Israel

ANEXAÇÃO*

 
 
 

Opoder sionista em Israel, sempre com o apoio dos EUA, pretende avançar com a anexação formal de quase um terço da Cisjordânia. Tratar-se-ia de uma machadada – que Israel e Trump-Pompeo desejam definitiva – na viabilidade de um Estado Palestiniano, que rasgaria décadas de promessas de resoluções internacionais e mesmo de acordos assinados por Israel e EUA. Um novo crime a juntar a já tantas décadas de ocupação e genocídio. Como vem sendo habitual, o Governo Português e o seu cada vez mais inqualificável MNE envergonham o país com o seu silêncio cúmplice. É necessária toda a solidariedade ao povo palestiniano!

 

 
O Programa do novo governo de Israel prevê a anexação formal de quase um terço da Cisjordânia, território palestiniano que, segundo inúmeras resoluções internacionais, deverá integrar o Estado a que o povo palestiniano justamente aspira. O governo de Netanyahu pretende concretizar a anexação já a partir deste mês. Seria uma machadada – que Israel e Trump-Pompeo desejam definitiva – na viabilidade dum Estado Palestiniano. Os territórios a anexar retalham a Cisjordânia em pequenas ilhotas, como os velhos bantustões do apartheid na África do Sul. Incluem a bacia do Rio Jordão, que separa a Palestina da Jordânia, enclausurando a Cisjordânia e impedindo o seu acesso directo ao exterior.

 


A realidade da Cisjordânia nunca deixou de ser a da ocupação, nem mesmo após a criação da Autoridade Palestiniana na sequência dos Acordos de Oslo de 1993. Cerca de 60% do seu território faz parte da chamada Zona C, que Oslo previa que permanecesse sob controlo militar directo de Israel (como aconteceu) até à conclusão do processo negocial (que nunca aconteceu). Mais de 22% da Cisjordânia faz parte da Zona B, formalmente sob «controlo conjunto» de Israel (no plano militar) e da Autoridade Palestiniana (civil). Há já longos anos que não existe sequer a ficção de um ‘processo negocial’ para concretizar as promessas da chamada ‘comunidade internacional’ ao povo palestiniano.

 


 
Mas a anunciada anexação é um momento de viragem. São abertamente rasgadas décadas de promessas de resoluções internacionais e mesmo de acordos assinados por Israel e EUA que, no papel, aceitavam a perspectiva dum Estado Palestiniano nos 22% do território histórico da Palestina ocupados por Israel na guerra de Junho de 1967. Contando com o permanente apoio dos EUA, hoje governados pela dupla Trump-Pompeo – autênticos serial killers de acordos internacionais – o governo israelita aproveita a conjuntura para formalmente declarar morta a chamada solução de dois Estados (Israel e Palestina) no território histórico da Palestina. Israel nunca esteve de boa fé nos processos negociais. A construção dos ilegais colonatos israelitas e do Muro do Apartheid no interior dos territórios ocupados visou abrir caminho ao Grande Israel, objectivo de sempre do movimento sionista. Netanyahu já anunciou que a Zona C será agora uma ‘reserva’ para construção de novos colonatos, antecipando novas anexações.

 


Todos os Estados e forças que, ao longo de décadas de crimes, massacres e guerras de Israel (a lista é enorme, mas refiram-se Sabra e Chatila, Qana, a mártir Faixa de Gaza) sempre foram tolerantes para com o agressor, ao mesmo tempo que exigiam da vítima concessões sem fim, em nome da miragem dum Estado Palestiniano, têm que fazer hoje uma opção clara. Ou cortam de vez a sua conivência com Israel e apoiam claramente os direitos inalienáveis do povo palestiniano, ou tornam-se cúmplices duma traição histórica e perdem qualquer credibilidade para criticar as formas de resistência que o povo palestiniano vier a decidir. Nem o regresso ao torpor do estado de coisas anterior é aceitável. O silêncio do Governo Português e do seu cada vez mais inqualificável MNE envergonha Portugal.

 

 
A solidariedade com o povo da Palestina vai sair à rua, em Lisboa, já nesta segunda-feira, dia 6, às 18h30, no Martim Moniz.

 

 
O Diário.info

 


Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/anexacao.html

“Fracasso” no combate à covid-19. Diretora de Saúde de Israel demite-se

Gali Tibbon / Afp Pool

 

Siegal Sadetzki, diretora dos serviços públicos do Ministério da Saúde de Israel, denunciou o “fracasso” das autoridades em retardar a propagação da covid-19 no país, apresentando a sua demissão.

 

Uma responsável do Ministério da Saúde de Israel demitiu-se esta terça-feira, denunciando o “fracasso” das autoridades em retardar a propagação do novo coronavírus num país em que os casos de infeção continuam a aumentar.

Siegal Sadetzki, diretora dos serviços públicos do Ministério da Saúde, renunciou ao cargo no dia seguinte ao anúncio do ministro da tutela, Yuli Edelstein, da sua intenção de nomear um responsável para a luta contra a pandemia, que lhe retiraria algumas das suas atuais responsabilidades.

“Após sucessos na luta (contra o vírus) a nova política provou ser um fracasso“, escreveu Sadetzki, epidemiologista, no Facebook. “Nas últimas semanas, a bússola para o tratamento de pandemia ficou louca”, acrescentou Sadetzki, recordando as suas “repetidas advertências” para inverter a tendência de crescimento da pandemia.

“Ao ponderar tudo, cheguei à conclusão de que as minhas opiniões profissionais já não são levadas em consideração e que eu não posso continuar a trabalhar e a ajudar a combater a propagação do vírus”, concluiu a médica.

Esta terçafeira, entram em vigor as novas restriçõesdecretadas pelo Governo israelita, com o encerramento de bares e pavilhões desportivos, limitando o número de pessoas em locais públicos e aumentando a multa para pessoas que não usem máscaras em locais públicos.

De acordo com Sadetzki, “um desconfinamento demasiado rápido” reduziu os efeitos positivos da política israelita perante a primeira onda da pandemia. “Uma mudança radical no processo de tomada de decisão é necessária para conter uma segunda vaga”, avisa a ex-responsável do Ministério da Saúde.

Edelstein, nomeado ministro da Saúde em maio, agradeceu a Sadetzki pelo seu “trabalho dedicado à saúde dos cidadãos israelitas”.

Em Israel, já se registaram 31.271 casos de contaminação com o novo coronavírus, incluindo 338 mortes, segundo os últimos dados oficiais, tendo-se registado uma média de mil casos diários de contágio, desde 2 de julho.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/diretora-saude-israel-demite-333905

Pressão internacional obriga Netanyahu a adiar planos de anexação da Cisjordânia

 

247 - O governo de Israel foi obrigado a recuar temporatiamente de anunciar nesta quarta-feira (1º/7) o plano de anexação da Cisjordânia, diangte da forte pressão internacional.

A CIsjordânia é um território onde vivem 400 mil colonos judeus ocupados ilegakmente e pela força. Sua anexação por Israel é cndenada pelo direito internacional.

Membros do governo de Benjamin Netanyahu disseram que as propostas ainda estão sendo debatidas com Washington, que tenta mediar um controverso acordo regional, informa a Folha de S.Paulo.

 

As linhas gerais da proposta haviam sido divulgadas em janeiro, quando Netanyahu participou do anúncio de um plano de paz entre Israel e a Palestina, na Casa Branca. Os palestinos, que discordam da proposta, nem foram ao evento.

Israel bombardeia o Exército Árabe Sírio

Na noite de 23 para 24 de Junho, a Força aérea israelita bombardeou alvos do Exército Árabe Sírio.

Os aviões bombardeiros israelitas (israelenses-br) chegaram através do sobrevoo do Golã ocupado para atacar Sueida e através da Jordânia para atingir Deir Erzor.

Nos últimos três anos, Israel apenas bombardeava alvos ligados ao Irão em território sírio, mas nunca o Exército Árabe Sírio.

Estes ataques ocorrem quando uma profunda mudança geoestratégica regional está em curso, quando o Irão se aliou aos Irmãos Muçulmanos, que uma escaramuça opôs uma unidade do Hezbolla ao Exército Árabe Sírio, e quando a presidência síria negoceia directamente com a Casa Branca.


Tradução
Alva

Original em 'Rede Voltaire' na seguinte ligação:

https://www.voltairenet.org/article210382.html

Pompeo: Israel é quem deve decidir anexar ou não assentamentos na Cisjordânia

Bandeira israelense perto de assentamentos judaicos na Cisjordânia
© AP Photo / Bernat Armangue

Enquanto o premiê israelense Benjamin Netanyahu planeja alargar o território de Israel estendendo-o a parte da Cisjordânia, secretário de Estado americano diz que decisão sobre anexação cabe a Israel.

A declaração do secretário de Estado americano Mike Pompeo veio logo após assessores do presidente dos EUA Donald Trump terem discutido o apoio aos planos de anexação de Netanyahu.

Apesar dos pedidos e avisos de aliados tanto de Israel quanto dos EUA contra a anexação, Pompeo disse a jornalistas que o alargamento da soberania de Israel era uma decisão "para os israelenses tomarem", publicou a agência Reuters.

Desta forma, o governo americano expressou apoio à ideia da expansão de Israel ao integrar oficialmente ao seu território soberano os assentamentos judaicos na Cisjordânia.

O território também é reivindicado pelos palestinos para a criação de seu Estado. Enquanto isso, a anexação dos assentamentos provoca temores entre a própria população israelense.

Plano de Trump

Em janeiro passado, a administração Trump anunciou ao mundo o chamado "acordo do século" que visa resolver a disputa territorial entre israelenses e palestinos.

Pelo acordo, os EUA reconheceriam os assentamentos judaicos construídos em terras palestinas como parte do território de Israel.

Por outro lado, seria criado um Estado palestino, mas com inúmeras restrições.

Enquanto isso, o premiê israelense pretende aumentar o território de Israel "acrescentando" o Vale do Jordão (parte oriental da Cisjordânia) a partir de julho, o que é visto como ilegal por muitos países e já provocou a desaprovação da ONU.

Ainda de acordo com a mídia, citando uma fonte do governo de Trump, os EUA são a favor de uma expansão israelense gradual, iniciando-se pelos assentamentos próximos de Jerusalém.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020062515755721-pompeo-israel-e-quem-deve-decidir-anexar-ou-nao-assentamentos-na-cisjordania/

Não à anexação e ocupação da Cisjordânia. Sim à paz e à democracia

 
 
Francirosy Campos Barbosa, no Ibraspal

 

 
#Escrito em português do Brasil

 

 
Éurgente que apoiadores internacionais da causa Palestina se unam em defesa da terra e da sobrevivência do povo palestino. Neste momento precisamos unir vozes em nossas redes sociais, falas públicas em todos os contextos para nos colocar "Contra a anexação israelense, Palestina livre". É fundamental se opor a anexação da Cisjordânia situada na margem oeste do rio Jordão e delimitado por Israel ao norte, oeste e sul.  Esta região, excluindo Jerusalém Oriental, abriga em torno de 430.000 judeus israelenses que vivem em 132 assentamentos, além de 124 "postos" menores construídos sob a ocupação de Israel. Esses assentamentos são considerados ilegais sob a perspectiva do direito internacional.

 

 
Entretanto, o "Acordo do Século", que eu prefiro chamar de "Apartheid do Século" deve ser perpetrado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu com aval de Donald Trump a partir de 1º de julho. Com isso haverá anexação de 30 % da Cisjordânia, violando os Acordos de Oslo e a Lei Internacional. A fixação de Israel por anexação de terras palestinas beira a construção de uma comunidade imaginada - para pensar nos termos de Benedict Anderson -, que estabelece uma "terra prometida" ao povo judeu, isso se evidencia quando se referem à Cisjordânia como "Judéia e Samaria" como forma de remeter a um discurso de terras dos judeus, mas, bem sabemos, que se trata da Palestina ocupada em 1948 durante a Nakba e aprofundada em 1967 com a guerra dos seis dias. 

 

 
O tal "acordo do século" constitui pontos que vão contra os interesses dos Palestinos, a saber: o reconhecimento de Jerusalém como capital indivisível de Israel, a permanência dos assentamentos ilegais e a anexação definitiva do Vale do Jordão, que impedirá a sobrevivência de palestinos promovendo assim mais uma violência simbólica (quando se refere a uma comunidade imaginada, original) e concreta.

 

 
Ainda como parte do plano, Israel anexaria blocos de colônias israelenses na Cisjordânia e, em compensação, transferiria a um futuro Estado palestino - a ser criado em quatro anos - terras no deserto do Neguev (Sul do país) e no chamado "Triângulo" (Norte), apelido de um bloco de comunidades árabes na fronteira com a Cisjordânia. Baqa al-Gharbiyye é uma delas e também um importante centro urbano da minoria árabe em Israel (20% da população total do país). 

 

 
A proposta de anexação acaba definitivamente com a solução de dois Estados. Lideranças palestinas denunciam o acordo unilateral, que mais enfraquece um governo Palestino, do que lhe dá autonomia. As principais áreas a serem anexadas são o Vale Cremisan e o Vale Al Makhrour, em Beit Jala. A medida pode resultar em cerca de 4,5% dos palestinos na Cisjordânia vivendo em enclaves dentro do território anexo. Os palestinos buscam defender toda a Cisjordânia - à qual reivindicam um direito histórico - de um futuro estado independente junto com a Faixa de Gaza. Esta anexação de Israel fragmentaria ainda mais as terras e deixaria um espaço ainda menor para constituição de um Estado da Palestina. 

 

 
Se se concretizar esta anexação será uma violação do direito internacional e de várias resoluções da ONU. Mais de 100 juristas denunciaram a violação de regras do direito internacional, que proíbem a tomada de território pela força e instou outros países a se oporem ativamente. A anexação israelense de partes da Cisjordânia também "acarreta consequências de ofensas internacionais e - sob certas circunstâncias - leva a responsabilidade criminal internacional individual", afirmou uma carta assinada pelos profissionais do direito. Uma declaração assinada por quase 50 especialistas declarou como plano ilegal do primeiro-ministro de ampliar a soberania anexando terras palestinas. 

 

 
Na declaração os juristas expressam:

 

 
"A anexação do território ocupado é uma violação grave da Carta das Nações Unidas e das Convenções de Genebra, e contrariamente à regra fundamental afirmada muitas vezes pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e pela Assembleia Geral de que a aquisição do território por guerra ou força é inadmissível ".

 

 
A população de Al Makhrour e Cremisan, consideradas como áreas agrícolas dependem para sobreviver, principalmente nas plantações de oliveiras em que estão localizadas. Não apenas suas frutas (azeitonas) são usadas, mas são usadas para fazer óleo, sabonetes e o uso de sua madeira por artesãos palestinos. Al Makhrour, é considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2004, mas isso não impede que  Israel continue cometendo crimes de guerra, deslocando os palestinos de suas casas e destruindo suas oliveiras, campos, escolas e hospitais.

 


No vale de Cremisan, Israel construiu um assentamento ilegal de Har Gilo. Nesta região um mosteiro construído no século VII de ordem salesiana que apoia os cristãos palestinos também fica ameaçado nesta anexação. O vinho que eles produzem e armazenam é conhecido como um dos melhores da Palestina. Há no mosteiro uma escola que é frequentada por 400 crianças. O que vai acontecer é que o mosteiro e sua escola e terras agrícolas serão separados pelo muro de Israel. Desde agosto de 2015 que Israel arranca árvores para ampliação do seu muro, assim como a construção de um túnel na área de Bir Onah. Teme-se que todo o vale seja fechado com o anuncio da anexação em 1 de julho. 

 

 
Nesta semana milhares de israelenses e palestinos protestaram contra a anexação da Cisjordânia. Evidencia-se que esta decisão israelense com apoio dos Estados Unidos nos projetos de expulsão e colonização de palestinos é mais um esforço da política norte-americana na execução de uma política colonialista e genocida em parceria com o Estado de Israel.

 

 
É urgente a necessidade de formamos uma frente ampla de colaboração e solidariedade para o enfrentamento desta barbárie que configura esta anexação da Cisjordânia ampliando o espectro das violências vivenciadas pelos palestinos, a começar pela própria negação da Nakba e das formas usurpadoras de direitos pelos sionistas de plantão com o manejo do primeiro ministro de Israel em colaboração com EUA. 

 

 
*Francirosy Campos Barbosa Antropóloga, docente Associada ao Departamento de Psicologia da FFCLRP/USP, pós-doutora pela Universidade de Oxford, coordenadora do GRACIAS - Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicose Árabes. Membro da diretoria do IBRASPAL.

 

 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/nao-anexacao-e-ocupacao-da-cisjordania.html

A descolonização de Israel começou

 
 
Thierry Meyssan*

 


Eis que há três quartos de século uma colónia anglo-saxónica, tornada um arsenal dos EUA, tenta conquistar todas as terras do Nilo ao Eufrates (o Egipto, a Palestina, a Jordânia, o Líbano, a Síria e uma parte do Iraque). E, eis que há alguns anos os cidadãos desta mesma colónia aspiram transformá-la num Estado normal. Este conflito, de uma outra era, franqueou uma nova etapa com a nomeação de um governo bicéfalo: dois primeiros-ministros representando as duas visões políticas vão paralisar-se mutuamente. Os únicos avanços apenas poderão ocorrer em matéria social e de saúde, acelerando ainda mais a modernização da sociedade e, portanto, o fim da fantasia colonial.

 


A nomeação do governo de coligação (coalizão-br) israelita não encerra a batalha encarniçada, aberta desde há seis anos, entre duas visões opostas e inconciliáveis de Israel [1], nem a paralisia governamental que dura desde há um ano e meio. Pelo contrário, ela marca o início da agonia de um dos dois protagonistas e a lenta transformação do país num Estado normal.

 


Não é fortuito que este debate tenha eclodido sob os golpes do ex-soviético Avigdor Liberman por causa dos privilégios dos estudantes das yeshivas. O antigo Ministro da Defesa, ao afirmar que o álibi religioso não dispensa ninguém do serviço nacional, contestou o cerne da mentira sobre a qual o Israel de há setenta e dois anos foi fundado.

 


O apelo do General Ehud Barack para acabar com Benjamin Netanyahu pela via judicial falhou. Os partidários do sonho colonial continuam lá. Eles mergulharam os seus concidadãos numa espécie de terror convencendo-os de que estão ameaçados pelos estrangeiros. Como nos tempos dos guetos, para os «proteger», fecharam-nos atrás de um Muro que os separa até dos seus concidadãos árabes.

 


Lembremos que Israel não é o produto da cultura judaica, mas da vontade dos puritanos ingleses [2].

 


 
Foi a partir do século XVII que o Lorde Protector, Cromwell, se comprometeu a criar um Estado judeu na Palestina, tema que não foi retomado durante a restauração dinástica. No século XVIII, os líderes da Guerra da Independência dos EUA, herdeiros de Cromwell, pronunciaram-se igualmente por essa criação de tal modo que o Reino Unido e os Estados Unidos acabam por ser os padrinhos naturais desta entidade. No século XIX, o Primeiro-ministro da Rainha Victoria, Benjamin Disraeli, teorizou o sionismo como instrumento do imperialismo britânico e inscreveu a «Restauração de Israel» no programa do Congresso Internacional de Berlim de 1878. À época nenhum judeu apoiou este descabelado projecto.

 


Foi preciso esperar até ao caso Dreyfus, em França, para que Theodor Herzl se dedique a converter a diáspora judaica ao sionismo anglo-americano. Ele concebeu um sistema colonial segundo o modelo posto em prática por Cecil Rhodes em África e conseguiu, gradualmente, atrair inúmeros intelectuais judeus ateus para isso.

 


Assim que os governos britânico e norte-americano foram ocupados por puritanos (Da-vid Llyod George e Woodrow Wilson) durante a Primeira Guerra Mundial, um acordo foi concluído entre os dois países para criar Israel. O princípio de um «lar nacional judaico» foi tornado público por uma carta do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Lord Balfour, a Lord Rotschild, depois o Presidente Wilson fixou oficialmente a criação de Israel como um dos 14 objectivos de guerra dos Estados Unidos. Na conferência de paz, o Emir Faiçal subscreveu o projecto sionista e comprometeu-se a apoiá-lo.

 


Judeus começaram a colonizar a Palestina do mandato (sob Mandato britânico-ndT) com a ajuda da burguesia local, mas em detrimento do povo comum, depois a emancipar-se de Londres. Em 1948, um hebreu ateu, Ben-Gurion, precedendo desta vez em cinco anos o modelo rodesiano, proclamou a independência de Israel antes das Nações Unidas terem definido as fronteiras. Só então os rabinos deram o seu amplo apoio ao projecto colonial.

 


Desde há setenta e dois anos, a Palestina amarga uma guerra perpétua. Na sequência de várias vagas de imigração sucessivas, o Estado de Israel inventou, com todos os detalhes, uma «cultura» em torno de um povo imaginário (incluindo etnias que vão do Cáucaso à Etiópia), uma língua artificial (o actual hebraico não tem grande relação com o antigo patuá e escreve-se em caracteres aramaicos) e uma história fictícia (apesar das contestações da UNESCO, confundem a antiga cidade-estado de Jerusalém com o Estado de Israel). A assimilação desta criação intelectual ao projecto colonial puritano solidificou-se em torno de uma interpretação sacralizada de certos crimes nazis, qualificados de «holocausto» pelos puritanos e de «shoah» pelos judeus.

 


Nada nessa construção fictícia resiste à análise. Tudo aí é feito aí para levar a crer na continuidade de um Povo e de um Estado, quando se trata apenas de uma colónia anglo-saxónica.

 


Entretanto, hoje em dia, todos os Estados coloniais desapareceram à excepção de Israel e, com o passar do tempo, a maioria dos Israelitas (Israelenses) da actualidade nasceram em Israel. Assim, agora, duas concepções deste Estado coexistem:

 


- de um lado, os partidários do colonialismo anglo-saxónico que reivindicam a sobera-nia sobre as terras que vão do Nilo ao Eufrates. Eles julgam estar numa ilha de piratas, abrigando criminosos do mundo inteiro e recusando qualquer acordo de extradição. Eles declaram-se como um «povo eleito», superior aos outros homens, e consideram Israel como o «Estado Judaico».

 

 
- do outro, pessoas que querem viver em paz com os seus vizinhos, qualquer que seja a sua religião, ou ausência de religião, e qualquer que seja a sua etnia. Eles não querem ter nada a ver com as fantasias coloniais de séculos passados, mas não pretendem desistir de nada que herdaram dos seus pais, mesmo que esses o tenham roubado. Eles gostariam de ver resolvidos os impressionantes problemas sociais da sua pátria.

 

 
São duas visões inconciliáveis, as quais são encarnadas por dois Primeiros-ministros, Benjamin Netanyahu e o seu «parceiro», o General Benny Gantz.

 


Este tandem jamais poderá resolver seja o que for dos conflitos com os povos árabes. Quando muito, poderá encarar por fim as terríveis injustiças do país. Por exemplo, cerca de 50.000 cidadãos que passaram pelos campos da morte nazis sobrevivem hoje no país como podem, sem ajuda do Estado que os ignora, mas que encaixou as indemnizações (indenizações-br) que lhes eram destinadas, enquanto fingia salvá-los.

 


Pela simples pressão do Tempo e da Demografia, a descolonização de Israel começou.

 


 
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

 

 
Notas:

 

[1] “The Geopolitical Approach: Two States for Two Peoples”, by Commanders for Israel’s Security, Voltaire Network, 30 October 2014.

 

[2] “Quem é o inimigo?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 4 de Agosto de 2014.
 
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/a-descolonizacao-de-israel-comecou.html

Colonos israelitas arrasam terra palestiniana para construir a «estrada americana»

O propósito é abrir caminho à construção da «Estrada Americana», o anel rodoviário que ligará os colonatos localizados a norte e a sul de Jerusalém e ajudará a concretizar a anexação da Cisjordânia.

A chamada «American Road» em construção, cercando ainda mais Jerusalém OrientalCréditos / Political Uprise

De acordo com a informação ontem divulgada pelo Palestinian Information Center, os colonos israelitas soltaram os seus bulldozers e arrasaram muitos hectares de terra na cidade de Qusra, a sul de Nablus, na Margem Ocidental ocupada.

Ghassan Daghlas, funcionário da Autoridade Palestiniana que monitoriza as actividades de expansão dos colonatos, disse que a acção se enquadra no objectivo de construir a Estrada Americana, um anel de oito quilómetros que irá ligar o posto avançado de Esh Kodesh ao colonato de Migdalim.

O governo israelita e os colonos embarcaram recentemente numa escalada de actividades relacionadas com os colonatos na Margem Ocidental, que se enquadra nos planos de Benjamin Netanyahu para anexar o Vale do Jordão e outras partes dos territórios ocupados da Palestina.

Daghlas acrescentou que o anel rodoviário, quando estiver completo, também irá ligar todos os colonatos e postos avançados israelitas no Norte da Cisjordânia aos do Vale do Jordão.

Uma reportagem da Reuters revelou, na segunda-feira passada, que as partes central e sul da chamada Estrada Americana já estavam a ser construídas e que o concurso para a parte norte seria lançado mais para o fim do ano, com um custo estimado de 187 milhões de dólares. Prevê-se que o custo do projecto, no total, ascenda a mais de 250 milhões de dólares.

As autoridades israelitas argumentam que a estrada vai aliviar o trânsito tanto para os colonos como para os palestinianos que residem na área. No entanto, os palestinianos dizem que este novo anel visa acima de tudo beneficiar os colonos israelitas e minar ainda mais a possibilidade de que Jerusalém seja a capital do seu futuro Estado.

«Este projecto separa os bairros palestinianos uns dos outros dentro da cidade», disse à Reuters o ministro palestiniano dos Assuntos de Jerusalém, Fadi al-Hidmi. A Estrada Americana faz parte do projecto de anel rodoviário «ilegal» de Israel, que visa «cercar Jerusalém Oriental ocupada, ligá-la mais aos colonatos israelitas e separar a capital ocupada da Palestina do resto da Margem Ocidental», acrescentou.

Tornar inviável um Estado da Palestina

Actualmente, mais de 400 mil israelitas vivem em unidades habitacionais nos colonatos e outros 200 mil residem em Jerusalém Oriental ocupada. Os palestinianos sublinham que o aumento do número de colonatos torna inviável um futuro Estado.

Esta é precisamente a aposta de Netanyahu, mais clara desde que, em Janeiro, recebeu o «apoio» da administração norte-americana, quando foi revelado o plano de Donald Trump para o Médio Oriente, o chamado «Acordo do Século».

Além dos anúncios repetidos de que Israel vai anexar partes da Cisjordânia e da actividade acrescida nos colonatos, nos últimos tempos intensificaram-se – a um ritmo diário – as operações nocturnas e diurnas das forças militares de ocupação israelita nas terras palestinianas da Cisjordânia ocupada, com invasões de propriedade, revistas às casas e dezenas de detenções de palestinianos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/colonos-israelitas-arrasam-terra-palestiniana-para-construir-estrada-americana

Israel planeja anexar Cisjordânia por partes, revela mídia

 Palestinos discutem com tropas israelenses durante protesto que marca o 72º aniversário de Nakba e contra o plano israelense de anexar partes da Cisjordânia ocupada. Povoado de Sawiya, perto de Nablus, em 15 de maio de 2020
© REUTERS / Mohamad Torokman

O primeiro-ministro de Israel planeja anexar 30% da Cisjordânia ocupada de forma gradual, revela mídia local.

Segundo o plano, divulgado pelo jornal pró-governo Israel Hayom, Israel anexará primeiramente os assentamentos ilegais e, futuramente, o Vale do Jordão.

Recentemente, Netanyahu afirmou em várias ocasiões que a anexação ocorrerá a partir de 1 de julho, conforme estipula o "acordo do século", aprovado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

O território palestino que Netanyahu planeja anexar em uma primeira fase representa 10% da Cisjordânia ocupada, enquanto o chamado acordo do século contempla a anexação de 30% da Cisjordânia.

O jornal israelense afirma que, quando a primeira fase estiver completa, Netanyahu convidará a Autoridade Palestina a negociar.

Se, como se espera, as autoridades palestinas recusarem realizar negociações, Netanyahu aplicará a segunda fase para anexar o restante 20% do território previsto pelo acordo.

Segundo o jornal de Tel Aviv, o primeiro-ministro demonstrará desta maneira ao mundo que Israel atua com "moderação" e não anexa todo o território de imediato.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020061715719151-israel-planeja-anexar-cisjordania-por-partes-revela-midia/

Netanyahu não perde tempo criando Colinas de Trump

Netanyahu não perde tempo criando Colinas de Trump

Israel começou a trabalhar em um assentamento em homenagem ao presidente dos EUA, Donald Trump, nas Colinas de Golã, declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em reunião do governo.

O premiê israelense explicou que a decisão de estabelecer esse povoado foi tomada em respeito às ações de Trump, que em março de 2019 reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e a soberania israelense sobre as Colinas de Golã.

Netanyahu atribuiu ao futuro assentamento o nome hebraico de Ramat Trump (Colinas de Trump).

"Hoje, iniciaremos medidas práticas para estabelecer a comunidade de Ramat Trump nas Colinas de Golã", declarou premiê israelense no domingo (14).

Segundo o Jerusalem Post, o governo de Israel aprovou o orçamento inicial para a criação do acordo, alocando cerca de US$ 2,3 milhões (R$ 11,6 milhões), que serão usados para planejar e construir estruturas temporárias no assentamento.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2020061515710788-netanyahu-nao-perde-tempo-criando-colinas-de-trump/

A Guerra dos Seis Dias: O mito de um Davi israelense contra um Golias árabe

Foi um dia tenso no quartel-general do exército israelense em Tel Aviv, 2 de junho de 1967. Por semanas, os generais da Força de Defesa Israelense (IDF) pressionaram o governo para iniciar uma guerra, a atmosfera era tensa. O Primeiro Ministro de Israel, Levi Eshkol, que também atuava como Ministro da Defesa, visitou os generais na central de comando da IDF. Todos os generais que compunham o alto escalão da IDF estavam presentes. Essa reunião ficou conhecida como um confronto. Anos depois, alguns ainda acusariam o exército de uma tentativa de golpe de estado.

Uma fraude

Uma das maiores fraudes cometidas pelos militares israelenses é alegar que a Guerra dos Seis Dias foi iniciada por Israel devido a uma ameaça existencial. Entretanto, a realidade é que em 1967, o exército israelense enfrentava um governo civil eleito que estava muito menos ansioso por uma guerra do que os generais. Então, como é claramente visto nas minutas das reuniões entre os generais da IDF daquela época, minutas estas que estão disponíveis nos arquivos da IDF, eles percebiam que o governo estava hesitante, decidiram espalhar o medo, e o fizeram de forma muito eficiente, alegando que o Estado judeu enfrentava uma ameaça existencial e que o exército deveria agir decisivamente.

A farsa funcionou e no decorrer dos três dias seguintes, Eshkol foi obrigado a ceder. Ele renunciou seu posto como ministro da defesa e o deu para o aposentado Chefe do Estado-Maior, o general Moshe Dayan. Os generais da IDF conseguiram a guerra que tanto desejavam. Eles iniciaram um ataque massivo contra o Egito, reduzindo o exército egípcio a cinzas, e tomando controle de toda a península do Sinai. Como consequência, a IDF foi capaz de capturar o maior estoque de equipamento militar russo fora da União Soviética.

Israel faria bom uso do conhecimento que veio com este saque.

Também capturaram milhares de soldados egípcios que estavam lotados no deserto do Sinai e foram pegos de surpresa. De acordo com testemunhos de oficiais israelenses, no mínimo dois mil prisioneiros de guerra egípcios foram executados ali e enterrados nas dunas.

Mas os generais não estavam satisfeitos. Eles aproveitaram a oportunidade que tinham, e decidiram tirar o máximo dela. Sem nenhuma discussão, muito menos aprovação do governo civil eleito, o exército procedeu para tomar a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, e algo que os generais já estavam tomando pedaço por pedaço há muitos anos, a região fértil e rica em água das Colinas de Golã sírias, triplicando o tamanho do estado de Israel. Eles finalmente haviam completado a conquista da Palestina, e empurraram a fronteira oriental de Israel até o rio do Jordão.

Os militares se moviam como um trator, destruindo cidades e vilas tanto nas Colinas de Golã como na Cisjordânia. Como resultado, incontáveis sírios que viviam nas Colinas de Golã, e centenas de milhares de palestinos que residiam na Cisjordânia e Jerusalém Oriental se tornaram refugiados.

O mito da ameaça

Como os generais haviam decidido em suas reuniões anteriores a guerra, a questão central era em aproveitar a oportunidade para iniciar uma guerra que eles sabiam que venceriam, e não em prevenir uma suposta ameaça existencial. Na verdade, a palavra “oportunidade” é mencionada diversas vezes nas suas discussões, enquanto a palavra “ameaça” sequer aparece.

Um general que estava presente na reunião de 2 de junho era  o meu pai, o general Matti Peled. De acordo com relatos de alguns de seus colegas que estavam lá, relatos que depois eu verifiquei lendo as minutas das reuniões, ele disse ao Primeiro Ministro Eshkol que o exército egípcio era um exército mal treinado, portanto, Israel deveria aproveitar a oportunidade para destruí-lo. Ele disse que o exército egípcio, que na época estava se recuperando de uma guerra no Iêmen, precisaria no mínimo de um ano e meio até dois anos para estar novamente preparado para uma guerra. Os outros generais concordaram. Meu pai foi além e disse que o comando da IDF “demandava saber porque este exército que nunca perdeu uma batalha” estava sendo segurado. Ele não disse uma palavra sobre uma ameaça.

Mais das minutas da reunião dos generais estão incluídos no meu livro “O filho do general,” mas é claro como Israel começou a guerra, não devido a preocupações pela segurança de Israel, mas devido a um desejo de demonstrar seu poder e usá-lo para ganhos territoriais. Para qualquer um prestando atenção, o resultado da guerra provou que não existia nenhuma ameaça militar à Israel. Entretanto, as pessoas estavam tão comovidas pela história do pequeno Davi se defendendo do massacre do mau Golias, que se deixaram levar pela fraude.

Intervenção divina

Existe uma história que ouvi do rabino Moishe Beck, um rabino ultra-ortodoxo que vivia em Jerusalém e se mudou para Nova York. Eu perguntei porque ele decidiu sair após a Guerra dos Seis Dias. Ele me disse que estava sentado em um abrigo anti-bombas no bairro Me’a Sha’arim de Jerusalém, e o som do bombardeio não estava muito longe dali. Em determinado momento, ele disse que as pessoas conseguiam ouvir os aviões da força aérea israelense voando sobre suas cabeças, e começaram a se referir aos sucessos da IDF como sinal de intervenção divina. Ele achou abominável que  pessoas viam a força militar do Estado sionista, que ele via como criminosa, como intervenção divina. Assim que possível, ele e sua família com poucos bens, saíram de Jerusalém. Ele não queria que suas crianças crescessem em uma atmosfera que idolatrava os militares israelenses ou, na realidade, qualquer militar.

Muitos anos depois, ao sentar com amigos ultra-ortodoxos em Nova York, me perguntaram se era verdade que em 1967 a vitória era tão imprevisível que até as pessoas que eram seculares viram como intervenção divina. Não existia nada divino sobre o assalto e roubo de terras árabes. Não em 1967, e em qualquer outro período. O exército israelense estava bem preparado, bem armado e bem treinado, e os generais sabiam que a vitória era inevitável.

Os maus presságios

Israel pretendia ocupar a Cisjordânia e as Colinas de Golã muitos anos antes de 1967, e a guerra apresentou a oportunidade perfeita. Nas memórias do segundo Primeiro Ministro de Israel, Moshe Sharet, ele descreveu a reunião de 1953 que aconteceu em Jerusalém, onde dignatários do mundo todo estavam presentes. O primeiro Primeiro Ministro de Israel, David Ben-Gurion, também estava presente.

Uma das apresentações dadas nesta reunião foi feita pelo meu pai, na época um jovem e promissor oficial da IDF. Ele deu a palestra em inglês, que ele falava muito bem, e entre outras coisas, ele alegou que a IDF claramente estava preparada para o momento da ordem de “empurrar a fronteira oriental de Israel para seu lugar natural, o rio Jordão”. Em outras palavras, tomar a Cisjordânia e completar a conquista da Palestina histórica.

Hoje nós sabemos que Israel tinha planos para ocupar e impor seu domínio militar sobre a Cisjordânia já em 1964. Também é conhecido o fato que Israel iniciou escaramuças com o exército sírio nos anos 1960 na esperança de que a Síria iniciaria uma guerra.

O USS Liberty

Na manhã de 8 de junho de 1967, no meio da guerra, o USS Liberty estava a 27 quilômetros da costa de Gaza, em águas internacionais. Sendo um navio de coleta de inteligência, não possuía nenhuma capacidade de combate e estava apenas armado com quatro metralhadoras calibre 50 para afastar visitantes indesejados. Por várias horas naquele dia, os aviões de reconhecimento da força aérea israelense sobrevoaram o Liberty no que parecia ser tentativas de identificá-lo. A tripulação não se sentiu ameaçada – pelo contrário, Israel era um aliado dos Estados Unidos.

Então as 14:00 horas e sem nenhum aviso, os jatos israelenses lançaram ataques no USS Liberty. O ataque incluiu mísseis, disparos e até napalm, uma combinação tóxica e inflamável de gel e petróleo que gruda à pele e causa queimaduras severas.

O ataque acabou com 34 marinheiros mortos e 174 feridos, muitos seriamente. A medida que os feridos eram evacuados, um oficial do Escritório da Inteligência Naval instruiu a tripulação a não falar com a imprensa sobre o que havia se passado.

Três semanas após o ataque, a marinha publicou um relatório de 700 páginas exonerando os israelenses, alegando que o ataque havia sido acidental e que os atacantes haviam se retirado assim que perceberam o seu erro. O Secretário de Defesa Robert McNamara sugeriu que todo o acidente deveria ser esquecido. “Esses erros acontecem,” disse McNamara. O desejo dos Estados Unidos em ver as armas soviéticas que Israel tinha em seu poder teve alguma a ver com a facilidade com que o Pentágono escondeu isso debaixo do tapete.

Em 2003, quase quarenta anos depois do fato, a “Comissão Moorer”, uma comissão independente presidida pelo almirante aposentado Thomas H. Moorer, da Marinha norte-americana, foi criada para investigar o ataque. A comissão incluiu um ex-presidente do Estado Maior Conjunto, um ex-comandante assistente do corpo de marines, almirantes aposentados, e um ex-embaixador. Algumas de suas descobertas foram:

“Que os navios torpedeiros de Israel metralharam os bombeiros do Liberty, maqueiros e botes salva-vidas que haviam sido baixados até à água para resgatar os feridos mais seriamente.”

“Que temendo conflitos com Israel, a Casa Branca deliberadamente impediu a marinha norte-americana de ir defender o USS Liberty chamando a Sexta Frota militar enquanto o navio estava sob ataque […] nunca antes na história naval norte-americana uma missão de resgate foi cancelada quando um navio norte-americano estava sob ataque.”

“Os tripulantes sobreviventes foram ameaçados com ‘corte marcial, prisão ou pior’ se expusessem a verdade.”

“Que devido a pressão contínua do lobby pró-Israel nos Estados Unidos, este ataque permanece o único incidente naval sério que nunca foi investigado profundamente pelo Congresso.”

Em cinco dias acabou. A guerra terminou como esperado, com uma vitória massiva de Israel. A IDF destruiu os exércitos dos países árabes ao seu redor. As baixas foram de aproximadamente 18.000 soldados árabes e 700 soldados israelenses.

Em retrospectiva, seria melhor deixar de chamar o que ocorreu em junho de 1967 como uma guerra, mas sim como um assalto israelense aos países vizinhos. O nome Guerra dos Seis Dias não foi nenhuma coincidência. Israel usou o nome que estava nas escrituras judaicas, mais especificamente da Torá, onde se vê menção após menção à criação divina ou Os Seis Dias da Criação.

Miko Peled é um autor e ativista de direitos humanos nascido em Jerusalém. Ele é o autor dos livros “The General’s Son. Journey of an Israeli in Palestine” e “Injustice, the Story of the Holy Land Foundation Five.”

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Ver original em 'Revista Opera' (aqui)

Anexação da Cisjordânia: uma oportunidade histórica ou um grave erro?

Construção do assentamento judaico de Givat Zeev, próximo da cidade palestina de Ramallah (foto de arquivo)
© AFP 2020 / AHMAD GHARABLI

Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu planeja expandir o território de Israel anexando os assentamentos judaicos na Cisjordânia, o assunto divide a sociedade israelense.

De acordo com os planos, a anexação de cerca de 30% do território da Cisjordânia a Israel se dará em julho, seguindo a linha proposta pelo "acordo do século" do presidente americano Donald Trump para solucionar a questão palestina.

Contudo, a sociedade israelense se dividiu sobre o tema, temendo possíveis consequências negativas da anexação.

Falando com a Sputnik, a ex-deputada israelense Ksenya Svetlova alertou sobre tais consequências e se juntou a um grupo de 25 ex-parlamentares israelenses que escreveram uma carta aos congressistas dos EUA contra a anexação.

"O maior bloco, é o bloco daqueles que acham que a anexação só irá nos trazer danos", afirmou.

Ainda segundo Svetlova, os opositores ao plano de Netanyahu afirmam que "em nenhuma circunstância se pode anexar alguma coisa, nem o Vale do Jordão, nem assentamentos específicos, blocos de assentamentos, nem muito menos os postos avançados dos colonos ou a Cisjordânia", declarou.

Risco de piora nas relações internacionais

O plano de anexação também tem sido ecoado com críticas por parte de países historicamente mais neutros em relação a Israel.

O embaixador dos Emirados Árabes Unidos em Washington, Yousef al-Otaiba, afirmou ontem (12) que o plano prometia algum aquecimento das relações árabe-israelenses.

"Isso pode provocar, em primeiro lugar, complicações aqui e regionais com os países vizinhos: Egito e Jordânia. [A anexação] também poderá ameaçar o processo de paz e propiciar um aumento das atividades terroristas no território da Cisjordânia, talvez mesmo na Faixa de Gaza. [Assim como] o enfraquecimento do Fatah e de Mahmoud Abbas em consequência do aumento da popularidade do Hamas e tudo o que daí decorre", acrescentou Svetlova.

