Igrejas

Líder da IURD diz que pastores angolanos “vão descer à sepultura mais cedo”

(Comentário:

De facto as Igrejas são complexas...umas mais do que outras)

29/06/2020
 

O líder-fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, afirmou que os pastores angolanos que se rebelaram contra a liderança brasileira estão amaldiçoados.

Numa chamada videoconferência, transmitida pelo canal televisivo Fé TV, propriedade da IURD, às 16 horas de Sábado, o líder disse acreditar que os acontecimentos na Universal em Angola têm as impressões digitais do bispo dissidente João Leite, antigo responsável do trabalho evangelístico no país.

Falando para três pastores angolanos acompanhados pelo bispo Honorilton Gonçalves, actual responsável da IURD em Angola, Edir Macedo lembra, porém, que o antigo líder da IURD no país foi afastado da obra por, alegadamente, ter cometido o pecado de adultério.

Leia mais em O País

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/29/lider-da-iurd-diz-que-pastores-angolanos-vao-descer-a-sepultura-mais-cedo/

Escutar Francisco

Numa declaração à imprensa (ver a partir do min 11'10''), sobre a existência de casos positivos de Covid-19 no Santuário de Fátima, a Direção de Comunicação daquela instituição confirmou ter tido conhecimento que «um colaborador estava infetado com o Coronavírus SARS-Cov-2», decidindo «fazer testes a todos os colaboradores internos do Santuário, bem como aos membros do Coro». Num comunicado posterior, o Santuário confirma terem terminado «os testes a todos os colaboradores e aos coralistas», assegurando que «os colaboradores da instituição não têm qualquer contacto com os peregrinos».

As palavras são importantes. E por isso vale a pena lembrar - como assinalou aqui o João Ramos de Almeida - que «colaborador é um conceito político-ideológico que não consta do Código do Trabalho nem da jurisprudência judicial relativa aos contratos de trabalho por conta de outrem», servindo apenas a «tentativa ilegal e fraudulenta de "transformar" trabalhadores em falsos prestadores de serviços» e, desse modo, desvalorizar o trabalho. Aliás, esta substituição bem-sucedida de «trabalhadores» por «colaboradores» (que se entranhou a ponto de já quase não estranhar, colonizando até a linguagem dos bem-intencionados), faz parte de um processo mais amplo de «ofuscação ideológica da realidade» pela sabedoria convencional, como bem exemplificou aqui e aqui o João Rodrigues.

Mas é também por tudo isto que vale a pena escutar o que diz Francisco sobre o trabalho e a dignidade do trabalho, na melhor linha da doutrina social da Igreja. Aliás, não é por acaso que na homilia proferida no passado 1º de Maio, em nenhum momento o Papa se refere aos «colaboradores», à «colaboração» ou ao «dia do colaborador». Como se quisesse transmitir, nas entrelinhas, para não termos medo de dizer trabalhadores.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Igreja não vai pactuar com abusos sexuais

 

O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa diz que a Igreja Católica tem uma posição de princípio bem clara e promete não pactuar com eventuais casos de abusos sexuais.

 

“A nossa posição de princípio é bem clara. É uma situação que com a qual não há possibilidade de pactuar”, disse José Ornelas, admitindo, no entanto, que não pode prometer o fim destes crimes dentro da Igreja Católica. “Gostaria muito de dizer que vamos cortar e acabar. Não o garanto, porque isso ninguém pode garantir“, disse o novo presidente da CEP, eleito para o cargo na terça-feira.

Para José Ornelas, a melhor prevenção passa pela criação de condições que permitam evitar este tipo de situações o mais possível e pela “criação de uma cultura que não tolera coisas destas”.

“Em segundo lugar, é saber como agir com coerência. Temos orientações da Igreja muito claras nesse sentido. Temos procurado aplicá-las, no sentido de uma transparência que torne claro para todos que isto não são comportamentos toleráveis. E se acontecem temos de tirar as devidas consequências e não podem continuar”, concluiu.

O bispo de Setúbal, recém-eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa defendeu ainda em entrevista à agência Lusa que o país não pode continuar confinado e sublinhou a importância da ajuda institucional e das comunidades às famílias mais afetadas pela pandemia de covid-19.

“Não podemos passar a vida inteira confinados. E há uma questão fundamental que é a solidariedade. Aquilo que se dá em termos de ajuda concreta é fundamental para a emergência. A primeira coisa de que as pessoas precisam é de comer. Mas depois há muito mais. Há uma solidariedade institucional, que é não deixar ninguém sem esses apoios”, disse, em entrevista à agência Lusa, o novo presidente da CEP, eleito na terça-feira, José Ornelas.

“Não é simplesmente uma questão de alimentação. Há gente que não está, por exemplo, a pagar as suas rendas e as suas casas. E isso é fundamental para a dignidade das pessoas. Há que encontrar esquemas criativos para permitir que essas pessoas não percam agora o barco e que amanhã possam ser autónomas“, acrescentou.

Para José Ornelas, a par da solidariedade institucional também deve haver solidariedade local e uma preocupação em “cuidar da sociedade civil”, envolvendo-a na aplicação de medidas concretas.

“É muito mais enriquecedor que as nossas instituições possam funcionar a todos os níveis, que se possa contar com a sociedade civil, para encontrar soluções de proximidade, que, não só saem mais baratas, mas são muito mais próximas, integradoras de todo um tecido social que se quer refazer e não, simplesmente, refazer o tecido económico”, defendeu o presidente da CEP.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/igreja-nao-vai-pactuar-abusos-sexuais-331153

A Igreja católica e o fascismo

 
É ocioso repetir a participação decisiva dos bispos cristãos, católicos e protestantes, para a ascensão do fascismo na Europa, e a cumplicidade da hierarquia católica nas ditaduras ibéricas.

O 25 de Abril obrigou os bispos portugueses à discrição que lhes impunha o vergonhoso silêncio perante a perseguição dos raros bispos democratas, António Ferreira Gomes, do Porto, e Sebastião Resende e Vieira Pinto, Beira, Moçambique.

Em Espanha, a transição ‘pacífica’ de um genocida para um discípulo real, Juan Carlos, educado na ética e na honra pelos padrões das madraças franquistas, o clero permaneceu fascista e procriou sucessores da mesma estirpe. Nem um módico de pudor evitou que o Papa João Paulo II criasse santos franquistas ao ritmo a que os aviários criam frangos e bispos e cardeais com o olho esquerdo enevoado.

Sem precisar do Opus Dei, implacável escola do fascismo espanhol, já com dois santos criados, com milagres certificados, bastam os bispos diocesanos para envergonharem a Igreja espanhola, que o Papa Francisco quis higienizar.

Rouco Varela, em Madrid, e Antonio Cañizares Llovera, em Toledo, distinguiram-se na defesa dos valores mais reacionários no período democrático. O primeiro já foi atingido pelo prazo de validade há seis anos e Cañizares está a quatro meses de perder o púlpito para debitar asneiras, mas há ainda muito a esperar do cardeal que o Papa Francisco despediu de uma Prefeitura para que Bento XVI o levara para o Vaticano.

Cañizares não é um caso de estudo da biologia, é um fóssil jurássico que fala, e pertence ao mais empedernido franquismo, na política, e ao mais tridentino obscurantismo na fé.

Que “o diabo existe em plena pandemia” é uma possibilidade, e em vez de se considerar como exemplo, perora sobre os demónios que povoam aquela mente formatada no franquismo e no seu episcopado.

Para provar que o anticlericalismo só existe porque o clericalismo carece de uma vacina tão urgente como o coronavírus, deixo uma ligação com os despautérios deste troglodita que há mais de uma década me inspira numerosos textos. E não resisto a publicar uma das melhores fotos do álbum eclesiástico do cardeal Antonio Cañizares Llovera.

Eis as declarações de Cañizares

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/06/a-igreja-catolica-e-o-fascismo.html

Bispo católico ameaçado por grupo armado da extrema-direita do Brasil

 

Por causa das ameaças, o governo do distrito federal de Brasília ordenou o fecho da Esplanada dos Ministérios por dois dias. O grupo armado “300 do Brasil” tem como líder Sara Winter, que foi ontem detida por decisão do Supremo

Após identificar ameaças a representante da Igreja Católica em Brasília, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fechou a Esplanada dos Ministérios por dois dias —desta terça-feira (16) até o fim da quarta-feira (17).

Os setores de inteligência da Polícia Civil identificaram ameaças ao bispo-auxiliar de Brasília, dom Marcony Vinícius Ferreira, por parte de integrantes do grupo armado de extrema-direita 300 do Brasil. A informação foi confirmada pela assessoria do Governo do DF.

Leia mais em Folha de S.Paulo

Sara W. a líder da extrema-direita brasileira detida já foi feminista

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/16/bispo-catolico-ameacado-por-grupo-armado-da-extrema-direita-do-brasil/

Papa Francisco pede o fim do flagelo do trabalho infantil

O papa Francisco pediu hoje o fim do “flagelo do trabalho infantil”, que aumentou durante a pandemia da covid-19, dizendo que “priva as crianças da infância” e põe em risco o seu desenvolvimento equilibrado.

 

 

Depois da habitual audiência geral na biblioteca do palácio apostólico, no Vaticano, o papa lembrou que, na sexta-feira, é o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, criado em 2002 pela Organização Internacional do Trabalho.

“O trabalho infantil é um fenômeno que priva as crianças da infância e põe em risco seu desenvolvimento integral”, disse, acrescentando que, muitas vezes, o trabalho das crianças assume o formato de “escravidão e reclusão” com consequências físicas e psicológicas.

Na atual situação sanitária de emergência devido à pandemia, “muitas crianças e jovens são forçados a trabalhar de maneira inadequada para a idade, para ajudar suas famílias em condições de extrema pobreza”, denunciou o papa.

 
As crianças são o futuro da família humana: todos temos a tarefa de promover seu crescimento, saúde e serenidade”.
Papa Francisco
 
 

O líder dos católicos exortou ainda as instituições “a porem em prática todos os esforços possíveis para proteger os menores, preenchendo as lacunas econômicas e sociais subjacentes à dinâmica distorcida em que estão, infelizmente, envolvidos”

 

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/papa-francisco-pede-o-fim-do-flagelo-do-trabalho-infantil/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=papa-francisco-pede-o-fim-do-flagelo-do-trabalho-infantil

TVs católicas oferecem a Bolsonaro “mídia positiva” na pandemia em troca de mais verbas da Secom

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Revista Fórum -Padres e leigos conservadores que controlam boa parte do sistema de emissoras católicas de rádio e TV ofereceram ao presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ) “mídia positiva” para ações do governo na pandemia do novo coronavírus. Em troca, porém, eles pedem anúncios estatais e outorgas para expandir sua rede de comunicação.

De acordo com matéria do repórter Felipe Frazão, publicada no Estadão deste sábado (6), a proposta foi feita no último dia 21, em videoconferência com a participação de Bolsonaro. A reunião foi pública e transmitida por redes sociais do Planalto e pela TV Brasil. O grupo solicitou acesso ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e, principalmente, à Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).

Leia a íntegra na Fórum.

 

Papa alerta para situação preocupante com indígenas na Amazônia

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(ANSA) - O papa Francisco expressou neste domingo (31) sua preocupação com o impacto da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) na Amazônia, alertando para a situação dos povos indígenas.

"São muitos os contágios e as mortes, também entre os povos indígenas, particularmente vulneráveis", afirmou o Pontífice, ao fim da oração "Regina Caeli".

Durante apelo feito da janela do apartamento pontifício, na Praça São Pedro, o líder da Igreja Católica lembrou do Sínodo da Amazônia, que terminou há sete meses, rezando para que o "Espírito Santo dê luz e força à Igreja e à sociedade" em uma região "duramente testada pela pandemia".

Francisco intercedeu para que "as pessoas mais pobres e indefesas desta região amada, mas também pelas do mundo todo", não fiquem "sem assistência médica".

"Não economizemos em saúde por causa da economia. As pessoas são mais importantes que a economia. Nós, pessoas, somos templo do Espírito Santo, a economia não", lembrou.

O Papa também demonstrou "gratidão e admiração" a todos os profissionais da saúde que, neste período de crise sanitária, "oferecem sua vida", além de todos aqueles que "são obrigados a tomar decisões delicadas e urgentes para que protejam a vida humana e a dignidade do trabalho".

O argentino ressaltou a importância de investir na saúde, no trabalho, na eliminação das desigualdades e da pobreza. "Nunca como agora precisamos de um olhar cheio de humanidade".

"Estamos testemunhando uma trágica fome de esperança. Quantas feridas, quantos vazios não foram preenchidos, quanta dor sem consolação", disse. Por fim, Francisco pediu para todos transmitirem esperança.

"Precisamos reverter a direção da viagem. Precisamos voltar a caminhar em direção a Deus e ao próximo: não separados, não anestesiados diante do clamor do planeta esquecido e ferido. Precisamos nos unir para enfrentar as pandemias que são desenfreadas, a do vírus, mas também fome, guerras, desprezo pela vida, indiferença. Somente caminhando juntos iremos longe", concluiu.

Igreja perdeu 50 milhões de euros com a pandemia (e há dioceses em lay-off)

 

Ao cabo de dois meses de paragem por causa da pandemia de covid-19, as missas regressam, neste sábado, mas com regras novas para evitar a propagação do coronavírus. Uma paragem que resultou num “prejuízo” de 50 milhões de euros para a Igreja Católica devido a menos receitas recolhidas, nomeadamente com esmolas.

 

A Igreja Católica portuguesa terá deixado de receber 50 milhões de euros durante os cerca de dois meses em que não foi possível celebrar missas por causa da covid-19. O número é avançado ao Jornal de Notícias (JN) por fontes ligadas à gestão financeira de dioceses do Norte e constitui uma estimativa.

Em causa estão valores de esmolas, de oferendas e de encomendas de missas que não foram pagos durante o período do confinamento.

A redução drástica no número de casamentos realizados também contribuiu para as perdas – cada cerimónia de casamento rende “200 euros” no caso da Basílica do Bom Jesus, em Braga, conforme aponta o JN.

Os meses de Abril e Maio são, habitualmente, bastante rentáveis para a Igreja Católica, já que são as alturas típicas da Páscoa e das celebrações de Nossa Senhora de Fátima. A estes eventos religiosos costumam estar associadas ofertas bastante generosas dos fiéis que acabam por “alimentar” financeiramente todo o resto do ano.

“A igreja vive dos ofertórios e colectas“, salienta no JN um porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Mas houve quebras da ordem dos 90% a 100%, de acordo com fontes ouvidas pelo diário.

A situação complicou tanto as contas das dioceses que algumas chegaram a ter que recorrer ao lay-off, como foi o caso de PortoAlgarveAngra do Heroísmo, segundo nota o JN.

“A afluência de pessoas aos serviços e a suspensão das actividades de culto deixaram de permitir a percepção das receitas habituais”, salientou o Economato Diocesano, serviço da Diocese do Porto, numa nota enviada à Lusa, salientando que, “até mesmo por razões de equidade”, se entendeu que seria melhor que “uma parte dos seus colaboradores ficasse abrangido pelo regime de lay-off simplificado“.

O lay-off inclui elementos do clero “ao serviço quer das estruturas da Diocese do Porto, quer de qualquer uma das Fábricas da Igreja responsáveis pelas paróquias”, aponta ainda o Economato Diocesano, justificando que “os direitos e deveres neste contexto são iguais aos de qualquer outro trabalhador”.

Cultos religiosos regressam hoje com regras adaptadas

Várias confissões religiosas preparam a retoma das cerimónias presenciais em Portugal, a partir deste sábado, com novas regras para os fiéis e adaptações dos cultos, após uma paragem superior a dois meses por causa da pandemia de covid-19.

O distanciamento entre os participantes e o uso de materiais de protecção vão ser os sinais mais visíveis nos templos e lugares de culto, sendo comuns a todas as celebrações religiosas, segundo as medidas de protecção estipuladas pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Cada confissão tem ainda de adaptar os seus rituais específicos às novas regras, com o objectivo de tentar fornecer a maior segurança possível a todos os envolvidos nas cerimónias.

Contactado pela Lusa, o padre Manuel Barbosa, porta-voz e secretário da CEP, saudou o regresso das cerimónias religiosas, ainda que em moldes diferentes.

No seu site oficial, a CEP “convida todos os fiéis a fazerem por si próprios todos os possíveis para limitar esta pandemia”.

A lista da CEP inclui um total de 79 recomendações, nomeadamente a proibição de comunhão na boca. Esta medida levou um grupo de mais de 500 católicos, entre leigos e sacerdotes, a apelar aos bispos para que revoguem esta norma. Mas, por enquanto, está fora de questão, segundo avançou à Lusa o porta-voz da CEP.

Também com a reabertura no horizonte, a Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL) divulgou um guia de recomendações a tomar no regresso das orações nas mesquitas.

“A ablução [rito de purificação e higienização] ser feita em casa, o espaço sanitário ser fechado, as portas das mesquitas serão abertas um pouco antes de cada oração e fechadas depois das orações”, enumera à Lusa o imã David Munir, sublinhando que as pessoas devem “permanecer o mínimo de tempo nas mesquitas”.

Já Isaac Assor, oficiante litúrgico da Sinagoga de Lisboa, assinala à Lusa que “as confissões religiosas tiveram que se adaptar” para reabrirem as portas, de acordo com as especificidades da cada uma, desde logo, em função das diferenças físicas entre os lugares de culto, bem como dos distintos rituais.

“No caso da religião judaica, todo o ritual de leitura da Tora é o ‘clímax’ da cerimónia, envolvendo várias pessoas em diferentes processos, mas vai haver uma simplificação do mesmo por razões de segurança”, exemplifica Isaac Assor.

Por seu turno, o pastor António Calaim, presidente da Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), salienta à Lusa que “as igrejas têm sido alvo de desinfecção exterior e interior, pelo que estão prontas para a reabertura”, e apela para que “as pessoas tenham calma e ordem a entrar e a sair” dos templos.

“Vai haver mudanças nas salas, com as distâncias entre os fiéis – achamos que dois metros é um exagero e esperamos uma resposta da DGS à nossa proposta de duas cadeiras -, os pregadores e os cantores também vão cumprir com as distâncias, vai haver muito cuidado com a higiene, com as máscaras e com os desinfectantes”, adianta António Calaim, revelando que a maioria das igrejas evangélicas retoma a actividade no domingo.

Portugal entrou no dia 3 de Maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de Março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

ZAP // Lusa

 

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Vaticano planeia ajustes no orçamento, mas nega risco de falência

 

O Vaticano atravessa uma crise grave e terá de ajustar o orçamento face a uma eventual queda de rendimentos entre os 25% e os 45%, mas não está em risco de falência, disse hoje um responsável.

 

“Não se corre o risco de falência”, mas “esperam-se anos difíceis”, disse o recém-nomeado prefeito da secretaria para a Economia do Vaticano, o jesuíta espanhol Juan Antonio Guerrero Alves, à imprensa do Vaticano.

O responsável explicou que “a Igreja cumpre a sua missão com a ajuda das doações dos fiéis” e que se desconhece “quantas pessoas poderão dar”.

“Por isto devemos ser sóbrios, rigorosos”, disse Guerrero, indicando que as estimativas da evolução da crise apontam para uma queda de rendimentos entre os 25% e os 45%.

 

O prefeito referiu que “se não houver receita extraordinária, claro que haverá um aumento do défice”, adiantando que já se tinha decidido a realização de ajustes no orçamento antes do surgimento do novo coronavírus.

Um relatório recente sobre o impacto da pandemia publicado pelo diário Il Messaggeroassinala que no cenário mais otimista o défice aumentará 28% devido à diminuição da venda de bilhetes para os Museus do Vaticano, que têm estado fechados nos últimos dois meses.

Guerrero disse ainda que para reduzir os gastos está previsto “centralizar os investimentos financeiros e melhorar a gestão do pessoal e das adjudicações”, assim como “aprovar um novo código de contratação que gerará poupança”.

O responsável garantiu, no entanto, não estar em causa “a remuneração dos trabalhadores, a ajuda às pessoas em dificuldade e o apoio às igrejas necessitadas”.

// Lusa

 
 
 

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Sem peregrinos e com distância de segurança. Governo fixa regras para celebrações em Fátima

 

O Governo decidiu que as celebrações de 12 e 13 de maio no Santuário de Fátima podem contar com celebrantes, convidados e funcionários, que têm de manter uma distância de dois metros, devido à pandemia de covid-19.

 

Um despacho publicado em Diário da República, assinado pelos ministros da Administração Interna e da Saúde, refere que podem estar presentes “celebrantes e demais elementos necessários à celebração, convidados do Santuário de Fátima e respetivos funcionários, os quais devem observar o distanciamento físico de dois metros entre si”.

“O Estado reconhece e classifica, na Constituição da República Portuguesa, a liberdade religiosa como direito fundamental, no qual se compreende a liberdade e o direito de celebração dos rituais e cerimónias religiosas”, recorda.

Sendo “relevante para a comunidade católica portuguesa a celebração das aparições de Fátima”, o Governo considera que, se forem cumpridos os termos fixados no despacho, a saúde pública será “adequadamente garantida”.

 
 

“Considera-se justificada e proporcional a realização da referida celebração, a qual, nos termos já oportunamente comunicados pela diocese de Leiria-Fátima, não contará este ano com a presença física de peregrinos no recinto do santuário”, acrescenta.

Celebração sem peregrinos

O Santuário de Fátima já tinha anunciado que irá celebrar a Peregrinação Internacional Aniversária de maio no recinto de oração, como nos outros anos, mas sem a multidão de peregrinos que o costuma encher.

As celebrações decorrerão no recinto, que este ano estará encerrado devido às regras sanitárias definidas pelo Governo no contexto da declaração do Estado de Calamidade pública, em articulação com a Conferência Episcopal Portuguesa, e que impedem as celebrações religiosas com a presença de fiéis.

Entre a tarde do dia 12 e o fim da manhã do dia 13 não será permitido o acesso dos peregrinos a qualquer espaço do santuário.

O reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, pediu aos peregrinos que façam esta peregrinação “pelo coração” e que acompanhem a transmissão das celebrações através dos meios de comunicação social, da Internet e das redes sociais.

// Lusa

 
 

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Relatório revela que cardeal George Pell sabia de abusos sexuais por padres (mas nada fez)

Um relatório da Royal Commission, divulgado esta quinta-feira, revela que o cardeal George Pell sabia de abusos sexuais a crianças cometidos por clérigos católicos na Austrália nos anos 1970, mas nada fez.

 

As páginas relativas à conduta do cardeal George Pell do relatório, que foi entregue em 2017, foram editadas de forma a impedir que os jurados nos seus julgamentos sobre alegações de abuso sexual infantil as conhecessem e fossem condicionados na decisão.

A comissão, criada em 2012 para invetsigar abusos na Igreja, descobriu que Pell, quando era sacerdote na diocese de Ballarat, apoiou, em 1973, Gerald Ridsdale,agora condenado por abuso sexual infantil, que levava rapazes para acampamentos noturnos.

“A essa altura, o abuso sexual infantil estava no seu radar”, afirmou a comissão, citada pelo Diário de Notícias. “Também estamos convencidos que, em 1973, o cardeal Pell não estava apenas consciente do abuso sexual infantil por parte do clero, mas também considerou medidas para evitar situaçõesque pudessem provocar comentários sobre o assunto”.

 
 

A comissão relata que era “provável que Pell soubesse das transgressões sexuais de Ridsdale” quando participou numa reunião sobre a mudança do padre para outra paróquia em 1977. Pell insistiu que não se lembrava de alegações de maus-tratos em Ballarat.

O relatório conclui que Pell deveria ter procurado o afastamento de outro padre, Peter Searson, depois de receber uma lista de reclamações de uma delegação de professores em 1989, quando Pell era bispo auxiliar em Melbourne. Searson declarou-se culpado por agredir fisicamente uma criança, mas nunca foi acusado de abuso sexual.

Segundo o inquérito, havia mais de quatro mil supostas vítimas de pedofilia em instituições religiosas e, em algumas dioceses católicas, mais de 15% dos padres eram perpetradores.

Em abril, o Supremo da Austrália absolveu Pell de todas as acusações e libertou-o da prisão.

Pell foi condenado em março de 2019 por cinco acusações de abuso sexual, incluindo uma de penetração oral, cometida contra duas crianças no coro da Catedral de São Patrício em 1996 e 1997, quando era arcebispo de Melbourne.

ZAP //

 

 

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Manuel Vieira Pinto (1923-2020): Deus não precisa que o defendam, as pessoas sim

| 2 Mai 20 in 7Mares

 

Vieira Pinto com uma criança ao colo: um gesto como este provocou o primeiro escândalo do bispo à sua chegada a Nampula, em 1967. Foto © Arquivo da revista Além-Mar.

Contestou o regime colonial e isso valeu-lhe a expulsão de Moçambique, para onde tinha ido como bispo católico de Nampula. Voltaria depois da independência, mas nunca deixou sossegado o novo poder, que também acusou de não respeitar os direitos humanos e a o qual pediu para negociar com a oposição armada. Começara por se dedicar a defender a renovação da Igreja, pugnando “por um mundo melhor”. Manuel Vieira Pinto morreu nesta quinta-feira, 30 de Abril.

A história era contada por ele uma vez por outra, a pessoas amigas ou em pequenos grupos, nas poucas vezes que vinha a Portugal: quando aterrou em Nampula, a 24 de Setembro de 1967, depois de cumprimentar autoridades, colonos e meninas (brancas) do colégio religioso da cidade, dirigiu-se aos moçambicanos, colocados do lado de fora: cumprimentou-os um a um e, escândalo dos escândalos, tomou um bebé nos braços e beijou-o.

Esta seria apenas a primeira de muitas indignações que Manuel Vieira Pinto, que chegava como bispo católico da diocese, provocava em Moçambique. O antigo bispo morreu quinta-feira, 30 de Abril, às 20h, na casa do clero do Porto, onde residia há vários anos. Foi a enterrar nesta sexta, 1 de Maio, em Aboim (Amarante), a sua terra natal. Tinha 96 anos.

Aquele 24 de Setembro era domingo, duplo dia de festa, portanto, com a cerimónia de acolhimento ao novo bispo. Vieira Pinto registaria depois a história no seu caderno de apontamentos, com pormenores dignos de sequência cinematográfica. Essas notas seriam coligidas depois, a par com os seus documentos mais importantes, na antologia D. Manuel Vieira Pinto – Cristianismo: Política e Mística, coordenada por Anselmo Borges (ed. Asa, 1992).

Quando saiu do pequeno avião turbo-hélice, o bispo era aguardado, no lado de dentro do terminal, pelas “pessoas graúdas da terra, as autoridades, os missionários”: governador do distrito, presidente da Câmara, governador da diocese, colonos conhecidos, responsáveis eclesiásticos… E ainda, em duas filas, “as meninas do Colégio de Nossa Senhora das Vitórias com suas fardas e bandeiras”. Brancas, já se vê.

A todos D. Manuel saudou: autoridades, meninas do Colégio, população branca, missionários… Voltou-se então para o lado de fora da pequena aerogare, onde a população moçambicana o aguardava. “Havia uma longa bicha de africanos, homens e mulheres, estas com os seus trajes coloridos e com os filhos às costas e envolvidos por capulanas lindamente apertadas junto ao peito”, escreveu o bispo.

Dirigiu-se a todos eles e a todas elas, cumprimentando cada pessoa, uma por uma. “Este meu gesto causou na população branca uma certa admiração e comentários que não entendi. O escândalo surgiu quando tomei nos braços um bebé africano e o beijei, entregando-o à mãe que me olhava admirada e reconhecida. Nessa altura ouvi a reacção do governador do bispado e notei que havia chocado a população branca”, recorda. “Dei-me conta da trágica distância entre brancos e negros, senti a marginalização dos africanos e a hipocrisia racial dos brancos, descobri que um longo caminho de escândalo me esperava”, acrescenta, na obra citada. Não se enganaria.

O bispo ia “para ficar”, dizia, num tempo que era ainda de poder colonial. A Frelimo iniciara, três anos antes, a sua luta de guerrilha contra o governo português. Vieira Pinto chegara a terreno minado e as minas rebentariam sucessivamente, à sua frente, atrás e dos lados. Antes do 25 de Abril contra o Estado Novo e o colonialismo, depois da independência contra o poder totalitário que novamente levaria dissidentes à prisão e à tortura. Sempre na convicção de que o importante era defender as pessoas, porque Deus não precisa.

 

Renovação, justiça, reconciliação

Vieira Pinto era um home próximo das pessoas e que desejava a renovação da Igreja e das comunidades. Foto © Arquivo da revista Além-Mar.

Quando chegou a Nampula, já Vieira Pinto levava consigo o perfil de alguém apaixonado pela renovação. Nascido a 9 de Dezembro de 1923, em Aboim (Amarante), Manuel da Silva Vieira Pinto foi ordenado padre no Porto a 7 de Agosto de 1949. Desempenhou tarefas em paróquias (Campanhã, Cedofeita), foi assistente da Acção Católica e director espiritual do Seminário Diocesano do Porto.

Em 1960, vai passar alguns meses a Roma, com o objectivo de conhecer o Movimento por um Mundo Melhor (MMM), um dos dinamismos de renovação que, nessa altura, estimulavam o catolicismo. Foi nesse movimento que, com o padre Victor Feytor Pinto que também esteve em Roma, dinamizou um conjunto de actividades pugnando pela renovação da Igreja, durante e na sequência do Concílio Vaticano II (1962-65).

“Com ele trabalhei, depois, seis anos, a anunciar o Concílio”, afirmou o padre Feytor Pinto à Ecclesia, reagindo à notícia da morte do colega. “Toda a Teologia do Concílio era para mim uma extraordinária revolução e uma verdadeira revelação de Deus e de Jesus Cristo”, acrescentou.

Nesses anos e nessa actividade, ficaram famosas várias conferências em que Vieira Pinto enchia salas, auditórios e mesmo o Pavilhão de Desportos, em Lisboa (hoje Pavilhão Carlos Lopes), e o Palácio de Cristal, no Porto. Renovação da vida cristã, justiça social e reconciliação entre povos e nações eram as mensagens centrais do MMM, surgido em Itália, no pós-guerra, fundado pelo jesuíta Riccardo Lombardi.

Pecados que saltavam à vista

Em 27 de Abril de 1967, Vieira Pinto foi nomeado para bispo da nova diocese de Nampula e ordenado a 29 de Junho seguinte. Ficaria no lugar até Novembro de 2000, depois de o Papa João Paulo II ter aceite a sua resignação, apresentada em 1998, nomeando o bispo Tomé Makhweliha para o suceder.

Depois do episódio do escândalo no aeroporto, e ainda em 1967, os oficiais do Exército e o Movimento Nacional Feminino convidaram o bispo para que celebrasse uma missa em memória dos militares portugueses mortos em combate. Vieira Pinto aceita, acrescentando que lembraria também os mortos dos movimentos de guerrilha, “visto que para a Igreja não havia inimigos”.

“Esta minha observação causou uma certa surpresa. E a surpresa tornou-se escândalo quando, na homilia, afirmei, entre outras coisas, que a guerra era um mal e uma fonte de males e que a paz jamais viria das armas”.

Racismo e guerra seriam os dois temas em que centraria a sua atenção na missão em Nampula, depois de ter dado conta, nos contactos com as populações locais, de que os moçambicanos viviam oprimidos “por violências de vária ordem”.

Nessas visitas, o racismo latente saltava à vista: “Era evidente que nas relações do bispo e dos brancos com os negros havia uma forte mentalidade racista”, notava D. Manuel. “A discriminação racial, a falta de respeito pelo homem negro, a ausência total de convivência entre brancos e negros, a falta de diálogo do bispo com os seus cristãos em maioria negros, eram pecados que saltavam imediatamente à vista”.

D. Manuel a celebrar uma eucaristia: “A discriminação racial, a falta de respeito pelo homem negro, a ausência total de convivência entre brancos e negros eram pecados que saltavam imediatamente à vista.” Foto © Arquivo da revista Além-Mar.

 
Solução é acção política

As tensões foram crescendo e, em Janeiro de 1974, verteu-se a última gota de paciência das autoridades coloniais e do governo ditatorial de Marcello Caetano.

Na carta pastoral Repensar a guerra, publicada nesse mês, diz que o conflito em Moçambique é “uma guerra que não queremos”, perguntando pelas suas causas e falando de mentiras e violência e do direito à autodeterminação.

A guerra colonial, dizia, surgira da “tomada de consciência dos povos ontem dominados por sistemas coloniais e hoje em busca progressiva de uma justa e efectiva emancipação”. E, ainda, do “reconhecimento da dignidade do homem e do povo de Moçambique e das iniciativas que dêem conteúdo e expressão real aos direitos inerentes a uma justa e progressiva autodeterminação”. O que obrigava a “colocar a solução do conflito mais na acção política do que na força das armas”.

Pouco mais de um mês depois, a 12 de Fevereiro, o bispo, juntamente com os Missionários Combonianos que trabalhavam na diocese – publica o Imperativo de Consciência, uma carta em que defende a autonomização da Igreja e das estruturas missionárias em Moçambique.

As consequências não se fariam esperar: a 10 de Abril, D. Manuel é expulso da diocese e, quatro dias mais tarde, o governo força-o a sair de Moçambique, regressando a Lisboa.

“Porque nunca me fala de Deus, mas do povo?”

Onze dias depois do início do exílio forçado, o Movimento das Forças Armadas depõe o governo de Caetano e começa o processo de descolonização das colónias portuguesas. Em Janeiro de 1975, D. Manuel regressa a Moçambique. Mas não acabariam as razões para o bispo se calar.

Respeitado por Samora Machel, precisamente pelo papel que assumira na denúncia do racismo e da guerra colonial, Vieira Pinto encontra-se com o já Presidente de Moçambique em Janeiro de 1976, meio ano depois da independência do país. Dois meses mais tarde, em carta, retoma um dos temas da conversa: os campos de reeducação criados pela Frelimo não estariam a cumprir os objectivos para os quais tinham sido criados.

Em sucessivos encontros e cartas enviadas a Samora Machel, D. Manuel volta à denúncia do que considera serem os novos atentados à dignidade humana: falta de liberdade individual e religiosa, prisões arbitrárias, erros e violência do sistema. A partir de 1980 – explica Anselmo Borges na antologia citada – as entrevistas de D. Manuel com Samora passam a focar essencialmente o tema da guerra civil, que entretanto estalara no país.

Em Janeiro de 1984, dez anos depois do documento que lhe valera a expulsão de Moçambique, Vieira Pinto assina A Coragem da Paz, onde pede que Governo e Renamo “se empenhem com coragem e decisão, com espírito de serviço ao bem integral do povo e da nação, na construção da paz, hoje e aqui”.

“Já no final da sua vida, era o próprio Presidente Machel que lhe falava da violência e da desumanidade do sistema”, sintetiza Anselmo Borges na apresentação da antologia citada. Numa entrevista em Maio de 1984, o bispo pede, em nome do povo, ao seu Presidente o gesto de negociações com a Renamo. “Não, não, não me peça uma coisa dessas”, responderia Samora. Insistindo na ideia, Vieira Pinto conta: “O Presidente olhou-me, deixando transparecer a luta que lhe ia no espírito e perguntou-me: ‘com quem vou falar’?. Respondi: ‘Eu não sei, Presidente. Não sou político nem tenho meios políticos que me permitam saber quem são os responsáveis’”.

D. Manuel ajudaria, de novo, ao caminho pela paz e pela reconciliação e apoiaria discretamente as negociações que culminariam com o Acordo Geral de Paz, de 1992. Nesse mesmo ano, o Presidente Mário Soares decide condecorá-lo com a Ordem da Liberdade.

Um dia, Samora Machel voltar-se-ia para ele a perguntar: “Porque é que você, que é bispo, quando vem falar comigo, nunca me fala de Deus e da religião, mas do povo, da defesa dos seus direitos e da sua dignidade?”. Manuel Vieira Pinto respondeu: “Porque um deus que precisasse da minha defesa seria um deus que não é Deus. Deus não precisa que o defendam. O homem sim”.

(O texto recolhe excertos de um artigo publicado noPúblico em 1992; nos dias 2/3 de Maio, o 7MARGENS publicará vários testemunhos sobre a figura de Manuel Vieira Pinto e comentários à sua morte)

A pobre Igreja Católica precisa da nossa esmola

 
 
Fernanda Câncio* | Diário de Notícias | opinião
 
Alegando que por ter igrejas fechadas não tem "receitas" para pagar salário dos sacerdotes, a Igreja Católica quer ir para lay-off. Não espanta: desde que a conhecemos que esta alegada benemérita se pendura no erário público enquanto esconde os proventos. O ponto é: vai o governo nesta vergonha?
 
O Tribunal de Contas de Espanha debruçou-se, pela primeira vez, sobre as contas da Igreja Católica espanhola. Fê-lo com base no financiamento efetuado pelo Estado à instituição por via da possibilidade de consignação de 0,7% do IRS devido por cada contribuinte, que anda numa média de 250 milhões anuais, e em relação a 2017.
 
Uma das primeiras conclusões do relatório preliminar, divulgado em fevereiro na imprensa, é de que a Igreja Católica é pouco transparente na justificação do destino que dá a esse dinheiro - e "os sucessivos governos da democracia não se preocuparam em exigir que acabe com essa opacidade". Outra é de que a Igreja Católica apresentou naquele ano um superavit - ou seja, um lucro - de 15,9 milhões de euros.
 
Esse superavit foi usado pela Conferência Episcopal Espanhola para financiar uma sociedade comercial, a cadeia Trece (o canal de TV católico), para criar um fundo de reserva. Os juízes lembram, porém, que o compromisso acordado com o Estado espanhol em 1979, na Concordata, é de que este "cooperará com a Igreja Católica na prossecução do seu adequado sustento económico". Os magistrados consideram que sobrar dinheiro à instituição pode constituir uma violação do acordo.
 
Acresce, dizem, que a Concordata não especifica quais as necessidades da Igreja Católica para cujo adequado sustento deve contribuir o Estado, e que "seria conveniente concretizar a natureza desses gastos", até porque o relatório anual entregue pelos bispos não permite descortiná-la. Aliás, nem sequer tem contas certas: no de 2017, entregue em setembro de 2019, falta justificar 300 mil euros do valor recebido via consignação. Ainda assim, frisam os magistrados, a Igreja Católica dá as contas como "definitivas sem que se explique a origem e a razão da desconformidade", usando termos vagos como "envio para as dioceses para seu sustento" ou "atividades pastorais nacionais". Atividades nas quais, segundo o diário El País, a Igreja Católica incluía até há poucos anos o financiamento do referido canal de TV católico. Em 2013, por exemplo, 80% do valor dedicado às "atividades pastorais" - seis milhões de euros, o mesmo que entregou à Cáritas nesse ano - foram para financiar o canal.
 
Tudo isto é, para qualquer português minimamente informado, caso para ficar de queixo caído. Não pelas revelações - temos o caso da Cáritas, com milhões no banco enquanto se queixava de falta de dinheiro para ajudar os pobres em plena crise da troika, e de misericórdias investigadas por pagamentos "debaixo da mesa" de milhares de euros para aceitar idosos em lares e "sacos azuis" assumidos como forma de esconder a riqueza do Estado e poder continuar a pedir-lhe dinheiro - mas pelo extraordinário que é um Tribunal de Contas analisar contas da Igreja Católica. O simples facto de haver contas apresentadas é um maravilhamento: ao contrário do que se passa em Espanha desde 1980, a Igreja Católica portuguesa não está obrigada a qualquer relatório de contas. Se o Tribunal de Contas espanhol se queixa de opacidade, que dirão os portugueses?
 
Poder-se-á alegar que a Igreja Católica portuguesa como tal (há inúmeras organizações católicas que o fazem) não aderiu à possibilidade de consignação do IRS, que em Portugal é de 0,5%. Podendo escolher entre a consignação e a devolução do IVA, preferiu esta última (confiará pouco nos seus fiéis?). Mas num caso ou noutro trata-se de uma benesse estatal, ou seja, um subsídio direto efetuado com o dinheiro de todos os contribuintes (mesmo a consignação, sendo dinheiro devido ao Estado pelo contribuinte, é de todos e não do indivíduo considerado), o que deveria pressupor apresentação de contas.
 
De resto, a soma de subsídios estatais de que a Igreja Católica beneficia é algo que nunca foi contabilizado. Gozando, para a generalidade do seu património imobiliário, de isenção de IMI, ninguém parece saber a quanto isso corresponde em termos de impostos não cobrados (já pedi essa informação ao Ministério das Finanças e nunca obtive resposta). Só sabemos que quando em 2016 o fisco quis aplicar a letra da lei, cobrando IMI aos imóveis da Igreja Católica não afetos ao culto, os protestos furiosos dos bispos, falando da "forma sôfrega com que se tenta cobrar impostos por tudo e por nada e em todo o lado", levaram a melhor, e ficou tudo na mesma.
 
Sabemos também que os sacerdotes só começaram a pagar IRS a partir de 2005 - mesmo os que como professores de Religião e Moral ou capelães nos hospitais e nas Forças Armadas eram funcionários públicos não pagavam até aí - e que em termos de Segurança Social tiveram até muito recentemente (2009) um regime específico, no qual o total da TSU era de apenas 12% (4% para o padre e 8% para a Igreja), acrescendo a isso que a média de salário declarado andava, em 2008, nos 366 euros, bastante longe do valor efetivamente auferido, cerca de 800. Uma das justificações de uma taxa tão baixa de TSU e de os sacerdotes escolherem fazer o cálculo sobre um valor tão baixo era o facto de não recorrerem a subsídio de desemprego - por não estar em causa alguma vez um padre ser despedido.
 
