Grécia

Sobre as fabricações anti-KKE da Alemanha

Partido Comunista da Grécia (KKE)

Aqueles que destruíram e desmantelaram países estão agora a usar a máscara do Bom Samaritano para a sua reconstrução. … E quem são eles? Os que bombardearam países, armaram gangues assassinos e chacinaram povos, os que em tempos de “paz” imperialista estão a sugar os trabalhadores até ao tutano, para aumentar os lucros dos seus monopólios.

 

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Em 6 de junho de 2020, na Grécia, foi colocado on line um artigo intitulado “A questão da migração ‘divide’ a Esquerda”. O autor do artigo é um geólogo que estudou na Alemanha e vive em Atenas. Ele refere-se a um artigo do jornal on line alemão “DIE ROTE FAHNE” [A Bandeira Vermelha], que trata da questão da migração na Europa e critica o ΚΚΕ por... “análise deficiente”. O autor do artigo afirma que estamos a lidar com uma “não tão amigável reação do ‘fraterno’ Partido Comunista da Alemanha, KPD (Kommunistische Partei Deutschlands)”.

O artigo transformou-se imediatamente em matéria-prima para certos média e foi reproduzido por vários membros do Syriza, que, presumidamente, se estão a perguntar: “agora, como responderá o KKE ao seu fraterno partido”. Por outras palavras, aqueles que se perguntam são os que apoiaram e implementaram o acordo UE-Turquia, criaram campos de refugiados como o de Moria e prenderam dezenas de milhares de refugiados na Grécia, em condições miseráveis.

No entanto, como o geólogo podia dizer, o seu “tesouro” anti-KKE transformou-se no ouro dos tolos! E isto, porque:

  1. Na Alemanha, o KKE coopera e mantém relações bilaterais com o Partido Comunista Alemão (DKP - Deutsche Kommunistische Partei), e não com o Partido que eles mencionam (KPD - Kommunistische Partei Deutschlands). Claro que isto não implica, de forma alguma, que não possa haver nenhuma crítica ou confronto de opiniões entre os nossos dois partidos. No entanto, estamos aqui a lidar com uma mentira fabricada.
  2. O artigo que referem foi publicado num jornal on line que tem o mesmo nome do jornal do DKP (“DIE ROTE FAHNE”), mas não tem relação com este partido.

Por outras palavras, estamos a falar de um imenso truque de prestidigitador, ou cegueira, para alimentar em alguns um ódio anti-KKE. Mas, na verdade, quem deseja ou encoraja este objetivo?

Finalmente, chegando ao cerne da questão pela qual os autores alemães fizeram uma “crítica ao KKE”, gostaríamos de observar o quão prejudicial é a linha de apoio à hipocrisia dos imperialistas, exatamente o que eles estão a fazer. Aqueles que destruíram e desmantelaram países estão agora a usar a máscara do Bom Samaritano para a sua reconstrução. Uma reconstrução que também poderia resolver o problema da migração, como proclama a UE. E quem são eles? Os que bombardearam países, armaram gangues assassinos e chacinaram povos, os que em tempos de “paz” imperialista estão a sugar os trabalhadores até ao tutano, para aumentar os lucros dos seus monopólios.

Além disso, é mais do que óbvio que esses autores alemães nem sequer acabaram de ler a Posição da CP do CC do KKE (3/3/2020), que também menciona, entre outras coisas, a exigência de pôr fim, de imediato, a toda a participação, apoio e envolvimento do nosso país nas ações e operações da NATO, EUA e UE na região do Médio Oriente, que apoiam a invasão turca da Síria, intervenções na Líbia, perpetuando guerras e desastres. E mais, destaca-se também a necessidade de o povo “organizar a sua luta, concentrando-se nos responsáveis​​e nas causas que estão na raiz dos problemas. Isolar o nacionalismo reacionário e a repressão, bem como o perigoso cosmopolitismo da teoria das ‘fronteiras abertas’. Os povos devem ser solidários entre si e forjar uma aliança nas suas lutas contra os governos burgueses e os seus parceiros imperialistas”.

11.06.2020

Fonte: https://inter.kke.gr/en/articles/On-the-anti-KKE-fabrications-from-Germany/, publicado e acedido em 2020/06/11

Tradução do inglês de MFO

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/sobre-as-fabricacoes-anti-kke-da-97671

Polícia grega usa gás lacrimogéneo contra migrantes na fronteira turca

 

Ao início desta quarta-feira, registaram-se confrontos na fronteira da Grécia com a Turquia, depois de cerca de 500 migrantes terem tentado romper uma cerca fronteiriça para entrar em território grego.

 

A polícia grega disse que utilizou gás lacrimogéneo para afastar os migrantes da cerca a sul da passagem fronteiriça de Kastanies e indicou que as autoridades turcas também dispararam gás lacrimogéneo na fronteira grega. Os confrontos começaram às 02h e duraram cera de duas horas.

Cerca de 2.000 migrantes estão acampados na fronteira grego-turca, semanas depois de a Turquia ter declarado abertas as suas fronteiras com a Europa e encorajado os migrantes que vivem no país a tentarem entrar no país vizinho e membro da União Europeia, a Grécia.

Dezenas de milhares de pessoas dirigiram-se para a fronteira, uma das fronteiras externas da União Europeia, apesar de a Grécia insistir que estava fechada.

 
 

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçava há meses abrir as fronteiras turcas e permitir a passagem de milhões de refugiados para a Europa, a não ser que a UE desse mais apoio para ajudar os refugiados na Turquia.

A União Europeia diz que cumpre o acordo de 2016 com a Turquia, no quadro do qual dá milhares de milhões de euros para Ancara ajudar mais de 3,5 milhões de refugiados da vizinha Síria.

A violência na fronteira ocorreu horas depois de Erdogan ter uma teleconferência com os dirigentes da França, Alemanha e Reino Unido para discutir a crise dos migrantes.

Uma declaração da presidência turca na terça-feira indicou que os quatro líderes também discutiram a questão da guerra na Síria e a ajuda humanitária a dar para a problemática província de Idlib, no noroeste da Síria.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/policia-grega-gas-lacrimogeneo-migrantes-3-314476

Grécia fecha restaurantes e shoppings por 2 semanas em meio a surto do COVID-19

Aeroporto Internacional de Atenas, Grécia
© CC0 / Rakoon

A Grécia decidiu fechar locais públicos de reunião para diminuir a propagação do novo coronavírus no país, onde o número de casos chegou a 190, segundo informou o porta-voz do Ministério da Saúde, Sotirios Tsiodras nesta sexta-feira (13).

Com exceção dos estabelecimentos de retirada de produtos e também de entrega, todos os restaurantes, cafés, bares e shoppings serão fechados a partir de agora pelo prazo de duas semanas. Supermercados e farmácias permanecerão operacionais durante esse período, disse Tsiodras.

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que a Grécia anunciou o fechamento de escolas e universidades, assim como o cancelamento do icônico revezamento da tocha olímpica.

Depois de ultrapassar seu pico na China, o COVID-19 espalhou-se na Europa, onde o número de casos parece estar em uma trajetória exponencial. Nesta sexta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Europa como o novo epicentro da pandemia do novo coronavírus.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020031315328021-grecia-fecha-restaurantes-e-shoppings-por-2-semanas-em-meio-a-surto-do-covid-19/

Guarda Costeira da Grécia ataca e tenta afundar bote com refugiados sírios (VÍDEO)

Barco da Guarda Costeira da Grécia (imagem referencial)
© AP Photo / Michael Svarnias

Em meio à nova crise dos refugiados sírios em direção à Europa, agentes da Guarda Costeira grega são filmados atacando imigrantes do país árabe.

Dias após o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciar a abertura de suas fronteiras com a UE para o êxodo de refugiados sírios em direção ao bloco, um vídeo mostrou a ação da Guarda Costeira da Grécia para deter a entrada dos refugiados em seu território.

As imagens teriam sido liberadas pelas autoridades da Turquia, segundo o tabloide Daily Mail, enquanto a ação se deu próximo ao litoral do resort turco de Bodrum.

Recorrendo a varas de metal e atirando para a água, os guardas gregos tentaram afugentar e afundar o pequeno bote com refugiados sírios, como é visto no vídeo abaixo.

Perguntado sobre o caso, um porta-voz da entidade grega disse que "nós não podemos fazer nenhum comentário" sobre o vídeo, reportou The Telegraph.

Grécia 'sob pressão'

Por sua parte, o governo grego acusou a Turquia de usar os refugiados sírios como um instrumento contra a Grécia.

"Estas [...] pessoas estão sendo usadas pela Turquia como joguetes para exercer pressão diplomática [...] A presente situação é uma ameaça ativa, séria, severa e assimétrica para a segurança nacional [da Grécia]", publicou a Reuters a fala do porta-voz do governo grego, Stelios Petsas.

Crise migratória

Enquanto isso, embates têm sido reportados na fronteira turco-grega, enquanto uma grande multidão de refugiados tenta entrar na União Europeia pela Turquia.

Erdogan afirmou que sua decisão de abrir as fronteiras com o bloco europeu tem como razão a "falta de compromisso" da UE com a crise dos refugiados sírios.

Pelo menos 3,7 milhões de sírios estão refugiados na Turquia, segundo Erdogan.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020030315286583-guarda-costeira-da-grecia-ataca-e-tenta-afundar-bote-com-refugiados-sirios-video-/

Milhares de migrantes tentam cruzar fronteira da Turquia com a Grécia

 
 
Em meio a novos confrontos com policiais, Atenas diz ter bloqueado entrada de 10 mil pessoas, enquanto Ancara alega que 75 mil migrantes entraram na UE. Europa eleva alerta nas fronteiras para nível máximo.
 
Milhares de pessoas se encontram na fronteira ocidental da Turquia neste domingo (01/03), com objetivo de entrar na Grécia, depois de o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ter anunciado que suas fronteiras estavam abertas para aqueles que pretendem seguir à Europa.
 
Neste domingo, o governo turco informou que deixou mais de 75 mil migrantes seguirem em direção à União Europeia (UE). Segundo o ministro do Interior do país, Süleyman Soylu, 76.358 pessoas cruzaram a fronteira para a Europa através da província de Edirne.
 
Essa província faz divisa com dois Estados-membros da UE, a Grécia e a Bulgária. Até o momento, nenhum dos dois países reportou a chegada de um número tão grande de migrantes. O governo búlgaro disse que nenhum migrante cruzou a fronteira ilegalmente.
 
O governo da Grécia informou que, entre a manhã de sábado e a manhã deste domingo, bloqueou a entrada "ilegal" de 9.972 pessoas na divisa com a Turquia. O país também fortaleceu suas unidades de controle nas fronteiras. Segundo o governo grego, patrulhas nos estreitos entre as ilhas gregas e a costa turca no Mar Egeu também foram reforçadas.
 
 
 
Testemunhas citadas por agências de notícias afirmam que a polícia grega disparou gás lacrimogêneo para impedir a entrada no país de centenas de migrantes, que atiravam pedras contra as forças de segurança. Os confrontos marcam o segundo dia consecutivo de tensões nas fronteiras terrestres.
 
Migrantes também tentam entrar na Grécia por via marítima. A agência de notícias grega ANA MPA afirmou, citando a guarda costeira, que 220 migrantes chegaram à ilha de Lesbos no domingo de manhã. A imprensa local disse ainda que mais barcos com refugiados estavam se dirigindo à ilha grega, muito próxima à costa turca.
 
Segundo informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) na noite de sábado, cerca de 13 mil pessoas se encontravam na fronteira greco-turca. "Pelo menos 13 mil pessoas estão presentes nos 212 km da fronteira", disse a agência da ONU, acrescentando que entre os migrantes estão "famílias com crianças pequenas".
 
Atenas acusa a Turquia de organizar intencionalmente os migrantes ao longo da fronteira após descobrir onde as tropas gregas estão posicionadas. O governo também afirma que Ancara tenta convencer os migrantes a ir para a Grécia usando informações falsas. "A campanha de desinformação das autoridades turcas continua", disse o ministro da Defesa, Nikos Panagiotopoulos. 
 
A agência de proteção de fronteiras da UE, a Frontex, disse neste domingo que está em "alerta máximo" nas divisas com a Turquia, já que se espera que milhares de migrantes tentem entrar no bloco através delas.
 
"Elevamos o nível de alerta para todas as fronteiras com a Turquia", disse uma porta-voz da Frontex em comunicado. "Recebemos um pedido da Grécia para obter apoio adicional. Já tomamos medidas para transferir para a Grécia mais oficiais e equipamentos técnicos."
 
O presidente da Turquia anunciou no sábado ter aberto as fronteiras com a Europa para a passagem de migrantes e refugiados, adiantando que nas próximas horas entre 25 mil e 30 mil pessoas podem tentar chegar à Grécia.
 
"O que é que estamos dizendo há meses? Que se isso continuasse, seríamos obrigados a abrir as nossas portas. Não acreditaram em nós", disse Erdogan durante um discurso em Istambul. "Não vamos fechar as portas aos refugiados e migrantes."
 
"A União Europeia tem de cumprir as suas promessas", apontou, numa alusão ao acordo de 2016, segundo o qual a Turquia concordou em estancar a onda de refugiados para a Europa em troca de ajuda financeira. Desde então, a Turquia tem reclamado repetidamente que a UE não tem honrado o compromisso assumido.
 
No sábado, a Grécia já havia anunciado ter impedido a entrada "ilegal" de 4 mil migrantes provenientes da Turquia, enquanto milhares de outros se concentram na fronteira. Durante a noite, vários migrantes tentaram entrar em território grego, abrindo buracos na cerca que separa os dois países, levando policiais gregos a disparar gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
 
A decisão da Turquia está sendo encarada na Grécia como uma tentativa deliberada de pressionar os países europeus, num momento em que aumenta a tensão entre a Turquia e a Síria.
 
O discurso de sábado foi a primeira intervenção pública de Erdogan desde que, na quinta-feira, 34 soldados turcos foram mortos em ataques aéreos no nordeste da Síria, o maior número de baixas registado entre as forças turcas desde que o país se envolveu na guerra da Síria em 2016.
 
Como retaliação, a Turquia afirmou ter destruído uma "instalação de armas químicas" do regime de Damasco no nordeste da Síria, na noite de sexta-feira para sábado. Erdogan tem ameaçado repetidamente "abrir as portas" para permitir aos refugiados e migrantes irem para a Europa se não lhe for assegurado mais apoio internacional. 
 
A Turquia abriga atualmente 3,6 milhões de refugiados sírios, segundo a ONU. Milhares de migrantes e refugiados da Ásia, África e Oriente Médio também usam o país como ponto de trânsito para alcançar a Europa por meio da Grécia.
 
Deutsche Welle | EK/JPS/dpa/ap/rtr/lusa/ots

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/milhares-de-migrantes-tentam-cruzar.html

Bolsas de valores afundam e economia global entra em pânico por causa do coronavírus

 Gráficos de bolsa de valores (imagem referencial)
© Foto / Pixabay / Csaba Nagy

As bolsas de Paris, Frankfurt, Londres, Madri e Zurique estão em queda acentuada devido à propagação da epidemia do coronavírus e dos efeitos que poderia causar na economia mundial.

Foi uma segunda-feira negra para o mercado bolsista mundial, com o pânico a propagar-se à escala mundial.

Em informação prestada pela Agência France Press, as bolsas de Paris, Frankfurt, Londres, Madri e Zurique desabaram entre 3,3% e 4,1%.

Na Itália, um país particularmente afetado pelo coronavírus, a bolsa de Milão afundou mais de 5,4%.

As empresas relacionadas com bens de luxo e a indústria automóvel foram os segmentos econômicos mais afetados por esta onda de incerteza.

Na Ásia, a situação também é preocupante. As bolsas chinesas terminaram a sessão de 24 de fevereiro em queda: Hong Kong -1,8%, Xangai -0,3%, Seul -3,9% , adianta a Agência France Press.

Em Nova York, o índice Nasdaq desabou 3,7%.

A bolsa de Tóquio também abriu hoje com tendência negativa. O seu índice Nikkei estava em queda 3,34%.

Para o corretor Tangi Le Liboux, da empresa Aurel BGC, citado pelo portal Boursorama, "a epidemia do coronavírus está se espalhando fora da China, para países como a Coreia do Sul, Itália ou Irã, o que poderia causar enormes ruturas nas cadeias de abastecimento globais, se mais e mais medidas de contenção e confinamento forem tomadas", explica.

Tem havido um número crescente de casos fora da China, particularmente na Coreia do Sul, com mais de 700 novas infecções em menos de uma semana.

Retoma da economia mundial estará em perigo?

Em uma reunião do G20 na Arábia Saudita, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, citada pelo jornal britânico The Telegraph, manifestou o receio de que a epidemia de Covid-19 possa comprometer a retoma da economia mundial.

O G20 prometeu medidas para lidar com o fenômeno, "mas desta vez, os mercados não poderão contar com as expectativas de novas medidas dos bancos centrais para atenuar o impacto", alertou Tangi Le Liboux.

Vincent Boy, analista da IG France, citado pelo jornal francês Ouest-France, é da opinião que os resultados das empresas do primeiro trimestre de 2020 refletirão já os efeitos das turbulências causadas pela epidemia.

Todos os próximos dados estatísticos sobre o comportamento da economia chinesa, os números do Produto Interno Bruto da Alemanha e os da Confiança do Consumidor norte-americano, a anunciar esta terça-feira, bem como os do PIB dos EUA, no dia 27, estão sendo aguardados pelos mercados com grande expectativa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2020022515260441-bolsas-de-valores-afundam-e-economia-global-entra-em-panico-por-causa-do-coronavirus/

Gregos manifestam-se contra a nova reforma das pensões

No âmbito de uma greve de 24 horas no sector público, milhares de trabalhadores mobilizaram-se em dezenas de cidades, esta terça-feira, contra a reforma das pensões do governo de Kyriakos Mitsotakis.

Manifestantes desfilam no centro de Atenas entoando palavras de ordem contra a proposta de reforma de pensões apresentada pelo governo grego, a 18 de Fevereiro de 2020, enquanto decorre uma greve nacional de 24 horas na administração públicaCréditosEPA/KOSTAS TSIRONIS / LUSA

Convocada pela Confederação dos Sindicatos de Funcionários Públicos (ADEDY), a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) e o Centro de Sindicatos de Atenas (EKA), entre outras organizações sindicais, a greve de 24 horas contra o projecto de lei de reforma das pensões proposto pelo actual governo paralisou os transportes públicos em Atenas (autocarros, metro, comboios), bem como os comboios intercidades e os barcos de passageiros.

Os sindicatos entendem que o projecto de lei constitui um ataque ao sistema público de Segurança Social, implicando mais cortes nas pensões de reforma – que foram sendo desbastadas com os chamados programas de resgate a que o país helénico recorreu desde 2010.

 

ADEDY e PAME promoveram manifestações em vários pontos do país, sendo as maiores em Atenas e Salónica. A Confederação alertou em comunicado que «o projecto de lei é praticamente a continuação das leis de austeridade que foram aprovadas no período 2010-2019 e que tiveram como consequência os cortes nas pensões».

Por seu lado, ao discursar na manifestação em Atenas, que reuniu milhares de pessoas, Nikos Mavrokefalos, da PAME, afirmou que a Frente «vai continuar a lutar [contra estas medidas] enquanto for necessário».

«Corte após corte», aumento da idade da reforma

A Grécia esteve sujeita às imposições da troika desde 2010 e, apesar das expectativas criadas quando da vitória eleitoral do Syriza em Janeiro de 2015, o governo que liderou não inverteu a política de cortes na despesa pública e de retirada de direitos aos trabalhadores.

Agora, os ministros do governo da Nova Democracia (direita) afirmam que, com esta reforma, o sistema se torna viável até 2070 e que, inclusive, alguns trabalhadores vão ver aumentadas as suas pensões. No entanto, os sindicatos afirmam que, nesses casos, os trabalhadores jamais são compensados pelos cortes nos redimentos que sofreram no «período da austeridade».

Afirmam, além disso, que este projecto é uma tentativa mal disfarçada de levar o sistema público para fundos de pensões privados e acusam os governantes de não cumprirem a promessa de pôr fim aos cortes impostos pela troika, informa a Reuters.

Nas manifestações, a tónica dominante foi a preocupação, acompanhada pela consciência da necessidade de lutar pelos direitos. «Tem sido corte após corte nos últimos anos. Estamos a fazer greve porque queremos pensões que nos permitam viver», disse à Reuters Dimitris Volis, trabalhador numa empresa de ferries do Pireu, o porto de Atenas.

«Trabalho desde os 17 anos e estão a dizer-me que não me posso reformar antes dos 67. Será que vou aguentar até lá?», disse Nectaria, mãe solteira de 48 anos, que trabalha como empregada de limpeza.

Por seu lado, Rania Papayeoryiu, funcionária pública de 56 anos, disse à TeleSur: «Tanto para mim, que já trabalho há vários anos, como para os meus filhos, que procuram trabalho, a reforma significa o desaparecimento do sistema público de Segurança Social. Nem saúde, nem pensões.»

«Não há uma pensão garantida, mas uma quantia mínima de cerca de 300 euros, que vai diminuindo. A idade de reforma passou dos 60 anos, 55 no caso das mulheres, para os 67 anos e vai a caminho dos 70», lamentou.

Sobre o projecto de lei que deve começar a ser debatido esta semana, o deputado conservador Christos Tarantilis disse que se trata de «um passo decisivo na aproximação às boas práticas de outros países europeus».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/gregos-manifestam-se-contra-nova-reforma-das-pensoes

Varoufakis entrega no parlamento grego gravações do Eurogrupo em 2015

 
 
Presidente do hemiciclo considerou a sua iniciativa “inadmissível” e acrescentou que “quem quiser divulgar publicamente o conteúdo das gravações que fez em segredo, que o faça sob sua inteira responsabilidade”
 
O ex-ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, entregou esta sexta-feira ao presidente do parlamento Konstandinos Tasulas, as polémicas gravações que manteve com o Eurogrupo no crítico primeiro semestre de 2015. "As mentiras sobre o que ocorreu em 2015 são utilizadas atualmente contra os trabalhadores. Por isso, vamos retirar-lhes o direito de mentir sobre o que ocorreu no Eurogrupo", sublinhou Varoufakis, deputado e líder do MeRA25, na sua intervenção durante um debate parlamentar sobre política laboral.
 
Ao justificar a sua decisão, referiu que a gravação das sessões foi "completamente legítima" porque os representantes da 'troika' de credores internacionais -- União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional -- "queriam humilhar não apenas a esquerda, mas todo o povo grego".
 
Varoufakis entregou as gravações ao presidente do parlamento e pediu que as partilhasse com os restantes deputados. No entanto, Tasulas rejeitou as gravações e devolveu-as a Varoufakis. O presidente do hemiciclo considerou a sua iniciativa "inadmissível" e acrescentou que "quem quiser divulgar publicamente o conteúdo das gravações que fez em segredo, que o faça sob sua inteira responsabilidade".
 
Apesar de o combate pela transparência que promoveu nas altas esferas institucionais tenha sido decisiva para a sua afirmação como um "ícone" político, a revelação de que Varoufakis tinha gravado em segredo as reuniões do Eurogrupo em que participou provocou acesa polémica, na Grécia e a nível europeu.
 
As regras do Eurogrupo não impedem a gravação das reuniões, apesar de ser considerar adquirido que os participantes mantêm a sua confidencialidade. Num primeiro momento, Varoufakis negou ter gravado as sessões, mas depois reconheceu que registou o seu conteúdo numa entrada do seu blogue pessoal. Assegurou que tomou a decisão para informar "com frases exatas" o primeiro-ministro, a equipa governamental e o parlamento. "Gravo frequentemente as minhas intervenções e respostas no meu telefone móvel, especialmente quando improviso", assinalou.
 
A transcrição destas gravações serviu posteriormente de base para o livro de Varoufakis "Comportem-se como adultos" ("Adults In The Room: My Battle With Europe's Deep Establishment" na versão em inglês) e ao filme de Costa-Gravas "Adults in the Room". Em comunicado, o MeRA25 afirmou que a decisão do presidente do parlamento "confirma que o muro de opacidade do Eurogrupo foi e continua a ser conveniente para muitos, enquanto a verdade e a transparência lhes suscitam medo".
 
Expresso | Lusa

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/varoufakis-entrega-no-parlamento-grego.html

Grécia vende bases militares aos Estados Unidos da América

 
 
 
O Parlamento grego ratificou o “Acordo de Cooperação para Defesa Mútua”, que concede aos Estados Unidos o uso de todas as bases militares gregas. Elas servirão às forças armadas USA não só para armazenar armamentos, reabastecer-se e treinar, mas também para operações de “resposta às emergências”, ou seja, para missões de ataque.
 
Particularmente importante, é a base aérea de Larissa, onde a Força Aérea dos EUA já instalou drones MQ-9 Reaper, e a de Stefanovikio, onde o Exército dos EUA já introduziu helicópteros Apache e Black Hawk.
 
