Felicidade

Uma fraude chamada Felicidade

Com o individualismo, floresceu a happycracia, que transforma a autosatisfação num dever, a ser alcançado apesar das misérias mundanas. Que tal propor, como alternativa, o conflito transformador — sentido essencial da política?
José Durán Rodríguez, em El Salto | Outras Palavras | Tradução: Ricardo Cavalcanti-Schiel | Imagem: Joan Cornellà
No inverno de 2013, a multinacional de refrigerantes Coca-Cola anunciou na Espanha o lançamento de uma página web com mais de 400 estudos sobre felicidade e saúde, que se pretendia como referência no campo das pesquisas sobre bem-estar. O fez por meio do Instituto Coca-Cola da Felicidade, constituído no âmbito da divisão espanhola da companhia, que em 2010 e 2012 já tinha organizado em Madri duas edições de um evento denominado Congresso Internacional da Felicidade.

Entre o artifício publicitário e a produção de uma imagem amigável para a marca, sob o álibi filantrópico de responder ao crescente interesse sobre o tema, a Coca-Cola se juntou a uma agenda global que propõe ser feliz como resposta para todos os males.

Margarita Álvarez é uma das 50 mulheres mais poderosas da Espanha, segundo a revista Forbes, e também foi incluída na lista das 100 mulheres mais influentes do país em 2016, na categoria das executivas, elaborada pelo portal Mujeres&Cia [Nota do Tradutor: algo como a versão espanhola exclusivamente feminina da revista Você S.A.]. Álvarez criou e presidiu o Instituto Coca-Cola da Felicidade entre janeiro de 2008 e março de 2011. Ela acaba de publicar Desconstruindo a felicidade, um livro cujo propósito, conforme se lê na nota de imprensa divulgada pela editora Alienta [N. do T.: em português, “Encoraja”], é “ajudar a você a averiguar se a felicidade realmente existe e, se existe, determinar onde pode encontrá-la”.


A nota acrescenta que nas suas páginas não há “regras nem pautas, só conhecimento. Porque saber e possuir informação sobre algo tão relevante, ajudará a você a entender como funciona o cérebro, como pode utilizar os seus pensamentos e como pode identificar e aceitar todas as suas emoções, para enfrentar melhor as circunstâncias da vida”.

Parece pouco provável que a ideia de ser feliz com que lida Álvarez tenha alguma relação com a que possam ter, por exemplo, as mais de 800 pessoas demitidas da fábrica da Coca-Cola de Fuenlabrada (Madri) desde 2014. A dela se trata, antes, de mais uma das vozes dos privilegiados que durante os últimos 30 anos participaram da construção e propagação de uma noção de felicidade que repousa sobre o ímpeto, a vontade e a superação individual como ferramentas para alcançá-la. Livros de autoajuda, oficinas de pensamento positivo e palestras motivacionais difundiram a miragem de que ser feliz está ao seu alcance e que não é preciso mais que desejá-lo.

Nesses tempos da mais grave crise econômica mundial desde o crack de 1929, discursos como esse encontraram um público desesperadamente receptivo, ao qual que se oferece bem-estar simplesmente olhando para dentro de si, sem ter que se relacionar com absolutamente mais ninguém. Claro, não é exatamente assim: essa felicidade prometida passa necessariamente por poder pagar, porque o que há detrás dela tem muito pouco de altruísta.

“Toma-se como ponto de partida que se trata de uma escolha pessoal e que, para ser feliz, basta que uma pessoa decida ser e se dedique a isso por meio de uma série de guias, conselhos, técnicas, exercícios, que esses pretensos especialistas dos mais diversos campos propõem: cientistas, psicólogos, coaches, escritores de autoajuda e uma enorme quantidade de profissionais que voejam no mercado da felicidade”, explica Edgar Cabanas. Esse doutor em Psicologia e pesquisador da Universidade Camilo José Cela, de Madrid, é o autor, junto com Eva Illouz, de Happycracia (Ed. Paidós, 2019), um ensaio que passa o bisturi nos argumentos manuseados pela “ciência da felicidade”; argumentos que ignoram questões sociais, morais, culturais, econômicas, históricas ou políticas, para apresentar teses em aparência objetivas.

“Enquanto a predisposição dessa ideia de felicidade é a de produzir seres completos, realizados, satisfeitos, o que acaba ficando é uma permanente insatisfação: a felicidade é concebida como uma meta que nunca se alcança, que nunca chega a se materializar. É sempre um processo constante, que faz a pessoa embarcar em uma busca obsessiva de maneiras de melhorar a si mesma, seu estado emocional, a administração de si no trabalho, na educação, na intimidade”, sustenta Cabanas.

