Lítio

Exploração de Lítio em Portugal

O Partido Ecologista Os Verdes considera que o governo deve recusar a celebração de contratos seja de prospeção, pesquisa ou exploração de depósitos minerais, na Argemela.

 

 

Segue comunicado, que publicamos na integra:

 

COVID -19  Não distrai Os Verdes das Pretensões de  Exploração de Lítio em Portugal

A (re) publicação do pedido de contrato de concessão da exploração de lítio e outros minerais na Serra da Argemela levou a que Os Verdes reagissem de imediato e questionassem o Ministério do Ambiente e da Ação Climática no passado dia 15 de abril (pergunta n.º 1777/XIX/1ª).

Da resposta dada pelo Ministério, o Partido Ecologista Os Verdes interpreta que o governo persiste em celebrar o contrato de conceção de exploração de depósitos de minerais antes da realização do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e emissão da respetiva Declaração de Impacte Ambiental. O PEV considera abusiva a atribuição de qualquer nova concessão, seja de prospeção, pesquisa ou exploração, como o caso da Argemela, sem a apresentação de um EIA, prévio pelo interessado e a sua posterior aprovação.

O pedido recentemente republicado, é justificado pela  Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) por entender que não seria conveniente, nem transparente dar seguimento à instrução procedimental do pedido de conceção de exploração de vários depósitos de minerais, nomeadamente de lítio, na Argemela, pela empresa PANNN Consultores Geológicos, sem uma nova audição, devido ao atraso do processo requerido há mais de 3 anos (Aviso n.º 1412/2017, de 17 de janeiro). Este atraso no processo administrativo do instrutório do requerimento, segundo o Governo, resultou de constrangimentos provocados por pedidos de esclarecimentos complementares, por parte do Estado, e com invocações da empresa quanto à opção por exploração experimental ou por concessão de exploração, tendo a empresa optado pela última.

Na resposta à pergunta do PEV, o governo referiu também que com o cumprimento das obrigações contratuais e finalização, a 02 de novembro de 2016, do contrato de prospeção e pesquisa celebrado em 2011, a empresa, de acordo com a Lei n.º 54/2015, ficou com os direitos de exploração de lítio, estanho, tântalo, nióbio, volfrâmio, rubídio, cobre, zinco, ouro, prata, césio, escândio, terras raras e pirites na área designada de Argemela, que abrange as freguesias de Coutada e de Baco (Covilhã) e Silvares e Lavacolhos (Fundão).

Tendo em conta que a empresa já detém os direitos de exploração destes minerais na Serra da Argemela, ao abrigo da Lei 54/2015, direitos que Os Verdes consideram que não devem atribuir-se antes da Avaliação de Impacte Ambiental ( AIA), a (re)publicação, nos termos da justificação da DGEG, parece que vem “atirar areia para os olhos”, e branquear a transparência e participação das populações e entidades, pois torna-se cada vez mais evidente que o contrato de concessão será assinado independentemente das preocupações, reclamações e contestação ao projeto e da existência de um EIA e  respetiva aprovação.

No entanto, embora não sendo referido pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, pode estar em causa, na verdade, o expirar de alguns prazos, como a caducidade da Proposta de Definição de Âmbito (PDA) e do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), no dia 05 de fevereiro de 2020, ou compatibilizar prazos e procedimentos à nova regulamentação da Lei 54/2015, de 22 de junho, que está neste momento a ser objeto de preparação, estando, segundo o Governo, previstas diversas ações que contemplam, entre outras medidas, novas audições e consultas.

É importante referir que, na passada segunda-feira, dia 20 de abril, a empresa PANNN Consultores de Geociências apresentou um Plano de Lavra (Resumo) do projeto mineiro da Argemela, peça de instrução do pedido de Concessão de Exploração.

A resposta do governo, para além, de referir que os prazos da consulta se encontram suspensos, enquanto perdurar o Estado de Emergência, refere ainda que todas a pronúncias ou reclamações fundamentadas derivadas da publicação do Aviso n.º 1412/2017 são analisadas e ponderadas, e que as entidades e os particulares podem voltar a pronunciar-se, quer estes tenham ou não apresentado reclamações em 2017, a resposta ao PEV torna claro que o Secretário de Estado da Energia face à pressão terá  “enrolado e manipulado” a população.

Em plena pré-campanha eleitoral, há um ano, o Secretário de Estado da Energia afirmou que o pedido de exploração experimental na Argemela seria chumbado por falta de EIA, omitindo que a exploração experimental não foi adiante por opção da própria empresa, que preferiu manter o pedido de conceção de exploração dos 403,71 ha para os depósitos de minerais, incluindo lítio.

