Luta

23 de Junho » Vamos à luta!

Esta terça-feira, a Semana Nacional de Luta, decorreu com inúmeras acções nos locais de trabalho e na rua, em todos os sectores e regiões.
Destacamos aqui alguns:

PORTO »
Protesto dos trabalhadores contra o encerramento do Restaurante centenário Casa do Aleixo (saber mais)
Protesto dos trabalhadores do Pingo Doce da Rua Passos Manuel (saber mais)
Plenário de trabalhadores da cantina do Hospital São João (saber mais)
Plenário de trabalhadores da Super Bock | Leça do Balio

ALGARVE»
Plenário de trabalhadores do Vilanova Resort | Albufeira (saber mais)

TORRES VEDRAS»
Tribuna Pública na Praça 25 de Abril
Contacto com os trabalhadores das empresas - CTT, Frismag; Sicasal e Águas do Vimeiro (saber mais) GUIMARÃES »
Contactos com os trabalhadores da Amtrol Alfa (saber mais)

BEJA»
Protesto de enfermeiros em frente ao Hospital de Beja (saber mais)

SETÚBAL»
Contactos com os trabalhadores do Grupo IP | Pragal (saber mais)
Plenário com trabalhadores Despedidos da Lauak | Setúbal (saber mais)

 

aleixocantna hospsuper bock

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Frente Comum na rua para defender os serviços públicos e os trabalhadores

Nos últimos meses ficou claro «o papel absolutamente fundamental» dos trabalhadores da Administração Pública, afirma a Frente Comum na convocatória de um plenário nacional.

Milhares de trabalhadores desafiaram a chuva para se manifestarem em Lisboa, no dia da greve nacional dos trabalhadores em funções públicas e sociais, a 31 de Janeiro de 2020CréditosMário Cruz / LUSA

Perante a falta de resposta do Governo ao «urgente reforço» dos serviços públicos, a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN) decidiu convocar um plenário nacional de activistas sindicais para dia 25 de Junho, em Lisboa, em frente ao Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública.

Da Saúde à Escola Pública, dos Resíduos Sólidos às Finanças, das Forças de Segurança à Segurança Social, passando por muitos outros Serviços, estes trabalhadores asseguraram que o País não parava e que as populações viam respeitados os seus direitos, sublinha a estrutura sindical.

No entanto, a Frente Comum denuncia as «violações» que ocorreram, seja na imposição de férias, na perda de rendimentos, seja na falta de equipamentos de protecção.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/frente-comum-na-rua-para-defender-os-servicos-publicos-e-os-trabalhadores

Desfile em Lisboa para «defender a Saúde e os direitos»

Para rejeitar o «aproveitamento» da situação epidémica pelo patronato e a tentativa de retirada de direitos aos trabalhadores, a União de Sindicatos de Lisboa promove uma mobilização esta quinta-feira.

CréditosElsa Severino

A União dos Sindicatos de Lisboa (ULS/CGTP-IN) vai realizar, dia 25 de Junho, um desfile entre o Rossio e a Praça do Município, integrado na semana nacional de luta a decorrer, que a CGTP-IN convocou sob o lema «Defender a saúde e os direitos dos trabalhadores! Garantir emprego, salários, serviços públicos».

Durante a semana, têm lugar muitas outras acções em vários concelhos do distrito de Lisboa, nos locais de trabalho e na rua, abrangendo todos os sectores, informa em nota à imprensa.

Estas acções realizam-se num quadro de «aproveitamento da situação epidémica», em que «o patronato avança na tentativa de retirada de direitos», desde o direito à segurança e saúde no local de trabalho, o direito às férias, a alterações unilaterais de horários de trabalho e à supressão de suplementos remuneratórios.

No documento, a USL refere ainda os despedimentos levados a cabo por muitas empresas e os abusos na utilização do teletrabalho, bem como a acumulação do regime do lay-off com a actividade normal e, em alguns casos, mantendo mesmo a actividade subsidiada. 

Além das questões da saúde, existem reivindicações dos trabalhadores que «não podem ficar sem resposta» por parte das empresas e do Governo, nomeadamente o aumento geral dos salários para todos os trabalhadores em 90 euros, a fixação do salário mínimo nacional nos 850 euros, o combate à precariedade e a aplicação das 35 horas de trabalho semanal para todos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/desfile-em-lisboa-para-defender-saude-e-os-direitos

CGTP-IN inicia a Semana Nacional de Luta

capa semana

A CGTP-IN inicia hoje a Semana Nacional de Luta, com acções nos locais de trabalho e na rua, em todos os sectores e regiões, sob o lema “Vamos à luta - Defender a saúde e os direitos dos trabalhadores! - Salários, Emprego e Serviços Públicos”.

A CGTP-IN rejeita a política de agravamento da exploração e empobrecimento, de cortes nos salários e atropelo dos direitos e assume o compromisso de levar a cabo uma ampla acção de esclarecimento, mobilização e luta, reforçando a unidade dos trabalhadores, a sua sindicalização e organização, dando mais força aos sindicatos, para garantir a valorização do trabalho e dos trabalhadores e respostas aos problemas do povo e do País.

Das várias iniciativas que marcam o arranque desta semana de luta, destacamos as seguintes marcadas para o dia 22 de Junho:
• 9 e 10 horas - DHL Azambuja - Greves parciais;
• 11 horas – Sousacamp (Rua do Soutilho, 166, Paredes) - Plenário de trabalhadores;
• 12 horas - ETCP (Centro Logístico PT - Armazém 3 - Piso 1 - Parque Industrial Solvay, Póvoa de Santa Iria) - Acção denúncia sobre impedimento de acção sindical no interior da empresa
• 14 horas - Fico Cables (Rua do Cavaco, 115, Maia, Porto) - Plenário de trabalhadores;
• 17:30 horas – Marcha/cordão humano - Rossio de São Brás (Monte Alentejano), Évora – com a participação da secretária-geral, Isabel Camarinha

DIF/CGTP-IN
Lisboa,19.06.2020

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Vamos à luta – Defender a saúde e os direitos dos trabalhadores!

capa semana

A CGTP-IN realiza a Semana Nacional de Luta, com acções nos locais de trabalho e na rua, em todos os sectores e regiões, sob o lema “Vamos à luta – Defender a saúde e os direitos dos trabalhadores! – Salários, Emprego e Serviços Públicos”.

Destacamos para o dia de hoje 23 de Junho :

• 10 horas – Acção de Luta junto à loja Dia (R. D. Marcelino Franco, 40, Tavira) – questões relacionadas com a parentalidade – com a participação da secretária-geral, Isabel Camarinha;
• 10 horas – Concentração trabalhadores do Grupo Lusitana (restauração), junto do Ministério do Trabalho (Praça de Londres, 2, Lisboa) – denunciar salários em atraso;
• 10:30 horas – Concentração trabalhadores do Grupo EGF (Mota-Engil) – (recolha e tratamento de resíduos urbanos) junto à sede da holding, em Linda-a-Velha (Oeiras) – para exigir o cumprimento do direito à contratação colectiva;
• 14 horas – Super Bock (Leça do Balio) – Plenário de trabalhadores;
• 15:30 horas – Concentração trabalhadores do Vila Nova Resort (Av. Sá Carneiro 262, em Albufeira) – denunciar salários em atraso – com a participação da secretária-geral, Isabel Camarinha;
• 23 horas – AIS Portugal (Estrada Nacional 4 Zona Industrial da Adua lote LC 9 Bloco nº 4, em Montemor-o-Novo) – Churrascada – Contra a precariedade.

A secretária-geral da CGTP-IN participará ainda na inauguração da Casa Sindical de Faro, às 17:30 horas, na Praceta do Mutualidade Popular, em Faro.

DIF/CGTP-IN

Via: CGTP-IN – CGTP-IN https://bit.ly/3do74A3

Duas palavras que não se podem usar

Três dias atrás José Saramago foi insuficientemente lembrado apesar de se cumprirem dez anos sobre a sua morte. O país que tanto o maltratou durante o negro consulado cavaquista, continua a destratá-lo não faltando quem recorra a fúteis argumentos para procurar lançar um véu opaco sobre a impressionante grandeza da sua escrita. Não admira, pois, que Lanzarote o reivindique como seu - como ainda há pouco vi numa excelente reportagem francesa nessa ilha das Canárias - já que o país parece alhear-se da importância do seu único Nobel da Literatura.

 

Nas brevíssimas evocações houve, porém, quem recordasse uma máxima do escritor:“Há duas palavras que não se podem usar: uma é sempre, outra é nunca.”Numa outra versão alternativa Brecht escrevera sobre a importância de, aquele que está vivo, nunca dizer nunca. Ou trocado por miúdos, que mesmo tendo falhado sucessivamente em tentativas de implementação em diversos contextos geográficos, o Socialismo acabará por encontrar a solução para acabar de vez com o iníquo sistema de exploração do homem pelo homem. A exemplo do que lembrava José Mário Branco sobre o inventor da cura da sífilis, enfim bem sucedido depois de mais de novecentos testes falhados.

 

Nunca é palavra proibida. Sobretudo para aqueles que atribuem falsamente a Einstein uma frase profundamente reacionária, só do interesse de quem pretende evitar a transformação progressista das sociedades:“insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”.E, mesmo que o cientista alemão a tivesse dito não seria por isso mesmo, que ela se revelaria verdadeira, porque sabemos bem como ele também em alguns aspetos se revelou incapaz de aceitar a evidência dos seus cálculos, como sucedeu com os buracos negros em que nunca quis acreditar.

 

A frase de Saramago vem, igualmente, a propósito do que a edição do «Libération» de amanhã traz como notícia de capa: depois de ter sido dada como moribunda, senão mesmo declaradamente morta, a esquerda francesa encontrou a resiliência necessária para, daqui a uma semana, sair claramente vencedora na segunda volta das municipais. Para além dos seus mais importantes feudos - mormente Paris - outras cidades, ainda há pouco dadas como inacessíveis, como Toulouse, Marselha, Lyon, Bordéus, Montpellier ou Tours, deverão ser suas. E anunciam-se calamitosas derrotas para Marine Le Pen e Macron.

 

Se isto não serve para confirmar a justeza da frase de Saramago, não sei que outra evidência seja necessária.

CGTP-IN expressa a sua solidariedade com as mobilizações populares nos EUA, na sequência do assassinato de George Floyd

manifgeorge floydA CGTP-IN expressa a sua solidariedade com as importantes mobilizações populares que têm atravessado os EUA nestas últimas semanas, na sequência do assassinato de George Floyd pela polícia, que condenamos, vencendo as tentativas de intimidação, a repressão e as ameaças de criminalização.

A CGTP-IN chama a atenção e valoriza o significado da mobilização unitária de diversas camadas sociais, que se unem contra o racismo, a repressão e as profundas injustiças sociais que marcam a realidade na principal potência capitalista mundial.

Causa legítimo repúdio que a maior potência militar mundial, o país que leva a ingerência, a agressão, as sanções e bloqueios aos países que não se submetam aos seus interesses e ditames, tantas vezes com a desculpa cínica da defesa dos Direitos Humanos, responda à pandemia de COVID-19 com a distribuição de generosos apoios ao grande capital, alimentando a especulação e o parasitismo dos monopólios financeiros, dentro e fora das suas fronteiras, ao mesmo tempo que abandona milhões de americanos à sua sorte, sem direito a cuidados de saúde e protecção social, submetidos à precariedade generalizada, ao desemprego (dezenas de milhões de trabalhadores) e à pobreza, onde as descriminações, as violações de liberdades e a repressão marcam um dia-a-dia de injustiças e privações, configurando um cenário global de profunda crise social e graves violações dos Direitos Humanos.

A CGTP-IN expressa a sua solidariedade com todos os que são vítimas do racismo, da xenofobia e da exploração, das injustiças e desigualdades sociais, transmitindo uma sentida mensagem de solidariedade aos trabalhadores e ao povo dos EUA na sua luta contra todas as formas de injustiça, por melhores condições de trabalho e de vida, pela paz.

INT/CGTP-IN
14.06.2020

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A Síria em Seattle: a Comuna Desafia o Regime dos Estados Unidos

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Por Pepe Escobar, para oStrategic Culture

Tradução de Patricia Zimbres para o 247

O casamento do pós-Lockdown com os protestos contra a morte de George Floyd gerou uma besta-fera que ainda é imune a qualquer tipo de debate civilizado nos Estados Unidos: a Comuna de Seattle.

Então, o que vem a ser a Zona Autônoma de Capital Hill + República Popular?

Seriam os comunalistas meros idiotas úteis? Tratar-se-ia de um refinamento do experimento Occupy Wall Street? Seria ele, em termos logísticos, capaz de sobreviver e ser replicado na Cidade de Nova York, em Los Angeles e no Distrito de Colúmbia?

Um presidente Trump indignado descreveu a Comuna como um complô de autoria de "terroristas domésticos", em uma cidade "administrada por democratas radicais de esquerda". Ele conclamou por "LEI E ORDEM" (em caixa alta, segundo sua tweetologia particular).

 

Toques de Síria são claramente discerníveis em Seattle. Nesse cenário, a Comuna é uma remixagem de Idlib lutando contra "postos avançados de contra-insurgência do regime" (em terminologia comunalista).

Para a maioria das facções da Direita americana, os Antifa equivalem ao ISIS. George Floyd é visto não apenas como um "mártir comunista antifa", como me disse um agente da área de inteligência, mas também como um reles "criminoso e traficante de drogas".

Então, quando as "forças do regime" irão atacar - neste caso sem a cobertura da força aérea russa? Afinal, como proclamado pelo Secretário Esper, cabe ao Pentágono "dominar o campo de batalha".

 

Mas temos aqui um problema. A Zona Autônoma de Capital Hill (CHAZ, em inglês) é apoiada pela cidade de Seattle – governada por um democrata, que, por sua vez, tem o apoio do governador do estado de Washington, também um democrata.

Não há a mínima chance de o estado de Washington vir a usar a Guarda Nacional para esmagar a CHAZ. E Trump não pode assumir o controle da Guarda Nacional do estado de Washington sem a aprovação do governador, apesar de ele ter tuitado "Retome sua cidade AGORA. Se você não retomar, eu o farei. Isso não é um jogo".

É instrutivo observar que a "contra-insurgência" pode ser usada: no Afeganistão e nas áreas tribais; para ocupar o Iraque; para proteger a pilhagem de petróleo-gás no leste da Síria. Mas não em casa. Mesmo que 58% dos americanos de fato apóiem esse uso: para muitos deles, a Comuna talvez seja tão má, se não pior, que os saques.

E então há aqueles que se opõem firmemente a ela. Entre eles: o "Açougueiro de Fallujah" Cachorro Louco Mattis; os praticantes das revoluções coloridas do NED (o Fundo Nacional para a Democracia); a Nike; a JP Morgan; todo o establishment do Partido Democrata; e virtualmente todo o establishment do Exército dos Estados Unidos.

Bem-vindos ao movimento Ocupem Apenas os Outros.

Mas a pergunta permanece: por quanto tempo o "Idlib" conseguirá desafiar o "regime"? Isso é o que basta para dar ao notório "bully", o Procurador Geral Barr, muitas noites de insônia.

O Verdadeiro Poder Negro

Trump e Barr já ameaçaram criminalizar os Antifa como uma "organização terrorista" - ao mesmo tempo em que o Black Lives Matter apontava uma adaga amarela no asfalto da Rua 16 do Distrito de Colúmbia em direção à Casa Branca.

E isso nos leva à legitimidade ampla e inquestionada desfrutada pelo Black Lives Matter. Como isso é possível? Aqui é um bom lugar para começar.

O Black Lives Matter, fundado em 2013 por um trio de mulheres negras, lésbicas e de classe média, todas elas muito articuladas contra o "heteropatriarcado", é um produto daquilo que Peter Dauvergne, da University of British Columbia, define como a "corporativização do ativismo".

Ao longo dos anos, o Black Lives Matter evoluiu como uma marca comercial, como a Nike (uma apoiadora incondicional). Os protestos generalizados contra o assassinato de George Floyd elevaram o movimento ao status de uma nova religião. No entanto, é possível afirmar que o Black Lives Matter tenha zero de apelo verdadeiramente revolucionário. Não se trata aqui do "Say It Loud, I’m Black and I’m Proud", de James Brown. E não chega nem perto do Black Power e do "Power to the People" dos Black Panthers (Panteras Negras).

O padrão-ouro do direitos civis, o Dr. Martin Luther King, em 1968, resumiu de forma concisa o cerne estrutural da questão:

"A revolução negra é muito mais que a luta pelos direitos dos negros. Ela força a América a encarar suas falhas interrelacionadas - racismo, pobreza, militarismo e materialismo. Ela expõe males profundamente enraizados na totalidade da estrutura de nossa sociedade. Ela revela falhas sistêmicas, mais que superficiais, e sugere que uma reconstrução radical da própria sociedade é a verdadeira questão a ser enfrentada".

Os Black Panthers, intelectuais jovens e extremamente articulados, que misturavam Marx, Lenin, Mao, W.E.B. Du Bois, Malcolm X e Frantz "Os Condenados da Terra" Fanon, levaram o diagnóstico de MLK a um nível muito mais avançado.

Tal como resumido por Eldridge Cleaver, Ministro da Informação dos Panthers: "Acreditamos na necessidade de um movimento revolucionário unificado... informado pelos princípios revolucionários do socialismo científico". Essa frase sintetizava o pensamento de MLK, que propunha, fundamentalmente, o daltonismo racial.

Fred Hampton, alvo de um assassinato pelo estado ocorrido em dezembro de 1969, sempre enfatizou que a luta transcendia a raça: "Temos que encarar alguns fatos. Que as massas são pobres, que as massas pertencem a isso que se chama de classe baixa, e quando falo das massas, falo das massas brancas, falo das massas negras, das massas pardas e das massas amarelas também. Temos que encarar o fato de que algumas pessoas dizem que é melhor combater o fogo com o fogo, mas nós dizemos que a melhor maneira de apagar o fogo é com água. Nós dizemos que não se luta contra o racismo com racismo. Vamos combater o racismo com solidariedade. Dizemos que não se luta contra o capitalismo com a ausência de capitalismo negro, luta-se contra o capitalismo com o socialismo".

Portanto, não se trata apenas de raça. Não se trata apenas de classe. Trata-se, isso sim, de Poder para o Povo que luta por justiça social, política e econômica em um sistema intrinsecamente desigual. Esse enfoque expande a exaustiva análise de Gerald Horne em The Dawning of the Apocalypse (A Alvorada do Apocalipse), que disseca em profundidade o século XVI, incluindo-se aí o "mito da criação" dos Estados Unidos.

Horne mostra que uma invasão sanguinária das Américas engendrou uma forte resistência por parte dos africanos e das populações indígenas aliadas a eles, enfraquecendo a Espanha imperial e, por fim, capacitando Londres a despachar colonos para a Virgínia, em 1607.

Compare-se essa profundidade de análise com o slogan "Black Lives Matter", tão manso e humilde, quase implorando por misericórdia. O que novamente nos faz lembrar da agudeza de Malcolm X: "Tínhamos a melhor organização que homens negros já tiveram - e os niggers (os nêgo) arruinaram tudo!"

Para desvendar o questão do Black Lives Matter temos que, mais uma vez, seguir o dinheiro.

O Black Lives Matter recebeu, em 2016, a gigantesca dotação de 100 milhões de dólares da Fundação Ford e de outros baluartes do capitalismo filantrópico, como a JPMorgan Chase e a Fundação Kellogg.

A Fundação Ford é muito ligada ao Deep State dos Estados Unidos. Seu conselho-diretor é abarrotado de CEOs empresariais e chefões da Wall Street. Resumindo: o Black Lives Matter, como organização, encontra-se hoje totalmente higienizado, em grande medida integrado à máquina do Partido Democrata e é adorado pela mídia convencional, não representando portanto qualquer ameaça aos 0,001%.

As lideranças do Black Lives Matter, é claro, argumentam que desta vez "é diferente". Elaine Brown, a formidável ex-presidente dos Black Panthers, não faz por menos: O Black Lives Matter tem uma "mentalidade de senzala".

Tentem atear fogo na noite

Set the Night on Fire (Ateiem Fogo na Noite) é um livro extraordinariamente absorvente, co-escrito por Jon Wiener e pelo inestimável Mike Davis de City of Quartz e Planet of Slums.

Descrevendo com riqueza exaustiva de detalhes a Los Angeles da década de 60, o livro nos faz mergulhar nos motins de Watts, em 1965; no movimento anti-guerra se unindo aos Black Panthers para formar um singularíssimo Partido Paz e Liberdade californiano; na evolução da unidade dos movimentos de base formando o ethos do Black Power; no clube Che-Lumumba do Partido Comunista – que se converteria na base política da lendária Angela Davis; e na ofensiva maciça do FBI e do Departamento de Polícia de Los Angeles para destruir os Black Panthers.

Tom Wolfe, notória e maldosamente, caracterizou os losangelinos apoiadores dos Black Panthers como "radical chic". Elaine Brown, mais uma vez, traz a versão correta: "Nós estávamos morrendo, e eles todos, dos mais sólidos aos mais frívolos, nos ajudavam a sobreviver por mais um dia".

Uma das partes mais angustiantes do livro conta em detalhes como o FBI perseguiu os simpatizantes dos Panthers, inclusive a sublime Jean Seberg, estrela de Santa Joana, de Otto Preminger’s (1957) e À Bout de Souffle (Acossado, em português), de Godard (1960).

Jean Seberg contribuía anonimamente com os Panthers sob o codinome de "Aretha" (sim, como em Franklin). O COINTELPRO do FBI não teve dó nem piedade na perseguição a Seberg, convocando a ajuda da CIA, dos serviços de inteligência militar e do Serviço Secreto. Ela foi tachada de "atriz branca com perversões sexuais" que teria tido casos com radicais negros. Sua carreira em Hollywood foi destruída. Ela entrou em depressão profunda, teve um parto natimorto (o bebê não era negro), emigrou, e seu corpo - em decomposição - foi encontrado em seu carro, em Paris, em 1979.

Em um nítido contraste, foram ouvidos na academia rumores que identificavam o mar de convertidos à religião do Black Lives Matter como, principalmente, produtos do casamento da "conscientização" (wokeness) e da interseccionalidade - o conjunto de traços interligados que, desde o nascimento, privilegia os homens brancos heterossexuais, que hoje tentam expiar sua culpa.

A geração Z, que os campus universitários de todo o país despejam em massa no mercado de trabalho, é prisioneira desse fenômeno: na verdade, ela é escrava da política identitária politicamente correta. E, mais uma vez, com zero potencial revolucionário.

Compare-se isso, mais uma vez, aos imensos sacrifícios políticos dos Black Panthers. E também a Angela Davis que, já então um ícone pop, tornou-se a mais famosa prisioneira política da história americana. Aretha Franklin, ao se oferecer para pagar a fiança de Davis, pronunciou uma frase que ficou famosa: "Fui encarcerada por perturbar a paz, e sei que você tem que perturbar a paz quando não há paz para você".

Elaine Brown: "Eu sei o que era o BPP (o Partido Black Panther). Sei das vidas que perdemos, da luta que travamos, dos esforços que envidamos, dos ataques que sofremos da polícia e do governo - sei de tudo isso. Mas não sei o que é o Black Lives Matter".

Se o Black Lives Matter é intrinsecamente racista, ou mesmo inerentemente violento, é uma questão aberta a debate.

Pode-se discutir também se a genuflexão, agora um ritual praticado rotineiramente por políticos (ataviados com echarpes kente, de Gana), policiais e corporações, realmente ameaça as fundações do Império.

Noam Chomsky já se aventurou a dizer que a onda de protestos, até agora, tem zero de articulação política - e precisa urgentemente de um direcionamento estratégico que vá muito além da óbvia revolta contra a brutalidade da polícia.

Os protestos estão arrefecendo exatamente no momento em que a Comuna desponta.

Dependendo da maneira como os acontecimentos irão evoluir, ela poderá representar um sério problema para a dupla Trump/Barr. O Presidente simplesmente não pode permitir que uma revolução colorida se desenvolva ativamente na área central de uma das maiores cidades dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, ele é impotente, como autoridade federal, para dissolver a Comuna.

O que a Casa Branca pode fazer é convocar suas próprias unidades de contra-insurgência, na forma de milícias de supremacistas brancos armados até os dentes, ir para a ofensiva e esmagar as já frágeis linhas de fornecimento da turma da conscientização + interseccionalidade.

O movimento Occupy, afinal, dominou áreas de importância-chave em mais de 60 cidades norte-americanas durante meses, para então se dissolver no éter.

Além disso, o Deep State, em seus jogos de guerra, já testou inúmeros cenários para lidar com situações de cerco muito mais complexas que a Comuna.

O que quer que venha a acontecer a seguir, um vetor de importância crucial não irá mudar. Um estado de insurreição permanente só beneficia a plutocracia dos 0,00001%, refestelada em seus confortáveis esconderijos, enquanto o populacho ateia fogo na noite.

 

Brasil: As ruas dão o recado

– Só a luta popular derrotará o governo Bolsonaro-Mourão

por PCB [*]

Manifestação em S. Paulo, 07/Junho/20. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) saúda com entusiasmo todos os manifestantes que saíram às ruas em todas as regiões brasileiras, especialmente nas grandes cidades, em defesa da vida, dos direitos dos trabalhadores, das liberdades democráticas, contra o racismo, o fascismo e a política de terra arrasada do governo genocida que ocupa o Palácio do Planalto. Os atos promovidos em todo o Brasil no último domingo (dia 07/06) se incorporam à grande onda de manifestações que explode em todo o mundo contra o racismo, o fascismo e o capitalismo.

Nas manifestações ocorridas nas ruas das principais cidades brasileiras, uma parte expressiva dos trabalhadores precarizados e da juventude retomou o espaço das ruas, expulsando delas os fascistas que as tinham ocupado temporariamente com suas carreatas da morte em defesa do fim do isolamento social, da intervenção militar e da ditadura dos capitalistas. Voltaram a dominar as ruas os seus legítimos donos: trabalhadores e trabalhadora, a juventude e o povo pobre das periferias. As manifestações realizadas em todo o Brasil significaram uma grande vitória política dos setores que não abriram mão da luta e resolveram apoiar e participar dessa importante batalha pelas liberdades democráticas e pela resistência contra o fascismo, mesmo diante das dificuldades da conjuntura e das vacilações de determinadas forças políticas, que pediram para as pessoas ficarem em casa, à espera apenas das soluções institucionais e das eleições.

Manifestação em Brasília, 07/Junho/20. As manifestações também marcaram uma ampla unidade entre os trabalhadores precarizados, que já estão na rua na batalha pela sobrevivência, os sindicalistas classistas, os movimentos sociais e populares, as torcidas organizadas, as diversas organizações da juventude e os movimentos antirrascistas. Foi exatamente essa unidade que construiu uma organização popular com capacidade para evitar provocações, garantir a segurança coletiva do ato, o distanciamento social entre os manifestantes, a distribuição de máscaras e álcool em gel, com o apoio de uma brigada de saúde a postos para qualquer eventualidade. Foi a firmeza unitária, a organização e a combatividade que garantiram o sucesso das manifestações.

Os atos de domingo em todo o Brasil ficarão na história como o momento em que uma parcela importante da população resolveu romper o impasse, confrontar o medo e colocar nas ruas as reivindicações dos trabalhadores e da juventude. Afinal, se não é possível a população pobre sobreviver ficando em casa, a única opção que lhe resta é a luta pela sobrevivência nas ruas. As manifestações também levantaram a moral da militância e serviram de exemplo para todos aqueles que ainda estavam em dúvida sobre a ida às manifestações por causa da pandemia. Afinal, é possível e necessário expulsar os fascistas das ruas e lutar por direitos e liberdades em nosso país.

Manifestação no Rio de Janeiro, 07/Junho/20. Todavia, é importante registrar o papel profundamente negativo de muito governadores, inclusive daqueles que dizem fazer parte da oposição, em relação às manifestações. Em vários Estados, como no Pará e no Ceará, esses dirigentes se comportaram de maneira semelhante aos líderes reacionários, colocando as tropas para reprimir as manifestações, articulando um grande aparato policial para intimidar e prender militantes. Nesses tempos de crise e necessidade de definição clara de propósitos, não se pode acender uma vela para Deus e outra para o diabo. Ou se está contra o fascismo e pelas liberdades democráticas ou se estará conivente ou omisso diante da ofensiva autoritária em curso.

A luta de classes no Brasil não será mais a mesma depois desse domingo histórico. Um exército com moral elevada luta muito melhor que um contingente desmoralizado. A partir de agora a tendência é o aumento das manifestações, como está ocorrendo em todo o mundo. Não adianta o governo tentar criminalizar os movimentos sociais e os manifestantes: a própria dinâmica da crise vai fazer com que cada vez mais gente se manifeste nas ruas. Afinal, baderneiro é esse governo que atua criminosamente contra as medidas de segurança adequadas contra a pandemia, que se comporta como um disseminador do vírus entre a população, que atenta contra os direitos dos trabalhadores e da juventude, que sabota o distanciamento social, recusa-se a conceder créditos a micro e pequenas empresas e boicota o pagamento do auxílio emergencial, deixando criminosamente milhares de pessoas nas filas da fome diante da Caixa Econômica Federal, além de provocar o crescimento vertiginoso do desemprego.

Manifesta O Partido Comunista Brasileiro (PCB), que desde o início da pandemia estimulou seus militantes a contribuir com a auto-organização da classe trabalhadora e da população pobre nas periferias, que desde as primeiras manifestações orientou sua militância a se juntar aos movimentos que estavam organizando os atos, ainda que simbólicos naquele período, conclama sua militância que não está no grupo de risco a intensificar a participação nos atos antifascistas, antirracistas e contra o governo Bolsonaro/Mourão, com todos os cuidados de saúde necessários, porque este é um momento fundamental na mudança na correlação de forças em nosso país. Sem lutas não há mudanças!

Fora Bolsonaro-Mourão!
Em defesa dos direitos do povo trabalhador e da juventude!
Pelas liberdades democráticas!
Pelo Poder Popular e o Socialismo!

Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro

09/Junho/2020
 
 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/brasil/nota_pcb_09jun20.html

Greve nos CTT marcada por requisições ilegais

Os CTT requisitaram «abusivamente» 50% dos efectivos para prestação de serviços mínimos, em alguns locais, durante a greve desta sexta-feira, que teve uma adesão de 90%.

Carteiros de porte não aceitam novos fechos impostosCréditosInácio Rosa / Agência LUSA

Uma nota do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN) indica que a adesão à paralisação no que diz respeito ao turno na noite foi de 95% no CPLS (a antiga Central de Correios de Lisboa em Cabo Ruivo), em Lisboa.

O sindicato refere que, no turno da noite, a paralisação foi superior a 90% na Maia e que no CTT Expresso (MARL, Lisboa) foi de 93%.

Para o SNTCT os dados apontam para uma participação «ainda maior do que a verificada no passado dia 29 de Maio».

«Com esta forte adesão os trabalhadores e as trabalhadoras do grupo CTT demonstram assim a sua indignação, apesar da quase "requisição civil" levada a cabo pela gestão privada dos CTT», refere a mesma nota difundida hoje de manhã.

«Os CTT deram instruções para que os serviços mínimos fossem nalguns casos 50% dos trabalhadores requisitados. Noutros casos, trabalhadores que os CTT sabem que fazem greve são requisitados. Nalguns casos são requisitados os trabalhadores que conduzem as carrinhas», pode ler-se em nota enviada à imprensa.

«Neste momento a maior parte dos salários líquidos varia entre os 570 euros e os 1100 euros, para quem tem mais de 35 a 40 anos de serviço», recorda o SNTCT.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-nos-ctt-marcada-por-requisicoes-ilegais

Central de Movimentos Populares convoca novo ato pela democracia e contra Bolsonaro no domingo

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Fórum -A Central de Movimentos Populares (CMP) está convocando uma nova manifestação neste domingo (14) pelo fim do governo Jair Bolsonaro, contra o racismo, o fascismo e por direitos. A concentração será a partir das 14h em frente ao Museu de Artes de São Paulo (Masp), na avenida Paulista.

“Nós, da CMP, sabemos da importância de seguir com a política de isolamento social. Mas é também fundamental, neste momento, sair às ruas pelo fim do governo Bolsonaro, sua política autoritária, genocida e racista”, afirma Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP.

Leia a íntegra na Fórum.

 

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

Trabalhadores dos CTT em greve esta sexta-feira

 

A greve dos trabalhadores dos CTT contra o pagamento do subsídio de almoço no cartão de refeição começou à meia-noite desta sexta-feira nas centrais de correios.

 

Por ser feriado, “a greve começa à meia-noite nas centrais de correios”, com início em Cabo Ruivo, Lisboa, adiantou o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), Víctor Narciso.

Esta é a segunda greve dos trabalhadores dos Correios de Portugal em duas semanas (a última aconteceu a 29 de maio), sendo que o pagamento do subsídio de refeição em cartão foi o motor desta greve, a que se junta a reivindicação por “melhores condições de trabalho”, o protesto contra a “desorganização da empresa” e o “congelamento salarial”, entre outros pontos.

Víctor Narciso disse que as suas expectativas de adesão “são boas”, a avaliar pela última greve.

Em comunicado, os CTT antecipam que, “de um modo geral no país, os efeitos da greve sejam pouco sentidos, com a eventual ocorrência de constrangimentos localizados em áreas específicas”, referindo que “têm articulado um plano de contingência no sentido de evitar, em caso de necessidade, problemas na sua operação na defesa da prestação e qualidade do serviço junto dos nossos clientes”.

Na última paralisação, segundo o sindicato, mais de 70% dos trabalhadores dos CTT estiveram em greve contra o congelamento salarial e o pagamento do subsídio de refeição em cartão, mas a empresa situou a adesão em 18,5%.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores não aceitam a proposta de atribuição de um cartão de refeição como forma de pagamento do subsídio de alimentação, substituindo, assim, o pagamento no vencimento mensal por transferência bancária, como tem sido feito até ao momento.

Na nota enviada na quinta-feira, os CTT referem que esta greve abrange as duas redes da empresa – a rede de distribuição postal (carteiros) e a rede de atendimento (lojas CTT) –, mas não a rede de Postos de Correio explorados por parceiros dos CTT, nem os agentes que prestam serviços de pagamento PayShop.

Os CTT alertam ainda que, nos dias de greve, nenhuma taxa de adesão divulgada antes das 12h00 do dia 12 de junho de 2020, ou seja, antes de ser completado o registo da ausência dos trabalhadores no sistema de processamento de ordenados, pode ser baseada em dados completos.

Segundo a empresa, a decisão de passar a pagar o subsídio de alimentação através de um cartão de refeição aos colaboradores que ainda não tinham optado por essa via foi uma das várias medidas tomadas para fazer face à quebra de receitas e garantir a sustentabilidade da empresa.

Os CTT sublinham que o cartão de refeição pode ser usado em qualquer estabelecimento de venda de produtos alimentares e “representa uma manifesta vantagem económica para todos: para a empresa, traduz uma forma lícita de diminuição substancial de custos; para os colaboradores, significa uma poupança média anual em sede de IRS, na ordem dos 100 euros”.

A greve foi convocada pelo SNTCT, SINDETELCO – Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços, SITIC — Sindicato Independente dos Trabalhadores da Informação e Comunicações, SINCOR – Sindicato Independente dos Correios de Portugal, SINQUADROS – Sindicato de Quadros das Comunicações, SINTTAV – Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, SICOMP – Sindicato das Comunicações de Portugal, FENTCOP – Sindicato Nacional dos Transportes, Comunicações e Obras Públicas, SERS – Sindicato dos Engenheiros, SNEET – Sindicato Nacional dos Engenheiros, e SERS – Sindicato dos Engenheiros da Região Sul.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/trabalhadores-ctt-greve-329540

Em Madrid, protestos contrariam proibição e denunciam o racismo e a violência policial

Em Madrid, um homem levanta o punho em meio aos manifestantes contra o racismo e a violência policial, em 7 de junho de 2020, em solidariedade aos protestos contra o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos.
© REUTERS / Juan Medina

Neste domingo (7), milhares de imigrantes africanos e seus descendentes se reuniram no centro de Madrid para protestar contra o racismo e exigir justiça, relata um correspondente da Sputnik na capital espanhola.

Os manifestantes se reuniram em frente à embaixada dos EUA em uma demonstração de solidariedade aos protestos contra o assassinato do norte-americano George Floyd, um homem negro que morreu sob custódia policial em 25 de maio deste ano.

A manifestação em Madrid marchou da embaixada norte-americana em direção à praça mais popular de Madrid, a Puerta del Sol. No auge do protesto, dezenas de milhares lotaram a praça, apesar das autoridades da cidade proibirem reuniões de mais de 200 pessoas para limitar a propagação do novo coronavírus. Além de imigrantes e descendentes, houve a presença espanhóis e expatriados dos EUA também se juntaram ao protesto.

Em Madrid, um homem levanta uma placa em meio aos protestos contra o racismo e a violência policial, em 7 de junho de 2020, em solidariedade aos protestos contra o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos.

© REUTERS / Juan Medina
Em Madrid, um homem levanta uma placa em meio aos protestos contra o racismo e a violência policial, em 7 de junho de 2020, em solidariedade aos protestos contra o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos.

Os manifestantes gritavam "sem justiça, sem paz", "vidas negras importam" e "ninguém está acima da lei" em espanhol e inglês. Entre as faixas havia mensagens como "o racismo também é uma pandemia", "nem mais nem menos do que direitos iguais" e "Donald Trump [presidente dos EUA] é um criminoso".Além de Madrid, as manifestações foram convocadas para as cidades de Barcelona, Bilbao, Zaragoza, Granollers, Lleida, Málaga e outras cidades espanholas.

Em Madrid, manifestantes protestam contra o racismo, em 7 de junho de 2020, em solidariedade aos protestos contra o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos.

© REUTERS / Juan Medina
Em Madrid, manifestantes protestam contra o racismo, em 7 de junho de 2020, em solidariedade aos protestos contra o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos.

A manifestação foi organizada pela Comunidade Africana e de Descendentes africanos na Espanha, uma organização sem fins lucrativos criada recentemente, que afirmou em um comunicado que o racismo contra os negros era um fenômeno global que não se limitava aos EUA. A organização acusou a polícia espanhola de traçar um perfil racial em sua atuação, apontando a estimativa de que os negros tenham 42 vezes mais chances de serem detidos e revistados do que outras etnias.

Em Paris, manifestantes antirracistas se ajoelham em frente a uma barricada em chamas durante protesto lembrando o assassinato de Adama Traore, em 2 de junho de 2020.

© AP Photo / Michel Euler
Em Paris, manifestantes antirracistas se ajoelham em frente a uma barricada em chamas durante protesto lembrando o assassinato de Adama Traore, em 2 de junho de 2020.

Enquanto nos EUA as manifestações contra o racismo e violência policial, deflagradas após o assassinato de George Floyd, continuam crescendo, diversas capitais europeias têm registrado manifestações contra o racismo. Além de Madrid, Lisboa, Paris, Berlim e Londres também tiveram manifestações semelhantes ao longo da semana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020060715671826-em-madrid-protestos-contrariam-proibicao-e-denunciam-o-racismo-e-a-violencia-policial/

Protestos antifascistas poderiam sofrer infiltração bolsonarista

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“Históricamente, a tarefa estratégica da polícia para dissuadir protestos ”incômodos” ao governo de turno é a de infiltrar agentes treinados para provocar confusão e desse modo justificar a repressão. Essa tática já foi denunciada nas recentes manifestações no Chile, nos protestos de 2019 na Colômbia, nos protestos de 2013 aqui no Brasil, e recentemente alguns vídeos mostram agentes da polícia nos Estados Unidos sendo flagrados, disfarçados, entre os manifestantes. Se suspeita que os incêndios em prédios e outros distúrbios ocasionados nos EUA, teriam sido iniciados por eles, como uma forma de enfraquecer o apoio da opinião pública em relação à ocupação das ruas. Desde semana passada, o governo Bolsonaro tem tentado demonizar os movimentos antifascistas que cada dia cobram mais força no Brasil. Deputados alinhados com o governo levam adiante um projeto de lei para tentar tipificar os “antifas” como terroristas. Criminalizar os protestos é tudo o que o governo precisaria para diminuir sua força. É preciso então identificar pessoas estranhas, que podem estar participando das marchas com o único propósito de corromper a natureza fundamental delas, que é produzir a mudança institucional urgente que o país precisa para sair da calamidade política, social e cultural em que se encontra.”

