Líbia

13.000 rebeldes da Síria apoiados pela Turquia chegaram à Líbia desde dezembro de 2019

Sex Slavery, ISIS & Illegal Arms Trade: Libya Plunged Into Failed...

 

 

Damasco, 19 mai (Xinhua) - Com a ajuda da Turquia, até 13.000 rebeldes da Síria chegaram até a Líbia para lutar contra o exército do leste liderado por Khalifa Haftar, informou um monitor de guerra na terça-feira.

 

Um total de 300 rebeldes foram mortos em batalhas na Líbia após serem transferidos da Síria para a Líbia através do território turco sob a supervisão da Turquia, disse o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

 

Os rebeldes apoiados pela Turquia abriram quatro centros na cidade de Afrin, no norte da Síria, para recrutar combatentes para serem enviados à Líbia.

 

A Turquia oferece um salário mensal de 2.000 dólares americanos para aqueles que concordam em ir à Líbia em contratos entre três e seis meses, disse o observatório.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/21/c_139074660.htm

Paz na Líbia? Se a Europa prepara outro ataque militar a África!

O directório das grandes potências europeias juntamente com outros interessados do mesmo calibre realizou em Berlim uma Conferência sobre a Líbia - sem a participação de qualquer representante líbio - convocada pela Alemanha. Do que se trata é, no fundamental, de um entendimento sobre o lacaio de serviço e a partilha do saque. Da Líbia e da restante África.


 

Nazanín Armanian    13.Feb.20

Em entrevista ao Der Spiegel, o Comissário para os Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), Josep Borrell, colocou a questão do envio de soldados para a Líbia para defender os “nossos interesses com mais força e, se necessário, com firmeza”. A forte presença da Turquia e da Rússia neste país dilacerado e a profunda crise política e económica na Europa deixaram Bruxelas muito nervosa, que desde a conspiração da NATO contra a Líbia em 2011 – as suas forças bombardearam o país durante sete meses -, a única coisa que fez foi subornar um bando mafioso chamado “guarda-costas líbios” para impedir, fosse como fosse, a chegada dos refugiados e migrantes feridos e torturados - nesta e em outras guerras imperialistas - à Europa.

“A situação no Sahel não é melhor, pelo contrário: toda a região é um barril de pólvora”, disse Borrel. É verdade que a Líbia é apenas um trampolim para um assalto integral a África, sob o pretexto da “luta contra o terrorismo”, já que ninguém aceitaria que o Mali (onde a Espanha tem tropas) possuísse Armas de Destruição Maciça. O comissário acredita que a Europa tem “muitas oportunidades para exercer o poder” e só precisa de ter vontade de o exercer.
Daí que se tenha realizado em Berlim, em Janeiro passado, uma conferência sobre a Líbia, convocada pela Alemanha.

Houve uma primeira conferência em Berlim

Foi em 1884, quando Otto von Bismark organizou a Conferência de Berlim sobre o Congo para uma nova partilha “civilizada” das colónias em África. Estiveram presentes as potências europeias, o Império Otomano e a Rússia czarista para assinar um “pacto de cavalheiros”, enquanto ocultavam o mar de sangue que corria em resultado das suas atrocidades no continente africano. No entanto, este tipo de acordos dura pouco, uma vez que os jogos de guerra interimperialistas são de soma zero, e os peixes grandes comem (a bem ou a mal), os pequenos. Pouco depois, os “cavalheiros civilizados” organizaram a carnificina da Primeira Guerra Mundial para uma nova partilha que durou apenas duas décadas, quando o general nazi Erwin Rommel pôs os pés na Líbia.

Hoje, com a profunda crise do sistema capitalista, a Alemanha exibe o seu regresso militar ao cenário mundial: a chanceler Merkel actualiza as Directrizes da Política para África redigidas em 2014, com as quais pretende aceder aos “recursos naturais” de África através de um incremento dos seus “compromissos” no continente. Todas as palavras vazias sobre “segurança”, “ajuda humanitária” e etc. são directamente postas em causa! Sabiam que o presidente da Alemanha Horst Köhler teve que se demitir em 2000 por sugerir que as suas tropas estavam no Afeganistão para “proteger os interesses económicos da Alemanha” e não para libertar as mulheres da burca nem para combater os Talibans? “Os mentirosos têm pouca memória!”, diz um ditado persa. O líder do Partido da Esquerda (Die Linke), Dietmar Bartsch, apoia a ocupação de África pelo seu país. Os alemães têm cerca de 1.000 soldados no Mali e uma base militar no Níger.

Também Boris Johnson mostrou a sua estatura ética ao dizer em 2017 que a Líbia poderia ser um Dubai, “apenas haveria que a limpar de cadáveres”. Sidney Blumenthal, o agente particular de informações de Hillary Clinton, no famoso e-mail que ela enviou a Hillary em 2 de Abril de 2011, observava que a Líbia tinha 143 toneladas de ouro e uma quantidade semelhante em prata, além de “recursos financeiros intermináveis”. Ou seja, os que nos acusam de “teoria da conspiração” quando revelamos a verdade que as guerras “humanitárias” escondem devem-nos um pedido de desculpas.

Hoje a Alemanha, que não participou na demolição do Estado líbio em 2011, devido aos seus suculentos contratos com o governo de Kadhafi, lidera a repartição do bolo.

A segunda conferência de Berlim

Aqui pode destacar-se o seguinte:
• Os que negociaram “paz” na Líbia não convidaram um único líbio para a reunião. O seu primeiro-ministro, Fayez al-Sarraj, que governa Trípoli e o senhor da guerra, o general Califa Haftar, que controla grande parte do país - nenhum deles representa o povo - estavam em Berlim trancados em um hotel e, se não fosse a insistência de Vladimir Putin nem sequer lhes teria sido concedido um visto.

• A Grécia foi excluída devido à pressão da Turquia. Os dois membros da NATO estão à beira de uma guerra por disputas sobre a distribuição de gás no Mediterrâneo oriental, cujo Fórum ignorou a Turquia.

• Fizeram a revisão das posições de cada um no continente africano para delimitar as suas zonas de interesse, evitando possíveis confrontos militares entre si (deixando que os seus exércitos privados de mercenários morram por eles).

• Decidiram, de momento, manter a integridade territorial da Líbia, embora dificilmente consigam reconciliar Haftar com Serraj, a menos que eliminem um deles da equação.

• Os ocidentais (excepto a Itália) e a Rússia, numa viragem radical, deixam de apoiar o ineficiente pseudo-governo de Trípoli para apostar no bando de Haftar, que vêm como “um guerreiro da África” face a Serraj, que é “um homem islâmico”.

• A Turquia e a Itália pretendem assumir o controlo das rotas de migração para se tornarem países imprescindíveis a tomar em consideração.

• A distribuição do saque - uns 48.000 milhões de barris de petróleo de alta qualidade - entre a Total francesa, a italiana Eni (a maior produtora de petróleo e gás da Líbia), a alemã BASF e Wintershall ou a Repsol espanhola dependerá resultado da batalha entre as potências.

• Os EUA conseguem cumprir parte do seu principal objectivo na Líbia: instalar a sede de parte do AFRICOM em terras líbias para desse modo conter a China e NATO-izar o Mediterrâneo, desmantelando dois estados hostis: Líbia e Síria. Embora considere este país como um “problema da Europa”, o Pentágono, tal como nos casos do Irão, Síria e Iraque, prossegue os planos do establishment, ignorando o presidente isolacionista.

• A preocupação dos europeus pelo envio de tropas turcas para a Líbia. Tayyeb Erdogan justifica-o com o facto de a Rússia ter enviado seu exército privado Wagner para a Líbia em apoio de Haftar - que conta com um forte apoio dos drones dos Emirados Árabes Unidos, mas carece de força no terreno -, alterando o equilíbrio de forças na guerra entre os dois bandos e seus patrocinadores. Se o Kremlin pensa que Haftar é a reencarnação de Kadhafi, está mais do que enganado, e não apenas porque esse ex-agente da CIA ter sido transferido dos EUA para a Líbia em Março de 2011 para destruir o Estado líbio. Em 13 de Janeiro, Putin e Erdogan receberam Haftar e Sarraj em Moscovo para assinar um acordo permanente de cessar-fogo. No último momento, o general mudou de ideia e saiu sem notificar os seus anfitriões: pensa que a única garantia de alcançar o poder é chegar a um acordo com os ocidentais ou continuar a guerra, que é um negócio chorudo.

A Líbia (a África em geral) é outro cenário da Terceira Guerra Mundial que, no século XXI, assume outro formato: é travada entre as potências mundiais no solo de terceiros e através dos seus exércitos privados.

Fonte: https://blogs.publico.es/puntoyseguido/6256/paz-en-libia-iisi-europa-baraja-otro-asalto-militar-a-africa/

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Os agressores, são agora os responsáveis pela “soberania” da Líbia

 
 
Manlio Dinucci* | Global Research, January 21, 2020
 
Na Conferência de Berlim, o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, pediu “o fim da interferência estrangeira na Líbia, o embargo de armas e um cessar-fogo duradouro”. O mesmo fizeram a França, o Reino Unido e a Itália, os mesmos países que há nove anos formavam, juntamente, com os Estados Unidos,  a ponta de lança da guerra NATO contra a Líbia.
 
Antes tinham armado contra o governo de Trípoli, sectores tribais e grupos islâmicos, e infiltrado forças especiais entre as quais, milhares de comandos do Catar. Em seguida, declarando que queriam imobilizar Kadafi, o “carrasco do seu povo”, foi lançada a operação de guerra sob comando USA. Em sete meses, a aviação da NATO efectuou 30 mil missões, das quais 10 mil de ataque com mais de 40 mil bombas e mísseis. A Itália colocou à disposição da NATO, 7 bases aéreas e empreendeu com os seus caça-bombardeiros, mais de 1.000 missões na Líbia.
 
Foi demolido, assim, aquele Estado que, na costa sul do Mediterrâneo, registava “níveis elevados de crescimento económico e indícios avultados de desenvolvimento humano” (como documentado em 2010 pelo próprio Banco Mundial), onde encontravam trabalho cerca de dois milhões de imigrantes africanos.Assim, foi demolido o projecto da Líbia de criar, com os seus fundos soberanos, organismos económicos independentes da União Africana.
 
Os EUA e a França concordaram em bloquear com a guerra o plano líbio de criar uma moeda africana, em alternativa ao dólar e ao franco CFA imposto a 14 antigas colónias africanas: provam-no os emails da Secretária de Estado, Hillary Clinton, trazidos à luz pelo WikiLeaks ( “Crime” pelo qual Julian Assange está detido numa prisão britânica e arrisca, se for extraditado para os EUA, desde a prisão perpétua até à pena de morte).
 
