Japão

'Rebelião samurai': por que Japão não permite que EUA instalem antimísseis em seu território?

Washington viu seu aliado mais próximo na região do Pacífico recusar pela primeira vez instalação de meios militares em seu território, ao cancelar implantação de sistemas de defesa antimísseis.

Tóquio cancelou o acordo com o Pentágono para instalar os sistemas de defesa antimísseis Aegis Ashore, oficialmente por não haver garantias que aceleradores dos mísseis, após o lançamento, caíssem apenas no polígono e não em áreas residenciais.

Contudo, muitos especialistas acreditam que existem outras razões para esta inversão na política nipônica.

Acalmar Rússia e China?

Vale recordar que a decisão de implantar dois sistemas terrestres Aegis Ashore no Japão foi tomada pelo governo nipônico em 2017, devido aos lançamentos de teste contínuos de mísseis balísticos norte-coreanos.

Planejada sua implantação nas prefeituras de Akita, no noroeste do país, e em Yamaguchi, no sudoeste, estimava-se que seu raio de alcance pudesse cobrir todo o país e que estivesse operacional até 2023.

Míssil SM-3 Block IIA é lançado do complexo Aegis Ashore (foto de arquivo)

© Foto / Domínio público/ Marinha dos EUA
Míssil SM-3 Block IIA é lançado do complexo Aegis Ashore (foto de arquivo)

Rússia e a China se opuseram de forma veemente, temendo que a iniciativa as visasse.

Moscou tem deixado claro que a instalação desses mísseis interceptores não contribui para a estabilidade estratégica na região e que tal fato não podia ser ignorado durante a negociação do tratado de paz com Tóquio.

Para os especialistas, o abandono pelos japoneses do sistema de defesa antimíssil dos EUA atenuará significativamente as tensões entre o Japão e seus vizinhos do Pacífico.

"Tóquio entende que este sistema serve somente a segurança dos Estados Unidos e que, em caso de conflito militar, os primeiros alvos seriam sempre as instalações de defesa antimísseis", explicou à Sputnik Aleksei Podberyozkin, diretor do Centro de Estudos Político-Militares do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou.

O especialista acrescentou que os EUA tentam sempre afastar os cenários de guerra de seu território, lutando em solo estrangeiro ou a partir de bases situadas no exterior.

"Ao dar este passo, os japoneses reduziram os riscos para sua própria segurança", concluiu.

Componente financeira

Naturalmente, o fator financeiro também é importante.

Dmitry Streltsov, chefe do Departamento de Estudos Orientais do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou, disse à Sputnik que a mudança de posição está relacionada quer com os enormes custos do sistema quer com dúvidas sobre sua fiabilidade e a real capacidade de cobrir todo o país.

Uma alternativa mais barata para Tóquio, de acordo com o especialista, seria aumentar o número de sistemas de defesa antimíssil baseados no mar já disponíveis na Marinha japonesa.

Por seu turno, Sergei Sudakov, membro correspondente da Academia de Ciências Militares da Rússia, referiu à Sputnik que, "desde Fukushima, a taxa de crescimento econômico do Japão caiu drasticamente, tendo igualmente baixado seu índice global de inovação".

"Anteriormente, Tóquio era líder em muitas indústrias de alta tecnologia e pagava as armas norte-americanas [...] com know-how em eletrônica, bioengenharia, etc. por uma fração do preço. Contudo, agora há outros países mais adiantados – Coreia do Sul, Singapura, China. O interesse dos EUA em seu aliado diminuiu drasticamente", prosseguiu Sudakov, para quem Tóquio começa a entender que os EUA estão se afastando.

O especialista aproveitou a oportunidade para relembrar o caso quando a ogiva de treinamento de um míssil norte-coreano caiu em águas territoriais japonesas e os navios dos EUA na região dotados com o sistema de defesa antimíssil Aegis não reagiram de jeito nenhum à ameaça.

O sistema de defesa antimíssil Aegis Ashor norte-americano na base militar em Deveselu, Romênia (foto de arquivo)

© AFP 2020 / DANIEL MIHAILESCU
O sistema de defesa antimíssil Aegis Ashor norte-americano na base militar em Deveselu, Romênia (foto de arquivo)

Sudakov crê que os japoneses ganharam consciência de que aos EUA só preocupam seus próprios interesses e que está na hora de assumir sua própria soberania.

"Muitos japoneses estão bem cientes de que seu país está de fato ocupado [militarmente] e não querem tolerar mais isso. Trata-se de mais um testemunho de como o sistema de segurança coletiva imposto ao mundo por Washington está se destruindo gradualmente", concluiu Sudakov.

População está cansada

Finalmente, o último e principal motivo de rejeição: o cansaço da população local da presença militar dos EUA. Após a Segunda Guerra Mundial, o Pentágono implantou uma rede de bases militares no Japão – alegadamente para proteger contra a "agressão da URSS" – mas na realidade para criar uma poderosa cabeça-de-ponte na Ásia oriental. O Japão abriga hoje mais de 90 grandes instalações das Forças Armadas dos EUA.

