Índia

Com quase 700 mil casos de Covid-19, Índia é o 3º país mais afetado do mundo

 

Reuters - A Índia ultrapassou a Rússia ao atingir o número de 700 mil casos do novo coronavírus, o terceiro maior do mundo, de acordo com os dados mais recentes, e o surto não dá sinais de diminuição.

Dados do Ministério da Saúde divulgados nesta segunda-feira mostraram que mais de 23 mil casos novos foram relatados em 24 horas, uma cifra um pouco inferior à do aumento recorde de 25 mil de domingo.

Desde que o primeiro caso surgiu, em janeiro, a Índia já teve quase 20 mil mortes.

Atualmente, a Índia é o terceiro país mais afetado do mundo, só atrás dos Estados Unidos e do Brasil.

A nação acumula oito vezes mais casos do que a China, que tem uma população de tamanho semelhante e é onde o vírus surgiu no final do ano passado.

Autoridades disseram que reverteram a decisão de reabrir o Taj Mahal, a atração turística mais famosa da Índia e localizada na cidade de Agra, 200 quilômetros a sudeste de Nova Délhi, nesta segunda-feira devido a uma série de casos novos na área.

China e Índia avançam em negociações

 

247- Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, seu país e a Índia continuam atuando para implementar o consenso alcançado nas duas rodadas anteriores das negociações entre comandantes militares. Eles haviam feito progresso na tomada de medidas efetivas para desengajar as tropas e aliviar a situação na linha de frente onde houve combates.

"A China vê isso com bons olhos. Esperamos que o lado indiano trabalhe com o lado chinês em direção ao mesmo objetivo, mantenha uma comunicação estreita através dos canais militares e diplomáticos, alivie a situação e reduza a tensão ao longo da fronteira", disse o porta-voz, segundo a Xinhua.

 

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/mundo/china-e-india-avancam-em-negociacoes

Comunistas indianos exigem medidas urgentes para defender o povo da miséria

O PCI(M) exigiu medidas urgentes face ao agravamento da situação de desemprego e pobreza na Índia, na sequência da resposta descoordenada à pandemia e das «políticas anti-populares» de Modi.

Protesto em Simlapal, em Bengala Ocidental, no âmbito da jornada de luta convocada pelo PCI(M)Créditos / @cpimspeak

O Partido Comunista da Índia (Marxista) – PCI(M) – saudou as milhares de pessoas que, por todo o país, aderiram à jornada nacional de protesto contra as políticas anti-populares do primeiro-ministro, Narendra Modi. Para os comunistas, a boa resposta à iniciativa, que decorreu na semana passada, evidencia que as exigências colocadas ao governo indiano (nacionalista de direita) coincidem com as necessidades do povo.

Em vários estados da Índia, houve concentrações, manifestações e marchas de protesto, nas quais os manifestantes também chamaram a atenção para a má gestão governamental da crise associada ao surto epidémico de Covid-19 e ao confinamento.

Entre as exigências apresentadas pelo PCI(M) contam-se a transferência de dinheiro e cereais por um período de seis meses, 200 dias de trabalho garantido na agricultura, a criação imediata de um subsídio de desemprego e o fim da política de privatizações das empresas estatais.

 

«As pessoas estão a ficar com fome. Não têm comida. As experiências dolorosas de trabalhadores migrantes nas estradas a caminho de suas casas mostraram-nos a dimensão da fome que uma grande parte do nosso povo está hoje a sofrer», disse o secretário-geral do PCI(M), Sitaram Yechury, nos protestos em Nova Déli.

As camadas mais desfavorecidas da população foram fortemente afectadas por um período de quarentena mal planeado e imposto pelo governo a 24 de Março. Muitas empresas fecharam e milhões viram-se sem emprego de um dia para o outro, sobretudo no sector informal.

O PCI(M) estima que 150 milhões de pessoas tenham perdido o seu posto de trabalho durante a fase de quarentena, juntando-se ao já elevado número de desempregados no país asiático. «Uma parte importante do nosso povo perdeu todos os meios de subsistência», destaca o PCI(M) numa nota a propósito da jornada de mobilização.

Respostas ao desemprego e ao empobrecimento

Os comunistas acusam o governo nacionalista hindu liderado pelo Partido Janata Bharatiya (BJP) de ter metido a população mais desfavorecida numa armadilha ao decretar a quarentena sem anunciar medidas que compensassem as perdas dos trabalhadores.

Milhões foram obrigados a abandonar as grandes cidades e tiveram de percorrer centenas de quilómetros na tentativa de chegar às suas aldeias. Dezenas morreram pelo caminho, sem transportes e qualquer apoio das autoridades.

Em declarações à imprensa, Yechury disse que o governo, em vez de providenciar recursos aos desempregados, às pessoas em dificuldades para poderem viver, está a aumentar os impostos. «Não pode haver nada mais criminoso do que isto», criticou.

Para dar resposta à situação de emergência que a Índia enfrenta, o PCI(M) exigiu que o governo atribua 7500 rupias (cerca de 88 euros) por mês, durante seis meses, às famílias mais pobres e a distribuição mensal de dez quilos de cereais por indivíduo (também por um período de seis meses).

Além disso, quer que os trabalhadores rurais tenham garantidos 200 dias de trabalho, com melhores salários; exige a criação imediata de um subsídio de desemprego; e o fim do «saque aos bens nacionais, das privatizações do sector público e da alteração da legislação laboral».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/comunistas-indianos-exigem-medidas-urgentes-para-defender-o-povo-da-miseria

China e Índia chegam a consenso para resolver conflitos armados em Ladakh

Soldados paramilitares indianos montam guarda enquanto um comboio do Exército indiano se desloca na rodovia Srinagar-Ladakh em Gagangeer, nordeste de Srinagar, Índia, 18 de junho de 2020
© AP Photo /

As negociações entre e a Índia e a China efetuadas nesta segunda-feira (22) em Moldo, decorreram em um ambiente cordial e terminaram com um consenso para cessar os combates e retirar as tropas.

"As conversas ao nível de comandante de corpo foram conduzidas em Moldo (no lado chinês da Linha de Controle Real em frente a Chusul, em Ladakh) em um ambiente cordial, positivo e construtivo. Houve um consenso mútuo para retirar as tropas. As modalidades de retirada de todas as áreas de atrito no leste de Ladakh foram discutidas e serão levadas adiante por ambos os lados", declarou o Exército indiano em declaração nesta terça-feira (23).

Soldados indianos descansam próximos a armamentos de artilharia em um acampamento durante percurso em direção a Ladakh, na região fronteiriça com a China.

© REUTERS / Stringer
Soldados indianos descansam próximos a armamentos de artilharia em um acampamento durante percurso em direção a Ladakh, na região fronteiriça com a China.

Os confrontos entre a Índia e a China ocorreram no dia 15 de junho na região de Ladakh, que faz fronteira com a China. O Exército indiano afirmou que 20 de seus soldados foram mortos, enquanto outros 80 ficaram feridos durante o incidente.

Desde a guerra de 1962 entre a Índia e a China, os dois países careciam de uma fronteira demarcada no Himalaia, o que tem causado os frequentes conflitos entre eles.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020062315743580-china-e-india-chegam-a-consenso-para-resolver-conflitos-armados-em-ladakh/

Índia desloca tropas para fronteira com China e prepara-se para eventual escalada do conflito

Soldados paramilitares indianos montam guarda enquanto um comboio do Exército indiano se desloca na rodovia Srinagar-Ladakh em Gagangeer, nordeste de Srinagar, Índia, 18 de junho de 2020
© AP Photo /

Em meio a elevada tensão com a China na sequência das escaramuças fronteiriças entre tropas dos dois países que causaram 20 baixas indianas, Índia desloca tropas para zona em disputa.

A Índia estacionou várias aeronaves militares em bases aéreas próximas à fronteira com a China e deslocou vários helicópteros Apache com mísseis ar-superfície Hellfire, assim como helicópteros Chinook, para o leste de Ladakh, uma área em disputa com a China nos Himalaias.

Segundo informa The Times of India, o governo indiano está desta forma dando um claro sinal a Pequim que está pronto para uma escalada, caso a disputa pela zona fronteiriça descambe.

As forças foram mobilizadas para a área após o recente confronto entre as partes, que ceifou a vida de 20 militares indianos, mortos a pedradas e pauladas.

O jornal também noticiou que caças Su-30MKI, MiG-29 e Jaguar foram enviados para a área ao longo desta semana e que a China igualmente tem vindo a concentrar forças do seu lado da fronteira.

"A China cruzou nossas linhas vermelhas matando brutalmente 20 de nossos soldados em um ataque premeditado", segundo disse uma fonte militar citada pelo jornal, que garante que as tropas indianas estão "totalmente preparadas para qualquer escalada. Todas as medidas necessárias foram tomadas", afirmou.

Índia e China culpam-se mutuamente de provocarem o confronto de 15 de junho, mas ambos os lados declararam oficialmente que o conflito será resolvido pacificamente através dos canais diplomáticos.

Indianos durante funeral do soldado Satnam Singh morto durante embate entre tropas indianas e chinesas no vale de Galwan. Durante o conflito, 20 militares da Índia faleceram

© AFP 2020 / Narinder Nanu
Indianos durante funeral do soldado Satnam Singh morto durante embate entre tropas indianas e chinesas no vale de Galwan. Durante o conflito, 20 militares da Índia faleceram.

Contudo, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi anunciou em 19 de junho ter dado ao Exército "total liberdade para tomar medidas corretivas" na área de fronteira para impedir qualquer violação do território indiano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020062015734723-india-desloca-tropas-para-fronteira-com-china-e-prepara-se-para-eventual-escalada-do-conflito/

Índia: turnos de 12 horas e abolição da legislação laboral são receita contra o vírus

Para «salvar a economia» e «aumentar a produção», em diversos estados indianos a semana de trabalho passou a ser de 72 horas. Uttar Pradesh e Madhya Pradesh suspenderam as leis laborais por 3 anos.

Sindicatos classificam suspensão da legislação laboral em Uttar Pradesh e Madhya Pradesh como um ataque aos trabalhadoresCréditos / scroll.in

Desde que, a 11 de Abril, o governo do estado do Rajastão anunciou que iria aumentar temporiamente, por um período de três meses, a jornada laboral de oito para 12 horas diárias, vários outros estados indianos fizeram o mesmo, nomeadamente Gujarate, Punjabe, Himachal Pradesh, Odisha, Haryana, Bihar e Goa. A semana laboral passa das actuais 48 horas passa as 72, excepto no estado de Goa, onde, segundo a imprensa, a nova legislação contempla o aumento da duração até às 60 horas.

Em declarações a The Hindu, Janardan Pati, presidente do Centro de Sindicatos Indianos (CITU, na sigla em inglês), considerou que se trata de «uma tendência perigosa» e classificou o aumento da jornada laboral como «inconstitucional».

«Num momento em que os trabalhadores são fortemente atingidos pelo lockdown [quarentena], fazê-los trabalhar mais quatro horas por dia desafia a lógica», disse, sublinhando que «a semana de trabalho de 72 horas terá impactos negativos na sua saúde».

Por seu lado, o portal Newsclick afirma que tanto o aumento da jornada de trabalho, nuns estados, como a suspensão da legislação laboral, noutros, constitui um «ataque aos trabalhadores», para «deleite do patronato».

«Os trabalhadores na Índia enfrentam uma crise que promete fazer recuar as suas vidas um século, tornando-os escravos dos tempos modernos», denuncia o portal indiano, destacando que «este ataque selvagem aos trabalhadores», por via de alterações efectuadas na legislação que os protege, «tem o patrocínio e o apoio do governo central, liderado por Narendra Modi», e é implementado, na maior parte dos casos, em estados governados pelos Bharatiya Janata Party (BJP), o partido nacionalista hindu do primeiro-ministro.

Uttar Pradesh e Madhya Pradesh «congelam» legislação laboral

Argumentando que a «economia necessita de maior flexibilidade para lidar com o golpe desferido pelo conronavírus», os governos destes estados do Norte e Centro da Índia decidiram suspender a legislação laboral por um período de três anos.

Os casos de Uttar Pradesh (onde vivem mais de 200 milhões de pessoas) e Madhya Padresh (com cerca de 72 milhões de habitantes) são bastante semelhantes, visando conceder às empresas – sobretudo ao sector industrial – mais rédea solta para despedir e contratar, para determinar salários e «benefícios». Os direitos à negociação colectiva, ao protesto e à organização sindical «desaparecem».

O patronato deixa de ter de resolver os litígios em sede própria, como até aqui; as inspecções que garantem o cumprimento de normas sanitárias e de segurança também deixam se ser realizadas como até aqui (no caso de Madhya Pradesh, podem agora ser realizadas por agentes contratados pelas próprias empresas), revela o portal One India.

Tudo isto, num contexto em que os trabalhadores e os mais pobres são quem mais sofre as consequências da pandemia e dos efeitos para a conter, nos mais de 40 dias de quarentena.

Segundo as estimativas mais recentes do Centre of Monitoring Indian Economy, a taxa de desemprego subiu para 27%; além disso, centenas de milhares de trabalhadores não têm estado a receber salários, apesar de estarem a trabalhar, revela o Newsclick.

Aumentam os lucros e as desigualdades

Surajit Mazumdar, professor de Economia na Universidade Jawaharlal Nehru (Nova Déli), destaca que o efeito imediato destas medidas será aumentar o lucro do sector industrial e o fosso das desigualdades.

Em declarações ao Newsclick, defendeu que mexer na legislação laboral para, supostamente, salvar a economia não «adianta nada», porque «não há procura», uma vez que as pessoas perderam o poder de compra. «A única maneira de aumentar o emprego – e recuperar a economia – é aumentar a despesa pública».

Na verdade, explica, é possível que estas medidas conduzam a uma maior revolta entre os trabalhadores e que a produção – que se pretende aumentar – venha a sofrer. «Passar a jornada laborar para 12 horas significa tentar alcançar os mesmos níveis de produção com menos trabalhadores; portanto, a questão do aumento do emprego nem sequer se coloca», disse, sublinhando que «se está a tentar tapar o Sol com a peneira» e que o verdadeiro objectivo é «aumentar os lucros do patronato».

Entretanto, os maiores sindicatos do país asiático já avisaram que não vão aceitar estas medidas e que, se Madhya Pradesh e Uttar Pradesh não recuarem na suspensão da legislação laboral, partirão para a greve geral.

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Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/india-turnos-de-12-horas-e-abolicao-da-legislacao-laboral-sao-receita-contra-o-virus

Tropas da Índia e China se envolvem em confronto e deixam feridos em região fronteiriça, diz mídia

Um soldado chinês (à esquerda) e um indiano na fronteira internacional entre os seus países, no estado indiano de Siquim (imagem de arquivo)
© AP Photo / Gurinder Osan

Mais de 100 soldados estiveram envolvidos em um confronto na fronteira entre a Índia e a China no Himalaia, deixando vários feridos, informou mídia indiana.

Segundo o jornal Hindustan Times, citando duas fontes militares de alto escalão, o incidente ocorreu no sábado (9), em uma passagem montanhosa no nordeste do estado indiano de Siquim, na fronteira com a China, a uma altitude de mais de 5.000 metros.

"Quatro soldados indianos e sete tropas chinesas sofreram ferimentos durante o confronto, que envolveu cerca de 150 soldados", afirmou um oficial anônimo, descrevendo o incidente como um "confronto agressivo".

Fontes militares indianas também confirmaram à ANI que o conflito fronteiriço ocorreu na parte norte de Siquim, afirmando que "comportamento agressivo e ferimentos leves ocorreram em ambos os lados".

Ambas as mídias informaram que o conflito foi resolvido a nível local.

Disputas territoriais

A Índia e a China têm várias disputas territoriais e, ocasionalmente, acontecem confrontos ao longo da fronteira entre o estado indiano de Siquim e o Tibete (região autônoma da China), bem como na Linha de Controle Real (LAC, na sigla em inglês) mutuamente acordada na região fronteiriça da Caxemira.

Para resolver os problemas de fronteira, Pequim e Nova Deli mantêm negociações de alto nível. Em dezembro de 2019, os dois países concordaram em estabelecer uma linha de comunicação direta entre os seus exércitos para evitar conflitos ao longo da LAC.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020051015563483-tropas-da-india-e-china-se-envolvem-em-confronto-e-deixam-feridos-em-regiao-fronteirica-diz-midia/

A pandemia é um portal. Por Arundhati Roy

 

Seleção e tradução de Francisco Tavares

A pandemia é um portal

Nada podia ser pior que um regresso à normalidade

Arundhati Roy 

Por Arundhati Roy

Publicado por FTimes em 03/04/2020 (‘The pandemic is a portal’, ver aqui)

 

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A escritora fala sobre como o coronavírus ameaça a Índia – e aquilo que o país, e o mundo, deverão fazer a seguir

 

Quem pode agora utilizar o termo “tornou-se viral” sem tremer um pouco? Quem pode a partir de agora olhar para coisas simples como uma maçaneta de porta, uma caixa de papelão, um saco de legumes — sem as imaginar a fervilhar com aquelas esferas invisíveis, não-mortas e sem vida, pontilhadas de ventosas à espera de se cravarem nos nossos pulmões?

Quem pode pensar em beijar um estranho, entrar num autocarro ou mandar os filhos para a escola sem sentir um medo real? Quem pode pensar num qualquer prazer comum sem avaliar o seu risco? Quem entre nós não é um epidemiologista, virologista, perito em estatística e profeta charlatão? Qual o cientista ou o médico que não está a rezar secretamente por um milagre? Qual o sacerdote que não está – pelo menos em segredo – a submeter-se à ciência?

E mesmo enquanto o vírus prolifera, quem não se delicia com o aumento do canto dos pássaros nas cidades, com os pavões que dançam nos cruzamentos e com o silêncio dos céus?

O número de casos em todo o mundo esta semana está a aproximar-se perigosamente dos dois milhões e meio. Mais de 165.000 pessoas já morreram. As projeções sugerem que o número atingirá as centenas de milhar, talvez mais. O vírus moveu-se livremente ao longo das rotas do comércio e do capital internacional, e a terrível doença que trouxe na sua esteira fechou os seres humanos nos seus países, cidades e casas.

Mas, ao contrário do fluxo de capital, este vírus busca a proliferação, não o lucro, e daí que a certa altura tenha invertido, inadvertidamente, a direção do fluxo. Desprezou os controlos da imigração, a biometria, a vigilância digital e todos os outros tipos de análise de dados, e atingiu com mais força — até agora — as nações mais ricas e poderosas do mundo, levando a uma paragem tumultuosa do motor do capitalismo. Temporária talvez, mas pelo menos o tempo suficiente para examinarmos os seus componentes, fazermos uma avaliação e decidirmos se queremos ajudar a consertá-lo ou procurar um mecanismo melhor.

Os mandarins que lidam com esta pandemia estão orgulhosos de falar de guerra. Nem sequer usam o termo guerra como metáfora, mas sim em sentido literal. Mas se realmente fosse uma guerra, quem estaria mais bem preparado do que os EUA? Se não fossem máscaras e luvas que os seus soldados da linha de frente precisassem, mas armas, bombas inteligentes, munições antibunker, submarinos, aviões de combate e bombas nucleares, haveria escassez?

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Donald Trump fala sobre o coronavírus num briefing da Casa Branca em 1 de Abril, uma vez que o número de casos nos EUA ultrapassou os 200.000 © AP/Alex Brandon

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Narendra Modi com o Presidente dos EUA e a sua esposa Melania num comício lotado em Ahmedabad, em 24 de Fevereiro – parte de uma visita oficial luxuosa © eyevine

 

 

 

 

 

 

 

 

Noite após noite, do outro lado do mundo, alguns de nós assistem às sessões de informação do governador de Nova Iorque com um fascínio difícil de explicar. Seguimos as estatísticas e ouvimos histórias sobre hospitais a abarrotar nos EUA, de enfermeiros mal pagos e exaustos que precisam de fazer máscaras com sacos de lixo e gabardinas velhas, arriscando tudo para socorrer os doentes. Sobre estados que são forçados a competir uns com os outros para arranjar ventiladores, sobre os dilemas dos médicos que têm de escolher qual o paciente que devem tratar e qual vão deixar morrer. E pensamos para nós: “Meu Deus! Isto é a América!.”

A tragédia é imediata, real, épica e desenrola-se diante dos nossos olhos. Mas não é uma novidade. São os destroços de um comboio que patina nos carris há anos. Quem não se recorda dos videos sobre “dumping de doentes” – gente doente, ainda com as batas de hospital, com o rabo à vista, a serem despejadas subrepticiamente nas esquinas das ruas? As portas dos hospitais fecharam-se com demasiada frequência para os cidadãos menos afortunados dos EUA. Não importava qual a doença que os afetava ou quanto tinham sofrido.

Pelo menos não até agora — porque agora, na era do vírus, a doença de uma pessoa pobre pode afetar a saúde de uma sociedade rica. E no entanto, mesmo agora, Bernie Sanders, o senador que incansavelmente fez campanha por assistência médica para todos, é considerado uma extravagância na sua candidatura à Casa Branca, até pelo seu próprio partido.

“A tragédiasão os destroços de um comboio que patina nos carris há anos”

E o que se passa no meu país, o meu pobre-rico país, a Índia, suspenso algures entre o feudalismo e o fundamentalismo religioso, as castas e o capitalismo, governado por nacionalistas hindus de extrema-direita?

Em dezembro, enquanto a China lutava contra o surto do vírus em Wuhan, o governo da Índia enfrentava uma revolta imensa de centenas de milhares de cidadãos que protestavam contra a descarada e discriminatória lei da cidadania antimuçulmana que acabava de ser aprovada no Parlamento.

O primeiro caso de Covid-19 foi noticiado na Índia em 30 de janeiro, poucos dias depois do convidado de honra do nosso Desfile do Dia da República, o comilão de florestas da Amazónia e negacionista do Covid, Jair Bolsonaro, ter partido de Deli. Mas havia muito que fazer em fevereiro para que fosse dada atenção ao vírus no calendário do partido no poder. Havia a visita oficial do presidente Donald Trump, agendada para a última semana do mês. Tinha sido atraído pela promessa de um público de 1 milhão de pessoas num estádio desportivo do estado de Gujarat. Tudo isso levou dinheiro e muito tempo.

Depois houve as eleições para a Assembleia de Deli que o Partido Bharatiya Janata (BJP) estava destinado a perder, a menos que refinasse a sua estratégia, o que aconteceu, desencadeando uma campanha nacionalista hindu cruel e sem barreiras, repleta de ameaças de violência física e de abate de “traidores”.

Perdeu de qualquer maneira. Assim, havia que castigar os muçulmanos de Deli, considerados culpados da humilhação. Multidões armadas de vigilantes hindus, apoiadas pela polícia, atacaram muçulmanos nos bairros operários do nordeste de Deli. Casas, lojas, mesquitas e escolas foram queimadas. Os muçulmanos que estavam à espera do ataque reagiram. Mais de 50 pessoas, muçulmanos e alguns hindus, foram mortas. Milhares foram para campos de refugiados em cemitérios locais. Corpos mutilados ainda estavam a ser retirados da rede de esgotos imunda e mal cheirosa quando as autoridades governamentais tiveram a sua primeira reunião sobre a Covid-19 e a maioria dos indianos começou a ouvir falar sobre a existência de algo chamado desinfetante para as mãos.

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As mulheres batem em panelas e frigideiras para mostrar o seu apoio aos serviços de emergência que lidam com o surto de coronavírus © Atul Loke/Panos Pictures

O mês de março também foi muito preenchido. As duas primeiras semanas foram dedicadas a derrubar o governo do Congresso no estado indiano central de Madhya Pradesh e a instalar um governo do BJP no seu lugar. Em 11 de março, a Organização Mundial de Saúde declarou que o Covid-19 era uma pandemia. Dois dias depois, a 13 de março, o ministro da Saúde disse que o coronavírus não era “uma emergência sanitária”.

Finalmente, a 19 de março, o primeiro-ministro dirigiu-se à nação. Não tinha feito o devido trabalho de casa. Limitou-se a seguir o manual da França e da Itália. Falou-nos da necessidade de “distanciamento social” (fácil de entender para uma sociedade tão mergulhada na prática de castas) e apelou a um dia de “recolhimento das pessoas”, em 22 de março. Não disse nada sobre o que o seu governo iria fazer na crise, mas pediu que as pessoas saíssem para as varandas, tocassem sinos e batessem em panelas e frigideiras para saudar os profissionais de saúde.

Não mencionou que naquele preciso momento, a Índia estava a exportar equipamento de proteção e ventiladores, em vez de os guardar para os profissionais de saúde e para os hospitais indianos.

Não surpreende que o pedido de Narendra Modi tenha sido recebido com grande entusiasmo. Houve marchas de gente a bater panelas, danças das comunidades e procissões. Nada de distanciamento social. Nos dias que se seguiram, os homens pularam dentro de barris de esterco de vaca sagrado e os apoiantes do BJP organizaram festas para beber urina de vaca. Para não ficarem atrás, muitas organizações muçulmanas declararam que o Todo-Poderoso era a resposta para o vírus e pediram que os fiéis se reunissem nas mesquitas.

Em 24 de março, às 20 horas, Modi apareceu novamente na televisão para anunciar que, a partir da meia-noite, toda a Índia estaria em confinamento. Os mercados estariam fechados. Todo o transporte, público e privado, seria proibido.

Disse que estava a tomar essa decisão não apenas como primeiro ministro, mas como ancião da nossa família. Quem mais podia decidir, sem consultar os governos estaduais que teriam de lidar com as consequências dessa decisão, que uma nação de 1.380 milhões de pessoas teria de ser fechada, sem preparação e com quatro horas de antecedência? Os seus métodos dão definitivamente a impressão de que o primeiro-ministro da Índia pensa nos cidadãos como uma força hostil que precisa de ser emboscada, tomada de surpresa, mas nunca de confiar.

Trancados ficámos. Muitos profissionais de saúde e epidemiologistas aplaudiram esta medida. Talvez tenham razão em teoria. Mas certamente que nenhum deles pode apoiar a calamitosa falta de planeamento ou de preparação que transformou o maior e mais punitivo bloqueio do mundo no exato oposto do que deveria alcançar.

O homem que adora espetáculos criou a mãe de todos os espetáculos.

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Um residente usa uma máscara facial em Mumbai, onde as ruas, normalmente agitadas, estão quase desertas. . © Varinder Chawla/MEGA

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… enquanto em Bangalore as pessoas fazem fila para comprar mantimentos num supermercado © Getty Images

 

 

 

 

 

 

 

 

Perante os olhos de um mundo horrorizado, a Índia revelava-se em toda a sua vergonha – na sua desigualdade brutal, estrutural, social e económica, na sua cruel indiferença ao sofrimento

O bloqueio funcionou como uma experiência química que de repente iluminou coisas ocultas. À medida que lojas, restaurantes, fábricas e indústria da construção fechavam, à medida que os ricos e as classes médias se encerravam nos seus condomínios fechados, as nossas cidades e megacidades começavam a expulsar os seus cidadãos da classe trabalhadora – os seus trabalhadores migrantes – como um acrescento indesejado.

Muitos foram expulsos pelos seus patrões e senhorios, milhões de pessoas pobres, famintas e sedentas, novos e velhos, homens, mulheres, crianças, doentes, cegos, deficientes, sem outro lugar para onde ir, sem transportes públicos à vista, começaram uma longa marcha para as suas aldeias. Caminharam durante dias, em direção a Badaun, Agra, Azamgarh, Aligarh, Lucknow, Gorakhpur – a centenas de quilómetros de distância. Alguns morreram pelo caminho.

As nossas cidades e megacidades começaram a expulsar os seus cidadãos da classe trabalhadora como uma acumulação tão indesejada

Sabiam que iam para casa possivelmente para adiarem a morte pela fome. Talvez até soubessem que podiam estar a levar o vírus com eles e que infetariam as suas famílias, os seus pais e avós em casa, mas precisavam desesperadamente de um pouco de acolhimento da família, de abrigo e dignidade, além de comida, se não de amor.

Enquanto caminhavam, alguns foram agredidos brutalmente e humilhados pela polícia, que estava encarregada de cumprir rigorosamente o toque a recolher. Os jovens foram obrigados a agachar-se e a saltar como sapos estrada fora. Nos arredores da cidade de Bareilly, um grupo foi reunido e pulverizado com spray químico.

Poucos dias mais tarde, preocupado com o facto de a população em fuga espalhar o vírus pelas aldeias, o governo selou as fronteiras estaduais, mesmo para os caminhantes. As pessoas que andavam a pé há dias foram detidas e forçadas a regressar a acampamentos nas cidades de onde tinham acabado de ser forçadas a sair.

Os mais velhos lembraram-se da transferência da população em 1947, quando a Índia foi dividida e o Paquistão nasceu. Exceto que o êxodo atual foi motivado por divisões de classe, não de religião. Apesar disso, estas não eram as pessoas mais pobres da Índia. Eram pessoas que tinham (pelo menos até agora) trabalho na cidade e lar aonde voltar. Os desempregados, os sem-abrigo e os desesperados permaneceram onde estavam, nas cidades e no campo, onde cresciam dificuldades profundas muito antes de acontecer esta tragédia. Durante esses dias terríveis, o ministro do Interior, Amit Shah, permaneceu ausente da vista do público.

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Trabalhadores migrantes dirigem-se para uma auto-estrada que sai de Nova Deli, esperando regressar às suas aldeias de origem © Rajat Gupta/EPA-EFE/Shutterstock

Quando a caminhada começou em Deli, usei uma credencial de imprensa de uma revista para onde escrevo com frequência para ir a Ghazipur, na fronteira entre Deli e o Uttar Pradesh.