Na segunda-feira 1º de junho de 2020, o deputado bolsonarista Daniel Silvera (PSL-SP), conhecido por vandalizar uma placa em homenagem a Marielle Franco, protocolou um projeto de lei (PL) pedindo para que os grupos antifascistas que vem se manifestando nos domingos sejam classificados como terroristas, e enquadrados na lei antiterrorismo. O parlamentar ainda usou as redes sociais para ameaçar os participantes dessas marchas, e advertiu que há muitos policiais armados participando de atos em defesa do governo, e diz torcer para que um dos opositores tome um tiro "no meio da caixa do peito". "Até que vocês vão pegar um polícia [sic] zangado no meio da multidão, vão tomar um no meio da caixa do peito, e vão chamar a gente de truculento", afirmou.

O presidente Bolsonaro, logo disse que é preciso haver uma "retaguarda jurídica" para que policiais possam atuar em manifestações. "Nós precisamos de uma retaguarda jurídica para que nossos policiais possam bem trabalhar em se apresentando crescente esse tipo de movimento [como Antifa], que não tem nada a ver com democracia", disse. Para ele e para quem o apoia, nada seria mais conveniente que uma opinião generalizada a favor da repressão policial. O bolsonarismo já vai semeando a ideia de que essas marchas tem uma índole “terrorista”, “subversiva”, desviando o foco de atenção da essência desses protestos e suas reivindicações.
Recentemente Chile foi (e continua sendo) cenário de uma série de marchas, e mobilizações organizadas de forma espontánea por diversos grupos de cidadãos para denunciar a desigualdade e os diferentes abusos do governo de Sebastián Piñera e do modelo neoliberal. Durantes os primeiros dias, as marchas foram multitudinários (tanto que chamaram atenção internacional) e pacíficas. Porém, o governo de Piñera não vacilou em enviar tropas de carabineiros a reprimir ferozmente com balas de borracha, deixando mais de 200 pessoas seriamente feridas nos olhos, algumas delas perdendo parcial ou totalmente a visão.

Segundo algumas testemunhas, as primeiras confusões foram provocadas por agentes de carabineros infiltrados, que instigaram a participantes desinformados a acompanhá-los a realizar atos de vandalismo. Assim, Carabineros teve o argumento suficiente para iniciar uma brutal repressão que durante meses ocupou as telas dos jornais do mundo inteiro.

Em novembro de 2019, iniciaram-se na Colômbia uma série de protestos chamados “Paro Nacional”. As marchas tomaram notoriedade pública a causa da feroz repressão policial do governo neoliberal de Iván Duque. A repressão tinha sido justificada pelo governo a causa dos atos vandálicos contra alguns prédios no centro de Bogotá. Logo, grupos estudantis que participaram dos protestos isolaram e conseguiram capturar alguns homens que resultaram ser policiais disfarçados de civis, flagrados quando realizavam atos de vandalismo com o fim de violentar uma marcha que a priori se apresentava como pacífica e ordenada.

"A Comunidade capturou os homens encapuzados que atearam fogo ao prédio do Icetex (uma instituição colombiana que promove a educação através de créditos aos estudantes), eles resultaram ser policiais disfarçados. Urgente, Isso não será mostrado pelos jornais! compartilhe antes de excluí-lo”, disse Germán Navas Talero, representante do grupo estudiantil.

 

Nos EUA, os protestos que reclamam justiça pelo assassinato do cidadão afro americano George Floyd, começaram de forma pacífica como ajoelhadas e caminhadas nos centros urbanos e grandes cidades. Após os primeiros atos vandálicos, as próprias pessoas que participaram das marchas denunciaram que quem origina essas confusões possivelmente sejam membros de grupos supremacistas brancos (para criminalizar o protesto diante dos olhos do público norte americano) ou até policiais (perseguindo o mesmo fim). Sobre os supremacistas brancos, Ruth Ben-Ghiat, professora de história da Universidade de Nova York, disse ao Global News do Canadá: “São grupos afiliados aos ideais da "supremacia da raça branca", oponentes da migração e defensores de posições radicais de extrema-direita. Se presume que eles estão filiados a organizações neonazistas e outros grupos mais locais, como o Ku Klux Klan”, disse. E continua “Não existem provas de que grupos antifas ou grupos anarquistas tenham iniciado os atos de violência, porém, existem sim provas que indicam a presença de grupos de extrema direita e de policiais que se confundem com a massa que protesta para provocar baderna”.

No próprio Brasil, o site de notícias UOL publicou em 2019 uma matéria na qual se afirma da existência de relatórios secretos da PM que falam que agentes da segurança pública tinham como tática se infiltrar nas reuniões dos movimentos sociais que participavam das marchas, com o propósito de identificar os líderes. Vários policiais foram logo flagrados por testemunhas produzindo distúrbios. Os policiais se camuflaram nos grupos “Black Blocks”, com o intuito de acusar os líderes sociais de serem autores dos distúrbios, para assim apressá-los e tirá-los do comando e deixar o movimentos acéfalo.

No dia 22 de julho de 2013, PMs prenderam o jovem Bruno Ferreira Teles, acusando-o de lançar coquetéis molotov contra a tropa e de portar outros explosivos durante protestos ocorridos no dia do professor no Palácio Guanabara. Investigações posteriores demonstraram que foram integrantes das forças de segurança os que iniciaram os atos violentos que desencadearam na repressão posterior.

 

O padrão de ação é o seguinte. O policial se “disfarça” de manifestante, pelo geral utilizando roupas esportivas e carregando uma mochila nas costas.O agente se aproxima daqueles que considera mais jovens, mais influenciáveis, ou que parecem mais agitados e predispostos a cometer uma ação violenta. Então, o policial começa a falar com eles, encorajando-os a cometer algum ato vandálico. Por isso, é muito importante que quem estiver nas manifestações próximas fique atento à intrusão de desconhecidos que têm atitudes esquisitas e que se aproximam das pessoas com o único fim de provocar caos. Pelo geral são infiltrados da polícia ou de algum outro grupo com interesse de desacreditar o protesto.

Os dias atuais talvez sejam os mais favoráveis que já tiveram os setores que defendem a democracia no Brasil desde que o Bolsonaro chegou à presidência. A total falta de humanidade com que o governo federal vem tratando a pandemia do Coronavírus, os escândalos por corrupção, fake news, alianças com o centrão. Tudo isso foi isolando cada dia mais o bolsonarismo ao círculo dos mais extremistas e fanatizados. O grosso da população brasileira não suporta mais o total despreparo do presidente e os excessos repudiáveis dos seus aliados. É um momento crucial para o povo brasileiro mostrar a si mesmo que é um povo pacífico, solidário, que ama seus conterrâneos e que se preocupa com sua saúde, independentemente de idade, raça o ou gênero. Participar de manifestações no médio a uma pandemia não é algo que ninguém poderia recomendar como um posicionamento certo. Porém, a frustração, a impotência e a irritação de uma sociedade que foi abandonada à própria sorte, e que vê seus governantes zombando da morte dos seus compatriotas e da ciência que poderia salvá-los, chegou aos limites do tolerável.

Não está fácil assistir todo domingo como o presidente e seus seguidores se passeiam festivos num contexto de morte e de desespero geral, rodeados de pancartas que pedem por uma ditadura, pelo envio forçado de trabalhadores aos seus postos de trabalho com riscos de contágio, pelo fim do STF, enfim, pela instauração de um governo autoritário e reacionário. Mais do que nunca, não seria inteligente alimentar os argumentos do bolsonarismo que classificam os manifestantes como simples terroristas. Por isso, se você for participar, tome muito cuidado, cuide dos que estão ao seu redor, tenha seu telefone ligado, identifique às pessoas que não são do seu círculo de conhecidos. Colabore com a organização e a paz da marcha. É muito importante que a frente democrática cresça no coração de toda a população brasileira. Que a palavra democracia recupere seu valor e seu caráter inalienável. Esse é um trabalho de todes, os que decidiram ir e os que no decidiram participar dos próximos atos antifascistas que vão acontecer no país.

EUA: Não é motim, é rebelião!

Este título é tirado de um artigo publicado pelo semanário comunista norte-americano Workers World que relata com detalhe os protestos desencadeados nos EUA, de costa a costa, em resposta ao assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis. Onze dias passados, as manifestações continuam por todo o país, apesar das ameaças brutais de Trump e da violência policial. Mais de dez mil pessoas foram detidas. Vários protestos de solidariedade ocorreram, entretanto, em diversas partes do mundo. Razões sérias levam tanta gente a vir para a rua, enfrentado polícia e pandemia.

O racismo, a brutalidade policial, patentes no modo como Floyd foi martirizado e linchado, à boa maneira dos supremacistas brancos, foram o rastilho que desencadeou os protestos. Mas são, sem dúvida, as desigualdades persistentes, as injustiças contínuas, as décadas de violência do poder que vêm ao de cima nestes protestos e que constituem a razão de fundo desta onda de revolta generalizada. Os EUA dão sinal de uma sociedade em ruptura.

A força dos protestos vê-se em dois ou três pontos:
As manifestações arrastam pessoas de todas as cores e etnias: as mais discriminadas e em geral mais pobres (negras, mestiças, latinas), mas também muitos brancos que repudiam as injustiças, as desigualdades, a violência, e sobretudo muitos jovens.

As forças policiais seguem abordagens diferentes de cidade para cidade: nuns casos usam a habitual brutalidade, mas noutros casos procuram contemporizar — incorporando-se nas manifestações ou dizendo “entenderem” os manifestantes, como em Minneapolis. Mesmo que isto não constitua uma recusa em cumprir ordens por parte dos agentes policiais de base, não deixa de ser um sinal de cautela por parte dos comandos.

Finalmente, as dissensões no próprio poder cimeiro, de que é exemplo a desautorização do presidente Trump pelo seu secretário da Defesa, ao negar-se a enviar os militares para a rua, e a acusação do general Mattis (ex-secretário da Defesa) de que Trump “divide o país”.

Repete-se agora nos EUA o que sucedeu em muitos países do mundo antes de ter surgido a crise sanitária. Factos aparentemente isolados ou sem novidade desencadeiam ondas de protestos maciços que se prolongam muito para além das suas causas próximas. São pequenos fósforos que ateiam incêndios incontroláveis a massas enormes de matéria combustível longamente acumulada.

França, Iraque, Argélia, Equador, Chile, Tunísia, Sudão … — dezenas de países de todos os continentes foram abalados, meses a fio, por manifestações que trouxeram à rua milhões de pessoas. Em muitos casos, com centenas de mortos às mãos das forças repressivas. O ódio, o legítimo ódio ao poder e às classes dominantes, expressou-se em todos estes casos nos mais diversos matizes.

As razões foram diferentes em cada país, mas em todos eles se pode adivinhar um fundo comum: milhões de pessoas sentem-se a viver num mundo falhado, sem futuro e sem presente. Sociedades destroçadas pela corrupção, pelo enriquecimento vertiginoso de minorias instaladas no poder, pelo empobrecimento de grandes massas populares, dilaceradas por agudos conflitos de classes. Instituições políticas caducas, falsas democracias (ou nem isso) que são monopólio de cliques burguesas detestadas, e nas quais a massa do povo não tem voz. É o que se vê em todas as geografias.

Descubra quem quiser as particularidades de cada caso, mas é inegável o traço comum de tudo isto: o capitalismo, presente e dominante em todo o planeta, de crise em crise, abeira-se a cada dia que passa da falência. E, pesem embora as enormes diferenças entre o mundo dito desenvolvido e o mundo periférico, arrasta consigo as sociedades, por mais diversas que sejam, para uma situação de caos.

Aquelas grandes manifestações traduzem justamente a percepção desse caos por parte de grandes massas populares que recusam ser arrastadas para o desastre. São os sinais de uma resposta — ainda descosida e, em muitos casos, sem rumo certo — por parte das diferentes classes despojadas dos diferentes países, que sentem não terem nada a perder. Podem não saber ainda para onde vão, mas já começam a dizer “Não, não vou por aí!” (*)

Se, como alguém autorizado disse, a luta dos proletários começa por ser nacional na sua forma, mas é internacional no seu conteúdo — então estamos a assistir à progressiva internacionalização da luta anticapitalista (**).

Ter os trabalhadores dos EUA como parceiros nessa luta é um avanço que os povos de todo o mundo só podem saudar da forma mais exultante.

———

(*) “A minha vida é um vendaval que se soltou./É uma onda que se alevantou./É um átomo a mais que se animou…/Não sei por onde vou,/Não sei para onde vou,/ — Sei que não vou por aí!”
Cântico Negro, José Régio

(**) “Pela forma, embora não pelo conteúdo, a luta do proletariado contra a burguesia começa por ser uma luta nacional. O proletariado de cada um dos países tem naturalmente de começar por resolver os problemas com a sua própria burguesia.” — Manifesto do Partido Comunista, K. Marx, F. Engels. Edições Avante!, pág. 47.

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

Solidariedade com o povo dos EUA em Lisboa e no Porto

Na sequência de «mais um assassinato de um cidadão negro às mãos de forças policiais», o CPPC apela à expressão da solidariedade com a luta do povo dos EUA pela justiça e a igualdade social.

O CPPC promove actos públicos em solidariedade com o povo dos EUACréditos / CPPC

Sob o lema «Pela Justiça e a Igualdade Social! Solidariedade com o Povo dos EUA!», o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) promove a realização, na próxima terça-feira, 9 de Junho, de actos públicos no Porto (17h30 – Largo em frente à Casa da Música) e em Lisboa (18h – Praça do Martim Moniz).

Numa nota divulgada a propósito do anúncio destas iniciativas, o CPPC afirma a sua solidariedade com o povo dos EUA, que «tem realizado grandes manifestações nas ruas de várias cidades contra a discriminação, pela justiça e a igualdade social», e condena a «forte repressão» exercida por «forças policiais e militarizadas» sobre os manifestantes, que «no exercício dos seus legítimos direitos exigem o respeito e o cumprimento dos direitos de todos».

«Os EUA são actualmente o país com maior número de infectados e de vítimas mortais de Covid-19, em resultado da desvalorização da situação e da não tomada de medidas preventivas adequadas por parte da administração presidida por Donald Trump», lembra o organismo solidário português, acrescentando que tal atitude motivou «uma grave situação de saúde pública» e conduziu «ao agravamento dos impactos sociais e económicos do surto».

Entre outros aspectos, o texto destaca os «mais de 40 milhões de desempregados em poucas semanas» e a incapacidade das «debilitadas estruturas públicas de saúde e de segurança social» para responder à situação criada – que destapou «uma sociedade profundamente injusta», em que «os mais desfavorecidos são os que mais estão expostos à doença, à pobreza, à violência».

«É neste o contexto social que irromperam as grandes manifestações exigindo justiça e igualdade social em vários pontos dos EUA – manifestações que Trump procura reduzir aos actos de vandalismo entretanto protagonizados por grupos provocadores, incluindo de extrema-direita», lê-se na nota.

O CPPC, que apela à expressão da solidariedade com «a luta do povo dos EUA pela justiça e a igualdade social, a efectiva liberdade e democracia», lembra ainda que os EUA, sob a administração Trump, «continuam a promover a desestabilização e a agressão contra outros países e povos», recorrendo «de forma desumana à fragilidade provocada pela pandemia para impor o bloqueio económico e brandir com a ameaça da intervenção militar».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/solidariedade-com-o-povo-dos-eua-em-lisboa-e-no-porto

Funeral de Floyd e marchas pacíficas marcam 10º dia de protestos

 
 
Contra o racismo nos EUA
 
'Tirem seus joelhos de nossos pescoços', disse religioso na primeira cerimónia com o corpo de George Floyd. Com atos mais tranquilos, Washington e Los Angeles retiram toque de recolher.
 
Os Estados Unidos entraram na quinta-feira (4) na 10ª jornada de manifestações contra o racismo, em dia marcado pelo primeiro funeral do ex-segurança George Floyd, morto durante ação policial em Minneapolis.

Na cerimónia, o reverendo Al Sharpton pediu fim da violência policial contra a população negra, mencionando o policia ajoelhado sobre o pescoço de George Floyd — o que, indicam perícias, causou a morte do ex-segurança. O gesto tornou-se um símbolo dos protestos.

"Tirem seus joelhos de nossos pescoços!" — Al Sharpton, reverendo.

Após uma noite mais pacífica do que as anteriores, autoridades de diversas cidades norte-americanas começaram a retirar os toques de recolher impostos para conter os tumultos.
 
Governadores de cidades que tiveram grandes manifestações com milhares de pessoas, Bill de Blasio, em Nova York, e Keisha Lance Bottoms, em Atlanta, pediram que aqueles que estiveram nos atos dos últimos dias procurem locais para fazer testes de coronavírus, já que as aglomerações podem ter contribuído para a disseminação do vírus.
 
Resumo do 10º dia de protestos nos EUA
 
- Parentes, amigos, celebridades e políticos homenagearam George Floyd no primeiro dos funerais do ex-segurança. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, ajoelhou-se diante do caixão.

- Após noite sem prisões e com protestos pacíficos, a capital Washington não terá toque de recolher nesta quinta. Entretanto, militares da Guarda Nacional continuam na cidade — o que gerou protestos da governadora Muriel Bowser. Mas uma forte chuva acabou dispersando cedo muitos dos manifestantes.

- Da mesma forma, o xerife de Los Angeles, Alex Villanueva, determinou o fim do cumprimento do toque de recolher na cidade. Segundo o jornal "Los Angeles Times", ele justificou a decisão "com base nos padrões pacíficos dos protestos mais recentes".

- Já em Nova York, a polícia continuou detendo pessoas que não respeitaram o toque de recolher a partir das 20 horas.

- Três dos ex-policiais acusados de participação na morte de Floyd compareceram a um tribunal pela primeira vez desde o início do caso. O juiz arbitrou fiança de US$ 1 milhão para eles.

- Os protestos continuaram pelo mundo: houve registo de atos na França, no Reino Unido e na Áustria.

- Pelas redes sociais, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, ofereceu condolências à família e aos amigos de Floyd. "Sua morte foi uma tragédia e, como o presidente Donald Trump disse à nação, justiça será feita", escreveu.

- O artista Kanye West anunciou que vai arcar com os estudos da filha de Floyd e que vai doar US$ 2 milhões a famílias de vítimas de violência policial nos EUA. Ele também participou de uma manifesyação em Chicago.

- Grupos de direitos civis processaram Trump pela repressão a manifestantes perto da Casa Branca momentos antes de o presidente se deslocar a uma igreja, o que gerou críticas de religiosos.

 
 
 
Funeral em Minneapolis
 
Familiares e amigos de George Floyd organizam nesta quinta-feira (4), em Minneapolis, o primeiro funeral do ex-segurança, morto em maio durante uma ação policial — caso que gerou onda de protestos contra o racismo nos Estados Unidos e no mundo.

De acordo com a emissora norte-americana CBS, o corpo de Floyd será levado ainda a outras duas cidades para outras cerimónias: Raeford, na Carolina do Norte, cidade natal do ex-segurança; e Houston, onde ele foi criado. A última homenagem está marcada para terça-feira.

A cerimónia em Minneapolis teve a presença do ativista Martin Luther King III, último filho vivo de Martin Luther King Jr., que lutou pelos direitos civis da população negra dos EUA em meados do século 20. Políticos como a senadora Amy Klobuchar, ex-pré-candidata à presidência dos EUA, também participaram no ato.
 
O governador de Minneapolis, Jacob Frey, também esteve no funeral e ajoelhou-se diante do caixão de George Floyd. Os rappers T.I. e Tyrese Gibson participaram da cerimónia.

Philonise Floyd, um dos irmãos do ex-segurança, afirmou na cerimónia que George era muito querido e "um homem poderoso".
 
O reverendo Al Sharpton, religioso que conduziu a cerimónia, disse que os Estados Unidos nunca foram grande para os negros — parafraseando o slogan "Make America Great Again", do presidente Donald Trump.
 
"Grande para quem? Nós vamos fazer a América grande para todos pela primeira vez. Nunca foi grande para negros, nunca foi grande para latinos", afirmou.


 
Fiança de US$ 1 milhão

Um juiz estabeleceu a fiança de US$ 1 milhão nesta quinta-feira (4) para três dos ex-policias de Minneapolis acusados de cumplicidade na morte de George Floyd. O outro ex-policia, Derek Chauvin — flagrado com o joelho sobre o pescoço do ex-segurança, deverá comparecer no tribunal na segunda-feira.

A fiança para os três acusados, que fizeram a sua primeira aparição no tribunal nesta quinta-feira, seria baixada para US$ 750 mil se eles concordassem com certas condições, inclusive abrir mão de quaisquer armas de fogo pessoais. O juiz Paul Scoggin estabeleceu que os homens devem aparecer no tribunal novamente em 29 de junho.

Thomas Lane, J. Alexander Kueng e Tou Thao foram acusados na quarta-feira de ajuda e cumplicidade em assassinato de segundo grau e de ajuda e cumplicidade em homicídio culposo. Eles poderão enfrentar até 40 anos de prisão se condenados.


 
Caso George Floyd
 
George Floyd morreu em 25 de maio após ser filmado com o pescoço prensado pelo joelho de um policial branco em Minneapolis. Oex-segurança, que era negro, foi alvo da operação policial por supostamente tentar pagar uma conta em uma mercearia com nota falsa de US$ 20, segundo a imprensa norte-americana.

Uma primeira perícia, oficial, não indicou evidências de que Floyd morreu por asfixia. Entretanto, outras duas autópsias indicaram que, sim, o ex-segurança foi morto por sufocamento.

O laudo da autópsia realizada pelo condado de Hennepin, divulgado à imprensa na quarta-feira, informa ainda que Floyd tinha presença de coronavírus no organismo quando morreu. O ex-segurança havia sido diagnosticado com Covid-19 no início de abril.
 
- em G1
 
Imagens:
1 - Manifestante com bandeira dos EUA que tem a inscrição 'Não consigo respirar' participa de protesto em Nova York contra o racismo nesta quinta-feira (4) — Foto: John Minchillo/AP Photo
2A partir da esquerda, J. Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao, três dos ex-policiais acusados pela morte de George Floyd, em foto de 3 de junho — Foto: Hennepin County Sheriff's Office via AP
 
3 - Manifestantes se deitam em rua em Pittsburgh, nos EUA, nesta quinta-feira (4), 10º dia de protestos contra o racismo após a morte de George Floyd — Foto: Matt Freed/Pittsburgh Post-Gazette via AP

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/funeral-de-floyd-e-marchas-pacificas.html

EUA | REBELIÃO E REVOLUÇÃO

 
 
A rebelião é um acto espontâneo dos oprimidos, o qual geralmente adquire um carácter explosivo.   A revolução é um acto deliberado e consciente de forças organizadas e dotadas de uma estratégia.  Neste momento os Estados Unidos estão em rebelião. 
 
Milhares de pessoas em múltiplas cidades dos EUA repudiam a sistemática brutalidade contra afro-americanos e latinos.  Trump até foi afugentado para o bunker subterrâneo da Casa Branca.  Isto tudo no pano de fundo das consequências acumuladas de 40 anos de neoliberalismo, que conduziram à ditadura do capital financeiro e o país a becos sem saída.
As rebeliões são uma indicação de que os povos abandonaram a sua passividade.  Mas pelo próprio facto de terem um carácter explosivo a sua energia se dissipa em breves momentos – e a ordem neoliberal pode voltar a ser imposta.  Os Estados Unidos continuam a precisar de uma revolução.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/eua-rebeliao-e-revolucao.html

A falsa horizontalidade das manifestações intermediadas pelas redes sociais

No intenso e desgastante debate sobre se manifestantes deveriam tomar as ruas, mesmo durante a pandemia, não faltam aqueles que alegam que não podemos apenas ficar em casa nos comunicando pelas redes sociais. Existe, nesta acusação, uma grande confusão entre a necessidade de ficar em casa, o que impulsiona os manifestantes a irem para as ruas e o papel das redes sociais.

 

 

Importante deixar claro que defendo que lutar contra o Bolsonaro hoje é lutar pela quarentena, pelo isolamento social, pela vida, e não sair para rua e dar os braços para a morte. Existem formas e formas de protestar. Causar aglomeração hoje, só ajuda o desgoverno fascista.

Dito isso, quero me ater à questão das redes sociais e como sua influência vai para muito além do nosso sofá.

É um engano pensar que atos como o que ocorreu dia 31 de maio, na Avenida Paulista, dispensam as redes sociais. Não só não dispensam, como estão tão ou mais amarradas a elas quanto quem “ficou apenas em casa”. Isso porque estas manifestações sem liderança política conhecida e organizada são, justamente, resultado da ampla abrangência das articulações virtuais. Elas são organizadas, infladas, repercutem e geram engajamento através de postagens e viralizações.

Não é algo ruim em si. Não compreender esse mecanismo é o problema. Problema porque as manifestações organizadas desta forma sustentam uma aura de espontâneas, voluntárias e sem intermediários, quando, na verdade, são intermediadas por empresas como Facebook e Twitter. Isso é uma grande armadilha, uma vez que reforça a campanha de negação e desmoralização dos partidos e movimentos sociais, sobretudo o movimento sindical, travada com afinco pelo establishment.

Assistimos aqui no Brasil, em 2013, um fenômeno inédito no qual milhões de brasileiros foram para as ruas. Se inicialmente o protagonismo pode ser atribuído ao Movimento Passe Livre, em algum momento a situação fugiu do controle, passando a consistir em um movimento horizontal sem nenhuma liderança. Assim como no Brasil, os Coletes Amarelos, na França, os grandes levantes no Chile, etc, estão concatenados pelo potencial que se abriu com a disseminação dos smartphones e aplicativos de comunicação. É perigoso, entretanto, prescindir de comando, experiência e planejamento. Tanto é perigoso que, a despeito da grandiosidade destes eventos, o que se verificou desde 2013 não foi a ascensão de governos populares. Pelo contrário, o que cresceu foi uma direita retrógrada e fascista que pensávamos que estava enterrada desde a redemocratização de 1985.

Esta falsa horizontalidade reforçada pelas facilidades proporcionadas pela internet atende, desta forma, à um projeto de destruição de instituições democráticas e sociais que tradicionalmente organizam e reportam manifestações populares. Tais instituições, que abrangem os partidos, os sindicatos, a imprensa, os poderes, entidades de classe, etc, devem ser questionadas, criticadas e aprimoradas sim, mas devem, antes de tudo, ser assimiladas e apropriadas pelo povo, não destruídas.

Elas são mais representativas uma vez que baseiam suas ações em um grande debate interno e em um constante processo de construção. Por isso mesmo não podem valer-se de soluções apressadas e enganosas. As redes sociais, por sua vez, com sua infinita capacidade de produção de manifestações, não assumem compromissos políticos e sociais.

O jogo fica claro quando, no dia 31 de maio, início das mega manifestações nos EUA em protesto ao assassinato de George Floyd, o dono do Facebook, Marck Zuckerberg, lançou uma nota de apoio aos protestos em sua página oficial e, por outro lado, foi permissivo com relação às declarações inflamadas do presidente Donald Trump, mesmo após o Twitter ter adicionado etiquetas aos tuítes de Trump, dizendo que ele estava incitando a violência ou fazendo declarações falsas. Isso confirma uma prática, apontada por Julian Assange no livro Quando o Google encontrou o Wikileaks, de manter relações com todos os lados envolvidos.

Concluo que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão da internet como uma poderosa ferramenta de organização, comunicação e ação política, mas precisamos ter o senso crítico necessário para sermos apenas consumidores e não nos deixar consumir por ela.


Texto em português do Brasil


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-falsa-horizontalidade-das-manifestacoes-intermediadas-pelas-redes-sociais/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-falsa-horizontalidade-das-manifestacoes-intermediadas-pelas-redes-sociais

Cultura organiza-se e exige fim da precariedade

Milhares de trabalhadores do sector da Cultura juntaram-se esta quinta-feira, em Lisboa, no Porto e em Faro, para contestar a «falta de apoios e de medidas» para o sector e a necessidade de se travar a «precariedade que dura há anos».

CréditosPaulo António

Uma manifestação unitária, com profissionais das várias áreas do sector e uma excelente mobilização, foi a forma como Rui Galveias, músico e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE/CGTP-IN), caracterizou ao AbrilAbril a manifestação nacional dos trabalhadores da cultura que teve lugar esta quinta-feira.

Com a participação de quase 2000 pessoas em Lisboa, 800 no Porto e 100 em Faro, o dirigente afirma que o sector mostra que percebe o que quer para a Cultura e se revê nas exigências do sindicato. «Esta presença na rua veio trazer força a estas medidas e à luta do sector», referiu.

«Olha a Cultura, olha a Cultura que está na rua para lutar, porque não tem, porque lhe falta orçamento para a salvar» e «Esquecer a cultura é esquecer o País» foram alguns dos apelos feitos pelos manifestantes, em palavras de ordem e cartazes.

Exigindo «medidas de emergência», «medidas estruturais» e «medidas de apoio ao sector», vários foram as intervenções feitas por associações de profissionais para que a «Cultura não fique para trás e não morra».

Medidas «insuficientes» mas fruto da «pressão»

Ao mesmo tempo, António Costa anunciava no final da reunião do Conselho de Ministros, que os profissionais independentes do sector da Cultura vão receber, em Julho e em Setembro, um apoio social semelhante ao que é atribuído aos trabalhadores independentes, ao qual não conseguem aceder devido à intermitência da sua actividade.

Este apoio extra de 1 314 euros, em três prestações, para os trabalhadores da cultura, ainda é «insuficiente», considera Rui Galveias. «Os trabalhadores [com estes valores] continuam a ter a vida hipotecada e não estão a conseguir chegar ao fim do mês. As vidas não encolhem, a realidade não encolheu, portanto continua a ser insuficiente», afirmou o dirigente.

O sindicalista mostrou-se cauteloso, afirmando não se querer precipitar, e admitindo que é preciso saber se «chega a todos».  «Temos esperança que esta medida seja um caminho aberto, e fica provado que o caminho é aberto pela luta», referiu o dirigente, acrescentando que a pressão tem que aumentar e a discussão tem de ser tida «até ao fim».

O CENA-STE irá reunir, esta sexta-feira, com a ministra da Cultura, que o anunciou em directo no programa Prós-e-Contras da RTP, sem ter previamente contactado o sindicato. No encontro, Rui Galveias garante que se baterão por uma legislação para o sector, «que acabe com os recibos verdes e a precariedade» e garanta contratos de trabalho que «contabilizem o tempo real do trabalho e uma efectiva protecção social».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/cultura-organiza-se-e-exige-fim-da-precariedade

Os protestos e as conquistas sociais

A revolta é uma resposta à pobreza e à opressão. E embora nem sempre seja o caso, pode ser eficaz na conquista de mudanças sociais.

 

 

por Paul Heideman, na Jacobin | Tradução de José Carlos Ruy

O liberalismo dos EUA tem uma relação contraditória com protestos de negros. Por um lado, os liberais se imaginam os melhores amigos (na linguagem atual, “aliados”) da causa da igualdade racial. Por outro lado, desde pelo menos a década de 1930 recuaram na militância negra convencidos de que servia a pouco propósito, a não ser fortalecer os reacionários.

Com as revoltas agora agitando cidades em todo o país, a mente dividida do liberalismo foi revelada mais uma vez. Algumas das tentativas de manter o equilíbrio entre apoiar a causa e condenar os levantes foram ridículas, como a ideia ridiculamente paternalista de que a destruição de propriedades é “anarquista branca”. Além de ser uma regurgitação das racionalizações policiais para a repressão, esse tipo de argumento apaga efetivamente as muitas formas de protesto negro que não se enquadram no modelo aprovado pelos liberais.

Pensadores mais sofisticados encontraram meios mais sutis de expressar seu desconforto com as revoltas. Argumentam que os distúrbios, por mais justificáveis ​​que sejam, só fortalecem os reacionários. Esses pensadores estão com sorte – um novo artigo do cientista político Omar Wasow foi publicado recentemente argumentando que os distúrbios na década de 1960 assustaram os eleitores brancos e os levaram a Nixon.

O artigo de Wasow é uma peça da ciência social, e suas conclusões não se sustentam. É perfeitamente possível que as revoltas da década de 1960 realmente tenham aumentado o apoio à campanha de lei e ordem de Nixon.

O artigo recebeu grande atenção nesta semana por parte daqueles que buscam estender suas conclusões muito além de sua base empírica. Ross Douthat, o escritor conservador do “New York Times” que costuma articular melhor os argumentos liberais, usou-o para dizer que os liberais têm “um ônus especial para impedir e conter” distúrbios, se querem impedir uma reação política maior.

Apenas duas semanas atrás, os liberais criticavam o governo Trump por extrapolação imprudente.

No entanto é exatamente isso que estão fazendo agora ao afirmar que os anos sessenta provaram que os distúrbios são sempre contraproducentes. A ideia de que distúrbios podem ter efeitos diferentes em momentos diferentes é uma complexidade que preferem não contemplar.

Para Douthat, as revoltas do Black Lives Matter (BLM – vidas negras importam), em 2014-15, foram levantes que torpedearam o entusiasmo conservador por reforma nas prisões, e acabaram levando ao próprio Trump.

Mas há poucas evidências para esse argumento. De fato, os dados de opinião pública sugerem fortemente que esses episódios contribuíram para ideias mais progressistas em questões raciais. Na última década, o Centro de Pesquisas Pew vem perguntando às pessoas se o país fez o suficiente para garantir a igualdade entre brancos e negros ou se precisa fazer mais. Uma olhada em seus resultados torna óbvio o impacto do BLM.

Entre a população total, de 2014 a 2015 houve um grande salto na proporção de pessoas dizendo que o país ainda precisava mudar para garantir direitos iguais. O tamanho do salto mal diminui se for olhado apenas para os estadunidenses brancos. Mesmo entre os republicanos, há um aumento muito claro da crença de que são necessárias mais ações para a igualdade racial. (Entre os policiais, por outro lado, mais de 80% consideram que não são necessárias mudanças adicionais.) Outras pesquisas acadêmicas comprovaram esse impacto com mais rigor.

Na história recente dos distúrbios, Ferguson e Baltimore não são excepcionais. Há muitas evidências de que os protestos trouxeram mudanças progressistas. Um artigo recente examinou as consequências da revolta de Rodney King e descobriu que em Los Angeles os protestos aumentaram a mobilização de eleitores para o Partido Democrata e o apoio às escolas públicas.

No Reino Unido, houve tumultos em 1990, quando Margaret Thatcher tentou impor um imposto extraordinariamente regressivo sobre os serviços locais. Embora a corrente dominante do Partido Trabalhista tenha condenado os protestos como ação de “anarquistas”, surgiu uma campanha para defender os acusados ​​durante os protestos e fez parte do movimento geral para resistir aos impostos. Esse esforço de baixo para cima criou uma crise para o Partido Conservador que provocou a renúncia de Thatcher e a revogação do imposto de renda.

Mesmo o caso da década de 1960 é mais complicado do que sugere a história liberal sobre os eleitores brancos assustados de Nixon. Por um lado, há evidências substanciais de que os protestos levaram a maiores gastos do governo nas cidades carentes onde ocorreram. O livro pioneiro de James W. Button, “Black Violence” (“Violência negra”), de 1978, documentou as maneiras pelas quais os protestos obrigavam os formuladores de políticas a prestar atenção aos efeitos de suas políticas sobre os pobres urbanos, um grupo que eles negligenciavam. Numa época em que muitos cientistas sociais viam até os movimentos de protesto como uma espécie de psicose em massa, Button mostrou que os eram uma resposta racional ao fato de serem ignorados.

Pesquisas posteriores mostraram que os protestos poderiam aumentar os gastos com assistência social, mesmo em áreas onde o racismo branco era mais forte. Em outras palavras, mesmo que os protestos levassem a opinião pública branca a uma direção conservadora, eles também trouxeram benefícios importantes para as áreas em que ocorreram.

Embora os efeitos políticos dos protestos sejam mais complicados do que os contos morais liberais sugerem, há um sentido importante no qual eles estão fora de questão. Afinal, quaisquer que sejam seus efeitos políticos, os protestos acontecem com certa regularidade nas cidades americanas. Quando as pessoas são desapropriadas, quando a disponibilidade de suas vidas é visível todos os dias em vídeos deles sendo mortos por agentes do estado, e quando o sistema político ignora completamente sua situação, eles, mais cedo ou mais tarde, tentam forçar nacionalmente seus problemas, por todos os meios necessários.

Como Cardi B disse em um vídeo honesto: “Ver as pessoas saqueando e ficando extremamente indignadas, sabe, isso me faz sentir que sim! Finalmente! Finalmente, filhos da puta vão nos ouvir agora”.

Embora os liberais gostem de falar muito sobre o valor de ouvir em momentos como estes, eles deixaram bem claro que preferem não fazê-lo.


por Paul Heideman, Pós-graduado em estudos americanos pela Rutgers University, Newark  |   Texto em português do Brasil, com tradução de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV (Fonte: Jacobin)/ Tornado


 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Apesar da quarentena, convocação de atos de rua pró-democracia ganha força

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247 -Nesta terça-feira (2) ganharam impulso convocações de atos de rua em defesa da democracia e contra o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro. Por ocorrerem ainda durante a quarentena motivada pela pandemia da Covid-19, a realização desses atos não recolhe o consenso de todos os movimentos pró-democracia.

Algumas iniciativas, porém, priorizam ações pelos meios virtuais.

Os novos protestos, marcados em várias cidades do país, estão sendo chamados pelas redes sociais. As marchas são puxadas por integrantes de torcidas organizadas, inspirados no ato pró-democracia do último domingo (31) na avenida Paulista, informa o jornalista Joelmir Tavares na Folha de S.Paulo.

Outras manifestações estão sendo organizadas. A Frente Povo sem Medo, liderada por Guilherme Boulos está convocando uma manifestação para o próximo domingo (7), às 14h, no Masp, chamada de de Ato Antifascista e Antirracista.

O evento vai incorporar o combate ao racismo, ecoando as manifestações que eclodiram nos Estados Unidos e se espalharam por outros países após o assassinato de um homem negro, George Floyd, por um policial branco.

"Não é possível lutar por democracia sem combater o fascismo, o racismo e as opressões", diz a descrição da página criada no Facebook para divulgar o protesto na Paulista.

Também circulam na rede convocações para manifestações em cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Goiânia.

Por outro lado, os idealizadores de dois manifestos recém-criados, o Estamos Juntos e o Basta! são contrários, por ora, às aglomerações, desaconselhadas por facilitarem a propagação do coronavírus.

EUA vivem 'onda de violência explosiva e encruzilhada mortal'

 
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Sputnik -Segundo o analista Patricio Zamora em entrevista concedida à Sputnik Mundo, a revolta é uma "resposta à grande tensão socioeconômica pela gestão desastrosa de Trump da crise da Covid-19". Além do mais, o analista assegurou que existem mais de quatro mil pessoas detidas.

Os protestos pelo assassinato do afro-americano George Floyd se intensificaram neste fim de semana e chegaram inclusive às portas da Casa Branca.

Consequentemente, ao menos 40 cidades norte-americanas decretaram toque de recolher, "afetando 50 milhões de norte-americanos", explicou Patricio Zamorano, analista internacional e diretor-executivo da consultoria InfoAmerica.

Além de possuírem um caráter antirracista, Zamorano assegurou que os protestos expressam "a grande tensão socioeconômica" provocada pela gestão "desastrosa" que o governo de Donald Trump está executando em relação à crise do coronavírus.

"Há de 30 milhões a 40 milhões de pessoas desempregadas e uma situação de fome que começa a ser sentida nas cidades, inclusive entre a classe média. A situação é crítica: pessoas de classe média e baixa fazem filas por horas por um prato de comida", agregou.

Trump criticou o movimento Antifa (antifascismo), o acusando de ter organizado os protestos e o colocando na lista de grupos terroristas. "Se trata de uma manipulação: esta não é uma onda de protestos organizada pelo Antifa", afirmou o especialista.

 

"Este grupo de esquerda progressista tem como objetivo enfrentar nas ruas os grupos supremacistas brancos. Acusá-los dos protestos provocados pelo mal-estar social é uma estratégia de comunicação de Trump para minimizar a verdadeira razão dos protestos", comenta Zamorano.

O analista salientou a hipocrisia do presidente dos EUA ao recordar que "há duas semanas havia grupos supremacistas brancos protestando contra o isolamento social e estas manifestações organizadas por grupos de extrema-direita foram comemoradas por Trump".

De acordo com Zamorano, "existem mais de 320 milhões de armas privadas nos EUA e existem muitos grupos armados e milícias com treinamento militar", motivo pelo qual "se a crise do coronavírus seguir sua má administração, pode haver o transbordamento da violência".

