México

As Abstinências dos Corruptos - Por Fernando Buen Abad Domínguez

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As Abstinências dos Corruptos
Por Fernando Buen Abad Domínguez
Maio 24, 2020
 
“Imprensa sem subornos? Uma experiência nova na Indústria da Comunicação? “Luvas”, “subornos”, “prendas” ”recompensas” e “envelopes”... Acabou-se”.
“Acabou-se a papa doce” diz o povo, e assim foi para os “jornalistas”, “comunicadores” e outras camuflagens ideológicas direitistas, na Guerra Mediática no México.
O governo de Andrés Manuel López Obrador decidiu, no âmbito do movimento pela Quarta Transformação, acabar com a “tradição” corrupta de injetar dinheiro, na língua de alguns “comunicadores”, para engordar elogios, alimentar cegueiras e manter um bailado de corrupção ébria de impudência e impunidade. E começaram os estertores das abstinências. Salvo as exceções.
Alguns viram desabar os seus “castelos de cartas” mediáticos. Esfumou-se o “rating”, desapareceu o glamour da petulância “jornalística” bailadora, e viram-se na necessidade de “se reconverterem”, ou seja, trabalhar de verdade. Outros apegados aos seus engodos, compadrios e finanças, não deixam de acreditar, enquanto fervem em birras, aqui e ali, em recuperar o altar do ego que fabricaram para se auto adorar. Em público. São eles, evidentemente, os mais perversos que receberam fortunas a rodos e agora intentam “organizar-se” para derrotar e derrubar López Obrador. Custe o que custar.
O que é novo, não é que guinchem, que vociferem, que bracejem. O novo é que, pela primeira vez desde há muito, um governo decidiu cortar pela raiz com um dos vícios mais terríveis na relação Estado-Comunicação, infetado por interesses mercantis e máfias sequestradoras do poder. A novidade é que se destapou uma fossa criminosa que desviou, durante décadas, os recursos do Estado (dinheiro do povo) para manter chulos disfarçados de “jornalistas”, para traficar falsidades e vendê-las como “informação”, para endeusar fantoches amestrados nas “malas-artes” de fabricar “opinião pública”. A novidade é que fica aberto um campo de investigação científica, jurídica, comunicacional e ética para extirpar de raiz um cancro ideológico que fez amplas metástases, convencendo a “audiência” de que nos “informavam” com o melhor, a tempo, com verdade e credibilidade irrepreensíveis. A novidade é que foi derrotado um bastião da ideologia dominante. Agora há que transformá-lo.
No ponto em que se encontra esta batalha, é inconveniente (por enquanto) citar nomes e apelidos, embora todos saibam) quem são, onde “trabalham” ou onde “trabalharam”. (https://www.forbes.com.mx/revelan-lista-de-36-periodistas-con-contratos-con-gobierno-de-epn/). Foi tornada pública uma lista oficial e está (ou deveria estar) em andamento um procedimento legal, económico e político para esclarecer, até ao último centavo, onde estão as fortunas investidas pelos governos da plutocracia cacique mexicana. Mas, principalmente, deve estar em marcha um movimento da Quarta Transformação Comunicacional para extirpar, desde a medula, os milhares de truques e jogatanas que faziam parte da “paisagem” e que se repete diariamente como fazendo parte do “senso comum” do comunicador. Isso implica uma revisão crítica e exaustiva sobre o que se ensina nas salas de aula, que autores e tendências teórico-metodológicas se privilegiam e quais as que se escondem, se perseguem ou simplesmente se lincham na praça pública da tão propalada “liberdade de cátedra”.
Uma “Quarta Transformação” comunicacional implica extirpar os vetores ideológicos do mercantilismo, baseados no estilo de escrever, na maneira de falar, nas poses e nos estereótipos jornalísticos que campeiam impunemente, incluso na cabeça dos mais “progressistas”. Implica uma revisão crítica e autocrítica, até à medula, que retire dos nossos métodos de trabalho as manias semânticas e sintáticas dos “chefes de redação”, a verborreia de quem presume saber o que é que “mais se vende”, o que é que “o público gosta”, o que é que “se consome”. Necessitamos de uma revolução dos vocabulários, uma profilaxia da semântica, da sintática e da dialógica num sistema de produção informativa desconectado da realidade dos povos. Uma revolução da comunicação.
Estamos na fase do birrento exibicionista. Alguns incitam “golpes de Estado”, publicamente!. Agitam todo o tipo de adjetivos e todo género de exageros, para dar força e “importância” aos seus lamentos pelo suborno perdido. Agem como se lhes preocupasse a democracia, agem como se estivéssemos à beira do abismo, agem como se sem eles o Apocalipse estivesse eminente. Reúnem-se, declaram, agitam, insultam e choramingam (em público e em privado) ante um povo que não acredita neles, que os considera inimigos da verdade e da ética e que não dá por eles “um centavo” de solidariedade. Simplesmente porque nem o merecem.
O México tem uma oportunidade extraordinária de fazer uma autópsia minuciosa dessa forma de corrupção incubada nos “meios de comunicação”. Desentranhar as suas origens, os seus propósitos, as suas consequências e os seus beneficiários. Tornar visíveis e compreensíveis os fios do poder comunicacional que sequestraram a informação durante décadas, com negócios de falácias informativas e ideologia de plástico, suplantando o nosso direito de sermos informados verdadeiramente.
Agora o que nos resta é converter o “vale de lágrimas” dos enlutados pela síndrome de abstinência, numa amostra geral do que não deve voltar a acontecer... do que nunca deveria ter ocorrido à humanidade no meio de uma “infodemia” global infestada por “fake news”, operações de linchamento mediático e desfigurações da realidade impostas pelos laboratórios de guerra psicológica financiada pelo império. Como bem o sabem Vargas Llosa, Krausse, Aznar, Felipe Gonzales... e uma longa lista de servos intelectuais. De momento, no México “acabou-se a papa doce”. Acabar com a corrupção numa batalha económica, cultural, política e semiótica. Há que colocar à sua disposição toda a ciência, toda a arte, todo o talento. Trata-se de resgatar um direito Humano, o direito a estar informado criticamente, com verdade, com qualidade e sem chantagens. Sem subornos.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Pela 1ª vez, México registra mais de mil casos de COVID-19 em 24 horas

Agentes de saúde em Ciudad Juárez, México, em 16 de abril de 2020
© REUTERS / Jose Luis Gonzalez

O Ministério da Saúde do México confirmou mais de 1.000 novos casos de COVID-19 nas últimas 24 horas. Essa foi a 1ª vez que o país registrou tantos casos em apenas um dia.

Um dia antes, o México registrou 729 novos casos de COVID-19 e 145 fatalidades.

 

Até 22 de abril de 2020 há 10.544 casos confirmados e 7.706 casos suspeitos de COVID-19. Foram registradas 970 mortes.

No total o número de pessoas infectadas aumentou 1.043 nas últimas 24 horas. Além disso, o país registrou 113 casos fatais no mesmo período.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a considerar o surto de COVID-19 uma pandemia ainda em 11 de março. Desde então, o número de pessoas infectadas pelo vírus no mundo passa de 2,6 milhões e as mortes causadas pela doença chegam a 183 mil, conforme os números divulgados pela Universidade Johns Hopkins.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020042315489365-pela-1-vez-mexico-registra-mais-de-mil-casos-de-covid-19-em-24-horas-/

Em meio à pandemia de COVID-19, proximidade aos EUA representa perigo ao México?

Policiais e pedestre com máscaras para se proteger do coronavírus no México
© AP Photo / Rebecca Blackwell

O vizinho ao norte do México, os EUA, se converteu no país com a maior incidência de casos do coronavírus, se tornando o foco mundial da pandemia.

Dada a proximidade com o México, diversas comunidades fronteiriças com os EUA começaram a exigir mais proteção. Por exemplo, em 26 de março, alguns habitantes de Nogales, no estado mexicano de Sonora, impediram a entrada de norte-americanos.

Segundo veículos de comunicação locais, esta ação foi motivada porque habitantes do estado norte-americano do Arizona entravam no México para comprar papel higiênico e outros produtos de higiene, assim como pela preocupação de que alguém pudesse entrar doente com COVID-19.

Desde 21 de março, a fronteira de ambos os países se encontra fechada a viagens não essenciais. Contudo, "pelo intercâmbio e trânsito de pessoas", estas cidades podem representar "um risco importante" para a importação de casos ao México, alertou Mauricio Rodríguez Álvares, professor da Faculdade de Medicina e porta-voz da Comissão para a COVID-19 da Universidade Nacional Autônoma do Médico (UNAM), em entrevista à Sputnik Mundo.

"A impressão geral é que estamos em um planeta interconectado. Temos contato muito frequente com outros países, e, enquanto existir países com casos, existirá sempre a possibilidade de que, a partir destes países, possamos receber pessoas que venham com a infecção", comentou Eric Ochoa Hein, infectologista do Instituto Nacional de Ciências Médicas e Nutrição Salvador Zubirán.

De acordo com o diretor da Clínica de Atenção Preventiva ao Viajante, Jorge Baruch Díaz Ramírez, ainda que teoricamente seja possível esperar que a proximidade dos Estados Unidos afete a incidência de casos no México, o comportamento do vírus SARS-CoV-2 em território norte-americano tem sido mais veloz em comparação com o México porque "foi um dos primeiros 10 países a confirmar casos a nível mundial, por sua conexão com a China. Por este motivo estamos vivendo uma disparidade em toda a região norte-americana sobre como está se comportando a epidemia nos Estados Unidos, Canadá e México, porque cada país, entrou na epidemia separadamente".

A doença, porém, terminará se estendendo cedo ou tarde ao interior do México pela tendência de contágios observada em outros países, concluem especialistas. Por este motivo, Díaz Ramírez avaliou que as autoridades mexicanas devem ter atenção máxima aos mexicanos migrantes que retornam dos EUA.

"Os mexicanos que são repatriados têm uma barreira para o acesso a serviços de saúde. Normalmente, têm problemas de identidade e com documentos que possibilitam acesso aos serviços de saúde. A universalização dos serviços de saúde, tanto no México como nos EUA, representará uma barreira importante e poderá chegar a ser um fenômeno que impacte diretamente em famílias migrantes irregulares", salientou.

Neste sentido, Hein aponta que se as pessoas vindas do exterior não forem vigiadas, será possível registrar reintroduções do vírus, o que poderia ampliar os casos do coronavírus em certas regiões do México.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020041615462490-em-meio-a-pandemia-de-covid-19-proximidade-aos-eua-representa-perigo-ao-mexico/

Presidente do México agradece à China apoio para combater COVID-19

AMLO dialoga con embajador de China sobre comercio - El Sol de México

Cidade do México, 8 abr (Xinhua) -- O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, agradeceu na quarta-feira à China o apoio no combate ao surto de novo coronavírus, especialmente com suprimentos médicos tão necessários.

"Os equipamentos e suprimentos médicos da China estão chegando. Agradecemos muito ao governo da China porque facilitou a aquisição de equipamentos que não tínhamos, sobretudo equipamentos de proteção individual", disse López Obrador a repórteres em sua coletiva de imprensa diária.

"Os aviões continuarão a chegar. Estamos nos preparando. É fundamental, essencial, mais importante e prioritário que tenhamos os leitos, respiradores, médicos e todos os equipamentos", acrescentou.

O primeiro avião carregado de suprimentos da China para combater o surto chegou na terça-feira, trazendo toneladas de luvas de exploração e máscaras faciais para serem distribuídas entre o corpo médico do país.

Até a última terça-feira, o México notificou 2.785 casos confirmados do coronavírus e 141 mortes pela doença.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-04/09/c_138960327.htm

Carta do Dr. John Womack ao Partido Comunista do México (PCM)

Como historiador que sou da história moderna do México, especialmente das lutas do povo trabalhador mexicano contra as tremendas injustiças que sofria e sofre, quero afirmar que este documento, as “Teses”, é o melhor resumo, o mais honesto e verdadeiro que já li sobre os primeiros anos tão difíceis do partido, as suas relações internacionais, através da Comintern, as suas bravas lutas pelo proletariado mexicano, industrial e rural, os seus sucessos e os seus erros e, até, os seus fracassos durante os anos setenta e o pior erro, a liquidação do partido, em 1981.


 

 

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Três breves comentários sobre um século de luta comunista no México

John Womack, Jr. *

 

Estimados camaradas do Partido Comunista do México,

Recebam as minhas solidárias saudações e estes poucos parágrafos de comentários, que espero lhes sejam úteis.

Em primeiro lugar, felicito-os pela celebração que dignamente desenvolvem para honrar o centenário do Partido Comunista no México, nascido em novembro de 1919 e, dois anos depois, já Partido Comunista Mexicano, devidamente reconhecido como a Secção Mexicana da Internacional Comunista.

Em segundo lugar, felicito-os pelas “Teses do Comité Central do PCM” [1], de 7 de novembro. Como historiador que sou da história moderna do México, especialmente das lutas do povo trabalhador mexicano contra as tremendas injustiças que sofria e sofre, quero afirmar que este documento, as “Teses”, é o melhor resumo, o mais honesto e verdadeiro que já li sobre os primeiros anos tão difíceis do partido, as suas relações internacionais, através da Comintern, as suas bravas lutas pelo proletariado mexicano, industrial e rural, os seus sucessos e os seus erros e, até, os seus fracassos durante os anos setenta e o pior erro, a liquidação do partido, em 1981. Como historiador, devo dizer-lhes que em alguns pontos da história discordo das teses, mas são poucos e pequenos, são detalhes. Com as linhas importantes da análise, que considero muito perspicazes e muito interessantes – e, também muito a propósito para celebrar o centenário – estou inteiramente de acordo.

Em terceiro lugar, mais amplamente, um comentário clarificador: entendo que, hoje, se está a disputar no México a história do PCM, isto é, como comemorar o centenário. De acordo com as notícias que tenho, a diferença surge mais clara entre aqueles que querem lembrar a história e aqueles que querem estudá-la para a utilizar, a atualizar e torná-la eficaz nas lutas pelo poder no México. Esta questão pode expressar-se na diferença entre dois propósitos.

O propósito de lembrar a história, só para comemorar o partido, é, com efeito, o propósito de, finalmente, lhe fazer um enterro decente e respeitoso, prestar-lhe os devidos ritos funerários, regressando de seguida, nostalgicamente, à vida quotidiana subordinada ao domínio perpétuo do imperialismo. Por respeito sincero à memória do pobre partido liquidado, o enlutado pode, de vez em quando, participar em movimentos para limitar a exploração e a opressão que o imperialismo impõe, no México e em outros países. Estes movimentos podem dedicar-se a suavizar o imperialismo, torná-lo menos doloroso e pesado, insistir para que deixe de fazer aquilo que, sistemicamente, é a razão de ser da sua existência. Mas, como o enlutado enterrou o partido e celebrou a sua história para a encerrar, já não sonha pôr fim ao capitalismo. Tampouco pensa num partido para se opor ao imperialismo nas suas bases, muito menos para o derrubar, mas antes fazer um partido capaz, quando o imperialismo se destruir por si mesmo, no México e no mundo, de lutar por uma nova ordem pública, mexicana e internacional, de justiça trabalhadora.

Este triste e resignado propósito parece-se com o daqueles que propõem que tudo o que há de bom para comemorar e salvar do pobre partido liquidado em 1981 já foi subsumido no Morena e no AMLOismo [2] – que tudo o que tinha de bom aquele partido se vai cumprir na chamada Quarta Transformação e, agora, novo baralho, mas o mesmo jogo. Ou seja, uma transformação que não toca nos três fortes pilares do imperialismo no México –, os grandes bancos estrangeiros, os monopólios e os impostos que os capitalistas estrangeiros e mexicanos no México (não) pagam –, outra transformação burguesa, é a maior conquista que os trabalhadores mexicanos podem esperar. Se este é o fruto da liquidação de 1981, se comemorá-lo agora é referenciá-lo ao passado e pretender que o seu destino termine nestas mudanças de forma do capitalismo no México, esta nova fuga do problema fundamental do México trabalhador parece-me que, inconsciente ou deliberadamente, é a desonra da história do partido. Pessoalmente, não questiono aqueles que de boa fé sabem e confessam que estão apenas a fazer o melhor que podem imaginar, dentro dos limites do imperialismo no México. Eu rejeito os limites do capitalismo e desejo que os de boa fé tenham sido comunistas, mas não questiono os seus motivos nos limites que aceitam. São honestos e não pensam que possa fazer-se outra coisa, na melhor das hipóteses, do que mudar a forma da exploração capitalista –, talvez, se o sonho se realizasse, fazer mais outra transformação do capitalismo no México que seja, pelo menos a breve prazo, um pouco menos injusto. Mas aqueles que defendem que nesta mudança de forma do capitalismo, nesta rendição ao capitalismo, o partido liquidado chegou ao seu destino, ou mentem e sabem-no bem (nada de novo na política), ou sofrem dessa triste e doce loucura onde as ilusões são reais. Nas histórias futuras, os mentirosos sairão desonrados; os iludidos lamentados.

O outro propósito, o que leio nas “Teses” do CC do PCM, de estudar a história do PCM para entender os seus sucessos e erros, aprender as melhores lições para a atualizar, ou seja, desenvolver lutas efetivas pelo socialismo no México, esse propósito parece-me que sim, honra a história do partido. Significa, o que eu também creio, que nem o capitalismo nem a sua expressão internacional no imperialismo são a signa humana, tão perpétua e inevitável quanto o sol ou a lua. Significa o reconhecimento de que o capitalismo, sistema internacional do imperialismo, não desaparecerá por si só, nem aceitará novas regras que o limitem por muito tempo, que mobilizará toda a sua força e inteligência para defender a sua ordem. Atualizar a história do PCM é reconhecer que sem luta consciente e perseverante das classes trabalhadoras não é possível acabar com este indecente mundo de exploração e, de seguida, implantar uma nova ordem de justiça trabalhadora. Além disso, é reconhecer que não será possível garantir essa nova ordem sem o comando do trabalhador, dedicado, com toda a consciência e total compromisso, à formação do socialismo, no longo caminho das lutas para o comunismo. E só um partido decidido contra o capitalismo e o seu sistema internacional, um partido que não se limita a reformar um inimigo incorrigível, mas a derrotá-lo para tornar o mundo justo, pode merecer esse mandato.

Por isso gostei muito e, muito especialmente, da referência das Teses ao Partido Comunista como o Estado Maior da classe operária.

20 de novembro de 2019

 

Notas

[1] As Teses do Comité Central do PCMforam publicadas neste blog, em 2 partes, nos dias 22 e 25 de novembro de 2019. – NT

[2] Morena: acrónimo de Movimento de Regeneração Nacional, partido político social-democrata do México, que começou por ser um movimento/associação civil social e político impulsionado por Andrés Manuel López Obrador, conhecido pelo acrónimo AMLO, atual presidente do México, desde 1 de dezembro de 2018. – NT

* John Womack, Jr. é um historiador da América Latina, particularmente do México, da Revolução Mexicana (1910-1921) e de Emiliano Zapata. Aposentou-se em junho de 2009 do cargo de professor de História e Economia da América Latina, na Universidade de Harvard. – NT

Fonte: http://www.comunistas-mexicanos.org/partido-comunista-de-mexico/2223-carta-del-dr-john-womack-al-pcm, publicado em 2019/11/27, acedido em 2020/01/02

Tradução do castelhano de PAT

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/carta-do-dr-john-womack-ao-partido-84899

Mais de 60 mil desaparecidos no México devido à guerra contra as drogas

As autoridades mexicanas estimam que, desde 2006, haja mais de 60 mil pessoas desaparecidas desde o início da guerra contra as drogas. O número pode até ser superior.

 

A droga é um sério problema no México, com uma séria presença de vários cartéis poderosos e sem escrúpulos. O país começou uma guerra contra as drogas em 2006, na tentativa de combater a questão. Segundo as autoridades, mais de 60 mil pessoas estão desaparecidas desde então.

Segundo o jornal britânico The Guardian, este valor é muito superior ao estimado anteriormente, que rondava as 40 mil pessoas. Acabar com o problema das drogas e a consequente falta de segurança é uma das bandeiras do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador.

O combate às drogas baseia-se numa intervenção a nível social, mais pacífica, mas que, no entanto, tem trazido escassos resultados. As autoridades mexicanas indicam que os cartéis de droga, grupos mafiosos e até mesmo força de segurança estatais são responsáveis pelos mais de 60 mil desaparecidos.

 
 

Desde a chegada de Obrador à presidência, em dezembro de 2018, foram encontrados 873 locais de onde foram retirados 1.124 corpos. Estes sítios eram maioritariamente localizados em Sinaloa, Jalisco, Colima, Sonora e Chihuahua, onde há uma forte presença de crime organizado e narcotraficantes.

“Temos de nos lembrar que estamos a falar de vidas, famílias e pessoas que ainda estão desaparecidas”, disse Karla Quintana, chefe do comité de investigação nacional. “Estas são estatísticas de horror por trás das quais existem tantas histórias de tanta dor”, acrescentou.

https://twitter.com/falko_ernst/status/1214310431545856000?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Apesar do número de desaparecidos sugerido ser, por si só, surreal, há quem acredite que poderá ser ainda maior. “Doze estados apresentaram não apresentaram ou apresentaram parcialmente informações. Este é apenas um passo para compreender o âmbito completo do conflito”, escreveu o especialista Falko Ernst, no Twitter.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/60-mil-desaparecidos-mexico-drogas-301181

Presidente do México diz que 'El Chapo' tinha o mesmo poder que o presidente

Andrés Manuel López Obrador, presidente do México
© REUTERS / Henry Romero

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, fechou 2019 mirando em seus antecessores ao dizer que o barão das drogas Joaquin "El Chapo" Guzman Loera tinha o mesmo poder que o presidente do país.

Em uma mensagem de vídeo, López Obrador narrou os sucessos de seu governo em seu primeiro ano e destacou seus desafios, principalmente a crescente violência. Ele disse que já havia eliminado a corrupção de alto nível que era desenfreada nos governos anteriores, mas disse que era crucial traçar uma linha clara entre elementos criminais e autoridades, para que os dois lados não se misturassem como no passado.

"Houve um tempo em que Guzman tinha o mesmo poder ou a influência que o então presidente teve... porque houve uma conspiração e isso dificultou a punição daqueles que cometeram crimes. Isso já se tornou história, foi para o depósito de lixo da história", disse Lopez Obrador.