Os fundos soberanos, cerca de 150 biliões de dólares investidos no estrangeiro pelo Estado líbio e “congelados” na véspera da guerra, estão em grande parte desaparecidos. Dos 16 biliões de euros líbios bloqueados pelo Euroclear Bank, desapareceram 10 biliões e o mesmo aconteceu noutros bancos da União Europeia (UE).
 
 
Agora, a UE, como declarou na Conferência de Berlim, está empenhada em dotar a Líbia da “capacidade de construir instituições nacionais, como a Companhia Petrolífera, o Banco Central e a Autoridade para os Investimentos”. Tudo no âmbito das “reformas económicas estruturais”, ou seja, da privatização das empresas públicas. Dessa forma, pretende-se legalizar o sistema actual, segundo o qual as entradas da exportação de energia, estimadas em mais de 20 biliões de dólares em 2019, são divididas entre grupos de poder e multinacionais. Além das reservas petrolíferas (a maior da África) e do gás natural, existe o imenso aquífero núbio de água fóssil, em perspectiva mais preciosa do que o petróleo, que o Estado líbio começou a usar transportando água através de condutas de 1.300 poços no deserto, para as cidades costeiras.
 
Está em jogo o controlo do mesmo território líbio de grande importância geoestratégica: recorde-se que, em 1954, os EUA instalaram a Wheelus Field nos arredores de Trípoli, a sua principal base aérea no Mediterrâneo, com caça-bombardeiros também armados com bombas nucleares.
 
Um dos principais objectivos da política russa de hoje é, certamente, impedir a instalação de bases militares USA/NATO na Líbia. De qualquer forma, a NATO, convidada de pedra na Conferência de Berlim, continuará a desempenhar um papel de primeiro plano na situação da Líbia, em particular através da base de Sigonella. Uma eventual “missão de paz” da União Europeia na Líbia, veria a participação dos países da NATO, que usariam, de facto, os serviços secretos/inteligência, a rede de telecomunicações e o apoio logístico da Aliança, sob comando USA. No entanto, existe a  máxima garantia: em Berlim, os USA e a União Europeia comprometeram-se, solenemente, a “continuar a apoiar fortemente a soberania da Líbia”.
 
*Manlio Dinucci | Original em italiano em ilmanifesto.it| Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/os-agressores-sao-agora-os-responsaveis.html

Líder do LNA, Khalifa Haftar, concorda com cessar-fogo na Líbia

 

O líder do Exército Nacional da Líbia (LNA), Khalifa Haftar, concordou com um cessar-fogo no país. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas.

Após o a morte do líbio Muammar Kadhafi em 2011, o país vive desde então um período de grande incerteza política com o surgimento de diversos grupos armados rivalizando pelo poder. Atualmente, as forças do LNA controlam o leste do país, enquanto o GNA se limita a governar Trípoli, capital do país africano.

Nesta última segunda-feira (13), ambos os líderes líbios se encontram em Moscou para negociar os termos de um armistício que coloque fim a escalada de violência na Líbia.

DETALHES A SEGUIR

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011615014619-lider-do-lna-khalifa-haftar-concorda-com-cessar-fogo-na-libia/

Lavrov diz que mundo ainda sofre as consequências do bombardeio da Otan contra a Líbia

 

247 -O chanceler russo Serguei Lavrov responsabilizou a Otan - Organização do Tratado do Atlântico Norte pela destruição do Estado nacional líbio em 2011.

Ele se reuniu na segunda-feira (13) com o marechal líbio Jalifa Haftar que deixou Moscou sem assinar um acordo para a solução dos conflitos no país do Norte da África. "A condição da Líbia como Estado foi bombardeada pela Otan em 2011, e ainda estamos colhendo as conseqüências dessa aventura criminosa e ilegal. Primeiro, é claro, o povo líbio [ressente-se dessas conseqüências]", disse o Lavrov durante uma coletiva de imprensa.

Lavrov também indicou que extremistas sírios estão se mudando para a Líbia para continuar "turvando as águas" naquele país.

O chanceler russo enfatizou que a situação na Líbia não pode ser resolvida com o uso da força e que é necessário incentivar todas as partes do conflito a comparecer à mesa de negociações, informa Russia Today.

Encontro em Moscou

Na segunda-feira, foi realizada em Moscou, por iniciativa da Rússia e da Turquia, uma reunião entre representantes de várias partes do conflito armado na Líbia, mas não se conseguiu que todas as partes assinassem um documento propondo soluções políticas ao conflito.

O marechal Jalifa Haftar, chefe do Exército Nacional da Líbia (ENL), que está conduzindo a ofensiva contra o Governo do Acordo Nacional (GAN) de Trípoli, solicitou mais tempo para estudar o texto.

O documento foi assinado pelos representantes do GAN, com sede em Trípoli e reconhecido pela ONU.

Rússia deve garantir acordo de cessar-fogo na Líbia

Soldados do exército líbio durante patrulha em Bengazi
© AFP 2019 / ABDULLAH DOMA

O acordo de cessar-fogo que está sendo negociado em hoje (13), em Moscou, deve incluir pontos como o afastamento mútuo de tropas, a suspensão da transferência de tropas turcas para a Líbia e a suspensão das hostilidades sob supervisão da Rússia e a égide da ONU.

Nesta segunda-feira (13), o premiê do Governo do Acordo Nacional (GNA), Fayez Sarraj, e o líder do Exército Nacional Líbio (LNA), marechal Khalifa Haftar, estão reunidos em Moscou para negociar um acordo de cessar-fogo.

De acordo com o canal Al-Arabiya, a expectativa é que o acordo de cessar-fogo seja controlado pela Rússia:

"De acordo com dados a que tivemos acesso, o acordo de cessar-fogo deve incluir os seguintes pontos: a Rússia controlaria a trégua e enviaria uma delegação à Líbia para supervisionar o processo; a Turquia interromperia o envio de tropas para Trípoli, a ONU realizaria o controle internacional do acordo e as forças do GNA e do LNA voltariam às suas posições, sem pré-condições", informou o canal.

Além disso, de acordo com fonte ouvida pelo canal, as partes líbias deverão concordar em recorrer somente à meios políticos de solução de controvérsias. Além disso, as partes devem acordar uma partilha de poder. As operações de contraterrorismo seriam conduzidas pelo Exército Nacional Líbio, em coordenação com a direção do GNA.

Antes da reunião entre as partes em conflito na Líbia, os chefes dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa de Rússia e da Turquia se reuniram em formato 2+2 para discutir o processo de paz na Líbia.

Ministros das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov (à direita) e da Turquia, Mevlut Cavusoglu (à esquerda), em encontro em Moscou, em 13 de janeiro de 2020
© Sputnik / Ramil Sitdikov
Ministros das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov (à direita) e da Turquia, Mevlut Cavusoglu (à esquerda), em encontro em Moscou, em 13 de janeiro de 2020

No final de dezembro, o GNA solicitou ajuda militar à Turquia para impedir a entrada das forças de Haftar na capital Trípoli.

Apesar de forte oposição internacional, em 2 de janeiro o parlamento turco aprovou uma medida que abriu caminho para o envio de tropas à Líbia.

No dia 12 de janeiro, o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, discutiram a questão líbia durante o encontro para inauguração do gasoduto conjunto.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011315000734-russia-deve-garantir-acordo-de-cessar-fogo-na-libia-diz-fonte/

Cessar fogo, na Líbia, uma esperança?

Um cessar-fogo mediado pela Turquia e a Rússia entrou em vigor a 12 de janeiro, na Líbia, onde há mais de nove meses se combate poela posse da capital Tripoli.

 

 

Os rebeldes de Khalifa Haftar e as forças governamentais representadas pelo chefe do Governo da Unidade Nacional de Fayez al-Sarraj apoiado pelas nações Unidas,assinaram o acordo.

Mesmo que Fayez al-Sarraj reafirme o”direito legítimo” de suas forças de retaliar contra qualquer ataque”.

A missão da ONU acolheu com satisfação os anúncios, exortando as partes a “darem lugar aos esforços para um diálogo entre as forças militarizadas em presença no território Líbio.

O Enviado Especial da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, disse há poucos dias que procurava um “mínimo de consenso” entre os lideres internacionais mediadores do conflito antes de reunir os partidos líbios.

 

Quem é Ghassan Salamé

É um académico libanês e vive em Paris. Foi Ministro da Cultura do Líbano de 2000 a 2003. Foi Decano da Escola de Relações Internacionais de Paris e professor de Relações Internacionais no Instituto de Sciences Po.

Apoios Internacionais

A Turqia e a Rússia foram os construtores do cessar fogo.

No início deste mês, a Turquia tinha enviado soldados para apoiar o Chefe do Governo de União Nacional é, no entanto, acusada de enviar combatentes sírios pró-turcos para combater as forças rebeldes pró-Haftar, que têm apoio dos Emiratos Árabes Unidos e do Egito.

Se a Europaparece ter medo que a Líbia se transforme num conflito longo como o da Síria, a Alemanha, com chanceler alemã Angela Merkel teve uma atitude mais pragmática mantendo conversações em Moscovo dia 11 de Janeiro com Vladimir Putin. “Eu penso que, em poucas horas, as partes cessarão o fogo na Líbia”, disse o presidente russo.

 

Estados Unidos da América

Os Estados Unidos, que não embandeiram em arco com a crescente presença e força da Rússia na Líbia, denunciaram no sábado à noite o “destacamento de mercenários russos (…) e combatentes sírios apoiados pela Turquia”, em comunicado da embaixada.

Vladimir Putin mais uma vez nega a veracidade das acusações. “Se há cidadãos russos na Líbia, eles não representam os interesses da Rússia nem recebem dinheiro do estado russo”, afirmou ele no sábado.

Mas as autoridades americanas encontraram-se um tanto discretamente em Roma na quinta-feira passada quer com o marechal rebelde Haftar quer com o ministro do Interior do Governo apoiado pelas nações Unidas Fathi Bachagha, para “encorajar” uma “diminuição da escalada militar ” e uma retomada do diálogo entre os diferentes poderes líbios.

 

A Tunísia

“Se Trípoli cair, Tunis e Argel cairão”. Palavras de Fathi Bachagha, ministro do Interior do governo líbio e do entendimento nacional de Fayez el-Sarraj, formado sob a égide da ONU, aumentando o fogo aceso pelo presidente turco Erdogan que tentou implicar mais profundamente a Tunísia no problema Líbio.

