Guerra e Paz

Robôs 'assassinos' podem causar atrocidades massivas, alerta ex-engenheira do Google

Robô (foto de arquivo)
© Sputnik / Vladimir Astapkovich

Uma nova geração de armas autônomas que utilizam inteligência artificial (IA) poderia acidentalmente provocar uma guerra ou causar "atrocidades massivas", adverte a ex-engenheira de software do Google, Laura Nolan.

Em declarações, citadas pelo The Guardian, a cientista da computação apontou para o risco de que essas tecnologias se comportem de maneira inesperada.

Em 2018, Nolan renunciou ao Google em protesto contra a sua participação no Projeto Maven, que visa ajudar o Pentágono a melhorar as suas tecnologias de vigilância aérea usando aviões não tripulados.

Ao contrário dos drones, que são controlados por equipes militares, muitas vezes a milhares de quilômetros de distância do local onde a arma voadora está sendo implantada, Nolan disse que as armas autônomas, referidas por ela como "robôs assassinos", têm o potencial de fazer "coisas calamitosas para as quais não foram originalmente programadas".

Mudança ética na guerra

"Como é que uma máquina de matar que está lá fora, voando sozinha, distingue entre um combatente de 18 anos e um [jovem] de 18 anos que está caçado coelhos?", questiona Nolan.

"Não estou dizendo que os sistemas de mísseis guiados ou sistemas de defesa antimíssil devem ser proibidos. Afinal de contas, eles estão sob total controlo humano e alguém é, em última análise, responsável. No entanto, estas armas autônomas são uma mudança tanto ética como tecnológica na guerra", complementa.

A engenheira afirma que "pode haver acidentes em grande escala", porque esses sistemas robotizados podem começar a se "comportar de maneira inesperada".

Robô cachorro da Boston Dynamics
Robô "cachorro" da Boston Dynamics

"Muito poucas pessoas estão falando sobre isso, mas se não tivermos cuidado uma ou mais dessas armas, esses robôs assassinos, podem acidentalmente iniciar uma guerra repentina, destruir uma usina nuclear e causar atrocidades em massa", alerta a cientista.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019091714527613-robos-assassinos-podem-causar-atrocidades-massivas-alerta-ex-engenheira-do-google/

Os cidadãos da UE recusam tomar partido entre os EUA e a Rússia

Uma sondagem (pesquisa-br) realizada pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), equivalente ao Council of Foreign Relations (Conselho de Relações Exteriores- ndT) norte-americano, avalia o apoio actual ao projecto de Estado supranacional do Tratado de Maastricht, capaz de rivalizar com os Estados Unidos e a China —muito embora em 1992, este segundo país não fosse tido como uma super-potência— [1]. Ela mostra que é apoiado por quase um terço dos Franceses, Austríacos e Alemães.

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Mais surpreendente, apesar dos quarenta anos em que foram colocados sob tutela norte-americana, uma maioria de cidadãos europeus não confia mais e não mais se sente solidária com os Estados Unidos. Em caso de conflito entre os Estados Unidos e a Rússia, a maioria deseja que a União permaneça neutra.

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Na realidade, a UE apenas incluía 12 Estados antes do Tratado de Maastricht. À época, havia uma pequena maioria a desejar o Estado supranacional actual. Hoje em dia são menos de um terço. O Tratado de Maastricht confiou a defesa da UE à OTAN, a qual previa um apoio automático aos EUA em caso de conflito com a Rússia. Os cidadãos da UE encontram-se, portanto, embarcados contra sua vontade num Estado supranacional e num confronto militar que rejeitam.

Esta sondagem atesta o apego dos cidadãos europeus ao ideal de cooperação pela paz que prevalecia no continente no início do século XX.


[1] Give the people what they want: Popular demand for a strong European foreign policy, Susi Dennison, European Council on Foreign Relations, September 10, 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Conflito híbrido: qual seria o plano do Pentágono para a fronteira entre Colômbia e Venezuela?

Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar, que conecta a Venezuela com a Colômbia
© Sputnik / Mikhail Alaeddin

Na atual situação venezuelana, o presidente Nicolás Maduro ordenou que as Forças Armadas do país "elevassem o nível para alerta laranja" perante um possível ataque da Colômbia ao território nacional.

Jeff Cooper, criador do código de cores com o qual geralmente associamos níveis de ameaça, escreveu em seu livro "Princípios de Autodefesa" que muito mais importante do que as armas ou a experiência em manuseá-las é constituir uma verdadeira mentalidade de combate.

Embora os protocolos que correspondem a este nível sejam confidenciais ou restritos, é possível prever as ações de pré-guerra de um Estado e abrir o debate sobre como propor uma defesa integral da nação, opina o colunista da Sputnik Mundo José Negrón Valera.

'Zona Autônoma Temporária'

Sob o grande guarda-chuva da estratégia não convencional, o tenente-coronel dos Marines dos EUA, Frank Hoffman, impulsionou a noção de "guerra híbrida" para definir guerras que podem ser conduzidas e combatidas tanto por Estados, como por "uma variedade de atores não estatais, incorporando uma variedade de diferentes modos de guerra, incluindo capacidades convencionais, tácticas e formações irregulares, atos terroristas incluindo coerção, violência indiscriminada e desordem criminal".

"Estas atividades multimodais podem ser conduzidas por unidades separadas ou mesmo pela mesma [unidade], mas são operacionalmente e taticamente dirigidas dentro do mesmo campo de batalha para alcançar efeitos sinérgicos em todos os níveis da guerra", salienta Hoffman.

Para o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, general Valery Gerasimov, as guerras no século XXI não seriam mais declaradas, nem se desenvolveriam em um "padrão habitual", sendo mais importantes os métodos e táticas não militares do que as armas em si.

Hoffman declarou que o objetivo de um conflito híbrido seria avançar "na desintegração social interna e na quebra da vontade política do adversário", tratando-se de uma estratégia sociopolítica e não de uma estratégia militar.

O escritor e historiador Hakim Bey, em seu livro "Zona Autônoma Temporária" (TAZ), poderia esclarecer o que aconteceria nos próximos meses nos mais de 2 mil km de fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Essa área temporariamente autônoma define um espaço onde os limites do poder estabelecido pelo Estado foram ofuscados.

Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia
© REUTERS / Carlos Eduardo Ramirez
Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia

Quando o Estado ou a lógica social se quebra, por não responder às expectativas dos indivíduos, estes se refazem em várias formas e mecanismos de interação onde surgem novas éticas e os territórios já não seguem as coordenadas impostas pelas constituições nacionais, mas pelas expectativas de compreensão da nova circunstância. Para quem conhece a realidade da fronteira venezuelano-colombiana, essas considerações se tornam familiares, escreve o jornalista.

Do alerta laranja ao vermelho

A linha de fronteira não é determinada pelos Estados, mas pelas necessidades das comunidades locais. Colombianos atravessam a fronteira para serem tratados em hospitais gratuitos na Venezuela e muitos venezuelanos atravessam a fronteira para trabalhar temporariamente ou fazer compras na Colômbia – dessa forma, criam-se novas identidades fronteiriças.

Uma escalada no nível de violência na fronteira pode degenerar na emergência de um novo tipo de território de fato, que não será venezuelano nem colombiano, mas terá a guerra como sua única identidade.

A guerra proposta por Washington busca transformar este território em uma zona desregulamentada e, portanto, administrar a linha de fronteira, desaparecendo a capacidade do Estado venezuelano de atuar neste espaço.

Mas o deslocamento de fato da linha territorial tenta levar o ataque contra a guerrilha para a Venezuela – um falso positivo que poderia forçar as Forças Armadas venezuelanas a passar do alerta laranja para o vermelho.

Colômbia e Venezuela
© Foto / Google Maps
Colômbia e Venezuela

Na hipótese avançada pelo Pentágono, pode não estar prevista uma intervenção militar direta na Venezuela, mas uma deterioração das condições de vida na fronteira. Washington demonstraria assim que não só é capaz de minar a economia da Venezuela, como também a sua integridade territorial, ressalta o autor do artigo.

Guerra não tradicional

Mary Kaldor, uma especialista em novas guerras, considerou que hoje "a vitória não é mais baseada na capacidade de infligir destruição em massa, mas na capacidade de lutar contra o apoio popular dos oponentes".

Portanto, se a Venezuela está imersa em uma guerra onde todo o espectro social é atacado para enfraquecer a moral e o apoio ao governo nacional, qualquer crítica ou apontamento que vise atacar os múltiplos flancos deve ser visto como insumo para a luta contra o verdadeiro inimigo que é, em última instância, o imperialismo dos EUA.

O colunista conclui explicando que assumir e agir sobre a crítica popular necessária é desenvolver uma verdadeira mentalidade de combate, possivelmente a única que garante a legitimidade governamental e a coesão social: se a estratégia aplicada contra a Venezuela não é tradicional, por que o deveria ser seu esquema de análise e defesa?

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019090814493453-conflito-hibrido-qual-e-o-plano-do-pentagono-para-a-fronteira-entre-colombia-e-venezuela/

Paquistão promete 'resposta mais completa possível' à Índia na Caxemira

Um soldado indiano olhando pelo binóculo a 200 km da Linha de Controle que separa Índia e Paquistão (foto de aqruivo)
© AFP 2019 / PRAKASH SINGH

O Paquistão não quer uma guerra, mas prometeu responder "ao inimigo" de forma mais "completa possível", declarou o primeiro-ministro do país, Imran Khan.

Em uma mensagem por ocasião do Dia da Defesa, que é comemorado todos os anos em homenagem aos sacrifícios dos soldados paquistaneses na guerra de 1965 contra a Índia, Khan disse que o Paquistão novamente enfrenta uma situação semelhante.

Segundo o político, a Índia está "demonstrando novamente posições agressivas na Linha de Controle - a fronteira militar estabelecida entre Índia e Paquistão" - e alterando o status de Jammu e Caxemira.

"Para o Paquistão, a Caxemira é uma veia jugular. Alterar seu status coloca desafios à segurança e à integridade do Paquistão", disse Khan em sua mensagem. Ele acusou a Índia de estabelecer um "reino de terror" para o povo da Caxemira.

Em outra mensagem, o general Qamar Bajwa, chefe do exército paquistanês, disse que o povo e as forças armadas do Paquistão estão "dispostas a sacrificar tudo por seus irmãos da Caxemira".

O Parlamento da Índia retirou a autonomia de Jammu e de Caxemira, de maioria muçulmana, no início de agosto. Islamabad, desde então, alerta que a medida pode provocar uma guerra. A Índia diz que as mudanças na Caxemira são uma questão interna e rejeita a posição do Paquistão.

Tanto a Índia como o Paquistão reivindicam a região de Caxemira, que continua dividida entre os dois países desde que se libertaram do domínio colonial britânico em 1947.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019090714491613-paquistao-promete-resposta-mais-completa-possivel-a-india-na-caxemira/

OS PROGRAMAS DE GUERRA QUÍMICA E BIOLÓGICA DOS EUA

Resultado do 'agente laranja'
[ Este artigo consiste, essencialmente, numa cronologia. Infelizmente, ela pára antes do final do século XX. No entanto, os que verdadeiramente quiserem saber os desenvolvimentos posteriores poderão aqui encontrar um ponto de partida. Note-se que muitos destes dados são completamente ignorados pelo grande público. Por outro lado, foram-se acumulando dados sobre infracções e foram adicionadas mais evidências nos cerca de vinte anos, desde que foi publicada esta lista*]  
Pergunta -- A operação «Drop Kick» foi uma operação real realizada pelo governo dos EUA e, assim sendo, será que existem outros exemplos do governo proceder a experiências com civis?

Clyde Francis Habeck respondeu em Fevereiro de 2019:
Eis uma lista, interessante e assustadora - devo dizer, para minha protecção – de alegadas acções tomadas pelo governo «Do Povo, Pelo Povo e Para o Povo». Interessante, duma maneira macabra e assustadora, porque quase todas as experiências, senão todas, foram completamente legais.

TÍTULO 50 – GUERRA E DEFESA NACIONAL
CAPÍTULO 32 – PROGRAMA DE ARMAS QUÍMICAS E BIOLÓGICAS DOS EUA
Sec. 1520. Utilização de sujeitos humanos para experimentação de agentes químicos ou biológicos pelo Departamento da Defesa; reportadas às Comissões do Congresso no que respeita a experimentações e estudos; notificações dos agentes civis locais
(a) No mais tardar, trinta dias depois da aprovação final dentro do Departamento da Defesa, dos planos de qualquer experimentação ou estudo a ser conduzido pelo Departamento da Defesa, quer directamente, quer sob contrato, envolvendo a utilização de seres humanos para testar agentes químicos ou biológicos, o Secretário da Defesa irá fornecer às Comissões dos Serviços Armados do Senado e da Assembleia dos Representantes, uma relação detalhada de tais planos para experiência ou estudo e essa mesma experiência ou estudo só poderá  ser conduzido depois de passar um prazo de trinta dias, a começar pela data em que esse relatório é recebido pelas referidas comissões. 
(b)
(1) O Secretário da Defesa não poderá coordenar quaisquer testes ou experiências envolvendo a utilização de qualquer agente químico ou biológico em populações civis, a não ser que as autoridades civis da área onde o teste ou experiência vai ser conduzida sejam notificadas de antemão de tal teste ou experiência, e esta apenas poderá ser levada a cabo depois de expirado o período de trinta dias, começando pela data da notificação respectiva.
(2) O parágrafo (1) aplica-se a testes e experiências conduzidos por pessoal do Departamento de Defesa e a experiências conduzidas em nome do Departamento da Defesa, por contratantes.
Note-se que não é requerida uma autorização, apenas a aprovação do Departamento de Defesa. Note-se, também que, “a não ser que as autoridades civis da área onde o teste ou experiência vai ser conduzida sejam notificadas de antemão"... não dá definição do que constitui «autoridades civis» ou «da área». Governador, presidente do município, amigos do Departamento da Defesa?


1931 O Dr. Cornelius Rhoads, sob a protecção do Instituto Rockefeller  para a Investigação Médica, infecta seres humanos com células cancerígenas. Mais tarde, estará na origem da criação dos laboratórios para a Guerra Biológica do Exército dos EUA em Maryland, no Utah e no Panamá e é nomeado para a Comissão de Energia Atómica dos EUA. Enquanto permanece neste posto, inicia uma série de experiências com exposição a radiação em soldados e pacientes hospitalares civis.

1932 Inicia-se o Estudo Tuskegee sobre sífilis. 200 homens negros diagnosticados com sífilis, não lhes é nunca revelado o diagnóstico da doença, sendo-lhes negado tratamento da mesma, são usados como cobaias humanas para seguir a progressão dos sintomas da doença. Eles acabam todos por morrer de sífilis e as suas famílias nunca foram informadas de que poderiam ter sido tratados.

1935 O Incidente da Pelagra. Após milhões de mortes de pelagra, no intervalo de duas décadas, o Serviço de Saúde Pública dos EUA, FINALMENTE, ACTIVA-SE para enfrentar a doença. O Director deste serviço admite que tinha conhecimento, pelo menos há vinte anos, de que esta doença, a pelagra,  é causada  por uma deficiência em niacina. Mas não agiu, visto que a maior parte das mortes ocorria em populações negras afectadas pela pobreza.

1940 Quatrocentos presos em Chicago são infectados com malária para estudar os efeitos de novas drogas em experiência para combate à doença. Mais tarde, médicos nazis, durante o julgamento de Nuremberga, citam este estudo americano para defender as suas próprias acções durante o Holocausto.

1942 Os Serviços de Guerra Química iniciam experiências com gás mostarda sobre cerca de  4 mil soldados. As experiências continuam até 1945 e utilizaram membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia que escolheram servir de cobaias humanas, em vez de prestar serviço militar como combatentes.

1943 Em resposta ao programa em pleno desenvolvimento de guerra com micróbios, efectuado pelos japoneses, os EUA iniciam investigações com armas biológicas em Fort Detrick, MD.

1944 A Marinha dos EUA utiliza seres humanos para testar máscaras de gás e roupa. Os indivíduos eram trancados numa câmara com gás e expostos ao gás mostarda e a lewisita (gás tóxico).

1945 Inicia-se o Projecto «Paperclip». O Departamento de Estado dos EUA, os serviços de espionagem militares e a CIA recrutam cientistas nazis, oferecendo-lhe imunidade e identidades forjadas, em troca de trabalho para programas secretos do governo dos EUA.

1945 O "Programa F": é empreendido este programa, pela Comissão da Energia Atómica (AEC). O mesmo consiste num estudo muito extenso sobre os efeitos do fluoreto na saúde, um componente químico chave na produção da bomba nuclear. Sendo um dos químicos mais tóxicos para o Homem, causa efeitos marcados no sistema nervoso central, mas grande parte da informação é suprimida em nome da segurança nacional, porque se temiam processos que viessem comprometer a produção das bombas atómicas.

1946 Nos hospitais de Veteranos do Exército, os pacientes são usados como cobaias para experiências médicas. A fim de eliminar suspeitas, foi dada a ordem de substituir a palavra «experiências» por «investigações» ou «observações», sempre que sejam comunicados estudos médicos realizados num desses hospitais de veteranos.

1947 O Coronel E.E. Kirkpatrick, da Comissão de Energia Atómica dos EUA, produz um documento secreto (Documento 07075001, de 8 de Janeiro 1947 https://ahrp.org/1947-u-s-atomic-energy-commission-begins-radioactive-experiments-on-human-subjects/) que afirma que a agência irá começar a administrar doses intravenosas de substâncias radioactivas em seres humanos.

1947 A CIA inicia o estudo do LSD enquanto arma potencial para ser usada pela espionagem americana. Nele, são usados seres humanos (tanto civis, como militares) com e sem o seu conhecimento.

1950O Departamento da Defesa começa a fazer detonar armas nucleares em áreas desérticas e a controlar as pessoas que residem no trajecto dos ventos, em relação a problemas médicos e a taxas de mortalidade.

1950 Numa experiência destinada a determinar em que grau uma cidade americana seria susceptível a um ataque biológico, a Marinha dos EUA lança uma nuvem de bactérias sobre San Francisco a partir de um navio. Aparelhos de detecção estão distribuídos pela cidade, para testar a extensão da infecção. Muitos residentes adoecem com sintomas de doença semelhantes a pneumonia.

1951 O Departamento da Defesa inicia testes ao ar livre, usando bactérias e vírus patogénicos. Os testes duram até 1969 e existe o receio de que as pessoas a residir nas zonas limítrofes possam ter ficado expostas. 

1953 Os militares dos EUA espalham nuvens de gás de sulfureto de cádmio e zinco sobre Winnipeg, St. Louis, Minneapolis, Fort Wayne, Monocacy River Valley no Maryland, e Leesburg, Virginia. O seu propósito é determinar a eficiência com que poderão dispersar agentes químicos.

1953 São efectuadas experiências conjuntas do Exército, da Marinha e da CIA, pelas quais dezenas de milhares de pessoas, em Nova Iorque e San Francisco, são expostas a micróbios Serratia marcescens Bacillus glogigii lançados na atmosfera.

1953 A CIA inicia o Projecto MKULTRA. É um programa de investigação desenvolvido durante onze anos e concebido para produzir e testar drogas e agentes biológicos que pudessem ser usados no controlo da mente e na modificação do comportamento humano. Seis dos projetos subordinados implicavam testar estas substâncias em seres humanos, sem o seu conhecimento.

1955 Numa experiência para testar a capacidade de infectar populações humanas com agentes biológicos, a CIA liberta bactérias na baía de Tampa (Florida), retiradas do arsenal de armas biológicas.

1955 O Army Chemical Corps continua a investigação com LSD, estudando o seu uso potencial como agente incapacitante. Mais de 1.000 americanos participam nos testes que continuam até 1958.

1956  Os militares dos EUA libertam mosquitos infectados com o agente da febre amarela em zonas por cima de Savannah, Ga e Avon Park, Fl. Após cada teste, agentes do exército disfarçados de funcionários de saúde pública estudam os efeitos nas vítimas.

1958 O LSD é testado em 95 voluntários, nos Laboratórios da Guerra Química do Exército, para estudo dos seus efeitos sobre a inteligência.

1960 O Chefe Adjunto do Estado-Maior  autoriza testes de campo com LSD, na Europa e no Extremo Oriente. Na Europa, os testes têm o nome de código THIRD CHANCE; os destinados à população asiática, têm o nome de código de DERBY HAT.

1965 A CIA e o Departamento da Defesa iniciam o Projecto MKSEARCH, um programa para desenvolver a capacidade de manipulação do comportamento humano, através de drogas psicotrópicas.

1965 Os prisoneiros  detidos na  Holmesburg State Prison, em  Filadélfia, são sujeitos à dioxina, uma substância química muito tóxica, que faz parte do Agente Laranja usado no Vietname. Os homens são depois estudados em relação ao desenvolvimento de cancros, o que indica que se suspeitava que o Agente Laranja era tido como agente carcinogénico, desde essa época. 

1966 A CIA inicia o projecto MKOFTEN, um programa para testar o efeito toxicológico de certas drogas nos seres humanos e nos animais.

1966 O exército dos EUA distribui por toda a rede de metro da cidade de Nova Iorque o Bacillus subtilis, variante nigerMais de um milhão de civis ficam expostos, quando os cientistas militares deixam cair lâmpadas com bactérias, dentro dos sistemas de ventilação.

1967 A CIA e o Departamento de Defesa iniciam o projecto MKNAOMI, sucessor do MKULTRA e destinado a manter, armazenar e testar armas biológicas e químicas.

1968 A CIA faz experiências sobre a possibilidade de envenenar a água potável, injectando substâncias químicas no abastecimento de água do FDA  [Food and Drug Administration] em Washington, D.C.

1969 O Dr. Robert MacMahan, do Departamento da Defesa requer ao Congresso 10 milhões de dólares para desenvolver, no prazo de 5 a 10 anos, um agente biológico sintético para o qual não exista imunidade.

1970 O financiamento para o agente biológico sintético é obtido sob a referência H.R. 15090. O projecto, sob supervisão da CIA é levado a cabo pela Divisão de Operações Especiais em Fort Detrick, o laboratório «top secret» do exército para as armas biológicas. Especula-se que teriam sido usadas técnicas de biologia molecular para produzir um retro-vírus do tipo HIV. 

1970 Os Estados Unidos intensificam o seu desenvolvimento de «armas étnicas» (Military Review, Nov., 1970), concebidas para atingir de modo selectivo e eliminar determinados grupos étnicos que sejam susceptíveis devido a diferenças genéticas e variações no seu ADN.
1975 A secção de vírus do Centro de Fort Detrick para a Guerra Biológica é rebaptizada como Centro Fredrick de Investigação em Cancro e colocada sob a supervisão do National Cancer Institute (NCI) . É aqui que o programa especial de vírus cancerígenos é iniciado pela Marinha dos EUA, com a intenção de desenvolver vírus causadores de cancro. É também aqui que os virologistas isolam um vírus para o qual não existe imunidade. Ele será posteriormente designado por HTLV (Human T-cell Leukemia Virus).

1977 A audições do Senado sobre Saúde e Investigação Científica confirmam que 239 áreas povoadas tinham sido contaminadas com agentes biológicos entre 1949 e 1969. Estas incluem San Francisco, Washington, D.C., Key West, Panama City, Minneapolis, e St. Louis.
1978 Ensaios experimentais sobre a vacina contra a Hepatite B, iniciam-se em Nova Iorque, Los Angeles e San Francisco. Os cartazes para procurar pessoas para se submeterem a essas experiências especificam que se pede indivíduos sexualmente promíscuos, homossexuais.

1981 Os primeiros casos de SIDA em homens homossexuais são confirmados em Nova Iorque, Los Angeles e San Francisco, desencadeando a especulação de que a SIDA possa ter sido introduzida aquando da introdução da vacina da hepatite B.
1985 Segundo o jornal Science (227:173-177), os vírus HTLV e VISNA, este um vírus fatal para as ovelhas, são muito semelhantes, indicando uma relação próxima, do ponto de vista taxonómico e evolutivo.

1986 Segundo a revista Proceedings of the National Academy of Sciences (83:4007-4011), HIV e VISNA são muito semelhantes e partilham todos os elementos estruturais, excepto um pequeno segmento que é quase idêntico ao HTLV. Isto tem levado a que se especule que HTLV e VISNA possam ter sido ligados para produzir um novo retro-vírus para o qual não existe imunidade natural.

1986 Um relatório ao Congresso revela que a presente geração de agentes biológicos inclui: vírus modificados, toxinas ocorrendo naturalmente e agentes que foram alterados por engenharia genética, para mudar o seu carácter imunológico e impedir toda a prevenção com as vacinas existentes.

1987 O Departamento da Defesa admite que, apesar do tratado que baniu a investigação e desenvolvimento de agentes biológicos, continua a operar laboratórios de investigação em 127 locais e universidades, nos EUA.

1990 Mais de 1500 bébés de seis meses, de raça negra ou hispânicos, em Los Angeles, receberam uma vacina «experimental» da papeira, que nunca foi licenciada para utilização nos EUA. O CDC, mais tarde, admitiu que os progenitores nunca foram informados de que a vacina - usada nos seus filhos - era experimental. 

1994 Usando a técnica de «despiste de genes» o dr. Nicolson do MD Anderson Cancer Center em Houston, TX descobriu que muitos soldados que voltavam da operação «Desert Storm» estavam infectados com uma estirpe modificada de Mycoplasma incognitus, um micróbio que tem sido usado para produzir armas biológicas. Estavam incorporados, na sua estrutura molecular, uns 40 por cento da proteína de invólucro do HIV, o que indicava que tinha sido fabricado por manipulação genética.
1994O senador John D. Rockefeller publica um relatório revelando que, pelo menos nos últimos 50 anos, o Departamento de Defesa usou centenas de milhares de  militares em experiências, com seres humanos e com exposição a substâncias perigosas. Os materiais incluem gás mostarda e gás nervoso, radiação ionizante, substâncias psicotrópicas e alucinogénicas, bem como drogas usadas durante a Guerra do Golfo.

1995 O governo dos EUA admite que ofereceu aos criminosos de guerra japoneses e a cientistas que tinham efectuado experiências médicas em seres humanos, salários e imunidade em serem processados, em troca de dados sobre a investigação com armas biológicas.

1995 O Dr. Garth Nicolson descobre provas de que os agentes biológicos usados na Guerra do Golfo tinham sido manufacturados em Houston, TX e em Boca Raton, Fl e testados nos presos do Departamento Correccional do Texas.
 
1996 O Departamento da Defesa admite que os soldados de Desert Storm estiveram expostos a agentes químicos.

1997 Oitenta e oito membros do Congresso assinam uma carta exigindo a investigação sobre as bio-armas usadas e sobre o síndrome da Guerra do Golfo.
Traduzido por Manuel Banet a partir do original seguinte:

  
(*) Penso que a origem desta lista é esta:
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Guerra entre Colômbia e Venezuela está prestes a começar?

Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia
© REUTERS / Carlos Eduardo Ramirez

A última notícia sobre o aumento das tensões entre Caracas e Bogotá foi o alerta laranja decretado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em resposta à "ameaça de agressão" por parte da Colômbia.

A pesquisadora colombiana-venezuelana María Fernanda Barreto explicou à Sputnik Mundo se de fato pode haver um conflito militar de grande escala entre Caracas e Bogotá, ou se a guerra já começou há anos e ninguém ainda a anunciou.

O líder colombiano Iván Duque foi acusado por Maduro na terça-feira (3) de querer criar uma "série de falsos positivos" para desencadear a guerra. O presidente venezuelano declarou, por sua vez, que o país vai realizar exercícios militares de 10 a 28 de setembro em toda a fronteira com a Colômbia.

A declaração do presidente da Venezuela seguiu a denúncia apresentada pelo ministro venezuelano da Comunicação, Jorge Rodríguez, de que no país vizinho existiriam três centros de treinamento militar para realizar ações de desestabilização em Caracas, sob a proteção do governo de Duque e de sua força política.

Guerra teria já começado

Na opinião da analista, é preciso primeiro analisar o papel que foi atribuído à Colômbia pelos Estados Unidos.

"[A Colômbia] se tornou a principal base dos EUA na região latino-americana do ponto de vista militar, econômico e político", afirma a pesquisadora, adicionando que o "país colombiano começou a ser usado como canal para atacar a Venezuela".

"Eles usaram táticas de guerra de aproximação indireta através da Colômbia e executaram uma série de ações na Venezuela, como sabotagem econômica, invasão paramilitar, uma série de operações para desestabilizar a Revolução Bolivariana", destaca.

Para Barreto, uma dessas grandes operações ocorreu em 23 de fevereiro, quando os Estados Unidos tentaram uma entrada pela força na Venezuela através da fronteira colombiano-venezuelana, apresentando o evento como uma tentativa de ajuda humanitária. O governo colombiano abriu suas pontes internacionais para que grupos treinados agissem a fim de escalar a violência e chegar a um ponto de ruptura e entrada em território venezuelano.

Ajuda humanitária dos EUA enviada à Venezuela e armazenada na Colômbia.
© AP Photo / Fernando Vergara
Ajuda humanitária dos EUA enviada à Venezuela e armazenada na Colômbia.

Esta ação foi televisionada pelas grandes agências de notícias como uma montagem cinematográfica que acabou por não conseguir atingir seu objetivo.

Conflito sem solução

"A Colômbia é um país em guerra […] há um conflito interno social e armado que não foi resolvido nos últimos 60 anos, teve momentos de diálogo, de acordo, mas o conflito não teve solução", destaca a analista.

A pesquisadora acredita que o conflito serviu para "justificar sua indústria militar e seus negócios relacionados à guerra, mas o Estado colombiano nunca assumiu a responsabilidade pela guerra que criou e sustentou".

"O conflito subjacente é o conflito de classes, e a primeira vítima do Estado colombiano é o povo colombiano, e esse povo em parte é, e deve aprender a ser, o melhor aliado do povo venezuelano", diz a pesquisadora.

Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar
© Sputnik / Mikhail Alaeddin
Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar

"Além do governo, tanto a burguesia venezuelana como a colombiana estão unidas no mesmo projeto histórico a favor dos Estados Unidos na região. Falando do Estado colombiano, do governo e dos poderes factuais, essa guerra entre esse Estado e o venezuelano está acontecendo de forma irregular", reforça Maria Barreto.

Manobras de grande escala

Após a declaração de "alerta laranja" diante da "ameaça colombiana", Maduro anunciou nesta sexta-feira (5) a implantação de um sistema de mísseis de defesa antiaérea na fronteira com a Colômbia.

As manobras militares ocorrerão em comemoração do 14º aniversário da criação do Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (CEOFANB) para "sintonizar todo o sistema de armas" e garantir que a Venezuela "preserva sua segurança, paz e tranquilidade", complementou Maduro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019090514479713-guerra-entre-colombia-e-venezuela-esta-prestes-a-comecar/

Nazistas contra o mundo – 80 anos da 2ª Grande Guerra

Hitler e os nazistas tentaram destruir raças vistas como inferiores, o movimento comunista e a URSS. Não conseguiram!

 

 

O início da 2ª Grande Guerra completou 80 anos em 1º de setembro. Foi nesse dia, em 1939, que ocorreu o ataque da Wehrmacht (o exército alemão) à Polônia. Foi o início do conflito que durou seis anos – os nazistas se renderam em 8 de maio e os japoneses capitularam em 2 de setembro de 1945.

Dois dias depois, em 3 de setembro, em cumprimento a um acordo com a Polônia, Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha, embora com pequeno apoio militar ao aliado agredido. O mais significativo foi o bloqueio naval à Alemanha, na tentativa de sufocar economicamente o país.

De qualquer maneira, estava criada a situação para a generalização da guerra, que logo depois se estendeu por toda a Europa e, em junho de 1941, à União Soviética (URSS). E, na Ásia, envolveu a agressividade japonesa por todo o continente.

Foi uma tragédia bélica enorme. O número de mortos se conta aos milhões: foram entre 50 milhões e mais de 70 milhões – dos quais 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas, 14 milhões de chineses mortos pelos invasores japoneses e mais de 27 milhões de russos (entre os quais mais de 13 milhões de civis), vítimas da ocupação nazista.

A 2ª Grande Guerra foi o mais violento e letal episódio da luta de classes que marcou aquele que foi o período do início da luta pelo socialismo: o século 20. Século que o historiador Eric Hobsbawm chamou de “breve”, limitado pelos anos de 1914 e 1991, que indicam o início da 1ª Grande Guerra e o fim da União Soviética.

Hobsbawm deu ao capítulo inicial de seu livro sobre o século 20 justamente o título de “A era da guerra total”. E disse que não se pode compreender o século 20 sem que se entenda a 1ª Grande Guerra e o período prolongado de confrontos que ela iniciou, do qual a 2ª Grande Guerra, que começou duas décadas depois do fim do primeiro conflito mundial, foi um episódio muito mais sangrento e destruidor.

O século 20 inaugurou a época dos confrontos bélicos de proporções gigantescas. Eles “iriam dar-se numa escala muito mais vasta do que qualquer coisa experimentada antes”, diz o historiador; ele avalia que a guerra de 1914 inaugurou “a era do massacre”, que prosseguiu e se aprofundou no conflito iniciado em 1939.

A conjuntura foi além do confronto nacional e inter-imperialista. No período imediatamente posterior ao fim da 1ª Grande Guerra, um componente importante no enfrentamento mundial foi a formação, desde 1917, na Rússia, do primeiro Estado socialista, algo inaceitável – e ameaçador – para as classes dominantes das grandes potências. Essa luta marcou a política externa naqueles anos. Luta contra o socialismo, o proletariado organizado e o movimento revolucionário anticapitalista e anti-imperialista.

O tratado de Versalhes – que pôs fim à guerra, em 1919 – aprofundou o tempo da revolução proletária, que vinha desde as revoluções de 1848 na Europa e, sobretudo, desde a Comuna de Paris, de 1871, e sucedeu, no plano histórico, o tempo da revolução burguesa. No documento “A Guerra e a Social-Democracia na Rússia”, de 28 de setembro de 1914, Lênin escreveu: “O aumento dos armamentos, a extrema agudização da luta pelos mercados na época do estágio atual, imperialista, do desenvolvimento do capitalismo nos países avançados e os interesses dinásticos das monarquias mais atrasadas da Europa Oriental, deviam conduzir inevitavelmente, e conduziram, a esta guerra”.

O conflito entre esses interesses contraditórios tinha o objetivo de “conquistar terras e subjugar nações estrangeiras, arruinar a nação concorrente, saquear as suas riquezas, desviar a atenção das massas trabalhadoras das crises políticas internas da Rússia, da Alemanha, da Inglaterra e de outros países”, o “extermínio de sua vanguarda [dos trabalhadores] com o objetivo de debilitar o movimento revolucionário do proletariado”. Tratava-se, concluia Lênin, do “único real conteúdo, significado e sentido da atual guerra”.

Os objetivos imperialistas presentes no primeiro conflito mundial foram mantidos na 2ª Grande Guerra, com um agravante para a política das grandes potências capitalistas: a luta pelo socialismo não era mais apenas parte de um programa revolucionário – o novo e mais avançado sistema social era agora concreto e estava sendo construído na União Soviética.

Isto é, longe de exterminar o movimento revolucionário dos trabalhadores, o primeiro conflito mundial serviu para impulsioná-lo, e a guerra terminou com uma ameaça ainda maior para o domínio da burguesia e seus aliados: a Revolução Russa de 1917, a conquista revolucionária do poder e o início da construção do primeiro estado socialista da história.

Lênin havia acentuado que, entre os objetivos guerreiros das grandes potências, havia a disposição de derrotar a luta dos trabalhadores e afastar o fantasma da revolução proletária. Não foi o que ocorreu, e a conjuntura posterior ao término da guerra, em 1919, acentuou aquele propósito contrarrevolucionário.

O arranjo de classes surgido após a Revolução Francesa do final do século 18 tinha, em sua base, a aliança entre a burguesia e a plebe de trabalhadores urbanos e camponeses. Esse arranjo se desfez quando o acirramento da luta de classes culminou, na Europa, com o surgimento, em meados do século 19, do programa claramente operário e popular, que emergiu nas jornadas de 1848, quando o levante das massas nas principais nações foi percebido como ameaçador pela burguesia e seus aliados. Foi naquele contexto que Karl Marx e Friedrich Engels redigiram o Manifesto Comunista, registrando o programa e os objetivos das forças avançadas e revolucionárias.

A aliança de classes pelo progresso social e o avanço civilizacional foi rompida desde então – e a burguesia, temerosa, juntou-se à aristocracia, em defesa da ordem e da propriedade. Marx registrou essa mudança em O Capital: A “insurreição parisiense de junho e sua sangrenta repressão fez com que se unissem em bloco, tanto na Inglaterra como na Europa Continental, todas as frações das classes dominantes, latifundiários e capitalistas, especuladores da Bolsa, lojistas protecionistas e livre-cambistas, governo e oposição, padres e livre pensadores, jovens prostitutas e velhas freiras, sob a bandeira comum da salvação da propriedade, da religião, da sociedade!”.

A velha e decadente aristocracia europeia, e as monarquias que Lênin incluiu entre as mais atrasadas (alemã, austro-húngara e russa) teve uma sobrevida, passando a governar ao lado da burguesia em arranjos contrarrevolucionários e antidemocráticos, dos quais o fascismo é um exemplo candente. E que levaram até as primeiras décadas do século 20 práticas do velho absolutismo.

Os impérios alemão, russo, austro-húngaro e otomano chegaram a 1919 derrotados. Na Rússia, os revolucionários bolcheviques tomaram o poder e iniciaram a construção, em meio a grandes dificuldades, do primeiro Estado socialista da história. Os impérios austro-húngaro e otomano foram estilhaçados em inúmeros pequenos países, cujas contradições não resolvidas foram fatores de instabilidade no período entre-guerras.

A Alemanha, sufocada pelas exigências impostas pelas potências vencedoras (com França e Grã-Bretanha à frente) e tolhida pelas contradições de classe não resolvidas dentro do país, que resultaram nas crises sucessivas da república de Weimar, foi – alguns anos depois, em 1933 – dominada pelo governo racista, xenófobo e radicalmente antidemocrático de Adolf Hitler e dos nazistas.

A existência da União Soviética foi o fator mais radical na conjuntura de entre- Guerras. E o enfrentamento do socialismo moveu a principal contradição da política externa mundial naqueles anos. Era uma situação contraditória, com vários e graves desdobramentos diplomáticos nos quais as potências ocidentais esperavam conter e apaziguar o belicismo nazista e ao mesmo tempo o dirigir contra a URSS, que esperavam ver destruída.

As potências ocidentais fizeram vistas grossas quando os alemães, em 1936, ocuparam a Renânia, a qual o tratado de Versalhes havia incorporado à França. Ante o crescimento das ameaças nazistas, fizeram um tratado com Hitler – o vergonhoso Acordo de Munique, de 29 de setembro de 1938, que entregou a Tchecoslováquia à sanha nazista. Os russos foram deixados de fora das negociações daquele acordo, e isso foi corretamente interpretado pelo governo de Moscou como uma forma ceder à violenta retórica antissoviética de Hitler e incentivar sua ação contra o país dos soviétes.

A Grã-Bretanha assinou também, em março de 1939, um acordo de cooperação militar com a Polônia, com o compromisso de defendê-la contra qualquer agressão estrangeira – o que a levou à declaração de guerra contra a Alemanha, em 3 de setembro de 1939.

Em 1939, houve uma tentativa de acordo de não agressão entre França, Grã Bretanha e URSS. As negociações foram iniciadas em março, em Moscou, e os três países buscavam um acordo militar e político. O governo soviético estava premido ante duas ameaças, a dos nazistas, de um lado, e a das potências imperialistas, de outro, que poderiam tentar reforçar o “cerco capitalista” contra o país do socialismo. Na tentativa de acordo, a liderança soviética pretendia uma aliança que afastasse o perigo de uma guerra com o Ocidente e previsse o apoio caso fosse atacada pelos nazistas.

Quando os russos propuseram que uma virada pró-Alemanha nazista nos governos dos Estados Bálticos fosse considerada uma “agressão indireta” à URSS, os britânicos não aceitaram, e a tentativa de acordo chegou ao fim em julho. As negociações militares prosseguiram, também sem êxito. Uma demonstração da falta de seriedade britânica nessas negociações foi o fato de que seu principal negociador, o almirante Sir Reginald Drax, não tinha sequer as necessárias credenciais, não estando assim autorizado a garantir qualquer coisa à URSS – mas tinha orientação do governo de Londres para prolongar as discussões pelo maior tempo que pudesse.

Ante a nítida complacência – ou cumplicidade mesmo… – entre as potências europeias e os nazistas e, pressionado entre dois adversários igualmente ferozes, o governo soviético assinou com a Alemanha, em 23 de agosto de 1939, o Tratado de Não Agressão Germano-Soviético, também conhecido como Pacto Nazi-Soviético, ou Pacto Molotov-Ribbentrop, lembrando os ministros de relações exteriores que o assinaram – o nazista Joachim von Ribbentrop e o soviético Vyacheslav Molotov.

Foi um acordo inusitado, entre dois adversários ferozes. Mas fez parte do esforço do governo soviético para preparar o país ante a ameaça de agressão que se desenhava. No caso de Hitler, o acordo era necessário para deixar suas mãos livres para agir, sem o risco de uma dupla frente de batalha – França e Inglaterra a oeste e URSS no leste.

Hitler e os nazistas já se preparavam para a invasão da Polônia, que ocorreu uma semana depois da assinatura do tratado com a URSS. Os soviéticos viam a agressão alemã como inevitável, e o governo de Moscou pretendia – com aquele acordo – ganhar tempo para preparar a economia, a indústria e as forças armadas para defender o país.

Os sinais de uma próxima agressão nazista se multiplicavam. Hitler e a ideologia nazista consideravam os eslavos “untermenschen” (inferiores, subumanos), e nunca esconderam o objetivo de criar um vazio populacional no leste da Europa, dizimando os eslavos e ocupando seu território com colonos alemães naquilo que chamavam de “lebensraum” (“espaço vital”).

A guerra para ocupar esse “espaço vital” e expandir o território alemão no leste europeu havia sido prevista por Hitler em 1925, no livro Mein Kampf (Minha Luta). O alvo era a Rússia soviética e os povos eslavos ao leste da Alemanha. Em 1934, Hitler falou sobre o que considerava uma inevitável batalha contra o eslavismo, na qual esperava equivocadamente ter a ajuda de um eventual levante do povo russo contra o governo soviético.

O objetivo soviético no tratado com a Alemanha era ganhar tempo e preparar a pátria socialista para uma guerra que se avizinhava e na qual seria o alvo principal. Agressão externa movida pelos nefastos objetivos nazista – a luta racial contra os eslavos – ligado à meta das demais potências imperialistas – a luta de classes, para destruir a ameaça representada pela construção do socialismo na URSS.

O fôlego ganho pelos soviéticos durou menos de dois anos – os nazistas invadiram a URSS em 22 de junho de 1941, menos de dois anos após a assinatura do pacto de não agressão. Aquele período foi bem aproveitado. Já em setembro de 1939, poucas semanas depois da assinatura do pacto entre Berlim e Moscou, o governo russo construiu nove fábricas de aviões e reformou as que existiam. “A indústria começou então a funcionar em ritmo frenético”, escreveu William l. Shirer. Novos tanques de guerra surgiram, entre eles o T-34 (considerado o melhor então existente) e o carro pesado KV. Em 1940 a fabricação de material bélico cresceu 27% em relação a 1939. Quando a invasão alemã começou, os soviéticos tinham fabricado 2.700 aviões de tipos novos e 4.300 carros-de-combate.

Uma operação de defesa empreendida então foi a mudança do grosso da indústria soviética para leste dos montes Urais que, assim, passavam a ser uma muralha natural contra uma eventual invasão. Em janeiro de 1942, 1.523 fábricas (entre elas 1.360 de materiais bélicos) haviam sido transferidas e estavam em operação normal.

A alta direção nazista previa uma ação rápida; o ministro de relações exteriores, Ribbentrop, refletiu o estado de espírito da cúpula nazista e chegou a prever que a Rússia seria “riscada do mapa em oito semanas”. Ele se enganou, na companhia de ingleses e americanos. Em Londres, calculava-se que duraria apenas alguns meses; o ministro da guerra dos EUA, Henri Stimson pensava que o “máximo imaginável” seria entre um a três meses.

Mas logo nazistas e a liderança ocidental perceberam que a invasão não seria um passeio. Já no dia 1º de agosto, a pouco mais de um mês do início da agressão, Joseph Goebbels, o todo-poderoso ministro nazista da Propaganda, escreveu em seu diário: “Os bolcheviques revelam uma resistência maior do que havíamos suposto; sobretudo os meios materiais à sua disposição são maiores do que pensamos”. Em 16 de setembro, ele reconheceu que haviam errado: “havíamos calculado o potencial dos bolcheviques de modo todo errado”.

Um general alemão, Guenther Bluimentritt, também reconheceu que as tropas russas eram em maior número e mais bem equipadas do que os nazistas achassem que fosse possível. Outro comandante nazista, o marechal de campo Gerd von Rundstedt, foi direto e admitiu, sem rebuços, quando foi interrogado pelos seus captores depois da guerra: “Percebi, logo depois de termos começado o ataque, que tudo o que se escrevera sobre a Rússia não passara de tolices”.

A resistência popular contra a ocupação nazista começou a ser preparada logo no início da invasão. Em 27 de junho, cinco dias após a agressão alemã, o governo soviético começou a organizar a ação guerrilheira como força complementar à do exército regular. Ela foi, disse o historiador Henri Bernard, uma gigantesca operação militar em harmonia com os planos de luta e com “apoio total da população”. Um dos maiores enganos da cúpula nazista foi a crença na revolta popular antissocialista, que favorecesse a ocupação. Era uma ilusão: o patriotismo do povo guiou a resistência e a unidade em torno do governo soviético.

O ataque nazista foi interrompido nas batalhas de Moscou (2/10/1941-7/1/1942), Stalingrado (23/8/1942-2/2/1943, considerada o início da derrota nazista na guerra) e Kursk (4/7/1943-23/8/1943), e no heroísmo russo no cerco a Leningrado (8/9/1941 – 27/1/1944). Essas derrotas das tropas nazistas foram decisivas, sobretudo em Stalingrado; assinalam a virada da guerra e o início da derrota da aventura guerreira – e assassina – dirigida por Adolf Hitler.

Em poucos meses, as forças soviéticas chegaram aos países ocupados pelos nazistas no Leste da Europa, e, em abril de 1945, ao território da Alemanha, cuja capital, Berlim, foi tomada por eles. A nova conjuntura da guerra deixou claro que a pretensão imperialista de usar Hitler e os nazistas contra o país do socialismo fracassara. As vitórias russas deixavam cada vez mais visível a destruição dos nazistas, com as tropas russas movendo-se rapidamente para o Ocidente europeu. Começou então a corrida, entre os aliados, pela abertura da frente ocidental – reclamada pelos russos desde 1941. Várias ações militares ocorreram então no ocidente europeu, contra os nazistas – a principal delas foi o chamado “Dia D” (06/06/1944), o desembarque de tropas aliadas na Normandia.

Uma das lendas ideológicas de nosso tempo assegura que quem venceu a guerra foram os “aliados”, acentuando a participação dos EUA e da Inglaterra. Que foi de fato, importante. Mas o envolvimento decisivo foi o dos soviéticos, que suportaram o grosso da guerra em seu território e derrotaram a agressão nazista. O historiador estadunidense John Bagguley, que não se rende à ideologia e reconhece a verdade histórica, escreveu que a 2ª Grande Guerra foi, na verdade, “uma guerra soviético-germânica, com a ação inglesa e americana apenas na periferia”.

A história contada em filmes e muitos livros destaca o papel dos EUA na guerra contra Hitler. Mas o principal esforço de guerra dos nazistas voltou-se contra a URSS – que, praticamente sozinha, enfrentou e derrotou a ofensiva guerreira da Alemanha nazista, ao custo de 27 milhões de mortos.

 
 
  • Bagguley, John. “A guerra mundial e a guerra fria”. in Horowitz: 1969
  • Bernard, Henri. “Historia de la resistencia europea”. Barcelona, Ediciones Orbis, 1986
  • Hobsbawm, Eric. “Era dos extremos – O breve século XX” -1914-1991. São Paulo, Cia das Letras, 1995
  • Hobsbawm, Eric. “História do Marxismo”. Vol. VI. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1985
  • Hajek, Micos. “A discussão sobre a frente única e a revolução abortada na Alemanha”. In Hobsbawm: 1985
  • Horowitz, David (org.). “Revolução e Repressão”. Rio de Janeiro, Editora Zahar, 1969
  • Lênin, V. I. “A Guerra e a Social Democracia na Rússia”. In Lênin, V. I. “Obras Escolhidas”, T. 1. São Paulo, Editora Alfa-Omega, 1979
  • Loureiro, Isabel. “A revolução alemã (1918-1923)”. São Paulo, Editora UNESP, 2005
  • Marx, Karl. “O Capital”. Vol. 1. México DF, Fundo de Cultura Económica, 1978 (Cap. VIII, Item 6)
  • Mayer, Arno. “A força da tradição”. São Paulo, Cia das Letras. 1987
  • Mayer, Arno. “Dinâmica da contra revolução na Europa, 1870-1956”. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1977
  • Shirer, William. “Ascensão e queda do Terceiro Reich”. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1975
  • Volkogonov, Dimitri. “Stalin: triunfo e tragédia – 1939-1953”, (vol. 2). Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2004

Texto em português do Brasil


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Pelos direitos do povo da Caxemira!

 
 
Segundo uma resolução da ONU datada de 1947, apopulação local deveria decidir o futuro da Caxemira por meio de um plebiscito acerca da independência do território. Tal plebiscito nunca aconteceu.
 
António Abreu | AbrilAbril | opinião
 
1.Desde que o novo primeiro-ministro Narendra Modi foi eleito, ficou claro que actuaria numa linha dura, nomeadamente contra as aspirações dos caxemires, tendo-se então manifestado politicamente próximo de Trump e de Netanyahu, ambos abertamente anti-muçulmanos.
 
Com uma alteração constitucional, Modi acabou por voltar a permitir aos não-caxemires, aos não muçulmanos, comprarem terras nesse estado, dificultando uma futura negociação com o Paquistão, tal como Israel fez com os seus colonos em território palestino.
 
 
2. A Índia e o Paquistão mantêm um conflito há décadas em torno da Caxemira, estado montanhoso dos Himalaias. Ambos têm armas nucleares.
 
O império inglês dividiu, em 1947, a Índia, em Índia e Paquistão, e nessa divisão os caxemires, mais próximos da população muçulmana do Paquistão, ficaram integrados na Índia. Por outro lado, a parte norte da Caxemira (Aksai Chin) ficou integrada na China.
 
A ONU determinou à Índia que realizasse um referendo que apurasse se os caxemires queriam integrar o Paquistão, mas a Índia recusou realizá-lo como era previsível. Independentemente do referendo, há caxemires que querem um estado independente enquanto a maioria opta por se juntar ao Paquistão. Por outro lado, o Paquistão, com o apoio do seu tradicional aliado – os EUA – acolheu terroristas do Daesh expulsos da Síria e permitiu a sua acção na Caxemira.
 
A Índia tem concentrados na fronteira mais de 500 mil soldados e polícias paramilitares na sua Caxemira, cujos 12 milhões de habitantes confrontam um governo indiano descrito por vários visitantes como corrupto e brutal. O Paquistão tem aí concentrados 250 mil soldados seus. Na Índia, os caxemires só têm o apoio dos hindus e siques, que ali são uma minoria. Desde 1989, após uma rebelião, terão morrido cerca de 42 mil pessoas.
 
Segundo todos os observadores, a Caxemira, localizada no norte do subcontinente indiano, é disputada pela Índia e pelo Paquistão desde o fim da colonização britânica. As tensões na região têm início com a guerra de independência, em 1947, que resulta no nascimento dos dois Estados – a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Segundo uma resolução da ONU datada de 1947, a população local deveria decidir a situação política da Caxemira por meio de um plebiscito acerca da independência do território. Tal plebiscito, porém, nunca aconteceu, e a Caxemira foi incorporada à Índia, o que contrariou as pretensões do Paquistão e da população local – de maioria muçulmana – e levou à guerra de 1947 a 1948. O conflito terminou com a divisão da Caxemira: cerca de um terço ficou com o Paquistão (Caxemira Livre e Territórios do Norte, hoje denominados Gilgit-Baltistão) e o restante com a Índia.
 
