FMI

GRANDE «RESET» ANUNCIADO PELO FMI

 Le FMI annonce le Grand Reset
 
                                         https://www.youtube.com/watch?v=H-ZeCCjrUL0
Charles Sannat (Insolentiae.TV), na sua rubrica semanal, esclarece as questões monetárias, assim como a posição - agora oficial - do FMI sobre o que é preciso fazer para «limpar» o sistema monetário (falado em francês).

Comentário de MB: 
Na realidade, o discurso de Natalina Georgieva, actual presidente do FMI, é mais uma peça de propaganda do que um programa. 
É preciso ler, nas entrelinhas, o que significam para o FMI, as «palavras de ordem» de um novo sistema monetário, que permita uma economia mundial mais «verde», mais «inteligente», com maior «equidade». 
Penso que anúncios como este se destinam a preparar o terreno e a fazer pressão sobre os governos, para discutirem as reformas dentro de determinadas linhas. A «demolição controlada» da economia mundial, sob pretexto de Coronavírus, foi a saída encontrada pelos globalistas para um colapso que  estava em marcha, de qualquer maneira. 
O sistema mundial entrou em colapso em 2008, mas foi mantido artificialmente, com uma aparência de vida, durante estes 12 anos que seguiram. 
O o que havia de valioso dentro do sistema foi então esvaziado,  sistematicamente, pelo que ditam as políticas dos Estados e das instituições internacionais: houve uma maciça transferência de riqueza do domínio público para o domínio privado. 
- Os grandes bancos e instituições financeiras despejaram activos arriscados, tóxicos, apostas no casino dos derivados nos bancos centrais. Chamaram a esta operações «quantitive easing» e «estímulo da economia»... Assim, as perdas decorrentes das especulações são assumidas - em última análise - pelos Estados. 
- O «bail out», ou resgate dos bancos falidos - um pouco por todo o lado - fez-se à custa de dinheiro público, subtraído ao erário público, aos orçamentos dos Estados. 
- Nestas últimas duas décadas, a desvalorização do valor das diversas moedas - disfarçada por uma estatística falsificada dos índices de inflação - foi destruindo o valor real dos salários, pensões, etc.... mas, de tal maneira que o público -em geral- não se apercebe e não compreende o mecanismo. 
- No mesmo intervalo de tempo, as grandes fortunas foram aumentando sua riqueza patrimonial. Foram despejando os activos bolsistas e financeiros, transformando-os em não financeiros, evitando assim a erosão da sua riqueza.
- O golpe, em Março de 2020 (o início, numa grande parte do Mundo, dos confinamentos / prisões domiciliárias, falências provocadas das economias) correspondeu ao capítulo final da transferência maciça de riqueza: «o socialismo para os ricos e o capitalismo para a plebe».
Penso que a grande finança dos países ocidentais irá tentar negociar, com a China e a Rússia, um novo compromisso, ou seja, um novo sistema monetário mundial. Um novo «Bretton Woods» será negociado entre as grandes potências, tendo os restantes países como figurantes.  

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

FMI diz que experiência da China no combate à COVID-19 oferece lições valiosas

Egypt's $2.8 billion IMF pandemic financing carries interest rate...

Washington, 21 mai (Xinhua) -- A China foi o primeiro país a tomar ações muito fortes e é o primeiro a sair da crise da COVID-19, por isso há muitas lições valiosas a serem aprendidas com sua experiência, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quinta-feira.

"A China, claramente, tem tomado ações muito fortes para combater a pandemia", destacou o porta-voz da entidade, Gerry Rice, em uma coletiva de imprensa virtual.

"O que eles fizeram amplamente na frente monetária e fiscal, claro, em que muitos outros países tomaram medidas fortes nessas áreas, e a maneira como a China está deixando a economia se ajustar a essas novas e difíceis circunstâncias, o que, novamente, é algo que todos os países precisam fazer", afirmou Rice.

O porta-voz do FMI disse que a China está avançando em algumas áreas, o que pode levar lições para outras. "Por exemplo, em sistemas de pagamento eletrônico, comércio eletrônico, ligando empresas muito pequenas a mercados e consumidores", salientou ele.

"Acho que a experiência da China é muito importante de se olhar, à medida que essa crise global evolui", ressaltou Rice.

Ele também apontou que a China tem um papel importante a desempenhar na ajuda ao mundo e aos países mais carentes, em particular, observando que a China se comprometeu a apoiar a Iniciativa de Alívio da Dívida do Grupo dos Vinte para os países de baixa renda.

O porta-voz do FMI saudou a "contribuição muito generosa" da China e de uma série de outros países para o Fundo Fiduciário de Contenção e Alívio de Catástrofes (CCRT, em inglês), que pode fornecer algum alívio da dívida aos países membros mais pobres do FMI.

Rice exaltou que, sob a CCRT renovada, 27 países receberam até agora alívio imediato em suas obrigações de pagamento ao credor multilateral. "Estamos procurando triplicar esse alívio da dívida ao FMI", prometeu ele.

Na coletiva de imprensa, o porta-voz também observou que o FMI recebeu pedidos de financiamento de emergência de 102 países, dos quais 59 haviam sido aprovados até quarta-feira. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/22/c_139077516.htm

O NEOLIBERALISMO CAVALGA O VÍRUS

 
 
Ficamos avisados: ai dos povos cujos dirigentes resolverem combater o cataclismo económico gerado pelo novo coronavírus recorrendo às bem conhecidas «ajudas» do FMI e das suas extensões troikianas.
 
José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
A directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, pronunciou uma sentença em poucas palavras que vale mais que mil imagens: «A Organização Mundial da Saúde [OMS] existe para proteger a saúde das pessoas; o FMI existe para proteger a saúde da economia mundial.»
 
Ficamos avisados: ai dos povos cujos dirigentes resolverem combater o cataclismo económico gerado pelo novo coronavírus recorrendo às bem conhecidas «ajudas» do FMI e das suas extensões troikianas para consumo interno da União Europeia!
 
Quando o Fundo Monetário Internacional fala em «proteger a saúde da economia mundial» sabemos que isso não passa de uma metáfora, porque a directora-geral de turno, que sucedeu a Christine Lagarde, entretanto transferida para a chefia do Banco Central Europeu, está realmente a pensar na acumulação dos lucros das grandes empresas e na dinâmica especulativa do casino financeiro.
 
É o saber de experiência feito, potenciado pela dimensão da hecatombe porque, para os ogres do capitalismo, os tempos de grandes crises são também os das grandes oportunidades. Era precisamente isso que o banqueiro David Rockefeller queria transmitir quando afirmava que «tudo o que precisamos é da grande crise adequada e as nações aceitarão uma nova ordem mundial».
 