A Tunísia tem mantido uma posição de neutralidade face ao conflito na sua vizinha Líbia e a presença de Erdogan em Tunis causou grande mal estar.

Surpreendidos com esta reunião entre as autoridades tunisinas e o Presidente Erdogan, não anunciada e da qual os jornalistas tunisinos foram excluídos, era difícil fazê-los acreditar que o presidente turco, acompanhado por seus ministros da Defesa, Relações Exteriores e seu diretor de serviços de informação, só estavam na Tunísia para discutir questões comerciais.como implica Kaïs Saïed.

De facto Erdogan e seu colega tunisino Kaïs Saïed (que iniciou funções a 23 de dezembro passado) falaram sobre a questão da Líbia na última quarta-feira, durante uma visita surpresa do líder turco a Tunis.

Uma visita ou uma inspeção?

A Tunísia, recebeu milhares de líbios desde o ataque da força internacional que levou à queda de Muammar Kadafi em 2011 e é fragilizada por isso e pela situação política interna.

Erdogan também pediu à Tunísia, ao Catar e à Argélia, que participem na conferência internacional sobre a Líbia, a ser organizada pela ONU no início de 2020, em Berlim.

Há motivos para ter esperança? O tempo o dirá!


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/cessar-fogo-na-libia-uma-esperanca/

Líbia de Haftar pede ajuda militar ao Egito

Soldados do exército líbio durante patrulha em Bengazi
© AFP 2019 / ABDULLAH DOMA

No início de janeiro, o parlamento turco aprovou o apoio militar à Líbia e o presidente Recep Tayyip Erdogan anunciou que Ancara enviaria tropas ao país a pedido do governo com sede no oeste do país.

O parlamento líbio, apoiado pelo Exército Nacional da Líbia (LNA), comandado por Khalifa Haftar, pediu apoio militar ao Egito em caso de interferência estrangeira no conflito no país, disse a presidente do legislativo, Aguila Saleh, neste domingo, após decisão da Turquia de interferir no conflito.

"Peço que você tome uma posição ousada. Podemos ser forçados a pedir o envolvimento das forças armadas egípcias se enfrentarmos uma intervenção estrangeira em nosso país", disse Saleh ao vivo na televisão egípcia.

Na quarta-feira, Erdogan e o presidente russo Vladimir Putin pediram um cessar-fogo abrangente na Líbia a partir da meia-noite de 12 de janeiro. Eles também instaram todas as partes em conflito a iniciar negociações.

Os dois governos na Líbia celebraram um acordo de cessar-fogo que começou à meia-noite. No entanto, o Governo do Acordo Nacional acusou as Forças Armadas da Líbia de violarem o cessar-fogo nos distritos de Trípoli, em Salah ad-Din e Wadi ar-Rabiya.

Após o assassinato de Muammar Gaddafi, em 2011, o país mergulhou em uma guerra civil brutal. Hoje a Líbia está dividida entre dois centros de poder: um parlamento eleito no leste do país e o Governo do Acordo Nacional, em Tripoli, apoiado pela ONU.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011214999174-libia-haftar-pede-ajuda-militar-ao-egito/

Diálogo político é a única solução da crise líbia, diz chanceler chinês

Cairo, 8 Jan (Xinhua) -- O conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse na quarta-feira que o diálogo político é a única maneira para resolver a crise na Líbia.

Ele fez a observação ao participar de uma coletiva de imprensa com seu homólogo egípcio Sameh Shoukry, no Cairo, capital do Egito.

A intervenção militar externa e o uso de armas apenas agravarão os conflitos e intensificarão a confrontação, o que conduzirá a tensões crescentes na Líbia e o tornarão mais difícil de resolver os problemas, disse Wang.

Atualmente, os efeitos da crise na Líbia estão em alta e as forças terroristas, como o Estado Islâmico, estão penetrando no país, o que merece o alerta da comunidade internacional, disse ele.

A China apoia o processo político liderado por líbios sob a supervisão da ONU, disse Wang, acrescentando que é da maior importância pedir às partes opostas o cessar fogo e voltar à mesa de negociação.

A comunidade internacional também deve se esforçar conjuntamente para combater o terrorismo e prevenir a expansão das forças extremistas e terroristas na Líbia, acrescentou ele.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/09/c_138690682.htm

Líbia, mais uma guerra por procuração

O caos na Líbia culmina com massacre de drones que vitimou cadetes líbios e avanços relevantes dos rebeldes. Estas mortes não mereceram a repulsa internacional.

 

 

Mas surgem temores de que o governo apoiado pela ONU esteja incapacitado, uma vez que um território chave caiu nas mãos do Exército Nacional da Líbia.

De facto o porta-voz do Exército Nacional da Líbia, Ahmed al-Mismari, anunciou a apreensão da cidade de Sirte correndo fortes rumores de que a cidade vizinha de Misrata, crítica para a sobrevivência do governo de Tripoli, caia em seguida.

Fayez al-Sarraj

O ataque que se prolonga há nove meses ao governo líbio criado em 17 de dezembro de 2015, governo apoiado pela ONU, e liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, 59 anos, culmina com o governo de Tripoli a sofrer a perda de um território costeiro considerado essencial para os rebeldes, e sem apoio internacional que não fez nem tuz nem muz a um dito ataque de drone que massacrou 30 de seus cadetes militares.

A Rússia e os Emiratos Árabes Unidos continuam a fazer chegar armas ao país em apoio às forças rebeldes do Exército Nacional da Líbia, lideradas pelo general Khalifa Haftar.

O Exército Nacional Líbio é um fação armada anti-islamista aglomerada em 2014 com milícias líbias da zona oriental do País, com o Conselho Militar Revolucionário Zintane, o Conselho Revolucionário de Tripoli, a Brigada Qa’qa, a Brigada al-Madani e a Brigada Sawa’iqa) e não é reconhecido internacionalmente. Apresenta-se como continuador da tradição e disciplina do Exército de Libertação Nacional da Líbia, criado na primeira guerra civil líbia de 2011. Ou seja, o Exército Nacional Líbio é uma força paramilitar que inclui forças do Exército de Gaddafi, milícias tribais do leste e mercenários subsarianos. E naturalmente está infiltrado por agentes de serviços secretos dos mais insuspeitos países.

Khalifa Haftar

Comandado pelo General Khalifa Haftar, de 76 anos, que orquestrou uma campanha militar, a”Operação Dignidade”, com o objetivo de liquidar as milícias pró-islâmicas que operam no país, o que deu inicio à Segunda Guerra Civil Líbia. Este exército é dirigidopor um órgão legislativo eleito, com capital emTobruk, chamado Câmara dos Representantes da Líbia, que foi reconhecido internacionalmente até outubro de 2015. Haftar alinha com o providencial presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi. Também é apoiado principalmente pelos Emiratos Árabes Unidos. Excelentes recomendações!

Haftar tem uma vida inspirada em filmes de ação ou talvez haja filmes de ação inspirados na sua vida:

Nasceu na cidade líbia de Ajdabiya. Participou do golpe que levou Gaddafi ao poder em 1969. Lutou na Guerra do Yom Kippur de 1973. Em 1987, foi feito prisioneiro de guerra durante a campanha do Chade onde Gaddafi tinha interesses estratégicos. Já preso, ele outros oficiais formaram um grupo para derrubar Gaddafi. Foi libertado em 1990 por acordo com o governo dos Estados Unidos e passou quase duas décadas em Langley, Virgínia, nos EUA, ganhando a cidadania americana. Em 1993, enquanto morava nos Estados Unidos, ele foi condenado à revelia de crimes contra o regime de Gaddafi e condenado à morte.

Como os Emiratos Árabes Unidos se opõem às forças islâmicas, Sirte caiu porque uma brigada salafista mudou de lado para apoiar o Exército Nacional Líbio. Estas mesmas forças moveram-se para oeste de Sirte em direção a Misrata logo após sua vitória na segunda-feira.

Metidos na Líbia estão a França, Alemanha, Itália e Reino Unido. Países europeus incapazes de uma intervenção eficaz para reunir os dois (ou múltiplos) lados bélicos em guerra. A Itália mostra especial determinação em que a questão líbia Líbia não saia da agenda da Europa, sobretudo depois do recrudescimento da crise com o Irão.

A Turquia intromete-se e promete salvar o governo do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj do colapso, enviando tropas turcas. As tropas que seriam enviadas não para combater mas para assegurar um cessar fogo.

O presidente turco, Erdoğan, vai reunir com Vladimir Putin, em Ancara amanhã, 8 de Janeiro, e embora os dois líderes apoiem lados e fações diferentes na guerra civil líbia, têm interesses comuns que podem permitir um entendimento.

Se isso acontecer, a Europa enfrenta a humilhação de ser excluída de qualquer acordo, tal como aconteceu na Síria, ultrapassada que foi pela Turquia, Irão e Rússia.

 Ghassan Salamé, enviado da ONU para a Líbia conversou com diplomatas do Conselho de Segurança da ONU em Nova York, e aos jornalistas reconheceu que nem passo à frente nem passo atrás.

Sem nomear os Emiratos Árabes Unidos, ele disse: “Dezenas de cadetes foram mortos na academia militar, desarmados, completamente desarmados, por um ataque de drone que provavelmente é feito por um país que apoia o Exército de Libertação Líbio.” Vídeos do ataque, mostrando os soldados indefesos a serem martirizados podem ser vistos na Internet.

Os Emiratos Árabes Unidos mantiveram um silêncio clamoroso quanto às acusações.

E assim vai a Líbia que uma coligação internacional quis salvar das garras de Gaddafi!


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/libia-mais-uma-guerra-por-procuracao/

Preparação de uma nova guerra

 
 
Thierry Meyssan*
 
A chegada de novas armas e de novos combatentes à Líbia anuncia uma nova guerra contra a população. Na realidade, a situação jamais acalmou desde o ataque da OTAN conforme a estratégia Rumsfelf/Cebrowski de guerra sem fim. Ao franquearem uma etapa suplementar, os protagonistas nada resolvem, mas ampliam o conflito.
 
Todos estão de acordo em reconhecer que a situação dramática actual da Líbia e do Sahel é a consequência da intervenção ilegal da OTAN em 2011. No entanto, raros são aqueles que estudaram este período e tentaram compreender como se chegou a isso. À falta de reflexão, dirigi-mo-nos, pois, para uma nova catástrofe.
 