Criação do Estado palestino?

Se, por um lado, o avanço israelense poderia ser a expansão de Israel, por outro lado os colonos dos assentamentos temem que a anexação de parte da Cisjordânia tenha um preço caro demais: o reconhecimento da soberania palestina sobre demais territórios previsto pela proposta de Trump.

"A principal 'farpa' deste plano, de fato, é a criação do Estado palestino, o qual o movimento de colonos nunca reconheceu e nunca reconhecerá, nem a criação de outro Estado, nem as pretensões sobre nossa terra por outro povo. É isso que causa a nossa forte reação", declarou Shlomo Neeman, presidente do Conselho dos Assentamentos.

Além disso, existe o risco de nem todos os assentamentos serem absorvidos por Israel, o que gera críticas por parte dos colonos.

Palestino em conflito com soldado israelense (foto de arquivo)

© AFP 2020 / JAAFAR ASHTIYEH
Palestino em conflito com soldado israelense (foto de arquivo)

Reação palestina

A Autoridade Palestina já anunciou o rompimento de todas as relações com Israel e com os EUA em diversas esferas devido ao projeto de Trump e Netanyahu.

Contudo, a reação não parece assustar as lideranças israelenses.

"Por isso, a luta contra o terrorismo e a ameaça com armas não é uma novidade para nós, e nós sabemos lidar com isso. Em relação à cooperação entre Israel e a Autoridade Palestina na área da segurança, aí há maior interesse por parte dos líderes do Fatah do que de Israel. Se não fosse a cooperação com Israel, o Hamas faria com eles o mesmo que fez na Faixa de Gaza", declarou à Sputnik o ministro dos Recursos Hídricos e Ensino Superior de Israel, Zeev Elkin.

Além disso, o ministro acredita que se no primeiro momento a comunidade internacional vier a se opor à anexação, com o tempo ela deverá aceitar as novas fronteiras de Israel.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020061315703171-anexacao-da-cisjordania-uma-oportunidade-historica-ou-um-grave-erro-/

Israel | Ministro pede a exército para se preparar para anexar Cisjordânia

 
 
O ministro da Defesa de Israel pediu hoje ao exército para se preparar para a anexação de partes da Cisjordânia ocupada, medida que é vista como uma aparente antecipação ao que poderão ser as reações palestinianas.

A declaração de Benny Gantz foi proferida depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ter analisado hoje a eventual anexação com Jared Kushner, conselheiro e genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, autor do plano da Casa Branca para o Médio Oriente que favorece largamente Israel.

Na declaração, Gantz, sem mais pormenores, pediu aos militares para acelerarem a preparação para a anexação e ao chefe das forças armadas israelitas para que o faça "antes dos passos políticos na agenda da questão palestiniana".

Além dos protestos palestinianos e regionais a que qualquer passo nessa direção poderá desencadear, a medida de Gantz poderá também vir a pôr em causa os laços de Israel com os Estados do Golfo Árabe.

Um desses países, os Emirados Árabes Unidos (EAU), pediu hoje a Israel para cancelar o plano para anexar partes da Cisjordânia ocupada, adicionando uma longa lista de Estados que condenaram já a previsível movimentação israelita.

 
O ministro de Estado e dos Negócios estrangeiros dos EAU, Anwar Gargash, publicou hoje na rede social Twitter uma mensagem em que advertiu que uma anexação dos territórios ocupados pelos palestinianos "vai prejudicar a possibilidade de uma paz regional".

"Qualquer movimentação unilateral de Israel será um sério revés para o processo de paz", disse, acrescentando que uma anexação "constituirá uma rejeição ao consenso árabe e internacional em torno da paz e da estabilidade".

Na sequência do plano para o Médio Oriente apresentado por Trump, o primeiro-ministro israelita disse que iria anexar parte da Cisjordânia, incluindo o estratégico Vale do Jordão e dezenas de colonatos judeus, movimentação que, segundo Netanyahu, começará em julho.

O plano norte-americano prevê deixar cerca de um terço da Cisjordânia, de que Israel se apoderou em 1967, sob permanente controlo israelita, garantindo aos palestinianos a expansão da autonomia no restante território.

Os palestinianos, que pretendem manter toda a Cisjordânia como parte de um Estado independente, rejeitaram o plano de Trump, considerando que beneficia "injustamente" Israel.

O plano de anexação provocou uma onda de críticas da comunidade internacional, mesmo de alguns dos mais próximos aliados de Israel, que defendem que qualquer alteração ao mapa no Médio Oriente destruirá as já poucas esperanças de criação de um Estado palestiniano e de um acordo de paz.

Os EAU estão entre os países do Golfo Árabe que não têm relações diplomáticas oficiais com Israel, funcionando, porém, nos bastidores com grande atividade.

Aguarda-se que este grupo de países possa desempenhar um papel fundamental numa potencial iniciativa de paz de Trump para a região.

A Arábia Saudita, outro país árabe influente, anunciou recentemente a "rejeição" ao plano de anexação israelita. A Jordânia e o Egito, os dois únicos países com acordos de paz formais com Israel, também condenaram o plano.

Os palestinianos afirmaram recentemente que já não se sentem obrigados a honrar os acordos assinados no passado com Israel e suspenderam a cooperação securitária como forma de protesto contra a anexação.

Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Reuters
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/israel-ministro-pede-exercito-para-se.html

Netanyahu: Israel não perderá a oportunidade de anexação da Cisjordânia

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante reunião de gabinete em Jerusalém, 24 de maio de 2020
© AP Photo / Abir Sultan

Israel não perderá uma "oportunidade histórica" ​​de estender sua soberania a partes da Cisjordânia, garantiu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta segunda-feira (25), chamando a mudança de uma das principais tarefas de seu novo governo.

Os palestinos consideram esse plano como uma anexação ilegal de terras ocupadas que eles buscam para um futuro Estado. Na semana passada, eles declararam o fim da cooperação de segurança com Israel e seu aliado, os Estados Unidos, em protesto contra o plano territorial.

Netanyahu prometeu colocar os assentamentos judaicos e o Vale do Jordão na Cisjordânia sob a soberania de Israel. Ele definiu o dia 1º de julho como uma data de início para as discussões do seu gabinete sobre o assunto, que também despertaram alarme na União Europeia (UE).

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, chamou o assunto de complexo e declarou que exigia coordenação com Washington. O novo parceiro político de Netanyahu, o centrista Benny Gantz, tem sido ambíguo quanto à anexação de fato.

Em uma reunião de legisladores de seu partido de direita Likud nesta segunda-feira (25), Netanyahu definiu as mudanças de terras na Cisjordânia como "talvez a primeira em importância em muitos aspectos" das tarefas a serem realizadas pelo governo que ele e Gantz formaram em 17 de maio.

Menino é visto no caminho para o vilarejo de Kufr Aqab, na Cisjordânia, conhecido reduto palestino

© AP Photo / Nasser Nasser
Menino é visto no caminho para o vilarejo de Kufr Aqab, na Cisjordânia, conhecido reduto palestino
"Temos uma oportunidade histórica, que não existe desde 1948, de aplicar judiciosamente a soberania como um passo diplomático na Judeia e na Samaria", afirmou ele, referindo-se ao ano do nascimento de Israel e usando os nomes bíblicos para a Cisjordânia.

"É uma grande oportunidade e não vamos deixar passar", acrescentou o premiê um dia após o início de seu julgamento por corrupção. Ele nega acusações de suborno, fraude e quebra de confiança.

Netanyahu citou o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para a paz entre israelenses e palestinos como base da anexação de fato. Os palestinos rejeitaram a proposta, anunciada em janeiro, segundo a qual a maioria dos assentamentos judeus seria incorporada ao "território israelense contíguo".

Palestinos e a maioria dos países consideram ilegais os assentamentos em terras que Israel tomou na guerra do Oriente Médio em 1967. Israel contesta isso. Os críticos israelenses da anexação manifestaram preocupação de que isso pudesse aumentar a violência anti-israelense.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020052615622851/

A agonia do Império e o estado judeu de Israel

por The Saker

Primeiro, vamos começar por uns poucos tópicos recentes (aparentemente não relacionados):

Estas notícias aparentemente não relacionadas têm todas uma coisa em comum: ilustram quão fracas e ineficazes se tornaram as forças armadas dos EUA ao longo das últimas duas décadas. E apesar de, a bem de brevidade, eu ter escolhido apenas três exemplos, a verdade é que há centenas de histórias semelhantes na Internet, todas a apontarem para a mesma realidade: a maior parte da instituição militar dos EUA está num estado terminal de decadência.

Vamos examinar os vários serviços, um por um:

  • Toda a frota de superfície da US Navy está agora comprometida devido à sua estrutura centrada em porta-aviões. À US Navy também faltam mísseis de cruzeiro modernos. Classes inteiras de navios de superfície estão agora superadas (fragatas) ou têm grandes falhas de concepção (LCS).

     

  • A US Air Force opera sobretudo jactos da Guerra Fria, muitas vezes modernizados, mas de modo geral é uma frota ultrapassada, especialmente quando comparada aos aviões russos e chineses de 4ª++ e de 5ª geração. De facto, o desastre absoluto do programa F-35 significa que pela primeira vez na sua história os aviões dos EUA serão qualitativamente batidos pelos seus prováveis adversários. Mesmo os AWACS (Airborne Warning and Control System) dos EUA e outros aviões de reconhecimento estão agora ameaçados pelos mísseis anti-aéreos de longo alcance russos e chineses (tanto os lançados do solo como do ar).

     

  • Quanto ao US Army e ao Marine Corps, os desastres embaraçosos no Iraque, Afeganistão e alhures provam que aos forças de terreno dos EUA são basicamente capazes apenas de se protegerem a si próprios e mesmo assim não muito bem.

     

  • E há as Forças Espaciais dos EUA criadas recentemente, as quais existem só no papel, e a Guarda Costeira que é basicamente irrelevante numa grande guerra.

     

  • Finalmente, há o Comando de Operações Especiais dos EUA, o qual não é nenhum dos ramos mas apenas um comando "funcional" e "combate unificado", mas que é frequentemente pensado como um ramo separado das forças armadas. Estas forças sempre parecem grandes na propaganda, mas a verdade é que estas putativamente "as melhores do mundo" ainda têm de alcançar o seu primeiro êxito real, significativo e operacional em qualquer parte (pelo menos para equilibrar a sua longa história de fracassos abjectos, desde o Desert One, a Granada, Afeganistão, Líbia, etc). E em combates menores contra adversários muito inferiores.

Agora vamos colocar a questão crucial: o que significa isto para Israel?

Bem, em primeiro lugar significa que os "pobres" israelenses agora têm de voar com o F-35 como o seu caça principal. Na maior parte dos casos, acreditaria que os israelenses modificassem/melhorassem os seus F-35 para livrarem-se pelo menos das suas piores "características", mas no caso dos F-35 isto nem sequer é teoricamente possível devido aos seus profundos viéses de concepção (aqueles que precisarem de um recordatório "oficial" sobre a realidade catastrófica do programa F-35, leiam por favor este relatório oficial do governo dos EUA que inclui 276 deficiências "críticas". Mais cedo ou mais tarde, os F-35 israelenses deparar-se-ão com a versão de exportação do SU-35, com o muito mais barato mas de alto desempenho Mig-29M/Mig-35 ou mesmo com um SU-57 russo e então eles serão irremediavelmente batidos (ainda que o resultado de combate ar-ar não possa ser reduzido a comparar aviões, é preciso um quadro completo e muito mais complexo para modelar resultados possíveis). Actualmente, o Su-35 tem sido exportado só para a China, mas futuros operadores potenciais incluem o Egipto, Argélia e Turquia. Quanto ao Mig-29M/Mig-35, países como o Egipto e a Séria manifestaram interesse.

Por falar na Síria, até agora vimos vários casos de aviões israelenses interceptados e forçados a retirarem-se por Su-35s russos e nem um único caso oposto. Parece haver pelo menos um caso , embora não confirmado oficialmente (ainda) de um Su-35S russo enxotando um USAF F-22 (desde que o Su-35 e o F-22 estejam em suficiente proximidade, o último tem muito poucas esperanças de sobrevivência).

Pode imaginar que outra coisa os israelenses vão fazer se eventualmente se encontrarem nos céus do Médio Oriente? Possivelmente uma variante de exportação do Mig-31 ou mesmo do Mig-32BM (com os seus mísseis R-37 ar-ar com alcance de 400 km ). De facto, o alcance, velocidade, radar e armas deste avião fariam possível para a Rússia manter patrulhas de combate aéreo sobre, digamos, a Síria operando ao mesmo tempo do sul da Rússia.

Concentro-me nestes aviões porque no passado, e tal como os EUA, os israelenses sempre confiaram na prevalência da seguinte combinação de factores:

  • Um ataque surpresa (mais ou menos justificado por uma bandeira falsa ou por direito de posse)
  • A destruição dos aviões inimigos quando eles ainda estão no solo
  • Superioridade aérea a proteger para aeronaves de asa rotativa e blindagem avançada

Na verdade, os israelenses ainda têm uma grande força de F-16/15/18 (14 esquadrões, mais de 300 aeronaves), mas tal como seus homólogos dos EUA eles estão rapidamente a tornar-se datados. Em agudo contraste com a datada Força Aérea Israelense, os vizinhos de Israel estão todos a adquirir sistemas de defesa aérea cada vez mais avançados juntamente com sistemas de guerra electrónica e de gestão de batalha. Por outras palavras, isto é um tempo muito mau para Israel responder com F-35 no futuro previsível.

Exactamente agora, os israelenses estão a bombardear a Síria regularmente, mas com muito pouco resultado além da lenga-lenga, sem dúvida terapêuticas, das proclamações da superioridade judaica sobre os árabes. E, previsivelmente, os sujeitos que observam os media sionistas ficam muito impressionados. Os sírios, os iranianos e o Hesbollah, nem tanto...

Assim como o Complexo Industrial-Militar dos EUA coloca todos os seus ovos no cesto do F-35, da mesma forma os israelenses colocam todos os ovos da segurança nacional na eterna disposição e capacidade do Tio Shmuel para vir e resgatá-los com dinheiro, armas ou mesmo soldados.

A disposição ainda existe. Mas a capacidade está rapidamente a desaparecer!

Além disso, há mais dois países que estão a entrar num período de grave instabilidade, que também afectará a segurança de Israel: Turquia e Arábia Saudita.

No caso da Turquia, o relacionamento entre os EUA e a Turquia está mais em baixo do que nunca e há uma possibilidade muito real de que, com as sanções e ameaças dos EUA, os turcos possam decidir desistir do F-35 e recorrer a um avião russo, muito provavelmente uma versão de exportação do Su-35. Se bem que isto fosse má notícia (politicamente) para o complexo industrial-militar americano, seria uma notícia absolutamente terrível para os israelenses cujo relacionamento com a Turquia é geralmente bastante mau. Até agora, a Turquia ainda é um membro obediente da NATO, com tudo o que isso implica, mas quanto mais fraco se torna o Império Anglo-sionista, maiores serão as possibilidades de algum tipo de choque político entre os EUA e a NATO, por um lado, e a Turquia, por outro.

Quanto aos sauditas, eles já estão activamente a cortejar Moscovo porque perceberam que a Rússia basicamente substituiu os EUA como a potência regional número um. O fracasso total dos EUA em providenciar assistência significativa aos sauditas no Iémen e a incapacidade das defesas aéreas dos EUA em proteger o campo petrolífero saudita Houthi de ataques de mísseis convenceram os sauditas de que, a partir de agora, eles precisam falar com os russos directamente e frequentemente.

 

CENTCOM. Fonte: IISS Military Balance 2020

É verdade que os EUA ainda têm a aparência de poder real no Médio Oriente. Basta dar uma olhada nesta página do último IISS Military Balance. Ainda há muito equipamento e pessoal da CENTCOM na região. Mas tente olhar para além destes gráficos bonitos e perguntar-se: o que é que estas forças estão a fazer? O que é que estão realmente a conseguir?

Eu diria que a maior parte do que eles fazem é tentar impressionar os locais, ganhar dinheiro (através de todo o tipo de contratos militares) e, por último, mas não menos importante, tentarem proteger-se. E, sim, a "pegada" dos EUA no Médio Oriente ainda é grande, mas isso é também o que torna as forças dos EUA tão vulneráveis a ataques. Os iranianos, por exemplo, deixaram claro que encaram todas estas instalações e forças como "alvos", os quais, após os ataques de mísseis iranianos de alta precisão que se seguiram ao assassinato do general Suleimani, significa que o Irão agora tem os meios para infligir grandes danos a qualquer força regional suficientemente louca para se meter com o Irão.

Naturalmente, todas as vezes que alguém escreve que os EUA ou Israel não são invencíveis, há sempre pelo menos uma pessoa que diz algo como "sim, talvez, mas eles têm ogivas nucleares e irão usá-las se forem ameaçados". A isto a minha resposta é diferente para o caso dos EUA e para o caso de Israel.

No caso dos EUA, apesar de qualquer primeira utilização de ogivas resultará num suicídio político para o Império, nenhum adversário dos EUA no Médio Oriente tem a capacidade de retaliar do mesmo modo.

Contudo, no caso de Israel as coisas são mesmo muito mais graves.

Primeiro, é preciso recordar que por óbvias razões geográficas, os israelenses não podem utilizar ogivas nucleares contra forças atacantes, pelo menos contra quais forças próximas da fronteira israelense. Ainda assim, se gravemente ameaçado, os israelenses poderiam afirmar que outro "holocausto" estaria prestes a acontecer e que a "defesa do sangue judeu" não lhes deixa outra opção senão utilizar ogivas contra, digamos, alvos iranianos ou sírios. Eu diria que quanto pior o dano infligido por quaisquer ataques nucleares israelenses, maior será a resolução dos árabes e/ou iranianos. Este é o problema com a dissuasão: uma vez fracassada, está fracassada totalmente e habitualmente não há um "plano B".

Significará isto que um grande ataque a Israel é inevitável?

Não, de modo algum. Para começar, tanto os EUA como Israel ainda podem infligir danos imensos contra qualquer país, ou coligação de países, o que os ameaçaria (e não precisam de recorrer a ogivas nucleares para o conseguir). O facto de nem os EUA nem Israel poderem alcançar qualquer coisa que se assemelhe a uma "vitória" de modo algum implica que atacar os EUA ou Israel seja fácil ou seguro. Ambos os países têm muito poder militar convencional para extrair um preço enorme a qualquer atacante.

Em segundo lugar, é precisamente porque os EUA e Israel ainda têm muito poder militar que os seus adversários preferirão um enfraquecimento gradual e lento dos anglo-sionistas ao invés de uma confrontação aberta. Por exemplo, se é verdade que os EUA não tiveram estômago para atacar o Irão após o ataque de mísseis retaliatórios iranianos, também é verdade que os iranianos "afinaram" cuidadosamente a sua resposta para não forçar os EUA a contra-atacar. A verdade é que neste momento nenhum dos dois países quer uma guerra aberta.

O mesmo se pode dizer da Síria e do Hezbollah, que têm tido muito cuidado para não fazer nada que forçasse os israelenses (ou os EUA) a escalar dos actuais ataques simbólicos/alfinetadas para ataques reais, significativos, com ataques aéreos e de mísseis.

Neste momento, os EUA ainda podem imprimir dólares suficientes para manter Israel a flutuar, mas já sabemos que embora lançar dinheiro barato a um problema frequentemente seja muito tentador, isto não constitui uma estratégia sustentável, especialmente quando as capacidades militares reais tanto dos EUA como dos israelenses estão a degradar-se rapidamente. Neste momento, ninguém sabe quanto tempo mais durará o último regime abertamente racista do planeta, mas é extremamente improvável que a entidade sionista seja capaz de sobreviver sem o Império para sustentá-la. Por outras palavras, mais cedo ou mais tarde, o "Estado judeu de Israel" não terá melhores hipóteses de sobrevivência do que, digamos, o "Estado Independente do Kosovo" ou, já agora, a "Ucrânia Independente": todas elas são feias metástases do Império que, por si mesmas, simplesmente não são viáveis.

12/Maio/2020

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/eua/saker_12mai20.html

EUA vão 'apoiar constantemente' direito de Israel de se defender, afirma Pompeo

Encontro entre Mike Pompeo e Benjamin Netanyahu em Israel
© AP Photo / Sebastian Scheiner

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, reafirmou apoio norte-americano durante um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta quarta-feira (12).

"Eu quero expressar minhas condolências ao soldado que foi morto [ontem] e lembrar a todos nós da importância de assegurar a todos de Israel o direito de se defender e os Estados Unidos vão apoiar constantemente vocês [israelenses] neste empenho", afirmou Pompeo.

As condolências do secretário norte-americano se devem a um soldado israelense morto na terça-feira (12). Segundo o Jornal Haaretz, o soldado foi apedrejado durante uma operação no território palestino da Cisjordânia.

Netanyahu, por sua vez, agradeceu a Pompeo por se arriscar ao viajar ao país do Oriente Médio durante à pandemia, qualificando o ato como uma prova de força da aliança entre os dois países e a determinação do presidente norte-americano Donald Trump com Israel.

"Em breve formaremos um governo de unidade nacional, amanhã, acredito esta é uma oportunidade para promover a paz e segurança baseadas no entendimento alcançado com o presidente Trump em minha última visita a Washington em janeiro. E estes são grandes desafios e oportunidades que podemos realizar, porque temos uma ligação tão forte que faz a aliança entre Israel e Estados Unidos se destacar [...]", declarou Netanyahu.

Além disso, se espera que Pompeo se encontre com o porta-voz do Parlamento israelense e adversário político de Netanyahu, Benny Gantz. Após três eleições gerais em um ano, os dois políticos israelenses assinaram um acordo de coligação para formar um governo, que deve tomar posse em 14 de maio.

O secretário norte-americano viajou a Israel para felicitar o país pelo novo governo e discutir questões bilaterais, regionais e globais, assim como um plano de anexação de territórios palestinos por parte do Estado de Israel.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020051315573323-eua-vao-apoiar-constantemente-direito-de-israel-de-se-defender-afirma-pompeo/

ONU exige libertação de crianças palestinianas detidas por Israel

 
 
A ONU denunciou hoje "a detenção continuada de crianças palestinianas" por Israel e exigiu que os seus direitos sejam protegidos através da sua libertação imediata para não serem contagiados com a covid-19.

"A melhor maneira de defender os direitos das crianças detidas no meio de uma pandemia perigosa é libertá-las", afirmaram, em comunicado conjunto, o coordenador humanitário da ONU para os territórios palestinianos ocupados, Jamie McGoldrick, o chefe da Unidade de Direitos Humanos da ONU na região, James Heenan, e a representante especial da Unicef para Palestina, Geneviève Boutin.
 
Segundo a ONU, no final de março foram colocados 194 menores palestinianos em prisões e centros de detenção israelitas, um número "ainda maior do que o número médio mensal de crianças detidas em 2019".

As Nações Unidas garantiram ainda que a maioria das crianças foi detida sem acusação por qualquer crime.

A organização chamou a atenção para o risco de estes menores detidos "contraírem covid-19", já que nos centros prisionais é mais difícil manter distância física e cumprir outras medidas preventivas.

Além disso, "os procedimentos legais estão suspensos" pelo que quase todas as visitas às prisões foram canceladas e "as crianças não têm acesso às suas famílias e advogados", adianta o mesmo comunicado.

Esta situação causa-lhes "sofrimento psicológico", não lhes permite receber "o apoio jurídico a que têm direito" e causa "maior pressão", podendo levá-los a "declararem-se culpados para serem libertados" mais rapidamente.

"Os direitos das crianças à proteção, segurança e bem-estar devem ser sempre respeitados", sobretudo em momentos como este, afirmam os três representantes da ONU.

 


A detenção e prisão de menores palestinianos tem sido denunciada várias vezes por organizações internacionais, organizações não-governamentais e entidades de defesa dos direitos humanos.

Tanto Israel como os territórios palestinianos superaram a pior fase da pandemia, que afetou moderadamente a região.

Durante semanas, o confinamento e as restrições para impedir a propagação das infeções praticamente suspenderam o conflito, tendo sido registados poucos incidentes.

Hoje de manhã, o exército israelita demoliu a casa da família de um palestiniano acusado de matar uma jovem israelita no verão passado, durante um ataque na Cisjordânia.

A demolição da casa, situada na cidade de Kobar, na Cisjordânia, provocou um confronto entre moradores e militares.

Desde que foi detetada na China, em dezembro passado, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 280 mil mortos e infetou mais de quatro milhões de pessoas em 195 países e territórios, segundo um balanço da agência de notícias AFP.

Mais de 1,3 milhões de doentes foram considerados curados.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (79.522) e mais casos de infeção confirmados (mais de 1,3 milhões).

Seguem-se o Reino Unido (31.855 mortos, mais de 219 mil casos), Itália (30.560 mortos, mais de 219 mil casos), Espanha (26.621 mortos, mais de 224 mil casos) e França (26.380 mortos, mais de 176 mil casos).

Por regiões, a Europa soma mais de 156 mil mortos (mais de 1,7 milhões de casos), Estados Unidos e Canadá mais de 83 mil mortos (mais de 1,3 milhões de casos), América Latina e Caribe mais de 20 mil mortos (mais de 361 mil casos), Ásia mais de 10 mil mortos (mais de 292 mil casos), Médio Oriente mais de 7.500 mortos (mais de 225 mil casos), África mais de 2.200 mortos (mais de 63 mil casos) e Oceânia com 125 mortos (mais de 8.200 casos).

Notícias ao Minuto | Lusa

Leia em Notícias ao Minuto: 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/onu-exige-libertacao-de-criancas.html

Comitê da ONU pede esforços para impedir anexação israelense do território ocupado da Palestina

Nações Unidas, 6 mai (Xinhua) - O Comitê da Organização das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino pediu à comunidade internacional que impeça a anexação planejada por Israel do território ocupado da Palestina.

Enquanto a atenção do mundo está voltada para o combate à pandemia do COVID-19, o povo palestino sob ocupação enfrenta uma crise adicional, a ameaça de anexação, afirmou o comitê em comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Israel continuou entrincheirando a ocupação ilegal e anunciou abertamente sua intenção de anexar grandes áreas do território palestino ocupado, enquanto continua o bloqueio de Gaza, disse o documento.

O comitê apela à comunidade internacional para reunir seu apoio e solidariedade ao povo palestino para impedir a anexação, o que, segundo ele, constitui uma grave violação do direito internacional e flagrante violação das resoluções da ONU.

A proibição de aquisição de território pela força é absoluta na Carta da ONU, afirmou.

A expansão do controle de Israel sobre o território palestino, incluindo Jerusalém Oriental, está corroendo a solução de dois estados acordada internacionalmente, alertou.

O comitê apela a Israel para que atenda à demanda de longa data de suspensão de suas ações e práticas ilegais no território palestino ocupado, incluindo todas as medidas destinadas a consolidar a ocupação e anexar o território.

O comitê também pede a Israel que garanta o respeito total dos direitos humanos da população civil palestina sob seu controle e forneça acesso e assistência humanitária, incluindo esforços para impedir a propagação de COVID-19.

Apela à comunidade internacional, particularmente ao Conselho de Segurança da ONU, para que assuma suas responsabilidades e tome medidas urgentes para combater a ameaça de anexação.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/08/c_139040230.htm

Israel aprova a construção de mais 7000 casas para colonos na Cisjordânia

O anúncio da aprovação de 7000 unidades habitacionais no colonato ilegal de Efrat, a sul de Jerusalém, foi feito pelo ministro da Defesa, Naftali Bennett. Washington está disposta a apoiar a anexação.

A aceleração da política expansionista de Israel concretiza o chamado Acordo do SéculoCréditos / english.palinfo.com

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, Naftali Bennet, ministro da Defesa e figura de destaque da extrema-direita israelita, disse ter dado «luz verde à construção de milhares de novas habitações», acrescentando que «o impulso de construir no nosso território não deve parar», refere a HispanTV.

A imprensa israelita informou que a aprovação diz respeito a 7000 novas unidades habitacionais, que serão construídas no colonato ilegal de Efrat, localizado a sul de Jerusalém, na Margem Ocidental ocupada, entre as cidades de Belém (a norte) e Hebron (a sul).

 

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o embaixador norte-americano em Israel, David Friedman, reiterou que a administração de Donald Trump está disposta a reconhecer a soberania israelita sobre partes da Cisjordânia, caso Telavive decida avançar com a anexação.

Numa entrevista a um jornal israelita, Friedman disse que é a Israel que cabe decidir se avança com a anexação dos colonatos na Margem Ocidental ocupada, mas que, se o fizer, terá o apoio de Washington. «Nós não estamos a declarar a soberania, mas sim Israel, e depois estamos dispostos a reconhecê-la», disse.

No mês passado, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o seu principal rival, Benny Gantz, concordaram em iniciar planos para a anexação de partes da Cisjordânia ocupada em 1 de Julho, no âmbito de um acordo que estabelece um futuro governo de coligação.

Autoridades palestinianas condenam decisão

O embaixador da Palestina junto das Nações Unidas, Riyad Mansour, afirmou esta quarta-feira que os planos de Israel para anexar a Cisjordânia «irão destruir todas as oportunidades para o diálogo, a paz e a segurança na região».

Por seu lado, o Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros emitiu uma nota de imprensa em que afirma que a decisão de construir milhares de novas unidades habitacionais na Margem Ocidental ocupada «desrespeita as normas do direito internacional» e «desafia as condenações internacionais da política israelita de usurpação e do futuro plano de anexação».

No texto, as autoridades palestinianas reponsabilizam totalmente o governo de Israel pelas consequências da expansão dos colonatos e do plano de anexação, e instam o Tribunal Penal Internacional a abrir uma «investigação oficial sobre os crimes da ocupação israelita», informa a agência WAFA.

A intensificação da política expansionista de Israel é vista como materialização do chamado Acordo do Século, apresentado pelos Estados Unidos no final de Janeiro deste ano, que prevê a existência de um Estado palestiniano num território descontínuo, deixa nas mãos de Telavive o controlo do Vale do Jordão, e declara Jerusalém como capital indivisível de Israel. O «acordo», feito à margem dos palestinianos, foi rejeitado pela Autoridade Palestiniana.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/israel-aprova-construcao-de-mais-7000-casas-para-colonos-na-cisjordania

Israel diz que 'não vai parar' de atacar forças do Irã na Síria, aumentando tensões entre os países

Míssil lançado pelo sistema antiaéreo israelense Cúpula de Ferro (imagem referencial)
© AP Photo / Dan Balilty

Ministro de Defesa de Israel, Naftali Bennett, teria sugerido na terça-feira (28) que Tel Aviv esteve por trás do ataque aéreo contra forças pró-iranianas na Síria no dia anterior, afirmando que os militares estavam focados em expulsar Teerã do país árabe.

Segundo relatos não confirmados da agência de notícias estatal da Síria SANA, os ataques atingiram territórios nas proximidades de Sayyida Zainab, que abrigam a milícia libanesa Hezbollah e a Força Quds iraniana.

"Nós passamos do bloqueio das defesas do Irã na Síria para sua expulsão de lá, e não vamos parar", afirmou ministro israelense em comunicado.

"Não permitiremos que mais ameaças estratégicas aumentem do outro lado das nossas fronteiras sem tomar medidas. Iremos continuar levar a luta para o território do inimigo", acrescentou Bennett.

Ministro da Defesa não confirmou explicitamente o envolvimento de Israel no ataque aéreo, no entanto, seus comentários foram considerados como uma insinuação clara nesse sentido, aponta The Times of Israel.

Responsáveis militares israelenses avisaram que o reconhecimento destes ataques coloca mais pressão sobre o Irã e seus representantes para retaliarem a fim de salvar as aparências.

Israel tem atingido alvos na Síria com frequência, desde o início da guerra civil no país vizinho, justificando os ataques com alegações de que busca atingir grupos apoiados pelo Irã.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020042915517774-israel-diz-que-nao-vai-parar-de-atacar-forcas-do-ira-na-siria-aumentando-tensoes-entre-os-paises/

Palestina pede para Israel libertar prisioneiro diagnosticado com COVID-19

O aumento da tortura nas prisões israelenses - CartaCapital

Ramala, 25 abr (Xinhua) - A Palestina pediu no sábado que Israel libertasse um prisioneiro palestino diagnosticado com COVID-19, três dias depois de ser preso pelas forças israelenses na Cisjordânia.

 

Saeb Erekat, secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina, acusou Israel de violar o direito internacional, continuando com a detenção do jovem de 21 anos, exigindo sua libertação imediata.

 

"Mohamed Hasan é um estudante da Universidade Birzeit, detido pelo ocupante israelense em um centro de detenção em Jerusalém. Ele foi diagnosticado com COVID-19", disse Erekat em comunicado à imprensa.

 

Ele pediu à comunidade internacional e ao secretário-geral da ONU que "obriguem Israel a libertá-lo imediatamente, a fim de acompanhar sua condição médica", segundo o comunicado.

 

Segundo os advogados de Hasan, seu interrogatório foi prorrogado por mais oito dias, apesar do diagnóstico.

 

As autoridades palestinas alertaram que a situação de Hasan pode colocar centenas de outros prisioneiros palestinos nas prisões israelenses em risco de contrair o vírus.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-04/27/c_139012411.htm

Netanyahu diz que vai anexar grande parte da Cisjordânia até ao verão

 

O primeiro-ministro de Israel manifestou-se, este domingo, confiante em poder anexar partes da Cisjordânia ocupada, no próximo verão, com o apoio dos Estados Unidos.

 

Numa mensagem gravada dirigida a apoiantes cristãos evangélicos, Benjamin Netanyahu disse que o plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, para o Médio Oriente prevê a anexação de colonatos israelitas, bem como o estratégico vale do Jordão, que passará para o controlo de Israel.

“Daqui a alguns meses estou confiante de que essa promessa será honrada, que podemos celebrar outro momento histórico”, disse o primeiro-ministro israelita.

A anexação dos colonatos israelitas e do Vale do Jordão foi proposta no plano de paz apresentado pelo Presidente dos Estados Unidos em concertação com o primeiro-ministro israelita e rejeitado pelos palestinianos.

 
 

Os Estados Unidos são um forte aliado de Israel, e as relações reforçaram-se com a eleição de Donald Trump. Todavia, o plano norte-americano invocado por Netanyahu não reconhece o direito de Israel a toda a Cisjordânia.

A mensagem de Netanyahu é divulgada a menos de uma semana da assinatura de um acordo em Israel para a formação de um Governo de unidade nacional, entre Netanyahu e o centrista Beny Gantz, e que durante os próximos seis meses apenas poderá tomar medidas relacionadas com a luta contra o novo coronavírus e a anexação de territórios na Cisjordânia.

Cerca de 400 mil colonos judeus vivem atualmente nos colonatos da Cisjordânia ocupada, território onde vivem cerca de 2,7 milhões de palestinianos.

A colonização da Cisjordânia ocupada e a anexação de Jerusalém Oriental por Israel tem sido promovida por todos os Governos israelitas desde 1967, mas foi acelerada nos últimos anos sob o impulso de Netanyahu.

Ministro da Saúde diz que vai deixar o cargo

Este domingo, o ministro da Saúde de Israel, Yaakov Litzman, disse que vai deixar o cargo, na sequência de uma controvérsia sobre a forma como lidou com a crise de covid-19 e a sua própria infeção.

Litzman informou o primeiro-ministro que se afastava enquanto o país forma novo Governo, sem mencionar a sua muito criticada atuação enquanto ministro da Saúde, pasta que liderou na última década.

Em comunicado, afirmou que decidiu não integrar o Ministério da Saúde pela quarta vez, preferindo liderar um projeto mais abrangente para resolver a crise de habitação em Israel no Ministério da Habitação.

O Governo tem sido elogiado por manter a crise de coronavírus sob controlo. Mais de 15 mil israelitas foram infetados e morreram cerca de 200 pessoas, mas Israel não tem visto o seu sistema de saúde sobrecarregado como outros locais duramente atingidos.

Litzman, um ultraortodoxo sem formação médica, tem estado debaixo de críticas por surgir mal preparado em conferências de imprensa e resistir a propostas para apertar as medidas de confinamento que iriam afetar a comunidade religiosa do país.

No início do mês, o ministro foi diagnosticado com covid-19, aparentemente depois de ignorar as ordens do seu próprio ministério para evitar orações de grupo em locais públicos. Entretanto, recuperou.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/netanyahu-anexar-cisjordania-verao-321328

Segunda agressão israelita contra território sírio numa semana

Pelo menos três civis morreram em cidades dos subúrbios de Damasco, na sequência do ataque, revelou a agência SANA, acrescentando que a maioria dos mísseis foi derrubada pelas defesas anti-aéreas.

Defesa anti-aérea síria responde a um ataque israelita sobre Damasco em Fevereiro deste anoCréditos / Twitter

Caças israelitas, sobrevoando o espaço aéreo libanês, lançaram um ataque, esta madrugada, contra zonas periféricas a sul da capital da Síria. A maior parte dos mísseis foi interceptada pelas baterias da defesa anti-aérea do Exército Árabe Sírio, informou a agência estatal SANA.

Pelo menos três civis foram mortos e outros quatro ficaram feridos depois de mísseis terem atingido as cidades de al-Hujaira e Al-Adliya, nas imediações de Damasco, revelou a mesma fonte, precisando que a agressão israelita foi perpetrada por volta das 5h da manhã.

Uma fonte militar disse à Al-Masdar News que o ataque visou também o bairro de Sayyeda Zaynab, cerca de seis quilómetros a sul de Damasco, onde se localiza a mesquita homónima e que é um importante local de peregrinação xiita, nomeadamente no actual período do Ramadão.

 

Há uma semana, as defesas anti-aéreas sírias enfrentaram uma agressão israelita sobre a região de Palmira, na região desértica da província de Homs, também lançada a partir do espaço aéreo libanês. No dia 31 de Março, ocorreu um ataque semelhante, na mesma província, depois de a aviação israelita ter novamente violado o espaço aéreo libanês – um facto comum nas agressões de Telavive e que o governo do Líbano denunciou junto das Nações Unidas.

As forças militares sionistas não costumam comentar estas acções frequentes sobre território sírio; quando o fazem, o pretexto é quase sempre eliminar alvos iranianos ou do Hezbollah.

O governo de Damasco denuncia que, com estes ataques, as forças israelitas deixam em evidência o seu apoio aos grupos terroristas no país árabe, cuja moral procuram erguer, à medida que vão sofrendo derrotas cada vez maiores no terreno.

Mais reforços para as bases ilegais dos EUA na Síria

Violando as leis internacionais, os EUA continuam a reforçar a presença de tropas e de material logístico no Nordeste da Síria e na região de al-Jazirah (a leste do rio Eufrates), onde mantêm diversas instalações militares ilegais e saqueiam o petróleo, o gás e outras riquezas naturais da Síria.

«Uma caravana com 30 viaturas militares carregadas com material bélico e logístico entrou na Síria a partir do Iraque e dirigiu-se para a cidade de Qamishli, na província de Hasaka», informa esta segunda-feira a SANA, com base naquilo a que chama fontes locais.

Segundo a agência, os camiões dirigiram-se para a base ilegal que Washington tem em Tell Baydar, nas imediações de Qamishli.

As autoridades sírias têm denunciado reiteradamente a presença das tropas dos EUA e de todas as forças de ocupação em território sírio, sublinhando o carácter ilegal dessa presença e condenando o «roubo» dos recursos naturais do país.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/segunda-agressao-israelita-contra-territorio-sirio-numa-semana

Israel: “Gantz escolheu legitimar a anexação, o racismo e a corrupção”

“Lideraremos a oposição a este governo de anexação da Palestina”, diz parlamentar árabe.

 

 

O acordo anunciado por Benjamin Netnyahu e Benny Gantz na segunda-feira (20) para a formação do governo de Israel traz a incógnita da “instabilidade” dessa coalizão entre rivais —embora não estejam em espectros opostos— e a certeza da continuidade do estado de coisas, na emergência declarada em tempos de pandemia. E o estado de coisas é o ritmo constante de agravamento do quadro político e social em Israel e a consolidação da anexação da Palestina.

Um dos principais jornais israelenses, o Haaretz noticia com frustração e cautela o acordo para a formação de uma coalizão entre o partido de extrema-direita de Netanyahu, Likud, e o de centro-direita de Gantz, Kahol Lavan (“Azul e Branco”). Deverão ser incluídos na coalizão de governo ainda outros partidos de extrema-direita e ultra-ortodoxos que, apesar da ligação com Netnayahu em pontos essenciais, não são propriamente os aliados mais fieis. Por isso, uma das principais notas de cautela no noticiário nacional é a possível instabilidade do governo a ser formado, que vem tentar colmatar um impasse de um ano e três eleições infrutíferas neste sentido.

Na quarta tentativa, em março deste ano, o partido de Gantz conquistou 33 assentos do Parlamento e o de Netanyahu, 36. Mantendo a tendência ascendente, a Lista Conjunta —composta por partidos de maioria árabe e judeus democratas, inclusive a Frente Democrática de Paz e Igualdade (Hadash) em que está o Partido Comunista de Israel (PCI)— consolidou-se como a terceira força no Parlamento (Knesset), com 15 assentos. A maioria necessária para formar um governo é de 61, o que só seria possível com uma coalizão.

O presidente Reuven Rivlin havia então conferido a Gantz o mandato para a formação de um governo, mas a tarefa não foi cumprida no prazo. Na semana passada, Rivlin a transferiu ao Parlamento. Num período de 21 dias, qualquer parlamentar que conseguisse o apoio de 61 membros do Parlamento poderia formar uma coalizão e, caso ninguém conseguisse, o Knesset seria dissolvido para que outra, a quinta eleição, fosse realizada em três meses. Mas o compromisso foi anunciado.

Ao acordo Gantz-Netanyahu será anexada nova legislação para permitir a rotação do cargo de primeiro-ministro entre os dois líderes. Netanyahu seguirá no posto que ocupa desde 2009 por mais um ano e meio e, a seguir, Gantz, que começa como seu vice e ministro da Defesa, assumirá o cargo. A legislação que permitirá o arranjo deve ser aprovada no Knesset.

