Língua portuguesa

Portugal | PS E PSD A FAVOR DO ABANDALHAMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA?

 

PS e PSD aprovam parecer contra suspensão do Acordo Ortográfico por iniciativa de cidadãos

Acomissão de Assuntos Constitucionais aprovou hoje, por maioria PS-PSD, um parecer do deputado socialista Pedro Delgado Alves que concluiu ser impossível suspender o Acordo Ortográfico através de uma iniciativa legislativa de cidadãos.


O parecer, pedido à comissão de Assuntos Constitucionais pela comissão de Cultura e Comunicação, foi aprovado com os votos favoráveis do PS e PSD, a abstenção do BE e PCP, na ausência de deputados dos restantes partidos, disseram à Lusa deputados da comissão.

O projeto de lei de iniciativa de cidadãos, com 20.669 assinaturas, pela suspensão do AO, foi entregue há mais de ano, passou de uma legislatura para a outra, e está na comissão parlamentar de Cultura, que pediu um parecer sobre a sua constitucionalidade à comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

No seu parecer, o deputado do PS Pedro Delgado Alves concluiu que nos tratados internacionais, como é o Acordo Ortográfico, a sua "vinculação ou desvinculação" estão dentro "da reserva de iniciativa do Governo", de acordo com a Constituição.

O artigo 197.º, sobre a competência política, determina que cabe ao Governo "negociar e ajustar convenções internacionais".

Pelo que este tipo de decisão "não se insere na esfera de competências legislativa da Assembleia da República", argumentou Pedro Delgado Alves na apresentação do parecer aos deputados da comissão.
Além do mais, defendeu ainda, a iniciativa legislativa de cidadãos é para propor legislação e a "desvinculação" de uma convenção internacional é feita através de uma proposta e resolução.

O parlamento tem competência política para aprovar a adesão ou desvinculação a convenções internacionais, que devem ser propostas pelo Governo à Assembleia da República, através de uma resolução e não de uma lei.

A alternativa, para Delgado Alves, seria o grupo de cidadãos entregar uma petição para que a Assembleia da República recomende ao executivo a desvinculação do Acordo Ortográfico ou apresentar essa petição, com o mesmo objetivo, diretamente ao Governo.

Depois de votado, a discussão deverá prosseguir na comissão de Cultura.

O direito de iniciativa legislativa dos cidadãos, previsto no artigo 176.º da Constituição, foi regulamentado em lei em 2017 e permite que grupos de cidadãos eleitores possam apresentar projetos de lei e participar no procedimento legislativo a que derem origem.

Este projeto de apenas três artigos propõe que a Assembleia da República revogue a resolução, também do parlamento, que aprovou o acordo.

A comissão representativa desta iniciativa legislativa de cidadãos é composta por Hermínia Castro, Luís de Matos, Isabel Coutinho Monteiro, Nuno Pacheco, Olga Rodrigues, Henrique Lopes Valente, Rui Valente e Maria do Carmo Vieira.

Em 2019, um grupo de trabalho parlamentar criado para avaliar o impacto da aplicação do Acordo Ortográfico terminou funções em 19 de julho, sem ter reunido consenso para uma possível alteração a esta convenção.

O grupo de trabalho foi criado em 2017 para avaliar o impacto da aplicação do AO de 1990 e, nos dois anos seguintes, estes dois anos, foram ouvidas várias entidades e personalidades, mas manteve-se a divergência entre os deputados sobre a matéria.

Entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Acordo Ortográfico de 1990 está em vigor em Portugal, no Brasil, em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde, enquanto Timor-Leste e Guiné-Bissau apenas o ratificaram, sem implementar. Falta ainda a ratificação do acordo por parte de Angola e de Moçambique.

Lusa [Título PG]

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/portugal-ps-e-psd-favor-do.html

Timor-Leste quer reforçar cooperação com Portugal

25/06/2020
 

O novo ministro da Educação timorense, Armindo Maia, quer reforçar a cooperação neste setor com Portugal, em particular no fortalecimento da língua portuguesa e nas escolas do país que têm atualmente professores portugueses, conhecidas como CAFE

“Obviamente temos que reforçar a cooperação com Portugal, especialmente no que diz respeito à língua portuguesa, mas também nas escolas CAFE”, disse à Lusa Armindo Maia, referindo-se aos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), um projeto luso-timorense que integra 140 docentes portugueses.

“Queremos reforçar o projeto CAFE e, se for possível, até expandir”, considerou.

O setor da educação, e em particular da língua portuguesa, domina desde a restauração da independência de Timor-Leste, em 2002, a cooperação bilateral portuguesa com o país.

Vários projetos estão em curso, entre os quais se destaca o projeto dos CAFE, uma iniciativa de requalificação do ensino timorense em língua portuguesa, cofinanciado por Portugal e Timor-Leste, com divisão das despesas inerentes à colocação dos 140 docentes portugueses atualmente envolvidos.

Inicialmente conhecidos como Escolas de Referência, os CAFE foram abertos progressivamente nos 12 municípios e na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), sendo inicialmente regidos por um protocolo assinado pelos dois Governos em 2011.

A partir de 2015, um novo acordo levou a outras alterações, incluindo a transformação das Escolas de Referência nos atuais CAFE, que contam este ano com cerca de 8.800 alunos.

A opção de expandir os CAFE eventualmente a nível submunicipal tem sido uma ideia discutida pontualmente e defendida até por vários líderes do país, entre eles o ex-Presidente José Ramos-Horta.

Armindo Maia, que tomou posse na quarta-feira como ministro da Educação, Juventude e Desporto do VIII Governo constitucional, regressou à mesma pasta que ocupou no primeiro Governo, entre 2002 e 2006.

Os primeiros orçamentos, recorda, dedicavam ao setor da educação cerca de 15% do gasto público, valor que tem vindo a cair desde aí – o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2010 previa apenas 9%.

“A fatia da educação era de cerca de 15% e comparativamente eram níveis muito mais altos do que agora. Temos de olhar para isso”, notou.

“Não é só a questão de mais dinheiro, mas como investir. Ainda que em termos de percentagem do gasto público continua bastante baixo, comparativamente aos outros países aqui da Ásia.

Dados de estudos recentes mostram que todos os países da região gastam mais do seu orçamento no setor educativo do que Timor-Leste, com níveis em torno dos 15%.

Em países como a Malásia e Vietname esse valor ronda os 20% do seu orçamento, percentagem que atinge os 30% na Tailândia e chega aos 35% nas Ilhas Salomão, por exemplo.

A curto prazo, porém, Armindo Maia explica que a prioridade é “reabrir as escolas” no cenário da pandemia de covid-19, melhorando as condições para que os alunos possam regressar a todos os níveis do setor educativo.

“E depois de ultrapassar esta situação vamos ter que ver o mínimo de que as escolas precisam, a começar pelas infraestruturas básicas até à questão do currículo”, sublinhou.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/25/novo-ministro-da-educacao-timorense-quer-reforcar-cooperacao-com-portugal/

Verdes querem avaliação de Acordo Ortográfico

Lusa - 24/06/2020
 

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) quer que o Governo faça uma “avaliação científica global dos efeitos” do Acordo Ortográfico, de 1990, (AO1990) e admite, “numa situação limite”, a sua suspensão.

A proposta dos Verdes é feita num projeto de resolução anunciado hoje e em que pretende que a Assembleia da República recomende ao executivo que faça esta “avaliação global” ao acordo, que é uma convenção internacional, e que retire conclusões.

“Se as conclusões de tal avaliação assim apontarem, numa situação limite”, a orientação pode apontar para “a suspensão do Acordo Ortográfico de 1990, acautelando as medidas necessárias de acompanhamento e transição, por forma a evitar uma maior desestabilização neste processo”.