Esta foto de arquivo mostra um dos primeiros navios da Marinha dos EUA equipada com o sistema Aegis

© AFP 2020 / US NAVY PHOTO
Esta foto de arquivo mostra um dos primeiros navios da Marinha dos EUA equipada com o sistema Aegis

A título de exemplo, em Okinawa – uma ilha relativamente pequena – existem 11 bases do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, está sediada a 18ª Ala da Força Aérea, bem como um batalhão do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea do Exército dos EUA, totalizando 50.000 militares norte-americano na ilha.

Em Okinawa, desde 1972, foram cometidos cerca de seis mil crimes contra a população local, alguns deles muito graves, como cerca de 100 assassinatos, mais de 300 estupros e mais de 200 acidentes rodoviários com vítimas mortais.

O descontentamento pela presença dos EUA na ilha está na origem, desde há 20 anos, de contínuos protestos em massa contra as atrocidades dos "visitantes" norte-americanos.

Os receios do Ministério da Defesa japonês de que destroços dos antimísseis possam cair em áreas residenciais têm fundamento, dado dezenas de incidentes envolvendo equipamentos militares norte-americanos terem sido registrados nos últimos anos.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020062915771800-rebeliao-samurai-por-que-japao-nao-permite-que-eua-instalem-antimisseis-em-seu-territorio/

Suspensa distribuição gratuita de máscaras no Japão por conterem insetos e manchas

 

O governo japonês investiu 46,6 mil milhões de ienes (cerca de 397,4 milhões de euros) para a distribuição nacional gratuita de máscaras reutilizáveis de pano. Na semana passada teve de substituir algumas destas máscaras devido ao facto de terem insetos, bolor e manchas, o que levou a suspender o projeto.

Segundo avançou o Observador, citando a Reuters e o Japan Times, as máscaras fazem parte de uma iniciativa para combater a pandemia. Até à semana passada, foram enviadas cerca de 500 mil para grávidas, instituições de saúde e escolas. Nesse primeiro envio, houve 1.903 queixas de máscaras sujas ou com defeito, a maioria feitas por grávidas.

“Procuramos empresas numa ampla variedade de campos e selecionamos (fornecedores) do ponto de vista da qualidade, preço e capacidade para fornecer (máscaras) e responder rapidamente (ao pedido do governo)”, disse o governo japonês.

O executivo  afirmou que estava a inquirir os fabricantes sobre estes defeitos, mas as críticas nas redes sociais multiplicam-se.

A pandemia levou a uma quebra do stock de máscaras de proteção, com o executivo a anunciar esta medida a 02 de abril.

Desde o início do mês, o governo tem também enfrentado críticas pela forma como tem enfrentado o surto, sendo o investimento nesta estratégia uma das principais queixas dos opositores ao governo. Ao todo, o país conta com 13.736 casos confirmados de Covid-19, 394 mortos e 1.899 recuperados.

ZAP //

 
 
 

A guerra no Pacífico, a agressão à China e a capitulação do Japão

 
 
Apesar das avassaladoras vitórias iniciais, a capacidade de guerra do Japão era muito inferior à capacidade dos EUA. E a economia norte-americana poderia financiar a guerra por muito mais tempo.
 
António Abreu* | opinião
 
O ataque a Pearl Harbour
 
Às 7h55 da manhã do domingo de 7 de Dezembro de 1941 (hora de Hawai), 3670 bombardeiros e aviões de combate japoneses atacaram os navios de guerra norte-americanos fundeados em Pearl Harbour (Porto das Pérolas) e as respectivas bases, deixando 2330 americanos mortos ou moribundos.
 
Pouco antes de atacar os Estados Unidos, o Japão já havia garantido o controle sobre a Indochina Francesa numa invasão rápida, que contou com pouca resistência das tropas coloniais da França. Quando o ataque a Pearl Harbour aconteceu, o governo japonês apresentou-o à sua população e aos seus aliados do Eixo como uma grande conquista. Entretanto, alguns membros do exército japonês sabiam que as conquistas obtidas em Pearl Harbour eram mínimas.
 
No dia seguinte, a 8 de Dezembro, os EUA e o Reino Unido declararam guerra ao Japão. A 11, os EUA declaram guerra à Alemanha e Itália, as quais responderam com igual declaração. A Bulgária, Eslováquia e Croácia procederam da mesma maneira em relação aos EUA e Reino Unido. A Roménia, que estava em guerra com o Reino Unido, declarou-a também aos EUA.
 
A 11 de Dezembro ampliou-se o anterior pacto militar entre as potências do Eixo, em que a Inglaterra, Itália e Japão se comprometiam em ir juntas até ao fim das hostilidades, em assinarem armistício só com o acordo entre as três, e continuarem depois juntas na construção de uma nova ordem mundial.
 
 
A invasão da China e os crimes dos japoneses
 
Na China, em 1911, tinha sido proclamada a República da China, depois do derrube pelo movimento nacionalista do imperador da dinastia Quing. A também chamada Revolução de Xinhai foi dirigida por Sun Yat-sen, fundador do Kuomintang e primeiro presidente das Províncias Unidas da China, em que os comunistas participaram.
 