A cena era bíblica. Ou talvez não. A Bíblia não poderia ter conhecido números como estes. O bloqueio para impor um distanciamento físico resultou no oposto — compressão física numa escala impensável. Isto é verdade mesmo nas vilas e cidades da Índia. As estradas principais podem estar vazias, mas os pobres estão comprimidos em bairros de lata e barracas.

Todos os caminhantes com quem conversei estavam preocupados com o vírus. Mas isso era menos real, menos presente nas suas vidas do que a ameaça do desemprego, da fome e da violência policial. De todas as pessoas com quem falei naquele dia, incluindo um grupo de alfaiates muçulmanos que apenas algumas semanas antes tinha sobrevivido a um ataque antimuçulmano, foram as palavras de um homem que me perturbaram mais. Era um carpinteiro chamado Ramjeet, que planeava caminhar até Gorakhpur, perto da fronteira com o Nepal.

“Quando Modiji decidiu fazer isto, talvez ninguém lhe tenha falado de nós. Talvez ele não saiba nada sobre nós”, disse ele.

“Nós” significa aproximadamente 460 milhões de pessoas.

Os governos estaduais da Índia (como os dos EUA) mostraram mais coração e compreensão nesta crise. Sindicatos, outros organismos coletivos e cidadãos particulares estão a distribuir alimentos e rações de emergência. O governo central tem demorado a responder aos seus apelos desesperados por financiamento. Acontece que o Fundo Nacional de Auxílio do primeiro-ministro não tem dinheiro disponível. Em vez disso, o dinheiro dos simpatizantes está a ser investido no novo e misterioso fundo PM-CARES. Refeições pré-embaladas com o rosto de Modi começaram a aparecer.

Além disso, o primeiro-ministro partilhou os seus vídeos de ioga nidra, nos quais um Modi animado e transformado com um corpo de sonho demonstra posições de ioga para ajudar as pessoas a lidar com o stress do autoisolamento.

O narcisismo é profundamente perturbador. Talvez uma das posturas asana [1] possa ser um asana de pedido, no qual Modi solicita ao primeiro-ministro francês que nos permita renunciar ao muito problemático acordo de caças Rafale e utilizar esses 7,8 mil milhões de euros em medidas de emergência, que são desesperadamente necessárias para apoiar alguns milhões de pessoas com fome. Os franceses certamente entenderão.

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Nos arredores de Nova Deli, em 29 de Março, uma mulher empurra a filha para um autocarro superlotado quando tentam regressar à sua aldeia natal © Reuters

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Trabalhadores migrantes em Nova Deli esperam para embarcar nos autocarros © Getty Images

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando o bloqueio entra na segunda semana, as cadeias de abastecimento romperam-se, os remédios e os produtos essenciais começaram a acabar. Milhares de camionistas continuam abandonados nas estradas, com pouca comida e pouca água. As culturas, que estão prontas para a colheita, estão a apodrecer lentamente.

A crise económica chegou. A crise política está em desenvolvimento. Os principais meios de informação incorporaram a história do Covid na sua tóxica campanha diária antimuçulmana. Uma organização chamada Tablighi Jamaat, que realizou uma reunião em Deli antes do anúncio do bloqueio, acabou por se revelar um “superpropagador”. Isto está a ser usado para estigmatizar e demonizar os muçulmanos. O tom geral sugere que os muçulmanos inventaram o vírus e o espalharam deliberadamente como uma forma de jihad.

A crise de Covid ainda está para vir. Ou não. Não sabemos. Se e quando acontecer, podemos ter a certeza de que será tratada com todos os preconceitos predominantes de religião, casta e classe completamente preparados.

Hoje (2 de abril) há na Índia quase 2.000 casos confirmados e 58 mortes. São certamente números pouco fiáveis, lamentavelmente tendo por base poucos testes. A opinião dos especialistas varia muito. Alguns preveem milhões de casos. Outros acham que as baixas serão muito menores. Talvez nunca conheçamos os contornos reais da crise, mesmo quando ela nos atingir. Tudo o que sabemos é que a corrida aos hospitais ainda não começou.

Os hospitais públicos e clínicas da Índia – que não têm capacidade para dar resposta ao quase 1 milhão de crianças que morrem de diarreia e malnutrição e outras doenças todos os anos, às centenas de milhares de doentes com tuberculose (um quarto dos casos mundiais), a uma vasta população anémica e desnutrida, vulnerável a um número de doenças menores que são fatais para eles. Ser-lhes-á impossível enfrentar uma crise de escala semelhante à que agora atinge a Europa e os Estados Unidos.

Todos os cuidados de saúde estão mais ou menos suspensos, porque os hospitais passaram a estar ao serviço para o vírus. O lendário centro de atendimento do All India Institute of Medical Sciences (AIIMS), em Deli, está fechado, as centenas de pacientes oncológicos, conhecidos como refugiados do cancro, que vivem nas estradas em redor daquele enorme hospital foram afastados como se fossem gado.

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Um rapaz com uma máscara protectora numa varanda em Srinagar, que registou a primeira morte do coronavírus de Caxemira no final de Março © eyevine

As pessoas adoecerão e morrerão em casa. Talvez nunca conheçamos as suas histórias. Podem até não ser incluídas nas estatísticas. Só podemos esperar que os estudos que dizem que o vírus prefere climas frios estejam corretos (embora outros investigadores tenham duvidado disso). Nunca um povo desejou tanto e tão irracionalmente um verão indiano ardente e punitivo.

O que é isto que nos aconteceu? É um vírus, sim. Por si só, não tem uma mensagem moral. Mas é definitivamente mais do que um vírus. Alguns acreditam que é a maneira de Deus nos chamar à razão. Outros dizem que é uma conspiração chinesa para dominar o mundo.

Seja o que for, o coronavírus obrigou os poderosos a ajoelharem-se e fez o mundo parar como nenhuma outra coisa poderia. As nossas mentes não cessam de correr para todos os lados, desejando um regresso à “normalidade”, tentando coser o nosso futuro ao nosso passado e recusando-se a admitir a ruptura. Mas a ruptura existe. E no meio desse terrível desespero, oferece-nos a oportunidade de repensar essa máquina do dia do juízo final que construímos para nós próprios. Nada podia ser pior do que um regresso à normalidade.

Historicamente, as pandemias forçaram os seres humanos a romper com o passado e a imaginar de novo o seu mundo. Esta não é diferente. É um portal, uma porta de entrada entre um mundo e o seguinte.

Podemos optar por atravessar a porta entre este mundo e o seguinte arrastando as carcaças dos nossos preconceitos e ódios, da nossa avareza, dos nossos bancos de dados e ideias mortas, dos nossos rios mortos e céus fumarentos. Ou podemos caminhar levemente, com pouca bagagem, prontos para imaginar um outro mundo. E prontos para lutar por ele.

 

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A autora: Arundhati Roy estudou arquitectura em Nova Deli, onde vive atualmente. É autora dos romances The God of Small Things, pelo qual recebeu o Prémio Booker de 1997, e The Ministry of Utmost Happiness. Uma colecção dos seus ensaios dos últimos vinte anos, My Seditious Heart, foi recentemente publicada pela Haymarket Books. O seu próximo livro da Haymarket Books, Azadi: Freedom, Fascism. Fiction. será publicado a partir de 1 de Setembro.

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NOTA

[1] N.T. Ássana ou asanaé uma palavra de origem sânscrita (…) que nomeia as diferentes posturas utilizadas pelo ioga para suprimir a atividade intelectual. (vd. https://pt.wikipedia.org/wiki/Asana)

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/04/30/a-pandemia-e-um-portal-por-arundhati-roy/

O "sumidouro" do capitalismo indiano

por Prabhat Patnaik [*]

Migrantes internos na Índia. A desgraça para a qual centenas de milhares de trabalhadores migrantes foram subitamente atirado pela decisão do governo de Narendra Modi de anunciar um confinamento de três semanas – com um aviso prévio de quatro horas e zero planeamento – destacou um aspecto crucial da economia indiana. Este consiste no facto de que a aldeia, com a sua economia baseada na agricultura e no sistema familiar, continua a permanecer a base de apoio de dezenas de milhões de trabalhadores urbanos, os quais estão expostos de modo perene às vicissitudes da vida sob o capitalismo.

Quando subitamente eles foram destituídos de rendimento e de casa, sendo literalmente lançados às ruas, a ideia avassaladora nas suas mentes foi retornar às suas aldeias, ainda que isso envolvesse caminhadas de centenas de quilómetros. Em entrevistas a jornalistas, muitos disseram que com o retorno à aldeia poderiam pelo menos conseguir algum emprego na ceifa de cereais. A aldeia, em suma, e o sector agrícola, permanecem o "sumidouro" do capitalismo indiano.

Ao contrário do mito propagandeado pelos seus porta-vozes, o capitalismo não absorve todos os pequenos produtores que ele desloca. A acumulação de capital é invariavelmente acompanhada por mudanças tecnológicas que poupam trabalho em tal extensão que impede a absorção de todos aqueles que ela desloca, juntamente com o aumento natural da força de trabalho. Ela é portanto invariavelmente caracterizada pela existência de um "sumidouro", um espaço que reúne toda a população miserável, os destituídos. No capitalismo metropolitano este "sumidouro" era fornecido pelas regiões temperadas de colonização branca para as quais ocorria a migração em massa da Europa. Nestas novas terras, os migrantes conseguiam obter um razoável padrão de vida ao, por sua vez, deslocarem os habitantes originais, os ameríndios, da sua terra.

No debate inglês clássico sobre a pobreza e a revolução industrial, mesmo os que como Eric Hobsbawm argumentavam que a pobreza havia aumentado após a revolução industrial admitiram que as coisas haviam começado a melhor na Inglaterra na década de 1820 e atribuíram isto ao facto de a acumulação de capital finalmente levar a uma redução da miséria. Contudo, de facto não foi a acumulação de capital mas sim a emigração – a qual aumentou após o fim das guerras napoleónicas – que fez a diferença. O "sumidouro" do capitalismo europeu, o qual afinal de contas acabou por não ser tão penoso, era o "novo mundo", as regiões temperadas de colonização.

Mas em colónias tropicais como a Índia, onde aqueles deslocados pelo ataque do capitalismo não tinham para onde emigrar, o "sumidouro" foi o sector agrícola interno, onde a dor e a miséria continuaram a acumular-se juntamente com a acumulação de capital na metrópole. Após a independência, houve um interlúdio de dirigismo quando se verificou algum aumento na produção agrícola per capita, embora seus benefícios fossem desigualmente distribuídos entre as classes rurais. Além disso, verificou-se um aumento das oportunidades de emprego fora da agricultura que estava um pouco à frente da taxa de crescimento da força de trabalho. Estes dois desenvolvimentos levaram a uma melhoria marginal de padrões de vida dentro da agricultura, ao contrário da pioria que estivera a ocorrer no último meio século de domínio colonial. Mas agora estamos outra vez com o capitalismo neoliberal quando aqueles no "sumidouro" estão a testemunhar uma redução nos seus padrões de vida.

Nenhuma conversa sobre a Índia a emergir como uma "superpotência económica", ou como uma "economia de 5 triliões de dólares" pode esconder este facto: que a agricultura camponesa continua a ser um "sumidouro" ao qual os trabalhadores urbanos aflitos regressam, e que os mesmos estão a testemunhar um sofrimento crescente ao longo do tempo ao invés de serem beneficiados por processo de acumulação de capital que afasta trabalhadores. Por trás dos chamados "êxitos" da economia indiana sob o neoliberalismo está esta angústia sempre crescente dentro do "sumidouro" no qual ironicamente está concentrada a maior parte da força de trabalho do país e que determina, como argumentamos abaixo, as condições de toda a força de trabalho indiana.

Uma implicação do facto de que a agricultura actua como um "sumidouro" para a economia indiana é a seguinte. O poder negocial dos trabalhadores indianos, incluindo mesmo os organizados, está estreitamente associado aos rendimentos per capita da população trabalhadora dependente da agricultura, isto é, excluindo os latifundiários, os agricultores capitalistas e aqueles camponeses ricos que diversificaram fora da agricultura.

Mesmo os trabalhadores sindicalizados na Índia não estão totalmente desligados das suas raízes rurais e a sua capacidade para fazer uma greve sustentada nos sectores em que estão empregados depende muitas vezes do grau de apoio que conseguem obter a partir de "casa". Depende, por outras palavras, das condições materiais que prevalecem no país, pelo que tomamos como índice o rendimento real per capita da população activa na agricultura.

Podemos portanto visualizar as condições de vida de todos os trabalhadores da economia, constituída por trabalhadores, camponeses e operários agrícolas, a moverem-se para cima e para baixo em sincronia. O disparador deste movimento sincronizado pode vir tanto do lado do crescimento agrícola como do lado do crescimento do emprego urbano e ambos estão inter-relacionados. Se o rendimento agrícola real per capita da população activa na agricultura diminuir devido à retirada de apoios governamentais ao sector agrícola, isto então provoca um movimento descendente sincronizado das condições de todos os trabalhadores na economia. Do mesmo modo, se a capacidade da economia urbana para proporcionar emprego descer abaixo mesmo da taxa natural de crescimento da força de trabalho, então haverá um movimento descendente sincronizado para toda a população trabalhadora. Estes dois factores, como já foi mencionado, estão inter-relacionados – e sob o neoliberalismo operam ambos os factores.

Mas isso não é tudo. Há uma dinâmica cumulativa sob o neoliberalismo, a qual se mantém a pressionar a economia cada vez mais na direcção de um agravamento dos padrões de vida dos trabalhadores. Vamos assumir, para começar, que a capacidade da taxa de crescimento que prevalece no sector não-agrícola para gerar emprego caia abaixo da taxa de crescimento natural da força de trabalho. Esta capacidade, pode-se recordar, depende não apenas da própria taxa de crescimento mas também da taxa de progresso tecnológico que a acompanha.

Se o crescimento natural da própria força de trabalho não pode ser absorvido pelas oportunidades de emprego criadas pelo crescimento, então as condições de vida da população trabalhadora caem por todo o espectro. Isto significa necessariamente um aumento da taxa de exploração na economia, o qual, em termos da habitual contabilidade nacional do rendimento, é manifestada num aumento na fatia do excedente económico no PIB total.

No entanto, a própria taxa de progresso tecnológico poupador de mão-de-obra depende da proporção do excedente económico no produto total, uma vez que o padrão de procura dos que vivem do excedente está mais próximo dos estilos de vida metropolitanos. Tais estilos de vida são não só muito menos intensivos em termos de emprego como também estão sujeitos a uma rápida transformação com novas maquinarias que utilizam e reduzem o emprego. Assim, com um aumento inicial da taxa de exploração, a tendência é para um novo aumento da taxa de exploração.

Estamos a falar aqui do rendimento real per capita dos trabalhadores, de modo que este aumento cada vez mais crescente da taxa de exploração significa um agravamento dos seus padrões de vida absolutos, o que representa um aumento da extensão da pobreza absoluta.

Isto é exactamente o que está a acontecer na Índia, onde a proporção da população que não tem acesso às normas nutricionais de referência utilizadas oficialmente para definir a pobreza na Índia aumentaram durante o período neoliberal. Estas normas, recorde-se, são de 2200 calorias por pessoa por dia nas zonas rurais e de 2100 calorias por pessoa por dia nas zonas urbanas. De acordo com o National Sample Survey, a proporção de pessoas incapazes de aceder a este nível de referência na Índia rural aumentou de 58 por cento em 1993-4 para 68 por cento em 2011-12. Do mesmo modo, a proporção de pessoas incapazes de aceder à norma de 2100 calorias por pessoa por dia na Índia urbana aumentou de 57 por cento para 65 por cento entre estas duas datas.

A pandemia do Covid-19 irá agravar grandemente a magnitude da pobreza, uma vez que levará a um aumento maciço do desemprego urbano como já está a acontecer. Mas o mecanismo através do qual este aumento da pobreza ocorre em todo o espectro foi demonstrado durante o confinamento, nomeadamente, pela migração em massa de volta às aldeias daqueles que subitamente se tornaram indigentes nas zonas urbanas.

19/Abril/2020
Ver também:

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/patnaik/patnaik_19abr20.html

O vírus covid19 + Modi organizam uma catástrofe social na Índia

A combinação da actual pandemia com o governo de extrema-direita de Narendra Modi, juntando-se às extremas desigualdades que já caracterizavam a sociedade indiana, criam condições de uma situação catastrófica que devastará o segundo país mais populoso do mundo.

Os vírus e as bactérias não discriminam nem exterminam uma população, certos sistemas político-económicos fazem-no. E na Índia, o coronavírus e as medidas do seu ultra-direitista primeiro-ministro, Narendra Modi deram as mãos para afundar definitivamente o país. Em 24 de Março, às 20:00, e com mais de um mês de atraso na reação à epidemia, Modi fez um discurso na televisão (não uma conferência de imprensa), para anunciar que dentro de quatro horas o país ia ficar paralisado durante três semanas, e pediu aos cidadãos que não saíssem das suas casas, sem lhes revelar o que tinha planeado para os “proteger” da agressiva partícula que segundo os dados oficiais, que parecem uma piada macabra, havia infectado umas 500 pessoas e matado 10. O epidemiologista Ramanan Laxminarayan afirma que na Índia entre 30 e 50 milhões de pessoas poderiam ser infectadas com o vírus e cerca de 2 milhões poderão morrer.

Era noite e milhares de pessoas “possidentes” das grandes cidades arrasaram os supermercados abertos enquanto dezenas de milhares de trabalhadores migrantes fugiram para as estações de autocarro e comboio para regressar às suas aldeias. Neste país, trabalhar a partir de casa é para os trabalhadores de colarinho branco, e estes migrantes sobrevivem com o que ganham dia a dia com a força dos seus braços, sem seguro de desemprego, sem uma rúpia poupada e, se as empresas iam fechar, pelo menos encontrariam nas suas aldeias comida e um tecto debaixo do qual dormir. Mas muitos não chegaram a tempo: as redes interestaduais de autocarros e comboios estavam fechadas. A Indian Railways, comboios que ligam todo o país, desligou os seus motores pela primeira vez em 150 anos, obrigando crianças, idosos, mulheres (algumas grávidas) e homens desesperados a caminhar em chinelos, no calor do sol e na escuridão da noite, centenas de quilómetros, sobrevivendo com água e bolachas, enquanto Modi enviava voos especiais a vários países para repatriar os seus cidadãos retidos no estrangeiro. Entre os viajantes, o jornalista Salik Ahmad encontrou Kajodi Devi, uma idosa de uns 90 anos cuja família vivia de venda de brinquedos nos semáforos de um subúrbio de Delhi, e agora se dirigia a pé para o seu Rajasthan natal, a 420 km de distância.

Cerca de 100 milhões de migrantes que trabalhavam nas cidades do sector informal - que constitui 80% da força de trabalho da Índia - de pedreiro, vendedor ambulante, cozinheiro, empregado doméstico, cabeleireiro, operário de fábrica, trabalhador a dias, etc. -, habitam em barracas de poucos metros com a sua família, em guetos lúgubres. “Antes morreremos de cansaço e de fome do que do coronavírus”, dizem exaustos de caminhar. Na semana passada, um homem de 39 anos que se dirigia a Madhya Pradesh, a uns 300 km de distância, morreu de exaustão na estrada.

Se o regime de Modi não esperava um êxodo de tal magnitude é porque é alheio à realidade social. Em 1896 o governo colonialista britânico, ante a epidemia de peste em Bombaim, salvou a cidade enviando os migrantes para as suas aldeias onde a bactéria Yersinia pestis se propagou sem piedade.

A Índia reflectida em números

• Com 1.329.332 milhões de habitantes a Índia, que em dois anos ultrapassará a China como o país mais populoso do mundo, é também um dos Estados mais densamente povoados do planeta, no qual manter a distância física recomendada pelos especialistas para não se contagiar com o vírus é hoje tecnicamente impossível.
• 60% da população vive com menos de 2,50 euros por dia e 21% - cerca de 250 milhões de pessoas - sobrevivem com menos de uns 2 euros, e 1,8 milhões dormem na rua. Comparem o sistema político deste país com o seu homólogo chinês que, com o seu peculiar “socialismo” ou seja o que for, retirou 850 milhões de pessoas da pobreza nos últimos 30 anos; Entre 1980 e 2010, a terra de Mao Zedong reduziu a taxa de pobreza de 80% para 10%, uma queda sem precedentes na história, afirma o Banco Mundial, enquanto no índice mundial da fome (2019) o país de Mahatma Gandhi está na posição 102 entre 117 países: um ano antes estava na posição 95.
• No acesso aos cuidados de saúde, a Índia ocupa o 154º lugar entre 195 países; é a principal fábrica de medicamentos do mundo, mas existe apenas um hospital público para cada 90.343 pessoas e um médico para cada 20.000 pessoas: poucos salva-vidas para tantos passageiros num navio que se afunda, se a compararmos com a pequena e sem grandes recursos mas socialista República de Cuba que destina 8 médicos a cada 1.000 habitantes (2019), colocando-se na frente do mundo neste serviço/direito social. Em 2018 a tuberculose, uma doença curável, arrebatou a vida a 421.000 indianos, um terço da mortalidade mundial.
• Os 10% mais ricos dos indianos controlam 80% da riqueza do país (Oxfam, 2017). E os 1% da camada superior possuem 58% desta riqueza, pior do que os EUA onde os 1% mais ricos possuem “apenas” 37% das fortunas.
• Mais de 70 milhões vivem em barracas, e metade da população não tem um lavabo em casa; 35% não sabem ler nem escrever e destes 313 milhões de analfabetos, 59% são mulheres jovens. 75% da população vive em aldeias sem acesso aos serviços essenciais.
• Quanto à disparidade de género, a Índia é um dos piores países do mundo para ser mulher: ocupa o 108º lugar entre 149 estados, onde a pobreza está cruelmente feminizada, as mulheres vivem mil e uma forma de violência imaginável ​​e as violações em grupo são uma epidemia.
• A esperança de vida é de 69 anos e apenas 8% da população tem mais de 60 anos, embora o número absoluto de idosos atinja os 100 milhões, onde o COVID + Modi podem cometer um extermínio.

Em meio da crise sanitária, o governo decidiu manter o acordo de compra de 16.479 metralhadoras a Israel no valor de 116 milhões de dólares, priorizando o militarismo - para se defender dos “inimigos” da nação – antes de melhorar a infraestrutura médica, assistência sanitária gratuita para todos ou, a curto prazo, reduzir a escassez de equipamentos de proteção sanitária. A irmandade entre Modi e Netanyahu é tal que, apesar da proibição do governo de exportar máscaras e matérias-primas farmacêuticas, o político israelita pediu-lhe estes artigos. Os chauvinistas, que afirmam amar a sua terra, não amam a gente que a habita, e vende a sua vida por uma ninharia.

Até 23 de Março apenas 17.493 pessoas tinham sido testadas para detectar o vírus (10 testes por milhão de pessoas), quando a Coreia do Sul e a Itália tinham testado 295.647 e 148.657 pessoas. Segundo a Associated Press, os laboratórios indianos, muitos dos quais privados, analisam 90 amostras por dia, apesar de terem capacidade para 8.000.

No outro extremo está Kerala, o estado com maior equidade e inclusão e também o mais alfabetizado do país (90%), graças aos governos marxistas que o geriram desde 1957: agora realizam testes gratuitos aos vizinhos, criaram refúgios para a quarentena aos sem-abrigo e à população carcerária, e garantiram comida, assistência médica e fornecimento de desinfectantes para toda a população.

Medidas tomadas pela extrema-direita

Em 26 de Março, o governo central, por entre a crescente indignação popular e da oposição, anunciou um pacote de ajuda de US $ 22,5 mil milhões para fornecer alimentos gratuitos e transferências em dinheiro para as populações vulneráveis. Mas há dúvidas razoáveis ​​em suspeitar que essa ajuda não lhes chegará, e que tenham de cumprir com a recomendação do governador de Uttar Pradesh, Adityanath, um monge hindu: praticar yoga para evitar o contágio do vírus. Esse tipo de receitas está a surgir como cogumelos depois da chuva, graças a que o regime religioso de Modi, que deu prioridade à fé em detrimento da razão e da ciência, ter promovido a medicina “tradicional”, como que a urina da vaca elimina o famoso bicho. Também ao puro estilo da Idade Média, em vários estados como Delhi, Rajasthan, Bengala Ocidental, a polícia marcou as casas das pessoas infectadas e publicou inclusivamente os seus nomes e endereços, ou disparou jactos de hipoclorito de sódio sobre as pessoas, incluindo crianças, para as desinfectar. A escassa informação ou a sua ocultação sobre a propagação do vírus pelo país, e as denúncias de brutalidade policial, apenas aumentam o pânico e a angústia dos cidadãos.

As forças de esquerda, entre elas o Partido Comunista, propõem a universalização das pensões e do seguro de saúde, ajudas especiais a pessoas com mais de 60 anos, mulheres solteiras, viúvas, etc. e que o pagamento das ajudas seja trimestral para evitar as aglomerações em frente aos bancos todos os meses; instalar lavabos nas estações dos transportes interurbanos; preparar abrigos e cozinhas comunitárias para os mais necessitados; aumentar os impostos sobre as empresas e as classes ricas ou libertar os prisioneiros políticos de Caxemira, que continuam detidos em condições insalubres.

Políticas neoliberais

Hoje, a Índia enfrenta uma catástrofe social de magnitude bíblica, depois de anos de assalto da direita aos direitos laborais, medidas de austeridade, aumentando os empregos precários. A partir de 1991, a Índia promoveu a privatização de amplos sectores estatais da economia, atraindo o capital estrangeiro, o que fez a classe média prosperar e multiplicou as agências bancárias: os pelo menos 166.300 agricultores endividados que se suicidaram entre 1997 e 2006, vítimas do capitalismo financeiro, não eram mais do que “danos colaterais” da falsa prosperidade. Nem o bem social, nem os pobres - a espinha dorsal do crescimento da economia - entravam na agenda do poder; ninguém pensou em “reciclar” milhões de trabalhadores que perdiam os seus empregos com a digitalização da venda de artigos, e que os deixou na miséria absoluta.

O Partido do Povo Indiano (Bharatiya Janata Party) de extrema-direita de Modi, um fã de Hitler, além de ter golpeado o princípio do laicismo na Constituição do país, concedendo privilégios ao hinduísmo, como um instrumento de apologia da superioridade da raça ariana dos indianos “hindus”, retirando os direitos de cidadania aos fiéis de outras religiões, sobretudo dos muçulmanos: a ideia de “Índia para hindus” promoveu um pogrom aos seguidores de Maomé, a quem chama “imigrantes”. Em Janeiro, o grito de “Jai Shri Ram!” (Glória ao deus Ram!) dos bandos armados aos fiéis dessa religião não eram mais do que uma variante do “Allah é grande” dos grupos fascistas “jihadistas”, e com os mesmos objectivos.

O chauvinismo de Modi, que dividiu a nação em linhas sectárias, foi acompanhado por um regionalismo ignorante, egoísta e míope que explora arrogantemente, especialmente no sul envelhecido, os jovens migrantes do norte subdesenvolvido.

O país de grandes desigualdades entre mulheres-homens, ricos e pobres (que se subdividem entre os intocáveis, castas e adivais – habitantes aborígenes do país antes das invasões dos arianos) ou hindu-muçulmanos etc., lançou a enganosa campanha de ” microcréditos” numa tentativa de “reformar” e maquilhar o capitalismo mais selvagem: fabricar uns quantos “empreendedores” e exibi-los aos media com os seus negócios supostamente prósperos, seguia a mesma linha do sistema (para o qual a religião contribuiu de forma inestimável): a sociedade será salva se cada um se salvar a si mesmo, e os pobres não são salvos por serem patetas, e se nesta vida não conseguem uma existência decente, que não se preocupem nem organizem uma revolução: fá-lo-ão nas contínuas reencarnações ou na “outra vida”.

O COVID-19 só vai acelerar a chegada do catastrófico tsunami que vinha assediando a Índia, com a mesma paciência que o seu povo. E não se enganem: a OMS - a máfia da bata branca - elogiou o governo Modi pela sua resposta “impressionante” ao ataque do coronavírus.

Fonte: https://blogs.publico.es/puntoyseguido/6352/el-virus-covid19modi-organiza-una-catastrofe-social-en-la-india/

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Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Pandemia e socialismo

por Prabhat Patnaik [*]

Doentes da Gripe Espanhola, 1918. Diz-se que numa crise todos se tornam socialistas; os mercados livres passam a ocupar um lugar secundário, em benefício dos trabalhadores. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, quando o racionamento universal foi introduzido na Grã-Bretanha, o trabalhador médio tornou-se mais bem nutrido do que antes. Da mesma forma, as empresas privadas são mandatadas para produzir bens para o esforço de guerra, introduzindo assim um planeamento de facto.

Algo do género está a acontecer hoje sob o impacto da pandemia. Em país após país há uma socialização da saúde e da produção de alguns bens essenciais, a qual se afasta apreciavelmente da norma capitalista – e quanto mais grave é a crise, maior é o grau de socialização. Assim, a Espanha, o segundo país europeu mais atingido depois da Itália, nacionalizou todos os hospitais privados para enfrentar a crise: todos eles estão agora sob o controlo do governo. Até mesmo Donald Trump está a orientar empresas privadas para produzirem bens urgentemente necessários durante a pandemia. Endurecer o controle governamental sobre a produção não caracteriza apenas a China do presente; marca também a política dos EUA, para não mencionar vários países europeus.

