Irlanda

A transformação policial da Irlanda do Norte pode servir de exemplo para os EUA

Nos últimos 20 anos, um esforço público e governamental transformou a polícia da Irlanda do Norte numa organização encarada com alta consideração por quase 90% da população.

 

Desde a formação do Governo da Irlanda do Norte, em 1921, a polícia atuou em vários conflitos políticos violentos entre uma maioria protestante e uma minoria católica. A partir do final da década de 1960, um movimento católico de direitos civis começou a exigir maior igualdade entre católicos e protestantes.

Depois de 30 anos de conflito, a Irlanda do Norte reformou as suas forças policiais, num processo muito lento, e até doloroso, que levou a cabo grandes mudanças na polícia.

Num artigo publicado no The Conversation, Laura A. Weinstein, professora de História no Queens College, City University of New York, e Donald Beaudette, professor de Ciência Política no Oxford College, consideram que o processo de reforma da polícia na Irlanda do Norte pode servir de exemplo em debates sobre as forças de segurança norte-americanas.

A transformação da polícia da Irlanda do Norte não foi fácil. O objetivo era criar um “serviço policial capaz de atrair e sustentar o apoio da comunidade como um todo” que seria “representativo da sociedade”. Os responsáveis queriam que todas as comunidades vissem “a polícia como a sua polícia“.

Na prática, isso significava recrutar mais católicos para as forças políciais, um processo que foi muito árduo de levar a cabo. Atualmente, grande parte da lacuna está resolvida: quase um terço de todos os agentes são católicos, embora a comunidade católica represente 45% da população da Irlanda do Norte.

Este processo baseou-se no “recrutamento 50-50“, cujo objetivo era substituir os agentes protestantes mais velhos por novos recrutas católicos.

A experiência da Irlanda do Norte revela a importância de uma força policial representativa e pode ser uma arma muito valiosa num esforço mais amplo para combater o racismo policial nos Estados Unidos. O processo para resolver esta divisão racial é muito lento, mas não significa que não valha a pena.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/transformacao-policial-irlanda-norte-332028

Primeiro-ministro chinês diz que China está disposta a ajudar a Irlanda na luta contra COVID-19

Primeiro-ministro chinês diz que China está disposta a ajudar a...
 
Beijing, 1º abr (Xinhua) -- A China está disposta a fornecer à Irlanda a assistência necessária dentro de sua capacidade para combater a COVID-19, disse o premier chinês, Li Keqiang, na terça-feira em uma conversa por telefone com o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

Li disse que a COVID-19 está se espalhando em muitos países, e a Irlanda também é afetada pela epidemia.

A China apoia firmemente os esforços da Irlanda na luta contra a doença e está disposta a fornecer à Irlanda a assistência necessária dentro de sua capacidade, assinalou Li.

Ele disse que a China também está disposta a facilitar a Irlanda na compra e o transporte de suprimentos médicos chineses, aprimorar o intercâmbio de experiências em prevenção e tratamento da epidemia e realizar cooperação em pesquisa e desenvolvimento médico.

Existe um grande número de cidadãos chineses morando ou estudando na Irlanda, e o governo chinês dá grande importância à proteção de sua saúde, além de direitos e interesses legítimos, ressaltou Li, expressando sua esperança de que o lado irlandês tome medidas práticas e eficazes para garantir a segurança e a conveniência de vida desses cidadãos chineses, incluindo estudantes chineses.

De sua parte, Varadkar disse que a China obteve notáveis conquistas e progressos no combate à epidemia e compartilhou informações com a Organização Mundial da Saúde e a comunidade internacional em tempo oportuno, o que merece o respeito de todos os países.

A epidemia está atualmente se espalhando na Irlanda, disse o primeiro-ministro, que agradeceu à China por fornecer apoio e assistência.

A Irlanda espera receber o apoio da China na compra de suprimentos antiepidêmicos e fortalecer a cooperação em pesquisa e desenvolvimento médico entre os dois países, disse Varadkar, acrescentando que seu país garantirá efetivamente os legítimos direitos e interesses dos cidadãos chineses, incluindo estudantes chineses, na Irlanda.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-04/01/c_138937445.htm

A nova fisionomia da Irlanda e a sua crescente consciência de classe

por PCI [*]

Os resultados das eleições gerais para o 33º Dáil [câmara baixa do parlamento irlandês] confirmaram as crescentes frustrações dentro da classe trabalhadora e a necessidade de políticas sociais e económicas alternativas. Reflectem um crescimento importante na consciência de classe, que precisa ser nutrida e desenvolvida.

