Irão

EUA tentam em vão convencer China e Rússia a prolongar sanções ao Irão

Lusa - 01/07/2020
 

Os Estados Unidos tentaram hoje, em vão, convencer a Rússia e a China a prolongar o prazo para as sanções internacionais ao Irão, apesar de alegarem que a suspensão do embargo de armas irá desestabilizar o Médio Oriente.

Washington apresentou recentemente aos seus 14 parceiros do Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução que prevê uma extensão ilimitada do embargo de armas ao Irão, que expira em 18 de outubro, mas esta posição foi hoje rejeitada pela China e pela Rússia, que ameaçam usar o seu poder de veto.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse hoje que a suspensão de embargo de armas ao Irão – situação que se aplicará, se não houver uma extensão do prazo de sanções, como pedem os EUA – colocará uma “espada de Dâmocles” na estabilidade económica do Médio Oriente.

Países como a Rússia e a China, “que dependem de preços estáveis de energia” poderão ficar em risco, explicou o chefe da diplomacia dos EUA, numa videoconferência do Conselho de Segurança da ONU, para tentar convencer os países membros a aprovar a sua proposta.

Mas Pequim tem um entendimento diferente e considera que os Estados Unidos não têm condições para continuar a pedir às Nações Unidas para continuar com sanções económicas contra o Irão.

“A China opõe-se à pressão dos Estados Unidos para estender o embargo de armas”, disse o embaixador chinês nas Nações Unidas, Zhang Jun, recordando o facto de terem sido os EUA quem quis abandonar o acordo nuclear com o Irão, em 2018.

Também Moscovo se opõe às pressões norte-americanas, dizendo que se os EUA continuarem a pedir sanções da ONU face ao Irão, se entrará numa “escalada incontrolável”.

“Não podemos aceitar” as tentativas dos Estados Unidos de legitimar “a política de pressão máxima” junto das Nações Unidas, disse hoje o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia.

O diplomata diz que a imposição de novas sanções criará uma “escalada incontrolável” na região e alertou para os riscos colocados pelas exigências norte-americanas.

A Rússia e a China, que já anunciaram as suas intenções de vender armas ao Irão, disseram, durante a videoconferência do Conselho de Segurança, que votarão contra a prorrogação do embargo, ameaçando mesmo o uso do seu poder de veto, se for realizada uma votação.

Os dois países dizem não poder concordar com o rascunho do projeto de resolução apresentado pelos EUA, onde se lê que qualquer venda de armas ao Irão ficará proibida, autorizando os estados membros a usar a força militar para fazer cumprir o embargo.

No passado, os EUA já tinham ameaçado desencadear um processo de reposição das sanções internacionais contra o Irão, previsto no acordo nuclear assinado em 2015, mas depois abandonado unilateralmente, em maio de 2018, pelos Estados Unidos.

Desde a retirada de Washington, a União Europeia, a Rússia e a China continuam como países integrantes do acordo nuclear, negando, assim, aos Estados Unidos o direito de ativar esse processo de reimposição das sanções internacionais.

Hoje, contudo, Mike Pompeo não invocou essa pressão, lembrando apenas ao Conselho de Segurança da ONU que, se as sanções internacionais forem levantadas, a situação económica no Médio Oriente fica desestabilizada.

Pompeo salientou mesmo o facto de serem países como a China e a Rússia os mais afetados pela instabilidade, na medida em que estão dependentes da estabilidade dos preços da energia na região.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/01/eua-tentam-em-vao-convencer-china-e-russia-a-prolongar-sancoes-ao-irao/

Irã acusa EUA de violarem direito internacional ao reimporem sanções

Ministério das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif
© AP Photo / Petr David Josek

Não obstante acordo internacional assinado por todos os países do Conselho de Segurança, EUA estão dispostos a reimpor sanções ao Irã.

"A retirada unilateral e ilegal dos EUA do Plano de Ação Conjunto Global [JCPOA, na sigla em inglês] e a reimposição das sanções implicam uma responsabilidade dos EUA relativamente à Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, à Carta da ONU e [...] ao direito internacional", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif.

Ele ainda adicionou que o calendário de levantamento do embargo de armas contra o Irã, estabelecido na Resolução 2231, é "parte inalienável de um delicado compromisso que permitiu aos membros do JCPOA finalmente acordar um pacote comum do JCPOA e a Resolução 2231", recordando que a resolução exige sua "implementação completa segundo o calendário".

Neste contexto, o chefe da diplomacia iraniana enfatizou que "qualquer tentativa de alterar o calendário acordado equivale a esforços para minar a Resolução 2231 em geral" e chamou o Conselho de Segurança para evitar que o acordo seja violado.

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Yavad Zarif

© Sputnik / Vladimir Astapkovich
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif

Na semana passada, os EUA apresentaram no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução para prolongar o embargo de armas contra o Irã. Além disso, Washington tenta fazer de tudo para impedir que Teerã compre armas da Rússia e da China.

Em julho de 2015, Irã, Rússia, EUA, Reino Unido, China, França e Alemanha, firmaram um acordo também conhecido como o JCPOA, que impôs uma série de limitações ao programa nuclear iraniano com o objetivo de excluir sua possível dimensão militar, em troca do levantamento das sanções internacionais.

O acordo também prevê que o embargo de armas contra o Irã seja levantado dentro de cinco anos após a assinatura e que os suprimentos militares possam ser retomados antecipadamente caso seja autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020070115777426-ira-acusa-eua-de-violarem-direito-internacional-ao-reimporem-sancoes/

Irão emite mandado de prisão contra Trump pelo assassinato de Soleimani e pede ajuda à Interpol

O comandante do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, general-major Qassem Soleimani, (no centro) na reunião com o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e comandantes em Teerã (foto de arquivo)
© AP Photo / Escritório do líder supremo iraniano

General iraniano Qassem Soleimani, comandante da Força Quds do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã e uma das figuras mais respeitadas no Irã, foi morto em janeiro em um ataque de drones dos EUA durante visita ao Iraque.

As autoridades iranianas aprovaram uma medida para solicitar que a Interpol coloque o presidente dos EUA, Donald Trump, no seu programa internacional de alerta vermelho pelo assassinato do general Qassem Soleimani, comunicaram agências iranianas, citando funcionários judiciais.

"Foi possível identificar 36 pessoas que participaram nos preparos e estiveram envolvidas no assassinato de Qassem Soleimani, entre elas estão figuras políticas e militares dos EUA e de outros países", disse em comunicado nesta segunda-feira (29) procurador-geral de Teerã Ali Alqasi-Mehr. "No topo da lista está o presidente dos EUA, Donald Trump", acrescentou.

De acordo com o oficial iraniano, as autoridades judiciais do país aprovaram uma resolução para levar essas pessoas à Justiça e apelar para que Interpol emita avisos vermelhos contra os suspeitos.

Se o pedido for aprovado, Interpol irá solicitar para que autoridades policiais em outros países facilitem a busca e a detenção dos suspeitos.

Mulher iraniana caminha com retrato do general Qassem Soleimani perto de muro com representação de bandeira dos Estados Unidos

© AP Photo / Vahid Salemi
Mulher iraniana caminha com retrato do general Qassem Soleimani perto de muro com representação de bandeira dos Estados Unidos
As acusações do Irã contra o presidente Donald Trump e outras pessoas incluem "assassinato" e "atos terroristas", acusações que preveem pena de morte em conformidade com o código penal da República Islâmica.

De acordo com Ali Alqasi-Mehr, Irã prosseguirá com a acusação contra Trump mesmo após o término de seu mandato como presidente.

Segundo informações obtidas nesta segunda-feira (29) pela Sputnik, as regras internas da Interpol não permitem que a organização internacional considere o pedido das autoridades judiciais iranianas para emitir mandado de prisão contra o presidente dos EUA, Donald Trump, e outros possíveis suspeitos na preparação do assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, comentaram na sede da organização em Lyon, na França.

No início de janeiro deste ano, o assassinato do general Qassem Soleimani em um ataque aéreo dos EUA em Bagdá aumentou a crise entre Teerã e Washington. Em retaliação, o Irã atacou bases usadas pelos norte-americanos no Iraque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020062915771946-ira-emite-mandado-de-prisao-contra-trump-pelo-assassinato-de-soleimani-e-pede-ajuda-a-interpol/

Europa e EUA financiaram 'atrocidades' do grupo terrorista no Irã, diz MRE do país

Uma visão geral da cidade de Teerã, Irã, 12 de junho de 2020
© REUTERS / Agência de Notícias da Ásia Ocidental / Ali Khara

O porta-voz da chancelaria do Irã, Abbas Mousavi, disse que o "regime" dos EUA "está transferindo descaradamente a culpa para outros" e "tem dois pesos e duas medidas na luta contra o terrorismo".

No domingo (28), o Ministério das Relações Exteriores do Irã censurou os EUA por usar dinheiro de contribuintes para financiar "atrocidades" cometidas por membros do grupo anti-iraniano Mujahideen (MEK/MKO, na sigla em inglês), relata a agência Press TV.

Em um tweet no final do domingo (28), o ministério iraniano escreveu que a organização Mujahideen é um "culto de terror".

https://twitter.com/IRIMFA_EN/status/1277256936908623875?ref_src=twsrc%5Etfw
MEK é, sem dúvida, um culto de terror.

A Europa é o lar desta entidade desonesta, e o dinheiro dos contribuintes americanos financiou as atrocidades deste grupo corrupto.

Ambas têm mão no massacre de iranianos inocentes perpetrado pelo MEK.

Os Estados Unidos e a Europa estavam assim ajudando e incentivando as ações da organização, afirmou o Ministério das Relações Exteriores iraniano.

No sábado (27), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Abbas Mousavi, classificou os EUA e a Europa como apoiadores dos Mujahideen e de seus crimes de terror.

Mousavi lembrou que há exatamente 39 anos, em 28 de junho de 1981, o presidente do Supremo Tribunal da Justiça do Irã, aiatolá Beheshti, juntamente com 72 figuras de destaque, foram assassinados quando uma poderosa bomba explodiu na sede do Partido da República Islâmica do Irã, em Teerã, durante uma reunião de líderes partidários. Teerã denunciou Mujahideen pelo ataque.

O grupo tem sido responsabilizado por inúmeros ataques terroristas contra civis iranianos e funcionários do governo desde o sucesso da Revolução Islâmica no Irã, em 1979.

Em janeiro de 2009, a União Europeia decidiu retirar o Mujahideen de sua lista de organizações terroristas.

Por sua vez, os Estados Unidos retiraram o grupo iraniano exilado de sua lista de organizações terroristas estrangeiras em 2012, com o Departamento de Estado norte-americano dizendo que Hillary Clinton, então secretária de Estado, tomou a decisão em vista da "renúncia pública do MKO à violência, a ausência de atos terroristas confirmados pelo grupo por mais de uma década".

Na ocasião, o líder do Mujahideen em Paris, Maryam Rajavi, saudou a decisão em uma declaração, prometendo intensificar sua campanha internacional contra o governo de Teerã.

'Dois pesos e duas medidas'

Na quinta-feira (25), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi, rejeitou o relatório anual sobre terrorismo do Departamento de Estado norte-americano como "insincero", segundo a Agência de Notícias Tasnim.

"A República Islâmica do Irã rejeita categoricamente e condena os relatórios anuais dos EUA sobre o terrorismo porque esse regime está transferindo descaradamente a culpa para outros, é totalmente insincero e tem dois pesos e duas medidas na luta contra o terrorismo", comentou Mousavi.

O porta-voz iraniano denunciou as sanções unilaterais de Washington e o "terrorismo econômico" contra o Irã como o mais recente exemplo das "medidas terroristas contra nações independentes" da administração dos EUA.

Apoiadores do governo venezuelano durante o protesto contra as sanções econômicas dos EUA, em Caracas

 

© AP Photo / Ariana Cubillos
Apoiadores do governo venezuelano durante o protesto contra as sanções econômicas dos EUA, em Caracas

 

"O regime dos Estados Unidos da América, que são conhecidos como os maiores patrocinadores estatais do terrorismo e os principais patrocinadores do agressivo e ocupante regime sionista, não está em posição de afirmar estar lutando contra o terrorismo e fazer julgamentos sobre esta questão."

Em seus Relatórios Nacionais sobre Terrorismo de 2019, o Departamento de Estado dos Estados Unidos saudou a campanha de "máxima pressão", visando o Irã como "o pior patrocinador estatal do mundo do terrorismo".

A declaração afirmava que Washington havia conseguido restringir algumas das atividades do Irã colocando "pressão financeira esmagadora" sobre o Irã, com uma série de novas sanções visando Teerã e suas forças em países como Líbano, Iraque e Iêmen.

Em abril, os EUA designaram o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã, incluindo a Força Quds, de organização terrorista estrangeira.

Teerã vem passando por dificuldades econômicas desde que os EUA se retiraram unilateralmente do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) de 2015, conhecido comumente como o acordo nuclear iraniano, em 8 de maio de 2018, e reimpuseram duras sanções contra os setores bancário e energético do Irã.

Exatamente um ano depois, Teerã anunciou que havia suspendido algumas de suas obrigações no âmbito do JCPOA, acrescentando que não quer deixar o acordo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020062915769232-europa-e-eua-financiaram-atrocidades-do-grupo-terrorista-no-ira-diz-mre-do-pais/

Irã enviará combustível à Venezuela, sempre que seja necessário, diz chancelaria

 
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247 - O embaixador da Venezuela no Irã, Carlos Antonio Alcalá Cordones, afirmou que os dois países desafiaram as ameaças do imperialismo americano para defender seu direito ao livre comércio.

O Irã enviará mais combustível para a Venezuela se o governo bolivariano necessitar, apesar da pressão dos EUA, disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã nesta segunda-feira (1º/6).

"Se o governo venezuelano solicitar um novo carregamento, nós o enviaremos para esse país", enfatizou o porta-voz da chancelaria iraniana, Abbas Musaví, em entrevista coletiva.

Ele afirmou que o comércio entre os dois países é "legítimo", pois ambos estão sob "sanções cruéis e unilaterais dos Estados Unidos".

Musaví observou que as duas nações têm o direito de negociar livremente, apesar de os EUA não aceitarem esse fato.

Apesar das ameaças dos EUA, os cinco navios iranianos chegaram em segurança à Venezuela, carregando 245 milhões de litros de gasolina. Washington ameaçou governos, portos, empresas de transporte e seguradoras que poderiam enfrentar medidas de retaliação se ajudassem o transporte do Irã até a Venezuela, informa a Telesul.

Apesar de ameaças dos EUA, 1° petroleiro iraniano entra em águas venezuelanas sob escolta

Navio petroleiro (imagem referencial)
© flickr.com / rabiem22

Navio-tanque iraniano Fortune entrou em águas da Zona Econômica Exclusiva da Venezuela ontem (23), sendo seguido por outras quatro embarcações semelhantes.

Enquanto os EUA ameaçavam impedir o transporte de petróleo do Irã para a Venezuela, o primeiro de um total de cinco navios-tanque enviados por Teerã entrou na Zona Econômica Exclusiva do país latino-americano.

A entrada teria se dado às 20h40 de ontem (23) após o navio ter passado pelo norte de Trinidad e Tobago, segundo dados do serviço de rastreamento de navios Refinitiv Eikon, publicou a Reuters.

A informação foi confirmada pelo ministro do Petróleo venezuelano, Tareck El Aissami em seu Twitter.

 

Os navios de [nossa] irmã República Islâmica do Irã já se encontram em nossa Zona Econômica Exclusiva, como diria nosso amado comandante Chávez, "A Venezuela azul", acompanhados por nossa Armada Bolivariana como símbolo da irmandade e da força de nossa união

Além do Fortune, os petroleiros Fores, Petunia, Fazon e Clavel também são esperados pelo país. As cinco embarcações levam um total de 1,53 milhão de barris de gasolina e hidrocarbonetos para o país.

A chegada dos quatro navios-tanque restantes deverá se dar nos próximos dias.

Escolta

Pouco antes da entrada do Fortune na ZEE da Venezuela, a Marinha venezuelana destacou um efetivo para assegurar o trânsito do navio-tanque, como visto no vídeo abaixo.

 

Urgente! Patrulheiros da nossa Armada Bolivariana partiram ao encontro do primeiro petroleiro do Irã, que deve entrar por volta das 19h00 de Caracas nas águas territoriais venezuelanas. Outros quatro petroleiros chegarão nos próximos dias.

Caracas decidiu pela escolta após o governo americano ameaçar impedir a navegação dos navios iranianos em direção à Venezuela.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020052415617262-apesar-de-ameacas-dos-eua-1-petroleiro-iraniano-entra-em-aguas-venezuelanas-sob-escolta/

EUA procuram ‘de uma forma ou outra’ garantir prolongamento de embargo de armas ao Irã

© AP Photo / Alex Brandon

Washington busca prolongar a proibição do Conselho de Segurança da ONU que impede a venda de armas ao Irã e atividades ligadas a mísseis balísticos capazes de transportar armas nucleares.

Os Estados Unidos ameaçaram forçar um regresso unilateral de todas as sanções da ONU contra o Irã se o Conselho de Segurança não estender seu embargo de armas. 

Washington pretende garantir "de uma forma ou outra" que o embargo permaneça em vigor, escreveu Brian Hook, enviado especial dos EUA para o Irã e conselheiro sênior de Mike Pompeo, secretário de Estado, em uma coluna do Wall Street Journal publicada na quarta-feira (13). 

Hook acrescentou que os EUA haviam redigido uma resolução do Conselho de Segurança e que "vão prosseguir com a diplomacia e construir apoio". 

O embargo de armas ao Irã, decretado pelas Nações Unidas em março de 2007, deve expirar em 18 de outubro de 2020. A maioria das outras sanções da ONU contra a República Islâmica foi suspensa em 2016, após a entrada em vigor do acordo nuclear, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês). 

Os Estados Unidos se retiraram do acordo em maio de 2018, após pressão por parte de Israel, alegando que o documento era imperfeito e que funcionava em benefício do Irã, apesar das objeções dos demais signatários (Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha). 

 

Em junho de 2015, um conjunto de países aprovou, na cidade suíça de Lausanne, o Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA, na sigla em inglês), que regula o programa nuclear do Irã.
© AP Photo / Brendan Smialowski
Em junho de 2015, um conjunto de países aprovou, na cidade suíça de Lausanne, o Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA, na sigla em inglês), que regula o programa nuclear do Irã.

Os EUA reimpuseram unilateralmente sanções às exportações de petróleo e ao setor financeiro do Irã. Agora estão buscando prolongar indefinidamente o embargo de armas

Em relação às sanções da ONU, o acordo contém cláusulas que preveem a renovação das sanções caso o Irã não cumpra seus compromissos nucleares. O Irã começou por descumprir algumas partes do acordo em maio de 2019 para pressionar os países europeus a protegê-lo das sanções dos EUA, e anunciou um recuo final em janeiro deste ano. 

No entanto, especialistas internacionais que monitoram seu programa nuclear ainda podem visitar o país, e o Irã se comprometeu a restaurar todos os seus compromissos caso os EUA regressem à sua posição anterior. 

Dentro ou fora?

Embora os EUA tenham abandonado o acordo, o Conselho de Segurança nunca alterou a resolução de maneira a fixar a retirada dos EUA do documento. O Departamento de Estado norte-americano procura usar essa situação para justificar a posição de que, tecnicamente, continua sendo participante, para poder avançar com o embargo. 

O Irã já se opôs a uma prorrogação do embargo, tal como a Rússia. "Não vejo nenhuma razão para que um embargo de armas seja imposto ao Irã", disse nesta semana o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya. 

"Para poder utilizar os instrumentos fornecidos pelo JCPOA, é preciso primeiro ser participante do JCPOA. Os EUA não são um participante efetivo do JCPOA há dois anos", referiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020051415577307-eua-procuram-de-uma-forma-ou-outra-garantir-prolongamento-de-embargo-de-armas-ao-ira/

Pandemia leva Irão a sugerir trocas incondicionais de prisioneiros com os EUA

 

Com receio de que o coronavírus coloque em causa a vida dos reclusos, o Irão disse estar preparado para negociar trocas incondicionais de prisioneiros com os Estados Unidos (EUA), informaram os media iranianos no domingo.

Segundo avançou a Time, o site de notícias iraniano Khabaronline.ircitou o porta-voz do gabinete Ali Rabiei, que afirmou haver “prontidão para [que a transferência de] todos os prisioneiros” seja discutida sem condições.

“Mas, até agora, os EUA recusaram-se a responder”, disse Rabiei. “Esperamos que, como o surto da doença covid-19 que ameaça a vida dos cidadãos iranianos nas prisões dos EUA, o governo dos EUA eventualmente prefira vidas à política”, sublinhou.

Uma autoridade dos EUA, não autorizada a discutir o assunto publicamente e que falou sob anonimato, disse: “Não houve oferta nem oferta de conversas diretas”.

De acordo com Rabiei, o Irão considera o governo dos EUA responsável pela saúde dos prisioneiros iranianos. Embora o responsável não tenha detalhado a situação, os media iranianos apontaram, nos últimos meses, para vários iranianos sob custódia dos EUA, incluindo Sirous Asgari, um professor universitário de 60 anos. As autoridades dos EUA tentam deportar Sirous Asgari desde o ano passado, indicou a Time.

Na semana passada, as autoridades norte-americanas disseram que estavam a progredir nos esforços para garantir a libertação de um veterano da Marinha, detido no Irão.

Ken Cuccinelli, vice-secretário de Segurança Interna, disse quarta-feira que os casos de Michael White, norte-americano detido no Irão, e Sirous Asgari nunca foram conetados, criticando os comentários recentes das autoridades iranianas sobre uma possível ligação entre os dois, apontando ainda que o Irão demorou a aceitar o retorno do professor.

Michael White, de Imperial Beach, Califórnia, foi detido em julho de 2018 enquanto visitava a namorada no Irão, tendo sido condenado por insultar o líder supremo do Irão e por publicar informações confidenciais ‘online’.

Foi libertado em março, devido a uma licença médica que exigia que permanecesse no país. Michael White faz parte das dezenas de milhares de prisioneiros aos quais foram concedidas licença médica no Irão, um dos primeiros países a ser fortemente atingido pelo pela propagação do coronavírus.

Autoridades do governo Trump disseram repetidamente que consideram a libertação de reféns e detidos norte-americanos uma prioridade. Em dezembro, o Irão libertou um estudante da Universidade de Princeton, preso durante três anos sob acusações de espionagem, em troca da libertação de um cientista iraniano.

Em março, a família do ex-agente do FBI Robert Levinson, que desapareceu no Irão há 13 anos, disse ter sido informada pelas autoridades norte-americanas que este estava provavelmente morto, não esclarecendo como chegaram a essa conclusão.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/pandemia-irao-trocas-incondicionais-prisioneiros-eua-323771

Quando até mesmo o próprio time duvida dos seus métodos

Quando até mesmo o próprio time duvida dos seus métodos

Senado norte-americano não anulou veto de Trump contra restrições impostas por resolução de março ao uso de poder militar contra o Irã.

Nesta quinta-feira (7), o Senado americano, cuja maioria pertence ao Partido Republicado nos Estados Unidos, submeteu à consulta de seus senadores o veto do presidente Trump à resolução.

Para perder força, o veto presidencial teria que ser contrariado por não menos que 67 senadores.

Contudo, 49 senadores foram a favor da resolução contra 44, o que não foi suficiente para derrubar a medida de Trump.

Apesar da vitória do presidente, os números mostrariam que seu partido não compartilha das mesmas ideias de Trump sobre o Irã.

A resolução de março impedia Trump de aplicar maior uso da força militar contra o país persa, além de declarar guerra contra o país, o que cabe ao Congresso dos EUA.

A medida também pedia para Trump "encerrar todas as ações hostis direcionadas ao Irã".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2020050815554798-quando-ate-mesmo-o-proprio-time-duvida-dos-seus-metodos/

Irã: acordo nuclear 'morrerá para sempre' se EUA quiserem estender embargo de armas

Sistema de mísseis S-200 sendo conduzido por comandantes militares iranianos (imagem de arquivo)
© AFP 2020 / BEHROUZ MEHRI

O acordo nuclear internacional JCPOA "morrerá para sempre" se o embargo de armas da ONU contra Teerã não for suspenso, advertiu Ali Shamkhani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

O comentário de Shamkhani também faz referência ao fracasso dos signatários europeus do Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA) em contornar as sanções dos EUA e em cumprir as suas obrigações no âmbito do acordo nuclear.

 

​O JCPOA morrerá para sempre ao contornar a Resolução 2231 e ao continuar com as sanções ilegais contra o Irã relativas ao armamento. O vírus das sanções é o instrumento dos EUA para a sobrevivência da sua hegemonia em declínio. O que a UE irá fazer: salvar a dignidade e apoiar o multilateralismo ou aceitar a humilhação e ajudar o unilateralismo?

Washington intensificou recentemente seus esforços para tentar prolongar o embargo global à venda de armas a Teerã, apesar da falta de uma justificação legal para o fazer.

Na quinta-feira (30), o secretário de Estado americano Mike Pompeo sugeriu que os EUA tinham o poder de prorrogar a proibição de venda de armas convencionais ao Irã, nos termos da Resolução 2231, apesar de terem abandonado o acordo nuclear iraniano há dois anos.

O chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif exortou Pompeo a "deixar de sonhar" com a prorrogação do embargo, afirmando que os EUA não têm qualquer fundamento jurídico para o fazer.

Em maio de 2018, os EUA anularam unilateralmente os seus compromissos no acordo nuclear iraniano (assinado em 2015 pelo Irã e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) impondo ao Irã duras sanções bancárias e energéticas.

© AP Photo / Ruhollah Vahdati
Míssil iraniano Shahab-3 é lançado durante manobras militares na cidade de Qom, no Irã (foto de arquivo)

Frente ao fracasso dos signatários europeus do acordo em criar um pacote de medidas para atenuar o golpe econômico causado pelas ações americanas, o Irã renegou algumas das disposições do acordo nuclear, incluindo as limitações ao seu arsenal de urânio e ao seu enriquecimento.

Teerã salientou, contudo, que não tem qualquer intenção de obter armas nucleares ou quaisquer outras armas de destruição maciça, alegando que a posse de tais armas é contrária à fé islâmica do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020050315533229-ira-acordo-nuclear-morrera-para-sempre-se-eua-quiserem-estender-embargo-de-armas/

Trump instrui que Marinha destrua todas canhoneiras iranianas caso assediem navios dos EUA

Donald Trump anuncia suspensão temporária de imigração para os EUA

Washington, 22 abr (Xinhua) -- O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quarta-feira que instruiu a Marinha dos EUA a destruir qualquer canhoneira iraniana se assediar os navios americanos no mar.

"Eu instruí a Marinha dos Estados Unidos a abater e destruir qualquer e todas as canhoneiras iranianas caso assediem nossos navios no mar", tuitou Trump pela manhã sem mais detalhes dados posteriormente.

O vice-secretário da Defesa, David Norquist, disse mais tarde em uma coletiva no Pentágono que "todos os nossos navios mantêm o direito de autodefesa e as pessoas precisam ter muito cuidado em suas interações para entender o direito inerente à autodefesa".

John Hyten, vice-presidente do Estado-Maior Conjunto, acrescentou na mesma ocasião que as forças americanas responderão com força letal esmagadora para se defenderem, se necessário.

"Então, se você cruzar essa linha, sabemos o que é essa linha e vamos responder. Não precisamos de mais nenhuma direção para fazer isso. Acho que a mensagem do presidente foi clara e não precisamos de mais ações," advertiu.

A Marinha dos EUA denunciou na semana passada que 11 navios da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica Iraniana (IRGC) "realizaram repetidamente abordagens perigosas e assediadoras contra navios dos EUA que operam nas águas internacionais do Golfo da Arábia do Norte".

A Marinha da IRGC, no entanto, acusou as forças navais dos EUA de agirem repetidamente de forma "não profissional" no Golfo durante as últimas semanas, ameaçando a paz regional e dando origem a novos riscos.

Em um comunicado divulgado pela Press TV no domingo, a Marinha da IRGC afirmou que a presença "ilegal" das forças americanas na região é a fonte de insegurança na Ásia Ocidental.

"A única maneira de estabelecer uma segurança sustentável nesta região é a retirada completa dos americanos da Ásia Ocidental", diz o comunicado.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-04/23/c_139001257.htm

Trump instrui Marinha a 'abater e destruir' qualquer barco do Irã que 'hostilizar' navios dos EUA

(Comentário:
A notícia merece atenção porque a situação algo desesperante em que ao governo dos EUA se encontra com o agravar da situação interna a múltiplos níveis (saúde, petróleo, economia, etc)  pode conduzir a que não lhe baste a fabricação de inimigos externos (OMS, China,..) e opte pela a criação de uma situação de conflito aberto cujas consequência seriam imprevisíveis.)
 
Trump autoriza Marinha dos EUA a abater navios do Irã | Mundo...
 

O presidente norte-americano, Donald Trump, deu luz verde à Marinha dos Estados Unidos para atacar e afundar pequenas embarcações militares iranianas se começarem a hostilizar navios militares estadunidenses.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020042215487631-trump-instrui-marinha-a-abater-e-destruir-qualquer-barco-do-ira-que-hostilizar-navios-dos-eua/

EUA são contra: Irã pede que FMI conceda empréstimo de US$ 5 bi para combater a COVID-19

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, fala em uma coletiva de imprensa perto da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, 2016 (arquivo)
© REUTERS / Lucas Jackson

O presidente do Irã pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que forneça à República Islâmica um empréstimo muito necessário, enquanto os EUA estão se opondo ao pedido iraniano no que Teerã vê como um ato de "terrorismo médico".

O Irã solicitou dinheiro do FMI em meados de março, quando a pandemia de COVID-19 dominava seu sistema nacional de saúde. Teerã não solicitava assistência do FMI desde o início da década de 1960 e disse que precisava urgentemente do dinheiro para combater o coronavírus. A solicitação, no entanto, não foi recebida, uma vez que os EUA se opuseram abertamente a fornecer fundos ao Irã.

"Peço às organizações internacionais que cumpram seus deveres [...] somos membros do FMI [...] Não deve haver discriminação na concessão de empréstimos", afirmou o presidente iraniano Hassan Rouhani em uma reunião de gabinete nesta quarta-feira. Ele acrescentou que a imposição de sanções dos EUA contra o Irã em meio à pandemia foi "terrorismo econômico e médico".

Teerã está buscando US$ 5 bilhões do FMI, mas Washington alega que o dinheiro seria desviado e usado "para ajudar seus grupos de procuradores terroristas no Oriente Médio", como disse à rede britânica BBC nesta semana a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Morgan Ortagus.

Os EUA são o maior acionista do FMI e têm muita influência sobre suas decisões sobre conceder salvamentos a países. Washington usará sua influência para bloquear a solicitação do Irã e também está impedindo que Teerã aproveite os cerca de US$ 5 bilhões em reservas mantidas em sua conta no FMI, informou o jornal The Wall Street Journal.

Agentes de saúde do Irã desinfetam ruas da capital, Teerã, em 20 de março de 2020

© REUTERS / WANA
Agentes de saúde do Irã desinfetam ruas da capital, Teerã, em 20 de março de 2020

O governo Trump tem buscado "pressão máxima" contra o Irã, ameaçando as pessoas que fazem negócios com ele com sanções secundárias. Washington sugere que Teerã deveria receber dinheiro para combater a pandemia, desviando alguns da defesa nacional.

As autoridades iranianas esperam que outros membros do FMI desafiem os EUA, que - apesar de sua influência - não têm poder de veto na organização.

"Na verdade, é uma política do FMI a imparcialidade na avaliação e aprovação de pedidos", declarou o vice-presidente iraniano de Assuntos Econômicos, Mohammad Nahavandian, à apresentadora Christiane Amanpour, da CNN.

"O Irã tem sido um membro fundador do FMI, com um histórico muito bom. E espera-se que este organismo internacional faça o que deve fazer. Esse pedido está agora no devido processo. Muitos países expressaram seu apoio a isso", adicionou.

O ministro iraniano destacou que "estamos todos no mesmo barco" com a ameaça da pandemia, comprometendo a saúde pública do Irã ao negar que um resgate também prejudicaria outras nações.

Alguns atores globais criticaram publicamente os EUA por manterem suas sanções em meio ao surto de coronavírus. Os aliados europeus de Washington, Alemanha, França e Reino Unido usaram o mecanismo de escambo INSTEX para entregar suprimentos médicos ao Irã pela primeira vez no final de março.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020040815431680-eua-sao-contra-ira-pede-que-fmi-conceda-emprestimo-de-us-5-bi-para-combater-a-covid-19/

Mortos pela COVID-19 no Irã ultrapassam os 3.000 e presidente culpa os EUA

Presidente iraniano Hassan Rouhani
© Sputnik / Sergei Guneev

O número de mortos pelo novo coronavírus no Irã passou de 3 mil, disse o Ministério da Saúde nesta quarta-feira, quando o presidente Hassan Rouhani acusou os EUA de perderem uma "oportunidade histórica" de suspender as sanções.

As tensões entre os arqui-inimigos aumentaram desde que o presidente estadunidense Donald Trump abandonou um acordo nuclear histórico em 2018, reimpondo sanções abrangentes.

Teerã pediu repetidamente a Washington que reverta sua política, a qual tem sido contestada pelos aliados dos EUA, principalmente desde o início da pandemia da COVID-19.

O porta-voz do Ministério da Saúde, Kianoush Jahanpour, afirmou que o número de mortos por coronavírus no Irã agora é de 3.036, após 138 novas mortes nas últimas 24 horas.

Ele acrescentou que 2.987 novos casos foram confirmados, elevando o total para 47.593, com 15.473 daqueles hospitalizados tendo se recuperado e recebido alta.

"Esta foi a melhor e histórica oportunidade para os americanos reverterem seu caminho errado e, pela primeira vez, dizerem à nação que não são contra o povo iraniano", declarou Rouhani em comentários televisionados em uma reunião do gabinete.
Como medida de prevenção contra o coronavírus, funcionários desinfetam metrô da capital do Irã
© AP Photo / Ebrahim Noroozi
Como medida de prevenção contra o coronavírus, funcionários desinfetam metrô da capital do Irã

"Não aprenderam a lição nem durante essa difícil situação global. Era uma questão humanitária. Ninguém os culparia por recuar", acrescentou.

Medicamentos e equipamentos médicos estão tecnicamente isentos das sanções dos EUA, mas as compras são frequentemente bloqueadas pela falta de vontade dos bancos em processar as compras por medo de incorrer em grandes multas nos Estados Unidos.

Países como Azerbaijão, Reino Unido, China, França, Alemanha, Japão, Qatar, Rússia, Turquia e Emirados Árabes Unidos enviaram remessas de assistência médica ao Irã.

Os países europeus também entregaram produtos médicos ao Irã na primeira transação sob o mecanismo de financiamento do Instex, criado para contornar as sanções dos EUA, informou a Alemanha na terça-feira.

Faz mais de um ano que o Reino Unido, a França e a Alemanha anunciaram a criação do Instex, um atraso que levou o Irã a questionar o compromisso dos governos europeus de superá-lo, desafiando o governo Trump.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020040115402281-mortos-pela-covid-19-no-ira-ultrapassam-os-3000-e-presidente-culpa-os-eua/

'Não é momento para guerra política', diz líder do Irã sobre sanções dos EUA em meio à COVID-19

Presidente do Irã, Hassan Rouhani, se pronuncia em reunião sobre acidente aéreo
© AP Photo / Presidência do Irã

O presidente do Irã afirma que a situação iraniana "é boa" e que o país tem sido gerido "da melhor forma possível" apesar das novas sanções norte-americanas e o novo coronavírus.

Durante uma reunião do gabinete no domingo (29), o presidente iraniano, Hassan Rouhani, denunciou as novas sanções dos EUA contra Teerã em meio à luta do país, juntamente com o resto do mundo, contra a pandemia do coronavírus, causador da doença COVID-19, escreve a imprensa iraniana Press TV.

Na quinta-feira (26), a administração Trump acrescentou cinco organizações, bem como 15 pessoas, às listas de sanções devido a alegados laços com a Força Quds do Irã, estando Teerã pedindo que as sanções à sua economia sejam canceladas em meio à pandemia do coronavírus, que atinge o país e o mundo.

O presidente iraniano declarou que a pandemia mortal uniu o povo iraniano e criou confiança mútua com o governo, apesar do sofrimento causado pela doença. Rouhani saudou o tratamento "aceitável" do surto no país, dizendo que a situação no Irã "é boa" em comparação com "a Europa e o Ocidente", embora o país esteja sob pesadas sanções econômicas e comerciais dos EUA.

"Sob sanções temos sido capazes de resistir e gerir o país da melhor forma possível", disse Rouhani.

Ele observou que a saúde e a segurança da sociedade iraniana é um "princípio" para sua administração no momento atual, caracterizando ao mesmo tempo as críticas à resposta de seu governo à pandemia no Oriente Médio como "guerra política".

"Este não é o momento de procurar seguidores", acrescentou o presidente. "Este não é o momento para uma guerra política."

No início do dia, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Javad Zarif, também criticou as sanções "ilegais e imorais" dos EUA contra o Irã.

 

Os EUA passaram de sabotagem e assassinatos para uma guerra econômica e terrorismo econômico sobre iranianos, para terrorismo médico em meio à COVID-19 no Irã. Isto até "excede o que seria permitido no campo de batalha". Deixem de ajudar crimes de guerra. Deixem de obedecer às sanções imorais e ilegais dos EUA.

Na última segunda-feira (23), vários membros do Congresso dos EUA assinaram uma carta a Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, e a Steven Mnuchin, secretário do Tesouro, pedindo a suspensão das sanções contra o Irã, uma vez que a República Islâmica, tal como os EUA, enfrenta um forte surto de coronavírus.

A Rússia e a China, juntamente com outras nações, pediram constantemente aos EUA que cancelassem as sanções, enviando ajuda humanitária e profissionais médicos ao Irã, em uma tentativa de ajudar o país atingido pelo coronavírus coronário.

Até domingo (29), o Irã registou 38.309 casos de infecção, e teve 123 novas mortes do novo coronavírus, elevando o número total de mortes no país para 2.640, de acordo com o Ministério da Saúde iraniano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020033015393602-nao-e-momento-para-guerra-politica-diz-lider-do-ira-sobre-sancoes-dos-eua-em-meio-a-covid-19/

Agravamento de sanções dos EUA ao Irão é ato reprovável

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O departamento de Estado norte-americano anunciou a imposição de novas sanções contra o Irão, no exato momento em que o país enfrenta um dos piores surtos do novo coronavírus no mundo, com cerca de 20 mil infecções e mais de um milhar de mortes.

Esta foi a resposta da administração dos EUA aos apelos do governo iraniano e de diversas organizações pela suspensão das sanções de modo a que os iranianos pudessem aceder convenientemente a medicamentos, equipamentos e tratamentos clínicos.

Várias organizações sociais consideram esta medida como terrorista, transformando um grave problema de saúde pública numa arma política e económica.

Se as ilegais sanções promovidas pelos EUA e seus aliados sempre tiveram como principal alvo o povo Iraniano, o anuncio de novas sanções neste momento coloca completamente a nu a completa desumanidade da Administração dos EUA.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação https://bit.ly/3bl2wKa

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/03/23/agravamento-de-sancoes-dos-eua-ao-irao-e-ato-reprovavel/

EUA impõem sanções relacionadas ao Irã enquanto país sofre com coronavírus

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Washington, 19 mar (Xinhua) - Os Estados Unidos impuseram na quinta-feira novas sanções relacionadas ao Irã para pressionar ainda mais o Teerã enquanto o país sofre com o surto de COVID-19.

 

O Departamento do Tesouro dos EUA indicou cinco empresas baseadas nos Emirados Árabes Unidos (EAU) que facilitam as vendas de petróleo e petroquímica do Irã, de acordo com comunicado divulgado pelo departamento.

 

"Em 2019, essas empresas dos Emirados Árabes Unidos adquiriram coletivamente centenas de milhares de toneladas métricas de produtos petrolíferos da NIOC para entrega nos Emirados Árabes Unidos", afirmou o comunicado.

 

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, acusou o Teerã de usar "as receitas das vendas de petróleo e petroquímico para financiar seus procuradores terroristas, como o IRGC-QF, em vez da saúde e bem-estar do povo iraniano".

 

De acordo com a indicação, todas as propriedades e interesses nas propriedades dessas entidades foram bloqueados e as pessoas dos EUA estão proibidas de realizarem transações com elas.

 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse na quarta-feira que os Estados Unidos seriam responsáveis ​​pelas "ramificações destrutivas" de suas sanções unilaterais contra o Irã, enquanto o país está lutando contra o surto de COVID-19.

 

Zarif disse que o cerco econômico imposto pelos Estados Unidos ao Irã impede todo o comércio legítimo e priva os iranianos de seus próprios recursos, necessários para atendimento das necessidades dos iranianos, incluindo sua saúde e meios de subsistência.

 

Zarif disse que as "sanções ilegais, desumanas e unilaterais contra o Irã" devem ser removidas, já que o país está lutando para conter o novo coronavírus.

 

O Irã está entre os países que foram severamente atingidos pelo surto de novos coronavírus. O Ministério da Saúde e Educação Médica do Irã anunciou na quinta-feira a morte de 1.284 pessoas, de um total de 18.407 casos de coronavírus, segundo a agência de notícias oficial IRNA.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/21/c_138901973.htm

Trump ofende a humanidade ao intensificar sanções contra o Irã em tempos de pandemia, diz Socorro Gomes

O presidente Donald Trump anunciou na quarta-feira (18) o reforço das sanções dos Estados Unidos contra o Irã, um dos países mais afetados pela pandemia de coronavírus, com milhares de casos confirmados. O movimento da paz internacional já reagiu de forma contundente contra mais esta medida criminosa do governo Trump. A presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP) Socorro Gomes emitiu a seguinte nota.