É imperioso recordar tudo isto agora que a Igreja Católica portuguesa anuncia querer recorrer ao instituto do lay-off. Definido no Código do Trabalho e no decreto especial que lhe permite o acesso simplificado em tempo de pandemia, o lay-off é um instituto de socorro do Estado, por via da Segurança Social, a empresas em risco que visa salvaguardar postos de trabalho. Tal está claramente explicitado no decreto-lei 10-G/2020, de 26 de março, que "estabelece uma medida excecional e temporária de proteção dos postos de trabalho, no âmbito da pandemia covid-19 (...) tendo em vista a manutenção dos postos de trabalho e a mitigação de situações de crise empresarial".
 
Talvez por falta de capacidade minha, não vislumbro como é que a Igreja Católica portuguesa, cujas contas ninguém conhece e faz parte de um conglomerado internacional riquíssimo governado pelo Vaticano, para o qual, como é uso nas multinacionais, remete parte dos seus proventos, pode alegar risco de falência ou de despedimento de sacerdotes. Não podendo invocar nenhuma dessas coisas, que legitimidade tem para pedir à Segurança Social, sem mãos a medir perante a crise que atravessamos, que a ajude?
 
Mais incrível ainda é conhecer as justificações apresentadas. "A maior parte das receitas chegam dos peditórios e dos ofertórios que a igreja faz nos locais de culto. Com as igrejas fechadas temos dificuldades em fazer face aos vários salários que temos nas nossas instituições", diz um padre da Diocese do Porto à TSF, enquanto no Correio da Manhã fazem-se contas:
"Com a anulação de celebrações, festas e romarias e o fecho de igrejas e santuários, a quebra de esmolas e oferendas, entre 15 de março e 15 de maio, deverá ser superior a 55 milhões de euros."
 
E o melhor, também no Correio da Manhã:
"Mais de metade dos católicos que costumam pagar a côngrua (o valor de um dia de trabalho) na altura da Páscoa, este ano, devido ao afastamento da vida da Igreja, acabarão por não o fazer. Só neste particular, o prejuízo será superior a 33 milhões de euros."
Devemos, pois, concluir, pelas informações prestadas, que o "prejuízo" causado à Igreja Católica advém da falta de esmolas - as esmolas, ficamos a saber, que considera "receitas". E que numa situação de crise, ao invés de se disponibilizar para servir, recorrendo às suas reservas, Igreja Católica procura servir-se.
 
Nada de surpreendente, dir-se-á. Não é de facto. A única coisa que importa mesmo é saber se o governo vai ceder, aceitando financiar de mais esta forma uma organização que se esmera em fugir a todas as contribuições e se furta a qualquer sindicância, tendo ainda por cima a suprema lata de querer apresentar-se como a grande provedora dos pobres.
 
*Jornalista
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/a-pobre-igreja-catolica-precisa-da.html

FRATERNIZAR – Macieira da Lixa – PORQUE ESCOLHI ESTA ALDEIA PARA VIVER? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

Conheço esta aldeia, desde Outubro 1969. Quando o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, me nomeia ‘Pároco de Macieira da Lixa e Zona Pastoral da Lixa’. A realidade vem depressa mostrar que pároco sou, mas por muito pouco tempo, e que a Zona Pastoral da Lixa nunca chegará a sair do papel. Era um bonito objectivo pastoral do Bispo, mas os clérigos párocos recusaram-no quase em bloco. Querem-se no seu campanário, como na sua quinta, tiranetes das populações, quase todos. Como na altura sou com 32 anos de idade e 6 anos e alguns meses de Presbítero ordenado, e o único com uma Carta de nomeação a dizer, preto-no-branco, ‘e Zona Pastoral da Lixa’, todos os da Vigaria da zona entendem que venho para mandar deles. E, logo no primeiro encontro com eles, oiço do Vigário, ‘Olhe que vamos botá-lo abaixo do cavalo’. E é o que demencialmente fazem.

Chego à paróquia numa 6.ª feira sem ninguém para me acolher. E quando, no domingo me apresento às pessoas que, a medo, entram no templo paroquial para Eucaristia, nem o Vigário se me junta, como era expectável. Dou-me conta que o olhar das pessoas é de medo, como se eu fosse um lobo que vem para as comer. Desconheço de todo, nessa altura, as calúnias e as mentiras mais absurdas que os párocos vizinhos lhes haviam dito a meu respeito. E, como um menino, começo por lhes dizer quem sou e ao que venho. Quando me ouvem dizer, Sou filho de Ti Maria do Grilo, jornaleira, e de Ti David, ex-operário da construção civil em Moçambique; e, logo acrescento, Quero ser o vosso companheiro de todas as horas; não quero o vosso dinheiro, quero-vos a vós como companheiras, companheiros meus; e sublinho, A casa paroquial é mais vossa do que minha e podeis, por isso, frequentá-la à vontade. Só nessa altura as pessoas respiram fundo e a alegria brilha-lhes logo nos olhos. Os dias e semanas que se seguem confirmam a verdade das minhas primeiras palavras, pois vêem-me andar de casa em casa e nos campos com eles, inclusive, a dar-lhes a minha ajuda.

A Eucaristia, cada domingo, é centrada na partilha do Pão outro que é o Evangelho, como a Boa Notícia de Deus que nunca ninguém viu e historicamente se nos faz próximo em Jesus, o filho de Maria, uma mulher de Nazaré, camponesa, tal como muitas, muitos dos que me escutais. E pelas reacções que me chegam, venho progressivamente a concluir que, afinal, as pessoas nunca ouviram falar de Jesus, nem de Maria sua mãe, nem do Evangelho como eu o vivo com elas, cada dia e lhes anuncio cada domingo. O espanto é total e as reacções a favor e contra mais do que muitas. Experimento-me então, sem querer, como um vivo Sinal de Contradição nesta aldeia e nas aldeias circunvizinhas que veio pôr a nu os pensamentos escondidos no coração de muitas, muitos. E 9 meses depois de praticar-anunciar o Evangelho de Jesus aplicado às condições sócio-políticas do país, sou preso pela Pide/DGS em Caxias. O único pároco católico preso político em 48 anos de salazarismo, por ousar praticar-anunciar o Evangelho de Jesus!

Uns 7 meses depois, saio absolvido pelo Tribunal Plenário do Porto. O que deixa o bispo D. António eufórico – uma postura muito rara nele – e logo convidado seu, via Advogado Dr. José da Silva, para um jantar de festa, com mais pessoas, na sala de banquetes do Paço Episcopal, onde o oiço dizer, num brinde final, ’20 séculos depois, o Evangelho voltou de novo ao Pretório e, desta vez, saiu absolvido’. Porém, como depois de um ‘exílio’ de 4 meses em Madrid, imposto por ele, me vê recusar a sua tentadora proposta duma carreira eclesiástica e preferir regressar à Paróquia, vejo-me, logo no ano a seguir, privado da renovação da respectiva Carta. Matenho-me ainda pároco, mas na anómala condição de ‘pároco com jurisdição permissiva, portanto, precária’. Até que 1 ano e 3 meses depois, em 21 de Março 1973, volto a ser preso pela Pide/DGS em Caxias e, nesse mesmo dia, fico sem a paróquia. E, de então até hoje, também sem qualquer outro ofício canónico. Por isso, apenas e só Presbítero, exactamente como no meu primeiro mês, pós-ordenação.

Em 2004 e já com o processo da reforma de jornalista em curso – o Presbítero nunca se reforma, é para sempre – decido, para surpresa de muitos, regressar a Macieira, onde, desde então, vivo numa casinha arrendada e sozinho por opção. E porquê? Porque além do clima super-saudável, Macieira é para mim o ‘Lugar Teológico’ onde Deus, o de Jesus, desde o início da década de setenta, se nos dá a conhecer. Aqui vivo à escuta do seu Sopro e prossigo, incansável, a missão de Evangelizar os pobres e os povos, agora também via internet, Jornal Fraternizar online, redes sociais, Youtube e livros sucessivamente editados. Para lá de inúmeros encontros ao vivo um pouco por todo o país. Uma missão com tudo de martirial, que visa destruir o Templo e o Império que crucificam Jesus histórico em Abril do ano 30 e que demencialmente insistem em manter na cruz os povos da Terra. Antes de implodirem de vez num Hoje cada vez mais próximo!

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/04/26/fraternizar-macieira-da-lixa-porque-escolhi-esta-aldeia-para-viver-por-mario-de-oliveira/

“Sejam mensageiros da vida em tempos de morte”

O papa Francisco fez um apelo para que as pessoas “não cedam ao medo” e se concentrem em uma “mensagem de esperança”, durante uma missa na véspera do domingo de Páscoa, em uma Basílica de São Pedro vazia, em meio à pandemia de coronavírus. Ele também pediu o fim das guerras.

 

 

A cerimônia, que normalmente acontece em uma igreja lotada com 10 mil pessoas, foi assistida por apenas duas dezenas, incluindo alguns assistentes de altar e um coro menor que o normal. Por causa do coronavírus, a celebração foi alterada, deixando de lado ações tradicionais, como o batismo de convertidos adultos e uma longa procissão no corredor principal da basílica.

O papa Francisco fez, durante a celebração neste sábado, uma comparação entre o trecho do Evangelho em que se relata a passagem em que o túmulo de Jesus é encontrado vazio no dia em que os cristãos acreditam que ele ressuscitou dos mortos e o estado incerto do mundo hoje por causa da pandemia de coronavírus.

“Também havia medo do futuro e tudo o que precisaria ser reconstruído. Uma memória dolorosa, uma esperança abreviada. Para eles, como para nós, era a hora mais sombria”, disse o papa em sua homilia.

Em países de todo o mundo, os católicos acompanharam o serviço papal ou missas rezadas por padres em suas próprias igrejas vazias e transmitidas pela televisão ou pela internet.

“Não tenham medo, não cedam ao medo: esta é a mensagem da esperança. Hoje é endereçada a nós. Essas são as palavras que Deus nos repete nesta mesma noite”, disse o pontífice.

O papa Francisco encorajou as pessoas a serem “mensageiros da vida em tempos de morte”, novamente condenando o comércio de armas e exortando aqueles em melhor situação a ajudar os pobres.

“Vamos silenciar os gritos de morte, sem mais guerras! Que possamos parar a produção e o comércio de armas, pois precisamos de pão, não de armas”, disse Francisco.


Agência Brasil | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/papa-francisco-sejam-mensageiros-da-vida-em-tempos-de-morte/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=papa-francisco-sejam-mensageiros-da-vida-em-tempos-de-morte

Quando nenhum sinal divino chega dos céus

Ultraortodoxos em Israel, evangélicos em França, nos EUA e em Singapura, outros cultos na Coreia, no Irão ou na Índia: são muitas as geografias onde o fanatismo religioso facilitou surtos expressivos da pandemia entre prosélitos convencidos da estultícia de cumprirem as regras básicas do distanciamento social. Pelo contrário: segundo os seus rabinos, pregadores, imãs e outros orientadores espirituais os respetivos deuses velariam pelo seu bem-estar e nenhum mal se lhes colaria. No fundo algo muito semelhante ao que o jagunço brasileiro foi anunciando nas redes sociais até estas se fartarem e lhe cortarem o pio.

 

Por esta altura talvez alguns desses sectários andem a dar tratos à cabeça sobre a miopia a que tão absurdamente se entregaram. Porque afinal esses deuses primam pela ausência e nem de consolo servem para quem vê a doença propagar-se à sua volta. Se as atuais circunstâncias não servirem para abrirem as pestanas, nem que seja numa pequena nesga, nada haverá capaz de os curar de tão inapelável cegueira.

 

Poderemos, em contraposição, elogiar a prudência da Igreja Católica, que cuidou de dar aos seguidores o acatamento da ordem para ficarem em casa. Prudentemente nem sequer a incontornável procissão das velas em Fátima se concretizará. A situação possibilitou as imagens eloquentes do Papa a pregar para o vazio da Praça São Pedro ou igrejas portuguesas apenas habitadas pelo padres no altares. Em desespero de causa alguns contrariaram a orientação e logo os mandaram recolher ao redil, outros quiseram armar-se em modernaços e emitiram as missas através das redes sociais. Mas quão expressiva demonstração da solitária impotência de tais tonsurados ao renderem-se à impossibilidade de conseguirem dos céus uma cunha capaz de amortecer as dores dos penitentes.

 

Quase nunca concordando com o que Miguel Sousa Tavares escreve ou diz, tenho de lhe dar razão quando, em crónica recente, constatava serem os médicos, os enfermeiros, os investigadores e os cientistas quem podem ajudar a Humanidade a salvar-se deste vírus. Já deveríamos estar mais avançados nessa evidência, mas num século em que a ciência ganha uma dinâmica aceleradamente transformadora das sociedades em que vivemos, os deuses fazem aqui qualquer sentido...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/04/quando-nenhum-sinal-divino-chega-dos.html

Tragédias

As tragédias têm tenebrosos efeitos colaterais. Os mais repugnantes são os aproveitamentos religiosos e políticos.

 

 

Gil Vicente escreveu ao rei D. João III queixando-se de padres que assustavam o povo dizendo que um terramoto tinha sido castigo divino e que haveria outro na ” próxima 5ª feira”. Não teve sorte porque o Rei tinha recebido ordens dos Reis Católicos de Espanha para receber a Inquisição. Foi castigado e morreu sem resposta. 200 anos depois, o padre Malagrida diz que o terramoto de 1755 foi outro castigo divino e o Marquês de Pombal entregou-o à Inquisição.

Hoje não temos a igreja Católica a fazer essas ameaças- pelo menos enquanto lá estiver o Papa Francisco – , mas temos a Iurd e os Evangelistas no leme do ódio e da criação do pânico. Há dias morreu no Brasil um político que denunciava Bolsonaro… e uma adjunta teve o descaramento de citar a Bíblia citando o castigo divino!

Do ponto de vista político, há uma manipulação assustadora. Está em curso a tentativa de se descobrir a origem deste novo vírus de dimensão universal. A China anunciou recuperação lenta que foi saudada pelas instituições oficiais da Saúde, e imediatamente escribas e o espantalho de chinó loiro que manda nos States anunciaram que é preciso cuidado com as ditaduras!

Os efeitos dessa discriminação do ódio contra o “OUTRO”, na linha da exclusão humana dos imigrantes e dos “Excluídos” sociais, está a criar desenvolvimentos do vírus irreparáveis. Vão sofrer o efeito de boomerang e o prazer de vingança dos que têm sido esmagados pelas guerras intermináveis que têm criado.

Nada que nos dê prazer. Nós somos gente que não ficamos felizes com a infelicidade dos OUTROS.

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/tragedias/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=tragedias

Em vídeo irresponsável, Edir Macedo (IURD) diz que coronavírus é inofensivo e amplificado pela mídia

«Não se preocupe com o Coronavírius porque essa é mais uma tática de satanás»

247 – O empresário Edir Macedo, dono da Record e da Igreja Universal, e que também vem sendo apontado como o verdadeiro responsável pela operação da CNN Brasil, divulgou um vídeo neste domingo em que minimizou o coronavíris – definido como pandemia pela Organização Mundial de Saúde – e culpou a mídia pela divulgação dos casos da doença. Confira:

https://twitter.com/jnascim/status/1239315997095575553?ref_src=twsrc%5Etfwhttps://twitter.com/jnascim/status/1239315997095575553?ref_src=twsrc%5Etfw
 

Papa caminha por ruas desertas de Roma pedindo proteção de Deus contra coronavírus

DoVatican News - Na tarde deste domingo, pouco antes das 16h locais, o Papa Francisco saiu do Vaticano e foi até a Basílica de Santa Maria Maior para rezar diante do ícone de Nossa Senhora Salus populi Romani (protetora do povo romano).

Depois, percorrendo a pé um trecho da "Via del Corso" - no centro de Roma - foi até a Igreja de São Marcelo, onde se encontra o Crucifixo milagroso que, em 1522, foi levado em procissão pelos bairros da cidade para que acabasse a "Grande Peste".

Com a sua oração, afirma o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, o "Santo Padre invocou o fim da pandemia que atinge a Itália e o mundo, implorou a cura para os muitos doentes, recordou as inúmeras vítimas desses dias e pediu que seus familiares e amigos encontrem consolação e conforto. A sua intenção se dirigiu também aos agentes de saúde, aos médicos, aos enfermeiros e àqueles que, com o seu trabalho, garantem o funcionamento da sociedade".

Leia também reportagem da Ansa Brasil sobre o coronavírus na Itália:

(ANSA) - A Defesa Civil da Itália anunciou neste domingo (15) que o número de mortos no país em decorrência do novo coronavírus (Sars-CoV-2) subiu para 1.809, um aumento de 368 vítimas em relação ao último balanço.

Segundo o chefe da Proteção Civil, Angelo Borrelli, a quantidade de pessoas contaminadas aumentou mais 2.853, totalizando 24.747 casos ativos de infecções.

Até o momento, 2.335 indivíduos conseguiram se recuperar da doença, enquanto 1.372 pacientes estão em terapia intensiva.

A região mais atingida continua sendo a Lombardia, no norte da Itália, com 13.272 casos positivos e 1.218 mortos.

Já na Emília-Romagna são 3.093 pacientes, seguida do Vêneto (2.172), Piemonte (1.111), Marcas (1.133), Toscana (781), Campânia (333), Ligúria (559), Lazio (436), Friuli Venezia Giulia (347), Sicília (188), Puglia (230), Abruzzo (137), Vale de Aosta (57), Trentino Alto-Ádige (378), Molise (17), Úmbria (143), Bolzano (204), Calábria (68), Sardenha (77) e Basilicata (11).

O arcebispo ortodoxo de Jerusalém, Hilarion Cappucci

A Produção de Rádio e TV síria realizou uma conferência de imprensa no teatro na Casa de Cultura e Artes de al-Assad quando terminaram as filmagens da série de TV e de um filme intitulado “Guarda de Jerusalém”, do cenarista Hassan Yousef e diretor Bassel a-Khatib.

 

 

Yousef disse que o arcebispo Cappucci, que faleceu aos 94 anos em 2018, se destacou pela sua sabedoria e previsão, observando que há 41 anos, Cappucci disse que a guerra civil no Líbano visava enfraquecer a Síria.

Monsenhor Hilarion Capucci cumpriu dois anos de uma sentença de 12 anos, em Israel, antes de o Vaticano ter conseguido ajudar a garantir a sua libertação. Pelo presidente palestiniano Mahmoud Abbas foi referido aquando da sua morte como sendo um “combatente da liberdade”.

Nascido em Aleppo, era Arcebispo de Cesareia desde 1965.Em 1974, quando viajava de Beirute para Jerusalém num carro com matricula diplomática do Vaticano foi parado pelas forças de segurança israelitas.

Dentro do carro havia quatro espingardas Kalashnikov, duas pistolas, munições e granadas destinadas a membros da Organização de Libertação da Palestina.

Capucci insistiu que foi forçado a transportar as armas, mas um tribunal israelita condenou-o por contrabando. Nessa altura Maximus V Akim, o patriarca da Igreja Melquita, foi crítico acerbo da prisão de Capucci. Perguntou:

Este bispo é culpado porque pensou ser seu dever transportar armas para a resistência? Se conhecermos bem factos históricos encontramos outros bispos que contrabandearam armas, deram suas vidas e cometeram outras ações ilegais para salvar judeus da ocupação nazista. Não vejo por que um homem que está pronto para salvar vidas árabes deva ser condenado.

Maximus Akim acrescentou que Israel entrou em Jerusalém Oriental ilegalmente e contra as resoluções das Nações Unidas. A Igreja Católica Grega Melkita é uma Igreja Católica Oriental profundamente ligada ao Vaticano e parte da Igreja Católica mundial. É agora chefiada pelo Patriarca Youssef Absi, sediada na Catedral de Nossa Senhora Adormecida, em Damasco, Síria.

O Arcebispo Capucci em 1977 tentou mediar a crise dos reféns no Irão.

Lembro-me ainda de que em 1980 ele foi visitar os reféns americanos que estavam muito irritados com seus comentários públicos sobre a crise. Mesmo assim no mesmo ano desempenhou um papel fundamental na transferência dos corpos de oito aviadores americanos mortos numa missão de resgate fracassada. Em 1990, viajou para o Iraque de Sadam Hussein para ajudar a garantir a liberdade de 68 italianos impedidos de partir após a invasão do Kuwait. Dez anos depois, Capucci liderou uma delegação de clérigos e intelectuais que foram ao Iraque numa demonstração de solidariedade contra as sanções da ONU. Em 2010, Monsenhor estava a bordo do Mavi Marmara quando este navio de propriedade turca foi intercetado por comandos israelitas. O barco participava numa pequena frota de barcos de ajuda que tentava violar o bloqueio da Faixa de Gaza. Dez ativistas turcos, um deles cidadão norte-americano, foram mortos e feitos dezenas de feridos quando os comandos forçaram a entrada no barco, descendo dos helicópteros que os transportaram.

Rasheed Assaf

O ator Rasheed Assaf disse que protagonizar esse personagem é muito importante para ele. O arcebispo Cappucci foi e continua a ser uma grande personalidade nacional e espiritual no país. Rasheed Assaf acrescentou que a série esclarece que o caminho para o povo árabe é claro e a bússola é a Palestina. Lembrou que monsenhor Capucci durante o julgamento, dirigiu-se ao tribunal, falando em árabe e disse que se Jesus estivesse vivo, ambos chorariam juntos.

O diretor Basel al-Khatib disse que o filme e a série documentam de forma autêntica a biografia de um homem que fez grandes sacrifícios pelo seu país natal, a Síria e pela Palestina.

Membros da Igreja Síria ortodoxa expressaram prazer pela realização da série, ressaltando que este trabalho leva a mensagem da Síria à pátria árabe e ao mundo como um todo. A série “Guarda de Jerusalém” lida com a biografia do arcebispo Hilarion Cappucci, que em resumo, empregou a sua alta posição religiosa a serviço da questão da Palestina e apenas de causas árabes. O elenco inclui vários atores sírios de destaque, incluindo Salim Sabri, Sabah Jaza’eri e Amal Arafeh.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-arcebispo-ortodoxo-de-jerusalem-hilarion-cappucci/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-arcebispo-ortodoxo-de-jerusalem-hilarion-cappucci

Os surfistas

A onda nunca se sabe como e onde termina, há que a saber usar em nome de Deus e da Democracia.
 
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D. Manuel Clemente e André Ventura – D. Manuel Cerejeira e Oliveira Salazar
 
 
Dos Nazarenos aos surfistas da Nazaré vão dois mil anos de destreza cavalgando sabiamente a mesma onda.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

A última celebração nesta catedral acabou em confrontos. Quase 500 anos depois, volta a celebrar missa

 

A Catedral de São Pedro de Genebra celebra este sábado a primeira missa católica em quase 500 anos, depois de ter sido transformada pela Reforma no grande templo internacional dos protestantes, num gesto simbólico pelo ecumenismo, adiantou a AFP.

 

A última missa na Catedral de São Pedro aconteceu em 1535 e terminou em confrontos, com os clérigos expulsos e o edifício espoliado de estátuas e objetos de cultos, símbolos da idolatria. No ano seguinte a Reforma haveria de triunfar em Genebra, que permanece como o grande centro de reunião internacional do protestantismo.

No sábado, pelas 18h30 locais (17h30 em Lisboa), a primeira missa em quase cinco séculos vai decorrer sob o signo da “hospitalidade e do reconhecimento”, graças a um convite carregado de simbolismo da igreja protestante de Genebra à igreja católica local, que ocupou o local por mais de um milénio até ter sido despejada.

A iniciativa pretende levar o ecumenismo um pouco mais longe do que os clássicos encontros inter-religiosos. “Será uma missa católica num templo protestante”, disse o abade Pascal Desthieux, vigário episcopal de Genebra, que vai presidir ao ofício.

 
 

A Catedral de São Pedro, igualmente lugar de acolhimento de numerosas cerimónias locais e nacionais laicas suíças, “é um local emblemático para todos os habitantes de Genebra”, sublinhou, referindo o entusiasmo da comunidade católica.

As igrejas próximas não vão celebrar missas nessa tarde para levar os fiéis a convergir para São Pedro.

O culto protestante retoma o seu curso no domingo, com os tradicionais ofícios da manhã e da tarde, num edifício onde se encontra a cadeira do pai fundador da Reforma, João Calvino, ao lado do memorial de grandes nomes da fundação do protestantismo, como o soldado-poeta francês Agrippa D’Aubigné, que morreu em Genebra em 1630.

“Nós queremos avançar pela via da reaproximação, escolhendo claramente a confiança em vez da desconfiança”, com um “gesto importante” num “local importante simbolicamente”, sublinhou o pastor Emmanuel Fuchs, presidente da igreja protestante de Genebra. “Não podemos ficar prisioneiros da leitura histórica. A História deve ser um pedestal que nos suporta, não um espartilho”, sublinhou.

Numa cidade onde o catolicismo voltou a ser a principal religião, responsáveis protestantes e católicos sublinham que as duas igrejas trabalham localmente em conjunto há muito tempo, tendo, por exemplo, capelães comuns para os doentes ou para os presos.

A estrita separação entre Estado e Igreja, que prevalece em Genebra, ao contrário de outros cantões suíços, também pressiona à reaproximação, refere a AFP. Apesar de recolher a aceitação de uma maioria da comunidade protestante e das suas instituições, a iniciativa de hoje não deixa de ser sensível.

Roma resiste a reconhecer os reformistas enquanto igreja e entre os protestantes ainda permanece uma desconfiança face ao Vaticano, encarando o papado como uma instituição autoritária.

Os responsáveis religiosos da cidade de Genebra procuram evitar que a iniciativa seja encarada como uma “reconquista” católica em terras de Calvino.

“Seguramente que é uma iniciativa que surpreendeu algumas pessoas, desiludiu outras, e outras podem mesmo ter ficado zangadas”, reconheceu o pastor Fuchs, que acrescentou que a igreja protestante tem “hábitos de debate” e toma decisões “de forma democrática”, referindo acreditar num “largo consenso”, ainda assim.

“Não se trata de maneira nenhuma em tentar recuperar a catedral. Já temos a nossa basílica e grandes igrejas. Não há qualquer agenda escondida”, garantiu o abade Desthieux.

Numa mensagem a ser transmitida no início da missa, o clérigo católico conta reconhecer e agradecer aos seus “irmãos protestantes” o acolhimento, aproveitando para pedir perdão em nome dos católicos por terem “desconsiderado, julgado mal e condenado” os protestantes.

Fuchs, por seu lado, disse estar confiante que a igreja católica vai celebrar essa missa “com toda a inteligência e a subtileza que o lugar e momento impõem”.

Se a iniciativa será repetida, isso fica pendente de uma avaliação “aos frutos” da missa de hoje, acrescentou.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ultima-celebracao-nesta-catedral-confrontos-quase-500-anos-volta-celebrar-missa-311269

Padre bolsonarista que chamou Marielle de ‘miliciana abortista’ aguarda excomunhão do Vaticano

 

247 com DCM - “Que calor infernal. Mas deve estar pior lá onde está a Marielle Franco miliciana abortista!!!”

O comentário de um padre bolsonarista chocou as redes sociais nesta sexta, 28.

Marcelo Alves de Oliveira, o padre Marcelo de Ibirité, reclamava do calor na cidade quando lembrou da vereadora brutalmente assassinada por milicianos próximos ao clã Bolsonaro no Rio de Janeiro. Diante da repercussão ele apagou o post mas publicou outra na mesma linha:

Marcelo foi candidato a deputado Federal em Minas Gerais nas eleições de 2018, apoiando fortemente Bolsonaro e suas bandeiras de extrema-direita. Com apenas 971 votos, não conseguiu se eleger pelo PRTB.

Desde novembro de 2014 está afastado do exercício sacerdotal por motivos ‘jurídico-canônicos’ que estão sendo analisados pelas instituições competentes no Vaticano.

A Arquidiocese de Belo Horizonte acompanha a situação do sacerdote que continua se portando como padre, defendendo as mesmas barbaridades que Bolsonaro e filhos e fazendo proselitismo junto ao público que o acompanha.

É típico ‘cidadão de bem’ bolsonarista que aproveita a condição de padre enquanto aguarda a excomunhão que não deve tardar.

Vaticano – O Papa, a teocracia e a liturgia 28-2-2013

 
Há 7 anos, o Vaticano, bairro de 44 hectares, abriu vaga para Papa. Bento 16 deliberou manter-se vivo. Nos últimos dias procedera como os líderes profanos: continuou a fazer exonerações e nomeações. Substituiu-se a si próprio, exonerou o gerente do IOR, aceitou a resignação de cardeais, nomeou o novo bispo de Lisboa, futuro cardeal, e antecipou o consistório. O bispo de Lisboa, notoriamente reacionário, adquiriu com Bento XVI o direito ao barrete cardinalício, milagre que dificilmente se repetiria.

Sendo o primeiro Papa a sair vivo do cargo, em quase 600 anos, criou alguns problemas à monarquia eletiva cujo sucessor, perdida a tradição dos Bórgias, deixou de ser filho ou familiar. A eleição do sucessor viria a ser feita por cardeais maioritariamente criados (termo canónico) pelo “Papa emérito”, título que demorou vários dias a encontrar, e foi igual ao dos bispos que terminam o prazo de validade.

Manteve o direito a vestir-se de branco, ao pseudónimo de Bento XVI e a tratamento de luxo com mordomos paramentados e freiras dedicadas, mas perdeu mordomias. Deixou o anel, que foi destruído, poupado o dedo; ficou impedido de usar a batina de peregrino; perdeu o alvará da infalibilidade e da criação de cardeais e de santos, em trespasse para o novo pontífice; a interdição absoluta atingiu os sapatinhos vermelhos e o camauro; foi desapossado do papamóvel e da guarda suíça, e à meia-noite alguém se encarregou de lhe fechar a conta do Twitter.

Antes das 20H00 (19H00, em Lisboa) foi para Castel Gandolfo, de helicóptero, onde ficaria dois meses, até à conclusão das obras do convento, no Vaticano, onde se previa que ficasse até cumprir o ciclo de vida. Admitiu-se que a euforia provocada pela eleição de um novo Papa o fizesse esquecer, mas a sua sombra continuou a pairar através de sequazes que a correlação de forças não permitiu enxotar, como se viu com a publicação de um livro que impediu Francisco de ordenar homens casados e, talvez, mulheres.

O pontífice que defendeu o “coito interruptus” como método impoluto de contraceção, dentro do casal, acabou como “Papa interruptus”, como método de substituição papal.

Manteve o título de Santidade, título que designa a profissão e o estado civil, apesar da jubilação. E, como o cavalo de Jacques Prévert, pode gritar:

“Eu estou vivo / É o principal / Bom apetite / Meu general!”

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/02/vaticano-o-papa-teocracia-e-liturgia-28.html

O Sacrossanto Martírio Universal

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 22/02/2020)

Clara Ferreira Alves
 

Lembro o dia em que deixei o catolicismo praticante. Não é o mesmo que deixar Deus, ou a ideia de Deus. Deixei o ritual e a crença segundo o dogma. Ou, como dizem as crianças, deixei de ir à missa. Ainda vou à missa de vez em quando, uma missa de Páscoa cantada numa catedral, missas em igrejas por essa Europa fora, entradas à hora meditativa do crepúsculo. Continuo a achar a igreja, a luz que escorre dos vitrais, as cores esbatidas, a púrpura doirada das imagens, um lugar de paz e serenidade. E uma emoção ética e estética. Naquele dia estava em Espanha, no sul. Rodeada de espanhóis, no meio de família. Um desastre tinha vindo abanar aquelas terras e o país. Uma família titular, com um daqueles nomes sonantes de Espanha, acabara de perder cinco crianças, cinco meninas, num acidente de automóvel. Viajavam com a nanny, também morta. O choque e a estupefação, a funda e humana consciência do horror, o pavor do horror, tomaram conta das pessoas. Não se pode conceber tamanho sofrimento. Nos dias seguintes não se falava de outra coisa na imprensa e televisão.

Até que um dos membros da família, creio que o avô, deu uma entrevista a dizer que tinha sido a vontade de Deus. E que aceitavam o sofrimento que lhes levara aqueles “anjos “como vontade de Deus. Esta frase gerou uma discussão entre mim e os espanhóis, todos católicos praticantes (e o catolicismo espanhol não é como o português, é mais devoto, dogmático e fundamental) sobre a vontade de Deus, a ideia de Deus, e o martírio como expiação aceite com resignação e sacrifício. Com os ombros vergados à vontade divina. Argumentei pelo lado da racionalidade e todos me disseram que a única maneira de aguentar tamanho sofrimento era, justamente, concebê-lo como um ato vindo da transcendência. Na discussão, descobri como esta ideia se me tinha tornado estranha e equívoca, desumana no limite. Com aquele Deus que planeia a morte de cinco crianças como vontade, vontade de anjos, eu nada tinha a ver. Nem queria ter a ver. Um dos católicos argumentou que eu não era católica, talvez tivesse razão, se o reduto do catolicismo era a aceitação do extremo sofrimento físico e moral como uma emanação divina. A discussão foi longa e violenta. Lembro que fiquei moralmente exausta e exasperada pela teimosia dos crentes.

Até hoje, não mudei. Recuso o sofrimento e o martírio como uma obrigação perante Deus que implica toda a obrigação perante a vida. Do mesmo modo que recusei, numa longa conversa com um mestre budista, a ideia de que o sofrimento de uma criança doente, uma criança com uma doença terminal, era carma. Logo, natural. A minha racionalidade levou a melhor, nada daquilo fazia sentido e a busca de sentido deve nortear a consciência e os atos morais. Sei que esta recusa me afasta do catolicismo dogmático e me aproxima do Iluminismo e do antropocentrismo, mais de Newton e dos “Principia Mathematica” do que da Bíblia, se quisermos ser simples.

É uma ideia complexa, a de sofrimento, o pessoal e o alheio, o próximo e o distante. E é uma ideia inseparável do cristianismo, o maior legado doutrinário da Paixão de Cristo. Toda a ideologia e iconografia cristãs fazem assentar a redenção no sofrimento. Apesar de o próprio Cristo ter pedido ao Pai para afastar o cálice. A crucificação é o momento da redenção dos pecados, da salvação. Uma das conversas mais estimulantes da minha vida tive-a com um padre católico, sobre a hipótese “perversa” do suicídio de Cristo. Não sendo dogmático, e estando aberto a discutir a hipótese do suicídio como um ato volitivo predestinado, ainda vontade divina, do Pai, o padre negou-a em termos absolutos. Nunca seria um suicídio. Mais uma vez, coloquei-me do lado da racionalidade e não da fé, o lado do “advogado do diabo”, uma expressão que é uma revelação.

A ideia de martírio consentido enforma toda a religião, podíamos dizer todas as religiões monoteístas, e é inseparável da crença na vida como uma criação de Deus e no corpo humano como uma extensão de Deus. Só Deus os pode terminar, “naturalmente”. Aqui chegados, podemos ver como a ciência incorporou este conceito da sacralização da vida, um conceito religioso, ao ponto de rejeitar não só a argumentação racional sobre a negação ou alívio do sofrimento terminal como ao ponto de as ordens científicas, sobretudo as médicas, rejeitarem qualquer interferência jurídica no processo de terminação da vida, embora se aceite a pena de morte como punição. E é comum ouvirmos dizer, depois de um desastre ou fatalidade, que temos de aceitar e resignar, como uma forma nublada de expiação.

Esta ideia dominante é fortíssima. Muito mais do que a negação e prevenção da eugenia ou do homicídio, do extermínio ou, se quisermos ser latos, do mal, outras ideias prevalentes, a negação da morte assistida como ato volitivo humano, vigiado e condicionado, e a obrigação do sofrimento terminal, foram universalmente interiorizadas. A Paixão de Cristo tornou-se, e é um feito extraordinário que ultrapassa as questões de uma fé, a paixão da humanidade. Os budistas acham que a vida não passa de sofrimento e reencarnação para mais sofrimento, até ao dia da iluminação e do fim do carma. Buda continua a reencarnar. E o islamismo está hoje ligado, nas suas formulações martirológicas, ao radicalismo desviante e homicida do terrorismo ideológico. Uma ideia gerou outra bem mais perigosa.

Ao entrarmos no Museu Nacional D’Art da Catalunya, onde passei largos dias a ver decapitações por causa de um romance que estava a escrever, podemos verificar como as representações do martírio dos santos, os martírios místicos, inundam a arte gótica do Norte de Espanha. As representações são gráficas, cabeças cortadas, corpos despedaçados, assados no caldeirão, pregados, martelados, torturados, assassinados com crueldade. Os instrumentos e ferramentas entram na representação fazendo uso de imaginação digna das torturas chinesas descritas por Octave Mirbeau em “O Jardim dos Suplícios”.

No íntimo de cada um de nós espreita um assassino, e daí as reservas colocadas à terminação da vida por um estranho ao corpo a terminar. Já a condenação geral do suicídio como cobardia, desprezando a doença “moral”, entronca diretamente na fórmula cristã da vida como ato divino. Nos martírios dos santos, emulações da crucificação que querem ir ainda mais longe no sofrimento, e são desejadas e suicidárias, o misticismo é recompensado na vida para além da morte. O sofrimento torna-se uma delícia, um masoquismo visionário que distingue o mártir do comum mortal. A agonia torna-se êxtase. O sofrimento como condição da santidade. Os santos aparecem sereníssimos no martírio e nimbados da luz divina, a luz da aprovação da tortura e da morte. Eles sabem o que os espera e não se importam de morrer. Têm prazer em morrer. Na vida, não é bem assim.

Na era do cientificismo devocional que é a nossa, a ideia de que não estou autorizada a controlar ou terminar o sofrimento último recorrendo à ciência, não posso querer terminar a dor do meu corpo e o sofrimento moral da dor, que é posto de parte como um apêndice, continua a ser estranha à minha razão. Sem prescindir de um ente divino que usa a compaixão e abomina o martírio.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Papa critica hipócritas que “falam de paz e vendem arma”

 
 

247 - O Papa Francisco criticou neste domingo (23) os hipócritas que “falam de paz e vendem arma”, durante evento na cidade de Bari, no sul da Itália. O pontífice aproveitou para fazer menção ao “grande pecado da hipocrisia”, já que muitos países “falam de paz e vendem armas aos que estão em guerra”.

O papa também disse ter receio dos discursos de líderes populistas, porque o fazem lembrar das “mensagens de ódio dos anos 1930”, em referência ao nazismo e ao fascismo.

A guerra, diz o Papa, “é uma verdadeira loucura, porque é irracional destruir casas, pontes, fábricas, hospitais, matar pessoas e aniquilar recursos em vez de construir relações humanas e econômicas”.

 

Bem-aventurada Conferência Episcopal Portuguesa

 
Quando a morte era assistida, os moribundos saudáveis e era o clero a tratar da saúde, já havia a estranha devoção de negar a morte sem sofrimento.

A morte não era a pedido, o sofrimento era obrigatório, e já eram ruidosas e participadas as manifestações de júbilo do clero, nobreza e povo, unidos no delírio da combustão de judeus, bruxas, hereges, apóstatas e blasfemos. Mais contido o êxtase, mantém-se a coerência.

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/02/bem-aventurada-conferencia-episcopal.html

Padre julgado por desviar 549 mil euros e furtar arte sacra

 
António Teixeira, antigo pároco em Lisboa e Cascais, é autor de livro cujo prefácio foi escrito por Marcelo Rebelo de Sousa. É acusado de abuso de confiança e furto qualificado.
 
O padre António Teixeira, acusado do desaparecimento de obras de arte sacra e do desvio de 549 mil euros, começa a ser julgado a 2 de junho, no Juízo Central Criminal, em Lisboa, pela alegada prática dos crimes de abuso de confiança e furto qualificado. Antigo pároco em Santo Condestável (Lisboa) e Carcavelos (Cascais), António Teixeira foi próximo do Presidente da República: Marcelo Rebelo de Sousa escreveu o prefácio do livro ‘Palavras da Palavra’, da autoria do pároco, e mostrou-se chocado quando surgiram as primeiras suspeitas do envolvimento de António Teixeira.
 

Veja aqui a notícia

FRATERNIZAR – EUTANÁSIA -Não ou Sim à Lei de despenalização? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

Líderes das religiões e das igrejas, com destaque para o papa de Roma e a generalidade dos bispos residenciais católicos e respectivos párocos são todos contra a aprovação de uma Lei de despenalização da eutanásia no Parlamento, seja ela qual for. Fazem-no, ao que dizem, para defender a vida e acham que todas as pessoas que não alinhem com este seu dizer são assassinas. É já assim – dito em rude linguagem – que, neste momento, se apresentam as coisas em Portugal, perante a possibilidade do Parlamento português vir a aprovar uma lei que defenda, não, obviamente, o homicídio, tão pouco a eutanásia, como tal, apenas uma Lei parlamentar de despenalização da eutanásia que, no seu sentido etimológico, significa morte boa, ou boa morte. Ou no sentido da antiga teologia católica, Morrer-em-estado-de-graça. Despenalizar, remete a decisão para cada pessoa em concreto e só em situações concretas que a própria Lei dirá quais. Mas as barbaridades que se repetem por aí a este propósito são de bradar aos céus e às pedras!

A polémica não é nova, como é sabido. Já a conhecemos, há anos, não sobre esta despenalização, mas sobre a do Aborto. Na altura, houve dois referendos que não deram em nada, porque a esmagadora maioria das pessoas não se deu sequer ao trabalho de ir votar Sim ou Não à pergunta, por sinal, então muito mal formulada. Depois no segundo referendo, a maioria votou SIM, mas o resultado não era vinculativo, porque não contou com a maioria de votantes exigida pela Lei dos Referendos. E foi o Parlamento que, posteriormente, acabou por aprovar uma Lei de despenalização do Aborto que passou a estar em vigor. E todos os ânimos até então exaltadíssimos serenaram. Com os bispos e demais líderes das igrejas e religiões a remeterem-se ao silêncio.

