Guerra e Paz

Europa aumenta gastos com defesa por ter dúvidas em relação aos EUA

 
 
Países europeus aumentam seus gastos com defesa em meio a um cenário de dúvidas em relação ao compromisso militar dos Estados Unidos com o continente, de acordo com um relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).
 
O gasto de países europeus com defesa em 2019 foi de € 267 bilhões (R$ 1,25 trilhão), representando um aumento de 4,2% em relação ao ano anterior, conforme detalha o estudo anual sobre capacidades defensivas Militar Balance 2020, publicado na Conferência de Segurança de Munique.
 
Para a Europa, a Rússia representa a maior fonte de preocupações, especialmente nas regiões fronteiriças com o gigante euroasiático. O Pentágono tem reforçado sua presença no continente após a anexação da Crimeia em 2014.
 
Contudo, desde que Donald Trump assumiu a presidência norte-americana, a relação transatlântica tem passado por uma nova fase. Trump frequentemente acusa a Europa de se aproveitar dos Estados Unidos em termos de defesa, relata o portal Defense News. Neste contexto, o relatório do IISS argumenta que a presença de tropas dos EUA está perdendo seu brilho assim como os laços entre o país norte-americano e a Europa.
 
O diretor do IISS, John Chipman, afirma que "dentro e fora da OTAN, a chegada de equipes e equipamentos adicionais norte-americanos não é mais propriamente suficiente para dispensar as preocupações de aliados e parceiros sobre a estratégia dos EUA, comprometimento, ou mesmo deter oponentes".
 
Por outro lado, Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN, ainda considera que o Ocidente, com a OTAN como sua maior organização de defesa, pode contar com os Estados Unidos. Em uma coletiva de imprensa, na Conferência de Segurança de Munique, Stoltenberg defendeu que o Ocidente mantém a habilidade de agir se necessário, citando a compromisso e presença de tropas norte-americanas na Europa como um grande suporte.
 
Sputnik | Imagem: © Sputnik / Satnislav Savelyev

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/europa-aumenta-gastos-com-defesa-por.html

EUA se preparam para instalar mísseis de curto e médio alcance na Europa e Ásia, diz Lavrov

Teste de míssil de cruzeiro realizado em 18 de agosto na ilha de San Nicolas, na Califórnia, EUA
© AP Photo / Scott Howe

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou na coletiva de imprensa concedida após a Conferência de Segurança de Munique que os EUA estariam se preparando para instalar mísseis antes proibidos pelo Acordo INF em territórios da Europa e Ásia e em ilhas no oceano Pacífico.

Moscou havia solicitado aos EUA que evitassem instalar mísseis dessas categorias próximo às fronteiras russas, após Washington ter se retirado do Tratado INF, que proibia o desenvolvimento e instalação de mísseis de curto e médio alcance.

Moscou acredita que o fim do acordo levaria à "degradação" do sistema internacional de controle de armamentos.

Apesar do alerta, o chanceler russo relatou ter discutido com o seu homólogo norte-americano, Mike Pompeo, sobre o regime internacional de controle de armas. Para Lavrov, existem mudanças construtivas na posição dos EUA sobre o tema.

"Claro, nós iremos discutir esses assuntos com a França, mas para que cheguemos a um acordo detalhado, precisamos de negociações multilaterais, de consultas multilaterais, que, claro, incluiriam os EUA – que destruíram o Tratado [INF] e agora estão se preparando para instalar essas armas, que eram proibidas, na Europa e também na Ásia – e eles não escondem isso", disse o ministro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a sua decisão de se retirar do acordo INF em 2 de fevereiro de 2019. Washington alegou que Moscou teria violado o acordo, assinado em 1987. A Rússia negou as acusações, apesar de ter expressado suspeitas similares em relação ao cumprimento do acordo por parte de Washington.

Após os EUA saírem do tratado em agosto, o Pentágono testou imediatamente um novo míssil de alcance intermediário, o que poderia indicar que os EUA teriam desenvolvido essa classe de armamentos antes mesmo de se retirarem do acordo.

Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, durante conferência de imprensa sobre os resultados da Conferência de Segurança de Munique, no dia 17 de fevereiro de 2020
© Sputnik / Vitaly Belousov
Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, durante conferência de imprensa sobre os resultados da Conferência de Segurança de Munique, no dia 17 de fevereiro de 2020

O acordo INF, assinado entre os EUA e a URSS no final da Guerra Fria, no ano de 1987, proibia ambas as partes de possuir ou desenvolver mísseis terrestres com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros. O acordo era considerado um dos pilares da estabilidade estratégica e da segurança global.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020021715226887-eua-se-preparam-para-instalar-misseis-de-curto-e-medio-alcance-na-europa-e-asia-diz-lavrov/

O pensamento ignóbil de um deputado do CDS

Da discussão do estatuto do Antigo Combatente, sobre o qual me pronunciarei quando a AR o definir, retive uma frase do deputado Telmo Correia:

«O antigo combatente é quem serviu a pátria, quem honrou a nossa bandeira, quem esteve exposto a situação de risco, quem não desertou e quem não traiu».

Telmo Correia não sofreu a guerra e, na definição de «antigo combatente», nota-se a nostalgia colonialista, o apoio à guerra, a indiferença pelas vítimas dos movimentos de emancipação e a raiva a quem não quis morrer numa guerra injusta, inútil e criminosa.

O deputado do decadente CDS traz à memória a definição do grande humorista e desenhador, José Vilhena, que no dicionário cómico define ‘Patriota’: “o indivíduo que ama a sua pátria, não confundir com nacionalista, que ama também a pátria dos outros.”.

O deputado nacionalista, que ignora o que foi ver morrer camaradas, perder um soldado afogado nas águas revoltas do Zambeze, desaparecido sob a jangada que o transportava com centenas de outros militares, que não ouviu o ruído de um disparo de bazuca que, do corpo, deixou apenas as ancas e pernas de um amigo, que ignora que foi maior a coragem de quem desertou do que a de quem, como eu, ficou, o deputado atreve-se a chamar traidor a quem recusou integrar o exército de ocupação a que a ditadura obrigou.

Falar em quem esteve exposto a situações de risco, é ignorar os mosquitos, a matacanha, a água inquinada, os alimentos estragados, o medo, a angústia e a raiva de quem pagou o tributo de viver em ditadura com mais de quatro anos de vida sacrificada.

Há uma dívida, sobretudo para quem vive em condições precárias, pelo sofrimento que atingiu a minha geração, mas considerar serviço à pátria a opressão a pátrias alheias, e honrar a bandeira quem adiou a bandeira de outras pátrias, é reescrever a história e absolver a ditadura fascista. É chamar heróis às vítimas da guerra, enquanto não pode chamar traidores aos heróis que lhe puseram termo numa madrugada de Abril.

Como antigo combatente, com 4 anos e 4 dias de serviço militar obrigatório e 26 meses de guerra colonial em Moçambique, repudio, pelos que morreram inutilmente, pelo Dias que uma Berliet esmagou, pelo Moura que o rio Zambeze tragou, pelo Martins que a granada de bazuca despedaçou, pelos mortos do Catur, Massangulo, Malapísia e Leone, pelos 7481 mortos, 1852 amputados e 220 paraplégicos de três teatros de guerra, a definição fascista de quem não critica a ditadura, e considera que traiu quem desertou.

A reescrita da História é a via por onde circula a canalha fascista nostálgica das colónias e os que não viveram o drama da guerra. À força de repetirem as mentiras, as vítimas da ditadura hão de julgar que era a Pátria que defendiam e não o regime que as oprimiu.

Um milhão de refugiados das colónias, com o sofrimento, perda de bens e traumas com que fugiram, bem como os mortos do outro lado, deviam merecer respeito de quem faz julgamentos gratuitos da tragédia da guerra colonial, para os povos de Portugal, Angola, Moçambique e Guiné.

Há vítimas que nunca poderão ser ressarcidas, os mortos e, desses, sobretudo os pais e irmãos dos que partimos no tempo que por lá sofremos.

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/02/o-pensamento-ignobil-de-um-deputado-do.html

A luta pela paz e a solidariedade internacionalista

DSC 0508João Barreiros
Membro do Conselho Nacional

Uma forte saudação a todos os delegados e delegadas a este nosso 14º Congresso da CGTP-IN. Um forte saudação ainda aos convidados internacionais que participam no nosso congresso e através deles os trabalhadores dos seus países.

Na nossa luta em Portugal, pelo desenvolvimento do país, pelos direitos, pelos salários, contra a precariedade, devemos ter em consideração a situação internacional e a forma como nos influencia. A situação mundial é marcada por uma profunda instabilidade, inseparável da crise estrutural do sistema capitalista. Muitos podem ler esta expressão como que considerando que o sistema capitalista caminha para o seu fim a curto prazo. A crise estrutural é da natureza do sistema capitalista, é causa e consequência do aprofundamento do seu carácter explorador, opressor, agressivo e predador. Está na raiz das crises cíclicas. Em Portugal temos exemplos claros de como o capitalismo, perante a crise tem encontrado sempre como solução o aprofundamento da exploração, a destruição de serviços públicos, a redução dos salários, o ataque à protecção social, à contratação colectiva e o alastrar da precariedade, atacando ainda a organização dos trabalhadores e o movimento sindical unitário.

O grau de exploração dos trabalhadores atingiu limites e consequências como nunca, e nunca se produziu tanta riqueza no mundo como hoje, nunca ela esteve concentrada em tão poucas mãos. No entanto a maioria dos trabalhadores está afastado do acesso a bens e direitos essenciais. A exploração dos trabalhadores segue lado a lado com o controlo dos recursos naturais e a guerra, que o imperialismo promove, e que são factores de destruição das economias e da pobreza que alastra no mundo.

A Paz é questão essencial para o desenvolvimento e o progresso económico, social e cultural da humanidade e para uma mais justa distribuição da riqueza. A ocupação da Palestina e a opressão do seu povo por parte de Israel, agravada por um chamado “Plano do Século” apresentado pelos EUA integra-se na escalada contra o direito internacional e a autodeterminação deste povo. Afirmamos a nossa solidariedade de sempre com o povo Palestino pelo direito a ter o seu estado nas suas fronteiras de 1967 com Jerusalém como capital. Estamos confiantes que a Palestina vencerá!

O povo Saarauí que continua a ver negado a constituição do seu estado no Saara Ocidental, luta pela qual tem a solidariedade activa da CGTP-IN por um Saara livre e independente.

No médio Oriente mantém-se a operação de desestabilização, agressão e ataque à soberania dos povos levado a cabo pelo imperialismo norte-americano e os seus aliados, particularmente Israel, e que afecta de forma particular a Síria que tem estado sobre agressão à sua soberania territorial. Desde este congresso o nosso mais firme apoio a todos os que lutam pela paz nos seus países. Paz sim, Guerra não.

A tensão na Península da Coreia, aliviada nos últimos anos com a aproximação entre os dois países, o retomar da militarização do Japão, as crescentes tensões entre Paquistão e Índia e as pressões e guerras económicas contra a China marcam o momento presente naquela zona do globo.

Na América Latina, com os EUA e os seus aliados a procurar repor a hegemonia territorial, atacando processos soberanos, impondo medidas e sanções, e que no quadro do continente é marcado por um lado pelo ascenso de forças neoliberais, de direita e extrema direita no Brasil, Colômbia, Perú, Equador, El salvador e Chile, pelos golpe na Bolívia mas também pela luta e resistência dos trabalhadores um pouco por todo o continente. Luta que muito valorizamos e saudamos. Acentuou-se nos últimos anos a escalada de desestabilização da Venezuela, com o aprofundamento de sanções e tentativas sucessivas de golpe de Estado e a manutenção, aprofundado agora pelo Presidente dos Estados Unidos da América, do criminoso bloqueio ao heróico povo de Cuba. Ao povo da Venezuela e de Cuba afirmamos, não estão sozinhos. E em particular ao povo cuba a nossa confiança que Cuba Vencerá.

No continente Europeu os trabalhadores e os povos vivem sobre uma forte ofensiva aos seus direitos, enquanto a União Europeia vem demonstrando o seu carácter federalista, militarista e neoliberal, aliada a uma política que procura impor uma Europa fortaleza e que nega o direito à vida e à segurança dos milhares de refugiados que procuram atravessar todos os anos o mediterrâneo. As melhores condições de vida que existem na Europa, resultado de um longo processo histórico onde os avanços em matéria de direitos no bloco socialista e a luta dos povos foi determinante. Mas estes avanços não correspondem às potencialidades nem a uma justa distribuição da riqueza, antes pelo contrário, entre o capital e o trabalho a opção da união europeia tem sido clara, transferir para o capital a riqueza produzida pelo trabalho, o que naturalmente nos convoca à luta por uma outra europa dos trabalhadores e dos povos, onde se respeite a soberania e os direitos dos trabalhadores.

A CGTP-IN inscreve nos seus princípios e objectivos a luta pela paz e pela solidariedade com os trabalhadores e os povos vítimas de embargos, bloqueios e agressões imperialistas. Em Portugal este tem sido o caminho a seguir em conjunto com as organizações do movimento da Paz, em particular o Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Os tempos hoje são, para quem defende e se posiciona na luta pela paz a de afirmar os princípios da paz e da solidariedade. De exigir e dar combate ao militarismo e à corrida armamentista, por um mundo livre de armas nucleares e contra a instalação e permanência de bases militares estrangeiras, designadamente, na Península Ibérica. Afirmamos que a existência da NATO não tem justificação e exige-se a dissolução deste bloco-político militar. Da resolução pacífica dos conflitos, do respeito pela soberania e independências nacionais, da amizade e da cooperação entre os povos.

A CGTP-IN está profundamente comprometida com a causa da Paz e da Solidariedade. Lançamos o apelo a todas as estruturas do Movimento Sindical Unitário para que reforcem a luta pela paz e que contribuam para que no dia 30 de Maio se realize um grande encontro pela Paz na cidade de Setúbal.

Prosseguir a luta nas empresas e nos locais de trabalho, o reforço da nossa acção e da nossa luta é um contributo inestimável para o reforço da luta dos trabalhadores de todo o mundo na construção de um mundo de paz e solidariedade, numa sociedade diferente, mais fraterna e mais justa, uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem.

Viva a luta dos trabalhadores.

Viva a solidariedade internacionalista.

Seixal, 15 de Fevereiro de 2020

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Gastos militares mundiais têm maior aumento em 10 anos, mantendo EUA como líder

Lançamento de míssil balístico intercontinental, EUA
© REUTERS / Lucy Nicholson

De acordo com o relatório anual do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), os gastos militares aumentaram 4% no ano passado a nível mundial – o maior aumento em uma década.

Segundo dados do instituto de pesquisa sediado em Londres, o aumento nos gastos é impulsionado principalmente pela concorrência militar dos EUA com a Rússia e a China.

Em 2019, as despesas com orçamentos militares cresceram em todo o mundo para níveis nunca vistos em uma década, tendo aumentado 4% em comparação com 2018. Os resultados da estatística coletados pelo IISS representam tanto a aquisição de armas como investimentos em investigação e desenvolvimento.

Segundo indica o relatório, nenhum dos 15 países que mais gastam com defesa mudou de posição desde o ano anterior, embora houvesse algumas pequenas mudanças. Os EUA continuam a dominar a lista, gastando mais do que os 11 países seguintes juntos, e quatro vezes mais do que o segundo maior gastador – a China.

Os orçamentos militares dos EUA e da China no ano passado viram ambos um aumento de 6,6%, para US$ 684,6 bilhões (R$ 2.96 trilhões) e US$ 181,1 (R$ 783 bilhões) respetivamente. O aumento das despesas dos EUA por si só foi mais do que o todo o orçamento de defesa do Reino Unido, aponta AFP.

Os 15 países que mais gastam com defesa a nível mundial, em dólares dos EUA
Os 15 países que mais gastam com defesa a nível mundial, em dólares dos EUA

No entanto, os gastos militares de outros países também aumentaram. Na Europa, com exclusão da Rússia, o crescimento coletivo dos gastos foi de 4,2%, comparando com 2018, fazendo os retornar aos níveis de despesa anteriores à crise financeira de 2008, o que causou reduções acentuadas nos orçamentos de Estado em todo o mundo.

A Rússia gastou US$ 61 bilhões (R$ 264 bilhões) em necessidades militares no ano passado. No entanto, de acordo com o portal Defense News, como Moscou adquire armamentos de empresas de defesa russas em rublos, o montante verdadeiro, quando se contabiliza a paridade do poder de compra, chega perto dos US$ 150 bilhões (R$ 649 bilhões). Porém, mesmo este valor aumentado representa apenas 21% daquilo que são os gastos militares dos EUA.

O aumento nos gastos, especialmente na pesquisa na área da defesa, reflete a mudança de prioridades de Washington, que no início de 2018 anunciou uma mudança em sua Estratégia Nacional de Defesa das operações de combate ao terrorismo em pequena escala por todo o mundo para uma "competição estratégica entre Estados" com Rússia e China.

O orçamento da China também sofreu aumentos na sequência de um plano definido por décadas para alcançar, igualar e superar as tecnologicamente mais avançadas forças militares dos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020021515223133-gastos-militares-tem-maior-aumento-em-10-anos-em-meio-a-corrida-armamentista-entre-china-e-eua/

Paz na Líbia? Se a Europa prepara outro ataque militar a África!

O directório das grandes potências europeias juntamente com outros interessados do mesmo calibre realizou em Berlim uma Conferência sobre a Líbia - sem a participação de qualquer representante líbio - convocada pela Alemanha. Do que se trata é, no fundamental, de um entendimento sobre o lacaio de serviço e a partilha do saque. Da Líbia e da restante África.


 

Nazanín Armanian    13.Feb.20

Em entrevista ao Der Spiegel, o Comissário para os Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), Josep Borrell, colocou a questão do envio de soldados para a Líbia para defender os “nossos interesses com mais força e, se necessário, com firmeza”. A forte presença da Turquia e da Rússia neste país dilacerado e a profunda crise política e económica na Europa deixaram Bruxelas muito nervosa, que desde a conspiração da NATO contra a Líbia em 2011 – as suas forças bombardearam o país durante sete meses -, a única coisa que fez foi subornar um bando mafioso chamado “guarda-costas líbios” para impedir, fosse como fosse, a chegada dos refugiados e migrantes feridos e torturados - nesta e em outras guerras imperialistas - à Europa.

“A situação no Sahel não é melhor, pelo contrário: toda a região é um barril de pólvora”, disse Borrel. É verdade que a Líbia é apenas um trampolim para um assalto integral a África, sob o pretexto da “luta contra o terrorismo”, já que ninguém aceitaria que o Mali (onde a Espanha tem tropas) possuísse Armas de Destruição Maciça. O comissário acredita que a Europa tem “muitas oportunidades para exercer o poder” e só precisa de ter vontade de o exercer.
Daí que se tenha realizado em Berlim, em Janeiro passado, uma conferência sobre a Líbia, convocada pela Alemanha.

Houve uma primeira conferência em Berlim

Foi em 1884, quando Otto von Bismark organizou a Conferência de Berlim sobre o Congo para uma nova partilha “civilizada” das colónias em África. Estiveram presentes as potências europeias, o Império Otomano e a Rússia czarista para assinar um “pacto de cavalheiros”, enquanto ocultavam o mar de sangue que corria em resultado das suas atrocidades no continente africano. No entanto, este tipo de acordos dura pouco, uma vez que os jogos de guerra interimperialistas são de soma zero, e os peixes grandes comem (a bem ou a mal), os pequenos. Pouco depois, os “cavalheiros civilizados” organizaram a carnificina da Primeira Guerra Mundial para uma nova partilha que durou apenas duas décadas, quando o general nazi Erwin Rommel pôs os pés na Líbia.

Hoje, com a profunda crise do sistema capitalista, a Alemanha exibe o seu regresso militar ao cenário mundial: a chanceler Merkel actualiza as Directrizes da Política para África redigidas em 2014, com as quais pretende aceder aos “recursos naturais” de África através de um incremento dos seus “compromissos” no continente. Todas as palavras vazias sobre “segurança”, “ajuda humanitária” e etc. são directamente postas em causa! Sabiam que o presidente da Alemanha Horst Köhler teve que se demitir em 2000 por sugerir que as suas tropas estavam no Afeganistão para “proteger os interesses económicos da Alemanha” e não para libertar as mulheres da burca nem para combater os Talibans? “Os mentirosos têm pouca memória!”, diz um ditado persa. O líder do Partido da Esquerda (Die Linke), Dietmar Bartsch, apoia a ocupação de África pelo seu país. Os alemães têm cerca de 1.000 soldados no Mali e uma base militar no Níger.

Também Boris Johnson mostrou a sua estatura ética ao dizer em 2017 que a Líbia poderia ser um Dubai, “apenas haveria que a limpar de cadáveres”. Sidney Blumenthal, o agente particular de informações de Hillary Clinton, no famoso e-mail que ela enviou a Hillary em 2 de Abril de 2011, observava que a Líbia tinha 143 toneladas de ouro e uma quantidade semelhante em prata, além de “recursos financeiros intermináveis”. Ou seja, os que nos acusam de “teoria da conspiração” quando revelamos a verdade que as guerras “humanitárias” escondem devem-nos um pedido de desculpas.

Hoje a Alemanha, que não participou na demolição do Estado líbio em 2011, devido aos seus suculentos contratos com o governo de Kadhafi, lidera a repartição do bolo.

A segunda conferência de Berlim

Aqui pode destacar-se o seguinte:
• Os que negociaram “paz” na Líbia não convidaram um único líbio para a reunião. O seu primeiro-ministro, Fayez al-Sarraj, que governa Trípoli e o senhor da guerra, o general Califa Haftar, que controla grande parte do país - nenhum deles representa o povo - estavam em Berlim trancados em um hotel e, se não fosse a insistência de Vladimir Putin nem sequer lhes teria sido concedido um visto.

• A Grécia foi excluída devido à pressão da Turquia. Os dois membros da NATO estão à beira de uma guerra por disputas sobre a distribuição de gás no Mediterrâneo oriental, cujo Fórum ignorou a Turquia.

• Fizeram a revisão das posições de cada um no continente africano para delimitar as suas zonas de interesse, evitando possíveis confrontos militares entre si (deixando que os seus exércitos privados de mercenários morram por eles).

• Decidiram, de momento, manter a integridade territorial da Líbia, embora dificilmente consigam reconciliar Haftar com Serraj, a menos que eliminem um deles da equação.

• Os ocidentais (excepto a Itália) e a Rússia, numa viragem radical, deixam de apoiar o ineficiente pseudo-governo de Trípoli para apostar no bando de Haftar, que vêm como “um guerreiro da África” face a Serraj, que é “um homem islâmico”.

• A Turquia e a Itália pretendem assumir o controlo das rotas de migração para se tornarem países imprescindíveis a tomar em consideração.

• A distribuição do saque - uns 48.000 milhões de barris de petróleo de alta qualidade - entre a Total francesa, a italiana Eni (a maior produtora de petróleo e gás da Líbia), a alemã BASF e Wintershall ou a Repsol espanhola dependerá resultado da batalha entre as potências.

• Os EUA conseguem cumprir parte do seu principal objectivo na Líbia: instalar a sede de parte do AFRICOM em terras líbias para desse modo conter a China e NATO-izar o Mediterrâneo, desmantelando dois estados hostis: Líbia e Síria. Embora considere este país como um “problema da Europa”, o Pentágono, tal como nos casos do Irão, Síria e Iraque, prossegue os planos do establishment, ignorando o presidente isolacionista.

• A preocupação dos europeus pelo envio de tropas turcas para a Líbia. Tayyeb Erdogan justifica-o com o facto de a Rússia ter enviado seu exército privado Wagner para a Líbia em apoio de Haftar - que conta com um forte apoio dos drones dos Emirados Árabes Unidos, mas carece de força no terreno -, alterando o equilíbrio de forças na guerra entre os dois bandos e seus patrocinadores. Se o Kremlin pensa que Haftar é a reencarnação de Kadhafi, está mais do que enganado, e não apenas porque esse ex-agente da CIA ter sido transferido dos EUA para a Líbia em Março de 2011 para destruir o Estado líbio. Em 13 de Janeiro, Putin e Erdogan receberam Haftar e Sarraj em Moscovo para assinar um acordo permanente de cessar-fogo. No último momento, o general mudou de ideia e saiu sem notificar os seus anfitriões: pensa que a única garantia de alcançar o poder é chegar a um acordo com os ocidentais ou continuar a guerra, que é um negócio chorudo.

A Líbia (a África em geral) é outro cenário da Terceira Guerra Mundial que, no século XXI, assume outro formato: é travada entre as potências mundiais no solo de terceiros e através dos seus exércitos privados.

Fonte: https://blogs.publico.es/puntoyseguido/6256/paz-en-libia-iisi-europa-baraja-otro-asalto-militar-a-africa/

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Iniciativas pela paz e contra as armas nucleares em vários municípios

Por iniciativa do CPPC, Aljezur vai acolher uma exposição de artes plásticas entre 21 de Fevereiro e 14 de Março. Em Évora e Corroios (Seixal), houve conversas «sobre a paz» na semana passada.

Em Corroios, o CPPC explicou que a «ausência de desigualdades económicas, sociais, culturais e políticas é uma condição fundamental na construção da Paz»Créditos / CPPC

Por solicitação da Câmara Municipal do Seixal, Zulmira Ramos, da direcção do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), dinamizou uma «conversa sobre a paz» na Escola Básica 2/3 de Corroios.

A iniciativa, que contou com a participação de 12 alunos, decorreu no passado dia 7 e visou sublinhar, entre outros aspectos, que «além da ausência de acções beligerantes e de confrontos armados, a ausência de desigualdades económicas, sociais, culturais e políticas é uma condição fundamental na construção da Paz», informa o CPPC na sua página de Facebook.

No mesmo dia, mais a sul, o CPPC e a Câmara Municipal de Évora promoveram a realização de uma iniciativa sobre paz e desarmamento nuclear no Teatro Garcia Resende. A sessão, muito participada, contou com a intervenção de Frederico de Carvalho, investigador e membro da presidência do CPPC, que alertou para os perigos decorrentes da corrida aos armamentos, designadamente do armamento nuclear.

 
O Teatro Garcia de Resende, em Évora, foi palco de uma iniciativa sobre paz e desarmamento nuclear Créditos

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, referiu-se ao empenho do município na defesa da paz e na solidariedade com os povos, tendo destacado a visita recente à Palestina e a disponibilidade para continuar a apoiar actividades na defesa da paz.

Também interveio Ilda Figueiredo, presidente da direção do CPPC, que sublinhou alguns aspectos da programação de actividades convergentes na defesa da paz, nomeadamente no ano em que se assinalam os 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, tendo dado particular atenção ao Encontro pela Paz que terá lugar a 30 de Maio em Setúbal, segundo informa o CPPC numa nota.

Exposição de artes plásticas em Aljezur

Dando sequência ao trabalho que o CPPC tem vindo a promover no Algarve, designadamente no que respeita à educação e cultura para a paz, estará patente, de 21 de Fevereiro a 14 de Março, na Galeria Espaço+, em Aljezur, uma exposição de artes plásticas subordinada ao lema «Pela Paz, contra as Armas Nucleares». Trata-se de uma parceria do CPPC com a Peace and Art Society e o Município de Aljezur.

«75 anos depois do holocausto de Hiroxima e Nagasaki, em 1945, quando os Estados Unidos da América lançaram duas bombas atómicas sobre as populações dessas duas cidades japonesas, causando centenas de milhares de mortos e efeitos que até hoje perduram, houve grande desenvolvimento do armamento nuclear e apenas 1% das ogivas nucleares actuais chegaria para destruir a civilização humana», lê-se no texto de divulgação da iniciativa.

Neste sentido, frisa a nota, «o desarmamento nuclear global é uma questão central na defesa da paz, para a sobrevivência da própria espécie humana e da manutenção da vida sobre a Terra».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/iniciativas-pela-paz-e-contra-armas-nucleares-em-varios-municipios

Pentágono cria novo quartel-general destinado a operações na Europa

Pentágono (imagem referencial)
© Foto / Pixabay / David Mark

O Exército dos EUA anunciou a criação de um quartel-general com um posto de comando operacional adicional na Europa.

Exército dos EUA criou um quartel-general complementar para coordenar as operações com os seus aliados na Europa, que ficaria localizado em Fort Knox, Kentucky.

A novidade foi dada pelo Gabinete de Imprensa do Exército dos EUA esta terça-feira, 11 de fevereiro.

"O 5º Corpo será composto por cerca de 635 militares, dos quais cerca de 200 serão afetados em regime rotativo, ao posto de comando operacional na Europa. O Quartel-General do 5º Corpo deverá ficar operacional no outono de 2020", informou o exército.

Segundo o alto comando norte-americano, a criação de um novo quartel-general permitiria implementar melhor a estratégia de defesa nacional dos Estados Unidos em geral e dos interesses de Washington e de seus aliados na Europa em particular.

O Wall Street Journal observa que esta novidade seria uma tentativa de fazer frente a eventuais ameaças vindas da Rússia.

Quartéis-Generais dos Corpos do Exército dos EUA

Atualmente, o Exército dos Estados Unidos tem três quartéis-generais – o do 1º Corpo, 3º Corpo e 18º Corpo - que servem de postos de comando para os teatros de operações em que as suas forças estejam envolvidas.

O Quartel-General do 1º Corpo está sediado em Fort Lewis, Washington; o do 3º Corpo em Fort Hood, Texas; e finalmente o do 18º em Fort Bragg, Carolina do Norte.

O 5º Corpo já existiu no Exército dos EUA, tendo sido desativado em setembro de 2013. A sua sede era em Wiesbaden, Alemanha, tendo sido criado na sequência das duas guerras mundiais e esteve ativo durante a Guerra Fria.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020021315212457-pentagono-cria-estado-maior-adicional-destinado-a-operacoes-na-europa/

Pentágono eleva para 109 o número de militares com lesões cerebrais após ataque iraniano

 

O Pentágono elevou esta segunda-feira para 109 o número de militares norte-americanos com diagnóstico de traumatismo crânio-encefálico na sequência do ataque iraniano na base militar de Ain al-Assad, no Iraque, a 8 de janeiro.

 

Em comunicado, citado pela Reuters, o Pentágono afirma que são já 109 os militares com estes diagnóstico. Destes, precisa a agência noticiosa, 76 já regressaram ao serviço.

Inicialmente, as autoridades norte-americanas avançaram que o ataque levado a cabo pelo Irão não tinha causado nenhum morto ou ferido entre os militares norte-americanos.

Depois, foram surgindo outras informações que davam conta de dezenas de militares feridos após o ataque: a 24 de janeiro eram 30 militares, subindo este valor a 29 de janeiro para os 50. O mais recente balanço do Pentágono mais do que duplica este valor.

 

Esta lesão cerebral traumática pode prejudicar o raciocínio, a memória, a visão, a audição e outras funções. Em casos severos, observa o jornal norte-americano New York Post, pode resultar em coma, amnésia e até mesmo morte.

Durante a madrugada de 8 de janeiro, Teerão lançou mísseis contra as bases de Ain al-Assad e Erbil, no Iraque, onde estão estacionados alguns dos 5200 soldados norte-americanos, em retaliação pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/pentagono-eleva-190-numero-militares-lesoes-cerebrais-307881

A minha própria e privada década infernal. Por Matt Farwell

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

 A minha própria e privada década infernal

Matt Farwell 

Por Matt Farwell

Publicado por The New Republic em 30 de dezembro de 2019 (ver aqui)

 

Bem-vindos àDécada Infernal, o nosso olhar sobre um período arbitrário de 10 anos que começou com uma grande efusão de esperança e terminou numa cavalgada para o  desespero.

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O autor em patrulha no Afeganistão na província de Paktika no verão de 2006

 

A morte de um irmão. Uma baixa honrosa. E uma reentrada terrível na vida civil.

Há uma década atrás, eu estava no inferno; agora estou a caminho de Paris. Todo o dia, toda a noite; voos baratos – Fayetteville, Frankfurt, França. Durante a nossa escala em Frankfurt, a minha noiva e o garoto decidem dizer-me que gostam da Alemanha, algo a ver com a limpeza, o aeroporto limpo e ordenado; notaram imediatamente isso, gostaram muito. Não menciono o rato que vi a correr pelo chão e debaixo de uma máquina de venda automática. Certamente não menciono a última vez que estive em Frankfurt. Estamos aqui para o Dia de Acção de Graças. Tenho muito por que estar grato.

Quando estivermos em Paris, o descanso já estará em ordem. Eles dormem aqui como pessoas normais. Eu levanto-me cedo. Vou buscar uma Coca-Cola Diet; bebo uma caixa dela por dia. Estou a dar uma volta. Estou a fazer um reconhecimento da rota – uma palavra francesa – a andar de metro para ver o caminho a percorrer até à ópera e depois voltar a pé. Se eu fizer assim, também posso olhar para a vigilância – outra palavra francesa – de uma maneira meio idiota. Visto tudo como um gag, um exercício mental, um jogo físico de Go, onde nunca vejo nenhuma das peças do adversário e perco a noção da minha própria metade do tempo. Faço-o onde quer que vá. Ainda estou bem com os pés na terra; estas pequenas coisas mantêm-me suficientemente relaxado para não me quebrar, para não me deixar ir abaixo, para não pensar noutras coisas. Isso é o que eu digo a mim mesmo. O passado ainda encontra um jeito de enganar qualquer fechadura que eu coloque no presente.

No meu último ano no Exército, aborrecido no meu quartel durante o meu passeio seguro pelos Estados Unidos depois da guerra, fiquei obcecado com o Inferno de Dante Alighieri. Li todas as traduções que pude e depois escrevi um mau manuscrito de romance sobre dois veteranos em Nova Iorque a reencenar a viagem de Dante e Virgil. Há uma estátua de Dante em Paris, lembro-me, no caminho em direção à Opera. Talvez possamos vê-la antes de partirmos. Está a decorrer uma maratona à minha volta. Só os corredores a sério estão a passar por mim agora, corpos longos e rijos com sapatos Dayglo e proteção ocular militante. Acima da minha cabeça, um céu encoberto de cinzento brilhante parece transformar-se num céu azul cheio de nuvens de tonalidades como as nuvens felizes de Bob Ross. Em frente para a ópera, por cima do Café de Paris, está um grande painel apresentando um prédio de 4 andares: uma espécie de reprodução de um quadro de Will Smith sobre prédio com quatro andares, de uma alvura beatificante no repouso do lótus, levitando sobre um manto elegante e estilizado, cor de açafrão, tendo por baixo uma lâmpada.com a seguinte expressão em inglês e em letras maiúsculas  GENIUS IS BORN CRAZY; a tradução francesa abaixo: LE GÉNIE EST FOU PAR NATURE. O anúncio é de Moncler, fabricante europeu de topo de gama em roupa tipo casual e desportiva.

Há uma década atrás, Will Smith produziu uma reinicialização do The Karate Kid. Eu estava no estado de Virgínia, à espera de sair do exército. Há dez anos, juntei-me ao Twitter. Há dez anos atrás, o meu irmão mais velho ainda estava vivo. Eu não tinha pensado seriamente em me matar desde esse período, o período antes dele ser morto naquele acidente de helicóptero, um dia depois do Dia da Marmota,

Não há canábis medicinal para mim nesta viagem; o meu cartão do Arkansas só funciona nos Estados Unidos. Quando me mudei para a Turquia, aos 6 anos de idade, pouco antes da primeira Guerra do Golfo e depois que o meu pai voltou ao serviço ativo na Força Aérea, este alugou um filme para a família ver, porque dizia na caixa que tinha sido realizado na Turquia. Aquele Expresso da Meia-Noite é na verdade realizado na Turquia embora ocorra principalmente dentro de uma prisão turca. Não me deu muitas pistas para a nossa nova casa, mas dissuadiu-me de contrabandear haxixe. Agora, em casa, utilizo o haxixe como comida ou fumo um charro para me acalmar; em Paris, em vez disso, tento sobretudo andar, passear.

Quase toda uma década. A notícia tinha sido breve – um acidente de helicóptero Black Hawk na Alemanha – e então eu soube. Passei a noite acordado no apartamento alugado pela minha futura ex-namorada, uma estagiária civil do Exército. Na manhã seguinte, o meu pai ligou-me para me informar da morte do meu irmão. Ele tinha sido avisado por soldados de uniforme a bater à porta no Arkansas.

Liguei ao comandante do meu irmão na Alemanha e solicitei respeitosamente que ele me desse ordens para escoltar os restos mortais do meu irmão de volta aos Estados Unidos para o enterro. Fiz as malas e preparei o meu uniforme. Recarreguei as receitas, preenchi a papelada. Voei da Virgínia para Frankfurt. A última vez que lá estive foi no R&R do Afeganistão, visitando o meu irmão e a sua família e fazendo uma viagem pela Europa durante duas semanas. Agora eu estava a conversar com o agente funerário do meu irmão, que era a minha boleia para o aeroporto.

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Do serviço memorial do Exército para Gary Marc Farwell, irmão do autor, em Stuttgart, Alemanha, 11 de fevereiro de 2010. Mark Reiker

 

Alguns dias depois, sou a última pessoa a embarcar no voo comercial para fora da Alemanha, utilizando o meu uniforme, seguindo as minhas ordens, e saudando o caixão do meu irmão enquanto ele é carregado no compartimento de carga. Não durmo uma noite inteira desde há dias; não vou descansar nesse mês. Eu bebo no avião e vejo o Inglorious Basterds.

Aterragem, Atlanta, o mesmo processo ao contrário, enquanto golpeia uma tempestade de neve esquisita. Todos os quartos de hotel estão reservados, o piloto do meu voo Delta deixa-me dormir no dele; há duas camas. Outra saudação na pista na manhã seguinte. Voa para Salt Lake City. As minhas tias e tios vêm ter comigo ao terminal. Assim como esperam os Patriot Guard Riders, motoqueiros de lá para escoltar o carro funerário até Idaho. Eu tenho pouca paciência para os Patriot Guard Riders. Pouco dormi. Tomo uma pílula e apanho uma boleia com o coveiro, seguindo as minhas ordens. Se alguma vez se sentir tentado a sentimentalizar os militares, imagine-se então estar a utilizar o mesmo fato de poliéster durante uma semana de viagem com agentes funerários e agentes de voos comerciais, tentando conseguir que a maior parte do seu irmão morto, seja guardada numa caixa debaixo de uma bandeira e a atravessar a alfândega com dignidade.

Saí do Exército alguns meses depois; a saída é oficial e tem a data de 26 de junho de 2010, mas estou em licença terminal há um mês, deixando crescer a barba, vivendo com um amigo em Brooklyn. Deixo o serviço com uma carta de repreensão de um general de três estrelas e uma carta de recomendação de um general de quatro estrelas, nenhuma das quais nunca ninguém me pediu desde então. Acho que vou voltar para a faculdade. Não poupei dinheiro do Exército – os 18.000 dólares em combate com o dinheiro de sangue foram gastos com todo o resto que eu tinha na bolsa de valores em 2008.

Uma semana depois de ser um veterano oficialmente dispensado – o departamento americano dos Veterans Affairs diz que eu tenho uma incapacidade relacionada com o serviço de 30%, PTSD (transtorno de stress pós-traumático); eles vão me avaliar mais alto com o tempo – recebo um segundo DUI (conduzir sob influência de drogas ou álcool), tendo batido com o meu caminhão numa árvore algures depois de Keswick, Virgínia, por estar a conduzir bêbado quando ia  buscar um outro amigo veterano em apuros. Vou para o hospital com um polícia atrás de mim, descubro uma alergia ao Haldol que envolve convulsões abdominais, e acabo por estar a ouvir Walker, Texas Ranger, enquanto estive amarrado, contorcendo-me, por quatro dias, a uma maca. Tive alta assim que souberem que a fratura das vértebras de compressão que sofri no acidente é estável, e saio do hospital e de Virgínia.

Voltei a morar com os meus pais, tenho aulas na Universidade do Arkansas e contratei um advogado que me conseguiu um acordo: 10 dias de prisão na Virgínia do Norte por ter sido apanhado a conduzir, pela segunda vez, embriagado, depois de enterrarmos os restos mortais do meu irmão e da sua equipagem em Arlington. O Exército não juntou todos os pedaços da primeira vez que o enterramos em Idaho, em fevereiro, daí que tenham feito um outro funeral, desta vez com a Old Guard. Nada de condução para mim durante anos, depois disso. Saio da prisão; no norte da Virgínia, sou hospitalizado mais uma vez após desmaiar algures  em Arlington – não posso recomendar a remoção do próprio cateter, caso esse ponto não esteja claro –  então sou preso duas vezes em dois dias consecutivos no Aeroporto Nacional Reagan. Uma das acusações é por “defraudar um estalajadeiro”, um dos estatutos mais antigos em vigor na Virgínia.

De volta a Paris, fora da agência do Crédit du Nord no Boulevard des Italiens, alguém pintou ANTICAPITALISTE com spray. Uma outra agência bancária próxima também traz uma mensagem, letras limpas em tinta vermelha, com um pé de altura: POLICE DE L’ETAT CHIEN DU PATRIARCAT. Uma corredora de maratona num hijab preto passa por mim, rápida e confiante no seu ritmo, e eu sigo-a, passando por uma loja de malas de mão, um clube de comédia, um bar de narguilé, e uma cervejaria. Estes são deixados intocados pelos graffitis.

Agora eu sei o caminho para a Ópera de ida e volta. Regresso à  minha família; é divertido ver Paris através dos seus olhos. Vemos o exterior da Ópera, tiramos fotos. Comemos queijo. Veremos o interior amanhã. O miúdo quer ver a Torre Eiffel. Ali, quatro soldados franceses patrulham as linhas turísticas. Usam boinas, mas têm capacetes juntamente com as carabinas e a carga de combate. Três dos soldados são homens, o quarto é uma  mulher. Todos carregam bem as suas armas, com confiança: profissionais sérios, patrulhando uma potencial zona de combate.

Qual é a sua incapacidade? Perguntam-me na bilheteira. PTSD [1], respondo eu. A guerra.

A senhora simpática dá-me um desconto no preço dos bilhetes quando lhe mostro o meu cartão de VA e peço o desconto para deficientes. Qual é a sua incapacidade? pergunta a bilheteira. PTSD, respondo eu. A guerra. Sorrio estranhamente para mostrar que tenho tudo sob controle o suficiente para chegar ao topo da Torre Eiffel. Ela não faz mais perguntas. A vista desde o topo da Torre Eiffel é espetacular; a criança tira-me uma foto, a mim e à minha noiva no meio de um beijo, com vista para o Sena. Subimos a um táxi para ir visitar o Sacré-Cœur. Ele deixa-nos na base da colina. Subimos, tirando fotos enquanto caminhamos. Lá dentro, toco num pouco de água benta – nunca dói – e poso ao lado de uma estátua de São Miguel Arcanjo, a matar o demónio. Lá fora, sinais oficiais e grafites de aviso contra os carteiristas. Descemos a colina para ir jantar.

Andei à deriva em 2011. Nova Iorque, São Francisco; relacionamentos de curto prazo, empregos de curta duração, estadias de curta duração em instalações psiquiátricas. Ala 1A, Fayetteville, Arkansas. São Francisco VA, uma noite de observação na ala fechada, levando a um mês de estadia no Campus Psiquiátrico de Menlo Park, em Palo Alto VA. Fui expulso do Programa de Recuperação de Trauma Masculino por voltar bêbado de uma licença de fim-de-semana, andando com uma mulher que conheci no Match.com. Mudei-me com aquela mulher, uma chefe com um bulldog; morávamos em San Jose e Santa Clara. Eu fui para Berkeley quando não deu certo, e os meus pais Gold Star compraram-me um bilhete de autocarro de volta ao Arkansas sem lugar marcado. Um artigo que escrevi chamou alguma atenção, e havia a possibilidade de mais trabalho de escrita. Eles deixaram-me ficar no quarto amarelo. Não imagino que tenha sido mais agradável para os meus pais do que para mim.

Se eu trabalho, não sou um perdedor. Se eu trabalho, não sou um inútil. Se eu trabalho, eu sou alguma coisa. No Twitter, contacto com o Michael Hastings. Ele interessa-se por mim e pela minha escrita. Em breve estou a trabalhar com ele numa história para a Rolling Stone sobre um soldado americano de Idaho que tinha sido feito refém pelos Talibãs, chamado Bowe Bergdahl. Trabalho nisso na primavera de 2012 e volto para a Universidade da Virgínia para um curso de verão, esperando terminar o meu curso, mas sem fazer muito esforço para ir às aulas. A história sai, e eu trabalho com Hastings numa outra peça, esta sobre um chefe de estação da CIA que tinha sido preso com um tubo de crack e uma arma em Virginia Beach quando estava em fuga dos federais.

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O autor no Posto Avançado de Dwochina, um posto de polícia de fronteira afegã perto da fronteira com o Paquistão, no verão de 2006. Cortesia de Matt Farwell

 

Eu passo aquele verão dormindo no sofá de uma estudante do Alabama até começarmos a dormir juntos. Eu participo num comício de reeleição do Barack Obama com Hastings em Charlottesville. Começamos a trabalhar noutra história, esta sobre o John Brennan. O ano passa rápido; foi a última vez que vejo Hastings no Memorial Day em D.C. Em junho, chumbei na minha turma de “Notícias e Realidade”. Hastings morre num acidente de carro em L.A., dois dias depois de me ligar e me dizer para estar pronto  para o FBI. Mudei-me para Berkeley com a mulher, a partir de  Alabama. A paranoia, o leitor pode imaginar, é alta; no Natal, estou de volta a um hospital psiquiátrico, Canyon View em Twin Falls, este presente de Natal oferecido  pelo meu pai depois de ter saído perfeitamente da sua camioneta vermelha enquanto fazia 45 na rodovia ao norte de Jackpot, Nevada, mas isso é outra história.

Quando saio daquele manicómio, alugo uma casa de dois andares no Arkansas com a mulher do Alabama, e uma revista masculina propõe-me cobrir um simpósio de psiquiatras, psicólogos e investigadores sobre traumas na praia de Turks e Caicos. Entre as conversas à beira da piscina e o sol na areia, eu bebo. Ao cobrir o encontro dos psiquiatras, sou também a cobaia deles, um boneco de demonstração do “método de contagem” e da “experiência somática”. Vou para casa, e ainda não me sinto curado. A mulher do Alabama sabe disso. No final de 2014, ela sai de casa e eu mudo-me para um apartamento. Ela deixa-me com uma gata chamada Marie Claire e nenhuma ilusão de que não é nada mais do que culpa minha.

Em 2015, a meio de uma década infernal, a minha vida é salva pelos editores da revista Playboy, e começo uma dura subida ao Monte Purgatório. A Playboy envia-me para Chicago, onde recebo um tratamento experimental de stress pós-traumático chamado bloco de gânglio estelado. Sou um humano bastante destruído para que uma agulha de nove polegadas enfiada no pescoço até a coluna possa não me fazer doer. A injeção no pescoço não resolve tudo – duvido que alguma vez algo possa fazê-lo – mas ajuda mais do que qualquer coisa que eu já tinha feito antes. Deixei de beber e disse ao meu psiquiatra que gostaria de sair da barra de salada de medicamentos psiquiátricos que a VA me pôs a tomar. Sofro mais quebras; em 2016 tenho um contrato para um livro sobre Bergdahl. Posso conduzir novamente. Tenho um Subaru Outback. Às vezes, Marie Claire vem comigo em reportagens sobre viagens. Eu ponho milhares de milhas em cima daquele carro. Leva muito tempo para o conselho de guerra de Bergdahl e mais tempo ainda para escrever o livro. Todo o tipo de coisas improváveis começam a acontecer – Donald Trump torna-se presidente, há um eclipse solar completo que atravessa 13 estados, e um amigo arranja-me um encontro às cegas com uma mulher em Fayetteville que funciona bem – ficamos noivos na primavera de 2019.

As escadas em espiral no Arco do Triunfo parecem transmitir a miséria da dupla hélice do DNA marcial francês nos seus bem gastos degraus em espiral, induzindo vertigens quando olho para baixo. A única maneira de eu chegar a qualquer lugar é agarrar o corrimão e olhar em frente, considerando cada passo seguinte de cada vez, ignorando o impulso de me atirar pelo centro aberto. Isto soa pior do que é. Tive pensamentos suicidas e agi sobre eles, mas apenas durante uma década – e isto é diferente. Ouvi dizer que as novas mães às vezes se imaginam a matar os seus filhos de maneiras horríveis, o que pode causar confusão e culpa: este fenómeno é explicado como uma função cerebral de proteção inconsciente evolutivamente sofisticada, e imaginando estas coisas horríveis também se imagina como se lhes responderá, ou não as fazer, e todos esses pensamentos horríveis tornam-se bons cumulativamente, enquanto preparam uma pessoa para todo o tipo de piores cenários que são improváveis até que não o sejam. Tento pensar em como tudo isso é um bom treino, como é o reconhecimento de rua ou, cada vez mais, como é andar a escrever sobre os incêndios que continuam a aumentar em casa e no estrangeiro.

Não estou a chorar porque estou triste, mas porque o que quer que tenha sido esta década, foi uma década em que eu tive sorte, enquanto outros estavam mortos.

Desço do Arco do Triunfo, volto a pôr os pés no chão e olhamos para a chama eterna colocada na base do Arco; Jackie Kennedy admirava o símbolo o suficiente para instalar uma réplica sobre o lugar de descanso de JFK em Arlington. No Metro, uma velha mulher, a mendigar, chora num estranhíssimo registo sonoro – meio choro infantil, meio ululação – e atinge-me assim mesmo. Deixando cair euros no copo dela, eu perco a cabeça. Tenho andado a encher a caixa desde a chama eterna. Acontece; os memoriais são poderosos. Não posso fazer muito mais do que chorar nesta altura. Não estou a chorar  porque estou triste, mas porque o que quer que tenha sido esta década, foi uma época em que tive sorte, enquanto outros estavam mortos. Eu tinha uma família, um lar, e uma chance de fazer da década seguinte o que eu quisesse.

Quando volto ao Arkansas, terminado o Dia de Ação de Graças, a década a findar, coloco uma cópia do Inferno, uma cópia do Purgatório e uma cópia do Paraíso que compramos na Shakespeare and Company, na prateleira alta ao lado da mesa onde escrevo. Esta semana, há greves em Paris. Protestos em massa. A prateleira está cheia de traduções de Dante: cópias do Inferno em baixo, Purgatório no meio, Paraíso em cima. A secretária bloqueia-me a visão de qualquer um dos tomos, a não ser o Paraíso enquanto estou a trabalhar; enquanto estou aqui e olho pela janela, não consigo ver o passado. Saí do Twitter há um ano atrás. Vejo a minha noiva e o nosso cão – 120 quilos de uma mistura de Anatolian Shepherd e St. Bernard que precisa de um passeio. Vejo o jardim que aqui plantei, e através das roseiras e toldos assim como das vicissitudes que estão para além dele, contra toda a lógica, vejo algo de melhor à minha frente.

 

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Nota

[1] PTSD:  Post-traumatic stress disorder

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O autor: Matt Farwell é autor de American Cipher. Um ex-soldado de infantaria do Exército durante cinco anos (incluindo 16 meses no Afeganistão) e um recém-formado da Universidade da Virgínia. É um escritor independente cujo trabalho tem aparecido em The New York Times, Vanity Fair, Rolling Stone, Men’s Journal, Playboy, e outras publicações.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/11/2009-2019-uma-decada-infernal-8-a-minha-propria-e-privada-decada-infernal-por-matt-farwell/

Conquista Mundial: A Cruzada Militar Global dos EUA desde 1945

 
Eric Waddel * | Global Research
 
Os Estados Unidos atacaram, direta ou indiretamente, cerca de 44 países em todo o mundo desde agosto de 1945, muitos deles muitas vezes. O objetivo declarado dessas intervenções militares tem sido efetuar "mudanças de regime". As capas dos "direitos humanos" e da "democracia" eram invariavelmente evocadas para justificar o que eram atos ilegais e unilaterais.
 
O objetivo dos Estados Unidos é proteger e reforçar os interesses nacionais, em vez de criar um mundo melhor para toda a humanidade. É uma “grande estratégia imperial” de dimensões globais projetada para garantir acesso ilimitado e desinibido, principalmente a recursos estratégicos, principalmente energia e mercados. Em vez de estabelecer uma presença colonial direta, a estratégia preferida é criar estados satélites, e isso exige intervenções militares constantes e frequentemente repetidas em países ao redor do mundo, independentemente de seu regime político.
 
Os governos eleitos democraticamente correm tanto risco quanto as ditaduras. Nos últimos anos, a tendência tem sido a de aumentar a interferência direta, pois menos desses países estão preparados para agir como aliados dispostos. De fato, os eventos de 2003 sugerem que o número de aliados americanos incondicionais e poderosos agora é reduzido para três: Grã-Bretanha, Austrália e Israel. A estratégia dos EUA é caracterizada, sempre que possível, pela invasão e pela criação de governos amigáveis ​​(fantoches). A atenção está concentrada, de preferência, em países relativamente pequenos e fracos, com o objetivo de alcançar uma vitória rápida.
 
 
Historicamente, esse processo de dominação do mundo pelos EUA tem sido caracterizado por:
 
(i ) intervenção militar direta com bombas e mísseis nucleares ou convencionais ,
(ii) intervenção militar direta com forças navais ou terrestres ,
(iii) intervenção militar indireta através de operações de comando e
(iv) a ameaça de recorrer a armas nucleares.
 
De um modo geral, três fases históricas podem ser identificadas:
 
- 1945-49: A luta soviético-americana pelo domínio europeu, terminando com a estabilização da fronteira entre os dois blocos e a criação da OTAN;
 
- 1950-1989: a Guerra Fria propriamente dita e, no contexto dela, o surgimento do grupo de nações não alinhadas;
 
- 1990 em diante: pós-Guerra Fria O primeiro período foi caracterizado por um grau significativo de intervenção militar dos EUA na Europa, o segundo por uma preocupação de confinar o bloco comunista dentro de suas fronteiras e impedir o surgimento de regimes pró-comunistas em outros lugares da Europa. o mundo e o terceiro se concentraram em ganhar o controle sobre as antigas repúblicas soviéticas e no Oriente Médio, rico em petróleo. O Oriente Médio, o Sudeste Asiático e o Caribe / América Central revelam-se Teatros Regionais preocupantes durante o período pós-Segunda Guerra Mundial.
 
A defesa inegociável e a promoção do “modo de vida americano” por meio de intervenções militares globais se formaram nos meses finais da 2ª Guerra Mundial e tiveram um grande custo para grande parte da população mundial. Embora a Alemanha tenha capitulado em maio de 1945 e a Organização das Nações Unidas tenha sido criada no mês seguinte, os EUA optaram por usar armas nucleares para colocar o Japão em pé.
 
O lançamento de duas bombas atómicas, respectivamente em Hiroshima e Nagasaki, em agosto daquele ano, resultou em cerca de 150.000 mortes imediatas e dezenas de milhares de feridos. Esse terrorismo nuclear foi rapidamente denunciado pela comunidade científica internacional e nenhuma outra nação recorreu ao uso de tais armas de destruição em massa. No entanto, os EUA brandem regularmente a ameaça de recorrer a eles, enquanto sob Bush eles foram restabelecidos como parte integrante do discurso nacional. Mas a história não termina com armas nucleares, pois os EUA também usaram, ao longo do último meio século, armas químicas e biológicas em sua busca pelo domínio global com, por exemplo, o recurso ao Agente Orange no Vietname e mofo azul, cana-de-açúcar. sujeira, peste suína africana etc. em Cuba.
 
Nesse contexto, o mapa das intervenções militares dos EUA desde 1945 conta apenas uma parte da história. Embora o alcance global do país seja aparente, a escala de violência militar não é totalmente revelada. Até 1.000.000 de pessoas foram mortas na operação de comando da CIA na Indonésia em 1967, no que foi, segundo o New York Times, “um dos assassinatos em massa mais selvagens da história política moderna”. Outros 100.000 foram mortos na Guatemala, no golpe organizado pela CIA. E o mapa não menciona intervenções militares nas quais os EUA tiveram apoio (por exemplo, Ruanda e Congo nos anos 90) como distintos de um papel de liderança, ou onde armas americanas foram usadas por forças militares nacionais, como em Timor Leste, onde, em pelas mãos dos militares indonésios, eles foram responsáveis ​​pela morte de cerca de 200.000 pessoas a partir de 1967.
 