Ora uma «ordem mundial» como a pretendida pela família Rockefeller só pode ser a que garanta a actuação plena do capitalismo selvagem, isto é, o estabelecimento de mecanismos firmes que mantenham o neoliberalismo cada vez mais a salvo das preocupações com as pessoas.
 
Georgieva explicou muito bem que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Da economia trata o FMI; das pessoas que cuide a OMS, seja dos efeitos do coronavírus, da fome – que mata nove milhões anualmente – do ébola, da malária e de outras pragas decorrentes do crescimento da miséria mundial que tem no FMI um dos seus principais causadores.
 
 
A «nova ordem», o «novo normal»
 
Desenganem-se, portanto, os que vêem nestes tempos de peste uma ameaça para o capitalismo. O capitalismo não se suicida, não morre de morte natural nem de uma qualquer virose.
 
Desde 2008 que se vem debatendo com uma crise teimosa que dava sinais de explodir a todo o momento quando entrou em cena o SARS-CoV-2 e mudou radicalmente as regras do jogo. A partir daqui pode diluir-se a bolha de crise na tormenta generalizada com epicentro na saúde pública enquanto se vai talhando um «novo normal» – eventualmente uma «nova ordem» rockefelleriana – do qual sejam extirpados muitos dos obstáculos sociais que ainda tolhem a implantação da plena anarquia económica.
 
Qualquer de nós tem a noção de que se vêm agudizando, há mais de uma década, as contradições entre as necessidades do neoliberalismo económico e o funcionamento das chamadas «democracias liberais»; esta situação gerou até a cunhagem do curioso termo de «iliberalismo», isto é, a crescente inclinação da ditadura económica para a ditadura política sem disfarces.
 
A ordem mundial pré-vírus caracterizava-se cada vez mais pelo antagonismo entre o globalismo neoliberal, assente na democracia formal que emana, essencialmente, das forças que fazem mover o Partido Democrático dos Estados Unidos; e o «iliberalismo» ou «populismo» ou «nacionalismo», um «moderno» fascismo puramente neoliberal do ponto de vista económico que ganhou maior influência desde que as hordas de Trump tomaram conta do Partido Republicano dos Estados Unidos.
 
As «democracias liberais» ainda determinam as políticas oficiais de Bruxelas, mas o peso das correntes «iliberais» – sem rodeios, neofascistas – faz-se sentir sobretudo no Centro e Leste da Europa, com algumas metástases latinas.
 
Não será excessivo recordar que a ditadura política é o terreno preferido da ditadura económica como expressão plena do neoliberalismo. O pujante triunfo do neoliberalismo económico nos anos 80 do século passado arrastou e transfigurou correntes políticas que ainda mantinham referências sociais e acabaram por se converter aos mecanismos ditatoriais do mercado.
 
A geminação ideológica do Partido Trabalhista britânico de Tony Blair com o Partido Conservador de Margaret Thatcher – admiradora de Pinochet – foi a transformação mais emblemática deste processo. E deixou raízes tão profundas que ainda recentemente as correntes manobradas por Blair deram um golpe interno nos trabalhistas para acabar com a gestão de inspiração social-democrata de Jeremy Corbyn.
 
As excepções como regra
 
A pandemia de coronavírus desabou sobre a crise anunciada do neoliberalismo e a agudização do combate fratricida entre as suas correntes «democrática» globalista e neofascista.
 
E mudou muita coisa, a mais essencial das quais será a criação da oportunidade para que o neoliberalismo económico tire proveito da crise desbravando ainda mais o caminho para o autoritarismo político. É o que ressalta de muitas afirmações sobre a extensão das medidas sociais de excepção por tempo indeterminado e as elucubrações a propósito daquilo a que já chamam «o novo normal», acompanhado pelo seu cortejo de restrições sociais e cívicas – com efeitos políticos – e de intrusão na privacidade dos cidadãos.
 
«A vigilância intrusiva será um pequeno preço a pagar pela liberdade básica de estar com outras pessoas», escreveu Gideon Lichfield na edição de 17/20 de Março da Technology Review do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT).
 
«Milhões que fazem brilhar de gula os olhos de credores e especuladores e que não cairão dos céus sem pesadas contrapartidas que, como acontecia nos tempos pré-Covid-19, também no «novo normal» serão sustentadas pelos mesmos de sempre e às ordens de troikas que podem até assumir outras designações para desempenharem as mesmas missões.»
 
Regressando à sentença da directora-geral do FMI não será exagerado prever que o «novo normal» na economia, tendo como objectivo a sua «saúde», irá gerar uma concentração ainda maior de riqueza em cada vez menos empresas e pessoas; o desmoronamento do sector de pequenas e médias empresas que, uma vez falidas, cairão nas bocas insaciáveis dos tubarões; a extinção de mais direitos laborais, o aprofundamento da desregulação do mercado de trabalho e uma vaga de desemprego com dimensões trágicas; novas formas de produção, como o teletrabalho, com menos direitos; cortes salariais e dos custos de trabalho nos países desenvolvidos e o maior empobrecimento ainda dos países em vias de desenvolvimento; a escalada vertiginosa das dívidas soberanas; a imposição de mais privatizações.
 
Nos Estados Unidos e na União Europeia há promessas de milhões e milhões para fazer frente às consequências da crise económica; e o FMI, como vimos, está a postos. Milhões que fazem brilhar de gula os olhos de credores e especuladores e que não cairão dos céus sem pesadas contrapartidas que, como acontecia nos tempos pré-Covid-19, também no «novo normal» serão sustentadas pelos mesmos de sempre e às ordens de troikas que podem até assumir outras designações para desempenharem as mesmas missões.
 
A aliança entre a futurologia e a prática
 
Também nunca será excessivo recordar que a deflagração de uma pandemia está, há muitos anos, nos horizontes dos futuristas neoliberais – o que é válido tanto para os globalistas como para os «iliberais». Não surpreenderá, portanto, que as entidades competentes saibam como proceder quando se trata de cuidar da «saúde da economia», quiçá para fazer dela a «grande crise adequada» de que falava David Rockefeller.
 
No traumático ano de 2008, o Centro de Análises e Perspectivas da CIA publicou um relatório sobre as «tendências globais para 2025» no qual antecipou «a emergência de uma doença respiratória altamente transmissível e para a qual não existirá contramedida adequada e que poderá desencadear uma pandemia mundial».
 