Parece ser uma referência à acusação e prisão no mês passado do ex-secretário de segurança pública do México, Genaro Garcia Luna, afirma a agência de notícias Associated Press. Garcia Luna foi secretária de segurança pública no gabinete do presidente Felipe Calderón de 2006 a 2012. Antes de ingressar no governo de Calderón, Garcia Luna liderou o equivalente do México ao FBI, a Agência Federal de Investigação, sob o presidente Vicente Fox.

Ele foi acusado no tribunal federal de Nova York de tráfico de cocaína e de prestar declarações falsas. Ele estava morando na Flórida e foi preso no Texas.

Os promotores dos EUA alegam que ele aceitou milhões de dólares em subornos do cartel de Guzman e, em troca, permitiu que o cartel de Sinaloa operasse sem interferência.

Guzman foi condenado à prisão perpétua por um tribunal em Nova York. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020010114959888-presidente-do-mexico-diz-que-el-chapo-tinha-o-mesmo-poder-que-o-presidente/

Presidente do México pede que Bolívia respeite direito de asilo

 

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O México fez um apelo ao novo governo conservador da Bolívia a respeitar seu direito de conceder asilo a nove pessoas em sua embaixada em La Paz nesta sexta-feira, dias depois de se queixar de que a vigilância do governo boliviano na instalação se tornou excessiva.

“O direito de asilo precisa ser garantido”, disse o presidente mexicano de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, quando indagado sobre o desentendimento em uma coletiva de imprensa de rotina.

Na quinta-feira, o México disse que está pedindo ao Tribunal Internacional de Justiça para mediar a disputa, que esfriou as relações entre os dois países latino-americanos.

O governo da Bolívia, comandado pela presidente interina Jeanine Añez, uma ex-senadora, tomou posse no mês passado depois que o presidente de esquerda de longa data Evo Morales renunciou e fugiu para o México.

Morales saiu pressionado pelas Forças Armadas bolivianas depois de uma eleição presidencial que a Organização dos Estados Americanos (OEA) disse ter sido fraudada a seu favor.

Ele logo aceitou uma oferta de asilo político do México, causando tensão nos laços entre o México e o governo liderado por Añez, uma oponente de Morales.

De acordo com o governo boliviano, Juan Ramon Quintana, um ex-assessor sênior de Morales, é uma das nove pessoas que se asilaram na embaixada mexicana.

O governo boliviano não identificou todas as nove pessoas dentro da representação. Aquelas que o foram, incluindo Quintana, são aliadas de Morales procuradas pelo governo por crimes como sedição e revolta armada.

Morales deixou o México neste mês, e atualmente está na Argentina.

Governo golpista da Bolívia cerca Embaixada do México e é denunciado por Obrador

247 -A polícia boliviana, que vem cercando as sedes diplomáticas do México em La Paz, exige que o país entregue os dois ex-ministros de Evo Morales que se refugiaram na Embaixada mexicana, informa o jornalista Lucas Rohan.

 

"Estão refugiados na Embaixada do México os ex-ministros Juan Ramón Quintana, braço direito de Evo Morales, e Wilma Alanoca. Ambos têm ordem de prisão por sedição e terrorismo", escreveu Rohan.

 

Nesta quinta-feira (26), o governo do México denunciou o governo da Bolívia na Corte Internacional de Justiça por "violação de obrigações diplomáticas". O anúncio foi feito pelo chanceler Marcelo Ebrard ao lado do presidente López Obrador, conta Rohan.

 

O experiente jornalista da Telesur Freddy Morales afirmou que "nem nas ditaduras militares se viu algo semelhante na Bolívia".

 

"Demandamos respeito à Convenção de Viena e ao Pacto de Bogotá", escreveu o chanceler mexicano nesta quinta-feira (26).

 

Crónica antecipada de um golpe – México

A fabricação de um golpe com a intervenção de alguns idiotas úteis de esquerda

http://www.informationclearinghouse.info/52736.htm
Em Inglês
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Em Castelhano

El pasado mes de julio pronuncié un discurso en el Foro de Izquierda en Brooklyn. Cuando terminó, un joven activista se puso de pie y anunció, en perfecto inglés, que era un anarquista de México que había viajado al Foro de Izquierda para hablar en contra de los abusos contra los derechos humanos perpetrados por el presidente mexicano “neoliberal”, A M Lopes Obrador(AMLO) contra los manifestantes. Dado que el panel en el que participé no tenía nada que ver con México, imaginé a todo un batallón de autoproclamados izquetas de vanguardia mexicana cambiando el tema en panel tras panel en el foro izquierdo para dañar la imagen de AMLO exagerando la conexión entre los La presidenta mexicana y las fuerzas de policía locales bajo el control de los gobiernos de la oposición, como le había sucedido a la presidenta brasileña Dilma Rousseff durante la consenada a la Copa del Mundo. “Así que comienza”, pensé. Como decimos en Brasil, ‘Já vi este filme’.
 
Basándome en el hecho de que el Estado Integral -el gobierno, los medios de comunicación, las corporaciones, las instituciones académicas, los partidos políticos, los grupos de reflexión y los ONGS que apoyan el proyecto imperialista- le encanta reciclar tácticas y estrategias de cambio de régimen, me gustaría predecir cómo los actores dentro de la izquierda de estados Unidos podrían, ya sea de manera tajante o inadvertida, fortalecer el apoyo al intento de golpe de Estado que obviamente ya está dando inicio contra México, un país que tiene yacimientos de petróleo y otros recursos naturales codiciados por una corporación estadounidense; país cuyos hijos ya están recluidos en jaulas americanas. Este artículo está destinado a ayudar a identificar señales de advertencia y, con suerte, reducir el número de progresistas estadounidenses que caen en las mismas técnicas de psiquiops que se utilizaron contra Honduras, Paraguay, Brasil, Nicaragua, Venezuela y Bolivia durante los recientes golpes de Estado y golpes de Estado apoyados por Estados Unidos en esos países. Aunque este artículo es sátira, he insertado enlaces a tipos similares de artículos de medios de comunicación progresistas sobre países latinoamericanos que han sufrido de recientes intentos de cambio de régimen respaldados por Estados Unidos.
 
Etapa 1
Una revista izquieralista estadounidense comienza una campaña de artículos de académicos trotskistas financiados por NED sobre cómo AMLO está “traicionando a la izquierda”. En el frente ambiental, AMLO es castigado por no haber desembolsado inmediatamente la economía mexicana de los combustibles fósiles.
Mientras tanto, empresas de medios liberales como New York Times, Intercept and the Guardian, algunas de las cuales ya han transferido a sus mejores escritores latinoamericanos a la Ciudad de México, ejecutan decenas de artículos destacando mega proyectos de construcción inacabados,, crimen,, crisis ambientales y corrupción,como si no fueran problemas estructurales sistemáticos causados por siglos de parasitaria explotación capitalista y golpes de estado perpetrados por Estados Unidos y sus aliados del norte. Ellos pretenderán que es un fenómeno completamente nuevo en México, que según los idiotas útiles, existen en un vacío geopolítico.

Etapa 2
A medida que aumenta la presión contra México, un medio de comunicación di  izquerda estadounidense hace un llamamiento para que los izquerdanos sean “honestos” sobre AMLO,escrito por un respetado profesor de estudios latinoamericanos, que no ha vivido en América Latina desde su investigación de doctorado, hace 30 años. [tal vez agregue cómo su familia también puede ser germano-mexicana y su abuelo vino misteriosamente a México en 1945]. Esta pieza insistirá en que AMLO es un capitalista, que no merece nuestra solidaridad. Esto es seguido por una oleada de artículos engreídos por estudiantes de posgrado desesperados por escapar de la pesadilla futura de addecidir que se centra en los “fracasos” de AMLO.
Ninguno de ellos menciona a los EE.UU. o el imperialismo. Cada promesa de campaña que no se cumple, cada iniciativa política que no cumple con su propósito, es culpa de las ventas en la izquierda mexicana. Todos ignoran el impresionante obstruccionismo de la derecha. México necesita una nueva izquierda, una que haga un descanso limpio del pasado, de sus sindicatos y sus movimientos sociales. El propósito de esta oleada de análisis negativos, intencionales o no, debilita la solidaridad con México, que ya es débil debido al aluvión constante de racismo sutil y lavó cerebro contra los mexicano-estadounidenses en la industria hegemónica de medios y entretenimiento.
Mientras tanto, un nuevo movimiento social surge en México, liderado por estudiantes universitarios blancosde clase mediaalta, bajo el lema de “sin banderas, sin partidos políticos”.
 
Etapa 3
Como ONG internacionales como Human Rights Watch y Transparencia Internacional,junto con think tanks financiados por empresas como AS/COA alimentan noticias calumniosas en los medios hegemónicos, que de repente está más interesado en México que nunca. Las protestas comienzan a expandirse.
Las élites conservadoras desfilan por las calles cantando el himno nacional de Los Estados Unidos loro de los eslóganes racistas contra los grupos indígenas y la retórica anticomunista de la guerra fría inunda las redes sociales, gracias a una masiva operación de psy-ops financiadaal estilo de Cambridge Analytica en Estados Unidos y El Reino.
El programa de radio progresista más popular del país trae a uno de los jóvenes manifestantes al programa, para hablar sobre los horribles abusos contra los derechos humanos cometidos por la “policía de AMLO”. Una importante organización de estudios progresistas latinoamericanos invita a un grupo de manifestantes a participar en una mesa redonda sobre el autoritarismo. Usan máscaras, pero luego se los quitan para tomar selfies durante una reunión con Mike Rubio y Ted Cruz. El matiz de que el presidente mexicano no tiene más control sobre las fuerzas de la policía local que Obama sobre la policía de Oklahoma City o Dallas durante su presidencia, se pierde en la traducción.
En Twitter, un destacado miembro de “The Squad” comienza a preocuparse públicamente por el creciente “autoritarismo” en México. Esto es retuiteado de manera poco crítica por decenas de miles de progresistas estadounidenses, incluyendo la mayoría de las instituciones de medios de izquierda más grandes, sus periodistas y editores.
 
Stage 4
Obrador cae. El partido neoliberal originalmente apoyado por los golpes de Estado respaldados por Estados Unidos se estrella y se quema y un payaso neofascista al estilo Trump/Bolsonaro/Boris Johnson, respaldado por los narcotraficantes y el ejército toma la delantera en una campaña electoral a toda prisa. Durante el mes anterior a las elecciones el Guardián lleva 22 artículos explicando por qué el candidato de payaso neofascista no es realmente tan malo.
A medida que se desmantelan los organismos de protección del medio ambiente y las leyes laborales, los pogramas comienzan contra los pueblos indígenas y los habitantes de los barrios marginales. Comienzan los asesinatos y las detenciones arbitrarias de líderes laborales y de movimientos sociales.
Las organizaciones de medios de comunicación izquierdas y liberales por igual, comienzan a publicar artículos sobre lo que salió mal. Los líderes indígenas y sindicales -ignorados durante el proceso de golpe de Estado- de repente se encuentran siendo invitados a dar entrevistas y escribir artículos de opinión para los principales medios de comunicación estadounidenses.
 
Mientras tanto, según los mismos grupos de medios, un espectro se cierne sobre Argentina. En las páginas de la publicación socialista más popular de Estados Unidos, un académico troskyista financiado por NED pregunta: “¿Están Fernández y Kirchner abriendo las puertas del neoliberalismo?”

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/24/cronica-antecipada-de-um-golpe-mexico/

EUA | George H. Walker Bush: A família Bush e o cartel mexicano de drogas

Bush (pai) e os Salinas
Prof Michel Chossudovsky | Global Research, December 01, 2019
 
 
Donald Trump ofereceu-se para intervir no México "para ir atrás dos cartéis de drogas" após "o assassinato brutal de uma família americana no México". O presidente mexicano recusou a generosa oferta de Trump.
 
Numa entrevista recente, o presidente Trump confirmou que seu governo está considerando categorizar os cartéis de drogas mexicanos como "organizações terroristas"semelhantes à Al Qaeda (com exceção de que são católicos e não muçulmanos). Doravante, eles seriam designados como "organizações terroristas estrangeiras".
 
Qual é a intenção? Estender a "Guerra ao Terrorismo" para a América Latina. 
 
A verdade não dita é:
 
1. A Al Qaeda e suas organizações terroristas relacionadas no Oriente Médio, África e Sudeste Asiático são criações da CIA.
 
2. A CIA protege o comércio global de biliões de dólares, bem como os cartéis mexicanos. Além disso, estima-se que 300 biliões de dólares em dinheiro de drogas sejam lavados rotineiramente em casinos nos Estados Unidos, incluindo Las Vegas e Atlantic City... Assim como em Macau. Adivinha quem é o dono do casino mais rico do mundo.
 
4. Sabe-se que os políticos americanos e mexicanos têm laços com o comércio de drogas.
 
Para que não esqueçamos,  George HW Bush, pai de Bush Junior, desenvolveu laços pessoais estreitos com Carlos Salinas de Gortari  (ex-presidente do México) e seu pai Raul Salinas Lozano que, segundo o Dallas Morning News (27 de fevereiro de 1997),  era “Uma figura de destaque nos negócios de narcóticos que também envolveu seu filho, Raul Salinas de Gortari… E Raul era um amigo íntimo de Jeb Bush, (ex-governador da Flórida) e irmão de Georoge W. Bush.
 
O texto a seguir foi publicado em maio de 2015 sob o título   Jeb Bush, o Cartel de Drogas do México e "Comércio Livre". A família Bush e o crime organizado 

Michel Chossudovsky, 1 de dezembro de 2019
 
***
Jeb Bush é um candidato presidencial. [foi em 2015]
 
Mas Jeb não é apenas irmão de George W. e filho de George HW Bush.
 
Jeb Bush também tinha laços pessoais íntimos com Raul Salinas de Gortari , irmão do ex-presidente do México Carlos Salinas de Gortari. Nos anos 90, Raul ,  o "chefão das drogas", segundo a  promotora federal suíça  Carla del Ponte, era uma das principais figuras do cartel mexicano de drogas.
 
Jeb Bush - antes de se tornar governador do Estado do Sol - era amigo íntimo de Raul Salinas de Gortiari:
 
“Também tem havido muita especulação no México sobre a natureza exata da estreita amizade de  Raul Salinas com o filho do ex-presidente George Bush, Jeb. É sabido aqui que, durante muitos anos, as duas famílias passaram férias juntos - as Salinases na casa de Jeb Bush em Miami, os Bushes na fazenda de Raul, Las Mendocinas,  sob o vulcão em Puebla.
 
Muitos no México acreditam que o relacionamento se tornou um canal de retorno para negociações delicadas e cruciais entre os dois governos, levando ao patrocínio do NAFTA pelo presidente Bush. ”(Intelectual proeminente e ex-ministro de Relações Exteriores do México Jorge G. Castañeda, The Los Angeles Times  e Houston Chronicle, 9 de março de 1995, ênfase adicionada)
 
O relacionamento pessoal entre as famílias Bush e Salinas era uma questão de registo público. O ex-presidente George HW Bush desenvolveu laços pessoais estreitos com Carlos Salinas e seu pai, Raul Salinas Lozano.
 
Raul Salinas Lozano era o patriarca da família, pai de Carlos e Raul Junior. Segundo o ex-secretário particular de Raul Salinas Lozano (em declaração às autoridades americanas):
 
“... O Sr. Salinas Lozano foi uma figura de destaque nos negócios de narcóticos que também envolveu seu filho, Raul Salinas de Gortari, seu genro, Jose Francisco Ruiz Massieu, o oficial nº 2 do Partido Revolucionário Institucional do governo, ou PRI, e outros políticos importantes, de acordo com os documentos. Ruiz Massieu foi assassinado em 1994. ”(Dallas Morning News, 26 de fevereiro de 1997, grifo nosso).
 
O ex-presidente George HW Bush e Raul Salinas Lozano eram “amigos íntimos”.
 
 
Segundo o ex-funcionário da DEA Michael Levine, o cartel de drogas mexicano era um "assunto de família". Carlos e Raul eram membros proeminentes do cartel. E isso era conhecido pelo então procurador-geral dos EUA, Edward Meese, em 1987, um ano antes da posse de Carlos Salinas como presidente do país.
 
Quando Carlos Salinas tomou posse como Presidente, todo o aparato do Estado mexicano foi criminalizado com posições-chave do governo ocupadas por membros do Cartel. O Ministro do Comércio, encarregado das negociações comerciais que antecederam a assinatura do NAFTA, foi Raul Salinas Lozano, pai de Raul Junior, o chefão das drogas, e de Carlos, o presidente.
 
E é precisamente durante esse período que o governo de Salinas lançou um amplo programa de privatização, sob orientação do FMI.
 
O programa de privatização evoluiu posteriormente para uma operação de lavagem de dinheiro de biliões de dólares. Os narco-dólares foram canalizados para a aquisição de propriedades e serviços públicos do Estado.
 
Richard Barnet, do Institute for Policy Studies, testemunhou no Congresso dos EUA (14 de abril de 1994) que:
 
“Biliões de dólares em ativos estatais foram destinados a apoiantes e companheiros” (Dallas Morning News, 11 de agosto de 1994).
 
Isso incluiu a venda da Telefonos do México, avaliada em US $ 3,9 biliões e comprada por um amigo de Salinas por US $ 400 milhões. (Ibid).
 
Raul Salinas estava por trás do programa de privatização. Ele era conhecido como "El Señor 10 por Ciento" [Sr. 10%] "pela fatia do dinheiro que ele supostamente exigiu em troca de ajudar conhecidos a adquirir empresas, concessões e contratos [no âmbito do programa de privatização patrocinado pelo FMI" (The News, InfoLatina, Mexico, 10 de outubro de 1997).
 
O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA)
 
Raul Salinas de Gortari é irmão do ex-presidente Carlos Salinas de Gortiari, que assinou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) em dezembro de 1992, ao lado do presidente dos EUA George HW Bush e do primeiro-ministro do Canadá, Brian Mulroney.
 
Em uma ironia amarga, foi somente após esse evento histórico que os laços da família de Carlos Salinas com o irmão Raul foram revelados ao tráfico de drogas.
 
O governo George HW Bush Senior estava plenamente consciente dos vínculos da presidência de Salinas com o crime organizado. A opinião pública nos EUA e no Canadá nunca foi informada para não comprometer a assinatura do NAFTA:
 
"Outras ex-autoridades dizem que foram pressionadas a manter a mãe porque Washington estava obcecado em aprovar o NAFTA".
 
"A inteligência sobre corrupção, especialmente por traficantes de drogas, sempre esteve presente", disse Phil Jordan, que chefiou o escritório da DEA em Dallas de 1984 a 1994. Mas "estávamos sob instruções para não dizer nada negativo sobre o México. Foi um não-não, uma vez que o NAFTA era um futebol político quente.” (Dallas Morning News, 26 de fevereiro de 1997)
 
Em outras palavras, na época em que o Acordo do NAFTA foi assinado, Bush Senior e Mulroney estavam cientes de que um dos signatários do NAFTA, o presidente Salinas de Gortiari, tinha ligações com o Cartel de Drogas do México.
 
Em 1995, após o escândalo e a prisão de seu irmão Raul por assassinato, Carlos Salinas deixou o México para morar em Dublin. Seus supostos vínculos com o cartel de drogas não o impediram de ser nomeado para o Conselho da Dow Jones Company em Wall Street, cargo que ocupou até 1997:
 
Salinas, que deixou o México em março de 1995, depois que seu irmão, Raul, foi acusado de planear o assassinato de um oponente político, atua no conselho da empresa há dois anos. Ele foi interrogado no ano passado em Dublin por um promotor mexicano que investiga o assassinato em março de 1994 de Luis Donaldo Colosio, que queria suceder Salinas como presidente. Um porta-voz da Dow Jones negou na semana passada que Salinas havia sido forçado a sair da eleição para o novo conselho, que ocorrerá na reunião anual da empresa em 16 de abril... Salinas, que negociou a entrada do México no acordo de livre comércio com os Estados Unidos e Canadá, foi nomeado para o conselho por causa de sua experiência internacional. Ele não estava disponível para comentar em sua casa em Dublin na semana passada. ”(Sunday Times, Londres, 30 de março de 1997).
 
Washington negou sistematicamente o envolvimento de Carlos Salinas. “Era seu irmão Raul”, Carlos Salinas “não sabia”, a mídia americana continuou a defender Salinas como estadista modelo, arquiteto de livre comércio nas Américas e amigo da família Bush.
 
Em outubro de 1998, o governo suíço confirmou que o irmão do ex-presidente mexicano havia depositado cerca de 100 milhões em dinheiro de drogas em bancos suíços:
 
“Eles [autoridades suíças] estão confiscando o dinheiro, que eles acreditam ser parte de uma quantia muito maior paga a Raul Salinas por ajudar os cartéis de drogas mexicanos e colombianos durante o mandato de seis anos de seu irmão, que termina em 1994. Os advogados de Salinas sustentaram estava legalmente chefiando um fundo de investimento para empresários mexicanos, mas a promotora federal suíça, Carla del Ponte, descreveu os negócios de Salinas como doentios, incompreensíveis e contrários ao uso habitual dos negócios. ( Relatório da BBC )

Alguns meses depois, em janeiro de 1999, após um julgamento de quatro anos, Raúl Salinas de Gortari (à esquerda) foi condenado por ordenar o assassinato de seu cunhado, José Francisco Ruiz Massieu:
 
“Após [Carlos] Salinas deixar o cargo em 1994, a família Salinas caiu de graça em um turbilhão de corrupção relacionada à droga e escândalos criminais. Raúl foi preso e condenado por lavagem de dinheiro e por planear o assassinato de seu cunhado; depois de passar 10 anos na prisão, Raúl foi absolvido de ambos os crimes.
 
Com o escândalo desenrolando-se, a amizade de Jeb com Raúl não passou despercebida. Jeb nunca negou sua amizade com Raúl, que [agora] mantém um perfil baixo no México.
 
Kristy Campbell, porta-voz de Bush, não respondeu a um pedido de comentário. A morte da família Salinas pegou os Bushes de surpresa. “Fiquei muito decepcionado com as alegações sobre ele e sua família. Nunca tive a menor ideia de que o presidente Salinas fosse totalmente honesto”, disse Bush sénior na entrevista de 1997. (Dolia Estevez, Conexões Mexicanas de Jeb Bush, Forbes, 7 de abril de 2015, ênfase adicionada)
 
"O desaparecimento da família Salinas pegou os Bush de surpresa"? (Forbes, abril de 2015) Os Bushes sabiam quem eles eram o tempo todo.
 