Em tempos de pandemia, Trump ofende a humanidade intensificando sanções contra o Irã

O governo de Donald Trump decidiu reforçar as sanções criminosas que os Estados Unidos têm mantido e intensificado contra o Irã há décadas. O movimento da paz estadunidense já denunciou a perversidade de tal medida, especialmente porque o Irã é um dos países mais afetados pelo surto mundial de coronavírus, com mais de 17 mil casos confirmados de contaminação e mais de mil mortes registradas até o momento, enquanto ainda faltam medicamentos vitais e equipamentos médicos para que o povo iraniano enfrente a pandemia.

Por isso, é indignante e rechaçamos nos mais veementes termos a decisão criminosa de Donald Trump de intensificar as sanções, num momento em que as nações deveriam cooperar para superar esta pandemia e criar soluções para proteger os seus povos e a humanidade contra essa calamidade humanitária.

Expressamos, como sempre, nossa solidariedade com o povo iraniano que enfrenta as políticas imperialistas dos Estados Unidos, em situações, literalmente, de vida ou morte. Unimo-nos às organizações de paz que já denunciaram a ação de Trump como um crime contra a humanidade e exigem a outras nações, especialmente os aliados europeus dos EUA, que não obedeçam os desmandos de Trump e cooperem com o Irã na luta contra a pandemia.

Que tenhamos que testemunhar a adoção de tal medida é ainda mais esclarecedor da natureza atroz do imperialismo e da necessidade de fortalecermos a solidariedade internacional entre os povos e com o povo iraniano.

Fim às sanções criminosas dos Estados Unidos contra o Irã, já!

Socorro Gomes
Presidenta do Conselho Mundial da Paz.

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Mortes por coronavírus no Irã superam 1.280; 1 pessoa morre a cada 10 minutos

 

Reuters - O número de mortes pelo novo coronavírus no Irã chegou a 1.284 nesta quinta-feira, informou o Ministério da Saúde, com um total de 18.407 casos confirmados na República Islâmica.

A propagação do vírus prejudicou as comemorações do Irã pelo ano novo de Nowruz, que começa na sexta-feira. As autoridades orientaram que as pessoas fiquem em casa e evitem viajar durante o feriado para ajudar a reduzir o contágio.

“Com 149 novas mortes nas últimas 24 horas, o total de mortos pelo vírus chegou a 1.284. Infelizmente, temos 1.046 novos casos de infecção desde ontem”, disse o vice-ministro da Saúde, Alireza Raeisi, na televisão estatal.

O número representa uma morte a cada 10 minutos no Irã, tuitou o porta-voz do ministério nesta quinta-feira, acrescentando que cerca de 50 pessoas são infectadas por hora. O país é o mais afetado pelo novo coronavírus no Oriente Médio.

O governo ordenou o fechamento de instituições de ensino e proibiu eventos esportivos, culturais e religiosos.

O chefe de energia nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, disse à TV estatal nesta quinta-feira que o Irã não comemoraria a celebração anual de seus programas nucleares devido ao surto de Covid-19.

EUA impõem novas sanções ao Irão em pleno surto de Covid-19

Washington anunciou novos embargos contra Teerão, no contexto da política de «máxima pressão», depois de já ter oferecido ajuda ao país persa para lidar com a pandemia – ajuda que foi recusada.

O Irão não quer a ajuda norte-americana, mas, sim, o fim das sanções impostas ao país por Washington, cuja hipocrisia denunciaCréditos / commondreams.org

O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, declarou esta terça-feira, numa conferência de imprensa, que Washington passou a incluir na sua «lista negra» nove entidades com sede na África do Sul, Hong Kong e China continental, bem como três cidadãos iranianos, «por participarem em transacções significativas» para negociar produtos petroquímicos iranianos.

Pompeo, que não nomeou as entidades e indivíduos visados, sublinhou que este passo incluía na «lista negra» a empresa de investimento na Segurança Social das Forças Armadas iranianas, assim como o seu director, por investir em entidades sancionadas pelos Estados Unidos, revelam a HispanTV e o periódico Haaretz.

Por seu lado, o Departamento do Comércio norte-americano informou que irá acrescentar seis pessoas, incluindo cinco cientistas nucleares iranianos, e 18 empresas à «Lista de Entidades» dos EUA por ajudarem o programa nuclear do Irão.

Sem referir os nomes das entidades visadas, o Departamento do Comércio disse que esta iniciativa abrange uma empresa no Irão, duas na China, nove no Paquistão e cinco nos Emirados Árabes Unidos, e que restringirá a exportação de determinados artigos.

Política de «máxima pressão»

Em Maio de 2018, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a retirada dos EUA do acordo sobre o programa nuclear iraniano, que havia sido assinado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido), pela Alemanha, pela União Europeia e pelo Irão, em Julho de 2015.

Trump assinou um memorando que repôs «de imediato» as sanções económicas que tinham sido retiradas após o acordo, visando estrangular a economia iraniana através de um autêntico bloqueio, que atinge igualmente as empresas estrangeiras que tenham presença ou negócios com o Irão.

Desde então, várias organizações internacionais e países se pronunciaram contra esta política de «máxima pressão». Os apelos ao levantamento das sanções impostas ilegalmente pelos EUA intensificaram-se nas últimas semanas, uma vez que atingiram o sistema iraniano de saúde e o país asiático está a unir forças com outros países para combater a pandemia do novo coronavírus.

No Irão, o número de pessoas infectadas passou os 17 500. De acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde, mais de 1100 pessoas faleceram, enquanto 5389 pacientes recuperaram completamente.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-impoem-novas-sancoes-ao-irao-em-pleno-surto-de-covid-19

(Multimídia) China apela por suspensão das sanções sobre Irã em meio à luta contra pandemia


Beijing, 17 mar (Xinhua) -- A China pediu a suspensão imediata das sanções sobre o Irã para evitar a interferência na luta contra a COVID-19 e a deterioração da economia e da vida do povo do país, disse nesta segunda-feira Geng Shuang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.

Geng fez o comentário em uma coletiva de imprensa ao responder a uma carta enviada pelo presidente iraniano, Hassan Rouhani, aos líderes de vários países, na qual acusa o governo dos Estados Unidos pelo contínuo impedimento nos esforços do Irã para conter a pandemia, com as sanções tendo causado perdas diretas à economia iraniana de cerca de US$ 200 bilhões em menos de dois anos.

Ao indicar que o governo e o povo do Irã estão em um momento crítico para combater a doença do novo coronavírus, Geng assinalou que as contínuas sanções unilaterais impostas ao país vêm deteriorando a situação contra o espírito humanitário.

As sanções poderiam afetar severamente a luta do Irã contra a pandemia e a assistência humanitária oferecida pelas Nações Unidas e outras organizações internacionais, acrescentou Geng.

Dando atenção estreita à situação no Irã e mantendo comunicação com o país no Oriente Médio, a China enviou materiais anti-epidêmicos incluindo kits de teste e uma equipe de especialistas voluntários, disse Geng.

O porta-voz acrescentou que a China continuará fornecendo assistência dentro de suas capacidades de acordo com as necessidades do Irã, e espera que a comunidade internacional fortaleça a cooperação com o país e proteja em conjunto a segurança de saúde pública global e regional.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/17/c_138886940.htm

Sanções dos EUA aprofundam efeitos do coronavírus no Irã, diz analista americano

Bombeiro iraniano desinfeta ruas da capital Terrã (foto de arquivo)
© AFP 2020 / STR

Enquanto o Irã já registrou a morte de mais de 700 pessoas pelo novo coronavírus, governo iraniano e especialista apontam dificuldade do país no combate à pandemia devido às sanções dos EUA.

Após mais de um ano de aumento da pressão contra o Irã por parte da administração Trump, o Irã tem acusado as sanções americanas de agravarem ainda mais a crise do coronavírus no território persa.

Segundo publicou a agência Mehr, pelo menos 724 pessoas já morreram no país persa até o último domingo (16), enquanto cerca de 14.000 sofrem da COVID-19.

Comentando o assunto, o colunista e analista americano Stephen Lendman disse à mídia:

"Tendo em vista a emergência sanitária da COVID-19 no Irã, exacerbada pelas sanções dos EUA que impedem a importação de alimentos e remédio [ao Irã], a comunidade internacional é especialmente obrigada a ajudar. Isso inclui ignorar as sanções dos EUA."

Esforço diplomático

Por sua vez, a chancelaria iraniana, encabeçada pelo ministro persa Mohammad Javad Zarif, tem se esforçado para convencer outros países a rechaçarem as sanções americanas em relação ao tema.

Segundo publicou a agência Fars, Zarif disse em conversa telefônica com seu homólogo do Azerbaijão, Elmar Mammadyarov, que todos os países devem cooperar para vencer a pandemia.

Contudo, o especialista acredita que a busca do Irã por apoio de lideranças mundiais não deverá obter o resultado esperado.

"Eu acredito que a maior parte dos líderes mundiais aos quais o presidente [iraniano] Rouhani e o chanceler Zarif escreveram irá responder educadamente, mas farão pouco ou nada", acrescentou.

Por sua vez, o jornal The Washington Post frisou os efeitos negativos das sanções, afirmando que "os médicos [iranianos] tentaram sem sucesso convencer a comunidade internacional a abandonar as sanções para que pudessem comprar equipamentos médicos".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020031615334967-sancoes-dos-eua-aprofundam-efeitos-do-coronavirus-no-ira-diz-analista-americano/

China envia mais especialistas para ajudar Irã a combater o coronavírus

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Hefei, 15 mar (Xinhua) - Mais dois especialistas voluntários enviados pela Cruz Vermelha da China partiram para o Irã no sábado à noite para ajudar o país a combater o surto do novo coronavírus, divulgaram fontes da Cruz Vermelha da Província de Anhui.

Os dois especialistas médicos do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Ciência e Tecnologia da China em Hefei, capital provincial de Anhui, pegaram um voo da Mahan Air do Irã de Guangzhou para Teerã.

Eles se juntarão a outros cinco especialistas voluntários chineses que estão trabalhando no Irã desde 29 de fevereiro. Eles planejam ficar lá até 29 de março.

"Aproveitaremos a experiência da China para tratar pacientes no Irã e faremos nossa parte na luta do Irã contra o novo coronavírus", disse Wang Dongsheng, um dos dois especialistas. Ele trabalhou também em Wuhan, o epicentro do surto na Província de Hubei.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/15/c_138880127.htm

O móbil do assassinato de Jamal Khashoggi

 

O jornalista iraniano do Guardian, Saeed Kamali Dehghan (foto), assegura hoje que Jamal Khashoggi foi seu informante (informador-pt). Segundo ele, as confidências que a si teria feito seriam o motivo do assassinato do jornalista do Washington Post (e membro dos Irmãos Muçulmanos), em 2 de Outubro de 2018, em Istambul.

Em Outubro de 2018, Saeed Kamali Dehghan publicou três artigos sobre mídia (média-pt) de influência saudita [1]. Nomeadamente, ele havia indicado que a cadeia (canal-pt) Iran International TV, sediada em Londres, é secretamente financiada por US $ 250 milhões de dólares pela Arábia Saudita.

Ela fora criada justo antes da eleição presidencial iraniana de 19 de Maio de 2017.

A autoridade reguladora britânica, a Ofcom, havia se preocupado com as ações dessa cadeia que tinham feito a defesa dos Mujahedin do Povo e do Movimento de Libertação do Avaz; duas organizações que reivindicaram inúmeras ações terroristas contra a República Islâmica e que são apoiadas pela Arábia Saudita.

Saeed Kamali Dehghan havia especificado que a operação de intoxicação da Iran International TV era dirigida por Saud al-Qahtani em nome do Príncipe Mohamed bin Salman. No entanto, foi esse mesmo al-Qahtani quem supervisionou a purga do Ritz-Carlton e o interrogatório do Primeiro-ministro libanês, Saad Hariri. Fora ele também quem a Turquia identificou como o supervisor do assassinato de Khashoggi. Agora, ele estaria colocado em prisão domiciliar em Riade.

Saeed Kamali Dehghan foi treinado pelas redes de George Soros. Ele realizou um documentário, em 2009, para a HBO assegurando que a jovem Neda Agha-Soltan havia sido assassinada pelos Serviços Secretos da República Islâmica durante as manifestações contra a reeleição do Presidente Mahmud Ahmadinejad. Por esse trabalho, ele recebeu um Peabody Award (Prêmio Peabody-ndT) e fora nomeado jornalista do ano de 2010 pela Associação de Imprensa Estrangeira no Reino Unido (patrocinado pelo Catar). Na realidade, a jovem Neda não fora assassinada pelo Irã (Irão-pt) durante a manifestação, mas durante seu transporte para o hospital por seus agentes de tratamento [2].

Saeed Kamali Dehghan se tornou, mais tarde, colaborador da CNN, CBC, France 24, Channel 4, depois Le Monde e o do Guardian.

Desde o assassinato de Khashoggi, os Serviços Secretos de Sua Majestade têm feito o melhor para desacreditá-lo, e o Guardian o proibiu de publicar sobre este assunto seja o que for [3].



[1] “Ofcom examining TV network over interview praising attack in Iran”, Saeed Kamali Dehghan, The Guardian, October 2, 2018. “Independent’s deal with Saudi publisher back under spotlight”, Jim Waterson & Saeed Kamali Dehghan, The Guardian, October 19, 2018. “Concern over UK-based Iranian TV channel’s links to Saudi Arabia”, Saeed Kamali Dehghan, The Guardian, October 31, 2018.

[2] Lire l’encadré en fin d’article : « Que se passe-t-il en Syrie ? », par Domenico Losurdo, Traduction Marie-Ange Patrizio, Réseau Voltaire, 27 avril 2011.

[3] “Guardian reporter speaks out on Neda Agha-Soltan, Jamal Khashoggi, Iran International TV, Masih Alinejad”, Mohammad Homaeefar, Tehran Times, March 3, 2020.



Ver original na 'Rede Voltaire'



O Irão, a Guarda Islâmica, a Poesia e o Covid 19

Na verdade inicialmente as autoridades iranianas não enfrentaram o Covid 19 como uma ameaça real, mas agora vieram a público esclarecer que têm planos de poderem mobilizar 300.000 soldados e voluntários para enfrentar o vírus.

 

 

24 de Fevereiro

O vice-ministro da Saúde do Irã0, Iraj Harirchi, enxuga o suor do rosto, durante uma conferência de imprensa com o porta-voz do governo da república islâmica Ali Rabiei em Teerão. A 25 de fevereiro soube-se que testou positivo para o novo corona vírus, no meio do surto epidémico do Irão.

 2 de Março

Uma equipe de especialistas da OMS chega a Teerão, para apoiar a resposta contínua ao surto de doença por corona vírus-2019 (COVID-19) no país.

O avião que transportava os membros da equipe técnica, continha uma remessa de materiais médicos e equipamentos de proteção para apoiar mais de 15.000 profissionais de saúde, além de kits de laboratório suficientes para testar e diagnosticar cerca de 100.000 pessoas. A OMS expressou a sua sincera gratidão ao Governo dos Emiratos Árabes Unidos por fornecer o avião fretado que permitiu à OMS levar com sucesso que sua equipe e material médico viajassem para a República Islâmica do Irão

3 de Março

O site foreignpolicy.comnoticiava em impressionante título:

O isolamento político e económico do Irão não impediu o COVID 19 – mas as sanções ameaçam transformar um surto numa catástrofe.

O líder supremo do Irão Ali Hosseini Khamenei de 80 anos, ordenou que as forças armadas da República Islâmica ajudassem o Ministério da Saúde a combater a propagação do novo Covid 19.

A decisão do líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, ocorre quando o Irão tem o maior número de mortos pelo novo vírus e pela doença de COVID-19 fora da China, o epicentro do vírus.

Nesta data um parlamentar iraniano teria dito aos colegas para interromper o contacto com o público, pois havia 23 casos do novo Covid 19 entre os membros do parlamento.

Abdolreza Mesri

Este membro do parlamento, Abdolreza Mesri, foi referido pelo programa Young Journalists Club da televisão estatal iraniana.

Abdolreza Mesri foi eleito pela segunda vez como um dos representantes de Kermanshah, uma grande província iraniana, a mais de quinhentos km de Teerão, na 9ª Assembleia Consultiva Islâmica a 2 de março de 2012. Antes de ser eleito deputado, era embaixador do Irão na Venezuela.

Os primeiros casos de COVID 19 no Líbano, Geórgia, Líbia, Qatar, Nova Zelândia, entre outros, foram trazidos por viajantes vindos do Irão. A epidemia provavelmente entrou no Irão vinda da China com a qual o país tem grandes relações comerciais.

O site em língua farsi da Wikipedia parece ter sido interrompido no Irão depois de um político ou amigo próximo do líder supremo do país falecer com infeção pelo Covid 19, revelou um grupo ativista.

Esse tipo de informação pode ser ou não ser verdadeiro. Essa pessoa falecida seria Mohammad Mirmohammadi, mas as autoridades iranianas e os órgãos de comunicação social estatal não o confirmaram.

Enquanto a República Islâmica está a sofrer ,juntamente com a Itália, a maior taxa de mortalidade pela epidemia fora da China, as autoridades enfrentam críticas crescentes do público iraniano sobre o surto, e o medo e preocupação, veiculada por rumores e boatos, de que o número de casos do vírus possa ser maior do que o atualmente relatado.

Na verdade inicialmente as autoridades iranianas não enfrentaram o Covid 19 como uma ameaça real, mas agora vieram a público esclarecer que têm planos de poderem mobilizar 300.000 soldados e voluntários para enfrentar o vírus.

4 de Março

As mortes que ocorreram no Irão, na Itália, e na Coreia do Sul, representam 80% dos novos casos de vírus fora da China, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Ao todo, mais de 94.000 pessoas contraíram o vírus em todo o mundo, com mais de 3.200 mortes.

8 de Março

Membros da Guarda Revolucionária do Irão, com máscaras de gás e roupas impermeáveis, fazem agora a aspersão com desinfetantes das ruas, serviços públicos e hospitais.

É possível colocar a hipótese de que ,além de reconhecerem a necessidade destas medidas de saúde publica, tenham sentido a vaga de medo que se avoluma na população que considerará, que tal como na Itália, não tenham sido logo tomadas as medidas mais drásticas que se impunham. É de má-fé imaginar que as autoridades iranianas só tenham acordado depois de elementos das elites políticas e dos seus familiares terem adoecido ou morrido.

A imprensa ocidental prefere colocar a tónica de que no Irão prevalece o interesse de manter o poder estabelecido nos radares da sobrevivência do governo, e que esse seria um interesse maior do que manter a saúde e prevenir a progressão da infeção no meio a um dos mais mortais surtos de vírus do mundo fora da China. Recuso-me a acreditar em tal teoria, sobretudo quando a vejo implantada pelo inquilino da Casa Branca.

Os líderes do Irão já conhecem o peso das sanções americanas por terem sido colocados todos de quarentena pela administração Trump, que aí não se preocupou (nem se preocupa agora) com a saúde da população que ficou com o fornecimento de medicamentos condicionado.

Claro que quando ouvimos o General iraniano Gholamreza Soleimani, que comanda a força voluntária da Guarda Basij clamar _”Preparamos todas as nossas instalações de saúde e quadros especializados que lutarão nessa jihad sagrada“, e sentimos uma vontade superior de rir, talvez nos esqueçamos da linguagem hiperbólica da poesia iraniana.

Lembro aqui que Ferdowsi é o poeta mais famoso do Irão, e escreveu o “Shahnameh”, epopeia nacional persa com mais de 60.000 versos. Ferdowsi escreveu este poema épico entre 977 e 1010 DC e foi traduzido com o título de ‘O Livro dos Reis’. Eram passados dez séculos desde que tu, ó Cristo, vieste visitar a terra!O livro conta a história do Irão desde tempos míticos até o período Sassânida no século VII, contando como histórias de heróis , governantes despóticos e demónios perversos que formam um contínuum que abarca a evolução humana. Ferdowsi demonstra a capacidade de leveza e de felicidade e infelicidade, em cada ser, encorajando seus leitores a tomar o lado do bem.

Imagino que de Ferdowsi já ninguém ri!

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica é um ramo da as Forças Armadas Iranianas, fundadas após a Revolução Iraniana em 22 de abril de 1979, por ordem do Ayatollah Khomeini. O Exército iraniano defende as fronteiras e mantém a ordem interna, de acordo com a constituição iraniana. A Guarda Revolucionária protege o sistema político da república islâmica do país. A Guarda Revolucionária baseia seu papel na proteção do sistema islâmico e na prevenção de interferências e golpes estrangeiros por parte dos militares ou “movimentos de oposição”.

O facto de a Guarda estar envolvida no esforço de socorro de uma grande catástrofe não é surpreendente no Irão. Os seus 125.000 soldados e 600.000 voluntários estão prontos para missões, frequentemente está na primeira linha quando há terramotos. Também em inundações recentes foram mobilizados.

Estas forças, têm médicos, epidemiologistas e virologistas, enfrentaram armas químicas durante a guerra de oito anos do Irão contra o Iraque nos anos 80. Expandiu-se na indústria privada após os anos da guerra para ajudar a reconstrução do país. Foram eles que fizeram uma grande campanha de vacinação contra a poliomielite.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica “é a principal instituição em qualquer ameaça contra o regime“, disse Afshon Ostovar, professor assistente da Escola Naval de Pós-Graduação nos Estados Unidos, que escreveu um livro sobre a Guarda Revolucionária.

E quando um americano que nem é poeta diz, nós não rimos, reverenciamos.

 

Afshon Ostovar

NOTA

Afshon Ostovar é analista sénior do Centro de Estudos Estratégicos da CNA e entrou para a Escola de Pós-Graduação Naval como Professor Assistente de Assuntos de Segurança Nacional. Vive em Washington, DC.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-irao-a-guarda-islamica-a-poesia-e-o-covid-19/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-irao-a-guarda-islamica-a-poesia-e-o-covid-19

Ultra-conservadores e conservadores vencem Legislativas no Irão

 

O ex-presidente da câmara municipal, e candidato derrotado em três eleições Presidenciais, foi o mais votado em Teerão nas Legislativas desta sexta-feira.

 

De acordo com os dados parciais avançados por media locais, este sábado à noite, o bloco dos conservadores e ultra-conservadores no Irão foi o grande vencedor das Legislativas, tendo já eleito 191 dos 290 lugares do Majlis (Parlamento).

Ontem, a agência semioficial Fars avançava que já tinham sido eleitos 241 deputados. Para além dos 191 do bloco conservador e ultra-conservador, os reformistas e moderados, que eram a força maioritária, só conseguiram conquistar 16 deputados. Os restantes 34 lugares do Parlamento foram atribuídos a independentes.

Mohammad Baqer Qalibaf, ex-presidente da câmara municipal de Teerão, candidato derrotado em três eleições Presidenciais e político de linha dura, foi o mais votado na capital iraniana.

Estes resultados parciais confirmam a expectativa de antes das eleições que era a derrota em toda a linha do bloco reformista e moderado, por duas razões, em que a principal foi a desqualificação de milhares de candidatos desta linha política pelo Conselho Guardião, órgão de tutela dos atos eleitorais no Irão.

A segunda razão assenta no profundo desapontamento dos eleitores, sobretudo das mulheres e dos que têm menos de 30 anos, com a gestão económica do Executivo do Presidente Hassan Rohani, sobretudo pela falta de cumprimento das promessas que fez na liberalização social e política, aquando da sua reeleição para o segundo e último mandato presidencial em 2017.

Dominando o poder legislativo, os conservadores têm condições para arrebatar a Presidência nas eleições de 2021. Segundo o jornal Público, o campo moderado está numa posição frágil, sobretudo por causa da morte do general Qassem Soleimani e depois de os Estados Unidos terem rasgado o acordo nuclear.

Os resultados completos, sobretudo em Teerão, deverão ser anunciados dentro de dias, acrescenta a Fars, sem se comprometer com datas. No próximo dia 17 de abril realiza-se uma segunda volta, para disputar 14 assentos.

Este domingo, o Guia Supremo do Irão, o ayatollahAli Khamenei acusou a imprensa estrangeira de ter lançado uma “campanha de propaganda” maciça para desencorajar os iranianos de irem votar.

A propaganda começou há alguns meses e intensificou-se com a aproximação das eleições e nos dois últimos dias [antes do escrutínio] com o pretexto de uma doença e de um vírus”, declarou, na sua página oficial na Internet.

Khamenei refere-se ao surto do coronavírus Covid-19 que, no país, já fez oito mortes e mais de 40 infetados. As autoridades anunciaram o encerramento temporário de escolas em várias províncias e foram proibidas aglomerações, como concertos e outros eventos.

A Comissão Eleitoral iraniana não indicou qual tinha sido a taxa de participação. Sabe-se que mais de 57 milhões de eleitores estavam inscritos, nos quais se incluem cerca de três milhões de novos votantes.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/conservadores-vencem-legislativas-irao-310100

Iranianos mortos pelo coronavírus não tiveram contato com chineses

Funcionários com máscaras de proteção são vistos na estação ferroviária de Xangai, na China, enquanto o país é atingido pelo surto do novo coronavírus, 7 de fevereiro de 2020
© REUTERS / Aly Song

Os 2 cidadãos iranianos que morreram infectados pelo novo coronavírus na cidade de Qom não tiveram contato com cidadãos da China.

A informação foi repassada à Sputnik por Masoud Mardani, membro do Comitê Nacional de Doenças Infecciosas do Ministério da Saúde do Irã.

Na quarta-feira (19) foi divulgado que duas pessoas morreram no Irã devido ao coronavírus. Os iranianos eram residentes de Qom.

"O comitê para a investigação de doenças infecciosas no Ministério da Saúde está tentando descobrir como o coronavírus foi transmitido aos infectados em Qom, mas é provável que a doença tenha sido transmitida por viajantes de [um dos] Estados vizinhos, embora não possamos confirmar o local da transmissão do vírus", afirmou Mardani.

O Ministério da Saúde do Irã disse ainda que não tem informações sobre casos de infecção em outras partes do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020022015236398-iranianos-mortos-pelo-coronavirus-nao-tiveram-contato-com-chineses/

O terrorismo e a mãe de todas as mentiras

A 3 de Janeiro de 2020, em Bagdade, Iraque, o general Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irão e o maior inimigo operacional do Daesh (dito Estado Islâmico) e da Al-Qaeda, foi assassinado durante um ataque ordenado por Donald Trump, presidente dos EUA - AP Photo/ Evan Vucci/Office of the Iranian Supreme Leader
 
 
Suspeitava-se de que assim era, mas o apuramento mais pormenorizado de factos e circunstâncias confirmam-no: uma mentira esteve na base da recente escalada de violência no Médio Oriente.
 
José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
Uma mentira esteve na base da recente escalada de violência no Médio Oriente que culminou com o assassínio do general iraniano Qasem Soleimani. Suspeitava-se de que assim era, mas o apuramento mais pormenorizado de factos e circunstâncias confirmam-no. O mainstream global evita abordar os acontecimentos segundo este novo ângulo – apesar de o New York Times o ter feito – porque seria obrigado a substituir toda a conveniente narrativa montada. Porém, o que na realidade aconteceu foi: os terroristas do Estado Islâmico realizaram a operação que serviu de pretexto a Trump e ao Pentágono para assassinarem o maior inimigo do Estado Islâmico – e da al-Qaeda.
 
Há uma mentira fundadora da torrente de falsidades que acompanhou a escalada desencadeada pelos Estados Unidos contra o Irão e o Iraque no início do ano. Serviços militares iraquianos, entre eles o sector de inteligência, explicam que era impossível um grupo armado xiita como o Khataeb Hezbollah, qualificado como «pró-iraniano», ter sido o autor do ataque de 27 de Dezembro contra a base norte-americana K-1 na província iraquiana de Kirkuk.
 
Citado pelo New York Times, o brigadeiro general iraquiano Ahmed Adnan afirma que «todas as indicações vão no sentido de ter sido o Daesh», ou Isis, ou Estado Islâmico, a realizar a operação. «Nós próprios, como forças iraquianas, não podemos sequer entrar na área de onde foi feito o ataque a não ser com forças de envergadura, porque não é seguro», acrescenta. «Como poderia um grupo xiita, que não conhece a zona, chegar ao local, tomar posições e desencadear o ataque»?
 
Os pressupostos da confirmação do militar iraquiano são simples, elementares mesmo. A zona de onde foi lançado o ataque com rockets contra a base K-1 situa-se numa região de população sunita controlada pelo Estado Islâmico. Não há conhecimento de qualquer presença de grupos armados xiitas na área desde 2004. Os militares iraquianos tinham, entretanto, informado as tropas norte-americanas de ocupação de que havia um recrudescimento das actividades do Estado Islâmico durante as semanas que antecederam o ataque. Além disso, a viatura pickup de onde foram lançados os rockets foi encontrada a 300 metros de um local onde membros deste grupo procedem a execuções.
 
Todas as circunstâncias apontam no mesmo sentido: só poderia ter sido o Estado Islâmico a atacar a base norte-americana.
 
 

Enxurrada de mentiras

 
Desse ataque, segundo as fontes oficiais de Washington, terá resultado a morte de um civil norte-americano de uma empresa contratada pelo Pentágono, possivelmente um mercenário; e quatro militares teriam ficado feridos. Na realidade, nem estas informações podem ser dadas como adquiridas, porque as identificações da vítima mortal e dos feridos nunca foram divulgadas.
 
Segundo a versão oficial do Pentágono, dada a conhecer imediatamente após o ataque, a operação foi realizada por forças paramilitares xiitas do grupo «pró-iraniano» Khataeb Hezbollah, organização que integra as Forças Populares de Mobilização, todas elas associadas à maioria parlamentar que apoia o governo do Iraque.
 
No dia 28 de Dezembro, como «resposta» à acção, os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra bases do Khataeb Hezbollah na Síria e no Iraque, matando dezenas de pessoas.
 
As operações geraram uma onda de indignação em várias cidades iraquianas, principalmente em Bagdade, onde os manifestantes escolheram como alvo o edifício da Embaixada dos Estados Unidos, a maior e mais protegida do mundo.
 
E no dia 3 de Janeiro registou-se, nas imediações do aeroporto de Bagdade, o assassínio do general iraniano Qasem Soleimani e de Abul Mahdi al-Muhandis, vice-presidente das Forças Populares de Mobilização. A ordem para matar foi dada pessoalmente por Donald Trump e a operação significou a realização de actos de guerra contra os governos do Irão e do Iraque.
 
O presidente dos Estados Unidos declarou publicamente que mandou matar Soleimani «por ser o responsável pelo ataque de 27 de Dezembro» contra a base de Kirkuk e por estar «a preparar ataques iminentes contra embaixadas norte-americanas».
 
Quanto ao ser «responsável pelo ataque» de dia 27, já se percebeu tratar-se de uma redonda mentira. Ao invés, o chefe do regime de Washington assassinou o principal inimigo operacional de grupos terroristas como o Estado Islâmico e a al-Qaeda, usando como pretexto um ataque cometido pelo Estado Islâmico e cujas supostas vítimas permanecem anónimas.
 
Acresce que o presidente norte-americano não apresentou, até hoje, uma única prova de que estariam em preparação «ataques iminentes» contra embaixadas dos Estados Unidos, apesar de ter sido instado a fazê-lo por jornalistas e membros do Congresso.
 
Mais recentemente, no discurso sobre o estado da União proferido há uma semana, Donald Trump ufanou-se de ter «destruído o Estado Islâmico a cem por cento» – uma declaração desmentida pelas realidades que continuam a viver-se na Síria, no Iraque, no Afeganistão e mesmo na Líbia.
 
Se um dos objectivos desta coxíssima peta foi o de dar a entender que, uma vez «destruído», o Estado Islâmico não poderia ter sido o autor do ataque contra a base em Kirkuk o presidente norte-americano passou da mentira à falta de senso do ridículo – no que é acompanhado pelos media que continuam a dar-lhe crédito.
 

Terrorismo, o fulcro da questão

 
Conhece-se o epílogo desta escalada bélica do início do ano, o que não significa o fim das mentiras que a marcaram.
 
O Irão respondeu ao assassínio de Soleimani atacando duas bases norte-americanas ocupadas no Iraque; e no rescaldo da operação a anti-aérea iraniana abateu «por engano» um avião civil ucraniano. Uma acção que, apesar das admissões de Teerão, não está isenta de dúvidas e suspeitas sobre a eventual existência de pirataria informática externa na manipulação dos sistemas de defesa iranianos.
 
O que resultou da crise, com efeitos no presente e no futuro, foram novas sanções impostas contra o Irão, o fim do acordo internacional sobre o sistema nuclear civil iraniano – uma vez que as potências europeias se renderam, uma vez mais, às chantagens de Washington – e o aprofundamento da crise social e política no Iraque.
 
Este aspecto é de grande importância para todo o Médio Oriente se for lido à luz das denúncias feitas no Parlamento de Bagdade pelo ex-primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi. Na ocasião, citou conversas que manteve com Trump nas quais o presidente dos Estados Unidos lhe comunicou que a agitação social interna iria continuar, com incentivos de Washington, e que as tropas norte-americanas permanecerão se o governo iraquiano não cancelar o recente acordo com a China sobre a reconstrução do país.
 
Chega-se assim a uma das questões centrais relacionadas com os mais recentes desenvolvimentos no Médio Oriente. Os Estados Unidos, através do seu aparelho militar – e o da NATO – propõem-se fazer tudo para travar a crescente influência da China e da Rússia na região, designadamente na Síria, no Iraque, no Irão, inclusivamente na Arábia Saudita – o maior fornecedor de petróleo de Pequim.
 
Fazer tudo significa manter latente e activo, como braço armado, o terrorismo dito islâmico, que não é mais do que um exército mercenário informal em mobilidade através da região, coberto sob uma miríade de bandeiras que se resumem a duas – Estado Islâmico e al-Qaeda –, cumprindo objectivos de guerra e desestabilização.
 
No Iraque existe um claro recrudescimento do Estado Islâmico no quadro da política de «contenção da influência iraniana»; na Líbia actuam milhares de mercenários que já estiveram na Síria e foram transferidos sob a égide da Turquia para travar quaisquer esforços de solução pacífica da guerra civil.
 
E na Síria voltam a estar muito em evidência as conexões entre o terrorismo e a NATO através dos esforços que estão a ser desenvolvidos militarmente pela Turquia para impedir que as tropas regulares sírias libertem Idlib, o derradeiro bastião da al-Qaida no país.
 
Por isso, todas as mentiras que Trump e o Pentágono despejam em enxurrada de crise em crise, de episódio em episódio, convergem na mãe de todas as mentiras: a chamada «guerra global contra o terrorismo».
 
Não há guerra dos Estados Unidos e da NATO contra o terrorismo; há uma guerra feita de várias guerras regionais travada de braço dado com o «terrorismo islâmico», essa mezinha mágica da dominação imperial que começou a ser aplicada nos anos setenta e oitenta do século passado no Afeganistão e continua a ser usada contra os governos que se recusam a seguir a bússola de Washington. A NATO serviu-se do terrorismo para assassinar Khaddafi na Líbia e destroçar o país, da mesma maneira que a Turquia acode agora à al-Qaida na Síria interpretando os anseios da aliança, como Trump mandou matar o mais capacitado operacional do autêntico combate ao terrorismo servindo-se de uma operação montada com a colaboração dos terroristas do Estado Islâmico.
 
Quem é capaz de mentir sobre o flagelo do terror que acossa centenas de milhões de pessoas não hesitará em mentir sobre tudo o resto.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/o-terrorismo-e-mae-de-todas-as-mentiras.html

Pentágono eleva para 109 o número de militares com lesões cerebrais após ataque iraniano

 

O Pentágono elevou esta segunda-feira para 109 o número de militares norte-americanos com diagnóstico de traumatismo crânio-encefálico na sequência do ataque iraniano na base militar de Ain al-Assad, no Iraque, a 8 de janeiro.

 

Em comunicado, citado pela Reuters, o Pentágono afirma que são já 109 os militares com estes diagnóstico. Destes, precisa a agência noticiosa, 76 já regressaram ao serviço.

Inicialmente, as autoridades norte-americanas avançaram que o ataque levado a cabo pelo Irão não tinha causado nenhum morto ou ferido entre os militares norte-americanos.

Depois, foram surgindo outras informações que davam conta de dezenas de militares feridos após o ataque: a 24 de janeiro eram 30 militares, subindo este valor a 29 de janeiro para os 50. O mais recente balanço do Pentágono mais do que duplica este valor.

 

Esta lesão cerebral traumática pode prejudicar o raciocínio, a memória, a visão, a audição e outras funções. Em casos severos, observa o jornal norte-americano New York Post, pode resultar em coma, amnésia e até mesmo morte.

Durante a madrugada de 8 de janeiro, Teerão lançou mísseis contra as bases de Ain al-Assad e Erbil, no Iraque, onde estão estacionados alguns dos 5200 soldados norte-americanos, em retaliação pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/pentagono-eleva-190-numero-militares-lesoes-cerebrais-307881

Irã repele ataque cibernético de escala sem precedentes, informa vice-ministro

Ciberataque (imagem referncial)
© Foto / Pixabay

O Irã repeliu um ataque cibernético de grande escala, cujo objetivo era obstruir a rede de Internet do país. Teerã enfrenta agora uma "segunda onda" de ataques, informou o vice-ministro iraniano das Tecnologias de Informação e Comunicação, Hamid Fatakhi.

O vice-ministro iraniano das Tecnologias de Informação e Comunicação do Irã informou que o país repeliu ataque cibernético contra a estrutura de telecomunicação do país, informou o canal local IRINN:

"Hackers mercenários realizaram o maior ataque contra a infraestrutura do Irã em sua história", escreveu Fatakhi no Twitter.

Neste domingo (9), o canal informou que o ataque teria sido muito bem organizado e atingido escala sem precedentes.

"Esses ataques continuam, e a segunda onda já começou. Esperamos conseguir combatê-la com sucesso", disse Fatahi.

Neste sábado (8), as autoridades iranianas informaram que, no dia anterior, o país sofrera um ataque cibernético, que causou a queda do serviço de algumas operadoras de Internet por cerca de uma hora. O ataque foi repelido com sucesso.

O Irã é alvo deste tipo de ataques regularmente. A última vez que as autoridades relataram um incidente similar foi em dezembro de 2019. O ministro das Tecnologias de Informação e Comunicação, Mohammad Jawad Azari Jahromi, informou que o Irã já neutralizou milhões de ataques cibernéticos. Por outro lado, outros países também denunciam periodicamente a ocorrência de ataques por parte de "hackers iranianos".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020020915199112-ira-repele-ataque-cibernetico-de-escala-sem-precedentes-informa-vice-ministro/

Presidente do Irã diz que país está disposto a colaborar com a União Europeia

247 - O Irã deseja cooperar com o bloco europeu, inclusive quanto ao acordo nuclear.

"O Irã segue disposto a cooperar e colaborar com a União Europeia para solucionar os problemas, e no momento em que a outra parte cumpra, de modo completo, com suas obrigações, o Irã também regressará seus compromissos", disse o presidente Hassan Rouhani, por meio de comunicado.

O presidente persa defendeu a redução gradual do cumprimento do acordo nuclear de 2015, e garantiu que a medida está no marco do pacto e busca preservá-lo, informa a EFE.

 

"Lamentavelmente, a retirada unilateral dos Estados Unidos desse acordo criou muitos obstáculos e problemas às outras partes, para a completa implementação", criticou o presidente iraniano.

O acordo nuclear, firmado em 2015 entre Irã, EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha, está debilitado desde que, em 2018, o governo americano decidiu abandonar e voltar a impor sanções a Teerã, que o restante dos signatários não foi capazes de impedir.

Rouhani chama plano de Trump de 'Plano mais desprezível do século'

Presidente do Irã, Hassan Rouhani, se pronuncia em reunião sobre acidente aéreo
© AP Photo / Presidência do Irã

O presidente iraniano Hassan Rouhani descreveu a recém-anunciada iniciativa de paz no Oriente Médio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o "plano mais desprezível do século".

Na terça-feira (28), Trump anunciou seu chamado "acordo do século" ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Washington. O acordo estabelece termos para um futuro acordo de paz entre Israel e Palestina.

Netanyahu apoiou o acordo, assim como seu opositor e adversário político em Israel, Benny Gantz. Já os políticos palestinos condenaram o acordo, prometendo rejeitá-lo.

O acordo também foi mal visto entre líderes da região, como no caso do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e também do presidente iraniano, que se manifestou em sua página no Twitter.

Chega dessas tentativas tolas. O plano mais desprezível do século. #PlanoDesprezível.

 

O acordo de paz propõe uma solução de dois estados para resolver o conflito Israel-Palestina, mas também reconhece os assentamentos israelenses estabelecidos na Cisjordânia.

Segundo o acordo, o Estado palestino não receberia toda a Jerusalém Oriental. Em vez disso, a Palestina receberia um punhado de bairros que estariam fora de uma barreira de segurança construída por Israel, servindo como fronteira entre os territórios israelense e palestino.

O líder palestino Mahmoud Abbas criticou o plano de paz, dizendo que Jerusalém e os direitos dos palestinos não estão à venda e afirmando que os palestinos jogarão o plano de Trump na "lata de lixo da História".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020013015071484-rouhani-chama-plano-de-trump-de-plano-mais-desprezivel-do-seculo/

Irã critica plano de paz de Trump para Israel e Palestina: 'delirante'

Sputnik -O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, criticou o plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, que será revelado nesta terça-feira, para o conflito israelense-palestino, sugerindo que a proposta de referendo do Irã seria uma estratégia melhor.