Nove anos depois, na edição de 2017 da Conferência de Segurança de Munique, o inevitável profeta Bill Gates assegurou que «uma pandemia mundial fortemente mortal acontecerá durante as nossas vidas».
 
Entre as profecias e a realidade, entretanto, vão-se detectando misteriosas coincidências. Em 2015, a revista Nature Medicine publicou um trabalho sobre «os esforços bem-sucedidos para projectar um vírus com a proteína de base SHCO14 do coronavírus dos morcegos-ferradura da China para infectar células das vias respiratórias humanas sem necessidade de um hospedeiro intermediário».
 
A manipulação foi efectuada no principal laboratório de guerra biológica nos Estados Unidos, localizado em Forte Detrick, Maryland. O ex-vice-ministro da Defesa da Alemanha, Willy Wimer, revelou nesse mesmo ano que os Estados Unidos chegaram a patentear esta descoberta.
 
Ficaram por explicar, entretanto, muitos dos aspectos e motivações que envolveram o «exercício anti-epidémico» de divulgação «reservada» designado «Crimson Contagion», organizado já em 2019 pelo Departamento norte-americano da Saúde em 12 Estados norte-americanos, como a seu tempo noticiou o New York Times.
 
Em 22 de Março de 2020, o New York Times escreveu o seguinte: «Washington – O surto do vírus respiratório começou na China e rapidamente se espalhou pelo mundo através de passageiros aéreos com febres elevadas. Nos Estados Unidos, foi detectado pela primeira vez em Chicago e 47 dias depois a Organização Mundial da Saúde declarou uma pandemia. Mas então já era tarde demais: 110 milhões de americanos iriam ficar doentes, com 7,7 milhões de hospitalizados e 586 mil mortos. Esse cenário, com o nome de código de "Crimson Contagion" e imaginando uma pandemia de gripe, foi simulado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanitários do governo Trump numa série de exercícios que ocorreram de Janeiro a Agosto» (de 2019).
 
Todos estes factos nos conduzem à certeza de que em termos económicos – a saúde é um caso à parte – o sistema capitalista neoliberal não foi apanhado de surpresa perante as circunstâncias em desenvolvimento, pelo que muitas das medidas que correm mundo não terão sido preparadas sobre o joelho.
 
Até os métodos principais de enfrentamento da pandemia – confinamento com distanciamento social e «imunização colectiva» com «trabalho não pára» – traduzem, grosso modo, as linhas de fractura entre globalismo e «iliberalismo».
 
Um sinal de que, entretanto, os barões neoliberais não foram apanhados desprevenidos é revelado pelo Instituto de Estados Políticos dos Estados Unidos: em 23 dias da fase inicial do surto, as elites ricas dos Estados Unidos extraíram proveitos de 282 mil milhões de dólares – um bom bocado mais do que o PIB anual português.
 
As missões dos cidadãos
 
Não sabemos se esta é a «grande crise adequada» de que falou o banqueiro David Rockfeller. Que é uma crise longa parece não haver dúvidas, basta ouvir a frequência com que nos vão preparando para «a segunda vaga» ou «a terceira» ou mesmo «a quarta».
 
A revista Science acaba de publicar um artigo produzido pela Universidade de Harvard segundo o qual o confinamento social deverá prolongar-se até 2022, por insuficiência de imunização; e a pandemia assumirá a forma de uma gripe pandémica circulando sazonalmente após a grande vaga inicial.
 
Já percebemos, porém, o caminho que as coisas estão a tomar nos domínios do condicionalismo dos comportamentos, dos ataques à privacidade e das restrições às liberdades.
 
Não há alternativa, dizem-nos. Há um preço a pagar – são sempre os mesmos a arcar com os custos mais elevados e não existe nenhuma garantia de que agora seja diferente.
 
Nada impede, porém, os cidadãos de redobrarem a vigilância sobre as crescentes tendências autoritárias, sobre a normalização do excepcionalismo nas suas várias designações técnicas.
 
O capitalismo não será vítima do vírus; pelo contrário, está preparado para tirar proveito dele enquanto as pessoas continuam a morrer. Por outro lado, o neoliberalismo debate-se numa espécie de «guerra civil» entre as suas facções – ainda que ambas convirjam cada vez mais no sentido da imposição do autoritarismo.
 
Existe, neste quadro, um imenso espaço para a acção e a mobilização anticapitalista. É missão reforçada dos cidadãos estarem atentos a cada direito social, cívico e humano que tentem por entre parêntesis, a cada passo contra a privacidade, a cada prolongamento do excepcionalismo primeiro porque tem de ser e depois porque tem sido assim.
 
Há que denunciar cada investida deste tipo, mesmo quando embrulhada nas melhores intenções, cada golpe nos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. O direito à luta não prescreve, a vigilância democrática tem de ser à prova de vírus, o distanciamento social não pode capturar o direito à mobilização cidadã como refém.
 
O neoliberalismo quer tirar partido de um vírus que há muito guardava na cartola? Então há que inverter-lhe o jogo, por muito que as forças sejam desiguais.
 
Exclusivo O Lado Oculto / AbrilAbril

Esquizofrenias actuais do FMI

Foto  tirada da página do jornal Público de hoje
O Jornal Público entrevistou o vice-director do departamento de investigação do FMI, Gian Maria Milesi-Ferretti. A entrevista é bastante sensata e ponderada, própria de quem parece sinceramente preocupado com o que irá acontecer à economia em consequência da eclosão do vírus Covid19.

Mas revela aqueles sintomas de esquizofrenia à la FMI.

Critica-se o excesso de concentração da actividade económica no sector do turismo, mas todas as opções de política económica seguidas desde os anos 90 empurraram Portugal para uma estratégia centrada nos serviços, em prol de uma globalização comandada pelas firmas transnacionais, em que o desarme alfandegário pós-2000, a livre circulação de capitais e a cobertura institucional dos paraísos fiscais foi arquitectada em seu favor e para sapar os alicerces da intervenção dos Estados.

Critica-se o excesso de trabalho temporário, mas todas as ajudas concedidas pelo FMI foram condicionadas a medidas no mercado laboral, em prol de uma flexibilização da mão-de-obra, que facilita e embaratece o desemprego, desarma os dispositivos de protecção do emprego, como forma de reduzir os famosos custos unitários. 

Mostra-se convicto de que o edifício institucional comunitário irá compreender a actual fase.Mas no artigo ao lado, o seu colega do Departamento dos Assuntos Orçamentais do FMI, o nosso famoso ministro pró-troica Vítor Gaspar -que fugiu para o FMI quando, em 2012/13, o desemprego escalou mais do que o esperado, após a aplicação das políticas de austeridade - sublinha todo o lastro orçamental a que os países como Portugal terão de fazer frente depois de tudo. Repare-se na conotação negativa das palavras sublinhadas e no que fazem antever do que se irá passar: resultado muito negativo, contas públicas afectadas, défices a subir, dívida pública a crescer.    