O Acordo foi definido pelo Ministro da Defesa grego, Nikos Panagiotopoulos, “vantajoso para os nossos interesses nacionais, pois aumenta a importância da Grécia na planificação USA”. Importância que a Grécia tem já há algum tempo: basta recordar o golpe de Estado sangrento dos coronéis, organizado em 1967, no âmbito da operação Stay-Behind dirigida pela CIA, seguida em Itália pela temporada de massacres iniciada com a Piazza Fontana, em 1969.
 
Naquele mesmo ano, instalou-se na Grécia, em Souda Bay, na ilha de Creta, um Destacamento Naval USA proveniente da base de Sigonella, na Sicília, às ordens do Comando USA de Nápoles. Hoje, Souda Bay é uma das mais importantes bases aeronavais USA/NATO no Mediterrâneo, usada nas guerras no Médio Oriente e no Norte de África. Em Souda Bay, o Pentágono investirá outros 6 milhões de euros, que se juntarão aos 12 que investirá em Larissa, anuncia Panagiotopoulos, apresentando-o como um grande negócio para a Grécia.
 
 
No entanto, o Primeiro Ministro Kyriakos Mitsotakis indica com precisão que Atenas já assinou com o Pentágono, um  acordo para o reforço da sua frota de F-16, que custará à Grécia 1,5 bilião de dólares e que também está interessada em comprar aos USA, drones e caças F-35.
 
A Grécia também se destaca por ser na NATO, depois da Bulgária, o aliado europeu que destina há muito tempo, a maior percentagem do PIB (2,3%) para a despesa militar.
 
O Acordo também garante aos Estados Unidos “o uso ilimitado do porto de Alexandroupolis”. Está localizado no mar Egeu, perto do Estreito de Dardanelos que, ligando no território turco, o Mediterrâneo e o Mar Negro, constitui uma rota fundamental de trânsito marítimo, sobretudo para a Rússia. Além do mais, a vizinha Trácia Oriental (a pequena parte europeia da Turquia) é o ponto em que chega da Rússia através do Mar Negro, o gasoduto TurkStream.
 
O “investimento estratégico”, que Washington já está  a efectuar nas infraestruturas portuárias, visa fazer de Alexandroupolis uma das bases militares USA mais importantes da região, capaz de bloquear o acesso dos navios russos ao Mediterrâneo e, ao mesmo tempo, neutralizar a China, que pretende fazer do Pireu, um porto de escala importante da Nova Rota da Seda.
 
“Estamos a trabalhar com outros parceiros democráticos da região para repelir protagonistas malignos, como a Rússia e a China, acima de tudo a Rússia, que usa a energia como instrumento da sua influência malévola”, declara o Embaixador dos EUA em Atenas, Geoffrey Pyatt, salientando que “Alexandroupolis desempenha um papel crucial para a segurança energética e para a estabilidade da Europa”.
 
Nesse âmbito, insere-se o “Acordo de Cooperação para a Defesa Mútua” com os USA, que o Parlamento grego ratificou com 175 votos a favor, do centro-direita ao governo (Nova Democracia e outros) e 33 contra (Partido Comunista e outros), enquanto 80 declararam “presente”, de acordo com a fórmula do Congresso USA, equivalente à abstenção, em uso no Parlamento grego. O Syriza, a “Coligação da Esquerda Radical” liderada por Alex Tsipras, absteve-se. Partido este, que esteve primeiro no Governo, agora está na oposição, num país que depois de ser forçado a vender a própria economia, agora vende não só as suas bases militares, mas o pouco que resta da sua soberania.
 
Manlio Dinucci
 
Artigo original em italiano
ilmanifesto.it
 
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
 
Copyright © Manlio Dinucciilmanifesto.it, 2020

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[Manlio Dinucci] GRÉCIA - VENDA DE BASES MILITARES AOS EUA

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O Parlamento grego ratificou o “Acordo de Cooperação para Defesa Mútua”, que concede aos Estados Unidos o uso de todas as bases militares gregas. Elas servirão às forças armadas USA não só para armazenar armamentos, reabastecer-se e treinar, mas também para operações de “resposta às emergências”, ou seja, para missões de ataque.
Particularmente importante, é a base aérea de Larissa, onde a Força Aérea dos EUA já instalou drones MQ-9 Reaper, e a de Stefanovikio, onde o Exército dos EUA já introduziu helicópteros Apache e Black Hawk.
O Acordo foi definido pelo Ministro da Defesa grego, Nikos Panagiotopoulos, “vantajoso para os nossos interesses nacionais, pois aumenta a importância da Grécia na planificação USA”. Importância que a Grécia tem já há algum tempo: basta recordar o golpe de Estado sangrento dos coronéis, organizado em 1967, no âmbito da operação Stay-Behind dirigida pela CIA, seguida em Itália pela temporada de massacres iniciada com a Piazza Fontana, em 1969.
Naquele mesmo ano, instalou-se na Grécia, em Souda Bay, na ilha de Creta, um Destacamento Naval USA proveniente da base de Sigonella, na Sicília, às ordens do Comando USA de Nápoles. Hoje, Souda Bay é uma das mais importantes bases aeronavais USA/NATO no Mediterrâneo, usada nas guerras no Médio Oriente e no Norte de África. Em Souda Bay, o Pentágono investirá outros 6 milhões de euros, que se juntarão aos 12 que investirá em Larissa, anuncia Panagiotopoulos, apresentando-o como um grande negócio para a Grécia.
No entanto, o Primeiro Ministro Kyriakos Mitsotakis indica com precisão que Atenas já assinou com o Pentágono, um acordo para o reforço da sua frota de F-16, que custará à Grécia 1,5 bilião de dólares e que também está interessada em comprar aos USA, drones e caças F-35.
A Grécia também se destaca por ser na NATO, depois da Bulgária, o aliado europeu que destina há muito tempo, a maior percentagem do PIB (2,3%) para a despesa militar.
O Acordo também garante aos Estados Unidos “o uso ilimitado do porto de Alexandroupolis”. Está localizado no mar Egeu, perto do Estreito de Dardanelos que, ligando no território turco, o Mediterrâneo e o Mar Negro, constitui uma rota fundamental de trânsito marítimo, sobretudo para a Rússia. Além do mais, a vizinha Trácia Oriental (a pequena parte europeia da Turquia) é o ponto em que chega da Rússia através do Mar Negro, o gasoduto TurkStream.
O “investimento estratégico”, que Washington já está a efectuar nas infraestruturas portuárias, visa fazer de Alexandroupolis, uma das bases militares USA mais importantes da região, capaz de bloquear o acesso dos navios russos ao Mediterrâneo e, ao mesmo tempo, neutralizar a China, que pretende fazer do Pireu, um porto de escala importante da Nova Rota da Seda.
“Estamos a trabalhar com outros parceiros democráticos da região para repelir protagonistas malignos, como a Rússia e a China, acima de tudo a Rússia, que usa a energia como instrumento da sua influência malévola”, declara o Embaixador dos EUA em Atenas, Geoffrey Pyatt, salientando que “Alexandroupolis desempenha um papel crucial para a segurança energética e para a estabilidade da Europa”.
Nesse âmbito, insere-se o “Acordo de Cooperação para a Defesa Mútua” com os USA, que o Parlamento grego ratificou com 175 votos a favor, do centro-direita ao governo (Nova Democracia e outros) e 33 contra (Partido Comunista e outros), enquanto 80 declararam “presente”, de acordo com a fórmula do Congresso USA, equivalente à abstenção, em uso no Parlamento grego. O Syriza, a “Coligação da Esquerda Radical” liderada por Alex Tsipras, absteve-se. Partido este, que esteve primeiro no Governo, agora está na oposição, num país que depois de ser forçado a vender a própria economia, agora vende não só as suas bases militares, mas o pouco que resta da sua soberania.
il manifesto, 11 de Fevereiro de 2020 CONVITE À CONFERÊNCIA EM 25 DE ABRIL
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DECLARAÇÃO DE FLORENÇA Para uma frente internacional NATO EXIT,  em todos os países europeus da NATO DANSK DEUTSCH ENGLISH ESPAÑOL FRANÇAIS ITALIANO NEDERLANDS PORTUGUÊS ROMÎNA SLOVENSKÝ SVENSKA TÜRKÇE РУССКИЙ
Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos  Email: luisavasconcellos2012@gmail.com Webpage: NO WAR NO NATO

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Polícia grega usa gás lacrimogêneo contra migrantes na ilha de Lesbos

Crianças brincam em campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia
© AP Photo / Petros Giannakouris

A polícia grega usou gás lacrimogêneo contra aproximadamente 2.000 migrantes na ilha de Lesbos que protestavam contra más condições de vida nos campos e para que seus casos de asilo fossem processados mais rapidamente.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo jornal Kathimerini.

A manifestação teve início ainda durante a manhã, com os manifestantes estabelecendo um cordão de isolamento na via principal, entre Moria and Mitilini, capital da ilha.

Os migrantes protestavam contra condições de vida esquálidas em campos de acolhimento, lotados além da capacidade máxima. O Centro de Recepção e Identificação de Moria, por exemplo, tinha 16.800 pessoas no final do ano passado, embora sua capacidade máxima seja de apenas 3.000 pessoas. 

 

​De acordo com um relatório compilado pelo escritório de estatística da Eurostat, havia 90.200 casos de asilo pendentes arquivados na Grécia que ainda aguardavam processamento nos últimos meses de 2019. Somente a Alemanha e a Espanha têm um número maior de casos de asilo não resolvidos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020020315092146-policia-grega-usa-gas-lacrimogeneo-contra-migrantes-na-ilha-de-lesbos/

As sementes de Auschwitz

 
A semana passada (20/26 jan.) os Médicos Sem Fronteiras (MSF) tocaram a sineta de alarme. No Campo de Refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, (Grécia), a 140 crianças gravemente doentes foi-lhes negado o acesso aos cuidados de saúde.
Por várias vezes a associação pediu ao governo grego, sem sucesso, que evacuasse todos esses menores para a Grécia continental e os Estados membros da UE, mas ainda não recebeu uma resposta satisfatória. Em consequência, aos olhos da MSF, «essas crianças são deliberadamente privadas de cuidados pelo governo».
A organização também lembra que em 2019, o governo grego cortou o acesso aos serviços de saúde pública para mais de 55.000 solicitantes de asilo e migrantes sem documentos que chegaram à Grécia.
CKR
 

Via: as palavras são armas http://bit.ly/316l6lo

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/30/as-sementes-de-auschwitz/

Grécia elege pela primeira vez uma mulher para a Presidência

Orestis Panagiotou / EPA

Katerina Sakellaropoulou, a nova Presidente da Grécia

O Parlamento grego elegeu, esta quarta-feira, Katerina Sakellaropoulou como Presidente da Grécia, a primeira mulher a ocupar o cargo no país.

 

Katerina Sakellaropoulou, de 63 anos, atual presidente do Conselho de Estado, reuniu 261 votos entre os 300 deputados gregos, incluindo quase todos os deputados do partido no Governo, a conservadora Nova Democracia, e dos maiores partidos da oposição, o esquerdista Syriza e a coligação de centro-esquerda Movimento de Mudança.

A nova Presidente foi eleita — na primeira ronda de votação — para um mandato de cinco anos num posto essencialmente honorífico, num país que tem historicamente um nível baixo de mulheres em altos cargos políticos.

A Grécia entra hoje numa nova era. O país entra na terceira década do século XXI com uma mulher Presidente. Desejo à senhora Sakellaropoulou uma Presidência bem-sucedida”, disse o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis depois da eleição.

A juíza, que foi indicada para o cargo pelo próprio Mitsotakis, prestará juramento a 13 de março, dia em que termina o mandato do seu antecessor, o conservador Prokopis Pavlopoulos.

Sakellaropoulou não milita em nenhum partido político, embora a sua tendência progressista seja conhecida.

Designada há um ano para a chefia do Conselho de Estado pelo anterior Governo de esquerda, Sakellaropoulou foi igualmente a primeira mulher a dirigir esta instituição.

A nova Presidente também foi pioneira na Grécia ao tornar-se a primeira mulher a presidir o Supremo Tribunal Administrativo em 2018, nomeado pelo Governo anterior do Syriza.

Natural de Salónica, norte da Grécia e a segunda cidade do país, a nova Presidente fez os seus estudos na Universidade de Direito de Atenas e na Universidade de Paris II, em França.

Na década de 1980 entrou para o Conselho de Estado, onde prosseguiu a sua carreira antes de ser nomeada vice-presidente desta instituição em 2015, e de seguida presidente em outubro de 2018.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/grecia-elege-primeira-mulher-presidencia-303972

Grécia: Delegação do Comitê de Advogados FSM visita Atenas para expressar solidariedade contra a organização criminosa neonazista “Aurora Dourada”

Uma delegação internacional do Comitê de Advogados da FSM, composta por advogados da Itália, Turquia e Chipre, está visitando Atenas, Grécia, para acompanhar de perto o julgamento contra a organização criminosa neonazista “Aurora Dourada”. O Comitê de Advogados da FSM expressou repetidamente sua profunda preocupação perante as recentes declarações da fiscal e os últimos eventos no âmbito do julgamento.

A delegação internacional do Comitê expressou sua solidariedade às vítimas dos ataques nazistas-fascistas contra trabalhadores, imigrantes e o povo da Grécia. Além disso, os advogados de classe da FSM enfatizaram que seguirão de perto esse importante julgamento até o final e informarão a comunidade internacional sobre isso. Como declararam perante a imprensa e os advogados classistas da Grécia que tentam demonstrar a natureza criminosa do “Aurora Dourada”: “Este julgamento tem a ver com todos nós, não apenas do ponto de vista jurídico, mas também do ponto de vista social”.

Via: WFTU http://bit.ly/3apFe6k

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/20/grecia-delegacao-do-comite-de-advogados-fsm-visita-atenas-para-expressar-solidariedade-contra-a-organizacao-criminosa-neonazista-aurora-dourada/

Julgamento do Aurora Dourada

A proposta da promotora no julgamento do Aurora Dourada ofende profundamente o sentimento popular

Partido Comunista da Grécia (KKE)

De acordo com a promotora e a sua sugestão, os assassinatos de Pavlos Fissas e Shehzad Luqman, os ataques contra os comunistas e sindicalistas da PAME, o centro “Antipnia” e o estudante em Paleo Faliro, etc., foram incidentes não relacionados!!! “Não havia provas de nenhum planeamento central contra opositores políticos e imigrantes. A liderança do Aurora Dourada não tinha responsabilidade, pois não parecia ter ordenado ou aprovado as ações que então ocorreram”, como sintomaticamente disse, ofendendo o sentimento público e as vítimas dos ataques do Aurora Dourada.

 

Sem Título (3).jpg

2019/12/20

Comentando a proposta da promotora no julgamento do Aurora Dourada, o Gabinete de Imprensa do KKE destaca o seguinte:

«A proposta da promotora no julgamento desta criminosa organização nazi de absolvição da liderança e dos seus quadros dos graves crimes de que são acusados, ofende profundamente o sentimento popular, assim como as dezenas de vítimas do Aurora Dourada.

É ultrajante que esta particular promotora, em total contradição com as esmagadoras evidências que surgiram durante o longo processo de julgamento, não só tenha adotado os argumentos do Aurora Dourada, mas também os tenha assumido.

Os trabalhadores e os jovens devem intensificar a sua vigilância e lutar para o isolamento dos fascistas em toda a parte e para a sua punição pelos hediondos crimes que cometeram».

A proposta da promotora consiste num provocatório branqueamento da criminosa ação do Aurora Dourada

Como se refere no Portal de Notícias do KKE (https://www.902.gr/), a promotora Adamantia Economou procedeu, em 18/12/19, a uma provocatória proposta no julgamento do Aurora Dourada, que, na sua essência, é um escudo protetor desta criminosa organização nazi. Após um discurso de oito horas, ela concluiu que os 65 acusados ​​– 18 ex-parlamentares e 47 membros deste partido nazi – deveriam ser absolvidos.

Especificamente, sobre a acusação de fazerem parte e dirigirem a organização nazi, ela pediu a demissão da liderança do Aurora Dourada e dos seus quadros e não só adotou, como também assumiu os argumentos da organização nazi. Desde logo, não aceitou que houvesse um plano central para os atos criminosos e, no fundamental, admitiu que a liderança não sabia de nada e não deu qualquer ordem, que, da parte da liderança não houve um plano e definição das vítimas a atingir! Basicamente, com a sua proposta, a promotora enfatiza a falta de motivação para o crime.

Durante um programa de televisão, o chefe do Aurora Dourada, Michaloliakos, assumiu finalmente, após muito tempo, a responsabilidade política pelo assassinato de Pavlos Fissas. Contudo, é digno de nota que a promotora tenha apoiado totalmente a interpretação deste ato pelos quadros do Aurora Dourada como assumindo custos políticos (!).

No seu discurso, também citou uma declaração do quadro do grupo nazi, Kassidaris, de que “o Aurora Dourada também foi morto juntamente com Fissas”.

Quanto aos símbolos nazis, às saudações nazis, às declarações sobre o divino Hitler e àqueles que se declaravam como “fascistas, nazis, estripadores” etc., ela adotou totalmente o que o chefe da Aurora Dourada declarou sobre a cisão da organização de membros ideologicamente extremistas, em 1992. Mas, como disse, mesmo que fossem efetivamente nazis, esse facto é indiferente de um ponto de vista do direito penal.

Além do mais, basicamente, ela desconectou os casos do planeamento geral da criminosa organização nazi. De acordo com a promotora e a sua sugestão, os assassinatos de Pavlos Fissas e Shehzad Luqman, os ataques contra os comunistas e sindicalistas da PAME, o centro “Antipnia” e o estudante em Paleo Faliro, etc., foram incidentes não relacionados!!! “Não havia provas de nenhum planeamento central contra opositores políticos e imigrantes. A liderança do Aurora Dourada não tinha responsabilidade, pois não parecia ter ordenado ou aprovado as ações que então ocorreram”, como sintomaticamente disse, ofendendo o sentimento público e as vítimas dos ataques do Aurora Dourada.

Sobre o assassinato de Pavlos Fissas pelos nazis, a sua proposta ficou confinada à culpabilidade do assassino Rupakias, do Aurora Dourada, sem mencionar o motivo do assassinato e considerando – sem nenhuma prova – que ele não tinha intenção de matar desde o início. E também afirmou que as tropas de choque não sabiam de nada nem o ajudaram no assassinato e que P. Fissas não era um alvo.

Nos ataques dos nazis contra os pescadores e contra os comunistas e sindicalistas da PAME, ela propôs a conversão da acusação de tentativa de homicídio para uma ofensa menor (dano corporal grave para os pescadores e dano corporal efetivo para os sindicalistas da PAME, respetivamente) porque, como ela declarou, não havia intenção homicida.

Sobre o ataque dos nazis contra o centro “Antipnia”, sintomaticamente, disse: «Mesmo a frase proferida pelo agressor, “Saudações do Aurora Dourada” não é suficiente, pois não há menção a um nome específico de um deputado do Aurora Dourada».

Sobre a acusação de felonia com arma, contra alguns dos quadros da organização nazi, incluindo o seu chefe, N. Michaloliakos, ela pediu para ser convertida, numa base de caso a caso, em ofensa equivalente a um delito menor, que, sob alguns termos, tem um estatuto de limitações.

Note-se que a proposta da promotora não surgiu como caída do céu. Durante o julgamento da organização criminosa nazi, tanto o conteúdo das suas perguntas como as suas sugestões mostravam as suas intenções. Ela aceitava as exigências dos membros do Aurora Dourada, que, frequentemente, queriam a prisão das testemunhas, mesmo dos amigos de Fissas, que estavam com ele na noite do assassinato, por cometerem perjúrio. É característico que as suas perguntas apontassem para a desconstrução da acusação e das afirmações das testemunhas.

Fonte:https://inter.kke.gr/en/articles/The-prosecutors-proposal-on-Golden-Dawn-trial-deeply-offends-popular-sentiment/, publicado em 2019/12/20, acedido em 2019/12/26

Tradução do inglês de MFO

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/julgamento-do-aurora-dourada-84548

A Grécia pronta a intervir contra a Turquia na Líbia

 
 
Ministro grego dos Negócios Estrangeiros, o advogado conservador Nikos Dendias, foi a Bengazi, em 22 de Dezembro de 2019, para se encontrar com os ministros nomeados pela Câmara dos Representantes de Tobruk e o seu chefe militar, o Marechal Khalifa Haftar. Depois, viajou para o Cairo e para Chipre.
 
Simultaneamente, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan também anunciou, durante uma cerimónia nos estaleiros navais de Gölcük, acelerar o programa de construção de submarinos. A Turquia deverá concluir os 6 aparelhos de Tipo 214 que constrói junto com a alemã Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW). Em virtude do acordo assinado com o «governo da unidade nacional» (GNA), de Fayez Al-Sarraj, ela poderá dispor, para além de portos militares no Chipre ocupado, de um porto de ligação na Líbia, de onde poderá estender a sua influência sobre todo o Mediterrâneo oriental.
 
O Marechal Haftar fez saber, após o fornecimento de material militar turco a Trípoli, por meio de um Boeing 747-412 civil, que ele não hesitaria em abater qualquer avião civil transportando armas para o GNA.
 
Voltaire.net.org | Tradução Alva

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/a-grecia-pronta-intervir-contra-turquia.html

Atenas acusa União Europeia de ver Grécia como “parque de estacionamento” de migrantes

 
 
O chefe do Governo conservador lamentou que Bruxelas “ignore o problema” do recrudescimento das chegadas de migrantes à Grécia.
 
O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, acusou a União Europeia de considerar a Grécia e outros países da Europa como “parques de estacionamento convenientes para refugiados e migrantes”, garantindo que não vai continuar a aceitar a situação.
 
Numa entrevista publicada esta terça-feira no jornal alemão Handelsblatt, o chefe do Governo conservador lamentou que Bruxelas “ignore o problema” do recrudescimento das chegadas de migrantes à Grécia. Mais de 1350 pessoas chegaram às ilhas gregas do mar Egeu entre sexta-feira e segunda-feira, de acordo com a Guarda Costeira grega. “Isto não pode continuar assim”, lamentou Kyriakos Mitsotakis, eleito em 7 de Julho passado.
 
“A Europa considera países de entrada, como a Grécia, como parques de estacionamento convenientes para refugiados e migrantes. É isto a solidariedade europeia? Não! Não aceito mais esta situação”, sublinhou o primeiro-ministro grego.
 
 
O chefe do Governo dirigiu também palavras duras à Turquia, país que, segundo disse, está “a tentar usar a migração como um meio de pressão sobre a Europa”. “Disse com toda a franqueza ao Presidente [turco Recep Tayyip] Erdogan que não pode explorar migrantes e refugiados se quiser ter boas relações com a Grécia”, avançou Mitsotakis.
 
O Governo grego pretende reenviar para a Turquia cerca de dez mil migrantes até ao final de 2020, no cumprimento do acordo assinado em Março de 2016 entre Bruxelas e Ancara. O acordo prevê o repatriamento de todos os refugiados que cheguem clandestinamente às ilhas gregas em troca de a União Europeia acolher refugiados sírios que vivem nos campos turcos.
 
No início de Outubro, Mitsotakis anunciou que iria transferir gradualmente 20 mil pessoas das ilhas gregas para o continente até ao final de Dezembro, para aliviar o congestionamento nas ilhas.
 
Actualmente, mais de 32 mil pessoas vivem em condições miseráveis em cinco locais considerados os “pontos mais quentes”, em Lesbos, Samos, Leros, Chios e Kos, nos campos onde refugiados e migrantes fazem o seu registo de chegada. A capacidade desses campos é de 6200 pessoas.
 
Público | Lusa

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/atenas-acusa-uniao-europeia-de-ver.html

Manifestantes gregos entram em confronto com a polícia em Atenas

Participantes de protesto durante uma greve de 24 horas por trabalhadores do setor privado em uma rua de Atenas, Grécia (arquivo)
© Sputnik / Kostis Ntantamis

Anarquistas gregos e agentes de polícia entraram em confronto neste domingo durante a celebração do 46º aniversário da revolta estudantil na Escola Politécnica de Atenas.

Cerca de 20 mil pessoas tomaram hoje as ruas da capital grega para uma marcha em memória às vítimas do levante de 1973 contra a junta militar que governou o país de 1967 a 1974, que deixou cerca de 40 mortos e mais de 100 feridos. 

​De acordo com a agência ANA-MPA, no início da noite, aproximadamente 200 manifestantes mascarados começaram a atirar objetos, como pedras e garrafas, contra as forças de polícia que faziam a segurança do evento. Os policiais utilizaram gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dispersar a multidão. Ao menos 12 pessoas acabaram sendo detidas.

Confrontos com a polícia também foram verificados em outras cidades gregas neste domingo. Em Tessalônica por exemplo, segundo a Associated Press, veículos chegaram a ser queimados pelos manifestantes, e, ao menos 14 pessoas foram detidas na cidade. Ainda de acordo com a AP, outras 17 foram presas em outras duas cidades do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019111714786716-manifestantes-gregos-entram-em-confronto-com-a-policia-em-atenas/

Xi diz que amizade e justiça são mais valiosas que interesses em intercâmbios entre países

Atenas, 12 nov (Xinhua) -- O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta terça-feira na capital grega que os países devem valorizar a amizade e a justiça por cima dos interesses compartilhados em seus intercâmbios.