Nesse sentido, a pesquisadora Sara Ahmed, que publicou há uma década The Promise of Happiness [A promessa de felicidade] (Duke University Press, 2010), traduzido para o espanhol este ano pela editora argentina Caja Negra, assinalava em março, em uma entrevista para El Salto que “a felicidade, como promessa de viver de um determinado modo, é uma técnica para dirigir as pessoas”.

Tornando as coisas ainda mais precisas, Fefa Vila Núñez, professora de Sociologia do Gênero na Universidade Complutense de Madrid, nota que essa concepção “nos impele, nos ordena e dirige em direção ao consumo, vinculado este a uma ideia de vida sem fim, forjada sobre um hedonismo sem limites, onde melancolia e tecnofilia [N. do T.: a obsessão pela tecnologia] se unem num abraço íntimo, para conformar a noção de ganho, de êxito, de imortalidade, de um prazer infinito para aquele que não se desvie do caminho traçado”.

A pesquisadora encontra a origem desse discurso num “maquinário de felicidade” ativado depois da I Guerra Mundial e relacionado a um “capitalismo de consumo” que foi modelando a noção de felicidade até nossos dias.

A equação da felicidade

O livro de Margarita Álvarez conta com duas assinaturas convidadas muito significativas. O prólogo é de Marcos de Quinto, ex-vice-presidente da Coca-Cola Espanha e número dois, por Madri, do [partido de direita] Ciudadanos nas próximas eleições gerais. Já o posfácio fica a cargo de Chris Gardner, cuja história costuma ser usada como exemplo pela assim chamada “psicologia positiva”. Como exceção tendenciosamente convertida em regra, a biografia de Gardner vai da pobreza ao êxito empresarial, tendo sido retratada no filme Em busca da felicidade, de 2006, protagonizado por Will Smith. Gardner é hoje um multimilionário que se dedica à filantropia e a dar conferências sobre como a felicidade depende da vontade individual. “Se você quiser, pode ser feliz” é sua mensagem.

Um nome chave no desenvolvimento da “ciência da felicidade” é o de Martin E. P. Seligman [N. do T.: ironicamente homônimo (talvez até de forma deliberada) do personagem de Lars von Trier no filme “Ninfomaníaca”, de 2013]. Eleito, em 1998, presidente da Associação Norte-Americana de Psicologia (APA, em sua sigla em inglês), pode ser considerado como um dos fundadores da “psicologia positiva”, uma vez que participou de seu manifesto introdutório, publicado no ano 2000. Seligman propõe um novo enfoque sobre a saúde mental, distanciado da psicologia clínica e enfocado na promoção do que ele considera “positivo”, a vida boa, para encontrar as chaves do crescimento pessoal.

No seu escritório na APA, Seligman rapidamente começou a receber polpudas doações e cheques de vários zeros, procedentes de lobbies conservadores e instituições religiosas interessadas em promover a noção de felicidade que essa nova corrente da psicologia promulga. A difusão, pelos meios de comunicação e outros canais, de algumas de suas publicações gerou a impressão de que existiria uma disciplina científica capaz de aportar chaves inéditas para alcançar o bem-estar. A repercussão dessas teorias foi mundial. No entanto, seus objetivos, resultados e métodos foram criticados pela falta de consenso, definição e rigor científico.

“Mais que enganosas, eu diria que podem ser perigosas em termos sociais e políticos, além de decepcionantes em termos pessoais”, considera Cabanas, que indica o mercado, as empresas e a escola como agentes principais na elaboração e divulgação de certas noções que se articulam diretamente com valores culturais arraigados no pensamento liberal norte-americano.

Seligman [N. do T.: de fato, inacreditavelmente homônimo do personagem cheio de teorias e equações do filme citado de Lars von Trier; personagem que, ao final, cede a seus próprios impulsos predatórios] chegou a formular uma equação que explicaria a proporção de fatores que dão como resultado a felicidade. Ela seria a soma de uma grandeza pré-definida (a herança genética) com variáveis da ação voluntária e de circunstâncias pessoais. Sua fórmula outorga ao primeiro fator o peso de 50%, ao fator volitivo o peso de 40%, e tão apenas 10% a todo o resto que diz respeito a coisas como nível de renda, educação ou classe social. Seguindo essa receita, a psicologia positiva tem sido categórica ao considerar que o dinheiro não influi substancialmente na felicidade humana, por exemplo.