Há uma segunda razão pela qual um mundo atingido por uma pandemia toma um rumo aparentemente socialista. Isto tem a ver com a necessidade forçada de um temperamento científico; e o próprio temperamento científico é um grande passo rumo ao socialismo. A absoluta vacuidade das "teorias" apregoadas pelas "prescrições" do [partido] Hindutva, por exemplo, como a bosta e a urina de vaca servirem de antídotos contra o coronavírus, são encaradas com desprezo num momento como este. Os próprios indivíduos que apregoam tais teorias, muito sensatamente, ou correm para os hospitais por conta própria ou são levados para os hospitais pelos seus parentes, ao primeiro sinal de uma tosse. A superstição revela-se cara numa tal situação. Ocorre uma mudança forçada de atitudes que também é conducente à ideia de socialismo.

'. É verdade que a Índia está muito atrasada em relação a outros países, tanto em termos da adopção forçada de um temperamento científico, como em termos da volta forçada à socialização da produção e dos cuidados de saúde. A propensão prevalecente para o kitsch ainda não foi abandonada, apesar da crise. Durante o "toque de recolher de Janata" de Modi, em 22 de Março, por exemplo, quando ele havia apelado a cinco minutos de toques de sinos pelos trabalhadores da saúde, entusiásticos devotos de Modi não só estenderam o período até meia hora como até se reuniram para manifestações barulhentas e fizeram procissões em praças enquanto sopravam conchas, o que anulou a própria lógica do "toque de recolher", destinado a impor o distanciamento social.

Da mesma forma, embora o governo tenha agora ampliado as instalações de testes com a inclusão de hospitais privados, ainda não faz nos mesmos os testes e o tratamento gratuito dos pacientes que se revelam positivos.

Mas a contínua prevalência do kitsch Hindutva tende à exclusão de um temperamento científico. E a contínua deferência ao desejo de lucro nos hospitais privados pode ser atribuída ao facto de até agora a crise ter sido menos grave na Índia. Se a sua gravidade aumentar, o que se espera que não aconteça, então a Índia também terá de mudar de atitude e seguir o caminho da socialização tal como outros países.

Uma tendência alternativa oposta também é discernível no momento, que é a de adoptar uma política de "mendigo-meu-vizinho". A oferta de Trump de comprar direitos exclusivos para uma vacina que está a ser desenvolvida pela empresa alemã CureVac capta essa tendência. Trump, por outras palavras, estava a tentar garantir que a vacina estaria disponível apenas para os EUA e não para outros, uma tentativa que foi negada pelo governo alemão. Da mesma forma, a tentação, de modo algum negligenciável, de concentrar a protecção apenas num segmento da população e abandonar os outros – que incluiria os idosos, as mulheres e os grupos marginalizados – aos seus destinos, é outra expressão desta tendência. E a persistência de Trump nas sanções ao Irão, apesar de o país ter sido muito atingido pela COVID-19, é outro exemplo óbvio desta tendência. A ideia em todos estes casos é típica do capitalismo, a qual é deixar os pobres e os vulneráveis à mercê da pandemia, assegurando ao mesmo tempo que os ricos, os fortes, os bem sucedidos, permanecem protegidos. O revés de Bernie Sanders, um socialista confesso que na campanha eleitoral advogara cuidados de saúde universais nos EUA, só reforçaria esta tendência.

Contudo, tal tendência tem um limite natural. A característica da actual pandemia é que é difícil mantê-la restrita a apenas um país ou a um segmento do mundo ou a um segmento da população. A tentativa estéril de o fazer, na qual Trump se deleita, está condenada ao fracasso. Dizer isto não é sugerir que a humanidade de alguma forma se moveria sem problemas para uma nova compreensão da necessidade de ir além do capitalismo a fim de enfrentar a crise, mas, ao contrário, que na confusão das medidas anti-pandémicas, aquelas que vão para além do capitalismo acabarão por ter de assumir uma posição dominante. E quanto mais tempo perdurar a pandemia, mais verdadeiramente provável isto se tornará.

O que esta pandemia demonstra é que enquanto a actual globalização tem estado sob a égide do capitalismo, o capitalismo não tem os meios para lidar com a sua propagação. O capitalismo conduziu a uma situação em que os movimentos de mercadorias e capitais, incluindo os das finanças, se tornaram globalizados; acreditava que as coisas podiam ficar confinadas só a tais movimentos. Mas isso era impossível. Globalização também significa o rápido movimento global de vírus e, portanto, o surto global de pandemias.

Tal surto global de uma pandemia com mortalidade muito elevada havia ocorrido só uma vez anteriormente e isso foi em 1918 com o vírus da gripe espanhola. E esta propagou-se por todo o mundo porque ocorreu em meio a uma guerra, quando milhares de soldados haviam cruzado milhares de quilómetros para combater em trincheiras e depois voltaram para casa como portadores do vírus. A guerra, em resumo, havia rompido a exclusão nacional durante o período em que se desencadeou, provocando uma pandemia global. O surto da SRA de 2003 afectou 26 países e embora grave, levou a uma mortalidade estimada em 800, ao passo que a actual pandemia já ceifou mais de dez vezes esse número.

Agora, contudo, o colapso da exclusão nacional foi incorporado ao sistema, razão pela qual os surtos globais do tipo que estamos a testemunhar serão fenómenos comuns na fase actual do capitalismo. E também é por isso que os esforços do estilo Trump para restringir a crise apenas a alguns segmentos da população e proteger outros, estão destinados ao fracasso. Em suma, o capitalismo chegou agora a uma fase em que as suas instituições específicas são incapazes de lidar com os problemas por ele criados.

A pandemia é apenas um exemplo deste fenómeno. Vários outros reclamam a nossa atenção com urgência, dos quais mencionarei apenas três. Um é a crise económica global que não pode ser resolvida dentro das instituições existentes do capitalismo. No mínimo, requer uma estimulação globalmente coordenada da procura através de meios orçamentais, por vários governos a actuarem em conjunto. Quão longe estamos de tal coordenação global é ilustrado pelo facto de que o principal país capitalista, os Estados Unidos, só pode pensar em proteger sua economia para superar a crise, o que é uma abordagem de segmentação análoga à que está a tentar no contexto da pandemia. O segundo exemplo refere-se à mudança climática [NR] , onde mais uma vez o capitalismo criou uma crise que não pode resolver dentro dos parâmetros que o definem. Meu terceiro exemplo refere-se à chamada "crise dos refugiados" ou o movimento global dos vitimizados pelo capitalismo com as suas guerras e também com a sua paz.

Estas crises sugerem um fim de jogo para o sistema. Elas não são meramente episódicas: a crise económica não é uma mera recessão cíclica, mas representa uma crise estrutural prolongada. A crise causada pelo aquecimento global [NR] também não é apenas um episódio temporário que desapareceria por si só; e a pandemia mostra o perfil das coisas que estão para vir na era da globalização capitalista, quando o mundo inteiro será atingido por vírus em rápido movimento que afligem milhões de pessoas, não uma vez em um século, mas com muito mais frequência. Para que a espécie humana sobreviva a todos estes desafios, as instituições do capitalismo são extremamente inadequadas. É necessário um movimento rumo ao socialismo. Assim, as medidas actuais que substituam o "mercado livre" e a motivação do lucro, embora aparentemente apenas temporárias e de emergência, são indicadores inconscientes.

29/Março/2020
[NR] Um falso problema, como resistir.info tem mostrado. Ver por exemplo Acerca do chamado "aquecimento global" .

[*] Economista, indiano, ver Wikipedia

O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2020/0329_pd/pandemic-and-socialism
Tradução de JF.

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/patnaik/patnaik_29mar20.html

Comunistas indianos exigem ao governo medidas para combater a pandemia

Entre as várias exigências feitas pelo Partido Comunista da Índia (Marxista), conta-se o aumento das verbas destinadas ao reforço do sistema público de saúde.

O PCI(M) propôs várias medidas para defender a saúde e os direitos do povo e dos trabalhadores indianos, tendo em conta o surto do Covid-19CréditosCurly News

Numa nota emitida esta sexta-feira, o Partido Comunista da Índia (Marxista) – PCI(M) – fez um apelo ao povo indiano para que observe o recolher obrigatório do próximo domingo como um dia de solidariedade popular com a luta contra o novo coronavírus.

Ontem, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pediu aos cidadãos que imponham a si mesmos um regime de recolher obrigatório no dia 22 de Março, como uma espécie de teste ao «isolamento social», visando travar a propagação da pandemia, revela o jornal The Hindu.

No entanto, acusam os comunistas, Modi não propôs «quaisquer passos concretos para lidar com os aspectos sanitários e económicos desta luta», e, nesse sentido, avançam com várias exigências ao executivo.

No texto, o PCI(M) reclama que as autoridades sanitárias aumentem os testes de detecção do vírus, de modo a abranger camadas mais amplas da população, especialmente pessoas com sintomas de gripe, febre, tosse, entre outros.

Exigem, além disso, que o governo decrete o aumento da verba destinada ao reforço do sistema público de saúde com testes adequados e gratuitos, instalações hospitalares, salas de isolamento e ventiladores, e que os hospitais privados proporcionem tratamento gratuito aos pacientes com coronavírus.

Mais apoios às famílias pobres e aos trabalhadores

Os comunistas reclamam, igualmente, a atribuição de rações grátis, durante um mês, a todas as famílias pobres, incluindo a mão-de-obra migrante; a expansão e o fortalecimento do sistema público de distribuição, de modo a cobrir todos os produtos essenciais; e a atribuição de kits de racionamento às casas de famílias com crianças (em vez da actual refeição do meio-dia nas escolas).

A constituição de pacotes financeiros para os sectores afectados pela pandemia – só para empresas que não recorram a lay-offs, despedimentos ou cessação de trabalhos nos próximos três meses – é outra das medidas avançadas pelo PCI(M) na nota hoje emitida, em que também propõe a criação de um fundo para aumentar a assistência financeira e as prestações a todos os trabalhadores precários cuja subsistência seja afectada, e defendem que os trabalhadores forçados a ausentar-se do trabalho devido ao coronavírus devem ter direito a baixa com vencimento.

Para além disso, propõem os comunistas, o governo deve decretar uma moratória de um ano sobre os empréstimos bancários contraídos pelas pequenas e médias empresas, e pelos comerciantes retalhistas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/comunistas-indianos-exigem-ao-governo-medidas-para-combater-pandemia

O verdadeiro Modi: Os assassinatos de mulçumanos representam a “Noite dos Cristais” da Índia?

De 9 a 10 de novembro de 1938, o governo alemão incentivou seus apoiadores a queimar sinagogas e destruir casas, lojas, empresas e escolas judaicas. Pelo menos 91 judeus –  e provavelmente muitos mais – foram mortos por apoiadores do partido nazista encorajados por Joseph Goebbels, ministro de esclarecimento público e propaganda nazista, no que ficou conhecido comoKristalnacht– “A noite dos cristais”. Tal fato foi um ensaio decisivo no caminho para o genocídio em massa.

No dia 23 de fevereiro de 2020, em Delhi, multidões de nacionalistas hindus percorreram as ruas queimando e saqueando mesquitas, casas, lojas e empresas muçulmanas. Eles assassinaram e queimaram vivos muçulmanos que não puderam escapar, e as vítimas foram amplamente ignoradas e desprotegidas pela polícia. Pelo menos 37 pessoas, quase todas muçulmanas, foram mortas, e muitas outras espancadas até a morte: um bebê de 2 anos teve suas roupas arrancadas por uma gangue que queria ver se ele era circuncidado – tal como os muçulmanos geralmente são e os hindus não. Algumas mulheres muçulmanas fingiram ser hindus para fugir.

A cumplicidade do governo não foi tão direta quanto na Alemanha 82 anos antes, mas foi relatado que ativistas do Partido Bharatiya Janata (PBJ), liderado pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi, foram a vanguarda dos ataques contra os muçulmanos. Foi publicado um vídeo mostrando homens muçulmanos, cobertos do sangue do espancamento, sendo forçados por policiais a deitar no chão e cantar canções patrióticas. Modi não disse nada por dias e depois fez um vago apelo por paz e fraternidade.

A verdadeira atitude do governo em relação à violência foi demonstrada quando ele transferiu instantaneamente de estado um juiz crítico das ações do governo enquanto o tumulto acontecia. O juiz Muralidhar, do Supremo Tribunal de Delhi, estava ouvindo petições sobre a violência quando disse que o tribunal não pode permitir que outro “1984” acontecesse, referindo-se ao assassinato de 3.000 sikhs por multidões em Delhi naquele ano, após o assassinato da ex-primeira ministra Indira Gandhi por seus guarda-costas sikh. Ele disse que o governo deveria fornecer abrigo para aqueles que foram forçados a fugir e questionou se a polícia estava registrando adequadamente as queixas das vítimas.

O governo diz que a transferência do juiz Muralidhar já havia sido anunciada e afirma que sua rápida realocação não teve nada a ver com as observações feitas pelo juiz.

Acusações de comportamentos fascistas por parte de líderes políticos contemporâneos, similares às dos regimes fascistas na Alemanha, Itália e Espanha nas décadas de 1930 e 1940 não deveriam ser feitas sutilmente. Tais comparações têm sido feitas frequentemente nos últimos anos contra nacionalistas autoritários dos EUA a Filipinas e da Polônia até o Brasil. Muitas vezes, as acusações são realmente críveis ao acusador, entretanto, outras vezes o termo é usado de forma abusiva. Ainda assim, Modi e o PBJ parecem mais próximos do que outros regimes de direita ao fascismo tradicional em seu extremo nacionalismo e prontidão para usar a violência. No centro da agenda do governo Modi está a marca do nacionalismo hindu e uma tentativa incansável de marginalizar ou expulsar os 200 milhões de muçulmanos da Índia. 

O resto do mundo demorou para perceber a gravidade do que está acontecendo na Índia porque o governo Modi minimizou seu projeto de afastar a Índia de seu status anterior de Estado secular e pluralista. O grande número de pessoas afetadas negativamente por essa mudança é gigante: se a minoria muçulmana na Índia fosse um país separado, seria o oitavo país mais populoso do mundo.

A violência em Delhi na última semana de fevereiro decorre do medo e do ódio gerado pelo movimento de pinças dirigido pelo governo contra os muçulmanos na Índia. Uma perna da pinça está na forma da Lei de Emenda à Cidadania, segundo a qual migrantes não-muçulmanos podem ganhar rapidamente a cidadania indiana, mas os muçulmanos não. Ainda mais ameaçador é o Registro Nacional de Cidadãos, que provavelmente privará muitos muçulmanos indianos de sua cidadania. Foram os protestos  e manifestações não violentas que se opuseram a essas medidas que levaram multidões de nacionalistas hindus a encenarem o que estava perto de ser um massacre no início da última semana de fevereiro.

O quão longe Modi e o PBJ irão em sua campanha anti-muçulmanos já está evidente nos estados de Jammu e Caxemira, os únicos estados indianos com uma maioria muçulmana. Regiões que foram sumariamente despojadas de sua autonomia em agosto passado e estão isoladas desde então. Detenções em massa e tortura são a norma de acordo com as poucas testemunhas capazes de relatar o que viram.

Por 150 dias, após o governo revogar o status especial de Jammu e Caxemira, a internet foi cortada e só foi restaurada em um grau muito limitado desde janeiro. As forças de segurança detêm quem eles querem e os membros das famílias desoladas reclamam que não conseguem encontrar seus parentes ou que são pobres demais para visita-los em prisões que podem estar a 800 quilômetros de distância.

O isolamento da Caxemira tem funcionado amplamente do ponto de vista do governo para isolá-la do mundo exterior. Mas faria muita diferença se os eventos fossem mais conhecidos? As queimas e assassinatos em Delhi no última dia 24 foram bem divulgados na mídia europeia e americana, mas considerados com uma certa tolerância internacionalmente: Modi pode fazer negócios com a reputação da Índia como uma democracia decrépita e fazer crer que o sentimento de “violência comunitária” é tradicional na Índia, tal como são os furacões na Flórida ou os terremotos no Japão, e ninguém é realmente o culpado.

Houve uma encorajadora, porém ferozmente reprimida, onda de oposição na Índia à degradação de suas tradições não sectárias. O perigo aqui – e as multidões em Delhi podem ser um sinal disso – é que Modi e seu governo respondem a esses protestos jogando a carta nacionalista hindu de maneira ainda mais forte.

Ao lidar com críticas estrangeiras, o governo pode dizer que, independentemente do seu programa político interno, a Índia está superalimentando o crescimento econômico e isso justifica suas outras falhas. Regimes autoritários, com controle sobre a maioria dos meios de comunicação, costumam fazer tais afirmações e, quando as estatísticas econômicas mostram o contrário, eles simplesmente inventam um novo conjunto de figuras. Um estudo recente da economia indiana observou que, embora o crescimento econômico geral tenha aumentado fortemente, o crescimento de investimentos, lucros, receitas tributárias, importações, exportações, produção industrial e crédito diminuíram muito nos últimos anos.

Em um aspecto, Modi está em uma posição mais forte do que a Alemanha depois daKristallnacht.À época o presidente Roosevelt respondeu com uma declaração denunciando o antissemitismo e a violência na Alemanha e imediatamente tirando o embaixador germânico dos EUA. O presidente Trump, em uma visita de dois dias à Índia em um momento em que os muçulmanos estavam sendo caçados e mortos a poucos quilômetros de onde ele estava sentado, disse estar satisfeito por Modi estar trabalho “muito duro” para estabelecer a liberdade religiosa no país.

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Exército indiano atinge posições paquistanesas com mísseis antitanque (VÍDEO)

Míssil indiano Agni-5 durante lanãmento (imagem referencial)
© AP Photo / Ministério da Defesa da Índia

Após violações de cessar-fogo pelo Paquistão ao longo da Linha de Controle, as tropas indianas atingiram posições do Exército paquistanês com mísseis antitanque e projéteis de artilharia em Jammu e Caxemira.

A agência de notícias indiana ANI divulgou um vídeo do que afirma ser um bombardeio pelo Exército indiano de posições paquistanesas.

 

​Fontes do Exército indiano: Recentemente, tropas do Exército usaram mísseis guiados antitanque e projéteis de artilharia para atingir posições do Exército paquistanês no setor de Kupwara. Isso foi uma resposta às violações de cessar-fogo pelo Paquistão, destinadas a fazer entrar infiltrados no território indiano em Jammu e Caxemira.

No mês passado, a Índia implantou mísseis antitanque Spike (ATGM), bem como outras armas, ao longo da Linha de Controle, reforçando a segurança na região, segundo o comandante do Exército indiano, general Manoj Mukund Naravane.

A Índia adquiriu estes mísseis, fabricados por Israel, em meio à escalada de tensão com o Paquistão, em fevereiro de 2019.

Em 2019 foram registradas mais de 3.000 violações do cessar-fogo pelos exércitos das duas partes na fronteira comum.

Além disso, as relações diplomáticas entre os dois países também pioraram significativamente após a decisão da Índia de revogar o status temporário de Jammu e Caxemira em agosto de 2019.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020030615298228-exercito-indiano-atinge-posicoes-paquistanesas-com-misseis-antitanque-video/

Índia e o movimento fascista

Há setenta anos que a Índia está unida pela constituição, que dá igualdade a todos os cidadãos. Mas o Bharatiya Janata Party de Narendra Modi está a tentar introduzir alterações que modelariam diferentes graus de nacionalidade.

 

 

Ao analisar o nome do partido encontramos a palavra Bharatiya que significa os descendentes do imperador Bharata. Nenhum nome é utilizado por acaso_ o imperador Bharata, lendário na Índia, é mencionado na teologia hindu e jainista. Era filho do rei Dushyanta e Sakuntala.(Hinduísmo) Irmão mais novo de Rama no Ramayana. Nem todos os indianos seriam descendentes deste ilustre antepassado e os que não são filhos, são órfãos ou enteados. Ou seja, não têm os mesmos direitos.

A 5 de janeiro começou uma campanha visível e activa de violência contra muçulmanos indianos. Na Universidade Jawaharlal Nehru, com 8.000 estudantes, com o campus localizado a sul de Delhi. Alunos e professores muçulmanos foram agredidos por grupos de gunas mascarados, armados de bastões e pedras, identificados como membros de um grupo de estudantes nacionalistas hindus que se tornou amplo e poderoso nos últimos anos.

É de notar que esta Universidade é tradicionalmente liberal, esquerdista e secular. Através do corpo de professores, a JNU frequentemente influenciou a política do governo.

Muitos dos licenciados e graduados da Universidade têm lugares de destaque quer em órgãos de informação, em ONG’s, o sistema judicial e em partidos de esquerda. Ou seja a Universidade tornou-se um obstáculo ao conservador partido BJP, a quem faz frente, pela sua atuação politica e como elemento marcante da sociedade civil.

Não foi surpreendente portanto que o Akhil Bharatiya Vidya Parishad (ABVP), ala dos jovens do Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), fundado há 94 anos por homens que muito admiravam os fascistas de Mussolini, organização indiana de direita, nacionalista hindu, supremacista hindu e paramilitar atacasse durante a noite estudantes da Universidade.

O RSS inclui organizações chamadas Sangh Parivar, que tem presença em todas as facetas da sociedade indiana. Ao contrário da maioria das religiões o hinduísmo, que é uma religião não tem igreja nem nenhum elemento que se possa assemelhar a um líder. O RSS é árbitro teológico e o arquiteto de uma base de um Estado-nação hindu. Com 4 milhões de voluntários, que fazem juramento de lealdade, arrecadam fundos, compram armas e organizam exercícios quase militares, paralelos ao Exército Nacional Indiano.

Nos últimos 50 anos o RSS foi acusado de planear assassínios, organizar manifestações violentas contra minorias e atos de terrorismo.

Gandhi foi morto a tiro em 1948 por um homem do RSS.

Ardilosamente o RSS nunca se envolve em campanhas políticas, mas logo acontece que o BJP do Primeiro Ministro Narendra Modi, no poder há seis anos tem como objetivo publicitado criar um estado hindu autoritário. Importante: o Primeiro Ministro e o seu Partido BJP não escondem os seus objetivos.

A polícia foi chamada para parar com a violência no campus da Universidade, mas limitou-se a ficar a observar as cenas de pancadaria. Um corpo policial ficou no portão da JNU, impedindo a entrada de pessoas, particularmente a entrada de activistas políticos que vinham testemunhar a violência. Quando os atacantes ainda com as caras cobertas chegaram ao portão, vindos da área de massacre, a polícia deixou-os sair. Tal como é habitual nestas situações os nacionalistas atacantes queixaram-se que tinham sido atraídos pelos esquerdistas.

Podem tirar-se as conclusões do papel da policia.

Como antecedente desta violência está a Lei de Emenda à Cidadania, aprovada pelo parlamento indiano em 11 de dezembro de 2019, que permite dar a cidadania indiana a refugiados que chegam à Índia vindos do Afeganistão, Paquistão e Bangladesh. Aceites os refugiados de todas as religiões do sul da Ásia “exceto os Muçulmanos” que são a maior minoria religiosa da Índia

É uma política que se ajusta perfeitamente ao RSS e ao nacionalismo do BJP, a maior religiosa da Índia.

Desde dezembro, milhões de indianos manifestam-se contra esta lei. O governo tentou proibir reuniões, desligou serviços de internet móvel, prendeu cidadãos de forma arbitrária.

Os protestos, como era de prever, explodiram na Jamia Millia Islamia, uma universidade islâmica em Delhi. Os policias atacaram o campus e destruíram a biblioteca. No estado de Uttar Pradesh, a polícia invadiu casas muçulmanas como forma de intimidação. 20 manifestantes morreram por ferimentos a bala. A polícia negou disparar sobre a multidão embora haja vídeos que mostram uma realidade oposta.

Um hindu, ministro-chefe de Uttar Pradesh, disse: “Se eles não entenderem as palavras, entenderão as balas”.

Um dos ministros de Modi declarou: “Atirem sobre os traidores para salvar a nação”.

As diferentes e múltiplas instituições, que são pilares do país,agências de investigação, comissão eleitoral, órgãos de comunicação social, vão sendo pressionadas para aderirem às ideias e políticas do Primeiro Ministro Modi que prefere um país em que as pessoas são classificadas e avaliadas de acordo com sua religião.

O sucesso do RSS e do BJP, nos últimos seis anos, deve-se em parte ao discurso público manipulador.

Mentiras polarizam e enfrenizam todos os dias. Até à invençãode rótulos para colocar na oposição rótulos que indicariam que essas pessoas grupos ou jornais são classificados como de vendidos há oposição. “Presstitute” é o rótulo aplicado a jornalistas liberais acusados de escreverem por dinheiro ou a troco de influências. “Sickular”, termo criado pelo RSS significa que o secularismo indiano é uma versão perigosa das minorias.

Rotula-se de “tipo JNU” todos e quaisquer oponentes desde esquerdistas maoistas revolucionários até aos mais moderados dea oposição.Os “tipos de JNU” são apontados como criminosos por serem humanistas, por se oporem à pena de morte, aos abusos de direitos humanos do exército ou às repressões no estado na Caxemira. Dá-se a entender e martela-se a ideia que “tipo-JNU” significa “anti-nacional” ou traidor à pátria.

A JNU desde o início baseou-se nas ideias e ação do primeiro primeiro ministro da Índia, Nerhu e do partido do Congresso que lideraram a luta pela Independência e tinham uma visão secular para o país.

A ABVP sempre abominou o secularismo,o pluralismo, o socialismo,o comunismo e permaneceu à margem. Estes hindús tradicionalistas não se notabilizaram na luta pela independencia.

O RSS não participou naluta contra os ingleses que colonizaram a Índia. Estiveram na sombra, mudos e calados durante cinquenta anos.

O RSS acordou politicamente quando se lembrou de que Babri Masjid, uma mesquita do século XVI na cidade de Ayodhya, ficava no local onde divindade hindu Ram nasceu. Queriam construir lá um templo e queriam destruir a mesquita. Narendra Modi nos fins de 1990 participou num raid por todo o país em defesa do templo hindú contra a presença da velha mesquita. Em dezembro de 1992, homens do RSS e do BJP destruiram a mesquita sem que a polícia fizesse algo mais do que assitir à festa. Nas semanas seguintes, houve tumultos religiosos na Índia, particularmente em Mumbai. Duas mil pessoas foram mortas. Foi sobre estas mortes e esta propaganda sanguinária que em 1996, o BJP chegou ao poder pela primeira vez. Agora, em relação aos tristes acontecimentos de 1992 o Supremo Tribunal da Índia decidiu que embora a mesquita fosse destruída ilegalmente, a terra deveria, no entanto, abrigar um templo.

Conseguiram também infiltrar-se na famosa e já referida Universidade. Quer na união dos estudantes em 1992, e na presidência da própria união.

“Os estudantes pensaram que havia algum espaço para o pensamento nacionalista”. Pensaram ou foram induzidos a pensar.

A ideia de “nação hindu” sobrepôs-se à ideia de “nação indiana”

No século 21, muitas regiões que tinham sido bastiões da esquerda viram os comunistas sairem dos respetivos governos. O sentimento de cansaço e desilusão em relação ao socialismo e ao comunismo, deixaram muitos entregues ao sonho empreendedorista de subir na vida e de aderir aos valores do lucro.

Nehru

O Partido do Congresso, transformado pela família corrupta descendente de Nehru, perdeu carisma. Nas eleições parlamentares de 2014, consegui a miséria de 44 assentos parlamentares.

O ABVP foi engrossando com os restos das ilusões. E os religiosos hindus de Modi vieram para a ribalta em 2014, quando ganharam as eleições.

Modi foi apregoado pelos seus conhecimentos como economista salvador do mercado indiano.

Ficou esquecido que os fanáticos hindus tinham assassinado centenas de muçulmanos em tumultos durante a administração de Modi em Gujarat em 2002.

Depois de Modi ter chegado ao poder por via eleitoral é que se tornou clara a sua ideia do nacionalismo hindu com a intenção de excluir os muçulmanos.

A eleição de Trump e o referendo do Brexit trouxeram imensas discussões. As pessoas começaram a olhar-se com desconfiança nas comunidades.

Na JNU, a ABVP e os nacionalistas hindus organizaram grupos para atacar e matar muçulmanos e hindus de casta inferior, sob suspeitas ridículas (pelo menos aos nossos olhos de ocidentais)de que suas vítimas vendiam e compravam vacas para consumo de carne bovina. Os hindus consideram a vaca um animal sagrado. Os hindus, não os indianos.

Desde então para cá os estudantes e funcionários muçulmanos sentem-se em perigo.

A ABVP distribuiu vídeos falsos onde muçulmanos “pediam” o desmembramento da Índia e foi insuando cada vez mais que quem não era hindu e religioso era um traidor. Familias de estudantes muçulmanos foram assediadas e perseguidas.

Por exemplo o governo de Modi, em 2016, nomeou para dirigir a JNU um professor de engenharia chamado M Jagadesh Kumar. Os estudantes e a imprensa descreveram Kumar como um fiel legal do RSS – parte da campanha mais ampla do governo para enxamear universidades e instituições culturais com professore e dirigentes afectos ao RSS. Kumar negou qualquer link com o RSS.

Na noite de 5 de janeiro, à medida que os ataques no campus aumentavam, Kumar enviou uma mensagem para a polícia via WhatsApp, de acordo com um relatório da polícia. Em vez de pedir ajuda para conter a multidão, ele pediu que a polícia estivesse estacionada do lado de fora do portão. (Mais tarde, para um repórter, ele disse que queria que a segurança do campus resolvesse os assaltos, que ele chamou de “infelizes”.) Somente às 19h45, um oficial da JNU pediu à polícia que entrasse no campus para intervir; a violência terminou. Os atacantes ainda estavam no local horas depois, mas a universidade e a polícia os deixaram sair, como se tivessem passado por uma visita e agora estivessem correndo para pegar o último autocarro para casa.

A universidade ficou em pé de guerra e para muitos estudantes, a administração do RSS e o BJP fazem parte da mesma máquina.

A Constituição da Índia, determina a igualdade de membros das antigas castas e das diversas religiões com igualdade absoluta. Foi uma enorme conquista elaborada entre 1946 e 1949, e é a base da nação. A exclusão do ato de cidadania pelos muçulmanos viola essa promessa Constitucional.