Em 1962, a República Popular da China conquistou uma parte de Jammu e Caxemira (Aksai Chin). No ano seguinte, o Paquistão cedeu aos chineses uma faixa dos Territórios do Norte. Um novo conflito, em 1965, não trouxe modificações territoriais.
 
Na década de 1990 o conflito serviu de justificação para a militarização da fronteira e para a corrida aos armamentos. A Índia e o Paquistão realizaram testes nucleares em 1998 e, em Abril de 1999, experimentaram mísseis balísticos capazes de levar ogivas atómicas, rompendo um acordo assinado meses antes. Os dois países estiveram à beira de uma guerra total.
 
O primeiro-ministro ultra-nacionalista da Índia, Atal Vajpayee, ordenou um pesado contra-ataque, que expulsou os separatistas em Julho. A derrota paquistanesa levou depois a um golpe militar, liderado pelo general Pervez Musharraf, que depôs o primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif. Índia e Paquistão travaram na Caxemira, em 1999, um confronto que se estendeu de 3 de Maio a 26 de Julho do qual resultou uma vitória indiana e um número de mortos indeterminado – os dois lados do conflito apresentaram diferentes números.
 
3. O censo de 1901 da Índia Britânica revelou que os muçulmanos constituíam 74,16% da população total do Estado principesco de Caxemira e Jammu, frente a 23,72% de hindus e 1,21% de budistas. Os hindus encontravam-se principalmente em Jammu, onde formavam pouco menos de 80% da população. No vale de Caxemira, os muçulmanos eram 93,6% da população e os hindus, 5,24%. Tais percentagens mantiveram-se relativamente inalteradas nos últimos cem anos. Cerca de 40 anos depois, o censo de 1941 da Índia Britânica indicava que os muçulmanos formavam 93,6% da população do vale de Caxemira e os hindus, 4%. Em 2003, a percentagem de muçulmanos no vale de Caxemira era de 95% e 4% a de hindus. No mesmo ano, em Jammu, a percentagem de hindus era de 66% e a de muçulmanos, 30%.
 
A Caxemira é uma região do norte do subcontinente indiano, hoje dividida entre a Índia, o Paquistão e a China. O termo "Caxemira" descrevia historicamente o vale ao sul da parte mais ocidental do Himalaia. Actualmente, o termo «Caxemira» politicamente descreve uma área muito maior, que inclui as regiões de Jammu, Caxemira e Ladakh.
 
O nome da região é também sinónimo de material têxtil de alta qualidade, devido à lã de caxemira, produzida a partir do gado caprino da região.
 
4. Mesmo durante as décadas em que existiam salvaguardas constitucionais, Jammu e Caxemira conheceram pouca tranquilidade.
 
Em geral, os habitantes da Caxemira não querem que o território seja governado pela Índia, preferindo a independência ou a adesão ao Paquistão. O desemprego é muito elevado.
 
Os incidentes com o governo central têm sido frequentes. As incursões de Nova Déli na governação regional provocaram resistência. Houve confrontos armados na fronteira paquistanesa e, em duas ocasiões, os exércitos paquistanês e indiano travaram breves guerras. Uma resistência armada na década de 1980, buscando a autodeterminação da Caxemira, encontrou forte retaliação militar indiana. As baixas foram pesadas, um conflito de baixo nível persistiu e as forças de segurança muitas vezes atacaram manifestantes populares desarmados.
 
Já nos anos 1980, guerrilheiros separatistas passaram a actuar na Caxemira indiana e mais de 25 mil pessoas morreram desde então. A Índia acusou o governo paquistanês de apoiar os guerrilheiros – favoráveis à unificação com o Paquistão – e intensificou a repressão. A situação continua tensa, pois além do conflito com o Paquistão, existe um movimento pró-independência na Caxemira.
 
A conflitualidade atenuou-se até 1989, mas pouco tempo depois ela regressou após a morte do líder rebelde Burhan Wani, de 22 anos, em combate com as forças de segurança. A difusão nas redes sociais dos vídeos sobre Wani constituíram um factor de acréscimo da mobilização contra a administração indiana, que começou logo no seu funeral com grande presença de pessoas, em que morreram mais de 30 pessoas.
 
Seguiram-se novas vagas de manifestações e atentados terroristas.
 
Uma onda de explosões terroristas matou dezenas de civis nas maiores cidades paquistanesas, entre o final de 1999 e o primeiro semestre de 2000. Fracassam negociações de paz entre o governo da Índia e os separatistas muçulmanos da Caxemira em Julho de 2000. Os combates recomeçam, assim como as acções terroristas nos territórios do Paquistão e da Índia. Em Agosto de 2000, o Hizbul Mujahidine, principal grupo separatista muçulmano na Caxemira, anunciou uma trégua unilateral. A Índia suspendeu as operações militares na Caxemira, pela primeira vez em 11 anos. Porém as negociações fracassaram face à recusa da Índia em admitir o Paquistão na negociação de paz.
 
O número de mortos no ano passado atingiu mais de 500 pessoas, incluindo civis, militantes e membros das forças de segurança.
 
5. A 5 de Agosto passado o governo indiano anunciou a revogação da autonomia constitucional do estado de Jammu e Caxemira.
 
O revogado artigo 370 garantia a Jammu e Caxemira um estatuto autónomo que lhe garantia Constituição própria, bandeira e independência para decidir sobre todas as questões excepto as relativas a defesa, comunicações e assuntos externos.
 
Cinco partidos de esquerda emitiram uma declaração conjunta condenando as medidas de Modi como «um ataque ao federalismo, uma característica fundamental da Constituição indiana» e convocaram um protesto nacional para 22 de Agosto. Um desses partidos, o Partido Comunista da Índia (Marxista) declarou que o governo está a tratar Jammu e Caxemira como um território ocupado. O secretário-geral do PCI (M), Sitaram Yechury, falando numa iniciativa de solidariedade com os caxemires, acusou o governo indiano de «converter Jammu e Caxemira na Palestina indiana».
 
Os comunistas indianos do PCI (M) e do Partido Comunista Indiano (PCI) têm sido apoiantes tenazes dos direitos dos caxemires e estão ao seu lado. A 9 de Agosto, poucos dias depois da revogação do artigo 370, o secretário geral do PCI (M) foi detido no aeroporto de Srinagar D. Raja, líder do PCI, quando ambos pretendiam aceder à cidade para visitar Yusuf Tarigami, líder local do PCI (M), que se encontrava em detenção domiciliária – à semelhança de outros dirigentes políticos da Assembleia de Jammu e Caxemira. Foram impedidos de aceder à cidade e obrigados a regressar a Nova Déli.
 
Também o Partido do Congresso declarou que «o partido Bharatiya Janata assassinou a constituição e assassinou a democracia». No dia 22 de Agosto o Partido do Congresso, com uma delegação presidida pelo seu líder, Rajiv Gandhi, juntou-se aos comunistas e a outros partidos (DMK, Trinamool e NCP) para de novo tentar aceder à cidade de Srinagar. Apesar de as autoridades nacionais terem garantido essa acessão, as autoridades locais nomeadas por Nova Déli voltaram a proibir a saída do aeroporto, após discussões acesas da delegação com as referidas autoridades.
 
No mesmo dia, um viajante proveniente da Caxemira dava ao canal Al Jazeera um relato em primeira mão da situação na região, onde vigora o recolher obrigatório e as comunicações se encontram bloqueadas: «A Índia fala de paz e tranquilidade na Caxemira. Eu vi o oposto».
 
A conflituosidade entre a Índia e o Paquistão aumentou após a alteração constitucional de Modi contra os caxemires. A China pretende apoiar a pacificação da região mas as declarações de Pequim dão sinal negativo à Índia pela revogação do estatuto especial daquele estado indiano.
 
6. Mais recentemente, depois do Ministro da Defesa da Índia, Rajnath Singh, ter afirmado que o seu país poderia abandonar a política de «não ser o primeiro» a utilizar armas nucleares, o porta-voz das forças armadas do Paquistão, general Asif Ghafoor, afirmou que a disputada região de Caxemira representa «um foco de tensão nuclear» e instou a comunidade internacional a procurar vias para resolver a situação.
 
A China exortou a Índia e o Paquistão a evitar uma escalada de tensão entre os dois países, depois de aviões indianos terem entrado no espaço aéreo paquistanês e atacado uma localidade na zona de Caxemira. A China apelou aos dois países que se abstenham de recorrer a actos bélicos e, ao contrário, procurem melhorar as suas relações. «A Índia e o Paquistão são importantes estados do Sul da Ásia. Manter a cooperação e laços estáveis serve os interesses de ambos os países, mas também a paz e a estabilidade da região», declarou o governo chinês. Pequim convidou a Índia e o Paquistão a sentar-se à mesa de negociações o mais cedo possível.
 
Nos últimos meses decorre uma actividade diplomática neste sentido, com a Índia, o Paquistão, entidades governamentais da Caxemira e com a participação da ONU, da Rússia e dos EUA.
 
Na foto: Soldados indianos patrulham uma localidade em Jammu e Caxemira Créditos/ Twitter

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Novo projeto do Pentágono: quem os EUA estão planejando combater debaixo da terra?

Militares dos EUA durante treinamentos (foto de arquivo)
© AP Photo / Visar Kryeziu

Os estadunidenses estão planejando combater debaixo da terra. Há alguns dias a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) colocou uma encomenda no site de concursos públicos para instalações subterrâneas espaçosas.

De acordo com o documento, a competência para realizar operações de combate em tuneis de infraestruturas urbanas e industriais e em cavernas naturais é cada vez mais importante para assegurar a segurança global.

Guerra em megalópoles

A requisição destaca que os especialistas da DARPA estão interessados em tecnologias inovadoras que permitam mapear rapidamente grandes infraestruturas subterrâneas e se orientar nelas sem correr riscos de vida. A entidade está procurando estruturas apropriadas para as suas pesquisas.

Sua prioridade inclui construções subterrâneas com extensão de várias quadras urbanas com estruturas complexas e que tenham vários níveis, átrios, tuneis e escadarias.

Espaços que não sejam acessíveis aos pedestres ou infraestrutura cujo acesso pode ser temporariamente restringido despertam particular atenção.

O sistema de posicionamento global (GPS), sem o qual hoje em dia nenhuma grande operação do Pentágono pode ser imaginada, pode falhar nas referidas localidades. O mesmo se pode dizer dos meios de radiocomunicações militares, os quais em áreas densamente povoadas recebem muita interferência dos arranha-céus.

Entretanto o metrô, por exemplo, teria que ser conquistado ao inimigo praticamente às cegas, sendo que a comunicação debaixo da terra funciona muito pior que na superfície, a navegação por satélite está totalmente indisponível e nem sempre há acesso a mapas com a infraestrutura subterrânea.

A edição norte-americana Popular Mechanics escrevia no ano passado que os militares dos EUA teriam que lidar, possivelmente, com as estruturas subterrâneas da Coreia do Norte, onde estão armazenadas as armas nucleares e onde a liderança norte-coreana iria se abrigar em caso de guerra.

Soldado na entrada da mina de testes nucleares № 2 do polígono nuclear norte-coreano
© Sputnik / Ilya Pitalev
Soldado na entrada da mina de testes nucleares № 2 do polígono nuclear norte-coreano

De acordo com o Pentágono, na Coreia do Norte existem entre 6 a 8 mil refúgios deste tipo interligados por uma rede complexa de tuneis. A edição destaca que os EUA e a Coreia do Sul não têm a mínima ideia sobre como estão concebidos estes tuneis subterrâneos, cheios de becos sem saída, poços verticais e espaços estreitos. Estruturas deste tipo são muito perigosas de pesquisar, pois o inimigo pode montar emboscadas com muita facilidade.

Robôs subterrâneos

Neste momento a DARPA necessita de infraestruturas mais complexas. Construções subterrâneas urbanas existem em cada megalópole. O inimigo pode utilizá-las para deslocar rapidamente suas tropas, para se esconder de ataques, tanto aéreos como de artilharia, para organizar emboscadas e para realizar ações de guerrilha.

Experiência vietnamita

A relutância dos estadunidenses de irem eles mesmos para debaixo da terra é bastante compreensível. Durante a guerra no Vietnã, as Forças Armadas dos EUA tiveram que lidar com o desenvolvido sistema de comunicações subterrâneas que era usado pelos guerrilheiros e pelo exército norte-vietnamita. Normalmente os tuneis tinham vários níveis, espaços bastante amplos estavam interligados por corredores estreitos.

A existência de uma extensa rede de tuneis subterrâneos permitia aos vietcongues transferir suas tropas furtivamente e aparecer nos lugares onde eram menos esperados.

Sargento das Forças Armadas dos EUA saindo de túnel no Vietnã. Janeiro de 1967
© AP Photo /
Sargento das Forças Armadas dos EUA saindo de túnel no Vietnã. Janeiro de 1967

Para destruir esta rede de tuneis o comando dos EUA criou unidades especiais de "ratazanas dos tuneis". As unidades eram formadas por voluntários magros, de baixa estatura e com um sistema nervoso robusto.

As principais funções destas unidades era penetrar dentro dos tuneis descobertos, sua destruição, busca de documentos importantes, entre outras.

Às vezes os guerrilheiros usavam escorpiões e cobras peçonhentas, bem como grande quantidade de armadilhas. Para além disso, a permanência prolongada debaixo da terra era muito difícil psicologicamente, poucos militares tinham capacidades de lidar com estas condições. Não é de estranhar que as perdas entre as "ratazanas dos tuneis" eram enormes.

Unidades semelhantes estão combatendo agora no Exército sírio. Os terroristas do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em vários outros países), e de outras organizações conseguiram transformar muitas cidades em verdadeiras fortalezas. Muita atenção foi prestada às comunicações subterrâneas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019090314472543-novo-projeto-do-pentagono-com-quem-os-eua-estao-planejando-combater-debaixo-da-terra/

Erro irreversível: quais os riscos da inteligência artificial ligada ao arsenal nuclear?

Inteligência artificial (IA)

O perigo da utilização da inteligência artificial (IA) no setor militar foi discutido com um especialista, na sequência do artigo da Breaking Defence com declarações do ex-secretário adjunto da Defesa dos EUA, Robert Work.

Segundo o ex-responsável pela Segurança Nacional americana, citado pela revista americana, os militares precisam da IA, mas não há necessidade de exagerar seu papel em futuros conflitos.

O físico e professor assistente da Universidade da Carolina do Norte (EUA), Dr. Mark Gubrud, membro da Comissão Internacional para o Controle de Armas Robotizadas, disse à Sputnik Internacional que a inteligência artificial tem um grande potencial para ser usada em armas, mas os "humanos são melhores a julgar as situações mais complicadas e ambíguas".

Ataque nuclear iminente

"Infelizmente, na guerra, os erros são muitas vezes irreversíveis, e se os sistemas automatizados começarem a lutar uns contra os outros, poderemos ser incapazes de pará-los, ou mesmo de compreender o que está acontecendo, antes que seja tarde demais", destaca o professor.

O especialista sugere que a solução seria a criação de um tratado que faça do controle humano de todas as armas uma questão de direito e que permita verificar que não estão sendo utilizadas armas autônomas.

"Os EUA estão alegadamente desenvolvendo sistemas de inteligência artificial para análise de dados de inteligência que poderiam alertar sobre um ataque nuclear iminente da Coreia do Norte […] O que torna isso especialmente perigoso é que os sistemas são destinados a acelerar o processo, tornando a análise mais rápida e antes que os humanos possam verificar ou fazer uma análise alternativa", afirma o físico, ao ser questionado sobre a pressão do Pentágono na questão da inteligência artificial.

'Momento mais perigoso'

Na opinião de Gubrud, é improvável que os EUA ou qualquer outra nação permita que um computador lance armas nucleares sem uma decisão humana.

A Rússia supostamente tem um sistema automatizado que pode reagir se um primeiro ataque inimigo destruir a liderança do país, mas o sistema russo envolve seres humanos e só seria ativado se se considerasse que o ataque era realmente iminente, acredita o analista.

Inteligência artificial (IA)
Inteligência artificial (IA)

"Infelizmente, esse é o momento mais perigoso […] É exatamente isso que estamos fazendo hoje com a destruição de tratados e a chamada nova corrida armamentista, com novas armas nucleares e não nucleares que encurtam os tempos de ataque e de resposta. Com a perda do Tratado INF, é muito importante que os EUA e a Rússia renovem o START e considerem novas iniciativas, tais como limites aos testes de mísseis e sua implantação, uma proibição de testes de armas hipersônicas, de armas antissatélite, baseadas no espaço e de robôs assassinos."

Objetivos contraditórios

Quando perguntado sobre o grau de segurança dos sistemas de inteligência artificial, o especialista explica que o "problema fundamental da dissuasão nuclear é que ela só funciona se puder falhar", ou seja, "se a guerra nuclear continuar sendo uma possibilidade".

"O controle humano é essencial, mas não é suficiente. A única verdadeira segurança é acabar com a corrida armamentista e acabar com as armas nucleares", ressalta o professor.

"Com os nossos sistemas de alerta, tentamos garantir que nunca ocorrerá um falso alarme, mas também que estes não deixem de nos avisar de um ataque real […] Com nossos sistemas de comando e controle nuclear, tentamos garantir que o sistema não possa ser acionado por uma ordem não autorizada, um hacker ou um erro interno, mas também que eles funcionarão como pretendido, mesmo sob ataque, se uma ordem adequada for dada", conclui Gubrud.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019090314471750-erro-irreversivel-quais-os-riscos-da-inteligencia-artificial-ligada-ao-arsenal-nuclear/

Como inteligência artificial poderia provocar guerra nuclear?

Explosão nuclear (imagem de arquivo)
© Depositphotos / Curraheeshutter

O risco do uso de sistemas de inteligência artificial (IA) a nível militar reside no seu envolvimento na decisão de lançar um ataque nuclear, segundo um ex-responsável pela Segurança Nacional dos EUA.

Na opinião do ex-secretário adjunto da Defesa dos EUA Robert Work, os sistemas de inteligência artificial não devem ser envolvidos no controle de armas nucleares, pois estas são lançadas com base em determinados parâmetros e indicadores, escreve a revista digital Breaking Defense.

Em algumas situações, a IA pode ver fatores que não são perigosos como ameaças, e esta é uma "perspectiva preocupante", explica Work.

A edição cita como exemplo o sistema russo Perimetr (sistema criado na URSS de controle automático de ataque nuclear de retaliação) que, ao considerar uma atividade sísmica como explosões nucleares, pode enviar um pedido ao quartel-general militar e, se por acaso não receber resposta, poderá dar ordem de lançamento de mísseis balísticos intercontinentais.

Sistemas de alerta precoce

Work acrescenta que a utilização militar da inteligência artificial poderia ter consequências desastrosas mesmo que esta não esteja diretamente envolvida na gestão das armas nucleares. Esse poderá ser o caso, principalmente, da sua utilização na análise de informações de reconhecimento, bem como nos sistemas de alerta precoce.

"Imagine um sistema operacional no Pacífico Ocidental, em um centro de comando chinês", destaca Work, "que diga 'tudo parece que os americanos vão atacar'" e recomende lançar um "ataque preventivo".

O ex-secretário adjunto de Defesa aponta para um cenário de pesadelo de uma IA comandando uma operação de ataque nuclear de um país.

"Imagine ter um sistema preditivo de IA em um sistema de comando e controle nuclear a ser  lançado com base em certos parâmetros […] Essa é uma perspectiva muito, muito, muito mais alarmante do que qualquer coisa que você possa pensar em termos de armas individuais."

Módulo de combate da inteligência artificial do consórcio russo Kalashnikov
© Sputnik / Vitaly Belousov
Módulo de combate da inteligência artificial do consórcio russo Kalashnikov

Contudo, Robert observa que a inteligência artificial pode certamente beneficiar os militares, mas seu uso deve ser limitado e não deve se estender às armas nucleares, pois isso poderia levar a um "cenário catastrófico".

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Nos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial, a humanidade clama pela paz

Com a agressão nazista contra a Polônia, há exatos 80 anos, a 1º de setembro de 1939, teve início a Segunda Guerra Mundial. Mais de 80 por cento da população mundial foi envolvida direta ou indiretamente na grande conflagração. A humanidade e as forças amantes da paz e da liberdade hão de sempre recordar o episódio com indignação e dele extrair os ensinamentos para que jamais se repitam acontecimentos tão nefastos.

 

Por Socorro Gomes*

Cerca de 26 milhões de soldados e 46 milhões de civis pereceram durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos morreram de fome, devido às doenças, massacres, bombardeios e genocídio. A União Soviética, sobre a qual recaiu a principal responsabilidade do combate antifascista e a liderança na luta pela libertação da humanidade, perdeu cerca de 27 milhões de pessoas. Nos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial, a humanidade clama pela pazCerca de 26 milhões de soldados e 46 milhões de civis pereceram durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos morreram de fome, devido às doenças, massacres, bombardeios e genocídio. A União Soviética, sobre a qual recaiu a principal responsabilidade do combate antifascista e a liderança na luta pela libertação da humanidade, perdeu cerca de 27 milhões de pessoas. 

Tragédias como as duas guerras mundiais não ocorrem por acaso. Resultam de profundas causas econômicas e políticas relacionadas com a natureza do sistema de dominação contra povos e nações, sendo as principais vítimas as massas trabalhadoras exploradas e oprimidas.

A Segunda Guerra Mundial começou como um confronto entre as grandes potências capitalistas. Foi provocada pela Alemanha nazista e seus aliados do Eixo: a Itália fascista e o Japão militarista. O objetivo era uma nova divisão do mundo por áreas de dominação e esferas de influência. A luta por mercados e fontes de matérias primas era o pano de fundo que empurrava as potências capitalistas ao confronto bélico.

Tendo sua origem nas contradições entre as grandes potências, a Segunda Guerra Mundial foi enfrentada e vencida através da luta dos povos. As forças patrióticas foram capazes de organizar uma ampla frente e uma tenaz resistência, num combate que se espraiou por toda a Europa, Ásia e África, sob as formas mais diversas. Na América Latina, a luta democrática fez com que países como o Brasil enviassem tropas para combater na Europa, lado a lado com as forças aliadas.

Os povos dos países ocupados ergueram-se na resistência popular-nacional antifascista, passando a travar uma justa luta democrática e de libertação nacional. Os próprios Estados capitalistas, a partir do desencadeamento da guerra, viram-se confrontados com um perigo nacional, o que criou condições para a formação de um amplo e poderoso movimento patriótico e antifascista. Depois de incontáveis sofrimentos e lutas heróicas, os povos venceram o nazi-fascismo e alcançaram a paz, seis anos depois de iniciado o conflito.  

A vitória dos povos na Segunda Guerra Mundial provocou importantes modificações geopolíticas. O episódio marcou, de imediato, a derrocada dos planos imperialistas. Revoluções democráticas, populares e de libertação nacional foram vitoriosas. O caráter libertador da luta antifascista dos povos, o papel decisivo da União Soviética e das massas trabalhadoras e populares na vitória e a derrocada do fascismo deram impulso aos movimentos democráticos e socialistas em todo o mundo. Debilitou-se também o sistema colonialista.

Surgiu temporariamente uma nova correlação de forças favorável ao avanço das lutas pela paz e o progresso social. O campo democrático e anti-imperialista saiu fortalecido, no que se verificou, por exemplo, a organização e fundação de entidades populares comprometidas com esta luta e ainda atuantes. É exemplo desta organização das forças anticolonialistas, anti-imperialistas, democráticas e populares, o Conselho Mundial da Paz, que cumpre este ano o seu 70º aniversário.

Ao final da segunda década do século 21, o mundo está de novo vivendo um grave momento, com renovadas tensões, instabilidade e ameaças à paz. Aprofunda-se a crise econômica e social, desenvolve-se no plano político uma brutal ofensiva imperialista contra os povos. Emergem novas configurações de forças na cena geopolítica, pondo em xeque a hegemonia do imperialismo estadunidense e seus aliados.

Está em curso uma reordenação de forças no campo geopolítico que exerce forte impacto sobre as lutas dos povos. As lições da Segunda Guerra Mundial demonstram que hoje é imperioso renovar os compromissos pela paz. Tais compromissos estão na essência das lutas dos povos contra as políticas de dominação das grandes potências, pela democracia, a independência nacional e o progresso social.

*Socorro Gomes é a Presidenta do Conselho Mundial da Paz

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Israel lança mais de 40 mísseis sobre o Líbano

Fumo de míssil lançado pelo Israel à Faixa de Gaza em represália ao ataque proveniente do enclave palestino, 5 de outubro de 2016
© REUTERS / AMIR COHEN

Após sofrer ataque, Israel lançou mais de 40 mísseis em direção a assentamentos no sul do Líbano, informaram os militares libaneses neste domingo (1).

Mais cedo, o canal de TV libanês Al-Manar informou que drones israelenses lançaram produtos inflamáveis sobre um bosque libanês perto da fronteira com Israel, inciando incêndios.

As Forças de Defesa de israel (FDI) confirmaram que as ações provocaram incêndios florestais na fronteira.
Em resposta aos ataques israelenses, as forças libanesas dispararam diversos mísseis anti-tanque contra instalações no norte de Israel.

As FDI afirmaram que os ataques atingiram posições militares com 2 ou 3 mísseis. Os ataques teriam atingido uma ambulância e um posto militar.

"O Hezbollah lançou entre 2 e 3 mísseis do Líbano atingindo um posto das FDI e uma ambulância no norte de Israel. Nós atiramos contra o grupo responsável do Hezbollah. Nenhum israelense foi ficou ferido no ataque".

Em resposta, Israel então disparou centenas de mísseis contra o Líbano, afirmando ter como alvo o movimento Hezbollah. Os ataques utilizaram pelo menos 40 mísseis e tiveram mais de 100 alvos, atingidos também com unidades de artilharia e tiros de helicópteros.

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A irresponsabilidade das pequenas nações

 
 
Paul Craig Roberts*  23 de agosto de 2019 "Information Clearing House" - Depois de acusar falsamente a Rússia de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), Washington repudiou unilateralmente o tratado. Assim, o complexo militar / de segurança dos EUA se livrou do acordo histórico alcançado por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev, que desarmou a Guerra Fria.    O Tratado INF era talvez o mais importante de todos os acordos de controlo de armas realizados pelos presidentes americanos do século 20 e agora abandonado no século 21 pelos governos neoconservadores dos EUA. O tratado removeu a ameaça de mísseis russos contra a Europa e a ameaça de mísseis americanos baseados na Europa para a Rússia. A importância do tratado se deve à redução da chance de uma guerra nuclear acidental. Os sistemas de aviso possuem um histórico de alarmes falsos. O problema dos mísseis norte-americanos na fronteira da Rússia é que eles não deixam tempo para reflexão ou contacto com Washington quando Moscovo recebe um alarme falso. Considerando a extrema irresponsabilidade dos governos dos EUA desde o regime de Clinton em elevar as tensões com a Rússia, os mísseis na fronteira da Rússia deixam a liderança da Rússia com poucas opções a não ser apertar o botão quando soar um alarme.  Que Washington pretenda colocar mísseis na fronteira da Rússia e sair do Tratado INF para este único propósito agora é óbvio. Apenas duas semanas depois de Washington retirar-se do tratado, Washington testou um míssil cuja pesquisa e desenvolvimento, não apenas de implantação, foram proibidos pelo tratado. Se você acha que Washington projetou e produziu um novo míssil em duas semanas, você não é inteligente o suficiente para ler esta coluna. Enquanto Washington estava acusando a Rússia, foi Washington quem violou o tratado. Talvez esse ato adicional de traição ensine à liderança russa que é estúpido e autodestrutivo confiar em Washington sobre qualquer coisa. Todo país deve saber agora que os acordos com Washington não têm sentido.
 
Certamente o governo russo entende que há apenas duas razões para Washington colocar mísseis na fronteira da Rússia:
(1) permitir que Washington lance um ataque nuclear preventivo que deixe a Rússia sem tempo de resposta, ou
(2) permitir que Washington ameace tal, coagindo assim a Rússia à vontade de Washington.
Claramente, uma ou outra dessas razões é de importância suficiente para que Washington arrisque um falso alarme desencadeando uma guerra nuclear.  Os analistas militares podem falar o quanto quiserem sobre “atores racionais”, mas se um país demonizado e ameaçado com mísseis hostis em sua fronteira receber um alerta com tempo de resposta quase zero, contar com um alarme falso não é mais racional.  O tratado de 1988, alcançado por Reagan e Gorbachev, eliminou essa ameaça. Que propósito é servido ao ressuscitar tal ameaça? Por que o Congresso está silencioso? Por que a Europa está em silêncio? Por que a mídia dos EUA e da Europa está em silêncio? Por que a Roménia e a Polónia permitem essa ameaça ao permitir que mísseis dos EUA sejam estacionados em seu território?  Não há dúvidas de que os governos romeno e polaco receberam grandes quantias de dinheiro pelo complexo militar / de segurança dos EUA, que quer que os contratos de vários biliões de dólares produzam os novos mísseis. Aqui vemos a extrema irresponsabilidade dos pequenos países. Sem os governos corruptos e idiotas da Roménia e da Polónia, Washington não poderia ressuscitar uma ameaça que foi enterrada há 31 anos por Reagan e Gorbachev.  Até mesmo o estado fantoche americano da Alemanha ocupada se recusou a receber os mísseis. Mas dois estados insignificantes, sem importância no mundo, estão submetendo o mundo inteiro ao risco de uma guerra nuclear, de modo que alguns políticos romenos e polacos possam embolsar alguns milhões de dólares.  Mísseis nas fronteiras da Rússia que não fornecem tempo de resposta são um problema sério para a Rússia. Continuo esperando que Moscovo anuncie publicamente que, ao primeiro sinal de lançamento de um míssil da Roménia ou da Polónia, os países deixarão de existir imediatamente. Isso pode acordar as populações romena e polaca para o perigo que seus governos corruptos estão trazendo para eles.  Por que as provocações romenas e polacas não são justificativas suficientes para a Rússia ocupar preventivamente os dois países? É mais provocativo para a Rússia ocupar os dois países do que para os dois países receberem mísseis dos EUA contra a Rússia? Por que considerar apenas o ex-provocativo e não o último?   Ninguém é capaz de vir à ajuda da Roménia e da Polónia, mesmo que alguém tenha essa inclinação. A NATO é uma piada. Não duraria um dia numa batalha com a Rússia. Alguém acha que os Estados Unidos vão cometer suicídio para a Roménia e a Polónia?  Onde estão as resoluções da ONU condenando a Roménia e a Polónia por ressuscitarem o espectro da guerra nuclear hospedando a instalação de mísseis americanos em suas fronteiras com a Rússia? O mundo inteiro é tão despreocupado que as consequências prováveis desse ato de insanidade não são compreendidas?  Parece que a inteligência humana não está à altura das exigências da sobrevivência humana. 
*Paul Craig Roberts foi secretário assistente do Tesouro para Política Económica e editor associado do Wall Street Journal. Foi colunista da Business Week, do Scripps Howard News Service e do Creators Syndicate. Ele teve muitos compromissos universitários. Suas colunas na internet atraíram seguidores do mundo todo. Os últimos livros de Roberts são O fracasso do capitalismo laissez-faire e a dissolução económica do Ocidente, como a América foi perdida e a ameaça neoconservadora à ordem mundial. Doe e apoie o Dr. Roberts Work. 
Nota:
As opiniões expressas neste artigo são exclusivas do autor e não refletem necessariamente as opiniões da Information Clearing House
 
 
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/a-irresponsabilidade-das-pequenas-nacoes.html

Por que Alemanha de Hitler nunca construiu bomba nuclear própria?

Exploração da Trinity, a primeira bomba nuclear (foto de arquivo)
 

O tema sobre armas nucleares nazistas tem sido há décadas alvo de especulação, com analistas refletindo sobre possíveis cenários, caso Adolf Hitler tivesse colocado suas mãos em uma bomba atômica.

A Alemanha de Hitler não foi capaz de criar uma bomba nuclear por uma razão bastante banal: porque a liderança nazista não a considerou uma prioridade suficientemente grande, explicou o Dr. Andrei Gagarinsky, historiador nuclear russo e assessor do diretor do Centro Nacional de Pesquisa do Instituto Kurchatov.

"Hitler nunca se reuniu com os cientistas responsáveis pelo programa nuclear do Reich. Além disso, a história simplesmente não lhes atribuiu tempo suficiente", disse Gagarinsky, referindo-se ao avanço dos Aliados na Alemanha de Hitler em 1944 e 1945.

O cientista destacou que a última experiência de lançamento do reator nuclear alemão foi realizada em maio de 1945 pelo cientista ganhador do Prêmio Nobel Werner Heisenberg, mas não foi bem-sucedida.

Parte do problema, salientou Gagarinsky, foi a falta de financiamento para o projeto.

Werner Heisenberg, o físico alemão que tentou criar uma bomba nuclear
Werner Heisenberg, o físico alemão que tentou criar uma bomba nuclear

Segundo as próprias palavras de Heisenberg, ele não teve "coragem moral" de pedir recursos dignos para resolver o problema, comparáveis aos fundos alocados para o projeto do foguete V2 de Werner von Braun, explicou o historiador. Este era um míssil balístico desenvolvido no início da Segunda Guerra Mundial na Alemanha e usado especificamente contra a Bélgica e algumas áreas do sudeste da Inglaterra.

Programas de Wunderwaffe

O programa nuclear, colocado sob supervisão militar, foi iniciado pouco depois do início da guerra, com Heisenberg estimando que levaria pelo menos cinco anos para que uma bomba atômica fosse criada.

Porém, em 1942 o projeto viu alguns dos recursos que lhe foram atribuídos serem desviados para outros fins, com Berlim procurando por um período de recuperação mais rápido nos seus vários programas de Wunderwaffe (termo usado durante a Segunda Guerra Mundial pelo Ministério da Propaganda do Terceiro Reich para se referir às "superarmas" criadas pela indústria bélica alemã).

A grande questão, se os nazistas desenvolveram com sucesso uma bomba nuclear antes do fim da guerra, continua a ser debatida até hoje, embora grande parte dela se baseie em rumores, incluindo o testemunho de um piloto de testes alemão, que afirmou ter identificado uma "nuvem de cogumelo" perto de uma instalação de pesquisa nuclear em Ludwigslust, no nordeste da Alemanha, em 1944.

Primeira bomba nuclear

Nesta quinta-feira, 29 de agosto, cumpre-se o 70º aniversário do teste da primeira bomba nuclear soviética, que acabou por ajudar a estabelecer a paridade nuclear entre Moscou e Washington e a assegurar o mais longo período de paz nos tempos modernos.

O projeto nuclear soviético começou em 1942 em resposta ao desenvolvimento de armas nucleares nos EUA. Os americanos, por sua vez, começaram a construir sua própria bomba atômica com medo de que a Alemanha nazista o conseguisse, garantindo assim sua vitória na Segunda Guerra Mundial.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019082914447979-por-que-alemanha-de-hitler-nunca-construiu-bomba-nuclear-propria/

Fim do tratado Novo START entre EUA e Rússia pode ter consequências fatais

START I
 

Fim do tratado Novo START entre EUA e Rússia pode ter consequências fatais para a estabilidade estratégica.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas é o único acordo que limita os armamentos dos EUA e da Rússia após a saída de Washington do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) em agosto de 2019.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou em uma declaração nesta segunda-feira (26) que uma potencial recusa da extensão do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START) pelos EUA teria graves consequências para o mundo.

"As consequências para a estabilidade estratégica global vão ser muito prejudiciais. A estabilidade estratégica em geral em escala global sem dúvida será prejudicada, já que nós, ou seja, toda a humanidade ficará praticamente sem qualquer documento que regule a esfera [de armamentos nucleares]", disse o porta-voz.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019082614433934-fim-do-tratado-novo-start-entre-eua-e-russia-pode-ter-consequencias-fatais/

Israel realiza ataques aéreos na fronteira de Líbano e Síria

Caças israelenses F-16 no ar sobre a base militar Hatzerim perto de cidade israelense de Beersheva, Israel, 31 de dezembro de 2015
© AFP 2019 /

Três ataques aéreos israelenses tiveram como alvo a área de fronteira sírio-libanesa nesta domingo, informou a emissora local.

Ataques aéreos israelenses atingiram a fronteira do Líbano com a Síria, ao leste da cidade de Zahle, informou a TV libanesa An-Nahar. Não houve declaração de Israel sobre o assunto.

Neste sábado, a televisão estatal síria informou que a defesa aérea do país interceptou vários mísseis israelenses sobre Damasco antes que eles atingissem seus alvos. Mais tarde, militares israelenses afirmaram que aeronaves israelenses atacaram as forças iranianas nos arredores de Damasco para evitar um ataque de drones a Israel.

Israel já havia admitido realizar "centenas" de ataques aéreos contra a Síria nos últimos anos, argumentando que os ataques visavam combater a suposta presença iraniana no país.

Damasco condenou os ataques como uma flagrante violação do direito internacional.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019082514433157-israel-realiza-ataques-aereos-na-fronteira-de-libano-e-siria/

Putin ordena tomada de 'medidas simétricas' após testes de mísseis dos EUA

 
 
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, convocou uma reunião urgente com o Conselho de Segurança em meio aos últimos testes de mísseis dos EUA.
 
Na reunião urgente, o presidente encarregou o Ministério da Defesa da Rússia e o Ministério das Relações Exteriores de analisarem o nível de ameaça à Rússia, criado pelas ações dos EUA.
 
"Além disso, tendo em conta as circunstâncias atuais, eu encarrego o Ministério da Defesa da Rússia, o Ministério das Relações Exteriores e outras instituições especiais de analisarem o nível da ameaça criada ao nosso país pelas ações mencionadas dos EUA e de tomarem as medidas necessárias de preparação de resposta simétrica."
 
O teste mais recente foi realizado pelos EUA em 18 de agosto. Trata-se de um míssil de cruzeiro de baseamento terrestre com alcance de 500 quilómetros, o que seria proibido pelo tratado INF.
 
Os EUA deixaram o tratado INF no início de agosto, tendo anunciado a saída ainda em outubro. Em julho, Vladimir Putin também anunciou a suspensa da participação da Rússia no acordo.
 
Sputnik | Foto: © Sputnik / Aleksei Nikolsky
 
 
 
 
 

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EUA ameaçam Rússia e China, que pediram reunião do Conselho de Segurança da ONU

 
 
Míssil recém-testado pelos EUA foi alerta para China, diz secretário norte-americano de Defesa
 
O novo míssil testado há poucos dias pelos EUA teria como objetivo desencorajar a China, segundo o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper.
 
"Precisamos nos assegurar de que, caso seja necessário, temos o potencial para dissuadir o mau comportamento da China, de maneira a termos a possibilidade de atingi-la a partir de um alcance médio", afirmou Esper.
 
"A China é a prioridade número um para nosso departamento [...]", declarou o secretário, ressaltando que a maior ameaça para os EUA é precisamente este país.
 
"[...] Acredito que, a longo prazo, a China é um desafio maior [que a Rússia], levando em conta seu poder económico, político e suas ambições", completou.
 
O teste em questão ocorreu no dia 18 de agosto. O míssil terrestre de cruzeiro que foi testado era proibido pelo Tratado INF, já que tem um alcance superior a 500 quilómetros.
 
O Tratado INF, firmado em 1987, garantia a segurança na Europa mas foi rompido pelos EUA no último 2 de agosto.
 
 
 
Rússia e China pedem reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir mísseis dos EUA
 
A Rússia e a China pediram na terça-feira (20) uma reunião do Conselho de Segurança da ONU depois que Washington anunciou seus planos para desenvolver e implantar mísseis de médio alcance.
 
A declaração foi dada à Sputnik pelo representante permanente interino da Rússia na ONU, Dmitri Polianski.
 
"Hoje pedimos ao lado chinês que convoque uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em relação às declarações dos EUA sobre seus planos de desenvolver e implantar mísseis de médio alcance", disse Polianski.
 
A reunião está prevista para 22 de agosto.
 
O Pentágono informou que realizou no dia 18 de agosto um teste de voo de um míssil de cruzeiro convencional lançado do solo, que atingiu seu alvo depois de voar mais de 500 quilômetros.
 
No dia 2 de agosto, Washington saiu definitivamente do INF, que proibia o uso de mísseis de cruzeiro com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros.
 
Sputnik | Foto: Fotos: © AP Photo / Scott Howe | Google

UM MAR DE MORTE! -- Martinho Júnior

 
 
… Enquanto os recursos da Terra são aceleradamente esgotados (para os níveis de consumo actual seria preciso um planeta com 1,75 vezes o tamanho da Terra – https://geomorfusjr.wixsite.com/geomorfusjr/blog-1/o-dia-que-o-ser-humano-passou-do-limite), a irracionalidade humana alcançada pela via dum capitalismo rampante e insaciável, encaminha o mundo para um alienante neofascismo, como se em pleno século XXI se regressasse aos fundamentalismos da época feudal, com um poder militar e de inteligência abissal, jamais antes alcançado pelo homem! (https://cubaporlapaz.wordpress.com/2018/12/12/neofascismo-global-o-fin-del-capitalismo/).
 
 
01- À medida que os recursos da Mãe Terra vão sendo aceleradamente consumidos e esgotados, (http://ceget.blogspot.com/2009/11/la-tierra-no-aguanta-mas.html) desde o início da década de 90 do século XX que o mundo está a assistir à deriva neofascista em ascensão por dentro dos mecanismos e instrumentos de poder da hegemonia unipolar e seus sistemas de vassalagem.
 
Essa tendência tem sido reforçada em função das novas tecnologias, elas mesmo aceleradoras do esgotamento de recursos e ingrediente incontornável para a modelagem do carácter do poder do capital que as impulsiona…
 
A combinação dos esforços tecnológicos, de inteligência e militares obriga a procurar no espaço a implantação de sistemas capazes de controlar, gerir e guiar as novas armas, impondo conceitos que implicam o poder do mando sobre todas as outras ramificadas capacidades de decisão (https://www.voltairenet.org/article207044.html).
 
Para o império da hegemonia unipolar tudo na Terra passou a estar sob o olho clínico do Echelon!... (https://www.globalresearch.ca/echelon-today-the-evolution-of-an-nsa-black-program/5342646).
 
 
 
02- Quer o carácter de muitos estados, quer as organizações militares internacionais (como as dependentes do Pentágono, a NATO e as que interconectam operativamente os países do Echelon – https://techcrunch.com/2015/08/03/uncovering-echelon-the-top-secret-nsa-program-that-has-been-watching-you-your-entire-life/?renderMode=ie11), estão por essas e mais razões em deriva neofascista, implicando-se na implantação de factores de caos, terrorismo, desagregação e vulnerabilização, tendo como alvo os países que procuram outras soluções para a humanidade, como os emergentes tendo à cabeça o multilateralismo russo e chinês, assim como os países do sul, em particular os que adoptaram capacidades antropológicas, históricas e sociopolíticas de resistência face ao crescendo internacional das ameaças concentradas na hegemonia unipolar eminentemente anglo-saxónica. (http://paginaglobal.blogspot.pt/2013/07/assim-se-faz-hegemonia.html).
 
O movimento neofascista é de tal maneira poderoso que tende a fraccionar os BRICS (
), arrebanhar regiões inteiras predispondo-as para a confrontação (como acontece por exemplo com os Países Bálticos, a Polónia e a Ucrânia na Europa do Leste – https://www.voltairenet.org/article207113.html), a reforçar os intestinos da NATO com correntes neofascistas no poder dos estados, ou a provocar sucessivos focos de pressão contra os recalcitrantes, ainda que estes se escudem com toda a legitimidade que os asiste na Carta da ONU… (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/08/14/no-mas-trump/).
 
Uma das áreas de maior tensão geradora de neofascismo tornou-se também o Mediterrâneo, por que os fundamentalismos de que se alimenta, têm vindo a incidir nessa região de fronteira europeia com o sul, concomitantemente às pressões que têm incidido sobre o Médio Oriente Alargado e África! (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/o-paralelo-do-choque-martinho-junior.html).
 
 
03- Na Itália, em consequência das agressões levadas a cabo no Médio Oriente Alargado e no Norte de África (com maior incidência na Líbia), o poder do estado tem vindo a ser paulatinamente tomado por correntes xenófobas, racistas e neofascistas, a coberto de nacionalismos exacerbados que utilizam a guerra psicológica com incidências no próprio eleitorado italiano, face ao incremento da migração de pessoas fugindo às hecatombes… (http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+WQ+E-2009-2194+0+DOC+XML+V0//PT).
 
Essas correntes nascidas a partir dos actos de agressão que partiram de solo italiano, são um efeito sociopolítico desses mesmos actos, ainda que façam tudo para publicamente desconhecer as relações causa-efeito de seu renascimento em pleno século XXI, a partir das redes “stay behind” do século passado!
 
Uma das entidades que é conhecida pelas suas posições neofascistas é o Ministro do Interior Matteo Salvini, da Liga, um produto europeu dos próprios desmandos neofascistas e neocoloniais aplicados massivamente com as agressões no Médio Oriente Alargado e em África… (https://www.clarin.com/mundo/italia-endurece-rechaza-recibir-629-inmigrantes-rescatados-mediterraneo_0_SywlV-se7.html).
 
A Itália é um dos vassalos da NATO que mais implicações directas têm na logística e na manobra na direcção do Médio Oriente Alargado e de África, conforme os dados que se vão coligindo em relação ao Camp Darby (https://www.globalsecurity.org/military/facility/camp-darby.htm) e outras unidades espalhadas pela península italiana. (https://www.voltairenet.org/article203071.html).
 
O fenómeno das migrações trans Mediterrâneo decorre dos bárbaros conflitos que estão a provocar fluxos de milhões de seres humanos desde as agressões ao Iraque e Afeganistão por parte das administrações de turno dos Estados Unidos e da NATO, agressões essas que disseminaram caos, terrorismo, desagregação e vulnerabilização de estados, nações e povos em toda a imensa região atingida! (https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XXI).
 
De solo italiota partem as agressões que cruzam o Mediterrâneo para o Médio Oriente Alargado e África e, no sentido inverso, a migração dos desgraçados que fogem às guerras e à miséria a sul dirige-se prioritariamente para a Itália!
 
Às migrações de refugiados de guerra oriundos da Líbia, desde a agressão do AFRICOM-NATO à Líbia em 2011, (http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/as_migracoes_africanas) juntam-se os refugiados de guerra, climáticos e de outros em busca de melhor situação de vida provenientes do Sahel, da África do Oeste, do Sudão, da Eritreia, da Etiópia e do Corno de África, Somália; é essa a viabilidade moderna que acaba por provocar neocolonialismo! (http://pagina--um.blogspot.com/2011/03/viabilidade-moderna-do-neo-colonialismo.html).
 
África, perante as clivagens fascistoides do império da hegemonia unipolar, está com esses circuitos de barbaridade, antecipadamente condenada à inércia e à catástrofe!... (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/04/28/africa-da-inercia-a-catastrofe/).
 
A Itália, campo de manobra das agressões do império da hegemonia unipolar em direcção do Médio Oriente Alargado e África, catapultou para o “poder civil”, mais do mesmo de sua enfeudada vassalagem militar! (http://www.voltairenet.org/article193555.html).
 
O mar de morte da IIIª Guerra Mundial, em que se tornou o Médio Oriente Alargado e África, inundou o Mediterrâneo tornando-o num outro mar de morte, agravado pela exclusão artificiosa implementada pelas correntes neofascistas e num momento em que sobretudo África é um completo pasto neocolonial!
 
Martinho Júnior -- Luanda, 18 de Agosto de 2019.
 
Imagens:
01- A morte oculta, com os aviões do AFRICOM e a NATO parte deles partindo de solo italiano, desabou em 2011 dos céus sobre Tripoli, capital da Líbia;
02- A morte oculta faz parte do quotidiano no calvário migratório em direcção ao norte de África;
03- A morte oculta instalou-se por todo o Sahel pela via da Al Qaeda do Magrebe Islâmico;
04- Matteo Salvini, a morte oculta por via da xenofobia e do racismo, enquanto ingredientes de guerra psicológica do “moderno” e instrumentalizado neofascismo europeu;
05- A morte visível no mar Mediterrâneo, o culminar de todas as outras mortes.
 
*************** 
 
"O Martinho Júnior não se tem coibido de com responsabilidade e consciência crítica assumir a posição própria da dignidade, da paz e respeitando a lógica da vida"
HÁ DEZ ANOS, NO PÁGINA UM, PRODUZI ESTE BALANÇO SOBRE A SITUAÇÃO DE ÁFRICA, UM BALANÇO QUE NOS SEUS TERMOS ESSENCIAIS SOFREU ALTERAÇÃO: DEPOIS DA AGRESSÃO À LÍBIA, O NEOCOLONIALISMO EM ÁFRICA TORNOU-SEAINDA MAIS INTENSO, COM TODO O SEU CORTEJO DE DESEQUILÍBRIOS, CONFLITOS, GUERRAS, FOME E MISÉRIA!
 
