Mar

É preciso cuidar dos prados marinhos essenciais

Plataforma - 28/06/2020
 
 

O Dia Mundial dos Oceanos, no passado 8 de junho, celebrou os mares e os recursos abundantes que ajudam a sustentar a Terra. Alguns recursos e ecossistemas, como as plantas (ou ervas) marinhas (seagrasses, em inglês), os mangais e os recifes de coral, são poderosas soluções baseadas na natureza que podem ajudar a enfrentar as mudanças climáticas e a promover o desenvolvimento sustentável.

Um texto distribuído pelas Nações Unidas a propósito da data lembra que as plantas marinhas, por exemplo, são encontradas em águas rasas em cerca de 159 países de todos os continentes, excluindo a Antártica, as quais purificam a água do mar, servem de viveiro para diversos peixes e apoiam a biodiversidade.

Segundo o relatório “Out of the Blue: O Valor das Plantas Marinhas para o Meio Ambiente e as Pessoas”, lançado este mês pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o sedimento desses habitats é uma das reservas de carbono mais eficientes do planeta.

O relatório descreve as ervas marinhas como “pulmões” e “engenheiros ecos sistémicos” marinhos, e defende o valor desses habitats, fornecendo recomendações sobre como devem ser protegidos e geridos.

Um hectare de plantas marinhas pode abrigar até 40 mil peixes e 50 milhões de pequenos invertebrados, como caranguejos, ostras e mexilhões. Além disso, este tipo de flora marítima também apoia cerca de 20 por cento das principais áreas pesqueiras do mundo e contribuem para o sustento de quase três mil milhões de pessoas.

“É hora de melhorar o perfil desses ecossistemas subestimados e destacar as diversas formas com que as ervas marinhas podem ajudar a resolver os maiores desafios ambientais”, disse o Representante Permanente das Nações Unidas e Embaixador das Mudanças Climáticas da República das Seychelles, Ronald Jumeau.

O desenvolvimento costeiro, o crescimento populacional, o aumento da poluição e as mudanças climáticas são uma ameaça para as ervas marinhas, como se observa no Golfo do México, no Mar do Caribe e no Norte do Brasil.

Contudo, segundo o relatório O Estado dos Habitats Marinhos Costeiros no Caribe (The State of Nearshore Marine Habitats in the Wider Caribbean, em inglês), esses fatores não afetam apenas os prados de plantas marinhas, mas também os recifes de coral e os mangais, característicos dos ecossistemas costeiros da região.

Esses habitats trabalham juntos para capturar e armazenar carbono. As ervas marinhas ajudam os mangais, protegendo-os das ondas, enquanto os mangais protegem os leitos de ervas marinhas do excesso de nutrientes e sedimentos.

“O complexo de recifes de coral, mangais e ervas marinhas foi descrito como um dos sistemas mais bio diversos e produtivos do mundo, com fortes interligações entre si” e juntos, beneficiam muitas comunidades e países costeiros adjacentes, disse Ileana Lopez-Galvez, ligada aos Programas da Secretaria da Convenção de Cartagena.

Também existem esforços em andamento para proteger estes ecossistemas fora do Caribe. O PNUMA e respetivos parceiros lançaram recentemente um manual com orientações para projetos comunitários de conservação de plantas marinhas.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/28/e-preciso-cuidar-dos-prados-marinhos-essenciais/

Hora de dar adeus aos oceanos? (1)

Série de reportagens expõe retrato de nossa crise civilizatória: pesca industrial maciça devasta os mares e amplia fome e crise social em todo o mundo. Em nome do lucro, ninguém a contém

Por Mort Report | Tradução: Inês Castilho

Se você odeia aquelas pequenas fatias de peixe salgado na pizza, Giuseppe Cormaci tem boas novidades. A pesca de anchovas do Mediterrâneo foi um fracasso este ano. Mas isso significa que você não vai encontrar muito robalo suculento, o branzino, e muito menos atum azul. Tente, talvez, linguine à medusa. “A pesca da anchova caiu pela metade”, me disse Cormaci. Ajeitando seu sovado chapéu, com um sorriso pesaroso de otimista não convicto, ele continuou: “Pode melhorar novamente. E então, de novo, ter uma queda total”.

