, em cerca de 25 biliões de euros por ano, sempre a aumentar. Em Junho passado, o Governo Conte I adicionou 7,2 biliões de euros, também fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Económico para a compra de sistemas de armas. Em Outubro, na reunião com o Secretário Geral da NATO, o governo do Conte II prometeu aumentá-la constantemente em cerca de 7 biliões de euros por ano a partir de 2020 (La Stampa, 11de Outubro de 2019).
Na Cimeira de Londres, serão pedidos à Itália mais biliões do dinheiro público, para financiar as operações militares da NATO no Espaço, enquanto não há dinheiro para manterem em segurança e reconstruir os viadutos que desabam.
 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/07/a-cimeira-da-nato/

Cimeira da NATO, o partido de guerra está ficando mais forte

 
 
Manlio Dinucci*
 
Macron falou da "morte encefálica" da NATO, outros a definem como "moribunda". Estamos, portanto, diante de uma Aliança que, sem mais cabeça pensante, se desintegra sob o efeito de fraturas internas? As disputas na Cúpula de Londres parecem confirmar esse cenário. Mas devemos examinar a substância, os interesses reais nos quais as relações entre os aliados se baseiam.
 
Enquanto em Londres Trump e Macron polemizam sob os olhos das câmeras, no Níger, sem muita publicidade, o Exército dos EUA na África transporta com seus aviões de carga milhares de soldados franceses e seus armamentos em vários na África Ocidental e Central, para a Operação Barkhane, na qual Paris envolve 4.500 soldados, especialmente forças especiais, com o apoio de forças especiais dos EUA em ações também. Simultaneamente, os drones armados Reaper, fornecidos pelos EUA à França, operam a partir da Base Aérea 101 em Niamey (Níger). A partir dessa mesma base, decole o Ceifador da Força Aérea dos EUA na África, que agora é reimplantado na nova base 201 de Agadez, no norte do país, continuando a operar com as forças francesas.
 
O caso é emblemático. Os Estados Unidos, a França e outras potências europeias, cujos grupos multinacionais competem para capturar mercados e mercadorias, são compactos quando seus interesses comuns estão em jogo. Por exemplo, eles têm no rico Sahel de matérias-primas: petróleo, ouro, coltan, diamantes, urânio. Mas agora seus interesses nessa região, onde os índices de pobreza estão entre os mais altos, estão ameaçados pelos levantes populares e pela presença económica chinesa. Daí a Operação Barkhane, que, apresentada como uma operação antiterrorista, envolve aliados em uma guerra de longo prazo com drones e forças especiais.
 
 
O cimento mais forte que mantém a NATO unida é o interesse comum do complexo militar industrial de ambos os lados do Atlântico. Sai reforçado da Cimeira de Londres. A Declaração Final fornece a principal motivação para um aumento adicional dos gastos militares: "As ações agressivas da Rússia representam uma ameaça à segurança euro-atlântica". os Aliados comprometem-se não apenas a gastar pelo menos 2% do PIB em gastos militares, mas a gastar pelo menos 20% do PIB em compras de armas. Meta já alcançada por 16 dos 29 países, incluindo a Itália. Os EUA estão investindo mais de US $ 200 biliões em 2019. Os resultados são visíveis. No mesmo dia em que a Cúpula da NATO foi aberta, a General Dynamics assinou um contrato de US $ 22,2 biliões com a Marinha dos EUA, expansível para 24,
 
Acusando a Rússia (sem evidências) de implantar mísseis nucleares de alcance intermediário e, assim, enterrar o Tratado INF, a Cúpula decide "o fortalecimento adicional de nossa capacidade de nos defender com uma combinação de armas nucleares, convencionais e anti-mísseis, que continuaremos a adaptar: enquanto houver armas nucleares, a NATO continuará sendo uma aliança nuclear". Neste cartão está inserido o reconhecimento do espaço como o quinto campo operacional, ou seja, é anunciado um programa espacial militar muito caro da Aliança. Este é um cheque em branco dado por unanimidade pelos Aliados ao complexo militar industrial.
 
Pela primeira vez, com a Declaração da Cúpula, a NATO está falando sobre o "desafio" advindo da crescente influência da China e da política internacional, enfatizando "a necessidade de confrontá-lo como uma Aliança". A mensagem é clara: a NATO é mais do que nunca necessária para um Ocidente cuja supremacia está agora sendo questionada pela China e pela Rússia. Resultado imediato: O governo japonês anunciou que havia comprado a ilha desabitada de Mageshima, a 30 km de sua costa, por US $ 146 milhões como campo de treinamento para bombardeiros americanos baseados na China.
 
*Edição de sexta-feira, 6 de dezembro de 2019 do Il Manifesto | Também publicado em No War No NATO
 
Traduzido do italiano por Marie-Ange Patrizio
 
*Manlio Dinucci - Geógrafo e geopolologista. Últimos trabalhos publicados:  Laboratorio di geografia , Zanichelli 2014; Diário de Viaggio, Zanichelli 2017; A arte da guerra / Annali da estratégia EUA / OTAN 1990-2016 , Zambon 2016,  Guerra Nucleare. He Giorno Prima  2017;  Diario di guerra  Asterios Editores  2018; Prêmio Internacional pela Análise  Geoestratégica Assegurada  em 7 de junho de 2019 no Clube dos Jornalistas do Messico, AC (Prêmio Internacional de Análise Geoestratégica concedido em 7 de junho de 2019 pelo Clube de Jornalistas do México, AC)

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/cimeira-da-nato-o-partido-de-guerra.html

EUA preparam a NATO para enfrentar a Rússia e a China

por M K Bhadrakumar [*]

A cimeira de 3-4 de Dezembro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), em Londres, assemelha-se a uma reunião de família após o ressentimento quanto à questão dos gastos militares dos aliados europeus dos EUA.

A tendência é aumentar os gastos com defesa dos aliados europeus e do Canadá. É expectável que mais de US$100 mil milhões sejam acrescentados aos orçamentos de defesa dos Estados membros até o final de 2020.

Mais importante ainda, a tendência na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, em Bruxelas nos dias 19 e 20 de Novembro, na véspera da cimeira de Londres, mostrou que apesar das crescentes diferenças dentro da aliança os Estados membros cerraram fileiras em torno de três itens prioritários da agenda global dos EUA – escalada da política agressiva em relação à Rússia, militarização do espaço e contenção da ascensão da China.

A NATO seguirá a liderança de Washington para estabelecer um comando espacial, considerando oficialmente o espaço como "um novo domínio operacional". Segundo o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, esta decisão "pode permitir aos planeadores da NATO solicitarem aos aliados que forneçam recursos e serviços, tais como comunicações por satélite e imagens de dados".

Stoltenberg disse : "O espaço também é essencial para a dissuasão e defesa da aliança, incluindo a capacidade de navegar, para reunir inteligência e detectar lançamentos de mísseis. Cerca de 2.000 satélites orbitam a Terra. E cerca de metade deles pertence a países da NATO".

Da mesma forma, Washington instou a NATO a identificar oficialmente a ascensão da China como um desafio a longo prazo. Segundo reportagens dos media, a reunião de Bruxelas atendeu à exigência dos EUA e decidiu oficialmente iniciar a vigilância militar da China.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, atacou a China após a reunião de Bruxelas: "Finalmente, nossa aliança deve tratar da ameaça actual e potencial a longo prazo representada pelo Partido Comunista Chinês. Setenta anos atrás, as nações fundadoras da NATO uniram-se pela causa da liberdade e da democracia. Não podemos ignorar as diferenças e crenças fundamentais entre os nossos países e aquelas do Partido Comunista Chinês".

Até aqui, tudo bem. Contudo, está para ser visto se o grande desígnio de Washington de arrastar a NATO para sua "estratégia indo-pacífica" (leia-se contenção da China) ganhará força. Claramente, os EUA pretendem ter uma palavra a dizer nas crescentes relações comerciais e económicas dos aliados europeus com a China a fim de delimitar a influência chinesa na Europa. A campanha dos EUA para bloquear a tecnologia 5G da China deparou-se com a rejeição de vários países europeus.

Por outro lado, o projecto europeu descarrilou e o eixo franco-alemão que era a sua âncora tornou-se instável. O fosso entre Paris e Berlim funciona em vantagem de Washington mas, paradoxalmente, também atrapalha o sistema de aliança ocidental.

O presidente francês Emmanuel Macron irritou a Alemanha com os seus recentes apelos a melhores relações com a Rússia "para impedir que o mundo entre numa conflagração"; com as suas observações brutalmente francas acerca da "morte cerebral" da NATO e de a política dos EUA sobre a Rússia ser "histeria governamental, política e histórica"; assim como sua ênfase repetida numa política militar europeia independente dos EUA.

A congruência de interesses entre Berlim e Washington em relação a Macron manifestou-se no endosso da NATO à escalada liderada pelos EUA contra a Rússia e a China, com a França bastante isolada. No entanto, esta congruência será posta à prova muito em breve na reunião da cimeira no formato Normandia sobre a Ucrânia, que a França sediará em 9 de Dezembro, após a cimeira da NATO em Londres. A França está a ajudar a Rússia a negociar um acordo com a Ucrânia.

Os recentes telefonemas entre o presidente russo Vladimir Putin e seu colega ucraniano Volodymyr Zelensky enfatizaram o crescente interesse em Moscovo e em Kiev ao nível da liderança de melhorar as relações entre os dois países.

Em última análise, as relações franco-alemãs são de importância crucial não apenas para o futuro estratégico da Europa, mas também para o sistema de aliança ocidental como tal. Se alguém estivesse em dúvida, o veto francês em Outubro significa morte súbita para a proposta de adesão à União Europeia do estado balcânico da Macedónia Norte, que a NATO está a promover como seu mais novo membro. Berlim e Washington estão lívidos, mas um veto é um veto.

Com a NATO a ser configurada por Washington para uma postura de confronto, Rússia e China não baixarão a sua guarda. Numa reunião do Conselho de Segurança da Federação Russa em 22 de Novembro, Putin disse : "Existem muitos factores de incerteza... a competição e a rivalidade estão a aumentar e a transmutar-se em novas formas... Os países principais desenvolvem activamente suas armas ofensivas... o chamado "clube nuclear" está a receber novos membros, como todos sabemos. Também estamos seriamente preocupados acerca da infraestrutura da NATO que se aproxima das nossas fronteiras, bem como com as tentativas de militarizar o espaço sideral".

Putin enfatizou: "Nestas condições, é importante fazer previsões adequadas e precisas, analisar as possíveis mudanças na situação global e utilizar as previsões e conclusões para desenvolver nosso potencial militar".

A acumulação militar liderada pelos EUA contra a Rússia e a China estará em exibição em dois grandes exercícios no próximo ano, com os nomes de código " Defender 2020 in Europe " e " Defender 2020 in the Pacific ".

Significativamente, apenas quatro dias antes de Putin fazer as observações acima, o presidente chinês Xi Jinping disse-lhe numa reunião em Brasília à margem da cimeira do BRICS que "as mudanças complexas e profundas em curso na actual situação internacional com crescente instabilidade e incerteza instam a China. e a Rússia a estabelecerem uma coordenação estratégica mais estreita para defender conjuntamente as normas básicas que governam as relações internacionais, oporem-se ao unilateralismo, ao bullying e à interferência nos assuntos de outros países, salvaguardar as respectivas soberania e segurança e criar um ambiente internacional razoável e justo".

Putin respondeu dizendo que "a Rússia e a China têm um importante consenso e interesses comuns em manter a segurança e estabilidade estratégicas globais. Sob a actual situação, os dois lados devem continuar a manter uma estreita comunicação estratégica e apoiar-se firmemente na salvaguarda da soberania, segurança e direitos de desenvolvimento". ( MFA chinesa )

 A resposta russa também é visível no terreno. A parcela de armas e equipamentos modernos na Marinha e no Exército russos atingiu um nível impressionante de 70%. O primeiro lote piloto de tanques T-14 Armata da próxima geração chegará às tropas russas no final de 2019 – princípio de 2020.

Em 26 de Novembro, o Ministério da Defesa da Rússia declarou que o inovador sistema de mísseis Avangard de Moscovo com o veículo hipersónico de impulso deslizante em Dezembro será instalado em prontidão de combate na Força Estratégica de Mísseis.

Pela primeira vez, os sistemas de guerra electrónica na base militar da Rússia no Tajiquistão serão reforçados com a mais recente estação de interferência Pole-21 que pode conter mísseis de cruzeiro, drones e bombas aéreas guiadas e sistemas de orientação de armas de precisão. Moscovo está a proteger-se contra a presença dos EUA e da NATO no Afeganistão.

27/Novembro/2019
[*] Analista poltico, indiano.

O original encontra-se em https://indianpunchline.com/us-primes-nato-to-confront-russia-china/

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/crise/bhadrakumar_27nov19.html

Às vezes não é fácil encarar com o indefensável!

Às vezes não é fácil ser militante socialista! É que havendo tantas tendências no seu seio, e só me reconhecendo nas que mais à esquerda se situam, me incomodam as posições políticas a ela contrárias. Por exemplo a propósito da NATO!

 

Para mim a situação é muito óbvia: na mesma altura em que o Pacto de Varsóvia passou à História, também a organização militar ocidental deveria ter conhecido idêntico destino. Porque, desde então, foi mera ferramenta dos interesses norte-americanos na Europa, apostados em isolar o mais possível a Rússia de Putin, cercando-a com um conjunto de países, outrora na sua órbita, e depois manifestamente adversos, aumentando as tensões inerentes a esse afrontoso isolamento. Porque o Kremlin estaria interessado em manter essa anterior influência sabotando a prometida neutralidade desses países reconvertidos aos padrões das «democracias ocidentais»? Obviamente que não, porque todas as decisões do líder russo tiveram por móbil contra-atacar os inimigos ocidentais, que quiseram vedar-lhe o acesso ao Mediterrâneo através da mudança de regime na Ucrânia e impedir-lhe a continuidade de utilização da importante base naval na Síria. Razão para fazer da Crimeia um caso, que historicamente tinha legitimidade muito discutível ou de Bachar Al Assad um detestável ditador, que faria da clique saudita ou do ditador egípcio uns autênticos santos.

 

Manda a objetividade explicar essa permanente transformação dos russos, e mais recentemente dos chineses, como estratégia do complexo militar-industrial norte-americano e das igualmente dinâmicas fábricas de armamento alemãs e francesas, que necessitam dessa cultura de Guerra Fria para aumentarem a produção das suas fábricas e verem potenciadas as receitas exportação do que elas vendem aos «aliados», sobretudo aos mais abonados com o que auferem da exploração do petróleo.

 

É lamentável ver Augusto Santos Silva a defender acriticamente uma organização, que agora se apresta a servir os mesmos interesses norte-americanos perante a diabolizada China para sabotar as fortes relações comerciais com ela estabelecidas nos últimos anos, apenas porque a Casa Branca pretende protelar o mais possível a irreversível decadência do seu ascendente imperialista e a aprazada substituição pelo que de Pequim se consolidará nas décadas vindouras.

 

E como não dar razão ao deputado do Bloco, que associa a reunião de Mike Pompeo e de Benjamin Netanyahu em Lisboa àqueloutra nos Açores em que Durão Barroso serviu de criado a Blair e Dabliú Bush? Recebendo-os amanhã António Costa deixa-se fotografar com dois biltres cujos propósitos só podem ser objeto de condenação, escusando-se a imitar o prudente Boris Brexiteiro que deu desculpa esfarrapada para furtar-se a tal ensejo.

 

Porque tem o governo socialista de se comprometer tão lamentavelmente com tal gente?
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/12/as-vezes-nao-e-facil-encarar-com-o.html

Macron retira suas palavras sobre 'morte cerebral' da OTAN, diz Trump

© REUTERS / Ludovic Marin/Pool

O líder francês teria referido ao presidente dos EUA que mudou de opinião quanto ao seu pensamento sobre a fragilidade da aliança.

O presidente francês Emmanuel Macron retirou suas declarações sobre a "morte cerebral" da OTAN, disse o líder norte-americano Donald Trump. Segundo Macron, a aliança detém agora a posição mais forte da história.

"Ontem tive conversas com o presidente francês. Ele retirou suas declarações sobre a OTAN. Ele vê o que aconteceu e está acontecendo, como os países estão ficando mais fortes", disse o presidente dos EUA à margem da cúpula da aliança.

Macron afirmou no início de novembro que a OTAN estaria em "morte cerebral", e apelou à Europa para que comece a pensar em si própria como uma força geopolítica independente.

O presidente francês mais tarde declarou que não tinha vergonha das suas declarações sobre a OTAN, uma vez que permitiram lançar importantes debates sobre a situação no bloco.

Macron afirmou no início de novembro que a OTAN estaria em "morte cerebral", e apelou à Europa para que comece a pensar em si própria como uma força geopolítica independente.

O presidente francês declarou depois na cúpula da OTAN que não tinha vergonha das suas declarações sobre a Aliança Atlântica, uma vez que permitiram lançar importantes debates sobre a situação no bloco.

Nessa mesma cúpula, Emmanuel Macron esteve envolvido em um episódio viralizado de desdém contra Trump, que criticou sua afirmação sobre a aliança.

Macron também disse que não era "normal" a Turquia, membro da OTAN, aceitar mísseis de defesa antiaérea russos S-400, e acusou o país de colaborar com o Daesh.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019120514856295-macron-retira-suas-palavras-sobre-morte-cerebral-da-otan-diz-trump/

Vídeo deixa Trump furioso. Macron, Trudeau e Johnson apanhados a criticar Presidente dos EUA

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro canadiano de “ter duas caras”, depois de Justin Trudeau ter sido apanhado por microfones de uma televisão a criticar o Presidente norte-americano, junto de outros líderes, no início de uma cimeira da NATO.

 

Uma estação televisiva canadiana captou o som de uma conversa informal de Justin Trudeau com outros líderes — incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson — em que o primeiro-ministro do Canadá criticava a duração “muito longa” da conferência de Imprensa de Trump no arranque da cimeira, durante uma receção.

Tal como observa o Expresso, o nome do Presidente norte-americano não é mencionado na conversa uma única vez. Ainda assim, os média internacionais, incluindo a agência Reuters, dão como certo que a conversa visava Trump e a sua conferência.

Após ter tido conhecimento deste episódio, Trump comentou aos jornalistas que Justin Trudeau é um hipócrita, “tem duas caras, é bom tipo… mas é assim que ele é”. O Presidente dos Estados Unidos continuou a atacar Trudeau, dizendo que o canadiano “não ficou muito contente” por lhe ter lembrado que o seu país deveria contribuir mais para a NATO, dedicando 2% do seu PIB a Defesa.

 
 

Após a polémica, o Presidente norte-americano cancelou a sua conferência de imprensa no final da cimeira, que termina esta quarta-feira em Londres.

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/video-trump-furioso-295248

«Sim à Paz! Não à NATO!» em Lisboa

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«Sim à Paz! Não à NATO!» foi o clamor que uma vez mais soou nas ruas de Lisboa, ao final de tarde de terça-feira, 3, na acção convocada pelo CPPC e por mais duas dezenas de organizações para exigir a dissolução da NATO e repudiar os objectivos belicistas da cimeira que realiza por estes dias em Londres.

No exacto momento em que, na capital britânica, os líderes da NATO tomavam decisões para reforçar o militarismo e a guerra, em Lisboa exigia-se a defesa da paz, o desarmamento geral, simultâneo e controlado, o fim da militarização da União Europeia, o respeito pela soberania dos povos e a utilização das verbas hoje gastas com armamento na resolução dos graves problemas que afectam os povos do mundo.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2Li2xEj

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/04/sim-a-paz-nao-a-nato-em-lisboa/

Aliança em convulsão. Macron, Trump e Erdogan agitam as águas antes da cimeira da NATO

Facundo Arrizabalaga / EPA

 

As divergências fizeram estalar o verniz.  Aos presidentes dos Estados Unidos e de França, junta-se agora o turco Erdogan, que ameaça bloquear posição comum se as suas pretensões sobre os curdos não forem atendidas.

 

Os líderes dos Estados-membros da NATO reúnem-se, esta quarta-feira, nos arredores de Londres para assinalar o 70.º aniversário da Aliança Atlântica. Depois da tradicional fotografia, os líderes de Estado e de Governo reúnem-se num encontro formal de três horas, avança o Expresso.

No entanto, esta terça-feira, as tensões aqueceram. Apesar de o futuro do bloco não estar em dúvida, o primeiro dia da cimeira ficou marcado pelas divergências de fundo quanto à ação militar da Turquia no norte da Síria e aos gastos militares de cada país com a organização.

Desde a sua eleição, em 2016, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem criticado com veemência as contribuições de outros aliados para a defesa comum.

 
 

As estimativas da NATO para este ano mostram que, além dos Estados Unidos, há agora oito países que cumprem a meta, acordada por todos os Estados-membros, de gastar 2% ou mais do respetivo Produto Interno Bruto (PIB) em defesa.

Conflito ofusca cimeira

As diferenças entre Donald Trump e Emmanuel Macron superaram o espírito de cooperação que os dois países aliados deveriam demonstrar nesta cimeira. Ao Presidente norte-americano comentou a entrevista de Macron à The Economist, na qual o francês afirma que a organização está em “morte cerebral“.

“Penso que é bastante insultuosa para muitas forças diferentes. É uma frase dura, embora quando se faz uma declaração dessas, que é muito, muito desagradável para os 28 países, isso também os inclui”, disse Trump, referindo-se aos franceses.

Emmanuel Macron manteve a sua opinião, e disse que a entrevista foi uma chamada de atenção porque a NATO precisa de se definir quanto aos seus objetivos. Como exemplo, usou novamente a Turquia, tendo acusado Ancara de patrocinar o Estado Islâmico. “Quando olho para a Turquia, eles estão a lutar contra aqueles que combateram connosco contra o Estado Islâmico e por vezes trabalham com intermediários do Estado Islâmico.”

Video of Trump-Macron press conference. https://t.co/VoaF0j3ATz

— p leu (@leu2500) December 3, 2019

 

Donald Trump não hesitou e saiu em defesa da Turquia, com quem tem “uma relação muito boa”. Já sobre a possibilidade de Washington avançar com sanções económicas àquele país por ter optado pela compra de equipamento militar russo – o sistema antimíssil S-400 -, deixou um “vamos ver”.

“A Turquia queria comprar o sistema Patriot, mas a administração Obama não permitiu e só deixaram quando estavam prontos para comprar outro. Tenho de dizer isto, há dois lados da história”, disse Trump. No entanto, à CNN, funcionários da Defesa explicaram que esta afirmação do Presidente dos EUA não é verdadeira – o que imepdiu o negócio foram as exigências turcas de transferência de tecnologia.