Durante a Segunda Guerra Mundial registou-se uma segunda guerra com o Japão quando este voltou a invadir o país, que nacionalistas e comunistas derrotaram. Depois da guerra uma deriva de submissão ao imperialismo ocidental do governo levaria à revolução comunista de 1949.
 
Em 1931, o Japão ocupa a Manchúria e no ano seguinte institui o Manchukuo como Estado fantoche, governado pelo Imperador Puyi, que abdicara em 1912. A actuação de Chiang Kai-shek, que não oferecera resistência ao invasor, faz crescer a vontade contrária, dos comunistas, que continuavam a ser militarmente combatidos pelo generalíssimo.
 
Enquanto isso, Mao Tse-tung promovia a distribuição de terras aos camponeses e animava a resistência contra o Japão, atraindo as simpatias dos chineses.
 
Em 1936, Chiang Kai-shek foi aprisionado em Xian, capital de Shaanxi, pelas tropas do General Zhang Xueliang, no conhecido Incidente de Xi’an. Negociações até hoje mal conhecidas estabelecem o acordo entre nacionalistas e comunistas, que se unem na luta contra o Japão, a esta época já senhor absoluto de quase todo o norte do país.
 
Os comunistas, liderados por Mao Tsé-Tung, e os nacionalistas, liderados por Chiang Kai-shek, assinam um acordo em 22 de Setembro de 1937, pelo qual os comunistas abandonam seu projecto de um governo revolucionário, renunciando a insurgir-se contra o governo de Chiang Kai-shek que, pelo seu lado, comprometeu-se a suspender as operações anticomunistas. Desta maneira forma-se a Segunda Frente Unida.
 
Apesar da aliança, as forças chinesas não são fortes o suficiente para lutar contra o Exército Imperial Japonês e sofrem uma série de desastres no início do conflito.
 
O massacre de Nanquim foi um dos actos mais bárbaros dos militares japoneses. 57 mil soldados e civis foram executados. Milhares de mulheres chinesas foram então violentadas e mortas a tiros ou a golpes de baionetas em caso de resistência.
 
O furor homicida da soldadesca adquirira uma dinâmica própria e o roteiro de roubos, saques, torturas, raptos e estupros seguidos de assassinatos teve continuidade ainda por seis semanas, estendendo-se de 13 de Dezembro de 1937 até os finais Fevereiro de 1938. Os japoneses, como se fossem uma matilha de lobos famintos e desordeiros, percorriam as ruelas e praças da cidade em bandos de seis a doze soldados, disparando ou trespassando a quem quisessem ou desejassem.
 
Em Julho de 1937, sem declaração de guerra, o Japão inicia as hostilidades. Em menos de noventa dias os japoneses ocuparam a parte oriental do país, sem que o governo nacionalista pudesse impedi-los. Pequim e Tientsin caem em poder dos nipónicos.
 
A invasão japonesa na China resultou na segunda guerra sino-japonesa (1937-1945), na qual o Japão cometeu inúmeras atrocidades contra a população civil chinesa. As atrocidades do exército japonês foram desde os estupros em massa cometidos contra mulheres chinesas ao uso de bombas biológicas em partes da China e contra pacientes de hospitais, mortos à baioneta nas suas camas.
 
Depois da queda de Hong Kong, no Natal de 1941, cenas similares ocorreram em Java e Sumatra, as maiores ilhas das Índias Orientais Holandesas. O exército japonês manteve nas suas novas conquistas a tradição de selvajaria, estabelecida na China, em que se destacou o já referido massacre de Nanquim.
 
Os comunistas estimulavam acções de guerrilha, especialmente no norte da China. Mao Tse-tung queria poupar as suas tropas, tanto quanto possível, e continuou a consolidar as suas forças, para se preparar para uma eventual nova guerra contra as tropas de Chiang Kai-shek, após a derrota japonesa.
 
A China contou com o apoio americano na guerra após os Estados Unidos serem atacados pelos japoneses em Pearl Harbour, em 1941. Os norte-americanos forneceram armas e suprimentos aos exércitos chineses, principalmente aos nacionalistas liderados por Chiang Kai-shek. A segunda guerra sino-japonesa só acabaria em 1945, quando o Japão se rendeu aos Aliados.
 
Antes do início da Segunda Guerra Mundial, o Japão, durante a década de 1930, defendia a sua expansão territorial, a partir da força dos seus exércitos, para que fosse desenvolvido um projecto de colonização em todo o Extremo Oriente.
 
Esse projecto tornou-se evidente com o nacionalismo imperialista japonês, que se desenvolveu a partir da reformulação do ensino durante a Restauração Meiji (1868). O imperialismo japonês manifestou-se antes da Segunda Guerra Mundial, na primeira guerra sino-japonesa (1894-1895) em que o Japão conquistou a península da Coreia, que então pertencia à China. Esse ímpeto imperialista prosseguiu com a conquista da Manchúria e Port Arthur após a guerra russo-japonesa (1904-1905).
 
A partir de 1933, o Japão invadiu a China com a intenção de anexar a Manchúria oficialmente ao Império do Japão.
 