A rosa está em sua mão, o aroma na minha, disse Xi, citando um provérbio, em sua reunião com o ex-primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

Xi disse que aprecia muito os esforços feitos por Tsipras na promoção da amizade e cooperação entre a China e Grécia quando servia como primeiro-ministro grego.

A China apoiou com firmeza o governo e o povo gregos na abordagem dos impactos da crise financeira, e promoveu a cooperação prática entre os dois países, disse Xi.

O presidente chinês disse que está contente em ver que a economia grega saiu dos apuros e retornou ao crescimento, e que a cooperação entre a China e a Grécia produziu resultados importantes, especialmente o novo progresso no projeto do Porto de Piraeus, que obteve resultados mutuamente benéficos.

Xi assegurou também acreditar que a construção conjunta do Cinturão e Rota entre a China e a Grécia ajudará o país europeu a cumprir o objetivo de transformar-se em um centro regional de transporte e logística, e injetará forte ímpeto na cooperação entre a China e os países da Europa Oriental e Central, e que a colaboração bilateral terá mais amplas perspectivas.

Xi acrescentou que espera que Tsipras e seu partido continuem apoiando o desenvolvimento das relações entre a China e a Grécia.

Por sua parte, Tsipras indicou que a Grécia esteve em uma crise de dívida durante seu mandato como primeiro-ministro, e que a China ofereceu assistência para ajudar seu país a sair da crise.

Os verdadeiros amigos se conhecem na necessidade, disse.

O povo grego sempre lembrará a valiosa ajuda da China e considerará o povo chinês um verdadeiro amigo, assinalou Tsipras.

A Grécia aprecia muito a iniciativa do Cinturão e Rota, apresentada por Xi, e está contente em ver resultados ainda mais positivos obtidos no projeto do Porto de Piraeus, empreendido por uma subsidiária da China Ocean Shipping Company, disse.

Tsipras acrescentou que ele e seu partido estão preparados para fortalecer os intercâmbios interpartidários com o Partido Comunista da China e continuar promovendo ativamente o desenvolvimento das relações Grécia-China e Europa-China.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/12/c_138549899.htm

Crise financeira na Grécia ainda afeta taxas de natalidade

Atenas, 3 nov (Xinhua) -- Oito em cada dez jovens casais na Grécia gostariam de ter uma família grande, mas não podem arcar com uma, de acordo com um novo estudo sobre as causas da infertilidade no país, realizado de janeiro a fevereiro de 2019.

Em resumo, a pobreza vivida pelas famílias gregas é o maior obstáculo que reduz os nascimentos, informou o jornal grego "TA NEA" no domingo, citando os resultados do estudo.

A pesquisa foi realizada pelo Departamento de Estatística e Ciência dos Seguros da Universidade do Pireu, em colaboração com a HOPEgenesis, uma organização sem fins lucrativos no campo da medicina que aborda a questão das baixas taxas de natalidade na Grécia.

As baixas taxas de natalidade são caracterizadas por especialistas como uma "bomba-relógio" sobre as bases das perspectivas de desenvolvimento da Grécia.

Mais especificamente, um em cada dois gregos (52,9%) nomeia o alto custo financeiro da gravidez (triagem pré-natal e parto) e a educação de uma criança como os obstáculos mais significativos.

Deles, 89,7 por cento declararam que teriam um filho imediatamente se fosse oferecido o custo do parto, enquanto 86,3 por cento iniciariam os esforços de planejamento familiar até no dia seguinte, desde que recebessem incentivos financeiros pelo custo do berçário.

A amostra do estudo foi composta por 121 adultos, de 25 a 35 anos, do banco de dados HOPEgenesis, que manifestaram o desejo de ter um filho. Os participantes residiam em áreas remotas e inacessíveis da Grécia com um grave déficit de nascimento.

Segundo os cientistas do estudo, o déficit de nascimento altera o tamanho e a estrutura de toda a população.

Hoje, metade da população da Grécia tem mais de 43 anos, a população de pessoas com mais de 65 anos excede a de crianças com menos de 15 anos e as pessoas com mais de 80 anos é a faixa etária que mais cresce.

Enquanto isso, a migração de jovens, principalmente cientistas, que é mais uma consequência da crise financeira, acelera o encolhimento da população.

Na Grécia, os nascimentos têm diminuído constantemente desde 2008, atingindo, de acordo com dados recentemente publicados pela Hellenic Statistical Authority (ELSTAT), uma baixa histórica abaixo de 86.500 em 2018.

O equilíbrio natural (nascimentos/mortes) é negativo desde 2011, enquanto a estimativa da população permanente para 2018 foi 0,25 por cento menor que no ano anterior.

Nesse contexto, o governo grego tem apoio à natalidade no topo da agenda e já está promovendo algumas medidas iniciais, a partir de 2020, com um bônus de 2.000 euros (2.240 dólares) para cada criança nascida na Grécia, com base em critérios socioeconômicos. (1 euro = 1,12 dólar americano)

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/04/c_138527300.htm

EUA construirão 3 novas bases na Grécia

Soldados norte-americanos e georgianos participam dos exercícios militares Agile Spirit 2014, base militar de Vaziani, junho de 2014 (foto de arquivo)
© AFP 2019 / VANO SHLAMOV

Ontem, (5), o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, assinou um novo acordo com o ministro da Defesa grego que permitirá a Washington ter três novas bases na Grécia por tempo indeterminado.

O acordo assinado pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o ministro da Defesa da Grécia, Nikolaos Panagiatopoulos, marca uma nova fase nas relações entre Washington e Atenas.

Até então, os EUA possuíam somente uma base militar na Grécia, a da baía de Suda em Creta, fruto do Acordo de Cooperação de Defesa Mútua assinado em 1990.

Além disso, cada ano a permanência das tropas americanas no país necessitava da aprovação dos parlamentares gregos. Com o novo acordo, o período de permanência das tropas de Washington é indeterminado e não precisa do aval do Legislativo do país.

"Neste novo espírito nós temos planos de cooperação com os americanos com cedência das capacidades e infraestrutura [das bases] em Stefanovikeio, Larissa e Alexandrópolis. Isso reflete a comunhão de interesses com vantagem mútua para ambos os lados", publicou as palavras de Panagiatopoulos o jornal Real.

Ainda segundo o ministro grego, o acordo deverá fortalecer a cooperação entre Washington e Atenas.

Presença militar

Atualmente, a base em Larissa já abriga aeronaves não tripuladas americanas MQ-9 Reaper. Em Alexandrópolis será construída uma base de helicópteros e o porto da cidade abrigará unidades militares americanas.

Já na base de Stefanovikeio planeja-se posicionar helicópteros de ataque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019100614603805-eua-construirao-3-novas-bases-na-grecia/

Trabalhadores gregos protestam contra reformas laborais da direita

Pela segunda vez numa semana, esta quarta-feira milhares de trabalhadores gregos fizeram greve e manifestaram-se contra a legislação laboral que o governo de Mitsotakis quer implementar.

Milhares de trabalhadores manifestaram-se em Atenas contra o projecto de alteração da legislação laboral do governo gregoCréditos / idcommunism.com

Depois dos funcionários públicos no passado dia 24 de Setembro, ontem foi a vez de os trabalhadores do sector privado responderem de «forma massiva» à convocatória de greve geral realizada pelas centrais sindicais, incluindo a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME).

A greve de 24 horas parou a Grécia, afirma a Euro News, referindo que os barcos não saíram dos portos, os comboios e quase todos os transportes estiveram parados, e os bancos interromperam os seus serviços.

No segundo protesto do género no espaço de uma semana, milhares de trabalhadores manifestaram-se em diversas cidades do país, sendo as maiores mobilizações as que ocorreram em Salónica e Atenas, onde os manifestantes se dirigiram até ao Parlamento mostrando faixas em que se lia inscrições como «Tirem as mão das greves, tirem as mão dos sindicatos!» e «Eles não vão parar a menos que tu os pares!».

 

Na semana passada, milhares de professores, trabalhadores dos órgãos de comunicação, trabalhadores portuários, funcionários municipais, pensionistas e estudantes marcharam com as mesmas reivindicações: denunciar as privatizações planeadas pelo governo da Nova Democracia, o impacto da austeridade do «resgate» financeiro, concluído em 2018, e as alterações na legislação laboral gravosas para os trabalhadores e as organizações que os representam, indica a Prensa Latina.

Em declarações à Euro News, Kostas Drakos, dirigente do Sindicato dos Contabilistas, sublinhou que o projecto de lei é uma afronta aos sindicatos, na sequência dos golpes que já lhes tinham sido desferidos pelo governo do Syriza. «Os sindicatos não podem decidir, não podem convocar um plenário, os trabalhadores não podem participar e decidir lutar pelos seus direitos, pelos acordos colectivos de trabalho», denunciou.

Para os sindicatos, o projecto, que deve ser votado ainda este mês, «é um fato à medida das empresas». Neste sentido, Dina Gogaki, do Sindicato dos Estudantes, afirmou que «o governo está a dar praticamente tudo às empresas e desferindo um golpe às acções colectivas dos trabalhadores e aos sindicatos», limitando o direito à greve.

Já o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, acusou os organizadores de «terem feito sofrer milhões de gregos» com a greve e de estarem «afastados da realidade», uma vez que as propostas do governo «estão concebidas para que a tomada de decisões sobre a greve sejam mais inclusivas», refere a Reuters.

No entanto, os sindicatos acusam o governo de direita de os procurar «controlar e enfraquecer», sublinhando que estas greves são só o início da «guerra» contra um projecto de lei que também «não vai gerar mais emprego», tal como o governo anuncia.

Actualmente, o desemprego ronda os 17% – o mais elevado da zona euro. A Grécia saiu do chamado terceiro programa de resgate em 2018, e o progresso das reformas fiscais e de pensões continua a ser monitorizado pelos credores, segundo a refere a Reuters.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu maior flexibilidade no mercado laboral e uma maior oferta de opções aos patrões para cortar custos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/trabalhadores-gregos-protestam-contra-reformas-laborais-da-direita

Alexandrópolis, a nova base USA contra a Rússia

Geoffrey R. Pyatt exerceu a função de Embaixador dos EUA, na Ucrânia, de 2013 a 2016. Organizou com Victoria Nuland, o golpe EuroMaidan. Nomeado por Barack Obama Embaixador dos EUA, na Grécia, em 2016, elaborou um cisma dentro da Igreja Ortodoxa e agora está encarregado de bloquear o fornecimento de gás natural russo à União Europeia.

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Acabei de voltar de Alexandrópolis, uma visita estrategicamente importante que se concentrou nas relações militares excepcionais entre os Estados Unidos e a Grécia e no investimento estratégico que o governo dos EUA está a fazer em Alexandrópolis”: declarou, em 16 de Setembro, o Embaixador dos EUA na Grécia, Geoffrey Pyatt (nomeado em 2016, pelo Presidente Obama).

O porto de Alexandrópolis, no nordeste da Grécia, confinante com a Turquia e a Bulgária, está localizado no mar Egeu, perto do Estreito de Dardanelos, que, ligando o Mediterrâneo e o Mar Negro ao território turco, constitui uma rota de trânsito marítimo fundamental, sobretudo para Rússia. Qual é a importância geoestratégica deste porto, que Pyatt visitou, juntamente com o Ministro da Defesa grego, Nikolaos Panagiotopoulos, explica a Embaixada dos EUA em Atenas: "O porto de Alexandrópolis, graças à sua localização estratégica e infraestrutura, está bem posicionado para apoiar exercícios militares na região, como demonstrado pelo recente Sabre Guardian 2019 ".

O “investimento estratégico”, que Washington já está a realizar nas infraestruturas portuárias, tem como objectivo tornar Alexandrópolis uma das bases militares americanas mais importantes da região, capaz de bloquear o acesso dos navios russos ao Mediterrâneo. Isto é possível pelas “relações militares excepcionais” com a Grécia, que há muito tempo disponibilizam as suas bases militares para os EUA: em particular Larissa, para os drones armados Ripers e Stefanovikio para os caças F-16 e para os helicópteros Apache.Esta última, que será privatizada, será comprado pelos EUA.

O Embaixador Pyatt não esconde os interesses que levam os EUA a reforçar a sua presença militar na Grécia e noutros países da região mediterrânea: “Estamos trabalhando com outros parceiros democráticos da região para rejeitar personagens malignas, como Rússia e China, que têm interesses diferentes dos nossos”, em particular" a Rússia que usa a energia como instrumento da sua influência maléfica”.

Sublinha, assim, a importância assumida pela “geopolítica da energia”, afirmando que “Alexandrópolis tem um papel crucial na ligação da segurança energética e na estabilidade na Europa”. A Trácia Ocidental, a região grega onde o porto está situado, é, de facto, “uma encruzilhada energética para a Europa Central e Oriental”. Para compreender o que o Embaixador significa, basta lançar um olhar à carta geográfica.

A vizinha Trácia Oriental – ou seja, a pequena parte europeia da Turquia - é o ponto em que chega, depois de atravessar o Mar Negro, o gasoduto Turk Stream vindo da Rússia, na fase final da construção. A partir daqui, através de outro gasoduto, o gás russo deve chegar à Bulgária, à Sérvia e a outros países europeus. É a contramedida da Rússia ao movimento bem sucedido dos Estados Unidos que, com a contribuição decisiva da Comissão Europeia, bloquearam, em 2014, o oleoduto South Stream que deveria levar gás russo para a Itália e de lá, para outros países da UE.

Os Estados Unidos tentam agora bloquear também o oleoduto Turk Stream, objectivo mais difícil, visto que entram em jogo as relações, já deterioradas com a Turquia. Fazem-no na Grécia, a quem fornecem quantidades crescentes de gás natural liquefeito como alternativa ao gás natural russo. Não se sabe o que os Estados Unidos estão a preparar na Grécia, também contra a China, que pretende fazer do Pireu um ponto de paragem importante, na Nova Rota da Seda. Não seria surpreendente se, no modelo do “Incidente do Golfo de Tonkin”, se verificasse no Egeu, um “Acidente de Alexandrópolis".





Ver original na 'Rede Voltaire'



Grécia: o suicídio ou o assassínio de um país

 
 
Muitos “analistas” continuam a lamentar em vários tons as condições gregas, mas nenhum deles ousa defender a única solução que poderia ter retirado (e ainda pode) a Grécia desta situação dramática: sair do euro e recomeçar a reconstruir a nação com uma economia nacional, moeda própria, bancos públicos ao serviço do país e um banco central soberano decidindo sobre a política monetária mais adequada à Grécia e, sobretudo, ao programa de recuperação.
 
 
Analistas ditos de esquerda, de direita ou do centro estão de acordo sobre a miséria que devasta a Grécia. E com razão. Porque a esmagadora maioria do povo grego vive com dificuldades económicas profundas. O desemprego está oficialmente em 18%, mas a sua taxa real é da ordem dos 25% a 30%. As pensões sociais foram reduzidas dez vezes desde que o partido Syriza – que se define como sendo de “esquerda” – assumiu o poder em 2015 e carregou o país ainda com mais dívida e mais austeridade. Em termos de serviços públicos, os que tinham algum valor foram privatizados e vendidos a empresas ou oligarcas estrangeiros. Hospitais, escolas, transportes públicos – e até algumas praias – foram objecto de privatizações, tornando-se inacessíveis a pessoas comuns.
 
Enquanto esses analistas – mais ou menos sempre os mesmos – continuam a lamentar as condições gregas em vários tons, nenhum deles ousa defender a única solução que poderia ter retirado (e ainda pode) a Grécia desta situação dramática que se alimenta de si própria: sair do euro e recomeçar a reconstruir a nação com uma economia nacional, moeda própria, bancos públicos ao serviço do país e um banco central soberano decidindo sobre a política monetária mais adequada à Grécia e, sobretudo, ao programa de recuperação.
 
E porque não? Porque não se debruçam sobre essa solução óbvia? Porque seriam censurados devido ao facto de a oligarquia grega controlar os meios de comunicação – tal como os oligarcas fazem em todo o chamado “mundo ocidental”.
 
 
“Morrem como moscas”
 
Em vez disso, os tutores estrangeiros da troika – FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia – impulsionados principalmente pelos bancos alemães e franceses, cortaram literalmente as importações de medicamentos a preços acessíveis, por exemplo para o tratamento do cancro e de outras doenças potencialmente letais. As pessoas deixaram de ser assistidas e “morrem como moscas”, expressão trágica quando se aplica a seres humanos. Mas é isso que acontece com as pessoas simples, impedidas de receber os tratamentos que merecem e lhes são garantidos pela Constituição da Grécia. Simplesmente não recebem cuidados porque deixaram de poder pagar os medicamentos e os serviços de saúde, entretanto privatizados. A história é triste mas verdadeira.
Como consequência desta situação, a taxa de suicídio é elevada, principalmente entre os reformados cujas pensões não lhes permitem ter uma vida decente – e, sobretudo, porque não há esperança à vista. A direita traz a “solução?”
 
Muitos dos analistas acrescentaram agora alguns tons de esperança aos seus textos e discursos depois de o Partido da Nova Democracia (direita) ter ganho as eleições de 7 de Julho, facto que qualificam como “uma vitória esmagadora” – apesar de ter obtido 39,6% dos votos contra 31,53% do Syriza, o grupo dito “de esquerda” do primeiro-ministro Alexis Tsipras. Partido este que conseguiu acrescentar mais algumas cenas fortes à tragédia grega iniciada pelo PASOK (socialista) e continuada por tecnocratas “independentes”. O que fez com que a Grécia mergulhasse numa desolação sem esperança.
 
A Nova Democracia (ND) conquistou uma maioria absoluta de 158 deputados no Parlamento de 300 e, portanto, não necessita de fazer coligações e concessões a outros partidos. Note-se que a lei eleitoral grega é muito peculiar, o que também é fruto da crise e da tutela estrangeira: o partido que ganha as eleições recebe automaticamente 50 deputados de brinde, com o objectivo de promover a “estabilidade governativa”. Só assim a ND tem maioria absoluta: através de uma lei mais preocupada com os equilíbrios democráticos e com a vontade do povo, os vencedores das recentes eleições não poderiam governar sozinhos.
 
O novo primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, de 51 anos, filho de um antigo chefe de governo do mesmo partido, celebrou a vitória eleitoral garantindo que a Grécia entrará “orgulhosamente” na era pós-resgate com “emprego, segurança e crescimento”. Afiançou que “o ciclo doloroso foi encerrado” e que a Grécia “orgulhosamente voltará a levantar a cabeça”.
 
Ignora-se o que isso significará para o cidadão médio grego que leva uma vida de desespero. O que a “esquerda” representada pelo Syriza foi incapaz de fazer – estancar a hemorragia imposta de fora e o estrangulamento do país – estará ao alcance da direita? Conseguirá a Nova Democracia reverter a tendência? Irá reverter as privatizações, recomprar os aeroportos à Alemanha, as estradas aos concessionários estrangeiros, a água a empresas da União Europeia, nacionalizar os hospitais que foram vendidos por uma ninharia e, sobretudo, acabar com a austeridade? Irá a ND permitir a importação de medicamentos cruciais para salvar doentes gregos, sobretudo aqueles que não podem pagar pelos tratamentos de cancro e outras doenças potencialmente mortais?
 
Esses seriam, de facto, passos significativos no cumprimento da promessa de Mitsotakis de acabar com “o ciclo doloroso”; ou medidas fundamentais para criar emprego, restaurar o orgulho e a soberania da Grécia. Restabelecer a independência nacional significaria – e nunca é tarde demais – abandonar a Zona Euro. Mas isso é uma ilusão, um sonho, uma visão. “Sonho” prometido, pesadelo garantido
 
Sendo a Nova Democracia o partido dos oligarcas gregos, que colocaram literalmente milhares de milhões de euros no estrangeiro, em contas bancárias secretas na Suíça, em França, Liechtenstein, Luxemburgo e outros lugares, incluindo as Ilhas Cayman - fortunas não apenas escondidas das autoridades fiscais gregas mas também retiradas aos necessários investimentos na criação de emprego e, em geral, no crescimento da economia – então é improvável que o sonho da grande maioria dos gregos se torne realidade.
 
Mais grave ainda: são ainda esses oligarcas bilionários que dão as cartas na Grécia – não o povo, não aqueles que, de acordo com uma invenção grega de há 2500 anos, a “democracia”, escolheram o Syriza e votaram contra os pacotes de austeridade em Julho de 2015. Agora que esses oligarcas chegaram formalmente ao governo é improvável que alterem o comportamento ganancioso que os caracteriza e actuem em favor do povo grego. Não há ilusões quanto a isso.
A verdade é que se, por absurdo, o fizessem até a Nova Democracia e os seus apoiantes poderiam sair beneficiados, porque uma Grécia funcionando como um país, com pessoas felizes e saudáveis, poderia desenvolver uma economia competitiva como nação soberana.
 
Mas há que voltar à realidade e deixar de lado as visões. O referendo grego de 5 de Julho de 2015 rejeitou esmagadoramente o resgate imposto pela troika por 61% contra 39%. Isto é, quase dois terços dos gregos preferiram as consequências de rejeitar os eufemisticamente chamados “pacotes de resgate”. Nomeadamente a saída da Zona Euro e possivelmente, mas não necessariamente, abandonar a União Europeia.
 
As escolhas de Tsipras
 
Apesar de tão significativa manifestação de opinião popular bastaram apenas oito dias a Tsipras para actuar exactamente ao contrário da vontade do povo, submetendo-se às autoridades europeias e aceitando um resgate de três anos em condições de austeridade ainda mais severas do que as rejeitadas no referendo. O que aconteceu? Os gregos não sabem. No entanto parece que o nome do jogo era “jogo sujo” – o que poderia significar qualquer coisa, desde imediatas e sérias ameaças (de vida) a chantagens se Tsipras não jogasse em prejuízo do povo.
 
A traição do primeiro-ministro Tsipras ao povo grego não se ficou por aí: ao todo foram três “pacotes de resgate” entre 2010 e o final de 2018, no valor de 310 mil milhões de euros. Um valor que pode comparar com a economia de Hong Kong em 2017, da ordem dos 320 mil milhões de euros; ou cerca de 40 mil milhões de euros acima, por exemplo, do PIB anual de Portugal. Durante esse período, o PIB grego caiu de 270 mil milhões de euros em 2010 para 196 mil milhões, uma redução de 27% que atingiu de forma avassaladora as classes média e baixa.
 
O fiasco da democracia em Julho de 2015 levou Tsipras a convocar eleições antecipadas em Setembro desse mesmo ano. Helas! Venceu! Mas com uma estreita vantagem numa das menos participadas eleições do pós-guerra na Grécia, país onde o voto é obrigatório. Mas, de facto, ganhou. Mas tentar perceber de que forma esse facto foi manipulado para que o primeiro-ministro grego pudesse terminar o trabalho exigido pela troika, pelos bancos alemães e franceses, já seria entrar no domínio da especulação.
 
País falido
 
Agora a Nova Democracia tem maioria absoluta e, mesmo sem necessitar disso, pode aliar-se a partidos menores e conservadores para praticar a prometida “política de sonho para o povo”. Claro que fará exactamente o contrário – continuar o pesadelo. Pergunta: o que haverá ainda a sugar numa Grécia falida? Numa Grécia que não pode cuidar do seu povo, do seu desesperado povo pobre e doente. A Grécia é um país na falência apesar de o FMI e os mágicos da União Europeia e do BCE preverem uma moderada taxa de crescimento de dois por cento – que não irá para o povo mas para os credores dos 310 mil milhões de euros.
Em 2011, aorganização British Lancet chamou a atenção para o facto de “o Ministério grego da Saúde ter revelado um aumento de 40% da taxa anual de suicídios”, presumivelmente desde o início da crise, em 2008. Mas isto foi já há muitos anos. Agora imagine-se de que modo essa percentagem deve ter disparado desde então, devido ao agravamento exponencial das condições de vida. Porém, são números difíceis de encontrar actualmente.
 
A questão continua viva: a população grega morre cada vez mais de doenças que podem ser curadas mas que se tornaram fatais devido à falta de medicamentos e de serviços de saúde provocada pela austeridade e pelas privatizações. E morre também cada vez mais do suicídio motivado pelas desesperadas condições de vida.
É a própria Grécia que se suicida aceitando a austeridade e a privatização de serviços essenciais em vez de se libertar das algemas do euro e, eventualmente, dos estrangulamentos provocados pela União Europeia?
 
Ou será que a Grécia é pura e simplesmente assassinada por uma combinação gananciosa de instituições e de oligarquias monetárias que estão acima da moral, da ética, de quaisquer valores humanitários?
 
*Economista e analista político com 30 anos de experiência no Banco Mundial
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/grecia-o-suicidio-ou-o-assassinio-de-um.html

o suicídio ou o assassínio de um país

Peter Koenig*    22.Ago.19 

Muitos “analistas” continuam a lamentar em vários tons as condições gregas, mas nenhum deles ousa defender a única solução que poderia ter retirado (e ainda pode) a Grécia desta situação dramática: sair do euro e recomeçar a reconstruir a nação com uma economia nacional, moeda própria, bancos públicos ao serviço do país e um banco central soberano decidindo sobre a política monetária mais adequada à Grécia e, sobretudo, ao programa de recuperação.