EM BALANÇO
 
Quarta-feira, Dezembro 23, 2009
 
Martinho Júnior, Luanda
Ao fechar 2009 e quando se entra no último ano da primeira década do século XXI, a tendência é para se fazer um sério balanço do que fomos, do que somos e para onde vamos, a nível colectivo (melhor considerando, global) e a todos os outros níveis, incluindo o individual, para que cada um aprenda enquanto cidadão do mundo e antes de mais a saber respeitar a sua própria consciência e dignidade no quadro honesto das limitações em que se encontram os indivíduos, as sociedades e a própria natureza, ou seja, num acto de amor, respeito e solidariedade para com o homem e indissociavelmente para com a natureza (a Mãe Terra), sem a qual é impossível nossa própria sobrevivência.
Uma das sínteses fundamentais é a constatação do quanto obsoleta é a lógica capitalista, não só pelo cortejo secular de desigualdades, injustiças, diversões, preconceitos, tensões, conflitos e guerras, mas também pelos prejuízos acumulados por dezenas de anos de imprudência no seguimento da sua “Revolução Industrial”, que resulta na condenação à morte lenta mas certa da Mãe Terra conforme o que se tem tornado evidente em Copenhaga e em praticamente todos os outros fóruns sobre o ambiente e o clima desde Seattle há dez anos. (1)
O exacerbar da lógica capitalista e a sua decadência ética e moral colocam todos e cada um de nós cidadãos do mundo numa encruzilhada: sabendo hoje o caminho que conduz à impraticabilidade da vida na Terra, salvaguardando o respeito que nos merecem as gerações que se nos seguirão e por isso mesmo a natureza, somos obrigados a escolher e não há outra alternativa senão optar e lutar pela paz e pela vida, mesmo que isso acarrete a contradição com aqueles “lobbies” ultra conservadores como o militarista que “sustenta” o Pentágono e todos os conflitos, tensões e principais guerras correntes. (2)
Honrar hoje a vida e dignificá-la com a consciência e a responsabilidade histórica tanto no norte quanto no sul implica mesmo nas conjunturas mais adversas saber encontrar a ponte entre o passado, o presente e o futuro e isso torna-se um imperativo para as opções de todos e de cada um. (3)
O movimento de libertação por essa via é uma emanação para toda a humanidade e mesmo que ele venha a ser esvaziado por aqueles que se deixaram contaminar pela lógica capitalista, é e será uma fonte de inspiração e uma reserva ética e moral. (4)
Em África isso é sobremodo crucial, pois pela primeira vez não vão os outros de fora do continente olhar para o saque das riquezas africanas como uma coisa lá longe, que nada diz respeito a toda a humanidade e ao planeta, evocada por intelectuais “de esquerda” e por conseguinte “radicais”: o saque das riquezas para o lucro duns quantos e sem levar em consideração os limites impostos pela natureza, começa a ser um assunto que diz tanto respeito ao sul quanto ao norte, com incalculáveis implicações no ambiente, no clima e no homem!
As elites africanas paridas da lógica capitalista apesar do que resta do movimento de libertação, têm demonstrado duma forma geral que não estão preparadas para fugir à lógica capitalista e assumir por inteiro a lógica da vida, o que ficou aliás patente em Copenhaga; isso acarreta maiores responsabilidades para aqueles que em nome da lógica da vida, se recusam a ser “representados” enquanto cidadãos do mundo fora desse quadro e não estão dispostos a “vender” princípios perante as evidências.
Isso é tanto mais grave quanto a lógica capitalista neoliberal em África tem vindo a neutralizar duma forma geral os movimentos sociais e duma forma muito específica aqueles que são alternativos.
Resta em muitos países as entidades individuais e é sobre esses homens de consciência e não de mentalidade que recai todo o peso das responsabilidades.
Esse é o quadro que tem definido Martinho Júnior em relação a si próprio, conforme toda a produção de 2009 aqui no Página Um.
Tenho procurado ser, cada vez mais crítico em relação a tudo o que nos conduz ao que se torna proibido e que advém da lógica capitalista, mesmo que isso choque com o egoísmo próprio de interesseiros, de oportunistas e de cegos ainda que com a mentalidade típica ou a arrogância dos “todo-poderosos”.
Durante a minha vida e desde que me assumi em consciência devotei-me em Angola à causa do movimento de libertação que não era nem é uma reivindicação simples, contra o colonialismo, contra o “apartheid” e pela independência dos povos deste continente.
A lógica capitalista tem vindo a esvaziar particularmente desde 1985 o sentido histórico do movimento de libertação e por dentro dum partido com as responsabilidades do MPLA aberta ou veladamente ela tem sido imposta num processo lento e corrosivo que tende a não respeitar a história e até mesmo a fazê-la contar à maneira das “novas”conveniências neoliberais…
Essa situação é feita pela via dum elitismo crescente que aliás não é apanágio de Angola, antes se estende como no início da afirmação imperialista em África, “do Cabo ao Cairo”! (5)
Houveram muitos que tendo empenhado uma parte de suas vidas no enquadramento do movimento de libertação, mesmo que tenham sofrido sacrifícios inauditos deixaram contudo de estudar, deixaram de vivenciar os compromissos originais, abandonaram a “trincheira firme da revolução em África” para se entregarem por inteiro e da forma mais insensata ao elitismo comprometedor que se nutre da lógica capitalista e acarreta compromissos no sentido do caminho proibido a que está a ser conduzida a humanidade e o planeta.
O Martinho Júnior não se tem coibido de com responsabilidade e consciência crítica assumir a posição própria da dignidade, da paz e respeitando a lógica da vida.
Em relação a muitos arrisco-me a não ser compreendido, mas julgo que esse é o tributo das vanguardas, em especial daquelas que souberam equacionar a ponte entre o passado e o presente e pretendem garantir para as gerações futuras ao menos um mundo sustentável sob os pontos de vista ambiental e humano. (6)
Tenho por exemplo sido crítico para com um homem com a dimensão de Nelson Mandela, pois em sinal de respeito para com o que foi em sua juventude e meia-idade, me parece justo assinalar o contraste no seu evidente apego a determinadas elites que tão mal se têm historicamente conduzido em relação ao continente africano, a começar para com a própria África do Sul. (7)
Será que essa posição é compreendida dentro de sua justeza e tendo em conta as referências às duas únicas alternativas possíveis?
A vida ainda não parou sobre a Terra e numa altura em que se torna inevitável optar e lutar por ela, que fazer?
Para o Martinho Júnior, em nome da vida, “a luta continua”!
 
Notas:
- (1) – Dois obstáculos no caminho de Copenhaga – Riccardo Petrella – Le Monde Diplomatique – Informação Alternativa – http://infoalternativa.org/spip.php?article1444
- (2) – Página Um – Construamos uma Arca de Noé que nos salve a todos! – http://pagina-um.blogspot.com/2009/09/construamos-uma-arca-de-noe-que-nos.html ; Du - o horror que o imperialismo espalha por todo o Planeta – David Randall – Resistir Info & Global Research – http://www.resistir.info/iraque/du_faluja_p.html ; http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16442 ; Pentagone’s role in global catastrophe: add climate havoc to war crimes – Sara Founders – Global Research – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16609
- (3) – Cobardemente no queremos tocar las causas de la destrucción del medioambiente – Discurso do Presidente Evo Morales da Bolívia em Copenhaga – http://www.bolpress.com/art.php?Cod=2009121802&PHPSESSID=edecc99e47c82ae ;
- (4) – Página Um – Evocando Neto – http://pagina-um.blogspot.com/2009/10/evocando-neto.html
- (5) – Estados Unidos – Angola: Trinta anos depois… o desembarque – I – http://pagina-um.blogspot.com/2009/06/estados-unidos-angola-trinta-anos.html ; II – http://pagina-um.blogspot.com/2009/08/estados-unidos-angola-trinta-anos.html ; III – http://pagina-um.blogspot.com/2009/12/estados-unidos-angola-trinta-anos.html
- (6) – Peace Parks Foundation – O engodo das elites para uma paz cheia de desequilíbrios – Página Um – http://pagina-um.blogspot.com/2009/11/peace-parks-foundation-o-engodo-das.html ; Cuito Cuanavale - A paz da grande solidão – Página Um – http://pagina-um.blogspot.com/2009/11/cuito-cuanavale-paz-da-grande-solidao.html ; A terceira fornada da “Peace Parks Foundation” – Página Um – http://pagina-um.blogspot.com/2009/12/terceira-fornada-da-peace-parks.html
- (7) – La Tierra no aguanta mas – CEGET Blogspot – Leonardo Boff – http://ceget.blogspot.com/2009/11/la-tierra-no-aguanta-mas.html
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/um-mar-de-morte-martinho-junior.html

Sob o “escudo” de mísseis nucleares USA na Europa

 
 
Manlio Dinucci*
 
Após a retirada dos EUA do Tratado INF, a Aliança Atlântica torna a instalar os seus lançadores e mísseis nucleares de médio alcance. Transforma a Europa Central e Ocidental, assim como o Pacífico, em campos de batalha.
 
A instalação de mísseis da NATO em Deveselu, na Roménia, que faz parte do sistema Aegis americano, de “defesa anti-mísseis”, terminou a “actualização” que começou em Abril passado. Comunica a NATO, assegurando que “não conferiu nenhuma capacidade ofensiva ao sistema”, que o mesmo “permanece puramente defensivo, concentrado em ameaças potenciais provenientes do exterior da área euro-atlântica”.
 
A unidade de Deveselu está dotada (de acordo com a descrição oficial) com 24 mísseis, instalados em lançadores verticais subterrâneos, para a interceptação de mísseis balísticos de curto e médio alcance. Outro local, que ficará operacional em 2020, na base polaca de Redzikowo, também será equipado com este sistema. Lançadores do mesmo tipo estão a bordo de quatro navios da Marinha dos EUA que, localizados na base espanhola de Rota, navegam no Mediterrâneo, no Mar Negro e no Mar Báltico.
 
 
A própria instalação dos lançadores mostra que o sistema é dirigido não contra a “ameaça iraniana” (como declaram os EUA e a NATO), mas, principalmente, contra a Rússia. Que o designado “escudo” não é “puramente defensivo”, explica a própria indústria de guerra que o produziu, a Lockheed Martin. Ela documenta que o sistema é “projectado para instalar qualquer tipo de míssil em qualquer tubo de lançamento”, portanto, está adaptado para “qualquer missão de guerra”, incluindo “ataque a alvos terrestres”. A Lockheed Martin especifica que os tubos de lançamento maiores, podem lançar “mísseis maiores, como os de defesa contra mísseis balísticos e os destinados a ataques de longo alcance”. Assim, admite, fundamentalmente, que as instalações na Roménia e na Polónia e os quatro navios do sistema Aegis podem ser armados não só com mísseis anti-mísseis, mas também com mísseis de cruzeiro Tomahawk de ogivas nucleares capazes de atingir alvos a milhares de quilómetros de distância.
 
Como documenta o *Serviço de Pesquisa do Congresso (24 de Julho de 2019), os quatro navios dos EUA que “operam em águas europeias para defender a Europa de potenciais ataques de mísseis balísticos” fazem parte de uma frota de 38 navios Aegis, que em 2024, aumentarão para 59. **No ano fiscal de 2020, é atribuído 1,8 biliões de dólares para actualizar esse sistema, incluindo os instalados na Roménia e na Polónia. Outras instalações terrestres e navios do sistema Aegis serão instalados não só na Europa contra a Rússia, como também na Ásia e no Pacífico contra a China.
 
De acordo com os planos, o Japão instalará no seu território duas instalações missílisticas fornecidos pelos EUA; a Coreia do Sul e a Austrália, irão adquirir navios USA do sistema Aegis. Mais ainda, nos três meses em que o equipamento de Deveselu foi levado para os EUA para ser “actualizado”, foi colocada na instalação da Roménia, ***uma bateria de mísseis móveis Thaad do Exército USA, capaz de “derrubar um míssil balístico tanto dentro, como fora da atmosfera”, mas também capaz de lançar mísseis nucleares de longo alcance. Reposto em funcionamento o sistema Aegis – comunica a NATO - ****o Thaad foi “retirado”. Não especifica para onde. Sabe-se, no entanto, que os militares dos EUA instalaram baterias de mísseis deste tipo, de Israel para a ilha de Guam, no Pacífico.
 
À luz destes factos, no momento em que os Estados Unidos destroem o Tratado para instalar mísseis nucleares de médio alcance perto da Rússia e da China, não espanta o anúncio - feito em Moscovo pelo Senador Viktor Bondarev, Chefe da Comissão de Defesa – que a Rússia instalou bombardeiros de ataque nuclear Tu-22M3 na Crimeia. No entanto, quase ninguém está preocupado, porque em Itália e na União Europeia tudo isto é ocultado pelo aparelho político-mediático.
 
Manlio Dinucci* | Voltaire.net.org | Tradução Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte Il Manifesto (Itália)
 
 
Documentos anexados
Congressional Research Service. Updated July 24, 2019. (PDF - 1.4 Mb)
 
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/sob-o-escudo-de-misseis-nucleares-usa.html

«A arte da guerra» Sob o “escudo” de mísseis nucleares USA na Europa

Após a retirada dos EUA do Tratado INF, a Aliança Atlântica torna a instalar os seus lançadores e mísseis nucleares de médio alcance. Transforma a Europa Central e Ocidental, assim como o Pacífico, em campos de batalha.

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A instalação de mísseis da NATO em Deveselu, na Roménia, que faz parte do sistema Aegis americano, de “defesa anti-mísseis”, terminou a “actualização” que começou em Abril passado. Comunica a NATO, assegurando que “não conferiu nenhuma capacidade ofensiva ao sistema”, que o mesmo “permanece puramente defensivo, concentrado em ameaças potenciais provenientes do exterior da área euro-atlântica”.

A unidade de Deveselu está dotada (de acordo com a descrição oficial) com 24 mísseis, instalados em lançadores verticais subterrâneos, para a interceptação de mísseis balísticos de curto e médio alcance. Outro local, que ficará operacional em 2020, na base polaca de Redzikowo, também será equipado com este sistema. Lançadores do mesmo tipo estão a bordo de quatro navios da Marinha dos EUA que, localizados na base espanhola de Rota, navegam no Mediterrâneo, no Mar Negro e no Mar Báltico.

A própria instalação dos lançadores mostra que o sistema é dirigido não contra a “ameaça iraniana” (como declaram os EUA e a NATO), mas, principalmente, contra a Rússia. Que o designado “escudo” não é “puramente defensivo”, explica a própria indústria de guerra que o produziu, a Lockheed Martin. Ela documenta que o sistema é “projectado para instalar qualquer tipo de míssil em qualquer tubo de lançamento”, portanto, está adaptado para “qualquer missão de guerra”, incluindo “ataque a alvos terrestres”. A Lockheed Martin especifica que os tubos de lançamento maiores, podem lançar “mísseis maiores, como os de defesa contra mísseis balísticos e os destinados a ataques de longo alcance”. Assim, admite, fundamentalmente, que as instalações na Roménia e na Polónia e os quatro navios do sistema Aegis podem ser armados não só com mísseis anti-mísseis, mas também com mísseis de cruzeiro Tomahawk de ogivas nucleares capazes de atingir alvos a milhares de quilómetros de distância.

Como documenta o *Serviço de Pesquisa do Congresso (24 de Julho de 2019), os quatro navios dos EUA que “operam em águas europeias para defender a Europa de potenciais ataques de mísseis balísticos” fazem parte de uma frota de 38 navios Aegis, que em 2024, aumentarão para 59. **No ano fiscal de 2020, é atribuído 1,8 biliões de dólares para actualizar esse sistema, incluindo os instalados na Roménia e na Polónia. Outras instalações terrestres e navios do sistema Aegis serão instalados não só na Europa contra a Rússia, como também na Ásia e no Pacífico contra a China.

De acordo com os planos, o Japão instalará no seu território duas instalações missílisticas fornecidos pelos EUA; a Coreia do Sul e a Austrália, irão adquirir navios USA do sistema Aegis. Mais ainda, nos três meses em que o equipamento de Deveselu foi levado para os EUA para ser “actualizado”, foi colocada na instalação da Roménia, ***uma bateria de mísseis móveis Thaad do Exército USA, capaz de “derrubar um míssil balístico tanto dentro, como fora da atmosfera”, mas também capaz de lançar mísseis nucleares de longo alcance. Reposto em funcionamento o sistema Aegis – comunica a NATO - ****o Thaad foi “retirado”. Não especifica para onde. Sabe-se, no entanto, que os militares dos EUA instalaram baterias de mísseis deste tipo, de Israel para a ilha de Guam, no Pacífico.

À luz destes factos, no momento em que os Estados Unidos destroem o Tratado para instalar mísseis nucleares de médio alcance perto da Rússia e da China, não espanta o anúncio - feito em Moscovo pelo Senador Viktor Bondarev, Chefe da Comissão de Defesa – que a Rússia instalou bombardeiros de ataque nuclear Tu-22M3 na Crimeia. No entanto, quase ninguém está preocupado, porque em Itália e na União Europeia tudo isto é ocultado pelo aparelho político-mediático.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Muralha sino-russa contra a intromissão dos EUA

por M.K. Bhadrakumar [*]

Protesto no aeroporto de Hong Kong, 09/Agosto/2019. A China acusou explicitamente os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de fomentarem os protestos "pró-democracia" em Hong Kong. Pequim assumiu o assunto por meio do canal diplomático exigindo que a inteligência dos EUA pare de incitar e encorajar os manifestantes de Hong Kong.

Na semana passada, evidências fotográficas apareceram nos media mostrando a conselheira política do consulado dos EUA em Hong Kong, Julie Eadeh, a confabular no átrio de um hotel de luxo local com os líderes estudantis envolvidos neste movimento "pró-democracia" de Hong Kong.

Washington ficou ressentida pelo facto de a cobertura de Julie ter sido exposta. Ela é aparentemente uma especialista que organizou "revoluções coloridas" em outros países e foi revelado que estava envolvida na trama de "atos subversivos" na região do Médio Oriente. O Global Times escreveu um editorial furioso . Dizia:

"O governo dos EUA desempenhou um papel vergonhoso nos distúrbios de Hong Kong. Washington apoia publicamente os protestos e nunca condena a violência que atinge a polícia. O consulado geral dos EUA em Hong Kong está a aumentar a sua interferência directa na situação de Hong Kong. A administração dos EUA está a instigar tumultos em Hong Kong, da mesma forma que alimentou "revoluções coloridas" em outros lugares do mundo.

A alegação chinesa será plausível? Escrevendo no Asia Times , o renomado académico, economista e autor canadiano Ken Moak comentou recentemente que os protestos são generosamente financiados e que a sua logística e organização são de uma escala de recursos financeiros a que "só governos estrangeiros ou indivíduos ricos que poderiam lucrar com eles se comprometeriam". Ele pormenorizou exemplos passados de tentativas anglo-americanas para desestabilizar a China.

Moak prevê futuras operações subversivas "mais intensas e violentas" contra a China por parte EUA.

De facto, agentes provocadores estão a calibrar os protestos quase diariamente, como a queima da bandeira chinesa e a ocupação do aeroporto de Hong Kong. O plano do jogo é forçar Pequim a intervir para que se siga o dilúvio – sanções ocidentais, et al.

Com a tecnologia 5G prestes a ser lançada, este é um momento oportuno para os EUA arrebanharem seus aliados ocidentais num boicote económico à China, no momento em que países como a Alemanha e a Itália, que têm relações comerciais e de investimento florescentes com a China, abominam ficar a reboque os EUA.

O renomado jornalista e escritor italiano e observador de longa data da China baseado em Pequim, Francesco Sisci, escreveu recentemente que Hong Kong é, na verdade, a "válvula de segurança" de Pequim e sufocá-la pode causar asfixia em todo o sistema chinês. Sisci compara Hong Kong a "uma câmara de compensação, uma válvula de segurança entre a economia fechada da China continental e as economias abertas do resto do mundo".

Se a China podia globalizar com avidez e ainda assim manter a sua economia fechada era por ter Hong Kong, que era completamente aberta e proporcionava o terceiro maior mercado financeiro do mundo. Se ocorrer uma fuga de capital em larga escala em Hong Kong, a China terá que efectuar seus futuros acordos financeiros através de países sobre os quais não tem controle político. Para citar Sisci, "o actual status de Hong Kong pode ajudar Pequim a comprar tempo, mas a questão crucial ainda é o status da China. A época de estar dentro e fora do sistema comercial global graças a uma arquitectura complexa de acordos especiais está a esgotar-se rapidamente".

Dito simplesmente, a agitação em Hong Kong torna-se um modelo da abordagem de pressão máxima dos EUA para quebrar o ímpeto de crescimento da China e a sua ascensão como uma rival na tecnologia global do século XXI. As mãos nos EUA que influenciam a China já estão a abrir a garrafa de champanhe por "a revolução estar no ar em Hong Kong" – e, isso marcará "o fim do comunismo sobre o solo chinês".

Protesto em Moscovo, 10/Agosto/2019. Entra a Rússia. Coincidência ou não, ultimamente pequenos fogos estão a ser acesos também nas ruas de Moscovo e estão a propagar-se em protestos significativos contra o presidente Vladimir Putin. Se a lei de extradição foi o pretexto para o tumulto de Hong Kong, foi a eleição para a Duma de Moscovo (legislativo da cidade) que aparentemente provocou o protesto russo.

Assim como em Hong Kong há descontentamento económico e social, a popularidade de Putin diminuiu ultimamente, o que é atribuído à estagnação da economia russa.

Em ambos os casos, a agenda americana é descaradamente pela "mudança de regime". Isto pode parecer surpreendente, uma vez que as lideranças chinesa e russa parecem sólidas. A legitimidade do Partido Comunista Chinês presidido por Xi Jinping e a popularidade de Putin ainda estão a um nível que faz inveja a qualquer político em qualquer parte do mundo, mas a doutrina das "revoluções coloridas" não é construída sobre princípios democráticos.

As revoluções coloridas referem-se à inversão de uma ordem política estabelecida e não tem correlação com o apoio das massas. A revolução colorida é o golpe por outros meios. Não é nem mesmo acerca de democracia. As recentes eleições presidenciais e parlamentares na Ucrânia revelaram que a revolução colorida de 2014 foi uma insurreição que a nação repudia.

É claro que as apostas são muito altas quando se trata de desestabilizar a China e a Rússia. Nada menos do que o equilíbrio estratégico global está em causa. A estratégia de contenção dupla dos EUA contra a Rússia e a China é na sua quinta-essência o projecto New American Century – a hegemonia global dos EUA ao longo do século XXI.

Os EUA apostaram que Moscovo e Pequim seriam duramente pressionados para enfrentar o espectro das revoluções coloridas e que as isolariam. Afinal de contas, regimes autoritários são exclusivos e dentro do sanctum sanctorum das suas políticas internas nem os seus amigos ou aliados mais próximos são permitidos.

É aqui que Moscovo tem uma surpresa desagradável para Washington. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse em Moscovo na sexta-feira que a Rússia e a China deveriam intercambiar informações sobre a interferência dos EUA nos seus assuntos internos. Ela sinalizou que Moscovo está consciente das declarações chinesas de que os EUA interferem nos assuntos de Hong Kong e trata estas informações "com toda a seriedade".

"Além disso, penso que seria correcto e útil trocar tais informações através dos respectivos serviços", disse Zakharova, acrescentando que os lados russo e chinês discutirão a questão dentro em breve. Ela acrescentou que a agência de inteligência dos EUA está a utilizar tecnologia para desestabilizar a Rússia e a China.

Pouco antes, na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou o chefe da Secção Política da embaixada estado-unidense, Tim Richardson, e apresentou-lhe um protesto oficial contra o encorajamento dos EUA a uma manifestação não autorizada da oposição em Moscovo no dia 3 de Agosto.

Na verdade, Moscovo tem muito mais experiência do que Pequim em neutralizar operações secretas da inteligência dos EUA. É uma característica marcante da grande habilidade e perícia, bem como da tenacidade do sistema russo, que durante toda a era da Guerra Fria e no período "pós-soviético", nunca tenha havido nada parecido com os motins na Praça Tiananmen em Pequim (1989) ou em Hong Kong (2019) desencadeados pela inteligência dos EUA.

A mensagem de Moscovo para Pequim é directa e franca – "Unidos venceremos, divididos cairemos". Sem dúvida, os dois países estiveram em consultas e queriam que o resto do mundo soubesse disso. Na verdade, a mensagem transmitida por Zakharova – sobre uma muralha (firewall) conjunta contra a interferência dos EUA – é de significância histórica. Ela eleva a aliança russo-chinesa a um nível qualitativamente novo, criando mais um reforço político de segurança colectiva.

11/Agosto/2019
[*] Analista poltico, indiano.

O original encontra-se em indianpunchline.com/a-sino-russian-firewall-against-us-interference/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

 

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/china/bhadrakumar_11ago19.html

Rússia nunca recusou o diálogo com EUA sobre o Tratado INF, afirma ministro da Defesa russo

Veículo de transporte do complexo Iskander-K, equipado com mísseis de cruzeiro R-500, durante manobras na região de Krasnodar
© Sputnik / Vitaly Timkiv

A Rússia nunca recusou o diálogo com os EUA sobre o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), mostrou abertura e transparência das suas ações, afirma o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu.

"Nunca nos recusámos a dialogar, propusemos isso durante todo o período de fevereiro a agosto. Mostrámos a nossa abertura. Mostrámos o míssil que levantava questões. Os americanos não vieram. Se eram necessários mais participantes, por que havia necessidade de destruir tudo?", disse Sergei Shoigu em entrevista ao canal de televisão Rossiya 24.

O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) foi definitivamente revogado em 2 de agosto. No início deste ano, Washington anunciou a sua saída unilateral do tratado, acusando a Rússia de violar o documento. Moscou negou todas as alegações.

Resposta recíproca

No início de julho, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou a lei sobre a suspensão do tratado. A Rússia afirmou várias vezes que cumpria por completo todas as condições do INF.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que Moscou tinha sérias perguntas a fazer a Washington quanto ao cumprimento do tratado pelos próprios norte-americanos. Segundo ele, as acusações dos EUA sobre as alegadas violações russas não tinham e não têm qualquer fundamento.

O presidente da Rússia sublinhou que todas as propostas da Rússia sobre o desarmamento nuclear "estão na mesa e que as portas estão abertas", mas exigiu que os ministros os ministros russos, a partir de agora, não iniciassem negociações sobre este assunto.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019081814401341-russia-nunca-recusou-o-dialogo-com-eua-sobre-o-tratado-inf-afirma-ministro-da-defesa-russo/

'Rússia vai pensar duas vezes': chanceler polonês espera aumento de tropas dos EUA no país

Brigada polonesa junto aos soldados da divisão norte-americana durante manobras Anakonda 16 da OTAN, Polônia
© REUTERS / Kacper Pempel

Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Jacek Czaputowicz, declarou que é melhor instalar tropas dos EUA na Polônia do que na Europa Ocidental para deter a Rússia.

Segundo o ministro, a presença de forças dos EUA na Polônia "tem um papel muito importante, dissuasor, muito mais importante do que a presença deles no ocidente".

"A Rússia vai pensar duas vezes antes de recorrer a meios militares se ela vir forças internacionais, especialmente forças estadunidenses, na Polônia", disse o ministro Czaputowicz, citado pelo portal Polsat.

O chanceler exprimiu a esperança que os EUA vão especificar o plano de posicionamento de tropas na Europa Ocidental durante a próxima visita de Donald Trump à Polônia.

Planos dos EUA

Antes, os EUA sugeriram aumentar o contingente militar na Polônia em 2.000 homens à custa das forças instaladas na Alemanha. A ideia foi explicada pelo fato que a Alemanha recusou aumentar seus gastos com defesa até dois por cento do PIB.

"É ofensivo esperar que os contribuintes norte-americanos continuem a pagar por milhares de militares dos EUA na Alemanha", declarou o embaixador norte-americano na Alemanha. Entretanto, a embaixadora estadunidense na Polônia destacou que o país cumpre suas obrigações perante a OTAN.

Por seu turno, o ministro da Defesa da Polônia respondeu positivamente à proposta do presidente norte-americano, informando que Varsóvia vai providenciar os EUA com seis locais para instalações das tropas, principalmente perto da fronteira oriental do país.

Em resposta, a Rússia prometeu também reforçar sua presença militar nas fronteiras ocidentais do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019081714399074-russia-vai-pensar-duas-vezes-chanceler-polones-espera-aumento-de-tropas-dos-eua-no-pais/

Comandante iraniano revela o que trava inimigos de invadir Irã

Exercícios militares no Irã com lançamento de míssil terra-mar Saegheh
© AP Photo / Fars News Agency/Mehdi Marziad

EUA estão formando uma coalizão para patrulhar e garantir a segurança de navegação marítima no golfo Pérsico e no estreito de Ormuz, mas até agora só o Reino Unido e Israel mostraram interesse em aderir.

O poder defensivo fornecido pela indústria militar nacional iraniana obrigou os "inimigos" do país islâmico a reconsiderarem suas ameaças contra Teerã, disse o chefe da Organização da Indústria Naval do Ministério da Defesa, contra-almirante Amir Rastegari, relata Mehr News.

Rastegari recordou na sexta-feira (16) o estado deplorável da indústria de defesa do país antes da Revolução de 1979, apontando para a forte dependência do Irã do equipamento militar estrangeiro e de milhares de assessores estrangeiros. Hoje, depois de quatro décadas de sanções, o país atingiu a autossuficiência no campo da defesa.

"Todos os armamentos fabricados ao longo da última época se baseiam nas capacidades nacionais iranianas. Os filhos desta pátria fabricaram mísseis balísticos, superfície-superfície, superfície-ar, superfície-mar", disse o comandante, enumerando os diversos sistemas de armas desenvolvidos pelos engenheiros iranianos ao longo da última década, incluindo tanto equipamento de engenharia reversiva como sistemas totalmente novos que, segundo o contra-almirante, estão em condições de igualdade perante o equipamento das principais potencias militares do mundo.

Forças Armadas do Irã estão atentas e prontas

"Hoje […] as Forças Armadas estão atentas e prontas", disse ele. "Até há poucos anos, os inimigos ameaçavam o Irã 'tendo a opção militar sobre a mesa', mas agora falam em 'evitar uma guerra', mostrando a força da nação iraniana", acrescentou Amir Rastegari.

Por fim, o militar salientou que os EUA têm se refreado da ideia de invadir Irã, "não por bondade", mas devido ao medo de errar, tendo em conta as capacidades militares do Irã.

Nos últimos meses, em meio ao aumento das tensões na região, o Irã apresentou vários misseis, drones e sistemas de defesa antiaérea, bem como outro tipo de equipamentos de fabricação nacional.

Recentemente, os EUA anunciaram a formação de uma coalizão conhecida como Operação Sentinela, a fim de escoltar petroleiros e outras embarcações mercantes no estreito de Ormuz e no golfo Pérsico.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019081714398658-comandante-iraniano-revela-o-que-trava-inimigos-de-invadir-ira/

UM LONGO VERÃO À ESPERA DA GUERRA

16 de Agosto de 1939. Já aqui foi dito, mas nunca é de mais repeti-lo quanto o Verão de há oitenta anos foi quente e longo, e quanto, ao contrário do que se costuma crer, a eclosão da Segunda Guerra Mundial logo nos primeiros dias de Setembro foi recebido como as primeiras chuvas que anunciam o Outono. Esta edição de 16 de Agosto de 1939 é eloquente da atitude de quem, não a desejando, está à espera da guerra como conclusão inexorável de uma situação internacional para a qual não se vê volta a dar. Na primeira página fala-se de exercícios e manobras militares, que todos os países realizam, os Estados Unidos, a Turquia, a Roménia, a Austrália, a Itália, que convidou para a ocasião um general alemão que aparece sorridente na fotografia. Não há fotografia, há apenas a notícia, que Churchill foi visitar a Linha Maginot, o que deve ter sido um interessante exercício turístico nesse mês de férias de Agosto. Na última página, um incidente entre sentinelas onde morreu um soldado polaco transforma-se num cabeçalho e num pretexto para que Berlim e Varsóvia troquem acusações e assumam posições cada vez mais rígidas.
Eu espero, muito sinceramente, que não seja nada parecido com isto que se esteja a passar com a dita guerra comercialentre os Estados Unidos e a China... tantas são as ameaças que os países ficam presos às posições que assumiram. 
 
 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/08/um-longo-verao-espera-da-guerra.html

Em meio a tensão com Paquistão, Índia diz que pode mudar sua doutrina nuclear

O ministro indiano da Defesa, Rajnath Singh, em foto de arquivo.
© AP Photo / ARINDAM DEY

A Índia mantém seu compromisso de não usar armas nucleares a não ser que sofra um ataque do mesmo tipo anteriormente, mas a política futura dependerá da situação, disse o ministro da Defesa nesta sexta-feira (16).

A Índia declarou-se uma potência nuclear depois de realizar testes subterrâneos em 1998 e o rival Paquistão respondeu com seus próprios testes pouco tempo depois. Desde então, especialistas nucleares dizem que os rivais vêm desenvolvendo armas nucleares e mísseis.

Em visita a Pokhran, no oeste da Índia, o local dos testes nucleares, o ministro da Defesa, Rajnath Singh, prestou homenagem ao ex-primeiro-ministro e reverenciado líder dos nacionalistas hindus, Atal Behari Vajpayee, por transformar a Índia em uma potência nuclear.

"Pokhran é a área que testemunhou a firme decisão de Atal Ji de tornar a Índia uma potência nuclear e ainda assim permanecer firmemente comprometida com a doutrina de 'não utilizar primeiro'", afirmou. "A Índia aderiu estritamente a essa doutrina. O que acontece no futuro depende das circunstâncias."

Na época dos testes, a Índia disse que precisava de um elemento de dissuasão contra a China, mas há muito tempo se preocupava com as capacidades nucleares do Paquistão.

A fala do ministro indiano ocorre em meio a tensões com o Paquistão por conta da Caxemira. A Índia revogou o status especial da região, que já causou duas das três guerras entre os dois países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019081614397002-em-meio-a-tensao-com-paquistao-india-diz-que-pode-mudar-sua-doutrina-nuclear/

Fim do tratado INF 'abre caminho perigoso para inverno nuclear', diz especialista

 
 
Após meses de acusações apresentadas contra a Rússia, os EUA abandonaram o tratado de Foças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) assinado entre a URSS e os EUA em 1987.
 
Ao dar este passo, e com um único acordo de controle de armas nucleares ainda permanecendo, o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START), é deixado pendente um grande ponto de interrogação sobre o destino de todo o nosso planeta.
 
Sexta-feira (2) marcou o fim oficial do tratado INF entre os EUA e Rússia, apesar dos apelos de Moscou ao diálogo durante os últimos meses.
 
Como se não bastasse, John Bolton, assessor de Segurança Nacional dos EUA, disse durante um discurso na conferência anual de estudante conservadores que o Novo START seria o acordo seguinte a cancelar.
 
"Ele [tratado] não abrangeu as armas nucleares tácticas de curso alcance ou os novos sistemas portadores russos. O tratado deverá expirar em fevereiro de 2021 e, enquanto não foi tomada qualquer decisão, é improvável que seja prorrogado. Para que devemos prolongar o sistema defeituoso só para dizer que temos um tratado?", perguntou retoricamente John Bolton.
 
 
Kevin Kamps, especialista de controle de resíduos nucleares da organização não governamental Beyond Nuclear, foi convidado a um programa especial da Sputnik para debater o que pode significar para o mundo o fim do tratado INF e explicou por que é necessário para os países alcançar um novo acordo de controle de armamentos nestes tempos de proliferação de armas nucleares.
 
"O tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, assinado pelo [presidente dos EUA Ronald] Reagan e o [secretário-geral soviético Mikhail] Gorbachev em 1987, é um dos pilares centrais de controle de armas nucleares entre os EUA a Rússia. E a sua cessação é um enorme abalo. É uma questão muito séria", disse Kevin Kamps.
 
"Infelizmente, milhares de armas nucleares permanecem em estado de prontidão imediata entre os dois países e, sendo que estes acordos de controle de armamentos são eliminados, os riscos aumentam e nós voltamos para os tempos da Guerra Fria, regressamos de novo a uma corrida armamentista", disse especialista.
 
'Estamos pondo o planeta em risco'
 
Kamps ressaltou que os EUA são o único país que usou armas nucleares em guerras, relembrando que há algo de "irônico" sobre o momento da saída dos EUA do acordo INF, tendo em conta as datas em que foram realizados os ataques nucleares em Hiroshima e Nagasaki, 6 e 9 de agosto respetivamente.
 
"Eu penso que os EUA se tornaram muito rapidamente viciados pelo poder que as armas nucleares lhes conferem a nível internacional em relação a outros países", salientou Kamps. "Os EUA não esperavam que a URSS iria os alcançar assim tão rápido. A União Soviética só precisou de quatro anos para obter uma arma nuclear", disse.
 
"Estamos pondo em risco o planeta. Estamos pondo em risco os nossos países, mas nós sabemos agora que apenas uma centena de bombas da dimensão da de Nagasaki, que são relativamente pequenas, detonadas, digamos entre a Índia e o Paquistão, seriam suficientes para mergulhar o planeta em um inverno nuclear, que implicaria a morte à fome de 2 bilhões de pessoas. É isso que estamos arriscando com a existência destas armas omnicidas".
 
No dia 2 de agosto, o Tratado INF foi cancelado. No início do ano, Washington anunciou a saída unilateral do acordo, acusando a Rússia de ter violado o tratado. Moscou nega todas as alegações. No início de julho, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou o decreto sobre a suspensão do acordo.
 
Sputnik | © AFP 2019 / Brendon Smialowski
 
 
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/fim-do-tratado-inf-abre-caminho.html

Pentágono teria utilizado carrapatos como arma biológica, diz político norte-americano

Vista aérea do prédio pentagonal de cinco lados, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em Arlington, Virgínia.
© AP Photo /

O deputado norte-americano Chris Smith segue solicitando uma investigação sobre um possível experimento do Pentágono relativo ao uso de insetos como arma biológica.

Segundo o representante, o Pentágono teria realizado o experimento entre 1950 e 1975, utilizando carrapatos para desenvolver a doença do Lyme e utilizá-la como arma biológica, ação que pode ter exposto norte-americanos à doença.

"Deixe que o IG [Gabinete do Inspetor-Geral] decida isso e que ponha isso de parte para sempre caso seja de fato uma fábula, se não for verdade", afirmou Smith à Task & Purpose.

Smith também introduziu uma emenda (116-19) à Lei de Autorização de Defesa Nacional, onde consta que o inspetor-geral do Departamento de Defesa "deve verificar se o Departamento de Defesa realizou experimentos com carrapatos e outros insetos para criar uma arma biológica entre 1950 e 1975".

A guerra biológica envolve a utilização de toxinas biológicas ou bactérias, vírus ou fungos para atingir os humanos, animais ou plantas durante um conflito.

Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA
Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA

Caso seja provado que o Departamento de Defesa realizou experimentos com carrapatos e outros insetos como armas biológicas, o inspetor-geral deve apresentar um relatório ao Comitê de Serviços Armados dos EUA descrevendo "o escopo do experimento" e se "os carrapatos ou insetos utilizados no experimento foram libertados fora de qualquer laboratório por acidente ou projeto experimental".

A doença do Lyme, transmitida por carrapatos surgiu de forma misteriosa nos EUA em 1950. Atualmente, a doença afeta mais de 300 mil norte-americanos por ano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019081314379850-pentagono-teria-utilizado-carrapatos-como-arma-biologica-diz-politico-norte-americano/

«Luz e sombra num mundo em mudança»

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Às cinco e meia da manhã do dia 16 de Julho de 1945 deu-se, neste nosso planeta, a primeira explosão nuclear, acontecimento que a História iria registar como marco do início da chamada Era Atómica. Três semanas depois, a 6 de Agosto, a força aérea americana lançava sobre Hiroshima a bomba que arrasou a cidade e causou a morte da quase totalidade dos seus habitantes. Três dias depois (a 9 de Agosto) outra bomba de potência semelhante destruiu a cidade de Nagasaki.
 
Avalia-se em cerca de 120 mil o número de vítimas que tiveram morte imediata e em muitas dezenas de milhares o número daqueles que, encontrando-se a alguma distância no momento das explosões, ao longo do tempo — dezenas e dezenas de anos — perderam a vida ou ficaram incapacitados em consequência das sequelas da radiação recebida e da contaminação radioactiva dos solos e da água provocadas pelo rebentamento das bombas. A Era Atómica começou mal. O físico Robert Oppenheimer, um dos principais obreiros do desastre, terá tido, ao assistir à explosão de Julho, um pensamento que se exprimia assim: «Tornei-me a Morte, Destruidora de mundos»1.
Em Julho de 1945, quando os dirigentes norte-americanos deram luz verde ao rebentamento do explosivo nuclear no local escolhido, próximo da cidade de Socorro, no Novo México, ninguém, cientistas ou militares envolvidos, tinha uma ideia clara dos efeitos da explosão. Fizeram-se cálculos, estimaram-se consequências, algumas extremas, como a destruição do Estado do Novo México ou a ignição da atmosfera terrestre. Finalmente, nada de tão extremo aconteceu mas o solo arenoso do local transformou-se em vidro e uma nuvem radioactiva com resíduos do solo elevou-se a 12 quilómetros de altura.
É legítimo pensar que na fase derradeira da guerra mundial, com o Japão imperial à beira do colapso militar, os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki funcionaram como a experiência desejada, o ensaio real dos efeitos destruidores da arma atómica quando lançada numa zona urbana, sobre edifícios, infra-estruturas e população residente.
Terminada a guerra, durante o período da chamada GuerraFria e até finais do século passado, as potências nucleares militares prosseguiram intensivamente trabalhos de desenvolvimento de explosivos nucleares de potência crescente. Nesse período tiveram lugar mais de dois milhares de explosões, ditas de «ensaio» ou de «test», com rebentamentos na atmosfera, no espaço exterior ou alta atmosfera, à superfície do mar ou subaquáticas, e também no subsolo. Em 1963 foi assinado e entrou em vigor um tratado internacional que proibia todo e qualquer rebentamento de explosivos nucleares com excepção dos subterrâneos. Nessa altura, como resultado dos muitos «ensaios» na atmosfera, o teor de carbono radioactivo no ar à superfície da terra tinha atingido duas vezes o valor que era normal antes da Era Atómica.
Tratados e regulação
Desde então e até aos dias de hoje não foi possível chegar a um acordo de proibição total de explosões nucleares, abrangendo portanto também os rebentamentos subterrâneos. E muito menos foi possível chegar a um tratado que estabelecesse o desarmamento nuclear total e completo, incluindo a destruição ou desmantelamento dos milhares de bombas nucleares operacionais, nas mãos das principais potências nucleares, Estados Unidos e Federação Russa, e de algumas centenas na posse de potências «menores»: França, China, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e, mais recentemente, Coreia do Norte. São no total 13 mil das quais 92 por cento pertencem, em partes iguais, à Federação Russa e aos EUA; oito por cento às outras sete potências nucleares.
Cerca de um quarto daquele número global de armas nucleares está entregue a forças operacionais, quer dizer, prontas a ser lançadas a qualquer momento.
Entretanto, este inventário global, por assustador que pareça e é de facto, representa apenas uma quarta parte do inventário existente em finais da GuerraFria, o que reflecte a circunstância de ter sido possível, desde então, chegar a acordos de limitação do armamento nuclear detido pelas maiores potências nucleares militares. Brilhou assim nesses anos uma pequena mas frágil luz de esperança que importa não deixar apagar-se.
Por outro lado, de alguns anos a esta parte, adensam-se sombras sobre o futuro da Humanidade. É assim, desde logo, porque estão a ser desmantelados alguns instrumentos de regulação internacional que dizem respeito à posse e utilização de armamento nuclear e, o que é igualmente importante, aos engenhos de lançamento dos explosivos sobre os alvos escolhidos. Com efeito, não basta dispor de uma bomba nuclear, são precisos os meios técnicos necessários para a fazer chegar ao objectivo que se quer destruir e que pode encontrar-se a milhares de quilómetros de distância. É para isso que servem os chamados «mísseis», espécie de foguetões, capazes de transportar uma ou várias cargas explosivas nucleares — as cabeças nucleares, em inglês nuclear warheads — montadas no «nariz» do foguetão. Há mísseis de curto e médio alcance — mísseis «tácticos» ou de alcance intermédio — e mísseis «estratégicos», continentais ou de longo alcance. E há mísseis antimíssil destinados a destruir em voo, no ar, mísseis inimigos a caminho dos seus alvos.
Nova guerra fria?
Em 1972 os dirigentes norte-americanos e soviéticos entenderam-se para assinar um tratado — o Tratado ABM — que limitava o número de mísseis antibalísticos permitidos a cada uma das partes bem como restringia a dois os locais onde, em cada país, tais mísseis podiam ser instalados. Trinta anos depois, em Dezembro de 2001, George W. Bush notificou a Rússia de que os Estados Unidos iriam denunciar o tratado. Esta decisão surge, não por acaso, em nosso entender, escassos três meses depois do atentado às Torres Gémeas, em Nova Iorque, acontecimento trágico, ainda muito mal explicado, do qual se poderá dizer, simbolicamente, que «abriu as portas do inferno» em vastas regiões do globo.
A denúncia unilateral do Tratado ABM pelos EUA, tornada efectiva em Junho de 2002, representou uma primeira séria ameaça à manutenção da paz e segurança no plano internacional e um mau augúrio à continuação de outros tratados internacionais de controlo de armamentos. Na opinião de vários especialistas, a denúncia do tratado foi vista como algo que poderia dar um «golpe fatal» no particularmente importante Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares, de 1970, tratado que obrigava os países signatários que não dispunham de armas nucleares a não procurar obtê-las.
Com a denúncia do Tratado ABM, era agora possível aos EUA dotar-se de sistemas de defesa antimíssil sem quaisquer limitações e nessas condições ganhava agora relevo o receio de que no seio dos círculos dirigentes norte-americanos ganhasse peso a perigosa concepção da possibilidade de desencadear e vencer uma guerra nuclear «limitada» antecipando-se, através de um primeiro golpe, a qualquer resposta dum adversário. A Federação Russa, naturalmente. Esta, por sua vez, decidiu, neste contexto, promover o desenvolvimento da sua capacidade militar nuclear no sentido de prevenir as consequências do desequilíbrio de forças resultante das decisões tomadas pela administração Bush.
Importa aqui reconhecer que ao longo de mais de meio século os entendimentos a que chegaram as duas maiores potências nucleares permitiram manter um equilíbrio de forças no domínio nuclear militar que foi uma efectiva garantia de paz. Abria-se agora o caminho a uma nova corrida armamentista e a uma nova guerrafria, desta feita na época pós-soviética.
Já na vigência de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, a situação agrava-se com a anunciada retirada dos EUA do chamado Tratado das Forças Nucleares de Alcance Intermédio (Tratado INF), em vigor desde 1987. Este tratado obrigava as partes signatárias (os Estados Unidos e, na altura, a União Soviética) a eliminar todos os mísseis baseados em terra com alcance entre 500 e 1000 quilómetros. A assinatura do tratado levou à eliminação pelas duas partes, em quatro anos, de mais de 2500 mísseis. A administração norte-americana acusou a Federação Russa de violação dos termos do tratado por se ter dotado de certos mísseis que não respeitavam aqueles limites de alcance. A aplicação do Tratado foi suspensa pelos EUA em 1 de Fevereiro do ano passado. No dia seguinte a Federação Russa tomou idêntica decisão.
Entretanto, como é do conhecimento público, os EUA vêm já há alguns anos a proceder metodicamente a um efectivo cerco da Federação Russa montando ao longo e junto às fronteiras europeias da Rússia um dispositivo militar sofisticado. A suspensão do Tratado INF permite agora colocar em posições privilegiadas mísseis de alcance intermédio armados com cabeças nucleares. A passividade, apoio explícito ou conivência dos membros europeus da NATO autorizam-no, parecendo ignorar os sérios riscos de uma tal escalada militarista para a segurança, estabilidade e paz, no nosso continente.
Mudar o mundo, com coragem
Vivemos nos nossos dias tempos difíceis e perigosos. A consciência de que assim é deve levar-nos a agir junto dos nossos concidadãos no sentido do esclarecimento que lhes é negado por uma comunicação social, controlada, com raras excepções, pelo grande capital, cego e surdo às necessidades do nosso tempo, aos perigos mesmo que enfrenta a sobrevivência da vida sobre a Terra. Sobrevivência da espécie e do mundo natural.
Assiste-se felizmente por toda a parte aos sinais de uma crescente tomada de consciência que atravessa diferentes gerações, diferentes grupos profissionais, gente de diferentes credos políticos ou religiosos, trabalhadores e colectivos de trabalhadores dos mais diversos ramos de actividade.
Pensamos que a questão da paz é a questão mais importante que temos pela frente, hoje, no imediato. Entretanto não é apenas a ameaça nuclear que pesa sobre nós. Temos vivido décadas de guerras geograficamente limitadas, mais próximas ou mais distantes, em África, no Médio Oriente, na Europa, onde não foram usadas armas nucleares.
Guerras que causaram colossais e irremediáveis perdas de vidas e destruições materiais que não poderão ser recuperadas numa geração. Na raiz de tais guerras está sempre a natureza predadora do capitalismo selvagem. Do capitalismo, sem mais. A pilhagem dos recursos naturais, o domínio territorial que exige.
O actual modo de vida nas sociedades ditas «desenvolvidas» assenta em consumos insustentáveis de recursos naturais. À organização social e à forma como os poderes nelas estão distribuídos, está associada a iníqua desigualdade na distribuição da riqueza fruto do trabalho humano, na própria sociedade e no mundo, entre países «ricos» e países «pobres». Este caminho conduz à guerra e à violência social. Por aí não será possível combater ou sequer mitigar outra grande ameaça do nosso tempo que é a transformação do meio natural e do clima.
Tenhamos consciência de tudo isto e prossigamos com coragem a luta para mudar o mundo.
 
Frederico Carvalho
 
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

9 de Agosto | Dia Internacional dos Crimes dos EUA Contra a Humanidade

 
 
Hiroshima e Nagasaki | Em agosto os EUA levaram a morte atómica ao Japão
 
Os bombardeamentos atómicos das cidades de Hiroshima e Nagasaki[nota 1] foram dois bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra o Império do Japão durante os estágios finais da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945. Foi o primeiro e único momento na história em que armas nucleares foram usadas em guerra e contra alvos civis.
 
Depois de uma campanha de bombardeios que destruiu várias cidades japonesas, os Aliados preparavam-se para uma invasão do Japão. A guerra na Europa terminou quando a Alemanha nazista assinou o acordo de rendição em 8 de maio de 1945, mas a Guerra do Pacífico continuou. Juntamente com Reino Unido e China, os Estados Unidos pediram a rendição incondicional das forças armadas japonesas na Declaração de Potsdam em 26 de julho de 1945, ameaçando uma "destruição rápida e total".
 
Em agosto de 1945, o Projeto Manhattan dos Aliados tinha testado com sucesso um artefato atómico e produzido armas com base em dois projetos alternativos. O 509º Grupo Composto das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos foi equipado com aeronaves Boeing B-29 Superfortress que poderiam ficar em Tinian, nas Ilhas Marianas. A bomba atómica de urânio (Little Boy) foi lançada sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945, seguido por uma explosão de uma bomba nuclear de plutónio (Fat Man) sobre a cidade de Nagasaki em 9 de agosto. Dentro dos primeiros 2-4 meses após os ataques atómicos, os efeitos agudos das explosões mataram entre 90 mil e 166 mil pessoas em Hiroshima e 60 mil e 80 mil seres humanos em Nagasaki; cerca de metade das mortes em cada cidade ocorreu no primeiro dia. Durante os meses seguintes, vários morreram por causa do efeito de queimaduras, envenenamento radioativo e outras lesões, que foram agravadas pelos efeitos da radiação. Em ambas as cidades, a maioria dos mortos eram civis, embora Hiroshima tivesse muitos militares.
 
Em 15 de agosto, poucos dias depois do bombardeio de Nagasaki e da declaração de guerra da União Soviética, o Japão anunciou sua rendição aos Aliados. Em 2 de setembro, o governo japonês assinou o acordo de rendição, encerrando a Segunda Guerra Mundial. O papel dos bombardeios na rendição do Japão e a sua justificação ética ainda é motivo para debates.
 
Wikipédia (parcial)
 
Leia também em PG
 
9 DE AGOSTO - DIA INTERNACIONAL DOS CRIMES DOS EUA CONTRA A HUMANIDADE
Em Agosto de 2018 o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou ao mundo uma campanha promovida por um grupo de intelectuais latinoamericanos para declarar o dia 9 de Agosto como Dia Internacional dos Crimes dos EUA Contra a Humanidade. Nesse dia, em 9 de Agosto de 1945, os EUA lançaram a sua segunda bomba atómica sobre a cidade japonesa de Nagasaki.
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/9-de-agosto-dia-internacional-dos.html

A ’gaffe’ nuclear da NATO

É um velho segredo divulgado. Mas é também uma das negações mais formidáveis da Aliança Atlântica: as bombas nucleares estão armazenadas, violando o Direito Internacional, em Itália, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Turquia. Por lapso, um membro da Assembleia Parlamentar da NATO reproduziu-o num relatório imediatamente retirado.

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Que os EUA mantém bombas nucleares em cinco países da NATO - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia - está há muito comprovado (em especial pela Federação dos Cientistas Americanos) [1]. A NATO nunca o admitiu oficialmente. No entanto, algo aconteceu por lapso. No documento “A new era for nuclear deterrence? Modernisation, arms control and Allied nuclear forces”, publicado pelo Senador canadiano, Joseph Day em nome da Comissão de Defesa e Segurança, da Assembleia de Defesa da NATO, o “segredo”veio a público. Através da função “copiar/colar”, o Senador informou, inadvertidamente, nesse documento o seguinte parágrafo (numerado 5), extraído de um relatório confidencial da NATO:

No contexto da NATO, os Estados Unidos instalaram em posições avançadas, na Europa, cerca de 150 armas nucleares, especificamente bombas gravitacionais B61. Estas bombas estão armazenadas em seis bases dos EUA e Europa: Kleine Brogel, na Bélgica, Buchel, na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre na Itália, Voikel na Holanda, Incirlik na Turquia. No cenário hipotético de serem necessárias, as bombas B61 podem ser transportadas por aviões de dupla capacidade, dos EUA ou da Europa”.

Ao acusar a Rússia de manter muitas armas nucleares tácticas no seu arsenal, o documento afirma que as armas nucleares instaladas pelos EUA em posições avançadas na Europa e na Anatólia (ou seja, perto do território russo) servem para “garantir o amplo envolvimento dos Aliados na missão nuclear da NATO e como confirmação concreta do compromisso nuclear USA com a segurança dos aliados europeus da NATO”.

Assim que o documento do Senador Joseph Day foi publicado online, a NATO interveio, excluindo-o e tornando a publicá-lo numa versão corrigida. No entanto, tarde demais. Alguns sites (sobretudo, o belga ’De Morgen’) já o tinham registado na versão original completa [2]. Nesta altura, o autor descuidado correu a proteger-se, escrevendo no ’The Washington Post’ que se tratava, simplesmente, de um rascunho para a preparação de um relatório da Assembleia Parlamentar NATO, que será publicado em Novembro [3]. No entanto, não pode negar o que estava escrito no parágrafo mencionado no relatório confidencial da NATO.

