Manipulação

Há quem acredite no pai natal

1)Um dia um hacker acordou e pensou vou investigar  a Senhora x. Ninguém lhe pediu nada , ninguém lhe disse nada , ninguém financiou nada. Tudo pelo amor à verdade , à transparencia , á democracia., como se fosse um Assange ou um Snowden…

2) Mais uma vez se provou que não houve nenhum ataque químico contra as populações , que tudo foi encenado pelos ditos capacetes brancos e vários serviços secretos. No entanto a imprensa do sistema e os seus comentadores reproduziram estas palhaçadas e Trump bombardeou uma base militar Síria.

3) Documentos oficiales desclasificados a principios de 2020 por los Archivos Nacionales del Reino ‎Unido demuestran que, desde 1945 hasta 1977, los sucesivos gobiernos británicos ‎subvencionaron en secreto la agencia de noticias Reuters y la BBC para difundir fake news ‎contra los simpatizantes del comunismo y contra la URSS. ‎

Durante la guerra fría, el Foreign Office (ministerio británico de Exteriores) creó el Information ‎Research Department (IRD), cuya misión consistía en identificar y desacreditar a los simpatizantes ‎de la URSS. También creó la Globe News Agency y la Near and Far East News Ltd. (NAFEN) ‎en Estambul y Nueva Delhi, así como la Star News Agency en Karachi y la Arab News Agency en ‎El Cairo y en Beirut a partir de 1956(…)
El Information Research Department o IRD influyó sobre la opinión pública británica para que ‎esta se inclinara a favor de la incorporación del Reino Unido a la Comunidad Económica Europea –‎antecesora de la actual Unión Europea– a través de la European League for Economic Cooperation (ELEC), equivalente británico del American Committee on United Europe ‎‎ [1].‎
El Information Research Department o IRD fue disuelto en 1977 por el entonces ministro ‎de Exteriores, David Owen, para poner fin a las operaciones de propaganda contra el ala izquierda del Partido ‎Laborista. ‎
Por supuesto, todo lo anterior y muchos otros elementos se conocían desde hace mucho tiempo ‎‎ [2], pero los documentos que acaban de ser ‎desclasificados son pruebas irrefutables de lo que ya se sabía.
Esos documentos demuestran que ‎durante más de 30 años, el MI6 y la CIA controlaron los flujos de información en todo el mundo occidental y el Tercer Mundo, como denunció, ante la UNESCO en 1973, el político y ‎dirigente pacifistas irlandés Sean McBride. ‎
Estos documentos británicos desclasificados deben estar vinculados a las revelaciones de la ‎Comisión Chilcot sobre la manipulación de la opinión pública en relación con la invasión ‎contra Irak –en 2003– y con las revelaciones que nosotros mismos hemos emitido, desde este sitio web, ‎sobre el actual dispositivo de propaganda del ministerio británico de Exteriores –Innovative ‎Communications & Strategies (InCoStrat). Desde 2014, esta agencia, con base en Estambul, ha ‎venido inventando una narrativa falsa sobre la guerra en Siria, versión que impuso al conjunto de ‎la prensa internacional. ‎
La agencia de prensa Reuters, vendida en 2008 a Thomson Financial en 2008, no parece ‎depender actualmente del MI6 británico sino de la CIA estadounidense, tiene acceso permanente ‎al puesto de mando del Pentágono y puede así divulgar todas las fakes news necesarias en el ‎momento adecuado. ‎
Estas revelaciones nos demuestran que es simplemente estúpido creer que sólo los regímenes ‎llamados «autoritarios» tratan de engañar a su propia población con información falsa o ‎deliberadamente manipulada. Las llamadas «democracias» actúan de la misma manera. ‎
 
4) A propaganda de guerra para os Ingleses é uma arte e ,nada mais comovedor do que fotos de crianças a sofrer como foi usado na Síria
     
La prensa occidental es plural pero no pluralista. El 20 de agosto de 2016, todos los grandes diarios publicaron en primera plana la misma imagen.
 