 

Analistas ditos de esquerda, de direita ou do centro estão de acordo sobre a miséria que devasta a Grécia. E com razão. Porque a esmagadora maioria do povo grego vive com dificuldades económicas profundas. O desemprego está oficialmente em 18%, mas a sua taxa real é da ordem dos 25% a 30%. As pensões sociais foram reduzidas dez vezes desde que o partido Syriza – que se define como sendo de “esquerda” – assumiu o poder em 2015 e carregou o país ainda com mais dívida e mais austeridade. Em termos de serviços públicos, os que tinham algum valor foram privatizados e vendidos a empresas ou oligarcas estrangeiros. Hospitais, escolas, transportes públicos – e até algumas praias – foram objecto de privatizações, tornando-se inacessíveis a pessoas comuns.

Enquanto esses analistas – mais ou menos sempre os mesmos – continuam a lamentar as condições gregas em vários tons, nenhum deles ousa defender a única solução que poderia ter retirado (e ainda pode) a Grécia desta situação dramática que se alimenta de si própria: sair do euro e recomeçar a reconstruir a nação com uma economia nacional, moeda própria, bancos públicos ao serviço do país e um banco central soberano decidindo sobre a política monetária mais adequada à Grécia e, sobretudo, ao programa de recuperação.

E porque não? Porque não se debruçam sobre essa solução óbvia? Porque seriam censurados devido ao facto de a oligarquia grega controlar os meios de comunicação – tal como os oligarcas fazem em todo o chamado “mundo ocidental”.

“Morrem como moscas”

Em vez disso, os tutores estrangeiros da troika – FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia – impulsionados principalmente pelos bancos alemães e franceses, cortaram literalmente as importações de medicamentos a preços acessíveis, por exemplo para o tratamento do cancro e de outras doenças potencialmente letais. As pessoas deixaram de ser assistidas e “morrem como moscas”, expressão trágica quando se aplica a seres humanos. Mas é isso que acontece com as pessoas simples, impedidas de receber os tratamentos que merecem e lhes são garantidos pela Constituição da Grécia. Simplesmente não recebem cuidados porque deixaram de poder pagar os medicamentos e os serviços de saúde, entretanto privatizados. A história é triste mas verdadeira.
Como consequência desta situação, a taxa de suicídio é elevada, principalmente entre os reformados cujas pensões não lhes permitem ter uma vida decente – e, sobretudo, porque não há esperança à vista.

A direita traz a “solução?”

Muitos dos analistas acrescentaram agora alguns tons de esperança aos seus textos e discursos depois de o Partido da Nova Democracia (direita) ter ganho as eleições de 7 de Julho, facto que qualificam como “uma vitória esmagadora” – apesar de ter obtido 39,6% dos votos contra 31,53% do Syriza, o grupo dito “de esquerda” do primeiro-ministro Alexis Tsipras. Partido este que conseguiu acrescentar mais algumas cenas fortes à tragédia grega iniciada pelo PASOK (socialista) e continuada por tecnocratas “independentes”. O que fez com que a Grécia mergulhasse numa desolação sem esperança.

A Nova Democracia (ND) conquistou uma maioria absoluta de 158 deputados no Parlamento de 300 e, portanto, não necessita de fazer coligações e concessões a outros partidos. Note-se que a lei eleitoral grega é muito peculiar, o que também é fruto da crise e da tutela estrangeira: o partido que ganha as eleições recebe automaticamente 50 deputados de brinde, com o objectivo de promover a “estabilidade governativa”. Só assim a ND tem maioria absoluta: através de uma lei mais preocupada com os equilíbrios democráticos e com a vontade do povo, os vencedores das recentes eleições não poderiam governar sozinhos.

O novo primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, de 51 anos, filho de um antigo chefe de governo do mesmo partido, celebrou a vitória eleitoral garantindo que a Grécia entrará “orgulhosamente” na era pós-resgate com “emprego, segurança e crescimento”. Afiançou que “o ciclo doloroso foi encerrado” e que a Grécia “orgulhosamente voltará a levantar a cabeça”.

Ignora-se o que isso significará para o cidadão médio grego que leva uma vida de desespero. O que a “esquerda” representada pelo Syriza foi incapaz de fazer – estancar a hemorragia imposta de fora e o estrangulamento do país – estará ao alcance da direita? Conseguirá a Nova Democracia reverter a tendência? Irá reverter as privatizações, recomprar os aeroportos à Alemanha, as estradas aos concessionários estrangeiros, a água a empresas da União Europeia, nacionalizar os hospitais que foram vendidos por uma ninharia e, sobretudo, acabar com a austeridade? Irá a ND permitir a importação de medicamentos cruciais para salvar doentes gregos, sobretudo aqueles que não podem pagar pelos tratamentos de cancro e outras doenças potencialmente mortais?

Esses seriam, de facto, passos significativos no cumprimento da promessa de Mitsotakis de acabar com “o ciclo doloroso”; ou medidas fundamentais para criar emprego, restaurar o orgulho e a soberania da Grécia. Restabelecer a independência nacional significaria – e nunca é tarde demais – abandonar a Zona Euro. Mas isso é uma ilusão, um sonho, uma visão.

“Sonho” prometido, pesadelo garantido

Sendo a Nova Democracia o partido dos oligarcas gregos, que colocaram literalmente milhares de milhões de euros no estrangeiro, em contas bancárias secretas na Suíça, em França, Liechtenstein, Luxemburgo e outros lugares, incluindo as Ilhas Cayman - fortunas não apenas escondidas das autoridades fiscais gregas mas também retiradas aos necessários investimentos na criação de emprego e, em geral, no crescimento da economia – então é improvável que o sonho da grande maioria dos gregos se torne realidade.

Mais grave ainda: são ainda esses oligarcas bilionários que dão as cartas na Grécia – não o povo, não aqueles que, de acordo com uma invenção grega de há 2500 anos, a “democracia”, escolheram o Syriza e votaram contra os pacotes de austeridade em Julho de 2015. Agora que esses oligarcas chegaram formalmente ao governo é improvável que alterem o comportamento ganancioso que os caracteriza e actuem em favor do povo grego. Não há ilusões quanto a isso.
A verdade é que se, por absurdo, o fizessem até a Nova Democracia e os seus apoiantes poderiam sair beneficiados, porque uma Grécia funcionando como um país, com pessoas felizes e saudáveis, poderia desenvolver uma economia competitiva como nação soberana.

Mas há que voltar à realidade e deixar de lado as visões. O referendo grego de 5 de Julho de 2015 rejeitou esmagadoramente o resgate imposto pela troika por 61% contra 39%. Isto é, quase dois terços dos gregos preferiram as consequências de rejeitar os eufemisticamente chamados “pacotes de resgate”. Nomeadamente a saída da Zona Euro e possivelmente, mas não necessariamente, abandonar a União Europeia.

As escolhas de Tsipras

Apesar de tão significativa manifestação de opinião popular bastaram apenas oito dias a Tsipras para actuar exactamente ao contrário da vontade do povo, submetendo-se às autoridades europeias e aceitando um resgate de três anos em condições de austeridade ainda mais severas do que as rejeitadas no referendo. O que aconteceu? Os gregos não sabem. No entanto parece que o nome do jogo era “jogo sujo” – o que poderia significar qualquer coisa, desde imediatas e sérias ameaças (de vida) a chantagens se Tsipras não jogasse em prejuízo do povo.

A traição do primeiro-ministro Tsipras ao povo grego não se ficou por aí: ao todo foram três “pacotes de resgate” entre 2010 e o final de 2018, no valor de 310 mil milhões de euros. Um valor que pode comparar com a economia de Hong Kong em 2017, da ordem dos 320 mil milhões de euros; ou cerca de 40 mil milhões de euros acima, por exemplo, do PIB anual de Portugal. Durante esse período, o PIB grego caiu de 270 mil milhões de euros em 2010 para 196 mil milhões, uma redução de 27% que atingiu de forma avassaladora as classes média e baixa.

O fiasco da democracia em Julho de 2015 levou Tsipras a convocar eleições antecipadas em Setembro desse mesmo ano. Helas! Venceu! Mas com uma estreita vantagem numa das menos participadas eleições do pós-guerra na Grécia, país onde o voto é obrigatório. Mas, de facto, ganhou. Mas tentar perceber de que forma esse facto foi manipulado para que o primeiro-ministro grego pudesse terminar o trabalho exigido pela troika, pelos bancos alemães e franceses, já seria entrar no domínio da especulação.

País falido

Agora a Nova Democracia tem maioria absoluta e, mesmo sem necessitar disso, pode aliar-se a partidos menores e conservadores para praticar a prometida “política de sonho para o povo”. Claro que fará exactamente o contrário – continuar o pesadelo. Pergunta: o que haverá ainda a sugar numa Grécia falida? Numa Grécia que não pode cuidar do seu povo, do seu desesperado povo pobre e doente. A Grécia é um país na falência apesar de o FMI e os mágicos da União Europeia e do BCE preverem uma moderada taxa de crescimento de dois por cento – que não irá para o povo mas para os credores dos 310 mil milhões de euros.
Em 2011, a organização British Lancet chamou a atenção para o facto de “o Ministério grego da Saúde ter revelado um aumento de 40% da taxa anual de suicídios”, presumivelmente desde o início da crise, em 2008. Mas isto foi já há muitos anos. Agora imagine-se de que modo essa percentagem deve ter disparado desde então, devido ao agravamento exponencial das condições de vida. Porém, são números difíceis de encontrar actualmente.

A questão continua viva: a população grega morre cada vez mais de doenças que podem ser curadas mas que se tornaram fatais devido à falta de medicamentos e de serviços de saúde provocada pela austeridade e pelas privatizações. E morre também cada vez mais do suicídio motivado pelas desesperadas condições de vida.
É a própria Grécia que se suicida aceitando a austeridade e a privatização de serviços essenciais em vez de se libertar das algemas do euro e, eventualmente, dos estrangulamentos provocados pela União Europeia?

Ou será que a Grécia é pura e simplesmente assassinada por uma combinação gananciosa de instituições e de oligarquias monetárias que estão acima da moral, da ética, de quaisquer valores humanitários?

*Economista e analista político com 30 anos de experiência no Banco Mundial

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

A Grécia – Círculo dos patriotas desaparecidos – Parte A

A Grécia – Círculo dos patriotas desaparecidos – Parte A

(Olivier Delorme, 19 de Fevereiro de 2019)

 

“Se na Grécia, a Europa é a paz, ela assemelha‑se e em muito à paz dos cemitérios”

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 Olivier Delorme é um ensaísta e historiador. Professor no Institut d’Études Politiques de Paris, recebeu o prémio “Mondes en guerre, mondes en paix” pelos três volumes de La Grèce et les Balkans, 30 bonnes raisons pour sortir de l’Europe  nas edições  HO em 2017. Hoje, concede-nos  uma entrevista sobre a Grécia sob o prisma da guerra económica na União Europeia, e que publicaremos em duas partes.

No seu livro  30 boas razões para deixar a Europa (edições HO, 2017), o senhor destaca a origem histórica dos métodos – políticos, bem como legais – de implementação da integração europeia, seja a Alemanha nazista ou o Estado francês de Vichy. De um ponto de vista histórico e político, será que 1945 significou uma ruptura com a construção da União?

O tema da “Europa”, da ordem europeia, da cruzada europeia contra o bolchevismo, prontamente assimilado ao asiatismo  e/ou a uma “conspiração judaica”, é de facto um dos principais temas de propaganda do regime nazi, bem como de todos os governos colaboracionistas da Europa, incluindo Vichy. Esta Europa foi então apresentada como uma “terceira via”, e a luta pela sua construção em torno da Alemanha, modelo e força motriz, visou tanto o bolchevismo como a “plutocracia anglo-saxónica” que, nesta visão delirante do mundo, seria também um instrumento “nas mãos dos judeus”. E a mesma propaganda para acrescentar que esta Europa trará mais empregos, mais tempos livres,  lazer, bem-estar, harmonia e… o fim das guerras.

É engraçado ver que Aachen foi escolhida como o local onde o último tratado franco-alemão foi assinado: a referência ao império de Carlos Magno tem sido constante desde o início do que é conhecido como “integração europeia”, como foi entre os colaboracionistas franceses que apelidaram de  “Carlos Magno” à divisão SS francesa que lutou até às ruínas de Berlim.

Penso que vale a pena salientar estes pontos porque, desde o Tratado que institui a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), em 1951, foi-nos dito que a Europa é “por natureza” um conceito destinado a promover a harmonia e a fraternidade dos povos. No entanto, entre 1941 e 1945, este conceito de Europa serviu para justificar a guerra de agressão como a hierarquização dos povos e o racismo estatal. Assim, a dada altura, os europeístas teriam de deixar de dizer disparates.

Note-se que há também uma notável continuidade entre os totalitarismos do século XX e a chamada “construção europeia”, na medida em que partilham a mesma convicção de que os povos são incapazes de se governar a si próprios: a convicção mais profunda de Jean Monnet, a principal inspiração para a construção europeia, foi, sem dúvida, a de que, se deixamos as pessoas governarem-se a si próprias sem um tutor,  elas fazem necessariamente “coisas estúpidas”: levam ao governo um partido que se apresenta como de esquerda radical na Grécia, “populista” noutros países, votam contra o chamado Tratado Constitucional ou a favor do Brexit, para falarmos dos  exemplos mais recentes. Eles devem, pois,  contar com uma tecnocracia: o governo de conhecedores que sabem melhor do que as pessoas o que é bom para elas e que, no caso da UE, operam através da rede cada vez mais estreita de tratados que privam governos aparentemente democráticos da realidade do poder e, nesta fase, logicamente, privam-nos de qualquer credibilidade. Na próxima etapa, cujas premissas começam a já a aparecer  em alguns discursos, esta lógica levará, se esta evolução não for interrompida, ao questionamento do sufrágio universal em favor de uma nova forma de sufrágio censitário restrita a membros do que alguns chamam de “o círculo da razão”.

Quanto à ruptura cronológica que mencionou, ela situa-se sobretudo  em 1948-1949. No período imediato do pós-guerra, ano após ano, a Grande Aliança foi mantida. Mas à medida que se multiplicam os conflitos entre os dois sistemas que partilham o espaço europeu (Trieste, a guerra civil grega, a primeira crise de Berlim) e o domínio estalinista sobre a parte oriental da Europa, os europeus ocidentais exigem que os Estados Unidos garantam a sua segurança: é aí que tudo começa.

A primeira organização europeia, a Organização para a Cooperação Económica Europeia (OEEC, transformada em Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OCDE, em 1961), foi fundada em 1948 para distribuir os fundos e equipamentos fornecidos no âmbito do Plano Marshall. E isto, de acordo com a “doutrina Truman” definida no ano anterior, visava restaurar as economias da Europa Ocidental, a fim de evitar o contágio comunista. Mas a OECE não se limitará a esta tarefa de administração. Irá lançar as bases de uma organização, não da Europa, mas de um espaço transatlântico que inclua os Estados Unidos, o Canadá e os Estados da Europa Ocidental, reduzindo as barreiras aduaneiras, organizando uma união de pagamentos, promovendo a introdução do Fordismo,  harmonizando as normas. Até hoje, essa organização tem produzido consistentemente ideologia neoliberal e de livre comércio, bem como estatísticas e injunções destinadas a expandir ainda mais  o alcance  dessa ideologia. Quanto ao seu primeiro Secretário Geral, de 1948 a 1955, foi nomeado  Robert Marjolin, alma danada de Monnet. Foi sucessivamente um dos criadores dos Tratados de Roma (1957), depois Vice-Presidente (1958-1967) da Comissão Europeia presidida pelo antigo jurista  nazi Walter Hallstein, o qual, prisioneiro em Junho de 1944, foi recrutado pelo programa americano de recriação  das elites alemãs. Além disso, sabe-se agora, a partir dos arquivos americanos, que Marjolin foi atribuída,  pelo Departamento de Estado americano, a partir de 1965,  a missão de  preparar uma união monetária europeia “por forma muito discreta “, até que a sua adopção se tornasse “praticamente inevitável”[1]”.

Depois, enquanto os Estados Unidos, desde a sua independência, tinham como princípio absoluto a rejeição de alianças permanentes em tempo de paz, aceitaram a conclusão de tal aliança com a assinatura do Tratado do Atlântico Norte em Abril de 1949. E isso aconteceu pouco antes de os anglo-saxónicos terem criado a República Federal da Alemanha, à qual responderá a República Democrática Alemã.

É nesta lógica da guerra fria, e em nenhuma outra, que deve ser colocada a conclusão do Tratado CECA em 1951: a defesa da Europa Ocidental pelos Estados Unidos deve ser acompanhada por uma reorganização económica do Ocidente do continente europeu que permita uma melhor penetração dos produtos americanos. Não se deve esquecer que o tremendo boom económico nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial e depois de 1945 criou um medo muito forte entre a opinião pública e as autoridades americanas de que a restauração da paz seria acompanhada por uma crise de superprodução e um retorno à Grande Depressão dos anos 1930.

Nestas condições, é uma das outras impostures europeístas que deve ser trazida à luz do dia: somos mais fortes em grupo . No entanto, não se é mais forte com muitos quando se tem interesses divergentes e as decisões são sempre apenas a expressão do menor denominador comum. Por outro lado, da CECA à TAFTA, é muito mais conveniente que os americanos concordem com uma autoridade supranacional que não é democraticamente responsável perante um povo europeu que não existe, que não se decreta e não nascerá de injunções para respeitar uma taxa de inflação ou um nível de défice orçamental,  em vez de  vários governos que, em cada período  eleitoral, devem apresentar contas aos seus respectivos eleitores.

Além disso, e não obstante o seu estado civil, Monnet foi, durante toda a sua vida como comerciante de álcool e banqueiro, muito mais americano do que europeu. Assim que foi nomeado para estar à frente da CECA, pediu a Washington que lhe enviasse como embaixador o antigo chefe do ramo europeu da OSS (o antepassado da CIA). A CECA substituiu então o carvão polaco, de excelente qualidade, mas vindo de uma Europa com a qual os Estados Unidos querem acabar com o comércio, por carvão americano muito pobre, subsidiado por Washington devido à sobreprodução. Seguidamente,  Monnet solicitou um empréstimo dos Estados Unidos, cuja contrapartida seria um aumento destas importações, o que acabaria por conduzir à ruína e à liquidação da indústria do carvão nos Estados-Membros da CECA.

Monnet também está por detrás do projecto da Comunidade Europeia de Defesa (CED): devido à Guerra da Coreia, Washington exige que os europeus participem mais na sua defesa e, por conseguinte, que a Alemanha se rearme. Mas, na Europa e em França, a oposição ao renascimento de um exército alemão, cinco anos após o fim da ocupação e dos seus inúmeros crimes, é considerável. Monnet imagina, portanto, um exército alegadamente europeu, na realidade de reservistas  americanos, no qual um contingente alemão seria incluido. Como o projeto  encontrou forte  oposição (antes de fracassar) com em  França pela parte dos gaullistas e comunistas, Monnet foi ainda um dos “sábios” que concebeu a organização militar integrada do Tratado do Atlântico Norte (OTAN): a circulação de pessoal político entre organizações européias, a OTAN e as multinacionais americanas,  diz muito sobre as raízes americanas desta chamada “construção européia”. O belga Paul-Henri Spaak, um dos principais criadores dos Tratados de Roma, cuja negociação teve início menos de um ano após a morte do CED, tornou-se o segundo Secretário-Geral da OTAN menos de dois meses após a assinatura destes Tratados (25 de Março de 1957), antes de entrar para o Conselho de Administração da companhia telefónica americana ITT em 1966 – nada de novo com Barroso-Goldman Sachs! O mesmo Spaak, e o francês Robert Schuman, outro “pai da Europa”, são descritos como mãos alugadas nos arquivos da CIA que sempre concedeu generosos subsídios aos movimentos europeístas. Quanto ao holandês Joseph Luns, outro “pai” dos Tratados de Roma, bateu todos os recordes de longevidade no Secretariado Geral da OTAN (1971-1984).

Na realidade, a “construção européia” nunca   foi (exceto durante o interlúdio gaulista rapidamente apagado por líderes europeus e franceses), senão uma  construção americana de uma glacis da EuropaLOcidental  no contexto da Guerra Fria, antes de se tornar, no final desta , a antecâmara da entrada na NATO de Estados da Europa Oriental libertados do jugo soviético – Estados para os quais, como está a tornar-se cada vez mais evidente, as relações com os Estados Unidos prevalecem sobre qualquer compromisso assumido no quadro da UE.

O que, agora, no contexto da “convergência de crises” que a Europa tem  de enfrentar e que pode finalmente levar ao seu próprio  desaparecimento, coloca um problema existencial a esta UE. Porque quase todos os seus membros (a começar pela Alemanha) não podem sequer imaginar uma Europa que não seja o quintal dos Estados Unidos…enquanto o criador está a mostrar  cada vez menos amenidade para com a criatura que criou . Isto porque, como resultado da reconfiguração em curso da potência americana,  a Europa se tornou secundária, a UE e a OTAN são cada vez mais vistas como vestígios de um “velho mundo”, visto, na melhor das hipóteses, como pesos mortos e, na pior, como obstáculos. Porque se Trump não é o primeiro a acusar os europeus de não gastarem o suficiente na sua defesa, ele está a inovar ao virar a página do multilateralismo e do comércio livre generalizado porque isto está a funcionar  agora   contra o poder americano – uma direcção que é provavelmente tão sustentável e independente de  futuras alternanças políticas como o foi  a viragem Thatcher-Reagan dos anos 80. O mesmo se aplica à moeda única, que em tempos foi pretendida pelo Departamento de Estado, mas que se transformou – devido ao euro estar subavaliado relativamente à  Alemanha, enquanto que axfixia simultaneamente a maioria dos países da zona euro afce aos  quais  o euro está sobrevalorizada – num poderoso instrumento de dumping dos produtos alemães, em detrimento dos empregos americanos.

A doxa europeísta gosta de invocar ad nauseam o seu famoso slogan “A Europa é paz”. Como especialista sobre a Grécia, podem as políticas de austeridade que a afectam e as consequências que sempre foram descritas como “pax europeæ“?

Ponhamos primeiro termo a esta fraude intelectual de primeira classe da “Europa é a paz”. A paz na Europa, após a Segunda Guerra Mundial, é o equilíbrio do terror, sendo impossível qualquer guerra em solo europeu – excepto a “destruição mútua assegurada” – a partir do momento em que, em 1949, a URSS adquire a arma nuclear à disposição dos Estados Unidos desde 1945, e cada uma das duas potências considera que o seu interesse vital reside na preservação do seu glacis europeu. Da mesma forma, portanto, qualquer conflito dentro de cada lado é impossível. Os “orgãos” europeus criados por tratados sucessivos não são, portanto, não têm  nada a a ver com a  paz do continente e, na década de 1990, até mostraram  a sua nocividade para a paz durante as guerras de secessão jugoslavas e a agressão ilegal contra a Sérvia.

Então, se na Grécia,  a Europa é paz, esta é então muito semelhante à paz dos cemitérios. E uma vez que nos disseram durante meses e em todos os tons que “a Grécia está melhor” e que os números o mostram, vejamos os números. Entre 2009 e 2017, a taxa de mortalidade caiu de 9,8 ‰ para 11 ‰, a taxa de natalidade caiu de 10,6 ‰ para 8 ‰, enquanto entre 2009 e 2015 a esperança de vida saudável caiu dois anos, de 66 para 64 anos. Tais variações nas estatísticas populacionais, que refletem mudanças que são geralmente de natureza de longo prazo, são mais parecidas com as variações dos tempos de guerra.

A abolição da protecção social, a evaporação de todos os direitos laborais, os cortes nos orçamentos da saúde têm vindo a matar pessoas desde 2010, enquanto a emigração está a privar o país da sua capacidade de recuperação, tanto demográfica como económica. Um terço dos gregos vive agora abaixo do limiar da pobreza, outro terço em torno deste limiar, com o risco de cair abaixo do limitar . 30% dos gregos já não têm cobertura de segurança social e têm de recorrer a clínicas de solidariedade. Os hospitais estão num estado terrível.

Muitas vezes, pacientes com cancro  são encaminhados para casa sem tratamento porque a sua instituição  está em rutura de  quimioterapia. O maior hospital da Ática, a região mais populosa do país, foi privado de qualquer equipamento de angiografia coronária durante três semanas no verão de 2018. Esta foi a segunda vez este ano que as falhas afectaram todos os equipamentos ao mesmo tempo, em que o último aparelho foi adquirido há quinze anos. Os sindicatos chamaram a atenção do público para o facto de que esse estabelecimento também carece de MRIs, respiradores, monitores de monitorização, microscópios cirúrgicos e até mesmo autoclaves para esterilização de instrumentos cirúrgicos! Em 10 de novembro de 2018, um teto do maior hospital do Pireu desabou sobre um paciente: não houve manutenção do prédio desde o início dos cortes orçamentais  no sistema de saúde em 2010. E soubemos no início de 2019 que a administração do hospital de Kastoria, no norte do país, está a solicitar o uma doação de óleo combustível de uma empresa petrolífera para aquecer as suas instalações. A medicina psiquiátrica é particularmente afectada: os fundos para a reabilitação de doentes mentais no hospital de Léros, no Dodecaneso, diminuíram 55%. E em 2012, o diretor dessa unidade teve que apelar à  opinião pública para que lhe enviasse  alimentos que ele já não podia fornecer aos seus pacientes. Muitos outros pequenos hospitais nas províncias, nas ilhas, são constantemente confrontados com situações incontroláveis.