Face aos impactos que esta exploração terá na qualidade de vida da população, devido à propagação e inalação de poeiras, ruídos, vibrações, entre outros, no ambiente com a destruição da biodiversidade e alteração da paisagem, na saúde pública e no património arqueológico, o Partido Ecologista Os Verdes considera que, o governo deve recusar a celebração de contratos seja de prospeção, pesquisa ou exploração de depósitos minerais, na Argemela, e apresentar um plano, juntamente com os municípios em causa, para a preservação da Serra da Argemela, do seu ecossistema e do seu património cultural e histórico. Estas Recomendações constam do Projeto de Resolução N.º 917/XIII/2ª, de 07 julho, apresentado pelo PEV e aprovado por unanimidade, dando origem à Resolução da Assembleia da República n.º 131/2018.

O Partido Ecologista Os Verdes

 

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/exploracao-de-litio-em-portugal/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=exploracao-de-litio-em-portugal

Depois de Evo, a questão do lítio aparece clara na Bolívia

Vijay Prashad

eles não poderiam fazer um acordo que levasse em consideração os parâmetros estabelecidos pelo governo de Morales. O próprio Morales era um impedimento direto à aquisição dos campos de lítio pelas empresas transnacionais não chinesas. Ele tinha de ir embora.

Após o golpe, as ações da Tesla subiram astronomicamente.

 

 

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Photograph Source: Sámediggi Sametinget – CC BY 2.0

O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi derrubado por um golpe militar, em 10 de novembro. Está agora no México. Antes de deixar o cargo, Morales estava envolvido num importante projeto para levar a democracia económica e social ao seu país há muito explorado. É importante lembrar que a Bolívia sofreu uma série de golpes, frequentemente realizados pelos militares e pela oligarquia, em nome de empresas de mineração transnacionais. Inicialmente, essas empresas exploravam o estanho, mas esse já não é o principal alvo na Bolívia. O principal objetivo são seus enormes depósitos de lítio, cruciais para o carro elétrico.

Nos últimos 13 anos, Morales tentou construir uma relação diferente entre o seu país e os seus recursos. Não queria que os recursos beneficiassem as empresas transnacionais de mineração, mas que beneficiassem a sua própria população. Parte dessa promessa foi cumprida com a queda da taxa de pobreza na Bolívia e com a população da Bolívia a melhorar os seus indicadores sociais. A nacionalização de recursos, combinada com o uso das suas rendas para financiar o desenvolvimento social, desempenhou um papel importante. A atitude do governo de Morales em relação às empresas transnacionais produziu uma resposta dura da parte destas, muitas levando a Bolívia a tribunal.

Ao longo dos últimos anos, a Bolívia lutou para aumentar o investimento para desenvolver as reservas de lítio, de maneira a trazer a riqueza de volta ao país em benefício do seu povo. O vice-presidente de Morales, Álvaro García Linera, disse que o lítio é o “combustível que alimentará o mundo”. A Bolívia não conseguiu fazer acordos com empresas transnacionais ocidentais; decidiu fazer parceria com empresas chinesas. Isso tornou o governo de Morales vulnerável. Entrara na nova Guerra Fria entre o Ocidente e a China. O golpe contra Morales não pode ser entendido sem um olhar sobre este confronto.

Confronto com as empresas transnacionais

Quando Evo Morales e o Movimento pelo Socialismo assumiram o poder em 2006, o governo procurou imediatamente desfazer décadas de roubos praticados pelas empresas de mineração transnacionais. O governo de Morales apreendeu várias das operações de mineração das empresas mais poderosas, como a Glencore, a Jindal Steel & Power, Pan-American Anglo-Argentine Energy e a South American Silver (agora TriMetals Mining). Enviou a mensagem de que o business as usual [o negócio, como habitualmente – NT] não continuaria.

No entanto, essas grandes empresas continuaram as suas operações – com base em contratos mais antigos – em algumas áreas do país. Por exemplo, a empresa transnacional canadiana South American Silver tinha criado uma empresa, em 2003 – antes de Morales chegar ao poder – para explorar a prata e o índio (um metal de terras raras, usado em televisões de tela plana) no Malku Khota. A South American Silver, então, começou a ampliar a atividade nas suas concessões. A terra reivindicada era habitada por bolivianos indígenas, que argumentavam que a empresa estava a destruir os seus espaços sagrados e a promover uma atmosfera de violência.

Em 1 de agosto de 2012, o governo de Morales – pelo Decreto Supremo n.º 1308 – anulou o contrato com a South American Silver (TriMetals Mining), que procurou então arbitragem internacional e compensações. O governo canadiano de Justin Trudeau – como parte de um esforço mais amplo em nome de empresas de mineração canadianas na América do Sul – pressionou imensamente a Bolívia. Em agosto de 2019, a TriMetals fechou um acordo com o governo boliviano por US $ 25,8 milhões, cerca de um décimo do que exigia anteriormente como compensação.

A Jindal Steel, uma empresa transnacional indiana, tinha um contrato antigo para extrair minério de ferro do El Mutún da Bolívia, contrato que foi suspenso pelo governo de Morales, em 2007. Em julho de 2012, a Jindal Steel rescindiu o contrato e procurou arbitragem internacional e compensações pelo seu investimento. Em 2014, obteve US $ 22,5 milhões da Bolívia numa decisão da Câmara de Comércio Internacional de Paris. Noutro caso contra a Bolívia, a Jindal Steel exigiu US $ 100 milhões de compensação.