Importa conservar no espírito vários factos que se obstinam em esquecer:
-- A Jamahiriya árabe líbia, criada por um golpe de Estado notavelmente pouco sangrento, não foi uma tomada de Poder por um ditador neurótico, mas uma obra de libertação nacional face ao imperialismo britânico. Foi também a expressão de uma vontade de modernização que se traduziu pela abolição da escravatura e uma tentativa de reconciliação entre as populações árabes e negras de África.
-- A sociedade líbia está organizada em tribos. Portanto, é impossível lá instalar a democracia. Muamar Kaddafi havia organizado a Jamahariya árabe líbia no modelo das comunidades de vida imaginadas pelos socialistas utópicos franceses do século XIX. O que significava criar uma vida democrática local, mas deixar de lado esse ideal a nível nacional. Além disso, a Jamahiriya morreu por não ter política de alianças e, portanto, não poder defender-se.
-- A Coligação (Coalizão-br) que atacou a Líbia foi liderada pelos Estados Unidos, que mascararam o seu verdadeiro objectivo aos seus aliados durante todo o conflito e os colocaram perante o facto consumado (leading from behind, ou seja, "dirigindo por trás"-ndT). Depois de terem clamado durante meses que, acima de tudo, estava fora de questão envolver a OTAN, foi esta a estrutura que comandou as operações. Washington jamais tentou proteger os civis, nem instalar um governo às suas ordens, mas, pelo contrário, instalar rivais e impedir a paz por todos os modos (doutrina Rumsfeld / Cebrowski).
-- Não houve, jamais, qualquer revolução popular contra a Jamahiriya, mas, sim intervenção da Alcaida no terreno, o despertar da divisão entre a Cirenaica e a Tripolitânia e a intervenção coordenada pela OTAN (os Aliados no ar, a tribo Misrata e as Forças especiais catarianas no solo).
 
Desde logo, a rivalidade entre o governo de Trípoli e o de Bengazi remete-nos para a divisão do país de antes de 1951 em dois estados distintos, a Tripolitânia e a Cirenaica, depois ao despertar dessa divisão durante a agressão da OTAN. Contrariamente à reacção que espontaneamente se tem, não se trata hoje em dia de apoiar um lado contra o outro para restabelecer a paz, mas, pelo contrário, de unir os dois campos contra os inimigos do país.
 
 
Actualmente, o governo de Trípoli é apoiado pela ONU, pela Turquia e pelo Catar, enquanto o de Bengazi é apoiado pelo Egipto, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, França e Rússia. Fieis à sua estratégia, os Estados Unidos são o único país a apoiar, ao mesmo tempo, os dois campos para que eles se matem indefinidamente.
 
O princípio de uma intervenção militar turca foi adoptado pela Grande Assembleia Nacional, em Ancara, a 2 de Janeiro de 2020. O que pode ser interpretado de três maneiras que se complementam:
-- A Turquia apoia a Confraria dos Irmãos Muçulmanos no Poder em Trípoli. O que explica o apoio do Catar (favorável à Confraria) ao mesmo governo e a oposição do Egipto, dos Emirados e da Arábia Saudita.
-- A Turquia desenvolve as suas ambições regionais, apoiando-se, para isso, nos descendentes dos antigos soldados otomanos de Misrata. É por isso que ela apoia o governo de Trípoli após a tomada da capital, em 2011, pela tribo Misrata.
- A Turquia utiliza os jiadistas que já não pode mais proteger em Idleb (Síria). É por isso que os transfere para a Tripolitânia e daí partirá ao assalto de Bengazi.
 
A intervenção turca é legal pelo Direito Internacional e baseia-se na solicitação do governo de Trípoli, legalizado pelo Acordo Skhirat (Marrocos), a 17 de Dezembro de 2015, e pela Resolução 2259, de 23 de Dezembro de 2015. Pelo contrário, todas as outras intervenções estrangeiras são ilegais. Isto, na precisa altura em que o Governo de Trípoli é composto pelos Irmãos Muçulmanos, Alcaida e Daesh (E I). Assiste-se, pois, a uma inversão de papéis, encontrando-se agora os progressistas no Leste do país e os fanáticos no Oeste.
 
De momento, apenas alguns soldados turcos estão já do lado do governo de Trípoli, mas há soldados egípcios, emiradenses, franceses e russos do lado de Bengazi. O anúncio do envio oficial de alguns soldados turcos suplementares não mudará grande coisa a este equilíbrio, mas já a transferência de jiadistas pode envolver centenas de milhar de combatentes. Isso pode virar o tabuleiro de xadrez.
 
Lembremos que, contrariamente à narrativa ocidental, foram os combatentes líbios da Alcaida, e não os desertores sírios, que criaram o chamado Exército sírio livre no início da guerra contra a Síria. A viagem de regresso destes combatentes é previsível.
 
Só as milícias sírias turcomanas e a Legião do Levante (Faylaq al-Sham) começaram a por-se a caminho, ou seja, cerca de 5. 000 combatentes. Se esta migração continuar via Tunísia, ela poderá durar vários anos até a total libertação da província de Idleb (ou Idlib-ndT). Isto seria uma excelente notícia para a Síria, mas uma catástrofe para a Líbia, em particular, e para o Sahel em geral.
 
Iríamos acabar na Líbia com a mesma situação da Síria: os jiadistas apoiados pela Turquia face às populações locais apoiadas pela Rússia; as duas potências evitando, cuidadosamente, enfrentarem-se directamente, tanto mais que a Turquia é membro da OTAN.
 
Ao instalar-se em Trípoli, a Turquia controla agora o segundo fluxo de migrantes para a União Europeia. Ela poderá, portanto, reforçar a chantagem que já exerce sobre Bruxelas com o seu próprio fluxo a partir da Turquia.
 
Na ausência de fronteiras físicas, os Exércitos jiadistas não deixarão de se espalhar pelo deserto, da Líbia para todo o conjunto do Sahel.
 
Eles tornarão os países do G5-Sahel (Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger e Chade) ainda mais dependentes das Forças anti-terroristas francesas e do Africom. Eles irão ameaçar a Argélia, mas não a Tunísia, já nas mãos dos Irmãos Muçulmanos e administrando o trânsito de jiadistas em Djerba.
 
As populações sunitas do Sahel serão então depuradas e os cristãos sahelianos serão expulsos como o foram os cristãos do Oriente.
 
Chegará um momento em que os Exércitos jiadistas atravessarão o Mediterrâneo; Estando as ilhas italianas (nomeadamente Lampedusa) e Malta a cerca de 500 milhas náuticas. A VIª Frota dos EUA intervirá imediatamente para os repelir, em virtude dos Tratados do Atlântico Norte e de Maastricht, mas o caos atingirá inevitavelmente a Europa Ocidental. Não restará, então, aos Europeus que derrubaram a Jamahiriya árabe da Líbia mais do que os olhos para chorar.
 
 
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).
 
Imagem: O Presidente Fayez Al-Sarraj finalizando o plano de intervenção turco com o seu Sub-secretário de Defesa, o General de brigada Salah Al-Namrush.

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O capitalismo em guerra sobre os escombros da Líbia

 
 
A realidade da situação da Líbia está para lá do que possam conceber as imaginações mais treinadas em tentar perceber os sentidos dos desenvolvimentos na arena internacional.
 
José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
A herança caótica deixada pela agressão da NATO contra a Líbia e que se aprofunda há quase nove anos está a degenerar numa situação aterradora de guerras cruzadas, motivadas por múltiplos interesses, capaz de fazer explodir alianças político-militares, afinidades religiosas e relações institucionais – com repercussões em todo o panorama internacional. O início, no dia de Natal, da transferência de terroristas da Al-Qaeda da Síria para território líbio, de modo a reforçar as forças do governo de Tripoli reconhecido pela ONU e a União Europeia, é apenas um dos muitos movimentos em curso na sombra dos holofotes mediáticos. E a Turquia acaba de aprovar o envio de tropas regulares para a Líbia.
 
A realidade da situação da Líbia está para lá do que possam conceber as imaginações mais treinadas em tentar perceber os sentidos dos desenvolvimentos na arena internacional. Habituada às notícias quase rotineiras relacionadas com os movimentos migratórios nas costas líbias e aos altos e baixos da guerra das tropas do governo de Benghazi contra as forças do executivo de Tripoli, a opinião pública mundial não faz a menor ideia do que está a acontecer. E do que pode vir a suceder de um momento para o outro.
 
A Líbia deixada pela guerra de destruição conduzida pela aliança entre a NATO e grupos terroristas islâmicos do universo Al-Qaeda/Isis tem actualmente três governos, além de um xadrez de zonas de influência controladas por milícias armadas correspondentes a facções tribais, tendências religiosas ou simples negócios de oportunidade, à cabeça dos quais estão o contrabando de petróleo e o tráfico de seres humanos.
 
 Haftar, à frente das tropas do chamado «Exército Nacional Líbio»; e um governo instalado no hotel Rixos, em Tripoli, formado pela Irmandade Muçulmana e do qual se diz que ninguém reconhece mas tem muitos apoios.
 
Nos últimos meses, a ofensiva das tropas do marechal Haftar chegou às imediações de Tripoli mas não conseguiu tomar a capital, apesar dos sangrentos bombardeamentos. Nos bastidores desta guerra diz-se que nenhum dos beligerantes está em condições de levar a melhor, esgotando-se num conflito sem solução à vista.
 
 
Uma guerra internacional
 
A guerra está num impasse, o caos e a ingovernabilidade agravam-se, mas não existe qualquer esforço de entendimento entre as facções líbias. Pelo contrário, cada centro de poder tem vindo a ser reforçado no quadro das perspectivas de continuação do conflito – porque não se trata de uma guerra civil, mas de uma guerra internacional.
 
No dia de Natal, como já se escreveu, começou a deslocação de grupos terroristas filiados na Al-Qaeda da província de Idlib, na Síria, para a Líbia. A movimentação é patrocinada pela Turquia, que deixou claro aos mercenários islâmicos que a única possibilidade de se salvarem da ofensiva final das tropas governamentais sírias é abandonarem as posições que ainda ocupam e, de certa forma, regressarem às origens. Recorda-se que grande parte dos terroristas que combateram na Síria contra o governo de Damasco foram transportados da Líbia, onde estiveram ao serviço da coligação com a NATO.
 
A operação iniciada no Natal foi montada pela Turquia com a colaboração da Tunísia: o presidente Erdogan acordou com o seu homólogo tunisino, Kais Saied – apoiado pela Irmandade Muçulmana – a utilização do porto e do aeroporto de Djerba para transporte dos grupos armados e material militar em direcção a Tripoli e Misrata, onde irão engrossar as fileiras do Governo de Unidade Nacional (GUN).
 