“PC de Israel vê vitória de Netanyahu: ‘o primeiro-ministro por mais tempo no cargo mais uma vez evadiu os obituários políticos escritos sobre ele depois de seu partido e seus aliados terem fracassado na reconquista da sua maioria em três eleições nacionais seguidas enquanto, neste tempo, ele foi indiciado em três casos de corrupção’.”

O governo começará com 32 e depois terá 36 ministros, além de 16 adjuntos. O Kahol Lavan ficará com o Ministério das Relações Exteriores e o da Justiça, enquanto o Likud ficará com o Ministério das Finanças e da Segurança Pública e com a presidência do Parlamento. Orli Levy-Abekasis, que concorreu nas eleições junto aos partidos da esquerda e centro-esquerda sionista Meretz e Partido Trabalhista, atuará como ministro pelo Likud; o líder do Trabalhista Amir Peretz será o ministro da Economia e outro membro do partido assume a pasta do Bem-Estar e Serviços Sociais. Outros ministérios seguirão chefiados pelos mesmos ministros e o da Educação deve ir para o partido de extrema-direita Yamina, caso este se some à coalizão.

O Likud presidirá a Comissão de Constituição, Direito e Justiça, a Comissão de Assuntos Econômicos e a comissão temporária sobre o coronavírus, enquanto o Kahol Lavan seguirá liderando as comissões de Assuntos Exteriores e a de Defesa. A comissão para a indicação de juízes, talvez o principal contencioso entre Gantz e Netanyahu, será composta pelo Ministro da Justiça e outro ministro do Likud, assim como dois outros parlamentares, um do bloco do Likud e outro do Kahol Lavan. Netanyahu, cujo julgamento pelos três casos de corrupção em que foi indiciado deve começar em 24 de maio, poderá vetar nomeações do próximo advogado geral e promotor, mas não haverá novidades neste âmbito enquanto durar o estado de emergência por conta da pandemia de coronavírus. O acordo também permite que um vice-premiê —neste caso, o posto de Netanyahu em 18 meses— poderá seguir no cargo enquanto indiciado e terá uma residência oficial.

A aposta de Gantz

Até Gantz decidir por tentar a coalizão com Netanyahu, Kahol Lavan era uma coligação entre o Partido da Resiliência Israel, liderado por Gantz, o Telem, do ex-ministro da Defesa Moshe Ya’alon e o Yesh Atid, do ex-ministro das Finanças Yair Lapid, que por algum tempo foi o principal rival de Netanyahu. A coligação foi dissolvida em 29 de março devido à decisão de Gantz, que havia sido eleito o presidente do Parlamento dias antes; seu partido manteve o nome Kahol Lavan.

Como presidente do Parlamento, Gantz evitou aprovar propostas de lei apresentadas por vários parlamentares, inclusive aquela que impediria Netanyahu de assumir o cargo de primeiro-ministro por estar indiciado em três casos de suborno, fraude e quebra de confiança. Gantz havia prometido aos eleitores que aprovaria tal proposta, mas buscou proteger a possibilidade de acordo com Netanyahu, alegando que os tempos de emergência demandam um governo de unidade nacional.

Devido à rendição de Gantz à formação de uma coalizão com Netanyahu, sua aliança centrista dissolveu-se. Em 16 de abril terminou seu prazo para a formação de um governo. Segundo fontes do partido de Gantz citadas pelo Haaretz, a composição do governo é feita de contrapesos para evitar o predomínio de um ou outro partido em diversas áreas. “Este governo não pode realizar a visão fundadora do Kahol Lavan, mas pode impedir o Likud de executar as mudanças que buscava realizar no sistema judicial.”

Entretanto, no editorial de 19 de abril, o Haaretz afirmava que Gantz se recusava a enxergar a realidade. O texto recorda que Netanyahu praticamente convocara uma revolta civil caso a Suprema Corte ou uma legislação aprovada o impedissem de assumir o cargo por conta do seu indiciamento. O editorial argumenta que Gantz “recusa-se a compreender o fato de que não é o coronavírus, mas o iminente julgamento de Netanyahu a única ameaça na cabeça do primeiro-ministro, e é apenas sua tentativa de evadir um julgamento que o leva a buscar uma parceria com Gantz.” E complementa que só na semana anterior é que Gantz e seus aliados entenderam que Netanyahu estava insistindo em controlar a nomeação de juizes que julgariam seu caso.

Gantz acredita que a pandemia de coronavírus mudou as regras. Entretanto, torna-se claro que a pandemia é uma cortina de fumaça usada por Netanyahu para atrair [Gantz] para a armadilha de um governo de unidade,” afirma o texto, que, listando os erros de Gantz, argumenta: “Depois de desmantelar o partido do seu rival, Netanyahu usará Gantz para desmantelar o estado de direito. Se isso acontecer, Gantz não poderá se declarar inocente.”

Gantz também busca eliminar a questão palestina de cena através da consolidação da anexação já em curso. Importa lembrar, ainda, que Gantz foi o comandante do exército e da força aérea israelense durante uma das mais brutais ofensivas contra a Faixa de Gaza, a de 2014, que matou mais de dois mil palestinos, majoritariamente civis, e deixou o território, novamente, em escombros, com ações que rendem inúmeras acusações de crimes de guerra ao governo Netanyahu. Aquela ofensiva, aliás, fez parte da campanha eleitoral de Gantz, com imagens da destruição de Gaza e das mortes provocadas transmitidas como um dos grandes feitos do então comandante, que foi levado ao tribunal da Holanda pelo refugiado palestino Ismail Ziadah pela morte de seis dos seus familiares.

Fortalecer a resistência na emergência e depois dela

“É assim que as democracias morrem no século 21. Não são eliminadas por tanques que adentram o Parlamento. Morrem desde dentro”

No Maki, portal de notícias do PCI, a matéria sobre o acordo para a formação da coalizão de governo prenuncia o reforço das medidas econômicas neoliberais e o avanço e fortalecimento da ocupação da Palestina por Israel, além de ressaltar a ausência de propostas sobre a grave crise social, econômica e sanitária no quadro da pandemia de Covid-19.

Israel registra uma taxa de desemprego de 26,1%, com um aumento de quase mil novos requerentes de apoio por dia. Assim, o total de desempregados em Israel na semana passada, de acordo com o Maki, era de 1,085 milhão de pessoas. No início de março, com as ordens de distanciamento social emitidas, a taxa de desemprego estava abaixo dos 4%; desde então, mais de 935 mil pessoas inscreveram-se na segurança social para receber salário desemprego —a maioria havia sido posta sob licença não remunerada. A expectativa é que mais de 400 mil trabalhadores demitidos ou postos sob licença não remunerada durante a crise epidêmica continuarão desempregados após o fim das restrições. A parlamentar Aida Touma-Sliman contestava na Suprema Corte uma norma emergencial que permitia aos empregadores colocar mulheres grávidas sob licença não remunerada durante a crise.

No domingo (19), milhares de pessoas protestaram em Tel Aviv contra as medidas impostas no quadro da emergência e ao governo de extrema-direita, respondendo à convocatória do movimento “Bandeira Negra”, que inclui a Hadash e o PCI, no que foi considerado o mais político dos protestos realizados por movimentos sociais no último mês desde que entraram em vigor as restrições a propósito da epidemia. Outros milhares participaram de protestos virtuais pelo Facebook e teleconferência. No protesto em Tel Aviv, até mesmo Yair Lapid, cujo partido conformava a coligação Kahol Lavan, fez um discurso em que acusava Netanyahu de destruir a democracia israelense e o seu antigo aliado Benny Gantz de permitir que isso aconteça, referindo-se às acusações de corrupção contra Netanyahu e às demandas que Gantz atendeu. “É assim que as democracias morrem no século 21. Não são eliminadas por tanques que adentram o Parlamento. Morrem desde dentro”, disse Lapid na manifestação, citado pelo Maki.

O PCI considera o acordo pela coalizão de governo uma vitória de Netanyahu: “o primeiro-ministro por mais tempo no cargo mais uma vez evadiu os obituários políticos escritos sobre ele depois de seu partido e seus aliados terem fracassado na reconquista da sua maioria em três eleições nacionais seguidas enquanto, neste tempo, ele foi indiciado em três casos de corrupção.” Além disso, continua o Maki, Netanyahu impõe seus planos para a anexação da Cisjordânia ocupada, já endossada pelo governo de Donald Trump em seu chamado “plano de paz”. O premiê poderá, como reconhece o acordo com Gantz, “colocar para a aprovação pelo gabinente e ou o Knesset” o plano de imposição da soberania israelense sobre a Cisjordânia a partir de 1º de julho, com o objetivo, segundo o texto do acordo, de “promover interesses estratégicos e securitários”.

Os parlamentares da Lista Conjunta condenaram o acordo veementemente. “Gantz agora demonstra que ele é um clone de Netanyahu”, disse Youssef Jabareen, parlamentar pela Hadash. É claro para ele que Netanyahu segue no controle do governo de unidade, com a intenção de aprofundar o controle militar de Israel sobre os palestinos nos territórios ocupados e iniciar o processo de anexação das colônias ilegais de Israel construídas sobre terras roubadas palestinas.

O líder da Lista Conjunta Ayman Odeh é citado pelo Maki classificando o acordo de governo como um insulto à maioria dos cidadãos israelenses. “O governo de rendição de Gantz e Netanyahu é uma bofetada para a maioria dos cidadãos que se dirigiram às urnas uma e outra vez para enxotar Netanyahu”, disse Odeh, considerando que Gantz “escolheu legitimar a anexação, o racismo e a corrupção”. A parlamentar pela Hadash Aida Touma-Sliman disse que o governo será perigoso e que “Gantz entrou em campo esperando substituir Netanyahu, mas acabou fortalecendo as políticas racistas e anti-democráticas dele. Nós lideraremos a oposição a este governo de anexação — durante e depois da crise de coronavírus.”

Em declaração citada no Maki, o PCI afirmou que “a formação do novo governo de extrema-direita de anexação significa um fim à solução de dois estados e o desmantelamento dos direitos do povo palestino como estabelecidos pelo direito internacional e por resoluções, assim como mais políticas capitalistas neoliberais econômicas e sociais. Continuaremos lutando contra o governo Netanyahu-Gantz nas ruas e no Knesset.”


por Moara Crivelente, Doutoranda em Política Internacional e Resolução de Conflitos   |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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https://www.jornaltornado.pt/israel-gantz-escolheu-legitimar-a-anexacao-o-racismo-e-a-corrupcao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=israel-gantz-escolheu-legitimar-a-anexacao-o-racismo-e-a-corrupcao

Preso palestiniano de 23 anos morre numa cadeia israelita

Na nota em que dá conta do falecimento de Nour Jaber Barghouti, esta quarta-feira, a Sociedade dos Presos Palestinianos acusa os serviços prisionais israelitas de «serem responsáveis», por «negligência».

Mural solidário com os presos palestinianos numa rua de Belfast, no Norte da IrlandaCréditosBen Kerckx / 972mag.com

Barghouti, natural da aldeia de Aboud (Margem Ocidental ocupada) e que cumpria uma pena de oito anos por «resistência à ocupação israelita», caiu inconsciente, esta quarta-feira, numa casa de banho da prisão israelita de Naqab, informou a Sociedade dos Presos Palestinianos (SPP).

Quando os outros prisioneiros se aperceberam de que Barghouti estava inanimado, começaram a gritar por ajuda, mas a «administração prisional demorou mais de meia hora a prestar assistência médica» ao preso.

O jovem foi então declarado morto, refere a nota – citada pela Palestine Chronicle e a PressTV –, na qual a SPP acusa os serviços prisionais israelitas de serem responsáveis pela morte de Barghouti.

Vários responsáveis políticos palestinianos denunciaram este «novo crime» perpetrado por Israel, bem como a «política de negligência médica» que leva a efeito contra os prisioneiros palestinianos.

Recentemente, diversas organizações, a nível internacional, têm expressado preocupação com a situação dos presos palestinianos sob custódia israelita, nomeadamente por causa da pandemia do novo coronavírus.

«Quadro institucionalizado de negligência médica»

Numa nota que emitiu a propósito do Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinianos – 17 de Abril –, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) chamava precisamente a atenção para o facto de que «as condições de detenção dos palestinianos nas prisões israelitas não cumprem as normas internacionais mínimas estabelecidas pelo direito humanitário internacional», e denunciava «o quadro institucionalizado de negligência médica por parte das autoridades de Israel».

Se os presos palestinianos encerrados nas prisões israelitas enfrentam a «ameaça acrescida» à sua saúde e às suas vidas resultante da pandemia de Covid-19, esta é agravada pela «recusa reiterada» das autoridades israelitas em prestar «serviços médicos adequados aos prisioneiros palestinianos», denunciava o texto.

Um relatório referente a 2019, elaborado pela Sociedade dos Presos Palestinianos (SPP), pela Addameer – Associação de Apoio e Direitos Humanos dos Presos e pela Comissão de Assuntos dos Presos e ex-Presos, dava conta da utilização da tortura, por parte das forças israelitas, como «instrumento de vingança e coacção» sobre os presos.

De acordo com o informe, 95% dos detidos são submetidos a tortura, nas várias fases da detenção, e cinco presos perderam a vida em cadeias israelitas em 2019, como consequência das «políticas sistemáticas de tortura e morte lenta», que incluem «a demora ou a negação de tratamento médico», bem como a utilização do «acesso a cuidados médicos como táctica de coacção».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/preso-palestiniano-de-23-anos-morre-numa-cadeia-israelita

Governo de coligação em Israel. Gantz vai ser o ministro da Defesa de Netanyahu

 

 

Benny Gantz, rival eleitoral do primeiro-ministro israelita Benjamim Netanyahu e antigo chefe das Forças Armadas, diz que será ministro da Defesa de Israel durante a primeira metade do mandato do Governo de União e de Emergência (GUE).

 

Após 16 meses de crise política e de três eleições que não definiram uma vitória para qualquer um dos lados, Netanyahu, líder do Likud, e Gantz dirigente do partido Azul-Branco, assinaram segunda-feira um acordo para a formação de um governo de emergência nacional, que prevê também a realização de novas eleições dentro de três anos.

O acordo prevê um elenco governamental de 32 ministros durante os primeiros seis meses, com o objetivo de combater a pandemia de Covid-19, passando, depois, para 36, o gabinete mais numeroso da história de Israel.

Cada um dos líderes repartirá equitativamente os ministérios, com as pastas da Defesa e da Justiça nas mãos de Gantz e aliados e as Finanças e da Saúde para as de Netanyahu e respetivos apoiantes.

 
 

Netanyahu, cujo julgamento por corrupçãofoi adiado por causa do novo coronavírus, será primeiro-ministro durante 18 meses, após o que será substituído por Gantz nos restantes 18.

Esta terça-feira, Gantz confirmou que será ministro da Defesa durante o primeiro ano e meio e que substitui no cargo Naftali Bennett, líder de uma formação da direita radical, aliada de Netanyahu.

“Serei ministro da Defesa e depois, a seu tempo, primeiro-ministro de todos os cidadãos”, afirmou Gantz, militar de carreira, chefe do Estado-Maior do Exército israelita durante as duas últimas guerras na Faixa de Gaza (2012 e 2014) e defensor de uma linha dura face ao Hamas, o movimento armado islâmico que controla o enclave palestiniano.

O acordo põe fim a meses de paralisia política e evita um provável quarto escrutínio legislativo consecutivo em cerca de um ano.

Após as eleições de 2 de março, que resultaram num novo impasse, os dois líderes concordaram posteriormente na formação de um gabinete de união e “emergência”, para enfrentar a crise motivada pelo surto do novo coronavírus.

// Lusa

 

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/governo-coligacao-israel-gantz-netanyahu-320587

Novo governo, problemas antigos: desafios a enfrentar pela coalizão israelense

Tráfego rodoviário frente a cartaz de campanha eleitoral do Partido Azul e Branco, representando o líder do partido, Benny Gantz, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Tel Aviv, 18 de fevereiro de 2020 (foto de arquivo)
© REUTERS / Amir Cohen

Os israelenses esperam que o novo governo atue rapidamente no combate à pandemia e suas repercussões econômicas, melhore a segurança do país e sua imagem internacional.

Após quase dois anos de impasse sem precedentes, numerosas crises e três eleições, Israel finalmente tem um governo. A Sputnik International enumera os vários desafios que o novo governo de unidade nacional israelense vai enfrentar.

Assinado em 20 de abril entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu antigo rival, Benny Gantz, o acordo estipula a divisão do poder entre os dois, com Netanyahu ocupando inicialmente o cargo de premiê e Gantz ocupando seu lugar um ano e meio depois.

Para Gantz, isso foi uma conquista pessoal. "Evitamos um quarto turno eleitoral", escreveu ele no Twitter. "Vamos salvar a democracia em Israel. Vamos combater o coronavírus e cuidar de todos os cidadãos".

Mas é muito cedo para comemorar. Uma vez removidos os principais obstáculos, ambos precisarão de superar uma série de desafios para que o governo funcione, o primeiro dos quais é a divisão dos cargos ministeriais.

Agradar a aliados

O governo de unidade deverá ter mais de 30 ministros e isso significa que o Likud de Netanyahu, que até agora controlava a maioria dos cargos ministeriais de Israel, precisará de compartilhar não só entre si e seus aliados do bloco liderado por Netanyahu, mas também com a coligação Azul e Branca de Gantz, que pelo acordo ocuparia 16 ministérios.

Benny Gantz, líder do Partido Azul e Branco, após ter falado aos apoiantes na sede do partido em Tel Aviv, na sequência do anúncio dos resultados à boca de urna nas eleições israelitas, Israel, 3 de março de 2020

© REUTERS / Corinna Kern
Benny Gantz, líder do Partido Azul e Branco, após ter falado aos apoiantes na sede do partido em Tel Aviv, na sequência do anúncio dos resultados à boca de urna nas eleições israelitas, Israel, 3 de março de 2020

Embora o Likud vá liderar importantes pastas como o Ministério das Relações Exteriores (durante metade do período), educação, transporte e proteção ambiental, outros cargos prestigiados como a defesa, assuntos estratégicos, justiça e integração, ficarão nas mãos de Gantz.

Netanyahu estava ciente da insatisfação que esta situação poderia causar e estava preparado para isso. Determinado a manter sua equipe satisfeita e, o mais importante, intacta, ele convenceu Gantz a deixar o Likud controlar posições diplomáticas chave, assim como importantes comitês do Knesset, o parlamento israelense.

Gantz foi rápido em concordar com a solução. Assim, será um membro do Likud a liderar a missão nas Nações Unidas e será o partido de Netanyahu a assumir a liderança nos comitês financeiro, de integração e de economia do Knesset.

Economia: principal preocupação

Contudo, estes estão longe de ser os únicos desafios do novo governo. Após a divisão de cargos, a coalizão precisará de alcançar resultados em diversas frentes, principalmente na esfera da saúde e da economia.

A pandemia do novo coronavírus, que irrompeu em Israel em final de fevereiro e já ceifou mais de 180 vidas, representa um sério desafio econômico. Logo após o surto do vírus, o Estado judaico anunciou uma série de medidas rigorosas para conter a propagação do SARS-CoV-2.

Judeus ultraortodoxos com carrinhos de compras passando em frente a aviso conclamando as pessoas a ficarem em casa devido à pandemia em Israel

© REUTERS / Amir Cohen
Judeus ultraortodoxos com carrinhos de compras passando em frente a aviso conclamando as pessoas a ficarem em casa devido à pandemia em Israel

Estas incluíram não só a adoção de quarentenas, mas também o encerramento de instituições governamentais, bem como cerca de 70% das 500 mil pequenas e médias empresas de Israel.

Como resultado, o desemprego disparou, atingindo 25 por cento em menos de dois meses. Este último número é o mais alto desde a criação do Estado de Israel, em 1948.

Foi por essa razão que Netanyahu, que venceu as últimas eleições mas que não logrou formar governo, pediu a Gantz que deixasse suas diferenças de lado e estabelecesse um governo de unidade nacional para o bem de todos os israelenses.

Agora, uma vez concluído o acordo, a pergunta que se põe é se eles serão capazes de cumpri-lo.

Segurança nacional

Ambos também terão de se mostrar alinhados no problema da segurança nacional. Durante as últimas três campanhas eleitorais, a coligação de Gantz acusou Netanyahu de incapacidade de lidar com o Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza, prometendo melhorar a segurança de Israel e restaurar sua capacidade de dissuasão.

Premiê israelense Benjamin Netanyahu fala enquanto preside à reunião semanal do gabinete em Jerusalém, 8 de março de 2020 (foto de arquivo)

© REUTERS / Oded Balilty / Pool
Premiê israelense Benjamin Netanyahu fala enquanto preside à reunião semanal do gabinete em Jerusalém, 8 de março de 2020 (foto de arquivo)

Agora, com o Hamas preocupado com seus próprios desafios do novo coronavírus, a situação em Gaza tem sido excepcionalmente tranquila, mas especialistas israelenses já advertiram que não vai durar muito tempo, sobretudo se a situação em Gaza ficar fora de controle e Tel Aviv não fornecer ao enclave a assistência médica necessária.

Gantz, indigitado como ministro da Defesa, precisará de lidar com esta questão que desafia Israel desde 2001 e também terá que lidar com uma possível troca de prisioneiros com o Hamas, que supostamente manteria detidos dois cidadãos de Israel, bem como os corpos de dois soldados israelenses mortos em 2014.

Contudo, malgrado as múltiplas rodadas de negociações, o envolvimento de mediadores egípcios e a pressão internacional, o processo não avançou sequer um centímetro, em parte devido ao impasse político em Israel. Agora, com um governo de unidade em funções, a opinião pública israelense colocará a resolução deste problema no topo de sua agenda.

'Acordo do Século'

Outro ponto a dominar a agenda será o plano de paz "Acordo do Século" do presidente dos EUA, Donald Trump. Lançado no final de janeiro, a iniciativa previa grandes trocas de terras e a extensão da soberania de Israel sobre o Vale do Jordão, que constitui cerca de 30% da Cisjordânia, passo esse que enfureceu os palestinos e que pode levar a uma série de repercussões econômicas terríveis, incluindo sanções internacionais e boicote aos produtos israelenses.

Seja como for, a dupla agora coligada está determinada a seguir em frente com o plano, cujo início está previsto para 1º de julho, não só porque foi uma promessa eleitoral de ambos, mas também porque, se não o fizerem, isso poderia afetar as relações com os EUA.

Para além dessas razões, a prevista extensão da soberania, reconhecendo os colonatos como parte do Estado judaico e construindo dessa forma pontes entre os círculos de esquerda e de direita de Israel, convém a ambos líderes políticos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020042115482673-novo-governo-problemas-antigos-desafios-a-enfrentar-pela-coalizao-israelense/

Israel | Ocupando território enquanto ninguém olha

 
 
Israel usa a situação global do coronavírus para continuar anexação e construção de assentamentos judeus em territórios palestinos, afirmou o secretário-geral da Liga Árabe (LAS), Ahmed Aboul Gheit.
 
Na segunda-feira (13), Gheit enviou uma mensagem a vários líderes mundiais, incluindo o secretário-geral da ONU e os chanceleres do Reino Unido, Alemanha, China, Rússia, EUA e França, onde descreveu a situação atual nos territórios palestinos e de seus perigos.
 
O chefe da comunidade árabe alertou "sobre a tendência perigosa e clara dos líderes israelenses, especialmente do partido Likud [liderado pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu], de tirar proveito das extraordinárias circunstâncias globais, que envolvem o confronto com a pandemia da COVID-19, para expandir seus assentamentos", nas proximidades de Jerusalém Oriental e da região do Vale do Jordão.
 
O secretário-geral da LAS também observou que os palestinos, que antes mesmo da pandemia enfrentavam dificuldades económicas, agora são forçados a enfrentar desafios ainda mais sérios.
 
Sputnik
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/israel-ocupando-territorio-enquanto.html

Gantz e Netanyahu têm 48 horas para formar governo

 

O Presidente de Israel, Reuvén Rivlin, deu esta terça-feira 48 horas suplementares ao centrista Benny Gantz para formar um governo de unidade nacional com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

 

O novo prazo concedido por Rivlin foi anunciado instantes depois de esgotado o limite inicial dado a Benny Gantz para formar um executivo (meia-noite em Jerusalém, 21h em Lisboa) e prolonga-se até à meia-noite de quarta-feira, hora local.

Caso Gantz e Netanyahu não consigam colocar um ponto final na mais longa crise política da história de Israel, a responsabilidade passará para o parlamento, onde qualquer membro eleito poderá tentar reunir o apoio de 61 deputados (de um total de 120) para formar governo e evitar um quarto ato eleitoral em menos de um ano no país.

Gantz pediu a Rivlin a prorrogação do prazo na noite de sábado, após um princípio de acordo que incluía a rotação com Netanyahu na liderança do governo e que, segundo o partido de Gantz, caiu por terra devido a um desacordo em torno da composição do Comité de Nomeações Judiciais.

O antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas tinha-se candidatado ao cargo de presidente do Knesset (parlamento) e foi eleito em 6 de março. Imediatamente a seguir à eleição, Gantz apelou para um “governo de união e de emergência” para gerir a crise do novo coronavírus.

Benjamin Netanyahu conta com o apoio de 59 dos 120 parlamentares de Israel e precisaria de mais dois para obter a maioria e poder formar um governo. Gantz obteve o apoio de um maior número de deputados e ficou com aquela tarefa. O país é dirigido por um executivo em transição há mais de 15 meses.

Caso não haja acordo dentro do prazo estipulado, o parlamento terá de convocar novas eleições.

// Lusa

 

 

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https://zap.aeiou.pt/gantz-netanyahu-48-horas-formar-governo-319073

Salvemos la vida de los prisioneros palestinos!

 
 
La Coalición Europea de Apoyo a los Prisioneros Palestinos ha lanzado una campaña internacional pidiendo a los gobiernos, parlamentos, partidos y organizaciones que se atienda con urgencia a las condiciones de salud de los hombres, mujeres y menores prisioneros en las cárceles y centros de detención del sionismo y que se encuentran hoy indefensos ante la pandemia del COVID-19 y que sean liberados de inmediato los más vulnerables.
 
He aquí el llamamiento:
 
 
El Frente Antiimperialista Internacionalista apoya con toda determinación esta campaña y aporta el siguiente documento, llamando a la participación en esta campaña: https://youtu.be/YoMzWufTVt4
 
 
 
Animamos a todas las personas que comparten los planteamientos del FAI a grabar un vídeo corto, de unos 20 a 40 segundos, con alguna de las reivindicaciones o con mensajes relativos a la campaña y a enviárnoslos, vía Wetransfer u otros medios de transferencia, a la dirección de correo electrónico frente_antiimperialista@riseup.net, así como a difundirlos por sus redes sociales con la etiqueta #LibertadPrisionerosDelSionismo.
 
Libertad para los prisioneros de la libertad!
 
 

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Ministro da Saúde de Israel é diagnosticado com COVID-19

Bandeira israelense em frente à aldeia de Majdal Shams nas colinas de Golã controladas por Israel
© AP Photo / Ariel Schalit

O ministro da Saúde de Israel, Ya'acov Litzman, e sua esposa foram infectados com o coronavírus. A informação foi divulgada pela mídia israelense, citando um porta-voz do Ministério da Saúde.

De acordo com o porta-voz, citado pelo Jerusalem Posto, Litzman, 71 anos, e sua esposa, foram diagnosticados com a COVID-19 e entrarão em quarentena.

Seguindo as recomendações médicas, o ministro continuará cumprindo suas obrigações em casa.

O chefe do Mossad, serviço de inteligência de Israel, Yossi Cohen, e o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Meir Ben Shabbat, também estão se isolando desde que entraram em contato com Litzamn.

Como Litzman se reuniu recentemente com várias figuras públicas sobre questões relacionadas à COVID-19, outros oficiais do governo podem ser solicitados a entrar em quarentena.

Segundo o Ministério da Saúde, o número de casos de coronavírus em Israel totaliza 6.092, com 26 mortes.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020040215403220-ministro-da-saude-de-israel-e-diagnosticado-com-covid-19/

Reviravolta política em Israel pode manter Netanyahu no poder

Gali Tibbon / Afp Pool

 

Benjamin Netanyahu e o seu rival Benny Gantz estão prestes a fechar um acordo para uma governação alternada, com o atual primeiro-ministro a comandar a primeira volta. Esta medida surge após três eleições inconclusivas no país.

 

Segundo noticiou a NPR, Gantz, antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, entrou na política em 2019 para derrubar Netanyahu. Embora tenha recusado fazer parte de um governo liderado por este, mudou de opinião na quinta-feira, apelando a um governo de união, decisão potenciada pela pandemia de coronavírus.

“Estes não são dias comuns e exigem decisões extraordinárias”, disse no Twitter.

No mesmo dia, com o apoio de Netanyahu, Gantz apresentou a sua candidatura a presidente do parlamento de Israel, o Knesset. Até então, Gantz estava pronto para avançar com uma legislação que impedia Netanyahu de formar governo. Caso avançasse, Netanyahu forçaria mais uma ronda de eleições.

Gantz afirmou que a única razão para se apresentar como candidato à presidência do Knesset passava por aumentar a probabilidade de se formar um governo de união. De acordo com os media israelitas, este não deve permanecer na posição, ocupando, provavelmente, o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros.

 
 

O Haaretsavançou que setenta e quatro parlamentares a favor de Gantz e 18 contra. Os legisladores que o apoiaram acusam-no agora de trair a esquerda central.

Yair Lapid, co-líder da aliança azul e branca da qual Gantz fazia parte, criticou a decisão, afirmando que “o que está a ser formado não é um governo de união ou de emergência. É outro governo de Netanyahu”. Gantz “rendeu-se sem lutar”, disse, frisando que “a crise do coronavírus não nos dá o direito ou permissão para abandonar os nossos valores”.

Até agora, Gantz, pretendia não o cargo de presidente do parlamento, mas o de chefe do governo. Foi aliás encarregue pelo Presidente israelita, Reuven Rivlin, de constituir um executivo no passado dia 16. Netanyahu, contudo, tem argumentado que deveria permanecer como primeiro-ministro à luz da epidemia de coronavírus.

Esta não é a primeira vez que a crise do coronavírus tem efeitos no futuro político de Netanyahu. Como já noticiado, o seu julgamento por corrupção foi adiado devido a medidas de emergência em resposta à pandemia.

Israel tem mais de 2.660 casos de infeção, incluindo oito mortos, e as autoridades reforçaram as restrições, proibindo os cidadãos de saírem de casa, exceto para comprar alimentos e medicamentos, receber cuidados de saúde ou trabalhar.

ZAP //

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/reviravolta-politica-israel-netanyahu-poder-316109

Nem coronavírus impede incursões do Exército de Israel na Cisjordânia, diz responsável palestino

Praça Manger fora da Igreja da Natividade vazia em meio a medidas tomadas pela Autoridade Palestina para prevenir a propagação da doença do coronavírus, em Belém, na Cisjordânia ocupada por Israel, 19 de março de 2020
© REUTERS / Mustafa Ganeyeh

Ibrahim Melhim, um porta-voz da Autoridade Palestina, reconheceu os esforços israelenses para conter o coronavírus no país e na Palestina, mas critica as imparáveis incursões contra os palestinos.

O primeiro-ministro palestino Muhammad Shtayyeh anunciou no domingo (22) o fechamento parcial da Cisjordânia, durante as próximas duas semanas, em uma tentativa de impedir a propagação do coronavírus que já infectou mais de 59 pessoas.

Apesar do número de pacientes com coronavírus ser muito menor na Autoridade Palestina (AP) do que em Israel, onde o número de infectados ultrapassa o milhar, Ramallah ainda optou por introduzir uma série de medidas rigorosas, que incluem o fechamento de bancos, órgãos públicos e instituições governamentais, bem como severas limitações à circulação.

Espera-se que a população fique em casa, a menos que procure serviços essenciais, como alimentação e medicamentos.

Além disso, foi pedido aos que vêm do exterior que se coloquem em quarentena por 14 dias, e a AP prometeu penas, incluindo multas e detenção, para os que violem as instruções.

De pé, mas procurando ajuda

"Nesta fase, estamos nos concentrando em medidas de precaução para conter a propagação do vírus. Embora tenhamos as equipes médicas, não será [mesmo] suficiente [se a situação continuar se deteriorando], especialmente dado o fato de que temos uma escassez de medicamentos e equipamentos médicos", disse Ibrahim Melhim, um porta-voz da Autoridade Palestina, à Sputnik Internacional.

Mas os palestinos também vão precisar de assistência financeira. Na quinta-feira (19), o Ministro das Finanças israelense, Moshe Kahlon, assinou um decreto permitindo a transferência de cerca de US$ 33 milhões (R$ 168,3 milhões) do dinheiro dos contribuintes palestinos para a AP, em uma tentativa de manter seu sistema de saúde a funcionar.

Isto é particularmente útil dado que os palestinos já não podem ser tratados nos hospitais israelenses, não só devido à atual crise do coronavírus, mas também devido a uma disputa que eclodiu em março passado em torno da transferência de receitas fiscais para Ramallah.

Um artista pinta um mural gigante da ativista palestina Ahed Tamimi em parte da barreira de separação israelense, na Cisjordânia.

© AP Photo / Nasser Nasser
Um artista pinta um mural gigante da ativista palestina Ahed Tamimi em parte da barreira de separação israelense, na Cisjordânia.

Antes do desacordo, a AP estava pagando cerca de US$ 100 milhões (R$ 509,8 milhões) pelas contas médicas dos palestinos em Israel a cada ano, tendo os hospitais israelenses tratado cerca de 50.000 pessoas em 2019.

Depois que a opção de obter assistência médica em Israel foi removida, o premiê palestino apelou aos médicos israelenses que trabalham na Cisjordânia para trabalhar voluntariamente nos hospitais palestinos como forma de economizar nos custos de enviar pacientes para Israel.

Apesar de o convite de Shtayyeh ter sido aceito pelos Médicos pelos Direitos Humanos, uma ONG israelense que reúne cerca de 3.500 profissionais de saúde e voluntários e que presta assistência aos palestinos, as chances desses médicos poderem agora entrar e sair da Cisjordânia são quase inexistentes.

Apertando o cerco

Além de Belém, que foi fechada por quase três semanas devido ao surto do vírus lá, Israel também decidiu impor um fechamento total da Cisjordânia a partir de domingo (22). O governo permitiu que apenas os palestinos empregados em Israel na construção entrassem no Estado judeu e permanecessem aí por um período de até dois meses, desde que não tivessem mais de 50 anos e obtivessem as licenças necessárias.

Relatos sugerem que a decisão de excluir os trabalhadores da construção não foi motivada apenas pelo desejo de evitar o colapso do setor de construção em Israel, que depende quase inteiramente dos trabalhadores palestinos, mas também para minimizar o golpe para a já frágil economia palestina.

De acordo com estimativas, os 150.000 trabalhadores palestinos empregados diariamente na construção e agricultura em Israel arrecadam mais de US$ 300 milhões (R$ 1,53 bilhão) por mês. Prejudicar sua possibilidade de trabalhar seria devastador para eles em termos econômicos.

Por essa razão, a decisão de permitir que trabalhadores de construção permaneçam em Israel, algo que é proibido sob circunstâncias normais, foi bem recebida pelas autoridades palestinas, com o premiê palestino apelando a Tel Aviv para fornecer a estas pessoas as condições humanitárias necessárias.

Israel já anunciou que seria responsabilidade dos empregadores alojar esses palestinos e fornecer-lhes a assistência necessária durante toda sua estadia.

"Temos uma coordenação muito forte e constante com o lado israelense para evitar que o coronavírus se espalhe", disse Melhim, referindo-se às medidas tomadas por ambos os lados.

"Ao mesmo tempo, Israel continua operando nos Territórios Palestinos como se não houvesse crise do coronavírus", referiu.

"Eles [forças israelenses] continuam suas incursões pela Cisjordânia, prendendo pessoas e confiscando terras, e isso prejudica a coordenação existente entre a AP e Israel, colocando um fardo adicional sobre a Autoridade Palestina", concluiu o porta-voz da AP.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020032315366055-nem-coronavirus-impede-incursoes-do-exercito-de-israel-na-cisjordania-diz-responsavel-palestino/

Israel | Pandemia como pretexto para autoritarismo

 
 
Prestes a ser julgado por corrupção, primeiro-ministro Benjamin Netanyahu usa telemóveis para monitorizar população e fecha tribunais e Parlamento. População nas ruas, em protesto. Leia também: telemedicina autorizada no Brasil
 
Maíra Mathias e Raquel Torres | Outras Palavras
 
USO POLÍTICO DA PANDEMIA Israel está enfrentando uma crise política sem precedentes – e, não por acaso, ela se soma à crise sanitária provocada pelo novo coronavírus. A escalada começou na madrugada de domingo, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu decidiu editar um decreto fechando quase todos os tribunais do país. A justificativa foi a covid-19. Mas o fato é que ‘Bibi’ deveria começar a ser julgado nesta semana. Ele é acusado de suborno, fraude e quebra de confiança. O passo seguinte foi dado novamente de madrugada, na terça (17), quando Netanyahu decretou que a Agência de Segurança Interna (conhecida como Shin Bet) passe a usar um banco secreto de dados captados dos celulares dos cidadãos. A justificativa foi, de novo, o coronavírus: o político argumenta que a medida permitirá o rastreamento de quem deveria estar em quarentena ou de gente que possa ter entrado em contato com pessoas infectadas. Essas decisões foram tomadas de forma unilateral pelo primeiro-ministro, sem consulta ou supervisão legislativa. Pois bem: na quarta-feira, o líder do partido de Netanyahu no Parlamento, Yuli Edelstein, anunciou o fechamento da Casa legislativa. Foi, para muitos, a gota d’água. Ontem em Jerusalém, centenas de israelenses saíram em comboio, com bandeiras pretas em seus carros, para protestar contra as medidas antidemocráticas de Netanyahu e seus aliados. O governo reprimiu a manifestação, fechando as vias em torno do Parlamento e da Suprema Corte, e prendeu cidadãos que estavam a pé. O temor é de que o país – que se orgulha de ser “a única democracia do Oriente Médio” – esteja sendo levado para o caminho da ditadura. Para entender a crise, é preciso voltar a 2 de março, quando Netanyahu foi derrotado nas eleições. Desde então, ele atua na condição de interino. Até que, na segunda-feira (16), seu adversário político – Benny Gantz, ex-chefe do Exército e líder do partido Azul e Branco – foi encarregado de formar um novo governo. “Porém, Netanyahu, que lidera o governo interino enquanto o novo não é formado, está fazendo o possível para impedir que isso aconteça”, relatam o editor do New York Times em Israel, David M. Halbfinger, e a correspondente Isabel Kershner. “Nós estamos indo em direção à uma crise constitucional”, disse a eles Shlomo Avineri, professor emérito de Ciência Política na Universidade Hebraica. A questão é que diante do pânico causado pelo novo coronavírus, parte da população apoia as ações de Netanyahu que, aproveita o momento para fazer pronunciamentos diários na televisão distribuindo conselhos de saúde. Ele desempenha o papel de “pai da nação”, caracteriza Avineri. “A crise derruba os governantes, ou os fortalece”. O saldo para Bibi, segundo o professor, tem sido positivo: “Isso fortaleceu Netanyahu, porque a agenda é sobre o coronavírus, e não seu julgamento por corrupção”.
 