O governo de Morales apreendeu três instalações da empresa multinacional de mineração transnacional Glencore, com sede na Suíça; isso incluía uma mina de estanho e zinco, além de duas fundições. A expropriação da mina ocorreu depois de a subsidiária da Glencore ter entrado em conflito violento com os mineiros.

De forma mais agressiva, a Pan-American processou o governo boliviano por US $ 1,5 mil milhões pela expropriação pelo Estado da participação da empresa anglo-argentina na produtora de gás natural Chaco. A Bolívia pagou US $ 357 milhões, em 2014.

A escala desses pagamentos é enorme. Foi estimado, em 2014, que os pagamentos públicos e privados feitos pela nacionalização destes sectores-chave somaram pelo menos US $ 1,9 mil milhões (o PIB da Bolívia era naquela época $ 28 mil milhões).

Em 2014, até o Financial Times concordou que a estratégia de Morales não era totalmente inadequada. “A prova do sucesso do modelo económico de Morales é que, desde que chegou ao poder, ele triplicou o tamanho da economia, ao mesmo tempo que aumentou as reservas estrangeiras a níveis recorde”.

Lítio

As principais reservas da Bolívia são em lítio, essencial para o carro elétrico. A Bolívia afirma ter 70% das reservas mundiais de lítio, principalmente nas salinas do Salar de Uyuni. A complexidade da mineração e do processamento implicou que a Bolívia não tenha conseguido desenvolver a indústria de lítio sozinha. Isso requer capital e conhecimento.

As salinas encontram-se a cerca de 12.000 pés (3.600 metros) acima do nível do mar e recebe muitas chuvas. Isso dificulta o uso da evaporação solar. Essas soluções mais simples são viáveis no deserto do Atacama, no Chile, e no Hombre Muerto, na Argentina. Para a Bolívia são necessárias soluções mais técnicas, o que significa que são necessários mais investimentos.

A política de nacionalização do governo Morales e a complexidade geográfica da Salina de Uyuni afugentaram várias empresas de mineração transnacionais. Eramet (França), FMC (Estados Unidos) e Posco (Coreia do Sul) não puderam fazer acordos com a Bolívia e por isso operam agora na Argentina.

Morales deixou claro que qualquer desenvolvimento do lítio deveria ser feito com a Comibol da Bolívia – a sua empresa nacional de mineração – e a Yacimientos de Litio Bolivianos (YLB) – a sua empresa nacional de lítio – como parceiros iguais.

No ano passado, a ACI Systems da Alemanha chegou a um acordo com a Bolívia. Após protestos de moradores da região de Salar de Uyuni, Morales cancelou o acordo, em 4 de novembro de 2019.

Empresas chinesas – como o Grupo TBEA e a China Machinery Engineering – fizeram um acordo com a YLB. Dizia-se que o grupo chinês Tianqi Lithium, que opera na Argentina, iria fazer um acordo com a YLB. Tanto o investimento chinês como a empresa boliviana de lítio estavam a experimentar novas maneiras de extrair o lítio e compartilhar os lucros. A ideia de que pudesse haver um novo pacto para o lítio era inaceitável para as principais empresas de mineração transnacionais.

A Tesla (Estados Unidos) e a Pure Energy Minerals (Canadá) mostraram grande interesse em ter uma participação direta no lítio boliviano. Mas eles não poderiam fazer um acordo que levasse em consideração os parâmetros estabelecidos pelo governo de Morales. O próprio Morales era um impedimento direto à aquisição dos campos de lítio pelas empresas transnacionais não chinesas. Ele tinha de ir embora.

Após o golpe, as ações da Tesla subiram astronomicamente.

Este artigo foi produzido por Globetrotter, um projeto do Independent Media Institute.

Fonte: https://www.counterpunch.org/2019/11/13/after-evo-the-lithium-question-looms-large-in-bolivia/, publicado em 2019/11/13, acedido em 2019/11/15

Tradução do inglês de TAM

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/depois-de-evo-a-questao-do-litio-82172

Portugal | Ação em tribunal tenta anular concessão de lítio em Montalegre

 
 
A Associação Montalegre com Vida interpôs uma ação administrativa com vista à anulação do contrato de concessão para a exploração de lítio assinado entre a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e a Lusorecursos Portugal Lithium.
 
Armando Pinto, porta-voz da associação, afirmou hoje à agência Lusa que "a ação administrativa comum foi submetida na quinta-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela, contra o [então] Ministério do Ambiente e Transição Energética, que em março tutelava a DGEG, e a empresa Lusorecursos Portugal Lithium, S.A".
 
O responsável referiu que a associação "vem, desta forma, arguir a anulabilidade do contrato de concessão 'Romano', celebrado em 28 de março de 2019 entre a DGEG e a Lusorecursos Portugal Lithium, S.A".
 
"Consideramos que o contrato é ilegal, não foi cumprido aquilo que está na lei. A empresa que indicaram, até ao prazo legal, não é aquela que efetivamente assinou o contrato", argumentou Armando Pinto.
 