Trump disse que divulgará seu "Acordo do Século" para Israel e Palestina - na verdade preparado por seu assessor e genro Jared Kushner -, mas Zarif já foi ao Twitter para condená-lo. Ele sugeriu que Washington abandonasse seu plano "ilusório" e apoiasse uma solução oferecida pelo líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

Diferentemente do plano dos EUA, cujos detalhes permanecem um mistério, a proposta apresentada por Khamenei equivale a realizar um referendo sobre um sistema de governo que inclui "muçulmanos, cristãos e judeus residentes da Palestina, bem como refugiados palestinos".

O líder iraniano também repetidamente criticou o "Acordo do Século" dos EUA, chamando-o de "traidor" e projetado para "destruir" a identidade da Palestina, pois ele aparentemente suspeita que o plano favorecerá muito Israel.

Embora pouco se saiba sobre o acordo, as informações já conhecidas sugerem que é improvável prever um Estado para os palestinos. A agência AFP informou que o presidente palestino Mahmoud Abbas já rejeitou o acordo antes de ser apresentado, e a Autoridade Palestina considera que uma solução de dois Estados é o único caminho a seguir.

É evidente que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e seu rival nas próximas eleições, Benny Gantz, participarão da cerimônia na Casa Branca, enquanto nenhum representante palestino estará presente.

Antecipando um plano fortemente pró-Israel, os líderes palestinos em Ramallah e Gaza também condenaram o próximo acordo e pediram um "dia de raiva" nesta terça-feira. Eles pediram aos palestinos que boicotassem os produtos americanos e removessem todos os símbolos americanos restantes na Cisjordânia.

Trump afirmou em uma entrevista coletiva no início desta semana que seu governo havia falado "brevemente" com os palestinos e prometeu conversar com eles novamente em algum momento no futuro. Ele admitiu que eles podem não gostar das propostas "no início". No entanto, ele também afirmou que seu plano é "realmente muito positivo para eles".

Washington reduziu centenas de milhões de dólares em ajuda e parou de financiar a agência da ONU que apoia refugiados palestinos. A decisão de Trump de transferir a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém também provocou a ira da Autoridade Palestina, que cortou todas as comunicações com os EUA posteriormente.

Em primeira menção após morte de Soleimani, grupo terrorista Estado Islâmico diz que general foi 'apóstata'

247 -Na primeira referência ao chefe da Força Quds, unidade especial dos Guardiões da Revolução Islâmica, assassinado pelos Estaods Unidos em uma operação no aeroporto de Badá, no dia 3 de janeiro, o grupo terrorista Estado Islâmico disse que o general iraniano foi um "apóstata".

A afirmação foi feita em uma mensagem de áudio de 37 minutos transmitida nesta segunda-feira (27).

Além disso, o porta-voz apelou aos "muçulmanos na Palestina e em todos os países que atuem como ponta de lança na luta contra judeus e para que seus planos fracassassem", como o "Acordo do Século", tendo como iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para resolver o conflito palestino-israelense, que provavelmente será anunciado nesta terça-feira (28), informa a EFE.

 

'Não, obrigado!': Trump rebate tom conciliador de chanceler do Irã e exclui fim das sanções

Apoiador do pré-candidato a reeleição nos EUA, Donald Trump, demonstra seu apoio, em Iowa, em 25 de janeiro de 2020
© REUTERS / Ivan Alvarado

Os Estados Unidos não irão suspender as sanções impostas ao Irã para reiniciar negociações, escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, no Twitter. Anteriormente, chanceler iraniano havia declarado que seu país estava disposto a negociar.

No sábado (25), o presidente dos EUA, Donald Trump, descartou a possibilidade de os EUA suspenderem sanções contra o Irã para que o diálogo entre os países seja retomado.

 

​O ministro das Relações Exteriores iraniano diz que quer negociar com os EUA, mas quer a suspensão das sanções. Não, obrigado!

Posteriormente, Donald Trump publicou o mesmo tweet em persa, reportou a Reuters. 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, respondeu à postagem neste domingo (26), reafirmando que o Irã estaria preparado para negociar, caso as sanções fossem suspensas. Zarif retweetou trechos de sua recente entrevista concedida ao jornal alemão Der Spiegel.

"Donald Trump, é melhor você basear seus comentários e decisões de política externa em fatos, e não em manchetes do Fox News ou nas suas traduções para persa", postou Zarif.

Neste sábado (25), o jornal alemão Der Spiegel publicou entrevista com Javad Zarif, na qual o chanceler iraniano adota tom conciliador em relação aos Estados Unidos.

"O governo Trump pode corrigir o seu passado, suspender as sanções e retornar à mesa de negociações. Ainda estamos na mesa de negociações. Foram eles que partiram", declarou Zarif durante a entrevista.

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, conversa com repórteres durante sua visita à Índia, em 15 de janeiro de 2020
© REUTERS / Alasdair Pal
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, conversa com repórteres durante sua visita à Índia, em 15 de janeiro de 2020

Tensões entre os EUA e o Irã atingiram ponto mais crítico em anos, após o general iraniano Qassem Soleimani ter sido assassinado por operação especial dos EUA no Iraque, em 3 de janeiro. Em resposta, o Irã realizou uma série de ataques a bases no Iraque, onde estavam instaladas tropas dos EUA.

A relação bilateral deteriorou-se significativamente desde que o presidente Donald Trump se retirou unilateralmente do acordo nuclear iraniano, em 2018, e reimpôs sanções econômicas contra o país persa.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020012615053099-nao-obrigado-trump-rebate-tom-conciliador-de-chanceler-do-ira-e-exclui-fim-das-sancoes/

Сomo Irã pode retaliar contra EUA por meios não bélicos?

Protestos contra ações militares dos EUA no Irã, Califórnia, 9 de janeiro de 2020
© AP Photo / Rich Pedroncelli

Apesar da opção de Trump pelo agravamento das sanções econômicas em detrimento da intervenção militar, especialistas advertem que Irã pode ripostar usando meios não bélicos. Teerã pode agravar deliberadamente o conflito. O resultado seria o colapso das bolsas americanas e uma recessão global. Esta previsão foi feita por um dos principais economistas do mundo, Nouriel Roubini. Será que este cenário pode ser real?

O recuo de Trump

Logo o após o assassinato pelos norte-americanos do general iraniano Qassem Soleimani na noite de 3 de janeiro, Teerã passou a considerar o Pentágono como organização terrorista. Mas a reação iraniana não ficaria por aqui. Logo em seguida, o Irã anunciou sua intenção de sair completamente do acordo nuclear alcançado em 2015 e exigiu a retirada total dos EUA do Oriente Médio.

A reação iraniana culminaria com o disparo de dezenas de mísseis sobre diversas bases americanas no Iraque. Pareceu então ser inevitável um confronto bélico em grande escala entre os dois países. Contudo, Trump optaria por prometer um agravamento das sanções econômicas ao invés de uma intervenção militar.

"Nenhum americano ficou ferido devido aos ataques iranianos. Nós não sofremos nenhumas perdas. Todos os nossos soldados estão bem e nossas bases militares sofreram danos mínimos", disse Trump, acrescentando que o Irã agora "parece estar se retraindo, e isso é bom para todos os envolvidos".

Contudo, o Comando Central dos EUA reconheceria mais tarde que 11 militares norte-americanos tinham sido feridos durante os ataques de mísseis iranianos. Apesar disso, a Casa Branca manteria sua posição inicial.

Comentadores políticos não deixaram de notar e realçar a contradição desta opção de Trump, pelo agravamento das sanções econômicas, com as declarações belicistas proferidas logo após o assassinato do general, ao ameaçar destruir os poços de petróleo e locais culturais iranianos.

As ondas de choque econômicas do assassinato

A morte de Qassem Soleimani e a retaliação militar do Irã contra bases americanas no Oriente Médio fizeram disparar os preços do petróleo e dos metais. Em meados de janeiro, o Brent atingiu os US$ 71,5 por barril, enquanto o preço do ouro bateu o recorde dos últimos sete anos.

As bolsas mundiais também reagiram negativamente aos acontecimentos, tendo os índices das bolsas dos EUA, Europa e Ásia entrado todas elas em baixa.

Uma vez assente a poeira, a crença manifestada pelos analistas em como Washington e Teerã se absteriam duma escalada do conflito provocou uma subida recorde do índice do fundo de ações S&P 500. Os investidores convenceram-se que a nenhuma das partes em liça conviria um agravamento da contenda e mesmo que tal

Consequências de retaliação iraniana

Esse otimismo é rechaçado pelo mundialmente famoso especialista norte-americano em finanças internacionais Nouriel Roubini. Ele garante que o Irã não só possui meios para agudizar a crise, como também tem motivos para fazê-lo. E alertou que o resultado seria o disparo dos preços do petróleo, uma recessão à escala mundial e, eventualmente, uma mudança de poder nos EUA.

Roubini é da opinião que os mercados ainda não se deram conta da gravidade da situação. Os EUA, nos dias de hoje, estão muito menos dependentes do petróleo importado. No entanto, basta um aumento repentino do preço do barril, mesmo que não seja muito acentuado, para provocar uma depressão econômica, como aconteceu em 1990. Roubini considera a atual abordagem do mercado como ingênua e totalmente ilusória. É que o risco de uma estagnação do crescimento, ou mesmo de uma recessão global, é agora muito maior.

O especialista alerta ainda para o fato que mesmo um pequeno aumento do preço do óleo cru faria cair o mercado de ações dos EUA pelo menos 10%, o que significaria um duro golpe na confiança dos investidores, dos empresários e dos consumidores.

O choque petrolífero atingiria o poder de compra das famílias americanas, reduziria a demanda interna e se refletiria negativamente na economia dos EUA.

As ondas de choque atingiriam igualmente os grandes importadores de petróleo, como o Japão, China, Índia, Coreia do Sul e Turquia. Os bancos centrais não iriam poder aumentar as taxas em resposta ao crescimento das cotações do petróleo, tendo já esgotado todas as opções que tinham de sua redução, refere Roubini em um artigo publicado no Project Syndicate.

O choque atingiria ainda outros mercados, que poderiam cair 20%. No cômputo final, aconteceria uma severa estagnação da economia mundial, segundo o especialista.

Roubini conclui que, apesar de tudo, a probabilidade de uma guerra em larga escala no futuro imediato por enquanto permanece baixa, de 20%, na opinião dele, enquanto as chances de simplesmente se voltar ao cenário anterior ao assassinato são ainda menores, de cerca de 5%. O mais provável é que a situação se agrave, com conflitos indiretos e confrontos diretos que aumentariam o risco de uma guerra em larga escala.

Os trunfos na manga do Irã

Os iranianos poderiam usar o trunfo que representa o estreito de Ormuz. O estreito de Ormuz, um canal que conecta o golfo Pérsico e o oceano Índico, é uma das principais rotas mundiais de comércio. Entre 30% a 40% da produção mundial de petróleo é escoada por ele. Qualquer coisa que aconteça por ali se reflete no preço do petróleo, afetando de imediato a economia do mundo todo.

Por isso, e segundo dados avançados por um dos maiores bancos americanos de investimento, o JP Morgan, um bloqueio, por exemplo, de 6 meses do estreito de Ormuz faria disparar o preço do barril para US$ 150, criando condições para uma recessão mundial. Mesmo que o bloqueio se resumisse a um mês, a cotação do petróleo atingiria os US$ 80.

Conflito não traria nada de bom

"Os rendimentos dos títulos obrigacionistas diminuíram, o rali observado no mercado acionário americano estagnou, os investidores fogem para moedas tidas por mais seguras, como o iene japonês", garantem os gestores de ativos financeiros do banco francês Société Génerale.

"Este conflito pode ocasionar um golpe irreversível na confiança do mercado na recuperação da economia mundial, situação que está sendo agravada com a guerra comercial entre os EUA e a China", asseguram especialistas do banco Crédit Agricole, também francês.

"Um forte agravamento da situação no Oriente Médio conduzirá ao colapso dos mercados mundiais de capitais bem como daquele que é considerado o barômetro da economia americana – o índice de ações S&P 500. Como resultado, o preço do petróleo Brent quebraria a marca de US$ 50, afetando significativamente o mercado acionário russo e a cotação do rublo. Neste cenário, o orçamento russo se beneficiaria enormemente das reservas acumuladas em 2019", prevê Aleksander Razuvaev, chefe do Centro de Informação Analítica Alpari.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020012415044519-como-ira-pode-retaliar-contra-eua-por-meios-nao-belicos/

Sucessor do general iraniano Soleimani poderá ter 'o mesmo destino', diz enviado especial dos EUA

O comandante do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, general-major Qassem Soleimani, (no centro) na reunião com o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e comandantes em Teerã (foto de arquivo)
© AP Photo / Escritório do líder supremo iraniano

O enviado especial dos EUA para o Irã afirmou que o sucessor do general Qassem Soleimani terá o "mesmo destino" de seu antecessor, caso se engaje em "matar norte-americanos".

O representante especial dos EUA para o Irã, Brian Hook, disse que o presidente dos EUA deixou claro que "qualquer ataque contra americanos ou contra os interesses dos EUA terão reposta decisiva".

Quando perguntado sobre a operação norte-americana que vitimou o general iraniano Qassem Soleimani, Hook disse que o sucessor do general, Esmail Ghaani, também pode vir a ser assassinado.

"Se [Esmail] Ghaani seguir pelo mesmo caminho de matar norte-americanos, então ele terá o mesmo destino", disse Brian Hook ao jornal Asharq al-Awsat.

Brian Hook, no entanto, negou estar fazendo uma ameaça nova, lembrando que o presidente dos EUA já havia feito manifestações nesse sentido.

"Não estou fazendo uma ameaça nova. O presidente sempre disse que responderia de maneira decisiva para proteger os interesses norte-americanos", disse.

Brian Hook, representante especial dos EUA para o Irã, disse que sucessor de Soleimani pode ter 'o mesmo destino' do general iraniano (foto de arquivo)
© REUTERS / Simon Dawson
Brian Hook, representante especial dos EUA para o Irã, disse que sucessor de Soleimani pode ter 'o mesmo destino' do general iraniano (foto de arquivo)

Para ele, o assassinato de Qassem Soleimani foi uma resposta ao seu papel no planejamento de ataques, executados por milícias pró-iranianas, contra forças dos EUA no Oriente Médio, reportou a Reuters.

"Acho que agora os iranianos sabem que não podem atacar os EUA e saírem ilesos", disse.

Esmail Ghaani foi nomeado comandante da força Quds, tropa de elite do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e responsável pela sua atuação internacional, após o assassinato de Qassem Soleimani.

Ghaani declarou que "seguirá no caminho luminoso do seu antecessor", cujo objetivo era pressionar pela retirada das forças norte-americanas do Oriente Médio.

O representante especial dos EUA para o Irã, Brian Hook, concedeu a entrevista nesta quarta-feira (22) durante sua participação no fórum de Davos, na Suíça.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020012315039646-sucessor-do-general-iraniano-soleimani-podera-ter-o-mesmo-destino-diz-enviado-especial-dos-eua/

A deriva do Irão para o comportamento dos EUA e de Israel

 
 
Thierry Meyssan*
 
Para além da prova de força na qual se envolvem Washington e Teerão, Thierry Meyssan põe em evidencia a mudança profunda de comportamento do Irão. Este país, outrora exigente quanto ao respeito pelo Direito Internacional, ignora-o hoje em dia, juntando-se assim aos Estados Unidos e a Israel que jamais o respeitaram.
 
O Irão captava a atenção do mundo inteiro nas suas intervenções perante as Nações Unidas. Ele levantava bem alto o estandarte dos povos face ao imperialismo. Já nada resta hoje em dia desta herança.
 
O Presidente Mahmud Ahmadinejad na tribuna da 65ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em 23 de Setembro de 2010, pondo em causa a versão oficial dos atentados do 11 de Setembro de 2001 nos EUA.
 
Os 195 Estados membros da ONU pretendem querer resolver os seus conflitos sem recorrer à guerra, mas, antes pelo Direito. Esse assenta, desde a sua criação pela Conferência da Haia de 1899 numa ideia simples: da mesma forma que os particulares —aqui incluídos os dirigentes políticos— aceitam preservar-se da guerra civil para tal submetendo-se ao Direito Nacional, também os Estados podem preservar-se da guerra submetendo-se voluntariamente para tal ao Direito Internacional.
 
Por «Direito Internacional» entendo os procedimentos que regem as relações entre os Estados, e não aquelas que, de Nuremberga ao TPI, legalizam o julgamento dos vencidos pelos seus vencedores.
 
 
Agora, três membros da ONU mostram o seu desprezo pelo Direito Internacional, enquanto outros já nem se lhe referem e, após terem desvirtuado o conceito de «Direitos do Homem» [1], preferem um «multilateralismo fundado em regras» [2].
 
 
Três Estados fora da Lei
 
- O primeiro são os Estados Unidos, que desde a sua criação, há dois séculos, se afirmam uma nação «sem paralelo». Segundo o seu mito nacional, foram um refúgio para a seita puritana dos «Pais Peregrinos» vindos no Mayflower e continuam a ser hoje em dia para todos os perseguidos, sejam religiosos ou políticos. Em nome do que sempre se recusaram a aplicar os tratados internacionais no Direito interno; julgam os comportamentos dos outros severamente, mas absolvem a priori os seus cidadãos que agem da mesma forma; e recusam que qualquer jurisdição internacional se imiscua nos seus assuntos internos [3]. Foi a razão profunda pela qual pressionaram os outros países a aderir à Sociedade das Nações, mas se recusaram a entrar nela. Se, entretanto, aceitaram os princípios do Direito Internacional durante a Guerra Fria, desde a criação das Nações Unidas até ao desaparecimento da URSS, regressaram logo que puderam ao seu comportamento anterior. Assim, em 1999, atacaram de forma totalmente ilegal a República Federal da Jugoslávia, levando consigo os seus vassalos da Aliança Atlântica. Depois, lançaram, sob falsos pretextos, as guerras no Afeganistão, no Iraque e na Líbia. Os seus ataques contra os Iranianos, em dois países do Médio-Oriente, o Iraque e o Iémene, a 3 de Janeiro de 2020, são, também esses, totalmente ilegais.
 
- O segundo foi Israel desde a sua proclamação unilateral, em 14 de Maio de 1948, violando o processo de partilha da Palestina geográfica imaginada pelas Nações Unidas. Desde há setenta anos, Telavive vê o Conselho de Segurança votar Resoluções que despreza. Cada vez que são consideradas sanções contra si, pode contar com a protecção dos Estados Unidos e não é obrigado a respeitá-las. Considera-se como estando eternamente ameaçado e só podendo sobreviver pela guerra; uma posição cultural que talvez venha a ter fim quando os seus cidadãos que se definem como Judeus (Likud) sejam menos numerosos do que os que se definem como Israelitas (Branco-Azul).
 
- Existe agora um terceiro: o Irão. Desde sempre, Teerão executou os seus chefes oposicionistas no estrangeiro, em todo o mundo, mas jamais cidadãos estrangeiros. Por exemplo, o Xá Mohammad Reza Pahlavi mandou assassinar o filósofo Ali Shariati em Londres e, depois, após 1978, o governo islâmico mandou assassinar contra-revolucionários na Europa. Nunca tendo sido esses assassinatos oficialmente reivindicados. Durante a guerra imposta pelo Iraque, o Irão mandou atacar interesses dos seus inimigos no estrangeiro; por exemplo, o atentado contra as forças norte-americanas e francesas da ONU em Beirute, em 1983. Mas esse foi realizado por agentes libaneses (os quais mais tarde participaram na fundação do Hezbolla) e dirigido contra as actividades ilegais de soldados dessa força (a reunião secreta regional da CIA). Ora, desde há dois anos, forças iranianas dispararam várias vezes, sem o reivindicar, mísseis contra Israel a partir do território sírio em violação do cessar-fogo sírio-israelita de 1973. E, este mês, mísseis foram oficialmente atirados a partir do Irão sobre forças norte-americanas no Iraque, violando a soberania de Bagdade [4].
 
Os Estados Unidos veem-se como uma nação de perseguidos e não conseguiriam, pois, receber conselhos dos outros, os "perseguidores". Israel imagina-se como o refúgio de um povo ameaçado e não conseguiria portanto aceitar conselhos daqueles que o ignoraram ou pior violentaram. Mas o Irão?
 
A evolução do Irão
 
Como explicar esta evolução senão por uma profunda mudança do Poder? Tudo começou a desregular-se no fim de 2013 e assistimos, desde 2017, a manifestações, não apenas em Teerão e Isfahan, mas em todo o país. Pouco a pouco as instituições foram alteradas. O sistema Judicial independente do Executivo e do Legislativo tornou-se um órgão de repressão política [5], indo ao ponto de condenar à porta fechada a 15 anos de prisão, por motivos secretos, o antigo Vice-presidente nacionalista Hamid Baghaie [6]. O Conselho de Guardiões, que —durante a Revolução— devia velar por afastar das eleições agentes estrangeiros, tornou-se um órgão de censura da Oposição, indo ao ponto de qualificar a equipa do antigo Presidente Mahmud Ahmadinejad de «maus muçulmanos» (sic). Quando no islão, a função clerical é de afirmar a lei, assistimos, pois, a uma retoma em mãos do Poder por um clero que viola todos os princípios legais.
 
Há 6 anos que não paramos de o afirmar : isto nada tem a ver com a oposição entre pró e anti-ocidentais, nem com a questão das crenças. É o retorno do problema secular dos iranianos: a veneração cega pela função clerical, qualquer que seja a fé dominante. Não haverá solução sem separação constitucional de poderes civis e religiosos. Em todas as épocas, sob todo o tipo de religiões dominantes, sob todo o tipo de regimes, isto se colocou.
 
Repito, isto nada tem a ver com a Revolução de 1978, a qual, contrariamente a uma ideia feita no Ocidente, não foi feita pelo clero, mas também contra ele. O Aiatola Khomeini fora rejeitado pelos seus pares, os quais só se lhe juntaram após a sua vitória. Comportaram-se então com fervor revolucionário para fazer esquecer as suas falhas anteriores. Se nos referirmos aos documentos oficiais norte-americanos já desclassificados [7], o Conselheiro de Segurança Nacional da altura, Zbigniew Brzeziński, considerava o clero como aliado dos EUA face a um Xá que se tornara muito ganancioso. Ele montou o retorno do Imã Khomeini ao Irão pensando erradamente que ele era como os outros religiosos. Ficou ciente do engano desde o discurso anti-imperialista deste no cemitério de Behesht-e Zahra.
 
Inúmeros actores do Próximo-Oriente compreenderam esta evolução a começar pelo Hezbolla e a Síria. Os dois distanciaram-se da política interna iraniana. Em plena guerra, Damasco não teve embaixador do Irão durante mais de um ano. Os Ocidentais, esses, não perceberam esta mudança porque estão prisioneiros da sua própria propaganda contra a Revolução de 1978. Eles interpretam os movimentos actuais no Irão em função das suas inúmeras tentativas de derrube do regime e não pela observação dos comportamentos dos Iranianos.
 
As explicações dos EUA e do Irão perante o Conselho de Segurança
 
Tal como em todas as intervenções militares no exterior, após as suas trocas de bombas, os EUA e o Irão garantiram ao Conselho de Segurança que agiam no respeito pela Carta das Nações Unidas.
 
A carta da embaixatriz Kelly Craft anunciando o assassinato do General Qassem Soleimani, a 2 de Janeiro de 2020, é surrealista [8].
- Ela não faz referência à tentativa de assassínio simultâneo do seu adjunto, o altamente secreto Abdul Reza Shahlai, no Iémene [9].
- Ela desfia uma série de acusações contra os aliados do Irão, mas nenhuma contra o alvo em si mesmo. As acusações do Presidente Trump de um ataque iminente a quatro embaixadas dos EUA por Soleimani já não são aí evocadas. Elas foram, aliás, desmentidas pelo Secretário da Defesa, Mark Esper. [10].
A única acusação contra o próprio Irão é a réplica de 7 de janeiro.
 
Igualmente absurda é a carta do embaixador Majid Takht Ravanchi [11].
- Ela estabelece a legalidade de uma resposta iraniana, mas não desta resposta. Nada autoriza o Irão a atacar o território iraquiano sem a autorização do Governo de Bagdade.
Além disso, o Iraque protestou de imediato contra as acções dos Estados Unidos e do Irão [12].
 
O objecto do Direito Internacional
 
Muitos pensam que não há aqui razão para respeitar a Lei se os outros se riem dela. É que eles percebem isto como uma restrição e não como uma proteção.
 
No seu Leviatã, o filósofo Thomas Hobbes, que havia experimentado a guerra civil inglesa (1642-1651), mostrava que os indivíduos tudo devem fazer para se proteger do caos. Aqueles que enfrentaram os exércitos jiadistas sabem até que ponto ele estava certo, os outros, adormecidos pelo seu estado de conforto, ignoram-no. Hobbes ia mesmo até ao ponto de pensar que mais valia um Estado autoritário que os horrores do caos. Ele aceitava as derivas do Estado que comparava ao Leviatã, a besta monstruosa que guarda os "infernos".
 
Além disso, o Direito Internacional nada tem de monstruoso. Ele não fere nenhuma consciência. Afastar-se dele ameaça a paz e, portanto, as nossas vidas.
 
Thierry Meyssan* | Voltaire.net.org | Tradução Alva
 
* Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).
 
Notas:
[1] “Teoria e prática dos Direitos do Homem”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 2 de Outubro de 2019.
[2] “Multilateralismo ou Direito Internacional ?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 3 de Dezembro de 2019.
[3] É mandatório ler as actas do colóquio organizado pelo Carr Center for Human Rights Policy : American Exceptionalism and Human Rights, Michael Ignatieff, Princeton University Press (2005).
[6] “Processo Secreto: 15 anos de prisão para o Vice-presidente de Ahmadinejad”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 30 de Março de 2018.
[7] Foreign Relations of the United States. Iran: Revolution, January 1977–November 1979 (Under Declassification Review); Iran: Hostage Crisis, November 1979–September 1980 (In Production); Iran: Hostage Crisis, September 1980–January 1981 (Under Declassification Review), US Secretary of State.
[8] «Notificación de Estados Unidos sobre la eliminación de Qassem Soleimani», por Kelly Craft, Red Voltaire , 8 de enero de 2020.
[9] “On the day U.S. forces killed Soleimani, they targeted a senior Iranian official in Yemen”, John Hudson, Missy Ryan and Josh Dawsey, The Washington Post, January 10, 2020.
[10] “Esper says he "didn’t see" specific evidence showing Iranian threat to 4 U.S. embassies”, Melissa Quinn, Face The Nation, CBS, January 12, 2020.
[11] «Notificación iraní del bombardeo contra bases estadounidenses», por Majid Takht Ravanchi, Red Voltaire , 8 de enero de 2020.
[12] « Violations iraniennes de la souveraineté iraquienne », par Mohammed Hussein Bahr Aluloom‎‎Réseau Voltaire, 9 janvier 2020.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/a-deriva-do-irao-para-o-comportamento.html

PEPE ESCOBAR: RAÍZES DA DEMONIZAÇÃO DO ISLÃO XIITA, PELOS NORTE-AMERICANOS

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17/1/2020,
Pepe Escobar, Unz Review Tradução Amigos do Brasil
 
O assassinato premeditado pelos EUA, que se serviram de um drone como arma do crime, do major-general Qassem Soleimani, além de uma torrente de ramificações geopolíticas cruciais, mais uma vez empurra para o centro do palco uma verdade bastante inconveniente: a incapacidade congênita das chamadas elites norte-americanas para, pelo menos que fosse, tentar entender o xiismo – e a incansável demonização 24 horas por dia, 7 dias por semana, com o objetivo de degradar não apenas os xiitas mas também os governos liderados por xiitas.
Washington já fazia uma Guerra Longa antes mesmo de o conceito ser popularizado pelo Pentágono em 2001, imediatamente após do 11/9: uma Guerra Longa contra o Irã. Tudo começou mediante o golpe contra o governo democraticamente eleito de Mosaddegh em 1953, substituído pela ditadura do xá. Todo o processo vem sendo super turbinado há mais de 40 anos, desde quando a Revolução Islâmica esmagou aqueles bons velhos tempos da Guerra Fria, quando o xá reinava como o privilegiado “gendarme americano do Golfo (persa)”.
Mas é processo que vai muito além da geopolítica. Não há absolutamente nenhuma maneira de alguém conseguir compreender as complexidades e o apelo popular do xiismo, sem pesquisa acadêmica séria, complementada com visitas a locais sagrados selecionados no sudoeste da Ásia: Najaf, Karbala, Mashhad, Qom e o santuário Sayyida Zeinab perto de Damasco. Pessoalmente, tenho percorrido esse caminho do conhecimento desde o final dos anos 90 – e continuo estudante humilde.
Em espírito de abordagem inicial – para abrir um debate bem informado leste-oeste sobre uma questão cultural crucial, totalmente marginalizada no ocidente ou afogada por tsunamis de propaganda, pedi a colaboração de três excelentes pesquisadores, que ofereceram algumas primeiras impressões.
São eles: Prof. Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, especialista em Orientalismo; Arash Najaf-Zadeh, que escreve sob o pseudônimo de Blake Archer Williams e especialista em teologia xiita; e a extraordinária Princesa Vittoria Alliata, da Sicília, escritora e principal islamologista italiana, autora, dentre outros livros, do hipnotizante Harem – que detalha suas viagens por terras árabes.
Há duas semanas, fui hóspede da princesa Vittoria em Villa Valguarnera, na Sicília. Estávamos mergulhamos numa longa e envolvente discussão geopolítica – da qual um dos principais temas era EUA-Irã – poucas horas antes de um ataque de drone no aeroporto de Bagdá matar os dois principais xiitas na guerra real contra ISIS/Daech e al-Qaeda/al-Nusra: o major-general iraniano Qassem Soleimani e o iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis, segundo no comando do grupo Hashd al-Shaabi.
Martírio x relativismo cultural
O professor Marandi oferece explicação sintética: “O ódio irracional dos EUA ao xiismo deriva do forte senso de resistência à injustiça, característico dos xiitas – a história de Karbala e do Imã Hussein e o muito que os xiitas enfatizam a proteção dos oprimidos, a defesa dos oprimidos e a resistência contra o opressor. São ideias que os EUA e as potências ocidentais hegemônicas simplesmente não podem tolerar. “
Blake Archer Williams enviou-me me resposta que foi publicada como artigo à parte. Essa passagem, em que o autor discorre sobre o poder do sagrado, sublinha claramente o abismo que separa a noção xiita de martírio, de um lado, e, de outro, o relativismo cultural ocidental:
“Nada mais glorioso para um muçulmano que alcançar o martírio enquanto luta no Caminho de Deus. O general Qāsem Soleymānī lutou por muitos anos com o objetivo de acordar o povo iraquiano, até o ponto em que eles passaram a desejar assumir com as próprias mãos o comando do destino do próprio país. A votação do parlamento iraquiano mostrou que ele alcançou seu objetivo. Seu corpo foi tirado de nós, mas seu espírito foi amplificado mil vezes, e seu martírio garantiu que fragmentos de sua luz abençoada sejam incorporados nos corações e mentes de todo homem, mulher e criança muçulmana, imunizando todos contra o câncer-zumbi dos relativistas culturais satânicos da Novus Ordo Seclorum [Nova Ordem dos Tempos]. “
[um ponto em discussão: Novus Ordo Seclorum, ou Saeculorum, significa “nova ordem dos tempos”, e deriva de famoso verso de Virgílio que, na Idade Média, era considerado pelos cristãos como profecia da vinda de Cristo. Sobre isso, Williams respondeu que “embora esse sentido etimológico da frase seja verdadeiro e ainda permaneça, a frase foi sequestrada por um George Bush O Jovem como representante da cabala globalista da Nova Ordem Mundial, e é nesse sentido que predomina hoje” [e aparece no verso da nota de 1 EUA-dólar. (NTs)]
Escravizados pelo wahabismo
A princesa Vittoria prefere organizar o debate em torno da atitude dos norte-americanos de não questionar o wahabismo: “Não acho que tudo isso tenha algo a ver com odiar o xiismo ou ignorá-lo. Afinal, o Aga Khan está super inserido na segurança dos EUA, uma espécie de Dalai Lama do mundo islâmico. Acredito que a influência satânica vem do wahabismo e da família saudita, que são muito mais hereges que os xiitas, para todos os sunitas do mundo, mas sempre foram o único contato com o Islã aceito pelos governantes dos EUA. Os sauditas financiaram a maior parte das guerras e dos assassinatos feitos primeiro pelos Irmãos Islâmicos, depois pelas outras formas de salafismo, todos eles inventados sobre base wahabista. “
Assim, diz a princesa Vittoria, “eu não tentaria tanto explicar o xiismo, mas, sim, mais, tentaria explicar o wahabismo e suas consequências devastadoras: daí nasceram todos os extremismos, bem como o revisionismo, o ateísmo, a destruição de santuários e de líderes sufistas por todo o mundo islâmico. E, claro, o wahabismo está muito próximo do sionismo. Existem até pesquisadores que exibem documentos que parecem provar que a Casa de Saud é uma tribo de Dunmeh de judeus convertidos expulsos de Medina pelo Profeta depois de tentarem matá-lo, apesar de terem assinado um tratado de paz. “
A princesa Vittoria também enfatiza o fato de que “a revolução iraniana e os grupos xiitas no Oriente Médio são hoje a única força bem-sucedida de resistência aos EUA, e isso faz com que sejam odiados mais do que outros. Mas, isso, só depois que todos os outros oponentes sunitas foram eliminados, mortos, aterrorizados (pense na Argélia, mas existem dezenas de outros exemplos) ou corrompidos. Essa, é claro, não é posição exclusivamente minha, mas é a posição da maioria dos islamólogos de hoje.”
O profano contra o sagrado
Conhecendo o imenso conhecimento de Williams sobre a teologia xiita e sua experiência em filosofia ocidental, incentivei-o a, literalmente, “pular na jugular” da questão. E ele não fugiu: “A questão de por que os políticos americanos são incapazes de entender o Islã xiita (ou o Islã em geral) é simples: o capitalismo neoliberal irrestrito gera oligarquia, e os oligarcas “selecionam” candidatos que representam seus interesses, já antes de serem “eleitos” pelas massas ignorantes. Exceções populares, como Trump, ocasionalmente escorregam para dentro do poder (ou não, como no caso de Ross Perot, que se retirou sob coação), mas mesmo Trump passou imediatamente a ser controlado pelos oligarcas com ameaças de impeachment, etc. Portanto, o papel do político eleito nas democracias parece incluir não se esforçar para compreender coisa alguma, mas, simplesmente cumprir a agenda das elites que são donos deles, que mandam neles.”
A resposta “pulo na jugular”, de Williams, é ensaio longo e complexo que gostaria de publicar na íntegra, mas só quando nosso debate aprofundar-se – acompanhado de possíveis refutações.
Para resumir, ele esboça e discute as duas principais tendências da filosofia ocidental: dogmáticos versus céticos; detalha como “a trindade sagrada do mundo antigo era de fato a segunda onda dos dogmáticos, tentando salvar as cidades gregas e o mundo grego de maneira mais geral, da decadência dos sofistas”; investiga a “terceira onda de ceticismo”, que começou com o Renascimento e atingiu o pico no século 17 com Montaigne e Descartes; e depois estabelece conexões “com o Islã xiita e com o fracasso do Ocidente em entendê-lo”.
E isso o leva ao “cerne da questão”: “Uma terceira opção e uma terceira corrente intelectual, além e acima dos dogmáticos e céticos, e essa é a tradição dos xiitas tradicionais (em oposição aos filósofos) estudiosos da religião.”
Agora compare tudo isso e o último empurrão dos céticos, “como o próprio Descartes admite, dado pelo daemon que veio a ele em sonhos, e que resultou na escrita de seu Discurso sobre o Método (1637) e Meditações sobre a Primeira Filosofia (1641). O Ocidente ainda sofre efeitos desse golpe, e parece ter decidido deixar de lado os andaimes de sustentação da razão e os sentidos (que Kant tentou em vão conciliar, tornando as coisas mil vezes piores, mais complicadas e desagregadas), para deixar-se afogar e afogar na modalidade autocongratulatória do irracionalismo conhecido como pós-modernismo, que deveria ser chamado de ultramodernismo ou hipermodernismo, pois não está menos enraizado na “virada subjetiva” cartesiana e na “revolução copernicana” kantiana, do que os pré-modernos e modernos”.
Para resumir uma justaposição bastante complexa, “o que tudo isso significa é que as duas civilizações têm duas visões totalmente diferentes sobre o que deva ser a ordem mundial. O Irã acredita que a ordem do mundo deve ser o que sempre foi e é na realidade, gostemos ou não, e mesmo que não creiamos na realidade (como alguns no Ocidente não costumam crer). E o ocidente secularizado acredita numa nova ordem mundana (em oposição à ordem de outro mundo, ou divina).
E, portanto, não é tanto um choque de civilizações, mas um choque de profano contra o sagrado, com elementos profanos nas duas civilizações que combatem as forças sagradas nas duas civilizações. É o choque da ordem sagrada da justiça versus a ordem profana da exploração do homem nas mãos de seu próximo; profanar a justiça de Deus para o benefício (a curto prazo ou mundano) dos que se rebelam contra a justiça de Deus. “
Dorian Gray revisitado
Williams fornece um exemplo concreto para ilustrar esses conceitos abstratos: “O problema é que, embora todos saibam que a exploração do 3º Mundo nos séculos 19 e 20 pelas potências ocidentais foi injusta e imoral, essa mesma exploração continua até hoje. A continuação dessa injustiça ultrajante é a base definitiva para as diferenças existentes entre o Irã e os Estados Unidos, que continuarão inevitavelmente enquanto os EUA insistirem em suas práticas de exploração e enquanto continuarem a proteger os governos de protetorados norte-americanos, os quais só sobrevivem contra a vontade avassaladora do povo que governam, por causa da presença deformante e viciante das forças americanas que os sustentam para que continuem a servir aos interesses dos EUA, não aos interesses dos respectivos governados. É uma guerra espiritual pelo estabelecimento de justiça e autonomia no 3º Mundo.
O Ocidente pode continuar a parecer bem aos seus próprios olhos, porque controla reality-show dito “realidade” (o discurso mundial), mas sua imagem real é bem clara para todos verem, embora o Ocidente continue a se ver como Dorian Gray, no único romance de Oscar Wilde: como uma pessoa jovem e bonita cujos pecados só apareciam num retrato. O ‘retrato’ reflete a realidade que o 3º Mundo vê todos os dias, enquanto o ocidental Dorian Gray continua a se ver como é retratado pelas CNNs e BBCs e New York Times do mundo.”
“O imperialismo ocidental na Ásia ocidental é geralmente simbolizado pela guerra de Napoleão Bonaparte contra os otomanos no Egito e na Síria (1798–1801). Desde o início do século 19, o Ocidente tem sugado a veia jugular do corpo muçulmano político, como um verdadeiro vampiro cuja sede de sangue muçulmano nunca é saciada e que se recusou a soltar a jugular muçulmana.
Desde 1979, o Irã, que sempre desempenhou o papel de líder intelectual do mundo islâmico, levantou-se para acabar com esse ultraje contra a lei e a vontade de Deus, e contra toda decência.
Portanto, trata-se de revisar uma visão falsa e distorcida da realidade, devolvendo-a ao que a realidade realmente é e deve ser: uma ordem justa. Mas essa revisão é dificultada tanto pelo fato de que os vampiros controlam o ‘making-of’ da realidade, quanto pela inaptidão dos intelectuais muçulmanos e por sua incapacidade de entender até os rudimentos da história do pensamento ocidental, seja em seu período antigo, medieval ou moderno. “
Há chance de que o ‘making-of’ da realidade seja desmascarado? É possível que sim: Possivelmente: “O que precisa acontecer é que a consciência mundial abandone o paradigma pelo qual as pessoas realmente creem que um maníaco como Pompeo e um palhaço como Trump representariam o modelo de normalidade; que troquem esse paradigma, por outro, pelo qual as pessoas creiam que Pompeo e Trump são gângsteres, reles bandidos, que fazem o que bem entendam, não importa o quanto sejam repugnantes e depravadas as coisas que eles façam, e o fazem com quase total e absoluta impunidade.
E esse é um processo de rejeitar o discurso do paradigma dominante e de se unir ao Eixo da Resistência, liderado pelo mártir general Qāsem Soleymānī.
Não menos importante, esse processo envolve rejeitar o absurdo segundo o qual a verdade seria relativa (e também, desculpe, Einstein, rejeitar o absurdo segundo o qual tempo e espaço seriam relativos); e abandonar a filosofia absurda e niilista do humanismo; e despertar para a realidade de que existe um Criador e que Ele está realmente no comando.
Claro que tudo isso é demais para a mentalidade moderna tão iluminada, que entende tudo de tuuuuuuuuuuuuuudo!”
Aí está. E isso é só o começo. Acréscimos e refutações são bem-vindas. Convocam-se todas as almas informadas: está aberto o debate.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

China reforçará capacidades militares iranianas em 2020?

Soldados do Exército de Libertação do Povo da China nas ilhas Nansha (Spratly), no mar do Sul da China (imagem de arquivo)
© REUTERS / Stringer

Analista considera que Washington deve cooperar com seus aliados regionais para dissuadir a China de fornecer armamentos ao Irã.

Após o recente ataque de drone que matou o general iraniano Qassem Soleimani, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ao seu homólogo iraniano que ambos os países deveriam se opor conjuntamente ao "unilateralismo e intimidação".