Além disso, sob pressão económica e em resposta a cortes salariais, mais de doze mil médicos emigraram nos últimos dez anos, criando enormes desertos medicais. Um grande número de especialistas em ORL, pediatria, pneumologia, oftalmologia partiram  e, cada vez mais frequentemente, as operações não podem ser realizadas a tempo devido à escassez de anestesistas ou ao encerramento de camas e salas de cirurgia.

Em muitas pequenas ilhas, as pessoas cujo nível de vida se degradou já não podem consultar um especialista em Atenas ou numa ilha maior com recursos médicos mais diversificados. Muitas vezes têm de esperar, uma ou duas vezes por ano, por equipas enviadas para um ou dois dias por uma fundação privada (Onassis, Niarchos…) para serem examinadas por um cardiologista, um dermatologista, um pediatra, etc. Há anos que o Dr. Vichas, fundador da primeira e maior clínica de solidariedade da Grécia em Ellinikon, nos subúrbios atenienses, vem testemunhando que a sua estrutura deve cuidar, demasiado tarde, de diabéticos que, por não terem acesso a cuidados, ficam cegos ou têm de ser amputados. Juntamente com Kostas Polychronopoulos, um desempregado que criou a cozinha social[2] “O Outro Ser Humano”, recusou em 2015 o Prémio do Cidadão Europeu atribuído às suas organizações pelo chamado Parlamento Europeu (que não tem nem a legitimidade nem as competências de um Parlamento). O dispensário  indicava  depois que :

“Esta Europa que nos quer atribuir um prémio não parece estar preocupada  (…) pela morte de milhares de concidadãos nossos sem seguro de saúde. (…) Seria hipócrita da nossa parte aceitar um prémio quando esta Europa fecha os olhos para que não se vejam  crianças desnutridas, doentes com cancro a morrer, os olhares desesperados de doentes e mães em sofrimento a dizer-nos que se encontram numa situação terrível de abandono, sabendo que as suas famílias terão de viver mais um ano sem electricidade, água e muito pouca comida[3]. »

Acresce que a abolição dos programas de prevenção e apoio aos toxicodependentes levou a um aumento considerável da contaminação pelo VIH e que o desmantelamento e a ansiedade de vida provocaram uma explosão de suicídios (a Grécia tinha a taxa mais baixa da Europa antes da “crise”), bem como, entre 2010 e 2014, um aumento de quatro vezes da depressão grave, um aumento de onze vezes do uso de antidepressivos, um aumento de dezanove vezes da utilização de ansiolíticos e um aumento de trinta e cinco vezes da psicotrópicos.

As políticas impostas à Grécia e destinadas a “salvar o euro”, bem como os bancos, nomeadamente os bancos alemães e franceses, grandes detentores da dívida grega antes dos programas de resgate, que consistiram em transformar os títulos de dívida detidos por estes bancos em títulos detidos pelos mecanismos europeus criados ad hoc, ou seja, em dívidas suportadas pelos contribuintes europeus, geraram também mais de novecentas mil falências, o encerramento de um terço das empresas em Atenas e muitas mais em certos distritos.

A perda de rendimento em dez anos, para a maioria dos gregos que ainda trabalham ou se reformam, é da ordem dos 40% a 50% e o afluxo de migrantes coloca uma pressão adicional sobre os salários. Mas esses números não refletem a explosão de desigualdades entre  um terço da população que se protregeu da crise ou mesmo enriqueceu com ela  e os dois terços restantes – as classes médias fortemente empobrecidas e brutalmente pauperizadas, cujos estilos de vida foram radicalmente  modificados. . A taxa de pobreza infantil aumentou de 23% para 40% e a proporção de famílias com crianças que já não podem pagar pelo menos uma refeição proteica por dia aumentou de 4,7% em 2009 para 8,9% em 2014. Um inquérito realizado pelo instituto grego de estatística ELSTAT no Outono de 2018 mostrou que as despesas das famílias tinham diminuído – em média! – de  37%. Isto significa uma queda de 55% nas despesas com vestuário e calçado, uma queda de 31% nas despesas com a saúde, uma queda de 35% nas despesas com a educação, e mesmo uma queda de 22% nas despesas com a alimentação, a última rubrica a ser cortada. Em pormenor, verificamos que as despesas com queijo e iogurte diminuíram 24% e 14%, respectivamente, as despesas com peixe e carne 19% e 11%, enquanto o consumo de arroz, massas e ovos aumentou 15%, 18% e 23%.

Um estudo de opinião  realizado em 2018 (Instituto Marc) indica que 43% dos gregos são incapazes de terem aquecimento adequado.  A maioria dos edifícios de apartamentos na cidade são agora aquecidos na melhor das hipóteses uma a duas horas de manhã e uma a duas horas à noite. Atenas, no Inverno, cheira a fogo de madeira, pois o número de sistemas de aquecimento improvisados aumentou, com danos colaterais: poluição por partículas finas, aumento dos incêndios, asfixias e intoxicações – os materiais queimados recuperados são por vezes perigosos. O mesmo estudo indica igualmente que 52% dos gregos já não são capazes de fazer face a uma despesa inesperada de 500 euros.

Tudo isto, reconheçam-me, refere-se mais a uma economia de guerra do que a uma situação de paz perpétua em que a promessa do euro era emprego e prosperidade para todos!

Emprego, exatamente isso! Muito tem sido faalado, empolado,  na imprensa de serviço sobre um declínio no desemprego que seria devido aos “esforços” feitos pelos gregos. Mas, mais uma vez, os números são teimosos: o desemprego na Grécia explodiu de 8% da população ativa antes da “crise” para um máximo de 28% em 2013, antes de cair para 19% em 2018. Se relacionarmos esta evolução com a população activa, é cerca de quatrocentos e cinquenta mil menos desempregados. Mas onde reside o problema é que, durante o mesmo período, quatrocentos mil a quinhentos mil gregos partiram emigraram. Isto significa que o desemprego permanece, de facto, no seu nível mais elevado. No entanto, na Grécia, as condições são tão restritivas que apenas 8% dos desempregados são compensados por um máximo de um ano e com  360 euros por mês. Os outros têm de conseguir sobreviver.

Além disso, os que deixam o país são jovens e a sua partida acentua o declínio da taxa de natalidade, contribuindo para fazer da Grécia um “país de idosos”. Embora, ao contrário dos séculos XIX e XX, que afectaram os menos qualificados, esta emigração diz respeito aos mais bem formados, à custa do contribuinte grego, ao passo que eles irão criar valor acrescentado noutros locais. Trata-se, portanto, de uma dupla catástrofe para o país, que não está sozinho neste caso: a Bulgária e a Roménia também vêem o seu futuro seriamente afectado por esta predação ocidental.

Nestas condições, como poderia a economia grega recomeçar a funcionar para, finalmente, dar razão aos Purgões e Diafoiros da UE que têm sangrado e purgado a Grécia nos últimos dez anos, sobretudo devido à sobrevalorização do euro em relação às estruturas da sua economia? Estas sangrias e purgas apenas conduziram a Grécia a uma espiral deflacionista comparável apenas à Grande Depressão Americana dos anos 30 ou ao caos criado pela política deflacionista do Chanceler Brüning que, em dois anos, fez do grupo nazi o principal partido da Alemanha. Purgons et aux Diafoirus de l’UE

O fim dos acordos colectivos, a eliminação de todos os obstáculos aos despedimentos, o desemprego em massa levaram a um aumento generalizado da precariedade: um terço dos postos de trabalho declarados são a tempo parcial. Muitos gregos, como os funcionários do Cosco chinês que compraram o porto do Pireu, não sabem na véspera quantas horas vão trabalhar no dia seguinte e muito menos quanto vão receber no final do mês. A relação empregador/empregado tem sido tão desequilibrada a favor do primeiro que  se veem  anúncios publicitários em que se  oferece  alojamento e refeições como a única remuneração. O jornal conservador Kathimerini revelou que duzentos mil gregos foram pagos em parte com vouchers (sem qualquer contribuição para a pensão de reforma, é claro). Quanto ao turismo, apresentado como uma oportunidade, apesar de gerar custos ambientais cada vez mais desastrosos, passou em grande parte para as mãos das multinacionais que, com tudo incluído, deslocalizam os lucros enquanto pressionam os subcontratantes locais dispostos a trabalhar sob qualquer condição: durante o verão de 2018, alguns salários no setor caíram para 1,60 euros por hora.

Além disso, como a tributação delirante imposta pelos memorandos europeus faz com que as pequenas empresas paguem mais de 70% do volume de negócios em impostos e taxas diversas, a dupla contabilidade torna-se uma questão de sobrevivência para muitos, e estima-se agora que um em cada cinco trabalhadores não é declarado. A combinação de precariedade, desemprego em massa e excesso de tributação também significa que os empregadores só pagam salários quando querem, ou quando podem: um quarto dos trabalhadores gregos já não recebem regularmente os seus salários, seja porque são pagos com atraso ou porque são pagos apenas um mês em cada dois, três ou cinco. Em 26 de janeiro de 2019, foi relatado que seiscentos e vinte trabalhadores dos estaleiros navais Eleusis não tinham recebido salário desde… Maio de 2018. Os outros devem trabalhar a tempo inteiro enquanto estão  oficialmente empregados a tempo parcial e remunerados com base neste regime, ou receberem apenas uma parte do salário declarado, ou são  obrigados a pagar ao patrão, em dinheiro, uma parte do que receberam e declararam. O primeiro-ministro Tsipras pode, portanto, anunciar um aumento de 11% no salário mínimo (reduzido em cerca de um quarto entre 2009 e 2012, congelado desde então ao nível de 586 euros brutos e 510 para os menores de 25 anos): na prática, este salário mínimo há muito que deixou de ter qualquer significado.

Seria também necessário falar sobre as inúmeras consequências destas políticas na deterioração dos serviços públicos, cujas deficiências, mesmo antes da “crise”, explicavam em parte o baixo nível de consentimento à tributação. A natureza catastrófica dos incêndios na Ática no Verão de 2018 (mais de oitenta mortes) é o resultado de múltiplas causas. Mas os cortes de pessoal que afectaram a protecção civil e os bombeiros (cujos salários foram reduzidos para 850 euros), a recusa de lhes conceder, apesar das numerosas greves, um estatuto permanente, o adiamento da idade da reforma para 67 anos, a não renovação do equipamento,  não estão obviamente desligados da dimensão desta catástrofe.

Finalmente, estas políticas estão a colocar um número cada vez maior de gregos em situações inextricáveis. Todos os anos, milhares de automobilistas têm de apresentar as matrículas dos seus veículos às autoridades fiscais porque não podem pagar pelo autocolante. Um terço dos clientes da empresa de eletricidade não consegue pagar faturas que aumentaram acentuadamente devido ao aumento das tarifas e do IVA, e dois terços dos contribuintes não conseguiram, em 2017, pagar todos os seus impostos, cujo peso foi aumentado e a base tributável alargada (o limiar de tributação foi reduzido para 8.600 euros de rendimento anual para pessoas sós e 9.000 euros para um casal com dois filhos a cargo), enquanto os rendimentos estavam em forte queda.

Em resposta a esta situação, o FMI e o BCE colocaram como condição ao pagamento da quarta parcela de créditos em 2017 a adoção em  (janeiro de 2018) de uma lei que permite a confiscação e colocação em  leilão de imóveis a partir de uma dívida fiscal de €501 E como os cidadãos se mobilizaram para impedir os leilões físicos, o governo de “esquerda radical” fez aprovar  outro texto, ainda a pedido desta Europa de paz e fraternidade, organizando o leilão destes bens pela  Internet, e com aqueles que se opuseram a isso a terem de enfrentar uma  pena de prisão de três a seis meses. Foi ao abrigo desta lei que foram instaurados processos judiciais contra Panagiotis Lafazanis, um antigo ministro de Syriza que se juntou à oposição após a capitulação de Tsipras e que dirige o pequeno Partido da Unidade Popular – a Grécia é também um laboratório para a criminalização da oposição às políticas neoliberais da UE. O governo, que prometeu antes das eleições manter a proibição de confiscações de imóveis de residência principal, está agora a confiscar e a vender estes mesmos imóveis.  No total, neste país onde mais de 80% dos activos imobiliários das famílias são detidos por famílias, estima-se que 2,3 milhões de gregos (em menos de 11 milhões) estão ameaçados de terem os seus activos vendidos a um valor que é frequentemente superior ou muito superior à sua dívida. Além disso, a criação de um registo predial (cujo criação  foi obviamente concedido a uma empresa privada), exigido pela UE, permitirá ao Estado apreender bens imóveis cujos proprietários não poderão fornecer títulos a tempo ou pagar os serviços de um inspector para elaborar um plano.

No total, o que está a acontecer  na Grécia é uma espoliação[4] de uma magnitude que na minha opinião é inédita fora dos tempos de guerra ou de revolução. É também uma espoliação de bens públicos. E tudo nela é incluído:  portos, aeroportos, infra-estruturas, empresas e edifícios públicos… Seguindo o modelo da Anschluss económica da Alemanha de Leste,  os bens comuns dos gregos é transferida para uma estrutura de liquidação que vende tudo a compradores estrangeiros muito abaixo do valor real destes  mesmos equipamentos. Levou meses de luta obstinada pela associação de arqueólogos para que o governo finalmente concedesse, em janeiro de 2019, que sítios arqueológicos e museus seriam preservados (definitivamente?) deste saque. Opinião não publicada fora dos tempos de guerra ou revolução. É também uma espoliação de bens públicos. E tudo passa por ela: portos, aeroportos, infra-estruturas, empresas e edifícios públicos… Seguindo o modelo da antiga Anschluss, a propriedade comum dos gregos é transferida para uma estrutura de liquidação que vende tudo a compradores estrangeiros muito abaixo do valor real deste equipamento. Levou meses de luta persistente por parte da associação de arqueólogos para que o governo finalmente concedesse, em janeiro de 2019, que os sítios arqueológicos e os  museus fossem preservados (permanentemente?) desta pilhagem.


Notas:

[1] « The State Department also played a role. A memo from the European section, dated June 11, 1965, advises the vice-president of the European Economic Community, Robert Marjolin, to pursue monetary union by stealth. It recommends suppressing debate until the point at which « adoption of such proposals would become virtually inescapable ». » Ambrose Evans-Pritchard, « Euro-federalists financed by US spy chiefs », The Telegraph, 19 septembre 2000.

[2] Il ne s’agit pas de charité mais de solidarité dont les chômeurs sont eux-mêmes les acteurs. Le fondateur en a pris l’initiative à la vue de personnes fouillant dans les poubelles pour se nourrir. Chômeurs, les volontaires vont d’un quartier à l’autre, récupèrent les invendus sur les marchés ou convainquent les commerçants de les leur céder, préparent les repas et les partagent en commun.

[3] Texte complet sur le site de « Solidarité France-Grèce pour la santé » : https://solidaritefrancogrecque.wordpress.com/2015/10/07/deux-organisations-de-solidarite-grecques-disent-non-a-un-prix-europeen/

[4] Voir notamment sur le site du Comité pour l’abolition des dettes illégitimes, les articles de Louv Coukoutsi, « Les Grecs otages fiscaux de la Troïka et des banquiers » (http://www.cadtm.org/Les-Grecs-otages-fiscaux-de-la-Troika-et-des-banquiers), Marie-Laure Coulmin Koutsaftis, « La Grèce sous tutelle jusqu’au remboursement des prêts » (http://www.cadtm.org/La-Grece-sous-tutelle-jusqu-au-remboursement-des-prets), et « Appauvris par les memoranda, les Grecs vont perdre tous leurs biens » (http://www.cadtm.org/Appauvris-par-les-memoranda-les)


A segunda parte desta entrevista será publicada amanhã, 01/08/2019, 22h


Tradução de Júlio Marques Mota – Fonte aqui

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/07/31/ano-de-2019-ano-de-eleicoes-europeias-parte-ii-imagens-soltas-de-uma-uniao-europeia-em-decomposicao-a-partir-de-alguns-dos-seus-estados-membros-1o-texto-a-grecia-circulo-dos-patriotas-desapar/

O Syriza perdeu e ainda bem

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 09/07/2019)

 

Estive no referendo grego ao memorando com troika, em que o “não” venceu de forma clara. A palavra que mais ouvi, das muitas pessoas com quem falei, foi “dignidade”. Custa-me dizê-lo, mas não estou seguro de que, como povo, estejamos em condições de compreender o significado profundo que aquela palavra tinha na boca dos gregos. Porque ela vinha do fundo da alma de um povo orgulhoso. E, para o mal e para o bem, nós não somos um povo orgulhoso. Mesmo assim, confesso que fiquei surpreendido com o resultado do referendo. As pessoas foram votar com filas nas caixas multibanco para conseguir levantar o dinheiro quotidiano e perante um discurso de chantagem e terror vindo de Bruxelas. E mesmo assim disseram, sem hesitações, “não”. Sorte tem o político que lidera um povo com esta coragem.

Nas muitas entrevistas que fiz não deixei de notar, no entanto, que quase toda a gente laborava num equívoco. Com exceção dos comunistas ultraortodoxos, a esquerda grega é profundamente europeísta. E todos os gregos que iam votar “óxi” diziam-me duas coisas: que nunca aceitariam aquele memorando com mais uma dose cavalar de austeridade, privatizações, venda do país a retalho e humilhação e que nunca aceitariam sair do euro. Parecia-me, e disse-o a vários, que quem estava totalmente indisponível para dar o segundo passo não tinha qualquer arma negocial para recusar o primeiro. A possibilidade de saírem do euro era a única coisa que assustava a Europa. Seis meses antes daquele referendo, já não naquela altura.

Acontece que já nem essa arma tinham. Depois de seis meses a serem rabeados em Bruxelas, com a Alemanha a brincar ao gato e ao rato, os gregos ficaram num beco sem saída. Durante esses seis meses os gregos pagaram tudo o que tinham a pagar às instituições credoras (para nunca entrarem em incumprimento) sem receberem nada do que teriam de receber da troika. No momento da verdade, estavam totalmente descapitalizados, sem a possibilidade de simular sequer qualquer saída da moeda única. O objetivo daquele meio ano, às voltas com um ministro das Finanças inteligente e determinado mas sem qualquer experiência negocial ou política, foi mesmo esse. E o comportamento da União com a Grécia ficará para sempre como seu epitáfio moral. Foi nessa altura que perdi para sempre qualquer ilusão sobre este projeto. Aqueles meses mostraram de forma bem clara a natureza imperial, quase colonial, como as grandes potências olham para os seus “parceiros”.

Acompanhei a campanha do Syriza no referendo e não compro a teoria de que o queria perder. Pelo contrário, era bem claro o empenhamento de todo o partido e do governo na vitória do “não”. Varoufakis podia alimentar a possibilidade de sair do euro, ou pelo menos de vir a usar essa cartada, mas não me parece que Tsipras alguma vez tivesse pensado nisso. Hoje, a esta distância, estou convencido de que o objetivo era usar o resultado do referendo e a determinação do povo como posição de força negocial. Descobriram no dia seguinte que esse era o lado para que Schäuble dormia melhor. E terem pensado o contrário demonstra a ingenuidade daquela direção política. Fazerem aquele referendo e depois assinarem o memorando que o povo recusou foi um ato inaceitável. Se iam render-se, não chamavam o povo à luta. Se depois de o chamar o ignoraram, tinham de se demitir.

Feita a mais óbvia e descarada das traições, tudo o resto foi mais fácil. A traição deixou de ser um acidente, um recuo, uma derrota. Isso seria compreensível. Só é derrotado quem tenta lutar. Não. A traição passou a ser um programa político. Não apenas em relação à aplicação da austeridade, mas na política de refugiados, na política externa, em quase tudo. Não é o mesmo que ver o PCP e o BE a apoiarem um governo de recuperação que em muitas coisas lhe está distante. É ver Catarina Martins e Jerónimo de Sousa a governarem exatamente da mesma forma que Passos Coelho governaria, com convicção e já sem qualquer sinal de resistência. A política é, todos sabemos, a arte do possível. Mas não é a arte do transformismo. Não podemos ser o que não somos.

No balanço, os que têm de defender o indefensável tentarão explicar as pequenas diferenças de ter sido o Syriza a aplicar um programa de austeridade muitíssimo mais violento do que Passos por cá aplicou. Podia ser pior. Podia ser sempre pior. Mas, para o futuro, foi pior ter sido o Syriza a fazê-lo. Para a Europa, porque a traição de Tsipras rebentou com qualquer possibilidade de resistência em qualquer outro lado, impedindo que a crise ao menos servisse para mudar o rumo trágico que a UE seguia e continua a seguir. Para a Grécia, foi o desbaratar das esperanças e mobilização política de um povo. Em troca de nada. Hoje, o Syriza é o PASOK. Talvez menos corrupto. Por agora. E se o Syriza é o PASOK, o balanço é que se perdeu o Syriza. Quem fará agora oposição à esquerda quando vier mais uma privatização, mais uma perda de direitos, mais do mesmo de sempre? E com que argumentos? Na realidade, o Syriza foi fundamental para a Europa provar, de forma bem gráfica, que não há mesmo alternativa. Que é a TINA que governa em Bruxelas. E isso é o pior que podia acontecer ao projeto europeu, à democracia e à esquerda.

No domingo, a Nova Democracia venceu as eleições, com 40% dos votos (teve 28% em 2015). O Syriza ficou-se pelos 31,6% (em 2015 teve 35%). O Kinal, antigo PASOK, teve 8% (tinha 6%), os neonazis do Aurora Dourada saíram do Parlamento, ficando-se pelos 3% (tinham 7%), sendo substituídos pelo Solução Grécia, que conseguiu 3,7%. À esquerda, os comunistas do KKE mantiveram-se próximos dos 5,5% das anteriores eleições e o novo partido de Varoufakis entrou no Parlamento, com 3,4%. Se o Syriza não perdesse estas eleições era péssimo sinal. Era sinal de que os gregos e a sua esquerda estão anestesiados. A sua derrota, mesmo havendo uma recuperação económica que se limitou a apanhar a boleia de uma conjuntura externa favorável, é sinal de esperança.

Espantar-se-ão: já nem o Syriza eu apoio? Política não é futebol. Não torcemos pelos nossos mesmo quando se transformam no oposto do que são. Os partidos são instrumentais, o que interessa é o que fazem.

E é muito pior ser a esquerda a aplicar um programa de destruição de todos os seus valores do que ser a direita. Porque, ao fazê-lo, anula a alternativa. E é por isso que estou seguro de que, em Bruxelas e Berlim, nunca se desejou outra coisa que não fosse ter Tsipras a gerir o programa de austeridade, privatizações e perda de direitos. Agora podem voltar ao normal. Estes já estão anestesiados.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

O Syriza, que chegou a ser cunhado como «esquerda radical» e andou anos a servir o capital como melhor pôde, deixa o governo.

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Em 2015, o Syriza ganhou as eleições com um programa eleitoral que viria a não aplicar. E quando, em referendo, o povo grego disse maioritariamente «não» ao terceiro resgate, o seu líder, Alexis Tsipras, acabou por assiná-lo.
Por isso, a PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores) lançou fortes críticas ao Syriza, que «faz melhor o trabalho de liquidador dos direitos dos trabalhadores que a Nova Democracia [direita]».
Não só as questões do trabalho afastaram o Syrisa do seu discurso de promessas. Um ano depois, em 2016, na remodelação do governo grego não é por acaso que o responsável pela privatização de várias empresas públicas é nomeado  secretário de Estado da Economia. Para ministro entra um economista que era presidente de um centro de estudos económicos norte-americano, o Levy Economics Institute.
Hoje, a Grécia tem um governo e uma maioria absoluta de direita.
«Esta manhã não faltavam comentários sobre o regresso da «direita de sempre» ao governo na Grécia, a lembrar a «estrondosa derrota» de Alexis Tsipras ou as ilusões que a vitória do seu partido, em 2015, gerou – na Grécia e fora dela.
O engano, para alguns, durou pouco. Às vitórias de tal «esquerda» em Janeiro e Setembro de 2015, seguiram-se greves gerais sucessivas e manifestações com dezenas de milhares nas ruas de Atenas e Salónica. É que as infra-estruturas (portos, aeroportos) estavam a ser privatizadas e as reformas legislativas que afectaram, trabalhadores, pensionistas e a população grega em geral seguiam-se ao ritmo das exigências da troika do capital.»
Ler em AbrilAbril
Como nota final, fica o apontamento de como partidos que se consideravam irmãos e se envolveram em campanhas eleitorais e , tinham (e mantém) linguagem igual…

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

As eleições de 7 de Julho para o Parlamento grego

por KKE

Nas eleições gerais efectuadas na Grécia em 07/Julho/2019 o Partido Comunista da Grécia teve 300 mil votos e 5,3% do total, com a reeleição de 15 deputados ao Parlamento grego. Este resultado foi alcançado em condições da mudança da correlação de forças entre os partidos burgueses, de uma tendência generalizada para o aumento do conservadorismo, de chantagem, da desilusão semeada pela linha política anti-povo do governo "de esquerda" do SYRIZA.