TERCEIRO PANELAÇO Já o caso do presidente Jair Bolsonaro parece não ser este – embora ninguém saiba o que ele é capaz de fazer se a tensão aumentar ainda mais por aqui. Ontem, ele foi alvo, pelo terceiro dia seguido, de panelaços nas principais cidades do país. E sua conduta em relação ao coronavírus, dentre outras razões, sustenta a tese do terceiro pedido de impeachment contra ele, protocolado ontem na Câmara dos Deputados por Alexandre Frota (PSDB-SP). E as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular convocaram um novo panelaço para amanhã. A pauta é a defesa do SUS e de um plano emergencial de assistência para a população que vai perder renda e ficar desempregada. Hoje, a movimentação nas redes é por um “aplaudaço” para os profissionais de saúde que estão atuando na resposta ao coronavírus. Ontem, já se ouviram algumas palmas em cidades como São Paulo e Recife. Em tempo: na habitual live de quinta-feira, Bolsonaro decidiu explicar que a “festinha” de aniversário sobre a qual falou para jornalistas em tom de deboche (na mesma oportunidade que comparou a chegada do coronavírus com gravidez) vai reunir apenas a esposa e a filha. A essa altura, não há mesmo muito o que comemorar… CRESCE TRANSMISSÃO SUSTENTADA Pelo menos seis estados brasileiros já têm transmissão sustentada da covid-19 em algum local. Nesses casos, não dá para saber quem passou o vírus para quem e é muito mais difícil monitorar e conter a disseminação. São Paulo e Pernambuco já consideram que têm esse tipo de transmissão em todo o território; em Santa Catarina ele ocorre no sul e, no Rio, Minas e Rio Grande do Sul, está nas capitais. A situação é muito preocupante. Ontem, o ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que, na China, a epidemia ficou mais concentrada em Wuhan e outras cidades não tinham surtos como começa a acontecer no Brasil. “À exceção da região amazônica, da região Norte, todas as outras regiões estão fazendo aumentos sistemáticos em bloco. O que poderia ser em uma região, em uma cidade, em uma localidade, me parece aumentando em bloco em todos os estados. Parece uma coisa vindo em relação a um cenário muito mais de característica nacional do que regional“, disse. Ele afirmou ainda que é preciso atentar para os estados onde ainda não há nenhum caso confirmado porque é possível que os casos existam mas não estejam sendo identificados. E pediu que as equipes de Saúde da Família “assumam os seus usuários“, que “cada um vá atrás da sua área de abrangência” e que os agentes comunitários de saúde procurem todos os idosos que atendem. “Monitorem todo mundo. Vocês têm o telefone dessas pessoas e conhecem elas por nome. Isso pode ser fundamental nas comunidades mais carentes do Rio de Janeiro, por exemplo”. Detalhe: cada agente é responsável por atender a até 750 pessoas. O número de casos confirmados no país subiu para 621 – um avanço de 193 em relação à véspera – e o de mortes subiu de quatro para seis. Mas São Paulo confirmou mais uma que não está na conta oficial do Ministério. São sete, portanto. O Rio confirmou que a morte da mulher de 63 anos, de Miguel Pereira, foi por covid-19. Já sabíamos que ela era empregada doméstica e a patroa havia voltado da Itália com o coronavírus. A Agência Pública conta mais sobre a essa história que diz muito sobre privilégios de classe. A mulher não fazia ideia de que a patroa poderia estar doente. Se seu caso tivesse sido tratado no hospital como suspeito, ela poderia não ter morrido, segundo a equipe médica. CURIOSO O Ministério da Saúde está podendo comprar sem fazer licitação nesse momento, o que faz todo sentido. Mas o jornalista Breno Costa apurou que uma das primeiras compras feitas durante a crise do coronavírus beneficiou uma empresa ligada ao financiamento das campanhas de Mandetta nas eleições de 2010 e 2014, quando ele foi eleito deputado federal. A Pasta comprou R$ 700 mil em aventais hospitalares. Quem vai fornecer é a empresa Prosanis, de Campo Grande. A empresa é de Aurélio Nogueira Costa, dono da Cirumed, que, por sua vez, foi uma das maiores doadoras do atual ministro. Em 2014, só ficou abaixo da Amil. O repórter publicou o caso na newsletter Brasil Real Oficial e em sua conta do Twitter. A história também foi checada pelo UOL, que procurou o Ministério. A Pasta afirmou foram enviadas propostas de preço e os praticados pela Prosanis eram menores. Mas não deu a resposta principal: se não enxerga conflito de interesses. TELEMEDICINA O Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou a telemedicina enquanto durar a pandemia de covid-19. O problema é que no ofício encaminhado ontem ao Ministério da Saúde a principal perna da modalidade virtual – a teleconsulta – não foi contemplada. Quadros virais como otites, rinites e laringites, mais frequentes durante o outono, não poderão ser diagnosticados por um médico a distância, o que poderia desafogar os serviços de saúde. “Nas próximas semanas, isso precisa ser objeto de revisão. A passos de corrida, não de uma lenta caminhada”, analisou José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Paulista de Medicina, em entrevista à Folha. No ofício encaminhado ontem ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta,  o CFM libera a teleorientação, o telemonitoramento de sintomas de pacientes e a teleinterconsulta, ou seja, troca de informações entre profissionais para o auxílio diagnóstico ou terapêutico. NOVAS MEDIDAS Novas medidas foram anunciadas pelo Ministério da Saúde ontem. Onde houver transmissão comunitária, toda pessoa com sintomas respiratórios, com ou sem febre, deve receber máscara e ser levada a local de isolamento respiratório. Pessoas com sintomas leves vão ser medicadas e levadas para isolamento domiciliar por duas semanas, com acompanhamento presencial ou por telefone a cada dois dias, e todos os familiares terão atestado para isolamento pelo mesmo período. É de se perguntar o quanto essas medidas vão ser cumpridas. A família do primeiro paciente segue reclamando sobre a falta de acompanhamento, mesmo com sintomas como febre, tosse e falta de ar. Agora, o pai e dois irmãos estão internados. A secretaria municipal de saúde de São Paulo afirma que a falta de acompanhamento se deu porque o hospital (privado) Sancta Maggiore não fez a notificação oficial. Outra mudança: o governo voltou atrás em relação aos cruzeiros turísticos e decidiu vetar embarques e desembarques em todo o país. FRONTEIRAS FECHADAS Agora, todas as fronteiras terrestres do Brasil terão restrições, menos a com o Uruguai. Segundo a Folha, este país entrou em contato com as autoridades brasileiras para acertar a situação de algumas passagens. O governo já tinha anunciado o fechamento para a Venezuela e ontem acrescentou Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Paraguai, Peru e Suriname. Há exceções, como o transporte de cargas e a execução de ações humanitárias. Além disso, a partir do dia 23 fica suspensa a entrada de estrangeiros vindos da China, de países membros da União Europeia e da Islândia, Noruega, Suíça, Reino Unido, Irlanda do Norte, Austrália, Japão, Malásia e Coreia. Inexplicavelmente não há restrições aos EUA, país que tem mais de 10 mil casos. Só os Bolsonaros explicam… Os países do Mercosul entraram em acordo para facilitar o retorno de turistas para casa e seguir garantindo a circulação de bens e serviços nas fronteiras. E foram confirmados os dois primeiros voos para trazer brasileiros que ficaram presos no Peru após o fechamento de fronteiras nesse país. Há 3,7 mil turistas aguardando. NOS ESTADOS Falando em fronteiras, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, baixou ontem à noite um decreto fechando as divisas para passageiros com origem em estados onde há circulação do vírus – há as mesmas restrições à entrada no Rio de avião. A medida ainda precisa passar pelo crivo de agências reguladoras. E parece que pode ser barrada pelo comitê de crise. do governo federal O Ministério da Saúde já se posicionou contra. “Não há nada que justifique o fechamento das fronteiras de São Paulo e Rio de Janeiro. Outros estados já apresentam transmissão comunitária. E a tendência é que todas as grandes cidades, capitais tenham transmissão comunitária. Não faz sentido fazer qualquer tipo de restrição para as pessoas se movimentarem dentro do pais”, disse o secretário-executivo da Pasta, João Gabbardo dos Reis. A decisão, porém, cabe ao comitê. No Maranhão, onde não há ainda casos confirmados, o governador Flávio Dino (PCdoB) decidiu suspender o transporte interestadual de passageiros a partir de sábado. Em Santa Catarina, que tem seis casos confirmados e registro transmissão comunitária, o governador Carlos Moisés interrompeu a circulação de ônibus intermunicipais e interestaduais. CONTRA QUEDA NA ARRECADAÇÃO Os estados querem R$15,6 bilhões mensais para o enfrentamento ao coronavírus, sendo R$ 14 bilhões para cobertura de perdas financeiras com a queda de arrecadação. O pedido chegou por ofício endereçado ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Os governadores também solicitaram o repasse mensal de R$ 1,66 bilhão por um período de três meses para o financiamento de ações emergenciais de saúde. AINDA O PACOTE DE GUEDES O Ministério da Economia anunciou novas medidas do que chama de “programa antidesemprego” ontem. A União vai pagar uma parcela do seguro-desemprego a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos (R$ 2.090) e tenham jornada e, consequentemente, rendimentos reduzidos pelos empregadores. Foi o próprio governo quem deu sinal verde para empresas diminuírem até 50% das jornadas e salários. Indústrias mecânicas e metalúrgicas de Blumenau (SC) e o setor de construção e bares e restaurantes no município do Rio já fecharam seus acordos, por exemplo. A projeção do Ministério é atender 11 milhões de pessoas com R$ 10 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O governo informou que o menor benefício pago será de R$ 261,25 e o maior, de 381,22. Tudo isso será editado por medida provisória. Outra ideia anunciada ontem é que o INSS e não as empresas banquem os primeiros 15 dias de afastamento de trabalhadores com covid-19. Os pedidos de auxílio-doença entrarão na fila de pedidos de benefício do órgão – que hoje tem nada menos do que 1,8 milhão de processos pendentes. O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério, Bruno Bianco, disse ao Estadão que o INSS poderá fazer perícia virtual e receber os atestados por meio de um aplicativo, e que isso poderia acelerar a concessão dos benefícios. Mas o fato é que esse sistema ainda não está pronto – e sua implementação vai depender da aprovação da proposta pelo Congresso Nacional, que será apresentada pelo governo via projeto de lei. Os bancos públicos que Paulo Guedes tanto quer privatizar estão sendo, mais uma vez, instrumentos fundamentais do governo federal para lidar com a crise econômica. O Banco do Brasil vai disponibilizar mais de R$ 70 bilhões em crédito. Ontem, a Caixa Econômica anunciou redução de até 23% nas taxas de juros para empréstimos e concedeu pausa de dois meses no pagamento de contratos vigentes para empresas e pessoas físicas – incluindo financiamentos de compra da casa própria. E o BNDES informou que anunciará as suas em breve. Desde a semana passada, já são mais de R$ 170 bi prometidos pelas instituições financeiras federais. PEDIR ADIANTA? A Anvisa aprovou ontem oito testes rápidos para efetuar o diagnóstico do novo coronavírus em até 15 minutos. A agência reguladora também simplificou o processo de aquisição de equipamentos importados, como ventiladores e trajes de proteção individual para profissionais de saúde. Agora, esses produtos não passarão por análise da Anvisa, desde que tenham sido aprovados em países da União Europeia ou nos EUA, Canadá, Reino Unido e Japão. Além disso, a agência deu sinal verde para que insumos, testes e equipamentos comprados na Ásia pela Vale para doação ao SUS entrem no país. O difícil, como já apontamos, vai ser conseguir importar. Um exemplo do tipo de disputa perversa que o Brasil precisa enfrentar diante da demanda frenética por equipamentos e insumos em quase todos os países do mundo: ontem, a Comissão Europeia anunciou a criação de uma reserva estratégica de produtos como máscaras, luvas, respiradores… Com orçamento inicial de 50 milhões de euros, essas compras ficarão estocadas em um país do bloco e distribuídas aos demais conforme a necessidade. Além disso, a União Europeia já montou três licitações conjuntas, que já estão em andamento: para compra de proteção ocular e equipamento respiratório; de respiradores; e de equipamentos de laboratório. Enquanto EUA e Portugal decidiram obrigar empresas a produzir equipamentos necessários ao tratamento dos casos de covid-19, o Brasil vai “pedir”. Ontem, Mandetta – que está no sapatinho desde que surgiram os rumores de que poderia ser defenestrado do cargo por Jair Bolsonaro – anunciou que o presidente brasileiro se reúne hoje com empresários para apelar que produzam mais respiradores. “O presidente tem dado total atenção”, forçou o ministro da saúde, que também falou sobre a necessidade de produzir mais máscaras por aqui e criticou as pessoas que compraram para uso individual, deixando os estoques baqueados e, de tabela, prejudicando os profissionais que estão atendendo na ponta.
 
NA PONTA, SEM SEGURANÇA É tudo muito incerto entre o pessoal que trabalha nos hospitais, no atendimento direto a pacientes com suspeitas da doença. Uma reportagem da Gênero e Número com a AzMina trata especificamente da enfermagem e diz que reinam dúvidas sobre protocolo, mesmo em relação a aspectos que parecem simples (como por quanto tempo usar uma máscara). E, além disso, tem a falta de insumos. Em Pernambuco há uma tempestade a caminho: enfermeiros podem entrar em greve a partir de segunda-feira, porque faltam equipamentos como máscaras e aventais, além de sabão e álcool em gel. É um dos estados onde já há transmissão sustentada, e conta 28 casos confirmados. Não é um problema brasileiro. Com a escassez, o Centro de Controle de Doenças dos EUA rebaixou suas diretrizes sobre como os profissionais de saúde devem se proteger. Primeiro, passou a permitir que usem máscaras cirúrgicas em vez das máscaras de respiração N95 em muitos casos. E nesta semana, foi além: publicou instruções de que podem ser usadas “máscaras caseiras”, como um lenço ou cachecol. E, embora não haja recomendação oficial para a reutilização de máscaras, essa tem sido a realidade em alguns hospitais, que deixam as N95 trancadas para o atendimento de casos que precisem de intubação. Além do risco de esses profissionais se infectarem, tem outro, altíssimo, de ficarem assintomáticos e passarem o vírus a outros pacientes. Segundo a reportagem da ProPublica, foram ouvidos vários profissionais que estão avaliando a possibilidade de parar o trabalho caso seus hospitais fiquem totalmente sem equipamentos de proteção. EFEITO COLATERAL Com o exagero que lhe é característico, Donald Trump anunciou que o país aprovou o uso de um medicamento para malária, a hidroxicloroquina, para ser usado contra o coronavírus. De acordo com ele, a FDA (agência reguladora dos EUA) já havia aprovado o tratamento  com essa droga “muito poderosa” e o país poderia disponibilizá-lo “quase imediatamente“. Não é verdade. A FDA não aprovou nenhum remédio para a covid-19. Acontece que médicos podem receitá-la assim mesmo porque há aprovação para uso em outras doenças, como malária e artrite. Mas nem a segurança, nem a eficácia contra o coronavírus foram comprovadas. Esse é um dos medicamentos que têm sido usados em pacientes na China e em outros países para tentar alguma melhora. Uma pesquisa francesa divulgada ontem indicou redução da presença do vírus com o uso de hidroxicloroquina junto com outro medicamento, a azitromicina. Mas é preciso ter calma: o estudo só envolveu 36 pacientes. Além disso, pesquisadores apontam falhas na pesquisa. Por aqui, a Anvisa já manifestou ressalvas ao uso e, especialmente, à automedicação. Mas os efeitos do anúncio já estão sendo sentidos, mesmo no Brasil. Pacientes que realmente precisam de hidroxicloroquina não estão conseguindo encontrá-la. A VOLTA DO IBUPROFENO A OMS voltou atrás e retirou sua restrição ao uso de ibuprofeno para controlar sintomas da covid-19: não há evidências que contraindiquem o remédio. PESQUISA AMEAÇADA A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) publicou ontem uma portaria que altera critérios de distribuição de bolsas para programas de pós-graduação. Entidades e pesquisadores afirmam que, na prática, a medida significa a redução das bolsas concedidas a programas com notas 3 e 4 (a classificação da agência ligada ao MEC vai até 7). Fonte ouvida pelo UOL calculou que, com as mudanças, os cortes chegam a 50% das bolsas em cursos com nota 3 e 45% em cursos 4. E o problema é que estamos quase em abril e, a essa altura, as universidades já fizeram seus processos seletivos, comunicaram quem teria bolsa ou não e começaram as aulas. Ou seja, vai pegar os estudantes de surpresa e pode afetar a continuidade de várias pesquisas – incluindo as que podem colaborar para o entendimento do novo coronavírus. “No momento em que o país enfrenta a pandemia da covid-19, a atitude arbitrária da Capes é gravíssima e contrária aos interesses da sociedade, tendo em vista que os pesquisadores têm papel relevante no enfrentamento dessa crise de saúde pública”, criticou, em nota, a Frente Parlamentar pela Valorização das Universidades Federais.
 
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/israel-pandemia-como-pretexto-para.html

Presidente de Israel pede para líder do Azul e Branco, Benny Gantz, formar novo governo

Benny Gantz em discurso político direcionado aos seus apoiadores em Israel (foto de arquivo)
© REUTERS / CORINNA KERN

Benny Gantz, líder do partido oposicionista Azul e Branco, foi convidado formalmente pelo presidente Reuven Rivlin a formar o novo governo de Israel.

Apesar da vitória do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyuahu nas últimas eleições, a formação de um novo governo deverá ser feita pelo líder oposicionista Benny Gantz.

Após o convite formal, Gantz disse que fará tudo o que for necessário para formar "um governo nacional amplo" o mais rápido possível, informou o The Times of Israel.

Desta forma, Gantz terá 28 dias para reunir uma coligação com a aprovação de pelo menos 61 parlamentares. Caso contrário, o presidente Rivlin poderá confiar a tarefa de formar um novo governo para outro político, provavelmente a Netanyahu.

Ainda de acordo com a mídia, a decisão de Rivlin veio após Gantz receber a maioria das recomendações dos partidos políticos do país para formar o governo.

Impasse político

A decisão de Rivlin vem após Israel ter passado por três eleições para a criação de um novo governo.

"Uma quarta eleição não é opção", declarou o presidente sobre o impasse.

Desafios

Além das divisões internas políticas no país, Gantz também reconheceu desafios além dos políticos para realizar a tarefa.

"Irei servir os eleitores de todos os partidos e todos os cidadãos de Israel. Liderarei o esforço para curar a sociedade da doença do coronavírus, assim como da doença da divisão e do ódio", acrescentou.

Em discurso na residência presidencial, Gantz também acusou Netanyahu de fazer esforços para evitar responder na Justiça às acusações de corrupção.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020031615334510-presidente-de-israel-pede-para-lider-do-azul-e-branco-benny-gantz-formar-novo-governo/

Julgamento de Netanyahu por corrupção é adiado por causa do coronavírus

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante discurso sobre a propagação do coronavírus, em Jerusalém, em 14 de março de 2020
© REUTERS / Gali Tibbon

O julgamento do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi adiado por dois meses por causa do coronavírus, informou o Ministério da Justiça do país.

Neste domingo (15), o Ministério das Justiça de Israel informou que o julgamento de Benjamin Netanyahu, que deveria ter início em 17 de março, foi adiado para 24 de maio "em função da propagação do coronavírus".

O primeiro-ministro israelense é acusado de recebimento de propina em três ocasiões diferentes, além de suborno, quebra de confiança e fraude.

Netanyahu, que está implementando medidas duras contra a propagação da epidemia, nega as acusações.

Além de sua batalha judicial, o premiê, que também lidera o partido de direita Likud, luta pela sua permanência no cargo, após as eleições do dia 2 de março não apontarem um claro vencedor. As eleições gerais foram as terceiras em menos de um ano, mas seus resultados foram inconclusivos.https://cdnbr1.img.sputniknews.com/img/1533/24/15332497_13:2:3072:2046_768x0_80_0_1_0a02b61b77bcfe2be23bc1be77f1d20e.jpg.webp

Israelense na escada rolante de um shopping, nas cidade de Ashkelon, pouco depois de o governo anunciar o fechamento de centros comerciais, em 15 de março de 2020
© REUTERS / Amir Cohen
Israelense na escada rolante de um shopping, nas cidade de Ashkelon, pouco depois de o governo anunciar o fechamento de centros comerciais, em 15 de março de 2020

Netanyahu é acusado de receber US$ 264 mil (mais de R$ 1 milhão) em presentes, incluindo charutos e champanhe, e de garantir facilidades regulatórias em troca de cobertura midiática favorável.

Se for considerado culpado das acusações de suborno, o primeiro-ministro de 70 anos pode ser condenado a até 10 anos de prisão. As penas por fraude e quebra de confiança poderiam acrescentar até mais três anos à pena.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020031515332538-julgamento-de-netanyahu-por-corrupcao-e-adiado-por-causa-do-coronavirus/

Israel usará tecnologia antiterrorismo para conter o coronavírus, diz Netanyahu

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
© AP Photo / Gali Tibbon/Pool

Os israelenses usarão tecnologia antiterrorista para detectar pacientes com coronavírus e aqueles que deixam de cumprir a quarentena obrigatória, disse neste sábado (14) o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Todos os estrangeiros que entram no país devem se auto-isolar por 14 dias, segundo determinação do governo israelense. Além disso, todas as escolas, restaurantes, cafés, academias e a maioria das empresas foram fechadas no país.

"Vamos rastrear pacientes, inclusive com a ajuda da tecnologia digital que estamos usando na batalha contra o terrorismo", disse Netanyahu em um discurso televisionado.

O premiê disse ainda que o governo encarregou o Ministério da Justiça de preparar uma estrutura legal que permitisse o uso dessa tecnologia. Israel detectou 50 novos casos do novo coronavírus da noite para o dia, elevando o total de casos confirmados no país para 193.

Dados oficiais apontam que mais de 61 mil pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus fora da China, onde doença foi detectada pela primeira vez. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como pandemia, e pediu que os países endureçam as medidas para conter o avanço da doença.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020031415331804-israel-usara-tecnologia-antiterrorismo-para-conter-o-coronavirus-diz-netanyahu/

Israelitas intensificam o roubo de terras nos territórios ocupados

Os palestinianos denunciam que, com as eleições em Israel, as forças de ocupação aceleraram o ritmo no confisco de terras na Margem Ocidental. Na província de Nablus, têm-se sucedido os protestos.

Palestinianos protestam contra a acção dos bulldozers em Qusra, na província de NablusCréditos / Al Jazeera

Os bulldozers israelitas têm andado a trabalhar num campo próximo do colonato ilegal de Migdalim, a pouca distância da aldeia palestiniana de Qusra, na província de Nablus. Os habitantes acreditam que a ocupação se prepara para «roubar mais terra» e «têm desafiado as forças israelitas, que guardam as máquinas», revela a PressTV.

«Eu vim aqui porque esta é a minha terra e eu quero morrer na minha terra, mas eles não me deixam aproximar dela», disse Joudat Odeh, um habitante de Qusra, de 70 anos, que protestou frente aos soldados israelitas por causa da acção dos bulldozers, que arrasam a terra, preparando-a para futuros colonatos e mais casas israelitas nos territórios ocupados.

 

«Eles estão contentes pela vitória de Netanyahu», disse ainda Odeh, citado pela PressTV, acrescentando: «Vêm controlar esta terra e nós estamos impotentes.»

Na mesma província, os residentes na aldeia de Beita têm levado a cabo protestos nos últimos dias, subindo até ao cimo da colina de al-Arma, onde montam uma tenda e erguem uma bandeira da Palestina, para defender o território dos colonos israelitas que vivem no colonato ilegal de Itamar, entrando por vezes em confronto com os militares israelitas.

Tensão crescente na Cisjordânia ocupada

Na terceiras eleições legislativas em menos de um ano, o partido Likud, de Benjamin Netanyahu, clamou vitória, embora o bloco de direita e extrema-direita não tenha conseguido a maioria absoluta (à justa).

As agressões israelitas e os protestos na Margem Ocidental, que têm vindo a subir de tom nos últimos dias, dão sequência a uma campanha eleitoral em que o ainda primeiro-ministro israelita prometeu anexar os colonatos na Cisjordânia e o Vale do Jordão, caso vencesse as eleições e formasse governo.

No mês passado, Netanyahu anunciou também a aprovação da construção de 5200 casas nos colonatos ilegais de Har Homa e Givat Hamatos, a sul de Jerusalém. A agressividade expansionista de Israel intensificou-se nos últimos anos sob o impulso de Netanyahu e com o apoio do seu grande aliado, o presidente norte-americano, Donald Trump, que reconheceu Jerusalém como capital de Israel, para ali mudou a embaixada dos EUA, deixou de classificar como «ilegais» os colonatos israelitas e traçou o chamado «Acordo do Século» – em estreita cooperação com Israel.

«A vitória de Netanyahu é uma vitória para a anexação»

Ao falar, esta quarta-feira, na 153.ª sessão do Conselho da Liga Árabe, no Cairo, o ministro palestiniano dos Negócios Estrangeiros, Riyad al-Maliki, sublinhou que os EUA e Israel têm de «enterrar este plano» e regressar ao direito internacional.

A vitória de Netanyahu nas eleições é «uma vitória para as políticas de anexação, confisco de terras e colonatos», disse, acrescentando que isso significa «mais violência, repressão, racismo e fascismo».

Maliki referiu ainda que a vitória de Netanyahu irá limitar a possibilidade de um Estado palestiniano independente, geograficamente viável e soberano com as fronteiras de 1967 e tendo Jerusalém Oriental como capital.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/israelitas-intensificam-o-roubo-de-terras-nos-territorios-ocupados

Israel, um modelo de apartheid para o século 21, segundo um ex-embaixador na África do Sul

Esta breve recensão de um livro de um antigo embaixador de Israel na África do Sul é elucidativa. O plano Netanyahu/Trump para a Palestina reproduz fielmente o sistema de bantustões do regime de apartheid sul-africano. O sionismo tenta reproduzir hoje o que há de pior nas diferentes vertentes históricas do racismo. Existem também, felizmente, israelitas que juntam a voz aos povos do mundo na denuncia dessa orientação desumana.


 

Alon Liel foi embaixador de Israel na África do Sul entre 1992 e 1994. Anos antes trabalhara no departamento do Ministério das Relações Exteriores que se ocupava desse país. Portanto, conheceu o plano e a execução do sistema de bantustões, os enclaves criados pelo governo da África do Sul para perpetuar a segregação racial enquanto fingia ter cedido à maioria negra o controlo de áreas isoladas onde supostamente poderiam exercer o seu auto-governo.
Liel explica num artigo na Foreign Policy que é exactamente isso que pretende o actual governo de Israel, com o apoio do governo de Donald Trump, “uma nova versão da deplorável política da velha África do Sul para o novo milênio”, do que sempre se conheceu pelo o termo “apartheid”.
“Durante esses anos soube que nenhum país do mundo, com excepção da África do Sul, contribuía mais para a economia dos bantustões do que Israel. Os israelitas construíram fábricas, bairros, um hospital e até um estádio de futebol e uma fazenda de jacarés nesses estados fantoches da África do Sul. Israel chegou ao ponto de permitir que um deles, Bophuthatswana, tivesse uma missão diplomática em Tel Aviv e que seu líder Lucas Mangope - mundialmente marginalizado por legitimar e promover o apartheid ao colaborar com o regime sul-africano - fosse frequentemente convidado a vir a Israel».
A prioridade para Israel, como é sabido, era a venda de armas ao governo de Pretória. Essa cooperação começou em 1974 e terminou em 1994 com a eleição de Nelson Mandela. Alguns líderes israelitas acreditavam também que a África do Sul era maltratada pela maioria dos países, tal como era o seu caso, ao não ser reconhecida a sua contribuição na luta contra a URSS durante a Guerra Fria.
Liel acredita que não existe qualquer dúvida sobre a intenção dos promotores do chamado plano Trump. O mapa que faz parte do projeto não deixa margem para dúvidas.
«O mapa incluído no plano de Trump é uma imitação do modelo de bantustões, com fragmentos do território palestino cercados por território completamente controlado por Israel, o que torna permanente a dominação de um grupo étnico ou religioso por outro. Isso viola os princípios do Direito internacional e legitima um modelo de apartheid no século XXI.»
Israel y la Suráfrica del apartheid: la historia de una larga amistad. Guerra Eterna, Dezembro de 2013.

Fonte: http://www.guerraeterna.com/israel-un-modelo-de-apartheid-para-el-siglo-xxi-segun-un-exembajador-en-surafrica/[1]

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References

  1. ^http://www.guerraeterna.com/israel-un-modelo-de-apartheid-para-el-siglo-xxi-segun-un-exembajador-en-surafrica/ (www.guerraeterna.com)
  2. ^endereço (www.odiario.info)
  3. ^odiario.info (odiario.info)

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Israel sai da terceira eleição em meses com vitória da direita mas sem governo e com avanço dos democratas

Enquanto alguns tentam elucidar a sobrevivência de Benjamin Netanyahu na liderança de Israel e sua vitória eleitoral anunciada nesta terça-feira (3) —embora novamente pendente da capacidade de formar um governo, confirma-se o avanço histórico da Lista Conjunta de partidos de maioria palestina e de judeus democratas, de esquerda. Mas registra-se ainda outro resultado estrondoso: o declínio dos Trabalhistas, que foram por décadas o motor do sionismo, da colonização da Palestina.

Por Moara Crivelente*

Eleições em Israel
Soldados israelenses votam em posto de controle militar na Cisjordânia ocupada, Palestina. Imagem das eleições de 2009, um mês depois da “Operação Chumbo Fundido” contra Gaza.

 

As eleições realizadas na segunda (2) em Israel foram pautadas pelos temas preponderantes no país, como a segurança e o “conflito” com os palestinos, mas também o assombro com a persistência do voto em um Netanyahu combalido, indiciado em processos por suborno, fraude e quebra de confiança. O premiê, que alguns chamam de “Rei Bibi”, está no cargo há uma década e já o havia exercido nos anos 1990, sempre com a missão de enterrar de vez o Estado da Palestina e alienar de forma esmagadora os cerca de 20% de palestinos entre a população de Israel. Entretanto, é retumbante o terceiro fracasso consecutivo de Netanyahu em conquistar uma maioria que lhe garantisse formar o governo, tarefa pela qual ainda deverá disputar.

Na conclusão da contagem dos votos, seu partido de extrema-direita, Likud, alcançava 36 lugares no Knesset, o Parlamento, contra os 33 garantidos por seu principal opositor, o partido de direita do ex-comandante do Exército Benny Gantz, Kahol Lavan (“Azul e Branco”, fundado em fevereiro de 2019) e os 15 da Lista Conjunta, hoje a terceira maior força, composta pela Frente Democrática de Paz e Igualdade (Hadash) —em que está o Partido Comunista de Israel (PCI), o Balad, Ta’al e Ra’am (Lista Árabe Unida). Em seguida colocaram-se o ultra-ortodoxo Shas, com nove assentos e, depois, a coligação Trabalhista-Gesher-Meretz, com sete, empatada com o partido do extremista Avigdor Lieberman, Yisrael Beiteinu (“Israel é Nosso Lar”) e o Judaísmo Torá Unida, perdendo apenas para a coligação de direita/extrema-direita Yamina entre os partidos Nova Direita, Lar Judeu e União Nacional, com seis assentos.

Haaretz eleições Israel março2020
Gráfico do Haaretz desta quarta-feira (4), com 99% dos votos apurados.

O bloco de direita com que Netanyahu pretende formar o governo tem 58 parlamentares, três a menos que o necessário. Apesar das especulações de que Netanyahu e Gantz poderiam negociar um acordo para que a terceira tentativa finalmente resulte num governo, segundo o Haaretz, em notícia desta quarta (4), Kahol Lavan e Trabalhista-Gesher-Meretz podem estar se unindo para promover lei que impeça Netanyahu, indiciado, de assumir o cargo. Mesmo assim, Gantz teria dificuldades em conseguir o aval necessário do presidente Reuven Rivlin (Likud) para formar um governo; a liderança da Lista Conjunta, que nas eleições passadas declarara apoiá-lo no intento —à exceção dos parlamentares do Balad— como forma de impedir a continuidade de Netanyahu, disse dias antes das eleições que não o apoiará agora, já que Gantz é cada vez mais uma “imitação” do atual premiê. Netanyahu, por sua vez, aposta na chance de governar com referência ao desgaste que a consequente quarta eleição causaria a quem tentar impedi-lo.

 

Em abril de 2019, as eleições previstas para novembro foram antecipadas devido à disputa na coalizão de governo centrada na promoção de uma nova lei que incluiria judeus ortodoxos na conscrição —sua exclusão da obrigatoriedade do serviço militar, que abrange praticamente todo o resto da população, é fundamental para o apoio dos (ultra-)ortodoxos. Ademais, no fim de 2018 Lieberman, então ministro da Defesa, também se retirou da coalizão de governo supostamente devido à trégua com o Hamas.

A eleição de setembro de 2019 foi a segunda em meses que não resultou num governo, mas serviu de exercício de análise de opinião em Israel e das expectativas internacionais. Apesar da gradual consolidação da Lista Conjunta como importante força eleitoral e do pontual decréscimo de votos no Likud —que crescera em 12 assentos em 2015 e em cinco em abril de 2019, mas perdeu seis em setembro e recuperou quatro nesta eleição— a divisão da maioria entre Likud e Kahol Lavan nas duas últimas eleições mostra que segue constante o apoio à direita e à extrema-direita. Além disso, com a adesão tanto de Gantz como de Netanyahu —que teve nesta uma grande oportunidade eleitoreira— ao plano/ultimato apresentado por Donald Trump como “acordo do século” para instaurar um Estado da Palestina estéril, fragmentado e sem soberania, a colonização da Palestina parece safa.

Esses eleitores não estão satisfeitos com o compromisso dos partidos de centro-esquerda que também defendem a colonização, de ares mais “humanizados” pela já fundamentalmente condicionada integração da população palestina e, eventualmente reconhecendo um reduzido, fragmentado e enclausurado Estado da Palestina, certa “cooperação”, inclusive devido à necessidade de mão-de-obra super explorada de palestinos sistematicamente espoliados e empobrecidos nas últimas sete décadas.

É por isso estrondosa a derrota do Trabalhista, hoje coligado com o novo Gesher, do centro liberal, fundado em 2018, e com o Meretz, mas em coligação com Hatnuah e o Movimento Verde entre 2014 e janeiro de 2019. O Trabalhista moveu por muito tempo o sionismo na Palestina. Não só liderou Israel por quase três décadas desde as primeiras eleições até 1977, quando foi substituído pelo Likud, como também pautou o movimento sionista —formado por correntes ideológicas como o aberrante “Marxismo sionista” de Ber Borochov e o Revisionismo de Ze’ev Jabotinsky, onde o Likud tem suas raízes, além de um “sionismo liberal” que alguns apresentam como “alternativa ao paradigma esquerda-direita”.

Conference of Arab Joint List in Israel

Por outro lado, é histórico o avanço da Lista Conjunta como força eleitoral. Formada em 2015 em meio aos conhecidos debates sobre frentes eleitorais e concessões advindas, a Lista aposta na unidade diante da gravidade da situação. O líder Ayman Odeh, da Hadash, citado pelo órgão do PCI, disse na terça (3): “Irmãos e irmãs, vocês criaram um dia histórico. Das primeiras eleições em 1949 até hoje, nós [público árabe em Israel] nunca havíamos recebido este nível de apoio e este número de lugares no Knesset,” considerando que a aliança “fortalece a esquerda e a alternativa árabe-judaica” e congratulando-se com os milhares de votos recebidos de judeus.

“Insto aos [militantes] de esquerda a não se desesperarem ou se fecharem em suas reflexões, mas a pensarem na parceria e a alternativa de princípios”, disse Odeh, enfatizando que o programa da Lista centra-se na paz e na democracia, na igualdade autêntica e na justiça social. Embora a própria participação eleitoral tenha estado sob discussão diante da possibilidade de normalização de um regime segregacionista —pelo que alguns defendem o boicote, ao se estabelecer como terceira força no Parlamento, a Lista Conjunta parece aumentar significativamente as chances de constranger o arbítrio e oferecer alternativa ao consistente respaldo à direita.

*Moara Crivelente é cientista política e diretora do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ)

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Israel: Netanyahu já comemora vitória em eleições parlamentares

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, fala durante reunião de gabinete em Jerusalém (arquivo)
© AP Photo / Tsafrir Abayov/Pool

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se manifestou em seu Twitter na noite desta segunda-feira comemorando vitória nas eleições parlamentares do país, embora a contagem dos votos ainda esteja em ação.

O Comitê Central de Eleições de Israel começou a contar as cédulas após as terceiras eleições em menos de um ano, já que os dois grandes rivais Netanyahu, do Likud (direita), e Benny Gantz, do Partido da Resiliência de Israel (centro), não conseguiram formar um governo de coalizão nas tentativas anteriores. 

Quando as pesquisas já indicavam uma provável vitória do atual premiê, ele não quis esperar para celebrar mais uma vitória.

 

​Uma enorme vitória para Israel.

Apesar de não reconhecer a derrota ainda, Gantz, em tom mais moderado, agradeceu o apoio de seus eleitores e prometeu continuar lutando "pelo caminho certo". 

 

​Obrigado aos milhares de ativistas e mais de um milhão de eleitores que escolheram Azul e Branco [nome da coligação da qual seu partido faz parte]. Vou continuar lutando pelo caminho certo, por vocês.

Os resultados finais das eleições israelenses só devem ser anunciados nesta terça-feira. Mas todas as sondagens divulgadas pela mídia local indicam vitória para o Likud sobre a coalizão do Azul e Branco

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020030215284416-israel-netanyahu-ja-comemora-vitoria-em-eleicoes-parlamentares/

Ex-presidente dinamarquês compara 'Acordo do Século' de Trump a apartheid para palestinos

Manifestantes palestinos discutem com forças israelenses durante protesto na Cisjordânia, em 28 de fevereiro de 2020
© REUTERS / Mussa Qawasma

O ex-presidente dinamarquês, Mogens Lykketoft, afirmou que o plano de Trump para resolver o conflito israelo-palestino trará tudo menos paz à região.

Uma carta aberta, alertando sobre os perigos do "Acordo do Século", foi escrita por um grupo de ex-funcionários europeus, incluindo Lykketoft. Na mensagem, o grupo também pediu à União Europeia para rejeitar qualquer tentativa dos EUA de implementar o acordo.

Com o suposto propósito de trazer "paz" e criar um Estado palestino "independente", o plano foi revelado em fevereiro pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mas foi imediatamente condenado pelos palestinos e por muitos países em todo o mundo.

Na opinião do ex-líder da Dinamarca, esse acordo não cumprirá o que diz, principalmente em relação a "paz e solução de dois Estados". Ele ainda explica que os signatários da carta aberta acreditam que o plano de Trump só legitimará o status quo existente, ao mesmo tempo que torna as condições para os palestinos ainda piores.

Contradiz resoluções da ONU

"Ele [o acordo] vai perpetuar a ocupação e os direitos desiguais. Transformará o resto do território palestino em algo como os bantustões [pseudo-Estados criados pelo regime do apartheid] na África do Sul durante o período do apartheid. Não é uma receita para a paz, é uma receita para as condições desiguais e a falta de paz na região", argumentou o político dinamarquês ao canal russo RT.Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

© AP Photo / Manuel Balce Ceneta
Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

Lykketoft acredita que o processo de paz para Israel e Palestina deve se basear nas diretrizes negociadas pela ONU, e que o plano de Trump é "uma ruptura total dessas condições", pois contradiz um grande número das resoluções das Nações Unidas.

"O plano é realmente a confirmação da presença de condições totalmente instáveis e injustas no terreno. E isso certamente não contribui para algo como a paz no Oriente Médio", concluiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020030215282308-ex-presidente-dinamarques-compara-acordo-do-seculo-de-trump-a-apartheid-para-palestinos/

Netanyahu promete medidas de anexação 'imediata' de partes da Cisjordânia se for reeleito

Primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anuncia que procurará obter imunidade de acusações de corrupção, em Jerusalém, no dia 1 de janeiro de 2020
© AP Photo / Ohad Zwigenberg

O primeiro-ministro interino israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a anexação do Vale do Jordão e outras partes da Cisjordânia era sua principal prioridade entre as "quatro principais missões imediatas".

Um dia antes de Israel realizar suas terceiras eleições legislativas em menos de 11 meses, o premiê israelense prometeu que, se ganhar as eleições, anexará partes do território palestino ocupado da Cisjordânia em questão de semanas.

"Isso vai acontecer dentro de semanas, dois meses no máximo, espero", disse Netanyahu em entrevista, 24 horas antes da abertura das urnas.

O premiê de Israel comentou que o comitê conjunto EUA–Israel de mapeamento (encarregado de elaborar esta anexação) começou a trabalhar há uma semana.

Durante entrevista, Netanyahu também listou suas outras prioridades como a assinatura de um tratado "histórico" de defesa com os EUA, principal aliado de Israel, e "erradicar a ameaça iraniana", sem dar mais detalhes.Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

© AP Photo / Manuel Balce Ceneta
Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

O plano de paz para o Oriente Médio apresentado pelo presidente americano, Donald Trump, no dia 28 de janeiro na Casa Branca dá luz verde a Israel para anexar a área e propõe um comitê para estabelecer os limites exatos do território a ser incorporado. O projeto é totalmente contrário ao direito internacional.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020030115280159-netanyahu-promete-medidas-de-anexacao-imediata-de-partes-da-cisjordania-se-for-reeleito/

Israel aprova a construção de mais 1800 casas nos colonatos da Cisjordânia

Com a aproximação das eleições, o governo israelita intensifica o ritmo de aprovação de unidades habitacionais nos colonatos ilegais da Margem Ocidental ocupada.

Israel acelerou a política expansionista nos territórios ocupados da PalestinaCréditos / jimbakkershow.com

A comissão de planeamento da chamada Administração Civil (órgão das Forças Armadas de Israel para a administração dos territórios palestinianos ocupados) aprovou ontem a construção destas novas unidades habitacionais, na sequência de uma proposta apresentada pelo ministro da Defesa, Naftali Bennett, revela a PressTV.

Em declarações à imprensa israelita, o responsável pela pasta da Defesa – uma conhecida figura da extrema-direita sionista – afirmou que «não irá dar um centímetro de terra» aos palestinianos, acrescentando que o governo de que faz parte «autorizou [a construção de] muitas unidades nos colonatos e continuará a fazer o mesmo no futuro».

Entre as 1800 casas aprovadas contam-se 620 referentes ao colonato de Eli, na região central da Margem Ocidental ocupada. A construção neste colonato esteve suspensa durante décadas, uma vez que o Supremo Tribunal israelita deu provimento às queixas formuladas pelos palestinianos. Contudo, na semana passada o tribunal pôs-se do lado dos colonos, permitindo às autoridades israelitas avançar com o desenvolvimento do colonato.

Esta aprovação segue-se ao anúncio feito pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de promoção de uma plano de construção de 3500 casas no chamado «Corredor E1», criado por Israel no âmbito dos seus planos expansionistas e que visa ligar de forma contínua, com área construída, o grande colonato de Maale Adumim a uma Jerusalém Oriental anexada. Entretanto, devido à ampla condenação internacional, o governo de Telavive tinha parado com a construção nesta área.

Na semana passada, num vídeo publicado quinta-feira pelo seu gabinete de imprensa, Netanyahu disse que tinha «grandes notícias» para dar – a aprovação da construção de 5200 casas nos colonatos ilegais de Har Homa e Givat Hamatos, a sul de Jerusalém.

Aceleração do expansionismo com o apoio de Trump

A este propósito, a organização israelita Peace Now, que se opõe aos colonatos e se dedica à monitorização das actividades com eles relacionadas na Margem Ocidental ocupada, afirmou que o projecto de Givat Hamatos constitui «um duro golpe para a solução de dois estados», uma vez que iria quebrar «a continuidade territorial entre Belém e Jerusalém Oriental».

Por seu lado, Abu Rudeineh, representante da Presidência palestiniana, declarou que a insistência de Netanyahu em construir milhares de novas casas de colonos nos territórios do Estado palestiniano se inscreve na «destruição sistemática da solução de dois estados».

Abu Rudeineh afirmou ainda que as tentativas de Netanyahu de ganhar votos aos partidos de extrema-direita, nas eleições marcadas para 2 de Março, «à custa dos direitos dos palestinianos» não levarão à paz e à estabilidade, segundo informaram o MPPM e a HispanTV.

O expansionismo israelita, em que se inclui a construção de casas nos colonatos ilegais, intensificou-se nos últimos anos, sob o impulso de Netanyahu e com o apoio do seu grande aliado, o presidente norte-americano, Donald Trump, que reconheceu Jerusalém como capital de Israel, para ali mudou a embaixada dos EUA e deixou de classificar como «ilegais» os colonatos israelitas.

Todos os colonatos israelitas – onde vivem cerca de 600 mil colonos – são ilegais à luz do direito internacional.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/israel-aprova-construcao-de-mais-1800-casas-nos-colonatos-da-cisjordania

Chefe da UE pede que Israel reconsidere planos de construção de Jerusalém Oriental

Jerusalém Oriental, território disputado por Israel e Palestina
© REUTERS / Ammar Awad

O chefe de política externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, pediu neste sábado a Israel que reconsidere seus planos de construir milhares de unidades residenciais em Jerusalém Oriental, enfatizando que tais ações são ilegais sob o direito internacional.