No entanto, Pequim limitou cuidadosamente seu apoio à modernização militar do Irã nos últimos quinze anos, afirma Joel Wuthnow em um artigo no National Interest. Um retorno aos anos dourados nas relações entre os dois países na década de 80 traria novos desafios aos Estados Unidos e seus aliados.

Desde a Revolução iraniana de 1979, a estratégia chinesa em relação ao Irã tem flutuado com base em oportunidades externas, como interesses econômicos no setor de gás natural e petróleo, além do fornecimento de armas usadas na Guerra Irã–Iraque.

Por que a China armaria o Irã?

Conforme argumenta Wuthnow argumenta em seu artigo:

"Ainda que o Irã tenha conseguido efetivamente produzir alguns itens, como drones, a Agência de Inteligência de Defesa considera que Teerã 'continua dependente de países como a Rússia e China para aquisição de capacidades convencionais avançadas'. Pequim poderia se beneficiar ao fornecer as armas convencionais em falta em diversas aéreas".

Como fornecedor do Irã, a China teria de competir com a Rússia, que já negocia com o país persa contratos no valor de US$ 10 bilhões (R$ 41,7 bilhões). Contudo, a China poderia se aproveitar da baixa competição no mercado iraniano, uma vez que o embargo de exportações militares da União Europeia ao Irã só acaba em 2023, além de ter uma vantagem competitiva de preço.

Drone chinês (foto de arquivo)
© AFP 2019 / PHILIPPE LOPEZ
Drone chinês (foto de arquivo)

O gigante asiático poderia usar suas negociações com Teerã como moeda de troca para pressionar os Estados Unidos a diminuírem suas exportações militares a Taiwan, considerada uma província rebelde por Pequim, avalia Joel Wuthnow em seu artigo.

As tensões entre Estados Unidos e Irã ganham cada vez mais as características de um cenário de competição geopolítica regional. Para evitar o avanço chinês, o autor da publicação considera que Washington deve criar uma coalizão com seus aliados regionais para dissuadir Pequim de fornecer armas ao governo iraniano.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020012015028274-china-reforcara-capacidades-militares-iranianas-em-2020-/

A China e não só o Irão, sob fogo USA no Médio Oriente

 
 

 

Manlio Dinucci*
 
Independentemente das questões exclusivamente iranianas, os Estados Unidos estão preocupados com as relações que este país mantém com a China. Progressivamente, Pequim confia em Teerão para concretizar na Ásia, o seu gigantesco projecto das Novas Rotas da Seda.
 
O assassínio do General iraniano Soleimani autorizado pelo Presidente Trump desencadeou uma reacção em cadeia que se propaga para além da região do Médio Oriente. Esse objectivo estava nas intenções daqueles que decidiram esse acto. Soleimani estava sob a mira dos Estados Unidos há muito tempo, mas os Presidentes Bush e Obama não haviam autorizado a sua morte. Por que é que o Presidente Trump o fez? Há vários motivos, incluindo o interesse pessoal do Presidente em salvar-se do ‘impeachment’, apresentando-se como um firme defensor da América diante de um inimigo ameaçador. O motivo fundamental da decisão de assassinar Soleimani, tomada pelo ‘Estado Profundo’ antes da Casa Branca, deve ser procurado num factor que se tornou crítico para os interesses dos EUA só nos últimos anos: a progressiva presença económica chinesa, no Irão.
 
O Irão desempenha um papel de primeira importância na Nova Rota da Seda, lançada em Pequim em 2013, numa fase avançada de realização: ela consiste numa rede rodoviária e ferroviária entre a China e a Europa através da Ásia Central, do Médio Oriente e da Rússia, combinada com uma rota marítima através do Oceano Índico, do Mar Vermelho e do Mediterrâneo. Para as infraestruturas rodoviárias, ferroviárias e portuárias em mais de 60 países, estão previstos investimentos de mais de 1 trilião de dólares. Neste contexto, a China está a efectuar um investimento no Irão, de cerca de 400 biliões de dólares: 280 na indústria petrolífera, do gás e da petroquímica; 120 em infraestruturas de transporte, incluindo oleodutos e gasodutos. Prevê-se que estes investimentos, realizados num período de cinco anos, sejam renovados sucessivamente.
 
 
No sector energético, a China National Petroleum Corporation, sociedade de propriedade estatal, recebeu do governo iraniano um contrato para o desenvolvimento da jazida ‘offshore’ de South Pars, no Golfo Pérsico, a maior reserva de gás natural do mundo. Além do mais, juntamente com outra empresa chinesa, a Sinopec (três quartos da mesma são propriedade estatal), está empenhada em desenvolver a produção dos campos petrolíferos de West Karoun. Desafiando o embargo USA, a China está a aumentar as importações de petróleo iraniano. Ainda mais grave para os USA é que, nesses e noutros acordos comerciais entre a China e o Irão, prevê-se o uso crescente do renminbi chinês e de outras moedas, excluindo cada vez mais o dólar.
 
No sector dos transportes, a China assinou um contrato para a electrificação de 900 km das linhas ferroviárias iranianas, como parte de um projecto que prevê a electrificação de toda a rede até 2025 e, provavelmente, também assinará um para uma linha de alta velocidade de mais de 400 km. As linhas ferroviárias iranianas estão ligadas à estrutura ferroviária de 2.300 km que, já a funcionar entre a China e o Irão, reduz o tempo de transporte de mercadorias para 15 dias, contra os 45 dias de transporte marítimo. Através de Tabriz, grande cidade industrial no noroeste do Irão - de onde parte um gasoduto de 2.500 km que chega a Ancara, na Turquia - as infraestruturas de transporte da Nova Rota da Seda, poderão alcançar a Europa.
 
Os acordos entre a China e o Irão não pressupõem componentes militares, mas, segundo uma fonte iraniana, para proteger as instalações serão necessários cerca de 5.000 guardas chineses contratados pelas empresas construtoras para os serviços de segurança. É significativo também o facto de que, no final de Dezembro, ocorreu no Golfo de Omã e no Oceano Índico, o primeiro exercício naval entre o Irão, a China e a Rússia.
 
Neste contexto, está claro por que razão, em Washington, foi decidido o assassínio de Soleimani: foi deliberadamente provocada a resposta militar de Teerão para reforçar o controlo sobre o Irão e poder atingi-lo, afectando o projecto chinês da Nova Rota da Seda, ao qual os USA não conseguem contrapor-se no plano económico. A reacção em cadeia desencadeada pelo assassínio de Soleimani também envolve a China e a Rússia, criando uma situação cada vez mais perigosa.
 
Manlio Dinucci* | Voltaire.net.org | Tradução Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte Il Manifesto (Itália)
 
 

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Iraque: o erro de Soleimani e o desastre de Trump

 
 
Irão perdia influência no país: general coordenava repressão violenta aos protestos, e com isso os insuflava. Então, houve o ataque ao aeroporto de Bagdade — e revelou-se o principal inimigo da liberdade iraquiana
 
Patrick Cockburn | Outras Palavras | Tradução Cauê Seigner Ameni, da Autonomia Literária
 
Os iraquianos têm um instinto aguçado para saber se há perigo próximo, graças a sua experiência tenebrosa de 40 anos de crise e guerra. Há três meses, perguntei a uma amiga em Bagdade como ela e seus amigos viam o futuro: afinal o Iraque me parecia estar em seu momento mais pacífico desde a invasão norte-americana e britânica, em 2003.
 
Ela respondeu que o clima geral entre as pessoas que conhecia era sombrio, por acreditarem que a próxima guerra entre os EUA e o Irão poderia ser travada no Iraque. Disse: “muitos dos meus amigos estão com tanto medo da guerra entre EUA e Irão, que estão usando o sua indemnização, ao deixar o serviço do governo, para comprar casas na Turquia”. Ela estava pensando em fazer o mesmo.
 
Meus amigos iraquianos acabaram tendo razão em seu prognóstico angustiante: a morte do major-general iraniano Qassem Soleimani, por um drone dos EUA no aeroporto de Bagdade, foi um ato irresponsável do presidente Donald Trump, que garante ao Iraque um futuro violento. Pode não levar a um conflito militar em larga escala, mas servirá de arena política e militar onde a rivalidade EUA-Irão será travada. Os iranianos e seus aliados iraquianos podem ou não realizar novas retaliações, mas seu contra-ataque mais importante será pressionar o governo, o parlamento e as forças de segurança do Iraque para remover os EUA de seu país.
 
 
Desde a queda de Saddam Hussein, o Irão costuma estar à frente dos EUA em qualquer luta por influência no Iraque. A principal razão para isso é que a comunidade xiita no Iraque, que representa dois terços da população e é politicamente dominante, tem procurado seus companheiros xiitas no Irão em busca de apoio contra seus inimigos. Ironicamente, a influência e a popularidade iranianas estavam seriamente prejudicadas por causa do general Soleimani, que supervisionava os esforços brutais das forças de segurança pró-iranianas e grupos paramilitares para esmagar os protestos nas ruas do Iraque, matando pelo menos 400 manifestantes e ferindo outros 15 mil.
 
A fúria popular crescente dos iraquianos contra o Irão, por interferir nos assuntos internos de seu país, provavelmente será compensada pelo ataque ainda mais flagrante à sua soberania nacional pelos EUA. É difícil pensar em um ato mais grosseiro de interferência de um Estado do que matar um general estrangeiro que estava aberta e legalmente no Iraque. Também foi morto pelo drone Abu Mahdi al-Muhandis, líder do Kata’ib Hezbollah, poderoso grupo paramilitar pró-iraniano. Os EUA podem considerar que comandantes paramilitares são terroristas cruéis, mas para muitos iraquianos xiitas são as pessoas que lutaram contra Saddam Hussein e as defenderam contra Estado Islâmico (ISIS).
 
Conversei com minha amiga pessimista em Bagdade no final de setembro, naqueles que vieram a ser os últimos dias de paz antes que a violência retornasse ao Iraque. Entrevistei vários comandantes paramilitares das Forças de Mobilização Popular Hashd al-Shaabi, que afirmavam que os EUA e Israel estavam ampliando os ataques dentro do país. Me perguntava o quanto disso era paranóia.
 
Conversei com Abu Alaa al-Walai, o líder do Kata’ib Sayyid al-Shuhada, um grupo dissidente do Kata’ib Hezbollah — um dos campos que foram destruídos por um ataque de drones em agosto pertencia a eles. Disse que 50 toneladas de suas armas e munições foram explodidas, culpando israelitas e norte-americanos por agirem em conjunto. Confrontado com a pergunta sobre se seus homens atacariam as forças norte-americanas no Iraque no caso de uma guerra EUA-Irão, disse: “Com toda certeza”. Em seguida, visitei o campo, chamado al-Saqr, nos arredores de Bagdade, onde uma explosão maciça destruiu barracões e queimou equipamentos.
 
Encontrei outros líderes paramilitares pró-iranianos nessa visita. Os ataques com drones os deixaram irritados, mas tive a impressão de que não esperavam realmente uma guerra EUA-Irã. Qais al-Khazali, chefe do Asaib Ahl al-Haq, me disse que não acreditava que haveria guerra “porque Trump não deseja”. Como evidência, apontou o fracasso do presidente norte-americano em retaliar, após o ataque de drones às instalações de petróleo da Arábia Saudita no início de setembro, cujo culpado, para Washington, era o Irão.
 
No entanto, os eventos se desenrolaram de maneira muito diferente do que eu e os comandantes paramilitares esperávamos. Alguns dias depois de conversar com eles, houve uma pequena manifestação no centro de Bagdade exigindo empregos, serviços públicos e o fim da corrupção. As forças de segurança e os paramilitares pró-iranianos abriram fogo, matando e ferindo muitos manifestantes pacíficos. Embora Qais al-Khazali mais tarde tenha alegado que ele e outros líderes do Hashd estavam tentando frustrar uma conspiração EUA-Israel, não havia me dito nada sobre isso. Parece que o general Soleimani suspeitava erroneamente que aquelas pequenas manifestações eram uma ameaça real, e ordenou que os paramilitares pró-iranianos abrissem fogo e tentassem suprimi-las.
 
Tudo isso poderia ter sido desastroso para a influência iraniana no Iraque. Soleimani cometera o erro clássico de um general de sucesso ao imaginar que o “cheiro do canhão” reprimiria rapidamente qualquer sinal de descontentamento popular. Às vezes isso funciona, mas em muitas outras, não – e o Iraque acabou pertencendo à segunda categoria.
 
O general Soleimani morreu na sequência de seu maior fracasso e falha de julgamento. Mas a maneira com que foi morto pode convencer muitos iraquianos xiitas de que os EUA são uma ameaça maior à independência do Iraque que o próprio Irão. Os próximos dias dirão se os protestos, que resistiram à violência com muita coragem, acabarão esvaziados pelo ataque ao aeroporto de Bagdade.
 
As guerras são vencidas por generais que cometem o menor número de equívocos. Soleimani cometeu erros graves nos últimos três meses, transformando manifestações modestas em algo próximo a um levante de massas. Trump pode ter cometido um erro ainda maior ao assassinar o general Soleimani e transformar o Iraque, lugar onde o Irão tem muito mais influência, em arena na qual a rivalidade entre essas duas potências será combatida. Agora percebo que minha amiga de Bagdade devia estar certa, três meses atrás, ao sugerir que a aposentadoria na Turquia poderia ser a opção mais segura.
 
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Morte de Soleimani é parte de 'estratégia maior', afirma Pompeo

Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (foto de arquivo)
© REUTERS / Erin Scott

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, referiu que o general iraniano foi morto no Iraque como parte de uma "estratégia maior", e não por ser uma ameaça iminente, como referiu previamente.

Mike Pompeo afirmou na segunda-feira (13) que o general iraniano Qassem Soleimani foi morto como parte de uma estratégia alargada de dissuasão de desafios por parte de inimigos, que inclui Moscou e Pequim, contrariando sua afirmação anterior de que ele estava planejando ataques a alvos norte-americanos, relata o jornal The Guardian. 

"A importância da dissuasão não está confinada ao Irã", disse o secretário de Estado dos EUA. "Em todos os casos, temos de dissuadir os inimigos para defender a liberdade. Esse é o objetivo do trabalho do presidente Trump para tornar nossas forças militares as mais fortes de sempre [...] Estamos restaurando credibilidade à dissuasão".

"O presidente Trump e nós na sua equipe de segurança nacional estamos restabelecendo a dissuasão, a verdadeira dissuasão, contra a República Islâmica do Irã. O seu adversário deve entender não apenas que você tem a capacidade de impor custos, mas que está de fato disposto a fazê-lo", argumentou Pompeo, acrescentando que as sanções norte-americanas que afetaram a economia iraniana levaram à "maior posição de força em relação ao Irã que já 

Estratégia geral

Relativamente à estratégia de dissuasão aplicada a outros países, Mike Pompeo citou a retoma de ajuda militar letal à Ucrânia para "defesa contra separatistas apoiados pela Rússia", a retirada por Trump do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com Moscou e os testes de um novo míssil de cruzeiro de alcance intermediário dos EUA.

Quanto à China, ele apontou o aumento dos exercícios navais de Washington no mar do Sul da China, em resposta à militarização pela China de ilhas em disputa, e a imposição de tarifas às importações chinesas como aspectos da estratégia de dissuasão da administração.

Ideias contrárias

As afirmações da administração de Donald Trump sobre a iminente ameaça de ataques iranianos a alvos dos EUA antes do ataque com drone em Badgá foram contestadas previamente por democratas e alguns republicanos. O secretário da Defesa, Mark Esper, afirmou que não tinha visto qualquer alerta de inteligência sobre eventuais ataques iranianos. 

O premiê canadense, Justin Trudeau, comentou o caso dizendo que as vítimas do jato abatido pelo Irã ainda estariam vivas se não fosse a recente escalada de tensões parcialmente desencadeada pelos EUA, acrescentando que, embora a comunidade internacional tivesse referido a necessidade de um Irã não-nuclear, o mesmo se aplicava à "gestão das tensões na região que são provocadas também pelas ações dos EUA".

O primeiro-ministro do Canadá também disse que teria "obviamente" gostado de receber um aviso de Washington sobre o ataque de drone a Soleimani, mas não o recebeu. "Os EUA tomam suas determinações. Nós tentamos trabalhar como uma comunidade internacional nas grandes questões, mas às vezes os países tomam medidas sem informar seus aliados."

O próprio Mike Pompeo não mencionou no seu discurso previamente planejado a ideia que matar o militar mais importante do Irã era necessário para evitar ataques a alvos norte-americanos, apenas referindo isso em resposta a uma pergunta da audiência no Instituto Hoover da Universidade de Stanford, Califórnia.

O presidente dos EUA chegou a dizer posteriormente ao ataque que "realmente não importa" se Soleimani representava uma ameaça iminente.

Rescaldo das tensões

A morte do general Qassem Soleimani em 3 de janeiro por um drone norte-americano levou à subida de tensões na região.

Em resposta, na quarta-feira (8) Irã atacou duas bases dos EUA no Iraque sem vítimas mortais, algo que foi visto como uma tentativa de evitar uma espiral de escalada. Horas depois, a Guarda Revolucionária Iraniana abateu um avião Boeing de passageiros, matando 176 pessoas, algo que o presidente iraniano Hassan Rouhani chamou de "erro humano".

Em 5 de janeiro, o parlamento iraquiano passou uma resolução ainda não-vinculativa que exige que todas as tropas estrangeiras abandonem o país. Em resposta, alguns países, incluindo os EUA, já retiraram contingentes de tropas do Iraque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020011415006588-morte-de-soleimani-e-parte-de-estrategia-maior-afirma-pompeo/

CGTP-IN condena acção criminosa dos EUA no Médio Oriente

conflict iranA CGTP-IN condena o bárbaro assassinato de um alto responsável militar do Irão por parte dos EUA. Um atentado que se insere na política de terrorismo de Estado dos EUA, perpetrado em outro país, o Iraque, sem autorização do respectivo governo e violando a sua soberania e o Direito Internacional.

Este ataque militar insere-se numa acção crescentemente provocatória, de desestabilização e agressão dos EUA e Israel no Médio Oriente, desenvolvida a partir de uma rede de bases e armas sem paralelo na região e no mundo, visando particularmente o Irão, mas também a Síria, o Líbano e a perpetuação da ocupação da Palestina.

A CGTP-IN denuncia as consequências que estas acções têm sobre as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores desta região e de todo o mundo e o estímulo que dão aos sectores políticos e sociais mais reaccionários e obscurantistas; o desvio de recursos para o militarismo e a escalada armamentista; o aumento da exploração do trabalho, as injustiças e desigualdades; o cerceamento da liberdade e de direitos sociais e outros direitos democráticos.

A pressão dos EUA para envolver a NATO e a sua política belicista com vista a promover a guerra, a destruição, a miséria e a rapina dos recursos naturais destes países, em beneficio dos interesses americanos, confirma a necessidade de todos quantos se batem pela paz contra a guerra intensificarem a luta contra o imperialismo e a extinção da NATO.

Em consonância com o estipulado na Constituição da República Portuguesa, a CGTP-IN exige do governo português que condene este crime e acto de guerra, bem como a assumpção das medidas necessárias à imediata retirada das forças militares portuguesas do Iraque, cuja presença, como este crime demonstra, nada tem que ver com a defesa do interesse e segurança nacionais, mas antes com uma acção de apoio e cumplicidade com os EUA e os seus interesses na região.

INT/CGTP-IN
13.01.2020

Ver original aqui

Para tentar salvar acordo nuclear, europeus acionarão mecanismo de solução de controvérsias

247 -A Europa busca recuperar o acordo nuclear estabelecido com o Irã em 2015.

Segundo a Reuters, os aliados europeus de Washington tentam impedir que o acordo nuclear entre em colapso desde que o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos em 2018.

O acordo estabelecia a suspensão das sanções contra o país persa. Em contrapartida, o Irã limitaria seu programa nuclear. Mas Washington restabeleceu as sanções, negando ao Irã a maioria dos benefícios econômicos.

 

O Irã respondeu gradualmente suspendendo a obrigação de cumprir algumas cláusulas.

No início deste ano, depois que os Estados Unidos assassinaram o general iraniano Qassem Sleimani, o Irã anunciou também sua retirada do acordo e disse que retomaria a produção de urânio enriquecido.

Irã prende alguns envolvidos no acidente de avião ucraniano

247 - "Prendemos algumas pessoas devido ao seu envolvimento no acidente do avião ucraniano, a investigação está em curso para descobrir a razão do acidente", disse o porta-voz.

Durante coletiva de imprensa, Esmaili comunicou que as autoridades iranianas enviaram uma caixa-preta para França, informa o site Sputnik.

"Caixa-preta foi enviada para França para transcrição", complementou.

Na segunda-feira (13), o vice-presidente da comissão parlamentar de desenvolvimento urbano do Irã, Abu al-Fadl Mousavi Beyuki, disse que o lançamento errado de um míssil iraniano que atingiu a aeronave foi o resultado da má coordenação com os sistemas de defesa antiaérea recém-instalados e localizados perto do aeroporto onde o acidente aconteceu.

Autoridades iranianas lamentaram o acidente, e o porta-voz do governo iraniano Ali Rabiei anunciou no dia 13 de janeiro que o presidente Hassan Rouhani está acompanhando uma série de questões relacionadas ao acidente, que resultou na morte de todas as 176 pessoas a bordo.

Anteriormente, a Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO) aceitou o convite do Irã para fornecer aconselhamento especializado na investigação do acidente do avião comercial da Ukraine International Airlines.

O Boeing 737-800 operado pela Ukraine International Airlines foi abatido involuntariamente por militares iranianos no dia 8 de janeiro, pouco depois de decolar do aeroporto Imã Khomeini na capital iraniana, Teerã. Cidadãos do Irã, Canadá, Ucrânia, Afeganistão, Alemanha, Suécia e Reino Unido estavam entre os 176 passageiros e tripulação que morreram no acidente.

EUA admitem não ter provas de que Soleimani atacaria 4 embaixadas

247 - O Pentágono admitiu neste domingo (12) que os EUA não têm provas de que o general Soleimani atacaria quatro embaixadas norte-americanas.

"O presidente não citou uma evidência específica, e eu não o vi, no que diz respeito às quatro embaixadas", disse Esper, em entrevista à emissora "CBS News", informa a EFE.

O chefe do Pentágono afirmou, no entanto, concordar com Trump que "é provável que (os iranianos) ataquem as embaixadas, pois são o ponto de destaque da presença americana em um país".

Suas declarações se somam a mudança de narrativa de Trump para justificar a missão contra Soleimani, pois o presidente inicialmente disse que o comandante planejava ataques indefinidos contra alvos dos EUA, depois disse que queria "explodir" a embaixada em Bagdá, e depois falou sobre planos contra outras missões.

"Posso revelar que acho que provavelmente seriam quatro embaixadas", disse Trump, durante uma entrevista à "Fox News" na última sexta-feira.

Esper defendeu que o presidente nunca falou de evidências no caso das quatro embaixadas, mas disse que "acreditava" que esse era o plano de Soleimani e afirmou compartilhar dessa análise.

As mudanças na justificativa de Trump para essa missão geraram desconforto entre alguns membros do Congresso, que não receberam informações sobre a suposta ameaça a quatro embaixadas durante uma reunião que realizaram esta semana com Esper e outras autoridades, segundo vários meios de comunicação.

Além disso, a hipótese de que a operação contra Soleimani poderia fazer parte de um plano mais amplo destinado a enfraquecer os Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC) ganhou força depois que o jornal "Washington Post" revelou na sexta-feira que os EUA lançaram outro ataque aéreo no Iêmen no mesmo dia da missão em Bagdá, no último dia 2.

França, Alemanha e Reino Unido defendem acordo nuclear iraniano

Reator atômico na usina nuclear de Bushehr, no sul do Irã (foto de arquivo)
© AFP 2019 / ATTA KENARE

Em comunicado conjunto divulgado neste domingo (12), os governos de França, Alemanha e Reino Unido defenderam o acordo nuclear iraniano e pediram que Teerã volte a seguir os termos do pacto assinado em 2015.

"Continuamos comprometidos com o Plano de Ação Conjunto Global [acordo nuclear iraniano] e sua preservação; pedimos ao Irã que cancele todas as medidas incompatíveis com o acordo", afirma o comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu e assinado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson.

O comunicado também ressalta que o Irã "nunca" deve ter uma arma nuclear e que os três países europeus, além de China, Rússia e União Europeia, defendem a manutenção do acordo nuclear. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu sair do acordo nuclear iraniano em 2018 e reintroduziu sanções contra Teerã. O Irã anunciou recentemente que irá deixar de seguir as diretrizes do acordo diplomático até que as sanções impostas contra sua economia sejam suspensas. 

Trump também afirmou que um novo pacto deve ser assinado para substituir o Plano de Ação Conjunto Global.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011214999187-franca-alemanha-e-reino-unido-defendem-acordo-nuclear-iraniano/

Irã afirma que mísseis não tinham objetivo de matar soldados dos EUA

Míssil balístico de longo alcance Qadr H é disparado pela Guarda Revolucionária do Irã durante manobra no Irã, 9 de março de 2016 (imagem de arquivo)
© AP Photo / Omid Vahabzadeh

O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã afirmou neste domingo (12) que não pretendia matar tropas dos EUA quando disparou mísseis contra bases estadunidenses no Iraque.

"Nosso objetivo não era realmente matar soldados inimigos. Isso não era importante", disse o comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, ao Parlamento, referindo-se à operação de mísseis lançada para vingar a morte do importante general iraniano Qassem Soleimani.

"A destruição física [causada pelos mísseis] foi apenas porque queríamos dizer que somos muito mais superiores ao inimigo [e] que podemos atingir qualquer ponto que escolhermos", acrescentou, em discurso transmitido na televisão estatal.

O Irã lançou uma onda de mísseis contra bases do Iraque que hospedam tropas dos Estados Unidos. Washington afirma que o ataque não deixou nenhum ferido.

Horas após o lançamento dos mísseis na quarta-feira, o Irã abateu um avião de passageiros ucraniano logo após decolar de Teerã, matando todas as 176 pessoas a bordo no que mais tarde admitiu ter sido um erro catastrófico, informa a agência de notícias AFP.

O Irã convidou especialistas do Canadá, França, Ucrânia e Estados Unidos para participar da investigação do desastre aéreo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011214999250-ira-afirma-que-misseis-nao-tinham-objetivo-de-matar-soldados-dos-eua/

Na Mira da China

El asesinato del general iraní Qassem Suleimani, con luz verde del presidente Donald Trump, ‎desató una reacción en cadena que se propagó incluso más allá del Medio Oriente. Esa era la ‎intención de quien aprobó la operación. Hace tiempo que Suleimani estaba en la mirilla de ‎Estados Unidos, pero los presidentes George W. Bush y Barack Obama no aprobaron su ‎asesinato.
 
‎¿Por qué lo hizo el presidente Donald Trump? Hay varias razones, como el interés personal del ‎actual presidente por evitar su propia destitución presentándose como un ardiente defensor de ‎‎«América» (léase “Estados Unidos”) ante un enemigo amenazante. Pero la principal razón de la ‎decisión de asesinar Suleimani, decisión adoptada por el Estado Profundo estadounidense antes ‎de que se tomara en la Casa Blanca, hay que buscarla en un factor que se ha hecho crítico para ‎los intereses estadounidenses sólo en estos últimos años: la creciente presencia económica china ‎en Irán. ‎
Irán desempeña un papel de primera importancia en la Nueva Ruta de la Seda cuya implantación ‎inició Pekín en 2013 y que ya se encuentra en una fase avanzada de realización. La Nueva Ruta ‎de la Seda consiste en una red de carreteras y vías férreas entre China y Europa a través del Asia ‎Central, el Medio Oriente y Rusia, combinada con una vía marítima a través del Océano Índico, ‎el Mar Rojo y el Mediterráneo. Para garantizar las infraestructuras (carreteras, vías férreas e ‎instalaciones portuarias) en más de 60 países, se prevén inversiones superiores a ‎‎1 000 millardos de dólares. En ese marco, China está invirtiendo en Irán unos 400 000 millones ‎de dólares: 280 000 millones en la industria del petróleo, en el gas y en el sector petroquímico, y ‎‎120 000 millones en las infraestructuras vinculadas al transporte, incluyendo oleoductos y ‎gasoductos. Se prevé que esas inversiones, efectuadas en un periodo de 5 años, han de ‎renovarse posteriormente. ‎

En el sector energético, la China National Petroleum Corporation, empresa estatal, firmó con el ‎gobierno iraní un contrato para garantizar el desarrollo del yacimiento offshore de South Pars, ‎en el Golfo Pérsico, considerado la mayor reserva de gas natural del mundo entero. Por otro ‎lado, otra empresa china, la Sinopec, con el Estado chino como socio mayoritario, se ha ‎comprometido a desarrollar la producción de los campos petrolíferos de West Karoun. ‎Desafiando el embargo estadounidense, China incrementa sus importaciones de petróleo iraní. ‎Pero más grave aún para Estados Unidos es el hecho que en todos esos acuerdos comerciales ‎entre China e Irán –y en muchos más– ambos países prevén una utilización creciente de la ‎moneda china y de monedas de otros países, excluyendo progresivamente el dólar estadounidense ‎de sus transacciones. ‎
En el sector del transporte, China ha firmado un contrato para la electrificación de 900 kilómetros ‎de líneas férreas en Irán, en el marco de un proyecto que debe garantizar la electrificación total ‎de la red ferroviaria iraní de aquí al año 2025 y la probable firma de un acuerdo para la creación ‎de la primera línea ferroviaria iraní de gran velocidad, que se extenderá a más de ‎‎400 kilómetros. La red ferroviaria iraní ya está conectada a la vía férrea de 2 300 kilómetros que ‎entró en servicio entre China e Irán, reduciendo los plazos del transporte de mercancías –que ‎antes eran de 45 días– a sólo 15 días. A través de Tabriz, gran ciudad industrial del noroeste ‎de Irán –desde donde parte un gasoducto de 2 500 kilómetros que llega hasta Ankara, la capital ‎turca– las infraestructuras de transporte de la Nueva Ruta de la Seda llegarán hasta Europa. ‎
Los acuerdos entre China e Irán no abarcan aspectos militares pero, según una fuente iraní, la ‎custodia de las instalaciones exigirá el despliegue de unos 5 000 agentes de seguridad chinos, al ‎servicio de las empresas constructoras. También es significativa la realización, a finales de ‎diciembre, del primer ejercicio naval conjunto entre Irán, China y Rusia, en aguas del Golfo ‎de Omán y del Océano Índico. ‎
Conociendo estos factores se hace más claro por qué Washington se decidió a asesinar al ‎general Suleimani: se trataba de provocar una respuesta militar de Teherán que justificara ‎intensificar el embargo contra Irán, afectando así el proyecto chino de Nueva Ruta de la Seda, ‎proyecto que Estados Unidos no está condiciones de obstaculizar en el plano económico. ‎La reacción en cadena provocada por el asesinato de Suleimani implica también a China y ‎a Rusia, con la creación de una situación cada vez más peligrosa. ‎

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/12/na-mira-da-china/

Militares dos EUA estavam em bunkers quando Irã atacou base aérea no Iraque, informa mídia

Foto aérea da base militar Ain Al-Asad, que abriga militares dos EUA no Iraque
© AP Photo / Nasser Nasser

Os militares estadunidenses deslocados na base aérea de Ain Al-Asad sabiam que um ataque iraniano estava iminente e, por isso, puderam se refugiar duas horas e meia antes de os mísseis terem atingido o complexo dos EUA.

Um correspondente da CNN, membro de um grupo de jornalistas que acedeu à instalação, soube pelos oficiais que a maioria dos militares da base a tinha abandonado até às 23h00 locais de 7 de janeiro ou se tinha escondido em bunkers antes do primeiro dos quatro lançamentos de mísseis, ocorrido por volta da 1h30 de 8 de janeiro.

No dia 8 de janeiro, o Exército do Irã bombardeou as bases usadas por militares estadunidenses no Iraque (Ain Al-Asad e Arbil) em resposta pela morte do general iraniano Qassem Soleimani, chefe da Força Quds do Irã, assassinado uma semana antes pelos EUA durante um ataque a Bagdá.

Iranianos caminham durante marcha fúnebre do major-general Qassem Soleimani
© REUTERS / Nazanin Tabatabaee / WANA NEWS AGENCY
Iranianos caminham durante marcha fúnebre do major-general Qassem Soleimani

Algumas horas depois de ter atacado as bases estadunidenses no Iraque, a defesa antiaérea do Irã derrubou um Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines que acabava de decolar com 176 pessoas a bordo do aeroporto de Teerã, com destino a Kiev.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020011214998174-militares-dos-eua-estavam-em-bunkers-quando-ira-atacou-base-aerea-no-iraque-informa-midia/

Rússia condena Irã e Estados Unidos por desatre com avião ucraniano

Sputinik – Rússia condena as ações do Irã, que derrubou o avião ucraniano, mas entende que eles foram provocados pelos EUA.

O vice-presidente do Comitê de Defesa da Duma de Estado da Rússia, Yuri Shvytkin, declarou que o parlamento russo condena as ações do Irã, que derrubou a aeronave comercial ucraniana, no entanto entende que os iranianos foram provocados pelos EUA para efetuar o ataque.

"É evidente que nós condenamos tanto as ações dos EUA como os atos do Irã neste sentido […], mas temos que compreender que os Estados Unidos provocaram o Irã a retaliar", disse o parlamentar russo.

Irã não "escondeu a cabeça na areia", agiu com dignidade admitindo oficialmente sua culpa no acidente do avião ucraniano,disseà Sputnik o vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho de Federação russa, Vladimir Dzhabarov.

"Agora o Irã deverá apresentar oficialmente um pedido de desculpas e pagar indenizações às famílias das vítimas. A propaganda ocidental irá cair sobre o país anunciando sua culpa e o perigo que representa o seu Estado", opina Djabarov.

Mais cedo neste sábado (11), em comunicado o Irã reconheceu que derrubou o avião de passageiros ucraniano vitimando 176 pessoas. De acordo com a declaração, a aeronave estava voando perto de instalações militares do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica iraniana e acabou sendo confundido com uma possível ameaça.

O avião, um Boeing 737 operado pela Ukrainian International Airlines, caiu nos arredores de Teerã durante a decolagem algumas horas após o Irã ter lançado uma série de mísseis contra forças americanas estacionadas em bases militares no Iraque.

(Multimídia) Irã publica relatório preliminar sobre queda de avião de passageiros ucraniano

 


Um socorrista trabalha no local de queda de um avião de passageiros Boeing 737 ucraniano, no distrito de Parand, sul de Teerã, Irã, em 8 de janeiro de 2020. (Xinhua/Ahmad Halabisaz)

Teerã, 9 jan (Xinhua) -- O Irã divulgou nesta quinta-feira um relatório preliminar sobre o avião de passageiros Boeing 737 ucraniano que caiu na quarta-feira nos subúrbios de Parand, na capital Teerã, matando todos os passageiros e tripulantes.

Segundo Ali Abedzadeh, chefe da Organização de Aviação do Irã, as caixas-pretas do avião foram danificadas. Além disso, danos físicos nas memórias de ambos os equipamentos são visíveis.

O Irã convidou representantes da Ucrânia e de países relevantes para realizar avaliações sobre o acidente, disse Abedzadeh, citado pelo site de notícias Khabaronline.

Ele indicou que depois que o avião subiu a 8.000 pés de altura, desapareceu do radar e logo em seguida, caiu.

O funcionário iraniano acrescentou que nenhuma mensagem de rádio por parte do piloto sobre alguma "condição incomum" foi recebida.

Abedzadeh assinalou que aldeãos viram sair uma bola de fogo do avião antes de cair.

A direção da queda mostra que o piloto mudou a direção depois de descobrir o problema e tentou retornar ao aeroporto, assinalou.

Abedzadeh confirmou que havia 176 pessoas a bordo do avião ucraniano, sendo 167 passageiros e nove membros da tripulação.

Na quarta-feira, os meios de comunicação iranianos publicaram diferentes números sobre as pessoas a bordo da aeronave.


Corpos de vítimas são vistos no local de queda de um avião de passageiros Boeing 737 ucraniano no distrito de Parand, no sul de Teerã, Irã, em 8 de janeiro de 2020. (Xinhua/Ahmad Halabisaz)


Socorristas trabalham no local de queda de um avião de passageiros Boeing 737 ucraniano, no distrito de Parand, sul de Teerã, Irã, em 8 de janeiro de 2020. (Xinhua/Ahmad Halabisaz)


Socorristas trabalham no local de queda de um avião de passageiros Boeing 737 ucraniano, no distrito de Parand, sul de Teerã, Irã, em 8 de janeiro de 2020. (Xinhua/Ahmad Halabisaz)

DUAS SEMANAS QUE ARREPIARAM O MUNDO

Antes que a enxurrada de desinformação produzida pela comunicação social corporativa mistifique a história oficial destes dias de guerra, caos e ilegalidade na cena internacional é altura de descodificar a cadeia de acontecimentos para que seja possível distribuir responsabilidades e invalidar mentiras. Se os Estados Unidos da América, como é habitual e natural, sobressaem como os artífices de uma trama que ameaça o planeta, é importante notar que o “nosso mundo civilizado”, com a NATO e a União Europeia à cabeça, não fazem figura de inocentes. Aliás, nem o governo da República Portuguesa se salva.
 
Já poucos terão presente que esta escalada de guerra dos Estados Unidos contra o Iraque e o Irão – ao que parece agora militarmente amainada – se iniciou em 27 de Dezembro com um suposto ataque da organização paramilitar iraquiana xiita Kataeb Hezbollah contra uma base ocupada por tropas norte-americanas no Iraque, provocando a morte de um contratado civil e ferimentos em quatro militares.
 
E aqui começa a história a ser mal contada.
 
Em momento algum, até hoje, as fontes oficiais e oficiosas norte-americanos prestaram informações adicionais sobre este incidente, por exemplo divulgando a identidade do falecido, a entidade para a qual trabalhava e os nomes dos feridos.
 
No dia seguinte veio a “resposta” norte-americana: caças F-15 bombardearam cinco bases do Kataeb Hezbollah no Iraque e na Síria, instalações que foram e continuam a ser fulcrais no combate contra o Isis ou Estado Islâmico e a al-Qaida. Desenhava-se aqui uma tendência: punir organizações ou entidades que contribuem para tentar desmantelar o terrorismo que descende directamente do que foi criado no Afeganistão por Bin Laden e a CIA em coordenação com outros serviços secretos, designadamente os britânicos, sauditas e paquistaneses.
 
O pormenor mais intrigante da “resposta” militar norte-americana levanta ainda outras fortes suspeitas sobre a versão dos acontecimentos difundida por Washington. As bases do Kataeb Hezbollah atingidas pelos bombardeamentos situam-se a mais de 500 quilómetros das instalações onde supostamente terá morrido o mercenário e foram feridos os quatro soldados. É de admitir, portanto, que o grupo paramilitar iraquiano não seja responsável pela acção, como o próprio garante; e que o suposto “ataque com rockets” não tenha passado de uma provocação que qualquer reminiscência do Isis ainda seja capaz de executar.
 
A acção terrorista norte-americana gerou reacções imediatas e espontâneas sobretudo no Iraque. O Kataeb Hezbollah é uma facção do bloco designado Unidades Populares de Mobilização (PMU), milícias associadas ao segundo maior grupo do Parlamento iraquiano. Além disso, integra operacionalmente o exército regular do país. Com esta representatividade não espanta que se tenham formado importantes manifestações contestando o bombardeamento norte-americano e tendo como alvo a Embaixada dos Estados Unidos. Em momento algum, porém, houve invasão das instalações diplomáticas, ao contrário do que foi afirmado pelos media corporativos ecoando as mensagens de propaganda emanadas do Departamento de Estado em Washington.  
 
Um acto de guerra
Os protestos, porém, serviram como novo pretexto para alimentar a escalada.
 
Invocando os focos de violência em torno da embaixada – motivo que depois desapareceu, para ser substituído por uma mentira que continua a ser repetida – os Estados Unidos assassinaram, em 3 de Janeiro, o general Qasem Soleimani, comandante da organização Al-Qods (Jerusalém) da Guarda Revolucionária do Irão. 
 
Demonstrando que conhecia ao milímetro os movimentos do general, o Pentágono enviou um drone Reaper contra o conjunto de viaturas que transportava Soleimani do aeroporto internacional de Bagdade para uma reunião com o primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul al-Mahdi.
 
No ataque morreram também o número dois do PMU do Iraque e um destacado dirigente do Hezbollah libanês, organização que integra o governo do Líbano.
 
Os Estados Unidos tinham acabado de cometer um acto de guerra contra três Estados Soberanos.
O Iraque protestou oficialmente contra o evidente ataque à sua soberania.
E o Irão prometeu reagir.
Logo acudiu a chamada “comunidade internacional”, praticamente a uma voz e com uma só palavra de ordem: “contenção” – pedida a todas as partes, agressor e agredidos.
 
Do “nosso mundo civilizado” não se ouviu qualquer condenação do acto de barbárie.
 
A NATO, pela voz do secretário-geral Stoltenberg, garantiu que não estava envolvida mas fora informada e sabia de tudo. E recomendou ao Irão, país vítima de uma agressão primária que rasgou também o direito internacional, o cuidado de “abster-se de violência e provocações”
 
O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assegurou que se tratava de “um acontecimento americano” no qual o seu país não deveria ser “misturado”. E, no entanto, a operação replicou os muitos “assassínios selectivos” praticados pelo Estado sionista, principalmente na Faixa de Gaza. Netanyahu ameaçou ainda o Irão com uma “resposta retumbante” no caso de atacar alvos israelitas.
 