Assim como o nome de seu barco de 24 pés – Lupo –, ele é um lobo solitário. Seu filho o ajudou durante duas estações de pesca, mas saiu para abrir um bar na praia. Com os poucos euros que lucra depois de subtrair as despesas de combustível, manutenção e redes, na semana de 90 horas, ele não consegue pagar uma tripulação. Aos 50, pertence a uma espécie em risco de extinção: o pescador artesanal.

O mar que ele conhecia tão bem está agora cheio de surpresas. Águas aquecidas trazem águas-vivas em massa — inclusive a venenosa caravela-portuguesa. Um grande tubarão branco cruzou a ilha espanhola de Maiorca. Sobretudo, ele vê barcos-arrastões estrangeiros de alta tecnologia arrancar o que encontram pela frente, destruindo áreas de reprodução.

Mude o idioma e Cormaci é qualquer um dos incontáveis marujos antigos que entrevistei, nos últimos anos, na Europa, África, Ásia, América Latina e Pacífico. Mudanças climáticas e poluição pioram progressivamente. Aumenta a sobrepesca sem controle. O marketing estimula a demanda, e as frotas comerciais pescam ainda mais intensamente, tudo o que podem.

Os ambientalistas concentram-se em grandes coisas. O nobre atum azul, tão elegante e rápido quanto uma Ferrari em primeira marcha, excita um público geralmente apático. Mas ele janta a arraia-miúda junto à base de uma complexa cadeia alimentar marinha, que é a dieta principal de mais de um bilhão de pessoas. As anchovas dificilmente ficam limitadas à pizza. Filés frescos no azeite de Taggiasca em Alassio, na Itália, valem um dia de viagem. Na Ligúria, como em qualquer outro lugar sob sua influência, elas alimentaram as comunidades costeiras desde sempre.

O mesmo ocorreu com aqueles pequenos arenques, as sardinhas. Quando Portugal fica sem sardinhas, você entende que o fim está perto. Carnudas numa grelha ou enlatadas em óleo apimentado com piri-piri, elas definem uma nação. Mas os estoques caíram de 106 mil toneladas, em 2006, para 22 mil, em 2016. No alto da cadeia alimentar, até a amada pescada da Iberia está se tornando rapidamente mais escassa. No ano passado, a União Europeia retirou as sardinhas do cardápio por 15 anos. O governo português recusou-se a aceitar, forçando um acordo. Os operadores de frota desafiaram a ciência e culparam os concorrentes da União Europeia. Enquanto isso, famílias devoram sardinhas como se não houvesse amanhã.

Recentemente, na hora do almoço em Lisboa, encontrei um típico boteco perto do porto. Sua vitrine era um minúsculo aquário. Perguntei ao garçom se o peixe estava se tornando escasso. “Sim”, disse ele, encolhendo os ombros com indiferença, enquanto servia meu prato com estaladinhos de caranguejo e amêijoas com sardinhas assadas. O vinho verde dissolveu minha culpa. Ações individuais importam, mas salvar os mares exige um esforço global planejado. Há um oceano somente, e nele a pesca tem ido além da sustentabilidade, ameaçando até mesmo pequenos crustáceos na Antártica. Ganância desenfreada e controvérsia sobre a escala dessa crise impedem ações efetivas.

Os cientistas acompanham de perto, mas é difícil contar peixes. Eles são invisíveis e se movem. Governos e indústria manipulam os dados para evitar o controle. Se são definidas cotas, a frouxa fiscalização possibilita fraudes desenfreadas. Em Roma, a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) informa que a pesca anual global chegou perto de 80 milhões de toneladas durante anos. Somando o que é jogado ao mar, não declarado ou capturado ilegalmente, é provável que esteja próxima de 130 milhões. A análise detalhada pressagia uma calamidade.

A piscicultura chega agora quase à mesma quantidade que a pesca selvagem. Supostamente, essa é uma boa notícia. Na verdade, significa que enormes quantidades de “peixes forrageiros” tirados do oceano são cozidos até tornar-se pellets ou pasta para alimentar os mais valiosos salmão e atum de cativeiro.