Em The Promise of Happiness [A promessa de felicidade], Ahmed resumiu a tautologia que sustenta o campo da psicologia positiva. Toda ela “se baseia nesta premissa: se dizemos ‘sou feliz’ ou fazemos outras declarações positivas sobre nós mesmos ― se praticamos o otimismo ao ponto de vermos que o lado amável das coisas possa se converter em rotina ―, seremos felizes”.

Da página web apresentada pela Coca-Cola como o grande arquivo sobre a felicidade, não restou absolutamente nada cinco anos depois.

Felicidade Interna Bruta

Desde 2013, 20 de março é celebrado como o Dia Internacional da Felicidade. Em sua resolução 66/281 de 2012, a Assembleia Geral da ONU determinou essa data para reconhecer a relevância da felicidade e do bem-estar como aspirações universais dos seres humanos, e a importância de sua inclusão nas políticas de governo. Trata-se de uma medida controversa, pela dificuldade de encontrar indicadores objetivos que quantifiquem o grau de felicidade, além das repercussões derivadas de sua conversão em norteadora de ações de governo, em prioridade a outras metas como a redução das desigualdades, a luta contra a corrupção e o desemprego. Em outras palavras, o risco de que a administração da coisa pública preste mais atenção a um guru da mindfulness [N. do T.: “atenção plena”] que aos sindicatos é real.

“As formas de fazer política baseadas na felicidade ― opina Cabanas ― implicam exaltar as questões individuais e desfigurar as sociais, objetivas e estruturais. Deposita-se toda ênfase em que o mais importante é a forma como os indivíduos se sentem, como se a política se reduzisse a fazer se sentir bem ou mal, e não tivesse nada a ver com um debate moral ou ideológico”.

Depois de aprovar alguns dos cortes orçamentários mais significativos da história do país, especialmente sobre gastos sociais, em fins de novembro de 2010 o primeiro ministro britânico David Cameron propôs a realização de uma pesquisa para medir a felicidade dos cidadãos, no intento de difundir junto à opinião pública a ideia de que o bem-estar se encontra em outras variáveis diferentes do Produto Interno Bruto. Essa parece ser uma iniciativa recorrente em vários países, e que pode ser entendida como uma cortina de fumaça para distrair a atenção.

Em 2016, o primeiro ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeque Mohamed ben Rashid Al Maktoum, anunciou a criação do Ministério da Felicidade, para produzir no país “gentileza social e satisfação como valores fundamentais”. Do mesmo modo, dispôs essa novidade no âmbito de una série de reformas, entre as quais se destacava a permissão ao setor privado de se encarregar da maioria dos serviços públicos.
No seu relatório de 2017/2018 sobre Direitos Humanos, a Anistia Internacional concluía que os Emirados Árabes Unidos restringem arbitrariamente o direito à liberdade de expressão e de associação, que continuavam presas dezenas de pessoas condenadas em processos viciados, muitas encarceradas por suas ideias políticas, e que as autoridades emiratis mantinham os detidos sob condições que podiam ser configuradas como tortura. Também assinalava que os sindicatos continuavam proibidos e que os trabalhadores imigrantes que participassem de greves podiam ser expulsos, sob proibição de regressar ao país durante um ano.

Os Emirados Árabes Unidos ocupam a posição 21 de um total de 156 países, na edição de 2019 do Relatório Anual sobre Felicidade Mundial, que as Nações Unidas publicaram no tal dia 20 de março. Trata-se da sétima edição de um estudo que, neste ano, conforme seus autores, colocaria o foco na relação entre felicidade e comunidade e em como a tecnologia da informação, os governos e as normas sociais influem nas comunidades. Finlândia, Dinamarca e Noruega se situam no pódio desse ranking tão peculiar, enquanto Israel e Estados Unidos ― dois países com enormes taxas de desigualdade e pobreza; o primeiro, aliás, sustentado sobre a discriminação da população palestina ― alcançam os postos 13 e 19 respectivamente.

A felicidade na Espanha a teria elevado, em um ano, do 36º ao 30º lugar nessa lista cuja confecção levaria em conta variáveis como expectativa de vida saudável, assistência social, liberdade para a tomada de decisões, generosidade e percepção da corrupção [N. do T.: Há uma ironia sutil no texto, que pode passar desapercebida por aqueles menos familiarizados com a situação política espanhola: são exatamente essas “variáveis” que vêm sendo objeto de considerável inquietação pública no país].