O mesmo ocorre agora, quando no actual Parlamento há vários Projectos de Lei de despenalização da eutanásia, com grandes possibilidades de todos eles serem aprovados na generalidade e, depois, na especialidade, nascer uma Lei enriquecida com o melhor de cada uma das propostas partidárias. A serenidade perante o facto seria expectável, depois da vergonha que foi, aquando da Lei de despenalização do aborto. Mas não. O país começa a estar em polvorosa, com os bispos residenciais e seus muitos acólitos a exigir um Referendo, pelo menos, para retardar o inevitável, dada a salutar secularidade em que vivemos e com os templos paroquiais vazios e a ser usados para outros fins.

Esquecem os bispos católicos residenciais que o Estado português é laico. Ainda que, depois de séculos e séculos em que vigorou o princípio, Clero, Nobreza e Povo, seja ainda muito difícil a salutar separação das águas. Para cúmulo, com um Presidente da República mais papista do que o papa de Roma imperial, a promiscuidade entre clérigos locais, agentes do Estado e Autarquias é mais do que muita e só prejudica as populações mantidas politicamente alienadas, que em vez de se assumirem e aos aos seus destinos, preguiçosamente delegam nos partidos políticos, cujos candidatos, uma vez escolhidos, cuidam dos seus próprios interesses corporativos, não das populações abandonadas como ‘ovelhas-sem-pastor’, pior, como ovelhas com mercenários mascarados de pastores que as cravam com dízimos e missas a granel, pagas e bem pagas.

Por mim, entre o Não e o Sim à Lei de despenalização da eutanásia, eu respondo Sim. Porque, ao contrário do que fazem crer os seus opositores, a Lei de despenalização da eutanásia protege muito mais a vida, na sua fase terminal. Por outro lado, remete, como sempre deve ser, para a consciência de cada pessoa. Ela e só ela decide como quer o seu bem morrer. Se com intolerável sofrimento terminal, ou, pelo contrário, se a sua vida em fase terminal, há-de seguir o seu curso, com o mínimo de sofrimento possível. O que se pode e deve chamar com toda a propriedade, Ortotanásia. É por aqui que vou.

 

www.jornalfraternizar.pt

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/16/fraternizar-eutanasia-nao-ou-sim-a-lei-de-despenalizacao-por-mario-de-oliveira/

(Multimídia) Chanceler chinês reúne-se com homólogo do Vaticano

 


Munique, Alemanha, 14 fev (Xinhua) -- O conselheiro de Estado chinês e ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, reuniu-se na sexta-feira com o secretário para as Relações com os Estados do Vaticano, Paul Gallagher, à margem da 56ª Conferência de Segurança de Munique.

Referindo-se ao momento crítico em que a China está combatendo a epidemia causada pelo novo coronavírus, Gallagher, em nome do Papa Francisco e da Secretaria de Estado do Vaticano, transmitiu o respeito e o apoio da Santa Sé à China.

A China tem a sabedoria e a coragem para derrotar a epidemia em breve, acrescentou.

O Papa Francisco é familiar com a China e os intercâmbios entre os dois lados, disse ele, acrescentando que é de grande importância o acordo provisório sobre a nomeação de bispos assinado pelos dois lados em 2018, o que é contribuinte para a promoção do bem-estar dos católicos e do povo chinês, bem como para a paz mundial.

Por sua parte, Wang expressou sua gratidão a Gallagher por transmitir a solidariedade da Santa Sé.

Wang disse que o vírus é um inimigo comum da humanidade e a comunidade internacional deve dar as mãos para lidar com ele.

O atual surto foi efetivamente controlado, informou ele, acrescentando que a China, um grande país com uma civilização de 5.000 anos, passou por vários testes e tribulações na história.

O ministro chinês assinalou que o lado chinês acredita que o lado do Vaticano desempenhará um papel construtivo, levando a comunidade internacional a apoiar e cooperar com os esforços da China para combater a epidemia de maneira objetiva, racional e científica e salvaguardar conjuntamente a segurança de saúde global.

Observando que o Papa Francisco expressou publicamente seu amor e bênção pela China em várias ocasiões, Wang disse que este foi o primeiro encontro entre os ministros das Relações Exteriores da China e do Vaticano.

Esta é a continuação das trocas China-Vaticano ao longo do tempo e abrirá mais espaço para trocas bilaterais no futuro, acrescentou.

Segundo Wang, o acordo provisório sobre a nomeação de bispos é uma prática pioneira e produziu resultados positivos. A China está disposta a fortalecer ainda mais o entendimento, construir confiança mútua e impulsionar o momento de interação positiva entre os dois lados.

Durante a reunião, os dois lados também concordaram em ter uma visão mais ampla e trabalhar juntos para promover o respeito mútuo e a aprendizagem mútua entre diferentes civilizações, a fim de criar um mundo pacífico.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-02/15/c_138786867.htm

"Estou contente de te ver caminhando pela rua", disse o Papa Francisco a Lula (vídeo)

 

247 -Em vídeo divulgado pelo ex-presidente Lula neste sábado (15) sobre o encontro que teve na última quinta-feira (13) com o Papa Francisco, é possível ver o pontífice afirmando estar contente pela liberdade de Lula.

"Te agradeço por vir, te agradeço muito. Estou contente de te ver caminhando pela rua", disse o pontífice.

https://twitter.com/LulaOficial/status/1228687250319454210?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1228687250319454210&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.brasil247.com%2Fmundo%2Festou-contente-de-te-ver-caminhando-pela-rua-disse-o-papa-francisco-a-lula-video

Leia o que disse Lula ao papa:
 
"Primeiro, santidade, quero dizer que é um orgulho para mim e para a minha delegação esse encontro. Há muito tempo eu tinha vontade de discutir com o papa a questão da desigualdade e tentar mostrar as experiências bem sucedidas, as políticas de combate à desigualdade e à fome no Brasil. É preciso fazer uma discussão com todos os governantes e com toda a sociedade para ver se no século XXI a gente acaba com a desigualdade no planeta. Ela está crescendo, todas as conquistas que tivemos no século XX estão sendo tiradas dos trabalhadores e eu acho que o momento é extraordinário para esse debate que vai acontecer dia 6 e acho que é um movimento extraordinário para que a gente possa fazer em vários outros países debates para discutir a desigualdade do mundo, porque está realmente insuportável, seja a desigualdade econômica, seja o tratamento da questão ambiental, eu acho que a santidade trata esses assuntos em um momento bastante adequado. Espero que o senhor tenha todo o apoio de toda a gente porque não é um tema fácil, temos muita gente contra, muita gente que não se preocupa com os pobres e esse é um tema que eu quero discutir com muito carinho para lhe contar todas as experiências do que é possível fazer no Brasil e n o mundo inteiro. Sou muito grato , vim aqui para agradecer e vim também discutir um pouco da desigualdade com o papa".
 
 
 
 
 

Lula da Silva elogia postura de Papa Francisco contra desigualdade

 

O ex-Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a postura de alento na defesa dos trabalhadores e na denúncia de desigualdades do Papa Francisco, com quem se encontrou na quinta-feira.

 

“Quando o Papa Francisco toma a atitude de fazer um encontro em Assis [cidade italiana] para discutir desigualdade, chamando milhares de jovens, para discutir a nova economia do mundo, acho que é uma decisão de alento do Papa, que toca num assunto vital ao futuro dos trabalhadores do mundo inteiro”, disse Lula à imprensa, na sede do maior sindicato italiano (Confederação Geral Italiana do Trabalho), após o encontro com o líder da Igreja Católica, no Vaticano.

O ex-chefe de Estado brasileiro referia-se ao fórum proposto pelo Papa Francisco na cidade italiana de Assis que, entre 26 e 28 de março, reunirá jovens empresários e estudantes de todo o mundo para idealizar um novo modelo socioeconómico.

O objetivo de Lula no primeiro encontro com o Papa era discutir temas como a luta contra a fome ou a proteção dos mais pobres, o que se concretizou. Esta foi a primeira viagem ao estrangeiro do antigo chefe de Estado do Brasil após sair da prisão em novembro passado, onde esteve 580 dias condenado por corrupção.

 
 

Após a reunião na Casa Santa Marta, Lula disse ter ouvido do Papa o desejo de “querer fazer coisas que sejam irreversíveis, que fiquem para sempre no seio da sociedade”.

Segundo o ex-Presidente, a iniciativa de Francisco de estimular a juventude a discutir a nova economia do mundo é uma necessidade: “Isso deve servir de exemplo para o movimento sindical, para outras igrejas e para os partidos políticos do mundo inteiro”.

“O mundo está a ficar mais desigual e a maioria dos trabalhadores está a perder direitos. (…) Muitas das conquistas que tivemos no século XX estão a ser derrubadas pela ganância dos interesses empresariais e financeiros”, indicou o histórico líder do Partido dos Trabalhadores (PT).

Lula recordou os encontros do G20 em que participou após a crise financeira global de 2008 e garante que, até agora, nada do que foi planeado se concretizou. “Todas as decisões que tomámos, envolvendo interesses dos trabalhadores, desenvolver os países mais pobres, nada disso aconteceu”, garantiu.

Disse ainda que as questões ambientais foram um dos principais temas que abordou com o Papa Francisco. “Nós estamos a perceber que há uma má vontade, apesar dos discursos dos governantes, em se preocuparem com a questão ambiental. (…) Muito se fala em energia alternativa, no degelo do Polo Norte, mas pouco tem sido feito. (…) Enquanto a gasolina e o petróleo forem baratos, não há interesse em mudar a matriz energética da maioria dos países”, afirmou.

O ex-Presidente declarou ter ficado “muito satisfeito” com o encontro, referindo que “se todo o ser humano, ao atingir 84 anos, tiver a força, a disposição e a garra que ele tem de levantar temas instigantes para o debate” poderão ser encontradas “soluções mais fáceis”.

Questionado se abordou a questão do Governo do atual Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no encontro, Lula indicou: “Não podia vir aqui para discutir sobre Bolsonaro”.

Lula visitou várias centrais sindicais em Itália e planeia regressar ao Brasil na manhã de sexta-feira. A audiência do ex-Presidente brasileiro com Francisco foi intermediada pelo chefe de Estado da Argentina, Alberto Fernández.

Lusa //

 
 

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Portugal | Eutanásia: PS contra referendo e quer lei votada logo no dia 20

(Comentário:

O tema da despenalização da eutanásia é complexo e não pode ser visto a preto e branco.

Todavia o taticismo da Igreja católica surpreende.

Compreende-se que invoque «o mandamento de que nunca é lícito matar uma pessoa humana inocente (“Não matarás”)» e que considere que «Para os crentes, a vida não é um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, é um dom de Deus e uma missão a cumprir».

Há até que reconhecer a prudência do alerta que a Igreja faz quando diz:

«A mensagem que, através da legalização da eutanásia e do suicídio assistido, assim se veicula tem graves implicações sociais, que vão para além de cada situação individual. Esta mensagem não pode deixar de ter efeitos no modo como toda a sociedade passará a encarar a doença e o sofrimento.

Há o sério risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a estas situações, já que a solução não passaria por um esforço solidário de combate à doença e ao sofrimento, mas pela supressão da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade. E é mais fácil e mais barato. Mas não é humano! Neste novo contexto cultural, o amor e a solidariedade para com os doentes deixarão de ser tão encorajados, como já têm alertado associações de pessoas que sofrem das doenças em questão e que se sentem, obviamente, ofendidas quando veem que a morte é apresentada como “solução” para os seus problemas. E também é natural que haja doentes, de modo particular os mais pobres e débeis, que se sintam socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem “a mais” ou “um peso”.

É este, sem dúvida, um perigo agravado num contexto de envelhecimento da população e de restrições financeiras dos serviços de saúde que implícita ou explicitamente se podem questionar: para quê gastar tantos recursos com doentes terminais quando as suas vidas podem ser encurtadas?

Não podemos ignorar que, entre nós, uma grande parte dos doentes, especialmente os mais pobres e isolados, não tem acesso aos cuidados paliativos, que são a verdadeira resposta ao seu sofrimento.

A legalização da eutanásia e do suicídio assistido contribuirá para atenuar a consciência social da importância e urgência de alterar esta situação, porque poderá ser vista como uma alternativa mais fácil e económica.»

 

O que não se compreende e revela um taticismo sem princípios é quando a Igreja vem alinhar com a posição do CDS e da extrema-direita para a realização de um referendo. Se, para a Igreja, a eutanásia é a violação do direito sagrado á vida então não pode ser referendado.

A seriedade de uma organização mede-se pela fidelidade aos seus próprios princípios.)


 
 
O PS é contra a realização de um referendo sobre a despenalização da eutanásia e quer levar o seu projeto a votos logo em 20 de fevereiro, disse hoje à Lusa fonte da direção da bancada.
 
Para os socialistas, segundo a mesma fonte, a Assembleia da República "tem a absoluta legitimidade" para decidir sobre os cinco projetos para a despenalização da morte assistida no dia do debate, na próxima semana.
 
E recusam o cenário de uma consulta popular, apoiada pela Igreja Católica, e que, no parlamento, tem o apoio do CDS e do deputado do Chega.
 
O assunto foi discutido, hoje de manhã, na Assembleia da República, em Lisboa, numa reunião que juntou membros da direção da bancada socialista e deputados que vão ter participação ativa no debate parlamentar, na próxima semana, onde os parlamentares do PS terão liberdade de voto.
Segundo fontes da bancada, estão identificados pelo menos três deputados que vão votar contra - um é Ascenso Simões, eleito por Vila Real, que já votou "não" em 2018, o secretário-geral adjunto, José Luís Carneiro, e Pedro Cegonho, eleito por Lisboa e presidente da Associação Nacional de Freguesias.
 
A hipótese de os diplomas não serem votados no dia do debate foi admitida por vários deputados na terça-feira e o vice-presidente da bancada do PSD Adão Silva admitiu, à Lusa, esse cenário, apesar de o seu partido não ter nenhuma iniciativa legislativa sobre o tema - só as bancadas com projetos podem pedir a baixa, à comissão, sem votação.
 
Da parte dos cinco partidos com projetos de lei sobre a eutanásia não há sinais nesse sentido, pelo contrário, no caso do PS e do BE, pelo menos.
 
Caso os textos sejam aprovados na generalidade, baixam à comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias para o trabalho na especialidade, de onde poderá sair um texto comum para votação final global.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: © Global Imagens
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

Depois de ver o Papa, Lula diz que ganância aumenta desigualdade

Do Instituto Lula - Depois de ter se encontrado nesta quinta-feira(13/02) com o papa Francisco, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em Roma que “a ganância dos interesses empresariais e financeiros” é responsável pela revogação de conquistas dos trabalhadores e pelo aumento da desigualdade no mundo. Lula denunciou a “má vontade dos governantes” diante da questão ambiental e exortou os jovens a “lutar para garantir o seu espaço e o seu futuro no planeta terra”.

Lula foi recebido pelo papa em audiência privada na residência Santa Marta, no Vaticano, durante cerca de uma hora. Foi o primeiro encontro dos dois líderes, que haviam trocado correspondência em 2018, quando Lula cumpria prisão ilegal em Curitiba. Em entrevista, o ex-presidente destacou os pontos principais da audiência: o combate à desigualdade, que será tema em março de um encontro mundial de jovens economistas convocado pelo papa, e também a questão ambiental.

“O mundo está ficando mais desigual e maioria dos trabalhadores está perdendo direitos”, disse Lula. “Muitas das conquistas que tivemos no Século XX estão sendo derrubadas pela ganância dos interesses empresariais e financeiros”. Lula recordou ter participado de encontros do G-20 após a crise financeira global de 2008, mas sem resultados: “Todas as decisões que tomávamos envolvendo interesses dos trabalhadores, desenvolver os países mais pobres, nada disso aconteceu”.

“O que aconteceu é que o sistema financeiro saiu mais forte e a economia mundial está financeirizada”, afirmou. “Hoje se ganha dinheiro produzindo papéis e vendendo facilidades, ao invés ganhar fabricando produtos e gerando empregos”. Lula disse que é alentadora a iniciativa do papa de debater a desigualdade com jovens economistas, porque “toca num assunto vital para o futuro”. E indagou: “Quem é que vai oferecer trabalho aos trabalhadores? Quem vai pagar salários? Quem é que vai cuidar das pessoas pobres, que nem oportunidade de emprego têm?”

Lula disse ter ouvido do papa que este, aos 84 anos de idade, “quer fazer coisas que sejam irreversíveis, que fiquem para sempre no seio da sociedade”. Segundo o ex-presidente, a inciativa de estimular a juventude a discutir a nova economia do mundo é uma necessidade. “Isso deve servir de exemplo para o movimento sindical, para outras igrejas e para os partidos políticos do mundo inteiro”.

SER HUMANO EM EXTINÇÃO

 

“Nós estamos percebendo que há uma má vontade, apesar dos discursos dos governantes, em se preocupar com a questão ambiental”, disse Lula ao abordar o segundo tema principal da audiência com o papa Francisco. “Muita gente deseja romper o protocolo de Kioto”, afirmou, referindo-se ao compromisso assinado em 1997 pelos países membros da ONU, de reduzir a emissão de gases relacionados ao aquecimento global.

“Muito se fala em energia alternativa, no degelo do pólo norte, mas pouco tem sido feito”, afirmou. “Enquanto a gasolina e o petróleo forem baratos, não há interesse em mudar a matriz energética da maioria dos países”. Lula recordou compromissos que nunca foram cumpridos, como a ampliação do uso de biocombustíveis na Europa. “É preciso levar muito a sério um novo modelo de produção energética”.

Lula voltou a defender o que disse na reunião da COP 15 em Copenhague, em 2009, da qual participou como presidente do Brasil, sobre a questão ambiental ser responsabilidade de todos. “Antes de culpar a China pela poluição atual, é preciso saber quem vai pagar pela poluição histórica do planeta Terra”. Ele disse que já naquela ocasião percebeu que muitos queriam deixar de cumprir o Protocolo de Kioto.

 

“Quero lembrar que, se a gente não cuidar da preservação do planeta, um dos principais animais em extinção é o ser humano, sobretudo os pobres, porque não existe nenhuma preocupação em cuidar deles”, afirmou Lula.

O ex-presidente disse ter ficado “muito satisfeito” pelo encontro com o papa. “Se todo ser humano, ao atingir 84 anos, tiver a força, a disposição e a garra que ele tem, de levantar temas instigantes para o debate, a gente poderá encontrar soluções mais fáceis”. Ao fim da declaração à imprensa, Lula afirmou: “Há dois setores que têm de lutar: nós, que temos mais de 70, aposentados e velhos, e os jovens, que na verdade têm muito o que lutar para garantir o seu espaço e o seu futuro no planeta Terra”.

ENCONTROS EM ROMA

Depois da audiência com o papa, Lula visitou a Fundação Lili e Lélio Basso, onde se encontrou com os juristas Luigi Ferrajoli e Franco Ipolitto, ex-presidente da Suprema Corte Italiana. Muito respeitado pela comunidade jurídica internacional, Ferrajoli denunciou os abusos da Lava Jato e disse que Sergio Moro fez uma “colaboração premiada” com Jair Bolsonaro. Em manifesto com outros 16 juristas de todo o mundo, afirmou que Lula “não foi julgado, foi vítima de uma perseguição política.”

Na quarta-feira, quando chegou a Roma, o ex-presidente Lula recebeu, em encontros individuais, o ministro de Economia e Finançasda Itália, Roberto Gualtieri, o ex-primeiro-ministro Massimo D’Alema e o sociólogo Domenico De Masi, que o haviam visitado na prisão em Curitiba. Também se encontrou com os organizadores do Comitê Lula Livre na Itália. A todos agradeceu pela solidariedade e pela defesa da democracia no Brasil.

O ex-chanceler Celso Amorim e os advogadosCristiano Zanin e Manoel Caetano viajaram com o ex-presidente. Celso Amorim acompanhou Lula na audiência com o papa. O ex-presidente também se encontrou com os organizadores do encontro “A Economia de Francisco”, que reunirá jovens economistas a convite do papa, em março, na cidade de Assis.

“Papa Francisco quer saber como Lula reduziu desigualdade no Brasil”

“É o encontro de dois grandes líderes mundiais, que têm as mesmas propostas de acusar e rejeitar esse sistema que cria tantos pobres, agride a natureza e é anti-vida”.

 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no Vaticano onde se reunirá com o papa Francisco, nesta quinta-feira (13), para abordar temas como fome, desigualdade social e intolerância no Brasil e no mundo. Em viagem ao Vaticano no final de janeiro, o presidente argentino Alberto Fernández anunciou que o papa Francisco receberia o ex-presidente brasileiro. Lula viajou para o Vaticano na terça-feira (11).

Em entrevista ao Brasil de Fato, o teólogo brasileiro Leonardo Boff pontua que um dos grandes temas do encontro será a desigualdade social e afirma que o papa Francisco “quer perguntar a Lula como é que ele conseguiu diminuir a desigualdade no Brasil”.

“É o encontro de dois grandes carismáticos, líderes reconhecidos mundialmente. Isso será bom para o papa, que colherá a experiência do Lula no processo de diminuição da desigualdade. Para o Lula, será importante encontrar-se com o papa, que tem as mesmas propostas de acusar e rejeitar esse sistema mundial que cria tantos pobres, agride a natureza e é anti-vida. O papa tem acusado essa desigualdade como consequência de uma forma de produzir e de explorar os trabalhadores e a própria natureza”, diz o teólogo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a pobreza no país caiu de um patamar de 42 milhões de pessoas, em 2002, para 14 milhões em 2014, ano em que o Brasil deixou o Mapa da Fome das Nações Unidas. Lula foi presidente de 2003 a 2010. A fome no país teve uma redução de 82% entre 2003 e 2014, momento em que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou que o país tinha menos de 5% da população em condição de insegurança alimentar.

 

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil (Fonte: Brasil de Fato)/ Tornado


 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/papa-francisco-quer-saber-como-lula-reduziu-desigualdade-no-brasil/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=papa-francisco-quer-saber-como-lula-reduziu-desigualdade-no-brasil

Papa propõe nova economia

De 26 a 28 de março, Assis, a cidade italiana de São Francisco, receberá mais de 2 mil economistas e empreendedores de 115 países, todos com menos de 35 anos, para participar do encontro “A economia de Francisco”, evento convocado pelo papa. O Brasil se fará representar por 30 participantes.

A agenda prevê debates sobre trabalho e cuidado; gestão e dom; finança e humanidade; agricultura e justiça; energia e pobreza; lucro e vocação; políticas para a felicidade; desigualdade social; negócios e paz; economia e mulher; empresas em transição; vida e estilos de vida; e economia solidária.

"Não há razão para haver tanta miséria. Precisamos construir novos caminhos”, declarou Francisco ao convocar o evento. Ele propõe uma economia “que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da Criação e não a depreda.” E afirma a necessidade de “corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito ao meio ambiente, o acolhimento da vida, o cuidado da família, a equidade social, a dignidade dos trabalhadores e os direitos das futuras gerações.”

Para assessorar o encontro, o papa convidou Jeffrey Sachs, Joseph Stiglitz, Amartya Sen, Vandana Shiva, Muhammad Yunus e Kate Raworth.

Os temas da desigualdade social e da devastação ambiental ocuparão o centro das atenções. Segundo o economista Ladislau Dowbor, no atual estágio do capitalismo “não há nenhuma razão para haver miséria no planeta. Se dividirmos os 85 trilhões de dólares que temos de PIB mundial pela população, isso equivale a 15 mil reais por mês, por família de quatro pessoas. Isso é amplamente suficiente para todos viverem de maneira digna e confortável.”

Hoje, segundo a FAO, 851 milhões de pessoas passam fome. A população mundial é de 7,6 bilhões de pessoas, e o planeta produz alimentos suficientes para 11 bilhões de bocas. Portanto, não há falta de recursos, há falta de justiça. Como não há falta de dinheiro, e sim de partilha. Os paraísos fiscais, verdadeiras cavernas de Ali Babás, guardam 20 trilhões de dólares, 200 vezes mais do que os US$ 100 bilhões que a Conferência de Paris estabeleceu para tentar deter a desastre ambiental.

 

No neoliberalismo, o capitalismo adquiriu nova face. Deslocou-se da produção para a especulação. As fabulosas fortunas estocadas nos bancos favorecem prioritariamente os especuladores, e não os produtores. Em suas obras, Piketty demonstra que produzir gera empregos e resulta no crescimento de bens e serviços na ordem de 2% a 2,5% ao ano. Porém, quem aplica no mercado financeiro obtém um rendimento de 7% a 9% ao ano.

O agravante é que o capital improdutivo quase não paga imposto. E a desigualdade de renda tende a crescer, pois, hoje, 1% da população mundial detém em mãos mais riqueza que os 99% restantes. A soma das riquezas de apenas 26 famílias supera a soma da riqueza de 3,8 bilhões de pessoas, metade da população mundial. E, no Brasil, apenas seis famílias acumulam mais riqueza do que 105 milhões de brasileiros – quase metade de nossa população – que se encontram na base da pirâmide social.

Segundo a revista Forbes, 206 bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em 230 bilhões de reais em 2019, enquanto a economia ficou praticamente estagnada. Enquanto isso, aos mais pobres cabem os R$ 30 bilhões do programa Bolsa Família.

 

Portanto, como assinala Dowbor, não é o Bolsa Família e a aposentadoria dos velhinhos que prejudicam a economia, e sim a acumulação de riquezas em mãos de grandes grupos privados que não produzem, são meros especuladores financeiros. Essas famílias tinham uma fortuna, em 2012, de R$ 346 bilhões. Em 2019, subiu para 1 trilhão e 206 bilhões de reais. Como em nosso país lucros e dividendos são isentos de tributação, esses bilionários não pagam impostos.

O objetivo do papa Francisco é que vigore no mundo uma economia socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável e eticamente responsável.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/papa-propoe-nova-economia

Leonardo Boff: 'papa Francisco quer saber como Lula diminuiu desigualdade no Brasil'

 

Do Brasil de Fato-O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no Vaticano onde se reunirá com o papa Francisco, nesta quinta-feira (13), para abordar temas como fome, desigualdade social e intolerância no Brasil e no mundo. Em viagem ao Vaticano no final de janeiro, o presidente argentino Alberto Fernández anunciou que o papa Francisco receberia o ex-presidente brasileiro. Lula viajou para o Vaticano na terça-feira (11).

Em entrevista ao Brasil de Fato, o teólogo brasileiro Leonardo Boff pontua que um dos grandes temas do encontro será a desigualdade social e afirma que o papa Francisco "quer perguntar a Lula como é que ele conseguiu diminuir a desigualdade no Brasil".

"É o encontro de dois grandes carismáticos, líderes reconhecidos mundialmente. Isso será bom para o papa, que colherá a experiência do Lula no processo de diminuição da desigualdade. Para o Lula, será importante encontrar-se com o papa, que tem as mesmas propostas de acusar e rejeitar esse sistema mundial que cria tantos pobres, agride a natureza e é anti-vida. O papa tem acusado essa desigualdade como consequência de uma forma de produzir e de explorar os trabalhadores e a própria natureza", diz o teólogo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a pobreza no país caiu de um patamar de 42 milhões de pessoas, em 2002, para 14 milhões em 2014, ano em que o Brasil deixou o Mapa da Fome das Nações Unidas. Lula foi presidente de 2003 a 2010. A fome no país teve uma redução de 82% entre 2003 e 2014, momento em que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou que o país tinha menos de 5% da população em condição de insegurança alimentar.

Em 2014, 4,5% da população vivia abaixo da linha de extrema pobreza, segundo o IBGE. Em 2018, a taxa alcançou 6,5%, no governo de Michel Temer (MDB), chegando a 13,5 milhões de pessoas. Desde 2015, mais de 4,5 milhões de pessoas ingressaram na faixa de extrema pobreza.

Causas fundamentais

 

Leonardo Boff destaca que outro ponto fundamental na discussão de Lula com o papa será o resgate da democracia "especialmente no nosso país que é ameaçado pela intolerância e pela brutalidade das relações". O teólogo ressalta que tanto o Lula quanto a papa são líderes carismáticos com capacidade de "mobilizar as pessoas e as consciências para as causas fundamentais", como "a convivência pacífica sem ódios, sem intolerância, entre os povos da humanidade".

"O papa é sensível à democracia em toda a América Latina. E é um tema central da luta do Lula. Creio que o papa entendeu que a prisão dele foi algo político, algo que não devia ser. Não sem razão, o papa escreveu uma carta ao Lula, isso significa que houve um reconhecimento daquilo que significou a prisão", afirma o teólogo.

Em maio do ano passado, o papa Francisco enviou uma carta em que desejou ânimo ao ex-presidente Lula. No texto, ele afirma que “o bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a Salvação vencerá a condenação”. Na ocasião, o líder religioso disse que acredita, assim como seus antecessores, que “a política pode se tornar uma forma eminente de caridade se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas”.

 

Amazônia

O teólogo Leonardo Boff destaca a Amazônia como outro ponto central na conversa entre Lula e o papa. "O papa vai perguntar ao Lula em que medida a Amazônia é fundamental para a humanidade e como ele e os governos tem que proteger esse bioma."

Nesta quarta-feira (12), o papa Francisco publicou a exortação pós-sinodal sobre a Amazônia. Com o título Querida Amazônia, a publicação é resultado da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica, celebrada em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019.

“Querida Amazônia”, assinada no último 2 de fevereiro e é resultado da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica, celebrada em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019.

“Sonho com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida. Sonho com uma Amazônia que preserve a riqueza cultural que a caracteriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana. Sonho com uma Amazônia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas. Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos”, diz o texto publicado pelo papa Francisco.

Em 2019, no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, a Amazônia queimou mais que nos sete anos anteriores. Segundo dados do Inpe, foram mais de 90 mil focos de queimadas registrados no ano, uma alta de quase 30% em relação ao ano anterior.

Em uma entrevista exclusiva ao jornal argentino Página 12 no final de janeiro, Lula ressaltou o compromisso do papa com a questão ambiental e lembrou o papel da Igreja Católica na realização do Sínodo da Amazônia. “Eu fico feliz que a gente tenha um bispo latino-americano, argentino, pensando de forma tão progressista como o papa Francisco pensa”, afirmou.

O ex-presidente também afirmou ter profundo respeito pelo pontífice e ressaltou o compromisso de Francisco na defesa dos direitos humanos.

“Eu acho que ele tem se notabilizado pela coerência. Ele tem se notabilizado na tentativa de fazer com que a Igreja Católica tenha um compromisso maior com o povo pobre. Ele tem um compromisso de defender os direitos humanos muito forte e tem feito sinais pra humanidade muito positivos”, disse Lula.

EUA. Padre diz que pedofilia não “mata ninguém” ao contrário do aborto

 

Na semana passada, o reverendo católico Richard Bucci publicou uma lista na qual proibia 44 políticos norte-americanos, que votaram a favor da lei do aborto, de comungar na sua paróquia, em Rhode Island, Estados Unidos.

 

Richard Bucci, de 72 anos, publicou uma lista no folheto mensal da sua paróquia, em Rhode Island, onde proíbe 44 políticos norte-americanos de comungar e de exercer algumas funções nas celebrações religiosas, como ser padrinho ou ler a liturgia em casamentos e funerais.

A razão por trás desta proibição prende-se com o facto de os 44 legisladores se terem mostrado favoráveis à Lei da Privacidade Reprodutiva, aprovada no ano passado, que prevê que o Estado não deve negar ou interferir no direito da mulher em escolher ter um filho ou abortar. O caso ganhou eco depois de uma entrevista do reverendo a uma estação televisiva.

https://twitter.com/IanDon/status/1223351359463919616?ref_src=twsrc%5Etfw
 
 

 

“De acordo com os ensinamentos da Igreja Católica por 2000 anos, os seguintes membros da legislatura não podem receber a Santa Comunhão, assim como todos os responsáveis do estado de Rhode Island, bem como os membros do Congresso de Rhode Island”, lê-se no panfleto, citado pelo Jornal de Notícias.

Na entrevista à estação WAJR, Richard Bucci explicou a sua tomada de posição e proferiu uma declaração polémica sobre os abusos sexuais perpetrados por elementos da Igreja Católica: “A pedofilia não matou ninguém, isso sim [aborto]“.

As palavras do reverendo não passaram despercebidas, quer nas redes sociais, quer junto de políticos norte-americanos. Carol Hagan McEntee, representante do partido Democrata em Rhode Island, criticou o padre afirmando que este não “entende nada quando diz que a pedofilia não mata ninguém”.

A representante acrescentou ainda que Bucci deveria ter ouvido as vítimas de abusos sexuais por elementos da Igreja.

O Daily Mail avança que a representante democrata e a irmã foram molestadas por um padre da Igreja do Sagrado Coração de West Warwick durante sete anos. O homem acusado pelos crimes já faleceu. “Pessoalmente, sinto que este é um ataque continuado dele [Richard Bucci] a mim e à minha família devido ao que aconteceu à minha irmã”, disse em entrevista à CBS News.

Também Julie Casimiro, uma das visadas na lista polémica da paróquia , teceu duras críticas ao padre, afirmando que o Papa Francisco deveria visitar aquele estado norte-americano.

ZAP //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/padre-eua-pedofilia-nao-mata-308243

Papa defende preservação da Amazônia e cuidado com os mais pobres

Vatican News -“A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério.” Assim tem início a Exortação apostólica pós-sinodal, Querida Amazônia. O Pontífice, nos primeiros pontos, (2-4) explica “o sentido desta Exortação”, rica de referências a documentos das Conferências episcopais dos países amazônicos, mas também a poesias de autores ligados à Amazônia. Francisco destaca que deseja “expressar as ressonâncias” que o Sínodo provocou nele. E esclarece que não pretende substituir nem repetir o Documento final, que convida a ler “integralmente”, fazendo votos de que toda a Igreja se deixe “enriquecer e interpelar” por este trabalho e que a Igreja na Amazônia se empenhe “na sua aplicação”. O Papa compartilha os seus “Sonhos para a Amazônia” (5-7), cujo destino deve preocupar a todos, porque esta terra também é “nossa”. Assim, formula “quatro grandes sonhos”: que a Amazônia “que lute pelos direitos dos mais pobres”, “que preserve a riqueza cultural”, que “que guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, que, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”.

O sonho social: a Igreja ao lado dos oprimidos

O primeiro capítulo de Querida Amazônia é centralizado no “Sonho social” (8). Destaca que “uma verdadeira abordagem ecológica” é também “abordagem social” e, mesmo apreciando o “bem viver” dos indígenas, adverte para o “conservacionismo”, que se preocupa somente com o meio ambiente. Com tons vibrantes, fala de “injustiça e crime” (9-14). Recorda que já Bento XVI havia denunciado “a devastação ambiental da Amazônia”. Os povos originários, afirma, sofrem uma “sujeição” seja por parte dos poderes locais, seja por parte dos poderes externos. Para o Papa, as operações econômicas que alimentam devastação, assassinato e corrupção merecem o nome de “injustiça e crime”. E com João Paulo II, reitera que a globalização não deve se tornar um novo colonialismo.

Os pobres sejam ouvidos sobre o futuro da Amazônia

Diante de tanta injustiça, o Pontífice fala que é preciso “indignar-se e pedir perdão” (15-19). Para Francisco, são necessárias “redes de solidariedade e de desenvolvimento” e pede o comprometimento de todos, inclusive dos líderes políticos. O Papa ressalta o tema do “sentido comunitário” (20-22), recordando que, para os povos amazônicos, as relações humanas “estão impregnadas pela natureza circundante”. Por isso, escreve, vivem como um verdadeiro “desenraizamento” quando são “forçados a emigrar para a cidade”. A última parte do primeiro capítulo é dedicado às “Instituições degradadas” (23-25) e ao “Diálogo social” (26-27). O Papa denuncia o mal da corrupção, que envenena o Estado e as suas instituições. E faz votos de que a Amazônia se torne “um local de diálogo social” antes de tudo “com os últimos. A voz dos pobres, exorta, deve ser “a voz mais forte” sobre a Amazônia.

O sonho cultural: cuidar do poliedro amazônico

 

O segundo capítulo é dedicado ao “sonho cultural”. Francisco esclarece que “promover a Amazônia” não significa “colonizá-la culturalmente” (28). E recorre a uma imagem que lhe é cara: “o poliedro amazônico” (29-32). É preciso combater a “colonização pós-moderna”. Para Francisco, é urgente “cuidar das raízes” (33-35). Citando Laudato si’ e Christus vivit, destaca que a “visão consumista do ser humano” tende a “a homogeneizar as culturas” e isso afeta sobretudo os jovens. A eles, o Papa pede que assumam as raízes, que recuperem “a memória danificada”.

Não a um indigenismo fechado, é preciso um encontro intercultural

A Exortação se concentra depois sobre o “encontro intercultural” (36-38). Mesmo as “culturas aparentemente mais evoluídas”, observa, podem aprender com os povos que “desenvolveram um tesouro cultural em conexão com a natureza”. A diversidade, portanto, não deve ser “uma fronteira”, mas “uma ponte”, e diz não a “um indigenismo completamente fechado”. A última parte do segundo capítulo é dedicada ao tema “culturas ameaçadas, povos em risco” (39-40). Em qualquer projeto para a Amazônia, esta é a recomendação do Papa, “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos”. Estes, acrescenta, dificilmente podem ficar ilesos se o ambiente em que nasceram e se desenvolveram “se deteriora”.

 

O sonho ecológico: unir cuidado com o meio ambiente e cuidado com as pessoas

O terceiro capítulo, “Um sonho ecológico”, é o mais relacionado com a Encíclica Laudato si’. Na introdução (41-42), destaca-se que na Amazônia existe uma relação estreita do ser humano com a natureza. Cuidar dos irmãos como o Senhor cuida de nós, reitera, “é a primeira ecologia que precisamos”. Cuidar do meio ambiente e cuidar dos pobres são “inseparáveis”. Francisco dirige depois a atenção ao “sonho feito de água” (43-46). Cita Pablo Neruda e outros poetas locais sobre a força e a beleza do Rio Amazonas. Com suas poesias, escreve, “ajudam a libertar-nos do paradigma tecnocrático e consumista que sufoca a natureza”.

Ouvir o grito da Amazônia, o desenvolvimento seja sustentável

Para o Papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia” (47-52). Recorda que o equilíbrio planetário depende da sua saúde. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. A solução, portanto, não é “a internacionalização” da Amazônia; ao invés, deve crescer “a responsabilidade dos governos nacionais”. O desenvolvimento sustentável, prossegue, requer que os habitantes sejam sempre informados sobre os projetos que dizem respeito a eles e auspicia a criação de “um sistema normativo” com “limites invioláveis”. Assim, Francisco convida à “profecia da contemplação” (53-57). Ouvindo os povos originários, destaca, podemos amar a Amazônia “e não apenas usá-la”; podemos encontrar nela “um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus Se manifesta e chama os seus filhos”. A última parte do terceiro capítulo é centralizada na educação e hábitos ecológicos” (58-60). O Papa ressalta que a ecologia não é uma questão técnica, mas compreende sempre “um aspecto educativo”.

O sonho eclesial: desenvolver uma Igreja com rosto amazônico

O último capítulo, o mais denso, é dedicado “mais diretamente” aos pastores e aos fiéis católicos e se concentra no “sonho eclesial”. O Papa convida a “desenvolver uma Igreja com rosto amazônico” através de um “grande anúncio missionário” (61), um “anúncio indispensável na Amazônia” (62-65). Para o Santo Padre, não é suficiente levar uma “mensagem social”. Esses povos têm “direito ao anúncio do Evangelho”; do contrário, “cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG”. Uma parte consistente é dedicada ainda à inculturação. Retomando a Gaudium et spes, fala de “inculturação (66-69) como um processo que leva “à plenitude à luz do Evangelho” aquilo que de bom existe nas culturas amazônicas.

Uma renovada inculturação do Evangelho na Amazônia

O Papa dirige o seu olhar mais profundamente, indicando os “Caminhos de inculturação na Amazônia”. (70-74). Os valores presentes nas comunidades originárias, escreve, devem ser valorizados na evangelização. E nos dois parágrafos sucessivos se detém sobre a “inculturação social e espiritual” (75-76). O Pontífice evidencia que, diante da condição de pobreza de muitos habitantes da Amazônia, a inculturação deve ter um “timbre marcadamente social”. Ao mesmo tempo, porém, a dimensão social deve ser integrada com aquela “espiritual”.

Os Sacramentos devem ser acessíveis a todos, especialmente aos pobres

Na sequência, a Exortação indica “pontos de partida para uma santidade amazônica” (77-80), que não devem copiar “modelos doutros lugares”. Destaca que “é possível receber, de alguma forma, um símbolo indígena sem o qualificar necessariamente como idolátrico”. Pode-se valorizar, acrescenta, um mito “denso de sentido espiritual” sem necessariamente considerá-lo “um extravio pagão”. O mesmo vale para algumas festas religiosas que, não obstante necessitem de um “processo de purificação”, “contêm um significado sagrado”.

Outra passagem significativa de Querida Amazônia é sobre a inculturação da liturgia (81-84). O Pontífice constata que já o Concílio Vaticano II havia solicitado um esforço de “inculturação da liturgia nos povos indígenas”. Além disso, recorda numa nota do texto que, no Sínodo, “surgiu a proposta de se elaborar um «rito amazônico»”. Os Sacramentos, exorta, “devem ser acessíveis, sobretudo aos pobres”. A Igreja, afirma evocando a Amoris laetitia, não pode se transformar numa “alfândega”.

Bispos latino-americanos devem enviar missionários à Amazônia

Relacionado a este tema, está a “inculturação do ministério” (85-90) sobre a qual a Igreja deve dar uma resposta “corajosa”. Para o Papa, deve ser garantida “maior frequência da celebração da Eucaristia”. A propósito, reitera, é importante “determinar o que é mais específico do sacerdote”. A resposta, lê-se, está no sacramento da Ordem sacra, que habilita somente o sacerdote a presidir a Eucaristia. Portanto, como “assegurar este ministério sacerdotal” nas zonas mais remotas? Francisco exorta todos os bispos, especialmente os latino-americanos, “a ser mais generosos”, orientando os que “demonstram vocação missionária” a escolher a Amazônia e os convida a rever a formação dos presbíteros.