Iniciei minhas viagens sobre pesca em 2011, conduzindo uma equipe do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Concentramo-nos na cavala de bronze do sul do Pacífico, dizimada durante décadas para a confecção de farinha de peixe. Um quilo de salmão chileno de criação pode exigir até 4,5 quilos de cavala transportada por redes que causam estragos em criadouros. Daniel Pauly, o eminente oceanógrafo da Universidade da Colúmbia Britânica, considerou a cavala de bronze como os últimos búfalos. “Quando eles tiverem acabado”, disse-me, “tudo estará terminado… Esse é o fechamento da fronteira.” Agora a cavala de bronze está se recuperando. Isso ocorre em parte porque as frotas pescaram tanto, que dispersaram o estoque e não conseguiam mais carregar suas redes. Mas nosso relatório provocou algumas ondas que foram estampadas nas primeiras páginas. Autoridades europeias e norte-americanas reagiram.

Essa é apenas uma espécie, numa remota esquina do mapa. Embora evidencie o que Pauly disse no início: a pilhagem dos oceanos não vai parar, a menos que um grande poder leve a sério assumir a liderança e convencer os outros a agir de forma sustentada. A União Europeia fez alguns progressos, mas Espanha, França e Holanda, entre outros, resistem a medidas mais duras. A China é de longe o maior agressor, rapidamente a caminho de tornar-se pior. Isso deixa os Estados Unidos, que na época de Barack Obama tentaram assumir a liderança, com pouco sucesso.

As leis do mar da ONU não passam de afirmativas de boa intenção, a não ser que sejam compulsórias; elas raramente são. A supervisão é deixada às ORGP – organizações regionais de gestão da pesca – compostas por funcionários do governo e representantes da indústria. Como as decisões devem ser unânimes, o veto de qualquer país-membro pode bloquear controles efetivos.

Por exemplo, o atum azul quase sumiu sob a guarda de uma ORGP conhecida como ICCAT. (Os ativistas a chamam de Conspiração Internacional para Capturar todo o Atum, em inglês a sigla ICCAT.) Grupos ambientalistas despertaram o interesse público para salvá-lo. Agora, a pressão de governos e operadores de frota o ameaçam novamente. Ao lado do atum azul Atlântico, há apenas dois outros: no Pacífico, principalmente em águas japonesas, e no sul, abaixo da Austrália e da Nova Zelândia. Ambos caíram para cerca de 3% do que eram antes que a pesca comercial os atingisse, gerações atrás.

Obama criou reservas marinhas no Pacífico. John Kerry, como secretário de Estado, convocou uma “cúpula do oceano” global em Washington para angariar apoio. Sob a bipartidária Lei Magnuson-Stevens, de 1976, a Marinha e a Guarda Costeira reprimiram a pesca ilegal nas águas dos EUA. Ajudaram pequenas nações-ilha a rastrear pescadores ilegais em alto mar. Já Donald Trump vê os peixes em termos de lucro imediato e o solo oceânico como fonte de minerais raros ou exploração de petróleo. Ele retrocedeu em muitas das salvaguardas de Obama. Uma versão mais relaxada da lei  de 1976, aprovado pela Câmara, encontra-se agora no Senado.

Nesse clima de mudança diplomática, a China abandonou quase toda sua pretensão, construindo frotas sofisticadas para saquear à vontade. Quando Trump senta-se para negociar com Xi Jinping, os peixes não estão no cardápio.

A essa altura, surgem as perguntas óbvias. O que fazer agora? E isso é difícil de responder.

Quando a União Europeia perseguia a pesca ilegal com mais energia, baniu a importação das nações que trapaceavam. Mas é muito fácil transferir de local as embarcações de captura, de modo a disfarçar sua origem. De qualquer forma, a China tem enorme demanda doméstica e necessidade cada vez menor de exportar.

Educar os consumidores não é suficiente. Falta de informação – em parte uma manobra intencional das pessoas que vendem peixes – pode piorar o problema. “Sustentável” é frequentemente uma palavra da moda falada por aí sem sentido. Quando comecei minha pesquisa, Amanda Nickson, do Fundo Filantrópico Pew, em Washington, culpou a falta de pressão pública. “É como se os médicos lutassem contra o câncer de mama sem quimioterapia, radiação ou cirurgia, e só experimentassem algumas pílulas até que os pacientes morressem”, disse-me ela. Australiana que conhece os fatos e diz o que pensa, ela critica as reuniões da ORGP com outros ambientalistas e cientistas marinhos. Depois de uma reunião frustrante, tomando uma cerveja, refletiu: “Nós só temos que pescar menos peixes, e eles irão durar para sempre.”