Donald Trump ainda não tinha terminado a acusação ao seu antecessor e já Macron o interrompia. “Para sermos claros neste ponto: eles [turcos] negociaram connosco e nós aceitámos vender-lhes o SAMP/T”, disse Macron sobre o sistema de defesa ítalo-francês.

Assim, reiterou Macron, esta decisão não resultou de uma recusa da venda dos Patriot por parte dos norte-americanos, mas sim da sua própria decisão, mesmo tendo uma opção europeia compatível com a NATO. “Decidiram não ser compatíveis com a NATO.”

Outro dos desentendimentos entre Trump e Macron evidenciou-se quando o norte-americano passou a pergunta sobre se a França deveria fazer mais para levar os combatentes franceses do Estado Islâmico para o hexágono – cerca de 450 os extremistas com nacionalidade francesa que se encontram detidos no norte da Síria.

De acordo com o Diário de Notícias, Macron defendeu que essas pessoas devem ser julgadas onde os seus crimes foram cometidos, e Trump respondeu: “Você gostaria de ter um bom combatente do EI? Você pode levar todos os que quiser.”

Macron não se deixou ficar e retorquiu: “Vamos ser sérios. É verdade que há combatentes vindos da Europa, mas esta é uma pequena minoria e penso que a prioridade número um, porque não está terminada, é acabar com o EI e com os grupos terroristas. Esta é a nossa prioridade número um e ainda não está concluída”, afirmou.

“É por isso que ele é um grande político, porque esta foi uma das maiores não respostas que já ouvi. Tudo bem”, disse Trump, encerrando o assunto.

Mas o ponto final neste tema não significou o fim do debate, uma vez que o confronto verbal entre os dois líderes continuou. “Pode haver a tentação do lado norte-americano de dizer que é responsabilidade da Europa. Lamento dizer, mas não é. A prioridade é não sermos ambíguos com esses grupos, e é por isso que começámos a discutir as nossas relações com a Turquia. É por isso que qualquer ambiguidade com a Turquia em relação a esses grupos é prejudicial a todos para a situação no terreno”, disse Macron.

Tensões com a Turquia

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que se oporia ao plano de defesa da NATO para a região do Báltico se a aliança não o apoiasse na luta contra militantes curdos na Síria, que considera terroristas.

A Turquia ameaça bloquear o plano de defesa contra um ataque russo, a menos que a aliança apoie Ancara no reconhecimento da milícia curda Unidades de Proteção do Povo, YPG, como um grupo terrorista.

Os combatentes do YPG têm sido aliados dos norte-americanos e franceses no terreno contra o Estado Islâmico da Síria. No entanto, a Turquia considera o YPG um inimigo devido às ligações com os rebeldes curdos e com o ilegalizado PKK no sudeste da Turquia.

“Se os nossos amigos da NATO não reconhecerem como organizações terroristas aquelas que consideramos organizações terroristas vamos opor-nos a qualquer passo que venha a ser dado”, disse Erdogan, antes de viajar para Londres.

Mais tarde, numa reunião que juntou Macron e Erdogan na mesma sala, o francês sublinhou que “nem todos os esclarecimentos foram obtidos e nem todas as ambiguidades foram resolvidas”. Com a Turquia “há desacordos queexistem, escolhas que não são as mesmas, mas há uma necessidade de avançar”.

ZAP //

 
 
 

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CIMEIRA LANÇA NATO NO ESPAÇO


Resultado de imagem para Pictures of NATO IN THE sPACE A Cimeira lança a NATO no Espaço, custos até às estrelas
Manlio Dinucci
Realiza-se em Londres, em 4 de Dezembro, o Conselho Atlântico Norte dos Chefes de Estado e de Governo, que celebra o 70º aniversário da NATO, definida pelo Secretário Geral, Jens Stoltenberg, como “a aliança mais bem sucedida da História”.
Um “sucesso” inegável. Desde a demolição através da guerra, da Federação Jugoslava, em 1999, a NATO alargou de 16 para 29 países (30, se agora incluir a Macedónia do Norte), expandindo-se para Leste, muito próxima da Rússia.
“Pela primeira vez na nossa História - sublinha Stoltenberg - temos tropas prontas para combate no Leste da nossa Aliança”. Mas a Organização do Tratado do Atlântico Norte foi além disso, estendendo as suas operações bélicas às montanhas afegãs, e através dos desertos africanos e do Médio Oriente.
Agora a Grande Aliança ambiciona mais. Na Cimeira de Londres – anuncia, antecipadamente,  Stoltenberg - os dirigentes dos 29 países membros “reconhecerão o Espaço como nosso quinto campo operativo”, que se junta ao terrestre, ao marítimo, ao aéreo e ao ciberespaço. “O Espaço é essencial para o sucesso das nossas operações”, sublinha o Secretário Geral, deixando perceber que a NATO desenvolverá um programa espacial militar. Obviamente, não fornece detalhes, mas informa que a NATO assinou um primeiro contrato de 1 bilião de dólares para modernizar os seus 14 aviões AWACS. Eles não são simples aviões radares, mas centros de comando voadores, produzidos pela Boeing americana, para a gestão da batalha através de sistemas espaciais.
Certamente, quase nenhum dos líderes europeus (para a Itália, o Primeiro Ministro Conte) que, em 4 de Dezembro, “reconhecerão o Espaço como o  nosso quinto campo de operativo”, conhece o programa espacial militar da NATO, preparado pelo Pentágono e pelos altos comandos militares europeus subordinados, juntamente com as principais indústrias aeroespaciais. Muito menos sabem os Parlamentos, como o italiano, que aceitam qualquer decisão da NATO, sob comando USA, sem se preocupar com suas implicações político-militares e económicas.
A NATO é lançada no Espaço no prosseguimento do novo Comando Espacial criado pelo Pentágono, em Agosto passado, com o objectivo, declarado pelo Presidente Trump, de “garantir que o domínio americano do Espaço nunca seja ameaçado”. Trump então anunciou o estabelecimento subsequente da Força Espacial dos Estados Unidos, com a tarefa de “defender os interesses vitais americanos no Espaço, o próximo campo de batalha da guerra”. A Rússia e a China acusam os EUA de abrir caminho para a militarização do Espaço, alertando que têm capacidade para responder. Tudo isso aumenta o perigo de guerra nuclear.
Mesmo que o programa espacial militar da NATO ainda não seja conhecido, uma coisa é certa: será extremamente caro. Na Cimeira, Trump pressionará os aliados europeus para que aumentem as suas despesas militares para 2% ou mais, do PIB. Até agora, fizeram-no oito países: Bulgária (que elevou para 3,25%, um pouco abaixo de 3,42%, dos EUA), Grécia, Grã-Bretanha, Estónia, Roménia, Lituânia, Letónia e Polónia. Os outros, apesar de permanecerem abaixo de 2%, estão empenhados em aumentá-la. Impulsionada pela enorme despesa USA - 730 biliões de dólares em 2019, 10 vezes superior à da Rússia - a despesa militar anual da NATO, segundo dados oficiais, ultrapassa 1 trilião de dólares. Na realidade, é superior à indicado pela NATO, pois que não inclui vários elementos de natureza militar: por exemplo, o das armas nucleares dos EUA, inscrita no orçamento, não do Pentágono, mas do Departamento de Energia.
 A despesa militar italiana, que subiu do 13º para o 11º lugar no mundo, ascende, em termos reais, em cerca de 25 biliões de euros por ano, sempre a aumentar. Em Junho passado, o Governo Conte I adicionou 7,2 biliões de euros, também fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Económico, para a compra de sistemas de armas. Em Outubro, na reunião com o Secretário Geral da NATO, o governo do Conte II prometeu aumentá-la constantemente em cerca de 7 biliões de euros por ano a partir de 2020 (La Stampa, 11de Outubro de 2019).
Na Cimeira de Londres serão pedidos à Itália mais biliões de dinheiro público, para financiar as operações militares da NATO no Espaço, enquanto não há dinheiro para manter em segurança e reconstruir os viadutos que desabam
Il manifesto, 3 Dezembro 2019
 
 
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DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, em todos os países europeus da NATO
 

Manlio Dinucci
Geógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos 
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com
Webpage: NO WAR NO NATO

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

OTAN contra OTAN: afirmações de figuras-chave que lançam sombra sobre Aliança Atlântica

Soldados e bandeira da OTAN
© REUTERS / Ints Kalnins

A cúpula da OTAN que marca o 70º aniversário da aliança militar está decorrendo nesta semana em Londres, onde serão debatidas várias questões, inclusive gastos militares, cibersegurança e ameaça externa.

A celebre entrevista dada pelo presidente francês à edição The Economist no mês passado, e na qual ele diagnosticou a OTAN com "morte-cerebral", repercutiu como uma onda de choque por toda a Aliança Atlântica, sendo que muitos dos seus membros criticaram as suas palavras.

No entanto, outros estiveram menos dispostos a condenar as palavras do presidente francês, que aparentemente teriam refletido sua própria visão, pelo menos em certa medida.

'Morte-cerebral' da OTAN

Justificando as suas palavras, Emmanuel Macron referiu que atualmente não há cooperação em matéria de segurança entre a Europa e os Estados Unidos. Apesar de receber muitas críticas, Macron defendeu as suas afirmações dizendo mais tarde que os ditos comentários eram uma "chamada de atenção" para a OTAN.

A ministra da Defesa da França, Florence Parly, também pareceu concordar com Macron, dizendo que ele se referia não à morte da Aliança, mas sim à crise pela qual a OTAN está passando.

A OTAN 'está sendo desafiada'

A posição de presidente francês pelos vistos também mexeu com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que apesar de não concordar com ele disse poder enxergar de onde vinha o seu argumento.

"Eu não quero me aprofundar sobre a escolha de palavras. Mas a análise básica de que a OTAN está sendo desafiada tem, acredito, algum mérito nisso", disse ela citada pelo jornal Jyllands-Posten.

Alternativas para OTAN?

A chanceler alemã está na frente daqueles quem flagelou Macron pelos seus comentários. No entanto, nem toda gente em Berlim está totalmente contente com o atual estado das coisas.

A ministra da Defesa alemã, Annegret Kramp-Karrenbauer, que é apontada por muitos como a possível sucessora de Merkel, apelou à criação de uma de "União Europeia de Defesa autoconfiante" durante um discurso perante jovens oficiais das Forças Armadas alemãs que decorreu em Munique, advertindo os europeus contra a redução de sua importância.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019120314846405-otan-contra-otan-afirmacoes-de-figuras-chave-que-lancam-sombra-sobre-alianca-atlantica/

Trump afirma que declarar 'morte cerebral' da OTAN é um insulto

Trump e Macron
© AP Photo / Carolyn Kaster

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a declaração de Macron sobre "morte cerebral" da OTAN foi "desagradável e desrespeitosa".

Em meados de novembro, o presidente francês, Emmanuel Macron, questionou o compromisso dos EUA com a OTAN, e ressaltou que a falta de vontade de Washington em defender seus aliados havia colocado a Europa "à beira do precipício”.

Trump, por sua vez, afirmou que as recentes declarações do presidente francês, sobre a "morte cerebral" da OTAN foram "muito, muito desagradáveis e desrespeitosas".

Ele também citou que as palavras de Macron foram "muito insultantes", adicionando que a OTAN serve um grande propósito.
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar para a Conferência de Líderes da OTAN, em 2 de dezembro de 2019
© REUTERS / Jonathan Ernst
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar para a Conferência de Líderes da OTAN, em 2 de dezembro de 2019

Vale destacar que Macron questionou o compromisso dos EUA e da OTAN, além de afirmar a falta de vontade de Washington em defender seus aliados, deixando a Europa "à beira do precipício".

"O que estamos experimentando é a morte cerebral da OTAN", observou Macron.

Além disso, Macron enfatizou que chegou o momento de a Europa atuar como uma potência geopolítica independente, começando a recuperar a "soberania militar" e a reiniciar o diálogo com a Rússia.

Por sua vez, o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, afirmou nesta terça-feira (3) que a ameaça norte-americana é "inaceitável", e alertou que, "em caso de novas sanções norte-americanas, a UE estaria disposta a respondê-las".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

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OTAN sobrevive à Conferência de Londres? Conheça temas críticos que serão tratados no encontro

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar para a Conferência de Líderes da OTAN, em 2 de dezembro de 2019
© REUTERS / Jonathan Ernst

'Renovação da OTAN é inevitável', disse Erdogan antes de embarcar para a conferência da aliança, que promete ser contenciosa. Temas como a Turquia, gastos de defesa e a declarada 'morte cerebral' da aliança estão entre os principais desafios, acredita o ex-secretário da organização.

Pouco antes de embarcar rumo a Londres para participar da Conferência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o presidente da Turquia, Reccep Tayyip Erdogan, disse que a renovação da aliança é inevitável.

"A renovação da OTAN é inevitável. A Turquia espera que seus aliados busquem formas de aprofundar a cooperação [...] e demonstrem solidariedade em relação à [nossa] luta contra o terrorismo", disse o presidente turco.

Erdogan lembrou que a Turquia é "um país indispensável para a OTAN" e defendeu que todos os países membros "estão obrigados a apoiar a reforma da aliança".

Presidente da Turquia em conferência de imprensa antes de embarcar para a Conferência de Líderes da OTAN, em Londres, no dia 03 de dezembro de 2019
© REUTERS / Serviço de Imprensa da Presidência
Presidente da Turquia em conferência de imprensa antes de embarcar para a Conferência de Líderes da OTAN, em Londres, no dia 03 de dezembro de 2019

A Turquia quer que a OTAN classifique oficialmente a milícia curda Unidade de Proteção Popular (YPG) como "organização terrorista". A YPG é componente fundamental das Forças Democráticas da Síria (FDS), apoiadas pelos EUA.

Caso não receba apoio de seus aliados, a Turquia pode vetar os novos planos de defesa da aliança para a Polônia e países bálticos.

Bandeira da milícia curda YPG na rua central da cidade de Afrin, na Síria
© Sputnik / Mikhail Alaeddin
Bandeira da milícia curda YPG na rua central da cidade de Afrin, na Síria

Em resposta à acusação de vários países europeus de que a Turquia estaria "chantageando" a OTAN, fonte militar turca ouvida pela Reuters rebateu:

"Não existe chantagem turca e uma declaração dessas é inaceitável. A OTAN é uma instituição na qual a Turquia tem direito a veto [...] existem procedimentos", declarou a fonte.

Conferência da OTAN em Londres

Os líderes da OTAN deverão tratar de três temas bastante polêmicos na Conferência, disse o ex-secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen, em entrevista à rádio dinamarquesa DR.

O primeiro seria o ceticismo do presidente norte-americano em relação ao princípio fundamental da aliança: o acordo de defesa mútua. Trump colocou em dúvida a obrigação dos EUA de defenderem seus aliados, uma vez que eles não investiriam o suficiente em defesa.

Presidente e primeira-dama dos EUA embarcam no avião presidencial com rumo à Conferência de Líderes da OTAN, em 2 de dezembro de 2019
© REUTERS / Evan Vucci
Presidente e primeira-dama dos EUA embarcam no avião presidencial com rumo à Conferência de Líderes da OTAN, em 2 de dezembro de 2019

O segundo ponto contencioso é a recente declaração do presidente francês, Emmanuel Macron, de que a aliança estaria sofrendo de "morte cerebral". De acordo com Rasmussen, a fala gerou cisão interna na aliança.

Por fim, a OTAN deve lidar com a ofensiva turca no nordeste da Síria, que gerou forte oposição de diversos aliados. O ex-secretário-geral teme que a Turquia fique "cada vez mais marginalizada" dentro da aliança.

Apesar das dificuldades, Rasmussen acredita que "virar as costas para a Turquia" seria uma erro histórico, que deve ser evitado pela OTAN.

Anders Fogh Rasmussen, secretário geral da OTAN entre 2009 e 2014, acredita que a aliança não deve virar as costas para a Turquia
© AP Photo / Virginia Mayo
Anders Fogh Rasmussen, secretário geral da OTAN entre 2009 e 2014, acredita que a aliança não deve "virar as costas" para a Turquia

A Conferência da OTAN é celebrada entre os dias 3 e 4 de dezembro, em Londres. Nesta terça-feira, (03), os líderes serão recebidos no Palácio de Buckingham pela rainha Elisabeth II. Na quarta-feira (04), reuniões de trabalho devem discutir temas como a China, a segurança cibernética e a presença da OTAN no espaço.

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Para Portugal OTAN seria ameaça mais séria que 'inimigos imaginários'

Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, à direita e Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, à esquerda
© AFP 2019 / PATRICIA DE MELO MOREIRA

No dia 3 de dezembro ocorrerá em Londres a cúpula da OTAN, onde serão celebrados os 70 anos da criação do bloco político-militar.

Diante da cúpula, que deve ocorrer nos dias 3 e 4 de dezembro, alguns portugueses devem realizar protestos, no dia 3 em Lisboa e no dia seguinte no Porto, com o objetivo de denunciar a "vocação agressiva" da OTAN, além de reclamar sua dissolução e exigir ao governo de Portugal que rejeite "o militarismo e a guerra".

Apesar de ser um dos membros fundadores, Portugal deve refletir sobre sua participação dentro da organização e pensar se realmente vale a pena seguir a doutrina e as pretensões da OTAN, ou apenas seguir e realizar seus caprichos.

Sabe-se que uma das principais razões de os EUA terem cortejado Portugal foi a sua posição geoestratégica, nomeadamente os Açores, também chamados de "Trampolim Atlântico", de fundamental importância devido a sua centralidade marítima entre os dois continentes.

Porta-voz da OTAN e ex-primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg
© AP Photo / Virginia Mayo
Porta-voz da OTAN e ex-primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg

Os interesses da organização seguem os mesmos nos dias atuais. Entretanto, o pensamento da OTAN não reflete o que foi traçado por seus fundadores, já que não há qualquer ameaça para muitos dos países-membros. Além disso, agora a OTAN estaria focando seu objetivo no Atlântico Sul, envolvendo Cabo Verde, Brasil e Angola, deixando de lado seu real propósito.

O "conceito estratégico" da OTAN está se tornando obsoleto e inadequado, ao mesmo tempo que o presidente norte-americano, Donald Trump, exige maior equilíbrio no esforço financeiro da organização e que os EUA decidem "encher" os países europeus com armas para conter seus "inimigos imaginários".

E é exatamente isso o que está incentivando os protestos que deverão ocorrer nos próximos dias. As organizações inclusive publicaram um manifesto, na página do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), contra o aumento das despesas militares.

Com isso, surge a ideia de que a organização hoje é apenas um grande capricho para suprir as necessidades dos EUA através da venda de armas e de inimigos que apenas os norte-americanos veem.

"Ao longo das décadas, a OTAN protagonizou e apoiou golpes de Estado, guerras de agressão e ocupações militares", denuncia o manifesto, enfatizando que o bloco constitui "a mais séria ameaça à paz e à segurança no mundo".

OTAN aumentará gasto com Defesa

Um exemplo disso é a pressão exercida pelos EUA para que a Europa e o Canadá destinem uma quantia maior de dinheiro a despesas militares. Os EUA exigem que os países-membros gastem 2% do PIB em defesa.

De acordo com o jornal Público, Portugal gastou 1,35% do PIB em defesa em 2018 e deve elevar esses gastos para 1,66%, ou até mesmo 1,98%, se conseguir obter fundos comunitários entre 2021 e 2027. Neste ano, Portugal elevou seus gastos para 1,41% do PIB, ou seja, a estimativa é que neste ano Portugal gaste quase € 3 milhões (R$ 14 milhões).

Mike Pompeo fala com jornalistas durante comitiva de imprensa na sede da OTAN em Bruxelas
© AP Photo / Francisco Seco
Mike Pompeo fala com jornalistas durante comitiva de imprensa na sede da OTAN em Bruxelas

Contudo, o ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, afirma que as contribuições dos países aliados para a OTAN não devem ser medidas "apenas pela porcentagem do PIB", mas também pelos projetos de "partilha de responsabilidades", segundo o Jornal Económico.

Resta saber o quanto e se realmente vale a pena tamanho investimento em uma aliança militar que cria "inimigos imaginários" para elevar a comercialização de armas e obter benefícios próprios em prol de seus interesses mundiais, ressaltando o fato de Portugal ser um país pacífico e não sofrer qualquer ameaça.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

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Europa diz: Sim à Paz! Não à NATO!

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As organizações europeias membro do Conselho Mundial da Paz, de que o CPPC é coordenador, divulgaram um apelo em defesa da paz e contra a NATO e a sua cimeira de Londres.

Sim à Paz! Não à NATO!
Não à cimeira belicista de Londres

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) continuará a assinalar os seus 70 anos com uma cimeira de Chefes de Estado e Governo em Londres, de 3 a 4 de dezembro de 2019.

Durante 70 anos, a NATO tem sido a ferramenta militar agressiva número um do imperialismo. É a maior e mais perigosa organização militar do mundo. Apesar das rivalidades entre seus membros individuais e das contradições que surgem de tempos em tempos, ela permanece intrínseca e profundamente interligada com as políticas dos EUA e da UE, seu chamado “pilar europeu”.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2syJn6J

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OTAN aumentará gastos militares em US$ 400 bilhões até 2024

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, declarou que o total de gastos militares dos Estados membros da Aliança aumentará em US$ 400 bilhões até o final de 2024.

"Os Estados apresentaram seus planos atualizados à OTAN e vemos os resultados. Com base nesses planos, posso anunciar que o aumento acumulado nos gastos com defesa até o final de 2024 chegará a US$ 400 bilhões", disse Stoltenberg.

O secretário-geral da organização enfatizou que é "um avanço sem precedentes que fortalece a OTAN", acrescentando que até o final de 2020, os aliados europeus e o Canadá farão um investimento de 130 bilhões de dólares.

Soldados dos países membros da OTAN em cerimônia de abertura dos exercícios militares
© AP Photo /
Soldados dos países membros da OTAN em cerimônia de abertura dos exercícios militares

Stoltenberg também observou que este ano nove membros da Aliança cumprem a diretiva de fornecer 2% do PIB para a defesa, enquanto a maioria dos aliados planeja atingir essa taxa até 2024.

Ele ressaltou que os países aliados "estão no caminho certo" e instou-os a manter esta dinâmica.

Os EUA, que financiaram 22% do orçamento da OTAN, criticaram repetidamente os países membros da Aliança por não aumentarem suas despesas militares, ameaçando reduzir sua própria contribuição para programas de segurança comuns.