O partido conservador ND ficou em primeiro lugar com 39,8% [NR] e o descontentamento popular exprimiu-se em relação ao governo SYRIZA, o qual recebeu 31,5% dos votos.

O KINAL, a continuação da velha social-democracia na Grécia, entrou no novo parlamento com 8,1% dos votos, o partido nacionalista-racista "Solução Grega" com 3,7% e o outro partido social-democrata MERA25 com 3,4% também entrou no parlamento. Em contraste, 16 partidos não ultrapassaram o patamar eleitoral dos 3%, incluindo a criminosa organização fascista da Aurora Dourada cujo votos contraíram-se significativamente para 2,9%.

 


Logo após a declaração dos resultados, Dimitris Koutsoumpas, secretário-geral do CC do KKE, fez a seguinte declaração:

"Agradecemos todos aqueles que votaram pelo KKE e especialmente aqueles que deram esse passo pela primeira vez. Além disso agradecemos aqueles que cooperaram com o KKE nesta batalha eleitoral, participaram nas suas listas, mesmo que no passado tenham pertencido a outras correntes políticas, continuando a mobilização semelhante que se verificou também durante as eleições europeias. Saudamos os milhares de membros, quadros, amigos do partido e da KNE que deram o seu melhor para fortalecer o KKE.

O dia seguinte [às eleições] encontrará novas forças no caminho do contra-ataque, no caminho da luta de classe política.

As condições das eleições, bem como das eleições europeias um mês atrás, reflectiram a nova correlação de forças entre os partidos burgueses sendo a principal característica a superioridade da ND sobre o SYRIZA e consequentemente a mudança de governo, sem uma mudança substancial na linha política, com o fortalecimento do sistema bipolar, bem como uma tendência geral rumo ao aumento do conservadorismo.

Nas eleições registou-se o justificado descontentamento popular com o governo SYRIZA, o qual nos anos anteriores implementou a linha política anti-povo, continuando o trabalho dos governos ND e PASOK. Contudo, é negativo que uma secção do povo se tenha voltado para velhas experimentadas e testadas opções como a ND. A exploração e difamação de valores da esquerda socialista pelo SYRIZA desmobilizou o povo da esquerda radical, impactou negativamente sobre o movimento popular e do trabalho.

É positivo que a Aurora Dourada tenha recuado em termos de votos e percentagem e que não entre no Parlamento.

A percentagem do KKE foi alcançada em condições de polarização, chantagem, dilemas, desilusão, abstenção, de um reduzido nível de demandas que são cultivadas não só pela força políticas burguesas como a ND como também pelas forças que se apresentam como sendo da "esquerda".

O novo grupo parlamentar com a percentagem dada pelo povo grego ao KKE dedicará todas as suas forças nos próximos anos a promover e defender os interesses da classe trabalhadora, dos estratos populares do nosso país.

Os votos do KKE serão utilizados a partir de amanhã de manhã em todos os lugares de trabalho, bairros, nas escolas, nas universidades para organizar lutas a fim de bloquear novas medidas, a fim de trazer alívio a todos os que sofrem.

Todos nós sabemos que as dificuldades não acabaram. Todos nós entendemos que o conto de fadas da "era pós memorando" e "desenvolvimento justo" nada tem a ver com a vida diária do nosso povo.

Amanhã haverá a programada reunião do Eurogrupo que recordará ao novo governo da ND dos seus compromissos e prioridades anti-povo.

O KKE com todas as suas forças, dentro e fora do Parlamento, combaterá contra o novo governo do ponto de vista das necessidades dos trabalhadores e do povo, desempenhará o papel principal na organização das lutas da classe trabalhadora, das secções populares dos estratos médios contra o assalto em plena escala do capital, da UE, da NATO a fim de abrir o caminho para o seu derrube real".

08/07/2019
[NR] Mas o número de deputados eleitos pela ND não é proporcional aos votos que obteve pois na Grécia existe uma disposição legal que permite ao partido mais votado ganhar uma quota extra de 50 deputados.

O original encontra-se em inter.kke.gr/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/grecia/eleicoes_parlam_2019.html

Os Dupondt

Grécia. Nova Democracia resgata governo ao Syriza com maioria absoluta

-- Será caso para rir -- image
É o velho truque do capitalismo, esgotar os partidos tradicionais que manipula, substitui-los por um messias que se afirme sem ideologia (credo!...) para que faça pior, e democraticamente seja corrido para continuar o carrossel que vem esmagando o povo grego.
Soros, sabe da poda.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Grécia - Eleições | A segunda morte do Syriza

A derrota do Syriza já não é a derrota do movimento de esquerda que levou Tsipras ao poder: essa morreu no referendo de 2015

Ana Sá Lopes | Público | editorial
As eleições gregas vieram reabilitar o partido da Nova Democracia, agora com um novo líder – Kyriakos Mytsotakis, filho de um antigo primeiro-ministro dos anos 90 – e uma maquilhagem nova, o “centrismo”. A Nova Democracia é a direita tradicional grega, co-responsável, com os socialistas do PASOK, pela péssima gestão do Estado e nepotismo antes da crise financeira e pela austeridade que se seguiu. Ao contrário do PASOK, extinto na sequência da crise e de ter governando com o primeiro programa da austeridade, a Nova Democracia sobreviveu e atingiu agora a maioria absoluta. A direita sobreviveu à crise, os sociais-democratas não.

derrota do Syriza já não é a derrota do movimento de esquerda que levou Tsipras ao poder: essa morreu no referendo de 2015, quando o partido convocou um referendo para ganhar apoio popular contra um programa de austeridade e acabou a negar os resultados e a aceitar um programa muito pior. Foi aí que o Syriza, que chegou ao poder com um programa de recusa da austeridade, foi extinto. A Europa impôs o princípio que a está a destruir – o “não há alternativa” – e a partir daí o Syriza transformou-se num partido como os outros, o “partido do Alexis”, um substituto do PASOK.

O partido do Alexis não cumpriu o programa com que foi eleito, deixa a Grécia com uma taxa de desemprego de 18,1% (40% entre os jovens) e um em cada três gregos em risco de pobreza. Infelizmente, não há como não concordar com Yanis Varoufakis quando diz, na entrevista que este domingo deu ao El Mundo, que Tsipras “é um mentiroso”. Se se juntar à tragédia da austeridade a repetição de alguns dos defeitos que têm caracterizado a jovem democracia grega (tão jovem como a nossa, com a democracia restaurada em 1974), como o nepotismo e a colocação de fiéis no aparelho de Estado, percebe-se a derrota.

O caso do Syriza foi um caso exemplar para a esquerda europeia nos últimos anos. A forma como a Europa lidou com o caso, de modo a penalizar um povo para poder ilegalizar uma ideia – a de que era possível um outro rumo e que os povos podiam escolher os seus líderes – foi infame. É evidente que o Syriza não tinha plano B e isso ditou a sua morte. Alexis Tsipras tinha, mas era outro: substituir o PASOK no espaço político grego. Até agora, Tsipras fazia parte da “aliança progressista” de António Costa. Essa aliança, que já era curta, agora ficou mais diminuída. 

Ler mais em Público

Nova Democracia vence eleições na Grécia

Com 39,8% dos votos e 158 deputados, a direita chega ao poder. O Syriza, que chegou a ser cunhado como «esquerda radical» e andou anos a servir o capital como melhor pôde, deixa o governo.

Angela Merkel, chanceler alemã, disse ao seu homólogo grego, Alexis Tsipras, para aceitar o acordo para o terceiro «resgate» à Grécia. 26 de Junho de 2015, Berlim, AlemanhaCréditos / Reuters

A «direita de sempre», Nova Democracia, ganhou as eleições legislativas que este domingo se realizaram na Grécia, tendo obtido a maioria absoluta no Parlamento, uma vez que, de acordo com a lei eleitoral vigente na Grécia, ao partido mais votado são atribuídos mais 50 deputados.

Kyriakos Mitsotakis, que prometeu crescimento económico e cortes nos impostos para cidadãos e empresas, será o novo primeiro-ministro, devendo ainda esta segunda-feira apresentar-se ao presidente da República, Prokopis Pavlopoulos, para jurar o cargo.

O Syriza abandona o governo e passa a principal força da oposição, com 31,5% do sufrágio e 86 deputados. Seguem-se a coligação Movimento da Mudança (onde figura o Pasok), com 8,1% (21 deputados), o Partido Comunista (KKE), com 5,3% (15), a Solução Grega, com 3,7% (dez), e o MeRA25, partido do ex-ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, com 3,4% (nove).

A direita que sabe que é direita e a esquerda que afinal não o era

Na rede social Twitter, esta manhã não faltavam comentários sobre o regresso da «direita de sempre» ao governo na Grécia, a lembrar a «estrondosa derrota» de Alexis Tsipras ou as ilusões que a vitória do seu partido, em 2015, gerou – na Grécia e fora dela.

O engano, para alguns, durou pouco. Às vitórias de tal «esquerda» em Janeiro e Setembro de 2015, seguiram-se greves gerais sucessivas e manifestações com dezenas de milhares nas ruas de Atenas e Salónica. É que as infra-estruturas (portos, aeroportos) estavam a ser privatizadas e as reformas legislativas que afectaram, trabalhadores, pensionistas e a população grega em geral seguiam-se ao ritmo das exigências da troika do capital.

Desemprego elevado, recessão económica, situação de ruptura social – tudo para agradar aos credores e em nome do «alívio da dívida». Afinal aquela «esquerda» – que engara o povo grego com o chamado programa de Salónica (não aplicado) e com o referendo sobre o terceiro resgate – era outra coisa, ao serviço do capital. No entanto, Tsipras disse ontem que sai do governo com a «cabeça erguida» e que, enquanto líder da oposição, irá continuar a batalhar pelos valores da «esquerda», segundo refere a Euro News.

A extrema-direita continua lá

Um dado importante desta jornada eleitoral é o facto de os neonazis do Aurora Dourada – que chegaram a ter 21 deputados no Parlamento grego – não terem conseguido os 3% necessários para alcançarem representação parlamentar (ficaram-se agora pelos 2,9%).

Por outro lado, o partido Solução Grega (EL), nacionalista de extrema-direita, fundado em 2016 pelo «multifacetado» Kyriakos Velopoulos obteve 3,7% dos votos e dez deputados. Em declarações à imprensa depois de votar, lembrou que o lema do seu partido é «Os gregos primeiro, a Grécia primeiro», tendo afirmado que será «a verdadeira voz da oposição para defender os direitos dos trabalhadores, especialmente dos gregos».

Solução Grega e Aurora Dourada obtiveram, juntos, uma percentagem idêntica à que o partido neonazi alcançou nas eleições de Setembro de 2015 (6,9%).

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/nova-democracia-vence-eleicoes-na-grecia

Tsipras perde eleição e Grécia terá novo primeiro-ministro

Primeiro ministro grego, Alexis Tsipras (à direita), e ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, durante a seção parlamentar em Atenas
© AP Photo / Petros Giannakouris

A aliança de esquerda formada pelo Syriza, do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, admitiu a derrota nas eleições parlamentares deste domingo (7) após a publicação dos resultados das pesquisas de boca-de-urna.

De acordo com os resultados prévios, o Syriza deverá ganhar entre 26,5% e 30,5% dos votos e entre 77 e 82 lugares no Parlamento grego, enquanto seu principal rival, o partido conservador Nova Democracia, conseguirá algo entre 38% a 42% dos votos e levar entre 155 e 167 assentos. 

O novo premiê deverá ser Kyriakos Mitsotakis.

"Se os resultados das pesquisas se confirmarem, a Nova Democracia tem uma superioridade óbvia. Respeitamos o veredicto do povo, que é a quintessência da democracia, como sempre fizemos antes", disse uma fonte do Syriza ao canal ERT.

Ao mesmo tempo, segundo a fonte, o Syriza recebeu um grande número de votos em condições extremamente difíceis, o que indica que o partido continua a ser a voz de idéias de esquerda, progressistas e democráticas. Depois de quatro anos e meio no poder, o Syriza deixou para trás um país com dívidas governamentais administráveis, tesouro estatal confiável, desemprego reduzido, forte sistema de proteção social e a economia que vem crescendo por nove trimestres seguidos, ressaltou a fonte.

Ele também afirmou que o Syriza irá defender essas conquistas como o principal partido da oposição.

Enquanto isso, fontes da Nova Democracia classificaram sua vitória como "histórica".

No começo do dia, a pesquisa do canal ERT também mostrou que o partido socialista Kinal levou de 6-8% dos votos e 19 a 22 cadeiras. Os comunistas estão em quarto lugar, com 5-7% dos votos e 16 a 19 lugares. O DiEM25 do ex-ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, deve ganhar de 3-5% dos votos e de 8 a 14 cadeiras. 

O partido de extrema-direita Novo Amanhecer deverá legar algo entre 2,5-4,5% dos votos, com 13 cadeiras. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019070714173991-tsipras-perde-eleicao-e-grecia-tera-novo-primeiro-ministro/

Centro-direita pode vencer a eleição grega

Kyriakos Mitsotakis pode pôr fim à era de coligações frágeis com vitória decisiva, sugerem pesquisas de opinião.

 

por Helena Smith*, no The Guardian

À medida que o sol se põe sobre a Acrópole, banhando o monumento à luz suave de um entardecer, Kyriakos Mitsotakis sobe ao pódio num clima exultante. O pano de fundo pode ser o local mais famoso da antiguidade, mas antes dele há um mar azul e branco, a cor da bandeira grega sendo agitada pela multidão.

O homem prestes a se tornar o próximo primeiro-ministro da Grécia entra em cena. “No domingo a Grécia ficará azul, o azul do céu, o azul do mar”, diz. “No domingo nós votamos, na segunda-feira viramos uma página.”

Três dias antes da eleição, o líder da oposição está em alta. A democracia pode produzir resultados inesperados. Todas as pesquisas apontam para a vitória da Nova Democracia, de centro-direita, de Mitsotakis, e a maior parte delas sugere que o partido está a caminho de conquistar a maioria absoluta, numa mudança significativa para um país que, na última década, foi governado por coalizões frágeis.

Na quinta-feira (28/6) uma pesquisa do instituto Pulse mostrou que os conservadores têm oito pontos percentuais à frente do esquerdista Syriza. Se vencer, a Nova Democracia terá entre 155 e 159 cadeiras num parlamento de 300 lugares, repetindo seu desempenho espetacular nas eleições européias de maio, que levou o primeiro-ministro Alexis Tsipras a convocar a eleição três meses antes do previsto.

Mitsotakis, filho de um ex-primeiro-ministro que enfrentou acusações de corrpção e nepotismo, ganhou de novo a confiança popular.

Com o vento favorável, o ex-banqueiro Mitsotakis fez uma campanha incansável, arregaçando as mangas e atravessando o país para ouvir os problemas dos gregos comuns. Em uma nação há muito tempo na linha de frente da crise financeira da Europa, ele se concentrou principalmente no rejuvenescimento econômico, prometendo reduzir os impostos, atrair investimentos estrangeiros e criar empregos.

“De pé neste chão sagrado, eu me lembro dos antigos”, disse à multidão na noite de quinta-feira (28/6). “O poder não é o objetivo; é apenas uma ferramenta para melhorar a vida dos cidadãos.”

Mitsotakis foi agraciado com a reabilitação de um dos partidos conservadores mais tradicionais da Europa, que ha não muito tempo foi associado ao clientelismo e às políticas corruptas que teriam causado os problemas financeiros da Grécia endividada.

“O que estamos vendo é uma vitória pessoal de um líder reformista liberal. De muitas maneiras, a Nova Democracia é uma parte desacreditada, responsável pelos problemas que levaram a Grécia aos programas de resgate”, disse o analista político Aris Hatzis. “Ele se tornou um orador muito melhor, muito mais relaxado, muito mais confiante.”

Depois de quatro anos e meio do governo de esquerda de Tsipras, os mercados também comemoram a perspectiva de que um governo pró-negócios voltae ao poder. O custo de empréstimos em Atenas baixou e atingiu mínimos recordes desde a eleição europeia de 26 de maio.

No comício de quinta-feira – o único que fez em Atenas – Mitsotakis pregou sua mensagem mais urgente: a necessidade dos gregos saírem de casa para votar. Embora o homem de 51 anos tenha adotado uma abordagem mais consensual, prometendo representar “todos os gregos como primeiro-ministro, independentemente de apoiarem-nos ou não”, o espectro do baixa comparecimento ronda as pesquisas. A eleição é a primeira desde o colapso do regime militar em 1974, a ser realizada em julho, um mês em que os gregos saem de férias ou passam os fins de semana na praia. Com a Grécia nas garras de uma onda de calor, há a preocupação de que muita gente poderá deixar de votar.

A capacidade de Mitsotakis de ganhar uma maioria ativa também dependerá do desempenho dos partidos menores. À direita, a Nova Democracia enfrenta a concorrência do neo-fascista Golden Dawn e do ultra-nacionalista Solução Grega, que canalizou a ira contra o controverso acordo de troca de nome firmado com a Macedônia do Norte no ano passado.

“Os partidos menores, incluindo o MeRA25, de Yanis Varoufakis, foram responsáveis por 20% dos votos nas eleições europeias”, disse o pesquisador Ilias Nicolacopoulos. “A Nova Democracia vai pegar a maior parte disso, mas no final das contas, muito se resumirá ao comparecimento”.

Os quadros do Syriza expressaram temores crescentes de que Varoufakis, ex-ministro da Economia de Tsipras, também represente uma ameaça ao partido que assumiu o poder em 2015, prometendo acabar com a austeridade exigida pelos credores. Varoufakis, de 45 anos de idade, tem apelo especial entre os gregos mais jovens. “Ele tem o fator legal”, disse Nicolacopoulos.

Atenas recebeu quase 300 bilhões de euros em fundos de resgate, o maior na história financeira global, entre 2010 e 2015, quando lutou contra a falência e tentou permanecer na zona do euro.

Quase um ano depois de encerrar seu terceiro e último programa de ajuste econômico, a raiva pela continuidade da austeridade perdura, mesmo que a crise pareça ter diminuído e que os gregos estejam menos propensos a sair às ruas em protesto.

Se a Mitsotakis ganhar, analistas dizem que esta será sua chance de remodelar a Nova Democracia à sua própria imagem. Em particular, ele se descreve como um progressista, sinalizando que colocará tecnocratas em posições proeminentes no governo.

“O escopo de sua vitória permitirá que ele tome as medidas corajosas que parece pronto para tomar”, disse Hatzis. “Se ganhar a maioria absoluta, terá um período de hegemonia política. Será sua chance de evitar tornar-se apenas outro elo de uma série de primeiros ministros de curto prazo que vimos na era do resgate”.


por Helena Smith, The Guardian  | Texto em português do Brasil, com tradução de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV (Fonte: Jacobin)/ Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/kyriakos-mitsotakis-centro-direita-pode-vencer-a-eleicao-grega/

AINDA SE LEMBRA COMO ERA IMPORTANTE A GRÉCIA DE HÁ QUATRO ANOS?

25 de Janeiro de 2015. Realizam-se eleições legislativas na Grécia em que, pela primeira vez, o Syriza, além de as ter vencido, quase alcançou a maioria absoluta da representação parlamentar (149 em 300 lugares), vindo posteriormente a formar governo em coligação com uma formação política nacionalista de direita. Mas a data precisa das eleições é apenas pretexto para evocar e relembrar o que aconteceu nas semanas que se seguiram entre certos círculos político-informativos portugueses, que desencadearam uma ferocíssima barragem opinativa sobre o que acabara de acontecer no outro canto da Europa. A razão de tal afã é hoje perfeitamente evidente: combater o efeito de contágio, nem que para isso, e por algum tempo e de uma forma que a distância temporal tornou ridícula, quisessem tornar a Grécia um dos países europeus mais importantes do panorama noticioso nacional. Hoje, que já se conhecem os desenvolvimentos da história (além do Syriza ter tornado a vencer outras eleições em Setembro seguinte, foi encerrado o procedimento por défice excessivo, a economia do país está a gerar excedentes primários - e tudo isso sob a égide do Syriza!), é de toda a justiça evocar quem então se prestou a emitir tais opiniões... para sobretudo compreender a quantos deles lhes assaltou, a respeito do tema, aquele sentimento - sempre nobre - da contrição. É que entre as figuras abaixo está Paulo Almeida Sande, que Pedro Santana Lopes escolheu para cabeça de lista do seu partido às próximas europeias. É para nós não nos esquecermos, apesar de só se terem passado quatro anos...
Como nota de rodapé e ainda a respeito da Grécia de há quatro anos, gostaria de relembrar que, se a cobertura do enviado especial da RTP a essas eleições (José Rodrigues dos Santos) se tornou famosa e caricata pelo seu facciosismo, e por isso escolhi uma das suas intervenções para encabeçar este poste, a da SIC (de que não se fala), não lhe fica atrás em incompetência. Logo no primeiro minuto da reportagem abaixo o enviado especial Pedro Cruz consegue enganar-se consecutivamente dizendo que em Portugal há 260 deputados (não: são 230) e que na Grécia são 500 deputados (não: são 300). A partir daí, Pedro Cruz entusiasma-se com uma diatribe baseada no facto do «parlamento grego ter perto do dobro do número de deputados em Portugal» (0:50s). Por acaso, é mentira. Olhem se isto fosse discutido como o são os erros de arbitragem ou como se no Bloco de Esquerda se tivesse verdadeiro interesse em denunciar as incompetências dos repórteres de televisão...

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/01/ainda-se-lembra-como-era-importante.html

Governo grego disposto a legislar separação da Igreja do Estado

Parece estranho que um Estado europeu no Século XXI permaneça como sustentáculo e, simultaneamente, dependente de uma Igreja.

Ao ler-se a notícia percebe-se que uma questão essencial nesta matéria é a garantia de pagamento com o erário público dos 'funcionários' eclesiásticos e a aquisição de bens (edifícios e terrenos) por parte da Igreja. Outras matérias parecem ser menos importantes na relação.

A hegemonia da Igreja Ortodoxa na vida civil grega é um facto. O poder secular dos donos dos espíritos é ancestral...

Comentário à seguinte notícia:


 

O Governo grego decidiu hoje prosseguir o acordo de 06 de novembro entre o primeiro-ministro Alexis Tsipras e o arcebispo Jerónimo II, primeiro passo para a separação de poderes entre Igreja e Estado, apesar da oposição da conferência episcopal helénica.

Governo grego disposto a legislar separação da Igreja do Estado

O Governo de Tsipras anunciou esta tarde que “vai proceder imediatamente à elaboração de um projeto-lei, na sequência da intenção dos bispos em formarem uma comissão para negociar com o executivo “os temas de interesse comum”.

No entanto, a conferência episcopal da poderosa Igreja Ortodoxa grega rejeitou horas antes um ponto decisivo do acordo, em que se previa que os clérigos deixem de ser considerados funcionários estatais e que o pagamento do seu salário seja garantido por um fundo financiado pelo Estado.

O gabinete do primeiro-ministro definiu o comunicado conjunto de 06 de novembro como “um passo histórico até à racionalização das relações entre Igreja e Estado” e sublinhou que o projeto-lei será transmitido ao comité especial criado pela conferência episcopal antes de ser submetido a votação.

No entanto, o executivo fez questão de precisar que “o estatuto dos salários dos funcionários eclesiásticos, em qualquer caso, é responsabilidade e decisão do Estado”.

O acordo entre Tsipras e Jerónimo II pretendia solucionar o velho conflito entre Estado e Igreja, que desde a década de 1950 reivindica milhões de hectares de bosques, terras cultiváveis e milhares de bens imobiliários urbanos, com documentos cuja propriedade é dificilmente comprovável e que incluem decretos de imperadores bizantinos ou de sultões otomanos.

A comissão formada pelos bispos para negociar com o Governo destina-se precisamente a abordar a delicada gestão do vasto património imobiliário da Igreja Ortodoxa helénica.

A questão que suscitou divergências entre bispos e clérigos — que pretendem deixar de ser considerados funcionários — permitiria, como anunciou Tsipras citado pela agência noticiosa Efe, a contratação de 10.000 novos empregos públicos, um número considerável num país com um índice de desemprego de 18,9%, e que atinge 36,8% entre os mais jovens.

Apesar de a Grécia ser considerada ‘de jure’ um Estado laico, a Igreja mantém uma vasta influência e detém numerosos privilégios.

A Constituição helénica está redigida “em nome da Santa e Indivisível Trindade”, uma frase que resume o dogma da Igreja Ortodoxa da Grécia.

O Presidente da República também presta juramento “em nome da Santa e Indivisível Trindade” pelo artigo 33.º da Lei fundamental e que, na prática, exclui que seja ateu ou não cristão.