 

Por outro lado, comentou que Trump se vê impedido de fazer campanha para reeleição em novembro e está sendo "prejudicado pelas sondagens".

Seu adversário democrata, Joe Biden, não pôde capitalizar seu apoio, mas tem uma vantagem de dois a cinco por cento".

Greve nos CTT reclama direitos para estes trabalhadores «indispensáveis»

A greve dos trabalhadores dos CTT contra a imposição do pagamento do subsídio de alimentação em cartão de refeição arrancou com uma adesão de 92% na central de Lisboa.

Piquete de greve dos CTT, Cabo Ruivo, Lisboa, 29 de Maio de 2020CréditosMÁRIO CRUZ / LUSA

«A adesão é de 92%. Em cem trabalhadores que estavam escalados houve apenas oito que furaram a greve», disse o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN), Victor Narciso, aos cerca de 40 trabalhadores dos CTT que estavam no piquete da Estação de Cabo Ruivo, em Lisboa.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores não aceitam a imposição de atribuição de um cartão de refeição do Banco Santander como forma de pagamento do subsídio de alimentação, substituindo, assim, o pagamento no vencimento mensal por transferência bancária, como era feito até agora.

O SNTCT denuncia as ameaças da administração em recorrer ao lay-off, mesmo sabendo que não existia base legal para o aplicar, por causa de um «pretenso terramoto nas receitas». Segundo o sindicato, os CTT pretendem, através desta medida, poupar quase dois milhões de euros em impostos reduzindo o valor das prestações sociais a que os trabalhadores têm direito.

Para além desta medida, que constituiu a «gota de água», a greve engloba também outras reivindicações, como os aumentos salariais e a admissão de mais trabalhadores para diminuir a carga horária.

José Manuel Oliveira, dirigente da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), e Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP-IN, também estiveram presentes no arranque da greve.

«Isto que a administração dos CTT tem vindo a fazer de imposição deste cartão de refeição foi "a mola" que espoletou esta unidade entre os trabalhadores, [porque] veio trazer à luz do dia as consequências da privatização, não só para os seus trabalhadores, mas também para os serviços que esta empresa faz no País», referiu a secretária-geral da CGTP-IN.

Os deputados do PCP, Bruno Dias, e do BE, Isabel Pires, também se juntaram a estes trabalhadores para marcar o início do protesto.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-nos-ctt-reclama-direitos-para-estes-trabalhadores-indispensaveis

Marcha pelo emprego em Sines

Perante a situação que se vive no complexo industrial de Sines e na região, os trabalhadores vão realizar esta quinta-feira uma marcha, nomeadamente para readmitir os trabalhadores despedidos.

CréditosTiago Canhoto / Agência Lusa

A marcha, em «cordão humano», sairá pelas 18h do Jardim das Descobertas para o Jardim da República (Rossio), e contará com a participação de Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP-IN.

Numa nota à imprensa que dava informação sobre os contornos da iniciativa, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE Sul/CGTP-IN recordou os seus objectivos, definidos num plenário, no passado dia 4.

A estrutura sindical exige a readmissão de todos os trabalhadores despedidos e a passagem a efectivos dos que tenham um posto de trabalho permanente. Por outro lado, o SITE Sul defende que na admissão deve ser dada preferência aos trabalhadores locais.

Outra reivindicação é relativa aos subsídio de desemprego, que deverá abranger todos os trabalhadores e não apenas aqueles que tinham os vínculos regularizados.

O sindicato insiste que «a situa­ção social que se vive no complexo industrial de Sines é muito complicada e, caso não se tome medidas urgentes, a tendência será para agravar-se, com consequências terríveis». 

As grandes empresas industriais do complexo são as maiores empregadoras locais e representam milhares de empregos indirectos. «Até agora, estas empresas não quiseram proteger o emprego e permitiram que muitos trabalhadores fossem despedidos», denunciou a estrutura sindical, acrescentando que a prioridades foram os accionistas, a quem se distribuíram milhões de euros em dividendos, o que torna «ainda mais incompreensível» a situação.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/marcha-pelo-emprego-em-sines

Greve nos CTT a 29 de Maio

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações entregou um pré-aviso de greve para 29 de Maio, que abrange os trabalhadores dos CTT Expresso e dos CTT – Correios de Portugal.

Os CTT foram privatizados pelo governo do PSD e CDS-PPCréditos

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN) informa, assim, o presidente do Conselho de Administração do CTT Expresso e a Comissão Executiva dos CTT – Correios de Portugal que os trabalhadores entrarão em greve geral, das 0h às 24h do dia 29 de Maio.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores não aceitam a proposta de atribuição de um cartão de refeição como forma de pagamento do subsídio de alimentação, substituindo, assim, o pagamento no vencimento mensal por transferência bancária, como tem sido feito até ao momento.

Os trabalhadores dos CTT, diz o SNTCT, querem continuar a usar a retribuição referente ao subsídio de refeição «conforme a sua vontade» ou local de preferência.

O sindicato denuncia ainda que, com esta decisão da empresa, há centenas de trabalhadores que vão passar a ter uma retribuição líquida inferior ao salário mínimo nacional.

O SNTCT esclarece que, durante o dia de greve, os serviços necessários à segurança e manutenção de equipamento e instalações serão assegurados, tal como a recolha, expedição e distribuição de medicamentos e produtos perecíveis.

Caso a administração não recue na decisão de pagar aquele subsídio através de cartão de alimentação, o que, segundo o SNTCT, constitui um incumprimento do Acordo de Empresa, «será decretada uma nova greve no dia 12 de Junho e serão analisadas novas formas de luta», acrescenta aquela estrutura.

 

Com agência Lusa

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-nos-ctt-29-de-maio

Venda da Sousacamp tem de fazer justiça aos trabalhadores

Perante as notícias da venda da Sousacamp, o Sintab denuncia a discriminação de que são vítimas os trabalhadores que se opuseram ao despedimento e a falta de actuação da ACT.

CréditosEstela Silva / Lusa

«Não podemos aceitar que a ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho] se assuma, já sem quaisquer disfarces, como uma entidade "amiga" para as empresas», afirma o Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação e Bebidas (Sintab/CGTP-IN).

Desde Fevereiro, altura em que o Sintab denunciou a segregação dos trabalhadores que recusaram a proposta de rescisão da empresa, e requereu uma acção inspectiva à ACT, nada mudou e não foi aberto nenhum processo.

Esta semana, o sindicato denuncia que os trabalhadores que haviam recusado a proposta de rescisão da empresa voltaram a ser discriminados ao não serem convocados para uma reunião geral onde se apresentaram cenários de futuro.

As recentes notícias do agendamento dos trâmites finais da venda do grupo Sousacamp são, no entender do sindicato, um «bom prenúncio» por anteciparem a «evidência de continuidade e viabilidade do futuro da empresa e dos postos de trabalho», sobretudo por envolverem outros agentes que não de «interesse meramente financeiro» e já «conhecedores da indústria e mercado da alimentação».

Porém, o Sintab lembra que «as boas notícias efectivar-se-ão apenas se esta nova fase determinar, sem equívocos, o fim da actual, extremamente negra e atentatória dos direitos e da dignidade dos trabalhadores».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/venda-da-sousacamp-tem-de-fazer-justica-aos-trabalhadores

Joe Hill – A Rapariga Rebelde

Durante os 22 meses que passou no corredor da morte, Hill continuou a escrever canções, incluindo a “Rebel Girl”, dedicado à mulher proletária.

Quando Hill ouviu a notícia da sua execução, enviou uma mensagem a Bill Haywood, dirigente do sindicato:
 
Adeus Bill. Morro como um verdadeiro rebelde.
“Não percas tempo com luto. Organiza!”
 
Sindicalista, poeta e compositor assassinado em 1915 nos EUA
 
 
A Rapariga Rebelde
 
Há mulheres muito diferentes
Neste estranho mundo, como todos sabemos.
Algumas vivem em belas mansões,
E vestem os mais finos trajes.
Há rainhas e princesas de sangue azul
Que têm encantos lavrados de diamantes e pérolas.
Mas a única que é um puro-sangue
É a Rapariga Rebelde.
 
É a Rapariga Rebelde, a Rapariga Rebelde!
Para a classe operária, ela é uma pérola preciosa.
Ela dá coragem, orgulho e alegria
Ao Rapaz Rebelde que luta.
Tivemos já muitas raparigas, mas necessitamos de muitas mais
No sindicato dos Trabalhadores Industriais do Mundo.
Porque é ótimo lutar pela liberdade
Com uma Rapariga Rebelde
Sim, ela tem as mãos calejadas do trabalho,
E o vestido talvez não seja o mais bonito.
 
Mas o coração que bate no seu peito
É autêntico para ela e para a sua classe.
E os trapaceiros tremem de medo
Quando ela grita o seu despeito.
Porque a única dama puro-sangue
É a Rapariga Rebelde!
……
 

The Rebel Girl
There are women of many descriptions
In this queer world, as everyone knows.
Some are living in beautiful mansions,
And are wearing the finest of clothes.
There are blue blood queens and princesses,
Who have charms made of diamonds and pearl
But the only and thoroughbred lady
Is the Rebel Girl

That’s the Rebel Girl, the Rebel Girl!
To the working class, she’s a precious pearl.
She brings courage, pride and joy
To the fighting Rebel Boy
We’ve had girls before, but we need some more
In the Industrial Workers of the World.
For it’s great to fight for freedom
With a Rebel Girl.

Yes, her hands may be hardened from labor
And her dress may not be very fine
But a heart in her bosom is beating
That is true to her class and her kind.
And the grafters in terror are trembling
When her spite and defiance she’ll hurl
For the only and thoroughbred lady
Is the Rebel Girl.

Via: voar fora da asa https://bit.ly/2LsJlmI

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/13/joe-hill-a-rapariga-rebelde/

É urgente um verdadeiro Serviço Público de Cultura

O Manifesto em Defesa da Cultura quer a mobilização imediata de fundos do OE para garantir «rendimento suficiente» a todos os trabalhadores da Cultura, «sem condições, excepções ou contrapartidas».

Créditos / Manifesto em Defesa da Cultura

A exigência, a par de outras, é dada a conhecer através de um comunicado divulgado este sábado pelo grupo nacional de coordenação do Manifesto em Defesa da Cultura.

Além de apoios financeiros imediatos aos trabalhadores, no documento pede-se a mobilização de fundos do Orçamento para garantir a sobrevivência das estruturas artísticas que viram recusados apoios nos últimos concursos quadrienais e bienais.

Lembrando a exigência antiga de se estabelecer desde já o patamar mínimo de 1% do Orçamento do Estado (OE) para a Cultura e o objectivo de alcançar, numa década, 1% do PIB, os activistas recusam «o regresso da austeridade sob nova retórica».

Um verdadeiro Serviço Público de Cultura é necessário para acudir à «emergência» que a Cultura já vivia «há décadas», fruto de uma política cultural de «destruição do interesse público», de favorecimento da «mercantilização e mercadorização da Cultura» e de «redução drástica do investimento do Estado».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/e-urgente-um-verdadeiro-servico-publico-de-cultura

Na linha da frente

Vamos comemorar este 1º de Maio num momento de grande complexidade no país e no mundo. A actual situação de pandemia inspira cuidados a todos, mas atinge de forma particular os trabalhadores. São os trabalhadores que estão na linha da frente deste combate, assegurando os serviços públicos, a produção de bens e serviços essenciais entre outras funções. Sem os trabalhadores nada funciona!

Assim começa a resolução da CGTP neste 1º de Maio. Afinal de contas, de quem depende o funcionamento de tudo o que tem valor, a criação de tudo o que tem valor?

Esteve bem o maior movimento social deste país em mostrar desta forma a força e a disciplina do trabalho organizado. E tudo em conformidade com a Direcção-Geral da Saúde, como sempre foi óbvio para quem não tem preconceitos.

Há quem prefira um sindicalismo virtual, cedendo à campanha em curso também contra o 1º de Maio. A CGTP não cedeu e fez bem. Está na linha da frente. Vamos precisar de um movimento social assim.

A luta de classes existe de forma cada vez mais nítida e eles querem continuar a ganhá-la, usando este crise com mais um pretexto.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Portugal | O 1º de Maio na Alameda, reduzido nas presenças mas sempre reivindicativo

 
 
CGTP exige proibição dos despedimentos e pagamento integral a trabalhadores em lay-off

 

 
Isabel Camarinha vai mais longe e pede que sejam também revertidos os despedimentos realizados desde o início da pandemia.
 
Numa Alameda mais vazia do que o habitual para um 1.º de Maio, a secretária-geral da CGTP exige a "proibição dos despedimentos", bem como o pagamento a 100% a todos os trabalhadores abrangidos pelo regime de lay-off.
 
"Exigimos uma resposta imediata à ofensiva em marcha", frisa, durante o discurso a propósito das comemorações do Dia do Trabalhador na Alameda, em Lisboa.
 
Isabel Camarinha vai mais longe e pede que sejam também revertidos os despedimentos realizados desde o início da pandemia, garantindo que "os trabalhadores não querem caridade", mas sim "exigem os seus postos de trabalho e a totalidade das suas retribuições".
 
 
Quanto ao regresso dos trabalhadores ao local de trabalho, a CGTP exige"a proteção de todos os trabalhadores", referindo-se à higienização dos postos de trabalho e à disponibilização de equipamentos de proteção individual.
 
Segundo a secretária-geral da CGTP, está-se a assistir ao "aproveitamento que alguns fazem do vírus para acentuar a exploração", criando ainda mais precariedade laboral, considerando que "a luta ganha ainda mais atualidade nesta fase da vida nacional, em que está em marcha uma ampla campanha ideológica que pretende incutir que os direitos dos trabalhadores são inimigos da recuperação económica do país".
 
A líder da CGTP considerou que é precisamente com avanços nos direitos laborais, proteção do emprego e aumentos dos rendimentos que a recuperação será mais rápida e sólida.
 
"Não estamos condenados a anos e anos de sacrifícios, a uma recuperação lenta, a um processo doloroso que implicará mais austeridade, como é repetido insistentemente por muitos e admitido pontualmente por outros", afirmou.
 
Sara Beatriz Monteiro | TSF | Imagens: 1 – em Visão; 2 – em TSF

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-o-1-de-maio-na-alameda.html

Ministério da Cultura deve salvaguardar o presente e futuro do sector

A situação dramática que atravessa o sector da cultura exige um conjunto de medidas de «emergência», de «retoma» e de «reforma», defendeu ontem o CENA-STE, após reunião adiada no Ministério da Cultura.

CréditosBruno Ferreira / Manifesto em Defesa da Cultura

O compromisso com o Ministério da Cultura era o de, esta quinta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE/CGTP-IN)  apresentar propostas concretas com vista à solução dos problemas do sector, mas a reunião foi adiada. «Lamentamos profundamente que o Ministério da Cultura não considere prioritário discutir com os representantes dos trabalhadores do sector propostas tão urgentes quanto estruturantes para estabilizar as situações de urgência com que nos deparamos todos os dias», pode ler-se na nota divulgada.

Assim, cumprindo o compromisso, o CENA-STE decidiu divulgar ontem as propostas que teria apresentado à ministra na reunião, que considera serem medidas «de emergência, de retoma e de reforma para o sector», construídas em cima dos resultados do «Questionário aos Trabalhadores de Espectáculos, Audiovisual e Músicos», bem como do diálogo com estruturas culturais e grupos informais de defesa da cultura e com delegados e dirigentes sindicais dos muitos locais de trabalho onde tem intervenção.

O sindicato considera que as «consequências devastadoras» deste período em que foram aplicadas as medidas de contingência da Covid-19 que paralizaram o sector, assumiram estes contornos devido às «condições de precariedade, injustiça social, indefinição e arbitrariedade que carecem do devido enquadramento há muito tempo».

O CENA-STE propõe, assim, a criação de um fundo de emergência social que garanta «protecção imediata destes trabalhadores» até ao levantamento de todas as normas de condicionamento da sua actividade, que garanta um apoio mínimo de 635 euros – referente ao salário mínimo nacional –, e um máximo de 1097 euros – referente ao valor máximo de subsídio de desemprego, dependendo dos rendimentos declarados.

Propõe ainda a isenção de pagamento das contribuições à Segurança Social e um desagravamento fiscal. Por outro lado, exige a afectação de verbas a estruturas artísticas e culturais não abrangidas pelos apoios da DGArtes, mas consideradas elegíveis.

Para preparar a retoma com o fim do confinamento, o sindicato reclama medidas de protecção social e de saúde relacionadas com a Covid-19 e a promoção de medidas de higiene e segurança no trabalho, acompanhada de incentivos à produção, difusão e fruição cultural.

Entre elas a criação de um «Cartão-Cultura» para aquisição de produtos culturais nacionais, permitindo a cada cidadão acesso a um valor mensal para gastar em espectáculos, livros, filmes, museus ou similares, com duração a determinar, a ser pago às entidades culturais e artísticas mediante comprovativo de usufruto.

Como medidas de reforma, o CENA-STE reivindica a revisão da carreira contributiva, por forma a garantir uma maior estabilidade destes profissionais, a obrigatoriedade dos contratos, e um levantamento exaustivo do tecido cultural para diagnosticar necessidades específicas de regiões ou comunidades, particularmente no que toca à protecção laboral e social.

Finalmente, o sindicato afirma que a luta pela valorização da cultura e dos seus trabalhadores passa pela exigência de um maior financiamento para a cultura e a concretização, «sem subterfúgios ou cativações», do patamar mínimo de 1% do Orçamento do Estado para a Cultura.

Unidos pelo presente e futuro da Cultura em Portugal

Um colectivo de 14 estruturas formais e informais representativas do tecido cultural e artístico do País, entre as quais está o CENA-STE, lançou um apelo à criação efectiva de «uma estratégia a curto, médio e longo prazo» para o sector, que inclua medidas de protecção social dos trabalhadores intermitentes e a disponibilização de «um fundo de apoio de emergência com valores dignos e adequados à dimensão e ao impacto» da crise provocada pelo surto da Covid-19.

A reivindicação está expressa no manifesto «Unidos pelo presente e futuro da Cultura em Portugal», que foi enviado aos presidentes da República e da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e à ministra da Cultura.

Convictos de que as soluções até agora anunciadas pelo Ministério da Cultura e as medidas transversais de emergência «deixam de fora um número substancial de profissionais desta área», dando origem a casos e situações dramáticas que revelam «a magnitude da calamidade», os subscritores apelam a uma acção que ultrapasse «a visão normalmente redutora deste sector, incluindo uma multiplicidade de profissões cujo mapeamento é gravemente insuficiente».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/ministerio-da-cultura-deve-salvaguardar-o-presente-e-futuro-do-sector

Centenas de pessoas (e muito espaço) encheram a Alameda para condenar “agressões laborais”

 

A pandemia não impediu que centenas de pessoas enchessem esta tarde os relvados da Alameda, em Lisboa, para celebrar o 1.º de Maio, este ano com máscaras, além das bandeiras, para pedir o “fim das agressões laborais”.

 

Ao contrário dos anos anteriores, não houve a tradicional marcha pela Avenida Almirante Reis, nem se vislumbraram as habituais tasquinhas, onde muitos costumam acorrer para refrescar a garganta.

Também o grande palco, geralmente colocado junto à fonte luminosa, foi substituído por um palco móvel da CGTP, e foi dele que a secretária-geral, Isabel Camarinha, fez a sua intervenção político-sindical.

Apesar de todas as condicionantes, impostas pelo surto da covid-19, foram muitos aqueles que se recusaram a ficar em casa e quiseram sair à rua para expressar o seu descontentamento.

Os trabalhadores continuam a ser agredidos todos os dias. Neste tempo de pandemia está a existir uma grande fragilidade. O teletrabalho, toda esta modificação das empresas e os constantes ‘lay off’”, afirma à agência Lusa Liliana Rosa.

Acompanhada por alguns familiares, esta terapeuta da fala, de 31 anos, conta que está a recibos verdes e que essa condição a fragiliza ainda mais, queixando-se da falta de apoio do Estado. “Tivemos que encerrar a nossa atividade, sem qualquer tipo de suporte. A Segurança Social não está a dar as respostas”, lamenta.

Uns metros mais à frente, Branca Gaspar, pertencente ao sindicato dos professores, vai ajudando os “camaradas” a organizarem-se numa das centenas de fileiras que foi criada para evitar aglomerações e garantir o distanciamento físico exigido.

“Não foi fácil convocar camaradas porque alguns já não são da região de Lisboa. Este é um momento simbólico e nós não podíamos ficar confinados em casa. Nunca falhamos desde que somos democracia”, sublinha.

A pertinência de celebrar o 1.º de Maio, mesmo em tempo de pandemia, foi também sublinhada pela técnica de Saúde Isabel Dias, que se desloca todos os anos à Alameda. “Temos que nos unir nestes tempos difíceis para, realmente, lutar pelos nossos direitos. É complicado porque as famílias estão isoladas, mas temos de ter paciência”, observa.

Ao longo desta celebração foram vários os apelos da organização para que se respeitassem as distâncias de segurança e para que deixassem “os momentos de convívio para outras ocasiões”. Dezenas de elementos da PSP acompanharam de perto esta ação, não se tendo registado qualquer incidente.

 

// Lusa

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/centenas-pessoas-espaco-encheram-alameda-condenar-agressoes-laborais-322194

Dividendos, despedimentos e protestos na Galp

Representantes dos trabalhadores realizaram um protesto simbólico na refinaria de Sines, onde foram despedidos 80 trabalhadores, no dia em que se distribuíram 580,5 milhões de euros de dividendos.

CréditosManuel de Almeida / Agência Lusa

Em nota à imprensa, a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas e Eléctricas (Fiequimetal/CGTP-IN) defende que a distribuição de dividendos, concretizada sexta-feira passada em assembleia-geral de accionistas do Grupo Galp Energia, representa a retirada de centenas de milhões de euros do País e significa que «não há forma de assegurar que esse valor seja investido em Portugal ou que não sirva para alimentar somente a especulação financeira».

A distribuição aprovada de 318,2 milhões de euros acresce aos 262,3 milhões de euros, pagos a título de adiantamento sobre lucros do exercício em Setembro de 2019, o que eleva para 580,5 milhões de euros o valor a distribuir pelos accionistas da Galp Energia.

No mesmo dia, à entrada do primeiro turno, uma delegação de representantes dos trabalhadores esteve junto à portaria desta refinaria a protestar simbolicamente contra o facto de não estarem garantidos os postos de trabalho.

Recorde-se que, em Sines, no início de Março, 80 trabalhadores das empresas empreiteiras a laborar na Petrogal foram despedidos, entre os quais dois representantes dos trabalhadores.

Quanto à situação nesta refinaria, a estrutura sindical exige que o Governo actue de imediato para «reverter todos os despedimentos já ocorridos» e impedir «novos abusos».

Para a Fiequimetal, os ganhos decorrentes da aquisição de crude a preços muito baixos deverão ser «utilizados para alavancar a recuperação económica do País». Por outro lado, o Governo deverá estabelecer um preço máximo para os combustíveis, de forma a garantir que «aqueles ganhos beneficiam os trabalhadores, as empresas e o desenvolvimento nacional».

Também a comissão central de trabalhadores da Petrogal denuncia a atitude do Governo perante esta situação, lembrando que o Estado é o segundo maior accionista directo e que dá o seu aval à conversão de investimento em dividendos, «cujo destino maioritariamente será o estrangeiro», e recusa «o efeito replicador do investimento produtivo para o País e que o Estado viria a colher mais à frente», pelo que exigem a nacionalização da empresa.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/dividendos-despedimentos-e-protestos-na-galp

Portugal | AMANHÃ*

 
 
Anabela Fino * | opinião
 
Instalou-se o coro mediaticamente ampliado do «vai ficar tudo bem», do «temos de estar unidos», do «toca a todos», juntamente com os cada vez mais apocalípticos cenários do que aí vem (que visam sobretudo instalar a ideia de que será tão mau que tudo deverá ser aceite pelos trabalhadores). A realidade já está à vista, nos despedimentos selvagens, no lay-off à medida do patronato, no condicionar dos direitos de acção colectiva dos trabalhadores, a começar pelo direito à greve e, por outro lado, nos salamaleques ao grande capital e à banca. A luta de amanhã terá de estar à altura desta ofensiva.
 
Primeiro condicionou-se os direitos de greve, de manifestação e de resistência; depois foi suspenso o direito das comissões de trabalhadores e associações sindicais de participação na elaboração das leis do trabalho. Mas dizem-nos que vai ficar tudo bem.
 
Primeiro cortou-se um terço ao salário dos trabalhadores, mantendo-se no entanto o desconto de 11% sobre o salário para a Segurança Social; depois facilitou-se o lay-off, deixando nas mãos das empresas o poder de despedir os trabalhadores não abrangidos, ao mesmo tempo que eram isentadas do pagamento de contribuições para a Segurança Social, a famosa TSU aplicada a cada salário. Mas repetem-nos que temos todos de estar unidos.
 
Em poucos dias, quase 32 mil empresas mandaram mais de 500 mil trabalhadores para casa, e o próprio Governo estima que haverá em breve um milhão de trabalhadores na mesma situação, pelo que os encargos chegarão aos mil milhões de euros mensais. Mas dizem-nos que temos de ser resilientes.
 
Mais rápido do que a própria epidemia espalha-se o vírus da dispensa de trabalhadores em período experimental, da não renovação de contratos a prazo, dos despedimentos e da antecipação forçada de férias, ao mesmo tempo que o patronato exige ajudas a fundo perdido e defende o endividamento (ainda maior) do Estado para acorrer aos seus privados negócios. Mas repetem-nos que a crise toca a todos.
 
Enquanto isso, o Presidente da República conferenciou nesta segunda-feira com os cinco maiores bancos a actuar em Portugal para lhes pedir o favor de serem sensatos e se lembrarem que receberam dezenas de milhares de milhões de euros do erário público, ou seja, dos portugueses, pelo que devem fazer o obséquio de agilizar os empréstimos às empresas e às famílias. Bonito. Mas não me lembro de alguém me ter perguntado, a mim e aos milhões de portugueses como eu – trabalhadores, reformados, pensionistas, desempregados, homens e mulheres – se aceitava ser espoliada a favor da banca. Fomos todos, como sempre, voluntariamente obrigados a pagar uma factura que não era nossa.
 
E eis que de novo – ou não fora essa a essência do capitalismo – os poderes instituídos equiparam os cêntimos do trabalho aos milhões dos banqueiros, como se um terço do salário a menos fosse um azar na bolsa.
 
E eis que de novo, como sempre, se faz de conta que o dinheiro do Estado não é o dinheiro de todos nós, trabalhadores com cortes salariais incluídos, e sobra em benesses ao privado o que escasseia à causa pública.
 
Não, não vai ficar tudo bem. Não adianta repetir os mesmos erros na esperança de um resultado diferente. Com ou sem epidemia, é a sociedade que está doente, vítima de um sistema tão desumano que não tem remédio. Amanhã, que é já hoje, o tempo será de luta.
 
Damian Wilson    18.Abr.20

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/portugal-amanha.html

A facilidade de discernir os atuais contornos da luta de classes

As críticas malévolas de uns quantos medíocres vão esbarrando em factos incontestáveis: por esta altura Portugal é mundialmente um dos países que faz mais testes de diagnóstico aocovid 19, o número de ventiladores disponíveis é muito maior do que o dos pacientes em cuidados intensivos mesmo sem terem chegado as centenas atempadamente encomendadas a fabricantes chineses e, comparativamente com a maioria dos parceiros europeus, a taxa de mortalidade é mais baixa quedando-se pelos 3,2 %.

 

Poucos duvidarão, que os tais críticos estão com aqueles que fogem com dinheiro para a Holanda fazendo ao país perder 236 milhões de euros em cada ano de acordo com o estudo da Tax Justice Network ouque se aprestem a pagar dividendos a acionistas numa altura em que tantos trabalhadores e pequenos empresários se veem aflitos para satisfazer a própria sobrevivência. São também os mesmos, que terão batidopalmas ao deputado do CDS que, antecipando-se ao vizinho do lado, propôs que não se comemorasse o 25 de abril, como se celebrar a Liberdade fosse incompatível com os constrangimentos da crise sanitária.

 

A maldade, que anda à solta por aí não se traduz apenas nas cenas vindas de Espanha sobre o vandalizado carro de uma médica ou cartas anónimas a enfermeiras ou caixas de supermercado a instarem-nas amudar de casa para não porem em risco a saúde dos vizinhos. Esse é um retrato do que se pode designar como a da ruindade ordinária em todos os sentidos desta palavra. Há a outra, a mais sofisticada e que leva Eliana Brum a escrever no «El Pais» que, depois da pandemia, o pior será voltar à «normalidade». Porque é sob a sua capa, que as fortunas obscenas ainda mais infames se tornam. Veja-se o caso do homem mais rico do mundo, Jeff Bozos que aproveitando este clima de incertezas, somou mais 24 mil milhões de dólares à sua já indecorosa riqueza. Os clientes da Amazon, que tenham alguns pesadelos à conta de ajudarem o tratante...

 

Há, porém sinais suscetíveis de alimentar alguma esperança: apesar de muitos imaginarem-no imbatível em novembro, Trump vai acumulando sucessivas mostras de nervosismo perante o que pressente vir a ser humilhante derrota. Os abusos de poder denunciam-lhe a insegurança, quer quando hostiliza governadores, corta fundos à OMS ou ameaça suspender o Senado. A derrota do seu candidato para o Supremo no Kentucky, mesmo perante uma democrata assumidamente pró-aborto e pró-casamentos gay, demonstra uma grande mobilização de democratas para lhe travarem as ambições. E bem sabemos como um acontecimento de importância aparentemente relativa - e o perfil de Biden bem justifica que assim o designemos - acaba por despoletar mudanças significativamente maiores...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/04/a-facilidade-de-discernir-os-atuais.html

Para que os tempos sejam mesmo outros (II)

«Quando os trabalhadores e pequenos empresários perdem tanto (muitos quase tudo!), pagar dividendos é um rastilho para a raiva política (como disse o Financial Times). (...) O facto de acionistas de grandes empresas se prepararem para manterem o seu rendimento é só mais uma evidência da polarização excessiva da nossa sociedade: ou a reformamos rapidamente, ou o risco de desintegração, pela mão da raiva política assinalada pelo respeitável Financial Times é real.»
«Durante a crise de 2008-2011, os bancos também andaram alegremente a pagar dividendos e desta vez os reguladores agiram preventivamente. Para as empresas não financeiras, pelos vistos, temos de esperar pela próxima crise. E assim, de crise em crise, se vai acendendo o rastilho da raiva numa sociedade polarizada
».

Susana Peralta, Os dividendos do nosso descontentamento (aqui e aqui).

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Cuidado para não nos anteciparmos – será necessária uma luta de classes dura. Por Bill Mitchell

Seleção e tradução de Francisco Tavares

Bill Mitchell I Por Bill Mitchell

Publicado por bilbo.economicoutlook em 8 de abril de 2020 (ver aqui)

logo bill mitchell

 

É quarta-feira e apenas uma colecção de excertos hoje. Estou a tentar terminar um trabalho importante e é isso que estou a fazer hoje. E a aprender a programar os formatos Geojson em R, para poder ultrapassar a decisão do Google de abandonar a sua instalação de mesa de fusão, com a qual o meu centro de investigação conta há alguns anos para exibir camadas de mapas. E tenho algumas entrevistas com a imprensa para tratar. Mas hoje consideramos a afirmação do editorial do Financial Times do outro dia de que “são necessárias reformas radicais para forjar uma sociedade que funcione para todos”. Foi uma declaração extraordinária de uma instituição como o FT para começar. Mas reflete o desespero que existe no estrangeiro neste momento – em todas as nossas nações – à medida que a história do vírus/bloqueio continua a piorar e a incerteza aumenta. Mas também penso que devemos ter o cuidado de não adoptar a opinião de que tudo vai mudar em resultado desta crise. As elites são um bando destemido, sobretudo porque têm dinheiro e podem comprar capacidade militar. Mudar a natureza essencial do neoliberalismo, mesmo se o que tem sido demonstrado por toda a intervenção estatal nos últimos meses exponha todos os mitos que têm sido utilizados para esconder essa natureza essencial, é mais difícil do que possamos imaginar. Penso que é necessária uma luta de classes mais dura do que os debates de classe média que esboçam as entusiásticas últimas propostas de reforma. Esta última tem sido a história dos progressistas eurófilos há cerca de duas décadas, à medida que a confusão da zona euro se tem vindo a desenrolar. Não os levou muito longe.

 

O Financial Times mostra-se radical

O medo tem o dom de mudar a mentalidade das pessoas. Pergunte a qualquer torturador.

No dia 4 de Abril de 2020, o editorial do Financial Times – O vírus põe a nu a fragilidade do contrato social – parece ter atingido um ponto nevrálgico.

Aqui está uma voz essencialmente conservadora e um decano da imprensa financeira a aparecer e a dizer:

  1. “São necessárias reformas radicais para forjar uma sociedade que funcione para todos”.
  2. O vírus está a brilhar “uma luz ofuscante sobre as desigualdades existentes”.
  3. Tal como durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, que moldaram a era social-democrata no pós-guerra, talvez os “atuais sentimentos de propósito comum moldem a sociedade após a crise”.
  4. Como? Para reparar a “fragilidade das economias de muitos países” – os seus sistemas de saúde mal preparados, a falta de espírito colectivo que o neoliberalismo tem fomentado como forma de redistribuir o rendimento pelos topo e privar milhões de empregos e oportunidades de carreira e segurança material.
  5. Que os mercados de trabalho precários estão agora a tornar mais difícil para os governos “canalizar ajuda financeira para os trabalhadores com um emprego tão inseguro”.
  6. E, enquanto os banqueiros centrais estão empenhados em salvar o sistema financeiro com intervenções ainda maiores de QE, o FT pensa que só vão ajudar os “ricos em ativos” enquanto “os serviços públicos subfinanciados estão a ranger sob o peso” da austeridade do passado.
  7. Temos mecanismos de apoio de apoio onde a partilha de custos (o FT chama-lhe a partilha de “sacrifícios”) pode ser feita com qualquer sentido de equidade. “Os sacrifícios são inevitáveis, mas cada sociedade tem de demonstrar como vai oferecer a restituição àqueles que suportam o fardo mais pesado dos esforços nacionais”.
  8. E depois começamos a falar sobre isso:

“Será necessário pôr em cima da mesa reformas radicais – invertendo a orientação política prevalecente nas últimas quatro décadas. Os governos terão de aceitar um papel mais activo na economia. Devem encarar os serviços públicos como investimentos e não como passivos e procurar formas de tornar os mercados de trabalho menos inseguros. A redistribuição estará novamente na ordem do dia; os privilégios dos idosos e dos ricos em questão. As políticas até há pouco tempo consideradas excêntricas, como o rendimento básico e impostos sobre a riqueza, terão de estar no cabaz”

Podemos substituir o “rendimento básico” pela Garantia de Emprego e estaremos a fechar um acordo.

A questão é que o jogo está pronto para os neoliberais. Todas as suas cortinas de fumo sobre não poderem fazer isto e aquilo devido à falta de fundos foram expostas.

Todos nós sabemos agora que numa emergência:

1. Não há dúvida de que o Governo pode gastar grandes somas praticamente imediatamente sem falar em aumentar os impostos, agora ou mais tarde.

Sabemos como o pagam. Eles emitem a moeda. A mecânica exacta pode ainda ser obscura, mas o princípio geral não o é.

2. Sabemos que os bancos centrais podem trocar montantes ilimitados da moeda com os bancos em troca de obrigações do Estado detidas no sector não governamental. Não há limites. E já ninguém fala de hiperinflação (excepto os realmente loucos da direita).

3. Assim, podemos contestar a noção de uma emergência.

O desemprego em massa é uma emergência?

Será que as alterações climáticas são uma emergência?

Etc.

4. O “mercado” não nos vai salvar. Tudo o que o mercado tem vindo a fazer é a especulação de preços para o essencial, numa altura em que deveríamos estar a cooperar. Permitiu também que algumas personagens do eBay se tornassem vendedores de “máscaras”, fornecendo máscaras de má qualidade ou produtos de limpeza das mãos a preços exorbitantes.

Podemos ver que “só o Estado pode salvar a nação” agora (como disse um dos defensores da direita). Isto é o mais claro que se pode dizer.

O Estado pode mobilizar recursos, redireccioná-los quando necessário, dominar mercados privados, interesses privados, comandar empresas que fazem coisas, impedir os mercados financeiros de lucrar, e assim sucessivamente.

Assim, progressistas de esquerda que pensam que o Estado-nação é impotente face ao capital global – avancem com o programa!

5. Demonstrou as vantagens esmagadoras da soberania monetária. As nações que são soberanas conseguiram introduzir moeda rapidamente e em grandes somas sem se preocuparem com os mercados obrigacionistas.

Os Estados-Membros da zona euro, pelo contrário, estão presos a um dos seus “processos” habituais, fingindo estar a fazer as coisas ao nível de Bruxelas, ao mesmo tempo que deixam as nações em perigo e ao capricho do BCE, que diz aos Estados-Membros que fará o que for preciso, mas depois murmura requisitos de condicionalidade.

As elites do euro demonstram mais uma vez como os seus “processos” e “salvaguardas” e todo o resto da tralha que define o facto de que não deveriam estar todos juntos na mesma sala, muito menos uma moeda comum, estão a demonstrar ser demasiado difícil fazer algo que seja eficaz.

Quanto mais cedo se desfizer, tanto melhor para a maioria dos Estados-Membros e para os cidadãos dentro deles.

6. Que o comércio livre é outro desses mitos – o que há de livre na Alemanha que retém fornecimentos essenciais às nações mais pobres? E que os EUA desviam remessas de medicamentos destinadas a algumas nações desfavorecidas, mas desviadas para as mais ricas (EUA)?

7. Nesta linha, há uma percepção crescente de que as nações que externalizam tudo para o comércio – bens e serviços essenciais (fornecimentos de saúde, alimentação, recursos energéticos, etc.) são altamente vulneráveis quando a situação se torna difícil.

Situação de alerta para um novo período de “construção da nação”, que exige a intervenção extensa e sustentada do Estado, utilizando a sua capacidade de emissão de moeda.

Mesmo o governo conservador da Austrália está agora a fugir ao mantra do comércio livre – afirmando (através do seu Ministro das Finanças) que precisamos hoje de restabelecer as capacidades de produção e fornecimento dentro das nossas próprias fronteiras.

O mito do comércio livre está agora exposto.

 

No seu conjunto, as falhas do período neoliberal, tão evidentes durante a crise financeira global (Global Financial Crisis), mas novamente reprimidas pelas elites, estão de novo em foco e mais óbvias do que nunca.

Havia uma razão para que os sindicatos e o Estado Providência tivessem surgido na viragem do século 20. As sociedades não podem tolerar tanta ganância e desigualdade.

Eventualmente, as pessoas ripostam.

Esperemos que esta seja a bifurcação do caminho.

Mas alertamos com este artigo do meu co-autor Thomas Fazi (6 de Abril de 2020) – Poderá o Covid-19 vencer o neoliberalismo?

Tenho muita simpatia por esse argumento. As elites são hegemónicas e poderosas.

 

_________________________

O autor: Bill Mitchell [1952 – ] doutorado em Economia, é professor de economia na Universidade de Newcastle, Nova Gales do Sul, Austrália e um notável defensor da teoria monetária moderna. É também Professor Doutor em Economia Política Global, Faculdade de Ciências Sociais, Universidade de Helsínquia, Finlândia. Autor entre outras obras de : Macroeconomics(Macmillan, Março de 2019), co-escrito com L. Randall Wray e Martin Watts; Reclaiming the State: A Progressive Vision of Sovereignty for a Post-Neoliberal World (Setembro de 2017), co-escrito com Thomas Fazi; Eurozone Dystopia: Groupthink and Denial on a Grand Scale (Maio 2015); Full Employment Abandoned: Shifting Sands and Policy Failures (2008), co-escrito com Joan Muysken. Bill Mitchell tocou guitarra elétrica com várias bandas, a última das quais, Pressure Drop, se retirou em 2010.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/04/08/cuidado-para-nao-nos-anteciparmos-sera-necessaria-uma-luta-de-classes-dura-por-bill-mitchell/

É TEMPO DE AVANÇARMOS PARA UM NOVO PARADIGMA*

 
    A LUTA DE CLASSES NÃO MORREU! – Sobre a atualidade do Marxismo e a...        
 