O declínio dos dois principais partidos do establishment, Fianna Fáil e Fine Gael, que dominam a vida política deste estado há mais de oito décadas, é de importância sísmica. Eles foram derrotados pela apresentação de uma plataforma económica e social alternativa de esquerda.

Este resultado eleitoral cresceu com a rejeição da austeridade imposta pela UE e com as políticas que dão prioridade às necessidades do capital, dos ricos e poderosos, às custas dos trabalhadores, políticas promovidas por todos os partidos do establishment, incluindo o Partido Trabalhista, e os media do establishment. Segue-se às lutas de massa pela água, habitação, saúde, revogação da 8ª [emenda da Constituição] [1] e igualdade do casamento.

A eleição apenas confirmou que habitação, saúde, pensões e assistência infantil eram questões centrais que tiveram um grande impacto na classe trabalhadora.

As décadas de austeridade UE-Troika afectaram pesadamente a vida dos trabalhadores, os cortes selvagens na saúde, na habitação e nos gastos sociais em geral, com as condições de trabalho cada vez mais difíceis e árduas.

Os trabalhadores deram um golpe político significativo nos partidos do establishment e declararam claramente que desejam uma transformação real, que exigem mudanças sociais e económicas que os beneficiem, às suas famílias e comunidades. Eles estão a exigir a implementação de políticas económicas mais profundas que transformam as reais condições materiais que experimentam diariamente e não astúcias de relações públicas.

A classe trabalhadora está irada com precariedade das suas vidas e com a disseminação de práticas precárias de emprego por parte de empregadores, grandes e pequenos, de ficar numa fila para receber atenção médica urgente ou deitar-se em macas nos corredores dos hospitais, enquanto aqueles que podem pagar a saúde privada saltam a fila.

Que o Sinn Féin tenha conquistado temporariamente a maioria dos votos populares e empurrado os dois principais partidos do establishment para o segundo e o terceiro lugar é um passo importante em frente e deve ser saudado por todas as forças de esquerda e progressistas. Mas seu papel no executivo do Norte e a imposição de políticas sociais e económicas promovidas pelo estado britânico, as quais resultaram em grandes dificuldades para a classe trabalhadora no norte da Irlanda, tão severas quanto as impostas pelos partidos do establishment no Estado do sul, não pressagia nada de bom para qualquer afastamento radical do actual sistema político e moralmente falido.

Nas últimas oito décadas, os dois principais partidos do establishment arrecadaram mais de 80% do apoio eleitoral; agora eles mal conseguem reunir 40% entre si. Claramente, a classe trabalhadora usou a eleição para maximizar a voz esquerda no Dáil, o que é outra indicação do crescimento da consciência de classe.

As formações políticas do Solidarity e do People Before Profit devem o retorno dos seus deputados em grande parte ao enorme excedente e à transferência de votos do Sinn Féin. O sectarismo político e o oportunismo desses grupos provaram ser sua ruína e são um factor significativo no declínio dos seus votos.

Outro factor que está a afastar as pessoas dos partidos do establishment e a pedir uma resposta séria de um governo de esquerda é a crescente conscientização da crise ambiental e o conhecimento de que o governo nunca contestaria poderosos interesses económicos e políticos entrincheirados. Isto resultou em maior apoio ao Partido Verde.

O Sinn Féin conseguiu capturar essa cólera apresentando-se como o partido que pode proporcionar melhorias reais e significativas que o nosso povo precisa tão desesperadamente, em áreas como habitação, saúde e direitos dos trabalhadores – apesar do papel dos media do establishment e dos seus ataques concentrados a quaisquer possíveis políticas económicas alternativas. Os partidos políticos e os mass media continuam suas tentativas de banalizar ou demonizar as aspirações democráticas nacionais, incluindo a reunificação da Irlanda.

O resultado da eleição tem potencial para trazer para o topo da agenda política a questão central de quem tem o controle do poder político e económico na Irlanda.