5)C’est l’un des aspects les plus importants de notre système médiatique, et il est pourtant très peu connu : la plupart des informations internationales publiées dans les médias occidentaux ne sont fournies que par trois agences de presse mondiales basées à New York, Londres et Paris. Le rôle clé joué par ces agences signifie que les médias occidentaux traitent souvent des mêmes sujets, et les décrivent de la même manière. De plus, les gouvernements, les officines de l’armée ou du renseignement utilisent ces agences de presse mondiales comme des multiplicateurs pour diffuser leurs messages dans le monde entier.

 

 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/28/ha-quem-acredite-no-pai-natal/

O MEDO COMO INSTRUMENTO DOS PODEROSOS

Medo de perder o emprego Medo de ser assaltado(a) na rua Medo de apanhar doença contagiosa Medo do futuro Medo de se enganar Medo do ridículo Medo de falhar etc,etc.
                                              Graphic of two heads, question marks coming out of one head and lightbulbs from the other
Todos estes medos são usados como ingredientes, num ou noutro cocktail de notícias, que nos é servido, num fluxo ininterrupto, pelos media. Aquilo que «vende», em termos noticiosos, é o que causa mais medo, mais espanto, mais receio... 
A psicose colectiva do «aquecimento global», psicose induzida em larga escala pelos próprios poderes globalistas, é o exemplo máximo dessa infusão de medo nas pessoas.  Também para uma esquerda completamente destituída do sentido de emancipação da classe trabalhadora, das suas próprias raízes, a luta contra o aquecimento global surgiu como uma (mais uma) bóia de salvação. Sabemos como ela se tornou órfã do socialismo estatal, após implosão da URSS, da conversão da China popular, sob a batuta do Partido Comunista  da China, no maior explorador de mão-de-obra barata e apologista do capitalismo mais desenfreado, ou quando os movimentos de libertação, desde Angola até ao Vietname, passaram - num espaço de tempo muito curto -  de celebrados, a celerados.  Repare-se que a histeria com a «guerra global contra o terrorismo» abrandou temporariamente, ou ficou em segundo plano, embora se continue a registar atentados terroristas quotidianamente no Médio Oriente, ou noutras zonas, mas que não são notícia de primeira página, pois não pertencem ao «mundo desenvolvido».  A casta política sabe, perfeitamente, que precisa que o medo nas pessoas atinja um paroxismo, de tal maneira que estas se conformem e aceitem o irracional, não porque se tornou de repente racional, mas porque «todos» têm o mesmo discurso. E assim, mesmo antes duma sociedade totalitária se instalar, cria-se as bases do Estado totalitário, pelo totalitarismo «soft». Repare-se na generalização, sob pretexto da segurança e combate ao crime, da vigilância continua, da digitalização em massa dos rostos e outras características, graças a algoritmos de reconhecimento automatizado, a impossibilidade de se estar num espaço público de uma grande cidade sem se ser filmado por câmaras de vigilância, de tal modo que ficam captadas as imagens que poderão ser repescadas em qualquer momento...as recolhas maciças de dados de conversações telefónicas ou e-mails, no mundo inteiro (pela NSA e outras agências), armazenadas em super computadores, que servem para moldar as estratégias dos poderes globais. Alguns «Robin Hoods», lançadores de alerta, como Julian Assange ou Edward Snowden, são apresentados com as cores mais carregadas possíveis pelos media, como se a missão destes fosse de apoio e propaganda do poder (na realidade, eles transformaram-se nisso mesmo). Nunca se coloca a questão do conteúdo daquilo que os lançadores de alerta revelaram, esta parece ser a regra da «informação» ao público sobre estes e muitos outros casos.
Manipula-se o medo nas pessoas mas, igualmente, induz-se ao indiferentismo, submergindo-as numa catadupa de notícias apresentadas com idêntico destaque, como fossem equivalentes em importância. O objectivo é exactamente esse mesmo; as pessoas subjectivamente darão mais importância a um caso pontual, um fait-divers, muitas vezes envolvendo uma «celebridade» qualquer, sobretudo se tiver conotações de sórdido, de sexual, de imoral, etc... Assim, não irão captar a importância doutras notícias, que poderão ter muito mais a ver com elas próprias, com o seu futuro, ou que poderão ser exemplos de acções contra os poderosos... 
A máquina repressiva, por um lado, e a constante monitorização das mentes, por outro, já estarão montadas quando houver a «descida aos infernos» da próxima crise económica e financeira global do capitalismo, o que vai brevemente acontecer (ou está já acontecendo). Os defensores do status quo, a minoria de 1% da população, detentora do monopólio dos meios de comunicação de massas e de coerção, vão tudo fazer para que a transição seja em seu benefício, para maior controlo sobre os mais pobres, para um reforço da riqueza e poder da classe oligárquica, dentro de cada país e internacionalmente. 
No entanto, existem sempre variáveis que eles - os globalistas - não controlam, existe sempre uma parte da realidade que é aleatória, ou não determinista... Tenho alguma esperança, que as suas utopias regressivas (distopias), sejam desfeitas, no médio-prazo e que apenas tenham lugar em livros de História, sobre as primeiras décadas do século XXI.  