Em 28 de novembro, Stoltenberg informou que os EUA aceitaram a nova fórmula de distribuição de despesas que prevê que os EUA e a Alemanha paguem quase o mesmo valor.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

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Assessor descarta entrada da Ucrânia na OTAN: 'Não queremos conflito com a Rússia'

 
 
O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Robert O'Brien, rejeitou a ideia da Ucrânia se juntando à OTAN, o que poderia levar a organização a um conflito direto com a Rússia.
 
"Não acho que a OTAN como um todo seja atraente para aceitar a Ucrânia e entrar em conflito direto com a Rússia", declarou o alto funcionário dos EUA em um fórum de segurança no Canadá.
 
O'Brien enfatizou que "o Ocidente não quer um conflito com a Rússia" e "a OTAN foi fundada para evitar esse conflito".
 
Por outro lado, o consultor de Segurança Nacional dos EUA indicou que seu país continuará apoiando a Ucrânia em sua luta com a Rússia.
 
Moscovo declarou repetidamente que não faz parte do conflito interno ucraniano que eclodiu em 2014, após uma violenta mudança de governo.
 
 
Desde abril de 2014, o Exército ucraniano realiza uma operação militar contra milícias no leste de seu território, onde as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk se autoproclamaram independentes em resposta ao colapso institucional no país – o que Kiev não aceitou.
 
As hostilidades causaram aproximadamente 13.000 mortes até agora, segundo estimativas da ONU.
 
Os Acordos de Minsk, assinados em setembro de 2014 e fevereiro de 2015 com a mediação da Rússia, Alemanha e França, lançaram as bases para uma resolução política do conflito, mas não resultaram na cessação da violência até o momento.
 
Os três países mediadores ofereceram ao governo ucraniano a facilitação das negociações diretas com as milícias de Donetsk e Lugansk para encerrar a crise e restaurar a paz.
 
Sputnik | Imagem: © Reuters / Athit Perawongmetha

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EUA querem reduzir gastos com OTAN, esperando que outros membros aumentem contribuições, diz mídia

Presidente dos EUA, Donald Trump em frente à logo da OTAN
© Sputnik / Alexey Vitvitskiy

A Casa Branca tomou a decisão de reduzir seu financiamento direto da OTAN, na esperança que outros membros da aliança colmatem esta diferença orçamental, escreve a CNN.

Fontes oficiais anônimas do Departamento de Defesa dos EUA revelaram à CNN que a Casa Branca quer reduzir suas contribuições para a OTAN para cerca de 16% do orçamento total da Aliança Atlântica, o que colocaria os Estados Unidos quase no mesmo nível que a Alemanha, com 14,8%.

De acordo com a mídia, a cota-parte do financiamento direto dos EUA era por volta de 22 %. Estes fundos cobriam os gastos de manutenção da sede da aliança, investimentos em segurança e operações militares conjuntas.

As fontes também indicam que se prevê que o déficit orçamental seja preenchido por contribuições de outros países membros da OTAN.

"Todos os aliados concordaram sobre uma nova fórmula de partilha de custos. De acordo com ela, a percentagem atribuída à maioria dos aliados europeus e Canadá irá aumentar, enquanto a percentagem dos EUA diminuirá. Esta é uma demonstração importante do compromisso de outros países com a Aliança e uma repartição de encargos mais justa", explicou um oficial da OTAN à CNN.

Desde que tomou posse em 2017, Donald Trump tem repetidamente pressionado os Estados membros da OTAN a cumprirem suas obrigações quanto ao financiamento da Aliança.

O presidente dos EUA disse que gostaria que os membros da OTAN gastassem mais de 2% do seu PIB em defesa — uma mudança do discurso de Trump em relação ao ano passado, quando defendeu um gasto de 4% do PIB.

A Alemanha prometeu aumentar os gastos militares do país para 1,5% do PIB até 2023, o que ainda não atinge a meta da OTAN. Os Estados Unidos gastam 4,3% do seu Produto Interno Bruto com a OTAN.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019112814827612-eua-querem-reduzir-gastos-com-otan-esperando-que-membros-aumentem-contribuicoes-midia/

A NATO é «a mais séria ameaça à paz e à segurança no mundo»

Denunciando a cimeira da NATO em Londres, onde «se assinalará, uma vez mais, os 70 anos da criação desde bloco político-militar belicista», realizam-se em Lisboa e no Porto acções públicas em defesa da paz.

Soldados georgianos em partida para o Afeganistão, ao serviço da NATO.Créditos / NewEurope

Sob o lema «Sim à Paz! Não à NATO!», foram agendadas acções públicas em Lisboa, dia 3 de Dezembro, e no Porto, no dia seguinte, ambas às 18h, com o intuito de denunciar a «vocação agressiva» da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO), reclamar a sua dissolução e exigir ao Governo português que, no respeito pela Constituição da República, rejeite «o militarismo, a corrida aos armamentos e a guerra».

As organizações promotoras destas acções de protesto subscrevem um manifesto a que se pode aceder, nomeadamente, na página do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e no qual se afirma que, à semelhança de cimeiras anteriores, na de Londres, a realizar dias 3 e 4 de Dezembro, se voltará a falar «muito em "paz" e "segurança"»; no entanto, as decisões ali tomadas «apontarão para o aumento das despesas militares, para novos e mais sofisticados armamentos, para o militarismo e a guerra», alertam.

«Ao longo das décadas, a NATO protagonizou e apoiou golpes de Estado, guerras de agressão e ocupações militares», denuncia-se no documento, em que se lembra que a chamada Aliança Atlântica não possui «um carácter "defensivo"», sendo antes «um bloco político-militar com vocação agressiva», que constitui «a mais séria ameaça à paz e à segurança no mundo».

Portugal deve estar do lado da paz e do desarmamento

As organizações signatárias entendem que Portugal deve rejeitar o militarismo e a guerra, «incluindo a participação de forças portuguesas na agressão contra outros povos» e, nesse sentido, exigem ao Governo que «pugne pela independência nacional, a solução pacífica dos conflitos internacionais, a não ingerência nos assuntos internos dos outros estados, a cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade».

O Executivo português deverá ainda «preconizar a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos», assinalam os organismos promotores da iniciativa, para os quais o Governo também deverá defender «o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos».

Sublinhando a importância da defesa dos princípios «inscritos na Carta das Nações Unidas e no artigo 7.º da Constituição da República Portuguesa – da soberania, da paz, da cooperação –, as organizações promotoras exigem, entre outros aspectos, a dissolução da NATO e o fim das guerras de agressão que o bloco político-militar e os seus estados-membros promovem; a abolição das armas nucleares e de outras armas de destruição massiva, bem como a assinatura e ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares por parte das autoridades portuguesas.

Defendem igualmente a rejeição da militarização do espaço; a reversão do processo de militarização da União Europeia; o fim da corrida aos armamentos e a utilização das verbas para a resolução dos problemas que afligem os povos.

Entre as organizações subscritoras contam-se, entre outras: Associação Intervenção Democrática, Associação Iúri Gagárin, Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa, CESP, CGTP-IN, CPPC, Ecolojovem – «Os Verdes», Frente Anti-Racista; Fundação José Saramago, Juventude Comunista Portuguesa, MPPM, MURPI e STML.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/nato-e-mais-seria-ameaca-paz-e-seguranca-no-mundo

Sim à Paz! Não à NATO! Não à cimeira belicista da NATO em Londres

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte – NATO – realiza uma cimeira nos dias 3 e 4 de Dezembro, em Londres, onde se assinalará, uma vez mais, os 70 anos da criação desde bloco político-militar belicista.

À semelhança de cimeiras anteriores, falar-se-á muito em «paz» e «segurança», mas as decisões que serão tomadas apontarão para o aumento das despesas militares, para novos e mais sofisticados armamentos, para o militarismo e a guerra.

Recorde-se que desde a sua formação em 1949, que incluiu Portugal, na altura sob uma ditadura fascista, a NATO é um instrumento ao serviço da política externa dos Estados Unidos da América e do seu complexo militar-industrial.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2QVTP26

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/26/sim-a-paz-nao-a-nato-nao-a-cimeira-belicista-da-nato-em-londres/

Planos da OTAN no espaço levarão a catástrofe mundial?

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, anunciou esta terça-feira (19) que a aliança tem planos de reconhecer o espaço como sua zona de influência.

A declaração foi feita durante a coletiva de imprensa que decorreu em Bruxelas (Bélgica) antes da reunião dos ministros da Defesa dos estados-membros da OTAN.

De acordo com o secretário-geral da Aliança Atlântica, o reconhecimento do espaço como sua esfera de influência contribuirá para o desenvolvimento dos sistemas de comunicação, navegação e sistema de alerta precoce. Além disso, Stoltenberg ressaltou que no espaço não será colocado armamento ofensivo.

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o vice-presidente do Comitê de Defesa da Duma de Estado (Parlamento) da Rússia, Yuri Shvytkin, disse que este tipo de afirmações da liderança da OTAN sobre os armamentos ofensivos não corresponde à realidade.

"A declaração de Stoltenberg é desconcertante e claramente [implica] ações agressivas e destrutivas para com outros países [...]. A aliança em si como organização militar implica a militarização do espaço e os países da OTAN farão todos os tipos de tentativas nesse sentido. No meu ponto de vista, isto poderá levar a comunidade mundial a uma catástrofe", opinou legislador.

Shvytkin fez notar que, face a isso, a Rússia precisa de tomar medidas adequadas para evitar a militarização do espaço por parte da OTAN.

"A resposta deve ser simétrica, mas, ao mesmo tempo, tal resposta não deve arrastar nosso país para uma corrida armamentista no espaço", concluiu o vice-presidente do comitê.

Anteriormente, o presidente da França criticou as ações ofensivas da Turquia no nordeste da Síria, classificando-as como "loucura" e criticando também a incapacidade de reação da OTAN.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019112014796967-planos-da-otan-no-espaco-levarao-a-catastrofe-mundial/

EUA e Turquia são os 'coveiros' da OTAN, diz deputado alemão

Presidente dos EUA Donald Trump conversa com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, enquanto visitam a nova sede da OTAN em Bruxelas, Bélgica, 11 de julho de 2018
© AP Photo / Serviço de Imprensa da Presidência

Alexander S. Neu, membro do Bundestag alemão pelo partido de esquerda Die Linke, disse à Sputnik que os Estados Unidos e a Turquia podem ser considerados os coveiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O legislador afirmou que ambos os países estão usando a organização para promover suas próprias agendas.

"A OTAN está em um estado próximo ao descrito por Macron. Os parceiros da Aliança estão cada vez mais falando sobre seus próprios interesses, além dos da OTAN. Por outro lado, vemos tentativas de instrumentalizar a OTAN para interesses próprios [...] A Turquia e os EUA podem ser chamados de coveiros da OTAN, a OTAN está corroendo e só posso recebê-lo", disse Neu.

O político alemão também opinou as recentes discussões sobre o futuro da organização, apontando que não há conteúdo novo nas atuais discussões sobre o futuro da organização.

O legislador comentou a relação da OTAN com a Rússia e disse que a organização era contra Moscou em virtude de sua própria estrutura e identidade.

No início do mês, o presidente francês Emmanuel Macron ganhou manchetes ao dizer à revista The Economist que atualmente não há cooperação de segurança entre a Europa e os Estados Unidos, deixando essencialmente a OTAN "com morte cerebral".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019111714786838-eua-e-turquia-sao-os-coveiros-da-otan-diz-deputado-alemao/

OTAN poderia sofrer consequências por considerar China inimiga, segundo analista

O presidente dos EUA, Donald Trump, irá se encontrar em breve com o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, para falar sobre a "ameaça chinesa".

Algumas pessoas nos EUA estão considerando que a OTAN encontrou um novo inimigo, que seria a China, segundo Ai Jun, do Global Times.

"Os aliados da OTAN devem considerar cuidadosamente os riscos a longo termo das escolhas que eles fazem em relação às redes 5G [...] Estou satisfeito por a OTAN estar avaliando detalhadamente os desafios a longo prazo que o crescimento chinês apresenta à aliança", afirmou o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper.

Os EUA já sugeriram que a OTAN se focasse em Pequim em outras ocasiões.

"Talvez o maior desafio da OTAN nas próximas décadas seja enfrentar a ascensão da China", ressaltou o vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

Por sua vez, a OTAN também demonstrou essa preocupação, com Stoltenberg afirmando que a organização precisa entender as implicações da ascensão chinesa e o que poderia representar ameaça para os países membros.

Porta-voz da OTAN e ex-primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg
© AP Photo / Virginia Mayo
Porta-voz da OTAN e ex-primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg

A OTAN, como qualquer organização militar, precisa de um inimigo comum. Uma nova Guerra Fria parece estar se aproximando da região Ásia-Pacífico. Em 26 de setembro ocorreu o primeiro diálogo quadrilateral de segurança, conhecido como Quad, entre EUA, Japão, Índia e Austrália. O Quad tem como foco a China, com o intuito de criar uma "OTAN asiática".

Para piorar a situação, algumas pessoas e forças da região estão seguindo os passos norte-americanos, exagerando na chamada "ameaça chinesa".

Washington teria rotulado a China como uma "potência rival" para criar um confronto abrangente contra Pequim. Entretanto, caso outros países sigam os passos norte-americanos, provavelmente pagarão um preço maior.

Nas últimas décadas, a China desenvolveu sua economia em ritmo acelerado, procurando elevar a cooperação econômica com outros países. Além disso, está desenvolvendo seu poder militar e, apesar de o país ter uma filosofia militar "defensiva", isso não o impedirá de enfrentar ameaças ou provocações.

É por isso que, quando Stoltenberg fez declarações direcionadas à China, ele e os líderes dos países da OTAN deveriam ter em mente que a hostilidade militar pode ser sentida facilmente.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019111414773098-otan-poderia-sofrer-consequencias-por-considerar-china-inimiga-segundo-analista/

OTAN: até quando?

Desde que a adesão do Reino Unido ao Mercado Comum abriu caminho a um alargamento contínuo da União Europeia, não é fácil detectar nela uma política externa digna desse nome. É que, por vezes, mais é menos: o compromisso palavroso, não a afirmação; o apagamento, não o poder. A União tem agora uma maioria de Estados que participaram nas aventuras imperiais dos Estados Unidos (dezasseis dos seus membros actuais contribuíram para a Guerra do Iraque); ela é retransmissora da ingerência de Washington na América Latina (daí o reconhecimento absurdo da oposição venezuelana como governo legal); ela finge opor-se aos caprichos da administração Trump, mas reposiciona-se de imediato nas suas fileiras se esta ameaça puni-la (sanções económicas contra as empresas que têm relações comerciais com o Irão). A Europa tinha mais peso no Médio Oriente antes do seu alargamento. E, se Charles de Gaulle se opunha à adesão do Reino Unido ao Mercado Comum porque pensava que este país se tornaria o cavalo de Tróia americano no Velho Continente, os Estados Unidos nada têm a temer do Brexit. Porque, com o passar das décadas, a União Europeia tornou-se a sua escuderia.

A dominação de Washington é ainda mais humilhante em matéria de defesa. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), criada durante a Guerra Fria, é o seu instrumento. Basta o aval da Casa Branca para que um Estado-membro desta aliança colonize um outro (a Turquia ocupa uma parte de Chipre há quarenta e cinco anos) ou trate um dos seus vizinhos como a sua «zona de segurança» – o exército de Ancara, o segundo da OTAN, acaba de invadir o Norte da Síria para aí liquidar a autonomia curda (ler, nesta edição, o artigo de Akram Belkaïd). Mas Washington convive bem com isto, tanto mais que o regime de Recep Tayyip Erdogan continua a vigiar uma das fronteiras marítimas da Rússia, a comprar 60% das suas armas aos Estados Unidos e a acolher ogivas nucleares americanas. Isto também importa pouco a Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN, uma marioneta americana enfarpelada com a eloquente alcunha de «Tony Blair norueguês», pois segundo ele a Turquia «actua com contenção e em coordenação com os outros aliados, de maneira a preservar os nossos ganhos face ao nosso inimigo comum, o Daech».

Ao invadir o Iraque em 2003 com um motivo falacioso, o país de que a OTAN é o obediente retransmissor provocou o actual caos no Médio Oriente. Aproveitando esse impulso, os Estados Unidos desencadearam (com outros) uma guerra na Líbia e, a seguir puseram em causa (desta vez sozinhos) o acordo nuclear de Julho de 2015 com o Irão – um acordo cuja assinatura marcara, no entanto, um dos raros momentos de sensatez desta década… Em Outubro passado, no momento de entregar os curdos ao exército turco sem consultar os seus «aliados» europeus da OTAN que estavam presentes no terreno, o presidente americano publicou um tuíte de uma franqueza admirável: «Espero que todos eles se desenrasquem, nós estamos a 11 000 quilómetros!»… Continuar a suportar este suserano extraordinário, que não tem outro interesse senão o seu, significa admitir uma definitiva relegação à categoria de protectorado. Para a Europa sair disto, tem de sair da OTAN [1].


[1] Ler Régis Debray, «A França deve abandonar a OTAN», Le Monde diplomatique – edição portuguesa, Março de 2013.

Ver o original em Le Monde Diplomatique PT (clique aqui)

Presidente Macron diagnostica OTAN com 'morte cerebral'

Presidente francês Emmanuel Macron
© REUTERS / Benoit Tessier

De acordo com o presidente da França, os Estados Unidos estão dando as costas ao projeto europeu. Está na hora de acordar, pontou Emmanuel Macron em entrevista.

"Estamos atualmente presenciando a morte cerebral da OTAN", afirmou Macron em entrevista à revista The Economist.

O presidente da França apontou que as nações europeias não podem mais ficar esperando que Estados Unidos defendam os aliados da Aliança Atlântica, destacando não haver coordenação alguma na "tomada de decisões estratégicas" entre os aliados da OTAN.

"Nenhuma [coordenação]. Há ações agressivas descoordenadas de outro aliado da OTAN, a Turquia, em uma área onde os nossos interesses estão em jogo", acrescentou.

Emanuel Macron manifestou as suas dúvidas acerca de eficiência do Artigo 5 do tratado da OTAN sobre "ataque a um membro da OTAN é ataque a todos os seus membros".

"Eu não sei", respondeu Macron, e indagou: "Mas o que o Artigo 5 da OTAN vai significar amanhã?"

Anteriormente, o presidente da França criticou as ações ofensivas da Turquia no nordeste da Síria, classificando-as como "loucura" e criticando também a incapacidade de reação da OTAN.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019110714744801-presidente-macron-diagnostica-otan-com-morte-cerebral/

A OTAN a ponto de implodir

 

O Conselho Atlântico reuniu-se a nível ministerial, nos dias 24 e 25 de Outubro de 2019, na sede da OTAN em Bruxelas. A reunião deu lugar a discussões ferozes entre a Alemanha, o Benelux e a França de um lado, e por outro os Estados Unidos e a Turquia.

Os antigos Estados do Pacto de Varsóvia, preocupados em não baixar a guarda face à Rússia, tentaram acalmar o jogo.

Ao contrário dos debates de 1966, quando a França recusara ter o seu Exército comandado por um oficial superior norte-americano e se retirou do Comando Integrado, o conflito não se refere à independência dos membros da Aliança face aos EUA, mas sobre a continuação da própria Aliança.

A Alemanha, o Benelux e a França exigiram uma intervenção militar no Nordeste da Síria, ao mesmo tempo contra as forças sírias e turcas (membros da OTAN), em apoio das forças curdas das YPG. Pelo contrário, os Estados Unidos e a Turquia argumentaram que as forças dos EUA não tinham mandato para estar na Síria e que as forças turcas agiam legalmente no quadro do Direito de perseguição em matéria de terrorismo.

Esta situação levanta a questão sobre o que se tornará a Aliança depois que os Estados Unidos decidiram e começaram a deixar de ser um Império.

Tendo a natureza horror ao vazio, a Alemanha, o Benelux e a França são claramente candidatos a formar um grupo para assumir a substituição, muito embora eles, por si sós, não tenham os meios para o fazer. No entanto, a Alemanha pensa dever permanecer no quadro da Aliança [1], enquanto a França imagina essa evolução no âmbito da UE (quer dizer, sem os Estados Unidos e o Reino Unido).

A título de referência, aquando da desintegração da URSS, o Pacto de Varsóvia não sobreviveu ao reconhecimento por Moscovo (Moscou-br) da independência dos Estados-membros. A «Doutrina Brejnev» (1968) justificava uma intervenção militar nos Aliados se a identidade socialista do Bloco de Leste estivesse em jogo. Assim, Moscovo pôde reprimir a «Primavera de Praga». Pelo contrário, em 1990, Mikail Gorbachev declarou que Moscovo já não dispunha de meios para ditar a sua lei aos seus aliados; um princípio que ele ridiculamente chamou de «Doutrina Sinatra» (em alusão à canção de Frank Sinatra, My Way ). Não houve, pois, repressão na Hungria e na Alemanha de Leste ao cair subitamente o Muro de Berlim.

A Aliança Atlântica dispõe paralelamente de Serviços Secretos stay-behind [2], encarregados de manter através de assassinatos, ou de mudanças de regime, os Estados-Membros na mesma linha identitária. Embora estes Serviços tenham sido várias vezes dissolvidos, eles continuam operacionais. No entanto, jamais havia sido previsto que o problema fosse colocado pelos Estados Unidos.


[1] “Pode o imperialismo alemão substituir o dos Estados Unidos?”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 26 de Outubro de 2019.

[2] NATO’s Secret Armies : Operation Gladio and Terrorism in Western Europe, («Exércitos Secretos da OTAN : Operação Gládio e Terrorismo na Europa Ocidental»-ndT), Daniele Ganser, Frank Cass (2004).



Ver original na 'Rede Voltaire'



OTAN 'ficou refém' do seu próprio processo de expansão, afirma historiador

Blindado norte-americano desembarca para operação da OTAN em Riga, na Lituânia, em 16 de outubro de 2019.
© REUTERS / Ints Kalnins

Em seu livro recém-publicado na Rússia, o ex-líder da URSS, Mikhail Gorbachev, classificou a expansão da OTAN como o "maior erro estratégico do Ocidente". Segundo declarou o historiador Mikhail Smolin ao serviço russo da Rádio Sputnik, esse erro era inevitável.

O ex-Líder soviético é alvo de críticas por não ter obtido uma garantia por escrito da OTAN de que a aliança não se expandiria para o Leste da Europa após o fim da Guerra Fria. Na ausência de tais garantias, a OTAN teria ignorado suas promessas verbais a Gorbachev e se expandido rumo ao leste.