O ex-oficial da DEA Michael Levine confirmou que o papel de Carlos Salinas no cartel mexicano de drogas era conhecido pelas autoridades americanas.
 
O presidente dos EUA, George HW Bush, era regularmente informado por funcionários do Departamento de Justiça, da CIA e da DEA.
 
Jeb Bush - candidato à Casa Branca com um ingresso republicano - sabia sobre as ligações de Raul ao Cartel de Drogas?
 
A família Bush era de alguma maneira cúmplice?
 
Essas são questões que devem ser tratadas e debatidas pelo público americano em todo o país antes das eleições primárias presidenciais de 2016.
 
Segundo Andres Openheimer, escrevendo no Miami Herald (17 de fevereiro de 1997):
 
“Testemunhas dizem que o ex-presidente mexicano Carlos Salinas de Gortari, seu irmão preso Raul e outros membros da elite dominante do país se encontraram  com o traficante Juan Garcia Abrego em uma fazenda da família Salinas; Jeb Bush admite que se encontrou com Raul Salinas várias vezes, mas nunca fez negócios com ele.”
 
As autoridades americanas esperaram até Carlos Salinas terminar seu mandato presidencial para prender o traficante mexicano Juan Garcia Abrego, que era um colaborador próximo do irmão do presidente Raul. Por sua vez, Raul Salinas era um "amigo íntimo" de Jeb Bush:
 
Juan Garcia Abrego, um fugitivo da lista dos mais procurados do FBI, foi levado para Houston no final da segunda-feira, após sua prisão pela polícia mexicana... Garcia Abrego, o renomado chefe do segundo cartel de drogas mais poderoso do México, havia escapado às autoridades de ambos os lados do país. Sua prisão é uma enorme vitória para os governos dos EUA e do México. CNN , 16 de janeiro de 2015.
 
Mas há mais do que aparenta: enquanto os Bush e as Salinas têm laços de longa data, Wall Street também estava envolvida na lavagem de dinheiro com drogas:
 
Uma autoridade dos EUA disse que o Departamento de Justiça fez avanços significativos em sua investigação de lavagem de dinheiro contra Raul Salinas de Gortari e identificou várias pessoas que podem testemunhar que o ex-primeiro irmão recebeu dinheiro de proteção de um grande cartel de narcóticos.
 
Se os EUA indiciarem Salinas, isso poderia ter implicações para uma investigação do Departamento de Justiça sobre possível lavagem de dinheiro pelo Citibank, onde Salinas tinha algumas de suas contas. O Citibank, uma unidade do  Citicorp, negou irregularidades. (WSW, 23 de abril de 2015)
 
O envolvimento do Citbank na operação de lavagem de dinheiro é documentado por um Relatório do Comité de Assuntos Governamentais do Senado (Escritório Geral de Contabilidade dos EUA   “Private Banking: Raul Salinas, Citibank e Alleged Money Laundering”  Washington, 1998).
 
Fim do Jogo
 
Raul Salinas de Gortiari foi libertado em 2005. Todas as acusações foram retiradas. O assunto envolvendo os arbustos e as salinas foi amplamente esquecido.
 
Enquanto isso, a história política americana foi reescrita…
 
Sem mencionar o Acordo de "Comércio Livre" (NAFTA) de 1992, assinado por um chefe de Estado com ligações ao crime organizado. Isso torna um acordo ilegal? A legitimidade do NAFTA até agora não foi objeto de um procedimento legal de inquérito judicial.
 
Um "NAFTA ilegal" prepara o terreno para os "acordos" TPP e TTIP negociados a portas fechadas.
 
Tudo está bem na República Americana.
 
 
A fonte original deste artigo é Global Research
 
Copyright © Prof Michel Chossudovsky , Global Research , 2019
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/eua-george-h-walker-bush-familia-bush-e.html

López Obrador completa 1 ano na presidência do México com festa e protestos

Andrés Manuel López Obrador, presidente de México
© AP Photo / Marco Ugarte

Milhares lotaram a praça central da capital neste domingo (1) para comemorar o primeiro ano de mandato do presidente Andrés Manuel Lopez Obrador.

Ao mesmo tempo, outro grupo de milhares marchou pela principal avenida da cidade para protestar contra a violência e outros males no país.

O clima no Zócalo era festivo, com uma orquestra do estado natal de Tabasco do presidente tocando música tropical inspirada em sons cubanos, enquanto mulheres com pouca roupa dançavam ao lado dos músicos. Os foliões usavam máscaras inspiradas em Lopez Obrador no evento batizado de AMLOFest, um trocadilho com as iniciais do presidente. 

Pesquisas mostram que mais da metade dos mexicanos apoia a maneira como Lopez Obrador está administrando o país, apesar das crescentes taxas de homicídios e de uma economia debilitada que flerta com a recessão.

Em um discurso, o presidente contabilizou suas realizações até agora, como o lançamento de novos programas sociais que visam principalmente ajudar jovens, idosos e indígenas. O Banco Mundial estima que um a cada três mexicanos vive na pobreza.

"Ainda não houve crescimento econômico como queremos '', ele segundo a agência de notícias Associated Press. "Mas eu insisto que há uma melhor distribuição de riqueza."

Enquanto isso, no bulevar do Paseo de la Reforma, manifestantes vestidos de branco expressavam raiva e frustração por incidentes cada vez mais terríveis de violência, economia estagnada e divisões políticas mais profundas no país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019120114840747-lopez-obrador-completa-1-ano-na-presidencia-do-mexico-com-festa-e-protestos/

Um século de luta dos comunistas do México (2.ª parte)

Partido Comunista do México (PCM) – Teses do Comité Central

[Este artigo é publicado em 2 partes. Hoje, publica-se a segunda]

a tese leninista da exclusão mútua da ideologia socialista e da ideologia burguesa praticada no nosso país, a teoria marxista-leninista na qual até então se baseou a construção do partido, faz concessões à ideologia burguesa da Revolução Mexicana e as posições de classe são trocadas por um discurso patriótico e coincidente com o do nacionalismo revolucionário que, na época, é a ideologia oficial do Estado mexicano.

 

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(continuação)

21. No movimento camponês, a política dos comunistas levou à luta organizada contra os guardas brancos, primeiro como ligas de resistência e, depois, como organizações armadas, desencadeando a unidade camponesa, que promoveu a distribuição agrária de maneira assinalável, sobretudo em áreas importantes de Veracruz, Coahuila, Michoacán. O movimento camponês, sob a direção dos comunistas, foi decisivo para a derrota dos levantamentos militares reacionários da ala direita dos caudilhos burgueses. Honra e glória aos mártires de Veracruz, Úrsulo Galván, José Cardel, Primo Tapia, José Guadalupe Rodríguez, Rubén Jaramillo Ménez.

22. Na luta pela emancipação das mulheres, os comunistas também tiveram um papel de vanguarda; tanto na luta pelo direito das mulheres a votarem e serem votadas, pela participação política, como pelo direito ao divórcio e ao aborto; as comunistas, desde a fundação do Partido, tiveram um papel de destaque na condução, elaboração e ação revolucionárias, enquanto nos partidos burgueses as mulheres eram relegadas a figuras decorativas.

23. Entre a juventude e os estudantes, o papel dos comunistas tem um reconhecimento inquestionável, com a luta antifascista unitária, que deu origem às Juventudes Socialistas Unificadas do México e a organizações estudantis em universidades e institutos (FECSUM), especialmente nos anos 60, quando se promoveu a fundação da Central Nacional dos Estudantes Democráticos, e por toda a contribuição para o movimento estudantil de 1968.

24. Na arte e na cultura, a contribuição dos comunistas constituiu uma das maiores glórias do proletariado e da própria cultura nacional: o muralismo, a gravura, a poesia, o teatro, a literatura, a música, deixam contribuições que enriquecem a cultura universal. Siqueiros, Rivera, Frida Kahlo, Silvestre Revueltas, Rosaura Revueltas, José Revueltas, José Mancisidor, Juan de la Cabada; além da criação artística e cultural, também se destacou o trabalho de organização dos trabalhadores da arte e da cultura, primeiro na Liga dos Intelectuais Proletários, a seguir na Liga dos Escritores e Artistas Revolucionários e depois em formas sindicais, como a Associação Nacional de Atores – ANDA.

25. A conquista de liberdades formais, anteriormente restringidas pelo autoritarismo do governo, e a anulação do delito de dissolução social e de outras manifestações antidemocráticas e anticomunistas do Estado mexicano foram conquistas do movimento operário e do Partido Comunista.

26. Os comunistas também atuaram solidariamente, nos princípios do internacionalismo proletário, ao dar a sua contribuição para a organização dos comunistas noutros países: no primeiro Partido Comunista de Cuba, na América Central (Guatemala, El Salvador e Honduras) e nos Partidos Comunistas da Venezuela e Equador. Também se destacaram pelo apoio, até que as contradições se tornaram insanáveis, a César Augusto Sandino e à luta pela liberdade da Nicarágua, à Liga Anti-Imperialista das Américas, à luta da República na Espanha contra o fascismo, enviando grandes quantidades de ajuda material e centenas de combatentes – a maioria das fileiras do Exército Popular e também alguns das Brigadas Internacionais; pela solidariedade e apoio à construção socialista na URSS, o apoio às revoluções chinesa, vietnamita e cubana e, em geral, a todos os povos em luta. Isto foi ofuscado nos últimos anos do primeiro PCM pelo comportamento antissoviético dos influenciados pelo eurocomunismo, mas não esconde o essencial: os comunistas do México foram leais ao princípio marxista-leninista do internacionalismo proletário.

27. A contribuição dos comunistas no século XX é inegável, e a dissolução/liquidação do PCM, em 1981, e a ausência, durante mais de uma década, da atividade comunista organizada, empobreceu a vida política do México, e inclinou temporariamente a luta de classes a favor da burguesia. Absolutamente, ninguém tinha nem tem o direito de pôr fim à existência do Partido Comunista, que é o resultado de várias gerações, da atividade de milhares de quadros que, em condições heroicas, trabalharam para organizar em todo o país o partido da classe operária.

28. A liquidação do Partido Comunista Mexicano, no seu XX Congresso, em 1981, no entanto, é o resultado de uma longa crise de quase quatro décadas, em que as posições reformistas e revisionistas se foram introduzindo e se foi alterando a sua composição de classe. É nosso dever estudar todo aquele período e responder a essa deriva a partir de posições marxistas-leninistas, para retirar as lições necessárias para a luta de classes.

29. Apesar da repressão, assassinato e prisão de militantes e quadros, a Secção Mexicana da Internacional Comunista emergiu como um partido forte, com influência junto do proletariado, com um jornal, El Machete, que eliminou o vendaval e a tormenta de 1929 a 1934. Ao contrário do que se diz, durante o período que vai do V ao VI Congresso da III Internacional, classificado pelo revisionismo como o período sectário de classe contra classe, o Partido Comunista do México fortaleceu-se organicamente e construiu fortes laços com o proletariado, devido à decisão do seu V Congresso de concentrar toda a sua atividade na classe operária; na época, o PCM é um partido com 6.000 militantes e, através da CSUM, força dirigente do proletariado industrial, é uma das principais forças do movimento operário. Em 1935, ao realizar-se o VII Congresso da Comintern e ao adotar-se a linha da frente popular, dá-se um desajustamento na atividade do PCM, porque, em apenas três anos, o número dos seus membros aumenta para 30.000 militantes e o seu jornal atinge uma tiragem de 50.000 cópias, mas é um crescimento que negligencia o elemento qualitativo. Em primeiro lugar, a tese leninista da exclusão mútua da ideologia socialista e da ideologia burguesa praticada no nosso país, a teoria marxista-leninista na qual até então se baseou a construção do partido, faz concessões à ideologia burguesa da Revolução Mexicana e as posições de classe são trocadas por um discurso patriótico e coincidente com o do nacionalismo revolucionário que, na época, é a ideologia oficial do Estado mexicano; considera-se que a materialização da Frente Popular é a unidade com o cardenismo [de Lázaro Cárdenas – NT] no novo partido burguês, o Partido da Revolução Mexicana; para manter a unidade no movimento operário cedem-se posições que, pela correlação de forças, pertencem ao sindicalismo de classe, para as entregar à corrente oportunista do lombardismo e dos seus protegidos, os gângsteres sindicais que acabariam por se apropriar da CTM; dissolve-se a juventude comunista na JSUM, um processo unitário que não pressupunha o desaparecimento do viveiro de quadros do Partido. Esta política foi um desastre, porque provocou uma forte confusão na classe operária com alianças interclassistas, a perda da independência de classe do proletariado e a autonomia do próprio Partido foi posta em causa. Tentou-se resolver esse desvio, erradamente caracterizado como oportunista-sectário, com o Congresso Extraordinário de 1940: resolução apressada e incorreta – pois não corrigiu as bases ideológicas do desvio nem as orientações políticas erradas – que abriu caminho a um período de divisão e de crise partidária.

30. Nos anos 40, tal como outros Partidos comunistas das Américas – PC dos EUA, PC do Chile, de Cuba, da Colômbia –, o PCM foi afetado pelo browderismo, considerando que a frente com as burguesias para lutar contra o fascismo era um período que se estenderia no período pós-guerra e que os partidos comunistas seriam dispensáveis como partidos da classe operária, propondo a sua conversão em clubes de difusão de ideias socialistas e fechando a sua intervenção direta nos locais de trabalho e no movimento operário. O PCM dissolveu as suas células de fábrica. À esquerda, e em certos aspetos com uma crítica correta, foi formado o Movimento de Reivindicação do Partido Comunista, com quadros expulsos que faziam parte do CC e das instâncias executivas. Esta cisão, com o tempo, viria a fundir-se com a Ação Socialista Unificada (os expulsos de 1940), dando lugar à formação do Partido Operário e Camponês do México; e passaram a existir dois partidos comunistas em paralelo, o PCM e o POCM.

31. Apesar de tudo, o PCM fez grandes esforços para superar sua crise e podemos caracterizar a direção liderada por Dionísio Encina como uma direção classista e sinceramente comprometida com a causa do comunismo. Independentemente dos erros que provinham da estreiteza teórica, soube como manter erguida a bandeira do Partido Comunista, em períodos de McCarthyismo e repressão anticomunista.

32. A partir do XX Congresso do PCUS promoveu-se, com base na plataforma revisionista que aí surgiu (negação das leis gerais da Revolução, caminho pacífico e parlamentar para o socialismo, diversidade das vias nacionais para o socialismo, coexistência pacífica com o imperialismo, coexistência das relações mercantis com a construção socialista etc.) – e reforçada pelo XXII Congresso do PCUS – o afastamento das direções partidárias que lhe ofereceram resistência, como foi o caso da que era presidida por Encina, no México. A Resolução do XII Congresso do PCM é a confissão só de um lado: uma minoria do Comité Central, agindo contra a maioria, impulsionada pela corrente oportunista do XX Congresso do PCUS, tomou de assalto a direção do PCM, aproveitando a prisão do camarada Encina, que foi abandonado à sua sorte; o mesmo se passou com outros partidos da América e da Europa.

33. Precisamos de aprofundar mais o estudo deste período, para assimilar a maneira como o PCM foi mudando o marxismo-leninismo até adotar o eurocomunismo, renunciar à ditadura do proletariado, ao caminho revolucionário para a tomada do poder e à construção socialista como objetivo, de estudar a maneira como modificou a sua composição de classe, até se tornar uma formação política das camadas médias. Necessitamos de aprofundar os ziguezagues políticos que o levaram a uma posição eclética de defender o desaparecimento do partido de classe para o substituir por uma formação amorfa da esquerda, o que causou um duro golpe ao proletariado mexicano, uma vez que o PSUM-PMS-PRD já eram organizações da social-democracia. Também devemos aprofundar o estudo das organizações que tentaram superar essa mutação do PCM e lutar pela revolução socialista no México, sob orientação do marxismo-leninismo, através da luta armada. No Grupo Popular Guerrilheiro, de Arturo Gámiz e Pablo Gómez, no Partido dos Pobres e na Brigada Camponesa de Execução, de Lucio Cabañas, e na Liga Comunista 23 de setembro, cujo ideólogo era Raúl Ramos Zavala. É necessário extrair a experiência desses processos para a nossa própria estratégia revolucionária. Em particular, reconhecemos a clareza da análise do II Encontro na Serra Heraclio Bernal, onde participou Gámiz e Gómez, que fazia uma caracterização do desenvolvimento do capitalismo no México, assinalava a sua monopolização e definia as tarefas estratégicas para o proletariado dela decorrentes.

34. O nosso compromisso é chegar a 2021, ano em que se completa um século sobre o Primeiro Congresso do Partido Comunista do México, Secção da Internacional Comunista, com um balanço completo da história do primeiro PCM, a partir das categorias do materialismo histórico.

35. Certamente, prestamos homenagem aos milhares e milhares de mulheres e homens comunistas, aos operários revolucionários, aos camponeses em luta, aos intelectuais e artistas que fizeram um grande esforço para construir o PCM. Prestamos homenagem a Manuel Díaz Ramírez, Rafael Carrillo Azpeitia, Juan José Martínez (Julio Antonio Mella), Julio Gómez (Rosovsky), Hernán Laborde e Dionisio Encina, todos eles secretários gerais da Seção Mexicana da Internacional Comunista e, embora não tenha sido Secretário Geral, a Sen Katayama, insistimos, por ser o que mais contribuiu para a fundação.

36. Mas se não assistia qualquer direito àqueles que, no XX Congresso do PCM, deram por concluída uma obra do proletariado, o processo da sua reorganização é um direito e um dever a que se dá início em 20 de novembro de 1994, com o apelo à construção de um Partido dos Comunistas Mexicanos.

37. Este processo que reivindica a necessidade do partido da classe operária e da ideologia marxista-leninista na luta pela conquista do poder pelos trabalhadores e a Revolução Socialista, foi capturado nos seus primeiros anos pelas estruturas ideológicas que prevaleciam no movimento comunista internacional, derivadas da plataforma oportunista dos XX e XXII Congresso da PCUS e, por consequência, capturado no círculo vicioso anterior à perestroika que, como uma camisa de forças, impedia o Partido de alcançar os seus objetivos e desenvolver-se. Foi necessária uma pausa para permitir que o PCM recuperasse o seu caráter marxista-leninista, a identidade comunista e a sua natureza classista e internacionalista.

38. Em primeiro lugar, era necessária a total assimilação, sem deformações, da teoria desenvolvida pelos clássicos do marxismo-leninismo, deixando de lado algumas influências iniciais do “marxismo ocidental”, remanescentes do eurocomunismo. Uma questão de vida ou morte era – e é – a luta contra o oportunismo, o revisionismo e o reformismo, bem como contra as correntes ideológicas antiproletárias.

39. Em segundo lugar, era necessário, com base no materialismo histórico e dialético e na economia política, responder ao processo contrarrevolucionário que levou à derrota temporária da construção socialista na URSS e noutros países da Europa, Ásia e África; explicar a crise da Revolução Mexicana e da sua ideologia e desenvolver a crítica do capitalismo, que já atingiu os seus limites históricos. Elaborar um novo programa, partindo da explicação do grau de desenvolvimento capitalista contemporâneo no nosso país. São questões vitais, sem as quais a unidade ideológica, programática e orgânica era impossível, e nenhuma resposta poderia ser dada da noite para o dia.

40. Sincronizaram-se estes debates com os que também ocorrem no movimento comunista internacional, e chegar a conclusões foi um processo de vários anos. As premissas amadureceram em nós entre 2005 e 2010, quando nos sentimos prontos para dar um novo passo e realizar o nosso IV Congresso, no qual foi recuperado o nome histórico do Partido Comunista do México.

41. Concluímos que o México é um país de pleno desenvolvimento capitalista, que ocupa um lugar intermediário no sistema imperialista, com monopólios dominantes em alguns ramos da economia imperialista internacional, pelo que o antagonismo fundamental é entre o capital e trabalho e já estão maduras as condições objetivas para o derrubamento do capitalismo e a construção do socialismo-comunismo. Consideramos que as análises que continuam a considerar o nosso país como dependente ou semicolonial estão fora da realidade, incluindo aquelas que postulam a contradição nação/imperialismo e daí fazem decorrer as suas tarefas programáticas, com base na aliança com setores da burguesia e da social-democracia. Para os comunistas, hoje, está em clara perspetiva a necessidade de uma frente anticapitalista e antimonopolista e uma aliança da classe operária com os setores populares e povos indígenas, para colocarmos as tarefas estratégicas que ponham fim à exploração.

42. Estamos convencidos de que as relações mercantis e as socialistas são incompatíveis e que as primeiras são as bases sobre as quais se fundaram os processos contrarrevolucionários.

43. Não nos deixamos enredar no falso dilema de que as pessoas têm de escolher entre uma administração neoliberal ou uma administração keynesiana, uma vez que ambas são formas pelas quais o capitalismo pode desenvolver-se, e podem até alternar-se, desde que seja garantida a dominação das massas, e consideramos que é preciso e urgente uma alternativa claramente anticapitalista, que é a que os comunistas propõem.

44. No mundo atual, mesmo com novas roupagens (globalização, mundialização, etc.), a análise leninista do capitalismo monopolista continua válida: o imperialismo e a sua tendência intrínseca para a guerra e a barbárie. É uma tarefa essencial continuar o caminho de outubro de 1917: quebrar mais elos fracos da cadeia imperialista, fazer irromper novas revoluções socialistas e forjar o Novo Mundo à imagem e semelhança da classe operária.

45. O México é um elo fraco no sistema imperialista, onde existem condições objetivas para a nova sociedade, que não correspondem às condições subjetivas, as quais só podem amadurecer com a condição da existência de um partido comunista que, na luta sem quartel contra a ditadura de classe da burguesia, saiba como conquistar o papel de vanguarda da classe operária e dos seus aliados.

46. Tal partido é o objetivo da reorganização que empreendemos e que, completando já 25 anos, nos coloca em perspetiva que a tarefa revolucionária pode ser cumprida. É nosso direito e nosso dever fazer do Partido Comunista do México a força dirigente da próxima Revolução, necessária e impostergável.

