Iémen

Houthis do Iêmen reivindicam diversos ataques de mísseis balísticos contra capital saudita

Sanaa, 23 jun (Xinhua) -- A milícia houthi, do Iêmen, disse que lançou vários ataques de mísseis balísticos e drones na manhã desta terça-feira contra a capital da Arábia Saudita, Riade, visando instalações militares vitais.

"Um grande número de mísseis balísticos de longo alcance e drones carregados de bombas atingiram o quartel-general do Ministério da Defesa, a agência de inteligência militar e a Base Aérea Rei Salman em Riade", disse o porta-voz militar houthi, Yahya Sarea, em um comunicado transmitido pela televisão al-Masirah, operado pelos houthis.

"O ataque também teve como alvo outras instalações militares sauditas nas regiões sauditas de Jizan e Najran", disse Sarea.

"O ataque veio em resposta ao injusto bloqueio econômico e à agressão militar contra o povo iemenita", disse Sarea, acrescentando que "lançaremos mais ataques até que o bloqueio seja levantado e a agressão, interrompida".

Enquanto isso, a televisão saudita Al Arabiya informou que "as forças da coalizão lideradas pela Arábia Saudita interceptaram e destruíram três mísseis balísticos e oito drones lançados a partir do Iêmen pela milícia Houthi em direção às regiões fronteiriças sauditas de Jizan e Najran".

O porta-voz da coalizão, coronel Turki Al Maliki, disse que um míssil foi disparado pelos houthis na manhã de terça-feira desde a cidade iemenita de Sanaa e teve como alvo civis, informou a Press Agency saudita.

Ele disse que na noite de segunda-feira e terça-feira de manhã, o reino foi alvo de oito drones carregados de bombas e três mísseis, todos destruídos.

Os ataques dos houthis ocorreram após a coalizão saudar a decisão de realizar uma reunião em Riade entre o governo iemenita e o Conselho de Transição do Sul para avançar o Acordo de Riade para a estabilidade do Iêmen.

Este foi o mais recente de uma série de ataques transfronteiriços pelos houthis iemenitas contra a Arábia Saudita, desde que a guerra civil iemenita eclodiu há cinco anos.

No ano passado, o ataque às instalações da Saudi Aramco no leste do reino, reivindicado pelos houthis iemenitas, derrubou a metade da produção de petróleo saudita.

O Iêmen está atolado em uma guerra civil desde o final de 2014, quando os houthis apoiados pelo Irã tomaram o controle de grande parte do norte do país e forçaram o governo do presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiado pela Arábia Saudita, a sair de Sanaa.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio no conflito iemenita no início de 2015 para apoiar o governo de Hadi.

A guerra matou dezenas de milhares de pessoas, a maioria civis, deslocou 3 milhões e levou mais de 20 milhões à beira da fome. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-06/23/c_139161433.htm

Caças sauditas atacam cidades no Iémen apesar do «cessar-fogo»

Esta madrugada, a aviação militar saudita lançou mais de duas dezenas de ataques contra posições em várias províncias do Iémen, depois de, há uma semana, Riade ter anunciado uma trégua «humanitária».

O movimento Huti Ansarullah acusa a coligação liderada pelos sauditas de ter intensificado os ataques ao Iémen após o anúncio de uma suposta tréguaCréditos / dnaindia.com

Um porta-voz do Exército do Iémen informou esta quinta-feira que «as forças aéreas da [coligação] saudita-norte-americana» lançaram pelo menos 26 ataques aéreos, a grande maioria dos quais atingiu a província de Marib.

A mesma fonte militar, que não adiantou informações sobre vítimas ou danos materais causados, disse que se registaram ataques sauditas também nas províncias de Jawf, Sa'ada e al-Bayda, refere a HispanTV.

Por seu lado, a cadeia estatal de TV al-Masirah deu ainda conta de bombardeamentos na capital do país, Saná, e na província homónima, bem como na de Amran.

Estes ataques ocorrem depois de, na quarta-feira da semana passada, as forças agressoras terem afirmado que iriam calar as armas no Iémen, alegadamente para apoiar os esforços das Nações Unidas com vista a pôr fim à guerra, que se prolonga há cinco anos, e impedir a disseminação da Covid-19.

O cessar-fogo – assim chamado pelos seus promotores – entraria em vigor ao meio-dia de dia 9, por um período de duas semanas, eventualmente extensível.

Trégua «enganadora»

No entanto, ainda antes da sua implementação, aviões da coligação liderada pelos sauditas lançaram ataques em pelo menos três províncias iemenitas. E os bombordeamentos prosseguiram logo após a entrada em vigor da chamada «trégua», segundo denunciaram responsáveis do Exército do Iémen.

O movimento Huti Ansarullah, aliado do Exército, não deu grande importância ao anúncio de cessar-fogo, que classificou como uma «manobra» dos sauditas, tendo ainda lembrado, em declarações à al-Mayadeen TV, que estes «anunciaram diversos cessar-fogos no Iémen mas violaram-nos sempre».

Já depois da implementação da dita «trégua», o movimento Huti Ansarullah afirmou que o cessar-fogo era «falso e enganador» e que a coligação liderada pela Arábia Saudita tinha, inclusive, intensificado a ofensiva contra o Iémen.

Também alertou, na passada segunda-feira, para as afirmações «ridículas» da coligação, segundo as quais esta teria começado a cumprir a trégua e os Hutis a teriam violado, informa a PressTV.

A guerra de agressão contra o Iémen, apoiada pelo Ocidente, provocou grande destruição em zonas residenciais e arrasou quase inteiramente as infra-estruturas civis do país, incluindo hospitais, escolas, fábricas, sistemas de captação de água e centrais eléctricas, mergulhando-o naquilo que as Nações Unidas classificam como uma das piores crises humanitárias de sempre.

A população civil pagou um preço muito elevado. A Unicef denunciou que «o Iémen é um inferno para as crianças», pois estas são particularmente afectadas pela fome e por doenças como cólera, difteria, sarampo e dengue. Como consequência da agressão militar, pelo menos 80% da população iemenita – cerca de 22 milhões de pessoas – necessita de ajuda humanitária e dez milhões são «severamente afectadas pela fome».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/cacas-sauditas-atacam-cidades-no-iemen-apesar-do-cessar-fogo

Houthis acusam França de ter ligações com ataque a mercado no Iêmen

Casa destruída por bombardeio no Iêmen.
© Sputnik / Stringer

Os rebeldes houthis do Iêmen disseram que a França tem envolvimento em um recente ataque a um mercado no noroeste do Iêmen.

Na terça-feira (24), a mídia Houthi informou que pelo menos 17 pessoas foram mortas como resultado de um bombardeio a um mercado, realizado pelo exército saudita na província iemenita de Saada, no noroeste do Iêmen.

“As ações francesas deixaram pessoas mortas e feridas como resultado do bombardeio de artilharia do mercado Al-Raqu na região administrativa fronteiriça de Munabih, na província de Saada. O uso de armas e experiência francesas na agressão são um crime que é ignorado pelo sistema de justiça francês em troca de acordos de armas”, escreveu nesta quarta-feira (25) Mohammed Ali Al-Houthi, membro do Conselho Político Supremo do movimento Houthi, através de seu perfil no Twitter.

O Iêmen vive um conflito armado entre as forças do governo lideradas pelo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi e os rebeldes houthis há anos. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita realiza ataques aéreos contra os houthis a pedido de Hadi desde março de 2015. Apesar do acordo de paz, assinado em Estocolmo em 2018, as tensões aumentaram significativamente nos últimos meses.

Anteriormente, a mídia francesa informou que as partes no conflito iemenita estavam usando as armas, produzidas no país europeu. As denúncias surgiram meses depois que a ministra francesa das Forças Armadas, Florence Parly, disse à emissora France Inter que não tinha conhecimento de que armas francesas fossem usadas diretamente no Iêmen.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019122514935778-houthis-acusam-franca-de-ter-ligacoes-com-ataque-a-mercado-no-iemen/

Houthis afirmam ter derrubado drone de fabricação americana perto de fronteira saudita

Militantes armados leais aos rebeldes houthis, Sanaa, Iêmen, 20 de junho de 2016
© AFP 2019 / MOHAMMED HUWAIS

Representante do movimento houthi afirmou que suas forças derrubaram um drone ScanEagle, de fabricação americana, no litoral oeste do Iêmen perto da fronteira com a Arábia Saudita.

Segundo o porta-voz do movimento, Yahya Sarea, um drone espião foi derrubado na cidade portuária iemenita de Hodeidah, próxima a fronteira entre o Iêmen e a Arábia Saudita. De acordo com ele, o drone estava fazendo um voo de reconhecimento pela região.

O drone seria um modelo ScanEagle, de fabricação americana, publicou a agência Reuters.

Até o momento, a coalizão saudita não comentou a suposta derrubada do drone.

Guerra civil

O Iêmen tem sido palco de uma guerra civil desde 2015. No entanto, os confrontos entre forças opostas no país têm origem ainda na Primavera Árabe, ocorrida em 2011, quando o então presidente Ali Abdullah Saleh foi retirado do poder.

Desde então, o movimento xiita houthi ganhou mais força na luta contra o governo.

Em oposição aos houthis, a Arábia Saudita têm participado do conflito apoiando o governo do Iêmen.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019110114717057-houthis-derrubam-drone-de-fabricacao-americana-perto-de-fronteira-saudita/

Ofensiva devastadora dos Houthis: Três brigadas sauditas aniquiladas

– Uma verdadeira viragem na situao do Médio Oriente
– Esta notícia foi omitida pela maior parte dos media corporativos

por Federico Pieraccini [*]

Ve Até agora, muitos poderiam ter sido levados a acreditar que os Houthis eram uma força armada esfarrapada e sem sofisticação. Outros, vendo os ataques de drones e mísseis às instalações petrolíferas sauditas, podem ter achado que seria um ataque de "falsa-bandeira" realizado por Riad para aumentar o valor de mercado da Aramco; ou então numa operação realizada pelo Irão ou mesmo Israel. Porém, em 28 de setembro, os Houthis puseram fim a estas especulações confirmando o que muitos, como eu, escrevemos há meses; isto é, que as táticas assimétricas dos Houthis, combinadas com as capacidades convencionais do exército iemenita, são capazes de por de joelhos o reino saudita de Mohammed Bin Salman.


 

As forças de mísseis do exército iemenita mostraram ser capazes de realizar ataques altamente complexos, sem dúvida em resultado de informações fornecidas pela população xiita na Arábia Saudita, que é contra a ditadura da Casa de Saud. Esses simpatizantes Houthis ajudaram na identificação dos alvos, realizaram o reconhecimento dentro das instalações atacadas, descobriram os pontos mais vulneráveis e transmitiram essas informações ao exército Houthi e iemenita. As forças iemenitas empregaram meios produzidos localmente para degradar severamente as unidades de extração e processamento de petróleo bruto da Arábia Saudita, ataques que reduziram a quase metade a produção de petróleo e ameaçaram continuar com outros alvos se o genocídio levado a cabo pela Arábia Saudita no Iémen não cessasse.