Curiosamente, com relação ao comércio internacional de armas, foi o presidente Reagan quem anunciou, em 1981, que "os EUA vêem a transferência de armas convencionais... como um elemento essencial de sua postura de defesa global e um componente indispensável de sua política externa".
 
O Império dos EUA não conhece limites. Seu objetivo é a dominação política e militar do mundo. Sob o sistema norte-americano de capitalismo global, a demanda por energia e outros recursos vitais é ilimitada.
 
O "Roteiro para o Império" dos Estados Unidos não foi formulado pelo governo Bush, como sugerem alguns críticos. De fato, pouco há de “novo” no “Projeto para um Novo Século Americano”. É que a retórica pós-guerra dos direitos humanos e do desenvolvimento social e económico diminuiu, sendo substituída pela principal preocupação com a supremacia global por meio da força militar. O projeto imperial foi delineado logo após a 2ª Guerra Mundial. Fazia parte da “Doutrina Truman” formulada em 1948 por George Kennan, Diretor de Política e Planeamento do Departamento de Estado dos EUA:
 
“Temos 50% da riqueza do mundo, mas apenas 6,3% da sua população…. Nesta situação, não podemos deixar de ser objeto de inveja e ressentimento. Nossa verdadeira tarefa no próximo período é criar um padrão de relacionamentos que nos permita manter essa posição de disparidade. Deveríamos deixar de falar sobre a elevação dos padrões de vida, direitos humanos e democratização. Não está longe o dia em que teremos que lidar com conceitos de poder direto. Quanto menos formos prejudicados por slogans idealistas, melhor. ”
 
Postscript 2007
 
Em certo sentido, pouco mudou desde 2003. O próximo objetivo de intervenção militar já foi claramente identificado. De acordo com as mais recentes estatísticas oficiais de energia do governo dos EUA, é o Irão que ocupa o terceiro lugar entre os países ricos em petróleo do mundo e é o que apresenta o maior aumento nas estimativas comprovadas de reservas de petróleo no período 2005-2006.
 
Em outro sentido, no entanto, um novo retrato está começando a surgir, onde um país cansado e cada vez mais vulnerável à guerra está se movendo para a criação de uma fortaleza na América do Norte que abraça seu vizinho do norte. Mais uma vez a lógica é clara. O Canadá agora ocupa o segundo lugar, à frente do Irão e do Iraque, mas atrás da Arábia Saudita, em termos de reservas mundiais de petróleo, graças principalmente às areias betuminosas de Alberta. Um governo minoritário em Ottawa, dominado pelos interesses de Albertan, está conscientemente levando o Canadá à energia dos EUA e ao setor militar e estratégico. Ao fazer isso, o país está se unindo às fileiras do Reino Unido e da Austrália como um aliado inflexível dos EUA.
 
Se o alcance global está se tornando um empreendimento muito caro e perigoso, a fortaleza da América do Norte se torna uma alternativa cada vez mais atraente, principalmente quando o parceiro menor consente e é dócil.
 
*Eric Waddell é um ilustre autor e professor de Geografia com sede na cidade de Quebec
 
Anexo: 
MAPA, para ampliar, clique no link abaixo e amplie
 
A fonte original deste artigo é Eric Waddell
 
Copyright © Eric Waddell, Eric Waddell, 2020
 
Nota do Editor de GR
Este artigo, do professor Eric Waddell, foi publicado pela primeira vez há mais de 16 anos pela Global Research em dezembro de 2003, logo após a invasão e ocupação do Iraque pelas forças americanas e britânicas, com um pós-escrito adicionado em 2007. 
O artigo fornece uma perspectiva histórica incisiva sobre a "longa guerra" dos EUA contra a humanidade, que está sendo realizada sob um falso mandato humanitário.
Não tenhamos ilusões quanto à intenção dos EUA e de seus aliados.
Estamos lidando com a conquista mundial sob o disfarce de uma "Guerra Global ao Terrorismo".  -- Michel Chossudovsky, janeiro 2020

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/conquista-mundial-cruzada-militar.html

A Turquia prepara-se para a guerra contra a Síria e contra a Rússia

 
Durante o seu discurso aos parlamentares do seu partido, em 5 de Fevereiro de 2020, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan designou sob a expressão “elementos amigos”, os membros das milícias turquemenas que formam o “Exército Nacional da Síria” (Jaych al-Watani as-Suri) e os da Al-Qaeda que se aliaram a grupos locais para formar a Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Cham).
 
Em princípio, nunca se reivindica um vínculo de autoridade sobre os seus representantes de maneira a não ter de assumir a responsabilidade dos seus actos. Ora o Hayat Tahrir al-Cham assassinou 4 oficiais do FSB russo em Aleppo, em 1 de Fevereiro.
 
Em seguida, ele reivindicou a legitimidade do destacamento militar turco na Síria em nome dos acordos de Adana. Este documento, datado de 20 de Outubro de 1998, termina a guerra turco-síria anterior. Nunca foi publicado. Nós publicamos uma versão não confirmada [1]. A Síria renuncia a ajudar o PKK de Abdullah Öcalan (que era uma organização pró-soviética) e autoriza o exército turco a atacar a artilharia curda que bombardearia o seu território, penetrando 5 km no interior da Síria. Considerando que o actual PKK/YPG (que se tornou uma organização pró-NATO) dispõe do material mais moderno, a Turquia estendeu, unilateralmente, o seu direito de perseguição a 30 km, durante a operação “Fonte de paz” (9 a 22 de Outubro de 2019).
 
Os acordos da Adana nunca autorizaram a instalação turca em toda a província de Idleb. No entanto, isso foi feito pelos acordos russo-turco de Sochi, de 17 de Outubro de 2018, que foram validados pela Síria [2]. No entanto, esses acordos previam a retirada de todos os “grupos terroristas radicais” (incluindo Hayat Tahrir al-Cham da zona desmilitarizada, antes de 15 de Outubro de 2018. Mas a Turquia não conseguiu – tal como os Estados Unidos antes dela - distinguir e separar os “radicais” (jihadistas) dos “moderados” (adversários democrátas). Consequentemente, o exército árabe sírio tenta, desde então, libertar a província de Idleb da ocupação jihadista.
 
Ao citar os acordos de Adana em vez dos acordos de Sochi, a Turquia reconhece ter falhado cumprir as suas obrigações perante a Rússia. Sobretudo, ela desperta o período em que as duas potências estavam a travar uma guerra secreta no contexto da Guerra Fria.
 
Também no mesmo discurso, o Presidente Erdoğan, brandindo a sua filiação na Confraria dos Irmãos Muçulmanos - matriz dos jihadistas (foto), prosseguiu dando um prazo à Síria, até 28 de Fevereiro de 2020, para abandonar as localidades que acabou de libertar e retirar-se para trás da linha de cessar-fogo de Sochi.
 
À tarde, um homem-bomba do Hayat Tahrir al-Cham fez-se explodir num prédio que albergava forças russas. Ainda não sabemos o resultado dessa operação, que entendemos que deveria ser assumida pela Turquia.
 
Trata-se de uma reviravolta completa da situação. Em 13 de Janeiro de 2020, os chefes dos serviços secretos turcos e sírios encontraram-se discretamente em Moscovo para estabelecer um processo de paz. [3] Mas, em seguida, para surpresa dos ocidentais, que estavam persuadidos da oposição dos sírios em Damasco, o exército árabe sírio lançou uma ofensiva vitoriosa em Idleb, libertando quinze cidades. Os Estados Unidos apoiaram então a Turquia, enquanto se retiravam de operações conjuntas com o seu aliado. A Turquia suspendeu, em 19 de Janeiro, a transferência de 30.000 jihadistas de Idleb (Síria) para Trípoli (Líbia), que tinha iniciado no final de Dezembro. Apenas 2.500 tiveram tempo para migrar.
 
Ao receber esta manhã, os embaixadores estrangeiros para entrega das suas credenciais, o Presidente russo, Vladimir Putin, advertiu-os. Declarou: “Infelizmente, a Humanidade está mais uma vez perto de uma linha perigosa. Os conflitos regionais multiplicam-se, as ameaças terroristas e extremistas aumentam, o sistema de controlo de armas está prestes a ser abolido.”
 
Estamos a caminhar, a curto prazo, para um conflito entre a Turquia, membro da NATO, e a Rússia, membro da OTSC/Organização do Tratado de Segurança Colectiva
 
 
Notas:
[1] “The Adana Security Agreement”, Voltaire Network, 20 October 1998.
[3] “A Rússia propõe um acordo à Síria e à Turquia”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 20 de Janeiro de 2020.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/a-turquia-prepara-se-para-guerra-contra.html

Rússia promete responder às principais manobras da OTAN na Europa

Militares do Exército dos EUA ao lado do sistema Patriot na base aérea de Siauliai, na Lituânia (foto de arquivo)
© AP Photo / Mindaugas Kulbis

A Rússia reagirá aos exercícios da OTAN Defender Europe, que devem ser realizados este ano e preveem o envio de tropas norte-americanas à Europa, declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

"É claro que responderemos, não podemos ignorar esses processos, que são muito preocupantes, mas reagiremos de maneira a não criar riscos desnecessários", afirmou Lavrov em entrevista ao jornal russo Rossiyskaya Gazeta.

O diplomata lembrou que a OTAN "recruta", sob o pretexto de entrar na União Europeia (UE), para países neutros, como Finlândia e Suécia, para participar das manobras.

Segundo o ministro russo, os exercícios da OTAN, que serão realizados entre abril e maio, planejam movimentar na Europa mais de 30.000 unidades de equipamentos e mais de 20.000 militares dos EUA, além dos contingentes militares já implantados no país.

"No total, mais de 40.000 pessoas participam dessas manobras", explicou Lavrov.

Antes, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, disse que os exercícios do Defender Europe 2020 não são direcionados contra a Rússia.

Os exercícios reunirão 37.000 soldados e oficiais de 19 países da aliança atlântica. Os militares se mudarão para os territórios da Polônia e países do mar Báltico, e o território da Alemanha será o centro de logística durante a operação, informou a revista alemã Der Spiegel, citando o Comando Europeu dos Estados Unidos (EUCOM).

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2020020415097255-russia-promete-responder-as-principais-manobras-da-otan-na-europa/

Guerra nuclear | A política ‘100 segundos para a meia-noite’

 
 
A Arte da Guerra
 
 
Enquanto a atenção político-mediática estava concentrada na campanha eleitoral, em Itália, o ponteiro do “Relógio do Apocalipse” – o relógio simbólico que no Boletim de Cientistas Atómicos dos EUA indica a quantos minutos estamos da meia-noite da guerra nuclear – foi movido para a frente, para 100 segundos para a meia-noite. É o nível de alarme mais alto desde que o “Relógio” foi criado, em 1947 (como comparação, o nível máximo durante a Guerra Fria foi de 2 minutos para a meia-noite).
 
No entanto, em Itália, a notícia passou quase ignorada ou assinalada como uma espécie de curiosidade, quase como se fosse um jogo de vídeo (videogame).
 
Ignora-se o facto de que o alarme foi lançado por uma comissão científica da qual fazem parte 13 Prémios Nobel.
 
Eles advertem: “Estamos perante uma emergência real, um estado absolutamente inaceitável da situação mundial que não permite nenhuma margem de erro nem atraso imediato”. A crise mundial, agravada pela mudança climática, “torna realmente possível uma guerra nuclear, iniciada com base num plano ou por engano ou por simples mal entendido, a qual poria fim à civilização”.
 
A possibilidade de guerra nuclear – sublinham – foi acrescida pelo facto de, no ano passado, vários tratados e negociações importantes terem sido cancelados ou destruídos, criando um ambiente propício a uma corrida renovada aos armamentos nucleares, à proliferação e à redução do limiar nuclear.
A situação – acrescentam os cientistas – é agravada pela “ciber-desinformação”, ou seja, pela contínua alteração da esfera de informação, da qual dependem a democracia e a tomada de decisões, conduzida através de campanhas de desinformação para semear a desconfiança entre as nações e destruir os esforços internos e internacionais para promover a paz e proteger o planeta.
 
O que é que faz a política italiana nessa situação extremamente crítica?
 
A resposta é simples: cala-se. Domina o silêncio imposto pelo vasto arco político bipartidário, responsável pelo facto de que a Itália, país não nuclear, albergar e estar preparada para usar armas nucleares, violando o Tratado de Não Proliferação, que ratificou. Responsabilidade que se torna ainda mais grave pelo facto da Itália se recusar a aderir ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (Tratado ONU),votado pela grande maioria da Assembleia das Nações Unidas.
 
No Artigo 4, o Tratado estabelece:
 
“Qualquer Estado parte que possua armas nucleares no seu território, possuídas ou controladas por outro Estado, deve assegurar a remoção rápida dessas mesmas armas”.
Portanto, para aderir ao Tratado ONU, a Itália deve solicitar aos Estados Unidos para removerem do seu território, as bombas nucleares B-61 (que já violam o Tratado de Não Proliferação) e de não instalar as novas bombas B61-12, nem outras armas nucleares.
 
Além do mais, como a Itália faz parte dos países (como declara a própria NATO) que “fornecem à Aliança, aviões equipados para transportar bombas nucleares – sobre os quais os Estados Unidos mantêm controlo absoluto – e pessoal treinado para esse fim”, para aderir ao Tratado da ONU, a Itália deveria pedir para ser isenta dessa função. O mesmo aplica-se ao Tratado sobre Forças Nucleares Intermédias (Tratado INF), destruído por Washington.
 
Tanto na sede da NATO, da União Europeia e da ONU, a Itália seguiu a decisão dos EUA, dando, essencialmente, luz verde à instalação de novos mísseis nucleares dos EUA no seu território. Isso confirma que a Itália não tem – por responsabilidade do vasto arco político bipartidário – tem uma política externa soberana, que responde aos princípios da sua Constituição e aos reais interesses nacionais. No comando que determina as orientações fundamentais da nossa política externa, está a mão de Washington, directamente ou através da NATO.
 
A Itália que, de acordo com o texto da sua própria Constituição repudia a guerra, faz parte da engrenagem que nos levou a 100 segundos para a meia-noite, da guerra nuclear.
 
Manlio Dinucci
 
Artigo original en italien:
Tradutora : Maria Luísa de Vasconcellos
The original source of this article is ilmanifesto.it
Copyright © Manlio Dinucciilmanifesto.it, 2020

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/guerra-nuclear-politica-100-segundos.html

Os 5 submarinos que podem destruir mundo em 30 minutos

A revista norte-americana National Interest listou os cinco submarinos capazes de destruir o mundo em 30 minutos: entre eles estão três submersíveis russos e dois americanos.

Alguns dos submarinos listados, segundo a edição, são tão poderosos que apenas um deles seria suficiente para "reduzir a cinzas radioativas" até 288 alvos do tamanho de uma cidade.

"De fato, estas embarcações e as suas cargas úteis poderiam acabar com a civilização humana em menos tempo do que o necessário para pedir uma pizza, caso uma Terceira Guerra Mundial começasse", lê-se no artigo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/fotos/2020013015072268-os-cinco-submarinos-que-podem-destruir-mundo-me-30-minutos-fotos/

[Manlio Dinucci] A POLÍTICA '100 SEGUNDOS PARA A MEIA-NOITE'

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Enquanto a atenção político-mediática estava concentrada na campanha eleitoral, em Itália, o ponteiro do “Relógio do Apocalipse” - o relógio simbólico que no Boletim de Cientistas Atómicos dos EUA indica a quantos minutos estamos da meia-noite da guerra nuclear - foi movido para a frente, para 100 segundos para a meia-noite. É o nível de alarme mais alto desde que o “Relógio” foi criado, em 1947 (como comparação, o nível máximo durante a Guerra Fria foi de 2 minutos para a meia-noite). No entanto, em Itália, a notícia passou quase ignorada ou assinalada como uma espécie de curiosidade, quase como se fosse um jogo de vídeo (videogame).
Ignora-se o facto de que o alarme foi lançado por uma comissão científica da qual fazem parte 13 Prémios Nobel.Eles advertem:“Estamos perante uma emergência real, um estado absolutamente inaceitável da situação mundial que não permite nenhuma margem de erro nem atraso imediato”. A crise mundial, agravada pela mudança climática, “torna realmente possível uma guerra nuclear, iniciada com base num plano ou por engano ou por simples mal entendido, a qual poria fim à civilização”.
A possibilidade de guerra nuclear - sublinham - foi acrescida pelo facto de, no ano passado, vários tratados e negociações importantes terem sido cancelados ou destruídos, criando um ambiente propício a uma corrida renovada aos armamentos nucleares, à proliferação e à redução do limiar nuclear.
A situação - acrescentam os cientistas - é agravada pela “ciber-desinformação”, ou seja, pela contínua alteração da esfera de informação, da qual dependem a democracia e a tomada de decisões, conduzida através de campanhas de desinformação para semear a desconfiança entre as nações e destruir os esforços internos e internacionais para promover a paz e proteger o planeta.
O que é que faz a política italiana nessa situação extremamente crítica?
A resposta é simples: cala-se. Domina o silêncio imposto pelo vasto arco político bipartidário, responsável pelo facto de que a Itália, país não nuclear, albergar e estar preparada para usar armas nucleares, violando o Tratado de Não Proliferação, que ratificou. Responsabilidade que se torna ainda mais grave pelo facto da Itália se recusar a aderir ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (Tratado ONU),votado pela grande maioria da Assembleia das Nações Unidas.
No Artigo 4, o Tratado estabelece:
“Qualquer Estado parte que possua armas nucleares no seu território, possuídas ou controladas por outro Estado, deve assegurar a remoção rápida dessas mesmas armas”.
Portanto, para aderir ao Tratado ONU, a Itália deve solicitar aos Estados Unidos para removerem do seu território, as bombas nucleares B-61 (que já violam o Tratado de Não Proliferação) e de não instalar as novas bombas B61-12, nem outras armas nucleares.
Além do mais, como a Itália faz parte dos países (como declara a própria NATO) que “fornecem à Aliança, aviões equipados para transportar bombas nucleares - sobre os quais os Estados Unidos mantêm controlo absoluto - e pessoal treinado para esse fim”, para aderir ao Tratado da ONU, a Itália deveria pedir para ser isenta dessa função. O mesmo aplica-se ao Tratado sobre Forças Nucleares Intermédias (Tratado INF), destruído por Washington.
Tanto na sede da NATO, da União Europeia e da ONU, a Itália seguiu a decisão dos EUA, dando, essencialmente, luz verde à instalação de novos mísseis nucleares dos EUA no seu território. Isso confirma que a Itália não tem - por responsabilidade do vasto arco político bipartidário - tem uma política externa soberana, que responde aos princípios da sua Constituição e aos reais interesses nacionais. No comando que determina as orientações fundamentais da nossa política externa, está a mão de Washington, directamente ou através da NATO.
A Itália que, de acordo com o texto da sua própria Constituição repudia a guerra, faz parte da engrenagem que nos levou a 100 segundos para a meia-noite, da guerra nuclear.
il manifesto, 28 de Janeiro de 2020
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image
http://www.natoexit.it/en/home-en/ -- ENGLISH
http://www.natoexit.it/ -- ITALIANO
image DECLARAÇÃO DE FLORENÇA Para uma frente internacional NATO EXIT, em todos os países europeus da NATODANSK DEUTSCH ENGLISH ESPAÑOL FRANÇAIS ITALIANO NEDERLANDS
PORTUGUÊS ROMÎNA SLOVENSKÝ SVENSKA TÜRKÇE РУССКИЙ
Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com
Webpage: NO WAR NO NATO

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Exército europeu? UE já 'construiu as bases' para defesa comum -- von der Leyen

A Europa precisa de "capacidade militar confiável" para "definir o seu próprio futuro", declarou a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
 
A ex-ministra da Defesa da Alemanha e atual líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyer, declarou que a Europa já "construiu as bases para a União de Defesa Europeia".
 
A União de Defesa seria "complementar à OTAN e diferente dela", acrescentou. "Há um estilo europeu de conduzir a política externa e a política de segurança internacional, que tem o poder bélico como um instrumento importante [...] mas nunca como o único instrumento", declarou.
 
A Europa precisa de "capacidade militar confiável" para responder às crises da atualidade, declarou von der Leyer durante a sua participação no Fórum Económico de Davos, na Suíça.
 
A líder da Comissão Europeia ainda tratou de outro tema sensível na União Europeia, que é a proteção de dados pessoais, afirmando que o princípio de "proteção da dignidade digital da pessoa humana" deve prevalecer na Europa.
 
A regulamentação da privacidade poderá ser utilizada como base para a futura elaboração de legislação sobre inteligência artificial, acredita a alemã.
 
 
Pacto verde é uma 'estratégia de crescimento'
 
A líder da Comissão Europeia tratou de um outro tema importante para essa edição do Fórum Económico de Davos, que são os riscos Económico associados às mudanças climáticas.
 
"O Relatório Global de Risco, publicado pelo Fórum Económico Mundial, aponta que os cinco maiores riscos à economia são relacionados com as mudanças do clima", declarou.
 
A alemã anunciou a alocação de cerca de € 1 trilião (mais de R$ 4.600 bilhões) para investimentos sustentáveis na próxima década.
 
"O pacto verde europeu é a nossa nova estratégia de crescimento. Nós vamos, seguramente, fazer a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para uma baseada na sustentabilidade e na economia digital", declarou.
 
Ela também elogiou a China por "dar os primeiros passos rumo ao estabelecimento de um sistema de compensação de CO2", reportou a DW.
 
As declarações de von der Leyen foram feitas durante o discurso proferido nesta quarta-feira (22) no Fórum Econômico de Davos, celebrado entre 21 e 24 de janeiro.
 
'Nuvem da Ciência'
 
Além dos temas de segurança e economia, a líder da Comissão Europeia declarou que os países do bloco estão trabalhando para criar um espaço virtual destinado à troca de informações científicas.
 
O projeto consiste na criação de uma "nuvem da ciência", na qual todas as informações sobre pesquisas científicas conduzidas na União Europeia ficariam armazenadas.
 
A nuvem seria um espaço virtual "de dados não personalizados", para o qual as empresas e os governos poderiam contribuir, a fim de usá-lo como um recurso para a inovação.
 
Cientistas europeus já estão criando uma "nuvem aberta da ciência", que permite armazenar informações científicas e acessar os dados obtidos por outros pesquisadores, declarou von der Leyen.
 
Sputnik | Imagem: © AP Photo / Sava Radovanovic

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/exercito-europeu-ue-ja-construiu-as.html

O Relógio do Juízo Final avança 20 segundos. Faltam 100 para o Apocalipse

O Boletim de Cientistas Atómicos anunciou, esta quinta-feira, que o Relógio do Julízo Final está mais próximo do apocalipse. Especialistas avançaram o relógio 20 segundos para alertar líderes e cidadãos de todo o mundo que a situação da segurança internacional está mais perigosa do que nunca.

 

O relógio, que é uma imagem figurada em que a meia-noite representa o “Juízo Final”, converteu-se num indicador universalmente reconhecido da vulnerabilidade do mundo às ações do homem e ao avanço da tecnologia para fins que podem levar à nossa destruição.

Os cientistas anunciaram que este marcador simbólico do fim do mundo está agora a 100 segundos da meia-noite. “A humanidade continua a enfrentar dois perigos existenciais simultâneos: guerra nuclear e mudança climática, que são agravadas por um multiplicador de ameaças, uma guerra cibernética da informação que mina a capacidade de resposta da sociedade”, escreveu a comunidade científica em comunicado.

Os especialistas lamentam que os líderes mundiais tenham minado tratados importantes sobre o controlo de armas nucleares no ano passado e criado “um ambiente propício a uma corrida armamentista nuclear renovada”.

https://twitter.com/BulletinAtomic/status/1220366498918731777?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Os ponteiros do relógio avançavam, apesar do facto de os cientistas terem indicado que no ano passado a consciencialização pública cresceu sobre a crise climática “em grande parte devido a protestos em massa de jovens de todo o mundo”. No entanto, os investigadores acreditam que as ações do governo ainda estão longe de neutralizar o desafio.

O “Relógio do Apocalipse” foi criado em 1947 pelo artista Martyl Langsdorf, visando representar o grau de ameaça nuclear, ambiental e tecnológica à humanidade. À época, o relógio marcava 23h50, a dez minutos da meia noite que simboliza a ameaça máxima, o tempo de catástrofe nuclear.

Desde que foi criado, o relógio já foi ajustado 18 vezes. A vez em que esteve mais perto da meia-noite foi em 1953, quando os Estados Unidos e a então União Soviética estavam a desenvolver a bomba de hidrogénio. Por outro lado, em 1991, as mudanças políticas na Europa de Leste permitiram que os ponteiros fossem afastados da meia-noite para os 17 minutos.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/relogio-juizo-final-20-segundos-perto-apocalipse-304254

PORQUE OS EUA PRECISAM DA GUERRA?

– Despesas militares atingem níveis inéditos
– Empreiteiros da defesa vendem sucata ao governo dos EUA a preços exorbitantes
 
Vladimir Platov [*]
 
Em 2003 um sítio alternativo com sede na Bélgica, o Indy Media, publicou um artigo inteligente intitulado "Why America Needs War", escrito pelo renomado historiador e cientista político Dr. Jacques R. Pauwels.

Dado o facto de este artigo ter sido republicado recentemente por um conhecido e respeitado site de media alternativa, o Global Research , muita atenção foi atraída para as intermináveis guerras de Washington. No artigo acima mencionado, era declarado que as guerras são um terrível desperdício de vidas e recursos e, por esse motivo, a maioria das pessoas se opõe, em princípio, às guerras.

No entanto, com os EUA presos num estado perpétuo de conflito com outros actores internacionais, é de perguntar o que há de errado com os políticos americanos. Será que todos eles sofrem de alguma doença mental?

 
A razão porque os eventos que observamos no cenário global estão realmente a verificar-se é o facto de os EUA confiarem no que Pauwels descreve como a "economia de guerra" na qual os EUA se apoiam há mais de um século. Esta economia permite que indivíduos e empresas ricas se beneficiem da violência e do derramamento de sangue, o que os torna propensos a advogar guerras ao invés de resolver pacificamente os conflitos. Contudo, o artigo afirma que sem guerras quentes ou frias esse sistema não pode senão produzir o resultado esperado na forma de lucros cada vez maiores, que os ricos e poderosos da América consideram como seu direito inato. Está claro que os EUA não podiam escapar das garras da Grande Depressão sem entrar na Segunda Guerra Mundial, como foi afirmado no artigo acima mencionado:
 
 
Durante a Segunda Guerra Mundial, os possuidores de riqueza e altos executivos das grandes corporações aprenderam uma lição muito importante: durante uma guerra há dinheiro a ser ganho, muito dinheiro. Por outras palavras, a árdua tarefa de maximizar lucros – a actividade chave na economia capitalista americana – pode ser absolvida com muito mais eficiência através da guerra do que através da paz. No entanto, para isso é necessária a cooperação benevolente do estado.
 
 
Contudo, o povo dos Estados Unidos não percebeu esta mudança pois estava hipnotizado pelo crescimento rápido dos salários e pelas empresas em expansão que precisavam de um número cada vez maior de novos empregados. Por isso não houve uma oposição real ao belicismo dos EUA dentro do país, o que significa que Washington estará à procura de novos inimigos mesmo quando não tem nenhum. Isto resulta em que estados como Rússia, China, Irão, Coreia do Norte, Cuba e Venezuela – que estavam dispostos, num momento ou outro, a discutirem suas diferenças com os EUA – serem antagonizados e designados como uma ameaça para os EUA e sua segurança nacional.

Eis porque as despesas militares nos EUA continuam a disparar, com programas de investigação e desenvolvimento para os militares a receberem financiamentos sem precedentes. No entanto, o que está a ser apresentado como uma corrida rumo a maior segurança representa um desvio desavergonhado do dinheiro pago pelo contribuinte americano para os bolsos dos principais empreiteiros da defesa. Seria apenas lógico se o sistema legal dos EUA, ao invés de investigar relatos duvidosos da suposta intromissão da Rússia nas eleições estado-unidenses, examinasse mais atentamente como o dinheiro sangrento está a moldar o mundo da política dos EUA.

Recordemos que o orçamento militar dos EUA para 2020 atingiu pela primeira vez o montante assombroso de 750 mil milhões de dólares! [NR] Nas últimas décadas, os Estados Unidos investiram cerca de 30 mil milhões de dólares em vários programas de armas, todos eles com um grau ou outro de falha, de acordo com The National Interest.

Não faltam relatos dos media a mostrarem o completo fracasso das modernas armas americanas as quais, apesar das enormes quantias desperdiçadas no seu desenvolvimento, não podem proteger nem os Estados Unidos nem os seus aliados.

Por exemplo, The National Interest recentemente fez o esforço de fazer uma comparação entre o caça russo Su-35 e um total de quatro competidores americanos: F-15s, F-16s, F-22s e F-35s. A publicação chegou a uma conclusão decepcionante de que, apesar da maciça campanha publicitária que acompanhou o desenvolvimento do F-35, ele não pode aguentar-se diante dos seus equivalentes russos.

O malfadado F-35 foi incluído recentemente na lista das piores armas já produzidas pelo Exército dos EUA devido aos seus custos inacreditavelmente altos e questões de fiabilidade, diz o Business Insider. Portanto, não é de surpreender que, além do presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, que anunciou sua intenção de comprar caças russos Su-35 e Su-57, em vez do material dos EUA, a Alemanha também tenha deixado claro que não tem intenção de adquirir esta caríssima catástrofe alada dos Estados Unidos. Para por mais lenha na fogueira, o portal americano We Are The Mighty (Nós somos os poderosos) listou recentemente um total de três caças russos entre os cinco jactos mais rápidos da história da aviação militar.

No mar, a situação não é melhor. No caso de um hipotético conflito militar entre os Estados Unidos e a Rússia, mesmo no Mar Negro, grupos de porta-aviões americanos seriam obliterados rapidamente por submarinos russos a diesel, sistemas de mísseis móveis terrestres e pequenos mas perigosos botes com mísseis. Isso antes mesmo de as unidades de aviação com base terrestre armadas com mísseis anti-navio hipersónicos baptizados como Dagger intervirem, afirma The National Interest. Outra publicação enfatiza que as corvetas russas de mísseis, que custam US$30 milhões por unidade, têm um alcance quatro vezes superior ao dos últimos destróiers e cruzadores dos EUA que têm um preço de 2 mil milhões de dólares.

Mas foram os sistemas americanos de defesa antimísseis, especialmente o Patriot, que recentemente se cobriram com uma vergonha escandalosa. Um ano atrás, o presidente Donald Trump anunciou que entre as novas prioridades do Pentágono a venda dos sistemas de defesa antimísseis dos EUA aos seus aliados era realmente muito alta. Para atingir esse objectivo, Washington tentou forçar aqueles estados que escolheram soluções muito mais eficazes – o S-300 e o S-400 da Rússia a repensarem sua decisão. Estas tentativas resultaram em Washington aprovar sanções contra alguns de seus aliados mais próximos, como a Turquia, a Índia e o Marrocos.

Enquanto isso, The National Interest admite que o novo S-500 russo é de longe o sistema de defesa aérea mais eficaz que existe, ao passo que The Hill reconhece que as armas hipersónicas da Rússia tornaram sem sentido sistemas de defesa antimísseis americanos como Patriot e THAAD.

Há um ano, os Estados Unidos anunciaram que uma rede de interceptores, radares e linhas de comunicação de mísseis terrestres e de superfície a um preço de 180 mil milhões de dólares poderia proteger o país de um ataque limitado lançado pela RPDC ou pelo Irão. No entanto, logo após esta declaração, sistemas de defesa aérea produzidos nos EUA não conseguiram repelir um ataque surpresa de drones às refinarias de petróleo sauditas, demonstrando portanto sua baixa eficácia. Ao mesmo tempo, não será descabido lembrar que um total de 88 lançadores do Patriot cobre a fronteira norte da Arábia Saudita, com mais três destróieres da US Navy armados com o sistema Aegis estacionados ao largo da mesma área. Nenhum destes sistemas respondeu ao ataque.

Mais uma vez, durante um ataque de retaliação lançado pelo Irão, os sistemas de defesa aérea americanos foram impotentes para abater um único míssil lançado contra duas bases americanas no Iraque.

É por isso que um certo número de clientes militares ocidentais recentemente tem dado passos para adquirir alternativas russas. Isto resultou de falhas graves nos sistemas de defesa aérea produzidos nos EUA, tais como o Patriot, cujos repetidos fracassos se tornaram aparentes recentemente em Israel, Arábia Saudita e Iraque. O último destes clientes foi a Coreia do Sul, que há muito demonstra forte interesse em jactos militares russos e sistemas de defesa aérea, mas não conseguiu adquiri-los devido à pressão exercida por Washington.

Estes factos mostram que os veículos e aeronaves militares publicitados pelos media ocidentais são bons só como sucata. Na verdade, isto tornou-se claro para toda a gente, quando Washington decidiu mostrar seus veículos blindados enferrujados na parada montada no ano passado para a comemoração do Dia da Independência.

 
16/Janeiro/2020
 
[NR] Para comparação:   O PIB português é da ordem dos 200 mil milhões de dólares.

Ver também:

[*] Especialista em Médio Oriente, colabora na revista New Eastern Outlook

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/porque-os-eua-precisam-da-guerra.html

«Pela Paz, Guerra Não! Irão na Mira dos EUA»

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«Pela Paz, Guerra Não! Irão na Mira dos EUA» foi o lema da sessão que, no final da tarde de 16 de Janeiro, encheu o salão da Casa do Alentejo, em Lisboa. Na mesa estavam, com o dirigente do CPPC Gustavo Carneiro, o jornalista José Goulão e o investigador Carlos Almeida, respectivamente membro da Presidência do CPPC e vice-presidente do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente.

Nas várias intervenções procurou-se analisar o real significado do assassinato, pelos EUA, do general iraniano Qassem Soleimani, um dos principais estrategos da vitória sobre os grupos terroristas da AlQaeda e do chamado Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Ficou evidente que se tratou de mais um passo – particularmente perigoso – para assegurar o predomínio regional norte-americano, que tem na região milhares de soldados e centenas de bases e instalações militares e frotas navais.

Realçando-se o carácter ilegal deste assassinato, cujas consequências para a paz na região, e não só, ainda continuam por se revelar, denunciou-se a poderosa mistificação mediática que envolve a abordagem das questões internacionais, com as quais se procura transformar agressores em agredidos e vítimas em carrascos.

Da sessão saiu uma firme exigência às autoridades portuguesas para que assumam um posicionamento coerente com a Constituição da República Portuguesa, o que exige uma ruptura firme com a submissão aos EUA, à NATO e à União Europeia que marca a actuação do actual governo, como dos anteriores. Portugal tem a obrigação de se bater pela paz, pelo desarmamento, pelo respeito pela soberania dos estados e pelos direitos dos povos. E isso não é compatível com as aventuras militares do imperialismo, motivadas pela intenção de controlar recursos energéticos, matérias-primas, mercados e zonas de importância geo-estratégica e condicionar o desenvolvimento de outros países.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2sJ8q7t

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/20/pela-paz-guerra-nao-irao-na-mira-dos-eua/

França: 8 países apoiam missão naval de liderança europeia no estreito de Ormuz, entre eles Portugal

Navio de guerra iraniano Alborz no Estreito de Ormuz
© AP Photo / Agência de Notícias Fars, Mahdi Marizad

Em 2019, diversos países europeus começaram a discutir uma "missão marítima de segurança" no golfo Pérsico após aumento de tensões entre Reino Unido e Irã. Porém, a iniciativa aparentemente havia sido interrompida.

França, Portugal, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Itália, Grécia e Países Baixos expressaram apoio político para realização de uma missão naval europeia no estreito de Ormuz, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da França nesta segunda-feira (20).

Desde o ano passado, Paris vem pressionando nações para criação de uma coalizão de segurança marítima liderada pela Europa no golfo Pérsico, após ter recusado a assinar acordo de uma coalizão semelhante com os Estados Unidos.

Enquanto isso, Reino Unido, Albânia, Arábia Saudita e Bahrain se juntaram à coalizão liderada pelos Estados Unidos, anteriormente batizada como Operação Sentinela, com Israel providenciando um apoio não especificado. A operação foi encarregada de proteger embarcações transitando pela rota comercial.

As tensões no golfo Pérsico recomeçaram a escalar em maio de 2019 após o anúncio de que os Estados Unidos enviariam um grupo de porta-aviões à região para conter "ameaça iraniana" aos interesses norte-americanos.

Cerca de um quarto de toda a produção mundial de petróleo é transportado diariamente pelo golfo Pérsico, tornando-o uma das principais artérias da economia mundial. Qualquer incremento de tensões entre Irã e Estados Unidos leva rapidamente a um aumento no preço do barril de petróleo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2020012015028619-franca-8-paises-apoiam-missao-naval-de-lideranca-europeia-no-estreito-de-ormuz-entre-eles-portugal/

“Se o Irão consegue atacar-nos, a China poderia fazer muito mais estrago” -- EUA

 
 
O congressista americano Mike Gallagher destacou que as defesas dos EUA no Pacífico estão sob risco, ao passo que alertou sobre as capacidades da China contra seu país.
 
"Se adversários mais fracos [referência ao Irão] estão usando armamentos menos sofisticados para nos atacar [no Oriente Médio], a China poderia fazer muito mais estrago na [região] do Comando das Forças Armadas dos EUA no Indo-Pacífico", declarou o deputado republicano da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Gallagher, em um evento naval realizado próximo a Washington, EUA.
 
Ainda segundo o congressista, se as Forças Armadas dos EUA não se focarem em ameaças em tempo real, a Estratégia de Defesa Nacional de seu país, que visa a "competição entre grandes potências" perderá o seu sentido, conforme publicou o portal Military.com.
 
Para Gallagher, o uso de bases fixas pelos militares americanos seria um erro estratégico, o que facilitaria ataques como os perpetrados pelo Irão no Iraque.
 
O bombardeio de mísseis iraniano também seria um exemplo da vulnerabilidade dos EUA, segundo o político. Ele classificou o pequeno número de bases dos EUA na região do Indo-Pacífico como perigoso.
 
"Dado o pequeno número de bases fixas que temos [no Indo-Pacífico], o sinal de alerta vermelho já está piscando", afirmou.
 
 
Estratégia contra a China
 
Com o intuito de aprimorar as defesas de Washington em face da China no Indo-Pacífico, Gallagher defendeu a ideia de um movimento contínuo das unidades militares de seu país nas ilhas da região.
 
A estratégia tem como objetivo dificultar um ataque chinês, em caso de guerra, ao passo que os "alvos americanos" estariam mudando de posição constantemente.
 
Sem contar o uso de "posições fantasmas", com criação de artefatos militares falsos para enganar o inimigo.
 
Sputnik | Imagem: © CC0

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/se-o-irao-consegue-atacar-nos-china.html

ESTÁ AÍ A IIIª GUERRA MUNDIAL!

 
 
 
2020 começou da pior maneira para a humanidade: ainda estalavam no ar os foguetes dos fogos de artifício das celebrações da passagem de ano, ainda se ouviam por toda a Terra os votos de Bom Ano e de Felicidades, quando em Bagdad, uma das cidades-mártir da região fulcral das tensões planetárias desde o início do século XXI, eram assassinados pelo imperador Donald Trump, combatentes que haviam sido dos maiores responsáveis pela derrota do caos e do terrorismo do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.(https://www.brasil247.com/blog/os-eua-dao-o-pontape-inicial-nos-loucos-anos-20-declarando-guerra-ao-ira)
 
Está aí, com todos os seus transversalmente tenebrosos ingredientes, a IIIª Guerra Mundial!
 
No Médio Oriente Alargado está bem patente o que venho anunciando de há anos a esta parte: a "IIIª Guerra Mundial", assimetricamente variável e de não menos mortífera intensidade, que a qualquer momento pode proliferar até se tornar numa incontrolável escalada atómica!...
 
Todos os continentes se apresentam neste momento, duma forma ou de outra, com problemas e entre os problemas, alguns não têm mais humana solução!
 
Os Estados Unidos estão a escolher seu próprio caminho no Médio Oriente Alargado: há muito que estão a mais ali e em todas as partes do mundo onde disseminaram bases militares e expedientes operativos geradores de caos e terrorismo, ao invés de, acabando com os exércitos e os mercenários, fazerem proliferar responsáveis e dignas acções de paz!
 
Os Estados Unidos e seu cortejo de vassalos e cúmplices, são responsáveis pela fabricação de “inimigos úteis”, a fim de armadilhar os seus verdadeiros inimigos, numa espiral de violência que agora está mais a nu que nunca!
 
É no Médio Oriente Alargado onde se registam os maiores embates entre os que persistem no império da hegemonia unipolar disseminador de caos e terrorismo wahabita-sunita sob o sopro sionista, face à imparável expansão das integrações emergentes e multilaterais, que procuram estratégias de paz e integração, galvanizando a partir da história e do respeito multicultural, acima de tudo o imenso continente euro-asiático.
 
Agora a fasquia não é já ao nível da tensão hegemonia unipolar versus emergência multilateral: agora é entre os que rompem com todo o tipo de leis descendo ao surrealismo da barbárie em pleno século XXI e os que se prendem ao campo das leis e da legitimidade, numa precária defesa da civilização e da vida! (https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/assim-os-imperios-cometem-suicidio/?fbclid=IwAR1d-9ocemBRBwiscguraaAl4R8glX8ewgpDEsPHX5wEJ-OuT6Qj1nAGvB0).
 
 
 
A RECESSÃO E A CRISE SÃO PRODUTOS DA MALHA QUE A GLOBALIZAÇÃO DO IMPÉRIO DA HEGEMONIA UNIPOLAR TECE!
 
01- A Iniciativa da Nova Rota da Seda fez 6 anos, precisamente numa altura em que a República Popular da China atinge os 70 anos de longevidade e constante emergência!... (https://vermelho.org.br/2019/10/03/a-nova-rota-da-seda-e-a-atual-encruzilhada-historica/).
 
Para melhor compreensão do que está em jogo entre a costa do Pacífico e a costa do Atlântico sob o prisma da emergência da República Popular da China, a síntese-analítica da autoria do pesquisador-especialista Diego Pautasso de que acima junto o link, revela com toda a propriedade a evolução da situação nas suas múltiplas implicações, nos seus desenvolvimentos práticos, nos seus cenários geoestratégicos e nas contramedidas que o império da hegemonia unipolar tece!…
 
Em todas as iniciativas integradas e integradoras, a República Popular da China procura marcar a cadência da paz, da segurança e da multiplicação dos negócios e investimentos comuns e com reciprocidade das vantagens!...
 
Sem paz não há negócios e a RPC não pretende converter em capitalismo neoliberal de desastre o que já está a fazer sob a intensa bandeira da paz!
 
Recomendo a todos ler, por que no centro da exposição está a compreensão histórica do imparável fortalecimento emergente da própria República Popular da China e, a partir dela, de toda a envolvência humana na Euro-Ásia e em África:
 
“O ponto inicial é compreender como a BRI” (“Belt and Road Initative”) “resulta de um complexo processo de reconstrução nacional iniciado com a Revolução de 1949.
 
A primeira geração de dirigentes liderada por Mao Tsé-tung tornou o país independente, retomou a integração territorial, lançou os alicerces da indústria de base e da infraestrutura física (transportes, comunicação e energia).
 
A segunda geração, tendo à frente Deng Xiaoping, lançou a política de Reforma e Abertura em meados dos anos 1970, retomando o processo acelerado de desenvolvimento, internalizando tecnologia, diminuído o atraso em relação aos países desenvolvidos e criando novos padrões institucionais para o país.
 
A terceira geração, sob a coordenação de Jiang Zemin (1993-2003), teve o desafio de resistir à conjuntura decorrente do colapso do campo soviético e ainda dar continuidade e aprofundar tais políticas iniciadas por Deng.
 
A partir do século XXI, com a quarta geração de Hu Jintao (2003-13) e a quinta de Xi Jinping (2013-…), a inserção internacional chinesa ganhou novos contornos.”
 
 
02- Tendo como fulcro o seu próprio território (a cabeça), o “BRI” (https://en.wikipedia.org/wiki/Belt_and_Road_Initiative) significa um processo de integração tentacular que se distende para além das fronteiras da República Popular da China por todo o imenso continente euro-asiático a ocidente, das costas do Pacífico às costas do Atlântico, desenvolvendo expedientes de “ganha-ganha” (https://orientalreview.org/2017/12/19/donald-trumps-win-lose-model-versus-xi-jinpings-win-win/) que, sob o ponto de vista económico, têm sido imparáveis, por que beneficiam desde logo da “atracção” pelos espaços vazios da Federação Russa e da Ásia Central, de rarefeita ocupação humana, mas de incalculáveis riquezas naturais!
 
 
Ao possibilitar o acesso ao Índico Norte a China por tabela procura propiciar a integração da Índia, com quem tem fronteiras mas onde, apesar de se começarem a esvair residuais diferendos, está-se apenas no limiar do aprofundar da integração recíproca (http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/12/c_138466714.htm)!
 
O corredor do Paquistão é a maior manobra de persuasão para evitar a guerra larvar entre o Paquistão e a Índia, com as três potências detentoras de suas próprias armas nucleares! (https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018020910478349-poder-nuclear-china-india-paquistao/).
 
Desde que se lançou a iniciativa, a Nova Rota da Seda (“Belt and Road” – https://eng.yidaiyilu.gov.cn/qwyw/rdxw/88273.htm) avança inexoravelmente no imenso continente euro-asiático (https://www.globalresearch.ca/new-silk-roads-china-kazakh-border/5696770), concentrando-se agora na plataforma decisiva que constitui a Ásia Central que integra a Sibéria Russa (praticamente dos Urais à costa do Pacífico da Federação Russa, com 13.500.000 km2 – https://www.britannica.com/place/Siberia) e os “5 satãs”: o Cazaquistão (o maior dos países constituintes da Ásia Central, com 1.052.089 km2 – https://www.britannica.com/place/Kazakhstan), o Tajiquistão (o mais pequeno país da Ásia Central e um dos mais críticos, com a área de 142.600 km2 – https://www.britannica.com/place/Tajikistan), o Kirguistão (com 199.945 km2 – https://www.britannica.com/place/Kyrgyzstan), o Uzbequistão (um país com 447.400 km2 – https://www.britannica.com/place/Uzbekistan), o Turcomenistão (com 491.210 km2 – https://www.britannica.com/place/Turkmenistan).
 
Esse nó dos “5 satãs” (com um total de 2.333.254 km2), está imediatamente a norte (https://www.brasil247.com/blog/rodando-pela-rodovia-pamir-o-coracao-agreste-da-asia-central) da região de tensão do Médio Oriente Alargado que se estende até à afectação crónica do “AfPaq” (Afeganistão e Paquistão), assim como do Índico Norte e Golfo Pérsico! (https://foreignpolicy.com/2015/10/16/the-definition-of-insanity-is-u-s-afpak-strategy/https://economictimes.indiatimes.com/topic/AFPAK).
 
O Irão (com 1.628.771 km2 – https://www.britannica.com/place/Iran) é, a sul, o guardião estratégico e de vanguarda dos expedientes de paz do “BRI” na Ásia Central e no “AfPak”, onde os Estados Unidos estão em crescente perda, ou em gritante insuficiência de argumentos, de opções e de acções, numa “decadência” que conduz à sua própria “asfixia” nessa crucialmente nevrálgica região! (https://moderndiplomacy.eu/2019/08/31/unjustified-hope-of-irans-central-asia-policy/).
 
A Índia, embora não participando na “BRI”, faz parte da “Organização de Cooperação de Shanghai” (http://eng.sectsco.org/) e do grupo BRICS (http://www.chinahoje.net/edicoes/?ano=5&numero=27), ou seja, já é parte de condutas de geometria variável, faltando pouco para preencher sua integração!
 
A “BRI” não tem paralelo (https://www.brasil247.com/blog/a-rodovia-pamir-a-estrada-no-telhado-do-mundo) e o proteccionismo exacerbado levado a cabo pela Administração de Donald Trump, conjugado com um leque de medidas financeiras internacionais (tirando partido do dólar enquanto centro de gravidade), económicas (proliferação de sanções e pressões de toda a ordem sobre alvos considerados de “desobedientes”), de inteligência (no âmbito da guerra psicológica implicada nas medidas de caos e de terror que dissemina) e militares (com mais de 800 bases espalhadas pelo mundo, na tentativa de cercar sobretudo a República Popular da China e a Federação Russa), é um aberrante contrassenso: ao “win-win” que a RPC leva a cabo, os Estados Unidos propõem-se em regime de exclusividade, ao exercício sulfúrico do “win-lose”!... (http://www.europereloaded.com/liberalism-is-the-problem-win-win-globalism-is-the-solution/).
 
 
03- Com o multilateralismo a estabelecer estratégias e cada vez mais nexos de integração procurando sempre vias de segurança e de paz, por que só assim se podem fazer proliferar investimentos e negócios no imenso continente euro-asiático, o império da hegemonia unipolar exclui, divide e dissemina estratégias de caos e terrorismo, para armadilhar as emergências multilaterais e justificar o exercício de intervenção maldita do seu poder de inteligência e militar, a única via de sua obcecada expressão! (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/guerra-dos-eua-pela-dominacao-global.html#morehttps://www.voltairenet.org/article206513.html).
 
A integração que os Estados Unidos promovem nos e com seus expedientes é, à sua própria imagem e semelhança, com os mais execráveis e retrógrados regimes que há sobre a Terra: o sionismo concentrado em Israel, o fanatismo wahabita-sunita de que se servem as monarquias arábicas para se manterem no poder (https://www.voltairenet.org/article208343.html) e a ambiguidade insana do AfPaq, sujeitando-se às “filtragens” e “transversalidades” do “Inter-Services Intelligence”! (https://www.bbc.com/news/world-middle-east-49973217https://www.state.gov/u-s-relations-with-saudi-arabia/https://www.theguardian.com/world/inter-services-intelligence-isi).
 
Por muito poderoso que seja o império da hegemonia unipolar, a sua geoestratégia estando condenada à devassidão, dá consistência à barbárie, prolongando-a de crime em crime por manifesta incapacidade de relacionamentos em pé de igualdade (conforme à Carta das Nações Unidas) com as outras nações, estados e povos da Terra!... (https://www.voltairenet.org/article208774.html).
 
Por isso o exercício naval tripartido, envolvendo no Índico Norte e Golfo Pérsico o Irão, a Rússia e a China, foi no fecho de 2019, uma antecipação do “Yankees go home” que se está, no seu imediato a assistir desde as primeiras horas do ano 20! (https://www.hispantv.com/noticias/opinion/286942/alianza-rusia-iran-china-occidente-eeuuhttps://www.defesaaereanaval.com.br/naval/almirante-iraniano-revela-o-que-levou-russia-e-china-a-participar-de-manobras-navais-com-ira).
 
 
04- O que os colonos da conquista do oeste fizeram às nações autóctones da América do Norte, assim como o que fizeram em relação ao México, não teve alteração desde então no seu carácter, nos seus critérios e nos conteúdos práticos em relação ao resto do mundo, salvo para com vassalos e cúmplices de sua barbárie, que incluem organizações terroristas que como “inimigos úteis” espalham o caos nos continentes-alvo da sua incomensurável cobiça!
 
Por isso iniciativas como a “Belt and Road Initiative” (“BRI”), a “Shanghai Cooperation Organzation” (“SCO”), ou os BRICS, são alvos da sua hostilidade, com ementas subversivas que abrangem desde a manobra político-diplomática, a medidas económicas e financeiras, ou a medidas de guerra “assimétrica” e de “geometria variável” como as que estão em curso, tendendo a subir de intensidade à medida que a integração multilateral vai ganhando espaço e adeptos!
 
O golpe contra o Irão, que passa pelo Líbano, a Síria, o Iraque, a Líbia e o Iémen, golpe que vem sendo levado a cabo sincronizado com o plano de extinção da Palestina, é uma geoestratégia de ataque à “SCO” e ao “BRI” desde a projecção da implosão socialista dos tempos das sementes neoliberais de Ronald Reagan!
 
É também um evidente sinal de desespero face aos êxitos que a “BRI”, no quadro da geoestratégia chinesa, tão rapidamente vão acumulando desde o seu arranque há 6 anos!
 
É contra essa linha em progressão leste-oeste que se atravessam no caminho os Estados Unidos e sua dilecta coligação no Médio Oriente Alargado (com o sionismo e o radicalismo wahabita-sunita em primeiro plano), pelo que o Irão tornou-se no primeiro alvo a abater entre as duas barricadas!
 
A estratégia do Irão, integrada pelo General Qassem Soleimani, reconheceu-o desde os primeiros movimentos no princípio do século XXI, pelo que vocacionaram a resposta por antecipação e prevenção, no Líbano, na Síria, no Iraque, na Líbia e por fim no Iémen, tendo como alvo tático principal o Estado Islâmico, (acerca do qual há cada vez mais provas da velada engenharia do império da hegemonia unipolar, de seus vassalos e de seus cúmplices), reservando-se para o alvo estratégico que é Israel sionista e a Arábia Saudita wahabita-sunita!
 
O assassinato do general Qassem Soleimani pelo império da hegemonia unipolar, é apenas um evidente sinal de desespero de quem está contra a parede, sem alternativas, sem opçoes e vai acumulando de parada em parada, barreiras intransponíveis de resistência na imensidão euro-asiática, em cada vez mais espaços marítimos no mundo e na América Latina, o dilecto “quintal traseiro” das manobras de expansão e hegemonia!
 
A partir deste momento fica mais evidente que nunca que os “inimigos úteis” do império, construídos para armadilhar as mais sensíveis áreas continentais globais onde se estão a produzir os choques, só podem retardar o recuo unipolar e seu sulfuroso caudal de ingredientes (onde sobressaem o sionismo e o radicalismo wahabita-sunita)!
 
O papel do Irão no Médio Oriente Alargado salvaguarda a rápida progressão do “BRI” mais a norte e por isso não podia ser deoutra forma a aliança Irão-China-Rússia!
 
Desse modo são os termos da paz proposta pela República Popular da China na sua geoestratégia que agora perfez 70 anos, o principal inimigo e alvo dos Estados Unidos em relação ao qual se interpõe o Irão, quando antes se interpunha o “AfPak”… ou seja, tarde demais para quem se viciou na droga do capitalismo neoliberal que está a atingir em cheio e por dentro a própria aristocracia financeira mundial!
 