Nada de novo, portanto. É sabido que o FMI é aquela instituição que reúne vários níveis de percepção e de jogo de forças. Parafraseando as palavras felizes do João Cravinho para o documentário A Mão Invisível - uma história do neoliberalismo em Portugal:

Há dois FMI. Essa é uma coisa importante, nessa altura [anos 70] já havia e agora há mais, muito mais acentuadamente. Há o FMI da esquadra de polícia. Ali, de Campo de Ourique ou do Bairro da Boavista. Que são os operacionais. Aqueles que a gente conhece, que estão no terreno. O grupo operacional do FMI. Que é gente muito ortodoxa, gente com políticas fundamentalmente, sempre foram, recessivas, por efeito da austeridade. Políticas que foram causadoras de grande acréscimo de desequilíbrios sociais – cortes de investimento público, mesmo pensões. Isso é o FMI esquadra de polícia. E depois há o FMI departamento de investigação. E às vezes mesmo o FMI economista-chefe. O FMI departamento de investigação, hoje muito mais, mas na altura já com gente a destacar-se, gente que pensa, gente que tem uma noção da realidade da política de austeridade, e que diz: Não, temos de encontrar outras soluções. Simplesmente, de um modo geral,  (...) quando chegam à acção concreta são sempre sempre a favor da esquadra de polícia. A Lagarte é um caso típico disso.

Portanto, aconselha-se a alguma moderação na forma como assimilamos esta simpatiacompreensiva do FMI.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Portugal | FMI: DEPENDÊNCIAS E FRAGILIDADES

 
 
Não precisamos de conselhos sobre dependências vindos de uma instituição que sempre apoiou o plano de desindustrialização desenhado para favorecer as grandes economias europeias.
 
AbrilAbril | editorial
 
O director do departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), Poul Thomsen, disse ontem que a dependência do turismo, dos serviços e as baixas poupanças das pequenas e médias empresas podem ser um problema para Portugal no contexto do surto epidémico de covid-19.
 
«A dependência do turismo, a dependência do sector dos serviços, e pequenas e médias empresas (PME) que têm “almofadas” financeiras limitadas e, por isso, podem ser mais fortemente afectadas no curto prazo», foram os principais factores elencados por Poul Thomsen como potencialmente problemáticos para Portugal, numa teleconferência de imprensa, em resposta a uma pergunta da Lusa.
 
Chega a ser cómico ouvir um porta-voz do FMI falar em fragilidades e dependências, instituição que impõe justamente a subjugação e submissão dos países aos interesses económicos dos monopólios. Ou estarão já esquecidos os anos de intervenção da troika (CEE/BCE/FMI) e do empobrecimento generalizado dos trabalhadores que então foi imposto?
 
Com a adesão à União Europeia, Portugal – o «bom aluno» de Jacques Delors –, tornou-se mais dependente do exterior, as condições de vida e de trabalho agravaram-se, os trabalhadores perderam direitos, uma boa parte do emprego foi destruída, aumentaram as disparidades sociais e as assimetrias regionais, enquanto os serviços públicos foram alvo de um acelerado processo de degradação.
 
Uma análise mais cuidada dos chamados sectores estratégicos da nossa economia mostra-nos que as várias dependências a que o País está amarrado são fruto de opções políticas que nos amputaram a capacidade produtiva com promessas de grande cooperação e solidariedade europeia. Por que haveríamos de produzir, neste jardim à beira mar plantado, se haveria leite francês e comboios alemães com fartura?
 
E eis-nos aqui chegados, a enfrentar um surto epidémico e atentar evitar uma crise económica brutal, com uma terciarização da economia bem visível, em particular de actividades ligadas ao turismo, ao sector imobiliário e financeiro.
 
O caminho para a recuperação é, certamente, outro. Mas sabemos do que não precisamos: não precisamos de conselhos sobre dependências vindos de uma instituição que sempre apoiou o plano de desindustrialização desenhado para favorecer as grandes economias europeias.
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/portugal-fmi-dependencias-e-fragilidades.html

EUA são contra: Irã pede que FMI conceda empréstimo de US$ 5 bi para combater a COVID-19

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, fala em uma coletiva de imprensa perto da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, 2016 (arquivo)
© REUTERS / Lucas Jackson

O presidente do Irã pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que forneça à República Islâmica um empréstimo muito necessário, enquanto os EUA estão se opondo ao pedido iraniano no que Teerã vê como um ato de "terrorismo médico".

O Irã solicitou dinheiro do FMI em meados de março, quando a pandemia de COVID-19 dominava seu sistema nacional de saúde. Teerã não solicitava assistência do FMI desde o início da década de 1960 e disse que precisava urgentemente do dinheiro para combater o coronavírus. A solicitação, no entanto, não foi recebida, uma vez que os EUA se opuseram abertamente a fornecer fundos ao Irã.

"Peço às organizações internacionais que cumpram seus deveres [...] somos membros do FMI [...] Não deve haver discriminação na concessão de empréstimos", afirmou o presidente iraniano Hassan Rouhani em uma reunião de gabinete nesta quarta-feira. Ele acrescentou que a imposição de sanções dos EUA contra o Irã em meio à pandemia foi "terrorismo econômico e médico".

Teerã está buscando US$ 5 bilhões do FMI, mas Washington alega que o dinheiro seria desviado e usado "para ajudar seus grupos de procuradores terroristas no Oriente Médio", como disse à rede britânica BBC nesta semana a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Morgan Ortagus.

Os EUA são o maior acionista do FMI e têm muita influência sobre suas decisões sobre conceder salvamentos a países. Washington usará sua influência para bloquear a solicitação do Irã e também está impedindo que Teerã aproveite os cerca de US$ 5 bilhões em reservas mantidas em sua conta no FMI, informou o jornal The Wall Street Journal.

Agentes de saúde do Irã desinfetam ruas da capital, Teerã, em 20 de março de 2020

© REUTERS / WANA
Agentes de saúde do Irã desinfetam ruas da capital, Teerã, em 20 de março de 2020

O governo Trump tem buscado "pressão máxima" contra o Irã, ameaçando as pessoas que fazem negócios com ele com sanções secundárias. Washington sugere que Teerã deveria receber dinheiro para combater a pandemia, desviando alguns da defesa nacional.