Os representantes da Igreja estão ainda presentes em todos os atos públicos do Estado: a sua bênção precede o início das sessões parlamentares, tal como do ano escolar, e o ícone de Jesus está exposto no parlamento e em todas as salas dos tribunais

 

Ver original em 'Público'

Perspectivas da tragédia grega

(Alexandre Abreu, in Expresso Diário, 13/09/2018)

abreu

Falou-se bastante nas últimas semanas da dita ‘saída limpa’ da Grécia do programa de resgate e ajustamento estrutural imposto pela troika e da mensagem vídeo elaborada por Mário Centeno por essa ocasião. De forma alinhada com a ortodoxia europeia, como seria de esperar de qualquer presidente do Eurogrupo, Centeno sublinhou o regresso da Grécia ao crescimento económico e à criação de emprego, os seus superávites orçamental e comercial e o facto da economia ter sido reformada e modernizada. O que mostra principalmente que, tal como a beleza, também o sucesso económico está essencialmente nos olhos de quem vê.

Efectivamente, tanto o emprego como o crescimento económico registaram ligeiras retomas na Grécia nos últimos tempos, mas o produto real grego é hoje em dia apenas cerca de 3/4, e o emprego total menos de 90%, do que eram em 2008. A população com idade entre 20 e 30 anos reduziu-se em mais de 25% em dez anos, principalmente devido à emigração. Independentemente do – ou graças ao – superavite orçamental, 20% da população activa continua hoje em dia desempregada. É um nível de devastação económica mais profundo até do que o da Grande Depressão, e a ligeira retoma agora apresentada como sinal de sucesso não é mais do que estabilização, aliás bastante precária, após um enorme retrocesso.

Claro que o sucesso grego dos últimos anos é mais evidente de outras perspectivas. Por exemplo, do ponto de vista dos investidores internacionais que adquiriram a preço de saldo activos públicos privatizados à pressa nos últimos anos, incluindo o Porto do Pireu, 14 aeroportos e a empresa petrolífera nacional.

Ou do ponto de vista das instituições financeiras privadas, principalmente francesas, suíças e alemãs, que detinham a maior parte da dívida pública grega em 2010 e que foram os verdadeiros resgatados pela troika ao evitarem as perdas em que teriam incorrido se a Grécia tivesse enveredado pela alternativa do incumprimento.

Outro ângulo interessante para avaliar a dimensão da tragédia grega é o que foi adoptado por um estudo de 2016 que, a partir da análise das águas residuais na cidade de Atenas, identificou enormes aumentos entre 2010 e 2014 no uso de antidepressivos (11 vezes mais), benzodiazepinas (ansiolíticos, 19 vezes mais) e antipsicóticos (35 vezes mais). Concluem os autores deste estudo, sem grande surpresa, que estes resultados reflectem o aumento da incidência de problemas de saúde mental em resultado da situação socioeconómica. Mostram também, digo eu, que quando falamos da crise na Grécia não estamos a falar de meras estatísticas económicas, mas de verdadeiros dramas pessoais.

Em resumo, o processo foi, e continua a ser, um sucesso do ponto de vista do capital internacional e uma enorme tragédia do ponto de vista da população grega. É tudo uma questão de perspectiva.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Tsipras declara fidelidade à União Europeia em Estrasburgo

O primeiro-ministro grego foi ao Parlamento Europeu dizer que vai cumprir as orientações da União Europeia e que o seu governo vai manter o rumo, após o fim do último programa da troika no país.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, num encontro sobre o pagamento da dívida grega, em Fevereiro de 2017Créditos / União Europeia

Tsipras falou esta manhã, em Estrasburgo, num debate sobre «o futuro da Europa», no qual sublinhou o alinhamento do seu governo com as orientações económicas e orçamentais da União Europeia. «Continuaremos o nosso caminho de estabilidade fiscal», proclamou o primeiro-ministro grego perante o Parlamento Europeu.

«O fim do programa de ajustamento [da troika] não vai significar o regresso ao passado», disse Alexis Tsipras. A Grécia continua com uma taxa de desemprego próxima dos 20%, cerca do dobro do valor registado há uma década.

Ao tornar-se no partido mais votado, em Janeiro de 2015, o Syriza de Tsipras conseguiu formar governo com o partido nacionalista Gregos Independentes, uma cisão do conservador Nova Democracia até então no governo helénico.

Apesar das grandes esperanças suscitadas em sectores representados em Portugal pelo BE, estes rapidamente se desiludiram. Três dias depois de os gregos rejeitarem em referendo um novo programa da troika, em Julho de 2015, o governo do Syriza formalizou o pedido de um novo programa com a duração de três anos.

O primeiro-ministro grego reclamou ainda o mérito de não ter «levantado barreiras» perante o fluxo migratório, ainda que a Grécia seja um ponto chave para a implementação do acordo com a Turquia. Através deste, a União Europeia paga àquele país para travar os migrantes que tentam entrar através das fronteiras externas do Mediterrâneo Oriental.

Tsipras concluiu que, «nos últimos três anos e meio, a Grécia deixou de ser um problema e passou a fazer parte da solução para a União Europeia». Uma afirmação decalcada das proclamações feitas pelos governantes portugueses do PSD e do CDS-PP, em meados de 2014.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Altos cargos e pequenos homens

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 26/08/2018)

soromenho

(O Dr. Soromenho põe o dedo na ferida: quem é apoiante deste Governo e das políticas de recuperação de rendimentos, não pode deixar de lamentar o discurso de Centeno, “comemorando” a eufemistica “saída limpa” da troika das terras gregas. Por alguma razão nunca ouvimos, nem imaginamos ouvir, António Costa a fazer um discurso de tal recorte. Cada vez me convenço mais de que Costa está sozinho a pedalar na pista da Geringonça. Os meus votos é que não acabe por se transformar num Tsipras à portuguesa.

Comentário da Estátua, 29/08/2018)


 No famoso discurso proferido pelo presidente Lincoln na inauguração do cemitério nacional de Gettysburg, a 19 de novembro de 1863, quatro meses depois da grande batalha travada nesse local, e 18 meses antes do final da sangrenta Guerra Civil norte-americana, é a marca de água de um grande homem. São 272 palavras proferidas em menos de dois minutos, por um líder político que refundou os EUA, reinventou a instituição do presidente federal e reacendeu, temperado com o custo do seu sacrifício supremo, o farol mítico da atração universal dos EUA.

O recente discurso de Mário Centeno, na condição de presidente do Eurogrupo, durou um minuto e dez segundos, ligeiramente menos do que a alocução de Lincoln, mas o seu significado não poderia ser mais oposto. Pelas suas palavras e pelos seus atos, Lincoln elevou-se muito acima do importante cargo de presidente dos EUA, que também pode ser apoucado como ocorre agora com Donald Trump a uma escala que julgaríamos impossível.

Os grandes líderes são sempre maiores do que os cargos que ocupam, mas no caso de Mário Centeno, o economista português que criticava as limitações estruturais da zona euro e que exibia os erros e os sacrifícios inúteis das medidas de austeridade, eclipsou-se completamente. O que se viu e escutou foi um Jeroen Dijsselbloem ou um Wolfgang Schäuble a falar usando o rosto do ministro português como máscara.

Contudo, uma mensagem diferente não teria sido uma missão impossível. Centeno poderia ter atenuado o estilo simplificador do publicitário que exalta a qualidade do produto, neste caso a alegada recuperação económica e política da Grécia, subestimando a imensa dor e os danos irreversíveis causados por uma década maldita. Mas o que é verdadeiramente imperdoável, e constitui uma irreversível confissão de irrelevância por parte de Centeno, é a pequena frase em que o presidente do Eurogrupo atribui as causas das desgraças helénicas exclusivamente às suas “más políticas do passado” (bad policies of the past).

Para deixar o campo aberto para outras leituras, Centeno poderia ter referido sobre a ação da troika algo como “erros de um processo de aprendizagem”, ou até mencionado “responsabilidades partilhadas”.

Todavia, ao ilibar totalmente as instituições europeias (Conselho Europeu, Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Eurogrupo, Parlamento Europeu), bem como os grandes países, Alemanha e França, de qualquer ónus no mais repugnante processo de humilhação e empobrecimento de um povo na Europa desde 1945, Centeno fez recuar o relógio da União Europeia até 2008.

Como se não tivéssemos aprendido nada e tudo tivesse sido esquecido, como se o sofrimento passado tivesse sido inútil perante as imensas tarefas que a nau europeia terá de assumir se não quiser naufragar nas tormentas que se aproximam.

A tragédia grega foi a primeira demonstração inequívoca do erro matricial da zona euro, um erro contra o qual o chanceler Kohl advertiu no Bundestag, em novembro de 1991: uma união monetária não sobreviverá se não for suportada por uma união política. Quando George Papandreou, num gesto de lisura kantiana, revelou a realidade das contas públicas gregas no final de 2009, em vez de receber aplauso e solidariedade foi submetido ao fogo cerrado do longo holocausto da austeridade e do esbulho helénicos.

Centeno mostrou que pode subir ainda mais alto. Merece a confiança desta elite europeia que odeia a verdade e exulta com o preconceito.


Professor Universitário

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Grécia – Crianças refugiadas tentam suicidar-se

Na Grécia, esse país que alguém felicitou recentemente por ter tido uma «saída limpa» da crise e que fica sozinha com refugiados nos braços.
«As Nações Unidas e o ministério da Saúde da Grécia já foram informados. Mas o representante do governo grego em Moria, George Matthaiou, atira responsabilidades para a União Europeia. "Nós não conseguimos lidar com isto. A situação na Grécia é conhecida. Quero ajudar, mas não posso fazer nada porque a União Europeia fechou as fronteiras".»
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Leia original aqui

O homem que deixou de ser português

(Pacheco Pereira, in Sábado, 26/08/2018)

JPP

Pacheco Pereira

A frase parece forte mas é mesmo assim: Centeno desde que foi para o Eurogrupo comporta-se como os seus congéneres que o antecederam e que tão mal fizeram a Portugal.

Mais: assumiu todas as políticas que nos garantem a sobrevivência na mediocridade, com surtos de falsa felicidade e quedas na realidade que vão ser particularmente dolorosas, mas que nos impedem de sair da condição de país remediado, com futuro mais ou menos assistido. É tudo menos uma política que mereça a classificação de nossa, de patriótica, dos nossos interesses de sair da cepa torta.

Depois, há a declaração sinistra, para não lhe chamar outra coisa, sobre a Grécia. Ele falou sobre a Grécia, e nada do que ele disse é verdade, como o que o Eurogrupo e Passos Coelho disseram sobre uma “saída limpa” que se revelou (e ainda mais se revelará bem “suja”). Muito do que corre bem na Grécia correria bem na mesma, com ou sem a receita da troika. E o que corre mal continuará a correr mal. Como Portugal, a Grécia está condenada a uma política ao serviço dos seus credores, sem autonomia para fazer diferente. E fazer diferente, lá vamos ter que repetir o óbvio, não é entrar num delírio despesista, é com todas as dificuldades apontar para outro lado, outras prioridades, outras necessidades, com todo o realismo de não ignorar os condicionantes. Há quem diga que isto é impossível e é wishfull thinking, mas não é e há quem saiba fazê-lo, mas os problemas são políticos antes de serem económicos. É que a receita da troika e a sua aceitação, como o PS através de Centeno faz em Portugal, moldam o sistema político a favor da direita e do populismo. Esperem por eleições na Grécia.

A Grécia foi traída por muita gente. Pelos governantes, irmãos do CDS e do PSD, que a deixaram na bancarrota, pelos socialistas que na Alemanha, em Portugal e por toda a Europa nesses anos cederam ao pior do “troikismo”. Por Tsipras que se rendeu e, como todos os que se rendem, tende a ser mais papista do que o Papa.

Pela Europa, com a vanguarda no governo alemão, os mastins no Eurogrupo e a cobardia generalizada dos partidos e países que aceitaram que na União Europeia se falasse a linguagem da ameaça e do ultimato, sem sequer ter os eufemismos habituais. Um dos frutos dessa política está à vista na Itália.

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Serial abusers

O que se vai sabendo sobre a imersão da hierarquia e dos padres da Igreja Católica num abuso sexual sistemático, generalizado, continuado e de grandes dimensões de crianças e adolescentes, mostra que o problema não é conjuntural, mas estrutural. Há algo de muito errado na maneira como na Igreja Católica se defronta e manifesta a sexualidade dos padres. Não sei se a exposição actual revela um fenómeno mais recente ou se foi sempre assim e estava escondido. Mas, seja como for, ou o celibato é insustentável, e isso é verdade quer para a heterossexualidade quer para a homossexualidade, ou um número de homossexuais encontrou na Igreja em tempos de repressão um local de pulsão e abuso, ou há um problema com o modo como homens solteiros (diferentemente por exemplo dos anglicanos e outros grupos protestantes que conduzem o “serviço” da Igreja como casal) são deixados num cadinho de jovens que eles influenciam e sobre os quais têm poder de que abusam. Seja como for, já se devia saber há muito e muitos já deviam saber, mas não se fez nada. Agora muita coisa tem de mudar, mas nada muda se a Igreja continuar a centrar, como faz desde o Império Romano, muito da sua actividade e doutrina na repressão da sexualidade.


“A verdade não é a verdade” 
Do mesmo modo que já não sabemos distinguir uma fotografia real (queira lá dizer “real” o que quiser!) de outra tratada com Photoshop, também é natural no mundo em que vivemos que a “verdade” possa receber o mesmo tratamento: digitalizada e passada pelos mecanismos “sociais” da Internet, dá para onde se quiser. Trump e o seu advogado Giuliani ambos disseram o mesmo “a verdade não é a verdade”, o que significa que cada um tem a sua “verdade” em que acredita e essa “verdade” tem pequena relação com os factos, ou que a “verdade” está em quem fala mais alto, tem mais seguidores no Twitter, tem mais audiência na televisão. Há vários efeitos deste processo, todos maus para a liberdade, a sociedade civilizada e a democracia, mas tudo isto está em curso. Trump e o actual momento político da América não é um epifenómeno passageiro, merece a maior das atenções e mesmo, imaginem, um ensaio filosófico.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Clarificações

No Inimigo Público encontra-se o melhor resumo do espírito da declaração de Mário Centeno sobre a Grécia: “Parabéns aos gregos por já não gastarem tudo em copos e gajas”. A declaração do chamado presidente do chamado Eurogrupo confirma a ideia em que temos insistido contra a complacência europeísta – veja- se, por exemplo, o artigo do número de Março do Le Monde diplomatique – edição portuguesa, agora disponível em acesso livre. Em primeiro lugar, Mário Centeno não precisou de ser influenciado nem mudado pelo Eurogrupo, porque sempre aceitou, no essencial, os seus termos ideológicos, ganhando pelo seu currículo e pela sua política interna a confiança externa da grande potência da zona, a Alemanha. Em segundo lugar, o Johan Cruyff da nova fase da financeirização com escala europeia ilustra a brutal resiliência da economia política da integração, a sua capacidade de diluir pretensas alternativas europeístas de matriz social-democrata. Em terceiro lugar, contra os que fazem da política um apelo à razoabilidade das elites do poder – aprendam com os “erros” da austeridade depressiva, vá lá – é preciso perguntar: por que razões hão-de os interesses de classe que têm triunfado politicamente, graças à integração supranacional, mudar o que quer que seja de essencial no campo das relações sociais de produção e de circulação? Se há cada vez mais empresas privatizadas, se a acção colectiva do trabalho é cada vez fraca, se a restauração política da finança privada aí está… Entretanto, atentem na frase mais reveladora, do ponto de vista ideológico, da última entrevista de António Costa no Expresso: “Hoje, em várias matérias, encontra numa posição comum pessoas como a senhora Merkel, Alexis Tsipras, o Presidente Macron, eu próprio, o primeiro-ministro Sánchez, e há uns anos, provavelmente, estaríamos bastante diferenciados”. Realmente, as instituições europeias servem para diluir todas as diferenças. E, no fim, ganha a Alemanha de Merkel. Em jeito de adenda, não resisto a assinalar a resposta de Ascenso Simões à sensata declaração crítica de João Galamba sobre Centeno. Esta resposta constitui realmente um exemplo de elevação racional no debate público, como é apanágio de Simões. Ascenso Simões destacou-se esta semana também por ter escrito uma espécie de panegírico a Pedro Queiroz Pereira no Público, onde a certa altura refere a generosidade de um capitalista das privatizações que, vejam lá bem, arriscava “melhores ordenados para os seus colaboradores”. Como designar alguém que assina como deputado de um partido que se diz socialista e que se refere aos trabalhadores como “colaboradores”? Socialista é que não. E, no fim, ganham o neoliberalismo e os seus colaboradores?

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

A declaração de Tsipras: A suposta "nova era" baseia-se nas ruínas dos direitos populares

KKE
Terça-feira, 21 de agosto de 2018, o primeiro-ministro, Alexis Trsipras, no seu discurso na ilha Ítaca sobre a saída oficial dos memorandos, na realidade anunciou a continuação da política antipopular. As suas frases "saímos dos memorandos, mas não ficamos por aqui" e "com prudência e responsabilidade, para não regressarmos à Grécia dos defices e da falência", são compromissos claros aos prestamistas e aos mercados de que os dias das medidas antipopulares não acabaram. Ao mesmo tempo, em tom festivo, tentou criar no povo um clima de expectativas de alguma coisa vai mudar para melhor. A ilha de Ítaca foi escolhida pelo governo para cultivar esse tipo de expectativas, ligando-a à mítica viagem épica da Odisseia e o fim das aventuras de Ulisses, marcadas pelo seu regresso ao local de nascimento, Ítaca. A Secção de Imprensa do Comité Central do KKE destaca no seu comunicado sobre as declarações de Tsipras que: "O primeiro-ministro está a tentar esconder que a suposta "nova era" assenta as suas bases na ruína dos direitos do povo e dos jovens. O dia seguinte será a continuação do dia anterior, já que estão ainda em vigor centenas de leis dos memorandos, debaixo da estrita supervisão da UE, os "superávites de sangue, a selva laboral, o espólio fiscal, a deterioração de todos os aspectos da vida humana. Tudo isto conhece muito bem o povo grego, por muito que o SYRIZA-ANEL tente enganá-lo, por muitas teatralidades a que o senhor Tsipras recorra. O governo não se compromete a abolir nem uma só medida imposta ao povo através dos memorandos. Pelo contrário, compromete-se a continuar com as reformas, a que não haja regresso ao passado, o que na essência significa que o povo deve esquecer tudo o que perdeu e estar satisfeito com as migalhas e as esmolas. De qualquer modo esta é a ordem do capital, bem como dos parceiros do governo, a UE e o FMI que, por um lado, felicitam o governo por levar a cabo a sua tarefa suja, e por outro antecipam a continuação da política antipopular. A aplicação desta política será avaliada pelos "mercados" e pelos "investidores", para continuarem a confiar na economia grega. A realidade do memorando tal como foi descrita pelo primeiro-ministro, a pobreza, o desemprego, a repressão, a corrupção, os escandalosos lucros do capital constituem a barbárie da via de desenvolvimento capitalista, bem como o núcleo da sua política, que continuou firmemente a política dos governos da ND e do PASOK Esta coincidência estratégica não se pode ocultar apesar dos esforços destes dois partidos, apesar dos falsos dilemas como as "frentes contra a direita- contra o Syriza", de "progresso-conservadorismo", que parecem a velha história do bipartidarismo em falência. Nenhuma confiança, nenhuma ilusão! Para o povo a saída limpa significa a abolição das leis dos memorandos, da recuperação das perdas, da satisfação das necessidades contemporâneas. O povo, os trabalhadores não são lotófagos , eles não vão ficar do lado de Scylla ou Charybdis. Será o senhor Tsipras a escolher com qual dos dois monstros quer que o seu governo se identifique. Nós escolhemos a nossa própria Ítaca que nos oferecerá a maravilhosa jornada da luta pela vida e pelo futuro que merecemos. Esta Ítaca seguramente não nos decepcionará.

22/08/2018

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/... Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/a-declaracao-de-tsipras-suposta-nova.html

O genocídio da nação grega

Paul Craig RobertsO foguetório político e mediático (incluindo a vergonhosa intervenção de Centeno) sobre o “fim da crise grega” não passa de um enorme embuste. A declaração de que a crise grega acabou é meramente a constatação de que já não resta nada para esfolar ao povo grego no interesse dos bancos estrangeiros. A Grécia está muito pior do que antes da intervenção, e está a afundar-se rapidamente.

O encobrimento político e mediático do genocídio da Nação Grega começou ontem (20 de Agosto) com proclamações políticas da UE e de outros anunciando que a Crise Grega acabou. O que eles querem dizer é que a Grécia acabou, morreu e está arrumada. Foi explorada até ao limite, e a carcaça foi lançada aos cães.

350.000 gregos, sobretudo os jovens e os mais qualificados, fugiram da Grécia. A taxa de natalidade está muito abaixo do necessário para manter a população que resta. A austeridade imposta ao povo grego pela UE, o FMI e o governo grego resultou numa contracção de 25% na economia. O declínio é equivalente ao da Grande Depressão nos EUA, mas os efeitos na Grécia foram piores. O presidente Franklin D. Roosevelt reduziu o impacto do desemprego massivo com o Social Security Act e outros elementos de uma rede de segurança social de apoio tais como a garantia dos depósitos e programas de obras públicas, enquanto o governo grego, seguindo as ordens do FMI e da UE agravou o impacto do desemprego massivo com o desmantelamento da rede de apoios de segurança social.

Tradicionalmente, quando um país soberano – fosse em resultado de corrupção, desgoverno, má sorte, ou acontecimentos inesperados - se via sem condições para pagar as suas dívidas, os credores desse país reviam as dívidas em baixa até ao nível em que o país endividado podia satisfazer os seus compromissos.

Com a Grécia houve uma mudança de regras. O Banco Central Europeu, presidido por Jean-Claude Trichet, e o Fundo Monetário Internacional decidiram que a Grécia teria de pagar a totalidade da dívida e dos juros dos seus títulos detidos por bancos alemães, holandeses, franceses e italianos.

Como seria isto alcançado?

De duas formas, ambas as quais agravaram grandemente a crise, deixando a Grécia de hoje numa posição muito pior do que aquela em que se encontrava há quase uma década.

No início da “crise,” que teria sido facilmente resolvida pela redução de parte da dívida, a dívida grega representava 129% do PIB grego. Hoje a dívida grega representa 180% do PIB.

Porquê?

A Grécia contraiu mais empréstimos para pagar juros aos seus credores, de modo a que estes não tivessem que perder nem um cêntimo. O empréstimo adicional, designado “resgate” pelos prostituídos media financeiros, não era um resgate da Grécia. Era um resgate dos credores da Grécia.

O regime de Obama encorajou este resgate, porque os bancos norte-americanos, na expectativa de um resgate, tinha vendido fundos sobre a dívida grega (“swaps”) sem cobertura de crédito. Sem um resgate os bancos dos EUA teriam perdido essa aposta e teriam de pagar as garantias em falta sobre Títulos de Dívida gregos.

Para além disso, foi requerido à Grécia que vendesse a estrangeiros os seus activos públicos e dizimasse o sistema de segurança social grego, por exemplo reduzindo as pensões a níveis inferiores ao limiar de subsistência e reduzindo de tal forma os cuidados de saúde que as pessoas morrem antes de poderem obter tratamento.

Para registo, a China comprou os portos de mar gregos, a Alemanha comprou o aeroporto. Diversas entidades europeias e alemãs compraram as empresas municipais de abastecimento de água. Especuladores imobiliários compraram ilhas gregas protegidas para empreendimentos imobiliárias.

Este saque da propriedade pública grega não teve por finalidade a redução da dívida grega. Foi encaminhado, tal como os novos empréstimos, para pagar juros.

A dívida permanece, maior do que nunca. A economia está mais reduzida do que alguma vez esteve, tal como está a população grega sobre quem recai o peso da dívida.

A declaração de que a crise Grega acabou é meramente uma constatação de que já não resta nada para extrair ao povo grego no interesse dos bancos estrangeiros. A Grécia está a afundar-se rapidamente. Todo o seu rendimento associado a portos de mar, aeroportos, serviços municipais, e todo o restante património público que foi privatizado à força pertence agora a estrangeiros que transferem o dinheiro para fora do país, afundando dessa forma ainda mais a economia grega.

Os gregos não viram apenas ser-lhes roubado o futuro económico. Perderam também a sua soberania. A Grécia não é uma nação soberana. É governada pela UE e o FMI. No meu livro The Failure of Laissez Faire Capitalism, publicado em 2013, descrevo claramente como isto foi feito na Parte III, “The End of Sovereignty,” [O Fim da Soberania].

O povo grego foi traído pelo governo Tsipras. Eles tinham a opção de se rebelar e de fazer uso da violência para derrubar o governo que os vendeu aos banqueiros internacionais. Em vez disso, os gregos aceitaram a sua própria destruição e nada fizeram. Essencialmente, a população grega cometeu um suicídio em massa.

A crise financeira mundial de 2008 não está ultrapassada. Foi varrida para debaixo do tapete da criação massiva de moeda pelos bancos centrais dos EUA, UE, Reino Unido e Japão. A criação de dinheiro ultrapassou o crescimento real da produção e fez subir os valores dos activos financeiros para além do que pode ser suportado por “condições no terreno.”

Falta ainda ver como evoluirá esta crise. Poderia resultar na destruição da civilização Ocidental. Irão os cães devorar-se uns aos outros? Depois da Grécia será Itália, Espanha, Portugal, França, Bélgica, Austrália, Canadá, até que não reste nenhum?