Uma resolução não tem força de lei funcionando como uma recomendação, neste caso ao Governo.

No texto, os Verdes explicam que esta avaliação deve diagnosticar “a perceção da sua utilização entre a população em geral, as escolas, as comunidades académica e literária e os órgãos de comunicação social”.

Do “resultado dessa avaliação”, o PEV sugere que “sejam promovidas medidas com vista à correção dos efeitos nefastos e negativos que sejam identificados” e é admitido o cenário limite de suspensão do Acordo Ortográfico.

O anúncio desta iniciativa surge numa altura em que está em debate, na comissão de Cultura e Comunicação, da Assembleia da República, uma iniciativa legislativa de cidadãos a propor a suspensão do Acordo Ortográfico.

Um parecer do deputado socialista Pedro Delgado Alves, agendado para quarta-feira na comissão de Assuntos Constitucionais, concluiu que não é possível suspender este tratado através de uma iniciativa legislativa de cidadãos.

Na resolução, os dois deputados do PEV argumentam que “o que está em causa é a absoluta necessidade de se avaliar a implementação do Acordo Ortográfico de 1990, pois trata-se da defesa da Língua Portuguesa enquanto património cultural e, portanto, uma questão do interesse público”.

A avaliação deve garantir “a participação da comunidade académica e literária e delinear o caminho a seguir”, acrescenta.

Os Verdes apontam, por exemplo, “evidentes contradições na conservação, ou não, das raízes etimológicas dos vocábulos, na eliminação de letras que, mesmo não se lendo, eram fundamentais para compreender a formação das palavras e na eliminação de acentos que antes distinguiam palavras”.

O que leva à conclusão de que “a implementação deste acordo acaba por se mostrar incompatível com os objetivos a que se propôs, sendo fundamental proceder-se a uma avaliação da sua aplicação.

A bancada do PEV faz uma análise críticas aos efeitos do acordo, como a “verdadeira deslatinização do Português e por uma perda maior do sentido etimológico das palavras, e real desvirtuação da etimologia, e até por uma transformação fonética de certas palavras que roça a ridicularização e mutilação” da língua.

Para os Verdes, “chega-se a uma hipótese de que o AO90 falhou em criar alguns benefícios para os falantes” do Português, e, “ao contrário, criou múltiplos e novos problemas”.

Em 2019, um grupo de trabalho parlamentar criado para avaliar o impacto da aplicação do Acordo Ortográfico terminou funções em 19 de julho, sem ter reunido consenso para uma possível alteração a esta convenção.

O grupo de trabalho foi criado em 2017 para avaliar o impacto da aplicação do AO de 1990 e, nos dois anos seguintes, estes dois anos, foram ouvidas várias entidades e personalidades, mas manteve-se a divergência entre os deputados sobre a matéria.

Entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Acordo Ortográfico de 1990 está em vigor em Portugal, no Brasil, em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde, enquanto Timor-Leste e Guiné-Bissau apenas o ratificaram, sem implementar. Falta ainda a ratificação do acordo por parte de Angola e de Moçambique.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/24/verdes-querem-avaliacao-de-acordo-ortografico/

Parecer conclui que lei de cidadãos não pode suspender Acordo Ortográfico

O parlamento retoma na quarta-feira o debate sobre a suspensão do Acordo Ortográfico (AO), mas o parecer do deputado Pedro Delgado Alves (PS) concluiu que isso não pode ser feito com uma lei da iniciativa de cidadãos

O projeto de lei de iniciativa de cidadãos, com 20.669 assinaturas, pela suspensão do AO, foi entregue há mais de ano, passou de uma legislatura para a outra, e está na comissão parlamentar de Cultura, que pediu um parecer sobre a sua constitucionalidade à comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Na quarta-feira, a comissão de Assuntos Constitucionais vai apreciar e votar o “parecer sobre a constitucionalidade do projeto de lei nº 1195”, que deu entrada em 10 de abril do ano passado, e que não caducou com a entrada em funções do parlamento eleito nas eleições de 2019, ao contrário de projetos dos partidos.

O parecer já foi apresentado na reunião anterior por Pedro Delgado Alves, que concluiu que nas convenções internacionais, como é o Acordo Ortográfico, a sua “vinculação ou desvinculação” estão dentro “da reserva de iniciativa do Governo”, de acordo com a Constituição.

O artigo 197.º, sobre a competência política, determina que cabe ao Governo “negociar e ajustar convenções internacionais”.

Pelo que este tipo de decisão “não se insere na esfera de competências legislativa da Assembleia da República”, argumentou Pedro Delgado Alves na apresentação do parecer aos deputados da comissão.

Além do mais, defendeu ainda, a iniciativa legislativa de cidadãos é para propor legislação e a “desvinculação” de uma convenção internacional é feita através de uma proposta e resolução.

O parlamento tem competência política para aprovar a adesão ou desvinculação a convenções internacionais, que devem ser propostas pelo Governo à Assembleia da República, através de uma resolução e não de uma lei.

A alternativa, para Delgado Alves, seria o grupo de cidadãos entregarem uma petição para que a Assembleia da República recomende ao executivo a desvinculação do Acordo Ortográfico ou apresentar essa petição, com o mesmo objetivo, diretamente ao Governo.

Depois de votado, a discussão deverá prosseguir na comissão de Cultura.

O direito de iniciativa legislativa dos cidadãos, previsto no artigo 176.º da Constituição, foi regulamentado em lei em 2017 e permite que grupos de cidadãos eleitores possam apresentar projetos de lei e participar no procedimento legislativo a que derem origem.

Este projeto de apenas três artigos propõe que a Assembleia da República revogue a resolução, também do parlamento, que aprovou o acordo.

No artigo 1.º do texto pode ler-se que “a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 fica suspensa por prazo indeterminado, para que sejam elaborados estudos complementares que atestem a sua viabilidade económica, o seu impacto social e a sua adequação ao contexto histórico, nacional e patrimonial em que se insere”.

O segundo artigo propõe que a “ortografia constante de atos, normas, orientações ou documentos provenientes de entidades públicas, de bens culturais, bem como de manuais escolares e outros recursos didático-pedagógicos, com valor oficial ou legalmente sujeitos a reconhecimento, validação ou certificação, será a que vigorou até 31 de dezembro de 2009 e que nunca foi revogada”.

O terceiro e último artigo estabelece que “este diploma revoga todas as disposições da Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 29 de julho, que com ele sejam incompatíveis”.

A comissão representativa desta iniciativa legislativa de cidadãos é composta por Hermínia Castro, Luís de Matos, Isabel Coutinho Monteiro, Nuno Pacheco, Olga Rodrigues, Henrique Lopes Valente, Rui Valente e Maria do Carmo Vieira.

Em 2019, um grupo de trabalho parlamentar criado para avaliar o impacto da aplicação do Acordo Ortográfico terminou funções em 19 de julho, sem ter reunido consenso para uma possível alteração a esta convenção.

O grupo de trabalho foi criado em 2017 para avaliar o impacto da aplicação do AO de 1990 e, nos dois anos seguintes, estes dois anos, foram ouvidas várias entidades e personalidades, mas manteve-se a divergência entre os deputados sobre a matéria.

Entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Acordo Ortográfico de 1990 está em vigor em Portugal, no Brasil, em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde, enquanto Timor-Leste e Guiné-Bissau apenas o ratificaram, sem implementar. Falta ainda a ratificação do acordo por parte de Angola e de Moçambique.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/23/parecer-conclui-que-lei-de-cidadaos-nao-pode-suspender-acordo-ortografico/

“Macau, caso de sucesso na promoção da língua e da cultura portuguesas”

Luís Faro Ramos: “Há um crescimento generalizado da Língua...