As autoridades iranianas esperam que outros membros do FMI desafiem os EUA, que - apesar de sua influência - não têm poder de veto na organização.

"Na verdade, é uma política do FMI a imparcialidade na avaliação e aprovação de pedidos", declarou o vice-presidente iraniano de Assuntos Econômicos, Mohammad Nahavandian, à apresentadora Christiane Amanpour, da CNN.

"O Irã tem sido um membro fundador do FMI, com um histórico muito bom. E espera-se que este organismo internacional faça o que deve fazer. Esse pedido está agora no devido processo. Muitos países expressaram seu apoio a isso", adicionou.

O ministro iraniano destacou que "estamos todos no mesmo barco" com a ameaça da pandemia, comprometendo a saúde pública do Irã ao negar que um resgate também prejudicaria outras nações.

Alguns atores globais criticaram publicamente os EUA por manterem suas sanções em meio ao surto de coronavírus. Os aliados europeus de Washington, Alemanha, França e Reino Unido usaram o mecanismo de escambo INSTEX para entregar suprimentos médicos ao Irã pela primeira vez no final de março.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020040815431680-eua-sao-contra-ira-pede-que-fmi-conceda-emprestimo-de-us-5-bi-para-combater-a-covid-19/

A criminosa recusa de apoio do FMI à Venezuela para fazer face à COVID-19

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) rejeitou o pedido de empréstimo de 5 mil milhões de dólares, feito pelo governo venezuelano para prevenir e enfrentar a crise de saúde pública causada pela COVID-19.

De forma inaceitável e ilegal, este organismo financeiro internacional sustenta a sua recusa de apoio com a alegada falta de «legitimidade» do governo de Nicolas Maduro, dando assim cobertura à manobra de desestabilização e golpista dos EUA contra o país sul-americano, em clara afronta à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional.

Os recursos solicitados ao FMI contribuiriam para robustecer os sistemas de deteção e resposta à doença COVID-19, que já provocou milhares de mortes em todo o mundo. Este é um momento «crucial», em que medidas «rápidas e enérgicas» devem ser tomadas, acrescentam as autoridades venezuelanas.

Recordando que a Venezuela é afetada, há anos, por ilegais sanções e bloqueio económico e financeiro impostos pelos EUA e seus aliados, a inaceitável e criminosa postura do FMI torna, mais uma vez claro, quer os interesses quer a natureza das organizações internacionais ligadas aos EUA.

Via: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação https://bit.ly/2J8bfmX

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/03/23/a-criminosa-recusa-de-apoio-do-fmi-a-venezuela-para-fazer-face-a-covid-19/

FMI: velhos hábitos que parecem não morrer

O FMI publicou hoje um relatório sobre o cenário económico em Itália. Os relatores começam por expressar solidariedade com a população e as autoridades italianas e apoiar a intervenção do governo, que avançou com um pacote financeiro de 25 mil milhões de euros para ajudar famílias e empresas e responder à crise que o país atravessa.

É por isso que é ainda mais difícil compreender as recomendações que se seguem: "Assim que a crise de saúde passar, os diretores sublinham a necessidade de implementar um pacote abrangente de medidas [...] Este deve incluir reformas estruturais para aumentar a produtividade e o investimento, e um compromisso credível de consolidação orçamental de médio-prazo para colocar a dívida pública numa trajetória descendente."

Traduzindo: o governo italiano tem de compensar os gastos no presente com austeridade e reformas estruturais (leia-se, flexibilização do mercado de trabalho e enfraquecimento da posição do trabalho) no futuro.

O FMI insiste nas medidas de austeridade que agravaram a última crise na Europa, como foi reconhecido por economistas do próprio organismo. Defender que os Estados apertem o cinto depois de conterem o vírus é a garantia de que a crise de saúde pública se transforma numa profunda recessão económica e que serão os mais fracos a pagá-la.

Esperemos que os governos tenham a lucidez que falta ao FMI e rejeitem este caminho.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

FMI se recusa a prestar ajuda à Venezuela para combater propagação do coronavírus

Pessoa usando máscara de proteção em um mercado de Caracas, Venezuela, em meio a quarentena decretada como resposta à propagação da doença do novo coronavírus (COVID-19), 17 de março de 2020
© REUTERS / Manaure Quintero

Nicolás Maduro pediu assistência financeira para fortalecer o sistema de saúde no país em meio à epidemia do novo coronavírus, mas as relações frias com a instituição impediram um acordo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) rejeitou o pedido do presidente venezuelano Nicolás Maduro de US$ 5 bilhões (R$ 25,1 bilhões) do fundo de emergência para enfrentar a pandemia.

Segundo o ministro das Relações Exteriores do país caribenho, Jorge Arreaza, com este empréstimo, o governo estava planejando "fortalecer a capacidade de resposta" do sistema de saúde à propagação da pandemia. Este pedido é "outra ação oportuna para proteger o povo", disse Arreaza.

Atualmente, há 36 casos da COVID-19 confirmados na Venezuela, que está em quarentena total desde terça-feira (17). Nesse mesmo dia, o presidente brasileiro Bolsonaro revelou que fechará a fronteira com a Venezuela.

Relações da Venezuela com o FMI

O governo venezuelano não mantém um bom relacionamento com o FMI, que acusou de tentar impor o modelo capitalista à América Latina. O presidente Nicolás Maduro chegou a afirmar que, enquanto estiver no cargo, a Venezuela não teria mais ligações com o FMI.

No entanto, em maio de 2019, o governo venezuelano apresentou um relatório sobre seu desempenho após três anos de silêncio, e o FMI disse que não tinha sequer sido capaz de avaliar os números devido à falta de contato com as autoridades.

Embora nos últimos meses o Banco Central da Venezuela tenha atualizado os números a cada três meses e aplicado algumas medidas econômicas, o FMI não informou se decidiu levantar a declaração de censura imposta ao país em maio de 2018.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020031815341743-fmi-se-recusa-a-prestar-ajuda-a-venezuela-para-combater-propagacao-do-coronavirus/

Fernández: FMI emprestou para quem não podia pagar e tem muita culpa por pobreza na Argentina

A coalisão Frente de Todos uniu todos os setores do peronismo e da esquerda argentina para derrotar o atual presidente Mauricio Macri nas eleições presidenciais de 2019
© AP Photo / Gustavo Garello

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse que o Fundo Monetário Internacional (FMI) emprestou dinheiro a quem não podia pagar e "tem muita responsabilidade" pelo aumento da pobreza no país.