Esta ocorrência confirma o que documentámos há anos [4] : em Aviano, os caças F-16C/D estão prontos para um ataque nuclear com 50 bombas B61 (número estimado pela *Federação de Cientistas Americanos); em Ghedi-Torre, os Tornado PA-200 italianos estão prontos para o ataque nuclear sob comando USA, com 20 bombas B61. A partir de 2020, as B61 serão substituídos pelas B61-12, destinadas especialmente aos novos caças F-35.

Tudo isto violando o Tratado de Não-Proliferação, ratificado quer pelos EUA, quer pela Itália. Enquanto o Parlamento se mantém dividido sobre o TAV, mas não sobre a Bomba, que aprova, tacitamente, por unanimidade.


[1] “MFA State Minister Hoyer Defends Withdrawal of Tactical Nukes, New CFE Initiatives”, ambassador Philip Murphy, November 12, 2009, source Wikileaks. “Non-Strategic Nuclear Weapons”, Hans Kristensen, FAS, May 2012.

[2] “Eindelijk zwart op wit: er liggen Amerikaanse kernwapens in België”, “De kernwapens in Kleine Brogel: het slechtst bewaarde geheim van België”, “Stop zwijgplicht over kernwapens op Kleine Broge”, “Topmilitair: ‘De kernwapens kosten ons land niets, en we zitten mee aan tafel bij de grote jongens’”, “Reynders stuurt zijn kat naar parlement”, “Tijd voor een debat over non-proliferatie? ‘Je mag kernwapens niet weghalen zonder dat de Russen iets van hun arsenaal ontmantelen’”, De Morgen, Juni-juli 2019.

[3] “Secret locations of U.S. nuclear weapons in Europe accidentally included in report from NATO parliament”, Adam Taylor, Washington Post, July 16, 2019.

[4] “As 300 Hiroshimas da Itália”, Manlio Dinucci, Tradução José Reinaldo Carvalho , Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 16 de Dezembro de 2015.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Luz e sombra num mundo em mudança

Frederico Carvalho    09.Ago.1

Às cinco e meia da manhã do dia 16 de Julho de 1945 deu-se a primeira explosão nuclear, acontecimento que a História iria registar como marco do início da chamada Era Atómica. Três semanas depois, a 6 de Agosto, a força aérea americana lançava sobre Hiroshima a bomba que arrasou a cidade e causou a morte da quase totalidade dos seus habitantes. Três dias depois outra bomba de potência semelhante destruiu a cidade de Nagasaki.


 

Avalia-se em cerca de 120 mil o número de vítimas que tiveram morte imediata e em muitas dezenas de milhares o número daqueles que, encontrando-se a alguma distância no momento das explosões, ao longo do tempo — dezenas e dezenas de anos — perderam a vida ou ficaram incapacitados em consequência das sequelas da radiação recebida e da contaminação radioactiva dos solos e da água provocadas pelo rebentamento das bombas. A Era Atómica começou mal. O físico Robert Oppenheimer, um dos principais obreiros do desastre, terá tido, ao assistir à explosão de Julho, um pensamento que se exprimia assim: «Tornei-me a Morte, Destruidora de mundos»1.

Em Julho de 1945, quando os dirigentes norte-americanos deram luz verde ao rebentamento do explosivo nuclear no local escolhido, próximo da cidade de Socorro, no Novo México, ninguém, cientistas ou militares envolvidos, tinha uma ideia clara dos efeitos da explosão. Fizeram-se cálculos, estimaram-se consequências, algumas extremas, como a destruição do Estado do Novo México ou a ignição da atmosfera terrestre. Finalmente, nada de tão extremo aconteceu mas o solo arenoso do local transformou-se em vidro e uma nuvem radioactiva com resíduos do solo elevou-se a 12 quilómetros de altura.

É legítimo pensar que na fase derradeira da guerra mundial, com o Japão imperial à beira do colapso militar, os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki funcionaram como a experiência desejada, o ensaio real dos efeitos destruidores da arma atómica quando lançada numa zona urbana, sobre edifícios, infra-estruturas e população residente.

Terminada a guerra, durante o período da chamada Guerra Fria e até finais do século passado, as potências nucleares militares prosseguiram intensivamente trabalhos de desenvolvimento de explosivos nucleares de potência crescente. Nesse período tiveram lugar mais de dois milhares de explosões, ditas de «ensaio» ou de «test», com rebentamentos na atmosfera, no espaço exterior ou alta atmosfera, à superfície do mar ou subaquáticas, e também no subsolo. Em 1963 foi assinado e entrou em vigor um tratado internacional que proibia todo e qualquer rebentamento de explosivos nucleares com excepção dos subterrâneos. Nessa altura, como resultado dos muitos «ensaios» na atmosfera, o teor de carbono radioactivo no ar à superfície da terra tinha atingido duas vezes o valor que era normal antes da Era Atómica.

Tratados e regulação

Desde então e até aos dias de hoje não foi possível chegar a um acordo de proibição total de explosões nucleares, abrangendo portanto também os rebentamentos subterrâneos. E muito menos foi possível chegar a um tratado que estabelecesse o desarmamento nuclear total e completo, incluindo a destruição ou desmantelamento dos milhares de bombas nucleares operacionais, nas mãos das principais potências nucleares, Estados Unidos e Federação Russa, e de algumas centenas na posse de potências «menores»: França, China, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e, mais recentemente, Coreia do Norte. São no total 13 mil das quais 92 por cento pertencem, em partes iguais, à Federação Russa e aos EUA; oito por cento às outras sete potências nucleares.

Cerca de um quarto daquele número global de armas nucleares está entregue a forças operacionais, quer dizer, prontas a ser lançadas a qualquer momento.
Entretanto, este inventário global, por assustador que pareça e é de facto, representa apenas uma quarta parte do inventário existente em finais da Guerra Fria, o que reflecte a circunstância de ter sido possível, desde então, chegar a acordos de limitação do armamento nuclear detido pelas maiores potências nucleares militares. Brilhou assim nesses anos uma pequena mas frágil luz de esperança que importa não deixar apagar-se.

Por outro lado, de alguns anos a esta parte, adensam-se sombras sobre o futuro da Humanidade. É assim, desde logo, porque estão a ser desmantelados alguns instrumentos de regulação internacional que dizem respeito à posse e utilização de armamento nuclear e, o que é igualmente importante, aos engenhos de lançamento dos explosivos sobre os alvos escolhidos. Com efeito, não basta dispor de uma bomba nuclear, são precisos os meios técnicos necessários para a fazer chegar ao objectivo que se quer destruir e que pode encontrar-se a milhares de quilómetros de distância. É para isso que servem os chamados «mísseis», espécie de foguetões, capazes de transportar uma ou várias cargas explosivas nucleares — as cabeças nucleares, em inglês nuclear warheads — montadas no «nariz» do foguetão. Há mísseis de curto e médio alcance — mísseis «tácticos» ou de alcance intermédio — e mísseis «estratégicos», continentais ou de longo alcance. E há mísseis antimíssil destinados a destruir em voo, no ar, mísseis inimigos a caminho dos seus alvos.

Nova guerra fria?

Em 1972 os dirigentes norte-americanos e soviéticos entenderam-se para assinar um tratado — o Tratado ABM — que limitava o número de mísseis antibalísticos permitidos a cada uma das partes bem como restringia a dois os locais onde, em cada país, tais mísseis podiam ser instalados. Trinta anos depois, em Dezembro de 2001, George W. Bush notificou a Rússia de que os Estados Unidos iriam denunciar o tratado. Esta decisão surge, não por acaso, em nosso entender, escassos três meses depois do atentado às Torres Gémeas, em Nova Iorque, acontecimento trágico, ainda muito mal explicado, do qual se poderá dizer, simbolicamente, que «abriu as portas do inferno» em vastas regiões do globo.

A denúncia unilateral do Tratado ABM pelos EUA, tornada efectiva em Junho de 2002, representou uma primeira séria ameaça à manutenção da paz e segurança no plano internacional e um mau augúrio à continuação de outros tratados internacionais de controlo de armamentos. Na opinião de vários especialistas, a denúncia do tratado foi vista como algo que poderia dar um «golpe fatal» no particularmente importante Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares, de 1970, tratado que obrigava os países signatários que não dispunham de armas nucleares a não procurar obtê-las.

Com a denúncia do Tratado ABM, era agora possível aos EUA dotar-se de sistemas de defesa antimíssil sem quaisquer limitações e nessas condições ganhava agora relevo o receio de que no seio dos círculos dirigentes norte-americanos ganhasse peso a perigosa concepção da possibilidade de desencadear e vencer uma guerra nuclear «limitada» antecipando-se, através de um primeiro golpe, a qualquer resposta dum adversário. A Federação Russa, naturalmente. Esta, por sua vez, decidiu, neste contexto, promover o desenvolvimento da sua capacidade militar nuclear no sentido de prevenir as consequências do desequilíbrio de forças resultante das decisões tomadas pela administração Bush.

Importa aqui reconhecer que ao longo de mais de meio século os entendimentos a que chegaram as duas maiores potências nucleares permitiram manter um equilíbrio de forças no domínio nuclear militar que foi uma efectiva garantia de paz. Abria-se agora o caminho a uma nova corrida armamentista e a uma nova guerra fria, desta feita na época pós-soviética.

Já na vigência de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, a situação agrava-se com a anunciada retirada dos EUA do chamado Tratado das Forças Nucleares de Alcance Intermédio (Tratado INF), em vigor desde 1987. Este tratado obrigava as partes signatárias (os Estados Unidos e, na altura, a União Soviética) a eliminar todos os mísseis baseados em terra com alcance entre 500 e 1000 quilómetros. A assinatura do tratado levou à eliminação pelas duas partes, em quatro anos, de mais de 2500 mísseis. A administração norte-americana acusou a Federação Russa de violação dos termos do tratado por se ter dotado de certos mísseis que não respeitavam aqueles limites de alcance. A aplicação do Tratado foi suspensa pelos EUA em 1 de Fevereiro do ano passado. No dia seguinte a Federação Russa tomou idêntica decisão.

Entretanto, como é do conhecimento público, os EUA vêm já há alguns anos a proceder metodicamente a um efectivo cerco da Federação Russa montando ao longo e junto às fronteiras europeias da Rússia um dispositivo militar sofisticado. A suspensão do Tratado INF permite agora colocar em posições privilegiadas mísseis de alcance intermédio armados com cabeças nucleares. A passividade, apoio explícito ou conivência dos membros europeus da NATO autorizam-no, parecendo ignorar os sérios riscos de uma tal escalada militarista para a segurança, estabilidade e paz, no nosso continente.

Mudar o mundo, com coragem

Vivemos nos nossos dias tempos difíceis e perigosos. A consciência de que assim é deve levar-nos a agir junto dos nossos concidadãos no sentido do esclarecimento que lhes é negado por uma comunicação social, controlada, com raras excepções, pelo grande capital, cego e surdo às necessidades do nosso tempo, aos perigos mesmo que enfrenta a sobrevivência da vida sobre a Terra. Sobrevivência da espécie e do mundo natural.

Assiste-se felizmente por toda a parte aos sinais de uma crescente tomada de consciência que atravessa diferentes gerações, diferentes grupos profissionais, gente de diferentes credos políticos ou religiosos, trabalhadores e colectivos de trabalhadores dos mais diversos ramos de actividade.

Pensamos que a questão da paz é a questão mais importante que temos pela frente, hoje, no imediato.
Entretanto não é apenas a ameaça nuclear que pesa sobre nós. Temos vivido décadas de guerras geograficamente limitadas, mais próximas ou mais distantes, em África, no Médio Oriente, na Europa, onde não foram usadas armas nucleares.

Guerras que causaram colossais e irremediáveis perdas de vidas e destruições materiais que não poderão ser recuperadas numa geração. Na raiz de tais guerras está sempre a natureza predadora do capitalismo selvagem. Do capitalismo, sem mais. A pilhagem dos recursos naturais, o domínio territorial que exige.

O actual modo de vida nas sociedades ditas «desenvolvidas» assenta em consumos insustentáveis de recursos naturais. À organização social e à forma como os poderes nelas estão distribuídos, está associada a iníqua desigualdade na distribuição da riqueza fruto do trabalho humano, na própria sociedade e no mundo, entre países «ricos» e países «pobres». Este caminho conduz à guerra e à violência social. Por aí não será possível combater ou sequer mitigar outra grande ameaça do nosso tempo que é a transformação do meio natural e do clima.

Tenhamos consciência de tudo isto e prossigamos com coragem a luta para mudar o mundo.

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

NATO completa modernização do sistema de defesa antimíssil na Europa

OTAN completou a modernização programada do sistema de defesa antimíssil Aegis Ashore instalado na Romênia e que, de acordo com a aliança militar, serve para propósitos puramente defensivos.

"Esta modernização, que tem sido realizada em toda a frota do sistema de Defesa de Mísseis Balísticos Aegis, não forneceu quaisquer capacidades ofensivas ao sistema terrestre de defesa antimíssil Aegis", refere o comunicado.

O sistema de mísseis antibalísticos THAAD dos EUA foi deslocado para a base militar de Deveselu, localizada na Romênia, durante o tempo da modernização e será agora reposicionado tal como tinha sido planejado.

A OTAN salientou que a referida modernização fazia parte do programa norte-americano de Defesa de Mísseis Balísticos na Europa, anunciado em 2009. A estação terrestre do Aegis Ashore irá rastrear potenciais ameaças vindas de fora do bloco militar.

O plano de colocar novos mísseis dos EUA na Europa foi anunciado por Washington na sequência do anúncio em fevereiro de 2019 de que o país se retiraria do Tratado INF, que limitava o desenvolvimento e a produção de mísseis terrestres com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros. Washington justificou a decisão, que entrou em vigor em 2 de agosto, alegando que a Rússia violou o acordo ao desenvolver o míssil 9M729.

Moscou negou repetidamente as acusações e forneceu aos EUA e a outros países informações comprovativas do não descumprimento do tratado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019080914368339-otan-completa-modernizacao-do-sistema-de-defesa-antimissil-na-europa/

Guerra com Irã colocaria em perigo sobrevivência de Israel, afirma comandante iraniano

Míssil Ghadr-H frente ao retrato do supremo líder iraniano, Ali Khamenei, Teerã
© AP Photo / Vahid Salemi

A existência de Israel será ameaçada de "colapso irreversível" se os EUA e seus aliados regionais optarem por iniciar uma nova guerra com o Irã, alertou o comandante do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, major-general Hossein Salami.

Falando em uma reunião militar na província de Kermanshah, no oeste do Irã, na quinta-feira (8), Salami indicou, citado pela agência IRNA e referindo-se a Israel, que "o inimigo sabe que qualquer nova guerra põe em perigo a sobrevivência do regime sionista, e será seguida pela sua queda irreversível".

"Os sionistas e alguns de seus aliados não mostram hoje um desejo de guerra porque eles sabem que se isso acontecesse, ela se moveria para suas terras", acrescentou Salami.

De acordo com o comandante, o "inimigo sabe" que uma força de resistência tem sido criada "na Síria, Líbano, Palestina e outros lugares", o que poderia ameaçá-los no caso de um conflito.

'Coalizão de demônios'

Esta semana, o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, revelou que Tel Aviv estava prestando assistência à coligação naval liderada pelos EUA, que se está formando no Oriente Médio, prestando apoio com informações e em "outros campos não especificados".

Referindo-se à coalizão dos EUA e Reino Unido, a "coalizão de segurança marítima" formada no Oriente Médio, como uma "coalizão de demônios", Salami sugeriu que o Irã já estava envolvido em uma guerra com as grandes potências do Ocidente, enfrentando "pressões políticas e econômicas máximas, operações psicológicas, ataques culturais, apreensões econômicas e até ameaças à segurança e intimidação militar".

Na terça-feira (6), a mídia israelense informou que Tel Aviv tinha concordado em se juntar à coalizão liderada pelos EUA que se está formando no golfo Pérsico depois que o ministro israelense das Relações Exteriores, Israel Katz, se reuniu com uma "personalidade de alto nível" não nomeada dos Emirados Árabes Unidos para discutir a "ameaça iraniana".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019080814363509-guerra-com-ira-colocaria-em-perigo-sobrevivencia-de-israel-afirma-comandante-iraniano/

PORQUÊ OS EUA SAÍRAM DO TRATADO INF?

Aquilo que não vos dizem
 
 
 
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O secretário dos EUA da Defesa, Mark Esper, numa tournée em vários países da região Ásia-Pacífico afirmou que a principal prioridade para o Pentágono é a China:
“Os nossos competidores estratégicos são a China e a Rússia, principalmente e por esta ordem,” Esper recentemente declarou.
Nós somos mantidos no escuro em relação ao tratado INF e às razões pelas quais os EUA realmente desejaram terminar com ele. Não devemos cair na propaganda da NATO afirmando que os russos violaram o referido tratado em várias ocasiões. O contrário é que está comprovado, como sabemos. Mas então qual a vantagem estratégica do Pentágono em propulsionar a nova corrida aos armamentos e tornar possível a colocação no terreno de armas nucleares «tácticas»?
- A razão principal é a China. Numa postura prudente de construção de suas capacidades de defesa, a China, não constrangida pelo tratado INF, tem vindo a desenvolver sistemas de mísseis de médio alcance. Estes mísseis podem possuir uma carga convencional, mas também podem servir para transportar uma carga nuclear.
Perante estes mísseis, a marinha poderosa dos EUA com os seus destroyers e porta-aviões, fica completamente exposta. Com efeito, não poderá retaliar a um ataque com mísseis chineses, sendo estes lançados bem do interior da China em direcção à frota americana do Pacífico. Os chineses e os americanos, assim como todos os peritos militares sabem disso há muito tempo. Recentemente, uma alta patente chinesa teve um «deslize» de afirmar isso mesmo, coisa que realmente deixou os neocons e os militares do Pentagono com os «cornos a arder». 
Os EUA, na prática, assumem o papel de potência tutelar das nações do Indo-pacífico, sendo isso mesmo que «obriga» a presença permanente de uma frota americana bem perto das costas da China. Tal como a alegação da «ameaça» russa, ao mesmo tempo que estacionam tropas e mais tropas da NATO junto das fronteiras russas, igualmente consideram que a China está a ameaçar a liberdade de navegação (sic!), por defender as suas costas e águas territoriais.
 No quadro mais geral do projecto hegemónico, a escolha da China como prioridade (como inimigo principal), faz todo o sentido. O projecto - em si mesmo - é que não faz, o de manter todo o planeta sob controlo do império dos EUA.
A China está a conquistar o primeiro lugar,em termos económicos, se não é que o seu primeiro lugar já está realizado. Com efeito, em paridade de poder de compra, os chineses subiram imenso em duas décadas, enquanto a população dos EUA está cada vez mais pobre, apesar da propaganda em contrário. O índice de inflação está falsificado, para fazer crer na manutenção dum poder aquisitivo das famílias pobres e da classe média dos EUA. Os índices de desemprego são completamente manipulados, o que se vê pela enorme taxa de pessoas em idade de trabalhar que não está empregada; querem fazer crer que a taxa de desemprego nos EUA é muito baixa, porém os números reais são contraditórios com isso. John Williams do site shadowstats.com tem acompanhado estes índices e outros, no pressuposto de quais seriam seus valores, caso os critérios fossem os mesmos que nos anos 80. Isso é apenas uma parte da realidade. Outra parte, é a miséria da epidemia opióides, que afecta imensas pessoas, desde veteranos das guerras, até a pessoas viciadas em resultado de tratamentos do cancro. Muitos índices relativos ao bem-estar humano, na educação, na saúde, na esperança de vida, etc. estão mais próximos dos países «em desenvolvimento», do que dos países «desenvolvidos». A tragédia da incapacidade de muita população nos EUA ter um tratamento decente, por não possuir cobertura adequada de saúde, continua. Muitos milhões (último censo indicava mais de 30 milhões!) de americanos dependem de «food stamps», ou seja, de senhas para comprar géneros alimentícios no supermercado, para sobreviver.
A guerra comercial com a China está a prejudicar mais a agricultura e o pequeno comércio americanos do que tem efeito inibidor na indústria da China. Neste período de «guerra comercial», o facto é que a China exportou MAIS, sendo evidente que as tarifas, por mais que escondam isso ao povo americano, são encarecedoras para ELES que os compram, acelerando portanto artificialmente a inflação e diminuindo ainda mais o seu poder de compra.
Não admira que Wall Street e, portanto, todo o mundo da finança dentro e fora dos EUA, compreenda que a política oficial de Washington encaminhe os EUA e o mundo para uma recessão. A entrada num período de recessão está muito claramente a ser equacionada, a prova disso é a inversão de tendência das bolsas americanas e mundiais, com a subida vertiginosa dos metais preciosos, em especial, o ouro.
A crise do dólar prossegue, visto que o presidente Trump decidiu responder à descida do Yuan, pela contra-medida da descida do dólar: assim, a guerra comercial alarga-se a guerra monetária.
Todos estes factores económicos e financeiros, tanto internos aos EUA como mundiais, levam a que a tentação dos dirigentes - megalomaníacos e muito mal aconselhados - seja a da guerra com tiros.
A tensão provocada com as constantes provocações militares , seja nas fronteiras russas, seja nas águas territoriais do Irão ou ainda da China, cada vez mais se parecem com uma louca corrida para o abismo, visto que todos sabem como uma determinada guerra começa, mas ninguém sabe, ao certo, como essa guerra acaba.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Hiroshima e Nagasaki, há tão pouco tempo

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Há setenta e quatro anos a Administração dos E.U.A lançou sobre Hiroshima uma bomba atómica com base em urânio enriquecido, apesar de o Japão já estar derrotado. Dois dias depois fizeram explodir em Nagasaki outra bomba atómica à base de plutónio.
Os E.U.A queriam apresentar-se ao mundo como detentores da arma que lhes assegurava o domínio mundial. E para tanto sacrificaram as indefesas populações daquelas duas cidades. As dezenas de milhares de mortos nada pesaram na consciência dos governantes estadunidenses.
A ilusão durou pouco tempo. A URSS fabricou as suas bombas atómicas e outros países se seguiram. O mundo ficou à mercê de meia dúzia de Estados.
Na altura grande parte da imprensa mundial louvava a capacidade de se resolverem conflitos por aquela via, o que se apresentava como sendo mais simples e menos oneroso esturricar dezenas de milhares de civis e militares na explosão atómica e nos efeitos da radiação. A capacidade de matar de um só golpe dezenas de milhares de seres humanos passou a ser considerado positivo, pois o facto de alguém a possuir impedia a guerra. Hoje as armas nucleares têm uma potência destruidora muitas vezes superiores às duas deflagradas. Um país como Portugal em caso de sofrer uma explosão nuclear derivado de uma bomba poderia ser totalmente destruído tendo em conta as mortes instantâneas e os devastadores efeitos das radiações.
Na guerra morrer de uma golpe de espada, de uma mina, de um tiro é sempre tirar vidas. A morte provocada pela guerra é algo bárbaro, sobretudo quando a Humanidade alcançou um patamar de civilização que deve permitir beneficiar de uma vida em paz.
A guerra é hoje considerada pelo direito internacional como sendo ilegal. E na consciência cívica é um horror.
O nosso mundo é pequeno demais para tanta ambição de domínio. As armas nucleares estejam nas mãos de quem estiverem são uma verdadeira ameaça à vida humana e à da própria natureza.
Rasgar tratados que impediam a corrida aos armamentos é um toque de chamamento à corrida ao refinamento das armas de destruição massiva, fazendo-os matar mais e mais. Algo que fará a Terra repousar em cima de potencialidades destruidoras terríveis.
É caso para perguntar como se pode perseguir semelhante desígnio bem sabendo que outros tentarão sempre alcançar ou até ultrapassar a capacidade de destruição das vidas existentes? Que loucura nos invadiu? Sim os governos são os principais responsáveis, mas nós temos o poder de nos mobilizar para que se impeça que continue este caminho para o precipício.
Imaginemos apenas que por erro um país é atingido por uma arma nuclear, o que se seguiria? Os destinos da Humanidade não podem estar apenas nas mãos dos governantes.
É possível mudar o rumo. Basta que se exija dos governos que jamais sejam os primeiros a utilizar as armas nucleares, mesmo quando prometem fazer do seu país grande independentemente dos outros. A Terra é de todos. A comunidade internacional é constituída por todas as nações. Todos precisam de viver em paz. O domínio não é uma palavra que se adeque ao novo século. Que o digam todos os impérios que se consideraram invencíveis.
Setenta e quatro anos depois do bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki é tempo de interiorizar que o sonho milenar de viver em paz é possível. Basta querer e não deixar os outros fazerem da maldade suprema o norte do mundo. Não se pode fugir a este desafio. O mundo é pequeno demais para os ambiciosos loucos que o que querem só para si.

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2019/08/07/hiroshima-e-nagasaki-ha-tao-pouco-tempo/

As cidadelas das elites da América:   fracturadas e em conflitos entre si

por Alastair Crooke [*]

John Bolton, cartoon de Fern Algo está a acontecer. Quando dois colunistas do Financial Times – pilares do establishment ocidental – levantam uma bandeira de advertência, devemos prestar atenção. Martin Wolf foi o primeiro, com um artigo dramaticamente intitulado: Os 100 anos que se deparam, conflito EUA-China ( The looming 100-year, US-China Conflict ). Não uma "mera" guerra comercial, ele deu a entender, mas uma luta total (full-spectrum struggle). A seguir o seu colega do FT, Edward Luce, destacou que o argumento de Wolf contém mais nuances do que o título. Tendo passado parte desta semana entre importantes decisores e pensadores políticos no Fórum anual de Segurança Aspen, no Colorado, Luce escreve : "Inclino-me a pensar que Martin não exagerava. A velocidade com a qual líderes políticos estado-unidenses de todas as faixas se uniram por trás da ideia de uma "nova guerra fria" é algo que me tira o fôlego. Dezoito meses atrás a frase era afastada como alarmismo periférico. Hoje é consenso".


 

Uma mudança significativa está em curso em círculos políticos dos EUA, aparentemente. A última observação de Luce é que "é muito difícil ver o que, ou quem, vai impedir que esta grande rivalidade de poder domine o século XXI". É claro que há de facto um claro consenso bipartidário nos EUA sobre a China. Luce certamente está certo. Mas isso está longe de ser o fim do assunto. Uma psicologia colectiva da beligerância parece estar a formar-se e, como observou um comentarista, tornou-se não apenas uma rivalidade de grande potência, mas uma rivalidade entre gabarolas políticos da "Beltway" para mostrar "quem tem o maior pénis".

E James Jeffrey, enviado especial dos EUA para a Síria (e vice Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA), presente em Aspen , passou rapidamente a demonstrar o seu (depois de outros terem desvelado sua masculinidade quanto à China e ao Irão). Uma política estado-unidense, diz ele, reduz-se a um componente prioritário: "martelar a Rússia". O "martelar a Rússia" (insistiu repetidamente) continuará até o presidente Putin entender que não há solução militar na Síria (ele disse isso com elevada ênfase verbal). A Rússia assume falsamente que Assad "venceu" a guerra: "Ele não conseguiu", disse Jeffrey. E os EUA estão comprometidos a demonstrar esta "verdade" fundamental.

Portanto, os planos dos EUA para "elevar a pressão" escalarão o custo para a Rússia, até que uma transição política se verifique, com uma nova Síria a emergir como "nação normal". Os EUA "alavancarão" os custos sobre a Rússia de cabo a rabo. Através da pressão militar – assegurando uma falta de progresso militar em Idlib; através de israelenses a operarem livremente por todo o espaço aéreo da Síria; através de "parceiros dos EUA" (isto é, os curdos) a consolidarem no nordeste da Síria; através de custos económicos ("nosso êxito" em travar a ajuda para a reconstrução da Síria); através de extensas sanções dos EUA à Síria (integradas com aquelas ao Irão) – "estas sanções estão a ter êxito", afirma, e em terceiro lugar pela pressão diplomática: isto é, "martelar a Rússia" na ONU.

Bem a mudança dos EUA sobre a Síria também nos apanha de surpresa. Recorde-se que pouco tempo atrás a conversa era de parceria, de os EUA a trabalhar com a Rússia a fim de encontrarem uma solução na Síria. Agora a conversa do Enviado dos EUA é de Guerra fria com a Rússia na mesma medida dos seus colegas de Aspen – embora a respeito da China. Tal "machismo" evidencia-se que também vem do Presidente dos EUA. "Eu podia – se quisesse – acabar a guerra dos EUA no Afeganistão em uma semana" (mas isto implicaria a morte de 10 milhões de afegãos), exclamou Trump. E, do mesmo modo, Trump agora sugere que para o Irão é fácil: guerra ou não – qualquer dos caminhos é bom, para ele.

Toda esta jactância recorda o final de 2003 quando a guerra no Iraque estava a entrar na sua etapa insurgente: Foi dito então que simples "rapazes vão para Bagdad, mas que homens de verdade optam por ir para Teerão ". Isto ganhou ampla difusão em Washington naquele tempo. Este tipo de conversa deu origem, como bem me lembro, a algo que se aproxima de uma euforia histérica. Responsáveis pareciam estar a andar quinze centímetros acima do solo, a anteciparem todos os dominós que esperavam tombar em sucessão.

A questão aqui é que a união tácita da Rússia – agora denominada como um grande "inimigo" da América por responsáveis do Departamento da Defesa – e da China inevitavelmente está a ser reflectida de volta para os EUA, em termos de uma crescente parceria estratégica russo-chinesa, pronta a desafiar os EUA e seus aliados.

Na quinta-feira passada um avião russo, a voar numa patrulha conjunta com um correspondente chinês, entrou deliberadamente no espaço aéreo sul-coreano. E, pouco antes, dois bombardeiros russos Tu-95 e dois aviões de guerra chineses H-6 – ambos com capacidade nuclear – confirmadamente entraram na zona de identificação aérea da Coreia do Sul.

"Esta foi a primeira vez , que eu saiba, que aviões de combate chineses e russos voaram em conjunto através da zona de identificação de defesa aérea de um importante aliado dos EUA – neste caso, de dois aliados dos EUA. Claramente trata-se de um assinalar geopolítico bem como uma colecta de inteligência", disse Michael Carpenter, um antigo especialista em Rússia do Departamento da Defesa dos EUA. Foi uma mensagem para os EUA, Japão e Coreia do Sul. Se fortalecer a aliança militar EUA-Japão, a Rússia e a China não tem opção excepto reagir militarmente também.

Assim, quando olhamos em torno, o quadro parece ser de que a belicosidade dos EUA está de certo modo a consolidar-se como um consenso da elite (mas com uns pouco indivíduos corajosamente a fazerem contra-pressão a esta tendência). Então, o que está a acontecer?

Os dois correspondentes do FT estavam efectivamente a assinalar – nos seus artigos separados – que os EUA estão a entrar numa transformação monumental e arriscada. Mais ainda, aparentemente a elite da América está a ser fracturada em enclaves balcanizados que não se estão a comunicar entre si – nem querem comunicar-se entre si. Trata-se antes de mais um conflito entre rivais mortais.

Uma orientação insiste sobre uma renovação da Guerra fria para sustentar e renovar o super-dimensionado complexo militar-segurança, o qual representa mais da metade do PIB da América. Outros da elite exigem que a hegemonia global do US dólar seja preservada. Outra orientação do Estado Profundo está desgostosa com o contágio de decadência sexual e corrupção que penetrou na governação americana – e espera realmente que Trump "drenará o pântano". E outra ainda, que encara a amoralidade agora explícita de DC como pondo em risco a posição global e a liderança da América – quer ver um retorno aos costumes tradicionais americanos – um "rearmamento moral", por assim dizer. (E depois há os deploráveis, que simplesmente querem que a América cuide de sua própria renovação interna.)

Mas todas estas divididas facções do Estado Profundo acreditam que a beligerância pode funcionar.

No entanto, quanto mais essas fraccionadas facções rivais da elite dos EUA, com seus estilos de vida endinheirados e confortáveis, enclausuraram-se nos seus enclaves, alguns nas suas visões separadas sobre como a América pode reter sua supremacia global, menos provável é que entendam o impacto muito real da de sua beligerância colectiva sobre o mundo exterior. Como qualquer elite mimada, eles têm um sentido exagerado do seus direitos – e da sua impunidade.

Estas facções de elite – apesar de todas as suas rivalidades internas – parecem ter-se fundido em torno de uma singularidade de fala e de pensamento que permite às classes dominantes substituírem a realidade de uma América sujeita a stress e tensão severos – a fábula de um hegemonista que ainda pode escolher quais governos e povos não complacentes intimidar e remover do mapa global. Sua retórica solitária está a azedar as atmosferas no não-ocidente.

Mas uma outra implicação da incoerência dentro das elites é aplicável a Trump. Assume-se amplamente, por causa do que ele diz, que não quer mais guerras – e porque ele é presidente dos EUA – não acontecerão guerras. Mas não é assim que o mundo funciona.

O líder de qualquer nação nunca é soberano. Ele ou ela senta-se no topo de uma pirâmide de principezinhos brigões (principezinhos do Estado Profundo, neste caso), os quais têm os seus próprios interesses e agenda. Trump não está imune às suas maquinações. Um exemplo óbvio sendo a artimanha do sr. Bolton, com êxito, ao persuadir os britânicos a apresarem o petroleiro Grace I ao largo de Gibraltar. De uma penada, Bolton escalou o conflito com o Irão ("aumentou a pressão" sobre o Irão, como provavelmente diria Bolton); colocou o Reino Unido na linha de frente da "guerra" da América com o Irão; dividiu os signatários do JCPOA e embaraçou a UE. Ele é um "operador" sagaz – não há dúvida acerca disso.

E aqui está a questão: estes principezinhos podem iniciar acções (incluindo de falsas bandeiras) que conduzem os acontecimentos para a sua agenda; que podem encurralar um Presidente. E isto é presumir que o Presidente está de algum modo imune a uma grande "mudança de estado de espírito" entre os seus próprios lugares-tenentes (ainda que este consenso não seja mais do que uma fábula que se segue à beligerância).

Mas será seguro assumir que Trump é imune ao "humor" geral entre as variadas elites? Seus recentes comentários improvisados sobre o Afeganistão e o Irão não sugerem que ele possa se inclinar para a nova beligerância? Martin Wolf concluiu seu artigo no FT sugerindo que a mudança nos EUA indica que podemos estar a testemunhar um tombo rumo a um século de conflito. Mas no caso do Irão, qualquer movimento equivocado poderia resultar em algo mais imediato – e não controlado.

03/Agosto/2019
[*] Antigo diplomata britânico, fundador e director do Conflicts Forum, com sede em Beirute.

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/eua/elites_03ago19.html

Hiroshima, meu amor…

Hiroshima, depois…
Há 74 anos, o único país que o podia fazer não hesitou em lançar uma bomba nuclear sobre a população indefesa da cidade mártir.

Hoje, quando tantos países podem fazer de cada cidade uma Hiroshima e precipitar todos os cidadãos do mundo ao martírio nuclear, exige-se uma opinião pública mundial que os impeça.

Neste mês de agosto, a denúncia do tratado de controlo de misseis de médio alcance, assinado em 1987, em Washington, por Reagan e Gorbachov foi o início da escalada na rutura de acordos internacionais e uma decisão fatídica que anula o travão a uma guerra nuclear global.

A luta pela eliminação das armas nucleares não é um mero objetivo ideológico, é uma condição de sobrevivência para cada um de nós e para o planeta de todos nós.

Pensem nisso!

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/08/hiroshima-meu-amor.html

China responde aos EUA: é absolutamente claro quem mina estabilidade na Ásia-Pacífico

Porta-aviões USS Carl Vinson no mar do Sul da China
© REUTERS / Z.A. Landers/Marinha dos EUA

O secretário de Defesa estadunidense, Mark Esper, disse no passado fim de semana que seu país tem planos de instalar mísseis convencionais de médio alcance na região Ásia-Pacífico.

A China refutou as recentes afirmações do secretário da Defesa, segundo as quais o país asiático estaria a desestabilizar a região do Indo-Pacífico. Pequim qualificou os comentários como uma transferência de culpas irresponsável, e reiterou a natureza puramente defensiva do seu desenvolvimento militar.

Respondendo às perguntas dos jornalistas, Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse que, durante muito tempo, os EUA têm estado interferindo grosseiramente nos assuntos dos países da região Ásia-Pacífico, tentando criar desavenças entre eles, promovendo a chamada "Estratégia do Indo-Pacífico", reforçando ao mesmo tempo os seus destacamentos militares e fortalecendo as alianças militares na região.

"É absolutamente claro quem está minando a estabilidade na região Ásia-Pacífico", disse Hua Chunying.

A porta-voz ressaltou que os EUA usam há muito a China como pretexto para suas decisões quanto ao Tratado de Forças Nucleares Intermediárias (INF, na sigla em inglês) e outras questões, distorcendo os fatos a fim de promover a campanha de "ameaça dos mísseis chineses".

"Nós desenvolvemos o poder militar para propósitos de autodefesa. Nós não temos intenções e não constituímos qualquer ameaça para nenhum país. Todos os mísseis terrestres chineses de curto e médio alcance estão implantados no nosso território, o que atesta a natureza defensiva de nossa política militar. No entanto, se os EUA implantarem mísseis de médio alcance [na região] Ásia-Pacífico, especialmente em torno da China, seu objetivo irá ser claramente ofensivo", disse Hua Chunying.

A porta-voz disse ainda que, se os EUA continuarem avançando com esses planos, a segurança regional e internacional ficará severamente comprometida.

"A China não irá ficar de braços cruzados vendo os seus interesses sendo comprometidos. Além disso, não permitiremos que nenhum país crie problemas à nossa porta. Vamos tomar todas as medidas necessárias para proteger nossos interesses de segurança nacional", afirmou Chunying.

No fim de semana passado, Mark Esper, secretário de Defesa dos EUA, mostrou-se a favor da ideia de instalar mísseis de médio alcance na Ásia.

Os mísseis seriam colocados na região do Indo-pacífico. A declaração vem após a saída formal dos EUA do INF, tratado que estabelecia um mecanismo de controle sobre os mísseis de médio alcance, inclusive nucleares.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019080614349529-china-responde-aos-eua-e-absolutamente-claro-quem-mina-estabilidade-na-asia-pacifico/

China pode tomar 'contramedidas' em possível implantação de mísseis dos EUA na Ásia

Lançamento de míssil balístico Minuteman III (foto de arquivo)
© AP Photo / Foto de arquivo, Força Aérea dos EUA

A China tomará contramedidas caso os EUA prossigam com o plano de instalação de mísseis de médio alcance na Ásia.

A informação foi transmitida pelo diretor-geral do Departamento de Controle de Armas do Ministério do Exterior, Fu Cong, em Pequim.

"A China não ficará de braços cruzados e será forçada a tomar contramedidas caso os EUA implantem mísseis terrestres de médio alcance nesta região. Também pedimos aos nossos vizinhos para que tenham prudência e não permitam que os EUA implantem seus mísseis de médio alcance no [seu] território", afirmou Fu Cong, em referência à Austrália, ao Japão e à Coreia do Sul.

O secretário de Defesa norte-americano, Mark Esper, afirmou ser a favor de implantar mísseis terrestres de médio alcance na Ásia em breve, possivelmente daqui a alguns meses.

Já a ministra da Defesa australiana afirmou que o país não tenciona ceder bases para a implantação de mísseis norte-americanos.

Míssil balístico intercontitental Minuteman III é visto na base aérea de Minot, nos EUA (foto de arquivo)
© AP Photo / Charlie Riedel
Míssil balístico intercontitental Minuteman III é visto na base aérea de Minot, nos EUA (foto de arquivo)

Fu Cong também adicionou que a China não tem intenção de integrar um acordo trilateral de controle de armas com os EUA e a Rússia, mas que permaneceria envolvida nas discussões sobre o desarmamento, conformea agência de notícia AP.

No dia 2 de agosto passado, os EUA anunciaram a sua saída do Tratado INF, que havia sido assinado pelo então presidente norte-americano, Ronald Reagan, e pelo secretário-geral soviético, Mikhail Gorbachev, em 1987, que estabelecia a eliminação permanente pelos dois países dos seus mísseis balísticos terrestres com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019080614345215-china-pode-tomar-contramedidas-em-possivel-implantacao-de-misseis-dos-eua-na-asia/

OTAN explica o que a levou a se expandir após Guerra Fria

Soldados dos países membros da OTAN em cerimônia de abertura dos exercícios militares
© AP Photo /

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, em conversa com estudantes neozelandeses, explicou por que a Aliança Atlântica precisou ir além da sua área de responsabilidade tradicional depois do colapso da URSS e fim da Guerra Fria.

Com o fim da Guerra Fria, era necessário que o bloco continuasse a existir apesar da dissolução do Pacto de Varsóvia, afirmou Stoltenberg em discurso que foi gravado pela assessoria de imprensa da aliança.

"Deve-se entender que, em 40 anos, a OTAN não agiu fora do seu território. Nestes anos, só fizemos uma coisa: contivemos a URSS. Isso é tudo. E fizemos isso com muito sucesso, porque a Guerra Fria terminou sem um único tiro, e a paz foi preservada", explicou.

Segundo Stoltenberg, quando o Muro de Berlim caiu e quando terminou a Guerra Fria, as pessoas começaram a se perguntar se a aliança ainda era necessária, "porque o Pacto de Varsóvia, que era o oposto da OTAN, tinha deixado de existir, e a URSS foi dissolvida".

"E tinha a questão se a OTAN também deveria deixar de existir. A OTAN tinha de sair do negócio ou ir além do seu território na Europa e na América do Norte. E decidimos fazer a segunda opção, ir além da zona, parar as guerras étnicas nos Bálcãs, ajudar a combater a pirataria na África, combater o terrorismo no Afeganistão e assim por diante", afirmou o secretário-geral.

Estes são exemplos das ações da OTAN fora do território, acrescentou Stoltenberg, mas a aliança não tem qualquer papel a desempenhar na resolução de todos os conflitos. "Não pedimos à OTAN que se envolva em todos os conflitos mundiais. A principal tarefa da aliança é proteger contra ataques", reforçou.

Pacto de Varsóvia

O Pacto de Varsóvia de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua entre a Albânia, Bulgária, Hungria, República Democrática Alemã, Polônia, Romênia, União Soviética e Checoslováquia foi assinado em 1955.

Representantes de oito países explicaram que o pacto era necessário para dar contrarresposta à criação da OTAN e inclusão da Alemanha Ocidental no bloco.

Em fevereiro de 1991, foi tomada a decisão de abolir as estruturas militares do Pacto de Varsóvia e, em julho, em Praga, foi assinado um protocolo de cessação total do mesmo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019080514343372-otan-explica-o-que-a-levou-a-expandir-mundo-apos-guerra-fria/

A Destruição do Tratado INF e a Chegada de Novos Euromísseis. A União Europeia Cúmplice

A Nova Guerra Fria acaba de começar para sempre. Não é mais um confronto militar entre os Estados Unidos e a URSS, mas entre os Estados Unidos de um lado e o bloco Rússia-China do outro. A revogação do Tratado INF e o anúncio de futuras negociações tripartidárias puseram fim aos anos de incerteza que acabamos de experimentar. Esta evolução torna a enviar a Europa Ocidental e Central de volta ao seu estatuto durante a Primeira Guerra Fria: o de campo de batalha.

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O Secretário de Estado, Mike Pompeo, anunciou ontem, após seis meses de suspensão, a retirada definitiva dos Estados Unidos do Tratado das Forças Nucleares Intermediárias (INF), acusando a Rússia de “violá-lo, deliberadamente, colocando em risco os interesses supremos dos EUA”.

A notícia recebeu, em Itália, pouca cobertura política e mediática (a ANSA dedicou-lhe algumas linhas). No entanto, estamos perante uma decisão que tem implicações dramáticas para a Itália, exposta, juntamente com outros países europeus, como a primeira linha de um novo confronto nuclear USA-Rússia, não menos perigoso do que o da Guerra Fria.

O Tratado INF, assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan, eliminou todos os mísseis nucleares de curto alcance e alcance intermédio (500 a 5500 km),com base no solo, em primeiro lugar, os mísseis balísticos Pershing II, instalados pelos Estados Unidos na Alemanha Ocidental e os mísseis de cruzeiro, lançados do solo, colocados pelos Estados Unidos na Grã-Bretanha, Itália, Alemanha Ocidental, Bélgica e Holanda e, ao mesmo tempo, os mísseis balísticos SS-20 montados pela União Soviética, no seu território.

Em 2014, a Administração Obama acusou a Rússia, sem apresentar qualquer prova, de ter experimentado um míssil de cruzeiro (9M729) da categoria proibida pelo Tratado e, em 2015, anunciou que “perante a violação do Tratado INF da parte da Rússia, os Estados Unidos estão a considerar a fixação de mísseis terrestres na Europa”. O plano foi confirmado pela Administração Trump: em 2018, o Congresso autorizou o financiamento de “um programa de pesquisa e desenvolvimento de um míssil de cruzeiro lançado do solo, por uma plataforma móvel, que circula em estradas”.

Pela sua parte, Moscovo negou que o seu míssil de cruzeiro violasse o Tratado e, por sua vez, acusou Washington de ter instalado, na Polónia e na Roménia, rampas de lançamento de mísseis interceptores (os do “escudo”) que podem ser usados para lançar mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares. Neste contexto, deve ser considerado o factor geográfico: enquanto um míssil nuclear USA, de alcance intermédio, instalado na Europa, pode atingir Moscovo, um míssil semelhante, montado pela Rússia no seu território, pode atingir as capitais europeias, mas não Washington. Revertendo o cenário, é como se a Rússia instalasse mísseis nucleares de alcance intermédio, no México.

“Os Estados Unidos - disse Mike Pompeo na declaração - apreciam imensamente a constante cooperação e determinação dos aliados da NATO em responder à violação russa do Tratado”. Apreciação merecida: os aliados, incluindo a Itália, declararam a Rússia culpada de violar o Tratado, aceitando, de antemão, a acusação feita pelos USA, sem nenhuma prova real.

O cancelamento do Tratado de INF, também suspenso pela Rússia, em 3 de Julho, insere-se, agora, numa nova corrida armamentista, baseada não tanto na quantidade, mas na qualidade das armas nucleares, dos seus transportadores e da sua deslocação. Fontes militares informam que os Estados Unidos estão a desenvolver novos mísseis nucleares de alcance intermédio, com base no solo, tanto de cruzeiro como balísticos (estes são capazes de atingir os alvos, em 6-11 minutos após o lançamento). A Rússia alertou que, se forem instalados na Europa, apontará os seus mísseis nucleares para os territórios onde esses mísseis estiverem instalados.

A destruição do Tratado INF tem outro propósito estratégico. Revelou-o o próprio Pompeu, acusando a China de fixar (no seu próprio território) mísseis nucleares intermédios, com os quais “ameaça os Estados Unidos e os aliados na Ásia”. O Secretário de Estado Pompeo adverte: “Não há razão para que os Estados Unidos continuem a conceder esta vantagem militar crucial a potências como a China”. Os EUA estão, portanto, a preparar-se para instalar novos mísseis nucleares de alcance intermédio, não só contra a Rússia, mas também contra a China. Estes dois países podem responder com a colocação de novas armas nucleares.

É significativa, a posição da Comissão Europeia, que declarou ontem: “Incentivamos a defesa dos resultados do Tratado INF, devemos estar atentos para não tomar o caminho de uma nova corrida armamentista que reduziria os resultados significativos alcançados após o fim da Guerra Fria”. É preciso ter um bom estômago para fazer esta declaração, depois da própria União Europeia ter contribuído para a destruição do Tratado INF: na Assembleia Geral da ONU (em 21 de Dezembro de 2018), a União Europeia, em unanimidade, rejeitou a resolução com a qual a Rússia propunha preservar o Tratado, estabelecendo mecanismos de verificação e negociação. Portanto, a União Europeia deu sinal verde para a instalação de novos mísseis nucleares USA na Europa, incluindo em Itália.

- « Réfutation de la propagande russe en ce qui concerne le traité FNI et chronologie », Réseau Voltaire, 30 juillet 2019.
- « Déclaration du G7 sur la non-prolifération et le désarmement », Réseau Voltaire, 6 avril 2019.
- “A destruição USA do Tratado INF e a cumplicidade europeia”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 3 de Fevereiro de 2019.
- « Fin du traité FNI : Les États-Unis et la Russie affûtent leurs missiles chacun de son côté », par Valentin Vasilescu, Traduction Avic, Réseau Voltaire, 4 février 2019.
- « Déclaration de l’Otan concernant le non-respect du traité sur les forces nucléaires à portée intermédiaire (FNI) par la Russie », Réseau Voltaire, 1er février 2019.
- “Quem viola o Tratado INF: Washington, Moscovo ou ambos?”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 8 de Outubro de 2018.
- “Sergey Ryabkov on the INF treaty”, by Sergey Ryabkov, Voltaire Network, 26 November 2018.
- « Quels pays de l’Otan pourraient abriter les missiles nucléaires états-uniens ? », par Valentin Vasilescu, Traduction Avic, Réseau Voltaire, 26 novembre 2018.
- « Mise au point du département d’État sur le Traité INF », Réseau Voltaire, 16 novembre 2018.
- “A Casa Branca prepara o regresso dos euro mísseis”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 28 de Outubro de 2018.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Nova onda de tensões: Índia cancela estatuto especial de Caxemira apesar de protesto paquistanês

Soldados indianos patrulham zona eleitoral durante segundo turno das eleições em Kangan, localizada a uns 35 km de Srinagar
© AFP 2019 / Tauseef Mustafa

O ministro do Interior da Índia, Amit Shah, apresentou na segunda-feira (5) no Parlamento um projeto de lei que cancelaria na Constituição do país o estatuto especial do estado indiano de Jammu e Caxemira, informou o canal NDTV.

O estatuto especial da região está definido no artigo 370º da Constituição da Índia. Este artigo, entre outras coisas, exige a aprovação obrigatória da maioria das leis aprovadas pelo Parlamento indiano pela assembleia local.

De acordo com a proposta do governo, Jammu e Caxemira se tornaria um território da união com órgão legislativo próprio. Prevê-se também que a região de Ladakh, que agora é parte de Jammu e Caxemira, também receba o estatuto de território da união. Os territórios da união, ao contrário dos estados, que têm um gabinete de ministros local, são governados diretamente pelo governo federal.

"Dada a situação de segurança interna no atual estado de Jammu e Caxemira que é exacerbada pelo terrorismo transfronteiriço, em Jammu e Caxemira será criado um território da união. O território da união de Jammu e Caxemira terá um órgão legislativo", diz a declaração.

Anteriormente, o presidente Ram Nath Kovind assinou um decreto para abolir o estatuto especial do estado, disse o canal. O projeto de lei respectivo precisa agora de ser aprovado pelo parlamento.

Medidas de segurança

As autoridades indianas começaram a enviar mais 8 mil soldados para Jammu e Caxemira, tendo como pano de fundo a anunciada decisão do governo de cancelar o estatuto constitucional especial da região. Foi relatado que aviões de transporte militar estão transferindo soldados ao aeroporto de Srinagar, capital da região, desde manhã de segunda-feira.

Como aponta o canal, esses militares reforçarão o agrupamento que já está implantado em Jammu e Caxemira. Ao mesmo tempo, de acordo com a agência noticiosa ANI, todas as unidades militares da Índia estão em estado de alerta máximo.

A operadora de metrô da capital da Índia, Nova Deli, anunciou a introdução do nível de alerta "vermelho" em todas as linhas de metrô, após receber recomendações dos serviços de segurança do país.

"Por recomendação dos serviços de segurança, em todas as linhas da DMRC foi introduzido o nível de alerta vermelho. Por favor, considere um tempo extra para o controle de segurança", diz a estatal Delhi Metro Rail Corporation Limited (DMRC) em sua publicação no Twitter.

Reação do Paquistão

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Islamabad está usando todas as opções para responder às "ações ilegais" das autoridades indianas, que cancelaram o estatuto especial de Jammu e Caxemira.

"As medidas unilaterais tomadas pelo governo indiano não podem alterar esse estatuto [...] O Paquistão, como parte da disputa internacional, está usando todas as opções para contrariar essas medidas ilegais", declara o comunicado do ministério.