Nos próximos meses, membros e apoiantes do Sinn Féin e da classe trabalhadora em geral testemunharão a estratégia do establishment para incorporar o Sinn Féin ao sistema, responsabilizá-lo e agir no "interesse nacional" e cumprir seu dever para com aqueles que têm riqueza e poder económico.  

Vimos o que acontece com os partidos de esquerda e radicais quando eles entram em governos de coligação com partidos do establishment. Isso só pode revitalizar os partidos do establishment e desmoralizar os trabalhadores, semeando confusão e derrotismo.

O Fianna Fáil e o Fine Gael certamente tentarão salvar seu poder e influência política declinantes através de alguma forma de coligação. Cabe à esquerda dentro do Dáil, e do Sinn Féin como seu maior componente, mobilizar a classe trabalhadora para assegurar que a alternativa de um governo de esquerda progressista tão exigido pela classe trabalhadora seja garantida.

Nas próximas semanas, testemunharemos as negociações de bastidores e os acordos ocultos serem articulados para ver qual combinação de partes constituirá o próximo governo. O oportunismo do Partido Trabalhista, dos social-democratas e do Partido Verde tornam-nos muito propensos a constituir ou apoiar um governo com o Fianna Fáil.

Se bem que os comunistas irlandeses saúdem estes desenvolvimentos progressistas, estamos atentos à história das lutas de classe e da luta pela independência e soberania nacional, de quão facilmente as reivindicações e a energia dos trabalhadores têm sido sufocadas no passado, promovendo a fé cega em que só o sistema eleitoral pode proporcionar mudanças reais ou duradouras.

Os trabalhadores não podem se dar ao luxo de sentar e permitir que o nosso futuro seja decidido por acordos nos bastidores. Sabemos da luta recente como a energia e as reivindicações em relação à água foram marginalizadas e enterradas nos corredores escuros do Dáil. O povo não foi derrotado nas ruas, mas perdeu autoridade para aquelas instituições que controlam nossas vidas, instituições sobre as quais temos muito pouco controle.

Qualquer que seja o controle limitado que os trabalhadores irlandeses tenham sobre Dáil Éireann, não têm nenhum sobre as instituições da União Europeia. Qualquer governo progressista enfrentará oposição destas poderosas forças económicas e políticas, as quais só podem ser enfrentadas com uma mobilização popular.

As novas condições criadas pelo resultado eleitoral devem ser usadas como uma oportunidade para a renovação das lutas populares em toda um conjunto de questões. Este é claramente o momento certo para lutas sindicais e de classe mais vigorosas e militantes.

Todas as forças de esquerda e progressistas precisam mobilizar-se para assegurar que as prometidas mudanças sociais e económicas se materializem; e a única garantia de que isto acontecerá é a própria luta do povo. O desafio agora é se as aspirações e as reivindicações por mudanças reais podem ser consolidadas em mudanças e avanços estruturais a longo prazo.

Esta eleição mostrou claramente que nosso povo quer uma transformação democrática da nossa sociedade, uma sociedade na qual o povo seja soberano, e não aquela em que o bem maior é sacrificado para atender às necessidades e interesses da propriedade privada e dos interesses pessoais. O povo claramente quer uma mudança democrática que transforme as estruturas de poder de controlo a todos os níveis, uma transformação democrática que permita a participação e contribuição dos trabalhadores em todas as decisões, a todos os níveis da vida económica e política.

Sabemos que a adopção das necessárias mudanças sociais, económicas e políticas requer uma classe trabalhadora mobilizada e a construção e o fortalecimento de sua capacidade organizacional e da sua consciência ideológica de classe. Nossa classe precisa desenvolver a necessária clareza política e fortalecer-se para desafiar e repelir os interesses imperialistas representados pela União Europeia, Estados Unidos e Grã-Bretanha e seus aliados na classe subserviente capitalista irlandesa, se a classe trabalhadora quiser avançar e garantir seus próprios interesses.