Liguei para Nickson semana passada para uma atualização. A despeito de algumas vitórias, disse ela, os peixes estavam perdendo a batalha. Muito pode ser feito – e é feito –, como novas reportagens irão mostrar. Mas o problema é altamente complexo, mais humano que pisciano. Aqui no plácido porto de Alessio, pequenas vinhetas tornam a cena terrivelmente clara. Tantos africanos que se afogam além do horizonte estão fugindo desesperadamente do destino enfrentado pelo velho marujo Giuseppe Cormaci. Grandes frotas aniquilam o que sobrevive a águas quentes, correntes alteradas, lixo de plástico e mudanças na química do mar. Quando seu sustento se vai, eles rumam ao norte.

Se suas anchovas sucumbirem, o atum azul também sucumbirá. No final, tudo se reduz a vontade política. Cidadãos conscientes podem abdicar do delicioso sashimi de barriga de atum, mas outros não, independentemente do preço. As autoridades precisam estabelecer limites – e aplicá-los. Em minha mente, sou assombrado por uma imagem recorrente. Quando a última fatia de toro for talhada de uma barriga de atum azul, ele vai acabar, contemplado e não consumido, numa mesa de bufê nos jardins de Mar-a-Lago, [o fabuloso resort da Flórida frequentado por milionários e usado por Donald Trump para receber convidados ilustres].

Ver o original em 'Outras Palavras' na seguinte ligação:

https://outraspalavras.net/capa/hora-de-dar-adeus-aos-oceanos-1/

 

Plataforma Marítima Portuguesa

(Dieter Dellinger, 14/08/2018)

mar_x

A Polónia pediu recentemente junto da AIM – Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos – pertencente à CNUD – Convenção das Nações Unidas sobre Direitos do Mar – para explorar a SUL dos AÇORES nódulos polimetálicos numa área de 100 blocos de 10×10 quilómetros quadrados, baseando-se no facto de não estarem a ser explorados por Portugal, que nem na sua zona económica exclusiva explora qualquer tipo de recurso no solo e subsolo debaixo do mar. Agora, os polacos podem dizer que os Tribunais portugueses não autorizam essa exploração, pelo que grande parte dos 4 milhões de km2 exigidos por Portugal como extensão da sua ZEE não nos podem ser concedidos por falta de interesse na exploração.

Portugal pode vir a ter um choque do tipo “mapa cor de rosa” por via das decisões antipatriotas e desconhecedoras do direito marítimo da parte da magistratura da PÁTRIA.

A lei marítima internacional não exige para já a exploração da extensão da plataforma continental, mas a prospeção e o conhecimento do que existe e toda esta zona está a ser vasculhada por navios hidrográficos polacos, russos, chineses, japoneses e coreanos, mas nenhum português.

O futuro de um grande Portugal está no mar, pelo que é inaceitável que a 50 km de uma zona ponteaguda da costa portuguesa não se possa prospetar e vir eventualmente a explorar petróleo porque há uns tantos portugueses INIMIGOS da PÁTRIA que não querem essa prospeção e têm agora uma decisão jurídica absolutamente ILEGAL da parte da magistratura antipatriota.

Se for concedida pela ONU essa licença à Polónia virão a seguir russos e chineses pedir o mesmo, todos baseando-se no desinteresse que as próprias autoridades judiciais portuguesas manifestam contra os interesses nacionais. E contra as grandes potências Portugal nada poderá fazer, tendo uma marinha a envelhecer a olhos vistos.

Torna-se um imperativo de necessidade nacional criar uma Liga Patriota que defenda a portugalidade do seu mar e da sua economia e que nenhuma fronteira ou ativos estratégicos sejam entregues a estrangeiros. Digo fronteira porque a principal é, hoje em dia, a aérea e esta foi entregue aos franceses através do exclusivo de exploração de TODOS os AEROPORTOS da PÁTRIA.