O historiador Mikhail Smolin concorda com Gorbachev em que a expansão da OTAN foi um erro estratégico, uma vez que deixou a aliança "refém" do interesse de alguns Estados do Leste da Europa:

"[...] A inclusão de Estados do leste europeu criou um certo descontrole dentro da OTAN, uma fonte de tensão dentro da aliança, uma vez que os Estados do leste estão orientados para a lógica de que a OTAN deve protegê-los da imaginária 'ameaça' russa", disse Smolin.

De acordo com ele, um confronto com a Rússia não deve ser uma tarefa prioritária da aliança.

"A OTAN ficou refém da lógica de confrontação com a Rússia, a qual, acredito, só é útil para a aliança no plano da informação, para aumentar seus armamentos, manter sua estrutura. Não acredito que a OTAN vislumbre um confronto militar real com a Rússia, até porque neste confronto não haveria vencedores."

Apesar disso, o historiador considera que dificilmente a OTAN poderia ter evitado a armadilha na qual se encontra atualmente:

"Este erro estava programado na própria construção desse bloco, uma vez que ele foi criado para uma confrontação com a União Soviética, e agora com a Federação da Rússia", concluiu Smolin.

Expansão da OTAN

Desde o fim da Guerra Fria, a OTAN já executou quatro rodadas de expansão para o Leste europeu. Na primeira, em 1999, integrou a República Tcheca, Polônia e Hungria. Na segunda, em 2004, integrou sete países da região, inclusive os três países bálticos – Lituânia, Letônia e Estônia.

As mais recentes rodadas de expansão ocorreram em 2004, quando a Croácia e Albânia tornaram-se membros da Aliança, e em 2017, ano da integração de Montenegro.

Secretário de Defesa dos EUA, Mark Spencer, chega em reunião da OTAN, em 24 de outubro de 2019. A OTAN tem 29 membros, 13 dos quais aderiram à organização após a reunificação alemã
© REUTERS / Virginia Mayo
Secretário de Defesa dos EUA, Mark Spencer, chega em reunião da OTAN, em 24 de outubro de 2019. A OTAN tem 29 membros, 13 dos quais aderiram à organização após a reunificação alemã

O ex-líder soviético, Mikhail Gorbachev, publicou em setembro em Moscou um livro intitulado "Shto postavleno na kartu: buduschee globalnovo mira" (O que está em jogo? O futuro do mundo global, em tradução livre), ainda sem previsão para publicação em português.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019102814701379-otan-ficou-refem-do-seu-proprio-processo-de-expansao-afirma-historiador/

Expansão da OTAN foi o maior erro estratégico do Ocidente, diz ex-líder soviético Gorbachev

Ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev (foto de arquivo)
© AP Photo / Ivan Sekretarev

O ex-presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, considera a decisão de expansão da OTAN o maior erro estratégico do Ocidente – um passo para minar a confiança que surgiu com o fim da Guerra Fria.

"Eu nunca escondi minha opinião: a decisão de ampliar a OTAN foi o maior erro estratégico do Ocidente, um passo para desestabilizar a situação político-militar na Europa e além", observa o ex-líder soviético em seu novo livro.

O político destaca que tanto a OTAN como o Pacto de Varsóvia estavam em processo de revisão das doutrinas militares, e chegaram até mesmo a um acordo para reduzir as forças armadas, que foi assinado pelos membros dessas alianças.

"Seria absurdo e ridículo propor então, no contexto da existência da Organização do Pacto de Varsóvia, algum 'acordo juridicamente vinculativo' sobre a não proliferação da OTAN para a Europa Oriental […] Seríamos acusados de quebrar o Pacto de Varsóvia com as nossas próprias mãos", sublinha Gorbachev.

Fim da Guerra Fria

Na opinião do político russo, a liderança soviética fez o seu melhor nessas condições.

"A Rússia tinha todo o direito de exigir que não só as letras fossem observadas, mas também o espírito dos acordos e compromissos assinados. Alguns anos mais tarde, a decisão de expandir a OTAN foi um passo no sentido de minar a confiança que surgiu com o fim da Guerra Fria. E a Rússia não pôde deixar de tirar conclusões a partir daí", acrescenta o político.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019102814700268-expansao-da-otan-foi-o-maior-erro-estrategico-do-ocidente-diz-ex-lider-sovietico-gorbachev/

OTAN descarta envio de tropas para norte da Síria

Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, durante cúpula da União Europeia, em Bruxelas (arquivo)
© Sputnik / Alexey Vitvitsky

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg, descartou, neste momento, o envio de tropas da aliança para o norte da Síria, região que vive dias de grandes tensões.

Após uma reunião com ministros da Defesa do bloco nesta quinta-feira, Stoltenberg pontuou que nenhum dos presentes solicitou a instalação de forças da OTAN naquela região, palco de uma ofensiva da Turquia contra militantes curdos-sírios.

Tal discussão ocorre em meio a um pedido da ministra da Defesa da Alemanha, Annegret Kramp-Karrenbauer, para debater com aliados a criação de uma zona de segurança internacional no norte da Síria.

​"Não houve um pedido específico por tropas da OTAN no norte da Síria. Houve um pedido por um forte engajamento político internacional... E a ministra da defesa alemã apresentou suas propostas", disse o secretário-geral em coletiva de imprensa.

De acordo com Soltenberg, a aliança militar ocidental favorece o envolvimento internacional no norte da Síria em apoio a uma solução política baseada nos esforços da ONU nesse sentido.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102414685868-otan-descarta-envio-de-tropas-para-norte-da-siria/

NATO comenta memorando da Rússia e Turquia sobre Síria

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan em 22 de outubro de 2019
© Sputnik / Ramil Sitdikov

Os ministros da Defesa da NATO/OTAN discutirão a situação no nordeste da Síria na quinta (24) e sexta-feira (25), informou o secretário-geral da aliança Jens Stoltenberg.

Além disso, Jens Stoltenberg afirmou que a aliança considera que é prematuro avaliar os acordos entre a Rússia e a Turquia.

"Penso que é prematuro avaliar as consequências do acordo alcançado pelos presidentes da Turquia e da Rússia", disse Stoltenberg aos repórteres na quarta-feira (23).

Ao mesmo tempo, Stoltenberg observou que o acordo de cessar-fogo no nordeste da Síria, previamente concluído com mediação dos EUA, é a base para uma solução política do conflito.

"Vimos que se pode avançar para uma solução política [...] Temos que continuar avançando para obter uma solução política real e negociada na Síria", afirmou.

Memorando de entendimento

Nesta terça-feira (22), os presidentes da Rússia e da Turquia se reuniram para negociações no balneário russo de Sochi. Na agenda estava a ofensiva militar turca no nordeste da Síria. Após mais de sete horas de negociações, os líderes assinaram um memorando de entendimento.

O acordo prevê que as milícias curdas – o principal alvo das operações turcas – irão se afastar a uma distância mínima de 30 km da fronteira com a Turquia.

A operação turca, por sua vez, irá continuar somente entre as localidades de Tel Abyad e Ras al-Ayn, entrando no máximo em uma profundidade de 32 km no território sírio.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102314678573-otan-comenta-memorando-da-russia-e-turquia-sobre-siria/

A gaffe nuclear da NATO

Manlio Dinucci (*)

É um segredo de Polichinelo. Mas é também um dos desmentidos mais formidáveis da Aliança Atlântica: bombas nucleares estão armazenadas, violando o Direito Internacional, em Itália, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Turquia.

Por lapso, um membro da Assembleia Parlamentar da NATO reproduziu-o num relatório, prontamente retirado.
Que os EUA mantêm bombas nucleares naqueles cinco países da NATO está há muito comprovado, em especial pela Federação dos Cientistas Americanos (1). No entanto, a NATO nunca o admitiu oficialmente. Mas algo deu para o torto.

No documento intitulado Uma nova era para a dissuasão nuclear? Modernização, controle de armas e forças nucleares aliadas, publicado pelo senador canadiano Joseph Day, em nome da Comissão de Defesa e Segurança da Assembleia de Defesa da NATO, o “segredo” veio a público. Através da função “copiar/colar”, o senador mencionou, inadvertidamente, nesse documento o seguinte parágrafo (número 5), extraído de um relatório confidencial da NATO:

“No contexto da NATO, os Estados Unidos instalaram em posições avançadas, na Europa, cerca de 150 armas nucleares, especificamente bombas gravitacionais B61. Estas bombas estão armazenadas em seis bases dos EUA e europeias: Kleine Brogel, na Bélgica, Buchel, na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre, na Itália, Voikel, na Holanda, Incirlik, na Turquia. No cenário hipotético de serem necessárias, as bombas B61 podem ser transportadas por aviões de dupla capacidade, dos EUA ou da Europa”.

Ao acusar a Rússia de manter muitas armas nucleares tácticas no seu arsenal, o documento afirma que as armas nucleares instaladas pelos EUA em posições avançadas na Europa e na Anatólia (ou seja, perto do território russo) servem para “garantir o amplo envolvimento dos Aliados na missão nuclear da NATO e como confirmação concreta do compromisso nuclear dos EUA com a segurança dos aliados europeus da NATO”.

Assim que o documento do senador Joseph Day foi publicado online, a NATO interveio, excluindo-o e tornando a publicá-lo numa versão corrigida. No entanto, foi tarde demais. Alguns sites (sobretudo, o belga De Morgen) já o tinham registado na versão original completa (2). Nesta altura, o autor descuidado correu a proteger-se, escrevendo no The Washington Post que se tratava, simplesmente, de um rascunho para a preparação de um relatório da Assembleia Parlamentar NATO, que será publicado em Novembro (3). No entanto, não pode negar o que estava escrito no parágrafo mencionado no relatório confidencial da NATO.

Isto confirma o que, desde há anos, temos documentado (4): em Aviano, os caças F-16C/D estão prontos para um ataque nuclear com 50 bombas B61 (número estimado pela Federação de Cientistas Americanos); em Ghedi-Torre, os Tornado PA-200 italianos estão prontos para o ataque nuclear sob comando EUA, com 20 bombas B61. A partir de 2020, as B61 serão substituídos pelas B61-12, destinadas especialmente aos novos caças F-35.

Tudo isto violando o Tratado de Não-Proliferação, ratificado quer pelos EUA, quer pela Itália — enquanto o Parlamento [italiano] se divide sobre o TAV [comboio de alta velocidade], mas não sobre a Bomba, que tacitamente aprova por unanimidade.

———

(*) Geógrafo e analista geopolítico. Escreve no jornal italiano Il Manifesto. Artigo publicado em 26 Agosto 2019
(1) “MFA State Minister Hoyer Defends Withdrawal of Tactical Nukes, New CFE Initiatives”, ambassador Philip Murphy, November 12, 2009, source Wikileaks. “Non-Strategic Nuclear Weapons”, Hans Kristensen, FAS, May 2012.
(2) De Morgen, Juni-juli 2019.
(3) “Secret locations of U.S. nuclear weapons in Europe accidentally included in report from NATO parliament”, Adam Taylor, Washington Post, July 16, 2019.
(4) “As 300 Hiroshimas da Itália”, Manlio Dinucci, Il Manifesto, Dezembro 2015

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

Presidente francês Macron critica reação da OTAN à ofensiva turca no norte da Síria

Presidente francês Emmanuel Macron durante reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, em 19 de agosto de 2019.
© Sputnik / Sergey Guneev

O presidente francês Emmanuel Macron lamentou nesta sexta-feira (18) as ações ofensivas da Turquia no norte da Síria classificando-as como "loucura" e criticando a incapacidade de reação da OTAN à agressão como um "erro sério".

Presidente francês também disse que ele descobriu sobre a decisão dos EUA de retirar suas forças do norte da Síria através do Twitter, o que combinado com a ofensiva unilateral de Ancara faz com que a Europa vire um aliado júnior no Oriente Médio.

"Como todos os outros, eu descobri através de tweet que os Estados Unidos decidiram retirar suas tropas", salientou Macron citado pela agência Reuters.

"Eu considero que aquilo que aconteceu nos últimos dias é um erro sério da parte do Ocidente e da OTAN na região e isso enfraquece nossa credibilidade para encontrar aliados no terreno que fiquem do nosso lado pensando que serão protegidos no longo prazo, e assim isto suscita questões sobre como a OTAN funciona", disse Macron aos jornalistas após a cúpula do Conselho Europeu que decorreu em Bruxelas.

Macron acrescentou que ele, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e a chanceler alemã Angela Merkel iriam se encontrar com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan nas próximas semanas, provavelmente em Londres.

"É importante haver um encontro e coordenação entre as três nações europeias e a Turquia", disse ele.

"Precisamos saber para onde a Turquia está indo e como trazê-la de volta a uma posição razoável que permita elaborar sua segurança interna com respeito pela nossa agenda e com uma solidariedade correta no seio da OTAN", ressaltou o presidente francês.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101814661893-presidente-frances-macron-critica-reacao-da-otan-a-ofensiva-turca-no-norte-da-siria/

'Não haverá OTAN': Biden prevê efeitos de reeleição do 'errático' presidente Trump

Joe Biden
© AP Photo / Steven Senne

Se o presidente Donald Trump for reeleito, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) será uma coisa do passado, afirmou na terça-feira (15) Joe Biden, ex-vice-presidente norte-americano e favorito pré-candidato democrata para eleições presidenciais de 2020.

Biden, falando em Ohio no debate dos pré-candidatos democratas à presidência dos EUA, em 15 de outubro, abordou questões de política externa ao sublinhar o Artigo 5 da OTAN, que prevê que um ataque a um membro é um ataque a todos os membros.

Trump questionou se "manterá ou não esse compromisso sagrado", afirmou Biden, ressaltando que "se Trump for reeleito, prometo-lhe que não haverá OTAN. A nossa segurança será muito subestimada, estaremos em verdadeiros apuros".

"Temos um presidente errático e louco que não sabe nada sobre política externa e opera sob seu próprio medo."

No início deste ano, no começo da temporada de debates de pré-candidatos democratas, o ex-vice-presidente dos EUA e pré-candidato à presidência, Joe Biden, afirmou na Flórida que o destino da OTAN seria sombrio com reeleição do presidente dos EUA.

"Nós sabemos que a OTAN será desmembrada se ele [Trump] for eleito por mais quatro anos; é a aliança mais consequente na história dos EUA", ressaltou o pré-candidato.

Críticas de Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, critica frequentemente a OTAN, inclusive a contribuição desigual dos membros da aliança.

Antes mesmo de tomar posse, Trump ponderou a utilidade da Aliança Atlântica. "Não me importo com a OTAN, mas ela deve ser reconstituída e modernizada", declarou Trump em março de 2016.

"Estamos lidando com a OTAN desde os tempos da União Soviética, que já não existe. Precisamos fazer a transição para o terror ou precisamos de outra coisa, porque temos de unir os países", acrescentou na época.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019101614644088-nao-havera-otan-biden-preve-efeitos-de-reeleicao-do-erratico-presidente-trump/

MANLIO DINUCCI: A NATO POR TRÁS DO ATAQUE TURCO À SÍRIA

                                                   

                                     

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A Alemanha, a França, a Itália e outros países que, em trajes de membros da União Europeia, condenam a Turquia pelo ataque à Síria, são, juntamente com a Turquia, membros da NATO, a qual, quando já estava em curso o ataque, reiterou o seu apoio a Ancara. Fê-lo oficialmente, o Secretário Geral da NATO, Jens Stoltenberg, encontrando-se em 11 de Outubro na Turquia, com o Presidente Erdoğan e com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Çavuşoğlu.
 
“A Turquia está na primeira linha, nesta região muito volátil, nenhum outro Aliado sofreu mais ataques terroristas do que a Turquia, ninguém está mais exposto à violência e à turbulência proveniente do Médio Oriente”, disse Stoltenberg, reconhecendo que a Turquia tem preocupações “legítimas” com a sua própria segurança”. Depois de, diplomaticamente, tê-lo aconselhado a “agir com moderação”, Stoltenberg salientou que a Turquia é “um Aliado valoroso da NATO, importante para a nossa defesa colectiva”, e que a NATO está "fortemente empenhada em defender a sua segurança”. Para esse fim - especificou - a NATO aumentou a sua presença aérea e naval na Turquia e investiu mais de 5 biliões de dólares em bases e infraestruturas militares. Além do mais, colocou um comando importante (não mencionado por Stoltenberg): o LandCom, responsável pela coordenação de todas as forças terrestres da Aliança.

 

Stoltenberg evidênciou a importância dos “sistemas de defesa antimísseis” inseridos pela NATO para “proteger a fronteira sul da Turquia”, fornecidos em rotação pelos Aliados. A este respeito, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Çavuşoğlu agradeceu, em particular, à Itália. Desde Junho de 2016, a Itália instalou na província turca do sudeste, em Kahramanmaraş, o “sistema de defesa aérea” Samp-T, produzido em conjunto com a França. Uma unidade Samp-T compreende um veículo de comando e controlo e seis veículos lançadores, cada um armado com oito mísseis. Situados perto da Síria, eles podem abater qualquer avião no espaço aéreo sírio. Portanto, a sua função, é tudo menos defensiva. Em Julho passado, a Câmara e o Senado, com base na decisão das comissões estrangeiras conjuntas, deliberaram prolongar, até 31 de Dezembro, a presença da unidade de mísseis italiana na Turquia. Stoltenberg também informou que estão em curso negociações entre a Itália e a França, produtores conjuntos do sistema de mísseis Samp-T e a Turquia, que deseja comprá-lo. Neste ponto, com base no decreto anunciado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Di Maio, para bloquear a exportação de armas para a Turquia, a Itália deveria retirar imediatamente o sistema de mísseis Samp-T do território turco e comprometer-se a não vendê-lo à Turquia.

 

Continua, assim, o trágico teatro da política, enquanto na Síria o sangue continua a jorrar. Os que hoje ficam horrorizados com os novos massacres e pedem para bloquear a exportação de armas para a Turquia, são os mesmos que voltaram a cabeça quando o próprio New York Times publicou uma investigação detalhada sobre a rede da CIA, através da qual chegavam à Turquia, também da Croácia, rios de armas para a guerra camuflada na Síria (il manifesto, 27 de Março de 2013 e Réseau Voltaire).
Depois de ter demolido a Federação Jugoslava e a Líbia, a NATO tentou a mesma operação na Síria. A força do choque era constituída por um exército agressivo de grupos islâmicos (até há pouco rotulados por Washington como terroristas) provenientes do Afeganistão, da Bósnia, da Chechénia, da Líbia e de outros países. Eles afluíam às províncias turcas de Adana e Hatai, na fronteira com a Síria, onde a CIA tinha aberto centros de formação militar. O comando das operações estava a bordo de navios da NATO, no porto de Alessandretta. Tudo isto é suprimido e a Turquia é apresentada pelo Secretário Geral da NATO como o Aliado “mais exposto à violência e à turbulência do Médio Oriente”.
il manifesto, 15 de Outubro de 2019
RETIRADO DE NO WAR NO NATO
 

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A AGENDA DÚPLICE ASSUMIDA PELA ONU E PELA NATO

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Autor: Ramona Wadi, via The Strategic Culture Foundation,
Para os não atentos, as Nações Unidas (ONU) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) desempenham papeis diferentes na arena internacional. Porém, ambas as organizações têm um objetivo comum – a promoção da intervençâo estrangeira. Enquanto a ONU promove a fachada humanitária, a NATO fornece a militarização da proclamada agenda de direitos humanos da ONU.
A participação da NATO na 74ª sessão da Assembleia Geral da ONU em Setembro, proporcionou uma visão panorâmica da presente colaboração da organização com a ONU. Jens Stoltelberg, o secretário-geral da NATO, mencionou a colaboração das organizações como uma “junção de forças para apoiar o Afeganistão e o Iraque”.
Desde a década de 1990, a cooperação entre a ONU e a NATO tem sido baseada num quadro que incluía a tomada de decisões e estratégia sobre “gestão de crises e na luta contra o terrorismo.” Em 2001, o presidente dos EUA, George W. Bush, lançou a sua ‘Guerra ao Terror’ que se veio finalmente a alargar, deixando o Médio Oriente e Norte de África em estado de permanente desestabilização/agitação, tendo sido este estado designado pelo eufemismo da(s) dita(s) Primavera(s) Árabe(s).
Embora as invasões do Afeganistão em 2001 e do Iraque em 2003 tenham sido conduzidas pelos EUA, vale a pena notar que a ausência da NATO (enquanto tal) nesse momento, não é equivalente à exclusão de acções bélicas por parte de Estados-membros da NATO. Nomeadamente, a invasão do Afeganistão pelos EUA invocou o Artigo 5 do Tratado da NATO, que estipula que um ataque contra um Estado-membro da NATO constitui um ataque contra todos os restantes Estados-membros.
“Para que a cooperação e a comunicação NATO-ONU permaneçam significativas, têm de continuar a evoluir.”
declaração no site da NATO é uma abordagem burocrática que se dissocia das violações dos direitos humanos criadas e mantidas por ambas as partes, que formam as premissas dessa colaboração.
A Resolução do Conselho de Segurança da ONU, Resolução 1373 (2001), sobre a qual a NATO baseia a sua colaboração com a ONU, reafirma: “O direito inerente de autodefesa dos Estados individuais ou a autodefesa colectiva, tal como é reconhecida pela Carta das Nações Unidas.” A resolução fornece impunidade aos Estados-membros e outros colaboradores da ONU, incluindo a NATO, para definir o que constitui o terrorismo, ao passo que elimina a intervenção estrangeira como sendo um acto de terror, apesar das ramificações que duram muito tempo após a intervenção ter cessado, ou ter sido minimizada.
A duplicidade ONU-NATO é exposta no discurso de Stoltenberg quando ele afirma, “A NATO tem também contribuído para desenvolver as normas de rejeição da ONU para contra-atacar os engenhos explosivos improvisados, que permanecem uma das grandes ameaças às tropas de manutenção da paz.”
Por que motivo a ONU e NATO estão a privilegiarformas rudimentares de guerra em vez de bombardeamentos de precisão, que têm matado milhares de civis em nome do combate ao terror e da democracia?
Em 2011, o embargo de armas do Conselho de Segurança da ONU era suposto prevenir a proliferação de armas na posse dos rebeldes na Líbia – uma contradição, dada a autorização dada pelo Conselho de Segurança de bombardear a Líbia. A França, no entanto, desrespeitou a resolução ao declarar publicamente a sua proliferação de armas aos rebeldes na Líbia, com o pretexto de sua necessidade para proteger os civis líbios. A NATO negou o seu envolvimento enquanto organização, em fornecer armas aos rebeldes, apesar do facto de tal acção ser levada a cabo por um membro da NATO.
Com a ONU a aceitar a intervenção estrangeira e com a NATO a efectuar atrocidades, pode a ONU limitar-se às alegadas funções humanitárias e de construtor da paz, das quais nunca houve um declínio, devido ao dano irreparável que ambas as organizações causaram, destruindo países explorados, colonizados e devastados. A cooperação que a NATO elogia não reside numa divisão de funções, mas antes num confundir a diferenciação entre guerra e humanitarismo, de modo a dar origem a ambas sob uma agenda dissimulada.
A NATO mantém que o Conselho de Segurança da ONU detém “a responsabilidade primária” de manter a paz e a segurança internacionais. O que essa afirmação omite são os interesses individuais de cada membro, assim como a sua estrutura colectiva como membros da NATO. Para satisfazer o Conselho de Segurança da ONU, os interesses individuais e os membros da NATO, é necessário um denominador comum. Para os perpetuadores das intervenções estrangeiras, a guerra constitui o compromisso em que estão envolvidos. Outubro 4, 2019
 

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Pentágono 'pressiona' OTAN para tomar medidas contra Turquia

Mark Esper, secretário de Defesa dos EUA
© REUTERS / Erin Scott

A operação turca no norte da Síria "minou" a campanha liderada pelos EUA contra os terroristas do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países), segundo o Pentágono.