A presente crise não é senão uma fase transitória, uma etapa, de uma mudança muito mais profunda que se apresenta. Por um lado, o grande capital globalizado e os governos que ele tem «na mão». Por outro, uma cidadania global, capaz de  interagir sem fronteiras, descobrindo colectivamente formas de troca não mercantis, que se exprimem primeiro no domínio dos saberes e - em breve - serão seguidas por trocas significativas no domínio de objectos.
 
Com efeito, as acções têm sempre muitas consequências, muitas delas completamente imprevistas pelos que efectuaram tais acções.
É verdade que a elite globalista, a oligarquia, ou «fabricou de todas as peças» a presente crise (improvável, mas que não se pode completamente arredar), ou aproveitou uma crise que, devido à intrínseca complexidade e fragilidade dos sistemas socioeconómicos, estava em «incubação». De qualquer modo, foi um veículo biológico (uma epidemia) que desempenhou o papel de catalisador do colapso gigantesco deste sistema mundial fragilizado.  
Embora eu tente ser racional e crítico, não me vejo como infalível. Por isso, prefiro não «decidir» qual das teses é a mais próxima da realidade. Prefiro tentar compreender como é que a «elite» do poder se apoderou desta ocasião para uma transferência massiva de riqueza dos cidadãos/riqueza pública detida pelos Estados,  para os empórios privados.
Este fenómeno é o exacerbar do processo de transferência desencadeado na sequência da falência do banco de investimento Lehman Brothers em 2008... As dezenas de triliões de dólares que foram despejados de bancos centrais nos bancos comerciais e outros receptores privilegiados aparecem como algo modesto em comparação com as centenas de triliões que estão agora sendo despejados. É evidente que este dinheiro, criado a partir de nada, torna-se «real» quando é usado pelos principais actores financeiros conseguirem arcar com as imensas perdas sofridas  sem terem de declarar falência.
Mas, o efeito colateral inevitável de tal expansão monetária, sem haver qualquer aumento de produção e antes uma retracção acentuada, é que o dinheiro vai valer menos, muito menos: os assalariados e pensionistas, vão ser vítimas: poderão auferir o mesmo salário ou pensão em termos nominais mas, irá sofrer um corte brutal pelo disparar da inflação.
A inflação estará mascarada inicialmente por deflação transitória, porque os sistemas produtivos irão demorar algum tempo a reagir ao colapso e o receio das pessoas fará com que tenham um reflexo de poupança extrema e não de consumo. No entanto, ao verem que alguns itens sobem de maneira exponencial, irão compreender que o que auferem se está a desvalorizar e terão o reflexo de gastar o máximo do ordenado ou da pensão, em objectos que tenham algum valor, pois sabem que quanto mais o tempo passa, menos o seu dinheiro valerá.
Se os capitalistas e seus agentes no Estado dizem cinicamente que nunca se deve «deixar passar a oportunidade de uma valente crise», eles têm razão, a seu modo. Porque o que estamos a assistir é uma espécie de aplicação da doutrina de «choque e pavor», muito bem explicada há alguns anos no livro best-seller de Naomi Klein «O Capitalismo do Desastre». A população de uma grande parte do mundo apanhada de surpresa, aceita passiva e receosa os «estados de sítio» que são impostos em metade do mundo, sob pretexto de combater o Covid-19. Mas estes estados de sítio, mesmo que ilegais e abusivos,  são a cobertura para a instauração de controlos totalmente ilegais, de vigilância generalizada, de abusos policiais, de forçar as pessoas a terem determinadas condutas e a deixarem-se vacinar para que possam estar «fichadas» com uma espécie de passaporte sanitário, sem o qual não poderão fazer quase nada... Será este «boletim de vacinas» indispensável para obter um passaporte, para obter emprego, para se inscrever numa escola, etc, etc.
A oligarquia mundial espera assim obter o controlo máximo contra quaisquer dissidências, para instaurar a «Nova Ordem Mundial», seguindo directivas dos organismos mundializados (a ONU e suas agências especializadas, o FMI, a OMC, etc.), com uma moeda única digitalizada (fim das moedas em papel), caminhado para um super-exército único e um governo centralizado único.   
Mas as pessoas não são todas «carneiros e ovelhas», pelo que uma série de resistências e de dissidências vão ser desencadeadas em reacção perante este ataque. Uma nova forma de auto-organização, horizontal, com o princípio da partilha e não da atribuição de valor vai manter estas comunidades vivas e em boa saúde, talvez não apenas em remotos lugarejos, mas mesmo em comunidades urbanas, onde as redes de afinidade terão cada vez maior peso, pois serão as que poderão efectivamente prestar a ajuda mútua, que não poderão obter nos sistemas estatais (desmantelados e privatizados). 
No princípio do século XX, num contexto diferente (pois se tratava de um capitalismo ascendente), os trabalhadores só podiam contar - em qualquer situação de necessidade (desemprego, doença, óbito de familiares...) - apenas com a solidariedade entre eles próprios, aos níveis familiar, ou profissional ou de classe.  Agora, as pessoas vão ter que reaprender o significado dessas expressões «solidariedade» e  «ajuda mútua». O que espero é que com a necessidade, reaprendam depressa e se autonomizem portanto, do ponto de vista mental, do sistema de capitalismo «neo-feudal» que se está a tentar impor à custa da destruição dos Estados de «Welfare», ou seja, em que - nalgumas instituições - não se aplicam estritamente as regras capitalistas, como nos Serviços Nacionais de Saúde, nos Seguros Sociais, nos Regimes de Pensões, nas Escolas Públicas, etc.
A luta de classes está bem visível para quem a queira ver, nesta época de mundialização. Neste momento, é mais fácil observar a ofensiva dos oligarcas globalistas e dos seus governos-vassalos. O mito de uma «classe média» cai; observa-se a sua ruína acelerada,  juntando-se às camadas proletárias. 
A oligarquia quer instaurar uma espécie de censura de «politicamente correcto», de forma a que as dissidências não tenham audiência ou apenas pequenos círculos sem expressão. Mas ela vai precisar de múltiplas competências, como agora, que implicam um pensamento crítico e um espírito inquiridor, qualidades necessárias nas profissões com uma importante componente científica. 
No final, os que estão por baixo vão aperceber-se que o seu número e sua união faz a sua força, como sempre foi. Não é pelo facto das forças repressivas terem tecnologias sofisticadas para controlar e reprimir as massas que estas serão impotentes; é pelo medo que os oprimidos são dominados. É pela interiorização dessa opressão, desse medo, que vastas massas se deixam conduzir, que se deixam «tosquiar». Assim que perceberem o que lhes está a acontecer e, sobretudo, como é que isso acontece, as coisas serão mais difíceis para as oligarquias mundializadas.
 

                                           ENTREVISTA COM ROBERT KIYOSAKI:
                                      
                                   https://www.youtube.com/watch?v=qmPwt8M97bg
                                       
                                   
                                     VÍDEO SOBRE A ESTRATÉGIA DO CHOQUE: 
 
                                         https://www.youtube.com/watch?v=ZKFgJHOzJwg
                                   
 
*NB: Quando coloco vídeos ou textos doutras pessoas no meu blog, estou a afixar as opiniões de seus autores. Podem ser as minhas, em parte, mas não são necessariamente sempre conformes com o meu modo de ver e sentir os problemas. Podem ter sido escolhidos porque colocam desafios, porque são susceptíveis de provocar a reflexão e discussão, porque têm - a meu ver - um valor de testemunho ou de documento sobre um determinado momento da nossa história colectiva... 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

AHRESP tenta aproveitar-se da pandemia

Os patrões da hotelaria, que os trabalhadores acusam de alimentarem a precariedade e os baixos salários, aproveitam a pandemia para exigir 1000 euros por funcionário e mais benefícios fiscais.

Imagem de Arquivo: protesto dos trabalhadores da hotelaria por aumentos salariaisCréditos / Sindicato da Hotelaria do Norte

Numa reunião no Ministério da Economia, esta segunda-feira, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que tem vindo a ser confrontada com protestos a exigir aumentos salariais «dignos», reclamou ontem do Governo medidas urgentes para o sector e propôs o apoio de 1000 euros mensais por trabalhador.

«A disponibilização de uma linha de apoio à tesouraria de 1000 euros mensais por trabalhador é o valor que a AHRESP exige que o Governo garanta às empresas do canal Horeca [área de actividade económica relativa aos hotéis, restaurantes e cafés] que vivem hoje uma das piores crises de sempre devido à propagação do Covid-19», informou a associação, em comunicado.

Esta é uma das mais de 40 medidas que a AHRESP propôs ao Governo, depois de a direcção da associação ter considerado «insuficientes» as medidas anunciadas pelo Executivo na semana passada. Apesar de, tal como denunciou a CGTP-IN, elas apenas salvaguardarem os interesses das empresas.

Outra medida defendida pela associação é a adequação do processo de lay-off(redução temporária dos períodos normais de trabalho ou suspensão dos contratos de trabalho efectuada por iniciativa das empresas, durante um determinado tempo), uma vez que a actual medida disponível pressupõe que haja 40% de redução de vendas ao final de três meses consecutivos. 

A AHRESP propõe que a quebra significativa nas vendas, que as empresas têm de demonstrar para se socorrerem da medida de lay-off simplificado, seja por referência ao período homólogo de 30 dias consecutivos, aplicado por estabelecimento ou por empresa e disponível, também, para os empresários em nome individual.

A associação, que no ano passado assistiu a um acampamento de trabalhadores à porta da sede, em Lisboa, contra a violação dos direitos e por melhores salários, defende ainda um período de carência nos pagamentos ao Estado e à banca.

Seis meses para obrigações relativas aos pagamentos do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado), Segurança Social, IMI (Imposto Municipal Sobre Imóveis) e outros compromissos com a Autoridade Tributária; isenção de penalizações por atrasos de pagamento de rendas ao senhorio Estado; pagamentos na hora e liquidação de dívidas vencidas no que diz respeito à prestação de serviços ao Estado por entidades privadas; reequilíbrio económico-financeiro dos contratos públicos de fornecimento de bens e serviços com o Estado; suspensão do calendário dos compromissos bancários das empresas e prorrogação das datas para evitar penalizações são as medidas alvitradas pelos patrões.

Um reforço financeiro à tesouraria das empresas, através de um microcrédito que não passe directamente pelo sistema bancário, é outra das exigências da AHRESP, que entende ser «o momento de o sistema financeiro português contribuir para a recuperação e manutenção de milhares de empresas e postos de trabalho».

Em 2019, a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht/CGTP-IN), que recentemente denunciou a violação de direitos a coberto da pandemia do coronavírus (Covid-19), afirmava que a esmagadora maioria dos trabalhadores da hotelaria e restauração vive numa «situação social grave», decorrente dos «salários muito baixos» e «elevados indíces de precariedade», bem como do clima de impunidade geral, com abusos e violações patronais sistemáticas, e dos horários desregulados e «infindáveis».

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/ahresp-tenta-aproveitar-se-da-pandemia

Se a crise se instalar

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1) Os povos devem lutar para que se houver de novo dificuldades ou a falência de bancos a resposta não seja de novo o resgate destes , mas a sua nacionalização definitiva

2) O comentador direitinha Raul Vaz hoje na RDP disse e repetiu que temos de nos convencer que vamos empobrecer….

Inculcar a ideia da resignação , da fatalidade , da aceitação de uma nova austeridade.. Austeridade para quem vive do seu trabalho e continuação da concentração da riqueza entre os dominantes

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Ellen Brown chairs the Public Banking Institute and has written thirteen books, including her latest, Banking on the People: Democratizing Money in the Digital Age.  She also co-hosts a radio program on PRN.FM called “It’s Our Money.” Her 300+ blog articles are posted at EllenBrown.com
Ver
http://www.informationclearinghouse.info/54002.htm
A resposta da FED ao Coronovirus
“La próxima vez que los bancos más grandes del país se vuelvan insolventes, en lugar de rescatarlos debería nacionalizarlos”

12 de marzo de 2020 “Cámara de Intercambio deInformación”– Cuando la Organización Mundial de la Salud anunció el24 de febrero que era el momento de prepararse para una pandemia mundial, el mercado de valores se desplomó. Durante la semana siguiente, el promedio industrial Dow Jones disminuyó en más de 3.500 puntos o más del 10%. En un intento de contener los daños,el 3 de marzo la Reserva Federal redujo la tasa de fondos federales del 1,5% al 1,0%, en su primera medida de tasa de emergencia y el mayor recorte de una sola vez desde la crisis financiera de 2008. Pero en lugar de tranquilizar a los inversores, la medida alimentó otra venta de pánico.

 

Los comentaristas exasperados sobre CNBC se preguntaban qué estaba pensando la Fed. Dijeron que un recorte de la tasa de medio punto no detendría la propagación del coronavirus ni arreglaría las cadenas de suministro chinas rotas que están llevando a las empresas estadounidenses al borde del abismo. Un nuevo informe de la firma de análisis de datos corporativos Dun & Bradstreet calcula que unas 51.000 empresas de todo el mundo tienen uno o más proveedores directos en Wuhan, el epicentro del virus. Al menos 5 millones de empresas en todo el mundo tienen uno o más proveedores de nivel dos en la región, lo que significa que sus proveedores obtienen sus suministros allí; y 938 de las empresas Fortune 1000 tienen proveedores de nivel uno o dos proveedores allí. Además, el 80% de los productos farmacéuticos estadounidenses se fabrican en China. Una ruptura en la cadena de suministro puede detener a las empresas. 
Entonces, ¿cuál fue el razonamiento de la Fed para reducir la tasa de fondos federales? Según algunos analistas financieros, el incendio que intentaba apagar fue en realidad en el mercado de repos, donde la Fed ha perdido el control a pesar de sus medidas de emergencia de los últimos seis meses. Las transacciones del mercado de Repo llegan a $1 billón a $2.2 billones por día y mantienen a flote nuestro sistema financiero moderno. Pero antes de entrar en los acontecimientos allí, aquí hay un resumen de la acción de repo desde 2008.
Repos y la Fed

 

Antes de la crisis bancaria de 2008, los bancos que necesitaban liquidez se prestaban reservas excesivas entre sí en el mercado de fondos federales. Pero después de 2008, los bancos se mostraron reacios a prestar en ese mercado no garantizado, porque no confiaban en que sus contrapartes tuvieran el dinero para pagar. Los bancos desesperados por fondos podían pedir prestado en la ventana de descuento de la Fed, pero llevaba un estigma. Señaló que el banco debe estar en peligro, ya que otros bancos no estaban dispuestos a prestarle a un precio razonable. Así que los bancos recurrieron en su lugar al mercado privado de repos, que es anónimo y está asegurado con garantía (Tesorería y otros valores aceptables). Las operaciones de Repo, aunque técnicamente “ventas y recompras” de garantías, son en efecto préstamos garantizados a corto plazo, generalmente reembolsables al día siguiente o en dos semanas.
El elemento arriesgado de estas operaciones aparentemente seguras es que la garantía en sí misma puede no ser fiable, ya que puede estar sujeta a más de una reclamación. Por ejemplo, puede haber sido adquirido en un swap con otra parte por préstamos automotriz titulizados u otros activos inestables, un swap que tendrá que ser revertido al vencimiento. Como se explica en un artículo anterior aquí, el mercado de repo privado ha sido invadido por fondos de cobertura, que son altamente apalancados y riesgosos; por lo que los fondos del mercado monetario reacios al riesgo y otros prestamistas institucionales se han retirado de ese mercado.
Cuando la tasa de interés de repo normalmente baja se disparó hasta el 10 por ciento en septiembre, la Fed se sintió obligada a intervenir. La acción que tomó fue reiniciar su antigua práctica de inyectar dinero a corto plazo a través de sus propios acuerdos de repo con sus principales distribuidores, que luego prestaron a los bancos y otros actores. El 3demarzo, sin embargo, incluso esa facilidad del banco central estaba sobresuscrita, con mucha más demanda de préstamos que el límite de suscripción.
El recorte de la tasa de emergencia del 3de marzo de la Fed fue en respuesta a esa crisis. Se suponía que la reducción de la tasa de fondos federales en medio punto porcentual aliviaría la presión sobre la facilidad de depósito del banco central al alentar a los bancos a prestarse unos a otros. Pero la reducción de la tasa prácticamente no tuvo ningún efecto, y la facilidad de repo del banco central continuó sobresuscrita al día siguiente y al siguiente. Como se observó en un artículo del 5de marzo sobre Zero Hedge :
Esta continua crisis de liquidez es extraña, ya que significa que no sólo el recorte de la tasa no desbloqueó la financiación adicional, sino que en realidad empeoró el problema, y ahora los bancos y los distribuidores están telegrafiando que no sólo necesitan más colchón de repositorios, sino que probablemente una expansión de QE…
El problema colateral
Como explicael analista financiero George Gammon, la crisis en el mercado privado de repos no se debe en realidad a la escasez de liquidez. Los bancos todavía tienen 1,5 billones de dólares en exceso de reservas en sus cuentas con la Fed, almacenadas después de múltiples rondas de flexibilización cuantitativa. El problema está en la garantía, en la que los prestamistas ya no confían. Bajar la tasa de fondos federales no alivió la presión sobre la facilidad de depósito de la Fed por razones obvias: los bancos que no están dispuestos a correr el riesgo de prestarse entre sí sin garantía al 1.5 por ciento en el mercado de fondos federales van a estar aún menos dispuestos a prestar al 1 por ciento. Pueden ganar tanto simplemente dejando sus reservas excedentes en la Fed segura y segura, aprovechando el interés sobre el exceso de reservas que ha estado eliminando desde la crisis de 2008.
Pero seguramente la Fed lo sabía. Entonces, ¿por qué bajar la tasa de fondos federales? Tal vez porque tenían que hacer algo para mantener la fachada de estar en control, y bajar la tasa de interés era la herramienta más aceptable que tenían. La alternativa sería otra ronda de flexibilización cuantitativa, pero la Fed ha negado hasta ahora el entretenimiento de esa alternativa controvertida. Esas protestas aparte, QE es probablemente el siguiente en la agenda después de que las herramientas ortodoxas de la Fed fracasen, como señala el autor de Zero Hedge.
El banco central se ha convertido en el único juego en la ciudad, y su martillo sigue perdiendo el clavo. Una recesión causada por una interrupción masiva en las cadenas de suministro no puede ser fijada solo a través de la flexibilización monetaria del banco central. La política monetaria es una herramienta diseñada para hacer frente a la “demanda”: la cantidad de dinero que compite por bienes y servicios, lo que hace que los precios suban. Para solucionar un problema del lado de la oferta, la política monetaria debe combinarse con la política fiscal, lo que significa que el Congreso y la Fed deben trabajar juntos. Hay modelos contemporáneos exitosos para esto, y los mejores están en China y Japón.
El mercado de valores chino ha mantenido su terreno
Mientras que los mercados estadounidenses se desplomaban, el mercado bursátil chino en realidad subió un 10 por ciento en febrero. ¿Cómo puede ser eso? China es el país más afectado por el disruptivo virus COVID-19, sin embargo, los inversores están evidentemente seguros de que prevalecerá contra el virus y las amenazas del mercado.
En 2008, China venció la crisis financiera mundial invirtiendo enormes cantidades de dinero en la infraestructura, y esa es aparentemente la política que está llevando a cabo ahora. Ya se han propuesto quinientos mil millones de dólares en proyectos de infraestructura para 2020, casi tanto como se invirtió en el enorme programa de estímulo del país después de 2008. El dinero recién inyectado se destinará a los bolsillos de los trabajadores y proveedores, que lo gastarán en bienes de consumo, lo que llevará a los productores a producir más bienes y servicios, aumentando la productividad y los puestos de trabajo.
¿Cómo se financiará todo este estímulo? En el pasado, China simplemente se ha pedido prestado de sus propios bancos estatales, que pueden crear dinero como depósitos en sus libros, tal como todos los bancos depositarios pueden hoy en día. (Véase aquí y aquí.) La mayoría de los préstamos serán reembolsados con los beneficios de la infraestructura que crean; y aquellos que no lo son pueden ser cancelados o llevados en los libros o movidos fuera del balance. El gobierno chino es el regulador de sus bancos, y en lugar de poner a sus bancos y negocios insolventes en bancarrota, su práctica habitual es permitir que los préstamos dudosos se acusen en los balances bancarios. El dinero recién creado que no se pagó se suma a la oferta monetaria, pero no se hace daño a la economía de consumo, que en realidad necesita inyecciones regulares de dinero nuevo para llenar el vacío entre la deuda y el dinero disponible para pagarla. Como en todos los sistemas en los que los bancos crean el principal, pero no los intereses adeudados por los préstamos, este vacío se amplía continuamente, lo que requiere infusiones continuas de dinero nuevo para llenar el incumplimiento. (Vea mi artículo anterior aquí.) En los últimos 20 años, la oferta monetaria de China ha aumentado un 2.000 por ciento sin aumentar el índice de precios al consumidor, que ha promediado alrededordel 2 por ciento durante esas dos décadas. La oferta ha subido con la demanda, manteniendo los precios estables.
El modelo japonés
Las experiencias de China son instructivas, pero el endeudamiento de los propios bancos del gobierno no se puede hacer en los Estados Unidos, ya que nuestros bancos no han sido nacionalizados y nuestro banco central se considera independiente del control gubernamental. La Fed no puede destinar dinero directamente a la infraestructura, pero se limita a comprar bonos de sus distribuidores principales en el mercado abierto.
Al menos, ese es el argumento de la Fed; pero la Ley de la Reserva Federal le permite hacer préstamos de infraestructura de tres meses a los estados, y estos podrían prorrogarse por períodos prolongados a partir de entonces. El propio mercado de repos consiste en préstamos a corto plazo continuamente prorrogados. Si los fondos de cobertura pueden pedir prestado al 1,5 por ciento en el mercado privado de repos, que ahora es respaldado por la Fed, los estados también deberían obtener esas bajas tasas.
Alternativamente, el Congreso podría modificar la Ley de la Reserva Federal para permitirle trabajar con el banco central en la financiación de infraestructura y otros proyectos nacionales, siguiendo el camino que el Japón ha abierto con éxito. Sin derecho bancario japonés, el banco central debe cooperar estrechamente con el Ministerio de Hacienda para establecer la política. A diferencia de Estados Unidos, el primer ministro de Japón puede negociar con el jefe de su banco central para comprar los bonos del gobierno, asegurando que los bonos se convertirán en dinero nuevo que estimulará el crecimiento económico interno; y si los bonos se vuelcan continuamente, esta deuda nunca tendrá que ser pagada.
El Banco de Japón ya ha “monetizado” casi el 50% de la deuda del gobierno de esta manera, y ha sacado esta hazaña sin subir los precios al consumidor. De hecho, la tasa de inflación de Japón sigue siendo obstinadamente inferior a la meta del 2% del BOJ. La deflación sigue siendo una preocupación mayor que la inflación en Japón, a pesar de la monetización sin precedentes de la deuda por parte de su banco central.  
La Reserva Federal “Independiente” está obsoleta
 Ante una recesión causada por una interrupción masiva de la cadena de suministro, el banco central estadounidense ha demostrado ser impotente. El Congreso necesita tomar una lección de Japón y modificar la ley bancaria estadounidense para permitirle trabajar con el banco central en conseguir que las ruedas de la producción vuelvan a girar. La próxima vez que los bancos más grandes del país se vuelvan insolventes, en lugar de rescatarlos debería nacionalizarlos. Los bancos podrían entonces ser utilizados para financiar infraestructura y otros proyectos gubernamentales para estimular la economía, siguiendo el modelo de China.http://www.informationclearinghouse.info/54002.htm

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/03/13/se-a-crise-se-instalar/

Covid-19: greves desconvocadas mas luta não esmorece

Algumas greves foram suspensas devido ao plano de contingência relativo ao Covid-19. A Frente Comum manteve a greve marcada para 20 de Março, mas garantindo «o normal funcionamento dos serviços de saúde».

Créditos / Pixabay

«Face às medidas de contenção e de Saúde Pública que estão a ser implementadas no País e que necessariamente envolvem os profissionais de saúde, ao serviço do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) e dos SAMS Sul e Ilhas, os sindicatos representativos destes trabalhadores decidiram desconvocar a greve» decretada para hoje, pode ler-se num comunicado.

Apesar desta desconvocação, os sindicatos mantêm «a sua forte oposição à tentativa de caducidade dos IRCT [Instrumentos de Regulamentação Colectiva de Trabalho]» e lembram que se cria agora uma oportunidade para a entidade patronal retomar o diálogo e a negociação.

Teletrabalho nas Águas do Algarve leva à suspensão da greve

A greve marcada para hoje nas Águas do Algarve foi suspensa por ter sido aplicado um plano de contingência relativo ao Covid-19, estando os trabalhadores a fazer teletrabalho a partir de casa, informa o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE Sul/CGTP-IN).

A estrutura sindical sublinha que não deixou de interrogar a empresa sobre esta medida: sobre as condições de trabalho para quem fica em casa e as respectivas remunerações.

«Após o termo deste plano de contingência iremos reunir novamente com os trabalhadores e decidir a marcação de novo dia de luta», pode ler-se na nota.

Função Pública protesta mas assegura normal funcionamento na Saúde

Por seu lado, a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN) anunciou, na segunda-feira, que mantém a greve nacional marcada para dia 20 de Março, mas garantindo o normal funcionamento dos serviços de saúde, devido ao impacto do novo coronavírus.

«A greve vai manter-se pelos mesmos motivos que foi convocada, contra a imposição negocial do Governo, por aumentos salariais dignos, pela revisão da tabela remuneratória única», disse o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, em conferência de imprensa, em Lisboa.

«No entanto, foi entendimento da Frente Comum não contribuir para o alarmismo social que existe e, fazendo justiça ao sentido de responsabilidade dos trabalhadores da administração pública, nomeadamente os da saúde, optámos por assegurar o normal funcionamento dos serviços dependentes do Ministério da Saúde», afirmou o dirigente sindical.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/covid-19-greves-desconvocadas-mas-luta-nao-esmorece

Greve nas Águas do Algarve pela aplicação do acordo colectivo

Esta acção de luta foi decidida pelos trabalhadores perante a falta de resposta da administração, afirma o SITE Sul.

Os trabalhadores das Águas do Algarve vão fazer uma greve de 24 horas no dia 13 de Março, como consequência da falta de resposta da administração da empresa às suas reivindicações.

Em nota divulgada, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE Sul/CGTP-IN) refere que esta acção serve para exigir a correcta aplicação do Acordo Colectivo de Trabalho (ACT), bem como a sua negociação e revisão.

Os trabalhadores reclamam ainda o fim da discriminação salarial nas mesmas funções, a atribuição do subsídio de risco e o pagamento das horas em deslocação quando se encontrem em formação ou ao serviço da empresa.

O aumento geral dos salários e a entrega dos relatórios únicos de 2018 e 2019 são também exigências destes trabalhadores, que querem uma melhor informação e comunicação sobre as novas tarefas e funções que têm início a 1 de Abril.

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https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-nas-aguas-do-algarve-pela-aplicacao-do-acordo-colectivo

Acordo de Empresa adiado no ISCTE

Depois do processo de negociação do Acordo de Empresa do ISCTE ter sido dado por encerrado, a direcção do instituto recusa-se a assinar a acta da reunião.

Créditos / STFPSSRA

A denúncia parte do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN), numa nota  aos trabalhadores.

«Depois de na reunião do passado dia 11 de Fevereiro, na DGERT [Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho], o processo de conciliação do Acordo de Empresa, a celebrar entre o STFPSSRA e o ISCTE-IUL, ter sido dado como encerrado, [o instituto] deu o dito por não dito e ainda não assinou a acta da reunião», pode ler-se no comunicado.

Em causa está a redução de horário em jornada contínua em uma hora, cuja alteração não está prevista, e que a direcção do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (IUL) não aceita que fique em acta, «não apresentando qualquer justificação para a sua posição», afirma o sindicato.

A estrutura sindical denuncia ainda que, apesar de ter ficado acordado que o Acordo de Empresa entraria em vigor imediatamente após a sua assinatura, o ISCTE-IUL quer fazer depender da elaboração de regulamentos internos o reposicionamento na carreira dos trabalhadores que actualmente estão colocados em posições remuneratórias abaixo da mínima prevista.

«Ora, tendo em conta aquele que tem sido o comportamento do ISCTE-IUL, protelando em todas as fases de negociação, será de prever que a aprovação dos regulamentos será mais uma forma de adiar a entrada em vigor do Acordo», pode ler-se na nota.

O sindicato exorta os trabalhadores a mobilizar-se e preparar-se para «dar a resposta adequada» com vista a conquistar a melhoria das suas condições de trabalho.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/acordo-de-empresa-adiado-no-iscte

Greve nos TST: 90% de adesão e nova paralisação à vista

A greve dos trabalhadores dos TST levou à paralisação do serviço rodoviário na Península de Setúbal, esta segunda-feira, mas há novo protesto marcado para os dias 31 de Março e 1 de Abril.

Trabalhadores dos TST no plenário desta manhãCréditos / USS

A greve de hoje vem no seguimento de protestos e reivindicações realizados ao longo de 2019 contra o que os trabalhadores dos Transportes Sul do Tejo (TST)  definem como «os mais baixos salários da região». 

Em declarações à Lusa, esta manhã, o dirigente da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), João Saúde, anunciou que a empresa vai estar «parada até às 3h» desta terça-feira e criticou o facto de ainda «não haver uma resposta da empresa que vá ao encontro dos interesse dos trabalhadores».

No plenário que realizaram no Laranjeiro (Almada), entre as 9h30 e as 11h30, os trabalhadores dos TST aprovaram por unanimidade a realização de uma greve de 48 horas, entre os dias 31 de Março (que será também dia de plenário) e 1 de Abril. 

A par dos 750 euros de tabela salarial, reclamam 15 euros de diuturnidades e oito euros de subsídio de refeição, assim como a integração do agente único na tabela, a eliminação das pausas técnicas e a integração das folgas rotativas para todos, sem prejuízo das folgas fixas.

No dia 6 de Fevereiro, a administração da empresa de transporte público de passageiros, detida pelos alemães da Arriva, agendou uma reunião com os representantes sindicais para discutir a «actualização salarial». O resultado não agradou aos trabalhadores e está prevista nova reunião com a empresa na próxima quinta-feira. 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-nos-tst-90-de-adesao-e-nova-paralisacao-vista

Greve na higiene urbana em Lisboa contra despedimentos

Os trabalhadores da higiene urbana da Câmara Municipal de Lisboa estarão em greve esta terça-feira, por se oporem à rescisão de contrato de alguns cantoneiros.

 

O Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML/CGTP-IN) emitiu o pré-aviso de greve para protestar contra a rescisão de contrato dos trabalhadores-cantoneiros que desempenhavam funções na higiene urbana da autarquia, refere nota divulgada.

Esta opção «quebra os compromissos assumidos» para integrar esses trabalhadores no mapa de pessoal da Câmara Municipal de Lisboa (CML), denuncia o STML.

Face à falta de pessoal, a CML abriu um concurso externo para esta actividade, em Dezembro de 2018, e decidiu realizar contratos de prestação de serviços (recibos verdes) com os trabalhadores admitidos.

O facto de alguns desses trabalhadores estarem agora a ser informados da rescisão do seu contrato leva a que o sindicato avance para este dia de greve, amanhã.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-na-higiene-urbana-em-lisboa-contra-despedimentos

Direcção da Tapada de Mafra multada por assédio moral

O despacho de condenação da ACT no valor de 41 mil euros, que inclui a culpabilização por «dolo de forma directa», irá transitar em julgado. Os trabalhadores afirmam que «valeu a pena não desistir».

Trabalhadores em greve concentraram-se à porta da Tapada Nacional de MafraCréditos / STFPSSRA

Foram inúmeras as denúncias feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN) e as acções de protesto desenvolvidas pelos trabalhadores. O incumprimento do Plano Operacional da Defesa da Floresta Contra Incêndios (PODFCI) e as práticas de assédio moral e pressões por parte da direcção eram algumas das queixas.

Em nota enviada às redacções, o sindicato afirma que existe uma «emoção» generalizada com o desfecho que agora se conhece. A «justiça» é feita no fim de «um longo e penoso processo», que servirá de exemplo «a todos os que poderão estar a passar pelo mesmo», refere o comunicado. 

O despacho de decisão proferido pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) inclui a culpabilização por «dolo na forma directa» de todos os membros da direcção da Tapada Nacional de Mafra, por terem tido conhecimento da conduta da presidente e nada terem feito, sendo abrangidos no pagamento da coima aplicada de 41 mil euros.

«Foram quase quatro anos de humilhações e destratos, foram 11 os trabalhadores que se demitiram por não terem aguentado a hostilidade e o terror», lembra o sindicato, que sublinha ter valido a pena «não desistir de lutar».

Greve na inspecção sanitária até Junho pela revisão da carreira

Os trabalhadores de inspecção sanitária da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária irão estar em greve ao trabalho normal nocturno, extraordinário e em dias de descanso de 3 de Março a 30 de Junho.

Créditos / CGTP-IN

Para lutar pela revisão do Decreto-Lei n.º 141/2019, que criou a carreira de inspecção sanitária, e contra o processo de municipalização da inspecção veterinária, estes profissionais estarão em greve prolongada.

Os trabalhadores denunciam de ter sido criada uma carreira especial cuja abrangência é limitada, «deixando de fora todos os trabalhadores não veterinários».

Em nota enviada à imprensa pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN), a estrutura denuncia o Governo por criar uma carreira que «não dignifica os trabalhadores com funções de inspecção sanitária» e que desvaloriza salarialmente quem para esta nova carreira transitou.

Esta luta visa igualmente pôr fim ao processo de transferência de competências para os municípios, nos domínios da protecção e saúde animal, e da segurança de alimentos, processo que representa «um grave retrocesso em matéria de saúde pública, visto estar-se a colocar em causa a operacionalidade da actividade inspectiva e a esvaziar de conteúdo e de competências a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária», refere o documento.

«A luta destes trabalhadores pela defesa de melhores condições de trabalho, por uma carreira específica, é indissociável da defesa das funções sociais do Estado e da defesa da saúde pública», pode ler-se na nota.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

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Solidariedade com os estivadores de Lisboa

Os estivadores do Porto de Setúbal decidiram solidarizar-se com os de Lisboa e vão avançar com greves parciais. Também a CGTP-IN expressou a sua solidariedade numa acção que contou com a presença da secretária-geral.

CréditosFilipe Rocha / ShareAlike 3.0

Os estivadores do Porto de Setúbal decidiram, na passada quinta-feira, solidarizar-se com os estivadores de Lisboa e vão avançar com greves parciais a partir de 16 de Março.

«Os estivadores da Operestiva, que trabalham para a empresa Sadoport, do grupo Yilport, decidiram fazer duas horas de greve ao primeiro turno e uma hora de greve ao segundo turno», disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Estivadores Actividade Logística (SEAL), António Mariano.

O sindicalista acrescentou que «os trabalhadores afectos à empresa Setulsete, que faz a cedência de mão-de-obra às empresas Tersado e Setefrete, vão fazer greve ao trabalho suplementar aos dias úteis».

Segundo António Mariano, as greves parciais decididas em plenários realizados com os estivadores da Operestiva e Setulsete, em Setúbal, «não são apenas uma forma de solidariedade com os trabalhadores do Porto de Lisboa, mas também uma mensagem de que não aceitam a estratégia das empresas de Lisboa, que também estão em Setúbal».

«Os estivadores de Setúbal não aceitam esta estratégia de encerramento das empresas de trabalho portuário existentes, para depois abrirem outras ali ao lado, com perda de direitos e regalias dos trabalhadores», disse António Mariano.

Os trabalhadores do Porto de Lisboa iniciaram no dia 19 de Fevereiro uma greve parcial ao trabalho para quatro empresas de estiva deste porto que subscreveram uma proposta de redução salarial de 15% e o fim das progressões de carreira automáticas.

Face à decisão das sete empresas de estiva de pedirem a insolvência da Associação Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), que cede mão-de-obra para a movimentação de cargas nos navios, no passado dia 21 de Fevereiro, os estivadores de Lisboa decidiram convocar uma greve total, de 9 a 30 de Março.

CGTP-IN contra «os baixos salários e os vínculos precários»

A delegação da central sindical esteve ao lado dos estivadores na passada quinta-feira e integrou a sua secretária-geral, Isabel Camarinha, e os membros da Comissão Executiva, Ana Pires, Rogério Silva e José Manuel Oliveira, estes últimos também em representação das federações sindicais das indústrias e dos transportes, respectivamente.

Esta delegação exigiu a intervenção do Governo para pôr cobro à situação e levou «todo o apoio do movimento sindical unitário à luta em curso [...], no combate que os trabalhadores deste sector estão a travar contra o aumento da exploração, por empresas que vendem a si próprias serviços abaixo do custo de produção que apenas visa perpetuar um regime laboral assente sem salários baixos e em vínculos precários», pode ler-se em nota enviada à imprensa.

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Uma loja fechada e 80% de adesão à greve nos entrepostos do Lidl

A paralisação deste sábado teve como objectivo levar a administração da empresa a discutir o caderno reivindicativo para 2020, designadamente o aumento dos salários. A loja de Silves encerrou.

Créditos / Diário do Distrito

Após decisão da empresa de não aumentar salários nem responder às reivindicações para 2020, salvo o subsídio de frio (que ainda assim não abrange todos os funcionários), os trabalhadores decidiram partir para a greve no último dia do ano fiscal da empresa (29 de Fevereiro).

A loja do Lidl de Silves, no Algarve, está encerrada. As restantes mantêm-se abertas, mas o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços de Portugal (CESP/ CGTP-IN), Ricardo Santos, constatou ao AbrilAbrilque há vários trabalhadores a aderir à greve. Nalguns casos, revela, «houve turnos completos, da manhã ou da tarde, em que os trabalhadores não foram trabalhar». 

Relativamente aos entrepostos, Ricardo Santos revela que a adesão à greve foi de 70% no de Ribeirão (Vila Nova de Famalicão), entre 70 a 80% no da Marateca (distrito de Setúbal), e de 60% no de Torres Novas (Santarém).

Os trabalhadores não aceitam que a empresa se abstenha de responder ao caderno reivindicativo, que o sindicato tentou discutir em Dezembro, tendo-se limitando a avançar com o subsídio de frio de forma discriminatória.   

«Exigíamos [a atribuição do subsídio] para todos os trabalhadores, a começar pelos entrepostos, dos congelados e dos frescos. Mas só deram aos dos congelados», critica o dirigente do CESP.

Ricardo Santos afirma que os trabalhadores «ficaram muito, muito descontentes», e que a luta pelo aumento dos salários, em 90 euros mensais; pela reposição dos três escalões remuneratórios a todos os trabalhadores e pagamento dos retroactivos aos que foram penalizados com a criação de um quarto escalão; ou pelo fim da repressão, perseguição e chantagem vai continuar. 

Lidl só quer part-time

A preferência por postos de trabalho a tempo inteiro ou aumentos de carga horária semanal aos contratados em part-time é outra das exigências dos trabalhadores, que assim poderiam levar mais dinheiro para casa. 

«Os valores que a empresa anuncia na comunicação social só seriam praticados se tivesse trabalhadores a tempo inteiro», denuncia Ricardo Santos. Revela que a maioria está em regime de part-time, com cargas horárias semanais de 20 a 24 horas, o que resulta, «no máximo dos máximos, em salários de 400 euros para muitos trabalhadores», após descontos legais. 

«E esta é a realidade dos trabalhadores do Lidl, não é a que a empresa apresenta, quando diz que paga 670, 790 e 820 euros. Pagaria se houvesse trabalhadores a tempo inteiro», sublinha o dirigente. 

Além de a empresa «só querer contratar a part-time», dificulta a vida a quem quer arranjar um segundo trabalho, denuncia o sindicato. «O Lidl diz que não impede ninguém de arranjar um segundo trabalho, mas quando as pessoas arranjam para conseguir ter mais algum dinheiro ao fim do mês, dificulta a organização do horário do trabalhador em muitos locais», afirma Ricardo Santos. 

«Exigimos pôr cobro a isto, bem como à política dos baixos salários e dos horários desregulados. Os trabalhadores estão a ficar cansados e exigem que o Lidl se sente à mesa com os representantes sindicais», conclui. 

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A verdade sobre os sindicalistas presentes – e os ministros fujões

fuga.gifUm conselho de ministros em Bragança, no âmbito uma governação de proximidade e de abertura ao diálogo e ao contacto com as populações.

A narrativa governamental dizia mais ou menos isto, mas a retórica do diálogo e do confronto com os problemas e as realidades rapidamente foi descartada, perante a informação de que no exterior do local onde se realizou o conselho de ministros estava uma delegação da Fenprof. O seu objectivo seria entregar uns postais dos professores ao Governo e trocar breves palavras acerca das reivindicações da classe.