No Dia de Portugal, e no âmbito das comemorações do 10 de Junho, Luís Faro Ramos fala sobre o Instituto Camões e a Língua Portuguesa.

No ano em que se celebram os 30 anos do Instituto Português do Oriente (IPOR), fundado pelo Instituto Camões e a Fundação Oriente, Macau “é um caso muito especial para nós” [Instituto Camões], diz Luís Faro Ramos. “É fantástico aquilo que o IPOR tem feito em benefício da promoção da nossa língua e da nossa cultura, tanto em Macau sobretudo depois da passagem da administração de Portugal para a China, como na China Continental.

Além do posto de docência do IPOR em Pequim, há planos para alargar essa oferta à Austrália, ao Vietname, à Tailândia. Um instrumento formidável e “um caso de sucesso em termos de promoção da língua e da cultura portuguesas” em Macau e no oriente em geral.

Veja aqui a entrevista completa com Luís Faro Ramos, Presidente do Instituto Camões.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/macau-caso-de-sucesso-na-promocao-da-lingua-e-da-cultura-portuguesas/

Escrever em português

As 10 palavras mais incríveis da língua portuguesa - Dúvidas de...

No texto “Os salazaristas e o neofascismo português”, um leitor chamou-me a atenção para as palavras usadas, dizendo que “ou tem seguidores com um enorme conhecimento da língua portuguesa, ou (…) sua escrita é bastante pretensiosa”.

 

Retorqui ao comentário de forma lacónica: “as duas coisas, talvez”. Vejo que foi curta a resposta ao amável reparo e referência às palavras que considerou invulgares, “opróbrio, anacrónica, crocitam, regougam, eructam, negacionismo, homúnculos e arautos”, quase todas usuais numa língua que, por culpa nossa, vai perdendo a riqueza, à medida que nos resignamos a umas centenas de vocábulos suficientes para comunicar.

 

Costumo afirmar que aprendi português até à 4.ª classe com a minha saudosa mãe, uma professora briosa a quem os 7 anos de Latim, que no seu tempo era obrigatório do 1.º ao 7.º ano dos liceus, deram um notável conhecimento. Depois, pouco mais aprendi, a não ser, na História da Literatura Portuguesa, a distinguir géneros literários que os diversos movimentos foram criando ao longo dos séculos.

 

Costumo escrever como falo e gosto de sacudir o pó a arcaísmos e usar mais palavras do que as indispensáveis sem cair no estilo barroco que, aliás, deixou excelentes legados na escultura e arquitetura, e que teve no padre António Vieira a sua apoteose literária.

 

Quando refletia sobre as palavras usadas dei-me conta de que as menos comuns faziam parte do património adquirido na instrução primária e, para que não se percam, aqui fica a fonte de algumas delas de uma poesia que decorei sem esforço aos 9 ou 10 anos:

 

'Vozes dos animais

 

Por Pedro Dinis

 

Palram pega e papagaio

E cacareja a galinha

Os ternos pombos arrulham

Geme a rola inocentinha

 

Muge a vaca, berra o touro

Grasna a rã, ruge o leão,

O gato mia, uiva o lobo

Também uiva e ladra o cão.

 

Relincha o nobre cavalo,

Os elefantes dão urros,

A tímida ovelha bala,

Zurrar é próprio dos burros.

 

Regouga a sagaz raposa,

Brutinho muito matreiro;

Nos ramos cantam as aves,

Mas pia o mocho agoureiro.

 

Sabem as aves ligeiras

O canto seu variar:

Fazem gorjeios às vezes,

Às vezes põem-se a chilrar.

 

O pardal, daninho aos campos,

Não aprendeu a cantar;

Como os ratos e as doninhas

Apenas sabe chiar.

 

O negro corvo crocita,

Zune o mosquito enfadonho,

A serpente no deserto

Solta assobio medonho.

 

Chia a lebre, grasna o pato,

Ouvem-se os porcos grunhir,

Libando o suco das flores,

Costuma a abelha zumbir.

 

Bramam os tigres, as onças,

Pia, pia o pintainho,

Cucurica e canta o galo,

Late e gane o cachorrinho.

 

A vitelinha dá berros

O cordeirinho balidos,

O macaquinho dá guinchos,

A criancinha vagidos.

 

A fala foi dada ao homem,

Rei dos outros animais:

Nos versos lidos acima

Se encontra em pobre rima

As vozes dos principais.

 

Fonte

In Elementos para um tratado de fonética portuguesa, de Rodrigo de Sá Nogueira (Imprensa Nacional de Lisboa, 1938).'

 

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/outros/antologia/vozes-dos-animais/730

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/06/escrever-em-portugues.html

Brasil assinala, mas não celebra Dia Mundial da Língua Portuguesa

Se não ignorou por completo, o Brasil também não celebrou o primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa. Certamente não com o relevo que o acontecimento merecia e seria de esperar por parte do país de que a projeção internacional da língua é grandemente tributária.

 

 

O Museu da Língua Portuguesa de São Paulo organizou uma sessão virtual via internet. Mas, de resto, pouca coisa: uma ou outra referência esporádica na rádio e/ou canal de TV, um ou outro artigo aqui e ali, numa página interior deste ou daquele jornal e pouco mais. Nem declarações oficiais, nem matérias de destaque nos principais órgãos de comunicação, nem qualquer reflexão ou entrevista de fundo com escritores ou outros intelectuais sobre a problemática e o futuro do idioma: se não ignorou por completo, o Brasil também não celebrou o primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa. Certamente não com o relevo que o acontecimento merecia e seria de esperar por parte do país de que a projeção internacional da língua é grandemente tributária.

Vivemos assim o paradoxo de assistir ao distraído alheamento do Brasil em relação a uma questão que não pode deixar de estar no centro das suas preocupações enquanto potência emergente e cuja projeção externa desfruta à partida da enorme vantagem que é ter o seu próprio idioma falado em diversos continentes.

A agitação política que o país atravessa, a par das preocupações crescentes com a pandemia, podem em parte explicar a escassíssima atenção que as elites brasileiras dedicaram à efeméride. Mas não justificam tudo nem explicam o essencial. O essencial é mais profundo e é de ordem histórica, política e psicológica: a permanente dificuldade com que o Brasil se debate, há já 200 anos, para fixar a sua própria identidade nacional, atravessada que é por diferentes e contraditórias correntes em que o papel reservado à herança lusa é questionado em permanência, quando não inteira e ferozmente rejeitado.

Lusofobia versus lusofilia

O momento inicial dessa contraposição é o da ruptura, em 1822, quando, por razões políticas, os portugueses do Brasil fazem do antilusitanismo o cerne da nova nacionalidade que era preciso construir depois de alcançada a independência. É quando nas Cortes liberais de 1820 – constatada a impossibilidade de entendimento – Fernandes Tomás lança o seu famoso “Adeus Senhor Brasil!” e do Brasil D. Pedro escreve ao pai: “De Portugal nada queremos – nada!”

Apesar disso, enquanto a monarquia durou e os conservadores estiveram no poder, ainda houve um olhar positivo em relação ao passado colonial português (Varnhagen). Mas logo aí os liberais passaram a considerar esse passado uma herança maligna que seria necessário superar. Entre lusofilia e lusofobia, sempre presentes, será a segunda que acabará por prevalecer, num movimento que se intensifica a partir da República (1889), quando os jacobinos, então prevalecentes, conduzem campanhas de ódio contra os portugueses, chegando Antônio Torres, em Razões da Inconfidência, a escrever que “o portuguez é o mais ferrenho e o mais perigoso inimigo do Brasil”!