Por isso, o Pentágono decidiu advertir que Washington "pressionará" seus aliados da OTAN para sancionar Ancara.

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, anunciou a retirada das forças norte-americanas do nordeste da Síria, ao mesmo tempo que considera que a ação militar turca foi "desnecessária e impulsiva".

"Visitarei a OTAN na próxima semana em Bruxelas, onde planejo pressionar nossos outros aliados para que tomem medidas diplomáticas e econômicas coletivas e individuais em resposta às ações turcas", afirmou Mark Esper.

Em seu comunicado, Esper anunciou que o "presidente [turco Recep Tayyip] Erdogan tem toda a responsabilidade" por "um possível ressurgimento do Daesh, possíveis crimes de guerra e uma crescente crise humanitária".

Entre outras coisas, observou que a responsabilidade por "baixas generalizadas, refugiados, destruição, insegurança e ameaça crescente para as forças militares norte-americanas" radica exclusivamente nas ações turcas.

Fumaça subindo sobre a cidade fronteiriça síria de Tel Abyad vista da cidade turca de Akcakale
© REUTERS / Stoyan Nenov
Fumaça subindo sobre a cidade fronteiriça síria de Tel Abyad vista da cidade turca de Akcakale

Não obstante a Turquia ter avisado antecipadamente os governos da região e aliados da OTAN sobre seus planos de lançar a operação no norte da Síria, altos funcionários de Washington qualificaram a campanha como imprudente e irresponsável.

Por sua vez, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Ancara com sanções e anunciou o aumento de 50% nas tarifas de importação de aço.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019101514636938-pentagono-pressiona-otan-para-tomar-medidas-contra-turquia/

Noruega diz 'não' ao escudo de defesa antimísseis da OTAN

Governo norueguês se recusa a integrar o sistema antimísseis da OTAN, mas aumenta os gastos com defesa, cedendo a pressões da aliança.

O governo da Noruega decidiu recusar a instalação do escudo de defesa antimísseis da OTAN em seu território. O debate sobre a possível participação da Noruega gerou controvérsia por poder afetar as relações bilaterais com a Rússia.

"Após uma avaliação extensa da situação de segurança, o governo decidiu que a Noruega não irá considerar a compra de sensores avançados ou mísseis de interceptação que possam fazer parte do sistema de defesa antimísseis balísticos da OTAN", declarou a comissão de orçamento do país escandinavo.

"Eu acho que isso irá evitar futuras tensões", declarou a especialista em assuntos da Rússia Julie Wilhelmsen, do Instituto Norueguês de Relações Internacionais (NUPI, na sigla em inglês), conforme reportou o canal local TV2.

Em 2017, um documento secreto da defesa norueguesa alegava a "ameaça" da Rússia como a razão pela qual a Noruega deveria aderir ao "escudo antimísseis". O documento também listava algumas falhas estratégicas graves no sistema de defesa antiaérea do país, o que o incapacitaria de "se defender sozinho".

Gastos de defesa em alta 

Por outro lado, o governo do país escandinavo aumentou o seu gasto com defesa em mais de R$ 2,3 bilhões. A cifra atual representa 1,8% do PIB norueguês e um esforço para atingir a meta estipulada pela OTAN de 2% do PIB em gastos de defesa.

No início do ano, a Noruega havia caído três posições no ranking de contribuintes da OTAN. Atualmente o país ocupa a décima terceira posição, uma queda em relação à décima posição em 2017.

"A maioria dos outros países aumentou os seus gastos de forma mais significativa do que a Noruega. E foi por isso que caímos no ranking de contribuições", explicou o secretário-geral da OTAN e ex-primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, ao jornal local Verdens Gang.

Porta-voz da OTAN e ex-primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg
© AP Photo / Virginia Mayo
Porta-voz da OTAN e ex-primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg

O ministro da Defesa do país, Frank Bakke-Jensen, rebateu a alegação de que o país gasta pouco com as suas Forças Armadas: "Manter as capacidades antigas pode ser mais caro do que as novas. Os avanços tecnológicos fizeram as Forças Armadas ficarem muito mais caras, então não há dúvidas que nós estamos dedicando recursos para as Forças Armadas".

Escudo de defesa antimísseis da OTAN na Europa

Durante a última década, os planos da OTAN para instalar seu escudo de defesa antimísseis na Europa geraram muitas tensões no relacionamento entre a aliança e a Rússia.

Apesar de a aliança insistir que o objetivo do sistema não é confrontar a Rússia, mas defender-se de mísseis provenientes de países extracontinentais, Moscou argumenta que o sistema quebra o equilíbrio de forças entre as potências nucleares na Europa e pode provocar uma nova corrida armamentista.

Um soldado da OTAN durante manobras militares na Noruega
Um soldado da OTAN durante manobras militares na Noruega

A posição da Noruega sobre a instalação do escudo antimísseis é oscilante. Se inicialmente o país escandinavo era a favor da instalação, em 2010 manifestou-se contra. Ironicamente, no grupo que se opunha à instalação do sistema encontrava-se o atual secretário-geral da OTAN, Stoltenberg, na época líder do Partido Trabalhista local.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019100814609183-noruega-diz-nao-ao-escudo-de-defesa-antimisseis-da-otan/

OTAN organizará as maiores manobras militares na Europa desde a Guerra Fria

Soldados da OTAN
© AP Photo / Mindaugas Kulbis

O membro do Comitê das Forças Armadas do Congresso dos EUA, John Garamendi, anunciou que a OTAN irá organizar as maiores manobras da Europa desde o final da Guerra Fria.

"Os EUA e outros países realizarão os maiores exercícios militares europeus desde a era da Guerra Fria", disse ele ao discursar no VI Fórum de Segurança de Varsóvia.

Ao mesmo tempo, John Garamendi afirmou, sem especificar datas, que o objetivo das manobras militares é fortalecer a defesa dos membros da Aliança e a cooperação entre eles.

Segundo o congressista, os EUA mostrarão seu apoio aos membros europeus da OTAN em sua confrontação com a Rússia.

"Ao contemplar esse exercício, a Rússia não duvidará do apego dos EUA à OTAN", disse ele.

A OTAN vem realizando nos últimos anos inúmeras atividades de grande porte perto das fronteiras ocidentais da Rússia, o que a Aliança do Norte classifica como "contenção à agressão russa".

Moscou repetidamente vem demonstrando preocupação com o aumento das forças da Aliança na Europa, destacando que a Rússia não representa ameaça para ninguém, mas não desconsiderará ações potencialmente perigosas para seus interesses.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019100314594270-otan-organizara-na-europa-as-maiores-manobras-militares-desde-a-guerra-fria/

Militares sírios teriam encontrado arsenal originário da OTAN e EUA dentro de caverna em Idlib

Soldado do Exército sírio
© Sputnik / Mikhail Voskresensky

Os militares sírios descobriram foguetes e metralhadoras dos EUA e da OTAN, que pertenciam aos extremistas, dentro de uma caverna localizada na província síria de Idlib, informou um representante do Exército sírio.

A fonte revelou que a caverna fazia parte de uma extensa rede subterrânea que poderia acomodar cerca de 5.000 pessoas e estava localizada perto da cidade de Al-Lataminah, no norte da Síria.

Esta rede foi criada há mais de 4 anos com a ajuda de máquinas estrangeiras e serviu de base para lançar ataques contra tropas governamentais, segundo a fonte.

Há algum tempo, os militares sírios forçaram os grupos armados ilegais a retirar-se desta região para a fronteira com a Turquia, antes de recuar eles dinamitaram a caverna para "não deixar provas".

Rede subterrânea

"Mas as provas permanecem. Podem ver com os seus próprios olhos que armas estavam sendo usadas. Descobrimos foguetes feitos nos EUA e metralhadoras fabricadas em países da OTAN", disse o representante do Exército aos repórteres, adicionando que na rede subterrânea havia uma oficina onde eram fabricados drones.

"Eles equipavam esses drones com bombas e munições cheias de elementos de destruição e atacavam a população civil e as posições do Exército sírio com esses dispositivos", complementou.

Desde março de 2011, a Síria vive um conflito em que as forças governamentais enfrentam grupos armados da oposição e facções terroristas.

Operação do Exército sírio

Em agosto, o governo sírio conduziu uma operação militar durante a qual apreendeu partes das províncias de Hama e Idlib que eram controladas por militantes desde 2014.

No dia 4 de abril de 2017, a oposição síria alegou que mais de 80 pessoas foram mortas em um ataque químico em Khan Shaykhun, culpando o governo sírio. Embora Damasco tenha negado veementemente as acusações que não forneceram provas convincentes, os EUA atacaram a base aérea de Shayrat controlada pelo governo sírio três dias depois.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019092614563889-militares-sirios-encontram-arsenal-originario-da-otan-e-eua-dentro-de-caverna-em-idlib/

OTAN desenvolve plano de 'manutenção da superioridade' sobre adversários

No âmbito da sua nova estratégia militar, a OTAN tenciona realizar métodos experimentais de resistência contra ameaças provenientes de várias esferas em simultâneo.

No sábado (14), o presidente do Comitê Militar, Stuart Peach, afirmou que essa nova estratégia deveria permitir manter a superioridade perante os potenciais adversários.

A estratégia da OTAN renovada na primavera deste ano foi aprovada pelo Comitê Militar, principal órgão militar da aliança, e está dirigida para a "adaptação aos desafios de segurança em mudança e também para a determinação de caminhos para uma contenção eficaz".

A estratégia militar é um documento confidencial.

No sábado (14), o presidente do Comitê Militar da OTAN, marechal da Aeronáutica Stuart Peach, revelou alguns pontos da estratégia em seu discurso durante uma reunião na Eslovênia, onde serão discutidas as questões da contenção e defesa na região euro-atlântica e também do conceito de realização de operações militares.

"Neste ano nós, pela primeira vez desde 1967, assinámos uma nova estratégia militar da OTAN. Isso suporta os três objetivos principais da Aliança do Atlântico Norte – a defesa coletiva, a gestão de crise e a segurança coletiva" disse ele.

Segundo Peach, as concepções desenvolvidas permitirão também "definir a prioridade das capacidades, do desenvolvimento das forças e da experimentação para a oposição aos desafios".

"Isso permitirá a OTAN manter a superioridade perante os adversários, potencias ou reais, nos permitirá exercer nossas missões principais", adicionou ele.

Comitê Militar da OTAN

O Comitê Militar da OTAN é o órgão militar superior da Aliança que é responsável pela consultoria do órgão político principal de decisão – o Conselho do Atlântico Norte, e também do Grupo de Planejamento Nuclear.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019091414517221-otan-desenvolve-plano-de-manutencao-da-superioridade-sobre-adversarios/

Sob o “escudo” de mísseis nucleares USA na Europa

 
 
Manlio Dinucci*
 
Após a retirada dos EUA do Tratado INF, a Aliança Atlântica torna a instalar os seus lançadores e mísseis nucleares de médio alcance. Transforma a Europa Central e Ocidental, assim como o Pacífico, em campos de batalha.
 
A instalação de mísseis da NATO em Deveselu, na Roménia, que faz parte do sistema Aegis americano, de “defesa anti-mísseis”, terminou a “actualização” que começou em Abril passado. Comunica a NATO, assegurando que “não conferiu nenhuma capacidade ofensiva ao sistema”, que o mesmo “permanece puramente defensivo, concentrado em ameaças potenciais provenientes do exterior da área euro-atlântica”.
 
A unidade de Deveselu está dotada (de acordo com a descrição oficial) com 24 mísseis, instalados em lançadores verticais subterrâneos, para a interceptação de mísseis balísticos de curto e médio alcance. Outro local, que ficará operacional em 2020, na base polaca de Redzikowo, também será equipado com este sistema. Lançadores do mesmo tipo estão a bordo de quatro navios da Marinha dos EUA que, localizados na base espanhola de Rota, navegam no Mediterrâneo, no Mar Negro e no Mar Báltico.
 
 
A própria instalação dos lançadores mostra que o sistema é dirigido não contra a “ameaça iraniana” (como declaram os EUA e a NATO), mas, principalmente, contra a Rússia. Que o designado “escudo” não é “puramente defensivo”, explica a própria indústria de guerra que o produziu, a Lockheed Martin. Ela documenta que o sistema é “projectado para instalar qualquer tipo de míssil em qualquer tubo de lançamento”, portanto, está adaptado para “qualquer missão de guerra”, incluindo “ataque a alvos terrestres”. A Lockheed Martin especifica que os tubos de lançamento maiores, podem lançar “mísseis maiores, como os de defesa contra mísseis balísticos e os destinados a ataques de longo alcance”. Assim, admite, fundamentalmente, que as instalações na Roménia e na Polónia e os quatro navios do sistema Aegis podem ser armados não só com mísseis anti-mísseis, mas também com mísseis de cruzeiro Tomahawk de ogivas nucleares capazes de atingir alvos a milhares de quilómetros de distância.
 
Como documenta o *Serviço de Pesquisa do Congresso (24 de Julho de 2019), os quatro navios dos EUA que “operam em águas europeias para defender a Europa de potenciais ataques de mísseis balísticos” fazem parte de uma frota de 38 navios Aegis, que em 2024, aumentarão para 59. **No ano fiscal de 2020, é atribuído 1,8 biliões de dólares para actualizar esse sistema, incluindo os instalados na Roménia e na Polónia. Outras instalações terrestres e navios do sistema Aegis serão instalados não só na Europa contra a Rússia, como também na Ásia e no Pacífico contra a China.
 
De acordo com os planos, o Japão instalará no seu território duas instalações missílisticas fornecidos pelos EUA; a Coreia do Sul e a Austrália, irão adquirir navios USA do sistema Aegis. Mais ainda, nos três meses em que o equipamento de Deveselu foi levado para os EUA para ser “actualizado”, foi colocada na instalação da Roménia, ***uma bateria de mísseis móveis Thaad do Exército USA, capaz de “derrubar um míssil balístico tanto dentro, como fora da atmosfera”, mas também capaz de lançar mísseis nucleares de longo alcance. Reposto em funcionamento o sistema Aegis – comunica a NATO - ****o Thaad foi “retirado”. Não especifica para onde. Sabe-se, no entanto, que os militares dos EUA instalaram baterias de mísseis deste tipo, de Israel para a ilha de Guam, no Pacífico.
 
À luz destes factos, no momento em que os Estados Unidos destroem o Tratado para instalar mísseis nucleares de médio alcance perto da Rússia e da China, não espanta o anúncio - feito em Moscovo pelo Senador Viktor Bondarev, Chefe da Comissão de Defesa – que a Rússia instalou bombardeiros de ataque nuclear Tu-22M3 na Crimeia. No entanto, quase ninguém está preocupado, porque em Itália e na União Europeia tudo isto é ocultado pelo aparelho político-mediático.
 
Manlio Dinucci* | Voltaire.net.org | Tradução Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte Il Manifesto (Itália)
 
 
Documentos anexados
Congressional Research Service. Updated July 24, 2019. (PDF - 1.4 Mb)
 
 
 
 

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«A arte da guerra» Sob o “escudo” de mísseis nucleares USA na Europa

Após a retirada dos EUA do Tratado INF, a Aliança Atlântica torna a instalar os seus lançadores e mísseis nucleares de médio alcance. Transforma a Europa Central e Ocidental, assim como o Pacífico, em campos de batalha.

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A instalação de mísseis da NATO em Deveselu, na Roménia, que faz parte do sistema Aegis americano, de “defesa anti-mísseis”, terminou a “actualização” que começou em Abril passado. Comunica a NATO, assegurando que “não conferiu nenhuma capacidade ofensiva ao sistema”, que o mesmo “permanece puramente defensivo, concentrado em ameaças potenciais provenientes do exterior da área euro-atlântica”.

A unidade de Deveselu está dotada (de acordo com a descrição oficial) com 24 mísseis, instalados em lançadores verticais subterrâneos, para a interceptação de mísseis balísticos de curto e médio alcance. Outro local, que ficará operacional em 2020, na base polaca de Redzikowo, também será equipado com este sistema. Lançadores do mesmo tipo estão a bordo de quatro navios da Marinha dos EUA que, localizados na base espanhola de Rota, navegam no Mediterrâneo, no Mar Negro e no Mar Báltico.

A própria instalação dos lançadores mostra que o sistema é dirigido não contra a “ameaça iraniana” (como declaram os EUA e a NATO), mas, principalmente, contra a Rússia. Que o designado “escudo” não é “puramente defensivo”, explica a própria indústria de guerra que o produziu, a Lockheed Martin. Ela documenta que o sistema é “projectado para instalar qualquer tipo de míssil em qualquer tubo de lançamento”, portanto, está adaptado para “qualquer missão de guerra”, incluindo “ataque a alvos terrestres”. A Lockheed Martin especifica que os tubos de lançamento maiores, podem lançar “mísseis maiores, como os de defesa contra mísseis balísticos e os destinados a ataques de longo alcance”. Assim, admite, fundamentalmente, que as instalações na Roménia e na Polónia e os quatro navios do sistema Aegis podem ser armados não só com mísseis anti-mísseis, mas também com mísseis de cruzeiro Tomahawk de ogivas nucleares capazes de atingir alvos a milhares de quilómetros de distância.

Como documenta o *Serviço de Pesquisa do Congresso (24 de Julho de 2019), os quatro navios dos EUA que “operam em águas europeias para defender a Europa de potenciais ataques de mísseis balísticos” fazem parte de uma frota de 38 navios Aegis, que em 2024, aumentarão para 59. **No ano fiscal de 2020, é atribuído 1,8 biliões de dólares para actualizar esse sistema, incluindo os instalados na Roménia e na Polónia. Outras instalações terrestres e navios do sistema Aegis serão instalados não só na Europa contra a Rússia, como também na Ásia e no Pacífico contra a China.

De acordo com os planos, o Japão instalará no seu território duas instalações missílisticas fornecidos pelos EUA; a Coreia do Sul e a Austrália, irão adquirir navios USA do sistema Aegis. Mais ainda, nos três meses em que o equipamento de Deveselu foi levado para os EUA para ser “actualizado”, foi colocada na instalação da Roménia, ***uma bateria de mísseis móveis Thaad do Exército USA, capaz de “derrubar um míssil balístico tanto dentro, como fora da atmosfera”, mas também capaz de lançar mísseis nucleares de longo alcance. Reposto em funcionamento o sistema Aegis – comunica a NATO - ****o Thaad foi “retirado”. Não especifica para onde. Sabe-se, no entanto, que os militares dos EUA instalaram baterias de mísseis deste tipo, de Israel para a ilha de Guam, no Pacífico.

À luz destes factos, no momento em que os Estados Unidos destroem o Tratado para instalar mísseis nucleares de médio alcance perto da Rússia e da China, não espanta o anúncio - feito em Moscovo pelo Senador Viktor Bondarev, Chefe da Comissão de Defesa – que a Rússia instalou bombardeiros de ataque nuclear Tu-22M3 na Crimeia. No entanto, quase ninguém está preocupado, porque em Itália e na União Europeia tudo isto é ocultado pelo aparelho político-mediático.





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A Austrália poderá aderir à OTAN

A Aliança Atlântica vai instalar mísseis nucleares de médio alcance em redor da China. Foi este o sentido profundo da saída dos Estados Unidos do Tratado INF, o qual só fora assinado pela Rússia e não pela China.

O Secretário da Defesa dos EUA, Mark T. Esper, e o seu colega Secretário de Estado, Mike Pompeo, dirigiram-se, de 3 a 6 de Agosto, em visita à Austrália. Aí, juntou-se a eles o Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, que lá permaneceu de 6 a 8 de Agosto.

Todos debateram em Camberra uma eventual adesão da Austrália à OTAN [1].

Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, a Aliança Atlântica não se limita mais apenas à segurança do espaço transatlântico face à Rússia, mas pretende impor a Pax Americana no mundo inteiro.

A eventual adesão da Austrália modificará profundamente a composição e o sentido da Aliança até aqui reservada às duas margens do Atlântico Norte. Isso abrirá a via a uma adesão do Japão e a uma divisão do mundo em dois blocos, um dominado por Washington e outro em trono de Moscovo (Moscou-br) e Pequim.

Domínio do Império Britânico, a Austrália dispõe de um gabinete na sede da OTAN, em Bruxelas. Desde 2005, as suas tropas estão presentes, sob comando da Aliança, no Afeganistão e no Iraque. Elas participam igualmente na Operação Sea Guardian.

Em Fevereiro, a França assinou um contrato de US $ 50 mil milhões (bilhões-br) de dólares com a Austrália para a construção de 12 submarinos de nova geração. Em Abril, Ursula van der Leyen foi a primeira ministro da Defesa alemã a visitar Camberra. Também em Abril, a Austrália organizou as manobras Indo-Pacific Endeavour com a Índia, a Indonésia, a Malásia, Singapura, o Sri Lanka, a Tailândia e o Vietname, depois, em Junho, ainda com o Japão.


[1] “China rückt näher”, Till Fähnders, Michael Stabenow, Frankfürter Allgemeine Zeitung, 12. August 2019.