O secretário-geral da ONU, António Guterres, falou mais ou menos do sexo dos anjos, na impossibilidade de discorrer, por uma vez, das alterações climáticas: “O caldeirão de tensões conduz cada vez mais países a tomar decisões imprevistas com imprevistas consequências e risco profundo de erros de cálculo”, declarou. 
 
Concluiu ainda que “as tensões geopolíticas estão ao nível mais elevado deste século”, coisa que ainda ninguém tinha percebido.
 
Não se ouviu, no entanto, qualquer comentário de Guterres quando o Departamento de Estado norte-americano se recusou a emitir um visto ao ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Javad Zarif, que pretendia deslocar-se à sede das Nações Unidas, em Nova York, para explicar os acontecimentos. Uma recusa que deveria suscitar reacções exemplares da ONU, uma vez que viola o tratado celebrado entre esta organização e os Estados Unidos que regula, desde 1947, o funcionamento das Nações Unidas na cidade norte-americana.
 
A Rússia e a Turquia, em declaração conjunta, admitiram que as atitudes dos Estados Unidos no Médio Oriente são “ilegais”.
 
Guerra para calar negociações
O general Soleimani não era apenas um general admirado no seu país. Ficou conhecido como brilhante estratego do combate travado internacionalmente contra o Estado Islâmico – praticamente dizimado – e a al-Qaida - em vias de sofrer uma esmagadora derrota na Síria e em fase de transferência para a Líbia.
 
O assassínio de Qasem Soleimani confirma, portanto, a tendência norte-americana para ajustar contas com pessoas, entidades e organizações que combatem o terrorismo oriundo do tronco comum afegão. O que não surpreende, porque o Estado Islâmico e a al-Qaida desempenharam – e desempenham – funções de braços armados dos Estados Unidos e da NATO em guerras como as do Iraque, da Síria e da Líbia.
 
O primeiro-ministro do Iraque revelou, entretanto, que o general Soleimani se deslocara a Bagdade para se encontrar com ele próprio e entregar a resposta do governo do Irão a uma iniciativa da Arábia Saudita, na qual o Iraque serviu de mediador, e que tinha o objectivo de reduzir as tensões entre Teerão e Riade. Uma aproximação entre o Irão e a Arábia Saudita é fulcral para qualquer processo de pacificação em todo o Médio Oriente; por outro lado, seria um obstáculo à estratégia de “guerra sem fim” conduzida pelos Estados Unidos na região.
 
A intenção da administração norte-americana de fazer abortar negociações desenvolvidas entre Teerão e Riade através de Bagdade é muito mais do que uma simples suspeita.
A versão norte-americana sobre a viagem de Soleimani é diferente: o general iria preparar ataques contra alvos militares e interesses norte-americanos. Nem o secretário de Estado Pompeo nem o presidente Trump, em múltiplas intervenções, conseguiram ir além da formulação abstracta desta teoria, apesar de instados a apresentar pormenores. A acusação a Soleimani acaba por revelar-se uma deslavada e repetida mentira.
 
Vítima de uma agressão norte-americana contra o seu próprio território, o Parlamento iraquiano decidiu, por unanimidade, expulsar as tropas estrangeiras e revogar o pedido de assistência de uma coligação internacional com base na NATO, fundada com o alegado intuito de combater o Isis ou Estado Islâmico.
 
A NATO suspendeu as operações em solo do Iraque. O primeiro-ministro al-Mahdi recebeu uma carta norte-americana – com versões em inglês e em árabe – manifestando disponibilidade para acatar a decisão. Como os textos têm conteúdos diferentes nas duas línguas, o chefe do governo do Iraque pediu esclarecimentos. Então os Estados Unidos argumentaram que a carta não deveria ainda ter sido enviada, pelo que não existe resposta oficial à posição soberana de Bagdade.
 
Tanto quanto se sabe, a versão oficial de Donald Trump é a de que não tenciona retirar as tropas do Iraque. O assunto vai dar ainda muito pano para mangas.
 
A reacção iraniana
O Irão não tinha outra opção que não fosse a de reagir ao acto de guerra norte-americano. Por razões de dignidade e soberania, por necessidades internas e por lhe ser facultada pelo direito internacional.
 
Teerão começou por anunciar que deixa de respeitar os limites de enriquecimento de urânio impostos pelo acordo nuclear internacional 5+1, do qual os Estados Unidos já se tinham retirado.
E o circo da “comunidade internacional” voltou a reagir a preceito, argumentando que, agora sim, o Irão iria avançar para a bomba nuclear – circunstância que passou a valer propagandisticamente como se o regime iraniano já tivesse entrado no “clube atómico”, pronto a “varrer Israel do mapa”, como se ouviu a circunspectos analistas.
 
O filme começou, uma vez mais, a ser rodado ao contrário, escondendo que Israel é a única potência nuclear do Médio Oriente em condições de “varrer vizinhos do mapa”, actividade em que tem muita e proveitosa experiência.
 
A NATO garantiu que “não permitirá que o Irão tenha armas nucleares”. Donald Trump assegurou que “o Irão jamais terá armas nucleares”. Afinal, apesar dos “distanciamentos”, NATO e Trump, Trump e NATO actuam a uma só voz.
 
Na madrugada de 8 de Janeiro, o Irão bombardeou então duas bases iraquianas ocupadas por tropas norte-americanas. Na sua conta twitter, o chefe da diplomacia iraniana, Javad Zarif, explicou que “a resposta foi proporcional” ao ataque sofrido e o Irão abster-se-á de novos ataques.
 
As narrativas em torno deste ataque, porém, estão longe de serem coincidentes e de estarem concluídas.
Circulam informações, por um lado, de que antes da operação o Irão contactou o Iraque e este país os Estados Unidos a tempo de serem tomadas precauções para evitar baixas. Alguns mísseis, inclusivamente, teriam sido preparados para evitar danos.
 
Existem, porém, informações completamente diferentes. O Irão teria procedido exactamente como os Estados Unidos na altura do assassínio de Soleimani: informou o Iraque praticamente em cima da execução do ataque.
 
A versão oficial de Donald Trump é a de que o ataque não causou baixas nas tropas norte-americanas ou iraquianas.
 
Trump e os seus amigos
O presidente norte-americano fez um balanço oficial dos acontecimentos num “discurso à nação” proferido na manhã (de Washington) de dia 8, quarta-feira. Anunciou novas sanções contra o Irão, além de estar “a avaliar outras opções de resposta”. De momento, a escalada militar parece entre parêntesis, embora permaneçam todas as circunstâncias que conduziram a esta nova fase da agressão norte-americana. 
 
Trump pediu “maior envolvimento da NATO”, não especificando em quê relativamente à situação criada, confirmando assim a “decepção” transmitida por Pompeo perante a reacção da aliança ao assassínio de Soleimani. Ficou implícita, através desta abordagem, a obrigatória disponibilização de meios atlantistas para o que quer que se siga na guerra sem fim sustentada pelos Estados Unidos na região do Médio Oriente.
 
Donald Trump parece estar ainda a avaliar os resultados da situação, como manobra de diversão do impeachment, e as suas repercussões na campanha para as eleições de Novembro deste ano.
Além da pressão do impeachment, que em última análise será travado pela maioria republicana do Senado, Trump está sob pressão do Congresso por não ter comunicado previamente a operação contra Bagdade e por não dispôr de qualquer autorização válida para travar uma guerra contra o Irão. Alguns congressistas consideram este facto como a razão de maior peso para um impeachment de um presidente.
 
Apesar da agressividade, o discurso de Trump soou a recuo: está colocado perante a exigência de retirada das tropas do Iraque, as pressões do Congresso, a multiplicação de manifestações em dezenas de cidades do país contra a guerra, a denúncia das mentiras sobre Soleimani na própria comunicação social dominante e também a possibilidade de as versões sobre avultadas baixas militares ganharem terreno se forem, de facto, fundamentadas.
O ataque cerrado no discurso contra Obama, personificando na circunstância o Partido Democrático, confirma que a agressão contra o Irão integra os planos de Donald Trump para tentar retomar a iniciativa frente ao impeachment e desenvolver a campanha eleitoral.
 
A campanha “América primeiro” parece ter derivado para as campanhas de guerra como suporte da propaganda político-eleitoral, ao leme das quais, sem horizonte estratégico, vão Pompeo e os seus cristãos sionistas, os fundamentalistas evangélicos de Pence e as manobras sionistas do genro de Trump, Jarred Kushner, em sintonia absoluta com o primeiro-ministro de Israel.
 
Estando Trump e Netanyahu ambos acossados internamente, tanto em termos políticos como de justiça, a associação de circunstâncias não joga a favor da redução de tensões mas sim da sua exploração ao ritmo das batalhas político-jurídicas que se seguem nos Estados Unidos e em Israel.
 
O cenário mundial está assim refém das necessidades e interesses próprios dos Estados Unidos e seu satélite israelita – ou vice-versa – em plena guerra intercapitalista.
Enquanto a União Europeia prega a “contenção” ao Irão; e o governo português, na velha tradição de bom e respeitador aluno, esteve mudo perante a manobra terrorista que consumou o assassínio do general Soleimani mas já teve voz para condenar o ataque de retaliação conduzido pelo Irão. Comentários dispensam-se.
 
As duas últimas semanas foram exemplares da situação arrepiante a que a chamada “comunidade internacional” deixou que o mundo fosse conduzido pelas mãos de sociopatas incuráveis. 
 
 
Por José Goulão, n´O LADO OCULTO
*A versão inicial deste artigo, e que poderá já ter sido conhecida por alguns leitores, foi alterada. As referências alusivas aos dados em poder do jornalista israelita Jack Khoury foram suprimidas a pedido deste. As informações contidas na sua página de twitter - entretanto cancelada - fazendo alusão à existência de 224 militares norte-americanos feridos recebidos num hospital de Telavive são falsas. Khoury informa que a sua conta de twitter foi alvo de um acto de pirataria de que resultou a inserção de informações não verificadas ou inexistentes. Pelo facto peço desculpa aos leitores.
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

A A25A e o ataque norte americano em Bagdade

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O ataque dos Estados Unidos da América a Bagdade, verificado no dia 3 de Janeiro de 2020, não pode deixar-nos calados. 
 

Por mais que queiramos manter-nos alheios, a natureza do crime praticado não se compadece com o silêncio de uma instituição como a Associação 25 de Abril, representante dos autores da mais bela história da defesa da democracia e dos direitos humanos, e defensora do aprofundamento desses valores e ideais.  
 

É por isso que tornamos pública a nossa veemente condenação a um acto agressivo, unilateral e violento que a Administração Americana, mandatada pelo seu presidente Donald Trump, decidiu executar, ao arrepio da Organização das Nações Unidas e do Direito Internacional.  
 

Este acto criminoso poderá vir a por em causa a Paz (se é que ela existe...) no Mundo, levando a humanidade a confrontos sem igual aos verificados até hoje, por mais devastadores que tenham sido!  
Aos diversos países directa ou indirectamente envolvidos se pede contenção, mas, não podemos ignorá-lo, cabe em primeiro lugar ao povo americano escorraçar o presidente que assim procede, ufanando-se, ainda por cima, da sua natureza de assassino confesso. 
 

Porque depositária dos valores de Abril consignados na Constituição da República, a Associação 25 de Abril não pode deixar de apelar aos responsáveis por Portugal, o mesmo é dizer ao Presidente da República, à Assembleia da República e ao Governo que, dentro das suas específicas funções e poderes, actuem de acordo com o consignado na nossa Lei Fundamental, não deixando de condenar este acto criminoso e unilateral. Não podem existir razões conjunturais que justifiquem a repetição do vergonhoso episódio em que fomos os mordomos de uma criminosa reunião (então designada de Cimeira) nas Lages! Nesse sentido, recusamo-nos a aceitar que este acto de agressão "gratuita" possa ter sido combinada no recente encontro em Lisboa, entre Mike Pompeo e Benjamin Netanyahu, hipótese por muitos avançada! O que, a ter acontecido, nos envolveria de novo em nova situação de todo em todo inaceitável... 
 

Convictos de assim estarmos a pugnar por um Mundo mais democrático e solidário, onde haja igualdade entre os povos e concerto entre as nações, com respeito pelos Direitos Humanos, pela Biodiversidade, pela Liberdade, pela Igualdade e pela Solidariedade, pela Paz e Respeito entre todos os Povos do Mundo, reafirmamos o nosso profundo repúdio, a nossa total indignação e condenação ao sucedido, confiando em que as instituições internacionais também assim procedam!   Lisboa, 8 de Janeiro de 2020. 
A Direcção 
 

Trump mandou assassinar outro general do Irã, mas operação falhou

247 -Autoridades dos Estados Unidos afirmam que o general Qassim Suleimani não foi o único alvo da ação norte-americana. a mando do presidente Donald Trump, forças militares norte-americanas atacaram outro comandante militar iraniano no Iêmen, Abdul Reza Shahlai.

A operação para assassinar o comandante, no entanto, falhou, disseram autoridades dos Estados Unidos, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

Detalhes sobre a operação contra Shahlai foram mantidos em sigilo. Embora sua morte tenha sido relatada por algumas contas de mídias sociais, oficiais dos EUA disseram que ele ainda está vivo.

 

Irão deu aos especialistas ucranianos acesso às caixas negras do avião que caiu em Teerão

Abedin Taherkenareh / EPA

 

Os especialistas ucranianos que estão no Irão para investigar a queda de um avião da Ukranian International Airlines obtiveram acesso às caixas negras por parte das autoridades em Teerão, foi esta sexta-feira anunciado.

 

“A nossa equipa já teve acesso às caixas negras”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Vadym Prystaïko, em conferência de imprensa.

Todas as informações vão agora ser analisadas“, referiu o chefe da diplomacia da Ucrânia, país que enviou uma equipa de 45 peritos para o Irão para investigar as causas do despenhamento do Boeing 737, que provocou a morte de todas as 176 pessoas — passageiros e tripulantes — a bordo.

Autoridades norte-americanas, incluindo o secretário de Estado Mike Pompeo, canadianas e britânicas declararam que é “provável” que o Irão tenha abatido acidentalmente o avião civil. “Acreditamos que é provável que este avião tenha sido abatido por um míssil iraniano”, disse o secretário de Estado em conferência de imprensa, acrescentando que os Estados Unidos vão “deixar a investigação prosseguir antes de tirar qualquer conclusão”.

 
 

A Autoridade da Aviação Civil do Irão contraria esta versão e disse esta sexta-feira ter a “certeza” que o Boeing “não foi atingido por um míssil”. O aparelho descolou de Teerão, com destino a Kiev, despenhando-se dois minutos após a descolagem.

O Governo da Ucrânia informou que 83 iranianos, 63 canadianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos morreram quando o avião ucraniano em que seguiam se despenhou nos arredores de Teerão.

O acidente ocorreu horas depois do lançamento de 22 mísseis iranianos contra duas bases da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, em Ain Assad e Erbil, no Iraque, numa operação de vingança pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.

ZAP // Lusa

 
 
 

EUA ameaçam guerra generalizada

Esta nova década inicia-se com ameaças abertas de barbárie por parte dos EUA. Mas, ao mesmo tempo, os sinais que vêm do Médio Oriente (e de outras partes do mundo) dão conta de uma ampla resistência de milhões de pessoas, fartas de tiranias e de más condições de vida. Resistência essa que não parece já episódica e de propósitos limitados, mas que sugere o germinar de novas ondas de lutas de massas de maior alcance. Não sendo, na maioria, expressamente anti-imperialistas e anticapitalistas, têm contudo como alvo objectivo a dominação das grandes potências (nomeadamente os EUA) e o descalabro a que o capitalismo conduziu o mundo. São por isso potencialmente revolucionárias.

O texto que publicamos aborda o recente conflito entre EUA e Irão, na sequência do assassinato do general Soleimani. Os dados que fornece permitem compreender melhor o quadro dos acontecimentos. E, ao chamar a atenção para as fraquezas dos EUA, alerta precisamente para o facto de poder estar a gerar-se uma mudança histórica na resistência dos povos do Médio Oriente que ponha em causa a dominação imperialista norte-americana.

Alvejando o Iraque e o Irão, os EUA ameaçam guerra generalizada

Enormes manifestações no Irão, no Iraque e em toda a região expressam o ódio anti-imperialista e sinalizam um novo dia, um renascimento dos movimentos de massas que expulsarão os EUA da região.

Um acto criminoso dos EUA desencadeou a tempestade.

Em 2 de Janeiro, o imperialismo dos EUA elevou a sua guerra agressiva contra o Irão para um novo nível. Um drone norte-americano realizou um ataque furtivo que assassinou o principal general iraniano Qassem Soleimani, chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana – Quds.

Soleimani estava em visita oficial ao Iraque, numa missão como negociador pela paz na zona. Foi recebido por Abu Mahdi al-Muhandis, líder das Forças de Mobilização Popular do Iraque (FMP), que também foi assassinado no ataque. As FMP fazem parte oficialmente das forças de segurança iraquianas.

O Departamento de Defesa dos EUA admitiu ter realizado o ataque seguindo as ordens do presidente Donald Trump.

Nos dias após essa provocação de guerra, ocorreu o seguinte:

No Iraque, dezenas de milhares de pessoas uniram-se na marcha fúnebre dos dois líderes militares assassinados pelo Pentágono. O Parlamento iraquiano votou a expulsão dos 5.000 militares dos EUA que estão estacionados no Iraque logo que os parlamentares souberam do assassinato político cometido pelos EUA violando a soberania do Iraque.

O primeiro-ministro iraquiano Adil Abdul-Mahdi disse ao parlamento que o governo dos EUA sabia que o general Soleimani estava em viagem no Iraque como emissário oficial de paz e que iria encontrar-se com ele para estabelecer negociações com a Arábia Saudita a fim de diminuir a tensão na região. O Iraque actuaria como mediador. Abdul-Mahdi disse que Trump também pediu ao Iraque para desempenhar um papel mediador com o Irão.

No Irão, os líderes do governo prometeram que vão responder militarmente aos EUA. Centenas de milhares, se não milhões, de pessoas marcharam pelas ruas em luto por Soleimani e pelo seu homólogo iraquiano. O grito dominante era “Morte à América!” – significando os Estados Unidos.

Dos EUA, Trump enviou um tweet ameaçando destruir 52 alvos iranianos, incluindo sítios culturais. Tal ataque seria um crime de guerra. Entretanto, Washington indicou aos cidadãos dos EUA que deixassem o Iraque.

Embora os acontecimentos tenham exposto algumas das fraquezas do imperialismo norte-americano no Iraque e na região, eles tornaram mais provável uma guerra agressiva por parte dos EUA.

EUA humilhados no Iraque

A mais recente escalada de Trump segue-se a uma experiência humilhante em Bagdade, no último dia de 2019. Um desfile fúnebre desarmado de milhares de pessoas passou sem oposição por postos de guarda, barreiras e postos de controle no complexo da embaixada dos EUA mais altamente seguro do mundo.

As forças de segurança do governo iraquiano não fizeram nada para impedir que membros da milícia e seus líderes entrassem na Zona Verde, onde a embaixada dos EUA está localizada.

Esta acção ousada ocorreu após um funeral em massa de membros de unidades da Milícia Popular mortos num atentado cometido pelos EUA. Isto expôs a vulnerabilidade dos ocupantes norte-americanos, e enviou uma mensagem clara: nenhuma base dos EUA no Iraque é segura.

As próprias forças iraquianas em que os EUA confiam, na embaixada mais fortemente fortificada do mundo, abriram as portas à multidão. Claramente, os EUA não têm aliados. Até as forças iraquianas que colaboraram com a ocupação alinharam agora contra os EUA.

Desde então, a escalada dos EUA incluiu a chegada bem divulgada de tropas americanas da 82.ª Divisão Aerotransportada no Kuwait, tropas frequentemente usadas para evacuar cidadãos americanos. Milhares de outras tropas estão a caminho, antecipando uma guerra mais ampla.

O papel do imperialismo dos EUA é destrutivo em todo o mundo. Em nenhum lugar ele foi mais destrutivo nas últimas décadas do que nos países da região do oeste da Ásia ao norte da África, designado como Oriente Médio.

No momento em que os EUA desencadeiam uma crise, é importante avaliar a sua posição, a sua força e as suas alianças, e avaliar o desenvolvimento da movimentação dos povos de toda a região pela soberania.

Zona Verde: uma coutada dos EUA

A Zona Verde é uma bolsa de segurança criada pelos EUA, uma colónia independente que ocupa 10 quilómetros quadrados do centro de Bagdad, cercada por muros de betão e por arame farpado, fortificada com sacos de areia, holofotes e postos de controle.

A embaixada dos EUA, na Zona Verde, ocupa mais de 40 hectares de propriedades imobiliárias de primeira linha. É do tamanho da Cidade do Vaticano. Seis vezes maior que a sede das Nações Unidas em Nova Iorque, é a maior embaixada do mundo.

O facto de as forças de segurança iraquianas mais altamente treinadas, supostamente confiáveis para proteger os interesses dos EUA, não terem feito nenhum esforço para travar os manifestantes quando eles marcharam para a Zona Verde, fortemente fortificada, é um desenvolvimento impressionante que envia uma mensagem sobre a segurança de todas as bases dos EUA no Iraque.

A ocupação da Zona Verde não foi um evento isolado ou excepcional. Pelo contrário, foi a terceira vez nos últimos meses de 2019 que o poder dos EUA foi desafiado com sucesso de maneiras inteiramente novas e criativas — e numa região que tem sido brutalmente dominada, ocupada e intencionalmente empobrecida pelas forças dos EUA durante décadas.

A escala destas humilhações pode ser mais bem apreciada quando comparada com as grandiosas promessas de cinco presidentes consecutivos dos EUA e cerca de 30 anos de sanções, bombardeios e ocupações fracassadas dos EUA que torturaram esta região de vasta riqueza.

Forças populares em movimento

O governo iraquiano está enfraquecido e dividido por meses de protestos populares que assolaram Bagdade e o sul do Iraque desde o início de Outubro.

A repressão das manifestações — que reclamam serviços básicos, oportunidades de emprego e o fim da corrupção — resultaram em pelo menos 470 mortos e mais de 20.000 feridos. Os protestos contínuos resultaram na exigência de uma revisão completa do sistema político corrupto e sectário estabelecido sob a ocupação dos EUA.

Nas últimas semanas, uma série de ataques com foguetes atingiu instalações militares no Iraque, onde o pessoal dos EUA está estacionado. A ocupação popular da Praça Tahrir, também conhecida como Praça da Libertação, estava em curso durante o ataque à embaixada dos EUA.

Estratégia dos EUA: manter a região dividida

O ódio popular explodiu depois de as as tropas norte-americanas terem bombardeado as Forças de Mobilização Popular, que são oficialmente parte das Forças de Segurança do Iraque. O ataque dos EUA em 29 de Dezembro matou 32 e feriu 55 pessoas que foram homenageadas como combatentes da linha da frente contra o grupo Estado Islâmico (EI).

Os EUA disseram que lançaram esta ofensiva em represália a um ataque de rockets ocorrido em 27 de Dezembro perto de Kirkuk, que matou um “contratado” dos EUA (na verdade, um mercenário). Mas o alvo escolhido pelos militares dos EUA para a represália situa-se a centenas de quilómetros do local onde o mercenário dos EUA morreu.

A área bombardeada foi a única passagem de fronteira controlada pelas forças iraquianas e sírias, não pelos EUA. Essa passagem tinha sido aberta com grande comemoração depois de estar nas mãos do EI durante cinco anos. Em Setembro passado, Israel bombardeou as forças sírias que tentavam abrir essa passagem de estradas crucial.

A abertura deste posto na fronteira Síria-Iraque significou que, pela primeira vez em 30 anos, o comércio, as viagens e as trocas entre Afeganistão, Irão, Iraque, Síria e Líbano puderam decorrer sem estar sob controlo dos EUA.

A estratégia dos EUA durante décadas concentrou-se na procura de manter toda esta região dividida, dependente e em guerra. Síria, Iraque e Irão eram postos uns contra os outros, pois a política dos EUA inflamava diferenças sectárias, étnicas e religiosas.

Todos esses países estão sujeitos a fortes sanções dos EUA, portanto, abrir a sua capacidade de negociar uns com os outros é um grande passo em frente para salvar vidas. Restabelecer novamente ligações nesta região destruída é um objectivo daqueles que se opõem aos esforços dos EUA para recolonizar a zona. Ao bombardear essa passagem de fronteira, os EUA confirmaram que a sua estratégia é dividir a região pela força.

Estratégia dos EUA contra Irão, Iraque, Síria e Afeganistão

Desde a revolução iraniana de 1979, os EUA tentam esmagar o Irão com sanções. Também apertou as sanções contra o Iraque em Agosto de 1990, seguidas, um ano depois, por uma campanha maciça de bombardeios, e mais sanções que levaram à morte de meio milhão de crianças iraquianas.

Em 2003, os EUA invadiram e ocuparam o Iraque, destruindo seu tecido social e cultural. Mais de um milhão de tropas norte-americanas passaram pelo Iraque — mas não conseguiram subjugar a resistência.

As sanções dos EUA contra a Síria começaram na mesma altura em que os EUA invadiram o Iraque em 2003. Tornaram-se muito mais severas em 2011, num esforço máximo para derrubar o governo sírio. Washington e os seus aliados armaram e forneceram dezenas de milhares de forças mercenárias estrangeiras e, em seguida, forneceram apoio indirecto aos terroristas do EI criados pela Arábia Saudita. O EI tornou-se o novo pretexto para os militares dos EUA bombardearem a Síria e enviarem tropas para o Iraque como “instrutores”.

No Afeganistão, 18 anos de ocupação pelos EUA trouxeram apenas ruínas e divisão sectária.

Quase todas as correntes políticas no Iraque, Síria e Afeganistão, mesmo aquelas que colaboraram com Washington, acabaram por odiar a duplicidade e a arrogância racista do domínio dos EUA.

A única resposta do Pentágono para a crescente resistência em todas as frentes é mais guerra e sanções ainda mais severas.

De acordo com o Washington Post de 4 de Janeiro, os EUA têm cerca de 6.000 soldados no Iraque, e uma brigada de 3.500 soldados aerotransportados está a caminho. Existem mais de 14.000 soldados dos EUA / NATO no Afeganistão. No sudoeste da Ásia, do Afeganistão ao Mediterrâneo, há um total de 70.000 forças dos EUA. Existem também dezenas de milhares de contratados e mercenários no Iraque e no Afeganistão.

O envio de milhares de tropas adicionais não mudará a incapacidade dos EUA de ocupar e controlar um país, mas aumentará tanto a destruição como a resistência.

Culpar o Irão pelos fracassos dos EUA

É política dos EUA culpar o Irão por todos os fracassos e todas as formas de resistência que se levantam na região. O Irão, embora severamente sancionado e cercado, é o único país que escapou à ocupação directa dos EUA e à destruição maciça.

A decisão do governo Trump de cancelar unilateralmente um acordo juridicamente vinculativo, assinado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e pela Alemanha, para pôr fim às sanções ao Irão, aumentou as tensões na região. Novas sanções dos EUA impostas ao Irão são um esforço para desestabilizar o país com hiperinflação e escassez de bens.

Irão, China e Rússia iniciam exercícios navais conjuntos

Mas o Irão enviou a sua própria mensagem quando as ameaças dos EUA aumentarm com a crise no Iraque. Foi uma mensagem de que o mundo inteiro tomou nota.

Um quinto do petróleo do mundo passa pelo Estreito de Ormuz, que se faz ligação ao Golfo de Omã. Em 27 de Dezembro, Irão, a China e a Rússia iniciaram quatro dias de exercícios navais conjuntos no Oceano Índico e no Golfo de Omã.

Este treino naval conjunto mostrou a determinação de oferecer alguma protecção a uma região que foi abertamente saqueada pelos piratas imperialistas modernos. Novos acordos comerciais e fundos para a reconstrução das economias alvo de sanções e devastadas pela guerra estão nos planos do Irão, da China e da Rússia. Já não estamos num mundo unipolar.

Armas americanas caras e de pouca utilidade

Em 14 de Setembro de 2019, os ataques à gigante de energia Aramco, na Arábia Saudita, na sua principal instalação de refinação de petróleo e de processamento de gás — em Abqaiq, perto do campo de petróleo de Khurais — reduziram temporariamente a metade a produção de petróleo da Arábia Saudita. Os rebeldes Houthis do Iémen reclamaram a responsabilidade pelo ataque. Mas Washington e a Arábia Saudita apontaram o dedo a Teerão — uma acusação que o Irão negou veementemente.

As compras sauditas de mais de 67 mil milhões de dólares em armas norte-americanas, incluindo os famosos mísseis Patriot, falharam em alertar ou impedir o ataque. A Arábia Saudita tem o terceiro maior gasto militar do mundo. A incapacidade de proteger as suas mais importantes instalações de petróleo disparou alarmes. Os mísseis Patriot dos EUA podem ser tigres de papel.

Armas de voo a baixa altitude e de baixo custo são uma nova ameaça para as defesas sauditas, projectadas para mísseis de alta altitude.

2020: uma nova década

A resistência inabalável e um ódio permanente ao imperialismo dos EUA são uma força material agora profundamente enraizada nos movimentos populares em toda a região. Estes movimentos estão a encontrar maneiras criativas e de baixa tecnologia de resistir ao todo-poderoso monólito americano. E também estão a desenvolver novas alianças que podem permitir a reconstrução dos seus países.

Sim, a máquina militar e o poder empresarial dos EUA continuam a ser ameaças maciças para muitos países e um enorme desperdício de recursos. O perigo de uma guerra em larga escala dos EUA contra o Irão e o Iraque — enquanto prosseguem as guerras na Síria, no Afeganistão e no Iémen — é real. E isso implica o risco de uma guerra global que coloca em perigo todos nós. Mas, ao mesmo tempo, os acontecimentos mostram que a dominação dos EUA enfrenta um desafio fundamental em 2020.

Todas as vozes e a maior unidade são necessárias para exigir a retirada dos EUA, o fim das guerras e o regresso a casa de todas as tropas dos EUA!

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(*) Artigo publicado em Workers World, 7 Janeiro 2020. Tradução MV

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

Embaraços externos

«Acompanhamos com grande preocupação os recentes desenvolvimentos no Iraque. Apelamos à máxima contenção a fim de evitar o agravamento da situação, com sérias consequências para a paz, estabilidade e segurança regionais e globais.» Na ausência de um comunicado oficial no Portal Diplomático do governo português, ausência essa que se mantinha até ao fecho desta edição, este parágrafo, publicado a 3 de Janeiro último na conta oficial no Twitter do Ministério dos Negócios Estrangeiros (@nestrangeiro_pt), é a fonte oficial escrita que exprime a posição do governo sobre o ataque cirúrgico com rockets ordenado pela administração de Donald Trump e que teve como alvos, no aeroporto internacional de Bagdade, veículos que transportavam altas figuras iranianas e iraquianas. O ataque resultou no assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, que comanda a unidade de elite Al-Qods, responsável pela actuação em teatros de operações externos como a Síria, o Líbano ou o Iraque (ao lado, respectivamente, do regime de Bachar Al-Assad, do Hezbollah e das milícias xiitas, e combatendo a Organização do Estado Islâmico [OEI]). No mesmo ataque foi também morto, entre outros, Abu Mahdi Al-Muhandis, comandante das Unidades de Mobilização Popular (Hachd Al-Chaabi) iraquianas, milícias paramilitares iraquianas predominantemente xiitas criadas em 2014 para combater a OEI, treinadas pelos Guardas da Revolução iranianos.

Neste quadro, parece manifestamente pouco classificar o acontecido como «os recentes desenvolvimentos no Iraque», apesar de se saudar, como pura sensatez, os apelos à contenção, quando outros apostam em imprevisíveis escaladas bélicas. Uma declaração tão vaga por parte do Ministério de Augusto Santos Silva quanto à caracterização do acontecido não é uma imposição da diplomacia. É uma escolha de política externa. Basta olhar para a mesma conta no Twitter, a 5 de Janeiro, e compará-la com o que foi escrito sobre a eleição ocorrida na Assembleia Nacional venezuelana: «Condenamos veementemente as ações de violência perpetradas pelas forças de segurança contra o legítimo Presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, e contra deputados da oposição (…)». E ainda: «Qualquer pretensa eleição realizada à margem da Lei e das regras democráticas é inadmissível e constitui um desrespeito à legitimidade da Assembleia Nacional e uma violação da vontade soberana do povo venezuelano».

Curiosamente, a diplomacia portuguesa parece não ter dúvidas ao posicionar-se sobre a complexa situação política vivida na Venezuela – nem sequer perante o afastamento de Juan Guaidó pela própria oposição ao presidente Nicolás Maduro –, uma situação que subsiste desde que, em Janeiro de 2019, o mesmo Guaidó, então líder da oposição, se autoproclamou «presidente» interino do país, numa tentativa de golpe de Estado que cavalgou a contestação às eleições presidenciais de Maio de 2018 para imaginar uma vacatura no poder. Nessa tentativa, de imediato apoiada pela Casa Branca, Guaidó não hesitou em reclamar intervenções militares e paramilitares externas, numa escalada ferida de legitimidade democrática que, sem nada resolver dos problemas dramáticos vividos pela população (sanções, violência, inflação, falta de alimentos, etc.), acrescentou um problema que não devia ter pouca importância para o campo democrático: quem quiser envolver-se na procura de soluções políticas enfrenta a ameaça da prisão e das intervenções musculadas.

Como não discutir a facilidade com que a política externa portuguesa sustenta um autoproclamado «presidente» de um país soberano, mesmo quando ele é substituído pelos que antes o apoiaram? Como podemos participar na reflexão sobre estas escolhas, tantas vezes pouco sujeitas a escrutínio público, de modo a construir uma perspectiva que suscite posicionamentos críticos da ordem hegemónica internacional? Como evitar, em suma, que a continuidade das grandes opções de política externa entre governos mais à esquerda ou mais à direita, configurando uma alternância sem alternativa, consolide a sensação de haver um «consenso ao centro»? É que este mais não é do que a ocupação do «interesse nacional», território que devia estar em disputa entre a esquerda e a direita, pelos interesses hegemónicos globais.

Ainda recentemente José Manuel Pureza, ao analisar o livro Argumentos Necessários, de Augusto Santos Silva, resumia nas páginas deste jornal os traços essenciais desta continuidade da política externa portuguesa: «uma combinação entre a assunção da União Europeia como espaço de inserção estratégica do país e de um papel destacado no fortalecimento do laço transatlântico como desígnios nacionais acima da diferença entre partidos no exercício da governação» [1]. Estas escolhas, apresentadas como «naturais», e portanto pouco questionadas, estão na origem de um debate demasiado pobre, e subalternizado, sobre as modalidades actuais de inserção no projecto europeu, nas suas instituições e na sua moeda única, responsáveis por crises de repetição. Mas ajudam também a explicar por que quase não existe debate sobre os vários tipos de embaraços externos a que expõem o país em terrenos como a América Latina ou o Médio Oriente – justamente pela transformação do «laço transatlântico» em «desígnio nacional».

Que interesse comum tem Portugal com os interesses da administração Trump no momento em que esta decidiu avançar para uma escalada no conflito com o Irão? Este ataque teve já um primeiro efeito: o fim de facto do acordo sobre o nuclear iraniano, com o anúncio da República Islâmica de que vai pôr fim às limitações que persistem, o que coloca novos desafios à própria União Europeia. Será que vai ter também efeitos na política interna dos Estados Unidos, desde o desfecho do processo de destituição de Trump até ao resultado das próximas eleições presidenciais, passando por eventuais mobilizações para teatros de guerra e pela secundarização dos problemas económicos e sociais que o país atravessa? E na política interna iraniana, que consequências terá este ataque sobre potenciais cenários de guerra e sobre o futuro da contestação social, desde logo ao aumento dos combustíveis, bem como da repressão brutal que sobre ela se abate? E quanto ao Iraque, como vai evoluir o movimento de contestação social, por agora sobretudo no Sul xiita? Este movimento, que enfrenta uma repressão feroz, contesta a ingerência tanto norte-americana (há dezasseis anos) como iraniana (mais recente), subleva-se contra a corrupção, o confessionalismo e a destruição do Estado e dos serviços essenciais, fazendo emergir uma palavra de ordem: «Nós queremos uma nação» (ver, na edição de Janeiro, o artigo de Feurat Alani).

Que interesse nacional exprime o governo português quando não se demarca desta ingerência de facto nos processos em curso nas sociedades iraquiana ou iraniana? Na 42.ª Reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos de 17 de Dezembro último, os dois países «recordaram a estreita cooperação» entre ambos «em matéria de segurança e de defesa» e «reafirmaram o papel essencial e insubstituível da Aliança Atlântica». No comunicado desta reunião não se refere o Médio Oriente, mas ainda dias antes, a 5 de Dezembro, fora esse o foco dos encontros, patrocinados pelo governo português, do secretário de Estado americano Mike Pompeo com o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu. Este último, aliás, enfrenta processos judiciais por corrupção e procura reforçar a sua imagem com vista a eleições internas e à anexação do vale do Jordão.

Fazendo lembrar a «Cimeira das Lajes» que em 2003 antecedeu a invasão do Iraque (então patrocinada por José Manuel Durão Barroso), este encontro permitiu a Pompeo e a Netanyahu insistir num objectivo claramente formulado pelo representante da ultradireita israelita: «A primeira questão que irei levantar é o Irão, a segunda questão é o Irão, bem como a terceira. E muitas mais. Penso que temos tido a sorte de o presidente Trump ter conduzido uma política permanente de pressão sobre o Irão. A agressividade do Irão está a aumentar, mas o seu império está a vacilar. E por mim, vamos fazê-lo vacilar ainda mais» [2]. Para o governo português isto devia ser, no mínimo, um embaraço externo. Por que motivo não é?


[1] «Quem é o interesse nacional?», Le Monde diplomatique – edição portuguesa, Fevereiro de 2019.

[2] Vídeo em www.rtp.pt/noticias/mundo/be....

Ver o original em Le Monde Diplomatique PT (clique aqui)

EUA participarão de investigação sobre queda de avião civil no Irã

Avião Boeing 737-800 cai após decolagem de Teerã, matando todas as 176 pessoas a bordo, 8 de janeiro de 2020
© Sputnik / Mazyar Asadi

A agência de segurança de transporte dos Estados Unidos anunciou que aceitou o convite do Irã para participar da investigação do acidente do voo 752 da Ukrainian International Airlines.

A aeronave caiu logo após decolar em Teerã, na quarta-feira (8). O acidente causou a morte de 176 pessoas, entre passageiros e tripulantes. 

De acordo com a agência estadunidense, as autoridades iranianas serão a "principal agência de investigação". O Conselho de Segurança no Transporte do Canadá (TSB) também anunciou que aceitou o convite de Teerã e irá visitar o local da queda do avião. 

O Irã afirma que o avião caiu por conta de um defeito técnico, enquanto as autoridades dos Estados Unidos e do Canadá acusam Teerã de ter abatido a aeronave.

"[O Irã] pede ao primeiro-ministro canadense e a qualquer outro governo que compartilhe informações com o comitê encarregado de investigar o incidente no Irã", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010914991289-eua-participarao-de-investigacao-sobre-queda-de-aviao-civil-no-ira/

Não vale tudo

 
O presidente dos Estados Unidos da América ordenou a liquidação física, em território do Iraque, de um chefe militar do Irão. 
 
Os EUA não estão em guerra declarada com o Irão, embora seja evidente, desde há muito, a sua hostilidade para com o seu regime. Se olharmos para trás, verificaremos que o derrube do líder iraniano que Washington tinha como seu aliado fiel, o Xá Reza Pahlevi, em 1979, iniciou um período de ininterrupta tensão entre os dois países. A invasão da embaixada americana em Teerão, nesse mesmo ano, por entidades iranianas dependentes das respetivas autoridades, espoletou naturalmente essa tensão, que nunca mais se desvaneceu e atravessou, em maior ou menor grau, todas as posteriores administrações americanas. Os EUA, a partir de então, passaram a apoiar quem se opusesse ao Irão, como foi o caso do Iraque, na devastadora guerra entre os dois países (1980/88). 
 
Os evidentes e reiterados esforços do Irão para obterem a arma nuclear mereceram sempre uma forte rejeição da comunidade internacional, em especial dos EUA, do mundo ocidental em geral e dos adversários regionais de Teerão. Dentre estes, Israel (que possui armas nucleares, sem se submeter ao controlo da AIEA) é aquele que, reagindo às constantes ameaças do Irão face à sua existência como país, anunciou já poder vir a atacar as instalações nucleares iranianas, se a construção dessa bomba estiver prestes a concretizar-se (Israel fez isso contra o Iraque, pelos mesmos motivos, em 1981). Um grupo de importante de países ocidentais, incluindo os EUA (administração Obama), fez entretanto um acordo diplomático com o Irão, que previa um controlo vigiado do seu programa nuclear. Com Trump, os EUA afastaram-se desse acordo.
 
O Irão, não sendo um país árabe, é um Estado muçulmano que segue e promove o shiismo, uma das duas grandes obediências religiosas muçulmanas. A outra, o sunismo, tem como principal expoente a Arábia Saudita (mas também a Turquia ou a Irmandade Muçulmana do Egipto, embora com uma orientação divergente). Há países, porém, de que o Iraque é talvez o caso mais importante, onde o shiismo e o sunismo coexistem, com implicações no respetivo equilíbrio político interno, sendo o Irão regularmente acusado pelos seus adversários de promover núcleos shiitas em vários outros países, muitas vezes com fortes implicações político-militares, como acontece com o Hezzbolah, no Líbano, ou com as forças hutis, no Iémen. 
 