"O FMI tem muita responsabilidade no que se passou, nem sequer peço uma mea culpa, peço que tenha em conta o que se passou: emprestou dinheiro a alguém que sabia que nunca ia poder devolver", disse o chefe de Estado em entrevista divulgada nesta quinta-feira (2) pela emissora Radio 10. 

Recentemente, a ex-diretora da entidade, Christine Lagarde, que chefiava o Fundo quando foi feito o empréstimo para a Argentina, disse que o programa econômico elaborado em parceria com o governo do então presidente Mauricio Macri teve "efeitos colaterais", como o aumento da "pobreza e da inflação". 

Segundo ela, o FMI fez o melhor que podia "quando os líderes da Argentina vieram a nós porque estavam em uma situação muito difícil". 

Dinheiro para 'ganhar uma eleição'

Fernández, no entanto, não eximiu a direção da entidade de culpa. Para ele, o Fundo emprestou dinheiro ao governo anterior "para que pudesse ganhar uma eleição e pudesse ocultar o verdadeiro problema que havia, o que no tema de gestão econômica é uma vergonha".  

A pobreza na Argentina subiu 6,2 pontos percentuais entre 2015 e 2019, de 34,6% para 40,8%, de acordo com o Observatório da Dívida Social da Universidade Católica. 

A inflação no período, por sua vez, foi de 162,6%, com uma alta de 50% apenas no último ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos. 

Novo pacto social

Para mudar essa situação, o presidente citou na entrevista o pacto de desenvolvimento assinado pelo seu governo, empresários, sindicatos e movimentos sociais em 27 de dezembro, pouco após tomar posse, em 10 de dezembro. 

"É a primeira vez na qual empresários, trabalhadores e Estado se unem para dizer aos credores: acreditamos que a fórmula para pagar não passa por seguir arrochando a economia argentina, primeiro a Argentina deve crescer para depois encarar suas obrigações", afirmou Fernández. 

Em junho de 2018, o governo argentino solicitou um resgate de 50 bilhões de dólares ao FMI, que três meses depois foi ampliado para 56,3 bilhões, em troca de um ajuste nas contas públicas. 

O novo governo busca prorrogar o pagamento dos juros do empréstimo do FMI, que chegou a desembolsar 44 bilhões de dólares.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020010214962957-fernandez-fmi-emprestou-para-quem-nao-podia-pagar-e-tem-muita-culpa-por-pobreza-na-argentina/

FMI concede empréstimo de US$ 5,5 bilhões à Ucrânia

Vladimir Zelensky, presidente da Ucrânia, durante coletiva de imprensa em Kiev
© AP Photo / Efrem Lukatsky

O Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a um acordo com a Ucrânia para um empréstimo de US$ 5,5 bilhões e com o vencimento em três anos. 

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, divulgou o acordo entre o ente financeiro e Kiev neste sábado (7). De acordo com Georgieva, a medida precisa ser aprovada pela direção e pelo Conselho Executivo para entrar em vigor.

"Tive uma ligação muito construtiva com o Presidente Vladimir Zelensky hoje. Durante nossa conversa, elogiei o Presidente pelo impressionante progresso que ele e seu governo fizeram nos últimos meses no avanço das reformas e na continuidade de políticas econômicas sólidas", disse a diretora-geral do FMI em comunicado

Ainda de acordo com o Georgieva, "a eficácia do acordo dependerá da implementação de um conjunto de ações anteriores" e o "o sucesso econômico da Ucrânia depende crucialmente do fortalecimento do Estado de Direito, do aprimoramento da integridade do judiciário e da redução do papel dos interesses pessoais da economia."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019120714866052-fmi-concede-emprestimo-de-us-55-bilhoes-a-ucrania/

O FMI E QUEM O DEU À LUZ

É realmente importante este texto do Boaventura Sousa Santos, porque através dele se compreende e recorda (mesmo para os mais imbecilmente estúpidos, os mais dolorosamente esquecidos, ou os mais asquerosamente reaccionários) o papel fulcral daquela antiga e sinistra agremiação –  já o José Mário Branco nos alertava nos early anos setenta (https://www.youtube.com/watch)v=_Adp77ivpT8.  Façam por ouvi-lo, ouçam-no ou reouçam, na íntegra e no silêncio discreto dos vossos apartamentos.

 

 

 

Agremiação essa a que o nosso actual querido e adorado ministro de Esquerda e das Finanças, estava, esteve mesmo, mesmo, mesmo para aceitar um tacho, se acaso fosse definitivamente proposto.

 

 

 

Como acreditar nestes pêèsses, nestas caricaturas, nestes esboços, nestes esquissos de Esquerda, nestes abjectos políticos a gozar-nos, a aldrabar-nos, a disfarçar, a irreflectir-nos sobre a real realidade e a tempo inteiro?

 

 

 

Era o que faltava.

 

 

 

Carlos Reis

 

Público, 18 de Outubro 2019

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/10/25/carlos-reis-os-artigos-impublicaveis-o-fmi-e-a-prostituta-que-os-deu-a-luz/

Fantasma do FMI volta à América Latina

Há um furacão econômico varrendo a América Latina. Ele se chama receita do Fundo Monetário Internacional, o famigerado FMI. O Brasil conhece bem a sua face sinistra. No começo dos anos 1980 eram comuns nos jornais e telejornais as imagens dos seus “técnicos” desembarcando por aqui com suas maletas que acondicionavam os contratos draconianos de rendição do país aos interesses que eles representavam.


Como lembrou o economista Celso Furtado, o Brasil enfrentava o desastre da política econômica da ditadura militar e vivia sob o domo da chamada “cavalaria” do FMI, representada pelo Tesouro norte-americano, grandes bancos e outras instituições internacionais. Na década de 1990, os “técnicos” e suas maletas voltaram, dessa vez para administrar o desastre do projeto neoliberal.

Agora, com a virada da América Latina à direita — apesar da resistência dos governos do Uruguai, da Bolívia e do México —, a face do FMI se faz presente no Equador e na Argentina, com os conhecidos desastres decorrentes da sua receita. No Equador o governo acaba de decretar estado de exceção, após uma onda de greves e protestos. A revolta se deu em meio a imposições de um acordo com o FMI, como aumento de 123% nos preços dos combustíveis e “reformas” trabalhistas e fiscais.

De acordo com um comunicado do FMI, “o governo também está trabalhando em grandes reformas destinadas a apoiar a dolarização do Equador, como a reforma do Banco Central”. Para cumprir essa receita, o governo do presidente Lenín Moreno vem promovendo uma série de privatizações, além da demissão em massa de funcionários públicos.