47. O Partido Comunista é o partido da classe operária, o seu caráter de classe é inalienável; o Partido Comunista é um partido marxista-leninista, porque é a ideologia de vanguarda que comporta a análise científica para a transformação revolucionária; o Partido Comunista é o partido da Revolução, porque propõe o derrube violento do sistema capitalista que explora e oprime; o Partido Comunista é o partido do socialismo, porque luta pela sociedade socialista-comunista que, com a ditadura do proletariado e o poder dos trabalhadores, luta a cada passo contra as relações mercantis, socializa os meios de produção concentrados e baseia-se na planificação central da economia; o Partido Comunista é o partido do internacionalismo proletário, isto é, que trabalha incansavelmente para coordenar esforços no movimento comunista internacional, para elaborar uma estratégia revolucionária para que a classe operária internacional leve por diante os seus objetivos históricos de transformação do mundo.

48. Hoje, com a classe operária, com a juventude trabalhadora, com as mulheres trabalhadoras, com os migrantes, com os desempregados, trabalhamos incansavelmente pelo fortalecimento do Partido Comunista do México, prestando assim a melhor homenagem aos cem anos do movimento comunista no nosso país, que se cumprem em 2019, e preparando o centenário da formação do PCM, em dezembro de 2021.

Um século de luta dos comunistas do México! Fortalecer o PCM para derrubar o capitalismo e construir o socialismo-comunismo!

Proletários de todos os países, uni-vos!

O Comité Central do Partido Comunista do México

Fonte: http://www.comunistas-mexicanos.org/partido-comunista-de-mexico/2221-tesis-del-comite-central-del-pcm, publicado e acedido em 2019/11/08

Tradução do castelhano de TAM

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/um-seculo-de-luta-dos-comunistas-do-81479

Um século de luta dos comunistas do México (1.ª parte)

Partido Comunista do México (PCM) – Teses do Comité Central

[Este artigo é publicado em 2 partes; hoje, publica-se a primeira]

A existência do Partido Comunista é a única garantia de que a classe operária e o conjunto dos explorados e oprimidos podem romper com as cadeias do capitalismo, tomar o poder e construir o Novo Mundo.

 

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Hoje, dia 7 de novembro, no 102.º aniversário da Grande Revolução Socialista de outubro, o Comité Central do Partido Comunista do México torna públicas as presentes teses “Um século de luta dos comunistas no México”, a propósito do centenário do início da fundação do movimento comunista no México, que foram discutidas e aprovadas, com emendas, no nosso IV plenário. O PCM considera que estas Teses são o início de um rigoroso processo de estudo e análise militantes que, a partir do marxismo-leninismo, é necessário fazer da história e desenvolvimento da história do primeiro Partido Comunista Mexicano, liquidado em 1981, assim como da luta que a classe operária tem vindo a travar para reorganizar o seu Partido Comunista.

Nestas teses, o PCM define a sua posição pela reivindicação do Estado Maior da classe operária: o Partido Comunista, as importantes contribuições dos comunistas no terreno da luta de classes, no movimento sindical e camponês, nos setores populares, nas diversas expressões da arte e da cultura, das lutas democráticas e progressistas no nosso país, da prática do internacionalismo proletário, da luta pelo novo mundo do socialismo-comunismo; tudo isto com o espírito de reconhecer que o primeiro PCM teve sucessos e erros, que deverão ser estudados a fim de retirar lições úteis para o presente período de luta; com isso, o PCM trabalhará para que no ano de 2021 (no centenário do PCM-Secção da Internacional Comunista), haja um maior aprofundamento destas teses.

  1. Cem anos passaram desde que, em 1919, se iniciaram os esforços para organizar a Secção Mexicana da Internacional Comunista, o Partido Comunista do México.

  2. O desenvolvimento do capitalismo no nosso país, acentuado durante o período do liberalismo, acelerou a constituição da classe operária no México, apesar dos diferentes obstáculos que existiam para o desenvolvimento das forças produtivas. No século XIX, a indústria era incipiente e, a esse ritmo, surgia o proletariado – e, portanto, os artesãos predominavam entre a classe operária. A ditadura de ferro de Porfirio Díaz, que se prolongou por quase 30 anos, até ser derrubada, em 1910, impediu a formação de sindicatos de classe, reprimiu brutalmente as greves e paralisações, afogando-as em sangue, como na Cananea e no Rio Blanco. As prisões estavam cheias de membros da classe operária e muitos foram assassinados “a frio”. Na impossibilidade de vida sindical, surgiram formas mais limitadas de organizações operárias, como o mutualismo e outras, o que originou que entre o proletariado mexicano predominassem as ideias anarquistas.

  3. As ideias marxistas tiveram então pouca difusão; houve apenas uma edição do Manifesto do Partido Comunista; As importantes obras de Marx e Engels não foram conhecidas no nosso país até ao início da segunda década do século XX. Houve uma tentativa tardia de criar um órganismo ligado à II Internacional: o Partido Socialista do México, liderado pelo social-democrata alemão Pablo Zierold.

  4. Para enfrentar a ditadura de Díaz surgiu o Partido Liberal Mexicano, onde predominavam as ideias anarquistas, mas, pela sua composição social, era um partido da classe operária; e, embora tivesse uma estrutura organizativa de dimensão nacional – apesar de atuar na clandestinidade, com uma imprensa regular e influente (Regeneração), – sofreu as limitações próprias dessa corrente político-ideológica e foi utilizado pela burguesia e pequena burguesia na condução da Revolução democrática-burguesa de 1910. Entre as lutas que dirigiu estão a greve de Cananea, em Sonora, e do Rio Blanco, em Veracruz; além disso, dirigiu várias explosões insurrecionais no norte do país; também criou uma rede de colaboradores entre a população mexicana emigrada nos EUA.

  5. A revolução democrático-burguesa teve o objetivo de entrar por inteiro no caminho do desenvolvimento capitalista, com a transformação de um país agrário-industrial num país industrial-agrário; entrar no processo de concentração e centralização do capitalismo, que abrirá o caminho para a monopolização, deixando a livre concorrência para trás. Para alcançar esses objetivos, a burguesia reformista liderada por Madero e o setor constitucionalista, que seria depois dirigido por Carranza-Obregón-Calles, promoveram nos objetivos antiditatoriais uma aliança com forças populares – o campesinato, semiproletários e franjas do proletariado –, forças radicais que imprimiam ao processo revolucionário os seus objetivos e reivindicações; estas forças, o zapatismo e o villismo [de Francisco Villa – NT], com outras, agruparam-se após o golpe de Huerta – promovido pelo imperialismo norte-americano – na Convenção Revolucionária Nacional Soberana. A indecisão das forças radicais nos planos político e militar levou ao triunfo definitivo do setor constitucionalista, que, para favorecer a sua hegemonia e, com ela, o pleno desenvolvimento do capitalismo, promoveu uma série de reformas avançadas: o reconhecimento dos direitos laborais, a repartição agrária, a educação pública, a segurança social; esta política de desenvolvimento social visava fortalecer a ditadura de classe, com a contenção social preventiva, garantindo estabilidade ao capitalismo no nosso país por um período muito longo. Durante o período da guerra civil, que, no final, culminou com a derrota militar do zapatismo, em 1919, a classe operária, sem ir além de uma consciência economicista, sem consciência para si, sem partido nem programa próprio, não teve uma ação destacada, mas sim um papel subordinado às distintas fações em luta e chegou mesmo, nalguns momentos, a agir contra aqueles que, como o zapatismo e o villismo, podiam ser os seus aliados naturais.

  6. O desenvolvimento capitalista internacional entrou então na fase do capitalismo monopolista: o imperialismo, a sua fase superior; isso amadureceu as condições objetivas para iniciar a transição histórica do capitalismo para o socialismo, que começa com a Grande Revolução Socialista de outubro, de 7 de novembro de 1917, liderada por Lénine e pelo Partido Comunista Bolchevique, que levou a classe operária ao poder, continuando a proeza da Comuna de Paris que, em 1871, tentou pela primeira vez o assalto ao céu.

  7. O triunfo revolucionário de outubro na Rússia e o início do poder soviético fortaleceu os partidos, organizações e grupos revolucionários que, no seio da II Internacional, travaram uma luta sem quartel contra o oportunismo, o revisionismo e o reformismo. A falência definitiva da II Internacional ocorreu pela sua atitude face à Primeira Guerra Mundial, a primeira guerra imperialista, em que se abandonou completamente o internacionalismo proletário e se apoiou a luta interburguesa das nações em luta, condenando a classe operária a enfrentar-se entre si, a derramar o seu sangue por um ou outro polo imperialista em disputa. Tais partidos, organizações e grupos revolucionários, que fizeram esforços extraordinários para restaurar as suas características marxistas e enriquecê-las nas novas condições, entre os quais se destacavam os bolcheviques russos e os espartaquistas alemães, anteriormente agrupados em Zimmerwald e Kiental, deram origem, em março de 1919, à fundação da III Internacional, a Internacional Comunista, que até 1943, enquanto existiu, cumpriu a importante tarefa de universalizar o marxismo, enriquecido como marxismo-leninismo, levando a consciência socialista e o programa comunista aos cinco continentes, a todos os países, em todas as línguas, nas mais adversas condições, conscientizando o proletariado mundial da sua missão histórico-universal; além disso, a Internacional Comunista contribuiu para a formação dos partidos comunistas em todo o planeta, qualificando a luta dos trabalhadores em cada país e à escala internacional. Essas contribuições da Internacional Comunista –, além de incrementar a luta anticolonial e contribuir para a luta e a derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial –, são também, nos nossos dias, um fator positivo a favor da classe operária no seu conflito sócio-classista com o capital.

  8. A Grande Revolução Socialista de outubro e a criação da III Internacional foram fatores fundamentais, no início do movimento comunista no nosso país, que levariam à formação do Partido Comunista do México, secção da Internacional Comunista, em abril-dezembro de 1921.

  9. O poder operário, o poder soviético e a ditadura do proletariado inspiraram os trabalhadores de todos os países, entre eles os do México, a considerarem a necessidade de um Novo Mundo. Esta influência levou à formação do Grupo dos Irmãos Socialistas Vermelhos e à agitação em favor das ideias do socialismo. Diferentes coletividades, agrupamentos, organizações políticas e sindicatos convocaram a realização do Congresso Socialista Nacional, que se reuniu de 25 de agosto a 4 de setembro de 1919. Embora a ignorância e a confusão sobre as ideias essenciais do marxismo sejam claras nos documentos do Congresso, é notável o instinto de classe, que acaba optando pelas tendências favoráveis à Internacional Comunista contra a II Internacional e meia, e a convicção a favor do partido político da classe operária. O trabalho do Grupo dos Irmãos Socialistas Vermelhos e o Congresso Socialista Nacional podem considerar-se a etapa fundacional do movimento comunista no nosso país.

  10. Do Congresso Socialista Nacional resultaram: o Partido Socialista Nacional (semanas mais tarde renomeado como Partido Socialista do México), liderado por Joseph Allen e MN Roy e o “Partido Comunista do México”, liderado por Linn A. Gale. Em 24 de novembro de 1919, o Partido Socialista do México decidiu adotar o nome de “Partido Comunista Mexicano” e, com o aval de M. Borodín – enviado da III Internacional – que tinha um conhecimento superficial da situação do movimento operário e comunista do nosso país, indicou três representantes ao II Congresso da Internacional Comunista. O “Partido Comunista Mexicano” tinha como órgão de imprensa El Soviet e o “Partido Comunista do México” tinha o El Comunista de México.

  11. Perante os protestos da IWW, dos EUA [Industrial Workers of the World —Trabalhadores Industriais do Mundo – NT] e de diferentes organizações operárias do México sobre a representatividade do “Partido Comunista Mexicano”, e uma vez concluído o seu Segundo Congresso, o Comité Executivo da Internacional Comunista decidiu enviar quadros experientes – Francis Philips, Sen Katayama e Louis Fraina –, para determinar a realidade do movimento operário e comunista do nosso país, também com a tarefa de formar a Agência Pan-Americana da III Internacional, com sede no México. Estes quadros vieram sob a liderança do comunista japonês Sen Katayama, de larga experiência no movimento operário internacional e na própria II Internacional, na sua fase positiva, de cuja direção fez parte.

  12. Seguindo as diretrizes do II Congresso da Internacional Comunista, especialmente as 21 Condições de Entrada, o camarada Katayama deu-se à tarefa de alcançar a unidade num único partido do “Partido Comunista Mexicano” e do “Partido Comunista do México”. A repressão estatal, de abril de 1921, decapita esses partidos e acaba por mostrar que, na realidade, são grupos débeis, que, de facto, deixam de existir. Apesar de tudo, deixam um fruto que viria a ser o cimento sobre o qual se edificará o partido marxista-leninista no nosso país: a Federação de Juventudes Comunistas do México.

  13. Os relatórios do camarada Sen Katayama à Internacional Comunista são de grande importância para determinar, objetiva e verdadeiramente, a situação do movimento comunista no nosso país, nesses anos de 1919-1921: os dois “partidos” chamados comunistas, o dirigido por Allen e o dirigido por Gale, apesar das suas boas intenções, eram meros grupos com escassas possibilidades de desenvolvimento. Entre os seus membros, além de um baixo nível ideológico, as suas qualidades pessoais estavam longe das do quadro partidário, do revolucionário profissional. Gale, por exemplo, na primeira onda repressiva, exclusivamente constituída por deportação, renunciou às ideias que proclamava e afastou-se definitivamente do processo de formação do Partido Comunista; quanto a Allen, há 30 anos que se sabe que era informador da embaixada dos EUA relativamente a assuntos do Exército mexicano, mas, o realmente grave – e está comprovado com recentes documentos – é que deu informações sobre a vida interna do movimento comunista e entregou dados dos camaradas enviados pela III Internacional, facilitando a prisão e deportação do camarada Philips.

  14. Superada a onda repressiva de abril de 1921, ficando claro que teria de se recomeçar e partir praticamente do zero, sob a liderança do camarada Sen Katayama, iniciou-se um trabalho muito sério e profundo de difusão da teoria comunista e um trabalho organizativo que lançou os verdadeiros fundamentos da formação do Partido Comunista do México, Secção da Internacional Comunista , denominação ajustada às 21 Condições do Comintern. Com base na juventude comunista, a FJCM, agrupam-se os comunistas que terão de constituir o PCM, no seu primeiro Congresso, nos últimos dez dias de dezembro de 1921.

  15. Ao contrário da versão idílica de que, sem o conhecimento da teoria marxista, o Partido Comunista surgiu, da noite para o dia, em 24 de novembro de 1919, a verdade histórica mostra as seguintes conclusões: 1) o Partido Comunista do México foi o resultado direto da ação da Internacional Comunista e dos seus quadros destacados no México, designadamente do camarada Sen Katayama, que, com justeza histórica, deve ser considerado um dos seus efetivos fundadores: difusor das ideias marxistas-leninistas pela primeira vez no nosso país e da sua aplicação na análise da luta de classes e da realidade nacional, organizador do movimento sindical e, acima de tudo, organizador do partido comunista.

  16. O Partido Comunista, como partido da classe operária, é, pela sua essência e formas organizativas, um partido de novo tipo, uma organização de revolucionários profissionais; é obra da III Internacional haver universalizado a experiência do Partido Comunista Bolchevique. E é à III Internacional que a classe operária mexicana reconhecerá uma dívida eterna, pela sua contribuição na construção do seu partido revolucionário. É sobre esse fundamento que a classe operária do México cria, desde então e dia após dia, a sua própria experiência e tradições combativas, em antagonismo com o capital.

  17. Libertados da influência negativa do XX Congresso do PCUS –, que procurou impor a tese das especificidades e particularidades nacionais e que, na história dos partidos comunistas, colocou o argumento artificial de que o papel da III Internacional foi secundário e, até, negativo para o desenvolvimento do movimento comunista em cada país, distorcendo os debates –, hoje está claro para nós que o proletariado mundial, e o do México, têm muito que reconhecer à gloriosa Internacional Comunista.

  18. Estamos empenhados em estudar, entender e extrair lições da atividade do Partido Comunista do México, Seção da Internacional Comunista (renomeado, a partir de 1943, como Partido Comunista Mexicano), desde o seu início até à sua liquidação, em 1981; assumimos a continuidade dessa luta histórica, com os seus acertos e erros: para a classe operária e os marxistas-leninistas, os ensinamentos da nossa história são a base dos objetivos contemporâneos de conquista do nosso projeto emancipatório, o socialismo-comunismo.

  19. Ao longo do século XX e durante estes cem anos de atividade, os comunistas enriqueceram a ação política do proletariado mexicano, e a sua ausência empobreceu-a. A existência do Partido Comunista é a única garantia de que a classe operária e o conjunto dos explorados e oprimidos podem romper com as cadeias do capitalismo, tomar o poder e construir o Novo Mundo.

  20. O movimento operário e sindical foi ativo e vitorioso nas suas lutas e reivindicações com base nas orientações sindicais e na atividade dos quadros sindicais organizados com a política dos comunistas; objetivos de classe, unitários, democráticos e combativos deram aos trabalhadores mexicanos um rumo certo e vitórias. Os comunistas, através de diferentes experiências, como a Federação Comunista do Proletariado Mexicano, a CSUM (Confederação Sindical Unitária do México), o Comité Nacional de Defesa Proletária e, por algum tempo, a Confederação dos Trabalhadores do México, organizaram o proletariado industrial do petróleo, das minas, o setor metalomecânico, os ferroviários, os trabalhadores da educação, do têxtil, dos transportes etc. Contribuíram para a unidade sindical, a melhoria das condições de vida e de trabalho da classe operária e das suas famílias; com a presença dos comunistas no movimento operário e sindical, com fluxos e refluxos, há um rumo certo, responsável e de classe.  Também foi pela ação programática dos comunistas que o movimento operário impulsionou a estatização e nacionalização dos caminhos de ferro e dos petróleos. Os comunistas têm sido os mais consistentes na luta pela independência de classe, pela unidade e democracia sindical, na ação intransigente pelos direitos sindicais e laborais e na luta concreta nos locais de trabalho contra o capital, contra o charrismo [subordinação dos dirigentes sindicais aos interesses dos patrões e governos – NT] e o atropelo das lutas proletárias, por parte do Estado burguês. Homenageamos a importante contribuição operária e sindical de Julio Antonio Mella, David Alfaro Siqueiros, Miguel Ángel Velasco, Valentín Campa, Othon Salazar, entre milhares de quadros e ativistas. Honra e glória aos que foram assassinados, como é o caso dos comunistas no bairro de San Bruno, em Xalapa, dos reprimidos e encarcerados em cada luta, como os ferroviários de 58 e os do movimento de professores.

(continua)

Fonte: http://www.comunistas-mexicanos.org/partido-comunista-de-mexico/2221-tesis-del-comite-central-del-pcm, publicado e acedido em 2019/11/08

Tradução do castelhano de PAT

 

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/um-seculo-de-luta-dos-comunistas-do-81295

México diz que Evo Morales 'desfruta de liberdade de expressão' no asilo

Evo Morales, presidente da Bolívia, durante coletiva de imprensa no palácio La Casa Grande del Pueblo, em La Paz, em 24 de outubro de 2019
© REUTERS / David Mercado

Anteriormente, a presidente interina da Bolívia havia pedido às autoridades mexicanas que Morales não fizesse declarações políticas do seu exílio.

O governo mexicano reagiu à declaração da autoproclamada presidente interina, Jeanine Áñez, dizendo que o ex-presidente boliviano desfruta de "liberdade de expressão" em seu asilo no México.

"A legislação nacional e a Convenção Americana, a Convenção sobre Asilo Territorial [o México é parte desde 1982], no Artigo VII, afirma que a liberdade de expressão dos asilados não pode ser restringida e que esse direito não pode ser motivo de reclamação por outro Estado", diz o comunicado do Ministério das Relações Exteriores do México à imprensa estrangeira.

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, recebeu asilo no México após renunciar à presidência sob exigência das Forças Armadas do país.

Posteriormente, a senadora da oposição Jeanine Áñez se autoproclamou presidente interina da Bolívia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019111414777444-mexico-diz-que-evo-morales-desfruta-de-liberdade-de-expressao-no-asilo/

Quais seriam as repercussões do asilo de Morales no México? Especialistas respondem

Manifestantes protestam após as eleições na Bolívia
© REUTERS / Ueslei Marcelino

Após o governo mexicano conceder asilo a Evo Morales, especialistas comentaram à Sputnik Mundo as possíveis repercussões da decisão no México e nos Estados Unidos.

Depois de semanas de protestos e da convocação de novas eleições, a renúncia de Evo Morales ao cargo de presidente da Bolívia gerou as mais diversas reações nas Américas e no mundo em geral.

Em apoio a Evo Morales, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, ofereceu asilo ao ex-presidente boliviano.

A decisão de Obrador foi comentada por dois acadêmicos mexicanos em entrevista à Sputnik Mundo, Jorge Luis Santa Cruz, professor de Jornalismo na Universidade Anáhuac México, e Luis Huacuja, especialista em Relações Internacionais da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

Cenário Interno

De acordo com Jorge Cruz, a decisão de Labrador "abre outra frente" na política interna do México.

Recentemente, o presidente mexicano foi alvo de duras críticas da oposição devido à sua forma de lidar com o narcotráfico. Durante uma operação policial contra Ovidio Guzmán López, filho do famoso narcotraficante Chapo Guzmán, o governo mexicano decidiu liberar o homem.

O episódio se tornou polêmico, tendo as autoridades americanas sugerido o uso de suas próprias forças contra os cartéis de droga mexicanos.

Pessoas passam por barricadas em protestos contra o presidente da Bolívia, Evo Morales
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
Pessoas passam por barricadas em protestos contra o presidente da Bolívia, Evo Morales

Além disso, a concessão de asilo seria vista como um passo esquerdista de Obrador para a direita mexicana, segundo Jorge Cruz.

"Ao trazer Evo Morales ao México [isso] despertará inquietação não só no Partido de Ação Nacional [oposicionista], mas, provavelmente, em todo o setor da iniciativa privada, entre os empresários. A decisão de trazer Morales ao México reafirma sua [de Obrador] prioridade de uma postura pró-esquerda", disse o acadêmico.

Por sua vez, Luis Huacuja considera que a decisão de Obrador está de acordo com a política externa mexicana e reafirmaria seu compromisso de não intervenção em outros países e proteção dos direitos humanos.

Além disso, Huacuja vê a concessão de asilo como um evento extraordinário quando teve lugar "uma intervenção militar".