No período imediato, os trabalhadores precisam apresentar as suas reivindicações, tais como:

• A revogação de todas as leis anti-trabalhadores, incluindo a Lei de Relações Industriais (1990)
• Garantias legislativas e constitucionais para dar aos trabalhadores o direito à negociação colectiva
• Uma gama completa e abrangente de políticas para proteger e promover os direitos dos trabalhadores
• Disposição constitucional para a propriedade do povo sobre a água e todos os recursos naturais
• Adopção de uma estratégia habitacional que altere as regras de propriedade, incluindo a transformação do stock de imóveis vazios em stock de propriedade do Estado
• Investimento maciço num programa universal de habitação pública
• Acabar com o sistema de saúde em dois níveis, pela proibição ao sector privado de saúde de usar o sistema público de saúde
• Fornecimento de um sistema de transporte público gratuito e ampliado por todo o país
• Repúdio da odiosa dívida bancária da UE imposta sobre o nosso povo
• Adopção de uma estratégia progressista para promover a unidade nacional
• Acabar com a utilização do aeroporto de Shannon como um centro de guerra dos EUA e da NATO
• Consagrar a neutralidade na Constituição da Irlanda
• Retirada do PESCO e de todos os compromissos militares com a UE
• Construção de uma estratégia económica alternativa para romper o poder das corporações transnacionais.

12/Fevereiro/2020
[1] Emenda com implicações para a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

Ver também:

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/irlanda/eleicoes_12fev20.html

Irlanda: o Comum volta a mostrar força

 
Após um século de domínio dos partidos conservadores, nova esquerda lidera eleições parlamentares e pode formar governo. Seu trunfo principal: diante crise da da política tradicional, condenar a “austeridade”, propor Reforma Tributária e políticas redistributivas de Habitação e Saúde
 
António Martins | Outras Palavras
 
A ideia segundo a qual o Ocidente vive uma maré conservadora, que obriga as forças de esquerda a se manter em defensiva, voltou a ser questionada pelos fatos ontem. Na Irlanda, uma longa hegemonia foi quebrada. Os dois partidos de centro-direita que governam o país há um século – Fianna Fail and Fine Gael – foram derrotados. Sobressaiu, nas eleições parlamentares, o Sinn Fein, historicamente ligado ao Exército Republicano Irlandês (IRA) e por isso estigmatizado durante décadas.
 
Liderado pela primeira vez por uma mulher, Mary Lou McDonald, tem até o momento 24,5% dos votos (quase o dobro do obtido há quatro anos), à frente de seus rivais. Não é certo que consiga formar um novo governo. Porém, as razões de sua vitória são claras. O Sinn Fein politizou o desencanto da população com a velha política. Defendeu, em especial, um feixe de políticas claramente voltadas a reduzir as desigualdades e criar instituições do Comum – no caso irlandês, principalmente Saúde Pública e Direito à Habitação. Estas posições tornaram-no especialmente popular entre os jovens. Segundo pesquisas de boca de urna, teve 32% das preferências, no grupo entre 18 e 34 anos.
 
Povoada pelos celtas, tendo sofrido forte influência viking na Idade Média, a Irlanda foi conquistada pelo Império Britânico em 1800 e alcançou sua independência apenas em 1922, tendo capital em Dublin (uma parte menor de seu território, a Irlanda do Norte, separou-se em seguida, estabeleceu capital em Belfast e compõe até hoje o Reino Unido). Nos anos 1990, tornou-se meca de grandes corporações (em especial tecnológicas), interessadas em tirar proveito de baixos impostos. Com população reduzida (menos de 5 milhões de habitantes) e área de 70 mil km², equivalente a 1,5 vezes a do Estado do Rio,ficou então conhecida como o “tigre celta”. Seu PIB per capita (US$ 83 mil) é o quinto do mundo, mais de cinco vezes superior ao brasileiro.
 
 
Mas a crise global de 2018 interrompeu seu crescimento e mostrou que, no capitalismo contemporâneo, mesmo os países muito ricos convivem com condições de vida em declínio. Uma crise bancária exigiu resgate do FMI e Banco Central Europeu. Em contrapartida, os governos irlandeses aceitaram impor à população um feixe de políticas de “austeridade”, que resultou em greves e protestos – especialmente estudantis (em 2011, houve um Occupy Belfast, que instalou-se no edifício-sede do Banco da Irlanda).
 
A partir de 2015, a economia voltou a crescer rapidamente, mas em benefício de uma pequena minoria e das corporações. Em 2019, uma vasta matéria no New York Times relatava o aumento dos aluguéis, os milhares de desalojamentos de famílias inadimplentes e o surgimento de uma população de sem-teto. Ao mesmo tempo, o corte de verbas para a Saúde desencadeou uma crise nos hospitais públicos.
 