 
O contrato de concessão de exploração de lítio no concelho de Montalegre, assinado entre o Governo e a Lusorecursos Portugal Lithium, tem estado envolto em polémica e uma das razões apontadas é o facto da empresa ter sido constituída três dias antes da assinatura do contrato.
 
"Poderiam constituir novas empresas até ao final do período de prospeção, é o que diz a lei, mas não após o período de prospeção. A empresa que foi indicada inicialmente não é aquela que efetivamente assinou o contrato de concessão", acrescentou Armando Pinto.
 
Contactado pela agência Lusa, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática disse que "nada tem a comentar sobre a ação administrativa".
 
Também a empresa Lusorecursos Portugal Lithium adiantou não se pronunciar sobre a ação, da qual referiu não ter sido notificada.
 
A polémica que envolve o contrato de concessão de exploração de lítio no concelho de Montalegre levou vários grupos parlamentares a pedir uma audição urgente do secretário de Estado Adjunto e da Energia.
 
A audição parlamentar de João Galamba e do ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, está agendada para esta quarta-feira, na Comissão do Ambiente, Energia e Ordenamento do Território.
 
No mesmo dia, serão ouvidos, numa audição conjunta, representantes da Associação Montalegre Com Vida e Plataforma Mina.
 
A Associação Montalegre Com Vida foi criada com vista "à defesa do Barroso contra a exploração mineira".
 
A população, nomeadamente da freguesia de Morgade, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, para onde está prevista a exploração de lítio, opõe-se ao projeto mineiro, elencando preocupações ao nível da dimensão da mina e consequências ambientais, na saúde e na agricultura.
 
A Lusorecursos Portugal Lithium já anunciou um plano de negócios de 500 milhões de euros, a criação de cerca de 500 postos de trabalho e a implementação de uma unidade industrial, onde será feita a separação de vários minerais que vão sair da exploração e processado o hidróxido de lítio.
 
A empresa esclareceu ainda que a exploração da mina vai ser mista, primeiro a céu aberto, passando depois para túnel.
 
Jornal de Notícias | Imagem: Leonel de Castro/Global Imagens/Arquivo

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/portugal-acao-em-tribunal-tenta-anular.html

China - EUA e a geopolítica do lítio

 
 
 
Por vários anos, desde o impulso global para o desenvolvimento de veículos elétricos em grande escala, o elemento Lithium passou a se concentrar como um metal estratégico. Atualmente, a demanda é enorme na China, na UE e nos EUA, e garantir o controle do suprimento de lítio já está desenvolvendo sua própria geopolítica, não muito diferente da do controle do petróleo. 
China muda para fontes seguras
 
Para a China, que estabeleceu metas importantes para se tornar o maior produtor mundial de veículos elétricos, o desenvolvimento de materiais para baterias de lítio é uma prioridade para o período do 13º Plano Quinquenal (2016-20). Embora a China tenha suas próprias reservas de lítio, a recuperação é limitada e a China passou a garantir direitos de mineração de lítio no exterior.
 
Na Austrália, a empresa chinesa Talison Lithium, controlada pela Tianqi, explora e possui as maiores e mais altas reservas de espodumênio do mundo em Greenbushes, Austrália Ocidental, perto de Perth.
 
A Talison Lithium Inc. é o maior produtor de lítio primário do mundo. Seu site Greenbushes na Austrália produz hoje cerca de 75% das demandas de lítio da China e cerca de quarenta por cento da demanda mundial . Isso, assim como outras matérias-primas vitais da Austrália, estabeleceu relações com a Austrália, tradicionalmente uma empresa aliada dos EUA, de importância estratégica para Pequim. Além disso, a China se tornou o maior parceiro comercial da Austrália.
 
No entanto, a crescente influência econômica da China no Pacífico em torno da Austrália levou o Primeiro Ministro Scott Morrison a enviar uma mensagem de aviso à China para não desafiar a região estratégica do quintal da Austrália . No final de 2017, a Austrália, com crescente preocupação com a expansão da influência chinesa na região, retomou a cooperação informal no que às vezes é chamado de Quad, com EUA, Índia e Japão, revivendo uma tentativa anterior de verificar a influência chinesa no Pacífico Sul. A Austrália também intensificou recentemente os empréstimos a países estratégicos das ilhas do Pacífico para combater os empréstimos da China . Tudo isso claramente torna imperativo que a China se torne global em outros sites para garantir seu lítio, a fim de se tornar o ator-chave na economia emergente de veículos elétricos na próxima década.
 
À medida que o desenvolvimento de veículos elétricos se tornava prioridade no planejamento econômico chinês, a busca por lítio seguro se voltou para o Chile, outra fonte importante de lítio. Lá, a Tianqi da China acumula grande parte da SociedadQuimica Y Minera (SQM) do Chile, um dos maiores produtores mundiais de lítio. Se o Tianqi da China conseguir obter o controle do SQM, isso mudará a geopolítica do controle mundial de lítio, de acordo com relatórios da indústria de mineração .
 