Nos anos 50 do século passado, a herança lusa passa a ser denegrida ou no mínimo sistematicamente criticada ou até rasurada, num incessante parricídio em que o Brasil se assume como filho de si mesmo.

A rejeição da herança lusa consolidou-se no plano simbólico, já no começo do século XX, com a Semana de Arte Moderna de São Paulo (1922), em que pela primeira vez o Brasil mental se propôs construir a imagem de si próprio sem referência a Portugal. Em carta a Manuel Bandeira, Mário de Andrade – autor de Macunaíma, em que exalta o folclore dos índios e em parte também dos negros – confessa que o objetivo já nem era combater Portugal. O objetivo, agora, era esquecê-lo (Moraes, 2000). Desde então, toda uma série de “intérpretes do Brasil” – sociólogos, historiadores e literatos de um modo geral (Manoel Bomfim, Sílvio Romero, Euclides da Cunha, Paulo Prado, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda…) – irá aprofundar o distanciamento, designando o passado lusitano como a raiz de todos os males da nova nação.

Nos anos 1930, a lusofilia chega a recuperar fôlego graças aos esforços da Comunidade Portuguesa e sobretudo com a obra de Gilberto Freire, que, n’O Mundo que o Português Criou e em Casa-Grande e Senzala (1933), ao destacar o valor da mestiçagem (contra as teorias racialistas da época) e ao acentuar a plasticidade da alma lusa como particularmente adequada à vida nos trópicos, reinstalou a herança portuguesa no centro da construção identitária do Brasil: “(…) o certo é que os portugueses triunfaram onde outros europeus falharam: de formação portuguesa é a primeira sociedade moderna constituída nos trópicos com características nacionais e qualidade de permanência” (Freyre, 2004, p. 73).

O próprio Sérgio Buarque de Holanda, que apontava o corte com as raízes ibéricas como condição de progresso do Brasil, acabou por reconhecer que, apesar do “contato e mistura com raças indígenas ou adventícias”, a cultura brasileira não se fez tão diferente dos “nossos avós de além-mar” como muitas vezes “gostaríamos de sê-lo”, acentuando: “No caso brasileiro, a verdade, por menos sedutora que possa parecer a alguns dos nossos compatriotas [ele próprio?], é que ainda nos associa à Península Ibérica, a Portugal especialmente, uma tradição longa e viva, bastante viva para nutrir, até hoje, uma alma comum, a despeito de tudo quanto nos separa” (Holanda, 2000).

Marxismo aprofunda distanciamento

“Alma comum” não é pouca coisa. Mas, nos anos 50 do século passado – retomando uma senda aberta já nos anos 30 pelo marxista Caio Prado Júnior com o seu Evolução Política do Brasil –, iniciou-se uma nova fase da vida intelectual brasileira apoiada em diversas versões e aproximações ao marxismo, na qual a sociologia e a economia irão fornecer as bases ideológicas para um novo nacionalismo, que acabará por varrer para segundo plano essa narrativa mais conciliatória para com a herança cultural portuguesa (Zarur, 2005, p. 36). Em vez de apreciada e valorizada, a herança lusa passa a ser denegrida ou no mínimo sistematicamente criticada ou até rasurada, num incessante parricídio em que o Brasil se assume como filho de si mesmo (Lourenço, 2004, p. 36).

O antilusitanismo está tão entranhado que chega a haver autêntico desdém pelas coisas portuguesas, como reconheceu Marcelo Coelho, articulista e membro do conselho editorial do jornal Folha de S. Paulo, um dos mais importantes do país, quando, em 1999, escreveu o seguinte sobre o lançamento de Mitologia da Saudade, primeiro livro de Eduardo Lourenço publicado no Brasil: “Um livro sobre a saudade, escrito por um intelectual português, tem tudo para provocar reações alérgicas no público brasileiro. Não há coisa a que sejamos mais refratários do que à cultura portuguesa. Para nós, é quase uma contradição nos próprios termos. Fernando Pessoa e José Saramago só passaram por nossa alfândega porque recalcámos a lusitanidade deles (…). Tomamos posse virtual desses dois grandes escritores portugueses, portanto, sem abandonar nossa estranheza, nosso desdém, pela lusitanidade.”

De então para cá, apesar dos avanços em termos económicos e comerciais, apesar da intensificação dos contatos bilaterais a vários níveis e dos fluxos migratórios recíprocos, esse estado de espírito profundo, essa atitude de estranheza em relação a Portugal – que, de tão entranhada e naturalizada por via do ensino (de onde os jovens saem com uma péssima ideia de Portugal) e dos media, já se tornou praticamente inconsciente –, não mudou.

E é ela que justamente melhor explica a forma aparentemente distraída do Brasil em relação a um dia mundial que celebra a sua própria língua. Como se o país só a contragosto falasse o português, de tanto considerar, por exemplo – é uma das “teses” mais difundidas sobre o assunto – que o facto de a língua de Camões se ter tornado o idioma do Brasil apenas teria resultado de um ato de força do Marquês de Pombal…

Por isso, no plano da ação cultural externa e no âmbito dos deveres que lhe cabem em termos de defesa e projeção da língua e da cultura nacionais, o Estado português deveria olhar mais para o Brasil, apostando seriamente numa área crucial que até agora tem estado esquecida ou descurada – os media –, tantas vezes preteridos por celebrações fugazes e efémeras, que não vão fundo nem deixam lastro.

 
 
  • Moraes, M. A. (2000), Correspondência: Mário de Andrade e Manuel Bandeira. São Paulo: Editora da USP
  • Freyre, G. (2004), Casa Grande e Senzala. São Paulo: Global
  • Holanda, S. B. (2000), Raízes do Brasil. In Intérpretes do Brasil, vol. 3. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar
  • Zarur, Z. (2005), A utopia brasileira: etnia e construção da nação no pensamento social brasileiro.
  • Lourenço, E. (2004), A Nau de Ícaro seguido de Imagem e miragem da lusofonia – nós e o Brasil: ressentimento e delírio. Lisboa: Gradiva

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/brasil-assinala-mas-nao-celebra-dia-mundial-da-lingua-portuguesa/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=brasil-assinala-mas-nao-celebra-dia-mundial-da-lingua-portuguesa

Essa lu(z)ofonia ao fundo do túnel…

Durante a minha vida estudantil, o conceito da Lusofonia sempre teve um sentido vago, limitando-se à língua e a história comum dos povos lusófonos!

 

 

Foi um velho amigo meu, professor catedrático jubilado e recentemente agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, na altura ligado à Fundação Portugal-África e um entusiasta da afirmação da verdadeira lusofonia, que me fez entender a importância e a potencial abrangência desse conceito e a sua contribuição não só para a aproximação dos povos, como para o verdadeiro desenvolvimento dos países que partilham a língua e uma história comum.

Hoje, assistindo à banalização e ao enfraquecimento desse abrangente e interessante conceito, vejo a Lusofonia como uma luz ao fundo do túnel, mas em progressivo movimento de distanciamento, teimando em apagar-se!

Apesar da guerra colonial da libertação dos PALOP’s do colonialismo português, esses povos privilegiaram Portugal, sem grandes ressentimentos, como parceiro nas várias áreas da cooperação, ao que os sucessivos representantes do Estado português não souberam corresponder, zelando para a preservação e fortalecimento desse espaço cultural e económico comum.

Portugal sempre teve uma postura titubeante no que concerne a afirmação da Lusofonia em prol do benefício dos povos, vacilando entre a afirmação no espaço europeu e a consolidação da lusofonia. Consequentemente, em vez de sérias políticas de cooperação no espaço lusófono, os decisores políticos portugueses sempre privilegiaram os benefícios de individualidades e lobbies de interesses, não do desenvolvimento dos Estados.