Em 28 de setembro, os Houthis e o exército iemenita realizaram um ataque convencional incrível, com duração de três dias, iniciado dentro das fronteiras do Iémen. A operação envolveu meses de recolha de informações e planeamento operacional . Foi um ataque muito mais complexo do que o realizado contra as instalações de petróleo da Aramco. Os relatórios iniciais indicam que as forças da coligação liderada pela Arábia Saudita foram atraídas para posições vulneráveis e, em seguida, através de um movimento de cerco conduzido rapidamente dentro do território saudita, os Houthis cercaram a cidade de Najran e seus arredores e submeteram a maior parte de três brigadas sauditas com efetivos da ordem dos milhares, incluindo dezenas de oficiais superiores, além de inúmeros veículos de combate. Este acontecimento é um divisor de águas, deixando os EUA, Mike Pompeo, israelenses e sauditas incapazes de culpar o Irão, pois tudo isso ocorreu muito longe do daquele país.

A operação em larga escala foi precedida pela artilharia de mísseis do Iémen, que atingiu o aeroporto de Jizan com 10 mísseis paralisando qualquer movimento de e para o aeroporto, inclusive negando a possibilidade de apoio aéreo às tropas cercadas. Os Houthis também atingiram o aeroporto internacional King Khalid, em Riad, numa importante operação que atingiu os helicópteros Apache, forçando-os a deixar a área. As bases militares próximas também foram alvejadas, a fim de interromper quaisquer reforços e interromper a cadeia de comando. Isso levou as forças sauditas a fugir em desorganização.

As imagens divulgadas pelos Houthis mostram uma estrada no meio de um vale nos arredores de Najran, com dezenas de veículos blindados sauditas tentando fugir enquanto são atacados por ambos os lados por mísseis Houthis, juntamente com armas pesadas e leves. A confirmação visual do desastre pode ser vista no número de baixas e no número de prisioneiros. Imagens mostram fileiras de prisioneiros sauditas a marcharem sob guarda iemenita em direção a campos de prisioneiros.

Isto é algo extraordinário de se ver: o exército saudita, o terceiro maior comprador de armas do mundo, a ser amplamente atacado por um dos países mais pobres do mundo. Os números dizem tudo: os Houthis conseguiram controlar mais de 350 quilómetros do território saudita. Atendendo a que o orçamento militar saudita é de quase 90 mil milhões de dólares por ano, essa conquista é ainda mais extraordinária.

As forças Houthis empregaram drones, mísseis, sistemas antiaéreos e guerra eletrónica para impedir que os sauditas apoiassem as suas tropas com aviação ou outros meios para ajudar os seus militares presos. Os depoimentos de soldados sauditas sugerem que os esforços para resgatá-los foram pouco sinceros e pouco efeito tiveram. Os prisioneiros de guerra sauditas acusam os seus líderes militares de tê-los abandonado como presas aos seus oponentes.

O exército iemenita e os Houthis em menos de dez dias foram capazes de infligir golpes devastadores à credibilidade dos sistemas de defesa dos EUA e das forças armadas sauditas. Fizeram isso utilizando métodos criativos adequados ao objetivo em questão.

Em primeiro lugar, revelaram a vulnerabilidade interna do Reino através de um nível de penetração na Arábia Saudita conseguindo realizar reconhecimento interno com a ajuda de infiltrados ou colaboradores locais, para saber exatamente onde atingir as instalações de petróleo para obter o máximo de efeitos e danos. Posteriormente, demonstraram as suas capacidades técnicas e cibernéticas por meio de uma operação assimétrica, empregando drones de vários tipos, bem como guerra eletrónica para cegar os radares do sistema Patriot dos EUA, neste processo reduziram à metade a produção de petróleo da Arábia Saudita por um período de tempo que a Aramco ainda não determinou.

Finalmente, o aspeto mais surpreendente destes eventos é a recente operação terrestre no Iémen, realizada em território hostil e conseguindo cercar três brigadas compostas por milhares de homens e seus equipamentos. Milhares de soldados iemenitas leais a Ansarullah (Houthis) participaram nesta operação bem-sucedida, apoiada por drones, aeronaves de ataque ao solo e baterias de defesa antiaérea. Tais capacidades são normalmente associadas a militares bem treinados e bem equipados, do que a militares provenientes do Terceiro Mundo.

Os Houthis enviaram uma mensagem clara a Riade quando atingiram as suas instalações de petróleo. Eles efetivamente deixaram claro que tinham os meios e a capacidade de danificar o reino de forma irreparável, levando, finalmente, ao derrube da Casa de Saud.

O porta-voz do exército iemenita anunciou, depois de atingir as instalações petrolíferas sauditas, que interromperia todas as ações ofensivas usando drones e mísseis, deixando Riade decidir se as coisas parariam por aí e eles se sentariam à mesa de negociações para encerrar o conflito, ou se a Arábia Saudita estava com disposição para mais do mesmo tratamento.

Mohammed bin Salman, sem dúvida, teria recebido várias garantias dos americanos, explicando o fracasso dos sistemas Patriot e assegurando-lhe que mais assistência americana estava a caminho; e que, além disso, seria impossível chegar a um acordo com os Houthis, em particular tendo em conta que eles são considerados uma representação do Irão (uma mentira desmascarada); sem mencionar, é claro, a enorme perda de prestígio que uma capitulação representaria para sauditas, israelenses e americanos .

Já se fala em Riade de receber novos suprimentos do sistema THAAD (igualmente inúteis contra a guerra assimétrica Houthi) e outros sistemas de defesa aérea americanos muito caros. É muito mau para os sauditas que os EUA não tenham nada como os sistemas russos Pantsir e BUK, que permitem uma defesa aérea de várias camadas, ideal para a defesa de pequenos drones e mísseis de baixo voo que são difíceis de interceptar com sistemas como o Patriot e o THAAD.

Em vez de iniciar negociações de paz para parar o genocídio em curso no Iémen e evitar ser atingido novamente pelos Houthis em resposta, Mohammed bin Salman e seus assessores parecem ter achado adequado cometer outros crimes de guerra no Iémen.

Diante de tal intransigência, os Houthis seguiram em frente com um novo ataque ainda mais devastador para a moral saudita e desconcertante para os formuladores de políticas ocidentais. Milhares de homens e seus equipamentos foram mortos, feridos ou capturados num movimento de cerco, remanescente das ações das Republicas Populares de Donetsk e de Lugansk na Ucrânia, em 2015, onde as forças de Kiev foram igualmente cercadas e destruídas.

Geralmente estes movimentos de cerco exigem um reconhecimento completo para determinar onde melhor cercar o inimigo. Além disso, seriam necessários sistemas de apoio aéreo e de defesa antiaérea para afastar as respostas americanas e sauditas. Além de tudo isto, é necessário que as tropas, juntamente com seus equipamentos, tenham o treino necessário para os ataques, que exigem coordenação e execução rápida e eficaz de ordens. Todos esses requisitos foram cumpridos em resultado da excelente preparação e conhecimento do terreno pelo exército iemenita e pelos Houthis.

Se o ataque às instalações petrolíferas sauditas teve grande impacto, o ataque ainda mais dramático daquele sábado forçará Mohammed bin Salman e seus aliados americanos a enfrentar uma realidade muito dura. A Arábia Saudita, agora é preciso reconhece-lo, não tem capacidade de defender as suas fronteiras com o Iémen, deixando os Houthis e o exército iemenita livres para entrar no território saudita, mostrando como dão pouca importância à opinião e sentimentos dos sauditas e dos EUA.

Este é um xeque-mate triplo dos Houthis contra Riade. Primeiro, mostraram que tinham apoio local suficiente na Arábia Saudita para ter sabotadores internos prontos no caso de uma guerra total com o Irão ou o Iémen. Depois, mostraram que têm capacidade para prejudicar a produção de petróleo da Arábia Saudita. Em última análise, as forças convencionais do Iémen poderiam redesenhar as fronteiras entre a Arábia Saudita e o Iémen a favor deste último, caso os líderes iemenitas decidissem invadir e ocupar uma faixa do território saudita para garantir uma zona-tampão, já que as forças sauditas violaram a soberania do Iémen e massacraram civis inocentes nos últimos cinco anos.

Vale refletir sobre a importância desses eventos. O terceiro maior gastador de armas do mundo é incapaz de derrotar o país árabe mais pobre do mundo. Além disso, é incapaz de proteger seus interesses e fronteiras nacionais perante um país árabe empobrecido. Os Houthis mostraram ao mundo o que uma força armada pobre, mas organizada e motivada, pode fazer usando métodos assimétricos para colocar um dos exércitos mais bem equipados de joelhos. Esse conflito será estudado em todo o mundo como um exemplo de como um novo meio de guerra é possível quando as capacidades tecnológicas e cibernéticas são democratizadas e estão disponíveis para aqueles que sabem usá-las adequadamente, como os Houthis mostraram com o uso de drones e guerra eletrónica.

Com os Houthis desfrutando de um alto nível de motivação, através de uma combinação de capacidades de mísseis, detenção de muitos prisioneiros de guerra e com sabotadores espalhados por toda a Arábia Saudita (a propósito, um estranho incêndio ocorreu em Jeddah no dia 29 de setembro, na estação ferroviária de Al-Haramain), talvez seja hora de Riade aceitar as trágicas consequências de uma guerra inútil e sentar-se à mesa de negociações com Ansarullah.

Washington e Tel Aviv tentarão de todas as formas impedir tais negociações. Mas se Mohammed bin Salman e família desejam salvar o seu reino, é melhor começarem a conversar com os Houthis imediatamente. Caso contrário, é apenas uma questão de tempo até que outro ataque de Ansarullah leve ao completo colapso e ruína da Casa de Saud e do Reino da Arábia Saudita.

[*] Escritor independente, especializado em assuntos internacionais, conflitos, política e estratégias.

O original encontra-se em Strategic Culture Foundation
e em www.informationclearinghouse.info/52312.htm

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/moriente/ofensiva_05out19.html

Os drones hutis abriram a caixa de Pandora

Valentin Vasilescu analisa o dispositivo de defesa antiaérea saudita. Depois de mostrar a impossibilidade de um ataque vindo do Irão sem ser detectado pelos Estados Unidos, ele explica como um ataque vindo do Iémene conseguiu atingir os seus alvos sem ser visto por Riade.

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Sistema de defesa antiaérea saudita.

O ataque de drones dos rebeldes hutis contra as instalações petrolíferas sauditas visava abrir um período de mudanças dramáticas na Península Arábica. Muito embora o ataque tenha começado no Iémene, e tenha beneficiado de um certo apoio do Irão, aqueles que tomaram a decisão de o preparar, de o facilitar e de o executar encontravam-se algures. O objectivo prosseguido é muito claro e, pela sua realização, eu tenho a firme convicção que haverá outros ataques com efeitos muito mais espectaculares para a economia da Arábia Saudita e dos sultanatos ricos em petróleo da região do Golfo. Tanto mais porque as armas mais sofisticadas compradas por estes Estados e as forças militares dos norte-americanas colocadas na região foram incapazes de impedir estes ataques.