O suprimento global de metais de lítio, um componente estratégico das baterias de íons de lítio usadas para alimentar veículos elétricos (VEs), está concentrado em muito poucos países.
 
Para dar uma idéia da demanda potencial de lítio, a bateria do Modelo S da Tesla requer 63 kg de carbonato de lítio, suficiente para alimentar aproximadamente 10.000 baterias de telefones celulares. Em um relatório recente, o banco Goldman Sachs chamou o carbonato de lítio de nova gasolina. Apenas um aumento de 1% na produção de veículos elétricos pode aumentar a demanda de lítio em mais de 40% da produção global atual, de acordo com o Goldman Sachs. Com muitos governos exigindo menor emissão de CO2, a indústria automobilística global está expandindo maciçamente os planos de veículos elétricos na próxima década, o que tornará o lítio potencialmente tão estratégico quanto o petróleo hoje.
 
 
 
Arábia Saudita de lítio?
 
A Bolívia, cujo lítio é muito mais complicado de extrair, também se tornou nos últimos anos um alvo de interesse de Pequim. Algumas estimativas geológicas classificam as reservas de lítio da Bolívia como as maiores do mundo. Estima-se que os salares de Salar de Uyuni por si só contenham nove milhões de toneladas de lítio .
 
Desde 2015, uma empresa de mineração chinesa, a CAMC Engineering Company, opera uma grande fábrica na Bolívia para produzir cloreto de potássio como fertilizante. O que a CAMC minimiza é o fato de que, abaixo do cloreto de potássio, estão as maiores reservas de lítio conhecidas no mundo nas salinas Salar de Uyuni, uma das 22 salinas na Bolívia. A Linyi Dake Trade da China em 2014 construiu uma planta piloto de bateria de lítio no mesmo local .
 
Então, em fevereiro de 2019, o governo de Morales assinou outro acordo de lítio, este com a China Xinjiang TBEA Group Co., Ltd., que deterá uma participação de 49% em uma joint venture planejada com a empresa estatal de lítio YLB da Bolívia. Esse acordo é produzir lítio e outros materiais a partir dos planos de sal Coipasa e PastosGrandes e custaria cerca de US $ 2,3 bilhões.
 
Em termos de lítio, a China até agora domina o novo grande jogo global para controle. Agora, as entidades chinesas controlam quase metade da produção global de lítio e 60% da capacidade de produção de baterias elétricas. Dentro de uma década, o Goldman Sachs prevê que a China poderia fornecer 60% dos veículos elétricos do mundo. Em suma, o lítio é uma prioridade estratégica para Pequim.
 
EUA China Rivalidade de lítio?
 
O outro ator principal no mundo global da mineração de lítio atualmente são os Estados Unidos. A Albemarle, uma empresa de Charlotte, Carolina do Norte, com um impressionante conselho de administração, possui uma importante mineração de lítio na Austrália e no Chile, notadamente, assim como a China. Em 2015, a Albemarle se tornou um fator dominante na mineração mundial de lítio quando comprou a empresa americana Rockwood Holdings. Notavelmente, a Rockwood Lithium tinha operações no Chile no Salar de Atacama e na mesma mina Greenbushes na Austrália, onde o Grupo da Indústria Tianqi da China possui 51%. Isso deu a Albemarle 49% do enorme projeto australiano de lítio, em parceria  com a China.
 
O que está começando a ficar claro é que as tensões EUA-China sobre os planos econômicos chineses também provavelmente incluem combater a influência da China no controle das principais reservas estratégicas de lítio. O recente golpe militar na Bolívia que forçou Evo Morales ao exílio mexicano, desde as primeiras evidências, teve as impressões digitais de Washington. A entrada da presidente interina em exercício Jeanine Áñez, uma cristã de direita e do milionário de direita Luis Fernando Camacho, sinaliza uma desagradável virada para a direita no futuro político do país, apoiado abertamente por Washington. Crucial entre outras questões será se um futuro governo anulará os acordos de mineração de lítio com empresas chinesas.
 
Também o cancelamento da reunião de 16 de novembro no Chile da APEC, que deveria ter apresentado uma cúpula sobre comércio entre Trump e Xi Jinping, assume outro significado. A reunião também deveria ter sido palco de grandes acordos comerciais China-Chile, de acordo com o South China Morning Post. A delegação planejada de Xi incluiria 150 chefes de empresas e planos para assinar grandes acordos econômicos, estreitando ainda mais os laços econômicos Chile-China, algo que os EUA alertaram recentemente.
 
A erupção de protestos em massa em todo o Chile, que se opõe ao aumento da tarifa do transporte público governamental, carrega os sinais de gatilhos econômicos semelhantes em outros países usados ​​para provocar o Washington Color Revolutions. Os protestos tiveram o efeito a curto prazo do cancelamento da cúpula da APEC no Chile. O papel ativo das ONGs financiadas pelos EUA nos protestos no Chile não foi confirmado, mas as crescentes relações econômicas entre o Chile e a China claramente não são vistas como positivas por Washington. A exploração de lítio na China no Chile, neste momento, é um fator geopolítico estratégico pouco discutido que poderia ser alvo de intervenções de Washington, apesar da economia de livre mercado do atual governo.
 