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Há bombas nucleares dos EUA instaladas na União Europeia e Turquia

 
 
A ’gaffe’ nuclear da NATO
 
Manlio Dinucci*
 
É um velho segredo divulgado. Mas é também uma das negações mais formidáveis da Aliança Atlântica: as bombas nucleares estão armazenadas, violando o Direito Internacional, em Itália, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Turquia. Por lapso, um membro da Assembleia Parlamentar da NATO reproduziu-o num relatório imediatamente retirado.
 
Que os EUA mantém bombas nucleares em cinco países da NATO - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia - está há muito comprovado (em especial pela Federação dos Cientistas Americanos) [1]. No entanto, a NATO nunca o admitiu oficialmente. No entanto, algo aconteceu por lapso. No documento “A new era for nuclear deterrence? Modernisation, arms control and Allied nuclear forces”, publicado pelo Senador canadiano, Joseph Day em nome da Comissão de Defesa e Segurança, da Assembleia de Defesa da NATO, o “segredo”veio a público. Através da função “copiar/colar”, o Senador informou, inadvertidamente, nesse documento o seguinte parágrafo (numerado 5), extraído de um relatório confidencial da NATO:
 
“No contexto da NATO, os Estados Unidos instalaram em posições avançadas, na Europa, cerca de 150 armas nucleares, especificamente bombas gravitacionais B61. Estas bombas estão armazenadas em seis bases dos EUA e Europa: Kleine Brogel, na Bélgica, Buchel, na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre na Itália, Voikel na Holanda, Incirlik na Turquia. No cenário hipotético de serem necessárias, as bombas B61 podem ser transportadas por aviões de dupla capacidade, dos EUA ou da Europa”.
 
 
Ao acusar a Rússia de manter muitas armas nucleares tácticas no seu arsenal, o documento afirma que as armas nucleares instaladas pelos EUA em posições avançadas na Europa e na Anatólia (ou seja, perto do território russo) servem para “garantir o amplo envolvimento dos Aliados na missão nuclear da NATO e como confirmação concreta do compromisso nuclear USA com a segurança dos aliados europeus da NATO”.
 
Assim que o documento do Senador Joseph Day foi publicado online, a NATO interveio, excluindo-o e tornando a publicá-lo numa versão corrigida. No entanto, tarde demais. Alguns sites (sobretudo, o belga ’De Morgen’) já o tinham registado na versão original completa [2]. Nesta altura, o autor descuidado correu a proteger-se, escrevendo no ’The Washington Post’ que se tratava, simplesmente, de um rascunho para a preparação de um relatório da Assembleia Parlamentar NATO, que será publicado em Novembro [3]. No entanto, não pode negar o que estava escrito no parágrafo mencionado no relatório confidencial da NATO.
 
 
Esta ocorrência confirma o que documentámos há anos [4] : em Aviano, os caças F-16C/D estão prontos para um ataque nuclear com 50 bombas B61 (número estimado pela *Federação de Cientistas Americanos); em Ghedi-Torre, os Tornado PA-200 italianos estão prontos para o ataque nuclear sob comando USA, com 20 bombas B61. A partir de 2020, as B61 serão substituídos pelas B61-12, destinadas especialmente aos novos caças F-35.
 
Tudo isto violando o Tratado de Não-Proliferação, ratificado quer pelos EUA, quer pela Itália. Enquanto o Parlamento se mantém dividido sobre o TAV, mas não sobre a Bomba, que aprova, tacitamente, por unanimidade.
 
 
 
Notas:
[1] “MFA State Minister Hoyer Defends Withdrawal of Tactical Nukes, New CFE Initiatives”, ambassador Philip Murphy, November 12, 2009, source Wikileaks. “Non-Strategic Nuclear Weapons”, Hans Kristensen, FAS, May 2012.
[4] “As 300 Hiroshimas da Itália”, Manlio Dinucci, Tradução José Reinaldo Carvalho , Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 16 de Dezembro de 2015.
 
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A ’gaffe’ nuclear da NATO

É um velho segredo divulgado. Mas é também uma das negações mais formidáveis da Aliança Atlântica: as bombas nucleares estão armazenadas, violando o Direito Internacional, em Itália, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Turquia. Por lapso, um membro da Assembleia Parlamentar da NATO reproduziu-o num relatório imediatamente retirado.

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Que os EUA mantém bombas nucleares em cinco países da NATO - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia - está há muito comprovado (em especial pela Federação dos Cientistas Americanos) [1]. A NATO nunca o admitiu oficialmente. No entanto, algo aconteceu por lapso. No documento “A new era for nuclear deterrence? Modernisation, arms control and Allied nuclear forces”, publicado pelo Senador canadiano, Joseph Day em nome da Comissão de Defesa e Segurança, da Assembleia de Defesa da NATO, o “segredo”veio a público. Através da função “copiar/colar”, o Senador informou, inadvertidamente, nesse documento o seguinte parágrafo (numerado 5), extraído de um relatório confidencial da NATO:

No contexto da NATO, os Estados Unidos instalaram em posições avançadas, na Europa, cerca de 150 armas nucleares, especificamente bombas gravitacionais B61. Estas bombas estão armazenadas em seis bases dos EUA e Europa: Kleine Brogel, na Bélgica, Buchel, na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre na Itália, Voikel na Holanda, Incirlik na Turquia. No cenário hipotético de serem necessárias, as bombas B61 podem ser transportadas por aviões de dupla capacidade, dos EUA ou da Europa”.

Ao acusar a Rússia de manter muitas armas nucleares tácticas no seu arsenal, o documento afirma que as armas nucleares instaladas pelos EUA em posições avançadas na Europa e na Anatólia (ou seja, perto do território russo) servem para “garantir o amplo envolvimento dos Aliados na missão nuclear da NATO e como confirmação concreta do compromisso nuclear USA com a segurança dos aliados europeus da NATO”.

Assim que o documento do Senador Joseph Day foi publicado online, a NATO interveio, excluindo-o e tornando a publicá-lo numa versão corrigida. No entanto, tarde demais. Alguns sites (sobretudo, o belga ’De Morgen’) já o tinham registado na versão original completa [2]. Nesta altura, o autor descuidado correu a proteger-se, escrevendo no ’The Washington Post’ que se tratava, simplesmente, de um rascunho para a preparação de um relatório da Assembleia Parlamentar NATO, que será publicado em Novembro [3]. No entanto, não pode negar o que estava escrito no parágrafo mencionado no relatório confidencial da NATO.

Esta ocorrência confirma o que documentámos há anos [4] : em Aviano, os caças F-16C/D estão prontos para um ataque nuclear com 50 bombas B61 (número estimado pela *Federação de Cientistas Americanos); em Ghedi-Torre, os Tornado PA-200 italianos estão prontos para o ataque nuclear sob comando USA, com 20 bombas B61. A partir de 2020, as B61 serão substituídos pelas B61-12, destinadas especialmente aos novos caças F-35.

Tudo isto violando o Tratado de Não-Proliferação, ratificado quer pelos EUA, quer pela Itália. Enquanto o Parlamento se mantém dividido sobre o TAV, mas não sobre a Bomba, que aprova, tacitamente, por unanimidade.


[1] “MFA State Minister Hoyer Defends Withdrawal of Tactical Nukes, New CFE Initiatives”, ambassador Philip Murphy, November 12, 2009, source Wikileaks. “Non-Strategic Nuclear Weapons”, Hans Kristensen, FAS, May 2012.

[2] “Eindelijk zwart op wit: er liggen Amerikaanse kernwapens in België”, “De kernwapens in Kleine Brogel: het slechtst bewaarde geheim van België”, “Stop zwijgplicht over kernwapens op Kleine Broge”, “Topmilitair: ‘De kernwapens kosten ons land niets, en we zitten mee aan tafel bij de grote jongens’”, “Reynders stuurt zijn kat naar parlement”, “Tijd voor een debat over non-proliferatie? ‘Je mag kernwapens niet weghalen zonder dat de Russen iets van hun arsenaal ontmantelen’”, De Morgen, Juni-juli 2019.

[3] “Secret locations of U.S. nuclear weapons in Europe accidentally included in report from NATO parliament”, Adam Taylor, Washington Post, July 16, 2019.

[4] “As 300 Hiroshimas da Itália”, Manlio Dinucci, Tradução José Reinaldo Carvalho , Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 16 de Dezembro de 2015.



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NATO e nazismo, uma irmandade

O imperialismo ocidental e o seu braço armado, a NATO, têm nos fascistas um aliado preferencial. Se no momento actual a expressão mais visível desse facto é o apoio, a promoção e a entrega do poder a bandos fascistas no Kosovo, na Ucrânia ou no Báltico, e também ao fascismo “islâmico”, convém não esquecer que o Portugal de Salazar figura entre os fundadores da NATO, e que nos seus corredores sempre foram visíveis numerosos nazis repescados.

Que haverá de comum entre um grupo armado formado por membros das Waffen SS em Estados bálticos, designado Irmãos da Floresta, o regimento Azov da Guarda Nacional ucraniana, o emir do Daesh no Magrebe, de seu nome Abdelhakim Belhadj, e o mistério do armamento sofisticado descoberto recentemente num santuário neonazi em Turim, Itália?

Por muito que seja considerada inadmissível pela comunicação mainstream e seus fiéis seguidores, a resposta é: NATO – Organização do Tratado do Atlântico Norte.

É a linguagem objectiva dos factos. E se contra factos pode haver quantos argumentos quiserem, todos eles serão rejeitados pela mais transparente realidade. As circunstâncias citadas têm em comum, sem dúvida, o culto do nazi-fascismo e, de uma maneira ou de outra, estão igualmente interligadas pela acção, protecção ou propaganda da NATO.

Vamos então a factos.

Os Irmãos da Floresta

A Segunda Guerra Mundial entrava na sua fase final quando foram criados os Irmãos da Floresta, grupos armados anticomunistas nascidos na Estónia, Letónia e Lituânia. Os membros, na sua maioria, foram recrutados entre os destacamentos locais das Waffen SS, integrados no aparelho de guerra hitleriano que tentou ocupar a União Soviética. Na Estónia, por exemplo, estes terroristas faziam juramento de fidelidade ao Fuhrer1.

Com a cumplicidade de serviços de espionagem de países ocidentais – nessa altura, formalmente em aliança com o lado soviético – os Irmãos da Floresta, ex-Waffen SS, foram reciclados como tampões contra o avanço do Exército Vermelho para Oeste depois de este ter vergado o nazismo na decisiva e sangrenta batalha de Estalinegrado.

Em suma, os Irmãos da Floresta, tal como os destacamentos bálticos das Waffen SS, tinham como missão, de facto, impedir que os soviéticos esmagassem completamente os nazis – o que também significava travar a libertação dos seres humanos que ainda sobreviviam nos campos da morte hitlerianos2.

Pois os Irmãos da Floresta são agora glorificados como heróis de uma gesta democrática, através de um documentário da NATO inserido no seu espaço de propaganda noYouTube. São oito minutos e alguns segundos de pura heroicidade ao melhor estilo de Hollywood, durante os quais os feitos dos Irmãos da Floresta são apresentados como inspiradores das forças especiais das repúblicas bálticas que agora «estão na linha da frente» contra a temível «ameaça russa». Afinal, hoje como ontem, explica-nos a NATO.

é pena que os propagandistas da aliança não tenham podido dedicar um segundo sequer às origens hitlerianas e terroristas da gloriosa irmandade – certamente por falta de tempo. Que outras razões haveria para esconder uma matriz tão inspiradora?3

O regimento Azov

Dos Estados bálticos para a Ucrânia, dos Irmãos da Floresta dos anos quarenta para o actual e activo regimento Azov, um bastião da «pureza rácica» ucraniana, como estipula o seu fundador, Andriy Biletski, aliás o «Fuhrer Branco». Pretende assim que os genes dos seus compatriotas «não se misturem com os de raças inferiores», cumprindo «a sua missão histórica de comandar a Raça Branca mundial na sua cruzada final pela sobrevivência».

Ao contrário do que possam pensar, isto não é folclore nem delírio sob efeito de qualquer fumo. O grupo nazi designado Batalhão Azov, e outros do género, receberam treino de instrutores norte-americanos e da NATO e foram decisivos no êxito do golpe «democrático» de 2014 na Praça Maidan, em Kiev. Depois disso, foram transformados em regimentos integrados na Guarda Nacional, o novo corpo militar nascido da «revolução» e que se tornou a guarda pretoriana do regime fascista patrocinado pela Aliança Atlântica, os Estados Unidos e a União Europeia4 .

O regimento Azov e outros grupos neonazis, inspirados pela figura de Stepan Bandera, um executor do genocídio hitleriano contra as populações ucranianas, tornaram-se corpos fundamentais na agressão do actual regime contra as populações ucranianas russófonas da região de Donbass.

Os membros do regimento Azov orgulham-se de posar com as bandeiras nazi e da NATO, dando-se assim a conhecer ao mundo.

A gratidão é uma atitude que nunca fica mal. Mesmo aos nazis.

Sob o regime actual em Kiev, a Ucrânia tornou-se, de facto, membro da NATO. Trata-se, como nos Estados bálticos, de combater a terrível «ameaça russa». Para executar tão nobre missão até o nazismo engrossa as hostes da «democracia».

Abdelhakim Belhadj

Embora desempenhando, desde 2015, a tarefa mais recatada e menos mediática de emir do Daesh, ou Estado Islâmico, no Magrebe, Abdelhakim Belhadj não desapareceu como figura de referência das transformações «libertadoras» que galoparam pelo Médio Oriente e Norte de África sob as exaltantes bandeiras das «primaveras árabes».

Abdelhakim Belhadj, para quem não se recorda, foi um dos chefes terroristas islâmicos que contribuíram, em aliança com a NATO, para «libertar a Líbia» do regime de Khaddafi. Houve-se tão bem da missão que a aliança fez dele «governador militar de Tripoli» logo que as hordas fundamentalistas tomaram a capital líbia.

Quando ainda mal aquecera o lugar, a tutela atlantista enviou-o para a Síria formar o «Exército Livre», o grupo terrorista «moderado» no qual os Estados Unidos e os seus principais parceiros da NATO apostaram inicialmente todas as fichas com o objectivo de «libertar Damasco».

Abdelhakim Belhadj recebeu honrarias dos Estados Unidos, outorgadas pelo embaixador na Líbia e pelo falecido senador McCain, então movendo-se febrilmente entre a Líbia, a Síria e a Ucrânia, onde foi um dos principais timoneiros do golpe de Maidan e das suas frentes nazis.

A partir de 2015, segundo a Interpol, Belhadj tornou-se emir do Daesh – o tão proscrito Estado Islâmico – no Magrebe.

Porém, cada vez que algum jornalista a sério mexe em acontecimentos da história recente arrisca-se a encontrar-se com a figura de Belhadj. Foi o que sucedeu com profissionais do jornal espanhol Publico: ao investigarem o envolvimento dos serviços de informações de Madrid (CNI) no atentado terrorista de 11 de Março de 2004, que provocou 200 mortos, depararam com outras situações que dizem muito sobre o tipo de «democracia» em que vivemos.

Segundo o próprio chefe do governo espanhol da época, José María Aznar – invasão do Iraque, lembram-se? –, Abdelhakim Belhadj foi um dos estrategos do atentado, embora nunca tenha sido preso nem julgado.
O curioso é que o atentado começou por ser atribuído à ETA e depois à al-Qaida; e que a maior parte dos operacionais detidos eram informadores dos serviços secretos espanhóis.

Mais curioso ainda é o facto de o tema do exercício europeu CMX 2004 da NATO, que decorreu de 4 a 10 de Março, tenha sido precisamente o da simulação de um atentado com as características do que aconteceu em 11 de Março na capital espanhola. «A semelhança do cenário elaborado pela NATO com os acontecimentos ocorridos em Madrid provoca calafrios na espinha e impressionou os diplomatas, militares e serviços de informações que participaram no exercício apenas algumas horas antes», escreveu o jornal El Mundo, inconformado com a tese que acabou por ficar para a história: atentado cometido por uma rede islamita sem ligações à al-Qaida.

Entre as névoas do caso avultam, porém, algumas circunstâncias que é possível focar: a declaração de Aznar envolvendo Abdelhakim Belhadj, que se revelou vir a ser uma aposta da NATO antes de ter ascendido ao topo do Estado Islâmico no Magrebe; e os dons proféticos desta mesma NATO, concebendo um tema para exercícios que se tornou realidade menos de 24 horas depois.

O santuário nazi de Turim

Há poucos dias, a polícia italiana descobriu um arsenal de armamento num santuário nazi em Turim, Itália.
O que à primeira vista poderia ser mais um armazém de velhas e nostálgicas recordações dos fãs do Fuhrer mudou de figura quando foram desembalados alguns sofisticados mísseis que não costumam estar ao alcance de pequenos e médios traficantes de armas.

Diz a imprensa italiana que os investigadores do caso seguiram pistas que conduziam até aos grupos nazis ucranianos mas não obtiveram dados consistentes. E provavelmente não encontrarão esses e outros elementos: a verdade é que as notícias sobre o assunto quase desapareceram. O caso é um nado-morto.
Já as redes clandestinas formadas pela NATO, do tipo Gládio, não estarão mortas, desafiando todas as propagandas, como recordaram alguns jornalistas italianos.

A história do arsenal está mal contada e, previsivelmente, será arquivada com celeridade; já o apoio da NATO aos grupos nazis ucranianos não suscita dúvidas: os próprios beneficiários o confessam. Porém, não é um auxílio que deva ser feito aos olhos de todos, tratando-se da NATO, uma aliança que existe para «defender a democracia» – a NATO só defende, nunca ataca, como se sabe. A verdade é que desde que passou de batalhão a regimento da Guarda Nacional o grupo terrorista Azov foi equipado com armas pesadas, incluindo tanques, que chegaram de algum lado. Talvez agora seja a hora dos mísseis, quem sabe? Ainda recentemente as forças policiais italianas e o regimento Azov assinaram um acordo de cooperação desbravando novos caminhos.

É provável que todas estas relações dêem os seus frutos; é improvável, porém, que cheguem ao conhecimento dos cidadãos comuns, tal como o desfecho do mistério dos mísseis nazis de Turim.

A grande irmandade

Irmãos da Floresta, regimento Azov, Abdelhakim Belhadj, o Estado Islâmico e o terrorismo «moderado», fornecimento clandestino de armamento sofisticado.

Não é necessário escavar muito estas histórias, casos e mistérios para tropeçarmos na associação entre a NATO e os nazi-fascismos, duas correntes que, a acreditar na propaganda oficial, deveriam ser como a água e o azeite.

Afinal não. Trata-se de uma fluida cooperação nos tempos em que se fala no risco de uma nova guerra mundial e que traz raízes consolidadas na altura em que o anterior conflito ainda não tinha acabado.

É, como se percebe, uma grande e frutífera irmandade. Factos são factos.

1.Note-se que os teóricos nazis atribuíam desde os anos 30, na sua propaganda, o estatuto de «raça superior» aos povos estónio e letão, facilitando a formação dos sanguinários esquadrões da morte bálticos integrados nas Waffen SS, tão ou mais temidos pelos povos e etnias que viviam no território soviético ocupado pela Alemanha nazi do que os próprios alemães.
2.No período posterior à derrota hitleriana no Báltico os Irmãos da Floresta mantiveram-se activos até meados da década de 50. Actualmente, os próprios admiradores destes colaboradores nazis no Báltico reciclados reconhecem o carácter terrorista dos seus heróis, como é fácil de confirmar através do volume de baixas soviéticas nos anos de 1944-1958 no Báltico: mais de 25 mil civis foram assassinados e muitos torturados antes de executados, enquanto os polícias que combatiam os Irmãos da Floresta tiveram quatro mil baixas. Outro pormenor menos ventilado é que o maior apoio interno daquelas organizações provinha dos poderosos e ricos latifundiários da região, que tinham um profundo ódio aos camponeses que os tinham expropriado durante os anos da Revolução Russa. Após a deportação para a Sibéria, no final dos anos 40, da maioria dos grandes proprietários de terras no Báltico, a actividade dos Irmãos da Floresta decaiu consideravelmente, apesar de todos os esforços da CIA e dos serviços secretos britânicos para reactivá-los. O golpe final foi dado após a amnistia concedida pelas autoridades soviéticas após a morte de José Estaline, em 1953. O leitor terá de procurar em língua russa (mesmo que em sítios como a insuspeita Rádio Liberdade, financiada pelo governo americano) as fontes documentais sobre este assunto, visto os websites do Ocidente serem consideravelmente parcos a respeito destes dados e optarem habitualmente por uma visão puramente apologética dos Irmãos da Floresta, escondendo a sua verdadeira natureza.
3.Neonazis e veteranos da Waffen-SS voltaram a marchar em Riga em Março de 2019, como denunciou o AbrilAbril em artigo publicado na altura.
4.O regimento Azov [ou «Batalhão Azov», ou muito simplesmente «Azov»] é uma organização paramilitar criada em 2014, durante os protestos da praça Euromaidan e do golpe de Estado que lhe foi subsequente. É enquadrado e remunerado pelo Ministério do Interior da Ucrânia como um dos membros da chamada Guarda Nacional, que confere poderes estatais a este e outros grupos fascistas ucranianos. Originalmente fundado como um grupo paramilitar voluntário, é acusado de ser uma organização neonazi e neofascista, além de estar envolvido em vários casos de abusos de direitos humanos e crimes de guerra leste da Ucrânia, principalmente em casos de torturas, estupros, saques, limpeza étnica e perseguição de minorias como homossexuais, judeus e russos. O Azov tem ligações a grupos nazi-fascistas internacionais, como em Itália ou no Brasil onde recruta combatentes na guerra que move contra as populações do Donbass, no leste da Ucrânia.

Fonte: https://www.abrilabril.pt/internacional/nato-e-nazismo-uma-irmandade

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

OTAN explica o que a levou a se expandir após Guerra Fria

Soldados dos países membros da OTAN em cerimônia de abertura dos exercícios militares
© AP Photo /

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, em conversa com estudantes neozelandeses, explicou por que a Aliança Atlântica precisou ir além da sua área de responsabilidade tradicional depois do colapso da URSS e fim da Guerra Fria.

Com o fim da Guerra Fria, era necessário que o bloco continuasse a existir apesar da dissolução do Pacto de Varsóvia, afirmou Stoltenberg em discurso que foi gravado pela assessoria de imprensa da aliança.

"Deve-se entender que, em 40 anos, a OTAN não agiu fora do seu território. Nestes anos, só fizemos uma coisa: contivemos a URSS. Isso é tudo. E fizemos isso com muito sucesso, porque a Guerra Fria terminou sem um único tiro, e a paz foi preservada", explicou.