Favorecer um protagonismo dos leigos nas comunidades

Depois dos Sacramentos, Querida Amazonía fala das “comunidades cheias de vida” (91-98), nas quais os leigos devem assumir “responsabilidades importantes”. Para o Papa, com efeito, não se trata “apenas de facilitar uma presença maior de ministros ordenados”. Um objetivo “limitado” se não suscitar “uma nova vida nas comunidades”. São necessários, portanto, novos “serviços laicais”. Somente através de “um incisivo protagonismo dos leigos”, reitera, a Igreja poderá responder aos “desafios da Amazônia”. Para o Pontífice, os consagrados têm um lugar especial e não deixa de recordar o papel das comunidades de base, que defenderam os direitos sociais, e encoraja em especial a atividade da REPAM e dos “grupos missionários itinerantes”.

Novos espaços às mulheres, mas sem clericalizações

Francisco dedica um espaço à força e ao dom das mulheres (99-103). Reconhece que, na Amazônia, algumas comunidades se mantiveram somente “graças à presença de mulheres fortes e generosas”. Porém, adverte que não se deve reduzir a Igreja a “estruturas funcionais”. Se assim fosse, com efeito, teriam um papel somente se fosse concedido a elas acesso à Ordem sacra. Para o Pontífice, deve ser rejeitada a clericalização das mulheres, acolhendo, ao invés, a contribuição segundo o modo feminino, que prolonga “a força e a ternura de Maria”. Francisco encoraja o surgimento de novos serviços femininos, que – com um reconhecimento público dos bispos – incidam nas decisões para as comunidades.

Os cristãos devem lutar juntos para defender os pobres da Amazônia

Para o Papa, é preciso “ampliar horizontes para além dos conflitos” (104-105) e deixar-se desafiar pela Amazônia a “superar perspectivas limitadas” que “permanecem enclausuradas em aspetos parciais”. O quarto capítulo termina com o tema da “convivência ecumênica e inter-religiosa” (106-110), “encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum”. “Como não lutar juntos? – questiona Francisco – Como não rezar juntos e trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amazônia”?

Confiemos a Amazônia e os seus povos a Maria

Francisco conclui a Querida Amazônia com uma oração à Mãe da Amazônia (111). “Mãe, olhai para os pobres da Amazônia – é um trecho da sua oração –, porque o seu lar está a ser destruído por interesses mesquinhos (…) Tocai a sensibilidade dos poderosos porque, apesar de sentirmos que já é tarde, Vós nos chamais a salvar o que ainda vive”.

Lula e papa Francisco discutirão sobre fome e intolerância na quinta-feira

 

247, comBrasil de Fato -O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta terça-feira (11) para o Vaticano, onde se reunirá com o papa Francisco na próxima quinta-feira (13). No encontro, Lula vai abordar com o papa o combate à fome, à desigualdade e à intolerância.

“Vou visitar o Papa Francisco para agradecer não só pela solidariedade que teve comigo em um momento difícil, mas sobretudo pela dedicação dele ao povo oprimido. Também quero debater a experiência brasileira no combate à miséria”, disse Lula em entrevista à TV 247.

Vou visitar o Papa Francisco (@Pontifex_pt) para agradecer não só pela solidariedade que teve comigo em um momento difícil, mas sobretudo pela dedicação dele ao povo oprimido. Também quero debater a experiência brasileira no combate à miséria.

— Lula (@LulaOficial) February 5, 2020

 

 

Em uma entrevista exclusiva ao jornal argentino Página 12 no final de janeiro, Lula disse ter profundo respeito pelo pontífice e ressaltou o compromisso de Francisco na defesa dos direitos humanos.

“Eu acho que ele tem se notabilizado pela coerência. Ele tem se notabilizado na tentativa de fazer com que a Igreja Católica tenha um compromisso maior com o povo pobre. Ele tem um compromisso de defender os direitos humanos muito forte e tem feito sinais pra humanidade muito positivos”, disse Lula.

 

O ex-presidente ressaltou ainda o compromisso do papa com a questão ambiental e lembrou o papel da Igreja Católica na realização do Sínodo da Amazônia. “Eu fico feliz que a gente tenha um bispo latinoamericano, argentino, pensando de forma tão progressista como o papa Francisco pensa”, afirmou.

Intermediação argentina

O encontro foi intermediado pelo presidente argentino Alberto Fernández, em visita ao Vaticano no útlimo dia 31. Na ocasião, o presidente argentino comunicou aos jornalistas que o papa Francisco concordou em receber Lula no Vaticano.

 

Em maio do ano passado, o papa Francisco enviou uma carta em que desejou ânimo ao ex-presidente Lula. No texto, ele afirma que “o bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a Salvação vencerá a condenação”.

Na ocasião o líder religioso disse que acredita, assim como seus antecessores, que “a política pode se tornar uma forma eminente de caridade se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas”.

Depoimento

Para se encontrar com o papa no Vaticano Lula conseguiu na Justiça alterar a data de um depoimento para a operação Zelotes, que estava previsto para esta terça-feira (11). Por decisão do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Criminal Federal de Brasília, a audiência foi remarcada para o dia 19 de fevereiro.

Edição: Leandro Melito

Salazar ou Cristo-Rei?

Birra do Menino Jesus 
As pagelas que começaram a circular em Portugal no pós-guerra, guerra de que o Diabo terá sido responsável, atribuem à intervenção de Cristo a paz que imperou em Portugal, embora outras pagelas de igual proveniência a atribuam a Salazar.

Fosse de quem fosse o mérito, embora do primeiro se esperasse que tivesse evitado a guerra, o que admira são os títulos nobiliárquicos atribuídos pelo mais alto empregado de Deus, o cardeal Cerejeira, à família celeste.

Desde Cristo-Rei à Rainha dos Portugueses, esta a Senhora da Conceição, um de muitos heterónimos dados à mãe do primeiro, é de harmonia monárquica que se fala em plena ditadura, onde a Pide era mais expedita a manter a paz do que a família real celeste.

O comovedor pedido das criancinhas de Portugal, para que fosse erguido o monumento a Cristo-Rei, não surpreendeu quem as sabia pouco assíduas na escola, mas devotas da catequese. O que surpreende, ainda hoje, é o Cristo-Rei, vestido de Menino Jesus e com carácter reivindicativo, a afirmar categoricamente “Eu é que livrei Portugal da Guerra” e a exigir, de forma autoritária, pouco adequada à ternura que lhe está associada, “Quero o Monumento que Portugal me prometeu em troca”.

Esta linguagem parece mais própria do cardeal Cerejeira do que de crianças cuja oração, ‘indulgenciada com 100 dias’ pelo referido prelado, pedia à Senhora da Conceição, apelidada de Rainha dos Portugueses: “Fazei que Portugal erga depressa o Monumento a Cristo-Rei”, pressa que pode ter sido trágica para a estética, e reconfortante para a fé.

Ámen!   

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https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/02/salazar-ou-cristo-rei.html

Vaticano – O Papa Francisco e o outro

 
Os meus leitores sabem o que penso das religiões e das divindades, dos funcionários do Divino e da generalidade das crenças, mas ninguém duvidará da consideração e estima que me merecem o humanismo, coragem e generosidade do Papa Francisco.

Sendo como é, a longevidade num sítio daqueles é uma surpresa que para quem ignora a inteligência e sabedoria de um jesuíta.

Até há dias, manteve em funções na Prefeitura da Casa Pontifícia, gabinete responsável pelas suas audiências públicas, o arcebispo Georg Gaenswein, secretário de Bento XVI.

A coautoria de textos do ex-infalível Bento XVI num livro do cardeal ultraconservador Robert Sarah, a defender a manutenção do celibato dos padres, quando se esperava que Francisco decidisse a ordenação de padres casados na Amazónia, suscitou um escândalo a que não foi alheio o secretário do Papa emérito.

Gaenswein ainda exigiu a retirada do nome de Bento XVI do livro, mas Francisco afastou-o do exercício das funções e livrou-se dele, como era natural e justo, e a explicação é de uma inteligência sibilina digna de um jesuíta, “para que possa dedicar mais tempo ao Papa emérito”.

Ser bom, nos papas, como nos leigos, não é ser burro nem masoquista.

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Lula será recebido pelo Papa Francisco na próxima semana

 

247 - O ex-presidente Lula será recebido pelo Papa Francisco na semana que vem. A notícia foi publicada pela jornalista Bela Megale, do Globo, que informa ainda que a defesa do ex-presidente conseguiu adiar um depoimento que ele prestaria no âmbito da Operação Zelotes por conta da viagem ao Vaticano.

A informação de que o Papa receberia Lula foi divulgada no domingo 2, após um encontro entre o pontífice e o presidente argentino, Alberto Fernández. "O Lula me pediu para ver o Papa. E eu pedi (ao Papa) se ele podia receber o Lula. E ele (o Papa) me disse que 'claro' e que (o Lula) lhe escrevesse porque ele (o Papa), com todo prazer, o receberá", revelou Fernández.

Fernández também indicou aos jornalistas que o assunto sobre uma visita de Lula ao Vaticano surgiu quando os dois, Alberto Fernández e Papa Francisco, tocaram no assunto sobre "Lawfare", termo usado para definir uma guerra judiciária para intervir na política e para destruir adversários. A intervenção de Alberto Fernández para que o Papa receba Lula também revela um desejo do ex-presidente brasileiro, libertado em novembro passado, depois de 19 meses preso, informou a agência francesa RFI no domingo.

 

A pagela n.º 71

Por -
 pagela 71 pg 1 e 4
 

Em 22 de junho de 1956 os bispos portugueses, reunidos em Fátima, 39 anos depois do maior embuste encenado em Portugal contra a República, já a acomodarem os segredos contra o comunismo, e ainda longe, após a implosão da URSS, de os afinarem contra o ateísmo, publicaram a pagela n.º 56.

Aquela cáfila paramentada, com recalcamentos sexuais e uma misoginia fertilizada nas ‘manhãs submersas’ de que falava Vergílio Ferreira, depois de despachado o breviário, reuniram-se para refletir e mandar divulgar pelos padres das paróquias a sã doutrina da Igreja católica e os bons costumes que a moral de empedernidos celibatários exigia.

Tal como haviam feito os homólogos espanhóis, os bispos publicaram códigos morais, sobretudo para mulheres, no que respeitava à cobertura do corpo, essa fonte de pecado que Eva deixara em herança, a todas as mulheres, depois de comer a maçã.

Em 1953 já este escriba fora fustigado com 4 sacramentos e acabaria por dispensar os serviços pios desse exército de funcionários de Deus que exigiam à mulher o pudor que, sob a mitra, tais cabeças dariam à estampa quatro anos depois.

A pagela n.º 71, de 22 de agosto de 1957, que me foi oferecida, é a relíquia pia que sinto obrigação de divulgar.

Já imaginaram a leitura, em todas as igrejas, por um exército de tonsurados, a exibirem os paramentos, enquanto ameaçavam as mulheres com as penas do Inferno cuja pintura das cores e imaginação dos horrores lhes cabia?

 O cardeal Cerejeira, defensor da guerra colonial que designou por «defesa da civilização cristã e ocidental», há de ter presidido ao conclave que o recalcamento da líbido levou a tão pudicos e cristãos ensinamentos.

 O bando de devassos, que só pensava em sexo, foi o sustentáculo da ditadura que moldou a Igreja para perpetuar o regime e o sofrimento inútil da mulher.

 

Maldita misoginia clerical!

 Pagela nº 71 pg 2 e 3

 

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/02/a-pagela-n-71.html

Papa Francisco decide receber Lula “com todo o prazer”

Márcio Resende, RFI -O Papa Francisco terá "todo o prazer" em receber o ex-presidente Lula no Vaticano, informou o presidente argentino, Alberto Fernández, após reunião nesta sexta-feira (31) com o pontífice no qual transmitiu o pedido de Lula. Mas, ao aproximar o Papa de Lula, o presidente argentino afasta-se automaticamente de Jair Bolsonaro.

"O Lula me pediu para ver o Papa. E eu pedi (ao Papa) se ele podia receber o Lula. E ele (o Papa) me disse que 'claro' e que (o Lula) lhe escrevesse porque ele (o Papa), com todo prazer, o receberá", revelou o presidente argentino depois de reunir-se nesta sexta-feira com o Papa no Vaticano.

Fernández também indicou aos jornalistas que o assunto sobre uma visita de Lula ao Vaticano surgiu quando os dois, Alberto Fernández e Papa Francisco, tocaram no assunto sobre "Lawfare", termo usado para definir uma guerra judiciária para intervir na política e para destruir adversários.

A intervenção de Alberto Fernández para que o Papa receba Lula também revela um desejo do ex-presidente brasileiro, libertado em novembro passado, depois de 19 meses preso.

Fernández, uma ponte da causa Lula com o Papa

Em agosto de 2018, quando Lula completava quatro meses de prisão, Alberto Fernández já tinha pedido que o Papa o recebesse acompanhado pelo ex-chanceler de Lula, Celso Amorim, e pelo ex-senador chileno, Carlos Ominami.

O objetivo daquela reunião, realizada na residência do pontífice, a Casa Santa Marta, era tornar ainda mais visível a luta pela liberdade de Lula. Na ocasião, o Papa Francisco escreveu uma mensagem a Lula na qual o abençoava.

 

“A Luiz Inácio Lula da Silva com a minha bênção, pedindo-lhe para rezar por mim, Francisco”, dizia a mensagem escrita na folha de rosto de um livro. O Papa recebera um exemplar em italiano do livro "A verdade vencerá", de Lula.

Naquela ocasião, Alberto Fernández estava longe de qualquer cargo político, mas conhecia o Papa da época em que tinha sido chefe do Gabinete de ministros do governo Kirchner. O então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, e Fernández chegaram, inclusive, a ter o mesmo odontologista.

Um Papa que pensa como nós, diz Lula

Em maio do ano passado, o Papa Francisco enviou uma carta a Lula na prisão, pedindo ao ex-presidente que não desanimasse nem deixasse de confiar em Deus. "O bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a Salvação vencerá a condenação”, afirmava o Papa, lembrando a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

 

A carta do Papa era uma resposta a outra de Lula na qual o ex-presidente agradecia o apoio "ao povo brasileiro pela justiça e pelos direitos dos mais pobres" e pedia o apoio e a amizade do Papa.

Nesta semana, numa entrevista com o jornal argentino Página 12, Lula fez vários elogios ao Papa. "É um Papa comprometido com o povo pobre, com o combate à fome, ao desemprego à violência, aos crimes contra as mulheres e contra os negros. Ou seja: ele é tudo o que nós queremos de um Papa. É um Papa que pensa como nós", enfatizou Lula.

Distância automática de Bolsonaro

Ao aproximar o Papa de Lula, Alberto Fernández afasta-se automaticamente do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, inimigo de Lula. A gestão pessoal de Fernández para um encontro entre o Papa e Lula acontece num momento em que a Diplomacia argentina tenta costurar uma reunião entre Fernández e Bolsonaro depois que, durante os últimos meses, os dois trocassem farpas, pondo em risco a relação bilateral, eixo da integração regional.

No último dia 16, o presidente Jair Bolsonaro disse que a decisão dos Estados Unidos de priorizarem o Brasil -e não mais à Argentina- para entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) tinha relação com a decisão dos argentinos de "elegerem quem os colocou na situação de desgraça na qual se encontravam", em alusão à volta ao poder do kirchnerismo da vice-presidente, Cristina Kirchner, quem governara o país entre 2007 e 2015.

O clima entre os dois governantes ficou ensombrado depois que Alberto Fernández, durante a campanha eleitoral, visitou Lula na prisão e, durante o discurso de vitória, pediu a sua libertação. Esse discurso levou Bolsonaro a não cumprimentar Fernández pela vitória e a não ir à posse. Na ocasião, Bolsonaro disse que os argentinos "escolheram mal".

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/mundo/papa-francisco-aceita-receber-lula-em-audiencia

Portugal na rota das 'tensões' contra o Papa Francisco

Discreto, confidencial e informal. 110 bispos juntam-se em Sintra convocados por críticos do Papa

 

O encontro foi promovido pelo Acton Institute for the Study of Religion and Liberty (Instituto Acton para o Estudo da Religião e a Liberdade), dos Estados Unidos. A instituição é muito crítica das ideias do Papa Francisco no campo da ecologia e da economia, considerando-o incompetente para se pronunciar sobre matérias económicas ou ecológicas [ver outro texto sobre o Acton aqui].

No encontro participaram três cardeais: Berhaneyesus Souraphiel, arcebispo de Adis Abeba (Etiópia); um mexicano – talvez Robles Ortega, arcebispo de Guadalajara; e um terceiro. Mas os participantes contactados pelo 7MARGENS não confirmaram o nome nem a nacionalidade destes dois últimos.

Um dos participantes insistiu no carácter discreto e “informal” do encontro, que não tinha temas, mas pretendia apenas que os bispos pudessem encontrar-se e conversar. Mas, entre os participantes com quem o 7MARGENS falou para confirmar alguns pormenores, houve quem dissesse que se tratou de um encontro de “estudo, discussão e partilha de experiências”. E, ainda, quem tenha adiantado o tema: “Fé, razão e justiça social”.

E o que cabe neste tema tão vasto? “Os desequilíbrios socioeconómicos e demográficos e o papel da fé na construção da justiça social”. Ou seja, “o défice de ética” no mundo actual, que leva à “corrupção, injustiça e desigualdades”.

Sejamos ainda mais concretos, na expressão de um dos participantes, um bispo africano: “É preciso formar as famílias, por causa da tendência para a diminuição no número de filhos. No Ocidente, há cada vez mais famílias sem filhos e com animais de estimação e a família está a desaparecer; na Ásia, as famílias estão cada vez mais envelhecidas; e em África, a tendência também é para que se reduza o número de filhos”, antecipam os estudos sobre o que acontecerá daqui a 50 anos, assegura.

Ninguém de Portugal, apesar dos convites

A parte mais importante dos participantes era oriunda da América Latina, a que se seguiam africanos e asiáticos; em menor número, estavam os europeus e norte-americanos. Estados Unidos, Chile, México, Angola, Etiópia, Paquistão e vários do Médio Oriente estavam entre os países representados. De Portugal, por aquilo que até agora foi possível apurar, não esteve nenhum bispo.

O cardeal-patriarca de Lisboa, entretanto, foi convidado a passar no encontro. Mas, como estava a regressar de uma reunião de bispos lusófonos na Guiné-Bissau, essa sim tornada pública, Manuel Clemente apenas “enviou uma mensagem”, disse um dos participantes ao 7MARGENS. Mas o patriarcado desmente: o patriarca esteve no encontro do ano passado, mas então não fez qualquer intervenção e este ano não enviou nenhuma saudação, assegurou fonte oficial da diocese de Lisboa.

O núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) em Portugal, Ivo Scapolo, não esteve presente, mas encontrou-se com os bispos chilenos que participaram no encontro. Scapolo, que veio para Portugal depois de ter desempenhado no Chile um papel considerado por muitos, no mínimo, pouco claro em relação ao tema dos abusos sexuais, terá deixado saudades em alguns dos membros do episcopado chileno.

Uma peregrinação escondida a Fátima

Os 110 bispos estiveram reunidos na Penha Longa entre a tarde de quarta-feira, 22, e a manhã de sábado, 25. No sábado, houve ainda quem almoçasse no hotel, mas outros já tinham saído – e alguns ficaram ainda hospedados em Lisboa mais algum tempo.

Na terça-feira, 21, um grupo foi a Fátima – ainda havia pessoas a chegar, nem todos se deslocaram ao santuário. Mas, mais uma vez, a discrição e o secretismo foi, também aqui, a palavra de ordem. No santuário, a passagem do grupo não foi anunciada nem conhecida.

Também houve bispos que se deslocaram a Fátima no domingo, 26. Um deles concelebrou numa das eucaristias do final da manhã mas, pelo menos nos serviços do santuário, não se fez registar.

Todos os diferentes interlocutores do 7MARGENS insistem no carácter “reservado”, “confidencial” ou “discreto” da iniciativa. Mas sem avançarem razões justificativas para tanto segredo, apenas repetindo que os organizadores assim o pediram. Sabendo do encontro, apareceriam logo jornalistas, justifica um dos participantes. Sábado, 25, por telefone, o 7MARGENS procurou falar com um dos bispos ainda na Penha Longa, mas o funcionário que atendeu disse que a resposta à pergunta sobre se o bispo em causa ainda estaria no hotel ou se a reunião já teria terminado era… “confidencial”!

Sobra, então, a pergunta sobre a razão de tanta discrição. Por correio electrónico, o 7MARGENS dirigiu ao director de comunicação do Acton, Eric Kohn, várias perguntas – sobre os países representados, a eventual presença de portugueses e o carácter reservado da iniciativa. As perguntas seguiram segunda-feira de manhã (madrugada no estado do Michigan, EUA, onde o Acton tem sede), mas não houve qualquer resposta durante o dia.

 

O Acton Institute, que organizou o encontro “confidencial” de 110 bispos na Penha Longa (Sintra), é presidido pelo padre Robert Sirico, que critica o Papa por considerar que Francisco olha para os negócios apenas como “algo para retirar benefícios próprios e não tanto cuidar dos pobres”.

Desde 1997, o Acton começou a organizar encontros como os da Penha Longa, destinados apenas a bispos do México, e com o objectivo de ajudar à formação permanente, explica um dos interlocutores do 7MARGENS. Depois, os seminários foram estendidos aos restantes países latino-americanos. Finalmente, foram alargados a todo o mundo e desde há quatro anos que decorrem na Penha Longa – um local ótimo, pois, segundo um dos bispos, “o hotel tem uma capela”.

A organização é normalmente conotada com a designada direita católica liberal. Apresenta-se, em português, como pretendendo promover “uma sociedade virtuosa e livre, caracterizada pela liberdade individual e sustentada por princípios religiosos”. Apesar de a página do Acton na internet ter alguns recursos em português, “para explicar melhor” a missão “e atingir audiências ainda não envolvidas pelos nossos programas”, o Acton diz que os recursos para atingir aquele fim estão disponíveis sobretudo em inglês.

Num dos artigos que se pode ler em português, com o título “Papa Francisco: um homem de esquerda?”, o director de pesquisa do Acton, Samuel Gregg, fala do “limitado comentário económico do Papa Francisco”. Esta mesma fórmula, ou expressões semelhantes, têm sido usadas pelos sectores mais críticos do Papa para desvalorizar as suas intervenções nesse campo.

Um Papa “bem-intencionado”, mas “economicamente falhado”

Nas perspectivas enunciadas em vários textos do Acton, criticam-se ainda, de forma mais velada ou mais explícita, as ideias “anti-capitalistas” do Papa ou o seu “peronismo” – uma alusão ao populismo argentino do antigo Presidente Juan Perón.

Ao publicar, em 2015, a encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado da Casa Comum, o Papa também foi criticado ou menosprezado por dirigentes do Acton: “Embora o Papa escreva e fale [sobre o tema], ele não é um especialista em biotecnologia – permitindo diferenças de opinião – [mas,]quando ele fala sobre temas políticos ou económicos, ele fá-lo com convicção e certeza”, escreveu Alex Chafuen, presidente da rede Atlas e administrador do Acton. Mas, apesar de admitir que em muitos temas concretos a hierarquia católica “não tem motivos para propor uma palavra final”, em questões económicas “a Laudato Si’ parece unilateral”, acrescenta Chafuen. O facto de o Papa ser oriundo da Argentina, um país de “capitalismo intervencionista e corrupto” também pode ajudar a uma visão tão “disfuncional” da economia e dos mercados, admitia Chafuen.

Num outro artigo, o já citado Samuel Gregg resume a Laudato Si’ a um texto “bem-intencionado”, mas “economicamente falhado”.

“São conservadores, mas são fiéis ao Papa”, defende um dos bispos que esteve no seminário da semana passada em Sintra. O Acton tem, inclusivamente, um escritório em Roma e outro em Buenos Aires – aponta outro participante, numa informação que pode ser confirmada na página do Acton na internet.

Segundo um dos participantes no encontro da Penha Longa: “Eles organizam conferências nas universidades pontifícias de Roma e tudo o que fazem é para ajudar a Igreja na sua acção evangelizadora. Os meios que usam pretendem responder aos desafios que o mundo vai colocando à Igreja.”

 

Cia e hierarquia católica

El rostro de la CIA entre la jerarquía católica: Sergio Gualberti Calandrina

 

 
Los rostros de la fe cristiana se muestran piadosos en la sonrisa de los niños, en las muecas de grandeza e inocencia de los ancianos, en las mujeres trabajadoras o en los indígenas a diferencia de las palabras estudiadas, solemnes y con aire de dignidad escolástica que se desnudan persistentes en las homilías cruceñas. Estas, muestran el rostro político de una iglesia cuyo prestigio es cada vez más cuestionable dada su apuesta poco decorosa por una parte pequeña y opresiva de la sociedad. 
Nadie sabe tanto lo que se tiene que decir o cómo decirlo en cada rito dominical o en cada circunstancia política que vive el país desde hace varios años como el ilustre arzobispo de Santa Cruz, Sergio Gualberti Calandrina. Los pasajes bíblicos que usa le sirven de coartada tanto como el púlpito desde el que instala el mensaje preciso, la flecha incendiaria o la sugerencia que resuena como un mandato proverbial. Nadie, solo Sergio Gualberti. Con una mirada de águila que apunta a su presa, se mueve en medio del contexto como pez en el agua.
La existencia de la iglesia católica está empedrada de historias no contadas, de silencios no quebrados, de fidelidades ideológicas ocultas, de militancias financieras oscuras, de traiciones pero también de actos heroicos casi olvidados. Los primeros abundan frente a los segundos. ¿Acaso no son santificables en nuestra memoria la vida estoica del Monseñor Arnulfo Romero, asesinado por encargo extranjero, o de Luis Espinal acribillado a balazos por una dictadura educada en la ignominia, solo por ejercer el derecho de la palabra y la palabra como un derecho que interpela? Las “oraciones a quemarropa” tenían la fuerza de un tornado y el filo de una navaja que hacían mover montañas o cortaban implacables el aire inconmovible.

Frente a estas historias ejemplares y excepcionales de una vida al servicio de los demás, existen otras al servicio de los menos, los poderosos, que cada día necesitan la caricia impostora de la iglesia jerarca que dice que profesa dedicación por los pobres mientras permite que se los masacre por su condición de “indios satánicos” o “salvajes”, como suele repetir la presidenta autonombrada a la que pontificaron en la mesa de negociación para legitimar la transición fugaz. Ninguna comunión ha sido más efectiva que aquella que se produce entre las palabras despojadas de sentido, las balas que asesinan y los silencios que imperan. 
El arzobispo de marras y la Conferencia Episcopal Boliviana (CEB) tan adictas a dar lecciones de conducta moral al pueblo boliviano jamás dijeron esta palabra es mía cuando las FFAA y la Policía masacraban a balazo limpio a las “hordas masistas” en Sacaba y Senkata. Nunca el silencio fue tan solemne y descarnado como el que mantuvieron los jerarcas de la iglesia a pesar de que algunos de los cuerpos acribillados fueron a parar a capillas católicas en El Alto. Los 38 muertos no merecieron condena mientras la biblia se paseaba oronda por los pasillos del Palacio de Gobierno o por los cuarteles del odio. El Dios de los fusiles que escupieron muerte en las jornadas de noviembre sigue siendo el mismo Dios que Yanine Añez convoca cada vez que se le antoja. El Dios de la candidata es el mismo que el de la jerarquía: ambos prefieren el silencio y viven en complicidad auspiciosa. 
En agosto del 2019, cuando la campaña electoral ingresaba en su recta decisiva, Sergio Gualberti, en misa solemne se explayaba pidiendo a los feligreses “renovación democrática” fundada en la igualdad social y política usando para ello el pasaje bíblico del profeta Isaías. Montado sobre la solemnidad patriótica de la fecha sostenía que el sueño de Dios exigía que en un momento de “grave decadencia social, económica y religiosa se renovara el signo inicial de un pueblo” que después de muchos años de un mal gobierno estaba sumido en la “confrontación, la injusticia y la pobreza”. ¿Algún parecido con los discursos de los candidatos de derecha?
Envuelto en una atmósfera de patricio romano, en medio de una multitud sumisa dispuesta a sacrificarse en aras de su palabra profética, señalaba la necesidad de reafirmar la adhesión a la democracia en un mundo (léase, Bolivia) en el que se “incrementan sistemas populistas, nacionalistas y soberanistas que disfrazaba de democracia el autoritarismo y el caudillismo anulando la separación de poderes y concentrando toda la autoridad en el dirigente electo” (Santa Cruz, 6 de agosto 2019). Este mensaje que contenían palabras que parecían propias de un discurso político partidario fueron pronunciadas por uno de los representantes de la iglesia más conservadora del país que hace de la esperanza un oficio pedagógico para fines políticos ultramontanos. 
Una parte de la iglesia que tiene como proa de barco al arzobispado ideológico exige, cuanto menos, explicar el confinamiento del Cardenal indígena, Toribio Ticona, a las catacumbas populistas a las que lo condenó la rancia jerarquía blanca, señorial y procomiteísta de la Conferencia Episcopal. Extrañamente, en su veredicto al futuro, las palabras de Gualberti suenan tan familiares como las que acaba de pronunciar Mauricio Claver-Carone, el Asesor Especial para Asuntos del Hemisferio del Consejo de Seguridad Nacional, a su llegada al país andino-amazónico después del golpe de Estado. Claver-Carone, al puro estilo Gualberti, también apunta a los gobiernos “populistas” como una amenaza potencial a la paz hemisférica, aquella que requiere el complejo-militar-industrial de la mano de la maquinaria financiera capitalista. El populismo, tan incómodo para los afanes expansionistas resulta también un enorme obstáculo frente a la voracidad opípara de los grandes consorcios energéticos o mineros que conforman el poder extraterritorial. 
Los sermones de Gualberti nunca están despojados de acciones prácticas. Los brazos operativos de la iglesia funcionaron como soldaditos de tropa imberbe, si no, pregunten a la Radio Erbol, a las pastorales sociales, a Cáritas o a la Fundación Jubileo, que se comportaron como verdaderos portaaviones de campaña. Nunca dispusieron de tantos recursos ni convicciones anómalas para enfrentar las elecciones de octubre del 2019 de cara a la “renovación democrática”.
En las homilías de Gualberti como en sus arteras jugadas políticas, hay como un sedimento de desprecio contra las grandes mayorías para quienes la cotidianidad es muy parecida a un estado de excepción. Ese Dios al que apela con la frecuencia que exige el declive hegemónico del poder regional y en algunos casos nacional, es el mismo al que recurre hoy el régimen criollo para saciar su apetito voraz de poder, el suyo como el extranjero.
Como no podía ser de otra manera y con la puntualidad que exigen las circunstancias, la última homilía de Gualberti (domingo 26 enero 2020) estuvo dirigida a implorar a los partidos de la derecha, su rebaño egregio, a unirse en un frente común. Textualmente señaló que “todos los ciudadanos y en particular los candidatos, tendríamos que dejarnos iluminar y guiar por los valores de la Palabra de Dios, la vida, los derechos humanos, la libertad, el bien común, la justicia, la paz y el espíritu de servicio. Lo que tiene que primar, incluso por encima de las justas aspiraciones, es la salvaguarda de la democracia y de la unidad alrededor de programas comunes, evitando la dispersión y el peligro de recaer en sistemas autoritarios”.
En sintonía con Yanine Añez o Añez con Gualberti, la presidenta autonombra no se cansó de invocar a construir un frente común para enfrentar las nuevas elecciones del 3 de mayo del 2020 con el objetivo que los “salvajes” no vuelvan al poder. Llámense salvajes, populistas o autoritarios, el mensaje es tan claro como el agua con el que se lava la copa de vino en los oficiosos sermones de una magra iglesia coludida y sin escrúpulo. 
Proverbial consejo, la del primer católico cruceño, para ordenar el rebaño disperso en medio de una explosiva epidemia de dengue en Santa Cruz. Esta, ya cobró la factura de más de una decena de muertos y dos mil casos en observación crítica ante la ineptitud gubernamental obsesionada, con ayudita norteamericana, por borrar las profundas huellas de la solidaridad cubana en el campo de la salud. Al parecer, la santa iglesia política no se conmueve con las muertes del populacho tanto como con la derrota probable de su linaje privilegiado y de sus aliados perennemente bendecidos.rnesto Eterno

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/30/cia-e-hierarquia-catolica/

Por que o número de evangélicos no Brasil pode superar o de católicos em pouco mais de 10 anos?

Marcha para Jesus 2018, em São Paulo.
© Folhapress / Zanone Fraissat

Uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou que o número de evangélicos no Brasil pode superar o de católicos em 2032. A Sputnik explica essa semana como que esse fenômeno vem ocorrendo e de que forma ele se reflete na política brasileira.

Segundo o levantamento feito pelo instituto e publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, 50% dos brasileiros são católicos, 31% evangélicos, 10% não têm religião, 3% são espíritas e 2% pertencem a religiões afro-brasileiras.

No entanto, uma projeção feita pelo doutor e pesquisador em demografia, José Eustáquio Alves, mostra que o número de evangélicos pode superar o de católicos já em 2032.

O cálculo de Alves leva em conta a queda do número de católicos ao longo dos anos em comparação ao crescimento do número de evangélicos. Entre 1991 e 2010, o número de católicos caiu 1% ao ano, já os evangélicos cresceram 0,7%.

No entanto, em entrevista à Sputnik Brasil, José Eustáquio Alves disse que são várias as evidências de que a queda do número de católicos passou para 1,2% nos últimos anos, e a subida dos evangélicos passou para 0,8%.

"Todas as pesquisas e indicações me levam a hipótese de que a queda dos católicos acelerou nesta década para 1,2% ao ano e a subida dos evangélicos aumentou para 0,8% ao ano. Então se colocarmos esses dois números em uma projeção exponencial vai te dar isso, que até 2022 os católicos ficam com menos de 50% e até 2032 os evangélicos passam os católicos", explicou o autor da projeção.

Segundo José Eustáquio Alves, a aceleração do crescimento do número de evangélicos e a diminuição do número de católicos se acelerou após a década de 1990.

"Os católicos vieram caindo 1% por década, em média, de 1862 até 1990. Mas de 1991 até 2010 essa queda se acelerou e os católicos começaram a cair 1% por ano, ou seja, dez vezes mais rápido. E os evangélicos, que vinham subindo lentamente, a partir de 1991, começaram a subir 0,7% ao ano. Os outros 0,3% iam para os 'sem religião' ou para outras religiões não cristãs", afirmou.

Quais os motivos que podem levar o Brasil a uma 'virada religiosa'?

Desde o início da colonização do Brasil, em 1500, pelos portugueses, até a Proclamação da República, em 1889, a Constituição Brasileira dizia que a religião católica era a religião oficial do país.

A queda do número de católicos começou a se dar no período após a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), mesma época em que a sociedade brasileira passou a deixar de ser uma sociedade rural e passou a se organizar em grandes cidades.

"Os católicos dominaram o panorama religioso do Brasil durante pelo menos 450 anos, de 1500 a 1950. O Brasil era um país pobre, rural, com baixo nível educacional, muito ligado a atividade agropecuária e nesse tipo de configuração social e econômica os católicos se desenvolveram bem", disse José Eustáquio Alves.

Vista aérea da Marcha para Jesus 2018, maior evento evangélico do país, reúne multidão de fiéis na praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na zona norte de São Paulo.
© Folhapress / Edson Lopes Jr.
Vista aérea da Marcha para Jesus 2018, maior evento evangélico do país, reúne multidão de fiéis na praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na zona norte de São Paulo.

O líder do Grupo de Estudos do Protestantismo e Pentecostalismo (GEPP) da PUC em São Paulo, o professor Edin Sued Abumanssur, também atribui o crescimento de igrejas evangélicas às mudanças ocorridas no Brasil depois da primeira metade do século passado.

Segundo Abumanssur, o "pentecostalismo foi capaz de fazer a tradução da religiosidade brasileira para modo de vida urbano".

"O crescimento do pentecostalismo tem a ver com o processo de urbanização e na medida que a cidades vão crescendo o pentecostalismo dialoga de uma forma muito positiva, uma tradução para a cidade de um tipo de catolicismo que sempre tivemos no Brasil", explicou.

José Eustáquio Alves diz que o fato de alguns grupos evangélicos defenderem a chamada teologia da prosperidade é um exemplo dessa adaptação.

"Os evangélicos quando defendem a teologia da prosperidade, eles estão fazendo um discurso que é mais adaptado para esse tipo de sociedade nova [...] Os católicos dizem que têm preferência pelo pobre, mas é o pobre rural. Quem tem um discurso para ganhar aquele pobre que quer melhorar de vida, que está na periferia das cidades, que está consumindo, são os evangélicos", completou Alves.

Aumento de evangélicos no Brasil pode interferir no cenário político?

As últimas eleições reforçaram a bancada evangélica no Congresso Nacional. Para a Câmara dos Deputados foram eleitos 84 candidatos identificados com a crença evangélica, nove a mais do que na última legislatura. No Senado, os evangélicos eram três e, atualmente conta com sete parlamentares. No total, o grupo que tinha 78 integrantes ficará com 91 congressistas.

O levantamento foi feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), com base nos dados disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 2014, o Diap identificou 75 deputados seguidores da doutrina evangélica. Em 2010, a bancada tinha 73 representantes na Câmara.

 O presidente Jair Bolsonaro participa de culto ao lado do presidente da frente evangélica, Silas Câmara (Republicanos- AM), na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).
© Folhapress / André Coelho
O presidente Jair Bolsonaro participa de culto ao lado do presidente da frente evangélica, Silas Câmara (Republicanos- AM), na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

Em entrevista à Sputnik Brasil, Antônio Augusto de Queiroz, analista político do DIAP, atribui o crescimento da bancada evangélica a um descaso da Igreja Católica em relação a política tradicional.

"O crescimento das bancadas evangélicas é resultado de uma postura vacilante da Igreja Católica nos processos eleitorais, ela preferiu ficar a distância, isenta nesse processo, enquanto as igrejas evangélicas se engajaram no processo", afirmou.

Antônio Augusto de Queiroz acredita que as bancadas evangélicas vão crescer ainda mais com o crescimento do número de evangélicos na sociedade brasileira.

"A bancada evangélica aqui no Parlamento tem crescido e vai crescer ainda mais porque há um engajamento das igrejas evangélicas em combater um suposto inimigo, uma suposta ameaça em relação ao 'comunismo', atribuindo à esquerda a eventual desagregação das famílias, etc", disse.

Edin Sued Abumanssur destaca o fato de que o "segmento dos evangélicos está se descobrindo como um segmento social com interesses próprios".

"Se esse número de políticos ligados ao segmento evangélico vai crescer? É possível na medida em que cresce a população evangélica. Mas se a população evangélica hoje, segundo o Datafolha, corresponde a 30% da população, aqueles que são eleitos por serem evangélicos não vão exceder a 30% do Congresso também", conclui.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sputnik_explica/2020012315037416-por-que-o-numero-de-evangelicos-no-brasil-pode-superar-de-catolicos-em-pouco-mais-de-10-anos/

Papa Francisco diz que populismo alimenta o antissemitismo

Papa Francisco no Vaticano.
© Sputnik / Vladimir Astapkovich

O Papa Francisco declarou nesta segunda-feira (20) que o populismo tem suas raízes na "indiferença egoísta'' e é terreno fértil para todos os tipos de ódio, incluindo o antissemitismo.

O pontífice fez suas declarações em uma reunião com uma delegação do Centro Simon Wiesenthal, um grupo de direitos humanos dedicado ao combate ao antissemitismo.

Francisco lembrou que em 2016, em peregrinação à Polônia, rezou no local do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

O Papa condenou "o ressurgimento bárbaro do antissemitismo'' e o fato de o populismo oferecer terreno fértil "onde o ódio cresce rapidamente''.

O antissemitismo vem ressurgindo na Europa nos últimos tempos, simultaneamente com o renascimento dos movimentos populistas, afirma a agência de notícias Associated Press.

Francisco recomendou incentivar a integração e a compreensão mútua para combater o ódio.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020012015029032-papa-francisco-diz-que-populismo-alimenta-o-antissemitismo/

Bispos apelam ao reconhecimento internacional da Palestina

Um grupo de bispos da Europa e da América do Norte exortou os seus governos a insistirem na aplicação do direito internacional em Israel e na Palestina.

Bispos católicos da Europa, da América do Norte e da África do Sul, visitaram a Palestina, em Janeiro de 2020, e pronunciaram-se pelo reconhecimento do Estado da Palestina.Créditos / Twitter

Trinta e quatro bispos católicos, provenientes da Europa, da América do Norte e da África do Sul, exortaram os seus governos a insistirem na aplicação do direito internacional em Israel e na Palestina, releva um comunicado do MPPM - Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente.

A declaração dos prelados, que integram o organismo Coordenação da Terra Santa, surge na sequência de uma visita de cinco dias à Palestina ocupada, em apoio à Igreja local e para promover o diálogo e a paz na região.

Os bispos, que visitam a região todos os anos, afirmaram-se inspirados pela resiliência duradoura das pessoas que conheceram em Gaza, Jerusalém Oriental e Ramallah, apesar do agravamento da sua situação.

No comunicado final da sua visita dão voz ao lamento, por parte dos bispos católicos locais, de que a comunidade internacional não ajude a realizar a justiça e a paz «aqui, no local do nascimento de Cristo». Estes afirmaram que as pessoas enfrentam um ainda maior «evaporação da esperança numa solução durável» e alertaram para as condições de vida sob a ocupação israelita, que se estão a tornar «cada vez mais insuportáveis».

Os bispos visitantes referem ter testemunhado essa realidade em primeira mão, particularmente o modo como a construção de colonatos e o muro de separação estão a destruir qualquer perspectiva de dois Estados existindo em paz. Em alguns casos, os governos dos seus países, refere o comunicado dos bispos, «tornaram-se cúmplices activos dos males do conflito e da ocupação».