Mas esta Lei de Emenda à Cidadania que Modi tenta aplicar não é a única medida contra a Constituição e a população indiana. O Registo Nacional de Cidadãos (NRC) e o Registo Nacional da População é o NPR são outras formas de organizar diferentes e desiguais grupos dentro do Estado da Índia.

No estado de Assam fizeram-se os primeiros ensaios para estes registos. Era o estado que mais trabalhadores migrantes, muçulmanos do Bangladesh procuravam trabalho e abrigo. Para separar as águas os habitantes de Assam teriam de provar que lá viviam antes de 1971 e que tinham ancestrais indianos. Não havia esses registos e até a mim seria difícil provar que sou aristocrata!As famílias pobres do estado de Assam, com medo de se tornarem apátridas, gastaram muito dinheiro com advogados e documentos. Alguns cometeram suicídio.

Ainda há poucos meses o atual ministro do Interior de Modi, disse que os imigrantes de Bangladesh estavam “comendo o grão que deveria ser destinado aos pobres”. Eles eram como ratos e até acrescentou caridosamente os “deitaria ao mar na Baía de Bengala”.

No estado de Assam dos muçulmanos que apelaram à cidadania, 90% foram declarados imigrantes ilegais. O governo planeia reunir todos esses “estrangeiros” e transportá-los para preencher quase uma dúzia de campos de internamento no estado.

O BJP muito satisfeito com o expediente deseja compilar um registo que englobe a população de 1,3 biliões de atuais indianos.

Após o tal Registo da população não Assam há agora o grupo de “cidadão “duvidoso” que poderá vir a ser internado em campos ou ser expulso da Índia. “Duvidoso”: muçulmanos, dissidentes, jornalistas e trabalhadores políticos da oposição. O BJP conhece suas prioridades. “Nenhum hindu, sikh, jainista, budista, cristão ou parsi”,será classificado como cidadão duvidoso.

Sobre os muçulmanos pende a espada da limpeza religiosa.

Há 180 milhões de muçulmanos da Índia.

O que o BJP sonha ter um país hindu, um país religioso. Como realizar tal sonho?

Os primeiro e segundo termos de presidência Modi são muito diferentes. Em 2014 o BJP consolidou o seu sucesso ao vencer uma série de eleições estaduais. “O secularismo é um artigo de fé para nós”, disse Modi durante sua campanha de 2014. Mas mentia.

Fez-se o tal registo de cidadania em Assam, mas as restantes medidas políticas foram iguais para toda a população. Impostos mesmo que descoordenados sobre bens e serviços, o cancelamento o valor das notas antigas, supostamente destinado a conter a corrupção com péssimos resultados para a economia do país, e um esquema delirante de identificação biométrica.

Em agosto de 2019, três meses após seu segundo mandato, o governo suspendeu uma disposição constitucional que há muito concede autonomias especiais ao disputado estado fronteiriço de Jammu e Caxemira. Além disso, o estado foi dividido em dois, e as metades foram colocadas sob controle federal.

Para evitar a resistência, tropas invadiram o vale da Caxemira e os serviços de internet em todo o estado foram desligados. Políticos da oposição da Caxemira foram presos não foram inquiridos.

A resistência, força e violência dos protestos contra o governo e a Lei de Emenda à Cidadania desde dezembro, é muito maior do que movimentos anteriores contra o governo Modi. A partir das eleições de 2019, durante vários meses, parecia que a maioria dos indianos era implicitamente a favor do sonho nacionalista e religioso.

Porque razaõ o Ato de Cidadania atraiu raiva e protesto?

BR Ambedkar

Caxemira, sempre foi considerada uma zona problemática e isso a discriminação que pervade esse estado já estava introduzido na mente coletiva.

Mas esta nova tentativa de alterar a Constituição, faz com que todos andem à procura de documentos e registos antigos, que não existem ou foram perdidos, e o medo passou de todos os muçulmanos para a restante população.

A Índia continua a prezar os seus heróis fundadores, Nehru, Ambedkar e os outros autores da constituição que fizeram do país uma democracia liberal e secular.

Tal como quando Indira Gandhi suspendeu as liberdades cívicas de expressão, e de reunião em 1975, ela teve ondas de protestos durante 18 meses, até cancelar o estado declarado de emergência.

Contra o Ato de Cidadania os indianos estão revoltados e demonstram-no. Pois consideram que a hipótese de haver indianos menores e maiores é um perigo coletivo.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/india-e-o-movimento-fascista/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=india-e-o-movimento-fascista

Em visita do presidente de Portugal a Nova Deli, Índia manifesta interesse em aderir à CPLP

Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro ministro indiano Narenda Modi, reunidos em Nova Deli, no dia 14 de fevereiro de 2020
© REUTERS / Adnan Abidi

Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, se encontra em visita de Estado de quatro dias à Índia. Após reunir-se com o seu homólogo indiano e com o primeiro-ministro Narenda Modi em Nova Deli, Rebelo de Sousa segue para Goa neste sábado (15).

Portugal e Índia assinaram 14 acordos e memorandos de entendimento em áreas chave, como direito do mar, propriedade intelectual e pesquisa aeroespacial e científica, durante os encontros realizados entre o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e as mais altas autoridades indianas, em Nova Deli, nesta sexta-feira (15).

O presidente da Índia, Ram Nath Kovind, recebeu o seu homólogo português no palácio de Rashtrapati Bhavan. Kovind lembrou os laços que unem as duas nações, que possuem 500 anos de história compartilhada.

"Os dois países estão intimamente ligados através de Goa e Mumbai, da nossa cultura, idioma e parentesco", afirmou Kovind.

O presidente indiano também agradeceu a Portugal por estender seu apoio à comemoração do 150º aniversário de nascimento de Mahatma Gandhi.

Kovind manifestou o interesse da Índia em unir-se como país observador à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Criada em 1996, a organização une todos os países de língua portuguesa do mundo, inclusive o Brasil.

"A Índia espera se tornar um observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa para que possamos ampliar nossas parcerias de desenvolvimento na África e em outros lugares", acrescentou.

A Índia possui territórios nos quais a língua portuguesa é utilizada, como a região de Goa.

Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, é recebido pelo seu homólogo indiano, Ram Nath Kovind, no palácio Rashtrapati Bhavan, em Nova Deli, no dia 14 de fevereiro de 2020
© REUTERS / Adnan Abidi
Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, é recebido pelo seu homólogo indiano, Ram Nath Kovind, no palácio Rashtrapati Bhavan, em Nova Deli, no dia 14 de fevereiro de 2020

Konvind disse que a agenda bilateral se expandiu significativamente. Hoje, os países cooperam em áreas como ciência e tecnologia, defesa, educação, inovação e startups, água e meio ambiente, entre outras, acrescentou.

Para o presidente indiano, os países devem aprofundar as relações no âmbito do combate ao terrorismo internacional. "Deveríamos aprofundar ainda mais nossa cooperação para derrotar e destruir essa ameaça global", declarou Kovind.

Em outubro de 2005, Portugal extraditou dois acusados de terrorismo, Abu Salem e Monica Bedi, para Nova Deli.

Outras áreas de cooperação citadas pelos mandatários são o desenvolvimento portuário, migração e mobilidade, startups, direitos de propriedade intelectual, área aeroespacial, nano-biotecnologia, coprodução audiovisual, ioga, treinamento diplomático, pesquisa científica e políticas públicas.

Kovind também citou as mudanças climáticas como um desafio global premente e convidou Portugal a se unir à Aliança Solar Internacional em um futuro próximo. A Aliança, encabeçada pela Índia, tem como objetivo reunir esforços para desenvolver a energia solar.

"Nossa parceria global acrescentou profundidade ao nosso empenho comum e ao nosso desejo comum de criar uma ordem mundial multipolar", declarou Kovind.

Encontro com o primeiro-ministro Modi

Nesta sexta-feira (15), o presidente português reuniu-se com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Durante as conversações foram assinados sete pactos para cooperação em áreas de investimento, transporte, portos, cultura e direitos de propriedade industrial e intelectual.

© REUTERS / Adnan Abidi
Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, inspeciona a guarda de honra durante sua recepção no palácio presidencial indiano, o Rashtrapati Bhavan, em 14 de fevereiro de 2020

Em 2017, Modi visitou Portugal, ocasião na qual foram assinados 11 acordos cobrindo um amplo espectro de temas, como espaço, prevenção de dupla tributação, nanotecnologia, biotecnologia e ensino superior. A última visita de um presidente português à Índia havia sido realizada em 2007.

Rebelo de Sousa visita Goa

Após o encontro com as mais altas autoridades indianas, Marcelo viajará para Maharashtra e Goa neste sábado (15). Goa é um território lusófono localizado no sudoeste do subcontinente indiano.

Em Goa, Rebelo de Sousa deve assinar um memorando de entendimento com autoridades locais sobre gestão de águas e esgotos, além de reunir-se com o governador de Goa, Satya Pal Malik, reportou o jornal indiano Firstpost.

A visita do presidente deve durar quatro dias e será encerrada neste domingo (16).

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2020021515222848-em-visita-do-presidente-de-portugal-a-nova-deli-india-manifesta-interesse-em-aderir-a-cplp/

China pede à Índia que pare com medidas que compliquem a questão fronteiriça

Beijing, 17 nov (Xinhua) -- Geng Shuang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, pediu na sexta-feira ao lado indiano que se abstenha de tomar quaisquer ações que possam complicar a questão fronteiriça entre os dois lados e que tome passos para salvaguardar a paz nas áreas fronteiriças.

Geng Shuang fez as observações em uma coletiva de imprensa ao ser perguntado sobre a recente viagem do ministro indiano da Defesa Nacional, Rajnath Singh, ao dito "Arunachal Pradesh".

Geng disse que o governo chinês jamais reconheceu o dito "Arunachal Pradesh" e se opõe firmemente a visitas feitas pelos líderes ou funcionários de alto escalão indianos nesta área.

A China pede ao lado indiano que respeite os interesses e preocupações da China, pare de tomar quaisquer ações que possam complicar a questão fronteiriça e tome passos concretos para salvaguardar a paz nas áreas de fronteira, disse Geng. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/17/c_138561948.htm

Confronto violento entre advogados e policiais deixa quase 30 feridos na Índia (FOTOS, VÍDEO)

Um confronto violento ocorreu em Nova Deli, na Índia, às portas de um tribunal devido à disputa sobre um espaço de estacionamento, provocando muitos feridos.

Pelo menos 29 pessoas ficaram feridas às portas do tribunal indiano de Tis Hazari, em Nova Deli, onde este sábado (2) aconteceu um confronto entre policiais e um grupo de advogados. Após uma disputa sobre lugar de estacionamento na corte, um dos agentes, supostamente, teria feito fogo sobre um jurista.

 

Veículos foram incendiados por advogados em frente das instalações judiciais de Tis Hazari.

Segundo o canal de televisão NDTV, em resposta alguns advogados incendiaram um automóvel da polícia. A disputa assim se transformou em colisões violentas que deixaram quase 30 feridos, entre os quais 20 são policiais, oito são advogados e um é jornalista de uma agência de notícias local.

 

Uma briga aconteceu entre a Polícia de Nova Deli e advogados no tribunal de Tis Hazari depois de alguns veículos policiais terem sido vandalizados e incendiados. Relata-se que foi disparado um tiro. A briga ocorreu por causa de uma disputa de estacionamento

"Este é um claro caso de arbitrariedade da Polícia, e todos os policiais envolvidos devem ser despedidos e processados", disse o presidente do Conselho de Advogados de Nova Deli.

Dez caminhões de bombeiros foram enviados ao local para apagar as chamas que afetaram vários veículos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019110314725937-confronto-violento-entre-advogados-e-policiais-deixa-quase-30-feridos-na-india-fotos-video-/

Caxemira Inquieta: A história de um vale sangrento nos Himalaias

Quando ainda não existia o conceito político, hoje em dia conhecido como Estado da  Índia!

 

 

Esta é a história de um sub continente[1] que data de 600AC a 1200AC. A região floresceu após a criação de pequenos reinos com grande diversidade cultural.  Diversidade em termos de etnias, línguas, agricultura, alimentação, roupa e tradições,  base do conceito político do sul da Ásia, mais tarde conhecido como Estado da Índia.

Chandragupta Maurya[2], um imperador indiano (340AC-297AC ), foi o primeiro governante que teve a ideia de criar uma nação. Depois de morte deste imperador, a região do sul da Ásia sofreu e testemunhou múltiplos invasões políticas, mas os vários reinos continuaram  separados. O único ponto notável aqui é a semelhança nas tradições, especialmente em termos de formas de subsistência e de vida. Só mais tarde, o mundo descobriu aquilo a que chamou “Civilização do Vale do Indo”[3] (3300 a1300), confundida com a “religião hindu”.

Um dia, os invasores coloniais[4] chegaram e mudou o destino da região. Começaram a chamar-lhe a “omnipotente Índia”. Dos reinos indianos  negociaram uns, resistiram  outros à entrada dos colonialistas. Mas, finalmente, os britânicos (Companhia Britânica das Índias Orientais[5]) assumiram o poder quase total do vasto e riquíssimo sub continente. Foi a  resistência das populações contra esta poder colonial que ajudou criar a verdadeiro alma política da Índia, agregando as populações destes reinos numa luta comum contra o invasor.

Antes do Gandhi se tornar “o símbolo” da independência da índia, já havia grandes lutas contra o poder colonial  que só tinha  olhos para os recursos naturais da Índia.

Gandhi, com ajuda de outros líderes progressistas destes movimentos, conseguiu unificar a luta pela  independência e conseguiram-na. O movimento conseguiu expulsar o ocupante mas a Inglaterra tinha planos nas suas mangas de tweed.

Qual foi o plano pós colonialista da democrática Inglaterra?

Durante e imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra foi-se esgotando em termos de poder e economia. Não houve outra saída para a Inglaterra que não concordar com exigências das líderes independentistas indianos.

Mesmo antes da independência da Índia Inglaterra adotou a “famosa política” conhecida como “dividir e para reinar[6]”. Esta política  assenta, aproveita e exalta as diferenças  etno-religiosas pré-existentes na sociedade que depois manipula para impedir o povo de lutar de forma unificada contra poder. De fato, militantes fascistas do religião hindu ajudaram a Inglaterra a atingir os seus objetivos.

Por fim, a Inglaterra conseguiu convencer os líderes muçulmanos que eles precisavam um estado independente, e assim conseguiam dividir a imensa Índia. O Vice Rei da Índia, Lord Mountbatten é o vilão dessa história. Ele convenceu o Dr. Muhammad Ali Jinnah[7], primeiro governador-geral do Paquistão, que a separação da Índia mãe criando um país só para muçulmanos é a única saída.

Alguns dias antes a declaração de independência da Índia, o Vice Rei Mountbatten afirmou ao então Rei do território de Caxemira (Maharaja Hari Singh) que não haveria hipótese de a Índia ter independência. Mas no meio da noite de 14 de agosto de 1947 a Índia declara a sua independência. Entretanto o drama organizado pelas autoridades Inglesas aconteceu, e uma Índia dividida eclodiu.

Mas Caxemira, que já era um país independente, permaneceu como tal, ficando encurralada entre Índia e o Paquistão. Isso aconteceu porque cada reino  do subcontinente indiano tinha o  direito de escolher entre ficar a fazer parte da Índia, do Paquistão ou tornar-se independente. Então, o que aconteceu posteriormente com esta independência de Caxemira?

Uma breve história de Caxemira

Antes da independência, havia  cerca de 650 reinos na Índia. Quer dizer 650 países. Mas os povos dos 650 reinos estavam a lutar contra poder colonial britânico, e não queriam, na sua maioria, manterem-se como monarquias. Devido à sua localização  Caxemira podia optar por se juntar à Índia ou ao Paquistão. Maharaja Hari Singh, o rei da Caxemira, era hindu, enquanto a maioria do povo deste estado era muçulmana. Incapaz de decidir a qual nação  Caxemira devia se juntar, o rei escolheu permanecer neutro.

Mas as suas esperanças de permanecer independente foram frustrados em outubro de 1947, quando o Paquistão enviou tribos muçulmanas para atacar o palácio do rei. Maharaja Hari Singh pediu a ajuda militar à Índia, e foi o principio de mais uma tragédia.

Forças militares indianas e paquistanesas começaram a lutar em nome da defesa dos interesses de Caxemira em 1948 e essa luta ainda não acabou. A Índia encaminhou a disputa para as  Nações Unidas e venceu. E a ONU pediu ao Paquistão para retirar as suas tropas. Índia venceu porque naquela altura  tinha o apoio das comunidades muçulmanos conseguido pelo prestígio do Dr Sheikh Abdullah[8] e os indianos não podem esquecer o nome dele na luta pela paz contra a intolerância religiosa.

O Paquistão ignorou a resolução da ONU e continuou lutar mantendo uma parte de Caxemira sob seu controle. Em 1 de janeiro de 1949 chegaram um acordo, com 65% do território sob controle indiano e o restante sob controlo  do Paquistão.

Tal como disse o Vice Rei  Mountbatten se “atirarmos um osso entre Índia e o Paquistão,isso manterá a luta por mais de cem anos”. E guerra continua.

Atualmente o que está a acontecer em Caxemira?

É uma pergunta de resposta complexa. Ambos os países têm “um pedaço de Caxemira”e ambos lados estão inquietos e sangram. A Caxemira indiana tem  neste momento uma história dolorosa, um presente difícil e um futuro incerto. O belo vale já testemunhou várias guerras, sofrimentos e muita desolação.

A Índia é um país que tem grande diplomacia. Negociar com 650 reinos e conseguir criar um país não foi uma tarefa fácil. Também por isso nunca houve problemas graves entre Índia e os outros 28 estados e sete territórios considerados Uniões, estes últimos  administrados diretamente pelo poder central. Caxemira é a penoso exceção.

A Caxemira administrada pela Índia tem um estatuto especial, é o Artigo N.º 370 da Constituição da Índia[9]. De acordo com este artigo a defesa, os assuntos externos e as comunicações são os três assuntos em que só o governo central pode tomar decisões. Outras vantagens deste artigo para a Caxemira são:

  • O parlamento da Índia não pode alterar ou mudar a fronteira e ou nome do estado
  • A legislatura estadual é mais poderosa do que a do parlamento da Índia
  • Jammu-Caxemira tem o seu próprio constituição e bandeira
  • Emergência nacional não pode ser declarada neste estado

Agora em 5 de agosto de 2019, o Governo da Índia revogou o status especial (Artigo 370) concedido a Jammu e Caxemira. O governo da Índia quer fortalecer a sua influência na sua única região de maioria muçulmana. Todos os anos a Índia gasta biliões de rupias na área militar para proteger o estado de infiltrações terroristas que têm sede no Paquistão. A Índia acredita que o país precisa de controle total sobre o estado para combater o terrorismo e atrair investimento no setor turismo.

Mas as pessoas que vivem em Jammu e Caxemira consideram isso como um ataque aos seus direitos e liberdades. Começaram a  revoltar-se contra essa decisão. Ao mesmo tempo, os grupos terroristas infiltrados consideram isto  uma ótima oportunidade para infiltrarem o estado.

A Índia enviou dezenas de milhares de tropas para o vale da Caxemira, antecipando uma reação da revogação do artigo 370. As autoridades indianas proibiram protestos,fecharam escolas e universidades, e mantêm  todos os líderes políticos em prisão domiciliária. Serviços de Internet, televisão e telemóvel foram suspensos no Vale da Caxemira. O “autoritarismo” e não a diplomacia venceram.

As pessoas que defendem a democracia e a Constituição estão preocupadas com essa situação política.

Conclusão

Os líderes políticos da Caxemira indiana trabalham diretamente com o seu povo. Eles sabem identificar problemas e trabalham com a população para resolvê-los. Mas agora que todos os políticos de direita e de esquerda estão no prisão a grande pergunta surge aqui é:

Quem vai falar com o povo e como é que será possível acalmar este movimento? O tempo irá mostrar se foi bom ou não revogar o famoso artigo 370.

 

 
 

[1] História da Índia

[2] Chandragupta Máuria

[3] Civilização do Vale do Indo

[4] Colonial India

[5] Companhia Britânica das Índias Orientais

[6] Dividir para conquistar

[7] Muhammad Ali Jinnah

[8] Sheikh Abdullah

[9] Artigo N.º 370 da Constituição da Índia


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 
 

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Índia, e os mitos que lhe foram sendo colados

Fascismo Hindu, vegetarianismo e vacas sagradas na Índia

 

 

Em 20 de Julho 2018, Rakbar, um agricultor e produtor de gado, indiano muçulmano, foi assassinado por um grupo de gau rakshaks[1]. Elas acusavam Rakbar de estar a levar uma vaca para ser abatida, e depois a carne ser vendida. A esposa, Asmeena, foi obrigado a fazer Iddat[2], e portanto a filha de ambos, Sahila, teve que abandonar a escola para cuidar da casa.

Isto não é caso único.

Desde 2010, que 86% dos mortos  por violência relacionada com o culto hindu ligado ao preconceito de que a vaca é sagrada são muçulmanos, e 97% destes ataques surgiram após a eleição em 2013 do governo hindu fascista de que é Primeiro Ministro Narendra Modi.

Perderam-se 28 vidas ao longo deste  período de nove anos em análise, Além disso, mais do que 124 outras pessoas foram feridas com maior ou menor gravidade nestes ataques. Mais de metade (52%) desses ataques foram baseados em rumores e  manipulação provocatória inseminada em populações pobres e pouco educadas. Todas as investigações relacionadas com atos de violência em nome da pretensa sacralidade da vaca estão ligadas com a ideologia Hindutva.

 

O que é essa ideologia Hindutva?

Hindutva é a fusão do fascismo e fundamentalismo religioso Hindu. Este ideologia  é uma forma religiosa, agressiva, retrograda que  integra inteligentemente o espírito nacionalista aproveitando tradições seculares fortemente enraizadas nas populações rurais e pouco educadas. Desde a sua fundação em 1925, este movimento incorporou ambiguidade, confronto, compromisso e contradição  para infiltrar as mentes e impor uma agenda totalitária sobre toda a Índia. Esta narrativa do “Hindutva“ ou “Ram Raj“[3] (Um país criado em nome de Deus) também tem outros objetivos tal como destruir a diversidade cultural e religiosa da Índia para criar um estado com  uma cultura única (negando as outras religiões/culturas), uma religião única e inclusivamente uma tentativa de criar uma língua nacional única.

Arya Darma ou Sanathana Dharma seria o conceito base ou paradigma  dessa tal nação Hindu. Os princípios da “Nação Hindu” deveriam, na opinião dos teóricos destes conceitos, refletir ícones do Sânscrito, normas e símbolos hindus, que invocam as  verdades cósmicas e eternas da lei védica.

Neste conceito, a sociedade deve ser dividida em quatro grupos ou castas (Chathur Varnya). Cada casta representa o “Karma e dharma”. Pessoas que nascem no seio de uma casta alta têm os seus privilégios e as castas baixas sempre seriam exploradas para benefício dos primeiros. Além dos aspetos de pureza e impureza do sangue mantido pela ausência de relação entre castas, elementos como considerar sagrado o sangue da aristocracia vai determinar o lugar e a posição das pessoas na “ordem Hindu”.

A grande contradição deste sistema  injusto é que estes conceitos anulam e negam a existência de direitos humanos e democracia no país. Os direitos das pessoas estariam ligados à casta e nunca ao merecimento individual. A Justiça, a Saúde e a Educação nunca seriam iguais para todos e isto elimina qualquer possibilidade de existir uma democracia dentro deste quadro rígido.

 

Porque é que a vaca não é um animal sagrado?

A vaca é um animal como outros animais domésticos que vivem na Índia. De facto, a vaca não tem nenhuma importância na vida social dos indianos. Então porquê este mito da vaca sagrada que se tornou tristemente célebre no ocidente?

É fácil a propaganda insidiosamente veiculada pela crença dos fundamentalistas religiosos ser tomada a sério. O mito pode transformar-se em realidade e causar mortes em nome dele. Basta dar-lhe o aspeto de coisa  sagrada. A grande maioria dos crentes Hindus não sabe nada sobre a sua própria religião e facilmente cai na armadilha da retórica fundamentalista, que utiliza a vaca como o símbolo do pecado maior cometido pelos muçulmanos ou pelos cristãos que não têm esse tabu e comem desde sempre  carne de vaca, sem que antes isso levantasse problemas.

Mas estudos e investigações sobre a religião Hindu revelaram que os Hindus da Índia antiga sempre consumiram carne de vaca e vitela. “Rigveda” um dos textos escrito em sânscrito que constitui base da filosofia hindu explica bem como é que se deve matar uma vaca para fins religiosos rituais e/ou para  comer.

Esta ideia de mitificar e mistificar a vaca como animal sagrado chegou à Índia depois da chegada da religião islâmica no século XVI. Na Índia, vacas não eram tratadas com mais bondade e respeito que qualquer outro animal doméstico.

Hoje em dia muitas vezes estes animais são espancadas e sofrem de fome. As vacas que não tenham boa capacidade de reprodução são sempre mal tratadas.

Mahatma Gandhi, também foi um político culpado por esta triste situação e chegou a dizer que “a questão central do hinduísmo é a proteção da vaca”.

 

Os indianos não são vegetarianos

70% dos Indianos não são vegetarianos. Comer carne e peixe  na Índia é frequente. De facto, estudos sobre vegetarianismo na Índia mostram que é um erro dizer que a Índia é um país vegetariano.

É óbvio que a maioria dos indianos consomem alguma espécie de carne. Frango, cabrito, búfalo ocasionalmente ou todos os dias. Estados tal como Arunachal Pradexe, Querala, Meghalaya, Mizoram, Nagaland, Tripura and Lakshadweep permitem abater vaca e servem-na em casa e nos restaurantes. Nos outros estados do Norte da Índia, onde os governos regionais representam a ideologia “hindu fascista”, é proibido abater vacas para consumo humano.

Em sumo, ser vegetariano ou comer vaca são opções baseadas nas ideias políticas do hindu fascismo e não por motivos religiosos.

 

Os Europeus também são culpados

Para entender este fascismo baseado na religião Hindu, é necessário fazer pesquisa. Estudar e ler. Em 1925, o nacionalismo Hindu, foi pescar ideias do fascismo e nacionalismo dos europeus para transformar pessoas de religiões diferentes em inimigos. Os líderes do Hindutva, sempre mostraram a sua admiração e boa vontade para com líderes autoritários Europeus tal como Mussolini e Hitler. Esta influência está novamente a crescer na Índia e não dá nenhuns sinais de abrandamento.

 

Conclusão

Quando uma sociedade dá mais importância a um animal por falsas tradições religiosas do que aos humanos, essa sociedade tem um problema grave. No caso da Índia, a vaca não é um animal sagrado, é uma ferramenta política. Manter os cidadãos na sombra do analfabetismo e da superstição alimentando o medo e a ignorância é gravíssimo.

O mundo tem de conhecer esta realidade e dar atenção a este assunto.

A “Incrível Índia” não pode ser só um folheto turístico.

 

 
 

[1] gau rakshaks: Grupo de militantes armados e violentos ligados ao nacionalismo hindu.

[2] Idatt: é o prazo de exclusão social que deve ser observado pela mulher muçulmana após o divórcio ou a morte do marido.

[3] violência relacionada à vaca India struggles with religious lynchings


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

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Meia centena de personalidades acusadas de sedição por alertarem Modi

Agentes da cultura indiana escreveram, em Julho, uma carta a Narendra Modi a alertar para as campanhas de ódio crescentes e os linchamentos de minorias no país. Foram acusados de sedição.

Narendra Modi, primeiro-ministro da ÍndiaCréditos / DD News

A queixa, apresentada há cerca de dois meses, foi aceite na semana passada pelo magistrado principal de Muzzaffarpur, no estado de Bihar, segundo refere a imprensa a indiana, que dá conta de «uma bola de neve de controvérsia» e de apoio aos realizadores de cinema, actores, músicos, escritores que, em Julho, subscreveram uma carta aberta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Nela chamava-se a atenção para o discurso de ódio crescente no país e exigia-se o fim imediato dos linchamentos de muçulmanos e dalits [oprimidos, trabalhadores braçais, «impuros»]. De acordo com a acusação, os signatários «mancharam a imagem do país e minaram o desempenho impressionante do primeiro-ministro», além de terem «apoiado tendências secessionistas», refere o indiatoday.in.

Por seu lado, o Times of India sublinha que não há base legal para sustentar a acusação de sedição ou de qualquer outro crime, e afirma-se crente na possibilidade de que uma instância judicial superior deite o caso por terra.

Em declarações ao jornal, o escritor e compositor Amit Chaudhuri disse que, se a Índia é uma democracia, não deveria haver nada de surpreendente com o facto de as pessoas expressarem as suas preocupações frequentemente. «A democracia não é sobre o silêncio mas sobre diferentes tipos de vozes, debates e discussões, todos garantidos pela Constituição. Tanto quanto sei, não vivemos num estado de excepção», frisou.

A oposição parlamentar ao Partido Bharatiya Janata (BJP, de Modi) também reagiu, tendo afirmado que a Índia está a «caminhar para um Estado autoritário». «Qualquer pessoa que diga alguma coisa contra o primeiro-ministro ou levante questões contra o governo vai parar à cadeia, é atacado, e a imprensa é esmagada», disse ao jornal um representante do Partido do Congresso.

Comunistas indianos «condenam veementemente»

A Comissão Política do Partido Comunista da Índia (Marxista) emitiu uma nota de imprensa, este domingo, em que deixa clara a condenação à decisão de acusar 49 «indianos proeminentes», com grandes méritos nas suas áreas, «por terem escrito uma carta» a Narendra Modi a alertá-lo para as «campanhas crescentes de ódio e de violência que conduz aos linchamentos em massa».