No início desta semana, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que 2.200 unidades habitacionais seriam construídas na área de Har Homa, em Jerusalém Oriental. Também seriam construídos mais assentamentos no bairro Givat Hamatos e em outras áreas, segundo Netanyahu.

"Como exposto claramente em numerosas ocasiões pela UE, inclusive nas conclusões do conselho, tais medidas reduziriam a contiguidade geográfica e territorial entre Jerusalém e Belém, isolariam as comunidades palestinas que moram nessas áreas e ameaçariam a viabilidade de uma solução de dois Estados, com Jerusalém como capital dos dois Estados", afirmou Borrell em comunicado.

A Palestina denunciou a decisão de Israel de construir milhares de unidades residenciais nos bairros de Jerusalém Oriental, com o porta-voz presidencial Nabil Abu Rudeineh chamando os planos de construção de "uma destruição sistemática da solução de dois Estados".

Bandeiras da Palestina.
© AP Photo / Majdi Mohammed
Bandeiras da Palestina.
"Os assentamentos são ilegais de acordo com o direito internacional. A UE não reconhecerá nenhuma mudança nas fronteiras anteriores a 1967, inclusive em relação a Jerusalém, além daquelas acordadas pelas partes. Apelamos a Israel que reconsidere esses planos", enfatizou Borrell.

Na sexta-feira, o chefe de política externa da UE realizou uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riad Malki, em Bruxelas, discutindo o plano de paz dos EUA no Oriente Médio. Borrell confirmou o compromisso contínuo da UE com uma solução negociada de dois Estados.

No mês passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou seu plano de paz no Oriente Médio que previa Israel anexando os assentamentos na Cisjordânia e no vale do Jordão e mantendo Jerusalém como sua capital. O plano foi rejeitado pelos líderes palestinos.

Borrell criticou repetidamente a nova proposta de acordo de Washington, dizendo que ela é contrária ao direito internacional e às resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020022315248300-chefe-da-ue-pede-que-israel-reconsidere-planos-de-construcao-de-jerusalem-oriental/

Acusado por corrupção, Netanyahu começará a ser julgado em 17 de março

Primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em reunião de gabinete, em 9 de fevereiro de 2020
© REUTERS / Ronen Zvulun

O julgamento do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, acusado de corrupção, será aberto em 17 de março, informou o Ministério da Justiça nesta terça-feira.

O órgão informou que a acusação seria lida pelo juiz Rivka Friedman-Feldman na presença de Netanyahu em Jerusalém.

O anúncio acontece quando o primeiro-ministro de 70 anos faz campanha antes da eleição de 2 de março, a terceira em Israel em menos de um ano, depois que dois pleitos anteriores resultaram em um impasse entre Netanyahu e seu rival Benny Gantz.

Após as eleições de setembro, Gantz se recusou a ingressar em um governo de unidade liderado por Netanyahu, dizendo que ele deve primeiro resolver suas diferenças com o Judiciário antes de tomar o poder.

Netanyahu foi acusado no ano passado por suborno, fraude e quebra de confiança.

Bandeira israelense em frente à aldeia de Majdal Shams nas colinas de Golã controladas por Israel
© AP Photo / Ariel Schalit
Bandeira israelense em frente à aldeia de Majdal Shams nas colinas de Golã controladas por Israel

O procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, apresentou formalmente a acusação ao tribunal do distrito de Jerusalém em 28 de janeiro, depois que Netanyahu retirou um pedido de imunidade parlamentar apresentado no início do mês.

Seus oponentes já haviam conseguido uma maioria na legislatura para negar-lhe imunidade.

Netanyahu é o único chefe de governo de Israel que foi indiciado durante seu mandato.

Segundo a lei israelense, um primeiro-ministro em exercício só é obrigado a renunciar uma vez condenado por um crime e depois de esgotadas todas as vias de apelação.

Netanyahu nega as acusações e diz que é vítima de uma caça às bruxas com motivação política.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020021815231639-acusado-por-corrupcao-netanyahu-comecara-a-ser-julgado-em-17-de-marco/

Netanyahu forma grupo com EUA para determinar limites do 'Acordo do Século'

Primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anuncia que procurará obter imunidade de acusações de corrupção, em Jerusalém, no dia 1 de janeiro de 2020
© AP Photo / Ohad Zwigenberg

Israel formou um grupo para mapear as fronteiras relativas ao "Acordo do Século" dos EUA, que já está em pleno andamento, disse o premiê israelense Benjamin Netanyahu.

"Meu amigo presidente [dos EUA, Donald] Trump deixou claro que ele reconhece a soberania de Israel no Vale do Jordão, no norte do mar Morto, todos os assentamentos na Judeia e Samaria [termo israelense para a Cisjordânia] e na área ao redor. Nós estabelecemos um grupo israelense que vai trabalhar com os EUA para definir as fronteiras, o que já começou - e está em pleno andamento", citou o escritório de Netanyahu sua declaração na reunião semanal do governo israelense.

De acordo com o primeiro-ministro de Israel, a definição das fronteiras é feita em cooperação com os serviços de segurança israelenses e com a liderança dos assentamentos judeus na Cisjordânia.

Netanyahu também nomeou os funcionários que se juntaram ao grupo do lado israelense: o presidente do Conselho de Segurança Nacional de Israel, Meir Ben Shabbat, o ministro do Turismo Yariv Levin e o diretor-geral do Gabinete do primeiro-ministro, Ronen Peretz. O grupo trabalhará em cooperação com o embaixador de Israel nos EUA, Ron Dermer.

"Vamos fazer este trabalho o mais rápido possível", declarou o premiê israelense.

Fim ou aumento das tensões?

Em 28 de janeiro, o presidente norte-americano Trump anunciou o resultado do "Acordo do Século", um projeto de acordo entre Israel e a Palestina que colocaria fim ao conflito na região.

O plano prevê o estabelecimento do Estado da Palestina e sua desmilitarização, com Israel mantendo o controle sobre o leste do rio Jordão e Jerusalém permanecendo sua capital indivisível.

Manifestante durante protesto contra o Acordo do Século dos EUA para a solução do conflito israelense-palestino, próximo da embaixada americana na capital libanesa, Beirute
© Sputnik / Mikhail Voskresensky
Manifestante durante protesto contra o Acordo do Século dos EUA para a solução do conflito israelense-palestino, próximo da embaixada americana na capital libanesa, Beirute

O presidente palestino Mahmoud Abbas rejeitou o novo plano, dizendo que os palestinos insistem no reconhecimento de seu Estado nas fronteiras de 1967, com Jerusalém como sua capital.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020021615224918-netanyahu-forma-grupo-com-eua-para-determinar-limites-do-acordo-do-seculo/

Aniquilar a Palestina, ridicularizar a ONU

 
José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
Não são apenas a colonização e a segregação racial que o «acordo do século» agora «legaliza». O documento «legaliza» também a limpeza étnica em que assenta o Estado sionista desde a fundação, em 1948
 
«Visão de Paz» estampada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu em 28 de Janeiro como «solução» para o problema israelo-palestiniano não trouxe surpresas. Há meses que os seus conteúdos vinham sendo conhecidos às fatias, sob a designação pomposa de «acordo do século», pelo que nenhum dos aspectos focados ao longo das 80 páginas do documento contraria o que era esperado. Mais grave do que o texto é o facto de estar a ser aplicado há muito tempo, perante a inércia da chamada «comunidade internacional», e representar um patamar elevadíssimo – quase irreversível na actual relação de forças mundial – da estratégia de factos consumados seguida metodicamente por Israel e os Estados Unidos.
 
Para o povo palestiniano, o mais desprotegido na cena internacional, a divulgação desta obra do sionismo catapultada institucionalmente pelas mentes fascistas radicadas em Washington é a continuação da visão dos infernos em que foi transformada a sua existência. O cenário em que decorre a guerra de aniquilação, porém, alterou-se qualitativamente devido às novas condições que a envolvem e não por causa do teor da pagela. A «visão» de Trump e Netanyahu implica a revogação dos Acordos de Oslo de 1993, dos quais os Estados Unidos se retiraram logo em 30 de Janeiro; e significa que a maior potência militar mundial, que tem com Israel uma «indestrutível» aliança, deixou de reconhecer o articulado de normas internacionais que regem a regularização do problema israelo-palestiniano.
 
Há ainda um terceiro aspecto das novas condições criadas, provavelmente o mais perverso de todos. O «acordo do século» é inegavelmente uma imposição que tem por detrás um poder militar desmedido; e os seus autores consideram – unilateralmente, é certo, mas manda quem tem força – a parte palestiniana como comprometida – ainda que submetida. Isto é, os palestinianos terão assim uma oportunidade «única» para se renderem à «paz» que lhes é imposta. Se não aceitarem, o problema será deles, sofrerão as consequências.
 
Nova doutrina
 
Com a manobra da «Visão de Paz» os Estados Unidos e Israel colocaram na arena diplomática mundial uma «solução» da questão israelo-palestiniana que vem sobrepor-se, com repercussões no terreno, às normas internacionais que regem o problema e que são instrumentos da ONU, quase todas por aplicar e sem que se note poder real – e vontade – para as passar à prática.
 
Israel, com a cumplicidade de todas as sucessivas administrações de Washington, aproveitou a inércia envolvente para cumprir uma sucessão de factos consumados que, passo-a-passo, foram invalidando no terreno as possibilidades de concretizar o direito internacional.
 
O «acordo do século» veio agora dar esses factos como adquiridos enquadrando-os numa «solução» que os autores – num desplante que ridiculariza toda a «comunidade internacional» – consideram compatível com a ideia de «dois Estados».
 
O eixo central da estratégia de factos consumados foi o da colonização. Apesar de saberem perfeitamente que as alterações demográficas em territórios ocupados significam violações das convenções internacionais, as autoridades israelitas e os seus aliados norte-americanos autorizam e promovem a criação de colonatos na Cisjordânia e nos Montes Golã sírios desde 1967, prática que se traduz numa anexação gradual mas sistemática. A colonização foi acompanhada por uma limpeza étnica manu militari através da expulsão de populações, criação de estruturas físicas de apartheid, como o muro de separação e redes viárias reservadas a colonos, expropriação de terras, isolamento de comunidades, inclusivamente em relação às fontes de subsistência.
 
Hoje, 460 mil colonos ocupam a Cisjordânia, cerca de 22% do número de palestinianos que ali vivem submetidos a condições humilhantes, degradantes, sujeitos à violência, à arbitrariedade.
 
O «acordo do século» vem dar esta situação como adquirida, logo irreversível. Os colonatos são «legais», segundo afirma Trump; os mapas publicados integram os Montes Golã no território de Israel; Jerusalém é a «capital una e indivisível» do Estado israelita, apesar de o direito internacional considerar o sector Leste da cidade como capital de um futuro Estado palestiniano.
 
O «Estado» palestiniano, porém, vem contemplado na «Visão de Paz» de Trump e Netanyahu: as comunidades que restam na Cisjordânia, cercadas e aterrorizadas por colonatos, ligadas por um túnel rigorosamente vigiado à Faixa de Gaza, por sua vez cercada e asfixiada pelas tropas israelitas. Um «Estado» sem fronteiras, pulverizado, inviável, desmilitarizado – caso contrário poderia «ameaçar a segurança de Israel» – sem soberania, sem independência, com a capital numa aldeia dos subúrbios de Jerusalém, obrigado a reconhecer Israel como «Estado judeu». Os «bantustões» do apartheid do século XXI.
 
Apesar de o documento admitir «congelar» a colonização durante quatro anos, mas não definindo qualquer programa para depois dessa fase, se ela existir, Israel persiste na intenção de anexar o Vale do Jordão e as áreas C dos Acordos de Oslo, nas quais existe a ocupação militar permanente. Tais circunstâncias restringem ainda mais os territórios palestinianos em termos de área mas também, e sobretudo, no acesso a recursos naturais, designadamente a água e terrenos férteis.
 
Não são apenas a colonização e a segregação racial que o «acordo do século» agora «legaliza». O documento resolve de uma penada a situação dos milhões de palestinianos refugiados e cujo direito ao retorno lhes é assegurado pelo direito internacional; isto é, «legaliza» também a limpeza étnica em que assenta o Estado sionista desde a fundação, em 1948. Para Trump e Netanyahu deixam de existir refugiados e as instituições que os representam, incluindo a agência das Nações Unidas (UNRWA), uma vez que passa a haver um «Estado» palestiniano.
 
Um mundo inerte
 
A maior parte dos agentes que têm voz na «comunidade internacional» reagiram da maneira mais óbvia – e mais cómoda – a esta ofensiva séria contra o direito internacional protagonizada por figuras influentes nas Nações Unidas, no «mundo ocidental» e na NATO: reafirmaram a validade das normas estabelecidas no quadro da ONU, especialmente a da solução de dois Estados viáveis.
 
É a mesma atitude que foi assumida habitualmente apenas de maneira verbal, década após década, enquanto Israel foi consumando factos que agora, com apoio do mais poderoso exército mundial, transforma numa nova «solução», renegando as «antigas».
 
Estados Unidos e Israel desafiaram a «comunidade internacional» conhecendo antecipadamente as reacções que se seguiriam. Pelo que poderão agora aplicar o «acordo do século» sabendo que à sua volta continuarão a ouvir as mesmas recitações sobre as normas instituídas.
 
A União Europeia não conseguiu, sequer, uma plataforma de entendimento sobre uma posição comum. O chefe da política externa, Josep Borrell, fez uma reafirmação dos principais pontos do direito internacional mas nada avançou quanto a atitudes a tomar no caso de a «Visão de Paz» ser aplicada e invocada. Os chefes da União Europeia têm obrigação de saber que ninguém, muito menos quem tem a força do seu lado, se envolve numa manobra com esta envergadura para a deixar ficar no papel.
 
França considera que o documento de Trump e Netanyahu «não resolverá» o problema israelo-palestiniano, mas os poderes parisienses abstiveram-se de condenar abertamente a iniciativa.
 
As Nações Unidas reafirmaram as normas estabelecidas no direito internacional, mas fizeram-no através de um porta-voz do secretário-geral. António Guterres evitou dar a cara numa situação desta gravidade, o que diz muito quanto à disponibilidade para combater uma provocação ostensivamente dirigida contra a instituição de que é o principal dirigente executivo.
 
A Liga Árabe condenou a iniciativa norte-americana e israelita, mas não é segredo que a posição não terá consequências práticas, tendo em conta as cumplicidades com Israel assumidas por importantes membros da organização, como o Egipto e a Arábia Saudita.
 
Os palestinianos chegam a esta fase da sua longa resistência praticamente sozinhos. Têm, é certo, a solidariedade de povos de todo o mundo; no entanto, essas posições não se repercutem depois nas instituições que deveriam representá-los e se alheiam, deste modo, dos gravíssimos atropelos contra os direitos humanos e as leis internacionais.
 
Enrodilhados na armadilha da «autonomia» que restou dos Acordos de Oslo, divididos em duas áreas de governação limitada – Ramalah e Gaza – contando com uma Organização para a Libertação da Palestina (OLP) enfraquecida por esta divisão e respectivo impacto nas principais comunidades de refugiados, os palestinianos estão agora ainda mais vulneráveis perante um cenário de opressão mais agressivo.
 
Como sempre, a luta contra mais este passo para a anexação e a aniquilação partirá de dentro – os palestinianos já mostraram que não se rendem. Precisarão, mais do que nunca, de apoios populares internacionais, os quais, para lhes chegarem, terão de ser suficientemente fortes e convergentes para passarem por cima de governos, organizações internacionais e da barreira mediática-propagandística que tenderá a funcionar à medida das necessidades dos seus maiores manipuladores, os mesmos que apareceram agora com um novo plano de guerra contando com a vitória que sempre lhes tem escapado. E que, apesar de força bruta e brutal, irá fugir-lhes mais uma vez.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/aniquilar-palestina-ridicularizar-onu.html

Porque será que Israel não passa ao ato de ocupação do Vale do Jordão?

Faltando menos de um mês para as eleições, o governo israelita sabe que uma operação militar que o coloque em confronto com o Hamas em Gaza poderia ser uma perigosa e aventureira jogada. Mas nunca o enuncia publicamente, pelo que os israelitas não sabem com que contar, embora se possam mostrar mestres na arte da adivinhação.

 

 

Israel vai respondendo ao lançamento de foguetes e balões carregados de explosivos da Faixa de Gaza de alcance limitado para a zona sul. Pelo menos dez foguetes e morteiros foram disparados contra as comunidades fronteiriças de Gaza em seis incidentes diferentes nos últimos dias. Num caso, uma criança de três semanas foi moderadamente ferida quando a mãe correu para um espaço protegido durante um alerta.

Os ataques punitivo-defensivos das Forças de Defesa de Israel, atacam o Hamas junto da cerca de segurança, em resposta a cada foguete lançado, geralmente com tanques. Mas não vão muito mais longe.Também são alvos infraestruturas em túneis, e depósitos de armas são atingidos durante ataques seletivos. Mas isto já nem se pode considerar nada de grave, nem de anormal. E não representa uma subida da tensão arterial nem de israelitas do sul nem de residentes em Gaza.

Foram feitas algumas retaliações económicas: já não se exporta cimento para a Faixa de Gaza. Também meio milhar de trabalhadores e comerciantes palestinianos a quem foram retiradas permissões de entrada para trabalho em Israel pode ir agora alimentar as organizações de resistência palestinianas. Pior de tudo foi a redução da zona de pesca offshore de Gaza de 15 milhas para 10.

As eleições aproximam-se e sem baixas civis em Israel ir meter-se na boca do lobo em Gaza seria uma manobra gratuita que podia render sérios problemas. Benjamin Netanyahu é e sempre foi muito pouco corajoso para considerar fazer ataques sérios a Gaza.

Mas isso não é gritado aos quatro ventos nas sinagogas, nem aos colonos que vivem no sul perto de Gaza ou seja nas comunidades israelitas adjacentes a Gaza. Essas vivem em stress permanente e devem consumir quantidades enormes de ansiolíticos, anti depressivos e medicamentos para dormir, que não devem ser nem chá de tília nem de camomila. Netanyahu não tem falado muito sobre a situação em Gaza ultimamente. Naftali Bennett, Ministro da Defesa, foi visitar o Pentágono há poucos dias. A fazer exigências de boné na mão ou a bater com o sabre na mesa?

Naftali Bennett

O silêncio do governo em relação a futuras operações em Gaza deixa o país muito desassossegado.

Bibi apareceu em vários acontecimentos políticos menores nos últimos dias. Deixou a promessa de um golpe esmagador. Mas estas palavras clamorosas não escondem uma política subterrânea de contenção a quase qualquer preço, uma estratégia oculta, alternadamente, por retórica bélica e silêncio estrondoso ou repetição de medidas que geralmente já foram tomadas antes.

De notar que os chefes dos conselhos regionais israelitas na área em torno de Gaza, sabem que maioria dos seus eleitores tradicionalmente se inclina para o centro ou para a esquerda.

Talvez o primeiro-ministro encontre tempo no futuro para dar algumas lições sobre o assunto aos residentes do sul, mesmo àqueles que não votaram no Likud nas últimas eleições.

Quando a Autoridade Palestiniana ataca Trump, o Hamas não pode ficar para trás. Enquanto isso, o governo israelita sobre nadante, não esquece a futura eleição dentro de um mês, e não tem pressa da fazer soar os tambores da guerra.

Benjamin Netanyahu, parece preferir dar mais visibilidade a um prisioneiro devolvido por Moscovo a Israel, e conseguiu esconder, nas brumas da memória, a Faixa de Gaza. O ministro da Defesa Naftali Bennett, o homem que agrediu impiedosamente o governo por causa dos brandos costumes do governo em relação a Gaza até ter assumido o cargo – ainda não comentou o assunto.

Cerca de um ano e meio atrás, como ministro da Educação e membro do gabinete de segurança, Bennett irritou-se muitíssimo com o chefe militar anterior, Gadi Eisenkot, que não cedeu à exigência de ordenar que o exército abrisse fogo contra os habitantes de Gaza que estavam a enviar balões incendiários. Agora, após um longo período de silêncio, os balões retornaram, desta vez carregando com explosivos mais perigosos. A Bennett bastava ordenar ataques ocasionais a alvos do Hamas e já atuava de acordo com o que anteriormente exigia: ação!

Mas a resposta foi menor: ataques aéreos em alvos específicos. Enquanto isso, a transferência de dinheiro do Qatar para Gaza, que Bennett condenara fortemente quando estava fora do governo, continuou agora sendo Bennett ministro da Defense. O mesmo Bennett sempre foi a favor da anexação unilateral da Cisjordânia. Bennett opõe-se à criação de um estado palestiniano: “Farei tudo ao meu alcance para garantir que eles nunca obtenham um estado”.

Em resposta à libertação de prisioneiros palestinianos por Israel em 2013, Bennett disse que os terroristas palestinianos deveriam ser mortos, acrescentando: “Eu já matei muitos árabes na minha vida, e não há absolutamente nenhum problema com isso”. Bennett foi amplamente condenado por essas palavras, embora tenha negado tê-las dito, alegando ter dito apenas que “terroristas deveriam ser mortos se representassem uma ameaça imediata à vida de nossos soldados quando em ação”.

Ou seja, Bennett é caça grossa! Ter um Ministro da Defesa deste calibre dá ânimo a qualquer país!

Netanyahu está sob a influência de exigências. A frente com o Irão é muito perigosa, enquanto o duvidoso Negócio do Século parece um barco periclitante no meio do mediterrâneo, mar onde diariamente se afogam esperanças. Nos últimos meses, consta que os líderes do Hamas em Gaza fizeram uma escolha estratégica para a calma a longo prazo.

E até o embaixador dos EUA em Israel David Friedman disse no domingo, 9 de Fevereiro, que qualquer “ação unilateral” de Israel para anexar partes da Cisjordânia antes da conclusão do processo em curso no plano de paz do governo Trump no Oriente Médio resultaria na retirada do apoio americano à soberania de Israel nos colonatos  da Cisjordânia. Está esclarecido porque Netanyahu está manietado.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/porque-sera-que-israel-nao-passa-ao-ato-de-ocupacao-do-vale-do-jordao/

Israel já está definindo mapa para anexação da Cisjordânia, anuncia Netanyahu

Primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em reunião de gabinete, em 9 de fevereiro de 2020
© REUTERS / Ronen Zvulun

"Não vai demorar muito" para que Israel anexe assentamentos construídos na Palestina, afirmou o primeiro-ministro israelense. Netanyahu, que é alvo de processos de corrupção, enfrentará novas eleições gerais no dia 2 de março.

Israel está definindo quais territórios irá anexar na Cisjordânia, de acordo com o plano de Trump para a região, declarou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, neste domingo (9). Os assentamentos se encontram em terras que deveriam pertencer ao Estado da Palestina, de acordo com Resolução 181 da ONU, aprovada em 1947.

"Já estamos avançando no processo de mapeamento da área que, de acordo com o plano de Trump, se tornará parte do Estado de Israel. Não vai demorar muito", afirmou Netanyahu em discurso de campanha.

Netanyahu disse que as áreas a serem anexadas irão incluir assentamentos no Vale do Jordão, área que Israel ocupa desde a Guerra dos Seis Dias, travada em 1967.

A grande maioria dos países do mundo considera a construção de assentamentos israelenses em terras ocupadas como uma violação do direito internacional. Essa posição era partilhada pelos EUA, mas foi modificada pela administração Trump.

Manifestante palestino discute com soldado israelense durante protesto contra o plano de Trump, em 29 de janeiro de 2020
© REUTERS / Raneen Sawafta
Manifestante palestino discute com soldado israelense durante protesto contra o plano de Trump, em 29 de janeiro de 2020

Líderes palestinos acreditam que a anexação dos assentamentos irá inviabilizar o futuro Estado Palestino.

"O único mapa da Palestina que aceitamos é o mapa do Estado Palestino com as fronteiras de 1967 e com Jerusalém como sua capital", disse Nabil Abu Rdainah, porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Eleições em Israel

No dia 2 de março, Israel deve enfrentar a sua terceira eleição geral em menos de um ano. Netanyahu, que enfrenta processos judiciais por corrupção, tenta obter a maioria no parlamento israelense, o Knesset.

Atualmente, Netanyahu é primeiro-ministro interino de Israel, uma vez que o parlamento não foi capaz de formar um governo após as últimas eleições, em setembro de 2019.

Não está claro se o governo interino de Netanyahu tem autoridade para anexar novos territórios, reportou a Reuters.

Primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chefia sessão de votação no parlamento israelense, o Knesset, em Jerusalém (foto de arquivo)
© AP Photo / Sebastian Scheiner
Primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chefia sessão de votação no parlamento israelense, o Knesset, em Jerusalém (foto de arquivo)

Em sua corrida por um quinto mandato, Netanyahu busca garantir os votos da extrema-direita israelense, que se baseia em textos bíblicos para defender o direito de Israel sobre a Cisjordânia.

Essa não é a primeira vez que Netanyahu promete uma rápida anexação dos assentamentos na Cisjordânia. Logo após a apresentação do Plano Trump, em 28 de janeiro, o primeiro-ministro interino prometeu a anexação das terras até o fim daquela semana.

No entanto, a administração Trump teria pressionado o governo israelense a aguardar as eleições gerais de 2 de março antes de proceder com anexações territoriais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020020915198637-israel-ja-esta-definindo-mapa-para-anexacao-da-cisjordania-anuncia-netanyahu/

Trapaça do Século

Trump e Netanyahu apresentaram um “plano” que rasga de uma assentada sete décadas de resoluções da ONU sobre a questão palestiniana e até os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos EUA. É certo que uma coisa são tais resoluções, outra a vontade internacional – e da ONU – em fazê-las cumprir. O direito do povo palestiniano a um território e um país é uma causa humana central, e exige a multiplicação das acções de solidariedade em toda a parte. E perante este criminoso e cínico “plano” será mais difícil fingir ignorar o que está em causa.

O «plano do Século» apresentado na semana passada pelo Presidente Trump e por Benjamin Netanyahu, primeiro-Ministro em gestão corrente de Israel, rasga duma assentada sete décadas de resoluções da ONU sobre a questão palestiniana e até os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos EUA.

Concebido, escrito e apresentado pelos EUA e Israel, à revelia dos representantes do povo palestiniano e das Nações Unidas, o plano Trump-Netanyahu abre caminho à anexação por Israel de quase metade da Margem Ocidental, incluindo o Vale do Jordão e a quase totalidade dos colonatos. Jerusalém tornar-se-ia «capital indivisa de Israel».

Confirma-se que a construção dos colonatos e do Muro do Apartheid eram uma estratégia de longo prazo para criar o Grande Israel em todo o território histórico da Palestina. O plano do Século prevê bantustões para os palestinianos, sem contiguidade territorial nem viabilidade enquanto Estado e sob o controlo militar de Israel. Nega o direito às águas territoriais, como o mar em frente à Faixa de Gaza, que ficariam – juntamente com as reservas de gás que aí foram descobertas – sob o controlo de Israel. Proíbe o regresso de palestinianos da diáspora, inclusive aos bantustões.

Israel é campeão da violação do direito internacional e das resoluções da ONU. O infractor está agora a ser premiado pelo seu padrinho de sempre. Mal fará quem acreditar nas parcas promessas contidas no plano Trump-Netanyahu. O Ministro da Defesa de Israel, Naftali Bennett, já declarou que nunca reconhecerá qualquer Estado Palestiniano e o Embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, usando a linguagem de todos os colonizadores sobre os povos colonizados, afirmou numa reunião à porta fechada «com dirigentes judaicos e cristãos evangelistas» dos EUA que «levará um tempo considerável até que os palestinianos construam as instituições de que precisam para ter um Estado plenamente capaz de funcionar» (Times of Israel, 30.1.20).

Vinda no rescaldo do rompimento unilateral pelos EUA de numerosos outro acordos e convénios (do Tratado INF aos acordos climáticos e comerciais), a «Trapaça do Século» confirma que os EUA são negociadores de má fé, para quem os acordos de hoje valem apenas na medida em que sirvam para melhor preparar as agressões e as dominações de amanhã. A «abertura» inicial manifestada pela UE e a generalidade dos seus governos (incluindo o português) ao plano Trump-Netanyahu é reveladora, não obstante um recuo posterior. Apesar dos desaguisados entre as duas margens do Atlântico Norte, é forte a subordinação ao padrinho norte-americano, mesmo quando em causa está o direito internacional e a própria credibilidade da ONU. As promessas de alguns em apoio à criação dum Estado palestiniano revelam-se ocas e cúmplices da traição às justas e legítimas aspirações nacionais do povo palestiniano.

A rejeição da «Trapaça do Século» foi unânime pelo lado palestiniano. Espezinhados e humilhados, não obstante as múltiplas e enormes concessões que os seus dirigentes aceitaram, a troco de promessas sempre violadas da criação dum Estado soberano, o povo palestiniano encontra-se hoje perante uma situação de enorme complexidade e dificuldade. Em que a solidariedade internacional ganha ainda mais importância.

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Israel decide aumentar presença militar na Cisjordânia

Vista da Cidade Velha de Jerusalém, por trás do muro construído por Israel, que separa a cidade histórica da cidade palestina de Abu Dis, na Cisjordânia ocupada, em 29 de janeiro de 2020
© REUTERS / Ammar Awad

As Forças de Defesa de Israel (FDI) disseram nesta quinta-feira (6) que vão aumentar sua presença na Cisjordânia devido a tensões crescentes na região.

"Após uma avaliação operacional da situação pelo comando das Forças de Defesa de Israel, foi decidido fortalecer as forças no distrito da Judéia e Samaria [termo israelense para a Cisjordânia] com unidades militares adicionais", disse a assessoria de imprensa.

Apesar do anúncio, não foram divulgados números em torno do aumento da presença militar.

No início da quinta-feira, pelo menos 12 militares das FDI ficaram feridos após um ataque em Jerusalém. Em um evento separado, outro soldado israelense foi ferido após ataque a tiros na cidade de Qalqilya, na Cisjordânia.

Além disso, confrontos entre as forças israelenses e palestinos que mataram dois manifestantes ocorreram em outra cidade da Cisjordânia - Jenin.

Os incidentes violentos de quinta-feira vem em meio a crescentes tensões entre Israel e Palestina após a publicação do plano de paz de Washington, no final de janeiro, que ficou conhecido como "Acordo do Século".

A liderança palestina rejeitou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prevê a anexação por Israel de assentamentos judaicos na Cisjordânia e também no vale do rio Jordão, mantendo Jerusalém como sua capital "indivisível".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020020615118437-israel-decide-aumentar-presenca-militar-na-cisjordania/

Acção coordenada turco-israelita «mostra quem apoia o terrorismo» na Síria

Um comboio militar turco entrou na província de síria de Idlib, esta madrugada, quando Israel atacava com mísseis o Sudoeste do país árabe. A diplomacia síria afirma que «caíram as máscaras».

Defesa anti-aérea síria responde ao ataque israelita em DamascoCréditos / Twitter

O Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros denuncia, num comunicado hoje emitido, que a entrada de forças militares turcas no país – numa sincronia exposta e a coberto da agressão israelita – confirma a unidade de objectivos «entre o regime turco e a entidade israelita» no que respeita à protecção dos terroristas.

Em declarações anteriores, o Ministério sírio da Defesa havia informado que um comboio militar turco entrara na província de Idlib precisamente quando o país árabe era alvo de uma agressão com mísseis por parte de Israel.

Num momento em que o Exército Árabe Sírio (EAS) e seus aliados avançam a grande ritmo na ofensiva antiterrorista nas províncias de Alepo e Idlib, libertam dezenas de localidades, cercam a cidade estratégica de Saraqib (localizada na confluência entre as auto-estradas M4 e M5) e se aproxima de Idlib (capital da província homómina), os efectivos turcos foram colocados numa frente que abrange as aldeias de Binnish, Ma'ar Masrin e Taftanaz, para criar uma barreira de protecção aos terroristas em Idlib e, segundo denuncia o Ministério da Defesa, impedir as manobras do EAS contra a Jabhat al-Nusra.

Sobre o ataque israelita, a mesma fonte, citada pela agência SANA, indica que ocorreu entre a 1h e as 2h da madrugada, precisando que um grande número de mísseis foram disparados por aviões israelitas, a partir dos Montes Golã ocupados e do Sul do Líbano, contra alvos nos arredores de Damasco e nas províncias de Quneitra e de Daraa. Pelo menos oito soldados ficaram feridos.

Na nota do Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros, sublinha-se que a acção turca, em coincidência com a agressão israelita, constitui uma «violação flagrante da soberania da Síria e do direito internacional», e esclarece sobre quem «apoia e protege o terrorismo na Síria».

Para a diplomacia síria, a simultaneidade da agressão israelita e da entrada de forças militares turcas no país «fez cair as máscaras e mostrou a verdadeira cara feia do regime turco, que costumava afirmar a sua hostilidade a "Israel"».

As autoridades sírias afirmam ainda que estes actos de agressão não irão impedir o EAS de prosseguir a luta contra o terrorismo «até que todo o território sírio seja libertado».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/accao-coordenada-turco-israelita-mostra-quem-apoia-o-terrorismo-na-siria

A Jordânia e o Pomo da Discórdia do Século

O comando do establishment de segurança israelita expressou preocupação recentemente com o futuro do relacionamento entre Israel e a Jordânia. Com a apresentação do chamado “Plano de paz “do governo dos EUA, e especialmente com a intenção do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de anunciar a anexação do vale do Jordão, as altas patentes militares alertam contra medidas unilaterais que podem influenciar o futuro dos laços com Aman.

 

 

De acordo com essa avaliação, que foi transmitida aos políticos seniores, o rei Abdullah, da Jordânia, está sob uma série de pressões domésticas que estão dificultando as coisas para seu regime.

O Rei Abdullah, de 58 anos, reina na Jordânia desde 1999, é criticado pela situação económica do país e pelos muitos casos de corrupção do governo que foram descobertos. Omar Razzaz, 59 anos, é o actual 1.º Ministro, designado a 5 de Junho de 2018 depois de enormes protestos de rua provocados pela crise económica e as medidas impostas pelo FMI. Muitos elementos na Jordânia, incluindo a Irmandade Muçulmana, opõem-se veementemente aos estreitos económicos, diplomáticos e de segurança que o reino mantém com Israel.

Assim, uma medida descoordenada e unilateral de Israel, especialmente o anúncio da anexação do vale do Jordão, poderia transformar esses laços em farrapos. Algumas avaliações dizem que anexar o vale pode até desequilibrar o tratado de paz entre os dois países. Outro enorme receio é de que a anexação do Vale do Jordão e outros assentamentos designados pelo plano e, assim, separarem a Jordânia da Cisjordânia.

A Jordânia tinha expressado todos os seus receios após a conferência do ano passado no Bahrein, que detalhou os biliões de dólares em ajuda que o plano de Trump prevê para a Palestina e a Jordânia. Assim a Jordânia seria forçada a tornar-se a Pátria dos Palestinianos. A pressão americana para que o Plano de Século seja aceite pode incluir a ameaça da redução da ajuda económica americana e do apoio militar, colocando o Reino Hachemita dependente das instituições financeiras internacionais. Há o medo latente de que os jordanos protestem violentamente nas ruas contra o acordo e exija que o Rei Abdullah rompa laços com Israel ou cancele mesmo o acordo de paz.

Antes das eleições de setembro, Netanyahu planeava anunciar um projeto de lei para anexar o vale do Jordão ao gabinete ministerial para votação. Mas abandonou a ideia à última da hora e fez apenas uma declaração geral sobre seu plano de anexar a área após as eleições, que não deu em nada quando se verificou pelos resultados das eleições que ele não tinha condições para formar governo.

O Jornal Maariv, diário publicado em hebreu, noticiou que na altura em que Netanyahu mudou de ideias, após uma conversa muito agreste ao telefone com as autoridades de segurança, nas quais o Chefe do Estado Maior Aviv Kochavi e o chefe do serviço de segurança Shin Bet Nadav Argaman alertaram para as complexas e perigosas consequência que poderiam resultar da anexação. O impacto nas relações com a Jordânia não pode ser ignorado.

Na Palestina, ainda não há um alerta direcionado para o plano de desestabilizar os territórios após a iniciativa de Trump.

A Autoridade Palestiniana e o Hamas podem ter condenado em conjunto a decisão dos EUA e a anexação israelita mas o “dia da raiva” de quarta-feira nos territórios passou com poucos incidentes e manifestações relativamente pequenas. A longo prazo, a resposta palestina provavelmente será influenciada pelo que Israel realmente fizer. Esperar para ver na certeza de que o anúncio de anexação pode aumentar a probabilidade de distúrbios mais extensos e violentos.

Passaram 38 anos desde a anexação ilegítima de Israel das Colinas de Golã sírias ocupadas por Israel. Em 14 de dezembro de 1981, o Knesset israelita ratificou a decisão tomada pelo governo extremista de Rabin de anexar o Golan. No passado os Golan Ocupados faziam parte do Território da Palestina e que aqueles que estabeleceram as fronteiras dos Estados da Região durante a Primeira Guerra Mundial estabeleceram fronteiras arbitrárias com a Síria. Durante e após a Segunda Guerra Mundial, os israelitas massacraram e expulsaram os palestinianos de sua terra natal.

Também a Jordânia, apanhada na ratoeira da História, está mais uma vez à procura de apoios políticos.

Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o líder da oposição Benny Gantz ouviam, felizes, em Washington nesta semana o anuncio do Acordo do Século, ao rei Abdullah resta tentar adivinhar que esconde Trump na manga.

Com base nas declarações de altos funcionários jordanos, o reino ainda está oficialmente sem informações, e só os rumores que correm dos jornais israelitas para Amman alimentam o receio e o medo. Dali nada poderá vir de melhor!

Que a Jordânia se torne a pátria alternativa e definitiva dos dois milhões de palestinianos que acolheu é a sombra pesada que paira no horizonte. Abolir o direito de retorno dos refugiados palestinos está claro nas palavras de Trump e nas linhas do seu acordo do século.

“Sabe o que significa anexar o vale do Jordão, depois de Trump ter reconhecido Jerusalém como capital de Israel, depois de legitimar o anexar das Colinas dos Montes Golã e reconhecer a legitimidade de muitas das ocupações de terrenos e assentamentos israelitas?”, perguntou um especialista sobre assuntos jordanos em entrevista ao Haaretz. “Significa que a Jordânia deixou de ser um elemento importante do processo de paz”.

Teatro Petra, Jordânia

Há cerca de quinze dias, a 18 de Janeiro, centenas de jordanos protestaram na capital Amann para pedir ao governo que cancele um acordo de gás com Israel. O acordo prevê bombear gás natural pelo ocupante israelita para a Jordânia este ano. Os manifestantes entoavam slogans expressando a rejeição dos jordanos de todas as formas de normalização com o inimigo de Israel, particularmente o acordo de gás que é considerado uma traição. Nos cartazes pode ler-se “O gás do inimigo é traição, a normalização é traição”. Os manifestantes também exibiram cartazes dizendo “não nos endividaremos para com o ocupante. Não seremos cúmplices deste crime”. “O gás do inimigo representa a ocupação” e “Acordo de vergonha é colonialismo”. A Jordânia será um dos países que mais pode perder com o Acordo do Século, que poderá ser o Pomo da Discórdia do Século com consequências imprevisíveis.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-jordania-e-o-pomo-da-discordia-do-seculo/

Israel acolhe a memória de Auschwitz, mas ignora o seu sombrio papel no Médio Oriente

Quarenta dirigentes de todo o mundo assistiram em Jerusalém ao Fórum Mundial do Holocausto. A sua presença numa celebração presidida por Netanyahu, mais do que para recordar o 75º aniversário da libertação de Auschwitz, serviu para reforçar uma já velha mistificação: o sionismo abriga-se à sombra da tragédia do Holocausto para justificar a criminosa política de genocídio e guerra que conduz no Médio Oriente.

O sofrimento causado no Holocausto foi enorme e tornou-se numa referência central da vida contemporânea no Ocidente. Cada vez mais os museus, os filmes, os documentários e os actos de todos os tipos que o recordam nos quatro pontos cardeais. Se após a Segunda Guerra Mundial quase não se falou sobre ele, hoje não há dia em que não assome nos meios de comunicação.

Os media hebraicos não têm qualquer dúvida disso: Benjamin Netanyahu é quem capitaliza politicamente o Fórum Mundial do Holocausto, e capitaliza à grande. Mas o primeiro-ministro israelita é quem mais contribuiu para a desestabilização do Médio Oriente durante a última década, e continua a fazê-lo, embora isso pareça não ter qualquer importância para os dirigentes que acorrem ao evento.

A apenas algumas dezenas de quilómetros de Jerusalém está a Faixa de Gaza, um lugar que Netanyahu converteu num inferno humanitário com um cerco brutal todos os dias sofrido por dois milhões de palestinianos, a cada hora e a cada minuto. Isso também não parece importar aos dirigentes.

Nos últimos anos Israel apenas autorizou 2% dos pedidos de construção feitos pela população palestiniana

Dados oficiais do exército israelita indicam que, nos últimos anos, Israel autorizou apenas 2% dos pedidos de construção feitos pela população palestiniana na área C da Cisjordânia ocupada, outro dado que não importa aos convidados ao fórum. No mesmo período, Israel multiplicou exponencialmente a construção de habitações para colonos judeus, violando o direito internacional. Isso não parece igualmente preocupá-los.

Poderia continuar-se durante muito tempo este rol, mas basta dizer que a última acção polémica de Netanyahu, esta terça-feira, foi comprometer-se publicamente a anexar a Israel o vale do Jordão, que constitui aproximadamente 30% do território da Cisjordânia. Certamente que já o disse mais de uma vez, mas repeti-lo quando estão a chegar os silenciosos dirigentes ocidentais tem um ponto de gravidade adicional.

Na quarta-feira, Netanyahu encontrou-se com Emmanuel Macron, um político que representa muito bem a posição de uma Europa que lava as mãos não apenas dos palestinianos, mas de tudo o que acontece no Médio Oriente, com excepção dos assépticos comentários aos quais Bruxelas nos acostumou. Infelizmente, a atitude de Macron não é única num continente cada vez mais anestesiado a nível político.