 
 
Martinho Júnior -- Luanda, 7 de Janeiro de 2020
 
Imagens:
01- Os membros do “Shanghay Cooperation Organization” são os principais artífices, seguindo doutrinas de paz, cooperação e integração do “Belt and Road Intiative”; pr isso são os alvos dilectos do império da hegemonia unipolar no imenso continente euro-asiático, entretanto sustidos na região de tensão do Médio Oriente Alargado – http://eng.sectsco.org/for_media/20180606/441009.html;


03- “Como disse Engdhal (2009, p. 127), o império de bases militares é a base do Império e sua política de full spectrum dominance.
Essas são as bases de uma espécie de arco de contenção do eixo sino-russo liderado pelos Estados Unidos baseado em múltiplas estratégias.
Inclui o avanço de alianças militares, como a expansão da OTAN, bem como uma gigantesca estrutura de projeção de força militar que cobre a Eurásia, compostas pelos Comandos do Pacífico (PACOM), Comando Europeu (EUCOM) e o Comando Central (CENTCOM) e um conjunto de aliados estratégicos.
Ademais, há, de cerca de 800 bases militares espalhadas pelo mundo, uma rede de bases militares estratégicas na Eurásia, na Coreia do Sul, Japão, Guam, Tailândia, entre outros.
Deve-se sublinhar ainda aliados regionais estratégicos, tais como Japão, Arábia Saudita, Azerbaijão, Geórgia, Israel, etc.
Os casos de Índia e Paquistão, por exemplo, oscilam entre a aproximação com Washington e com o eixo-sino-russo: por um lado o acordo nuclear indo-americano (2005) e a condição de Major non-NATO Ally (2004), respectivamente, e, por outro, a inclusão como membros da OCX.
A isso, somam-se as políticas de regime change através de desestabilizações como as ‘revoluções coloridas’, ocorridas na Sérvia (1999), Geórgia (2003), Ucrânia (2004-14), Quirguistão (2005).
Sem esquecer das intervenções militares diretas, cujos efeitos foram devastadores, como Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria – essa salva pelo apoio russo.
Há ainda os países sob sanções e recorrentes ameaças militares, os casos de Coreia do Norte e Irã – inclusive com a implosão unilateral do acordo nuclear com o país persa.
Outro vetor de ingerência e desestabilização são os apoios aos movimentos separatistas na Chechénia, no Tibet, Xinjiang e de países vizinhos, como Baluchistão.
Por fim, mas não menos importante, há litígios com potencial para promover uma escalada militar, como são os casos de Taiwan, Mar do Sul da China, Península Coreana, entre outros. Ou seja, o arco começa na Ucrânia, passa pelo Cáucaso, atravessa o Oriente Médio e a Ásia Central, e culmina no Sudeste e Leste Asiáticos.” – https://vermelho.org.br/2019/10/03/a-nova-rota-da-seda-e-a-atual-encruzilhada-historica/;

04- Who's threatening who? Map of US military bases surrounding #Iran – https://www.pinterest.com/pin/386535580500992050/?lp=true;
05- Iran fired missiles Wednesday at Iraqi bases housing the US military, officials in Washington and Tehran said, in the first action of the Islamic republic's promised revenge for the US killing of a top Iranian general. – https://www.ibtimes.com/iran-fires-missiles-us-troop-bases-iraq-2897761.

O plano de Trump para militarizar o espaço

 
 
EUA investirão U$738 bi em nova Força Espacial que inclui satélites, aviões, espionagem e armas atómicas em órbita. Iniciativa fere acordos internacionais e pode levar China, Rússia e outros países a corrida armamentista ainda mais insana
 
Nazanín Armanian | Outras Palavras | Tradução: Rôney Rodrigues
 
Em 1983, Ronald Reagan, um fanático religioso e ator de cinema convertido em presidente dos EUA, lançou sua Guerra nas Estrelas com o código Excalibur: enviaria ao espaço cerca de 2.200 satélites equipados com armas de partículas subatómicas, ainda por inventar, e que com a velocidade da luz destruiriam as ogivas nucleares soviéticas, hipoteticamente lançadas em direção aos EUA. O projeto não se concretizou: custava cerca de 20 biliões de dólares e só serviria como um videojogo infantil.
 
Hoje, 34 anos depois, o Congresso dos EUA, de maioria democrata, aprovou um projeto de lei de “defesa”, com orçamento de 738 biliões de dólares, que inclui a criação da Força Espacial (FE), proposto por Donald Trump, outro “presidente por acidente” que afirma que o espaço é o “novo território de combate”.
 
Essa declaração de guerra ao mundo, como de costume, vem acompanhada por uma grande mentira: que “os EUA perderam a supremacia militar no espaço para a Rússia e a China” e não poderiam “sobreviver a um ataque furtivo da China” ou que o país de Mao “pode instalar uma base militar no pólo sul da Lua” e converter a Via Láctea em uma Rota da Seda espacial! Mas a versão oficial não relata que o maior ataque aos EUA, o 11 de Setembro, foi realizado por uma força “vinda da Idade da Pedra” e não por uma “espacial”?
 
Na verdade, os EUA seguem liderando o uso de satélites e a tecnologia militar espacial. Possuem 901 satélites (em comparação, China tem 280; Rússia, 150) e planeiam lançar mais 1.300. Mas o Madman de rosto alaranjado que reina em Washington acredita que as armas de destruição em massa existentes na Terra não são suficientes para acabar com todos os seres vivos do cosmo.
 
 
A Odisseia Espacial de Trump
 
Desde 1982 já existe o Comando Espacial da Força Aérea dos EUA, que emprega 36 mil pessoas. Trump propõe criar um órgão semelhante, pelos seguintes motivos:
 
1- Subornar a indústria de armamentos na reta para as eleições de 2020. O Congresso norte-americano, em um assalto sem precedentes ao dinheiro público, aprovou um adiantamento de 40 biliões de dólares para a implementação da FE, que contratará inicialmente 16 mil pessoas. A dimensão do que a indústria militar vai ganhar só é comparável com o que veio após o 11 de Setembro e a farsa da Guerra ao Terror. O fim da Guerra Fria havia fechado a torneira. Tiveram que inventar um novo inimigo contra quem lutar. Em 12 de setembro, os EUA dão um golpe em si mesmos, outorgando suas rendas a pistoleiros, que lançaram operações militares ilimitadas. Washington desfez-se das armas antigas, testou novas (como os drones), às custas da destruição de nações inteiras e da vida de centenas de milhões de pessoas, entre mortes, feridas, mutiladas, deslocadas e refugiadas.
 
Um dado revelador: os caças F-22, fabricados nos anos 1980 para enfrentar caças soviéticos semelhantes (que nem haviam sido construídos) nunca foram utilizados. E daí? A Lockheed Martin agora está construindo 2.443 aviões F-35, por 323 biliões de dólares. O negócio da “guerra perpétua” traz recursos permanentes para esse crime organizado, e também perdas permanentes, não apenas para as centenas de milhões de pessoas de outros Estados, mas para os próprios cidadãos norte-americanos. Segundo o Children’s Defense Fund, no país mais rico do planeta, 40 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza – o dobro do que havia há cinquenta anos. Destes, 13 milhões são crianças.
 
O número de menores sem moradia, 1,5 milhões, é três vezes maior que durante a Grande Depressão da década de 1930. Ao orçamento do Pentágono, que é de 750 biliões de dólares para 2020, devem-se somar os 70 biliões destinados às 16 agências de inteligência, outros 70 biliões que vão para o Departamento de Segurança Nacional, mais 30 biliões designados para o Departamento de Energia, os 200 biliões para a Administração de Veteranos, e o que se destina a outros departamentos para fins militares, como o de Justiça, que recebe biliões de dólares para buscar “terroristas” fantasmas contra quem lutar. Por isso, chegou a mudar a definição de “terrorismo”, para poder incluir um número maior de pessoas de todo o mundo. Esse departamento está vinculado com a indústria carcerária – cujo negócio sem fronteiras vai de Guantánamo, em Cuba, até Bagram, no Afeganistão, passando pela Roménia e Polónia – encarregadas de praticar a pedagogia do terror norte-americano. Muitos são os buracos negros que absorvem o alimento, a saúde e o teto de milhões de pessoas no país.
 
2- Manter e ampliar a máquina de matar dos EUA, que vão deixando de ser a superpotência económica, comercial e tecnológica.
 
3- Privatizar o espaço, colocando uma portaria militar no céu para quais países, corporações e em quais condições poderão acessá-lo.
 
4- Converter em arma de guerra a própria galáxia, que já está militarizada, para manter seu domínio militar na Terra. De fato, a FE será um comando geográfico parecido com o Comando Europeu (EUCOM), o Africano (AFRICOM), o Central (CENTCOM), o Pacífico (PACOM), o Norte (NORTHCOM), o Sul (SHOUTHCOM) e o Estratégico (STRATCOM).
 
5- Colocar interceptadores de mísseis ou armas satelitais no espaço, com o objetivo de bloquear ou piratear sinais de dispositivos de outros países. Isso já se fará não apenas com aparatos electrónicos, mas também com armas antissatélites, aviões de combate equipados com laser, ogivas nucleares instaladas em órbita. Atentar contra as comunicações, a navegação aérea e outros serviços civis de outras nações.
 
6- Militarizar ainda mais a política exterior dos EUA: a demissão de Rex Tillerson [ex-secretário de Estado] colocou fim à diplomacia do governo Trump.
 
7- Colar Trump em alguma página da história por algo tão grande como o tamanho do universo (principalmente agora que não lhe venderam a Groenlândia) e também na mesma medida da estupidez de quem o aplaude iludido por “colocar botas (militares) na Lua” em 2024. É vital para a psique do estadunidense provinciano saber que está governando o mundo!
 
E porque os parlamentares do Partido Democrata apoiaram no projeto? Nos EUA, a economia baseada na guerra tem um nexo direto com a dependência política em relação ao militarismo. Muitos políticos, tanto republicanos quanto democratas, não estariam no Congresso sem o dinheiro das companhias de armas em suas campanhas.
 
Assim começou o Star Treck trumpiano
 
A FE não é algo apenas de Trump e sua família: cabe a ele apenas levar adiante essa nova fase da doutrina militar dos EUA. Após a Segunda Guerra, Washington acolheu cientistas nazistas, que presentearam os novos patrões com conhecimento técnico encharcado na ideologia do supremacismo. Em Redstone Arsenal, localizado em Huntville, o coração do militarismo espacial do mundo, fabricaram um míssil balístico para transportar armas atómicas. E quando em 1957 a União Soviética lançou o Sputinik, exibindo sua capacidade para explorar o espaço, os EUA aceleraram o projeto do presidente Eisenhower para criar, em 1958, a NASA, agência com aparência civil, que distrairia a atenção pública dos projetos espaciais com fins militares.
 
Em 1967, EUA, União Soviética e China e outros países assinaram o Tratado do Espaço Exterior, que autoriza a exploração e o uso do espaço exterior por todas as nações e proíbe que alguns possam reclamar soberania sobre ele ou implantar armas de destruição em massa — incluídas nucleares — ainda que tenham esquecido de impedir atividades militares no céu.
 
Em 2001, a China propôs à ONU um Tratado Preventivo contra uma corrida armamentista no espaço, mas não conseguiu a assinatura dos EUA. Seis anos depois, o regime de George W. Bush, formado por pessoas vinculadas a companhias de armas e petróleo, bloqueou a resolução da ONU sobre o controle de armas no espaço e revogou o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, assinado com a União Soviética em 1972. A Guerra do Golfo Pérsico de 1991 seria a “primeira guerra espacial”: nela, os EUA usariam satélites para atacar o Iraque com novas armas guiadas, como os drones. Agora, Trump rompe a primeira medida de controle de armas nucleares de médio alcance (INF), assinado em 1987 com a União Soviética e também o acordo nuclear com o Irã. Quer ter as mãos livres e “Make America Great”, com o assalto da indústria aeroespacial a Casa Branca e ao Congresso.
 
Os EUA não serão mais um país mais seguro. A China, que baseia sua política exterior na coexistência pacífica, pode ver-se empurrada a uma corrida armamentista, como a União Soviética nos anos 80; o que não apenas prejudica a China e a economia mundial, mas também provocará o que se chama de “modelo espiral”. Quando um país aumenta suas forças militares para garantir sua segurança, provoca grande preocupação em outros, que por sua vez se armam, diminuindo a segurança do primeiro.
 
Com um multimilionário charlatão no Salão Oval, a ameaça de uma guerra espacial é muito séria. E sabem porque não existe um movimento antimilitarista em todo o mundo?
 
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Bernie Sanders diz que Trump mente e empurra os EUA à guerra com o Irã

247 -No último debate entre pré-candidatos democratas antes das primárias, realizado na terça-feira (14) no estado de Iowa, Bernie Sanders lembrou que os EUA atacaram o Vietnã (1955) e o Iraque (2003) "com base em mentiras" e agora o inquilino da Casa Branca "também mente", e poderia envolver o país em uma nova guerra, desta vez com o Irã.

O senador democrata pelo estado de Vermont voltou a alertar que essa guerra poderia ser pior do que a do Iraque. “Os dois maiores desastres de nossa época que enfrentamos como nação foram as guerras no Vietnã e no Iraque. Ambas foram baseadas em mentiras (...) Agora, o que me assusta é ter um presidente que ainda está mentindo e poderia nos arrastar para uma guerra que seria pior que a do Iraque”, disse Sanders.

As informações são do site iraniano HispanTV

 

«Pela paz, contra a guerra no Irão»

O Conselho Português Para a Paz e Cooperação (CPPC) promove um acto público, no próximo dia 13 de Janeiro, no Porto, para denunciar a intenção de se desencadear uma nova guerra na região.

Créditos / mdm.org

A convocação da acção surge na sequência do repúdio, constante de comunicado do CPPC, do assassinato do general iraniano Qassem Soleimani pelos EUA, e das consequências «explosivas que daí poderão advir para a paz».

O Conselho da Paz recorda a importância que o oficial assassinado teve nas «vitórias alcançadas sobre os grupos terroristas criados, financiados e armados pelos EUA e seus aliados», que actuam na região.

A ordem directa do presidente dos EUA, Donald Trump, constitui, segundo o comunicado, «um acto de guerra destinado a escalar ainda mais o conflito no Médio Oriente e na Ásia Central» e insere-se «na ofensiva contra o Irão, expressa na retirada dos EUA do "Acordo Nuclear", no regresso das sanções e dos bloqueios e nas constantes ameaças de agressão militar».

O assassinato do general iraniano deve merecer, segundo a organização de paz, o repúdio das Nações Unidas e de todos os países, porque é «ilegal à luz do Direito Internacional», incluindo do governo português.

«Este é mais um exemplo que revela que são os EUA a principal ameaça à paz, no Médio Oriente e Ásia Central, como em todo o mundo», alerta o CPPC, que defende que apenas «a retirada norte-americana da região» poderá salvaguardar a paz.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/pela-paz-contra-guerra-no-irao

Um novo ano e um novo erro de política externa de Trump no Iraque

 
 
Medea Benjamin e Nicolas J. S. Davies | Global Research, January 03, 2020
 
É um ano novo, e os EUA encontraram um novo inimigo - uma milícia iraquiana chamada Kata'ib Hezbollah. Quão tragicamente previsível foi isso? Então, quem ou o que é o Hezbollah Kata'ib? Por que as forças americanas estão atacando? E para onde isso vai levar?
 
O Hezbollah de Kata'ib é uma das Unidades de Mobilização Popular (UGP) que foram recrutadas para combater o Estado Islâmico após o colapso das forças armadas iraquianas e Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, caiu para o IS em junho de 2014. As seis primeiras UGP foram formadas por cinco milícias xiitas que receberam apoio do Irã, além da Companhia Nacional da Paz iraquiana de Muqtada al-Sadr, a reencarnação de sua milícia anti-ocupação do Exército Mahdi, que ele havia desarmado em 2008 sob um acordo com o governo iraquiano.
 
O Hezbollah Kata'ib era uma dessas cinco milícias xiitas originais e existia muito antes da luta contra o Estado Islâmico (EI). Era um pequeno grupo xiita fundado antes da invasão do Iraque pelos EUA em 2003 e fazia parte da resistência iraquiana durante toda a ocupação americana. Em 2011, supostamente havia 1.000 combatentes, que recebiam de US $ 300 a US $ 500 por mês, provavelmente financiados principalmente pelo Irão. Lutou ferozmente até as últimas forças de ocupação dos EUA serem retiradas em dezembro de 2011 e assumiu a responsabilidade por um ataque com foguete que matou 5 soldados americanos em Bagdad em junho de 2011. Desde a formação de uma PMU em 2014, seu líder, Abu Mahdi al-Muhandis, foi o comandante militar geral das UGP, reportando-se diretamente ao conselheiro de segurança nacional no gabinete do primeiro-ministro.
Na luta contra o EI, as PMUs proliferaram rapidamente. A maioria dos partidos políticos no Iraque respondeu a uma fatwa do Grande Ayatollah al-Sistani para formar e ingressar nessas unidades, formando suas próprias. No auge da guerra com o EI, as PMUs compreendiam cerca de 60 brigadas com centenas de milhares de combatentes xiitas e incluíam até 40.000 iraquianos sunitas .
 
No contexto da guerra contra o Estado Islâmico, os EUA e o Irã prestaram grande apoio militar à PMU e a outras forças iraquianas, e as peshmerga curdas do Iraque também receberam apoio do Irão. O secretário de Estado John Kerry se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Irã Mohammad Zarif em Nova York em setembro de 2014 para discutir a crise, e o embaixador dos EUA Stuart Jones disse em dezembro de 2014: “Vamos ser sinceros, o Irão é um vizinho importante do Iraque. Tem que haver cooperação entre o Irão e o Iraque. Os iranianos estão conversando com as forças de segurança iraquianas e estamos conversando com as forças de segurança iraquianas... Estamos confiando neles para fazer o desconflito.”
 
As autoridades americanas e a mídia corporativa estão falsamente pintando o Hezbollah Kata'ib e as PMUs como milícias independentes e renegadas no Iraque, apoiadas pelo Irão, mas são realmente uma parte oficial das forças de segurança do Iraque. Como um comunicado do gabinete do primeiro-ministro iraquiano deixou claro, os ataques aéreos norte-americanos foram um “ataque americano sobre as forças armadas iraquianas.” E estes não eram quaisquer forças militares iraquianas, mas as forças que têm suportado o peso de alguns dos combates mais ferozes contra o Estado islâmico.
 
A hostilidade aberta entre as forças americanas e o Hezbollah Kata'ib começou seis meses atrás, quando os EUA permitiram que Israel usasse bases americanas no Iraque e / ou na Síria para lançar ataques de drones contra o Kata'ib Hezbollah e outras forças da PMU no Iraque. Há relatos conflitantes sobre exatamente de onde os drones israelitas foram lançados, mas os EUA tinham controle efetivo do espaço aéreo iraquiano e eram claramente cúmplices dos ataques com drones. Isso levou a uma campanha do clérigo / político xiita Muqtada al-Sadr e de outros partidos e políticos anti-ocupação na Assembleia Nacional do Iraque para pedir mais uma vez a expulsão das forças americanas do Iraque, como fizeram com sucesso em 2011 e nos EUA. foi forçado a aceitar novas restrições ao uso do espaço aéreo iraquiano.
 
Então, no final de outubro, as bases americanas e a Zona Verde de Bagdad passaram por uma nova onda de ataques com foguetes e morteiros . Enquanto ataques anteriores foram atribuídos ao Estado Islâmico, os EUA culparam a nova rodada de ataques ao Hezbollah Kata'ib. Após um forte aumento nos ataques com foguetes contra bases americanas em dezembro, incluindo um que matou um empreiteiro militar dos EUA em 27 de dezembro, o governo Trump lançou ataques aéreos em 29 de dezembro que mataram 25 membros do Hezbollah Kata'ib e feriram 55. Primeiro-ministro Abdul -Mahdi chamou os ataques uma violação da soberania iraquiana e declarou três dias de luto nacional para as tropas iraquianas que as forças norte-americanas mataram.
 
Os ataques dos EUA também levaram a protestos maciços que cercaram a Embaixada dos EUA e a antiga sede de ocupação dos EUA na Zona Verde em Bagdad. As forças dos EUA na embaixada supostamente usou gás lacrimogéneo e granadas de efeito moral contra os manifestantes, deixando 62 milicianos e civis feridos. Após o cerco, o governo Trump anunciou que enviaria mais tropas para o Oriente Médio. Espera -se que aproximadamente 750 soldados sejam enviados como resultado do ataque à embaixada e outros 3.000 poderão ser enviados nos próximos dias.
 
A retaliação dos EUA estava fadada a inflamar as tensões com o governo iraquiano e aumentar a pressão popular para fechar as bases americanas no Iraque. De fato, se o Hezbollah Kata'ib é de fato responsável pelos ataques de foguetes e morteiros, essa provavelmente é exatamente a cadeia de eventos que eles pretendem provocar. Enfurecidos com o flagrante desrespeito do governo Trump pela soberania iraquiana e preocupados com o fato de o Iraque ser arrastado para uma guerra por procuração dos EUA com o Irão que ficará fora de controle, uma ampla faixa de líderes políticos iraquianos está agora pedindo a retirada das tropas dos EUA.
 
A presença militar dos EUA no Iraque foi restabelecida em 2014 como parte da campanha contra o Estado Islâmico, mas essa campanha foi encerrada substancialmente desde a quase destruição e reocupação de Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, em 2017. O número de ataques e terroristas os incidentes ligados ao Estado Islâmico no Iraque diminuíram constantemente desde então, de 239 em março de 2018 para 51 em novembro de 2019, de acordo com o pesquisador do Iraque Joel Wing. Os dados de Wing deixam claro que o EI é uma força muito reduzida no Iraque.
 
A crise real que o Iraque enfrenta não é um EI crescente, mas os enormes protestos públicos, a partir de outubro, que expuseram a disfunção do próprio governo iraquiano. Meses de protestos nas ruas forçaram o primeiro-ministro Abdul-Mahdi a renunciar - ele agora está simplesmente atuando como zelador enquanto aguarda novas eleições. A severa repressão das forças do governo deixou mais de 400 manifestantes mortos, mas isso só aumentou ainda mais a indignação pública.
 
Essas manifestações não são dirigidas apenas contra políticos iraquianos individuais ou contra a influência iraniana no Iraque, mas contra todo o regime político pós-2003 estabelecido pela ocupação americana. Os manifestantes culpam o sectarismo do governo, sua corrupção e a influência estrangeira duradoura do Irão e dos EUA pelo fracasso em investir a riqueza petrolífera do Iraque na reconstrução do Iraque e na melhoria da vida de uma nova geração de jovens iraquianos.
 
O recente ataque ao Hezbollah Kata'ib realmente trabalhou a favor do Irão, tornando a opinião pública iraquiana e os líderes iraquianos mais solidamente contra a presença militar dos EUA. Então, por que os EUA colocaram em risco a influência que ainda tem no Iraque ao lançar ataques aéreos contra as forças iraquianas? E por que os EUA mantêm as 5.200 tropas americanas no Iraque, na base aérea de Al-Asad, na província de Anbar, e em bases menores em todo o Iraque? Já possui quase 70.000 soldados em outros países da região, pelo menos 13.000 no vizinho Kuwait, sua maior base estrangeira permanente depois da Alemanha, Japão e Coreia do Sul.
 
Enquanto o Pentágono continua insistindo que a presença de tropas dos EUA é apenas para ajudar o Iraque a combater o ISIS, o próprio Trump definiu sua missão como "também vigiar o Irão". Ele disse isso aos militares dos EUA no Iraque em uma visita de Natal em dezembro de 2018 e reiterou em uma entrevista da CBS em fevereiro de 2019 . O primeiro-ministro iraquiano Abdul-Mahdi deixou claro que os EUA não têm permissão para usar o Iraque como base para enfrentar o Irão. Tal missão seria claramente ilegal sob a constituição do Iraque de 2005 , elaborada com a ajuda dos Estados Unidos, que proíbe o uso do território do país para prejudicar seus vizinhos.
 
Nos termos do Acordo-Quadro Estratégico de 2008 entre os EUA e o Iraque, as forças dos EUA só podem permanecer no Iraque a “pedido e convite” do governo iraquiano. Se esse convite for retirado, eles deverão sair, como foram forçados a fazer em 2011. A presença dos EUA no Iraque agora é quase universalmente impopular, especialmente após os ataques dos EUA às forças armadas iraquianas que supostamente estão lá para apoiar.
 
O esforço de Trump para culpar o Irão por esta crise é simplesmente um truque para desviar a atenção de sua própria política confusa. Na realidade, a culpa pela crise atual deve ser colocada diretamente na porta da própria Casa Branca. A decisão imprudente do governo Trump de se retirar do acordo nuclear de 2015 com o Irão e reverter para a política dos EUA de ameaças e sanções que nunca funcionaram antes está saindo tão mal quanto o resto do mundo previu que seria, e Trump é o único culpado por isso - e talvez John Bolton.
 
Então, 2020 será o ano em que Donald Trump será finalmente forçado a cumprir suas promessas infinitas de trazer as tropas americanas para casa de pelo menos uma de suas intermináveis ​​guerras e ocupações militares? Ou será que a propensão de Trump por se dobrar em políticas brutais e contraproducentes só nos levará mais fundo em seu atoleiro pet de conflito cada vez maior com o Irão, com as forças sitiadas dos EUA no Iraque como peões em mais uma guerra invencível?
 
Esperamos que 2020 seja o ano em que o público americano finalmente olhe para a fatídica escolha entre guerra e paz com a visão 20/20, e que comecemos a punir severamente Trump e qualquer outro político dos EUA que opte por ameaças sobre a diplomacia, coerção sobre cooperação e guerra pela paz.
 
*Medea Benjamin é co-fundadora do CODEPINK for Peace e autor de vários livros, incluindo Inside Iran: The Real History and Politics da República Islâmica do Irão.
 
*Nicolas JS Davies é jornalista independente, pesquisador do CODEPINK e autor de Blood On Our Hands: a invasão e destruição americana do Iraque.
 
Imagem em destaque: Embaixada dos EUA no Iraque sitiada / Creative Commons
 
A fonte original deste artigo é Global Research
 
Copyright © Medea Benjamin e Nicolas JS Davies , Global Research, 2020

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"É impossível o Irão não responder à morte de Soleimani"

 
 
Especialista questiona se governo americano calculou potencial de conflito no Oriente Médio ao decidir matar o mais poderoso general iraniano e teme uma guerra total entre EUA e Teerão.
 
Qassim Soleimani, líder da poderosa Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, foi morto nesta sexta-feira (03/01) por um bombardeio americano em Bagdad ordenado por Donald Trump.
 
O general Soleimani era chefe da unidade de elite responsável pelo serviço de inteligência do Irão e por conduzir operações militares secretas no exterior.
 
Para Sanam Vakil, vice-chefe e pesquisadora sénior do programa para o Médio Oriente e Norte da África o instituto Chatham House de Londres, uma resposta iraniana à morte do general é inevitável.
 
Em entrevista à DW, ela diz que uma escalada na região é provável, sobretudo no Iraque, e no momento considera difícil evitar um conflito militar total entre Teerão e Washington.
 
DW: Qual é a importância de Soleimani no Irão?
 
Sanam Vakil: Qassim Soleimani era um estrategista e general muito bem sucedido e desenvolveu a doutrina atual da política externa iraniana. Acredita-se que a doutrina tenha obtido muito sucesso ao afastar as ameaças das fronteiras iranianas e fortalecer as relações assimétricas de Teerão com atores não estatais em todo o Oriente Médio.
 
Soleimani tinha uma relação muito próxima com o líder supremo do Irão. No entanto, o general trabalhava dentro do sistema da Guarda Revolucionária.  A sua morte vai ser incrivelmente celebrada e lamentada ao mesmo tempo dentro do Irão. E vai ser quase impossível para a República Islâmica não responder ao seu assassinato.
 
Qual era a estratégia de Soleimani?
 
A sua estratégia foi construída com base na ideia de defesa avançada, que era afastar as ameaças da fronteira iraniana. Ele construiu fortes laços com o Hisbolá no Líbano e com grupos de milícias no Iraque. Essa estratégia expandiu a influência do Irão de uma forma muito pouco convencional e desestabilizadora em toda a região, mas protegeu o Irão e deu alavancagem a Teerã em alguns países.
 
O que esperar do Irão agora?
 
É muito complicado agora prever a resposta imediata iraniana. Eu acho que provavelmente o primeiro passo do governo iraniano será lamentar a morte de Qassim Soleimani e fazer uma grande cerimónia de luto por ele. Ao mesmo tempo, eles vão planear como responder à morte. Será impossível para o governo iraniano não responder à sua morte. Portanto, a questão é na verdade é como será essa resposta.
 
Penso que vai haver uma série de consequências que poderemos ver nos próximos dias. Primeiro de tudo, a escalada no Iraque é a forma mais provável que eu acho que os iranianos vão responder. Este é um lugar que já está em conflito e que tem um vácuo de poder.
 
Outra possibilidade é aumentar a atividade de enriquecimento de urânio. Ao mesmo tempo, não podemos ignorar que o Irão pode começar a atacar navios no Golfo Pérsico e pode até atacar um país do Golfo Árabe com mísseis, semelhante aos ataques de 14 de setembro.
 
Por que os EUA mataram Soleimani?
 
O ataque foi preventivo. Foi baseado no fato de que as agências de inteligência dos EUA tinham informações sugerindo que Soleimani estava planeando novos ataques a funcionários do governo e militares dos EUA no Médio Oriente. Mas não tenho certeza se o governo americano pensou em algumas das consequências potenciais da sua ação ou se está preparado para proteger os seus militares das consequências deste conflito se o Iraque virar uma zona de guerra, com mísseis iranianos atacando bases americanas e mais perdas de vidas americanas. É muito difícil não ver um conflito militar total entre Teerão e Washington.
 
Rodion Ebbighausen (rpr) | Deutsche Welle

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General morto em ataque ordenado por Trump. Irão promete vingança

 
 
O comandante da força de elite iraniana Al-Quds, o general Qassem Soleimani, morreu hoje num ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Bagdad, anunciaram as autoridades de segurança do Iraque. O líder supremo do Irão prometeu já vingar a morte do general iraniano e declarou três dias de luto nacional, enquanto o chefe da diplomacia iraniana fala em "ato de terrorismo extremamente perigoso e escalada imprudente".
 
No mesmo ataque morreu também o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], indicaram as autoridades.
 
Segundo fontes oficiais da segurança iraquiana, pelo menos oito pessoas foram mortas no ataque, três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana.
 
O bombardeamento surge numa altura de escalada de tensões depois de milícias iraquianas terem invadido a embaixada norte-americana em Bagdad, em 31 de dezembro último.
 
 
"O martírio é a recompensa pelo trabalho incansável durante todos estes anos. Se Deus quiser, o seu trabalho e o seu caminho não vão acabar aqui. Uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires", afirmou Ali Khamenei, indicou a agência de notícias France-Presse (AFP).
 
 
 
"O ato de terrorismo internacional dos Estados Unidos (...) é extremamente perigoso e uma escalada imprudente" das tensões, afirmou Mohammad Javad Zarif, numa mensagem publicada na rede social Twitter.
 
O Pentágono fez saber que foi o Presidente dos Estados Unidos a ordenar a morte de Soleimani. "Por ordem do Presidente, as forças armadas dos Estados Unidos tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal norte-americano no estrangeiro, matando Qassem Soleimani", disse o Departamento de Defesa norte-americano, em comunicado divulgado na quinta-feira à noite (hora local).
 
Numa aparente reação, Donald Trump publicou uma imagem da bandeira norte-americana na rede social Twitter, sem qualquer comentário.
 
O ataque à embaixada durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.
 
A embaixada norte-americana foi atacada na sequência de um bombardeamento aéreo por parte dos Estados Unidos que matou 25 combatentes da milícia iraquiana.
 
General Soleimani, figura-chave e verdadeira estrela no Irão
 
O general Qassem Soleimani era um dos homens mais populares do Irão, considerado um adversário de Washington e aliados.
 
Chefe da força de elite iraniana Al-Quds, responsável pelas operações da Guarda Revolucionária no estrangeiro, desempenhou um papel chave nas negociações políticas sobre a formação de um Governo no Iraque, onde o Teerão pretende manter a sua influência.
 
Com 62 anos, Soleimani tornou-se nos últimos anos uma verdadeira estrela no Irão, de que é prova a quantidade elevada de seguidores nas redes sociais.
 
Para os apoiantes - mas também para os inimigos - Soleimani, que desempenhou um importante papel na luta contra as forças radicais, foi uma personagem fundamental para o alargamento da influência iraniana no Médio Oriente, onde reforçou o peso diplomático de Teerão, especialmente no Iraque e na Síria, dois países onde os Estados Unidos estão militarmente empenhados.
 
"Para os xiitas do Médio Oriente, é uma mistura de James Bond, Erwin Rommel e Lady Gaga", escreveu o antigo analista da CIA Kenneth Pollack, sobre o perfil de Suleimani, para o número da revista Time consagrado às 100 personalidades mais influentes do mundo em 2017.
 
Já para o Ocidente, "é (...) responsável de ter exportado a revolução islâmica do Irão, de apoiar terroristas (...) e de conduzir as guerras do Irão no estrangeiro", notou Kenneth Pollack.
 
No Irão, imerso numa grave recessão económica, algumas pessoas chegaram a sugerir a entrada de Soleimani na arena política local. No entanto, o general iraniano sempre rejeitou os rumores de uma candidatura às eleições presidenciais de 2021.
 
O general dedicava-se antes a aplicar os seus talentos no vizinho Iraque: a cada desenvolvimento político ou militar, deslocava-se para agir nos bastidores, mas sobretudo por antecipação.
 
A descoberta do grupo extremista Estado Islâmico (EI), o referendo de independência do Curdistão ou a formação de um governo: a casa ocasião, Soleimani reuniu-se com as diferentes partes iraquianas e definia a linha a ser seguida, de acordo com diferentes fontes que participaram nos encontros, sempre realizados no maior sigilo.
 
A sua influência, contudo, vem de trás: Soleimani já liderava a elite Al-Quds quando os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, em 2001.
 
"Os meus interlocutores iranianos foram muito claros quanto ao facto de, mesmo que informassem o Ministério dos Negócios Estrangeiros, no final de contas, era o general Suleimani que tomava as decisões", disse, em 2013, à estação britânica BBC, o antigo embaixador dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque Ryan Crocker.
 
Depois de ter ficado nos bastidores durante décadas, Suleimani começou a fazer manchetes depois do início do conflito na Síria, em 2011, onde o Irão tem apoiado fortemente o regime de Bashar al-Assad.
 
Um dirigente iraquiano descreveu-o, numa entrevista à revista New Yorker, como um homem calmo e pouco falador.
 
"Ele estava sentado do outro lado da mesa, só, de maneira muito calma. Ele não fala, não comenta (...) apenas escuta", disse.
 
Segundo um estudo publicado em 2018 pela IranPoll e pela Universidade de Maryland, 83% dos iranianos inquiridos tinham uma opinião favorável sobre Soleimani, à frente do Presidente Hassan Rohani e do chefe da diplomacia, Mohammad Javad Zarif.
 
No estrangeiro, alguns líderes ocidentais veem-no como uma figura central nas relações de Teerão com grupos radicais como o Hezbollah libanês e o Hamas palestiniano. 
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

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[Manlio Dinucci] Fogos de artifício de fim de ano: 50 bombas nucleares USA da Turquia para Aviano

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Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com
Webpage: NO WAR NO NATO

“Cinquenta ogivas nucleares estariam prontas para mudar da base turca de Incirlik, na Anatólia, para a base USAF de Aviano, em Friuli Venezia Giulia, já que os EUA desconfiam cada vez mais da lealdade à NATO do presidente turco Erdogan”: relata a ANSA citando o que foi declarado pelo general aposentado da Força Aérea dos EUA, Chuck Wald, numa entrevista à Bloomberg, em 16 de Novembro.
 
O facto da ANSA e alguns jornais falarem sobre este assunto, mesmo tarde, ainda é positivo. Isto confirma o que il manifesto documentou há muito tempo. "Parece provável - escrevemos em 22 de Outubro (mas a ANSA ignorou a notícia) - que, entre as opções consideradas em Washington, há a transferência de armas nucleares dos EUA da Turquia para outro país mais confiável. Segundo o Atomic Scientists Bulletin (EUA), a base aérea de Aviano pode ser a melhor opção europeia do ponto de vista político, mas provavelmente não tem espaço suficiente para receber todas as armas nucleares da Incirlik. O espaço poderia, no entanto, ser obtido, dado que já havia começado em Aviano, o trabalho de reestruturação para acolher as bombas nucleares B61-12 ».
 
Baseado no que foi relatado pela ANSA, o coordenador nacional dos Verdes, Angelo Bonelli, pergunta ao governo se confirma a notícia e traz imediatamente o problema à avaliação do Parlamento, pois que a Itália seria “transformada no maior depósito de armas nucleares da Europa e este silêncio do governo italiano é inaceitável”. Na realidade, não é só o governo que está calado, mas o próprio Parlamento, onde a questão das armas nucleares dos EUA em Itália, é tabu. Levantá-la significaria questionar a relação de sujeição da Itália aos Estados Unidos.
 
Assim, a Itália continua a ser a base avançada das forças nucleares USA. Segundo as últimas estimativas da Federação de Cientistas Americanos, em cada uma das duas bases italianas e nas da Alemanha, Bélgica e Holanda, actualmente existem 20 bombas B61 para um total de 100 mais 50 em Incirlik, na Turquia. No entanto, ninguém pode verificar quantas são na realidade. Das estimativas resulta que os USA estão a diminuir o seu número, o que está longe de ser tranquilizador. Eles estão a preparar-se para substituí-las pelas novas bombas nucleares B61-12. Diferentemente da B61, lançada verticalmente, a B61-12 segue em direcção ao alvo, guiada por um sistema de satélite e também tem a capacidade de penetrar no subsolo, explodindo em profundidade para destruir os bunkers dos centros de comando. O programa do Pentágono planeia, a partir de 2021, construir 500 bombas B61-12 com um custo de aproximadamente 10 biliões de dólares. Não se sabe quantas B61-12 serão instaladas em Itália, nem em que bases, provavelmente não só em Aviano e Ghedi. Como mostra o mesmo anúncio do projecto, publicado pelo Ministério da Defesa, os novos hangares de Ghedi poderão hospedar 30 caças F-35 com 60 bombas nucleares B61-12, o triplo das actuais B-61 (il manifesto, 28 de Novembro de 2017).
 
Ao mesmo tempo, os USA estão a preparar-se para instalar mísseis nucleares terrestres (entre 500 e 5.500 km) na Itália e em outros países europeus, semelhantes aos Euromísseis eliminados pelo Tratado INF, assinado em 1987 pelos USA e pela URSS. Acusando a Rússia (sem qualquer prova) de tê-lo violado, os USA retiraram-se do Tratado, começando a construir mísseis da categoria proibida: em 18 de Agosto eles testaram um novo míssil de cruzeiro e, em 12 de Dezembro, um novo míssil balístico, este último capaz de atingir o objectivo em poucos minutos. Ao mesmo tempo, estão a fortalecer o “escudo antimísseis” na Europa. Na sua “resposta assimétrica”, a Rússia começa a instalar mísseis hipersónicos que, capazes de atingir uma velocidade de 33.000 km/h e de manobrar, podem perfurar qualquer “escudo”.
 
A situação em que nos encontramos é, portanto, muito mais perigosa do que demonstra a notícia já alarmante da provável transferência de bombas nucleares USA de Incirlik para Aviano. Nesta situação, domina o silêncio imposto pela vasta coligação política bipartidária responsável pelo facto da Itália, país não nuclear, albergar e estar preparada para usar armas nucleares, violando o Tratado de Não Proliferação que ratificou. Essa responsabilidade torna-se ainda mais grave, pelo facto da Itália, como membro da NATO, se recusar a aderir ao Tratado sobre a Proibição de armas nucleares (Tratado ONU), votado por uma grande maioria da Assembleia Geral das Nações Unidas.
 
il manifesto, 30 de Dezembro de 2019

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Comandante da Força Al Quds do Irão assassinado pelos EUA

Quassem Soleimani, comandante da Força Al Quds, Unidade Especial da Guarda Revolucionária do Irão, foi assassinado no passado dia 2, nos arredores do aeroporto de Bagdad, na sequência de um violento ataque aéreo sob responsabilidade dos EUA.

 

 

Esta informação, proveniente da televisão pública do Irão (Al Arabya), foi confirmada por meios de comunicação social de bastante credibilidade, tais como a Televisão Al-Jazira, Reuters, BBC, entre outras.

Segundo vários meios da comunicação social este ataque originou outros mortos e ferimentos a iraquianos e libaneses, e poderá ter atingido mortalmente Al-Muhandis (Comandante das Unidades de Mobilização Popular – UMF).

A confirmar-se o assassinato de Al-Muhandis, tudo indica que sim, a situação no Iraque poderá assumir contornos muito violentos e por isso Donald Trump já pediu aos seus cidadãos norte-americanos para fugirem destes dois países (Iraque e Irão), o que começou a acontecer com os funcionários americanos das empresas petrolíferas.

O ataque com várias bombas, realizado contra viaturas que transportavam os combatentes do Irão ao aeroporto de Bagdad, foi ordenado por Donald Trump e terá sido preparado com o apoio da Mossad, secreta israelita.

 

Donald Trump fortemente criticado por pré-candidato presidencial dos EUA

O presidente Donald Trump, logo após ter sido concretizado o ataque e confirmada a morte do general iraniano, decidiu postar a bandeira dos EUA na sua conta do twitter.

pic.twitter.com/VXeKiVzpTf

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) January 3, 2020

 

Contudo, Bernie Sanders, pré-candidato presidencial norte-americano, criticou fortemente Donald Trump, afirmando que o presidente dos EUA pode contribuir para mais uma guerra entre os dois países.

Segundo Sanders “a perigosa escalada de Trump aproxima-nos de outra guerra desastrosa no Médio Oriente que pode custar inúmeras vidas e trilhões de dólares. Trump prometeu acabar com guerras sem fim, mas essa acção coloca-nos no caminho de outra” (Fonte: twitter).

 

Consequências e reacções ao assassinato de Soleimani ordenado por Trump

As consequências imediatas foram a alteração do preço do petróleo com um aumento de três dólares, podendo haver outras alterações e, eventualmente, interrupção do fornecimento do petróleo no Médio Oriente.

As reacções de vingança, principalmente do Médio Oriente,  estão a ser divulgadas pelas redes sociais.

O Hezbollah, através do deu líder, Hassan Nasrallah,  clama por vingança. Segundo a BBC, Hassan referiu que “determinar a punição apropriada para esses assassinos criminosos será responsabilidade e tarefa de todos os combatentes da resistência em todo o mundo”.

O ministro da Relações Exteriores do Irão, Java Zarif, considerou o assassinato do general como “escalada extremamente perigosa e imprudente”, enquanto o ex-chefe dos Guardiões da Revolução, Mohsen Rezai, afirmou que “a vingança contra os EUA será terrível”.

Milhares de Iranianos nas ruas – Marcha em Kerman, no Irão, após morte de Qassem Soleimani (Fonte:Tasnim News Agency)

O Chanceler do Irão, Mohamad Zarif, considerou como “acto de terrorismo” e que os “os EUA são os responsáveis por todas as consequências do seu aventureirismo desonesto”.

O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, referiu que aos “criminosos que assassinaram o major-general Qassem Soleimani” uma “vingança dura os espera”.

🎥هم‌اکنون، عزاداری و راهپیمایی مردم کرمان در پی شهادت #سردار_قاسم_سلیمانی pic.twitter.com/97ShaMxI2E

— خبرگزاری تسنیم 🇮🇷 (@Tasnimnews_Fa) January 3, 2020

 

 

Rússia e Iraque criticam EUA e alertam para escalada de tensão na região

Após o ataque e a confirmação do assassinato do general iraniano, a Rússia e o Iraque criticaram com muita dureza os EUA.

A porta-voz do Kremlin para os assuntos exteriores, Zakharov, afirmou no canal «Russo Rossiva 24» que a “eliminação de um representante do governo de um Estado soberano, um funcionário público, sem uma correlação destas acções com alguma base jurídica, é um facto extremamente importante, e que leva a situação na região a um plano completamente distinto ao que havia até então”.

Maria Zakharov, Porta-Voz do Kremlin

Segundo a dirigente do Kremlin, o assunto deve “ser abordado com urgência, na reunião do Conselho de Segurança da ONU”.

Primeiro-Ministro do Iraque Abdul-Mahdi

Também, o primeiro-ministro do Iraque, Abdul-Mahdi, profundamente revoltado, criticou o ataque dos EUA como um “flagrante acto de agressão” que “desencadeia uma guerra devastadora”.

Na opinião de Abdul-Mahdi, idêntica à de outros líderes regionais, o general Soleimani e al-Muhandis eram “ícones da vitória do Iraque sobre os terroristas do Daesh apoiados pelo Ocidente”.

Mahdi pediu ao parlamento iraquiano que convoque uma sessão parlamentar extraordinária para decidir-se sobre a presença militar dos EUA.

Quem era o General Quassem Suleimani

Quassem Suleimani, de 62 anos de idade, já tinha sido alvo de várias tentativas de assassinato porque era considerado um poderoso general, e foi muito próximo do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

Na opinião de vários analistas militares e políticos internacionais, Soleimani, que liderava há mais de 20 anos a força Quds, era um dos principais estrategas do Irão em matéria militar e geo-política do país ao ponto de ter mais influência diplomática que o próprio ministro das Relações Exteriores, Javad Zarif.

Suleimani era muito querido no Irão, por várias razões. Para além de ser admirado pelo seu povo por ser grande estratega militar, foi também o principal combatente contra o “Estado” Islâmico.

Numa outra vertente, mais humanista, era apreciado pela sua inspiração artística e veia poética. A jornalista norte-americana Farnaz Fassihi do «The New York Times» postou um vídeo onde se observa o general a recitar uma poesia sobre amigos.

Rare personal video of Gen. Suleimani reciting poetry shared by a source in #Iran. About friends departing & him being left behind.#قاسم_سليماني pic.twitter.com/vUX4LrkMQY

— Farnaz Fassihi (@farnazfassihi) January 3, 2020

 


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/comandante-da-forca-al-quds-do-irao-assassinado-pelos-eua/

Netanyahu apoia assassinato de Soleimani como 'autodefesa' dos EUA

Primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anuncia que procurará obter imunidade de acusações de corrupção, em Jerusalém, no dia 1 de janeiro de 2020
© AP Photo / Ohad Zwigenberg

Para Netanyuhu, os ataques dos EUA em que foi assassinado o alto comandante iraniano são ato legítimo de autodefesa, uma vez que o comandante planejaria ataques contra as forças dos EUA.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ainda parabenizou o presidente dos EUA, Donald Trump, por ter ordenado o ataque que matou o alto comandante iraniano Qasem Soleimani.

 

Da mesma forma que Israel tem o direito de autodefesa, os EUA têm exatamente o mesmo direito. Qasem Soleimani é responsável pela morte de cidadãos norte-americanos e muitas outras pessoas inocentes. Ele estava planejando mais ataques como esses.

O alto comandante iraniano Qasem Soleimani, que comandava a Força Quds, foi assassinado durante um ataque aéreo dos EUA no aeroporto internacional de Bagdá nesta sexta-feira (3).

Benjamin Netanyahu enfrenta dificuldades políticas internas desde que, em novembro de 2019, foi acusado pela procuradoria de Israel de fraude, suborno e quebra de confiança.

Nesta quinta-feira (2), a Suprema Corte de Israel adiou a decisão sobre sua imunidade e possibilidade de se manter no cargo após as eleições gerais, previstas para março.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010314965596-netanyahu-apoia-assassinato-de-soleimani-como-autodefesa-dos-eua/

EUA matam o general Qassem Soleimani, figura destacada na luta contra o Daesh

O general iraniano, que teve um papel determinante na libertação de Alepo, foi assassinado esta madrugada perto do aeroporto de Bagdade. O Departamento da Defesa dos EUA confirmou que a ordem partiu de Trump.

O general Qassem Soleimani, à frente da Força Quds iraniana, teve um papel decisivo na Batalha de Alepo (na imagem, o bairro libertado de Bustan al-Qasr, em Dezembro de 2016)Créditos

O ataque das forças norte-americanas, perpetrado com aviões não tripulados, ocorreu esta madrugada numa estrada junto ao aeroporto internacional da capital iraquiana [imagens da agência FARS].

Além do líder da Força Quds dos Guardiães da Revolução, o general iraniano Qassem Soleimani, foram assassinados Abu Mehdi al-Muhandes, subcomandante das Unidades de Mobilização Popular (UMP; Hashd al-Shaabi, em árabe), e vários outros quadros desta organização iraquiana, que é uma aliança de várias milícias criada há vários anos para combater os terroristas do Daesh.

«Sob ordens do presidente, o Exército dos Estados Unidos tomou medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal norte-americano no estrangiero, ao matar Qassem Soleimani», referiu o Pentágono num comunicado, citado pela Prensa Latina.

Para justificar a acção contra uma figura de reconhecido prestígio militar na luta antiterrorista no Médio Oriente e que teve um papel determinante na batalha decisiva de Alepo, no Norte da Síria, a administração dos EUA defendeu, numa nota, que o general iraniano «estava a desenvolver activamente planos para atacar os diplomatas e membros do serviço norte-americanos no Iraque e em toda a região».

No domingo, as forças militares norte-americanas mataram pelo menos 25 combatentes e feriram cerca de 50 da Kata'ib Hezbollah, uma das milícias que integram as UMP e que Washington acusa de ter levado a cabo a acção em que, na sexta-feira anterior, foi morto um empreiteiro norte-americano. Washington, que classifica o Corpo dos Guardiães da Revolução como uma organização terrorista, afirma que Soleimani e a Força Quds desse corpo apoiaram o ataque.

Seguiram-se, na terça-feira, fortes protestos junto à Embaixada norte-americana em Bagdade, que se tornaram violentos e que Donald Trump disse serem fomentados pelo Irão, com ameaças pelo meio. O Irão negou a responsabilidade pelos factos ocorridos no país vizinho.

Condenações e alertas

Recorrendo à sua conta de Twitter, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, classificou o assassinato de Qassem Soleimani – «a força mais eficaz na luta contra o Daesh, a al-Nusra, a Al-Qaeda e etc.» – como um «acto de terrorismo» por parte dos Estados Unidos e uma «escalada extremamente perigosa e tonta», tendo sublinhado que os EUA «são inteiramente responsáveis por todas as consequências do seu aventureirismo sem escrúpulos».

Por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria emitiu uma nota em que «condena nos termos mais enérgicos a agressão crminosa dos EUA» que levou à morte de Qassem Soleimani e de Abu Mehdi al-Muhandes e dos demais quadros das UMP – uma organização que recentemente aprofundou com o Exército Árabe Sírio a coordenação das tarefas de controlo e observação antiterrorista ao longo dos mais de 600 quilómetros de fronteira sírio-iraquiana.

As autoridades sírias sublinham que se trata de uma «escalada perigosa da situação na região» e destacam que as «políticas dos EUA visam gerar tensões e alimentar conflitos nos países» do Médio Oriente, com «o intuito de os dominar e de fortalecer a entidade zionista», refere a agência SANA.

Numa curta nota hoje emitida, citada pela RT, o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros alerta que o assassinato do líder da Força Quds iraniana é «um passo aventureiro que irá conduzir ao aumento das tensões em toda a região».

Por seu lado, Hassan Nasrallah, líder do movimento de resistência libanês Hezbollah, afirmou que os EUA não vão conseguir nada do que pretendem com o assassinato, no Iraque, de duas figuras destacadas na luta contra o Daesh.

Ao invés, defendeu, numa mensagem enviada à Prensa Latina, que a perda de Soleimani e al-Muhandes constituirá «um forte incentivo para alcançar um Iraque independente, forte, próspero, livre do terrorismo e da ocupação estrangeira».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-matam-o-general-qassem-soleimani-figura-destacada-na-luta-contra-o-daesh

Moscou adverte que assassinato de Soleimani aumentará tensões no Oriente Médio

Manifestantes próximos à Embaixada dos EUA em Bagdá, no Iraque, no dia 31 de dezembro de 2019
© AP Photo / Khalid Mohammed

Rússia considera que a morte do comandante da Força Quds iraniana, o general Qasem Soleimani, em um ataque dos Estados Unidos no Iraque provocará novas tensões no Oriente Médio, declarou o Ministério de Relações Exteriores da Rússia.

O ministério russo expressou suas condolências ao povo iraniano pela morte do general Soleimani.

"Consideramos o assassinato de Soleimani na sequência do ataque dos Estados Unidos contra imediações de Bagdá como um passo aventureiro, que conduzirá a um aumento de tensões em toda a região", disse à rádio Sputnik.

O general Soleimani morreu na madrugada de 3 de janeiro em um ataque aéreo norte-americano na capital iraquiana por ordem direta do presidente Donald Trump.

O Pentágono declarou que a operação foi realizada para "proteger os cidadãos norte-americanos no exterior" e tinha como objetivo impedir "futuros planos de ataque" por parte do Irã.

Washington considera que Soleimani está implicado nos ataques contra bases da coalizão no Iraque e contra a Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá em 31 de dezembro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020010314964905-moscou-adverte-que-assassinato-de-soleimani-aumentara-tensoes-no-oriente-medio/

Terceira guerra mundial se torna o tema mais comentado no mundo após assassinato de general iraniano a mando de Trump

247 – Na madrugada desta sexta-feira (03), o termo “Terceira Guerra Mundial” entrou entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil e no mundo, em razão do ataque ordenado por Donald Trump, que matou o general Qassim Suleimani, principal comandante militar do Irã.

 

"O bombardeio foi operacionalizado por um drone e a ação autorizada pessoalmente pelo presidente Donald Trump, que logo após o ataque postou em uma rede social a bandeira dos EUA, sem maiores comentários", informa o jornalista Mateus Camilo.

"Considerado um herói no país, Suleimani recebeu uma oração em rede nacional como homenagem e foi chamado de mártir. O militar liderava há mais de 20 anos a força Quds, braço de elite da Guarda Revolucionária do Irã responsável pelo serviço de inteligência e por conduzir operações militares secretas no exterior", diz ainda o jornalista.

Pentágono diz que general iraniano foi assassinado por ordem direta de Trump

Sputinik –O Pentágono confirmou que general iraniano Qasem Soleimani, chefe da unidade Força Quds, do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, foi morto por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump.

Soleimani foi morto em bombardeio no Aeroporto Internacional de Bagdá, no Iraque, junto com o vice-chefe da Forças de Mobilização Popular Shia do Iraque, Abu Mahdi al-Muhandis, e outras vítimas.

 

De acordo com Washington, Soleimani havia autorizado ataques contra a embaixada dos Estados Unidos no Iraque, que foi recentemente invadida por manifestantes, e também um ataque contra a base de Kirkuk, que matou um soldado terceirizado dos Estados Unidos e deixou estadunidenses e iraquianos feridos.

A morte de Soleimani, indicado pelo jornal Financial Times como uma das 50 pessoas que marcaram a década, já foi confirmada pela imprensa estatal do Irã. A Rede de Notícias da República Islâmica, canal de televisão de Teerã, afirma que o ataque causou 7 mortes.

"Sob a direção do presidente, os militares dos EUA tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal dos EUA no exterior, matando Qasem Soleimani, chefe da unidade Força Quds, do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, uma organização designada como terrorista pelos EUA", disse o Pentágono em comunicado.

O Pentágono também afirmou que o ataque "teve como objetivo impedir futuros planos de ataque iranianos" e que os "Estados Unidos continuarão a tomar todas as medidas necessárias para proteger nosso povo e nossos interesses onde quer que estejam ao redor do mundo."

A Grécia pronta a intervir contra a Turquia na Líbia

 
 
Ministro grego dos Negócios Estrangeiros, o advogado conservador Nikos Dendias, foi a Bengazi, em 22 de Dezembro de 2019, para se encontrar com os ministros nomeados pela Câmara dos Representantes de Tobruk e o seu chefe militar, o Marechal Khalifa Haftar. Depois, viajou para o Cairo e para Chipre.
 
Simultaneamente, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan também anunciou, durante uma cerimónia nos estaleiros navais de Gölcük, acelerar o programa de construção de submarinos. A Turquia deverá concluir os 6 aparelhos de Tipo 214 que constrói junto com a alemã Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW). Em virtude do acordo assinado com o «governo da unidade nacional» (GNA), de Fayez Al-Sarraj, ela poderá dispor, para além de portos militares no Chipre ocupado, de um porto de ligação na Líbia, de onde poderá estender a sua influência sobre todo o Mediterrâneo oriental.
 
O Marechal Haftar fez saber, após o fornecimento de material militar turco a Trípoli, por meio de um Boeing 747-412 civil, que ele não hesitaria em abater qualquer avião civil transportando armas para o GNA.
 
Voltaire.net.org | Tradução Alva

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/a-grecia-pronta-intervir-contra-turquia.html

Prepare-se para combater a próxima guerra de Israel. Os EUA que façam o "Trabalho Sujo"

 
 
Kurt Nimmo* | Global Research
 
Caberá a você, cidadão americano sem noção, lutar e pagar pela guerra de Israel contra seus vizinhos. A próxima guerra foi anunciada esta semana por Aviv Kochavi , chefe do Estado-Maior da Força de Defesa de Israel. 
 
Max Blumenthal destila a ameaça de Kochavi. 
 