Os comunistas indianos, que recordam o seu posicionamento contra a figura jurídica da sedição (usada com abundância nos tempos da Índia submetida à coroa britânica), sublinham que «escrever uma carta ao primeiro-ministro a expressar opiniões […] não pode ser definido como um crime ou designado como anti-nacional».

«Isto é o equivalente a castigar todos aqueles que têm uma opinião divergente sobre as políticas do actual governo», lê-se na nota, que sublinha que o caso constitui «a negação completa dos direitos democráticos e reflecte o autoritarismo crescente no país».

Cinzas de Gandhi são roubadas nos 150 anos de seu nascimento

As cinzas do renomado líder indiano Mahatma Gandhi foram roubadas do memorial Bapu Bhawan, na cidade indiana de Rewa, durante as comemorações dos 150 anos do seu nascimento.

O roubo dos restos mortais foi seguido de um ato de vandalismo no memorial. Frases com conteúdo antinacionalista foram escritas em uma das imagens do líder indiano enquanto a Índia comemorava os 150 anos do nascimento de Gandhi.

A primeira pessoa a perceber o ataque foi Gurmeet Singh, político do distrito de Rewa, quando foi ao memorial prestar homenagem a Gandhi.

"Isto parece ser obra dos que gostam de Nathuram Godse, o assassino de Gandhi. Esse ódio tem que ser detido e a polícia deve identificar e apanhar os culpados", disse Singh.

A polícia local registrou um boletim de ocorrência, enquanto membros do governo fizeram um protesto com o objetivo de descobrir a identidade dos autores do ataque e criticar sua ação.

As imagens de segurança feitas por câmeras no local estão sendo analisadas.

"Nós recebemos a denúncia de Gurmeet Singh e foi feito um boletim de ocorrência. Estamos tentando identificar os malfeitores", disse Abid Khan, chefe de polícia de Rewa.

Moradores locais estão chocados com o fato de os vândalos terem entrado no memorial de Bapu Bhawan sem serem percebidos, publicou o India Today.

Além do memorial Bapu Bhawan na cidade indiana de Rewa, outras localidades também abriam as cinzas de Gandhi.

Pai da nação

Mahatma Karamchand Gandhi, mas conhecido como Gandhi, nasceu em 2 de outubro de 1869 em Porbandar, Índia.

Gandhi foi um dos líderes mais famosos do mundo e ícone da independência da Índia do domínio britânico. Ele é comumente chamado de pai da nação indiana.

Sua aversão à violência se tornou referência para diversas lideranças políticas posteriores. No entanto, nem todos os indianos concordavam com sua forma pacifista de fazer política.

Em 30 de janeiro de 1948, o líder foi assassinado por Nathuram Godse, um nacionalista hindu. Godse era contrário à política de paz entre hindus e muçulmanos que Gandhi defendia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019100414595927-cinzas-de-gandhi-sao-roubadas-nos-150-anos-de-seu-nascimento/

Guerra nuclear entre Índia e Paquistão pode matar 100 milhões e teria impacto global

Explosão nuclear (imagem de arquivo)
© Depositphotos / Curraheeshutter

Um artigo publicado nesta quarta-feira prevê que uma guerra nuclear entre Índia e Paquistão causaria mais de 100 milhões de mortes imediatas, seguidas de fome em massa global à medida que o planeta entra em um novo período de resfriamento, com temperaturas não vistas desde a última Era Glacial.

O cenário estimado pelo trabalho mostra o ano é 2025, no qual militantes atacaram o Parlamento indiano, matando a maioria de seus líderes. Nova Déli retalia, enviando tanques para a parte da Caxemira controlada pelo Paquistão.

Temendo que seja invadida, Islamabad atinge as forças invasoras com suas armas nucleares no campo de batalha, desencadeando uma troca crescente que se torna o conflito mais mortal da história e envia milhões de toneladas de fumaça preta e espessa para a atmosfera superior.

O artigo com o cenário trágico aparece em um momento de renovadas tensões entre os dois rivais do sul da Ásia, que travaram várias guerras pelo território da maioria muçulmana da Caxemira e estão rapidamente construindo seus arsenais atômicos.

Atualmente, cada um deles tem cerca de 150 ogivas nucleares à sua disposição, e o número deverá subir para mais de 200 em 2025.

"Infelizmente, é oportuno porque a Índia e o Paquistão continuam em conflito pela Caxemira, e todos os meses você pode ler sobre pessoas morrendo na fronteira", afirmou à Agência AFP Alan Robock, professor de ciências ambientais da Universidade Rutgers, coautor do artigo no site Science Advances.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, retirou a autonomia da parte da Caxemira controlada por Nova Déli em agosto, com seu homólogo paquistanês Imran Khan avisando na semana passada que a disputa poderia se transformar em guerra nuclear.

Confrontos entre muçulmanos xiitas e a polícia na região de Caxemira
© AP Photo / Dar Yasin
Confrontos entre muçulmanos xiitas e a polícia na região de Caxemira

Os dois países lutaram pela última vez em um conflito de fronteira em fevereiro, mas o embate arrefeceu depois que o Paquistão devolveu um piloto abatido à Índia.

Mortes em massa e resfriamento

Com base em suas populações atuais e nos centros urbanos que provavelmente seriam alvos, os pesquisadores estimaram que até 125 milhões de pessoas poderiam ser mortas se fossem usadas armas de 100 quilotons - mais de seis vezes a potência das bombas lançadas em Hiroshima.

Para referência, cerca de 75 a 80 milhões de pessoas foram mortas na Segunda Guerra Mundial. Mas isso seria apenas o começo.

A pesquisa constatou que tempestades de fogo em massa desencadeadas pelas armas nucleares em explosão poderiam liberar 16 a 36 milhões de toneladas de fuligem (carbono preto) na atmosfera superior, espalhando-se pelo mundo em semanas.

A fuligem, por sua vez, absorveria a radiação solar, aquecendo o ar e levando ao aumento da fumaça. A luz solar atingindo a Terra diminuiria de 20 a 35%, esfriando a superfície de 2 a 5 graus Celsius e reduzindo a precipitação em 15 a 30%.

A escassez mundial de alimentos se seguiria, com os efeitos persistindo até uma década.

"Espero que nosso trabalho faça as pessoas perceberem que você não pode usar armas nucleares, elas são armas de genocídio em massa", explicou Robock, acrescentando que o jornal deu mais evidências para apoiar o Tratado da ONU sobre a Proibição de Armas Nucleares, de 2017.

"Dois países com um número menor de armas nucleares do outro lado do mundo ainda ameaçam o planeta, então não é algo que possamos ignorar", concluiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019100214591447-guerra-nuclear-entre-india-e-paquistao-pode-matar-100-milhoes-e-teria-impacto-global/

Paquistão adverte o mundo sobre uma possível guerra nuclear com a Índia

O Paquistão voltou a alertar a comunidade internacional sobre uma possível guerra nuclear com a Índia diante das crescentes tensões na Caxemira, disse Masood Khan, presidente da Azad Kashmir, setor administrado pelo Paquistão.

"Mesmo um conflito militar limitado pode levar à guerra nuclear", declarou Khan à Sputnik.

Ele acrescentou que seu país não está tentando iniciar uma guerra.

"Estamos prevendo um cenário realista para a comunidade internacional agir e pressionar a Índia a interromper seus atos ilegais", prosseguiu Khan.

Na opinião da liderança paquistanesa, na fase aberta de um conflito hipotético "outros países não estarão diretamente envolvidos".

"Se houver uma guerra entre a Índia e o Paquistão, será muito rápida e mortal. Será o armagedom. Centenas de milhões de pessoas morrerão no sul da Ásia, a radiação afetará 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo", alertou.

Um soldado do exército paquistanês de guarda no topo de uma área frontal na Linha de Controle (LOC), que divide a Caxemira entre o Paquistão e a Índia. (Arquivo)
© AP Photo / Anjum Naveed)
Um soldado do exército paquistanês de guarda no topo de uma área frontal na Linha de Controle (LOC), que divide a Caxemira entre o Paquistão e a Índia. (Arquivo)

Khan pediu ao Conselho de Segurança da ONU que se envolva na situação para canalizá-la através dos canais diplomáticos.
No início de agosto, a Índia aboliu a autonomia do estado de Jammu e Caxemira e aprovou a divisão dessa entidade em dois territórios a partir de 31 de outubro.

O Paquistão alertou que fará de tudo para combater uma mudança unilateral no status de Jammu e Caxemira, reconhecido internacionalmente como território em disputa.

As tropas dos dois países da Caxemira são separadas por uma fronteira militar, a chamada "linha de controle", que carece de reconhecimento internacional e na qual incidentes frequentes são registrados.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019100214587270-paquistao-adverte-o-mundo-sobre-uma-possivel-guerra-nuclear-com-a-india/

EUA e Índia realizarão exercício militar em novembro

Um tripulante de tanque do exército da Índia participa do treinamento para o concurso Biatlo de Tanques 2018
© Sputnik / Eugene Odinokov

Estes serão os primeiros exercícios militares envolvendo Marinha, Aeronáutica e Exército já realizado entre os dois países.

O presidente Donald Trump anunciou neste domingo (22) que os EUA e a Índia realizarão exercícios militares conjuntos chamados Tiger Triumph em novembro.

"Em novembro, Índia e EUA realizarão um primeiro evento tri-service conjunto. Muito em breve vários acordos de defesa serão assinados entre Índia e EUA para reforçar nosso relacionamento de segurança", disse Trump.

Enquanto anteriormente os dois países se envolviam em tensões militares, a Índia já havia realizado exercícios militares em larga escala apenas com a Rússia. Agora, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica da Índia e dos EUA agirão simultaneamente.

O chefe do governo indiano tem uma ampla agenda para discutir com autoridades americanas durante sua visita. A lista inclui comércio, tensões crescentes na Caxemira, relações com o Paquistão e cooperação econômica com Washington.

Trump se reuniu anteriormente com o primeiro-ministro paquistanês Imran Khan e manteve conversas, discutindo a situação na Caxemira, disputada entre os dois países.

Khan até pediu que o presidente dos EUA mediasse na disputa, mas a oferta teve uma reação controversa na Índia e no Paquistão. A princípio, Trump apoiou a ideia, mas depois decidiu que os dois países poderiam resolver o problema por eles mesmos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019092214546914-eua-e-india-realizarao-o-primeiro-exercicio-militar-em-novembro/

Índia está pronta para avançar e ficar com lado paquistanês da Caxemira, diz ministro

Caxemira. Manifestantes paquistaneses entrarem em conflito com a guarda de fronteira da Índia em meados do mês de julho, em Srinagar
© AP Photo / Dar Yasin

Arriscando inflamar ainda mais tensões acerca da Caxemira, um ministro-chefe no estado indiano de Gujarat alertou o Paquistão sobre perder sua parte do estado contestado para Nova Déli, já que está pronto para 'reunir-se' antes da Índia anterior ao ano de 1947.

Islamabad "deve estar pronto para perder a Caxemira ocupada pelo Paquistão", disse o ministro-chefe de Gujarat, Vijay Rupani, segundo a mídia local, usando a expressão indiana para o território em disputa. A observação belicosa veio semanas depois que a Índia retirou a região de Jammu e Caxemira de seu status autônomo, o que, segundo o ministro, é uma abertura para reivindicações territoriais indianas.

"Agora, a Caxemira ocupada pelo Paquistão (PoK) também é nossa [...] Para realizar o sonho da Índia unida, estamos prontos para avançar para o PoK", declarou.

Ambos os países faziam parte da Índia britânica até a partição de 1947, que provocou divisões sectárias amargas entre hindus e muçulmanos e levou à disputa da Caxemira. Índia e Paquistão reivindicam a Caxemira na íntegra, mas controlam apenas partes dela.

Os dois países travaram uma série de guerras convencionais, juntamente com várias escaramuças nas fronteiras, mais recentemente em fevereiro. Naquela época, jatos indianos bombardearam o que Nova Déli disse serem campos do grupo insurgente islâmico Jaish-e-Mohammed (JeM), que havia realizado numerosos ataques terroristas em solo indiano. Islamabad respondeu com força, e as hostilidades finalmente evoluíram para bombardeios intensos de ambos os lados e combate aéreo aberto.

As relações atingiram outra baixa no mês passado, quando a Índia revogou o status de governo autônomo de Jammu e Caxemira.

A Índia alega que a medida é necessária para conter o terrorismo e impulsionar a economia da Caxemira, mas o Paquistão insiste que é ilegal e corre o risco de provocar violência na região. Eventualmente, os dois lados se envolveram em uma guerra prolongada de palavras, ameaçando-se com medidas coercitivas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019091614525380-india-esta-pronta-para-avancar-e-ficar-com-lado-paquistanes-da-caxemira-diz-ministro/

O investimento directo estrangeiro e os recursos exauríveis

por Prabhat Patnaik [*]

Joan Robinson, a famosa economista, chamou a atenção para uma diferença fundamental entre investimento directo estrangeiro (IDE) no sector manufactureiro e investimento directo estrangeiro num sector que extraísse um recurso exaurível, tal como um produto mineral. A diferença pode ser ilustrada com um exemplo.

Suponha-se que em ambos os sectores o valor de 100 rupias seja ganho e repatriado anualmente para o exterior pela companhia estrangeira e suponha-se que a vida da mina seja de 10 anos. Então, ao fim de 10 anos, durante os quais Rs100/ano foram repatriados, ainda ali estaria a unidade manufacturadora intacta no país hospedeiro; mas ao fim de 10 anos, em que cada um testemunhou a repatriação de um lucro de Rs100/ano, já não haveria mais daquele recurso mineral no país.

Isto não quer dizer que o investimento directo estrangeiro na manufactura deva ser sempre bem-vindo, de modo nenhum. Quer dizer apenas que apesar de haver situações em que ele poderia ser permitido na manufactura (quando por exemplo proporciona um ganho líquido de divisas estrangeiras), nunca há uma situação em que um país devesse optar por permitir o investimento directo estrangeiro num sector produtor de recursos minerais.

Isto também é um argumento para manter a extracção de todos os recursos exauríveis dentro do sector público. Precisamente porque estes recursos são exauríveis, não se trata apenas da questão de assegurar a taxa óptima de extracção de tais recursos, mas sim que todo grama de tais recursos, ou a moeda obtida contra a venda de tais recursos, deve ser utilizada para finalidades que sejam consideradas socialmente desejáveis. Isto exige controle social sobre tais recursos e para isso uma condição necessária é mantê-los dentro do sector público.

Trata-se de uma ideia que durante muito tempo enformou a política da Índia em relação ao investimento directo estrangeiro no sector do carvão. Na verdade, houve relaxamento nesta política quanto à produção de carvão cativo para centrais termoeléctricas e para unidades produtoras de ferro, aço e cimento, mas tais minas de carvão cativas não podiam vender carvão no mercado aberto. Mas isto agora mudou, com o governo Modi a anunciar que, doravante, não apenas o investimento privado mas 100 por cento do investimento directo estrangeiro, por processo automático, será permitido no sector carvoeiro. Isto significa que o monopólio virtual da empresa do sector público, Coal India Limited (CIL), a qual representa cerca de 83 por cento da produção total de carvão do país, acabará.

Toda a espécie de argumentos especiosos está a ser avançada para justificar esta medida. Há em primeiro lugar argumentos ridículos como o de "isto nos ajudará a atingir o objectivo de ser uma economia de US$5 milhões de milhões": estabelecer uma meta e depois alcançá-la por todos os meios dificilmente pode ser apresentado como uma justificação para a trapaça. Depois, há o argumento de que isso aumentará a "competitividade" dentro do sector carvoeiro. Como exactamente a ausência de "competitividade" impactou negativamente o povo do país nunca é explicado por aqueles que defendem tal argumento. Afinal de contas, a Coal India é uma empresa do sector público: ela não recorre a quaisquer preços exorbitantes devido à sua posição monopolista. Então, o que significa aumento da "competitividade"?

Um terceiro argumento ligado a este é que isto promoveria maior "eficiência". Nenhum indicador de "eficiência", em termos, por exemplo, de quaisquer indicadores físicos tais como inputs por unidade de output de carvão, é apresentado com base no qual esta afirmação possa ser julgada. Só se faz alguma vaga referência ao custo de produção por unidade de carvão; mas um custo de produção mais baixo por unidade de carvão não é indicação de maior eficiência. De facto, no sector carvoeiro onde os custos salariais são uma parte importante do custo unitário total, qualquer redução observada de custo na produção privada é devida a dois factores principais: salários mais baixos, que por vezes são estimados serem tão baixos como um terço dos salários pagos pela CIL para trabalho semelhante, e menor preocupação para com a segurança dos mineiros.

De facto, a CIL tem um recorde de segurança, o qual sem dúvida pode e deve ser melhorado, mas que é muito melhor do que se observa em outros países que foram para a mineração privada, incluindo mesmo a China. Na realidade, a taxa média de fatalidade por milhão de toneladas de produção de carvão é muito mais baixa na Índia do que na China e na Indonésia, dois outros grandes produtores que permitiram a mineração privada. Alcançar "reduções de custos" a expensas de vida humanas dificilmente é algo que devêssemos ter como objectivo.

Isto basicamente leva-nos aos dois argumentos mais citados. Um é de que o IDE trará melhor tecnologia ao sector das minas de carvão da Índia. Mesmo se este argumento fosse aceite, temos de perguntar porque a melhoria tecnológica da produção de carvão pela própria CIL não pode ser efectuada simplesmente pela aquisição de melhor tecnologia e porque se torna realmente necessário abrir o sector a 100 por cento ao IDE. De facto, não há evidência de o governo alguma vez ter feito sérios esforços para adquirir tecnologia através de outros meios diferentes da abertura a 100 por cento ao IDE.

O segundo argumento muitas vezes repetido é que ultimamente a Índia tem estado a importar carvão, com a magnitude das importações a aumentar ao longo do tempo porque a produção interna é insuficiente para atender às exigências de consumo interno. Portanto, a produção interna tem de ser aumentada rapidamente, para o que precisamos envolver actores privados, inclusive estrangeiros. O problema com este argumento é que ele nunca explica porque a CIL não seria capaz de aumentar a produção na medida necessária. A CIL é reconhecida pelo seu desempenho muito bom em 2018-19, adicionando 40 milhões de toneladas de produção incremental. Por que não se deveria pedir que continuasse a fazer isso nos próximos anos de modo a que as importações pudessem ser eliminadas nunca é explicado.

Faz-se muitas vezes a sugestão de que a CIL está "super-tensionada". O que é que isso significa exactamente também não está claro. É uma característica das grandes empresas que elas tenham os recursos para crescer ainda mais sempre que haja procura suficiente para sua produção. Por que isto não deveria acontecer no caso da CIL desafia a razão. E se por acaso houver algum constrangimento ao crescimento da CIL, então o governo poderia facilmente estabelecer outra empresa do sector público a fim de aumentar a capacidade de produção de carvão do país, ao invés de convidar multinacionais estrangeiras para o nosso sector carvoeiro.

Muito se diz neste contexto do facto de que "preciosas divisas estrangeiras" serão poupadas se aumentarmos a produção interna através de convite a multinacionais estrangeiras. Mas nunca há qualquer reconhecimento do facto de que tal convite também levará a uma substancial saída das "preciosas divisas estrangeiras" a título de repatriamento de lucros por estas multinacionais.

Ironicamente, as mesmas fontes que argumentam que multinacionais estrangeiras deveriam ser convidadas porque a CIL está "super-tensionada", imediatamente acrescentam que multinacionais estrangeiras não virão, dadas as dificuldades actualmente existentes quanto à aquisição de terra, ao preço do carvão e à necessidade de licitar pelos blocos de carvão. A sugestão, portanto, é que todas estas restrições devem ser abandonadas a fim de facilitar a entrada de multinacionais estrangeiras. Por outras palavras, não só as multinacionais estrangeiras devem ser autorizadas a produzir carvão, como deve-se recebê-las com um tapete vermelho e todo o regime político do país deve ser tornado subserviente às suas exigências; e tudo por causa de alguns não especificados "super-tensionamentos" da parte da CIL.

A conclusão inelutável é que não há nenhuma razão objectiva premente para esta política de abertura do sector carvoeiro a multinacionais estrangeiras. Esta política não é ditada por qualquer necessidade mas exclusivamente porque ter capital estrangeiro per se é considerado desejável, mesmo se, no processo, o preço do carvão subir e mesmo se uma desenfreada acumulação primitiva de capital, a expensas da população tribal do país, for executada (este afinal de contas é o significado do "facilitar" a aquisição de terra).

É irónico que um governo que proclama o seu "nacionalismo" de modo tão vociferante, e que ao mais ligeiro pretexto aprisiona pessoas por seres "anti-nacionais" , esteja tão ansioso por entregar o controle sobre os recursos da nação a multinacionais estrangeiras através da reversão de toda a política anterior.

08/Setembro/2019
[*] Economista, indiano, ver Wikipedia

O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2019/0908_pd/fdi-coal-sector . Tradução de JF.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Pelos direitos do povo da Caxemira!

 
 
Segundo uma resolução da ONU datada de 1947, apopulação local deveria decidir o futuro da Caxemira por meio de um plebiscito acerca da independência do território. Tal plebiscito nunca aconteceu.
 
António Abreu | AbrilAbril | opinião
 
1.Desde que o novo primeiro-ministro Narendra Modi foi eleito, ficou claro que actuaria numa linha dura, nomeadamente contra as aspirações dos caxemires, tendo-se então manifestado politicamente próximo de Trump e de Netanyahu, ambos abertamente anti-muçulmanos.
 
Com uma alteração constitucional, Modi acabou por voltar a permitir aos não-caxemires, aos não muçulmanos, comprarem terras nesse estado, dificultando uma futura negociação com o Paquistão, tal como Israel fez com os seus colonos em território palestino.
 
 
2. A Índia e o Paquistão mantêm um conflito há décadas em torno da Caxemira, estado montanhoso dos Himalaias. Ambos têm armas nucleares.
 
O império inglês dividiu, em 1947, a Índia, em Índia e Paquistão, e nessa divisão os caxemires, mais próximos da população muçulmana do Paquistão, ficaram integrados na Índia. Por outro lado, a parte norte da Caxemira (Aksai Chin) ficou integrada na China.
 
A ONU determinou à Índia que realizasse um referendo que apurasse se os caxemires queriam integrar o Paquistão, mas a Índia recusou realizá-lo como era previsível. Independentemente do referendo, há caxemires que querem um estado independente enquanto a maioria opta por se juntar ao Paquistão. Por outro lado, o Paquistão, com o apoio do seu tradicional aliado – os EUA – acolheu terroristas do Daesh expulsos da Síria e permitiu a sua acção na Caxemira.
 
A Índia tem concentrados na fronteira mais de 500 mil soldados e polícias paramilitares na sua Caxemira, cujos 12 milhões de habitantes confrontam um governo indiano descrito por vários visitantes como corrupto e brutal. O Paquistão tem aí concentrados 250 mil soldados seus. Na Índia, os caxemires só têm o apoio dos hindus e siques, que ali são uma minoria. Desde 1989, após uma rebelião, terão morrido cerca de 42 mil pessoas.
 
Segundo todos os observadores, a Caxemira, localizada no norte do subcontinente indiano, é disputada pela Índia e pelo Paquistão desde o fim da colonização britânica. As tensões na região têm início com a guerra de independência, em 1947, que resulta no nascimento dos dois Estados – a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Segundo uma resolução da ONU datada de 1947, a população local deveria decidir a situação política da Caxemira por meio de um plebiscito acerca da independência do território. Tal plebiscito, porém, nunca aconteceu, e a Caxemira foi incorporada à Índia, o que contrariou as pretensões do Paquistão e da população local – de maioria muçulmana – e levou à guerra de 1947 a 1948. O conflito terminou com a divisão da Caxemira: cerca de um terço ficou com o Paquistão (Caxemira Livre e Territórios do Norte, hoje denominados Gilgit-Baltistão) e o restante com a Índia.
 
Em 1962, a República Popular da China conquistou uma parte de Jammu e Caxemira (Aksai Chin). No ano seguinte, o Paquistão cedeu aos chineses uma faixa dos Territórios do Norte. Um novo conflito, em 1965, não trouxe modificações territoriais.
 
Na década de 1990 o conflito serviu de justificação para a militarização da fronteira e para a corrida aos armamentos. A Índia e o Paquistão realizaram testes nucleares em 1998 e, em Abril de 1999, experimentaram mísseis balísticos capazes de levar ogivas atómicas, rompendo um acordo assinado meses antes. Os dois países estiveram à beira de uma guerra total.
 
O primeiro-ministro ultra-nacionalista da Índia, Atal Vajpayee, ordenou um pesado contra-ataque, que expulsou os separatistas em Julho. A derrota paquistanesa levou depois a um golpe militar, liderado pelo general Pervez Musharraf, que depôs o primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif. Índia e Paquistão travaram na Caxemira, em 1999, um confronto que se estendeu de 3 de Maio a 26 de Julho do qual resultou uma vitória indiana e um número de mortos indeterminado – os dois lados do conflito apresentaram diferentes números.
 
3. O censo de 1901 da Índia Britânica revelou que os muçulmanos constituíam 74,16% da população total do Estado principesco de Caxemira e Jammu, frente a 23,72% de hindus e 1,21% de budistas. Os hindus encontravam-se principalmente em Jammu, onde formavam pouco menos de 80% da população. No vale de Caxemira, os muçulmanos eram 93,6% da população e os hindus, 5,24%. Tais percentagens mantiveram-se relativamente inalteradas nos últimos cem anos. Cerca de 40 anos depois, o censo de 1941 da Índia Britânica indicava que os muçulmanos formavam 93,6% da população do vale de Caxemira e os hindus, 4%. Em 2003, a percentagem de muçulmanos no vale de Caxemira era de 95% e 4% a de hindus. No mesmo ano, em Jammu, a percentagem de hindus era de 66% e a de muçulmanos, 30%.
 
A Caxemira é uma região do norte do subcontinente indiano, hoje dividida entre a Índia, o Paquistão e a China. O termo "Caxemira" descrevia historicamente o vale ao sul da parte mais ocidental do Himalaia. Actualmente, o termo «Caxemira» politicamente descreve uma área muito maior, que inclui as regiões de Jammu, Caxemira e Ladakh.
 
O nome da região é também sinónimo de material têxtil de alta qualidade, devido à lã de caxemira, produzida a partir do gado caprino da região.
 
4. Mesmo durante as décadas em que existiam salvaguardas constitucionais, Jammu e Caxemira conheceram pouca tranquilidade.
 
Em geral, os habitantes da Caxemira não querem que o território seja governado pela Índia, preferindo a independência ou a adesão ao Paquistão. O desemprego é muito elevado.
 
Os incidentes com o governo central têm sido frequentes. As incursões de Nova Déli na governação regional provocaram resistência. Houve confrontos armados na fronteira paquistanesa e, em duas ocasiões, os exércitos paquistanês e indiano travaram breves guerras. Uma resistência armada na década de 1980, buscando a autodeterminação da Caxemira, encontrou forte retaliação militar indiana. As baixas foram pesadas, um conflito de baixo nível persistiu e as forças de segurança muitas vezes atacaram manifestantes populares desarmados.
 
Já nos anos 1980, guerrilheiros separatistas passaram a actuar na Caxemira indiana e mais de 25 mil pessoas morreram desde então. A Índia acusou o governo paquistanês de apoiar os guerrilheiros – favoráveis à unificação com o Paquistão – e intensificou a repressão. A situação continua tensa, pois além do conflito com o Paquistão, existe um movimento pró-independência na Caxemira.
 
A conflitualidade atenuou-se até 1989, mas pouco tempo depois ela regressou após a morte do líder rebelde Burhan Wani, de 22 anos, em combate com as forças de segurança. A difusão nas redes sociais dos vídeos sobre Wani constituíram um factor de acréscimo da mobilização contra a administração indiana, que começou logo no seu funeral com grande presença de pessoas, em que morreram mais de 30 pessoas.
 
Seguiram-se novas vagas de manifestações e atentados terroristas.
 
Uma onda de explosões terroristas matou dezenas de civis nas maiores cidades paquistanesas, entre o final de 1999 e o primeiro semestre de 2000. Fracassam negociações de paz entre o governo da Índia e os separatistas muçulmanos da Caxemira em Julho de 2000. Os combates recomeçam, assim como as acções terroristas nos territórios do Paquistão e da Índia. Em Agosto de 2000, o Hizbul Mujahidine, principal grupo separatista muçulmano na Caxemira, anunciou uma trégua unilateral. A Índia suspendeu as operações militares na Caxemira, pela primeira vez em 11 anos. Porém as negociações fracassaram face à recusa da Índia em admitir o Paquistão na negociação de paz.
 
O número de mortos no ano passado atingiu mais de 500 pessoas, incluindo civis, militantes e membros das forças de segurança.
 
5. A 5 de Agosto passado o governo indiano anunciou a revogação da autonomia constitucional do estado de Jammu e Caxemira.
 
O revogado artigo 370 garantia a Jammu e Caxemira um estatuto autónomo que lhe garantia Constituição própria, bandeira e independência para decidir sobre todas as questões excepto as relativas a defesa, comunicações e assuntos externos.
 
Cinco partidos de esquerda emitiram uma declaração conjunta condenando as medidas de Modi como «um ataque ao federalismo, uma característica fundamental da Constituição indiana» e convocaram um protesto nacional para 22 de Agosto. Um desses partidos, o Partido Comunista da Índia (Marxista) declarou que o governo está a tratar Jammu e Caxemira como um território ocupado. O secretário-geral do PCI (M), Sitaram Yechury, falando numa iniciativa de solidariedade com os caxemires, acusou o governo indiano de «converter Jammu e Caxemira na Palestina indiana».
 