Implorando aos seus governos que ajudem a construir uma nova solução política, enraizada na dignidade humana e no direito internacional, os bispos pedem-lhes que sigam o exemplo da Santa Sé no reconhecimento do Estado da Palestina e que rejeitem o apoio político ou económico aos colonatos israelitas.

O comunicado dos bispos da Coordenação da Terra Santa afirma ainda: «Tomando essas medidas, a comunidade internacional pode solidarizar-se significativamente com os israelitas e palestinos que se recusam a desistir da sua luta não violenta pela justiça, a paz e os direitos humanos.»

As declarações produzidas pelos bispos visitantes e locais ecoaram também na imprensa da região. O saudita Arab News destacou, entre outras, as de Jamal Khader, pastor da Igreja Latina, de Ramallah, que louvou a escolha da cidade para residência base da visita de este ano, por permitir aos bispos conhecerem a comunidade local: «Os bispos ficaram extremamente comovidos com a sua visita às Irmãs Missionárias Combonianas. O convento foi dividido ao meio ao meio por um muro construído por Israel, que dividiu a comunidade e tornou impossível, para muitos, conseguirem chegar à escola e à creche, que são parte da missão».

O mesmo jornal refere que a delegação, além de ter sido recebida, em Jerusalém, pelo líder local da Igreja Católica, manteve encontros com Ziad Abu Amer, do governo da Palestina, e Hanan Ashrawi, do Comité Executivo da Organização de Libertação da Palestina (OLP).

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/bispos-apelam-ao-reconhecimento-internacional-da-palestina

Só há uma norma: denunciar!

m-barbosa-cep.JPGOs bispos católicos portugueses contam discutir em Abril as normas que regerão a acção da Igreja no que respeita ao abuso sexual de menores por membros do clero.

Segundo o padre Manuel Barbosa, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), este será um dos principais assuntos a ocuparem os bispos na Assembleia Plenária a realizar em Fátima entre 20 e 23 de Abril. Os bispos vão analisar “as directrizes para transformar em normas, como o Papa Francisco tem pedido às conferências Episcopais, sobre a protecção de menores e pessoas vulneráveis na Igreja”, disse hoje Manuel Barbosa no final da reunião do Conselho Permanente da CEP.

Vamos falar claro: pedofilia é crime. E como crime grave que é, os membros da Igreja Católica, independentemente da posição que ocupem na hierarquia, que tenham conhecimento ou suspeita de algum caso, só têm uma coisa a fazer: denunciá-lo às autoridades.

Parece que há dignitários religiosos que ainda não perceberam que esta matéria é da justiça dos Homens e não da justiça divina.

Não, não precisam de reflexões, de “analisar directrizes”, de ler “manuais de procedimentos” ou de pedir instruções ao Vaticano.  Têm apenas o dever de denunciar imediatamente os casos de que tenham conhecimento, colaborando com as autoridades na investigação dos possíveis crimes, não sendo cúmplices nem coniventes, de forma alguma, com a actividade criminosa.

Afinal de contas, não deveriam precisar de inspiração divina para fazer o mínimo que se exige a qualquer cidadão e pessoa de bem.

 

Vaticano – A guerra dos papas

Quando o Papa Francisco procurava timidamente abrir vagas a homens casados, isto é, normais, para o múnus eclesiástico, saiu um livro com o pensamento do antecessor que, receoso da Cúria, renunciou aos sapatinhos vermelhos, à tiara e outras mordomias, num gesto sem precedentes nos últimos seis séculos, desde 1415.

Francisco anunciara que na Amazónia poderiam ser ordenados padres casados, o que já acontece com trânsfugas de outras fés cristãs, mas Ratzinger, pastor alemão, conhecido por Rottweiler de Deus, surgiu como coautor de um livro, com um cardeal, a defender o celibato como virtude irrenunciável.

A três meses de fazer 93 anos, inteligente, culto e indesejável, afirma que não autorizou a inclusão do seu nome no livro, com o cardeal guineense Robert Sarah, mas o mestre da dissimulação e hipocrisia, afirmou ter autorizado a publicação dos textos.

Esta facada nas costas do Papa Francisco, que tratou o desertor com desvelo e respeito, está à altura da Cúria, que não tem cura, e de um exército de ressentidos celibatários que veem virtudes no celibato e na castidade, esta última pouco escrutinada, ambas de fácil cumprimento depois dos setenta anos, onde ainda se encontra grande parte do poder.

O que está em causa é a guerra surda contra o atual Papa, um homem inteligente e cauto que tem preservado a existência a navegar num mar infestado de tubarões com o saber milenar de atacar as presas.

Não sei o que têm preparado os purpurados turvos de ódio à modernidade, habituados a mordomias, contra o único Papa que procura acertar o passo ao compasso do tempo e às angústias comuns a quem tem um Deus privativo e a quem não tem qualquer deus.

Isto não é uma guerra de papas, é a história universal da pulhice humana feita por atores de báculo, mitra, vestidinhos de seda e meias coloridas, com anelões de diamantes incrustados e cérebros de conspiradores treinados.

O Céu pode esperar, e o Inferno para o Papa que preferiu defender a paz e a justiça, em vez de se colocar ao lado dos predadores, é o desejo obstinado da horda de clérigos que nunca aceitaram o Vaticano II e esperam o regresso a Trento e ao Vaticano I.

Deus nunca se intrometeu nas lutas do Vaticano, mas aqueles Diabos não perdoam a quem prefere  homens casados, como funcionários de Deus, por enquanto só homens, a imaculados celibatários pedófilos a quem retirou a proteção.

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/01/vaticano-guerra-dos-papas.html

O erro do PT em não combater o charlatanismo neopentecostal

 

Haddad, durante a campanha eleitoral de 2018, foi muito corajoso e certeiro em chamar o líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Edir Macedo, de charlatão:

“Sabe o que é o Bolsonaro? Ele é o casamento de um neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, que corta direitos trabalhistas e sociais, com um fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Sabe o que está por trás dessa aliança? Em latim chama Auri sacra fames, fome de dinheiro. Só pensam em dinheiro.”

Haddad foi coerente, pois as pautas progressistas da esquerda são antagônicas às pregações da maioria dos pastores neopentecostais que incitam o preconceito e, consequentemente, a violência contra mulheres, LGBTQs, outras religiões (principalmente as de matriz africana) e contra a própria esquerda.

Agora, ao buscar uma reaproximação, o PT corre o risco de ser novamente chantageado por oportunistas da fé e ainda promover um adversário político, os líderes das igrejas neopentecostais; ao invés de combater a raiz do problema: o charlatanismo religioso.

O PT também perde a oportunidade de se posicionar contra a disseminação do machismo, da homofobia e das fake news com ideais da extrema-direita, feita por muitos pastores entre os fiéis.

Plano de Poder

Edir Macedo já deixou claro no livro Plano de Poder que seu objetivo é chegar à Presidência da República: "Deus tem um plano político para os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus e para os evangélicos que sejam seus aliados: governar o Brasil."

 

De acordo com um trecho do livro, lançado em 2008: "Tudo é uma questão de engajamento, consenso e mobilização dos evangélicos. Nunca, em nenhum tempo da História do evangelho no Brasil, foi tão oportuno como agora chamá-los de forma incisiva a participar da política nacional", escreve Macedo, estimando em 40 milhões a comunidade de evangélicos no país. "A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal" (AGÊNCIA O GLOBO, 2008).

Evangélicos e Bolsonaro

De acordo com a pesquisa do Datafolha, datada de 25 de outubro de 2018, que apurou as intenções de voto para o segundo turno, a diferença entre Haddad e Bolsonaro, no eleitorado evangélico, foi de mais de 11 milhões de votos.

 

E o apoio continua: “A bancada evangélica é hoje a principal base de sustentação do governo e Bolsonaro tem atendido suas reivindicações desde que assumiu o governo. A influência de líderes evangélicos sobre o Palácio do Planalto é cada vez maior e o próprio Bolsonaro já disse que quer tê-los por perto na administração.

As igrejas evangélicas já anunciaram que vão ajudar Bolsonaro a coletar as quase 500 mil assinaturas necessárias para criar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil.” (BRASIL247, 2020).

Da política para o judiciário

Dados oficiais da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional apontam que o total da bancada evangélica seria de 203 parlamentares, sendo 195 deputados federais e oito senadores.

Hoje, os evangélicos formam a terceira maior bancada do Congresso Nacional. Em primeiro lugar está a Frente Parlamentar da Segurança Pública, composta por 304 representantes; em segundo, a Frente Parlamentar da Agropecuária, com 257 congressistas. Juntas, elas formam a bancada BBB (boi, bala e bíblia).

Com o domínio do poder legislativo já avançado, os evangélicos querem agora ampliar seus territórios para o poder executivo e judiciário.

De acordo com a pesquisadora e estudiosa da atuação política dos neopentecostais no Brasil, a professora Christina Vital, da Universidade Federal Fluminense, a estratégia evangélica é ocupar o Executivo Federal para chegar ao judiciário.

Em entrevista para a Folha de São Paulo, Vital declarou: “A gente acompanha o crescimento de mobilização de juízes evangélicos ou sensíveis à causa evangélica na Associação de Juristas Evangélicos, que se espelha na Associação de Juristas Católicos, da qual Ives Gandra Martins é o grande representante.

Desde pelo menos 2006, o Judiciário tem sido o Poder que vinha possibilitando a garantia de direitos de algumas minorias, direitos esses ameaçados, digamos assim, pelo comportamento legislativo. Os evangélicos falam de uma judicialização da política e eles estavam se organizando para combatê-la.”

Terrivelmente evangélico

Em julho de 2019, durante discurso em culto evangélico na Câmara dos Deputados Federais, Bolsonaro declarou: "Muitos tentam nos deixar de lado dizendo que o estado é laico. O estado é laico, mas nós somos cristãos. Ou para plagiar a minha querida Damares: Nós somos terrivelmente cristãos. E esse espírito deve estar presente em todos os poderes. Por isso, o meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal. Um deles será terrivelmente evangélico".

A luta é política e não religiosa

A esquerda não pode ser condescendente com evangélicos de extrema-direita. É preciso combater este adversário político expondo todo o estelionato religioso de seus líderes. Não devemos também tratar fiéis que espumam preconceitos como pessoas humildes, que são enganadas pelo pastor, e sem responsabilidade pelo ódio e mentiras que propagam.

Devemos sim tratá-los pelo que são: adversários políticos com um plano de poder em curso.

Referências:

AGÊNCIA O GLOBO. Edir Macedo revela plano político em livro. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/edir-macedo-revela-plano-politico-em-livro-b6szo3aa5rx7he0tu47glmjwu/>. Acesso em: 13 jan. 2020.

BILENKY, Thais. Estratégia evangélica é ocupar o Executivo para chegar ao Judiciário, diz pesquisadora. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/poder/eleicoes-2016/2016/10/1827942-estrategia-evangelica-e-ocupar-o-executivo-para-chegar-ao-judiciario-diz-pesquisadora.shtml>. Acesso em: 13 jan. 2020.

BRASIL247. Bolsonaro quer subsidiar conta de luz de igrejas evangélicas. Disponível em: <https://www.brasil247.com/brasil/bolsonaro-quer-subsidiar-conta-de-luz-de-igrejas-evangelicas>. Acesso em: 13 jan. 2020.

CÂMARA. Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional. Disponível em: < https://www.camara.leg.br/internet/deputado/frenteDetalhe.asp?id=54010>. Acesso em: 13 jan. 2020.

Posições sobre celibato causam polêmica no Vaticano

247 -Uma guerra interna travou-se no Vaticano na noite passada, quando alguns meios de comunicação, incluindo o Corriere della Sera, publicaram uma versão de alguém que não se quis identificar, mas se disse próximo do papa emérito, afirmando que Bento XVI não teria escrito o livro "a quatro mãos" e que se trata de uma operação editorial midiática a que ele é totalmente alheio.

A mesma fonte explicou que o papa emérito "apenas disponibilizou a Sarah um texto sobre o sacerdócio que estava escrevendo" e que "não sabia nada sobre a capa de um livro, nem o aprovara".

Essas declarações provocaram uma reação dura do cardeal prefeito da Congregação para o Culto Divino, que afirmou no Twitter que acusá-lo de mentir era "difamação de extrema gravidade".

"Hoje à noite, eu comprovei a minha estreita colaboração com Bento XVI para escrever este texto a favor do celibato. Falarei amanhã, se necessário", acrescentou Sarah, que publicou as fotos de três cartas que Bento XVI lhe enviou.

As cartas confirmam que o papa emérito enviou um texto sobre o sacerdócio e o autorizou a publicar "da maneira que pretendia", mas não especificam em nenhum momento se é um livro, com uma introdução e uma conclusão assinada por ambos.

A polêmica no Vaticano surgiu no domingo (12), quando foi anunciado um novo livro assinado por Bento XVI e Sarah - um dos principais líderes da ala conservadora que critica as posições do papa Francisco -, no qual o celibato é defendido, diante da decisão que terá de ser tomada pelo papa argentino sobre a proposta de ordenar homens casados, feita no Sínodo da Amazónia.

 

Trechos do livro foram publicados domingo no site do jornal francês Le Fígaro.

A obra, em francês, tem como título "Das profundezas dos nossos corações" (Des profondeurs de nos coeurs) e chegará às livrarias esta semana, enquanto o papa encerra a sua exortação apostólica após o Sínodo da Amazónia. Para muitos, esse é um movimento para pressionar Francisco.

Assim, surgiram novamente acusações de que Ratzinger, 92 anos, que há anos se limita a breves aparições gravadas ou fotografadas por um jornalista ou amigo que o visitou, nas quais quase nunca faz declarações e se percebe que fala com grande dificuldade, pode estar a ser manipulado pela área mais conservadora da Igreja.

 

Os veículos oficiais do Vaticano limitaram-se a garantir que no livro "os autores expõem as suas intervenções no debate sobre o celibato e a possibilidade de ordenar homens casados" e que Ratzinger e Sarah se definem como dois bispos que mantêm "obediência ao papa Francisco", de acordo com um artigo do diretor editorial Andrea Tornielli.

O responsável pela assessoria de imprensa, Matteo Bruni, disse que o papa Francisco sempre se opôs à eliminação do celibato, mas não se pronunciou sobre se Ratzinger concordou ou não com a publicação desse volume.

As informações são da Agência Brasil

Evangélicos podem ser maioria no Brasil em pouco mais de uma década

247 -O pesquisador do IBGE José Eustáquio Alves, doutor e pesquisador em demografia, prevê que dentro de pouco mais de uma década os evangélicos serão maioria no Brasil.

Reportagem da jornalista Anna Virginia Balloussier na Folha de S.Paulo indica que entre 1991 e 2010, os católicos caíam 1% ao ano, e os evangélicos cresciam 0,7%. Segundo Alves, são várias as indicações de que a queda do primeiro grupo passou para 1,2% nos últimos anos, e a subida do segundo, para 0,8%. Se aplicar estas taxas num modelo de projeção geométrica, diz o demógrafo, chegamos a essa projeção.

Hoje, os católicos são metade do país, segundo pesquisa Datafolha feita nos últimos dias 5 e 6 de dezembro. Foram os evangélicos que melhor ocuparam esse espaço vago, seguidos por pessoas que se declaram de outras religiões ou sem nenhuma delas (este grupo, no período, expandiu-se em torno de 0,4% por ano) - aponta a freportagem.

 

Alves projeta que a partir de 2022, o ano em que o país comemora o bicentenário de sua independência, os seguidores do Vaticano devem encolher para menos de 50% e, dez anos depois, seriam 38,6% da população.

Já os evangélicos alcançariam em 2032 a marca dos 39,8%.

Bento XVI avisa Francisco: celibato dos sacerdotes “tem um grande significado”

Catholic Church England and Wales / Flickr

O Papa Bento XVI em Fátima

O papa emérito Bento XVI defende, num livro que será editado na próxima semana, que o celibato dos sacerdotes “tem um grande significado”, posição conhecida numa altura em que o papa Francisco terá de pronunciar-se sobre a possibilidade do ordenamento de padres casados na Amazónia.

 

“Acredito que o celibato” dos sacerdotes “tem um grande significado” e é “indispensável para que o nosso caminho na direção de Deus permaneça o fundamento da nossa vida”, defende Bento XVI num livro escrito a quatro mãos com o cardeal Robert Sarah, que será editado na próxima semana e do qual o jornal francês Le Figaro publicou agora um excerto.

Em outubro do ano passado, bispos católicos pediram a ordenação de homens casados como sacerdotes, uma solução para enfrentar a escassez de clérigos na Amazónia, uma proposta histórica que pode pôr fim a séculos de tradição católica romana.

A maioria dos 180 bispos de nove países da Amazónia pediu também ao Vaticano para reabrir um debate sobre a ordenação de mulheres como diáconos, sustentando que “é urgente que a Igreja promova e confira na Amazónia ministérios para homens e mulheres de maneira equitativa”, de acordo com o documento final, citado na altura pela AP.

As propostas foram inscritas no documento aprovado no final de um sínodo de três semanas sobre a Amazónia, que o papa Francisco convocou em 2017 com o objetivo de chamar a atenção para as ameaças à floresta tropical, mas também de melhorar o sacerdócio junto dos povos indígenas.

O papa Francisco deverá tomar uma decisão em relação a este assunto nas próximas semanas. A Igreja Católica, que abarca quase duas dezenas de ritos diferentes, permite já sacerdotes casados nas igrejas de rito oriental e em casos em que os sacerdotes anglicanos previamente casados se convertem à Igreja.

Se Francisco aceitar a proposta do sínodo, porém, será o início de uma nova era para a Igreja Católica de rito latino após mais de um milénio.

No livro, Bento XVI e Robert Sarah defendem que “é urgente, necessário, que todos, bispos, sacerdotes e leigos, redescubram um olhar de fé na Igreja e no celibato sacerdotal que protege o seu mistério”. Além disso, citando Santo Agostinho, ambos afirmam: “Silere non possum! Não posso ficar calado!”.

// Lusa

 
 

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https://zap.aeiou.pt/bento-xvi-avisa-francisco-302015

A Igreja católica espanhola

Filha do papa Pio XI, que concedeu à sedição de Franco o carácter de Cruzada, contra a República, é a Igreja que manteve silêncio face ao genocídio que, depois de ter ganhado a guerra, o ditador praticou contra o seu povo.

 

A Igreja que goza de pingues contribuições do Estado, isenções de impostos e, até há pouco, do direito à apropriação de bens públicos, é a Igreja que não tolera a democracia, humilha a mulher e esconjura os direitos humanos.

 

Os clérigos são ainda, na sua maioria, filhos da falange e de pai incógnito, guerrilheiros da extrema-direita e terroristas ideológicos. São talibãs romanos, com colar ao pescoço e batina sebenta a pedir a Deus que derrube o Governo, mantenha a mulher submissa e consinta aos padres o direito a decidir sobre a sexualidade.

 

A Igreja a quem João Paulo II criou cardeais reacionários, sagrou bispos ultramontanos e de defuntos pouco recomendáveis fez um ror de santos, continua a ser o alfobre onde germina a extrema-direita e nascem como cogumelos quadros para o VOX, saudosistas de Franco e falangistas fora de prazo.

 

A tomada de posse do novo primeiro-ministro, Pedro Sánchez, sem bíblia e crucifixo, deixou aquele bando de parasitas de Deus a espumar de raiva, a uivar imprecações, a ruminar vinganças, e a pedir ao seu Deus que amaldiçoe estes governantes, derrube o governo e faça ajoelhar a Espanha aos seus pés.

 

O cristo-fascismo está vivo na horda de clérigos saudosos da ditadura e da Reforma, a sonharem com a Inquisição e os autos-de-fé, enquanto rezam o breviário e, em êxtase, relembram bênçãos que em gozo místico lançavam aos fuzilados franquistas nas praças de touros.

 

É desta fauna clerical que se alimenta a contrarrevolução espanhola que só a pertença à União Europeia impede de porem em marcha.

 

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https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/01/a-igreja-catolica-espanhola.html

A Igreja da Galiza e a sexualidade

Não será só a Galiza, talvez o fenómeno seja comum em Espanha, e duvido que os bispos espanhóis sejam mais retrógrados do que os portugueses.

De facto, só os celibatários empedernidos,  dinossauros da religião católica saída da Reforma, estão em condições de escrever e ensinar estas tolices.:

Los obispos recomiendan al varón que los días que quiera tener relaciones asuma tareas de la casa y deje dormir a la mujer la siesta

La proposición formaba parte de un nuevo curso prematrimonial, opcional, que durará entre 2 y 3 años. El párrafo ya ha sido retirado

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LA VOZ
agencias

La Conferencia Episcopal ha elaborado un itinerario opcional de formación para los novios que quieran casarse por la Iglesia, de dos años de duración, que aborda cuestiones como la sexualidad, la fidelidad o la resolución de conflictos y que será alternativo al actual cursillo prematrimonial de 20 horas.

«Una preparación matrimonial no se puede resumir en 20 horas. Para ser sacerdote hacen falta siete años de seminario y para ser esposa, esposo, madre y padres ¿20 horas? Es claramente insuficiente», ha subrayado el presidente de la subcomisión episcopal para la Familia y Defensa de la Vida de la CEE, Mario Iceta, durante la presentación del documento.

 

El itinerario «Juntos en Camino, + Q2» ha sido elaborado por la subcomisión que preside el también obispo de Bilbao y en él han participado 12 matrimonios. Cuenta con 12 temas y está pensado para desarrollarse a lo largo de entre 2 y 3 años, con sesiones cada 15 días.

Está a disposición de las diócesis y parroquias que quieran acogerlo, pero no es obligatorio, por lo que las parejas que piensen en casarse por la Iglesia podrán seguir realizando los cursillos prematrimoniales.

Iceta ha lamentado que a los 5 años de la boda, el 40 % de los matrimonios se han roto, y este porcentaje asciende hasta el 60 % a los 15 años. «Queremos evitar esto», ha apuntado.

Ignacio Oriol, uno de los esposos que ha participado en su elaboración, ha explicado que en las sesiones ofrecerán recursos y tareas a las parejas como películas, libros, ejercicios espirituales y retiros. También fomentarán la creación de vínculos con otras parejas de novios, profundizar en la vida sacramental y la participación en eventos familiares.

En el último curso del itinerario se abordarán temas relacionados con la educación afectivo-sexual como las relaciones prematrimoniales, la masturbación, la infidelidad o las relaciones sexuales en el matrimonio.

Los obispos proponen a los novios la «castidad» hasta después de la boda. «El pánico a la entrega total hace que se haya extendido el probar las relaciones sexuales antes de estar casados», indican, al tiempo que subrayan que la Iglesia se «opone» a este tipo de relaciones.

Así, el texto llama a «guardar lo más íntimo de tu cuerpo para donarlo a quien entregarás todo tu ser y con quien compartirás tus ilusiones, sentimientos, deseos, pensamientos y construirás un proyecto de vida en común».

Reconoce que los novios necesitan expresarse la predilección: «te he elegido a ti, y nada más que a ti. Por eso te hablo, te abrazo, te beso de manera única, a nadie más doy estas muestras de amor».

«Hay muchas formas y es importante tenerlas en cuenta. Por ejemplo, si vamos varios amigos a tomar café, los novios se buscan asiento el uno al lado del otro. Los novios buscan servir primero al otro y luego a sí mismo. Estas muestras de delicadeza son importantes en el noviazgo y nos preparan para el resto de la vida», señala.

Indica también que los abrazos a los amigos, «sinceros pero breves, no son tan tiernos como el abrazo de los novios. Una caricia, retirar el pelo de la cara o cualquier gesto, cuando es entre novios estará cargado de ternura».

Censura la pornografía, que «facilita la práctica de la masturbación y la infidelidad» y advierte sobre la masturbación: «puede suceder que alguien que esté acostumbrado a la masturbación no pueda descubrir la belleza de compartir la sexualidad con otra persona, o que no sea capaz de acompasarse a la otra persona». «La masturbación puede parecer que solamente nos afectará durante el noviazgo, pero por su esencia, puede llegar a tener un componente adictivo que afecta también a algunos matrimonios», apuntan.

El texto del curso original ya ha sido modificado en sus primeras horas de vida. La Conferencia Episcopal ya ha retirado un párrafo en el que hablaba de la «necesidad» de las mujeres de «estar descansadas para tener una relación sexual». Así proponía que «el varón los días que quiera tener relaciones sexuales deberá hacer un esfuerzo mayor y asumir ciertas tareas (por ejemplo, llevar a los hijos por la tarde al parque o pasear un par de horas) para que la mujer pueda dormir la siesta». El texto ahora retirado continuaba recomendando que la mujer debería «descansar para encontrarse ambos preparados para el encuentro sexual llegado el momento». «El mayor valor que la mujer da a las relaciones humanas -seguía- implicará que necesite estar en una buena situación afectiva con su pareja y un mayor cuidado de las caricias previas».

Iceta ha insistido en que este itinerario no es obligatorio, sino que se ofrece el material a las diócesis o parroquias que lo quieran, pero ha destacado su importancia. «No es que sean obligatorios (para obtener la licencia para contraer matrimonio por la Iglesia) sino que es una insensatez no venir a estos cursos porque el matrimonio es algo muy importante y si fracasa hace daño a mucha gente».

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"DOIS PAPAS": O ENCONTRO PESSOAL DERRUBA MUROS IDEOLÓGICOS E REDESCOBRE O HUMANO, por LEONARDO BOFF

 

 

leonardoboff.com, 9 de Janeiro de 2020

 

 

Assim como o Brasil não é para iniciantes, da mesma forma, o filme Dois Papas não é para iniciantes. Ele demanda conhecimentos de teologia e do debate existente já há mais de 50 anos sobre qual modelo de Igreja seria o mais adequado, considerando o destino comum Terra e Humanidade e as perversas desigualdades sociais a nível mundial.

 

O filme está sendo amplamente discutido. Há razões pró outras contra e, várias delas, supõem interesses escusos de seu produtor Fernando Meirelles, o que acho preconceituoso. Muitas críticas feitas ao filme (a maioria o vê com óculos ideológicos sem limpá-los antes) e mostram o que em filosofia se chama de “ignoratio elenchi”(ignorância do assunto), o que dificulta um julgamento sério e mais justo do filme em tela. Não obstante ter já escrito sobre o filme, retomo o discurso para aprofundar algumas questões subjacentes ao Dois Papas e assim apreciá-lo melhor.

 

Um lugar privilegiado de observação

 

Devo, sem qualquer pretensão, confessar que me encontro num lugar de observação privilegiado pois pude conhecer a ambos os personagens, Joseph Razinger e Jorge Mario Bergoglio. Isso me permite ajuizar com outros critérios o filme Dois Papas.

 

Com referência ao Papa Bento XVI pela amizade que tínhamos e pelo fato de que, como Cardeal, Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Inquisição) teve a ingrata missão institucional de me interrogar num processo doutrinário, pelo qual passaram notáveis como Galileu Galilei, Giordano Bruno e outros, acerca de meu livro “Igreja: carisma e poder”. Ele agiu conforme o rito prescrito para o Grande Interrogador (outrora se dizia o Grande Inquisidor) com seriedade e competência exigidas. E eu como interrogado devia responder às acusações feitas ao livro (não a mim como pessoa), da forma mais convincente possível. Cada um estava em sua posição institucional mas isso não significava romper os laços de mútuo apreço e amizade. Não rompemos. Tanto ele quanto eu soubemos distinguir as distintas esferas. Minha defesa, após o interrogatório, pareceu aos 13 cardeais votantes, não o bastante convincente. Assim que recebi várias penalidades, a maior delas, o “silêncio obsequioso”.

 

Penso que Bento XVI, à frente da Igreja, se comportou mais como um teólogo acadêmico alemão (escreveu vários livros enquanto Papa) do que um Guia de uma comunidade de mais de um bilhão de fiéis. Essa missão era, a meu ver, alheia ao seu caráter. Ele queria mesmo era ser teólogo e não um Chefe do Estado do Vaticano.

 

Com referência ao Papa Francisco nos conhecemos como teólogos nos idos de 1972 num encontro organizado pela Confederação Latino-americana de Religiosos (CLAR) no Colegio Maximo dos jesuítas em San Miguel, nos arredores de Buenos Aires. Ele guardou a foto do encontro e teve a gentileza, como Papa, de mandar-me tal foto e recordar-me que havíamos discutido sobre hermenêutica moderna francesa, coisa que eu havia totalmente esquecido.

 

Ao elaborar a encíclica ecológica Laudato Si:sobre o cuidado da Cada Comum (2015) ofereci-lhe subsídios, prontamente aceitos, pois ele sabia que já há anos escrevia sobre o tema, alargando o horizonte da Teologia da Libertação. O eixo deste tipo de teologia é “a opção não excludente pelos pobres contra sua pobreza, em favor da justiça social e de sua libertação”.Dentro dos vários tipos de pobres deveríamos, pensava e penso eu, incluir o Grande Pobre, o mais explorado de todos, a Terra viva, sem cuja preservação invalidaria qualquer outro projeto. Daí nasceu uma vigorosa eco-teologia da libertação. O Papa Francisco conscientizou-se desta centralidade e atendeu ao pedido de muitos teólogos que junto comigo lhe fazemos este apelo.

 

Desconhecer esse núcleo central da Teologia da Libertação, a opção preferiencial pelos pobres, e tributá-lo ao marxismo é incorrer em “ignoratio elenchi”, e reproduzir a narrativa dos ditadores militares do Chile, da Argentina, do Brasil e de El Salvador. Isso é repetido ainda hoje em dia nos grupos conservadores e até reacionários mesmo ocupando altos cargos do atual governo.

 

Bergoglio sem ser profético, salvou a muitos perseguidos

 

Não vou abordar o tema da relação do Papa Francisco com a ditadura militar argentina. O prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, também ele vítima de torturas, deu seu testemunho cabal aos mais duros críticos, apresentando até a longa lista de salvos pela ação do então superior jesuíta, padre Jorge Mario Bergoglio e depois Cardeal de Buenos Aires. No máximo que podemos conceder é que não se mostrou uma figura profética, como foram os bispos Novak, Angelleli, Esaine e outros. Mas nunca colaborou nem foi conivente com o sistema de opressão e liquidação dos opositores do regime, dos mais cruéis da América Latina. Seu estilo era outro, agir no silêncio, mas corajosamente.

 

Como Papa Francisco, recebi algumas cartas dele agradecendo os materiais que lhe havia enviado. E continuo lhe enviando outros através de um de seus secretários (não via Cúria, pois há o risco de nunca lhe ser entregue). Quase sempre responde. A última me encheu de satisfação, pois lhe havia escrito que no texto final do Sínodo Panamazônico de 2019 se incorria no Cristomonismo (só Cristo) esquecendo, em grande parte, a figura do Espírito Santo. Este, argumentava eu, chega sempre antes do missionário, pois encontra nos povos a evangelizar, o amor, a solidariedade, o perdão e outros valores humanos que constituem o núcleo da mensagem de Jesus. Agradeceu-me a observação e disse que iria usá-la. Por minha surpresa, na fala aos Cardeais pelo Natal de 2019 afirma que alguém lhe disse que o missionário é aguardado pelo Espírito Santo ao chegar ao país de missão, pois Ele já estava lá presente pelo amor e pelos demais valores humanos.

 

Fato curioso: um Papa não vive só pregando; precisa de certa distensão, tomar chimarrão pela manhã (mate) e também cultivar o humor. Assim que acompanha e torce pelo seu time de futebol San Lorenzo e adora música popular argentina que considero excelente, especialmente Mercedes Sosa com a qual juntos trabalhamos na confecção da Carta da Terra. Eu mandei ao Papa, para distraí-lo um pouco, um texto de São Francisco no qual este aconselhava os frades que em suas hortas deixassem um cantinho para as ervas selvagens (daninhas) crescerem porque, elas, do seu modo, também louvam a Deus. O Papa Francisco colocou este tópico de humor na encíclica no número 12.

 

A questão magna subjacente ao filme

 

Qual é a questão magna que subjaz ao filme Dois Papas? Não entendê-la, significa não entender o filme em sua profundidade. Trata-se de apresentar dois modelos de Igreja: um bem retratado pelo Papa Bento XVI e e o outro pelo Cardeal Bergoglio. depois Papa Francisco. Além disso, traçar o perfil de duas formas diferentes de ser humano, de realizar cada um a sua humanidade.

 

Cabe enfatizar que os diálogos não são meramente inventados. Quem conhece a teologia de ambos logo identifica o que escreveram ou publicamente disseram. Eles correspondem à sua respectiva visão de Igreja. É seu ponto de verdade.

 

O modelo de Igreja de Bento XVI: Volta à Grande Disciplina

 

O modelo de Igreja de Bento XVI é o da Igreja tradicional, cuja época áurea foi a Idade Media e que culminou com o Concílio de Trento (1545-1563) e com o Concílio Vaticano I (1869-1870). Esse modelo tem como eixo articulador o poder sagrado (sacra potestas), piramidal e desigualmente distribuído (os leigos, em baixo não participam desse poder), em cuja cabeça está o Papa, infalível em questões de doutrina e moral, com um poder “ordinário, supremo, pleno, imediato e universal”(cânon 331). Se riscarmos a palavra Papa e pusermos Deus, cabe ad litteram.Pode um ser humano, sempre limitado, apresentar-se com um poder ilimitado, não sendo Deus?

 

Esse modelo foi essencial na formação da Europa, o que resulta em responsabilidade às mais altas autoridades da Igreja de mantê-lo para preservar a identidade da Europa e a cultura europeia que se globalizou. Esse modelo criou os instrumentos de sua reprodução, a teologia manualística, o estilo apologético, especialmente, o estatuto dos seminários que não existia antes. Aí se formaram os candidatos ao sacerdócio, numa perspectiva agressiva e defensiva contra as Igrejas saídas da Reforma e contra os novos inimigos: os dois iluminismos. O primeiro iluminiamo, mais teórico, com seu espírito crítico, contra todo o autoritarismo, do contrato social e da introdução das liberdades civis e dos direitos do cidadão. E o segundo iluminismo, mais prático e transformador: o socialismo e o marxismo. Face à essa realidade mudada, a reação vinha sob o motto: “Volta à Grande Disciplina”. Vale dizer, tentar restaurar a síntese medieval sob a égide do fator religioso e orientada moralmente pela Igreja.

 

João Paulo II viu que na Polônia (semper fidelis)ocupada pelos marxistas ateus, a Igreja era a grande força de oposição, de resistência e de reafirmação da identidade polonesa, profundamente católica. Ao ser eleito Papa, levou essa missão para toda a Igreja. Enquadrou todas as tendências diferentes para ter uma Igreja unida contra dois fortes inimigos: o marxismo ateu que ele conheceu por experiência pessoal e contra a modernidade que deslocou Deus do centro da sociedade e em seu lugar colocou a sacralidade da pessoa e de seus direitos. A modernidade e pós-modernidade se apresenta como secular (não secularista), defensora das liberdades de consciência, de religião, das culturas e dos direitos de todos.

 

Inegavelmente carismático, a ponto de galvanizar multidões, a visão de Igreja de Papa João Paulo II, entretanto, era muito conservadora. As inovações do Concílio Vaticano II (1962-1965) que acertou o passo da Igreja com o mundo moderno, são relativizadas e reinterpretadas a partir do poder sagrado, concentrado nele, o Papa e na hierarquia eclesiástica. Gerou uma mentalidade temerosa e até negativa face aos avanços do mundo moderno, uma Igreja qual castelo, sitiado por inimigos que pretensamente a querem destruir.

 

Seus seguidores (vários movimentos conservadores como Opus Dei, Cavaleiros de Cristo, Comunhão e Libertação entre outros) constituem a base eclesial e social que sustentaram seu projeto de Igreja. Encontrou no Cardeal Joseph Ratzinger (na Alemanha mostrava-se progressista), um teólogo que se converteu à linha de João Paulo II  e num fervoroso guardião da ortodoxia. Apesar de sua finura, mostrou posições severas contra os críticos desse modelo conservador de Igreja.

 

Especialmente foi visada a Teologia da Libertação, interpretada como uma espécie de cavalo de Troia, mediante o qual o marxismo penetraria na América Latina. Há que defender o povo, mantendo essa corrente teológica sob estrita vigilância, argumentava-se no Vaticano, atingindo a muitos de seus seguidores, cardeais, bispos, teólogos, padres, religiosos e religiosas e até leigos. Esta estratégia foi mantida e até reforçada quando se tornou Papa.

 

No filme o Papa Bento XVI representa este tipo de Igreja que possui sua lógica e coerência, mas na contramão do curso global do mundo. Não tinha chance de prosperar pois a Igreja se mostrava antes uma cisterna de águas mortas que uma fonte de águas vivas. Decepcionava muitos fiéis a ponto de muitos abandonarem a Igreja. Quando o Papa Bento XVI se deu conta de que a atmosfera interna da Igreja em geral e do Vaticano em particular fora envenenada pelos crimes de pedofilia, falcatruas financeiras dentro do Banco Vaticano e mesmo de prostituição de altos prelados da Cúria, sentiu suas forças se esmorecerem. “Precisa-se mudar tudo isso”, diz claramente no filme. Reafirmou que não merecia permanecer sentado na Cátedra de Pedro, sem a energia suficiente para as mudanças necessárias. Num gesto nobre e desprendido renunciou.

 

Fecha-se com ele, o ciclo do cristianismo central, enfraquecido pelos escândalos, para dar lugar a outro modelo de Igreja com outros propósitos e outra leitura do mundo.

 

Papa Francisco: a Teologia da Libertação chega ao centro da igreja

 

Com o Papa Francisco começa um novo estilo de exercer o pontificado e se projeta um modelo de Igreja muito diverso do tradicional. A Igreja na América Latina foi sempre uma Igreja-espelho daquela europeia. Lentamente, porém foi se libertando até tornar-se uma Igreja-fonte: com um estilo diferente de viver a fé, encarnado-se nas culturas locais, indígenas, afro-descendentes e populares. Criou seu perfil de uma Igreja pobre e despojada com sua própria teologia, sob o nome de Teologia da Libertação. Logicamente, subsiste ainda porções da Igreja-espelho, ligadas ao estilo tradicional de ser padre e de organizar as dioceses e as paróquia. Mas não é por ela que o Cristianismo latino-americano atraiu a atenção do mundo, graças ao seu compromisso com os pobres, contra os regimes ditatoriais e contra as torturas sistemáticas a presos políticos e a presos comuns.

 

O Concílio Vaticano II tratou da Igreja dentro do mundo moderno, do mundo desenvolvido e se reconciliou com ele. Na América Latina os bispos nas várias assembléias continentais (Medellin, Puebla, Aparecida) deram-se conta de que esse mundo desenvolvido constitui a causa principal da opressão das grandes maiorias da América Latina, indígenas humilhados, massas abandonadas, classes oprimidas e mulheres submetidas.

 

A questão na América Latina é outra: qual o lugar da Igreja dentro do submundo, do mundo subdesenvolvido? Chegaram à conclusão de que sua missão é de uma evangelização libertadora. Libertar o pobre que grita é um gesto evangélico e ao mesmo tempo político. Libertar importa fazer do pobre o protagonista de sua própia libertação a partir do capital simbólico de sua  fé. Isso exige um processo de conscientização e de organização para o qual Paulo Freire que sempre se tendeu como um dos fundadores da Teologia da Libertação, ajudou enormemente a pastoral das Igrejas.Desta forma surgia um cristão consciente e simultaneamente um cidadão crítico e participante.

 

A libertação demanda um método mediante o qual o oprimido extrojeta o opressor que carrega dentro de si, para ser livre e tentar um outro tipo de sociedade  libertada, onde o amor e a convivência fraterna não sejam tão difícies. Não há opção pelos pobres e por sua libertação sem primeiramente amar esses pobres, seu modo de ser, sua cultura e, finalmente, se associar, como aliados secundários, às suas lutas. Essa opção custou a vida de muitos padres, religiosas, agentes leigos de pastoral e até de dois bispos, Angelleli da Argentin e Oscar Arnulfo Romeno de El Salvador, hoje santificado. É uma Igreja que tem muitos mártires.

 

O Papa Francisco foi educado quando era estudante de Teologia no Colegio Maximo em San Miguelo nesse conjunto de visões. Incorporou-as. Como cardeal, renunciou ao palácio cardinalício, ao carro oficial, aos privilégios da função. Usava o ônibus e o metrô e andava muito a pé pelas “villas miseria” de Buenos Aires. Vivia num pequeno apartamento e cozinhava sua própria refeição.

 

Ao chegar a Roma e eleito já Papa, introduziu esta revolução dos hábitos nos vetustos edifícios luxuosos e renascentistas da cidade do Vaticano. Decidiu viver numa casa de hóspedes e toma a refeição, entrando na fila, como todos.

 

Seu modelo de Igreja é aquela, como ele mesmo o define: “uma Igreja em permanentemente saída” de si mesma em direção do mundo, dos pobres, dos refugiados e das periferias existenciais. Ela equivale a um hospital de campanha, aberta a atender a todos. Como ninguém antes dos Papas anteriores, denuncia os produtores das desigualdades e injustiças no mundo: os adoradores do dinheiro, os especuladores, os inimigos da vida e da Mãe Terra que a devastam em função de sua acumulação. Não usa a palavra capitalismo mas todos entendem ao que se refere.

 

Em sua mensagem enfatiza: Jesus não veio fundar uma nova religião, pois havia muitas no Império Romano. Veio criar o homem novo e a mulher nova. Veio nos ensinar a viver o amor incondicional, a misericórdia sem limites e a solidariedade a partir dos últimos. No lugar de dogmas e doutrinas que respeita, privilegia o encontro vivo com o Cristo, com as pessoas, especialmente com aquelas feitas invisíveis. Escandaliza não poucos bispos ao pregar, até exigir, uma pastoral da ternura e não do medo das penas eternas. A misericórdia e seu tonus retus sempre de nova pregada que vem acolitada pela empatia e pela fome e sede de justiça. Sente-se um homem entre outros homens.