Os japoneses acabaram por ser expulsos pela conjugação da acção dos nacionalistas conservadores do Kuomintang, então dirigido por Chiang Kai-Shek, com os comunistas liderados por Mao Tsé-Tung.
 
A guerra no Pacífico
 
Depois de Pearl Harbour, atacado em 8 de Dezembro, de 1941, três outras ilhas foram bombardeadas nesse dia, Guam, Wake e Midway, enquanto, nessa mesma manhã, do outro lado do Mar da China, a Segunda Esquadra japonesa escoltava um comboio de navios de transporte de tropas da Indochina para a península da Malásia. Ao mesmo tempo, Singapura era bombardeada pelos japoneses.
 
No litoral da China, as tropas japonesas capturaram as guarnições americanas de Xangai e Tientsin.
 
As conquistas japonesas eram impressionantes. No dia 9 de Dezembro, o Japão ocupa Banguecoque e procederam a mais dois desembarques na Malásia, nas cidades costeiras de Singora e Patani. No meio do Pacífico, desembarcaram em Tarawa e Makin, nas Ilhas Gilbertas.
 
Ao fim de 3 dias de guerra, os japoneses tinham-se assenhoreado do sul do Mar da China e do Oceano Pacífico.
 
A 11 de Dezembro a Alemanha declarou guerra aos EUA. A 18 de Dezembro, a coberto de um intenso fogo de barragem, as tropas japonesas desembarcaram na ilha de Hong-Kong e no dia 20, desembarcaram na ilha de Mindanau, no arquipélago das Filipinas.
 
No início do conflito, o Japão conseguiu expandir o seu império de maneira avassaladora, derrotando sucessivamente tropas britânicas, americanas e holandesas instaladas no Sudeste Asiático. Conquistaram a Malásia, Birmânia, Singapura e Hong Kong aos britânicos, as Índias Orientais Holandesas aos holandeses, e as Filipinas aos americanos.
 
A expansão japonesa previa o confronto contra os Estados Unidos para os expulsar definitivamente da Ásia (os EUA possuíam bases e soldados instalados nas Filipinas). Isso garantiria ao Japão caminho livre para dominar o sudeste asiático e, assim, ter acesso aos recursos naturais dessas regiões.
 
Mas no ano seguinte, a 7 de agosto de 1942, os americanos lançaram a operação «Watchtower», a primeira contra-ofensiva aliada no Pacífico. A operação começou com o desembarque de 16 mil homens na ilha de Guadalcanal, das Ilhas Salomão. Fuzileiros norte-americanos travaram combates em terra em outras quatro ilhas mais pequenas.
 
Estalinegrado e Guadalcanal mostraram aos aliados que o Eixo podia ser batido nos campos de batalha.
 
Apesar das vitórias iniciais, a capacidade de guerra do Japão era muito inferior à capacidade americana. A economia norte-americana era muito superior à do Japão, e poderia financiar a guerra por muito mais tempo. Isso tornou-se claro a partir do segundo semestre, quando os Estados Unidos passaram a reconquistar todos os territórios ocupados pelo Japão entre 1940 e 1942.
 
Há historiadores que consideram a batalha naval de Midway o grande marco da viragem americana. Nessa batalha, a marinha americana afundou quatro porta-aviões japoneses e impôs outras pesadas perdas materiais à Marinha Imperial Japonesa. Nesse momento, o Japão perdeu boa parte da sua capacidade de guerra pelo mar e, diferentemente dos Estados Unidos após Pearl Harbour, não conseguiu recuperar-se.
 
O avanço americano, entretanto, aconteceu de maneira lenta. Cada reduto ocupado pelos japoneses era defendido de maneira obstinada, o que impunha pesadas perdas de soldados aos Estados Unidos. Apesar disso, novas vitórias aconteceram progressivamente nas batalhas de Guadalcanal, Tarawa, reconquista das Filipinas, Iwo Jiwa e Okinawa.
 
No Sudeste Asiático e no Pacífico os japoneses continuavam a dominar uma área enorme, das fronteiras da Índia às ilhas do Alasca: uma área de quase 4 milhões de quilómetros quadrados, com população de cerca de cerca de 150 milhões de pessoas, sem contar com os territórios anteriormente anexados.
 
Em 22 de Janeiro de 1943, porém, as tropas americanas e australianas desbarataram as últimas bolsas de resistência japonesas a oeste e a sul de Sanananda (Nova Guiné).
 
Exactamente na altura em que isto ocorria, os alemães eram pela primeira vez desalojados de uma das suas principais conquistas em terra firme no Norte de África. As forças alemãs e italianas do Norte de África foram afastadas de Tripoli e obrigadas a recuar para a Tunísia pela acção militar dirigida por Montgomery.
 
De 14 a 23 de Janeiro de 1943 realizou-se no norte de África a Conferência de Casablanca entre representantes dos EUA, com F. D. Roosevelt, e do Reino Unido, com Winston Churchill. Nela se decidiu o desembarque na Sicília, tendo-se considerado imprescindível que a União Soviética se incorporasse na luta contra o Japão, uma vez terminada a guerra na Europa. A Conferência concedeu plena responsabilidade política e militar ao Reino Unido nos Balcãs e Médio Oriente e aos Estados Unidos no Norte de África e no Extremo Oriente.
 