Em 15 de Dezembro, o presidente turco recebera em Istambul o chefe do GUN, al-Sarraj, a quem prometeu a entrega de drones e blindados ao exército às ordens do governo reconhecido pela ONU e a União Europeia; o legislativo turco acaba de aprovar o envio de forças militares regulares para a Líbia. Ao mesmo tempo, a Turquia acelerou o processo de produção de seis submarinos militares, encomendados à Alemanha.
 
Choques petrolíferos
 
A Turquia foi um dos países aos quais o governo de Tripoli pediu auxílio quando se iniciou a ofensiva das forças de Khalifa Haftar. Al-Sarraj dirigiu-se também à Argélia, Itália, Reino Unido e Estados Unidos. Sabe-se, entretanto, que Washington está de bem com todos os governos da Líbia e vê com muito bons olhos a continuação do conflito.
 
Não existem dúvidas, porém, de que foi a Turquia quem mais rápida e concretamente respondeu aos apelos do governo instalado em Tripoli.
 
Há razões que explicam porquê.
 
Erdogan revelou que assinou um acordo de princípio com al-Sarraj para exploração conjunta de petróleo no Mediterrâneo, podendo para isso dispor de instalações portuárias líbias – que se juntam assim às que a Turquia já utiliza em Chipre, onde ocupa militarmente o norte do país.
 
Como a Turquia tomou conta, em termos de exploração petrolífera, das águas territoriais de Chipre que confinam com o sector ocupado, o acordo com o governo de Tripoli proporciona uma combinação de Zonas Económicas Exclusivas que atingem águas cipriotas e gregas. A actuação de Ancara parece violar a Convenção do Direito Marítimo (UNCLOS), que aliás a Turquia ainda não assinou.
 
Em 22 de Dezembro, exactamente uma semana depois do encontro entre Erdogan e al-Sarraj em Istambul, o ministro grego dos Negócios Estrangeiros, Nikos Dendios, foi directamente a Benghazi encontrar-se com o próprio Khalifa Haftar e outros representantes do governo local. Depois viajou para o Cairo e para Chipre.
 
Atenas exige ao governo de Tripoli que se retire do acordo de incidência petrolífera e militar com a Turquia, num quadro em que as relações greco-turcas estão no nível mais elevado de agressividade de há muito tempo a esta parte.
 
Sabe-se ainda que a Grécia pretende accionar a NATO e a União Europeia para que cancelem o reconhecimento do governo líbio de Tripoli. Em suma, a guerra internacional com epicentro na Líbia passa pelo meio da NATO e da União Europeia.
 
Acresce que esta dança política, diplomática e militar decorre em simultâneo com os movimentos norte-americanos para usar a Grécia como antídoto à degradação das relações com a Turquia e no âmbito de um novo quadro de segurança regional para bloquear a Rússia no Mar Negro.
 
Isto é, Washington usa um membro da NATO contra outro membro da NATO e dá um novo passo na estratégia de quebrar as relações entre Atenas e Moscovo originalmente assentes em afinidades religiosas que têm vindo a ser deterioradas por conspirações dentro da Igreja Ortodoxa iniciadas na Ucrânia.
 
Não é difícil confirmar o ecumenismo dos Estados Unidos em relação aos governos líbios. Se está ao lado do executivo de Tripoli, juntamente com a União Europeia, a ONU e a NATO, também aposta em Benghazi, como se percebe através da estratégia montada com a Grécia.
 
O xadrez dos gasodutos
 
São amplos os cenários de confrontação a partir da situação líbia. Mais amplos ainda porque os acordos entre Ancara e o governo de Tripoli vêm potenciar a crise aberta com a exploração ilegal de petróleo pela Turquia na Zona Económica Exclusiva de Chipre.
 
Em causa não estão apenas interesses cipriotas, mas também da Grécia e de Israel, parceiros na exploração de hidrocarbonetos no Mediterrâneo e respectiva distribuição através do eixo Griscy (de Grécia, Chipre e Israel) – ideia fortemente encorajada pelos Estados Unidos para criar vias que permitam à Europa ter mais alternativas às fontes russas de energia. Trata-se de uma opção contra a Rússia que atinge também a Turquia, porque põe em causa o gasoduto turco-russo Turkish Stream.
 
Deste modo, não é surpreendente que a Turquia tenha procurado patrocinar o governo líbio de Tripoli.
 
Surpreendente, em termos abstractos, deveria ser a declaração do marechal Khalifa Haftar segundo a qual o governo de Benghazi tem todo o interesse em fazer entendimentos com Israel.
 
Na realidade, aprofundando a leitura desta declaração à luz da guerra internacional em torno da Líbia iremos encontrar países como a Arábia Saudita e o Egipto – muito próximos de Israel – ao lado de Khalifa Haftar em termos financeiros, políticos e militares; não espanta que Israel se junte ao grupo por estas afinidades e pelas explicadas razões energéticas. Através das quais iremos encontrar Estados Unidos Israel, Grécia e Chipre em oposição a um governo reconhecido por ONU, União Europeia, NATO e… Estados Unidos.
 
Sinal dos tempos
 
As frentes em confronto nesta guerra da Líbia são um sinal dos tempos. Os tempos em que os conflitos de interesses inter-capitalistas começam a dissolver linhas que definem alianças político-militares, coligações de países, associações regionais, afinidades religiosas, políticas e sistémicas que têm formatado o mundo desde a queda do Muro de Berlim. Com a particularidade de entidades como a NATO e a União Europeia não estarem a salvo da turbulência.
 
Tomemos como exemplo o assustador caso líbio. Do lado do governo de Tripoli, cuja legitimidade representativa do país é reconhecida pela ONU e a União Europeia, estão a Turquia, a Tunísia, o Qatar e terroristas islâmicos do universo Al-Qaeda e Estado Islâmico defendendo interesses económicos que coincidem com os da Rússia.
 
Do lado de Khalifa Haftar e do seu governo de Benghazi estão os Estados Unidos, Israel, Egipto, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, países da União Europeia como Chipre e Grécia, além de forças de reacção rápida sudanesas, mercenários russos e grupos terroristas próprios de uma região, a Cirenaica, considerada das mais fortes no abastecimento do extremismo islâmico internacional. Saif Khaddafi, filho do dirigente líbio assassinado pela NATO, juntou-se igualmente a Haftar1.
 
São dados a ter em conta quando a nova tragédia da Líbia explodir, então já sob os holofotes mediáticos.
 
Na imagem: Forças aliadas do governo de Tripoli, apoiado pela ONU, em Sirte, Líbia, a 12 de Março de 2019.CréditosAyman Al-Sahili / Reuters
 
Nota
1.Ayesha Khaddafi, irmã de Saif, apelou aos líbios para repelirem a invasão turca, em declarações à Jamahiriya Satellite TV: «quando as botas dos soldados turcos profanarem a nossa terra, adubada pelo sangue dos nossos mártires, se não houver entre vós que alguém para repelir esta agressão, então deixem o campo de batalha às mulheres livres da Líbia, e eu estarei entre as primeiras». Ver Almarsad, 3 de Janeiro de 2020.
 

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ONU: apoio estrangeiro às partes em conflito na Líbia vai agravar conflito

Soldados da Líbia instalam arma para combater contra militantes em Al-Ajaylat, perto de Trípoli, Líbia, 21 de fevereiro de 2015
© AP Photo / Mohamed Ben Khalifa

O vice-porta-voz do secretário-geral da ONU, Farhan Haq, declarou nesta sexta-feira (3) que qualquer apoio externo às partes em conflito na Líbia só agravaria o conflito.

Haq disse que o secretário-geral da ONU, António Guterres, alerta que a contínua violação do embargo de armas imposto pela resolução 1970 do Conselho de Segurança da ONU apenas agrava a situação.

"O secretário-geral pede novamente o cessar-fogo imediato na Líbia e a retomada do diálogo político. Qualquer apoio externo às partes em conflito agravaria ainda mais o conflito e dificultaria a solução política e pacífica", diz o comunicado.

Para Guterres, a estrita observância do embargo de armas é extremamente importante para criar condições favoráveis que levem à interrupção das hostilidades na Líbia.

Na quinta-feira (2), o parlamento turco aprovou o envio de tropas para ajudar o Governo de Acordo Nacional (GNA), sediado em Trípoli e reconhecido pela ONU.

O GNA está sobre cerco das forças leais ao comandante do Exército Nacional da Líbia, marechal Khalifa Haftar, baseadas no leste da Líbia, desde abril do ano passado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010414967152-onu-apoio-estrangeiro-as-partes-em-conflito-na-libia-vai-agravar-conflito/

Parlamento da Turquia aprova envio de tropas à Líbia

Presidente da Turquia durante simpósio em Ancara, em 2 de janeiro de 2020
© REUTERS / Murat Cetinmuhurdar

Líder do parlamento turco, Mustafa Sentop, anunciou a aprovação de lei que abre caminho para o envio de tropas turcas à Líbia.

Nesta quinta-feira (2), o parlamento turco aprovou um projeto de lei que permite o envio de tropas para a Líbia.

O documento foi apresentado nesta segunda-feira (30) e  aprovado hoje (2), com 325 votos a favor e 184 deputados contra.

Os votos a favor foram de deputados do partido governante, Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK, na sigla em turco), e do Partido de Ação Nacionalista. Os votos contra foram de deputados do Partido Republicano do Povo, também conhecido como Saadet, e do partido Partido Democrático dos Povos, pró-curdo.

Deputados turcos votam projeto de lei que permite o envio de tropas para a Líbia, em Ancara, em 2 de janeiro de 2020
© REUTERS / Stringer
Deputados turcos votam projeto de lei que permite o envio de tropas para a Líbia, em Ancara, em 2 de janeiro de 2020

Mais cedo, a mídia havia reportado que o Governo do Acordo Nacional da Líbia havia solicitado ajuda militar a Ancara, após ataque contra a capital do país, Trípoli, realizado por forças lideradas por Khalifa Haftar.

Situação na Líbia

Após o assassinato do líder líbio Muammar Kadhafi, em 2011, a Líbia é administrada por dois governos paralelos: a leste há um governo parlamentar e a oeste um governo apoiado pela ONU, liderado por Fayez al-Sarraj, com capital em Trípoli.

Militante das forças líbias leais a Khalifa Haftar (foto de arquivo)
© REUTERS / Esam Omran Al-Fetori
Militante das forças líbias leais a Khalifa Haftar (foto de arquivo)

O governo do leste do país age de forma independente de Trípoli e mantém boas relações com o Exército Nacional da Líbia, liderado por Khalifa Haftar, que tenta ocupar a capital desde abril de 2019.