O Paquistão irá igualmente recorrer à Corte Internacional de Justiça e tomar outras medidas diplomáticas relacionadas com a decisão das autoridades indianas de cancelar o estatuto especial do estado de Jammu e Caxemira, informou o jornal paquistanês News, citando fontes governamentais.

Jammu e Caxemira está localizado na região de Caxemira, uma área povoada por maioria muçulmana dividida entre a Índia e o Paquistão. Desde a independência dos dois países, em 1947, a soberania sobre a região tem sido um grande problema nas suas relações.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019080514342465-nova-onda-de-tensoes-india-cancela-estatuto-especial-de-caxemira-apesar-de-protesto-paquistanes/

China mostra seu poder ao mundo exibindo vídeo único sobre seu Comando de Mísseis

Veículos carregam mísseis anti-navio DF21D. Foto tirada em 3 de setembro de 2015
© AFP 2019 / Ng Han Guan

Gigante militar mostra pela primeira vez o centro de comando da Força de Mísseis de seu Exército Popular de Libertação. O vídeo foi publicado na ocasião dos 92 anos das Forças Armadas chinesas, em 1° de agosto.

Até recentemente, a Força de Mísseis nucleares e convencionais do país tomava suas decisões em um lugar guardado a sete chaves pelo governo chinês. A razão é o alto grau de sigilo do órgão.

Celebrando os 92 anos de suas Forças Armadas, a China resolveu mostrar pela primeira vez o centro de comando das suas Forças de Mísseis. O vídeo mostra uma grande variedade de armamentos e respectivo pessoal militar.

São mostrados mísseis Dongfeng, como o Dongfeng-26, de alcance intermediário e chamado de assassino de porta-aviões, e o Dongfeng-41, míssil intercontinental com múltiplas ogivas, capaz de alcançar qualquer ponto do planeta por ter um alcance entre 10.000 e 12.000 quilômetros. Sua velocidade pode atingir Mach 10 – cerca de 12.350 km/h – podendo desviar-se dos mísseis inimigos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019080414335556-china-mostra-seu-poder-ao-mundo-exibindo-video-unico-sobre-seu-comando-de-misseis-/

Lembrando Hiroxima e Nagasaki, CPPC apela ao fim das armas nucleares

Quando passam 74 anos sobre os bombardeamentos nucleares norte-americanos das duas cidades japonesas, o CPPC reafirma «a necessidade e urgência de pôr fim a este tipo de armamento».

Destroços de um templo xintoísta, em Nagasaki, após o bombardeamento de 9 de Agosto de 1945Créditos / lounge.obviousmag.org

O crime que constitui o lançamento de bombas atómicas em Hiroxima e Nagasaki – perpetrado a 6 e 9 de Agosto de 1945, respectivamente – fica na história como um dos mais bárbaros actos de agressão contra populações civis.

A sua dimensão fica desde logo «expressa no número de vítimas e na brutalidade dos seus efeitos: mais de 100 mil mortos no momento das explosões e outros tantos até ao final de 1945, na sequência dos ferimentos», lê-se num comunicado emitido esta quinta-feira pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC).

«Entre os sobreviventes e seus descendentes, disparou a incidência de malformações e doenças oncológicas, devido à radiação – realidade que se sente ainda hoje, mais de 70 anos depois dos acontecimentos», explica ainda o texto.

Para justificar o crime, os EUA alegaram a necessidade de derrotar o Japão. No entanto, em Agosto de 1945, o militarismo japonês estava à beira da derrota. Neste sentido, o CPPC denuncia que «o facto de estes bombardeamentos terem sido perpetrados sobre um Japão na prática já derrotado e sobre cidades sem importância militar estratégica só aumenta a brutalidade do crime».

Alerta para o futuro

«Na sequência do horror da II Guerra Mundial e dos bárbaros bombardeamentos atómicos, o desarmamento geral, simultâneo e controlado» é «um objectivo central da acção de todos quantos, em Portugal e no mundo, defendem a paz e a segurança internacionais», afirma o organismo português, sublinhando que «recordar Hiroxima e Nagasaki é, acima de tudo, um grito de alerta para os riscos hoje existentes», na medida em que, «pela dimensão e potência dos actuais arsenais nucleares, uma guerra nuclear não se limitaria a replicar o horror vivido» nas duas cidades japonesas, «antes o multiplicaria por muito».

De acordo com o CPPC, existem actualmente cerca de 16 mil ogivas nucleares, a maior parte das quais «muito mais potentes do que as que arrasaram as cidades japonesas em Agosto de 1945».

Quinze mil estão em poder dos Estados Unidos da América e da Federação Russa, e as restantes em poder de França (300), China (270), Grã-Bretanha (215), Paquistão (120-130), Índia (110-120), Israel (80) e República Popular Democrática da Coreia (cerca de dez).

Além disso, outros cinco países – Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália e Turquia – acolhem no seu território armas nucleares dos EUA, país que tem «ainda armas nucleares espalhadas pelo mundo, em centenas de bases militares, esquadras navais e bombardeiros».

«Bastaria que fosse utilizada uma pequena parte das bombas nucleares existentes para que toda a vida na Terra ficasse seriamente ameaçada» alerta a nota.

Neste sentido, o CPPC destaca «a necessidade de uma mais forte acção em prol da paz e do desarmamento» e reafirma «a validade da exigência da adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares».

Estas exigências ganham força num tempo em que «os EUA têm promovido a corrida aos armamentos, incluindo nucleares», têm dado passos como a retirada do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio – que fora assinado em 1987 com a URSS e que ficou hoje mesmo sem efeito, segundo confirmou o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros – e em que Donald Trump e outros elementos da sua administração proferem declarações a criticar e a pôr em causa a renovação, em 2021, do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START).

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/lembrando-hiroxima-e-nagasaki-cppc-apela-ao-fim-das-armas-nucleares

Armas aos montes dos EUA para Europa

 
Armas aos montes dos EUA para Europa

Pentágono está procurando empreiteiros para proverem transporte e instalação de grandes quantidades de tropas e cargas militares estadunidenses no território europeu.

A requisição foi publicada no site do Departamento de Estado e está sendo atualizada regularmente. Segundo documento, planeja-se um acordo comercial para transporte de pessoas e cargas militares em conformidade com os interesses do agrupamento operacional do Exército dos EUA na Europa.

O documento contém várias condições como itinerários, regras de passagem dos pontos alfandegários, as direções principais, tipos de transporte e vários outros.

A lista prevê o funcionamento em quase todo o território da Europa – do Reino Unido ao mar Báltico.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2019080114322142-armas-aos-montes-dos-eua-para-europa/

Os que ganham com a guerra e o desaparecimento do complexo militar-industrial dos EUA

Existe no Pentágono um gabinete que produz um relatório anual destinado ao Congresso dos EUA. A leitura que este texto faz dele é talvez demasiado optimista: vê no relatório a imagem de uns EUA que perderam capacidade técnica, tecnológica, logística e de produção material para sustentar um conflito militar de envergadura e prolongado. Mesmo que isso corresponda à realidade, não altera o facto de os EUA disporem de um arsenal capaz de destruir o planeta inteiro, e de continuar a haver dirigentes seus que desejam dar-lhe uso.

No seio do vasto espaço burocrático do Pentágono existe um grupo encarregado de acompanhar o estado geral do complexo militar-industrial e sua capacidade continuada de dar resposta às exigências da estratégia de defesa nacional. O Gabinete de Aquisição e Manutenção e o Gabinete de Política Industrial gastam cerca de US $ 100.000 por ano para produzir um relatório anual para o Congresso. É acessível ao público em geral. É até acessível ao público em geral na Rússia, e os especialistas russos divertiram-se de verdade a analisá-lo detalhadamente.

Na verdade, encheu-os de optimismo. Vejam bem, a Rússia quer a paz, mas os Estados Unidos parecem querer a guerra e continuam fazendo gestos ameaçadores contra uma longa lista de países que se recusam a fazer o que os EUA pedem ou que simplesmente não partilham os seus “valores universais”. Mas acontece agora que as ameaças (e as sanções económicas cada vez mais impotentes) são praticamente tudo o que os Estados Unidos ainda são capazes de fazer, apesar dos níveis absolutamente astronómicos de gastos com defesa. Vejamos o que parece o complexo militar-industrial dos EUA visto através de uma lente russa.

É importante notar que os autores do relatório não procuravam obrigar os legisladores a financiar um projecto específico. Isso torna-o mais valioso do que muitas outras fontes, cujo objectivo principal era ir ao fundo do poço federal e que, portanto, tendem a ser ligeiros sobre os factos e pesados ​​sobre a vertente publicitária. Não há dúvida de que a política desempenha sempre um papel na representação dos vários detalhes, mas parece haver um limite para o número de problemas que os seus autores podem fazer desaparecer de cena e que se trata de um trabalho razoável para analisar a situação e formular as suas recomendações.

O que impressionou a análise russa é o facto de que esses especialistas do INDPOL (que, como a restante Defesa dos EUA, amam as siglas) avaliam o complexo militar-industrial dos EUA de um ponto de vista…comercial! Reparem, o complexo militar-industrial russo pertence inteiramente ao governo russo e trabalha exclusivamente no seu interesse; tudo o mais seria considerado traição. Mas o complexo militar-industrial dos EUA é avaliado de acordo com sua …rentabilidade! Segundo o INDPOL, deve não apenas produzir produtos para os militares, mas também ganhar participação de mercado no comércio mundial de armas e, talvez o mais importante, maximizar a rentabilidade para os investidores privados. De acordo com essa norma, está a portar-se bem: para 2017, a margem bruta (EBITDA) dos subcontratados da defesa americanos situava-se entre 15 e 17%, e certos subcontratados - Transdigm, por exemplo - conseguiram fornecer rendimento não inferior a 42-45%. “Ah! Exclamam os especialistas russos: “Encontrámos o problema! Os americanos legalizaram os lucros da guerra!” (Este não é de resto senão um exemplo entre tantos outros daquilo a que se chama a corrupção sistémica que grassa nos Estados Unidos.)

Seria uma coisa se cada empreiteiro de defesa simplesmente tomasse a sua parte do bolo, mas em vez disso, há toda uma cadeia alimentar de empreiteiros de defesa, todos os quais estão legalmente obrigados a nada menos do que a maximizar a lucros para os seus accionistas. Estão envolvidas mais de 28.000 empresas, mas as empresas de defesa de primeira linha com as quais o Pentágono gasta 2/3 de todos os contratos de defesa são de facto apenas as seis maiores: Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon e General Dynmics, BAE Systems e Boeing. Todas as outras empresas estão organizadas numa pirâmide de subcontratantes em cinco níveis hierárquicos, e em cada nível fazem o melhor possível para ordenhar o escalão superior.

A insistência em métodos baseados no mercado e a exigência de maximizar a rentabilidade manifesta-se incompatível com a manutenção dos gastos com defesa em um nível muito básico: os gastos com defesa são intermitentes e cíclicos, com longos intervalos de tempo. pousio entre grandes encomendas. Isso forçou até mesmo os Seis Grandes a fazer cortes nos seus departamentos de defesa a favor da expansão da produção civil. Além disso, apesar do enorme orçamento de defesa dos EUA, ele é de dimensão finita (há apenas um planeta a fazer explodir), tal como o é o mercado global de armas. Depois, numa economia de mercado, cada empresa enfrenta a escolha entre crescer ou ser recomprada. Isso tem forçado vagas de fusões e aquisições, resultando num mercado altamente consolidado com alguns actores principais em cada sector.

Em consequência, na maioria dos sectores, os autores do relatório identificam 17, incluindo a marinha, as forças terrestres, as forças aéreas, a electrónica, as armas nucleares, a tecnologia espacial e assim por diante, pelo menos em várias áreas. Em um terço dos casos, o Pentágono apenas tem a escolha de um empreiteiro para um determinado contrato, o que prejudica a qualidade e a rapidez e aumenta os preços.

Num certo número de casos, e apesar da sua força industrial e financeira, o Pentágono encontrou problemas insolúveis. Mais especificamente, verifica-se que os Estados Unidos têm apenas um estaleiro naval capaz de construir porta-aviões nucleares (além disso, o USS Gerald Ford não é verdadeiramente um sucesso). É o Newport News Shipbuilding da Northrop Grumman em Newport, Virginia. Em teoria, poderia operar em três navios em paralelo, mas duas das docas secas estão permanentemente ocupadas por porta-aviões existentes que exigem manutenção. Este não é um caso único: o número de estaleiros capazes de construir submarinos nucleares, cruzadores e outros tipos de navios é também exatamente um. Assim, em caso de conflito prolongado com um adversário sério em que uma parte importante da Marinha dos EUA seria afundada, os navios seriam impossíveis de substituir em tempo razoável.

A situação é um pouco melhor no que diz respeito à construção de aeronaves. As fábricas existentes podem produzir 40 aeronaves por mês e poderiam produzir 130 por mês, se estivessem sob pressão. Por outro lado, a situação dos tanques e da artilharia é absolutamente lamentável. Segundo este relatório, os Estados Unidos perderam completamente a competência para construir a nova geração de tanques. Já não se trata mesmo uma questão de fábricas e equipamentos em falta; nos Estados Unidos, uma segunda geração de engenheiros que nunca projectou um tanque está actualmente a aposentar-se. Os seus substitutos não têm ninguém a quem recorrer e apenas conhecem os tanques modernos graças a filmes e a jogos vídeo. No que diz respeito à artilharia, apenas resta uma linha de produção nos Estados Unidos que pode produzir canhões de mais de 40 mm; está totalmente saturada e seria incapaz de aumentar a sua produção em caso de guerra. O empreiteiro não está disposto a aumentar a produção sem que o Pentágono garanta uma taxa de utilização de pelo menos 45%, já que sem isso não seria rentável.

A situação é semelhante para o conjunto das áreas; é melhor para tecnologias de dupla utilização que podem ser obtidas junto de empresas civis e bem pior para aquelas que são altamente especializadas. O custo unitário de cada tipo de equipamento militar aumenta de ano para ano enquanto os volumes adquiridos tendem continuamente para baixar, por vezes até zero. Nos últimos 15 anos, os Estados Unidos não adquiriram um único tanque novo. Continuam a modernizar os antigos, mas a um ritmo que não excede os 100 por ano.

Por causa de todas essas tendências e desenvolvimentos, o sector de defesa continua a perder não apenas pessoal qualificado, mas também a própria capacidade de efectuar o trabalho. Especialistas do INDPOL estimam que o déficit em máquinas-ferramentas atingiu 27%. No último quarto de século, os Estados Unidos pararam de fabricar uma grande variedade de equipamentos para a indústria. Apenas metade dessas ferramentas pode ser importada de aliados ou países amigos; para o resto, existe apenas uma fonte: a China. Analisaram as cadeias de abastecimento procurando por 600 dos tipos mais importantes de armas e descobriram que um terço tinha descontinuidades no circuito, enquanto outro terço se tinha desintegrado completamente. Na pirâmide de cinco níveis dos subempreiteiros do Pentágono, os fabricantes de componentes são quase sempre relegados para o escalão mais baixo, e os alertas que eles emitem quando param a produção ou fecham completamente as portas tendem a afogar-se no pântano burocrático do Pentágono.

O resultado final de tudo isso é que, teoricamente, o Pentágono ainda é capaz de produzir pequenas séries de armas para compensar as perdas em curso em conflitos localizados e de baixa intensidade em tempos de paz geral mas, já hoje, está no limite das suas capacidades. No caso de um conflito grave com um país bem armado, só poderá contar com os stocks existentes de munições e peças sobressalentes, que serão esgotadas rapidamente.
Uma situação semelhante prevalece no campo das terras raras e outros materiais para produção electrónica. Actualmente, o stock acumulado desses abastecimentos necessários à produção de mísseis e tecnologias espaciais – e sobretudo de satélites - é suficiente para cinco anos à taxa actual de utilização.

O relatório aborda especificamente a situação desastrosa na área das armas nucleares estratégicas. Quase toda a tecnologia de comunicação, direcionamento, cálculo de trajectória e de armamento das ogivas ICBM foi desenvolvida nas décadas de 1960 e 1970. Hoje ainda, os dados são carregados a partir de disquetes de 5 polegadas, que foram produzidas em série pela última vez há 15 anos. Não há substitutos para elas e as pessoas que as projectaram estão ocupadas a cultivar margaridas. A escolha é entre a compra de pequenas séries de produção de todos os consumíveis a um custo extravagante e o desenvolvimento a partir do zero do conjunto da componente terrestre da tríade estratégica, ao preço de três vezes o orçamento anual do Pentágono.

Existem numerosos problemas específicos em cada área descrita no relatório, mas a principal é a perda de competência do pessoal técnico e de engenharia devido a um baixo nível de encomendas de substituição ou desenvolvimento de novos produtos. A situação é tal que novos desenvolvimentos teóricos promissores oriundos de centros de investigação como o DARPA não podem ser realizados tendo em conta o conjunto de competências técnicas actual. Para um certo número de especializações chave, há menos de três dúzias de especialistas formados e experientes.

Esta situação deveria continuar a deteriorar-se, com o número de pessoas empregadas no sector da defesa a diminuir de 11 a 16 por cento na próxima década, principalmente devido à escassez de jovens candidatos qualificados para substituir os que se aposentam. Um exemplo concreto: os trabalhos de desenvolvimento do F-35 estão em vias de conclusão e não será necessário desenvolver um novo caça a jacto antes de 2035-2040; entretanto, o pessoal que participou no seu desenvolvimento estará desempregado e o seu nível de competências irá deteriorar-se.

Embora actualmente os Estados Unidos continuem à cabeça dos gastos mundiais em defesa (US $ 1,7 milhares de milhões em 2017, incluindo gastos internos com defesa das empresas, ou seja cerca de 36% de todos gastos militares no planeta), a economia dos EUA já não é capaz de sustentar toda a pirâmide tecnológica, mesmo em tempos de relativa paz e prosperidade. No papel, os Estados Unidos ainda parecem um líder no domínio da tecnologia militar, mas os fundamentos da sua supremacia militar foram corroídos. Os resultados são claramente visíveis:
Os Estados Unidos ameaçaram a Coreia do Norte com uma acção militar, mas foram depois forçados a recuar porque não tinham capacidade para travar uma guerra contra ela.

Os Estados Unidos ameaçaram o Irão com uma acção militar, mas foram forçados a recuar porque não estavam em condições de travar uma guerra contra ele.
Os Estados Unidos perderam a guerra no Afeganistão, agora nas mãos dos Taliban, e quando o mais longo conflito militar na história dos EUA tiver finalmente terminado, a situação política retornará ao status quo ante com os Taliban no comando e os campos de treino terroristas islâmico novamente em actividade.
Os aliados dos EUA (principalmente a Arábia Saudita) que lutam no Iémen provocaram uma catástrofe humanitária, mas não conseguiram prevalecer militarmente.

As acções dos EUA na Síria levaram a uma consolidação do poder e do território pelo governo sírio e a uma nova posição dominante regional para a Rússia, Irão e Turquia.

A segunda potência da NATO, a Turquia, comprou sistemas de defesa aérea russos S-400. A alternativa americana é o sistema Patriot, que é duas vezes mais caro e que realmente não funciona.

Tudo isso mostra que os Estados Unidos não são mais uma potência militar. É uma boa notícia pelo menos pelas quatro razões seguintes.

Primeiro, os Estados Unidos são de longe o país mais belicoso do planeta, tendo invadido um grande número de países e continuando a ocupar muitos. O facto de que não possam já combater significa que as possibilidades de paz só podem aumentar.

Em segundo lugar, uma vez que tenha soado a notícia de que o Pentágono não é nada mais do que um sorvedouro de fundos públicos pelo cano abaixo, o seu financiamento será cortado e a população dos Estados Unidos poderia ver o dinheiro que actualmente engorda os que lucram com a guerra ser gasto em reparar certas estradas e pontes, mas parece muito mais provável que tudo isso seja usado para pagar juros sobre a dívida federal (enquanto as reservas estiverem disponíveis).
Terceiro, os políticos americanos perderão a capacidade de manter a população em estado de permanente ansiedade em relação à «segurança nacional». “Na verdade, os Estados Unidos têm uma segurança natural “- dois oceanos - e não precisam de muita defesa nacional (desde que permaneçam entre eles e não tentem criar problemas aos outros. ). Os canadianos não vão invadir, e mesmo que a fronteira do sul precise ser vigiada, isso pode feito a nível estadual ou municipal por bons e velhos rapazes que usam armas e munição de que já dispõem. Uma vez que esse pano vermelho da “defesa nacional” de US $ 1,7 milhares de milhões tenha sido removido do pacote, os cidadãos comuns dos EUA poderão trabalhar menos, divertir-se mais e sentir-se menos agressivos, ansiosos, deprimidos e paranoicos.
Finalmente, será maravilhoso ver os que lucram com a guerra simplesmente à procura de algum dinheiro debaixo das almofadas do sofá. Tudo o que o exército americano conseguiu produzir desde há muito é miséria, cujo termo técnico é “catástrofe humanitária”. Vejam as consequências do envolvimento militar dos EUA na Sérvia/Kosovo, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Iémen, e o que vêm? Vêm miséria - tanto para os habitantes da região como para os cidadãos americanos que perderam membros da sua família, cujos membros foram amputados ou que sofrem agora de stress pós-traumático ou de danos cerebrais. Seria justo que essa miséria voltasse para assombrar aqueles que lucram com ela.

Fonte: https://www.legrandsoir.info/les-profiteurs-de-guerre-et-la-disparition-du-complexe-militaro-industriel-americain.html

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Pentágono prepara desdobramento de tropas de grandes dimensões na Europa

Equipamento militar dos EUA na Romênia
© AFP 2019 / Daniel Mihailescu

Departamento do Exército dos EUA está procurando ativamente empreiteiros para a deslocação e desdobramento de forças de grandes dimensões para o território de países europeus.

Em julho, o departamento publicou a requisição no site oficial de contratos públicos dos EUA e continua a atualizar essa informação regularmente. Segundo o documento, um dos três departamentos do Pentágono – Departamento do Exército – tenciona concluir um acordo comercial para transporte de pessoas e equipamento militar pesado no interesse do agrupamento operacional do Exército dos EUA na Europa (United States Army Europe).

O objetivo do contrato é garantir a rápida mudança de posições e desdobramento das tropas e o apoio com transporte aos principais exercícios militares. Os itinerários aproximados, os pontos de passagem das fronteiras, o procedimento de passagem pelos postos alfandegários, as direções e distâncias principais são enunciados claramente nessa requisição. Praticamente toda a geografia da Europa está incluída na lista – desde o Reino Unido até à região do Báltico.

Para transportar o pessoal, serão necessários ônibus com capacidade de 8 a 70 passageiros. Os requisitos para o transporte e para os condutores são rigorosos. Os ônibus devem ser equipados com ar condicionado, banheiros e estarem adaptados para trajetos prolongados sem paradas.

Tanques da OTAN na Noruega
© AFP 2019 / Jonathan Nackstrand
Tanques da OTAN na Noruega

Como foi comunicado antes, os EUA se tinham queixado várias vezes dos problemas de transporte de cargas militares e pessoal pelo território da União Europeia. Segundo o comandante das Forças Militares dos EUA na Europa, tenente-general Ben Hodges, as linhas ferroviárias entre a Alemanha e a Polônia não serão suficientes em caso de um conflito militar. Além disso, muitas pontes europeias não suportarão o peso dos tanques.

De fato, Hodges defende a criação de um "Schengen militar" para transportar rapidamente tropas para a Lituânia através dos países de trânsito. Ele está convencido que a realização de quaisquer ações militares no leste da Europa passará através da Polônia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019073114316289-pentagono-se-prepara-para-desdobramento-forcas-de-grandes-dimensoes-na-europa/

Os aproveitadores da guerra e o fim do complexo militar-industrial dos EUA

por Dmitry Orlov

No interior da vasta burocracia do Pentágono existe um grupo encarregado de monitorar o estado geral do complexo militar-industrial e a sua capacidade contínua de cumprir os requisitos da estratégia de defesa nacional. O gabinete para a aquisição e manutenção e o gabinete para a política industrial gastam cerca de US$100 mil por ano para produzir um Relatório Anual ao Congresso. Ele está disponível para o público em geral . Está disponível até para o público em geral e especialistas russos divertiram-se muito a examiná-lo.

De facto, o relatório encheu-os de optimismo. Como se sabe, a Rússia quer a paz mas os EUA parecem desejar a guerra e continuam a fazer gestos ameaçadores contra uma longa lista de países que se recusam a cumprir suas ordens ou simplesmente não compartilham seus "valores universais". Mas agora verifica-se que aquelas ameaças (e sanções económicas cada vez mais sem garra) são quase tudo o que os EUA ainda são capazes de oferecer – isto apesar dos níveis absolutamente astronómicos dos gastos com defesa. Vamos ver com o que parece o complexo militar-industrial dos EUA através de lentes russas.

É importante observar que os autores do relatório não pretendiam forçar legisladores a financiar algum projecto específico. Isso o torna mais valioso do que inúmeras outras fontes, cujo principal objectivo dos autores é encher a barriga com o orçamento federal e que, portanto, tendem a ser ligeiros acerca de factos e fortes em publicidade. Sem dúvida, a política ainda desempenha um papel na forma como vários pormenores são retratados, mas parece haver um limite para o número de problemas que seus autores podem eliminar e ainda assim fazer um trabalho razoável de análise da situação e de formulação de recomendações.

O que provocou risos na análise russa foi o facto de que estes peritos do INDPOL (que, como o resto do Departamento da Defesa dos EUA, adoram siglas) avaliam o complexo militar-industrial dos EUA a partir de uma perspectiva com base no mercado! Você vê, o complexo militar-industrial russo é totalmente de propriedade do governo russo e trabalha exclusivamente no seu interesse; qualquer coisa diferente seria considerada traição. Mas o complexo militar-industrial dos EUA é avaliado com base na sua… lucratividade! De acordo com o INDPOL, ele deve não apenas produzir produtos para os militares mas também adquirir fatia de mercado no comércio global de armas e, talvez mais importante, maximizar a lucratividade para investidores privados. Por este padrão, está a sair-se bem: em 2017, a margem bruta (EBITDA) para os contratantes da defesa dos EUA variou de 15 a 17%, e alguns subcontratados – Transdigm, por exemplo – conseguiram obter nada menos que 42-45%. "Ah!", gritam os especialistas russos: "Encontrámos o problema! Os americanos legalizaram o lucro da guerra !" (Isto, a propósito, é apenas um dos muitos exemplos de algo chamado corrupção sistémica, a qual é abundante nos EUA.)

Seria uma coisa se cada empreiteiro de defesa simplesmente cortasse a sua talhada do topo, mas em vez disso há toda uma cadeia alimentar de empreiteiros da defesa, a todo os quais é legalmente exigido, nada menos, que maximizem os lucros dos seus accionistas. Mais de 28 mil empresas estão envolvidas, mas os verdadeiros empreiteiros de primeira linha junto aos quais o Pentágono coloca 2/3 de todos os contratos de defesa são apenas os Seis Grandes: Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon, General Dynamics, BAE Systems e Boeing. Todas as outras empresas estão organizadas numa pirâmide de subcontratados com cinco níveis hierárquicos, e em cada nível eles fazem o melhor que podem para ordenhar o nível lhes está acima deles.

A insistência em métodos baseados no mercado e a exigência de maximizar a lucratividade acabam por ser incompatíveis com os gastos de defesa a um nível muito básico: os gastos com defesa são intermitentes e cíclicos, com longos intervalos de ociosidade entre as encomendas principais. Isto forçou até mesmo os seis grandes a efectuarem cortes nos seus departamentos de defesa em favor da expansão da produção civil. Além disso, apesar do enorme tamanho do orçamento de defesa dos EUA, ele é de dimensão finita (há apenas um planeta para explodir), assim como o mercado global de armas. Uma vez que, numa economia de mercado, toda empresa enfrenta a opção de crescer ou ser comprada, isto tem precipitado grande número de fusões e aquisições, resultando num mercado altamente consolidado com uns poucos actores importantes em cada área.

Em consequência, na maior parte das áreas, das quais os autores do relatório discutem 17, incluindo a Marinha, forças terrestres, força aérea, electrónica, armas nucleares, tecnologia espacial e assim por diante, pelo menos um terço do tempo o Pentágono tem como escolha exactamente um empreiteiro para qualquer contrato específico, o que faz com que a qualidade e a pontualidade sofram, elevando preços.

Num certo número de casos, apesar de seu poder industrial e financeiro, o Pentágono tem-se deparado com problemas insolúveis. Especificamente, verificou-se que os EUA têm apenas um estaleiro naval capaz de construir porta-aviões nucleares (por isso o USS Gerald Ford não é exactamente um êxito). Este é o Northrop Grumman Newport News Shipbuilding, em Newport, Virgínia. Em teoria, esta empresa poderia trabalhar com três navios em simultâneo, mas dois deles estão permanentemente ocupados por porta-aviões existentes que exigem manutenção. Não se trata de um caso único: o número de estaleiros capazes de construir submarinos nucleares, destróieres e outros tipos de navios também é exactamente de um. Portanto, no caso de um conflito prolongado com um adversário sério no qual uma parcela significativa da Marinha dos EUA tenha sido afundada, será impossível substituir os navios em qualquer período de tempo razoável.

A situação é um pouco melhor quanto à fabricação de aeronaves. As fábricas que existem podem produzir 40 aviões por mês e poderiam chegar aos 130 por mês se pressionadas. Por outro lado, a situação com tanques e artilharia é absolutamente desanimadora. De acordo com este relatório, os EUA perderam completamente a competência para construir a nova geração de tanques. Não se trata mais da perda da fábrica e do equipamento; nos EUA, uma segunda geração de engenheiros que nunca projectou um tanque está a aposentar-se. Seus substitutos não têm ninguém com quem aprender e só sabem acerca de tanques modernos a partir de filmes e videogames. No que diz respeito à artilharia, há apenas uma linha de produção remanescente nos EUA que pode produzir canos superiores a 40 mm; ela está totalmente lotada de serviço e seria incapaz de aumentar a produção em caso de guerra. O empreiteiro não está disposto a expandir a produção a menos que o Pentágono garanta pelo menos 45% de utilização, uma vez que isso não seria rentável.

A situação é semelhante para todas as áreas da lista; ela é melhor para tecnologias de uso duplo que podem ser obtidas junto a empresas civis e significativamente pior para empresas altamente especializadas. O custo unitário de cada tipo de equipamento militar aumenta ano após ano, enquanto os volumes sendo adquiridos tendem continuamente a baixar – por vezes até zero. Ao longo dos últimos 15 anos, os EUA não adquiriram um único tanque novo. Eles continuam a modernizar os antigos, mas a uma taxa que não vai além de 100 por ano.

Devido a todas estas inclinações e tendências, a indústria de defesa continua a perder não só pessoal qualificado como também a capacidade de realizar o trabalho. Peritos do INDPOL estimam que o défice em máquinas ferramenta atingiu os 27%. No último quarto de século os EUA cessaram de fabricar uma grande variedade de equipamentos manufactureiros. Apenas metade destas ferramentas pode ser importada de aliados ou nações amigas; para o resto, há apenas uma fonte: a China. Eles analisaram as cadeias de fornecimento de 600 dos mais importantes tipos de armas e descobriram que um terço delas tem rupturas ao passo que outro terço arruinou-se completamente. Na pirâmide subcontratada de cinco níveis do Pentágono, os fabricantes de componentes são quase sempre relegados ao nível mais baixo e os avisos que eles emitem quando cessam a produção ou encerram completamente tendem a afogar-se no pântano burocrático do Pentágono.

O resultado final de tudo isso é que teoricamente o Pentágono ainda é capaz de efectuar pequenos ciclos de produção de armas para compensar perdas contínuas em conflitos localizados de baixa intensidade num período geral de paz, mas hoje mesmo isto está no extremo final das suas capacidades. No caso de um conflito sério com qualquer nação bem armada, tudo com que poderá contar é o stock existente de munições e peças sobressalentes, a quais serão rapidamente esgotadas.

Uma situação semelhante prevalece na área de elementos extrados de terras raras e outros materiais para a produção eletrónica. No momento, o stock acumulado destes materiais necessários à produção de mísseis e tecnologia espacial – sobretudo os satélites – é suficiente para cinco anos à taxa de utilização actual.

O relatório classifica especificamente como terrível situação na área das armas nucleares estratégicas. Quase toda a tecnologia para comunicações, direccionamento, cálculos de trajectória e armamento das ogivas dos ICBM foi desenvolvida nos anos 1960 e 70. Até os dias de hoje, os dados são carregados a partir de disquetes floppy de 5 polegadas, as quais eram produzidas em massa há 15 anos atrás. Não há substitutos para elas e as pessoas que as conceberam estão mortas. A opção está entre comprar pequenas quantidades de produção de todos os consumíveis a um custo extravagante ou desenvolver a partir do zero toda a tríade estratégica baseada na terra, ao custo de três orçamentos anuais do Pentágono.

Existem muitos problemas específicos em cada área descrita no relatório, mas a principal é a perda de competência entre a equipe técnica e de engenharia causada por um baixo nível de encomendas de substituição ou para o desenvolvimento de novos produtos. A situação é tal que novos desenvolvimentos teóricos promissores provenientes de centros de investigação como o DARPA não podem ser realizados, dado o actual conjunto de competências técnicas. Para uma série de especializações chave, há menos de três dúzias de especialistas treinados e experientes.

É expectável que esta situação continue a deteriorar-se, com o número de pessoas empregadas no sector da defesa a diminuir 11-16% ao longo da próxima década, devido principalmente à escassez de jovens candidatos qualificados para substituir aqueles que se reformam. Um exemplo específico: o trabalho de desenvolvimento do F-35 está quase pronto e não haverá necessidade de desenvolver um novo caça a jacto até 2035-2040. Nesse meio tempo, o pessoal envolvido em seu desenvolvimento ficará ocioso e o seu nível de competência deteriorar-se-á.

Embora no momento os EUA ainda liderem o mundo em gastos com defesa (US$610 mil milhões dos US$1,7 milhão de milhões em 2017, que é cerca de 36% de todos os gastos militares no planeta), a economia dos EUA já não é capaz de suportar toda a pirâmide tecnológica mesmo num tempo de relativa paz e prosperidade. No papel, os EUA ainda parecem como um líder em tecnologia militar, mas os fundamentos da sua supremacia militar foram corroídos. Os resultados disso são claramente visíveis:

  • Os EUA ameaçaram a Coreia do Norte com acções militares, mas foram forçados a recuar porque não têm capacidade para travar uma guerra contra ela.

     

  • Os EUA ameaçaram o Irão com acções militares, mas foram forçados a recuar porque não têm capacidade de travar uma guerra contra ele.

     

  • Os EUA perderam a guerra no Afeganistão para o Taliban e quando o mais longo conflito militar na história dos EUA finalmente estiver acabado a situação política ali voltará ao status quo ante com o Taliban no comando e campos de treino terrorista islâmico em operação.

     

  • Mandatários dos EUA (sobretudo a Arábia Saudita) que combatem no Iémen provocaram um desastre humanitário, mas têm sido incapazes de prevalecer militarmente.

     

  • As acções dos EUA na Síria levaram a uma consolidação do poder e do território pelo governo sírio e à posição regional agora dominante da Rússia, Irão e Turquia.

     

  • A segunda maior potência da NATO, a Turquia, comprou os sistemas de defesa aérea S-400 da Rússia. A alternativa dos EUA é o sistema Patriot, o qual é duas vezes mais caro e realmente não funciona.

Todos estes pontos apontam para o facto de que os EUA já não são mais uma potência militar de topo. Isto é uma boa notícia pelo menos pelas quatro seguintes razões.

Primeiro, os EUA são de longe o país mais beligerante da Terra, tendo invadido grande número de países e continuado a ocupar muitos deles. O facto de não poderem mais combater significa que oportunidades para a paz devem aumentar.

Segundo, uma vez entendida a notícia de que o Pentágono é nada mais do que um autoclismo para fundos públicos, seu financiamento será cortado e a população dos EUA poderá ver o dinheiro que actualmente está a engordar os aproveitadores de guerra a ser gasto em estradas e pontes, embora pareça muito mais provável que todo ele irá servir para pagar a despesa de juros da dívida federal (enquanto durarem os stocks de materiais).

Terceiro, os políticos dos EUA perderão a capacidade de manter a população em estado de ansiedade permanente em relação à "segurança nacional". Na verdade, os EUA têm "segurança natural" – dois oceanos – e não precisam de todo de muita defesa nacional (desde que se mantenham a si próprios e não tentem criar problemas aos outros). Os canadianos não vão invadi-lo e, embora a fronteira do sul precise de alguma guarda, isso pode ser cumprido ao nível estadual/municipal por alguns bons rapazes usando armas e munição de que já dispõem. Uma vez que esta "defesa nacional" macaca de US$1,7 milhão de milhões esteja fora das suas costas, cidadãos americanos comuns poderão trabalhar menos, brincar mais e sentirem-se menos agressivos, ansiosos, deprimidos e paranóicos.

Por último mas não menos importante, será delicioso ver os aproveitadores da guerra reduzidos a rasparem sob as almofadas do sofá para conseguirem uns trocados. Tudo o que os militares dos EUA têm sido capazes produzir durante longo tempo até agora é miséria, cujo termo técnico é "desastre humanitário". Olhe-se para as consequências do envolvimento militar dos EUA na Sérvia/Kosovo, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Iémen e o que se vê? Só se vê miséria – tanto para os habitantes locais quanto para os cidadãos americanos que perderam membros da sua família, tiveram suas pernas amputadas ou agora sofrem de PTSD ou lesão cerebral. Seria justo se essa desgraça voltasse àqueles que lucraram com isso.

16/Julho/2019

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/eua/orlov_16jul19.html

Irão: a guerra imperial por um fio

 
 
Um mundo à beira do precipício. Acordo diplomático, longamente negociado, foi rompido. A megapotência sufoca um país mais frágil, porém altivo. Envia tropas. Provoca. Uma fagulha pode detonar um conflito global. Como deter a escalada?
 
Joe Cirincione e Mary Kaszynski, no Lobelog | Outras Palavras | Tradução: Gabriela Leite e Simone Paz
 
Não é simulação. Uma nova guerra no Oriente Médio vem aí, quiçá muito em breve. Somente uma ação política dramática dos cidadãos e líderes políticos estadunidenses poderia detê-la.
 
O Presidente Trump diz que não quer entrar em guerra com o Irã. Talvez todo esse medo da guerra seja só outro impulso neurótico. Ou pode ser que ele acredite que está, definitivamente, numa simulação de “fogo e fúria”, assim como fez antes com a Coreia do Norte, em que ele ameaça com uma guerra e com o “fim do Irão”, somente para recuar e depois dar palestras. Seu último descaso sobre a alegação dos ataques aos navios petroleiros no Golfo, referindo-se a eles como “de pouca importância”, mostram que esse é, sem dúvida, o seu jogo.
 
Mas quanto mais ele entra nessa, mais difícil fica de sair. Não aposte que isso vá desaparecer sem consequências. Os aliados mais próximos de Trump (e seus parceiros de negócios) na região — Arábia Saudita, Emirados Árabes e Israel — insistem para que haja ataques militares. “O próximo passo lógico”, segundo um editorial de um proeminente jornal saudita, “deveria ser de ataques cirúrgicos”. Seus conselheiros mais próximos na Casa Branca, o Departamento de Estado, e a Fox News também querem guerra, e afirmam isso repetidamente. Relacionam-na explicitamente aos “40 anos de agressões iranianas”. Habilmente alimentam os repórteres com pitadas de rumores e “inteligência” selecionada para que relatem as “atividades malignas” do Irão na região. Com a aprovação ou ignorância de Trump, deram uma série de passos, a começar pela revogação imprudente e desnecessária do acordo anti nuclear do Irão, para provocar um conflito.
 
 
Sua provocação está funcionando. Oficiais da inteligência dos EUA disseram que uma postura militar recente do Irão “é em resposta aos passos agressivos da administração ao longo dos dois últimos meses”. Mas em uma outra espiral de conflito, as ações dos EUA são ignoradas nas declarações oficiais. “A Estratégia de Segurança Nacional lista o Irão como uma das quatro principais ameaças, e nós só precisamos ter clareza de que temos capacidade de privá-los desse tipo de atividade, ameaçando vidas e instalações norte-americanas, ameaçando o mercado internacional de petróleo”, disse o Assessor de Segurança Nacional, John Bolton, sobre a nova implantação de mil tropas norte-americanas para o Golfo, e acrescentou que “eles estariam cometendo um erro grave se duvidassem da determinação do presidente sobre isso.”
 
O Secretário de Estado Mike Pompeo, enquanto isso, está trabalhando noite e dia para estabelecer as bases para os ataques militares. Em uma reunião de instruções a portas fechadas, recentemente, com membros do Congresso, Pompeo sugeriu que a Autorização para Uso de Força Militar de 2001 — a autoridade legal para a guerra no Afeganistão — permite que a administração lance ataques militares contra o Irão. Ele visitou os quartéis generais do Comando Central dos EUA em Tampa, na Flórida, na terça-feira, e está coordenando com os rivais regionais e religiosos do Irão.
 
Com a retórica subindo a temperaturas muito quentes, Trump talvez esteja sendo coagido para entrar em uma guerra que não entende ou não deseja. Príncipes árabes e radicais dirão a ele que ele não pode mais recuar, ou parecerá fraco. Vão prometer a ele que um pequeno ataque de “nariz sangrento” irá “restaurar a dissuasão” e fazer com que o Irão desista. É fácil, sussurrarão, a não ser, é claro, que o presidente esteja com medo de atacar…
 
É um método clássico de manipular indivíduos profundamente inseguros. Pense nos insultos de “frango” (“covarde”) que sempre afetaram o personagem de Michael J. Fox do filme De Volta para o Futuro, Marty McFly, a cometer as desventuras mais insensatas. Nesse caso, Trump vai causar estragos não com a cronologia ficcional dos fatos, mas com o Oriente Médio inteiro, além da economia global.
 
O resto do mundo observa, descrente. Mesmo para esse governo, o nível de imoralidade e duplicidade é de tirar o fôlego. Toda a América, a maior parte dos europeus e os aliados asiáticos estão profundamente céticos em relação às reivindicações da equipe de Trump, à necessidade de forças militares, e à estratégia por trás dessa crise autoescalante.
 
Neste ano, desde que Trump se afastou dos compromissos dos EUA no acordo antinuclear com o Irão, prometendo um “acordo melhor”, o governo falhou em alcançar qualquer de seus objetivos com o Irão e deteriorou severamente a credibilidade norte-americana. Estabeleceu um recorde mundial para a escala e frequência de mentiras ditas em vários pódios, em entrevistas e via Twitter. A Guarda Revolucionária Iraniana pode, inclusive, estar por trás dos ataques, mas não se pode confiar nesse governo para provar isso. Apenas uma investigação independente poderá mostrar a verdade.
 
Aliados dos EUA e a vasta maioria dos antigos oficiais e especialistas em segurança nacionalapoiam o acordo antinuclear do Irão. Negociado através de muitos anos com aliados da Europa, China e Rússia, o acordo foi um triunfo da diplomacia internacional. Bloqueou com sucesso todos os caminhos do Irão para fabricar a bomba, sem provocar um conflito militar. O acordo funcionou. O Irão finalizou suas atividades nucleares perigosas, e submeteu-se às mais intrusivas inspeções e monitoramento de regime que existem hoje.
 
Apesar da revogação de Trump — tecnicamente, os EUA estão violando o acordo, dado o fato de que não há nenhum mecanismo de retirada — os europeus e iranianos têm mantido vigente o tratado. O Irão permanece em conformidade total, de acordo com a inteligência dos EUA e de Israel, e segundo os relatórios da Agência Internacional de Energia Atómica.
 
Isto é o que Trump tem ouvido de seu secretário de defesa, diretor da inteligência nacional e diretor da CIA, que atestou repetidas vezes que o acordo está funcionando. Trump dispensou as avaliações profissionais.
 
Líderes europeus foram até Washington para implorar a Trump que continuasse no tratado, alertando que isso seria vital para a segurança da Europa. Trump os ignorou. Encorajado por Pompeo (um crítico de longa data do Irão) e por Bolton (um torcedor férreo da guerra do Iraque), Trump violou o acordo, voltou a impor sanções que os EUA haviam prometido retirar, e embarcou numa campanha de “máxima pressão” para deixar o Irão de joelhos.
 
Agora, provocado e sem os benefícios Económico prometidos no acordo, o Irão — como já era previsto — anunciou que em breve começará a violar alguns limites. Embora lamentável e desnecessário, estes são passos relativamente menores e reversíveis. Não há risco de que o Irão recorra a uma bomba, mesmo com o pequeno aumento do urânio pouco enriquecido que acontecerá em breve.
 
Esta não é uma crise nuclear, certamente nada que não possa ser resolvido com o simples retorno dos EUA ao acordo nuclear. Esse retorno manteria todos os limites em seus devidos lugares e realizaria o objetivo que Trump diz querer: privar o Irã da capacidade de construir uma bomba nuclear.
 
Se o governo continuar a provocar o Irão, porém, isso se tornará uma nova crise nuclear, totalmente criada por Trump.
 
Felizmente, uma estratégia alternativa vem se construindo. Tanto a Câmara como o Senado apresentaram uma legislação que poderia barrar uma guerra ilegal e não autorizada com o Irão. Todos os principais candidatos presidenciais democráticos têm se comprometido publicamente a reintegrar o acordo antinuclear, voltando assim às conversas diplomáticas com o Irão e nossos aliados, reconstruindo a credibilidade norte americana e sua liderança global. Ativistas, organizações de veteranos e massivos grupos de movimentos estão se mobilizando para prevenir uma guerra que faria com que as guerras contra o Iraque e o Afeganistão parecessem apenas um aperitivo.
 
Estes ativistas e líderes políticos sacaram a idiotice da estratégia Pompeo-Bolton: a de que, de algum jeito, o Irão seria tão poderoso, a ponto de ser a fonte de todo o mal no Médio Oriente, porém, tão frágil, que com um pequeno ataque de mísseis de cruzeiro a uma usina nuclear civil iraniana, seria derrubado. Mas será que o público norte americano está tão sobrecarregado com os repetidos ultrajes de Trump que fracassará em compreender o perigo real do momento atual?
 
Esta é uma corrida entre a paz e a guerra, entre a razão e a fantasia. A menos que aqueles que defendem a paz e a razão aumentem significativamente seus esforços, os EUA irão, mais uma vez, enganados e conduzidos a uma guerra desnecessária, de consequências catastróficas.
 
———————
-- Joseph Cirincione é presidente do Fundo Ploughshares, uma fundação de segurança global e apresentador do podcast “Press the Button”.

-- Mary Kaszynski é diretora de política adjunta do Fundo Ploughshares e colaboradora do “Press the Button”.
 
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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/irao-guerra-imperial-por-um-fio.html

Escalada de tensão no Golfo Pérsico

A Geopolitical Futures mostra a escalada de tensão que ameaça “disruptar” uma via estratégica para o abastecimento energético global…

 

 

 
 

A Timeline of Tensions in the Persian Gulf

Every day, roughly one-third of the world’s seaborne oil flows through the Strait of Hormuz, a chokepoint connecting the Persian Gulf with the Gulf of Oman and the Arabian Sea. But mounting tensions threaten to disrupt traffic through the strategic waterway.

 

 
 
 

Exclusivo Tornado / IntelNomics


 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/escalada-de-tensao-no-golfo-persico/

Nova guerra?

OdiarioUm ataque dos EUA e aliados ao Irão, que os sectores mais belicistas claramente advogam, provocaria uma catástrofe de enormes proporções, muito maior do que as guerras imperialistas do último quarto de século.

 

A causa próxima da nova crise do Golfo é a violação, pelo governo dos EUA, do acordo internacional sobre o Irão, que obrigava todos os signatários: EUA, Irão, restantes membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Alemanha e UE. Os EUA rasgaram o acordo há mais de um ano. A UE fala em preservá-lo, obrigando o Irão, mas não os EUA. Mas Trump decretou sanções contra as empresas e países que mantenham relações comerciais com o Irão. Grandes empresas europeias anunciaram a sua saída, e o comércio entre o Irão e a Alemanha caiu quase 50% (Sputniknews, 1.7.19). Os EUA estão a aplicar ao Irão o «modelo» usado contra a Venezuela: o cerco, a guerra económica, as provocações militares. O imperialismo não gosta de países independentes, sobretudo quando têm enormes reservas energéticas.

O sequestro do petroleiro iraniano pelos poodles ingleses a mando dos EUA – como afirmou o MNE espanhol Borrell (Reuters, 4.7.19) – marca uma nova fase. Os ataques de Trump ao embaixador inglês não esmorecem o entusiasmo de brincar todos juntos aos colonialistas, e logo no aniversário do abatimento por um barco de guerra dos EUA dum avião civil iraniano, matando os seus 290 passageiros (3 de Julho 1988). A resposta do Irão no Estreito de Ormuz, que até mesmo a britânica Sky News (20.7.19) não pôde deixar de comentar ter sido «uma cópia a papel químico da apreensão pelos Royal Marines do [petroleiro iraniano] Grace 1» deu origem a proclamações hipócritas sobre a «liberdade de navegação». Um ataque dos EUA e aliados ao Irão, que os sectores mais belicistas claramente advogam, provocaria uma catástrofe de enormes proporções, muito maior do que as guerras imperialistas do último quarto de século.

Há contradições evidentes no seio das potências imperialistas. Mas seria um perigo subestimar o «Partido da guerra» e as suas provocações. Em Junho foi divulgado (e logo retirado de circulação) o Documento 3-72 da Chefia do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, sobre política nuclear. Um documento assustador, que procura banalizar e baixar a fasquia para a utilização de armas nucleares. Proclama (p.V-3) que «o espectro de guerra nuclear pode ir desde a aplicação táctica, ou uma utilização regional limitada, ao uso global por parte de forças amigas e/ou inimigas». E, adubando a perigosa ideia de que haveria um «pós-nuclear», acrescenta: «a integração do uso de armas nucleares com armas convencionais ou operações de forças especiais é essencial para o êxito de qualquer missão ou operação». Que a tentação nuclear circula nas esferas do poder dos EUA foi confirmado por Trump: «tenho planos para o Afeganistão que […] varreriam o Afeganistão do mapa. Seria o seu fim – literalmente em dez dias. […] Mas não quero matar 10 milhões de pessoas» (ABCNews, 22.7.19).

Fala-se muito em emergência ambiental. Mas há um ensurdecedor silêncio, incluindo de muitas organizações que se afirmam ambientalistas ou até de esquerda, sobre o perigo maior de catástrofe ambiental: a guerra de grandes proporções, porventura nuclear, a que o capitalismo em decomposição ameaça conduzir a Humanidade. Não deixa de ser misterioso.

 

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

OS MERCADORES DE CANHÕES E O FIM DO COMPLEXO MILITAR-INDUSTRIAL NOS EUA

 
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ARTIGO DE OPINIÃO POR Dmitry Orlov via Club Orlov blog,

TRADUÇÃO POR MANUEL BAPTISTA, PARA O OBSERVATÓRIO DA GUERRA E MILITARISMO

No seio da vasta teia burocrática do Pentágono existe um grupo encarregue de monitorizar o estado geral do complexo militar-industrial e a sua permanente capacidade para satisfazer as exigências da estratégia nacional de defesa. A secção para aquisição e a secção para política industrial gastam cerca de $100.000, por ano, para produzir um Relatório Anual para o Congresso. Ele está disponível para consulta pela generalidade do público. Está mesmo disponível para o público em geral na Rússia e os peritos russos têm satisfeito a sua curiosidade mergulhando nele.

De facto, ele encheu-os de optimismo. Note-se, a Rússia quer paz, mas os EUA parecem querer a guerra e continuam a fazer gestos ameaçadores contra uma longa lista de países que recusam seguir a sua escolha, ou simplesmente não partilham seus «valores universais». Mas, agora, acontece que proferir ameaças (e sanções económicas, cada vez mais ineficazes) é praticamente tudo o que os EUA consegue realizar, apesar dos níveis absolutamente astronómicos de despesa com a defesa.

Vejamos com o que se parece o complexo militar-industrial dos EUA, visto sob lentes russas.