Israeli army chief of staff Avi Kochavi pledges to destroy the critical civilian infrastructure of Lebanon, Gaza and Syria in the event of war, reaffirming state terror as Israel’s official national security doctrine – in Twitter
 
A “palestra de Kochavi no Centro Interdisciplinar de Herzliya parecia ser dirigida tanto aos ouvidos de cidadãos israelenses quanto aos ouvidos do Irã, Hezbollah e Hamas”, relata Ynet , o canal online de propaganda de Yedioth Ahronot. 
 
Kochavi "procurou ajustar as expectativas do público, enviando simultaneamente uma mensagem de dissuasão ao inimigo", continua o jornal. 
 
Essa foi uma tentativa de transmitir ao público israelense que a frente doméstica sofrerá intenso incêndio e o exército sofrerá grandes perdas. 
 
Tudo isso tem um papel importante na preparação para um conflito militar em larga escala. É importante lembrar, no entanto, que uma das partes vitais na luta contra um conflito militar é estabelecer objetivos claros e alcançáveis, e esse é o trabalho das IDF e do escalão político. 
 
Em outras palavras, a IDF disse ao público israelense que se preparasse para a destruição se sua infraestrutura civil em resposta à IDF destruir a infraestrutura civil no Irã, Síria e Iraque (os dois últimos sofreram a destruição sistemática da infraestrutura civil e o assassinato de milhões de pessoas inocentes; o Iraque foi destruído a mando dos primeiros neocons de Israel no governo Bush, não porque representasse uma ameaça para os Estados Unidos, mas para Israel). 
 
Parte do atual esforço de propaganda é preparar o povo israelense para viver em abrigos antiaéreo, enquanto suas casas, escolas e hospitais são bombardeados - um pouco diferente do que Israel fez em Gaza e no passado fez no Líbano - e “aloca centenas de milhões de shekels para obter sistemas de defesa aérea capazes de impedir qualquer possível ataque com mísseis que o Irã possa lançar em Israel". O histórico de eficácia desses chamados sistemas de defesa é sombrio.
No ano passado, o sistema de defesa antimísseis de David Sling, de Israel, falhou estupendamente em interceptar mísseis disparados da Síria, um vizinho bombardeado obsessivamente por Israel nos últimos anos. “Esse tem sido um problema recorrente para nações com investimentos substanciais em mísseis interceptadores. Os mísseis caros tendem a ter um desempenho ruim, mesmo nos testes mais favoráveis, e usá-los contra ameaças percebidas, como hoje, arrisca falhas muito públicas ”, escreve Jason Ditz . 
 
Então, basicamente, Kochavi disse ao povo israelense que sofrerá perdas inestimáveis ​​na vida e nas propriedades humanas e que seus filhos serão recrutados para lutar e morrer para derrubar o Irã, algo que o pequeno país de Israel - que não existiria sem A generosidade americana dispensada sob o que equivale a um transe de vodu - é incapaz de fazer por si própria. 
 
Isso significa, é claro, que as Forças Armadas dos EUA serão obrigadas a terminar o que Israel ansiava por começar - uma guerra regional para reduzir o Irã, Gaza, Síria e Líbano a ruínas fumegantes semelhantes às criadas pelos neocons psicopáticos da "destruição criativa" durante os anos de Bush, o Menor. 
 
Kochavi jogou rápido e frouxamente com a vida dos cidadãos israelenses, que sofrem lavagem cerebral e esquecem sua destruição como milhões de americanos. 
 
“Embora essas ações possam levar a uma escalada de violência e baixas, eles colocaram Israel de volta no banco do motorista e permitiram que ele redirecionasse a dinâmica na direção necessária [na direção do domínio sionista da região e da desapropriação continuada dos palestinos]. pessoas] ”, resumiu Kochavi. 
 
A disposição de agir envia uma mensagem ao inimigo que, contrariamente à imagem de Israel como um país que apenas lança ataques aéreos e não está preparado para absorver baixas, a disposição de exercer força e arriscar esse preço para garantir a paz de seus cidadãos, reforça a dissuasão de Israel e pode atrasar um grande confronto ou, alternativamente, permitir-nos controlar um quando finalmente acontecer.
 
Esta mensagem - prepare-se para um imenso sofrimento, aguarde e testemunhe seus parentes e amigos explodidos em pedaços sangrentos em nome da dominação sionista - não se destina apenas aos gordos e felizes que vivem no estado de limpeza étnica e racista de Israel. É, também, uma mensagem para o povo americano - você será obrigado a combater a guerra sionista de dominação, uma guerra que Israel sabe que não pode vencer, não importa a fantasia de que Israel vencerá qualquer disputa devido ao seu “terreno habilidoso e mortal forças. " 
 
O Congresso prometeu repetidamente, por décadas sucessivas, que não apenas subsidiará Israel, mas também travará suas guerras. Isso seria impossível se não fosse a propaganda sem fim, retratando o pequeno Israel travado em uma batalha existencial com um mundo de anti-semitas.
 
 
"De fato, alguém poderia argumentar que há uma tendência em Washington de ver o mundo e até as políticas domésticas através dos olhos de Israel", escreve Philip Giraldi. "Pode-se até sugerir que o governo dos Estados Unidos está sendo progressivamente sionizado por causa da mão livre que Israel e seus apoiadores têm, o que lhes dá a capacidade de buscar benefícios para Israel que dificilmente buscarão nos Estados Unidos".
 
Vale a pena citar as observações do coronel Pat Lang, ex-oficial de operações especiais e chefe do Serviço Humint de Defesa. 
 
É uma pergunta em aberto, mas acho que a resposta provavelmente é sim. As forças armadas dos EUA agora parecem estar totalmente focadas nos objetivos políticos de Israel no Irã, Síria e Iraque... Israel quer que o Irã seja neutralizado e eliminado como um rival de poder no Oriente Médio. O suposto programa iraniano de armas nucleares é apenas um dos alvos da política israelense em relação ao Irã. Para alcançar a meta de conforto no estilo de Morgenthau em relação ao Irã, Israel quer destruir a Síria e o Hizbullah como aliados do Irã... O processo de condicionar oficiais americanos para torná-los sionistas está em andamento há muito tempo... Os americanos são mentalmente movidos por agressivos analogias esportivas e Israel foi o vencedor [da Guerra dos Seis Dias de 1967]. Isso fez uma grande diferença, apesar dos repetidos ataques de um dia pela força aérea e marinha de Israel contra o USS Liberty,  O programa de doutrinação e condicionamento descrito por Shoshana Bryen começou muito depois disso e foi até o presente sob a égide da AIPAC e sua galáxia de organizações vinculadas, especialmente a JINSA. Este programa foi extremamente bem-sucedido. Como resultado, existe uma disposição impensada entre oficiais seniores americanos, e não tão seniores, de apoiar a política israelense no Irã, Síria, Líbano, Palestina e agora na Arábia Saudita. Um punhado de oficiais norte-americanos treinados e instruídos por M [idle] E [ast] são ignorados, tratados como especialistas técnicos ou empurrados para fora da porta quando falam.
 
Este controle das forças armadas dos EUA por uma potência estrangeira foi admitido por Shoshana Bryen . Ela é uma neocon ardente envolvida na doutrinação de militares dos EUA, ex-diretora do Jewish Policy Center e diretora sênior do Jewish Institute for National Security Affairs. "As forças armadas dos Estados Unidos... são uma instituição sionista", disse ela, de acordo com Pat Lang
 
Isso significa que uma luta iniciada por Israel contra o Irã e seus "procuradores" certamente envolverá os militares dos EUA. As críticas a esta guerra pelas pessoas que pagarão e morrerão por ela serão censuradas, denunciadas como anti-semitismo e declaradas traição (lembre-se dos meios de comunicação corporativos que exaltam ativistas anti-guerra durante a invasão ilegal de Bush ao Iraque em 2003, principalmente Bill O Reilly, da Fox News). 
 
Eu odeio terminar este post com uma nota amarga, mas realmente não há outra escolha. Israel há muito tempo se prepara para atacar o Irã - e o Hezbollah no Líbano (o esforço de 2006 falhou) - e exigiu que os EUA fizessem o trabalho sujo, apesar do fato de não haver chance de o Irã bombardear os EUA com seus mísseis intermediários. Cantos de "Morte à América" ​​são retóricos e dificilmente uma ameaça. 
 
Mas então, como o arco neocon acima admitiu, o Pentágono é um território sionista ocupado. Acrescente a isso o apoio inabalável do Congresso pelos crimes de Israel contra a humanidade - e seu esforço incansável para impedir qualquer oposição à violência sem fim dos sionistas (incluindo subverter o que resta da Declaração de Direitos) - e você pode apostar seu dólar mais baixo. será sugado para outra guerra catastrófica. 
 
Kurt Nimmo* | Global Research
 
*Kurt Nimmo escreve em seu blog, Another Day in the Empire, onde este artigo foi publicado originalmente. Ele é um colaborador frequente da Global Research.
 
A imagem em destaque é do autor
A fonte original deste artigo é Global Research.
Copyright © Kurt Nimmo , Global Research, 2019

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/prepare-se-para-combater-proxima-guerra.html

Vendas de armas alemãs batem recorde, apesar de restrições e promessas

 
 
Três anos de recuo nas exportações armamentistas da Alemanha anulados em 2019, quando as vendas chegam a quase 8 biliões de euros. Alguns dos compradores estão envolvidos em conflitos como a guerra do Iémene.
 
As exportações armamentistas da Alemanha cresceram 65%, de janeiro a meados de dezembro de 2019, em comparação com 2018, alcançando um valor recorde de 7,95 biliões de euros. As cifras foram fornecidas pelo Ministério da Economia, a pedido do partido A Esquerda, e disponibilizadas à DW.
 
Elas mostram que dois dos principais "fregueses" – o Egito, em 2º lugar, e os Emirados Árabes Unidos, em 9º – foram participantes ativos da guerra do Iémene, apesar de o governo alemão ter assegurado que não mais forneceria para esses países.
 
Os documentos indicam que as exportações de armas, veículos e navios de guerra aprovadas por Berlim batem o recorde anterior, de 2015, que foi seguido por três anos consecutivos de quedas dos valores exportados. Já em meados de 2019, as licenças para exportações armamentistas excediam o total do ano anterior, que fora de 5,3 biliões de euros.
 
"O mais importante é perguntar para onde vão os armamentos bélicos, e para que países", adverte Katja Keul, porta-voz do Partido Verde para política armamentista. "E o número das exportações de armas de guerra duplicou, desde o ano passado."
 
 
As exportações mais controversas são as para os assim chamados "terceiros países", ou seja, que não são membros nem da União Europeia, nem da Otan (ou "equivalentes à Otan", como a Austrália). A parcela desse tipo de exportação caiu em relação a 2018, de 52,9% para 44,2%, mas em parte por o total vendido ter crescido. Em termos absolutos, essas vendas aumentaram em 1 bilião de euros, e cinco dos dez principais importadores são "terceiros países".
 
"Isso é, sem dúvida, surpreendente, pois o governo afirmou que está sendo mais restritivo", comenta Keul. "Se você exporta armas de guerra para países de regiões de crise, que não estão vinculados a nós por nenhum tipo de aliança, é óbvio que está desestabilizando a região." O ministro da Economia Peter Altmaier colocou a culpa do fato num enorme acúmulo de transações, devido aos meses de disputas para formar uma coligação de governo, após as eleições gerais de 2017.
 
Em sua resposta ao pedido de informações do Partido Verde, o secretário de Estado Ulrich Nussbaum repetiu uma frase conhecida dos relatórios governamentais regulares sobre exportações armamentistas: que o valor total das vendas não seria um "parâmetro adequado" para julgar a política sobre o assunto: "Mais importante é o tipo de bens e seu propósito. O governo persegue uma política de controle de exportações de armas restritivo e responsável", argumentou.
 
É fato que grandes contratos, com tempo de preparação longo – por exemplo, para submarinos ou tanques – muitas vezes distorcem os dados sobre exportações. Contudo as respostas do governo a uma moção semelhante, em novembro, mostraram que ele raramente bloqueia um negócio de armas. No período janeiro-outubro, tanto de 2018 quanto de 2019, foi negado menos de 1% dos pedidos de licenças de companhias armamentistas alemãs: 88 (de um total de 11 mil) em 2018, e 56 (de 9.900) em 2019.
 
Proibidos – mas não tanto
 
Keul também não perde muito tempo com a argumentação de que outros grandes exportadores de armas ocidentais, como Estados Unidos, França e Reino Unido, teriam menos discussão pública sobre vendas armamentistas e, portanto, controles de exportação mais fracos do que a Alemanha.
 
"Há debates nesses países também", rebate, citando a decisão de um alto tribunal britânico, em junho, tornando ilegais as vendas para a Arábia Saudita. No mês seguinte, o Congresso americano igualmente votou pelo bloqueio das exportações de armas para as nações do Golfo Pérsico – decisão posteriormente vetada pelo presidente Donald Trump.
 
A porta-voz verde lembrou, ainda, que a Alemanha tem normas menos rigorosas do que os EUA em relação aos controles de uso final, além de ser menos restritiva do que a França ao permitir que fabricantes de armas formem joint ventures.
 
O maior número de entregas de armas alemãs, alcançando 1,77 bilhão de euros, ou quase um quarto do total das licenças aprovadas, destinou-se à Hungria, seguida pelo Egito (802 milhões de euros) e os EUA (483 milhões de euros). Em Budapeste, o governo nacionalista de direita do primeiro-ministro Viktor Orbán realiza atualmente um reforço em grande escala de seus arsenais militares.
 
Berlim concordou em suspender as exportações armamentistas para países envolvidos no conflito do Iémene, como parte de um acordo de coligação fechado em 2018. Mais tarde, em seguida ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, prometeu proibir todas as vendas para a Arábia Saudita. Relatórios subsequentes revelaram, porém, que em 2019 o governo federal ainda aprovou algumas transações com Riad.
 
"Essas cifras consideráveis mostram que o sistema de controle de exportações, como um todo, não está funcionando", declarou em comunicado Sevim Dagdelen, deputado federal pelo A Esquerda, autor de um dos pedidos de informações ao Ministério da Economia. "Precisamos de interdições claras para as exportações armamentistas."
 
Nik Martin, Ben Knight (av) | Deutsche Welle

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/vendas-de-armas-alemas-batem-recorde.html

As mulheres da Segunda Guerra Mundial

Surpreendentes imagens das mulheres que participaram de missões na Guerra.

 

 

As “Bruxas da Noite”: Rufina Gasheva (848 missões noturnas, Heroína da URSS), Irina Sebrova(1004 missões noturnas, Heroína da URSS), Natalia Meklin (980 missões noturnas, Heroína da URSS), Marina Chechneva (980 missões noturnas, Heroína da URSS), Nadezhda Popova (825 missões noturnas, Heroína da URSS), Sima Amosova (555 missões, condecorada seis vezes por bravura), Yevdokia Nikulina (600 missões, Heroína da URSS), Yevdokia Bershanskaya (comandante da unidade, Heroína da URSS), Maria Smirnova (940 missões, Heroína da URSS), Yevgenia Zhigulenko (773 missões, Heroína da URSS)

 

Toda a coisa pareceu, no início, estranha.

Um amigo – um grande amigo, pois nossa amizade subsiste a 40 anos de diferenças, sobretudo, ideológicas – enviou-me, algum tempo atrás, um artigo (quase um livro) sobre o tratamento que receberam, após a libertação do nazismo, as mulheres que, usando uma expressão educada, se relacionaram com ocupantes nazistas, sobretudo na França, mas também em outros países ocupados por Hitler.

Bem entendido, ele não estava me provocando. Pelo contrário, estava tomado por um legítimo senso de humanidade.

Os leitores devem imaginar as fotos que ilustravam esse texto: mulheres de cabeça rapada, mulheres untadas com piche e penas, mulheres desfilando nuas no meio da multidão com os filhos, que tiveram com nazistas, no colo.

Horrível, mas, sinceramente, a lamentação sobre essas mulheres pareceu-me mais revoltante que o seu destino – que, a julgar por “Malèna”, o filme de Giuseppe Tornatore, não durou muito tempo, se é que o caso da personagem interpretada por Monica Bellucci pode ser generalizado.

Talvez seja um problema pessoal: sou filho de uma senhora que considerava seu maior orgulho de militante ter participado das manifestações pela entrada do Brasil na guerra contra o nazi-fascismo, quando tinha 12 ou 13 anos.

Mas duvido. Houve coisas horríveis – moralmente horríveis – sob a ocupação. O ódio contra aquelas mulheres não foi, como dizia o texto, a tentativa de povos que se conformaram com a ocupação nazista de exorcizar seu próprio comportamento.

É verdade, aquelas mulheres que aparecem nas fotos eram, obviamente, as que não conseguiram fugir.

Quanto a, por exemplo, Madame Chanel, que passou toda a ocupação nazista no Ritz, acompanhada daquele a quem chamava “o meu alemão” (que era um membro da “inteligência” nazista), evadiu-se para a Suíça, onde ficou alguns anos contando histórias mirabolantes.

Chanel, aliás, é um exemplo importante quanto à moral dessa espécie de colaboracionismo sexual. Em 1943, em um almoço na Côte d’Azur, ela expressou o que achava da ocupação nazista: “A França teve o que merece!”, provocando a reação da esposa do príncipe de Faucigny-Lucinge, que lhe deu as costas. Alguns dias depois, a princesa de Faucigny-Lucinge foi presa pela Gestapo, que, de repente, lembrou-se que ela era, também, baronesa d’Erlanger, ou seja, era de origem judaica (cf. Antony Beevor e Artemis Cooper, “Paris After The Liberation 1944-1949”, Penguin Books, 3ª ed. revisada, 2004, pp. 134-135; depois da publicação desse livro, descobriu-se que a colaboração de Chanel com os nazistas foi muito maior, muito mais próxima – e muito mais repugnante – do que isso: cf. Hal Vaughan, “Sleeping with the Enemy: Coco Chanel’s Secret War”, NY, Knopf, 2011).

Realmente, é injusto que Chanel tenha escapado ilesa, enquanto outras mulheres tenham sido expostas nas ruas das cidades da Europa. Mas o caso de Chanel dificilmente foi único – em arrogância e em deduragem. A lógica dessa espécie de relacionamento, sob a ocupação nazista, não é, como disse um autor favorável a Chanel, “apenas envolver-se romanticamente”.

Infelizmente, quando se trata de uma guerra nacional contra uma ocupação – e, no caso, repetimos, tratava-se da ocupação nazista – é moralmente monstruoso lamentar o tratamento ao que era visto (com boas razões) como traição ao povo e ao país.

Na maioria dos casos, a atitude da Resistência foi a de impedir que o ódio do povo chegasse às últimas consequências.

Em “O Olho de Vichy”, documentário de Claude Chabrol – ele próprio filho de um dirigente da Resistência Francesa -, aparece a história da foto do garoto pescando no Sena, que virou tema da propaganda colaboracionista durante a ocupação da França.

Na verdade, o garoto tivera seus pais presos pelos nazistas – e tentava matar a fome, que era permanente para quase todos os parisienses, sob o tacão nazista.

Mas houve quem preferisse, diante dessa situação, aderir, de uma ou outra forma, ao inimigo; não se passava fome, era muito mais confortável – mas, para isso, claro, na maioria desses casos, era preciso desenvolver uma arrogância repulsiva em relação à população da qual saíram. Daí para a delação, é menos de um passo. Que depois tenham sofrido as consequências, nada tem de espantoso.

Gostaríamos muito que fosse diferente, e que tudo corresse de maneira mais civilizada. Aliás, também gostaríamos que os nazistas fossem mais civilizados, ou seja, que não fossem nazistas. Mas há coisas que não dependem da nossa vontade – muito menos quando ela é retroativa.

As mulheres

Porém, o mais aberrante nessa literatura neo-colaboracionista sobre o fim da II Guerra Mundial – pois já existe um estoque de livros, e crescente, em todo o mundo, com esse conteúdo – é que essas mulheres de que tanto se lamenta o castigo, foram absoluta exceção (se é que existem exceções absolutas) em todos os países ocupados pelos nazistas ou em guerra com eles.

Pelo contrário, em todos esses países, as mulheres foram, se assim podemos dizer, a alma da luta. Aliás, não podemos dizer isso, pois elas foram a própria luta, ainda que não sozinhas. Por isso, dizer que elas foram a “alma” da luta é algo impreciso, que subestima o seu papel naquele momento em que a humanidade – isto é, a civilização – lutava por sua sobrevivência.

Quem ficou como símbolo da luta espanhola – que se estendeu ao mundo todo – contra o fascismo?

Dolores Ibárruri, La Pasionaria.

É dela o chamado à luta, logo depois que Franco, sustentado por Hitler e Mussolini, declarou guerra à democracia:

 
¡Mujeres, heroicas mujeres del pueblo! ¡Acordaos del heroísmo de las mujeres asturianas en 1934; luchad también vosotras al lado de los hombres para defender la vida y la libertad de vuestros hijos, que el fascismo amenaza!”.
(Discurso de 19 de julho de 1936)
 
 

Foi um símbolo tão poderoso, que o mundo somente teve certeza de que a ditadura franquista tinha caído, quando ela voltou à Espanha, em 1977. No entanto, La Pasionaria era mais que um símbolo. Era uma pessoa – uma mulher.

Ou Zoya Kosmodemyanskaya. Ou sua companheira de unidade militar Vera Voloshina. As duas tremendamente torturadas e depois enforcadas pelos nazistas durante a Batalha de Moscou.

Uma testemunha do assassinato de Vera Voloshina relatou, depois, o final do seu martírio:

 

– Eles a trouxeram, a pobre, de carro, para a forca, e ali o laço balançava no vento ao redor dos alemães, havia um monte deles. E eles trouxeram os nossos prisioneiros, que trabalhavam atrás da ponte. A menina estava no carro. No começo, não era visível, mas quando as paredes laterais foram abaixadas, eu engasguei. Ela estava, coitada, apenas com roupa de baixo, e, mesmo assim, rasgada e toda suja de sangue. Dois alemães gordos, com cruzes negras nas mangas, subiram no carro, para levantá-la. Mas a menina afastou os alemães e, agarrando-se ao carro com uma das mãos, ergueu-se. A outra mão parecia quebrada, pendia como um chicote. E então ela começou a falar. No começo, ela disse algo que parecia alemão, e depois na nossa língua.

“Eu”, disse ela, “não tenho medo da morte. Meus camaradas vão me vingar. Nós venceremos de qualquer maneira. Você vai ver!”

E a menina começou a cantar.

– E você sabe qual música?

– A mesma que toda vez eles cantam nas reuniões e tocam no rádio pela manhã, à tarde e à noite.

– “A Internacional”?

– Sim, essa mesma música. Mas os alemães estavam de pé e ouvindo silenciosamente. O oficial que comandou a execução gritou algo para os soldados. Eles jogaram o laço no pescoço da garota e desceram do carro.
O oficial correu para o motorista e deu a ordem de se mover. Ele se sentou, todo branco, veja, ele ainda não estava acostumado a enforcar pessoas. O oficial pegou um revólver e gritou algo para o motorista. Pareceu que ele estava xingando. O motorista pareceu acordar e deu partida no carro
.

A garota ainda conseguiu gritar tão alto que meu sangue congelou em minhas veias: “Adeus, camaradas!”.

Quando abri os olhos, vi que ela já estava pendurada.

 

(v. o livro de Georgy e Irina Frolov, “Москвички-партизанки – Герои Отечества”, Ozon.ru, 2004)
 
 

Aqui, uma pequena amostra das mulheres que lutaram contra o fascismo – e foram, muitas com a doação da própria vida, vitoriosas. Como foram milhões, não chega, nem pode, ser uma homenagem. Apenas uma amostra.

Preferimos não usar fotografias “colorizadas” – e publicar algumas (talvez muitas) cuja qualidade, em termos visuais, não é grande. Mas nos pareceu desnecessário embelezar aqueles momentos.

Espanha: “Y una mañana todo estaba ardiendo”

Guerra Civil Espanhola, 1936

A Guerra Civil Espanhola foi, para os ocidentais, o prenúncio do que viria (no Oriente, seria a segunda invasão japonesa da China, em 1937 – a primeira fora em 1931, quando a Manchúria fora anexada pelo império nipônico).

O verso acima é de Pablo Neruda, que, na época, estava na Espanha:

Y una mañana todo estaba ardiendo
y una mañana las hogueras
salían de la tierra
devorando seres,
y desde entonces fuego,
pólvora desde entonces,
y desde entonces sangre.
Bandidos con aviones y con moros,
bandidos con sortijas y duquesas,
bandidos con frailes negros bendiciendo
venían por el cielo a matar niños,
y por las calles la sangre de los niños
corría simplemente, como sangre de niños

(Pablo Neruda, Explico algunas cosas).

Apesar da derrota para o fascismo – somente a URSS apoiou a democracia espanhola, enquanto Hitler e Mussolini cumularam Franco de tropas e aviação de guerra – a luta na Espanha seria decisiva para as batalhas que viriam.

Guerra Civil Espanhola, 1936

 

Barcelona, 1936

 

Esperanza Rodríguez, combatente antifascista na Galícia, 1936

 

Esta é uma das fotos tiradas por Gerda Taro na Espanha. Ela e seu marido, o húngaro Endre Friedmann, creditavam suas fotos com o pseudônimo “Robert Capa”. Gerda, alemã e anti-hitlerista, morreu durante um ataque da aviação alemã a Villanueva de la Cañada. Depois de sua morte, o marido continuou utilizando o nome Robert Capa – e tornou-se um dos maiores fotógrafos da História.

 

Fanny Schoonheyt, voluntária holandesa no combate ao fascismo na Espanha, Barcelona, maio de 1937 (foto: Agustí Centelles).

 

 

Os intervalos da luta na Espanha

 

 

Marina Ginestá, francesa de família catalã, no telhado do Hotel Colón, em Barcelona, no dia 21 de julho de 1936
(foto: Juan Guzmán, nome adotado pelo fotógrafo alemão Hans Gutmann)

 

 

Guerra Civil Espanhola

 

 

Voluntárias antifascistas, próximas a Madri

 

 

Nas Brigadas Internacionais

 

 

Nas trincheiras

 

 

Guerra Civil da Espanha

 

 

La Pasionaria

 

O mundo contra o nazismo

 

Josephine Baker não foi apenas a rainha do Folies Bergère – isto é, do teatro de revista francês. Fez parte da Resistência, após a ocupação da França pelos nazistas. Na foto, depois da libertação de Paris, a tenente Baker, do exército francês.

 

 

Esta é Ada Gobetti, guerrilheira contra a ocupação alemã na Itália, escritora e líder antifascista. Depois da guerra, ela seria uma das fundadoras da Federação Democrática Internacional da Mulher (FDIM).

 

 

A defesa antiaérea na Inglaterra, durante os bombardeios nazistas.

 

 

O treinamento das voluntárias, na Inglaterra, à espera da invasão nazista.

 

 

As mulheres na defesa antiaérea, em Londres.

 

 

A defesa antiaérea do território inglês

 

 

Acampamento militar nos EUA

 

 

Simone Segouin, da Resistência Francesa

 

 

Resistência Francesa

 

 

O “maquis” – a Resistência no campo da França

 

 

O “maquis”

 

 

Combatentes da França Livre, 1944

 

 

Mães de Paris protegendo seus filhos das balas dos atiradores alemães (1944)

 

 

A insurreição de Paris contra os nazistas, 1944

 

 

A libertação da França

 

 

A libertação de Marselha

 

Sangue derramado

 

Sophie Scholl, alemã antinazista, da organização de origem católica Rosa Branca, presa ao distribuir panfletos na Universidade de Munique, decapitada pelos nazistas poucos dias depois, em fevereiro de 1943. Tinha 22 anos.

 

 

Mulheres de Stalingrado, depois que o bombardeio nazista destruiu o abastecimento de água, procuram suprir-se nas fontes da cidade.

 

 

Entre os escombros da casa, destruída pelo bombardeio nazista

 

 

Uma menina e seu gato entre os escombros

 

 

Lepa Svetozara Radic, guerrilheira sérvia, capturada pelos alemães após a batalha do Neretva, quando transportava feridos. Barbaramente torturada, recusou-se a entregar seus companheiros: “Não sou uma traidora do meu povo. Vocês saberão quem são eles quando vingarem a minha morte”. Foi enforcada. Tinha 17 anos

 

 

Invasão da URSS: executada pelos nazistas

 

 

Esta foto, publicada na revista Life, foi a menos chocante que encontramos sobre o massacre de Nanquim, em que 300 mil civis foram assassinados, em meio a sevícias atrozes, pelas tropas japonesas. A descrição da revista, sobre a mulher morta no chão, foi a seguinte: “Depois de ter sido despida e estuprada por um ou mais homens, enfiaram uma baioneta em seu peito e uma garrafa em sua vagina. Toda a família, inclusivre o bebê de um ano, foi massacrada“. O missionário norte-americano John Magee, que estava em Nanquim durante o massacre (provavelmente o autor da foto), fez uma descrição pouco diferente: “em 13 de dezembro de 1937 cerca de 30 soldados japoneses assassinaram todos, exceto dois, dos 11 chineses que moravam na casa número 5 de Xinlukou. Uma mulher e suas duas filhas adolescentes foram estupradas e soldados japoneses enfiaram uma garrafa e uma bengala em sua vagina. Uma menina de oito anos foi esfaqueada, mas ela e sua irmã mais nova sobreviveram. Elas foram encontradas vivas, duas semanas após os assassinatos, pela senhora da foto“. É ignorado o número de mulheres (incluindo crianças e idosas) que foram estupradas em Nanquim, durante as seis semanas do massacre. O Tribunal de Crimes de Guerra de Tóquio, estabelecido pelos norte-americanos após a rendição do Japão, estimou em 20 mil. Em seu livro “The Rape of Nanking: The Forgotten Holocaust of World War II”, Iris Chang mostra que existem evidências para muito além disso, possivelmente, 80 mil.

 

 

Cerca de 400 mil mulheres foram escravizadas sexualmente pelos militaristas nipônicos na Coreia, na China, nas Filipinas, na Indonésia e em outros países ocupados. Uma das sobreviventes, Lee Ok-seon, raptada aos 15 anos e tornada escrava sexual em uma “casa de conforto”, descreveu, em 2013, aos 88 anos, o que foi isso: “Era como um matadouro, mas não para animais e sim para humanos. Ali faziam coisas horríveis“. Ok-seon relatou que muitas preferiam a morte: “Umas se afogavam, outras enforcavam-se“. A escravidão sexual durante a II Guerra – e no caso da Coreia, bem antes – foi reconhecida como verdadeira pelo atual Estado japonês. Mas, segundo disse um político, o governador de Osaka, Toru Hashimoto, em 2013, durante uma entrevista coletiva, “essas casas eram necessárias para manter a disciplina dos soldados“.

 

 

A repressão nos territórios ocupados

 

 

Vera Voloshina, combatente soviética torturada e assassinada pelos nazistas em 29 de novembro de 1941. Tinha 22 anos.

 

 

Zoya Kosmodemyanskaya, integrante da mesma unidade que Vera Voloshina – e sua amiga. Quando lutava atrás das linhas alemãs, no dia 28 de novembro de 1941, foi presa, torturada e assassinada pelos nazistas, que tentaram humilhá-la diante da população do território ocupado. O crime foi perpetrado por membros da Wehrmacht – o exército alemão, não pelas SS ou a Gestapo. Zoya, até o fim, disse chamar-se Tanya. Depois de espancada brutalmente, foi colocada no gelo – era inverno – quase despida e suas pernas congelaram. Às 10h30min do dia 29, Zoya foi levada em direção à forca com uma placa no pescoço em alemão e russo: “Incendiária de casas”. Uma testemunha descreveu os momentos finais do crime: Ao redor da forca havia muitos alemães e civis. Eles a levaram à forca, mandaram abrir o círculo ao redor da forca e começaram a fotografá-la. Ela gritou: “Cidadãos! Você, que não levanta os olhos, precisa ajudar a lutar. Essa minha morte é minha conquista”. Depois disso, um oficial acenou, enquanto outros gritaram com ela. Então, ela disse: “Camaradas, a vitória será nossa. Soldados alemães, antes que seja tarde demais, rendam-se!” O oficial alemão gritou violentamente. Mas ela continuou: “Rússia! A União Soviética é invencível e não será derrotada”, disse no momento em que estava sendo fotografada. Um alemão se aproximou e começou a colocar o laço. Naquele momento, ela gritou:“Não importa quantos de nós sejam enforcados, nós somos mais, somos 170 milhões. Nossos camaradas me vingarão!”. Isso ela já disse com um laço no pescoço. Ela queria dizer mais alguma coisa, mas naquele momento a caixa foi removida debaixo de seus pés e ela ficou pendurada. Segurou a corda com a mão, mas o alemão apertou as mãos dela.” Zoya tinha 18 anos.

 

 

Ao saber do suplício de Zoya, Stalin emitiu uma ordem: “Não fazer prisioneiros na 197ª divisão alemã”. Era a unidade a que pertenciam os carrascos.

 

Destruindo o mal

A invasão da União Soviética pela Alemanha nazista foi o mais criminoso e o maior banho de sangue da História, é justo dizer, o maior genocídio: 15% da população da URSS morreu na guerra, cerca de 27 milhões de soviéticos (recentemente, um último levantamento, realizado por historiadores ocidentais, elevou esse número para 28 milhões e 400 mil seres humanos, mas, aqui, mantivemos o número do levantamento soviético realizado na segunda metade da década de 80 do século passado).

Entretanto, ali o nazismo foi derrotado.

Abaixo, como de resto no conjunto desta página, as soviéticas têm mais presença do que suas companheiras de outros países. Mas isso é apenas uma contingência da História – um dever para com a verdade.

Em nenhum outro país a participação feminina foi tão intensa na guerra. Duzentas mil mulheres foram condecoradas durante a guerra – e 89 receberam o título de Heroína da União Soviética.

Portanto, a presença das mulheres soviéticas nas fotos abaixo é apenas um reflexo da realidade, que, se tem algum problema, consiste em sua sub-representação.

 

Durante a II Guerra Mundial, a Escola Central Feminina de Treinamento de Atiradoras do Exército Vermelho formou 1061 atiradoras e 407 treinadoras de atiradores. As atiradoras formadas pela escola abateram 11.280 soldados e oficiais inimigos.

 

 

Atiradoras soviéticas

 

 

Na Bielorrússia, a camponesa Anastasia Petrovna Shish se despede de seu filho, comandante de um destacamento guerrilheiro

 

 

Cerco de Leningrado

 

 

Esforço de guerra nos EUA

 

 

Comandante de pelotão de metralhadora A. Kochneva

 

 

Em primeiro plano, a atiradora Lyuba Makarova, Frente de Kalinin, 1943

 

 

“O fascismo é o pior inimigo das mulheres! Levanta-te e luta contra ele!”

 

 

Atiradoras do Terceiro Exército de Choque Soviético, maio de 1945

 

 

Esforço de guerra nos EUA: as mulheres substituem os homens nas fábricas

 

 

“As mulheres estão dispostas a dirigir tratores no lugar dos homens que lutam contra o fascismo”

 

 

Em Pearl Harbor

 

 

Dirigindo a moto, uma integrante do Exército Vermelho; na garupa, uma integrante do contingente polonês que lutou na Frente Oriental.

Dirigindo a moto, uma integrante do Exército Vermelho; na garupa, uma integrante do contingente polonês que lutou na Frente Oriental

 

 

Guerrilheiras italianas

 

 

Guerrilheiras chinesas

 

 

No Exército Vermelho, 1944

 

 

Pelas leis soviéticas, a idade mínima para o serviço militar – tanto para os homens quanto para as mulheres – era 18 anos. Mas quando a guerra é de todo um povo contra um ocupante, não são apenas aqueles em idade legal que pegam em armas. Porque não se trata de serviço militar, mas de defesa da Nação

 

 

Guerrilheiras soviéticas

 

 


por Carlos Lopes | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Hora do Povo) / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/as-mulheres-da-segunda-guerra-mundial/

Você diz que quer uma Revolução (Russa)?

Por Pepe Escobar, de Moscou-Especialmente para o Consortium News

Tradução de Patricia Zimbres para o 247

Muito de vez em quando é publicado um livro indispensável, que defende de forma clara a sanidade nisso que é hoje um mundo pós-insano. Essa responsabilidade é desempenhada por "The (Real) Revolution in Military Affairs" (A (Verdadeira) Revolução nos Assuntos Militares, de Andrei Martyanov (Clarity Press), talvez o livro mais importante de 2019.

Martyanov é o pacote completo — que vem com os atributos extra de ser um analista militar russo de primeira linha, nascido em Baku nos velhos tempos Back in the U.S.S.R, e de viver e trabalhar nos Estados Unidos e escrever artigos e blogs em inglês.

Logo de partida, Martyanov, sem perder tempo, destrói não apenas os delírios de Fukuyama e Huntington, mas principalmente o infantil e totalmente sem sentido argumento da Armadilha de Tucídides de Graham Allison — como se a equação de poder entre os Estados Unidos e a China no século XXI pudesse ser interpretada com base em um paralelo com a inevitabilidade da Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta há mais de 2.400 anos. O que vem a seguir? Xi Jinping como o novo Genghis Khan?

(Por sinal, o melhor ensaio atual sobre Tucídides é em italiano, de autoria de Luciano Canfora (Tucidide: La Menzogna, La Colpa, L’Esilio). Não há Armadilha nenhuma. Martyanov, visivelmente, se delicia em definir a Armadilha como "produto da imaginação" de gente que tem uma "compreensão muito vaga do que vem a ser a guerra real no século XXI. Não é de admirar que Xi tenha afirmado explicitamente que a Armadilha não existe).

 

Martyanov já havia detalhado em seu esplêndido livro anterior, " pdf Losing Military Supremacy: The Myopia of American Strategic Planning (8.76 MB) " (A Perda da Supremacia Militar: a Miopia do Planejamento Estratégico Americano), de que forma a "falta de experiência histórica em guerras continentais" acabou por "plantar as sementes da destruição final da mitologia militar americana dos séculos XX e XXI, que está na base do declínio americano, devido à hubris e ao distanciamento da realidade". Ao longo de todo o livro, ele, ininterruptamente, fornece evidências sólidas sobre o tipo de letalidade que espera as forças militares dos Estados Unidos em uma possível futura guerra contra exércitos, forças aéreas, defesas aéreas e poderio naval reais (não o Talibã ou o exército de Sadam Hussein).

Faça os Cálculos

Uma das conclusões é o fracasso dos modelos matemáticos americanos: os leitores do livro têm que digerir um número significativo de equações matemáticas. O ponto principal é que esse fracasso levou os Estados Unidos a "uma espiral descendente contínua de diminuição de capacidade militar frente à nação [Rússia] que eles pensaram ter derrotado na Guerra Fria".

 

Nos Estados Unidos, a Revolução nos Assuntos Militares (RMA - Revolution in Military Affairs) foi criada pelo falecido Andrew Marshall, também conhecido como Yoda, o antigo diretor do Office of Net Assessment - ONA (Gabinete de Avaliação Geral, o laboratório de ideias do Pentágono) e o verdadeiro inventor do conceito do "pivotar para a Ásia". Martyanov, no entanto, nos diz que o RMA, na verdade, começou como MTR (Military Technological Revolution), e foi criado por teóricos militares soviéticos na década de 1970.

Um dos elementos básicos do RMA diz respeito a nações capazes de produzir mísseis de cruzeiro de ataque terrestre, ou TLAMs. Na situação atual, apenas os Estados Unidos, a Rússia, a China e a França detêm essa capacidade. E existem apenas dois sistemas globais que fornecem orientação por satélite a mísseis de cruzeiro: o GPS americano e o GLONASS russo. Nem o BeiDou chinês nem o Galileo europeu qualificam-se - ainda - como sistemas globais de GPS.

Há também a Guerra Centrada em Redes (Net-Centric Warfare - NCW). O termo foi cunhado pelo falecido Almirante Arthur Cebrowski em 1998, em um artigo escrito em colaboração com John Garstka, intitulado Network-Centric Warfare – Its Origin and Future" (A Guerra Centrada em Redes - sua Origem e Futuro).

Com o uso de suas equações matemáticas, Martyanov não tarda a nos revelar que "a era dos mísseis subsônicos anti-navios chegou ao fim". A OTAN, esse organismo com morte cerebral (copyright de Emmanuel Macron) agora tem que enfrentar o supersônico russo P-800 Onyx e o Kalibr-class M54 em um ambiente de guerra eletrônica altamente hostil". A totalidade das forças armadas modernas hoje emprega a Guerra Centrada em Redes (NCW), desenvolvida pelo Pentágono na década de 1990.

Representação de uma futura rede de sistemas de combate. (soldiersmediacenter/Flickr, CC BY 2.0, Wikimedia Commons)

Martyanov menciona em seu novo livro algo que aprendi em minha visita a Donbass, em março de 2015: como os princípios da NCW, "baseados nas capacidades C4ISR russas, fornecidas pelas forças armadas da Rússia aos exércitos numericamente inferiores das Repúblicas de Donbass (LDNR), foram empregados com efeitos devastadores nas batalhas de Ilovaisk e Debaltsevo, ao atacar as pesadas e pouco ágeis forças armadas ucranianas, ainda da época soviética".

Não há como escapar do Kinzhal

Martyanov fornece informações abundantes sobre o mais recente míssil da Rússia – o Kinzhal aerobalístico Mach-10 hipersônico, recentemente testado no Ártico.

O que é mais importante, explica ele, é que "nenhuma das atuais defesas antimísseis da Marinha dos Estados Unidos é capaz de derrubá-lo, mesmo no caso de o míssil ser detectado". O Kinzhal tem um alcance de 2.000 quilômetros, o que torna seus portadores, o MiG-31K e o TU-22M3M, "invulneráveis à única defesa que uma esquadra de porta-aviões dos Estados Unidos, o principal pilar do poderio naval americano, é capaz de montar - os porta-aviões de combate. Esses aviões de combate simplesmente não têm alcance suficiente.

O Kinzhal foi um dos armamentos anunciados na fala de 1º de março de 2018 proferida pelo Presidente russo Vladimir Putin na Assembleia Federal, que se constituiu em um verdadeiro divisor de águas. Esse foi o dia, afirma Martyanov, em que teve início a verdadeira Revolução nos Assuntos Militares (RMA), "alterando por completo e de forma drástica a face da guerra entre pares, a competição e o equilíbrio de poder global".

Oficiais de alta patente do Pentágono, como o General John Hyten, vice-presidente do Estado Maior, admitiram oficialmente que não há "atualmente, medidas defensivas" contra, por exemplo, o veículo planador hipersônico Mach 27 Avangard (que torna inúteis os sistemas de mísseis antibalísticos), dizendo à Comissão de Serviços Armados do Senado americano que a única saída seria a "dissuasão nuclear". Também não há, atualmente, medidas defensivas contra mísseis antinavios como o Zircon e o Kinzhal.

Qualquer analista militar tem conhecimento de que o Kinzhal, na Síria, destruiu um alvo terrestre do tamanho de um Toyota Corolla, depois de ser lançado de uma distância de 1.000 quilômetros em más condições atmosféricas. O corolário provoca pesadelos na OTAN: o comando e as instalações de controle da Organização são, na verdade, indefensáveis.

Martyanov vai direto ao assunto: "É certo que a introdução de armas hipersônicas joga baldes de água gelada na obsessão americana em defender o continente norte-americano de ataques retaliatórios".

O Kh-47M2 Kinzhal na Parada do Dia da Vitória de 2018, em Moscou. (Kremlin via Wikimedia Commons)

Martyanov, portanto, não perdoa os formuladores de políticas norte-americanos, a quem "falta o instrumental necessário para compreender a realidade geoestratégica atual, na qual a verdadeira revolução em assuntos militares... já havia rebaixado drasticamente as sempre infladas capacidades militares americanas, e continua a redefinir o status geopolítico dos Estados Unidos de forma bastante diferente de sua auto-proclamada hegemonia".

E o que é ainda pior: "Essas armas asseguram uma retaliação garantida [os itálicos são de Martyanov] sobre os próprios Estados Unidos". Até mesmo as forças de dissuasão nuclear russas - e, em menor grau, as chinesas, como demonstrado recentemente - "são capazes de vencer os sistemas anti-balísticos norte-americanos e destruir os Estados Unidos", apesar de toda a propaganda tosca que o Pentágono tenta vender.

Em fevereiro de 2019, Moscou anunciou o término dos testes de um motor alimentado a energia nuclear para o míssil de cruzeiro Petrel. O Petrel é um míssil de cruzeiro subsônico com propulsão nuclear que pode permanecer no ar por um tempo bastante longo, cobrindo distâncias intercontinentais e capaz de atacar das direções mais inesperadas. Martyanov, em tom malicioso, descreve o Petrel como "uma arma de vingança, no caso de alguma autoridade americana que tenha contribuído para precipitar uma nova guerra mundial tente se esconder dos efeitos daquilo que eles mesmos desencadearam, se refugiando na relativa segurança do Hemisfério Sul".

A Guerra Híbrida Enlouquecida

Parada em Pequim celebrando o 70º aniversário da República Popular, em outubro de 2019 (Screenshot do YouTube)

Uma seção do livro trata dos avanços militares da China e dos frutos da parceria estratégica Rússia-China, como por exemplo a compra por Pequim de mísseis antiaéreos S-400 Triumph - "idealmente adequados para lidar com o exato tipo de equipamento de ataque que os Estados Unidos usariam no caso de um conflito convencional com a China".

Em razão de sua data, a análise não chega a tratar do arsenal apresentado em inícios de outubro na parada em celebração do 70º aniversário da República Popular, em Pequim.

Aí se incluem, entre outros, o "porta-aviões matador" DF-21D, projetado para atingir navios de guerra em alto mar a uma distância de até 1.500 quilômetros; o "Guam Killer" de alcance médio DF-26; o míssil hipersônico DF-17 e os mísseis de cruzeiro antinavio de longo alcance YJ-18A lançados de submarinos e de navios. Para não falar do DF-41 ICBM – a espinha dorsal das forças de dissuasão chinesas, capazes de alcançar o território continental dos Estados Unidos portando múltiplas ogivas.

Martyanov não pode deixar de tratar da RAND Corporation, cuja razão de existir é a insistente pressão por mais dinheiro para o Pentágono - culpando a Rússia pela "guerra híbrida" (uma invenção americana), ao mesmo tempo em que se lamenta da incapacidade dos Estados Unidos de derrotar a Rússia em todos os jogos de guerra. Os jogos de guerra da RAND, atiçando os Estados Unidos e seus aliados contra a Rússia e a China, invariavelmente terminaram em catástrofe para a "melhor força de combate do mundo".

Martyanov trata também dos S-500s, capazes de atingir aviões AWAC e, possivelmente de interceptar alvos hipersônicos não-balísticos. O S-500 e seu mais recente sistema estado-da-arte de defesa aérea de médio alcance, o S-350 Vityaz estarão prontos para entrar em operação em 2020.

Sua principal conclusão: "Não há paridade entre a Rússia e os Estados Unidos nos campos de defesa aérea, armas hipersônicas e desenvolvimento de mísseis em geral, para citar apenas alguns - os Estados Unidos ficaram para trás em todos esses campos, não apenas em termos de anos, mas de gerações" [itálicos meus].

Por todo o Sul Global, são muitos os países que têm perfeito conhecimento de que a "ordem" - ou desordem - econômica norte-americana está à beira do colapso. Por outro lado, relações externas cooperativas, conectadas e baseadas em regras entre nações soberanas vem avançando na Eurásia - simbolizadas pela fusão das Novas Rotas da Seda, ou Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), da União Econômica Eurasiana (EAEU), da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), do Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura (AIIB) e do NDB (o banco dos BRICS).

Os principais fiadores desse novo modelo são a Rússia e a China. E Pequim e Moscou não alimentam qualquer ilusão quanto à dinâmica tóxica de Washington. Conversas que tive com analistas de primeira linha no Cazaquistão, no mês passado, e em Moscou, na semana passada, mais uma vez ressaltaram a futilidade de negociar com pessoas descritas - com uma superposição de tons sarcásticos - como excepcionalistas fanáticos. A Rússia, a China e muitos países da Eurásia já entenderam que não há qualquer possibilidade de negociações significativas com uma nação que insiste em descumprir todas as negociações.

Indispensável? Não: Vulnerável

Martyanov não pode deixar de evocar a fala de Putin à Assembleia Federal, em fevereiro de 2019, depois de Washington ter abandonado unilateralmente o tratado INF, abrindo caminho para que os Estados Unidos empregassem mísseis de curto e médio alcance posicionados na Europa e apontados para a Rússia:

"A Rússia será forçada a criar e empregar tipos de armamentos... apontados contra as regiões de onde vêm as ameaças diretas, mas também contra as regiões que abrigam os centros onde são tomadas as decisões sobre o uso desses sistemas de mísseis que nos ameaçam.

Tradução: a Invulnerabilidade Americana chegou ao fim - para sempre.

No curto prazo, as coisas sempre podem piorar. Em sua tradicional entrevista coletiva de fim de ano, em Moscou, que durou quase quatro horas e meia, Putin afirmou que a Rússia está mais que pronta para "simplesmente renovar o Novo Acordo START", que expira no início de 2021: "Eles [os Estados Unidos] podem nos enviar o acordo amanhã, ou nós podemos assinar e encaminhar a Washington". E no entanto, até agora nossas propostas ficaram sem resposta. Se o Novo START deixar de existir, nada neste mundo evitará uma corrida armamentista. Em minha opinião, isso é ruim".

"Ruim" é um eufemismo. Martyanov prefere ressaltar que "a maioria das elites americanas, pelo menos até agora, ainda reside em um estado de dissonância cognitiva orwelliana", mesmo depois de a RMA real ter "destruído o mito da invencibilidade convencional americana fora da água".

Martyanov é um dos poucos analistas - sempre de diferentes países da Eurásia - que advertiram quanto ao perigo de os Estados Unidos "entrarem acidentalmente em uma guerra contra a Rússia, a China ou ambas, uma guerra impossível de ser ganha por meios convencionais, e menos ainda pelo pesadelo de uma catástrofe nuclear global".

Será que isso bastaria para instilar ao menos um mínimo de bom-senso naqueles que comandam essa imensa galinha dos ovos de ouro que é o complexo industrial-militar de segurança? Não contem com isso.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/voce-diz-que-quer-uma-revolucao-russa

Explosão de carro-bomba mata mais de 90 pessoas na Somália (VÍDEO)

Ataque com carro-bomba na capital somali, Mogadíscio, deixou pelo menos 94 pessoas mortas neste sábado (28).

De acordo com um tweet publicado pelo ministro da Segurança Interna da Somália, Abdirizak Omar Mohamed, a maior parte das vítimas são civis.

Eu fui informado de que o número de mortos é superior a 90 pessoas, incluindo 17 policiais somalis, 73 civis e 4 cidadãos estrangeiros. Que Allah tenha piedade das vítimas deste ataque bárbaro.

Conforme publicou a rádio local Dalsan, o ataque foi executado por um suicida e teve dentre suas vítimas estudantes que iam para a escola e funcionários públicos a caminho do trabalho.

Em um vídeo publicado no Twitter é possível ver uma grande coluna de fumaça provocada pela explosão.

Urgente: Pelo menos 50 pessoas morreram após um ataque suicida em Mogadíscio, na Somália.

Grupo terrorista

A Somália é palco das ações do grupo radical islâmico Ash-Shabab, o qual possui relações estreitas com a Al-Qaeda (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países).

O grupo islâmico tem lutado contra o governo central local e criado obstáculos à atividade humanitária da ONU.

Contudo, o ataque de hoje ainda não teve sua autoria reivindicada por nenhum grupo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019122814945082-explosao-de-carro-bomba-mata-90-pessoas-na-somalia/

EUA pretendem transformar espaço em 'arena de guerra', segundo especialistas

Karl Grossman, professor de jornalismo da Universidade Estadual de Nova York, e Bruce Gagnon, coordenador da Rede Global contra Armas e Poder Nuclear no Espaço, comentaram à Sputnik Internacional sobre as pretensões dos EUA de militarizar o espaço em longo prazo.

De acordo com os especialistas, o programa da espaçonave Starliner está sendo publicitado como um grande sucesso, mas existe outro lado da moeda: "é um programa espacial que está custando bilhões de dólares aos contribuintes, isso porque todos sabem que os EUA estão desperdiçando muito dinheiro".

Apesar de todo dinheiro gasto no programa e do entusiasmo da NASA e Boeing, a verdade é que a sonda falhou sua missão, ou seja, não conseguiu se acoplar à Estação Espacial Internacional.

Sendo certo que os acidentes acontecem durante lançamentos de foguetes portadores, nem sempre o problema é causado por uma falha mecânica, afirmou Grossman.

"Um exemplo disso aconteceu em 1999, quando os engenheiros do Orbitador Climático de Marte, da NASA, se esqueceram de converter as unidades de medições, fazendo com que a sonda falhasse e despencasse", cita o especialista.

CST-100 Starliner
© Foto / Wikipedia/NASA
CST-100 Starliner

Para Gagnon, os EUA precisam fingir que está tudo bem com as operações de tecnologias espaciais, já que o financiamento para Força Espacial dos EUA está formalmente aprovado.

Os projetos norte-americanos estão sendo criticados por diversas potências mundiais, já que estariam violando o Tratado do Espaço Exterior de 1967.

"As ações dos EUA são uma violação do consenso internacional sobre a utilização pacífica do espaço sideral, minam o equilíbrio e a estabilidade estratégica global, além de representarem uma ameaça à paz e segurança espacial", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang.

Apesar das críticas, o governo Trump segue convencido de que deve continuar "mantendo seu domínio" em todas as frentes, com o objetivo de construir uma "arena de guerra" no espaço sideral, conforme Grossman.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019122714940365-eua-pretenderiam-transformar-espaco-em-arena-de-guerra-especialistas/

A trégua de Natal de 1914: abula todas as guerras

 
 
Acusar criminosos de guerra de hoje em alto cargo
 
Sob a Carta de Nuremberg, as guerras de agressão são o crime final: "O Crime contra a Paz". Tropas americanas e aliadas têm o dever de desobedecer ordens ilegais
 
 
A trégua de Natal de 1914 foi uma iniciativa dos soldados de ambos os lados; foi uma marca de solidariedade e fraternidade humana contra os arquitetos políticos e militares da Primeira Guerra Mundial.
 
O Espírito do Natal em dezembro de 1914 prevaleceu:
 
“Na linha de frente, a confraternização da véspera de Natal continua ao longo do dia; nem todas as unidades sabem disso, e não é universal, mas está espalhada por pelo menos metade da frente britânica. Muitos corpos que jaziam na terra de ninguém são enterrados, alguns em enterros conjuntos. Muitos homens registam os eventos estranhos e maravilhosos; que os homens troquem tokens ou endereços com soldados alemães, muitos dos quais falam inglês. 81 soldados britânicos morrem neste dia; alguns morrem em áreas pacíficas e com a confraternização, vítimas de atiradores de alerta. Em outras áreas, há uma atividade considerável: a 2ª Guarda Granadeiro sofre perdas em um dia de combates pesados. Quando a noite caiu, as coisas ficaram quietas quando os homens voltaram às trincheiras para tomar qualquer refeição de Natal que lhes fosse fornecida. ”

O Alto Comando Militar de ambos os lados se opunha firmemente ao Espírito do Natal nas trincheiras. O Mot d'ordre do alto comando francês e britânico deveria promover um "espírito ofensivo" nas trincheiras. Nas palavras do general Sir Horace Smith-Dorrien, " relações amistosas com o inimigo, armistérios não oficiais, por mais tentadores e divertidos que sejam, são absolutamente proibidos ":
 
Foram dadas instruções aos comandantes de todas as divisões:
 
“Tal atitude é, no entanto, mais perigosa, pois desencoraja a iniciativa dos comandantes e destrói o espírito ofensivo em todas as fileiras ... o comandante do corpo, portanto, instrui os comandantes de divisão a imprimir nos comandantes subordinados a necessidade absoluta de incentivar o espírito ofensivo...”
 