Segundo Huacuja, a intervenção "é um fato patente que não deixa margem para dúvidas".

O especialista também acredita que o asilo proposto a Evo Morales seria "uma postura firme contra o golpe de Estado" na Bolívia.

Repercussão nos Estados Unidos

Ainda segundo Jorge Cruz, o asilo de Evo Morales poderia trazer consequências negativas nas relações entre o México e os EUA.

Um dos pontos de possível retaliação, segundo o especialista, seria o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (T-MEC), substituto do Nafta.

"Os meios de pressão de Trump contra o México incluem não apenas a ratificação do Tratado entre o México, Estados Unidos e Canadá, mas também a possibilidade de impor tarifas às importações mexicanas", afirmou Jorge Cruz.

O acadêmico também vê a construção do muro na fronteira entre ambos os países como uma ameaça cada vez mais real e que poderia ser usada contra o governo de Obrador.

Contudo, Huacuja avança uma ideia diferente sobre a reação americana. Segundo ele, o T-MEC não seria afetado por duas razões.

"Primeiro porque é um tratado evidentemente comercial. Segundo, porque o México já já fez o que tinha a fazer, aprovando o tratado. Neste sentido, não acho que haja uma ligação entre estas suas coisas", disse Huacuja.

OEA

As crises recentes na Bolívia e Venezuela focalizaram as atenções do mundo político na OEA, assim como na influência da organização nas questões internas dos Estados americanos.

De acordo com Jorge Cruz, a OEA tem vivido uma clara desunião, existindo países alinhados ao bloco "evangélico sionista", encabeçado por Trump, com a Guatemala, Honduras e El Salvador como seus expoentes, e países que se orientam por uma visão mais "global", como a Venezuela.

Para o acadêmico, o segundo bloco seria fortemente influenciado pelo multimilionário americano George Soros.

Evo Morales voando para o México após concessão de asilo feita pelo presidente Andrés Obrador
© AP Photo / Ministério das Relações Exteriores do México
Evo Morales voando para o México após concessão de asilo feita pelo presidente Andrés Obrador

De qualquer forma, para Huacuja, o poder de influência da OEA tem sido diferente na Bolívia e na Venezuela.

Segundo ele, apesar da OEA não ter conseguido "derrotar o presidente Nicolás Maduro na Venezuela", após apontar supostas fraudes nas eleições bolivianas do último dia 20, "insistiu na renúncia de Evo Morales na Bolívia".

Todavia, as próximas eleições nos EUA deverão ser um fator determinante na política de Washington e na posição da OEA quanto à questão boliviana, afirma o acadêmico.

"Se o presidente Donald Trump conseguir sua reeleição, provavelmente a OEA terá maior preponderância em outros países, como a Nicarágua. Se Donald Trump sair da Casa Branca, não me atrevo a vislumbrar o futuro da entidade [OEA]. Tudo depende de quem vier a ocupar a Casa Branca", concluiu o especialista.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019111214763410-quais-seriam-as-repercussoes-do-asilo-de-morales-no-mexico-especialistas-respondem/

México denuncia golpe na Bolívia e exige respeito à ordem constitucional

Pessoas passam por barricadas em protestos contra o presidente da Bolívia, Evo Morales.
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

O ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, declarou nesta segunda-feira (11) que houve um golpe contra o presidente Evo Morales na Bolívia e exigiu respeito pela ordem constitucional no país.

"Primeiro, apontamos que o que aconteceu ontem é considerado um golpe [...], o presidente Evo Morales decidiu apresentar sua renúncia para evitar uma guerra civil, logo é um golpe, porque o Exército solicitou a renúncia do presidente e isso viola a ordem constitucional naquele país [...], a postura é reivindicar e exigir respeito pela ordem constitucional", afirmou o chanceler na companhia do presidente Andrés Manuel López Obrador.

Além disso, Ebrard anunciou que o Governo do México solicitará uma reunião urgente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para a defesa da democracia e das liberdades na Bolívia.

"Vamos solicitar uma reunião urgente da OEA, pois, apesar da gravidade dos acontecimentos, o que aconteceu ontem, em face de pronunciamentos militares e operações policiais, foi um silêncio", afirmou.

O líder indígena Evo Morales, que estava na presidência da Bolívia desde 2006, renunciou em 10 de novembro após pedido expresso pela Polícia e pelas Forças Armadas e em meio a protestos violentos que tomaram conta do país após as eleições presidenciais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019111114760852-mexico-denuncia-golpe-na-bolivia-e-exige-respeito-a-ordem-institucional/

Presidente do México está confiante em estratégia de combate ao crime, apesar de massacre policial

Cidade do México, 15 out (Xinhua) - O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, disse na terça-feira que está confiante que sua estratégia de combate ao crime ajudará a conter a violência no México, apesar do massacre de mais de uma dúzia de policiais na segunda-feira.

 

"Vamos continuar com nossa estratégia... estou otimista. Acredito que alcançaremos a paz no país", disse López Obrador durante sua entrevista coletiva diária.

 

"Vamos ter sucesso na prevenção da violência, que é um processo. Estamos fazendo um progresso firme... continuaremos abordando as causas desse colapso social", afirmou ele.

 

A estratégia do presidente é proporcionar aos jovens vulneráveis ​​mais oportunidades, para que eles não sejam alvos tão fáceis para grupos criminosos.

 

López Obrador, que chegou ao poder em 1º de dezembro, culpou as administrações anteriores por "deixar o problema crescer muito" e "tentar combater a violência com violência".

 

Assaltantes armados mataram pelo menos 13 policiais em uma emboscada em Aguililla, uma cidade no centro-oeste do estado de Michoacan, na segunda-feira.

 

O ministro da Defesa do México, Luis Sandoval, disse que 80 soldados e um helicóptero militar foram enviados ao local para ajudar as autoridades localizarem os agressores.

 

Aguililla está localizado na Tierra Caliente, uma região de plantio de drogas contestada por grupos rivais de narcotráfico.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/16/c_138476182.htm

Governo mexicano pretende reconstruir 170 mil escolas primárias

Andrés Manuel López Obrador, presidente de México
© AP Photo / Marco Ugarte

O governo do México iniciou o programa "A escola é nossa" para reconstruir 170 mil escolas primárias, com um investimento inicial de US$ 1 bilhão.

O programa deve começar a ser executado em cerca de 103 mil locais nas comunidades indígenas, informou o presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO).

"O início do programa 'A escola é nossa', visa alocar fundos para manter e reabilitar 170 mil escolas primárias em todo o país", disse o presidente em seu briefing diário.

A implementação da primeira etapa inclui 103.268 escolas localizadas em comunidades indígenas e áreas marginalizadas, que terão um investimento de mais de 20 bilhões de pesos (mais de 1 bilhão de dólares).

Os fundos serão administrados pelos pais "para fazer mais com menos, para obter mais recursos", disse o chefe do executivo.

"Este é um dos melhores programas do governo, o mais importante é que seja entregue diretamente às associações dos pais, para que eles decidam como serão usados ​​esses fundos", explicou López Obrador.

Os Comitês Escolares de Administração Participativa, que administrarão os recursos que receberão do Tesouro Federal, são constituídos por mães e pais, professores e alunos a partir da quarta série.

O investimento dependerá do governo federal e das 32 entidades federativas, que colaborarão em um esquema de contribuição de 50% cada.

Em sua aparição diária diante da imprensa, AMLO firmou que "o dinheiro para construção e manutenção das escolas não passará por todas as instâncias do governo federal, estadual e municipal, mas chegará diretamente às ​​escolas".

As assembleias de pais "decidirão como aplicar esses fundos", reiterou o chefe de Estado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019100414599929-governo-mexicano-pretende-reconstruir-170-mil-escolas-primarias/

'Estavam nos gravando', diz López Obrador após descoberta de câmera em palácio presidencial

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, no centro da foto, durante festividade do Dia do Exército.
© Sputnik / Daniel Becerril

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse nesta quinta-feira (29) que uma câmera de gravação "sofisticada" foi encontrada recentemente em uma sala de reuniões do Palácio Nacional.

Obrador trabalha e vive com sua família no local. 

O anúncio foi feito na entrevista coletiva diária do presidente, quando ele costuma falar de temas diversos como história, economia e até cultura.

"Imagine, eles estão nos gravando em uma sala de reuniões, aqui no Palácio", disse, refletindo sobre a importância da liberdade de expressão e da transparência.

López Obrador, que não forneceu detalhes sobre a câmera ou como ela chegou lá, disse que não tinha segredos.

"O que falamos é completamente legal, transparente e não há nada que possa ser usado contra nós", afirmou.

Durante a campanha presidencial do ano passado, López Obrador disse que ele e sua família foram vítimas de espionagem. Ao assumir o cargo em dezembro, ele pôs fim à antiga agência nacional de inteligência CISEN, dando ao corpo um novo nome.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019083014448885-estavam-nos-gravando-diz-lopez-obrador-apos-descoberta-de-camera-em-palacio-presidencial/

Presidente do México é contra pena de morte para atirador de El Paso

Andrés Manuel López Obrador, presidente de México
© AP Photo / Marco Ugarte

O presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, disse que é contra a possível execução de um atirador responsável pela morte de 22 pessoas em El Paso, nos Estados Unidos.

O incidente ocorreu no início de agosto dentro de centro comercial em El Paso. Além dos 22 mortos, que incluem cidadãos mexicanos, houve 20 feridos.

O atirador de El Paso depois admitiu às autoridades que havia intencionalmente alvejado cidadãos mexicanos.

"Nossa constituição não permite a pena de morte. De acordo com nossas crenças não queremos a pena de morte", disse López Obrador durante entrevista coletiva na sexta-feira (16).

Além disso, o ministro mexicano das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, disse que os EUA deveriam classificar o tiroteio como um ataque terrorista contra cidadãos mexicanos.

O chanceler também sustentou que as autoridades dos EUA deveriam tomar medidas para prevenir tais incidentes no futuro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019081714398240-presidente-do-mexico-e-contra-pena-de-morte-para-atirador-de-el-paso/

Trump mostra por acaso acordo 'secreto' entre EUA e México (FOTOS)

Um colaborador do jornal Washington Post conseguiu fotografar e decifrar parcialmente o acordo "secreto" entre os EUA e o México que o presidente norte-americano mostrou de longe aos jornalistas.

O repórter Jabin Botsford, do jornal Washington Post, tirou uma foto do documento dobrado e lá se consegue ler algumas coisas.

Anteriormente, Donald Trump afirmou que a parte principal do acordo com o México ainda não tinha sido publicada.

​"O governo do México tomará todas as medidas necessárias no âmbito da legislação interna para pôr em vigor o acordo com vista a garantir que o acordo entre em vigor dentro de 45 dias."

Mas o chanceler mexicano Marcelo Ebrard o desmentiu, dizendo que as condições do acordo foram reveladas na semana passada.

 

EXCLUSIVO: Está visível no documento de Trump: "tal acordo seria... obrigações legais interiores e internacionais das partes, um empenho no âmbito do qual cada parte aceitaria o retorno e processamento das reivindicações de estatuto de refugiado, de cidadãos de terceiros países que tenham atravessado esse território dessa parte do acordo"

Mais tarde na terça-feira (11), Ebrard confirmou que o México pode voltar à discussão da proposta norte-americana sobre um "terceiro país seguro" para os refugiados, caso as medidas próprias desse país para prevenir a migração para os EUA não sejam eficazes.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019061214047754-trump-mostra-por-acaso-acordo-secreto-entre-eua-e-mexico-fotos/

Quem tem medo de Alfredo Jalife?

 

A web e a imprensa mexicana se inflamaram por causa do Professor Alfredo Jalife-Rahme, que nós publicamos há quinze anos.

De acordo com uma carta aberta ao Chefe de Estado, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), de 120 intelectuais de extrema-direita neoliberal (incluindo o ex-Promotor Morales Lechuga, corrompido por El Chapo, e o ex-Chanceler Castañeda Gutman do conselho de administração do Stanford Bank, ligado ao Cartel do Golfo), Alfredo Jalife seria uma personalidade «pregando um discurso de ódio» de quem ele não deveria aproximar-se, acima de tudo.

O canal do YouTube Jalife-Rahme, criado em 2013, é assistido por mais de 200.000 inscritos e suas conferências mensais são vistas por quase um milhão de internautas.

Alfredo Jalife é um médico, membro fundador da Associação Internacional de Médicos para a Prevenção da Guerra Nuclear, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1985. Ele é agora professor de geopolítica na UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México) e colunista em vários jornais, entre os quais o mais lido em língua espanhola (castelhano- ndT) no mundo, La Jornada. Ele é incontestavelmente reputado como o melhor geopolitólogo da América Latina.

Seus laços com o novo Presidente mexicano são conhecidos de todos. Andrés Manuel López Obrador prefaciou sua obra La desnacionalización de Pemex (Orfila, 2009), revelando o modo como os Estados Unidos assumiram o controle do petróleo mexicano e obtiveram, assim, a autossuficiência em matéria de energia.

A posição de Jalife sobre a privatização da eletricidade, valeu a sua esposa ser ameaçada de morte, de revólver na mão, por três guarda-costas do antigo Chanceler (Ministro-pt) Jorge Castañeda Gutman (o homem de George Soros no México), durante o governo de Vicente Fox. O México é o país do mundo onde, nos últimos anos, os assassinatos políticos foram mais frequentes.

O Professor Jalife-Rahme é conhecido por ter denunciado inúmeros escândalos de corrupção, entre outros, incluindo aqueles envolvendo vários bancos israelenses (israelitas-pt) ou comunitários, como o grupo financeiro MIFEL. É sua atividade para defender a probidade pública que lhe vale hoje a acusação de pregador de ódio.

O Presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO) declarou a seu respeito que é uma «pessoa muito boa» (muy buena persona).





Ver original na 'Rede Voltaire'



Mais um golpe em marcha

O Império não pode permitir que um homem da estatura de Andrés Manuel López Obrador liberte do seu jugo um povo com uma cultura tão própria e, tão genuína que o esmaga.

Crime de lesa Império
Neste 1º de Maio AMLO anunciou um documento histórico, a publicação no Diário Oficial da reforma laboral.
“A democracia e a liberdade não tinham chegado ao mundo do trabalho”
E O NEOLIBERALISMO TAMBÉM NÃO TINHA SIDO POSTO EM CAUSA image
BASTARAM CEM DIAS DE GOVERNO DE UM PRESIDENTE DIGNO PARA QUE O IMPÉRIO SE FIZESSE OUVIR EXIGINDO A SUA RENÚNCIA.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

AMLO responde Trump: 'não vamos cair em nenhuma provocação'

Andrés Manuel López Obrador, presidente de México
© AP Photo / Marco Ugarte

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, conhecido como AMLO, disse nesta quarta-feira estar a par das queixas do presidente dos EUA, Donald Trump, e prometeu analisar a situação na fronteira entre os dois países.

Nesta quarta-feira, Donald Trump afirmou em sua conta no Twitter que tropas mexicanas ameaçaram com armas os membros da Guarda Nacional norte-americana. Por esse motivo, o presidente norte-americano afirmou que pretende enviar "soldados armados" para a fronteira com o México.

"Vamos analisar esse incidente, vamos levar em conta o que ele (Trump) está indicando, e vamos agir de acordo com a lei, dentro da estrutura da nossa soberania, mas o mais importante é dizer que não vamos lutar com o governo dos Estados Unidos ", disse López Obrador durante uma entrevista coletiva, ao comentar as declarações do seu colega dos Estados Unidos.

"Não vamos cair em nenhuma provocação. Digo ao presidente Donald Trump que queremos manter um relacionamento respeitoso e amigável com seu governo", acrescentou AMLO.


Segundo o presidente do México, o mais importante é manter "uma relação de respeito mútuo e de cooperação para o desenvolvimento".

"Assim como temos feito por vários meses, vamos continuar a agir para manter relações cordiais e positivas com o Governo e o povo dos Estados Unidos", destacou o chefe de Estado.

O governo de Donald Trump está realizando uma campanha de combate à imigração ilegal do território mexicano, e tem ameaçado fechar a fronteira sul ou impor tarifas sobre carros mexicanos importados para o país.

Uma das principais promessas eleitorais de Trump foi a construção de um muro na fronteira com o México.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019042413748906-amlo-trump-eua-mexico-fronteira/

Presidente mexicano promete 'instituto Robin Hood' para beneficiar o povo

Presidential candidate Andres Manuel Lopez Obrador, of the MORENA party, shows his ballot to the press before casting it during general elections in Mexico City, Sunday, July 1, 2018. Sunday’s elections for posts at every level of government are Mexico’s largest ever and have become a referendum on corruption, graft and other tricks used to divert taxpayer money to officials’ pockets and empty those of the country’s poor
© AP Photo / Moises Castillo

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse nesta segunda-feira que irá criar um instituto para devolver para "o povo" tudo o que for confiscado junto ao crime organizado e por atos de corrupção.

Obrador, que chegou ao poder capitalizando sobre o cansaço dos mexicanos pela corrupção generalizada, afirmou que um mecanismo para que a Procuradoria-Geral do país possa confiscar e liberar rapidamente os bens oriundos de crimes.

Assim, seria possível alocar os recursos provenientes de tais confiscos em escolas, hospitais ou asilos que precisam de investimentos.

"Vai ser um instituto, um Robin Hood, um Chucho 'El Roto' [apelido de Jesus Arriaga], mas contra os corruptos", ponderou Obrador em sua conferência de imprensa diária, referindo-se ao ladrão do folclore inglês que roubou os nobres para dar os oprimidos e um ladrão lendário mexicano do século XIX que ajudava os mais pobres.


A extinção de domínio é um mecanismo pelo qual o Estado pode perseguir os ativos de origem ilícita e declarar a perda do direito de mesma titularidade.

Obrador, que assumiu o cargo em dezembro 2018 para um período de seis anos, elevou a luta contra a corrupção como seu lema de governo e muitas vezes repetiu que esse crime não é tolerado, garantindo que ninguém apontado por possível corrupção pode trabalhar em sua administração.

O novo instituto vai depender do Ministério das Finanças, mas vai operar de forma independente e autônoma, completou o presidente mexicano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041513687787-mexico-robin-hood/

ODiario.info » Zapata nos tempos da “Quarta Transformação”

A reescrita da história tem sempre em vista um objectivo actual. É assim que no México de hoje o poder prossegue a velha linha de associar todos os participantes na revolução democrático-burguesa de 1910, metendo no mesmo saco revolucionários como Emiliano Zapata e homens que traíram a revolução como Francisco Madero.

Embora López Obrador insista em que lidera uma mudança de regime a verdade é que faz tudo pela restauração do velho regime, aquele que conhecemos como o governo PRI, ou seja, o que emergiu da revolução democrático-burguesa de 1910.
Por mais de 70 anos, o principal apoio da dominação estatal da burguesia foi a ideologia da Revolução Mexicana, uma posição política que postula que a Unidade Nacional é a força que permite o progresso do México. Em tal posição parte-se de uma versão da história em que o importante é a independência e soberania, e que no futuro esse objectivo unifica as diferentes classes acima dos antagonismos, ou seja apelando sempre à conciliação interclassista para explicar o passado e agir no presente e no futuro. Por isso é-lhes necessário coloca dentro do mesmo processo e com os mesmos fins Zapata e Villa juntamente com Madero, Carranza, Obregon, Calles e Cárdenas, ainda que, como sabemos, na guerra civil de 1910-1919 expressassem diferentes interesses de classe, e embora tenham lutado contra um inimigo comum (Porfirio Díaz e depois Victoriano Huerta) lutaram também entre si, porque tinham objectivos irreconciliáveis.
Lopez Obrador apoia-se nessa visão da história, e tem os mesmos fins que a burguesia do regime anterior que diz negar mas que restaura a cada passo: apaziguar o conflito socioclassista e oferecer a paz social como principal garantia aos monopólios para um período de estabilidade e de lucros.
Passa em 10 de Abril 100 anos sobre o assassínio em Chinameca de Emiliano Zapata, chefe político e militar do Exército Libertador do Sul, expressão do campesinato e dos povos indígenas e uma das alas radicais da revolução democrático-burguesa. O governo de López Obrador procura institucionalizar esse acontecimento para integrar Zapata no panteão da Unidade Nacional. Mas é também sabido que López Obrador reivindica Madero como um de seus principais exemplos.
Quando se tratava de derrubar a ditadura de Porfirio Diaz, instalada por mais de três décadas, todas as forças de oposição reconheceram a chefia de Francisco I, Madero, mas uma vez que este chegou à presidência da República o exercício do governo demonstrou que não expressava uma mudança social e começaram os desacordos, pois eram necessárias mudanças profundas para deixar para trás o México Bárbaro, onde a terra estava concentrada num punhado de proprietários de terras e as condições de trabalho da classe operária eram asfixiantes, os grandes problemas nacionais exigiam soluções radicais e não a saída moderada de Madero, que procurava mudar tudo sem mudar nada. E uma das forças que confrontou Madero foi a do zapatismo, e Madero enviou o exército para o combater.
Os revolucionários sulistas foram condenados, inclusivamente por outras forças revolucionárias que pensavam que havia que dar algum tempo a Madero, mas proclamaram o Plano de Ayala para o derrubar. ..”e tal como levantámos as nossas armas para o elevar ao poder, agora voltamo-las contra ele por faltar aos seus compromissos com o povo mexicano e de ter traído a revolução iniciada por ele: Não somos pessoalistas, somos partidários de princípios e não de homens.”
Ignorar as profundas contradições entre Madero e Zapata e procurar integrá-los numa única visão significa trair os ideais revolucionários do zapatismo.
Que López Obrador escolha Madero e deixe Zapata em paz. Porque López Obrador, tal como Madero, as forças revolucionárias e rebeldes do presente confrontam-nos, e as que ainda estão na dúvida, pouco a pouco irão ver que interesses representa.
Insistimos, não se esqueça, o Plano de Ayala foi proclamada em 28 de Novembro de 1911, e foi-o contra Madero, quando este era já presidente, porque a luta não era apenas contra a ditadura, mas também contra os fracos que prometem mudanças e acabam impedindo-as .
Reivindicar e procurar institucionalizar o zapatismo enquanto se impulsiona o Projecto Integral Morelos, as ZEE, o Comboio Maya, o T-MEC, aproxima-os mais de Guajardo mesmo que proclamem que 2019 é o ano de Emiliano Zapata. López Obrador alinha com os que executaram Zapata em 10 de Abril de 1919.