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Na internet, eles querem neutralizar a revolta

 
 
Em conferência, especialista em vigilância adverte: empresas e Estado alimentam megassistema de segurança construído com nossos dados. Ele vai além da repressão: inclui táticas de distrações digitais para controlar corações e mentes
 
Marco Weissheimer, no Sul21 | em Outras Palavras
 
Em março de 1968, após a publicação de As Palavras e as Coisas, Michel Foucault falou em uma entrevista sobre como estava em curso a criação de uma sociedade de notação e de monitoramento. Algumas décadas antes do surgimento da internet e das redes sociais, Foucault identificou traços de um fenómeno que acabou assumindo dimensões globais e, hoje, atravessa as nossas vidas de modos que sequer percebemos bem. No final da década de 60, o filósofo francês identificou o surgimento de uma sociedade onde tudo estava sendo registado, o inconsciente, a sexualidade, sonhos, desejos, praticamente todas as dimensões da vida diária das pessoas. Uma das características da cultura contemporânea, assinalou, era o desenvolvimento de um sistema de notação universal.
 
Professor de Direito e de Ciência Política na Columbia University, de Nova York, Bernard Harcourt iniciou sua conferência, segunda-feira à noite (21), no 10º Congresso Internacional de Ciências Criminais, citando essa reflexão de Foucault que, em certo sentido, antecipou características que hoje se tornaram marcas de uma sociedade cada vez mais digital. O regime de datação universal vem sendo potencializado ao máximo pelas novas possibilidades tecnológicas. Trata-se de saber tudo, sobre cada um de nós, o tempo todo. Com o Teatro do prédio 40 lotado, Harcourt abriu o ciclo de conferências do Congresso promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUC/RS, que tem como tema “Memória e Ciências Criminais”.
 
O mundo que está sendo construído nesta nova era digitalizada, no entanto, ao invés de promessas de emancipação, vem se apresentando com um horizonte sombrio onde a vigilância e a repressão por parte do Estado são práticas quotidianas e crescentes. Essa nova era digitalizada, afirmou Bernard Harcourt, capturou os circuitos políticos, sociais e profissionais, embutindo uma nova tecnologia de notação que permite uma exploração de dados pessoais permanente, insidiosa e invasiva. Todos, rigorosamente todos os nossos movimentos na internet, destacou, são anotados e organizados. Do mais simples ‘like’ de uma postagem no Facebook às pesquisas que fazemos no Google, tudo está sendo registrado, gerando dados, perfis e algoritmos.
 