Viva Portugal e combate aos TRAIDORES que querem uma nação pequenina a viver da gastronomia e das romarias para atrair turistas. NÃO, os portugueses não devem ser apenas criados de mesa dos estrangeiros que nos visitam, apesar de não devermos rejeitar a importantíssima atividade que é o Turismo, mas não pode ser a única.

Viva PORTUGAL para hoje e para o FUTURO.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Os Sheiks do mar

Acaba hoje, dia 31 de Julho, o prazo para os portugueses se pronunciarem sobre o “Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional” mais conhecido pelo seu pouco pronunciável acrónimo (PSOEM).

Se por acaso o leitor não deu ainda a sua opinião, creio que não terá razões para angústias, porque a generalidade das questões que conviria equacionar nesta matéria se encontram ao lado de mais este prolixo contributo marinho produzido pelas nossas elites, que faz uma recensão de parte do quadro legislativo internacional e europeu, mas sem valor acrescentado.

  1. O Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional (PSOEM)

O plano começa por ser inconsequente tanto no tempo como no espaço; no tempo porque apenas refere a “Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020”, sem explicar como se articula com ela; e no espaço porque deixou de fora a maior parte do mar português, o mar dos Açores, sem dar uma explicação compreensível para isso.

Mais importante ainda, o “plano da situação” é um neologismo burocrático que apenas serve para manifestar a enorme vaga de inércia que varre o nosso país. Como sabemos, “plano” é um termo latino que serve para caracterizar uma realidade do ponto de vista geométrico, como achatada ou lisa. É daí que vem a planície e muitos outros termos que têm essa origem.

A analogia geométrica leva a que utilizemos plano quase como sinónimo de estratégia, no sentido em que o plano nos permite ver ao longe, e isto naturalmente em oposição ao ponto, que circunscreve a análise à nossa situação.

É por isso que na nossa linguagem se utilizam as expressões – caindo-se embora em algum pleonasmo – “ponto da situação” e “plano estratégico” com significados diametralmente opostos. No ponto da situação trata-se de entender onde estamos, no plano estratégico trata-se de dizer para onde vamos.

O “plano da situação” não faz sentido, é um oximoro, mas caracteriza bem o texto em discussão que faz o ponto mas pretende ser plano, e acaba por não ser nem uma coisa nem outra.

  1. As ausências

As ameaças maiores contemporâneas ao nosso mar, como a sua consumada transformação em lixeira plástica ou a sua transformação em lixeira nuclear, nem sequer são referidas no texto, apesar de serem há décadas as mais prementes e mais discutidas.

No domínio da fauna e flora marinhas, tão pouco temos ponto ou temos plano, embora seja verdade que o tema é tão falado que é preferível manter discrição sobre ele do que contribuir para a poluição textual de discursos ocos e gongóricos que para nada mais servem do que perder tempo.

A enfadonha lógica burocrática com que se cosem directivas, leis ou resoluções das várias capelas administrativas nacionais, e mais das regionais e internacionais, borboleteando-se sobre tudo sem dizer nada, arrasta-se penosamente ao longo das páginas, fazendo-me ver como este nosso Portugal está cada vez mais enquistado num tempo ido.

O PSOEM traduz a degradação discursiva burocrática nacional e passa ao lado de tudo, ou melhor, de quase tudo.

  1. A filosofia das arábias

Foi Mário Soares que trouxe para o centro do debate estratégico nacional a questão dos Oceanos. Fê-lo com o seu legendário faro político mas, penso eu, na sua “fase monárquica” ou seja, na fase em que a Presidência da República em Portugal seguiu o modelo monárquico inglês, feito apenas de pompa e circunstância.

No rescaldo da sua passagem pela presidência, multiplicaram-se os planos, visões e convenções, dando-nos frequentemente autênticas “listas de lavandaria” do que pode tocar o mar, por vezes apenas para esconder o que de mau se lhe tem feito.

Durante o Governo de Durão Barroso, Portugal abandonou os direitos históricos que tinha na pesca da zona económica exclusiva dos Açores – e que tinham sido garantidos por legislação comunitária – em favor de uma abertura à pesca espanhola. Foi um processo em que me orgulho de ter contribuído para limitar os danos, tendo concorrido para assegurar uma zona exclusiva parcial de 100 milhas.