Desde 1996, a Arábia Saudita possui o sistema de defesa antiaérea (AA) automatizado mais moderno do mundo (Peace Shield), que está conectado a todas os ramos de forças armadas. Ele foi criado pelos Estados Unidos, por um custo de US $ 5,6 mil milhões (bilhões-br) de dólares, e constantemente actualizado. Integra radares militares, todos os sistemas de mísseis antiaéreos e aviões de alerta AWACS, ou navios de guerra militares. O «Peace Sheild» tem um centro de comando nacional e está dividido no território da Arábia Saudita em cinco sectores (norte, sul, leste, oeste e a capital do país).

A detecção de alvos aéreos no espaço saudita é assegurada por 17 radares norte-americanos fixos AN/FPS-117 e 6 radares móveis AN/TPS-43. Além disso, a Arábia Saudita opera também com 5 aparelhos E-3A e 2 SAAB-2000 (AWACS). A defesa antiaérea saudita é garantida por 10 baterias de mísseis de médio alcance MIM-23 HAWK, 5 baterias de mísseis de longo alcance MIM-114 Patriot e várias dezenas de baterias de mísseis de curto alcance Shahine (Crotale). assim como artilharia clássica antiaérea.

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Os rebeldes hutis lançaram sobre a Arábia Saudita um ataque com 20 drones e, pelo menos, um míssil de cruzeiro a partir do Iémene. Para os não-iniciados, o míssil de cruzeiro funciona também como um drone com motor a reacção. Os alvos foram a refinaria de Abqaiq e a instalação petrolífera de Khurais, ambas pertencendo à Aramco. O resultado foi o incêndio e a interrupção do fornecimento de gás e petróleo por um período indeterminado.

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Os média (mídia-br) ocidentais afirmam que os Estados Unidos localizaram o sítio de lançamento dos drones e que este se situa no sul do Irão. Isso é impossível, já que os Estados Unidos têm uma cadeia de alerta que vigia a costa iraniana 24 horas sobre 24, do Kuwait aos Emirados Árabes Unidos, na qual participa igualmente a 5ª Frota dos EUA, cujo porto base está no Barém.

O mais extraordinário é que os aviões de combate do Iémene tenham tido uma precisão máxima sobre os alvos escolhidos, muito embora tenham voado em ziguezague mais de 800 km contornando as zonas de detecção. O planeador (planejador-br) de operações conhecia perfeitamente os elementos-chave das instalações petrolíferas sauditas, selecionando para cada uma o número mínimo de meios de ataque. Conforme ao princípio «de economia de forças e meios» da ciência militar. A probabilidade de penetrar a defesa antiaérea saudita acabou sendo total, já que os drones não foram detectados por nenhum radar.

Após o 11 de Setembro de 2001, o Presidente do Iémene, Abdullah Saleh, declarou o seu apoio a George Bush na guerra contra o terrorismo. Os Estados Unidos ofereceram ao Iémene um generoso apoio militar. Acima de tudo, formaram a Força Aérea iemenita nas suas escolas militares, forneceram-lhe munições e técnicas de combate. O Iémene recebeu 8 aviões de transporte (incluindo 2 C-130 Hércules) e 14 aviões de combate F-5E. Além disso, recebeu 26 helicópteros de combate (incluindo o UH-1H). Por conseguinte, o exército iemenita não está tão «de mãos vazias» quanto a imprensa ocidental o apresentou.

Em 7 de Julho, na presença do Ministro da Defesa, o Major-General Mohammed Nasser, os rebeldes hutis revelaram os novos sistemas de armas fabricados localmente. Tratava-se, nomeadamente, do míssil de cruzeiro Quds-1, o míssil balístico táctico Badir-F e os drones propulsionados por motores a pistão Samad-1, Samad-3 e Qasef-2K. Uma foto mostra a fixação de um reservatório, como uma bossa, para aumentar o alcance.

Sabe-se que alguns drones utilizam motores de carros pequenos ou de motos de pequena cilindrada, de 250 a 1. 000 centímetros cúbicos, fabricados na Europa, como o drone iemenita Samad-3. Uma parte dos mísseis de cruzeiro utiliza um pequeno motor a reacção (APU), usado pelos aviões de transporte e pelos helicópteros, para a produção de energia quando os motores estão em paragem, ou para arrancar motores na ausência de uma fonte de arranque com a qual os aeródromos estão equipados. Os Iemenitas têm helicópteros dos EUA e talvez possam ter montado a sua APU na primeira série de mísseis de cruzeiro. Como fizeram inúmeros Estados, que criaram drones-alvo para testar a eficácia dos seus sistemas antiaéreos. No entanto, os rebeldes hutis têm um número impressionante de tais motores fabricados em França, na Itália, na Alemanha, no Japão, etc. O lançamento e a aceleração de drones e de mísseis de cruzeiro fazem-se com um motor de foguete de combustível sólido. O motor de APU para o vôo pesa 20 kg, tem um consumo específico de 0,7 a 3,12 l /min e uma velocidade de 650 a 800 km/h. Com um tanque de 250 a 300 l, o míssil de cruzeiro pode atingir as refinarias sauditas. Ora, não há qualquer restrição à comercialização desses dois tipos de motores.

Para melhor se compreender a situação, vou primeiro traduzir o conceito de defesa contra os drones e mísseis de cruzeiro para uma linguagem comum. A vulnerabilidade dos alvos tem a ver com a escassa distância de detecção destes meios ofensivos por radar, situando-se abaixo dos 30-40 km. Devido ao seu pequeno tamanho, aos seus materiais não metálicos e ao seu perfil de vôo, situado a cerca de 10 m acima do solo, a impressão no radar é dificilmente observável. A distância de 30 a 40 km diminui ainda mais em função da altura da antena e do raio do círculo coberto pela antena. Por exemplo, o radar do míssil Patriot tem um raio de 120º, em 360º .

Os radares dos satélites militares de rastreio não estão à altura de detectar os mísseis de cruzeiro ou os drones. Nestes casos, a defesa antiaérea de uma área compreendendo o conjunto do território nacional não é eficaz porque requer forças consideráveis. É por isso que a defesa de objectivos importantes é organizada segundo as direções de risco quanto aos acessos mais prováveis.

A probabilidade de detecção aumenta com a cooperação entre a rede de radar terrestre e os radares embarcados nas aeronaves remotas AWACS ( Airborne Early Warning and Control ) dispondo de uma área de detecção mais extensa. Aquando da aproximação dos drones aos seus alvos, a Arábia Saudita com um Saab-2000 de matricula 6002, com o indicativo rádio BAHAR 46, alojando um radar do tipo AEW, poderia tê-los detectado. Porém, o AWACS tinha sido enviado em patrulha para o lado oposto, para a fronteira iraquiana. Para a detecção de aparelhos voando a baixa altitude, a defesa directa contra um pequeno objectivo pode utilizar plataformas de radar de tipo dirigível ou balões ancorados ao solo.

Se drones ou mísseis de cruzeiro forem detectados com antecedência, e se aviões de combate se encontrarem na área de intervenção aérea na proximidade do alvo, eles serão interceptados por mísseis ar-ar, com ajuda de sensores infravermelhos ou de radares embarcados. Caso contrário, esta tarefa recai sobre a defesa antiaérea que usa mísseis de longo, médio, curto, ou muito curto alcance e sistemas de artilharia de pequeno calibre CIWS (Kashtan, Goalkeeper, Meroka, Oerlikon Millenium, etc.). No caso das refinarias, deve notar-se que os mísseis antiaéreos de curto e muito curto alcance, guiados por feixe térmico, são automaticamente dirigidos para a chama do gás de combustão, e não para o alvo aéreo.

Supondo que os radares descobrem o alvo aéreo cerca de 20 a 25 km antes do ataque, o tempo antes de impacto no alvo é de 100 a 110 segundos. Subtraímos daqui um tempo passivo de 10 a 30 segundos necessário para preparar o lançamento de mísseis antiaéreos de longo, médio e curto alcance. Se a primeira salva de mísseis não destruiu o alvo, o segundo lançamento de misseis, composto por mísseis de muito curto alcance, é efectuado para um raio de 7 a 9 km. Quando a distância de detecção é muito pequena, mas o tempo de impacto ainda é superior a 65 segundos, todos os tipos de mísseis antiaéreos são lançados simultaneamente. O último recurso é representado pelos sistemas de artilharia CIWS (canhões rotativos de 6 tubos de 20 a 35 mm), com uma cadência de tiro de até 8. 000 projécteis/minuto, com um alcance de 3 km e uma eficácia máxima de cerca de 500 m. Se tiver que se fazer face a ataques em vagas sucessivas, em intervalos muito próximos, usando inúmeros drones e mísseis de cruzeiro, em direções diferentes, à medida que os Iemenitas progridem, os canais do serviço de defesa ficam saturados e o sistema bloqueia.

Os ataques preventivos constituem o método mais eficaz para lutar contra os drones e os mísseis de cruzeiro. Assim, os seus lançadores, os seus armazéns de componentes e os seus hangares de montagem devem ser alvejados. Tudo depende da exactidão das informações recolhidas pelos serviços de inteligência militar.

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Os Norte-americanos começaram a analisar metodicamente o ataque de drones Iemenitas a estas instalações petrolíferas, tanto mais que os seus sistemas antiaéreos mais capazes estavam presentes. O relatório é secreto mas o Instituto de Estudos Internacionais Middleburry, de Monterey, publicou várias fotos de satélite, desclassificadas, do sistema de defesa da refinaria de Abqaiq antes do ataque. No que diz respeito à refinaria de Abqaiq que foi atingida pelos drones Iemenitas, o dispositivo de defesa directa foi instalado pelos Estados Unidos (foto acima). Num raio de 10 km, à volta da refinaria, foram colocadas 2 baterias Patriot PAC-2/3 de longo alcance, uma bateria de mísseis Shahine-Crotale de curto alcance e 3 secções de artilharia com radar do tipo Oerlikon e câmeras Skyguard.

O centro de controle de tiro para os sistemas de artilharia antiaérea sauditas é baseado no equipamento de radar Skyguard com um alcance de 20 km, para os alvos evoluindo a mais de 5.000 m, e de 5 km para alvos voando a menos de 500 m. Uma peça de Oerlikon dispõe de um canhão com dois tubos de 35 mm, com uma cadência de tiro de 550 a 1. 000 projécteis/minuto. Uma secção de artilharia que defende uma direção de entrada é composta por 3-4 peças Oerlikon.

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Numa imagem de satélite de Abril de 2019, nota-se que a bateria Patriot colocada a sudoeste da refinaria de Abqaiq foi recolocada pelos Sauditas numa outra zona. Numa outra imagem de satélite, vemos o dispositivo de defesa antiaérea da refinaria datado de 14 a 15 de Setembro. A segunda bateria Patriot, colocada a leste da refinaria, está ausente, mas a primeira bateria Patriot regressou ao dispositivo. Como é que a bateria de Patriot funcionaria, na rede automatizada, se o seu radar não é capaz de detecção, e porque é que os alvos não detectaram, eles próprios, um radar de rede Fps-117 ou 43? Além disso, pode constatar-se que duas das três posições das secções de artilharia, respectivamente a do sudoeste e a de sudeste, estão vazias (ver fotos 14, 15). Por outras palavras, as que teriam podido intervir num ataque vindo do Iémene. O que levanta grandes questões sobre a saúde mental do líder do sector (ADOC) que ordenou essa recolocação.