Muita gente, assinalou o professor e pesquisador da Columbia University, descreve essa era como uma via que amplia os nossos acessos à verdade. Para Harcourt, porém, estamos longe disso. Pior, talvez na direção oposta. Esses sistemas de coleta de dados, defendeu, não nos dão a verdade, mas um sistema de exercício de poder e de dominação. A situação se agrava na medida em que tudo isso ocorre com a nossa entusiasmada colaboração. Vivemos uma sociedade expositiva, onde nós expomos livremente nossas informações mais íntimas e pessoais a um complexo sistema de segurança. Citando mais uma vez Foucault (“A Sociedade Punitiva, 1973) e Guy Debord (“A Sociedade do Espetáculo”), Harcourt observou que um dos traços definidores da modernidade é a transformação do espetáculo em vigilância.
 
 
No final da década de 1970, Foucault começou a trabalhar com as ideias de biopolítica, biopoder e pesquisas novas formas de vigilância e segurança. Hoje, apontou ainda Harcourt, temos uma nova forma de poder, o poder expositivo, concedido por nós mesmos generosamente. Não somos mais forçados a entrar numa arena ou numa cela para sermos vigiados. “Estamos nos expondo de forma espontânea. Nós, sujeitos digitais, nos expomos em frenesi”, disse o pesquisador. Cada clique no computador, cada site visitado, conteúdo curtido ou compartilhado está alimentando um complexo sistema de segurança onde os interesses de empresas privadas e do Estado estão entrelaçados. Quando a Microsoft colabora com a NSA (agência nacional de segurança dos Estados Unidos) ou com o FBI, observou, não estamos lidando apenas com o Estado. Este amálgama de interesses forma uma concentração oligárquica com um poder que desafia todos os limites democráticos construídos ao longo do século 20. Cada vez mais essas tecnologias alimentam um sistema de segurança e de vigilância.
 
Autor do livro “The Counterrevolution. How Our Government Went to War Against Its Own Citizens”, Bernard Harcourt vem pesquisando sobre como essa sociedade de exposição digital permanente representa o primeiro passo para a construção de uma nova política de contra-insurgência nos Estados Unidos e em outros países, que já está orientando a ação das forças de segurança. Estamos assistindo, defendeu, ao surgimento de um novo modelo de governo baseado na teoria e na prática da contra-insurgência. Não se trata apenas de uma passagem do Estado de Direito para um Estado de Exceção, alertou, mas da construção de um regime em que o campo de batalha onde se dá a aplicação de táticas de guerra de contra-insurgência não tradicionais é a própria população.
 
Esse modelo, afirmou ainda Harcourt, vem sendo construído desde antes dos atentados de 11 de setembro e tem nos serviços de inteligência seu alicerce principal. O alvo potencial desses serviços de inteligência é qualquer habitante do planeta. E as táticas de contra-insurgência envolvem desde o uso de drones para eliminar inimigos, militarização crescente do policiamento, distrações digitais de toda ordem e táticas de convencimento para ganhar corações e mentes.
 
Com o governo de Donald Trump, o desenvolvimento desse novo modelo de governo anda de mãos dadas com o que o pesquisador chamou de “contra-revolução americana”, uma mistura tóxica de supremacia branca, fascismo tradicional e grupos inspirados em novos movimentos europeus de extrema-direita. O pesquisador chamou a atenção para o fato de o discurso de Trump estar direcionado a alimentar essa nova direita americana, com ideias simples como a de que a heterossexualidade dos brancos estaria em perigo. Trump, como vem ocorrendo também no Brasil com Bolsonaro, se dirige a essa base de direita que está cada vez mais radicalizada. “Estamos assistindo nos Estados Unidos, em tempo real, supremacistas brancos definirem a agenda da presidência da República”, resumiu.
 