Em 28 de Março de 1943, o 8.º Exército inglês, que se encontrava perto da fronteira líbio-tunisina, renovou a ofensiva. Ao mesmo tempo, as tropas de Eisenhower empreenderam o ataque à parte ocidental de Tunes.
 
Em 12 de Maio, os soldados e oficiais alemães e italianos depuseram as armas, e com isso terminaram as operações do Norte de África.
 
Na Conferência de Teerão, realizada de 28 de Novembro a 1 de Dezembro de 1943, com a participação de Roosevelt, Churchill e Stalin, foi discutida a questão do timing das operações militares contra a Alemanha e a possibilidade de se negociar um acordo de paz. Foi também acordada nesta conferência a garantia da independência do Irão e o envio de ajudas económicas no período pós-guerra.
 
A partir do desembarque das tropas norte-americanas nas Filipinas, em Outubro de 1944, travaram-se as mais importantes batalhas navais da guerra. Os EUA acabaram por as vencer em Abril de 1945.
 
Aproveitando o momento favorável, o governo inglês apressou-se a desencadear, juntamente com o norte-americano, operações nas ilhas da Indonésia. Os ataques da aviação norte-americana tornaram-se sistemáticos desde Outubro de 1944 e atingiram grande envergadura na Primavera de 1945.
 
A última operação efectuada no teatro do Pacífico por forças dos Estados Unidos foi o desembarque de tropas norte-americanas em Okinawa em 25 de Março de 1945.
 
A derrota da Alemanha e a sua capitulação, foram um duro golpe para os nipónicos que viram condenados ao fracasso os seus planos anexionistas.
 
O governo japonês pensava que poderia manter a guerra durante muito tempo, chegando a tentar um novo conluio anti-soviético com os seus aliados.
 
O Japão possuía umas forças armadas descomunais. Os efectivos totais das suas tropas ultrapassava os cinco milhões de homens. Com o objectivo de defender as suas empresas dos ataques aéreos, os industriais nipónicos transferiram numerosas fábricas do Japão para a Manchúria, por eles ocupada desde 1932, e organizaram também a sua produção bélica, neste caso na Coreia, também ocupada.
 
As bombas atómicas
 
Em 1945, com o fim da guerra na Europa e com o Japão cercado pelas forças americanas, os Aliados reuniram-se em Ialta para debater o mapa da Europa no pós-guerra e os termos da rendição japonesa.
 
Diziam os representantes dos EUA que a invasão territorial do Japão resultaria em grandes perdas de vidas, mesmo maiores do que as que se tinham verificado na invasão da Normandia, no Dia D.
 
O Japão estava a ser castigado pelos bombardeamentos americanos sobre as grandes cidades, e estava com a economia falida. Apesar disso, recusou render-se. Os kamikazes lançavam-se sobre objectivos militares dos EUA.
 
2525 pilotos kamikaze morreram nesses ataques, causando a morte de cerca de 7 000 soldados aliados e deixando mais de 4 mil feridos. O número de navios afundados é controverso. A propaganda japonesa da época divulgou que os ataques teriam conseguido afundar 81 navios e danificar outros 195.
 
Apesar de, em desespero, os japoneses terem recorrido aos kamikazes, a deflagração de duas bombas atómicas contra seres humanos constituíram um grave crime contra a Humanidade.
 
Os EUA não queriam ir acabar a guerra no terreno, como defenderam em Ialta, para poupar a vida aos seus militares. Optaram, unilateralmente, por lançar as bombas atómicas sobre Hiroshima, provocando cerca de 247 mil mortos, e sobre Nagasaki, três dias depois, provocando cerca de 200 mil mortos e feridos, na sua grande parte civis. Pouparam em vidas militares, optaram por matar os civis.
 
Claro que essa horrível decisão dos EUA precipitou a rendição japonesa, mas a decisão americana de lançar bombas atómicas sobre civis foi considerada um crime de guerra e a anterior «confidência» de Truman, a Staline, de que os EUA dispunham «de uma nova arma com uma invulgar força destrutiva», serviu também para tentar assustar a URSS e conter a progressão das forças de esquerda nos territórios libertados no Ocidente e no Leste europeus. Antes disto, Churchill, conhecido pelas suas atitudes racistas, consideraria a possibilidade de utilizar gás venenoso em civis alemães, depois dos bombardeamentos a Londres pelo Terceiro Reich, contrariando as regras internacionais da guerra nessa altura.
 
Após o fim da guerra, o comando-geral do Japão foi entregue ao general americano Douglas MacArthur, e o território japonês foi ocupado pelos Estados Unidos até 1952.
 
Os Aliados também organizaram o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, no qual juristas de diferentes nações aliadas julgaram os crimes de guerra cometidos por decisão das lideranças japonesas.
 