A totalidade do Mundo Ocidental vive entre mentiras fomentadas por poderosos grupos de interesses económicos para servir os seus interesses. Não existem meios de comunicação social independentes com excepção dos que difundem online, e esses estão a ser diabolizados e está a ser-lhes recusado o acesso. Povos que vivem num mundo de informação controlada não fazem qualquer ideia do que lhes está a acontecer. Portanto não podem agir de acordo com os seus interesses.

Fonte: https://www.zerohedge.com/news/2018-08-22/paul-craig-roberts-reflects-genocide-greek-nation

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

Leia original aqui

Kalimera, bem-vindos de volta à normalidade?

(Francisco Louçã, in Expresso Diário, 21/08/2018)

LOUCA3

O vídeo de Mário Centeno sobre a Grécia (VER AQUI),  tem várias leituras possíveis, desde o seu conteúdo (que indica o que pensa o autor, admita-se) ao seu impacto (o desejado, mas também o imprevisto). Confesso que, depois de tudo o que foi dito, me interessa mais o impacto e o significado das respostas a Centeno, que definem alguns contornos interessantes da política portuguesa.

No entanto, o conteúdo merece ser escrito em pedra. Houve um processo do qual “todos aprendemos as lições”, começa por dizer o presidente do Eurogrupo, acrescentando que “isso agora é História”. Admita-se que possa haver alguma mensagem cabalística por revelar, pois não foi esclarecido o que seriam as tais saborosas “lições, mas se forem as referências seguintes às “más políticas do passado” na Grécia estamos em puro dijsselbloemês. No mesmo dicionário cabe o paternalismo da “responsabilidade” acrescida que agora incumbe aos gregos (ilustrado sub-repticiamente no vídeo com uma imagem de Tsipras). Mas o mais significativo é que, segundo Centeno, com as medidas de austeridade, “a economia foi reformada e modernizada”, mesmo sabendo-se que “estes benefícios ainda não são sentidos em todos os quadrantes da população”, mas “gradualmente serão”. “Nesse sentido, a Grécia regressou hoje à normalidade. Por isso, bem-vindos de volta”, um sorriso e está cumprida a função, assim tipo moralista, como agora se diz.

Sobre o fracasso da política europeia imposta à Grécia já escrevi a minha opinião aqui há poucas semanas. Notei então que Moscovici, um socialista francês, se tinha excedido no paternalismo bacoco (Ulisses volta à pátria, escrevia o homem) mas que Regling, do mecanismo europeu que vai gerir os dinheiros, se atrevia a mostrar a mão dura que vai garantir a agiotagem. Diga-se, de passagem, que as noções de “responsabilidade” e “controlo” soam mais realisticamente prussianas quando são evocadas pelo chefe dos credores. O facto é que a economia da Grécia foi destroçada, sobrevive com um surto de turismo barato e é um barco de papel lançado ao mar à espera de um milagre que se tornará um pesadelo na primeira oscilação dos mercados. O elogio do “regresso à normalidade” por Centeno é, por isso, uma forma de endossar uma política que o governo português repetiu até à exaustão que achava errada. “A Grécia salvou-se da troika”, festeja um editorialista em socorro de Centeno, e tudo soa a normalização do fracasso da austeridade.

Ora, é precisamente porque a mensagem é também para português ver que ganha tanta importância a forma como os partidos e os comentadores interpretaram Centeno. Creio que há três categorias de respostas essenciais.

A direita aferrou-se ao assunto. Argumento: o ministro é contraditório, apoia na Grécia o que diz rejeitar em Portugal. Tudo certo. Mas este argumento é um berbicacho para o CDS e o PSD. Primeiro, porque o que criticam a Centeno não é o que faz, mas é não dizer o que faz, porque no seu sucesso só estaria a completar o que a direita iniciou, essa austeridade que é o caminho da virtude. Ora, é coisa de meninos atacar um governo por fazer o que o próprio crítico entende estar certo. Na questão grega, outra vez a mesma efervescência: “duas caras”, diz Miguel Morgado, “duas caras”, protesta com originalidade João Almeida. Mas de que cara é que gostam e qual odeiam? A austeridade portuguesa foi ótima, a grega mais exagerada, dizem, mas Centeno é continuador de Vítor Gaspar e por isso é dos nossos, logo detestamo-lo. Que haja alguém nesta santíssima direita que ache que esta conversa move o eleitorado é um sinal fatal de perda de sentido da realidade. Morgado e Almeida, que fizeram o turno do comentário estival, não querem saber e aproveitam todas as oportunidades para lembrar ao milhão de eleitores que lhes fugiram em 2015 que estão contentíssimos com a política que levou Portugal a agravar a recessão. Tudo previsível, portanto.

Na esquerda, alguma surpresa. O PCP fez o comunicado do costume a desconversar, o problema é a União Europeia. E é, mas o problema é também quando não se discute o problema. O Bloco preferiu dizer que a tese implícita de Centeno, o sucesso do programa grego, é “ridícula”. Também poderá ser, se não for trágica. Mais, seria “insultuosa para os gregos e esclarecedora para os portugueses”. Será assim tanto? Em todo o caso, faltou a pedagogia e o debate claro. O discurso de Centeno mereceria outras perguntas: se este é o “regresso à normalidade”, se é assim que a “economia é reformada e modernizada”, então vale mesmo o corte nos salários e pensões? E a privatização dos portos e aeroportos? Porque essas são as questões que importam sempre que há uma crise e, isso sim, serve para Portugal, é uma “lição”.

Finalmente, a resposta mais importante de todas veio do PS, precisamente do seu anterior porta-voz, João Galamba, no mais duro dos comentários. Disse-se que foi voz única, mas o silêncio deve ser medido não tanto por não ter havido outras críticas escritas, mas muito mais por não ter havido nenhum apoio significativo que saísse à liça pelo presidente do Eurogrupo. Ninguém disse uma palavra a favor de Centeno. Silêncio sepulcral. Não sei se por terem os seus camaradas considerado que o vídeo seria um mero “pecadilho” de vaidade, e isso é comércio ligeiro, ou se por embaraço, afinal não foi nada disto que disseram na campanha eleitoral.

Mas há nestes debates uma revelação. Há pelos vistos quem tema o peso determinante da aliança Centeno-Santos Silva no governo, e que sinta que, deste modo, a política vai sendo conduzida por atoardas cínicas de um ministro anónimo nos jornais, mais uma austeridade que se sente irracional (atrasar os concursos de médicos especialistas para poupar uns tostões ou o ministro das Finanças ir ao parlamento responder na comissão de saúde, deixar degradar o material ferroviário, ou atrasar investimentos que vão ficar mais caros depois, por exemplo).

Ao elogiar a troika na Grécia, o ministro, que obviamente se prepara para voos internacionais – e por isso o seu vídeo é uma promoção de carreira – está também a dizer que, afinal, quando a economia aperta a receita tem que ser a de sempre. E é isso mesmo que se deve discutir com clareza até que a experiência e as ideias configurem uma alternativa sólida a essa austeridade, que é a máquina de destruição. Assim, Centeno fez um favor à esquerda portuguesa, apontando-lhe ainda não ter a preparação suficiente para uma economia competente.

Entretanto, o ministro faria bem em notar que Kalimera, a palavra com que inicia a sua alocução, tem um sentido diferente em grego e na sua transliteração em português.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

O autogolo de Ronaldo

Manuel Barbosa | Jornal de Notícias | opinião

Quase parecia que Ronaldo tinha marcado um autogolo. Ou pelo menos foi o que sugeriram alguns dos que estão no lado esquerdo do campo. "Lamentável", atirou o deputado socialista João Galamba. "Ridículo", juntou José Gusmão do BE. Parece uma "máquina de propaganda norte-coreana", concluiu Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças grego.

A esta hora, já o leitor percebeu que não se fala aqui do futebolista. Esse também foi notícia por estes dias, mas por ter partido o nariz a um guarda-redes. É do "Ronaldo do Eurogrupo", e concretamente do vídeo em que parabeniza a Grécia pela sua saída limpa dos programas de resgate europeus, que aqui se fala. Diz o Ronaldo dos outros e ministro nosso que a Grécia "retomou o crescimento económico", que "estão a ser criados novos empregos", que "a economia foi reformada e modernizada" e, cereja no topo do bolo, que há um "superavit orçamental e comercial".

Tirando os eurocratas, poucos partilham, da Esquerda à Direita, da visão do otimista Mário Centeno sobre o efeito da austeridade imposta aos gregos. A agência de notícias Associated Press fez uma cronologia cujo título talvez seja o que melhor sintetiza os últimos oito anos de vida dos gregos: "Desagradável, brutal e longo".

Mário Centeno até acrescenta que os efeitos do resgate ainda não são sentidos por toda a população. O que traz à memória uma outra frase, de um outro defensor da ortodoxia da austeridade, há quatro anos. "Eu sei que a vida das pessoas não está melhor, mas não tenho dúvidas de que a vida do país está muito melhor" foi a frase que fez o título de uma entrevista do JN a Luís Montenegro, então líder parlamentar do PSD. É mais ou menos o que diz agora Centeno aos gregos. Embora seja difícil perceber como pode a vida de um país (seja Portugal ou a Grécia) melhorar sem incluir as pessoas de que é feito.

*Editor-executivo

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/o-autogolo-de-ronaldo.html

Grécia: a ilusão do fim do «resgate»

O anúncio do fim do «resgate» não dá aos gregos razões para comemorar. Foram oito anos de empobrecimento, perda de soberania nacional e ataque aos direitos sociais, que alguns querem perpetuar.

Alexis Tsipras foi o executante das políticas da troika apesar do seu programa eleitoral, que prometia reverter as políticas de austeridadeCréditosOlivier Hoslet / EPA

Na verdade, o anunciado fim do terceiro programa de assistência financeiro não permitirá aos gregos respirar de alívio, considerando o programa de acompanhamento de que a Grécia continua a ser alvo, por parte do FMI e da UE, que lhe limita a soberania e a resposta aos graves problemas económicos e sociais, nomeadamente através de imposições orçamentais.

Os dados do Eurostat aí estão para comprovar o efeito sanguessuga dos chamados «credores». A riqueza criada no país helénico em 2017 foi inferior àquela que se produziu em 2004. OPIB per capita em PPP (paridade de poder de compra), que dois anos antes da entrada da troika (2008) era 16,6 pontos percentuais (pp) inferior à média da União Europeia (UE), passou em 2017 para 37pp abaixo da média.

Lá, como cá, a emigração de quadros qualificados foi uma realidade alicerçada no trabalho cada vez mais precário e no desemprego galopante, que chegou a 27,5% em 2013, sendo apenas de 7,8% em 2008. No período compreendido entre 2008 e 2017, o rendimento médio dos gregos caiu 32%. Em 2015, a exclusão social atingia cerca de quatro milhões de gregos.

180%

A dívida da Grécia aumentou para 180% do PIB e é a maior da zona euro

Os direitos do trabalho não escaparam à chantagem da troika que Alexis Tsipras executou enquanto acenava com a proximidade da «saída limpa», pese embora ter sido eleito com um programa que prometia reverter as políticas de austeridade.

Foram parcelas de dinheiro a troco de menor estabilidade profissional, vínculos laborais precários e rendimentos insuficientes para assegurar condições de vida dignas. Até o direito à greve, enquanto forma de protesto contra as medidas impostas, foi alvo de cerceamento.

Por isso, «não é o regresso à normalidade», como ontem tentou fazer crer o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno. Mais condizente com a realidade é o «bem-vindos de volta», infeliz saudação escolhida pelo nosso ministro das Finanças, uma vez que os constrangimentos que decorrem da «vigilância» realizada pelo FMI e pela UE impossibilitam o desenvolvimento da Grécia num quadro de soberania capaz de responder aos problemas que o país tem pela frente.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Centeno, a Grécia e o jogo das escondidas

 

capitalismo bancos bank chargeA propósito da saída da troica da velha Grécia reacendeu-se na vida política uma discussão enviesada que visa esconder o que esteve na base das intervenções do Banco Central Europeu, FMI e União Europeia.

O que levou ao colapso de algumas economias periféricas foi a crise do sistema financeiro internacional. Para o salvar os Estados resolveram emprestar milhares de milhões de euros para assegurar que os bancos não faliam e assim salvar os congéneres franceses e alemães que iriam ser duramente atingidos com os incumprimentos dos bancos dos países da periferia.

O Estado português já fez chegar à banca mais de dezassete mil milhões de euros.

A crise do setor imobiliário alimentado por uma banca insaciável despoletaram a crise nas economias mais vulneráveis.

Independentemente da leviandade de muitos cidadãos e de certas empresas, no que se refere ao acesso ao crédito oferecido pelos bancos, a verdade é esta: os Estados pediram a intervenção da troica para salvar a banca.

No vídeo com que Mário Centeno brindou os gregos e a União Europeia não há uma palavra que refira sequer ao de leve as causas da crise. Tudo se passa como se os gregos fossem os únicos responsáveis pela crise, independentemente de graves e grosseiras distorções na economia grega da responsabilidade das autoridades gregas.

Na mensagem de Centeno o que se passou na Grécia foi um desvario grego e agora ou andam direitinhos de acordo com a troica ou voltam a ter de enfrentar o pelotão de domesticação dos países sem salvação.

As transferências de riquezas dos gregos para empresas estrangeiras, o desemprego a rondar os vinte e seis por cento, a pobreza extrema de mais de um quarto dos gregos, uma economia que compete a partir de salários baixos, um serviço de saúde em ruínas, eis o resultado da intervenção da troica.

A Grécia está hoje bem mais pobre do que estava. Vai continuar sob vigilância apertada de que Centeno se vangloria.

As economias da Europa central safaram-se afundando a economia dos países periféricos.

Com os chamados programas de assistência financeira os países sob assistência ficaram muito mais pobres e os países que a dirigiram mais ricos. Onde está a coesão da União Europeia? Será possível imaginar uma união em que uns empobrecem e outros enriquecem, devendo os que empobrecem seguir as regras que os levaram ao empobrecimento?

Pode aceitar-se, ou há quem julgue que será aceite, que a pobreza é um mal para os países pobres, mas um bem para quem investe e pode retirar lucros fabulosos? É esta a União?

Centeno é Ministro das Finanças de um governo que governa com o apoio parlamentar das esquerdas não pode ser o mandatário do rigor austeritário das troicas. É um caminho perigoso para o PS. Afinal o senhor holandês que Centeno substituiu continua a reinar…

 

Ver original em ' O Chocalho':

https://ochocalho.com/2018/08/21/centeno-a-grecia-e-o-jogo-das-escondidas/

Mati ou o fim dos paraísos da nossa infância

«Para os quatro milhões de habitantes de Atenas, a bela costa ática sempre foi uma fonte de conforto. Praias sem fim, algumas coroadas por ricas florestas e águas cristalinas. Não admira por isso que tanta gente, quando Atenas sofreu nos anos 50 e 60 um rápido processo de urbanização anárquica, tenha decidido comprar um bocado de terreno perto do mar. Era um oásis para a classe média.
Ao caminhar entre carros e casas destruídas pelo fogo na vila de Mati, à beira mar, com o cheiro perturbador a plástico e madeira queimada a encher-me as narinas, é-me difícil reconhecer os locais que visitei tantas vezes na infância. Uma tia minha tinha uma pequena casa no porto vizinho de Rafina e no início dos anos 80 passei lá uma série de fins de semana com os meus primos, indo dar um mergulho a Mati, o sítio mais bonito ali perto. Era o nosso paraíso de verão, um tempo cheio de gelados, castelos de areia e o aroma de melancias frescas servidas em caixas de plástico. Mais tarde, ia para lá quando não tinha aulas, em saídas com amigos para um dia de praia.
Trinta anos depois, ao descer as mesmas estradas, percebo que quando somos novos passa-nos muita coisa despercebida. O cenário idílico de casinhas nos pinhais implica que o Governo não teve qualquer controlo sobre o desenvolvimento urbanístico na zona. As casas mais pequenas são provavelmente clandestinas. As maiores, com mais de um piso, têm normalmente licença de construção — dada sabe Deus como. Os bares perto ou sobre o mar são completamente ilegais. As pessoas morreram queimadas por não poderem atravessar as ruas estreitas; um carro, abandonado no meio do pânico, foi suficiente para bloquear toda a circulação. As pessoas morreram queimadas pelos mesmos pinheiros de cuja sombra gozavam nos dias quentes de verão. Foram o rastilho para o fogo que destruiu as suas casas. Tudo aconteceu tão depressa que só os primeiros a fugir, ou que conseguiram chegar à praia, sobreviveram. Alguns, como o grupo de 26 pessoas encontradas mortas num campo, não conseguiram passar, por não haver um caminho sem uma casa ou um bar a bloqueá-lo.
À medida que são identificados os cadáveres dos mortos pelo fogo ou por afogamento (alguns tentaram afastar-se a nado das chamas) e as famílias podem por fim chorar os seus, as conversas na Grécia viram-se outra vez para as causas desta tragédia insuportável. A mesma conversa de 2007, quando 77 pessoas foram mortas pelo fogo no Peloponeso. Este foi o segundo desastre natural em Ática, em menos de um ano: 23 pessoas perderam a vida em novembro numa cheia na cidade de Mandra a oeste de Atenas.
Os dois casos estão relacionados? Para o perceber, temos de ter presente o que é chamado ‘realidade grega’. Tem tudo que ver com a forma como Atenas e a região da Ática se desenvolveram nos últimos 50 anos, tornando-se uma velha cidade-estado, abrigando mais de 40% da população do país. Nos anos 50 e 60, a parte metropolitana de Atenas cresceu rapidamente. Engoliu aldeias outrora pacíficas nos seus arredores, que rapidamente se tornaram subúrbios. Rios e ribeiras desapareceram, cobertos de cimento e construções. Florestas foram arrasadas e substituídas por localidades. No final dos anos 60, princípios da década de 70, durante a ditadura, uma construção monstruosa germinou por todo o lado. Se visitarmos uma pitoresca ilha nas Cíclades e virmos um monstro de betão entre casinhas delicadas, foi provavelmente construído nesse período. A junta deixou plantar casas prefabricadas nas matas, mesmo em pequenos terrenos. E novas aldeias cresceram em volta de Atenas, subúrbios da classe média-alta na linha de costa de Ática, para sul e para leste, bairros para os pobres a oeste e na ilha de Salamina.
E então entrou o Estado. Na primeira metade dos anos 80, um ministro do Ambiente visionário, Antonis Tritsis, tentou organizar o que tinha tão obviamente sido construído sem qualquer plano diretor. Milhares de casas clandestinas foram legalizadas, depois de pagarem multa; a ideia era que depois disso não haveria nem mais uma legalização. Era uma espécie de última oportunidade. E durante uma série de anos, o Conselho de Estado, o supremo tribunal administrativo grego, manteve essa ‘linha vermelha’ em todas as decisões.
A construção clandestina parou? Infelizmente, não. Nos anos 90 e na primeira década deste século, a era da abundância na Grécia, a urbanização dos arredores de Atenas continuou, sem licenças nem planos urbanísticos. As autoridades reclamaram sempre contra a falta de pessoal, incapazes de travar a situação. Pelo contrário: governos consecutivos deram pequenos brindes aos seus eleitores — como ligações à rede elétrica ou ao abastecimento de água, mesmo em casas clandestinas. O mesmo fizeram os presidentes de câmara, que construíram estradas e algumas infraestruturas básicas nos bairros clandestinos. E à medida que as pessoas enriqueciam, mudavam-se do centro de Atenas para esses subúrbios que antes só recebiam veraneantes. Por isso o que era temporário tornou-se permanente.
Depois, em 2011, nos primeiros tempos da crise económica, uma nova lei tornou possível de novo a legalização dos edifícios clandestinos, estabelecendo uma nova ‘linha vermelha’. Seguiu-se-lhe uma nova lei em 2013 e outra ainda em 2017. Cerca de um milhão de edifícios foram legalizados num período de sete anos — mais de cem mil no leste de Ática, onde ficam Mati e Nea Makri.
Mas ainda assim, as três leis excluíam duas categorias: estruturas ilegais na floresta e na costa (ao contrário de Portugal, 80% da floresta grega são propriedade do Estado). Agora, sob pressão da troika, o Ministério do Ambiente está a recensear as florestas em todo o país (como forma de combater a corrupção). As autoridades locais, no entanto, podem estabelecer os limites de bairros ilegais dentro das matas, de maneira a ficarem de fora do recenseamento. O ministro tem agora nova lei na calha, estabelecendo alguns critérios para a legalização de uma série desses núcleos habitacionais. Portanto o ciclo de expansão urbanística anárquica vai continuar.
Deixei Mati com um gosto amargo na boca. As alterações climáticas estão a afetar a intensidade dos ventos, da chuva, das vagas de calor. Protegermo-nos vai ser cada vez mais difícil e complicado. As pessoas tendem a apontar o dedo ao Governo. Mas lá no fundo, sentimos que os nossos paraísos de infância podem ter deixado de ser seguros.»
Giorgos Lialios (jornalista grego)
.

Leia original aqui

Grécia | Acerca dos incêndios desastrosos

KKE
O KKE exprime suas condolências às famílias das vítimas dos incêndios na região de Nea Makri e Rafina. Ele apoia as dezenas de feridos e as milhares de pessoas que viram seus bens serem consumidos pelo fogo nos incêndios que atingiram a Ática Leste e a Ática Oeste. O KKE exige do governo que mobilize todas as forças necessárias do mecanismo estatal para apoiar os habitantes destas regiões. O governo deve tomar todas as medidas necessárias para este fim: 1. Registar imediatamente as pessoas desaparecidas e informar de maneira responsável suas famílias e todos aqueles que procuram os seus próximos.
2. Tomar medidas imediatas para apoiar as estruturas sanitárias locais com pessoal e serviços de cuidados para aqueles que necessitam.
3. Tomar medidas imediatas para garantir a segurança de alojamento, limpeza, higiene, vestuário e alimentação das famílias que foram afectadas pelos incêndios.
4. Proceder à reabilitação imediata do abastecimento de água e electricidade nas zonas afectadas.
5. Registar de imediato os danos e proceder à indemnização total das lojas, do equipamento, das mercadorias dos trabalhadores independentes e das pequenas empresas, assim como das propriedades das famílias de trabalhadores e das famílias populares. As dezenas de mortos e feridos acrescentam-se às vítimas das inundações da Ática do Oeste há 8 meses. As destruições incalculáveis nas casas, lojas, empresas artesanais acrescentam-se as inumeráveis consequências devastadoras com que as camadas operárias e populares da Ática são confrontadas desde há numerosos anos após os tremores de terra, as inundações e os incêndios. Os bombeiros evitaram um acidente industrial maior com consequências imprevisíveis, pois as chamas atingiram a cerca de uma grande refinaria. As catástrofes naturais encontram uma Ática sem protecção e as infraestruturas, que devem enfrentar as consequências destas catástrofes, em descalabro total. Apesar dos esforços heróicos dos bombeiros e das pessoas envolvidas na gestão das catástrofes naturais, é previsível que depois de tais fenómenos experimentaremos novas vítimas e novos desastres incalculáveis afectando bens do povo e riquezas naturais. Tudo isso porque não há verdadeira planificação para preveni-las e enfrentá-las. O governo, os actores estatais responsáveis e a região da Ática conhecem em pormenor as penúrias de pessoal, de meios e de infraestruturas necessárias para prevenir e tratar de imediato tais fenómenos. O KKE, aquando de um evento importante em 10 de Maio, havia alertado contra as principais lacunas identificadas no início do período de luta contra os incêndios e havia feito propostas substanciais sobre as questões da prevenção e da protecção da vida humana e do ambiente. Contudo, nenhuma questão de fundo foi resolvida. Os anúncios feitos pelo primeiro-ministro em conferências sobre o desenvolvimento da Ática do Oeste e do Leste revelaram-se palavras vazias. Os trabalhos de protecção contra os incêndios, assim como os projectos de protecção contra as inundações e os tremores de terra não foram executados porque eles representam um custo sem lucro para os capitalistas e para o Estado burguês. As necessidades das famílias operárias e populares tornam-se literalmente um sacrifício em proveito do crescimento dos lucros das empresas. O KKE apela aos seus membros e amigos, assim como aos membros da KNE, a tomar a iniciativa, pela acção junto dos sindicatos e das outras organizações de massa na Ática, de organizar a solidariedade junto às pessoas afectadas pelos incêndios. Organizar a assistência imediata daqueles que estão necessitados reunindo a ajuda material e organizando o trabalho benévolo. Conduzir a luta pela organização exigindo trabalhos e infraestruturas que respondem às suas necessidades.
27/Julho/2018
Ver também:

Ver o original em 'Página Global':

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/07/grecia-acerca-dos-incendios-desastrosos.html

Vitória de Pirro

"Eurogrupo anuncia fim 'com sucesso' do resgate da Grécia", é o título desta notícia. Uma década de recessão, desemprego e pobreza como não há memória, retrocesso civilizacional generalizado, venda a estrangeiros de grande parte da riqueza nacional, emigração em massa de jovens qualificados, humilhação e descredibilização da democracia, desconfiança (alargada a vários países) das instituições europeias. Se a Europa continuar a ter sucessos destes estamos tramados.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

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