A opção de António Costa e do seu séquito ministerial foi então a saída pela porta dos fundos do Cineteatro de Bragança, evitando o diálogo com os manifestantes.

Entre as cenas pouco edificantes desse dia, há ainda a referir as insinuações postas a circular pelas hostes governamentais epela comunicação social –  que algum anti-sindicalismo docente resolveu também amplificar – de que os sindicalistas, frustrada a tentativa de chegar à fala com António Costa, terão tentado “forçar a entrada” no local da reunião.

Seria caso para dizer-se que, com colegas tão empenhados em dar tiros nos próprios pés e nos de quem os representa, os professores nem precisariam de inimigos. Valha-nos a PSP que veio, a bem da verdade, esclarecer como tudo se passou…

Segundo a PSP, “a entrada e saída dos membros do governo não sofreu qualquer alteração ou constrangimento causado pela presença de um conjunto de manifestantes afetos à FENPROF”, que organizou uma manifestação na Praça Cavaleiro de Ferreira, em frente ao Teatro Municipal, quando decorria o Conselho de Ministros. Na ocasião, Mário Nogueira disse aos jornalistas que queria entregar sete mil postais, com reivindicações ao primeiro-ministro, mas não chegaram a cruzar-se.

Na mesma nota de imprensa, a PSP esclarece que, “enquanto decorria a conferência de imprensa, o líder da FENPROF aproximou-se de uma das portas de acesso, questionando o comandante do policiamento quanto à possibilidade de efetuar a entrega de umas caixas, tendo-lhe sido comunicado que tal não era possível. Não existiu, em momento algum, qualquer atitude hostil por parte deste dirigente sindical que, apesar de aludir a algumas palavras de ordem, abandonou o local, sem registo de qualquer incidente”.

A PSP acrescenta que “os manifestantes mantiveram um comportamento que se pautou pelo respeito pela ordem e legalidade democrática, que não indiciava qualquer preocupação especial de segurança”.

Sindicalizaram-se e alcançaram reivindicações na Ecoambiente

Cerca de 50 trabalhadores da Ecoambiente, em Mafra, entraram em contacto com o STAL e iniciaram um processo de luta que culminou no pagamento devido das horas nocturnas.

Créditos / fomentinvest.com

A Ecoambiente, empresa que detém a concessão da recolha de resíduos sólidos no Município de Mafra desde o ano de 2000, com cerca de 50 trabalhadores, a sua maior parte num horário das 5h às 12h30, nunca pagou as duas horas de subsídio nocturno, denuncia o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL/CGTP-IN).

O não pagamento deste valor, que é determinado pelo Código de Trabalho para quem labore até às 7h, levou a que os trabalhadores decidissem contactar o sindicato para, juntos, exigirem o cumprimento deste direito.

Ao entrarem em contacto com o STAL, iniciaram um processo de luta que passou pela sindicalização, realização de vários plenários e marcação de um dia de greve.

«Com esta união dos trabalhadores em torno do seu sindicato foi possível pressionar a administração da Ecoambiente», afirma o STAL, acrescentando que os valores em atraso, em alguns casos desde o início da concessão, começaram a ser pagos no mês de Fevereiro.

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Administração Pública anuncia greve para 20 de Março

A decisão foi revelada durante um plenário nacional de sindicatos da administração pública, realizado esta tarde junto à residência oficial do primeiro-ministro, que juntou dezenas de sindicalistas.

CréditosJoão Relvas / LUSA

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN) anunciou hoje uma greve nacional para 20 de Março, exigindo aumentos salariais de 90 euros para todos os trabalhadores em 2020 e a «correcção urgente» da tabela remuneratória única.

O anúncio da greve foi feito no dia em que Ana Avoila deixa a coordenação da Frente Comum, sendo substituída por Sebastião Santana.

Os sindicatos da Frente Comum exigem uma «efectiva negociação por aumentos salariais reais», depois de o Governo ter avançado com uma actualização de 0,3% para a Função Pública e um acréscimo de dez euros nos dois níveis remuneratórios mais baixos (até cerca de 700 euros).

No passado dia 31 de Janeiro, os trabalhadores da Administração Pública realizaram uma manifestação nacional que contou com a participação de milhares de funcionários públicos e outros profissionais.

Além do aumento salarial de 90 euros e da correcção da tabela remuneratória única, a Frente Comum exige a contagem de todo o tempo de serviço nas carreiras, a actualização do subsídio de refeição para 6,5 euros e a reposição dos 25 dias de férias na Administração Pública.

Com agência Lusa

 

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Greve na Vista Alegre Atlantis é a maior dos últimos 20 anos

A greve dos trabalhadores da Vista Alegre Atlantis, em Alcobaça, está a registar uma adesão superior a 90%. Sindicato realça que há mais de 20 anos que a empresa não assistia a uma greve desta dimensão.

Créditos / Região de Cister

A jornada de 24 horas arrancou às 6h desta quinta-feira. Em declarações ao AbrilAbril, Etelvina Rosa, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (CGTP-IN), realça que «a adesão está a ser muito boa» e que só alguns dos trabalhadores com contratos a termo estão a trabalhar. «Desde há duas décadas a esta parte que a empresa não assistia a uma greve desta dimensão», frisa. 

O objectivo é exigir que a administração da Vista Alegre Atlantis se sente à mesa para negociar o caderno reivindicativo, enviado em Outubro de 2019, onde o aumento salarial de 90 euros mensais surge como reivindicação principal. 

A par desta, os trabalhadores reclamam o aumento do subsídio de refeição para cinco euros, 25 dias de férias (em vez dos actuais 22), melhores condições de trabalho, diuturnidades, como forma de valorizar quem tem mais anos de casa, e o fim da desigualdade salarial.

A redução das 40 para as 35 horas de trabalho semanal é outra das exigências dos cerca de 300 trabalhadores da unidade localizada na zona industrial de Alcobaça, no distrito de Leiria. 

Etelvina Rosa esclarece que, desde o envio do caderno reivindicativo, «ainda não houve qualquer resposta por parte da empresa», salvo uma «mini-conversa, no passado dia 17 de Fevereiro», dia em que foi marcada esta greve.

A dirigente afirma que a empresa chamou apenas o delegado sindical, no sentido de o demover da acção de luta, mas que os trabalhadores acabaram por ficar «ainda mais unidos na defesa das suas reivindicações». 

Se até às 6h da manhã desta sexta-feira não houver resposta por parte da Vista Alegre Atlantis, os trabalhadores deverão reunir-se em plenário, no próximo dia 12 de Março, a fim de tomarem novas decisões, informa Etelvina Rosa.

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Investigadores da Universidade do Minho denunciam «roubo» nos salários

A ABIC e o STFPSN promoveram esta tarde uma acção de protesto junto à estátua do Prometeu, no campus de Gualtar, para denunciar as consequências «ilegais» do processo de regularização dos vínculos.

Créditos / STFPSN

O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN/CGTP-IN) e a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) denunciam, num comunicado enviado às redacções, um «roubo na remuneração» dos trabalhadores da Universidade Minho (UMinho) integrados ao abrigo da regularização extraordinária dos vínculos precários no Estado (PREVPAP).

As duas entidades promoveram hoje uma «acção de denúncia» junto à estátua do Prometeu, no campus de Gualtar (Braga), na qual participaram várias dezenas de investigadores.

Em declarações ao AbrilAbril, Lurdes Ribeiro, dirigente do sindicato, afirma que, em alguns casos, estes investigadores ficam a receber menos 500 euros, agora que viram o seu vínculo regularizado com a Universidade.

Segundo a dirigente, é uma questão de datas: os processos foram iniciados em 2017, mas, desde então, alguns bolseiros concluíram graus que os fizeram avançar nos rendimentos e na carreira. Assim, em Dezembro de 2019, os investigadores auferiam um valor superior ao que agora lhes é atribuído por verem concluído o processo de regularização que começou há dois anos.

«Reunimo-nos com o reitor e com o administrador da Universidade e deram-nos a entender que fôssemos para tribunal porque estão a cumprir a lei», referiu a dirigente, acrescentando que reconhece haver também responsabilidade do Estado que não transferiu as verbas correspondentes às homologações.

«O facto de a UMinho ser uma fundação de direito privado faz com que estes trabalhadores tenham um contrato individual de trabalho com a instituição», disse Lurdes Ribeiro, lembrando que já foram emitidos pareceres a esclarecer as situações em que estas integrações se dessem em entidades privadas.

«Mesmo que não tivessemos razão legalmente, teriamos que denunciar esta situação. E vamos desenvolver as acções e exigir retroactivos, naturalmente», referiu, considerando «inaceitável» que os trabalhadores tenham visto este processo como uma «oportunidade para melhorar as suas vidas» e agora sejam «castigados».

«Se não se valorizam estes 109 trabalhadores que foram integrados, estas competências vão fugir para outro lado e deixar a investigação na Universidade e os projectos que desenvolviam até aqui», frisou.

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Escolas obrigadas a adiar reuniões no Carnaval

sala-reunioesCumpriu-se o objectivo deste primeiro dia de greve de professores durante a interrupção lectiva do Carnaval: impedir que as escolas aproveitassem a pausa para a realização de extemporâneas reuniões de avaliação.

Seguindo a velha regra de que a melhor greve é a que não chega a ser preciso fazer-se, o pré-aviso foi suficiente para que a generalidade das direcções escolares que tinham anunciado a intenção de convocar as reuniões desistissem de o fazer. E na única escola onde a decisão foi em frente, as reuniões não se fizeram devido à greve dos professores.

Segundo Mário Nogueira, das “várias dezenas de escolas” que tinham previsto reuniões para esta segunda-feira, apenas o Agrupamento de Escolas Professor António da Natividade, em Mesão Frio, manteve oito reuniões convocadas, sendo que as quatro agendadas para a manhã não se realizaram “porque os professores fizeram greve”.

O líder da Fenprof adiantou que as reuniões para esta segunda-feira e para quarta-feira, dia 26, foram marcadas “não porque eram necessárias, mas como retaliação” à greve que os professores têm vindo a realizar a estas horas extraordinárias.

Ao PÚBLICO, o dirigente sindical lembrou que a luta da Fenprof “contra os abusos e ilegalidades” em relação aos horários de trabalho dos professores já dura há bastante tempo, sem que o Ministério da Educação tenha feito qualquer coisa para resolver o problema.

Perante a intransigência do ME, que continua a apostar em “mais trabalho dos professores” em vez de dotar as escolas com os recursos materiais, humanos e financeiros adequados aos ambiciosos desafios da “escola do século XXI”, a resposta dos professores só pode ser esta: a recusa de todo o trabalho extraordinário que lhes vai sendo imposto, sem que seja reconhecido e remunerado como tal.

CESP anuncia jornada de luta no Lidl

Na sequência de vários plenários, os trabalhadores vão estar em greve no próximo sábado. O sindicato exige à administração do Lidl «uma postura de diálogo».

O CESP denuncia que o Lidl, apesar de laborar em Portugal, implementa as directivas alemãsCréditosMarijan Murat-EPA / Agência LUSA

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) promove no próximo sábado, dia 29, uma jornada de luta no Lidl, na sequência de um conjunto de plenários realizados este mês pelos trabalhadores nas lojas e entrepostos da empresa.

A escolha da data «prende-se com o facto de este ser o último dia do ano fiscal no Lidl, que, apesar de laborar em Portugal, implementa as directivas alemãs», afima a organização sindical numa nota.

A motivar a a greve estão diversas reivindicações que os trabalhadores pretendem ver cumpridas, nomeadamente a «reposição dos três escalões remuneratórios a todos os trabalhadores e o pagamento dos retroactivos aos [que foram] penalizados com a criação de um quarto escalão»; a atribuição de subsídio de frio a quem trabalha em temperaturas controladas, bem como o aumento dos salários em 90 euros para todos os trabalhadores.

O CESP exige à administração do Lidl uma «postura de diálogo» e que se «sente à mesa com os representantes sindicais».

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Lições de Paris: a greve como forma de luta

O movimento atual na França – e também o dos petroleiros no Brasil – reabilita o método da greve como instrumento de luta da classe trabalhadora.

 

 

 

A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre ou escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito.”

 

Karl Marx, Friedrich Engels
 
 

A França continua sob a agitação das greves de várias categorias. A principal motivação dos trabalhadores franceses é defender o sistema de aposentadorias e contra o aumento da idade para ter direito ao benefício, entre outras medidas que significam prejuízo para quem trabalha. São as reformas neoliberais do presidente Macron que causam tanta repulsa, o que não ocorreu no Brasil em situação muito parecida e onde a reforma da previdência foi aprovada sem protestos dos que sofreram com os prejuízos.

Assim também como no Brasil, onde uma importante greve dos petroleiros, que contesta as ações de um governo agressivamente reacionário, é praticamente ignorada pela imprensa, a mídia francesa tem dado pouca cobertura ao movimento que já paralisou o país, afetou até o turismo e configura-se como a mais longa das greves trabalhistas da história da França.

Alguns cronistas da história – não os historiadores – já disseram que os franceses têm paixão pelas greves. Mas na verdade a classe trabalhadora em qualquer parte do mundo jamais conseguiu algo que não fosse através de movimentos fortes, entre os quais o mais poderoso deles é a greve. A suspensão voluntária do trabalho. O horror dos patrões. E os trabalhadores franceses mais uma vez se colocam na vanguarda das lutas da sua classe.

Uma era de retrocessos

As paralisações atuais já afetaram o fornecimento de eletricidade e o funcionamento de escolas, hospitais e principalmente dos transportes, a mais sensível para a maioria das pessoas. A própria Torre Eiffel, símbolo da cidade, e outros monumentos parisienses foram fechados diante da precariedade dos serviços públicos interrompidos pelo protesto.

É a maior luta dos trabalhadores franceses desde maio de 1968, que o General De Gaulle na época chamou de chienlit – um personagem típico do carnaval parisiense, para significar desordem ou algo que, no Brasil, poderia ser traduzido na linguagem popular por esculhambação.

Vivemos uma era de retrocessos. Com a queda do Muro de Berlim e a volta dos países ditos socialistas ao capitalismo radical, o mundo como que alinhou-se a um novo tipo de total liberalismo econômico e a uma segura hegemonia do sistema financeiro internacional. Esse é o capital que financia, dirige e supervisiona os governos visando às privatizações dos bens públicos em benefício dos seus negócios.

O movimento atual na França – e também o dos petroleiros no Brasil – reabilita o método da greve como instrumento de luta da classe trabalhadora.

A própria palavra greve é um vocábulo da língua francesa. Tem origem na designação da Place de Grève, em Paris, onde no passado os trabalhadores desempregados esperavam oportunidades de emprego. Esta é a praça onde hoje se localiza o Hotel de Ville, a prefeitura da cidade. Lá foi instalada a guilhotina durante o período mais radical da Revolução Francesa para, literalmente, cortar a cabeça da aristocracia dominante.

A greve geral

Após mais de dois meses de uma greve geral e uma sucessão de greves setoriais de diferentes categorias de trabalhadores, os franceses continuam a apoiar o movimento que representa nada mais do que uma acirrada manifestação da luta de classes tão bem estudada por Marx. Os artistas da Ópera de Paris comprovaram seu apoio encenando O Lago dos Cisnes, de Tchaikovski, gratuitamente nas ruas da cidade.

Os eletricitários religaram a energia na casa de famílias pobres que não puderam pagar por ela e cortaram o fornecimento das casas dos muito ricos. Os bombeiros enfrentaram a polícia protegendo manifestantes. Os coletes amarelos, sempre mobilizados, trouxeram suporte ao movimento grevista. Todas essas manifestações foram saudadas por sua criatividade na luta que se desenrola.

É de se notar ainda a quantidade de imigrantes que se destacam nas ações que agitam as greves francesas. Os árabes e os negros, alvos preferenciais do ataque dos partidos de extrema direita, mostram a sua cara nos protestos de rua, aproveitam um palco onde podem enfim se manifestar e expor a natureza do seu protesto. Annasse Kazib, ferroviário trotskista de origem marroquina, é um dos porta-vozes dessas agitações que dão vida à luta e é entrevistado diariamente pela mídia.

Um renascimento

Uma classe trabalhadora multirracial, multinacional, típica do século em que vivemos, aparece com toda a sua força. E desmente Toni Negri, André Gorz, Ernesto Laclau, Chantal Mouffe e outros autores diversos que afirmaram estarmos a viver hoje assistindo à substituição do conceito clássico de classe trabalhadora pela ideia de multidão.

Pelo contrário, um ponto de vista que toma corpo na esquerda francesa é o de que a radicalização do movimento dos coletes amarelos e a forte mobilização das diversas categorias para esta greve atual fermenta a criação de um novo e robusto partido revolucionário. O que se vê é que, parafraseando o famoso manifesto de Marx e Engels de 1848, um novo espectro ronda a Europa.

Os trabalhadores estão vivos e na vanguarda das lutas sociais.


por Celso Japiassu | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Publicado originalmente na Carta Maior

 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/licoes-de-paris-a-greve-como-forma-de-luta/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=licoes-de-paris-a-greve-como-forma-de-luta

Greve dos professores deixa mais de 2 milhões de crianças sem aulas no Canadá

 

Toronto, 21 fev (Xinhua) -- Os principais sindicatos de professores da província canadense de Ontário entraram em greve na sexta-feira, deixando mais de 2 milhões de crianças em idade escolar sem aulas.

A greve viu 30.000 membros do sindicato no Queen's Park. Outros 20.000 estavam fazendo piquetes ao longo de um trecho de 30 km na estrada Highway 10 na região de Peel, informou a mídia local.

"Queremos que este governo entenda que mais de 200.000 professores e profissionais da educação em toda a província estão de pé e com uma voz pedindo para reduzir esses cortes", disse na sexta-feira, Liz Stuart, presidente da Associação de Professores Católicos de Ontário.

O ministro da Educação de Ontário, Stephen Lecce, disse que os alunos deveriam estar na escola.

"Os pais estão perdendo a paciência com a interrupção causada pelo sindicato em suas vidas, a inconsistência na educação de seus filhos e o impacto financeiro da luta por cuidados alternativos", disse Lecce.

O ministro disse que o principal ponto de discórdia nas negociações com os professores do ensino médio é a compensação.

Os sindicatos estão pedindo aumentos salariais de dois por cento para acompanhar a inflação, mas o governo aprovou legislação no ano passado limitando os aumentos salariais para todos os trabalhadores do setor público em um por cento durante três anos.

O governo provincial anunciou em março de 2019 que aumentaria a média das turmas do ensino médio de 22 para 28 e exigiria que os alunos fizessem quatro cursos de ensino on-line para se formarem, enquanto os sindicatos estão pedindo ao governo que recue nos cortes na educação.

O governo recuou parcialmente, oferecendo, em vez disso, aumentar o tamanho médio das turmas do ensino médio para 25 e exigir dois cursos de aprendizado on-line.

Os professores de Ontário estão sem contrato desde 31 de agosto de 2019 e as tensões aumentaram nos últimos meses entre eles e o governo.

Com uma média de tamanho de turma em toda a província de 22,5, a mudança para aumentar o tamanho da turma já levou as escolas a oferecerem centenas de cursos a menos, de acordo com relatos da mídia local.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-02/23/c_138809846.htm

Trabalhadores do petróleo de todo o Brasil entram no 19º dia de greve

– 21 mil petroleiros mobilizados em 121 unidades da Petrobrás

por Federação Nacional dos Petroleiros

A greve nacional dos petroleiros obteve na última terça-feira (18) vitória na Justiça. O Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) decidiu pela suspensão de mais demissões feitas pela Petrobrás na Fábrica de Fertilizantes do Paraná (Fafen-PR) até o dia 6 de março.

"Uma decisão que só ocorreu diante da impressionante unidade e mobilização demonstrada pelos petroleiros até agora, mas vale destacar, apenas temporária. Não podemos permitir que isso se transforme numa manobra. As dispensas estão suspensas apenas até a próxima audiência entre o sindicato e a estatal, marcada para março", destaca diretor da FNP, Eduardo Henrique.

As revogações das demissões são um dos principais pontos da reivindicação da categoria.

Nesta quarta-feira (19), a greve nacional dos petroleiros completa 19 dias e a categoria segue mobilizada em 121 unidades da Petrobrás, entre elas 58 plataformas, 24 terminais e todo o parque de refinação da empresa.

Vale destacar que apesar da toda truculência da empresa e do governo Bolsonaro, que têm agido de forma repressiva e arbitrária, é uma das maiores mobilizações já realizadas pela categoria.

 

Quadro nacional da greve – 19/Fev

21 mil petroleiros mobilizados em 121 unidades do Sistema Petrobrás
58 plataformas
11 refinarias
24 terminais
8 campos terrestres
8 termoelétricas
3 UTGs [Unidades de Tratamento de Gás]
1 usina de biocombustível
1 fábrica de fertilizantes
1 fábrica de lubrificantes
1 usina de processamento de xisto
2 unidades industriais
3 bases administrativas

 

A greve nos estados

Amazonas
Campo de Produção de Urucu
Termelétrica de Jaraqui
Termelétrica de Tambaqui
Terminal de Coari (TACoari)
Refinaria de Manaus (Reman)

Ceará
Plataformas - 09
Terminal de Mucuripe
Temelétrica TermoCeará
Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor)

Rio Grande do Norte
Plataformas – PUB-2 e PUB-3
Ativo Industrial de Guamaré (AIG)
Base 34 e Alto do Rodrigues - mobilizações parciais

Pernambuco
Refinaria Abreu e Lima (Rnest)
Terminal Aquaviário de Suape

Bahia
Terminal de Camaçari
Terminal de Candeias
Terminal de Catu
UO-BA – 07 áreas de produção terrestre
Refinaria Landulpho Alves (Rlam)
Terminal Madre de Deus
Usina de Biocombustíveis de Candeias (PBIO)

Espírito Santo
Plataformas: FPSO-57 e FPSO-58
Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR)
Terminal Aquaviário de Vitória (TEVIT)
Unidade de tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC)
Sede administrativa da Base 61

Minas Gerais
Termelétrica de Ibirité (UTE-Ibirité)
Refinaria Gabriel Passos (Regap)

Rio de Janeiro
Plataformas – PNA1, PPM1, PNA2, PCE1, PGP1, PCH1, PCH2, P07, P08, P09, P12, P15, P18, P19, P20, P25, P26, P31, P32, P33, P35, P37, P40, P43, P47, P48, P50, P51, P52, P53, P54, P55, P56, P61, P62, P63, P74, P76, P77
Terminal de Cabiúnas, em Macaé (UTGCAB)
Terminal de Campos Elíseos (Tecam)
Termelétrica Governador Leonel Brizola (UTE-GLB)
Refinaria Duque de Caxias (Reduc)
Terminal Aquaviário da Bahia da Guanabara (TABG)
Terminal da Bahia de Ilha Grande (TEBIG)
Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)

São Paulo
Termelétrica Nova Piratininga
Terminal de São Caetano do Sul
Terminal de Guararema
Terminal de Barueri
Refinaria de Paulínia (Replan)
Refinaria de Capuava, em Mauá (Recap)
Refinaria Henrique Lages, em São José dos Campos (Revap)
Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (RPBC)
Plataformas – PMXL1, P66, P67, P68 e P69
Terminal de Alemoa
Terminal de São Sebastiao
Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA)
Termelétrica Cubatão (UTE Euzébio Rocha)
Torre Valongo - base administrativa da Petrobras em Santos
Terminal de Pilões

Mato Grosso do Sul
Termelétrica de Três Lagoas (UTE Luiz Carlos Prestes)

Paraná
Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar)
Unidade de Industrialização do Xisto (SIX)
Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FafenPR/Ansa)
Terminal de Paranaguá (Tepar)

Santa Catarina
Terminal de Biguaçu (TEGUAÇU)
Terminal Terrestre de Itajaí (TEJAÍ)
Terminal de Guaramirim (Temirim)
Terminal de São Francisco do Sul (Tefran)
Base administrativa de Joinville (Ediville)

Rio Grande do Sul
Refinaria Alberto Pasqualini (Refap)

19/Fevereiro/2020

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/brasil/petroleiros_20fev20.html

Europa | O novo velho continente e suas contradições: A greve como forma de luta

 
 
A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes
 
 
 
 
Homem livre ou escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito. (Karl Marx, Friedrich Engels) A França continua sob a agitação das greves de várias categorias. A principal motivação dos trabalhadores franceses é defender o sistema de aposentadorias e contra o aumento da idade para ter direito ao benefício, entre outras medidas que significam prejuízo para quem trabalha. São as reformas neoliberais do presidente Macron que causam tanta repulsa, o que não ocorreu no Brasil em situação muito parecida e onde a reforma da previdência foi aprovada sem protestos dos que sofreram com os prejuízos. Assim também como no Brasil, onde uma importante greve dos petroleiros, que contesta as ações de um governo agressivamente reacionário, é praticamente ignorada pela imprensa, a mídia francesa tem dado pouca cobertura ao movimento que já paralisou o país, afetou até o turismo e configura-se como a mais longa das greves trabalhistas da história da França. Alguns cronistas da história – não os historiadores – já disseram que os franceses têm paixão pelas greves mas na verdade a classe trabalhadora em qualquer parte do mundo jamais conseguiu algo que não fosse através de movimentos fortes, entre os quais o mais poderoso deles é a greve. A suspensão voluntária do trabalho. O horror dos patrões. E os trabalhadores franceses mais uma vez se colocam na vanguarda das lutas da sua classe.
 
Uma era de retrocessos As paralisações atuais já afetaram o fornecimento de eletricidade e o funcionamento de escolas, hospitais e principalmente dos transportes, a mais sensível para a maioria das pessoas. A própria Torre Eiffel, símbolo da cidade, e outros monumentos parisienses foram fechados diante da precariedade dos serviços públicos interrompidos pelo protesto. É a maior luta dos trabalhadores franceses desde maio de 1968, que o General De Gaulle na época chamou de chienlit, um personagem típico do carnaval parisiense, para significar desordem ou algo que, no Brasil, poderia ser traduzido na linguagem popular por esculhambação.
 
Vivemos uma era de retrocessos. Com a queda do Muro de Berlim e a volta dos países ditos socialistas ao capitalismo radical, o mundo como que alinhou-se a um novo tipo de total liberalismo económico e a uma segura hegemonia do sistema financeiro internacional. Esse é o capital que financia, dirige e supervisiona os governos visando as privatizações dos bens públicos em benefício dos seus negócios. O movimento atual na França – e também o dos petroleiros no Brasil – reabilita o método da greve como instrumento de luta da classe trabalhadora. A própria palavra greve é um vocábulo da língua francesa. Tem origem na designação da Place de Grève, em Paris, onde no passado os trabalhadores desempregados esperavam oportunidades de emprego. Esta é a praça onde hoje se localiza o Hotel de Ville, a prefeitura da cidade. Lá foi instalada a guilhotina durante o período mais radical da Revolução Francesa para, literalmente, cortar a cabeça da aristocracia dominante. A greve geral Após mais de dois meses de uma greve geral e uma sucessão de greves setoriais de diferentes categorias de trabalhadores, os franceses continuam a apoiar o movimento que representa nada mais do que uma acirrada manifestação da luta de classes tão bem estudada por Marx. Os artistas da Ópera de Paris comprovaram seu apoio encenando O Lago dos Cisnes, de Tchaikovski, gratuitamente nas ruas da cidade. Os eletricitários religaram a energia na casa de famílias pobres que não puderam pagar por ela e cortaram o fornecimento das casas dos muito ricos. Os bombeiros enfrentaram a polícia protegendo manifestantes. Os coletes amarelos, sempre mobilizados, trouxeram suporte ao movimento grevista. Todas essas manifestações foram saudadas por sua criatividade na luta que se desenrola.
 
É de se notar ainda a quantidade de imigrantes que se destacam nas ações que agitam as greves francesas. Os árabes e os negros, alvos preferenciais do ataque dos partidos de extrema direita, mostram a sua cara nos protestos de rua, aproveitam um palco onde podem enfim se manifestar e expor a natureza do seu protesto. Annasse Kazib, ferroviário trotskista de origem marroquina, é um dos porta-vozes dessas agitações que dão vida à luta e é entrevistado diariamente pela mídia. Um renascimento Uma classe trabalhadora multirracial, multinacional, típica do século em que vivemos, aparece com toda a sua força. E desmente Toni Negri, André Gorz, Ernesto Laclau, Chantal Mouffe e outros autores diversos que afirmaram estarmos a viver hoje assistindo a substituição do conceito clássico de classe trabalhadora pela ideia de multidão. Pelo contrário, um ponto de vista que toma corpo na esquerda francesa é o de que a radicalização do movimento dos coletes amarelos e a forte mobilização das diversas categorias para esta greve atual fermenta a criação de um novo e robusto partido revolucionário. O que se vê é que, parafraseando o famoso manifesto de Marx e Engels de 1848, um novo espectro ronda a Europa. Os trabalhadores estão vivos e na vanguarda das lutas sociais.
 
Celso Japiassu | Carta Maior
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/europa-o-novo-velho-continente-e-suas.html

Protestos contra a reforma das pensões continuam fortes em França

Milhares de pessoas voltaram a manifestar-se, esta quinta-feira, nas ruas de diversas cidades francesas para exigir a retirada do projecto de reforma das pensões de Macron, que já está a ser debatido.

As mobilizações contra a reforma das pensões, em França, prolongam-se há dois meses e meioCréditos / Sputnik News

A jornada de mobilização e protesto contra a reforma do sistema público de pensões voltou ser convocada pela plataforma intersindical que integra a CGT, a Força Operária, a Federação Sindical Unitária e os Solidários, entre outras organizações, e reuniu centenas de milhares de manifestantes em mais de 200 pontos do território francês, segundo revelou a Confederação Geral do Trabalho (CGT).

A jornada nacional de mobilização – a décima, depois das realizadas em 5, 10 e 17 de Dezembro, em 9, 11, 16, 24 e 29 de Janeiro, e 6 de Fevereiro – foi acompanhada por greves em diversos sectores, nomeadamente na Educção, Saúde, Transportes e Justiça, que insistem em denunciar os «malefícios» do projecto promovido pelo governo francês.

As manifestações de ontem tiveram lugar num contexto algo diferente, porque a reforma das pensões entrou na segunda-feira passada (17) na Assembleia Nacional como projecto de lei para ali ser debatido.

A República em Marcha (LREM), que tem clara maioria no Parlamento, espera ver votado o projecto na generalidade já em Março, para que seja definitivamente aprovado no Verão.

Para a LREM e o presidente francês, a aprovação da reforma das pensões – que consideram que vai trazer mais justiça e menos complexidade que o actual sistema de 42 regimes – corresponde a uma das promesas de campanha.

A maioria da sociedade, a maior parte dos sindicatos e partidos como o França Insubmissa e o Partido Comunista Francês (PCF) manifestam profundo desacordo com esta visão, sublinhando que vai arrasar o bolso dos reformados e beneficiar os interesses financeiros – de bancos, seguradoras e fondos privados.

«Não há nada de bom nesta reforma»

Em declarações à Prensa Latina, o secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, disse que «não há nada de bom nesta reforma», enquanto o secretário nacional do PCF, Fabien Roussel, afirmou que o projecto tem de ser travado, pelo impacto que terá nos trabalhadores.

Por seu lado, o secretário-geral da Força Operária, disse à France 24 que «não nos vamos render, pois estamos convencidos da correcção da nossa análise, do perigo que representa este projecto nas próximas décadas».

O movimento sindical fez também questão de sublinhar que o debate parlamentar não substitui a mobilização de massas. Pronuciou-se nesse sentido Philippe Martinez, da CGT, e Benoît Teste, da Federação Sindical Unitária, que considerou «necessário» manter a «pressão sobre os deputados».

Entretanto, o governo francês pôs em marcha uma conferência visando «encontrar soluções para financiar o seu projecto de reforma», indica a France 24. A plataforma intersindical contesta os moldes em que esse encontro é promovido – sem margem de negociação – e afirma que vai promover uma conferência própria sobre o actual sistema de pensões, para o melhorar.

Denunciando os entraves ao direito à manifestação e à liberdade sindical, a plataforma sublinha a «determinação» mostrada pelos manifestantes, depois de mais de dois meses e meio de protestos nas ruas, e anuncia uma nova «grande jornada de greve e de manifestações» para 31 de Março.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/protestos-contra-reforma-das-pensoes-continuam-fortes-em-franca

Movimentos sociais fazem ato na Avenida Paulista em apoio aos petroleiros

Igor Carvalho,Brasil de Fato - Na noite desta quinta-feira (20), os petroleiros receberam o apoio de diversos movimentos em um ato unificado na avenida Paulista, região central de São Paulo (SP).

“Estamos aqui, resistindo com os companheiros petroleiros contra o neoliberalismo e esse governo que quer entregar nossas riquezas”, afirmou Raimundo Bomfim, coordenador da Central dos Movimentos Populares.

Duas mil pessoas participaram da manifestação, de acordo com a organização do ato, convocado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Os manifestantes saíram do Museu de arte de São Paulo (Masp) e marcharam até o número 500 da avenida Paulista, onde funcionava uma sede da Petrobras.

Bomfim celebrou, ainda, a repercussão da paralisação de 20 dias dos petroleiros. “Não é à toa que o governo e a direção da empresa chamaram o sindicato para negociar, foram 20 dias de enfrentamento ao governo e à mídia, que querem a privatização da Petrobras.”

Alexandre Castilho, diretor do Sindicato dos Petroleiros Unificado do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), comentou o apoio. “Apesar do boicote de grande parte da mídia, a nossa paralisação ganhou adesão da sociedade, chegou às redes sociais e obrigou a imprensa a cobrir nossa movimentação. É importante todo apoio dos movimentos que estão aqui, mostra que a defesa da Petrobras é amplo e interessa a toda classe trabalhadora”, encerra.

Paralisação

No 19º dia da greve, os trabalhadores da Petrobras aprovaram a suspensão provisória da greve após reunião do conselho deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP) na última quarta-feira (19).

O indicativo de interrupção é motivado pela abertura de diálogo da empresa com os trabalhadores e precisa ser votado em assembleias na base, que começaram nesta quinta-feira (20) e devem continuar durante a sexta-feira (21).

Aumentos insuficientes encerram negociações na Função Pública

A Frente Comum considerou insuficiente o aumento do salário proposto pelo Governo de sete para dez euros para os funcionários públicos cuja remuneração actual está abaixo dos 683 euros mensais.

CréditosMário Cruz / LUSA

«A resposta do Governo foi manter em 0,3% a actualização salarial para os funcionários públicos e aumentou de sete para dez euros a actualização para os níveis 4 e 5 da Tabela Remuneratória Única [TRU]», referiu à Lusa Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN) no final de uma reunião no Ministério da Modernização do Estado e Administração Pública, assinalando que, com esta resposta, o Executivo não deixa alternativa aos trabalhadores que não seja avançar para «novas formas de luta».

A dirigente precisou ainda que o Governo não apresentou nenhuma proposta visando o aumento do subsídio de refeição e dos dias de férias, matérias que constam das contrapropostas das três estruturas sindicais da Função Pública.

 

«O que nos disse é que este ano não há aumento dos dias de férias», afirmou Ana Avoila, que sublinhou que a Frente Comum está a negociar a actualização salarial «apenas para o ano de 2020», e não numa perspetiva plurianual, e que, sendo esta a primeira actualização após o período de congelamento, o processo começou «da pior maneira».

Sobre o subsídio de refeição, referiu, a resposta do Governo foi também de não avançar com nennhum aumento, mantendo o seu valor nos 4,77 euros. A Frente Comum propôs uma subida para 6,50 euros.

«Não há mais reuniões marcadas. É um processo que fica por aqui», disse a dirigente, acrescentando que, perante este desfecho, o Governo «não deixa alternativa» aos trabalhadores e terá de assumir «as consequências».

A coordenadora da Frente Comum afirmou ainda que os aumentos diferenciados apenas vão «criar ainda maior divisão entre os trabalhadores», porque irão fazer com que pessoas que entram agora para a Função Pública «fiquem a ganhar o mesmo que trabalhadores que estão há 20 ou 30 anos em funções».

«A resposta é a luta», referiu Ana Avoila, referindo que a estrutura vai realizar no dia 28 de Fevereiro um plenário de dirigentes sindicais no qual «certamente vamos aprovar uma acção de luta», que «pode ser uma greve ou outra» mas que «certamente não será inferior à luta realizada em 31 de Janeiro».

Além de um aumento mínimo de 90 euros para cada funcionário público e da actualização do subsídio de refeição, a Frente Comum exige a reposição dos 25 dias úteis de férias, retirados durante o período da troika, e, entre outras medidas, a manutenção da proporcionalidade dos níveis salariais da TRU.

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/aumentos-insuficientes-encerram-negociacoes-na-funcao-publica

Adesão total à greve dos estivadores

A greve dos estivadores do Porto de Lisboa teve início esta manhã e pretende denunciar os salários em atraso e a não aplicação das actualizações negociadas.

CréditosAndré Areias / Agência Lusa

O Sindicato dos Estivadores e Actividade Logística (SEAL) congratula-se com a adesão à greve – que afecta as empresas Liscont, Sotagus, Multiterminal e TMB (Terminal Multiusos) – e disse à Lusa que os trabalhadores foram empurrados para esta acção de luta devido ao incumprimento das actualizações salariais que estavam previstas e aos salários em atraso nos últimos 18 meses.

O presidente do SEAL, António Mariano, acusa as empresas de estiva de quererem acabar com a actual empresa de trabalho portuário, a Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), criando outra em sua substituição, e efectivar um despedimento colectivo a abranger a maior parte dos trabalhadores do Porto de Lisboa.

«A situação financeira da A-ETPL só é desequilibrada porque os tarifários que eles [empresas de estiva] praticam, de cobrança do custo do estivador à empresa de trabalho portuário, mantém-se inalterado há 26 anos. Se tivesse sido actualizado, não era nos 65% da inflação, mas em 10 ou 15%, a empresa teria uma situação financeira excelente», defendeu.

Na sequência das declarações públicas do presidente da A-ETPL, Diogo Marecos – que afirmou que os estivadores têm salários acima da média e que podem atingir os cinco mil euros por mês –, António Mariano afirmou tratar-se de uma «campanha negra».

«Costumo responder à questão dos cinco mil euros dizendo que, se trabalhar por três estivadores, sou capaz de ganhar esse valor. A questão é que os salários são bastante inferiores em média; há trabalhadores a receber abaixo dos 800 e 700 euros em Lisboa e outros portos nacionais», disse.

Com agência Lusa

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/adesao-total-greve-dos-estivadores

Gregos manifestam-se contra a nova reforma das pensões

No âmbito de uma greve de 24 horas no sector público, milhares de trabalhadores mobilizaram-se em dezenas de cidades, esta terça-feira, contra a reforma das pensões do governo de Kyriakos Mitsotakis.

Manifestantes desfilam no centro de Atenas entoando palavras de ordem contra a proposta de reforma de pensões apresentada pelo governo grego, a 18 de Fevereiro de 2020, enquanto decorre uma greve nacional de 24 horas na administração públicaCréditosEPA/KOSTAS TSIRONIS / LUSA

Convocada pela Confederação dos Sindicatos de Funcionários Públicos (ADEDY), a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) e o Centro de Sindicatos de Atenas (EKA), entre outras organizações sindicais, a greve de 24 horas contra o projecto de lei de reforma das pensões proposto pelo actual governo paralisou os transportes públicos em Atenas (autocarros, metro, comboios), bem como os comboios intercidades e os barcos de passageiros.

Os sindicatos entendem que o projecto de lei constitui um ataque ao sistema público de Segurança Social, implicando mais cortes nas pensões de reforma – que foram sendo desbastadas com os chamados programas de resgate a que o país helénico recorreu desde 2010.

 

ADEDY e PAME promoveram manifestações em vários pontos do país, sendo as maiores em Atenas e Salónica. A Confederação alertou em comunicado que «o projecto de lei é praticamente a continuação das leis de austeridade que foram aprovadas no período 2010-2019 e que tiveram como consequência os cortes nas pensões».

Por seu lado, ao discursar na manifestação em Atenas, que reuniu milhares de pessoas, Nikos Mavrokefalos, da PAME, afirmou que a Frente «vai continuar a lutar [contra estas medidas] enquanto for necessário».

«Corte após corte», aumento da idade da reforma

A Grécia esteve sujeita às imposições da troika desde 2010 e, apesar das expectativas criadas quando da vitória eleitoral do Syriza em Janeiro de 2015, o governo que liderou não inverteu a política de cortes na despesa pública e de retirada de direitos aos trabalhadores.