Pável Blanco Cabrera é o Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista do México

Fonte: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=254651

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

México não assina declaração do Grupo de Lima pedindo renúncia de Maduro

O Governo do México decidiu não apoiar a declaração Grupo Lima sobre a Venezuela em respeito à "autodeterminação dos povos". A posição foi apresentada pelo subsecretário Maximiliano Reyes Zúñiga, encarregado da América Latina e o Caribe da chancelaria mexicana.

"O Governo do México, seguindo fielmente os seus princípios constitucionais de política externa, irá se abster de emitir qualquer decisão sobre a legitimidade do governo venezuelano. A autodeterminação e a não-intervenção são princípios constitucionais que o México deve seguir", disse Zúñiga na reunião do Grupo Lima de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do México.

Zúñiga participou da reunião de chanceleres do grupo, realizada na capital peruana, ao invés do ministro das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard.

Ele acrescentou que "a promoção do diálogo entre as partes para encontrar uma solução pacífica para a situação na Venezuela continuará a ser uma prioridade da política externa do México, portanto, desta vez o México não irá acompanhar o texto agora está sendo discutido".


No entanto, Zúñiga disse aos chanceleres que o México "reitera a sua preocupação com a dinâmica que alterou a paz e a prosperidade do povo venezuelano e a situação relativa ao respeito pelos direitos humanos que existe".

Na declaração desta sexta-feira (4) do Grupo Lima, os 13 países signatários indicam que não reconhecem a legitimidade do novo mandato presidencial de Nicolás Maduro na Venezuela.

Os governos do Peru, Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Santa Lúcia pediram a Maduro não assumir a presidência da Venezuela em 10 de janeiro e transferir o Poder Executivo à Assembleia Nacional (parlamento unicameral com uma maioria de oposição) até que novas eleições democráticas sejam realizadas.

O México foi o único país membro do Grupo Lima que não assinou a declaração.

O Grupo de Lima também expressou sua "profunda preocupação com o êxodo em massa de migrantes e requerentes de asilo resultante da grave crise política e humanitária naquele país".


Da mesma forma, os países signatários anunciaram que vão reavaliar suas relações diplomáticas com a Venezuela, "em função da restauração da democracia e da ordem constitucional naquele país".

Eles também concordaram em impedir a entrada em seus territórios aos altos funcionários do governo venezuelano e estabelecer sanções financeiras a indivíduos e empresas ligadas ao Executivo desse país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019010513048566-mexico-grupo-de-lima-declaracao-nao-assina-venezuela/

Presidente do México promete aumentar produção de petróleo estatal em 45% até 2025

Logo da Pemex
© AFP 2018 / Omar Torres

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou neste sábado (15) que pretende aumentar a produção de petróleo da estatal Pemex em 45% antes de 2025.

A meta, segundo ele, é produzir 2,4 milhões de barris ao dia, ante o 1,65 milhão de barris produzidos diariamente hoje. Anteriormente, López Obrador já havia dito que planeja investir 75 bilhões de pesos (US$ 3,65 bilhões) na Pemex.


A companhia passa por dificuldades para conseguir recursos adicionais devido a altos impostos, roubos de combustíveis e outras ineficiências.

López Obrador descreveu seu plano de "resgatar" a indústria de petróleo como "realista" e reiterou a promessa de mover a sede da Pemex da capital para a Ciudad del Carmen.

O presidente mexicano assumiu o cargo no primeiro dia de dezembro deste ano. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2018121512915934-mexico-obrador-promete-aumentar-producao-petroleo-45-pemex/

Um grande passo em frente

Ler (aqui) e mais (aqui)
Cidade do México
12 de dezembro de 2018
AMLO (Andrés Manuel López Obrador) não prometeu decretar o socialismo, prometeu sim, reformas sociais que estão a ser cumpridas, e não são de subestimar.
Pedindo o apoio de pais e professores, - não podemos avançar sem o vosso apoio - fez descer à Câmara de Deputados, um dos seus compromissos: Ensino gratuito a todos os níveis educativos.
López Obrador reiterou o seu compromisso para que todos os jovens possam cursar o bacharelato e ingressar na universidade, assegurando que os professores nunca mais serão ofendidos.

Leia original em "As Palavras São Armas" (clique aqui)

“Com o povo tudo, sem o povo nada”

López Obrador e um discurso memorável:

“Com o povo tudo, sem o povo nada”

«Não deixemos de nos encontrar: mantenhamos sempre a comunicação. Não haverá divórcio entre povo e governo. Eu necessito de vós, porque como dizia Juárez “com o povo tudo, sem o povo nada”. Não me deixem só, porque sem vós não valho nada, ou quase nada. Sem o povo, os conservadores facilmente me subjugariam. Peço o vosso apoio, porque reitero o compromisso de não vos enganar; antes morto que trair-vos.»

Leia original em "As Palavras São Armas" (clique aqui)

MÉXICO ROMPE COM O NEOLIBERALISMO

O discurso de Lopez Obrador no dia 1 de Dezembro marca uma ruptura com o neoliberalismo que devastou o México nas últimas décadas. Pronunciado na Praça do Zocalo, na presença de dezenas de milhares de pessoas e durante mais de duas horas, o novo presidente mexicano reafirmou as suas ideias quanto à regeneração do México, ao combate à corrupção e à governação junto com o povo e não contra ele. 

Das 100 medidas que preconizou, algumas são simbólicas (venda do avião presidencial, entrega do palácio à comunidade;...), outras sociais (duplicação do salário-mínimo; redução dos altos salários e aumento dos baixos na função pública; publicação na Internet das folhas de pagamento com as remunerações de todos os funcionários do Estado, inclusive o presidente;...) e outras ainda que podem ser caracterizadas como nacional-desenvolvimentistas (ferrovia Maia no sul do México a ligar o Pacífico ao Atlântico; aumento da produção de petróleo sem recorrer ao capital estrangeiro; incentivos fiscais para criar um "filtro" junto à fronteira com os EUA, numa faixa de 5 km, a fim de instalar ali indústrias que absorvam mão-de-obra e dissuadam os paisanos a transpô-la para o lado estado-unidense; proibição de sementes transgénicas;...). 

O tom do seu discurso foi sincero e até emotivo, mas não falou em nacionalizações nem mencionou o socialismo. A sua tarefa será ciclópica num país devastado por 30 anos de neoliberalismo e corroido pelo narcotráfico. Se Lopez Obrador conseguir cumprir a metade das suas 100 medidas fará uma obra notabilíssima.

Resistir.info

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/mexico-rompe-com-o-neoliberalismo.html

México: Os projectos e os desafios da esquerda

Laila Porras [*]

Pela primeira vez na História recente, e depois de trinta anos de neoliberalismo, a esquerda [NR]chegou ao poder em 1 de Dezembro de 2018, depois de vencer as eleições presidenciais em Julho passado com 53% dos votos. O movimento político criado por Andrés Manuel López Obrador (AMLO), chamado MORENA (Movimiento de Regeneración Nacional), obteve uma vitória esmagadora, não só com a eleição presidencial, mas também com a maioria absoluta em ambas as câmaras, e com a vitória de cinco governadores, da qual (a vitória) mais importante é a da Cidade do México, ganha por uma mulher, Claudia Scheimbaum. Num país assolado pela violência e com metade da população a viver abaixo da linha da pobreza, com desigualdades insustentáveis, corrupção endémica e uma impunidade, que faz com que mais de 90% dos delitos não sejam assinalados, devido à falta de confiança nas instituições judiciais, a chegada da esquerda neste país, está repleta de esperança e de imensas expectativas. AMLO, como os mexicanos costumam chamar a este lutador de longa data (é necessário recordar que esta é a terceira vez que ele concorre às eleições, incluindo a de 2006, que foi muito contestada por suspeitas de fraude) elaborou durante anos, um programa governamental detalhado, designado como "a 4ª transformação" do país. No entanto, será confrontado com enormes desafios e com fortes pressões internas e externas.
Os grandes projectos AMLO – grande conhecedor da História do seu país – inscreveu "a quarta transformação" na longa história da vida política do México. Trata-se, acima de tudo, de um projecto de fundar novamente a política do Estado mexicano através do saneamento e da reconstrução do tecido institucional [1] . Uma grande reforma da constituição actual está prevista com a proposta de novas leis e instituições para combater a corrupção e melhorar o sistema de justiça. Por exemplo, incriminar como delitos graves os casos de corrupção, criar uma nova guarda nacional, redigir uma "constituição moral", perdoar e amnistiar aqueles que cometeram crimes de fraude e corrupção no passado; libertar as pessoas que cometeram delitos menores e despenalizar certas drogas. "A quarta transformação" é, igualmente, um projecto de modernização económica do país, com propostas de grandes obras de infraestrutura e transporte, tais como o desenvolvimento dos transportes ferroviários, especialmente no sudeste do país (a região mais atrasada), a criação de refinarias e um forte impulso à agricultura. Mas é, também, um projecto de solidariedade social e de ajuda aos mais pobres: espera-se um forte apoio, principalmente, aos jovens e aos idosos através de vários programas de bolsas de estudo e pensões sociais, bem como a criação de universidades (uma centena!) e hospitais. Por outro lado, AMLO pretende reduzir significativamente as desigualdades: já reduziu para metade, o salário do presidente e já foi aprovada uma lei que proibe qualquer funcionário público de ganhar mais do que o presidente. É preciso saber que, no México, o país campeão das desigualdades, alguns juízes do Supremo Tribunal de Justiça ganham cerca de 25 mil euros por mês... Os deputados de Morena estão a estudar uma a proposta de lei para aumentar, de maneira radical, o salário mínimo para que fique acima do limiar de pobreza actual. É necessário saber que o salário mínimo perdeu mais de 70% do seu valor real desde a década de 1970 e que ele representa 20% do salário médio, ou seja, em termos relativos, essa relação é a menor, não apenas nos países da OCDE, mas também nos países da América Latina. Uma das principais propostas "da quarta transformação" diz respeito à maneira de governar com o objectivo de estabelecer uma "democracia participativa". Deseja usar as modalidades de "referendo" e de "consultas populares" para os assuntos mais importantes e já realizou duas consultas públicas (uma sobre o cancelamento do projecto do novo aeroporto na Cidade do México, voltaremos a este assunto); e a segunda modalidade com 10 perguntas à população sobre propostas governamentais, incluindo um projecto de um comboio no sudeste do país; a modernização portuária; a reflorestação de parte do país; a construção de uma refinaria; a duplicação das pensões sociais para os idosos; a criação de um sistema de bolsas de estudo para milhões de jovens; um sistema de saúde gratuito para todos; bem como o acesso gratuito à internet em todo o país. Não é de surpreender que o resultado dessa consulta tenha dado origem a mais de 90% de respostas positivas. Os seus apoiantes vêem nessa prática uma revolução na maneira de governar para avançar em direcção a uma "verdadeira democracia participativa"; os seus adversários pensam que é uma política populista e denunciam uma "prática demagógica". Os desafios e as pressões  O presidente eleito tomará posse no sábado, 1 de Dezembro de 2018 (depois de cinco longos meses de espera), no entanto, ele tem estado tão activo que os comentadores consideram que o seu discurso, nesse dia, será a sua primeira avaliação de governo! Com efeito, vários assuntos foram abordados e discutidos, o mais controverso foi, provavelmente, o cancelamento do projecto do novo aeroporto da Cidade do México (NAICM), projecto que ele já havia criticado enquanto era candidato. A construção do novo aeroporto era um exemplo perfeito de absurdo ecológico e económico, beneficiando apenas um pequeno grupo de empresários da oligarquia, em detrimento da grande maioria dos mexicanos. Representantes das comunidades afectadas, geólogos e outros cientistas, bem como activistas ambientais, denunciaram a construção do NAICM e sublinharam que este projecto estava a provocar um ecocídio de dimensões extraordinárias. Andrés Manuel López Obrador decidiu realizar um referendo nacional, apesar das imensas críticas dos jornalistas próximos do poder e das organizações patronais. O "Não" ganhou, maioritariamente, essa consulta pública, o que não foi surpresa para ninguém, dado o nível de confronto social que o projecto gerou. Portanto, ele decidiu cancelar o projecto. No mesmo dia, o peso perdeu o seu valor, as agências de rating internacionais baixaram a categoria do país e foi observada uma fuga de capital. Seguiu-se uma avalanche de críticas da parte dos jornalistas e intelectuais próximos ao regime em funções, apelidando-o de retrógrado e até de "ditador". AMLO está consciente de que o seu programa vai contra o estatuto económico e financeiro e também conhece muito bem, o poder económico dos seus adversários. O caso do aeroporto é o mais falado, mas já houve outras cenas de conflito com a burguesia financeira nacional e internacional. Por exemplo, um projecto de lei lançado pelo seu partido já está a ser discutido no Congresso, para regulamentar os serviços dos bancos para os clientes - é bem sabido que, no México, os mesmos serviços bancários são muito mais caros do que os oferecidos pelas mesmas filiais dos bancos, em Espanha, para dar um exemplo. No mesmo dia, logo após essa notícia, observou-se outra desvalorização do peso. No entanto, não podemos esquecer que ele convenceu uma grande parte da comunidade empresarial a apoiá-lo no seu projecto, não apenas pequenos e médios empresários, mas também alguns líderes de grandes empresas como Alfonso Romo, empresário multimilionário no norte do país (Monterrey), que possui uma empresa 'holding' nos sectores das finanças, seguros e biotecnologia e, agora, é um conselheiro pessoal. Por esta razão, recusa-se criticar certos elementos do modelo económico neoliberal. Por exemplo, disse repetidamente, que nenhuma mudança seria feita no sistema tributário, que é amplamente favorável ao grande capital; continua a dizer que o equilíbrio das contas públicas é uma meta do governo e que nem o défice nem a dívida aumentarão no decurso do seu governo. Resta saber se essas declarações são mais uma estratégia para chegar e consolidar-se no poder com o apoio da classe média superior e conservadora, ou se está convencido de que os recursos económicos libertados pela luta contra a corrupção, bem como "a austeridade dentro do governo", serão suficientes para lançar este grande projecto nacional sem tocar em algumas fundações do modelo neoliberal. No entanto, é difícil acreditar que esta grande transformação do país, e especialmente a redução estrutural da desigualdade, seria possível sem mudar a estrutura da arrecadação de impostos - as receitas fiscais em percentagem do PIB estão agora entre as mais baixas da América Latina: 17% contra 32% no Brasil. Outro grande desafio é o relacionamento com os Estados Unidos: de facto, AMLO enfrenta uma nova configuração política desde a chegada de Donald Trump, que pretende continuar a renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA ing./ALENA fr.). É quase certo que, independentemente do poder de negociação dos países, a tendência será em direcção a mais protecionismo. Parte da classe empresarial que se beneficiou enormemente com o NAFTA (agora conhecido como T-MEC) será, certamente, afectada (incluindo as indústrias de alta tecnologia, como a indústria automóvel, a aeroespacial e a electrónica). Mas como o desenvolvimento proposto por AMLO é um desenvolvimento baseado no aumento do padrão de vida da população e numa distribuição da riqueza mais equitativa, na autosuficiência alimentar, no aumento significativo dos salários, este desenvolvimento é consequentemente baseado na expansão do mercado interno. A renegociação do acordo de livre comércio pode, portanto, ser vista como uma oportunidade para essa mudança de estratégia do modelo neoliberal baseado no crescimento do sector da exportação para um modelo baseado no crescimento do mercado interno; seria também uma oportunidade de alargar as relações com seus vizinhos do sul e com outros parceiros comerciais. O segundo índice delicado nas relações com o seu vizinho do norte, é a gestão da crise migratória. De facto, milhares de pessoas da América Central decidiram juntar-se e caminhar em direcção aos Estados Unidos, através do México. "A caravana migrante" é composta por homens, mulheres e crianças que fogem à miséria e à violência nos seus países e procuram chegar aos Estados Unidos. Trump já enviou tropas para a fronteira e ameaçou o governo mexicano para parar a caravana ou fechar a fronteira. AMLO disse que os migrantes poderiam ficar no México e que encontrariam trabalho. É preciso dizer que o número de migrantes (cerca de dez mil) representa apenas uma pequena percentagem da população mexicana e, portanto, é verdade que os migrantes poderiam ser albergados no país. No entanto, uma parte significativa dessas pessoas não quer ficar no México por razões diferentes (os seus familiares já estão nos Estados Unidos, ou por desconfiarem do governo mexicano, etc). Por outro lado, um sector da sociedade mexicana manifesta a sua preocupação e descontentamento (chegando mesmo a posições radicais, racistas e xenófobas contra os migrantes) sobre a proposta de AMLO, dados os graves problemas de pobreza e de emprego, no país. Além do mais, não devemos esquecer que 53% das pessoas votaram em AMLO e esperam uma verdadeira mudança de curso e seria arriscado decepcioná-las. A pressão social interna é muito forte: de uma parte, vindo dos mais pobres -Os povos indígenas, por exemplo, que estão cada vez mais conscientes dos seus direitos, cada vez mais bem organizados e que travam uma batalha constante contra o governo vigente – até 1 de Dezembro – (e portanto, contra o modelo neoliberal) pela preservação do seu habitat, pelos seus costumes e pelo acesso a uma vida melhor; por outro lado, podemos falar sobre questões que atravessam toda a sociedade, uma sociedade que está cansada da violência, da insegurança económica e social, da corrupção e da impunidade, e que aguarda de AMLO, uma resposta concreta e soluções reais e a curto prazo. Com efeito, houve mais de 200 mil mortes violentas e 30 mil pessoas desaparecidas, na última década. O caso paradigmático é provavelmente o de 43 alunos desaparecidos, em 2014, no estado de Guerrero (com forte suspeita de assassinato e envolvimento conjunto do governo local, polícia, forças armadas e de um monopólio de droga). Mas, infelizmente, não é um caso isolado, é um exemplo entre milhares de outros: femicídios, assassinatos de jornalistas e activistas sociais, etc., que representam a prova da decomposição política, institucional e social do país. Uma fragilidade grave  Andrés Manuel López Obrador representa, hoje, uma grande esperança, especialmente, em duas frentes: a nível nacional, mostrou, ao chegar ao poder pela via democrática, que as grandes mudanças políticas podem ser construídas de maneira não violenta. Por outro lado, na América Latina, uma perspectiva optimista foi aberta em 1 de Julho e o México é visto como um refúgio de ideias progressistas neste continente que mudou a cor política, numa década, com os governos reaccionários e da direita na Argentina, no Chile e no Brasil, para não citar senão as principais economias. Mas os desafios e pressões que AMLO enfrenta são imensos. Não nos esqueçamos das palavras de Maquiavel: "Não há empreendimento mais difícil, mais duvidoso ou mais perigoso do que o de querer introduzir novas leis". As lições do caso brasileiro, que passou no espaço de uma década, da esquerda progressista nos anos 2000, para um governo de extrema-direita, devem alertar o novo governo mexicano e dar-lhe algumas pistas de reflexão sobre essa fragilidade. Conhecedor da "realpolitik", AMLO sabe muito bem que os seus inimigos desconfiam enormemente do seu novo governo e que eles têm um poder económico não desprezível, e tenta aliviar as tensões fazendo concessões como a criação de um Conselho de Empreendedores que o ajudariam a tomar decisões (comissão formada por uma parte da oligarquia); ou adiando decisões difíceis "por um período de três anos" como a proposta de mudança no sistema tributário ou a mudança nos objectivos do banco central (para incluir o pleno emprego e o crescimento e não, apenas, a estabilidade dos preços). Consciente da necessidade de uma aliança estratégica com os militares, reuniu todas as forças armadas e fez um discurso memorável para convidá-los a participar deste grande projecto de transformação nacional. É claro que este tipo de decisões é amplamente criticado por alguns intelectuais e jornalistas de esquerda e até mesmo por organizações internacionais de direitos humanos (Amnistia Internacional) que alertaram em particular sobre o fracasso das políticas destinadas a outorgar mais poder aos militares para liderar a luta contra o tráfico de estupefacientes (no México e noutros países). Andrés Manuel López Obrador, no entanto, deixou perceber muito claramente aos poderes reais que, hoje, ele é o Presidente: no dia da declaração do cancelamento do projecto do aeroporto, ele afirmou que não era "um jarrão decorativo", e mestre na manipulação de símbolos, podia-se ver sobre a sua secretária um livro cujo título era: Quem comanda aqui? 

01/Dezembro/2018

[NR] Seria mais rigoroso dizer "social-democracia" ao invés da caracterização genérica de "esquerda" utilizada pela autora. [1] As primeiras transformações referem-se aos três principais movimentos da História do México: o movimento de independência do país, entre 1810 e 1821, o movimento de "Reforma" em meados do século XIX, liderado por Benito Juárez, quando aconteceu a separação entre a Igreja e o Estado e, finalmente, o movimento de Revolução, no início do século XX, que extinguiu a ditadura de Porfirio Díaz. [*] Economista, investigadora associada ao LADYSS-Université Paris Diderot, Paris 7. Ver também: 
Foto Marco Pelaez / La Jornada
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/mexico-os-projectos-e-os-desafios-da.html

Será o Presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, o líder do cartel de Sinaloa?

Na abertura do julgamento de «El Chapo» nos Estados Unidos, seu advogado disse que seu cliente não era o verdadeiro líder do cartel de Sinaloa. É «El Mayo» [foto] (o que ninguém contesta no México), que vive abertamente sob a proteção do Presidente do México, Enrique Peña Nieto.

Esta versão dos fatos, que surpreendeu o tribunal, nada tem de original. É uma hipótese frequentemente evocada pelos Mexicanos. Mas existem outras.

Toda a economia mexicana é baseada no comércio ilegal de drogas, que constitui, sem dúvida, a principal fonte de renda. No decurso dos últimos quinze anos, mais de 200.000 pessoas foram mortas, ou desapareceram, como resultado da guerra entre os cartéis ou da guerra contra eles. É, pois, impossível atuar na política sem ser apoiado por um ou outro cartel.

Esta situação só pode terminar com a liberação (liberalização-pt) de todo o mercado de drogas, como aconteceu no passado.

 

Ver original na 'Rede Voltaire'

México: o enigmático caminho de Lopez Obrador

Novo presidente assume em dezembro. Sua campanha foi claramente à esquerda; sua vitória um feito histórico. Mas por que ele fala tão pouco em integração latino-americana?

Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Inês Castilho

Em 1º de julho de 2018, Andrés Manuel López Obrador, conhecido como AMLO por causa de suas iniciais, foi eleito presidente do México por uma margem expressiva. Recebeu 53% dos votos. Seus oponentes mais próximos foram Ricardo Anaya (do PAN), com 22%, e José Antonio Meade (do PRI), com 16%. Além do mais, sua aliança partidária, Morena, conquistou a maioria das cadeiras do legislativo.

Sua vitória foi comparada à de Lula no Brasil e à de Jeremy Corbyn, como líder trabalhista na Grã Bretanha. Mas Lula não chegou nem perto de ter a maioria dos votos, e sua ampla aliança partidária incluía grupos reacionários. Corbyn ainda está lutando para manter o controle do Partido Trabalhista britânico e, mesmo que tenha sucesso, enfrenta uma eleição difícil.

Ao contrário, AMLO tem provavelmente a vitória com maior margem jamais alcançada por qualquer candidato numa eleição multipartidária relativamente honesta. Ele não terá problemas em permanecer no poder no único período de seis anos permitido pela constituição mexicana.

Então, por que apenas dois vivas? Uma olhada na história do México irá esclarecer minha reserva. A chamada Revolução Mexicana de 1910 derrubou um regime opressivo e muito antidemocrático, razão pela qual é vista como o início do Estado moderno no México. Contudo, não resultou em paz e estabilidade relativas. Muito pelo contrário! As duas décadas que se seguiram a ela assistiram a lutas constantes e violentas entre várias milícias armadas, nenhuma das quais foi capaz de prevalecer.

No entanto, em seguida ao assassinato do principal candidato à presidência, um arranjo de facto foi capaz de trazer certo grau de estabilidade e uma grande redução da violência. O partido que garantiu essa relativa estabilidade passou por mudanças de nome e a certa altura tornou-se o Partido Revolucionário Institucional, ou PRI.

O sistema desenvolvido pelo PRI baseou-se na exigência constitucional de uma eleição, em 1º de julho, a cada seis anos. O presidente em exercício poderia ter apenas um mandato. Seu sucessor era escolhido por uma negociação de bastidores entre os líderes do PRI. A eleição era, na verdade, uma formalidade. Com exceção de um período politicamente radical, de 1936 a 1942, o sistema PRI de eleições arranjadas resultou em governos com elites altamente corruptas e que tinham pouco a oferecer ao terço ou metade da população na base da pirâmide.

O sistema PRI levou a um grande descontentamento popular. Isso gerou o surgimento, no final do século vinte, de um grande desafiante, o Partido Acción Nacional (PAN). O PAN foi construído numa base católica, que reagia ao programa fortemente anticlerical do PRI e do México.

O PAN venceu as eleições de 2000, pondo assim um ponto final ao monopólio do PRI na presidência. Além do PRI e do PAN surgiu também um partido social-democrata denominado Partido de la Revolución Democrática (PRD). O México havia se tornado, agora, um país de eleições competitivas. Que diferença fez isso? Não muita.

AMLO concorreu como candidato do PRD em 2012, mas perdeu a maioria por fraude. Ele lutou duramente contra o “falso” vencedor, mas com pouco apoio do PRD. Agora, AMLO construiu sua luta pelo poder rejeitando os três partidos principais.

Por que não foi igualmente trapaceado em 2018? O governo PRI de 2012-2018 usou de extrema violência contra a oposição. Mataram estudantes que protestavam. Isto levou a revoltas generalizadas da população, o que tornou impossível fraudar os resultados mais uma vez.

AMLO lançou um programa verdadeiramente de esquerda. Sua plataforma previa um aumento significativo na distribuição de renda para grandes massas de pobres. Defendeu o fim das chamadas pensiones, pelas quais enormes somas eram pagas aos ex-presidentes. Ao contrário, AMLO advogava pensiones para os pobres. Nesse sentido, seu programa era semelhante ao de Lula, com seu Bolsa Família e seu Fome Zero. A diferença é que AMLO não pode ser expulso do poder, como Lula foi.

AMLO chama sua proposta de nini (nem nem), para aqueles que não são nem estudantes nem trabalhadores, e que constituem um grupo muito amplo de jovens. Propõe pagamentos para eles sobreviverem enquanto forem capacitados, em programas governamentais, e se tornem aptos a conseguir um emprego.

A esquerda latino-americana aclamou a eleição de AMLO, vendo em sua vitória uma possibilidade de reavivar a chamada maré rosa na América Latina, que sofreu muitos reveses na última década. Os Estados Unidos estão claramente preocupados e infelizes. Trump já está tentando cooptar AMLO.

Eu também saúdo a vitória de AMLO. Mas me preocupo com o fato de que, ao contrário de Lula, ele mostrou pouco interesse em tornar-se um líder latino-americano, e não somente mexicano. Neste momento ele ocupa uma posição muito forte no México, mas ninguém é impermeável a contrapressões. Ele não pode, realmente, dar conta disso sozinho. Precisa da esquerda latino-americana, exatamente como esta precisa dele. Vamos ver como navegará nas negociações sobre o Nafta.

Finalmente, como todos os líderes populares que lutaram muito e obtiveram sucesso ao alcançar o poder, eu me pergunto o quanto ele reflete sobre as limitações de ser uma figura carismática. Muita autoconfiança tem sido a razão da queda de muitos líderes populistas de esquerda. AMLO também não mostrou, no passado, muita tolerância com aqueles que questionam a prudência de algumas coisas que ele faz.

Então, dois vivas sim – altos, com esperanças pelo melhor.

 

Ver o original em 'Outras Palavras' na seguinte ligação:

https://outraspalavras.net/mundo/america-latina/mexico-o-enigmatico-caminho-de-lopez-obrador/

 

Obrador: México crescerá e virará uma potência econômica

O presidente eleito e ainda não empossado do México, López Obrador, disse que o México crescerá e virará uma potência econômica. Assim, “ninguém ameaçara o México com muros e militarização da fronteira”.

“O México vai se tornar uma potência e vai mudar a correlação de forças. Ninguém vai ficar ameaçando fechar as fronteiras, ou militarizá-las”, Obrador, que assume a presidência no dia 1º de dezembro.

Isso será possível porque o país crescerá e criará empregos”.
López Obrador

Recentemente, Trump disse no Twitter que uma das razões por que os Estados Unidos precisam de uma fronteira mais segura é o número recorde de homicídios no México em 2017.

Trump chegou à Casa Branca com a promessa de deportar milhões de indocumentados e levantar um novo muro fronteiriço com o México para evitar a chegada de migrantes sem documentação regular.

As declarações ajudaram a gerar a pior crise diplomática em décadas entre os Estados Unidos e seu vizinho do sul.

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (AFP) / Tornado

 

Ver artigo original em "O TORNADO"

Familiares de Ayotzinapa exigem verdade e justiça imparcial

Pais dos 43 estudantes desaparecidos em Setembro de 2014 pediram ao Supremo Tribunal que resista às pressões do executivo ainda em funções e se pronuncie a favor da criação de uma Comissão da Verdade.

Os pais dos jovens desaparecidos de Ayotzinapa exigem imparcialidade ao Supremo Tribunal face ao governo de Peña NietoCréditos / ADN Político

Na conferência de imprensa que deram esta quarta-feira, os familiares dos 43 estudantes de Ayotzinapa, desaparecidos em Iguala (estado de Guerrero), voltaram a acusar o governo de Enrique Peña Nieto de dificultar a investigação sobre o paradeiro do seus filhos e avisaram-no de que «não há-de escapar à Justiça».

Ao novo presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, lembram-lhe que assumiu com eles o compromisso de apoiar a Comissão da Verdade, bem como as linhas de investigação estabelecidas pelo Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI).

Exigiram ainda ao Supremo Tribunal mexicano que seja imparcial e autónomo no momento de decidir se se deve constituir uma Comissão da Verdade sobre Ayotzinapa.

O caso chegou ao Supremo depois de, recentemente, um tribunal federal ter acolhido a argumentação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e revertido a sentença favorável à criação da Comissão da Verdade sobre o caso de Ayotzinapa, proferida por outro tribunal em 4 de Junho último.

De acordo com o tribunal federal, a sentença anterior violava o pressuposto de que só o Ministério Público tem competências para investigar crimes, pelo que declarou a «impossibilidade jurídica» da criação da Comissão da Verdade.

Esta seria liderada por representantes das vítimas e da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), que, segundo revelou a TeleSur, teriam a seu cargo a direcção da investigação, em conjunto com a PGR e o Ministério Público.

Na sentença que, no início de Junho, decretou a criação da Comissão, o tribunal afirmava ter encontrado provas de que a investigação do caso de Ayotzinapa, por parte da PGR, «não foi rápida, eficaz, independente ou imparcial».

A decisão judicial que reverteu esta sentença foi muito mal recebida pelos pais dos jovens desaparecidos, que ontem disseram esperar uma atitude diferente da parte do Supremo.

«Pedimos ao Supremo Tribunal que faça o seu trabalho com imparcialidade sobre o caso Ayotzinapa (…) que tenha coragem suficiente, que não se deixe comprar, que faça o seu trabalho, porque queremos saber onde estão os nossos filhos», disse Blanca Nava, mãe de um dos estudantes, citada pelo ADN Político.

Os pais dos jovens lembraram ainda que estão há 46 meses à procura dos seus filhos. «É uma vergonha que tenham passado 46 meses sem sabermos a verdade», disse ainda Blanca Nava.

Os 43 de Ayotzinapa

Foi há quase quatro anos que 43 estudantes da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa, desapareceram em Iguala, no estado mexicano de Guerrero. Desde então, os familiares dos desaparecidos exigiram respostas ao governo de Peña Nieto, que foi acusado de silenciar o caso, ocultar elementos e dificultar as investigações independentes, num contexto geral de violência e impunidade.

Isso mesmo foi apontado no documento sobre a violência no México, elaborado em 2015 pelo relator especial das Nações Unidas contra a tortura, Juan E. Méndez.

Quase 16 mil assassinatos no primeiro semestre

Com 15 973 pessoas assassinadas nos primeiros seis meses e uma taxa de 11,01 casos de homicídios por 100 mil habitantes, o México está a viver o ano mais violento de que há registo.

Os dados relativos ao primeiro semestre de 2018, divulgados recentemente pelo Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública (SESNSP), apontam para uma média diária de 88,7 homícidios.

Comparando com iguais períodos de 2015 para cá, a taxa de homicídios dolosos tem vindo sempre a aumentar: se, nos primeiros seis meses de 2015, essa taxa foi de 6,3 casos por cada 100 mil habitantes, em 2016 subiu para 7,4 casos e, em 2017, para os 9,6.

Os assassinatos de mulheres triplicaram nos últimos três anos, refere o Animal Político. Desde 2015, ano em que se começou a registar o número de mulheres vítimas de homicídios dolosos, o aumento tem sido constante.

No primeiro semestre desse ano foram registados 184 casos, enquanto no período compreendindo entre Janeiro e Junho deste ano já se registaram 402 vítimas.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Sobre o resultado das eleições presidenciais no México: recomposição da hegemonia burguesa

reformAs eleições no México têm sido acompanhadas por algumas apreciações que atribuem ao seu resultado uma mudança no panorama político daquele país. Daí a grande oportunidade que tem apresentarmos a avaliação dos comunistas mexicanos. Não têm ilusões sobre o novo governo. Mas avaliam positivamente os muitos milhões que votaram nele, cuja vontade de mudança real não pode ser nem desmobilizada nem desencorajada.



O cômputo das eleições federais deu como resultado o triunfo presidencial de Andrés Manuel López Obrador e uma maioria nas câmaras de deputados e senadores da coligação que o apoiou, que também obtém maioria no governo da Cidade de México e na maioria dos governos estatais que se encontravam em disputa.

O resultado da votação popular está em concordância com a eleição que já tinham previamente efectuado a maioria dos monopólios no México, expressando o seu apoio de diferentes formas, e que ao longo da campanha eleitoral foram integrando os seus representantes, inclusive os monopólios de meios de comunicação Televisa e TV Azteca – anteriormente seus adversários e agora promotores da sua figura-, nesta coligação. Os grupos económicos e seus quadros políticos estão representados nas diferentes equipas que López Obrador foi apresentando, incluído o seu Gabinete: é claro, sem subterfúgios, que o poder dos monopólios está assegurado, que a ditadura de classe da burguesia continuará.

Com um discurso demagógico, com a velha receita – utilizada anteriormente desde 1936 até 1982 pelo PNR-PRM-PRI - da unidade nacional, ou seja, colocar-se acima dos antagonismos socio-classistas, assumir-se como uma opção interclassista que representa por igual explorados e exploradores, ricos y pobres, burgueses e proletários, López Obrador catalisou o mal-estar gerado por 36 anos de políticas de choque privatizadoras que reduziram ao mínimo os direitos sociais, sindicais, democráticos. A gestão neoliberal dos governos de Miguel de la Madrid, Carlos Salinas, Ernesto Zedillo, Vicente Fox, Felipe Calderón e Enrique Peña Nieto, em conjunto responsável pela destruição das terras comunais (ejido), pelo despojo de terras, a destruição da educação pública e da segurança social, a privatização das empresas estatais, o empobrecimento acelerado da população que chegou aos 53 milhões, o aumento massivo dos emigrantes, o retrocesso constante do salario face ao aumento incessante do cabaz básico e o custo de vida, o desemprego, e também a violência generalizada desencadeada na chamada guerra contra o narcotráfico, que se estende já por mais de dez anos, com saldo de mais de 200.000 mortos e desaparecidos;

Este cúmulo de agravos gerou uma latente insubmissão operária e popular, com diferentes manifestações nos últimos anos. Contudo, isto foi temporariamente controlado sob as ilusões de uma mudança da coligação obradorista. Mas a aspiração de solucionar os problemas essenciais da classe operária e dos sectores populares será defraudada; pois da mesma forma que no seu Projecto Alternativo de Nação, seus discursos e opiniões, suas alianças, já como Presidente Eleito López Obrador ratificou as medidas que definem um claro contorno ao seu Sexénio: autonomia do BANXICO, disciplina financeira e fiscal, respeito pelos compromissos com os bancos e organismos financeiros internacionais, e nenhuma expropriação ou confiscação. Também confirmou que a sua luta contra a pobreza se baseará em paliativos, em medidas assistencialistas à velhice, aos deficientes e bolsas para os estudantes. O que o coloca na situação de quem quer atender com aspirinas um cancro em fase terminal. Não é casual que a garantia que avança em primeiro lugar é a liberdade empresarial, um selo distintivo do projecto de classe que representa.

Outro elemento demagógico do discurso de Obrador é que resolvendo o problema da corrupção se resolvem os grandes problemas nacionais. Mais ainda, López Obrador considera que a corrupção é a base da “desigualdade económica e social”. Insistindo nesta ideia em contraposição ao argumento científico de que a raiz do problema é a exploração do trabalho assalariado e a apropriação privada da riqueza socialmente produzida, ele sustenta como uma inovação teórica de sua criação que a corrupção é a raiz dos problemas do México. Com honestidade e austeridade poderá branquear, maquilhar o capitalismo, mas nenhum problema terá solução enquanto no conflito capital/trabalho a balança se incline pelo lucro e a acumulação a favor da burguesia. Atenuar os problemas, apagar o fogo, aplicar controlo de danos, é a tarefa com que se compromete López Obrador, para assim garantir a estabilidade do sistema num período de turbulências, desmobilizando aqueles que votaram por uma mudança e procurando um refluxo de largo alcance na luta social.

Outro assunto doutrinal que não podemos passar por alto é a sua concepção sobre o Estado e suas funções, reivindicando a ideologia burguesa da Revolução Mexicana do Estado acima das classes sociais, como expressão representativa da cidadania, de “ricos e pobres”. Essa fórmula já serviu anteriormente à burguesia para governar e construir consensos sociais, ou seja, identificar os explorados com os interesses dos seus exploradores.
Uma ideia que se reforça com o triunfo de Obrador é a da “transição democrática”. Na voz das centrais empresariais, dos seus escribas e órgãos, a ilusão de que o poder estatal exercido sobre os trabalhadores dimana do próprio povo tem a sua “demonstração” numa terceira mudança de Partido que determine a composição do gabinete e exerça o poder executivo. O Partido, o governo, a gestão mudaram, mas o Estado não. Este discurso esconde o facto de que independentemente da mudança de Partido as próprias Centrais empresariais concentram o poder económico, e que através desse poder económico determinam a realidade do país. Menção ainda a que dirigem através de uma miríada de quadros colocados ou cooptados por eles as funções do poder estatal, que este Estado não tomará medidas que substancialmente se oponham aos seus interesses e que sem afectar os seus interesses é impossível a melhoria para as condições de existência dos trabalhadores. Por exemplo, para além do entorno honesto do mandatário em questão, ¿O que ocorrerá com uma manifestação palpável como o facto de o IMSS ou o INFONAVIT aceitarem que as empresas reportem salários mais baixos que os reais? ¿Esta corrupção vai extirpar-se por decisão do executivo?

Sob essas concepções, tomando em conta a experiencia histórica e as leis do capitalismo, será necessário para garantir a “liberdade empresarial”, para cumprir os seus acordos com os monopólios e segundo o seu critério interclassista convocar pactos ou acordos operário-patronais, em que a classe operária terá que apertar o cinto para que o capital maximize os seus lucros. Segundo essas concepções, recuperar os direitos laborais e sociais não é prioritário e são reivindicações que devem ir para o arquivo. O PCM lutará juntamente com os trabalhadores por derrubar a reforma laboral aprovada pelo Pacto por México em 2012.

Carlos Salinas e López Obrador coincidiram em que é a hora da reconciliação nacional, e como um sucesso inédito aplaudido pela opinião pública, os candidatos Meade e Anaya reconheceram pronta e graciosamente o triunfo de Obrador. ¿De que se trata nesta pantomima? Em primeiro lugar, que as disputas interburguesas se dirimem por agora em quadros institucionais, e de que é hora de cerrar filas para superar a crise económica e de dominação. Essas reacções não são uma surpresa para os comunistas, que anteriormente às eleições na nossa Conferencia Política expressamos que a burguesia tinha já escolhido permitir um governo da nova social-democracia para administrar os seus interesses e para superar os conflitos que enfrenta. O mal-estar, a inconformidade, as condições objectivas de fome, desemprego, miséria, exploração, insalubridade, baixos salários, emigração, feminicidios e centenas de milhares de mortos, tiveram expressões que demonstram que existe uma disposição da classe operária e dos sectores populares de ir mais além: os protestos por Ayotzinapa, os protestos contra o gasolinazo, as centenas de conflitos que confirmam uma invariável e crescente tendência para a insubmissão. E esse é um dos significados da eleição de Obrador, a recomposição da hegemonia burguesa, conseguindo que uma parte importante da vontade popular identifique erroneamente os seus interesses com os dos seus opressores e exploradores, com a mediação da nova social-democracia, que a partir de agora assume a nova etapa da junta que administra os interesses do capital no nosso país: o Estado mexicano. Não se trata de uma derrota do “sistema político” por parte de AMLO é, pelo contrário, a sua tábua de salvação com a unidade nacional e a reconciliação nacional, que na realidade significa proteger a legalidade burguesa e o sistema de partidos actual ante a deslegitimação e o ódio que tinham granjeado.

Tomamos nota de que uma franja dos sectores populares decide pela primeira vez expressar-se politicamente; vários milhões que não tendo outra opção nos boletins de voto decidem exercer pela primeira vez o voto, participar de alguma maneira na vida política. Não é nosso interesse que desiludidos regressem ao apoliticismo. Somada a boa parte da massa de votantes em Obrador, expressam hoje assim uma vontade de mudança e manifestam que estão fartos, sem assumirem necessariamente o projecto de Obrador. Temos o dever de explicar massivamente a proposta comunista do poder operário como saída objectiva e necessária para os grandes problemas nacionais. Sobre essa franja de população proletária declaramos abertamente que o nosso interesse radica em que não se imobilize, que ultrapasse o pórtico da participação política e prossiga em frente com a luta por impor os seus interesses em conjunto com a classe operária.

Da mesma manera que contra Peña Nieto, a nossa luta prosseguirá contra o Estado burguês continuado no governo de López Obrador. Apelamos aos trabalhadores:

• A lutar por reconquistar os contratos colectivos, a restabelecer pela via dos factos o direito à greve, o direito à sindicalização, à escala móvel de salários, a pôr fim aos impostos sobre o trabalho. A reverter a reforma laboral e a reforma educativa.
• A lutar por pôr fim ao sindicalismo subserviente, a terminar com as cacicagens no movimento operário, à sindicalização massiva, a unidade sindical, a reconstrução do movimento operário a partir de posições classistas.
• A lutar por recuperar aposentações e pensões dignas, e pôr fim às nefastas Afores. A fortalecer a segurança social.
• A lutar pela garantia por parte do Estado de habitação, segurança social e saúde para todos os trabalhadores, formais e informais.
• A lutar pela expropriação de todos os bens mal adquiridos, resultados do processo privatizador, e pelo controlo operário nos meios de produção concentrados. Pela nacionalização da banca, do comércio exterior, e pelo controlo de câmbios.
• A lutar pela extirpação de raiz de toda a rede económica e política base da indústria do narcotráfico, que assassina, faz desaparecer e destrói as famílias operarias.
• A lutar por romper com o TLCAN e com todo acordo com o FMI, BM.
• A lutar por cancelar a dívida externa.
• A exigir a apresentação com vida dos normalistas de Ayotzinapa e os milhares de desaparecidos, e castigo aos culpados, o que passa necessariamente por castigo a Peña Nieto e Ángel Aguirre, bem como os responsáveis por terem delegado no governo de Guerrero. Por justiça face a todos os crimes do Estado cometidos nas últimas décadas.
• A lutar pela defesa incondicional dos migrantes centro-americanos no México e mexicanos nos Estados Unidos.
• Pela unidade da classe operária com objectivos e bandeiras políticas independentes para configurar uma poderosa frente anticapitalista e antimonopolista pelo derrubamento do capitalismo, pelo poder operário e o socialismo-comunismo.

O Partido Comunista de México, reiterando a sua independência face a qualquer opção burguesa, refutando o engano de que se esteja produzindo uma mudança à esquerda, lutará cada dia pelos objectivos e interesses da classe operária, sem nenhuma ilusão no governo de Obrador.
Esta primeira análise sobre o novo governo será aprofundada no XVII Pleno do nosso Comité Central a reunir-se em breve e no nosso VI Congresso que se realizará na Cidade de México nos dias 3, 4 e 5 de Agosto.