Segunda conferencista da noite, Zeynep Gambetti, professora de Teoria Política na Universidade de Bogazici, em Istambul, Turquia, também abordou a emergência de discursos e práticas racistas, sexistas e xenófobas, que alimentam e estimulam o ódio, e a crescente presença delas em governos como os de Erdogan, na Turquia, Trump, nos Estados Unidos, e Bolsonaro, no Brasil. A xenofobia, destacou, está alimentando políticas baseadas no medo e no ressentimento e aumentando a repressão contra aqueles grupos sociais que são apontados como inimigos. As políticas e discursos desses governos, acrescentou, estão descartando as contenções jurídicas e éticas e justificando ‘limpezas’ internas e expansões externas.
 
Para a pesquisadora, que teve o livro “Agir em Tempos Sombrios” recentemente publicado no Brasil pela editora Criação Humana, estamos assistindo também à emergência de um pós-fascismo, que não é meramente uma reedição do fascismo histórico com outra roupagem. Esse pós-fascismo, defendeu Zeynep Gambetti, é plenamente compatível com a antropologia neoliberal que prega a competitividade baseada no mérito e a destruição dos ‘fracos’ e ‘fracassados’. Os perdedores, resumiu, são a nova categoria dos não-humanos. Ela levantou algumas interrogações para refletir sobre a natureza do pós-fascismo: Por que é mesmo que o fascismo precisa de um Estado para funcionar hoje? Será que esse regime precisa que as massas participem de grandes marchas nas ruas quando há um exército de trolls à disposição nas redes sociais? “Trump foi levado ao poder graças à fama que construiu na TV e não por um movimento fascista. A comparação aqui é mais com Berlusconi do que com Mussolini”, afirmou.
 
Os processos de limpeza étnica, acrescentou, não precisam mais usar gás venenoso. Podem adotar práticas de check-point, como na Palestina, de detenções indefinidas, como ocorre em Guantánamo, ou de incêndios em florestas como está ocorrendo na Amazónia, como forma de deslocar populações tradicionais e abrir novos territórios de exploração. Em todas essas práticas, destacou Zeynep, há um nexo entre biopolítica, segurança e neoliberalismo. Para ela, a criação de inimigos existenciais é um traço definidor desse nexo, que pode se expressar por matanças diretas ou por massacres terceirizados, como é o caso dos incêndios na floresta amazónica. “Deixar alguém morrer pode ser exprimido hoje por meio de um discurso moralista que afirma que certas pessoas não merecem viver”.
 
O desenvolvimento do neoliberalismo no século 21, defendeu ainda, vem sendo marcado pelo avanço da terceirização e da individualização generalizada do risco, que não é só económico, mas se manifesta em ampla gama de incertezas que passam a fazer parte do cotidiano das pessoas. Na opinião da pesquisadora, há fenómenos semelhantes ocorrendo em diferentes regiões do planeta. Ela comparou, por exemplo, as realidades vividas hoje na Turquia e no Brasil. “Vejo muitas semelhanças. As noções de igualdade e de solidariedade firam retiradas dos nossos códigos de conduta e fomos contaminados por noções como a de os fracos não valem a pena”.
 
Zeynep citou três episódios ocorridos na Turquia que, para ela, ilustram o caráter do pós-fascismo no século 21. Em setembro de 2015, o governo impôs uma regra de emergência à população curda que vive na Turquia e bombardeou suas cidades. A Europa, lembrou a pesquisadora, endossou esses ataques onde ocorreram muitas mortes e violações de direitos. Ao mesmo tempo que promovia esse ataque, o governo turco anunciou um plano de US$ 4 biliões para reconstruir as cidades que estavam sendo destruídas. Os curdos foram removidos de seus lares para dar lugar a refugiados sírios. O negócio da guerra aconteceu praticamente ao mesmo tempo em que as bombas caíam na região.
 