Há algum tempo, um destacado político europeu explicou que eles sabem perfeitamente o que devem fazer, mas não sabem como venceriam as eleições se o fizerem, palavras que reflectem com precisão o cinismo que reina entre os dirigentes da França, Alemanha e do resto dos países da Europa, e que explicam também por que apenas se preocupam com o resultado das eleições no seu próprio quintal.

Netanyahu declarou que ele e Macron tinham decidido no seguimento do seu encontro estabelecer um “diálogo estratégico” sobre os “interesses comuns”

No final do seu encontro com Macron, Netanyahu declarou que ambos haviam decidido estabelecer um “diálogo estratégico” sobre “interesses comuns”. É fácil imaginar o que são e quais não são os “interesses comuns” e o que significa “diálogo estratégico” vendo-se o que está a acontecer no Médio Oriente. Que os europeus se prestem dessa maneira ao peculiar “jogo democrático” que Israel promove diz tudo.

Talvez um “interesse comum” de Israel e da França seja fornecer armas à Arábia Saudita para bombardear o Iémen. Certamente, a França não é o único país europeu envolvido nesse tipo de negócio, mas é um deles, e todos sabem as consequências que está a ter para o Médio Oriente. É claro que Netanyahu persegue um objectivo que consiste em desestabilizar o máximo possível a região, mas é difícil imaginar o que é que Macron lucra com isso, para além de alguns milhões de euros.

Netanyahu exigiu também que Macron imponha sanções ao Irão. Ao primeiro-ministro israelita não lhe basta a paralisia europeia em relação a Teerão, quer que os europeus deem um passo adiante e asfixiem a maltratada economia iraniana sem minimamente se importarem as condições de vida de dezenas de milhões de pessoas que sofrem uma punição totalmente injusta.

Os media hebraicos afirmam que Netanyahu pede aos seus interlocutores que ataquem sem reservas o Tribunal Penal Internacional. A última fase da operação de assédio e derrube contra esse tribunal começou há algumas semanas, quando o TPI decidiu investigar se Israel cometeu crimes de guerra nos territórios palestinianos, algo que é evidente para qualquer observador imparcial. Israel está atacando a promotora e, como isso não lhe é suficiente, está a desacreditar o tribunal com o apoio explícito e implícito dos dirigentes que vieram a Jerusalém para recordar o Holocausto.

O jornalista Zvi Barel, do Haaretz, publicou na quarta-feira um irónico artigo intitulado “Obrigado, queridos líderes, por mencionarem o Holocausto”. Denuncia que não pode haver maior demonstração de apoio às políticas de Netanyahu do que o conclave de Jerusalém. Denuncia também a brutal ocupação dos palestinianos que Netanyahu exerce, bem como outros desentendimentos na região.

Recordar continuamente o Holocausto é certamente necessário, mas o que está a acontecer hoje no Médio Oriente também deve ser enfrentado com medidas urgentes, desde a situação dos palestinianos até a guerra do Iémen, e isso não está a ser feito. Os mesmos dirigentes que nestes dias visitam Jerusalém são, na sua imensa maioria, directamente responsáveis ​​por tantas calamidades.

Fonte: https://www.publico.es/internacional/foro-mundial-holocausto-israel-acoge-memoria-auschwitz-ignora-mancha-oriente-proximo.html

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Falemos então da região...

Ontem falei no sorriso de quem, depois de um encontro tido com o Presidente do Estado de Israel, afirmou ter havido “uma aproximação” de posições entre os dois sobre a situação regional. Porque não foi tornado público o que terá aproximado os dois presidentes sobre a situação da região, falemos então da região.

Desde logo, falemos da imagem acima que se refere aos Montes Golã.Os Montes Golã sírios foram ocupados na quase totalidade por Israel na sequência da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e passaram a ser administrados pela entidade sionista em 1981 – o que significou a anexação territorial de facto. No entanto, essa anexação não foi reconhecida pela grande maioria dos países. Para quem quiser aprofundar consulte um texto, hoje mesmo dado a público.

Falemos depois da Cisjordânia e de um rol de notícias onde a ONU News não explica nada mas dá uma ideia pálida do que se lá passa. 
 
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Israel bombardeia Faixa de Gaza na Palestina

247 -O Exército de Israel bombardeou novamente o norte e noroeste da Faixa de Gaza na quarta-feira (15), usando aviões de guerra e outros não tripulados (drones), até agora sem perda de vidas humanas.

A agência de notícias palestina Paltoday, citada pela Telesul, informou que entre os alvos atacados por Israel estão as posições do Movimento de Resistência Islâmica da Palestina (Hamas).

Por seu lado, Israel disse que os ataques a Gaza são a resposta ao lançamento de pelo menos quatro foguetes contra seu território.

 

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/mundo/israel-bombardeia-faixa-de-gaza-na-palestina

Tribunal israelita rejeita apelo de Ahmad Zahran, em greve de fome há 109 dias

O tribunal militar israelita de Ofer rejeitou o recurso do preso palestiniano Ahmad Zahran, em greve de fome há 109 dias contra a detenção sem acusação nem julgamento, apesar da deterioração da sua saúde.

Poster de Ahmad Zahran numa mobilização de apoioCréditos / Quds News / Samidoun

Ahmad Zahran encontra-se preso desde Março de 2019 em regime de detenção administrativa, ao abrigo do qual os palestinianos podem ficar presos sem acusação nem julgamento e sem acesso a defesa, informa no seu portal o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

A detenção administrativa é realizada por simples ordem de um comandante militar israelita, uma vez que os territórios palestinianos ocupados se encontram submetidos a regime militar, explica o MPPM, acrescentando que, «podendo durar até seis meses, as ordens de detenção administrativa são indefinidamente renováveis».

A Samidoun (rede de solidariedade com os presos palestinianos) informa que, pese embora o agravamento do estado clínico de Zahran, o tribunal militar adiou repetidamente a decisão.

Precisamente devido à gravidade do seu estado de saúde, o preso palestiniano, com 42 anos e residente na localidade de Deir Abu Mashal (perto de Ramallah), foi transferido para o hospital civil de Kaplan, em Israel, na passada segunda-feira, dia 6. «Perdeu mais de 35 quilos, é incapaz de andar e tem dores em todo o corpo», revela a Samidoun numa nota publicada dia 7.

Este ano, Ahmad Zahran já tinha realizado uma outra greve de fome, com uma duração de 39 dias, que suspendeu depois de lhe ter sido prometido que a sua detenção não seria renovada. Contudo, o acordo foi violado e a detenção administrativa foi renovada, levando-o a lançar uma nova greve de fome. Anteriormente, já passara quase 15 anos em prisões israelitas, revelam o MPPM e a Samidoun.

Quando cumpria o 90.º dia da sua greve de fome, interrogadores israelitas apareceram na clínica prisional de Ramon invocando a necessidade de questionar Zahran para que o tribunal militar pudesse apreciar o seu recurso. No entanto, o interrogatório não pôde ter lugar, devido à gravidade do estado de saúde do preso, que, explica a Samidoun, nunca tinha sido submetido a qualquer interrogatório, nem antes da greve de fome, nem no decurso da sua realização.

A Sociedade dos Presos Palestinianos e o Centro de Estudos dos Presos Palestinianos indicam, em comunicado, que os serviços de informações israelitas se têm oposto a um acordo entre os serviços prisionais e Zahran, de modo a impedir uma vitória deste na greve de fome.

Vários presos palestinianos têm realizado greves prolongadas em apoio a Ahmad Zahran, e, na terça-feira passada, um grupo de presos da cadeia israelita de Gilboa iniciou uma greve de fome rotativa de um dia. O ramo prisional da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) sublinhou que os protestos serão intensificados se Zahran não for libertado.

Em 2019, informa o MPPM, foram emitidas pelo Exército de ocupação israelita 1035 ordens de detenção administrativa, sendo que, no final do ano, se encontravam detidos ao abrigo desse regime 460 presos nas cadeias israelitas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/tribunal-israelita-rejeita-apelo-de-ahmad-zahran-em-greve-de-fome-ha-109-dias

A favor dos EUA e contra Irã, Netanyahu ameaça devastar quem atacar Israel

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu durante declaração na cidade de Ramat Gan, perto de Tel Aviv, Israel, 10 de setembro de 2019
© REUTERS / Amir Cohen

Em uma conferência em Jerusalém, nesta quarta-feira (8), Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, afirmou que quem atacar seu país receberá um "golpe devastador".

Benjamin Netanyahu fez a seguinte afirmação em uma transmissão da conferência pela Internet:

"O governo de Israel é uma âncora de estabilidade nos mares tempestuosos do Oriente Médio. Nós nos colocamos firmemente diante dos que buscam nos destruir. Qualquer um que nos atacar sofrerá um golpe devastador", declarou o premiê israelense.

Este foi o primeiro pronunciamento de Netanyahu após o ataque iraniano a bases da coalizão internacional no Iraque. Nesta quarta-feira (8), o Irã realizou ataques em represália ao assassinato do general Soleimani.

Homem leva retrato de Qassem Soleimani em cortejo fúnebre em Teerã, Irã
© REUTERS / Nazanin Tabatabaee / WANA NEWS AGENCY
Homem leva retrato de Qassem Soleimani em cortejo fúnebre em Teerã, Irã

Na manhã de hoje, o Exército de Israel informou que não haveria recomendações específicas quanto à segurança da população do país. Escolas, transporte público e todos os serviços do país continuam funcionando normalmente.

O primeiro-ministro israelense também manifestou apoio à operação norte-americana em território iraquiano, afirmando que "deve-se parabenizar o presidente Trump por ter agido rapidamente, corajosamente e decididamente contra o líder terrorista, que foi o responsável por campanhas terroristas do regime iraniano".

Israel é o maior aliado norte-americano na região, portanto, seu alto escalão militar teme também eventuais ataques iranianos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010814983349-a-favor-dos-eua-e-contra-ira-netanyahu-ameaca-devastar-quem-atacar-israel/

[Manlio Dinucci] Qual é a verdadeira ameaça nuclear no Médio Oriente?

                         image
«O Irão não respeita os acordos nucleares» (Il Tempo), «O Irão retira-se dos acordos nucleares: um passo em direcção à bomba atómica» (Corriere della Sera), «O Irão prepara bombas atómicas: adeus ao acordo sobre o nuclear »(Libero): é assim apresentada por quase toda a comunicação mediática a decisão do Irão - após o assassinato do General Soleimani ordenado pelo Presidente Trump - de não aceitar mais os limites para o enriquecimento de urânio, estabelecidos pelo acordo assinado em 2015 com o Grupo 5 + 1, ou seja, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China) e a Alemanha. Portanto, não há dúvida, segundo estes meios de divulgação de “informação”, sobre qual é a ameaça nuclear no Médio Oriente. Esquecem-se que foi o Presidente Trump, em 2018, que fez com que os EUA se retirassem do acordo definido por Israel como “a rendição do Ocidente ao Eixo do Mal, liderado pelo Irão”.
Silenciam o facto de que existe apenas uma única potência nuclear no Médio Oriente, Israel, que não está sujeita a nenhum controlo, visto que não adere ao Tratado de Não-Proliferação, assinado pelo Irão. O arsenal israelita, envolto numa espessa capa de segredo e de silêncio, é estimado em 80-400 ogivas nucleares, além de plutónio suficiente para construir outras centenas. Israel também produz, seguramente, trítio, o gás radioactivo com o qual fabrica armas nucleares de nova geração. Entre estas, mini-bombas nucleares e bombas de neutrões que, provocando menor contaminação radioactiva, seriam as mais adequadas contra alvos não muito distantes de Israel.
As ogivas nucleares israelitas estão prontas para serem lançadas em mísseis balísticos que, com o Jericó 3, atingem de 8 a 9 mil km de alcance. A Alemanha forneceu a Israel (sob a forma de um presente ou a preços promocionais) quatro submarinos Dolphin modificados para o lançamento de mísseis nucleares Popeye Turbo, com um alcance de cerca de 1.500 km. Silenciosos e capazes de permanecer imersos durante uma semana, atravessam o Mediterrâneo Oriental, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico, prontos 24 sobre 24 horas, para o ataque nuclear. Os Estados Unidos, que já forneceram mais de 350 caça-bombardeiros F-16 e F-15 a Israel, estão a fornecer-lhe pelo menos 75 caças F-35, também com dupla capacidade nuclear e convencional. Uma primeira entrega de F-35 israelitas entrou em operação em Dezembro de 2017. As Israel Aerospace Industries produzem componentes de asas que tornam o F-35 invisível aos radares. Graças a essa tecnologia, que também será aplicada nos F-35 italianos, Israel potencia a capacidade de ataque das suas forças nucleares. Israel - que tem apontadas contra o Irão 200 armas nucleares, como especificou o antigo Secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, em 2015 - está decidido a manter o monopólio da Bomba no Médio Oriente, impedindo o Irão de desenvolver um programa nuclear civil, que poderia permitir-lhe um dia fabricar armas nucleares, capacidade essa que hoje é possuída no mundo por dezenas de países.
No ciclo de utilização do urânio, não há uma linha divisória clara entre o uso civil e o uso militar do material físsil. Para bloquear o programa nuclear iraniano, Israel está determinado a usar todos os meios. O assassinato de quatro cientistas nucleares iranianos entre 2010 e 2012 é, provavelmente, obra do Mossad.
As forças nucleares israelitas estão integradas no sistema electrónico da NATO, como parte do “Programa de Cooperação Individual” com Israel, um país que, embora não seja membro da Aliança, tem uma missão permanente no quartel general da NATO, em Bruxelas. Segundo o plano testado no exercício USA-Israel Juniper Cobra 2018, as forças USA e NATO viriam da Europa (sobretudo das bases em Itália) para apoiar Israel numa guerra contra o Irão. Ela poderia iniciar-se com um ataque israelita às instalações nucleares iranianas, como o que foi efectuado em 1981 contra o reactor iraquiano de Osiraq. O Gerusalem Post (3 de Janeiro) confirma que Israel possui bombas não nucleares anti-bunker, utilizáveis ​​especialmente com os F-35, capazes de atingir a instalação nuclear subterrânea em Fordow. O Irão, no entanto, apesar de estar livre de armas nucleares, possui uma capacidade de resposta militar que a Jugoslávia, o Iraque ou a Líbia não possuíam no momento do ataque USA/NATO. Nesse caso, Israel poderia usar uma arma nuclear pondo em movimento uma reacção em cadeia de consequências imprevisíveis.
il manifesto, 7 de Janeiro 2020 image
http://www.natoexit.it/en/home-en/ -- ENGLISH
http://www.natoexit.it/ -- ITALIANO image
DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT,
em todos os países europeus da NATO
DANSK DEUTSCH ENGLISH ESPAÑOL FRANÇAIS ITALIANO NEDERLANDS
PORTUGUÊS ROMÎNA SLOVENSKÝ SVENSKA TÜRKÇE РУССКИЙ
Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com
Webpage: NO WAR NO NATO

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Netanyahu apoia assassinato de Soleimani como 'autodefesa' dos EUA

Primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anuncia que procurará obter imunidade de acusações de corrupção, em Jerusalém, no dia 1 de janeiro de 2020
© AP Photo / Ohad Zwigenberg

Para Netanyuhu, os ataques dos EUA em que foi assassinado o alto comandante iraniano são ato legítimo de autodefesa, uma vez que o comandante planejaria ataques contra as forças dos EUA.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ainda parabenizou o presidente dos EUA, Donald Trump, por ter ordenado o ataque que matou o alto comandante iraniano Qasem Soleimani.

 

Da mesma forma que Israel tem o direito de autodefesa, os EUA têm exatamente o mesmo direito. Qasem Soleimani é responsável pela morte de cidadãos norte-americanos e muitas outras pessoas inocentes. Ele estava planejando mais ataques como esses.

O alto comandante iraniano Qasem Soleimani, que comandava a Força Quds, foi assassinado durante um ataque aéreo dos EUA no aeroporto internacional de Bagdá nesta sexta-feira (3).

Benjamin Netanyahu enfrenta dificuldades políticas internas desde que, em novembro de 2019, foi acusado pela procuradoria de Israel de fraude, suborno e quebra de confiança.

Nesta quinta-feira (2), a Suprema Corte de Israel adiou a decisão sobre sua imunidade e possibilidade de se manter no cargo após as eleições gerais, previstas para março.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010314965596-netanyahu-apoia-assassinato-de-soleimani-como-autodefesa-dos-eua/

Acusado de corrupção, Netanyahu pede imunidade parlamentar

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na reunião semanal de gabinete em Jerusalém, 16 de setembro de 2018
© AP Photo / Sebastian Scheiner

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, solicitou nesta quarta-feira (1) a Yuli-Yoel Edelstein, o presidente do Parlamento, imunidade parlamentar.

O premiê já foi acusado pelo procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, por suborno e fraude. Netanyahu alega que as acusações são políticas e visam destituí-lo de seu cargo. 

"Gostaria de liderar o governo de Israel por muitos anos. Segundo a lei, a imunidade é sempre temporária. A imunidade dá aos representantes do povo proteção temporária do judiciário. Ela dura até que a atual convocação do Knesset [parlamento israelense] pare de funcionar. Se o Knesset termina de trabalhar em três meses... então a imunidade acaba", disse o primeiro-ministro.

Netanyahu foi alvo de várias investigações de corrupção, incluindo alegações de que recebeu presentes caros de vários empresários, implantou uma lei que beneficiaria um dos principais jornais de Israel e apoiou uma regulamentação mais rígida no setor de telecomunicações em troca de cobertura positiva na imprensa.

A imunidade também pode servir para Netanyahu ganhar tempo. Em 2019, Israel realizou duas eleições, mas nenhum partido conseguiu maioria absoluta e as conversas para formar uma coalizão falharam. Há uma nova eleição prevista para março de 2020. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010114959752-acusado-de-corrupcao-netanyahu-pede-imunidade-parlamentar/

Prepare-se para combater a próxima guerra de Israel. Os EUA que façam o "Trabalho Sujo"

 
 
Kurt Nimmo* | Global Research
 
Caberá a você, cidadão americano sem noção, lutar e pagar pela guerra de Israel contra seus vizinhos. A próxima guerra foi anunciada esta semana por Aviv Kochavi , chefe do Estado-Maior da Força de Defesa de Israel. 
 
Max Blumenthal destila a ameaça de Kochavi. 
 
Israeli army chief of staff Avi Kochavi pledges to destroy the critical civilian infrastructure of Lebanon, Gaza and Syria in the event of war, reaffirming state terror as Israel’s official national security doctrine – in Twitter
 
A “palestra de Kochavi no Centro Interdisciplinar de Herzliya parecia ser dirigida tanto aos ouvidos de cidadãos israelenses quanto aos ouvidos do Irã, Hezbollah e Hamas”, relata Ynet , o canal online de propaganda de Yedioth Ahronot. 
 
Kochavi "procurou ajustar as expectativas do público, enviando simultaneamente uma mensagem de dissuasão ao inimigo", continua o jornal. 
 
Essa foi uma tentativa de transmitir ao público israelense que a frente doméstica sofrerá intenso incêndio e o exército sofrerá grandes perdas. 
 
Tudo isso tem um papel importante na preparação para um conflito militar em larga escala. É importante lembrar, no entanto, que uma das partes vitais na luta contra um conflito militar é estabelecer objetivos claros e alcançáveis, e esse é o trabalho das IDF e do escalão político. 
 
Em outras palavras, a IDF disse ao público israelense que se preparasse para a destruição se sua infraestrutura civil em resposta à IDF destruir a infraestrutura civil no Irã, Síria e Iraque (os dois últimos sofreram a destruição sistemática da infraestrutura civil e o assassinato de milhões de pessoas inocentes; o Iraque foi destruído a mando dos primeiros neocons de Israel no governo Bush, não porque representasse uma ameaça para os Estados Unidos, mas para Israel). 
 
Parte do atual esforço de propaganda é preparar o povo israelense para viver em abrigos antiaéreo, enquanto suas casas, escolas e hospitais são bombardeados - um pouco diferente do que Israel fez em Gaza e no passado fez no Líbano - e “aloca centenas de milhões de shekels para obter sistemas de defesa aérea capazes de impedir qualquer possível ataque com mísseis que o Irã possa lançar em Israel". O histórico de eficácia desses chamados sistemas de defesa é sombrio.
No ano passado, o sistema de defesa antimísseis de David Sling, de Israel, falhou estupendamente em interceptar mísseis disparados da Síria, um vizinho bombardeado obsessivamente por Israel nos últimos anos. “Esse tem sido um problema recorrente para nações com investimentos substanciais em mísseis interceptadores. Os mísseis caros tendem a ter um desempenho ruim, mesmo nos testes mais favoráveis, e usá-los contra ameaças percebidas, como hoje, arrisca falhas muito públicas ”, escreve Jason Ditz . 
 
Então, basicamente, Kochavi disse ao povo israelense que sofrerá perdas inestimáveis ​​na vida e nas propriedades humanas e que seus filhos serão recrutados para lutar e morrer para derrubar o Irã, algo que o pequeno país de Israel - que não existiria sem A generosidade americana dispensada sob o que equivale a um transe de vodu - é incapaz de fazer por si própria. 
 
Isso significa, é claro, que as Forças Armadas dos EUA serão obrigadas a terminar o que Israel ansiava por começar - uma guerra regional para reduzir o Irã, Gaza, Síria e Líbano a ruínas fumegantes semelhantes às criadas pelos neocons psicopáticos da "destruição criativa" durante os anos de Bush, o Menor. 
 
Kochavi jogou rápido e frouxamente com a vida dos cidadãos israelenses, que sofrem lavagem cerebral e esquecem sua destruição como milhões de americanos. 
 
“Embora essas ações possam levar a uma escalada de violência e baixas, eles colocaram Israel de volta no banco do motorista e permitiram que ele redirecionasse a dinâmica na direção necessária [na direção do domínio sionista da região e da desapropriação continuada dos palestinos]. pessoas] ”, resumiu Kochavi. 
 
A disposição de agir envia uma mensagem ao inimigo que, contrariamente à imagem de Israel como um país que apenas lança ataques aéreos e não está preparado para absorver baixas, a disposição de exercer força e arriscar esse preço para garantir a paz de seus cidadãos, reforça a dissuasão de Israel e pode atrasar um grande confronto ou, alternativamente, permitir-nos controlar um quando finalmente acontecer.
 
Esta mensagem - prepare-se para um imenso sofrimento, aguarde e testemunhe seus parentes e amigos explodidos em pedaços sangrentos em nome da dominação sionista - não se destina apenas aos gordos e felizes que vivem no estado de limpeza étnica e racista de Israel. É, também, uma mensagem para o povo americano - você será obrigado a combater a guerra sionista de dominação, uma guerra que Israel sabe que não pode vencer, não importa a fantasia de que Israel vencerá qualquer disputa devido ao seu “terreno habilidoso e mortal forças. " 
 
O Congresso prometeu repetidamente, por décadas sucessivas, que não apenas subsidiará Israel, mas também travará suas guerras. Isso seria impossível se não fosse a propaganda sem fim, retratando o pequeno Israel travado em uma batalha existencial com um mundo de anti-semitas.
 
 
"De fato, alguém poderia argumentar que há uma tendência em Washington de ver o mundo e até as políticas domésticas através dos olhos de Israel", escreve Philip Giraldi. "Pode-se até sugerir que o governo dos Estados Unidos está sendo progressivamente sionizado por causa da mão livre que Israel e seus apoiadores têm, o que lhes dá a capacidade de buscar benefícios para Israel que dificilmente buscarão nos Estados Unidos".
 
Vale a pena citar as observações do coronel Pat Lang, ex-oficial de operações especiais e chefe do Serviço Humint de Defesa. 
 
É uma pergunta em aberto, mas acho que a resposta provavelmente é sim. As forças armadas dos EUA agora parecem estar totalmente focadas nos objetivos políticos de Israel no Irã, Síria e Iraque... Israel quer que o Irã seja neutralizado e eliminado como um rival de poder no Oriente Médio. O suposto programa iraniano de armas nucleares é apenas um dos alvos da política israelense em relação ao Irã. Para alcançar a meta de conforto no estilo de Morgenthau em relação ao Irã, Israel quer destruir a Síria e o Hizbullah como aliados do Irã... O processo de condicionar oficiais americanos para torná-los sionistas está em andamento há muito tempo... Os americanos são mentalmente movidos por agressivos analogias esportivas e Israel foi o vencedor [da Guerra dos Seis Dias de 1967]. Isso fez uma grande diferença, apesar dos repetidos ataques de um dia pela força aérea e marinha de Israel contra o USS Liberty,  O programa de doutrinação e condicionamento descrito por Shoshana Bryen começou muito depois disso e foi até o presente sob a égide da AIPAC e sua galáxia de organizações vinculadas, especialmente a JINSA. Este programa foi extremamente bem-sucedido. Como resultado, existe uma disposição impensada entre oficiais seniores americanos, e não tão seniores, de apoiar a política israelense no Irã, Síria, Líbano, Palestina e agora na Arábia Saudita. Um punhado de oficiais norte-americanos treinados e instruídos por M [idle] E [ast] são ignorados, tratados como especialistas técnicos ou empurrados para fora da porta quando falam.
 
Este controle das forças armadas dos EUA por uma potência estrangeira foi admitido por Shoshana Bryen . Ela é uma neocon ardente envolvida na doutrinação de militares dos EUA, ex-diretora do Jewish Policy Center e diretora sênior do Jewish Institute for National Security Affairs. "As forças armadas dos Estados Unidos... são uma instituição sionista", disse ela, de acordo com Pat Lang
 
Isso significa que uma luta iniciada por Israel contra o Irã e seus "procuradores" certamente envolverá os militares dos EUA. As críticas a esta guerra pelas pessoas que pagarão e morrerão por ela serão censuradas, denunciadas como anti-semitismo e declaradas traição (lembre-se dos meios de comunicação corporativos que exaltam ativistas anti-guerra durante a invasão ilegal de Bush ao Iraque em 2003, principalmente Bill O Reilly, da Fox News). 
 
Eu odeio terminar este post com uma nota amarga, mas realmente não há outra escolha. Israel há muito tempo se prepara para atacar o Irã - e o Hezbollah no Líbano (o esforço de 2006 falhou) - e exigiu que os EUA fizessem o trabalho sujo, apesar do fato de não haver chance de o Irã bombardear os EUA com seus mísseis intermediários. Cantos de "Morte à América" ​​são retóricos e dificilmente uma ameaça. 
 
Mas então, como o arco neocon acima admitiu, o Pentágono é um território sionista ocupado. Acrescente a isso o apoio inabalável do Congresso pelos crimes de Israel contra a humanidade - e seu esforço incansável para impedir qualquer oposição à violência sem fim dos sionistas (incluindo subverter o que resta da Declaração de Direitos) - e você pode apostar seu dólar mais baixo. será sugado para outra guerra catastrófica. 
 
Kurt Nimmo* | Global Research
 
*Kurt Nimmo escreve em seu blog, Another Day in the Empire, onde este artigo foi publicado originalmente. Ele é um colaborador frequente da Global Research.
 
A imagem em destaque é do autor
A fonte original deste artigo é Global Research.
Copyright © Kurt Nimmo , Global Research, 2019

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/prepare-se-para-combater-proxima-guerra.html

Israel admite erro em ataque que matou 9 pessoas na Faixa de Gaza

Caça F-15 da Força Aérea de Israel
© AP Photo / JACK GUEZ

As Forças de Defesa de Israel (IDF) admitiram que os serviços de inteligência cometeram um erro na avaliação de risco para os civis.

Na ocasião, um erro na avaliação de risco durante o bombardeio realizado no dia 14 de novembro na Faixa de Gaza causou a morte de nove pessoas, informa o The Times of Israel.

As IDF atacaram uma casa em Deir al-Balah e asseguraram ter abatido um dos líderes da Jihad Islâmica na Palestina, Rasmi Abu Malhous.

Caça F-35 da Força Aérea de Israel
© AP Photo / Ariel Schalit
Caça F-35 da Força Aérea de Israel

Contudo, oito membros de sua família, incluindo seus filhos menores de 13 anos, morreram durante a ofensiva.

Em comunicado emitido nesta terça-feira (24), o Exército israelense afirmou que a casa bombardeada servia como "complexo militar" para os jihadistas islâmicos.

"A análise também concluiu que, no planejamento do ataque, as IDF estimaram que os civis não fossem atingidos em decorrência da ofensiva", cita o comunicado.

No entanto, uma investigação determinou que "embora tenha ocorrido atividade militar no complexo, este não era uma instalação militar fechada, havendo civis no local".

A investigação também inclui recomendações "com o objetivo de reduzir, na medida do possível, a ocorrência de erros similares".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019122614936726-israel-admite-erro-em-ataque-que-matou-9-pessoas-na-faixa-de-gaza/

Tribunal Penal Internacional abre investigação sobre crimes de guerra israelitas

A procuradora Fatou Bensouda anunciou ter informações suficientes para abrir uma investigação sobre os crimes de guerra cometidos por Israel na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e na Faixa de Gaza.

Bombardeamento pela aviação israelita da cidade de Gaza, na Faixa de Gaza, Palestina, durante a operação Margem Protectora, decorrida entre 8 Julho e 16 de Agosto de 2014CréditosHatem Moussa / AP Photo

A procuradora Fatou Bensauda, do Tribunal Penal Internacional (TPI) manifestou-se «convencida de que há uma base razoável para prosseguir com uma investigação sobre a situação na Palestina», informa o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM). Segundo o MPPM, Fatou Bensauda acrescentou estar «convencida de que foram cometidos ou estão a ser cometidos crimes de guerra na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e na Faixa de Gaza».

A investigação preliminar, de quase cinco anos, analisou a agressão israelita de 2014 («Operação Margem Protectora»). Na operação militar, desencadeada entre 8 de Julho e 16 de Agosto de 2014, a ONU reconheceu a morte de cerca de 2500 palestinianos, na maioria civis, e 11 mil feridos, dos quais 3200 crianças. Segundo a mesma fonte, 89 mil habitações foram atingidas pelos bombardeamentos israelitas, dez mil das quais tendo ficado destruídas ou seriamente danificadas.

Do lado israelita houve a registar 74 mortos, na sua esmagadora maioria soldados.

Segundo a ONU, foram mortos cerca de 2500 palestinianos, na maioria civis, e 11 mil feridos, entre os quais 3200 crianças. Cerca de . mil habitações foram atingidas por fogo israelita, dez mil das quais ficaram destruídas.

Fatou Bensouda acrescentou que antes de abrir a investigação irá pedir ao tribunal, sediado em Haia, para decidir sobre a questão da jurisdição do tribunal.

Uma investigação formal das acções de Israel na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza poderia conduzir a mandados de prisão internacionais contra indivíduos israelitas, já que os Estados não podem ser acusados pelo TPI.

Em Israel as medidas foram recebidas com apreensão e representantes oficiais escudaram-se em questões processuais, evitando responder às questões de fundo.

O primeiro-ministro em exercício, Benjamin Netanyahu, afirmou em comunicado que a decisão da procuradora «transformou o Tribunal Penal Internacional numa ferramenta política para deslegitimar o Estado de Israel», e acusou Bensouda de ignorar completamente a história e a verdade.

Horas antes, numa manobra de antecipação, o procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, havia publicado um parecer jurídico segundo o qual o TPI não teria jurisdição em relação à Cisjordânia nem a Gaza por a Palestina não ser um Estado e, consequentemente, não poder ter aderido àquela instituição.

Porém, o facto é que a Autoridade Palestina é reconhecida como um Estado não membro pelas Nações Unidas, o que lhe permitiu assinar em 2015 o Estatuto de Roma, que rege o TPI, criado em 2002. Pelo contrário, Israel e os Estados Unidos, entre outros, não são signatários. No ano passado, o então conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, chegou a ameaçar prender juízes do TPI se eles se empreendessem acções contra Israel ou contra os Estados Unidos.

Do lado palestino, o anúncio da procuradora do TPI foi acolhido com satisfação. «O passo dado pela procuradora», declarou Saeb Erekat, secretário-geral do Comité Executivo da OLP, «representa uma confirmação da sua posição de que o TPI tem jurisdição territorial para examinar os crimes em curso cometidos por Israel, a potência ocupante. É o passo final para abrir uma investigação criminal e é uma mensagem de esperança para o nosso povo, vítima desses crimes, de que a justiça é realmente possível».

Também a Liga dos Estados Árabes saudou a decisão da procuradora, considerando-a, noticiou a agência Wafa, «um importante passo» na defesa dos direitos do povo palestiniano, e que o mesmo reflecte «a vontade da comunidade internacional».

Fatou Bom Bensouda, da Gâmbia, é procuradora-chefe do TPI desde 2012, depois de ter servido como procuradora-adjunta desde 2004. Em Abril deste foi-lhe revogado o visto de entrada nos Estados Unidos, segundo o The Guardian a fim de impedir uma investigação do TPI sobre crimes de guerra cometidos por tropas ou agentes norte-americanos no Afeganistão, Polónia, Roménia e Lituânia.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/tribunal-penal-internacional-abre-investigacao-sobre-crimes-de-guerra-israelitas

Dois criminosos em Portugal | Em Lisboa, um encontro sinistro

 
 
José Soeiro | Expresso | opinião
 
A Lusa anunciou a apresentação de uma queixa à Entidade Reguladora da Comunicação Social, o Sindicato dos Jornalistas apresentou um protesto, o diretor de um outro jornal exprimiu num editorial o sentimento da imprensa no modo como foi tratada esta semana pelo líder israelita Benjamin Netanyahu e pelo secretário de Estado da defesa norte-americano Michael Pompeo, que impediram os jornalistas de recolher declarações na conferência conjunta: com "soberba", "arrogância" e "desprezo inaceitáveis", prova de como prevalece "a lei do quero, posso e mando".
 
Esse foi, contudo, como reconheceu Manuel Carvalho, apenas um pequeno episódio de uma visita que, por tantas outras razões, desonra Portugal. Depois de terem tentado reunir em Londres sem sucesso, e de terem contactado outros chefes de estado europeus, Pompeo e Netanyahu escolheram Lisboa para um encontro com um programa de guerra. Em novembro deste ano, a Administração Trump mudou a sua posição sobre os colonatos judeus na Cisjordânia ocupada que, de acordo com a lei internacional, são ilegais. Embora abundem as Resoluções da ONU que, apoiadas nas Convenções de Genebra, declaram a ilegalidade da ocupação daqueles territórios, embora seja essa a posição do Tribunal Internacional de Justiça de Haia, apesar de essa ser também a posição partilhada pela comunidade internacional, incluindo a maioria dos aliados de Israel, a atual administração americana atropelou tudo e todos e Pompeo, um falcão de Trump que foi diretor da CIA, anunciou a mudança da posição americana há poucas semanas. Antes disso, já Trump tinha alinhado com os setores mais extremistas do sionismo ao decidir a transferência da Embaixada americana de Telavive para Jerusalém e ao ter reconhecido a anexação dos Montes Golã.
 
 
Netanyahu, que tem no seu cadastro algumas das mais agressivas ações de ocupação de territórios palestinos, vários crimes de guerra contra a Faixa de Gaza com bombardeamentos ordenados por si que mataram milhares de pessoas (incluindo crianças) e uma política de repressão brutal dos povo palestino, encontra-se "em gestão", por não conseguir constituir maioria para um novo governo, e vê-se a braços com uma acusação inédita por corrupção. A reunião com Pompeo faz assim parte de um périplo de legitimação mas tem também uma agenda muito concreta de agressão: a articulação do apoio de Trump à anexação do Vale de Jordão, a parte mais oriental da Cisjordânia, onde vivem 65 mil palestinianos e onde estão 9 mil do quase meio milhão de israelitas que vive em territórios ocupados.
 
Queiramos ou não encarar a questão, Pompeo e Netanyahu encontraram-se em Lisboa para planearem, conscientemente, mais algumas ações de violência contra a Palestina e de desprezo pela lei internacional, a mesma a cuja defesa o Estado português está vinculado. Recentementem, aliás, o próprio Parlamento reiterou a posição do nosso país, ao aprovar um voto que "reafirma o carácter ilegal dos colonatos israelitas" e que "reitera o direito do povo palestiniano à constituição de um Estado livre, viável, soberano e independente, com capital em Jerusalém Leste, conforme as resoluções da ONU". O mesmo país que há poucas semanas reafirmou isto, podia ter aceitado, sem pestanejar, servir de plataforma para um encontro tão sinistro? Em nome de quê? Em nome de quem?
 
Mais infeliz ainda foi o triste papel a que se prestaram Augusto Santos Silva e António Costa, que reuniram quer com Pompeo quer com Netanyahu. O primeiro-ministro, que recebeu Netanyahu na sua residência oficial, disse sobre a reunião que "foram abordados diversos temas de interesse bilateral, como sejam o fomento da cooperação económica e procura de parcerias nas áreas da investigação científica, inovação e a água" (a água, que é justamente um dos recursos de que os israelitas vêm privando os palestinianos, sufocando também dessa forma quem vive em Gaza). Sobre a violação de direitos humanos e da lei internacional, o que disse Costa? Nada. Sobre os planos de agressão traçados por Netanyahu e Pompeo, em total desrespeito pelas resoluções da ONU — que no momento até é presidida por um português — o que disse o Governo? Nada. Sobre o plano dos sionistas e de Trump de anexação de mais 30% do território da Cisjordânia, alguma palavra do Primeiro-Ministro? Nada.
 
Portugal, um pequeno país com posições decentes contra a ocupação israelita, teve uma oportunidade de mostrar a sua grandeza. O que exibiu foi sobretudo silêncio — e os servis apertos de mão com os criminosos.
 
*Título PG (parcial)

Sobre semitismo e sionismo

 
Desfazendo uma confusão
nada inocente

Porque é que equiparar antisionismo
a antisemitismo é inepto e perigoso
 
«(...)Acontece que os dados são teimosos:sete décadas depois da criação do «seu» Estado, vivem aí 6 milhões de judeus, mas 10 milhões continuam no seu país de origem ou adopção. E entre 600.000 e um milhão de cidadãos judeus israelitas preferiram instalar-se noutro lado ! Seriam eles antisemitas, estes judeus que, através da história, viraram as costas ao projecto sionista, ou resistiram aos apelos do movimento ?»


«(...)Dois meses mais tarde, uma sondagem do IFOP reelava que 57 % dos franceses têm"uma má imagem de Israel" et 69 %"uma má imagem du sionisme". Antisemitismo ? IPSOS observa pelo seu lado que o eleitorado do Partido Comunista, da França Insubmissa e da extrema-esquerda é ao mesmo tempo o mais crítico face à política israelita e o mais resistente a toda a forma de antisemitismo… (...)»

na íntegra, em francês,aqui
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Netanyahu ameaça invadir Faixa de Gaza

Cartaz de Benjamin Netanyahu nas ruas em Tel Aviv, Israel.
© AP Photo / Oded Balilty

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou preparativos para uma possível operação militar na Faixa de Gaza, após um ataque de mísseis realizado por palestinos.

O primeiro ministro de Israel declarou uma possível operação militar durante a reunião semanal do seu gabinete, informou Sputnik Mundo.

Netanyahu alertou que "não haverá acordo se os ataques da [Faixa de Gaza] continuarem".

"Eu instruí o Ministro da Defesa e Forças de Defesa de Israel a se prepararem adequadamente", disse Netanyahu, sem oferecer mais detalhes.

Na noite de sábado, Israel denunciou o disparo de três mísseis a partir do território da Faixa de Gaza, dos quais dois foram interceptados pelo sistema de defesa aérea.

Os militares israelenses não confirmaram feridos ou danos causados ​​pelos foguetes, embora três pessoas, uma menina de 10 anos, uma mulher de 47 e um homem de 27, tenham sofrido ferimentos leves enquanto se dirigiam para abrigos antiaéreos.

Duas outras pessoas também receberam tratamento médico após sofrer ataques de ansiedade, conforme confirmado pelos serviços médicos de Magen David Adom.

O ataque ativou as sirenes de alarme na cidade de Sderot, na proximidade da Faixa de Gaza, e em outras comunidades próximas. Milhares de pessoas buscaram refúgio em abrigos antiaéreos, em suas casas ou em locais públicos.

Antes do lançamento dos três foguetes, o exército israelense disse que dois palestinos haviam se infiltrado na parte sul da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza.

Os dois estavam desarmados e foram presos por interrogatório.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019120814868173-netanyahu-ameaca-invadir-faixa-de-gaza/

Em Portugal | Cimeira das Lajes, segunda temporada

 
 
O espírito belicista da Cimeira das Lajes continua bem vivo nos governantes portugueses. Depois de Barroso, cabe aos socialistas interpretar a segunda temporada.
 
José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
Já é degradante para o prestígio interno e internacional de um país acolher na sua capital uma reunião conspirativa de dois sociopatas mundiais como são o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado norte-americano da Administração Trump, Michael Pompeo. O facto de o primeiro-ministro, António Costa, receber ambos os fora-de-lei transforma o caso numa situação trágica, porque expõe directamente o país às consequências do previsível agravamento da instabilidade global decorrente destes encontros. Afinal o espírito belicista da Cimeira das Lajes – que afundou o Médio Oriente na crise de guerras sucessivas em que se encontra – continua bem vivo nos governantes portugueses. Depois de Barroso, cabe aos socialistas interpretar a segunda temporada.
 
Nem os britânicos, chefiados por uma aberração chamada Boris Johnson, permitiram que o encontro entre Netanyahu e Pompeo decorresse nas suas ilhas, simplesmente por não estarem disponíveis para acolher o chefe do governo israelita. Ao contrário do trabalhista Blair, em 1993, o conservador Johnson eximiu-se agora do complot.
 
Costa não. Embora com a nuance, meramente formal, de receber os dois violadores das leis internacionais em separado, o facto é que eles fizeram anteriormente o trabalho sujo. O que quer que tenham decidido em termos de agressão e operação de mudança de regime no Irão, «normalização» dos colonatos israelitas e anexação do Vale do Jordão na Cisjordânia – à revelia do direito internacional – e de um tratado de «defesa mútua» que, no limite, implica a mobilização da NATO no caso de Israel sofrer uma «agressão», fizeram-no num contexto que envolve o governo da República Portuguesa.
 