Agora, os ministros do governo da Nova Democracia (direita) afirmam que, com esta reforma, o sistema se torna viável até 2070 e que, inclusive, alguns trabalhadores vão ver aumentadas as suas pensões. No entanto, os sindicatos afirmam que, nesses casos, os trabalhadores jamais são compensados pelos cortes nos redimentos que sofreram no «período da austeridade».

Afirmam, além disso, que este projecto é uma tentativa mal disfarçada de levar o sistema público para fundos de pensões privados e acusam os governantes de não cumprirem a promessa de pôr fim aos cortes impostos pela troika, informa a Reuters.

Nas manifestações, a tónica dominante foi a preocupação, acompanhada pela consciência da necessidade de lutar pelos direitos. «Tem sido corte após corte nos últimos anos. Estamos a fazer greve porque queremos pensões que nos permitam viver», disse à Reuters Dimitris Volis, trabalhador numa empresa de ferries do Pireu, o porto de Atenas.

«Trabalho desde os 17 anos e estão a dizer-me que não me posso reformar antes dos 67. Será que vou aguentar até lá?», disse Nectaria, mãe solteira de 48 anos, que trabalha como empregada de limpeza.

Por seu lado, Rania Papayeoryiu, funcionária pública de 56 anos, disse à TeleSur: «Tanto para mim, que já trabalho há vários anos, como para os meus filhos, que procuram trabalho, a reforma significa o desaparecimento do sistema público de Segurança Social. Nem saúde, nem pensões.»

«Não há uma pensão garantida, mas uma quantia mínima de cerca de 300 euros, que vai diminuindo. A idade de reforma passou dos 60 anos, 55 no caso das mulheres, para os 67 anos e vai a caminho dos 70», lamentou.

Sobre o projecto de lei que deve começar a ser debatido esta semana, o deputado conservador Christos Tarantilis disse que se trata de «um passo decisivo na aproximação às boas práticas de outros países europeus».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/gregos-manifestam-se-contra-nova-reforma-das-pensoes

Porque é que os trabalhadores franceses pobres exigem a demissão de Emmanuel Macron

(Oliver Davis, 2 de dezembro de  2018)

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Durante o último mês, a França testemunhou o súbito surgimento de um movimento populista militante que goza de um forte apoio da população em geral.

Os “Coletes Amarelos” têm o nome daqueles coletes de forte visibilidade  que a lei francesa exige que os motoristas tenham sempre no carro, juntamente com um triângulo de aviso e outras parafernálias, para uso em caso de avaria. Centenas de milhares de cidadãos franceses muito comuns vestiram os seus coletes e foram para as ruas como forma de protesto.

O movimento começou em outubro, com uma petição online contra o aumento do preço dos combustíveis. Desde então, os  Coletes Amarelos têm ocupado  rotundas  nas muitas estradas francesas com portagem, colocaram fora de ação cerca de um quinto dos radares de trânsito do país, bloquearam as entradas nas repartições regionais de impostos e bloquearam a perigosa estrada circular de Paris (la périphérique), entre outras estradas principais.

Eles marcharam pacificamente através de numerosas cidades de província  e travaram batalhas com a polícia antimotim nos Campos Elísios de Paris. Os protestos têm sido particularmente intensos no território ultramarino francês da ilha Reunião, uma ilha no Oceano Índico. Os Coletes Amarelos  conseguiram tudo isso em grande parte através dos media sociais e sem líderes assumidos .

Os preços dos combustíveis sobem, a popularidade do Macron cai

Pela primeira vez na sua presidência, Emmanuel Macron parece preocupado, e bem pode ter razões para assim estar.  Desde janeiro de 2018, a sua popularidade tem murchado, caindo pela metade para 25%, enquanto as sondagens  sugerem que cerca de 70% da população apoia agora o movimento de protesto que adotou o  slogan “Macron, demita-se! O apoio público tem aumentado constantemente ao longo de Novembro e numa sondagem, 42% dos inquiridos disseram que planeavam realmente aderir ao movimento.

O aumento dos preços dos combustíveis fez com que o movimento se desencadeasse, foi o seu ponto de ignição.  De outubro de 2017 a outubro de 2018, o preço da gasolina nas bombas em França aumentou 15% e o do diesel 23%. Embora dois terços do aumento dos preços ao consumidor final  possam ser atribuídos ao aumento dos preços internacionais do petróleo, o terço restante é devido ao aumento dos impostos verdes sobre combustíveis fósseis introduzidos pelo seu antecessor. Estes impostos são o principal instrumento político destinado a garantir que a França cumpra as suas metas em matéria de alterações climáticas. Eles são concebidos para enviar um “sinal de preço” aos consumidores de que eles devem reduzir o consumo de combustível, comprar carros mais eficientes e mudar para meios de transporte alternativos.

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.Numa recente conferência de imprensa, Macron anunciou um ligeiro recuo na posição do governo. Em resposta ao aumento dos preços do petróleo nos mercados internacionais, o governo irá periodicamente considerar se deve suspender a introdução dos aumentos previstos dos impostos sobre os combustíveis. Ele também anunciou que os incentivos financeiros para mudar para veículos mais limpos seriam mais atraentes, mas reiterou  o seu compromisso com os aumentos de impostos planeados como um elemento-chave de sua política ambiental.

Quem são os manifestantes?

O problema para Macron é que os Coletes Amarelos  podem ter sido estimulados a protestar através do aumento dos preços dos combustíveis, mas a sua raiva e ambição excedem em muito essa causa particular. Isto já ficou claro num vídeo influente do YouTube, da proeminente manifestante Jacline Mouraud. Dirigindo os seus comentários a Emmanuel Macron, esta mãe trabalhadora de 51 anos não só denunciou a “perseguição” dos motoristas pelo Estado, mas também perguntou repetidamente: “O que estás a fazer com  a doxa  do povo francês?” Ela expressou a acusação populista de que a elite governante em Paris perdeu o contacto com aqueles que  governam.

O demógrafo Hervé Le Bras observou que o movimento goza de pouco apoio nas áreas urbanas e que os seus ativistas são oriundos principalmente da classe média baixa rural e dos trabalhadores pobres. É a ênfase do movimento no declínio do poder aquisitivo das famílias comuns (“le pouvoir d’achat”), que tem conquistado amplo apoio público. fazendo com o  movimento ganhe forte apoio popular. “dosh” do povo francês.

 

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Os Coletes Amarelos, Andelnans, France, 24 de Novembro.
computerhotline/flickr, CC BY

O movimento apanhou o governo de Macron de surpresa. A sua reação inicial foi de difamar os  Coletes Amarelos  como um violento movimento de extrema-direita. Ajudou que  Marine Le Pen tivesse falado favoravelmente dos Coletes Amarelos  mas também uma série de políticos de todo o espectro político, incluindo o líder do partido de esquerda radical La France Insoumise, Jean-Luc Mélenchon.

As tácticas de difamação do governo foram concebidas para privar os Coletes Amarelos do apoio do movimento sindical. Inicialmente, foram bem sucedidos ao fazê-lo, mas uma importante confederação sindical (a CGT) apelou agora aos seus membros para se lhes juntarem na  manifestação pela justiça social no dia 1 de Dezembro. Este é o dia já marcado pelos Coletes Amarelos  para o seu próximo protesto (“Acto III”, como tem sido chamado nas redes sociais).

Manifestação dos Coletes Amarelos na rotunda Vaugine no Vesoul (Haute-Saône). A autoestrada N19 está bloqueada em ambos os sentidos,
Obier/Wikimedia Commons, CC BY

Paralelos e prognóstico

Comentadores fizeram fila para comparar o movimento a revoltas camponesas de vários séculos atrás e a um movimento reacionário de comerciantes liderado por Pierre Poujade na década de 1950. No entanto, é o paralelo que o próprio Macron evocou recentemente – uma comparação ao movimento inglês do Brexit  – que é talvez o mais sugestivo. Embora não fosse essa a intenção de Macron, o paralelo intimida que ele possa partilhar algo do excesso de confiança que teve  David Cameron na sua capacidade para governar .

Como o historiador Gérard Noiriel observou, as reformas económicas de Macron estão a deixar  as pessoas  bloqueadas à beira da estrada, cheias de dificuldades e com apenas os seus Coletes Amarelos como  proteção. Os seus coletes de grande  visibilidade seguramente  conseguiram chamar a atenção para esta causa emergente. Suspeito que há vários outros atos a seguir neste drama político em particular.


O terceiro texto desta série será publicado amanhã, 14/02/2020, 22h


Tradução de Júlio Marques Mota – Fonte aqui

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/13/os-coletes-amarelos-um-sintoma-da-proxima-crise-na-europa-uma-serie-de-textos-2o-texto-porque-e-que-os-trabalhadores-franceses-pobres-exigem-a-demissao-de-emmanuel-macron/

Greve de professores durante Carnaval não se destina a todas as escolas

 

A greve de professores nos dias 24 e 26 de fevereiro só vai incidir sobre as escolas em que os docentes foram convocados para serviços durante a interrupção de Carnaval, esclareceu a Federação Nacional de Professores.

 

“A entrega de pré-avisos de greve para os dias de interrupção letiva corresponde ao pedido de professores que, tendo aderido à greve do ‘sobretrabalho’ (…) viram os respetivos diretores, num ato de prepotência, retaliarem com a ameaça e, em alguns casos, marcação de serviço para os dias 24 e 26″, lê-se no comunicado enviado às redações.

Esta ação é uma das várias formas de protesto definidas no projeto de resolução da Fenprof, apresentado e aprovado na quarta-feira durante o plenário nacional de professores e educadores, que juntou em Lisboa mais de 400 docentes.

No projeto de resolução, a estrutura sindical anuncia a entrega de “pré-avisos de greve a toda a atividade que, nas escolas, venha a ser marcada para os dias 24 e 26 de fevereiro”, à semelhança daquilo que já tinha feito durante as férias de Natal deste ano letivo, e de Carnaval e Páscoa do ano letivo anterior.

Segundo o comunicado, esta forma de protesto serve apenas para salvaguardar os professores que sejam convocados para trabalhardurante a interrupção letiva de Carnaval, não interferindo com a vida dos alunos, que não têm aulas durante estes dias.

Ao longo deste ano letivo, a Fenprof vai prolongar a greve às horas extraordinárias e promover protestos junto do Governo, nas localidades onde se realizem as próximas reuniões do conselho de ministros e concentrações regionais junto às delegações da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

Durante o plenário nacional de quarta-feira, o secretário-geral da federação, Mário Nogueira, admitiu que o recurso à greve e a realização de uma grande manifestação nacional no terceiro período letivo será inevitável, caso a tutela continue a não ouvir os sindicatos.

Em comunicado, a Fenprof volta a reforçar a necessidade de “relançar processos negociais bloqueados pelo Governo”, depois de ter sublinhado em plenário que à frente da Educação deve estar alguém conhecedor dos problemas do setor e “capaz de dialogar” com os professores, apelando para a substituição do ministro da tutela, Tiago Brandão Rodrigues.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/greve-professores-nao-todas-escolas-308545

A Ascensão do Protesto Permanente. Por Osita Nwanevu

 

 

 

Osita Nwanevu 

Por Osita Nwanevu

Publicado por The New Republic em 1 de janeiro de 2020 (ver aqui)

 Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Bem-vindos àDécada Infernal, o nosso olhar sobre um período arbitrário de 10 anos que começou com uma grande efusão de esperança e terminou numa cavalgada para o  desespero.

10 A Ascensão do Protesto Permanente 1

Um protesto contra a violência armada em Denver após o massacre de Parkland. (Ross Taylor/Getty Images)

 

Há razões para ter esperança, aqui no final da Década do Inferno: há uma nova raça de gente que pode pôr o mundo de pé

Quase imediatamente após um dos momentos mais sombrios da década – o dia em que o presidente Donald Trump emitiu uma ordem executiva impedindo os viajantes de vários países predominantemente muçulmanos de entrar nos Estados Unidos em janeiro de 2017 – os aeroportos de todo o país foram invadidos por ativistas, políticos, celebridades e pessoas comuns determinadas a expressar a sua indignação e a fazer o que pudessem para apoiar aqueles que se encontravam rapidamente detidos. A eles se juntaram legiões de advogados de organizações como a União Americana de Liberdades Civis, que se voluntariaram para aconselhar e representar os detidos e as suas famílias no local.

Andre Segura, um advogado da ACLU que passou grande parte do fim de semana após a ordem no Aeroporto Internacional Kennedy, em Nova York, disse ao The New York Times que as manifestações tinham sido diferentes de tudo o que ele tinha visto antes. “A dinâmica entre o que estava a acontecer dentro do terminal com todos os advogados, e lá fora com os protestos em massa e pessoas a segurarem cartazes – nunca experimentei nada parecido”, disse ele.

Aqueles, como o Segura, que tomaram a iniciativa de protestar e agir diretamente na era Trump, não tomaram uma posição apenas contra esta administração. Eles também lutaram contra um cinismo sobre os movimentos de protesto que permeia o discurso político desde há anos. Diz-se frequentemente que vivemos numa era de ativismo de preguiçosos – que o facto de juntar grandes multidões em apoio a uma causa tornou-se ao mesmo tempo simples quanto ineficaz pelos media sociais. Os protestos nunca foram tão fáceis de organizar e, como consequência, nunca estiveram tão fora de foco, desorganizados e propensos ao fracasso. “Antes da internet, o tedioso trabalho de organização que era necessário para contornar a censura ou organizar um protesto também ajudou a construir infraestrutura para a tomada de decisões e estratégias para sustentar a dinâmica”, escreveu Zeynep Tufekci em 2014, socióloga da Universidade da Carolina do Norte e colaboradora do Times. “Agora os movimentos podem passar apressadamente por esse passo, muitas vezes em seu próprio prejuízo”.

Mas qualquer simples revisão dos principais movimentos de protesto da década na América deve pintar um quadro diferente: A década de 2010 foi a década mais bem sucedida para protestos em massa desde os anos 60 – uma era de vitórias espantosas que sugerem que a ação directa hoje não só funciona como também pode estar entre os veículos mais eficazes para a mudança, uma vez que as instituições políticas da nossa nação continuam a declinar.

Considere as marchas das mulheres no dia seguinte à posse de Trump – os maiores protestos coordenados da história americana, que levaram mais de três milhões de pessoas às ruas das cidades de todo o país para fazer ouvir a sua voz sobre questões que vão desde a liberdade reprodutiva até à interferência da Rússia nas eleições de 2016. Os céticos das marchas levantaram uma variedade de críticas contra os participantes e organizadores. O foco nas mulheres, segundo as previsões, limitaria o tamanho das marchas, dissuadindo os homens de comparecer. A falta de um objetivo singular, argumentaram alguns, privá-los-ia de sentido e não incentivaria uma ação política sustentada por parte dos manifestantes. Os chapéus de cona foram gozados como tolos. Uma peça crítica para The Week de 2 de janeiro, duas semanas antes das marchas, foi intitulada “Porque razão a Marcha das Mulheres em Washington já fracassou”.

“As manifestações têm uma função útil numa democracia – mas somente quando têm clareza de propósito”, escreveu o colunista Shikha Dalmia. “Não é o caso da Marcha das Mulheres em Washington, que será realizada em Washington, D.C., no dia seguinte à tomada de posse de Donald Trump. Em vez disso, a marcha está a moldar-se para ser um bom exercício de sentimento em busca de uma causa.” Mas as marchas femininas de 2017 foram seguidas no ano seguinte por uma série de marchas com bem mais de um milhão de participantes – a segunda maior coordenação de protestos da história americana – assim como uma onda histórica de eleições para o Partido Democrata, alimentada em parte pela organização e treino de grupos progressistas como Emily’s List, que patrocinaram ou foram impulsionados pelas marchas.

O cinismo sobre o protesto encontrou um alvo no início desta década em Occupy Wall Street, que reuniu ativistas em cidades de toda a América e de todo o mundo na sequência da crise financeira para protestar contra a má-fé dos grandes bancos, o fracasso dos governos em responsabilizá-los, e o aumento da desigualdade sob o capitalismo. No intervalo de um ano após a expulsão dos manifestantes de Nova York do Parque Zuccotti pela polícia municipal, os comentadores estavam prontos para considerar o movimento um fracasso. Numa peça de 2012, Andrew Ross Sorkin, do Times, previu que o Occupy seria “um asterisco nos livros de história, se é que o assunto será mencionado” e que os manifestantes, além de não terem conseguido mudar significativamente a política financeira, falharam também em inspirar o progresso “mesmo nas questões da desigualdade económica e da mobilidade ascendente”.

“Na segunda ou terceira vez que desci ao Parque Zuccotti, ficou claro para mim que Occupy Wall Street, que começou com um pequeno grupo de intelectuais apaixonados, tinha sido sequestrado por desajustados e vagabundos em busca de comida e de abrigo”, escreveu ele. “Dada a forma como a organização – se assim se pode chamar – estava propositadamente aberta a aceitar todos os participantes, a assembleia perdeu o seu sentido de propósito à medida que surgiram várias brigas intramuros sobre o objetivo do grupo”.

É difícil imaginar o nosso discurso atual sobre a desigualdade sem o enquadramento e a linguagem que Occupy popularizou.

Contudo, ao forjar ligações sociais e ao fornecer experiência a ativistas e organizações progressistas, Occupy lançou com sucesso as bases para campanhas de protesto mais direcionadas que se seguiram em questões como a desigualdade habitacional e a dívida estudantil. Oito anos depois, é difícil imaginar o nosso discurso atual sobre a desigualdade – ou, para começar, a centralidade atual da desigualdade como uma questão política – sem o enquadramento e a linguagem que o Occupy popularizou. Quando os historiadores começaram a explicar o que veio a ser essa retórica progressista, e mesmo o desenho de políticas redistributivas, começou-se a concentrar a análise tão fortemente na divisão entre os primeiros 1% e os segundos 99% dos que auferem rendimentos até ao final da década, que os manifestantes que integraram estas ideias merecerão obviamente mais do que uma nota de rodapé.

Um dos movimentos pós-Occupy mais bem sucedidos contra a desigualdade tem sido a Luta por $15, uma campanha por 15 dólares de salário mínimo, que começou um ano depois do Occupy, com as paragens dos trabalhadores de fast-food em Nova Iorque. Nos anos que se seguiram, as manifestações da Luta pelos 15, os protestos pacíficos e as ações de trabalhadores levaram-nos a alcançar aumentos salariais mínimos estaduais e locais que somam US$ 68 mil milhões para 22 milhões de trabalhadores, de acordo com o Projeto Nacional de Direito do Trabalho. Um mínimo federal de US$ 15 também passou a fazer parte da plataforma nacional do Partido Democrata, e um projeto de lei que elevou o salário para US$ 15 foi aprovado pela Câmara dos Deputados neste verão.

As greves e as paragens na indústria alimentar de comida rápida e de outros trabalhadores com salários baixos têm sido parte do reaparecimento mais amplo da ação convencional dos trabalhadores ao longo da década. Quase meio milhão de pessoas participaram nas paragens de trabalho em 2018, o maior número desde 1986. A maioria dos que pararam no trabalho foram professores que participaram nas greves massivas do ano passado por melhores salários e melhores escolas, ações inspiradas em grande parte pelo sucesso da greve do Sindicato dos Professores de Chicago em 2012. Nos anos seguintes, os grevistas conseguiram ganhar aumentos salariais e financiamento adicional para as escolas, bem como desviar o Partido Democrata do paradigma da reforma que moldou a política educacional para uma geração.

Os manifestantes conseguiram mudar as atitudes raciais dos brancos tão rápida e dramaticamente que os próprios liberais brancos estão agora à esquerda das minorias raciais sobre uma série de questões raciais.

Os democratas, e o país como um todo, também se movimentaram para a esquerda na política de justiça criminal, graças, em grande parte, ao ativismo do Black Lives Matter e às conversas que o movimento tem inspirado sobre raça, policiamento e encarceramento em massa. As manifestações de 2014 em Ferguson e a resposta policial que elas geraram cativaram particularmente a nação. Apesar dos avisos de comentaristas que insistiam que saques, vandalismo e a percepção de antagonismo racial poderiam entravar os esforços de organizadores pacíficos, os manifestantes conseguiram mudar as atitudes raciais dos brancos tão rápida e dramaticamente que os próprios brancos liberais estão agora à esquerda das minorias raciais sobre uma série de questões raciais. De acordo com Pew, o número de americanos, de todas as raças, que acreditam que o país “precisa continuar a fazer mudanças para dar aos negros direitos iguais aos brancos” saltou 13 pontos entre os meses imediatamente antes de Ferguson, em 2014, e os meses imediatamente depois, em 2015 – de uma minoria de 46% para uma maioria de 59%. Essa oscilação na opinião pública refletiu-se no sucesso dos novos esforços de justiça criminal e de responsabilização policial nos níveis local, estadual e federal.

Pode também atribuir-se à ação direta uma mudança na política de controle de armas. O tiroteio em Parkland, na Escola Secundária Marjory Stoneman Douglas da Flórida, em fevereiro de 2018, poderia facilmente ter passado à memória como muitos dos tiroteios em massa que o precederam – com uma onda de ultraje demasiado efémera para arranhar significativamente o status quo na política de armas. Mas os adolescentes do Parkland usaram a estreita janela de oportunidade oferecida pela atenção dos media para construir um movimento de protesto que culminou com uma caminhada escolar nacional e a Marcha pelas Nossas Vidas, esta última representando o terceiro maior protesto coordenado da história americana, com participantes reunindo-se em 90 por cento dos distritos congressionais do país. Ao prolongar a meia-vida do discurso pós-boicote, a Marcha pelas Nossas Vidas ajudou a tornar o controle de armas uma questão-chave nos distritos suburbanos que oscilaram e que os democratas reverteram a seu favor nas intercalares de 2018 e também inspirou a ação legislativa: O número de novas leis de controlo de armas aprovadas a nível estadual mais do que triplicou de 2017 para 2018, ultrapassando o número de leis aprovadas para enfraquecer as leis de armas existentes pela primeira vez em seis anos.

A campanha nacional de adolescentes do Parkland inspirou Greta Thunberg, activista climática sueca de 16 anos, a organizar as suas próprias greves escolares em protesto contra a inacção climática; estas atraíram milhões de participantes em todo o mundo. Mas foi uma concentração de pouco mais de 200 ativistas que reformulou a política climática americana no ano passado. Desde que o Movimento Sunrise e a congressista Alexandria Ocasio-Cortez ocuparam brevemente o escritório da presidente Nancy Pelosi em Washington, em novembro de 2018, para exigir que o Partido Democrata se comprometesse com um New Deal Verde, a proposta e a crise climática foram colocadas mais amplamente no centro da conversa política democrata.

O movimento de protesto mais bem sucedido da década foi provavelmente um movimento da direita.

Apesar destas vitórias progressistas – e de outras em que o protesto desempenhou um papel, desde a rejeição da administração Obama do oleoduto Keystone XL até à remoção de bandeiras e monumentos confederados em todo o país – deve ser dito que o movimento de protesto mais bem sucedido da década foi provavelmente um movimento à direita. À medida que o Tea Party se desvaneceu das manchetes, muito foi feito a propósito do fracasso do movimento em assegurar consistentemente as vitórias eleitorais. Além disso, alguns especialistas apontaram que importantes doadores e republicanos do establishment apoiam organizações importantes no movimento, como FreedomWorks e Tea Party Express, como evidência de que o Tea Party não passou de uma miragem artificial sem apoio real e significativo das bases.

No entanto, as manifestações do Tea Party nas prefeituras do Congresso e em outros lugares não só capturaram a narrativa em torno do grande esforço legislativo da última administração democrática, como também reforçaram a participação política conservadora e criaram uma nova infra-estrutura organizacional à direita. Um estudo realizado em 2011 por economistas da Universidade de Harvard e da Universidade de Estocolmo estimou que cada participante nas marchas do Dia dos Impostos de 2009 produziu entre sete e 14 votos republicanos adicionais nas eleições de 2010. O Tea Party também exerceu pressão suficiente sobre o Partido Republicano para puxá-lo em direção ao populismo reacionário e conspiratório que tanto o define hoje como torna possível a presidência de Trump.

A Década Infernal colocou-nos mais para baixo no caminho da ruína tanto nacional como planetária. No entanto, também tem oferecido inúmeras histórias que nos podem guiar numa nova direção – histórias sobre o poder das pessoas comuns reunindo-se para apresentar os casos morais de mudança e exigir que os poderosos atuem sobre esses casos. Não há nenhum substituto, mesmo nesta era digital, para a ação direta. O melhor remédio para os negócios como de costume continua a ser tornar os negócios como de costume impossíveis.

 

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O autor: Osita Nwanevu é redator da equipa de The New Republic. Licenciado em Artes, Política Pública e master de Política Pública pela Universidade de Chicago. É ex-redator do The New Yorker e do Slate Magazine e ex-chefe de redação do South Side Weekly, um semanário alternativo de Chicago. Os seus artigos também apareceram no Harper’s, o Chicago Reader, e no In These Times.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/13/2009-2019-uma-decada-infernal-10-a-ascensao-do-protesto-permanente-por-osita-nwanevu/

Greve no Carnaval?

carnaval-2017

A Fenprof marcou greve para 24 e 26 de Fevereiro, dias em que não há aulas? Estarão bons da cabeça? – perguntam alguns professores.

A verdade é que o pré-aviso para estes dias faz todo o sentido. Na realidade, não se trata propriamente de marcar uma nova greve para esses dias, mas sim de prolongar, durante a pausa lectiva, uma luta que vem desde o início do ano.

Ou ainda não tinham dado conta de que está convocada greve ao sobretrabalho, ou seja, a todas as tarefas não lectivas que as escolas tentem impor aos professores para além do seu horário de trabalho?

É precisamente para prevenir a possibilidade de alguns directores aproveitarem a pausa do Carnaval para marcar uma maratona de reuniões, que a Fenprof decidiu estender o pré-aviso àqueles dias.

Como é evidente, não se está à espera que a esmagadora maioria dos professores, que não têm serviço marcado, faça greve. Aplica-se aqui, com inteira propriedade, um velho princípio do sindicalismo, que diz que a melhor greve é a que não tem de se fazer. Sinal de que o objectivo – neste caso, evitar a marcação de reuniões em tempo de interrupção lectiva – foi alcançado sem necessidade de a concretizar.

O pré-aviso de greve no Carnaval garante aos professores deslocados da residência que poderão aproveitar estes dias para estar com a família. E assegura, a quem tem outros  planos para esses dias, que não se verá obrigado a passar o dia na escola em reuniões.

Dia da Mulher – Manifestação Nacional 8 de Março

Dia 8 de Março, Dia da Mulher, às 14h30 a Praça dos Restauradores, em Lisboa, será palco da Manifestação Nacional de Mulheres 2020 organizada pelo Movimento Democrático de Mulheres – MDM.

Segundo o MDM, é importante levar para a rua as razões de celebrar o dia internacional da Mulher entre as quais se listam:

  • Pelo direito ao trabalho com direitos, contra a precariedade e as discriminações.
  • Pelo direito à maternidade-paternidade sem penalizações.
  • Pelo aumento geral dos salários e do Salário Mínimo Nacional para 850€.
  • Pela redução do horário de trabalho e contra os horários desregulados, porque queremos ter tempo para a família, para o lazer, para participar e para nós.
  • Pela valorização das carreiras profissionais na indústria, na hotelaria, restauração e comércio, na educação e saúde, na cultura e artes, na investigação e ciência, nos serviços de apoio social, e no mundo rural.
  • Por serviços públicos de qualidade que garantam acesso em igualdade à educação, à saúde, à segurança social, à justiça e aos transportes.
  • Por políticas de prevenção e combate à violência doméstica, com reforço dos meios financeiros, técnicos e humanos dos diferentes serviços públicos.
  • Pelo reconhecimento de que a prostituição é uma exploração e uma grave forma de violência sobre as mulheres e crianças.
  • Pelo estímulo à participação social, política, cultural e desportiva das mulheres.
 

Segundo o MDM, está confirmada a presença de Mulheres dos 18 distritos do Continente, contando como apoio logístico,  organização de vários pontos de transporte com origem em vários pontos do País.

Na sua página o MDM fornece contactos directos para inscrições nos respectivos transportes.

Para mais informações consultar MDM

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/dia-da-mulher-manifestacao-nacional-8-de-marco/

Oscar vai para Parasita e Industria Americana, o horror econômico

Temas sociais e trabalhistas estão nas telas e suscitam reflexões sobre a crise econômica global e o mundo do trabalho.

 

 

No clima de temas sociais da cerimônia de premiação do Oscar de 2020, dois documentários pouco comentados chamam a atenção. The Social Dilemma tenta interpretar o papel das redes sociais e seus algoritmos na vida das pessoas. Coded Bias também fala desse tema; o documentário analisa os aplicativos com reconhecimento facial que costumam ser falhos e, em muitos casos, racistas.

Na disputa do Oscar, os documentários Democracia em vertigem, da brasileira Petra Costa — que escancarou ao mundo a vergonhosa trama do golpe do impeachment de 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, iniciada pelo submundo da política representado pela Operação Lava Jato —, e o vencedor Indústria Americana — sobre o cotidiano dos operários da fábrica da General Motors em Ohio que passou para as mãos de um milionário chinês — mostram o conceito de luta de classes.

Os filmes O irlandês e Parasita — este, o vencedor do Oscar — também enveredam por esse tema. A luta de classes não é nominada, mas facilmente perceptível. Especialmente em Indústria Americana e Parasita, os problemas econômicos que demarcam os mundos de ricos e pobres aparecem como ponto central. Eles ficam mais nítidos quando vistos com os dados recentemente divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Divisões domésticas

Em seu relatório anual, publicado em 21 de janeiro de 2020, a organização questiona “se a taxa de desemprego é a medida mais confiável do mau funcionamento do mercado de trabalho”. O emprego não é mais garantia de segurança pessoal e familiar e de perspectiva de futuro, pois a remuneração e os direitos têm piorado, afirma o documento.

Enquanto isso, diz a OIT, a riqueza está cada vez mais concentrada nas mãos de bancos, empresários e ricos em geral. Em 2004, 54% do PIB global era distribuído para os trabalhadores. Em 2017, o montante diminuiu para 51%. A queda foi puxada pelas crises nas Américas, na Europa e na Ásia Central. Na América Latina e no Caribe a tendência é de piora, prevê a OIT. A situação é mais crítica para os jovens.

Já o Relatório Global de Riscos 2020 do Fórum Econômico Mundial prevê que este ano será de embates, divisões domésticas e internacionais e desaceleração econômica. Isso porque a turbulência geopolítica está levando a um mundo unilateral “instável”, de grandes rivalidades de poder.

Tigres asiáticos

O tema do filme Parasitas chama a atenção também para outro problema — a influência histórica da economia dos Estados Unidos na região asiática. Uma parte significativa dos problemas sociais da Coreia do Sul e de outros países asiáticos se deve a esse domínio. Mesmo o rico Japão enfrenta sérios problemas para se levantar, também por estar umbilicalmente ligado à economia norte-americana.

Os Estados Unidos exportam sua crise. A debacle de 1997-1998 foi o ponto mais crítico para os chamados tigres asiáticos, países que ostentavam um crédito monumental em títulos do Tesouro norte-americano — recursos que financiam os gigantescos déficits estadunidenses. Foi o repatriamento de uma parte dessas aplicações que provocou a “crise asiática”.

A região era tida como o paraíso de tigres que cresciam e afiavam as garras. Taiwan, Coréia do Sul, Cingapura e Hong Kong formavam as poderosas NIEs (Newly Industrialized Economies). Malásia, Tailândia, Indonésia e Filipinas eram as maiores economias do grupo Asean (Associacion of the South-East Nations).

Mas a crise abateu os tigres, um a um. O furacão começou a girar na Tailândia, com os especuladores do “mercado” apostando contra o baht — a moeda local. Era a jugular da presa. Com um tigre caído, a insegurança se alastrou pela floresta. A crise ganhou proporções amazônicas quando os especuladores resolveram estender sua ação para o centro financeiro da Ásia, cercando o tigre que dominava aquelas paragens: Hong Kong e o seu dólar.

Aquelas economias se ergueram por meio de um alto endividamento externo — em grande parte pelo setor privado, com o aval dos governos. Assim, acabaram criando para si um problema insolúvel: capacidade industrial ociosa e montanhas de dívidas. O fluxo de empréstimos e investimentos estimulou o crescimento inicial, centrado nas exportações, e criou a armadilha que capturou os tigres.

Produção de alimentos

Já Indústria Americana, que levou o Oscar de melhor documentário, remete às relações de trabalho. Tema muito debatido, sobretudo após a incorporação de novas tecnologias e de novos métodos de organização do trabalho, ele ganha mais relevância na crise que fez o desemprego mundial explodir, como revela o relatório da OIT.

De fato, há uma revolução tecnológica em andamento. As projeções são de um admirável mundo novo em que as fábricas serão dominadas por robôs supervisionados por especialistas digitais. Os softwares também substituirão os trabalhadores na agricultura. Empresas especializadas em softwares agrícolas já estão fornecendo tecnologia que permite ao agricultor monitorar o meio-ambiente, coletar dados sobre mudanças meteorológicas, condições do solo e outras variáveis.

A revolução tecnológica em desenvolvimento e a biotecnologia prenunciam uma nova era de produção de alimentos dissociada da terra e do clima. A agricultura tradicional, centrada em grandes extensões de terra ao ar livre, deverá dar lugar à manipulação de moléculas no laboratório.

Homem em massa

Essa torrente tecnológica está deixando para trás o modelo preponderante de produção do século XX: o fordismo, que ultrapassa o limite da organização do trabalho e se constitui num modelo de desenvolvimento. Ele assentou suas bases na fórmula de que o Estado deve intervir na economia para garantir rendimentos mínimos aos trabalhadores.

O fordismo nasceu associado à ideia do consumo de massa e da elevação da produtividade. Numa época em que o capitalismo era pressionado por suas crises e ao mesmo tempo pelo projeto socialista, seu surgimento foi saudado em muitos setores da economia como o modelo de desenvolvimento capaz de equilibrar o aumento da produtividade com o crescimento do poder aquisitivo dos trabalhadores.

O fordismo na prática ajudou a selar o fim do capitalismo concorrencial do final do século XIX e inaugurou uma nova etapa das relações de trabalho. O trabalhador que até então detinha os conhecimentos técnicos e culturais do processo de trabalho cedeu sua capacidade para o processo de produção.

Antônio Gramsci, o fundador do Partido Comunista Italiano, diz, no trabalho Americanismo e Fordismo, que ao implantar, em 1913, o seu sistema de produção e gestão na Ford Motor Company, em Highland Park, Detroit, Henry Ford deu início a um novo modo de vida. “Um novo tipo humano, em conformidade com o tipo de trabalho e de processo produtivo (…), uma mão-de-obra estável, um conjunto humano (o trabalho coletivo), (…) uma máquina que não deve desmontar nem avariar demasiadas vezes suas peças individuais”, diz ele. Ou seja, a produção em massa trazia também o “homem em massa”.

Relações públicas

A adulação com a qual o fordismo foi recebido passou a ser substituída por críticas ásperas. Até a imprensa liberal trocou os elogios efusivos com os quais saudava as ideias de Ford pela hostilidade. Em 1928, o jornal The New York Times descreveu Ford como “um industrial fascista — o Mussolini de Detroit”.

O homem milagroso começou a ser retratado como vilão. Charles Chaplin, no filme Tempos Modernos, mostrou o operário esmagado pela linha de montagem. O fazedor de milagre também foi condenado por Aldous Huxley no livro Admirável Mundo Novo, publicado em 1931. Huxley imaginou um futuro tecnocrático, desencantador, no qual os homens eram embargados pela coerção e desnorteados por uma nova religião — o fordismo.

O conceituado economista norte-americano John Kenneth Galbraith diz que Ford foi o primeiro personagem a fazer amplo uso das relações públicas. “Ele foi o primeiro embromador”, diz o economista. Em 1960, o especialista em marketing Theodore Levitt escreveu em seu livro A miopia do marketing: “Nós habitualmente celebramos Ford pela razão errada: sua genialidade em produção. Sua real genialidade era em marketing.”

Algo ainda indefinido

Sobre a linha de montagem de Ford, Peter Drucker, espécie de oráculo da administração empresarial norte-americana, disse nos anos 1950 que “se de fato analisarmos essa chamada nova tecnologia, descobriremos que não se trata de ‘tecnologia’ alguma”. “Não é uma combinação de forças físicas. É um princípio de ordem social”, afirmou.

O que se vê no lugar do fordismo é algo ainda indefinido — o ponto central de Indústria Americana. A impressão é de transição para uma situação social mais brutal. Mercados restritos e “modernos” convivem com a miséria absoluta e global. É, enfim, uma situação que evolui rapidamente para novos paradigmas.

Talvez seja o caso de concordar com Viviane Forrester, que em seu livro O Horror Econômico” afirma: “Vivemos em meio a um engodo magistral, um mundo desaparecido que teimamos em não reconhecer como tal e que certas políticas artificiais pretendem perpetuar. Milhões de destinos são destruídos, aniquilados por esse anacronismo causado por estratagemas renitentes, destinados a apresentar como imperecível nosso mais sagrado tabu: o trabalho.”


por Osvaldo Bertolino  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/oscar-vai-para-parasita-e-industria-americana-o-horror-economico/

2009-2019, Uma Década Infernal – 6. Como o Partido Democrático Aprendeu a Guerra de Classes Salarial. Por Melissa Gira Grant

 

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 6 Como o Partido Democrático Aprendeu a Guerra de Classes Salarial 1

6. Como o Partido Democrático Aprendeu a Guerra de Classes Salarial

Melissa Gira Grant Por Melissa Gira Grant

Publicado por The New Republic em 25 de dezembro de 2019 (ver aqui)

 

Bem-vindos àDécada Infernal, o nosso olhar sobre um período arbitrário de 10 anos que começou com uma grande efusão de esperança e terminou numa cavalgada para o  desespero.

Occupy Wall Street foi amplamente ridicularizada pelos liberais. Agora, a raiva contra o grupo dos 1% é um dos temas principais das primárias de 2020.

 

Pode ter começado com o Lehman Brothers, o banco de investimentos que faliu semanas antes das eleições presidenciais de 2008. O Secretário do Tesouro Hank Paulson (ex-Goldman Sachs) e o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke (futuro conselheiro de um fundo de cobertura), chamou então o senador Sherrod Brown, do Ohio, segundo a Rolling Stone, dizendo: “Precisamos de 700 mil milhões de dólares, e precisamos deles em três dias”.

O resgate bancário de 2008 foi vendido ao mundo como sendo um alívio tanto para os bancos como para os proprietários das casas cujas hipotecas tinham sido vendidas sem o seu conhecimento e sustentaram uma rede opaca de apostas sobre a sua capacidade de as reembolsar. Muitos assumiram que se seguiria uma regulamentação, para evitar outra crise no futuro. Na sua tomada de posse, porém, o presidente Barack Obama nomeou o confiável amigo dos bancos Tim Geithner como secretário do Tesouro. Geithner tinha ajudado a escolher quais os bancos que seriam apoiados com dinheiro público, nomeadamente o Citi, que foi resgatado três vezes. No final, instituições financeiras como o Citi, Bank of America, JP Morgan Chase, Wells Fargo e Goldman Sachs saíram com milhões de milhões, de acordo com algumas análises financeiras. Dois anos mais tarde, as execuções de hipotecas atingiram um volume recorde. O inspetor geral do programa de resgate, Neil Barofsky, renunciou em março de 2011, declarando que o programa havia deixado os proprietários “numa situação muito pior do que aquela em que estariam se esse programa não existisse”.

Seis meses mais tarde, Occupy Wall Street nasceu – primeiro como uma manifestação num parque público privado na baixa de Manhattan, depois inspirando dezenas de outros protestos e acampamentos, espalhando-se por todo o país. Num evento que promovia uma lei de empregos, Obama foi interrompido pelos ocupantes: “Sr. Presidente. Mais de 4.000 manifestantes pacíficos. Foram presos. Enquanto os banqueiros gangsters continuam em liberdade…” A multidão vaiou-os deixando de se perceber o resto da frase, mas segundo um pedaço de papel encontrado e fotografado, esta continuava: “… para destruir a economia com impunidade. O seu silêncio. Envia uma mensagem. Aquela brutalidade policial. É aceitável. Os bancos foram salvos. Nós fomos vendidos.”