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Se a estação de radar da bateria Shahine-Crotale e a da secção de artilharia antiaérea do Norte tivessem funcionado e detectado os alvos, os Sauditas tinham menos de um minuto para reagir. Para os mísseis Shahine-Crotale, o tempo de preparação era insuficiente para abrir fogo. Os drones iemenitas voavam a uma altitude de 5 a 10 m vindos do sul e a secção de artilharia do Norte da refinaria foi a única a disparar para cima, por entre as colunas das infraestruturas, caindo alguns dos projécteis sobre a refinaria. Isso explica o facto de que, muito embora os Iemenitas tenham usado 18 + 1 aparelhos de ataque para os dois alvos Sauditas, só na refinaria de Abqaiq é que houve 27 focos de incêndio.





Ver original na 'Rede Voltaire'



VIRAGEM NA GUERRA DO IÉMENE, NÃO FAVORÁVEL À ARÁBIA SAUDITA

 

Três brigadas sauditas derrotadas em ofensiva relâmpago dos houthis
Resumido a partir de:
Federico Pieraccini via The Strategic Culture Foundation

Muita gente pode ter sido levada a acreditar que os houthis são uma milícia tribal que não possui qualquer sofisticação.  

No Sábado 28 de Setembro, os houthis cancelaram qualquer especulação nesse sentido, ao confirmar aquilo que as pessoas bem informadas já sabiam desde há meses: as tácticas da guerra assimétrica dos houthis conjugadas com as capacidades convencionais do exército iemenita, eram capazes de colocar de joelhos o reino saudita.

Elementos simpatizantes dos huthis dentro da Arábia Saudita – uma importante minoria xiita – desempenharam um papel de reconhecimento e de fornecimento de informações que permitiram que o exército iemenita levasse a cabo complexos ataques com mísseis e com drones. Os golpes certeiros fizeram com que a produção petrolífera do Reino ficasse reduzida a metade, com a ameaça de continuar, alcançando outros alvos, se os sauditas não parassem com o genocídio de população do Iémen.

                      

No Sábado 28, os houthis e o exército iemenita levaram a cabo uma manobra audaciosa, de ataque terrestre, atravessando a fronteira iemenita- saudita. Esta operação envolveu, certamente, elementos complexos, quer de recolha de informação por espionagem, quer de planeamento operacional. Foi muito mais sofisticada do que o ataque à refinaria da Aramco. As reportagens iniciais indicam que as forças sauditas foram atraídas para uma ratoeira, ficando em posições vulneráveis, sendo depois envolvidas por um movimento rápido dentro do território saudita. Os houthis cercaram a vila de Najran e capturaram a maior parte de três brigadas, com milhares de soldados e dúzias de oficiais superiores, assim como numerosos veículos de combate.

A operação em larga escala foi antecedida por uma barragem de tiros de artilharia pelos iemenitas contra o  Aeroporto de Jizan, onde 10 mísseis paralisaram todos os movimentos de partidas e chegadas. Isto fez com que o apoio aéreo às tropas cercadas em Najran fosse impossível.  Os houthis também atingiram o aeroporto internacional de Riade, numa operação que obrigou os helicópteros Apache aí estacionados a fugir da área. As bases vizinhas também foram atingidas, de forma a cortar a possibilidade de reforços e interrompendo a cadeia de comando. Isto levou a uma fuga desorganizada das forças sauditas.

Imagens captadas e exibidas pelos houthis mostram dúzias de veículos tentando fugir e a serem atacados, de ambos os lados da estrada. Este desastre para as forças sauditas, pode ser confirmado pelo número elevado de baixas e pelo número de prisioneiros que foram feitos.  

                          EFpDzYnUEAE5T_G A visão de prisioneiros sauditas escoltados por soldados iemenitas para campos de prisioneiros é qualquer coisa que desafia a imaginação. Porém, isto aconteceu e mostra como é frágil um exército muito bem equipado (os sauditas têm o 3º lugar mundial no que toca a despesas de armamento, com 90 biliões de dólares por ano, de orçamento militar) mas confiando apenas nessa suposta superioridade tecnológica.  Os houthis, além de todos acontecimentos acima relatados, conseguiram manter sob controlo mais de 350 quilómetros de território saudita.

As forças houthis usaram drones, mísseis, sistemas anti-aéreos e dispositivos electrónicos capazes de prevenir que os sauditas apoiassem as suas tropas cercadas com aviação ou por outros meios. Os testemunhos de soldados sauditas dão a entender que as tentativas feitas para os socorrer foram feitas sem grande convicção e tiveram pouco efeito. Os prisioneiros de guerra sauditas acusam as chefias militares de terem-nos deixado à mercê dos seus adversários.

Ver também:

https://ogmfp.wordpress.com/2019/09/18/o-cisne-negro-ataque-com-drones-a-instalacoes-petroliferas-da-arabia-saudit


Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Houthis enviam reforços para Hodeida no Iêmen

Adén, Iêmen, 22 set (Xinhua) -- As forças iemenitas pró-governo culparam neste domingo o grupo rebelde Houthi por enviar reforços militares para áreas da cidade portuária de Hodeida, no Mar Vermelho.

Os Houthis estabeleceram novos locais militares e quartéis nas partes do sudeste de Hodeida, disse um comunicado divulgado pelas Brigadas Gigantes pró-governo.

A declaração dizia que um novo lote de reforços de Houthi chegou e foi implantado em diferentes áreas de Hodeida.

O movimento Houthis coincidiu com uma escalada de projéteis de artilharia contra locais das forças conjuntas pró-governo em Hodeida, segundo o comunicado.

Na semana passada, os Houthis dispararam indiscriminadamente projéteis de artilharia contra as áreas residenciais do distrito de Tuhyata, em Hodeida, deixando nove civis mortos e 10 outros feridos, incluindo mulheres e crianças.

Hodeida é a principal cidade portuária do Iêmen no Mar Vermelho e a entrada principal da maioria das importações comerciais e ajuda humanitária do Iêmen.

Os Houthis aliados ao Irã controlam grande parte de Hodeida, enquanto as tropas do governo apoiadas pela Arábia Saudita avançaram para os distritos do sudeste.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/23/c_138415743.htm

Chanceler iraniano explica como houthis conseguiram atacar refinarias sauditas

Apoiantes dos rebeldes houthis mostram modelos de mísseis durante uma manifestação na capital do Iêmen.
© AFP 2019 / MOHAMMED HOWAIS

O chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif, disse que os rebeldes iemenitas Houthis conseguiram aumentar o alcance de seus mísseis, permitindo-lhes atacar instalações petrolíferas na Arábia Saudita.

O ministro iraniano das Relações Exteriores explicou durante entrevista à CBS que os rebeldes iemenitas receberam armas de seu ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que "as comprou com dinheiro saudita durante sua longa permanência no poder.

Zarif também observou que os houthis têm tecnologia e know-how para melhorar suas armas.

O ministro iraniano destacou também que Riade não apresentou nenhuma prova do envolvimento de Teerã nos ataques.

Sequência de acusações

A situação no Oriente Médio se deteriorou depois que várias instalações petrolíferas da empresa estatal de petróleo e gás Saudi Aramco foram atacadas por drones no dia 14 de setembro, após o que o reino foi forçado a cortar a produção de petróleo em mais de metade.

A responsabilidade pelo ataque foi reivindicada pelos rebeldes iemenitas houthis, contra os quais a coligação árabe liderada pela Arábia Saudita está combatendo mas Riade e Washington acusaram Teerã do incidente.

O Irã nega todas as acusações, enquanto seu governo enfatizou que os ataques às instalações petrolíferas prejudicam toda a região, e observou que tais acusações são tradicionais para os EUA e não causam surpresa.

Armas de fogo de artilharia do exército saudita em direção às posições houthis da fronteira saudita com o Iêmen.
© REUTERS / Faisal Al Nasser
Armas de fogo de artilharia do exército saudita em direção às posições houthis da fronteira saudita com o Iêmen.

Apesar da falta de provas do envolvimento do Irã no ataque, Trump ordenou que as sanções contra Teerã fossem substancialmente reforçadas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019092314547177-chanceler-iraniano-explica-como-houthis-conseguiram-atacar-refinarias-sauditas/

Irã pede que Arábia Saudita ponha um fim na guerra contra Iêmen

Coalizão da aviação dos países árabes causou ataques aéreos contra a residência do ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh
© Sputnik / Stringer

O Ministério de Relações Exteriores do Irã fez um apelo para que a Arábia Saudita pare com acusações "sem fundamento" e ponha fim à guerra no Iêmen.

O ministro de Estado das Relações Exteriores da saudita, Adel Al Jubeir, afirmou neste sábado que os ataques contra instalações petrolíferas da Riad dos feridos realizados a partir do Irã e não do Iêmen.

“Ao invés de acusações sem fundamento contra outros, o governo da Arábia Saudita deveria pôr um fim à guerra devastadora no Iêmen que não criou nada mais que assassinatos de pessoas inocentes e destruições desse país”, diz a declaração do porta-voz da chancelaria iraniana, Abás Musaví.

O porta-voz rechaçou mais uma vez as acusações de que Teerã teria participado dos ataques contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita.

Em 14 de setembro, a Arábia Saudita, o maior exportador e um dos principais produtores de petróleo do mundo, cortou em quase cinquenta por cento o seu fornecimento diário do produto em função dos ataques de drones às instalações da companhia estatal de petróleo, a Saudi Aramco.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019092114542772-ira-pede-que-arabia-saudita-ponha-um-fim-na-guerra-contra-iemen/

Os Estados Unidos e a França são co-responsáveis pela fome no Iémene

 

Uma nota da Inteligência Militar francesa, datada de Outubro de 2018, atesta que armas francesas são largamente utilizadas pela Arábia Saudita contra o Iémene (Iêmen-br). Trata-se de «tanques Leclerc, obuses "flecha", (aviões) Mirages 2000-9, radares Cobra, blindados Aravis, helicópteros Cougar e Dauphin, canhões César...».

Os mapas desta nota foram apresentados ao Presidente Emmanuel Macron durante um Conselho de Defesa restrito no Eliseu, a 3 de Outubro de 2018.

Este documento, revelado pela Disclose, a 15 de Março de 2019, junta-se às revelação do Le Figaro o qual, a 16 de Junho de 2018, tinha confirmado a presença de Forças Especiais Francesas ao lado do Exército saudita, durante a Batalha de Hodeida.

O governo francês continua, no entanto, a afirmar que as suas armas e as suas tropas não participam em operações ofensivas, mas que estão apenas em posições defensivas na fronteira saudita.

Nos Estados Unidos, o membro democrata dos Representantes Bernie Sanders conseguiu, a 13 de Março de 2019, que a sua câmara votasse uma lei proibindo qualquer participação do seu país na guerra do Iémene. Este texto, que havia já sido adoptado, nos mesmos termos, pelo Senado antes das eleições intercalares, deverá ser confirmado pelo novo Senado. A Casa Branca anunciou que o Presidente Trump lhe oporá o seu veto.