Em 12 de dezembro, Haftar anunciou uma ofensiva "decisiva" contra Trípoli. Antes disso, o exército de Haftar tinha obtido pouco sucesso, com ambos os lados mantendo suas posições.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010214962870-parlamento-da-turquia-aprova-envio-de-tropas-a-libia/

Guarda Costeira resgatou mais de 300 migrantes e levou-os de volta para a Líbia

A Guarda Costeira da Líbia anunciou ter salvo mais 300 migrantes esta semana. O ACNUR sublinha a urgência de acolher os que permanecem no mar, «muitos dos quais sobreviveram a abusos horríveis na Líbia».

Desde a intervenção da NATO na Líbia, um Estado que acolhia imigrantes, o país norte-africano, controlado por milícias, passou a ser uma das principais rotas de passagem de migrantes e refugiados com destino à EuropaCréditos / ladomenicasettimanale.it

A Guarda Costeira interceptou este domingo 57 etíopes e egípcios que seguiam numa embarcação de madeira, 40 milhas náuticas a norte do porto líbio de Zuara, grupo no qual se incluíam 17 mulheres e nove crianças.

Numa outra operação de salvamento, levada a cabo na passada terça-feira, foram resgatados 278 indivíduos, a bordo de quatro lanchas pneumáticas, provenientes na sua maioria do Sudão e também do Chade, do Egipto, da Nigéria, do Benim e da Eritreia, noticia a Prensa Latina.

Há mais de 15 dias que 500 migrantes permanecem em dois barcos de regaste no Mar Mediterrâneo, à espera de um porto seguro onde desembarcar. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) instou recentemente os governos europeus a permitir o desembarque imediato dessas pessoas.

«Muitos são sobreviventes de abusos horríveis em Líbia e vêm de países que geram refugiados. Todos eles necessitam de ajuda humanitária e alguns manifestaram já a sua vontade de pedir asilo», refere o ACNUR num comunicado, sublinhando que se trata de «uma corrida contra-relógio» e que «deixar em alto mar […] pessoas que fugiram da guerra e da violência na Líbia seria infligir mais sofrimento ao seu sofrimento».

Segundo a informação divulgada esta sexta-feira pela Organização Internacional para as Migrações, pelo menos 844 migrantes e refugiados morreram ou desapareceram este ano no Mar Mediterrâneo quando tentavan chegar à Europa.

A via entre Líbia e Itália-Malta é a mais mortífera (579 vítimas), no Mediterrâneo Central, e os estados-membros da União Europeia não chegam a um acordo sobre as políticas de acolhimento.

«Horrores inimagináveis» ao atravessar a Líbia

Num relatório divulgado no final de Dezembro de 2018, a ONU denunciou as «violações massivas de direitos humanos» dos migrantes e refugiados quando atravessam a Líbia em busca de uma vida melhor.

Publicado conjuntamente pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e pela Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL, na sigla em inglês), o documento revela com detalhe uma série de «terríveis violações e abusos cometidos tanto por funcionários estatais como por grupos armados e traficantes de pessoas».

 

Com base em entrevistas e em visitas efectuadas a centros de detenção na Líbia, os funcionários registaram os «horrores inimagináveis» por que passam os migrantes e refugiados «desde que entram em território líbio, durante o tempo que ali permanecem e – quando conseguem sobreviver – nas tentativas de atravessar o Mar Mediterrâneo».

Entre os «horrores referidos», contam-se casos de execução extrajudicial, torturas, detenções arbitrárias, violações em grupo, escravidão e trabalho forçado, denunciam ambos os organismos das Nações Unidas, sublinhando que «o clima de anarquia» que se vive actualmente no país africano é «terreno fértil para as actividades ilícitas, como o tráfico de pessoas e o contrabando».

«Aqueles que conseguem chegar à costa e, no final, tentam empreender a perigosa travessia do Mediterrâneo são interceptados de forma crescente pela Guarda Costeira da Líbia, que os leva de volta para a Líbia, onde muitos são novamente submetidos ao esquema de abusos de que acabaram de escapar», alerta o relatório.

Um país que «não é seguro», destruído pela NATO

As Nações Unidas consideram que a Líbia não é um «país seguro». Mais que isso, a Líbia é, desde a intervenção promovida em 2011 pelos EUA, a França, o Reino Unido e seus aliados contra o governo de Muammar Khadafi, um Estado falhado, destruído, onde diversos grupos armados passaram a lutar entre si pelo controlo de território e de recursos.

Em 2010, a Líbia era o país com maior Índice de Desenvolvimento Humano no continente africano, de acordo com dados das Nações Unidas. Com os seus imensos recursos aquíferos, petrolíferos e de gás a saque, a população das cidades líbias passou a sofrer de escassez de água, cortes de luz e falta de instalações médicas.

Foi neste país do Norte de África que algumas forças políticas redescobriram «o flagelo» da escravatura e, «horrorizadas», a existência de «redes de tráfico» que maltratam os «migrantes», afligidos por «cenários de guerra».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/guarda-costeira-resgatou-mais-de-300-migrantes-e-levou-os-de-volta-para-libia

O Parlamento egípcio apoia a Câmara dos Representantes da Líbia

 

Sob proposta do Comité Nacional egípcio, 70 deputados da Câmara dos Representantes Líbia dirigiram-se ao Cairo e foram recebidos por seus homólogos egípcios.

Num comunicado, eles afirmaram
- o seu compromisso com a integridade e soberania da Líbia;
- a Câmara dos Representantes da Líbia é o único órgão democraticamente eleito;
- o seu compromisso com os valores democráticos da Declaração Constitucional e suas emendas;
- o seu apelo ao Primeiro-ministro para resolver a crise de legitimidade;
- a sua vontade de realizar uma sessão para designar um governo de unidade nacional.

Desde a agressão à Líbia pela OTAN em violação das resoluções do Conselho de Segurança, e do assassinato de Muammar Gaddafi, o país foi dividido segundo linhas tribais enquanto todo o tipo de Estados estrangeiros tentam apoderar-se dele. O governo criado e apoiado pela ONU, em Trípoli, é na realidade formado pelos Irmãos Muçulmanos com o apoio do Catar e da Turquia. Pelo contrário, a Assembleia eleita de Tobruk é apoiada pelo Egipto e pela Arábia Saudita.

Pela primeira vez, é uma outra instância eleita, e não um executivo, que vem apoiar a Assembleia da Tobruk. A distinção entre os dois campos já não é, pois, apenas tribal, antes opõe agora a Irmandade a eleitos democráticos.





Ver original na 'Rede Voltaire'



PM da Líbia condena silêncio internacional perante ofensiva do marechal Haftar

O primeiro-ministro da Líbia, Fayez al-Serraj, que é apoiado pela Organização das Nações Unidas, condena o silêncio dos aliados internacionais perante a escalada da ofensiva militar liderada pelo marechal Khalifa Haftar.
Pelo menos 205 pessoas morreram e 913 ficaram feridas desde o início da ofensiva do Exército Nacional Líbio (ENL) do marechal Khalifa Haftar para conquistar Tripoli, capital líbia, indicou a Organização Mundial de Saúde (OMS) num balanço divulgado na quinta-feira (18.04).

Em entrevista à BBC, Fayez al-Serraj diz sentir-se abandonado pela comunidade internacional. Para o primeiro-ministro líbio, a falta de apoio dos parceiros internacionais poderá "conduzir a outras consequências", citando o risco dos extremistas do Estado Islâmico se aproveitaram da instabilidade naquele país.


França acusada de conluio com militares de Haftar

O Governo de Acordo Nacional (GAN) da Líbia acusou na quinta-feira, diretamente e pela primeira vez, as autoridades francesas de apoiarem o marechal Khalifa Haftar. França já refutou as acusações, qualificando-as como "completamente infundadas". 
"As declarações de apoio e cobertura diplomática a Haftar são completamente infundadas", disse um alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros de França.

A posição do GAN foi assumida pelo ministro do Interior, Fathi Bach Agha, que ordenou "a suspensão de qualquer ligação entre (o Ministério do Interior) e a parte francesa no âmbito de acordos bilaterais de segurança (...) por causa da posição do governo francês de apoiar o criminoso Haftar que age contra a legitimidade".
Considerada por diplomatas e analistas como um dos apoios do marechal Khalifa Haftar, juntamente com o Egito ou os Emirados Árabes Unidos, a França já tinha negado ter apoiado a ofensiva contra Tripoli. A 8 de abril, uma fonte diplomática francesa indicou que Paris não tinha uma "agenda oculta" para colocar Haftar no poder, a quem "não reconhecerá qualquer legitimidade" se assumir o controlo de Tripoli com o recurso a armas.

Também na quinta-feira, o procurador-geral militar do governo líbio emitiu um mandado de detenção contra o marechal Khalifa Haftar, que controla o leste do país. O procurador-geral militar do GAN ordenou a prisão de Haftar e de seis dos seus oficiais, acusados de realizar ataques aéreos contra instalações e bairros civis, segundo o documento publicado pelo gabinete de comunicação do executivo liderado pelo primeiro-ministro, Fayez al-Sarraj.
Esta decisão surge em resposta ao mandado de detenção emitido em 11 de abril pelo ENL, do marechal Haftar, contra Fayez al-Sarraj e outros responsáveis do GAN.

Desde 4 de abril, combates opõem as forças do GAN ao ENL. Segundo a OMS, as equipas médicas e os cirurgiões mobilizados continuam a intervir em hospitais de campanha instalados nas áreas adjacentes às linhas de frente da batalha.

Milhares de deslocados

 Os combates forçaram 25.000 deslocados, incluindo mais de 4.500 em 24 horas, "o maior aumento de deslocações num dia", de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

A comunidade internacional continua dividida sobre a ofensiva e um projeto de resolução do Reino Unido no Conselho de Segurança, pedindo um cessar-fogo e acesso humanitário às zonas de combate, não obteve a unanimidade, de acordo com diplomatas das Nações Unidas.

A Rússia, que bloqueou um projeto de declaração do Conselho pedindo ao ENL para suspender a ofensiva, continua a levantar objeções às referências criticando Haftar, disse um diplomata.