Aparentemente, foi nessa lógica corporativista pensada e criada a ineficiente Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP), cuja a afirmação e influência no espaço lusófono se faz notar e sentir cada vez menos! Houve uma altura em que o Brasil tentou emergir-se e assumir a merecida importância no seio da CPLP, não só pela sua dimensão territorial, económico e multicultural, mas aparentemente foi bloqueado por determinados interesses instalados no espaço lusófono… O mesmo aconteceu com Angola, que no auge do seu poderio económico quis ter mais afirmação no espaço lusófono, mas isso resultou num enfraquecimento do poder do ex-presidente e posterior perseguição da filha por alegados crimes económicos… Foi esse mesmo espaço de negócio lusófono que outrora aplaudiu e permitiu que a mesma Isabel dos Santos, em plena crise económica que avassalava a Europa e obrigou aos países do Sul à submissão aos programas da famosa “Troika”, investisse uma boa parte da sua fortuna em muitas empresas e bancos portugueses, sem questionar a proveniência da mesma fortuna, que saltava aos olhos de qualquer cidadão menos atento, de que era altamente provável tratar-se de um esquema de lavagem de dinheiro pertencente ao povo angolano. A dúvida que se coloca é, se um dia se provar que essa fortuna investida em Portugal por Isabel dos Santos provinha de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, Portugal estaria disposto a devolver esse património ao seu verdadeiro dono, ao povo angolano!

É essa a Lusofonia que permite ter Secretários executivos da CPLP indicados por Presidentes dos países membros, alguns ditadores e outros com curriculum de estadista coberto de sangue de muitos opositores políticos, mas que depois faz um enorme teatro para a admissão da Guiné-Equatorial como membro desse órgão lusófono! Essa admissão que, apesar de interessar aos países membros, em plena crise económica mundial, por se tratar apenas do terceiro maior produtor de Petróleo de África, Portugal tentou demarcar-se publicamente dessa admissão, deixando o ônus do “crime” ao Brasil e Angola! Montou-se uma hipócrita cena moralista para aceitação da admissão da Guiné-equatorial na CPLP, por se tratar de um regime ditatorial com pena de morte ainda instituída, quando se tolerava o sistema ditatorial Angolano, que oprimia vergonhosamente manifestantes contra o regime e fazia desaparecer jornalistas como a guineense Milocas Pereira (Mistério em torno do desaparecimento em Angola de Milocas Pereira mantém-se). No entanto, eram e são lestos e inflexíveis em condenar qualquer poder emergido na Guiné-Bissau que não alinhasse com os interesses desse espaço pouco lusófono!

É essa manhosa Lu(z)ofonia ao fundo do túnel que forja líderes e tentam impô-los aos países membros para depois, em caso de fracasso, recebê-los como exilados, propiciando-os canais abertos na comunicação social para destilarem o ódio, as calúnias e ofensas, contra o poder instalado nos seus próprios países!

É essa malvada Lu(z)ofonia ao fundo do túnel que faz corredores diplomáticos para a asfixia económica dos Estados membros que não alinham com os interesses corporativistas que iluminam tenuemente os seus túneis!

É essa maquiavélica Lu(z)ofonia ao fundo do túnel que, em vez de servir como uma porta e um forte intermediário na valorização dos produtos e mares dos países membros, face a União Europeia, aposta na desvalorização económica dos mesmos, para disso retirar proveito e facilitar o apoio político aos seus facilitadores na exploração dos recursos dos países membros!

É essa vergonhosa Lu(z)ofonia ao fundo do túnel que faz políticos e ex-políticos do mesmo espaço lusófono visitarem e apoiarem determinados candidatos durante as eleições nos seus países, enquanto um Chefe de Estado no desempenho das suas funções na CPLP cancela uma visita a um país membro de direito da CPLP, por conselho de um líder partidário, envolvido na disputa eleitoral em curso. Será que agora o Presidente da República de Cabo-Verde estará em condições de visitar, de forma imparcial e descomplexada a Guiné-Bissau, sem fazer a triste figura que o ex-Primeiro-Ministro caboverdeano José Maria das Neves foi lá fazer durante a campanha presidencial?

É essa triste Lu(z)ofonia ao fundo do túnel que faz com que jornalistas esqueçam a ética, a deontologia profissional e os conceitos mais básicos da profissão, como a verificação da autenticidade da informação que recebem e a credibilidade da fonte, antes da sua publicação, apenas porque servem à determinados lobbies de interesse, dentro do espaço lusófono.

É essa Lu(z)ofonia ao fundo do túnel, cada vez mais distante, que faz com que canais televisivos estatais que deviam servir os interesses dos países membros sejam usados como instrumento de propaganda política de determinados políticos e seus grupos de interesse!

É essa Lu(z)ofonia ao fundo do túnel cada vez menos nítida, que guia renomados Constitucionalistas, ao ponto de esquecerem conceitos mais básicos de Direito, como o princípio da Jurisprudência ou que um recurso no contexto eleitoral tem de ser precedido de uma denúncia nos órgãos eleitorais e apressam-se a comentar publicamente acontecimentos políticos de outros Estados lusófonos, de acordo com os seus interesses corporativos…

É essa ténue Lu(z)ofonia ao fundo do túnel que tolera políticos e ex-políticos do espaço lusófono, alguns exilados nos países membros, adquirirem imóveis e outros bens de luxo nesses países, sem que se questione a proveniência dos seus rendimentos! Talvez mais tarde, a esses políticos venha a acontecer-lhes o mesmo que a Isabel dos Santos. Hoje amigos, amanhã talvez não…

Não sei se vou assistir primeiro ao apagar do enorme brilho do meu já velho amigo, ou ao dessa Lu(z)ofonia ao fundo do túnel! Ele que, há muitos anos, pouco tempo depois de nos conhecermos, confidenciou-me que sonhava um dia assistir ao fulgor dessa Lusofonia e à sua vasta influência no desenvolvimento dos povos lusófonos!


por Jorge Herbert, médico da Guiné-Bissau


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/essa-luzofonia-ao-fundo-do-tunel/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=essa-luzofonia-ao-fundo-do-tunel

Líderes lusófonos destacam solidariedade entre povos no 1º Dia Mundial da Língua Portuguesa

Beijing, 6 mai (Xinhua) -- Os líderes lusófonos destacaram o papel da língua portuguesa na promoção da globalização e solidariedade entre os povos num vídeo ao vivo emitido nesta terça-feira pelo Instituto de Camões para marcar o primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa.

O secretário-geral das Nações Unidas, Antônio Guterres, disse que a proclamação do dia 5 de maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa pela UNESCO é um justo reconhecimento da sua relevância global e destacou o papel da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na promoção mundial da língua portuguesa.

"Sinto-me especialmente honrado por ter sido um dos fundadores desta comunidade", acrescentando que está seguro de que as pontes constituídas pela CPLP continuarão a ser baseadas nos valores partilhados e solidários, que são também os valores do multilateralismo efetivo.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que a língua portuguesa permite a expressão de amor, solidariedade e saudade entre as pessoas, enviando para os povos da CPLP um abraço muito forte de irmão para irmão neste tempo em que se unem perante um inimigo comum do coronavírus.

Jorge Carlos Fonseca, presidente de Cabo Verde, disse que português é a língua da primeira globalização e um pilar fundamental da CPLP, e sublinhou o ensino para os jovens dos países de língua portuguesa para que sejam capazes de garantir um mundo melhor, mais livre, mais solidário e mais justo.