 

Suspeito que criará uma nova genealogia de papas, vindos do fim do mundo, onde vive a maioria dos católicos. Só 25% encontram-se na Europa, 52% nas Américas e os restantes na África e na Oceania. Hoje por hoje, o cristianismo é uma “religião” do outrora chamado “Terceiro Mundo”, que um dia, teve sua origem no Primeiro Mundo. Pelo “Terceiro Mundo” passa o futuro da Igreja Católica até em termos numéricos. É aqui que o cristianismo mostra suas virtualidades latentes, na defesa dos pobres e no cuidado da Casa Comum. Um argumento a mais para postularmos um Papa que venha de onde a Igreja se incarna nas culturas locais e suscita esperança nos condenados e ofendidos, desesperados pela fome e pela miséria.

 

Estes dois modelos de Igreja subjazem aos diálogos do filme Dois Papas. Eles se confrontam. Mas lentamente vão se alinhando.

 

Cada um dos Papas carrega um peso na consciência: Bergoglio poderia  ter encontrado outra forma, para além daquela institucional que tomou, de salvar os dois jesuítas trabalhando nas favelas e liberá-los do sequestro anunciado. Ambos sofreram pesadas torturas. Um deles, o padre Yorio, a quem conheci em Quilmes, nos arredores de Buenos Aires, não conseguia livrar-se do sentimento de que tinha sido abandonado pelo seu superior religioso. Mas procurava sinceramente entender os impasses pelos quais seu superior passou, mas que, com criatividade, poderia ter agido diferentemente. Esse era o peso que o Papa Francisco carregava em sua biografia.

 

Ao Papa Ratzinger lhe pesou na consciência o fato de ter enviado uma carta a todos os bispos, sob sigilo pontifício, para que não entregassem os padres pedófilos à justiça civil para não macular o bom nome da instituição-Igreja. Deviam confessar seu pecado e ser transferidos para outro lugar. E as vítimas, as crianças inocentes e as famílias, como ficariam? Isso não foi suficientemente levado em conta pelo Papa Bento XVI.

 

Momento alto do filme é quando ambos revelam o peso que carregam. Abrem-se mutuamente e se dão reciprocamente a absolvição. Ambos se sentem aliviados e reconciliados consigo mesmos.

 

A ideologia divide, o diálogo aproxima

 

Estimo que um dos propósitos principais do filme, foi revelar a real condição humana de ambos os Papas: sua dimensão de sombra e sua dimensão de luz. Essa é a real condition humaine de cada ser humano: somos sapientes e dementes sim-bólicos e dia-bólicos, gentis e rudes. E isso simultaneamente. Ai de nós se recalcamos a dimensão sombria. Ela voltará furiosa. Temos que integrá-la humildemente na medida em que damos primazia à dimensão de luz. Caso contrário, impedimos o desabrochar de nossa plena humanidade que inclui luz e sombra.

 

Mas há momentos em que o horizonte desaparece: é a “noche oscura y terrible” da qual fala o místico São Jão da Cruz não poupa sequer os papas. A sutileza do filme mostra também esta sua angustiante dimensão. Eles não têm certezas totais. Estão no caminho de busca de mais luz para poder caminhar.

 

O filme revela, de forma maravilhosa, como passo a passo, vai surgindo a humanidade de um de outro. Aprenderam a escutar, a dialogar, e a procurar entender as diferenças. Lentamente as discussões vão desaparecendo, pois a ideologia separa e o encontro une. É então que irrompe a verdadeira humanidade em cada um deles. Um toca piano, o outro cantarola uma cação dos Beatles. Por fim ambos não agem mais como Papas. São humanos, o homem Joseph Ratzinger e o homem Jorge Mario Bergoglio. Ensaiam uns passos de tango, possível a dois idosos. É inimaginável um acadêmico alemão como o professor Ratzinger entregar-se à liberdade do corpo e dar uns passos de dança argentina.

 

O que une as pessoas não são acordos doutrinários. Estes ficam nos documentos mas não chegam ao coração. O encontro das pessoas, cara a cara, olho a olho, coração a coração transforma a realidade conflitiva, numa realidade, apesar das diferenças, realmente reconcilia.

 

Esta seja talvez a grande lição que derivamos do filme Dois Papas. Num mundo de ódio, de dilaceração das ideologias, o que nos levará para a direção certa e para a superação das fragilidades da humana existência é e será sempre o resgate de nossa inteira, complexa e ambigua humanidade, um ajudando ao outro a desentranhar o que está escondido nele e que, sozinho, talvez nunca irá poder liberar. Mas vale a filosofia africana do Ubuntu: “eu sou eu somente através de você”.

 

O cristianismo como religião e caminho de Jesus

 

Por fim,  cabe uma reflexão para aqueles que sentem dificuldades de viver a fé cristã nos dias de hoje. O cristianismo não nasceu como Igreja constituída, mas como “o movimento de Jesus” ou “o caminho de Jesus” pois assim  nos relatam as fontes originárias do Novo Testamento. Curiosamente nos Atos dos Apóstolos se chama o cristianismo em grego de: “hairesis tou Christou”: a “heresia de Cristo”, vale dizer “o grupelho de Cristo”. Só mais tarde, em Antioquia, passou a ser chamado de cristianismo.

 

Metaforicamente diria: o cristianismo é semelhante a uma bicicleta. A roda da frenterepresenta o Cristianismo como religião, com ritos, celebrações, missas, sacramentos e devoção a santos e santas. Nem todos hoje se identificam com este modo de expressar a fé; felizes os que o conseguem pois o contacto com o sagrado alimenta as dimensões profundas e ignotas de nossa psiqué tão bem estudas pela escola de C. G. Jung e discípulos.

 

Mas o cristianismo pode se expressar também pela roda de trás. É o cristianismo como ética, como modo de ser que se orienta pelo sonho e a proposta humanitária de Jesus: a centralidade do amor, a empatia face aos que sofrem, a fidelidade à verdade, o desapego à acumulação obsessiva de bens materiais e a capacidade de perdoar. Esse caminho é o mais originário e significa uma proposta de vida, seguida por muitos mesmo sem se filiar a uma confissão cristã ou seguir um caminho religioso. Vivem o sonho do Nazareno no meio da mundanidade do mundo. São cristãos, não pela prática religiosa, mas pela prática da ética da transparência, do amor, da solidariedade a partir dos últimos e da alegria de viver neste belo e radiante planeta.

 

Creio que o filme aponta mais nesta direção humanitária: a escuta atenta do outro, a abertura ao diálogo e a disposição de aceitar a crítica e a vontade de mudar.

 

Saimos mais humanizados e espiritualizados após termos visto o filme Dois Papas. Só por este efeito benéfico, valeu a pena o esforço de seus produtores e atores de concebe-lo e de produzi-lo. Bem que mereceria um Oscar, pela mensagem tão atual e esperançadora que irradia e não em último lugar pela beleza deslumbrante de suas imagens e pela música sempre adequada às cenas. Vale ver o filme Dois Papas para deixar-se questionar por ele e enriquecer a maneira própria de viver humanamente.

 

 

Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escreveu Francisco de Assis e Francisco de Roma, Mar de Ideias, Rio 2014,

 

Nota de A Viagem dos Argonautas

O filme Dois Papas, de Fernando Meirelles e Anthony McCarten, ao que conseguimos apurar, está na Netflix. 

 

Leia este texto no original clicando em:

https://leonardoboff.wordpress.com/2020/01/09/dois-papas-o-encontro-pessoal-derruba-muros-ideologicos-e-redescobre-o-humano/

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/01/10/dois-papas-o-encontro-pessoal-derruba-muros-ideologicos-e-redescobre-o-humano/

Netflix recorre e Porta dos Fundos vence

Esta terça-feira, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ordenou que a exibição do Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo, na Netflix seja “suspensa imediatamente”.

A decisão liminar foi concedida pelo desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do TJ-RJ, a pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura — uma entidade conservadora católica.

O desembargador afirma na decisão, que o pedido para retirar o programa do ar é “mais adequado e benéfico, não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, maioritariamente cristã, até que se julgue o mérito do agravo”.

A Justiça decretou ainda uma multa de 150 mil reais (33 mil euros) por cada dia que a Netflix demore a executar a ordem.

O programa, que estreou em Dezembro, tem revoltado religiosos no Brasil — culminando num ataque com bombas contra a sede da produtora dos comediantes.

O desembargador confessa ter assistido ao episódio “rapidamente” e diz que o roteiro “configura ato de intolerância religiosa e discurso de ódio, ao retratar, às vésperas do Natal, Jesus Cristo como um homossexual pueril, namorado de Lúcifer, Maria como uma adúltera desbocada e José como um idiota traído por Deus”, argumentando que o filme tem como intento primário “a depreciação da fé alheia”.

O especial motivou diversos abaixo-assinados sendo que alguns chegaram a atingir a marca de 1 milhão de assinaturas.

Por enquanto, a Netflix ainda não reagiu a esta ordem judicial e o conteúdo ainda pode ser visto.

Vários humoristas portugueses já reagiram nas suas redes socais:

Nuno Markl: “A isto chama-se censura, juventude. Não era suposto estarmos a falar dela em 2020, a não ser como matéria dos livros de História.”

Bruno Nogueira: “perigoso, grave e inacreditável”

Diogo Faro: “E agora, com a gravidade disto, já dá para assumir o cheiro a ditadura que vai no Brasil, ou ainda não chega?”

Na sequência da suspensão, a Netflix recorreu ao Supremo para continuar a exibir o especial de Natal do grupo humorístico Porta dos Fundos “A Primeira Tentação de Cristo”.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tomou a decisão esta quinta-feira, depois de, na quarta-feira, a exibição ter sido suspensa pelo juiz Benedicto Abicair, no Rio de Janeiro, atendendo ao pedido da associação católica Centro Dom Bosco de Fé e Cultura.

“Não se descuida da relevância do respeito à fé cristã (assim como de todas as demais crenças religiosas ou a ausência dela). Não é de se supor, contudo, que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã, cuja existência retrocede há mais de 2 (dois) mil anos, estando insculpida na crença da maioria dos cidadãos brasileiros”, justifica Dias Toffoli na decisão, segundo o site da Globo.

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/netflix-recorre-e-porta-dos-fundos-vence/

Fake news e escândalos: a mídia católica de direita ataca Francisco

Por Lucas Ferraz, na Agência Pública - Após o mais recente escândalo financeiro no Vaticano, referente aos investimentos milionários realizados pela Santa Sé em imóveis em Londres que estão sendo investigados por suspeita de corrupção, o papa Francisco nomeou, em novembro, um novo responsável para a secretaria da Economia, um dos cargos mais importantes na cúpula da Igreja.

O escolhido foi o padre jesuíta (mesma ordem religiosa do pontífice) Antonio Guerrero Alves, um espanhol que substitui o cardeal George Pell, que, nomeado por Francisco, já estava afastado do cargo por enfrentar na Justiça da Austrália um processo por abuso sexual de menores.

Conhecido entre os pares como um padre simples e obediente, Guerrero (o primeiro a assumir o cargo sem ter um título de arcebispo) será um homem de confiança do papa, conforme se leu na maior parte da imprensa católica. O objetivo é tentar sanar uma das áreas mais sensíveis, origem de inúmeros escândalos envolvendo o dinheiro da Igreja.

Para uma parte minoritária da mídia especializada, a indicação feita por Jorge Mario Bergoglio diz muito mais. O site norte-americano LifeSiteNews, um dos estandartes da ala conservadora católica, escreveu no início de dezembro que a escolha de Guerrero era mais um movimento dos jesuítas num possível golpe em andamento dentro do Vaticano – que seria promovido pelos aliados de Bergoglio.

Em tom conspiratório e citando o que chamou de passado tirano da ordem religiosa, o site não apresentou prova ou documento, fiando-se unicamente nos jesuítas que ascenderam a cargos no pontificado do argentino (nunca os membros da ordem ocuparam tantos cargos de comando na estrutura da Santa Sé). O texto, assinado pela sua correspondente em Roma, é exemplar da postura agressiva da mídia opositora, afinada com a ala tradicionalista, que vem aumentando o tom nos últimos anos (recorrendo a técnicas da direita populista) e passou claramente a incomodar Francisco e seu círculo direto.

Essa oposição existe desde a escolha de Bergoglio como papa, em março de 2013, e é majoritariamente ligada ao clero norte-americano, mas há adeptos na Itália, em países do Leste Europeu e na América Latina.

“Antes não tínhamos essa situação de liberdade, ela existe também porque o papa Francisco a criou. Temos que nos acostumar com essa ideia, pois abriu um capítulo novo na história da Igreja”, afirmou à Agência Pública Massimo Faggioli, professor de teologia histórica da Universidade Villanova, nos Estados Unidos.

Frequente colaborador de revistas católicas liberais, Faggioli lembra que a mídia especializada conservadora começou uma campanha contra o Santo Padre três ou quatro meses depois de sua posse. Os motivos, ressalta, eram pueris: o fato de o papa ser jesuíta e latino-americano, dois ineditismos em mais de 2 mil anos de história da instituição. O professor diz que a crítica aberta de cardeais e bispos começou após o movimento da mídia.

Leia a íntegra da reportagem na Agência Pública.

Os dois Papas, o filme e a realidade

Aproveitando a hospitalidade que me deram de Domingo passado para Segunda-feira, vi "Os Dois Papas" na Netflix, serviço que não tenho em casa. Achei o filme curioso, mas acho abusiva a tentativa de colocar na boca do agora Papa Francisco uma suposta confissão de cumplicidade com a ditadura militar argentina. Não me conformo com modalidades acusativas que tendem a bloquear a capacidade do visado para apresentar o seu ponto de vista. O humor político serve muitas vezes para fazer verdadeiras críticas de que os visados não se podem defender, porque seria ridículo que argumentassem com o humorista; a ficção também pode ser uma forma ínvia de crítica, porque é sempre possível ridicularizar uma resposta séria a uma obra de ficção. Mesmo assim - ou, talvez, por isso mesmo - entendi retomar aqui o tema da actuação de Jorge Mario Bergoglio durante a ditadura argentina. Digo retomar por ter lidado com esse tema, aqui no blogue, há já vários anos. E, também, porque vou limitar-me a relembrar materiais que aqui publiquei anteriormente. Ainda em 2013, publiquei o texto A lista de Bergoglio - ou o Papa Francisco na ditadura argentina. Trata-se, basicamente, da recensão de um livro importante e bem documentado sobre a questão. Em modo secundário, apresento, nesse texto, já vai para sete anos, uma visão sobre o que se poderia esperar do então novo Papa Francisco. Mas, principalmente, documenta bem todas as razões que posso ter para desconfiar da tese que o filme "Os dois Papas" apresenta sobre Jorge Bergoglio. Noutra ocasião, o Papa Francisco e a ditadura argentina, socorri-me da opinião e dos conhecimentos de Leonardo Boff, um teólogo brasileiro que personifica exemplarmente as correntes mais progressistas do catolicismo, tendo, no passado, pago um alto preço por essa condição face à intolerância dos mais conservadores na hierarquia. Ainda escrevi noutras ocasiões sobre o homem que veio a ser o Papa Francisco, apesar de não ser franciscano. Mas os dois textos que menciono acima são suficientes, creio, para mostrar as razões que julgo ter para considerar abusiva a leitura que se tenta passar no filme "Os dois Papas" sobre o passado de Bergoglio. Ficam à vossa consideração, clicando nos links: - A lista de Bergoglio - ou o Papa Francisco na ditadura argentina ; - o Papa Francisco e a ditadura argentina . 8 de janeiro 2020
Porfírio Silva,
Deputado PS
 

Ver original em "Machina Speculatrix" (aqui)

Investido novo governo em Espanha

Talvez o senhor arcebispo
já possa poupar nas orações


El cardenal arzobispo de València Antonio Cañizares.-PÚBLICO.es
«En una reciente misiva hecha pública este sábado bajo el elocuente epígrafe deEn esta hora crucial para España ¡orad por España!, el Arzobispo de València reiteraba la necesidad y la urgencia de orar por España ante el "futuro incierto" que, según el religioso, atraviesa nuestro país. "Que se ore por España, que se eleven oraciones especiales por España, que en todas las Misas se ore por España, en los conventos de vida contemplativa se ore intensamente por España", abundaba incansable el religioso en dicho comun.
Sin mencionar en ningún momento la conformación de Gobierno, pero en clara alusión a ella, el cardenal se encomienda a "un señor muy importante de España" –al cual alude a lo largo de su artículo sin desvelar en ningún momento su identidad– para a continuación y con machacona insistencia rogar a sus fieles y a todas las Iglesias de España a que oren por la nación: "Mientras no se aclare el futuro incierto que vivimos ahora en España, que en todas las Iglesias se ore por España-
Según el prelado, "en estos tiempos de secularización y de eclipse de Dios", conviene entregarse al rezo como si no hubiera un mañana. Con un lenguaje altamente suplicatorio –"pido encarecidamente y me pongo de rodillas ante todos"– Cañizares se dirige a sacerdotes, personas consagradas, fieles cristianos laicos y demás variedades de beatos para urgirles a que aviven su "vida de oración", y así "renovar y fortaleces la experiencia de ÈL".
La preocupación de Cañizares por "la coyuntura concreta que vivimos en España" se filtra a lo largo del texto con reseñable intensidad –hasta en 14 ocasiones ruega que ore por el bien de España– ya que, tal y como apunta hacia el final del texto, el mundo y España andan "necesitados de ÉL como la tierra reseca está necesitada del agua para que florezca en ella la vida".
No es la primera vez que desde la curia se incide –de forma más o menos velada– en los asuntos políticos. Sin ir más lejos, el presidente de la Conferencia Episcopal Española (CEE) y cardenal arzobispo de Valladolid, Ricardo Blázquez, aseguraba el pasado viernes en una entrevista publicada por la Archidiócesis de Valladolid que sentía "inquietud" ante la formación de Gobierno entre PSOE y Unidas Podemos.
Además, Blázquez se mostraba preocupado ya que atisbaba "un futuro incierto" por lo que rogaba estar "muy alerta" para que se mantenga la clase de religión y los conciertos a los colegios. "Ciertamente, por la situación actual, a mí me produce mucha perplejidad y un horizonte muy incierto. Yo pido al Señor que acierte en la formación del Gobierno y después en la gobernación diaria del Gobierno ya constituido pero tengo inquietud", afirmaba en dicha entrevista.
A finales del pasado noviembre, fue el arzobispo de València el que se mostraba preocupado en su carta semanal por el preacuerdo de Gobierno "entre socialistas y socialcomunistas", ya que según él se atisbaba un cambio cultural y la imposición de un pensamiento único.
Tal y como señalaba en dicha misiva, la posibilidad de un acuerdo de Gobierno protagonizado por el PSOE y Unidas Podemos le causaba "conmoción", pues quebraría más la sociedad asegurando –en similares términos a los utilizados este sábado– que "nos encontramos ante una grave emergencia, la emergencia de España" que necesita una "sanación urgente".»
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Papa faz apelo de paz após assassinato ordenado por Trump contra general iraniano

.247 -O papa Francisco fez um apelo de paz neste sábado (4), diante da escalada de tensão no Oriente Médio devido ao ataque dos Estados Unidos em Bagdá que matou nove pessoas, entre elas o general iraniano Qassem Soleimani, considerado o número 2 no governo de Teerã.

 

"Devemos acreditar que o outro tem a nossa mesma necessidade de paz. Não se obtém a paz se não se espera por ela. Peçamos ao Senhor o dom da paz!", declarou o líder da Igreja Católica, informa a Ansa

A palmada do Papa

Resultado de imagem para A economia de Francisco Assis, Itália

Quando Francisco cumprimentava na noite de 31 de dezembro, na Praça de São Pedro os fiéis, uma mulher agarrou-lhe o braço, puxou-o, impedindo-o de continuar o seu percurso e de imediato o Papa virou-se e com cara de zangado deu-lhe uma palmada na mão da mulher que o puxou. Como se faria a uma criança que saísse da “linha”.

Foi este gesto profundamente humano de Jorge Bergoglio, Papa Francisco, que “escandalizou” o mundo.

A CMTV e o Correio da Manhã referem-no como “palmada violenta na mão da peregrina”.

O episódio fez-me lembrar as queixas de Álvaro Cunhal quando os camaradas nas suas visitas ou comícios lhe davam palmadas nas costas tão fortes que o levavam a irritar-se e a perguntar se queriam que lhes fizesse o mesmo. Na verdade chegava a ficar com as costas pisadas das “fraternas” pancadas nos costados.

Bem sei que Francisco é o Papa, o representante de Jesus Cristo, Deus, na Terra. Há, porém, nesta Terra, fiéis que na sua exuberante fidelidade querem que a sua presença seja assinalada por aquele a quem veneram. E estender a mão ou dar a face é uma coisa, puxar pelo braço de quem cumpria a sua função pontifícia dando graças fiéis é outra coisa, a todas as luzes e em todas as latitudes.

O puxão da mulher no braço do representante do seu Deus na Terra talvez fosse um desespero para lhe chamar a atenção da sua existência. Talvez. Certamente para sua glória futura ou mediática.

Cunhal zangava-se com tanto amor proletário. E com razão. As costas eram dele.

Tudo certo. Até na reação do Papa Francisco. Ele é um homem, os crentes acharão um santo homem e até um homem santo.

E é verdade – a mulher puxou-o a ponto de o impedir de andar. E ele exasperado reagiu. São assim os seres humanos. E por serem humanos chegam a pontos de considerar violenta a palmada de Francisco, o homem Bergoglio. Pois.

Bergoglio pediu desculpas, devia ter dado o outro braço, digo eu. Mas ele não é Jesus Cristo, é um homem nascido em Flores, Buenos Aires, na Argentina tão cheia de problemas.

Percebe-se esta fraqueza humana, a de transformar um gesto humano numa notícia que pretende vulnerabilizar o Chefe do Vaticano. Em suma, uma espécie de politiquice.

Esta “pancada” não é nada comparada com as pancadas que vem distribuindo nos gananciosos do mundo.

No próximo dia 26 de março inicia-se em Assis, Itália, a conferência – A economia de Francisco, para a  qual tem o auxílio de dois Nobel, Joseph Stiglitz e Amartya Sem. Essa é a pancada que não lhe perdoam. Que nunca lhe doa a mão.

https://www.publico.pt/2020/01/03/opiniao/opiniao/palmada-papa-novo-escandalo-mundial-1899187

 

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2020/01/04/a-palmada-do-papa/

Dois Papas: dois modelos de homem, dois modelos de Igreja

Acabei de assistir o filme do consagrado cineasta brasileiro Fernando Meirelles: Dois Papas.

Considero o filme tecnica e esteticamente bem elaborado, feito nos próprios espaços grandiosos do Vaticano. Sua base é fundada em fatos históricos, evidentemente, com a criatividade que este tipo de arte permite, particularmente na construção dos diálogos. Mas neles se entrevê suas respectivas teologias e afirmações conhecidas.

O que digo é opinião estritamente pessoal. Tive o privilégio de conhecer a ambos os Papas pessoalmente e com os quais entretive e entretenho relações de certa proximidade e até amizade.

O Papa Ratzinger: finíssimo e rigoroso

Com o Prof. Joseph Ratzinger tenho uma dívida de gratidão por ter apreciado minha tese doutoral sobre “A Igreja como Sacramento Fundamental no Mundo secularizado”, volumosa, mais de 500 páginas impressas. Ajudou-me financeiramente com uma soma considerável de marcos e encontrou um editora para sua publicação, pois ninguém queria assumir o risco de lançar um livro desta proporção. A acolhida na comunidade teológica internacional foi grande, considerada uma obra fundamental, especialmente pelo renomado especialista em Igreja Jean Yves Congar, dominicano francês.

O Prof. Ratzinger é uma pessoa finíssima no trato, extremamente inteligente e nunca o vi alçando a voz; mas é muito tímido e reservado.

Ao saber de sua eleição a Papa, logo pensei: “É um Papa que vai sofrer muito, pois talvez jamais tenha abraçado pessoas, mesmo uma mulher e se exposto às multidões”.

 

Nossa amizade se fortaleceu porque durante cinco anos, a partir de 1974, toda semana de Pentecostes (por volta de maio) cerca de 25 teólogos e teólogas progressistas, renomados do mundo inteiro, nos encontrávamos em Nimega na Holanda ou em outra cidade europeia. Durante uma semana discutíamos ecumenicamente, acompanhados por um pequeno grupo de cientistas, inclusive de Paulo Freire, sobre temas relevantes do mundo e da Igreja. Editávamos uma revista Concilium que se publicava em 7 línguas que ainda continua a ser publicada (no Brasil pela Editora Vozes). Ai colaboraram as melhores cabeças mundiais, nas várias áreas do conhecimento que vai da sexualidade, da Teologia da Libertação, à moderna cosmologia.

O Prof.Ratzinger sentava-se quase sempre ao meu lado. Depois do almoço enquanto quase todos tiravam uma sesta eu e ele passeávamos pelo jardim, discutindo temas de teologia, nossos preferidos, Santo Agostinho e São Boaventura dos quais li praticamente toda obra.

Cada um com seu papel sem perder a relação

Feito Cardeal e Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a ingrata missão de me interrogar sobre o livro Igreja: carisma e poder em 1984. Ele cumpria institucionalmente sua função de interrogador e eu de defensor de minhas opiniões. Foi um diálogo firme, mas sempre elegante da parte dele, mesmo quando, após o interrogatório, tivemos um encontro já mais duro com ele e os Cardeais brasileiros Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Aloysio Lorscheider que me acompanharam em Roma e testemunharam a meu favor. Éramos três contra um. Devo reconhecer que ele se sentia constrangido.

 

Depois de um ano, recebi a solução do processo doutrinário com a deposição da cátedra de teologia, de minhas funções na Editora Vozes e a imposição de um “silêncio obsequioso” que me impedia de falar, de ensinar, de dar entrevistas e de publicar qualquer coisa. A decisão final após o interrogatório foi feita por 13 cardeais (13 para desempatar). Soube mais tarde, através de um emissário de seu secretário particular que ele, Card. Ratzinger, votou a meu favor mas foi voto vencido. Cabe dizer que sempre que jornalistas perguntavam a ele sobre mim, respondia, com certo humor, que sou “ein frommer Theologe”( um teólogo piedoso) que um dia vai aprofundar seu verdadeiro caminho teológico.

O filme não retrata a figura fina e elegante que o caracteriza. Em certa cena, levanta a voz e quase grita, o que, me parece, totalmente inverosível e contra seu caráter.

Apesar de estarmos agora em situações diferentes, ele Papa e eu um um teólogo promovido a leigo, nunca perdemos a amizade. Por seus 90 anos, ao ser organizada uma Festschrift (um livro de homenagem), na qual muitos notáveis escreveram, a pedido dele solicitaram-me que escrevesse meu testemunho a seu respeito, o que fiz, prazerosamente. A amizade é mais forte que qualquer doutrina sempre humana.

O Papa Francisco: terno, fraterno e inovador

Com referência ao Jorge Mario Bergoglio, agora Papa Francisco, diria o seguinte: Conhecemo-nos em 1972 no Colégio Máximo de San Miguel em Buenos Aires, cada um discorrendo sobre a singularidade do caminho espiritual de Santo Inácio de Loyola (ele) e o caminho espiritual de São Francisco (eu). Ai discutimos a vertente da teologia da libertação de tipo argentino (do povo silenciado e da cultura oprimida) e a nossa brasileira e peruana (sobre a injustiça social e a opressão histórica sobre os pobres e afrodescendentes). Deste encontro há uma foto que ele, desde Roma, teve a gentileza de me mandar, onde aparecemos, todo um grupo de teólogos e teólogas, a maioria não mais entre nós, alguns perseguidos e torturados pela repressão bárbara dos militares argentinos ou chilenos. Depois nos perdemos de vista.

O Papa Francisco: teólogo da libertação integral

Soube pelo seu professor de teologia, recentemente falecido, Juan Carlos Scannone, o representante maior da teologia da libertação argentina. que Bergoglio entrou para a Ordem Jesuítica como vocação adulta (era químico antes, como aparece no filme). Entusiasmou-se logo com a teologia da libertação e aí mesmo fez um voto que cumpriu sempre, mesmo como cardeal de Buenos Aires: toda semana passar uma tarde ou mesmo um dia numa favela (villa miseria), sempre sozinho, entrando nas casas e conversando com todo mundo.

Foi Superior Maior da Província dos Jesuitas da região de Buenos Aires. Era muito rigoroso. Aqui teve que enfrentar uma situação gravíssima que carregou no coração até os dias de hoje: dois jesuitas, o padre Jalish e o padre Yorio (que conheci pessoalmente em Quilmes) viviam numa favela, apoiando os pobres e marginalizados. Quem trabalhava com o povo, como no Brasil de 1964 (e talvez também hoje sob o novo governo) seriam considerados marxistas e subversivos. Eram vigiados pelos órgãos de segurança dos militares. Bergoglio soube que seriam sequestrados com as torturas que se seguiam. Tentou salvá-los até apelando ao voto de obediência, típico de sua Ordem, no sentido de abandonaram a favela para não serem vítimas da repressão.

Eles argumentaram de forma evangélica: “um pastor não abandona seu rebanho, seu povo; participa de seu destino; vale mais obedecer ao Deus dos pobres do que obedecer a um superior religioso”.

Efetivamente foram sequestrados e duramente torturados. Jalish se reconciliou com Bergoglio e vive na Alemanha, enquanto Yorio se sentiu abandonado e distanciou-se dele (morreu no Uruguai, anos atrás). Pude sentir sua amargura pessoal, ao mesmo tempo que procurava entender o impasse que uma autoridade religiosa, com responsabilidade, enfrenta em situações-limite. Mesmo assim, Bergoglio escondeu a muitos no Seminário Maior de San Miguel ou os levou até a fronteira de outro país para fugirem da morte certa.

O Papa Francisco: o cuidado da Casa Comum

Ao ser eleito Papa, voltamos a nos comunicar. Sabendo que havia me ocupado intensivamente com o tema da ecologia integral, envolvendo a Casa Comum, a Mãe Terra, solicitou-me subsídios, coisa que fiz com assiduidade. Mas logo me advertiu:”não mande os textos para o Vaticano, pois, não me serão entregues (o famoso sottosedere da Cúria: sentar em cima e esquecer) mas envie-os diretamente ao embaixador argentino junto à Santa Sé, especialmente aquele que todos os dias, bem cedo, toma o chimarrão (el mate), comigo”. Assim fiz sempre, mesmo com textos sobre o Sínodo Panamazônico de 2019. Respondeu várias vezes agradecendo.

Ao escolher o nome de Francisco sob inspiração de seu amigo brasileiro, o Card. Dom Cláudio Hummes que lhe sussurou logo fazer uma opção clara pelos pobres, ele se transformou. O rigor jesuítico se uniu com a ternura franciscana. Com os problemas internos da Cúria, a pedofilia, a corrupção financeira dentro do Banco do Vaticano é extremamente rigoroso. Contrariamenete, com o povo é visivelmente terno e fraterno.

Nenhum Papa anterior castigou tão duramente o sistema que perdeu a sensibilidade, a solidariedade com os milhões de pobres e famintos, a capacidade de chorar e que são adoradores do ídolo do dinheiro. Depredam a natureza e são anti-vida e anti-Mãe Terra. Não precisamos declarar a que sistema se refere. Sua opção pelos pobres é altisonante. Tornou-se por suas posturas corajosas face à emergência ecológica da Terra, ao aquecimento global e à desumanização das relações humanas, um líder religioso e político. Sua voz é ouvida e respeitada pelo mundo afora.

Dois modelos de homem e dois modelos de Igreja

O propósito do filme é mostrar dois modelos de personagens religiosas e dois modelos de Igreja.

Primeiramente mostra como ambos, Ratzinger e Bergoglio. são humanos, profundamente humanos. Nesse sentido: ambos possuem seu lado luminoso e também seu lado sombrio. O Papa Bento XVI sua leniência com os pedófilos. Não devemos esquecer que escreveu a todos os bispos, sob sigilo pontifício que jamais deve ser quebrado, de não entregar os padres e os bispos pedófilos aos tribunais civis. Isso desmoralizaria a instituição Igreja. Deviam, sim, confessar-se do pecado e ser transferidos para outro lugar. O Papa não se deu conta suficientemente de que não tinha a ver apenas com um pecado perdoável pela confissão. Tratava-se de um crime contra inocentes que a justiça comum deve investigar e punir. Não se pensou nas vítimas, apenas na salvaguarda da imagem da instituição-Igreja.

O Papa Bento XVI colocou-se na esteira do João Paulo II que era moral e doutrinariamente conservador. Procurou relativizar o arggiornamento do Concílio Vaticano II (1962-1965). Via a Igreja como uma fortaleza sitiada por todos os lados por inimigos, vale dizer, pelos erros e desvios da modernidade. A solução que se propunha era a de voltar à grande disciplina anterior, vinda do Concílio de Trento (século XVI) e do Concílio Vaticano I (1870). A centralidade era a ortodoxia e a sã doutrina, como se fossem as prédicas que salvassem e não as práticas. Nesta linha o Card. Joseph Ratzinger foi rigoroso: mais de 110 teólogos ou teólogas foram condenados, depostos de suas cátedras, silenciados (no Brasil Yvone Gebara e eu pessoalmente) ou de alguma forma punidos. Um deles, excelente teólogo, foi condenado sem recebernenhuma explicação. Ficou tão deprimido que pensou em suicidar-se. Só se curou quando foi à América Central A trabalhar com as comunidades eclesiais de base.Viveu-se um inverno eclesial severo.Toda uma geração de padres foi formada nesse estilo doutrinário e com os olhos voltados ao passado, usando os símbolos do poder clerical. Igualmente, toda uma plêiade de bispos foram sagrados, mais autoridades eclesiásticas ortodoxas que pastores no meio de seu povo.

Outro modelo de personalidade religiosa é o Papa Francisco. Ele vem do fim do mundo, de fora da velha e quase agônica cristandade europeia. Ele trouxe uma primavera para a Igreja e para o mundo secularizado.

Primeiramente inovou os hábitos. Ao negar-se de vestir a “mozzeta” o pequeno manto branco, cheio de brocados que os papas carregam aos ombros, símbolo do absoluto poder dos imperadores romanos pagãos, diz o filme claramente : “acabou-se o carnaval”. Não aceita a cruz dourada, continua com sua cruz de ferro; rejeita o sapato vermelho (Prada) e continua com o seu velho sapato preto. Não se anuncia como Papa da Igreja, mas como bispo de Roma e somente a partir daí, Papa da Igreja universal. Animará a Igreja não com o direito canônico, mas com o amor e com a colegialidade (consultando a comunidade dos bispos). Em sua primeira fala pública diz “como gostaria uma Igreja pobre para os pobres”. Não mora no palácio papal, o que seria uma ofensa ao poverello de Assis, mas numa casa de hóspedes. Come na fila como os outros e comenta, com humor:”assim é mais difícil que me envenenem”.

Dispensa um carro especial e um corpo de proteção pessoal. Mistura-se no meio do povo, dá as mãos a quem as estende e beija as crianças. É pai e avô querido das multidões.

Seu modelo de Igreja é o de “um hospital de campanha” que atende a todos, sem perguntar de onde vem e qual é sua situação moral. É uma “Igreja em saída” para as periferias humanas e existenciais. Respeita os dogmas e doutrinas mas diz claramente que prefere colocar-se vivamente diante do Jesus histórico, opta pelo encontro direto com as pessoas e a pastoral da ternura. Insiste que Jesus veio para nos ensinar a viver o amor incondicional, a solidariedade e o perdão. Central para ele é a misericórdia infinita de Deus. Vai mais longe ao dizer :”Deus não conhece uma condenação eterna pois perderia para o mal. E Deus não pode perder. Sua misericórdia não conhece limites”. Por isso chama a todos, uma vez purificados de suas maldades, para a casa que o Pai e Mãe de bondade preparou para todos desde toda a eternidade. Morrer é sentir-se chamado por Deus e vai-se alegre para o Grande Encontro.

Eis outro tipo de pontificado, outro modelo de ser humano que reconhece que perdeu a paciência quando uma mulher o puxou e apertou longa e duramente sua mão. Irritado, bateu-lhe a mão por duas ou tres vezes. Mas no dia seguinte pediu publicamente perdão.

Dois Papas: diferentes e complementares.

O Papa Francisco abriu sua inteira humanidade, dando-se o direito à alegria de viver, de torcer pelo seu time de estimação o San Lorenzo, de apreciar a música dos beatles até conquistar o Papa Bento XVI a dançar um tango, impensável a um severo acadêmico alemão. Aqui aparece não o Papa mas o homem Bergoglio que desentranha humanidade recolhida do homem Ratzinger. Ambos são diferentes mas se integram na dança de um tango de pessoas anciãs.

O filme é uma bela metáfora da condição humana, de dois modos diferentes de realizar a humanidade, que não se opõem mas se compõem e se completam, uma com a ternura e a outra com o rigor. Vale ver o filme, pois nos faz pensar e nos oferece lições de mútua escuta, de verdades ditas sem rebuços e de uma amizade que vai crescendo na medida em que a relação se descontrai de encontro a encontro. O perdão que um dá ao outro e o abraço final, longo e carinhoso, engrandece o humano e o espiritual presentes em cada um de nós.

Boff resgata foto dele com papa Francisco e responde Ernesto Araújo

247 - Em um novo capítulo da discussão entre o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o teólogo Leonardo Boff no Twitter, o último resgatou uma foto dele com o Papa Francisco e mandou para o "arquivo" do chanceler na tarde desta terça-feira 2.

"Esta foto que o Papa me mandou desde Roma vai para o arquivo do ministro Ernesto Araújo. É de 1972 e todos trabalhávamos em favelas, muitos presos e mortos", postou Boff, identificando em seguida quem é ele e quem é Francisco na foto.

 

O escritor foi acusado pelo ministro na rede social de ter tentado "destruir a Igreja Católica", junto com "seus amigos", e ainda transformá-la em "linha auxiliar do PT". "Nunca o catolicismo foi tão rebaixado quanto o é pelo seu pensamento apóstata e mentiroso e nunca passou tanta vergonha quanto passa com a sua bajulação de um sistema esquerdista corrupto", atacou Araújo.

As ofensas foram disparadas pelo ministro depois de uma crítica de Boff ao governo Bolsonaro. "Nunca a inteligência foi rebaixada com seu pensamento velhista e falso e o Brasil jamais passou tanta vergonha com suas intervenções sem nenhuma base séria senão fruto de um preconceito anti-humano e anti-vida", disse o intelectual.

https://twitter.com/LeonardoBoff/status/1212792016637173761?ref_src=twsrc%5Etfw

Papa pede nova mentalidade na Igreja para acompanhar mudanças da sociedade

247 - O Papa Francisco pediu à Cúria Romana, o governo da Igreja, uma “profunda mudança de mentalidade” no contexto de um Ocidente em processo de descristianização. De acordo com o pontífice, “mudança de época obriga a uma mudança de mentalidade pastoral”.

“Não estamos mais no cristianismo, não estamos! Já não somos os únicos hoje a produzir cultura, nem os primeiros nem os mais ouvidos”, disse o ele em sua tradicional felicitação à Cúria.

 

“Já não estamos mais em um regime de cristianismo porque a fé, especialmente na Europa, mas também em grande parte do Ocidente, não constitui mais um orçamento para conviver juntos. Pior ainda, (a fé) é negada, burlada, marginalizada e ridicularizada”, acrescentou.

 

Na primeira missa do ano, Papa Francisco pede fim da violência contra as mulheres

247 - Na primeira missa celebrada em 2020, o papa Francisco mandou uma mensagem em defesa das mulheres e contra a violência sofrida por elas. Na homilia pronunciada na Basílica de São Pedro, o pontífice pediu o fim da exploração do corpo feminino e denunciou o uso e abuso das mulheres na sociedade moderna, principalmente por meio do "consumismo" e da "pornografia".

"As mulheres são uma fonte de vida. No entanto, são continuamente ofendidas, espancadas, violentadas, induzidas a se prostituir e a eliminar a vida que levam no útero", disse.

Enfatizando que "o renascimento da humanidade começou com as mulheres", o papa argentino afirmou que "toda a violência infligida às mulheres é uma profanação de Deus, nascido de uma mulher".

"Entendemos nosso nível de humanidade no modo como tratamos o corpo da mulher", acrescentou, lamentando que esse corpo "se sacrifique nos altares profanos da publicidade, do lucro, da pornografia, explorados como uma terra a ser usada".

"Ele deve ser libertado do consumismo, deve ser respeitado e honrado. Ele é a carne mais nobre do mundo, porque ele concebeu e deu à luz o amor que nos salvou", continuou o pontífice.

Segundo a tradição católica, Jesus Cristo foi concebido e nasceu, embora sua mãe, Maria, fosse virgem. Para o papa, a maternidade costuma ser "humilhada, porque o único crescimento que interessa é econômico".

Francisco, comprometido com a situação dos migrantes, lembrou que muitas mães "correm o risco de embarcar em viagens embaraçosas para tentar desesperadamente dar um futuro melhor ao fruto de suas entranhas". Essas mulheres e seus filhos são geralmente "considerados como números que excedem a cota por pessoas que têm o estômago cheio, mas com coisas e um coração vazio de amor", concluiu.

O papa também pediu desculpas nesta quarta-feira, antes da tradicional oração do Angelus, por ter "perdido a paciência" na noite anterior com uma fiel que apertou com força sua mão. "Muitas vezes perdemos a paciência. Isso acontece comigo também. Peço desculpas pelo mau exemplo dado ontem", disse.

* Com informações da AFP

As reflexões do Papa Francisco sobre o capitalismo

Livro Poder e Dinheiro passa a limpo o olhar do pontífice sobre a economia.