6 Como o Partido Democrático Aprendeu a Guerra de Classes Salarial 2

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A brutalidade policial a que se referiam entrou em erupção alguns dias antes, quando o prefeito de Nova York Michael Bloomberg desencadeou o que ele chamou de seu “exército” de polícias para remover as poucas centenas de pessoas que ainda permaneciam no Parque Zuccotti. Este movimento do prefeito serviu apenas para acrescentar um insulto aos feridos, já que a companheira de Bloomberg estava sentada no conselho da empresa imobiliária que era proprietária do parque. “Posso dizer que a conversa de travesseiro na nossa casa não é sobre o Occupy, Wall Street ou Brookfield Properties”, alegou o prefeito em sua defesa. Mas as suas lealdades eram evidentes, por exemplo, quando o Occupy protestou do lado de fora da casa do Presidente do banco JP Morgan: “Para ir lá a casa insultá-lo, não sei o que se consegue com isso”, disse Bloomberg. “Jamie Dimon é uma pessoa honrada, que trabalha muito, que paga os seus impostos.” Foram os manifestantes do Occupy , disse ele, que estavam a “tentar destruir os empregos dos trabalhadores desta cidade” – não aqueles que apostaram no seu futuro.

A repressão policial sobre as ocupações em Nova York e em todos os Estados Unidos ajudou a levar a que o movimento saísse das primeiras páginas dos jornais e dos noticiários. Mas os ativistas levavam o que aprenderam no Occupy  para defenderem habitações, para resistência à dívida e nas lutas pelo trabalho . Occupy, como escreveu a jornalista Sarah Jaffe em Necessary Trouble, a sua crónica dos movimentos sociais e revoltas desta década, conferiu “à indignação um local“, usando a ocupação para mostrar que a polícia estava do lado de banqueiros – de instituições financeiras que infringiam a lei.

Nenhuma das grandes instituições financeiras que Geithner resgatou enfrentou quaisquer consequências criminais. Eles facilmente eliminavam as multas que eram aplicadas. Mesmo assim, mesmo depois do fim das ocupações do parque, grupos de trabalho como o Occupy the SEC continuaram a fazê-lo, levando a ética do “mude-o você mesmo” do Occupy para lugares onde os ativistas são raros. Um antigo vice-presidente técnico de Wall Street, Alexis Goldstein, ajudou a formar o movimento Occupy the SEC. “Antes de ocupar Wall Street“, escreveu ela, “Wall Street ocupou-me.” Em 2012, o grupo apresentou uma carta de 325 páginas à SEC sobre a regra Volcker, destinada a controlar as instituições bancárias com apoio federal. Era fora dos parques que os ativistas do Occupy exerceriam maior influência, dando linguagem às negociações outrora obscuras: O Problema são os Bancos, Occupy a Execução da Hipoteca.

Eles também dariam início a uma nova onda de legisladores. As crescentes exigências de responsabilização das instituições financeiras ajudaram a impulsionar Elizabeth Warren dos cantos mais remotos e académicos quanto à formulação de políticas para os holofotes nacionais. “Quem estamos a tentar proteger aqui?” tinha perguntado Warren numa entrevista de 2009 com Chris Hayes para The  Nation. “É um sistema bancário que está ao serviço das famílias americanas e da economia, ou são as famílias americanas e a economia ao serviço de um sistema bancário?” Na época, ela chefiou um painel do Congresso que supervisionava o Programa de Alívio de Ativos Problemáticos. A sua ideia para um Gabinete de Proteção Financeira ao Consumidor foi concretizada quando ela ainda era professora de direito em Harvard, e Obama nomeou-a sua conselheira especial para ajudar a formar o seu gabinete. Mas, finalmente, ela foi impedida de dirigir a agência precisamente porque já havia sido tão crítica em relação ao resgate e aos seus arquitetos, como, por exemplo, Geithner. Em 2012, ela concorreu e ganhou um lugar no Senado, onde continuaria a enfrentar os chefes dos maiores bancos da América.

Occupy tinha feito uso vigoroso do vídeo para utilização nos media sociais para  documentar as suas ações e chamar a atenção dos media tradicionais. À sua maneira, Warren claramente beneficiou da popularidade da utilização dos media sociais para defender as mudanças sociais, assim como beneficiou de ativistas que ajudaram a popularizar a necessidade de regulamentar o setor financeiro. Warren forneceu à imprensa uma fonte regular de clipes virais do YouTube interrogando Wall Street. “Estou realmente preocupada”, disse ela numa das suas primeiras audiências, “que os bancos demasiado grandes para falirem se tornaram grandes demais para serem levados a julgamento”.

Os ativistas de Occupy, por sua vez, mantiveram o fogo sobre os quadros diretivos dos bancos contra quem eles tinham gritado, como o presidente da Wells Fargo, John Stumpf. Os manifestantes continuaram a interromper as suas aparições públicas até 2012 e 2013. Stumpf disse à Worth.com, em 2015, que agora levava um carro para o trabalho, depois de Occupy ter preocupado os seus colegas de trabalho com a sua própria segurança. Quando Stumpf compareceu no Congresso em 2016, Warren disse-lhe que ele se deveria demitir e ser criminalmente investigado por lucrar em enganar os clientes da Wells Fargo. Duas semanas depois, ele  tinha saído. ” Não deveria ser possível que um Diretor de um banco que esteve à frente de uma fraude massiva possa simplesmente ir-se embora para desfrutar dos seus milhões na reforma”, Warren tweeteou em resposta. No ano seguinte, 2017, ativistas do Occupy em San Marino, Califórnia, visaram a casa do sucessor de Stumpf, Tim Sloan. Sloan renunciou em março passado. O seu jornal local pintou Sloan como vítima, um “amado cidadão” alvo dos “Manifestantes de Occupy” e do Congresso – ainda, em 2019.

A nova classe de democratas no Congresso fez um uso particularmente eficaz da política populista e anti-Wall Street.

Os membros da nova classe de democratas no Congresso fizeram um uso particularmente eficaz da política populista e anti-Wall Street. Alguns rotineiramente exigem que os grandes responsáveis bancários respondam por si mesmos e pelo sistema de justiça a dois níveis que lhes é permitido. “Eu represento crianças que vão para a cadeia por saltar um torniquete porque não podem pagar um Metrocard”, disse a congressista de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez ao CEO do JPMorgan Chase Jamie Dimon, talvez o maior inimigo dos Occupy, em conjunto com Bloomberg e o Departamento da Polícia de Nova Yorque, no início deste ano. “O senhor acha que mais pessoas deveriam ter ido para a cadeia pelo seu papel numa crise financeira que levou a 7,8 milhões de execuções de hipotecas nos 10 anos entre 2007 e 2016?” Quando Dimon criticou Warren, dizendo que ela “vilipendiou as pessoas de sucesso”, Ocasio-Cortez observou, “Os senhores, os bilionários estão a pedir um espaço seguro – o senhor entende, para além de terem toda a economia e indústria de lobby político dos EUA ao vosso serviço”.

À medida que decorrem as primárias democratas para as eleições de 2020, fica claro que a política de guerra de classes que alguns pensavam que desapareceria com os acampamentos de Occupy se tornou, em vez disso, um lugar comum. O debate público sobre o imposto sobre a riqueza proposto por Elizabeth Warren, agora candidata à presidência, tem sido visto como um ataque aos próprios bilionários. Bloomberg, a nona pessoa mais rica da América, está a concorrer à presidência, mas num clima em que a riqueza é cada vez mais um passivo e não uma vantagem. O prefeito Pete Buttigieg, depois de Warren ter dito que deveria divulgar a sua angariação de fundos à imprensa, divulgou uma lista dos seus principais angariadores que arrecadaram US$ 25 mil ou mais para a sua campanha – mas omitiu mais de 20 pessoas do mundo de Hollywood e das finanças. Pensa-se que ele tem como apoiante o terceiro maior doador bilionário de todos os candidatos que ainda estão na corrida e agora protesta-se com esses angariadores de fundos com cânticos de “#WallStreetPete!

Depois há o senador de Vermont que foi o campeão de Occupy desde o início. “Eles estão a concentrar a atenção na entidade mais poderosa do nosso país, que é Wall Street, que também é a mais secreta, e também a mais perigosa”, disse Bernie Sanders num vídeo no auge do Occupy. “Os manifestantes estão agora a forçar um debate e uma discussão neste país sobre a enorme questão da desigualdade de rendimento e riqueza… as intervenções no Senado estão a muitos metros de distância de nós, e tenho que dizer, há muito poucas pessoas que falam sobre essa questão”. Ele fechou com algo que se tornou emblemático das suas campanhas: “Temos de perguntar se é moral e economicamente importante que 400 pessoas possuam mais riqueza do que a metade mais pobre  da América, 150 milhões de pessoas” – uma enorme divisão que se aprofundou.

Uma década depois, o Occupy ajudou a integrar aquilo pelo qual eles foram ridicularizados no início: ilustrar, nas ruas e noutros lugares, como a desigualdade económica é venenosa para a democracia. Criticamente, o Occupy nomeou pelo seu nome as pessoas que atualmente se beneficiam desta ordem destrutiva. Eles também tomaram medidas para responsabilizá-los e trazer outros para a luta. Apesar de terem pouco apetite por políticas eleitorais, ganharam alguns aliados no Congresso, incluindo aqueles cujas concorrências para a Casa Branca podem ter sido inimagináveis sem eles. Nesse sentido, o movimento Occupy já estabeleceu os termos para a década que aí vem: exigir não só a prestação de contas da indústria financeira, mas também que, face à corrupção política e à vilania financeira, o povo se divorcie por completo do poder dos bilionários.

 

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A autora: Melissa Gira Grant é redatora da equipa que cobre a justiça no The New Republice autora de Playing the Whore: The Work of Sex Work. Frequentou a Universidade de Massachusetts Amherst e a Universidade Estadual de San Francisco. Grant é uma ex-trabalhadora sexual que começou o trabalho sexual para pagar para ser escritora. Ela foi redatora da equipe sénior do The Appeal, bem como uma escritora colaboradora do Village Voice e Pacific Standard. As suas reportagens foram publicadas pela BuzzFeed News e pelo Guardian, e os seus comentários e críticas apareceram no The Washington Post, The New York Times, Bookforum e The New York Review of Books. Os seus ensaios estão reunidos em Best Sex Writing, The Feminist Utopia Project, e Where Freedom Starts: Sex Power Violence #MeToo.

(fonte: http://melissagiragrant.com/)

 

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/09/2009-2019-uma-decada-infernal-6-como-o-partido-democratico-aprendeu-a-guerra-de-classes-salarial-por-melissa-gira-grant/

Trofa Saúde considera «inconvenientes» reuniões de trabalhadores

A denúncia é feita pelo Sindicato de Hotelaria do Norte que afirma que a discussão dos problemas entre os trabalhadores não depende da «agenda do patrão».

Trabalhadores do «call center» do grupo Trofa Saúde concentrados junto ao Hospital Privado da Trofa, 27 de Novembro de 2017Créditos / Sindicato da Hotelaria do Norte

O Sindicato de Hotelaria do Norte (CGTP-IN) convocou reuniões de trabalhadores em várias unidades de saúde e no call center do grupo Trofa Saúde para analisar a situação das negociações do contrato colectivo de trabalho da Hospitalização Privada e a situação social na empresa, como consta de comunicado a que o AbrilAbril teve acesso.

Após enviar as convocatórias, nos moldes habituais, o sindicato recebeu uma recusa por parte da direcção, que alega «não se encontrarem preenchidos os requisitos» e «não se revelar conveniente» o agendamento em causa.

«Não cabe às empresas ajuizarem se o agendamento é ou não conveniente. Muito mal estariam os trabalhadores se a discussão dos seus problemas e as medidas a tomar estivessem condicionadas à bondade ou à agenda do patrão», pode ler-se na nota.

O sindicato lembra que o direito de reunião é um direito fundamental protegido por lei e pela Constituição da República Portuguesa, cabendo aos trabalhadores a escolha do dia e da hora das reuniões.

Entretanto, o grupo Trofa Saúde voltou a recusar comparecer numa reunião convocada pelo Ministério do Trabalho.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trofa-saude-considera-inconvenientes-reunioes-de-trabalhadores

Trabalhadores do CBEI em luta pelos salários em atraso

Numa vigília realizada junto à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira esta quinta-feira, estiveram cerca de 150 pessoas, entre trabalhadores, populares e encarregados de educação.

Os funcionários do Centro de Bem Estar Infantil (CBEI), em Vila Franca de Xira, estão em luta porque continuam a trabalhar com salários em atraso, estando já em situação de dificuldades financeiras a nível pessoal e familiar.

As estruturas representativas dos trabalhadores, como o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL/CGTP-IN) e o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN), acusam, em nota enviada à imprensa, a direcção da instituição de incumprimento dos seus deveres para com os trabalhadores, não tendo para isso qualquer justificação.

Os sindicatos denunciam que há salários em atraso «apesar do financiamento que [o CBEI] recebe de várias entidades, nomeadamente dos Ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da Educação, bem como os protocolos celebrados com a Câmara Municipal».

A situação é «inadmissível, quando o Relatório e Contas do ano 2018 apresentado pelo órgão de administração teve um resultado positivo no valor de 28 413,31 euros, assim como no ano anterior o resultado foi igualmente positivo», explicam.

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP-IN esteve presente na vigília, em solidariedade, tendo hoje contactado com a Ministra de Trabalho, que já avançou que vai diligenciar que uma responsável do seu gabinete apure o que se passa na instituição.

Helena Freitas, dirigente do STFPSSRA, em declarações ao AbrilAbril, explicou que «a instituição continua sem pagar 50% dos salários de Dezembro e está em falta também o mês de Janeiro», com a agravante de que «a direcção não dá garantias de quando se resolve a situação».

«Ainda ontem reunimos com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (CMVFX), que garante que paga os cinco protocolos todos os meses pontualmente, que configuram apoios de mais de 290 mil euros anuais», diz a dirigente, que afirma que também a «Segurança Social informou que os protocolos também são pagos», ao que ainda se somam as mensalidades pagas pelos pais.

Pese embora a instituição ter informado, em reunião requerida pelos sócios (a maioria dos quais são encarregados de educação), que já requereu fundo de socorro social, Helena Freitas diz que «tal não será suficiente, porque não é uma fonte que está sempre a jorrar».

Nessa reunião também ficou conhecido que, para além das dívidas aos trabalhadores, também os fornecedores têm facturas em atraso.

A direcção «não ficou agradada com a visibilidade que o processo de luta tem dado à situação» e o sindicato suspeita que a direcção do CBEI possa querer ensaiar uma «reestruturação», que passa por «despedimentos» ou pressões para rescisão, até porque o director «tem um histórico de perseguição de trabalhadores» que discordem dele, tendo inclusivamente pressionado para acordos de rescisão, trabalhadores com salários mais altos e mais anos de casa.

«Continuamos o nosso trabalho de pressão e denúncia junto de várias entidades» para além de estar em curso uma queixa junto da Autoridade para as Condições do Trabalho, disse Helena Freitas.

Marta Calisto, encarregada de educação de uma criança utente da instituição, disse ao AbrilAbril que esteve presente para demonstrar a sua «solidariedade com os trabalhadores que continuam a prestar as suas funções como sempre o fizeram», mesmo estando sem receber. «É a única forma que tenho de apoiar os trabalhadores», afirmou.

Está agendada para o próximo sábado de Carnaval uma nova Assembleia Geral onde os sócios e trabalhadores esperam poder obter mais esclarecimentos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trabalhadores-do-cbei-em-luta-pelos-salarios-em-atraso

Greve deixa alfa pendular sem refeições

Os trabalhadores da Risto Rail (grupo da Lufthansa), que prestam serviço de refeições nos comboios alfa pendulares e intercidades, exigem aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

Créditos / Sindicato da Hotelaria do Sul

Os oito comboios que saíram na manhã desta quinta-feira, nos sentidos Porto Campanhã e Lisboa Santa Apolónia, seguiram todos sem serviço de refeições, por força da greve dos trabalhadores.

A acção de luta contou com adesão praticamente total, informou a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht/CGTP-IN), em nota à imprensa.

Os trabalhadores, que prestam as suas funções nos bares dos comboios alfa pendulares e intercidades, estiveram em greve por melhores condições de trabalho e aumentos salariais.

A proposta sindical apresentada pelos representantes dos trabalhadores à empresa, para aumentos de salários, foi de 90 euros para todos os trabalhadores. No entanto, desde Novembro de 2019, que a administração não apresenta qualquer contraproposta.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-deixa-alfa-pendular-sem-refeicoes

Greve na TST pelo aumento dos salários

Os trabalhadores reivindicam um aumento imediato de 60 euros e, por esse motivo, paralisaram, esta quinta-feira, cerca de 90% do serviço da transportadora.

As carreiras estiveram paradas na região de Setúbal durante o dia de ontem, em razão da greve e plenário dos trabalhadores dos Transportes Sul do Tejo (TST).

Luís Leitão, dirigente da União de Sindicatos de Setúbal (USS/CGTP-IN) explicou, em declarações ao AbrilAbril, que os trabalhadores querem um «aumento imediato dos salários para 760 euros», exigindo que o administrador «cumpra com a sua palavra».

O dirigente sindical relata que «o administrador disse em entrevista, recentemente, concordar que os trabalhadores dos TST tivessem o salário igual aos da Carris». Nesse sentido, os trabalhadores apenas exigem que o mesmo «se deixe de palavras e passe à acção», aumentando as remunerações.

Para além disso, os trabalhadores querem uma resposta positiva à questão das folgas rotativas, reivindicando «pelo menos um fim-de-semana por mês», e que isso seja definido na escala do horário.

É também exigência dos trabalhadores que o subsídio de agente único seja integrado no salário, uma vez que, nos dias em que os motoristas são escalados para a garagem por não terem autocarro atribuído, perdem o direito a esse subsídio, ficando penalizados na remuneração.

Na reunião plenária realizada na manhã do dia de ontem, os trabalhadores decidiram que vão prosseguir a luta e mandataram os sindicatos para decidir sobre novas formas de acção, caso da reunião com a administração não resultem respostas positivas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-na-tst-pelo-aumento-dos-salarios

Protestos contra a reforma das pensões em França mantêm-se há 2 meses

Centenas de milhares de pessoas manifestaram-se em várias cidades francesas, esta quinta-feira, no âmbito da nona jornada de protestos contra o projecto de reforma das pensões de Macron.

Milhares de pessoas voltaram a manifestar-se nas ruas de França contra a reforma das pensões de MacronCréditos / liberation.fr

Os protestos contra a reforma do sistema público de pensões voltaram a sentir-se ontem em França, onde a plataforma intersindical que integra a CGT, a Força Operária, a Federação Sindical Unitária e os Solidários, entre outros, convocou uma nova jornada nacional de mobilização – a nona, depois das realizadas em 5, 10 e 17 de Dezembro, e em 9, 11, 16, 24 e 29 de Janeiro.

Tal como em ocasiões anteriores, houve elevada participação de trabalhadores de diversos sectores, de estudantes e reformados, com o apoio de partidos políticos. Também se voltou a sentir uma forte presença policial nas ruas e a registar a habitual divergência entre os números de manifestantes divulgados pelo Ministério do Interior e pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), nomeadamente no que respeita a Paris – com a primeira fonte a referir que estiveram nas ruas 15 mil pessoas e a segunda, 130 mil.

Greve com menor incidência nos transportes, maior noutros sectores

A greve contra o projecto de reforma das pensões, iniciada a 5 de Dezembro, chegou a ter grande impacto nos transportes públicos, mas nas últimas semanas a situação neste sector regressou quase à normalidade.

No entanto, o protesto ganhou maior dimensão entre outros sectores profissionais que se opõem à reforma, como os advogados, os controladores de tráfego aéreo e os trabalhadores da estiva, das refinarias, das estações de tratamento de lixo, entre outros.

Entretanto, na Assembleia Nacional, o controverso projecto que pretende impor um sistema único de pensões enfrenta milhares de emendas ao texto, apresentadas por diversos deputados, naquilo que foi designado como frente de luta parlamentar.

No entanto, um representante da plataforma sindical que mais activamente tem lutado contra a reforma – que convocou para 20 de Fevereiro nova jornada de mobilização – disse à imprensa que o debate na Assembleia «não trouxe nada de novo» aos trabalhadores e que a «convicção» destes é «mais forte a cada dia que passa», uma vez que «não se pode melhorar um projecto» como este.

«Determinação intacta»

Num comunicado ontem emitido, esta plataforma destaca que «os plenários se multiplicam nos locais de trabalho, nas escolas e nas universidades, apesar de todas as pressões», e afirma que «a rejeição da reforma e a determinação de alcançar a sua retirada estão intactas e se propagam».

A CGT, a Força Operária, a Federação Sindical Unitária, os Solidários e outros sindicatos continuam a contar com o apoio da maioria da sociedade francesa na oposição ao sistema universal de pensões, entendendo que prejudica os interesses dos trabalhadores e pensionistas, e favorece os interesses dos bancos, as seguradoras e dos fundos de pensões.

Apesar de o executivo francês afirmar que se trata de um sistema mais justo que o que está em vigor, a CGT acusa Macron de querer impor aos franceses uma reforma das pensões «à custa da democracia».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/protestos-contra-reforma-das-pensoes-em-franca-mantem-se-ha-2-meses

A luta de classes e os sindicatos na disputa pelo Oscar

O debate estabelecido sobre os concorrentes ao Prêmio da Academia do cinema nos Estados Unidos tem fundo ideológico e histórico.

 

 

Ideologia e luta de classes. No clima do pré-Oscar, com o tema trabalhadores e sindicalismo, esses conceitos têm estado em grande evidência. Mesmo o documentário brasileiro Democracia em vertigem, de Petra Costa, tem essa conotação bem acentuada. O Irlandês, filme de Martin Scorsese, também trata do assunto, mas o mais marcante é o documentário Indústria Americana.

O caso é o da fábrica da General Motors, em Ohio, que fechou em 2008 e, em 2015, foi reaberta como Fuyao Glass America, com dinheiro, tecnologia e sistema de produção chineses. Os chineses que comandam o negócio chamam os norte-americanos de preguiçosos e ineficientes. Estes, reclamam da jornada extenuante e da insegurança no trabalho.

Os operários norte-americanos também querem a presença do sindicato dentro da fábrica, enquanto o empresário chinês presidente mundial da FGA abomina a ideia, argumentando que a organização sindical atrapalha a produtividade. Talvez nos Estados Unidos ele se sinta à vontade para defender essa tese – na China há um rigoroso Código do Trabalho. “O objetivo da vida é trabalho”, diz ele. Essa é uma meia verdade.

Hábitos de trabalho

O conceito de trabalho foi elucidado por Karl Marx, em O Capital, como um ato que se passa entre o homem e a natureza. Seu significado histórico foi brilhantemente analisado por Friedrich Engels no seu artigo O papel do trabalho na transformação do macaco em homem, de 1876. “A natureza proporciona os materiais que o trabalho transforma em riquezas”, escreveu. “Mas o trabalho é muito mais do que isso: é o fundamento da vida humana.”

Engels diz que a formação do homem e da comunidade primitiva aconteceu na medida em que se formava o próprio trabalho humano como processo que gasta uma quantidade de energia física, nervosa e mental para se criar os produtos necessários à sua existência.

Para satisfazer as necessidades vitais, o homem foi obrigado a aperfeiçoar constantemente os instrumentos e os hábitos de trabalho. “O próprio trabalho foi se diversificando, aperfeiçoando-se a cada geração e estendendo-se a novas atividades”, disse Engels. “A agricultura surgiu como alternativa à caça e à pesca, e mais tarde apareceram a fiação e a tecelagem, a manipulação de metais, a olaria e a navegação.”

Máquina a vapor

Com o desenvolvimento do trabalho, emergiram novas relações sociais, o comércio, as profissões, as artes e as ciências. Vieram depois o direito, a política e a religião. “Porém, se o homem levou milhares de anos para aprender, de certa forma, a prever as remotas consequências naturais relativas aos processos produtivos, mais tempo levou para aprender a calcular as longínquas consequências sociais desses mesmos atos”, disse Engels.

“Os árabes, quando descobriram a forma de destilar o álcool, não poderiam nem de longe imaginar que estavam forjando uma das principais armas de extermínio da população indígena no continente americano. Mal sabia Colombo, ao descobrir a América, que estava fazendo ressurgir a escravidão, extinta havia muito na Europa, além de estar estabelecendo novamente as bases para o tráfico de escravos”, analisou.

Chegaram também as alterações nas relações de produção. Antes o artesão produzia as mercadorias e o consumidor ia ao seu local de trabalho fazer a encomenda. Leo Huberman, na obra História da riqueza do homem, relata que Willian Petty, famoso economista do século XVII, pôs em palavras aquilo que já estava ocorrendo nas relações sociais. “A fabricação da roupa deve ficar mais barata quando um compõe as fibras, outro fia, outro tece, outro puxa, outro alinha, outro passa e empacota, do que quando todas as operações mencionadas são canhestramente executadas por uma só mão”, teria dito Petty.

Ao analisar esse fenômeno, com a invenção da máquina a vapor dos séculos XVII e XVIII, Marx afirmou que o homem não suspeitava de que estava criando um instrumento mais poderoso do que qualquer outro, que iria subverter as condições sociais em todo o mundo. “Quando James Watt anuncia em 1735 sua máquina de fiar, e com ela a Revolução Industrial do século XVIII, ele nada fala disso, mas simplesmente de uma máquina para ‘fiar sem dedos’”, disse ele.

Resposta neoliberal

Desse novo mundo surgiram os sistemas políticos modernos, as crises econômicas, as guerras geopolíticas. Com o projeto neoliberal, os Estados nacionais da geografia econômica e política do elo mais fraco foram reduzidos a meros figurantes ou a reles gerentes do entreguismo, sem condições sequer de estender a mão aos que foram para o olho da rua, formando um exército de desempregados superior ao da crise de 1929.

Na outra faixa, igualmente castigada pelo desemprego, muros e xenofobia foram erguidos contra aspirantes a trabalhador clandestino. Em toda parte, a propaganda ideológica passou a difundir a falsa tese de que que a oposição trabalho e capital ganhara novo sentido com o fim da dicotomia Washington-Moscou.

A resposta neoliberal à crise do fordismo keynesiano, considerado incapaz de levar o sistema adiante, na verdade representou uma regressão civilizatória em grande escala. O monstruoso desemprego talvez seja a face mais visível dessa constatação, um dilema dos saltos produtivos.

O mundo evoluiu socialmente desde a máquina de James Watt, como analisou Marx, basicamente pela organização política dos trabalhadores. Contribuíram para isso, em grande medida, as teses do próprio Marx, de Engels e de Vladimir Lênin.

Contribuíram também os ludistas, os socialistas utópicos — e mesmo Frederick Taylor, Jules Henri Fayol e Henry Ford. Estabeleceu-se a tríade “8 horas de trabalho, 8 horas de sono e 8 horas de lazer” como padrão para os trabalhadores do século XX.

Regressão civilizatória

Entre 1950 e 1970, diz o historiador Eric Hobsbawm, o mundo viveu seus anos de ouro: o desemprego manteve-se em níveis relativamente baixos, a expectativa de vida aumentou no mundo todo, a produção de alimentos e bens manufaturados quadruplicou.

Foi também o período em que os trabalhadores obtiveram suas maiores conquistas no mundo capitalista — em grande parte, embaladas pelos ventos que sopravam de Moscou —, inimagináveis pelo proletariado europeu descrito por Marx e Engels no século XIX.

No Brasil mesmo pode-se dizer que a brisa moscovita contribuiu para a moderna legislação trabalhista da Revolução de 1930, agora destruída pelo golpe de 2016 e pela ascensão do bolsonarismo.

Ao virar a moeda do modo de produção capitalista, contudo, compreende-se melhor as causas dessa regressão civilizatória. “Como legislador privado, o capitalista formula seu código de fábrica, caricatura da regulação social, um sistema de punições sobre os salários com o qual o contramestre faz o papel do antigo condutor de escravos”, escreveu Marx.

Quando o capital se apropriou da máquina, disse ele, sua conclamação foi: ao trabalho, mulheres e crianças. “O operário agora vende mulher e filhos; transformou-se em mercador de escravos”, escreveu. Na fábrica, nas palavras de Marx, “o esqueleto da produção é constituído pela cooperação das máquinas”.

Crash da Bolsa de Nova Iorque

A substituição das máquinas a vapor por outras movidas a eletricidade e à combustão interna fóssil, denominada Segunda Revolução Industrial, na virada do século XIX para o século XX, impulsionou outro salto espetacular da produtividade — a produção de mais valor com menor tempo de trabalho.

Associada a uma reestruturação fundamental dos processos de trabalho, seguindo uma avalanche de novas tecnologias de racionalização produtiva, promoveu alterações profundas no cenário econômico. O taylorismo na linha de montagem da Ford mudou radicalmente o modo como as empresas produziam bens e serviços. O transporte foi acelerado. A eletricidade forneceu energia barata e abundante para impulsionar o processo produtivo.

Segundo o escritor americano Jeremy Rifkin, no livro O fim dos empregos, a produtividade aumentou continuamente desde a virada do século. Em 1904, eram necessárias 1.300 horas/homem para construir um carro. Em 1932 era possível construí-lo com menos de 19 horas. Entre 1920 e 1927, a produtividade na indústria americana aumentou em 40%. Ao mesmo tempo, mais de 2,5 milhões de empregos desapareceram.

Em 1929, com a quebra do mercado de ações — o crash da Bolsa de Nova Iorque —, o mundo mergulhou na mais sinistra depressão da era moderna. Mesmo diante dos sinais da crise, contudo, os capitalistas preferiram embolsar o lucro extra total obtido com o aumento da produtividade a transferir uma parte na forma de aumentos salariais.

Henry Ford – que também dizia que o sindicato atrapalha a produtividade – sugeriu que os trabalhadores fossem melhores pagos para que pudessem comprar os produtos, mas seus pares preferiram ignorar o conselho. O sistema estava preso a uma contradição: sem saída para a crise que se agravava, muitas empresas continuaram reduzindo custos com a substituição de trabalhadores por máquinas.

Expansão dos mercados

Em plena depressão, o economista britânico John Maynard Keynes publicou o livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, que iria alterar o modo como os governos regulariam a política econômica.

Numa passagem, ele advertiu para um novo e perigoso fenômeno cujo impacto poderia ser aprofundado nos anos seguintes: “Estamos sendo acometidos de uma nova doença da qual alguns leitores talvez ainda não tenham ouvido falar, mas sobre a qual ouvirão falar muito nos próximos anos: o ‘desemprego tecnológico’. Isso significa desemprego como resultado da nossa descoberta de meios de economizar mão de obra, superando a velocidade com que podemos encontrar novos usos para ela.”.

Em O Capital, Marx também comentou o desenvolvimento industrial por esse viés. “Sob sua forma máquina (…), o meio de trabalho se torna imediatamente o concorrente do trabalhador. A máquina cria uma população supérflua, isto é, útil para as necessidades momentâneas da exploração capitalista”, escreveu.

Engels fez o mesmo na obra Do socialismo utópico ao socialismo científico. “É a força da anarquia social da produção que converte a capacidade infinita de aperfeiçoamento das máquinas num preceito imperativo, que obriga todo capitalista industrial a melhorar continuamente a sua maquinaria, sob pena de perecer. Mas melhorar a maquinaria equivale a tornar supérflua uma massa de trabalho humano (…). A expansão dos mercados não pode desenvolver-se ao mesmo ritmo que a produção. A colisão torna-se inevitável”, escreveu.

Entra, nesse diagnóstico, o sistema taylorista, complementado pelo fordismo, como grande impulsionador da produção, sistematizado pelo engenheiro americano Frederick Taylor em seu livro Princípios da administração científica. Usando um cronômetro, ele dividiu a tarefa de cada trabalhador nos menores componentes operacionais e mediu cada um para formular técnicas de economizar segundos preciosos no processo de trabalho. Herry Ford complementou a ideia com a linha de montagem movida a volante magnético.

Desenvolvimento industrial

Vladimir Lênin, o líder da Revolução Russa de 1917, considerou o taylorismo uma aquisição científica. “Deve ser colocado na ordem do dia o aproveitamento do muito que há de científico e progressista no sistema taylorista, observando a proporção entre o salário e o resultado geral da produção”, escreveu ele na obra As Tarefas Imediatas do Poder Soviético.

A proporcionalidade entre salário e lucro, na produção capitalista, a busca desregulada da produtividade, é o motivo central das críticas a esse sistema, mais conhecido como “fordismo”.

Charles Chaplin, no filme Tempos modernos, retratou o homenzinho esmagado pela linha de montagem. Aldous Huxley, no livro O Admirável Mundo Novo, imaginou um futuro no qual os homens seriam tolhidos pela coerção e desnorteados por uma nova religião. Assim como Antônio Gramsci, no seu conhecido trabalho O Americanismo e o Fordismo. “Será que o tipo Ford de indústria e a organização fordista do trabalho e da produção são ‘racionais’?”, indagou.

A dualidade do desenvolvimento industrial — o lucro e o salário — é o grande dilema da produtividade. Na inclinação natural do capitalismo, a tendência é a eliminação de empregos, a desregulação das relações de trabalho e a redução salarial. Não é um fenômeno cíclico. É estrutural.


por Osvaldo Bertolino | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 

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Trabalhadores protestam nos Encontros EDP contra aumentos «irrisórios»

O protesto será esta quarta-feira, junto ao Altice Arena, e pretende dar visibilidade às reivindicações dos trabalhadores durante a realização do evento anual da empresa.

Protesto dos trabalhadores da EDP junto à sede nacional, em Lisboa, 24 de Abril de 2019CréditosANTÓNIO COTRIM / LUSA

Em comunicado à imprensa, a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas (Fiequimetal/CGTP-IN) anuncia que os trabalhadores estarão à entrada do evento de comunicação interna a lembrar que, só nos últimos três anos, a EDP teve mais de 3500 milhões de euros de lucros, que «engordaram as contas dos accionistas e nada geraram de positivo para a economia nacional e para o País».

Distribuindo uma tarjeta com o título «estamos desencontrados», os trabalhadores falam de um «desencontro» entre o seu «bolso» e a ideia de «colaborador», conceito que dizem ser sinónimo de pessoa que «trabalha em prol dos resultados estritamente para accionistas e remunerações inaceitáveis dos gestores».

A estrutura sindical acredita que, perante a posição «miserabilista» da administração no que toca a negociações salariais, a resposta dos trabalhadores deve ser «dar mais força à luta».

Na reunião de negociação salarial para 2020, realizada no dia 29 de Janeiro, a EDP apresentou valores «irrisórios» de 0,2%. Por seu lado, os trabalhadores exigem um aumento de 90 euros para todos.

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Aeroporto do Montijo «é um crime». Novo protesto esta terça-feira

Aproveitando a participação do primeiro-ministro na inauguração de uma creche, na Moita, a população apelou à construção do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete.

CréditosMiguel A. Lopes / Agência Lusa

«Isto é um crime e eu gostava muito de pedir pessoalmente ao primeiro-ministro que não faça o aeroporto aqui. Não quero que os meus netos sejam acordados de cinco em cinco minutos pelo ronco de quatro motores de grande capacidade. Cento e trinta decibéis já não é ruído, é dor e provoca a loucura», disse à Lusa o morador Lúcio Janeiro, 79 anos.

O residente foi mecânico de aviação e viu «gente a ficar louca devido ao ruído», apelando ao Governo que opte por construir o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete (em grande parte localizado no concelho vizinho de Benavente, no distrito de Santarém), em oposição à Base Aérea n.º 6, situada entre o Montijo e Alcochete, no distrito de Setúbal.

Já Cristina, de 58 anos, mostrou uma grande preocupação não só em relação ao barulho dos aviões, mas também à poluição ambiental que a infra-estrutura poderá causar na região. «Toda a vida fomos carregados com décadas de poluição da Companhia União Fabril (CUF) e agora estamos a levar com mais isto», referiu.

O protesto começou às 9h30 e foi organizado pela Plataforma Cívica BA6-Montijo Não, aproveitando a visita do primeiro-ministro, António Costa, à cerimónia de inauguração de uma creche na Moita. 

Recorde-se que, no mês de Janeiro, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu uma declaração de impacte ambiental favorável condicionada ao projecto do aeroporto do Montijo com cerca de 160 medidas de minimização e compensação a que a ANA – Aeroportos de Portugal «terá de dar cumprimento». 

Segundo José Encarnação, a construção no Montijo é a «pior solução que se podia encontrar por todas as razões», sobretudo pelo ruído e por ser de curto prazo, com uma duração prevista de apenas «15 anos». «Tudo isto é um somatório de erros e de pressões inaceitáveis sobre as populações e é isso que viemos dizer ao senhor primeiro-ministro», afirmou.

A plataforma esperava que fosse possível um encontro com o governante, o que não aconteceu, mas entregou a um assessor de António Costa um dossiê informativo sobre a posição contra a infra-estrutura e solicitou uma reunião para discutir «as graves consequências que vão existir no Montijo».

Outro membro da plataforma, Vítor Silveira, que é piloto de aviação, frisou que «não é admissível nos dias de hoje construírem um aeroporto numa zona protegida ambientalmente, de alto teor sísmico e rodeada de povoações».

«É um perigo contra a saúde das pessoas, a qualidade de vida vai ser bastante afectada e é um perigo de afectação contra o ambiente, porque faz parte da Zona de Protecção do Estuário do Tejo. É uma área utilizada por milhões de aves todos os anos, o que implica perigos contra a operação aeronáutica. Vai acontecer de certeza o fenómeno do birdstrike[risco de colisão entre uma aeronave e uma ou mais aves]», sublinhou.

O Campo de Tiro de Alcochete tem aprovada uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) até Dezembro deste ano, sendo a opção mais defendida

Com agência Lusa

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Novos processos em tribunal contra a RTP

Há 26 acções em tribunal contra a estação pública e mais 20 a serem ultimadas. A maioria diz respeito a falsos outsourcings.

Créditos / ensina.rtp.pt

Os trabalhadores com vínculos precários na RTP avançaram com acções no Tribunal do Trabalho contra a estação para verem reconhecidos os seus direitos laborais. Destes 26, três são falsos recibos verdes em Lisboa — duas anotadoras e uma produtora — que aguardam marcação do julgamento e 23 são falsos outsourcings (oito da RTP no Porto e 15 em Lisboa).

Os 23 casos, que envolvem trabalhadores da WTVision (uma empresa externa que presta serviços à RTP ao nível do grafismo e inserção de caracteres), já deram entrada em tribunal. Há ainda 20 trabalhadores do Porto, contratados pela Nome Código Green (outra empresa que dá apoio técnico-operacional).

«Todos desempenham funções que estão no acordo colectivo da empresa, exercidas por trabalhadores do quadro em situações idênticas, que correspondem a necessidades permanentes da RTP (sujeitos a escalas e hierarquias)», explica o advogado que defende os trabalhadores no processo, Luís Samagaio, ao Expresso.

Questionada sobre estes casos, a RTP remete para os esclarecimentos dados há duas semanas, nos quais recorda que com a integração de precários aumentou o seu quadro permanente em mais de 10% do total de trabalhadores. E acrescenta que «toda a indústria dos media», em Portugal e na Europa, «trabalha com contratos de flexibilidade laboral», que representam muitas vezes «20% da sua força de trabalho».

Os casos de falsos outsourcings na RTP são variados. «Os trabalhadores da WTVision têm contratos com essa empresa, mas mais de metade dos trabalhadores da Green estão a recibos verdes, apesar de alguns estarem há anos na RTP», indica Nuno Rodrigues, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT/CGTP-IN), que trabalha na RTP Porto. 

A empresa chegou a apresentar um contrato de trabalho a termo a alguns deles. Mas questões como «a alteração unilateral do horário de trabalho individualmente acordado» — o que, segundo o sindicato, viola o Código do Trabalho — e o facto de obrigar o trabalhador a dizer que não está sindicalizado levaram o STT a expor o caso ao Ministério Público e à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), por considerar a proposta «ilegal» e «inconstitucional».

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Mudar de regimes políticos?

 
 
Thierry Meyssan*
 
Em 48 países simultaneamente, enormes manifestações colocam em causa o regime político do Estado. A supremacia do modelo democrático, aceite por quase todos no fim do século XX está hoje em dia posto em causa. Para Thierry Meyssan, nenhum sistema constitucional permitirá resolver os problemas actuais que são antes de mais a consequência de valores e de comportamentos.
 
«Hoje em dia instalou-se na nossa sociedade — e de maneira sediciosa, através de discursos políticos extraordinariamente nocivos—, a ideia de que já não estaríamos mais numa democracia, que uma certa forma de ditadura se teria instalado. Mas ide para ditadura! Uma ditadura, é um regime onde uma pessoa ou um clã decidem as leis. Uma ditadura, é um regime onde não se mudam os dirigentes, nunca. Se a França quer isso, experimentai a ditadura e vereis !» — Emmanuel Macron, 24 de Janeiro de 2020.
 