Os comunistas indianos do PCI (M) e do Partido Comunista Indiano (PCI) têm sido apoiantes tenazes dos direitos dos caxemires e estão ao seu lado. A 9 de Agosto, poucos dias depois da revogação do artigo 370, o secretário geral do PCI (M) foi detido no aeroporto de Srinagar D. Raja, líder do PCI, quando ambos pretendiam aceder à cidade para visitar Yusuf Tarigami, líder local do PCI (M), que se encontrava em detenção domiciliária – à semelhança de outros dirigentes políticos da Assembleia de Jammu e Caxemira. Foram impedidos de aceder à cidade e obrigados a regressar a Nova Déli.
 
Também o Partido do Congresso declarou que «o partido Bharatiya Janata assassinou a constituição e assassinou a democracia». No dia 22 de Agosto o Partido do Congresso, com uma delegação presidida pelo seu líder, Rajiv Gandhi, juntou-se aos comunistas e a outros partidos (DMK, Trinamool e NCP) para de novo tentar aceder à cidade de Srinagar. Apesar de as autoridades nacionais terem garantido essa acessão, as autoridades locais nomeadas por Nova Déli voltaram a proibir a saída do aeroporto, após discussões acesas da delegação com as referidas autoridades.
 
No mesmo dia, um viajante proveniente da Caxemira dava ao canal Al Jazeera um relato em primeira mão da situação na região, onde vigora o recolher obrigatório e as comunicações se encontram bloqueadas: «A Índia fala de paz e tranquilidade na Caxemira. Eu vi o oposto».
 
A conflituosidade entre a Índia e o Paquistão aumentou após a alteração constitucional de Modi contra os caxemires. A China pretende apoiar a pacificação da região mas as declarações de Pequim dão sinal negativo à Índia pela revogação do estatuto especial daquele estado indiano.
 
6. Mais recentemente, depois do Ministro da Defesa da Índia, Rajnath Singh, ter afirmado que o seu país poderia abandonar a política de «não ser o primeiro» a utilizar armas nucleares, o porta-voz das forças armadas do Paquistão, general Asif Ghafoor, afirmou que a disputada região de Caxemira representa «um foco de tensão nuclear» e instou a comunidade internacional a procurar vias para resolver a situação.
 
A China exortou a Índia e o Paquistão a evitar uma escalada de tensão entre os dois países, depois de aviões indianos terem entrado no espaço aéreo paquistanês e atacado uma localidade na zona de Caxemira. A China apelou aos dois países que se abstenham de recorrer a actos bélicos e, ao contrário, procurem melhorar as suas relações. «A Índia e o Paquistão são importantes estados do Sul da Ásia. Manter a cooperação e laços estáveis serve os interesses de ambos os países, mas também a paz e a estabilidade da região», declarou o governo chinês. Pequim convidou a Índia e o Paquistão a sentar-se à mesa de negociações o mais cedo possível.
 
Nos últimos meses decorre uma actividade diplomática neste sentido, com a Índia, o Paquistão, entidades governamentais da Caxemira e com a participação da ONU, da Rússia e dos EUA.
 
Na foto: Soldados indianos patrulham uma localidade em Jammu e Caxemira Créditos/ Twitter

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/pelos-direitos-do-povo-da-caxemira.html

Em meio a tensão com Paquistão, Índia diz que pode mudar sua doutrina nuclear

O ministro indiano da Defesa, Rajnath Singh, em foto de arquivo.
© AP Photo / ARINDAM DEY

A Índia mantém seu compromisso de não usar armas nucleares a não ser que sofra um ataque do mesmo tipo anteriormente, mas a política futura dependerá da situação, disse o ministro da Defesa nesta sexta-feira (16).

A Índia declarou-se uma potência nuclear depois de realizar testes subterrâneos em 1998 e o rival Paquistão respondeu com seus próprios testes pouco tempo depois. Desde então, especialistas nucleares dizem que os rivais vêm desenvolvendo armas nucleares e mísseis.

Em visita a Pokhran, no oeste da Índia, o local dos testes nucleares, o ministro da Defesa, Rajnath Singh, prestou homenagem ao ex-primeiro-ministro e reverenciado líder dos nacionalistas hindus, Atal Behari Vajpayee, por transformar a Índia em uma potência nuclear.

"Pokhran é a área que testemunhou a firme decisão de Atal Ji de tornar a Índia uma potência nuclear e ainda assim permanecer firmemente comprometida com a doutrina de 'não utilizar primeiro'", afirmou. "A Índia aderiu estritamente a essa doutrina. O que acontece no futuro depende das circunstâncias."

Na época dos testes, a Índia disse que precisava de um elemento de dissuasão contra a China, mas há muito tempo se preocupava com as capacidades nucleares do Paquistão.

A fala do ministro indiano ocorre em meio a tensões com o Paquistão por conta da Caxemira. A Índia revogou o status especial da região, que já causou duas das três guerras entre os dois países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019081614397002-em-meio-a-tensao-com-paquistao-india-diz-que-pode-mudar-sua-doutrina-nuclear/

Irã insta governo indiano a tomar medidas na Caxemira

Mohammad Javad Zarif e Narendra Modi, respectivamente, chanceler do Irã e premiê da Índia.
© REUTERS /

O governo do Irã pediu à Índia que tome medidas para normalizar a situação em Jammu e Caxemira.

A declaração partiu do Ministério das Relações Exteriores do Irã, nesta terça-feira (13). A chancelaria iraniana manifestou preocupações com supostas restrições enfrentadas pelos muçulmanos na região.

A declaração também cita relatos sobre a situação de segurança em vários distritos de Jammu e Caxemira, bem como as "restrições" religiosas enfrentadas pela comunidade muçulmana no local.

O Ministério enfatizou que a Índia deveria adotar medidas que retornem a região ao normal e permitam que as pessoas exerçam seus direitos naturais.

Em 5 de agosto, o presidente da Índia, Ram Nath Kovind, assinou um decreto removendo o status especial de Jammu e Caxemira, que foi concedido à região pelo artigo 370 da constituição indiana.

A nova iniciativa do governo federal da Índia divide em dois territórios da união. O Paquistão condenou a iniciativa da Índia e o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, a comparou à ideologia nazista.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019081314383454-ira-insta-governo-indiano-a-tomar-medidas-na-caxemira/

Paquistão promete luta na 'arena internacional' pela Caxemira

Muçulmanos protestan na Caxemira contra medidas da Índia na região. Foto de 12 de agosto de 2019.
Dar Yasin

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, expressou o apoio paquistanês à Caxemira e prometeu lutar pela região da arena internacional.

A declaração surgiu nesta segunda-feira (12), durante uma coletiva de imprensa do chanceler na região da Caxemira administrada pelo Paquistão.

Qureshi ressaltou os esforços do primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, para chegar aos líderes estrangeiros e propagar a visão paquistanesa sobre a situação na Caxemira. O chanceler mencionou que o país levará a questão ao Conselho de Segurança da ONU, conforme citou a emissora Geo News.

O ministro também anunciou uma visita do premiê paquistanês à região no dia 14 de agosto.

Na semana passada, o governo da Índia anunciou sua decisão de retirar a autonomia da região de Jammu e da Caxemira. Em resposta ao movimento, as relações entre Islamabad e Nova Delhi se deterioraram.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019081214379303-paquistao-promete-luta-na-arena-internacional-pela-caxemira/

Paquistão quer levar caso da Caxemira à ONU com apoio chinês

 
Tensões aumentam na região da Caxemira, disputada por paquistaneses e indianos, depois que Nova Délhi decidiu retirar autonomia. Com interesses territoriais próprios, Pequim promete interceder no Conselho de Segurança.
 
O Paquistão anunciou neste sábado (10/08) que recorrerá ao Conselho de Segurança da ONU, com apoio da China, para denunciar a inesperada decisão da Índia de revogar o status especial da província de Caxemira, disputada por ambos os países, em meio ao aumento da tensão no território militarizado há uma semana.
 
Após serem informados que o Paquistão decidira levar o assunto à Organização das Nações Unidas, os chineses "não apenas decidiram nos apoiar no Conselho de Segurança, como também nomearam os seus funcionários que estarão com os nossos, lá", declarou em entrevista coletiva o ministro paquistanês do Exterior, Shah Mehmood Qureshi. "A China demonstrou mais uma vez que são nossos amigos para sempre", acrescentou, após visita oficial a Pequim.
 
 
A medida apresentada na segunda-feira pelo governo indiano, e aprovada pelas duas câmaras do Parlamento em dois dias, avivou mais uma vez as tensões entre Índia e Paquistão, países com arsenal nuclear e que já travaram duas guerras pela questão de Caxemira. Nova Délhi também isolou a região do mundo externo, impondo toque de recolher rigoroso e suspensão quase total das comunicações.
 
Qureshi acrescentou que seu país também considera apelar à Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre a questão. "Quanto uma mudança demográfica é imposta pela força, isso se chama genocídio, estamos indo nessa direção.
 
A Índia planeia anular a cláusula constitucional que proibia estrangeiros de comprar propriedades no estado de Jammu e Caxemira. Assim, indianos do resto do país poderão adquirir terras e candidatar-se a empregos públicos lá. Há temores que isso provoque uma grande reviravolta demográfica e cultural na região de maioria muçulmana.
 
A decisão de retirar a autonomia, que permitiu durante 70 anos a Caxemira ter suas próprias Constituição, cidadania, bandeira e leis, foi rejeitada pela China por afetar uma parte do território que também reivindica como seu. "A resposta da China foi segundo as nossas expectativas. A China considera Jammu e Caxemira como um território em disputa. Agora estamos fazendo mais contatos diplomáticos", disse o chefe da diplomacia paquistanesa.
 
Islamabad reduziu as relações diplomáticas com a Índia, retirando unilateralmente seus embaixadores e cortando o comércio bilateral. Descartando por enquanto uma ação militar em resposta, o país garantiu que usará a via política e diplomática para reverter a ação indiana, que segundo o governo paquistanês viola a legislação internacional sobre um território em disputa.
 
O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, pediu o apoio de "vários líderes mundiais", disse Qureshi. "Provavelmente hoje, falarei com o ministro do Exterior da Indonésia, que é membro do Conselho de Segurança. Na segunda-feira, também falarei com o ministro do Exterior da Polónia, que preside o Conselho de Segurança", antecipou.
 
Deutsche Welle | AV/ap, efe
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/paquistao-quer-levar-caso-da-caxemira.html

China pretende pacificação na Caxemira

A situação na Caxemira preocupa a China. Esta pretende apoiar a pacificação da região mas as declarações de Pequim dão sinal negativo à Índia pela revogação do estatuto especial daquele estado indiano.

O ministro dos Negócios estrangeiros do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, esteve em Pequim, República Popular da China, para uma visita de emergência, durante a qual reuniu com o seu homólogo chinês, Wang Yi, a 9 de Agosto de 2019.CréditosDing Lin / Xinhua

O ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China e membro do Conselho de Estado daquele país, Wang Yi, declarou ontem que «deve ser evitada qualquer acção unilateral que possa complicar a situação na Caxemira», segundo reporta a agência Xinhua.

A China e o Paquistão são «parceiros estratégicos em todas as ocasiões», têm-se sempre «entendido e apoiado mutuamente nos seus interesses fundamentais», naquela que Wang Yi considerou «uma boa tradição que ambos os países devem continuar a acarinhar», continuará a apoiar firmemente o Paquistão na salvaguarda dos seus legítimos direitos mando ainda que «a China continuará a apoiar firmemente o Paquistão na salvaguarda dos seus legítimos direitos» e a exigir que aquele país seja tratado com justiça em matéria de assuntos internacionais.

As declarações foram feitas à margem das conversações mantidas com o seu homólogo paquistanês, Shah Mahmood Qureshi, durante a visita especial e de emergência deste diplomata à capital chinesa para explicar a visão, posição e contra-medidas do Paquistão sobre os recentes desenvolvimentos na região da Caxemira.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/china-pretende-pacificacao-na-caxemira

Governo de Modi revoga estatuto especial de Caxemira

O governo indiano anunciou esta segunda-feira a revogação da autonomia constitucional do estado de Jammu e Caxemira. Partidos de esquerda denunciam que se trata de um ataque à «democracia e ao federalismo».

Soldados indianos patrulham uma localidade em Jammu e CaxemiraCréditos / Twitter

A revogação do artigo 370 da Constituição, que garante um estatuto especial a Jammu e Caxemira, permitindo que esse estado indiano faça as próprias leis, foi decretada, com carácter imediato, pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind.

A decisão foi comunicada no Parlamento, em Déli, pelo ministro do Interior indiano, Amit Shah, por entre os protestos da oposição. «Toda a Constituição será aplicada ao estado de Jammu e Caxemira», disse Amit Shah. «A partir do momento em que o presidente dá o consentimento [à lei] e é [esta] publicada no Diário Oficial, nenhuma das disposições do artigo 370 será aplicável», acrescentou, citado pela HispanTV.

O artigo 370 garantia um estatuto autónomo a Jammu e Caxemira, que tinha a sua própria Constituição, bandeira e independência para decidir sobre todas as questões excepto as relativas a defesa, comunicações e assuntos externos.

O ministro do Interior disse ainda no Parlamento que o governo decidiu dividir o estado em duas partes, que serão regidas por vice-governadores nomeados pelo governo central: um para Jammu e Caxemira e outro para Ladakh, a parte tibetana da região, indica a Prensa Latina.

A lei que, desde 1949, garantia um estatuto especial à Caxemira indiana proibia que os cidadãos indianos residentes fora deste estado aqui comprassem propriedades, ocupassem empregos governamentais ou lugares nas universidades, refere a HispanTV.

Por seu lado, a PressTV sublinha que o território, altamente militarizado, pode passar a viver uma situação de residentes, de maioria muçulmana, colonizados por colonos ocupantes, apoiados por tropas que são «forças de ocupação».

Mapa da região de Caxemira, com as zonas sob controlo paquistanês e indiano Créditos

Recorde-se que Índia e Paquistão reivindicam o controlo da região de Caxemira desde que se tornaram independentes do domínio colonial britânico, em 1947 – sendo que cada um dos países controla apenas uma parte do território e já travaram duas guerras por causa do seu domínio.

A revogação do estatuto de autonomia ocorre num cenário de tensão crescente, sendo que responsáveis da região, que acusam as tropas indianas de aterrorizar os habitantes, afirmaram temer o aprofundamento dessa situação.

Antes do anúncio do fim do estatuto de autonomia, as autoridades indianas tinham pedido aos turistas presentes na região que a abandonassem – por alegadas ameaças terroristas, ainda que alguns órgãos de comunicação afirmem que tal se deva ao temor de distúrbios.

Além disso, as autoridades enviaram para o território pelo menos mais 10 mil tropas e impuseram restrições à celebração de actos públicos, bem como o encerramento de todas as instituições de educação.

Partidos progressitas denunciam «ataque severo» de Modi à democracia

Diversos partidos progressistas, entre os quais o Partido Comunista da Índia (Marxista), emitiram um comunicado em que criticam de forma veemente o «desmantelamento do estado de Jammu e Caxemira», classificando-o como um «ataque à Constituição da Índia, à democracia e ao federalismo».

Na nota, os partidos signatários sublinham que «a União Indiana foi formada» tendo por base a unidade e o reconhecimento das imensas diversidades que existem. «Claramente, o Partido Bharatiya Janata (PBJ) e a organização de extrema-direita RSS não conseguem tolerar qualquer diversidade», denunciam.

Nova onda de tensões: Índia cancela estatuto especial de Caxemira apesar de protesto paquistanês

Soldados indianos patrulham zona eleitoral durante segundo turno das eleições em Kangan, localizada a uns 35 km de Srinagar
© AFP 2019 / Tauseef Mustafa

O ministro do Interior da Índia, Amit Shah, apresentou na segunda-feira (5) no Parlamento um projeto de lei que cancelaria na Constituição do país o estatuto especial do estado indiano de Jammu e Caxemira, informou o canal NDTV.

O estatuto especial da região está definido no artigo 370º da Constituição da Índia. Este artigo, entre outras coisas, exige a aprovação obrigatória da maioria das leis aprovadas pelo Parlamento indiano pela assembleia local.

De acordo com a proposta do governo, Jammu e Caxemira se tornaria um território da união com órgão legislativo próprio. Prevê-se também que a região de Ladakh, que agora é parte de Jammu e Caxemira, também receba o estatuto de território da união. Os territórios da união, ao contrário dos estados, que têm um gabinete de ministros local, são governados diretamente pelo governo federal.

"Dada a situação de segurança interna no atual estado de Jammu e Caxemira que é exacerbada pelo terrorismo transfronteiriço, em Jammu e Caxemira será criado um território da união. O território da união de Jammu e Caxemira terá um órgão legislativo", diz a declaração.

Anteriormente, o presidente Ram Nath Kovind assinou um decreto para abolir o estatuto especial do estado, disse o canal. O projeto de lei respectivo precisa agora de ser aprovado pelo parlamento.

Medidas de segurança

As autoridades indianas começaram a enviar mais 8 mil soldados para Jammu e Caxemira, tendo como pano de fundo a anunciada decisão do governo de cancelar o estatuto constitucional especial da região. Foi relatado que aviões de transporte militar estão transferindo soldados ao aeroporto de Srinagar, capital da região, desde manhã de segunda-feira.

Como aponta o canal, esses militares reforçarão o agrupamento que já está implantado em Jammu e Caxemira. Ao mesmo tempo, de acordo com a agência noticiosa ANI, todas as unidades militares da Índia estão em estado de alerta máximo.

A operadora de metrô da capital da Índia, Nova Deli, anunciou a introdução do nível de alerta "vermelho" em todas as linhas de metrô, após receber recomendações dos serviços de segurança do país.

"Por recomendação dos serviços de segurança, em todas as linhas da DMRC foi introduzido o nível de alerta vermelho. Por favor, considere um tempo extra para o controle de segurança", diz a estatal Delhi Metro Rail Corporation Limited (DMRC) em sua publicação no Twitter.

Reação do Paquistão

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Islamabad está usando todas as opções para responder às "ações ilegais" das autoridades indianas, que cancelaram o estatuto especial de Jammu e Caxemira.

"As medidas unilaterais tomadas pelo governo indiano não podem alterar esse estatuto [...] O Paquistão, como parte da disputa internacional, está usando todas as opções para contrariar essas medidas ilegais", declara o comunicado do ministério.

O Paquistão irá igualmente recorrer à Corte Internacional de Justiça e tomar outras medidas diplomáticas relacionadas com a decisão das autoridades indianas de cancelar o estatuto especial do estado de Jammu e Caxemira, informou o jornal paquistanês News, citando fontes governamentais.

Jammu e Caxemira está localizado na região de Caxemira, uma área povoada por maioria muçulmana dividida entre a Índia e o Paquistão. Desde a independência dos dois países, em 1947, a soberania sobre a região tem sido um grande problema nas suas relações.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019080514342465-nova-onda-de-tensoes-india-cancela-estatuto-especial-de-caxemira-apesar-de-protesto-paquistanes/

Tensão: Índia envia 25 mil soldados para fronteira com Paquistão

Forças de segurança indianas atuando na fronteira entre Índia e Paquistão
© AP Photo / Channi Anand

A Índia transferiu 25 mil soldados para a fronteira com o Paquistão em meio a uma "escalada sem precedentes", informou a mídia local, citando autoridades do governo.

As tropas serão supostamente implantadas na fronteira internacional em Rajasthan e na Caxemira.

A medida foi adotada mesmo depois do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão ter apresentado vigoroso protesto formal contra uma violação do cessar-fogo pelo Exército indiano em vários setores ao longo da Linha de Controle na região em disputa.

As relações entre os dois países pioraram após um ataque terrorista no dia 14 de fevereiro contra um comboio militar indiano na Caxemira, no qual mais de 40 pessoas foram mortas. O grupo terrorista paquistanês Jaish-e-Mohammad reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

Mais tarde, em fevereiro, a Índia realizou um ataque aéreo na parte da Caxemira controlada pelo Paquistão, visando um suposto campo de treinamento pertencente ao grupo terrorista.

Esta semana, soldados dos dois países foram mortos durante os confrontos que vem se tornando cada vez mais violentos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019080114323902-tensao-india-envia-25-mil-soldados-para-fronteira-com-paquistao/

China confirma encontro trilateral de Xi, Putin e Modi durante cúpula do G20

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, presidente de China, Xi jinping, e primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi
© REUTERS / Mark Schiefelbein

A próxima cúpula do Grupo dos 20 será realizada na cidade de Osaka, no Japão, nos dias 28 e 29 de junho, em meio às tensões no Oriente Médio.

O presidente chinês, Xi Jinping, se reunirá em formato trilateral com seu colega russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante a próxima cúpula do G20 em Osaka, informou o vice-ministro chinês de Relações Exteriores, Zhang Jun.

"O presidente Xi Jinping, durante a cúpula do G20, vai participar de uma reunião dos líderes no formato trilateral Rússia-Índia-China", disse o diplomata durante uma entrevista coletiva.

Zhang Jun não especificou a data da reunião. Por outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang, informou que o líder chinês permanecerá no Japão entre os dias 27 e 29 de junho.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também estará presente durante a reunião do G20 e, mais cedo, afirmou pretender realizar uma série de reuniões bilaterais. Segundo o político, ele e o presidente da Argentina, Mauricio Macri, tentarão realizar uma reunião conjunta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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https://br.sputniknews.com/mundo/2019062414107495-xi-jinping-putin-modi-g20/

O estresse não passa? Talvez você esteja sofrendo de estresse crônico

Algum estresse é positivo. Faz com que nossos corpos liberem adrenalina, o que nos ajuda a realizar tarefas e projetos, e pode até melhorar nossa capacidade de desempenho e resolução de problemas. Mas o estresse crônico, que é constante e persiste por um longo período de tempo, pode ser debilitante e avassalador.

O estresse crônico pode afetar nosso bem-estar físico e psicológico, causando uma variedade de problemas, incluindo ansiedade, insônia, dores musculares, pressão alta e um sistema imunológico enfraquecido. Pesquisas mostram que o estresse pode contribuir para o desenvolvimento de doenças graves, como doenças cardíacas, depressão e obesidade. As conseqüências do estresse crônico são graves. No entanto, muitas pessoas que sofrem de estresse prolongado não estão fazendo as mudanças necessárias no estilo de vida para reduzir o estresse e, por fim, evitar problemas de saúde.

De acordo com uma pesquisa da American Psychological Association (APA), adultos que foram aconselhados por seu provedor de saúde a fazer mudanças de estilo de vida especificamente associadas a comportamentos ou sintomas de estresse – como parar de fumar, comer alimentos saudáveis, dormir mais ou reduzir estresse geral – foram os menos propensos a relatar o sucesso em fazer mudanças no estilo de vida. Felizmente, é possível gerenciar e aliviar o estresse crônico. Melhorar o estilo de vida e fazer melhores escolhas de comportamento são passos essenciais para aumentar a saúde geral.

Dicas para lidar com o estresse crônico:

Estabelecer limites.Liste todos os projetos e compromissos que estão fazendo você se sentir sobrecarregado. Identifique as tarefas que você acha que deve fazer para sobreviver e reduza qualquer coisa que não seja essencial.

Para projetos que são relacionados ao trabalho, organizar uma lista de suas responsabilidades e prioridades e a melhor forma de lidar com os projetos em mãos. Para compromissos sociais ou não relacionados ao trabalho, como atividades comunitárias ou voluntárias, considere entrar em contato com as pessoas com as quais você fez esses compromissos e informá-las de que você não pode cumprir essas obrigações no momento. Você também pode pedir ajuda para realizar essas tarefas. Abster-se de aceitar mais compromissos até sentir que seu estresse está sob controle. Estabelecer limites para obrigações não essenciais é importante para mitigar o estresse crônico.

Entre no seu sistema de suporte. Entre em contato com um amigo e / ou parente com quem você teve um relacionamento próximo ao longo dos anos. Deixe-os saber que você está passando por um momento difícil e dê as boas-vindas ao seu apoio e orientação; um fardo compartilhado é sempre mais leve. Seu amigo ou parente pode ter enfrentado desafios semelhantes e ter idéias e perspectivas úteis. Não há necessidade de enfrentar apenas circunstâncias desafiadoras da vida. Na verdade, o apoio da família ou dos amigos pode ajudá-lo a iniciar e a sustentar cuidando melhor de si mesmo.

Tenha um compromisso relacionado à saúde. Faça o que for possível para reforçar a sua saúde, para que possa ter energia e força para enfrentar os desafios que enfrenta. Um pequeno passo, como reduzir o consumo de cafeína, pode ter um efeito positivo. Estudos mostram que sem a cafeína, as pessoas relataram sentir-se mais relaxadas, menos nervosas, dormiam melhor, tinham mais energia e tinham menos azia e menos dores musculares. Da mesma forma, uma caminhada rápida ou outra atividade aeróbica pode aumentar seus níveis de energia e concentração e diminuir os sentimentos de ansiedade. A atividade física aumenta a produção do corpo de endorfinas de bom sentimento, um tipo de neurotransmissor no cérebro, e diminui a produção de hormônios do estresse. Tomar medidas positivas para a sua saúde irá ajudá-lo a gerenciar seu estresse.

Melhore sua qualidade de sono. As pessoas que sofrem de estresse crônico muitas vezes sofrem com a falta de sono adequado e, em alguns casos, com insônia induzida pelo estresse. De acordo com a pesquisa de 2009 da Stress in America da APA

47 por cento de todos os adultos dizem que ficam acordados à noite por causa do estresse. É importante tomar medidas para aumentar a qualidade do seu sono. Os especialistas recomendam ir dormir regularmente a cada noite, por pelo menos 7-8 horas de sono e, se possível, eliminando distrações, como a televisão e os computadores do seu quarto.

Comece a relaxar uma ou duas horas antes de ir dormir e participar de atividades calmantes, como ouvir música relaxante, ler um livro agradável, tomar um banho relaxante ou praticar técnicas de relaxamento, como a meditação. Evite comer uma refeição pesada ou praticar exercícios intensos imediatamente antes de dormir. Se você tende a deitar na cama e se preocupar, anote suas preocupações bem antes da hora de dormir e depois trabalhe para acalmar seus pensamentos antes que as luzes se apaguem. Você pode descobrir como lidar com problemas estressantes pela manhã, depois de uma boa noite de sono.

 

Esforce-se por uma perspectiva positiva. Observar as situações de forma mais positiva, enxergar problemas como oportunidades e refutar pensamentos negativos são aspectos importantes para se manter positivo e tentar minimizar o estresse. Em algumas pessoas, o estresse pode ser causado por suas tentativas de lidar perfeitamente com as coisas. Definir expectativas mais realistas e reformular positivamente a maneira como você olha para situações estressantes pode tornar a vida mais administrável. Além disso, circunstâncias difíceis têm uma maneira de trabalhar; É importante manter os desafios em perspectiva e fazer o que você pode razoavelmente fazer para avançar.

Procure ajuda adicional. Se você continuar se sentindo sobrecarregado, sentindo-se desesperado ou tendo problemas para realizar sua rotina diária, procure uma consulta com um profissional de saúde mental licenciado, como um psicólogo. Psicólogos são treinados para ajudá-lo a desenvolver estratégias para gerenciar o estresse de forma eficaz e fazer mudanças comportamentais para ajudar a melhorar sua saúde geral.

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/o-estresse-nao-passa-talvez-voce-esteja-sofrendo-de-estresse-cronico/

Na Índia, governo dará 400 mil casas aos sem-teto

Mulheres sem-teto na Índia sob um ponte com suas crianças aguardam para coletar água em um caminhão de distribuição em Chennai, em 8 de junho de 2017.
© AFP 2019 / Arun Sankar

No estado indiano de Kerala, a política para zerar o déficit habitacional chama a atenção. O governo resolveu dar casas aos sem-teto e as primeiras famílias já estão se mudando. Desde o início de abril, pelo menos 145 famílias já estão morando nas casas doadas pelo governo em um complexo de 270 unidades na cidade de Adimali.

O governo realizou uma pesquisa para estimar a população sem-teto e decidiu construir 400 mil casas para aqueles que se qualificarem a participar do projeto, segundo o U.V. Jose, chefe-executivo da Missão VIDA, agência governamental que monitora a iniciativa.


"Aqueles que não têm uma casa são os mais pobres, mais vulneráveis. Muitos não conseguem comprar uma casa, o que poderia melhorar sua qualidade de vida", disse Jose à Reuters.

As casas construídas custarão cerca de 400 mil rúpias cada, o equivalente a cerca de US$ 5,7 mil, e serão financiadas pelo governo. Esse modelo é diferente do utilizado a nível federal, que oferece empréstimos subsidiados para a compra de imóveis.

Crise urbana na Índia demanda modelos

A Índia vive uma rápida urbanização acompanhada do surgimento de favelas e assentamentos informais devido ao preço da habitação. O país tem cerca de 17,7 milhão de pessoas sem-teto de acordo com número de 2011. Segundo a agência Reuters, movimentos sociais acreditam que esse número hoje seja pelos menos três vezes maior.

O governo indiano tem um projeto para lidar com o problema. O Casa para Todos pretende criar 20 milhões de casas nas áreas urbanas e outros 30 milhões nas áreas rurais até 2022. No entanto, a implementação do programa tem sido lenta e observadores acreditam que ele não será o suficiente para sanar a questão.


Alguns estados indianos têm tentado lidar com a situação melhorando a estrutura local e prometendo aos residentes das favelas que eles não serão expulsos de suas áreas nos próximos anos. Em Odisha, por exemplo, as autoridades prometeram regularizar 200 mil residências irregulares.