 

 

Nenhum pontífice, na milenar história da Igreja Católica, dedicou tanta atenção ao movimento sindical quanto o Papa Francisco. Em junho de 2017, num encontro com sindicalistas no Vaticano, Jorge Bergoglio declarou: “O trabalho é a forma mais comum de cooperação que a humanidade gerou”. Defendeu, ainda, uma Previdência Social justa: “As aposentadorias de ouro são uma ofensa ao trabalho, assim como as de baixa renda, porque fazem com que as desigualdades do tempo de trabalho se tornem perenes”.

Mas nada surpreendeu mais que sua enfática defesa do papel do sindicalismo para enfrentar as desigualdades. Segundo Francisco, os sindicatos devem lutar, sobretudo, na periferia das cidades, “nos lugares onde não há direitos”.

Diz o papa: “Não há uma boa sociedade sem um bom sindicato. E não há um bom sindicato que não renasça todos os dias nas periferias, que não transforme as pedras descartadas da economia em pedras angulares. Sindicato é uma bela palavra que provém do grego syn-dike, isto é, ‘justiça juntos’. Não há justiça se não se está com os excluídos.”

Ao contrário de João Paulo II e Bento 16 – seus antecessores de viés conservador e até reacionário, abertamente anticomunistas –, Francisco não esconde a simpatia por partidos e lideranças de esquerda. É na sua visão sobre a economia que ficam mais evidentes as críticas de Bergoglio ao capitalismo em geral e à globalização financeira em particular.

Essas opiniões são detalhadas no livro Poder e Dinheiro – A Justiça Social Segundo Bergoglio. Escrito pelo jornalista Michele Zanzucchi e lançado em 2018, a publicação tenta passar a limpo “o olhar do Papa sobre a economia”. No prefácio, o próprio Francisco diz que, com o livro, espera “conscientizar e responsabilizar, favorecendo processos de justiça e equidade”.

“Primeiro como um simples cristão, depois como religioso e sacerdote, e então como Papa, considero que as questões sociais e econômicas não podem ser estranhas à mensagem do Evangelho”, diz o pontífice. “Procuro colocar-me na escuta dos atores presentes no cenário mundial, dando voz, em particular, aos pobres, aos descartados, aos que sofrem.”

Em Poder e Dinheiro, emerge um líder religioso que combate “o paradoxo da economia globalizada”. É uma economia que “poderia alimentar, tratar e acomodar todas as pessoas que povoam nossa casa comum – mas que concentra nas mãos de bem poucas pessoas a mesma riqueza que é a prerrogativa de cerca de metade da população mundial”.

Conforme Bergoglio, a reação popular se espalha, cabendo à Igreja apoiar os “tantíssimos, tantos homens e mulheres de todas as idades e latitudes” que estão hoje “‘alistados’ em um desarmado ‘exército do bem’”. Nem por isso deve haver – segundo o papa – relações de submissão. “A Igreja não pode permanecer em silêncio diante da injustiça e do sofrimento. Tem de colaborar com os homens e mulheres que pacificamente dizem ‘não’ à injustiça”, diz Francisco.

 
Se estamos juntos, unidos em seu nome, o Senhor está no meio de nós segundo a sua promessa – portanto, está conosco também no meio do mundo, nas fábricas, nas empresas e nos bancos, como em casas, nas favelas e nos campos de refugiados. Nós podemos, devemos ter esperança”.
Papa Francisco
 
 

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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https://www.jornaltornado.pt/as-reflexoes-do-papa-francisco-sobre-o-capitalismo/

Como o Papa Francisco mudou o rumo da Igreja Católica em 2019

Sumo pontífice fechou o seu sexto ano no papado deixando clara a sua missão: transformar a maior religião do mundo.

 

 

por Yuri Ferreira, Hypeness

“Nós mudamos, a Igreja muda, a história muda, quando começamos a querer mudar – não os outros, mas a nós mesmos, fazendo da nossa vida um dom”, afirmou o Papa Francisco na última missa do ano de 2019, a tradicional Missa do Galo. O sumo pontífice fechou o seu sexto ano no papado deixando clara a sua missão: transformar a maior religião do mundo.

Papa Francisco representa, desde 2013, uma grande mudança nos caminhos do catolicismo. A Igreja vem, desde os anos 80, perdendo milhões de fiéis: seja para o neopetencostalismo, para o ateísmo ou para o Islão. O Vaticano tem uma crise institucional em frente, e Francisco foi a alternativa escolhida para salvar a religião.

Em 2013, Francisco substituiu Bento 16, após a estranha renúncia do antigo papa. Joseph Ratzinger representava a ala mais conservadora da Igreja: não era lá muito fã dos movimentos de libertação sexual e acreditava em um Vaticano de punhos cerrados. O endurecimento da instituição não surtiu o efeito: a evasão de fiéis para outras fés ainda se manteve durante seu papado e Bento renunciou, sendo o quarto papa da história a renunciar: o último foi Gregório 12, em 1415.

Francisco fazia parte de um outro pensamento teológico. Com raízes nas lutas de esquerda da América Latina durante as ditaduras que assolaram a região entre as décadas de 60 e 80, o papa tem um pensamento teológico mais aberto em comparação aos seus antecessores (incluindo aqui São João Paulo II). Francisco fez parte da Companhia de Jesus, mais conhecida como os Jesuítas, uma ordem da Igreja Católica mais preocupada com as desigualdades sociais do que com a parte de costumes.

As diferenças teológicas entre Joseph Ratzinger e Jorge Mario Bergoglio são muito bem tratadas no novo filme de Fernando Meirelles produzido pelo Netflix. Dois Papas trata das divergências teológicas e políticas dos dois pontífices no momento de transição entre os dois líderes do Vaticano. A obra, que foi muito bem recebida pela crítica, conta com Anthony Hopkins intepretando Bento e Jonathan Pryce na pele de Francisco. O obra de Fernando Meirelles está cotada para o Oscar de 2020.

Um dos motivos para a crise que levou Ratzinger a renúncia do Vaticano foram os escândalos de pedofilia e abuso sexual dentro do catolicismo. O tema voltou a aparecer durante o papado de Francisco, que cada vez mais tem tentado abrir a verdade nesse sentido. O papa já admitiu que o Vaticano submetia freiras à escravidão sexual e retirou o sigilo de casos de abuso sexual dentro.

Na Homilia da Missa do Galo deste ano, Francisco destacou que “Deus não ama você porque pensa certo e se comporta bem. Ele te ama, e isso basta!”, reiterando caráter misericordioso da Igreja. Esse tipo de fala é de bastante importância para comunidade LGBT. Em 2018, Bergoglio já havia feito história em uma fala sobre homossexualidade. “Juan Carlos, que você é gay não importa. Deus te fez assim e te ama assim, e eu não me importo. O papa te ama assim. Você precisa estar feliz com quem você é”, afirmou o papa a um fiel chileno.

Em maio deste ano, Francisco encontrou Raoni. Foi um marco para os direitos indígenas e um grande passo para uma importante mudança de rumo na Igreja em 2019: o Sínodo da Amazônia. Junto de diversos cardeais e bispos brasileiros, o Vaticano decidiu fazer alterações e concessões para os sacerdotes da Igreja que atuam na região amazônica, compreendendo que a função da Igreja no local é batalhar por sua preservação e pela preservação territorial da população indígena, valorizando as reservas contra o desmatamento.

Enquanto diversos setores do Catolicismo não acreditam no aquecimento global, Francisco reitera a importância da conservação da natureza, sendo aprovada no Sínodo a máxima de que “A conservação da terra é a conservação da vida”. Outro tema abordado na reunião foi o fim do celibato católico, podendo abrir a possibilidade de casamento aos sacerdotes da igreja.

Francisco intensificou suas mensagens políticas, acenando críticas aos governos de extrema-direita que se espalham pelo mundo. Em apelo à liberdade de imprensa, Francisco também se moveu em direção aos jornalistas e clamou pela profissão em maio deste ano: “A liberdade de imprensa e de expressão é um indicador importante do estado de saúde de um país. Não vamos esquecer que uma das primeiras coisas que ditaduras fazem é remover ou mascarar essa liberdade”.

Se a Igreja ainda possui posições retrógradas – como a proibição do aborto ou a renegação da homossexualidade –, Papa Francisco indica que ainda há esperanças para a maior religião do mundo se tornar mais fraterna e menos punitiva, com menos pecados e mais aceitação.


por Yuri Ferreira | Hypeness   | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 
 

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Papa Francisco pede: recolham os celulares nas refeições e conversem

 

Reuters -O papa Francisco fez um apelo inusitado no último sábado 28, durante oração na Praça São Pedro, no Vaticano. O pontífice pediu as pessoas conversem umas com as outras durante as refeições em vez de usarem os celulares, citando Jesus, Maria e José como um exemplo que as famílias devem seguir.

“Eles rezavam, trabalhavam e se comunicavam uns com os outros. Eu me pergunto se você, em família, sabe como se comunicar ou se você é como aquelas crianças nas mesas de refeição que ficam falando no celular… onde há silêncio como na missa, mas eles não se comunicam”, discursou o papa.

 

“Temos que voltar a nos comunicar em nossas famílias. Pais, crianças, avós, irmãos e irmãs, essa é uma tarefa para ser assumida hoje, no dia da Família Sagrada”, completou o papa argentino, um antigo crítico do aparelho. Em 2017, ele admitiu ficar triste ao ver fiéis utilizando celulares durante missas.

Na época, Francisco usou uma metáfora para questionar o uso excessivo da tecnologia. “O sacerdote diz ‘corações ao alto’, não ‘celulares ao alto para tirar foto!’ (…) A missa não é espetáculo, é ir ao encontro da paixão e ressurreição do Senhor. Lembrem-se: chega de celulares”.

Leonardo Boff aponta complô dos Estados Unidos contra o Papa Francisco

Por Leonardo Boff –É importante que os católicos, os cristãos e pessoas interessadas em assuntos religiosos saibam da enorme e até perversa campanha articulada por multibilionários estadounidenses, ultraconsrevadores, junto com pessoas de dentro do Vaticano, ocupando altos cargos, interessados em distorcer suas doutrinas, criticar suas práticas pastorais e diretamente difamar a pessoa do Papa Francisco.

E há uma razão manifesta para esta campanha (que supomos ter representantes também no Brasil) porque, pela primeira vez, um Papa se opõe diretamente ao sistema econômico que, no afã de acumular de forma ilimitada, explora nações, manipula mercados, cria milhões de pobres e agride gravemente os ecossistemas, pondo em risco o futuro da vida na Terra.

Sua encíclica Laudato Si: sobre o cuidado da Casa Comum (2015) dirigida a toda a humanidade, recebe grande rejeição destes grupos radicais de direita que se apresentam como piedosos. Frustrados por não conseguirem fazê-lo renunciar (são demasiadamente ingênuos e confiantes em seu poder financeiro), propõem-se a elaborar dossiers detalhados com o auxílio de agentes da FBI sobre os futuros cardeais, favorecendo o mais que podem aqueles que podem servir a seus interesses e atacando duramente aqueles que talvez prolongarão a agenda do Papa Francisco, submetendo-os a grandes constrangimentos com fake news, inverdade e calúnias.

Estes opositores figadais sabem da reconhecida liderança moral e também ético-política do Papa Francisco sobre a opinião pública mundial e sobre outros chefes de Estado que apreciam sua coragem, sua sinceridade, seu carisma e seu entranhável amor aos pobres e aos imigrados de África e do Oriente Médio, fugindo da fome e das guerras a caminho da Europa.

De seu círculo bem próximo viemos saber que o Papa se comporta de forma soberana, dorme como uma pedra das 9:30 da noite às 5:30 da manhã e vive o espírito das bem-aventuranças evangélicas da perseguição e difamação. Confiamos no Espírito que conduz a história. Também na Igreja de Deus e nas orações das pessoas de mente pura para que as maquinações maliciosas destes grupos poderosos sejam totalmente frustradas. Elas não vem de Deus mas de um espírito impuro e mau. (Leonardo Boff)

O complô dos USA para derrubar o Papa Francisco

 

Jornalista francês denuncia o círculo de interessados em uma conspiração no Vaticano, composto pelo setor de mega milionários ultraconservadores, que usa sua influência e poder econômico para assediar o sumo pontífice

Por Eduardo Febbro

(Publicado na Carta Maior de 17/09/2019 18:45)

 

“Para mim, é uma honra que os norte-americanos me ataquem”, disse o Papa Francisco quando o jornalista francês Nicolas Senèze, correspondente do diário católico La Croix em Roma, mostrou a ele o livro-reportagem sobre o complô estadunidense contra o seu papado, durante a viagem de avião que os levou a Moçambique. O título da obra é “Como a América atua para substituir o Papa” (o título original é “Comment l’Amérique veut changer de Pape”).

Os detalhes desse complô e os nomes dos protagonistas e dos grupos envolvidos estão claramente expostos nas páginas do livro, que descrevem, desde o seu início, a mecânica da hostilidade contra o papado atual. O operativo tem até o nome de “Relatório Chapéu Vermelho” (“The Red Hat Report”). Um círculo preciso que move dinheiro e influência e é organizado pelos setores ultraconservadores e de mega milionários dos Estados Unidos. As peças deste jogo de calúnias e poder se encaixam em um complexo quebra-cabeças, que os adversários do pontífice vêm armando nos últimos anos. O golpe começou a ser fomentado em Washington, no ano de 2018. O grupo de ultraconservadores se reuniu na capital norte-americana para fixar duas metas: atingir a figura de Francisco da forma mais destrutiva possível e adiantar sua sucessão, para escolher, entre os atuais cardeais, o mais adequado aos interesses conservadores.

O “Relatório Chapéu Vermelho” foi organizado por um grupo de ex-policiais, ex-membros do FBI (Departamento Federal de Investigações dos Estados Unidos), advogados, operadores políticos, jornalistas e acadêmicos que trabalharam no estudo da vida e das ideias de cada um dos cardeais, com o fim de destruir as carreiras dos que não interessam, ou beneficiar as daqueles que pretendem impor como substituto de Francisco, quando chegue o momento oportuno. E enquanto esse momento não chega, o grupo busca preparar o terreno para o que Senèze chama de “um golpe de Estado contra o Papa Francisco”.

Em uma manhã de 2017, Roma amanheceu coberta com cartazes contra o Papa. Foi o primeiro ato da ofensiva: o segundo, e certamente o mais espetacular, aconteceu em agosto de 2018, quando, pela primeira vez na história do Vaticano, um cardeal tornou pública uma carta exigindo a renúncia de Francisco. O autor foi o monsenhor Carlo Maria Vigamo, ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos. O correspondente do La Croix no Vaticano detalha a odisseia maligna deste grupo de poder em sua missão por tirar do caminho um Papa cujas posições contra o neoliberalismo, contra a pena de morte, a favor dos imigrantes e sua inédita defesa do meio ambiente através da encíclica Laudato Sí promove uma corrente contrária à desses empresários. Os conspiradores não têm nada de santos: são adeptos da teologia da prosperidade, possuem empresas ligadas mercado financeiro e de seguros, e estão envolvidos até com a exploração da Amazônia. Francisco é uma pedra em seus sapatos, uma cruz sobre suas ambições.

Segundo Senèze, organizações de caridade como “Os Cavaleiros de Colombo” (que possuem cerca de 100 bilhões de dólares, graças às companhias de seguros que administram), o banqueiro Frank Hanna, a rede de meios de comunicação Eternal World Television Network (EWTN), cujo promotor (o advogado Timothy Busch) também é criador do Instituto Napa, que tem a missão de difundir “uma visão conservadora e favorável à liberdade econômica”, estão entre os membros mais ativos do complô. Mas também há outros, como George Weigel e seu famoso think tank, o Centro de Ética e Política Pública. No diálogo com o jornal argentino Página/12, Senèze fala sobre a trama que, apesar do poder de suas, ainda não foi capaz de derrubar o Papa.

Pergunta: Parece uma história de novela, mas é uma história real. O Papa Francisco foi e é objeto de uma das campanhas mais densas já vistas contra um sumo pontífice.

Nicolas Senèze: O Papa Francisco não serve aos interesses desse grupo de empresários ultraconservadores, e por isso decidiram atacá-lo. Atuam como se fosse o conselho de administração de uma empresa, quando se despede o diretor porque ele não alcançou os objetivos desejados. Essa gente conta com enormes recursos financeiros, e mesmo assim, durante o mandato de Francisco, não conseguiram influenciar sua linha de pensamento. Por isso, começaram a se aproximar de pessoas de dentro da Igreja que também estão contra Francisco. Algumas delas, como o monsenhor Vigamo, chegaram a exigir publicamente sua renúncia. Creio que esse grupo de ultraconservadores superestimaram suas forças. O monsenhor Carlo Maria Vigamo, por exemplo, não calculou a lealdade das pessoas dentro do Vaticano, que não estavam dispostas a trair o Papa, mesmo as que são críticas de Francisco.

Pergunta: A operação que organiza o “Relatório Chapéu Vermelho” tinha dois objetivos, um para agora e outro para o futuro.

Senèze: Efetivamente. Como não puderam derrubar o Papa, tentam agora uma nova estratégia. Francisco tem 84 anos, e podemos pensar que estamos cerca do fim do seu pontificado. O que estão fazendo é preparar o próximo conclave. Para isso, estão investindo muito dinheiro, contratado ex-membros do FBI para preparar dossiê sobre os cardeais que participarão da eleição. O primeiro objetivo é destruir aqueles que têm a intenção de continuar as reformas aplicadas pelo Papa Francisco. Depois, buscar um substituto adequado aos seus interesses. O problema desta meta é que, ao menos até agora, não eles não contam com nenhum candidato verosímil. Não será fácil para eles. Entretanto, podem ir bem no trabalho de arranhar a credibilidade dos candidatos reformistas, e dessa forma, podem levar à eleição de um reformista fraco e manipulável, que ceda a pressão em favor de desmontar as reformas de Francisco. Para isso, contam com muito poder econômico e influência. Creio profundamente que a maioria dos católicos norte-americanos respaldam o Papa Francisco. Mas nos Estados Unidos, a quantidade não basta. O que fala mais alto é o fator dinheiro.

Pergunta: Esses grupos já existiam antes, mas nunca atuaram com tanta força.

Senèze: São empresários com enormes meios à sua disposição. Cada um deles foi criando seu grupo de reflexão dentro da Igreja, sua escola de teologia, sua universidade católica, sua equipe de advogados para defender a liberdade religiosa. É uma nebulosa operação, que funciona mediante uma rede de instituições privadas, e que chegou para dominar o catolicismo norte-americano. São, por exemplo, aqueles que doaram muito dinheiro para ajudar as dioceses estadunidenses que tiveram que pagar enormes indenizações após a revelação dos casos de abuso sexual. Por isso, podem impor uma direção ideológica a essas dioceses. Por exemplo, Tim Busch está presente em todas as etapas dessa montagem. Para proteger poderosos interesses econômicos na Amazônia, esses grupos usam toda a sua força para desviar a atenção e evitar, assim, a promoção de ideias em defesa da ecologia. Trabalham sempre para distrair a atenção dos debates fundamentais. Por exemplo, nos sínodos, buscam impor seus pontos de vista, ou seja, seus interesses.

Pergunta: E como um grupo tão poderoso pode deixar que Francisco fosse eleito Papa?

Senèze: Não perceberam que isso ocorreria, porque a eleição de Francisco foi resultado de uma dinâmica que envolveu outras necessidades: este Papa foi eleito devido à crise no seio da instituição, graças à vontade dos bispos do mundo inteiro de recuperar a após anos de problemas gerados por erros do passado, que levaram, por exemplo, à omissão diante dos casos de abuso sexual. Bergoglio se impôs porque era o mais disposto a reformar essa Igreja. Mas sua ideologia choca com a visão que os católicos ultraconservadores dos Estados Unidos têm sobre qual é o papel da Igreja. Além disso, outro ingrediente próprio do catolicismo estadunidense é o desprezo dos católicos brancos pelos latinos. O setor conhecido pela sigla WASC (“white anglo saxon catholics”, ou “católicos brancos anglo-saxões”) odeia os latinos, os considera pobres fracassados. Os WASC são muito influenciados pela teologia da prosperidade difundida pelos evangélicos.

Pergunta: Donald Trump atua nesse jogo?

Senèze: Não creio que Trump tenha muitas convicções próprias. Ele certamente os escuta, mas quem tem mais proximidade com esse setor é o vice-presidente Mike Pence. As diferenças entre Washington e o Vaticano são muitas: o tema da pena de morte, a postura de Francisco contrária a um liberalismo fora de controle, entre outras. O Papa, é hoje um dos principais opositores aos fundamentos do poder econômico dos Estados Unidos.

*Publicado originalmente no Página/12 | Tradução de Victor Farinelli veja também em Carta Maior de 17/9/2019

Minha visão sobre Dois Papas

 

Por Paulo Moreira Leite, para oJornalistas pela Democracia - Sejam críticos com larga experiência no ramo, ou jornalistas com uma passagem de alguns anos na cobertura de cinema, como ocorreu ao longo de minha vida profissional, o ambiente geral em torno de Dois Papas é de aplauso contínuo e mesmo êxtase.

Cheguei ao final de "Dois Papas" convencido de que o filme de Fernando Meirelles -- uma obra tecnicamente impecável, atores excelentes, um roteiro claro, bela trilha sonora -- não consegue apresentar um relato convincente sobre o convívio de Francisco e Bento XVI, os dois Papas que se encontram a frente da Igreja Católica de 2005 até nossos dias.

Não sou o único, porém. No texto intitulado "Filme de Meirelles sobre papas peca pela ausência dos irmãos Boff" o colunista Plínio Fraga, do UOL, lamenta a ausência de um episódio fundamental do mundo católico em tempos recentes, que foi a perseguição e posterior censura imposta aos irmãos Clodóvis e Leonardo Boff, dois dos mais importantes teólogos de nossa época.

Personagens de relevância mundial na tentativa de questionar a acomodação da cúpula da Igreja Católica com a ordem vigente no planeta, em 1984 os dois irmão foram alvo do Cardeal Ratzinger, futuro Bento XVI, então titular da Congregação da Doutrina da Fé, versão moderna da Inquisição que deixou uma herança de intolerância e violência na cultura ocidental.

Plínio Fraga lembra que "Ratzinger sufocou no mundo todo a pregação da teologia da Libertação, acusando-a de ser mais fiel a Marx do que a Cristo. Além dos irmãos Boff, puniu o teólogo que os inspirou, o peruano Gustavo Gutiérrez".

Obviamente o ataque aos irmãos Boff não foi uma disputa espiritual. Numa época em que o Vaticano se alinhava com a política externa de Ronald Reagan a diplomacia de João Paulo II na América Latina consistia em enfraquecer lideranças como dom Helder Câmara (1909-1999) e dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), empenhados em denunciar o regime militar no Brasil e em outros países do Continente.

 

O resultado dessa investida de fora para dentro é que a teologia da Libertação foi estigmatizada e seu potencial de influenciar mudanças acabou reduzido, num processo que ajudou a consolidar o caráter conservador da transição política que se seguiu ao fim do ciclo militar.

Embora tenha desempenhado um papel essencial na resistência, seja através de gestos e iniciativas memoráveis de mobilização política, seja pela publicação do sempre indispensável "Brasil: Nunca Mais," que serviria de exemplo para vários países da região, dom Paulo teve seu espaço de atuação deliberadamente reduzido a partir de então. Por ordem do Vaticano, até a área geográfica de sua arquidiocese foi dividida em quatro.

"Dois Papas" realiza uma importante reconstituição do papel desempenhado pelo jovem padre Jorge Mario Bergoglio durante a ditadura militar argentina. O filme retira do esquecimento uma denúncia que o combativo jornalista Horácio Verbitsky divulgou em 2013, no momento em que a sucessão de Bento XVI foi decidida.

 

Empregando imagens em branco-e-preto -- recurso que dá um tom artificial de reportagem a uma dramatização -- "Dois Papas" mostra o futuro papa Francisco numa postura fraca e vacilante, capaz de trair religiosos e militantes católicos empenhados na resistência a uma das mais cruéis ditaduras da América do Sul.

Numa das cenas, Bergoglio chega a ser exibido como interlocutor de um personagem não identificado mas que possui traços fisionômicos que lembram o Almirante Emílio Massera, um dos manda-chuvas da Junta Militar que aterrorizava os argentinos através do massacre e da tortura.

Numa das cenas importantes do filme, Bento XVI (Anthony Hopkins) questiona o comportamento de Bergoglio (Jonathan Pryce). Deixando claro que está a par de episódios obscuros que marcaram a biografia do interlocutor, Bento XVI insinua que este costuma fazer "concessões" ao longo da vida. Bergoglio corrige: "Não. Eu mudei", frase consistente com o comportamento que iria assumir nas últimas décadas.

Implacável no perfil de Bergoglio/Francisco, "Dois Papas" jamais apresenta cenas explícitas no retrato de Ratzinger/Bento XVI. Sua passagem pela Juventude Nazista, na Segunda Guerra Mundial, sequer é mencionada. Tampouco se recorda que, durante seu papado, ganhou força uma campanha pela canonização de Pio XII, até hoje criticado pelo silêncio diante da perseguição de judeus por Adolf Hitler.

Num período em que a medicina comprovou-se incapaz de oferecer remédios científicos contra a AIDS, Bento XVI fez uma campanha deletéria contra o uso de preservativos. Quando as mulheres conquistavam o direito sobre seu próprio corpo, Bento XVI ressuscitou velhas campanhas contra a legalização do aborto, que tiveram eco em vários países, inclusive no Brasil.

Herdeiro da mais grave crise moral da história do catolicismo -- as revelações monstruosas sobre pedofilia -- Bento XVI manteve um silencioso obsequioso a respeito. Mas o filme está longe de dedicar a este comportamento mesma atenção crítica, detalhada, que dispensa às pesarosas andanças de Bergoglio pelo porão militar argentino.

Bento XVI ficou de boca fechada quando o Boston Globe ganhou o Pulitzer e todos os prêmios importantes do jornalismo mundial ao publicar uma série histórica sobre o assunto, no final do papado de João Paulo II. Este silêncio chocante só foi rompido num documento de 18 páginas que veio a público há poucos meses, no qual ele responsabiliza a luta da juventude de maio de 1968 pela submissão sexual de crianças e adolescentes por parte de padres e bispos que em última análise deviam obediência ao Sumo Pontíficie.

No tom de quem procura apagar qualquer vestígio de responsabilidade, sua ou da instituição, o Papa Emérito escreve: "Pode-se dizer que nos 20 anos entre 1960 e 1980 os padrões até então veiculados em relação à sexualidade entraram completamente em colapso e surgiu uma nova normalidade, que até agora tem sido objeto de várias tentativas laboriosas de disrupção" (El País, 11/04/2019).

Numa reportagem sobre o documento, El País observa que o Papa emérito vai longe na "demonização" desse período e afirma que "parte da fisionomia da Revolução de 68 foi que a pedofilia também foi diagnosticada como permitida e apropriada”.

Num planeta que hoje enfrenta um processo definido como "crise civilizatória" por vários estudiosos, marcado por um recuo da democracia e retrocesso social em várias latitudes, todo esforço de aproximação entre povos, países, religiões e correntes políticas deve ser aplaudido e estimulado.

Não há dúvida de que essa é a intenção de "Dois Papas,"o que explica uma acolhida tão favorável.

Não há uma razão para se questionar o talento de Fernando Meirelles como cineasta, cuja competência o mundo inteiro aprendeu a admirar desde o sucesso de Cidade de Deus.

Em "Dois Papas", no entanto, a distancia entre o que se vê na tela e aquilo que se passou na vida real, representa uma dificuldade intransponível para o sucesso de sua missão.

Alguma dúvida?

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/minha-visao-sobre-dois-papas

Os bispos portugueses e a democracia

(Carlos Esperança, 26/12/2019)

É injusto comparar o cardeal Tolentino de Mendonça, agora em vias de reabilitação pelo Governo Regional da Madeira, depois do sólido ódio que Alberto João Jardim lhe devotou, pela sua postura cívica e progressista, com o cardeal de Lisboa.O bispo de Viseu que resignou voluntariamente em 2018, Ilídio Pinto Leandro, clérigo humanista e tolerante, era diferente do atual bispo do Porto, reacionário e provocador.

A Igreja católica não é monolítica e, neste momento, o Vaticano é uma referência para a paz e concórdia, quando os nacionalismos e as religiões se dão as mãos numa sangrenta aliança, islamismo, judaísmo, catolicismo, hinduísmo, protestantismo evangélico e, até, o budismo, que, não sendo um teísmo, acaba por ser referência espiritual.

Comparar o Papa Francisco com João Paulo II, amigo de todos os ditadores de direita, é erro clamoroso e uma injustiça que o atual pontífice não merece. Francisco não faz mais credível a crença, mas torna-a mais respeitável e respeitada.

Há nos bispos das duas maiores cidades portuguesas uma aparente nostalgia da ditadura e a gana belicista contra a democracia, que se revelam em mensagens e entrevistas com que se dirigem ao país.

Na guerra dos colégios privados coube a liderança ao cardeal Clemente que investiu de colete amarelo contra o Governo legítimo, que apenas lhe moderou a gula com que quis ir ao pote do Orçamento de Estado, para benefício dos seus estabelecimentos de ensino, esquecido do escândalo que representam as isenções fiscais e privilégios obscenos que a Concordata e a falta de coragem de sucessivos governos consentem à sua Igreja.

Em 24 de dezembro, nas quatro páginas que o Público lhe concedeu para uma entrevista (pg. 2/5), foi o bispo do Porto que disparou contra a democracia, parecendo um Cruzado, não um sucessor do honrado bispo Ferreira Gomes, que a ditadura exilou.

Manuel Linda, bispo criado por Bento 16, considerou o fim dos contratos de associação com os colégios da Igreja “das coisas mais dramáticas que aconteceram desde 1834”, num indisfarçável ódio ao liberalismo, ao comparar a contenção na úbere teta do Estado com a extinção das ordens religiosas em Portugal, implícita na data. É preciso topete!

“O Estado [ler ‘atual Governo’] não é pessoa fiável”, como se o fosse o ex-comandante dos católicos fardados com estrelas de general. Queixa-se de que a Igreja “pode receber [dinheiro] para fazer obras de remodelação em alguns monumentos, porque o Estado se apropriou deles, quer na altura do liberalismo, dos bens que eram das ordens religiosas, das igrejas concretamente, quer depois, em 1910. A Sé do Porto, teoricamente falando, é do Estado”. Na prática, é do bispo.

Não agradece o uso gratuito e a conservação, queixa-se de a Igreja estar a ser afastada, ao não lhe darem o indevido dinheiro do Estado, e acrescenta: “A nossa [da Igreja] carta fundacional, a nossa Constituição da República chama-se Evangelho”, como se o livro lhe outorgasse o direito aos dinheiros públicos e a lei, num país laico, o isentasse.

O posicionamento reacionário em relação à doutrina católica, é assunto que aos crentes diz respeito, mas os ataques à democracia e a volúpia pelos dinheiros públicos são um caso de vigilância perante um bispo em rota de colisão com a democracia.

Não há paciência para aturar primatas paramentados, mais próximos da Hungria e da Polónia do que do Vaticano.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Os discípulos de frei Tomás

Três partidos conseguiram apenas um deputado nas eleições de outubro e todos eles têm dado provas da completa injustificabilidade de ganharem assento na Assembleia da República. Joacine estoirou em poucas semanas a complacência, que pudesse haver para com a sua gaguez ao contrariar a lógica de qualquer partido de esquerda em condenar os crimes perpetrados pelos israelitas contra os palestinianos. O Ventura do Chega não consegue explicar porque escreveu uma tese universitária em completa contradição com o discurso xenófobo e racista, que lhe temos conhecido desde que, sem qualquer razão para isso, saiu do merecido anonimato. E o Cotrim da Iniciativa Liberal prima igualmente pela contradição de diabolizar qualquer apoio do Estado aos bancos em dificuldades, quando dele beneficiou ao assumir a direção do falido BPP, só aceitando o cargo quando dele teve efetivas garantias.

 

Principalmente no caso dos dois últimos verifica-se a regra de querer que olhemos para o que dizem e não para o que, anteriormente, fizeram. Razão para que lhes denunciemos a duplicidade esperando que quem se deixa vigarizar pelas suas palavras ganhe alguma lucidez.

 

Por estes dias tem sido, igualmente, curiosa a descabida presença de responsáveis católicos na nossa imprensa. O cardeal de Lisboa continua a ter tempo de antena em horário nobre na RTP como se a Igreja Católica mereça mais privilégios do que outras religiões e ponha em causa o imperativo de laicidade da comunicação social do Estado. Mas a intervenção mais elucidativa de uma certa forma de pensar dos bispos portugueses esteve bem explicitada na entrevista dada ao «Público» pelo titular da diocese do Porto, um tal Manuel Linda, que lamentou o fecho de 17 colégios após as medidas de racionalização dos contratos de associação com estabelecimentos do ensino privado e pretendeu lançar o alarme social sobre o fim do apoio aos «velhinhos» por parte de centros paroquiais, que «só» recebem do Estado 30% do que supostamente gastam com essa «ação social».

 

O que se conclui de tal entrevista é a intenção da Igreja Católica prosseguir nas ações caritativas, que justificam a falsa ideia de praticar o bem, mas afinal pagas pelo dinheiro de todos nós.

 

Que os crentes sejam convidados a participar nessa estratégia de afirmação da sua instituição na comunidade não há nada a objetar. O problema é quererem que sejam todos os contribuintes, mesmo os ateus e agnósticos, a colaborar com dinheiro no que, há séculos, integra a sua estratégia proselitista. Porque os apoios aos mais desfavorecidos devem partir do Estado através das instituições públicas tuteladas pela Segurança Social. Só assim se verifica uma verdadeira separação entre o Estado e a Religião tal qual se consagra na nossa Constituição.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/12/os-discipulos-de-frei-tomas.html

Papa pede esperança para continente americano e Venezuela

Papa Francisco no Vaticano.
© Sputnik / Vladimir Astapkovich

Em sua mensagem de Natal, o Papa Francisco pediu por mais esperança na América Latina e mencionou Venezuela.

O Papa Francisco pediu nesta quarta-feira esperança "para todo o continente americano, onde várias nações passam por período de agitação social e política".

O pontífice aproveitou para manifestar incentivo ao "povo venezuelano, há muito afetado por tensões".

Em mensagem de Natal, apresentada da varanda da Basílica de São Pedro, o Papa falou dos conflitos no mundo e lembrou as "trevas" nos corações humanos, nos relacionamentos pessoais e familiares, e nos conflitos econômicos, geopolíticos e ecológicos, informou a Agência Brasil.

O líder católico abençoou "os esforços de todos aqueles que ajudam a favorecer a justiça e a reconciliação e se empenham em superar as várias crises e as inúmeras formas de pobreza que ofendem a dignidade de cada pessoa".

O Papa também citou a guerra na Síria, a situação no Líbano e no Iraque e recordou "as numerosas crianças atingidas pela guerra e pelos conflitos no Oriente Médio e em diversos países do mundo".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019122514935614-papa-pede-esperanca-para-continente-americano-e-venezuela/

Fundador dos Legionários de Cristo abusou sexualmente de 60 rapazes (incluindo os seus próprios filhos)

O abuso sexual de menores foi uma prática comum entre os religiosos da cúpula da congregação católica dos Legionários de Cristo Pelo menos 60 menores foram abusados pelo fundador Marcial Maciel, segundo um relatório do grupo.

 

Entre 1941 e 2019, foram vítimas de abuso 175 menores, às mãos de 33 padres. Pelo menos 60, cerca de um terço, foram vítimas do próprio padre Maciel. A maioria eram rapazes entre os 11 e os 16 anos. Embora o relatório note que os 33 padres são apenas 2,4% dos 1353 padres ordenados pelos Legionários, salienta que 43% dos que cometeram abusos estavam em posições de autoridade, dificultando a denúncia ou a punição.

O relatório, elaborado pela própria congregação, é importante porque, segundo o jornal Público, durante décadas, até 2006, incluindo todo o pontificado do Papa João Paulo II, o Vaticano negou acusações de seminaristas que diziam ter sofrido abusos sexuais do padre Maciel, alguns desde crianças.

Dos 33 padres, seis já morreram, oito já não são padres e outro abandonou a congregação. Dos 18 que permanecem, todos estão afastados da prática pastoral com menores, quatro têm restrições na sua atividade e estão submetidos a um plano de segurança. 14 já não exercem práticas religiosas em público. Setenta e e quatro seminaristas também abusaram de menores e 81% não foram ordenados.

​Maciel, que morreu em 2008, abusou até de filhos que teve secretamente com pelo menos duas mulheres. Estes filhos só foram descobertos depois da morte de Maciel. O padre visitava-os regularmente e enviava-lhes dinheiro. O padre também usava drogas.

O Vaticano reconheceu pela primeira vez os crimes de Maciel em 2006, quando o Papa Bento XVI ordenou que se retirasse para uma vida de “oração e penitência”. Porém, Bento XVI resistiu aos pedidos daqueles que consideravam que a ordem devia ser dissolvida por estar completamente corrompida.

O cardeal Angelo Sodano, de 92 anos, que foi secretário de Estado do Vaticano e figura chave do pontificado de João Paulo II, foi um dos maiores protetores dos Legionários no Vaticano.

O Papa Francisco aceitou a sua saída do cargo de decano do Colégio Cardinalício no sábado e simultaneamente mudou a lei da igreja para limitar a posição a um mandato de cinco anos, em vez de vitalício.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/fundador-dos-legionarios-cristo-abusou-sexualmente-60-rapazes-298857

Papa Francisco deve renunciar em 2020, diz ex-funcionário da Igreja

 

 

 

Jornalista Austen Ivereigh, ex-diretor de relações públicas do arcebispo de Westminster, o cardial Murphy-O'Connor, prevê a renúncia do papa para 2020 em "cumprimento de sua promessa".

"Ele [papa Francisco] deixou claro desde o início que considerava a ação do papa Bento XVI como um ato profético de grande modéstia e que ele não teria problema nenhum em fazer o mesmo", declarou Austen Ivereigh ainda em 2013.

Assim sendo, Ivereigh acredita que a renúncia do papa se dará no ano que vem.

"Eu não acho que tenha havido qualquer dúvida de que ele vai renunciar em 2020", declarou o ex-funcionário da Igreja.

Conforme publicou o portal Express, caso a renúncia se dê em 2020, a saída do papa Francisco poderia ser o "cumprimento de uma profecia" feita 880 anos atrás pelo arcebispo São Malaquias.

Na ocasião, o religioso fez uma viagem da Irlanda a Roma em 1139 para prestar contas de seus serviços, quando ele disse ter tido uma visão que incluía os nomes dos futuros 112 líderes da Igreja Católica.

 

Em referência ao 112º papa, São Malaquias teria feito alusão ao fim do mundo.

"Na última perseguição da Santa Igreja Romana reinará Pedro, o Romano, que irá alimentar seu rebanho em meio de muitas tribulações, depois do que a cidade sobre as sete colinas será destruída e o terrível Juiz julgará as pessoas. O Fim", teria dito o religioso em sua profecia.

Conforme ressalta a mídia, o pai do papa Francisco se chamava Pedro e era italiano.

 

Ainda de acordo com Austen Ivereigh, ex-diretor de relações públicas do arcebispo de Westminster, o cardial Murphy-O'Connor, o papa não se preocupa com a duração de seu papado.

Idade avançada

O ex-funcionário da Igreja ressaltou a idade do papa Francisco, ao passo que acredita que o religioso renunciará em 2020.

"Na idade de 79 anos, estamos falando que ele irá sair em seus oitenta, no ano de 2020. Francamente, não há muitos homens capazes fisicamente, sem falar mentalmente, de liderar uma instituição massiva com todas as demandas que o papado traz", afirmou Ivereigh.

Profecia ou armação?

Por outro lado, a dita profecia de São Malaquias tem sido alvo de polêmica. A previsão do religioso veio à tona somente em 1595 por obra do monge beneditino Arnold de Wyon.

De acordo com a mídia, a dita profecia mostrou exatidão em relação aos papas até 1590. Contudo, em relação aos papas posteriores existe uma falta de precisão, o que indica que pode ter sido uma falsificação.

Papa Francisco elimina 'sigilo pontifício' para casos de pedofilia e abuso sexual

Papa Francisco durante uma oração com o Pallium, na Basílica de São Pedro en 29 de junho de 2016
© AP Photo / Gregorio Borgia

O papa Francisco anunciou nesta terça-feira mudanças radicais na maneira como a Igreja Católica Romana lida com casos de abuso sexual de menores, abolindo a regra do "sigilo pontifício" que anteriormente os cobria.

Dois documentos emitidos pelo pontífice englobam práticas em vigor em alguns países, particularmente nos Estados Unidos, sobre como denunciar suspeitas de abuso sexual a autoridades civis, quando exigido por lei.

Os documentos, que colocam as práticas em direito universal da Igreja, também proíbem a imposição de uma obrigação de silêncio àqueles que denunciam abuso sexual ou alegam que foram vítimas.

"Esta é uma decisão histórica", afirmou à rádio Vaticano o arcebispo Charles Scicluna, de Malta, tido como o investigador de abuso sexual mais experiente do Vaticano.

O levantamento do "sigilo pontifício" nas investigações de abuso sexual foi uma exigência importante dos líderes da Igreja, incluindo Scicluna e o cardeal alemão Reinhard Marx, em uma cúpula sobre abuso sexual realizada no Vaticano em fevereiro.

Eles argumentaram que o sigilo em casos de abuso sexual de menores estava desatualizado e alguns funcionários da Igreja estavam escondidos atrás dele, em vez de cooperar com as autoridades.

Scicluna disse que as novas disposições abrem caminhos para se comunicar com as vítimas e cooperar com o Estado.

"Certas jurisdições teriam citado facilmente o segredo pontifício [...] para dizer que não podiam, e que não estavam, autorizadas a compartilhar informações com as autoridades estaduais ou com as vítimas", afirmou Scicluna.