No Peru, há uma crise institucional que também tem fundo econômico. O país foi mais um dos que viveram sob a tutela do FMI no período de hegemonia do neoliberalismo na região e sofre as consequências da atuação dos desdobramentos da Operação Lava Jato no país. Os métodos persecutórios chegaram ao extremo de levar o ex-presidente Alan García ao suicídio.

Na Argentina, o mais fiel retrato da receita do FMI são os índices de pobreza e desemprego. O drama chega ao extremo dos saques a supermercados por parte da população desesperada com a subida dos preços e a desvalorização contínua do peso, a moeda local. O jornal Página 12 relatou um caso em que houve um “tiroteio infernal” quando a polícia chegou ao local, tendo como saldo a morte de um adolescente.

Esse cenário sinistro tem a ver com os efeitos da crise econômica global. Eles estão presentes em todos os países que vivem sob o império do capitalismo. É uma crise sistêmica, com suas consequências bem visíveis inclusive no Brasil. E até no Uruguai — um país com boa administração macroeconômica e política. Tanto que, há um mês da eleição, o candidato governista Daniel Martínez, da Frente Ampla, sustenta seu favoritismo, mesmo com a economia em dificuldades.

Numa situação assim, um governo comprometido com os interesses nacionais faz a diferença. Até porque a receita do FMI e seus efeitos são conhecidos desde a Conferência de Bretton Woods, realizada em 1944. Com o advento da financeirização da economia capitalista — que ganhou impulso no final da década de 1970 —, eles foram potencializados e espalham mazelas sociais em âmbito global. Ainda são recentes os dramas vividos na América Latina, na Ásia e na Grécia como resultados dessa receita.

Como diz o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, a política do FMI leva à recessão e à depressão. Um país como o Brasil precisaria analisar esse diagnóstico com muita atenção. Lamentavelmente, com a marcha golpista o país entrou na onda das políticas contracionistas que espalham estagnação e geram crises financeiras. Já se houve que o “efeito Orloff” — usado nos anos 1990, inspirado numa propaganda de vodca que dizia “Eu sou você amanhã”, para comparar o Brasil com a Argentina — está de volta.

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/fantasma-do-fmi-volta-a-america-latina/

FMI "satisfeito" e "impressionado" com reformas em Angola

Em relatório sobre a África subsaariana, Fundo Monetário Internacional prevê ainda crescimento para a Guiné-Bissau e STP, em 2019.
A economia angolana é destaque em vários pontos do mais recente relatório do FMI com as previsões económicas para a África subsariana em 2019, apresentado na sexta-feira (12.04) em conferência de imprensa, em Washington.

O diretor do departamento africano do FMI, Abebe Aemro Selassie, considerou que Angola "tem tido grandes êxitos na resposta aos desequilíbrios orçamentais com que se deparou nos últimos anos", sublinhando que o FMI está "muito impressionado com a dimensão e profundidade das reformas" que estão a ser praticadas pelo país, ao abrigo do PFA.

O responsável pelo departamento africano do FMI explicou que Angola está num ponto de inflexão em ambiente económico, tendo sido muito afetada pelo "choque" da descida de preços do petróleo entre 2014 e 2016.
O crescimento da economia angolana foi negativo em 2018, situando-se em -1,7%, em relação ao ano anterior.


Para 2019, o FMI prevê um crescimento económico de 0,4%, seguido de uma subida para 2,9% em 2020.

A dívida de Angola em 2018 situou-se em 88,1% do Produto Interno Bruto (PIB), que deverá subir para 90,5% em 2019 e descer para 82,8% em 2020, de acordo com o FMI.

Ainda no campo do PFA, negociado com o FMI, uma das coisas a melhorar no futuro será a introdução de programas de proteção social, para ter a certeza que os ajustes são progressivos e evitam efeitos adversos, em particular na situação dos mais desfavorecidos, disse Abebe Aemro Selassie.

No futuro, o FMI quer ver também a implementação de reformas para melhorar a competitividade da economia angolana nos mercados, que serão importantes para aumentar o crescimento.

O FMI recomenda a Angola o reforço do quadro das despesas a médio prazo e mais aplicação de controlos internos para evitar uma má repartição de despesas e facilitar a gestão de atrasos no desenvolvimento.
Crescimento acelerado na Guiné-Bissau

Segundo o mesmo documento, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma subida de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) da Guiné-Bissau em 2019 e 2020, um crescimento mais acelerado depois dos 3,8% registados em 2018.

Há um ano, o FMI previa que o crescimento da Guiné-Bissau em 2018 fosse de 5,5% , o que não se verificou.

O FMI ainda não fez comentários quanto à conclusão da sexta avaliação do Programa Alargado de Crédito no país, que em janeiro foi adiada para depois das eleições legislativas de 10 de março.

No relatório das previsões económicas para a África subsariana para 2019, a Guiné-Bissau é apresentada como um exemplo de melhoria de eficiência económica relacionada com empresas estatais, tendo promovido uma maior transparência das contas com a atribuição da gestão das empresas públicas a entidades privadas.

O FMI prevê um desempenho progressivo na diminuição da dívida pública até 2020: os 56,1% de dívida em 2018 vão, segundo as previsões, transformar-se em 54,9% em 2019 e em 51,8% no ano de 2020.

O FMI aprovou um Programa Alargado de Crédito, num montante de cerca de 21 milhões de euros, em julho de 2015, que foi posteriormente prolongado até julho de 2019.

Com a extensão da intervenção no país, o valor do programa aumentou para o montante de 27,6 milhões de euros.

A Guiné-Bissau está classificado pelo FMI como país "em situação frágil", pobre em recursos naturais e de rendimento baixo.
São Tomé e Príncipe cresce e dívida baixa

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta um crescimento económico de 4% em 2019 em São Tomé e Príncipe, segundo o mesmo relatório.

Em 2018, o crescimento da economia de São Tomé e Príncipe foi de 3%, enquanto que as previsões para 2020 indicam um crescimento de 4,5%.

A dívida de São Tomé e Príncipe, que se situou nos 81,3% do PIB em 2018, irá descer, segundo as previsões do FMI, para 74,1% este ano.

Em 2020, o FMI prevê que São Tomé e Príncipe apresente uma dívida de 67,3%.

Uma missão técnica do FMI visitou o país em final de março e inícios de abril, para discutir um novo programa de assistência financeira de três anos, conhecido como Facilidade de Crédito Alargado (ECF, na sigla em inglês).

Depois da visita, o FMI apelou à introdução de reformas estruturais alargadas nos setores da energia e turismo.

O Governo são-tomense assumiu o compromisso de reduzir a discrepância entre receitas e despesas públicas, que em 2018 resultaram numa balança orçamental de -2,1%.