É importante notar que os autores do referido relatório não estavam a tentar convencer os legisladores a financiar um projecto específico. Isto torna-o mais valioso do que muitas outras fontes, para as quais o objectivo dos autores é desencadear a generosidade das verbas federais e que -portanto – tendem a ser pouco rigorosos nos factos, mas abundantes na propaganda. Sem dúvida, que a política continua desempenhando um papel, na forma como vários detalhes são tratados, mas parece limitado o número de questões incómodas, que os autores descartaram para compor o quadro, na análise da situação e na formulação de recomendações.

O que mais chocou os analistas russos foi o facto destes peritos avaliarem o complexo militar-industrial dos EUA numa perspectiva de …mercado! Na realidade, o complexo militar-industrial russo é exclusiva propriedade do governo russo e trabalha somente em seu interesse: qualquer outra coisa seria considerada traição. Mas o complexo militar-industrial dos EUA é avaliado com base na sua…rentabilidade! De acordo com o referido grupo de trabalho do Pentágono, tem de – não só fornecer produtos para os militares – mas, igualmente, adquirir uma fatia de mercado no comércio global de armamento e, talvez o mais importante, maximizar o lucro dos investidores privados. Neste aspecto, tem-se saído bem: para 2017, a média da margem de lucro antes de impostos, dos fabricantes de armas dos EUA, variou entre 15 e 17%. Nalguns casos – a Transdigm, por exemplo – conseguiram obter nada menos de 42 – 45%. “Ah!” exclamaram os peritos russos, “descobrimos o problema! Os americanos legalizaram a agiotagem de guerra!” (Esta, a propósito, é apenas uma das muitas formas da chamada corrupção sistémica, que floresce nos EUA.)

Seria normal que cada empresa contratante na defesa, simplesmente tomasse o seu lucro a partir do preço final mas, em vez disso, há toda uma cadeia alimentar de contratantes, os quais – legalmente – são obrigados a maximizar os lucros dos seus accionistas. Mais de 28000 companhias estão envolvidas, mas os contratantes de defesa de primeira linha, para os quais o Pentágono dirige 2/3 das encomendas, consistem apenas em Seis Grandes: Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon, General Dynmics, BAE Systems and Boeing. Todos as outras empresas estão organizadas numa pirâmide de sub-contratantes com cinco níveis hierárquicos e cada uma delas faz por sugar, o melhor possível, os níveis acima deles.

A insistência nos métodos de mercado e a exigência de maximização da rentabilidade, é um processo incompatível com a despesa na defesa, a um nível muito elementar; a despesa com defesa é intermitente e cíclica, com longos períodos de baixos níveis de encomendas importantes. Isto obrigou os Seis Grandes a fazerem cortes nos departamentos de produção de defesa, para aumentar os dirigidos à produção civil.  Igualmente, apesar do tamanho enorme do orçamento de defesa dos EUA, este é finito (e havendo apenas um planeta para fazer ir pelos ares), tal como também o é o mercado global de armamento. Visto que, numa economia de mercado, uma empresa é colocada perante o dilema de crescer ou ser comprada, isto precipitou imensas fusões e aquisições, resultando o presente mercado concentrado em alto grau, onde existem uns poucos actores principais, em cada domínio.

Em resultado disto, na maioria dos domínios, como discutem os autores nos 17 domínios – a marinha de guerra, as forças terrestres, a força aérea, a electrónica, o armamento nuclear, a tecnologia espacial, etc -, pelo menos num terço das vezes, o Pentágono tem a escolha de exactamente um contratante, para um dado contrato, fazendo com que a qualidade e o tempo de entrega sofram por isso e resultando em subida dos preços.

Num certo número de casos, apesar do poderio industrial e financeiro, o Pentágono encontrou problemas insolúveis. Concretamente, acontece que os EUA tem apenas um estaleiro com capacidade para produzir porta-aviões nucleares (é apenas um, e o navio porta-aviões Gerald Ford não é propriamente um sucesso). O referido estaleiro é o «Northrop Grumman Newport News Shipbuilding» em Newport, Virginia. Em teoria, poderia construir três navios em paralelo, mas dois dos lugares estão sempre ocupados pelos porta-aviões existentes, que precisam de manutenção. Isto não é caso único: o número dos estaleiros com capacidade de construção de submarinos nucleares, de contratorpedeiros e de outros tipos de navios, é também exactamente um. Portanto, em caso de conflito prolongado com um adversário a sério, em que uma proporção importante da armada dos EUA tenha sido afundada, há impossibilidade de substituir os navios afundados, num espaço de tempo razoável.

A situação é – de algum modo – melhor quanto às fábricas de aviões. As fábricas existentes podem produzir 40 aviões por mês e, se necessário, conseguiriam produzir 130. Por outro lado, a situação com tanques e artilharia é absolutamente deplorável. De acordo com o referido relatório, os EUA perderam completamente a capacidade de construir a nova geração de tanques. Já nem é uma questão de faltarem fábricas e equipamentos; os EUA vai na segunda geração de engenheiros que nunca efectuou o design de tanques e a que o fez, está prestes a reformar-se. Os da nova geração, que os substituem, não têm ninguém de quem aprender e só sabem de tanques pelos filmes e jogos vídeo. Quanto à artilharia, resta apenas uma linha de produção nos EUA que pode produzir canhões com diâmetro maior que 40 mm e esta seria incapaz de activar a produção em caso de guerra. A empresa contratante recusa-se a expandir a produção, a não ser que o Pentágono garanta – pelo menos – 45 % de escoamento, visto que senão, será não rentável.

A situação é semelhante para uma longa lista de áreas; é melhor para tecnologias com uso duplo, que podem ser obtidas a partir de companhias de produtos civis e significativamente pior para as altamente especializadas. O custo unitário para cada tipo de equipamento militar tem subido ano após ano, enquanto os volumes adquiridos são cada vez mais baixos – por vezes atingem zero. Nos últimos 15 anos, os EUA não adquiriu um único novo tanque. Continuam a modernizar os modelos antigos, mas a um ritmo de não mais de 100 unidades, por ano.

Devido a todas estas tendências, a indústria de defesa continua a perder, não só engenheiros especializados, como o pessoal qualificado para executar o trabalho. Os peritos do estudo citado estimam que o défice em máquinas-ferramentas atingiu os 27%. No passado quarto de século, os EUA deixaram de fabricar uma vasta variedade de equipamento para manufactura. Somente metade desses instrumentos podem ser importados de nações aliadas ou amigas; para o restante, há apenas uma fonte, a China. Analisaram as cadeias de abastecimento de 600 dos mais importantes tipos de armas e encontraram que um terço destas têm falhas, enquanto outro terço está completamente inviável. Na pirâmide de cinco patamares dos sub-contratantes do Pentágono, as manufacturas de componentes estão quase sempre relegadas para o terço inferior e as notícias de que terminaram com certa produção ou mesmo que encerraram totalmente, tendem a ficar submersas no pântano burocrático do Pentágono.

O resultado final de tudo isto, é que o Pentágono continua a ser, em teoria, capaz de efectuar pequenos incrementos na produção de armas para compensar as perdas correntes em conflitos localizados, de baixa intensidade, num contexto geral de paz, mas mesmo agora, isto está no extremo limite das suas capacidades. No caso de um conflito a sério, com uma nação bem armada, aquilo em que será capaz de dispor será apenas e somente o material e partes sobresselentes dos stocks, que ficarão rapidamente esgotados.

Uma situação análoga prevalece na área dos elementos de terras raras e de outras matérias-primas para produzir componentes electrónicas. De momento, as reservas acumuladas destas matérias, necessárias para produzir mísseis e tecnologia espacial – nomeadamente satélites – é suficiente para os próximos cinco anos, à taxa de uso corrente.

O relatório enfatiza especialmente a situação trágica na área de armas nucleares. Quase toda a tecnologia para comunicações, escolha de alvos, cálculo de trajectórias e armamento das cabeças dos mísseis intercontinentais (ICBM) foi desenvolvida nos anos 1960 e 70. Até hoje, os dados são carregados a partir de disquetes de 5 polegadas, que pararam de ser produzidas em massa há 15 anos. Não há substituição para elas e as pessoas que fizeram o seu design estão já «a fazer tijolo». A opção escolhida tem sido comprar pequenas quantidades produzidas, de todos os consumíveis, a preços extravagantes, e desenvolver a partir do zero a completa tríade de componentes estratégicos baseados em terra, a um custo de 3 orçamentos anuais do Pentágono.

Existe um grande número de problemas específicos em cada área, descrita no relatório, mas a mais importante é a perda de competência entre o pessoal técnico de engenharia devido ao baixo nível de encomendas para peças suplentes ou para o desenvolvimento de novos produtos. A situação é tal que novos e promissores desenvolvimentos saídos de centros de investigação como o DARPA não podem ser realizados face ao presente conjunto de competências técnicas. Para um certo número de especializações-chave, existem menos de três dúzias de especialistas treinados, com experiência.

Esta situação deverá continuar a deteriorar-se, com uma diminuição de 11-16%, na próxima década, do pessoal empregado no sector da defesa, principalmente pela ausência de jovens candidatos qualificados, para substituir os que estão a reformar-se. Um exemplo concreto: o trabalho de desenvolvimento do F-35 está próximo do fim e não será necessário desenvolver um avião de combate até 2035-2040; no intervalo, o pessoal envolvido no seu desenvolvimento estará sub-ocupado e o seu nível de competência irá deteriorar-se.

Embora, de momento, os EUA continuem à cabeça das despesas mundiais com defesa ($610 milhares de milhões de um total de $1.7 biliões em 2017, o que perfaz cerca de 36% de todas as despesas militares no planeta) a economia dos EUA já não tem capacidade para suportar a pirâmide tecnológica completa, mesmo num momento de relativa paz e prosperidade. No papel, os EUA continuam a aparentar ser os líderes da tecnologia militar, mas as fundações da sua supremacia militar foram erodidas. Os resultados disto são plenamente visíveis:

  • Os EUA ameaçaram a Coreia do Norte com acção militar mas, depois, foram forçados a recuar, porque não tinham capacidade de combater numa guerra contra ela.
  • Os EUA ameaçaram o Irão com acção militar, mas foram forçados a recuar, porque não tinham capacidade de combater numa guerra contra ele.
  • OS EUA perderam a guerra do Afeganistão contra os Talibãs e quando o conflito mais longo da história dos EUA estiver finalmente terminado, a situação política reverterá ao «status quo ante», com os Talibãs no governo e os campos de treino de terroristas islamitas de novo operacionais.
  • Os agentes dos EUA (sobretudo Arábia Saudita), combatendo no Iémene causaram um desastre humanitário, mas foram incapazes de vencer militarmente.
  • As acções dos EUA na Síria levaram a uma consolidação do poder e do território do governo sírio e a uma nova posição de domínio regional por parte da Rússia, do Irão e da Turquia.
  • A segunda maior potência militar da NATO, a Turquia, comprou o sistema de defesa S-400, russo. A alternativa dos EUA é o sistema Patriot, que custa o dobro do preço e não funciona realmente.

Isto tudo aponta para o facto de que os EUA já não possuem um poderio militar propriamente dito. Isto é uma boa notícia pelas, pelo menos, quatro razões seguintes.

Primeiro, os EUA são de longe a mais belicosa nação sobre a Terra, tendo invadido uma data de nações e continuando a ocupar muitas destas. O facto de que já não possa lutar, significa que as oportunidades para a paz estão destinadas a aumentar.

Segundo, assim que entrar na consciência geral que o Pentágono é, nada mais que uma sanita gigante, por onde se escoam os fundos públicos, estes fundos serão cortados e a população dos EUA poderá ver as somas que correntemente engordam os agiotas da guerra serem gastas em algumas estradas e pontes, embora seja mais provável que vá para pagar os juros da dívida federal (enquanto houver liquidez).

Terceiro, os políticos dos EUA vão perder a capacidade de manter a cidadania num estado permanente de ansiedade sobre a «segurança nacional». De facto, os EUA possuem uma «segurança natural» – dois oceanos – e não precisam muito de qualquer defesa nacional (desde que se mantenham dentro das suas fronteiras próprias e não tentem causar distúrbios nos outros). Os canadianos não irão invadir e embora a fronteira do sul precise de alguma vigilância, esta pode ser assegurada a nível dos Estados e condados, por alguns tipos que usam armas e munições, que já estão de ambas equipados. Logo que o logro da «defesa nacional» a 1,7 biliões de dólares deixar de pesar nos seus ombros, os cidadãos comuns poderão trabalhar menos horas, ter maiores lazeres e sentirem-se menos agressivos, ansiosos, deprimidos e paranóicos.

Finalmente, mas não menos importante, será maravilhoso ver os agiotas da guerra reduzidos a esgravatar no ferro-velho para obterem uns trocos. Tudo o que os militares têm sido capazes de produzir desde há longo tempo é miséria, aquilo que se designa tecnicamente por «desastre humanitário». Olhem para o rescaldo da intervenção na Sérvia/Kosovo ou no Iémene, e o que verão? Quer para os seus habitantes, quer para cidadãos dos EUA que perderam parentes seus na guerra, que tiveram de ser amputados, ou que sofrem de PSTD (Síndroma de Stress Pós-Traumático), ou de traumatismos cerebrais.

Seria apenas justiça que a miséria provocada fosse bater à porta daqueles que a causaram e se aproveitaram dela.

 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Esconderijo perigoso: é aqui que EUA guardam armas nucleares na Europa

Seis bases e 150 munições nucleares – estes são os números divulgados por um representante canadense no Comitê de Defesa e Segurança da Assembleia Parlamentar da OTAN em um relatório sobre o armamento dos EUA na Europa.

De acordo com o relatório, apagado mais tarde, os norte-americanos armazenam bombas nucleares em seis bases: Kleine Brogel na Bélgica, Buchel na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre na Itália, Volkel nos Países Baixos e Incirlik na Turquia.

Assim, vários meios de comunicação indicaram que o relatório confirma o que muitos já sabiam, ou seja, a presença de armas nucleares norte-americanas na Europa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/infograficos/2019072014244738-esconderijo-perigoso-e-aqui-que-eua-guardam-armas-nucleares-na-europa/

Militares norte-americanos afirmam que guerras dos EUA não valeram a pena

A maioria da população norte-americana, bem como os veteranos das campanhas militares, concorda que as guerras do Afeganistão e do Iraque não valeram a pena.

Segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10), mais de 60% dos veteranos norte-americanos entrevistados afirmaram que a guerra do Iraque não valeu a pena, considerando os custos para os EUA.

O mesmo afirmaram 62% da população. A guerra do Afeganistão foi reprovada por 59% da população, tanto civis quanto militares.

"Os veteranos que serviram no Iraque ou no Afeganistão não apoiam essas guerras mais do que aqueles que não serviram nessas guerras", afirma a pesquisa.

Entretanto, as opiniões variam consideravelmente por filiação partidária, ou seja, os veteranos republicanos apoiam mais as campanhas militares do que os ex-militares democratas.

Assim, 46% dos veteranos republicanos afirmam que a guerra no Afeganistão valeu a pena, contra 26% dos democratas.

Forças dos EUA no Afeganistão
Forças dos EUA no Afeganistão

Já quanto à campanha dos EUA na Síria, 42% dos veteranos afirmaram que se justificou, enquanto 55% discordam. Em relação aos civis, 58% da população acha que a guerra na Síria não valeu a pena.

"Entre os veteranos, esses pontos de vista são consistentes durante seu tempo de serviço e relativamente ao posto e experiência de combate. Os veteranos republicanos são consideravelmente mais propensos do que os democratas a confirmar que a campanha na Síria valeu a pena", aponta o estudo.

A pesquisa foi realizada entre maio e junho com base em entrevistas de 1.284 veteranos de guerra norte-americanos e 1.087 civis adultos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019071214192787-militares-norte-americanos-afirmam-que-guerras-dos-eua-nao-valeram-a-pena/

Os Tratados sobre Armamentos, Tecnologias Emergentes e Activismo-Cidadão*

Três tópicos da maior actualidade: a inaplicabilidade e crescente fragilização de Tratados que procuravam limitar a corrida armamentista, e nomeadamente a proliferação nuclear; a tendência para a apropriação das tecnologias emergentes para fins militares e de controlo e repressão social; a significativa tomada de posição de trabalhadores científicos contra tais tendências.

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

CPPC não desiste de que Portugal venha a adoptar a Proibição de Armas Nucleares

Depois do chumbo por PS, PSD e CDS-PP dos projectos de resolução que propunham a ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares, o Conselho da Paz mostra-se combativo pelo fim deste armamento.

A mobilidade dos submarinos transforma-os em armas decisivas nas estratégias de «primeiro golpe». Na foto o submarino USS Wyoming (EUA), equipado com armas nucleares.Créditos / The National Interest (EUA)

Em causa está a rejeição, na passada sexta-feira, de quatro projectos de resolução (de PCP, PEV, BE e PAN) que exigiam ao Governo que ratificasse o Tratado de Proibição de Armas Nucleares, aprovado pela Organização das Nações Unidas em 2017.

Os votos contra que inviabilizaram que Portugal aderisse ao Tratado foram de PS, PSD e CDS-PP.

Em declarações ao AbrilAbril, Gustavo Carneiro, membro da Direcção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) refere que é «lamentável que PS, PSD, CDS-PP tenham rejeitado os projectos de resolução que davam corpo ao espírito da petição que se apresentou há cerca de um ano na Assembleia da República com mais de 13 mil assinaturas propondo a ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares».

Para o Conselho da Paz, este é um Tratado importantíssimo com origem nas Nações Unidas e em 122 países e que estabelece «passos decisivos e fortes no sentido da proibição deste armamento» e que vai ao encontro de uma exigência que tanto o Movimento da Paz tem desde a sua origem.

O Governo português, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, veio justificar o voto contra, com o facto de Portugal pertencer à NATO.

O CPPC dá o alerta que aqueles partidos (PS, PSD, CDS-PP) têm ao longo de décadas sujeitado a política externa às orientações da NATO, o que contraria os princípios e valores estabelecidos na Constituição da República Portuguesa.

Mas o Conselho da Paz não desiste do caminho da erradicação de armas nucleares e assume que vai «insistir junto do Governo português» para que venha a adoptar este Tratado.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/cppc-nao-desiste-de-que-portugal-venha-adoptar-proibicao-de-armas-nucleares

A Europa na estratégia nuclear do Pentágono

Manlio Dinucci*

A França já não dispõe da tríade nuclear (vectores com base no solo, no ar e no oceano), desde 1996 e o Reino Unido nunca a teve. Só os Estados Unidos, a Rússia e a China têm esse privilégio. Num novo documento, o Comandante da Comissão Conjunta de Chefes do Estado-Maior dos EUA afirma a sua disposição de desarmar nuclearmente os seus aliados que, num desfecho, não teriam o direito de utilizar senão as bombas dos EUA e não as deles.

Os Ministros da Defesa da NATO (de Itália, Elisabetta Trenta, M5S, de Portugal, João Gomes Cravinho) foram convocados para reunir em Bruxelas, em 26 e 27 de Junho, a fim de aprovar as novas medidas de “dissuasão” contra a Rússia, acusada, sem qualquer prova, de ter violado o Tratado INF.

Fundamentalmente, irão alinhar-se com os Estados Unidos que, retirando-se definitivamente do Tratado, em 2 de Agosto, preparam-se para instalar na Europa, mísseis nucleares de alcance intermédio (entre 500 e 5.500 km) com base no solo, semelhantes aos da década dos anos 80 (os Pershing II e mísseis de cruzeiro) que foram eliminados (juntamente com os SS-20 soviéticos) pelo Tratado assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan.

As principais potências europeias, cada vez mais divididas dentro da UE, reúnem-se na NATO sob o comando USA para apoiar os seus interesses estratégicos comuns.

A mesma União Europeia - da qual 21 dos 27 membros fazem parte da NATO (assim como faz parte a Grã-Bretanha, de saída da UE) - rejeitou nas Nações Unidas, a proposta russa de manter o Tratado INF. Sobre uma questão de tal importância, a opinião pública europeia é deixada, deliberadamente, no escuro pelos governos e pelos principais meios de comunicação mediática. Assim, não se avisa sobre o perigo crescente que paira sobre nós: aumenta a possibilidade que, um dia, se venha a usar armas nucleares.

Confirma-o, o último documento estratégico das Forças Armadas dos EUA, “Nuclear Operations” (11 de Junho), redigido sob a direcção do Presidente do Estado Maior reunido. Dado que “as forças nucleares fornecem aos EUA a capacidade de atingir os seus objectivos nacionais", o documento salienta que as mesmas devem ser “diversificadas, flexíveis e adaptáveis” a “uma ampla gama de adversários, ameaças e contextos”.

Enquanto a Rússia adverte que mesmo o uso de uma única arma nuclear de baixa potência desencadearia uma reacção em cadeia que poderia levar a um conflito nuclear em grande escala, a doutrina dos EUA está-se orientando com base num conceito perigoso de “flexibilidade”. ’Alvos (esclarece o mesmo documento) realmente escolhidos pelas agências de inteligência/serviços secretos, que avaliam a vulnerabilidade a um ataque nuclear, prevendo também os efeitos da chuva radioactiva.

O uso de armas nucleares – sublinha o documento – “pode criar as condições para resultados decisivos: especificamente, o uso de uma arma nuclear mudará fundamentalmente o quadro de uma batalha criando as circunstâncias que permitem aos comandantes prevalecer no conflito”. As armas nucleares também permitem aos EUA “salvaguardar os seus aliados e parceiros" que, confiando neles, “renunciam à posse das suas próprias armas nucleares, contribuindo para os propósitos de não-proliferação dos EUA".

No entanto, o documento deixa claro que “os EUA e alguns aliados selecionados da NATO mantêm aviões de capacidade dupla capazes de transportar armas nucleares ou convencionais”. Admite, assim, que quatro países europeus não nucleares - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda – e a Turquia, violando o Tratado de Não-Proliferação, não só hospedam armas nucleares americanas (as bombas B-61 que, a partir de 2020, serão substituídas pelas B61-12, mais mortíferas ), mas estão preparados para usá-las num ataque nuclear sob comando do Pentágono.

Tudo isto é omitido pelos governos e parlamentos, televisões e jornais, com o silêncio cúmplice da grande maioria dos políticos e jornalistas, que, pelo contrário, nos repetem, quotidianamente, como é importante para nós, italianos e europeus, a “segurança”. Garantem-na os Estados Unidos, instalando na Europa, outras armas nucleares.

Imagem:O General da Infantaria da Marinha, Joseph Dunford, Presidente da Comissão Conjunta dos Chefes do Estado-Maior, concedeu os diplomas aos alunos da Universidade da Defesa Nacional, em 13 de Junho de 2019. Aproveitou a oportunidade para assegurar que “É aos oficiais generais que compete conduzir a mudança, num mundo incerto”.

Documentos anexados
Nuclear Operations | Joint Chiefs of Staff, June 11, 2019  (PDF - 1.1 Mb)

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/a-europa-na-estrategia-nuclear-do.html

Tropas da Índia e do Paquistão entram em conflito na Caxemira

Militares no local da derrubada de um helicóptero indiano no distrito de Budgam, na Caxemira
© AP Photo / Mukhtar Khan

Nesta sexta-feira foram registrados combates entre as forças indianas e paquistanesas na Linha de Controle na região de Jammu e Caxemira, segundo a imprensa local.

O porta-voz do Ministério da Defesa da Índia, Tenente-Coronel Devender Anand, disse à agência de notícias IANS que as tropas paquistanesas violaram o cessar-fogo com morteiros na área da Linha de Controle às 21h locais, na sexta-feira.

Segundo a agência de notícias ANI, a violação do cessar-fogo ocorreu no Setor de Nowshera, no distrito de Rajouri, no estado de Jammu e Caxemira. As forças paquistanesas supostamente começaram a disparar com armas de pequeno porte, e em seguida acionaram os morteiros. Não houve relatos de danos ou de vítimas.
Os militares paquistaneses não emitiram uma declaração sobre o incidente.

Enquanto isso, a agência de notícias IANS informou que os combates continuam.

As relações entre a Índia e o Paquistão são tradicionalmente tensas em função da disputa entre as partes da região da Caxemira, desde a independência do ex-Império Britânico em 1947. Os conflitos aumentaram após um ataque realizado em Caxemira, em 14 de fevereiro, quando um suicida do Paquistão atacou um comboio de segurança indiano, matando mais de 40 pessoas.

A Força Aérea da Índia retaliou com um ataque aéreo contra o que afirmou ser um campo pertencente aos terroristas, baseado no lado paquistanês da Caxemira.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019070514169707-tropas-da-india-e-do-paquistao-entram-em-conflito-na-caxemira/

Jornalismo vertical

Editorial  image

Terça-feira, 2 de julho de 2019  por Benito Perez
Não se enganar com o Estado brigão
EUA / Irão
O Irão passou à ação. Há mais de um ano submetido a sanções económicas tão radicais quão ilegais por parte dos Estados-Unidos, a República islâmica não se sente mais vinculada ao acordo sobre o nuclear que assinou em 2015 com a União Europeia e os membros permanentes do Conselho de Segurança. Abandonada por uma Europa incapaz de manter as suas empresas e comercializar o seu petróleo, Teerão enviou na segunda-feira uma mensagem sem ambiguidades: a corrida ao urânio enriquecido foi relançada.
Os falcões israelo-americanos podem-se alegrar. Os anos de negociações pela desnuclearização do Golfo Pérsico voaram em pedaços desde que Washington renegou os seus compromissos tomados por Barack Obama. Um volte-face e uma política de bastão, a que o presidente dos Estados Unidos infelizmente nos acostumou.
Fanfarrão das relações internacionais, Donald Trump - esmagado pelo bando de neoconservadores que dominam a sua administração - multiplica as decisões arbitrárias. Sanções contra a China, a Rússia, a Venezuela, Cuba, a Turquia e até o Canadá. Ameaças contra empresas europeias, o México, a Índia, etc. Os Estados Unidos limpam os pés ao direito internacional, deixando as arenas multilaterais recalcitrantes uma após a outra. Usando e abusando de seu peso militar e económico que de facto domina, sobre as redes financeiras e informacionais globais.
A tal ponto que esta nação hoje se parece melhor do que qualquer outra ao arquétipo que um dos seus funestos ex-presidentes, Ronald Reagan, certa vez designou, como sendo um Estado brigão. Liberto de todo o respeito perante a soberania de outros da sociedade internacional.
Ou pior: um "estado caïd", tão patente é a impunidade do seu comportamento. Diante de uma comunidade internacional tão cobarde quanto dividida, o chefe do bando dos EUA, hoje não tem limites para o que bem entenda. É de crer que o único guarda-fogo contra Washington, a instar à Coreia do Norte, se encontra no fundo de uma centrífugadora.
Constrição económica apertada
Há dez dias, ao apertar ainda mais o seu poder económico sobre o Irão, Donald Trump sabia que estava colocando esse país contra as cordas. Um jogo no mínimo perigoso. A menos que este seja o objetivo do jogo: empurrar o Irão para dar um pretexto à guerra. De facto, a região nunca pareceu tão perto de uma conflagração.
Europeus, russos e chineses estão mais do que nunca diante de uma escolha. Punirão o Irão por ter passado segunda-feira a linha vermelha ou finalmente se unirão diante das ameaças unilaterais e deletérias do caïd estado-unidense? A resposta europeia, em particular, depende - muito para além do futuro próximo do Golfo Pérsico - de uma certa conceção das relações entre os povos.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

A Europa na estratégia nuclear do Pentágono

Em 11 de Junho o Estado-Maior Conjunto dos EUA aprovou um documento sobre operações nucleares. Em 26 e 27 de Junho os ministros da defesa da NATO foram a Bruxelas assinar de cruz a nova estratégia. No fundamental, trata-se de incrementar o enorme arsenal já instalado, agora na base de uma tese ainda mais demencial: a do seu uso táctico, admitindo-se que uma guerra nuclear pode ser vencida. Os EUA, que nunca viveram uma agressão militar externa, estariam dispostos a desencadear uma catástrofe global, imaginando talvez que não lhes chegaria a casa.

Os ministros da defesa da NATO (para a Itália Elisabetta Trenta, M5S) foram convocados a Bruxelas em 26 e 27 de Junho para aprovar as novas medidas de “dissuasão” contra a Rússia, acusada sem qualquer prova de violação do Tratado Inf.
No essencial seguirão os Estados Unidos que, retirando-se definitivamente do Tratado em 2 de Agosto, se preparam para instalar mísseis nucleares terrestres na Europa (entre 500 e 5500 km), análogos aos da década de 1980 (os Pershing 2 os Cruize) que foram eliminados (juntamente com os SS-20 soviéticos) pelo Tratado assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan.
As maiores potências europeias, cada vez mais divididas no interior da UE, reúnem-se na NATO sob comando EUA para apoiar os seus interesses estratégicos comuns.
A própria União Europeia - na qual 21 dos 27 membros fazem parte da NATO (tal como faz parte a Inglaterra em processo de saída da UE) - rejeitou na ONU a proposta russa de manter o Tratado Inf.
Sobre uma questão de tal importância, a opinião pública europeia é deliberadamente deixada no escuro pelos governos e os grandes media. Não se adverte do perigo crescente que paira sobre nós: aumenta a possibilidade de que um dia se venha a usar armas nucleares.
Isto é confirmado pelo último documento estratégico das Forças Armadas dos EUA, ” Nuclear Operations ” (11 de Junho), elaborado sob a direção do Presidente do Estado-Maior Conjunto.
Dado que “as forças nucleares fornecem aos EUA a capacidade de atingir os seus objectivos nacionais”, o documento sublinha que elas devem ser “diversificadas, flexíveis e adaptáveis” a “uma vasta gama de adversários, ameaças e contextos”.
Enquanto a Rússia adverte que mesmo o uso de uma única arma nuclear de baixa potência desencadearia uma reação em cadeia que poderia levar a um conflito nuclear em grande escala, a doutrina dos EUA está a orientar-se na base de um perigoso conceito de “flexibilidade”.
O documento estratégico afirma que “as forças nucleares dos EUA fornecem os meios para aplicar a força a uma vasta gama de alvos nos tempos e nos modos escolhidos pelo Presidente”. Alvos (esclarece o mesmo documento) na realidade escolhidos pelas agências de informações, que avaliam a vulnerabilidade a um ataque nuclear, prevendo também os efeitos da precipitação radioactiva.
O uso de armas nucleares - sublinha o documento - “pode criar as condições para resultados decisivos: especificamente, o uso de uma arma nuclear mudará fundamentalmente o quadro de uma batalha criando as condições que permitem aos comandantes prevalecer no conflito” .
As armas nucleares permitem também que os EUA “garantam os seus aliados e parceiros” que, confiando neles, “renunciam à posse de suas armas nucleares próprias, contribuindo para os objectivos de não-proliferação dos EUA”.
No entanto, o documento deixa claro que “os EUA e alguns aliados selecionados da NATO mantêm aviões de dupla capacidade capazes de transportar armas nucleares ou convencionais”.
Admite assim que quatro países europeus oficialmente não nucleares - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda – e a Turquia, violando o Tratado de Não-Proliferação, não só hospedam armas nucleares EUA (as bombas B-61 que a partir de 2020 serão substituídas pelas mais mortíferas B61-12), mas estão preparados para as usar num ataque nuclear sob o comando do Pentágono.
Tudo isto é silenciado pelos governos e parlamentos, televisões e jornais, com o silêncio cúmplice da grande maioria dos políticos e jornalistas, que em vez disso todos os dias nos repetem quão importante é para nós, italianos e europeus, a “segurança”.
Os Estados Unidos garantem-na isso instalando outras armas nucleares na Europa.
(il manifesto, 25 de Junho de 2019)

Fonte: http://www.marx21.it/index.php/internazionale/pace-e-guerra/29829-leuropa-nella-strategia-nucleare-del-pentagono[1]

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As chamas do discurso do ódio

Nós reconhecemos o discurso do ódio como um ataque contra a tolerância, a inclusão, a diversidade e a essência de nossas normas e princípios de direitos humanos.

 

Em todo o mundo, o ódio avança. Uma ameaçadora onda de intolerância e violência baseada no ódio está atingindo seguidores de muitas religiões em todo o planeta.

Tristemente —e perturbadoramente— estes incidentes cruéis estão se tornando comuns. Nos últimos meses, temos visto judeus assassinados em sinagogas e seus túmulos desfigurados com suásticas; muçulmanos executados dentro de mesquitas e seus locais religiosos vandalizados; cristãos assassinados em oração e suas igrejas destruídas.

Para além destes ataques horríveis, cada vez mais uma retórica abominável está sendo usada não apenas contra grupos religiosos, mas também contra minorias, migrantes, refugiados, mulheres e os também chamados “outros”.

Na medida em que as labaredas do ódio se espalham, as mídias sociais são exploradas pela intolerância. Movimentos neonazistas e de supremacia branca estão crescendo. E a retórica inflamada está sendo usada para benefício político.

O ódio está se movendo tanto na corrente das democracias liberais como nos regimes autoritários —e colocando uma sombra sobre a nossa humanidade em comum.

As Nações Unidas têm um longo histórico de mobilizar o mundo contra o ódio de qualquer tipo através de ações abrangentes de defesa dos direitos humanos e no avanço do Estado de Direito. De fato, a real identidade e o estabelecimento da ONU têm raízes no pesadelo que se segue quando ódio virulento é deixado sem oposição por muito tempo.

Nós reconhecemos o discurso do ódio como um ataque contra a tolerância, a inclusão, a diversidade e a essência de nossas normas e princípios de direitos humanos.

Mais amplamente, ele compromete a coesão social, desgasta valores compartilhados e pode criar a base para a violência, retardando a causa da paz, da estabilidade, do desenvolvimento sustentável e da dignidade humana.

Nas últimas décadas, o discurso de ódio tem sido precursor de crimes de atrocidade, incluindo genocídio, de Ruanda a Bósnia e ao Camboja.

Temo que o mundo esteja chegando a outro grave momento na batalha contra o demônio do ódio. Por isso, lancei duas iniciativas da ONU em resposta a esta ameaça.

Primeiro, acabo de divulgar a Estratégia e Plano de Ação do Discurso do Ódio para coordenar esforços através de todo o sistema das Nações Unidas, atacando as raízes que o causam e tornando nossa resposta mais efetiva. Em segundo lugar, estamos desenvolvendo um Plano de Ação para que a ONU se engaje por completo nos esforços de proteger locais religiosos e garantir a segurança nos espaços de culto.

Para aqueles que insistem em usar o medo para dividir comunidades, devemos dizer: diversidade é uma riqueza, nunca uma ameaça.

Um profundo e sustentável espírito de respeito mútuo e receptividade pode transcender posts e tuítes disparados numa fração de segundo. Afinal de contas, nunca devemos esquecer que cada um de nós é um “outro” para alguém, em algum lugar. Não pode haver ilusão de segurança quando o ódio é disseminado. Como parte de uma só humanidade, nossa tarefa é cuidar um dos outros.

É claro que toda ação destinada a atacar e confrontar o discurso de ódio deve ser consistente, com direitos humanos fundamentais.

Enfrentar o discurso de ódio não significa limitar ou proibir a liberdade de expressão. Significa evitar que este discurso se transforme em algo mais perigoso, particularmente que incite discriminação, hostilidade e violência, o que é proibido pela legislação internacional.

Precisamos tratar do discurso de ódio como tratamos qualquer ato mal-intencionado: condenando, recusando que seja ampliado, confrontando-o com a verdade, encorajando que os autores mudem seu comportamento. Chegou a hora de avançar para erradicar antissemitismo, ódio contra muçulmanos, perseguição a cristãos e todas as formas de racismo, xenofobia ou intolerância.

Governos, sociedade civil, setor privado e imprensa têm importantes papéis. Líderes políticos e religiosos têm uma responsabilidade especial em promover a coexistência pacífica. Ódio é perigoso para todos —e lutar contra ele deve ser um trabalho de todos. Juntos podemos extinguir as chamas do ódio e defender os valores que nos unem como uma única família humana.


por António Guterres, Secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas)

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/as-chamas-do-discurso-do-odio/

ODiario.info » O Irão e autoridades dos EUA participam em fórum de segurança na Rússia, mas ninguém fala nisso

No mundo de hoje, um fórum que reúna 120 países do mundo para discutir questões de segurança globais e formas de atenuar conflitos e de os resolver pela via diplomática merece todo o destaque. O fórum de Ufa vai na 10ª reunião. Os EUA, que há quatro anos não participavam, estiveram presentes. Faltando ver se essa presença terá resultados futuros, o que puderam aí constatar foi que países contra os quais conduzem acções de confronto estão longe de estar isolados.

A décima reunião internacional sobre segurança acaba de concluir-se na cidade russa de Ufa. O fórum foi subestimado, mas representa um dos poucos exemplos globais de reuniões multilaterais entre representantes de alto nível de países que estão em conflito. Centenas de representantes de 120 países participaram durante três dias na reunião para discutir crises humanitárias, guerra híbrida, ameaças terroristas e formas de recuperar de conflitos armados.
O discurso de abertura do presidente Putin foi lido pelo chefe do Conselho de Segurança russo Nikolai Patrushev, que explicou a agenda e os objectivos do fórum, nomeadamente de criar uma atmosfera positiva que poderia reduzir várias áreas de tensão entre diversos países do mundo.

“Espero que a vossa comunicação seja substancial e proveitosa, e ajude a alcançar o nosso objectivo comum de criar um sistema confiável, flexível, indivisível e igual para todos os sistemas de segurança ao nível regional e global. A saída dos EUA dos tratados de redução de armas prejudica a segurança global. Este fórum provou plenamente corresponder às necessidades e ser eficaz, garantindo um diálogo sobre a foram de lidar com desafios globais. A agenda da reunião aborda problemas que exigem soluções conjuntas e acção colectiva, superando as consequências dos conflitos armados e os problemas humanitários, bem como garantindo segurança sobre informação. ”
A notícia vinda de Ufa mais importante do dia foi revelada pela Tass:
“Um alto funcionário do Conselho de Segurança Nacional dos EUA participará numa reunião internacional de altos representantes de segurança em Ufa nos dias 18 e 20 de junho, afirmou o vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Alexander Venediktov, em entrevista ao diário Rossiyskaya Gazeta no domingo.”
Esta divulgação é particularmente relevante, porque nos últimos quatro anos os EUA não enviaram representantes a participar na reunião internacional de segurança. Este é um evento em que destacadas figuras podem reunir-se e discutir formas de superar divergências, apesar de quaisquer dificuldades actuais que possam existir entre países, como as que existem entre o Irão e os EUA.
O fórum de Ufa atraiu pouca atenção da imprensa internacional e foi até pouco divulgado no país anfitrião, com apenas a Tass a divulgar um par de notícias sobre o encontro. A falta de exposição nos media é provavelmente intencional, com a ausência do assédio mediático a permitir que a diplomacia faça calmamente seu trabalho sem distrações desnecessárias.
O mundo está numa conjuntura histórica crítica, com potenciais ou já voláteis situações presentes na península coreana, na Venezuela, Síria, Iémen, Afeganistão, Irão, Líbia, Ucrânia, Ártico, Golfo Pérsico e Báltico, Mar Negro e Mar do Sul da China. Outras situações voláteis podem ser encontradas nos domínios cibernético e de guerra da informação, bem como na competição no espaço.
Com tantos pontos de potencial atrito, uma conferência para abordar esses perigos é muito bem-vinda. O facto de 120 países terem a oportunidade de conversar e de pensar sobre possíveis formas de desescalar é uma oportunidade rara que não deveria ser desperdiçada.
Dados os actuais acontecimentos globais, os mais significativos participantes em Ufa são um alto quadro do Conselho de Segurança Nacional dos EUA um alto quadro do Conselho de Segurança Nacional dos EUA e o Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão (SNSC), Ali Shamkhani. Até ao momento, a única notícia oficial vem das palavras de Ali Shamkhani sobre a possibilidade de mediação com os EUA e a possibilidade de o Irão adquirir sistemas de armas para se defender das ameaças dos EUA. Shamkhani afirmou:
“Enfrentamos actualmente significativas ameaças. Contudo, no que se refere à defesa aérea do nosso país, consideramos o uso de potencial estrangeiro além de nossas capacidades domésticas … A mediação está fora de questão na situação actual. Os Estados Unidos retiraram-se unilateralmente do JCPOA, desrespeitaram as suas obrigações e introduziram sanções ilegais contra o Irão. Os Estados Unidos deveriam regressar ao ponto de partida e corrigir os seus próprios erros. Este processo não necessita de mediação ”
“Isso [o aumento gradual do enriquecimento de urânio e a produção de água pesada para além dos níveis descritos no JCPOA] é uma séria decisão da República Islâmica [do Irão] e continuaremos a fazê-lo passo a passo até que os violadores da JCPOA ajam no sentido de um acordo e regressem ao cumprimento das suas obrigações. [Se os participantes do JCPOA não cumprirem o acordo, o Irão reduzirá os seus compromissos] passo a passo dentro dos mecanismos legais previstos pelo JCPOA. ”
Acusou também os EUA de “exercer pressão sobre a República Islâmica alegando que o Irão estava por trás do ataque aos petroleiros no Golfo de Omã”. Falando acerca da possibilidade de um encerramento do Estreito de Ormuz, reiterou que “o Irão protegerá as suas fronteiras e repelirá qualquer invasão”. Este funcionário afirmou também que “o Irão e os Estados Unidos não vão entrar em guerra pois não há razão para que essa guerra aconteça”.
Ali Shamkhani realizou também uma importante reunião com seu homólogo arménio para reafirmar quanto são fundamentais para a região a confiança estratégica e a cooperação entre Teerão e Yerevan, resistindo à pressão externa por parte de terceiros. Actualmente, o Irão necessita de todo o apoio internacional possível que possa obter face às tensões com os EUA. O fórum da Ufa parece ser o lugar perfeito para o Irão fazer isso acontecer. O encontro entre Ali Shamkhani e seu homólogo afegão, Hamdullah Mohib, parece reflectir isso, sendo outro exemplo de como o Irão procura mais aliados políticos.
O Afeganistão é um actor central na integração da Eurásia, e Rússia, Índia, China e Irão estão todos muito conscientes da devastação causada pela ocupação norte-americana do país.
A situação no Afeganistão parece ter melhorado recentemente, com poderes regionais agindo cada vez mais independentemente do desejo de Washington de mergulhar o país num estado perpétuo de caos e subdesenvolvimento. De facto, está previsto que a próxima reunião regional sobre o Afeganistão se realize em Teerão, com a participação de todos os cinco países com fronteira com o Afeganistão, a saber, Irão, Rússia, China, Afeganistão, Índia e Paquistão. Significativamente, Shamkhani pediu aos países vizinhos que interagissem com a oposição no Afeganistão, a fim de os atrair à mesa de negociações, limitando assim a influência no país de actores externos.
O encontro entre Mohib e Shamkhani serviu também para reiterar como a cooperação estratégica entre todas as partes relevantes é fundamental para sustentar o progresso, a paz e o desenvolvimento numa área que é fundamental para a integração eurasiana.
Ali Shamkhani proferiu também algumas declarações dirigidas a Trump e ao actual estado das relações Irão-EUA, afirmando que
“[A América de Donald Trump] é o país mais belicista da sua história… Se um amplo leque de países decide enfrentar a chantagem e o bullying ilegal dos EUA, podemos fazer com que os EUA recuem e adoptem um comportamento racional e responsável no sistema internacional. .
Falando da utilização pelos EUA do sistema bancário e das finanças internacionais como arma, Shamkhani declarou:
“Nenhuma outra designação senão a de terrorismo económico se ajusta a esse comportamento dos EUA”.
Instou os países a criarem mecanismos multilaterais para romper o domínio dos EUA sobre o sistema monetário global. Apontou também que a retirada dos EUA do acordo nuclear de 2015 com o Irão foi um golpe contra o papel da diplomacia e do diálogo na solução de desafios de segurança. No entanto muitos países, acrescentou, apreciavam o “sábio” comportamento do Irão ao dar oportunidade à diplomacia e estavam a demorar em atender à pressão dos EUA para suspender o acordo nuclear.
As palavras de Shamkhani atestam o nível de insatisfação e irritação que o Irã sente, sendo tratado de forma tão agressiva por Washington após anos de negociação para finalmente acordar o tratado nuclear, formalmente conhecido como Plano de Ação Compreensivo Conjunto (Joint Comprehensive Plan of Action, JCPOA), com satisfação de todas as partes envolvidas.
Guo Shengkun, um alto quadro de segurança Chinês que participou da conferência, destacou a importância de os países aumentarem o diálogo e a cooperação para evitar conflitos desnecessários e guerras comerciais, uma referência às acções de Washington na sua guerra comercial contra a República Popular da China.
A sua homóloga russa foi ainda mais directa, destacando o temor de Washington de uma integração eurasiana em grande escala liderada pela China e pela Rússia. Sergey Naryshkin, director do Serviço de Inteligência sobre o Estrangeiro da Rússia, declarou:
“Os EUA utilizam métodos de guerra híbrida tentando dificultar a cooperação russa, em particular com a China. Estamos a testemunhá-lo. Mais ainda, não é necessário fazer qualquer esforço para o ver, está tudo a acontecer diante dos nossos olhos.”
Comentou também como Washington explora o dólar dos EUA como moeda de reserva global para a guerra económica.
“Parece desconcertante que os EUA continuem a ser os detentores da principal moeda de reserva enquanto se comportam de forma tão agressiva e imprevisível. A posição monopolista do dólar nas relações económicas internacionais tornou-se anacrónica. Gradualmente, o dólar está a tornar-se tóxico ”.
O clima político em Ufa parece muito sereno e inclinado a favorecer o diálogo e a colaboração, mostrando como os gigantes eurasianos China, Rússia e Irão estão a trabalhar em conjunto enormes esforços para pacificar a região e além dela. A declaração director do Serviço de Inteligência sobre o Estrangeiro da Rússia, Sergey Naryshkin, sobre as novas sanções dos EUA à Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) revela a profunda cooperação entre Moscovo e Teerão em vários campos, incluindo a questão do terrorismo.
“Não é segredo que no decurso de muitos dos últimos anos as sanções se tornaram um método preferencial da política dos EUA. O que é especialmente alarmante é que as restrições são introduzidas de forma absolutamente arbitrária, espontânea e impulsiva. Os seus iniciadores não tomam em conta não apenas as consequências a longo prazo, mas também a opinião dos parceiros económicos mais próximos … [Quanto às sanções dos EUA contra o IRGC] O IRGC contribuiu enormemente para a luta contra o ISIS na Síria e no Iraque ”.
A reunião da Ufa não está a atrair qualquer atenção particular por parte da grande imprensa (nenhuma menção foi feita nas principais agências de notícias ocidentais). Embora lhe tenha sido dada alguma cobertura pelos media russos e chineses, a maior parte da cobertura foi dada pelos media iranianos. Este é um aspecto que merece a pena considerar, dado o actual ambiente geopolítico. Moscovo e Pequim não têm intenção de aumentar a tensão entre Washington e outros países. Manter um perfil mediático baixo é uma forma de ajudar o fórum da Ufa a agir de forma a aliviar tensões globais.
Uma guerra contra o Irão é uma linha vermelha para praticamente todos os participantes do fórum. O facto de os EUA estarem representados no fórum num momento de tensões elevadas com o Irão, especialmente depois de não terem comparecido nos quatro anos anteriores, é um bom sinal por parte da administração Trump de que está disposta a abrir um diálogo com o Irão apesar do risco de provocações continuadas ou de acidentes intencionais entre os dois países.
As palavras explícitas e directas usadas pelos representantes russos, chineses e iranianos sugerem uma coordenação completa em questões essenciais como o terrorismo, especialmente quando este é usado pelos EUA como um instrumento contra oponentes geopolíticos em todo o mundo, seja na fronteira sul da Rússia, na Síria, ou na província chinesa de Sinkiang. O terrorismo usado como instrumento do imperialismo é algo que Ufa coloca no centro dos problemas globais actuais, tentando limitar seu impacto e a sua eficácia.
Os ministros da Energia do Irão e da Rússia reuniram-se terça-feira na cidade iraniana de Isfahan para continuar as discussões sobre um programa de troca de petróleo por outros bens, em que as receitas da venda do petróleo iraniano seriam usado para pagar equipamentos e produtos agrícolas russos.
O fórum de Ufa mostra o poder combinado da Rússia e da China numa ordem global multipolar. Pequim e Moscovo parecem ser as duas únicas superpotências globais capazes de mediar e reunir países em torno de uma mesa, apesar de tensões crescentes.
A capacidade de Putin e Xi Jinping em diminuir as tensões globais num fórum tão discreto como o de Ufa (agora na sua décima edição) é a única esperança que temos para evitar ou desarmar conflitos e guerras comerciais que possam emergir em todo o mundo.

Fonte: https://www.globalresearch.ca/iran-us-officials-attend-russian-security-forum-nobody-talking-about-it/5681325[1]

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É OFICIAL EM WASHINGTON: ARMAS NUCLEARES SÃO PARA USAR

«O documento sobre Operações Nucleares foi publicado online pelo Pentágono na semana passada e logo depois removido. (...) Os especialistas encaram este documento como uma mudança substancial na política militar dos Estados Unidos, sobretudo nos pontos de vista sobre a política de guerra nuclear. Consideram que o documento não se concentra já na dissuasão nuclear, passando a defender a doutrina do primeiro ataque nuclear como sendo dissuasora da própria guerra. De acordo com analistas em Washington, o facto de os ataques nucleares passarem a ser vistos como “preventivos”, como uma cura potencial para os conflitos, é muito preocupante.»
«A nova doutrina política adoptada pela Junta dos Chefes de Estado Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos encara a utilização de armas nucleares como uma maneira de criar “condições para a obtenção de resultados decisivos e a restauração da estabilidade estratégica”. O estabelecimento da “estabilidade estratégica” tem sido o chavão mais recorrente dos think tank estratégicos norte-americanos e de discursos oficiais, políticos e militares, do Pentágono, da administração e da NATO.
A doutrina militar mais recente adoptada pela Junta de Chefes de Estado Maior das Forças Armadas norte-americanas avança mais um pouco na definição do conceito de “estabilidade estratégica”, associando-o à garantia de vitória dos Estados Unidos nos conflitos em que se envolvem, nem que seja através do recurso a armas nucleares. Rompe-se o equilíbrio do terror Rompe-se, deste maneira, um equilíbrio entre os grandes poderes militares que tem tido como princípio tácito o de não recorrer a armas de extermínio massivo. Os Estados Unidos quebram-no com a pretensão de garantir o domínio inquestionável que não conseguem através de armamento convencional.
Especialistas e analistas em Washington têm vindo a debruçar-se sobre o tema salientando que a incapacidade norte-americana para vencer de forma convincente as guerras recentes está a revelar-se um problema com potenciais efeitos ainda muito mais graves do que as próprias guerras.
Os receios manifestados relacionam-se com a doutrina política agora adoptada pela Junta dos Chefes de Estado Maior e que procura antídoto para o facto de as forças militares dos Estados Unidos não conseguirem vencer conflitos convencionais, apesar dos extraordinários gastos distribuídos por diversas zonas do planeta. Os chefes de Estado Maior norte-americanos dos diversos ramos chegaram à conclusão de que a maneira de ultrapassar a situação de “empate técnico” é usar armas nucleares nas guerras em que os Estados Unidos se envolvem; a guerra nuclear passa a ser considerada como garante das “condições para obter resultados decisivos e a restauração da estabilidade estratégica”. “Apenas para uso oficial”
O documento sobre Operações Nucleares foi publicado online pelo Pentágono na semana passada e logo depois removido. Uma vez já aprovado pela Junta dos Chefes de Estado Maior passa a ser um documento “apenas para uso oficial”.
Os especialistas encaram este documento como uma mudança substancial na política militar dos Estados Unidos, sobretudo nos pontos de vista sobre a política de guerra nuclear. Consideram que o documento não se concentra já na dissuasão nuclear, passando a defender a doutrina do primeiro ataque nuclear como sendo dissuasora da própria guerra. De acordo com analistas em Washington, o facto de os ataques nucleares passarem a ser vistos como “preventivos”, como uma cura potencial para os conflitos, é muito preocupante. Primeiro ataque “preventivo”
Durante a guerra fria, os acordos entre os Estados Unidos e a União Soviética estabeleciam o princípio segundo o qual as duas potências se comprometiam a não fazer o primeiro ataque. O método funcionou como dissuasor de conflitos nucleares. Porém, acabada a guerra fria há alguns anos que os Estados Unidos e a NATO vêm utilizando as suas “doutrinas defensivas” para instalarem mecanismos ofensivos contra os potenciais rivais. A nova doutrina acaba com o mito da militarização com intuitos “defensivos” para apostar na teoria do primeiro ataque “preventivo”. Bombas em “miniatura”
A nova doutrina surge num momento de grande aposta militar nas chamadas bombas nucleares de baixo rendimento, isto é, os engenhos com capacidades de extermínio da ordem de metade ou um terço das bombas que foram usadas em Hiroxima e Nakasaki, em 1945.
Os defensores desta “miniaturização” alegam que as bombas deste tipo provocam menos riscos ao ser utilizadas, uma vez que dizimam apenas as zonas de incidência e os efeitos não se repercutem a longas distâncias, como acontece com os engenhos de maior poder explosivo.
Cientistas nucleares têm vindo a considerar esta tese como “primária”, uma vez que não é possível conter em áreas restritas a disseminação das partículas radioactivas libertadas pelas explosões. Pressão sobre o Congresso
O documento da Junta de Chefes de Estado Maior não deixa claro se a doutrina está directamente relacionada com as armas nucleares de baixo rendimento, cujo financiamento é tema de grande debate no Congresso. Numerosos congressistas manifestam preocupação com o facto de a criação destas armas favorecer muito mais rapidamente o recurso ao nuclear.
Por isso, a adopção desta doutrina e a importância dada ao nuclear para garantir a “estabilidade estratégica” não pode ser desligada do facto de este assunto estar pendente no Congresso.
A partir de agora passa a existir uma pressão muito grande sobre os congressistas, que correm o risco de serem acusados de prejudicar o objectivo nacional de “estabilidade estratégica” ao travarem as dotações financeiras para o nuclear.
De qualquer modo, a doutrina política adoptada não discrimina em relação ao recurso a armas nucleares tradicionais ou de baixo rendimento. À partida, portanto, todas poderão ser usadas.»
Martha Ladesic, Washington; 
com Jason Ditz, AntiWar.com
em
"O LADO OCULTO

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

O mundo ocidental está sem liderança no momento em que enfrentamos o Armagedão

por Paul Craig Roberts

M De acordo com noticiários, cuja validade não pode ser confirmada pelo público em geral, um enlouquecido governo dos EUA esteve a dez minutos de atear uma conflagração geral no Médio Oriente, cujas consequências poderiam ter sido catastróficas para todos.