Lições da trégua de Natal de 1914 
 
O juramento militar feito no momento da indução exige apoio e lealdade à Constituição dos EUA, além de exigir que as tropas americanas obedeçam às ordens de seu Presidente e Comandante em Chefe Donald Trump:
 
“Eu, ____________, juro solenemente (ou afirmo) que vou apoiar e defender a Constituição dos Estados Unidos contra todos os inimigos, estrangeiros e domésticos; que eu carregarei verdadeira fé e lealdade ao mesmo; e que obedecerei às ordens do Presidente dos Estados Unidos e às ordens dos oficiais designados sobre mim, de acordo com os regulamentos e o Código Uniforme de Justiça Militar. Então me ajude a Deus "
 
Tanto o presidente Donald Trump quanto seu antecessor Barack Obama, sem mencionar George W. Bush, violaram descaradamente todos os princípios do direito nacional e internacional.
 
Portanto, fazer um juramento de "obedecer às ordens do presidente" equivale a violar, em vez de defender a Constituição dos EUA.
 
"O fato de uma pessoa [por exemplo, tropas da Coligação] ter agido de acordo com a ordem de seu governo ou de um superior não a isenta de responsabilidade sob o direito internacional, desde que uma escolha moral fosse de fato possível para ele".
 
O sentimento anti-guerra por si só não resultará na abolição de todas as guerras.
 
Uma resistência efetiva das bases contra a guerra requer um movimento dentro das fileiras das Forças Armadas da US-OTAN para desobedecer ordens. Essa é a mensagem da trégua de Natal de 1914. Abaixe suas armas, desobedeça as ordens emanadas de criminosos de guerra no alto cargo.
 
Na França, um relatório não confirmado de dezembro de 2018 sugere que soldados e veteranos de guerra estão se juntando aos Coletes Amarelos.
 
E uma vez que um movimento de membros das Forças Armadas de todas as fileiras integre um movimento de protesto civil de base, com soldados se recusando a lutar, a agenda militar EUA-OTAN será destruída.
 
A questão da propaganda de guerra também deve ser abordada, incluindo a doutrinação daqueles que servem nas Forças Armadas. O lema oficial EUA-OTAN é: Perseguindo os bandidos, travando uma "Guerra Global ao Terrorismo" contra os chamados "jihadistas".
 
O que não é mencionado é que os jihadistas são mercenários, treinados e financiados pela US-OTAN e seus aliados.
 
Sem o jorro da desinformação da mídia (corporativa) diária que sustenta as guerras lideradas pelos EUA-OTAN como esforços humanitários sob a bandeira de "Responsabilidade de Proteger" (R2P), os responsáveis ​​pela guerra no alto escalão não teriam pernas para se apoiar.
 
Na mídia corporativa, os jornalistas também têm a opção de "desobedecer ordens" e muitos deles o fazem, além de se unir às fileiras da mídia independente.
 
Este é o espírito do Natal que desejamos defender, com base nas Lições da Trégua de Natal de dezembro de 1914.
 
Que a Paz e o Espírito do Natal prevaleçam!
 
Abula todas as guerras! indiciar o criminoso de guerra no alto cargo.
 
Restaurar a sanidade na diplomacia internacional.
 
*Michel Chossudovsky, GlobalResearch, 25 de dezembro de 2018, 24 de dezembro de 2019
 
VER COMPLETO COMPLEMENTO NO ORIGINAL

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/a-tregua-de-natal-de-1914-abula-todas.html

EUA aumentarão esforços para combater Rússia e China no Oriente Médio em 2020, diz oficial

Soldado norte-americano, à esquerda, sentado em veículo blindado perto da tensa linha de frente entre o Conselho Militar de Manbij, apoiado pelos EUA, e os combatentes apoiados pelos turcos, em Manbij, norte da Síria, 4 de abril de 2018
© AP Photo / Hussein Malla

Os Estados Unidos aumentarão seus esforços para combater a Rússia e a China no Oriente Médio no próximo ano, declarou o secretário adjunto de Assuntos do Oriente Médio David Schenker a repórteres.

"Embora tenhamos tido sucesso no ano passado como resultado das políticas de administração, é claro que reconhecemos que os desafios permanecem. Isso inclui a influência maligna persistente do Irã na região e no mundo", afirmou Schenker nesta segunda-feira.

"Eu sei que em 2020, também veremos um aumento nos esforços dos EUA para combater a interferência russa e a ameaça chinesa na região", acrescentou.

Em outubro, o Representante Especial dos EUA, Brian Hook, disse em depoimento no Congresso que os Estados Unidos esperam que a China e a Rússia apoiem, em vez de vetar, o prolongamento do embargo de armas ao Irã no Conselho de Segurança da ONU.

Hook também revelou que ele e o secretário de Estado Mike Pompeo discutiram com a Rússia e a China as perspectivas de promover um Oriente Médio mais pacífico e estável, incluindo ameaças como ataques às instalações petrolíferas sauditas em 14 de setembro.

Enquanto o movimento houthi no Iêmen assumiu a responsabilidade pelo ataque às instalações de petróleo sauditas, os Estados Unidos culparam o Irã. Teerã negou envolvimento no ataque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019122414929616-eua-aumentarao-esforcos-para-combater-russia-e-china-no-oriente-medio-em-2020-diz-oficial/

Trump promete novos equipamentos militares após assinar 'maior investimento' no Exército

Bombardeiro norte-americano B-52 Stratofortress (abaixo) com caças sul-coreanos F-15K e caças norte-americanos F-16 (acima) sobrevoando a Coreia do Sul em proximidades da Coreia do Norte
© AFP 2019 / YONHAP

O presidente norte-americano Donald Trump previu a produção de novos equipamentos militares para o Exército dos EUA depois de ter assinado o orçamento da defesa para o ano fiscal de 2020.

A declaração foi feita através da conta no Twitter do líder americano no sábado (21) à noite.

​"Na noite passada fiquei tão orgulhoso por ter assinado a maior Lei da Defesa de todas! Foi criada uma Força Espacial muito vital. Novos aviões, navios, mísseis, foguetes e equipamentos de todos os tipos e tudo feito aqui mesmo nos EUA. Além disso, recebemos o financiamento do muro fronteiriço [em construção]. Legal!

Trump chamou o orçamento militar do "maior investimento já feito no Exército dos Estados Unidos" durante a cerimônia de assinatura realizada na Base Aérea de Andrews, em Marylan.

Sanções contra aliados?

No dia 20 de dezembro, o líder norte-americano assinou o orçamento militar de US$ 738 bilhões (R$ 3 trilhões), que estabelece a Força Espacial (6º ramo das Forças Armadas dos EUA) e inclui medidas restritivas contra os gasodutos russos Nord Stream 2 e TurkStream, destinados a abastecer a Europa.

Além disso, são financiadas novas iniciativas para enfrentar a concorrência e o que Washington vê como ameaças por parte da Rússia e da China.

Caças norte-americanos F-35
© AP Photo / Petros Karadjias
Caças norte-americanos F-35

Em relação às novas sanções contra Moscou, o Ministério das Relações Exteriores russo indicou que Washington está cruzando uma linha histórica na política externa, começando a impor sanções contra seus próprios aliados.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019122214924648-trump-promete-novos-equipamentos-militares-apos-assinar-maior-investimento-no-exercito/

Trump anuncia oficialmente a criação da Força Espacial dos EUA

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
© REUTERS / Yuri Gripas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou oficialmente a criação da Força Espacial norte-americana durante a cerimônia de assinatura do orçamento da Defesa.

"Hoje marcamos um marco histórico, inaugurando oficialmente um novo ramo de nossas Forças Armadas. É um momento muito grande e importante. Chama-se Força Espacial", disse ele durante a cerimônia.

O presidente norte-americano também anunciou que a nova força terá o General da Força Aérea John Raymond na liderança.

 

​No próximo ano, a Força Espacial terá um orçamento de 40 milhões de dólares e uma força de trabalho de 200 pessoas.

A criação da Força Espacial foi ordenada pelo presidente Donald Trump em dezembro de 2018.

Donald Trump ratificou a Lei de Autorização de Defesa Nacional de US $ 738 bilhões, que inclui sanções contra o gasoduto Nord Stream 2, Turquia e Síria, além de outras medidas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019122114919309-trump-anuncia-oficialmente-a-criacao-da-forca-espacial-dos-eua/

Rússia adverte sobre preparação de tropas da OTAN para grande conflito

Tanques da OTAN na Letônia, perto da fronteira com a Rússia
© AP Photo / Mindaugas Kulbis

Cenários de intensos exercícios militares da OTAN apontam para a preparação da aliança para um conflito militar em grande escala, disse o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, general Valery Gerasimov.

Desde 2016, os países da OTAN têm aumentado os gastos em defesa em US$ 130 bilhões (R$ 529 bilhões) e, até 2024, está previsto aumentar este valor em US$ 400 bilhões (R$ 1,6 trilhões), comentou o general russo ao jornal Krasnaya Zvezda em um briefing para os adidos militares de outros países na terça-feira (17).

Durante a cúpula da NATO em dezembro, a aliança passou a considerar o espaço cósmico como uma área separada de operações de combate, em igualdade com a terra, o ar, o mar e o ciberespaço.

"Continua o trabalho na implantação de componentes de defesa de mísseis dos EUA na Europa. Nos países bálticos e na Polônia, nos mares Negro e Báltico, a atividade militar está crescendo e a intensidade dos exercícios militares do bloco está aumentando. Os cenários deles apontam para a preparação intencional da OTAN para o envolvimento de suas tropas em um conflito militar em grande escala", afirmou Gerasimov.

O chefe do Estado-Maior General manifestou confiança na necessidade de prosseguir o diálogo com a aliança com o intuito de reduzir os riscos de incidentes militares perigosos.

'Ameaça à paz'

"Qualquer passo dado pela Rússia no sentido de garantir a sua segurança militar, qualquer evento planejado e transparente para desenvolver o Exército e a Marinha, qualquer exercício é inequivocamente apresentado pelos propagandistas ocidentais e os falsos meios de comunicação social como uma 'ameaça à paz'", complementou.

Na opinião de Gerasimov, as ações da aliança aumentam a tensão e reduzem o nível de segurança na fronteira Rússia-OTAN.

"A redução dos riscos de incidentes perigosos na esfera militar deverá continuar, sendo a área de diálogo mais importante entre Rússia, por um lado, e Estados Unidos e OTAN, por outro. É necessário retomar a cooperação entre Rússia e OTAN para resolver as questões problemáticas acumuladas", destacou.

Soldados da Marinha britânica e fuzileiros navais portugueses durante os exercícios da OTAN Trident, Lisboa (foto de arquivo)
© AP Photo / Steven Governo
Soldados da Marinha britânica e fuzileiros navais portugueses durante os exercícios da OTAN Trident, Lisboa (foto de arquivo)

No início de dezembro, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que a aproximação da OTAN às fronteiras russas representa uma ameaça para a segurança do país, observando que a Rússia tem repetidamente manifestado disponibilidade para cooperar com a aliança para combater conjuntamente ameaças reais, como o terrorismo internacional, os conflitos armados locais e o perigo de proliferação descontrolada de armas de destruição maciça.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019121814906110-russia-adverte-sobre-preparacao-de-tropas-da-otan-para-grande-conflito/

[Manlio Dinucci] 3 triliões de dólares no poço sem fundo afegão

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A Arte da guerra:  Três Triliões de Dólares no Poço Sem Fundo Afegão Manlio Dinucci

Na Declaração de Londres (3 de Dezembro de 2019), os 29 países da NATO reafirmaram “o empenho na segurança e na estabilidade, a longo prazo, do Afeganistão”. Uma semana depois, de acordo com a “Lei da Liberdade de Informação” (usada para esvaziar, depois de vários anos, alguns esqueletos dos armários, de acordo com a conveniência política), o Washington Post tornou públicas 2.000 páginas de documentos que “revelam que as autoridades americanas enganaram o público sobre a guerra do Afeganistão”. Essencialmente, ocultaram os efeitos desastrosos e também as implicações económicas, de uma guerra em curso há 18 anos.
Os dados mais interessantes que surgem são os dos custos económicos:
Ø Para as operações militares, foram desembolsados 1.5 triliões de dólares, cifra que “permanece opaca” - por outras palavras, subestimada - ninguém sabe quanto despenderam na guerra os serviços secretos ou quanto custaram, realmente, as empresas militares privadas, os mercenários recrutados para a guerra (actualmente, cerca de 6 mil).
Ø Visto que “a guerra foi financiada com dinheiro tomado de empréstimo”, os juros atingiram 500 biliões, o que eleva a despesa para 2 triliões de dólares.
Ø Acrescentam-se a esta verba, outros custos: 87 biliões para treinar as Forças afegãs e 54 biliões para a “reconstrução”, grande parte dos quais “foram perdidos devido à corrupção e aos projectos fracassados”.
Ø Pelo menos, outros 10 biliões foram gastos na “luta contra o tráfico de drogas”, com o bom resultado de que a produção de ópio aumentou fortemente: hoje o Afeganistão fornece 80% da heroína aos traficantes de drogas do mundo.
Ø Com os juros que continuam a acumular-se (em 2023, chegarão a 600 biliões) e o custo das operações em curso, a despesa supera, amplamente, os 2 triliões.
Ø Também é preciso considerar o custo da assistência médica aos veteranos, saídos da guerra com ferimentos graves ou inválidos. Até agora, para os que combateram no Afeganistão e no Iraque, foram despendidos 350 biliões que, nos próximos 40 anos, subirão para 1.4 triliões de dólares.
Visto que mais da metade dessa verba, é gasta com os veteranos do Afeganistão, o custo da guerra, para os EUA, sobe para cerca de 3 triliões de dólares.
Após 18 anos de guerra e um número não quantificável de vítimas entre os civis, ao nível militar, o resultado é que “os Taliban controlam grande parte do país e o Afeganistão permanece uma das principais áreas de proveniência de refugiados e migrantes”.
Portanto, o Washington Post conclui que, dos documentos vindos a público, surge “a dura realidade dos passos falsos e dos fracassos do esforço americano em pacificar e reconstruir o Afeganistão”. Desta maneira, o prestigioso jornal, que demonstra como as autoridades americanas “enganaram o público”, por sua vez engana o público, ao apresentar a guerra como “um esforço americano para pacificar e reconstruir o Afeganistão”.
O verdadeiro objectivo da guerra conduzida pelos EUA no Afeganistão, na qual a NATO participa, desde 2003, é o controlo dessa área de importância estratégica fundamental na encruzilhada entre o Médio Oriente, a Ásia Central, Meridional e Oriental, sobretudo, na periferia da Rússia e da China.
Nesta guerra participa a Itália, sob o comando USA, desde que o Parlamento autorizou, em Outubro de 2002, o envio do primeiro contingente militar, a partir de Março de 2003. A despesa italiana, subtraída ao erário público, tal como a dos EUA, é estimada em cerca de 8 biliões de euros, à qual se junta vários custos indirectos.
Para convencer os cidadãos, atingidos pelos cortes nas despesas sociais, de que são necessários outros fundos para o Afeganistão, diz-se que eles servem para trazer melhores condições de vida ao povo afegão. E os Frades do Sagrado Convento de Assis deram ao Presidente Mattarella, a “Lâmpada da Paz, de São Francisco”, reconhecendo assim, que “a Itália, com as missões dos seus militares, colabora activamente para promover a paz em todas as partes do mundo.”
il manifesto, 17 de Dezembro de 2019
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DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, 
em todos os países europeus da NATO


Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.

Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos 
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com
Webpage: NO WAR NO NATO

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

China pede que EUA cumpram seus deveres de desarmamento nuclear

Beijing, 12 dez (Xinhua) -- A China pediu na quarta-feira que os Estados Unidos cumpram com seriedade suas obrigações especiais no desarmamento nuclear e reduzam ainda mais seu vasto arsenal nuclear.

"Como o país com o maior e mais avançado arsenal nuclear do mundo, os Estados Unidos devem cumprir com sinceridade seus deveres especiais no desarmamento nuclear, responder ao chamado da Rússia de prolongar o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, e reduzir ainda mais seu vasto arsenal nuclear, a fim de criar condições para que outros países nucleares se unam às negociações multilaterais de desarmamento nuclear", disse a porta-voz Hua Chunying em uma entrevista coletiva.

Hua fez as declarações em resposta às observações do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, feitas em uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, de que os sistemas de lançamento evoluíram além dos mísseis, bombardeiros e submarinos, e que outras partes como a China precisam ser colocadas em uma discussão mais abrangente sobre o controle de armas.

Reiterando a posição da China de não ter nenhuma intenção de entrar em uma negociação sobre um chamado acordo trilateral de controle de armas China-EUA-Rússia, Hua disse que a China se opõe firmemente que os Estados Unidos usem a China como desculpa para evadir e mudar suas responsabilidades de desarmamento nuclear.

Ela pediu que os Estados Unidos acabem com o movimento negativo de minar o equilíbrio e a estabilidade estratégicos globais, parem de estimular a escalada da competição e do confronto entre os grandes países, retornem imediatamente ao caminho correto do multilateralismo, e salvaguardem seriamente a ordem internacional com base no direito internacional, bem como a autoridade e a efetividade do atual sistema jurídico para o controle de armas e de não proliferação.

"A China sempre se comprometeu a salvaguardar o sistema internacional de controle de armas e de não proliferação, avançar o processo internacional de controle de armas e desarmamento, e proteger o equilíbrio e a estabilidade estratégicos globais", disse Hua.

A China está disposta a trabalhar com todas as partes para continuar fortalecendo a comunicação e a coordenação e realizando discussões sobre as questões relacionadas à estabilidade estratégica global, de modo a fazer contribuições positivas para a paz e a segurança globais, acrescentou.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/12/c_138625159.htm

China afirma que EUA são maior ameaça à paz e segurança globais

Hua Chunying, ministro das Relações Exteriores da China, em comitiva de imprensa
© AP Photo / Andy Wong

Segundo revelações de The Washington Post, altos funcionários dos EUA têm frequentemente mentido sobre o envolvimento na guerra no Afeganistão.

Os Estados Unidos se tornaram a principal ameaça à paz e à segurança globais, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, comentando um artigo do Washington Post sobre o conflito militar no Afeganistão.

Nesta semana, o diário The Washington Post publicou documentos secretos e uma entrevista com funcionários norte-americanos que, segundo a fonte, testemunham que o governo dos EUA esteve escondendo a verdade sobre o conflito militar no Afeganistão.

O jornal afirma que os documentos contradizem as declarações dos presidentes, chefes militares e diplomatas dos Estados Unidos, que ao longo dos anos garantiram aos americanos que houve progresso no Afeganistão e que valeu a pena os norte-americanos se envolverem nessa guerra.

"O fato de que os Estados Unidos ainda não tenham aprendido essas lições representa um espetáculo miserável. Os Estados Unidos continuam inventando acusações para incitar guerras em todo o mundo, assassinando e prolongando o sofrimento. Os Estados Unidos tornaram-se, portanto, a maior ameaça à paz e à segurança globais, bem como o maior violador dos direitos humanos", disse a porta-voz.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019121114880798-china-afirma-que-eua-sao-maior-ameaca-a-paz-e-seguranca-globais/

Cebrapaz realiza Assembleia em grande unidade; Jamil Murad é eleito presidente

A 5a Assembleia Nacional do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), realizada em Salvador, Bahia, em 7 de dezembro, contou com 70 delegados de 11 núcleos estaduais (Amapá, Bahia, Distrito Federal, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo) e elegeu por aclamação a nova direção nacional. Foram eleitos, como presidente, Jamil Murad, vice-presidente, Wevergton Brito e secretário-geral,  José Reinaldo Carvalho.

 

Jamil sucede no comando do Cebrapaz o companheiro Antônio Barreto, que continua compondo a Direção Executiva. Ao final da matéria a lista completa da nova direção.

Os delegados e delegadas foram recepcionados na manhã do dia 7 com uma feijoada e uma performance do artista Tiago Poeta, no teatro Raul Seixas, do Sindicato dos Bancários, entidade anfitriã da 5a Assembleia. A diretora cultural do Sindicato, Alda Valéria, deu as boas vindas aos ativistas brasileiros pela paz mundial.

Os trabalhos foram iniciados pela tarde, com um ato político. A mesa foi composta por Milena Caridad Zaldivar Piedra, cônsul-geral de Cuba em Salvador; Ana Prestes, representando o Comitê Central do PCdoB; Antonio Barreto, presidente da direção cessante do Cebrapaz; Aurino Pedreira, Diretor de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil na Bahia; Jamil Murad, conselheiro consultivo da direção cessante; José Reinaldo, diretor de Pesquisa da direção cessante; Jussara Cony, vice-presidenta da direção cessante; Maria Ivone Souza, presidenta da Associação Cultural José Martí na Bahia; Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz; e Wevergton Brito, secretário-geral da direção cessante do Cebrapaz.

Luta pela Paz

Socorro Gomes resgatou a história de fundação do CMP, que completa, em 2019, 70 anos. Ivone Souza saudou as delegações estaduais em nome dos ativistas da Bahia. José Reinaldo fez uma intervenção sobre o caráter do Cebrapaz, entidade de luta pela paz mundial, de solidariedade aos povos e anti-imperialista, defendendo que este caráter seja mantido e reforçado.

Aurino Pedreira relacionou a importância de a discussão internacional ganhar corpo entre os trabalhadores como instrumento da elevação da consciência política e Ana Prestes lembrou do compromisso dos comunistas com o internacionalismo, ressaltando a importância da atividade do Cebrapaz.

A cônsul-geral de Cuba, Milena Piedra, agradeceu a constante solidariedade do Cebrapaz ao povo cubano e relatou o grave acirramento do cerco promovido pelo governo de Donald Trump contra a heroica ilha caribenha, o que dá ainda maior relevo à defesa de Cuba.

Jamil Murad agradeceu a indicação de seu nome para presidente do Cebrapaz e disse que, se eleito, como aconteceu, contaria com o concurso de todos os demais membros da nova Direção.

Reforço do Cebrapaz

Desfeita a mesa de abertura, iniciou-se o debate sobre a Proposta de Resolução Política e a Proposta de nova direção, na mesa coordenada por Antonio Barreto, Wevergton Brito e Jussara Cony. Coube a Wevergton Brito a apresentação das teses e a Barreto a defesa da proposta da nominata.

Quinze companheiros e companheiras usaram dos sete minutos disponíveis e 62 propostas de emendas foram enviadas; apenas duas foram rejeitadas e uma foi acolhida parcialmente. Nenhuma das emendas apresentava contradição política ou de conteúdo com o texto, melhorando, dando maior precisão e aperfeiçoando a redação.

Tanto a proposta de resolução quanto a proposta de nova direção foram aprovadas por unanimidade pelo plenário. O relator da Comissão de Redação foi o conselheiro consultivo Caio Botelho.

Foram aprovadas ainda sete moções: Moção de apoio e solidariedade aos países e povos que lutam e resistem na América Latina e Caribe; Moção de Solidariedade a Cuba; Moção de Solidariedade ao Povo Palestino; Moção pela descolonização do Saara Ocidental e a libertação do povo saarauí; Moção de Apoio à República Árabe da Síria; Moção sobre as bases militares dos EUA e da OTAN; Moção de Solidariedade à Coreia Popular. Em breve publicaremos a íntegra da Resolução Política e de todas as moções.

Já como presidente eleito, Jamil Murad discursou fazendo um apelo a todos e todas pelo fortalecimento do Cebrapaz e disse estar confiante no crescimento da entidade e da militância internacionalista. Jamil também agradeceu ao ex-presidente Antonio Barreto, que, durante os debates, foi homenageado pela 5a Assembleia com uma placa entregue por Socorro Gomes.

70 anos do CMP70 anos do Conselho Mundial da Paz

A 5a Assembleia Nacional do Cebrapaz foi encerrada com a realização de um Ato-Festa em comemoração pelos 70 anos do Conselho Mundial da Paz (CMP), entidade histórica de luta anti-imperialista e anti-colonialista de que o Cebrapaz é membro. O evento ocorreu no teatro Raul Seixas, com show da banda Trilha Latina, bolos de aniversário e falas de Antonio Barreto, Jamil Murad e da presidenta do CMP, Socorro Gomes.

A presença de Milena Piedra, Cônsul-Geral de Cuba, e de outros membros do corpo consular da “maior da Antilhas”, foi significativa. Afinal, a 5a Assembleia Nacional do Cebrapaz reafirmou os inquebrantáveis compromissos da entidade com a paz, o internacionalismo e a solidariedade aos povos em luta, valores tão bem simbolizados pelos valentes representantes de Cuba socialista.

Sistema de Direção do Cebrapaz eleito para o Triênio 2019-2022

Diretoria Executiva:

Presidente: Jamil Murad

Vice-Presidente: Wevergton Brito Lima

Secretário Geral: José Reinaldo Carvalho

Diretor de Planejamento e Patrimônio: Sergio Benassi

Diretor de Pesquisas: Gustavo Guerreiro

Diretora de Comunicação: Moara Assis Crivelente

Diretor de Relações Sindicais: Antonio Barreto

Diretora de Intercâmbio com os Movimentos Sociais: Jussara Cony

Diretora de Cultura: Maria Pimentel

Diretor de Imigração: Raul Carrion

Diretoria Nacional:

Diretora no Estado do Amapá: Vivian Régia Bandeira da Silva

Diretor no Estado do Amazonas: Ricardo Ribeiro Chaves

Diretora no Estado da Bahia: Maria Ivone Santana Souza

Diretor do Distrito Federal: Sayid Marcos Tenório

Diretora no Estado do Ceará: Teresinha Braga Monte

Diretora no Estado do Espírito Santo: Mônica Santos

Diretor no Estado do Maranhão: Allan Kardec Filho

Diretora no Estado de Minas Gerais: Antonieta Shirlene Mateus

Diretor no Estado do Pará: Rodrigo Ferreira de Moraes

Diretor no Estado Paraná: Francisco Manoel de Assis França

Diretora no Estado do Piauí: Francisca Zelma Lima Cavalcante

Diretor no Estado do Rio de Janeiro: Marcos Costa

Diretor no Estado do Rio Grande do Sul: Diego Pautasso

Diretor no Estado de Sergipe: Durand Noronha Silva Junior

Diretor no Estado de São Paulo: Diego Pereira Nogueira

Conselho Fiscal:

Conselheira Fiscal: Maria José de Souza El Saad

Conselheira Fiscal: Simone Esterlina

Conselheira Fiscal: Heloísa da Silva Vieira

1º. Suplente do Conselho Fiscal: Jihad Abu Ali

2º. Suplente do Conselho Fiscal: Pâmela Martins

Conselho Consultivo:

Conselheiro Consultivo: Adilson Araújo

Conselheiro Consultivo: Caio Botelho

Conselheiro Consultivo: Gilson Luiz Reis

Conselheiro Consultivo: Hélio de Mattos Alves

Conselheira Consultiva: Madalena Guasco Peixoto

Conselheiro Consultivo: Marcelo Pereira Fernandes

Conselheira Consultiva:  Marcionila Fernandes

Conselheira Consultiva: Socorro Gomes

Conselheira Consultiva: Rita Matos Coitinho

Conselheiro Consultivo: Thomas de Toledo

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

'Fake News', diz Trump sobre envio de 12 mil soldados para a Arábia Saudita

Presidente norte-americano Donald Trump durante encontro da OTAN em Londres
© REUTERS / Kevin Lamarque

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais para negar, na noite de hoje, o suposto envio de 12 mil militares norte-americanos para a Arábia Saudita, desmentindo informações divulgadas anteriormente.

 

​A história de hoje, de que estamos enviando 12.000 soldados para a Arábia Saudita, é falsa. Ou, para colocar de forma mais precisa, Fake News!

A declaração publicada pelo chefe de Estado norte-americano provocou certa confusão sobre os planos dos EUA de reforçar sua presença na região do golfo Pérsico.

Mais cedo, o secretário adjunto da Defesa John Rood reconheceu, durante discurso no Congresso, que o Pentágono está estudando um aumento no número de tropas no Oriente Médio, supostamente, devido a crescentes ameaças à navegação e a outras atividades econômicas. Mas descreveu como inexato o número de 14 mil homens relatado na última quarta-feira pelo The Wall Street Journal.

O jornal afirmou que se esperava para esse mês uma decisão de Trump sobre o despacho dos 14 mil efetivos para o Oriente Médio, o que representaria duplicar a quantidade de soldados norte-americanos que operam hoje na região.

Inicialmente, a Defesa dos EUA qualificou a informação como falsa, mas, em seguida, Rood preferiu adotar o termo "inexata", e respondeu afirmativamente quando um senador perguntou se eles estavam pensando em enviar um número não especificado de novas tropas. 

 

Trump havia prometido, em janeiro, repatriar as tropas envolvidas em guerras sem fim no Oriente Médio. Mas, na realidade, acabou aumentando a quantidade de militares norte-americanos no exterior que ele herdou do governo anterior.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019120614858464-fake-news-diz-trump-sobre-envio-de-12-mil-soldados-para-a-arabia-saudita/

A emergência climática , drones e vigilancia totalitaria.

A Itália na primeira linha da guerra dos drones

Aterrou na base USA/NATO, em Sigonella, na Sicília, depois de um voo de 22 horas a partir da base aérea de Palmdale, na Califórnia, o primeiro drone do sistema AGS (Alliance Ground Surveillance) da NATO, uma versão aperfeiçoada do drone Global Hawk dos EUA (Falcão Global). De Sigonella, principal base operacional, este e mais quatro aviões do mesmo tipo com pilotagem remota, apoiada por diferentes estações terrestres móveis, permitirão “vigiar”, ou seja, espiar vastas áreas terrestres e marítimas do Mediterrâneo e de África, do Médio Oriente e do Mar Negro.
Os drones NATO teleguiados de Sigonella, capazes de voar durante 16.000 km a uma altitude 18.000 m, irão transmitir para a base os dados recolhidos. Estes, depois de serem analisados pelos operadores de mais de 20 estações, serão inseridos na rede criptografada, chefiada pelo Supremo Comandante Aliado na Europa, sempre um general USA, nomeado pelo Presidente dos Estados Unidos.

O sistema AGS, que se tornará operacional na primeira metade de 2020, será integrado no Hub de Direcção Estratégica para o Sul: o centro de Serviços Secretos/Inteligência que, no quartel general da NATO, em Lago Patria (Nápoles), sob comando USA, tem a tarefa de recolher e analisar informações funcionais para operações militares, sobretudo, em África e no Médio Oriente.
A principal base para o lançamento dessas operações, efectuadas, principalmente, em segredo, com drones de ataque e forças especiais, é a de Sigonella, onde estão localizados os drones US Reaper, armados com mísseis e bombas guiadas por laser e satélite. Os drones de ataque e forças especiais, enquanto em acção, estão ligados, através da estação MUOS, de Niscemi (Caltanissetta), ao sistema militar de comunicações por satélite de alta frequência que permite ao Pentágono controlar, através da sua rede de comando e comunicações, drones e caça-bombardeiros, submarinos e navios de guerra, veículos militares e divisões terrestres, enquanto estão em movimento, em qualquer parte do mundo.
No mesmo âmbito, operam os 15 drones Predator e Reaper e os outros da Força Aérea Italiana, teleguiados pela base de Amendola, em Puglia. Os Reaper italianos também podem ser armados com mísseis e bombas guiadas a laser, para missões de ataque.
O sistema AGS, que potencia o papel da Itália na “guerra dos drones”, é realizado com “contribuições significativas” de 15 Aliados: Estados Unidos, Itália, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Luxemburgo, Polónia, Roménia, Bulgária, República Checa, Estónia, Letónia, Lituânia, Eslováquia, Eslovénia. A principal entidade contratada, que fabrica este sistema é a firma norte americana, Northrop Grumman. A empresa italiana Leonardo, fornece duas estações terrestres transportáveis.
A “contribuição” italiana para o sistema AGS consiste, além de nela estar incluída a disposição da principal base operacional, em comparticipar nas despesas, inicialmente, acima de 210 milhões de euros. Outros 240 milhões de euros foram despendidos na aquisição dos drones Predator e Reaper. Incluindo os outros já adquiridos e os que se espera que sejam comprados, a despesa italiana com os drones militares aumenta para cerca de um bilião e meio de euros, à qual se juntam os custos operacionais. Pago com dinheiro público, no contexto de uma despesa militar que está prestes a passar da média actual de cerca de 70 milhões de euros por dia, para cerca de 87 milhões de euros por dia.
Os investimentos italianos sucessivos em drones militares acarretam consequências que vão mais além das económicas. O uso de drones de guerra para operações secretas sob o comando USA/NATO, retira ainda mais ao Parlamento, qualquer poder real de tomada de decisão sobre a política militar e, consequentemente, sobre a política externa. A destruição recente de um Reaperitaliano (que custou 20 milhões de euros), ao sobrevoar a Líbia, confirma que a Itália está envolvida em operações militares secretas, violando o Artigo 11 da nossa Constituição.

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2OEDYn2

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/01/a-emergencia-climatica-drones-e-vigilancia-totalitaria/

Estados Unidos querem transformar os seus soldados em ciborgues

As forças armadas dos EUA têm planos ambiciosos de transformar os seus soldados em guerreiros ciborgues de alta tecnologia, tornando-os mais fortes, aprimorando os seus sentidos e conectando os seus cérebros a computadores.

 

O Departamento de Defesa acabou de desclassificar um relatório de outubro que detalha os seus planos de “fusão humano/máquina”, revelando o seu plano de dar vida à tecnologia militar conhecida no campo da ficção científica. De acordo com o Army Times, o Pentágono considera que estes ciborgues chegarão aos campos de batalha em 2050.

O resumo executivo do relatório identifica quatro principais atualizações que se espera desenvolver nas próximas três décadas. Dois incluem melhorar a visão e a audição dos soldados. Os militares também querem fortalecer os soldados, equipando-os com novos dispositivos. De acordo com o relatório, todos “oferecerão o potencial de melhorar gradualmente o desempenho além da linha de base humana normal”.

Além disso, os militares propõem o  “aprimoramento neural direto do cérebro humano para transferência de dados bidirecional”. Noutras palavras, conectar as mentes dos soldados aos computadores para que os líderes militares possam transferir instantaneamente novas informações, mas também para permitir que soldados controlem veículos sem piloto com os seus pensamentos.

 
 

No entanto, as consequências previstas no relatório são preocupantes, de acordo com o Futurism. “A introdução de seres humanos aumentados na população em geral, o pessoal ativo do Departamento de Defesa e os concorrentes mais próximos acelerarão nos anos seguintes a 2050 e levarão a desequilíbrios, desigualdades e iniquidadesnas estruturas legais, de segurança e éticas.”

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/estados-unidos-querem-transformar-os-seus-soldados-guerreiros-ciborgues-294126

"A bomba atómica é imoral e criminosa"

As palavras embaraçosas do Papa Francisco, em Hiroshima

– Silêncio bipartidário sobre o Papa, tanto na Itlia como em Portugal

por Manlio Dinucci [*]

A nova ogiva nuclear B61-12 do arsenal estado-unidense. Silêncio tumular no arco institucional italiano, sempre loquaz sobre o Papa, quanto às palavras proferidas por Francisco, em 24 de Novembro, em Hiroshima e Nagasaki: "O uso da energia atómica para fins de guerra é hoje, mais do que nunca, um crime. É imoral a posse de armas atómicas ".

Palavras embaraçosas para os nossos máximos expoentes institucionais que, como os anteriores, são responsáveis pelo facto de a Itália, um país não nuclear, hospedar e estar preparada para usar armas nucleares americanas, violando o Tratado de Não Proliferação ao qual aderiu, que proíbe aos Estados militarmente não nucleares, receber armas nucleares e controlá-las directa ou indirectamente. Responsabilidade ainda mais grave porque a Itália, como membro da NATO, recusou-se a aderir ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, votado pela grande maioria da Assembleia-Geral da ONU: que obriga os Estados signatários a não produzir nem possuir armas nucleares, não usá-las ou ameaçar usá-las, não transferi-las ou recebê-las directa ou indirectamente, com o objectivo da sua eliminação total.

EMBARAÇOSA para os governantes, a pergunta que o Papa Francisco faz, de Hiroshima: "Como podemos falar sobre paz enquanto construímos novas e formidáveis armas de guerra?" Em Itália, o número de bombas nucleares estimado actualmente é da ordem dos 70, todas do modelo B61 , mas estão para ser instaladas no território italiano, as novas e mais mortíferas bombas nucleares USA B61-12 (número ainda desconhecido) no lugar das actuais B-61. A B61-12 possui uma ogiva nuclear com quatro opções de potência seleccionável: no momento do lançamento, é escolhida a potência de explosão, dependendo do alvo a atingir. Ao contrário da B61, lançada na vertical sobre o alvo, a B61-12 é lançada a distância e guiada por um sistema de satélite. Tem, também, a capacidade de penetrar no subsolo, mesmo através de betão armado, explodindo em profundidade para destruir os bunkers dos centros de comando e estruturas subterrâneas, de modo a "decapitar" o país inimigo, num 'first strike' nuclear.

IGUALMENTE EMBARAÇOSA é a outra pergunta do Papa: "Como podemos propor a paz se usamos continuamente a intimidação bélica nuclear como recurso legítimo para a resolução dos conflitos?" A Itália, como membro da NATO, apoiou a decisão de Trump de cancelar o Tratado INF que, assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan, havia permitido a eliminação de todos os mísseis nucleares de alcance intermédio com base no solo, distribuídos na Europa, incluindo aqueles instalados em Comiso. Os EUA estão a desenvolver novos mísseis nucleares de alcance intermédio, tanto de cruzeiro como balísticos (estes capazes de atingir alvos poucos minutos após o lançamento), a serem distribuídos na Europa, certamente também em Itália, contra a Rússia e na Ásia, contra a China. A Rússia advertiu que, se forem disseminados na Europa, apontará os seus mísseis nucleares para os territórios nos quais serão instaladas.

AS POTÊNCIAS NUCLEARES possuem um total de cerca de 15 mil ogivas nucleares. Mais de 90% pertencem aos Estados Unidos e à Rússia: cada um dos dois possui cerca de 7 mil. Os outros países que possuem ogivas nucleares são: França (300), China (270), Grã-Bretanha (215), Paquistão (120-130), Índia (110-120), Israel (80), Coreia do Norte (10-20). Cinco outros países – Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia – têm em conjunto, cerca de 150 ogivas nucleares americanas instaladas nos seus territórios. A corrida armamentista está a ocorrer agora, não em quantidade, mas em qualidade: ou seja, no tipo de plataformas de lançamento e nas capacidades ofensivas das ogivas nucleares.

Um submarino americano da classe Ohio é capaz de lançar, em menos de um minuto, 24 mísseis balísticos Trident armados com 120 a 190 ogivas nucleares, cujo poder explosivo é mais do que o dobro de todos os explosivos não nucleares usados na Segunda Guerra Mundial. O novo míssil balístico intercontinental russo, Sarmat, com um alcance de 18.000 km, é capaz de transportar de 10 a 16 ogivas nucleares que, ao reentrar na atmosfera em velocidade hipersónica (mais de 5 vezes a do som), manobram para escapar aos mísseis interceptores.

E quando o Papa Francisco afirma que o uso da energia nuclear para fins de guerra é "um crime não apenas contra o Homem e sua dignidade, mas contra qualquer possibilidade de futuro na nossa casa comum", que põe em perigo o futuro da Terra, aqui não devem calar-se os que estão empenhados na defesa do meio ambiente: porque a ameaça mais grave para o ambiente da vida no planeta é a guerra nuclear e é prioritário, o objectivo da eliminação completa das armas atómicas.

Falta ver até que ponto o aviso lançado pelo Papa Francisco, a partir de Hiroshima, é recebido na própria Igreja e entre os católicos em geral. Não é a primeira vez que ele lança este alerta, mas a sua voz, para usar uma frase do Evangelho, assemelha-se à de "alguém que grita no deserto". Neste ponto, surge espontaneamente uma proposta laica: Se falta a consciência, que se revele, ao menos, o instinto de sobrevivência.

26/Novembro/2019
Ver tambm:

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/crise/papa_francisco_26nov19.html

Conferência | Os novos desafios para a América Latina | Porto

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O Conselho Português para a Paz e Cooperação promove, no dia 16 de Dezembro às 18 horas, no Clube dos Fenianos Portuenses, uma conferência intitulada «Os novos desafios para a Paz na América Latina», onde estarão em debate os complexos obstáculos colocados aos povos da região que corajosamente se batem pelo progresso, a justiça social e a soberania.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2OX98ox

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/30/conferencia-os-novos-desafios-para-a-america-latina-porto/

Europa diz: Sim à Paz! Não à NATO!

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As organizações europeias membro do Conselho Mundial da Paz, de que o CPPC é coordenador, divulgaram um apelo em defesa da paz e contra a NATO e a sua cimeira de Londres.

Sim à Paz! Não à NATO!
Não à cimeira belicista de Londres

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) continuará a assinalar os seus 70 anos com uma cimeira de Chefes de Estado e Governo em Londres, de 3 a 4 de dezembro de 2019.

Durante 70 anos, a NATO tem sido a ferramenta militar agressiva número um do imperialismo. É a maior e mais perigosa organização militar do mundo. Apesar das rivalidades entre seus membros individuais e das contradições que surgem de tempos em tempos, ela permanece intrínseca e profundamente interligada com as políticas dos EUA e da UE, seu chamado “pilar europeu”.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2syJn6J

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/30/europa-diz-sim-a-paz-nao-a-nato/

Concerto pela Paz | Matosinhos | 2019

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O Concerto pela Paz, promovido pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), no dia 24 de novembro, com o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos, do Teatro Municipal Constantino Nery e das várias organizações e artistas que solidariamente aceitaram participar, esgotou a sala e foi um momento importante de proclamar a uma só voz “ Paz sim! Guerra Não!” e manifestar a solidariedade com povos em luta pelo seu direito soberano de escolher o seu caminho de progresso social e de paz.

Pelo palco passaram e brilharam muitos agrupamentos de Matosinhos – o grupo Jimi & The Carpets do rock alternativo. A a Academia de Dança de Matosinhos com o seu bailado “De Lugar Nenhum” a alertar os jovens para a maior crise humanitária desde a 2ª Guerra Mundial – a crise dos refugiados. O Ensemble de Sopros e Percussão da Escola de Música Óscar da Silva” e o Órfeão de Matosinhos, todos a darem um importante contributo para a promoção da paz, e a Banda de Matosinhos-Leça a encerrar de modo brilhante este primeiro Concerto pela Paz em Matosinhos que foi apresentado pela jovem Luísa Pina.

Na sua intervenção, Ilda Figueiredo, presidente da Direção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação, depois de agradecer a generosidade dos grupos e artistas que participaram e a colaboração e apoio da CM de Matosinhos, dos técnicos do Teatro Constantino Nery e de todos os amigos da paz que ali estavam presentes salientou a importância da defesa da paz, referiu-se ao apelo do Papa Francisco para a eliminação das armas nucleares e anunciou que o CPPC vai lançar nova petição para que Portugal assine e ratifique o Tratado de Proibição das Armas Nucleares (ver base da intervenção).

Por sua vez, a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos também agradeceu a organização e participação de todos no Concerto pela Paz, referiu-se à sua importância na promoção da paz e mostrou a disponibilidade do município no apoio a atividades no âmbito da cultura da paz e da educação para a paz.

No encerramento, Luisa Pina agradeceu e afirmou que pela Paz, todos não somos demais

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/33yhGHY

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/30/concerto-pela-paz-matosinhos-2019/

PAPA FRANCISCO, «A BOMBA ATÓMICA É IMORAL E CRIMINOSA»

 
 
 As palavras embaraçosas do Papa Francisco, a partir de Hiroshima: «A bomba atómica é imoral e criminosa».  Silêncio bipartidário sobre o Papa
Manlio Dinucci
 
Il papa in Giappone
 

Silêncio de tumba no arco institucional italiano, sempre loquaz sobre o Papa, sobre as palavras proferidas por Francisco, em 24 de Novembro, em Hiroshima e Nagasaki: “O uso da energia atómica para fins de guerra é hoje, mais do que nunca, um crime. É imoral a posse de armas atómicas ”.
Palavras embaraçosas para os nossos expoentes máximos institucionais que, como os anteriores, são responsáveis pelo facto de que a Itália, um país não nuclear, hospede e esteja preparada para usar armas nucleares americanas, violando o Tratado de Não Proliferação ao qual aderiu, que proíbe aos Estados militarmente não nucleares, receber armas nucleares e controlá-las directa ou indirectamente.
Responsabilidade ainda mais grave porque a Itália, como membro da NATO, recusou-se a aderir ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, votado pela grande maioria da Assembleia Geral da ONU: que obriga os Estados signatários a não produzir nem possuir armas nucleares, não usá-las ou ameaçar usá-las, não transferi-las ou recebê-las directa ou indirectamente, com o objectivo da sua eliminação total.
EMBARAÇOSA para os governantes, a pergunta que o Papa Francisco faz, de Hiroshima: “Como podemos falar sobre paz enquanto construímos novas e formidáveis armas de guerra?”
Em Itália, as bombas nucleares actualmente estimadas, são cerca de 70, todas do modelo B61, mas estão para ser instaladas no território italiano, as novas e mais mortíferas bombas nucleares USA B61-12 (número ainda desconhecido) no lugar das actuais B-61. A B61-12 possui uma ogiva nuclear com quatro opções de potência seleccionável: no momento do lançamento, é escolhida a potência de explosão, dependendo do alvo a atingir. Ao contrário da B61, lançada na vertical sobre o alvo, a B61-12 é lançada a distância e guiada por um sistema de satélite. Tem, também, a capacidade de penetrar no subsolo, mesmo através de betão armado, explodindo em profundidade para destruir os bunkers dos centros de comando e estruturas subterrâneas, de modo a “decapitar” o país inimigo, num ‘first strike’ nuclear.
IGUALMENTE EMBARAÇOSA é a outra pergunta do Papa: “Como podemos propor a paz se usamos continuamente a intimidação bélica nuclear como recurso legítimo para a resolução dos conflitos?” A Itália, como membro da NATO, apoiou a decisão de Trump de cancelar o Tratado INF que, assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan, tinha permitido a eliminação de todos os mísseis nucleares de alcance intermédio com base no solo, distribuidos na Europa, incluindo aqueles instalados em Comiso. Os USA estão a desenvolver novos mísseis nucleares de alcance intermédio, tanto de cruzeiro como balísticos (estes capazes de atingir alvos poucos minutos após o lançamento), a serem distribuídos na Europa, certamente também em Itália, contra a Rússia e na Ásia, contra a China. A Rússia advertiu que, se forem disseminados na Europa, apontará os seus mísseis nucleares para os territórios nos quais serão instaladas.
AS POTÊNCIAS NUCLEARES possuem um total de cerca de 15.000 ogivas nucleares. Mais de 90% pertencem aos Estados Unidos e à Rússia: cada um dos dois países possui cerca de 7 mil. Os outros países que possuem ogivas nucleares são: França (300), China (270), Grã-Bretanha (215), Paquistão (120-130), Índia (110-120), Israel (80), Coreia do Norte (10- 20). Cinco outros países - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia - têm em conjunto, cerca de 150 ogivas nucleares americanas instaladas nos seus territórios.
A corrida armamentista está a ocorrer agora, não em quantidade, mas em qualidade: ou seja, no tipo de plataformas de lançamento e nas capacidades ofensivas das ogivas nucleares.
E QUANDO o Papa Francisco afirma que o uso da energia nuclear para fins de guerra é “um crime não apenas contra o Homem e sua dignidade, mas contra qualquer possibilidade de futuro na nossa casa comum”, que põe em perigo o futuro da Terra, aqui não devem calar-se os que estão empenhados na defesa do meio ambiente: porque a ameaça mais grave para o ambiente da vida no planeta é a guerra nuclear e é prioritário, o objectivo da eliminação completa das armas atómicas. Será agora recebida a advertência do Papa Francisco, na Igreja e entre os católicos – que, no Japão, estão na primeira fila contra qualquer rearmamento e reforma da Constituição da Paz?
il manifesto, 26 de Novembro de 2019
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Conselho Mundial da Paz debate situação internacional e plano de ação

A capital da República Democrática Popular do Laos, Vienciane, recebeu delegados de entidades de diversos países para as reuniões do Secretariado e da Região Ásia-Pacífico do Conselho Mundial da Paz (CMP), entre 24 e 26 de novembro.

 

 

Os membros discutiram a conjuntura internacional e o plano de ação do CMP, visitaram locais dedicados às vítimas da guerra contrarrevolucionária protagonizada pelos EUA, que fez do Laos o segundo país mais bombardeado na História, e encontraram-se com representantes laocianos. Documentos da reunião serão divulgados em breve, mas o discurso da Presidenta do CMP, Socorro Gomes, já está disponível, a seguir.

Discurso da Presidenta do CMP, Socorro Gomes

 

Queridos companheiros e companheiras do Secretariado do Conselho Mundial da Paz,

Estimados amigos do Comitê Laociano de Paz e Solidariedade, que de forma tão hospitaleira, pelo que muito agradecemos, nos recebem em Vienciane, nos dando a oportunidade de acompanhar a Reunião da Região Ásia-Pacífico do CMP e conhecer de perto a luta do povo laociano;

É um grande desafio, mas também uma grande inspiração estarmos aqui reunidos, na atual conjuntura. Vemos sinais claros da força da resistência popular em diversas regiões do mundo diante das gravíssimas ameaças que o imperialismo e seus aliados seguem impondo.

Neste ponto, introduzimos o que temos discutido, defendido o rechaçado com diversas ações realizadas em todo o mundo, em constante mobilização, como deverão abordar o camarada Thanassis Pafilis, nosso secretário-geral, os coordenadores regionais da nossa organização e os membros nacionais. Assim, faremos uma avaliação geral do estado da nossa luta e dos nossos desafios, para identificar nossos objetivos, o que inclui, hoje, em termos de organização, a discussão preliminar da próxima Assembleia Mundial da Paz.

Companheiros, sabemos da urgência e a importância estratégica da ampliação da nossa frente de luta contra o imperialismo. Começo por este apelo, repetido sempre por cada um e uma de nós, porque nossos obstáculos e desafios são realmente cada vez mais graves.

As lutas dos povos de todo o mundo confluem para os principais eixos das nossas denúncias, como a falência de um sistema internacional dominado, hegemonizado e subjugado pelo imperialismo estadunidense, pelo império da guerra e o da exploração e a opressão.

Observamos a cada dia que o direito internacional, os princípios da Carta das Nações Unidas e as próprias instituições internacionais que se apresentam como promotoras da democracia e da justiça social são os primeiros manipulados, distorcidos pelo império quando não lhe interessam, ou não basta a ameaça generalizada de uso da força, a agressão e a guerra. Por isso, seguimos comprometidos com aqueles princípios, instrumentos dos povos e nações em luta pela libertação e defesa de suas soberanias, e cuja manipulação pelos Estados Unidos, a União Europeia e seus aliados mais virulentos, como Israel, não admitimos.

Observamos o que ocorre na região e no país que temos a grande oportunidade de visitar. Os companheiros laocianos contam-nos que os efeitos da guerra estadunidense contra o Laos foram graves e ainda se manifestam. A guerra dos Estados Unidos de 1964 a 1973 foi uma agressiva ingerência, em forma de ofensiva militar criminosa, no processo revolucionário do país —que, graças à valentia dos laocianos, sua liderança e a solidariedade internacional, se consolidou vitoriosamente no estabelecimento da República Popular Democrática do Laos. Como sempre, os EUA tinham seus planos e apoiavam as forças contrarrevolucionárias. Estima-se que na chamada Segunda Guerra na Indochina foram lançados aproximadamente três milhões de toneladas de explosivos, em 580 mil missões de bombardeios sobre o Laos, o segundo país mais bombardeado do mundo. Um recorde hediondo! Estima-se que mais de um terço das bombas não explodiu; com o fim da guerra, os artefatos seguiram vitimando o povo: 20 mil pessoas morreram ou ficaram feridas, sofrendo consequências até hoje.

Assim se demonstra a realidade das políticas imperialistas, que mudam de forma, mas não de conteúdo ou objetivo, segundo a conjuntura. Os Estados Unidos e seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), nestas e tantas outras ocasiões, como nas guerras contra o Vietnã, a ex-Iugoslávia, o Iraque, Afeganistão e tantos outros, mostram que são criminosos de guerra, perpetrando os mais hediondos crimes contra a humanidade.

É o que continuam sendo mesmo quando não estão lançando bombas, mas impondo sanções, bloqueio e cerco, ou apoiando diretamente os seus aliados, que sim fazem o serviço sujo, como Israel, Arábia Saudita e os golpistas e fascistas que proliferam por toda parte.

Na Ásia, acompanhamos atentos a ingerência em situações como as de Hong Kong, o Mar do Sul da China e a Península Coreana. Com manobras de guerra, alianças ofensivas ou respaldo a protestos duvidosos, os EUA e seus aliados continuam impondo seus planos. Há muito se denuncia o chamado Pivô para a Ásia desvelado no Governo de Barack Obama, mas são graves também as investidas de Donald Trump, agora apresentadas na forma de uma “guerra comercial” contra a China, e a militarização.

Como apontou a Reunião Regional de 2018 no Nepal, há significativa ingerência e cada vez mais tropas e numerosas bases militares estadunidenses na Ásia-Pacífico, também a segunda região com maior número de armas nucleares ativas. Tudo isso exacerba conflitos que poderiam ser resolvidos pacífica e soberanamente entre vizinhos que têm desafios graves em comum a solucionar, como a agudização do fundamentalismo religioso, o terrorismo, a pobreza, as endemias e tantos outros, que são interligados e demandam paz e estabilidades para serem solucionados.

Na América Latina e Caribe, os povos também enfrentam uma situação gravíssima de crescentes ataques à soberania de seus países. Quando muitos já haviam decretado o fim do progresso histórico rumo à emancipação, a justiça social e a integração soberana e solidária, vemos sinais e fatos concretos que nos inspiram a rebelar-nos contra o avanço neoliberal, conservador, reacionário e até protofascista que se apresenta em vários países, obstáculos ao progresso histórico. Um avanço que sempre conta com o respaldo do imperialismo estadunidense.

Na região, os povos lutam, com seus votos e nas ruas, contra o neoliberalismo, pela democracia, a soberania nacional e a justiça social na Argentina e no México, onde as forças democráticas venceram as eleições presidenciais, no Chile, Equador e Bolívia, onde as massas, nas ruas, levantam-se em rebeliões populares. A luta avança também com a bravíssima resistência da Revolução Bolivariana na Venezuela contra os golpistas ou as ameaças de agressão. Uma das prioridades da nossa luta continua sendo o apoio irredutível ao povo venezuelano, vitimado por um cerco criminoso que já tanto custou à nação. Denunciamos as manobras dos Estados Unidos e seus fantoches no chamado Grupo de Lima e na Organização de Estados Americanos, seu “ministério das colônias”.

Saudamos as vitórias da Revolução Cubana, em seus gloriosos 60 anos de construção do socialismo apesar do bloqueio criminoso dos EUA, bloqueio que se intensifica, com a ativação dos capítulos terceiro e quarto da Lei Helms-Burton, com o fim de estrangular o povo cubano, buscando destruir sua determinação de seguir defendendo sua soberania e consolidando sua revolução.

Também devemos denunciar a gravidade do mais recente golpe de Estado na região, na Bolívia, novamente para derrubar um governo legítimo, eleito pelo povo. As forças golpistas, racistas e fascistas, promovem, além da violação da Constituição, atos de violência de rua horrendos pela brutalidade cometida contra apoiadores do Governo legítimo do presidente Evo Morales. Saudamos o povo boliviano que sai às ruas, em protestos massivos, para contestar o golpe. Não se renderão!

Se antes os EUA realizavam intervenções diretas, com “coturnos no terreno”, como fizeram na Nicarágua, para buscar render o povo que os enfrentava, ou menos diretas, com o respaldo aos golpes militares sangrentos de que tantos povos vítimas, mas sobreviveram, agora esses métodos somam-se a outros, também devastadores, pela amplitude e a profundidade dos efeitos de suas guerras de nova geração, usando os meios de comunicação, redes sociais e todo tipo de apoios a grupos mais que suspeitos nos distintos países.