Algumas crianças quebraram o protocolo e correram para abraçar o líder da Igreja Católica.
© REUTERS / Stefano Rellandini
Algumas crianças quebraram o protocolo e correram para abraçar o líder da Igreja Católica.
"Agora, esse impedimento, podemos chamá-lo dessa forma, foi suspenso, e o segredo pontifício não é mais uma desculpa", acrescentou.

Um dos documentos também aumenta para 18 ou menos a partir de 14 anos ou menos do que isso quando fotos de indivíduos podem ser consideradas pornografia infantil "para fins de gratificação sexual, por qualquer meio ou usando qualquer tecnologia".

No ano passado, um tribunal do Vaticano condenou um padre católico a cinco anos de prisão por possuir pornografia infantil enquanto ele estava baseado nos Estados Unidos como diplomata.

Nesta terça-feira, o papa aceitou a renúncia do arcebispo Luigi Ventura, embaixador da Santa Sé na França, acusado de abuso sexual.

A Igreja Católica foi atingida por um escândalo envolvendo abuso sexual de crianças por padres em todo o mundo nos últimos 20 anos. Francisco prometeu tolerância zero para os infratores, mas as vítimas de abuso querem que ele faça mais e responsabilize os bispos que supostamente encobriram o abuso.

Ambos os documentos publicados nesta terça-feira são conhecidos como rescriptum, onde o papa usa sua autoridade para reescrever artigos específicos da lei canônica ou partes de documentos papais anteriores.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2019121714903342-papa-francisco-elimina-sigilo-pontificio-para-casos-de-pedofilia-e-abuso-sexual/

Fátima

Fátima surge no meio do grande conflito entre a I República e a Santa Madre Igreja, que nunca deixa nada ao acaso e sempre soube, desavergonhada e odiosamente explorar os sentimentos da ignorância e do medo.

 

 

Só possível aqui. Num contexto de um povo assustadoramente analfabeto, miserável e ignorante. Fátima surge no meio do grande conflito entre a I República e a Santa Madre Igreja, que nunca deixa nada ao acaso e sempre soube, desavergonhada e odiosamente explorar os sentimentos da ignorância e do medo. É essa mesma Igreja, essa imensa empresa dos homens e das almas, inventando e fabricando o maior dos Embustes – Fátima – que soube conduzir maliciosamente à maior e à mais sinistra e maquiavélica mentira de todos os tempos.

O “fenómeno” (Fátima) jamais seria possível ter lugar numa Holanda ou numa Suécia. Por razões tão óbvias que me dispenso de as enumerar.

Com a invenção, fortemente influenciada pelas estórias que ouvia naquele tempo e repetidas em casa pela sua mãe, como a Missão Abreviada (muito semelhantes ao que ela depois repetia ter “visto” e “ouvido” a “nossa senhora”) Lúcia, uma pobre coitada, um tanto retardada mental, desgraçou assim a sua vida, sendo obrigada a meter-se num convento de clausura (…). Os outros pastores, Jacinta e Francisco, que nunca afirmaram ter “visto” ou “ouvido” coisa alguma, morrem prematuramente de pneumónica (a chamada gripe espanhola), muito comum à época.

Às “aparições de Lourdes” (outra invenção), não quis a igreja portuguesa aqui ficar atrás (…). De tal modo que levaram e abusaram levando a mentira a níveis e consequências nunca vistas até aos dias de hoje. As proporções a que chegou – e ao negócio – é de lamentar profundamente.

Os “segredos” que acompanharam toda a mentira durante muitos anos, não passaram também disso mesmo, de mais mentiras, como se pôde verificar.

“As Memórias da Irmã Lúcia” 3 versões no total, todas elas cheias de contradições entre si, são todas elas um autêntico tratado e atentado à mais baixa das inteligências humanas. Escritas ao sabor dos acontecimentos e pelo clero, claro está.

Já aquando dos cem anos das “aparições”, em 2017, já vários padres, muito timidamente, vieram a público dizer que “não podemos entender Fátima como se nossa senhora tivesse ali aparecido”; e da forma como a igreja sempre dá a volta quando se vê questionada, daqui a algum tempo que ninguém se admire que venham dizer que “Fátima e o seu fenómeno, nada mais foi do que um fenómeno/acontecimento subjetivo (…)”

E as contas do chamado terço contadas como mantras, são usadas há muitos milhares de anos no Budismo, no Islamismo, no Siquismo e no Hinduísmo. A igreja católica apenas as imitou. Como imitou a construção de uma senhora mãe que outras religiões possuíam.

Deixo a recomendação de leituras sobre a invenção Fátima. Para que se comece a pensar com inteligência e sentido crítico. Porque só o conhecimento é libertador. Nelas irão encontrar as explicações do “milagre do sol” e tantas outras fantasias para que Fátima mais consistente se tornasse. Porque a fé e a espiritualidade não é crer-se em invenções e mentiras. É vivê-las fazendo sempre o bem, com honestidade e verdade. Isso é tudo.

  • “Fátima, Milagre ou Construção” da jornalista Patrícia Carvalho
  • “Cova dos Leões” de Tomás da Fonseca
  • “Fátima Desmascarada”, de João Ilharco (1971)
  • “O Sol Bailou ao Meio-Dia, a criação de Fátima”, do historiador Luís Filipe Torgal
  • “As aparições de Fátima, temas e debates”, de Luís Filipe Torgal
  • “Fátima, Milagre, Ilusão ou Fraude?”, do jornalista irlandês Len Port
  • “A Senhora de Maio, Todas as Perguntas Sobre Fátima”, dos jornalistas António Marujo e Rui Paulo da Cruz
  • “Videntes e Confidentes, um estudo sobre as aparições de Fátima”, do antropólogo Aurélio Lopes
  • “Fátima nunca mais” do Pe Mário de Oliveira

Nota: Para quem quer adquirir um dos livros acima, e não tendo possibilidades de adquirir toda a bibliografia, recomendo o primeiro da lista (“Fátima, Milagre ou Construção” da jornalista Patrícia Carvalho), já se ficando com uma boa ideia de como tudo se construiu e arquitetou.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90



 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/fatima/

O QUE EXPLICA ESTA INUSITADA PAIXÃO DE D. JOSÉ CORDEIRO? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

 

Fixem bem estes dois nomes, sobretudo o mítico que ‘engoliu’ o histórico. Nasce em 3 de outubro de 1840 em Harihar, Maiçor, Índia, de pais ingleses, integrados na igreja anglicana. Cresce nesse ambiente familiar e religioso, até à morte dos pais. Em plena orfandade, vê-se forçada a mudar para Inglaterra, onde fica entregue aos cuidados de uma tia. Troca depois a Inglaterra pela França. Não satisfeita, troca também a religião anglicana dos seus pais pela religião católica, ao fazer-se baptizar em 11 de Maio de 1873. Vai ainda mais longe e faz mais uma mudança, a pior de todas, já que, ao mudar o seu nome histórico pelo mítico Maria de São Francisco perde a sua matriz original. E é com esse mítico nome que, em 15 de Janeiro de 1884, funda no Funchal a Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, da qual é superiora vitalícia. Hoje, graças ao papa jesuíta Francisco, é já ‘Venerável’ e candidata a beata e santa de altar. O mais surpreendente é que esta mulher que deixou de o ser, ao fazer-se freira, constitui a mais recente e inusitada paixão de D. José Cordeiro, Bispo de Bragança e Miranda. Ao ponto de decidir instalar 3 freiras da Congregação por ela fundada no Santuário do Imaculado Coração de Maria dos Cerejais, Unidade Pastoral Bartolomeu dos Mártires!!!

Como D. José Cordeiro nunca dá ponto sem nó, todo este seu espectacular zelo pastoral engana-meninos-tira-lhes-o-pão, traz água no bico. Cabe às populações que têm o azar de residir nos territórios do seu feudo episcopal Bragança-Miranda viverem atentas ao que aí vem com mais uma comunidade de freiras, a juntar às outras todas que já estão instaladas no terreno, uma das quais de clausura. E todas sob a sua astuta jurisdição e ao serviço das suas desmedidas e públicas ambições. O cuidado dos pobres e dos doentes, reiteradamente invocado por ele e outros como ele, ajuda a esconder muita coisa que seria demasiado escabrosa sem este manto. Uma mão cheia de freiras, com voto de castidade, obediência e pobreza, fazem um jeito do caraças a um bispo que gosta tanto de viajar e de fazer pastoral de turismo por muitas partes do mundo.

Com esta comunidade de 3 freiras Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, o bispo de Bragança-Miranda passa a ter uma justificação acrescida para viajar até à Índia em busca de pormenores e de reminiscências desta sua nova e inusitada paixão, que dá pelo nome histórico de Mary Jane Wilson. Como, é público e notório, já bastas vezes tem ido, sempre no âmbito da Pastoral de turismo, à Palestina e aos lugares que o cristianismo católico tem como seus ‘lugares santos’. Sem jamais reconhecer que só no falar dos mitos esses lugares são santos. Porque no falar histórico, eles são, desde há pelo menos 3 mil anos, lugares de (quase) ininterrupta tortura e guerra. Que outra coisa não fazem, lá onde chegam, o judaísmo, o cristianismo católico romano e o islamismo. Os três têm o tremendo condão de converter lugares de paz e de convivencialidade em lugares de tortura. Ou o santo rei David, S. Paulo e o profeta Maomé não tivessem doutrinalmente convertido os sofrimentos e as torturas dos povos e da Terra em outros tantos meios de redenção do mundo, hoje cada vez mais afundado em sucessivos dilúvios e devorado por incontroláveis incêndios florestais. O pior dos terrorismos, mascarados de redenção do mundo!!!

Até agora, o país desconhecia por completo a existência de Mary Jane Wilson. E vai continuar a desconhecer, uma vez que, em seu lugar, se impôs o mítico nome Maria de São Francisco. Só por isso este mítico nome de mulher constitui a mais recente e de todo inusitada paixão de D. José Cordeiro que assim pode continuar a sonhar com o Cardinalato e o Papado. Para os alcançar, o bispo de Bragança-Miranda faz o que pode e o que não pode para promover o catolicismo imperial e o seu mítico Cristo davídico. Os quais, de mão dada com o Mercado global, constituem a maior fábrica de produção de pobres e de pobreza estrutural em massa. Mas, sem ela e sem eles, o que seria das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias e de todas as outras suas iguais?! O que seria?

Nota:

Para acederem a este e outros Textos, todos de grande actualidade, nas diversas Pastas já activadas, cliquem sobre o site www.jornalfraternizar.pt, coluna da esquerda de quem abre. Boa leitura-escuta.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/12/08/fraternizar-mary-jane-wilson-maria-de-sao-francisco-o-que-explica-esta-inusitada-paixao-de-d-jose-cordeiro-por-mario-de-oliveira/

DEMOCRACIAS OU TEOCRACIAS RELIGIOSAS, LAICAS E ATEIAS?! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

 

É possível gerar autênticas democracias sob a influência do nefasto sopro ideológico e teológico que atravessa os Livros sagrados da primeira à última página? Esse sopro não é sempre gerador de teocracias? Os impérios do passado e do presente – hoje, os omnipotentes e omnipresentes impérios financeiros – não são todos teocráticos? As próprias democracias – etimologicamente, o Poder do Povo – não respiram, como os impérios, o mesmo sopro ideológico e teológico dos Livros sagrados? A mera existência de Poder, por mais democrático que se diga, não é gerado pelo sopro ideológico e teológico dos Livros sagrados? Conhecemos alguma democracia que não seja partidocracia, o Poder do Partidos? E os Povos não são os primeiros a exigir o Poder?!

 

Sempre temos vivido, nestes milénios passados, sob a nefasta influência do sopro ideológico e teológico que atravessa os Livros sagrados, concretamente, os do Judaísmo, do cristianismo e do islamismo. Os povos da Ásia seguem outros livros sagrados, aparentemente, distintos dos do Ocidente. Na verdade são mais iguais do que distintos. Todos sem excepção colocam Deus no topo dos topos. Por isso a teocracia – o Poder de Deus – continua a ser hoje o sistema de Poder que governa-domina os povos da terra, inclusive, aquelas nações que se orgulham de democracias. De modo que o Poder sempre tem estado aí ao comando dos povos. Em vez dos povos ao comando.

 

Nos impérios, com destaque para os financeiros, o Poder é asumidamente divino, por isso, teocrático – o Poder de Deus – intermediado pelos imperadores, sumos-sacerdotes e juízes. Servidos por agentes de turno, todos da sua confiança. Que o são só e enquanto merecem a sua confiança. No dia em que esta for quebrada, voltam todos ao nada de onde emergiram. Não! Não voltam à humanidade. Voltassem e seriam seres humanos. Mas esta conversão é-lhes totalmente impedida e negada. Formatados para protagonizarem aquele papel, jamais regressam ao humano de onde saíram. Resta-lhes o suicídio. Na hora, ou lentamente, num penoso viver de inferno.

 

Somos terceiro milénio, mas ainda mais teocráticos do que os anteriores. Teocracias laicas, ateias e agnósticas. As piores. As teocracias religiosas do passado ainda revelavam alguma sensibilidade para com as maiorias empobrecidas e excluídas da mesa dos privilégios. Mas este terceiro milénio é já pós-religioso, pós-cristão e até pós-islâmico. Seria um avanço civilizacional, se fôssemos mais humanos. Não somos. As teocracias laicas, ateias e agnósticas são cientificamente inumanas. Sádicas. Cruéis. Não damos por isso, porque as overdoses de todos os tipos de ópio dos regimes teocráticos dos Partidos e das Corporações são contínuas. E não vemos que somos cada vez mais sós.

 

Chegamos então a um beco sem saída, já que dentro do Poder não há lugar para o Humano se desenvolver? Não chegamos! Há saída. Só que esta exige-nos a definitiva renúncia aos Livros sagrados e a todo o tipo de teocracias, as piores das quais são as teocracias laicas, ateias, agnósticas. Só quando pusermos os seres humanos e os povos antes de Deus, podemos finalmente protagonizar na História um caminho que nos faz crescer de dentro para fora em humano cientificamente religados e organizados, capazes de comandarmos os nossos destinos e os do planeta. É por aqui que navega o Sopro de Jesus histórico, o filho de Maria, crucificado em abril do ano 30 em Jerusalém e que o meu Livro 50 traz de volta. A sua fé e a sua teologia, sistematicamente reprimidas pelas teocracias religiosas, laicas, ateias, agnósticas, são as únicas Fé e Teologia que colocam o bem dos seres humanos e dos povos que estamos sempre a ver, antes de Deus que nunca vemos. Por isso, a única Revolução antropológica-teológica que ‘puxa’ pelos seres humanos e os povos e lhes confia o comando dos próprios destinos e os destinos do planeta. Façamos-la nossa e pratiquemos-la, ou perecemos!

 

 

www.jornalfraternizar.pt

Nota: Se abrir, verá outros textos desta semana nas respectivas pastas já activadas.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/12/01/fraternizar-a-nefasta-influencia-dos-livros-sagrados-democracias-ou-teocracias-religiosas-laicas-e-ateias-por-mario-de-oliveira/

"A bomba atómica é imoral e criminosa"

As palavras embaraçosas do Papa Francisco, em Hiroshima

– Silêncio bipartidário sobre o Papa, tanto na Itlia como em Portugal

por Manlio Dinucci [*]

A nova ogiva nuclear B61-12 do arsenal estado-unidense. Silêncio tumular no arco institucional italiano, sempre loquaz sobre o Papa, quanto às palavras proferidas por Francisco, em 24 de Novembro, em Hiroshima e Nagasaki: "O uso da energia atómica para fins de guerra é hoje, mais do que nunca, um crime. É imoral a posse de armas atómicas ".

Palavras embaraçosas para os nossos máximos expoentes institucionais que, como os anteriores, são responsáveis pelo facto de a Itália, um país não nuclear, hospedar e estar preparada para usar armas nucleares americanas, violando o Tratado de Não Proliferação ao qual aderiu, que proíbe aos Estados militarmente não nucleares, receber armas nucleares e controlá-las directa ou indirectamente. Responsabilidade ainda mais grave porque a Itália, como membro da NATO, recusou-se a aderir ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, votado pela grande maioria da Assembleia-Geral da ONU: que obriga os Estados signatários a não produzir nem possuir armas nucleares, não usá-las ou ameaçar usá-las, não transferi-las ou recebê-las directa ou indirectamente, com o objectivo da sua eliminação total.

EMBARAÇOSA para os governantes, a pergunta que o Papa Francisco faz, de Hiroshima: "Como podemos falar sobre paz enquanto construímos novas e formidáveis armas de guerra?" Em Itália, o número de bombas nucleares estimado actualmente é da ordem dos 70, todas do modelo B61 , mas estão para ser instaladas no território italiano, as novas e mais mortíferas bombas nucleares USA B61-12 (número ainda desconhecido) no lugar das actuais B-61. A B61-12 possui uma ogiva nuclear com quatro opções de potência seleccionável: no momento do lançamento, é escolhida a potência de explosão, dependendo do alvo a atingir. Ao contrário da B61, lançada na vertical sobre o alvo, a B61-12 é lançada a distância e guiada por um sistema de satélite. Tem, também, a capacidade de penetrar no subsolo, mesmo através de betão armado, explodindo em profundidade para destruir os bunkers dos centros de comando e estruturas subterrâneas, de modo a "decapitar" o país inimigo, num 'first strike' nuclear.

IGUALMENTE EMBARAÇOSA é a outra pergunta do Papa: "Como podemos propor a paz se usamos continuamente a intimidação bélica nuclear como recurso legítimo para a resolução dos conflitos?" A Itália, como membro da NATO, apoiou a decisão de Trump de cancelar o Tratado INF que, assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan, havia permitido a eliminação de todos os mísseis nucleares de alcance intermédio com base no solo, distribuídos na Europa, incluindo aqueles instalados em Comiso. Os EUA estão a desenvolver novos mísseis nucleares de alcance intermédio, tanto de cruzeiro como balísticos (estes capazes de atingir alvos poucos minutos após o lançamento), a serem distribuídos na Europa, certamente também em Itália, contra a Rússia e na Ásia, contra a China. A Rússia advertiu que, se forem disseminados na Europa, apontará os seus mísseis nucleares para os territórios nos quais serão instaladas.

AS POTÊNCIAS NUCLEARES possuem um total de cerca de 15 mil ogivas nucleares. Mais de 90% pertencem aos Estados Unidos e à Rússia: cada um dos dois possui cerca de 7 mil. Os outros países que possuem ogivas nucleares são: França (300), China (270), Grã-Bretanha (215), Paquistão (120-130), Índia (110-120), Israel (80), Coreia do Norte (10-20). Cinco outros países – Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia – têm em conjunto, cerca de 150 ogivas nucleares americanas instaladas nos seus territórios. A corrida armamentista está a ocorrer agora, não em quantidade, mas em qualidade: ou seja, no tipo de plataformas de lançamento e nas capacidades ofensivas das ogivas nucleares.

Um submarino americano da classe Ohio é capaz de lançar, em menos de um minuto, 24 mísseis balísticos Trident armados com 120 a 190 ogivas nucleares, cujo poder explosivo é mais do que o dobro de todos os explosivos não nucleares usados na Segunda Guerra Mundial. O novo míssil balístico intercontinental russo, Sarmat, com um alcance de 18.000 km, é capaz de transportar de 10 a 16 ogivas nucleares que, ao reentrar na atmosfera em velocidade hipersónica (mais de 5 vezes a do som), manobram para escapar aos mísseis interceptores.

E quando o Papa Francisco afirma que o uso da energia nuclear para fins de guerra é "um crime não apenas contra o Homem e sua dignidade, mas contra qualquer possibilidade de futuro na nossa casa comum", que põe em perigo o futuro da Terra, aqui não devem calar-se os que estão empenhados na defesa do meio ambiente: porque a ameaça mais grave para o ambiente da vida no planeta é a guerra nuclear e é prioritário, o objectivo da eliminação completa das armas atómicas.

Falta ver até que ponto o aviso lançado pelo Papa Francisco, a partir de Hiroshima, é recebido na própria Igreja e entre os católicos em geral. Não é a primeira vez que ele lança este alerta, mas a sua voz, para usar uma frase do Evangelho, assemelha-se à de "alguém que grita no deserto". Neste ponto, surge espontaneamente uma proposta laica: Se falta a consciência, que se revele, ao menos, o instinto de sobrevivência.

26/Novembro/2019
Ver tambm:

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/crise/papa_francisco_26nov19.html

PAPA FRANCISCO, «A BOMBA ATÓMICA É IMORAL E CRIMINOSA»

 
 
 As palavras embaraçosas do Papa Francisco, a partir de Hiroshima: «A bomba atómica é imoral e criminosa».  Silêncio bipartidário sobre o Papa
Manlio Dinucci
 
Il papa in Giappone
 

Silêncio de tumba no arco institucional italiano, sempre loquaz sobre o Papa, sobre as palavras proferidas por Francisco, em 24 de Novembro, em Hiroshima e Nagasaki: “O uso da energia atómica para fins de guerra é hoje, mais do que nunca, um crime. É imoral a posse de armas atómicas ”.
Palavras embaraçosas para os nossos expoentes máximos institucionais que, como os anteriores, são responsáveis pelo facto de que a Itália, um país não nuclear, hospede e esteja preparada para usar armas nucleares americanas, violando o Tratado de Não Proliferação ao qual aderiu, que proíbe aos Estados militarmente não nucleares, receber armas nucleares e controlá-las directa ou indirectamente.
Responsabilidade ainda mais grave porque a Itália, como membro da NATO, recusou-se a aderir ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, votado pela grande maioria da Assembleia Geral da ONU: que obriga os Estados signatários a não produzir nem possuir armas nucleares, não usá-las ou ameaçar usá-las, não transferi-las ou recebê-las directa ou indirectamente, com o objectivo da sua eliminação total.
EMBARAÇOSA para os governantes, a pergunta que o Papa Francisco faz, de Hiroshima: “Como podemos falar sobre paz enquanto construímos novas e formidáveis armas de guerra?”
Em Itália, as bombas nucleares actualmente estimadas, são cerca de 70, todas do modelo B61, mas estão para ser instaladas no território italiano, as novas e mais mortíferas bombas nucleares USA B61-12 (número ainda desconhecido) no lugar das actuais B-61. A B61-12 possui uma ogiva nuclear com quatro opções de potência seleccionável: no momento do lançamento, é escolhida a potência de explosão, dependendo do alvo a atingir. Ao contrário da B61, lançada na vertical sobre o alvo, a B61-12 é lançada a distância e guiada por um sistema de satélite. Tem, também, a capacidade de penetrar no subsolo, mesmo através de betão armado, explodindo em profundidade para destruir os bunkers dos centros de comando e estruturas subterrâneas, de modo a “decapitar” o país inimigo, num ‘first strike’ nuclear.
IGUALMENTE EMBARAÇOSA é a outra pergunta do Papa: “Como podemos propor a paz se usamos continuamente a intimidação bélica nuclear como recurso legítimo para a resolução dos conflitos?” A Itália, como membro da NATO, apoiou a decisão de Trump de cancelar o Tratado INF que, assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan, tinha permitido a eliminação de todos os mísseis nucleares de alcance intermédio com base no solo, distribuidos na Europa, incluindo aqueles instalados em Comiso. Os USA estão a desenvolver novos mísseis nucleares de alcance intermédio, tanto de cruzeiro como balísticos (estes capazes de atingir alvos poucos minutos após o lançamento), a serem distribuídos na Europa, certamente também em Itália, contra a Rússia e na Ásia, contra a China. A Rússia advertiu que, se forem disseminados na Europa, apontará os seus mísseis nucleares para os territórios nos quais serão instaladas.
AS POTÊNCIAS NUCLEARES possuem um total de cerca de 15.000 ogivas nucleares. Mais de 90% pertencem aos Estados Unidos e à Rússia: cada um dos dois países possui cerca de 7 mil. Os outros países que possuem ogivas nucleares são: França (300), China (270), Grã-Bretanha (215), Paquistão (120-130), Índia (110-120), Israel (80), Coreia do Norte (10- 20). Cinco outros países - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia - têm em conjunto, cerca de 150 ogivas nucleares americanas instaladas nos seus territórios.
A corrida armamentista está a ocorrer agora, não em quantidade, mas em qualidade: ou seja, no tipo de plataformas de lançamento e nas capacidades ofensivas das ogivas nucleares.
E QUANDO o Papa Francisco afirma que o uso da energia nuclear para fins de guerra é “um crime não apenas contra o Homem e sua dignidade, mas contra qualquer possibilidade de futuro na nossa casa comum”, que põe em perigo o futuro da Terra, aqui não devem calar-se os que estão empenhados na defesa do meio ambiente: porque a ameaça mais grave para o ambiente da vida no planeta é a guerra nuclear e é prioritário, o objectivo da eliminação completa das armas atómicas. Será agora recebida a advertência do Papa Francisco, na Igreja e entre os católicos – que, no Japão, estão na primeira fila contra qualquer rearmamento e reforma da Constituição da Paz?
il manifesto, 26 de Novembro de 2019
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Cardeal acusado de encobrir abusos sexuais a crianças diz que “não consegue ver do que é culpado”

O cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon

O cardeal francês Philippe Barbarin disse hoje que não percebe por que razão foi considerado culpado pela justiça francesa de encobrir abusos sexuais de crianças, noticiou hoje a agência AP.

 

Philippe Barbarin tentou renunciar após ter sido condenado em primeira instância em março por não ter denunciado um padre pedófilo à polícia. Contudo, o Papa Francisco recusou-se a aceitar a renúncia até que o recurso da decisão fosse apreciado por um tribunal superior ou a condenação transitasse em julgado.

Barbarin, o arcebispo de Lyon, recebeu uma condenação, com pena suspensa de seis meses, por “não denúncia de violência sexual contra menores”.

O cardeal justificou agora em tribunal que interpôs recurso da condenação porque “não consegue ver claramentedo que é culpado“.

 
 

O recurso surge numa altura em que há um crescente escrutínio em todo o mundo do papel que a Igreja Católica terá tido em ocultar abusos sexuais de crianças e menores. O caso que levou à condenação do cardeal envolve o padre francês Bernard Preynat, que admitiu ter abusado de escuteiros entre as décadas de 1970 e 1990.

Vários responsáveis da Igreja foram acusados de encobrir Bernard Preynat por muitos anos, mas algumas das situações tinham o prazo de procedimento criminal prescrito e apenas Barbarin foi condenado.

O advogado do cardeal, Jean-Felix Luciani, sustenta que não há base legal para a condenação de Barbarian e disse ter “esperança que futuramente se faça justiça”.

O processo contra Barbarin resulta de uma discussão ocorrida em 2014 com Alexandre Hezez, que contou ao cardeal sobre violência sexual que sofreu na década de 1980 por Preynat nos campos de escuteiros. Hezez acrescentou que o padre não deveria mais dirigir uma paróquia.

Na sentença condenatória em março, o tribunal de Lyon concluiu que Barbarin “para evitar escândalos causados pelos múltiplos abusos sexuais cometidos por um padre (…) preferia correr o risco de impedir a descoberta de muitas vítimas de abuso sexual pelo sistema judicial”.

Barbarin na audiência de recurso alegou que seguiu as instruções do Vaticano após a discussão de 2014 com Hezez, sugerindo que não poderia ter feito mais. Preynat foi transferido para outra paróquia, mas continuou a trabalhar com crianças até à sua aposentação em 2015.

Acredita-se que Preynat tenha abusado de pelo menos 85 crianças. O padre será julgado em Lyon em janeiro sob a acusação de agressão sexual a menores.

Em julho, a Igreja Católica da França declarou-o culpado de abusar sexualmente de vários escuteiros ao longo de vários anos, refletindo a tendência crescente da Igreja em reconhecer os casos de abuso sexual de crianças por padres e outros dignitários religiosos.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/cardeal-encobrir-abusos-sexuais-criancas-294169

A coragem do Papa Francisco

O mundo gira à espera de melhores dias e nem sempre na melhor direção. A vida humana e a própria Terra correm riscos nunca vividos.

As alterações climáticas atingem proporções que poderão ser devastadoras. A corrida às armas, nomeadamente às nucleares, envolvendo o Cosmos, para além de ser um sorvedouro de recursos constitui uma ignomínia face à pobreza existente.

Trump assinou uma diretiva que prevê a criação de um exército ligado ao Cosmos para assegurar o domínio militar dos E.U.A., implicando cortes na defesa do ambiente, na cooperação internacional e na luta contra a pobreza.

Em 2018 os E.U.A. gastaram em despesas militares quinhentos e oitenta e um mil  milhões de dólares, 36% dos gastos mundiais, sendo que este país, a China, a Arábia Saudita, a França, a India e o Paquistão gastam 60 % de todas as despesas militares globais, segundo os dados do SIPRI( Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo).

O Papa Francisco antes de partir para a Tailândia e o Japão falou de pobres e pobreza; condenando o descarte das pessoas em nome do lucro.

Independentemente do enquadramento que o Chefe do Estado do Vaticano deu nota, a verdade é que o seu discurso visou a humanização das nossas sociedades, apelando à denúncia da ganância, do individualismo e das tremendas desigualdades sociais.

No Japão, o Papa encarnando a mais profunda aspiração dos humanos – viver em paz, considerou imoral e um crime atentatório da dignidade dos seres humanos o uso da energia atómica para fins bélicos.

Esta coragem cívica é um enorme alento a todos os pacifistas e vale como estímulo , nomeadamente aos católicos pela abolição das armas nucleares.

Quantos Chefes de Estado dos principais países de maioria católica assumem com esta singeleza este propósito?

Quantos Chefes de Estado dos países da NATO que se dizem católicos estão dispostos a concretizar este objetivo?

Que diz sobre esta matéria o nosso prolixo Presidente que comenta tudo a toda a hora? O silêncio pesa quando o dever é falar.

Não há armas nucleares boas, sejam elas estadunidenses, britânicas, russas, chinesas, israelitas, paquistanesas, indianas, francesas ou norte-coreanas. São imorais. Ameaçam-nos e ameaçam a Terra. E são um “argumento” ad terrorem na vida internacional.

Podemos ficar descansados com o tipo de homens que dirigem os Estados possuidores de armas nucleares? Têm primado pelo equilíbrio e pelo bom senso? Podemos confiar no seu poder? Que cada uma e cada um responda no silêncio da sua consciência.

A corrida às armas nucleares ofende a mais simples moralidade. Cerca de metade do mundo vive na pobreza e estes gastos de milhares de milhões constituem um insulto a essa pobreza.

Todas as mulheres e todos os homens de boa fé, seja qual for a crença religiosa, a nacionalidade,  a ideologia, devem dar as mãos pela abolição das armas nucleares.

Este apelo do Papa vai de encontro ao que a imensíssima maioria da população mundial pensa. Que todos meditem e ajam em conformidade. Antes que seja tarde.

https://www.publico.pt/2019/11/28/opiniao/opiniao/coragem-papa-francisco-1895334

 

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2019/11/28/a-coragem-do-papa-francisco/

REVELAÇÕES SOBRE A MORTE DO PAPA JOÃO PAULO 1º

 
Podemos avaliar a força do establishment, que tem sistematicamente abafado os escritos, inclusive livros muito bem documentados (caso de «Em Nome de Deus» de D. Yallop) sobre os claros indícios de crime na morte do papa João Paulo I, falecido em condições misteriosas no Vaticano a 29 de Setembro de 1978 e a sua relação com os escândalos do Banco do Vaticano e a existência de ligações entre as altas hierarquias católicas e a loja maçónica, fascista e golpista, P2.
Agora, um mafioso (António Raimondi) um dos co-autores do crime e primo do Cardeal Marcinkus (o outro agente criminoso), vem confessar como os dois efectuaram o crime. Ele diz-se condenado a morrer em breve, devido a cancro. O silêncio total sobre a notícia do mês de outubro deste ano, da parte da media em Portugal e noutros países, mostra o enorme controlo, a censura totalitária que se abateu sobre toda a informação, sobretudo a que põe em causa os poderes instalados. 
Um documento impressionante, sem dúvida!

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

O Papa pelo desarmamento

O papa Francisco visitou domingo (24) a cidade de Nagasaki, no Japão, e discursou pedindo a abolição das armas nucleares, que chamou de “um atentado contínuo que brada aos céus”.
Drigiu-se, a seguir, a Hiroshima. É a primeira vez em quase 40 anos em que um pontífice visita o Japão e as duas cidades atingidas por bombas atómicas.
O papa Francisco, de 82 anos de idade, chegou a Nagasaki na manhã de hoje defendendo firmemente o desarmamento nuclear.
O pontífice visitou um parque localizado no ponto zero da explosão da bomba atómica despejada sobre a cidade por forças americanas há 74 anos. O ataque a Nagasaki em 9 de agosto de 1945 matou cerca de 70 mil pessoas.
 

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2XHNp89

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/24/o-papa-pelo-desarmamento/

Voltou o terrorismo católico

Há quem se lembre do terror do Inferno que o clero tridentino salazarista e as beatas que ministravam a catequese infundiam às crianças, obrigadas a frequentar as igrejas e a fé por constrangimento social e medo da polícia e dos padres.

O que assusta é o ressurgimento da violência pia num país com uma Constituição laica e uma democracia estabilizada, onde os atropelos à liberdade religiosa são frequentes e as ameaças à sanidade mental têm a cumplicidade dos diretores das escolas, dos hospitais e de outros organismos do Estado.

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/11/voltou-o-terrorismo-catolico.html

Sínodo da Amazônia: bispos propõem que homens casados possam se tornar padres

Papa Francisco recebe representantes de comunidade indígena da Amazônia no Vaticano
VATICAN MEDIA

Em uma assembleia de bispos católicos na Amazônia, sacerdotes apresentaram uma proposta neste sábado para que homens casados em áreas remotas possam ser ordenados padres.

Se aprovada, a medida pode se tornar um marco para a religião, após séculos de celibato obrigatório, escreve a Reuters. 

 

​A proposta consta em um documento final redigido depois de três semanas de reuniões na região, no chamado Sínodo da Amazônia. Ela teve o apoio de 128 participantes, enquanto outros 41 votaram contra. 

 

​Agora, o documento deverá ser apreciado pelo Papa Francisco, que também se debruçará sobre questões envolvendo o meio ambiente e o papel das mulheres na igreja.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/cultura/2019102614696500-sinodo-da-amazonia-bispos-propoem-que-homens-casados-possam-se-tornar-padres/

Sínodo da Amazônia: deputados brasileiros entregam relatório de direitos humanos a bispos

O chefe indígena Kadjyre Kayapo, da etnia Krimej, observa área desmatada da Amazônia na cidade de Altamira, no Pará.
© AP Photo / Leo Correa

Em agenda paralela à assembleia que reúne bispos no Vaticano, um grupo de deputados federais brasileiros entregou relatório sobre violações de direitos humanos na Amazônia em evento em Roma nesta semana.

O Sínodo é uma reunião de mais de duas centenas de bispos da Igreja Católica. O tema da reunião que acontece de 6 a 27 de outubro neste ano é "Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral". Antes da edição de 2019, o Vaticano já organizou Sínodos para discutir "A Família Cristã" (1980) e "A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo" (2015).

A edição atual, contudo, entrou na mira do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O evento é monitorado pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e "tem muita influência política", afirmou o presidente brasileiro. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o Papa Francisco vetou a participação de políticos e de militares no Sínodo. O governo de Bolsonaro tentou escalar militares para falar durante o evento da Santa Sé, afirma a publicação. 

Os congressistas brasileiros não participaram diretamente do Sínodo, mas de evento de entidades católicas nas proximidades da Praça de São Pedro, em Roma. O convite partiu da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), esclarece em entrevista à Sputnik Brasil o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), que participou do evento em que o relatório foi entregue.

Também participaram os deputados federais Airton Faleiro (PT/PA), Bira do Pindaré (PSB/MA), Camilo Capiberibe (PSB/AP) Helder Salomão (PT/ES) e Jandira Feghali (PC do B-RJ).

"Os problemas que temos se intensificam com atual governo Bolsonaro, as políticas de desmonte que ele vem fazendo, mas também é positivo que a população da Amazônia, e a Igreja Católica na Amazônia, estão preocupadas em buscar alternativas", afirma Tatto.

O documento entregue pelos políticos brasileiros reúne informações sobre conflitos agrários, perseguições aos defensores de direitos humanos, trabalho escravo e avanço das organizações criminosas na Amazônia.

"Lá em Roma, é muito fácil", diz Petecão

O deputado federal Sérgio Petecão (PSD-AC) é um crítico do Sínodo da Amazônia. O congressista diz que há "muita gente querendo tirar proveito político da situação desse povo [indígena]".

Petecão afirma que pode falar sobre a "questão indígena" por conta das populações originárias de seu Estado, o Acre:

"Vejo alguns parlamentares que sequer conhecem a região e a realidade desses indígenas. Alguns ficam arrotando conhecimento e sequer conhecem a realidade desse povo. É muito fácil você falar da Amazônia tomando cerveja onde você está, no Rio Grande do Sul, lá no Vaticano. Eu quero ver você pegar um barco, chegar em Rio Branco e pegar um avião pequeno, levar duas horas para chegar no Jordão e de lá subir mais 8 horas para chegar em uma aldeia. Aí sim, aí ele vai conhecer a verdadeira realidade dos nossos indígenas", diz o deputado federal à Sputnik Brasil. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019101614649762--sinodo-da-amazonia-deputados-brasileiros-entregam-relatorio-de-direitos-humanos-a-bispos/

Sínodo da Amazônia: Papa pede respeito à cultura dos povos indígenas

Índios amazônicos em cerimônia tribal
© AP Photo / Eraldo Peres

O papa Francisco disse nesta segunda-feira (7) no Vaticano, na abertura do Sínodo da Amazônia, que a sociedade moderna não deve impor suas regras sobre os indígenas, e sim respeitar sua cultura e deixá-los que definam seu próprio futuro. 

O encontro de bispos da Igreja Católica, que neste ano vai discutir a floresta, começou no domingo (6) e vai até o dia 27 de outubro. A declaração foi feita na abertura da primeira sessão de trabalho do evento. "A colonização ideológica é muito comum atualmente", disse o pontífice. Segundo ele, é preciso falar "não para esse afã de domesticar povos originais". 

O Papa também defendeu que os indígenas não devem ser "abordados com um tipo de anseio empreendedor que busca dar a eles programas pré-estabelecidos destinados a discipliná-los". 

Francisco, que em outra ocasião pediu perdão para os erros dos missionários europeus da época da colonização, disse que por muito tempo a Igreja teve uma atitude "depreciativa", que às vezes persiste até hoje, em relação aos povos originais e a sua cultura. 

"Foi muito triste escutar, aqui mesmo, comentários jocosos sobre aquele homem piedoso que trouxe as oferendas com penas na cabeça", disse sobre um indígena da Amazônia que participou da missa papal no dia anterior. "Diga-me: que diferença há em ter penas na cabeça e o chapéu de três pontas usado por algumas autoridades de nossos departamentos do Vaticano?", questionou Francisco. 

Encontro discutirá dificuldade da Igreja na região

O Sínodo conta com participantes, entre eles bispos, padres, freiras, estudiosos e pessoas ligadas à ONU, dos territórios que compreendem a região amazônica: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela e Suriname. O relator-geral será o cardeal brasileiro Dom Claudio Hummes. 

O objetivo do encontro é debater as dificuldades de a Igreja atender os povos da região, especialmente os indígenas, pois segundo o Vaticano faltam padres, as distâncias entre as comunidades são longas e a carência de serviços públicos faz com que a Igreja se torne prestadora de serviços sociais. 

Outros temas abordados serão o aquecimento global, o extrativismo ilegal, a exploração dos recursos e o desmatamento, justamente num período em que o Brasil sofre críticas pelo aumento das queimadas na região. O governo, segundo declarações de alguns de seus integrantes, chegou a manifestar preocupação com o Sínodo e possível interferência estrangeira na Amazônia. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019100714607350-sinodo-da-amazonia-papa-pede-respeito-a-cultura-dos-povos-indigenas/

Papa abre Sínodo dizendo que Amazônia precisa do fogo de Deus

O Sínodo da Amazônia ocorre até o dia 27 deste mês, com o tema Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral

 

 

O Papa Francisco disse neste domingo (6), durante a missa de abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan Amazônica, celebrada na Basílica de São Pedro, no Vaticano, que a Amazônia precisa do fogo de Deus e não do fogo ateado por interesses.

 
O fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho. O fogo de Deus é calor que atrai e congrega em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros.”
Papa Francisco
 
 

Na celebração, Francisco disse ainda que o fogo de Deus é também amor que ilumina, que aquece e dá vida; e não aquele que se “alastra e devora”.

 
Quando sem amor nem respeito se devoram povos e culturas, não é o fogo de Deus, mas do mundo. Contudo quantas vezes o dom de Deus foi, não oferecido, mas imposto! Quantas vezes houve colonização em vez de evangelização! Deus nos preserve da ganância dos novos colonialismos.”
Papa Francisco
 
 

O papa pediu que o Espírito de Deus inspire o Sínodo para que renove os caminhos da Igreja Católica na Amazônia.

 
Reacender o dom no fogo do Espírito é o oposto de deixar as coisas correr sem se fazer nada. E ser fiéis à novidade do Espírito é uma graça que devemos pedir na oração. Ele, que faz novas todas as coisas, nos dê a sua prudência audaciosa; inspire o nosso Sínodo a renovar os caminhos para a Igreja na Amazônia, para que não se apague o fogo da missão.”
Papa Francisco
 
 

O Sínodo da Amazônia ocorre até o dia 27 deste mês, com o tema Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral. A celebração de abertura do evento religioso começou com a entrada de 185 padres sinodais, sendo 58 do Brasil. Estavam presentes também representantes de comunidades indígenas.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/papa-abre-sinodo-dizendo-que-amazonia-precisa-do-fogo-de-deus/

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        Homicidal Cops Caught On Police Radio
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        •05/06/2020
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