Neste momento, o que está claro é que há uma batalha global pela dominação do mercado de baterias de EV do futuro e o controle do lítio está no centro disso.
 
*F. William Engdahl é consultor e professor de risco estratégico, é formado em política pela Universidade de Princeton e é um autor best-seller de petróleo e geopolítica, exclusivamente para a revista on-line  “New Eastern Outlook”,  onde este artigo foi publicado originalmente. Ele é um colaborador frequente da. Global Research
 
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Sementes de destruição: agenda oculta da manipulação genética
Nome do autor: F. William Engdahl
Número ISBN: 978-0-937147-2-2
Ano: 2007
Páginas: 341 páginas com índice completo
 
Preço especial: US $ 18,00
 
Este livro habilmente pesquisado enfoca como uma pequena elite sociopolítica americana procura estabelecer controle sobre a própria base da sobrevivência humana: a provisão de nosso pão diário. "Controle a comida e você controla as pessoas."
 
Este não é um livro comum sobre os perigos do OGM. Engdahl leva o leitor para dentro dos corredores do poder, para os fundos dos laboratórios de ciências, a portas fechadas nas salas de reuniões corporativas.
 
O autor revela convincentemente um mundo diabólico de intrigas políticas com fins lucrativos, corrupção e coerção do governo, onde a manipulação genética e o patenteamento de formas de vida são usados ​​para obter controle mundial sobre a produção de alimentos. Se o livro costuma ser lido como uma história de crime, isso não deve surpreender. Pois é isso que é.
 
A fonte original deste artigo é Pesquisa Global
 
Copyright © F.William Engdahl , Global Research , 2019
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/china-eua-e-geopolitica-do-litio.html

CHINA, EUA E GEOPOLÍTICA DO LÍTIO [F. William Engdahl]

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Traduzido de: journal-neo.org/2019/11/18/china-usa-and-the-geopolitics-of-lithium/
Durante vários anos, desde o avanço global para desenvolver Veículos Eléctricos numa escala massiva, o elemento Lítio tem sido considerado um metal estratégico. A procura é enorme na China, nos EUA, na UE, no presente; a garantia de controlo no fornecimento de lítio desenvolve-se numa luta geopolítica própria, que não deixa de evocar a do controlo do petróleo.
 
 
 
 
 