Os belicistas imbecis do alto escalão – Bolton, Pompeo e Pence – e seus mestres do lobby de Israel estão determinados e não abandonar a sua campanha a favor da guerra contra o Irão. É claro que os mentirosos dizem que o Irão simplesmente aceitará sua punição por defender seu território e que não haverá guerra. Mas isto não é o que diz o Irão. Acredito no Irão.

Uns poucos, da pequena percentagem de pessoas no mundo ocidental que ainda são capazes de pensar, lamentam que Trump tenha cancelado este plano insano. Eles pensam que as consequências teriam sido a destruição dos governos saudita e israelense – dois dos mais perversos da história – e o corte de petróleo para os EUA e a Europa, com a resultante depressão provocando a derrubada dos governos belicistas ocidentais. Eles acreditam que uma derrota americana catastrófica é a única maneira pela qual a paz pode ser restaurada no mundo.

Por outras palavras, não está claro se Trump ao cancelar o ataque nos salvou ou nos condenou. O lobby de Israel e seus agentes neoconservadores não recebeu uma lição. Trump não despediu Bolton e Pompeo por quase atearem uma conflagração e ele não repreendeu seu imbecil vice-presidente. Assim, tudo poderá acontecer outra vez.

E provavelmente acontecerá. A lição que Bolton e Israel aprenderam é que a fake news de um ataque iraniano a um cargueiro japonês, negado pelos japoneses, não foi suficientes para obrigar Trump a "salvar a face" atacando o Irão. Portanto, esteja preparado para uma provocação orquestrada ainda maior. Bolton e Israel sabem que os presstitutos do Ocidente mentirão para eles. Fique atento a uma provocação que não permita a Trump nenhuma alternativa senão um ataque.

O uso por Washington de notícias falsas e ataques de bandeira falsa a fim de lançar ataques militares tem longos antecedentes. No século XXI, tivemos uma dose concentrada – as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, a utilização de armas químicas por Assad, ogivas nucleares iranianas, invasões russas, Maduro a esfaimar seu próprio povo, as infinitas mentiras sobre Gaddafi. Sim, sei que há mais. Estou a escrever um artigo, não uma enciclopédia.

Washington habituou-se a atacar países sob falsos pretextos e safar-se disso. Portanto, não existe nada que desencoraje o lobby de Israel e seus fantoches de Washington de continuar a preparar um ataque ao Irão. O êxito gera a imprudência. O ataque ao Iraque foi encenado-gerido por um confiável secretário de Estado dos EUA perante a ONU. O ataque à Líbia foi encenado-gerido por uma resolução da ONU que uma Rússia e China enganadas deixaram de bloquear. Em situações como estas, Washington arranjou um sinal verde para seus crimes de guerra. Contudo, Washington não conseguiu arranjar um sinal verde para um ataque ao Irão. Além disso, o Irão é uma força militar mais poderosa do que o Iraque e a Líbia e a extensão da profundidade do apoio russo e chinês ao Irão é desconhecida por Washington.

Se Israel conseguir que o seu fantoche de Washington ataque o Irão, Israel e seus agentes neoconservadores não aceitarão que o seu objectivo fracasse. Eles combaterão o fracasso com movimentos ainda mais perigosos. Posso facilmente imaginar os fanáticos conseguindo que Trump "salve a face" pela destruição do mundo e lançamento de ultimatos à Rússia e à China, ou recorrendo à utilização de armas nucleares contra o Irão.

Os americanos despreocupados – na verdade, os ocidentais despreocupados – são mantidos inconscientes deliberadamente. A função dos presstitutos é controlar as explicações dadas ao povo. O Congresso dos EUA é comprado e pago pelo lobby de Israel, assim como os políticos mais importantes do Reino Unido e da Europa. O que estou a dizer-lhe é que é muito fácil para fanáticos produzirem o Armagedão.

Stephen Cohen e eu, além de uns poucos outros sobreviventes, vivemos a Guerra Fria durante o século XX. Nos últimos anos ambos temos informado em numerosas ocasiões que a ameaça da guerra nuclear hoje é muito maior do que durante a Guerra Fria. Uma razão é que durante a Guerra Fria, os líderes dos EUA e da União Soviética trabalhavam para neutralizar tensões e construir confiança. Em contraste, desde o regime de Clinton, os EUA têm trabalhado sistematicamente para criar tensões. Tanto Cohen quanto eu listámos em muitas ocasiões as actividades de construção de tensões prosseguidas por todos os governos pós-Reagan / George HW Bush.

Os russos já não confiam em Washington, nem tão pouco os chineses. Washington mentiu para a Rússia e acerca da Rússia tantas vezes no século XXI que a confiança russa em Washington está esgotada. Não importa o quão ardentemente o governo russo queira confiar em Washington, não ousa fazê-lo.

Portanto, é preciso muito pouco erro de cálculo para que os idiotas em Washington provoquem uma resposta de ameaça final da Rússia pois Washington convenceu o governo russo de que os EUA pretendem destruí-los.

A orquestração do Russiagate pelo Partido Democrata, o complexo militar/de segurança e seus prostitutos dos media, como enfatizou Stephen Cohen, forçaram o presidente Trump num acto de auto-preservação a adoptar a posição neoconservadora em relação à Rússia e outros governos "não-dóceis". Esta posição é bastante perigosa no melhor dos casos. É extremamente perigosa depois de a confiança ter sido destruída por anos de mentiras e falsas acusações.

Talvez haja alguém na administração Trump que tenha inteligência para entender esta situação perigosa e que tenha a confiança de Trump. Mas não sei quem é essa pessoa.

Temos que enfrentar o facto de que no momento em que encaramos o Armagedão o mundo ocidental está sem liderança.

22/Junho/2019

Ver também:

 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/eua/roberts_22jun19.html

Agarrem-me se não eu mato-o!

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É evidente que não se deve brincar com o fogo, “quem brinca com o fogo amanhece mijado”. Que as guerras estão a levedar nos arsenais do Tio Sam, ninguém duvida, e que o belicismo dos EUA é uma evidência em todo mundo, com bases no subsolo e ao redor do Planeta Azul, ninguém ignora.

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Estabelecer a síndrome do pânico global, noticiando que um louco pode fazer explodir o planeta ou que o aquecimento global provocará o degelo que nos submergirá no próximo milénio, é fundamental para manter paralisados os povos que se pretendem dominar.
Mas a maior, a mais importante base do belicismo estado-unidense, encontra-se nos dirigentes dos países capitalistas, está na Banca e na comunicação social, na cobardia e perfídia dos cleptocratas eleitos pelo sistema democrático que defendem para nos dominar.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

National Interest avisa sobre riscos de guerra nuclear

Modelo do míssil indiano Agni-3 durante ensaio da Parada do Dia da República, Nova Deli (foto de arquivo)
© AP Photo / Manish Swarup

O teste do míssil hipersônico indiano significa mais que um progresso nas tecnologias militares do país e poderia ser um passo para uma guerra nuclear, afirma o analista Michael Peck.

Em seu artigo para a revista National Interest, o analista Michael Peck revelou que Nova Deli está há muito tempo testando armas hipersônicas com o míssil portador Agni 1. Anteriormente, houve informações de que os primeiros testes não foram bem sucedidos – o míssil não conseguiu alcançar a altitude necessária para realizar o teste. Atualmente, os cientistas estão estudando as razões desse fracasso.

Para Peck, embora as armas hipersônicas produzidas pela Índia tenham alguns problemas técnicos, isso não é uma boa notícia para a contenção estratégica. Só a existência desse projeto já representa "um passo sinistro" para desencadear uma guerra fria entre a Índia e o Paquistão.

'Usar tudo ou perder tudo'

O analista sublinha que os mísseis indianos precisam apenas de atingir a velocidade de Mach 5 (6.175 km/h). A distância entre Nova Deli e Islamabad é de cerca de 645 quilômetros e um míssil lançado a uma velocidade de Mach 5 ou 10 desde a Índia ou Paquistão poderia alcançar o alvo em poucos minutos.

"Saber que a Índia possui armas hipersônicas pode fazer com que Paquistão fique prisioneiro da ideia de 'usar tudo ou perder tudo' em relação ao seu arsenal nuclear", afirmou Peck.

Escalada de tensões entre Índia e Paquistão

As tensões nas relações entre a Índia e o Paquistão se agravaram em fevereiro deste ano, após um ataque suicida que matou 45 agentes da Polícia Militar indiana na região de Caxemira. A responsabilidade pelo ataque foi reivindicada por um grupo islamista que opera na região.

Em seguida, a Índia atacou posições desse grupo no território paquistanês, ao que a Força Aérea do Paquistão respondeu disparando contra instalações militares indianas. Nova Deli e Islamabad anunciaram também a derrubada de aviões dos dois lados durante combates aéreos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019062414109580-national-interest-avisa-sobre-riscos-de-guerra-nuclear/

Uma guerra nuclear vencedora ?

Novo documento do Pentágono mostra o que pensam os militares dos EUA
O documento do Pentágono, que expõe a doutrina norte-americana das operações nucleares, ficou disponível publicamente por cerca de uma semana e, em seguida, tornou-se "apenas para uso oficial". O que contem é um lembrete arrepiante de que Washington vê a guerra nuclear como possível.
"Operações Nucleares", ou Publicação Conjunta 3-72, foi datado em 11 de junho e tornado privado desde então, mas não antes de ser baixado por Steven Aftergood, um ativista da Federação de Cientistas Americanos (FAS). Está atualmente disponível no site da FAS como PDF.
A publicação “fornece princípios e orientações fundamentais para planear, executar e avaliar as operações nucleares”. O restante está no mesmo tom prático, mesmo quando se discute a consideração prática de armas que potencialmente acabam com o mundo.
Indiscutivelmente, o trabalho dos militares dos EUA é considerar todas as possibilidades, e a decisão de usar armas nucleares é, em última instância, em mãos de civis - neste caso, as do presidente Donald Trump.
A administração Trump prestou muita atenção a questões nucleares, atualizando a Revisão da Postura Nuclear dos EUA no ano passado e destinando fundos para a modernização da “tríade nuclear” dos EUA: bombardeiros, mísseis terrestres e submarinos. No entanto, Trump também anunciou que os EUA deixarão o tratado de Forças Nucleares (INF) de alcance intermediário de 1987 com a Rússia no próximo mês. O destino do novo tratado START START de controle de armas com a Rússia, previsto para expirar em fevereiro de 2021, está muito no ar.

Em tais circunstâncias, a doutrina do Joint Chiefs, afirmando que “Usar armas nucleares poderia criar condições para resultados decisivos e a restauração da estabilidade estratégica”,  pode ser considerada motivo de alarme, e com razão.
O documento também descreve os bombardeiros nucleares como oferecendo “o maior grau de flexibilidade na tríade porque eles podem ser um sinal altamente visível de resolução e, uma vez ordenados a realizar um ataque nuclear, são recuperáveis”. É uma declaração seca e factual, mas quando Juntamente com a presença de bombardeiros estratégicos B-52 nas fronteiras russas no início desta semana , começa a soar como uma ameaça.
Questionado sobre o documento, o Estado-Maior Conjunto disse que foi removido do acesso público “porque estava determinado que esta publicação, assim como outras publicações de funcionários conjuntos, deveria ser apenas para uso oficial”. Não houve explicação de como ou por que foi publicado em primeiro lugar, se foi um erro ou uma mensagem deliberada para outros governos.
Em abril, Trump fez comentários sobre “livrar-se” das armas nucleares e especulou sobre um importante tratado de controle de armas com a Rússia e a China. Dada a atual guerra comercial com Pequim e a contínua hostilidade contra a Rússia, impulsionada, pelo menos em parte, pelas teorias de conspiração da 'Russiagate' em casa, não está claro se tal tratado jamais irá além de esperanças e sonhos.
Os EUA são o único país que usou armas nucleares em batalha, contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945. Nenhum deles era um alvo primordialmente militar.
Na foto: Um bombardeiro B-52 Stratofortress com capacidade nuclear em voo. // ©  Flickr / Força Aérea dos EUA / SSgt. Nathan Allen

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/uma-guerra-nuclear-vencedora.html

A guerra contra o Irão está em movimento

A ofensiva dos EUA prossegue em todo o lado, subservientemente acompanhada pelos seus vassalos. Os episódios contra o Irão integram uma estratégia de guerra híbrida, tão do agrado dos estrategos actuais do establishment e que está em andamento na Venezuela. Mas a estratégia actual integra também elementos já muito vistos: as acusações de um ataque iraniano a petroleiros reproduzem os “incidentes” do golfo de Tonquim, com barbas de 55 anos. Mas ainda há quem prefira ser enganado.

Segundo as mais fresquinhas informações vindas directamente das águas tépidas do Golfo de Omã, a marinha dos Estados Unidos descobriu fragmentos de minas que há uma semana terão danificado dois petroleiros que estavam de passagem pela região. E segundo as inscrições nelas registadas, agora sim não há dúvida de que o autor da maldade foi o Irão, há que castigá-lo. Razão tinham o presidente Trump e os seus guardas pretorianos Bolton e Pompeo, que juravam desde o primeiro momento ter pressentido as «impressões digitais» de Teerão no incidente.
Assim se definem hoje a guerra e a paz, os culpados e os inocentes, os juízes e os condenados em relações internacionais. Como o vídeo mal-amanhado apresentado pelo comando regional do Pentágono, e em cima do acontecimento, não convenceu ninguém da culpa do Irão – excepção feita ao Reino Unido, o mais aliado entre os aliados – eis que a incansável armada imperial, vasculhando cada polegada das águas do Médio Oriente, diz ter encontrado os despojos de uma verdade, agora sim, irrefutável. Mesmo que o proprietário japonês do navio acidentado tenha garantido que não houve quaisquer minas no casco, mas sim «um objecto voador», partindo daí para qualificar a teoria norte-americana como «falsa» e levando também o governo de Tóquio a afastar-se das maquinações bélicas do seu aliado de Washington.

União Europeia sem coragem política

Até os ministros dos Negócios Estrangeiros da sempre tão solícita União Europeia, dando sinais de desconcerto e de uma clamorosa falta de coragem política, optaram por pedir «provas independentes» susceptíveis de incriminar o Irão, como quem parte do princípio de que Teerão pode ter alguma coisa a ver com a encenação quando teria tudo a perder no caso de se dedicar a estas aventuras suicidas e inconsequentes de abrir rombos em navios alheios. O Irão, a quem o direito internacional confere toda a legitimidade para encerrar o Estreito de Ormuz e quase secar o fornecimento mundial de petróleo, só iria sofrer irreparáveis danos estratégicos se optasse por recorrer a crimes banais próprios de flibusteiros de meia tigela.
A alguns ministros dos Negócios Estrangeiros da União não bastou ainda terem sido ludibriados com o golpe na Venezuela; agora guardam alguma distância em relação aos procedimentos norte-americanos, mas são incapazes de dar um único passo para tentar travar um risco de guerra com repercussões imprevisíveis. Em nome da razão e dos direitos humanos que tantas vezes invocam têm o dever de se opor, desde já, a esta aventura criminosa em andamento.

Afinal há uma prova

Uma prova – esta sim autêntica, e já com dez anos de existência – do que está a passar-se por estes dias no Médio Oriente pode ser encontrada numa publicação de um dos pesos pesados da elaboração estratégica norte-americana, o Brookings Institution, no seu trabalho Que caminho para a Pérsia?1 , publicado em 2009. A dado passo pode ler-se:
«…Seria bastante preferível, antes de lançar os ataques aéreos, que os Estados Unidos pudessem citar uma provocação iraniana como justificação para realizá-los. Claramente, quanto mais sensacionalista, mais mortífera e mais improvável for a acção iraniana melhor será para os Estados Unidos. É claro que será muito difícil aos Estados Unidos incitarem o Irão a fazer tal provocação sem que o resto do mundo reconheça esse jogo, o que o prejudicaria».
E mais adiante:
«… No caso de Washington pretender tal provocação, poderia tomar acções que tornassem mais provável a possibilidade de o Irão a fazer (embora o risco de o processo ser demasiado óbvio poder anular a provocação). No entanto, se for deixado apenas ao Irão o movimento de criação da provocação, uma coisa em relação à qual o Irão tem sido muito reservado no passado, os Estados Unidos nunca saberão ao certo se virão a dispor da necessária provocação iraniana. De facto, ela poderá mesmo não acontecer de todo».
Em dois singelos parágrafos reconstitui-se a velha estratégia de «bandeira falsa» a que os Estados Unidos têm recorrido em quase todas as guerras que iniciam. Um método que pode ir buscar-se aos finais do século XIX, quando foi lançada a guerra contra o domínio espanhol em Cuba; ao episódio do navio Lusitânia, que abriu as portas à participação dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial; a Pearl Harbour, idem aspas para a Segunda Guerra Mundial; ao caso do Golfo de Tonquim na guerra do Vietname; e sem esquecer, com as suas características muito próprias, a encenação sobre as armas de destruição massiva que estariam em poder do Iraque de Saddam Hussein.
É certo que os episódios com os petroleiros no Golfo de Omã não têm a consistência que a Brookings Institution recomenda, mas servem para provar que o quarteto fascista Trump-Pence-Bolton-Pompeo não parece preocupado com a qualidade e a credibilidade do pretexto para avançar.

Guerra híbrida

Para já os episódios contra o Irão – haja ou não os «bombardeamentos massivos», mas «limitados», norte-americanos ou israelitas de que já se fala – integram uma estratégia de guerra híbrida, tão do agrado dos estrategos actuais do establishment e que está em movimento na Venezuela, por exemplo.
Na frente iraniana, trata-se de juntar a desestabilização provocada pela ameaça latente de uma guerra convencional aos efeitos das sanções e embargos, capazes de colocar a economia de Teerão à beira do abismo por não vender petróleo, às conspirações internas para minar o regime, ao terrorismo propagandístico. Combinam-se assim múltiplas acções com uma sobrecarga de efeitos a que um país cada vez mais isolado terá muita dificuldade em resistir.
O embargo petrolífero, depois das mais recentes medidas de Washington, fechou praticamente a torneira das exportações de hidrocarbonetos iranianos. De tal modo que as autoridades de Teerão decidiram ultrapassar os limites de enriquecimento de urânio estabelecidos no Acordo Nuclear de Genebra – do qual os Estados Unidos se retiraram – para tentar contornar dificuldades energéticas suscitadas pelo descalabro económico.
Os responsáveis iranianos advertem, contudo, que esta medida será imediatamente suspensa se a União Europeia não acatar o embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos – uma atitude que depende assim da coragem política de Bruxelas que, como já se viu, é pouca ou nenhuma.
A guerra contra o Irão está, portanto, em movimento. Arbitrária, desumana, ilegal mas em relação à qual as Nações Unidas permanecem inactivas, a não ser pedindo «contenção às duas partes».
Duas partes? Agressor e vítima, juiz e condenado ao mesmo nível num conflito que só tem um sentido. É assim que age a chamada «comunidade internacional» perante a prepotência imperial.
O Irão está isolado; os Estados Unidos transformam as medidas decididas pelo seu governo fora-da-lei em leis de âmbito universal. De tal modo que, até ver, potências como a Rússia e a China não parecem dispostas a desafiá-las.
Na cena internacional o crime compensa. E o criminoso talvez nem necessite – embora a vontade seja muita – de recorrer à guerra convencional.
A guerra híbrida está a cumprir o seu papel.

Ver Pollack, Byman, Indyk e outros, Which Path to Persia - Options for a New American Strategy toward Iran, The Saban Center for Middle East Policy, Brookings Institution (Washington: 2009).

Fonte: https://www.abrilabril.pt/internacional/guerra-contra-o-irao-esta-em-movimento[1]

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References

  1. ^ https://www.abrilabril.pt/internacional/guerra-contra-o-irao-esta-em-movimento (www.odiario.info)
  2. ^ endereço (www.odiario.info)
  3. ^ odiario.info (odiario.info)

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Assinalar vitória sobre o nazi-fascismo e defender a Paz

Ao evocar o Dia da Vitória, o CPPC alerta para ameaças e perigos na actual situação internacional, vincando a premência do combate ao regresso de valores «fascizantes, neocoloniais e belicistas».

Soldados soviéticos com prisioneiros que acabaram de libertar no campo de extermínio de AuschwitzCréditos / hindustantimes.com

Neste 9 de Maio de 2019, em que se assinala o 74.º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) chama a atenção para a actual situação internacional, «em que se multiplicam focos de ingerência e conflito», e sendo crescente a tensão que as potências ocidentais – EUA, União Europeia e NATO – promovem «face à Federação Russa e à China, de consequências imprevisíveis».

Numa nota, o CPPC destaca a necessidade de mobilizar vontades em torno da defesa da Paz, do desarmamento, da dissolução da NATO, do fim das bases militares estrangeiras, da corrida aos armamentos e das armas nucleares e de outras de destruição massiva.

Sublinha, igualmente, a necessidade de defender o fim das ingerências e agressões externas, bem como o respeito pela soberania dos estados e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, na Constituição da República Portuguesa e nos valores da Revolução de Abril – «é este o caminho que interessa à Humanidade», declara o CPPC.

Valorizar os que resistiram e contribuir para que não se repita a barbárie

Ao assinalar a vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, para a qual o Exército Vermelho e a União Soviética deram um contributo decisivo, o CPPC reafirma «a sua determinação em prosseguir e intensificar a acção de esclarecimento e mobilização da opinião pública», de modo «que nunca se venha a repetir barbárie semelhante, que causou cerca de 50 milhões de mortos».

O organismo português de defesa da paz sublinha ainda que a valorização dos que «resistiram, deram a liberdade e a própria vida para pôr fim à guerra, para libertar os povos do horror nazi-fascista» não pode passar ao lado dos «avanços alcançados no pós-guerra pelos povos da Europa e do mundo nos seus direitos sociais, laborais e políticos», nomeadamente ao nível da saúde, da educação, do trabalho, da protecção social, da igualdade entre homens e mulheres, e da possibilidade de «decidirem soberanamente do seu destino, pondo fim aos impérios coloniais».

«Todos quantos defendem a paz, a liberdade, os direitos democráticos, a soberania, a solidariedade» são confrontados, perante a evocação da vitória sobre o nazi-fascismo, com a premência de combater o «regresso de valores retrógrados, fascizantes, neocoloniais e belicistas», afirma o CPPC, que encara a Paz como «valor essencial para garantir o bem-estar, o desenvolvimento, a felicidade e a própria vida humana no planeta».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/assinalar-vitoria-sobre-o-nazi-fascismo-e-defender-paz

A Arte da Guerra A locomotiva USA da despesa militar mundial

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz, de Estocolmo (SIPRI), em cada mês do ano passado, os Estados Unidos desperdiçaram 250 dólares por cada cidadão.

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A despesa militar mundial – segundo as estimativas publicadas pelo SIPRI [1], em 29 de Abril - ultrapassaram os 1.800 biliões de dólares, em 2018, com um aumento em termos reais de 76% em relação a 1998. De acordo com esta estimativa, a cada minuto gasta-se cerca de 3,5 milhões de dólares em armas e exércitos em todo o mundo. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos com uma despesa, em 2018, de 649 biliões. Este número representa o orçamento do Pentágono, incluindo operações militares no estrangeiro, mas não a totalidade da despesa militar dos EUA.

De facto, juntam-se outros elementos de carácter militar.
- O Departamento dos Assuntos dos Veteranos, que é responsável pelo pessoal militar aposentado, teve um orçamento de 180 biliões de dólares, em 2018.
- A comunidade dos Serviços Secretos, composta de 17 agências (entre as quais a mais famosa é a CIA), declara um orçamento de 81,5 biliões, que, no entanto, é só a ponta do iceberg dos gastos reais para operações secretas.
- O Departamento de Segurança Interna gastou 70 biliões em 2018, sobretudo para “proteger, com o serviço secreto, a nossa infraestrutura financeira e os nossos dirigentes mais destacados”.
- O Departamento de Energia gastou 14 biliões, correspondendo a metade de seu orçamento, para manter e modernizar o arsenal nuclear.

Tendo em conta estes e outros assuntos, a despesa militar dos EUA, em 2018, chega a cerca de 1 trilião de dólares. Como despesa per capita, é equivalente a 3.000 (três mil) dólares por habitante dos Estados Unidos.

A despesa militar é a causa primordial do déficit federal, que subiu para 1 trilião e em aumento acentuado. Juntamente com outros factores, ela faz crescer a dívida pública dos EUA, que em 2019, subiu para mais de 22 biliões de dólares, com juros anuais de 390 biliões, que dobrarão em 2025. Esse sistema é baseado na hegemonia do dólar, cujo valor é determinado não pela capacidade económica real dos EUA, mas, pelo facto de que é a principal moeda das reservas cambiais e dos preços das matérias primas internacionais. Isto permite que a Federal Reserve imprima milhares de biliões de dólares com os quais a colossal dívida pública dos EUA é financiada através de obrigações e outros títulos emitidos pelo Tesouro.

Visto que a China, a Rússia e outros países questionam a hegemonia do dólar - e com ela, a ordem económica e política dominada pelo Ocidente - os Estados Unidos jogam cada vez mais a carta da guerra, investindo 25% de seu orçamento federal na máquina de guerra mais cara do mundo. A despesa militar dos Estados Unidos têm um efeito impulsionador sobre as dos outros países, que, no entanto, permanecem em níveis muito mais baixos.

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- A despesa da China é estimada pelo SIPRI em 250 biliões de dólares, em 2018, embora o número oficial fornecido por Pequim seja de 175.
- A despesa da Rússia é estimada em 61 biliões, mais de 10 vezes menor do que nos EUA (comparada apenas com o orçamento do Pentágono).
- De acordo com as mesmas regras, sete países da NATO - EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Canadá e Turquia - respondem juntos por cerca de metade das despesas militares do mundo.
- A despesa militar italiana, que subiu em 2018 de 13º para o 11º lugar no mundo, é estimada pelo SIPRI em 27,8 biliões de dólares.

Assim, a estimativa é substancialmente confirmada, incluindo outros assuntos além do orçamento da Defesa, que os gastos militares italianos totalizam 25 biliões de euros por ano, em alta. Isto significa que, num ano, se gasta já hoje o equivalente (de acordo com as previsões) a quatro anos de renda da cidadania. .Seguindo as pegadas dos EUA, foi decidido agora um forte aumento posterior. Agora, a maior “renda da cidadania” é a da guerra.


[1] Trends in world military expenditure, 2018, Nan Tian, Aude Fleurant, Alexandra Kuimova, Pieter D. Wezeman, Siemon T. Wezeman, Stockholm International Peace Research Institute, April 29, 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Os EUA precisam desesperadamente de um novo secretário de Estado

por Paul Craig Roberts

O instigador da guerra ignorante, disfarçado de secretário de Estado americano, deveria ser preso pela sua imitação de funcionário do governo americano. Mike Pompeo não pode ser secretário de Estado dos EUA, porque nem mesmo Donald Trump nomearia um idiota para essa alta posição, visto que ele pensa que o Artigo 2 da Constituição dá ao presidente, autoridade para declarar a guerra e invadir outros países.

Eis o que disse, o estúpido impostor Pompeo: "O Presidente tem toda a autoridade que lhe é conferida pelo Artigo 2 e estou muito confiante de que qualquer acção que tomemos na Venezuela será legítima”. Foi a resposta dada por Pompeo quando inquirido sobre a possibilidade de o Presidente Trump intervir na luta pelo poder desse país sem a aprovação do Congresso. www.rt.com/usa/458433-venezuela-military-invasion-lawful-pompeo/ É claro que não é "a luta pelo poder desse país". É o esforço de Washington para derrubar a Revolução Bolivariana e recuperar o controlo sobre os recursos da Venezuela.

Pompeo é duplamente idiota. A Constituição dos EUA dá o poder de declarar guerra apenas ao Congresso. Além do mais, de acordo com as leis de Nuremberg estabelecidas pelo governo dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, é crime de guerra cometer agressão, que é o que seria a intervenção militar dos EUA na Venezuela.

Eu deveria ter dito que Pompeo é triplamente idiota, porque afirma que os países que defendem diplomaticamente o governo democraticamente eleito da Venezuela estão "a interferir no direito do povo venezuelano de restaurar a sua própria democracia". Alguém deveria dizer ao idiota Pompeo que foram o povo venezuelano e as forças armadas venezuelanas, que recusaram o suborno e as ameaças financeiras de Washington, que estão a apoiar a democracia venezuelana, e não Washington, cujo golpe fracassado pode ser secundado por outra invasão que será outro crime de guerra levado a cabo por Washington.

Lavrov e Putin, no passado, consideraram ser difícil usar a sua autoridade para impedir mais agressões ilegais de crimes de guerra de Washington. Lavrov é demasiado civilizado para dialogar com um neonazi como Pompeo.

Putin deveria enviar Shoigu para lidar com Pompeo. O tempo para conversas educadas e que aceitam tudo, já passou. O que está em jogo, é um país e o seu povo.

Esperemos que a Rússia e a China não permitam outra Líbia.

Alguém precisa informar a RT sobre o conteúdo a Constituição dos EUA. A RT informou incorrectamente que: "O Artigo 2 da Constituição dos Estados Unidos concede ao Presidente o direito de declarar a guerra e agir como Comandante Chefe das Forças Armadas do país". Um disparate absoluto!

05/Maio/2019

O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/... e a tradução de Maria Luísa de Vasconcellos em paulcraigrobertstranslations.blogspot.com/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/eua/roberts_05mai19.html

A expansão armamentista e a derrocada da paz

Gasto militar dos EUA volta a crescer e já é semelhante ao PIB da Holanda ou Suíça. Alta deflagra corrida global às armas. Para completar, tratados de paz estão ameaçados de extinção

Carlos Torralba, no El País Brasil | Outras Palavras | Imagem: Ted Aljib (AFP)
O gasto militar dos EUA subiu no ano passado pela primeira vez desde 2010. A Administração de Donald Trump elevou o investimento em Defesa em 4,6% com relação ao ano anterior, chegando a 649 milhões de dólares (2,56 bilhões de reais), ou 36% do total mundial, que cresceu até seu máximo histórico. Washington e seu rival estratégico, a China, somam pela primeira vez mais de metade do investimento global em Defesa, segundo os dados publicados nesta segunda-feira pelo Instituto Internacional de Estocolmo para a Pesquisa da Paz (SIPRI).

Desde sua chegada à Casa Branca, em 2016, Donald Trump nunca ocultou sua intenção de fortalecer ainda mais a supremacia militar dos Estados Unidos sobre seus dois principais rivais geoestratégicos, a China e a Rússia. Os drásticos cortes do republicano em meio ambiente, cooperação internacional e ajudas contra a pobreza energética lhe permitiram reforçar sua musculatura militar, com 39 bilhões de dólares a mais que no ano anterior.

Apesar do incremento, o gasto de Washington em Defesa ainda é 19% inferior ao que era em 2010, embora o contexto na época fosse diferente: os Estados Unidos estavam totalmente envolvidos nas guerras do Afeganistão e Iraque, com dezenas de milhares de soldados mobilizados. Hoje contam com um contingente muito reduzido no Afeganistão e várias centenas de assessores militares na Síria e Iraque. Trump reiterou seu interesse em reduzir ao mínimo a presença de tropas norte-americanas nessas zonas de conflito.

“O aumento do gasto dos EUA responde mais a uma estratégia de dissuasão do que às exigências atuais de suas operações no exterior”, diz por telefone Aude Fleurant, pesquisadora do SIPRI. A especialista prognostica que, salvo em caso de “catástrofe financeira”, Trump aumentará o gasto em Defesa a cada ano de sua presidência, apesar dos obstáculos representados pelo déficit público e a perda do controle da Câmara de Deputados, que voltou em novembro às mãos democratas após oito anos de domínio republicano.


A aquisição de armamento de fabricação nacional é a principal explicação para o aumento do orçamento de Defesa dos EUA. Com um Exército de quase 1,4 milhão de homens e mulheres, uma ligeira alta salarial também repercutiu no custo anual. A maior potência mundial mantém mais de 800 bases militares no exterior, distribuídas por mais de 40 países aliados.

Trump ordenou também que seja criado “o quanto antes” um ramo do Exército dedicado ao espaço — “Que garanta o domínio norte-americano do cosmos” —, que deverá receber dezenas de bilhões de dólares desde seu primeiro ano. O republicano também herdou da Administração de Barack Obama a ideia de modernizar o arsenal atômico, um projeto que segundo os especialistas custaria cerca de três trilhões de dólares em um prazo de 30 anos.

Washington se retirou em fevereiro do Tratado de Forças Nucleares Intermediárias (INF, na sigla em inglês), um acordo de desarmamento alcançado durante a Guerra Fria. Moscou respondeu de maneira simétrica no dia seguinte. Na corda-bamba ficou o New START, outro tratado bilateral crucial que limita o número de ogivas nucleares da Rússia e Estados Unidos. O pacto termina em 2021 e, por enquanto, não há reflexos de que nenhum dos dois países planeje ampliá-lo.

Fleurant considera que a perda de mecanismos de controle armamentista entre as grandes potências provocará o aumento do gasto para desenvolver novos armamentos.

Além da acentuada desconfiança entre os EUA e a Rússia, cabe acrescentar que a China nunca participou desses tratados de controle armamentista, o que provocava receios tanto em Washington como em Moscou. O gigante asiático multiplicou por 15 seu gasto militar desde os anos oitenta, com aumentos anuais há 25 anos consecutivos. Em 2018, elevou-o em 5%, chegando a um quarto de trilhão de dólares. E desde que se converteu, em 2008, no segundo maior investidor mundial em Defesa, Pequim atribuiu a cada ano em torno de 2% de seu PIB ao reforço da sua capacidade militar.

Os Estados Unidos, a Rússia e a China competem pelo desenvolvimento de novos armamentos como os mísseis hipersônicos, que tornariam ineficientes os atuais sistemas de defesa. Diferentemente de Washington e Pequim, Moscou reduziu no ano passado seu gasto militar em 3,5%, embora Fleurant explique a redução pelo investimento extraordinário feito entre 2010 e 2015 para modernizar seu armamento. Por isso, a especialista acredita que o investimento russo crescerá em curto prazo, apesar das dificuldades econômicas que arrasta há anos por causa da queda do preço dos hidrocarbonetos e das sanções ocidentais.

Arábia Saudita, por sua vez, se manteve como o terceiro maior investidor mundial em Defesa, além de ser o principal importador mundial de armamentos. O Reino do Deserto — que lidera a intervenção militar no Iêmen — destinou no ano passado 8,8% de seu PIB à Defesa, a percentagem mais alta entre todos os países analisados.

Em termos gerais, o gasto militar mundial cresceu 2,6% e superou 1,8 trilhão de dólares, atingindo o máximo histórico desde que existem cifras consideradas confiáveis (1988). Os dados do SIPRI não incluem alguns Estados com investimentos notáveis em Defesa, como a Coreia do Norte, a Síria, a Eritreia e os Emirados Árabes Unidos.

Aumentos na OTAN refletem receio com a Rússia

Os 29 membros da OTAN aumentaram conjuntamente seu gasto militar em 7% (249 bilhões de reais) em 2018 com relação ao ano anterior. França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha tornaram a elevar moderadamente seu gasto nos últimos anos depois dos fortes cortes que se seguiram à crise financeira de 2008.

Entretanto, são alguns dos membros mais recentes os que mais incrementaram seu investimento. Romênia, Bulgária, Lituânia e Letônia aumentaram seu gasto militar em torno de 20%; a Polônia, em 10%. “Não há um fator único, mas a inquietação que a Rússia provoca nesta zona é o principal”, diz por e-mail Nan Tian, pesquisador do SIPRI. Nan considera que a pressão que Trump exerce para que os sócios europeus elevem seu gasto em Defesa não foi determinante.

A Turquia também aumentou o gasto, 24%. “Está em plena modernização do Exército, e suas operações militares contra os curdos implicam um custo extra muito elevado”, afirma Nan.
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A língua bífida de Washington

por Paul Craig Roberts

'. Enquanto os indivíduos enlouquecidos e corruptos que compõem o Partido Democrata, a imprensa dos EUA e os media da TV continuam a insistir em que o Russiagate é real, uma ameaça muito real está a emergir na Rússia, na China, na Coreia do Norte e no Irão. Esta ameaça decorre do facto de que Washington ensinou a cada um destes países a não ter confiança na veracidade dos EUA. Os governos destes quatro países aprenderam que tudo o que diz Washington é uma mentira.

Além disso, estes países aprenderam que Washington não aceita as suas soberanias e objecta às suas existências. Cada um dos quatro países experimentou sanções destinadas a derrubar seus governos ou a levá-los a submeterem-se à vontade de Washington.

A Rússia verificou isso há muito tempo com a insincera afirmação de Washington de que a cadeia de mísseis que instalou em torno da Rússia é defensiva e dirigida contra (não existentes) mísseis iranianos. Putin disse muitas vezes que os mísseis "defensivos" podem facilmente e rapidamente ser convertidos em mísseis ofensivos com arma nuclear que deixam a Rússia sem tempo de resposta. Sempre fiquei estupefacto diante da absoluta estupidez dos governos polaco e romeno ao aceitarem estes mísseis americanos. Não há dúvida que responsáveis polacos e romenos receberam subornos vultuosos, mas o dinheiro não é bom para uma pessoa morta. Você pode apostar a sua vida em que os russos não vão permitir que tais armas operacionais fiquem nas fronteiras da Rússia durante um tempo de altas tensões como o que existe hoje entre o ocidente e a Rússia.

Não contentes com esta temerária provocação à Rússia, os idiotas de merda que compõem o governo dos EUA anunciaram um programa para colocar armas no espaço que podem neutralizar a dissuasão nuclear da Rússia e da China. Este plano temerário e irresponsável não passou desapercebido na Rússia. O Tenente-General Viktor Poznikhir, vice-chefe do Comando Operativo do Estado Maior Geral da Rússia, declarou na semana passada que o programa de "intercepção desde o princípio" de Washington revela que esta está a preparar um ataque nuclear antecipativo (preemptive) à Rússia e à China. Você pode apostar que a Rússia e a China não vão sentar-se e ficar à espera do ataque de Washington, especialmente quando a Rússia acaba de instalar mísseis hipersónicos que não podem ser interceptados por quaisquer meios conhecidos ou instalados.

O que Washington e os seus corruptos vassalos europeus estão a fazer é preparar a sepultura para o mundo ocidental, uma boa viagem tanto quanto o resto do mundo está preocupado.

Nos EUA a propaganda política auto-interessada teve êxito em deslocar toda a atenção a questões reais, tais como o deslocamento em massa de empregos pela robótica, o aquecimento global seja qual for a causa e a ascensão do risco de guerra nuclear. Quando o resto do mundo olha para o ocidente, ele vê um asilo insano no qual dizem que as duas maiores ameaças à segurança nacional dos EUA são a Venezuela e uma agente russo no Gabinete Oval.

É impossível para qualquer um considerar esta imbecilidade seriamente. Consequentemente, o poder da América está a entrar em colapso, para alívio de todos os demais. Mesmo os bem pagos fantoches de Washington na Alemanha, Grã-Bretanha e França estão a mostrar sinais de independência que não têm sido vistos desde os dias de Charles De Gaulle.

Os russos, chineses, iranianos e norte-coreanos sabem que estão a tratar com loucos e eles não vão correr quaisquer riscos. Eles sabem que nenhum acordo com a América significa algo e que Washington fala só com uma língua dúplice (forked tongue).

Washington ficará cada vez mais frustrada no exterior à medida que a disposição para cooperar com o manicómio desaparece. A consequência será o aumentar da tirania neste país.

29/Abril/2019

O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2019/04/29/humpty-dumpty-has-had-a-great-fall/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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https://resistir.info/eua/roberts_29abr19.html

CMP 70 anos: Diante da ameaça, a luta pela paz se fortalece na unidade

Em 21 de abril, o Conselho Mundial da Paz celebrou seus 70 anos de existência. Sempre lutou contra a guerra, denunciou o sistema imperialista e cultivou a solidariedade entre os povos e a unidade com as forças democráticas e amantes da paz. O CMP, as organizações que dele fazem parte e entidades amigas priorizam o fortalecimento da unidade e a amplitude de sua ação para enfrentar as crescentes ameaças, na luta pela paz.

Ao cumprir seu septuagésimo aniversário, o CMP realiza ações não só de celebração. No bom combate, honra sua trajetória, desenvolvendo as ações prioritárias da sua agenda de lutas contra as guerras, as agressões, a opressão, o colonialismo e a militarização do planeta.

A fundação do Conselho Mundial da Paz tem suas origens nas conferências realizadas por intelectuais e trabalhadores em 1948, 1949 e 1950. Em agosto de 1948, na cidade polonesa devastada de Breslávia, homens e mulheres amantes da paz reuniram-se no Congresso Mundial de Intelectuais e emitiram um firme apelo a toda a humanidade. A resposta foi a reunião de delegados vindos de 72 países para o Primeiro Congresso Mundial de Defensores da Paz, realizado simultaneamente em Paris e Praga, em abril de 1949. Em seu discurso de abertura, o primeiro presidente da entidade, Frédéric Joliot-Currie, o renomado e laureado cientista, disse: “A Paz é daqui em diante uma questão de todos os povos. Nenhum homem sozinho, nenhum país isolado, mas só todos, juntos, podem defender a paz e deter a guerra.”

Assim, estes bravos homens e mulheres, muitos já engajados na resistência fascista, organizaram um amplo e ativo movimento internacional para defender um novo mundo após a catástrofe da Segunda Guerra Mundial. Este é o compromisso que reforçamos hoje, diante das graves ameaças da nova conjuntura.

O CMP sempre esteve ao lado dos povos e se mobilizou junto a entidades amigas, como a Federação Mundial da Juventude Democrática, a Federação Democrática Internacional de Mulheres e a Federação Sindical Mundial, entre outras, ampliando a luta pela paz, a emancipação dos povos e a amizade em prol do progresso social. Deste objetivo primordial depende a resistência anti-imperialista, a defesa da democracia, da independência e autodeterminação dos povos e pela vigência de instituições capazes de construir uma nova relação entre os povos.

Não por casualidade, as políticas imperialistas acarretam a violação sistemática dos princípios da Carta das Nações Unidas adotada em 1945 – como a não ingerência nos assuntos internos e a igualdade entre as nações, fundamentos para a construção da paz mundial.

Desde cedo o imperialismo estadunidense é o principal antagonista desses princípios. A seguir aos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, os EUA lideraram a criação da maior máquina de guerra imperialista do planeta, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1949; lançaram-se em guerra na Península Coreana em 1950-1953; engendraram cruentos golpes militares para instaurar regimes subservientes na América Latina desde os anos 1950 até hoje, embora nos dias atuais o façam com novas táticas; e conduziram a horrenda guerra contra o Vietnã, cometendo crimes de lesa-humanidade pelos quais seguem impunes, como o uso do Agente Laranja contra a população, com consequências catastróficas e duradouras.

O CMP se opôs firmente a cada uma dessas guerras e golpes patrocinados pelos EUA e seus aliados e apoiou, sem vacilar, os povos em luta por libertação nacional contra o colonialismo e contra as ocupações na África, América Latina, Ásia e Oriente Médio. Recentemente, opôs-se às guerras dos EUA e da OTAN contra a ex-Iugoslávia, o Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria, que continuam enfrentando as consequências da agressão imperialista.

Em uma das frentes mais importantes de ação, o CMP combate as manobras desestabilizadoras do imperialismo estadunidense em aliança com forças golpistas e reacionárias na América Latina e Caribe. O desprezo destas forças pela democracia e o diálogo é evidente na agressividade da sua guerra midiática, política e econômica contra países soberanos e suas instituições nacionais, com o fim de impor governos subalternos a seus vis desígnios.

CMP e FMJD Venezuela 2019Por isso, neste mês de abril estivemos na República Bolivariana da Venezuela, em missão de solidaridade com seu povo, em conjunto com nossa coirmã, a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). Naquele país constatamos o vigor da resistência do povo e da sua liderança legítima, o governo do presidente Nicolás Maduro, reeleito e referendado nas urnas e nas ruas. O CMP rechaça a interferência externa, as ameaças de agressão militar e o reconhecimento ilegal de um golpista autoproclamado presidente, sem qualquer respaldo popular. O CMP reafirmou seu apoio ao povo venezuelano em defesa de seu direito de viver em paz.

sdrIgualmente com a FMJD, em outubro de 2018, visitamos a Síria para manifestar apoio a este heroico povo, que desde 2011 enfrenta os bandos armados e terroristas de que as potências encabeçadas pelos EUA e seus aliados se servem para destruir a nação Síria. Já são nove anos de uma guerra sangrenta que provocou grande destruição, mas não abateu a vontade popular de defender a nação.

Em apoio resoluto aos povos que resistem e lutam, também nos mobilizamos em solidariedade com os povos da Palestina e do Saara Ocidental pelo fim da ocupação militar e a colonização dos seus territórios, pela libertação nacional e a paz; com Cuba revolucionária e humanista, que segue enfrentando o criminoso bloqueio estadunidense há seis décadas e assim mesmo é um exemplo de solidariedade e amizade; com o povo coreano pela reaproximação entre a República Popular Democrática da Coreia e a República da Coreia, pela paz, a desnuclearização, a estabilidade e o fim das ameaças militares também encabeçadas pelos EUA; com o povo de Porto Rico pela independência face aos Estados Unidos; com o povo argentino pela recuperação das Malvinas usurpadas pelo Reino Unido; com o povo iemenita vítima da catástrofe causada pela guerra de agressão liderada pelos sauditas, respaldados pelas potências imperialistas; com o povo iraniano frente à reiterada ameaça de guerra dos EUA e Israel, sob o pretexto do seu programa nuclear, já objeto do acordo diplomático que o governo Trump denunciou unilateralmente, entre outros.

Temos combatido e rechaçado a militarização acelerada do planeta, a corrida armamentista que ameaça a própria existência da humanidade.

Nesse quadro, reforçamos e ampliamos iniciativas pela abolição das armas nucleares, sempre inspirados no exemplo do Apelo de Estocolmo, documento inaugural do CMP, lançado em 1950 e assinado por centenas de milhões de pessoas; pela dissolução da OTAN; e a campanha internacional pela abolição das bases militares estrangeiras, com ações como o Seminário Internacional já em sua sexta edição, que se realiza em 4 e 5 de maio em Guantânamo, de onde lançamos nossa veemente declaração de oposição frontal à odiosa e permanente violação da soberania da altiva nação caribenha; e a campanha global à qual aderimos, cuja primeira conferência mundial se realizou em Dublin em 2018.

Nossos desafios são imensos. Enfrentamos forças obscurantistas que buscam impor seu ditame aos povos, com o objetivo de garantir o saque dos seus recursos e o controle das rotas estratégicas, respaldando regimes servis ou promovendo a desestabilização e os golpes para instaurar forças submissas nos países onde vigoram governos patrióticos e populares. Onde há resistência, como vemos na Síria e na Venezuela, a tática do imperialismo consiste no cerco militar, econômico e político, nas ameaças e agressões, das quais a maior consequência é o sofrimento dos povos.

As forças da paz unem-se diante da gravidade da encruzilhada histórica em que vive a humanidade. Resistimos às guerras e às agressões e ao retrocesso civilizacional que se anuncia com a ascensão de forças antidemocráticas e obscurantistas que agridem nações e povos, pondo em risco o futuro da humanidade, enquanto as potências aglutinadas na OTAN, com os Estados Unidos à frente, declaram guerra a todo e qualquer governo que resista aos seus desmandos, sob os mais espúrios pretextos.

Os povos erguem a voz que ressoa em todo o mundo, a voz da luta pela libertação e a paz. Amplificada pela unidade entre todas as forças que se opõem à guerra, em solidariedade e fraternidade, nossa luta será capaz de deter a marcha catastrófica do imperialismo para derrotá-lo e finalmente construir um mundo de amizade e respeito entre as nações.

Viva a solidariedade entre os povos!

Por um mundo de Paz!

Viva o Conselho Mundial da Paz!


por Socorro Gomes, Presidenta do Conselho Mundial da Paz | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Cebrapaz) / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/conselho-mundial-da-pa-70-anos-diante-da-ameaca-a-luta-pela-paz-se-fortalece-na-unidade/

Marchas pela paz nas ruas da Alemanha

Milhares de manifestantes desfilam este fim-de-semana nas principais cidades alemãs em defesa da paz e contra a corrida armamentista, numa tradição que remonta aos anos 50 e ao período da Guerra Fria.

Manifestantes participam na Marcha da Páscoa realizada em Berlim, Alemanha, em 4 de Abril de 2015. Nos panos pode ler-se «Abaixo as armas» (acima) e «Marcha da Páscoa de Berlim» (abaixo). Foto de arquivo.CréditosEPA/Maurizio Gambarini / LUSA

Começaram ontem, dia 19, Sexta-feira Santa, e prolongam-se até segunda-feira, dia 22 de Abril, em 50 das mais importantes cidades alemãs. São as Marchas da Páscoa promovidas pelo movimento Cooperativa da Paz/Rede do Movimento Alemão pela Paz (Friedenskooperative/Netzwerk Friedenskooperative), uma tradição que, segundo a agência noticiosa oficial Deutsche Welle (DW), remonta aos anos 50 do século XX e ao período da Guerra Fria.

«As marchas mantêm-se populares» na Alemanha «décadas depois do seu auge, durante a Guerra Fria», confirma hoje a a agência noticiosa alemã, acrescentando que as «tradicionais “marchas da Páscoa”» arrancaram na sexta-feira «por todo o país».