A estratégia escolhida pelo Estado-Maior conjunto israelo-saudita (ao qual os Emirados Árabes Unidos, os Estados Unidos e a França estão associados) prevê agora vencer esfomeando a população iemenita.

Pelo menos um terço dos alvos desta coligação (coalizão-br) são civis e não militares. Estes ataques, conduzidos por Riade, já provocaram a morte pela fome de pelo menos 50. 000 crianças.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Trump veta resolução do Congresso que determina a saída dos EUA da guerra do Iêmen

O presidente dos EUA, Donald Trump, com o rei saudita Salman bin Abdulaziz Al Saud em Riad, Arábia Saudita, em 21 de maio de 2017
© REUTERS / Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em uma carta ao Senado que vetou medida aprovada pelo Congresso para acabar com o envolvimento americano na guerra liderada pelos sauditas no Iêmen.

"Estou devolvendo sem minha aprovação, a S.J. Res. 7, uma resolução conjunta que pretende obrigar o presidente a retirar as Forças Armadas dos Estados Unidos do conflito ou de ações contra a República do Iêmen", escreveu Trump na terça-feira. "Esta resolução é uma tentativa desnecessária e perigosa de enfraquecer minhas autoridades constitucionais, pondo em risco a vida dos cidadãos americanos e bravos membros em serviço, tanto hoje como no futuro", completa o texto.

Esta foi a segunda vez desde o início do mandato em 2017 em que Trump usou o poder de veto para rejeitar uma resolução do Congresso. Anteriormente, ele barrou uma medida que revogava sua declaração de emergência nacional na fronteira dos EUA com o México. A questão acabou judicializada.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita está envolvida na guerra civil no Iêmen desde março de 2015, quando começou a realizar ataques aéreos contra os rebeldes armados Houthi a pedido do então presidente iemenita Abd Rabbuh Mansur Hadi.


Os combates contavam com apoio aéreo e contratos armamentistas com os EUA, mas congressistas republicanos e democratas decidiram encerrar a ajuda após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi na embaixada saudita em Ancara. A Inteligência dos EUA e a relatoria especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias acusam o príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman de encomendar a morte de Khashoggi. Riad nega.

A guerra civil do Iêmen já matou mais de 7 mil mortes e deixou 20 milhões de pessoas no Iêmen em estado de urgente assistência humanitária, de acordo com estimativas da ONU.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041613696457-eua-guerra-iemen-arabia-saudita/

Manifestações no Iémen pela soberania do país e o fim da agressão saudita

O quarto aniversário da agressão saudita foi assinalado no Iémen por grandes manifestações em defesa da soberania nacional e de repúdio contra a intervenção estrangeira naquele país.

Mulheres iemenitas acenam bandeiras durante um comício de denúncia do quarto aniversário da campanha militar liderada pela Arábia Saudita (aliado dos EUA na região) no Iémen, em Sanaa, Iémen, 26 de Março de 2019. A agressão saudita já provocou mais de 15.000 mortos.CréditosYahya Arhab / Agência Lusa

Dezenas de milhar de iemenitas manifestaram-se em Sanaa e outras cidades do Iémen em defesa da soberania nacional e para demonstrar o seu firme repúdio pela agressão militar da coligação dirigida pelo regime saudita, à passagem do quarto aniversário da intervenção militar levada a cabo no Iémen por uma coligação financiada e dirigida pela Arábia Saudita e apoiada pelos EUA, com o propósito declarado de recolocar no poder Abd Rabbuh Mansur Hadi, um aliado próximo de Riade afastado da presidência no início de 2015 pelo movimento popular huti Ansarullah.

Significativas manifestações ocorreram em cidades como Saada, Taizz, Ibb, Bayda e Raymah desde segunda-feira, mas a maior concentração foi esta terça-feira, dia 26 de Março, na capital, Sanaa, reporta a iraniana PressTV, citando fontes locais. Desde as primeiras horas da manhã de terça-feira os manifestantes encheram a praça Sabeen, no centro de Sanaa. Combatentes empunhando Kalashnikovs e as suas adagas tradicionais, e civis, incluindo mulheres e crianças, muitos exibindo pintada no rosto a bandeira nacional, empunharam cartazes e bandeiras do Iémen e entoaram palavras de ordem contra a Arábia Saudita, Israel e os EUA.

«O Iémen derrotará os invasores»

Entre os oradores, o Grande Mufti do Iémen, líder religioso do país, apelou aos países árabes e às comunidades e líderes muçulmanos em todo o mundo para não permanecerem silenciosos e condenarem os crimes cometidos contra os iemenitas pelo regisme saudita e osseus aliados.

O presidente Mohammed Ali al-Houthi, presidente do Supremo Conselho Revolucionário do Iémen, afirmou que «a nação iemenita continuará a lutar e jamais se renderá. Acabará por derrotar o inimigo», ao que a multidão respondeu cantando «por cinco ou cinquenta anos, enfrentaremos a coligação criminosa». Na arena internacional, aquele dirigente condenou a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de reconhecer os territórios sírios  dos montes Golan, ocupados por Israel, como «território de Israel».

Em discurso transmitido ao vivo pela televisão iemenita na tarde de segunda-feira, Abdul-Malik al-Houthi, líder do movimento político-religioso huti – também conhecido por Ansarullah (de Ansar Allah, ou «Apoiantes de Deus») – que se tem afirmado como a mais importante força política do Iémen, afirmou que o regime saudita falhara os seus propósitos, apesar do apoio recebido de Washington e outros seus aliados. «Riade e os seus aliados pretendem pilhar os recurssos petrolíferos do Iémen», proclamou, acrescentando que «a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos» (EAU), uma peça chave da coligação dirigida pelos sauditas, «enfrentam desafios económicos resultantes de uma guerra prolongada», que contraria as predições do regime saudita de «uma vitória em poucos meses».

Acerca do ex-presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, apoiado por sauditas e americanos – que nem sequer arrisca a presença em em território iemenita ocupado pelas forças invasoras, preferindo movimentar-se entre Riad e Washington, onde ainda recentemente permanecia – o líder Huti afirmou que «ninguém tem o direito de vender o seu país [ao estrangeiro] e derramar o sangue do seu povo» – negando-lhe qualquer futuro político no Iémen.

Hadi, que resignara ao seu cargo e abandonara o país na sequência da vitória do movimento huti, estabelecendo-se em Riade, capital da Arábia Saudita, aproveitou a intervenção saudita para renovar as suas pretensões à presidência iemenita.

O movimento Huti tem governado o Iémen a partir de Sanaa, ao mesmo tempo que lidera as forças iemenitas em contra-operações contra os agressores liderados pelo regime saudita.

Quatro anos de guerra e destruição

oi a 26 de Março de 2015 que a Arábia Saudita lançou uma poderosa ofensiva contra o seu vizinho do Sul, com ataques aéreos em vários pontos do país, tendo como objectivo declarado recolocar no poder Abd Rabbuh Mansur Hadi, um aliado próximo de Riade que se demitira da presidência.

Além dos ataques aéreos iniciais, a campanha militar saudita, que conta com o apoio directo de países como os EAU, o Catar, o Bahrein, a Jordânia e Marrocos, envolve operações no terreno e um bloqueio naval, bem como a intervenção de empresas de mercenários, pagas pelos EAU. A guerra tem sido um negócio importante para diversos países ocidentais, como os EUA, o Reino Unido, ou Espanha, que intercalam declarações sentimentais pelas baixas civis causadas pelo conflito com novos e avultados fornecimentos de sofisticado material de guerra ao exército saudita.

Do ponto de vista militar, a guerra tem-se caracterizado, por um lado, pela inesperada capacidade de resistência iemenita ao moderno e poderoso exército saudita o qual, em armamento, se encontra entre os dez mais bem equipados exércitos a nível mundial, chegando mesmo a contra-atacar os invasores no interior do seu próprio território; por outro, pela permanente violação, pelas forças invasoras, das mais elementares regras da guerra, atacando alvos civis deliberadamente, em punição pelas derrotas militares que vem sofrendo.

Hoje mesmo, pelas 9h30 locais, um míssil da coligação atingiu um posto de gasolina à entrada de um hospital rural em Saada, no noroeste do país, a 100 quilómetros da capital, matando sete pessoas, quatro das quais crianças e duas trabalhando no hospital, segundo a Fundação Thonsom Reuters, citando uma declaração da Save the Children que também assinala a existência de oito feridos.

A guerra de agressão conduziu à destruição de muitas das infra-estruturas – casas, escolas, hospitais, fábricas, explorações agrícolas – daquele que é considerado o país mais pobre do mundo árabe e a baixas elevadas entre combatentes mas também entre a população civil.

Uma tragédia humanitária sem precedentes

Andrea Carboni, de uma organização não-governamental (ONG) constituído por um grupo de investigação associado à Universidade de Sussex (Reino Unido), o Armed Conflict Location and Event Data Project(ACLED), que procura estabelecer o número real de baixas em conflitos, afirmou ao Independent que os resultados encontrados fazem admitir um total de mortos, para os quatro anos de guerra, na ordem das 70 a 80 mil vítimas, entre combatentes e civis. «Estimamos que 56 mil combatentes e civis foram mortos entre Janeiro de 2016 e Outubro de 2018 [apenas]», declarou.

A organização é fortemente crítica da aceitação de uma estimativa de 10 mil mortes – algo que o quotidiano britânico também considera «um número misteriosamente baixo dada a ferocidade do conflito». Esse número, frequentemente referido, foi anunciado no início de 2017 (com menos de dois anos de guerra) por um representante das Nações Unidas (ONU) e, incompreensivelmente, tem-se mantido inalterado desde então. Na sua origem estarão, segundo a referida fonte, «dados recolhidos exclusivamente no frágil e limitado sistema de saúde iemenita», e a continuação da sua referência tem servido à Arábia Saudita e aos EAU para «desvalorizar a perda de vidas humanas» no conflito.

«Ao contrário da guerra na Síria, os governos americano, britânico e francês não tèm interesse em destacar a devastação causada no Iémen» já que têm dado «cobertura diplomática à intervenção saudita», escreve-se no Independent, acrescentando que «a sua deliberada cegueira à morte de tantos iemenitas começa a atrair uma maior atenção» em resultado da degradação da imagem internacional do regime saudita após o assassinato premeditado de Jamal Khashoggi em 2 de Outubro de 2018 por agentes sauditas.

Como consequência da guerra, o Iémen vive actualmente «a pior crise humanitária naquele país árabe nos últimos 100 anos», com 22,2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, incluindo 8,4 milhões afectadas por «fome severa», segundo a ONU, e 2 milhões de deslocados vivendo em condições muito difíceis.

A ONU tem procurado promover o diálogo entre as partes com vista à resolução do conflito, naquelas que são consideradas «conversações muito duras».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/manifestacoes-no-iemen-pela-soberania-do-pais-e-o-fim-da-agressao-saudita

O horror cresce no Iémen

No Iémen, o país sobre o qual desabou uma guerra devastadora liderada pela Arábia Saudita com o apoio dos EUA e outras potências ocidentais, as coisas vão de mal a pior de acordo com recentes denúncias de atrocidades cometidas contra a martirizada população.