 As previsões do relatório do FMI indicam uma balança orçamental de -1,9% este ano e de -1,8% em 2020, que demonstram despesas públicas maiores do que receitas.

São Tomé e Príncipe foi um caso de sucesso na balança orçamental entre 2010 e 2015, com as receitas a significarem mais 31,5% sobre as despesas, o maior valor de balança orçamental na África subsariana nesse período.

 O arquipélago de São Tomé terminou no final do ano passado um programa de financiamento no valor de 6,2 milhões de dólares (5,5 milhões de euros), que durava desde 2015. 

O FMI coloca o país na classificação de "situação de fragilidade", pobre em recursos naturais e de rendimento médio.
Agência Lusa, cvt | EM Deutsche Welle

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/fmi-satisfeito-e-impressionado-com.html

Segurança e repressão para o ajustamento com o FMI

O governo de Macri fez regressar o FMI à Argentina, confirmando com esse aval a sua política de retrocesso social e de empobrecimento das camadas populares. Política que não pode instalar-se sem um acréscimo da repressão. O descontentamento popular vem mobilizando impressionantes manifestações de massas. Não têm ainda a força e a unidade de objectivos capaz de derrotar a ofensiva. Mas são a condição necessária para que tal seja conseguido.

Foi impressionante o dispositivo repressivo de segurança para isolar da mobilização popular o conclave em Buenos Aires dos responsáveis económicos e financeiros do G20.

Com efeito, para que pudessem reunir-se este fim-de-semana os ministros da economia e os presidentes dos bancos centrais do G20 mais os organismos internacionais, especialmente o FMI, tiveram que cercar vários quarteirões à volta do Centro de Convenções da Cidade.

Sábado pela manhã, em Conferencia de Imprensa conjunta entre Christine Lagarde e Nicolás Dujovne, a primeira tinha assinalado que o FMI dialogava regularmente com a sociedade civil. Tinham-lhe perguntado se o organismo internacional aceitaria conversações com sindicatos e organizações sociais.

Fica claro que se trata de um diálogo de surdos, típico de amos ou patrões, que apenas proferem discursos unicamente destinados a ser convalidados pelos súbditos ou parceiros afins. Não aceitam outra linguajem senão a que promove a submissão ideológica ou o temor das armas e da repressão.

“Vamos bem” disseram os titulares do Fundo e da Política económica da Argentina. Dito em simultâneo com uma inflação de 3,7% em Junho e de 16% entre Janeiro e Junho, projectando uns 32% para todo o ano.

¿A quem vai bem esta subida da média dos preços? Aos poucos em condições de estabelecer preços, caso dos grandes produtores e exportadores ou dos sectores da alta especulação com taxas de juro entre 40 e 60% nos seus investimentos milionários.

Ilusões macristas

Mas fiquemos tranquilos porque Macri previu que no próximo ano de 2019 a inflação será 10 pontos mais baixa, quer dizer, quase a mesma que a elevada taxa de inflação de 2017.

Em rigor, outra ilusão que se vende à população, como aquela que previa o crescimento no segundo semestre de 2016, e que depois passou para o próximo ano, 2017.

Trata-se sempre de um imaginário futuro, enquanto passa o ajustamento regressivo. O projecto de Cambiemos assenta no discurso vazio (para a maioria da sociedade) de um futuro melhor por vir.

A ilusão do crescimento do PIB, da chegada dos investimentos, ou da baixa dos preços é apresentada enquanto a realidade transita por outro caminho. Estabelece-se, por exemplo, um tecto aos salários nas negociações paritárias e deterioram-se os rendimentos populares da maioria da sociedade.

Não só há menos recursos para a maioria da população, como também se afecta a actividade económica, com um crescimento previsto de 0,4% para o ano e prognósticos de baixa do PIB à volta de -1,5% para todo 2018.

É a base com a qual se organiza o orçamento do ajustamento para 2019 no qual pretendem espartilhar as províncias.

Com estas perspectivas de crescimento baixam-se as expectativas para resolver o problema do emprego de milhões de despedidos e da jovem geração que pretende ingressar no seu primeiro emprego.

Inflação e recessão são o resultado da política económica do governo, convalidada no acordo com o FMI.

O organismo insiste que o Plano é do Governo Macri e que o Fundo avaliza e financia. São parceiros no ajustamento social, condição da possibilidade de viabilizar a rentabilidade futura dos investimentos.

A inflação e a recessão não são ilusões. São a realidade de uma política que apenas tem perspectiva se se confirmar uma distribuição regressiva do rendimento e da riqueza.
Em outros momentos do desenvolvimento capitalista, entre 1930 e 1980, o processo de acumulação foi obrigado pela correlação de forças no mundo a satisfazer, ainda que desigualmente, a reivindicação salarial e o lucro.

Mas nas condições actuais do desenvolvimento capitalista, a acumulação apenas atende o objectivo do lucro. Por isso, as classes dominantes arremetem com força contra os direitos sociais, laborais e sindicais.

É a luta de classes em tempos contemporâneos, que o processo de mudança política na região latino-americana e caribenha no início do século alertou, e em consequência do qual actualizou os mecanismos de uma ofensiva favorável à rentabilidade do capital.

Fortalecer o poder de reivindicação social

A ofensiva do capital instalou-se com força desde começos dos anos setenta e generalizou-se como “neoliberalismo”, para além da polémica que o termo em si mesmo gera, já que a política hegemónica neste tempo não é nova nem liberal.

Para contrariar essa ofensiva e a consequente iniciativa política requer-se restabelecer a capacidade de reivindicação social por direitos, à alimentação, à educação e à saúde, à energia e à democracia participativa e comunitária, à paridade de género e à diversidade sexual; ao direito à vida e por consequência à despenalização do aborto, entre muitos direitos a reivindicar.

As mobilizações contra o FMI encheram as ruas do país na sexta-feira e no sábado, e acumulam na grande batalha de denuncia das políticas que emanam dos governos do G20 e dos organismos internacionais, que se reunirão em Buenos Aires em conclave de presidentes nos próximos dias 30/11 e 1/12.

Constitui um desafio articular o fragmentado protesto que o descontentamento social anima. Caso contrario, a ilusão macrista poderá continuar a disputar o consenso eleitoral para além do presente período de gestão de governo.

A mobilização popular é a condição necessária, ainda não suficiente, para gerar um horizonte alternativo à política repressiva, de ajustamento e reestruturação regressiva do Governo Macri que o FMI avalisa e financia.

Buenos Aires, 21 de Julho de 2018

Leia original aqui

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