Esta combinação de fatores, mais a sagacidade do Sinn Fein, tiraram o partido da condição marginal que ocupava até agora. Na campanha eleitoral, as duas agremiações de centro-direita hegemônicas há cem anos atacaram o partido, apontando seus laços com o IRA e afirmando que suas propostas “socialistas” espantariam investidores. Mas o Sinn Fein manteve-se firme em seu ataque à desigualdade e na defesa de sua plataforma. Ela enfatiza impostos mais altos para os ricos e as corporações. Promete anular as medidas de “austeridade” que atingiram a Saúde pública. Responde à crise da Habitação com congelamento dos aluguéis e construção de dezenas de milhares de novas casas. Em completo contraste com as contrarreformas da Previdência, quer reduzir a idade mínima para aposentadorias.
 
Estas propostas deram-lhe a vitória sobre o Fianna Fail (22,2%) e o Fine Gael (20,9%). Ainda não é certo que o Sinn Fein possa liderar um novo governo. Para isso, teria de buscar coalizões com o Partido Verde (7,1%), o Partido Trabalhista (4,4%), o Partido Social Democrata (2,9%) e o Partido da Solidariedade (2,6%) e ou contar com a divisão entre as duas legendas de centro-direita rivais. De qualquer forma, afirmou Mary Lou Macdonald, a líder do Sinn Fein, o mais importante é que as propostas do partido estarão agora no centro do debate irlandês.
 
Há um efeito colateral importante: defensor da união entre as duas Irlandas, situadas na mesma ilha no Mar do Norte, o Sinn Fein pode tensionar a coesão do Reino Unido. Uma maneira de fazê-lo, prevista no programa do partido, é realizar em pouco tempo, e em seu próprio território, um plebiscito sobre a reunificação. A medida, evidentemente, não dependeria da aprovação de Londres ou Belfast, mas poderia provocar desejos de unificação também na Irlanda do Norte…
 
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Eleições | Sinn Fein é segunda força política mais votada na Irlanda

 
O partido Sinn Fein, antigo braço político do grupo paramilitar Exército Republicano Irlandês (IRA), tornou-se na segunda força no Parlamento irlandês, de acordo com dados oficias hoje divulgados.
 
Este resultado, após dois dias de contagem de votos, pode representar a queda do primeiro-ministro, Leo Varadkar.
 
O Sinn Fein tem agora tem 37 assentos em 160 na câmara baixa do Parlamento irlandês (Dail).
 
O centro-direita Fianna Fail ocupa mais um assento (38), enquanto o Fine Gael, partido de centro-direita do primeiro-ministro cessante Leo Varadkar, tem 35.
 
Embora os centristas tenham mais um assento, o Sinn Fein foi o partido mais votado nas eleições, obtendo 24,5% dos votos. O Fianna Fail conquistou 22,2%, o Fine Gael 20,9%, o Partido Verde 7,1% e o Partido Trabalhista 4,4%.
 
É necessária uma maioria de pelo menos 80 deputados para uma governação estável, o que torna inevitáveis negociações entre os diferentes partidos políticos.
 
Em 2016, o Fine Gael foi o partido mais votado, mas sem maioria absoluta, e precisou de um compromisso de apoio do rival Fianna Fáil para formar um governo minoritário, o que só foi alcançado após 70 dias de negociação.
 
"O Sinn Fein venceu a eleição, conquistamos o voto popular", disse a líder do partido, Mary Lou McDonald.
 
 
No complexo sistema eleitoral irlandês, os eleitores não votam numa lista estabelecida, mas numa lista própria ao escolher candidatos de diferentes partidos por ordem de preferência.
 
McDonald já iniciou contactos com outras formações minoritárias, como verdes ou trabalhistas, e com deputados independentes e de esquerda para tentar formar um governo, já que nenhum partido alcançou a maioria absoluta.
 
"Esta campanha girou em torno da mudança. As pessoas votaram no Sinn Fein para estar no Governo, para fazer a diferença e manter as promessas", explicou McDonald em entrevista à televisão estatal RTE.
 