Al Yunaid, membro do denominado governo de salvação nacional criado pelos rebeldes hutis, afirmou que a coalizão agressora utiliza contra vilarejos e cidades armas proibidas em nível mundial.

Tais ataques, garantiu, potenciam a propagação de inúmeras doenças, como a cólera, o sarampo, a difteria, gripe e outras.

Um dos fatores assinalados pelos especialistas como chave na rápida propagação da epidemia de cólera – considerada a mais grave e espalhada do planeta pela Organização Mundial da Saúde – é justamente a destruição da infraestrutura sanitária, do sistema de água e esgoto e a acumulação de toneladas de lixo nas ruas.

Centenas de milhares de pessoas se acham entulhadas em acampamentos que carecem dos serviços mínimos indispensáveis e onde faltam medicamentos, alimentos e pessoal para atender às necessidades da população civil, a principal vítima de um conflito imposto que completará quatro anos no próximo dia 25 de março.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha informa que o Iémen é palco da pior crise humanitária no planeta: 22 milhões de pessoas necessitam ajuda para sobreviver, muitas delas estão à beira da fome.

Além dos bombardeios, combates e doenças, os iemenitas têm de lidar com as minas plantadas pelas duas partes em conflito, ou seja, os hutis e as tropas leais ao presidente Abdrabbuh Mansour Hadi, que é apoiado pela coalização agressora formada por Arábia Saudita e países ocidentais.

A organização Médicos sem Fronteiras assinalou que de três pessoas feridas pelas minas uma é criança, o que está causando uma geração com graves mutilações, outro grave problema de longo prazo.

Em dezembro passado, na Suécia, se obteve um limitado acordo de paz, mas falta muito para conseguir o cessar-fogo efetivo, a troca de prisioneiros e destravar o acesso à ajuda humanitária, indispensável para salvar muitas, talvez milhões de vidas.

O drama se passa diante de governos, grandes meios de comunicação e organizações internacionais que assistem indiferentes, a reação tem sido lenta demais, talvez porque se trata do país mais pobre no mundo árabe.

O Iémen não tem grandes recursos naturais, mas se situa num dos extremos que comunicam o Mar Vermelho com o canal de Suez, por onde passam todos os dias milhões de barris de petróleo, razão suficiente para desencadear o desejo de grandes produtores e consumidores de controlar esta estratégica passagem. Sem dúvida, o óleo é a principalmente causa desta guerra tão cruel.


por Guillermo Alvarado, da Radio Havana Club | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (i21 ) / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-horror-cresce-no-iemen/

Coalizão liderada pela Arábia Saudita realiza ataques aéreos contra capital do Iêmen

Coalizão da aviação dos países árabes causou ataques aéreos contra a residência do ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh
© Sputnik / Stringer

A coalizão árabe, liderada pelos sauditas, realizou uma série de ataques aéreos contra as posições dos militantes Houthis na capital do Iêmen, Sanaa, informou a mídia local neste sábado.

Os ataques às posições dos houthis, em particular os locais de lançamento dos drones em Sanaa, foram uma resposta ao ataque à base militar de al-Anad, na província de Lahj, na semana passada, onde muitos oficiais do exército e serviços de segurança do Iêmen foram mortos, informou a emissora saudita Al Ekhbariya, citando a declaração da coalizão. Mais cedo, os Houthis confirmaram que eram responsáveis ​​pelo ataque dos drones na base de al-Anad.


Poucas horas antes do ataque, a coalizão e o governo do Iêmen apelaram aos iemenitas pedindo-lhes que se afastassem das posições dos houthis, diz a declaração.

Segundo a emissora Al Arabiya, as posições dos houthis na parte noroeste de Sanaa foram atingidas. Em particular, a coalizão atacou um campo de treinamento, bem como uma divisão do sistema de defesa de mísseis Houthis e a base aérea militar de al-Dulaimi, de onde drones haviam sido lançados para atacar as posições das forças pró-governo. Além disso, a casa do presidente, onde ficava o campo de treinamento, foi submetida a ataques aéreos.

Ao mesmo tempo, a emissora Almasirah, controlada pela Houthis, informou que a aeronave da coalizão havia atacado uma fábrica de alimentos no norte de Sanaa, acrescentando que os edifícios residenciais foram danificados. O governo houthi enfatizou que os ataques em áreas residenciais de Sanaa, onde há muitos civis, violaram o direito internacional humanitário.

O Iêmen está envolvido em um conflito entre as forças do governo lideradas pelo presidente Abd Rabbuh Mansour Hadi e os rebeldes Houthi. A coalizão liderada pela Arábia Saudita vem realizando ataques contra os houthis a pedido de Hadi desde março de 2015.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019011913140916-coalizao-arabia-saudita-iemen/

ONU anuncia um cessar-fogo em Hudaydah

O secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou esta quinta-feira que as partes beligerantes chegaram a um acordo de cessar-fogo na estratégica cidade portuária iemenita de Hudaydah.

A coligação liderada pelos sauditas lançou em Junho uma ofensiva sobre a cidade costeira de HudaydahCréditos / dnaindia.com

O acordo entre as partes foi hoje anunciado por António Guterres na cidade sueca de Rimbo, ao cabo de uma semana de conversações de paz que visam por fim à guerra brutal que a aliança liderada pela Arábia Saudita impôs ao Iémen há quase quatro anos.

Nos termos do acordo alcançado entre a delegação do movimento Huti Ansarullah e os representantes do antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, apoiado por Riade, as partes beligerantes decretaram um cessar-fogo para toda a província de Hudaydah, bem como a retirada das tropas da cidade portuária com o mesmo nome, à beira do Mar Vermelho, reconhecendo que as Nações Unidas desempenham um «papel essencial» num porto de vital importância para o país – actualmente sob controlo dos Hutis.

Guterres, que agradeceu a ambas as delegações por «terem dado um passo importante» para permitir «um progresso real com vista a conversações futuras e pôr fim ao conflito», declarou que, após a retirada das forças, as Nações Unidas começarão a levar ajuda à população civil.

Mais de 70% das importações do Iémen passavam pelas docas de Hudaydah. No entanto, a cidade costeira tem estado sujeita, desde Junho, à intensa ofensiva lançada pelos sauditas, as tropas dos Emirados Árabes Unidos e as milícias fiéis a Abd Rabbuh Mansur Hadi.

António Guterres informou ainda que a próxima ronda de negociações está prevista para o final de Janeiro de 2019, altura em que deve ser discutida a reabertura do aeroporto da capital iemenita, Saná, a voos comercais.

Para já foi acordada a reabertura do aeroporto da capital a voos internos. No entanto, refere a HispanTV, a delegação do movimento Huti Ansarullah rejeitou uma proposta de «circulação de voos entre Adém e Saná», por considerar que o aeroporto de Adém (no Sudoeste do país) «está fora de controlo iemenita».

A mesma fonte refere que as negociações foram ensombradas pelos bombardeamentos da Arábia Saudita e dos seus aliados em território iemenita, ignorando tanto a crise humanitária que este tipo de ataques causou no país como a mediação internacional para acabar com a guerra.

Guerra de agressão desde Março de 2015

À frente de uma aliança que inclui países como os Emirados Árabes Unidos, o Egipto e o Sudão, a Arábia Saudita lançou, em Março de 2015, uma ofensiva militar contra o mais pobre dos países árabes, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

De acordo com as estimativas mais recentes, a guerra de agressão contra o Iémen provocou cerca de 56 mil mortos, e tanto o Comité Internacional da Cruz Vermelha como as Nações Unidas se têm referido à situação no país como «a maior crise humanitária do mundo».

As Nações Unidas sublinham que a campanha militar é responsável pela destruição de uma parte substancial das infra-estruturas do país árabe e está na origem de uma situação humanitária em que mais de 22 milhões de iemenitas necessitam de ajuda alimentar urgente, sendo que 8,4 milhões são «severamente afectados pela fome».

Tanto a Arábia Saudita como os Emirados Árabes Unidos têm sido frequentemente acusados de violações dos direitos humanos e de perpetrar acções que se configuram como crimes de guerra. Várias potências ocidentais, em que se incluem a França, a Alemanha e a Espanha, e em que assumem destaque os EUA e o Reino Unido, são acusados de cumplicidade activa nesta agressão, nomeadamente pela venda de armamento e equipamento militar de ponta aos sauditas.

Análise: como EUA conseguiram destruir o Iêmen?

Um menino olha para a câmera enquanto se senta nos destroços de uma casa destruída por um ataque aéreo liderado pelos sauditas nos arredores de Sanaa, Iêmen.
© REUTERS / Mohamed al-Sayaghi

Após anos de guerra, o Iêmen deixou literalmente de ser um país, e aqueles que tiveram alguma responsabilidade pela agressão durante a Administração Obama, agora pedem que Trump ponha fim à catástrofe, escreve colunista.

O colunista da revista norte-americana National Interest, Daniel R. DePetris, informa que recentemente vários ex-funcionários do governo Obama assinaram uma declaração pública da National Security Action (Ação de Segurança Nacional) sobre o Iêmen, onde pedem a interrupção de qualquer iniciativa de apoio ao conflito armado que assola a nação árabe e a prestação de ajuda humanitária ao povo iemenita.

O documento foi publicado dez dias depois de o Departamento de Defesa dos EUA ter anunciado a cessação das operações de reabastecimento aéreo por aviões cisterna norte-americanos de aeronaves militares da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.


Segundo DePetris, a declaração surgiu na hora em que o povo iemenita mais precisava, pois está passando a pior fome que o mundo já viu em décadas: 14 milhões de pessoas estão à beira da inanição. Esse número só aumentará se os intensos combates em andamento na cidade costeira de Hodeida danificarem seu porto.

A assistência militar norte-americana a Riad durante três anos e meio significou um desastre humanitário sem precedentes. O grupo terrorista Al-Qaeda (proibido na Rússia e em outros países) acabou aproveitando do conflito para se beneficiar e enriquecer seus recursos, declara o autor.

"Chegou a hora de acabarmos com o nosso apoio e participação neste conflito brutal", diz um dos ex-funcionários. Porém, algumas das mesmas pessoas que agora defendem a retirada dos EUA defenderam a participação dos EUA quando faziam parte do governo Obama.

Em 8 de novembro, a ex-embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, publicou em seu Twitter que "os pedidos da administração Trump para um cessar-fogo no Iêmen não são suficientes, os combates estão piorando em Hodeida neste momento". No entanto, Power e sua equipe na ONU fez pouco para impedir os sauditas, ressalta o jornalista.


Menina iemenita sofre de desnutrição, consequência da guerra e do bloqueio da Arábia Saudita, Iêmen, 25 de agosto de 2018
© AP Photo / Hammadi Issa
Menina iemenita sofre de desnutrição, consequência da guerra e do bloqueio da Arábia Saudita, Iêmen, 25 de agosto de 2018

O reabastecimento de aviões da Arábia Saudita com combustível americano, o fornecimento de apoio de inteligência e o total suporte diplomático de Riad em fóruns internacionais foi uma política estabelecida e financiada pelo governo Obama, recorda DePetris.