Conferência de Ialta e a possibilidade de uma nova ordem de paz no pós-Guerra na Europa
Como referimos, quando a vitória na Segunda Guerra Mundial já parecia certa, os Aliados reuniram-se de 4 a 11 de Fevereiro de 1945 em Ialta, na Crimeia. Churchill, Roosevelt e Stalin decidiram sobre fronteiras e esboçaram uma nova ordem de paz no pós-Guerra.
 
Foi aprovada uma declaração sobre a Europa libertada e discutiram-se várias questões, cuja solução não poderia ignorar que os soviéticos estavam às margens do rio Oder, no Leste alemão, e os americanos, na fronteira oeste da Alemanha.
 
Praticamente ocupada, a Alemanha já não estava em condições de resistir por muitas semanas. A Itália rendera-se, mas o Japão ainda resistia.
 
A Conferência de Ialta, nas margens do Mar Negro, foi uma das três grandes conferências que determinaram o futuro da Europa e do mundo no pós-Guerra (além da de Teerão, em 1943, e da de Potsdam, em meados de 1945).
 
Apesar da influência da URSS na viragem da guerra, a Guerra Fria já começara e a questão da Polónia viria a ser motivo de acesa discussão na conferência. Depois da libertação pelos soviéticos, na Polónia já tinha sido constituído um governo que Roosevelt e Churchill queriam ignorar para impor um processo eleitoral. Acabaram por decidir que fossem incluídos no governo já formado alguns membros apontados por ambos.
 
Em relação à Organização das Nações Unidas, que viria a ser criada, decidiu-se a composição de um Conselho de Segurança com direito de veto. Quanto à Alemanha, as potências aliadas resolveram exigir a «capitulação incondicional» e o país ficou dividido em zonas de ocupação. A conferência decidiu sobre reparações e a desmontagem das instalações industriais do país. E foi consagrada a deslocação da fronteira soviética para ocidente, ficando a fronteira oriental da Alemanha ao longo dos rios Oder e Neisse.
 
A nova linha divisória viria a delimitar o que mais tarde foi designado em 1946 como Cortina de Ferro por Churchill que justificou, com essa linguagem, a divisão do mundo, transformando as relações futuras que deveriam ser pacíficas em quase 50 anos de Guerra Fria.
 
«De Sczecin, no Mar Báltico, até Trieste, no Mar Adriático, transcorre uma cortina de ferro pelo continente. Por trás desta linha estão todas as capitais da Europa Central e do Leste Europeu. Todas as cidades e suas populações estão sob influência soviética. Os acertos feitos em Ialta foram vantajosos demais para os soviéticos».
 
Entretanto ainda se realizaria a Conferência de Potsdam, de 17 de Julho a 2 de Agosto de 1945, em que participaram o norte americano Harry S. Truman, que sucedera a T.D. Roosevelt por morte deste, José Stalin e o britânico Clement Attlee, que derrotara Churchill em eleições. A conferência esteve virada para o período do pós-guerra, decidindo:
 
1. as indemnizações a pagar pela Alemanha às potências vencedoras;
2. a reversão das anexações realizadas pela Alemanha desde antes da guerra;
3. os objectivos comuns imediatos das potências ocupantes da Alemanha (desmilitarização, desnazificação, democratização e descartelização);
4. a divisão da Alemanha e da Áustria em zonas de ocupação, como anteriormente decidido na Conferência de Ialta, e idêntica divisão de Berlim e Viena em quatro zonas (americana, britânica, francesa e soviética). Posteriormente, em 1961, a zona aliada (americana, britânica, francesa) em Berlim seria isolada do resto da Alemanha Oriental, na sequência de incidentes contra a parte sob a administração da URSS, pelo Muro de Berlim, que completou a fronteira interna alemã;
5. o julgamento dos criminosos de guerra nazis em Nuremberg;
6. o estabelecimento da fronteira da Alemanha com a Polónia nos rios Oder e Neisse lLinha Oder-Neisse);
 
7. os termos da futura rendição do Japão.
 
A capitulação do Japão
 
A 9 de Agosto de 1945 o governo soviético, cumprindo os seus deveres de aliado, assumido na conferência de Ialta, na Crimeia, de Fevereiro de 1945, declarou guerra ao Japão e iniciou contra este uma operação em todas as frentes.
 
O exército soviético desembarcou nas ilhas Curilhas, entrou nas cidades de Harbin, Kirin, Chang-chung, Mukden, no Porto Artur e em Daire.
 
Na Manchúria as tropas japonesas entregaram-se e em duas semanas mais seriam libertados a Manchúria no seu todo, o norte da Coreia, o sul da ilha de Sacalina e as ilhas Curilhas.
 
Num mês, as forças armadas soviéticas aniquilaram o Exército de Kuangtung, a base das forças armadas do Japão.
 
Em 28 de Agosto começou o desembarque das tropas americanas no Japão.
 
Em 2 de Setembro de 1945, às 10h30, a bordo do navio de guerra norte-americano Missouri, fundeado na barra de Tóquio, foi assinada a acta de capitulação incondicional do Japão.
 
Este facto assinalava o fim da Segunda Guerra Mundial.
 