O proselitismo shiita do Irão, nas suas expressões agressivas, e a sua obsessão com a arma nuclear converteram o país num “trouble-maker” da sociedade internacional. Com um regime autoritário sob uma liderança religiosa de traços medievais, o Irão é um país que se sente acossado pela sua vizinhança, adotando com regularidade um discurso jingoísta que torna difícil a interlocução diplomática. Mais recentemente, porém, por um interesse próprio que se conjugou com outros esforços internacionais, as forças de Teerão desempenharam um papel não despiciendo na luta contra o Daesh.
 
Se quisermos ser honestos, teremos de reconhecer que os EUA, com a sua agressão unilateral contra o Iraque, em 2003, foram, a grande distância, os principais culpados da desregulação securitária que se vive na região do Médio Oriente. Se algumas fortes tensões já ali existiam, a invasão do Iraque, levada a cabo sob pretextos deliberadamente falsos, conduziu ao estilhaçar daquele país, com as consequências que se viram.
 
Ao atuarem violentamente como agora fizeram, sem o menor mandato internacional, executando uma ação de guerra, uma liquidação seletiva de um líder militar estrangeiro, à revelia das autoridades do país que os “convidou” para ajudarem à sua segurança nacional, os EUA colocam-se, com total desplante, à margem da ordem internacional, arrogando-se direitos que negam a todos os outros. Todas as razões que possam ter contra o Irão enfraquecem-se com este seu comportamento, convidando à retaliação e arriscando uma escalada. 
 
Os Estados de bem lutam por princípios, desde logo, seguindo-os. Essa deve ser a sua diferença.
 

Ver original em "duas ou três coisas" (aqui)

O primeiro round está acabado - uma avaliação inicial

por The Saker

Base Ain Al-Asad. Vamos ver como acabou o Primeiro Round. Comecemos por uma pequena recapitulação dos acontecimentos:

  • O Irão disparou um número relativamente pequeno de mísseis de curto alcance a uma base dos EUA, possivelmente duas
  • O IRGC (Guardas da Revolução Islâmica) indicou que se o Irão fosse atacado, então também Israel o será
  • Trump tuitou "até então, tudo bem"
  • Os EUA não relataram baixas

Numa linguagem simples isto indica que o ataque foi destinado tanto a ser altamente visível COMO TAMBÉM simbólico (o Irão tem MUITO mais mísseis, incluindo aqueles de longo alcance os quais, se o Irão quisesse, poderiam atacar simultaneamente cada uma das bases dos EUA no Médio Oriente.

Então, o que aconteceu?

Penso que o Irão quis humilhar os EUA mas de uma maneira que ficasse abaixo do patamar que garantiria um contra-ataque americano/israelense.

A seguir, forcei-me a ouvir Esper o Idiota-em-Chefe. Aqui estão os pontos salientes:

 

  • Esper reiterou que os EUA não querem guerra com o Irão
  • Os EUA não querem deixar o Iraque porque, ao contrário dos deputados iraquianos, muitos/a maior parte dos iraquianos querem que os EUA permaneçam
  • As forças armadas dos EUA são A MELHOR na história da galáxia
  • Trump nunca permitirá ao Irão ter ogivas nucleares
  • O Irão parece "encolher-se" ("standing down")
  • A Europa precisa livrar-se do JCPOA
  • O Irão é mau mau mau, os EUA são bom bom bom
  • As forças armadas dos EUA são AS MELHORES nesta história da galáxia
  • USA! USA! USA! (etc)

OK, para estes idiotas que aparentemente pensam que está tudo acabado. Ou talvez tenham esperança disto?

Posso afirmar-lhe com certeza que não está. O objectivo do Irão e dos seus aliados é por os EUA para fora do Médio Oriente.

Portanto estes ataques simbólicos parecem ter dados aos estado-unidenses/israelenses uma sensação de alívio a qual pode levá-los a baixar a sua guarda, tornando muito mais fácil para o Irão e seus aliados atacar outra vez.

É um tanto divertido ver como a máquina iraniana de RP "empacotou" isto: se você ousar atingir-nos, nós atingiremos vocês no que lhes é mais santo e sagrado, isto é, Israel. Até agora este "nós disparamos sobre você mas você não dispara de volta" tem funcionado, mas só porque o ataque iraniano foi simbólico.

Conclusão: isto está longe, muuuuuuiiiiiiiiiiito longe de acabado.

Ainda assim, tenho de reduzir a probabilidade de uma guerra maciça e iminente de 90% para 80%.

Finalmente, Putin viajou a Damasco para comparecer à celebração da Natividade com Bashar al-Assad. Ali visitou uma mesquita (posso imaginar quão irritado está a extrema-direita alternativa com o cuidado de Putin para com os muçulmanos, tanto na Rússia como no estrangeiro).

08/Janeiro/2020

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/irao/saker_08jan20.html

Menos sanções, mais negociações: China pede que EUA e Irã resolvam crise com diálogo

A bandeira da China
© AP Photo / Mark Schiefelbein

A China pediu aos EUA e ao Irã que resolvam desacordos existentes entre si por meio de diálogo e negociações, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang, nesta quinta-feira.

A fala do funcionário chinês veio ao comentar a intenção do presidente dos EUA, Donald Trump, de introduzir novas sanções econômicas contra o Irã.

As relações entre o Irã e os EUA ficaram gravemente agravadas no início de janeiro, depois que Washington conduziu um ataque aéreo para matar o principal general do Irã, Qassem Soleimani.

Na quarta-feira, o Irã lançou mísseis contra duas bases que abrigam tropas americanas no Iraque em retaliação pelas ações extrajudiciais de Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, não anunciou uma resposta militar aos ataques com mísseis, mas prometeu impor sanções econômicas adicionais à República Islâmica.

"A China defende consistentemente a resolução de questões internacionais com base na Carta da ONU e nos princípios fundamentais das relações internacionais. É necessário resolver desacordos mútuos por meio de diálogo, conversas e outros meios pacíficos", afirmou Shuang em um briefing com a imprensa.

O porta-voz chinês também pediu às partes que sigam a solução política dos problemas e tomem medidas reais para diminuir as tensões no Oriente Médio e no golfo Pérsico.

Vivendo a sua própria guerra (mas no campo comercial) com os EUA, Pequim é uma das signatárias do Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), o acordo nuclear formatado pelo governo de Barack Obama e o governo persa em 2015, e que foi abandonado pela Casa Branca em 2018.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020010914990465-menos-sancoes-mais-negociacoes-china-pede-que-eua-e-ira-resolvam-crise-com-dialogo/

Comandante iraniano diz que ataque com mísseis foi início de uma série

Reuters -Um comandante da Guarda Revolucionária do Irã disse que os ataques com mísseis a alvos norte-americanos no Iraque não visavam à morte de soldados dos Estados Unidos, mas sim danificar a “máquina militar” de Washington, acrescentando que foram o início de uma série de ataques pela região, informou a TV estatal.

Amirali Hajizadeh, chefe da Força Aérea, também afirmou que a “vingança apropriada” pelo assassinato do general Qassam Soleimani seria expulsar as forças norte-americanas do Oriente Médio, segundo a TV estatal.

Hajizadeh acrescentou que o Irã tem centenas de mísseis prontos e que, quando Teerã realizou os disparos na quarta-feira, utilizou “ataques cibernéticos para desativar os sistemas de navegação de aviões e drones (norte-americanos)”.

 

Investigação do Irã diz que avião ucraniano estava em chamas no ar antes de cair

Reuters-Um avião comercial ucraniano pegou fogo no ar antes de cair a sudoeste de Teerã, matando todas as 176 pessoas a bordo, de acordo com um relatório inicial de investigadores iranianos.

O Boeing 737-800 da Ukrainian International Airlines, que voava para Kiev e transportava principalmente iranianos e iraniano-canadenses, caiu na quarta-feira pouco depois de decolar do aeroporto Imã Khomeini, em Teerã.

O relatório da agência de aviação civil do Irã citou testemunhas no local e em uma aeronave que passava em alta altitude, segundo as quais o avião estava em chamas em pleno ar.

O avião de três anos de uso, que havia passado por sua última manutenção programada na segunda-feira, teve um problema técnico pouco depois da descolagem e começou a seguir para um aeroporto próximo antes de cair, segundo o relatório.

O problema técnico não foi especificado no relatório, que ainda disse que não houve comunicação de rádio do piloto e que a aeronave desapareceu do radar a 2.440 metros.

Até agora não está claro se qualquer questão técnica pode estar relacionada a uma falha mecânica ou uma peça defeituosa.

 

O desastre voltou a chamar a atenção para a Boeing, que enfrenta uma crise de segurança por causa de outro modelo 737, mas o avião que caiu no Irã não usa o dispositivo que se acredita ter provocado quedas do 737 MAX, que atualmente está fora de uso.

O relatório iraniano se refere à queda como um “acidente”.

Investigações sobre quedas de aviões de carreira são complexas, exigindo que agências reguladoras, especialistas e empresas de várias jurisdições internacionais trabalhem juntas. Emitir um relatório inicial em 24 horas é raro, e podem ser necessários meses para se determinar plenamente a causa.

 

Uma fonte de segurança canadense disse à Reuters que existem indícios de que um dos motores superaqueceu.

A queda ocorreu horas depois de o Irã realizar ataques com mísseis contra forças lideradas pelos Estados Unidos no Iraque, provocando a especulação de que o avião poderia ter sido atingido.

A avaliação inicial de agências de inteligência ocidentais foi que o avião sofreu um mal funcionamento técnico e não foi derrubado por um míssil, disseram à Reuters cinco fontes de segurança —três norte-americanas, uma europeia e uma canadense—, que pediram para não ser identificadas.

Em Kiev, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que o governo está analisando várias causas possíveis para a tragédia.

Corpos e partes de corpos recuperados do local da queda foram levados ao escritório do médico legista para identificação, disse o relatório.

Embaixador do Irã na ONU esclarece por que é 'impossível' cooperar com EUA

Trump mostra a ordem executiva assinada que aumenta sanções contra o Irã, 24 de junho
© AP Photo / Alex Brandon

A proposta de cooperação feita por Washington a Teerã não pode ser aceita enquanto os EUA continuarem impondo sanções contra o Irã, declarou o embaixador iraniano na ONU, Majid Takht Ravanchi.

"Ravanchi qualificou como inacreditável a proposta norte-americana de cooperação e adicionou que enquanto os EUA seguirem apostando na hostilidade, as negociações não farão sentindo", citou a agência de notícias IRNA.

Além disso, o embaixador observou que as sanções "incomparáveis" impostas pelos EUA contradizem o direito internacional.

A embaixadora dos EUA na ONU, Kelly Craft, enviou ao Conselho de Segurança da ONU uma carta, onde ressaltou a disponibilidade dos EUA para negociar com o Irã sem condições prévias, para reduzir a tensão na região.

As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
© AFP 2019 / Don Emmert
As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã

No dia 8 de janeiro, o Irã bombardeou instalações militares utilizadas pelos EUA no Iraque, incluindo a base de Ain Al-Asad e Arbil, em represália pelo assassinato do general iraniano, Qassem Soleimani, durante suposto ataque de drones dos EUA.

Por sua vez, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou sanções econômicas punitivas adicionais contra o país persa, enquanto sua administração avalia uma resposta ao ataque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010914987311-embaixador-do-ira-na-onu-esclarece-por-que-e-impossivel-cooperar-com-eua/

Chanceler iraniano responde a Trump: 'O poder emana do povo, não de belas armas'

247 - "O belo equipamento militar não manda no mundo. O povo é quem manda", disse disse nesta quinta-feira (9) o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif.

Em mensagem postada no Twitter, endereçada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o ministro das Relações Exteriores do Irã enfatizou que uma exigência dos povos da Ásia Ocidental é o fim da presença estrangeira da região, informa o site iraniano HispanTV.

O chefe da diplomacia persa concedeu entrevista à CNN assinalando que Trump recebe informações falsas sobre a região.

 

Em referência ao ataque de represália do Irã contra bases americanas no Iraque, Zarif destacou que a ofensiva cumpriu a promessa dos iranianos de se vingar de Washington por matar o tenente-general Qasem Soleimani, comandante do Força Quds dos Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI), em um ataque terrorista no Iraque.

Trump: Discurso confuso mas com pelo menos um objetivo concreto

O discurso desta quarta-feira (8) do presidente estadunidense Donald Trump era ansiosamente aguardado desde que o Irão deflagrou, na madrugada do mesmo dia, um contundente ataque com 22 mísseis, dos quais 17 atingiram a base aérea americana Ain al-Asad, no Iraque, em resposta pelo assassinato do general Qassem Soleimani.

 

 

A mídia hegemônica internacional adotou um tom uníssono, a ponto de o jornal britânico The Guardian e o The New York Times exibirem em seus sites, logo após o discurso, quase que exatamente a mesma manchete, palavra por palavra: Trump se afasta de novo confronto militar com o Irão.

Manchetes praticamente iguais no The New York Times e no The Guardian

A toada foi seguida pela BBC (Em pronunciamento que reduziu a escalada de tensão com o Irão…), pela Reuters (Trump evita agravar crise com o Irão), pela DW (Presidente moderou o tom agressivo dos últimos dias e sinalizou que não pretende agravar o confronto) e por aí vai.

Não é preciso salientar que a mídia hegemônica brasileira apenas coloca em português o que os gringos escrevem.

Mas será que Trump disse isso mesmo? Vamos analisar seu discurso, parágrafo por parágrafo, através da transcrição publicada pelo The New York Times.

1º Parágrafo

O líder de extrema-direita, antes mesmo de saudar os presentes, adverte: “Enquanto eu for presidente dos Estados Unidos, o Irão nunca poderá ter uma arma nuclear”. Só depois disso vem um bom dia e a informação de que não teria havido baixas entre soldados americanos.

2º Parágrafo

Trump diz que o Irão “parece estar se acalmando”, afirmação bem estranha para quem acaba de sofrer um ataque pesado justamente do Irão e pouco depois do líder iraniano, Ali Khamenei, declarar ao mundo, em um discurso televisionado na cidade de Qom, que o ataque à base dos Estados Unidos no Iraque não foi suficiente e que é necessário expulsar as tropas americanas da região do Oriente Médio. Para Khamenei, “eles ganharam uma bofetada (com os lançamentos dos mísseis), mas tal ação militar não é suficiente. A presença corrupta dos EUA (no Oriente Médio) deve acabar“. Neste segundo parágrafo, Trump ainda atribuiu o fato de não ter havido baixas americanas às “precauções tomadas, à dispersão de forças e a um sistema de alerta precoce que funcionou muito bem”.

Do 3º ao 8º Parágrafos

Do terceiro ao oitavo parágrafos Trump dedicou-se inteiramente ao ataque contra o Irão, classificado como “principal patrocinador do terrorismo”, que “fomenta a violência, a agitação, o ódio e a guerra”, promotor de uma “campanha de terrorassassinato e caos (que) não será mais tolerada”, etc.; e contra a memória do general assassinado, tachado de “principal terrorista do mundo”, que “devia ter sido eliminado há muito tempo”, entre diversos outros insultos.

No que pode ser descrito como apogeu do cinismo, no 4º parágrafo Trump chega a atribuir ao Irão os ataques e mortes no Iêmen, Iraque, Síria, Afeganistão e Líbano, todos países vítimas de agressões diretas ou indiretas da sinistra aliança EUA-Otan/Israel/Arábia Saudita.

No 5º parágrafo, Trump exorta Reino Unido, Alemanha, França, Rússia e China a abandonar o que resta do acordo nuclear com o Irão, o chamado Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA na sigla em inglês). O pedido é irrealista em relação a Rússia e a China e tem grandes problemas para ser atendido pelos demais. Nesta mesma quarta-feira, Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, declarou ao parlamento: “é nossa opinião que o JCPOA continua sendo a melhor maneira de impedir a proliferação nuclear no Irão, a melhor maneira de incentivar os iranianos a não desenvolver uma arma nuclear”.

9º e 10º Parágrafos

Neste período do discurso Donald Trump fez campanha eleitoral aberta pela reeleição. “Nos últimos três anos, sob minha liderança, nossa economia está mais forte do que nunca e os Estados Unidos alcançaram independência energética. Essas realizações históricas mudaram nossas prioridades estratégicas. São conquistas que ninguém pensou serem possíveis. E opções no Oriente Médio se tornaram viáveis (…) As forças armadas americanas foram completamente reconstruídas sob minha administração a um custo de US $ 2,5 trilhões. As forças armadas dos EUA estão mais fortes do que nunca. Nossos mísseis são grandes, poderosos, precisos, letais e rápidos”.

11º e 12º Parágrafos

Finalmente, nos dois parágrafos que fecharam o discurso, Trump fala, ao seu modo, de paz. Atribuindo aos EUA a derrota do chamado Estado Islâmico, Trump diz que isso foi bom para o Irão e exorta: “devemos trabalhar juntos nesta e em outras prioridades compartilhadas”. No final do discurso dirige-se ao “povo e aos líderes do Irão” garantindo que “os Estados Unidos estão prontos para abraçar a paz com todos que a procuram”.

O objetivo principal

Dos doze parágrafos do discurso de Donald Trump, sete foram integralmente dedicados a um feroz ataque ao Irão, três exaltaram o próprio Trump ou as forças armadas estadunidenses e apenas dois falam de paz de um jeito muito confuso, pois como trabalhar “prioridades compartilhadas” com quem menos de 30 segundos antes era “uma ameaça ao mundo civilizado”?

Na verdade, em que pese o heroísmo do povo iraniano e o nosso desejo de que a paz prevaleça e se salvaguarde a soberania do Irão, ao meu ver o discurso de Trump representa uma tática momentânea, motivada principalmente por interesses econômicos, que não autoriza a falar em recuo do imperialismo ou projetar uma visão otimista quanto ao desenvolvimento das tensões provocadas pelo vil assassinato de Qassem Soleimani.

Trump reafirmou todos os elementos anteriormente presentes no confronto com o Irão: isolamento político e diplomático, sanções econômicas e ameaça bélica. Não anunciou um ataque militar para breve (até porque ataques deste tipo raramente são anunciados com antecedência) e apenas fez acenos tímidos de paz, avidamente supervalorizados pela mídia hegemônica internacional com um objetivo principal que logo ficou patente:

Petróleo despenca, ouro cai e ações sobem em NY após discurso de Trump”, trombeteou a manchete do Valor Investe, órgão do grupo Globo destinado ao mercado. “O pronunciamento do presidente americano, Donald Trump, confirmou a perspectiva dos investidores de que a escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irão não deve continuar. Com isso, os índices acionários americanos se firmaram em alta, enquanto o petróleo e os ativos de proteção passaram a anotar fortes quedas”, diz a matéria publicada pouco mais de 40 minutos após o fim do discurso.

Como confessa a matéria, o discurso de Trump “confirmou a perspectiva dos investidores”, ou seja, seguiu um determinado roteiro, que trouxe lucro a quem já o conhecia com antecedência.

Os mesmos investidores que lucraram com uma distensão momentânea são os que lucram com a guerra e com as consequências da guerra. Afinal, para eles é somente isso que importa, o lucro.

Para quem se interessa em defender vidas humanas e a paz mundial o discurso de hoje mostra que continuamos tendo muito com que nos preocupar, inclusive em relação à República Islâmica do Irão, com a qual devemos reforçar a solidariedade, na perspectiva da defesa da soberania iraniana e da solução pacífica da crise.


por Wevergton Brito Lima, Jornalista, vice-presidente do Cebrapaz  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/trump-discurso-confuso-mas-com-pelo-menos-um-objetivo-concreto/

A guerra EUA/ Irão

 
O assassinato ordenado por Trump, contra o general sírio Qasem Soleimani, chefe da Força Revolucionária da Guarda Quds do Irão, em Bagdad, demonstrou a insânia de um demente e a arrogância de um déspota. A posterior ameaça de destruir o rico património histórico da civilização persa, ameaça de que já recuou, revela a sua indigência cultural e a indiferença perante mais um crime previsto nas leis internacionais.

A execução do importante general e de mais oito pessoas, no país ocupado pelos EUA, a convite das autoridades locais, foi um crime para aliviar a pressão do “impeachment”, em apreciação, que os seus ataques reiterados à legalidade e à ética exigiram.

Este crime é uma afronta à legalidade internacional de alguém, com um poderio brutal, capaz de tudo para garantir a reeleição e a impunidade à sua conduta. A transferência da embaixada de Telavive para Jerusalém foi uma provocação gratuita aos muçulmanos, ao arrepio dos países tradicionalmente aliados dos EUA, e só serviu para acirrar ódios e aumentar a tensão na região.

Nesta altura não se podem esquecer os nomes sinistros de Bush, Blair, Aznar e Barroso na invasão do Iraque, invasão criminosa que agravou os problemas do Médio Oriente e pôs o mundo em progressivo sobressalto, sem que o TPI os possa julgar.

Que o Irão é uma teocracia, abjeta como todas as teocracias, uma ditadura fascista como a Arábia Saudita, do Eixo do Bem, ninguém duvida. Que o Islão político é quase tão perigoso como Trump é evidente, mas ninguém, até hoje, tinha ido tão longe no desafio a leis internacionais e desprezo pelos tratados que o próprio país assinou, como os EUA de Trump.

Como danos colaterais há o reforço dos grupos terroristas islâmicos e a iminência de um desastre global com uma guerra que, se começar, pode não deixar ninguém para contar.
Não se esperava de um presidente americano, apesar dos vários e graves desvarios após a guerra de 1939/45, que houvesse um Trump que atraiçoasse os tratados assinados, que se atribuísse o direito de negar vistos a participantes na ONU, como se fosse refém do país em cujo território tem a sede, e que decidisse guerras em nome da NATO sem a anuência dos seus aliados.

Enfim, a barbárie já começou. O futuro do mundo é cada vez mais incerto e reduzido. A atitude da Rússia e da China são decisivas. A chantagem de Trump sobre a UE já se faz sentir e a comunicação social já está a ser submetida aos seus interesses.

A opinião pública mundial hesita entre o medo, a angústia e a revolta.

 

Ponte Europa / Sorumbático
 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/01/a-guerra-eua-irao.html

Boris Johnson discorda de Trump e defende acordo nuclear com o Irã

Agência Sputnik - O Reino Unido acredita que o acordo nuclear iraniano continua sendo a melhor maneira de impedir o Irã de desenvolver uma arma nuclear, afirmou o primeiro-ministro Boris Johnson nesta quarta-feira.

No domingo, o Irã informou que abandonaria as limitações ao enriquecimento de urânio, dando mais um passo para trás nos compromissos sob o acordo nuclear (JCPOA) de 2015.

"É nossa opinião que o JCPOA continua sendo a melhor maneira de impedir a proliferação nuclear no Irã, a melhor maneira de incentivar os iranianos a não desenvolver uma arma nuclear", declarou Johnson ao Parlamento britânico.

"Acreditamos que, depois que a crise tiver diminuído, o que, é claro, esperamos sinceramente que ocorra, esse caminho a seguir permanecerá. É uma concha que foi anulada atualmente, mas continua sendo uma concha na qual podemos colocar substância novamente", acrescentou.

Fiel aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, o Reino Unido tem uma opinião contrária à Casa Branca sobre o acordo nuclear com o Irã. Horas após a fala de Johnson, o presidente estadunidense Donald Trump voltou a pedir que britânicos, alemães, franceses, russos e chineses deixem o documento formalizado em 2015.

Londres defendeu a ação dos EUA que resultou na morte do general iraniano Qassem Soleimani na última sexta-feira, em Bagdá, no Iraque, apesar de ressaltar de não ter recebido qualquer aviso sobre o ataque aéreo feito por um drone norte-americano.

"Trump me pediu para mediar com o Irã e depois assassinou meu convidado", diz Primeiro Ministro do Iraque

247- O primeiro-ministro iraquiano em exercício, Adel Abdul-Mahdi, recomendou que tropas dos Estados Unidos saiam do país. Em discurso ao Parlamento, Abdul-Mahdi afirmou que o general iraniano Qasem Soleimani tinha viajado para Bagdá com o objetivo de entregar uma mensagem do Irã à Arábia Saudita sobre uma proposta para diminuir as tensões na região.

Soleimani deveria se encontrar com o primeiro-ministro na manhã em que foi assassinado. As informações foram publicadas no Et Urbs Magna.

A revelação destrói a alegação dos EUA de que eles tomaram “ação defensiva decisiva” para impedir um ataque supostamente orquestrado por Soleimani.

O assassinato pode gerar conflitos de proporções incalculáveis, até porque o Irã disse que não vai mais respeitar limites para o enriquecimento de urânio.

Por sua vez, o Itamaraty afirmou que é preciso combater o terrorismo, numa clara submissão aos Estados Unidos, do governo Donald Trump. A posição de Jair Bolsonaro pode prejudicar o comércio com o Irã, o principal importador de milho do Brasil.

 

Síria expressa 'solidariedade plena' ao Irã após ataques a alvos dos EUA no Iraque

Foto aérea da base militar Ain Al-Asad, que abriga militares dos EUA no Iraque
© AP Photo / Nasser Nasser

Nesta quarta-feira (8), a chancelaria da Síria anunciou solidariedade plena ao Irã após a nação persa ter atacado bases da coalizão internacional, usadas pelos EUA, no Iraque.

A chancelaria da Síria afirmou ser plenamente solidária ao Irã e anunciou o direito de Teerã em responder à agressão de Washington.

"A Síria expressa solidariedade plena ao Irã […] e confirma o direito iraniano de se defender no âmbito das ameaças norte-americanas e ataques e coloca a responsabilidade de todas as consequências nos EUA", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Síria, citado pelo canal de televisão estatal Alikhbaria.

A chancelaria síria ainda declarou que Washington deve se livrar das tentativas de estabelecer sua hegemonia e que o culpado principal dos conflitos na região é os EUA.

Na madrugada da quarta-feira (8), o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) anunciou o início da operação de vingança após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani. O Irã realizou ataques com mais de uma dúzia de mísseis balísticos contra duas bases aéreas no Iraque, que abrigam as tropas norte-americanas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010814983839-siria-expressa-solidariedade-plena-ao-ira-apos-ataques-a-alvos-dos-eua-no-iraque-/

“Se Estados Unidos revidarem, pode haver guerra nuclear”, diz senador russo

247 -"Os ataques recíprocos dos EUA e Irã podem levar a uma guerra total na região, caso Washington entenda sua incapacidade de conseguir o que quer, existindo o risco de início de uma guerra nuclear", declarou à Sputnik o primeiro-vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho da Federação da Rússia, Vladimir Dzhabarov.

A autoridade russa ainda ressaltou que o Conselho de Segurança da ONU deve ser acionado para que se evite o aumento das tensões no Oriente Médio.

Contudo, Dzhabarov acredita que o início de uma guerra total entre ambos os países possa resultar em críticas dentro dos EUA.

"As ações agressivas dos EUA em relação ao Iraque e Irã estão ligadas, provavelmente, com a campanha pré-eleitoral [do presidente Trump], mas suas ações ocasionarão críticas nos EUA. Trump receberá um golpe de seus oponentes", acrescentou o político.

Da mesma forma vê o senador russo Aleksei Pushkov, que ressaltou no Twitter que os ataques iranianos a bases da coalizão internacional, onde estão instalados soldados norte-americanos, no Iraque eram "esperados".

Como era de se esperar, o Irã realizou ataque de resposta contra bases dos EUA no Iraque. Se os EUA responderem, primeiro uma grande guerra com mísseis e depois terrestre será praticamente iminente. Ela [a guerra] não será popular nos EUA e, provavelmente, custará a vitória de Trump nas eleições. É melhor parar.

Desta forma, Pushkov acredita que o presidente americano está entre o desejo de salvar sua imagem, a reputação de seu próprio país de grande potência e o desinteresse em iniciar uma guerra em ano de eleições.

Aiatolá diz que ataques a bases dos EUA foram apenas "tapa na cara": "vingança é diferente"

Reista Fórum -O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta quarta-feira (8) que os ataques às bases militares de Al-Asad e de Irbil são apenas um “tapa na cara” dos Estados Unidos e seriam insuficientes para vingar a morte do general Qassem Soleimani, assassinado a mando de Donald Trump na noite de quinta-feira (2).

“Por enquanto, os americanos receberam um tapa, a vingança é uma questão diferente”, disse Khamenei, enfatizando que “movimentos militares como esse não são suficientes”.

“A presença estimulante da corrupção dos americanos deve terminar”, disse o líder iraniano, segundo a agência de notícias Fars.

 

Leia a íntegra na revista Fórum.

União Europeia pede fim de 'espiral de violência' no Oriente Médio

247 - A diplomacia da União Europeia se promunciou após o ataque iraniano a bases militares dos Estados Unidos instaladas no Iraque.

Segundo Joseph Borrell, chefe da diplomacia do bloco, o ataque iraniano é "um novo exemplo de escalada". "O último ataque (...) é um exemplo a mais da escalada e do aumento da confrontação", afirmou Borrell, em breve declaração à imprensa.

Por sua vez, o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, condenou o ataque, exortando Teerã a buscar uma "urgente" redução das tensões na região.

"Condenamos este ataque às bases militares iraquianas que hospedam as forças da Coalizão - incluindo as britânicas", disse Raab em comunicado divulgado pelo Ministério de Relações Exteriores, informa o UOL.

Irão, Estados Unidos e a geopolítica do Grande Oriente Médio

Públicas e notáveis são as tensões que permeiam as relações entre Irão e Estados Unidos da América desde a revolução de 1979, que levou à implantação da República Islâmica.

 

 

À época, a ditadura do Xá Reza Pahlavi recebia extensa assistência dos EUA – 24.000 americanos auxiliavam o regime nas mais diversas atividades -, visando fortalecer sua posição numa das fronteiras mais quentes da Guerra Fria. Para além de sustentar parte da aliança militar que estabelecia na região, o apoio ao Xá também advinha da necessidade de frear a onda nacionalista, instrumentalizada pelos comunistas, que há décadas ascendia nos territórios desta civilização, herdeira do milenar Império Persa. Afinal, não fora apagada da memória iraniana a chamada Operação Ajax – dirigida pela CIA e o M16 em 1953, dois anos após o parlamento nacionalizar o complexo petrolífero do país -, resultante na queda do então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh e na execução de lideranças do partido comunista, o Tudeh, e do Partido Nacional.

Nas gigantescas manifestações de 1979, prevaleceu a força do fundamentalismo xiita, personificado na figura do Aiatolá Khomeini, derrotando a ditadura do Xá mas também a burguesia liberal e o próprio Tudeh, que, vinculado à URSS, disputava os rumos da revolução. Mesmo que distante do marxismo, o novo regime representava evidente ameaça aos interesses estadunidenses na região. Ainda na esteira das manifestações, a crise dos reféns americanos – na qual 52 estadunidenses foram mantidos reféns por um grupo de militantes islâmicos – potencializou as turbulências, ainda mais após a missão militar de resgate, tentada pelos EUA em 1980, fracassar de forma vexatória, ferindo também o orgulho nacional norte-americano.

O que interessa notar é que, destes eventos em diante, a rivalidade entre EUA e Irão apenas seria amplificada, repercutindo no conjunto das movimentações regionais no Grande Oriente Médio. De pronto, uma série de sanções unilaterais seriam adotadas pelos EUA, estabelecendo embargos comerciais ao Irão e pressionando terceiros países a fazerem o mesmo, ao tempo em que influenciava as coalizões da fratricida Guerra Irão-Iraque, que por 8 anos consumiria o regime xiita numa guerra santa contra o vizinho, então dirigido por Saddam Hussein. Da mesma forma, seria cessado todo e qualquer apoio dos EUA e das potências ocidentais ao programa nuclear iraniano – criado na década de 1950, e que vinha sendo potencializado com especial ajuda de EUA, França, Alemanha Ocidental, África do Sul e Israel. Progressivamente, a república islâmica se aproximaria de China e Rússia, após lapsos de cooperação com o Paquistão, para prosseguir com seu programa.

A influência exercida pelo Irão sobre agrupamentos políticos e militares no Líbano, Palestina, Síria, Iraque, Iêmen, Afeganistão, dentre outros, manteve uma espécie de Nova Guerra Fria no Grande Oriente Médio, que persiste até os dias atuais, com os iranianos antagonizando EUA, Israel e Arábia Saudita em diversos cenários. Mas foi na primeira década do século XXI que as escaramuças se acirraram: se por um lado os eventos do 11 de Setembro e a Guerra Global ao Terror desencadeada por Washington afirmaram o Irão no chamado Eixo do Mal, por outro a denúncia, de 2002, acerca de atividades nucleares não-supervisionadas no Irão acendeu o sinal de alerta sobre o programa nuclear do país. Para piorar, em 2003 a Coreia do Norte denunciaria o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), detonando seu primeiro artefato militar nuclear em 2006: mesmo parte do TNP, nada impedia que o Irão tomasse medida similar aos norte-coreanos.

Nesse quadro, seriam intensificadas as ondas de sanções unilaterais, por parte dos EUA, e multilaterais, com aprovação do Conselho de Segurança da ONU, ao Irão, visando obstar a evidente atividade nuclear clandestina em seu território, que poderia evoluir para além dos fins pacíficos então alegados. A China sempre buscou evitar a adoção de medidas que cerceassem as exportações energéticas iranianas, que ascendiam espetacularmente em direção ao gigante asiático, ao tempo em que a União Europeia também tergiversava, buscando meios de atingir uma solução pacífica, dados os investimentos que possuía, até então, no setor energético do país. Ainda assim, tanto as gestões do Conselho de Segurança quanto as de atores externos – como a Turquia e o Brasil na Declaração de Teerão, de 2010 – fracassaram, durante anos, em chegar a um acordo plausível para as partes. Quando atingido, acabava reprovado pelo parlamento iraniano ou por alguma das grandes potências envolvidas nas negociações.

Foi no contexto de inflexão da política externa estadunidense para o Oriente Médio que se chegou, finalmente, ao Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), em 2015, impondo restrições ao programa nuclear iraniano que permitissem uma verificação confiável de suas finalidades pacíficas. Em contrapartida, o país veria retiradas as sanções de bloqueio financeiro e comercial às quais estava submetido, além de descongelar seus bilhões de dólares então retidos no exterior e voltar a ter permissão para a compra de aeronaves. No entanto, inúmeras seriam as repercussões do acordo no contexto geopolítico da região. Ao mesmo tempo em que abria portas para investimentos ocidentais no Irão (possibilitando reduzir a imensa ascendência econômica chinesa sobre este), também fortalecia estruturalmente o país, que vinha demonstrando imenso vigor na capacidade de exercer influência em outros importantes cenários do Oriente Médio. Ou seja, se por um lado abria as portas para os EUA dialogarem com o Irão visando a resolução de conflitos como os da Síria, Iraque e Afeganistão – possibilitando o cumprimento da promessa eleitoral de Obama, de gradual retirada das tropas estadunidenses destes sítios -, por outro afrontava estrondosamente os interesses de Israel e Arábia Saudita, ao verem um Irão fortalecido na Guerra Fria que paira sobre a região.

Valendo-se destas contradições, Donald Trump não titubeou em catalogar, ao longo de sua campanha, o JCPOA enquanto “o pior acordo do mundo”, enfatizando as cláusulas que gradualmente terminariam, em 15 anos, com as restrições inicialmente impostas. Cabe observar que o megaempresário sionista Sheldon Adelson, com profundos vínculos com o governo israelense de Benjamin Netanyahu, foi o principal doador individual nas campanhas eleitorais estadunidenses de 2016, atingindo a cifra de nada menos do que 82 milhões de dólares em doações para Trump e outras candidaturas do Partido Republicano. O primeiro país a ser visitado por Trump após sua eleição foi a Arábia Saudita, com a qual assinou o maior contrato de venda de armas da história dos EUA, chegando às cifras de cerca de 110 bilhões de dólares. É muito provável que Riad tenha colocado na mesa de negociações o isolamento de Teerão. O fato é que, em 2018, os EUA se retiraram do JCPOA, retomando as sanções unilaterais, ao tempo em que ameaçavam empresas e terceiros países que não fizessem o mesmo.

Hoje, Trump encontra-se emparedado por uma ofensiva oposicionista interna que avança em prol de um processo de impeachment. Ainda que debilitando o Irão com a retomada das sanções e o boicote aos acertos do JCPOA, as gestões do governo Trump parecem ter sido insuficientes para garantir a total lealdade de parte de seus mais importantes aliados, e financiadores, para os momentos decisivos que antecedem não apenas as votações do impeachment, mas também a próxima corrida eleitoral. Assim, além de adotar a agenda prioritária de parte de suas bases de sustentação, também recorre à histórica prática de criação do inimigo externo, tentando dar coesão à política doméstica estadunidense – artifício reiteradamente utilizado em tempos de disputas por reeleições.

No cenário externo, a incapacidade de imposição dos EUA em cenários como os da Venezuela, Síria e Coreia do Norte, além das sucessivas dificuldades nas rusgas com China e Rússia conformam um panorama de relativo fracasso das opções do governo. Na tentativa de ampliar sua presença no Oriente Médio, provocando fricções e convulsões, corre o risco de conformar novos alinhamentos regionais – repetindo casos como os que resultaram na inflexão da diplomacia turca, no fortalecimento da presença russa na Síria e na aproximação sino-iraniana, fruto das sanções ao programa nuclear do Irã. Num quadro internacional de instabilidade política e crise econômica, o brusco movimento que resultou no assassinato de Qasem Soleimani – em mais uma flagrante violação do direito internacional por parte dos EUA – conforma um panorama de profunda incerteza. Este evento deve ser percebido como resultante do entrelaçamento do conjunto destas contradições e tênues movimentações de aliados, inimigos e terceiros elementos que ainda não se posicionaram no tabuleiro.

Até o momento, apenas Israel se posicionou de forma mais veemente apoiando a gestão estadunidense. A discrição saudita em muito remete à hábil estratégia chinesa, que há décadas vem balanceando suas boas relações com Irão e Arábia Saudita, visando atraí-los para sua órbita pela via da preponderância comercial nos seus respectivos mercados. Os satélites iranianos nos demais países da região mantêm seus postos, aguardando orientações de um regime que acaba de perder uma de suas mais nobres figuras, um estrategista de difícil reposição: o homem que era comandante da unidade especial de guerra irregular e operações de inteligência, a Força Quds; que se somou aos esforços para liquidar o Estado Islâmico; e responsável pela articulação do chamado Eixo de Resistência, envolvendo forças políticas no Líbano, Síria, Iraque, Palestina, dentre outros.

A futurologia não é um exercício que costuma triunfar nas análises políticas. No entanto, algo evidente resta ressaltar. O Irão é herdeiro de uma civilização milenar, que resistiu às mais diversas invasões e privações. Contemporaneamente, encontra-se em franca oposição aos desígnios do mais poderoso país do mundo – economicamente e militarmente – há pelo menos quatro décadas. Àqueles que esperam por uma resposta rápida e desequilibrada: esqueçam. O sistema internacional passa por um explícito período de transição, no qual os EUA perdem progressivamente a capacidade de manter sua hegemonia, e a China aparece enquanto a mais forte candidata a ascender ao primeiro posto global, tendo no projeto da Nova Rota da Seda o baluarte de sua estratégia corrente. O Irão é um país-chave nisso tudo, não apenas pela questão energética, mas pela sua posição territorial crucial para a integração Eurasiática. Nos últimos anos, o país logrou importantes vitórias na Síria e no Iraque, colaborando robustamente no esfacelamento do temido Estado Islâmico.

Com certeza, um contra-ataque será orquestrado. No entanto, não virá em 280 caracteres, tampouco desprovido de uma reflexão afim às pretensões do país por ora atacado. Os iranianos sabem onde estão, o que representam, e o porquê de serem atacados. Sabem que o atual episódio se trata de uma isca para que o país se torne o epicentro de uma nova guerra no Golfo. Mas também sabem das dificuldades que os EUA teriam em sustentar a invasão de um país grande, populoso, com condições geográficas dificultosas, com importante base urbano-industrial e com expressivo grau de legitimidade e coesão política das forças governantes. Portanto, a resposta tende a tomar contornos indiretos, e aguardar seu tempo propício.