A China Joga para Assegurar Fornecimento
 
Para a China, que estabeleceu como principais objectivos tornar-se o principal produtor mundial de VEs, desenvolver os materiais das baterias a lítio é uma prioridade para o 13º Plano Quinquenal (2016-20). Embora a China possua as suas próprias reservas de lítio, a capacidade de recuperação é limitada, levando-a a assegurar direitos de mineração de lítio no estrangeiro. Na Austrália, a companhia Chinesa Talison Lithium, controlada por Tianqi, faz mineração e possui as reservas maiores do mundo e de maior teor em Greenbushes, na Austrália Oeste, perto de Perth. O maior produtor primário de lítio mundial é a Talison Lithium Inc. A mina de Greenbushes na Austrália, produz hoje cerca de 75% do consumo chinês em lítio e cerca de 40% do consumo mundial. Isto, assim como outras matérias-primas australianas, fez com que as relações com a Austrália, um aliado firme dos EUA, assumissem importância estratégia para Pequim. Igualmente, a China tornou-se o maior parceiro comercial da Austrália. No entanto, a influência crescente da China na economia do Pacífico, em torno da Austrália, levou o primeiro-ministro Scott Morrison a enviar uma mensagem de aviso no sentido da China não se imiscuir nesta região estratégica para a Austrália. Em finais de 2017, a Austrália, crescentemente preocupada com a expansão chinesa na região, retomou a cooperação com aquilo que se designa informalmente o «Quad», com os EUA, a Índia e o Japão, ressuscitando uma tentativa anterior de pôr em cheque a influência da China no Pacífico Sul. A Austrália, também recentemente, avançou com empréstimos a nações insulares do Pacífico para contrabalançar os empréstimos da China. Tudo isto torna claro o imperativo da China em ir à procura globalmente doutras fontes para assegurar abastecimento em lítio, de modo a se tornar o agente principal da economia emergente dos VE, na próxima década. Assim que o desenvolvimento dos veículos eléctricos se tornou uma prioridade na planificação económica chinesa, a procura de fonte segura de lítio levou-a a virar-se para o Chile, outra das principais fontes de lítio. Aqui, a empresa chinesa Tianqi é detentora duma participação importante da Sociedad Quimica Y Minera (SQM) chilena, um dos maiores produtores mundiais de lítio. Se a empresa chinesa Tianqi conseguir ganhar o controlo da SQM, isso irá mudar a geopolítica do controlo do lítio, segundo as notícias da indústria mineira.
O fornecimento global de metais de lítio, uma componente estratégica das baterias a iões lítio utilizadas para os veículos eléctricos (VEs) está concentrada em muito poucos países.
Para se ter uma ideia da procura potencial de lítio, a bateria para o Modelo S da Tesla, requer 63 quilogramas de carbonato de lítio, o suficiente para cerca de 10 000 baterias de telefones celulares. Numa notícia recente, o banco Goldman Sachs designou o carbonato de lítio como a nova gasolina. Apenas 1 por cento de aumento na produção de veículos eléctricos, poderia aumentar a procura de lítio em mais de 40% da produção global actual, de acordo com Goldman Sachs. Com tantos governos a exigir menores emissões de CO2, a indústria automóvel global está a expandir os seus planos para produção em massa de VEs na próxima década, o que torna o lítio potencialmente tão estratégico como hoje o petróleo. 
Qual é a «Arábia Saudita» do Lítio?
A Bolívia, cujo lítio é de longe mais complicado de se extrair, também tem sido alvo de interesse de Pequim, nos anos mais recentes. Algumas estimativas geológicas consideram a Bolívia como a detentora das maiores reservas mundiais. Apenas nos depósitos salinos de Salar de Uyuni, estima-se que haja nove milhões de toneladas de lítio. Desde 2015, a companhia mineira chinesa CAMC Engineering Company, tem vindo a operar uma grande fábrica na Bolívia, para produzir Cloreto de Potássio como fertilizante. A CAMC é discreta quanto ao facto de que, sob o cloreto de potássio, se encontram as maiores reservas de lítio conhecidas no mundo, nos depósitos salinos de Salar de Uyuni, um dos 22 depósitos salinos da Bolívia. A empresa chinesa Linyi Dake Trade em 2014 construiu uma fábrica piloto de baterias de lítio, nesta mesma localização. Depois disso, em Fevereiro de 2019, o governo de Morales assinou outro acordo de exploração do lítio, desta vez com o grupo chinês do Xinjiang, TBEA Group Co Ltd, que terá uma posição de 49% de participação na companhia estatal boliviana YLB. Este acordo destina-se a produzir lítio e outros materiais, a partir das salinas de Coipasa e de Pastos Grandes, com um custo estimado em 2,3 biliões de dólares. Em termos de lítio, a China está actualmente a dominar o Novo Grande Jogo global pelo controlo de recursos. As entidades chinesas controlam agora quase metade da produção de lítio mundial e 60% da capacidade de produção de baterias eléctricas a lítio. Dentro duma década, prediz a Goldman Sachs, a China poderia fornecer 60% das baterias para os VEs no mundo inteiro. Em resumo, o lítio é uma prioridade estratégica para Pequim. EUA/China Rivalidade pelo Lítio?
 
O outro actor principal no mundo da mineração do lítio, hoje, é os EUA. A companhia Albemarle, de Charlotte, Carolina do Norte, com um impressionante conselho de directores, tem participações mineiras principais na Austrália e no Chile, nomeadamente, tal como tem a China. Em 2015 a Albemarle tornou-se um factor dominante no mundo da mineração do lítio, quando comprou a companhia dos EUA, Rockwood Holdings. Significativamente, a Rockwood Lithium estava operando no Chile, no Salar de Atacama e na acima citada mina de Greenbushes da Austrália, onde o grupo industrial chinês Tianqi possui 51%. Isto dava a Albemarle 49% de participação no vasto projecto de lítio australiano, em parceria com a China. O que começa a tornar-se claro é que as tensões sino-americanas no plano económico, também incluem provavelmente a contenção da influência chinesa no controlo das reservas estratégicas de lítio. O recente golpe militar que forçou Evo Morales a ir para o exílio  no México mostrou, desde logo, as impressões digitais de Washington. A entrada da presidente interina Jeanine Áñez, uma cristã direitista e do milionário direitista, Luis Fernando Camacho, assinalam um nefasto virar à direita, no futuro político deste país, com um claro apoio de Washington. Será crucial, entre outras questões, verificar se um futuro governo irá anular os acordos de mineração de lítio com as companhias chinesas. Igualmente, a anulação do encontro da APEC de 16 de Novembro no Chile, que iria ser palco duma cimeira sobre comércio, entre Trump e Xi Jinping, adquire outro significado. O encontro também seria ocasião para concluir acordos de comércio entre a China e o Chile, de acordo com o «South China Morning Post». A delegação prevista do lado de Xi, incluía 150 chefes de empresa e tinha planos para assinar acordos económicos importantes, aumentando ainda mais os laços económicos China-Chile, algo que os EUA recentemente desaconselharam. A erupção de protestos de massas em todo o Chile, opondo-se ao aumento dos bilhetes de transportes públicos, mostra sinais semelhantes a outras causas económicas desencadeando distúrbios, no início de Revoluções Coloridas. Os protestos tiveram o efeito de cancelar a cimeira da APEC no Chile. O papel activo de ONGs financiadas pelos EUA nos protestos do Chile, não foi confirmado, mas as relações económicas crescentes entre o Chile e a China, realmente não podem ser vistas como positivas por Washington. A exploração de lítio no Chile pela China é, neste ponto, um factor estratégico e geopolítico pouco discutido, e que poderia ser alvo das intervenções de Washington, apesar do presente governo chileno ter uma orientação económica de mercado livre.
Nesta confluência, torna-se clara a existência de uma batalha global pela dominação do mercado de baterias de VEs, onde o controlo do lítio tem um lugar central.
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F. William Engdahl é um consultor de risco estratégico e conferencista, possui um diploma em política da universidade de Princeton; é um autor de «best-sellers» sobre petróleo e geopolítica; o artigo acima foi primeiro publicado em inglês no magazine online “New Eastern Outlook.”