Ao leitor:
Este é o quarto de uma série de seis artigos que, entre Março e Maio de 2020, o autor consagra à celebração do 75.º aniversário da Vitória, sob a designação comum de «Lembrar o fim da Segunda Guerra Mundial sem reescrever a História». Foram anteriormente publicados A ascensão do nazismo aos ombros do capitalAs agressões nazis, da ocupação da Renânia à batalha de Moscovo e Da supremacia soviética ao fim da guerra na Europa.
 
 
Na imagem:Um navio de guerra norte-americano afunda-se após ter sido atingido por bombas japonesas, durante o ataque à base naval de Pearl Harbor, no Hawai, EUA, a 7 de Dezembro de 1941, que marcou a entrada dos dois países na Segunda Guerra Mundial. CréditosEnciclopédia Britânica / National Archives
 
Leia em AbrilAbril:
Os promotores desta contestação não se insurgem contra os moldes em que se realizará a cerimónia de celebração do 25 de Abril, mas sim contra a revolução e as conquistas que ela permitiu.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/a-guerra-no-pacifico-agressao-china-e.html

Quem disse «os cuidados de saúde com os mais idosos significam custos desnecessários»?

Taro Aso_UOL.jpg

 

Tese de um ministro japonês das Finanças, Taro Aso, que em 2013 defendeu que «os cuidados de saúde com os mais idosos significam custos desnecessários».

Tarō Asō, nascido em 20 de setembro de 1940, é um político japonês que é vice-primeiro ministro do seu país e ministro das Finanças desde Dezembro de 2012.

Asō foi primeiro-ministro do Japão de Setembro de 2008 a Setembro de 2009.

Asō foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados em 1979.

Desempenhou vários cargos, inclusive como ministro de Relações Exteriores de 2005 a 2007, e tornou-se secretário-geral do Partido Liberal Democrático (LDP) em 2008, tendo também ocupado esse cargo temporariamente em 2007. 

Mais tarde, foi eleito presidente do LDP em setembro de 2008, tornando-se primeiro-ministro no mesmo mês.

 

Via: O CASTENDO https://bit.ly/39AyC3j

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/03/quem-disse-os-cuidados-de-saude-com-os-mais-idosos-significam-custos-desnecessarios/

Mídia chinesa anuncia potência nuclear 'escondida'

Central nuclear Takahama, Japão, em 27 de novembro de 2014
© REUTERS / Kyodo/Files

A agência de notícias chinesa Sohu chama o Japão de verdadeira potência nuclear e pede aos países vizinhos, inclusive à Rússia, para se manterem atentos.

O autor do artigo, publicado pela agência de notícias chinesa Sohu, cita fontes de acordo com as quais, sob o pretexto de desenvolvimento de usinas nucleares civis, o Japão conseguiu obter uma grande quantidade de combustível nuclear. Isso seria o suficiente para produzir 6.000 bombas nucleares.

A mídia destaca que, durante algumas dezenas de anos, o desenvolvimento do Japão tem sido contido pelos EUA. Com isso, o país aproveitou o apoio do aliado e se tornou uma forte potência econômica. Agora, o Japão quer desempenhar o papel mais ativo na arena internacional.

Primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, visita usina nuclear da companhia distribuidora Tokyo Electric Power Company (TEPCO), em Okuma, na prefeitura de Fukushima, em 14 de abril de 2019
© AFP 2019 / JIJI PRESS
Primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, visita usina nuclear da companhia distribuidora Tokyo Electric Power Company (TEPCO), em Okuma, na prefeitura de Fukushima, em 14 de abril de 2019

Nota-se que, no campo das capacidades nucleares, o Japão integra os primeiros dez países do mundo, não devendo o nível tecnológico do país ser subestimado. Apesar de o Japão não ter licença para desenvolver armas nucleares, o país ocupa as primeiras posições no mundo no que se refere ao uso deste tipo de tecnologias.

Segundo o autor do artigo, em caso de início de hostilidades militares, o Japão seria capaz de criar rapidamente armas nucleares usando o material nuclear que possui.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019113014834139-midia-chinesa-anuncia-potencia-nuclear-escondida/

Japão relata entrada de 4 barcos-patrulha chineses em águas das ilhas disputadas

Grupo de ilhas disputadas no mar do Sul da China: Uotsuri, Minamikojima e Kitakojima denominados Senkaku no Japão e Diaoyu na China (foto de arquivo)
© REUTERS / Kyodo

A Guarda Costeira do Japão informou que quatro embarcações de patrulha chinesas entraram nas águas territoriais do Japão perto das ilhas Senkaku (Diaoyu), um território disputado no mar da China Oriental.

De acordo com o canal NHK, os navios entraram nas águas japonesas ao largo da ilha de Uotsuri por volta das 10h10 (22h10 no horário de Brasília) e, 20 minutos depois, estavam a cerca de 20 km a noroeste da ilha.

Os serviços marítimos japoneses avisaram os intrusos para deixarem o mar territorial imediatamente.

Desde o fim de agosto, esta é a primeira incursão de barcos-patrulha chineses perto de Senkaku.

O governo japonês criou um grupo de verificação para recolher dados e acompanhar a situação.