McDonald insistiu que quer um governo progressista e, embora não descarte uma coligação com democratas ou centristas, reiterou que prefere governar sem o apoio do Fine Gael e do Fianna Fail.
 
No programa eleitoral, o Sinn Fein defende que o Governo irlandês deve promover um processo de discussão e persuasão para organizar "um referendo, no norte e sul, sobre a Unidade Irlandesa".
 
O Governo britânico tem argumentado que não existem condições para esta consulta pública, que está prevista nos acordos de paz de 1998 para a Irlanda do Norte, e os outros dois principais partidos irlandeses, Fianna Fail e Fine Gael, não consideram a reunificação uma prioridade.
 
A participação num Governo de coligação na Irlanda do Sinn Fein, que também faz parte do governo da Irlanda do Norte, pode dar um novo impulso ao movimento nacionalista e criar um conflito com o Governo britânico semelhante ao que existe na Escócia, onde o governo regional defende o direito de realizar um referendo para a independência.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: © Lusa
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

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Ninguém consegue maioria na Irlanda. Sinn Fein torna-se a segunda força política

Mary Lou McDonald, líder do Sinn Féin

O partido Sinn Fein, antigo braço político do grupo paramilitar Exército Republicano Irlandês (IRA), tornou-se na segunda força no Parlamento irlandês.

 

Este resultado, esta segunda-feira revelado após dois dias de contagem de votos, pode representar a queda do primeiro-ministro, Leo Varadkar.

O Sinn Fein tem agora tem 37 assentos em 160 na câmara baixa do Parlamento irlandês (Dail). O centro-direita Fianna Fail ocupa mais um assento (38), enquanto o Fine Gael, partido de centro-direita do primeiro-ministro cessante Leo Varadkar, tem 35.

Embora os centristas tenham mais um assento, o Sinn Fein foi o partido mais votado nas eleições, obtendo 24,5% dos votos. O Fianna Fail conquistou 22,2%, o Fine Gael 20,9%, o Partido Verde 7,1% e o Partido Trabalhista 4,4%.

É necessária uma maioria de pelo menos 80 deputados para uma governação estável, o que torna inevitáveis negociações entre os diferentes partidos políticos.

Para alcançar esta maioria, frisa a Renascença, será necessária uma coligação entre dois dos três maiores partidos, com o apoio de outros movimentos. Durante a campanha eleitoral, os líderes do Fine Gael e do Fianna Fail garantiram aos seus eleitores que não fariam uma coligação governamental com o Sinn Féin.

Em 2016, o Fine Gael foi o partido mais votado, mas sem maioria absoluta, e precisou de um compromisso de apoio do rival Fianna Fáil para formar um governo minoritário, o que só foi alcançado após 70 dias de negociação. “O Sinn Fein venceu a eleição, conquistamos o voto popular”, disse a líder do partido, Mary Lou McDonald.

Proud to lead. On this day two years ago I was Elected President of @sinnfeinireland This weekend we made history – all of us, together. pic.twitter.com/CWVxZkhLBG

— Mary Lou McDonald (@MaryLouMcDonald) February 10, 2020

 

Sistema eleitoral complexo

No complexo sistema eleitoral irlandês, os eleitores não votam numa lista estabelecida, mas numa lista própria ao escolher candidatos de diferentes partidos por ordem de preferência. McDonald já iniciou contactos com outras formações minoritárias, como verdes ou trabalhistas, e com deputados independentes e de esquerda para tentar formar um governo, já que nenhum partido alcançou a maioria absoluta.

“Esta campanha girou em torno da mudança. As pessoas votaram no Sinn Fein para estar no Governo, para fazer a diferença e manter as promessas“, explicou McDonald em entrevista à televisão estatal RTE. McDonald insistiu que quer um governo progressista e, embora não descarte uma coligação com democratas ou centristas, reiterou que prefere governar sem o apoio do Fine Gael e do Fianna Fail.

No programa eleitoral, o Sinn Fein defende que o Governo irlandês deve promover um processo de discussão e persuasão para organizar “um referendo, no norte e sul, sobre a Unidade Irlandesa”. O Governo britânico tem argumentado que não existem condições para esta consulta pública, que está prevista nos acordos de paz de 1998 para a Irlanda do Norte, e os outros dois principais partidos irlandeses, Fianna Fail e Fine Gael, não consideram a reunificação uma prioridade.