António Costa, o seu ministro Santos Silva e a generalidade da equipa escolheram não se distanciar do gueto internacional formado pelo núcleo de países responsáveis por uma nova fase de desestabilização belicista internacional. Isolaram-se, por uma vez, da sua querida União Europeia e logo pelos piores motivos. Tornaram-se parceiros das agressivas fugas para a frente de dois regimes desacreditados, desesperados, fora de lei, afundados em escândalos de corrupção, violência, racismo e xenofobia como são os de Trump e Netanyahu.
 
Os portugueses não se pronunciaram para que os seus votos fossem usados desta maneira irresponsável.
 
 
Grau zero da legalidade
 
Ignora-se se António Costa tem no seu horizonte curricular o cargo de presidente da Comissão Europeia. Pelo menos foi assim que Durão Barroso iniciou o caminho para o Eldorado que passou por Bruxelas e o levou à cúpula do banco que «faz o papel de Deus na Terra».
 
O elementar bom senso, porém, aconselharia a que Lisboa ou qualquer outro lugar do território português fosse poupado a uma reunião entre o fundamentalista «cristão sionista», como Pompeo se identifica, e a principal figura do fascismo sionista, definição que cabe a preceito em Benjamin Netanyahu.
 
Não se pense que o qualificativo de «foras-de-lei» aplicado aos dois dirigentes é uma mera figura de retórica. Nada disso: eles são-no – e com provas dadas.
 
 
De facto não estão e não basta que seja a cúpula do regime norte-americano a afirmar o contrário para isso ganhar força de lei. Convenções internacionais como a de Viena e várias resoluções das Nações Unidas definem os colonatos como ilegais e exigem a sua extinção, não a «legalização». Já era tempo de o secretário-geral das Nações Unidas reafirmar esse princípio, pelo menos para assinalar por onde passa a lei. Mas Guterres, ensimesmado como está com as urgências do clima, parece não ter palavras para as muito maiores urgências traduzidas pelos avanços das políticas de guerra e as violações contumazes dos direitos humanos.
 
Pompeo é o braço direito de Trump numa administração sob impeachment no seu país, mas que acaba de ter espaço – que os autores do impeachment não lhe vedam – para enviar mais 14 mil militares e artefactos de guerra de última geração para o Médio Oriente.
 
Um movimento militar que está certamente associado ao complot urdido em Lisboa em regime de pé-de-orelha com o primeiro-ministro de Portugal.
 
Podem assinalar-se outras malfeitorias em que Pompeo está directamente envolvido, como a usurpação de poder na Venezuela, o golpe fascista na Bolívia, a imposição de condições miseráveis de vida a vários povos, desde Cuba e Venezuela ao Irão – coisas, aliás, bem aceites por António Costa e pelo prestimoso Santos Silva. Haverá, entretanto, quem considere estas sevícias como matérias «subjectivas», passíveis de outras «interpretações». Pois bem: quanto à questão de considerar «legais» os colonatos ilegais não há subjectividade possível. O que faz de Pompeo um fora-de-lei.
 
Benjamin Netanyahu há muito que é um energúmeno contumaz, um criminoso de guerra. Basta recordar a situação de Gaza, a colonização permanente, a tortura e morte dos presos políticos palestinianos nas prisões israelitas, a institucionalização do regime de apartheid em Israel, os muros de separação, o roubo da água, a destruição de estruturais vitais palestinianas, a limpeza étnica contínua da Palestina. O rol de crimes é longo, conhecido de todos, talvez até do primeiro-ministro António Costa.
 
Acresce que Benjamin Netanyahu é primeiro-ministro em exercício mas já falhou duas tentativas para formar novo governo, pelo que são necessárias terceiras eleições gerais consecutivas.
 
Como se não fosse suficiente, Benjamin Netanyahu desembarcou em Lisboa num momento em que é acusado pela justiça israelita de crimes de corrupção, fraude e quebra de confiança, passíveis de prisão e que põem em causa a sua posição de chefe de governo – já de si meramente em gestão de assuntos correntes. Isto é, Netanyahu é um fora de lei no ponto mais baixo da legitimidade institucional. De tal maneira que o próprio presidente de Israel lhe propôs uma solução: indultá-lo dos crimes desde que reconheça a sua culpa e se demita da chefia do governo.
 
Foi recebido em Portugal num momento em que tenta aproveitar desesperadamente o espaço que lhe resta para criar focos de instabilidade militar que o transformem em intocável comandante-em-chefe. Será difícil que um chefe de governo como o português não interprete os riscos desta fuga de Netanyahu para diante.
 
Missão Lisboa
 
Que vieram os sociopatas Pompeo e Netanyahu fazer a Lisboa?
 
Não vale a pena ter em conta os despachos feitos pelos jornalistas seleccionados por ambos para acompanhar a viagem, os únicos com acesso à informação oficial. Não se trata de informação mas de propaganda; os agentes que foram escolhidos têm exactamente essa missão: transformar em factos aquilo que Trump e Netanyahu delinearam como estratégia. Jornalistas portugueses estão incomodados por terem sido excluídos da cobertura dos actos da visita, quando, na verdade, deveriam sentir-se orgulhosos: não merecem a confiança dos malfeitores; e, por outro lado, receberam uma lição de como funciona a verdadeira liberdade de informação dos que verdadeiramente dirigem o «mundo livre»1.
 
Pompeo e Netanyahu vieram acertar agulhas sobre a agressão ao Irão na perspectiva da mudança de regime no país. Os movimentos de massas que estão a acontecer no Iraque e no Irão reflectem uma componente da estratégia de desestabilização que tem uma opção militar latente – daí o novo reforço de efectivos e do aparelho agressor no Médio Oriente.
 
Em segundo lugar, concertaram posições quanto à iminente ocupação do Vale do Jordão, na Cisjordânia, pelo regime israelita. Trata-se da região mais atraente economicamente de toda a Margem Ocidental do Rio Jordão – pelo que está na calha para seguir o caminho dos Montes Golã sírios e de Jerusalém Leste. Como os Estados Unidos deixaram de considerar «ilegal» a colonização, a anexação desse território é um importante trunfo de campanha que Netanyahu pretende brandir perante o eleitorado, no sentido de unificar toda a extrema-direita fascista. Recorda-se que têm sido núcleos deste sector a impedir o êxito das tentativas de formação de governo pelo primeiro-ministro em exercício.
 
Escusado será dizer, mas há que registá-lo: a anexação do Vale do Jordão liquida, de vez, a solução de dois Estados na Palestina e que está inscrita no direito internacional. Não haverá mais espaço para um Estado Palestiniano independente, soberano e viável. O governo da República Portuguesa torna-se directamente cúmplice pela violação de um princípio que ele próprio diz defender. E, claro, de uma atrocidade contra a legalidade internacional.
 
As administrações Trump e Netanyahu estão prestes a concluir um tratado de «defesa mútua», isto é, o mecanismo que permitirá às tropas norte-americanas – e da NATO, obviamente – acudirem em socorro de Israel caso este país seja «agredido». Pelo que não será de excluir uma provocação que simule, por exemplo, um «ataque iraniano», para fazer deflagrar uma guerra de proporções inimagináveis.
 
Factos consumados
 
Entre os conteúdos da conspiração de Lisboa estão, tudo leva a crer, decisões no sentido de avançar para factos que a relação mundial de forças não permitirá reverter depois de consumados. Tem sido esta uma das estratégias essenciais para a anexação de territórios, sobretudo palestinianos, que Israel vem executando desde a fundação do Estado. Expulsão de populações e construção de colonatos são dois vectores primordiais de tal estratégia e a previsível ocupação do Vale do Jordão será o exemplo mais recente, com a respectiva vaga de expulsões no quadro de uma limpeza étnica perante a qual o mundo continua cego.
 
Está por apurar, ainda, a reacção das principais instâncias internacionais à «legalização» da colonização anunciada pelos Estados Unidos. A acção segue na linha da transferência da Embaixada norte-americana para Jerusalém – que significa a aceitação da anexação de Jerusalém Leste – e do reconhecimento por Washington da anexação dos Montes Golã sírios.
 
Em qualquer dos casos houve virulentas reacções internacionais, em termos verbais, e que rapidamente esmoreceram até à extinção. Reacção prática? Nem sombra. Os factos estão consumados.
 
No caso presente há a anotar, mais uma vez, o mutismo do secretário-geral das Nações Unidas, claramente sem coragem para citar os Estados Unidos como um mau exemplo quanto ao modo de encarar a legalidade internacional. Não lhe ficaria mal uma nota de registo. Mas não: seria demasiado para António Guterres, tal como demasiado seria pronunciar-se contra a carnificina israelita em Gaza – território que a própria ONU calculou como humanamente inabitável em 2020, isto é, daqui a dias.
 
No quadro da estratégia de factos consumados pode inserir-se o cumprimento em curso de elementos conhecidos do chamado «acordo do século», um plano urdido por Trump e Netanyahu como solução final da questão palestiniana.
 
A anexação de uma parte vital da Cisjordânia, como o Vale do Jordão, faz parte desse elenco de medidas arbitrárias que ainda não foi apresentado à comunidade internacional mas que, escrutinando a situação no terreno, está a ser cumprido de maneira avulsa e conspirativa. Certamente o tema esteve à mesa no menu de Lisboa.
 
Poderá dizer-se que, estando o «acordo do século» implicitamente na agenda, à mesa na capital portuguesa sentou-se ainda um convidado virtual, a Arábia Saudita, um dos obreiros do plano. Enquanto isso, o governo português esteve por perto, receptivo e facilitador. O governo de António Costa tem vindo a esmerar-se nas aproximações que faz na arena internacional. De Guaidó a Trump, Pompeo e Netanyahu, mais os que o silêncio esconde, como a fascista Añez na Bolívia e o carniceiro saudita bin Salman, a lista é bastante selecta e democrática.
 
Imagem | Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos da América, e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro do Estado de Israel, reuniram-se num hotel de Lisboa, a 4 de Dezembro de 2019. CréditosPatrícia de Melo Moreira / AP/Pool

 

Nota: 

1. Segundo notícia da agência Lusa, «Pompeo e Netanyahu reúnem-se em Lisboa com jornalistas portugueses mantidos longe», de 4 de Dezembro de 2019, a imprensa portuguesa foi impedida de fotografar o encontro ou registar declarações, reservadas aos jornalistas das duas delegações. Pompeo e Netanyahu cumprimentaram-se no hall de um hotel identificado apenas como sendo «no centro de Lisboa» e seguiram para uma sala próxima, onde estavam os jornalistas que acompanharam as viagens para Lisboa do secretário de Estado norte-americano e do primeiro-ministro israelita e uma pool de jornalistas designados por media internacionais. À porta da referida sala, Todd Miyahira, conselheiro de imprensa da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, informou a Lusa que quer a fotografia do encontro quer uma posterior conferência de imprensa estavam vedadas aos jornalistas portugueses, sem contudo avançar uma razão para o facto. A informação, afirma a Lusa, é semelhante à obtida pela agência junto de fonte israelita que pediu para não ser identificada.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/em-portugal-cimeira-das-lajes-segunda.html

Ao qu´isto chegou...

«Nem os britânicos, 
chefiados por uma aberração 
chamada Boris Johnson,
permitiram...»
 
Já é degradante para o prestígio interno e internacional de um país acolher na sua capital uma reunião conspirativa de dois sociopatas mundiais como são o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado norte-americano da Administração Trump, Michael Pompeo. O facto de o primeiro-ministro, António Costa, receber ambos os fora-de-lei transforma o caso numa situação trágica, porque expõe directamente o país às consequências do previsível agravamento da instabilidade global decorrente destes encontros. Afinal o espírito belicista da Cimeira das Lages – que afundou o Médio Oriente na crise de guerras sucessivas em que se encontra – continua bem vivo nos governantes portugueses. Depois de Barroso, cabe aos socialistas interpretar a segunda temporada.
Nem os britânicos, chefiados por uma aberração chamada Boris Johnson, permitiram que o encontro entre Netanyahu e Pompeo decorresse nas suas ilhas, simplesmente por não estarem disponíveis para acolher o chefe do governo israelita. Ao contrário do trabalhista Blair, em 1993, o conservador Johnson eximiu-se agora do complot.
 
Costa não.
 
Embora com a nuance, meramente formal, de receber os dois violadores das leis internacionais em separado, o facto é que eles fizeram anteriormente o trabalho sujo. O que quer tenham decidido em termos de agressão e operação de mudança de regime no Irão, “normalização” dos colonatos israelitas e anexação do Vale do Jordão na Cisjordânia – à revelia do direito internacional – e de um tratado de “defesa mútua” que, no limite, implica a mobilização da NATO no caso de Israel sofrer uma “agressão”, fizeram-no num contexto que envolve o governo da República Portuguesa.
 
António Costa, o seu ministro Santos Silva e a generalidade da equipa escolheram não se distanciar do gueto internacional formado pelo núcleo de países responsáveis por uma nova fase de desestabilização belicista internacional. Isolaram-se, por uma vez, da sua querida União Europeia e logo pelos piores motivos. Tornaram-se parceiros das agressivas fugas para a frente de dois regimes desacreditados, desesperados, fora de lei, afundados em escândalos de corrupção, violência, racismo e xenofobia como são os de Trump e Netanyahu.
Os portugueses não se pronunciaram para que os seus votos fossem usados desta maneira irresponsável.
 José Goulão n´O LADO OCULTO
 
 
 
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Das razões para continuar desagradado

Julgaria definitivamente ajuizado o lamentável episódio da vinda de Mike Pompeo e de Benjamin Netanyahu a Portugal num texto aqui inserido no dia de ontem, mas ele ainda suscita dois comentários complementares.

 

Por um lado o expectável, mas inaceitável aviso do cão de fila de Trump a respeito das tentações lusas em possibilitar a entrada em força da Huawei em Portugal através do projeto 5G. Como se só os chineses usassem a sua marca para fazerem o que, de sobra, sabemos fazerem os norte-americanos através da NSA como Edward Snowden bem no-lo demonstrou. Para a Casa Branca ter milhares de servidores a vasculharem tudo o que falamos, escrevemos ou consultamos através dossmartphonesou dos computadores só pode ser bom para a nossa segurança, enquanto os propósitos similares dos chineses constituíram estratégias inerentes à sua conduta totalitária. Algo semelhante ao provérbio português, que leva o roto dizer ao nu porque não se veste?

 

Por outro lado, e embora a pretexto das supostas ameaças iranianas no Médio Oriente, percebe-se bem o verdadeiro motivo porque Netanyahu tanto se esforçou no encontro com o interlocutor norte-americano. Ele sabe que as acusações de corrupção e suborno levá-lo-ão ao mesmo sítio onde o antecessor Ehud Olmert tem passado os anos mais recentes - a prisão. Daí que, mesmo ameaçando incendiar toda a região, ponha os interesses pessoais acima dos do seu povo, pressionando a Casa Branca a não só considerar legais os colonatos implantados onde deveria ser território exclusivamente palestiniano à luz dos Acordos de Oslo, mas acrescentando-lhe a cereja em cima do bolo, que seria a posse definitiva do vale do rio Jordão, ou seja, a zona mais rica em lençóis freáticos desse mesmo espaço geográfico. Com essa concessão e a promessa de intervirem militarmente junto do seu aliado em caso de algum previsível ataque, Netanyahu julga possível o voto no seu partido de muitos dos que até agora lhe viraram as costas. Mas a manobra eleitoralista parece tão óbvia, que será de questionar se mesmo os sionistas mais radicais poderão deixar-se iludir por tão vãs esperanças. É que os equilíbrios geoestratégicos deste lado do Hemisfério Norte compadece-se pouco com os interesses indignos de um punhado de gente sem escrúpulos quanto à forma como sempre sabotou os esforços de paz de forma a manter o esbulho sobre o que, legitimamente, caberia ao povo palestiniano.

 

Uma vez mais reitero o desgosto de ter visto Augusto Santos Silva e António Costa alinharem em expedientes que, em nada beneficiam o povo português e, pelo contrário, muito dano lhe podem causar. E reconheço a habilidade de Marcelo em, desta feita, pôr-se fininho de fora...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/12/das-razoes-para-continuar-desagradado.html

Eduardo Bolsonaro visitou um colonato na Cisjordânia ocupada

A diplomacia palestiniana denunciou, esta quinta-feira, a visita recente de um dos filhos do presidente brasileiro ao colonato israelita de Psagot como «flagrante violação do direito internacional».

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, visita um colonato e reúne-se com soldados israelitas (5 de Dezembro de 2019)Créditos / HispanTV

A visita de Eduardo Bolsonaro ao colonato de Psagot, na região central da Cisjordânia ocupada, ocorre depois de, no passado dia 18 de Novembro, a administração norte-americana ter declarado, pela voz do seu secretário de Estado, Mike Pompeo, que «a criação de colonatos civis israelitas na Cisjordânia não é, por si só, inconsistente com o direito internacional».

Em declarações à imprensa, Hanan Jarrar, responsável do Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros para as Américas e as Caraíbas, sublinhou que os colonatos israelitas são considerados «ilegais» e «ilegítimos» a nível internacional.

Neste sentido, classificou a visita do filho do mandatário brasileiro, Jair Bolsonaro, a Psagot como uma «violação flagrante do direito internacional», bem como das resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança e a Assembleia Geral das Nações Unidas sobre esta matéria, informam a HispanTV e a PressTV.

O Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros decidiu ainda convocar o embaixador brasileiro na Palestina, Francisco Mauro Brasil de Holanda, para lhe comunicar o desagrado do país com estes factos.

A diplomata afirmou que a atitude pro-israelita de Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro, «não reflecte a imagem do Brasil, mas pode pôr em risco as relações bilaterais entre a Palestina e o Brasil», que Ramallah está interessada em manter.

Bolsonaro pai também muito pró-israelita

Em Novembro do ano passado, antes de ser eleito, Jair Bolsonaro disse ter a intenção de mudar a Embaixada do Brasil de Telavive para Jerusalém. No final de Março, o já presidente brasileiro, determinado a reforçar os laços com Benjamin Netanyahu e a cooperação nas áreas da segurança e da defesa, abriu uma representação diplomática em Jerusalém.

Na altura, o diário Haaretz informou que Netanyahu estaria disposto a avançar nessa cooperação a troco da mudança da embaixada brasileira para Jerusalém, que Bolsonaro deixou a pairar como possibilidade na visita oficial a Israel.

Actualmente, mais de 600 mil israelitas vivem em cerca de 230 colonatos nos territórios palestinianos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, ocupados desde 1967, todos considerados ilegais à luz do direito internacional.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eduardo-bolsonaro-visitou-um-colonato-na-cisjordania-ocupada

Uma nova colónia em Hebron: o grande passo de Israel para expandir a ocupação

Israel anunciou o seu objectivo de duplicar a população de colonos judeus que residem na cidade palestina de Hebron, onde há décadas existe extrema tensão. Com o apoio cego de Donald Trump e a absoluta passividade da União Europeia, o ministro da Defesa de Israel confirmou no sábado que se está a preparar para estabelecer uma continuidade territorial judaica entre a mesquita de Abraão e a colónia de Avraham avinu.


 

Israel anunciou o seu objectivo de duplicar a população de colonos judeus que residem na cidade palestina de Hebron, onde há décadas existe extrema tensão. Com o apoio cego de Donald Trump e a absoluta passividade da União Europeia, o ministro da Defesa de Israel confirmou no sábado que se está a preparar para estabelecer uma continuidade territorial judaica entre a mesquita de Abraão e a colónia de Avraham avinu.

A constante e firme expansão colonial judaica nos territórios palestinianos ocupados deu um grande passo em frente no sábado, quando o ministro da Defesa Naftalí Bennett anunciou a próxima construção de uma nova colónia no coração da cidade árabe de Hebron, no sul do país. a Cisjordânia ocupada, uma cidade que representa como nenhuma outra a pior da ocupação militar israelita.

O objectivo dessa decisão, explicou Bennett sem rodeios, é “criar uma continuidade territorial (judaica) desde o Túmulo dos patriarcas até ao bairro Avraham avinu (nosso patriarca Abraão) com a qual duplicará o número de habitantes judeus da cidade”. Bennett, um político nacionalista e religioso que em Novembro assumiu a pasta da Defesa, respondeu assim ao desejo dos colonos que vivem em Hebron, entre 800 e 1.000, de se multiplicarem rapidamente.
A luz verde que Donald Trump deu ao primeiro-ministro Benjamín Netanyahu para consolidar a presença judaica nos territórios cobra outro importante troféu, devido em grande parte à sepulcral passividade dos responsáveis europeus, que quando muito emitem comunicados vazios de conteúdo, que deixaram de ser cómicos para se tornar surreais e até absurdos.

Os comunicados europeus são tão surreais e absurdos como as declarações dos dirigentes israelitas que no sábado comemoraram juntamente com cerca de 50.000 pessoas o aniversário da mítica aquisição por parte de Abraão da terra onde hoje se levanta a mesquita de Abraão, onde segundo a Bíblia estão enterrados os patriarcas Abraão, Isaac e Jacob e suas esposas.
Inúmeros historiadores não-sionistas e até alguns sionistas sustentam que as narrativas bíblicas mais antigas são pura fantasia e que Abraão é um personagem lendário que nunca existiu. Além disso, segundo a cronologia bíblica, ele teria vivido há 4.000 anos e o povo judeu, sustentam historiadores e arqueólogos, tem uma antiguidade inferior a 3.000 anos no mais favorável dos casos.

A questão é que a Naftalí Bennet pôs em marcha um plano que existia desde há anos e que acabará com o mercado árabe tal como foi conhecido até agora. A ideia é destruir as lojas palestinas no mercado para construir em seu lugar prédios altos que abrigarão a outro milhar de colonos na zona mais sensível de Hebron, onde reina o terror imposto por soldados e colonos.

Nos andares superiores de uma parte do mercado, vivem já colonos que têm o feio hábito de lançar para a rua todo tipo de lixo e objectos, desde garrafas a poltronas, passando por tudo o que lhes possa ocorrer. Isto forçou os comerciantes palestinos a instalar redes metálicas por cima dos sinuosos becos para se protegerem a si próprios e protegerem clientes e turistas.

O Ministério da Defesa disse que o piso térreo dos novos edifícios será atribuído aos comerciantes palestinos. Estes, naturalmente, desconfiam de cada letra pronunciada pelas autoridades de ocupação e lembram que quando construíram o muro da Cisjordânia disseram que permitiriam que os camponeses palestinos continuassem a cultivar as suas terras do outro lado do muro. Essa promessa não foi cumprida e cada dia os agricultores têm mais restrições e proibições de se deslocar.

Um protocolo assinado em 1997, após a matança da mesquita de Abraham, quando um médico e colono judeu israelita e norte-americano, Baruch Goldstein, descarregou munição até matar 19 palestinos no interior da mesquita, estipulou que Hebron ficava dividido em dois sectores. Um deles, o H1, está teoricamente sob o controle da Autoridade Palestina, enquanto o outro sector, o H2, no qual vivem perto de mil colonos, está sob o controlo total do exército.

O exército entra quando quer no sector H1 e controla o acesso dos palestinos ao sector H2, que representa 20% do território do município. A circulação de peões palestinos não é permitida em determinadas ruas e um grande número de lojas foi fechado pelo exército. A tensão nessa zona é muito grande e os soldados patrulham-na continuamente.

Até 1929 houve uma pequena presença de judeus em Hebron, cujas relações com os palestinos eram em geral boas. No entanto, o impulso do sionismo mudou a situação e os atritos foram gradualmente crescendo. Em 1929 circularam boatos de que os sionistas iam tomar a mesquita al Aqsa de Jerusalém, o que causou revoltas palestinos. Em Hebron, dezenas de judeus foram massacrados pelos palestinos.

Nas últimas décadas, os tribunais israelitas confiscaram numerosas propriedades palestinas alegando que antes de 1929 eram judias. Os palestinos asseguram que nesse processo os tribunais se excederam e perguntam-se por que é que esses tribunais não devolvem aos palestinos as propriedades que eram suas dentro de Israel. As propriedades palestinas dentro de Israel eram infinitamente superiores às dos judeus de Hebron, mas os juízes israelitas simplesmente limitam-se a aplicar as leis sectárias ditadas pelo Kneset.

É claro que Israel vai prosseguir no caminho que marcou após a guerra de 1967, quando ocupou a Cisjordânia. A apropriação do território palestino nunca se deteve e tem sido constante, e nada indica que vá mudar de direção, especialmente em uma situação em que conta com o apoio cego dos Estados Unidos e a passividade completa dos responsáveis da União Europeia.

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References

  1. ^endereço (www.odiario.info)
  2. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Dois marginais em Lisboa

image
 
image -Israel e as crianças palestinas -
 
 
Não foi dado o alerta que se impunha, as escolas não fecharam e não impediram que as crianças se aproximassem do Palácio de São Bento.
 
Segundo ‘Save the Children’ em Gaza morrem diariamente 7 crianças e 70 são feridas. *
Só num ano mais de 900 crianças imigrantes foram separadas dos pais nos EUA.
image EUA e as crianças separadas dos pais
 
 
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Netanyahu reuniu com Pompeo e pediu pressão sobre o Irão. Jornalistas portugueses impedidos de fotografar

O primeiro-ministro israelita elogiou esta quarta-feira em Lisboa as sanções dos Estados Unidos contra o Irão e disse que a pressão financeira fez aumentar os protestos contra a influência de Teerão no Médio Oriente pedindo medidas mais duras.

 

Ao pronunciar-se ao lado do secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo, antes do encontro dos dois em Lisboa, Netanyahu disse que “o primeiro assunto” que vai colocar é “o Irão, o segundo é o Irão, e o terceiro também”. “Enquanto falamos, o Irão está a incrementar a sua agressão”, acusou, acrescentando: “Estamos ativamente envolvidos em contrariar essa agressão”.

Pompeo e Netanyahu cruzaram-se e cumprimentaram-se no hall de um hotel do centro de Lisboa às 18h27, seguindo para uma sala próxima onde estavam os jornalistas que acompanharam as viagens para Lisboa do secretário de Estado norte-americano e do primeiro-ministro israelita e uma “pool” de jornalistas designados por media internacionais, que não integrou nenhum órgão de imprensa português.

Israel considera o Irão o seu principal inimigo, referindo-se ao seu envolvimento na vizinha Síria, e no apoio a grupos militares na região do Médio Oriente e do Golfo Pérsico. Israel também acusa o Irão de pretender dotar-se de uma bomba nuclear, uma acusação negada pelos iranianos.

 
 

Previamente, Netanyahu tinha considerado que as sanções económicas dos Estados Unidos estavam a provocar problemas políticos e económicos ao Irão e que ainda existe um “largo espetro” de opções para reforçar a pressão.

Pompeo manifestou apoio aos recentes protestos no Irão, ao referir que “são pessoas que procuram a liberdade e uma forma de vida razoável, e que reconhecem a ameaça colocada pelos cleptocratas que dirigem a República Islâmica do Irão”.

Nas últimas semanas, a forças iranianas, de acordo com diversas ONG, mataram cerca de 200 pessoas em manifestações contra o aumento do preço dos combustíveis. Os protestos também alastraram a governos pró-iranianos no Líbano e Iraque, forçando à demissão dos respetivos primeiros-ministros.

Jornalistas portugueses impedidos de fotografar

Os jornalistas portugueses foram, de acordo com o semanário Expresso, impedidos de fotografar o encontro e registar declarações do encontro entre Mike Pompeo e Benjamin Netanyahu.

Um porta-voz da embaixada dos EUA em Lisboa informou que as fotografias do encontro entre o Secretário de Estado e o primeiro-ministro israelita e a posterior conferência de imprensa estavam vedadas aos jornalistas portugueses, sem apresentar, contudo, uma razão para o impedimento.

Netanyahu encontra-se esta quinta-feira com o seu homólogo português, António Costa. Cooperação tecnológica na área da cibersegurança, colaboração no combate ao terrorismo e nas áreas científica e académica serão pontos na agenda do encontro, avançou o Diário de Notícias. A reunião durará cerca de uma hora.

De acordo com João Rebelo, ex-presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Israel, citado pelo DN, o ponto alto das relações comerciais entre os dois países será a “visita do Presidente da República a Israel, em janeiro, no âmbito do dia de memória do holocausto”.

Fonte de Belém e fonte diplomática israelita confirmaram ao DN que a visita está “prevista”. Esta será a primeira visita a Israel de um chefe de Estado, desde que Mário Soares ali se deslocou em 1994, que coincidiu com o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin.

ZAP // Lusa

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/netanyahu-pompeo-pressoes-irao-jornalistas-fotografar-295344

Mike Pompeo e Netanyahu não são bem vindos a Portugal!

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6 de Dezembro, 18 horas, Largo Camões – Lisboa
Foi anunciada a vinda a Portugal de Mike Pompeo, Secretário de Estado norte-americano. Posteriormente, foi confirmada a presença do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, que manterá reuniões com Pompeo e com as autoridades portuguesas.

Mike Pompeo é um dos responsáveis pela política da Administração Trump. Uma política de escalada militarista e de confrontação que agride a soberania, a democracia e o direito internacional e que está a arrastar o Mundo para grandes perigos. Mike Pompeo é um dos representantes dos sectores mais reaccionários e belicistas instalados na Administração norte-americana.

Já Netanyahu é não apenas representante dos sectores mais agressivos do sionismo como é responsável pelo agravamento da ocupação da Palestina, por incontáveis crimes de guerra e pela repressão massiva dos palestinos.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2DLGscZ

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/04/mike-pompeo-e-netanyahu-nao-sao-bem-vindos-a-portugal/

Netanyahu usa anexação do Vale do Jordão para escapar de acusações de corrupção?

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
© REUTERS / Amir Cohen

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu está jogando pesado para permanecer no poder. O motivo: ele quer mais seis meses como premiê em um governo de unidade nacional para anexar uma grande parte da Cisjordânia, e ficar imune às acusações de corrupção.

O Vale do Jordão, a parte oriental da Cisjordânia que faz fronteira com a Jordânia, entrou no radar de Netanyahu em setembro, antes da segunda eleição geral de Israel em 2019. O primeiro-ministro prometeu que, se ele permanecer no poder, anexaria a área como terra soberana de Israel, porque é isso que é necessário para a segurança nacional.

O tamanho do impacto que sua promessa causou não está claro, mas o seu partido, o Likud, acabou quase empatado com a Aliança Azul e Branca de Benny Gantz. O resultado foi tão inconclusivo quanto o da eleição de abril, e os dois partidos vêm lutando para formar um governo de unidade nacional.

Nesta segunda-feira, Netanyahu repetiu sua promessa de anexação, dizendo que discutiu o plano de incorporar formalmente o Vale do Jordão com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma ligação telefônica anterior. De acordo com ele, Israel atualmente tem uma "oportunidade histórica" de mover sua fronteira oriental em direção à Jordânia e, por isso, pediu a Gantz que trabalhe mais em um acordo de coalizão.

Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã
© AP Photo / Manuel Balce Ceneta
Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

A Aliança Azul e Branca aceita a ideia da anexação, mas é o próprio Netanyahu quem fica no caminho de um governo da unidade. Gantz se recusou a ingressar em uma administração que seria chefiada por um premiê indiciado pela justiça.
Também nesta segunda-feira, o procurador-geral Avichai Mandelblit enviou ao Knesset, o Parlamento israelense, uma acusação formal de Netanyahu pelos crimes de suborno, fraude e violação em três casos de corrupção.

Segundo o jornal Israel Hayom, um diário com fortes laços com o Likud, o partido ofereceu um acordo que manteria Netanyahu na cadeira do primeiro ministro por seis meses, sendo seguido por um governo conduzido por Gantz, que por sua vez deixaria o cargo por 18 meses depois para um candidato do Likud.

Anexação polêmica

Presume-se que o meio ano no poder seja necessário para aprovar a anexação do Vale do Jordão. Ze'ev Elkin, um dos principais membros do Likud envolvido nas negociações da coalizão, explicou que as boas relações pessoais de Netanyahu com Trump garantiriam a aceitação da anexação por Washington, da mesma maneira que fez a transferência da embaixada americana para Jerusalém e o reconhecimento da anexação de Israel das Colinas de Golã, na fronteira com a Síria.

Já o parlamentar Yehiel Tropper, da Aliança Azul e Branca, foi entrevistado pela rádio pública Kan depois de Elkin e comentou que seu partido concordaria com a anexação se for realizada "em coordenação com a comunidade internacional e com os Estados árabes moderados".

Depois que Netanyahu anunciou seu plano em setembro, a iniciativa foi recebida uma condenação generalizada de nações árabes, incluindo a Jordânia, e das Nações Unidas.

O acordo proposto é percebido com suspeita no campo de Gantz, no qual as pessoas estão preocupadas com o fato de Netanyahu usar os seis meses para aprovar um pacote de imunidade que o isentaria de processo criminal.

Netanyahu pode divulgar suas credenciais internacionais para manter o controle do poder, mas a realidade é que seus dias na política estão contados, acredita Gideon Levy, colunista do Haaretz e crítico de longa data do primeiro-ministro israelense.

"Acho que Trump gostaria de ver Netanyahu fica no poder, com certeza. Mas não acho relevante. Finalmente, Netanyahu está acabado. Pode demorar mais alguns meses ou menos, mas ele está acabado, então por que tentar ajudá-lo?", declarou ele à RT.
A construção de moradias para judeus na margem ocidental do rio Jordão na cidade de Maale Adumim
© AFP 2019 / Thomas Coex
A construção de moradias para judeus na margem ocidental do rio Jordão na cidade de Maale Adumim

A área prevista para anexação compreende cerca de um quinto da Cisjordânia e abriga cerca de 65.000 palestinos e 11.000 colonos israelenses, conforme estimado pelo grupo de direitos humanos B'telem. Estes últimos vivem em aproximadamente 30 assentamentos considerados ilegais pela lei internacional.

Os palestinos administram a cidade de Jericó, o maior centro populacional da região e cerca de 50 vilarejos, mas os 90% restantes do território estão sob controle militar israelense.

O plano de Netanyahu aparentemente envolveu transformar o vale em uma parte de Israel pontilhada com dezenas de enclaves palestinos, já que ele disse que nenhum setor palestino seria anexado ao longo do processo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019120214844649-netanyahu-usa-anexacao-do-vale-do-jordao-para-escapar-de-acusacoes-de-corrupcao/

Israel aprova novo colonato na cidade de Hebron, duplicando o número de colonos

O governo israelita anunciou a decisão de construir um novo bairro para colonos judeus em Hebron (Cisjordânia ocupada). Para a OLP, este é o primeiro resultado palpável da mudança de política de Washington.

A OLP sublinha que o anúncio da construção de um novo colonato ilegal em Hebron «não pode ser retirada do contexto [da] anexação»Créditos / Sputnik News

Na sua conta de Twitter, o secretário-geral do Comité Executivo da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, afirmou, este domingo, que «a decisão de Israel de construir um novo colonato ilegal na [cidade de] Hebron ocupada é o primeiro resultado palpável da decisão norte-americana de legitimar a colonização», tendo sublinhado que a medida «não pode ser retirada do contexto [da] anexação».

As observações de Erekat aludem ao facto de, no passado dia 18 de Novembro, o secretário norte-americano de Estado, Mike Pompeo, ter afirmado que «a criação de colonatos civis israelitas na Cisjordânia não é, por si só, inconsistente com o direito internacional», reconhecendo desse modo como «legal» o expansionismo sionista em Jerusalém e na Margem Ocidental.

Poucas horas antes de Saeb Erekat se pronunciar, o ministro israelita da Defesa, Naftali Bennett, tinha anunciado a aprovação do plano de construção de um novo colonato no centro de Hebron (Al-Khalil, em árabe), que irá «duplicar» o número de colonos israelitas na cidade.

Em declarações à imprensa, Bennet disse que tinha dado instruções à Admnistração Civil – organismo do governo israelita que administra a Cisjordânia ocupada – para informar o Município de Hebron da decisão de construir um novo bairro judaico na área do antigo mercado de frutas e legumes, cujos edifícios serão demolidos, revela o MPPM no seu portal.

Recorde-se que uma parte significativa do centro histórico da cidade, onde residem cerca de 200 mil palestinianos, já é ocupada por cerca de 800 colonos israelitas, protegidos por centenas de militares do Exército de ocupação. Os colonos israelitas, bastante agressivos, acossam e atacam quase diariamente os palestinianos, com a cumplicidade dos militares.

Actualmente, mais de 600 mil israelitas vivem em cerca de 230 colonatos nos territórios palestinianos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, ocupados desde 1967. Estes colonatos, considerados ilegais à luz do direito internacional, têm sido reiteradamente condenados pelas Nações Unidas e a grande maioria dos seus estados-membros.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/israel-aprova-novo-colonato-na-cidade-de-hebron-duplicando-o-numero-de-colonos

Netanyahu critica tentativas de países europeus de contornar sanções dos EUA ao Irã

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
© AP Photo / Gali Tibbon/Pool

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou neste domingo (1) as tentativas dos países europeus de contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã.

"Enquanto o povo do Oriente Médio enfrenta bravamente o Irã e seus capangas, aqui está a coisa absurda: enquanto tudo isso está acontecendo, países da Europa estão trabalhando para contornar as sanções dos EUA contra o Irã", disse Netanyahu em discurso transmitido pela televisão. 

Do seu ponto de vista, os países europeus deveriam ter vergonha de sua política.

"Eles estão permitindo que um Estado terrorista fanático [Irã] desenvolva armas nucleares e mísseis balísticos, trazendo desastres para si e para todos os outros", enfatizou o premiê israelense.

Ele instou a Europa a rever sua política sobre o Irã e aumentar a pressão das sanções contra o país persa.

Israel tradicionalmente vê o Irã como seu principal oponente no Oriente Médio e está preocupado com a presença de instrutores militares iranianos, bem como com o movimento xiita do Hezbollah, que é apoiado por Teerã, na vizinha Síria.

A posição dos Estados Unidos em relação ao Irã se tornou mais dura depois que Donald Trump foi eleito presidente e retirou Washington do acordo nuclear com Teerã. Na tentativa de salvar o acordo diplomático, os países europeus estão tentando criar mecanismos que permitirão que suas empresas evitem sanções dos Estados Unidos por fazerem negócios com Teerã.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019120114840922-netanyahu-critica-tentativas-de-paises-europeus-de-contornar-sancoes-dos-eua-ao-ira/

Era o mínimo !

Santos Silva devia chamá-lo
às Necessidades e dizer-lhe:
«senhor embaixador, olhe
que Portugal não é um
colonato israelita !»

(...) Quando se trata de Israel, essa maioria está garantida e é facilmente conquistada pelos partidos da esquerda radical, infelizmente coajuvados pelo partido no poder (excepção feita a alguns deputados intelectualmente independentes) que usa Israel como moeda de troca para alimentar uma maioria confortável nos acordos que dela precisam(...)»
Raphael Gamzou, embaixador de Israel,
em artigo de opinião no «Público» de hoje
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Destaque: Intensos ataques aéreos israelenses atingem civis sírios e danificam casas à meia-noite

Damasco, 20 nov (Xinhua) - Depois de colocar seus filhos na cama, Eyad al-Mousawi, um sírio de 30 anos, começou a desfrutar de uma xícara noturna de chá quente de camomila com sua esposa na sala de estar quando o ataque aéreo israelense atingiu seu bairro no oeste da capital Damasco, após meia-noite de quarta-feira.

 

A princípio, seu instinto o levou a acordar as crianças e levá-las para uma sala mais segura.

 

Minutos depois, os atentados se tornaram mais fortes quando os estilhaços de um míssil israelense atingiram seu apartamento, deixando um grande buraco no quarto das crianças.

 

Vendo o que havia acontecido, ele levou os filhos e a esposa para a casa do vizinho.

 

Na área de Qudsaya, onde fica o apartamento de al-Mousawi, ele estava todo empoeirado enquanto vigiava os trabalhadores que consertavam os danos.

 

"Minha casa ficou bastante danificada. Esta sala com os móveis internos e a cozinha foi toda danificada. Meus filhos sofreram alguns arranhões, mas nada é sério", disse o homem.

 

Ele disse à Xinhua que a área alvo em Qudsaya é estritamente civil, sem grandes locais militares nas proximidades.

 

Abdul-Rahman al-Sawan, foi o primeiro que veio à casa de al-Mousawi e hospedou sua família quando o ataque começou.

 

Ele também expressou surpresa com o direcionamento para um bairro residencial.

 

"Esta é uma área residencial e temos crianças em idade escolar. É completamente civil e não há locais militares", disse al-Sawan, também vizinho de al-Mousawi.

 

Vale a pena notar que Alaa Ibrahim, governador do interior de Damasco, disse que o governo ajudará aqueles cujas casas foram danificadas a consertarem e reconstruírem suas propriedades.

 

Em ataques aéreos israelenses anteriores a oeste de Damasco, o povo de Qudsaya ouviu o som de explosões e a defesa aérea síria. Mas desta vez eles foram diretamente os alvos.

 

O Exército Sírio disse em comunicado que os aviões de guerra israelenses das Colinas de Golã ocupadas e da área de Marj Ayoun, no Líbano, soltaram vários mísseis nos arredores de Damasco.

 

"Nossa defesa aérea foi capaz de interceptar os mísseis hostis, destruindo a maioria deles antes de atingir seus alvos", afirmou o comunicado.

 

Israel disse que os ataques aéreos foram retaliação por alegações que os mísseis foram disparados da Síria em direção as Colinas de Golã na terça-feira.

 

Israel conduziu centenas de ataques aéreos na Síria durante os oito anos de conflito no país, a maioria deles contra o que se diz serem alvos de grupos de milícias apoiados pelo Irã, como o Hezbollah libanês.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/22/c_138575082.htm

Netanyahu | Primeiro-ministro de Israel acusado de corrupção

 
 
Benjamin Netanyahu, atualmente à frente de um governo de gestão, falhou tentativa de formar novo executivo na sequência das eleições de setembro. Agora, confirma-se a acusação por fraude, suborno e quebra de confiança.
 
O procurador-geral de Israel, Avichai Mendelblit, anunciou esta quinta-feira que reteve as três acusações que a Polícia lhe sugeriu contra o primeiro-ministro, o conservador Benjamin Netanyahu. Fraude, suborno e quebra de confiança são os alegados crimes e podem mexer com a política israelita nas próximas semanas.
 