As palavras de ordem são decididas pelos colectivos pela paz em cada cidade. Este ano, face ao abandono, pela administração norte-americana, dos tratados de limitação de armas nucleares, e à sua vontade, publicamente expressa, de incrementar o desenvolvimento de novas armas, as palavras de ordem mais escolhidas são «desarmamento sim, armamento não» e «proibição das armas nucleares», como reporta a DW, mas o sentir dos colectivos não se fica por aí. Na página da Cooperativa pela Paz sobre as iniciativas em 2019 podem encontrar-se palavras de ordem como «Por uma Europa solidária, pacífica e livre de armas nucleares!» (em Bona), «Não ao exército europeu» (Würzburg), «Pela paz e pela justiça social! (Traunstein), «Guerra jamais, fascismo jamais» (Wuppertal) ou «Paz em vez de NATO» (Potsdam), entre outras.

Marchas da Páscoa têm quase cinquenta anos

Philipp Ingenleuf, da Cooperativa da Paz, declarou à DW que «nos próximos anos, os gastos com armamento atingirão mais de 70 mil milhões de euros por ano – 78,7 mil milhões, segundo o activista – quando esse dinheiro é tão urgentemente necessário» em tantos outros locais e deveria «ser investido», segundo refere, «na educação, na construção de habitações, ou na protecção climática».

A organização pacifista afirma que, em 2019, «mais de 100 eventos» estão planeados em 50 localidades da Alemanha – um significativo acrescento aos «80 eventos» realizados em 2018 – e em duas cidades limítrofes de língua alemã, Berna, na Suíça, e Luxemburgo, no país com o mesmo nome.

As primeiras iniciativas decorreram nos centros urbanos mas houve excepções: em Gronau, na Renânia do Norte/Westfália, a manifestação deu-se junto à fábrica de enriquecimento de urânio naquela localidade, no Schleswig-Holstein realizou-se nas cercanias da base aérea militar de Jagel, e em Dortmund ocorreu junto ao Bittermark memorial – que homenageia os 230 resistentes, prisioneiros de guerra e trabalhadores forçados assassinados pelos nazis na Páscoa de 1945.

As marchas prosseguem durante o fim-de-semana da Páscoa em cidades como Berlim, Munique, Estugarda e Leipzig, e terminam na segunda-feira, dia 22, com os desfiles em Frankfurt (sobre o Meno) e em Hamburgo, cidade que viu nascer o movimento, no ano de 1960. A iniciativa atingiu o seu auge entre 1968 e 1983, com centenas de milhares de pessoas a marcharem anualmente, nas cidades da antiga República Federal Alemã, contra o envolvimento dos EUA na guerra do Vietname e contra a corrida às armas nucleares, refere a DW.

O movimento da paz mantém a sua vitalidade na moderna e reunificada Alemanha e tudo indica que assim se manterá no próximo ano, quando se assinalarão 60 anos do início das Marchas da Páscoa pela paz.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/marchas-pela-paz-nas-ruas-da-alemanha

« A Arte da Guerra »A estratégia do Caos Encaminhado

Como um cilindro compressor, os Estados Unidos e a NATO alastram pelo mundo a estratégia Rumsfeld/Cebrowski de destruicão das estruturas estatais dos países não integrados na globalização económica. Para concretizá-la, usam os europeus aos quais fazem crer numa alegada “ameaça russa”. Ao fazê-lo, incorrem o risco de provocar uma guerra generalizada.

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O Presidente romeno, Klaus Iohannis, declara abertas as manobras dos exercícios de fogos reais da NATO “Sea Shield 2019”.

Tudo contra todos: é a imagem mediática do caos que se alarga à mancha de petróleo na costa sul do Mediterrâneo, da Líbia à Síria. Uma situação perante a qual até Washington parece impotente. Na realidade, Washington não é um aprendiz de feiticeiro incapaz de controlar as forças postas em movimento. É o centro motor de uma estratégia - a do caos - que, ao demolir Estados inteiros, provoca uma reação em cadeia de conflitos a serem utilizados de acordo com o critério antigo - “dividir para reinar”.

Tendo saído vitoriosos da Guerra Fria, em 1991, os USA autoproclamaram-se “o único Estado com uma força, uma escala e uma influência, em todas as dimensões - política, económica e militar - verdadeiramente global”, propondo-se “impedir que qualquer poder hostil domine uma região - Europa Ocidental, Ásia Oriental, o território da antiga União Soviética e o Sudoeste Asiático (Médio Oriente) - cujos recursos seriam suficientes para criar uma potência global”. Desde então, os EUA e a NATO sob o seu comando, fragmentaram ou demoliram com a guerra, um após outro, os Estados considerados obstáculos ao plano de domínio global - Iraque, Jugoslávia, Afeganistão, Líbia, Síria e outros - enquanto mais alguns (entre os quais o Irão e a Venezuela) ainda estão na sua mira.

Nessa mesma estratégia está incluído o golpe de Estado na Ucrânia, sob direcção USA/NATO, com o fim de provocar na Europa, uma nova Guerra Fria, a fim de isolar a Rússia e fortalecer a influência dos Estados Unidos na Europa.

Enquanto a atenção político-mediática se concentra no conflito na Líbia, deixa-se na sombra o cenário cada vez mais ameaçador da escalada da NATO contra a Rússia. A reunião dos 29 Ministros dos Negócios Estrangeiros, convocada em 4 de Abril, em Washington, para celebrar o 70º aniversário da NATO, reiterou, sem qualquer prova, que “a Rússia viola o Tratado INF, instalando, na Europa, novos mísseis com capacidades nucleares”.

Uma semana depois, em 11 de Abril, a NATO anunciou que neste verão haverá uma “actualização” do sistema USA Aegis de “defesa antimíssil”, instalado em Deveselu, na Roménia, assegurando que a mesma actualização “não oferece nenhuma capacidade ofensiva ao sistema”. Este sistema, instalado na Roménia e na Polónia e a bordo de navios, pode lançar não só mísseis interceptores, como também mísseis nucleares.

Moscovo advertiu que, se os EUA instalarem mísseis nucleares na Europa, a Rússia distribuirá no seu território, mísseis idênticos apontados para as bases europeias. Consequentemente, aumentam as despesas para a “defesa” da NATO: os orçamentos militares dos aliados europeus e do Canadá, aumentarão até 2020, para 100 biliões de dólares.

Os Ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, reunidos em Washington, em 4 de Abril, comprometeram-se em particular, a “enfrentar as acções agressivas da Rússia na região do Mar Negro”, estabelecendo “novas medidas de apoio aos nossos parceiros chegados, a Geórgia e a Ucrânia”. No dia seguinte, dezenas de navios e caça bombardeiros dos Estados Unidos, Canadá, Grécia, Holanda, Turquia, Roménia e Bulgária iniciaram um exercício de guerra naval da NATO, perto das águas territoriais russas, usando os portos de Odessa (Ucrânia) e Poti (Geórgia).

Ao mesmo tempo, mais de 50 caça bombardeiros dos Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Holanda, decolando de um aeroporto holandês e reabastecidos em voo, exercitavam-se em “missões aéreas ofensivas atacando alvos em terra ou no mar”. Por sua vez, bombardeiros italianos Eurofighter serão enviados pela NATO, para patrulhar novamente a região do Báltico contra a “ameaça” dos aviões russos.

A corda está cada vez mais tensa e pode quebrar-se (ou ser quebrada) a qualquer momento, arrastando-nos para um caos muito mais perigoso do que o da Líbia.





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Bombas sobre Belgrado

Há vinte anos a NATO iniciou o bombardeamento da Jugoslávia. Começava a primeira agressão militar a um país soberano no continente europeu após a Segunda Guerra Mundial. O crime ficou impune, mas os sérvios não o esquecem.

«A Sérvia jamais entrará para a NATO, nem que seja o único país europeu» a rejeitar aquela aliança militar, afirmou o ministro da Defesa sérvio, Aleksandar Vulin, em evento recordando a passagem do 20.º aniversário do início da agressão à Jugoslávia, desencadeada pela NATO a 24 de Março de 1999. «Estamos prontos para perdoar, mas não para esquecer», afirmou o ministro sérvio.
«Fizemos esta escolha porque fomos bombardeados mas, acima de tudo, porque jamais faremos a outros aquilo que nos fizeram» – afirmou Vulin, confirmando que Belgrado escolheu ser militarmente neutral em qualquer situação.
«Não faremos parte da NATO», afirmou também o presidente sérvio Aleksandar Vucic, durante uma entrevista à televisão russa Canal 1, a 22 de Março. «Tornei-o claro a [Jens] Stoltenberg» (secretário-geral da NATO) afirmou o presidente sérvio, acrescentando que «a Sérvia, que foi o coração da antiga Jugoslávia, não é algo que se possa esmagar ou destruir».
«Não esperamos ser reembolsados pelas nossas perdas, nem podemos esperar a punição dos responsáveis por este crime horrendo», declarou Vucic, «mas o mais importante, agora, é [assegurar] que isto nunca mais nos volte a acontecer».

É a guerra

A 24 de Março de 1999 iniciaram-se os bombardeamentos, pela aviação da NATO, à Jugoslávia. Era o primeiro de 78 dias de pesadelo. Entre 24 de Março e 9 de Junho os aviões da NATO cumpriram 38 mil missões sobre a Jugoslávia, sendo quase 11 mil delas de bombardeamento, atingindo aquele estado balcânico com mais de 23 mil bombas e mísseis – muitos deles integrando o cancerígeno urânio empobrecido. Fontes próximas à coligação agressora estimam terem sido despejadas sobre a Jugoslávia mais de 6,3 mil toneladas de bombas, quase um terço daquelas que, nos ataques de Dezembro de 1972, foram largadas pelos EUA sobre Hanói, durante a guerra do Vietname.
O pretexto para os bombardeamentos foi um incidente na cidade de Racak, no Kosovo, onde os sérvios foram acusados do massacre de dezenas de civis de etnia albanesa naquela região da República Sérvia, a 15 de Janeiro de 1999. Trata-se de uma acusação contestada pelos sérvios mas também por diversos especialistas naquele conflito. Vladimir Chizhov, representante diplomático da Rússia na União Europeia (UE), declarou à RT News que se tratou de «uma pura provocação para começar os bombardeamentos», denunciando as acusações de massacre naquela «praça-forte dos militantes albaneses» como falsas e afirmando que os corpos apresentados pertenciam, na realidade, a membros dos grupos terroristas albaneses falecidos em combate.

Os ataques aéreos, que não pouparam alvos civis, deixaram o país em ruínas. Milhares de mortos, muitos deles civis – a coligação admitiu «apenas» 500 – e dezenas de milhar de feridos, com um número não determinado de mortos, ocorridos anos mais tarde, por cancros causados pelas radiações emitidas pelas munições da NATO, é a conta criminosa que nenhum dos implicados nos ataques aceita receber, até hoje.

Alvos civis e vítimas civis: os horrores da guerra

Hoje é reconhecido que as bombas com urânio empobrecido, largadas pela NATO, poluíram o país. A substância tóxica, que é usada para dotar os projécteis de um mais elevado poder de penetração, é vista como estando na origem do aumento de cancros entre a população civil, que ainda hoje são demasiado elevados na Sérvia.
Têm sido detectados cancros, em crianças sérvias com menos de 15 anos de idade, com uma frequência três vezes mais elevada do que em qualquer país europeu, afirmou à RIA Novosti a neurocirurgiã Danica Grujicic, directora de neuro-oncologia no Centro Clínico em Savski, nos arredores da capital, e docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Belgrado. «Cheguei a perguntar-me se estaríamos a fazer algo de errado», disse Grujicic, «operamo-los como sempre fizemos, recebem a radioterapia» e, ainda assim, «morrem passado um ano».

A cidade de Vranje, no Sul da Sérvia, não era reconhecida por nenhum facto em particular, antes da agressão da NATO à Jugoslávia. Deixou de o ser: haverá poucas cidades na Europa que possam gabar-se de ter uma «rua da morte», refere uma reportagem do Canal 1 sobre a Sérvia: «depois de Hiroshima e Nagasaki, Vranje tornou-se a primeira cidade na história a ser bombardeada com armas nucleares». No decurso dos ataques ao país, aviões da NATO literalmente encheram a colina no centro da cidade com munições reforçadas com núcleos de urânio empobrecido. Vinte anos depois, os activistas locais das vítimas dos bombardeamentos com urânio continuam a aumentar as suas listas.
«A minha mulher teve um diagnóstico de cancro e, duas casas abaixo, um vizinho morreu de cancro pulmonar. Do outro lado da rua, os meus dois vizinhos estão doentes. E são pessoas jovens, não têm mais de 40-45 anos», disse à reportagem um residente local. A rua Przharskaya, chamada pelos habitantes de Vranje de «rua da morte», é a mais próxima da colina onde ficava a antena de televisão bombardeada pela NATO. Os resíduos radioactivos transformados em munições perfurantes encheram o ar de partículas tóxicas. Desde então, contam-se pelos dedos da mão as casas cujos moradores não sabem o que é um cancro. Os anos passam e a alta taxa de mortalidade permanece igual,«como se evidencia pelos anúncios de mais uma morte prematura», em cada passo da «rua da morte».

Os responsáveis estão vivos, mas não serão julgados

Goran Petronievich é um conhecido advogado sérvio. Há 20 anos era juiz de distrito no tribunal de Belgrado. Em um dos seus veredictos dessa época condenou a 20 anos de prisão – in absentia – a direcção da NATO e os líderes dos países responsáveis pela agressão, entre eles Bill Clinton, Tony Blair e Madeleine Albright. A sentença foi anulada em 2001 pelas autoridades sérvias «sob pressão do Ocidente» e agora repousa «nos arquivos do tribunal», afirmou Petronievich ao Canal 1 russo, em programa produzido por aquela estação por ocasião da entrevista do presidente da Sérvia.
«Ainda que chegue um tempo em que esta sentença volte a estar em demanda, nunca entrará em efeito» mas, «ainda assim, servirá a história», manifestou o jurista, acrescentando: «reunimos provas irrefutáveis de que as baixas civis não foram acidentais».

Antes desta tentativa, ainda as bombas da NATO tombavam sobre o país, a Jugoslávia apresentou queixa no Tribunal Internacional de Justiça em Haia, da agressão que estava a sofrer. A queixa foi liminarmente rejeitada. «As mais de duas mil vidas ceifadas» pelos 78 dias de ataques, incluindo cerca de uma centena de crianças, «já não parecem uma irrealidade», diz-se na reportagem daquele canal televisivo. A impunidade favorece os criminosos, como se veio a ver no Iraque e na Líbia. A Jugoslávia foi apenas «a primeira vítima dessa falta de legalidade e cinismo», refere o Canal 1: «à destruição de um país, à morte de milhares de pessoas, à ocupação de 15% do território, chamaram uma operação de imposição da paz».
Um outro advogado, Srdjan Aleksic, vem de Vranje, a cidade onde fica a «rua da morte». Quando, imediatamente após a guerra, a sua mãe morreu imesperadamente de cancro, prometeu a si próprio punir os responsáveis. Percebendo que das instâncias internacionais ou interestatais não se pode esperar justiça, concluiu que «o único caminho, para as vítimas», é demandarem os culpados por meio de processos privados, «exigindo compensação pelos dados sofridos».

Um tribunal estabelecido por «grandes potências que não estivessem implicadas na agressão contra a Jugoslávia, como a Rússia, a Índia e a China» poderia, para Aleksic, ser a solução para obter justiça para as vítimas. «Um tal tribunal poderia ser absolutamente imparcial», afirma. As queixas poderão não ser apenas sérvias: soldados italianos da NATO, que estiveram no Kosovo após o fim dos bombardeamentos, morreram de cancro, inesperadamente, depois de regressarem a casa – outros lutam, ainda, contra a terrível doença. Ao reconhecerem como causa da morte desses soldados o contacto com resíduos das munições reforçadas urânio empobrecido, a justiça italiana criou um precedente que pode vir a servir a outras vítimas. E convém não esquecer que militares portugueses da KFOR morreram por essa razão.
No seu escritório «acumulam-se as caixas de crimes sem castigo», refere a reportagem do Canal 1. Aleksic aguarda o veredicto de da comissão estatal sérvia, estabelecida no ano transacto com o objectivo de avaliar os danos causados pelos bombardeamentos da NATO e as suas consequências. «Este veredicto», refere a reportagem, «poderá tornar-se a base para transformar aquelas histórias em processos legais».
Não será fácil. Os EUA anunciaram, recentemente, a sua disposição de imporem sanções contra representantes do Tribunal Internacional de Justiça de Haia que manifestem nem que seja a intenção, apenas, de acusar soldados americanos de crimes de guerra que tenham cometido no Afeganistão. É difícil de imaginar qual a reacção imperial a uma tentativa sérvia para pedir justiça por estes crimes, cometidos vinte anos atrás.
O ministro da Ecologia e da Protecção Ambiental da Sérvia, Goran Trivan, mostrou-se pessimista, nas declarações prestadas ao Canal 1. «Não acredito que alguém venha a responder por estes crimes. O povo sérvio parece condenado a que ninguém seja responsável pelos crimes contra si cometidos. Compreendemo-lo muito bem. Mas, ao contrário do que é admitido, não ficaremos calados! Clinton e Solana cometeram crimes numa escala épica».
«O impacto da injustiça interminável sofrido pela sociedade sérvia não é menor que o impacto das munições de urânio empobrecido sobre a saúde da nação». O jornalista do Canal 1 dificilmente poderia fechar de melhor forma a reportagem conduzida pelo canal televisivo.

Fonte: https://www.abrilabril.pt/internacional/bombas-sobre-belgrado[1]

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References

  1. ^ https://www.abrilabril.pt/internacional/bombas-sobre-belgrado (www.abrilabril.pt)
  2. ^ endereço (www.odiario.info)
  3. ^ odiario.info (odiario.info)

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Será possível guerra pelas Colinas de Golã com participação do Irã?

Militares iranianos (foto de arquivo)
© AP Photo / Vahid Salemi

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na presença do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em 25 de março um documento sobre reconhecimento da soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, que de acordo com as Resoluções do Conselho de Segurança da ONU pertencem à Síria.

Hoje as forças militares iranianas estão presentes na Síria e a agência Sputnik Persa discutiu com um especialista se é possível haver uma guerra pelas Colinas de Golã.

Quando ocorreram a Guerra dos Seis Dias de 1967 e a Guerra do Yom Kippur de 1973, que levaram à ocupação das Colinas de Golã por Israel, o Irã do xá Mohammad Reza Pahlavi não mostrou qualquer simpatia pelos seus vizinhos árabes e pela proteção de seus interesses contra Israel. Naquela época, para o Irã Israel era um parceiro comercial estratégico que ele não queria perder em benefício de seus vizinhos árabes.


No entanto, os tempos mudaram e Israel, que era amigo do Irã do xá, desde a Revolução Iraniana de 1979 tornou-se um inimigo do Irã. E hoje, quando as forças militares iranianas estão presentes na Síria, o cenário pode ser diferente por parte do Irã, não será como em 1973. Será que as Colinas de Golã ainda se tornarão uma nova "guerra do Yom Kippur", na qual agora também entrará o Irã?

Em entrevista à Sputnik, Hossein Royvaran, cientista político iraniano, professor da Universidade de Teerã, especialista em assuntos do Oriente Médio e países árabes e ex-chefe do escritório regional da empresa estatal de televisão e rádio do Irã em Beirute, comentando a situação atual nas Colinas de Golã, disse que "as ações dos EUA mostram que este país só está sujeito à 'lei da selva'", mas as ilegalidades de Trump podem acabar mal, tanto para Israel quanto para os próprios EUA.

"As Colinas de Golã, de acordo com as Resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, são um território da Síria, dois terços do qual está agora ilegalmente ocupado por Israel. E o fato de os EUA, sob pretexto de lutarem contra o Irã e violando o direito internacional, reconhecerem este território ocupado como parte de Israel nos mostra que os EUA não reconhecem nem mesmo as resoluções que eles mesmos assinaram", disse Hossein Royvaran.


Segundo o especialista, a falta de compromisso com suas promessas e a violação do direito internacional criariam mais tensão, anarquia e caos na região. Ao mesmo tempo, esta ilegalidade pode eventualmente virar-se contra os EUA e Israel.

"Hoje, há um bloco internacional de países que se formou contra Israel e a ilegalidade norte-americana (incluindo o reconhecimento de Jerusalém como a capital do Estado judaico). Apenas alguns países apoiaram as ações de Trump. Isso nos fala sobre o isolamento político dos EUA e a perda de respeito dos países pelos EUA a nível internacional", acrescentou Hossein Royvaran.

O especialista não descartou que uma operação militar para libertar as Colinas de Golã da ocupação israelense também poderia começar, não apenas por parte da Síria, mas em conjunto através de um bloco de coalizão, onde o Irã ajudaria com o Hezbollah e o Hamas.


"Agora pode não ser uma boa altura para a Síria começar uma nova 'guerra do Yom Kippur'. O país ainda está lutando com vários problemas: a leste do Eufrates, na província de Idlib, algumas áreas em Aleppo ainda estão ocupadas por grupos terroristas e os americanos não deixaram a Síria", explicou ele.

Segundo o especialista, nenhuma ocupação pode continuar permanentemente e isso não exclui uma solução militar. Assim que a Síria ganhe forças e considere existirem as condições necessárias para uma ação militar, ela poderá recuperar o seu território. O Irã, o Hamas e o Hezbollah ajudarão a Síria em qualquer guerra contra Israel.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019032713569049-possivel-guerra-colinas-gola-participacao-ira/

Socorro Gomes: Demandamos rechaço internacional inequívoco à decisão de Trump sobre as Colinas de Golã sírias

A presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, emitiu nesta terça-feira (26) nota de repúdio à ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em que reconhece a soberania israelense sobre o território sírio ocupado por Israel desde 1967, as Colinas de Golã. Trump oficializou o reconhecimento de forma unilateral e ilegítima na segunda (25), mais uma de várias medidas ofensivas contra a Síria às quais o movimento internacional da paz tem se oposto resolutamente. Leia a nota de Socorro a seguir:

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Com revolta e indignação, condenamos mais uma das decisões arbitrárias e ilegítimas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nesta segunda-feira (25) reconheceu oficialmente a soberania israelense sobre território sírio, as Colinas de Golã ocupadas militarmente por Israel na Guerra de Junho de 1967.

O Conselho Mundial da Paz tem reiteradamente rechaçado a ocupação israelense dos territórios árabes, inclusive os da Palestina, uma ofensa evidente aos princípios elementares da Carta das Nações Unidas e do direito internacional que deveriam reger as relações entre as nações em pé de igualdade.

A pretensa anexação das Colinas de Golã deu-se também de forma criminosa, através de uma lei constitucional que o Parlamento de Israel aprovou ainda em 1981, mas foi amplamente rechaçada, inclusive pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, como a colonização israelense do território já vinha sendo, em resoluções emitidas desde 1967. A resolução 497 de 1981 afirma a nulidade da lei israelense, uma vez que é inadmissível a conquista de território através da força. Tal medida agressiva há muito ficou relegada para os livros de história e constituiria um gravíssimo precedente.

Mesmo assim, o presidente dos Estados Unidos, que se considera excepcional, acima da lei, como no caso do reconhecimento da soberania de Israel sobre o território palestino ocupado de Jerusalém Oriental, decidiu conceder a Israel o direito a anexar o território sírio. O fez, entretanto, isoladamente; até mesmo aliados dos EUA e de Israel na União Europeia já se distanciaram de tal arbitrariedade.

A Síria vem enfrentando a agressão estrangeira e medidas desestabilizadoras desde 2011, combatendo grupos terroristas e bandos armados, inclusive mercenários, que aterrorizam o povo sírio com o respaldo financeiro, militar e político dos EUA, de Israel e de outros aliados da região. A política ofensiva israelense contra a Síria é constante e também se estende à ofensiva indireta de Israel contra o Irã, aliado do povo sírio e do seu governo legitimamente eleito.

As forças amantes da paz somam-se no repúdio a mais esta medida desestabilizadora, criminosa e ilegítima do presidente Trump. Os sucessivos governos dos Estados Unidos não têm medido esforços para impor o seu domínio sobre o Oriente Médio e atropelam impunemente o direito internacional e o sistema das Nações Unidas no processo.

A anexação de territórios através da força é inadmissível! Demandamos à ONU que condene de forma inequívoca tal afronta e que nenhum outro país se some a mais esta ofensiva imperialista contra a Síria.

Toda a solidariedade ao povo sírio na defesa da sua integridade territorial e da sua soberania!

Socorro Gomes
Presidenta do Conselho Mundial da Paz

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Nos 20 anos da ofensiva da OTAN, entidades abordam repercussões e luta pela paz em conferência na Sérvia

O Fórum de Belgrado por um Mundo de Iguais, o Clube de Generais e Almirantes da Sérvia e a Sociedade Sérvia de Anfitriões organizaram eventos de grande relevo em Belgrado, em 22 e 23 de março, para registrar o 20º aniversário da agressão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a ex-Iugoslávia. O Conselho Mundial da Paz (CMP) participou com delegações de mais de 10 entidades membros –como o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz). A presidenta Socorro Gomes fez contundente denúncia da agressão, assim como o secretário-geral Thanassis Pafilis e demais membros.

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Com uma grande conferência internacional intitulada “Paz e Prosperidade contra a Guerra e a Pobreza”, os oradores –inclusive autoridades do período da agressão e atuais– condenaram não só a devastação e as mortes causadas pelos bombardeios, como também a ofensa ao direito internacional que abriu precedentes perigosos para todas as nações.

Em 24 de março de 1999, membros da OTAN, liderados pelos EUA, lançaram uma ofensiva contra a ex-República Federal da Iugoslávia que durou 78 dias, usando armas de efeito prolongado, como o urânio empobrecido. Milhares de pessoas foram mortas ou obrigadas a se deslocar em busca de refúgio; danos à infraestrutura foram estimados em mais de 100 bilhões de dólares à época.

Entre os oradores, estiveram o ex-chanceler Zivadin Jovanovic, presidente do Fórum de Belgrado por um Mundo de Iguais, membro do CMP, diversas autoridades políticas e religiosas da Sérvia e do exterior, líderes de comitês internacionais de solidariedade ao povo sérvio que protestaram em massa contra a agressão e os delegados de entidades membros e dirigentes do CMP. Leia ao final da matéria o discurso da presidenta do CMP, Socorro Gomes.

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Parte da programação, um painel da juventude foi realizado sob o lema da conferência internacional, “Não Esquecer”, onde pesquisadores e advogados sérvios e solidários internacionais discutiram o tema. Representantes do Cebrapaz, Moara Crivelente, do Movimento da Paz Theco, Milan Krajca, e do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), Filipe Ferreira –membros do CMP– falaram da militarização na América Latina e na Europa e da campanha pela dissolução da OTAN. Leia ao final da matéria a fala de Moara Crivelente no painel.

Agressão imperialista contra a Iugoslávia

O objetivo das potências agressoras era completar a desintegração da Iugoslávia após o fim da União Soviética e da República Federativa Socialista –conformada pela Sérvia, Montenegro, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina e Macedônia– em 1991-1992, sucedida pela República Federal da Iugoslávia, cujo reconhecimento como sucessora da federação socialista foi boicotado na ONU. A República Federal da Iugoslávia dissolveu-se em 2003, resultando na União Estatal da Sérvia e Montenegro, por sua vez dividida em 2006 entre as duas unidades nacionais. Os membros da OTAN respaldaram ainda a secessão da província sérvia de Kosovo e Metóquia, de maioria albanesa, que declarou independência em 2008 e se tornou praticamente um protetorado das potências imperialistas.

Diversos oradores sérvios, como o atual ministro da Defesa Aleksandar Vulin, enfatizaram a importância da classificação da dita “operação” da OTAN como uma “agressão”; o termo tem definição jurídica e evidencia a intenção criminosa da ação. Além disso, desde 2018 o Tribunal Penal Internacional pode julgar indivíduos pelo crime de agressão –quando um estado usa a força violando a “soberania, a integridade internacional e a independência política” de outro– já classificado pelos Tribunais de Nuremberg e de Tóquio dos anos 1940. Ainda que reivindicações não possam ser feitas retroativamente ao Tribunal e ainda cerca de 35 países aceitaram a emenda ao estatuto da Corte, a definição carrega importante significado político.

“No momento mais obscuro tentaram nos convencer de que éramos culpados pela agressão de que fomos vítimas. Mas aqueles que se solidarizaram conosco nos deram força e inspiração para reagir”, disse o ministro da Defesa. “Vidas de crianças sérvias, policiais e soldados, também contam. (…) Nenhuma nação tem o direito de dizer que civis e crianças foram danos colaterais. (…) Tentaram matar a Sérvia, mas mataram o direito internacional”, afirmou Vulin. Mencionando a integração de países da região e do antigo Pacto de Varsóvia à OTAN, Vulin garantiu que a Sérvia não trilhará o mesmo caminho e “nunca fará às outras nações o que fizeram conosco”.

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A prática imperialista dos membros da OTAN, especialmente os EUA, o Reino Unido e a França, de intervenção e agressão contra nações que ousem defender sua soberania, integridade territorial e independência política, foi o principal alvo das denúncias dos participantes da conferência, nacionais e internacionais. Em especial, a campanha midiática de mentiras e desinformação foi amplamente condenada e os paralelos com casos mais recentes, enfatizados, assim como a aliança imperialista com forças paramilitares locais como o chamado “Exército de Libertação do Kosovo” (KLA, na sigla em inglês), a demonização de líderes nacionais e a manipulação de questões étnicas para inflamar conflitos.

Os oradores enfatizaram os perigos do precedente aberto pela agressão contra a ex-Iugoslávia, quando o pretexto de uma intervenção humanitária passa a ser usado para justificar ofensivas.

Neste sentido, os participantes denunciaram agressões subsequentes, inclusive aquelas que não tiveram o respaldo do Conselho de Segurança, como demanda a Carta das Nações Unidas. Foram os casos do Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria, assim como as ameaças, neste caso ainda isoladamente, pelos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela, com a clara intenção de impor ao povo venezuelano uma mudança de regime sob o pretexto evidentemente falso de promover a democracia e proteger os direitos humanos.

Além da conferência, a programação dos 20 anos da agressão incluiu ainda uma exibição rica em informações e imagens e visitas aos monumentos às vítimas, onde os participantes puderam prestar sua homenagem.

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Os mísseis guiados e a guerra assimétrica

Hoje as guerras já não opõem mais os Estados entre si, mas grupos não-estatais, muito mais difusos, aos Estados. Esta lógica assimétrica conduz as grandes potências a encarar outras formas de combate para os grupos armados que patrocinam. A prazo, deverá tornar-se possível a estes grupos armados utilizar mísseis guiados até aqui reservados a exércitos clássicos.

É possível que durante próximas guerras se procure acrescentar novos métodos assimétricos. Por exemplo, a Marinha dos EUA estudou durante muito tempo a possibilidade de transformar navios comerciais em plataformas de lançamento de mísseis. A razão disso é que o custo de um destróier (contra-torpedeiro) lança-mísseis norte-americano equivale a 15 ou 20 navios mercantes.

Um destróier carregando 90 mísseis a bordo é vigiado em permanência e pode ser afundado por 1 ou 2 mísseis navais. Os lança-mísseis de navios comerciais são mais difíceis de detectar. Um navio comercial pode embarcar 450 mísseis e lançar simultaneamente 30 mísseis sobre diferentes alvos. Os resultados permanecem secretos, mas supõe-se que os Estados Unidos estão já prontos para o fazer.

E a Rússia, quanto a ela, tenta criar métodos de guerra assimétrica através de um sistema de lançamento modular. Ele é montado em contentores comerciais para mísseis de cruzeiro Kalibr, de um alcance de 1. 500 a 2. 000 km. Além do contentor (container-br) no "rack"(prateleira) de lançamento, há também um contentor com equipamento de detecção de alvos.

Em termos de tamanho, o míssil Kalibr está perto do Zircon, que tem uma velocidade de 11. 000 km e um alcance de 1. 000 km. Ele pode, pois, ser montado no mesmo tipo de contentor, o qual pode ser colocado num porto, como as baterias costeiras, em camiões (caminhões-br) comerciais, ou montado em navios comerciais ou quebra-gelos no Ártico.

Devido ao seu aspecto bastante comum, não chamando a atenção, dezenas de mísseis Kalibr e Zircon podem ser introduzidos clandestinamente no território de qualquer Estado, incluindo os Estados Unidos. Os contentores são em seguida transportados por camiões de frete domésticos para ser colocados de tal modo que os mísseis estejam ao alcance de objectivos estratégicos predeterminados. O contentor de controle de tiro comanda o lançamento de todos os mísseis à distância. Se a Rússia pode fazer algo deste género, não duvido de que os Estados Unidos e a China podem igualmente fazê-lo.





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Além da Venezuela: os conflitos em curso pelo mundo

Desde muito tempo, províncias, cidades e Estados já protagonizam conflitos bélicos que são estudados, muitas vezes, em livros didáticos na escola. As relações ríspidas e ataques entre diferentes civilizações sempre marcaram presença durante a intensa existência humana no planeta Terra.

Porém, ao estudar algumas guerras e outros tipos de confronto armado durante o período escolar, muitas pessoas têm a falsa impressão de que esses acontecimentos históricos ficaram para trás e estão presentes apenas em um passado bem distante.

Talvez por causa da proximidade temporal com os confrontos que estão atualmente ocorrendo, seja um pouco mais difícil de notar o clima beligerante que assola muitas regiões pelo mundo. Além disso, a grande mídia nem sempre aborda alguns conflitos entre países — de cunho territorial, político-econômico ou ideológico — com o enfoque que eles demandam. Nem sempre há, também, pessoas com grande conhecimento sobre esses conflitos que tenham apelo midiático suficiente para discorrerem sobre essas questões tão complexas e, assim, atingirem o grande público.

A exceção quanto à ampla e plural abordagem da mídia em conflitos está sendo a crise venezuelana. Com grande frequência, diversos veículos, das mais diversas plataformas e linguagens, discutem os últimos contornos da atual crise na Venezuela. Os confrontos no território vizinho, no entanto, ainda não atingiram o patamar de guerra com outros Estados — os alertas sobre a violação dos Direitos Humanos na Venezuela, feitos pela ONU, não são devido aos confrontos bélicos entre dois exércitos, mas sim por causa de outras questões de nossos vizinhos.

Abaixo, você pode ler sobre alguns conflitos que atualmente estão em curso pelo mundo, mas nem sempre são muito noticiados; confira:

Disputa pela Caxemira

O conflito na região da Caxemira é protagonizado por Índia e Paquistão. As disputas, que envolvem diferenças étnicas e territoriais, tiveram início após a independência indiana, em 1947. Até então, ambos países faziam parte do mesmo bloco e estavam sob domínio do Império Inglês, mas com o fim da colonização, os dois Estados foram criados e as diferenças culturais e religiosas afetaram diretamente a relação entre os dois países. A Índia, predominantemente hinduísta, aumentou a rivalidade com o Paquistão, de maioria muçulmana. A região da Caxemira (entre os dois países), portanto, se tornou alvo de intenso interesse de ambas as partes para o controle da área. Até os dias atuais, a situação na região é muito delicada.

Guerra na Síria

Reprodução/Internet

Iniciada em 2011, a Guerra na Síria teve seu estopim no contexto da Primavera Árabe — manifestações populares que se espalhavam por países da região. Muitas pessoas começaram a demonstrar insatisfação com o governo de Bashar al-Assad e reclamavam de irregularidades na administração do líder do país. Como resposta, Bashar al-Assad ordenou que as forças de segurança atacassem os manifestantes. O clima no país esquentou de vez e outros conflitos voltaram a acontecer. Outros países também começaram a financiar o conflito; os Estados Unidos, por exemplo, passaram a auxiliar as forças rebeldes, enquanto que sua rival, Rússia, deu apoio ao governo de Assad. De acordo com levantamento feito recentemente pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mais de 500 mil pessoas já morreram desde o início do conflito, boa parte delas eram civis.

Guerra do Iêmen

O Iêmen, um dos países mais pobres do mundo árabe, está sendo destruído desde 2015 por causa de uma guerra que opõe duas potências da região: forças do governo de Abd-Rabbo Mansour Hadi, em coalização liderada pela Arábia Saudita, e os rebeldes “Huti”, apoiados pelo Irã. O conflito também tem raízes na Primavera Árabe, quando o presidente Ali Abdullah Saleh foi forçado a deixar o poder nas mãos de Hadi, seu vice na época. Porém, a transição não levou o país à instabilidade e Hadi encontrou problemas para administrar o Iêmen. O movimento huti, por sua vez, aproveitou do enfraquecimento do novo governo e tentou tomar o controle de algumas zonas. Devido aos conflitos, Mansour Hadi precisou se exilar. A Arábia Saudita, então, decidiu atacar os Hutis para ajudar a restaurar o governo de Hadi, o que esquentou ainda mais o clima e fez com que o Irã se colocasse contra essa coalizão formada. Até o momento, a guerra já deixou milhares de mortos.

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/alem-da-venezuela-os-conflitos-em-curso-pelo-mundo/

Índia e Paquistão teriam ameaçado ataques mútuos com mísseis

Astra, míssil ar-ar de emprego além do alcance visual produzido na Índia (foto de arquivo)
CC BY-SA 2.5 / Rajan Manickavasagam, Christian Alexander Tietgen / Astra Mk-I missile

Em meio ao agravamento das tensões indo-paquistanesas, Nova Deli ameaçou lançar mísseis contra o Paquistão, enquanto Islamabad repeliu dizendo que iria responder lançando "três vezes mais" mísseis, escreveu neste domingo (17), a agência Reuters, citando diplomatas ocidentais, bem como fontes paquistanesas, indianas e norte-americanas.

O agravamento do conflito começou a 14 de fevereiro, quando em um ataque suicida foram mortos 45 agentes dos serviços especiais indianos na região de Caxemira. A responsabilidade pelo ataque foi reivindicada por um grupo islamista que opera na região.


Em seguida, a Índia atacou posições desse grupo no território paquistanês, ao que a Força Aérea do Paquistão respondeu atingindo instalações militares indianas. Nova Deli e Islamabad anunciaram também a derrubada de aviões um do outro durante combates aéreos.

À medida que as tensões aumentavam, a Índia ameaçou disparar seis mísseis contra alvos específicos do Paquistão. A intenção foi confirmada por um ministro paquistanês e um diplomata ocidental em Islamabad.

O Paquistão disse que iria responder a qualquer ataque de mísseis com muito mais lançamentos. "Nós dissemos que, se vocês disparassem um míssil, nós dispararíamos três. Faça a Índia o que fizer, responderemos três vezes a isso", disse um ministro paquistanês à Reuters.

Fontes da Reuters disseram que a libertação do piloto indiano Abhinandan Varthaman ajudou a amenizar as tensões entre os dois países.  

Atualmente, as duas potências nucleares continuam demonstrando seus "músculos" militares. No início desta semana, a Índia apresentou o Pinaka Mk II, a mais nova versão de um lançador múltiplo. Enquanto isso, o Paquistão testou com sucesso um novo míssil de maior alcance, o JF-17 Thunder, desenvolvido no país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019031713507887-india-paquista-caxemira-ataque-misseis-conflito/

Zirkon e Avangard: a última mensagem de Putin aos Serviços de Inteligência dos EUA

No seu último discurso perante a Assembleia Federal, o Presidente Vladimir Putin parece ter evocado a possibilidade de modificar o míssil hipersónico Zirkon antes que os sistemas Avangard entrem em serviço. A Rússia iria estar assim, a grande custo, em posição de superioridade face aos Estados Unidos.

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O míssil hipersónico Zirkon, assim como o sistema Avangard, foram mencionados pelo Presidente Vladimir Putin no seu discurso de 20 de Fevereiro [1]. Aí, ele advertiu igualmente que, se os Estados Unidos colocassem mísseis de médio alcance na Europa, a Rússia definiria como alvos não apenas as instalações de lançamento, mas também os seus centros de comando. Alguns de entre eles estão no continente americano.

Já estamos habituamos ao facto de que a associação de certos termos nos discursos de Vladimir Putin não é uma coincidência; e que eles têm um substrato conhecido pelos Serviços de Inteligência dos EUA.

A única arma que pode atingir os Estados Unidos, a partir da Rússia, para a qual o Pentágono não tem antídoto, é a Avangard. Mas a Rússia só terá em serviço operacional dois sistemas Avangard e apenas para o fim de 2019.

Na ausência de Avangards, a Zirkon tem um enorme potencial de modernização e adaptação, o que os Estados Unidos mais temem. Suponho que um Zirkon com um raio de acção aumentado se torne um Avangard mais pequeno podendo atingir o território norte-americano.

Eu penso que o Presidente Putin gostaria fazer os americanos saber que a Zirkon, com a sua enorme velocidade, poderia tornar-se no seu pesadelo após a sua saída unilateral do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (INF).

O motor Scramjet (ramjet) da Zirkon pode aumentar 5 vezes a quantidade de combustível inicial, o que permitiria arranques e paragens repetidas.

Desta maneira, ele regressa várias vezes à altitude e velocidade de cruzeiro iniciais e atinge um raio de acção de mais de 6.000 km. Devemos notar que a massa do motor Scramjet e do seu carburante (hidrogénio líquido) perfaz 500 a 600 kg.

A densidade ideal da atmosfera é aquela em que a resistência ao atrito é tão pequena quanto possível. Assim, o motor Scramjet funcionará a uma altitude de cruzeiro de 50 a 60 km. Para atingir esta altitude, a Zirkon terá necessidade de um motor propulsor de foguete mais potente do que aquele que tem actualmente.

Uma variante seria o de um míssil russo similar RSD-10 (15Zh45) que asseguraria o lançamento simultâneo de 2 a 4 sistemas Zirkon a uma altitude de 60 km. O RD-10 tem uma trajetória balística, enquanto o novo Zirkon, com seus saltos hipersónicos, torna impossível a previsão dos seus parâmetros de trajectória pelo Pentágono.


[1] “Excerto do Vladimir Putin Discurso na Assembleia Federal Russa”, Vladimir Putin, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Rede Voltaire, 20 de Fevereiro de 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



O mesmo ódio na Caxemira, na Palestina e na América Latina

Os conflitos regionais obedecem a uma política belicista internacional.

A agência de notícias chinesa Xinhua informa que o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, disse ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, que a “postura agressiva” da Índia pode afetar os esforços conjuntos pela paz no Afeganistão. As observações de Qureshi ocorreram em um momento em que os talibãs e as autoridades dos Estados Unidos mantêm negociações no Qatar. Segundo Qureshi, de acordo com a Xinhua, a Índia violou a “linha de controle” na Caxemira.

A Índia havia dito que seus aviões de combate bombardearam um acampamento do grupo Jaish-e-Mohammad, que foi responsabilizado pelo ataque suicida na Caxemira controlada pelo país no início deste mês e que matou 40 soldados paramilitares indianos. “A agressão indiana pode atrapalhar os esforços conjuntos para estabelecer a paz no Afeganistão”, disse Qureshi a Pompeo.

Chama a atenção, nessa informação da Xinhua, o fato de que o incidente foi tratado com o representante do regime norte-americano, marcado pela lógica proclamada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, George W Bush, numa cerimônia de formatura de cadetes da Academia de West Point no Estado de Nova York: “Os demais países do mundo (sic) só têm duas alternativas: ficar com os Estados Unidos ou com o terrorismo.” 

Amores pátrios

Essa frase expressa a natureza dos conflitos em várias partes do mundo. Na divisa da Índia com o Paquistão, o ar parece estar com cheiro de plutônio. Os dois países querem mostrar para o clube mundial dos brutamontes belicistas que também são gente grande e sabem brigar. Não chegam a ser taludos como as potências da Otan, mas rosnam, espumam e rangem os dentes. De um lado e de outro da fronteira, a capacidade nuclear é igual ou superior a 20 quilotons de TNT — exatamente a carga que recheava a bomba atômica dos Estados Unidos que dizimou Hiroxima em 1945, matando pelo menos 100 mil pessoas. 

Com seus mísseis balísticos, as ogivas nucleares podem atingir Islamabad, capital do Paquistão, e Nova Déli, capital da Índia, em apenas três minutos. Como suporte e demonstração de força, a Índia exibe 845 aviões de guerra ingleses, franceses e russos e o Paquistão 436 aviões norte-americanos. As tropas indianas totalizam 1,1 milhão de soldados e as paquistanesas, 600 mil. 

Amores pátrios e ódios políticos são manipulados pelos Estados Unidos e as velhas senhoras encrenqueiras da Europa, que instigam perigosamente essa chantagem nuclear para justificar seus arsenais prontos para serem, primeiro, expandidos, e, um dia, se preciso for, utilizados. Essa é a lógica. Ninguém investe bilhões em equipamentos que não quer usar.

Desintegração soviética

Assim como no entrevero Índia-Paquistão, no conflito do Oriente Médio a cobertura da mídia ocidental trata o governo norte-americano como um inocente e honesto observador do massacre do povo palestino. Nada se fala sobre abastecimento de armas, ajuda militar e tecnológica, e retaguarda política dos Estados Unidos ao governo de Israel. E os palestinos que lutam por seus direitos, excluídos no cenário global envenenado pelo belicismo norte-americano, são tratados como “terroristas”.

Na América Latina esse belicismo se manifesta na forma de métodos primários de agressões à esquerda, sobreviventes do mais rudimentar anticomunismo, a velha falácia do bem contra o mal que expressa bem a capacidade do sistema de poder norte-americano, com pretensões à sua perpetuação universal, de impor à humanidade as suas verdades. Pode-se afirmar que esse é um sistema de ameaças à própria sobrevivência do planeta à medida que ele cria extrema dificuldade para que as grandes maiorias compreendam os fenômenos políticos, sociais e econômicos.

O triunfo neoliberal, no entanto, não apagou do mapa-mundi importantes experiências soberanas e progressistas. São experiências que ainda vivem sua infância, mas não deixaram de ser referências para a decisiva luta contra a dominação e a espoliação comandadas pelas poderosas corporações privadas. A desintegração soviética abriu campo para a tese de que a disputa entre esquerda e direita está menos extremada e circunscrita ao projeto liberal. E o debate político, em geral, não foge à máxima de que agora as forças ideológicas que digladiaram — socialismo e capitalismo — no decorrer de todo o século XX foram suplantadas pela “vitória” cabal de um dos contendores.

Batalha na Venezuela

Na América Latina, aceitar essa tese significa abrir mão de uma experiência revolucionária como a cubana. Ou por outra: significa ser pego desarmado no fogo cruzado em batalhas como essa da Venezuela. O embaixador cubano Rosendo Canto Hernández, que serviu a seu país na Espanha, vai à raiz da questão. “O que é a história de Cuba senão a história da América Latina? E o que é a história da América Latina senão a história da Ásia, África e Oceania? E o que é a história de todos estes povos senão a história da exploração mais inumana e cruel do imperialismo no mundo inteiro?”

Para que brotasse em Cuba a raiz da total independência da América Latina em relaççao aos Estados Unidos, foi preciso a semente plantada Simon Bolívar, José Martí, San Martin e outras figuras imortais para o continente, regada por tantas outras personalidades inesquecíveis. A América Latina possui mais da metade de toda dos recursos naturais do planeta. De cada cinco árvores que existem na terra, duas crescem na região, que possui o rio mais caudaloso, duas das maiores cidades do mundo e uma riqueza fabulosa de terras férteis.


por Osvaldo Bertolino | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


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https://www.jornaltornado.pt/o-mesmo-odio-na-caxemira-na-palestina-e-na-america-latina/

«Estamos prontos para crise como a dos mísseis em Cuba se EUA desejarem»

Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a Rússia está militarmente pronta para uma crise como a dos mísseis em Cuba se os EUA forem tolos forem tolos o bastante para desejarem uma.

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O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a Rússia está militarmente pronta para uma crise como a dos mísseis em Cuba se os Estados Unidos forem tolos o bastante para desejarem uma, e que atualmente seu país tem a vantagem quando se trata de um primeiro ataque nuclear.

A Crise dos Mísseis de Cuba aconteceu em 1962, quando Moscovo reagiu à instalação de mísseis dos EUA na Turquia enviando mísseis balísticos a Cuba e provocando um impasse que deixou o mundo à beira da guerra nuclear.

Mais de cinco décadas mais tarde, as tensões estão se elevando novamente devido ao temor de que os EUA posicionem mísseis nucleares de alcance intermediário na Europa agora que um tratado de controle de armas da Guerra Fria pode estar com os dias contados.

Os comentários de Putin, feitos à mídia russa na noite de quarta-feira, vêm na esteira de seu alerta de que Moscovo responderá a qualquer ação dos EUA para instalar novos mísseis mais perto da Rússia posicionando seus próprios mísseis mais perto dos EUA, mobilizando mísseis mais velozes ou ambos.

Putin detalhou seu alerta pela primeira vez, dizendo que a Rússia pode enviar mísseis hipersônicos em navios e submarinos que poderiam se aproximar as águas territoriais norte-americanas se Washington decidir enviar armas nucleares de alcance intermediário à Europa.

(Estamos falando de) veículos navais de lançamento: submarinos ou navios de superfície. E podemos colocá-los, dadas a velocidade e o alcance (de nossos mísseis)… em águas neutras. Ademais eles não são estacionários, eles se movem e eles (norte-americanos) terão que achá-los”.

Putin, segundo uma transcrição do Kremlin

“Vocês façam as contas. Mach nove (a velocidade dos mísseis) e mais de mil quilômetros (de alcance)”, acrescentou.

O Departamento de Estado dos EUA minimizou o alerta anterior de Putin, que classificou como propaganda, dizendo que foi pensado para desviar a atenção do que Washington alega serem violações russas do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF).

O pacto, que proíbe os dois lados de posicionarem mísseis terrestres de alcance curto e intermediário na Europa, está agonizando, o que cria a perspectiva de uma nova corrida armamentista entre Washington e Moscou.

Putin disse que não quer uma corrida armamentista com os EUA, mas que não terá escolha senão agir se Washington instalar novos mísseis na Europa, alguns dos quais afirmou serem capazes de atingir Moscou em 10 a 12 minutos.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


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O mundo está a ficar nuclearmente mais perigoso

Um dos muitos equívocos sobre Barack Obama residiu no facto de, num discurso emblemático, ele se ter comprometido a trabalhar para um mundo liberto de armas nucleares. No entanto, os menos ingénuos,não terão deixado de reparar que a parte mais importante desse mesmo discurso foi a seguinte, quando afiançou a necessidade de investir mais em novo armamento desse tipo como singular forma de alcançar essa ilusória quimera. Como de costume, a coberto da imagem de «pomba», Obama demonstrava a sua intrinseca essência de cínico falcão.
O atual momento de tensão entre os Estados Unidos e a Rússia tem a ver com o facto de grande parte do arsenal norte-americanos estar no termo da sua vida útil e a carecer substituição. Trump aproveita a rescisão do tratado existente para garanti-la sem pensar nos limites, que comportaria se se cingisse aos compromissos internacionais. E, ao mesmo tempo, garantir uma excelente perspetiva de negócios para a vastíssima plêiade de empresas dedicadas a essa atividade, em tempos denunciadas por Eisenhower como «complexo industrial-militar». Empresas que, como á sabido, foram fundamentais no financiamento da sua campanha eleitoral e da generalidade dos candidatos republicanos ao Senado e ao Congresso.
Perspetiva-se, pois, uma nova guerra fria com riscos muito sérios a pairarem sobre as nossas cabeças. Porque não se pode ignorar que, por exemplo, os militares norte-americanos incumbidos de cumprirema ordem de disparo dos mísseis nucleares são jovens entre os 18 e os 26 anos, todos eles armados para eventualmente reagirem contra os colegas que se escusem a seguir o protocolo, ou se lhe queiram antecipar. Porque há, igualmente, registo de casos de alguns desses militares serem consumidores de cocaína, com o que isso possa significar num qualquer episódio descontrolado, que suscite retaliações e contrarretaliações até ao desenlace apocalítico final.
O Pentágono parece pensar que, ao retomar a bem sucedida estratégia de Reagan em acelerar a corrida aos armamentos, pode replicar a bancarrota económica e financeira dos principais inimigos. É esquecer que, do outro lado da trincheira, estão os chineses em condições de replicarem com uma eficácia outrora inalcançada pelos soviéticos. Porque não sobram dúvidas quanto ao facto de, através da aparente disputa com a Rússia, o imperialismo norte-americano visar Pequim, ciente de ver irreversivelmente infletido o desequilíbrio dos pratos da balança quanto para mais tarde procrastinarem as batalhas, que se segui