Por fim, Teerão também sabe que a prioridade resta em fortalecer sua influência no plano regional, ao tempo em que consolida suas relações com a Rússia e a China no plano global. A resiliência iraniana ao cerco dos EUA e as recorrentes rusgas entre os dois países apontam não para uma escalada militar de gigantescas proporções, mas para a adoção de minuciosos cálculos de poder, e quiçá o estabelecimento de um novo equilíbrio para a retomada das negociações. É fato, contudo, que os quadros de transição sistêmica tendem a conformar eventos disruptivos. Se ocorrerão, apenas o tempo e as decisões políticas dirão.


por Diego Pautasso e Tiago Nogara  | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Portal Disparada) / Tornado

  • Diego Pautasso, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Tiago Nogara, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), da Universidade de Brasília (UnB)
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/irao-estados-unidos-e-a-geopolitica-do-grande-oriente-medio/

O QUE ESTÁ POR DETRÁS DO ASSASSINATO DO GENERAL SOLEIMANI

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Para além da decisão táctica de Trump e do Pentágono de eliminar Soleimani, o que está em jogo é o controlo da região mais rica em petróleo e decisiva para o abastecimento internacional. 
Até agora, os americanos contentaram-se em obter acordos de «protecção» dos reinos petrolíferos a troco da exclusividade da venda do petróleo em dólares. Lembre-se que as transacções em US$ são rastreadas pelos bancos dos EUA, e podem ser eficazmente embargadas por ordem de Washington.  Lembremos também o papel decisivo dos petro-dólares na compensação do défice crónico e monstruoso do orçamento dos EUA. O défice é colmatado graças à compra de obrigações do tesouro dos EUA por parte das petro-monarquias. Além disso, com os dólares obtidos, a Arábia Saudita e outros, compram armamento sofisticado e sua manutenção à indústria bélica americana (o maior exportador de armamento mundial).
Se decidiram assassinar Soleimani, não foi certamente pelas razões invocadas. Mas antes, porque estão desesperados por não conseguir mais fazer funcionar o sistema do petro-dólar, pois demasiados actores estão a rebelar-se ou a - discretamente - virar a casaca, para garantirem protecção dos poderosos aliados Rússia e China. Esta é a realidade estratégica global a que os EUA estão confrontados. 
A resposta a esta situação foi - com certeza - cozinhada pelas forças que controlam Washington e que têm Trump na mão (chame-se complexo militar industrial, Estado profundo, militaristas do Pentágono...): Para eles, a solução longamente planeada era o confronto directo com o Irão, única forma que encaravam para contrariar a deserção de uma série de aliados na região e portanto, a perda de hegemonia e o fim do sistema do petro-dólar. Eis a lógica intrínseca deles: Como não conseguem mais obter, como dantes, a submissão dos seus aliados-vassalos no Médio-Oriente, têm de fomentar uma guerra. Assim, poderão obter o alinhamento forçado destes contra o Irão.  Eventualmente, conseguirão - em caso de vitória - o controlo directo dos poços de petróleo iraquianos, o que revela sua ambição totalitária de domínio mundial. Esta ambição de guerra já existia há muito tempo, manifestou-se múltiplas vezes, mas muitas pessoas não conseguiam compreender a natureza verdadeira do jogo.  Agora, com a pretensão de Trump de se apropriar (roubar) o petróleo, não só da Síria, como do Iraque, está-se perante uma afirmação clara e descarada de apropriar o petróleo do Médio-Oriente, como despojo de guerra. 
Claro que, tanto os inimigos como os amigos dos EUA, vêm isto tudo e estão a posicionar-se em conformidade.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

A hora de Putin está próxima

por Paul Craig Roberts

Vladimir Putin é o líder mais impressionante no cenário mundial. Ele sobreviveu e ascendeu numa Rússia corrompida por Washington e Israel durante os anos Yeltsin e restabeleceu a Rússia como potência mundial. Ele tratou com êxito da agressão americana/israelense contra a Ossécia do Sul e contra a Ucrânia, incorporando, a pedido da Crimeia, aquela província russa de volta à Mãe Rússia. Ele tem tolerado insultos e provocações intermináveis de Washington e do seu império sem responder da mesma forma. Ele é conciliatório e um pacificador a partir de uma posição de força.

Ele sabe que o império americano, baseado na arrogância e na mentira, está a fracassar na óptica económica, social, política e militar. Ele entende que a guerra não serve a nenhum interesse russo.

O assassinato de Qasem Soleimani, um grande líder iraniano, na verdade um dos raros líderes da história mundial, empanou a liderança de Trump e focou os holofotes sobre Putin. O cenário está preparado para Putin e a Rússia assumirem a liderança mundial.

O assassinato de Soleimani é um acto criminoso que poderia começar a Terceira Guerra Mundial, tal como o assassinato sérvio do arquiduque austríaco desencadeou a Primeira Guerra Mundial. Só Putin e a Rússia, com a ajuda da China, podem travar esta guerra que Washington pôs em movimento.

Putin entendeu que a desestabilização da Síria pretendida por Washington/Israel visava a Rússia. Sem advertência prévia a Rússia interveio, derrotou as forças por procuração financiadas e armadas por Washington e restaurou a estabilidade na Síria.

Derrotados, Washington e Israel decidiram ultrapassar a Síria e levar o ataque à Rússia directamente ao Irão. A desestabilização do Irão serve tanto a Washington quanto a Israel. Para Israel, o fim do Irão interrompe o apoio ao Hezbollah, a milícia libanesa que derrotou duas vezes o exército de Israel e impediu a ocupação de Israel do sul do Líbano. Para Washington, o fim do Irão permite que jihadistas apoiados pela CIA tragam instabilidade à Federação Russa.

A menos que Putin se submeta à vontade americana e israelense, ele não tem outra opção excepto bloquear qualquer ataque de Washington/Israel ao Irão.

Para Putin, o modo mais fácil e mais limpo fazer isso é anunciar que o Irão está sob a protecção da Rússia. Esta protecção deveria ser formalizada num tratado de defesa mútua entre Rússia, China e Irão, talvez com a adição da Índia e da Turquia como membros. Isto é difícil para Putin, porque historiadores incompetentes convenceram-no de que as alianças são a causa da guerra. Mas uma aliança como esta impediria a guerra. Nem mesmo o insano criminoso Netanyahu e os enlouquecidos neoconservadores americanos, mesmo quando completamente bêbados ou iludidos, declarariam guerra ao Irão, Rússia, China e, se incluídos na aliança, à Índia e Turquia. Isto significaria a morte da América, de Israel e de qualquer país europeu suficientemente estúpido para participar.

Se Putin for incapaz de se libertar da influência de historiadores incompetentes, que de facto estão a servir os interesses de Washington, não da Rússia, ele tem outras opções. Ele pode tranquilizar o Irão, oferecendo-lhe os melhores sistemas russos de defesa aérea russa, com equipes russas para treinar os iranianos e cuja presença serviria como uma advertência a Washington e Israel de que um ataque às forças russas é um ataque à Rússia.

Uma vez feito isto, Putin pode então insistir em mediar. Este é o papel de Putin, pois não há nenhum outro com poder, influência e objectividade para mediar.

A tarefa de Putin não é tanto resgatar o Irão, mas remover Trump de uma guerra perdida que o destruiria. Putin poderia estabelecer seu próprio preço. Por exemplo, este preço poderia ser o renascimento do tratado INF/START , o tratado de mísseis anti-balísticos, a remoção da NATO das fronteiras da Rússia. Na verdade, Putin está posicionado para exigir o que quiser.

Mísseis iranianos podem afundar qualquer navio americano em qualquer lugar próximo do Irão. Mísseis chineses podem afundar qualquer frota americana em qualquer lugar perto da China. Mísseis russos podem afundar frotas americanas em qualquer lugar do mundo. A capacidade de Washington de projectar poder no Médio Oriente agora que toda a gente, xiitas e sunitas e antigos agentes de Washington como o ISIS, odeia os americanos com paixão é nula. O Departamento de Estado teve de ordenar aos americanos saíssem do Médio Oriente. Como Washingon pode contar como uma força no Médio Oriente quando nenhum americano está seguro ali?

É claro que Washington é estúpido na sua arrogância e Putin, China e Irão têm de considerar isso. Um governo estúpido é capaz de arruinar não só a si próprio como também os outros.

Assim, há riscos para Putin. Mas também há riscos para Putin em deixar de assumir o comando. Se Washington e Israel atacarem o Irão, o que Israel tentará provocar por algum evento de bandeira falsa como afundamento de um navio de guerra americano para culpar o Irão, a Rússia estará em guerra de qualquer maneira. É melhor a iniciativa estar nas mãos de Putin. E será melhor para o mundo e a vida sobre a Terra a Rússia estar no comando.

04/Janeiro2020

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/irao/roberts_04jan20.html

Caixa-de-ressonância

o caniche béu-béu ou
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Apesar do circo, Guaidó, o autoproclamado «presidente interino» da Venezuela, não conseguiu ser eleito para a presidência da Assembleia Nacional, embora o porta-voz dos ianques em Lisboa, com acento no Palácio das Necessidades,  Augusto Santos Silva, continue a considerar Guaidó o presidente legitimo.

Alguém me pode indicar só um, um só dos crimes perpetrados pelos Estados Unidos, que não leve a reboque o governo português?

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Quem quer morrer por um capricho de Trump?

(Rui Tavares, in Público, 06/01/2020)

 

Todas as passagens de ano nos entregamos ao ritual de tentar adivinhar o futuro. Desde 2003, muitos foram os anos para os quais se se previu que os EUA e o Irão iriam entrar em guerra. Logo a começar 2020, para o qual houve poucas previsões dessas, Donald Trump mandou assassinar Qasem Souleimany, general de uma milícia estatal iraniana usada para interferir na política de vários países vizinhos, e nunca estivemos tão perto da possibilidade de um conflito entre os EUA e o Irão como hoje.

Mas precisamente por tantas previsões em anos passados terem falhado, convém ser cauteloso nas previsões. Não sabemos se o Irão vai retaliar de forma a escalar o conflito ou se irá antes aproveitar politicamente a ocasião para se reforçar internamente e vitimizar externamente. O meu palpite — que não passa disso — é que um conflito direto em larga escala não interessa ao Irão nem aos EUA e que após um período de tensão ambos os países evitarão arriscar uma guerra declarada.

Em vez de fazer futurologia é mais útil pensarmos no que já sabemos do que se passou e, em particular, do que não se passou neste ataque. A última parte é mais fácil e também, em meu entender, mais relevante: o que não se passou foi qualquer comunicação entre a administração Trump e os seus teoricamente aliados europeus. Tanto quanto se sabe, nenhum outro governo da NATO o da União Europeia foi alertado para um ataque e tal magnitude geopolítica — nem sequer o governo do Reino Unido.

Podemos fazer todas as análises que quisermos à hipótese de a NATO estar ou não obsoleta. Mas há silêncios que falam muito mais do que as palavras, e este é um deles.

Em caso de retaliação iraniana sobre os EUA, os outros países da NATO incorreriam nas obrigações do famoso Artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte que determina que um ataque a um aliado é um ataque a todos os países. Só que o grau de confiança mútua que é preciso ter para aceitar uma responsabilidade recíproca desse género implica, porém, acreditar na sensatez e previsibilidade das lideranças dos aliados. Ora, só um líder europeu que não estivesse bom da cabeça poria hoje as mãos no fogo por Trump. E se não confiam nele, quem pode estar disposto a pagar o preço do aventureirismo do presidente dos EUA?

Caso especialmente interessante é o do primeiro-ministro britânico. A passar férias numa estância do Caribe, Boris Johnson ainda não se pronunciou sobre o ataque norte-americano em solo iraquiano, o que permitiu aos seus ministros produzirem declarações desencontradas sobre o assunto, ora primeiro mais alinhados com outros governos europeus, ora evidenciando um total alinhamento com Trump a seguir. A menos de um mês do “Brexit”, o Reino Unido tem agora uma escolha complicada. Se opta por uma colagem a Donald Trump, pode ver-se envolvido como parte beligerante numa guerra sobre a qual não teve sequer direito a uma palavrinha. Se se distancia do presidente norte-americano, conhecido pelo seu espírito vingativo são postas em risco as possibilidades de um acordo comercial com os EUA que foram propagandeadas como sendo uma das poucas vantagens da saída da União Europeia.

Já por algumas vezes nesta coluna argumentei que a principal incógnita do “pós-Brexit” é saber de quem vai o Reino Unido tornar-se um país-satélite: se dos EUA ou da UE. Com uma crise iraniana no horizonte, somos capazes de vir a saber a resposta para esse enigma mais depressa do que antes pensávamos.

Mas a União Europeia não tem um dilema menor. A Europa e os EUA estão amarrados por laços históricos de um ciclo — o do pós-guerra — em larga medida encerrado. Mas se com George W. Bush já tinha ficado claro o desalinhamento de interesses e até de valores entre os dois lados do Atlântico, com Trump passamos a ter um presidente dos EUA que não hesita em arriscar um conflito em larga escala na Eurásia sem dedicar a cortesia de um aviso prévio aos europeus. A conclusão é clara: a Europa precisa de ter autonomia estratégica em relação aos EUA, e na Europa só através da UE existe a possibilidade de se acrescentar autonomia estratégica geopolítica às outras áreas em que a Europa já é uma espécie de “super-potência invisível”, como nas negociações comerciais ou na regulação da globalização. E para nos convencermos da urgência desse debate — e um debate muito difícil, reconheçamo-lo — não é sequer preciso que os EUA entrem em guerra declarada com o Irão.

Há talvez a possibilidade de Trump perder as eleições em novembro deste ano, e que com um democrata na Casa Branca o desalinhamento euro-americano se disfarce. Mas mesmo isso não é garantido. Joe Biden, que votou a favor da Guerra do Iraque, tem um historial intervencionista em política externa. A não ser que viéssemos a ter um Presidente Sanders ou uma Presidente Warren e, com eles, a hipótese de reforçar as Nações Unidas como plataforma multilateral de resolução de conflitos, a Europa ficaria sempre dependente das decisões de presidentes dos EUA que cada vez menos querem saber dos europeus. No caso de Trump, essas decisões parecem fundamentar-se em caprichos. A pergunta para os europeus é simples: quem no seu perfeito juízo quer morrer em nome de um capricho de Trump?


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Unesco adverte Trump para não ameaçar patrimônio cultural do Irã

247 -A Unesco advertiu severamente os EUA sobre a possibilidade de ataques ao patrimônio cultural do Irã.

No sábado (4), Trump disse no Twitter que os EUA fizeram uma lista de 52 locais que poderão ser alvo, caso o Irã tente retaliar o assassinato de um de seus generais de alto escalão. Ele acrescentou que alguns desses alvos são de "muito alto nível e importantes para o Irã e a cultura iraniana."

 

Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, encontrou-se nessa segunda-feira (6) com o embaixador do Irã na organização e observou que tanto os Estados Unidos quanto o Irã já ratificaram duas convenções, uma voltada à proteção de propriedades culturais durante conflitos armados e outra para proteger os patrimônios culturais e naturais da humanidade. Ela lembrou que essas convenções proíbem quaisquer ataques a esses locais, informa a Agência Brasil.

Trump vem sido criticado pela ameaça, mesmo dentro dos Estados Unidos, com algumas pessoas argumentando que isso seria uma violação do direito internacional.

Alemanha contraria EUA e decide retirar parte de suas tropas do Iraque

Militar alemão perto do avião de reabastecimento Airbus A-310 na base aérea de Al Azraq, Jordânia, 13 de janeiro de 2018 (foto de arquivo)
© AFP 2019 / John Macdougall

A Alemanha deve retirar entre 30 e 40 dos seus 120 militares instalados no Iraque para países vizinhos na região em meio à crise diplomática entre EUA e Irã.

A Alemanha está planejando retirar uma parcela dos seus 120 militares do Iraque para os países vizinhos Jordânia e Kuwait depois que os EUA mataram o popular major-general iraniano Qassem Soleimani, e um importante líder da milícia xiita iraquiana, em um ataque aéreo em Bagdá, Iraque.

A agência de notícias dpa relatou que a ministra da Defesa, Annegret Kramp-Karrenbauer, e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, escreveram aos legisladores que as tropas nas bases iraquianas em Bagdá e em Taji seriam "temporariamente reduzidas", com retirada de "cerca de 30 [soldados] de Taji e mais alguns de Bagdá", totalizando entre 30 e 40 soldados.

Embora a maioria das tropas alemãs esteja em outras partes do Iraque, os militares localizados em Bagdá e Taji serão imediatamente transferidos para Jordânia e Kuwait até haver "uma nova consulta" e lhes ser exigido o recomeço de treinamento. Os dois ministros alemães sublinharam continuam dialogando com o governo iraquiano sobre a continuação da missão de treinamento das tropas iraquianas.

É "um passo muito bom para dar tempo ao governo iraquiano de avaliar a situação" depois que o parlamento iraquiano pediu a retirada das tropas estrangeiras, afirmou Roderich Kiesewetter, um legislador da União Democrata-Cristã, partido da chanceler alemã Angela Merkel.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010714979110-alemanha-contraria-eua-e-decide-retirar-parte-de-suas-tropas-do-iraque/

Secretário-Geral da ONU alerta para ‘consequências imprevisíveis’ de tensão no Oriente Médio

 

247 - Na sequência do bombardeio americano no Iraque e à espera de uma represália iraniana, o Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres disse que não se deve esquecer que “pessoas comuns” pagarão os “terríveis custos” e o preço mais alto da guerra: “É nosso dever comum impedir isto”, comentou.

 

“Nem sequer a não proliferação nuclear pode ser dada como certa”, refletiu Guterres, acrescentando que está em contato constante com líderes mundiais e que essas tensões levam cada vez mais países a tomarem “decisões imprevisíveis, com consequências imprevisíveis e um profundo risco de cálculos errados”, informa aEFE.

Donald Trump e os mandões da política externa querem guerra com o Irão

“O último contexto é a crescente tensão entre os EUA e o Irão desde que o governo Trump rompeu no ano passado o acordo nuclear com o país dos aiatolás, de 2015 – e isso já levou a vários incidentes violentos dentro e ao redor do Golfo Pérsico”.

 

 

por Derek Davison, na Jacobin | Tradução de José Carlos Ruy

Tudo o que Donald Trump fez desde que assumiu a presidência foi aproximar os EUA da guerra com o Irão. O assassinato de Qassem Soleimani empurra o país ainda mais nesse caminho catastrófico.

Então, deixe-me fazer esta observação geral: 2020 não está perdendo tempo. A Turquia pode estar prestes a enviar soldados para a Líbia. A Coreia do Norte pode estar planejando fazer algo grande e provocador. Os líderes do sul do Iêmen desistiram de suas negociações de paz com o governo, potencialmente reabrindo a guerra no Iêmen. O Talibã pode estar prestes a declarar um cessar-fogo no Afeganistão… ou então, talvez não. A Austrália está rapidamente se tornando inabitável, enquanto seu primeiro ministro, que nega as mudanças climáticas, fica sentado e assistindo.

E, agora, Donald Trump pode ter começado uma guerra real com o Irão.

Uma história que começou quinta-feira (26) à noite com relatos incompletos sobre um ou possivelmente dois ataques com mísseis fora do aeroporto de Bagdá se transformou em um relatório confirmado de que os EUA mataram o comandante da Força Quds iraniana Qassem Soleimani, em Bagdá. No mesmo ataque com drones, foram mortos também Abu Mahdi al-Muhandis, vice-líder do Comitê de Mobilização Popular do Iraque (PMC), o órgão que supervisiona as inúmeras facções das milícias do Iraque. Embora tecnicamente o vice-chefe do PMC, al-Muhandis também fosse o líder da milícia mais influente do Iraque, o Kata’ib Hezbollah, o que o tornou indiscutivelmente a figura mais poderosa da comunidade das milícias iraquianas. Sua morte é uma enorme escalada na última crise política do Iraque. Mas, obviamente, sua morte e a repercussão é ofuscada pela de Soleimani.

Quem acompanha o noticiário nos últimos dois meses sabe que o Iraque está à beira do caos, com manifestantes irritados com corrupção, ineficácia do governo e influência estrangeira (principalmente de Teerã). Estão nas ruas exigindo mudanças políticas por atacado. A resposta violenta do governo iraquiano, a maioria provavelmente liderada pelas milícias da Mobilização Popular, deixou centenas de mortos e forçou a renúncia do primeiro-ministro Adil Abdul-Mahdi. Mas a política iraquiana está tão completamente quebrada que Abdul-Mahdi permanece no cargo de primeiro-ministro interino, porque os líderes políticos iraquianos não conseguiram chegar a um acordo. Isso faz parte do contexto em que eventos recentes ocorreram.

Paralelamente ao colapso político, o Iraque passou por uma escalada de violência envolvendo as milícias. Isso (provavelmente) inclui a morte de manifestantes, mas também inclui ataques esporádicos de foguetes contra bases militares iraquianas, onde estão posicionadas forças dos EUA, e também inclui ataques aéreos esporádicos, não atribuídos, mas provavelmente realizados por Israel (e / ou Arábia Saudita), visando bases de milícias e esconderijos de armas. Os líderes da milícia culparam os EUA por ajudar ou, pelo menos, permitir esses ataques.

O último contexto aqui é a crescente tensão entre os EUA e o Irão desde que o governo Trump rompeu no ano passadoo acordo nuclear com o país dos aiatolás, de 2015 – e isso já levou a vários incidentes violentos dentro e ao redor do Golfo Pérsico. O principal é lembrar que a instabilidade que tomou conta dessa região nos últimos meses decorre da decisão do governo de Trump de cancelar um acordo internacional que a) estava funcionando e b) oferecia um caminho fácil para diminuir as tensões EUA-Irão e estabilizar o Golfo Pérsico.

Isso nos leva a 27 de dezembro, quando um desses ataques esporádicos com foguetes atingiu uma base militar iraquiana em Kirkuk e matou um empreiteiro civil estadunidense e feriu vários funcionários dos EUA e iraquianos. A expressão “empreiteiro civil” poderia cobrir qualquer coisa, de um funcionário de escritório a um oficial de segurança mercenário que não havia se envolvido em combate, mas independentemente de ter sido um cidadão americano morto, e os EUA acusaram o Hezbollah Kata’ib (fundada em 2003, e uma das principais milícias que resistem à ocupação dos EUA no Iraque no pós-guerra, e que enviou combatentes para ajudar Bashar al-Assad na Síria) estava por trás do ataque. Assim revidou, no fim de semana, atingindo cinco alvos do Kata’ib Hezbollah no Iraque e na Síria. O Hezbollah de Kata’ib disse que pelo menos 24 de seus membros foram mortos nos ataques e al-Muhandis prometeu algum tipo de resposta.

A resposta inicial veio do governo iraquiano, na segunda-feira; ele condenou os ataques dos EUA como, em primeiro lugar, uma violação da soberania iraquiana. O que sustenta essa condenação é um medo iraquiano profundo e muito compreensível de que qualquer guerra entre os EUA e o Irão (e seus aliados) provavelmente cause mais danos ao Iraque do que em qualquer outro lugar. O governo dos EUA rejeitou as queixas dos iraquianos acusando o governo de Bagdá de não proteger seu pessoal.

A resposta maior ocorreu durante a segunda-feira e na terça-feira, quando uma multidão de combatentes e apoiadores do Kata’ib Hezbollah invadiu a embaixada dos EUA em Bagdá. Eles a incendiaram, mas foram impedidos de invadir o complexo pela segurança. Talvez o mais importante seja que dois grandes atores da política iraquiana – o clérigo populista Muqtada al-Sadr e o grande aiatolá Ali al-Sistani se juntaram à multidão na condenação do ataque norte-americano. Al-Sadr pediu à multidão que parasse de atacar a embaixada e disse que usaria meios políticos para tentar forçar os EUA a sair do Iraque. Nem Al-Sadr nem Al-Sistani podem ser descritos como “pró-americanos”, mas ambos estavam muito mais preocupados com a interferência iraniana nos assuntos iraquianos nos últimos meses. Os ataques aéreos nos EUA parecem ter mudado isso.

Agora, os EUA mataram al-Muhandis e Soleimani, uma das figuras mais poderosas e populares do Irão, que perdeu parte de seu brilho nos últimos dois anos, mas que ainda é uma das talvez duas ou três pessoas cuja influência dentro do Irão é ofuscada apenas pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. É obviamente muito cedo para saber quais serão as consequências, mas é inconcebível que o governo iraniano não venha a retaliar de alguma forma, e essa retaliação não precisa vir na forma de uma guerra em grande escala. Seus aliados em toda a região, do Paquistão ao Líbano e Israel-Palestina, podem realizar muitos ataques de retaliação contra os interesses dos EUA e de seus aliados.

Também é inconcebível que o governo iraquiano permita que isso permaneça. Deixando de lado a dependência política de Bagdá a Teerã, esta é a segunda vez em poucos dias que os EUA tratam a soberania iraquiana como uma piada, e desta vez resultou no assassinato de um alto funcionário iraquiano e de uma alta autoridade oficial iraniana que estava sob garantia da segurança iraquiana. Há uma possibilidade muito forte de que o governo iraquiano exija que as forças armadas dos EUA desocupem completamente o país, e se a segurança do pessoal diplomático e de suas famílias na embaixada dos EUA em Bagdá já estava em risco antes, esse risco acaba de ser consideravelmente aumentado.

Também deve ser enfatizado que tudo o que vem a seguir será de responsabilidade de um presidente dos EUA que afirma ser anti-guerra, afirma entender que a Guerra do Iraque foi incrivelmente estúpida e vingativa e ainda assim pode ter provocado um conflito ainda mais catastrófico. Tudo o que Trump fez desde que assumiu a presidência aproximou os EUA da guerra com o Irão, para a alegria de um establishment da política externa de Washington que busca exatamente isso há mais de quarenta anos.

É indubitavelmente verdade que, como o desfile de supostos especialistas, na TV, na noite passada (31/12) reiterou repetidamente, poucas pessoas fora do Irão e alguns poucos locais no Oriente Médio lamentarão a morte de Soleimani. Mas seu assassinato não é, como Donald Trump certamente reivindicará nas próximas horas – algum feito espetacular do poder militar americano. Soleimani não estava escondido como Osama bin Laden ou Abu Bakr al-Baghdadi. Matá-lo foi relativamente fácil, mas também foi extremamente estúpido. Soleimani agora é um mártir da arrogância dos EUA, e sua morte quase certamente tornará o Oriente Médio menos seguro.


por Derek Davison, Escritor e analista especializado em política externa do Oriente Médio e dos EUA  |  Texto em português do Brasil, com tradução de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV (Fonte: Jacobin)/ Tornado


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/donald-trump-e-os-mandoes-da-politica-externa-querem-guerra-com-o-irao/

China culpa os EUA por rompimento do acordo nuclear com o Irã

 

247 - O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, disse na segunda-feira (6) que os Estados Unidos (EUA) pressionaram o Irã a deixar seus compromissos em relação ao enriquecimento de urânio, ao se retirar do acordo em 2018.

 

Shuang afirmou que com essa atitude a Casa Branca ignorou as leis e obrigações internacionais, além de exercer pressão máxima sobre o Irã e obstruir os esforços dos outros signatários do acordo para mantê-lo em vigor.

O porta-voz da Chancelaria chinesa disse que, apesar da posição hostil de Washington, o Irã se absteve de agravar a situação e mostrou sua intenção de resolver a crise de maneira eficaz, informa a Telesul.

Trump diz que EUA não sairão do Iraque até Bagdad pagar base aérea no país

 
 
O presidente Donald Trump disse neste domingo (5), a bordo do avião presidencial, que as tropas norte-americanas só deixarão o Iraque se Bagdad pagar por uma base aérea dos EUA instalada no país.
 
Mais cedo, o Parlamento do Iraque aprovou uma resolução pedindo a retirada das tropas estrangeiras do país, incluindo as forças norte-americanas, que têm forte presença no território iraquiano. 
 
"Nós temos uma base aérea extraordinariamente cara lá. Custou biliões de dólares para construí-la, muito tempo antes de mim. Nós não vamos sair até que eles nos paguem por isso", afirmou o presidente norte-americanos para jornalistas a bordo do Air Force One, segundo publicado pela agência Reuters. 
 
Além disso, Trump ameaçou impor sanções contra o Iraque como "eles nunca viram" caso Bagdad realize atos hostis contra os EUA. 
 
"Caso se verifique algum ato hostil, se fizerem algo que consideremos inaceitável, imporemos sanções contra o Iraque, sanções muito duras", disse Trump. 
 
O republicano também disse que a retaliação norte-americana fará as "sanções iranianas parecerem algo inofensivo". 
 
A tensão no Oriente Médio vem crescendo desde a morte do general iraniano Qassam Solaimani nos arredores de Bagdad, em bombardeio ordenado por Trump.
 
Sputnik | Imagem: © Reuters / Leah Millis
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/trump-diz-que-eua-nao-sairao-do-iraque.html

A Europa vê a guerra no sofá

 
 
Pedro Ivo Carvalho* | Jornal de Notícias | opinião
 
Quem ainda fica horrorizado com a insolência política de Donald Trump pode muito bem acordar do coma. Já passaram quase quatro anos e é mais do que tempo de olharmos para ele e para a política externa dos Estados Unidos da América (EUA) com menos desdém e incredulidade e mais proatividade e músculo.
 
E quando digo nós falo da Europa que, mais uma vez, ficou a assistir ao desenrolar dos acontecimentos a partir do sofá, enquanto lunáticos e fanáticos ameaçam empurrar o Oriente e o Ocidente para um perigoso pântano militar.
 
Basta ouvir o que disseram os políticos franceses, alemães e britânicos para perceber que foram tão avisados sobre o ataque norte-americano que aniquilou a segunda figura do regime iraniano como o foi um pardacento agricultor da Andaluzia. Souberam todos ao mesmo tempo. Não que essa irrelevância europeia fosse contrariada caso Washington tivesse um acesso de consciência e decidisse avisar os parceiros históricos das suas intenções no Médio Oriente. Porque se a Europa soubesse antes, o mais provável é que Trump ordenasse o ataque na mesma.
 
Ainda é cedo para percebermos quão expressiva será a escalada entre EUA e Irão, mas os apelos ao diálogo e à paz que a Europa vai reiterando podem ser insuficientes caso o conflito degenere numa coisa mais feia. E aí, a Europa, que depende em grande medida dos norte-americanos para se defender, pode ser forçada a escolher um lado. Quem são os bons e os maus? Ao Velho Continente parece estar destinado o papel do espectador passivo, do bombeiro diplomático, do amortecedor de crises internacionais. Naturalmente que ver o Mundo a partir do sofá, na sala dos adultos, tem as suas vantagens. Desde logo porque a Europa privilegia a paz e a estabilidade. E devemos relevar estes valores acima de todos os outros. Mas esta declarada ambiguidade encerra um perigo, à medida que EUA, China e Rússia se agigantam como arquitetos globais. A de termos uma Europa que responde a tudo com diplomacia e paciência, mas que, no final, fica a falar sozinha ao espelho.
 
*Diretor-adjunto

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Trump ameaça com "reação desproporcional". Há mais líderes iranianos como alvo

 
 
Presidente dos EUA alerta para uma resposta imediata e secretário de Estado norte-americano assegura que custos serão imputados ao Irão e à liderança do país.
 
Trump também voltou a ameaçar Teerão, mas pelo Twitter: "Se o Irão ataca nem que seja um só dos nossos homens a nossa reação será imediata e talvez desproporcional." Uma "notificação legal que não é necessária, no entanto fica feita", avisou o presidente norte-americano que se dirigiu ao Congresso Norte-Americano através da rede social.
 
Já durante uma ronda de entrevistas em várias estações televisivas, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmou que o Irão e os seus líderes militares serão alvo de novos ataques, se interesses dos EUA forem atacados. Pompeo disse ainda que os EUA atingirão o Irão, mesmo que as retaliações aconteçam a partir dos seus aliados, como a Síria, Iémen, Líbano ou outros. "Os custos serão imputados ao Irão e à sua liderança. (...) Esses são dados que os líderes iranianos devem ter em conta", afirmou o chefe da diplomacia norte-americana.
 
Mike Pompeo diz que, nesse cenário, qualquer ataque militar dos EUA em território iraniano terá cobertura legal. "Vamos comportar-nos dentro do sistema. (...) Sempre o fizemos e sempre o faremos", assegurou o secretário de Estado, contornando as questões colocadas pelos jornalistas sobre a mensagem enviada na rede social Twitter pelo Presidente Donald Trump, que ameaçou atacar "locais da cultura iraniana", se os interesses norte-americanos forem visados.
O general Qassem Soleimani morreu sexta-feira num ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Bagdad que o Pentágono declarou ter sido ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos. No mesmo ataque morreu também o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras seis pessoas. O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente. O ataque já suscitou várias reações, tendo quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas -- Rússia, França, Reino Unido e China - alertado para o inevitável aumento das tensões na região e pedem as partes envolvidas que reduzam a tensão. O quinto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU são os Estados Unidos. No Irão, o sentimento é de vingança, com o Presidente e os Guardas da Revolução a garantirem que o país e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos. Também o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte do general e declarou três dias de luto nacional, enquanto o chefe da diplomacia considerou que a morte como "um ato de terrorismo internacional".
 
TSF | Lusa | Imagem: © Shawn Thew/EPA
 

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O Presidente dos Estados Unidos vai atacar o Irão e começar uma guerra para ser reeleito (disse Trump)

Michael Reynolds / EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Vários tweets de Donald Trump, no qual o Presidente norte-americano acusava o seu antecessor Barack Obama de desencadear uma guerra com o Irão para conseguir ser reeleito, foram agora recuperados depois do ataque ordenado pelos Estados Unidos para matar o general da elite do Irão Qassem Soleimani.

 

Na passada quinta-feira, Trump ordenou a morte do comandante da força de elite iraniana Al-Quds. “Por ordem do Presidente, as forças armadas dos Estados Unidos tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal norte-americano no estrangeiro, matando Qassem Soleimani”, disse o Departamento de Defesa norte-americano.

O ataque aéreo, que matou mais sete pessoas incluindo o “número dois” da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, levou vários utilizadores a recuperarem antigas publicações de Trump, datadas de 2011 e 2013.

No Twitter, Trump insinuou pelo menos 14 vezes que Barack Obama atacaria o Irão e iniciaria uma guerra para conseguir ser reeleito Presidente dos Estados Unidos.

“O nosso Presidente vai começar uma guerra com o Irão porque não tem absolutamente nenhuma capacidade de negociar. É fraco e ineficaz. Portanto, a única forma de que conseguiu encontrar para ser eleito (…) é começar uma guerra com o Irão”, disse Donald Trump em 16 de novembro de 2016, citado pelo portal Business Insider.

 
 

“Para ser eleito, Barack Obama vai começar uma guerra com o Irão”, voltou a escrever, pouco dias depois, a 29 de novembro de 2011. “Obama vai atacar o Irão para ser reeleito”, 17 de janeiro de 2012. “Agora que os números do Barack Obama não estão bem, esperem até fazer um ataque contra a Líbia ou o Irão. Está desesperado”, 9 de outubro de 2012.

Barack Obama acabou por ser reeleito Presidente dos Estados Unidos em novembro de 2012 para o segundo e último mandato, sendo empossado em janeiro de 2013.

Após a reeleição, as previsões e insinuações de Donald Trump continuaram no Twitter.

“Prevejo que o Presidente Obama vai, em algum momento, atacar o Irão para salvar a própria pele”, 16 de setembro de 2013. “Lembrem-se do que eu disse: um dia o Obama vai atacar o Irão para mostrar quão duro é”, voltou a insistir, a 25 de setembro de 2013.

https://twitter.com/realDonaldTrump/status/382923478157910016?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Apesar de ter vaticinado que Obama atacaria o Irão, foi agora o próprio Trump a ordenar um ataque a um general iraniano pouco antes da realização de presidenciais nos Estados Unidos, cujo escrutínio está marcado para 3 de novembro de 2020.

Em comunicado, citado pela agência Lusa, o Pentágono alegou que levou a cabo o ataque porque Soleimani estava “ativamente a desenvolver planos para atacar diplomatas e membros de serviço norte-americanos no Iraque e em toda a região”.

Por sua vez, o Irão, pela voz do seu líder supremo, prometeu vingar a morte do seu general. “O martírio é a recompensa pelo trabalho incansável durante todos estes anos. Se Deus quiser, o seu trabalho e o seu caminho não vão acabar aqui. Uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires”, afirmou Ali Khamenei, citado pela a agência France-Presse.

SA, ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/presidente-eua-vai-atacar-irao-reeleito-disse-trump-300858

União Europeia convoca reunião para discutir tensão no Oriente Médio

Turistas e logo da União Europeia em Bruxelas, Bélgica
© Sputnik / Alexey Vitvitsky

O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, convocou nesta segunda-feira (6) uma reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores para discutir os recentes eventos no Iraque e no Irã.

"A União Europeia desempenhará todo o seu papel na busca de uma diminuição das tensões na região", disse Borell. O líder da diplomacia do bloco europeu também afirmou "lamentar" a decisão do Irã de abandonar os limites do acordo nuclear e defendeu a implementação do pacto firmado por Teerã com outras potências para a "estabilidade regional e segurança global".

O encontro dos chanceleres europeus foi agendado para sexta-feira. Ele acontecerá após o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, pedir ao oficial encarregado das políticas externas e de segurança da União Europeia que convocasse uma reunião para elaborar uma linha de conduta comum.

O Parlamento iraquiano decidiu que todas as tropas estrangeiras devem abandonar o país após um ataque de drone dos Estados Unidos matar o general iraniano Qasem Soleimani em Bagdá.

O presidente estadunidense, Donald Trump, afirmou que suas tropas deixarão o Iraque apenas se Bagdá pagar por uma base aérea dos EUA instalada no país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020010614978055-uniao-europeia-convoca-reuniao-para-discutir-tensao-no-oriente-medio/

Portugal | PCP condena ataque dos EUA e desafia Governo a "condenar ato de guerra"

 
 
O PCP condenou hoje a morte do general iraquiano Qassem Soleimani e desafiou o Governo português a "condenar de forma clara este ato de guerra e escalada de provocação", exigindo também a retirada das tropas portuguesas no Iraque.
 
"O PCP condena os ataques militares no Iraque e o assassinato de um dos mais altos responsáveis militares do Irão perpetrados pelos EUA, o que constitui um inequívoco ato de guerra cujos desenvolvimentos podem ter consequências profundamente negativas para os povos do Médio Oriente e repercussões em todo o mundo", lê-se numa nota de imprensa hoje divulgada.
 
Na nota, os comunistas desafiam o Governo português a, "de forma clara, condenar este ato de guerra e escalada de provocação, sob pena de se tornar cúmplice dos crimes de guerra de Trump e Netanyahu e associar ainda mais Portugal às políticas incendiárias e criminosas do imperialismo".
 
No comunicado, o PCP diz que "este ataque militar representa um gravíssimo passo na escalada de tensão, provocação e agressão protagonizada pelos EUA e Israel no Médio Oriente -- em que se integra a violação pelos EUA do 'Acordo Nuclear sobre o Irão' e a ofensiva contra este país --, visando impor a hegemonia do imperialismo norte-americano em toda a região".
 
Lamentando a falta de condenação do ataque feito na semana passada pelos EUA pela União Europeia, os comunistas argumentam que "os recentes acontecimentos comprovam a justeza das reiteradas posições do PCP de não envolvimento de forças militares ou militarizadas portuguesas em agressões e intervenções contra outros povos, contrárias ao interesse e à segurança nacional" e concluem: "Neste sentido, o PCP considera urgente a retirada do contingente militar português estacionado no Iraque".
 
O general Qassem Soleimani morreu na sexta-feira num ataque aéreo contra o carro em que seguia, junto ao aeroporto internacional de Bagdad, e que o Pentágono declarou ter sido ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos.
 
No mesmo ataque morreu também o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras seis pessoas.
 
O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.
 
O ataque já suscitou várias reações, levando quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas -- Rússia, França, Reino Unido e China -- a alertarem para o inevitável aumento das tensões na região e a pedirem às partes envolvidas que reduzam a tensão. O quinto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU são os Estados Unidos.
 
No Irão, o sentimento é de vingança, com o Presidente e os Guardas da Revolução a garantirem que o país e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos.
 
Do lado iraquiano, o primeiro-ministro demissionário, Adel Abdel Mahdi, advertiu que este assassínio vai "desencadear uma guerra devastadora no Iraque" e o grande ayatollah Ali al-Sistani, figura principal da política iraquiana, considerou o assassínio de Qassem Soleimani "um ataque injustificado" e "uma violação flagrante da soberania iraquiana".
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Global Imagens
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/portugal-pcp-condena-ataque-dos-eua-e.html

O assassinato de Soleimani e o futuro do conflito

OsEstados Unidos assassinaram, no dia 3 de Janeiro, o general Qasem Soleimani, uma das figuras mais importantes do estado iraniano e pivô da atuação do Irã na região da Ásia e Oriente Médio. O atentado foi realizado por drones contra o Aeroporto Internacional de Bagdá, no Iraque. Pelo menos outras nove pessoas morreram, incluindo Abu Mahdi al-Muhandis, comandante da milícia iraquiana Kata’ib Hezbollah. É o mais drástico assassinato deste tipo realizado pelos Estados Unidos nesta década, por se tratar de um ataque aberto contra um oficial de um estado soberano, que violou ainda a soberania de um outro estado (o iraquiano).

Qasem Soleimani, um perfil guerrilheiro

Soleimani era major-general dos Corpos da Guarda Revolucionária Iraniana, comandante da unidade especial de guerra irregular e operações de inteligência, a Força Quds. Assim, era protagonista da atuação iraniana fora de seu território e do crescimento substancial da influência do Irã na região do ocidente asiático na última década. Por alguns era considerado o segundo homem mais poderoso da República Islâmica, respondendo diretamente ao líder Ali Khamenei.

Como comandante da Força Quds, participava do Conselho Supremo de Segurança Nacional no mesmo pé que outras autoridades do estado: o comandante dos Corpos da Guarda Revolucionária, os chefes do exército, os ministros de governo, o presidente do país e o presidente do parlamento, dentre outros. O Conselho é presidido pelo Líder Supremo do Irã (ou Líder Supremo da Revolução Islâmica), Sayyid Ali Khamenei.

Soleimani nasceu em março de 1957, de uma pobre família rural na província de Kerman, província de estepes desérticas rasgadas por cadeias montanhosas no vilarejo de Qanat-e Malek.

Com 13 anos, se mudou para a capital provincial, trabalhando como operário de construção para ajudar o pai a pagar uma grande dívida – eventualmente, trabalharia para a companhia municipal de água, enquanto prosseguia no ensino básico, levantava pesos em seu tempo livre e ouvia os sermões de um clérigo revolucionário. Soleimani frequentavazourkhanehs, ginásios que seguem o sistema tradicional de treinamento de guerreiros persas e que mistura aspectos culturais pré-islâmicos (na religião: zoroastrismo, mitraísmo e gnosticismo; incluindo a leitura de poemas gnósticos acompanhados por tambor) e islâmicos (incluindo elementos do sufismo, misticismo islâmico); o treinamento inclui música, força, calistenia e lutas.