Mais tarde, o Governo de José Sócrates entregou às instâncias europeias “a competência exclusiva na conservação dos recursos biológicos marinhos no âmbito da política comum das pescas” através do Tratado de Lisboa, processo a que ingloriamente tentei fazer frente.

Foi nessa altura que à laia de compensação surgiu a peregrina ideia de que o que Portugal perdia na “coluna de água” marinha ganhava nos fundos marinhos, através da consagração de uma “plataforma continental nacional” que mais que duplicava a perdida “Zona Económica Exclusiva”.

Uns quinze anos depois de lançado o mote, é aí que ainda estamos. Basta ler a ficha técnica do PSOEM para o entender. Aí constam seis colaboradores para “os recursos minerais não metálicos” mais outros seis para “recursos minerais metálicos” e ainda seis para “recursos energéticos fósseis” em contraponto a cinco para a “biodiversidade e conservação da natureza”. Plásticos, lixo nuclear, poluição agrícola, industrial e do transporte marítimo, são tudo temas que nem sequer constam da ficha técnica.

Quem fizer uma pesquisa na web sobre o tema dos mares, rapidamente percebe porquê, com a imprensa portuguesa a multiplicar-se em riquezas e fortunas potenciais que viriam destes minerais, fazendo dos portugueses os novos sheiks a controlar já não as areias do deserto mas a vastidão dos oceanos.

Para os nossos aprendizes de sheik, creio que é útil lembrar três coisas. A primeira, é que o petróleo, por si só, fez menos pela riqueza e desenvolvimento de quem o explora do que o que fez pelo terrorismo, corrupção, fanatismo e atrofia produtiva. A segunda é que o petróleo só é fonte de renda na medida em que é possível fazer um cartel com ele, e isto quer dizer que para entender a riqueza potencial da “plataforma continental” é tão importante olhar para a parte de fora como a de dentro das fronteiras nacionais. A terceira é a de que tudo isso já foi pensado há muito tempo em todo o mundo, e que seria preferível abrir um pouco os horizontes a continuar a contemplar o umbigo.

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Ver artigo original em "O TORNADO"

Pescadores contra suspensão da pesca da sardinha em 2019

Pescadores estão revoltados com o recente parecer do Conselho Internacional para a Exploração do Mar, visto que os cruzeiros científicos do Governo para a sardinha indicam uma melhoria do stock em 50%.

CréditosJosé Sena Goulão / Agência LUSA

O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES em inglês), sediado na Dinamarca, divulgou ontem um parecer científico a defender a suspensão da pesca da sardinha em 2019, para Portugal e Espanha, justificando com uma diminuição do stock nos últimos anos.

A última recomendação do ICES para a proibição da pesca da sardinha é idêntica ao parecer que emitiu em Outubro de 2017. O estudo não caiu bem entre pescadores, que manifestam «revolta e incompreensão».

«É com alguma revolta e incompreensão que constatamos que esta avaliação não integra, com o devido destaque e relevância, os últimos dados científicos do recurso, que demonstram uma significativa melhoria da abundância da sardinha nas águas ibéricas», afirmou o presidente da Associação das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco, Humberto Jorge, em declarações à Lusa.

No mesmo sentido, citado pelo Correio da Manhã, Eduardo Matos, da Associação Nacional da Pequena Pesca de Cerco e da Associação de Pesca Artesanal da Região de Aveiro afirmou que «não há qualquer justificação. Aquele organismo ignora os últimos dois cruzeiros científicos que o Governo promoveu, sendo que o último apontava para melhoria do stock em 50%, em relação ao de Dezembro, na sardinha e na biomassa».

Entretanto, o Governo já afirmou tencionar manter a pesca da sardinha, com um nível «baixo e muito rigoroso», visando a recuperação do recurso. Este destacou o aumento de 55% no estado da biomassa (total de sardinhas existentes) entre 2015 e 2017, resultado das medidas de contenção.

José Apolinário, secretário de Estado das Pescas, frisou também que o novo cruzeiro científico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) terá lugar em Novembro, o que permitirá ainda «reavaliar» as possibilidades de pesca para 2019.

Com agência Lusa

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

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