O primeiro-ministro de Portugal, Antônio Costa, ressaltou que português é uma língua diversificada que serve de instrumento privilegiado para a globalização e de ponte entre diferentes continentes, que permite um diálogo intercultural, com capacidade de aproximar muitos milhões de pessoas em todo o mundo.

Francisco Ribeiro Telles, secretário-executivo da CPLP, disse que a língua permite uma aproximação e a construção de um sentimento comunitário entre os povos da CPLP, e que está confiante de que juntos conseguirão ultrapassar o presente contexto global de incertezas e lutas, como a consequência da pandemia da COVID-19.

Em meio à pandemia da COVID-19, o Instituto de Camões organizou um vídeo ao vivo em parceria com CPLP, UNESCO e ONU News, para celebrar o primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa em 5 de maio de 2020, que foi proclamado pela 40ª Conferência Geral da UNESCO em novembro de 2019.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/06/c_139034197.htm

Hoje é o Dia Mundial da Língua Portuguesa

O primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa assinala-se hoje com uma cerimónia e um concerto ‘online’ em que participam duas dezenas de personalidades lusófonas da política, letras, música ou desporto.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) oficializou a data no ano passado, mas desde 2009 que, em 05 de maio, era comemorado o Dia da Língua e da Cultura Portuguesa, instituído pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A iniciativa resulta de uma parceria entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, CPLP, representação portuguesa na UNESCO, ONUNews e RTP, e será transmitida às 12:00 de Portugal no canal Youtube do Camões.

Serão difundidas mensagens do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro português, António Costa, do chefe de estado de Cabo Verde e presidente em exercício da CPLP, Jorge Carlos Fonseca, do secretário-executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, e do embaixador Sampaio da Nóvoa, representante de Portugal na UNESCO.

A estes, juntaram-se cerca de duas dezenas de outras personalidades lusófonas incluindo escritores, músicos, cineastas ou cientistas.

Entre eles contam-se os escritores Mia Couto (Moçambique), Germano Almeida (Cabo Verde) ou Manuel Alegre (Portugal) e os cantores Adriana Calcanhoto (Brasil), Dino Santiago (Portugal/Cabo Verde) ou Carminho (Portugal).

Participam também o futebolista Pedro Pauleta, o canoísta Fernando Pimenta (Portugal), o cineasta Flora Gomes (Guiné-Bissau), a cientista Maria Manuel Mota, o teólogo e cardeal José Tolentino de Mendonça (Portugal) ou o político timorense José Ramos-Horta, entre outros.

A efeméride contará ainda com um espaço de concerto com os músicos do Aline Frazão (Angola), Ivan Lins (Brasil), Teófilo Chantre (Cabo Verde), Manecas Costa (Guiné-Bissau), Stewart Sukuma (Moçambique), João Gil (Portugal), Tonecas Prazeres (São Tomé e Príncipe) e Zé Camarada (Timor-Leste).

Além deste evento ‘online’, haverá ainda iniciativas nos vários países lusófonos.

Será também divulgado um estudo sobre “A língua portuguesa como ativo global” e lançado um concurso literário para estudantes de língua e literaturas portuguesas espalhados pelo mundo.

Os “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa”, iniciativa do instituto Camões, da Porto Editora e do Plano Nacional de Leitura (PNL) desafia os alunos de português a escreverem um conto inédito, de uma a três páginas.

O português é falado por mais de 260 milhões de pessoas nos cinco continentes, ou seja, 3,7% da população mundial.

É língua oficial dos nove países-membros da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) e Macau, bem como língua de trabalho ou oficial de um conjunto de organizações internacionais como a União Europeia, União Africana ou o Mercosul.

Fonte: Lusa

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/hoje-e-o-dia-mundial-da-lingua-portuguesa/

Malaca Casteleiro

Malaca Casteleiro foi um distinto linguista e professor universitário, com uma notável carreira académica, reconhecida pelos seus pares. 
 
Indicado pela Academia das Ciências de Portugal, foi o responsável, a par do académico brasileiro Evanildo Bechara, pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa atualmente em vigor.
 
Malaca Casteleiro morreu há dias. Sabemos que o Acordo Ortográfico tem os seus detratores, pelo que se entende que, na hora da morte daquele professor universitário, estes não tenham querido saudar a sua personalidade, muito embora tivessem a obrigação de entender que o trabalho e a obra de uma vida não se resumem à intervenção numa negociação específica. 
 
Mas foi absolutamente miserável a campanha de ironias e expressões insultuosas que surgiu pelas redes sociais, na sequência do desaparecimento de Malaca Casteleiro, provando, se necessário fosse, que a baixeza reles está no ADN de alguma gentalha que por aí anda pelas caixas de comentários.
 

Ver original em "duas ou três coisas" (aqui)

Um nome impróprio

(António Guerreiro, in Público, 31/01/2020)

António Guerreiro
 

Desde que o CDS tem um novo Presidente cujo apelido passou a ser publicamente usado (ou ele nasceu na esfera pública e nunca teve outra existência anterior?), tornou-se possível lermos um título como este: “Não há mulheres na direcção de Chicão” (revista Sábado, 26/01/20). Quem proclamou a vontade de tornar o CDS “um partido sexy”, recebeu imediatamente em troca a insinuação de que no território a que ele preside com mandato de super-macho, outorgado num nome — Chicão — cheio de evocações adjectivas e sugestões onomatopaicas, as mulheres não entram. Antes da desejada viragem sexy, já se instalou um vago ambiente pornográfico e misógino.

Um comentário a esta frase merece ser posto em contraponto ao que escrevi no texto ao lado. A “vítima” de uma nomeação vagamente injuriosa no espaço público mediático parece não compreender nada do funcionamento do discurso e converte em nome comum um nome próprio — ele, que passou a carregar no nome próprio o que de comum os outros encontraram na sua pessoa. Que curiosa simetria! Joacine está de facto do lado oposto: é alguém que foi publicamente despojada do seu nome próprio e passou a designar uma série de nomes comuns, muitos deles insultuosos. O nome comum que Francisco Rodrigues dos Santos lhe atribui é apenas mais um de uma série deles. “Joacine”, o nome, já não designa uma pessoa, designa uma entidade construída colectivamente, de maneira maciça e em série. E hoje, basta dizer “joacine” e já estamos a praticar um acto.

A minha análise não incide sobre aquilo que Francisco Rodrigues dos Santos disse ou fez, mas sobre a sua condição de “objecto” de um discurso, sem procurar saber de que modo e em que medida contribuiu para ele. O nome “Chicão” não tem nada de neutro, está muito perto da injúria ou, pelo menos, da interpelação violenta. É um nome que constrói, por si só, um sujeito político, tal como a palavra “geringonça” era um juízo depreciativo do governo que nasceu de apoios parlamentares inéditos. E é muito interessante saber se tal apelido e o sujeito político que ele constrói trarão benefícios ou malefícios a quem é assim nomeado; e se o novo Presidente do CDS vai conformar-se sem resistências ao nome, como se ele não fosse uma ferida, mas um motivo de orgulho, ou, pelo contrário, se vai esvaziar o nome de qualquer legitimidade.