A Líbia tem sido vítima do caos e da guerra civil, desde que, em 2011, a comunidade internacional contribuiu militarmente para a vitória dos distintos grupos rebeldes sobre a ditadura de Muammar Khadafi (entre 1969 e 2011).
 nn, Agência Lusa, AFP, AP, Reuters | Deutsche Welle

Imagens: 1 – Fayez al-Serraj, primeiro-ministro líbio; 2 - Marechal Khalifa Haftar, líder do Exército Nacional Líbio

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/pm-da-libia-condena-silencio.html

Governo de Acordo Nacional da Líbia garante que será capaz de expulsar Haftar de Trípoli

Tanque do exército líbio durante confrontos com militantes em Benghazi, Líbia (foto de arquivo)
© REUTERS / Esam Omran Al-Fetori

O vice-presidente do Conselho Presidencial e vice-premiê da Líbia, Mitig Ahmed, declarou que as forças leais ao Governo de Acordo Nacional da Líbia são capazes de defender Trípoli e expulsar as tropas do Exército Nacional Líbio (LNA), de Khalifa Hafter.

"Somos capazes de defender Tripoli, e estamos prontos para isso, para expulsar as milícias de Haftar para o lugar de onde vieram", disse Mitig durante uma coletiva de imprensa na Associação da Imprensa Estrangeira em Roma.

Segundo ele, duas semanas após o início da ofensiva de Haftar, "a situação melhorou significativamente".


"A posição do governo de unidade nacional é clara: é um golpe, e Haftar deve ir", acrescentou Mitig, que descreveu a operação do LNA como uma invasão e "ataque contra o governo legítimo".

A situação política e de segurança na Líbia tem sido instável desde a revolução de 2011, pois o país segue dividido entre duas autoridades, com a decisão do parlamento apoiado pelo LNA no controle do Leste da Líbia e o GNA controlando o Oeste do país.

O confronto entre os dois governos aumentou perigosamente em 4 de abril, quando as forças de Haftar anunciaram uma inesperada ofensiva contra Trípoli.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019041613695979-libia-haftar-exercito-nacional/

Filho de Kadhafi pede realização de eleições na Líbia 'o mais breve possível'

Saif al-Islam Gaddafi visita a exposição Desert is Not Silent com arte antiga e contemporânea da Líbia (foto de arquivo)
© Sputnik / Vladimir Fedorenko

Filho do ex-líder líbio Muammar Kadhafi derrubado em 2011, Saif Islam Gaddafi defende a realização de uma votação presidencial no Estado o mais rápido possível, criticando atrasos na proposta da ONU de realizar o pleito ainda em 2019.

"A única solução são eleições: se não, você mantém a atual situação política que não é do interesse do povo líbio", disse o assessor de Saif Islam, segundo a edição.


Embora uma cúpula recente sobre políticas internas da Líbia, sediada na Itália no outono passado, tenha como meta realizar eleições no primeiro semestre de 2019, o embaixador da ONU na Líbia, Ghassan Salame comentou mais tarde que a eleição presidencial pode não acontecer tão cedo. É necessário realizar primeiro as eleições parlamentares e, depois, um referendo sobre a Constituição, que deve preceder a tão esperada votação presidencial.

No final do ano passado, Saif Islam Gaddafi enviou uma carta ao presidente russo, Vladimir Putin, através do vice-ministro das Relações Exteriores russo, Mikhail Bogdanov, na qual expôs planos para a resolução do impasse e reconciliação nacional da Líbia. Membro da equipe política de Saif Islam Gaddafi, Muhammad Qailushia disse à Sputnik à época que Saif não tinha decidido se concorreria ao pleito. 

Bogdanov, por sua vez, anunciou a disposição da Rússia em mediar o diálogo entre as forças políticas que desejam participar das eleições na Líbia. Também à Sputnik, o vice-ministro disse acreditar que ninguém deveria ser privado do direito a concorrer a presidência Líbia e que Saif deveria fazer parte do processo político nacional.


A Líbia permanece em estado de caos desde a derrubada e morte de Muammar Kadhafi em uma revolta política apoiada pela OTAN em 2011. Grande produtor de petróleo, o país foi dividido em duas partes controladas por diferentes governos: a parte oriental é governada pelo parlamento local eleito, apoiado pelo Exército Nacional da Líbia e liderado pelo marechal Khalifa Haftar. A parte ocidental é controlada pela ONU e um governo de acordo nacional apoiado pela UE e liderado pelo primeiro-ministro baseado em Trípoli, Fayez Sarraj. 

Apesar do plano inicial das partes em realizar eleições parlamentares e presidenciais no país em uma tentativa de unificá-lo, a votação nunca aconteceu, aumentando ainda mais o caos no país.

A insegurança também permitiu que os jihadistas que fugiam da Síria e de outros conflitos se estabelecessem na Líbia. Há relatos de terroristas do Daesh (grupo terrorista autodenominado Estado Islâmico) invadindo vilas, fazendo de meninas suas escravas sexuais e vendendo servos em um mercado local.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019011313100798-gaddafi-filho-eleicao-libia/

Os destruidores da Líbia agora são “pela Líbia”

Manlio DinucciA Itália participou activamente, há sete anos, na destruição da Líbia pelos EUA/NATO. O Estado líbio foi destruído e pilhado, e a sua destruição deu origem a uma vaga de refugiados que, em boa parte, procura atingir as costas da Itália. É provavelmente essa a razão “humanitária” que leva os que participaram nesse crime monstruoso a promover agora uma “conferência” sobre a questão.

Um crescente da lua (símbolo do islamismo) desenhado como um hemisfério estilizado que, flanqueado por uma estrela e pelas palavras “for/with Libya” (por/com a Líbia) representa um mundo que se quer colocar ao lado da Líbia: eis o logotipo da “Conferência pela Líbia” organizada pelo governo italiano, como o evidencia a bandeira tricolo na parte inferior do crescente/hemisfério.

A Conferência internacional realiza-se em 12-13 de Novembro em Palermo, nesta Sicília que há sete anos foi a principal base de lançamento da guerra com a qual a NATO sob comando EUA demoliu o Estado líbio. Essa guerra iniciava-se através do financiamento e armamento de sectores tribais e de grupos islamitas hostis ao governo de Trípoli e da infiltração no país de forças especiais, entre as quais milhares de comandos do Qatar camuflados em “rebeldes líbios.” Depois, em Março de 2011, era lançado o ataque aeronaval EUA/NATO que durou 7 meses. A aviação efectuaria 30 mil missões, das quais 10 mil atacantes, utilizando mais de 40 mil bombas e mísseis.

Por vontade de um vasto agregado político que ia da direita à esquerda, a tália participava na guerra não apenas com a sua aeronáutica e marinha, mas também colocando à disposição das forças EA/NATO 7 bases aéreas: Trapani, Sigonella, Pantelleria, Gioia del Colle, Amendola, Decimomannu e Aviano.

Com esta guerra de 2011 a NATO demolia este Estado que, na margem sul do Mediterrâneo em face da Itália, tinha atingido, embora com significativas desigualdades internas, “altos níveis de crescimento económico e de desenvolvimento humano” (tal como o documentava o próprio Banco Mundial em 2010), superiores aos dos outros países africanos. Era testemunho disso o facto de terem encontrado trabalho na Líbia cerca de dois milhões de imigrantes, na sua maioria africanos. Ao mesmo tempo a Líbia teria, com os seus fundos soberanos, tornado possível o nascimento em África de organismos económicos independentes e de uma moeda africana.

Os EUA e a França – como o provam as mensagens de correio electrónico da secretária de Estado Hillary Clinton – tinham-se posto de acordo para bloquear o plano de Kadhafi de criar uma moeda africana, alternativa ao dólar e ao franco CFA imposto pela França a 14 ex-colónias africanas.

Após a demolição do Estado e o assassínio de Kadhafi, na caótica situação que se seguiu, teve início tanto no plano interno como no plano internacional uma luta feroz pela repartição de um enorme espólio: as reservas petrolíferas – as maiores de África – e de gás natural; o imenso lençol núbio de água fóssil, esse ouro branco em perspectiva de se tornar mais precioso do que o ouro negro; o próprio território líbio, de primeira importância geoestratégica; os fundos soberanos de cerca de 150 milhares de milhões de dólares investidos no estrangeiro pelo Estado líbio, “congelados” em 2011 nos maiores bancos europeus e norte-americanos, roubados, por outras palavras. Por exemplo, de 16 milhares de milhões de fundos líbios, bloqueados no Euroclear Bank na Bélgica e no Luxemburgo, desapareceram mais de 10. “Desde 2013 – documenta a RTBF (radiotelevisão belga francófona) – centenas de milhões de euros provenientes desses fundos foram enviados para a Líbia para financiar a guerra civil que provocou uma grave crise migratória.”

Numerosos imigrantes africanos na Líbia foram aprisionados e torturados pelas milícias islâmicas. A Líbia tornou-se a principal via de tráfego, nas mãos dos traficantes e operadores internacionais, de um fluxo migratório caótico que em cada ano provocou mais vítimas no Mediterrâneo do que as bombas da NATO em 2011.

Não pode silenciar-se, como fizeram os organizadores da contra-cimeira de Palermo, que na origem desta tragédia humana está a guerra EUA/NATO que, há 7 anos, demoliu um Estado inteiro em África.

Fonte: https://ilmanifesto.it/i-distruttori-della-libia-ora-per-la-libia/

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Leia original aqui

« A Arte da Guerra »Os destruidores da Líbia, agora «pela Líbia»

Depois do insucesso de Emmanuel Macron em resolver a crise da Líbia, é a vez de Giuseppe Conte tentar algo. Roma está melhor posicionada do que Paris, pois tem o apoio da Casa Branca. No entanto, há pouca probabilidade de conseguir seja o que for, pois as “boas fadas” actuais, são os lobos precedentes que devoraram a Líbia.