Em 2015, quando a Holanda tentou, relativamente a este conflito, aprovar uma resolução para a criação de uma equipe independente e imparcial de investigadores de crimes de guerra das Nações Unidas, a delegação da Arábia Saudita tentou impedir o esforço e foi apoiada pelo governo americano.

Recentemente, o vice-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Ben Rhodes, condenou o governo Trump por "terceirizar" a política de Washington sobre o Iêmen à Arábia Saudita e a seu parceiro, os Emirados Árabes Unidos.

Além disso, as vendas de armas ao país saudita durante a administração de Barack Obama alcançaram um total de US$ 138 bilhões, um valor oito vezes superior aos contratos semelhantes da época de George W. Bush.


"Agora que os ex-funcionários de Obama estão fora do governo e na Casa Branca está outro partido, eles sentem a necessidade de falar sobre uma mudança de política. Mas, quando muitos desses funcionários estavam no governo, eles dirigiram a política de que agora se queixam", resume o jornalista.

O autor ainda afirma que "a política dos EUA no Iêmen tem sido uma farsa por muito tempo", e enfatiza que Washington fala sobre paz, enquanto continua alimentando o conflito apoiando somente um dos lados.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2018111612687986-analise-como-eua-conseguiram-destruir-iemen/

O Iémen é um «inferno na terra» para as crianças

Com a guerra de agressão lançada pela Arábia Saudita, cerca de 30 mil crianças morrem todos os anos de má-nutrição severa no Iémen, alertou a Unicef este domingo.

De acordo com a Unicef, 1,8 milhões de crianças iemenitas sofrem diariamente de má-nutrição e 400 mil de má-nutrição severaCréditos / Sputnik News

«O Iémen é hoje um inferno na terra para as crianças. Um inferno não para 50-60% das crianças, mas para cada rapaz e rapariga que vivem no Iémen», afirmou Geert Cappelaere, director regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Médio Oriente e Norte de África, numa conferência de imprensa realizada este domingo em Aman, capital da Jordânia.

«Trinta mil crianças com idades inferiores a cinco anos morrem todos os anos no Iémen de doenças que têm a má-nutrição na sua origem», disse o responsável da Unicef, acrescentando que uma criança morre, a cada dez minutos, de doenças facilmente evitáveis».

De acordo com a Unicef, 1,8 milhões de crianças iemenitas sofrem diariamente de má-nutrição e 400 mil de má-nutrição severa, sendo que «40% destas residem em Hudaydah e nas províncias circundantes», onde a guerra se tem intensificado.

Preocupação especial com Hudaydah

Cappelaere fez especial menção à cidade portuária de Hudaydah, no Oeste do Iémen, e à situação humanitária que enfrenta, em virtude da ofensiva lançada pela coligação liderada pela Arábia contra a cidade e a região circundante.

A este propósito, lembrou que porto de Hudaydah tem uma importância vital para 70% a 80% da população iemenita, uma vez que constitui a única porta de entrada para o abastecimento de produtos comerciais e a assistência humanitária, que depois permite à Unicef ajudar o Norte do país.

«Com o assalto a Hudaydah, não tememos apenas pelas vidas de milhares de crianças [naquela região], temenos também pelo impacto que terá nas crianças e demais poulação, sobretudo no Norte do país», frisou Cappelaere.

Para acabar com esta catástrofe, insistiu na necessidade de «um acordo de cessar-fogo» no Iémen sob mediação do emissário especial das Nações Unidas.

Guerra de agressão, desde Março de 2015

Liderando uma coligação militar que inclui países como os Emirados Árabes Unidos, o Sudão e o Egipto, a Arábia Saudita lançou, em Março de 2015, uma ofensiva militar contra o mais pobre dos países árabes, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

O Centro Legal para os Direitos e o Desenvolvimento iemenita afirma que a guerra de agressão contra o Iémen já provocou mais de 15 mil mortos, na sua grande maioria civis. Já o Armed Conflict Location and Event Data Project aponta para números mais elevados: 56 mil mortos.

Por seu lado, o Comité Internacional da Cruz Vermelha e as Nações Unidas têm-se referido à situação no país como «a maior crise humanitária do mundo». As Nações Unidas sublinham que a campanha militar provocou milhares de mortos e feridos entre a população civil, foi responsável pela destruição de uma parte substancial das infra-estruturas do país árabe e está na origem de uma situação humanitária em que mais de 22 milhões de iemenitas necessitam de ajuda alimentar urgente, sendo que 8,4 milhões são «severamente afectados pela fome».

Tanto a Arábia Saudita como os Emirados Árabes Unidos têm sido frequentemente acusados de violações dos direitos humanos e de perpetrar acções que se configuram como crimes de guerra.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Washington quer acabar com a guerra no Iêmene

Falando, em 30 de Outubro de 2018, perante o US Institut of de Peace (Instituto da Paz dos EUA- ndT) , o General James Mattis, Secretário de Defesa, anunciou sua intenção de pôr fim à guerra no Iêmene (Iémene-pt) dentro de 30 dias.

Washington pretende se apoiar no representante especial do Secretário-geral da ONU, Martin Griffiths (Reino Unido), que foi o Diretor do European Institute of Peace. Esta instituição, primeiramente presidida por Steffan de Mistura (antes de ele se tornar o Representante especial para a Síria), é a organização irmã de seu homônimo dos EUA. O Instituto norte-americano foi criado por Ronald Reagan ao mesmo tempo que a NED, para ser seu equivalente junto ao Pentágono.

Martin Griffiths foi recebido na semana passada em Washington. Ele deu uma longa entrevista na televisão saudita Al-Arabiya (foto). Parece que sua missão é ajudar a Arábia Saudita a sair do ninho de vespas onde ela se enfiou. O Iêmene, como o Afeganistão, sempre resistiu aos invasores e jamais pode ser ocupado.

As palavras de “Jim” Mattis foram imediatamente retomadas por Mike Pompeo, o Secretário de Estado.

Esta guerra é uma iniciativa do Príncipe herdeiro saudita e Ministro da Defesa, Mohamed Ben Salman (MBS), visando controlar o governo iêmenita para explorar as reservas de petróleo do «Crescente Vazio», essa região a cavalo sobre os dois países. Ela foi iniciada com a ajuda de Israel, o qual dispõe de um estado-maior conjunto com os Sauditas na Somalilândia. Ela parecia, até agora, se integrar na estratégia geral do Pentágono de destruição de estruturas estatais do Oriente Médio Alargado (doutrina Cebrowski).

Ver original na 'Rede Voltaire'



Khashoggi vs. 50.000 crianças iemenitas massacradas

Peter KoenigEste texto é escrito com justificada indignação. Indignação perante a hipocrisia com que os media, governos e instituições ocidentais reagiram ao assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Trata-se de um assassínio repugnante. Mas que Parlamento Europeu o condene, e nunca tenha encontrado razões para condenar os massacres que a Arábia Saudita leva a cabo no Iémen, é igualmente repugnante.


 

O Parlamento Europeu solicitou ontem (25 de Outubro) um embargo imediato à venda de armas à Arábia Saudita, sancionando desse modo o Reino delinquente se se vem juntando aos EUA e Israel como o principal fornecedor de crimes em todo o Médio Oriente e no mundo. A França disse todavia que apenas aplicará sanções se ficar provado que Riad esteve efectivamente envolvida no assassínio do controverso jornalista saudita. Ao menos a senhora Merkel tinha dito há alguns dias que não iria fornecer armas aos sauditas – em consequência do repugnante crime cometido sobre Jamal Khashoggi.

É Indubitável que se tratou de um horrível assassínio que teve lugar no Consulado saudita em Istambul, com o corpo de Jamal Khashoggi possivelmente serrado em bocados e, segundo os relatos mais recentes, enterrado no pátio traseiro do Consulado. E tudo isto, tal como é agora geralmente admitido, executado por ordem de Riad. Para aligeirar o golpe – por razões de negócio – alguns países europeus argumentam que poderá não se ter tratado de um assassínio premeditado mas possivelmente de um “acidente” mortal, o que evidentemente alterar as premissas e aligeirar a punição – e as vendas de armamento poderão continuar. De qualquer modo, não passa de negócio.

A Europa não tem moral, nem ética, nem nada. A Europa, representada por Bruxelas, e em Bruxelas pela Comissão Europeia (CE) não-eleita não passa, para todos os objectivos práticos, de um mero ninho de lacraus, um ninho de criminosos políticos de colarinho branco, gente dos negócios e em larga medida uma populaça de 500 milhões em larga medida sujeita a lavagem ao cérebro. Existem algumas excepções entre a população e, felizmente, o seu núcleo de “acordados” tem vindo gentilmente a crescer.

Mesmo a Suíça, um país neutral segundo a sua Constituição e um não-membro da UE, embora um firme aderente da União [não] Europeia pela via de mais de 110 contratos bi e multilaterais, ficou a saber-se ontem que está a auxiliar a Arábia Saudita na conversão do helicóptero civil de fabrico suíço Pilatus em feroz máquina de guerra. O Pilatus sempre teve a reputação dessa controversa convertibilidade e era particularmente conhecido na Suíça por essa razão – mas agora ultrapassaram o limite do que é tolerável, ajudando os criminosos e belicistas sauditas a montar uma máquina de guerra voadora no próprio país dos sauditas – totalmente contra a lei suíça e a Constituição suíça, mas inteiramente tolerada pelo governo suíço.

Voltando à questão concreta: foi necessário o horrendo assassínio de um famoso jornalista, de nacionalidade saudita e crítico dos sauditas para que os Europeus reagissem – e, não se esqueçam, a contragosto. Prefeririam seguir a linha de Donald Trump: porquê perder a venda de armas aos sauditas no valor de 110 milhares de milhões de dólares por causa do assassínio de um jornalista? Afinal de contas, negócios são negócios. Tudo o resto é uma farsa.

Há já três anos e meio que os sauditas empreenderam uma horrenda guerra no Iémen. Massacraram dezenas de milhares de iemenitas – segundo a Comissão de Direitos Humanos da ONU mais de 50.000 crianças iemenitas morreram em consequência de bombardeamentos aéreos sauditas com bombas fornecidas pelo Reino Unido e aviões de guerra fornecidos pelos EUA, em consequência de doenças resultantes da ausência de sistemas sanitários e de água potável, como a cólera, e – um crime ainda pior – em consequência da fome extrema, a pior fome da história recente segundo a UNICEF/WHO, imposta pela força uma vez que os sauditas, com o consentimento dos seus aliados europeus, encerraram todos os portos de entrada incluindo Hodeida, o mais importante porto do Mar Vermelho.