Em vários continentes, levantam-se actualmente 48 povos contra os seus governos. Um movimento de uma tal amplitude jamais foi observado à escala planetária. Após o período de globalização financeira, assistimos a uma contestação aos sistemas políticos e imaginamos a emergência de novas formas de governo.
 
A «supremacia» da democracia
 
Os séculos XIX e XX viram, ao mesmo tempo, o recurso às eleições e o alargamento dos universos eleitorais (os homens livres, os pobres, as mulheres, as minorias étnicas etc.).
 
O desenvolvimento das classes médias deu espaço a que um maior número se interessasse pela política. Ele favoreceu os debates e contribuiu para suavizar os costumes sociais.
 
Os meios de comunicação nascentes deram a possibilidade de participar na vida pública àqueles que o desejavam. Não é para responder a lutas sociais que se elege presidentes, é porque hoje em dia se pode fazê-lo. Anteriormente, privilegiava-se as sucessões automáticas, geralmente hereditárias, embora nem sempre. Era, com efeito, impossível que todos fossem informados acerca dos assuntos públicos e que transmitissem rapidamente as suas opiniões.
 
Estupidamente, atribuíramos a transformação sociológica das sociedades e este avanço técnico a uma escolha de regime: a democracia. Ora, isso não é uma lei, mas um estado de espírito, um ideal: «o governo do Povo, pelo Povo e para o Povo», segundo a fórmula de Abraham Lincoln.
 
Percebemos rapidamente que as instituições democráticas não são melhores que as outras. Elas alargam o número de privilegiados, mas, em última análise, permitem a uma maioria explorar uma minoria. Concebemos, pois, então, todo o tipo de leis para melhorar este sistema. Aceitamos a separação de poderes e a proteção das minorias
 
No entanto, o modelo democrático já não funciona. Muitos cidadãos constatam que a sua opinião já não é mais tida em conta. Isso não provem das instituições que no fundo não mudaram substancialmente, mas da maneira pela qual são utilizadas.
 
Além disso, depois de nos termos convencido com Winston Churchill que «a democracia é um mau sistema, mas é o menos mau de todos os sistemas», compreendemos que cada regime político deve responder às preocupações de pessoas que são diferentes de acordo com a sua história, a sua cultura; que o que é bom aqui não será bom acolá, nem numa outra época.
 
É preciso desconfiar do vocabulário na política. O significado das palavras muda com o tempo. Elas são muitas vezes apresentadas com belas intenções e acabam desviadas com más. Confundimos as nossas ideias com as palavras que usamos para as expressar, mas que outros empregam para as trair. Eu irei portanto definir neste texto o que entendo como as mais importantes.
 
Nós devemos recolocar a questão da nossa governança. Não à moda de Emmanuel Macron, o qual opõe «democracia» e «ditadura» de maneira a fechar a reflexão antes de ela ter sequer começado. Estas duas palavras cobrem realidades de ordem diferente. A democracia designa um regime no qual participa o maior número. Ela opõe-se à oligarquia, na qual o Poder é exercido por alguns apenas. Pelo contrário, se nem se discutir sequer o número de pessoas envolvidas na decisão, mas apenas a maneira como esta é tomada, a ditadura designa um regime onde o chefe, um comandante militar, pode ter que tomar a sua decisão sem ter que discutir isso. Ela opõe-se ao parlamentarismo.
 
 
A legitimidade da República
 
Antes de mais, temos que colocar a questão da legitimidade, quer dizer das razões pelas quais reconhecemos o governo, depois o Estado, como úteis até um ponto em que aceitemos a sua autoridade.
 
Nós obedecemos a um governo sobre o qual pensamos que serve os nossos interesses. É a ideia da «república» no sentido romano. Assim, os reis de França construíram pacientemente a ideia de «Interesse Geral» à qual os Anglo-Saxónicos se opuseram a partir do século XVII e da experiência de Oliver Cromwell. Hoje em dia, o Reino Unido e os Estados Unidos são os únicos países onde se afirma que não existe Interesse Geral, mas unicamente uma soma —a mais elevada possível— de interesses díspares e contraditórios.
 
Os Britânicos suspeitam a priori de qualquer um evocando o interesse geral como querendo restaurar o sangrento regime republicano de Oliver Cromwell. Os Norte-Americanos entendem que cada Estado federado seja republicano (quer dizer, que serve os interesses da população local), mas de forma nenhuma que o Estado Federal —do qual desconfiam— o seja (porque, pensam eles, ele não pode servir os interesses de todos os componentes desta nação de emigrados). Esta é a razão pela qual, um candidato nos EUA não apresenta um programa expondo a sua visão da sociedade como no resto do mundo, mas uma lista de grupos de interesses que o apoiam.
 
O pensamento dos Anglo-Saxónicos parece-me estranho, mas é o deles. Assim, continuarei a minha reflexão com os povos que aceitam a ideia do Interesse Geral. Para eles, todos os regimes políticos são aceitáveis, desde que sirvam o Interesse Geral, o que, infelizmente, em geral não é mais o caso nas nossas democracias. O problema é que nenhuma Constituição pode garantir esse serviço. Trata-se de uma prática, e nada mais.
 
A virtude republicana
 
Coloca-se então a questão das qualidades necessárias para o bom funcionamento de um regime político, democrático ou não. Desde o século XVI, Maquiavel havia respondido a esta pergunta enunciando o princípio da «Virtude». Por Virtude, não se deve, de maneira alguma, entender uma moral, seja ela qual for, mas uma forma de desinteresse que permita atender ao Interesse Geral sem procurar obter daí um proveito pessoal; uma qualidade da qual a quase generalidade do pessoal político ocidental parece hoje em dia desprovida.
 
Cita-se muitas vezes Maquiavel como o pensador da astúcia na política e descrevem-no como um manipulador. Claro, ele não era um ingénuo, antes um homem que ensinava ao Príncipe, ao mesmo tempo, como utilizar o seu Poder para triunfar sobre os seus inimigos e também como não abusar desse seu Poder.
 
Nós não sabemos como desenvolver a Virtude, mas sabemos o que a fez desaparecer: apenas temos consideração por aqueles que têm dinheiro, já não temos mais qualquer respeito por quem se dedica ao Interesse Geral. Pior, quando encontramos uma pessoa que se consagra ao Interesse Geral, pensamos a priori que ela é rica. Ora, se nos recordarmos de figuras políticas virtuosas, sabemos que elas só eram ricas se tivessem herdado uma fortuna ou ganho dinheiro antes de entrar na política, já que, portanto, em geral elas não o eram.
 
Os trabalhos de Gene Sharp e a experiência das “revoluções coloridas” mostram-nos que, qualquer que seja o regime político que nos governe, temos sempre os dirigentes que merecemos. Nenhum regime pode durar sem o aval do seu povo.
 
Por conseguinte, somos colectivamente responsáveis pela ausência de Virtude dos nossos dirigentes. Mais ainda do que mudar as nossas instituições, devemos, pois, mudar-nos a nós mesmos e não considerar os outros mais em função da espessura da sua carteira, mas antes de mais da sua Virtude.
 
A fraternidade revolucionária
 
À Virtude, a Revolução Francesa acrescentou a Fraternidade. Aí ainda, não se tratava, de forma alguma, de uma questão moral ou religiosa, nem de uma qualquer assistência social, mas da irmandade de armas dos soldados do ano II. Eles ofereceram-se como voluntários para salvar o país da invasão prussiana, para enfrentar um exército profissional. Entre eles, não faziam mais diferença entre aristocracia e terceiro estado, concretizando o seu ideal de igualdade. E eles saíram vitoriosos.
 
O seu hino, La Marseillaise, tornou-se tanto o da República Francesa como da Revolução Soviética nos seus começos (antes do Gulag). O seu refrão é hoje em dia incompreendido:
Aux armes, citoyens, (Às armas, cidadãos)
Formez vos bataillons, (Formai os Batalhões)
Marchons, marchons! (Marchemos, Marchemos)
Qu’un sang impur (Que um sangue impuro)
Abreuve nos sillons! (Encharque os nossos rastos)
Interpreta-se erradamente como se fossemos encharcar os nossos rastos com o sangue dos nossos inimigos. Mas o sangue dos soldados do Tirano não podia senão envenenar a nossa terra. No imaginário da época, o «sangue impuro» do Povo opunha-se ao «sangue azul» dos oficiais do Império Prussiano. É a exaltação do sacrifício supremo que funda a fraternidade de armas dos Revolucionários.
 
A Fraternidade de armas do Povo corresponde à Virtude dos dirigentes. As duas estão interligadas.
 
E agora ?
 
Vivemos actualmente um período que não deixa de lembrar o da Revolução Francesa: a sociedade está de novo dividida em ordens. De um lado dirigentes escolhidos desde a nascença, depois clérigos dispensando a sua moral social através dos média (mídia-br) e, por fim, um terceiro estado que se repele a golpes de gás lacrimogéneo e LBD (lançador de balas de defesa). Mas, de momento, não há nenhuma razão para morrer pela Pátria face aos interesses representados pelo milhar de chefes de empresa que se reúnem em Davos.
 
Seja como for, um pouco por toda a parte, os povos buscam novas formas de governança, conformes à sua história e às suas aspirações.
 
Thierry Meyssan* | Voltaire.net.org | Tradução Alva | Fonte Al-Watan (Síria)
 
* Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/mudar-de-regimes-politicos.html

Trabalhadores da refinaria de Sines marcam greve para 12 de Fevereiro

Os trabalhadores do consórcio da manutenção da refinaria da Petrogal, em Sines, lutam contra os despedimentos ilegais e os baixos salários.

Créditos / SITE Sul

A decisão de marcar uma greve de 24 horas e concentração à porta da sede da Galp Energia, em Lisboa, no próximo dia 12 de Fevereiro, foi tomada esta sexta-feira num plenário de trabalhadores de manutenção na refinaria da Petrogal.

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE Sul/CGTP-IN), denuncia que as empresas Martifer e CMN continuam a «despedir de forma ilegal», e acusa a Petrogal de conivência. 

Num comunicado a que o AbrilAbril teve acesso, a estrutura sindical afirma que os «despedimentos do pessoal da manutenção, contestados pelos trabalhadores e pelo sindicato, continuam a ser feitos pela CMN por ordem da Martifer». 

Em causa, de acordo com o SITE Sul, estão «muitos trabalhadores» que, apesar de trabalharem com contrato sem termo, recebem cartas da empresa a informar que o contrato vai caducar, sendo depois substituídos por trabalhadores «à hora e sem direitos». Alerta ainda para o facto de a substituição destes trabalhadores, «qualificados e experientes», poder ameaçar a segurança e os equipamentos da refinaria. 

O sindicato insiste que a Petrogal«tem de intervir junto da Martifer, «empresa que decidiu contratar para fazer a manutenção da sua refinaria», sublinhando que «não pode ser conivente com os despedimentos, a precariedade e os baixos salários».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trabalhadores-da-refinaria-de-sines-marcam-greve-para-12-de-fevereiro

Milhares na rua exigem que o Estado «dê o exemplo» e valorize os seus trabalhadores

A manifestação da função pública arrancou hoje do Marquês de Pombal, em Lisboa, pelas 15h, debaixo de chuva, com milhares de trabalhadores rumo a São Bento a exigir aumentos salariais.

Milhares de trabalhadores desafiaram a chuva para se manifestarem em Lisboa, no dia da greve nacional dos trabalhadores em funções públicas e sociais, a 31 de Janeiro de 2020CréditosMário Cruz / LUSA

«Não há mau tempo que pare a luta dos trabalhadores da administração pública», gritaram ao megafone elementos da organização da manifestação convocada pela Frente Comum da CGTP-IN. «Agora que há excedente, que venha para a gente» e «para a banca e capital há milhões, para os trabalhadores há tostões», foram algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes.

Esta é a primeira greve nacional da função pública desde que o actual Governo liderado por António Costa tomou posse, em Outubro, e acontece a menos de uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), marcada para 6 de Fevereiro.

O AbrilAbrilesteve na manifestação e recolheu declarações de alguns trabalhadores e dirigentes sindicais, que explicaram o que trouxe estes milhares de pessoas à rua.

De vários sectores, aquilo que unia todos estes profissionais era a exigência de aumentos salariais «dignos» e da valorização daqueles que trabalham para o Estado.

«Prometeram que 2020 seria o ano de valorização salarial na administração pública, mas a verdade é que a montanha pariu um rato e fomos confrontados com esta provocação de 0,3% de aumento, […] no OE, são 70 milhões para aumentos na função pública e quase 4 mil milhões para as PPP e o Novo Banco, e esta disparidade é reveladora das opções políticas deste Governo»

João Coelho

João Coelho, dirigente da região de Lisboa do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL/CGTP-IN), afirmou que o Governo nunca se disponibilizou para negociar, apesar de a Frente Comum ter apresentado as suas reivindicações em Setembro. «Prometeram que 2020 seria o ano de valorização salarial na administração pública, mas a verdade é que a montanha pariu um rato e fomos confrontados com esta provocação de 0,3% de aumento», disse.

Considerando que havia uma «expectativa» em relação ao percurso que foi iniciado na anterior legislatura, o caminho de melhoria das condições de vida «não se está a verificar». «Basta ver o que está no OE, são 70 milhões para aumentos na função pública e quase 4 mil milhões para as PPP e o Novo Banco, e esta disparidade é reveladora das opções políticas deste Governo», frisou o dirigente.

«Se não fossem estes trabalhadores [em funções públicas e sociais], as populações não tinham acesso aos serviços públicos, por isso esta também é uma luta em sua defesa»

Joaquim Ribeiro

Relativamente ao sector do Ensino Superior e da Ciência, Joaquim Ribeiro, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN), disse que na manifestação também ficou representada a luta contra a precariedade. Lembrando que apesar do PREVPAP a maior parte dos bolseiros de investigação não viram o seu vínculo com o Estado alterado, o dirigente sublinhou que o Governo «defraudou» as expectativas dos trabalhadores e que não lhes garantiu a recuperação do poder de compra.

«Se não fossem estes trabalhadores, as populações não tinham acesso aos serviços públicos, por isso esta também é uma luta em sua defesa», disse.

Também os professores estiveram em peso na manifestação. António Cunha, professor do 2.º ciclo veio no quadrado do Sindicato dos Professores da Zona Norte (SPZN/Fenprof) exigir mais direitos para o sector. Insistindo na recuperação dos 6 anos, 6 meses e 23 dias que não foram contabilizados, António Cunha lembrou que esse foi «tempo trabalhado», pelo que deve contar no imediato para a retribuição mas também para a aposentação.

«Somos considerados estudantes mas somos trabalhadores e queremos trabalho com direitos, com uma carreira de investigação científica e o fim do regime de bolsas»

Carolina Rocha, bolseira

«Mais de ⅔ da profissão não chegam ao topo da carreira. Eu tenho 24 anos de serviço e estou no 3.º escalão, devia estar no 7.º», disse, acrescentando que essa também é uma das razões por que não há jovens na profissão. «A média de idades ronda os 50 anos, daqui a cinco anos saem 12% dos professores, daqui a dez anos 40%, como vai ser o futuro se não se valorizar a profissão?», perguntou.

De Bragança veio José Freire, dirigente do STAL, que apesar de ter saído de casa de madrugada não tinha dúvidas que «o dia de hoje assim o exigia». «Desta forma não conseguimos viver e viemos com um autocarro cheio dizê-lo», frisou, afirmando que esta luta interessa também aos trabalhadores do privado porque os direitos na Função Pública dão o exemplo para o País avançar.

A Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) também se fez representar e Carolina Rocha disse que não aceitam que o Governo continue a fazer promessas que depois retira. «Iam acabar as bolsas de pós-doc e agora voltaram com uma nova figura, não havendo perspectivas de abertura de concursos e de se garantirem contratos de trabalho para todos os investigadores», lamentou. «Somos considerados estudantes mas somos trabalhadores e queremos trabalho com direitos, com uma carreira de investigação científica e o fim do regime de bolsas», referiu, acrescentando que «não se esquecem que estão a produzir ciência para o desenvolvimento do País».

 
Milhares de trabalhadores desafiaram a chuva para se manifestarem em Lisboa, no dia da greve nacional dos trabalhadores em funções públicas e sociais, a 31 de Janeiro de 2020 CréditosMário Cruz / LUSA

Do sector social, encontrámos Helena Martins, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (STFPS/CGTP-IN), que criticou o facto de o aumento do salário mínimo nacional servir para desvalorizar os restantes salários, em vez de ser o ponto de partida para o aumento dos outros níveis remuneratórios. «O Estado tem que dar o exemplo e ser o indicador da valorização salarial. E neste sector, que assegura funções públicas, os trabalhadores não podem aceitar condições de trabalho indignas», referiu.

«Queremos ser reconhecidos a par dos médicos e dos enfermeiros pelo papel que desempenhamos juntos no tratamento dos doentes, de forma que traduza também o nosso percurso e as nossas competências»

Marta Mesquita

A representar as reivindicações dos enfermeiros estavam muitos profissionais de todo o País. Rui Marroni, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP/CGTP-IN), afirmou que o descongelamento é uma das principais bandeiras dos enfermeiros e que é um processo que «nasceu coxo». Apesar de haver um compromisso escrito desde 2018, o Estado «não cumpre as suas obrigações» e não respeita os profissionais que garantem o funcionamento do SNS, disse o sindicalista.

Também os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica estiveram presentes na manifestação. Marta Mesquita, dirigente do Sindicato dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS) lembrou as questões concretas desta classe profissional que tem um diploma para uma nova carreira mas que ficou «muito aquém das expectativas». «Queremos ser reconhecidos a par dos médicos e dos enfermeiros pelo papel que desempenhamos juntos no tratamento dos doentes, de forma que traduza também o nosso percurso e as nossas competências», afirmou, lembrando que a sua luta também é pela defesa do SNS, que é uma «mais valia» do País.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/milhares-na-rua-exigem-que-o-estado-de-o-exemplo-e-valorize-os-seus-trabalhadores

«Os enfermeiros não se podem avaliar a si próprios»

A decorrer com uma adesão de cerca de 80%, a greve dos enfermeiros do Médio Tejo tem por objectivo exigir a concretização das progressões que estão pendentes por irregularidades no que toca às avaliações.

Créditos

A greve convocada para hoje surgiu no seguimento de uma reunião com o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo, no dia 23, na qual o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP/CGTP-IN) afirma não terem ficado resolvidos os problemas destes trabalhadores.

Em declarações ao AbrilAbril, Helena Jorge, dirigente do SEP, deu nota de uma boa adesão, uma vez que apenas os cuidados mínimos foram assegurados.

«A postura da administração continua a mesma: não se responsabilizam pelos anos em que não há avaliações», disse a dirigente, lembrando que alguns enfermeiros têm dez anos sem avaliações contabilizadas.

«Nós não aceitamos que os profissionais sejam penalizados por uma irregularidade que não foi por eles cometida. Os enfermeiros não se podem avaliar a si próprios, é a instituição que tem o dever legal de avaliar os seus trabalhadores», frisou.

Dos 745 enfermeiros deste centro hospitalar, dois terços auferem o ordenado base da carreira, o que para o sindicato é uma falta de respeito para com estes profissionais e o seu direito à progressão.

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Greve nas cantinas das prisões pelo pagamento das horas extra

Os trabalhadores vão exigir, no dia 7 de Fevereiro, melhores condições de trabalho à Uniself, empresa que gere as cantinas das prisões dos distritos de Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real.

Créditos / AbrilAbril

Na próxima semana os trabalhadores que exercem a sua actividade nas prisões geridas pela Uniself, ou em cantinas que confeccionam as refeições para esses estabelecimentos prisionais, vão estar em paralisação total.

Em nota à imprensa, o Sindicato de Hotelaria do Norte (CGTP-IN) que representa estes trabalhadores refere que solicitou uma reunião à empresa e que esta «nem se dignou a responder».

Os trabalhadores exigem o pagamento do trabalho suplementar em dívida, o aumento dos salários em 90 euros e a melhoria das condições de trabalho que consideram «inaceitáveis».

No que toca às categoriais profissionais, lembram que deve proceder-se à reclassificação dos cozinheiros, dos motoristas e das empregadas de refeitório que não têm classificações adequadas.

Exigem também a atribuição de um subsídio de risco igual aos dos professores que trabalham nas prisões no valor de 170 euros mensais.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-nas-cantinas-das-prisoes-pelo-pagamento-das-horas-extra

A continuarem os baixos salários, a contestação é «inevitável»

O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, disse que este ano vai ser «inevitavelmente» de contestação social se o Governo e as empresas continuarem a insistir num modelo de baixos salários.

CréditosMARIO CRUZ / LUSA

O líder da Intersindical falava aos jornalistas, em Lisboa, no final do Plenário Nacional de Sindicatos da CGTP-IN, órgão máximo entre congressos, na passada sexta-feira.

«Inevitavelmente [este vai ser um ano de contestação] se continuarmos a ser confrontados com o modelo dos baixos salários e com a manutenção de uma legislação que desequilibra as relações de trabalho, que generaliza a precariedade, que reduz os rendimentos», afirmou Arménio Carlos.

«É por demais evidente que os trabalhadores vão lutar», reforçou o dirigente, defendendo que «hoje, mais do que nunca, é preciso valorizar os trabalhadores e o País», e que isso passa por aumentar salários, pela estabilidade e segurança no emprego e a regulação dos horários de trabalho.

Segundo Arménio Carlos, estas ideias foram aprovadas por unanimidade no plenário de sindicatos da CGTP-IN, assim como foi aprovado um «apoio solidário às lutas» agendadas, como a manifestação nacional da Função Pública e a greve no sector da Distribuição, ambas para o dia 31.

O dirigente confirmou a mobilização para «uma semana pela igualdade entre homens e mulheres», de 2 a 6 de Março, bem como a realização, no dia 26 de Março, de uma manifestação dos jovens trabalhadores contra a precariedade, dinamizada pela Interjovem. Já o 1.º de Maio será «especial» em 2020, uma vez que os 130 anos do Dia do Trabalhador coincidem com os 50 anos da CGTP-IN.

Governo não cumpriu as «expectativas» dos trabalhadores

Em entrevista hoje à Lusa, o secretário-geral da CGTP-IN acusou o Governo de ter frustrado as expectativas dos trabalhadores, não resolvendo os seus principais problemas, pelo que, em resposta, foi penalizado nas últimas eleições legislativas, não alcançando a desejada maioria absoluta.

Arménio Carlos disse também que a primeira fase do governo do PS foi positiva para os trabalhadores portugueses porque lhes foram devolvidos alguns dos rendimentos e direitos retirados durante o período de intervenção da troika e foi instituído um clima de diálogo, mas que faltou concretização.

«Nunca tivemos tantas reuniões, nunca tivemos tanto diálogo, mas no que respeita ao que era estruturante (...) poucas ou nenhumas respostas, eu diria mais: muita parra e pouca uva», considerou.

Referiu, como exemplo, a necessidade de desbloquear a contratação colectiva, retirando da legislação laboral a norma da caducidade.

com agência Lusa

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/continuarem-os-baixos-salarios-contestacao-e-inevitavel

Motoristas da Santa Casa da Misericórdia em greve

Exigindo aumentos salariais e a integração na carreira, os trabalhadores estão em greve durante esta semana. Nos dois primeiros dias, a adesão foi significativa.

Créditos / CGTP-IN

Registando-se «uma forte adesão dos trabalhadores», a greve (hoje no seu segundo dia) está a afectar muitos dos serviços da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), informou em nota à imprensa o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN).

Na próxima sexta-feira, dia 24, os trabalhadores estarão concentrados, a partir das 11h, frente à entrada da SCML, para reafirmar as suas exigências.

Os motoristas reivindicam condições salariais «mais justas», a integração na carreira técnico-profissional, a atribuição de subsídio de lavagem e fardamento, a garantia de ajudas de custo e responsabilidade de franquia.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/motoristas-da-santa-casa-da-misericordia-em-greve

Enfermeiros marcam greve nacional para dia 31 de janeiro

Rodrigo Antunes / Lusa

 

A Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (FENSE) marcou uma greve nacional para o dia 31 de janeiro, para exigir o recomeço de negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho.

 

O objetivo da greve, marcada para dia 31 de janeiro, é exigir o recomeço de negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho, explica a Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (FENSE).

A paralisação coincidirá com a greve nacional decretada pela Frente Comum, pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e pela Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap).

De acordo com a FENSE, a greve dos enfermeiros é convocada para exigir o reinício das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho, “interrompidas unilateralmente sem estarem concluídas”.

 
 

A “inação do Governo perante o crescendo das agressões aos enfermeiros, causadas pelo mau funcionamento dos serviços do Serviço Nacional de Saúde”, é outra das razões invocadas pela federação.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/enfermeiros-greve-nacional-31-janeiro-302816

Trabalhadores do Aldi denunciam falta de liberdade sindical

Os trabalhadores acusam a empresa Aldi de colocar em causa os seus direitos, liberdades e garantias, designadamente através do impedimento da prática sindical e de uma «brutal exploração».
Créditos / CESP

As críticas não são novas e motivaram mais um protesto esta quarta-feira frente ao Aldi da Maia. Num comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) salienta que, «ao longo de vários meses», a empresa «tem impedido» a realização de plenários sindicais e de contactar com os trabalhadores, violando o direito consagrado na Constituição. 

Para o CESP, é «inaceitável e vergonhoso» que esta retalhista do ramo alimentar, sendo membro da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), «tenha comportamentos deste tipo». Mas não só. O sindicato acusa o Aldi de uma prática de gestão de pessoal – onde «a maioria» dos seus trabalhadores «tem vínculos precários» – assente numa «brutal exploração». 

Entre «outros atropelos», o CESP refere que os trabalhadores das linhas de caixa estão impedidos de se sentar, «não tendo sequer cadeiras ao seu dispor», e insiste na reivindicação do cumprimento do contrato colectivo de trabalho.  

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trabalhadores-do-aldi-denunciam-falta-de-liberdade-sindical

Luta contra as quotas de sardinhas e de biqueirão

Dezenas de pescadores estiveram esta terça-feira concentrados em frente ao Ministério do Mar, em Lisboa, exigindo ao Governo do PS maior atenção «para os grandes problemas» que se vivem no sector.

Pescadores e armadores em concentração contra as quotas de sardinha e biqueirão fixadas pela União Europeia, frente ao Ministério do Mar. Algés, 14 Janeiro 2020CréditosANDRE KOSTERS / Agência Lusa

A concentração foi convocada pela Propeixe (Cooperativa de Produtores de Peixe do Norte), com o objectivo de «chamar a atenção dos nossos governantes para os grandes problemas que se estão a colocar ao sector, e que impedem as embarcações de desenvolver a sua normal actividade», pode ler-se em comunicado da cooperativa.

O protesto é consequência de vários anos de dificuldades ao desenvolvimento do seu trabalho por força das quotas definidas ao nível da União Europeia (UE) que, tanto para o biqueirão como para a sardinha, estão em «total contradição» com o stock que se encontra nas águas.

 

Humberto Jorge, presidente da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOP Cerco), sublinhou, em declarações à Lusa, que esta acção conta com a solidariedade das organizações de produtores, alertando para o facto de a realidade verificada pelos pescadores não coincidir com a que é revelada pelas instituições científicas, que produzem cálculos matemáticos «que ninguém entende muito bem e que dão azo a medidas de gestão impraticáveis».

Jorge Abrantes, assessor da ANOP Cerco, em declarações ao AbrilAbril, explicou que esta acção de luta «é corolário de um processo de quase meia dúzia de anos» em que a fixação de quotas de biqueirão e de sardinha não correspondem, de forma equilibrada, à biomassa disponível nos mares.

O responsável revela que desde 2016, particularmente na área ocidental Norte (entre a Figueira da Foz e Matosinhos), tem-se registado «uma grande concentração de cardumes» de biqueirão, como já não se verificava há dezenas de anos.

Em consequência, os pescadores contestam que, perante o crescimento de stock de biqueirão, não se decida aumentar os totais admissíveis de captura (TAC), por força dos sucessivos pareceres «conservadores» da comunidade científica.

Quanto à pesca de sardinha, a captura da espécie que «chegava a permitir trabalho durante oito a dez meses por ano», desde 2015, a limitação brusca de quotas decorrente da consideração de que a biomassa era escassa, «levou a que a pesca só pudesse ser feita durante três a quatro meses por ano», afirma Jorge Abrantes.

Mas se em 2015 se verificava essa limitação de stock, hoje as evidências demonstram que a biomassa disponível já está quase em 100% acima do registado nesse ano, o que deveria levar a um aumento das quotas, o que só não se tem feito por um verdadeiro «fundamentalismo científico».

Como contributos para a resolução dos problemas do sector, a ANOP Cerco tem solicitado ao Governo quer a antecipação de quotas, quer a realização de uma negociação de trocas com Espanha de outras espécies, para que já em Janeiro se pudessem mitigar as dificuldades vividas pelos pescadores.

A ANOP Cerco está também em articulação com produtores espanhóis na exigência da fixação de 30 000 toneladas de quota para os dois países, contrariando as 4192 toneladas defendidas pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, sigla inglesa) – sediado na Dinamarca e que elabora pareceres para UE.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/luta-contra-quotas-de-sardinhas-e-de-biqueirao

Acção solidária leva à integração de 24 trabalhadores na Super Bock

O diferendo entre os trabalhadores e as empresas Super Bock, A. Gaiteiro, Servigaia e Conductor terminou com a obtenção de um acordo, em sede de prevenção de conflitos, na DGERT do Porto.

Créditos / CGTP-IN

O acordo, alcançado no passado dia 3 de Janeiro na Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) do Porto, garante a integração de 24 trabalhadores no quadro de efectivos da Super Bock. Estes trabalhadores (todos com mais de um ano de casa e alguns a prestar serviço à Super Bock há vários anos) até aqui tinham vínculos precários porque estavam subcontratados pela empresa A. Gaiteiro e recentemente haviam visto o seu posto de trabalho ocupado por outros, informa o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN) em nota divulgada.

O processo de integração decorrerá em duas fases, sendo que oito trabalhadores serão contratados no imediato e os restantes 16 durante o primeiro trimestre de 2021. Estes ficarão, até lá, vinculados à Conductor, empresa que assume a prestação do serviço a partir de agora, em condições equiparadas às praticadas pela empresa anterior, garantindo assim a manutenção do nível remuneratório e dos direitos anteriormente negociados.

Os trabalhadores assumem que foi um processo «particularmente duro», para cuja resolução contribuiu «de forma decisiva» a posição assumida pelos trabalhadores da Super Bock, em «acção solidária», na defesa dos postos de trabalho dos seus colegas.

«Esta é mais uma vitória dos trabalhadores no sentido do reforço da defesa dos seus direitos e da sua contratação colectiva, demonstrando mais uma vez que a solidariedade e sentido de classe não depende da cor das fardas de trabalho nem de presunções de estatuto social», pode ler-se na nota.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/accao-solidaria-leva-integracao-de-24-trabalhadores-na-super-bock

Protestos em supermercados exigem mais direitos laborais

Em Peso da Régua e Vila Real, os trabalhadores estiveram à porta do Continente e do Pingo Doce, respectivamente, exigindo a negociação do contrato colectivo de trabalho e a melhoria das condições laborais.

Acção de protesto no Continente de Peso da RéguaCréditos / CESP

Os protestos, promovidos ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços (CESP/CGTP-IN), tinham em comum a exigência de negociação do contrato colectivo de trabalho.

No Continente/Modelo de Peso da Régua, os trabalhadores reclamam o fim da tabela B, que estabelece que um trabalhador com a mesma categoria profissional, a desempenhar as mesmas tarefas e com a mesma carga horária, receba um salário mais baixo se não trabalhar nos distritos do Porto, Lisboa e Setúbal. O aumento dos salários em 90 euros para todos é outra das exigências dos trabalhadores.

«A Sonae, proprietária dos supermercados Continente Modelo e presidente da associação patronal das empresas da grande distribuição, tem arrastado o processo negocial do contrato colectivo com a insistência do banco de horas, a redução do valor pago pelo trabalho extraordinário e a manutenção da tabela B, para manter a exploração e os baixos salários», pode ler-se na nota enviada à imprensa.

Tendo em conta que o salário mínimo nacional aumentou para os 635 euros e que o contrato colectivo de trabalho não é revisto desde 2016, na prática deixou de existir progressão na carreira neste sector, denunciam.

No Pingo Doce de Vila Real, os trabalhadores concentrados em protesto exigiram a negociação do contrato colectivo de trabalho «sem contrapartidas», o fim da discriminação salarial entre trabalhadores, um aumento mínimo de todos os salários em 90 euros e a valorização da carreira profissional, «de forma a que os trabalhadores com mais anos de casa vejam reconhecido o seu trabalho e categoria profissional».

Os trabalhadores denunciam que a empresa, que é vice-presidente na Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), continua a «insistir no banco de horas» e na redução do valor pago pelo trabalho extraordinário.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/protestos-em-supermercados-exigem-mais-direitos-laborais

Trabalhadores têxteis fizeram greve pelo pagamento de salários

Os trabalhadores da empresa Somelos Mix - Fios Têxteis denunciam a prática recorrente da empresa de não pagar os salários atempadamente, bem como a discriminação que ocorre entre as várias empresas do grupo.

Créditos / publicdomainpictures

Em nota à imprensa, o Sindicato do Vestuário, Confecção e Têxtil da Região Norte (CGTP-IN) denuncia que, desde 2018, a empresa Somelos Mix-Fios Têxteis, do grupo Somelos, em Braga, paga com atraso os salários aos seus trabalhadores. 

«Após várias tentativas dos trabalhadores e do sindicato para que a empresa pagasse pontualmente os salários, a situação não se alterou, pelo que aos trabalhadores não restava outro recurso senão recorrer à greve para que a Administração cumprisse a norma legal que obriga ao pagamento dos salários no final de cada mês», lê-se na nota.

A partir de Outubro de 2019, a estrutura sindical apresentou um pré-aviso de greve para o caso de a empresa não cumprir com os prazos estipulados no pagamento dos salários.

Estava estabelecido que o salário de Dezembro seria pago até ao dia 8 de Janeiro, o que não veio a acontecer. «A administração pagou na data estabelecida os salários a todos os trabalhadores das restantes empresas do grupo, não cumprindo com os trabalhadores da Somelos Mix-Fios Têxteis», acusa o sindicato.

Perante esta decisão que considera «ilegal e discriminatória» para com os trabalhadores, estes entiveram em greve no dia 9 e 10 de Janeiro, com taxas de adesão total na produção.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trabalhadores-texteis-fizeram-greve-pelo-pagamento-de-salarios

Trabalhadores das Águas de Portugal exigem aumentos

Reunidos em plenário à porta da empresa, os trabalhadores do Grupo Águas de Portugal assinalaram a entrega da proposta sindical de revisão do acordo colectivo de trabalho.

Créditos / STAL

Os trabalhadores reivindicam para 2020 um salário mínimo de 850 euros e um aumento mínimo de 90 euros para todos, informou a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas (Fiequimetal/CGTP-IN) em nota divulgada na sequência do plenário realizado sexta-feira passada.

Os trabalhadores exigem a aplicação da revisão do acordo colectivo de trabalho (ACT) assinado em 2018. Na proposta de revisão agora entregue defende-se a redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais, aumentos na retribuição do trabalho suplementar e o aumento do subsídio de turno. Prevê-se também a atribuição de um subsídio de insalubridade e risco em determinadas funções, bem como a aplicação de 25 dias úteis de férias.

A proposta reivindicativa foi construída na discussão entre os trabalhadores, incluindo a realização de plenários nas empresas, organizados pelos sindicatos da Fiequimetal e no Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL/CGTP-IN).

No plenário nacional de ontem foi salientado que as reivindicações são «justas» e que os trabalhadores estão «determinados a mobilizar-se em sua defesa» no decurso do processo negocial que agora deve desenvolver-se.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trabalhadores-das-aguas-de-portugal-exigem-aumentos

Cedência de Macron é «uma farsa»

O anúncio feito pelo primeiro-ministro, Édouard Philippe, que retira «temporariamente» o aumento da idade de reforma para os 64 anos, é denunciado pela CGT como «uma farsa», que depende de um «acordo impossível».

CréditosGuillaume Horcajuelo / Agência Lusa

Ao 38.º dia de greves e protestos, o governo francês diz estar «disponível para retirar» da reforma do sistema de pensões a medida que «incentiva» os franceses a trabalharem até aos 64 anos, penalizando os que se aposentam aos 62 – actual idade legal de reforma.

Para a central sindical CGT [Confederação Geral do Trabalho], «nada mudou» com a mensagem do primeiro-ministro aos sindicatos. «A suspensão temporária da «idade-pivô» fica dependente de um acordo impossível», explicou Catherine Perret aos microfones da Europe 1. «O primeiro-ministro coloca duas condições na sua carta: que as pensões não baixem e que os descontos não aumentem», recorda a sindicalista, concluindo que «toda a gente sabe que só sobra um parâmetro para equilibrar o sistema: o aumento da idade da reforma».

«O objectivo desta reforma devia ser melhorar os direitos das pessoas», mas Catherine Perret reforça que o que se pretende realmente é «fazer poupanças».

O Chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, já havia afirmado o objectivo de aplicar um novo sistema de aposentação e colocar um fim ao que chama de «regimes especiais», do qual os ferroviários e os funcionários dos transportes públicos são os mais beneficiados. É a estratégia de uniformizar direitos, nivelando por baixo e apregoando maior igualdade.

O governo francês continua a tentar enfraquecer o movimento grevista que se prepara para entrar no 40.º dia de mobilizações. A proposta serviu para agradar à Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), a central sindical que fez da «idade-pivô» um cavalo de batalha e que fala agora de um verdadeiro avanço.

À greve dos ferroviários vai juntar-se esta segunda-feira a do Banco de França, que pode causar problemas no abastecimento das caixas multibanco francesas. Na quarta-feira, vários sindicatos da Função Pública apelam a uma concentração em Paris e no dia seguinte o movimento sindical promete regressar à rua para mais manifestações.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/cedencia-de-macron-e-uma-farsa

Governo cede e pressiona, mas greve na França deve continuar

O governo francês afirmou neste domingo (12) que, depois de retirar a medida mais controversa de sua “reforma” previdenciária, “não há razão” para continuar a greve que paralisa o país há cinco semanas.

 

 

“Não há razão para esse movimento de greve continuar. Foi alcançado um compromisso com as organizações sindicais que dialogam, e todo mundo quer voltar a uma vida mais fácil”, afirmou a ministra da Transição Ecológica, Elisabeth Borne, também responsável pelos Transportes.

Na negociação com os trabalhadores, o governo cedeu e retirou “provisoriamente” no sábado (11) a medida mais controversa de sua “reforma”, que previa aumentar a idade mínima para uma aposentadoria integral de 62 para 64 anos.

O anúncio, feito pelo primeiro-ministro Édouard Philippe. “Não há razão para esse conflito continuar: havia pré-condições, essas pré-condições foram aceitas”, disse o ele numa entrevista.

Nas últimas semanas, o governo fez uma série de concessões para policiais e militares, bem como para os pilotos e controladores de tráfego aéreo, permitindo que eles continuem se aposentando mais cedo.

Após o anúncio de Philippe, a principal central sindical, a CGT, advertiu que está “mais determinado do que nunca” a conseguir a retirada total do projeto.

Mas outra central, a CFDT, a maior da França, e favorável ao sistema universal por pontos, assim como a Unsa e a CFTC, declararam-se dispostas a continuar negociando após a retirada da idade mínima.

A “idade de referência” bloqueava negociações com a CFDT, favorável às linhas gerais da reforma, mas contra a fixação da marca dos 64 anos de idade. O motivo considerado seria de que aumentar os anos trabalhados para equilibrar as contas significaria misturar critérios financeiros com a necessária — segundo o sindicato — refundação do sistema.

No sábado, a CGT e outros organizações sindicais convocaram uma nova manifestação para a próxima quinta-feira, 16 de janeiro, pela sexta vez desde o início da greve, em 5 de dezembro.

Após 39 dias de greve ininterrupta, a paralisação nos transportes ferroviários é a mais longa desde a criação da companhia ferroviária francesa SNCF, em 1938.

Os ônibus e as poucas linhas de metrô que funcionam estão lotadas. Muitos parisienses precisam ir trabalhar ou estudar de bicicleta ou a pé.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/governo-cede-e-pressiona-mas-greve-na-franca-deve-continuar/

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