Em causa estão favores a patrões de certa imprensa, por via de leis ou outras estratégias, em troca de cobertura favorável, bem como favores políticos a um magnata de Hollywood em troca de presentes caros.
 
A acusação acontece em pleno impasse eleitoral em Israel, que já passou por duas eleições este ano. Netanyahu perdeu as últimas por uma unha negra para o ex-líder militar Benny Gantz. Convidado a formar governo por reunir mais consensos, Netanyahu falhou, como Gantz falharia depois. O poder está agora nas mãos do parlamento, a quem compete determinar um nome.
 
O processo por corrupção contra Netanyahu pode alterar significativamente os equilíbrios. É a primeira vez que um líder israelita é alvo de acusação.
 
 
A primeira acusação de fraude e quebra de confiança diz respeito ao recebimento de presentes no valor de um milhão de shekels (cerca de 260 mil euros) do bilionário australianos James Packer e do magnata de Hollywood de origem israelita Arnon Milchan, a quem Benjamin Netanyahu retribuiu com favores políticos. O primeiro-ministro israelita respondeu ser normal receber prendas de amigos.
 
O "Caso 2000"
 
A mesma linha de acusação envolve um alegado acordo com Arnon Moses, editor de um dos maiores diários, o "Yedioth Ahronoth", para que este lhe garantissem uma cobertura noticiosa favorável. Em troca, terá oferecido limitar a circulação do jornal concorrente, o "Israel Hayom", gratuito e muito favorável a Netanyahu e propriedade de Sheldon Adelson, amigo dele e financiador republicano nos EUA. Brincadeira, diz Bibi.
 
O "Caso 4000"
 
Quando teve a seu cargo a pasta da comunicação, Netanyahu terá beneficiado o magnata dos media Shaul Elovitch, maior acionista pelo grupo de telecomunicações que inclui o site noticioso "Bezeq"s Walla News", em troca de cobertura favorável e da escolha de chefias à medida. É acusado de suborno, fraude e quebra de confiança. Cobertura favorável não é suborno, defende-se o primeiro-ministro.
 
Ivete Carneiro | Jornal de Notícias | Imagem: Reuters/Ronen Zvulun

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/netanyahu-primeiro-ministro-de-israel.html

Netanyahu é indiciado por corrupção pela Justiça israelense

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu durante declaração na cidade de Ramat Gan, perto de Tel Aviv, Israel, 10 de setembro de 2019
© REUTERS / Amir Cohen

A Justiça de Israel acusou nesta quinta-feira (21) o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por uma série de crimes de corrupção, aprofundando ainda mais a crise política no país.

O procurador-geral israelense, Avichai Mandelblit, indiciou o dirigente em três casos diferentes, por fraude, quebra de confiança e suborno. É a primeira vez que um chefe de governo em exercício é acusado de um crime no país. 

Netanyahu é acusado de aceitar milhares de dólares em presentes, incluindo garrafas de champanhe e charutos, de amigos ricos, de oferecer troca de favores a um dono de de jornal e de usar sua influência para ajudar um empresário do setor de telecomunicação em retribuição a uma cobertura favorável em um popular site de notícias. 

A medida da Justiça não obriga que o primeiro-ministro renuncie, mas aumenta a pressão para que ele deixe o governo.  Segundo Netanyahu, as acusações fazem parte de uma caça às bruxas.

Em fevereiro, a polícia recomendou a Mandelblit que fizesse as acusações contra o dirigente. De acordo com o jornal The Jerusalem Post, o procurador-geral vai pedir ao Knesset (Parlamento israelense) que retire a imunidade de Netanyahu, processo que pode levar 30 dias. 

Entenda os 3 casos

No caso batizado de "1000", Netanyahu é suspeito de aceitar US$ 264 mil (cerca de R$ 1,1 milhão) em presentes de Arnon MIlchan, produtor de Hollywood e cidadão isralense, e James Packer, bilionário australiano. 

No "Caso 2000", a acusação é de que Netanyahu negociou acordo com o proprietário do jornal Yedioth Ahronoth para obter uma melhor cobertura. Em troca, ele teria favorecido lei que prejudicaria o crescimento de um jornal rival. O acordo não teria sido concretizado, mas a lei do país prevê que a tentativa de suborno pode ser enquadrada como crime. 

No "Caso 4000", a acusação é de que ele concedeu favores regulatórios à principal empresa de telecomunicações de Israel, a Bezeq Telecom Israel, em troca da cobertura positiva dele e de sua esposa em um site de notícias controlado pelo ex-presidente da empresa. 

Presidente encarregou Parlamento de formar governo

Mais cedo, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, encarregou o Parlamento de encontrar um novo primeiro-ministro, enquanto ele tenta evitar novas eleições depois que Netanyahu e seu rival Benny Gantz falharam em formar um governo.

O Parlamento terá agora até 11 de dezembro para encontrar um candidato que possa comandar o apoio da maioria dos 120 parlamentares do país ou uma nova eleição geral será convocada para o início de 2020. Seria a terceira nos últimos 12 meses.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019112114802714-netanyahu-e-indiciado-por-corrupcao-pela-justica-israelense/

Exército de Israel confirma ataque aéreo maciço contra alvos na Síria

Fumaça paira sobre bairros da capital síria, Damasco, após explosão
© AFP 2019 / Amer Almohibany

As Forças de Defesa de Israel (FDI) disseram nesta quarta-feira (20) ter realizado um ataque maciço contra cerca de 20 alvos militares sírios e iranianos na Síria, informou o jornal israelense Haaretz.

Segundo informou um correspondente da Sputnik no local, os mísseis foram disparados de "aviões de guerra israelenses" sobre a capital, Damasco. A televisão estatal da Síria informou que a defesa aérea repeliu o ataque contra a capital e seus arredores.

"Na quarta-feira [20], as FDI anunciaram ter atacado múltiplos alvos pertencentes às forças Quds iranianas e ao exército de Bashar Assad na Síria", escreve o jornal, que detalha que entre os alvos  estavam lançadores de mísseis de classe terra-terra, depósitos de armas, quartéis-generais e bases militares.

"Os combatentes das IDF atacaram dezenas de alvos militares pertencentes às forças Quds iranianas e ao exército sírio", diz o comunicado das IDF.

"O ataque foi realizado em resposta ao lançamento de mísseis pelas forças iranianas a partir do território da Síria contra Israel, com a intenção de atacar o território israelense", cita o comunicado do exército.

Consequências do ataque

A declaração militar refere que foram atacados cerca de 20 alvos, mais de metade dos quais pertenciam às forças iranianas. Um dos alvos era um edifício perto do aeroporto de Damasco, onde supostamente a sede da Quds está localizada. Alega-se que as forças israelenses intencionalmente não o destruíram na sua totalidade.

A agência de notícias estatal síria SANA informou que fragmentos de um míssil atingiram uma casa na cidade de Saasaa, a sudoeste de Damasco, ferindo três pessoas, incluindo um menor. Além disso, fragmentos de um outro míssil atingiram um edifício residencial na cidade de Qudsaya, a oeste de Damasco, ferindo uma criança.

Caça F-35 da Força Aérea de Israel
© AP Photo / Ariel Schalit
Caça F-35 da Força Aérea de Israel

O serviço de imprensa do exército israelense informou na terça-feira (19) que os militares detectaram o lançamento de quatro mísseis contra território israelense a partir da Síria, todos eles interceptados.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019112014795923-exercito-de-israel-confirma-ataque-aereo-macico-contra-alvos-na-siria/

EUA deixam de considerar «ilegais» colonatos israelitas

Ao arrepio do direito internacional e dando mais um «presente» a Israel, a administração de Donald Trump declarou esta segunda-feira que não considera «ilegais» os colonatos na Cisjordânia ocupada.

Ministros israelitas devem aprovar projecto de lei da «Grande Jerusalém»Créditos / ibtimes.com

«A criação de colonatos civis israelitas na Cisjordânia não é, por si só, inconsistente com o direito internacional», afirmou ontem, em conferência de imprensa, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo.

Trata-se de uma ruptura com a posição mantida até agora por Washington sobre esta matéria e com a resolução 2334, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em Dezembro de 2016, que afirma que «a criação por Israel de colonatos no território palestiniano ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, não tem validade legal e constitui uma violação flagrante do direito internacional».

Ao longo dos anos, as várias administrações dos EUA não puseram em cheque o seu estatuto de de mais próximo e firme aliado de Israel. No entanto, com a chegada de Donald Trump ao poder, em Janeiro de 2017, sucederam-se as concessões e os «presentes» dos Estados Unidos a Israel, nomeadamente aos sectores mais sionistas e à direita.

Entre estes contam-se – como lembra numa nota o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) – o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a transferência para aí da embaixada dos EUA; o encerramento da representação da OLP em Washington; o corte do financiamento e a tentativa de acabar com a UNRWA (agência da ONU de assistência aos refugiados palestinianos); o reconhecimento da soberania israelita sobre os Montes Golã sírios.

O facto de os EUA afirmarem que «os colonatos "não são ilegais" não tem validade jurídica, naturalmente, mas não deixa de ser um estímulo aos muitos que em Israel reclamam a anexação formal da Cisjordânia ocupada e se apressarem a aplaudir as palavras de Pompeo», denuncia o MPPM.

Um deles foi o ainda primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que, na sequência das eleições de Setembro último, luta agora por um arranjo que lhe permita permanecer à frente do governo, «assegurando a sua sobrevivência política e livrando-se ao mesmo tempo de diversos processos por corrupção».

Netanyahu classificou a decisão anunciada por Pompeo como «uma grande conquista para a política» israelita, sublinhando que se trava de «um dia histórico».

Os palestinianos reagiram com indignação. Saeb Erekat, secretário-geral do Comité Executivo da OLP, condenou a decisão e sublinhou a necessidade de a comunidade internacional se opor a «esta luz verde à política expansionista israelita». Para o responsável palestiniano, «com este anúncio, o governo de Trump mostra até que ponto ameaça o sistema internacional com as suas incessantes tentativas de substituir o direito internacional pela "lei da selva"».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-deixam-de-considerar-ilegais-colonatos-israelitas

Em repúdio ao apoio dos EUA à colonização da Palestina; pelo fim da ofensiva e da ocupação israelense já!

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ) reitera seu repúdio ao regime israelense de ocupação militar, apartheid e colonização da Palestina, que intensifica sua agressividade, em constante violação do direito internacional e dos direitos humanos dos palestinos, com a cumplicidade sempre declarada dos Estados Unidos.

 

A picture of a Palestinian schoolboy who was killed in Gaza, is seen on his chair at his classroom in a school in the central Gaza Strip, on November 16, 2019. 

 

Denunciamos nos mais firmes termos os assassinatos e ferimento de civis inocentes e jornalistas como Muath Amarneh, atingido no olho ao cobrir manifestações na semana passada, por soldados israelenses na Cisjordânia ocupada. A opressão e extermínio do povo palestino são mais que consequências, são objetivos deste regime que busca por todos os meios destruir a resistência de um povo martirizado há tantas décadas.

Da mesma forma, repudiamos veementemente a nova ofensiva do exército israelense contra a Faixa de Gaza, território palestino sitiado há uma década, densamente habitado e gravemente impedido de oferecer vida digna à população, precisamente por causa do bloqueio imposto por Israel e por suas repetidas e devastadoras guerras.

Agravando a constante catástrofe humanitária, Israel lança nova ofensiva, desta vez chamadas “operações de matança seletiva” de membros do grupo Jihad Islâmica, vitimando vários civis. Além de repudiar mais esta criminosa ofensiva, denunciamos a dissimulada cobertura midiática local e internacional que a retrata como “resposta” aos disparos feitos por grupos palestinos desde Gaza contra Israel, sem vítimas fatais. Assim, a mídia menospreza a tragédia insuportável imposta por Israel a todo o povo palestino, que não pode aceitá-la sem responder por todos os meios possíveis, principalmente o político e jurídico, como tem feito há décadas.

Mike Pompeo and Benjamin Netanyahu attend a meeting in Jerusalem, October 18, 2019.

Por isso, condenamos ainda como potencialmente catastrófica mais uma mudança na política diplomática dos EUA, ainda que até então retórica: nesta segunda-feira (18) o secretário de Estado Mike Pompeo declarou que classificar de ilegais as colônias israelenses em território ocupado palestino é “contraproducente”, e que elas não são “necessariamente ilegais”. Contra a perspectiva de praticamente todas as nações e o direito internacional, os EUA buscam unilateralmente autorizar a colonização do restante da Palestina por Israel, legitimando as colônias construídas desde o início da ocupação militar em 1967, onde já residem cerca de 600 mil israelenses.

Esta é mais uma evidência da cumplicidade dos Estados Unidos nos crimes do regime sionista, assim como foi o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelo mesmo governo de Donald Trump.

Além de violar o direito internacional humanitário, especialmente a Quarta Convenção de Genebra, unilateralmente legitimar as colônias israelenses também contraria inúmeras resoluções da Organização das Nações Unidas, como a resolução 2334 adotada pelo Conselho de Segurança em 2016, reconhecendo que a colonização do território palestino por Israel é uma “flagrante violação” do direito internacional.

Recorde-se que a adoção de tal resolução, algo tentado inúmeras vezes antes, só foi possível graças à inédita abstenção dos EUA no fim do governo de Barack Obama, que também sempre votou e atuou em favor das políticas israelenses.

Voltamos a exigir a responsabilização do regime israelense por seus crimes sob a luz do direito internacional humanitário e dos direitos humanos do povo palestino, o fim da ocupação militar e da colonização israelense da Palestina e o reconhecimento universal do Estado da Palestina, livre e soberano, nas fronteiras anteriores à ocupação do território por Israel na guerra de junho de 1967, implementando o direito dos refugiados ao retorno e a libertação dos mais de cinco mil prisioneiros políticos palestinos no cárcere israelense.

Pelo fim da ocupação e da colonização israelense, já!
Toda a solidariedade ao povo palestino na luta pela Palestina livre!

Direção do Cebrapaz

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

EUA reconhecem legalidade dos colonatos de Israel na Cisjordânia

EUA mudam posição histórica e agora dizem que colônias de Israel na Cisjordânia não são ilegais.

 

 

Os Estados Unidos afirmaram nesta segunda-feira (18) que não consideram mais os assentamentos de Israel na Cisjordânia ocupada uma quebra do direito internacional.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (18) que os assentamentos israelenses na Cisjordânia não são “por si só, inconsistentes com o direito internacional”.

O chefe da diplomacia de Washington criticou um parecer de 1978 do Departamento de Estado que classificou os assentamentos como ilegais. É a mais recente das medidas do governo Trump para reforçar o domínio de Israel sobre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, territórios reivindicados pelos palestinos para estabelecer seu próprio Estado.

Cerca de 600 mil israelenses vivem em assentamentos em territórios ocupados da Palestina.

“Chamar o estabelecimento de assentamentos civis inconsistentes com o direito internacional não funcionou, não avançou a causa da paz”, disse Pompeo.

 
A dura verdade é que nunca haverá uma resolução judicial para o conflito, e argumentos sobre quem está certo e quem está errado por uma questão de direito internacional não trará paz ”.
Pompeo
 
 

Pompeo disse que a decisão dos EUA não deve ser usada como precedente para nenhuma outra parte do mundo ou interpretada como uma tentativa de prejudicar o status final da Cisjordânia.

“Não estamos tratando ou prejudicando o status final da Cisjordânia. Isso é para israelenses e palestinos negociarem”, acrescentou.

O primeiro-ministro de Israel, Netanyahu, agradeceu à administração de Trump por “corrigir um erro histórico”.

 
A política reflete uma verdade histórica – o povo judeu não é colonialista estrangeiro na Judéia e Samaria [nome de Israel para a Cisjordânia]. Na verdade, somos chamados judeus porque somos o povo da Judéia”.
Netanyahu
 
 

Diferentemente de Israel e dos EUA, a comunidade internacional vê a presença e expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada e na anexada Jerusalém Oriental como uma medida ilegal e um dos principais obstáculos para a paz no Oriente Médio.

A decisão de Washington foi alvo de críticas da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

 
A lei e o sistema internacional definem claramente a ilegalidade dos assentamentos israelenses, incluindo o Tribunal Internacional de Justiça, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha”.
Saeb Erekat, secretário-geral da OLP
 
 

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/eua-reconhecem-legalidade-dos-colonatos-de-israel-na-cisjordania/

EUA mudam posição histórica e afirmam que colônias de Israel não são ilegais

MIke Pompeo responde às declarações do presidente francês Emmanuel Macron sobre 'morte cerebral' da OTAN, em conferência de imprensa na Alemanha, em 7 de novembro de 2019
© AP Photo / Jens Meyer

Os Estados Unidos afirmaram nesta segunda-feira (18) que não consideram mais os assentamentos de Israel na Cisjordânia ocupada uma quebra do direito internacional.

A mudança foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que afirmou em coletiva de imprensa que os assentamentos não são "por si só, inconsistentes com o direito internacional".

O chefe da diplomacia de Washington criticou um parecer de 1978 do Departamento de Estado que classificou os assentamentos como ilegais. É a mais recente das medidas do governo Trump para reforçar o domínio de Israel sobre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, territórios reivindicados pelos palestinos para estabelecer seu próprio estado.

Cerca de 600 mil israelenses vivem em assentamentos em territórios ocupados da Palestina. 

"Chamar o estabelecimento de assentamentos civis inconsistentes com o direito internacional não funcionou, não avançou a causa da paz", disse Pompeo. "A dura verdade é que nunca haverá uma resolução judicial para o conflito, e argumentos sobre quem está certo e quem está errado por uma questão de direito internacional não trará paz ''.

Pompeo disse que a decisão dos EUA não deve ser usada como precedente para nenhuma outra parte do mundo ou interpretá-la como uma tentativa de prejudicar o status final da Cisjordânia.

"Não estamos tratando ou prejudicando o status final da Cisjordânia. Isso é para israelenses e palestinos negociarem", acrescentou.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, agradeceu à administração de Trump por "corrigir um erro histórico".

"A política reflete uma verdade histórica - o povo judeu não é colonialista estrangeiro na Judéia e Samaria [nome de Israel para a Cisjordânia]. Na verdade, somos chamados judeus porque somos o povo da Judéia", dizia o comunicado de Netanyahu.

Diferentemente de Israel e dos EUA, a comunidade internacional vê a presença e expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada e na anexada Jerusalém Oriental como um medida ilegal e que é o dos principais obstáculos para a paz no Oriente Médio. 

A decisão de Washington foi alvo de críticas da Organização da Libertação da Palestina (OLP). 

"A lei e o sistema internacional definem claramente a ilegalidade dos assentamentos israelenses, incluindo o Tribunal Internacional de Justiça, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha", disse Saeb Erekat, secretário-geral da OLP. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019111814791847-eua-mudam-posicao-historica-e-afirmam-que-colonias-de-israel-nao-sao-ilegais/

Trump estaria 'frustrado' e 'desapontado' com Netanyahu

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
© REUTERS / Ariel Schalit/Pool

Site de notícias israelense diz que fontes na Casa Branca revelaram que presidente Trump está "frustrado" e "desapontado" com o governo de Israel e Netanyahu.

A razão principal da "frustração" de Trump seria o impasse de Israel em formar um novo governo para que novos passos sejam dados nas negociações entre Israel, EUA e os palestinos.

Conforme publicou o site de notícias israelense Ynetnews.com, citando supostas fontes na Casa Branca, o presidente americano, Donald Trump, teria decidido se afastar de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, após "seu fracasso em obter uma vitória decisiva nas eleições de 9 de abril".

Até as eleições, Washington havia reconhecido as colinas de Golã como território israelense, assim como classificou o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã como um grupo terrorista. Com o pleito, Trump teria ficado "desapontado" com o líder israelense e mudado de postura.

Ainda de acordo com o ex-secretário de Estado americano Rex Tillerson, Netanyahu teria passado informações erradas a Trump por mais de uma vez.

"Ao lidar com Bibi [Benjamin Netanyahu], é sempre bom você ter bastante ceticismo em suas conversas com ele", disse Tillerson em setembro em um evento na Universidade de Harvard, Estados Unidos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019111714786590-trump-estaria-frustrado-e-desapontado-com-netanyahu/

O Facebook aderiu à guerra virtual contra o povo palestino

por MPR [*]

Censura sionista no Facebook. No dia 9 de Outubro o Facebook eliminou a página do Centro Palestino de Informação (PIC) sem sequer contactar seus administradores.

A página contava com quase cinco milhões de seguidores no Facebook e, para os provocadores ao serviço de Israel nas redes sociais, era outro inimigo a abater.

Assim, o Facebook tornou a demonstrar seu servilismo para com o Tel Aviv e o seu apoio ao racismo e ao apartheid.

Segundo um documento obtido por The Electronic Intifada, o governo israelense financiou uma campanha mundial de propaganda para manipular os estrangeiros e lutar contra o movimento palestino BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções)[1] .

Israel formou um exército de milhares de provocadores financiados parcialmente pelo Ministério de Assuntos Estratégicos. Para ocultar a sua participação, o Ministério admitiu que trabalha com grupos que lhe servem de camuflagem e não querem expor seus vínculos com Tel Aviv.

Uma das plataformas on line deste tipo é Act II , que tem 15 mil membros activos. Trata-se de uma aplicação móvel que recruta provocadores para uma guerra virtual às mensagens pró palestinas no Facebook [2] .

Contudo, Israel nunca teria alcançado seus objectivos se o Facebook não se houvesse somado oficialmente ao governo de Tel Avi na sua guerra virtual contra os palestinos.

Em 2014 Sohaib Zahda foi o primeiro palestino detido pelo exército israelense por inserir uma mensagem nas redes sociais. Iniciou-se assim uma nova estratégia para reprimir o que Israel considera um "incitamento". Desde então, a campanha de detenções estendeu-se a centenas de palestinos, principalmente jovens artistas, poetas e estudantes.

A partir do ano seguinte Israel começou a pressionar seriamente o Facebook. As detenções de palestino por mensagens no Facebook abriram uma nova janela às práticas de Israel, revelando o lado mais escuro das redes sociais.

Israel construiu rapidamente uma legal para as detenções. Só em 2015 foram abertos 155 processos, proporcionando uma cobertura legal que foi explorada como parte do seu acordo posterior com o Facebook. O juízes recorreram ao artigo 144 D.2 do Código Penal israelense de 1977 ("incitação à violência e ao terror") para a repressão nas redes sociais.

Como é habitual, a estratégia israelense começou com uma campanha maciça de propaganda para criar uma pressão pública e mediática no Facebook. O governo israelense activou o exército de sicários que acabava de criar na Internet para dizer que o Facebook se havia convertido numa plataforma de ideias violentas que os palestinos exploravam sobre o terreno.

Quando em Setembro de 2016 o governo israelense anunciou sua vontade de trabalhar com o Facebook para "lutar contra o incitamento" à violência, a rede de Zuckerberg estava preparada para acabar com a liberdade de expressão que sempre havia prometido respeitar.

Após dois dias de conversações nas quais participaram, entre outros, o ministro do Interior israelense, Gilad Erdan, e o ministro da Justiça Ayelet Shaked, o governo israelense e o Facebook acordaram "combater o incitamento à violência nas redes sociais" [3] .

Numa declaração posterior, o gabinete do ministro israelense do Interior reconheceu que ambas as partes haviam acordado "criar equipes para determinar a melhor maneira de supervisionar e eliminar o conteúdo incendiário". Isso significava que os conteúdo relacionados com a Palestina e Israel seriam filtrados, não só pelo Facebook como também pelos polícias israelenses.

O processo de selecção de objectivos segue sempre o mesmo percurso:
- os provocadores israelenses aparecem e comentam as publicações palestinas;
- denunciam as pessoas e os conteúdo supostamente ofensivos à equipe conjunta do Facebook e Israel;
- a plataforma digital envia recomendações sobre as contas marcadas para a censura;
- as contas palestinas e solidárias são apagadas ou eliminadas.

A censura foi devastadora para os palestinos, com muitas páginas eliminadas temporária ou permanentemente.

06/Novembro/2019

Ver também:

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/palestina/facebook_06nov19.html

Israel admite que está a ajudar os curdos na Síria

A vice-ministra israelita dos Negócios Estrangeiros afirmou esta quarta-feira que o seu país está a usar «diversos canais» para apoiar os curdos na Síria, encarando-os como um «contrapeso à influência iraniana».

A vice-ministra israelita dos Negócios Estrangeiros admitiu que o seu país está a apoiar os curdos na SíriaCréditos / detectivesdeguerra.com

«Estamos orgulhosos de tomar posição a favor do povo curdo», afirmou Tzipi Hotovely ao dirigir-se ao Knesset (Parlamento israelita), destacando que os curdos constituem um baluarte contra o «alastramento da influência na região».

A vice-ministra dos Negócios Estrangeiros admitiu que Israel tem estado a dar ajuda aos curdos no Norte da Síria, desde que os Estados Unidos anunciaram, há cerca de um mês, que iriam retirar as suas tropas da região, abrindo assim caminho à ofensiva turca, iniciada a 9 de Outubro, contra as Unidades de Protecção Popular (YPG), que integram as chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS) e eram aliadas de Washington.

«Israel recebeu muitos pedidos de ajuda, sobretudo nos domínios diplomático e humanitário», disse a vice-ministra, citada pela agência Reuters, tendo acrescentado que o seu país «se identifica com a angústia profunda dos curdos» e que «os está a apoiar através de vários canais».

Tzipi Hotovely não especificou que tipo de assistência Israel está a prestar aos curdos, tendo apenas dito que, no «diálogo com os norte-americanos, [Israel] afirma a sua verdade relativamente aos curdos».

As afirmações de Hotovely representam uma confirmação de que Israel cumpriu a promessa feita a 10 de Outubro pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, de apoiar o «nobre povo curdo».

No Knesset, Hotovely afirmou que Israel possui um «grande interesse em preservar a força dos curdos e de outras minorias no Norte da Síria como elementos moderados e pró-ocidentais», tendo ainda sublinhado que «um eventual colapso do domínio curdo no Norte da Síria é um cenário negativo e perigoso» para Israel.

A Reuters afirma que não conseguiu obter uma reacção dos curdos sírios as estas afirmações. No mês passado, alguns representantes das FDS pediram a Israel que interviesse face às incursões militares no Norte do país árabe. Antes disso, em meados deste ano, vieram a público diversas notícias sobre contactos e reuniões a vários níveis mantidas entre representantes israelitas e das FDS.

Recorrendo a milícias curdas ou a militantes de múltiplas organizações terroristas, Israel há muito que opera na Síria contra o governo de Damasco.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/israel-admite-que-esta-ajudar-os-curdos-na-siria

Vídeo mostra polícia israelita a abater palestiniano que seguia as suas instruções

in RTP

https://twitter.com/yishaiporat/status/1190689522859880449?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1190689522859880449&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.rtp.pt%2Fnoticias%2Fmundo%2Fvideo-mostra-policia-israelita-a-abater-palestiniano-que-seguia-as-suas-instrucoes_n1183347

Um vídeo divulgado ontem mostra a Polícia de Fronteira israelita a abrir fogo sobre um jovem palestiniano que se afastava, de costas e de mãos no ar, seguindo as instruções dos agentes.

O vídeo foi divulgado pela estação de televisão Channel 13 e nele é possível ouvir os agentes a gritarem ao jovem que se continue a afastar-se. Quando o jovem se encontra já a uma distância considerável, sempre com os braços erguidos, um dos agentes aponta a arma e dá-lhe um tiro nas costas. O jovem cai, com gemidos de dor, e o vídeo termina nesse momento.

Rival de Netanyahu, Benny Gantz negocia coalizão para governar Israel

Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, fala durante uma cerimônia na residência presidencial, em Jerusalém, no dia 23 de outubro de 2019.
© REUTERS / Ronen Zvulun

O ex-chefe militar israelense, Benny Gantz, procurou na quarta-feira (23) atrair o líder nacionalista e ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, em uma tentativa de formar uma coalizão no país.

As lideranças conversaram logo depois que Gantz recebeu o mandato para tentar formar uma maioria de 61 cadeiras, após o então primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não conseguir concluir a tarefa em 28 dias.

"Ambos concordaram em se reunir em breve. Eles também concordaram em uma reunião de seus grupos de negociação", afirmou a sede da campanha de Gantz através de comunicado.

A aliança Azul e Branca centrista de Gantz estava um assento à frente do Likud de Netanyahu, que conquistou 32 cadeiras nas eleições de setembro, a segunda votação em seis meses. O Yisrael Beiteinu, de Lieberman, conquistou oito lugares.

Se ele não conseguir construir o que descreve como um "governo sindical liberal", o mandato será passado a outro candidato com a chance de formar uma coalizão. Também é possível que haja uma nova eleição.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102414681655-rival-de-netanyahu-gantz-negocia-coalizao-para-governar-israel/

Netanyahu não consegue formar governo em Israel e rival terá 28 dias para fazê-lo

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na reunião semanal de gabinete em Jerusalém, 16 de setembro de 2018
© AP Photo / Sebastian Scheiner

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (21) ter informado o presidente de Israel, Reuven Rivlin, de que não conseguiu formar o governo.

O presidente israelense havia incumbido Netanyahu de conseguir a maioria necessária para formar o governo até o dia 23 de outubro. Isso porque tanto o premiê quanto seu adversário nas últimas eleições, Benny Gantz, não conseguiram obter a maioria dos votos.

"Desde que recebi o mandato [para formar o governo] eu trabalhei incansavelmente [...] para estabelecer um governo de ampla unidade nacional", disse Netanyahu em um vídeo publicado em sua conta no Facebook.

Netanyahu acrescentou que seus "esforços para trazer Gantz à mesa de negociações [...] e evitar uma nova eleição falharam", ressaltando que o líder do partido Azul e Branco recusou os pedidos.

Diante da situação, o presidente Rivlin afirmou em uma declaração que pretende dar a Gantz 28 dias para formar uma coalizão. O presidente deve formalizar sua decisão nos próximos 3 dias.

As eleições israelenses ocorreram em 17 de setembro, dando ao partido de Gantz 33 cadeiras no Parlamento e 32 para o Likud, de Netanyahu. Esse foi o segundo pleito realizado em Israel em 2019.

O atual premiê chegou a sugerir a formação de um gabinete com igualdade de representação dos partidos para formatar um plano de segurança nacional e garantir seu financiamento, além de um plano conjunto no acordo dos EUA para a Autoridade Palestina.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102114670567-netanyahu-nao-consegue-formar-governo-em-israel/

Pompeo: ameaça iraniana dá a Israel 'direito fundamental' de bombardear quem quiser

Aeronave israelense bombardeia prédio de Gaza, 9 de agosto de 2018 (foto de arquivo)
© REUTERS / Mohammed Salem

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que Israel não deve ser limitado por fronteiras internacionais ou leis se se sentir ameaçado, e pode sempre contar com o apoio de Washington.

Em entrevista ao jornal Jerusalem Post, Pompeo afirmou que a administração dos EUA sempre foi "muito clara" de que dá a Israel liberdade para perseguir qualquer suposto indício de 'ameaça iraniana' na região, usando a segurança nacional como justificação final.

"Israel tem o direito fundamental de se envolver em atividades que garantam a segurança de seu povo. Está no centro do que os Estados-nação não só têm o direito de fazer, mas também a obrigação de fazer", declarou o secretário de Estado americano.

Com a saída das tropas americanas da Síria, em Israel surgiram algumas preocupações, mas Pompeo sublinhou que Washington continua dedicado a "continuar a atividade em que os EUA estão empenhados há já alguns anos".

Resposta à altura?

"Sabemos que […] o Irã tem tentado mover sistemas de armas para a Síria, para o Líbano, que ameaçam Israel, e vamos fazer tudo o que pudermos para garantir que temos a capacidade de as identificar, para que possamos, coletivamente, responder adequadamente", continuou.

Pompeu visitou Israel e se reuniu com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o chefe da Mossad, Yossi Cohen, em Tel Aviv, assegurando-lhes que a retirada dos EUA da Síria não é um sinal de fraqueza ou intenção de reduzir sua pressão sobre Teerã.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102014666004-pompeo-ameaca-iraniana-da-a-israel-direito-fundamental-de-bombardear-quem-quiser/

Conflito com militares israelenses deixa quase 20 palestinos feridos

Confronto entre manifestantes palestinos e soldados israelenses na Cisjordânia.
© Foto / REUTERS/Mohamad Torokman

Pelo menos 18 palestinos sofreram ferimentos em embates com membros das Forças de Defesa de Israel (IDF) no norte da Cisjordânia nesta quarta-feira, informaram fontes locais.

"18 palestinos ficaram feridos em confrontos com os militares israelenses na cidade de Nablus", disse um representante da Sociedade Palestina do Crescente Vermelho, Erab Vukaha, à Sputnik, acrescentando que os soldados de Israel chegaram a abrir fogo contra dois palestinos com munição real.

Segundo Vukaha, o incidente teria ocorrido após a chegada de colonos israelenses na localidade, acompanhados de membros da IDF. 

 

​Em 1967, durante a chamada Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou os territórios de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. No entanto, os palestinos insistem que as futuras fronteiras entre dois Estados soberanos na região devem ser traçadas de acordo com a situação anterior a essa guerra, mas admitem uma troca de territórios, na esperança de criar seu Estado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza com a capital em Jerusalém Oriental.

Israel, por sua vez, se recusa a restaurar as fronteiras antigas e a compartilhar Jerusalém, considerada sua capital "eterna e indivisível".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101614650198-conflito-com-militares-israelenses-deixa-quase-20-palestinos-feridos/

Prisioneiros palestinianos correm risco de vida devido a negligência médica

Um relatório publicado esta quarta-feira acusa as autoridades israelitas de terem impedido os presos de aceder a cuidados médicos, potenciando o agravamento das suas doenças e colocando alguns à beira da morte.

Bassam al-Sayeh faleceu, em Setembro último, numa cadeia israelita; a sua família e organizações de defesa dos direitos dos presos acusaram as autoridades israelitas de maus-tratos e negligência médicaCréditos / Middle East Monitor

A Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos revela, no documento, que pelo menos dez 10 prisioneiros se encontram em condições clínicas graves no hospital da prisão de Ramla, e que muitos só se podem mover em cadeiras de rodas, noticia a PressTV.

Segundo o documento, publicado esta quarta-feira, alguns presos estão em condições físicas tão frágeis que necessitam do apoio de outros presos para tomar duche, mudar de roupa, comer, beber e realizar outras rotinas diárias.

No hospital da prisão de Ramla, há três presos em greve de fome – mantidos numa ala de isolamento – e cujas condições de saúde são particularmente graves devido ao protesto prolongado e às duras condições do presídio.

A Comissão referiu no informe os nomes de três prisioneiros palestinianos cujo estado de saúde se agravou bastante devido a «negligência médica deliberada» por parte dos serviços prisionais israelitas.

Um deles é Mwaffaq Arrouq, de 76 anos, que sofre de cancro do estômago e do fígado, e que, apesar de necessitar urgentemente de sessões de quimioterapia, tem visto impossibilitado esse tratamento pelas autoridades da prisão israelita de Negev.

Outro caso é o de Amal Taqatqa, de 25 anos, que foi ferida com fogo real (três tiros) quando da sua detenção, em 2014. Taqatqa não consegue estar de pé por longos períodos, uma vez que o estado físico de uma das suas pernas, ferida, se está a agravar. As autoridades da prisão israelita de Damon têm recusado à jovem mulher os cuidados ortopédicos de que necessita.

Também na prisão de Damon, Rawan Samhan, de 26 anos, sofre de anemia, que lhe provoca dores de cabeça e tonturas permanentes, e necessita de cuidados médicos urgentes, que lhe têm sido negados, referem a PressTV e o portal palinfo.com.

Recentemente, houve notícias de que prisioneiros palestinianos em várias prisões sentem dores de cabeça agudas, devido à colocação de inibidores de sinal de telemóvel (jammers) nos presídios. Apesar dos protestos, as autoridades israelitas continuam a ignorar o impacto destes mecanismos na saúde dos presos.

Israel prendeu mais de 500 palestinianos em Setembro, incluindo 81 crianças

Num relatório conjunto publicado ontem, a Comissão dos Presos, a Sociedade dos Presos Palestinianos e a Addameer informam que Israel prendeu 514 palestinianos, no mês passado, na Faixa de Gaza, na Margem Ocidental e em Jerusalém Oriental. Entre os detidos, contam-se 81 crianças e dez mulheres, revela a agência WAFA.

As organizações referidas precisaram que 175 palestinianos foram presos em Jerusalém Oriental ocupada. No distrito de Ramallah foram 54; no de Hebron, 100; Jenin, 36; Belém, 25; Nablus, 45; Tulkarem, 21; Qalqiliya, 24, Foram ainda presos cinco em Toubas, oito em Salfit, dez em Jericó e 11 na Faixa de Gaza cercada.

Com estas detenções, o número de presos em cadeias israelitas chega a 5000, 43 dos quais são mulheres e 200 menores, referem as organizações de defesa dos direitos dos presos. Detidos ao abrigo do regime de detenção administrativa, sem acusação ou julgamento, há actualmente 450 prisioneiros.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/prisioneiros-palestinianos-correm-risco-de-vida-devido-negligencia-medica

73 presos palestinianos morreram devido a torturas em cadeias israelitas

O número foi apontado num relatório do Clube dos Prisioneiros Palestinianos. Em Ramallah, manifestantes entraram na sede da Cruz Vermelha em protesto contra o estado de saúde de Samer Arbid, «devido à tortura».

Operação nocturna das forças israelitas em Hebron (imagem de arquivo)Créditos / vozisneias.com

Num informe publicado esta terça-feira, o Clube dos Prisioneiros Palestinianos (CPP) afirma que 73 presos perderam a vida, desde 1967, depois de serem submetidos a várias formas de tortura por parte dos agentes israelitas que os interrogavam nos centros de detenção.

As autoridades israelitas recorrem a vários métodos de tortura, tanto física como psicológica, contra os presos palestinianos, humilham a sua personalidade e, acima de tudo, pressionam-nos para que assinem confissões arrancadas durante os interrogatórios, diz o relatório do CPP, citado pela agência palestiniana Shehab e noticiado pela PressTV.

O grupo palestiniano de defesa dos direitos humanos sublinha que o conceito de tortura não se limita ao «uso da violência sobre os presos palestinianos durante a detenção e o interrogatório», mas se refere a «todos os tremendos procedimentos que eles enfrentam no interior dos centros de detenção», que passam pelo isolamento, a privação do sono durante interrogatórios que duram até 20 horas, o encarceramento em condições sem o mínimo de condições sanitárias, transferências em condições duras ou a política de negligência médica.

O CPP aponta vários casos recentes de morte por tortura de prisioneiros palestinianos: Arafat Jaradat, que foi morto na prisão de Megiddo, em 2013, cinco dias depois de ter sido detido e após ter sido severamente espancado; Ra'ed al-Ja'bari faleceu depois de ter sido torturado, em 2014, pela unidade israelita conhecida como «Nahshon»; Yassin al-Saradih foi severamente torturado na prisão de Eichel, tendo sido transferido para um hospital israelita, onde faleceu a 20 de Maio do ano passado; em Setembro do mesmo ano, Muhammad Zaghloul al-Khatib al-Rimawi, de 24 anos, morreu pouco depois de ter sido severamente espancado em sua casa, em Beit Rima (Cisjordânia ocupada), por soldados israelitas.

Protesto em Ramallah pela situação de Samer Arbid

Um grupo de manifestantes entrou, esta quarta-feira, no escritório do Comité Internacional da Cruz Vermelha em Ramallah, na Margem Ocidental ocupada, e manteve-se ali durante várias horas em protesto contra a grave condição clínica em que se encontra o preso palestiniano Samer Arbid, «devido a torturas», noticia a agência Xinhua.

Preso no dia 25 de Setembro pelas forças de ocupação isrealitas, Samer Arbid, de 44 anos, teve de ser hospitalizado em resultado da brutal tortura a que foi submetido pelo serviço de sgurança interno israelita Shin Bet, informou recentemente a Addameer (associação de apoio aos presos).

Arbid é acusado é acusado de ser militante da FPLP (Frente Popular de Libertação da Palestina) e de ter organizado um ataque perto do colonato israelita ilegal de Dolev, na Cisjordânia ocupada, do qual resultou a morte de um colono israelita, em Agosto último.

Uma rádio israelita informou que o Shin Bet recorreu a «medidas extremas e excepcionais» no interrogatório de Arbid, o que é uma outra forma de dizer «tortura».

A Addameer refere que Samer Arbid foi hospitalizado no dia 27 mas que o seu advogado e a sua família só foram notificados no dia seguinte. O advogado, que conseguiu ver Samir por um curto período, informou que ele estava inconsciente, tinha várias costelas partidas e marcas por todo o corpo, e sofria de grave insuficiência renal.

Rival de Netanyahu rejeita condições do premiê para formar governo

Cartaz de Benjamin Netanyahu nas ruas em Tel Aviv, Israel.
© AP Photo / Oded Balilty

O partido Azul e Branco de Israel, que conquistou o maior número de assentos nas eleições no início deste mês, rejeitou o que afirma ser demandas do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para formar uma coalizão.

O partido afirmou nesta sexta-feira (27) que a coalizão seria liderada pelo atual premiê e pelos seus aliados judeus de direita e ultra-ortodoxos.

Após conversas com o Likud de Netanyahu, o partido Azul e Branco disse que "deixou claro desde o início" que rejeitaria essas condições, ressaltando a difícil tarefa que o premiê mais longevo da história de Israel enfrenta para se manter no cargo. 

"Está claro que a posição adotada ao estabelecer essas duas condições prévias tem como objetivo arrastar o estado de Israel para uma terceira rodada de eleições, de acordo com os interesses do primeiro-ministro", disse o Azul e Branco em comunicado. 

O partido centrista, liderado pelo ex-chefe do exército Benny Gantz, conquistou 33 assentos, seguido de perto pelo Likud de Netanyahu, com 32. Mas nenhum deles tem apoio suficiente para formar uma coalizão majoritária de 61 assentos, e eles estão ferozmente divididos sobre a liderança e a composição de qualquer governo de coalizão

Netanyahu afirma que está negociando como chefe de um bloco de 55 assentos que inclui seus aliados, enquanto o Azul e Branco diz que está negociando apenas com o Likud.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019092714569146-rival-de-netanyahu-rejeita-condicoes-do-premie-para-formar-governo/

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