Ilhas reivindicadas

As ilhas Senkaku, como são conhecidas no Japão, ou Diaoyu (segundo seu nome chinês), localizadas no mar da China Oriental, têm sido disputada por Tóquio e Pequim desde a década de 1970.

O Japão afirma que as cinco ilhas fazem parte do seu território desde 1895 e não pertenciam anteriormente a ninguém, mas Pequim responde que, nos mapas japoneses de 1783 e 1785, o arquipélago é identificado como território chinês e tinha pertencido ao Império Chinês há 600 anos.

Após a Segunda Guerra Mundial, o arquipélago permaneceu sob o controle dos Estados Unidos, que o transferiram para o Japão em 1972.

Tóquio atribui as reivindicações chinesas à descoberta de importantes reservas de hidrocarbonetos na área na década de 70.

Guarda costeira japonesa usa canhões de agua na disputa territorial de Senkaku
Guarda costeira japonesa usa canhões de agua na disputa territorial de Senkaku

As ilhas também são reivindicadas por Taiwan.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019091614521931-japao-relata-entrada-de-4-barcos-patrulha-chineses-em-aguas-das-ilhas-disputadas/

Onda de calor no Japão deixa 39 mortos em 6 dias

Ao longo de 6 dias, uma onda de calor no em Tóquio, no Japão, deixou 39 mortos.

O calor em Tóquio continua subindo. Nesta quarta-feira (7) a capital japonesa registrou 35 graus celsius de máxima em algumas áreas.

Desde o início de agosto, o clima quente da cidade matou pelo menos 39 pessoas, publicou o canal japonês NHK.

A informação também foi reportada pela polícia e outras autoridades, mostrando que a as vítimas tinham entre 40 e 90 anos de idade e que morreram dentro de suas casas.

De acordo com a agência japonesa de emergências em desastres, o calor matou pelo menos 57 pessoas entre os dias 29 de julho de 4 de agosto. Outras 1,8 mil pessoas foram hospitalizadas no mesmo período.

A situação levantou preocupações devido à realização das Olimpíadas 2020, no que tange a garantia da segurança de turistas, torcedores e atletas.

Metereologistas afirmam que o aumento da temperatura pode criar condições atmosféricas instáveis em áreas maiores, causando nuvens de chuva em alguns locais e mudanças repentinas no clima como tempestades elétricas e ventos fortes nos próximos dias.

Enquanto isso, as autoridades japonesas recomendam às pessoas que se mantenham hidratadas, que usem ar-condicionado e que evitem contato direto com a luz do sol.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019080714358755-onda-de-calor-no-japao-deixa-39-mortos/

JAPÃO, CENÁRIO DA PRÓXIMA CRISE?

Banco de Japón transforma su política monetaria O Japão, essencialmente, leva a cabo uma política de impressão monetária desde os anos noventa, com zero de sucesso. A sua política monetária[1] consiste em tornar o yen muito barato, por forma a que os investidores internacionais procedam ao «carry trade» com o dólar ou outras divisas «fortes». Com isso, aumenta a competitividade dos seus produtos, sendo um dos maiores exportadores mundiais de  produtos industriais sofisticados. Mas, o modo como «embaratece» o yen é muito importante compreender, também: o banco central do Japão compra essencialmente toda a dívida em obrigações do tesouro, sendo um papel com um rendimento virtualmente zero (0,3%). Quando se está num ambiente em deflação, manter em carteira um activo com juro próximo de zero é aceitável, pois ainda assim o valor do activo não desce, mas quando a inflação começa da despontar, como agora, com 1% sendo previsto que atinja os 2% dentro de pouco tempo, qualquer investidor quer livrar-se das obrigações japonesas da dívida que apenas lhe trazem prejuízo. 

Ora, a situação presente é de que o serviço da dívida (pagamento do capital mais os juros) ascende a 24,1% das receitas de impostos, sendo que a inflação agora é somente de 1%. O BCJ (Banco Central do Japão) está a comprar todas as obrigações que aparecem no mercado, tendo para isso que imprimir triliões de yen. É certo que os juros pagos com o dinheiro do orçamento irão quase todos para detentores japoneses, o próprio Banco Central, fundos de pensões, investidores particulares... Porém, o  peso crescente da dívida no orçamento, torna o próprio funcionamento do Estado e da economia muito frágil: Bastaria a subida de 0,3% de juros para 1% de juros - provável, numa situação onde a inflação cresce -  para que praticamente a totalidade da receita de impostos seja devorada pelo serviço da dívida. Seria um cenário catastrófico. Caso a situação atinja esse ponto, a realidade do endividamento extremo das principais economias e Estados ao nível mundial será impossível de esconder do grande público. Pois, a realidade é que essa situação já existe e os governos e bancos centrais têm-se limitado a disfarçar o descalabro. Mas a ignorância do público, em geral, que se verifica mesmo nas economias mais afluentes, é o único facto que nos distancia de um colapso geral neste cenário, em que se acumularam triliões de dívida... essencialmente impagável! 

References

  1. ^ política monetária (www.eleconomista.com.mx)

Leia original aqui

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