No entanto, a reintegração dessas áreas é uma ameaça diária para a maioria. Estima-se que 11 milhões de pessoas vivam sob o temor de serem retirados de suas áreas por irregularidades.

Diante desse cenário, o modelo apresentado pelo estado de Kerala é defendido pelos ativistas locais como solução. É o caso da Rede de Direito à Terra e Moradia (HLRN, na sigla em inglês), que defende que este é o modelo mais completo do país e apontam a abordagem para com os sem-teto como "única forma de lidar com a questão".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019042513756648-india-governo-kerala-sem-teto/

Educar com ameaças é errado: razões, consequências e solução

Do site Etre Parents

Ser pai é uma tarefa complicada que requer muita preparação. Apesar disso, educar com ameaças é um erro. Portanto, existem técnicas eficazes para que as crianças cresçam saudáveis ​​e emocionalmente equilibradas, sem assustá-las.

“Se você não pegar todos esses brinquedos imediatamente, eu não comprarei mais brinquedos para você. Essas palavras ameaçadoras que obrigam as crianças a obedecer são muito comuns. No entanto, educar com ameaças é um erro. O uso do medo para educar tem um mau prognóstico . Portanto, os pais devem se esforçar para não prejudicar seus filhos e, em vez disso, criar uma base forte e positiva quando se trata de educar.

Ameaças na educação de crianças

Muitos pais baseiam sua educação em ameaças. Mas as crianças rapidamente percebem que, quanto mais prometem e ameaçam, menos elas se cumprem. Isso os leva a perder o respeito de sua autoridade, mesmo que não os vejam completamente zangados e perturbados. Isso ocorre porque as ameaças não são realistas. Ou seja, elas são difíceis de aplicar ou quase nunca se realizam.

Por que educar com ameaças é um erro?
Educar com base no medo para alcançar um determinado comportamento é uma base equivocada. No longo prazo, isso terá o efeito oposto pelas seguintes razões:

• Isso cria uma atmosfera de insegurança e desconfiança na família.

• É uma educação autoritária e negativamente anti-pedagógica.

• Envolve alguma violência .

• Não há coerência entre o que é dito e o que é feito.

Consequências sérias para as crianças educadas desta forma

Ameaças não são um bom recurso educacional. Embora pareçam inofensivos, são uma clara demonstração de abuso psicológico . Às vezes, elas são acompanhados por gritos , que podem afetar o comportamento das crianças e o bem-estar psicológico.

Entre suas consequências óbvias, elas empurram a criança para:

• Não se responsabilize por suas ações. É possível ter resposta, mas apenas para evitar punição ou receber um benefício ou uma recompensa.

• Perde-se a credibilidade nas palavras dos pais. Isso porque, em um momento de raiva, as ameaças se tornam tão fortes que, depois, refletindo calmamente sobre elas, vemos que elas são impossíveis de cumprir.

• Perde a confiança em si mesmo. Quando os pais cumprem as ameaças, a criança reconhece que deve temer seus pais e não desenvolve seus próprios critérios e autocontrole.

• Sofre pelo estresse, o que não é benéfico para o seu desenvolvimento emocional.

“As ameaças só mostram que os pais não têm recursos para educar seus filhos”

3 sugestões eficazes ao ensinar

Para que você tenha autoridade sobre seus filhos, é essencial que haja consistência e integridade entre o que você diz e o que você faz no final.

• Não coloque conseqüências drásticas, porque desta forma a sua eficácia será menor.

• Nunca diga o que você não tem certeza de que irá agir de acordo ou ir até o fim.

• Você deve ser fiel ao que promete, seja para o bem ou para o mal.

Como educar corretamente sem ameaçar?

Tentar controlar o comportamento das crianças escolhendo educá-las com ameaças é um erro. Isso só mostra que os pais não têm recursos para educar seus filhos. Isso revela que eles têm dificuldade em estabelecer limites e não estão conectados aos seus filhos.

Assim, os pais devem eliminar recursos antigos, como:

• Os sermões
• Manipulação e chantagem
• Abuso verbal ou físico
• Recompensas e punições

Em vez desses meios, você deve ensiná-lo que cometer erros é normal, mas que você pode aprender com eles e corrigi-los. Deixe claro que não há erro tão grave que você pare de amá-lo.

Em suma, não se trata de deixar a criança sem castigo, mas deve ficar claro que educar com ameaças é um erro que tem conseqüências negativas de curto e longo prazo. É sobre entendê-lo e ajudá-lo a tirar o melhor proveito dele, não por medo, mas por sua própria vontade.

 

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/educar-com-ameacas-e-errado-razoes-consequencias-e-solucao/

Eleitor indiano corta dedo após votar em partido errado (VÍDEOS)

Na Índia, para que um eleitor não vote mais de uma vez, o dedo indicador é pintado com uma tinta, que passa dias para sair e que é conhecida popularmente como "tinta da honestidade".

Um eleitor indiano ficou tão indignado ao errar de partido na hora de votar que cortou o indicador, escreveu o site Timesnownews. O incidente aconteceu na zona eleitoral de Bulandshahr, no norte do estado indiano de Uttar Pradesh.

No vídeo, Pawan Kumar diz que cortou o dedo por ter votado em outro candidato por engano. Ele apoia o Partido Bahujan Samaj (BSP, na sigla em inglês), que conta com representantes das classes inferiores da sociedade indiana. Kumar acabou apertando no botão errado, e dando o voto ao candidato do Partido do Povo Indiano (BJP, na sigla em inglês), que lidera o governo da Índia e que é o partido do primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

Kumar foi para o hospital, mas em pouco tempo recebeu alta.

O segundo turno dos sete turnos das eleições gerais aconteceu na quinta-feira (18) em onze estados indianos e em um território unificado. 

​Um rapaz no vilarejo de Abdullapur Hulaspur em Bulandshahr de Uttar Pradesh cortou dedo por ter votado acidentalmente no Partido do Povo Indiano ao invés de votar no Partido Bahujan Samaj.

​​Veja: Choque chegando de Bulandshahr, com um apoiador do BSP cortando dedo depois de pressionar o botão errado e votar no BJP.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019041913715279-eleitor-corta-dedo-votar-partido-errado-video/

A importância de saber dizer não e seus benefícios

A importância de saber dizer não e seus benefícios

As razões pelas quais é difícil para nós dizer que “não” pode ter origens diferentes e a capacidade de pronunciar um “não” é demonstravelmente parte de uma ferramenta de pessoas bem-sucedidas e autoconfiantes que sabem como usá-la adequadamente para avançar em suas vidas, e para alcançar seus objetivos

Causas porque achamos difícil dizer “não”

Em todos nós, permanece o instinto primordial de ser apreciado pelos outros. Assim como era importante que o rebanho gostasse e aceitasse o Neandertal para sobreviver, também acreditamos que precisamos do favor de outros como o ar para respirar.

Entre as principais razões pelas quais temos esse receio de dizer não e acabar agradando a todos menos a nós mesmos, estão as seguintes causas:

• Medo da rejeição

• Medo de estar sendo egoísta

• Medo de não ser importante

• Medo de perder algo

• Medo do conflito

• Medo de mudar alguma coisa

• Medo de ficar sozinho

• Medo de culpa ou remorso

Por que dizemos sim quando queremos dizer não?

Essas são algumas perguntas que podemos nos fazer antes de mencionar um sim quando claramente queríamos nos recusar a fazê-lo.

• Que vantagens eu tenho em dizer sim, embora eu preferisse recusar?

• Quais são as desvantagens de um sim, em vez de dizer não?

• Quais teriam sido as piores consequências possíveis, e o quão realista é esse meu temor?

• Alguma vez sofri consequências desagradáveis em um situação semelhante por ter dito não?

• O que você pensaria de alguém dizendo “não” em tal situação? Eu poderia ter mais compreensão para ele do que para mim?

Não há dúvida: ser útil e estar sempre disponível é uma virtude que pode tornar a coexistência muito mais fácil. No entanto, se você tiver muito a fazer, deve poder dizer “não” às preocupações de outras pessoas.

O benefício de dizer não

Aprender a dizer “não” corretamente é o primeiro passo para parar o excesso de trabalho e gerenciar melhor o nosso tempo. No entanto, existem muitos outros benefícios de dizer não e saber como definir limites.

Dizer não aos outros, rejeitando reivindicações e expectativas, muitas vezes significa “sim” para nós mesmos. Significa priorizar nossos desejos e necessidades e o que consideramos importante, por exemplo, sem interrupções. Para terminar, para fazer uma pausa, desfrutar de um dia de folga sem tarefas domésticas, passar tempo com amigos, o que for importante para nós.

Dizer não reduz o estresse

Em muitos casos, é um longo caminho para tentar reduzir o estresse. Você já concordou em fazer algo, mesmo que não queira realmente fazê-lo? Se assim for, então você definitivamente não está sozinho, isso acontece com todos. Ninguém está imune à pressão, às vezes dizemos sim em vez de dizer não e carregamos um fardo sobre nossos ombros.

O estresse excessivo não é saudável e é a causa de muitas doenças. Aprender a dizer “não” é uma das maneiras mais fáceis de reduzir o estresse. Não custa nada, o único requisito é mudar o seu ponto de vista.

Você aumenta sua auto-estima

Quando você aprende a dizer “não”, você constrói a auto-estima. Porque você aprende a se defender e isso cria força interior. Você também aprende a se impor.

Você se torna alguém que é respeitado em vez de explorado, isso aprofunda seus relacionamentos com outras pessoas. Além disso, você aprenderá a se sentir seguro mesmo sem o incentivo dos outros. Isso fará você se sentir livre.

Permite-lhe definir limites

Dizer não significa estabelecer limites para outras pessoas e não cumprir seus desejos e demandas. Claro, não se trata apenas de dizer não. Aprender a dizer não significa descobrir o que você realmente quer ou não quer.

Significa desenvolver suas próprias dúvidas e critérios, estar atento ao que acontece com os outros e também consigo mesmo. Perceber e formular suas próprias necessidades e desejos. À medida que você aprende a tomar decisões por si mesmo, isso afeta automaticamente sua confiança em si mesmo. O velho hábito de escolher a maneira mais fácil de realizar deixa espaço para o novo hábito de pensar e agir de forma independente.

Se você aprender a colocar limites saudáveis e disser não quando realmente quer dizer e não, isso o tornará uma pessoa mais sincera consigo mesma, e isso se traduz em uma pessoa com mais estabilidade emocional.

Do site menteasombrosa

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/a-importancia-de-saber-dizer-nao-e-seus-beneficios/

Índia e Paquistão teriam ameaçado ataques mútuos com mísseis

Astra, míssil ar-ar de emprego além do alcance visual produzido na Índia (foto de arquivo)
CC BY-SA 2.5 / Rajan Manickavasagam, Christian Alexander Tietgen / Astra Mk-I missile

Em meio ao agravamento das tensões indo-paquistanesas, Nova Deli ameaçou lançar mísseis contra o Paquistão, enquanto Islamabad repeliu dizendo que iria responder lançando "três vezes mais" mísseis, escreveu neste domingo (17), a agência Reuters, citando diplomatas ocidentais, bem como fontes paquistanesas, indianas e norte-americanas.

O agravamento do conflito começou a 14 de fevereiro, quando em um ataque suicida foram mortos 45 agentes dos serviços especiais indianos na região de Caxemira. A responsabilidade pelo ataque foi reivindicada por um grupo islamista que opera na região.


Em seguida, a Índia atacou posições desse grupo no território paquistanês, ao que a Força Aérea do Paquistão respondeu atingindo instalações militares indianas. Nova Deli e Islamabad anunciaram também a derrubada de aviões um do outro durante combates aéreos.

À medida que as tensões aumentavam, a Índia ameaçou disparar seis mísseis contra alvos específicos do Paquistão. A intenção foi confirmada por um ministro paquistanês e um diplomata ocidental em Islamabad.

O Paquistão disse que iria responder a qualquer ataque de mísseis com muito mais lançamentos. "Nós dissemos que, se vocês disparassem um míssil, nós dispararíamos três. Faça a Índia o que fizer, responderemos três vezes a isso", disse um ministro paquistanês à Reuters.

Fontes da Reuters disseram que a libertação do piloto indiano Abhinandan Varthaman ajudou a amenizar as tensões entre os dois países.  

Atualmente, as duas potências nucleares continuam demonstrando seus "músculos" militares. No início desta semana, a Índia apresentou o Pinaka Mk II, a mais nova versão de um lançador múltiplo. Enquanto isso, o Paquistão testou com sucesso um novo míssil de maior alcance, o JF-17 Thunder, desenvolvido no país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019031713507887-india-paquista-caxemira-ataque-misseis-conflito/

Há abusos que não deixam feridas na pele, mas na alma

Do site La Mente es Maravillosa

Há abusos que não deixam vestígios físicos, mas emocionais, abrindo feridas difíceis de cicatrizar e curar. Situações protagonizadas pelo domínio de uma pessoa sobre outra, onde o desprezo, a ignorância ou a crítica são os principais elementos de um relacionamento.

Uma palavra, um gesto ou simplesmente um silêncio pode ser suficiente para lançar uma adaga direta em nosso coração. Um coração que vai se debilitando pouco a pouco, sendo anestesiado antes de qualquer possibilidade de rebelião, porque o medo e a culpa foram estabelecidos.

O abuso emocional é um processo de destruição psicológica no qual a força emocional de uma pessoa é completamente violada.

Seduzir para aprisionar

O abuso emocional é uma realidade muito presente em nossos dias que não entende idade, sexo ou status social. Seja no casal ou na família ou até no trabalho, todos nós podemos ser vítimas dessa situação em qualquer momento de nossas vidas.

O perigo de abuso desse tipo são suas conseqüências e sua capacidade de passar despercebida. O abuso emocional é um processo silencioso que, quando dá a cara, já faz muito tempo desde que se originou, tendo consequências devastadoras para a pessoa que foi vítima.

Seu início é lento e silencioso, exercido por uma pessoa disfarçada de encanto, com o objetivo de seduzir suas vítimas para capturá-las, principalmente nos relacionamentos. Desta forma, a realidade que o abusador mostra é uma realidade falsa, cheia de promessas e desejos que nunca se tornarão realidade.

“O abusador vai preparando o terreno para que a outra pessoa caia em suas rédeas pouco a pouco e assim ter êxito finalmente em influenciá-la, dominá-la e privá-la de qualquer liberdade possível.”

O poder da prisão mental

O abuso emocional é um potente veneno que destrói a identidade da pessoa, roubando-lhe a força emocional. Ocorre indiretamente, através das grades abertas, que deixam entrar a insinuação que busca culpar e instilar a dúvida nas vítimas.

A vítima do abuso emocional encontra-se presa em uma prisão mental de deficiência e insegurança em que sua auto-estima enfraquece pouco a pouco.

Assim, quando a vítima já foi aprisionada, o abusador começa a se descobrir na frente dela por meio de desprezo, críticas, insultos ou até silêncios. Portanto, os traços desses abusos não são físicos e não há ferimentos visíveis na pele da vítima, porque o abuso emocional é exercido através de palavras, silêncios ou gestos.

Tanto é o dano que é exercido nestas situações que o medo de agir para libertar-se é visto em muitos casos como um impossível. A prisão mental é tão sólida que a vítima entra em uma situação profunda de desamparo, que não consegue imaginar sair.

As feridas invisíveis na alma

As feridas do abuso emocional são feridas profundas que atingem os recessos mais profundos do interior da vítima. Elas não podem ser vistas ou ouvidas, mas são terrivelmente sentidas pela pessoa que as sofre. Feridas escondidas para os outros, mas profundamente dolorosas para a pessoa que sofre.

“As feridas do abuso emocional criam um profundo buraco na auto-estima da pessoa, quebrando toda avaliação positiva de si mesma.”

São feridas originadas pelo desprezo e desqualificações que o abusador dirige à vítima. Feridas invisíveis e enraizadas no medo, culpa e dúvida que arrebatam a crença de qualquer possibilidade de agir para se livrar da situação em que a vítima está.

Essas feridas sangram não apenas em cada encontro, mas também na expectativa de que possam ocorrer. O importante é que a pessoa não dê por perdida a possibilidade de abandonar a situação em que se encontra e que leve em conta que essas feridas podem ser consertadas com ajuda.

Como consertar as marcas do abuso emocional na alma?

Nestes casos, o fator mais importante é que a vítima possa identificar a situação em que se encontra presa, onde carrega toda a responsabilidade e culpa que o agressor a induziu. Portanto, tornar-se consciente de que estamos em um processo de abuso emocional é o primeiro passo para sermos livres.

Uma vez que sabemos onde estamos imersos, recuperar nossos entes queridos e apoiá-los para que eles possam facilitar a saída desta situação nos ajudará a avançar. Pouco a pouco, com seus gestos de amor e carinho, podemos preencher algumas lacunas que surgiram em nosso interior.

Além disso, buscar ajuda de um profissional especializado nos facilitará a reconstruir nossa identidade e auto-estima, para reparar todas aquelas feridas emocionais invisíveis que habitam nosso interior. Dessa forma, podemos nos encontrar novamente com nós mesmos.

Reparar as marcas do abuso emocional em nossa alma não será um processo simples e rápido, mas complexo e lento. No entanto, a satisfação de nos encontrarmos novamente sempre valerá a pena.

Finalmente, não podemos esquecer que cada um de nós também pode causar feridas na alma dos outros quando desprezamos, ignoramos ou criticamos sem ter que chegar a situações de abuso emocional. As palavras e os nossos gestos são uma espada de dois gumes que deve ser cuidada …

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/ha-abusos-que-nao-deixam-feridas-na-pele/

Confrontos entre militares da Índia e Paquistão fazem quatro mortos

Quatro pessoas, das quais duas crianças, foram mortas durante confrontos entre militares indianos e paquistaneses, perto da linha de demarcação das partes da Caxemira sob controlo da Índia e do Paquistão, no setor controlado por este, em Nakyal.

O anúncio do confronto foi feito por autoridades locais à AFP
"Um obus de morteiro atingiu uma casa no setor de Nakyal, ao longo da Linha de Controlo, matando uma mãe, a sua filha e o seu filho", declarou um responsável local do organismo público encarregado da gestão de situações.

Uma outra mulher foi morta e outras sete pessoas feridas por tiros em outras localizações do setor de Nakyal. Um dirigente da polícia, Irfan Saleem, confirmou os factos.

Nova Deli e Islamabad acusam-se, regular e mutuamente, de fazerem disparos nesta zona fortemente militarizada, chamada Linha de Controlo, que marca a fronteira de facto entre as partes indiana e paquistanesa da Caxemira.

Na terça-feira, a Índia anunciou ter procedido a um "ataque preventivo" contra um grupo islamista baseado no Paquistão, que reivindicou um atentado suicida na Caxemira indiana na qual pelo menos 40 paramilitares indianos foram mortos em 14 de fevereiro.

Islamabad, que denunciou uma "agressão intempestiva", desmentiu que tenha sido atacado um "campo terrorista" perto de Balakot, no nordeste do Paquistão, perto da Caxemira, e prometeu replicar "na hora e no local da sua escolha".

O atentado de 14 de fevereiro provocou um aumento da tensão entre o Paquistão e a Índia, que acusa Islamabad de apoiar grupos de insurrectos ativos na Caxemira indiana.

As trocas de tiros na zona da Linha de Controlo provocaram dezenas de mortes entre civis e militares dos dois lados durante os últimos anos.

Lusa | em Notícias ao Minuto | Foto: Reuters

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/confrontos-entre-militares-da-india-e.html

Índia realiza ataques aéreos contra 'acampamento terrorista' no Paquistão

Caça Mirage 2000 da Força Aérea da Índia
© AFP 2018 / Prakash SINGH

A Índia realizou ataques aéreos contra alvos terroristas localizados ao longo da linha de controlo na região de Jammu e Caxemira, disputada entre a Índia e o Paquistão, tendo destruido completamente as instalações, informou o ministro de Agricultura indiano, Gajendra Singh Shekhawat.

"Hoje de manhã a Força Aérea [da Índia] realizou um ataque contra acampamentos terroristas ao longo da linha de controlo e destruiu-os completamente", revelou o ministro.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que a Força Aérea indiana efetuou o ataque porque o Paquistão não tinha adotado nenhumas medidas para eliminar infraestrutura dos terroristas no seu território.

Da operação participaram 12 caças Mirage 2000, que lançaram bombas com um peso total de 1.000 quilogramas sobre os acampamentos, informou a agência ANI citando fontes militares.

O chanceler paquistanês Shah Mahmood Qureshi declarou, por sua vez, que as forças do Paquistão estão prontas para responder a qualquer agressão militar.


Anteriormente, o porta-voz do Exército paquistanês, general Asif Ghafoor, disse que aviões militares indianos cruzaram a linha de controle fronteiriça na região de Caxemira e "liberaram uma carga útil", tendo o Paquistão enviado seus próprios jatos.

O incidente ocorre após a escalada das tensões entre a Índia e o Paquistão desde o atentado suicida de 14 de fevereiro na Caxemira, quando 45 policiais paramilitares indianos foram mortos por um grupo militante paquistanês. Nova Deli culpou Islamabad, que nega ter tido qualquer papel no ataque.

A região de Jammu e Caxemira é disputada entre a Índia e o Paquistão desde o fim do governo britânico em 1947. Após vários conflitos armados, os dois países concordaram em um cessar-fogo em 2003. Desde então, ambos os lados se acusam repetidamente de violar a trégua, com a contínua instabilidade na região, levando ao surgimento de vários grupos extremistas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019022613387251-india-realiza-ataques-aereos-acampamentos-terroristas-paquistao/

Milhões aderem a greve geral «histórica» na Índia

Trabalhadores de múltiplos sectores participam na greve geral de 2 dias, convocada por vários sindicatos, contra as políticas de Narendra Modi. Exigem melhores salários e medidas contra o desemprego.

Trabalhadores e activistas sindicais participam numa concentração em Mumbai, no primeiro dos dois dias de greve geral convocada para toda a ÍndiaCréditos / defenddemocracy.press

A greve geral agendada para ontem e hoje em toda a Índia é o 18.º protesto de dimensão nacional contra as políticas económicas do governo liderado pelo primeiro-ministro, Narendra Modi.

Convocado por dez estruturas sindicais, o protesto contou, no primeiro dia, com a participação de 200 milhões de trabalhadores de vários sectores, segundo revelou em comunicado o Centro de Sindicatos Indianos (CITU, na sigla em inglês).

Funcionários públicos e do sector privado, trabalhadores portuários, dos seguros e da banca anunciaram a sua adesão à greve. O mesmo fizeram algumas associações de agricultores. Em declarações à imprensa, Rahul Atul Kumar Anjaan, da ala camponesa do Partido Comunista da Índia (Marxista), disse que, quando outros trabalhadores protestarem contra as políticas do governo de Modi, eles também se juntarão às mobilizações.

Manifestação no estado de Haryana Créditos

Entre as exigências divulgadas pelas estruturas sindicais que convocaram a greve, contam-se: o aumento do salário mínimo nacional; a criação de uma pensão mínima de 3000 rupias por mês; segurança social universal para todos os trabalhadores; medidas em defesa da criação de emprego e contra a destruição de postos de trabalho.

Com esta paralisação nacional, os sindicatos denunciam: a privatização crescente da Educação e da Saúde, bem como de sectores-chave do Estado (ferrovia, aviação, Defesa, etc.); o desinvestimento no sector público; as alterações na legislação laboral que favorecem o patronato e o surgimento da precariedade; o aumento de preços e a especulação.

Primeiro dia com elevada adesão

De acordo com uma nota publicada pelo CITU, afecto ao PCI (M), no primeiro dois dias de greve geral o protesto teve uma dimensão «histórica», com mais de 200 milhões de trabalhadores a a aderirem à paralisação e a participarem em manifestações, concentrações, cortes de estrada e de vias férreas.

O CITU, que destaca o grande apoio popular aos trabalhadores em greve, afirma que, nos estados do Nordeste do país, nos de Kerala, Assam e Odisha, e em vários distritos do de Karnataka, prevaleceu uma situação de greve geral. Revela ainda que, nestes e noutros estados, o transporte rodoviário foi «severamente afectado».

Concentração de protesto em Bangalore, no âmbito da greve geral de 8 e 9 de Janeiro Créditos

A greve foi também bastante sentida no sector industrial, nomeadamente na cintura de Déli, nas refinarias de petróleo de Assam, Maharashtra, e nas grandes áreas industriais de Karnataka, Punjab, Jharkhand, Gujarate e Telengana. A adesão à greve foi total em unidades de produção de multinacionais como Bosch, Seat, Crompton, Samsonite (em Maharashtra), Volvo e Toyota (em Karnataka).

De acordo com o CITU, a adesão à paralisação na indústria mineira, do ferro e do aço oscilou entre «quase total» e os 50%, enquanto nas empresas de electricidade, nas plantações de chá (em Assam, Bangala Ocidental e Kerala) e no sector bancário se registou uma adesão «massiva».

A central sindical denuncia a existência de múltiplos casos de repressão policial em diversos estados, afirmando que milhares de activistas e delegados sindicais do CITU foram presos. No entanto, sublinha, a campanha levada a cabo contra a greve foi infrutífera. A prova disso é a resposta às políticas neoliberais e contra o povo que os trabalhadores indianos estão a dar, por todo o país, nas empresas e nas ruas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/milhoes-aderem-greve-geral-historica-na-india