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

O lítio rende prémios Nobel e muito dinheiro, mas a que custo?

 Três cientistas que estabeleceram marcos no desenvolvimento de baterias de lítio ganharam o Prémio Nobel de Química em 2019. Eles vêm de países que industrializam o mineral exportado (principalmente) da América do Sul, onde estão 85% das reservas mundiais. Sputnik explica como o negócio funciona no Chile, o principal produtor mundial.

Há quem imagine uma sociedade sem fios para a comunicação e livre de combustíveis fósseis. As baterias de iões de lítio mudaram substancialmente as tecnologias de comunicação e significaram uma metamorfose na maneira como comunicamos. Também tiveram um forte impacto no transporte e na electrificação rural.

No entanto, o que não mudou foi a política de extracção que prevalece na América do Sul, onde parece que a mineração e o desenvolvimento tecnológico não são compatíveis. Argentina, Bolívia e Chile são mundialmente conhecidos pela sua salmoura rica, da qual o lítio é extraído, estes países compõem o "Triângulo de Lítio", mas exportam a matéria-prima sem a industrializar.

O lítio é obtido através de um processo de evaporação. "As salmouras presentes sob a superfície do sal são extraídas em poços de bombagem e depois transportadas para grandes piscinas de evaporação para obter os sais. Através de um processo químico, o carbonato de lítio é obtido", explicou a Sputnik Gabriela Burdiles, directora de projectos da ONG chilena FIMA.

O Chile, líder na extracção, acredita que, para manter a sua primeira posição, deve aumentar a quantidade de toneladas de lítio que exporta, e não agregar valor. Segundo o estudo La economía política de la explotación de litio en Chile: 1980-2018 – publicado em 2018 no Journal No. 34 de Ciências Sociais da Universidade de Quilmes, Argentina –, tal acontece em parte devido à sólida estrutura política e social, tecnológica e produtiva que a elite instalou no país.

AS CHAVES DO NEGÓCIO

Pre Embora no Chile o lítio seja considerado "mineral estratégico" e – em teoria – os depósitos pertençam ao Estado, os privados têm as concessões de exploração e eles próprios realizam os estudos de viabilidade exigidos pelo Estado para conceder as licenças. Os lucros que obtêm são desconhecidos.

No entanto, sabe-se que em 2016 o Chile exportou 201 310 toneladas do mineral e seus componentes, 38,4% da produção mundial, e que em 2017 as exportações geraram mais de 700 milhões de dólares. No ano seguinte, as exportações de lítio totalizaram 948 milhões de dólares, segundo América Economia. Duas empresas instaladas no norte do Chile possuem o monopólio, a Sociedade Química e Minera (SQM) e a Rockwood-Albemarle.

Os autores do estudo garantem que os capitais da indústria de mineração de lítio no Chile funcionam como "enxertia" nas economias dos territórios onde estão instaladas, limitando o seu desenvolvimento, sendo geralmente prejudiciais.

As externalidades negativas que geram são diversas:

  • esgotamento progressivo das reservas de água;
  • divisão interna dos povos nativos, forçados a negociar privilégios com as empresas no seu próprio território;
  • destruição e poluição dos ecossistemas;
  • quando as empresas se instalam, importam os bens e serviços necessários para operar (como máquinas e serviços técnicos), a mão-de-obra que contratam é pouco qualificada;
  • geram uma migração interna de trabalhadores, com jornadas de trabalho que não podem ser consideradas normais;
  • não há reinvestimento no território, o que acentua uma economia não diversificada;
  • também não há investimentos em laboratórios de pesquisa, perpetuando a exploração e exportação de minério não industrializado.

No entanto, o modelo extractivista de enclave de exportação é incentivado pelas elites quer políticas quer empresariais, que em muitos casos são compostas pelas mesmas pessoas.

Eles contam com a estrutura legislativa mais liberal do mundo: no Chile, os trabalhadores não podem negociar condições de trabalho ou salários por sectores produtivos, mas uma empresa pode estar discutir o mesmo aspecto com dois sindicatos, propondo ofertas diferentes.

Entre outras coisas, as empresas não fazem contribuições para pensões de reforma dos trabalhadores; também não está estabelecido um limite quanto ao número de trabalhadores que podem ser subcontratados. Na indústria do cobre, mais de 60% dos trabalhadores têm emprego desta forma.

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/energia/litio_custos.html

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