Quando começaram as agitações que culminaram na Revolução que depôs o Xá em 1979, o jovem Soleimani participou das manifestações. Lutou na guerra entre o Irã e o Iraque, se tornou combatente voluntário da Guarda Revolucionária depois de uma rotação militar de quinze dias, galgando posições de comando enquanto conduzia uma pequena unidade voltada para ações guerrilheiras.

Qasem Soleimani na juventude.

É esse período que nos mostra a formação de Qassem Soleimani: a formação de um comandante guerrilheiro.

Retratos diversos pintam um militar criativo e corajoso (é referido especialmente um episódio de julho de 1986, quando quase foi capturado por iraquianos). Já como comandante da Força Quds, Soleimani mobilizava de acordo com as necessidades, com todo tipo de estrutura sob seu controle. Soleimani é o representante máximo da guerra em seu estado atual, uma forma de guerra total e difusa. É, talvez, o maior general desta década.

Como outros grandes comandantes históricos – a exemplo de Napoleão, Rommel e Zhukov – teve sua capacidade tática aclamada por críticos que questionaram, entretanto, sua inteligência estratégica. Soleimani era um adepto da ofensiva como melhor opção e também era zeloso quanto à prática de métodos de engano, diversionismo, defendendo desde sua juventude o uso de longas operações de desvio para encobrir manobras. Tal crença na ilusão é tão aferrada que Soleimani era contrário ao treinamento de unidades super-especializadas, defendendo soldados instruídos em diversas áreas, mais imprevisíveis e capazes de improvisar. Sua reputação por coragem o fez subir rapidamente na hierarquia e ganhar prestígio político na organização, apesar de sua falta de educação militar ou formal. A linha de Soleimani hoje era de que a negociação podia ser sinônimo de “rendição completa”.

Apesar dos possíveis defeitos operacionais, a atuação da Força Quds durante a liderança de Soleimani foi altamente eficiente e disciplinada – disciplina por saber ser precisa, econômica e evitar o comprometimento excessivo de forças iranianas.

Algumas características dessa atuação:

– Alta mobilidade no campo e alta flexibilidade na organização.

– Limitação de recursos, isolamento político e demandas situacionais inesperadas, em um contexto geral de alta pressão.

– Guerra assimétrica e uma concepção de defesa por camadas.

Transformou a ideia de “comitês revolucionários” do Irã em um princípio de organização aplicado para grupos de autodefesa, como fez como os hazaras que lutavam contra o Talibã no Afeganistão e com cristãos que se juntaram às Forças Populares de Mobilização no Iraque. O princípio é estimular grupos locais com diferentes níveis de autonomia, como forças militares que tenham alguma capacidade de misturar a população e prover a si mesmas sem depender de linhas de suprimento limitadas, além de fortalecerem o moral através de ideologia.

Essas fraquezas operacionais são óbvias nos campos de batalha de Soleimani: falta de artilharia avançada e apoio aéreo, além de não dispor de grupos de operações especiais altamente sofisticados.

Soleimani, hoje, era uma figura carismática com grande projeção midiática. Os que trabalharam com ele no combate ao Daesh relatam que ele não levantava a voz e outros relatos que remetem aos anos 80 dizem que sempre demonstrou muito afeto a seus subordinados, chorando e os abraçando antes de missões letais; suas falas sempre enfatizavam o papel do mártir e do martírio, sempre lembrando os subordinados dos caídos e exaltando os mortos nos discursos públicos. A parte disso, não falava tanto de motivos religiosos como falava dos motivos patrióticos.

Com a imagem de prestígio que possuía agora como “o general que esmagou os terroristas”, Soleimani se tornou um receptáculo não só de valores islâmicos, da imagem de muçulmano pio, mas de uma espécie de ideal patriótico persa. Nacionalistas já projetavam nele ideais políticos seculares e Soleimani frequentemente era retratado como um guerreiro persa, portador de uma virtude guerreira milenar. Apesar de Soleimani não dar muitas evidências de que correspondia a certos anseios de mudança no cenário público iraniano, ele chegou a fazer declarações contrárias à diferenciação dos iranianos como mais ou menos religiosos na arena pública, comparando a situação com a de um pai que deve receber todos os filhos independente do nível de piedade que apresentam.

Nos outros países, virou um ícone de motivos anti-imperialistas e do poder de países da periferia de transformar o mundo fora do controle dos Estados Unidos.

No fim das contas, o homem que foi assassinado, por mas eficiente e dotado de bom julgamento, era o produto acabado de uma cultura estratégica. E essa cultura estratégica é compartilhada pelos aliados do Irã que foram tão próximos de Soleimani. Muitos incorrem no engano de descrever o Hezbollah libanês como uma mera criação da Força Quds, sem perceber que a Força Quds se desenvolveu ao lado do Hezbollah na resistência contra a invasão sionista do Líbano. Ali ocorreram grandes acontecimentos militares nas derrotas de Israel, em termos de inovação e contribuição à arte da guerra. Soleimani era um acúmulo desses conhecimentos e foi um dos maiores comandantes de guerra no século XXI ao lado, precisamente, de um lendário operativo libanês, Imad Fayez Mughniyeh (louvado pelo Hezbollah libanês).

O processo histórico, o acúmulo de conhecimento, o fortalecimento de ideias e estruturas ideais, tudo isso ultrapassa a vida de um indivíduo. A morte de um homem não pode matar uma cultura que é política, estratégica e simbólica: pelo contrário, os Estados Unidos só estão atiçando as chamas que servem para eles mesmos se queimar.

O assassinato de Soleimani

Donald Trump fez suas habituais comemorações espalhafatosas, acusando o general iraniano de ser um “terrorista”. O assassinato causou reações de fúria e consternação no público iraniano, já que Soleimani era a figura pública mais popular do país, reiteradamente representado como um herói. No Irã, bem como no exterior, Soleimani também ganhou muito prestígio devido a seu papel central na derrota do assim chamado “Estado Islâmico” (daqui para frente referido como Daesh). No sentido contrário, o estado e a opinião pública israelenses empurraram sua própria narrativa, que apresentava Soleimani como uma figura sombria, o homem mais perigoso do Oriente Médio.

O ataque gerou grandes preocupações devido à possível escalada do conflito militar e suscitou muitas especulações sobre um conflito de larga escala. Quais são as motivações do ataque dos Estados Unidos e para onde ele pode levar a situação? Como o Irã deve responder?

Desde 1998, quando assumiu o comando da Força Quds,  até o fim da primeira década do nosso século, Soleimani foi responsável por construir uma articulação política regional envolvendo o Líbano, a Síria, o Iraque e a Palestina no que foi chamado de “Eixo de Resistência”. Isto criou uma situação geoestratégica desconfortável para Israel, deixando para trás as vitórias israelenses contra o nacionalismo árabe e criando uma nova situação de desafio à preponderância sionista na região. Com tal organização – e o apoio iraniano -, o partido político e movimento de resistência libanês Hezbollah impôs derrotas espetaculares a forças invasoras israelenses nos anos 2000 e 2006, se convertendo em uma pequena potência regional. O mesmo permitiu um movimento de renovação da resistência na Palestina.

Os Estados Unidos sofreram, nos últimos anos, sérios revezes em sua posição de poder na região que costumamos chamar de “Oriente Médio”. O Irã foi umas das forças decisivas desse enfraquecimento, que desequilibrou a hegemonia dos Estados Unidos. Na primeira metade desta década o Irã conquistou o acordo nuclear com os EUA. Depois, teve um papel fundamental para derrotar grupos armados apoiados pelos Estados Unidos na Síria, incluindo aqueles formados pelo principal protetorado ianque na região, a Arábia Saudita. Ali o Irã cumpriu um papel fundamental no combate ao terrorismowahabita, contra grupos como a Al Qaeda e, acima de tudo, os terroristas do Daesh. O combate ao Daesh teve uma frente no Iraque, e o protagonismo iraniano no embate serviu para fortalecer a posição geopolítica da República Islâmica do Irã.

O projeto do Eixo de Resistência estava criando um movimento político na região que unificava diferentes vertentes religiosas e políticas em um projeto comum de resistência a Israel e aos Estados Unidos. Sofreu um golpe com a onda de grupos sectários terroristas e intolerantes, como os que atacaram a Síria e quase comprometeram esse país enquanto um centro logístico-geográfico do eixo. O Irã, no entanto, reverteu esse golpe e saiu mais forte, influente e respeitado do que antes.

Na Síria, Soleimani articulou a formação de milícias de defesa de caráter territorial, primariamente entre comunidades de minorias religiosas (como os cristãos), que serviram de base para a formação das Forças Nacionais de Defesa, uma guarda nacional alternativa ao Exército Árabe Sírio. Foi responsável pelo sucesso diplomático que conseguiu o envolvimento da Força Aérea da Rússia no conflito sírio. Criou forças de voluntários xiitas para proteger lugares sagrados atacados por sectários. O seu comando unificava e centralizava diversas forças nem sempre concordantes que atuavam no terreno sírio (exército, milícias, Hezbollah, serviços de segurança), especialmente em batalhas importantes como a de Aleppo e Al Qusayr.

Soleimani foi o arquiteto da derrota dos terroristas do Daesh. No Iraque, ficou conhecido pela presença frequente em campos de batalha. Os iranianos se articularam facilmente com uma ampla gama de forças políticas iraquianas: enviaram centenas de conselheiros e organizaram novas milícias de voluntários xiitas de outros países feitas para esses religiosos confrontarem a ameaça existencial do Daesh (que separava os xiitas para que fossem exterminados). Operou abertamente e com proximidade operacional de forças ocidentais, promovendo o fortalecimento cirúrgico de certas forças capazes de enfrentar os terroristas: membros da organização Badr, forças especiais iraquianas epeshmerga curdos que receberam apoio direto (toneladas de armas foram entregues aos curdos).

Foi um dos estrategistas da libertação de Tikrit.

Mais importante foi o seu papel na organização das “Forças de Mobilização Popular”, organizando milícias de diversas lealdades em uma força única, a partir de um fluxo massivo de voluntários iraquianos dispostos a lutar contra o terrorismo. Seu papel aqui foi tanto de conselheiro e organizador militar como o de articulador político. Abu Mahdi al-Muhandis, que foi vitimado ao lado de Soleimani no dia 3 de Janeiro, se destacou como um comandante desta frente.

Nessas condições, a rede de poder de Soleimani cresceu de forma exponencial dentro e fora do Irã. O Irã, por sua vez, se tornou mais poderoso e ainda por cima em detrimento de uma suposta primazia moral dos Estados Unidos: foi o Irã, uma República Islâmica, que mais se dedicou a combater os terroristas sectários.

É verdade que Soleimani deu dores de cabeça um pouco mais diretas para os Estados Unidos no passado: ele era uma figura importante para algumas milícias que cresceram no Iraque depois da queda de Saddam Hussein e que usavam grupos especiais de assalto para atacar tropas dos Estados Unidos. Graças à atuação iraniana, estes grupos tiveram acesso a inteligência, recursos e armas especiais. Ao mesmo tempo, ele cumpria o papel de articulador político e virou uma figura inadiável para os norte-americanos no Iraque, que tiveram que contar com ele para a redução das hostilidades e para a realização da retirada massiva de suas tropas.

Por essas razões, Soleimani se converteu em um dos personagens mais importantes da região e portanto um alvo preferencial.

A estratégia do Irã é de confrontar a hegemonia dos Estados Unidos na região, e tiveram sucesso nisso até agora. O assassinato é uma resposta dos Estados Unidos.

Trump não ordenou o ataque para deter uma ameaça ou mesmo tendo como prioridade eliminar um quadro de qualidade dos iranianos, mas para demonstrar força. Os EUA querem jogar pesado perante uma força iraniana que não para de crescer. Por isso tomou uma medida drástica como este assassinato. É difícil dizer, no entanto, até onde ele pretende ir. Em todo conflito, o contexto é soberano e as opções são diversas. A ação dos atores é repleta de elementos específicos e governada por relações de reciprocidade. Quer dizer: o assassinato de Soleimani está inserido em um contexto mais amplo e abre um leque de novas possibilidades.

Desde o início do governo Trump, os Estados Unidos estão em uma ofensiva contra o Irã, enquanto ao mesmo tempo apoiavam a agressividade e o expansionismo israelense.

Nos últimos anos, tanto os Estados Unidos como Israel realizaram bombardeios na Síria e no Iraque justificando, na maioria das vezes, que seus alvos eram iranianos. Usando a Arábia Saudita como caixa de eco, retrataram o Irã como uma potência agressiva, expansionista, persa inimiga dos árabes, xiita inimiga dos sunitas.

Essa agressividade contra o Irã era objeto de política bipartidária: os críticos de Trump, a maioria deles, atacavam as políticas do governo nas região dizendo que elas fortaleciam o Irã, ou que eram muito fracas. Falei sobre isso antes, citando a posição doThe Washington Post a respeito das manifestações no Líbano.

O Iraque é agora o principal campo de batalha. Apesar de ter outras decepções (Síria e Líbano), é frustrante para os Estados Unidos manter uma presença no Iraque e não conseguir deter o avanço da política iraniana no país. Os aliados do Irã se tornaram mais fortes derrotando o Daesh. Para os políticos em geral, o Irã virou um posto de passagem inevitável.

A política de ataques aéreos e o uso específico de tropas em algumas localizações (como os campos de petróleo da Síria) serve para sabotar, a todo custo, o restabelecimento da ordem na região em termos que sejam onerosos para os Estados Unidos. No mais longe, sabotar o restabelecimento de uma ordem que implique num retorno de um Eixo de Resistência ainda mais forte, tirando de Israel o espaço de manobra que esta entidade havia conquistado com a desordem em seus vizinhos. Nesse caso, o “Deal of the Century” (Acordo do Século) vislumbrado por Trump para encerrar a questão palestina, se tornaria ainda menos plausível e a resistência contra Israel ganharia um novo fôlego, uma nova força. Ainda existem possibilidades geopolíticas relacionadas à integração econômica com os chineses e a reconciliação com a Turquia (país que foi alienado do ocidentalismo nos últimos anos) em um bloco asiático.

Para evitar isso – e consequências de médio a longo prazo que podem oferecer uma ordem mundial muito diferente da atual -, o que os Estados Unidos podem fazer é acossar, provocar, não dar paz – uma espécie de campanha militar irregular, terrorista, feita para sabotar e desorganizar, mas conduzida por uma super-potência que conta com drones não tripulados armados com mísseis. No quadro geral da estratégia, os Estados Unidos contam com defender sua presença na região, aumentar a fricção e o custo da presença iraniana, enquanto incentivam forças políticas anti-iranianas e mudança de regime dentro do próprio Irã. As sanções não são uma forma menor de guerra comparadas aos bombardeios: são parte integrante de um mesmo ataque, pois é através das sanções que eles buscam não só a redução dos recursos militares iranianos (os iranianos têm como premissa o uso de poucos recursos, de toda forma) mas também causar a ruína do regime iraniano.

Os Estados Unidos incentivaram a tendência anti-iraniana das manifestações que ocorrem no Iraque desde o final do ano passado. Também contaram com as manifestações violentas que ocorreram dentro do Irã no mesmo período.

As forças militares dos Estados Unidos não tiveram escrúpulos sequer de poupar posições na fronteira com a Síria que servem para controlar a movimentação de pequenos grupos remanescentes do Daesh. É claro que esse tipo de atuação não mira só o Irã, mas também mina e destrói a viabilidade dos estados sírio e iraquiano. O Iraque, tendo sua soberania violada, é outra vítima desse ataque – e se os Estados Unidos pretendem atrair os iranianos para lutar (com suas tropas) em território iraquiano, isto também é grave.

Com estes atos os Estados Unidos estão afirmando e decretando que têm uma super-soberania, com direito de policiar o mundo e relativizar as soberanias dos outros estados. Esse tipo de ataque é mais do que uma ação militar, mas uma ação política e proto-jurídica, no sentido de ser constituinte, um pilar de um certo tipo de ordem internacional. Nesse sentido, há uma continuidade doProjeto do Novo Século Americano de Rumsfeld e Wolfowitz, que foi entronizado no governo George W. Bush e foi base doutrinária da invasão e ocupação do Iraque em 2003.

No plano militar, há a crença (que é explorada no livroCarta no Coturno) de que o mundo está tomado pela dinâmica do caos e os Estados Unidos devem intervir com violência, usando a superioridade aérea, independente de convenções internacionais e noções de soberania nacional.

Uma invasão ao território iraniano é improvável, os Estados Unidos queimariam etapas de cerco e seria muito custoso: o país é grande, populoso, montanhoso (caracterizado por várias cadeias de montanhas com vales entre elas), com uma cultura militar antiga e particularmente hostil a agressores coloniais. A invasão e ocupação do Iraque já foi desastrosa e custosa em condições geográficas mais favoráveis aos norte-americanos. A operação seria muito grande em termos de gastos econômicos, recursos militares e logística. O modelo de referência agora são as ocupações usando poucas tropas especializadas apoiadas por drones em zonas em que o estado foi enfraquecido, como fazem na Síria e no Iraque.

Esse método de guerra mais “concentrado”, baseado em drones e forças especiais auxiliando mudança de regime, é uma continuidade em relação a Obama.

Os Estados Unidos querem frustrar os interesses iranianos e, no mínimo, encontrar disposição do lado iraniano a fazer concessões no que diz respeito à política iraquiana. Nesse tabuleiro, as opções são muito mais numerosas do que “guerra” ou “não-guerra”: ataques diretos contra o Irã, engajamentos no Iraque, sufocar o Irã.

A intensificação da guerra, inclusive na direção de uma guerra mais aberta, não deixa de ser uma possibilidade. Tal proposição é feita no contexto da ideia de que Trump vai seguir em sua aliança estratégica com o expansionismo sionista, que enxerga a segurança de Israel na região afundada no caos e no Irã destruído. No começo do ano de 2019, o Primeiro-Ministro sionista Benjamin Netanyahu expressou o desejo de ir para uma guerra contra o Irã e declarou estar buscando o maior número possível de países dispostos a contribuir para esse fim. Todo o discurso de Netanyahu foi voltado contra a “ameaça iraniana”. Em 2018, fez uma apresentação dizendo que o Irã mentiu em sua diplomacia e que é a principal ameaça para o mundo. OThe New York Times chegou a fazer uma matéria especial só sobre os “dez anos de agitação” de Israel visando esse objetivo.

Em agosto de 2019, os israelenses ficaram preocupados com uma possível virada na política de Trump, já que durante o encontro do G7 falou-se de uma possível reaproximação dos EUA com o Irã. Em outubro do mesmo ano, se irritaram com a decisão Trump “tirar as tropas da Síria” (o que no fim não culminou numa retirada total, foi só um rearranjo de tropas). O próprio Trump disse naquele momento que se encontraria com o presidente do Irã, Rouhani, “se as circunstâncias forem certas” – e Rouhani chegou a ser recebido por Macron, que tentou fazer a vez de mediador (e fez sua própria propaganda política no processo).

Outra possibilidade, que é como geralmente os falcões da política externa dos EUA traduzem sua posição, é a de buscar o máximo isolamento do Irã, “expulsar os iranianos do resto da região”, sufocar a República Islâmica.

No mínimo, o que Trump quer no contexto iraquiano é forçar concessões dos iranianos. O assassinato de Soleimani foi uma drástica demonstração de força para exigir maior consideração e negociação do lado iraniano.

Nessa outra ponta – a do uso de violência para buscar negociações – podemos lidar com a possibilidade de que nesse momento, no imediato pós-assassinato, o próprio Trump relaxe suas posições e acene concessões para negociar com os iranianos a retirada de sanções e os termos de um novo acordo nuclear. Se as preocupações israelenses de agosto de 2019, de que Trump estava disposto a negociar com os iranianos eram reais, esse pode ter sido um ato drástico que serve para proteger sua reputação (save the face,como eles dizem) e justificar as negociações, que sinaliza que Trump estava disposto a combater os iranianos ao mesmo tempo que cria uma situação de uma escalada das tensões tão grande que a negociação se torna inadiável.

É uma atuação através da contradição: “agora que matei o estadista de vocês, estou disposto a fazer concessões e a negociar em termos melhores”. Isso inclui usar as vias de comunicação para tentar evitar uma escalada, solicitar que os iranianos não façam nada no estreito de Ormuz e que a resposta seja no mesmo plano, na forma de um assassinato, como uma troca dentro de um engajamento.

É um comportamento de estrategista, de vibração e balanço: o combatente, ao invés de se mover em uma só direção, se movimenta rapidamente em posições contrárias. O que é um ato que aponta para uma escalada e promove uma escalada, é seguido por uma atitude contrária, que busca desarmar a situação e oferecer concessões (o que pode ou não ser uma armadilha).

Qualquer acordo com os iranianos seria propagandeado por Trump como produto de sua demonstração de força. Isso seria uma demonstração de inteligência política e propagandística um tanto típica de Donald Trump: dar a impressão para o público de que ele está em uma ofensiva antes de fazer concessões e negociar. Foi como ele procedeu nas negociações com a Coreia do Norte (República Popular Democrática da Coreia): enquanto fazia declarações muito mais espalhafatosas do que Obama, dizendo que poderia varrer os coreanos da face da Terra, e ao mesmo tempo que ordenava manobras militares provocativas na fronteira, ele mostrou uma disposição sem precedentes de negociar com o governo norte-coreano.

Esses caminhos não são mutuamente excludentes e fazem parte de umcontinuum do universo estratégico. É preciso considerar – como Clausewitz compreendeu sobre a natureza geral da guerra – que o imprevisível, a sorte e as emoções são partes essenciais dos conflitos armados. A guerra tem uma natureza escalatória, em que as partes entram em ciclos descontrolados de retaliação e pontos de pressão geram vórtices de acontecimentos inesperados. Dificilmente as partes terminam com os objetivos que motivaram a ação inicial e sempre lidam com situações inesperadas criadas pelo próprio conflito.

Então Trump pode atacar esperando que os iranianos assumam uma posição de fazer mais concessões e conseguir o efeito contrário. Ou ele espera que os iranianos radicalizem na reação, se estendam demais, deem um passo em falso, mas ainda assim ele pode conseguir efeitos inesperados e eventos que pode não conseguir administrar. Um exemplo é a de retaliações apaixonadas por parte das milícias iraquianas, independentes do comando do Irã. Os manifestantes que ocuparam a embaixada dos Estados Unidos podem optar por algo como incendiar o prédio inteiro.

O movimento de Trump não foi feito para ganhar as eleições ou bater noimpeachment: ele já estava se encaminhando para uma nova vitória e o processo deimpeachmentestava sendo mais benéfico para ele e de alto potencial destrutivo para os Democratas. Por agora, o soar dos alarmes de guerra pode beneficiar Trump, mas qualquer reação poderosa dos iranianos pode causar constrangimentos irreversíveis para o mandatário norte-americano, que, com o assassinato de Soleimani, já renunciou à sua postura anterior de anti-guerra. Imaginem uma situação com reféns de origem estado-unidense ou um ataque de alta letalidade como o que vitimou 241 militares dos EUA em Beirute no ano de 1983.

O mas importante – e mais evidente – é o xadrez geopolítico de Trump com o Irã. Não é petróleo, nem eleição, nem terrorismo e nem preocupação com conquistas científicas iranianas.

O Irã não vai fazer, como já não fez, uma grande ação de guerra direta. A doutrina militar iraniana parte do princípio da fraqueza da força militar convencional do país, evitando confronto direto com adversários mais poderosos. A posição deles agora, então, tende a seguir essa tendência e reproduzir a estratégia da resistência. A resposta deve ser calibrada, paciente e em um plano não-convencional. A doutrina iraniana é baseada no conceito deresistência (moqavemat). Essa concepção doutrinária é baseada em primeiro lugar no plano psicológico: a vitória é atingida no longo prazo, desmoralizando o inimigo. Para isso é preciso se manter firme, inabalável, resoluto. Essa estratégia possui uma dimensão fabiana: de protelar, não oferecer batalhas decisivas, causar atrito e desmoralização no inimigo.

Desde os anos 90 até hoje, o Irã demonstrou não ceder a provocações de forma emotiva e calibra suas vinganças de acordo com seus interesses. O seu objetivo maior – primário em uma estratégia de resistência – é sobreviver. Os iranianos sabem esperar.

Se perderam um líder carismático e quadro de valor inestimável, também já sacaram alguns ganhos políticos: o assassinato une massas do Irã e da região entorno da indignação contra o terrorismo dos Estados Unidos. As manifestações e marchas públicas de luto pelo general são politicamente mais importantes do que as contra-manifestações que defenderam o regime no ano passado. As milícias, por si só, podem realizar algumas retaliações pontuais contra soldados ocupantes.

No que diz respeito à situação política no Iraque, é verdade que a presença da influência iraniana na política vem irritando muitos iraquianos; irritando, acima de tudo, os sentimentos nacionalistas que não morreram naquele país. Porém, sentimentos nacionalistas também se dirigem contra os Estados Unidos e amplos setores da política e da sociedade do Iraque continuam aliados ao Irã – não é produtivo para os Estados Unidos imaginar que vá cooptar o nacionalismo iraquiano ou árabe bombardeando o território do Iraque.¹

O que provavelmente os iranianos não vão fazer é recuar, já que recuar não serve para preservar seus ganhos. O que podem fazer é prosseguir, se coordenando na região com forças como o Hezbollah no Líbano, a resistência palestina, o governo sírio e o Ansarullah do Iêmen. No plano diplomático e econômico, seguir nos projetos com a China e na reaproximação com países como a Turquia e o Qatar. O ponto mais sensível – onde seria possível fazer concessões – é o campo de influência no Iraque, mas agora que Trump já chegou até mesmo a matar uma figura como Soleimani, não crível que os iranianos vão fazer outra coisa que não continuar avançando nesse sentido (ou buscando costurar alianças locais que reduzam seu protagonismo sem conceder aos Estados Unidos) – o terrorismo, no fim das contas, não é sinônimo de força política no campo.

Sim, é bem plausível que os iranianos aspirem a um ato específico de vingança pela morte de Soleimani, mas isso não será deflagrando uma guerra total e sim com operações clandestinas que só devem acontecer a partir de alguns meses.

Agora, uma escalada mais plausível e desenvolvimento político relevante é se o governo iraquiano pender mais uma vez para o lado do Irã e pedir formalmente a retirada das tropas dos Estados Unidos no país (que uma parte da política iraquiana também quer manter por motivos relativos a manobra de poder), no limite declarando-as tropas de ocupação. Ainda que isso gera somente uma situação de ilegitimidade para as tropas de ocupação sem propriamente explodir num conflito “final”, servirá para justificar novos ataques contra as forças dos Estados Unidos (que ainda poderão todas se refugiar no território do Governo Regional Curdo)².

Quanto à preocupação com uma “guerra mundial”, antes devemos olhar para o que querem russos e chineses.

A posição da Rússia e da China é de não escalar, ainda que condenem os Estados Unidos. São bombeiros diplomáticos. Conceber estes países como uma imagem espelhada dos Estados Unidos ou como unidades políticas que se comportam como os Estados Unidos, mas com bandeiras diferentes, é um erro que desconsidera a correlação de forças no mundo hoje e como foi o comportamento desses países nas últimas décadas, como organizaram suas prioridades.

A posição da República Popular da China tão pouco está para uma “guerra mundial”: é a menos ativa e de mais desengajamento, que tende a condenar o ataque dos Estados Unidos, mas que não quer perturbação dos negócios. Sua estratégia só é ativa no sentido de oferecer alternativas frente aos bloqueios contra o Irã e de apontar para a consolidação de espaços econômicos menos dependentes dos Estados Unidos.

 

 

Notas:

¹ – Moqtada al-Sadr anunciou a “reativação” de sua milícia, o Exército do Mahdi.  O Exército do Mahdi foi um dos principais inimigos do exército dos EUA na insurgência iraquiana, entre 2003 e 2007. Sadr é um líder populista um tanto independente, é um ótimo termômetro da situação política. A coalizão eleitoral sadrista (que incluía os comunistas), Aliança dos Revolucionários pela Reforma, foi a que recebeu mais votos nas eleições parlamentares de 2018. Sadr e sua coalizão estavam com um discurso nacionalista anti-iraniano, com os sadristas participando das manifestações iraquianas do segundo semestre de 2019 e proferindo ataques contra os iranianos, seus líderes e aliados na rede. Os sadristas também tiveram um papel nas manifestações anti-corrupção de 2017. Agora, Sadr – que havia dito que não pretendia retornar como um líder militar, nem levantar o exército de Mahdi – reativou sua milícia convocando todos os “movimentos de resistência” a se reunir para tratar da agressão dos Estados Unidos. Isto é, mesmo um líder populista que estava se dirigindo contra os iranianos com um discurso nacionalista, agora se reaproxima.

² – Desenvolvimento anterior ainda não estava ocorrendo quando o artigo foi escrito, mas já está acontecendo com o parlamento iraquiano passando uma resolução pela retirada de tropas estrangeiras do solo nacional, cancelando a assistência da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

The post O assassinato de Soleimani e o futuro do conflito appeared first on Revista Opera.

Ver original em 'Revista Opera' (aqui)

Boris Johnson diz que não lamenta a morte do general Soleimani

247 -O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, por meio de comunicado divulgado no domingo (5), afirmou que o general iraniano Qasem Soleimani, que foi vítima de um ataque terrorista dos EUA, ordenado pelo presidente Donald Trump, era "uma ameaça a todos os nossos interesses" e o acusou de ser "responsável pela morte de milhares de civis inocentes e pessoal ocidental".

 

Londres "não lamentará" seu assassinato, acrescentou. Johnson, que falou com o presidente dos EUA no domingo, pediu a todas as partes que ajudem a reduzir as tensões, porque "todos os pedidos de represálias e vinganças simplesmente causarão mais violência na região e não servirão a ninguém", informa o site iraniano HispanTV.

Islâmicos jamais perdoarão aos EUA assassínio de Soleimani

O reconhecimento dos EUA em relação à autoria do crime contra o general Soleimani do Irão demonstra que se tratou de um assassínio premeditado. O crime foi maquiavélico, sem escrúpulos, ordenado por um monstro. Talvez por isso, a Rússia, China e Irão já realizam acções militares conjuntas.

 

 

O ataque a Bagdad, meticulosamente planeado pelos EUA (e por Israel), assumido despudoradamente pelo Pentágono, teve como alvos estratégicos e específicos o general Soleimani e o comandante Al-Muhandis (Comandante das Unidades de Mobilização Popular – UMF).

Este ataque, claramente direccionado para o Irão, Iraque e Líbano, irá contribuir de forma dramática para a exponencial de graves conflitos na região.

Portanto, a questão em causa, não é discutir, nem fazer juízos de valor sobre a personalidade e as idiossincrasias associadas ao general Soleimani, como alguns pró-trumpistas se apressaram a fazer, para (tentar) justificar um crime altamente condenável.

Ora, se quisermos fazer juízos de valor, e falar em moral, deixemos de hipocrisias, devemos começar por apontar o dedo aos EUA.

Quem não se recorda dos bombardeamentos atómicos das cidades de Hiroshima e Nagasaki realizados pelos EUA em Agosto de 1945? O único momento na história em que armas nucleares foram usadas contra seres humanos foi sob ordem daqueles que agora decidem intitular de terroristas quem está contra eles.

Esta propensão dos EUA (e de alguns países europeus) pelas bombas nucleares é crescente e sabe-se que haverá actualmente mais de 100 bombas nucleares colocadas pelos EUA em vários países da Europa, nomeadamente na Itália, Alemanha, Holanda, entre outros.

No caso de Hiroshima a destruição da cidade foi incalculável, ficou um campo totalmente destruído, com poeira tóxica, com mais de 60 mil mortos, porque a explosão ocorreu no ar. Se tivesse ocorrido em terra não haveria sobreviventes porque a onda de choque espalhar-se-ia de forma horizontal.

Obviamente, em 2020, para morrermos todos não serão necessárias tantas bombas atómicas como essas que o monstro do Trump anda a espalhar pela Europa e por outros cantos do mundo.

Portanto, no actual contexto político-militar, face à gravidade da situação, em primeiro lugar, urge denunciar e condenar um acto criminoso que retirou a vida a uma figura político-militar de alto prestígio na região, o segundo homem do Irão.

Seguidamente, denunciar que houve uma clara violação da soberania do Iraque, uma grave violação do direito internacional, que já está a provocar uma escalada da violência no Médio Oriente (após o ataque do EUA ao Iraque tem havido rebentamentos na Zona Verde de Bagdad) e a originar vários posicionamentos políticos, geo-estratégicos e militares.

Rússia, China, Irão e Iraque reagem à «Declaração de Guerra» dos EUA

A «ordem para matar» Soleimani, como qualquer pessoa de bom senso concordará, repito, tratou-se de um comportamento maquiavélico e sem escrúpulos de Donald Trump.

Obviamente, entre outros aspectos, como era do seu interesse e dos republicanos, desde logo, parou-se o julgamento de impechement de Trump porque os democratas, também eles, ficam agora mergulhados no imbróglio criado com os ataques militares dos EUA ao Iraque.

A «ordem para matar» o general Soleimani, até na opinião de Philip Gordon, antigo responsável da Casa Branca para o Médio Oriente e o Golfo Pérsico no tempo de Obama, corresponde a uma «Declaração de Guerra» dos EUA (Fonte: BBC News).

Philip Gordon – antigo responsável da Casa Branca para o Médio Oriente

As consequências do assassinato do general Soleimani começaram a ganhar forma e a assumir contornos complexos, nomeadamente, no Iraque.

Neste Domingo, dia 5, em sessão extraordinária o Parlamento iraquiano decidiu-se pela expulsão das tropas americanas do país.

A deliberação tomada reflecte o ódio aos americanos e foi a primeira represália ao assassinato internacional do general Soleimani e do comandante iraquiano Mahdi al-Muhandis, uma humilhação para a grande América de Donald Trump.

Parlamento iraquiano vota expulsão de tropas americanas do país (Fonte: Handout / Reuters)

A expulsão do território nacional do Iraque das tropas americanas, recordo que existem perto de 5 mil tropas dos EUA, foi uma retaliação, mas, no terreno, tudo poderá acontecer contra a Zona Verde onde está instalada a embaixada dos EUA em Bagdad.

Para além da expulsão das tropas americanas, a resolução refere que o governo deve proibir que as forças estrangeiras usem a terra, espaço aéreo ou água por qualquer motivo e que sejam cancelados quaisquer pedidos de ajuda do Iraque ao governo americano.

Entretanto, o Irão também já anunciou que irá retomar o programa nuclear que tinha interrompido.

The nuclear water reactor of Arak, south of capital Tehran. ©  AFP / Iranian Atomic Energy Organisation

A vingança do Irão é tão certa que o Major-General Mohsén Rezai, em Bagdad, já avisou os EUA que Israel será imediatamente atacada se os EUA concretizarem mais agressões militares contra o Irão depois de se consumar a vingança do assassínio do general Qassem Soleimani.

A Rússia, a China e o Irão realizaram manobras militares conjuntas, uma acção que agradou ao presidente do Irão, Hassan Rouhani, tendo-as considerado “complexas” e que tiveram “importância estratégica”.

Estas manobras assumem relevância especial porque acontecem no actual contexto, na medida em que segundo Rouhani “são duas super-potências aliadas às forças navais dos guardiões da revolução islâmica” (Fonte: Press TV)

Nos últimos dias de Dezembro do ano de 2019 as marinhas da Rússia, China e Irão realizaram exercícios com navios de guerra no Oceano Índico e no Golfo de Omã.

A Rússia e a China declararam que tomarão medidas conjuntas para resolver pacificamente os conflitos.

Donald Trump, sempre arrogante, igual a si próprio

O ataque ao Iraque para o assassínio do general iraniano foi mais uma demonstração da ambição norte-americana do seu poderio militar e de afirmação dos interesses imperialistas, que ultrapassam e violam o direito internacional.

Donald Trump, sempre arrogante, igual a si próprio, com mais este triste espectáculo baseado no seu poder considera-se no direito de estabelecer um «novo direito», de intervir, julgar e matar, em qualquer parte do mundo.

Neste quadro dramático haverá, seguramente, uma resposta à «Declaração de Guerra» de Donald Trump. Os seguidores do Islão não perdoarão aos EUA os assassinatos de Soleimani e Al-Muhandis.

E se dúvidas houver, basta pensar nos milhões de iranianos que saíram às ruas e nas dezenas de deputados do Irão que se posicionaram frente ao Congresso neste Domingo, dia 5, a gritar, “morte à América”.


 

 

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/islamicos-jamais-perdoarao-aos-eua-assassinio-de-soleimani/

Chanceler chinês diz que China desempenhará papel construtivo na manutenção da paz e segurança no Oriente Médio

Beijing, 5 jan (Xinhua) -- A China desempenhará um papel construtivo na manutenção da paz e segurança no Oriente Médio e na região do Golfo, e se manterá objetiva e imparcial, assinalou no sábado o conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi.

Wang fez as declarações durante uma conversa telefônica com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif.

As perigosas ações militares dos Estados Unidos violaram as normas básicas nas relações internacionais e agravarão as tensões regionais, disse Wang.

Wang expressou a oposição da China ao uso da força nas relações internacionais e disse que os meios militares só conduzem a um beco sem saída e que a pressão máxima não leva a lugar nenhum.

A China pede que os Estados Unidos não abusem da força e pede que o diálogo seja a forma para a solução dos problemas, indicou.

Por sua parte, Zarif informou a Wang sobre a postura do Irã a respeito do ataque contra um alto comandante iraniano.

O chanceler iraniano condenou fortemente o ato brutal dos Estados Unidos, dizendo que isso trará consequências graves.

O Irã enviou uma carta ao secretário-geral da ONU e espera que a China desempenhe um papel importante na prevenção da escalada das tensões regionais, disse Zarif.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/05/c_138679606.htm

Trump volta a ameaçar atacar sítios culturais do Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste domingo (5) atacar sítios culturais do Irã, minimizando preocupações de que isso poderia se constituir um crime de guerra. 

"Eles podem matar nosso povo. Eles podem torturar e mutilar nosso povo. Eles podem usar bombas na estrada e explodir nosso povo. E nós não podemos encostar em seus sítios culturais? Não funciona desse jeito", disse Trump a bordo do avião presidencial ao voltar da Florida para Washington, segundo citado pela agência AP. 

O presidente americano já havia mencionado a possibilidade de atingir sítios culturais iranianos por meio de um post no Twitter publicado no sábado (4). O Irã tem uma herança cultural milenar e possui muitos sítios arqueológicos reconhecidos mundialmente. 

'Grande retaliação'

A bordo do Air Force One, ele afirmou ainda que se o Teerã "fizer alguma coisa haverá uma grande retaliação". 

Trump disse também que as tropas norte-americanas só deixarão o Iraque se Bagdá pagar por uma base aérea dos EUA instalada no país.

Mais cedo, o Parlamento do Iraque aprovou uma resolução pedindo a retirada das tropas estrangeiras do país, incluindo as forças norte-americanas, que têm forte presença no território iraquiano. 

A tensão no Oriente Médio vem crescendo desde a morte do general iraniano Qassam Solaimani nos arredores de Bagdá, em bombardeio ordenado por Trump.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse neste domingo que os EUA podem atacar outros líderes iranianos caso Teerã decida retaliar. Por outro lado, o Irã anunciou que não tinha mais compromissos com o acordo nuclear assinado em 2015.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010514973653-trump-ameaca-atacar-sitios-culturais-do-ira/

A infâmia e o perigo que o Mundo corre...

 
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, deslocou-se a Lisboa a 5 de dezembro, no final de um périplo diplomático que incluiu o Reino Unido e Marrocos, visando "reafirmar a robusta relação EUA-Portugal e discutir a cooperação EUA-Portugal numa vasta área de interesses".
Na véspera, dia 4, ocorreu a reunião conspirativa dos dois sociopatas mundiais, Pompeo e Netanyahu. Como escreve José Goulão, AbrilAbril, «O facto de o primeiro-ministro, António Costa, receber ambos os fora-de-lei transforma o caso numa situação trágica, porque expõe directamente o país às consequências do previsível agravamento da instabilidade global decorrente destes encontros. Afinal o espírito belicista da Cimeira das Lajes – que afundou o Médio Oriente na crise de guerras sucessivas em que se encontra – continua bem vivo nos governantes portugueses. Depois de Barroso, cabe aos socialistas interpretar a segunda temporada.
Nem os britânicos, chefiados por uma aberração chamada Boris Johnson, permitiram que o encontro entre Netanyahu e Pompeo decorresse nas suas ilhas, simplesmente por não estarem disponíveis para acolher o chefe do governo israelita.» 
José Goulão, dá de seguida conta dos objectivos da Missão Lisboa
 
E o que se veio a passar menos de um mês depois é notícia que só é surpresa por acontecer já.
«O acto de guerra cometido em 3 de Janeiro pelos Estados Unidos contra o Iraque, o Irão e o Líbano ao atacarem o aeroporto internacional de Bagdad e assassinarem altos dirigentes iraquianos, iranianos e libaneses aumenta dramaticamente o nível de instabilidade em todo o Médio Oriente e multiplicará o número de incidentes militares através da região.
Os assassínios encomendados pessoalmente pelo presidente Trump, na sequência da reunião de Lisboa entre Michael Pompeo e Benjamin Netanyahu, têm ainda uma relevante particularidade: representam uma espécie de ajuste de contas com operacionais e organizações que foram fulcrais no combate a organizações terroristas como o Isis ou Estado Islâmico e a al-Qaida.»
Continua a escalada e haverá noticias a todo o momento. 
 
Acompanhe tudo, n´O LADO OCULTO
 
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

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