Segundo Stoltenberg, quando o Muro de Berlim caiu e quando terminou a Guerra Fria, as pessoas começaram a se perguntar se a aliança ainda era necessária, "porque o Pacto de Varsóvia, que era o oposto da OTAN, tinha deixado de existir, e a URSS foi dissolvida".

"E tinha a questão se a OTAN também deveria deixar de existir. A OTAN tinha de sair do negócio ou ir além do seu território na Europa e na América do Norte. E decidimos fazer a segunda opção, ir além da zona, parar as guerras étnicas nos Bálcãs, ajudar a combater a pirataria na África, combater o terrorismo no Afeganistão e assim por diante", afirmou o secretário-geral.

Estes são exemplos das ações da OTAN fora do território, acrescentou Stoltenberg, mas a aliança não tem qualquer papel a desempenhar na resolução de todos os conflitos. "Não pedimos à OTAN que se envolva em todos os conflitos mundiais. A principal tarefa da aliança é proteger contra ataques", reforçou.

Pacto de Varsóvia

O Pacto de Varsóvia de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua entre a Albânia, Bulgária, Hungria, República Democrática Alemã, Polônia, Romênia, União Soviética e Checoslováquia foi assinado em 1955.

Representantes de oito países explicaram que o pacto era necessário para dar contrarresposta à criação da OTAN e inclusão da Alemanha Ocidental no bloco.

Em fevereiro de 1991, foi tomada a decisão de abolir as estruturas militares do Pacto de Varsóvia e, em julho, em Praga, foi assinado um protocolo de cessação total do mesmo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019080514343372-otan-explica-o-que-a-levou-a-expandir-mundo-apos-guerra-fria/

Revelações sobre os atentados de 2004 e 2017 em Espanha

As recentes revelações sobre os atentados sobrevindos em Barcelona e em Cambrils em 2017 —tal como as anteriores sobre o atentado de 2004 em Madrid— suscitam exactamente as mesmas legítimas questões que as colocadas em outros países a propósito de outros atentados. Porquê, por todo o lado, os terroristas islamistas aparecem ligados à NATO ?

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Em 15 de Julho de 2019, o quotidiano republicano espanhol, Público, publicava, sob a assinatura de Carlos Enrique Bayo, o início de uma investigação, em quatro partes, sobre as relações entre o cérebro dos atentados de Catalunha de 2017 e os Serviços Secretos espanhóis [1].

Em Espanha, a espionagem e a contra-espionagem derivam de uma única instituição, o CNI (Centro Nacional de Inteligencia). Muito embora ele dependa administrativamente do Ministério da Defesa, o seu director tem o nível protocolar de ministro.

Os documentos publicados pelo quotidiano atestam que, contrariamente à versão oficial, o Imã de Ripoll, o Marroquino Abdelbaki Es-Satty,
- estava já radicalizado há muito tempo ;
- que ele havia sido recrutado como informador pelos Serviços de Inteligência ;
- que estes haviam falsificado o seu dossier na Justiça, para lhe evitar a expulsão, na sequência da sua condenação por tráfico de drogas ;
- que um «um esconderijo secreto para mensagens» lhe tinha sido atribuído para tratar com o seu oficial a cargo ;
- e que os telefones dos seus cúmplices eram escutados.

Acima de tudo, eles atestam que :
- o CNI seguia passo a passo os terroristas ;
- conhecia os alvos para os atentados ;
- e mantinha a vigilância, pelo menos quatro dias, antes da data em que os crimes foram cometidos.

Porquê é que o CNI não impediu estes atentados ?
Porquê é que escondeu o que sabia ?
Porquê é que já tinha em 2008 —quer dizer antes do recrutamento de Abdelbaki Es-Satty como informador — escondido elementos à Guarda Civil a fim de o proteger da investigação sobre o atentado de Madrid de 11 de Março de 2004 (dito «11-M») ?

Com efeito, Es-Satty estava já implicado na «Operação Chacal», o que o ligava aos atentados de Casablanca de 16 de Maio de 2003 [2], assim como ainda a um outro no Iraque contra as forças italianas [3].

Estas revelações trazem à memória os acontecimentos do 11-M, o mais gigantesco atentado sobrevindo na Europa após o 11 de Setembro de 2001, que provocou cerca de 200 mortos e 2. 000 feridos. Ora, se os executantes desta operação foram realmente julgados, continua a ignorar-se quem foram os comanditários.
- Acontece que a maior parte dos executantes eram informadores da polícia ;
- A NATO realizou secretamente em Madrid, na véspera do atentado, um exercício em que o cenário era o mesmo do atentado [4] — cenário que não podia ser do conhecimento dos terroristas muito embora eles o tenham representado ;
- Uma importante equipa da CIA deixou precipitadamente a Espanha no dia seguinte ao atentado [5].

Atribuiu-se então primeiro este atentado aos independentistas vascos da ETA, depois aos islamistas.

Nós tínhamos publicado uma investigação de Mathieu Miquel a este propósito. Aí, ele mostrava a solidez da hipótese de ter sido uma operação da OTAN sob falsa-bandeira [6].

Muito embora involuntariamente, esta foi confirmada pelo muito atlantista antigo Primeiro-ministro José-Maria Aznar. No início da «Primavera Árabe», ele revelou que o chefe da Alcaida na Líbia, Aldelhakim Belhaj, estava implicado no atentado do 11-M, mas não tinha podido ser preso e julgado [7]. Ora, este havia-se tornado com a ajuda da OTAN o governador militar de Tripoli. Depois, de acordo com o diário monárquico espanhol ABC, ele «deslocou-se para a Síria para "ajudar" a revolução», na verdade, de facto, para criar o Exército sírio livre por conta da França [8] ; Segundo o Embaixador russo no Conselho de Segurança, Vitali Tchurkine, Belhaj e os seus homens haviam sido transportados da Líbia para a Turquia pela ONU sob cobertura da assistência aos refugiados ; Segundo um pedido do Procurador-geral do Egipto, Hichem Baraket, à Interpol, tornara-se Emir do Daesh(EI) para o Magrebe em 2015 [9]. Ele governa hoje em dia o Leste da Líbia com o apoio militar da Turquia e do Catar e, o político, das Nações Unidas.

Recordemos que os historiadores estabeleceram a responsabilidade da OTAN durante a Guerra Fria pelos assassínios, atentados e Golpes de Estado nos Países membros da Aliança [10]. Segundo a literatura interna da Aliança, os Serviços Secretos da OTAN estavam colocados sob a responsabilidade conjunta do MI6 britânico e da CIA norte-americana.

Regressemos aos atentados da Catalunha. Segundo os documentos do Público, o Imã de Ripoll, Abdelbaki Es-Satty, tinha-se radicalizado há muito tempo, o que o CNI tinha negado até aqui. Ele militava no seio do Ansar al-Islam, um grupo que se fundiu progressivamente no Estado Islâmico do Iraque, esse mesmo tendo-se tornado no Daesh (E.I.).

Ora, o Ansar al-Islam foi liderado pelo Mullá curdo Krekar. Este está hoje confinado em prisão domiciliar na Noruega. No entanto, de acordo com o quotidiano curdo Turco Özgür Gündem (actualmente fechado por ordem do Presidente Erdogan), a CIA organizou uma reunião secreta em Amã (Jordânia) para planear (planejar-br) a conquista do Iraque pelo Daesh (EI) [11]. O jornal publicou um relatório dos Serviços Secretos turcos que o PKK lhes havia roubado. Parece que o Mullá Krekar, então sob prisão, participara nela. Ele viera da Noruega, num avião especial da OTAN, e depois foi silenciosamente devolvido à sua prisão.

Este caso provocou grande agitação em Espanha onde o Parlamento da Catalunha criou uma comissão de inquérito sobre os atentados, e onde o Ensemble para a Catalunha (o partido independentista de Carles Puigdemont) encharcou de perguntas o governo de Pedro Sánchez no Congresso dos Deputados.

Os independentistas catalães sugerem que o Governo espanhol deliberadamente permitiu que fosse cometido o atentado contra a população catalã. É certamente politicamente hábil, mas não passa de uma conjectura difamatória.

Os factos —e nós atemo-nos a eles— são que nestes atentados em Espanha como num enorme número de atentados islamistas, no Ocidente e no mundo árabe :
- geralmente elementos do aparelho de Estado estavam com antecedência muitíssimo bem informados ;
- os terroristas estavam sempre ligados à NATO/OTAN.

É claro, tudo isto pode não passar de puras coincidências, mas desde 2001 elas repetem-se uma e outra vez, quaisquer que sejam o lugar e os protagonistas.


[1] «La verdad sobre el imán de Ripoll» 1- «El cerebro de la masacre de Las Ramblas fue confidente del CNI hasta el día del atentado», 2- «El CNI escuchaba los móviles de los asesinos de Las Ramblas cinco días antes de la matanza», 3- «El CNI fichó a Es Satty en 2014 a cambio de no ser deportado y le ayudó a ser imán en Ripoll», 4- «El CNI quiso poner al imán en Barcelona pero el jefe local se negó a que lo controlara Madrid», Carlos Enrique Bayo, Público, 15, 16, 17 y 18 de Julio de 2019.

[2] Les attentats de Casablanca et le complot du 11 septembre, Omar Mounir, Marsam, 2004.

[3] “The Road to Las Ramblas”, Zach Campbell, The Intercept, September 3, 2018.

[4] « La OTAN simuló un atentado en Europa con 200 muertos », Carlos Segovia, El Mundo, 14 de marzo de 2004.

[5] « La investigación halla en los vuelos de la CIA decenas de ocupantes con estatus diplomático », Andreu Manresa, El País, 15 de noviembre de 2005.

[6] « 11 mars 2004 à Madrid : était-ce vraiment un attentat islamiste ? », « Attentats de Madrid : l’hypothèse atlantiste », Mathieu Miquel, Réseau Voltaire, 11 octobre et 6 novembre 2009.

[7] « Spain’s Former Prime Minister Jose Maria Aznar on the Arab Awakening and How the West Should React », CNBC.com, December 9, 2011.

[8] «Islamistas libios se desplazan a Siria para "ayudar" a la revolución», Daniel Iriarte, ABC, Red Voltaire, 17 de diciembre de 2011.

[9] “Segundo a Interpol, Abdelhakim Belhaj é o chefe do Emirado Islâmico no Magrebe”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 26 de Fevereiro de 2015.

[10] NATO’s secret armies: operation Gladio and terrorism in Western Europe, Daniele Ganser, Routledge, 2005.

[11] « Yer : Amman, Tarih : 1, Konu : Musul », Akif Serhat, Özgür Gündem, 6 juillet 2014.



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Documentos inéditos do governo alemão confirmam os planos para a destruição da Sérvia

A agressão contra República Federativa da Jugoslávia e a sua destruição constitui um marco na acção criminosa da NATO, e constitui um campo de ensaio para toda a sua acção posterior, de aberta violação do direito internacional. É oportuna esta revisitação do seu planeamento e preparação.

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

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Excluir Turquia da OTAN é impossível, afirma ministro turco

Militares turcos
© AFP 2019 / Ilyas Akengin

A Turquia continua sendo membro da OTAN e é impossível ela ser excluída, pois as decisões da aliança são tomadas por consenso, indica o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu.

Mevlut Cavusoglu explicou, em entrevista ao canal da televisão TGRT, que "as decisões da aliança são tomadas por consenso e, mesmo que apenas um país se oponha, a decisão não será tomada", por isso "é impossível excluir a Turquia da OTAN".

"Portanto, falar de uma 'mudança de ênfase' é manipulação política. Somos membros da OTAN há mais de 50 anos e continuamos a ser. Mas, entretanto, não pertencemos a ninguém. A Turquia está aberta a todo o mundo. Onde estão seus interesses, é para lá que vamos, e ninguém pode impedi-lo", disse Cavusoglu.

Além disso, o ministro turco afirmou que "embora a Turquia queira aderir à UE, ela não vai esperar à sua porta eternamente". Os turcos ingressaram na OTAN em 1952 e são candidatos a ingressar na União Europeia desde 1999.

Tensões entre Turquia e EUA

Entretanto, a compra dos novíssimos sistemas russos de defesa antiaérea S-400 provocou uma disputa internacional entre a Turquia e os EUA, que exigiram o abandono pelos turcos do acordo de compra dos sistemas russos, chegando até a oferecerem seus sistemas de mísseis Patriot em troca.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019072214257183-excluir-turquia-da-otan-e-impossivel-afirma-ministro-turco/

Esconderijo perigoso: é aqui que EUA guardam armas nucleares na Europa

Seis bases e 150 munições nucleares – estes são os números divulgados por um representante canadense no Comitê de Defesa e Segurança da Assembleia Parlamentar da OTAN em um relatório sobre o armamento dos EUA na Europa.

De acordo com o relatório, apagado mais tarde, os norte-americanos armazenam bombas nucleares em seis bases: Kleine Brogel na Bélgica, Buchel na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre na Itália, Volkel nos Países Baixos e Incirlik na Turquia.

Assim, vários meios de comunicação indicaram que o relatório confirma o que muitos já sabiam, ou seja, a presença de armas nucleares norte-americanas na Europa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/infograficos/2019072014244738-esconderijo-perigoso-e-aqui-que-eua-guardam-armas-nucleares-na-europa/

Turquia admite possibilidade de abandonar OTAN

Bandeiras da Turquia e da OTAN
© AFP 2019 / BENOIT DOPPAGNE / BELGA

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, assegurou que seu país está preparado para deixar a OTAN, durante uma reunião com o deputado russo Vladimir Zhirinovsky.

"Eu me encontrei duas vezes com o presidente da Turquia, Recep Erdogan, e ele me disse pessoalmente que a Turquia estava disposta a se retirar da OTAN", escreveu Zhirinovsky.

Turkey's President Recep Tayyip Erdogan speaks during an Iftar, the evening meal breaking the Ramadan fast, at his palace in Ankara, Turkey, Saturday, May 19, 2018
© AP Photo / Presidential Press Service/Pool
Turkey's President Recep Tayyip Erdogan speaks during an Iftar, the evening meal breaking the Ramadan fast, at his palace in Ankara, Turkey, Saturday, May 19, 2018

A Turquia pretende aderir à União Europeia, mas não é aceita mesmo cumprindo todas as condições, afirmou o deputado.

"A Turquia foi um dos primeiros países a ser recebido pela OTAN, pois seu território era adequado para ações contra a Rússia", disse Zhirinovsky, líder do Partido Liberal Democrata (LDPR).

Os turcos ingressaram na OTAN em 1952 e são candidatos ao ingresso na União Europeia desde 1999.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019071614220979-turquia-admite-possibilidade-de-abandonar-otan/

ENTREVISTA A MICHEL CHOSSUDOVSKY“Sem desinformação, a NATO desmoronar-se-ia”

Michel Chossudovsky fala sobre as conclusões do colóquio internacional na ocasião do aniversário da NATO, salientando como a opinião publica ignora a natureza desta aliança fictícia, os seus verdadeiros objectivos, o seu funcionamento e os seus crimes.

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Da esquerda para a direita: General Fabio Mini, intérprete, Michel Chossudovsky (de pé), Vladimir Kozyn, intérprete, Giulietto Chiesa, Manlio Dinucci (de pé).

Q: Qual foi o resultado da Conferência de Florença?

Michel Chossudovsky : Foi um acontecimento de máximo sucesso, com a participação de oradores qualificados dos Estados Unidos, Europa e Rússia. Foi apresentada a história da NATO. Os crimes contra a Humanidade foram identificados e cuidadosamente documentados. No final da Conferência, a foi apresentada a “Declaração de Florença” para sair do sistema de guerra.

Q : Na sua introdução, afirmou que a Aliança Atlântica não é uma aliança…

Michel Chossudovsky : Pelo contrário, sob o disfarce de uma aliança militar multinacional, o Pentágono domina o mecanismo da tomada de decisões da NATO. Os EUA controlam as estruturas de comando da NATO, que estão incorporadas nas dos EUA. O Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR) é sempre um general americano, nomeado por Washington. O Secretário Geral, actualmente, Jens Stoltenberg, é essencialmente um burocrata encarregado das relações públicas. Não tem nenhum papel decisivo.

Q : Outro tema salientado por si é o das bases militares dos EUA, em Itália e em outros países europeus, mesmo no Leste, apesar do Pacto de Varsóvia ter deixado de existir desde 1991 e apesar da promessa feita a Gorbachov de que não haveria expansão para Leste. Para que é que elas servem?

Michel Chossudovsky : O objetivo tácito da NATO - um tema relevante no nosso debate em Florença - foi instalar, sob uma designação diferente, uma “ocupação militar” de facto, na Europa Ocidental. Os Estados Unidos não só continuam a “ocupar” os antigos “países do Eixo” da Segunda Guerra Mundial (Itália, Alemanha), mas usaram o emblema da NATO para instalar bases militares dos EUA em toda a Europa Ocidental e, posteriormente, na Europa Oriental, no prosseguimento da Guerra Fria e nos Balcãs, na continuação da guerra da NATO contra a Jugoslávia (Sérvia e Montenegro).

Q : O que mudou sobre um possível uso de armas nucleares?

Michel Chossudovsky : Logo após a Guerra Fria, foi formulada uma nova doutrina nuclear, focada no uso preventivo de armas nucleares, isto é ‘no first strike’ (primeiro ataque) nuclear como meio de autodefesa. No âmbito das intervenções USA/NATO, apresentadas como acções de manutenção da paz, foi criada uma nova geração de armas nucleares de “baixa potência” e “mais utilizáveis”, descritas como “inofensivas para os civis”. Os políticos americanos consideram-na “bombas para a pacificação”. Os acordos da Guerra Fria, que estabeleciam algumas salvaguardas, foram cancelados. O conceito de “Destruição Mútua Assegurada”, relativo ao uso de armas nucleares, foi substituído pela doutrina da guerra nuclear preventiva.

Q : A NATO estava “obsoleta” na primeira metade da presidência de Trump, mas agora é reactivada pela Casa Branca. Qual é a relação entre a corrida armamentista e a crise económica?

Michel Chossudovsky : A guerra e globalização andam de mãos dadas. A militarização apoia a imposição da reestruturação macroeconómica nos países-alvo. Impõe a despesa militars para apoiar a economia de guerra em detrimento da economia civil. Leva à desestabilização económica e à perda de poder das instituições nacionais. Um exemplo: recentemente, o Presidente Trump propôs grandes cortes na saúde, na educação e na infraestrutura social, enquanto exigiu um grande aumento no orçamento do Pentágono. No início da sua administração, o Presidente Trump confirmou o aumento da despesa para o programa nuclear militar, lançado por Obama, de 1.000 a 1.200 biliões de dólares, alegando que isso serve para manter o mundo mais seguro. Em toda a União Europeia, o aumento da despesa militar, juntamente com medidas de austeridade, está a levar ao fim o que foi designado como “Welfare State” = “Estado Providência ou de bem-estar social”. Agora, a NATO está sob pressão dos EUA para aumentar as despesas militares e o Secretário Geral, Jens Stoltenberg, declara que essa é a coisa certa a fazer para “manter a segurança da nossa população”. As intervenções militares são combinadas com actos simultâneos de sabotagem económica e manipulação financeira. O objectivo final é a conquista dos recursos humanos e materiais e das instituições políticas. Os actos de guerra sustentam um processo de conquista económica completa. O projecto hegemónico dos Estados Unidos é transformar os países soberanos e as instituições internacionais em territórios abertos à sua penetração. Um dos instrumentos é a imposição de fortes restrições aos países endividados. Para empobrecer vastos sectores da população mundial contribui a imposição de reformas macroeconómicas prejudiciais.

Q : Qual é e qual deveria ser o papel da comunicação mediática?

Michel Chossudovsky : Sem a desinformação distribuida, na generalidade, por quase toda a comunicação mediática, a agenda militar dos USA/NATO desabava como um castelo de cartas. Os perigos iminentes de uma nova guerra com as armas mais modernas e com o perigo atómico não são notícia de primeira página. A guerra é representada como uma acção de pacificação. Os criminosos de guerra são descritos como pacificadores. A guerra torna-se paz. A realidade está deturpada. Quando a mentira se torna verdade, não se pode voltar atrás.





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A União Europeia é forçada a participar nas guerras dos EUA

Desde o Tratado de Maastricht, todos os membros da União Europeia (aqui incluídos os países neutrais) colocaram a sua defesa sob a suserania da OTAN ; a qual é exclusivamente dirigida pelos Estados Unidos. É por isso que, quando o Pentágono delega ao Departamento do Tesouro o cerco económico de países que quer esmagar, todos os membros da União Europeia e da OTAN são forçados a aplicar as sanções dos EUA.

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Após a perda da sua maioria na Câmara dos Representantes durante as eleições intercalares, o Presidente Trump encontrou novos aliados em troca da remoção pelo Procurador Mueller da acusação de alta traição [1]. Agora, ele apoia os objectivos dos seus generais. O imperialismo dos EUA está de volta [2].

Em menos de seis meses, os fundamentos das relações internacionais foram «reiniciados». A guerra que Hilary Clinton prometera desencadear foi realmente declarada, mas não exclusivamente pela força militar.

Esta mudança de regras do jogo, sem equivalente desde o fim da Segunda Guerra Mundial, forçou imediatamente a totalidade dos actores a repensar a sua estratégia e, portanto, todos os dispositivos da aliança em que se apoiavam. Os que se atrasarem pagarão as favas.

A guerra económica é declarada

As guerras sempre serão mortais e cruéis, mas para Donald Trump, que era um homem de negócios antes de ser Presidente dos Estados Unidos, é preferível que elas custem o menos possível. Convêm, portanto, matar mais por pressões económicas do que pelas armas. Sabendo que os Estados Unidos já não comerciam mais com a maior parte dos países que atacam, o custo financeiro destas guerras (no sentido real do termo) «económicas» é, com efeito, suportado mais por países terceiros do que pelo Pentágono.

Assim, os Estados Unidos acabam de decidir cercar economicamente a Venezuela [3], Cuba [4] e a Nicarágua [5]. Estes actos são apresentados pelos comunicadores como «sanções», sem que se saiba de que Direito as toma Washington, a fim de mascarar verdadeiras guerras de aniquilação.

Elas são lançadas com referência explícita à «Doutrina Monroe» (1823) segundo a qual nenhuma potência estrangeira ao continente americano pode aí intervir, em troca do qual Washington não iria intervir na Europa Ocidental. Só a China, que se sentiu visada, observou que as Américas não são a propriedade privada dos Estados Unidos. Além disso, todo a gente sabe que esta doutrina tem evoluído rapidamente para justificar o imperialismo ianque no Sul da continente (o «Corolário Roosevelt»).