Amigas e amigos, os povos seguem mobilizados em todas as partes do mundo, quando as condições se mostram difíceis, quando as forças antidemocráticas, aliadas ao imperialismo estadunidense, tanto fazem para nos derrubar e acabar com a confiança popular de que é possível derrotar esse sistema de exploração, dominação e opressão.

Mas nós temos razões para confiar na luta dos povos. Prova disto é a resistência cotidiana, heroica e persistente do bravo povo palestino sob a sangrenta, criminosa e colonial ocupação militar israelense, cujos líderes seguem impunes por hediondos crimes contra a humanidade; também é prova disto a resiliência e a resistência do martirizado povo saaráui, nos campos de refugiados, em duras condições no deserto, ou sob a brutal ocupação militar marroquina, enquanto demandam a concretização da promessa de descolonização; também é prova a luta dos porto-riquenhos por sua libertação da colonização estadunidense; dos japoneses por expulsar de seu país as agressivas e numerosas bases militares dos Estados Unidos; da Coreia Popular, por seguir comprometida com a diplomacia, a paz e a estabilização da Península, pela reunificação com sua outra metade, enquanto respondem às provocações imperialistas; os sírios, que seguem também em gloriosa resistência à agressão dos EUA ou de vizinhos como a Turquia e a Arábia Saudita, enfrentando o terrorismo de grupos armados por eles e as invasões, enquanto o governo do país e seu povo seguem determinados a recuperar todo o seu território e a defender a soberania de sua nação; entre muitos outros.

Nestas batalhas se forja a unidade entre os povos, na solidariedade internacionalista, e a consciência de que é possível derrotar o sistema de dominação sob a ordem estadunidense.

Neste sentido se pronunciou em Baku, Azerbaijão, a 18ª Cúpula do Movimento dos Não-Alinhados, nascido do compromisso com a libertação dos povos. A Declaração de Baku recobra a importância da luta contra o colonialismo, o neocolonialismo, o racismo, todas as formas de intervenção estrangeira, agressão, ocupação estrangeira, dominação ou hegemonia, além da intenção do Movimento “de se tornar um fator de equilíbrio nas relações internacionais, fora das alianças militares dos centros de poder, que seguem sendo expressões concretas da política de não-alinhamento.”

O Conselho Mundial da Paz participou, enviando uma delegação. Escutamos então dos líderes das nações presentes seu compromisso com os princípios de Bandung e a Declaração de Objetivos e Princípios do Movimento na presente conjuntura, de “alcançar um mundo de paz, igualdade, cooperação e bem-estar para todos.” Fizemos nossa denúncia dos efeitos do imperialismo e o neoliberalismo sobre s povos e reforçamos nossa própria determinação na resistência.

Reforçamos a denúncia do desprezo total dos Estados Unidos pelo direito internacional e o direito dos povos à autodeterminação, inclusive para decidir sobre seus sistemas políticos. Denunciamos a manipulação imperialista da bandeira dos direitos humanos como instrumento para justificar a ingerência e a agressão; e o desprezo pelo multilateralismo.

A militarização do planeta segue a ritmo acelerado, trazendo sofrimento inaudito aos povos e determinando um rumo em direção a uma guerra de consequências imprevistas, que poderia até mesmo colocar em xeque a sobrevivência da humanidade.

Não há exagero no alerta quando notamos as quase mil bases militares dos EUA e da OTAN por todo o planeta, as frotas navais dos Estados Unidos dispersas por todos os oceanos, os exercícios de guerra, a disseminação de armas nucleares, ainda que se diga que o número de ogivas diminui enquanto são “modernizadas”, para alcançar mais distante e causar mais, ou menos, danos, segundo a intenção, banalizando seu emprego; os gastos militares que já somavam 1,8 trilhão de dólares em 2018, ou seja, 2,1% do PIB mundial, segundo o Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa de Paz (SIPRI). Isto é uma afronta inaceitável a tudo o que os povos aspiram.

Companheiros e companheiras, neste ano, o CMP cumpre 70 anos de luta; devemos alçar sempre mais alto nossas bandeiras de resistência à opressão e à exploração, às ameaças à soberania das nações e à guerra. Para impor seus desígnios, saquear os recursos dos povos, controlar rotas estratégicas e subjugar as nações à sua agenda de dominação completa, os EUA e seus aliados na OTAN não medem consequências. As vítimas são os povos e seus anseios.

Sabemos que juntas e juntos podemos derrotar o imperialismo e construir um mundo de justiça social e paz, de solidariedade e cooperação. Os poderosos também sabem, por isso reagem da única forma que podem, com violência, agressão e guerra.

Fazemos sempre reiterados apelos pela ampliação da nossa frente de luta e buscamos avançar com medidas concretas, mas, como sabemos, é preciso reforçar esse empenho, começando pelo reforço da nossa própria unidade, através do nosso trabalho e inteligência coletivos. O estado do mundo é cada vez mais grave e, por isso, a luta, que se faz todo dia, que segue viva, é cada vez mais difícil. Por isso mesmo, é preciso reforçar a estratégia, e sabemos como.

Fim às guerras imperialistas!
Pela Justiça, a Paz e a Solidariedade entre os povos!
Seguimos em luta!
Viva o Conselho Mundial da Paz!

 

 
 
 

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Cebrapaz) / Tornado

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/conselho-mundial-da-paz-debate-situacao-internacional-e-plano-de-acao/

A NATO é «a mais séria ameaça à paz e à segurança no mundo»

Denunciando a cimeira da NATO em Londres, onde «se assinalará, uma vez mais, os 70 anos da criação desde bloco político-militar belicista», realizam-se em Lisboa e no Porto acções públicas em defesa da paz.

Soldados georgianos em partida para o Afeganistão, ao serviço da NATO.Créditos / NewEurope

Sob o lema «Sim à Paz! Não à NATO!», foram agendadas acções públicas em Lisboa, dia 3 de Dezembro, e no Porto, no dia seguinte, ambas às 18h, com o intuito de denunciar a «vocação agressiva» da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO), reclamar a sua dissolução e exigir ao Governo português que, no respeito pela Constituição da República, rejeite «o militarismo, a corrida aos armamentos e a guerra».

As organizações promotoras destas acções de protesto subscrevem um manifesto a que se pode aceder, nomeadamente, na página do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e no qual se afirma que, à semelhança de cimeiras anteriores, na de Londres, a realizar dias 3 e 4 de Dezembro, se voltará a falar «muito em "paz" e "segurança"»; no entanto, as decisões ali tomadas «apontarão para o aumento das despesas militares, para novos e mais sofisticados armamentos, para o militarismo e a guerra», alertam.

«Ao longo das décadas, a NATO protagonizou e apoiou golpes de Estado, guerras de agressão e ocupações militares», denuncia-se no documento, em que se lembra que a chamada Aliança Atlântica não possui «um carácter "defensivo"», sendo antes «um bloco político-militar com vocação agressiva», que constitui «a mais séria ameaça à paz e à segurança no mundo».

Portugal deve estar do lado da paz e do desarmamento

As organizações signatárias entendem que Portugal deve rejeitar o militarismo e a guerra, «incluindo a participação de forças portuguesas na agressão contra outros povos» e, nesse sentido, exigem ao Governo que «pugne pela independência nacional, a solução pacífica dos conflitos internacionais, a não ingerência nos assuntos internos dos outros estados, a cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade».

O Executivo português deverá ainda «preconizar a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos», assinalam os organismos promotores da iniciativa, para os quais o Governo também deverá defender «o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos».

Sublinhando a importância da defesa dos princípios «inscritos na Carta das Nações Unidas e no artigo 7.º da Constituição da República Portuguesa – da soberania, da paz, da cooperação –, as organizações promotoras exigem, entre outros aspectos, a dissolução da NATO e o fim das guerras de agressão que o bloco político-militar e os seus estados-membros promovem; a abolição das armas nucleares e de outras armas de destruição massiva, bem como a assinatura e ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares por parte das autoridades portuguesas.

Defendem igualmente a rejeição da militarização do espaço; a reversão do processo de militarização da União Europeia; o fim da corrida aos armamentos e a utilização das verbas para a resolução dos problemas que afligem os povos.

Entre as organizações subscritoras contam-se, entre outras: Associação Intervenção Democrática, Associação Iúri Gagárin, Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa, CESP, CGTP-IN, CPPC, Ecolojovem – «Os Verdes», Frente Anti-Racista; Fundação José Saramago, Juventude Comunista Portuguesa, MPPM, MURPI e STML.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/nato-e-mais-seria-ameaca-paz-e-seguranca-no-mundo

Sim à Paz! Não à NATO! Não à cimeira belicista da NATO em Londres

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte – NATO – realiza uma cimeira nos dias 3 e 4 de Dezembro, em Londres, onde se assinalará, uma vez mais, os 70 anos da criação desde bloco político-militar belicista.

À semelhança de cimeiras anteriores, falar-se-á muito em «paz» e «segurança», mas as decisões que serão tomadas apontarão para o aumento das despesas militares, para novos e mais sofisticados armamentos, para o militarismo e a guerra.

Recorde-se que desde a sua formação em 1949, que incluiu Portugal, na altura sob uma ditadura fascista, a NATO é um instrumento ao serviço da política externa dos Estados Unidos da América e do seu complexo militar-industrial.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2QVTP26

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/26/sim-a-paz-nao-a-nato-nao-a-cimeira-belicista-da-nato-em-londres/

Despesa militar e taxa de lucro

Resenha de The Economics of Military Spending, A Marxist Perspective , de Adem Yavuz Elveren, Routledge, 2019

por Michael Roberts [*]

O Instituto Watson para Assuntos Públicos e Internacionais, da Universidade Brown, publicou na semana passada o seu relatório anual "Costs of War" . Este refere-se aos custos de guerra apenas para os EUA. O relatório leva em consideração os gastos do Pentágono e sua conta Overseas Contingency Operations, bem como "gastos relacionados à guerra pelo Departamento de Estado, gastos passados e obrigatórios para cuidar dos veteranos de guerra, juros sobre a dívida contraída para pagar guerras e prevenção e resposta ao terrorismo pelo Departamento de Segurança Interna". A contagem final revelou: "Os Estados Unidos apropriaram-se e são obrigados a gastar cerca de US$5,9 milhões de milhões (em dólares actuais) na guerra ao terror ao longo do ano fiscal de 2019, incluindo guerra directa e gastos e obrigações futuras de gastos com veteranos de guerra após o 11 de Setembro".

O relatório constatou que "as forças armadas dos EUA efectuam actividades anti-terroristas em 76 países, ou cerca de 39% das nações do mundo, expandindo amplamente [sua missão] por todo o globo". Além disso, estas operações "foram acompanhadas por violações dos direitos humanos e liberdades civis, nos EUA e no exterior. " Na generalidade, os investigadores estimaram que "entre 480 mil e 507 mil pessoas foram mortas nas guerras dos Estados Unidos após o 11 de Setembro no Iraque, Afeganistão e Paquistão. Este "número de mortos "não inclui as mais de 500 mil mortes da guerra na Síria, que a devasta desde 2011", quando um levantamento jihadista apoiado pelo Ocidente desafiou o governo, um aliado da Rússia e do Irão. Naquele mesmo ano, a aliança militar ocidental da NATO liderada pelos EUA interveio na Líbia e ajudou os insurgentes a derrubarem o antigo líder Muammar el-Kadafi, deixando a nação num estado de guerra civil contínua.

 

Desde o fim da segunda guerra mundial tem havido alguma espécie de guerra em curso, ou entre potências regionais ou como guerras por procuração apoiadas por potências imperialistas. Os custos monetários da guerra são enormes, como mostra o Instituto Watson Brown, ao passo que os custos humanos da guerra são incalculáveis – não apenas os mortos e feridos, mas também com a destruição de casas, meios de subsistência, privações e doenças e os horrores da migração. As guerras são um flagelo para a humanidade.

Mas são elas benéficas para a economia capitalista? Esta é uma outra questão. Muitas vezes, as guerras são vistas como necessárias por governos e políticos a fim de preservar o controle do poder capitalista sobre recursos, terras, lucros etc. E sempre são retratadas pelos governos belicistas como necessárias para "salvar a nação" ou "defender nosso modo de vida". Mas será que as guerras e os gastos militares que as acompanham são um custo necessário a deduzir dos lucros do capital ou, em alternativa, uma promoção adicional para ganhar dinheiro? Esta questão tem sido discutida e analisada nos últimos 150 anos por estrategas capitalistas e teóricos marxistas desde Engels até Lenine e Luxemburgo e até o século XX.

Entretanto, os custos dos gastos militares têm diminuído para a maioria dos governos capitalistas desde o final da chamada "guerra-fria" com a União Soviética. Assim, o interesse em saber se os gastos com armas e as guerras são benéficos ou prejudiciais ao capitalismo também diminuiu. Uma perspectiva marxista sobre a teoria económica dos gastos militares tem sido muito negligenciada – até agora.

Adem Yavuz Elveren, professor associado da Universidade Estadual de Fitchburg, nos EUA, agora rectificou essa omissão com seu novo livro, simplesmente intitulado The Economics of Military Spending (A teoria económica dos gastos militares). Como um pioneiro anterior em tais análises, Ron Smith, da Universidade Birkbeck, afirma no seu prefácio, Elveren "examina a interacção das despesas militares e a taxa de lucro e a sua contribuição para as crises capitalistas. Ele não só redirecciona a atenção para uma literatura antiga cada vez mais relevante, como também faz uma contribuição teórica e empírica original para a análise". O livro combina análise teórica com investigações econométricas detalhadas para 30 países ao longo dos últimos 60 anos.

Na minha opinião, a abordagem de Elveren está no caminho certo para fazer economia política ou ciência social marxista. A análise económica convencional está encaixada em modelos de micro-fundações ou gera estudos puramente econométricos baseados em suposições irrealistas – ou ambas. E, infelizmente, a maior parte das análises económicas marxistas atem-se à dissecação do significado dos escritos de Marx tal como desenterrados e traduzidos do MEGA ou com argumentos académicos esotéricos acerca da "lógica do capital". Apesar de a teoria ser importante, ela deve ser testada por evidências empíricas ou será inútil . E muito pouco da análise marxista do capitalismo faz isso. Por exemplo, não estou convencido do argumento de que, como há crises regulares e recorrentes na produção capitalista, isso prova que o capitalismo é um sistema falhado. E isso é tudo o que precisamos saber. Não precisamos produzir dados empíricos para mostrar isso. Mas, certamente, a evidência empírica é essencial; caso contrário, não podemos mostrar as causas dessas crises regulares e, além disso, se a própria explicação de Marx (pois há outras) é a mais convincente.

Não se pode acusar o livro de Elveren de deixar de fornecer uma explicação teórica e empírica quanto ao papel dos gastos militares no capitalismo. Elveren parte correctamente da afirmação básica de Marx de que "a força motriz do capitalismo é o lucro". E, assim, o livro "posiciona-se na confluência da teoria económica da defesa e da teoria económica marxista, examinando o efeito do gasto militar (military expenditure, milex) sobre a taxa de lucro", um indicador da saúde de uma economia capitalista".

A partir desta perspectiva, Elveren leva o leitor através de uma breve história de gastos militares e seus efeitos económicos aparentes. Em seguida, ele considera vários modelos de crescimento económico que conectam os gastos militares. Ele trata da teoria do "keynesianismo militar", popularmente apresentada como uma explicação para o rápido crescimento e o pleno emprego no período pós-guerra, a chamada era de ouro do capitalismo do século XX. E então entra na essência da discussão, analisando as várias versões da teoria das crises capitalistas apresentadas sob a bandeira marxista.

Os capítulos 4 e 5 são excelentes investigações de várias teorias marxistas das crises desde o subconsumo, a redução do lucro e a lei de Marx da tendência da queda da taxa de lucro. Ele habilmente lida com a visão de Luxemburgo sobre o imperialismo e os gastos militares, bem como a tese de Baran-Sweezy sobre gastos militares compensando um capitalismo monopolista estagnado – e a chamada ideia de economia de 'armas permanentes' promovida por Michael Kidron no período pós-guerra, de que o capitalismo pode evitar crises através do milex. Se o leitor quiser adquirir conhecimento de todas estas teorias de milex e de crises sem palavreado e confusão, ele ou ela não podem fazer nada melhor do que ler Elveren.

Tenho algumas ressalvas. Elveren parece aceitar a visão revisionista de Michael Heinrich de que Marx abandonou sua lei da queda tendencial da taxa de lucro a partir da década de 1870 em diante. Heinrich argumenta que a lei é errada e irrelevante para entender a causa das crises. Discordo e pode ler mais sobre este debate aqui . Mas a visão de Elveren é que "o argumento de Heinrich parece plausível"; que Marx abandonou a ideia de que a taxa de lucro deve cair ao longo do tempo (nomeadamente que a lei é uma tendência que acabará por superar contra-tendências). Em vez disso, a queda na taxa de lucro se torna puramente contingente e, portanto, se ela cai é apenas "uma questão empírica".

Embora eu discorde desta conclusão, porque Elveren vê a lei como uma questão empírica, ele pode contribuir para a sua análise empírica (ao contrário de Heinrich e outros). Elveren tem pleno conhecimento de todo o trabalho empírico feito anteriormente sobre a medição da taxa de lucro nos EUA e alhures e é com base nisso que ele analisa se o milex tenderá a aumentar ou reduzir a taxa de lucro e como isso afecta a economia capitalista no curto e no longo prazo.

A questão teórica em debate na economia política marxista é se a produção de armas é produtiva de valor. A resposta é que ela deve ser para os produtores de armas. Os fornecedores de armas entregam bens (armas) que são pagas pelo governo através da apropriação de valor (presente ou futuro). Estes bens são novos valores de uso que foram fabricados sob condições capitalistas de produção. O trabalho que os produz, portanto, é produtivo de valor e de mais-valia.

Mas, ao nível de toda a economia, a produção de armas é improdutiva de valor futuro , do mesmo modo como os "bens de luxo" apenas para o consumo capitalista. A produção de armas e de bens de luxo não retornam ao próximo processo de produção como meio de produção ou como meio de subsistência para a classe trabalhadora. Apesar de ser produtiva de mais-valia para os capitalistas das armas, a produção de armamento não é reprodutiva e, portanto, ameaça a reprodução do capital. A produção de armas restringe o volume de valores de uso que podem ser empregados para fins reprodutivos. Assim, se o aumento na produção geral de valor excedente numa economia desacelerar e a lucratividade do capital produtivo começar a cair, reduzir a mais-valia disponível para investimentos futuros através do milex pode prejudicar a saúde do processo de acumulação capitalista.

Mas o resultado depende do efeito sobre a lucratividade do capital. O sector militar geralmente tem uma composição orgânica do capital mais elevada que a média de uma economia pois incorpora tecnologias de ponta. Assim, o sector tenderia a reduzir a taxa média de lucro. Por outro lado, se os impostos arrecadados pelo Estado para pagar pela fabricação de armas forem altos, a riqueza que de outra forma seria destinada ao trabalho é distribuída ao capital e, portanto, pode acrescentar-se ao valor excedente disponível. Para que lado vai ela?

Para ajudar a responder a esta pergunta, Elveren oferece ao leitor um modelo de circuito do capital que inclui o sector militar com base no modelo desenvolvido por Duncan Foley. Mas a pergunta só pode ser respondida empiricamente. E é o que Elveren faz na parte final de seu livro. Ele realiza um estudo empírico detalhado para medir o impacto do milex contra o movimento na taxa de lucro sobre o capital na maior parte das economias capitalistas. Trata-se de um estudo muito mais extenso do que qualquer outro anterior. Elveren utiliza as Extended Penn World Tables (Tabelas Mundiais da Penn Ampliadas) e as Tabelas Mundiais da Penn para seus dados entre países, como eu fiz para medir uma taxa de lucro mundial e taxas de lucro em países individuais . Como ele destaca, e como sei demasiado bem, existem muitos problemas técnicos com esses bancos de dados e com as definições e suposições utilizadas. Mas é o melhor que temos.

Usando suas qualificações econométricas, Elveren mostra que, na generalidade (de 1963 a 2008), o milex teve um efeito positivo nas taxas de lucro nos países capitalistas, mas teve um efeito negativo num período de tempo mais curto – o chamado período neoliberal a partir de 1980. Parece que o milex ajudou a sustentar a lucratividade durante a grande crise de rentabilidade que começou em meados da década de 1960 até o início da década de 1980, mas depois disso, a milex agiu contra a lucratividade geral num período em que as taxas de lucro estavam em ascensão.

Elveren apresenta uma tentativa de explicação: "Isto pode ser devido à mudança na estrutura das principais economias da era neoliberal. Com a ascensão do sector financeiro e da classe rentista, a crescente parcela dos lucros auferidos pelas empresas começou a ser usada para pagamentos de juros, dividendos e outras despesas improdutivas, fazendo com que uma fracção menor de lucro fosse investida em stock de capital". Esta explicação pode ser demasiado simples, tendo em mente o trabalho de Campbell, Bakir e meu próprio – ver meu post recente .

Mas de qualquer forma, parece que os sectores produtivos das economias capitalistas tinham valor excedente insuficiente para investir ao ritmo anterior, à medida que os capitalistas mudavam para a especulação financeira onde a lucratividade era mais alta. Os gastos militares tornaram-se então mais um ponto negativo. O milex pode ter tido um efeito levemente positivo nas taxas de lucro nos países exportadores de armas, mas não nos importadores das mesmas. Nestes últimos, o milex constituiu uma dedução dos lucros disponíveis para o investimento produtivo.

Durante o período 1963-2008, Elveren descobre que o milex, como um estimulante para a acumulação de capital (com sua tecnologia de alto nível), foi levemente positivo nos EUA, mas em outros países importantes teve um efeito negativo, especialmente naqueles países que importavam suas armas. Em todos os países, o milex foi prejudicial para o emprego como um todo, pois o sector de armas utilizava em média menos mão-de-obra. Assim, o milex pode por vezes ajudar a taxa de lucro do capital, mas o lado inverso é que o milex aumentará o "exército de reserva do trabalho". E, como acrescenta Elveren, "o efeito do milex pode mudar em diferentes níveis da taxa de lucro".

Assim, o trabalho empírico de Elveren parece corroborar a visão marxista do papel dos gastos militares numa economia capitalista. Pode agir para reduzir a taxa de lucro do capital e, portanto, sobre o crescimento económico, como ocorreu no período neoliberal, quando o investimento e o crescimento económico diminuíram. Mas também pode ajudar a promover a taxa de lucro através da redistribuição de valor do Estado do trabalho para o capital, quando o trabalho é forçado a pagar mais em impostos, ou o estado toma mais empréstimos, a fim de promover o investimento e a produção no sector militar.

 

No esquema de coisas mais vasto, o milex não é decisivo para a saúde da economia capitalista. No auge, sua participação no PIB atingiu uma média de 13%. Mas isso foi devido à guerra da Coreia. Mesmo durante o período da Guerra-fria, essa participação caiu para a metade, para cerca de 6% do PIB. Com o colapso da União Soviética, os gastos militares nas principais potências imperialistas voltaram a cair para 3%. A Milex não vai decidir o futuro do capital, de um modo ou de outro. Mas, graças ao trabalho de Elveren, temos uma imagem muito mais clara da economia da guerra e dos gastos militares sob os horrores de seus resultados.

18/Novembro/2019

Esta resenha encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/crise/roberts_18nov19.html

Militares russos realizarão inspeção em Portugal

Militares portugueses monitorando o território no Iraque
© AFP 2019 / Ahmad Al-Rubaye

Um grupo de inspetores russos realizará uma inspeção em uma região de Portugal de acordo com o Documento de Viena de 2011 sobre medidas destinadas a promover a confiança e a segurança.

Segundo informou o jornal russo Krasnaya Zvezda, citando o chefe do Centro Nacional para a Redução da Ameaça Nuclear do Ministério da Defesa da Rússia, Sergei Ryzhkov, a inspeção será realizada em Portugal de 25 a 29 de novembro.

Segundo o chefe do Centro, a área de inspeção abrange cerca de 16.000 quilômetros quadrados. Os inspetores visitarão centros de ensino militar e polígonos, receberão informação sobre as unidades militares da região.

O Documento de Viena de 2011, assinado entre os países da OSCE, prevê uma vasta troca de informação sobre as forças militares, o planejamento de defesa e orçamentos militares. Os países-membros da OSCE também trocam informação sobre vários tipos de atividade militar, convidam observadores e realizam inspeções.

O documento é destinado a aumentar a confiança e a segurança entre os membros da OSCE, que inclui 57 países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019112514817209-militares-russos-realizarao-inspecao-em-portugal/

O Papa pelo desarmamento

O papa Francisco visitou domingo (24) a cidade de Nagasaki, no Japão, e discursou pedindo a abolição das armas nucleares, que chamou de “um atentado contínuo que brada aos céus”.
Drigiu-se, a seguir, a Hiroshima. É a primeira vez em quase 40 anos em que um pontífice visita o Japão e as duas cidades atingidas por bombas atómicas.
O papa Francisco, de 82 anos de idade, chegou a Nagasaki na manhã de hoje defendendo firmemente o desarmamento nuclear.
O pontífice visitou um parque localizado no ponto zero da explosão da bomba atómica despejada sobre a cidade por forças americanas há 74 anos. O ataque a Nagasaki em 9 de agosto de 1945 matou cerca de 70 mil pessoas.
 

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2XHNp89

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/24/o-papa-pelo-desarmamento/

'Pior pesadelo para EUA': analista explica por que Rússia e China assustam Washington

Mídia dos EUA advertiu sobre a vulnerabilidade das bases dos EUA perante possíveis ataques por parte da Rússia e China.

A revista Foreign Policy publicou há poucos dias um artigo sobre as novas capacidades militares da Rússia e China. Segundo analista russa, esta publicação reflete os medos que sempre existiram nos EUA.

"Em guerras futuras, as novas tecnologias podem permitir às grandes potências rivais, como a Rússia e a China, realizar ataques precisos e devastadores contra as bases militares e redes logísticas dos EUA, inclusive contra aquelas que se encontram dentro dos EUA", adverte o artigo da revista Foreign Policy.

De acordo com a publicação, os progressos no domínio aeroespacial, robótica, aprendizado de máquina, impressão 3D e nanomateriais permitem criar novas classes de mísseis e drones mortíferos que poderão ser lançados discretamente e percorrer grandes distâncias, aponta o autor do artigo, Michael Beckley.

O jornalista observa que, por exemplo, os novos mísseis hipersônicos combinam a velocidade e o alcance dos mísseis balísticos com a capacidade de manobra e precisão dos mísseis de cruzeiro.

"A difusão destas tecnologias tornará obsoleta a atual forma de fazer a guerra dos EUA", afirma Beckley, acrescentando que o Exército estadunidense teria problemas para responder rapidamente a eventuais ataques da China e Rússia.

Segundo ele, a maioria das bases dos EUA tem poucos ou nenhuns sistemas de defesa antimíssil, nem abrigos fortificados.

Esta publicação personifica os medos que sempre existiram nos EUA, opina Yana Leksyutina, professora do departamento de estudos dos EUA da Universidade Estatal de São Petersburgo e doutora em Ciências Políticas.

"Desde há muito tempo que um dos objetivos da política exterior dos EUA foi evitar uma aliança entre a Rússia e a China. O pior pesadelo para as pessoas que planejam a política exterior estadunidense é a formação de uma aliança (não necessariamente proclamada de forma oficial) entre a Rússia e a China", disse a especialista em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

Segundo ela, os estadunidenses estão bastante preocupados com o possível estreitamento das relações entre a Rússia e a China. Quanto mais estreitas forem, mais artigos deste tipo serão publicados.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019112414815471-pior-pesadelo-para-eua-analista-explica-por-que-russia-e-china-assustam-washington/

A causa dos conflitos mundiais

Nos Estados Unidos da América Donald Trump evocando a América First “ganha” as eleições. Na Inglaterra a elite e boa parcela da classe média briga incessantemente pelo Brexit, (separação da União Europeia). Na Espanha separatistas querem a independência da parte mais rica, a Catalunha. Em vários outros países acirram-se os conflitos de mesma natureza.

 

 

Nas últimas décadas do século passado após a capitulação e a implosão da União Soviética os teóricos do capital chegaram a anunciar o “fim da história”, ou a vitória final do capitalismo. Então, natural seria esse sistema se revigorar e retomar a pujança que tivera outrora. Mas não foi o que ocorreu. No mundo todo as crises do capitalismo se tornaram mais e mais frequentes, as desigualdades, o desemprego, a violência, a fome e a miséria cada vez maiores. Consequentemente os conflitos entre ricos, médios e pobres se avolumaram.

A disputa por emprego, pela sobrevivência, como num “salve-se quem puder” polarizou de um lado as elites aliadas a grandes parcelas da classe média engrossadas por alienados pauperizados e de outro lado a grande maioria dos trabalhadores e setores democráticos.

Nações antes defensoras da globalização, do liberalismo, fecharam-se dentro de si mesmas, aferraram-se a um nacionalismo exclusivista, exalando ódio às classes mais vulneráveis econômica e socialmente, a estrangeiros imigrantes pobres, numa demonstração não só de discriminação, mas também por medo da perder seus privilégios.

Nos Estados Unidos da América Donald Trump evocando a América First “ganha” as eleições. Na Inglaterra a elite e boa parcela da classe média briga incessantemente pelo Brexit, (separação da União Europeia). Na Espanha separatistas querem a independência da parte mais rica, a Catalunha. Em vários outros países acirram-se os conflitos de mesma natureza.

Os governos de direita ou ultradireita que chegaram ao poder catapultados por esses movimentos nacionalistas ou elitistas, tratam logo de arrancar direitos conquistados pelos trabalhadores e por outros segmentos marginalizados ou pauperizados.

Um outro fator que potencializa esses conflitos de classes é o vertiginoso crescimento da China, sob o comando do Partido Comunista, na construção de um outro sistema tido como morto há menos de meio século. Esse fenômeno provoca nova disputa acirrada entre as duas atuais superpotências, Estados Unidos e China, em outras palavras, entre o capitalismo e o socialismo. Daí a guerra comercial deflagrada pelos norte-americanos.

Os Estados Unidos, tentando conter seu declínio, voltam a promover golpes e retomar o poder principalmente no “seu quintal”, a América Latina, como também em vários outros países.

Por outro lado, a China utilizando de sua sabedoria milenar e tática, não de guerra, mas de métodos persuasivos de ganha-ganha, amplia sua influência no continente assim como na Europa e outras áreas, inclusive Brasil, através da Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, que propõe parcerias para o desenvolvimento mútuo

Esses são os principais fatores do ressurgimento e potencialização das correntes de direita, de ultradireita, do nacionalismo xenófobo, do acirramento e polarização das classes sociais, e suas representações políticas de direita aliadas ao centro contra as correntes democráticas e de esquerda. Quando não pela eleição, geralmente fraudadas, aplicam se os golpes sobre governos democraticamente eleitos. O que importa é a conquista do poder a qualquer preço, para impor o seu projeto político aqui e em vários outros países chamado de neoliberalismo. Em outras palavras de destruição da soberania, de assalto das riquezas e dos direitos do povo, do desmantelamento da democracia para facilitar a implementação de suas ideias e retardar a morte do seu sistema, o capitalismo.

Em suma, é a disputa entre os dois sistemas vigentes, é a roda da história girando, ora para trás, porém, historicamente sempre para a frente, como outrora vencendo o Escravismo, depois o Feudalismo, e hoje, se bem que ainda no início, para vencer mais um regime injusto, cruel e desumano, o atual capitalismo selvagem.


por Aluisio Arruda, Jornalista, arquiteto, urbanista  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-causa-dos-conflitos-mundiais/

Planos da OTAN no espaço levarão a catástrofe mundial?

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, anunciou esta terça-feira (19) que a aliança tem planos de reconhecer o espaço como sua zona de influência.

A declaração foi feita durante a coletiva de imprensa que decorreu em Bruxelas (Bélgica) antes da reunião dos ministros da Defesa dos estados-membros da OTAN.

De acordo com o secretário-geral da Aliança Atlântica, o reconhecimento do espaço como sua esfera de influência contribuirá para o desenvolvimento dos sistemas de comunicação, navegação e sistema de alerta precoce. Além disso, Stoltenberg ressaltou que no espaço não será colocado armamento ofensivo.

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o vice-presidente do Comitê de Defesa da Duma de Estado (Parlamento) da Rússia, Yuri Shvytkin, disse que este tipo de afirmações da liderança da OTAN sobre os armamentos ofensivos não corresponde à realidade.

"A declaração de Stoltenberg é desconcertante e claramente [implica] ações agressivas e destrutivas para com outros países [...]. A aliança em si como organização militar implica a militarização do espaço e os países da OTAN farão todos os tipos de tentativas nesse sentido. No meu ponto de vista, isto poderá levar a comunidade mundial a uma catástrofe", opinou legislador.

Shvytkin fez notar que, face a isso, a Rússia precisa de tomar medidas adequadas para evitar a militarização do espaço por parte da OTAN.

"A resposta deve ser simétrica, mas, ao mesmo tempo, tal resposta não deve arrastar nosso país para uma corrida armamentista no espaço", concluiu o vice-presidente do comitê.

Anteriormente, o presidente da França criticou as ações ofensivas da Turquia no nordeste da Síria, classificando-as como "loucura" e criticando também a incapacidade de reação da OTAN.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019112014796967-planos-da-otan-no-espaco-levarao-a-catastrofe-mundial/

MANLIO DINUCCI: A ITÁLIA NA COLIGAÇÃO «ANTITERRORISMO»

Copiado de : https://nowarnonato.blogspot.com/2019/11/pt-manlio-dinucci-arte-da-guerra-italia.html
                             image
A Arte da Guerra A Itália na coligação “antiterrorismo” Manlio Dinucci
 
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, acolhendo em Roma, os cinco soldados feridos no Iraque, declarou que “o Estado italiano nunca recuará um centímetro diante da ameaça terrorista e reagirá com toda a sua força diante dos que semeiam terror”. Voou, então, para Washington, a fim de participar na reunião de grupo restrito da “Coligação Global contra o Daesh”, do qual fazem parte, sob orientação USA, a Turquia, a Arábia Saudita, o Catar, a Jordânia e outros países que apoiaram o Daesh/ISIS e formações terroristas análogas, fornecendo-lhes armas e treino de combate (conforme documentamos neste jornal).
 
A Coligação - que inclui a NATO, a União Europeia, a Liga Árabe, a Comunidade dos Estados do Sahel/Sahara e a Interpol, mais 76 Estados individuais - afirma no seu comunicado de 14 de Novembro, “ter libertado o Iraque e o nordeste da Síria” do controlo do Daesh/ISIS», embora seja evidente que as forças da Coligação deixaram, deliberadamente, a mão livre ao Daesh/ISIS.
Esta e outras formações terroristas foram derrotadas apenas, quando a Rússia interveio militarmente em apoio às forças do governo sírio.
 
A Coligação também reivindica ter “fornecido 20 biliões de dólares em assistência humanitária e para a estabilização do povo iraquiano e sírio, treinado e equipado mais de 220.000 membros das forças de segurança para estabilizar as comunidades locais”. O objectivo desta “assistência” é, na realidade, não a estabilização, mas a contínua desestabilização do Iraque e da Síria, fomentando instrumentalmente, sobretudo, as diversas componentes do independentismo curdo, para desagregar esses Estados nacionais, controlar o seu território e as suas reservas de energia.
 
Como parte dessa estratégia, a Itália, definida como “um dos maiores contribuintes da Coligação”, está empenhada no Iraque, principalmente, no adestramento das “forças de segurança curdas” (Peshmerga), em particular, no uso de armas anti-tanque, morteiros, artilharia e espingardas de precisão, em cursos especiais para franco-atiradores.
 
Operam, actualmente, no Iraque, cerca de 1.100 soldados italianos, divididos em diversas ‘task force’/grupos de trabalho, em vários lugares, equipados com mais de 300 veículos terrestres e 12 meios aéreos, com uma despesa, em 2019, de 166 milhões de euro.
A força do Iraque está apoiada por uma componente aérea italiana no Kuwait, com 4 caças-bombardeiros Typhoon, 3 drones Predator e um avião-tanque para reabastecimento em voo.
Com toda a probabilidade, as forças especiais italianas, às quais pertencem os cinco feridos, participam em acções de combate, mesmo que a sua tarefa oficial seja só de treino. O emprego de forças especiais é em si, secreto. Agora, torna-se ainda mais secreto porque o seu comando, o COMFOSE, foi transferido do quartel Folgore, em Pisa, para a área vizinha da base de Camp Darby, o maior arsenal USA fora da pátria, onde também são realizadas actividades de treino.
 
Na Coligação, a Itália também tem a tarefa de co-dirigir o “Grupo financeiro de combate ao “ISIS”, juntamente com a Arábia Saudita e os Estados Unidos, ou seja, aqueles que financiaram e organizaram o armamento das forças do ISIS e de outras formações terroristas (ver a pesquisa do New York Times, em 2013).
 
Fortalecido com todos estes méritos, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Di Maio, apresentou em Washington a proposta, imediatamente aceite, de que seja a Itália a acolher a reunião plenária da Coligação, em 2020. Assim, a Itália terá a honra de receber oponentes infatigáveis do terrorismo como a Arábia Saudita que, depois de financiar o ISIS, agora gasta os seus petrodólares para financiar a sua guerra terrorista, no Iémene.
 
il manifesto, 18 Novembro 2019
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DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT,
em todos os países europeus da NATO
DANSK DEUTSCH ENGLISH ESPAÑOL FRANÇAIS ITALIANO NEDERLANDS
PORTUGUÊS ROMÎNA SLOVENSKÝ SVENSKA TÜRKÇE РУССКИЙ
Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

EUA aumentaram em mais de 10 vezes número de soldados na Polônia, diz premiê polonês

Soldados americanos perto de um sistema antimísseis Patriot em Sochaczew, perto de Varsóvia, Polônia (foto de arquivo)
© REUTERS / Franciszek Mazur/Agência Gazeta

EUA aumentaram seu número de tropas na Polônia de cerca de 300 para 4.500 militares, ao passo que mais 1.000 soldados americanos deverão ser enviados.

"Os Estados Unidos, nosso aliado mais poderoso, graças aos esforços do presidente Andrzej Duda e do ministro da Defesa Nacional, decidiram aumentar o contingente militar dos EUA na Polônia em mais de dez vezes", declarou a chancelaria do premiê polonês Mateusz Morawiecki em sua página no Twitter.

A declaração da autoridade polonesa veio após Varsóvia e Washington assinarem um acordo sobre cooperação militar no meio do ano.

Segundo publicou o ministro da Defesa da Polônia Mariusz Blaszczak no Twitter, o número de militares norte-americanos no país deverá crescer em 1.000, com base no acordo.

​Graças aos esforços do Presidente Andrzej Duda e do Ministério da Defesa Nacional, o número de soldados do Exército dos EUA na Polônia cresceu em mais de 4.000. Em 2015 eram cerca de 300, agora já são 4.500, enquanto após a assinatura do acordo entre Duda e Trump este número crescerá no mínimo em 1.000.

As partes do acordo também trataram sobre os locais que abrigarão as tropas americanas, sendo que seu quartel-general será na cidade de Poznan.

Mudança de posição

Em setembro, o líder do partido governista Lei e Justiça (PiS), Jaroslaw Kaczynski, disse que a princípio não se planejava uma presença permanente de tropas americanas no país europeu.

No entanto, segundo ele, a situação geopolítica mudou nos últimos anos e "levou a uma mudança de posição de nossos aliados ocidentais, em particular dos EUA".

Por sua vez, a presença militar norte-americana no país eslavo tem sido um dos pontos de discórdia entre Washington e Moscou.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019111914793512-eua-aumentaram-em-mais-de-10-vezes-numero-de-soldados-na-polonia-diz-premie-polones/

Pacto com diabo: EUA fizeram acordo com nazistas por tecnologia de mísseis?

Medalha nazista
© Sputnik / А. Shadrin

Novo livro publicado nos EUA acusa o país de ter feito acordo com "o maior criminoso de guerra que você nunca ouviu falar" da Alemanha nazista para adquirir tecnologia de mísseis.

Dean Reuter, coautor do livro "O nazista escondido: a história não contada do pacto dos EUA com o diabo", alega que a tecnologia seria crucial para a corrida armamentista com a União Soviética, iniciada logo após a Segunda Guerra Mundial.

Reuter conta que os EUA se beneficiaram da parceria com general Hans Kammler, que era o supervisor do programa de desenvolvimento de mísseis da Alemanha nazista.

O livro busca esclarecer se os EUA fizeram acordo com o general nazista para acessar seus conhecimentos.

As pesquisas indicaram que houve acordo para transferência de tecnologias que, posteriormente, seriam cruciais para o embate contra a União Soviética durante a Guerra Fria.

Em busca do 'ouro nazista'

Reuter diz que, em certo ponto da guerra, a derrota alemã já estava clara e, por isso, todos já sabiam que haveria "grande corrida pelas tecnologias" nazistas.

"Havia muitos espólios a serem tomados, uma vez que o Reich alemão se contraía, com a União Soviética se aproximando de um lado e os aliados ocidentais do outro. Mas essa tecnologia de mísseis era especialmente atrativa, porque era avançadíssima", acentuou Reuter ao jornal Breitbart News Daily.

Segundo o autor, o país que conseguisse capturar o maior número de cientistas do programa de mísseis nazista, estimados em cerca de 4.500, iria "dominar o mundo".

Houve acordo secreto com o general nazista?

Reuter afirma possuir provas de que os EUA conseguiram firmar um acordo com o general nazista, descrito no livro como "o pior criminoso de guerra nazista de quem você nunca ouviu falar".

O acordo teria sido selado no âmbito do projeto Hermes, de 1944, no qual o governo dos EUA fez acordo com a gigante industrial General Electric para construir um míssil tipo V-2.

Logotipo do conglomerado norte-americano General Electric, que participou da construção de míssil do tipo V-2, na década de 40
© REUTERS / Vincent Kessler
Logotipo do conglomerado norte-americano General Electric, que participou da construção de míssil do tipo V-2, na década de 40

De acordo com Reuter, emissários do general Kammler teriam se encontrado com membros do governo americano e da General Electric na embaixada dos EUA em Lisboa, Portugal.

Kammler teria "selado esse acordo com os americanos para transferir essa tecnologia", acusa o livro.

O centro de pesquisa, no qual o míssil nazista estava sendo desenvolvido, ficava na região nordeste da Alemanha e, para evitar que a tecnologia caísse nas mãos dos soviéticos, que se aproximavam rapidamente, o general ordenou a transferência do centro para a região central.

Para realizar a transferência, o general ordenou a construção de um centro subterrâneo. A construção utilizou mão de obra escrava e vitimou dezenas de milhares de vidas, segundo Reuter.

Mesmo assim, o centro acabou na zona de ocupação soviética após a Conferência de Yalta. Isso teria levado o general a ordenar nova transferência urgente para Bavária, região que os norte-americanos poderiam alcançar em uma semana.

"Logo, ficou claro para nós que o general fez essas transferências – que são extraordinárias e muito difíceis de serem realizadas – para entregar a tecnologia de mísseis para os norte-americanos", concluiu Reuter.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2019110714745000-pacto-com-diabo-eua-fizeram-acordo-com-nazistas-por-tecnologia-de-misseis/

Encontro anti-imperialista e de solidariedade reúne 789 entidades de 86 países em Havana; leia a declaração

Decorreu entre 1 e 3 de novembro em Havana o Encontro Anti-imperialista, de Solidariedade, pela Democracia e contra o Neoliberalismo, com 1.332 delegados de 789 organizações as mais diversas, vindas de 86 países. A presidenta do Conselho Mundial da Paz Socorro Gomes participou, assim como a diretora do núcleo baiano do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Maria Ivone Souza. A representatividade do encontro foi expressiva, assim como o mote, Seguimos en LuchaPara mais informações acesse a página da Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo e leia a declaração final do encontro a seguir ou baixe o texto clicando aqui.

 

Brasileiros Cebrapaz Encontro Anti-imperialista Havana 2019
Parte da delegação brasileira. Foto: Portal Vermelho

 

Encontro Anti-imperialista, de Solidariedade, pela Democracia e contra o Neoliberalismo
Havana, Cuba, 1 a 3 de Novembro de 2019
Declaração Final

Desde esta Cuba solidária, primeiro território livre da América, reconhecendo a heroica resistência de seu povo e as conquistas alcançadas em sessenta anos de Revolução, compartilhamos nossas lutas e esperanças, 1332 representantes de 789 organizações do movimento social e popular, de solidariedade; de redes, plataformas e articulações regionais e globais, de partidos políticos, parlamentares, religiosos e intelectuais de 86 países.

Chegamos de todos os cantos do mundo, com uma longa história de exercício da solidariedade, frente à agressividade imperialista contra a Revolução Cubana, comprometidos com todas as causas justas e como parte dos esforços de unidade na acção e das articulações de luta, para reunir-nos em Havana, no Encontro Anti-imperialista de Solidariedade, pela Democracia e contra o Neoliberalismo, de 1 a 3 de Novembro de 2019.

Vivemos um novo momento singular na história. Os povos nas urnas, nas ruas e nas redes sociais demonstram, com seu voto e seus protestos, o esgotamento da ofensiva imperial conservadora e restauradora neoliberal da direita oligárquica, em aliança com o fundamentalismo religioso, o poder mediático e o capital transnacional, que, pela mão do imperialismo norte-americano, em sua natureza depredadora, exclui amplos sectores da população, destrói a vida em harmonia com a natureza e coloca em perigo a espécie humana.

Os povos estão demonstrando que é possível derrotar a ofensiva imperial, que em seus propósitos recorre à criminalização do protesto social, ao confinamento e deslocação de populações, ao assassinato de líderes sociais e políticos, ao feminicídio, à perseguição a líderes de governos progressistas e à judicialização da política.

Abrem-se tempos de esperança. A unidade é vital e constitui um dever; a mobilização, um grito de ordem; a organização popular, uma tarefa iminente; e a integração, uma estratégia que nos conduzirá à vitória.

 

Neste momento crucial, comprometemo-nos a:

1. Fazer nossa a Declaração de Solidariedade com Cuba, aprovada neste Encontro, mobilizando-nos em ações permanentes, intensivas e sistemáticas de alto impacto mediático, contra a escalada agressiva do imperialismo ianque, como parte da Campanha Internacional “Mãos fora de Cuba”.

2. Exigir o levantamento do recrudescido, criminoso e genocida bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelo governo dos Estados Unidos, e apoiar a Resolução que será apresentada na Assembleia Geral das Nações Unidas, nos dias 6 e 7 de Novembro de 2019, certos de outra contundente vitória da comunidade internacional.

3. Denunciar as ameaças e agressões de diversa natureza, sobre todos os governos soberanos que se negam a servir à potência hegemônica, que procura instalar bases militares em seus territórios e usurpar seus recursos estratégicos.

4. Reafirmar e defender a vigência da Proclamação da América Latina e Caribe como Zona de Paz.

5. Denunciar os graves riscos que entranha, para a América Latina, o Caribe e o mundo, a decisão de ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), orientado a respaldar militarmente o afã do governo dos Estados Unidos de reviver a Doutrina Monroe.

6. Expressar nossa firme solidariedade com a Revolução Bolivariana e Chavista, a união cívico-militar do povo e seu legítimo Presidente Nicolás Maduro Moros, que, através do diálogo com sectores da oposição, defende a paz na Venezuela e a soberania do país, frente às agressões de todo tipo do governo dos Estados Unidos e seus aliados.

7. Intensificar a mobilização em reclamo da imediata liberação do companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, vítima da judicialização da política, que tem como objetivo a perseguição e encarceramento de líderes políticos de esquerda e progressistas latino-americanos.

8. Felicitar o povo do Estado Plurinacional da Bolívia, por sua vitória no processo eleitoral, e ao Presidente Evo Morales Ayma, por sua reeleição, como resultado das medidas em benefício popular e do crescimento econômico. Igualmente, denunciar as tentativas de golpe de Estado e de desestabilização, desatadas por sectores da oposição, instigados pelos Estados Unidos, contra a paz e a segurança cidadã na Bolívia.

9. Demandar a independência de Porto Rico, nação latino-americana e caribenha submetida há mais de um século à dominação colonial dos Estados Unidos, e cujo povo se revela vitorioso nas ruas, frente às políticas do governo anexionista.

10. Expressar nossa firme solidariedade com as nações do Caribe, em seu legítimo reclamo de reparação pelas sequelas da escravatura, assim como de um trato justo e diferenciado no enfrentamento à mudança climática, em correspondência com suas circunstâncias especiais e sua situação de maior vulnerabilidade.

11. Condenar as tentativas da administração estadunidense, de desestabilizar o governo da Nicarágua, e reiterar o direito de seu povo à Paz.

12. Apoiar a demanda histórica do povo argentino pela recuperação das ilhas Malvinas, território que legitimamente lhe pertence.

13. Denunciar aqueles governos que, seguindo os ditados do imperialismo ianque e as receitas do Fundo Monetário Internacional, impõem a sangue e fogo, a seus povos, políticas neoliberais de choque, aprofundando a injustiça social e afectando especialmente os sectores mais vulneráveis da sociedade. Condenar energicamente o uso da força e repressão para tentar esmagar os justos clamores dos movimentos sociais e populares.

14. Apoiar a vontade do povo colombiano de defender a implementação plena do Acordo Final de Paz, que contribua a pôr fim à insegurança física de líderes sociais, ex-combatentes e civis; bem como às causas que originaram o conflito.

15. Felicitar o povo argentino e seu presidente eleito, Alberto Fernández, pela merecida vitória nas urnas, que propicia uma derrota ao neoliberalismo e recupera a esperança e a dignidade dessa nação.

16. Saudar os resultados eleitorais da Frente Ampla do Uruguai e, ao mesmo tempo, ratificar nosso apoio e solidariedade no segundo turno das eleições, certos de sua defesa da democracia e do bem comum de seu povo.

17. Denunciar a intromissão do imperialismo nos assuntos internos dos países da África e Oriente Médio, a agressão e as guerras desatadas, sob a chamada cruzada contra o terrorismo, pelo controlo dos recursos naturais dessas regiões.

18. Apoiar a causa histórica de luta dos povos saarauí e palestino, por seu direito à livre determinação.

19. Exigir o fim da intervenção imperialista contra a Síria, e o pleno respeito a sua soberania e integridade territorial.

20. Saudar o processo de aproximação e diálogo intercoreano. Condenar as sanções unilaterais contra a República Popular Democrática da Coreia.

21. Rejeitar todas as formas de discriminação e violência por razões de género, cor da pele, crença religiosa, orientação sexual ou qualquer outra manifestação que atente contra a dignidade e integridade das pessoas, e chamar à solidariedade com suas agendas de luta, assim como reconhecer a contribuição dos movimentos de mulheres e feministas nos processos emancipatórios.

22. Defender os direitos dos povos originários a sua cultura, a seus territórios, tradições e costumes ancestrais. Expressar nosso apoio à comunidade de origem africana e às minorias linguísticas, religiosas e étnicas, na luta por suas reivindicações.

23. Reconhecer o protagonismo e compromisso de luta dos jovens, como fiéis continuadores do legado emancipador e internacionalista de nossos próceres.

24. Condenar energicamente a atual política anti-imigrantista dos governos dos Estados Unidos e da União Europeia, bem como toda manifestação de fascismo, xenofobia e racismo.

25. Denunciar a atual cruzada macartista do governo dos Estados Unidos e a campanha anticomunista que se realiza na Europa.

26. Convocar a luta global para defender os recursos naturais, a biodiversidade, a soberania e segurança alimentar, a mãe terra e as conquistas e direitos sociais.

27. Fortalecer a resposta à guerra cultural e simbólica que tem como espaço em disputa a subjectividade do ser humano, articulando a batalha mediática na Internet e nas redes sociais digitais, alimentando as redes da verdade frente à ofensiva da mentira do imperialismo neoliberal.

Portanto:

Reiteramos a importância de avançar na construção da unidade anti-imperialista das forças políticas de esquerda e dos movimentos sociais e populares, em relação à pluralidade, à diversidade e ao direito soberano dos povos de escolher livremente sua forma de organização política, econômica e social, convencidos de que a unidade é a única via para alcançar a vitória no enfrentamento ao principal inimigo dos povos: o imperialismo ianque e seus aliados.

Agradecemos ao povo, ao Governo da Ilha da Liberdade e da Unidade e ao Capítulo Cubano dos Movimentos Sociais, por sua hospitalidade e invariável solidariedade. Continuaremos junto de vocês, comprometidos com seu projecto social e com o compromisso de divulgar a verdade sobre esta invencível Revolução.

Este Encontro reafirma a vontade de luta de nossos povos e constitui um formidável estímulo a seguir adiante, conscientes de que continuaremos em resistência, até vencer.

Ante o plano desintegrador do imperialismo e da direita conservadora, oligárquica e neoliberal, oponhamos o plano integrador, soberano e digno de nossos povos. Unamo-nos para exigir nosso direito ao desenvolvimento, à vida e ao porvir. A unidade anti-imperialista é a táctica e a estratégia da vitória.

Senhores imperialistas, Mãos Fora de Cuba!

Os povos continuamos em luta!

Até a vitória sempre!

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

'Guerra fria pode ficar quente': análise de estratégias dos EUA para conter a Rússia

 
 
EUA estão desenvolvendo estratégias para atacar a península da Crimeia e o Extremo Oriente russo, escreve mídia americana.
 
Em entrevista ao serviço russo da Radio Sputnik, o analista político-militar da Associação de Cientistas Políticos e Militares Oleg Glazunov comentou sobre o que pode estar relacionado com o desenvolvimento de tais projetos.
 
"Tendo em conta que ultimamente as nossas relações com os EUA e seus aliados da OTAN se agravaram, da parte deles se pode esperar de tudo, a guerra fria pode ficar quente. Washington e a OTAN realizam exercícios militares no mar Negro, perto das fronteiras russas, e o número de tais exercícios aumentou significativamente, isto é uma tendência muito má", disse o analista militar.
 
O governo dos EUA está desenvolvendo novas estratégias de contenção da Rússia e da China, uma delas prevê um ataque à Crimeia e a outra uma agressão contra o Extremo Oriente russo, de acordo com a edição Foreign Policy.
 
"Se um país tem uma postura amigável em relação a outro, nesse caso ele não realiza esse tipo de eventos e não desenvolve planos de ataque. Estes planos agravam mais ainda a situação, que já é muito complicada no mundo de hoje", concluiu Glazunov.
 
 
Segundo o artigo americano, Washington está querendo se preparar para um "período de rivalidade entre superpotências". Neste contexto, alguns políticos influentes no governo estão promovendo "uma estratégia de escalada horizontal e inflição de gastos".
 
De acordo com esta teoria, a ameaça de eliminação e captura de forças posicionadas a grande distância pode fazer com que o inimigo se abstenha de seus objetivos iniciais, desistindo de uma invasão, diz o artigo na edição americana. Especificamente, se a Rússia ocupar os Países Bálticos, os Estados Unidos poderão atacar tropas russas na Crimeia ou na Síria.
 
De acordo com os autores do artigo, esta concepção tem poucas probabilidades de ser bem-sucedida. Segundo eles, se tal plano for aplicado, isso poderia causar consequências catastróficas, tendo em conta que a Rússia e a China têm muitas possibilidades de resposta, entre as quais o uso de armas nucleares.
 
Sputnik | © Sputnik / Sergey Melkonov

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/guerra-fria-pode-ficar-quente.html

EUA e Austrália vão investir bilhões em bases, frente à presença da China no Pacífico

Militares norte-americanos
© AFP 2019 / Nikolay Doychinov

O governo australiano anunciou o investimento de bilhões de dólares em conjunto com os EUA para a modernização das bases de Robertson e Darwin, no norte da Austrália, em meio ao aumento da presença chinesa na região.

O investimento bilionário nas bases de Robertson e Darwin terá como destino a modernização dos dormitórios, instalações de serviço, estoques de combustível, áreas de treinamento de tropas e manutenção de aeronaves.

De acordo com o senador australiano Sam McMahon, o investimento será na casa dos bilhões e deverá aquecer a economia do Território do Norte da Austrália, onde estão localizadas as bases.