¡Proletários de todos os países, uni-vos!

A Comissão Política del Comité Central

 

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

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"a liberdade não se conquista de joelhos"

O professor Carlos Pedro Guillermo era Secretário-Geral de Educação Indigena da União Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE-CNTE) algures no México, foi assassinado a golpes de machado quando se dirigia para casa com a sua mulher.
É um crime de rotina que a foto esclarece.

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Que viva México!

País derrota, nas urnas, globalização sem esperança e maré conservadora que varre América Latina. Mas que poderá Lopez Obrador frente à ditadura dos mercados?
Antonio Martins | Outras Palavras | Vídeo: Gabriela Leite
Infeliz no jogo, o México está feliz na política – ou, pelo menos, cheio de esperanças e desafios. Na Rússia, sua seleção de futebol foi eliminada pela brasileira. Mas numa disputa mais crucial – na qual se define o que virá após a crise civilizatória em que estamos mergulhados – o cenário é outro. Quase 25 anos depois de afundarem numa globalização sem democracia, os mexicanos jogaram, no domingo (1º/7), um pequeno grão na máquina. Num pleito presidencial claramente plebiscitário, Lopez Obrador, o candidato do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), foi eleito presidente da República, com mais de 53% dos votos. Criado há apenas quatro anos, o Morena lidera uma coalizão (Juntos faremos História) que parece prestes a obter maioria na Câmara e Senado. Uma mulher – Cláudia Sheinbaum – foi eleita pela primeira vez para governar a capital.
Mas há inúmeras dúvidas. Derrotada, a ditadura dos mercados vinga-se. Como Lopez Obrador enfrentará um sistema que apequenou o poder dos Estados, diante das transnacionais e das instituições financeiras – e que exige dos governantes rendição sem meios termos? Vítima de suas próprias ambiguidades, ele cederá? Será destroçado? Ou se somará a uma busca por alternativas que se espalha pelo mundo, mas para a qual ainda não há projeto claro?
II.
Pouco presente no cenário geopolítico atual – e por isso, pouco notado, pelas novas gerações – o México foi grande centro de turbulências e transformações, num passado relativamente recente. Em 1910, sete anos antes da Rússia, o país abriu a grande série de revoluções anti-oligárquicas do século passado, ao derrotar pelas armas uma longa ditadura e instaurar um governo popular tumultuado e contraditório. Embora traído, o movimento – que teve entre seus heróis Emiliano Zapata – deixou sementes. Em 1934, um de seus herdeiros, o general Lázaro Cárdenas, elegeu-se presidente. Liderou um governo nacionalista e popular, que mudou a face do país. Expropriou os latifúndios, distribuiu terra aos camponeses, estatizou o petróleo – grande riqueza nacional –, assegurou o voto das mulheres, resgatou direitos indígenas e liderou uma reforma educacional que instituiu o ensino laico.
O impacto e popularidade destas transformações asseguraram ao partido de Cárdenas – Partido da Revolução Mexicana (PRM) – hegemonia por 71 anos na vida política do México. Mas o ímpeto transformador do presidente arrefeceu ao longo dos mandatos de seus sucessores, até se transformar em caricatura. O México urbanizou-se e industrializou-se. Mas o próprio PRM trocou seu nome para Partido Revolucionário Institucional (PRI) e filiou-se, embora com ressalvas importantes, à ordem internacional comandada por seu vizinho do norte.
No fim do século, começam os sobressaltos que levarão à encruzilhada atual. Em 1983, uma grande alta das taxas internacionais de juros, comandada pelos Estados Unidos, impede o México de continuar rolando sua dívida externa. O FMI intervém. O PRI, conformado, aceita abrir mão das políticas que o ligavam às maiorias. O presidente Miguel de la Madrid comanda um enorme corte de gastos sociais e uma série de contra-reformas que eliminam direitos. O país também negocia a adesão à “Nafta”, uma zona de “livre” comércio com os Estados Unidos e o Canadá. No dia exato em que ela entra em vigor (1º/1/1994), eclode, em Chiapas, a revolta zapatista. Ela sugerirá que a a História não acabou, ao contrário do que diziam os teóricos do neoliberalism então vitorioso. Também projetará o subcomandante Marcos como portador de uma nova esperança anticapitalista.
III.
Lopez Obrador, o novo presidente, expressa, à sua maneira, uma das vertentes da resistência mexicana ao sistema. Não é um radical: seria tolo compará-lo com Marcos ou os zapatistas. Filho de pequenos comerciantes no estado sulista (e pobre) de Tabasco, estudou Ciência Política na Universidade Nacional Autônomia (a legendária UNAM) onde se formou, em 1976. No mesmo ano, aos 23, ingressou no PRI – a época, a meio caminho entre as grandes reformas de Cárdenas e a deriva neoliberal. Em 89, tornou-se um dissidente. Inconformado com as adesão do partido às políticas duras do capitalismo, foi um dos fundadores do PRD, Partido da Revolução Democrática. Repetirá o mesmo gesto em 2014, quando deixará um PRD adormecido e burocratizado para fundar o Morena. Carismático e impetuoso (um “Messias Tropical”, ao olhar sarcástico da revista britânica Economist), Obrador elege-se prefeito da Cidade do México em 2000.
A partir de então, sua ambiguidade manifesta-se mais claramente. Numa metrópole marcada por desigualdade e precarização, lança um conjunto de programas sociais em favor dos mais pobres, dos idosos, dos descapacitados. Ao mesmo tempo, lidera um programa de “recuperação” do centro histórico da cidade marcado, segundo os críticos, pela gentrificação. Para tocá-lo, estabelece parceria com o grupo empresarial do Carlos Slim, desde então um dos homens mais ricos do mundo. Para enfrentar a violência urbana, sua opção é pedir a Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York um plano baseado nas políticas discriminatórias de “tolerância zero”. Em 2006, quando deixa a prefeitura para disputar a Presidência, tem 84% de aprovação popular – mais do dobro de seu percentual de eleitores.
Em 2006, terminam no México as sete décadas de ambiguidade do PRI. Mas Lopez Obrador (PRD) é derrotado nas eleições presidenciais por Felipe Calderón, do PAN, de direita. As suspeitas de fraude são múltiplas. Obrador não reconhece o resultado e lidera, por meses, a ocupação do Zócalo, a praça mais central e importante da capital. Para alguns, este movimento influenciará, mais tarde, o Occupy Wall Street. A atitude despertará, para sempre, a desconfiança do establishment. Como lidar com um político que pode, a qualquer momento, ser sensível às pressões de sua base e insurgir-se contra as regras da ditadura financeira?
IV.
As duas décadas e meia passadas desde a adesão do México ao Nafta desfiguram o pais. O Norte, onde as empresas estadunidensess instalam maquiladoras para tirar proveito da mão de obra barata, prospera – mas a riqueza concentra-se em cada vez menos mãos. O resto do país patina na pobreza. As contra-reformas desestruturam o mercado de trabalho e empurram milhões de mexicanos – especialmente jovens – para os Estados Unidos, em busca de condições de vida menos miseráveis. A produção camponesa, que marcava por séculos a paisagem do país, declina. Mesmo o milho, produto nacional típico, passa a ser importado do corn belt norte-americano, onde agricultores capitalizados recebem subsídios do Estado.
Os dois últimos governos – de Felipe Calderón (PAN) e de Enrique Peña Nieto (de um PRI já completamente desfigurado) completam as contra-reformas. Em 2013, uma delas permite às transnacionais petroleiras explorar o petróleo mexicano. Junto com a pobreza, vem a violência – e a tentativa fracassada de combatê-la por meios militares. Desde 1995, ordens executivas, sem respaldo na Constituição, convocam o Exército e a Marinha a participar de atividades de segurança pública.
O crime, ao invés de regredir, conquista novos soldados. Tropas de elite das Forças Armadas bandeiam-se e ajudam a formar grupos criminosos – o Cartel do Golfo, Os Zetas. Crimes como a chacina de Ayotzinapa (2014), em que 43 estudantes foram executados, multiplicam-se. Em 2018, após um quarto de século de neoliberalismo e militarização, a sociedade mexicana está esgotada – e o sistema político, exaurido.
V.
Em muitos aspectos, Lopez Obrador assemelha-se a um Lula. Ele rejeita conflitos. Sua abordagem dos grandes problemas mexicanos é sempre conciliatória. Por anos crítico do Nafta, ele diz agora que não pretende mais questionar o acordo. Fala em “austeridade fiscal” e em “não aumentar impostos”, num país de sistema tributário tão injusto quanto o brasileiro. Em oposição à “guerra às drogas”, propôs, durante a campanha, anistiar os presos que cometeram pequenos delitos. Diante da reação irada da mídia, recuou.
Ainda assim, este homem propenso à conciliação foi rejeitado e é temido pelo sistema – porque não abre mão de algumas ideias simples. Num país cansado de uma casta política autossuficiente e autista, quer reduzir os vencimentos e vantagens dos ocupantes de postos públicos mais altos (inclusive o seu mesmo), para elevar os salários dos servidores públicos que atuam na ponta. Pretende dobrar o valor das aposentadorias – contrariando toda a lógica que recomenda privatizá-las. Quer abrir as universidades públicas a todos os mexicanos. Fala em submeter a entrega do petróleo a um referendo popular. Vislumbra a chance de reindustrilizar o México, começando pela construção de novas refinarias de petróleo. Talvez a verdade e a simplicidade deste programa, que pode se compreendido por cada mexicano, tenham lhe dado a vitória, num país de 120 milhões de habitantes e PIB entre o da França e o da Itália.
Lopez Obrador será capaz de cumpri-lo? Dias depois de sua eleição, a mídia corporativa das grandes praças do mundo duvida. “Ele terá de atrair capitais estrangeiros, ou tornará a situação do povo ainda mais dura que a atual”, escreveu o New York Times. Em meio à crise civilizatória, nada está assegurado. Oxalá Obrador e sua leve rebeldia sejam capazes de teimar, de resistir e sustentar, de abrir caminhos. Este mínimo será muito, na tempestade que atravessamos.
* Antonio Martins é Editor do Outras Palavras

López Obrador e o poder real

Carlos FazioLópez Obrador foi eleito para a presidência do México. O seu partido (Juntos Haremos História) ganhou 31 dos 32 estados do país. Tão significativo como essa vitória é o facto de, desde Junho, destacadas personalidades da administração Trump e jornais norte-americanos o virem hostilizando ou apresentando como um “esquerdista”. Mas, se se mantiver fiel às suas declarações de mudança e quiser que elas avancem, as maiorias eleitorais não bastarão face à poderosíssima e criminosa oligarquia e ao vizinho do norte. Só um povo mobilizado e em movimento, preparado para um duro e prolongado combate, poderá concretizar tal resultado.


 

Ontem, primeiro de Julho, milhões de mexicanos foram votar, e se não houve uma monumental fraude de Estado, Andrés Manuel López Obrador (AMLO) será o próximo presidente da República. A não ocorrer nada de extraordinário no período de transição, no primeiro de Dezembro próximo AMLO deverá assumir o governo. Mas durante esse lapso, e ainda mais além do médio prazo, o poder continuará estando nas mãos da classe capitalista -transnacional.

É previsível também que, a partir deste 2 de Julho, o bloco de poder (a plutonomia, Citigroup dixit), incluindo os seus media hegemónicos (Televisa e Tv Azteca, de Azcárraga e Salinas Pliego, ambos megamilionários da lista Forbes), e seus operadores nas estruturas governamentais (o Congresso, o aparelho judicial, etecetera), escalarão a insurgência plutocrática procurando ampliar os seus privilégios e garantir os seus interesses de classe, e para continuar potenciando a correlação de forças em seu favor.

Para além do ruido das campanhas, o processo eleitoral decorreu sob o signo da militarização e da paramilitarização de vastos espaços da geografia nacional, e de uma guerra social de extermínio (necropolítica) que elevou os níveis de violência homicida a limites nunca vistos no México moderno, semelhantes aos de um país em guerra (naturalizando-se em vésperas das votações o assassínio de candidatos a cargos de eleição ¬popular).

Como recordou Gilberto López y Rivas em La Jornada, esse conflito armado não reconhecido é a dimensão repressiva do que William I. Robinson denomina acumulação militarizada, cuja finalidade é a ocupação e recolonização integral de vastos territórios rurais e urbanos para o saque e despojo dos recursos geoestratégicos, mediante uma violência exponencial e de espectro completo que é característica da actual configuração do capitalismo; o conflito e a repressão como meio de acumulação da ¬plutonomia.

Para isso a classe dominante fez aprovar a Lei de Segurança Interna. E está latente, para ratificação no Senado, a iniciativa de Deputados de retirar judicialmente do lugar o presidente da República; a denominada estratégia de lawfare aplicada a Dilma Rousseff e Lula da Silva no Brasil, que implica o uso da lei como arma para perseguir e destruir um adversário político pela via parlamentar e/ou judicial; uma variante dos golpes suaves de manufactura estadunidense que poderia reverter contra AMLO.

A esse respeito, e para além da sua viragem ao centro e o redesenho do seu programa de transição reformista − capitalista, democrático e nacional, com grandes concessões ao bloco de poder dominante −, a chegada de López Obrador ao governo poderia implicar, em princípio, uma perda de velocidade ou uma pausa para respirar (Galeano dixit) na tendência do incrementado fim de ciclo progressista e restauração da direita neoliberal na América Latina.

O impulso de uma nova forma de Estado social, sem ruptura frontal com o Consenso de Washington, significará, não obstante, uma mudança na correlação de forças regionais e terá tremendo impacto nos povos latino-americanos. Por isso não é de modo nenhum inocente – ou simplesmente centrada no aprofundamento das políticas de mudança de regime em Venezuela e Nicarágua− o recente périplo neomonroísta do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, por Brasil, Equador e Guatemala.

Justifica-se recordar o invulgarmente crítico editorial do Washington Post de 18 de Junho, que assumiu como suficientemente credíveis os nexos de colaboradores próximos de López Obrador com os governos de Cuba e Venezuela, e as declarações do senador republicano John McCain, apontando AMLO como um possível presidente esquerdista anti estadunidense e as do actual chefe de gabinete da administração Trump, general (retirado) John Kelly, que afirmou que López Obrador não seria bom para os Estados Unidos nem para o México.

Segundo assessores de política exterior de AMLO, o seu governo colocará perante Washington a defesa intransigente da soberania nacional; fará a revisão do quadro da cooperação policial, militar e de segurança (DEA, CIA, ICI, Pentágono, etecetera) e, sob a premissa de que a emigração não é um crime, incrementará a protecção dos compatriotas irregulares, como se fosse uma procuradoria ante os tribunais dos Estados Unidos. Também reverá os contratos petroleiros e de obras públicas. O que sem dúvida trará fortes confrontações com a Casa Branca e a plutocracia internacional.

Como disse Ilán Semo, no México a Presidência da República encerra potencialidades simbólicas insuspeitadas; uma espécie de carisma institucional. Não importa quem a ocupe, inclusivamente um inepto (pensemos em Vicente Fox), o cargo transmite-lhe uma aura: é o Presidente. Depois da Independência, da Reforma e da Revolução Mexicana, AMLO quer passar à historia como o homem da quarta transformação. Mas para isso é necessária uma mudança de regime e impulsionar grandes saltos na consciência política dos sectores populares; sem um povo organizado e mobilizado visando um projecto de mudança radical e profundo, não há carisma que chegue.

Fonte: http://www.jornada.com.mx/2018/07/02/opinion/027a1pol[1]

References

  1. ^ http://www.jornada.com.mx/2018/07/02/opinion/027a1pol (www.jornada.com.mx)
  2. ^ endereço (www.odiario.info)
  3. ^ odiario.info (odiario.info)

Leia original aqui

Obrador

Ao refletir sobre a vitória de López Obrador nas eleições presidenciais mexicanas, veio-me à memória um livro do jornalista francês Marcel Niedergang, publicado nos anos 60, intitulado “As vinte Américas Latinas”. À época, ele ajudou bastante a minha geração a entender, simultaneamente, a heterogeneidade e as similitudes entre os países do centro e sul do continente americano.
Nenhum deles tem a extraordinária complexidade do Brasil, de onde estou a enviar esta crónica. Mas recordo ter ficado para sempre com a sensação de que, no mundo latino-americano, raros são os Estados que apresentam desafios da dimensão daqueles que o México há muito suporta, a que a sua geografia também não é alheia.
Fortemente dualista no plano social, o México tem uma história riquíssima, mas convulsa. Usufrui de uma democracia que acabou corporizada num modelo político-partidário que, tendo ajudado a construir um país, não conseguiu ultrapassar contrastes sociais que acabaram por se cristalizar. Nos dias de hoje, gerou uma sociedade onde, lado a lado com bolsas de excelência, persistem fenómenos de violência extrema, regiões raptadas à autoridade do Estado, áreas onde impera a criminalidade organizada, frequentemente ligada ao narcotráfico. A corrupção, a instrumentalização de setores da vida pública por grupos de interesses ilegítimos, acumulou tensões que acabaram por fazer romper a malha política em que, por décadas, o país parecia ter-se habituado a viver.
López Obrador é um velho “routier” da política mexicana. Como Lula, no Brasil, conseguiu ascender ao poder, após várias tentativas frustradas. Também ele, tal como o antigo presidente brasileiro, carrega consigo um formidável capital de esperança, a vontade de regenerar um país cansado dos vícios da política tradicional. Homem sem mácula de suspeição de compromissos patrimonialistas, prometeu a felicidade a um país sedento de desenvolvimento que atenue a endémica pobreza, que ataque as profundas desigualdades e, em especial, que consiga pôr cobro à insegurança – pública, económica e social - que hoje instabiliza a existência de milhões dos seus compatriotas. O seu estilo pessoal, espartano mas tido por populista, assusta alguns, pelo que será o seu realismo que vai estar sob atento teste.
Um dia, Porfírio Díaz, um longínquo antecessor de Obrador no cargo presidencial, caraterizou assim a tragédia do seu país: “Pobre México! Tan lejos de Diós y tan cerca de los Estados Unidos”. E nem ele suspeitava que iria surgir um Trump...

Ver original em "duas ou três coisas" (aqui)

Não há alternativa

O The Guardian apoda o vencedor das eleições presidenciais mexicanas, André Manuel López Obrador, de “nacionalista de esquerda”. O que é crítica para uns, é elogio para outros: lá como cá, as questões nacional e social não podem nunca deixar de ser concretamente articuladas; cá como lá, é preciso reconquistar margem de manobra para políticas nacionais de desenvolvimento, o que passa no mínimo por renegociar os acordos de comércio dito livre. A esquerda que pode ganhar é a que quer aprender a falar a língua nacional-popular.
Apesar de todos os obstáculos colocados numa sociedade brutalmente desigual e violenta, demasiado próxima dos EUA, com um Estado fragilizado pela corrupção ou pelos efeitos da NAFTA, e de alguns compromissos duvidosos com forças sociais e políticas duvidosas, a sua eleição à terceira tentativa é uma excelente notícia para as classes subalternas, ainda para mais num contexto geral, latino-americano, de recuo das forças da esquerda nacional-popular. Esta esquerda pode também recuar, mas é a única que pode avançar.
Num artigo informativo no Le monde diplomatique do mês passado, René Lambert resumia o estado mexicano das coisas, usando uma fórmula de aplicação mais geral perante o poder: “a tentação da esperança”. Não há alternativa a essa tentação.
 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Obrador vence eleições. México vira à Esquerda quase 90 anos depois

Andrés Manuel López Obrador prometeu acabar com a corrupção e a impunidade no país e anunciou mesmo que vai dobrar as pensões para idosos logo no primeiro dia do executivo.
Foi presidente da câmara da cidade do México e consegue levar o país a virar à Esquerda depois de quase 90 anos de governos de Direita. Andrés Manuel López Obrador, também conhecido pelas iniciais AMLO, chega à presidência depois de ter sido candidato às eleições de 2006 e 2012. À terceira foi mesmo de vez, depois de se apresentar como um candidato antissistema.
No discurso de vitória, Obrador relembrou que vai combater a corrupção e reduzir a violência. Fala mesmo de "mudanças de fundo".
"As mudanças serão profundas, mas ocorrerão de acordo com a ordem legal estabelecida. Haverá liberdade comercial, liberdade de expressão, de associação e de crenças. Em matéria económica, será respeitada a autonomia do Banco do México. O novo governo manterá disciplina financeira e fiscal e serão reconhecidos os compromissos contraídos com empresas e bancos nacionais e estrangeiros", garantiu.
Durante a campanha o líder do MORENA, o Movimento Regeneração Nacional, prometeu reduzir gastos do Estado, aumentar o investimento e garante que vai colocar Donald Trump no seu lugar.
Prometeu vender o avião presidencial, transformar a residência oficial do presidente num centro cultural, assegurou uma redução dos salários dos altos funcionários da administração e anunciou esta madrugada uma medida inesperada: vai dobrar as pensões para idosos logo no primeiro dia do executivo.
De acordo com o Instituto Nacional Eleitoral Andrés Obrador conseguiu cerca de 53% dos votos, mas as contagens ainda decorrem. Ainda assim, é uma vitória histórica. Obrador fica bem à frente dos candidatos José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional, de Ricardo Anaya, da coligação do Partido Ação Nacional e do Partido da Revolução Democrática, e Jaime Rodriguez, o independente conhecido como 'El Bronco'.
As eleições ficam marcadas pelo assassinato de uma ativista política do Partido dos Trabalhadores, pouco antes da abertura das urnas.
A campanha eleitoral foi considerada por vários analistas como a mais violenta da história do país, marcada pela morte de pelo menos 145 políticos ou ativistas e 48 candidatos.
O Partido Revolucionário Institucional (PRI) chegou ao poder em 1929 e só em 2000 perdeu as eleições para o Partido da Ação Nacional (PAN), também de Direita. Em 2012, o PRI reconquistou o lugar, com Enrique Peña Nieto como presidente. Agora, é a vez do MORENA, com López Obrador aos comandos.
Sara de Melo Rocha | TSF | Foto: Carlos Jasso/Reuters

Ver o original em 'Página Global':   http://paginaglobal.blogspot.com/2018/07/obrador-vence-eleicoes-mexico-vira.html

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