Hoje as sanções dos EUA aplicam-se a, pelo menos, vinte países: a Bielorrússia, a Birmânia, o Burundi, a Coreia do Norte, Cuba, a Federação da Rússia, o Iraque, o Líbano, a Líbia, a Nicarágua, República Árabe Síria, a República Bolivariana da Venezuela, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, a República Islâmica do Irão, a Sérvia, a Somália, o Sudão, o Sudão do Sul, a Ucrânia, Iémene e o Zimbabué. É um mapa muito preciso de conflitos conduzidos pelo Pentágono, assistido pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

Estes alvos jamais se encontram na Europa Ocidental (tal como o especificava a «Doutrina Monroe»), mas unicamente no Médio-Oriente, na Europa Oriental, na bacia das Caraíbas e em África. Desde 1991 que todas estas regiões haviam sido listadas pelo Presidente George Bush Sr na sua Estratégia de Segurança Nacional como estando destinadas a integrar-se na «Nova Ordem Mundial» [6]. Considerando que elas não o tinham podido ou querido fazer, foram sancionadas em 2001 pelo secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e pelo seu Conselheiro para a transformação das Forças Armadas, o Almirante Arthur Cebrowski, e votadas ao caos [7].

A expressão «guerra económica» foi banalizada durante décadas para designar uma competição exacerbada. Mas, hoje em dia não se trata de nada disso, antes de uma verdadeira guerra de aniquilação.

As reacções dos alvos e as inapropriadas dos Aliados

Os Sírios, que acabaram de ganhar uma guerra militar de oito anos contra os mercenários jiadistas da OTAN, estão desconcertados com esta guerra económica que impõe um estrito racionamento de electricidade, de gás e de petróleo e provoca o encerramento de fábricas (usinas-br) que acabavam de reabrir. Apesar de tudo, podem consolar-se que o Império não lhes tenha infligido estas duas formas de guerra ao mesmo tempo.

Os Venezuelanos descobrem horrorizados o que esta guerra económica significa e percebem que, tanto com o aventureiro Juan Guaidó como com o Presidente Nicolas Maduro, terão que lutar para conservar um Estado (quer dizer, um Leviatã capaz de os proteger [8]).

As estratégias dos Estados-alvo acabam elas próprias viradas do avesso. Por exemplo, não conseguindo já importar medicamentos para os seus hospitais a Venezuela chegou a um acordo com a Síria, a qual era, antes da guerra de 2011, um importantíssimo produtor e exportador nessa área. Fábricas, que foram destruídas pela Turquia e pelos jiadistas, foram reconstruidas em Alepo. Mas, agora, quando elas acabam de reabrir, têm de fechar novamente por falta de electricidade para poder funcionar.

A multiplicação de teatros de guerra —e, portanto, das chamadas «sanções»—começa a colocar graves problemas aos aliados dos Estados Unidos, entre os quais a União Europeia. Esta levou muito a mal as ameaças de confiscos sobre as suas empresas que investiram em Cuba e, lembrando-se de acções tomadas para lhe fechar o mercado iraniano, reagiu ameaçando, por sua vez, de acionar o tribunal arbitral da OMC. No entanto, como iremos ver, esta revolta da União Europeia está votada ao fracasso porque foi antecipada, há 25 anos, por Washington.

A União Europeia feita refém

Antecipando a actual reacção da União Europeia, inquieta por não poder comerciar com quem bem lhe aprouvesse, a Administração Bush Sr havia elaborado a «Doutrina Wolfowitz» : assegurar-se que os Europeus Ocidentais e do Centro jamais tivessem uma defesa independente, mas somente autónoma [9]. Foi por isso que Washington castrou a União Europeia à nascença impondo-lhe uma cláusula no Tratado de Maastricht : a suserania da OTAN —eu falo aqui da União Europeia, não do Mercado Comum—.

Lembremos o apoio, sem falha, da União Europeia a todas as aventuras subsequentes do Pentágono que se prolongaram na Bósnia-Herzegovina, no Kosovo, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria e no Iémene. Em todos os casos, sem excepção, ela alinhou-se atrás do seu suserano, a OTAN.

Esta vassalagem é, além disso, a única razão pela qual se dissolveu a União da Europa Ocidental (UEO) e pela qual o Presidente Trump renunciou a dissolver a organização militar permanente da Aliança Atlântica: sem OTAN, a União Europeia ganharia a sua independência porque é unicamente a ela ---e não aos Estados Unidos--- que os tratados fazem referência.

Certo, os tratados estipulam que tudo isso se deve fazer em conformidade com a Carta das Nações Unidas. - Mas, por exemplo, a 26 de Março de 2019, os Estados Unidos puseram em causa as resoluções que haviam aprovado sobre a soberania do Golã. Mudaram de ideia sem aviso prévio, provocando de facto o colapso do Direito Internacional [10].
- Outro exemplo: os Estados Unidos tomaram esta semana uma posição na Líbia a favor do General Khalifa Haftar ---ao qual o Presidente Trump telefonou para lhe garantir o seu apoio, como revelou a Casa Branca a 19 de Abril--- contra o Governo criado pela ONU [11], e viu-se, um a um, os membros da União Europeia seguir-lhe os passos.

É impossível, em virtude dos seus tratados constitutivos, que a UE se liberte da OTAN e, portanto, dos Estados Unidos e se afirme como uma potência por si mesma. Os protestos perante as pseudo-sanções decididas ontem contra o Irão e hoje contra Cuba estão de antemão votadas ao fracasso.

Contrariamente a uma ideia feita, a OTAN não é governada pelo Conselho do Atlântico Norte, quer dizer os Estados membros da Aliança Atlântica; quando, em 2011, o Conselho, que aprovara uma acção visando proteger a população líbia dos supostos crimes de Muammar Kaddafi, se declarou contrário a uma «mudança de regime», a OTAN lançou o assalto sem o consultar.

Os membros da União Europeia, que constituíam um bloco único com os Estados Unidos durante a Guerra Fria, descobrem, com estupefacção, que não têm a mesma cultura que o seu aliado de além-Atlântico. Durante esse parêntesis, eles haviam esquecido tanto a sua própria cultura europeia como o «excepcionalismo» norte-americano e acreditavam erradamente que todos estavam de acordo uns com os outros.

Quer gostem ou não, hoje em dia são co-responsáveis pelas guerras de Washington, incluindo, por exemplo, a fome no Iémene (Iêmen-br), consecutiva às operações militares da Coligação (Coalizão-br) Saudita e às sanções dos EUA. Agora, eles têm de escolher entre endossar estes crimes e participar neles, ou retirar-se dos Tratados Europeus.

A globalização está acabada

O comércio internacional começa a diminuir. Não se trata de uma crise passageira, mas de um fenómeno de fundo. O processo de globalização que caracterizou o mundo da dissolução da URSS às eleições intercalares dos EUA de 2018 terminou. É agora impossível exportar livremente para qualquer lugar do mundo.

Só a China dispõe ainda dessa capacidade, mas o Departamento de Estado dos EUA está em vias de desenvolver os meios para lhe fechar o mercado latino-americano.

Nestas circunstâncias, os debates sobre as vantagens do livre comércio e do protecionismo já não têm razão de ser, porque não estamos mais em paz e já não há mais escolha possível.

Da mesma forma, a construção da União Europeia, que foi imaginada numa época em que o mundo estava dividido entre dois blocos irreconciliáveis, tornou-se totalmente inadequada. Se não querem ser embarcados pelos Estados Unidos em conflitos que não são os deles, os seus membros devem libertar-se dos Tratados europeus e do comando integrado da OTAN.

Assim, é totalmente descabido abordar as eleições europeias opondo progressistas e nacionalistas [12], este não é, de forma alguma, o tema. Os progressistas afirmam a sua vontade de construir um mundo regido pelo Direito Internacional que o seu patrocinador, os Estados Unidos, quer erradicar, enquanto certos nacionalistas, como a Polónia de Andrzej Duda, se preparam para servir os Estados Unidos contra os seus parceiros da União Europeia.

Apenas alguns Britânicos pressentiram a actual viragem. Eles tentaram sair da União, mas sem conseguir convencer os seus parlamentares. «Governar, é prever» diz-se, mas a maior parte dos membros da União Europeia não viram nada do que se aproximava.


[1] Report On The Investigation Into Russian Interference In The 2016 Presidential Election, Special Counsel Robert S. Mueller, III, March 2019.

[2] Após a sua ascensão à Casa Branca, o Presidente Trump transformara o Conselho Nacional de Segurança para retirar o assento permanente à CIA e ao Pentágono “Presidential Memorandum : Organization of the National Security Council and the Homeland Security Council”, by Donald Trump, Voltaire Network, 28 January 2017. “Donald Trump dissolve a organização do imperialismo norte-americano”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 3 de Fevereiro de 2017.

[3] “US Treasury Sanctions Central Bank of Venezuela and its Director”, Voltaire Network, 17 April 2019.

[4] Cuban Liberty and Democratic Solidarity (Libertad) Act of 1996 cujas piores disposições foram incessantemente aplicáveis.

[5] “US Treasury Targets Finances of Nicaraguan President Daniel Ortega’s Regime”, Voltaire Network, 17 April 2019.

[6] National Security Strategy of the United States 1991, George H. Bush, The White house, 1991.

[7] “A estratégia do Caos Encaminhado”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 16 de Abril de 2019.

[8] Reagindo à guerra civil inglesa, o filósofo Thomas Hobbes teorizou, no seu livro Leviatã, a necessidade de apoiar um Estado, mesmo que autoritário e abusivo, em vez de não o ter e ser mergulhado no caos.

[9] « US Strategy Plan Calls For Insuring No Rivals Develop », Patrick E. Tyler, and « Excerpts from Pentagon’s Plan : "Prevent the Re-Emergence of a New Rival" », New York Times, March 8, 1992. « Keeping the US First, Pentagon Would preclude a Rival Superpower », Barton Gellman, The Washington Post, March 11, 1992.

[10] “A ONU minada pelo «excepcionalismo» norte-americano”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 2 de Abril de 2019.

[11] “Washington e Moscou unidos contra a ONU na Líbia”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 23 de Abril de 2019.

[12] « Pour une Renaissance européenne », par Emmanuel Macron, Réseau Voltaire, 4 mars 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



OTAN garante 'forte apoio' político à Ucrânia após eleição de novo presidente

Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenbeg, chefiando a reunião dos ministros da Defesa dos países-membros da aliança em Bruxelas, em 27 de outubro de 2016
© REUTERS / Francois Lenoir

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, conversou por telefone nesta terça-feira (23) com o presidente eleito da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o convidou para visitar a sede da Aliança do Norte em breve.

O líder da OTAN aproveitou a conversa telefônica para parabenizar o presidente eleito da Ucrânia e manifestou "forte apoio político e prático" ao país.


"Conversei agora há pouco com o presidente eleito da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Eu parabenizei ele pela vitória e o convidei para visitar a sede da OTAN no futuro próximo", disse Stoltenberg em seu Twitter.

De acordo com o líder da organização, "a OTAN continuará dando forte apoio político e prático à Ucrânia".

O comediante e novato na política Volodymyr Zelensky venceu as eleições presidenciais da Ucrânia no último domingo (21) ao conquistar 73,2% dos votos contra 25,3% do atual presidente Pyotr Poroshenko.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019042313744017-otan-ucrania-zelensky-apoio/

NATO contraria possibilidade de a Europa ser autónoma

O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros Alexander Grushko considerou em entrevista à Lusa que a NATO está a "regressar a 1949" e tenta contrariar a possibilidade de a Europa assegurar uma dimensão militar e de defesa autónomas.

"Parece que a NATO está a regressar a 1949, quando foi estabelecida para contrariar a designada ameaça da União Soviética, que não existia", considerou Alexander Grushko, que na quinta-feira manteve em Lisboa consultas políticas bilaterais centradas na intensificação do comércio e investimento e no reforço da cooperação no domínio cultural, para além da troca de pontos de vista sobre temas da agenda internacional.
"Se observarmos o estado das relações entre a NATO e a União Europeia, torna-se claro que a NATO está a tentar que as ambições da UE em garantir uma dimensão militar e de defesa autónoma fiquem sob o seu controlo", assinalou o responsável russo, 63 anos, no serviço diplomático desde 1977 e que entre 2012 e 2018 foi o representante permanente da Rússia na NATO, em Bruxelas.

"Estamos numa situação difícil. As relações NATO-Rússia não estão numa boa fase. Em 2014, a NATO decidiu suspender todas as iniciativas práticas com a Rússia, e na totalidade não temos qualquer agenda positiva", salientou, numa referência à degradação das relações entre Moscovo e o Ocidente na sequência do "caso Skripal", ou a anexação da Crimeia pela Rússia, que implicou a expulsão mútua de centenas de diplomatas e o reforço das sanções económicas ocidentais.


A inexistência de uma "agenda positiva" entre as duas partes implica a necessidade de encontrar "formas de desanuviamento", de "redução da escalada" ou de "não permitir que as más perceções sejam o essencial na política e no planeamento de defesa", defendeu o vice-MNE russo, reconduzido neste cargo em janeiro de 2018 após ter ocupado as mesmas funções entre 2005 e 2012.

Alexander Grushko responsabiliza a Aliança Atlântica por ter interrompido "todos os canais de comunicação entre os militares", uma situação que prejudica o diálogo político, incluindo no Conselho NATO-Rússia, o mecanismo de consultas, cooperação e ação conjunta estabelecido em 2002.

"Como podemos discutir estas questões a nível político sem envolver os militares?", interrogou-se.

"Na nossa perspetiva, os contextos militares são extremamente importantes e esperamos que os aliados europeus dos Estados Unidos entendam que é muito perigosa a inexistência de canais de comunicação entre os militares", alertou.

A "demonização da Rússia" está incluída, na perspetiva do diplomata, no planeamento militar da NATO, que após a fim da URSS e a dissolução do Pacto de Varsóvia iniciou uma expansão em direção ao leste europeu, que prossegue, e atingiu as fronteiras russas, e que já engloba as três ex-repúblicas soviéticas do Báltico.

"Existem muitas histórias sobre as nossas intenções agressivas. Não é verdade, mas o que a NATO faz nas vizinhanças da Rússia é muito preocupante. Melhoria de infraestruturas, deslocação de tropas adicionais, policiamento aéreo com o pretexto de proteger os países do Báltico e que tem origem na base aérea de Amari, na Estónia, um percurso aéreo de apenas a cinco minutos até São Petersburgo", indicou.

No início de abril, os 29 Estados-membros da NATO reuniram-se em Washington para celebrar os 70 anos da fundação e uma "Rússia mais agressiva" foi tema em destaque nos debates.

A relação entre as duas partes agravou-se após os Estados Unidos anunciaram a decisão de se retirarem do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, de 1987), ao alegarem um reiterado incumprimento por parte da Rússia.

"Não sei que motivos tinham em mente para essa decisão", sustentou, ao assinalar que a decisão de retirada pertence a Washington, apesar de a NATO culpabilizar a Rússia.

"A NATO diz que começou a adaptar-se a uma nova realidade pós-INF. Há planos para fazer regressar ogivas nucleares norte-americanas para a Europa, mísseis intermédios, mas a NATO diz ter planos para aumentar as capacidades na defesa aérea, e de defesa de mísseis", sugeriu.

"Penso sinceramente que a Europa deveria elevar a sua voz porque é um perigo para a Europa", acentuou.

E recorda a resposta de Moscovo: "O Presidente [Vladimir] Putin foi claro ao referir que vamos reagir se os EUA iniciarem o programa de deslocação desses mísseis, e faremos o mesmo. Mas enquanto não existirem esses mísseis, incluindo na Europa, a Rússia não estacionará os seus mísseis".

O vice-MNE russo insistiu que a imagem da Rússia no Ocidente é resultado da "propaganda", da "demonização" promovida pela NATO em termos militares, e rejeita qualquer intenção agressiva na Europa. Também recordou que a cooperação com os países europeus tem privilegiado a "cooperação, grandes projetos, gasodutos, espaços comuns..." e a necessidade de criar um "conselho de segurança UE-Rússia", que incluiria a participação e cooperação em operações de gestão em crises.

Neste cenário, acusou os Estados Unidos de terem pressionado os países europeus a "mudar a sua política", e alude ao caso Skripal, a tentativa de envenenamento em Inglaterra, em março de 2008 do ex-agente duplo Serguei Skripal e de sua filha Yulia através de agente enervante, com o mundo a parecer regressar aos tempos da Guerra fria.

A Rússia sempre negou envolvimento nesta ação, considerada uma "agressão" em território de um país aliado.

"Propusemos de imediato ao Reino Unido uma cooperação neste caso. Enviámos 70 notificações, sem resposta. Pedimos a possibilidade de o nosso departamento consular de se encontrar com Skripal e sua filha. Não os vimos, e isso é inacreditável. Mas na ausência de outras explicações, a UE decidiu aplicar sanções à Rússia", afirmou.

"E isso é muito perigoso porque, como disse, a política prática está a ser baseada em determinadas perceções que nada têm a ver com a realidade", repetiu.

O "envolvimento da Rússia no referendo sobre o 'Brexit', ou a interferência nas presidênciais norte-americanas de 2016 também mereceram um comentário do diplomata, ao recordar que a ideia da consulta à população partiu do ex-primeiro-ministro britânico David Cameron.

"Não temos meios para penetrar na cabeça de líderes políticos, ainda não", ironizou. E em relação às presidenciais de 2016 nos EUA, que elegeram Donald Trump, recordou que o designado Relatório Mueller "deu em zero, em nada".

E precisou: "Está relacionado com a sensatez comum. E deveríamos entender que não é normal estabelecer este género de relação com a Rússia".

Lusa | em Notícias ao Minuto

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/nato-contraria-possibilidade-de-europa.html

NATO, ainda atraente ao fim de 70 anos

Fundada pelo Tratado de Washington há 70 anos, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) tem sido uma aliança de defesa que tem contribuído de um modo ímpar para a paz, a segurança e a estabilidade internacional, sobretudo no espaço euro-atlântico.

O seu sucesso tem atraído o interesse mesmo de países fora da sua área tradicional, tendo chegado à América do Sul. Um destes casos é o da Colômbia. Este país andino é desde 2017 o primeiro parceiro global da NATO oriundo da América Latina.

O crescimento das ameaças globais, que não respeitam fronteiras nacionais ou regionais, como o terrorismo, os ciberataques, a pirataria ou a proliferação de armas de destruição em massa, conduziram a NATO a procurar trabalhar com maior proximidade com estados de todo o planeta de modo a evitar ou gerir crises, através do diálogo e da colaboração bilateral.

O programa Parceiros Globais (Partners Across the Globe) surge para responder a esta necessidade. É constituído por países de diferentes partes do mundo que colaboram numa base individual com a NATO. Todavia, eles não são Aliados, com os direitos e deveres de defesa mútua consagrados no art.º 5 do Tratado, nem participam em outras estruturas regionais de cooperação com a Aliança. Pertencem a esta categoria estados da Ásia (Afeganistão, Coreia do Sul, Iraque, Japão, Mongólia e Paquistão) e da Oceânia (Austrália e Nova Zelândia). Cada um destes parceiros escolhe como quer envolver-se com a Aliança, baseado numa relação bilateral de reciprocidade e benefício mútuo. O Afeganistão tem sido um local onde a maior parte destes parceiros têm participado em missões e operações lideradas pela NATO.

A Colômbia e a NATO tem tido um envolvimento mais estreito a partir de 2013. Desde que aquele país da América do Sul formalizou o seu reconhecimento como um Parceiro Global, passou a ter acesso a todas as actividades de cooperação. Os interesses mútuos assentam na luta contra as ameaças globais à segurança, como a cibersegurança, a segurança marítima e o terrorismo e as suas ligações ao narcotráfico, e o reforço da segurança humana, em particular na proteção de crianças e não combatentes e respeito por temas de género.

Outro dos aspectos da colaboração, e certamente um dos mais importantes, é aperfeiçoar as capacidades e competências das Forças Armadas colombianas, acatando integralmente os Direitos Humanos e o Direito Internacional Humanitário. Isto torna-se mais relevante pois após mais de cinquenta anos de conflito armado entre o Estado colombiano e as FARC-EP, foi alcançado um Acordo de Paz entre as partes beligerantes em Novembro de 2016. Assim, as Forças Armadas da Colômbia têm vindo a transformarem-se de um instrumento de combate a um inimigo interno para outro adaptado às tarefas tradicionais atribuídas aos militares de uma Democracia Liberal, ou seja, principalmente à defesa do território nacional das ameaças externas. Doravante, os militares colombianos beneficiarão do treino, educação e exercícios com os Aliados, visando melhorar a sua interoperabilidade, procurando alcançar os mais altos padrões de excelência e de profissionalismo da sua actividade. Deste modo, ganharão um acréscimo de legitimidade e prestígio interno e externo.

De referir, ainda, que já desde 2013 o Ministério da Defesa da Colômbia participa no programa Building Integrity que tem como objectivo fornecer assistência e aconselhamento no fortalecimento da integridade, transparência e prestação de contas no sector da defesa e segurança, visando combater a corrupção e práticas perniciosas contrárias ao estado de Direito.

Fruto do longo conflito armado, a Colômbia tem para oferecer à Aliança conhecimento e experiência em áreas como a luta contra a subversão, o narcotráfico, o terrorismo e os engenhos explosivos improvisados. Aquele país da América do Sul é o segundo com maior número de minas no mundo. Assim, a sua prática e saber acumulado na desminagem humanitária é uma mais-valia que a Aliança acolhe com agrado. Como resultado o Centro Internacional de Desminagem da Colômbia (Cides) passou a pertencer à rede de centros parceiros de treino e educação da NATO. Finalmente, notar que a Colômbia começou a participar no programa Science for Peace and Security e que irá ter lugar no decurso deste ano, em Bogotá, um encontro de trabalho avançado centrado no esforço contra-terrorista.

Quando já muitos ditaram a sua morte e há muitos anos, a Aliança surge cada vez mais pujante. Continua não só a ser indispensável aos Aliados das duas margens do Atlântico Norte, e sobretudo aos Estados Unidos, como é um polo aglutinador e referente de paz, segurança e estabilidade para vários estados espalhados pelo mundo. Oxalá persista persista em ser o instrumento válido que tem sido nestes primeiros 70 anos. Parabéns, NATO!


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