"Por volta de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 33 bilhões) serão investidos durante a próxima década em instalações novas e modernizadas no Território do Norte", informou a fala do senador o site do Ministério da Defesa australiano.

De acordo com o portal americano Military.com, as bases têm grande importância para a geoestratégica norte-americana na região do Pacífico, especialmente para poder conter a crescente presença chinesa na região.

Neste ano, pelo menos 2.500 fuzileiros navais dos EUA foram enviados para a região em um rodízio militar. O número é dez vezes maior que os 200 militares norte-americanos que estavam presentes na área em 2012, conforme publicado pela mídia americana.

'Marco nas relações'

Comentando o envio das tropas dos EUA para as bases, a ministra da Defesa da Austrália, Linda Reynolds, disse que isso seria um marco nas relações entre Camberra e Washington.

"Este marco demonstra a natureza duradoura da aliança dos EUA e Austrália e o nosso profundo engajamento com a região do Indo-Pacífico", disse a ministra.

No entanto, as relações entre os dois países nem sempre foram de total concordância.

Recentemente, o governo australiano disse que não aceitaria em seu território mísseis balísticos dos EUA quando o secretário de Defesa americano, Mark Esper, expressou interesse em instalar tal armamento em países aliados no Pacífico.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019102214672034-eua-e-australia-vao-investir-bilhoes-em-bases-frente-a-presenca-da-china-no-pacifico/

'Não é aí que Washington vai parar': cientista político sobre saída dos EUA do Tratado INF

Uma bateria do sistema de defesa aérea dos EUA Patriot (foto de arquivo)
© Sputnik / Igor Zarembo

As ações dos EUA não dependem de quem preside a nação e têm como objetivo dissuadir a Rússia e a China, afirmou ao serviço russo da Rádio Sputnik o cientista político-militar Aleksandr Perendzhiev.

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, nomeou a razão da saída de Washington do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, também conhecido como Tratado INF.

Na opinião do ministro, a restauração do potencial de defesa da Rússia, o crescente poder da China e a expansão da cooperação técnico-militar sino-russa levaram Washington a se retirar unilateralmente do Tratado INF.

"Estamos convencidos de que a verdadeira razão da saída unilateral de Washington do Tratado de eliminação de mísseis de curto e médio alcance corresponde à dissuasão da República Popular da China e da Federação da Rússia", declarou Shoigu em uma reunião do Fórum Xiangshan de Pequim, na segunda-feira (21).

Ao mesmo tempo, Shoigu lembrou que, acusando a Rússia de violar o Tratado INF, os c"EUA estavam se preparando para destruição" do tratado. "EUA criaram drones de ataque, usaram mísseis balísticos de médio alcance como alvos e instalaram lançadores de mísseis Mk-41 na Europa, originalmente projetados para lançar mísseis de cruzeiro Tomahawk."

Sergei Shoigu acredita que "na esfera de controle armamentista está sendo destruído o sistema de segurança de vários níveis, que garante a estabilidade e o equilíbrio de forças há muitos anos".

'Não é aí que Washington vai parar'

Aleksandr Perendzhiev, professor do Departamento de Ciência Política e Sociologia da Universidade de Economia da Rússia Plekhanov, expressou sua opinião sobre a saída dos EUA do Tratado INF ao serviço russo da Rádio Sputnik.

"Não é aí que Washington vai parar. E não importa quem seja o presidente dos Estados Unidos, pois mesmo com Barack Obama, a terceira zona de defesa antimíssil na Europa foi instalada. É evidente que este sistema deveria, supostamente, proporcionar condições de ataque à Rússia", detalhou o cientista político-militar.

Como Perendzhiev observou, um sistema semelhante começou a ser desenvolvido no Extremo Oriente – na Coreia do Sul e no Japão, e "os EUA sempre diziam que era supostamente contra a Coreia do Norte".

"Mas, na verdade, esse sistema de defesa antimíssil foi instalado contra a China e a Rússia, sendo um plano estratégico. E a questão não é apenas que a Rússia e a China estão reforçando capacidades militares, mas também que são aliados militares e políticos bastante fortes", concluiu Aleksandr Perendzhiev.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019102114668739-nao-e-ai-que-washington-vai-parar-cientista-politico-sobre-saida-dos-eua-do-tratado-inf/

A gaffe nuclear da NATO

Manlio Dinucci (*)

É um segredo de Polichinelo. Mas é também um dos desmentidos mais formidáveis da Aliança Atlântica: bombas nucleares estão armazenadas, violando o Direito Internacional, em Itália, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Turquia.

Por lapso, um membro da Assembleia Parlamentar da NATO reproduziu-o num relatório, prontamente retirado.
Que os EUA mantêm bombas nucleares naqueles cinco países da NATO está há muito comprovado, em especial pela Federação dos Cientistas Americanos (1). No entanto, a NATO nunca o admitiu oficialmente. Mas algo deu para o torto.

No documento intitulado Uma nova era para a dissuasão nuclear? Modernização, controle de armas e forças nucleares aliadas, publicado pelo senador canadiano Joseph Day, em nome da Comissão de Defesa e Segurança da Assembleia de Defesa da NATO, o “segredo” veio a público. Através da função “copiar/colar”, o senador mencionou, inadvertidamente, nesse documento o seguinte parágrafo (número 5), extraído de um relatório confidencial da NATO:

“No contexto da NATO, os Estados Unidos instalaram em posições avançadas, na Europa, cerca de 150 armas nucleares, especificamente bombas gravitacionais B61. Estas bombas estão armazenadas em seis bases dos EUA e europeias: Kleine Brogel, na Bélgica, Buchel, na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre, na Itália, Voikel, na Holanda, Incirlik, na Turquia. No cenário hipotético de serem necessárias, as bombas B61 podem ser transportadas por aviões de dupla capacidade, dos EUA ou da Europa”.

Ao acusar a Rússia de manter muitas armas nucleares tácticas no seu arsenal, o documento afirma que as armas nucleares instaladas pelos EUA em posições avançadas na Europa e na Anatólia (ou seja, perto do território russo) servem para “garantir o amplo envolvimento dos Aliados na missão nuclear da NATO e como confirmação concreta do compromisso nuclear dos EUA com a segurança dos aliados europeus da NATO”.

Assim que o documento do senador Joseph Day foi publicado online, a NATO interveio, excluindo-o e tornando a publicá-lo numa versão corrigida. No entanto, foi tarde demais. Alguns sites (sobretudo, o belga De Morgen) já o tinham registado na versão original completa (2). Nesta altura, o autor descuidado correu a proteger-se, escrevendo no The Washington Post que se tratava, simplesmente, de um rascunho para a preparação de um relatório da Assembleia Parlamentar NATO, que será publicado em Novembro (3). No entanto, não pode negar o que estava escrito no parágrafo mencionado no relatório confidencial da NATO.

Isto confirma o que, desde há anos, temos documentado (4): em Aviano, os caças F-16C/D estão prontos para um ataque nuclear com 50 bombas B61 (número estimado pela Federação de Cientistas Americanos); em Ghedi-Torre, os Tornado PA-200 italianos estão prontos para o ataque nuclear sob comando EUA, com 20 bombas B61. A partir de 2020, as B61 serão substituídos pelas B61-12, destinadas especialmente aos novos caças F-35.

Tudo isto violando o Tratado de Não-Proliferação, ratificado quer pelos EUA, quer pela Itália — enquanto o Parlamento [italiano] se divide sobre o TAV [comboio de alta velocidade], mas não sobre a Bomba, que tacitamente aprova por unanimidade.

———

(*) Geógrafo e analista geopolítico. Escreve no jornal italiano Il Manifesto. Artigo publicado em 26 Agosto 2019
(1) “MFA State Minister Hoyer Defends Withdrawal of Tactical Nukes, New CFE Initiatives”, ambassador Philip Murphy, November 12, 2009, source Wikileaks. “Non-Strategic Nuclear Weapons”, Hans Kristensen, FAS, May 2012.
(2) De Morgen, Juni-juli 2019.
(3) “Secret locations of U.S. nuclear weapons in Europe accidentally included in report from NATO parliament”, Adam Taylor, Washington Post, July 16, 2019.
(4) “As 300 Hiroshimas da Itália”, Manlio Dinucci, Il Manifesto, Dezembro 2015

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

Macron e Merkel pedem fim de ofensiva turca no norte da Síria

Paris, 13 out (Xinhua) -- O presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, pediram no domingo o fim da ofensiva turca no nordeste da Síria.

 

"Temos um desejo comum que essa ofensiva termine", disse Macron ao visitar Merkel.

 

Ele alertou que a ofensiva turca na Síria criaria uma situação humanitária insuportável e favoreceria o ressurgimento do Estado Islâmico no país.

 

"Nossa convicção é que essa ofensiva corre o risco de criar situações humanitárias insuportáveis e ajudar o Daesh (Estado Islâmico) a ressurgir na região", acrescentou ele.

 

Macron disse que Paris e Berlim permanecem muito coordenados para definir as iniciativas que tomariam "nas próximas horas e nos próximos dias" em resposta à operação militar da Turquia na Síria.

 

Segundo seu gabinete, o chefe de estado francês realizará, ainda na noite de domingo, uma reunião de emergência do gabinete de defesa para discutir a situação no nordeste da Síria.

 

Também neste domingo, Merkel pediu o fim imediato da operação militar turca no norte da Síria, em um telefonema com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

 

Segundo uma declaração de um porta-voz do governo alemão, a ligação foi feita a pedido de Erdogan.

 

Merkel disse a Erdogan que, independentemente dos interesses legítimos de segurança da Turquia, a ofensiva ameaça deslocar uma grande parte da população local, desestabilizar a região e levar ao ressurgimento do ISIS (Estado Islâmico).

 

A França anunciou no sábado a suspensão das exportações de armas para a Turquia após a ofensiva de Ancara no nordeste da Síria.

 

"A França decidiu suspender qualquer exportação de material de guerra para a Turquia que pudesse ser usada para a ofensiva da Turquia. Essa decisão entra em vigor imediatamente", disseram em comunicado conjunto os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores da França.

 

Na quarta-feira, a Turquia lançou operações militares visando as forças curdas em várias partes do nordeste da Síria, depois que os Estados Unidos começaram a retirar suas tropas.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/14/c_138470714.htm

Trump afirma que EUA desenvolvem armamentos 'nunca vistos'

Submarino USS New Hampshire, um dos modelos de classe Virginia da Marinha dos EUA
© AP Photo / Robert F. Bukaty

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país está desenvolvendo novas armas "que ninguém pode sequer imaginar", inclusive submarinos "geniais".

O portal Yahoo News informa que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um encontro na Casa Branca afirmou que o país está desenvolvendo muitos tipos de armamento "nunca vistos".

"Temos uma enorme quantidade de armamentos em desenvolvimento. Temos armas que ninguém pode sequer imaginar. […] Algumas [armas] nós mostramos, outras não", disse Trump aos jornalistas presentes na assinatura de um acordo comercial com o Japão.

O presidente declarou que o país modernizou as armas nucleares e está construindo submarinos sobre os quais "ninguém pode sequer pensar, são geniais".

"Deus queira que nunca tenhamos que os usar, mas estamos fazendo o que temos que fazer", disse Donald Trump.

Novos armamentos da China

Na semana passada, durante o grandioso desfile militar dedicado ao 70º aniversário da fundação da República Popular da China, a China apresentou diversos novos armamentos, entre quais o drone hipersônico de vigilância e reconhecimento WZ-8, os mísseis balísticos intercontinentais DF-41, o míssil hipersônico estratégico de cruzeiro DF-100 e muitos outros armamentos, que atraíram grande atenção no mundo.

Veículos militares chineses carregando o míssil de cruzeiro DF-100 no decorrer do desfile militar em homenagem aos 70 anos da criação da República Popular da China
© AP Photo / Mark Schiefelbein
Veículos militares chineses carregando o míssil de cruzeiro DF-100 no decorrer do desfile militar em homenagem aos 70 anos da criação da República Popular da China

A mídia informou que estes novos mísseis chineses podem superar os sistemas da defesa antimíssil dos EUA e atacar alvos a grandes distâncias.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019100814608834-trump-afirma-que-eua-desenvolvem-armamentos-nunca-vistos/

EUA: 20 a 30 milhões de mortes desde 1945

Manlio Dinucci (*)

Não é uma análise, nem mesmo uma opinião: é um facto. A “ordem internacional livre e aberta”, promovida desde 1945 pelos Estados Unidos, custou a vida de 20 a 30 milhões de pessoas em todo o mundo. Nenhum presidente, fosse ele qual fosse, conseguiu mudar o ritmo desta máquina da morte.
No resumo de seu último documento estratégico — Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, 2018 (cujo texto completo permanece em segredo) — o Pentágono afirma que “depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e os seus aliados instauraram uma ordem internacional livre e aberta para salvaguardar a liberdade e os povos da agressão e da coerção”, mas que “agora esta ordem está a ser minada pela Rússia e pela China, que violam os princípios e as regras das relações internacionais”. Eis uma alteração completa da realidade histórica.

Michel Chossudovsky, director do Centro de Investigação sobre Globalização, recorda que aqueles dois países, hoje classificados como inimigos, são os mesmos que, quando eram aliados dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, pagaram a vitória sobre o Eixo nazi-fascista Berlim-Roma-Tóquio com o preço mais elevado em vidas humanas: a União Soviética, cerca de 26 milhões e a China, 20 milhões, em comparação com pouco mais de 400 mil dos Estados Unidos.

Chossudovsky apresenta um estudo de James A. Lucas, sobre o número de pessoas mortas pela série ininterrupta de guerras, golpes de Estado e outras operações subversivas efectuadas pelos Estados Unidos, desde o final da guerra, em 1945, até hoje. Estima-se esse número entre 20 e 30 milhões (1), cerca do dobro do número de vítimas da Primeira Guerra Mundial, cujo centenário acaba de ser celebrado em Paris, com um “Fórum da Paz”.

Além dos mortos, há os feridos, que muitas vezes ficam deficientes. Especialistas calculam que, por cada pessoa morta na guerra, outras 10 ficam feridas. Isto significa que os feridos provocados pelas guerras dos EUA atingem centenas de milhões. À estimativa do estudo adiciona-se um número não quantificado de mortes, provavelmente centenas de milhões, provocadas pelos efeitos indirectos das guerras: fomes, epidemias e migração forçada, escravidão e exploração, danos ambientais, roubo de recursos às necessidades vitais para cobrir despesas militares.

O estudo documenta as guerras e golpes realizados pelos EUA em mais de 30 países asiáticos, africanos, europeus e latino-americanos. O que revela que as forças militares dos EUA são directamente responsáveis por 10 a 15 milhões de mortes, causadas por grandes guerras: as da Coreia e do Vietname e as duas contra o Iraque. Outros 10 a 14 milhões de mortes resultaram de guerras ‘por procuração’, conduzidas por forças armadas aliadas, treinadas e comandadas pelos EUA — no Afeganistão, em Angola, no Congo, no Sudão, na Guatemala e outros países. A Guerra do Vietname, que se estendeu ao Camboja e ao Laos, causou 7,8 milhões de mortos (além de um grande número de feridos e lesões genéticas, devido à dioxina espalhada pelos aviões de guerra dos EUA).

A guerra ‘por procuração’, na década de 1980, no Afeganistão, foi organizada pela CIA que treinou e armou, com a colaboração de Osama bin Laden e do Paquistão, mais de 100 mil mudjaidin para combater as tropas soviéticas caídas na “armadilha afegã” (como mais tarde a definiu Zbigniew Brzezinski, salientando que o treino dos mudjaidin tinha começado em Julho de 1979, cinco meses antes da invasão soviética do Afeganistão).

O golpe mais sangrento foi organizado na Indonésia, em 1965, pela CIA, que forneceu aos esquadrões da morte indonésios a lista dos primeiros 5 mil comunistas e outros a serem mortos. O número de abatidos é estimado entre meio milhão e 3 milhões.

Esta é “a ordem internacional livre e aberta” que os Estados Unidos, independentemente dos que presidem à Casa Branca, procuram alcançar para “salvaguardar os povos da agressão e da coerção”.

———

(*) Geógrafo e analista geopolítico. Escreve no jornal italiano Il Manifesto. Artigo publicado em 20 Novembro 2018
(1) “US Has Killed More Than 20 Million People in 37 “Victim Nations” Since World War II”, James A. Lucas, November 27, 2017

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

EUA e Rússia devem salvar novo Tratado START e evitar volta da 'Guerra Fria', diz líder finlandês

Complexo de míssil balístico nuclear intercontinental Topol
© Sputnik / Aleksandr Kryazhev

Os Estados Unidos e a Rússia devem salvar o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START) para não permitir que o mundo volte à hostilidade política da Guerra Fria, disse o presidente finlandês Sauli Niinisto nesta quarta-feira.

"Na década de 1960, não havia acordo, apenas a Guerra Fria", relembrou Niinisto durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente dos EUA, Donald Trump.

"Não podemos deixar que a situação retorne [a] nenhum acordo sobre controle de armas. É por isso que é importante tentar negociar novos acordos e continuar o novo acordo START", acrescentou.

O novo START é o último tratado de controle de armas remanescente em vigor entre as duas maiores potências nucleares do mundo.

O acordo estipula uma redução no número de lançadores de mísseis nucleares estratégicos pela metade e limita o número de ogivas nucleares estratégicas implantadas para 1.550.

O novo START deve expirar em fevereiro de 2021 e até agora os Estados Unidos não anunciaram planos de estender o acordo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou seu desejo de elaborar um novo acordo nuclear que inclua a China e a Rússia informou que está pronta para discutir a proposta.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2019100214591705-eua-e-russia-devem-salvar-novo-tratado-start-e-evitar-volta-da-guerra-fria-diz-lider-finlandes/

Guerra nuclear entre Índia e Paquistão pode matar 100 milhões e teria impacto global

Explosão nuclear (imagem de arquivo)
© Depositphotos / Curraheeshutter

Um artigo publicado nesta quarta-feira prevê que uma guerra nuclear entre Índia e Paquistão causaria mais de 100 milhões de mortes imediatas, seguidas de fome em massa global à medida que o planeta entra em um novo período de resfriamento, com temperaturas não vistas desde a última Era Glacial.

O cenário estimado pelo trabalho mostra o ano é 2025, no qual militantes atacaram o Parlamento indiano, matando a maioria de seus líderes. Nova Déli retalia, enviando tanques para a parte da Caxemira controlada pelo Paquistão.

Temendo que seja invadida, Islamabad atinge as forças invasoras com suas armas nucleares no campo de batalha, desencadeando uma troca crescente que se torna o conflito mais mortal da história e envia milhões de toneladas de fumaça preta e espessa para a atmosfera superior.

O artigo com o cenário trágico aparece em um momento de renovadas tensões entre os dois rivais do sul da Ásia, que travaram várias guerras pelo território da maioria muçulmana da Caxemira e estão rapidamente construindo seus arsenais atômicos.

Atualmente, cada um deles tem cerca de 150 ogivas nucleares à sua disposição, e o número deverá subir para mais de 200 em 2025.

"Infelizmente, é oportuno porque a Índia e o Paquistão continuam em conflito pela Caxemira, e todos os meses você pode ler sobre pessoas morrendo na fronteira", afirmou à Agência AFP Alan Robock, professor de ciências ambientais da Universidade Rutgers, coautor do artigo no site Science Advances.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, retirou a autonomia da parte da Caxemira controlada por Nova Déli em agosto, com seu homólogo paquistanês Imran Khan avisando na semana passada que a disputa poderia se transformar em guerra nuclear.

Confrontos entre muçulmanos xiitas e a polícia na região de Caxemira
© AP Photo / Dar Yasin
Confrontos entre muçulmanos xiitas e a polícia na região de Caxemira

Os dois países lutaram pela última vez em um conflito de fronteira em fevereiro, mas o embate arrefeceu depois que o Paquistão devolveu um piloto abatido à Índia.

Mortes em massa e resfriamento

Com base em suas populações atuais e nos centros urbanos que provavelmente seriam alvos, os pesquisadores estimaram que até 125 milhões de pessoas poderiam ser mortas se fossem usadas armas de 100 quilotons - mais de seis vezes a potência das bombas lançadas em Hiroshima.

Para referência, cerca de 75 a 80 milhões de pessoas foram mortas na Segunda Guerra Mundial. Mas isso seria apenas o começo.

A pesquisa constatou que tempestades de fogo em massa desencadeadas pelas armas nucleares em explosão poderiam liberar 16 a 36 milhões de toneladas de fuligem (carbono preto) na atmosfera superior, espalhando-se pelo mundo em semanas.

A fuligem, por sua vez, absorveria a radiação solar, aquecendo o ar e levando ao aumento da fumaça. A luz solar atingindo a Terra diminuiria de 20 a 35%, esfriando a superfície de 2 a 5 graus Celsius e reduzindo a precipitação em 15 a 30%.

A escassez mundial de alimentos se seguiria, com os efeitos persistindo até uma década.

"Espero que nosso trabalho faça as pessoas perceberem que você não pode usar armas nucleares, elas são armas de genocídio em massa", explicou Robock, acrescentando que o jornal deu mais evidências para apoiar o Tratado da ONU sobre a Proibição de Armas Nucleares, de 2017.

"Dois países com um número menor de armas nucleares do outro lado do mundo ainda ameaçam o planeta, então não é algo que possamos ignorar", concluiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019100214591447-guerra-nuclear-entre-india-e-paquistao-pode-matar-100-milhoes-e-teria-impacto-global/

Putin pede para Europa e Ásia não instalarem mísseis de curto e médio alcance

 
 
Kremlin confirmou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou proposta de introdução de moratória de instalação de mísseis de curto e médio alcance na Europa e Ásia.
 
O pedido de Putin foi enviado ao secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, à chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, bem como a líderes de vários países, incluindo membros da OTAN e sucede a rescisão do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, ou simplesmente Tratado INF.
 
Nesta quinta-feira (26), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou o envio da solicitação. Além disso, o Ministério da Defesa da Rússia declarou anteriormente que "a Rússia não testou e não possui mísseis de médio e curto alcance no arsenal, ao contrário dos EUA", e também "não planeia instalar tais mísseis na Europa ou em outras regiões do mundo até que mísseis de fabricação norte-americana sejam instalados".
 
 
Reação de países europeus
 
O presidente tcheco, Milos Zeman, recebeu a proposta do homólogo russo, Vladimir Putin, de moratória de instalação de mísseis de médio e curto alcance e está a analisando, declarou o porta-voz de Zeman, Jiri Ovcacek, à Sputnik.
 
Na quarta-feira (25), o governo alemão afirmou que Berlim pretende discutir a proposta do presidente russo com os parceiros da UE e da OTAN.
 
"Pretendemos discutir esta mensagem com os nossos parceiros mais próximos da OTAN e UE", afirmou a assessoria de imprensa do governo alemão à Sputnik, acrescentando que a Alemanha está sempre aberta ao "diálogo com a Rússia, acompanhado por tentativas sérias de esclarecimento de questões em aberto e de resolução de problemas".
 
Interesse europeu
 
O cientista político Aleksei Podberezkin conversou com o serviço russo da Rádio Sputnik sobre o interesse europeu na execução da proposta russa.
 
"Claro que os europeus têm interesse, porque estes mísseis são concebidos para operações de combate na Europa [...] em caso de guerra, os EUA teriam a oportunidade de se limitar ao território da Europa, como foi principalmente na Primeira e Segunda Guerras Mundiais", explicou.
 
De acordo com o especialista, das guerras mundiais, os Estados Unidos, ao contrário da Europa, saíram mais fortes.
 
"Então, agora: se mísseis americanos forem instalados, seriam suficientes para eliminar a Europa da face da terra, geograficamente falando, do Canal da Mancha aos Urais. Ou seja, pouco restaria da Europa, e os americanos do outro lado do Atlântico se sentiriam muito bem", ponderou Aleksei Podberezkin.
 
A história do tratado INF
 
O tratado INF foi assinado pela URSS e EUA em 1987: as partes se comprometeram a destruir todos os complexos de mísseis balísticos e de cruzeiro de médio alcance (de mil a 5,5 mil quilômetros) e de curto alcance (de 500 a mil quilômetros).
 
Em outubro de 2018, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a intenção de Washington de se retirar do tratado devido ao "não cumprimento" de Moscou de suas obrigações, mas o lado americano não forneceu provas.
 
Em 2019, a Rússia, em resposta às ações dos EUA, suspendeu sua participação no Tratado INF. O tratado foi encerrado no início de agosto.
 
Sputnik | Foto: © Sputnik / Yuri Kuydin

Pentágono quer editar o genoma de seus soldados para 'protegê-los dos pés à cabeça'

Soldados dos EUA durante abertura dos exercícios Rapid Trident-2018
© Sputnik / Stringer

O Pentágono estuda a possibilidade de pesquisar a edição do genoma para proteger as tropas contra ataques químicos e biológicos, anunciou um alto funcionário da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa.

Nesta segunda-feira (23), o diretor da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA, na sigla em inglês), Steven Walker, revelou que as Forças Armadas norte-americanas estão próximas de se tornar ainda mais intrusivas, caso pesquisadores consigam editar o genoma de seus soldados com sucesso.

"Por que a DARPA está fazendo isso? [Para] proteger um soldado no campo de batalha contra armas químicas e bacteriológicas controlando o seu genoma, garantindo que o genoma produza proteínas que automaticamente irão protegê-lo dos pés à cabeça", explicou Walker, falando nesta segunda-feira (23) em um painel promovido pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

O diretor reconheceu que a ideia pode soar um pouco heterodoxa, mas insistiu que os esforços de edição genética promovidos pela agência seriam, primordialmente, para proteger as tropas, e não para aprimorá-las.

"Essas tecnologias são de uso dual. Você pode usá-las para o bem ou para o mal. A DARPA está empenhada em usá-las para o bem, para proteger os nossos combatentes", alegou Walker, de acordo com o informe do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Soldada americana bate continência durante celebração do Dia dos Veteranos.
© AP Photo / Anja Niedringhaus
Soldada americana bate continência durante celebração do Dia dos Veteranos

Se as pesquisas forem bem-sucedidas, a DARPA poderá ir mais longe e fornecer às Forças Armadas uma alternativa ao uso de vacinas.

"Será impossível estocar vacina e antivírussuficiente para proteger uma população inteira no futuro [...] Até agora, tudo o que temos é pesquisa, não temos essa capacidade ainda", reiterou. "Mas é por essas razões que queremos, se possível, transformar o nosso corpo em uma fábrica de anticorpos."

Para que a técnica seja útil, será necessário desenvolver ainda a capacidade de remover os genes editados, a chamada "remediação genética". O programa "Genes Seguros" da DARPA terá o objetivo ambicioso de reverter os efeitos da já conhecida técnica de Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas (CRISPR, na sigla em inglês).

Imagens dos embriões modificados pela técnica CRISPR, na China, em outubro de 2018
© AP Photo / Mark Schiefelbein
Imagens dos embriões modificados pela técnica CRISPR, na China, em outubro de 2018

Essa técnica foi motivo de controvérsia na China recentemente, após um cientista alterar dois embriões produzidos com o esperma de um dador HIV-positivo e implantá-los em uma mãe HIV-negativa, com o intuito de gerar crianças imunes ao vírus.

Conforme apontou Walker, a tecnologia é de uso dual. Por exemplo, no início deste mês, a Universidade de Pequim publicou um estudo na Revista de Medicina de New England, na qual revelou ter tratado com sucesso um paciente sofrendo de leucemia linfoblástica aguda utilizando a técnica CRISPR.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019092514559443-pentagono-quer-editar-o-genoma-de-seus-soldados-para-protege-los-dos-pes-a-cabeca-/

Verdade histórica - Apontamentos sobre a II Guerra Mundial

É permanente a necessidade de repor a verdade histórica sobre a II Guerra Mundial, sistematicamente falsificada. Falsificação que atinge o delírio oficial, como sucedeu com as recentes comemorações ocidentais do desembarque na Normandia para as quais a Rússia não foi convidada mas em que, em compensação, estava presente… a Alemanha. Para toda esta gente continua a ser insuportável o papel decisivo da URSS na derrota do nazi-fascismo.


 

A História da II Guerra Mundial (II GM) é alvo de falsificação permanente. A revista do Expresso (7.6.19) fala do desembarque na Normandia (6 Junho, 1944) como «a maior operação aeronaval de todos os tempos e o prelúdio da derrota nazi». Mas como escreve Adam Tooze, Professor de História Económica nas Universidades de Cambridge e Yale:

«o ataque lançado pela Wehrmacht [ contra a URSS] em 22 de Junho de 1941 foi a maior operação militar única de que há registo histórico. Uma força não inferior a 3 050 000 homens participou na assalto […]. Nunca, nem antes nem depois, se travou batalha com tanta ferocidade, por tantos homens, numa frente de batalha tão extensa» 1. Apresentar o Dia D como ‘prelúdio da derrota nazi’ significa apagar da História três anos (!) de batalhas decisivas. É fake History. A propaganda anticomunista dá nisto.

Os propagandistas enfrentam um problema: a realidade. Em Junho de 1944 já a URSS libertara quase todo o seu território e, com os movimentos de resistência popular armada em inúmeros países (e o papel decisivo dos comunistas), preparava-se para libertar Berlim (Maio, 1945).

Já em Agosto de 1941, Goebbels escrevia no seu diário: «O Führer está intimamente muito irritado por se ter deixado enganar sobre o potencial bélico dos bolcheviques. […] Trata-se duma grave crise […]. Em comparação, as campanhas conduzidas até aqui eram meros passeios». E em Setembro: «Avaliámos de forma totalmente errada o potencial dos bolcheviques» 2.

Os nazis foram pela primeira vez travados às portas de Moscovo. Para o historiador Jacques Pauwels, foi o momento de viragem: «a Batalha de Moscovo […] e em especial o começo da contra-ofensiva do Exército Vermelho em 5 de Dezembro de 1941, assinalou o fim da estratégia até então extremamente bem sucedida de blitzkrieg, ou “guerra-relâmpago”. E desta forma, condenou a Alemanha Nazi a perder a guerra» 3.

A brutal dominação nazi-fascista estendia-se, em 1942, a quase toda a Europa. Nesse ano «o exército soviético combatia contra 98% do exército alemão operacional – 178 divisões concentradas na frente leste – enquanto que os britânicos combatiam contra 4 no Norte de África» 4. Os EUA ainda estavam longe de entrar em guerra na Europa. Em 1943 travaram-se batalhas decisivas. Diz Tooze: «A batalha de Estalinegrado é o feito militar e político mais importante da [II GM…]. Entre 17 Julho 1942 e 2 Fevereiro 1943, os exércitos do bloco fascista perderam cerca dum quarto das forças que operavam na frente soviético-alemã» 5. No Verão é a batalha de Kursk, «uma das mais grandiosas da [II GM…]. O exército fascista alemão sofreu uma derrota de que já não foi capaz de se recompor…]. A iniciativa estratégica ficou até ao final nas mãos […] da URSS» 6.

Faltava quase um ano para o Dia D. Em Janeiro de 1944, após quase dois anos e meio, o Exército Vermelho rompeu o cerco à segunda cidade da URSS. O sacrifício inenarrável de Leninegrado custou mais vidas soviéticas do que o total de baixas dos EUA e Reino Unido em todos os teatros de guerra da II GM 7. Nos «três anos entre Junho 1941 e Maio 1944, a taxa média de baixas da Wehrmacht na Frente Leste foi de quase 60 000 mortos por mês. Nos últimos doze meses da guerra a sangria atingiu proporções realmente extraordinárias» 8. O Exército Vermelho foi responsável por 90% dos soldados alemães mortos na II GM 9.

Tooze sintetiza a verdade histórica:

«É inquestionável que foi na Frente Leste que o 3.º Reich sangrado até à morte, e foi o Exército Vermelho o maior responsável pela destruição da Wehrmacht» 10.

Compadrio com o fascismo

As causas de fundo da II GM residem na natureza agressiva do capitalismo. Poucos anos antes, as grandes potências imperialistas combateram-se na I Guerra Mundial, disputando mercados, matérias-primas e colónias e tentando vergar, pelo militarismo, a classe operária dos seus países 11. Mas a chacina teve resultados inesperados. A guerra termina com os povos em revolta. Em 1917 houve duas revoluções na Rússia czarista, levando os bolcheviques ao poder e lançando a primeira experiência histórica de construção do socialismo. A Alemanha foi obrigada ao Armistício pela revolta dos seus marinheiros, soldados e operários, em Novembro de 1918. No Reino Unido, a efervescência revolucionária leva o PM liberal Lloyd George a encarar, em 1919, bombardear cidades operárias em revolta, como Glasgow, Liverpool e Manchester 12. As potências capitalistas vencedoras aproveitam a derrota alemã para se apossar das suas colónias e parte do seu território europeu. O Tratado de Versalhes (1919) impôs-lhe pesadas compensações de guerra, conducentes à hiperinflação dos anos 20 e arruinando a pequena e média burguesia alemã.

Quando em 1929 eclode a grande crise do capitalismo, era generalizada a sensação de um sistema em derrocada, ao qual o impetuoso crescimento económico da URSS socialista nos anos 30 fazia evidente contraponto. Logo no primeiro Plano Quinquenal (1928-32) a produção industrial soviética cresceu 22% ao ano, valores ainda hoje sem paralelo.

Este contexto explica a conivência de boa parte das classes dominantes europeias com o ascenso do fascismo, no qual viam um ‘salvador’. Em 1927, Churchill declarou em Itália, após encontrar-se com Mussolini, que «se fosse italiano, estou seguro de que teria estado ao vosso lado, de alma e coração, do princípio até ao fim, na vossa luta triunfante contra as paixões e apetites animalescos do Leninismo» 13. O Governador do Banco de Inglaterra, Norman Montagu, dizia em 1934, em Nova Iorque: «Hitler e Schacht [o seu homólogo alemão] são na Alemanha bastiões da civilização. São os únicos amigos que temos naquele país. Defendem o nosso tipo de ordem social contra o comunismo» 14. Uma mensagem bem acolhida pelo grande capital dos EUA 15.

Hitler nunca escondera a sua ambição de colonizar o Leste europeu, para assegurar o Lebensraum (espaço vital) alemão. Diz o Embaixador soviético em Inglaterra (1932-39), Ivan Maisky 16: «Em Janeiro de 1933 os fascistas tomaram o poder na Alemanha. No mundo capitalista […] formaram-se dois grupos de potências: o primeiro, composto pela Alemanha, Itália e Japão, colocou abertamente o problema da redivisão do mundo […]; o segundo grupo, composto por Inglaterra, França e Estados Unidos, detentores da maioria das riquezas mundiais, tomou partido pelo status quo. Esforçando-se por ultrapassar a cisão […] os dirigentes do capitalismo […] pensaram conciliar as suas contradições à custa da URSS. Os homens de Estado de Londres, Paris e Washington deram a entender a Hitler, por todas as formas, que poderia procurar o seu ‘espaço vital’ a Leste».

Após a chegada de Hitler ao poder, «a 15 Julho 1933, foi assinado o ‘Pacto de Concórdia e Cooperação’ entra a Inglaterra, França, Alemanha e Itália […] no qual se expressava o […] ‘direito’ da Alemanha a rearmar-se sem limites» 17. A ‘Concórdia’ inspirou o compadrio com as agressões das potências fascistas que marcou a década de 30 e abriria caminho à guerra.

Em Setembro de 1931, o Japão, futuro aliado da Alemanha e Itália no Pacto Anti-Comintern 18, invadiu e ocupou parte da China. O Presidente dos EUA Hoover falou, compreensivo, em «restabelecimento da ordem» 19. No Outono de 1935, a Itália fascista invadiu o único país africano que escapara à colonização, a Etiópia. O apelo da Etiópia à Sociedade das Nações, «apenas foi apoiado pela União Soviética e alguns pequenos Estados. Os EUA, Inglaterra e França não só se negaram a vender armas à Etiópia, como recorreram, na prática, a um bloqueio contra ela» 20.

Igual sorte coube à República Espanhola e ao seu democraticamente eleito governo de Frente Popular, aquando do golpe militar do General Franco (Julho, 1936). Franco recebia o apoio militar de Hitler e Mussolini (também através do Portugal fascista 21), mas o governo legítimo foi impedido de se defender pelas democracias burguesas, incluindo o Governo de Frente Popular na vizinha França. Apenas a URSS ajudou a República. Escreve o historiador Viñas: «a decisão soviética de ajudar a República com homens e sobretudo armas, não sendo rápida, teve efeitos muito significativos. Sem essas armas, e na ausência de fontes regulares de abastecimento alternativo, o nascente Exército Popular não teria podido resistir durante muito tempo» 22. A «solidão da República» ficou conhecida como ‘política de Não Intervenção’ mas foi uma forma de intervenção, assente no ódio de classe, que ajudou à vitória franquista. Em 1936, Churchill descrevia os Republicanos como «um proletariado empobrecido e atrasado que exige o derrube da Igreja, do Estado e da propriedade e a instauração dum regime comunista», contra o qual se erguiam «forças patrióticas, religiosas e burguesas, sob a direcção das forças armadas […] que marcham para reestabelecer a ordem através duma ditadura militar» 23. O compadrio deu a estocada final numa República isolada e em dificuldades. Escreve Maiski: «A 27 Fevereiro [1939] a Inglaterra e França reconhecem oficialmente o Governo de Franco e rompem relações diplomáticas com o governo espanhol. Foi apenas o prelúdio. Em 5-6 Março rebentou uma sedição contra-revolucionária, chefiada pelo socialista de direita Besteiro e pelo comandante da frente central da República, general Casado. O complot foi organizado por agentes [dos PM inglês e francês] Chamberlain [e] Daladier. […] Os conjurados tomaram o poder. Abriram a frente ao general Franco e viraram-se selvaticamente contras as unidades fiéis à República, comandadas por comunistas. Consumada a traição, a 1 de Abril 1939, Casado transfere-se para Inglaterra» 24. Assim caiu a República Espanhola.

Em Março de 1938, Hitler anexa a Áustria (o Anschluss). Escreve Deborin: «Nenhum país capitalista protestou, nem sequer formalmente […] contra este acto de agressão. A Inglaterra e França reconheceram sem demora a anexação da Áustria. […] O Vaticano também não condenou a anexação da Áustria católica pela Alemanha hitleriana» 25.

Munique e ouro

O compadrio atinge o auge na Conferência de Munique em Setembro de 1938. Chamberlain e Daladier juntam-se a Hitler e Mussolini, na Alemanha, para desmembrar a Checoslováquia, cujos dirigentes foram excluídos da Conferência. O jornalista W. Shirer descreve o ultimato inglês aos representantes checos: «Em nome de Chamberlain, [Sir Horace] Wilson informou-os dos pontos principais do acordo entre as quatro potências e entregou-lhes um mapa das áreas Sudetas que deveriam ser imediatamente evacuadas pelos checos [para entregar à Alemanha]. Quando os dois enviados tentaram protestar, o funcionário britânico cortou-lhes a palavra […] e retirou-se rapidamente da sala» 26. A 30 de Setembro, «Hitler, Chamberlain, Mussolini e Daladier, por essa ordem, [assinaram o] Acordo de Munique, que estipulava que o Exército alemão começaria a sua marcha sobre território da Checoslováquia no dia 1 de Outubro, tal como o Führer sempre disse que aconteceria». O Acordo criou uma Comissão Internacional que «decidiu em favor da Alemanha todas as disputas territoriais adicionais […] e dispensou a realização dos plebiscitos que o Acordo previa […] Os polacos e húngaros […] desceram qual abutres para abocanhar pedaços de território checoslovaco. A Polónia […] apoderou-se de cerca de 650 milhas quadradas na zona de Teschen, com uma população de 228 000 habitantes, dos quais 133 000 checos». O resto da Checoslováquia foi ocupada por Hitler, em Março de 1939.

Coroando a infâmia, as reservas de ouro da Checoslováquia, à guarda do ‘banco dos banqueiros’, BIS, foram entregues aos nazis após a ocupação de Praga, com a conivência directa do Banco de Inglaterra. Chamberlain, «accionista importante nas Imperial Chemical Industries, parceiro da I. G. Farben, cujo Hermann Schmitz era director do BIS», negou a transferência, mentindo perante o Parlamento 27. Ouro da Bélgica teve igual destino 28.

A traição fora preparada com antecedência. Maiski diz 29: «lord Halifax foi encarregue por Chamberlain de […] negociar com Hitler um acordo global […]. A Acta do encontro Hitler-Halifax de 17 Novembro 1937, publicada […] em 1948, mostra que lord Halifax propôs a Hitler, em nome do governo de sua majestade, uma aliança baseada num ‘pacto a quatro’ e deixou ‘mãos livres’ ao Führer na Europa Central e Oriental. Em particular, Halifax declarou que não se deveria ‘excluir a possibilidade de modificar a situação existente’ na Europa e precisou que neste âmbito de questões se incluiam ‘Danzig [Gdansk], a Áustria e a Checoslováquia’. […] quando em Fevereiro 1938 Eden […] foi substituído no Foreign Office por lord Halifax […] o Führer decidiu não perder tempo, e a 12 Março 1938 […] apossou-se da Áustria […] no mesmo dia em que Chamberlain recebia solenemente em Inglaterra o Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Joachim Ribbentrop». O ‘Pacto Chamberlain-Ribbentrop’ continuou no dia após Munique, quando Chamberlain propôs a Hitler «cooperação ulterior para pôr fim à Guerra Civil Espanhola […] e mesmo uma solução do problema russo» 30. Daladier afirmou, em 1938, recear «que a Alemanha fosse derrotada na guerra […] e que os únicos beneficiários viessem a ser os Bolcheviques, uma vez que haveria uma revolução social em todos os países da Europa […] os Cossacos dominariam a Europa» 31.

A conivência com o nazi-fascismo e a recusa duma aliança das potências anti-fascistas, que a URSS há muito advogava e que poderia ter evitado a guerra, acabaria por se virar contra os próprios governantes de França, Inglaterra e Polónia. Churchill, que mais cedo do que outros dirigentes ingleses compreendeu que a Alemanha ressurgente também ameaçava a posição global da Inglaterra (a maior potência colonial da História), haveria de acertadamente dizer a Chamberlain, após Munique: «Foi-vos dada a opção entre a desonra e a guerra. Escolheram a desonra. Vão ter a guerra».

Agosto de 1939

É convenção considerar que a II GM começou com a invasão alemã da Polónia, a 1 Setembro de 1939. Na realidade começara antes para muitos povos e a declaração de guerra de Inglaterra e França no dia 3 foi sobretudo simbólica. A Polónia teve de se defender sozinha, rendendo-se ao fim de poucas semanas. Não houve combates entre anglo-franceses e alemães durante muitos meses, até que Hitler invadiu a Bélgica, Holanda e França (Maio, 1940).

É uma falsificação grosseira afirmar que a II GM resultou da assinatura, a 23 de Agosto, do tratado de não-agressão entre a URSS e a Alemanha nazi, um mito que esconde as cumplicidades já referidas. Maiski expõe a perspectiva soviética:

«Em 1939, a União Soviética estava de novo ameaçada por um perigo grave, duma eventual agressão das potências fascistas e, em particular, da Alemanha e Japão. Existia também o perigo que se constituísse uma frente capitalista anti-soviética, pois […] Chamberlain e Daladier poder-se-iam, a qualquer momento, alinhar com as potências fascistas e apoiar, duma ou outra forma, um ataque contra a União Soviética. […] A solução melhor, a que a União Soviética aspirava então, com todas as suas forças e meios, era uma coligação defensiva de potências que não tinham interesse em desencadear uma segunda guerra mundial. Na prática isto significava em primeiro lugar um pacto de assistência mútua entre URSS, Grã Bretanha e França. […] Mas, devido à sistemática sabotagem de Chamberlain e Daladier, que visavam um conflito entre a Alemanha e a URSS, no mês de Agosto 1939 as negociações ficaram num impasse. […] O governo soviético tinha perante si duas perspectivas: uma política de isolamento ou um acordo com a Alemanha. Na situação de 1939, quando junto às fronteiras do Extremo Oriente já soavam os canhões [… japoneses], quando Chamberlain e Daladier faziam grandes esforços para atiçar a Alemanha contra a URSS, quando os próprios alemães ainda estavam incertos sobre a direcção do seu primeiro golpe – nessa situação, uma política isolacionista teria sido extremamente arriscada e o governo soviético fez muito bem em recusá-la».

Note-se que no Verão de 1939 os ingleses também negociavam com os nazis. Ponting refere, com base em documentos oficiais, que «os britânicos ofereceram um acordo global [com a Alemanha], baseado num gigantesco empréstimo do Reino Unido para ajudar a economia alemã […]. Foi dado a entender que a Grã Bretanha estaria disposta a abandonar os polacos em caso de acordo» 32.

O acordo de não-agressão com a Alemanha e a política dos meses seguintes apenas se compreendem à luz da convicção soviética de que a guerra da Alemanha contra a URSS, com que Hitler sonhara desde a primeira hora, se tornara inevitável. Tratava-se de adiá-la ao máximo e combatê-la nas melhores condições possíveis. Em 1939-40, a URSS recuperou territórios que lhe foram retirados nas agressões que sofreu após a Revolução de Outubro e em Brest-Litovsk. Recuperando as suas fronteiras, criou melhores condições para suster o embate da Operação Barbarossa que Hitler desencadearia em Junho de 1941. A História regista como a URSS foi assim capaz de sobreviver e derrotar o nazi-fascismo, prestando um serviço maior à Humanidade.

Porque é que Hitler, furando as expectativas, atacou primeiro a Ocidente, antes de se virar contra a URSS? Não deve ser subestimado o papel das contradições inter-imperialistas, que já haviam conduzido à I GM, e o desejo de desforra da derrota e humilhação sofrida pela Alemanha em 1918. Hitler queria também assegurar a sua retaguarda antes da invasão da URSS, e o controlo sobre a Europa Ocidental entregou-lhe um enorme potencial industrial e de matérias-primas. Hitler sabia que o ódio de classe que levava grande parte da alta sociedade francesa a clamar «antes Hitler que [Leon] Blum» 33, adubava a «opção pela derrota» 34 que se traduziu na rendição e no colaboracionismo de Vichy 35. Em Inglaterra também havia germanófilos (incluindo na família real) e episódios de ‘diplomacia paralela’, incluindo a viagem de Hess em 1941 36.

Resistência

A vitória soviética na II GM não teria sido possível sem a industrialização dos anos 30. Diz Tooze:

«Apesar de ter sofrido perdas territoriais e uma perturbação que se traduziu numa quebra de 25% no produto nacional total, a União Soviética conseguiu ultrapassar a Alemanha na produção de quase todas as categorias de armamento. […] Foi esta superioridade industrial, contrária a todas as expectativas, que permitiu ao Exército Vermelho, primeiro absorver a segunda grande investida da Wehrmacht, e depois, e Novembro de 1942, lançar uma série de contra-ataques devastadores. […] Os triunfos de Jukov e dos seus colegas teriam sido impossíveis, não fora o excelente material militar fornecido pelas fábricas» 37.

A consciência da importância da industrialização para a capacidade de resistência em caso de agressão foi um dos aspectos que levou, no final dos anos 20, à opção soviética pela industrialização acelerada.

Mas a Vitória resultou também da determinação em resistir, que não existiu noutros países. Falando do avanço imparável de Hitler até a invasão da URSS, diz Deborin 38: «A situação criada era principalmente resultado da profunda contradição que existia nos países europeus entre os meios governantes e as massas populares. […] os governos burgueses temiam os seus povos mais do que aos invasores alemães». E ainda: «a guerra contra a Alemanha, Itália e Japão só podia ter êxito enquanto guerra antifascista, só na medida em que os inimigos dos Estados fascistas fossem superiores não apenas no aspecto técnico-militar, mas no político-moral. Essa superioridade não se podia conseguir numa guerra que tivesse carácter imperialista dos dois lados».
Foi mérito histórico inegável da direcção do Estado e do Partido soviéticos terem compreendido a natureza dos acontecimentos e terem resistido face às maiores adversidades. Independentemente de avaliações sobre outros momentos históricos, a Humanidade deve muito à firmeza de Stáline e do Partido Comunista da União Soviética na II GM. Negar esse facto é também falsificar a verdade histórica.

A natureza das potências envolvidas na II GM evidenciou-se na conduta de guerra. A barbárie nazi-fascista é bem conhecida. A aniquilação atómica de duas cidades japonesas pelos EUA é outro crime maior da História. O ataque a civis como técnica de guerra anglo-americana na II GM está documentado: «A 25 Setembro [1941] o Chefe da Força Aérea apresentou a Churchill os objectivos da campanha [aérea]: ‘o ponto fraco da máquina de guerra alemã é o moral da população civil e em particular dos operários da indústria. […o] ataque à moral não é uma mera questão de matar […] Trata-se de criar a perturbação geral da vida industrial e social […] é nas cidades densamente povoadas que o efeito moral dos bombardeamentos se fará sobretudo sentir» 39.
Churchill defendeu o uso de armas químicas (que usara contra a Rússia Soviética em 1919 40) contra populações civis: «‘Podemos encharcar as cidades do Ruhr e muitas outras na Alemanha de tal forma que a maioria da população necessite de cuidados médicos permanentes’». Os bombardeamentos anglo-americanos atingiram proporções dramáticas em Hamburgo (Julho de 1943, 35 mil mortos), Dresden (Fevereiro de 1945, 100 mil mortos) e Tóquio (Março de 1945, 100 mil mortos).
O elemento de classe esteve também presente na forma como, ainda antes do fim da II GM, os ‘Aliados’ imperialistas viraram armas contra a resistência dos povos que se tinham lançado no combate antifascista, para impedir que a libertação fosse também social. A resistência grega da EAM-ELAS (com forte influência comunista) foi aniquilada pela violência, sob direcção anglo-americana, no que inadequadamente se convencionou chamar ‘Guerra Civil’. E a 27 de Maio de 1944, na Marselha ocupada em greve geral «toda a cidade parecia ter descido à rua. […] De repente, às 10 horas, aviões americanos ocupam o céu e despejam as suas bombas sobre a população que disputa a rua aos ocupantes! Os bairros operários são os primeiros a ser atingidos […]. Balanço: mais de 10 mil casas são atingidas, e 5 mil vítimas ficam sob os escombros. Nenhum alvo inimigo foi atingido!» 41.
***
As lições da II GM são múltiplas. Ganham maior importância quando de novo se adensam os perigos duma guerra de enormes proporções, fruto das contradições de um sistema capitalista em profunda crise sistémica, incapaz de resolver os grandes problemas da Humanidade, e que só conhece a guerra como forma de dirimir as suas rivalidades e travar as aspirações dos povos a um mundo melhor.

Notas
(1) Adam Tooze, The Wages of Destruction, Penguin Books, 2007, p. 432 e 480. Não leva em conta quase 700 mil soldados de outros países que participaram no ataque, como referido em Jacques Pauwels, The myth of the Good War, James Laurimer & Company Publishers, Toronto, 2015 (ed. Revista), p. 66.↲
(2) Citações em Domenico Losurdo, Stalin. Storia e critica di una leggenda nera. Carocci editore, 2008.↲
(3) Jacques Pauwels, op. cit., p. 9.↲
(4) Clive Ponting, Churchill, Sinclair-Stevenson, 1994, p. 566.↲
(5) La Gran Guerra Patria de la Unión Sovietica, Editorial Progresso, 1975, pp. 195-6.↲
(6) La Gran Guerra Patria, op. cit., p. 223.↲
(7) Jacques Pauwels, op. cit., p. 113.↲
(8) Adam Tooze, op. cit., p. 513.↲
(9) Jacques Pauwels, op. cit., p. 73.↲
(10) Veja-se Jacques Pauwels, 1914-1918, La Grande Guerre des Classes, Ed. Aden, 2014.↲
(10) Adam Tooze, op. cit., p. 429.↲
(11) Veja-se Jacques Pauwels, 1914-1918, La Grande Guerre des Classes, Ed. Aden, 2014.↲
(12) Jacques Pauwels, op. cit., 1914-1918, p. 763.↲
(13) Clive Ponting, Churchill, op. cit., p. 350.↲
(14) Citado em Jacques Pauwels, Big business avec Hitler, Ed. Aden, 2013, p. 162.↲
(15) Veja-se Jacques Pauwels, Big business avec Hitler, op. cit., e Charles Higham, Trading with the Enemy: an exposé of the Nazi-American Money Plot 1933-1949. Robert Hale ed., 1983.↲
(16) Ivan Maiski, Perché scoppió la Seconda Guerra Mondiale?, Editori Riuniti, 1965, p. 325.↲
(17) Deborin, La Segunda Guerra Mundial, Editorial Progreso, 1977, p. 20.↲
(18) Ou seja, anti-Internacional Comunista.↲
(19) Deborin, op. cit., p. 15.↲
(20) Idem, p. 28.↲
(21) Ivan Maiski, op. cit., p. 344 e 388.↲
(22) Ángel Vinas, La República en guerra, Crítica contrastes, 2012, p. 21.↲
(23) Clive Ponting, Churchill, op. cit., p. 390.↲
(24) Ivan Maiski, op. cit., pp. 460-1.↲
(25) Deborin, op. cit., pp. 59-60.↲
(26) Shirer, op. cit., pp. 417-421.↲
(27) Higham, op. cit., pp. 5-7.↲
(28) Idem, p. 8 e 16.↲
(29) Ivan Maiski, op. cit., pp. 473-4.↲
(30) Shirer, op. cit., p. 419.↲
(31) Clive Ponting, 1940, Myth and Reality. Cardinalo, p. 48.↲
(32) Idem, pp. 38-39.↲
(33) William L. Shirer, The Collapse of the Third Republic, Pan Books, 1970, p. 359.↲
(34) Título dum livro da historiadora francesa Annie Lacroix-Riz, Le choix de la défaite, Armand Colin, 2.ª ed., 2010.↲
(35) O Governo colaboracionista de Vichy foi chefiado pelo Marechal Pétain e reconhecido pelos EUA. Segundo Deborin (op. cit., p. 97) foi aceite por Hitler para não permitir que o Império colonial e a frota naval francesas fossem parar às mãos dos seus concorrentes.↲
(36) Ver Clive Ponting, 1940, pp. 73, 95, 111-115, e Deborin, p. 147.↲
(37) Adam Tooze, op. cit., p. 588.↲
(38) Deborin, op. cit., p. 311, 87 e 91.↲
(39) Clive Ponting, 1940, op. cit., p. 539. Citações seguintes pp. 627-8 e 640.↲
(40) Clive Ponting, Churchill, op. cit., p. 237.↲
(41) Charles Tillon, Les F.T.P., Ed. 10|18, p. 278.↲

 

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References

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Coalizão liderada pela Arábia Saudita lança ataques aéreos contra alvos dos houthis em Hodeidah, Iêmen

Saná, 20 set (Xinhua) -- A coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou no início de sexta-feira uma série de ataques aéreos contra a cidade portuária iemenita de Hodeidah, no Mar Vermelho, tendo como alvo quatro locais que disse ser usados pelos rebeldes iemenitas de houthi para montar barcos de controle remoto e minas marítimas.

Em um comunicado veiculado pela Agência de Imprensa saudita, o porta-voz da coalizão Turki al-Maliki disse que os lugares atacados no norte de Hodeidah eram usados pelos houthis para executar "operações terroristas" que ameaçam as linhas de transporte marítimo e o comércio internacional no Estreito de Bab al-Mandab e no sul do Mar Vermelho.

Por outro lado, o grupo houthi disse em seu canal de televisão al-Masirah que os ataques aéreos violaram um acordo de cessar-fogo intermediado pela ONU, que foi chegado em Estocolmo no ano passado para suspender o combate em Hodeidah, acrescentando que eles estão prontos para confrontar "qualquer possível agravamento militar".

Os ataques aéreos ocorreram horas depois que a coalizão disse que interceptou e destruiu um barco carregado de bombas no Mar Vermelho na noite de quinta-feira, mas não especificou o alvo pretendido.

Os houthis assumiram na semana passada a autoria dos ataques de drone contra duas importantes instalações da empresa petrolífera Aramco, da Arábia Saudita, paralisando temporariamente a metade da produção de petróleo saudita.