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Um crescente (símbolo do islamismo) representado como um hemisfério estilizado que, ladeado por uma estrela e as palavras «for/with Libya» (para/com a Líbia), representa “um mundo que quer colocar-se ao lado da Líbia”: é o logotipo da “Conferência para a Líbia”, promovida pelo governo italiano, como mostra o tricolor na parte inferior do crescente/hemisfério. A Conferência Internacional desenrola-se nos dias 12 e 13 de Novembro, em Palermo, naquela Sicília que, há sete anos, foi a principal base de lançamento para a guerra com a qual a NATO, sob comando USA, demoliu o Estado líbio. Ela foi iniciada, financiando e armando na Líbia, sectores tribais e grupos islâmicos hostis ao governo de Trípoli e infiltrando no país, forças especiais, incluindo milhares de comandos catarianos, disfarçados de “rebeldes líbios”

Era assim lançado, em Março de 2011, o ataque aéreo USA/NATO que durou 7 meses. A aviação realizou 30 mil missões, das quais 10 mil de ataque, empregando mais de 40 mil bombas e mísseis. A Itália, por vontade de um vasto arco político, da direita à esquerda, participava na guerra não só com a sua própria aviação e marinha, mas colocava à disposição das forças USA/NATO, 7 bases aéreas: Trapani, Sigonella, Pantelleria, Gioia del Colle, Amendola, Decimomannu e Aviano. Com a guerra de 2011, a NATO arrasava aquele Estado que, na margem sul do Mediterrâneo, em frente à Itália, tinha alcançado, embora com consideráveis disparidades internas, “altos níveis de crescimento económico e desenvolvimento humano” (como documentava, em 2010, o Banco Mundial), superiores aos de outros países africanos. Testemunhavam-no, o facto de que tinham encontrado trabalho na Líbia, cerca de dois milhões de imigrantes, a maior parte, africanos. Ao mesmo tempo, a Líbia teria possibilitado, com os seus fundos soberanos, o nascimento, em África, de organismos económicos independentes e uma moeda africana. USA e França – provam-no os emails da Secretária de Estado, Hillary Clinton - concordaram em bloquear, antes de tudo, o plano de Gaddafi de criar uma moeda africana, em alternativa ao dólar e ao franco CFA, imposto pela França às suas 14 antigas colónias africanas.

Derrubado o Estado e Gaddafi assassinado, na situação caótica que se seguiu, iniciou-se, no plano internacional e interno, uma luta feroz para a divisão de um espólio enorme: as reservas petrolíferas (as maiores de África) e de gás natural; o imenso lençol freático núbio de água fóssil, o ouro branco em perspectiva mais precioso do que o ouro negro; o próprio território líbio, de primordial importância geoestratégica; os fundos soberanos, cerca de 150 biliões de dólares investidos no exterior pelo Estado líbio, “congelados”, em 2011, nos principais bancos europeus e dos EUA. Por outras palavras, roubados. Por exemplo, dos 16 biliões de euros de fundos líbios “congelados” no Euroclear Bank, na Bélgica e em Luxemburgo, apareceram apenas 10. "A partir de 2013 - documenta a RTBF (Rádio TV francófona belga) - centenas de milhões de euros, provenientes desses fundos, foram enviados para a Líbia a fim de financiar a guerra civil que causou uma grave crise migratória”. Muitos imigrantes africanos, na Líbia, foram presos e torturados por milícias islâmicas. A Líbia tornou-se a principal rota de trânsito, nas mãos dos traficantes e dos manipuladores internacionais, de um fluxo caótico migratório que, desde então no Mediterrâneo, tem provocado a cada ano, mais vítimas das bombas da NATO, lançadas em 2011.

Não podemos calar, como também fizeram os organizadores da anti-Cimeira de Palermo que, na origem desta tragédia humana, está a guerra USA/NATO que há sete anos desmantelou em África, um Estado na sua totalidade.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Responsáveis noruegueses admitem nada conhecer acerca da Líbia, mas isso não os impediu de participar nas acções visando a “mudança de regime”

Na Noruega, um relatório oficial constatou que o país participou na agressão contra a Líbia desconhecendo completamente o que estaria em causa e as consequências que teria. Os responsáveis desculpam-se, como se os recentes exemplos, da Jugoslávia ao Iraque, não fossem suficientemente conclusivos sobre a falsidade das razões invocadas, em particular pelos EUA, para cada ofensiva imperialista.


 

Um novo relatório oficial apresentado pelo governo norueguês ilustra o persistente absurdo do aventureirismo no estrangeiro e da expansão da NATO para lugares muito distantes do “Atlântico Norte” explicito no nome North Atlantic Treaty Organization – lugares como Afeganistão, Líbia, Ucrânia ou Síria.

Responsáveis noruegueses de topo admitiram agora que “tinham um conhecimento muito limitado” dos acontecimentos em desenvolvimento na Líbia durante 2010 e 2011, anteriores à intervenção da NATO em apoio dos rebeldes anti-Khadafi – uma guerra cujo resultado foi uma mudança de regime e um Estado falhado dirigido até aos dias de hoje por governos competindo entre si e milícias extremistas. A Noruega associou-se entusiasticamente ao bombardeamento do país comandado pelos EUA, Grã-Bretanha e França que teve início em Março de 2011, apesar de ter inteiro conhecimento de que os seus militares não conheciam praticamente nada do que se verificava no terreno.

Mas de que dispunham os que decidiram prosseguir? Registem o absurdo que o relatório oficial[1] reconhece: “Em situações como estas, os decisores frequentemente apoiam-se em informação dos media e de outros países,” lê-se no relatório.

A comissão que produziu o relatório era presidida por um anterior Ministro dos Estrangeiros Jan Petersen, e acaba por concluir que políticos em Oslo arrastaram o país para o bombardeamento liderado pelos EUA sem tomar qualquer consideração acerca daquilo que viria a seguir.

O relatório da comissão constata que não existiam[2] “quaisquer fontes documentais” que minimamente tentassem descrever a natureza do conflito a que a Noruega se iria associar. Os responsáveis não foram capazes de “caracterizar o tipo de conflito em que a Noruega estava a intervir”, reconhece.

O nome NATO para a operação era o nome de código EUA ‘Operation Odyssey Dawn’ (Operação Odisseia Amanhecer), e a Noruega participou com 596 missões de combate durante os primeiros cinco meses na intervenção NATO, lançando 588 bombas sobre alvos líbios, segundo o relatório. A Noruega fornecera seis jactos de combate F-16 e refere-se que os seus pilotos realizaram 10% de todos os ataques da coligação contra forças pró-Khadafi.

O anterior líder do Partido do Centro Liv Signe Navarsete disse acerca do relatório[3] final que: “Quando olhamos para o que sucedeu a seguir, com a Líbia a tornar-se um centro de concentração do terrorismo, não podemos orgulhar-nos da decisão tomada.”

A guerra tinha sido vendida ao público europeu em termos “humanitários” e incluía sensacionais histórias de atrocidades, muitas das quais veio depois a provar-se serem falsas, representando o dirigente líbio Muhammar Khadafi como um maníaco homicida irracional.

Uma história notável explicitamente promovida pelo Departamento de Estado e pela embaixadora dos EUA junto da ONU Susan Rice foi a história da violação em massa alimentada a Viagra, que pretendia que Khadafi teria supostamente fornecido Viagra às suas tropas de modo a desencadear terrorismo sexual contra a população civil. A Amnistia Internacional e outros investigadores sobre direitos humanos provaram depois que essa história era completamente falsa.

Alguns políticos noruegueses afirmam agora que o país foi enganadoramente envolvido em mais uma operação de mudança de regime dirigida pelos EUA semelhante ao derrubamento de Saddam Hussein em 2003. Entretanto, tendo em conta que os dirigentes europeus tinham perante si o flagrantemente óbvio exemplo do Iraque e das mentiras sobre as quais fora construído numa situação historicamente tão recente, isto parece mais o inventar de desculpas para evitar assumir a responsabilidade pública.

Há muito que a Líbia foi esquecida pelos grandes meios de comunicação ocidentais, mas regressou aos títulos de primeira página quando uma pequena guerra civil irrompeu recentemente no interior de áreas sob o controlo do Governo de Acordo Nacional (GNA) reconhecido pela ONU, em Trípoli. Desde o derrube de Khadafi o país tem sido disputado por três (e por vezes quatro) governos rivais enquanto as ruas são dominadas pelas milícias islamitas, incluindo terroristas do ISIS em algumas áreas.

De acordo com uma reportagem CNN do ano passado, passaram desde então a existir mercados de escravos a céu aberto, enquanto a Líbia permanece em grande medida sem lei e uma infra-estrutura e uma economia nacional estável foi arruinada.

Fonte: https://www.zerohedge.com/news/2018-09-18/norway-officials-admit-they-knew-nothing-about-libya-joined-regime-change-efforts

 

References

  1. ^ o relatório oficial (www.regjeringen.no)
  2. ^ não existiam (www.regjeringen.no)
  3. ^ disse acerca do relatório (www.rt.com)
  4. ^ endereço (www.odiario.info)
  5. ^ odiario.info (odiario.info)

 

 

Leia original aqui

Consenso entre Ocidentais sobre a ausência de consenso na Líbia

Rejeitando por princípio toda a ajuda estrangeira, a assembleia das tribos líbias decidiu libertar-se, ela própria, do domínio dos jiadistas que partilham o seu território. Assim, combates começaram em Trípoli.

Os Estados Unidos, que haviam confiado à França o cuidado de restaurar a ordem colonial na Líbia, retiraram-lhe esta responsabilidade em Agosto. Eles escolheram, pelo contrário, apostar na Itália agora governada por nacionalistas.

A França, que tinha organizado vários encontros em Paris de diferentes chefes rivais, não deixou de prosseguir os seus esforços.

Os Estados Unidos e a Itália, a França e o Reino Unido, assinaram um comunicado conjunto, a 1 de Setembro, apelando ao cumprimento das decisões tomadas pelo Presidente do Conselho de Segurança em 6 de Junho de 2018. No entanto, embora esta declaração presidencial faça referência aos esforços da França, a sua única assumida decisão é de apoiar o princípio de novas eleições. Nem o Conselho de Segurança, nem as quatro potências ocidentais foram além desse consenso mínimo.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Saif al-Islam Kadhafi publica seu programa

Embora não exista ainda nenhuma autoridade política legítima na Líbia, quatro personalidades apoiadas pelos países que destruíram o Estado líbio se comprometeram a realizar eleições legislativas e presidenciais, em 10 de Dezembro de 2018 [1].

As tribos, que constituem a base da sociedade líbia, pronunciaram-se maciçamente para a realização dessas eleições sob a condição de que os Khadhafistas pudessem participar nelas; o que os Ocidentais querem evitar a todo custo. É por isso que o Tribunal Penal Internacional, com base unicamente em citações da imprensa ocidental, o acusa de crimes vários e mantém um mandado de prisão contra ele.

Vários estudos de opinião mostram que o segundo filho de Muamar Kadhafi, Saif al-Islam Kadhafi, é de longe o líder mais popular do país. Durante a Jamahiriya Árabe Líbia, ele representava seu pai e mostrara capacidade real para negociar e para governar.

Saif al-Islam Kadhafi acaba de publicar uma brochura apresentando sua abordagem à eleição presidencial.


[1] « Déclaration politique sur la Libye », “A Líbia segundo a ONU e a dura realidade”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 5 de Junho de 2018.



Ver original na 'Rede Voltaire'



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