A participação num Governo de coligação na Irlanda do Sinn Fein, que também faz parte do governo da Irlanda do Norte, pode dar um novo impulso ao movimento nacionalista e criar um conflito com o Governo britânico semelhante ao que existe na Escócia, onde o governo regional defende o direito de realizar um referendo para a independência

ZAP // Lusa

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/ninguem-consegue-maioria-na-irlanda-sinn-fein-torna-segunda-forca-politica-307920

Irlandeses votam para escolher governo de composição incerta

 
Os irlandeses vão hoje, pela primeira vez num sábado, votar numas eleições legislativas que vão decidir a composição do parlamento 'Dáil', onde a falta de uma maioria absoluta deverá condicionar a formação do governo.
 
As mesas de voto, a maioria localizadas em escolas, igrejas e outros espaços públicos, vão estar abertas entre as 7h00 e as 22h00 (mesma hora em Lisboa).
 
Como não está previsto que nenhum partido ocupe a maioria dos 160 assentos parlamentares, são inevitáveis negociações entre diferentes formações políticas para atingir uma maioria de pelo menos 80 deputados quer permita governar de forma estável.
 
Em 2016, o Fine Gael foi o partido mais votado, mas sem maioria absoluta, e precisou de um compromisso de apoio do rival Fianna Fáil para formar um governo minoritário, o que só foi alcançado após 70 dias de negociação.
 
 
Durante a campanha, o Fianna Fáil mostrou ter vantagem nas sondagens, mas sem grande margem e com a concorrência no topo do Sinn Féin, antigo braço político do grupo paramilitar Exército Republicano Irlandês (IRA), que nunca participou num executivo irlandês.
 
Uma parte importante do parlamento irlandês é ainda composta por deputados independentes ou de partidos mais pequenos, como o Trabalhista, os Verdes ou o Povo contra o Lucro, que, dependendo do desempenho nestas eleições, também poderão decidir quem chega ao poder.
 
Apesar da recuperação desde a crise financeira e as boas perspetivas económicas, o próximo governo vai ter como desafios responder ao descontentamento relativo a questões como a saúde e habitação e expectativas sobre a redução de impostos e aumento das pensões de reforma.
 
Terá também um papel importante nas negociações da União Europeia com o Reino Unido para um novo acordo de comércio tendo em conta que o país vizinho é o principal destino das exportações irlandesas e é o principal parceiro económico.
 
O aumento da população irlandesa resultou num aumento de dois no número de deputados desde 2016, que passou para 160, os quais são eleitos de acordo com um sistema de representação proporcional de 39 círculos eleitorais.
 
Ao todo, concorrem 516 candidatos, os quais vão ser eleitos através de um sistema de voto único transferível, ou seja, os eleitores numeram os candidatos presentes no boletim por ordem de preferência.
 
Os votos de segunda preferência e conseguintes são distribuídos à medida que os candidatos são eleitos, porque atingiram o patamar necessário, ou eliminados, o que prolonga o processo de contagem durante vários dias até ao anúncio dos resultados.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: © Lusa
 
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O PRIMEIRO DIA DA «BATALHA» DE BOGSIDE

12 de Agosto de 1969. O primeiro dia da «batalha» de Bogside, uma batalha que verdadeiramente não o foi, tratou-se apenas um prolongado tumulto de protesto ao longo de três dias e que foi protagonizado pelos membros da comunidade católica (maioritária) da cidade irlandesa de Derry contra as autoridades policiais, não por acaso completamente conotadas com os protestantes.
E as imagens televisivas dos protestos revelavam-se espectaculares em termos noticiosos, a fazer lembrar o famoso Maio de 68 em Paris. A «batalha» de Bogside (Bogside é um dos bairros católicos da cidade), acabou sem mortos, felizmente, mas demonstrou a incapacidade técnica e política da polícia local (RUC), o que conduziu à convocação dos militares britânicos como força de intermediação para a substituir.
Resolveu-se o problema técnico, mas o político continuou a subsistir, pois a desconfiança dos católicos quanto à imparcialidade dos soldados recém-chegados permaneceu precisamente a mesma que estivera na origem dos tumultos.

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