A Arábia Saudita vem liderando uma coalizão militar árabe contra os houthis, aliados do Irã no Iêmen, há mais de quatro anos em apoio ao governo exilado mas internacionalmente reconhecido do presidente iemenita, Abd-Rabbu Mansour Hadi.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/20/c_138408361.htm

EUA temem grande conflito com Irã, afirma especialista

Vice-presidente dos EUA, Mike Pence, afirmou que os militares norte-americanos estão prontos para dar resposta aos ataques a refinarias sauditas. Sputnik falou com analista sobre o que esperar da situação.

Mike Pence declarou que militares norte-americanos estão prontos para responder aos ataques a instalações petrolíferas sauditas. A declaração foi dada durante discurso no think tank conservador Heritage Foundation, localizado em Washington.

Segundo vice-presidente, Washington "está analisando todos os dados" e consultando aliados para determinar as melhores ações nos próximos dias.

Mike Pence enfatizou que se o Irã tiver cometido ataque a refinarias sauditas para pressionar o presidente Donald Trump e forçá-lo a recuar, então não alcançará o quer.

Grupo radical no Congresso dos EUA

Professor da Universidade de São Petersburgo Aleksandr Kubyshkin comentou a situação em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, observando que se deve ter cuidado na hora de prever algo.

"Trump, em minha opinião, claramente não quer guerra com o Irã [...] Outra coisa é que o Congresso dos EUA agora tem um lobby anti-iraniano muito forte, que inclui tanto democratas quanto republicanos. E eles criticam ativamente Trump por sua atitude muito branda, na opinião deles, tanto com o Irã como com a Coreia do Norte, que os EUA consideram 'países desonestos'", afirmou Kubyshkin.

Segundo o professor, a saída de John Bolton da assessoria de Segurança Nacional do presidente dos EUA está, até certo ponto, relacionada a esse processo, já que Trump é incapaz de superar a resistência desse influente grupo radical no Congresso.

Capacidades militares do Irã

O especialista recordou que Trump era contra intervenções militares em grande escala no exterior, e que o conflito com o Irã, se começasse, teria consequências imprevisíveis.

"O Irã tem recursos militares significativos, incluindo mísseis de médio alcance. Entretanto, as bases militares americanas estão ao alcance [do Irã]. E os norte-americanos temem claramente um grande conflito, que pode ter consequências imprevisíveis", concluiu Alexander Kubyshkin.

Ataques a refinarias sauditas

No sábado à noite, duas refinarias da petrolífera estatal saudita Saudi Aramco foram incendiadas por drones e mísseis guiados. Posteriormente, o porta-voz do Ministério da Defesa da Arábia Saudita, Turki al-Maliki, disse que as instalações da Saudi Aramco foram atacadas por 18 drones e sete mísseis de cruzeiro.

Os rebeldes iemenitas houthis, contra os quais a coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita está lutando desde 2005, assumiram responsabilidade pelos ataques.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, não perdeu tempo e acusou o Irã pelos ataques. A acusação de Pompeo foi rebatida pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano, que a chamou de "mentira".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091914535297-eua-temem-grande-conflito-com-ira-afirma-especialista/

Irão adverte EUA que responderá a qualquer ataque

O Irão avisou os EUA, via Suíça, que «responderá de imediato» a qualquer acção contra o país a pretexto da «falsa acusação» de que Teerão esteve por trás do ataque recente a instalações petrolíferas sauditas.

Os ataques deste sábado contra instalações petrolíferas sauditas, reivindicados pelo movimento popular Huti Ansarullah, são os mais potentes de uma série de ataques de retaliação, perpetrados em território saudita, nos últimos temposCréditos / @SiriarenAldeEH

O Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros entregou, na segunda-feira, uma nota oficial de protesto aos Estados Unidos da América, através da Embaixada da Suíça em Teerão – que ali representa os interesses norte-americanos – na qual reitera a rejeição da acusação de envolvimento nos ataques perpetrados sábado passado contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita, noticiou esta quarta-feira a agência iraniana IRNA.

Na nota, em que condena e rejeita as acusações formuladas «de imediato e sem fundamentação» pela administração dos EUA – e a que deram voz, entre outros, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado, Mike Pompeo –, as autoridades iranianas afirmam que «qualquer acção levada a cabo contra o país teria uma resposta imediata», que não se limitaria à «fonte do acto de agressão», indica a PressTV.

Recorde-se que, na madrugada do último sábado, o movimento iemenita Ansarullah lançou uma operação de grande envergadura, na qual estiveram envolvidos pelo menos dez drones, contra as instalações da companhia estatal saudita Aramco – alegando tratar-se de uma resposta à guerra de agressão liderada pelos sauditas contra o Iémen desde Março de 2015 –, que provocaram a paralisação parcial na produção de petróleo e de gás no principal país exportador de petróleo.

Apesar de o movimento Huti Ansarullah ter de imediatamente assumido a responsabilidade dos ataques, Mike Pompeo foi rápido a lançar as culpas sobre o Irão.

Direito à «legítima defesa» e «embaraço de Washington»

O ministro iraniano da Defesa, general Amir Hatami, também rejeitou, esta quarta-feira, as acusações norte-americanas de envolvimento do seu país nos ataques à Arábia Saudita, tendo sublinhado o posicionamento do Irão de acordo com o qual a acção do Iémen de sábado passado constitui um «acto de legítima defesa», refere a PressTV.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, acusou os EUA de estarem a jogar a um jogo de «passa-culpas», no que respeita aos ataques iemenitas com drones, e de estarem «envergonhados» pelo facto de as armas que venderam a Riade terem falhado.

Os EUA «estão em negação se pensam que as vítimas iemenitas, nos quatro anos e meio de guerra, dos piores crimes não fariam tudo para contra-atacar. Talvez estejam embarassados porque as suas armas, de centenas de milhares de milhões de dólares, não inteceptaram o fogo iemenita», escreveu Zarif esta terça-feira na sua conta de Twitter. E acrescentou: «Mas culpar o Irão não vai mudar isso.» Javad Zarif reafirmou ainda o posicionamento do Irão de que pôr fim à guerra no Iémen é «a única solução para todos».

Guerra de agressão desde Março de 2015

Com apoio dos EUA e do Reino Unido, a Arábia Saudita, à frente de uma aliança que incluía países como os Emirados Árabes Unidos, o Egipto e o Sudão, lançou uma grande ofensiva militar contra o mais pobre dos países árabes, em Março de 2015, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

De acordo com a estimativa mais recente da ACLED (Armed Conflict Location & Event Data), a guerra de agressão provocou mais de 91 mil mortos no Iémen nos últimos quatro anos e meio. De acordo com um relatório das ONU publicado em Dezembro de 2018, mais de 24 milhões de iemenitas necessitam de ajuda humanitária urgente, incluindo dez milhões que são «severamente afectados pela fome».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/irao-adverte-eua-que-respondera-qualquer-ataque

Robôs 'assassinos' podem causar atrocidades massivas, alerta ex-engenheira do Google

Robô (foto de arquivo)
© Sputnik / Vladimir Astapkovich

Uma nova geração de armas autônomas que utilizam inteligência artificial (IA) poderia acidentalmente provocar uma guerra ou causar "atrocidades massivas", adverte a ex-engenheira de software do Google, Laura Nolan.

Em declarações, citadas pelo The Guardian, a cientista da computação apontou para o risco de que essas tecnologias se comportem de maneira inesperada.

Em 2018, Nolan renunciou ao Google em protesto contra a sua participação no Projeto Maven, que visa ajudar o Pentágono a melhorar as suas tecnologias de vigilância aérea usando aviões não tripulados.

Ao contrário dos drones, que são controlados por equipes militares, muitas vezes a milhares de quilômetros de distância do local onde a arma voadora está sendo implantada, Nolan disse que as armas autônomas, referidas por ela como "robôs assassinos", têm o potencial de fazer "coisas calamitosas para as quais não foram originalmente programadas".

Mudança ética na guerra

"Como é que uma máquina de matar que está lá fora, voando sozinha, distingue entre um combatente de 18 anos e um [jovem] de 18 anos que está caçado coelhos?", questiona Nolan.

"Não estou dizendo que os sistemas de mísseis guiados ou sistemas de defesa antimíssil devem ser proibidos. Afinal de contas, eles estão sob total controlo humano e alguém é, em última análise, responsável. No entanto, estas armas autônomas são uma mudança tanto ética como tecnológica na guerra", complementa.

A engenheira afirma que "pode haver acidentes em grande escala", porque esses sistemas robotizados podem começar a se "comportar de maneira inesperada".

Robô cachorro da Boston Dynamics
Robô "cachorro" da Boston Dynamics

"Muito poucas pessoas estão falando sobre isso, mas se não tivermos cuidado uma ou mais dessas armas, esses robôs assassinos, podem acidentalmente iniciar uma guerra repentina, destruir uma usina nuclear e causar atrocidades em massa", alerta a cientista.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019091714527613-robos-assassinos-podem-causar-atrocidades-massivas-alerta-ex-engenheira-do-google/

Os cidadãos da UE recusam tomar partido entre os EUA e a Rússia

Uma sondagem (pesquisa-br) realizada pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), equivalente ao Council of Foreign Relations (Conselho de Relações Exteriores- ndT) norte-americano, avalia o apoio actual ao projecto de Estado supranacional do Tratado de Maastricht, capaz de rivalizar com os Estados Unidos e a China —muito embora em 1992, este segundo país não fosse tido como uma super-potência— [1]. Ela mostra que é apoiado por quase um terço dos Franceses, Austríacos e Alemães.

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Mais surpreendente, apesar dos quarenta anos em que foram colocados sob tutela norte-americana, uma maioria de cidadãos europeus não confia mais e não mais se sente solidária com os Estados Unidos. Em caso de conflito entre os Estados Unidos e a Rússia, a maioria deseja que a União permaneça neutra.

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Na realidade, a UE apenas incluía 12 Estados antes do Tratado de Maastricht. À época, havia uma pequena maioria a desejar o Estado supranacional actual. Hoje em dia são menos de um terço. O Tratado de Maastricht confiou a defesa da UE à OTAN, a qual previa um apoio automático aos EUA em caso de conflito com a Rússia. Os cidadãos da UE encontram-se, portanto, embarcados contra sua vontade num Estado supranacional e num confronto militar que rejeitam.

Esta sondagem atesta o apego dos cidadãos europeus ao ideal de cooperação pela paz que prevalecia no continente no início do século XX.


[1] Give the people what they want: Popular demand for a strong European foreign policy, Susi Dennison, European Council on Foreign Relations, September 10, 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Conflito híbrido: qual seria o plano do Pentágono para a fronteira entre Colômbia e Venezuela?

Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar, que conecta a Venezuela com a Colômbia
© Sputnik / Mikhail Alaeddin

Na atual situação venezuelana, o presidente Nicolás Maduro ordenou que as Forças Armadas do país "elevassem o nível para alerta laranja" perante um possível ataque da Colômbia ao território nacional.

Jeff Cooper, criador do código de cores com o qual geralmente associamos níveis de ameaça, escreveu em seu livro "Princípios de Autodefesa" que muito mais importante do que as armas ou a experiência em manuseá-las é constituir uma verdadeira mentalidade de combate.

Embora os protocolos que correspondem a este nível sejam confidenciais ou restritos, é possível prever as ações de pré-guerra de um Estado e abrir o debate sobre como propor uma defesa integral da nação, opina o colunista da Sputnik Mundo José Negrón Valera.

'Zona Autônoma Temporária'

Sob o grande guarda-chuva da estratégia não convencional, o tenente-coronel dos Marines dos EUA, Frank Hoffman, impulsionou a noção de "guerra híbrida" para definir guerras que podem ser conduzidas e combatidas tanto por Estados, como por "uma variedade de atores não estatais, incorporando uma variedade de diferentes modos de guerra, incluindo capacidades convencionais, tácticas e formações irregulares, atos terroristas incluindo coerção, violência indiscriminada e desordem criminal".

"Estas atividades multimodais podem ser conduzidas por unidades separadas ou mesmo pela mesma [unidade], mas são operacionalmente e taticamente dirigidas dentro do mesmo campo de batalha para alcançar efeitos sinérgicos em todos os níveis da guerra", salienta Hoffman.

Para o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, general Valery Gerasimov, as guerras no século XXI não seriam mais declaradas, nem se desenvolveriam em um "padrão habitual", sendo mais importantes os métodos e táticas não militares do que as armas em si.

Hoffman declarou que o objetivo de um conflito híbrido seria avançar "na desintegração social interna e na quebra da vontade política do adversário", tratando-se de uma estratégia sociopolítica e não de uma estratégia militar.

O escritor e historiador Hakim Bey, em seu livro "Zona Autônoma Temporária" (TAZ), poderia esclarecer o que aconteceria nos próximos meses nos mais de 2 mil km de fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Essa área temporariamente autônoma define um espaço onde os limites do poder estabelecido pelo Estado foram ofuscados.

Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia
© REUTERS / Carlos Eduardo Ramirez
Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia

Quando o Estado ou a lógica social se quebra, por não responder às expectativas dos indivíduos, estes se refazem em várias formas e mecanismos de interação onde surgem novas éticas e os territórios já não seguem as coordenadas impostas pelas constituições nacionais, mas pelas expectativas de compreensão da nova circunstância. Para quem conhece a realidade da fronteira venezuelano-colombiana, essas considerações se tornam familiares, escreve o jornalista.

Do alerta laranja ao vermelho

A linha de fronteira não é determinada pelos Estados, mas pelas necessidades das comunidades locais. Colombianos atravessam a fronteira para serem tratados em hospitais gratuitos na Venezuela e muitos venezuelanos atravessam a fronteira para trabalhar temporariamente ou fazer compras na Colômbia – dessa forma, criam-se novas identidades fronteiriças.

Uma escalada no nível de violência na fronteira pode degenerar na emergência de um novo tipo de território de fato, que não será venezuelano nem colombiano, mas terá a guerra como sua única identidade.

A guerra proposta por Washington busca transformar este território em uma zona desregulamentada e, portanto, administrar a linha de fronteira, desaparecendo a capacidade do Estado venezuelano de atuar neste espaço.

Mas o deslocamento de fato da linha territorial tenta levar o ataque contra a guerrilha para a Venezuela – um falso positivo que poderia forçar as Forças Armadas venezuelanas a passar do alerta laranja para o vermelho.

Colômbia e Venezuela
© Foto / Google Maps
Colômbia e Venezuela

Na hipótese avançada pelo Pentágono, pode não estar prevista uma intervenção militar direta na Venezuela, mas uma deterioração das condições de vida na fronteira. Washington demonstraria assim que não só é capaz de minar a economia da Venezuela, como também a sua integridade territorial, ressalta o autor do artigo.

Guerra não tradicional

Mary Kaldor, uma especialista em novas guerras, considerou que hoje "a vitória não é mais baseada na capacidade de infligir destruição em massa, mas na capacidade de lutar contra o apoio popular dos oponentes".

Portanto, se a Venezuela está imersa em uma guerra onde todo o espectro social é atacado para enfraquecer a moral e o apoio ao governo nacional, qualquer crítica ou apontamento que vise atacar os múltiplos flancos deve ser visto como insumo para a luta contra o verdadeiro inimigo que é, em última instância, o imperialismo dos EUA.

O colunista conclui explicando que assumir e agir sobre a crítica popular necessária é desenvolver uma verdadeira mentalidade de combate, possivelmente a única que garante a legitimidade governamental e a coesão social: se a estratégia aplicada contra a Venezuela não é tradicional, por que o deveria ser seu esquema de análise e defesa?

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019090814493453-conflito-hibrido-qual-e-o-plano-do-pentagono-para-a-fronteira-entre-colombia-e-venezuela/

Paquistão promete 'resposta mais completa possível' à Índia na Caxemira

Um soldado indiano olhando pelo binóculo a 200 km da Linha de Controle que separa Índia e Paquistão (foto de aqruivo)
© AFP 2019 / PRAKASH SINGH

O Paquistão não quer uma guerra, mas prometeu responder "ao inimigo" de forma mais "completa possível", declarou o primeiro-ministro do país, Imran Khan.

Em uma mensagem por ocasião do Dia da Defesa, que é comemorado todos os anos em homenagem aos sacrifícios dos soldados paquistaneses na guerra de 1965 contra a Índia, Khan disse que o Paquistão novamente enfrenta uma situação semelhante.

Segundo o político, a Índia está "demonstrando novamente posições agressivas na Linha de Controle - a fronteira militar estabelecida entre Índia e Paquistão" - e alterando o status de Jammu e Caxemira.

"Para o Paquistão, a Caxemira é uma veia jugular. Alterar seu status coloca desafios à segurança e à integridade do Paquistão", disse Khan em sua mensagem. Ele acusou a Índia de estabelecer um "reino de terror" para o povo da Caxemira.

Em outra mensagem, o general Qamar Bajwa, chefe do exército paquistanês, disse que o povo e as forças armadas do Paquistão estão "dispostas a sacrificar tudo por seus irmãos da Caxemira".

O Parlamento da Índia retirou a autonomia de Jammu e de Caxemira, de maioria muçulmana, no início de agosto. Islamabad, desde então, alerta que a medida pode provocar uma guerra. A Índia diz que as mudanças na Caxemira são uma questão interna e rejeita a posição do Paquistão.

Tanto a Índia como o Paquistão reivindicam a região de Caxemira, que continua dividida entre os dois países desde que se libertaram do domínio colonial britânico em 1947.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019090714491613-paquistao-promete-resposta-mais-completa-possivel-a-india-na-caxemira/

OS PROGRAMAS DE GUERRA QUÍMICA E BIOLÓGICA DOS EUA

Resultado do 'agente laranja'
[ Este artigo consiste, essencialmente, numa cronologia. Infelizmente, ela pára antes do final do século XX. No entanto, os que verdadeiramente quiserem saber os desenvolvimentos posteriores poderão aqui encontrar um ponto de partida. Note-se que muitos destes dados são completamente ignorados pelo grande público. Por outro lado, foram-se acumulando dados sobre infracções e foram adicionadas mais evidências nos cerca de vinte anos, desde que foi publicada esta lista*]  
Pergunta -- A operação «Drop Kick» foi uma operação real realizada pelo governo dos EUA e, assim sendo, será que existem outros exemplos do governo proceder a experiências com civis?

Clyde Francis Habeck respondeu em Fevereiro de 2019:
Eis uma lista, interessante e assustadora - devo dizer, para minha protecção – de alegadas acções tomadas pelo governo «Do Povo, Pelo Povo e Para o Povo». Interessante, duma maneira macabra e assustadora, porque quase todas as experiências, senão todas, foram completamente legais.

TÍTULO 50 – GUERRA E DEFESA NACIONAL
CAPÍTULO 32 – PROGRAMA DE ARMAS QUÍMICAS E BIOLÓGICAS DOS EUA
Sec. 1520. Utilização de sujeitos humanos para experimentação de agentes químicos ou biológicos pelo Departamento da Defesa; reportadas às Comissões do Congresso no que respeita a experimentações e estudos; notificações dos agentes civis locais
(a) No mais tardar, trinta dias depois da aprovação final dentro do Departamento da Defesa, dos planos de qualquer experimentação ou estudo a ser conduzido pelo Departamento da Defesa, quer directamente, quer sob contrato, envolvendo a utilização de seres humanos para testar agentes químicos ou biológicos, o Secretário da Defesa irá fornecer às Comissões dos Serviços Armados do Senado e da Assembleia dos Representantes, uma relação detalhada de tais planos para experiência ou estudo e essa mesma experiência ou estudo só poderá  ser conduzido depois de passar um prazo de trinta dias, a começar pela data em que esse relatório é recebido pelas referidas comissões. 
(b)
(1) O Secretário da Defesa não poderá coordenar quaisquer testes ou experiências envolvendo a utilização de qualquer agente químico ou biológico em populações civis, a não ser que as autoridades civis da área onde o teste ou experiência vai ser conduzida sejam notificadas de antemão de tal teste ou experiência, e esta apenas poderá ser levada a cabo depois de expirado o período de trinta dias, começando pela data da notificação respectiva.
(2) O parágrafo (1) aplica-se a testes e experiências conduzidos por pessoal do Departamento de Defesa e a experiências conduzidas em nome do Departamento da Defesa, por contratantes.
Note-se que não é requerida uma autorização, apenas a aprovação do Departamento de Defesa. Note-se, também que, “a não ser que as autoridades civis da área onde o teste ou experiência vai ser conduzida sejam notificadas de antemão"... não dá definição do que constitui «autoridades civis» ou «da área». Governador, presidente do município, amigos do Departamento da Defesa?


1931 O Dr. Cornelius Rhoads, sob a protecção do Instituto Rockefeller  para a Investigação Médica, infecta seres humanos com células cancerígenas. Mais tarde, estará na origem da criação dos laboratórios para a Guerra Biológica do Exército dos EUA em Maryland, no Utah e no Panamá e é nomeado para a Comissão de Energia Atómica dos EUA. Enquanto permanece neste posto, inicia uma série de experiências com exposição a radiação em soldados e pacientes hospitalares civis.

1932 Inicia-se o Estudo Tuskegee sobre sífilis. 200 homens negros diagnosticados com sífilis, não lhes é nunca revelado o diagnóstico da doença, sendo-lhes negado tratamento da mesma, são usados como cobaias humanas para seguir a progressão dos sintomas da doença. Eles acabam todos por morrer de sífilis e as suas famílias nunca foram informadas de que poderiam ter sido tratados.

1935 O Incidente da Pelagra. Após milhões de mortes de pelagra, no intervalo de duas décadas, o Serviço de Saúde Pública dos EUA, FINALMENTE, ACTIVA-SE para enfrentar a doença. O Director deste serviço admite que tinha conhecimento, pelo menos há vinte anos, de que esta doença, a pelagra,  é causada  por uma deficiência em niacina. Mas não agiu, visto que a maior parte das mortes ocorria em populações negras afectadas pela pobreza.

1940 Quatrocentos presos em Chicago são infectados com malária para estudar os efeitos de novas drogas em experiência para combate à doença. Mais tarde, médicos nazis, durante o julgamento de Nuremberga, citam este estudo americano para defender as suas próprias acções durante o Holocausto.

1942 Os Serviços de Guerra Química iniciam experiências com gás mostarda sobre cerca de  4 mil soldados. As experiências continuam até 1945 e utilizaram membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia que escolheram servir de cobaias humanas, em vez de prestar serviço militar como combatentes.

1943 Em resposta ao programa em pleno desenvolvimento de guerra com micróbios, efectuado pelos japoneses, os EUA iniciam investigações com armas biológicas em Fort Detrick, MD.

1944 A Marinha dos EUA utiliza seres humanos para testar máscaras de gás e roupa. Os indivíduos eram trancados numa câmara com gás e expostos ao gás mostarda e a lewisita (gás tóxico).

1945 Inicia-se o Projecto «Paperclip». O Departamento de Estado dos EUA, os serviços de espionagem militares e a CIA recrutam cientistas nazis, oferecendo-lhe imunidade e identidades forjadas, em troca de trabalho para programas secretos do governo dos EUA.

1945 O "Programa F": é empreendido este programa, pela Comissão da Energia Atómica (AEC). O mesmo consiste num estudo muito extenso sobre os efeitos do fluoreto na saúde, um componente químico chave na produção da bomba nuclear. Sendo um dos químicos mais tóxicos para o Homem, causa efeitos marcados no sistema nervoso central, mas grande parte da informação é suprimida em nome da segurança nacional, porque se temiam processos que viessem comprometer a produção das bombas atómicas.

1946 Nos hospitais de Veteranos do Exército, os pacientes são usados como cobaias para experiências médicas. A fim de eliminar suspeitas, foi dada a ordem de substituir a palavra «experiências» por «investigações» ou «observações», sempre que sejam comunicados estudos médicos realizados num desses hospitais de veteranos.

1947 O Coronel E.E. Kirkpatrick, da Comissão de Energia Atómica dos EUA, produz um documento secreto (Documento 07075001, de 8 de Janeiro 1947 https://ahrp.org/1947-u-s-atomic-energy-commission-begins-radioactive-experiments-on-human-subjects/) que afirma que a agência irá começar a administrar doses intravenosas de substâncias radioactivas em seres humanos.

1947 A CIA inicia o estudo do LSD enquanto arma potencial para ser usada pela espionagem americana. Nele, são usados seres humanos (tanto civis, como militares) com e sem o seu conhecimento.

1950O Departamento da Defesa começa a fazer detonar armas nucleares em áreas desérticas e a controlar as pessoas que residem no trajecto dos ventos, em relação a problemas médicos e a taxas de mortalidade.

1950 Numa experiência destinada a determinar em que grau uma cidade americana seria susceptível a um ataque biológico, a Marinha dos EUA lança uma nuvem de bactérias sobre San Francisco a partir de um navio. Aparelhos de detecção estão distribuídos pela cidade, para testar a extensão da infecção. Muitos residentes adoecem com sintomas de doença semelhantes a pneumonia.

1951 O Departamento da Defesa inicia testes ao ar livre, usando bactérias e vírus patogénicos. Os testes duram até 1969 e existe o receio de que as pessoas a residir nas zonas limítrofes possam ter ficado expostas. 

1953 Os militares dos EUA espalham nuvens de gás de sulfureto de cádmio e zinco sobre Winnipeg, St. Louis, Minneapolis, Fort Wayne, Monocacy River Valley no Maryland, e Leesburg, Virginia. O seu propósito é determinar a eficiência com que poderão dispersar agentes químicos.

1953 São efectuadas experiências conjuntas do Exército, da Marinha e da CIA, pelas quais dezenas de milhares de pessoas, em Nova Iorque e San Francisco, são expostas a micróbios Serratia marcescens Bacillus glogigii lançados na atmosfera.

1953 A CIA inicia o Projecto MKULTRA. É um programa de investigação desenvolvido durante onze anos e concebido para produzir e testar drogas e agentes biológicos que pudessem ser usados no controlo da mente e na modificação do comportamento humano. Seis dos projetos subordinados implicavam testar estas substâncias em seres humanos, sem o seu conhecimento.

1955 Numa experiência para testar a capacidade de infectar populações humanas com agentes biológicos, a CIA liberta bactérias na baía de Tampa (Florida), retiradas do arsenal de armas biológicas.

1955 O Army Chemical Corps continua a investigação com LSD, estudando o seu uso potencial como agente incapacitante. Mais de 1.000 americanos participam nos testes que continuam até 1958.

1956  Os militares dos EUA libertam mosquitos infectados com o agente da febre amarela em zonas por cima de Savannah, Ga e Avon Park, Fl. Após cada teste, agentes do exército disfarçados de funcionários de saúde pública estudam os efeitos nas vítimas.

1958 O LSD é testado em 95 voluntários, nos Laboratórios da Guerra Química do Exército, para estudo dos seus efeitos sobre a inteligência.

1960 O Chefe Adjunto do Estado-Maior  autoriza testes de campo com LSD, na Europa e no Extremo Oriente. Na Europa, os testes têm o nome de código THIRD CHANCE; os destinados à população asiática, têm o nome de código de DERBY HAT.

1965 A CIA e o Departamento da Defesa iniciam o Projecto MKSEARCH, um programa para desenvolver a capacidade de manipulação do comportamento humano, através de drogas psicotrópicas.

1965 Os prisoneiros  detidos na  Holmesburg State Prison, em  Filadélfia, são sujeitos à dioxina, uma substância química muito tóxica, que faz parte do Agente Laranja usado no Vietname. Os homens são depois estudados em relação ao desenvolvimento de cancros, o que indica que se suspeitava que o Agente Laranja era tido como agente carcinogénico, desde essa época. 

1966 A CIA inicia o projecto MKOFTEN, um programa para testar o efeito toxicológico de certas drogas nos seres humanos e nos animais.

1966 O exército dos EUA distribui por toda a rede de metro da cidade de Nova Iorque o Bacillus subtilis, variante nigerMais de um milhão de civis ficam expostos, quando os cientistas militares deixam cair lâmpadas com bactérias, dentro dos sistemas de ventilação.

1967 A CIA e o Departamento de Defesa iniciam o projecto MKNAOMI, sucessor do MKULTRA e destinado a manter, armazenar e testar armas biológicas e químicas.

1968 A CIA faz experiências sobre a possibilidade de envenenar a água potável, injectando substâncias químicas no abastecimento de água do FDA  [Food and Drug Administration] em Washington, D.C.

1969 O Dr. Robert MacMahan, do Departamento da Defesa requer ao Congresso 10 milhões de dólares para desenvolver, no prazo de 5 a 10 anos, um agente biológico sintético para o qual não exista imunidade.

1970 O financiamento para o agente biológico sintético é obtido sob a referência H.R. 15090. O projecto, sob supervisão da CIA é levado a cabo pela Divisão de Operações Especiais em Fort Detrick, o laboratório «top secret» do exército para as armas biológicas. Especula-se que teriam sido usadas técnicas de biologia molecular para produzir um retro-vírus do tipo HIV. 

1970 Os Estados Unidos intensificam o seu desenvolvimento de «armas étnicas» (Military Review, Nov., 1970), concebidas para atingir de modo selectivo e eliminar determinados grupos étnicos que sejam susceptíveis devido a diferenças genéticas e variações no seu ADN.
1975 A secção de vírus do Centro de Fort Detrick para a Guerra Biológica é rebaptizada como Centro Fredrick de Investigação em Cancro e colocada sob a supervisão do National Cancer Institute (NCI) . É aqui que o programa especial de vírus cancerígenos é iniciado pela Marinha dos EUA, com a intenção de desenvolver vírus causadores de cancro. É também aqui que os virologistas isolam um vírus para o qual não existe imunidade. Ele será posteriormente designado por HTLV (Human T-cell Leukemia Virus).

1977 A audições do Senado sobre Saúde e Investigação Científica confirmam que 239 áreas povoadas tinham sido contaminadas com agentes biológicos entre 1949 e 1969. Estas incluem San Francisco, Washington, D.C., Key West, Panama City, Minneapolis, e St. Louis.
1978 Ensaios experimentais sobre a vacina contra a Hepatite B, iniciam-se em Nova Iorque, Los Angeles e San Francisco. Os cartazes para procurar pessoas para se submeterem a essas experiências especificam que se pede indivíduos sexualmente promíscuos, homossexuais.

1981 Os primeiros casos de SIDA em homens homossexuais são confirmados em Nova Iorque, Los Angeles e San Francisco, desencadeando a especulação de que a SIDA possa ter sido introduzida aquando da introdução da vacina da hepatite B.
1985 Segundo o jornal Science (227:173-177), os vírus HTLV e VISNA, este um vírus fatal para as ovelhas, são muito semelhantes, indicando uma relação próxima, do ponto de vista taxonómico e evolutivo.

1986 Segundo a revista Proceedings of the National Academy of Sciences (83:4007-4011), HIV e VISNA são muito semelhantes e partilham todos os elementos estruturais, excepto um pequeno segmento que é quase idêntico ao HTLV. Isto tem levado a que se especule que HTLV e VISNA possam ter sido ligados para produzir um novo retro-vírus para o qual não existe imunidade natural.

1986 Um relatório ao Congresso revela que a presente geração de agentes biológicos inclui: vírus modificados, toxinas ocorrendo naturalmente e agentes que foram alterados por engenharia genética, para mudar o seu carácter imunológico e impedir toda a prevenção com as vacinas existentes.

1987 O Departamento da Defesa admite que, apesar do tratado que baniu a investigação e desenvolvimento de agentes biológicos, continua a operar laboratórios de investigação em 127 locais e universidades, nos EUA.

1990 Mais de 1500 bébés de seis meses, de raça negra ou hispânicos, em Los Angeles, receberam uma vacina «experimental» da papeira, que nunca foi licenciada para utilização nos EUA. O CDC, mais tarde, admitiu que os progenitores nunca foram informados de que a vacina - usada nos seus filhos - era experimental. 

1994 Usando a técnica de «despiste de genes» o dr. Nicolson do MD Anderson Cancer Center em Houston, TX descobriu que muitos soldados que voltavam da operação «Desert Storm» estavam infectados com uma estirpe modificada de Mycoplasma incognitus, um micróbio que tem sido usado para produzir armas biológicas. Estavam incorporados, na sua estrutura molecular, uns 40 por cento da proteína de invólucro do HIV, o que indicava que tinha sido fabricado por manipulação genética.
1994O senador John D. Rockefeller publica um relatório revelando que, pelo menos nos últimos 50 anos, o Departamento de Defesa usou centenas de milhares de  militares em experiências, com seres humanos e com exposição a substâncias perigosas. Os materiais incluem gás mostarda e gás nervoso, radiação ionizante, substâncias psicotrópicas e alucinogénicas, bem como drogas usadas durante a Guerra do Golfo.

1995 O governo dos EUA admite que ofereceu aos criminosos de guerra japoneses e a cientistas que tinham efectuado experiências médicas em seres humanos, salários e imunidade em serem processados, em troca de dados sobre a investigação com armas biológicas.

1995 O Dr. Garth Nicolson descobre provas de que os agentes biológicos usados na Guerra do Golfo tinham sido manufacturados em Houston, TX e em Boca Raton, Fl e testados nos presos do Departamento Correccional do Texas.
 
1996 O Departamento da Defesa admite que os soldados de Desert Storm estiveram expostos a agentes químicos.

1997 Oitenta e oito membros do Congresso assinam uma carta exigindo a investigação sobre as bio-armas usadas e sobre o síndrome da Guerra do Golfo.
Traduzido por Manuel Banet a partir do original seguinte:

  
(*) Penso que a origem desta lista é esta:
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Guerra entre Colômbia e Venezuela está prestes a começar?

Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia
© REUTERS / Carlos Eduardo Ramirez

A última notícia sobre o aumento das tensões entre Caracas e Bogotá foi o alerta laranja decretado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em resposta à "ameaça de agressão" por parte da Colômbia.

A pesquisadora colombiana-venezuelana María Fernanda Barreto explicou à Sputnik Mundo se de fato pode haver um conflito militar de grande escala entre Caracas e Bogotá, ou se a guerra já começou há anos e ninguém ainda a anunciou.

O líder colombiano Iván Duque foi acusado por Maduro na terça-feira (3) de querer criar uma "série de falsos positivos" para desencadear a guerra. O presidente venezuelano declarou, por sua vez, que o país vai realizar exercícios militares de 10 a 28 de setembro em toda a fronteira com a Colômbia.

A declaração do presidente da Venezuela seguiu a denúncia apresentada pelo ministro venezuelano da Comunicação, Jorge Rodríguez, de que no país vizinho existiriam três centros de treinamento militar para realizar ações de desestabilização em Caracas, sob a proteção do governo de Duque e de sua força política.

Guerra teria já começado

Na opinião da analista, é preciso primeiro analisar o papel que foi atribuído à Colômbia pelos Estados Unidos.

"[A Colômbia] se tornou a principal base dos EUA na região latino-americana do ponto de vista militar, econômico e político", afirma a pesquisadora, adicionando que o "país colombiano começou a ser usado como canal para atacar a Venezuela".

"Eles usaram táticas de guerra de aproximação indireta através da Colômbia e executaram uma série de ações na Venezuela, como sabotagem econômica, invasão paramilitar, uma série de operações para desestabilizar a Revolução Bolivariana", destaca.

Para Barreto, uma dessas grandes operações ocorreu em 23 de fevereiro, quando os Estados Unidos tentaram uma entrada pela força na Venezuela através da fronteira colombiano-venezuelana, apresentando o evento como uma tentativa de ajuda humanitária. O governo colombiano abriu suas pontes internacionais para que grupos treinados agissem a fim de escalar a violência e chegar a um ponto de ruptura e entrada em território venezuelano.

Ajuda humanitária dos EUA enviada à Venezuela e armazenada na Colômbia.
© AP Photo / Fernando Vergara
Ajuda humanitária dos EUA enviada à Venezuela e armazenada na Colômbia.

Esta ação foi televisionada pelas grandes agências de notícias como uma montagem cinematográfica que acabou por não conseguir atingir seu objetivo.

Conflito sem solução

"A Colômbia é um país em guerra […] há um conflito interno social e armado que não foi resolvido nos últimos 60 anos, teve momentos de diálogo, de acordo, mas o conflito não teve solução", destaca a analista.

A pesquisadora acredita que o conflito serviu para "justificar sua indústria militar e seus negócios relacionados à guerra, mas o Estado colombiano nunca assumiu a responsabilidade pela guerra que criou e sustentou".

"O conflito subjacente é o conflito de classes, e a primeira vítima do Estado colombiano é o povo colombiano, e esse povo em parte é, e deve aprender a ser, o melhor aliado do povo venezuelano", diz a pesquisadora.

Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar
© Sputnik / Mikhail Alaeddin
Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar

"Além do governo, tanto a burguesia venezuelana como a colombiana estão unidas no mesmo projeto histórico a favor dos Estados Unidos na região. Falando do Estado colombiano, do governo e dos poderes factuais, essa guerra entre esse Estado e o venezuelano está acontecendo de forma irregular", reforça Maria Barreto.

Manobras de grande escala

Após a declaração de "alerta laranja" diante da "ameaça colombiana", Maduro anunciou nesta sexta-feira (5) a implantação de um sistema de mísseis de defesa antiaérea na fronteira com a Colômbia.

As manobras militares ocorrerão em comemoração do 14º aniversário da criação do Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (CEOFANB) para "sintonizar todo o sistema de armas" e garantir que a Venezuela "preserva sua segurança, paz e tranquilidade", complementou Maduro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019090514479713-guerra-entre-colombia-e-venezuela-esta-prestes-a-comecar/

Nazistas contra o mundo – 80 anos da 2ª Grande Guerra

Hitler e os nazistas tentaram destruir raças vistas como inferiores, o movimento comunista e a URSS. Não conseguiram!

 

 

O início da 2ª Grande Guerra completou 80 anos em 1º de setembro. Foi nesse dia, em 1939, que ocorreu o ataque da Wehrmacht (o exército alemão) à Polônia. Foi o início do conflito que durou seis anos – os nazistas se renderam em 8 de maio e os japoneses capitularam em 2 de setembro de 1945.

Dois dias depois, em 3 de setembro, em cumprimento a um acordo com a Polônia, Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha, embora com pequeno apoio militar ao aliado agredido. O mais significativo foi o bloqueio naval à Alemanha, na tentativa de sufocar economicamente o país.

De qualquer maneira, estava criada a situação para a generalização da guerra, que logo depois se estendeu por toda a Europa e, em junho de 1941, à União Soviética (URSS). E, na Ásia, envolveu a agressividade japonesa por todo o continente.

Foi uma tragédia bélica enorme. O número de mortos se conta aos milhões: foram entre 50 milhões e mais de 70 milhões – dos quais 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas, 14 milhões de chineses mortos pelos invasores japoneses e mais de 27 milhões de russos (entre os quais mais de 13 milhões de civis), vítimas da ocupação nazista.

A 2ª Grande Guerra foi o mais violento e letal episódio da luta de classes que marcou aquele que foi o período do início da luta pelo socialismo: o século 20. Século que o historiador Eric Hobsbawm chamou de “breve”, limitado pelos anos de 1914 e 1991, que indicam o início da 1ª Grande Guerra e o fim da União Soviética.

Hobsbawm deu ao capítulo inicial de seu livro sobre o século 20 justamente o título de “A era da guerra total”. E disse que não se pode compreender o século 20 sem que se entenda a 1ª Grande Guerra e o período prolongado de confrontos que ela iniciou, do qual a 2ª Grande Guerra, que começou duas décadas depois do fim do primeiro conflito mundial, foi um episódio muito mais sangrento e destruidor.

O século 20 inaugurou a época dos confrontos bélicos de proporções gigantescas. Eles “iriam dar-se numa escala muito mais vasta do que qualquer coisa experimentada antes”, diz o historiador; ele avalia que a guerra de 1914 inaugurou “a era do massacre”, que prosseguiu e se aprofundou no conflito iniciado em 1939.

A conjuntura foi além do confronto nacional e inter-imperialista. No período imediatamente posterior ao fim da 1ª Grande Guerra, um componente importante no enfrentamento mundial foi a formação, desde 1917, na Rússia, do primeiro Estado socialista, algo inaceitável – e ameaçador – para as classes dominantes das grandes potências. Essa luta marcou a política externa naqueles anos. Luta contra o socialismo, o proletariado organizado e o movimento revolucionário anticapitalista e anti-imperialista.

O tratado de Versalhes – que pôs fim à guerra, em 1919 – aprofundou o tempo da revolução proletária, que vinha desde as revoluções de 1848 na Europa e, sobretudo, desde a Comuna de Paris, de 1871, e sucedeu, no plano histórico, o tempo da revolução burguesa. No documento “A Guerra e a Social-Democracia na Rússia”, de 28 de setembro de 1914, Lênin escreveu: “O aumento dos armamentos, a extrema agudização da luta pelos mercados na época do estágio atual, imperialista, do desenvolvimento do capitalismo nos países avançados e os interesses dinásticos das monarquias mais atrasadas da Europa Oriental, deviam conduzir inevitavelmente, e conduziram, a esta guerra”.

O conflito entre esses interesses contraditórios tinha o objetivo de “conquistar terras e subjugar nações estrangeiras, arruinar a nação concorrente, saquear as suas riquezas, desviar a atenção das massas trabalhadoras das crises políticas internas da Rússia, da Alemanha, da Inglaterra e de outros países”, o “extermínio de sua vanguarda [dos trabalhadores] com o objetivo de debilitar o movimento revolucionário do proletariado”. Tratava-se, concluia Lênin, do “único real conteúdo, significado e sentido da atual guerra”.

Os objetivos imperialistas presentes no primeiro conflito mundial foram mantidos na 2ª Grande Guerra, com um agravante para a política das grandes potências capitalistas: a luta pelo socialismo não era mais apenas parte de um programa revolucionário – o novo e mais avançado sistema social era agora concreto e estava sendo construído na União Soviética.

Isto é, longe de exterminar o movimento revolucionário dos trabalhadores, o primeiro conflito mundial serviu para impulsioná-lo, e a guerra terminou com uma ameaça ainda maior para o domínio da burguesia e seus aliados: a Revolução Russa de 1917, a conquista revolucionária do poder e o início da construção do primeiro estado socialista da história.

Lênin havia acentuado que, entre os objetivos guerreiros das grandes potências, havia a disposição de derrotar a luta dos trabalhadores e afastar o fantasma da revolução proletária. Não foi o que ocorreu, e a conjuntura posterior ao término da guerra, em 1919, acentuou aquele propósito contrarrevolucionário.

O arranjo de classes surgido após a Revolução Francesa do final do século 18 tinha, em sua base, a aliança entre a burguesia e a plebe de trabalhadores urbanos e camponeses. Esse arranjo se desfez quando o acirramento da luta de classes culminou, na Europa, com o surgimento, em meados do século 19, do programa claramente operário e popular, que emergiu nas jornadas de 1848, quando o levante das massas nas principais nações foi percebido como ameaçador pela burguesia e seus aliados. Foi naquele contexto que Karl Marx e Friedrich Engels redigiram o Manifesto Comunista, registrando o programa e os objetivos das forças avançadas e revolucionárias.

A aliança de classes pelo progresso social e o avanço civilizacional foi rompida desde então – e a burguesia, temerosa, juntou-se à aristocracia, em defesa da ordem e da propriedade. Marx registrou essa mudança em O Capital: A “insurreição parisiense de junho e sua sangrenta repressão fez com que se unissem em bloco, tanto na Inglaterra como na Europa Continental, todas as frações das classes dominantes, latifundiários e capitalistas, especuladores da Bolsa, lojistas protecionistas e livre-cambistas, governo e oposição, padres e livre pensadores, jovens prostitutas e velhas freiras, sob a bandeira comum da salvação da propriedade, da religião, da sociedade!”.

A velha e decadente aristocracia europeia, e as monarquias que Lênin incluiu entre as mais atrasadas (alemã, austro-húngara e russa) teve uma sobrevida, passando a governar ao lado da burguesia em arranjos contrarrevolucionários e antidemocráticos, dos quais o fascismo é um exemplo candente. E que levaram até as primeiras décadas do século 20 práticas do velho absolutismo.

Os impérios alemão, russo, austro-húngaro e otomano chegaram a 1919 derrotados. Na Rússia, os revolucionários bolcheviques tomaram o poder e iniciaram a construção, em meio a grandes dificuldades, do primeiro Estado socialista da história. Os impérios austro-húngaro e otomano foram estilhaçados em inúmeros pequenos países, cujas contradições não resolvidas foram fatores de instabilidade no período entre-guerras.

A Alemanha, sufocada pelas exigências impostas pelas potências vencedoras (com França e Grã-Bretanha à frente) e tolhida pelas contradições de classe não resolvidas dentro do país, que resultaram nas crises sucessivas da república de Weimar, foi – alguns anos depois, em 1933 – dominada pelo governo racista, xenófobo e radicalmente antidemocrático de Adolf Hitler e dos nazistas.

A existência da União Soviética foi o fator mais radical na conjuntura de entre- Guerras. E o enfrentamento do socialismo moveu a principal contradição da política externa mundial naqueles anos. Era uma situação contraditória, com vários e graves desdobramentos diplomáticos nos quais as potências ocidentais esperavam conter e apaziguar o belicismo nazista e ao mesmo tempo o dirigir contra a URSS, que esperavam ver destruída.

As potências ocidentais fizeram vistas grossas quando os alemães, em 1936, ocuparam a Renânia, a qual o tratado de Versalhes havia incorporado à França. Ante o crescimento das ameaças nazistas, fizeram um tratado com Hitler – o vergonhoso Acordo de Munique, de 29 de setembro de 1938, que entregou a Tchecoslováquia à sanha nazista. Os russos foram deixados de fora das negociações daquele acordo, e isso foi corretamente interpretado pelo governo de Moscou como uma forma ceder à violenta retórica antissoviética de Hitler e incentivar sua ação contra o país dos soviétes.

A Grã-Bretanha assinou também, em março de 1939, um acordo de cooperação militar com a Polônia, com o compromisso de defendê-la contra qualquer agressão estrangeira – o que a levou à declaração de guerra contra a Alemanha, em 3 de setembro de 1939.

Em 1939, houve uma tentativa de acordo de não agressão entre França, Grã Bretanha e URSS. As negociações foram iniciadas em março, em Moscou, e os três países buscavam um acordo militar e político. O governo soviético estava premido ante duas ameaças, a dos nazistas, de um lado, e a das potências imperialistas, de outro, que poderiam tentar reforçar o “cerco capitalista” contra o país do socialismo. Na tentativa de acordo, a liderança soviética pretendia uma aliança que afastasse o perigo de uma guerra com o Ocidente e previsse o apoio caso fosse atacada pelos nazistas.

Quando os russos propuseram que uma virada pró-Alemanha nazista nos governos dos Estados Bálticos fosse considerada uma “agressão indireta” à URSS, os britânicos não aceitaram, e a tentativa de acordo chegou ao fim em julho. As negociações militares prosseguiram, também sem êxito. Uma demonstração da falta de seriedade britânica nessas negociações foi o fato de que seu principal negociador, o almirante Sir Reginald Drax, não tinha sequer as necessárias credenciais, não estando assim autorizado a garantir qualquer coisa à URSS – mas tinha orientação do governo de Londres para prolongar as discussões pelo maior tempo que pudesse.

Ante a nítida complacência – ou cumplicidade mesmo… – entre as potências europeias e os nazistas e, pressionado entre dois adversários igualmente ferozes, o governo soviético assinou com a Alemanha, em 23 de agosto de 1939, o Tratado de Não Agressão Germano-Soviético, também conhecido como Pacto Nazi-Soviético, ou Pacto Molotov-Ribbentrop, lembrando os ministros de relações exteriores que o assinaram – o nazista Joachim von Ribbentrop e o soviético Vyacheslav Molotov.

Foi um acordo inusitado, entre dois adversários ferozes. Mas fez parte do esforço do governo soviético para preparar o país ante a ameaça de agressão que se desenhava. No caso de Hitler, o acordo era necessário para deixar suas mãos livres para agir, sem o risco de uma dupla frente de batalha – França e Inglaterra a oeste e URSS no leste.

Hitler e os nazistas já se preparavam para a invasão da Polônia, que ocorreu uma semana depois da assinatura do tratado com a URSS. Os soviéticos viam a agressão alemã como inevitável, e o governo de Moscou pretendia – com aquele acordo – ganhar tempo para preparar a economia, a indústria e as forças armadas para defender o país.

Os sinais de uma próxima agressão nazista se multiplicavam. Hitler e a ideologia nazista consideravam os eslavos “untermenschen” (inferiores, subumanos), e nunca esconderam o objetivo de criar um vazio populacional no leste da Europa, dizimando os eslavos e ocupando seu território com colonos alemães naquilo que chamavam de “lebensraum” (“espaço vital”).

A guerra para ocupar esse “espaço vital” e expandir o território alemão no leste europeu havia sido prevista por Hitler em 1925, no livro Mein Kampf (Minha Luta). O alvo era a Rússia soviética e os povos eslavos ao leste da Alemanha. Em 1934, Hitler falou sobre o que considerava uma inevitável batalha contra o eslavismo, na qual esperava equivocadamente ter a ajuda de um eventual levante do povo russo contra o governo soviético.

O objetivo soviético no tratado com a Alemanha era ganhar tempo e preparar a pátria socialista para uma guerra que se avizinhava e na qual seria o alvo principal. Agressão externa movida pelos nefastos objetivos nazista – a luta racial contra os eslavos – ligado à meta das demais potências imperialistas – a luta de classes, para destruir a ameaça representada pela construção do socialismo na URSS.

O fôlego ganho pelos soviéticos durou menos de dois anos – os nazistas invadiram a URSS em 22 de junho de 1941, menos de dois anos após a assinatura do pacto de não agressão. Aquele período foi bem aproveitado. Já em setembro de 1939, poucas semanas depois da assinatura do pacto entre Berlim e Moscou, o governo russo construiu nove fábricas de aviões e reformou as que existiam. “A indústria começou então a funcionar em ritmo frenético”, escreveu William l. Shirer. Novos tanques de guerra surgiram, entre eles o T-34 (considerado o melhor então existente) e o carro pesado KV. Em 1940 a fabricação de material bélico cresceu 27% em relação a 1939. Quando a invasão alemã começou, os soviéticos tinham fabricado 2.700 aviões de tipos novos e 4.300 carros-de-combate.

Uma operação de defesa empreendida então foi a mudança do grosso da indústria soviética para leste dos montes Urais que, assim, passavam a ser uma muralha natural contra uma eventual invasão. Em janeiro de 1942, 1.523 fábricas (entre elas 1.360 de materiais bélicos) haviam sido transferidas e estavam em operação normal.

A alta direção nazista previa uma ação rápida; o ministro de relações exteriores, Ribbentrop, refletiu o estado de espírito da cúpula nazista e chegou a prever que a Rússia seria “riscada do mapa em oito semanas”. Ele se enganou, na companhia de ingleses e americanos. Em Londres, calculava-se que duraria apenas alguns meses; o ministro da guerra dos EUA, Henri Stimson pensava que o “máximo imaginável” seria entre um a três meses.

Mas logo nazistas e a liderança ocidental perceberam que a invasão não seria um passeio. Já no dia 1º de agosto, a pouco mais de um mês do início da agressão, Joseph Goebbels, o todo-poderoso ministro nazista da Propaganda, escreveu em seu diário: “Os bolcheviques revelam uma resistência maior do que havíamos suposto; sobretudo os meios materiais à sua disposição são maiores do que pensamos”. Em 16 de setembro, ele reconheceu que haviam errado: “havíamos calculado o potencial dos bolcheviques de modo todo errado”.

Um general alemão, Guenther Bluimentritt, também reconheceu que as tropas russas eram em maior número e mais bem equipadas do que os nazistas achassem que fosse possível. Outro comandante nazista, o marechal de campo Gerd von Rundstedt, foi direto e admitiu, sem rebuços, quando foi interrogado pelos seus captores depois da guerra: “Percebi, logo depois de termos começado o ataque, que tudo o que se escrevera sobre a Rússia não passara de tolices”.

A resistência popular contra a ocupação nazista começou a ser preparada logo no início da invasão. Em 27 de junho, cinco dias após a agressão alemã, o governo soviético começou a organizar a ação guerrilheira como força complementar à do exército regular. Ela foi, disse o historiador Henri Bernard, uma gigantesca operação militar em harmonia com os planos de luta e com “apoio total da população”. Um dos maiores enganos da cúpula nazista foi a crença na revolta popular antissocialista, que favorecesse a ocupação. Era uma ilusão: o patriotismo do povo guiou a resistência e a unidade em torno do governo soviético.

O ataque nazista foi interrompido nas batalhas de Moscou (2/10/1941-7/1/1942), Stalingrado (23/8/1942-2/2/1943, considerada o início da derrota nazista na guerra) e Kursk (4/7/1943-23/8/1943), e no heroísmo russo no cerco a Leningrado (8/9/1941 – 27/1/1944). Essas derrotas das tropas nazistas foram decisivas, sobretudo em Stalingrado; assinalam a virada da guerra e o início da derrota da aventura guerreira – e assassina – dirigida por Adolf Hitler.

Em poucos meses, as forças soviéticas chegaram aos países ocupados pelos nazistas no Leste da Europa, e, em abril de 1945, ao território da Alemanha, cuja capital, Berlim, foi tomada por eles. A nova conjuntura da guerra deixou claro que a pretensão imperialista de usar Hitler e os nazistas contra o país do socialismo fracassara. As vitórias russas deixavam cada vez mais visível a destruição dos nazistas, com as tropas russas movendo-se rapidamente para o Ocidente europeu. Começou então a corrida, entre os aliados, pela abertura da frente ocidental – reclamada pelos russos desde 1941. Várias ações militares ocorreram então no ocidente europeu, contra os nazistas – a principal delas foi o chamado “Dia D” (06/06/1944), o desembarque de tropas aliadas na Normandia.

Uma das lendas ideológicas de nosso tempo assegura que quem venceu a guerra foram os “aliados”, acentuando a participação dos EUA e da Inglaterra. Que foi de fato, importante. Mas o envolvimento decisivo foi o dos soviéticos, que suportaram o grosso da guerra em seu território e derrotaram a agressão nazista. O historiador estadunidense John Bagguley, que não se rende à ideologia e reconhece a verdade histórica, escreveu que a 2ª Grande Guerra foi, na verdade, “uma guerra soviético-germânica, com a ação inglesa e americana apenas na periferia”.

A história contada em filmes e muitos livros destaca o papel dos EUA na guerra contra Hitler. Mas o principal esforço de guerra dos nazistas voltou-se contra a URSS – que, praticamente sozinha, enfrentou e derrotou a ofensiva guerreira da Alemanha nazista, ao custo de 27 milhões de mortos.

 
 
  • Bagguley, John. “A guerra mundial e a guerra fria”. in Horowitz: 1969
  • Bernard, Henri. “Historia de la resistencia europea”. Barcelona, Ediciones Orbis, 1986
  • Hobsbawm, Eric. “Era dos extremos – O breve século XX” -1914-1991. São Paulo, Cia das Letras, 1995
  • Hobsbawm, Eric. “História do Marxismo”. Vol. VI. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1985
  • Hajek, Micos. “A discussão sobre a frente única e a revolução abortada na Alemanha”. In Hobsbawm: 1985
  • Horowitz, David (org.). “Revolução e Repressão”. Rio de Janeiro, Editora Zahar, 1969
  • Lênin, V. I. “A Guerra e a Social Democracia na Rússia”. In Lênin, V. I. “Obras Escolhidas”, T. 1. São Paulo, Editora Alfa-Omega, 1979
  • Loureiro, Isabel. “A revolução alemã (1918-1923)”. São Paulo, Editora UNESP, 2005
  • Marx, Karl. “O Capital”. Vol. 1. México DF, Fundo de Cultura Económica, 1978 (Cap. VIII, Item 6)
  • Mayer, Arno. “A força da tradição”. São Paulo, Cia das Letras. 1987
  • Mayer, Arno. “Dinâmica da contra revolução na Europa, 1870-1956”. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1977
  • Shirer, William. “Ascensão e queda do Terceiro Reich”. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1975
  • Volkogonov, Dimitri. “Stalin: triunfo e tragédia – 1939-1953”, (vol. 2). Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2004

Texto em português do Brasil


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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