Mas, por enquanto, o que interessa perceber é que há um discurso jornalístico que nomeia com gáudio um líder partidário com um nome que não é como os nomes próprios que não têm nada de descritivo. “Chicão” tem um significado que toca no imaginário. Ele vale por uma diferença negativa em relação ao nome civil da pessoa que é assim nomeada, na medida em que chamar “Chicão” a alguém, publicamente e não num contexto familiar ou de camaradagem, é vagamente da ordem do insulto ou, pelo menos, da ironia.  Só quem não presta atenção ao peso e eficiência dos significantes é que não percebe isto. Tal como na filosofia e na ciência são muito importantes as decisões terminológicas, no jornalismo e na política é muito importante a nomeação (veja-se o que significou a apelido “Bochechas” para a construção da figura pública de Mário Soares). E é curioso perceber que um título como aquele da revista Sábado é para ser lido como uma denúncia do machismo retrógrado do Presidente do CDS, mas tem também outro significado muito menos evidente e nada objectivo: o poder terrível de nomear e de praticar a acção injuriosa dos nomes. Ora, o que temos visto, por parte do jornalismo, nos útimos dias, é o uso imoderado deste poder. Não se trata sequer de eleger um inimigo político, alguém que se quer aniquilar politicamente, trata-se antes de exercer com gáudio e sem distância crítica um determinado poder. Escrever ou dizer “Chicão”, quando se está a fazer jornalismo, não é uma mera e neutra nomeação: é entrar no processo de constituição de um sujeito através da linguagem. Este discurso tem uma performatividade, realiza um acto, produz efeitos: na terminologia da Linguística, chama-se “acto perlocutório”. Experimentemos repetir “Chicão” muitas vezes, para experimentarmos o que uma vez escreveu Karl Kraus: “Quanto mais se olha de perto uma palavra, mais ela parece olhar-nos de longe”.

Não faço ideia qual a relação que o dirigente partidário Francisco Rodrigues dos Santos tem com o chamado “Chicão”, não sei se ele é cúmplice da difusão pública do seu apelido, que não chega a ser injurioso, mas tem um elemento descritivo de sentido negativo. Eu posso até achar que ele merece um nome que tenha uma carga negativa ainda mais forte, mas o que eu acho e o que os jornalistas “acham” não serve o rigor que o discurso jornalístico requer. Escrevo isto não por ter qualquer simpatia pelas ideias políticas e pela atitude pública do novo dirigente do CDS, mas porque ele deve ser contestado na sede política própria e não através de uma construção feita pelo nome, que de resto talvez acabe por lhe trazer benefícios.


Livro de recitações

“No CDS não existem Joacines”
Francisco Rodrigues dos Santos, in PÚBLICO, 28/01/2020

Um comentário a esta frase merece ser posto em contraponto ao que escrevi no texto ao lado. A “vítima” de uma nomeação vagamente injuriosa no espaço público mediático parece não compreender nada do funcionamento do discurso e converte em nome comum um nome próprio — ele, que passou a carregar no nome próprio o que de comum os outros encontraram na sua pessoa. Que curiosa simetria! Joacine está de facto do lado oposto: é alguém que foi publicamente despojada do seu nome próprio e passou a designar uma série de nomes comuns, muitos deles insultuosos. O nome comum que Francisco Rodrigues dos Santos lhe atribui é apenas mais um de uma série deles. “Joacine”, o nome, já não designa uma pessoa, designa uma entidade construída colectivamente, de maneira maciça e em série. E hoje, basta dizer “joacine” e já estamos a praticar um acto.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Carta aberta aos deputados para defender o multinguismo

Está a circular junto dos eleitos ao Parlamento Europeu uma missiva que visa chamar a atenção para o risco que corre a pluralidade de línguas nas instituições da União Europeia (UE).

As propostas serão votadas na próxima terça-feira, sem direito a discussãoCréditos

A iniciativa parte dos deputados do PCP no Parlamento Europeu, que consideram poder estar em risco o multilinguismo naquele hemiciclo, mas a subscrição está aberta a todos os deputados.

O documento será remetido aos presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, com o intuito de chamar a atenção para o facto de se viver uma tentativa de promover «a ideia de que algumas línguas de trabalho são dispensáveis», considerando, no essencial, custos financeiros.

Ao mesmo tempo, avançando-se com este tipo de medidas, empobrece-se a representatividade que também reside na diversidade dos povos e culturas, das quais as línguas e a riqueza linguística são parte.

Actualmente são 24 as línguas oficiais de trabalho. Os comunistas alertam para que, sem tradutores e intérpretes, as «instituições da UE não funcionam», e que é preocupante a falta de tradutores e assistentes. Esta situação põe em causa não só a qualidade dos textos, legislativos e outros, como o «bem-estar físico e psicológico dos trabalhadores», denunciam.

Preocupados com a situação destes trabalhadores, os comunistas propõem a todos os deputados que afirmem, com esta carta, «a defesa do direito ao trabalho com direitos e o combate à precarização das relações laborais».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/carta-aberta-aos-deputados-para-defender-o-multinguismo

A Língua como afirmação cultural, económica e diplomática

Ainda sou do tempo em que, aluno do liceu, tinha cinco anos de francês e apenas três de inglês. Na época muito mais facilmente acedíamos a livros e revistas oriundas do Hexágono do que das terras da sua majestade. Mas a decadência da língua francesa depressa se concretizou, em paralelo com a perda de influência dos seus governos nas políticas globais. E, hoje, quando falo com amigos que andam pelos quarentas, quase nenhum tem-na como ferramenta de comunicação.

 

A constatação ainda melhor se expressa no «Todas as Palavras» da RTP2, quando Ana Daniela Soares entrevista escritores francófonos e obriga-os a expressarem-se dificultosamente em mau inglês para nos darem a conhecer os seus livros, decerto melhor caracterizados no que versam se pudessem descrevê-los na sua língua natal (ai a falta que o Luís Caetano faz naquele programa!).

 

Melhor destino almejamos para a língua que é a nossa!

 

Vem isto a propósito da importância que o português deve assumir no contexto da política internacional. Por muito que os fanáticos do antigo Acordo Ortográfico intentem fazer regressar o tempo atrás, prevalece a visão de quem quis fazer da versão de 1990 uma estratégia de normalização da língua, que inclua todo o mundo lusófono e possibilite a afirmação da que é hoje a oficial para 260 milhões de pessoas, constitui a mais falada no hemisfério sul e alcançará um universo de 500 milhões a nela se expressarem no final do século.

 

A língua não vale apenas por si mesma. Tem potencial cultural, mas também económico e diplomático. E por isso não poupemos elogios a António Sampaio da Nóvoa que, enquanto embaixador na UNESCO, conseguiu que essa organização das Nações Unidas ratificasse 5 de maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa.

 

Para os saudosistas do antigo acordo o dia de ontem foi particularmente sombrio para as aspirações de fazerem o tempo recuar. Porque a sua visão diminutiva da língua fá-los parceiros de trincheira com Jair Bolsonaro que alimenta por essa versão ultrapassada o mesmo ódio de estimação. Que usufruam de tão problemática companhia enquanto podem...
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/11/a-lingua-como-afirmacao-cultural.html

20 anos depois | Aprenda português em Timor-Leste: devagar, devagarinho... e muito parado

Protocolo para ensino de português em Timor-Leste
 
Portugal e Timor-Leste assinaram na quinta-feira um protocolo que marca o arranque de um novo projeto de formação contínua em língua portuguesa de professores do ensino não superior, com um custo de 16,28 milhões de euros até 2022.
 
O protocolo do projeto Pró-Português foi assinado esta quinta-feira pelo presidente do Camões, Instituto de Cooperação e da Língua, Luís Faro Ramos — que está em visita a Timor-Leste — e a ministra da Educação, Cultural, Juventude e Desporto, Dulce Soares.
 
“O investimento de Portugal com Timor-Leste na área da educação é sólido e tem dado resultados muitos concretos. Iniciamos agora uma nova fase na nossa cooperação. Representa um salto qualitativo e quantitativo para outro patamar”, explicou Luís Faro Ramos.
 
O Projeto Pró-Português de formação contínua de professores, engloba várias atividades destinadas à “consolidação do sistema educativo e melhoria da qualidade do ensino em Timor-Leste, através do apoio ao setor da formação profissional e contínua do pessoal docente do sistema educativo do ensino não superior timorense“.
 