O segundo episódio ocorreu em agosto de 2016, quando houve uma tentativa fracassada de golpe de Estado. Isso provocou uma grande ofensiva do governo turco contra opositores que, entre outras coisas, atingiu mais de 4.500 professores e fechou 15 universidades. As perseguições a professores envolveram demissões, confisco de passaportes e mesmo de propriedades. Cerca de 800 académicos (Zeynep entre eles) que assinaram um manifesto em defesa da paz foram processados e acusados de terrorismo, entre outras coisas. Por outro lado, acrescentou, hoje há uma proliferação de universidades privadas na Turquia, pertencentes a homens de negócios aliados do partido no poder.
 
O terceiro exemplo é o que está ocorrendo agora com a invasão do norte da Síria por tropas turcas. Segundo ela, deve-se olhar esse movimento, não só como uma ação política, mas também como um negócio. “O que justifica essa ação neste momento? Não houve nenhum ataque terrorista vindo dessa região curda na Síria. Por que atacar então? Na verdade, não há necessidade de uma justificação. A ação se justifica por si mesma. Se a Turquia entrou na Síria é porque deve haver alguma razão. A regra foi inventada pelo próprio ato”. Ao mesmo tempo que invade a Síria, Erdogan tem um projeto imobiliário gigantesco para colocar cerca de 2 milhões de refugiados sírios naquela região. Estimado em cerca de US$ 53 biliões de dólares, o projeto quer construir 140 vilas e dez cidades no território onde hoje estão os curdos. E esse projeto, destacou Zeynep, foi planejado antes da incursão militar, constituindo-se em mais um exemplo da tática neoliberal de usar guerras e desastres como meio para obter novos lucros.
 
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/10/na-internet-eles-querem-neutralizar.html

Manipulação eleitoral - o intervencionismo da Iniciativa Liberal

Reparei que muitas pessoas estão a partilhar os resultados de um questionário eleitoral designado “bússola política”. À primeira vista, assemelha-se a projetos semelhantes já feitos no passado. O inquirido responde a um conjunto de questões e, no fim do questionário, o teste revela qual é o partido do qual o inquirido está mais próximo politicamente, tendo por base os valores e preferências reveladas pelo inquirido em áreas como a política económica, social, cultural ou migratória. Estes inquéritos costumam ser feitos por centros de investigação em ciência política, que se pautam por critérios de independência na sua construção. Ainda que os pressupostos utilizados tenham sempre um forte elemento subjetivo e devam ser escrutinados com sentido crítico, o facto de serem realizados por uma instituição que se pauta por critérios académicos de intervenção na sociedade garante um patamar mínimo de independência. Ora, não é isso que ocorre com esta bússola política (https://www.bussolapolitica.org/index.html) que se encontra agora a ser partilhada. Se olharem com atenção, no final do site pode verificar-se que a bússola foi criada pelo “Instituto Mises Portugal”, o representante nacional de uma instituição reconhecida internacionalmente por promover os valores da economia austríaca e do neoliberalismo. Houve dois elementos que me intrigaram de imediato, por serem demasiado imprecisos e indefensáveis. Em primeiro lugar, o PNR (partido de extrema-direita) está num eixo categorizado como “economia socialista”. Eu percebo a ideia subjacente: o que eles pretendem sinalizar é que se trata um partido que defende o intervencionismo do estado na economia. Mas nunca um projeto feito por uma instituição fiável poderia chamar a isso “economia socialista”. É um erro grosseiro que me levou de imediato a suspeitar. O outro exemplo refere-se ao posicionamento da Iniciativa Liberal: é o único partido que está no quadrante economia de mercado/libertário. Com efeito, qualquer cidadão nessa área será facilmente enquadrado nesse partido e não noutros possíveis nesse domínio ideológico, como o PSD ou mesmo o CDS. Trata-se de um enviesamento muito conveniente: a maioria dos elementos do instituto Mises está envolvido ou é apoiante da Iniciativa Liberal. Este inquérito, em resumo, não é mais do que um exercício de manipulação eleitoral conduzido por pessoas próximas da candidatura da Iniciativa Liberal. Não ajudem à sua divulgação.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

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