A Espanha vende mísseis guiados por laser à Arábia Saudita. Destruição e Morte no Iémen vs. Desemprego em Espanha[1]
Os Europeus, juntamente com os EUA, têm sido mais do que cúmplices deste crime contra a humanidade – destes horríveis crimes de guerra. Imaginem que algum dia é criado um Tribunal como o de Nuremberga para julgar os crimes de guerra cometidos nos últimos 70 anos. Nem um único dos líderes ocidentais que ainda esteja vivo será poupado. É nisto que nós – no Ocidente – nos tornámos. Num ninho de criminosos de guerra – criminosos de guerra em resultado de simples ganância. Inventaram um sistema neoliberal-tudo-é-mercadoria em que não existe nem regras nem ética nem moral – apenas o dinheiro, o lucro e mais lucro. Qualquer forma de maximização do lucro – a guerra e a indústria da guerra – é boa e é aceite. E o Ocidente, com a sua política de fazer dinheiro seja como for, está a impor este sistema nefasto e destrutivo em todo o lado por meio da força e das “mudanças de regime,” caso a coisa não esteja a ser voluntariamente aceite.

E nós, o povo, tornámo-nos cúmplices disso, na medida em que vivemos no conforto e no luxo e não poderíamos estar menos preocupados do que estamos com o que os nossos “líderes” andam a fazer ao resto do mundo, aos chamados humanos menores que vivem na miséria como refugiados, com as suas casas e cidades destruídas e bombardeadas em cinzas, sem escolas, sem hospitais, e em grande medida sem alimentos – é verdade: todos os dias mais de 70 milhões de refugiados estão em deslocação, na sua maioria vindos do Médio Oriente destruído pelo Ocidente. Porque haveríamos de nos preocupar? Vivemos bem. E em contrapartida estes refugiados poderiam roubar-nos os empregos. Não os deixem invadir os nossos abrigos. É preferível continuar a reduzir à bomba os seus países a ruínas.

O Iémen, uma posição estratégica muito ambicionada, não deverá evidentemente ser governado por Houthis, um grupo de revolucionários muçulmanos com inclinações socialistas que integra o Shia Zaidi, um ramo do Shia Imamiya do Irão. Acabaram por ficar fartos de décadas de manipulação do seu governo por parte de Washington. E quem melhor do que os lacaios da Arábia Saudita para realizar o trabalho sujo de Washington? E sim, não têm de o fazer sozinhos. São-lhes fornecidos armamentos de todo o lado da Europa, sobretudo da Grã-Bretanha, e da França, também da Espanha, e durante algum tempo também da Alemanha – e sim, também da neutral Suíça.

Não importa que dezenas de milhares de crianças sejam mortas, que segundo a Comissão de Direitos Humanos da ONU 22 milhões de iemenitas (de uma população de cerca de 30 milhões) estejam em risco de fome severa, e isso inclui 8 milhões de crianças – crianças que na sua maioria deixaram de ter acesso a escolas, assistência sanitária e alimentação – uma geração inteira ou mais sem educação, um bem planeado fosso na sociedade como sucede na Síria, Iraque e Afeganistão. Matando e privando crianças da satisfação de necessidades básicas o Ocidente está a criar um crescente fosso educacional, de pessoas que de outra forma iriam combater pelos seus países, pelas suas sociedades. Não existem. E isso torna tão mais fácil para o Ocidente o simplesmente assumir o controlo da sua posição estratégica, dos seus recursos naturais, apropriar-se e esvaziar os fundos de segurança social acumulados pela sua força de trabalho.

Não será isto suficiente para que a ilustre populaça que vive no luxo ocidental se recoste nos seus cadeirões e pense no assunto? – E se um dia os papéis se invertem e nós, o ocidente, nos encontramos perante a justiça? – Existe alguém no ocidente suficientemente audacioso e realista para encarar essa possibilidade? – E, como é visível nos dias de hoje, a história dá passos de gigante. Estamos no século XXI – a Inteligência Artificial (IA) mais do que se integrou na nossa sociedade. E se – se aqueles que consideramos inferiores e inimigos nossos estiverem efectivamente alguns passos à nossa frente na ciência da IA – e possam inverter o quadro com alguma rapidez?

E enquanto nos admiramos sobre a razão por que os iemenitas massacrados pelos sauditas não suscitam agitação nos media ocidentais, as nossas projecções lineares de crescimento do PIB ocidental fornecidas pelo FMI atingem índices fantásticos por alturas de 2030, ignorando a taxa de desemprego de 20% resultante da IA que alguns prevêem. Esses números contraditórios não têm importância se pudermos alcançar um resultado expressivo matando crianças iemenitas. Mas é necessário o assassínio de Khashoggi para deter – mesmo que temporariamente, e apenas se estivermos com sorte – a máquina de guerra saudita. A população do Iémen não tem importância. Porquê?
Porque é que o assassínio de um jornalista – é certo que um assassínio horrível e medonho realizado pelo governo do seu próprio país. Independentemente de quão controverso Jamal Khashoggi era, ele escrevia para os media ocidentais, para os donos da verdade tais como o Washington Post e o NYTimes. Poderá ter sido isso que o tornou mais importante do que 50.000 crianças iemenitas massacradas e mutiladas – mais importante no sentido de que é apenas em resultado do seu abjecto assassínio que os Europeus irão – talvez – reagir e “sancionar” os sauditas.

Mas mesmo isso não é garantido – uma vez que o Mestre Transatlântico Trump tem muitos trunfos na manga, que pode adiantar e coagir os fantoches europeus no sentido de seguirem o seu odioso exemplo e poupar Riad de qualquer punição, em particular no que diz respeito a armas. No fim de contas, trata-se de negócio. Crianças mortas são apenas isso, iemenitas mortos, uma geração a menos com a qual nos preocuparmos.

Peter Koenig é Investigador Associado do Centre for Research on Globalization (Centro de Investigação sobre Globalização).

Fonte: https://www.globalresearch.ca/khashoggi-versus-50000-slaughtered-yemeni-children/5658192[2]

Divulga o endereço[3] deste texto e o de odiario.info[4] entre os teus amigos e conhecidos

Leia original aqui

Entenda a guerra no Iêmen

Conflito opõe rebeldes xiitas houthis, apoiados pelo Irã, e forças leais ao governo, apoiadas pela coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita. Em quatro anos, país foi arrasado pela guerra.
O conflito no Iêmen é uma das guerras por procuração que, no Oriente Médio, opõem a Arábia Saudita (sunita) e o Irã (xiita), as duas maiores potências regionais. Suas origens estão na Primavera Árabe, em 2011.

Enquanto o Irã apoia os rebeldes houthis, que são xiitas, a Arábia Saudita lidera uma coalizão internacional que apoia as tropas do presidente Abd Rabbuh Mansur al-Hadi, que tenta recuperar o controle sobre o país.

Em setembro de 2014, os houthis assumiram o controle da capital, Sanaa, e de outras regiões, principalmente no norte e no oeste. Eles expulsaram Hadi, que foi buscar refúgio na Arábia Saudita, e o obrigaram a transferir o governo para Aden, no sul.

O conflito se acirrou ainda mais em 2015, quando a Arábia Saudita e seus aliados sunitas iniciaram uma campanha aérea para impedir os avanços dos houthis, principalmente rumo a Aden.

Em novembro de 2017, a Arábia Saudita impôs um bloqueio ao Iêmen, em resposta a um ataque dos houthis ao aeroporto de Riad. Os rebeldes frequentemente disparam mísseis contra alvos no reino sunita, segundo eles, em resposta à intervenção saudita no Iêmen.

A guerra, que já dura quase quatro anos, arrasou o Iêmen, um dos países mais pobres do mundo árabe. Segundo as Nações Unidas, o Iêmen enfrenta hoje a pior crise humanitária do planeta.

Mais de 22 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária. A comida é escassa, em parte por causa do bloqueio saudita ao país. Uma epidemia de cólera afetou 1 milhão de pessoas, segundo estimativas internacionais.

Desde o início dos ataques aéreos sauditas, em março de 2015, quase 10 mil pessoas foram mortas no conflito e outras 55 mil ficaram feridas. A infraestrutura do país foi destruída, assim como o seu sistema de saúde. A coalizão é frequentemente acusada de atacar alvos civis.

A intervenção da Árabia Saudita na guerra do Iêmen é largamente atribuída ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, filho do rei Salman. MBS, como é conhecido, vê no Irã o principal rival da Arábia Saudita e, depois que passou a dar as cartas no reino, adotou uma política externa agressiva, que inclui as intervenções no Iêmen e na Síria e o isolamento do Catar.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.
Alexandre Schossler | Deutsche Welle

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/entenda-guerra-no-iemen.html

ONU: «Hudaydah está a um ataque aéreo de uma epidemia imparável»

A coordenadora humanitária das Nações Unidas para o Iémen, Lise Grande, afirmou este domingo que os ataques sauditas dos últimos dias põem «em risco extremo» a vida dos residentes em Hudaydah.

Um homem e os seus filhos num zona bombardeada de HudaydahCréditosGiles Clarke / UNOCHA

A cidade portuária de Hudaydah, principal porta de entrada de bens e ajuda humanitária no Iémen, pode estar apenas «a um ataque aéreo de uma epidemia imparável», alertou a representante das Nações Unidas num comunicado emitido este domingo.

«Ao longo de semanas, temos estado a fazer tudo o que é possível para ajudar centenas de milhares de pessoas a residir em Hudaydah ou nas suas imediações», mas «estes ataques estão a pôr civis inocentes em risco extremo», afirmou Lise Grande.

Apoiadas pela aviação saudita, forças militares dos Emirados Árabes Unidos e milícias leais a Abd Rabbuh Mansur Hadi, ex-presidente do Iémen, apoiado por Riade, lançaram uma ofensiva contra Hudaydah no passado dia 13 de Junho – prometendo, face aos alertas internacionais que apontavam para o agravamento da crise humanitária no país, ser céleres na expulsão das forças do movimento popular iemenita Ansarullah. Depararam-se, no entanto, com uma forte resistência dos combatentes Hutis e seus aliados.

Na semana passada, a aviação saudita intensificou os bombardeamentos sobre a cidade, alegadamente como retaliação pelo facto de os Hutis terem atingido dois petroleiros sauditas – o que levou a Arábia Saudita a suspender o tráfego marítimo de petróleo pelo Estreiro de Bab el-Mandeb.

A coordenadora humanitária das Nações Unidas revela que, nos dias 26, 27 e 28 de Julho, se verificaram ataques aéreos nas imediações de um centro de saúde reprodutiva e de um laboratório público em Hudaydah, que destruíram uma infra-estrutura de saneamento e uma estação de água no bairro de Zabid. Esta é responsável pela maior parte do abastecimento de água à cidade.

Lisa Grande alertou que a «cólera já está presente em diversos bairros da cidade e na província», sublinhando que os danos causados às infra-estruturas de saneamento, água e saúde «minam todos os esforços» das Nações Unidas na região.

Desde Março de 2015

A guerra de agressão ao Iémen, liderada pelos sauditas e com forte apoio das potências ocidentais – em particular dos EUA e do Reino Unido –, teve início em Março de 2015.

Sem ter conseguido atingir as metas que declarou querer alcançar – esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade –, a intensa campanha militar provocou milhares de mortos e feridos entre a população civil, foi responsável pela destruição de uma parte substancial das infra-estruturas do mais pobre dos países árabes e está na origem de uma situação humanitária que as Nações Unidas classificaram como «catastrófica».

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

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        Homicidal Cops Caught On Police Radio
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