O projeto prevê ainda o desenvolvimento das competências e proficiência em Língua Portuguesa — Nível B2 de todos os professores, de todos os ciclos de ensino (Educação Pré-Escolar, Ensino Básico e Secundário) do sistema educativo do ensino não superior timorense, de escolas dos 65 Postos Administrativos.
 
Anualmente haverá cerca de “520 horas de formação para uma média de 4 300 professores“, permitindo que “num prazo de três anos, que todos os professores do sistema educativo nacional atinjam o nível B2 de proficiência linguística em língua portuguesa.
 
 
A ministra timorense da Educação e Desporto, Dulce Soares, sublinhou a aposta de “futuro” que o governo tem feito no sistema educativo desde a restauração da independência, para responder ao “enorme desafio de reconstruir o sistema educativo”.
 
Considerando que a formação de professores com qualidade é algo complexo e que demora tempo, exigindo investimento, mas também “uma mudança de mentalidade dos professores, virados para escola e seus alunos”, apontou.
 
A governante disse que o projeto surge depois de testes diagnósticos em 2015 mostrarem que “78% dos professores timorenses (…) possuíam um conhecimento incipiente de língua portuguesa, o que resultava em dificuldades no uso da língua portuguesa como língua de instrução em sala de aula”.
 
Por isso, e para acelerar o processo de formação, o governo timorense recorreu “aos parceiros de sempre”, Camões e Portugal para criar um novo projeto que atuará a nível local, “focado apenas no desenvolvimento de competências linguísticas”, disse Dulce Soares.
 
“Um grande projeto que tem um grande objetivo, elevar o domínio e proficiência de todos os professores do ensino não-superior”, afirmou.
 
O protocolo assinado esta quinta-feira assenta numa “estratégia de gradual sustentabilidade”, assegurada pela criação e capacitação de uma Bolsa de Formadores timorenses em Língua Portuguesa que permitirá, conjuntamente com os professores portugueses, “uma implementação partilhada e a organização de estruturas próprias timorenses que assegurem a continuidade da intervenção”.
 
O acordo prevê que a maior fatia do projeto seja financiada pelo governo timorense, cabendo ao Camões,Instituto de Cooperação e da Língua, o cofinanciamento no valor total de 3,34 milhões de euros durante os três anos de vigência do projeto.
 
Prevê-se que estejam envolvidos no projeto 33 professores portugueses com dois coordenadores a que se somam 53 formadores efetivos timorenses (mais 53 suplentes) escolhidos pelo INFORDEP.
 
“Traduz uma aposta muito ambiciosa de Timor-Leste e de Portugal na consolidação da língua portuguesa como língua oficial de ensino, permitindo aumentar a qualidade do ensino básico e básico geral”, afirmou Luis Faro Ramos.
 
Orientado pelos vetores de “proficiência, profissionalismo e professores”, o projeto amplia o anterior “Formar Mais”, com uma amplitude geográfica maior e abrangendo diretamente os docentes do sistema educativo timorense, numa lógica de formação contínua.
 
Além de se dedicar exclusivamente à formação de e em língua portuguesa, o Pró-Português abrange um número maior que nunca de formandos, incluindo pela primeira vez o uso do ensino a distância, com o apoio das tecnologias da informação.
 
Desde 2000 que Portugal tem vários projetos neste setor, o primeiro dos quais, executado até 2011, de “Reintrodução e de Consolidação da Língua Portuguesa”, visando tanto docentes como outros funcionários públicos.
 
Seguiu-se, entre 2012 e 2014 o Projeto de Formação Inicial e Contínua de Professores (PFICP), que apoiou a reconstrução do sistema educativo de Timor-Leste e consolidação da Língua Portuguesa como língua de escolarização.
 
O projeto centrou-se ainda na formação e acompanhamento científico e pedagógico dos professores na implementação dos novos Currículos do 3.º Ciclo do Ensino Básico, do Ensino Secundário Geral e do Ensino Secundário Técnico-Vocacional.
 
Finalmente surge em 2015 o “Formar Mais” que terminou no ano passado.
 
“É notório o que, nos últimos 17 anos, os sucessivos Governos de Timor-Leste têm conseguido alcançar no setor da Educação. Contudo, creio que partilhamos a ideia de que subsistem ainda grandes desafios pela frente, muitos deles a solicitar união de esforços por uma maior qualidade dos serviços de educação e investimento no desenvolvimento das capacidades dos professores”, disse Faro Ramos.
 
Observador | Lusa

*Título PG

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/20-anos-depois-aprenda-portugues-em.html

Os bolsonaristas da língua

Reconheço que não foi muito ponderada a razão porque comecei por aderir ao novo Acordo Ortográfico. A exemplo de Almada Negreiros, que preferia ser espanhol a confundir-se com um Dantas português, também decidi algo semelhante tomando por bitola o detestado Vasco Graça Moura. Nos anos 90 o poeta cavaquista produzia diatribes odiosas contra os socialistas e justificava que por ele tivesse um ódio de estimação. Podia reconhecer-lhe a qualidade dos versos e das traduções, mas o homem em si - com que muitas vezes me cruzava nas Amoreiras quando levava a filharada ao Liceu Francês - justificava pensamentos pouco elevados.

 

Nessa altura costumava justificar a minha adesão ao novo Acordo com a frase: “se o Vasco Graça Moura é contra, eu só posso ser por!”. E estava resolvida a questão!

 

Mas logo a razão começava a tomar conta do assunto aferindo argumentos mais consistentes para complementar o que a emoção me ditava. E reconheci a dinâmica da língua a acompanhar a evolução das sociedades, dos valores e costumes, até sobretudo dos determinantes meios de produção. Constituía um absurdo que os «puristas» da língua apostassem em congela-la, em mantê-la tal qual era utilizada pelos pais e avós. Mesmo que esses ainda escrevessem «pharmacia», não pareciam consequentes com os propósitos ao regressarem a esse tipo de grafia.

 

Fundamento mais relevante viria a colocar, quando depreendi da prescindibilidade de letras, que deixaram de ser ditas na oralidade. Se pronuncio «ato» ou «exceto» para que vou escrever «acto» ou «excepto»? Os casos poderiam aqui multiplicar-se para justificar a consistência dos pressupostos legais em vigor e contra os quais se atiçam os tais «puristas», que agem com o fanatismo dos mais radicais salafistas. De facto não hesitam em mentir, em arranjar exemplos falsos para justificarem as suas absurdas posições, mormente considerando que o Acordo seria exclusivamente justificado pelo facto de normalizar a forma como se escreva em toda a Comunidade Lusófona. Ora, na verdade, estou-me bem borrifando para a forma como falam e escrevem os brasileiros, os angolanos ou os timorenses. Interessa-me apenas como falamos e consequentemente escrevemos de acordo com essa oralidade.

 

Adivinho que, por estes dias, os reacionários da língua - de que Nuno Pacheco no «Público» é um dos principais gurus - exultem com a oposição agora manifestada por Jair Bolsonaro contra o seu execrado Acordo. Alegarão razões acrescidas para fazerem o tempo voltar para trás.

 

Obviamente que voltarão a deparar com o fracasso que tanto os irrita. Podem, porém, consolar-se com o que os franceses designam como «les beaux esprits se rencontrent».Fazem, de facto, jus a que os consideremos os bolsonaristas da língua.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/09/os-bolsonaristas-da-lingua.html

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      • Homicidal Cops Caught On Police Radio
        #TheJimmyDoreShow
        Homicidal Cops Caught On Police Radio
        42 219 visualizações
        •05/06/2020
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