Índia | A grande revolta camponesa

Sufocados pelos bancos e surpreendidos pelas mudanças climáticas, eles exigem um novo modelo agrícola. São centenas de milhões – mas a mídia convencional finge que não existem
Rohini Mohan | Outras Palavras
Potteeswaran, um produtor de arroz, contou que estava segurando os crânios de Murugesan e Laxmi, um casal originário da cidade de Trichy, no estado sulino de Tamil Nadu, que se matou devido a um empréstimo bancário que não pode pagar. “Quando o banco tomou suas terras, eles não viram outra solução”, disse Potteeswaran.
Em abril de 2017, mais de 150 camponeses de Tamil Nadu mantiveram-se sentados por quase um mês na região de Jantar Mantar, em Délhi, capital da Índia. Eles sentaram-se nus, segurando os ossos dos vizinhos que haviam cometido suicídio e carregando ratos e grama mortos em seus dentes.
“Em 2016, Tamil Nadu viu sua pior chuva em 140 anos”, disse Aiyyakannu, que liderou o protesto dos agricultores. “Queríamos simbolicamente envergonhar os nossos líderes.” Eles voltaram desta vez com gente de cinco distritos do delta do rio Kaveri, devastados pelo ciclone Gaja.
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Dezenas de milhares de camponeses marcharam por Delhi, capital da Índia, na última semana de novembro. Eles vieram em trens e ônibus de todo o país, e passaram uma noite fria em um centro de convenções chamado de Ramayana, onde se dramatiza, uma vez por ano, o poema épico de mesmo nome. No dia seguinte, com os estômagos meio cheios de roti e chá, doado pelos templos sikhs e as associações de estudantes de Delhi, foram até a Rua do Parlamento. Em uma cidade sufocada por ar irrespirável, eles falaram em oito idiomas sobre colheitas fracassadas, chuvas irregulares e suas vidas precárias.
Na semana passada uma conversa similar sobre o clima ocorreu no coração da Polônia. Ali, longe de seu eleitorado, governantes de todo o mundo expressaram em voz alta seus piores medos. Nosso planeta está perdido? Como enfrentar a mudança climática? Os diplomatas negociavam acordos globais de redução da emissão de poluentes quando o presidente dos EUA, Donald Trump, tuitou triunfantemente sobre o quão ridículo e caro ele julgava o acordo de Paris. Muitos políticos nos países ricos ainda estão focados no mínimo que podem fazer, e estão ansiosos para usar os protestos dos Coletes Amarelos contra o presidente francês Emmanuel Macron para argumentar mais uma vez que as populações não estão prontas para agir contra a mudança climática.
Mas os camponeses que marcharam até Délhi estão. A agricultura na Índia depende muito da chuva e da temperatura, na estação de crescimento; os agricultores são altamente sensíveis ao clima. Eles já sentiram o início do apocalipse na forma de poços ressecados, rendimentos em declínio e migrações em massa. Os custos estão aumentando, enquanto a renda agrícola real por plantador cresceu menos de meio por cento ao ano. Hoje, um agricultor indiano ganha menosde 20 mil rúpias (cerca de US$ 280) por ano, um quarto da renda anual per capita da Índia. De acordo com as estatísticas oficiais disponíveis até 2016, mais de 320 mil agricultores e trabalhadores agrícolas suicidaram-se desde 1995.
A precipitação média diminuiu na Índia e os eventos extremos tornaram-se mais frequentes. Enchentes e ciclones devastam as plantações, mas as estações também estão ficando cada vez mais secas. As chuvas de monção vêm depois e partem mais cedo. Estudos mostram que a extensão, duração e intensidade das secas de monções na Índia cresceram desde meados da década de 1950. Isso está ligado à redução das chuvas, que, por sua vez, se deve à redução da diferença de temperatura entre o Oceano Índico e o continente indiano. Mais camponeses do que nunca estão se suicidando por causa de colheitas frustradas.
Mais de dois terços dos campos indianos são irrigados por água subterrânea, que está se esgotando rapidamente. Num intervalo para beber água, do lado de fora do memorial Mahatma Gandhi, a caminho do Parlamento, Mallikarjun S. Doddamani disse que todos os camponeses em sua aldeia haviam cavado pelo menos dois poços na última década. A maioria está seca. Ele é de um distrito do sul, e vive seu terceiro ano de seca. “A terra é agora como uma camisa de mendigo: cheia de buracos”, disse ele. Depois de investir em quatro poços em seus 2,5 hectares de terra, Doddamani contraiu um empréstimo de 400 mil rúpias (5,5 mil dólares), que não pode pagar.
Insegurança alimentar, endividamento, escassez de água e rendimentos deprimidos compõem a história de quase todo camponês. Ramsingh Bharadwaj havia viajado por 36 horas a pé, de ônibus e finalmente de trem, partindo região central da Índia – rica em carvão – para exigir títulos de terra para sua comunidade de moradores de florestas nativas, que plantam e criam gado. “À medida que as minas de carvão se expandem, perdemos a floresta e nosso acesso a tudo o que resta”, disse ele. Em seu telefone, mostrou-me uma foto de sua colheita de lentilha, coberta de pó preto de carvão.
A mudança climática afeta sobretudo os camponeses mais pobres. Karu Manjhi, uma idosa dalitde Bihar, preparou uma pergunta para o primeiro-ministro Modi: “O que você acha do fato de um agricultor em seu país não poder alimentar seus próprios netos nem com uma refeição por dia?” Os dois netos e três netas de Manjhi comem arroz com lentilhas aquosas na escola pública, porque ela não tem condições de cultivar alimentos nutritivos em sua área de um hectare, agora dividida entre dois filhos (63% das terras agrícolas pertencem a agricultores marginais que possuem menos de 1 hectare). “Todos nós cultivamos apenas uma variedade de arroz porque é para esse que o governo garante um preço. Uma inundação repentina e tudo está podre”.
Cada região e comunidade tinha um horror diferente. Elas haviam travado suas batalhas locais, mas as respostas mais generosas do Estado foram paliativas. O adiamento das prestações da dívida, para os afetados pela seca, o combate às inundações e os sistemas de seguro oferecem alguma assistência, mas não bastam para alterar o que é cultivado, o que os agricultores ganham e como a água é usada.
Por isso, os fazendeiros trouxeram seus corpos – devastados pelo trabalho, desacostumados a câmeras de televisão e cansados de caminhar quilômetros – até o centro do poder. Em um raro momento, as castas superiores proprietárias de terras aliaram-se aos trabalhadores rurais sem terra; mesmo que seus interesses muitas vezes colidam, eles sabiam que seus destinos estão ligados. Os agricultores exigiram uma sessão especial de três semanas no Parlamento para discutir a crise agrícola. Além das leis sobre crédito agrícola e preços remunerativos, eles queriam um debate sobre a crise da água e práticas sustentáveis, em particular.
“Nós sinalizamos para onde vai o vento, observe-nos de perto”, disse Laxmiprasad Verma, um trabalhador agrícola de Varanasi que marchou com seu filho mais novo, Naineeta, de onze anos. Enquanto as milhares gritavam “Marenge nahin, ladenge!” [“Não morreremos, lutaremos”] os agricultores redefiniram-se como protagonistas, e não vítimas, da história da mudança climática.
Cerca de 200 sindicatos de agricultores organizaram-se nacionalmente sob o grande guarda-chuvas do Comitê de Coordenação Kisan Sangrarsh para toda a Índia, mas cada distrito mobilizou-se desde agosto. O grupo articulador foi All India Kisan Saha (AIKS), uma frente camponesa com raízes comunistas, mas muitos dos grupos eram organizações não partidárias que ajudam localmente os camponeses a batalhar por melhores preços, decidir o que plantar, como ter acesso aos mercados e reivindicar subsídios e reforma agrária. Rajkumari, do distrito de Sultanpur, em Uttar Pradsh, o Estado mais populoso da Índia, é participante da Associação de Mulheres Democrátcias da Toda a Índia (AIDWA), o braço feminino do Partido Comunista da Índia (Marxista). Ela chama a associação de aid-wah, com pronúncia hindi. Esta mulher de 40 anos nunca ouviu falar de Marx e assustou-se com o termo “maoísta”. Política, para ela, é uma forma de auto-realização. “Nós, mulheres, somos ensinadas a passar fome, quando a comida é escassa. Foi a primeira coisa que desaprendi”, disse. “Então, percebi: sou em quem semeio e colho arroz, tomo conta do gado, levo potes de água para casa. Por que não deveria ter salários e direitos iguais sobre a terra?”
“Simplesmente trabalhamos cada vez mais duro e gastamos cada vez mais em poços, sementes e tecnologia. Mas isso funciona?”, perguntou Mukhtayar Sing, de Punjab. Enquanto os manifestantes aguardavam e autorização da polícia para marchar, Singh perambulava, tentando falar com agricultores de outros Estados. Será que teriam encontrado outras maneiras de se adaptar”?
A maior parte dos fazendeiros, porém, não está mudando seus métodos para se adaptar às mudanças climáticas e à escassez de água. Em vez disso, estão cavando até70 metros para encontrar água – mas mesmo nesta profundidade, eles muitas vezes não encontram nada. Ou cultivam variedades tradicionais, que têm preços mínimos garantidos pelo governo, embora usem muita água e ofereçam poucos nutrientes. O arroz e o trigo são seriamente afetados pela mudança climática, mas ainda dominam os cultivos.
Quando nada funciona, os fazendeiros raspam juntos o tacho de suas economias para mandar seus filhos e filhas à escola, nas cidades mais próximas. Rulda Sing, de 57 anos, reza para que seus filhos nunca tenham de usar um arado. Quase 8 milhões de pessoas tiveram de deixar a agricultura, na década terminada em 2011, o ano do último censo indiano. Agricultores endividados ou trabalhadores agrócolas desocupados estão despejando alcatrão, carregando tijolos ou limpando o chão dos shoppings – dissolvendo-se no anonimato da vasta classe trabalhadora urbana. A Índia produz hoje mais comida do que nunca, mas reúne 24% das pessoas mal-nutridas no mundo e está longe de superar a fome crônica. “Eu como trigo, talvez meus filhos tenham de comer aço”, disse Rulda Sing, gargalhando. “O que eles fazem nos Estados Unidos? Na TV, todos os fazendeiros são gordos e ricos, e suas lojas de eletrodomésticos estão cheias”, disse Mukhtayar Sing. “Talvez eu deva ir para os Estados Unidos”.
Todas as manifestações, na Índia, necessitam uma autorização policial, e a polícia de Delhi demorou até domingo de manhã para permitir a marcha. Ela lançou avisos de trânsito sobre rotas a evitar, durante a manifestação de dois dias. Cerca de 3,7 mil policiais e membros de corpos paramilitares acompanharam o percurso. A visão das barricadas amarelas e das vans azuis da polícia fizeram Ramanamma, do estado sulino de Andhra Pradesh, lembrar dos canhões de água em suas costas, alguns anos atrás. À época, seu vilarejo reivinicava que as dívidas de agricultores como ela fossem canceladas.
Os protestos de agricultores já haviam quase dobrado em dois anos – de 2.683, em 2015, para 4.837, em 2016 –e continuam a emergir. Gás lacrimogênio e canhões de água são usados regularmente contra quem protesta. No ano passado, policiais que atiraram com munição real mataram seis camponeses em um protesto. Em março, cerca de 35 mil agricultores, a maior parte membros de tribos indígenas, caminharam mais de 200 quilômetros, durante sete dias, até Mumbai, exigindo títulos de terra. No norte e no oeste da Índia, agricultores despejaram cebolas e leite nas praças das cidades, em protesto contra os preços que recebiam pelos produtos.
Mulheres de Telangana, no sul, marcharam com retratos de seus pais, irmãos ou maridos que beberam pesticida – o veneno disponível mais próximo para um agricultor afundado em dívidas. Os bancos tendem a recusar empréstimos a pequenos componeses e trabalhadores agrícolas, por isso eles tomam emprestado de agiotas, a juros de 300%. Quando seu marido suicidou-se, Krishnamma recebeu uma modesta indenização do Estado. “No dia seguinte, três devedores bateram em casa – eu dei-lhes tudo”.
A boa notícia para Krishnamma é que ela conseguira manter pouco mais de um hectare de terra. A Aliança pela Agricultura Sustentável e Holística, uma rede nacional de 400 organizações camponesas, deu-lhe treinamento para o cultivo sustentável. Agora, em vez de plantar algodão e arroz, ela cultiva berinjelas e grão de bico, que são mais adaptados à mudança climática e podem florescer em temperaturas mais altas.
Outros, do Estado de Karnataka, praticam “agricultura de custo zero”, em que usam sementes ancestrais rústicas, obtidas gratuitamente. O governo de Kerala promove plantio compartilhadoentre agricultores marginais, especialmente mulheres, e incentiva a produção orgânica. Na marcha de Délhi, alguns camponeses do desertificado Rajastão explicavam manejo de bacias hidrográficas para outros de Bihar, onde famílias inteiras de pequenos proprietários e trabalhadores agrícolas estão migrando. Em meio à mobilização política, estes manifestantes não se esqueciam do futuro de seus cultivos.
*Rohini Mohan é jornalista que escreve sobre Política e Direitos Humanos na Ásia. Seu livro premiado, "The Seasons of Trouble" (2014) é um relato documental sobre a história de três pessoas vivendo no Sri Lanka após a guerra civil (1983-2009). Ela vive em Bangalore, Índia
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/india-grande-revolta-camponesa.html

Projecto político multipolar impulsionado por Putin na Índia

Tom LuongoUm artigo que complementa o de Pepe Escobar, publicado há quatro dias. Algumas das questões que aí eram deixadas em aberto encontram aqui dados e informação adicional. Naturalmente que a posição da Índia é em alguns importantes aspectos ambígua. Mas razões económicas objectivas levam-na a tender a resistir às pressões dos EUA relativamente às suas relações externas, nomeadamente com a Rússia e o Irão.


 

Causa-me admiração que o presidente russo Vladimir Putin durma. Ele é mais ativo do que qualquer outro líder, viajando pelo globo enquanto vai consistentemente mudando o estado do panorama geopolítico.

Enquanto toda a gente, incluindo eu, se fixava durante as passadas semanas no torvelinho dos círculos políticos americanos, Putin visitava a Índia e em pouco menos de dois dias acabou com a maior parte das especulações sobre qual o lugar da Índia no mundo multipolar emergente que Putin e o presidente chinês Xi Jinping estão a construir.

Putin e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi assinaram acordos com importantes consequências futuras para ambos os países. Por isso, enquanto todas as parangonas falavam das tentativas da administração Trump para pressionar a Índia a não comprar à Rússia os sistemas de defesa de mísseis S-400, Putin e Modi davam os retoques finais na construção pela Rússia de não menos que seis centrais nucleares na Índia.

Uma das coisas que mantêm a Índia como economia do primeiro mundo é uma rede eléctrica fiável. Ter oito centrais projetadas e construídas pelos russos em operação no país vai melhorar imenso o panorama da utilização de electricidade na Índia.

Parte das razões pelas quais a Índia é um importador tão importante de petróleo e gás é o facto de as necessidades básicas da sua carga de electricidade serem satisfeitas com hidrocarbonetos, que são caros. Mudar para o nuclear, mais à maneira da França e dos Estados Unidos, altera tudo de um ponto de vista das trocas com o estrangeiro, especialmente a prazo.

Bernard foi um dos primeiros a interpretar em Moon of Alabama[1] o que o âmbito deste acordo significa para a tentativa americana de retirar a Índia da aliança dos BRICS. Ele relacionou correctamente a atenção dos media ocidentais ao escândalo de corrupção no caso dos aviões de combate Rafale e os ataques a Modi como um sinal de que os Estados Unidos estavam furiosos com estes acordos e iniciavam um processo de sabotagem do governo de Modi.

Modi declarou sistematicamente a independência da Índia relativamente à estratégia americana “Quad” que alinha o Japão, a Austrália e a Índia com os interesses americanos em oposição aos BRICS e à Nova Rota da Seda chinesa.

O importante IPI

Lembro que no ano passado falei sobre as conversações preliminares entre a Gazprom[2] e os principais países empenhados no gasoduto Irão-Paquistão-India, ou IPI. Uma pequena nota na RT do ano passado (Russia Today, canal de notícias russo em língua inglesa – N.T.) foi tudo o que ouvimos sobre isso até há pouco.

Da RT: Moscovo e Teerão estão em vias de assinarem um Memorando de Entendimento
para apoio a um novo projecto de gasoduto, de acordo com o Ministro Russo da Energia, Aleksandr Novak.
Os dois países irão construir com a empresa russa de energia Gazprom um gasoduto de 1200 km do Irão para a Índia instalando vários depósitos iranianos ao longo do percurso.

Assim, o gasoduto IPI longamente pretendido por todos os intervenientes e combatido pelas forças de Hillary Clinton e das luminárias geopolíticas dos EUA vai finalmente ser feito.

E será provavelmente feito antes do gasoduto TAPI (Turquemenistão, Afeganistão, Paquistão, Índia) ser construído através do Afeganistão. Agora mesmo, o Turquemenistão está a construir a sua secção, estilo “Campo de Sonhos” (se fizeres a tua secção, eles fazem as deles). Mas, não há planos neste momento para uma data de arranque na construção das partes afegã e paquistanesa deste elefante branco, assim como a indiana.

Note-se que o anúncio do ano passado envolvia apenas Moscovo e Teerão. Agora, o Paquistão está oficialmente a bordo, o que novamente passou sem ser anunciado porque a reportagem respectiva era “sans-information”. Foram-me precisos não menos de dez artigos para finalmente perceber do que estavam a falar:


(Tradução do título: Paquistão e Rússia assinam MdE (Memorando de Entendimento) para gasoduto de gás do Irão de 10 mil milhões de dólares / O gasoduto submarino estará pronto nos próximos três a quatro anos)

Até a maior parte das fontes paquistanesas omitiram qualquer referência ao Irão no anúncio. Isso por si só nos faz pensar.

“Dominância da energia” ou gula?

Assim, enquanto a administração Trump continua a prosseguir a sua estratégia de “dominância da energia” para nos pôr no lugar do condutor a produzir o barril de petróleo marginal, Putin continua a fazer acordos que a eliminam e reforçam os seus parceiros da Ásia Central.

Começo a pensar que a “dominância da energia” é um nado-morto antes mesmo de começar. A produção de petróleo dos EUA tem acelerado e atingido máximos históricos, mas que interessa isso se não consegue vendê-lo ou ter a capacidade de refinagem para lhe acrescentar valor antes de o exportar pelo mundo.

Não é preciso mais que olhar para a diferença entre os preços da West Texas Intermediate (WTI) e do crude Brent. A WTI está agora a negociar $10 abaixo do Brent. Se isso parece bom de um ponto de vista de “partilha de mercado”, a razão é que a infra-estrutura de gasodutos nos EUA não consegue fazer o petróleo correr da Bacia Permiana para o mercado.


(Tradução: Inventário Semanal dos EUA em Crude e Produtos Petrolíferos com exclusão da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), em milhares de barris)

Estamos numa época diferente, mas o mercado do petróleo continua fechado, Assim, se o mercado está tão fechado, porque está a WTI a negociar com tão grande desconto relativamente ao Brent? De certeza que em parte isso se deve ao receio de ver o Irão sair do mercado, mas também explica estar o mercado do petróleo 10 a 15$ acima do que devia.


(Tradução: Diferencial de Preços Brent/WTI do Petróleo Crude– base fecho semanal)

O que isso não explica é a alteração que se iniciou no verão passado.

Este problema infra-estrutural é real. O abrandamento nas perfurações situa-se aqui. Muitos produtores Frac Sand procuram fazer layoff[3] ou cancelamentos de contrato[4] devido ao boom da Bacia Permiana ter mudado de repente para a baixa, não porque não haja procura, mas porque há demasiado petróleo inundando o mercado (N.T. – Frac Sand é a tecnologia utilizada na extração de petróleo ou gás por fracturação hidráulica ou “fracking” das rochas subterrâneas).

Se toda a cadeia de abastecimento não estiver fortemente alinhada, então o projecto de marginalizar o Irão no mercado do petróleo vai falhar quando se chegar a 4 de Novembro e a procura ainda estiver na mesma e os fornecedores não conseguirem satisfazê-la.

É por isso que o CEO da BP se vira para os sauditas[5] afirmando que têm capacidade de reserva que não utilizam. Ninguém quer assumir a culpa pelas perturbações no mercado do petróleo crude que estão no horizonte.

Isso leva-me de novo à Índia, ao Paquistão e ao Irão. A Índia fará conversa fiada com o secretário de Estado Mike Pompeo sobre o corte nas suas importações, mas no final comprará tanto petróleo iraniano quanto precisar, do mesmo modo que a China.

Pode haver alguma virtude em reconhecer num corte de cerca de dez por cento, mas não há maneira de o mercado pôr 2,8 milhões de barris de exportações iranianas de lado e ficar equilibrado.

E se quisermos saber porque Modi decidiu finalmente saltar as restrições sobre os BRICS, basta olhar para a incapacidade dos EUA controlarem os fluxos de energia como faziam no passado.

Com cada pequena vitória na Ásia Central, Putin torna cada vez mais fácil aos outros governantes dizerem-lhe sim e aos EUA não.

É difícil manter um sistema em desequilíbrio durante tanto tempo. E o “coração” da Ásia Central tem estado em constante estado de convulsão durante mais de cem anos graças às exigências imperiais primeiro dos britânicos e depois dos EUA.

Contudo, os incentivos económicos são demasiado importantes para que países como a Índia não façam as pazes com os seus vizinhos. Modi chegou finalmente à conclusão de que é tempo de acabar com os jogos geopolíticos alimentados pelos EUA através de conflitos culturais e fronteiriços. E de que continuar sozinha como estado-tampão só faz a Índia ficar para trás a longo prazo, agora que existe uma Rússia ressurgente pronta a trabalhar com a China para estruturarem toda a região em conjunto.

Testemunhamos passo a passo o fim da nossa capacidade de aplicar a doutrina Brzezinski sobre o caos na Ásia Central. Putin consegue e joga o jogo muito bem.

E acabou de tomar uma importante peça do tabuleiro.

Fonte: https://tomluongo.me/2018/10/11/muli-polar-political-project-pushed-forward-by-putin-in-india/[6]

Tradução: Jorge Vasconcelos

 

 

Leia original aqui

O dilema geoestratégico da Índia não fica resolvido com a compra dos S-400

Pepe EscobarA Índia adquiriu à Rússia um conjunto de sistemas antimíssil, e o seu primeiro-ministro afirmou uma perspectiva de reforço das relações económicas e da cooperação entre os dois países. Mas tem também (em nome de uma política de «multi-alinhamento») mantido e reforçado laços, nomeadamente no plano militar, com os EUA, cuja estratégia de confronto com a China, a Rússia e o Irão é conhecida. Uma importante questão, cuja clarificação está por fazer.


 

A cimeira Índia-Rússia de 2018 pode bem ter uma repercussão histórica. Na aparência, o que estava no centro das atenções era se a Índia iria concluir a aquisição à Rússia de cinco sistemas de defesa antimíssil S-400 por $5.43 milhares de milhões.

O negócio ficou fechado imediatamente após o Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi e o Presidente russo Vladimir Putin terem finalizado o seu encontro em Nova Deli. As negociações tiveram início em 2015. Os S-400 serão entregues em 2020.

O que virá então a seguir? Sanções da administração Trump ao abrigo do Countering America’s Adversaries Through Sanctions Act (CAATSA) [Acta de constrangimento os adversários dos EUA através de sanções].

Oxalá todas as mudanças de rumo geopolítico fossem assim claras.

Trata-se de um negócio de armamento que envolve Rússia, India e China – uma chave, se não a chave da tríade dos BRICS e da Shanghai Cooperation Organization (SCO). A nova realidade é que todos esses membros BRICS/SCO estão agora em condições de instalar os altamente efectivos S-400.

Mas isso não significa que dois deles – Índia e China – teriam necessariamente de activar S-400 um contra o outro em caso de ataque unilateral.

Putin foi muito insistente em afirmar que a Rússia irá acelerar fortemente a sua cooperação bilateral com a Índia não apenas na SCO mas também na ONU e no G20. Modi, por seu lado, reafirmou que tanto a Índia como a Rússia são favoráveis a um mundo multipolar.

Modi espera que a Rússia irá ajudar a Índia a desenvolver o seu programa espacial – que envolve a possibilidade de Nova Deli enviar astronautas indianos para o espaço por volta de 2022. Sublinhou que a Rússia tem sempre “estado lado-a-lado com a Índia no sector da energia e nos nossos objectivos.” Os “nossos objectivos” incluem de forma crucial a sincronia Rússia/Índia em termos da preservação do JCPOA, mais conhecido como o acordo nuclear do Irão. Uma consequência inevitável disso é que a Índia não irá deixar de comprar petróleo e gás iraniano, mesmo se ameaçado de sanções pelos EUA.

A administração Trump poderá até não avançar com sanções contra a Índia – de acordo com o National Defense Authorization Act – se o Presidente Trump decidir que Nova Deli não prejudicou interesses estratégicos dos EUA ao adquirir mísseis russos.

É evidente que o veredicto permanece absolutamente em aberto.

Decide-te, Nova Deli

No Fórum de Negócios Russo-Indiano, o Ministro do Desenvolvimento Económico Maksim Oreshkin insistiu em que a Índia e a Rússia estão em vias de aumentar o comércio e o investimento no sentido de alcançar “um movimento comercial de $30 milhares de milhões…e de incrementar os investimentos até aos $50 milhares de milhões por volta de 2025”.

No mês passado Nova Deli sugeriu a criação de uma zona económica especial (SEZ) para os negócios com a Rússia – para além de um “corredor verde” para facilitação das relações comerciais, já discutido.

Tudo isto se encaixa no quadro histórico de boas relações entre Rússia e Índia. Todavia, o quadro geral é bastante mais matizado, na medida em que ilumina os pontos mais delicados do equilíbrio estratégico entre os três grandes parceiros BRICS/SCO.

Putin e Xi Jinping estabeleceram já que as Novas Rotas da Seda, conhecidas como a Iniciativa Cinturão e Estrada (BRI) e a União Económica Eurasiana (EAEU) irão associar-se em múltiplas frentes.

Tal deixaria Nova Deli como o parceiro posto de lado. A Índia não está alinhada com a BRI e está em franca oposição a um dos projectos emblemáticos BRI: o Corredor Económico China-Paquistão (CPEC). Nada que Pequim não seja capaz de resolver, por exemplo com ajustamentos cuidadosos na proximidade de Caxemira.

Por seu lado, Moscovo e Pequim estão conscientes em extremo de que a Índia pode ser utilizada por Washington como um Cavalo de Tróia para minar a integração eurasiana.

Provas nesse sentido incluem o recente Acordo de Compatibilidade e Segurança de Comunicações (COMCASA) que converte de facto Nova Deli num aliado militar dos EUA; o novo estatuto da Índia como o único “parceiro de maior importância” de Washington; e o papel desempenhado pela Índia (juntamente com Japão e Austrália) no ressuscitar do QUAD pela administração Trump, algo que Pequim interpreta como uma tentativa de cerco no Mar dos Sul da China.

O problema é que os ultranacionalistas hindus do BJP, o partido de Modi, efectivamente apoiam o cerco e/ou a contenção da China. A razão-chave, nunca enunciada, é de ordem económica. O BJP receia que, no caso de a Índia se associar à BRI, uma enxurrada de Made in China viesse simplesmente destruir as indústrias domésticas indianas, muito como sucedeu com alguns sectores industriais no Brasil, país membro BRICS e o maior parceiro comercial da China na América Latina.

O que Pequim e Moscovo desejam é que a sua parceria estratégica de largo espectro – e sinergia – avance no sentido de um processo de integração eurasiano encabeçado por BRI/EAU. Não é claro que isto constitua uma prioridade estratégica para a Índia.

A prioridade estratégica de Washington é bastante clara: dividir para reinar, por todos os meios, o encaminhar concertado BRI-EAEU-BRICS-SCO no sentido da integração eurasiana e da multipolaridade global.

Portanto, com o negócio dos S-400 fechado, a bola está de facto do lado de Nova Deli. A tão gabada política oficial de “multi-alinhamento” deixa ainda a questão geoestratégica fundamental em aberto: irá a Índia inclinar-se no sentido do Dividir para Reinar ao estilo EUA, disfarçado de Equilíbrio de Poderes, ou a favor de uma dinâmica multipolar no sentido da integração da Eurásia?

Fonte: http://www.atimes.com/article/s-400s-dont-solve-indias-geostrategic-dilemma/

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Leia original aqui

Milhares de agricultores marcharam em Déli contra políticas «anti-povo»

Trabalhadores e camponeses de diversos estados da Índia uniram-se na capital para protestar contra as políticas «anti-povo» do governo de Modi e reivindicar melhores condições de vida.

Dezenas de agricultores manifestaram-se em Déli por melhores condições de vida e para exigir uma mudança nas políticas do governo de Narendra ModiCréditos / PCI(M)

Para participar, hoje, numa mobilização que o Partido Comunista da Índia (Marxista) – PCI(M) – classificou «como a maior marcha do povo trabalhador a que Déli assistiu em décadas», milhares de pessoas, agricultores e trabalhadores do campo na sua maioria, começaram a chegar ontem à capital. De acordo com o The Hindu, só do estado de Maharashtra vieram 10 mil trabalhadores.

Os agricultores, que afirmam estar a ser asfixiados pelas medidas «anti-povo» e pela falta de políticas públicas do governo de Narendra Modi, exigem uma efectiva implementação das leis laborais, bem como melhores salários, a universalização do sistema de ajudas públicas e medidas concretas que conduzam à criação de emprego. Reclamam também o cumprimento de direitos como segurança alimentar, saúde, educação e habitação.

Convocada pelo Centro de Sindicatos da Índia (CITU), a AIKS – frente de camponeses do PCI(M) – e o Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas da Índia (AIAWU), a maré humana e vermelha percorreu o centro da cidade até chegar às imediações do Parlamento.

«Estamos aqui para dizer ao governo que, se não mudar de política, somos nós que mudamos de governo», disse na mobilização Hannan Mollah, secretário-geral da AIKS, citado pela agência EFE.

O governo de Modi leva a cabo políticas «contra os trabalhadores», que beneficiam as empresas, «passando por cima do trabalho dos agricultores», acusou o dirigente comunista.

«Porque é que os camponeses não têm o que comer? Porquê, se trabalham duramente de dia e de noite?», perguntou Mollah.

Agricultores «saqueados por políticas neoliberais»

Em declarações ao The Hindu, Hannan Mollah destacou que «os trabalhadores, os agricultores, os trabalhadores do campo são os produtores desta sociedade», mas «não recebem o valor por aquilo que produzem». «O lucro está a ser saqueado por umas quantas empresas, (...) pelas políticas neoliberais», disse.

Aaba Pawar, um agricultor da região de Palghar (no estado de Maharashtra), sublinhou a necessidade de mudança nas políticas do governo: «Não recebemos a remuneração justa pelo que fazemos. Não temos segurança social ou protecção ao nível da Saúde.»

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

A Índia não participará do plano do Pentágono contra a China

O governo de Narendra Modi indicou que a Índia não participará do projeto do Quadrilateral Security Dialogue (QSD), conhecido como «Quads».

Este havia sido imaginado pela Administração Bush Jr . Seu objetivo era aliar o Japão, a Austrália e a Índia para combater a influência chinesa no Pacífico. Ele falhara em 2010, logo após o anúncio pelo Presidente Xi do projeto «Rota da Seda». Na época, a Austrália achara mais prudente cooperar com Pequim. Os «Quads» haviam ressurgido em 2017 com uma mudança de governo em Camberra.

O Primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, viera defender esta causa na Casa Branca, em 24 de Fevereiro de 2018. Em 30 de Maio, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, renomeava o Comando norte-americano do Pacífico como «US IndoPaCom» sugerindo um possível acordo com a Índia.

No entanto, os planos indianos de implantação de bases marítimas no Pacífico parecem não funcionar. Por realismo, Nova Deli parece abandonar a retórica anti-chinesa dos nacionalistas hindus do BJP (Modi) e se reconectar com a estratégia de não-alinhamento tradicionalmente defendida pelo partido do Congresso (Oposição).





Ver original na 'Rede Voltaire'



Índia não reconhece sanções dos EUA e continuará relações com Irão

Eliminando dúvidas sobre o futuro do seu comércio bilateral com o Irão, Rússia e países latino-americanos na mira das sanções dos EUA, a Índia declarou que só cumpre as sanções impostas pelas Nações Unidas e não as impostas por países unilateralmente.

A Ministra das Relações Exteriores da Índia, Sushma Swaraj, esteve em reunião com seu homologo iraniano, Javad Zarif, e anunciou que só reconhece sanções a países aprovadas pela ONU; ela afirmou que seu país continuará a relação comercial com o Irão.

Isso significa que a Índia continuará a comprar óleo do Irã. Em seu artigo, o articulista Pepe Escobar cita que a Índia pode crescer 7% em 2018 e alcançou um PIB maior do que da França, Itália, Brasil e Rússia, portanto precisa muito de energia; nesse cenário, comprar energia iraniana é questão de segurança nacional. A relação entre Irão e Índia também desafia os Estados Unidos por ser feita através de rúpias e rials, sem passar pelo dólar americano.

A ministra disse a repórteres durante uma coletiva de imprensa anual em Nova Déli que o país continuará a negociar também com a Rússia, apesar das sanções anunciadas pelo governo Trump. “Nossa política externa não é direcionada para apaziguar ou sofrer qualquer tipo de pressão de qualquer país e também não é reacionária”, disse a ministra durante a coletiva de imprensa.

Swaraj também enfatizou que Nova Déli vem dando importância aos países da América Latina, incluindo a Venezuela, como nunca antes, e continuará a fazê-lo no futuro também.

O Banco de Reservas da Índia proíbe o comércio de criptomoeda, portanto não negociaremos com criptomoeda. Estamos descobrindo um mecanismo pelo qual o comércio continuará com a Venezuela no petróleo”

Disse Swaraj, respondendo a uma pergunta sobre se a Índia negociaria em criptomoedas com os países da América Latina que enfrentam sanções dos EUA.

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Ver artigo original em "O TORNADO"

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