Sobre os meandros onde se entrecruzam política e felicidade conhece muito bem a filósofa Victoria Camps, senadora pelo Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC) entre 1993 e 1996 e ganhadora do Prêmio Nacional de Ensaio de 2012 com o livro El gobierno de las emociones(Editorial Herder, 2011). Na sua opinião, a busca da felicidade é “um direito, expresso de diferentes formas: o direito à igualdade, a ter uma certa proteção por parte dos poderes públicos, para que todos, e não apenas uns poucos, tenham a liberdade necessária para escolher uma certa forma de vida”. Por isso, considera que a política não deve garantir a felicidade, mas que “possamos buscar a felicidade”. Ela entende que o modelo de Estado do bem-estar “ia nessa direção, de proteger socialmente os mais desprotegidos, redistribuir a riqueza e igualar as condições de felicidade”. Para essa filósofa, o Estado do bem-estar social está em crise, mas acredita que “era um bom modelo e que deveria ser estimulado, buscando adaptá-lo à novas necessidades, corrigindo aquilo que não funciona mais”.

Camps conversa com El Salto sobre seu recente ensaio, intitulado precisamente La búsqueda de la felicidad (Arpa Editores, 2019). Como filósofa, zela pela distância entre a sua disciplina e o palavrório da autoajuda: “Creio que estão nos antípodas uma coisa da outra. A filosofia não dá receitas, mas propõe questões e obriga a aprofundar, a pensar, a encontrar soluções”. Também lembra algo que o paradigma da psicologia positiva tende a esquecer: “As condições materiais afetam bastante. Aristóteles que o diga: a felicidade não está na riqueza, na honra, no êxito, mas isso tudo é necessário para ser virtuoso. Ou como dizia Bertolt Brecht: primeiro é preciso comer, e depois falar de moral”.

Por fim, reflete sobre alguns aspectos nocivos resultantes dessa promoção da felicidade como objetivo impositivo: “O que ela busca é que as pessoas estejam contentes e não incomodem muito. Em todos os domínios ― na política, na empresa, na educação ― isso é buscado por vias muito similares às da autoajuda, de forma muito simples, que não tem nada a ver com a felicidade. Na política, todas as medidas antipopulares, difíceis de explicar mesmo que sejam boas para as pessoas, são difíceis de propor porque amedrontam os políticos, que preferem que as pessoas estejam contentes com medidas muito mais simples”.

Rumo à felicidade… através da greve

Em uma entrevista publicada na página web de El Salto em junho de 2018, o músico asturiano Nacho Vegas falava de reivindicar a infelicidade, já que, na sua opinião, “há momentos em que parece que vivemos nisso que Alberto Santamaría chama de capitalismo afetivo, no qual algumas empresas medem quanto custa para elas a infelicidade dos seus trabalhadores, e se esforçam, com essas ondas motivacionais e de coaching, não a criar felicidade, porque o capitalismo não pode fazer isso, mas em mudar a resposta das pessoas diante da infelicidade”.

Alberto Santamaría é professor de Teoria da Arte na Universidade de Salamanca. No ano passado publicou En los límites de lo posible [Nos limites do possível] (Ed. Akal), uma tentativa de rastrear a forma como a criatividade, as emoções ou a imaginação possam conformar um mapa afetivo propício para a prosperidade econômica. “As empresas estão se dando conta de que a infelicidade, a depressão, são problemas gravíssimos. Pois bem, o que buscam não é uma solução direta. Sua estratégia se baseia em ampliar a dinâmica de duplo reforçamento entre relação mercantil e desejos. Assim, a narrativa empresarial quer nos vender a noção de que o único lugar onde realmente seremos felizes é aquele do trabalho”, comentou a El Salto.

Para Isabel Benítez, socióloga e jornalista especializada em trabalho e conflitos laborais, a resposta que as empresas oferecem diante da infelicidade dos seus quadros de funcionários é um “mecanismo sofisticado de domesticação, que busca implementar tanto a produtividade direta, ao tentar melhorar a satisfação, lançando mão dos recursos emocionais íntimos das pessoas, como também a produtividade indireta: de reduzir o conflito trabalhista, que é a articulação coletiva do mal-estar comum”. Na sua opinião, é “imensamente difícil” que no trabalho assalariado se encontre uma possibilidade de realização pessoal-profissional, ainda que observe que “no nível individual há, sim, quem o consiga, apesar da instabilidade, da arbitrariedade, da falta de perspectiva, da ausência de controle sobre o quê, o como e o ‘para quê’ do seu trabalho”.

Benítez escreveu, junto com Homera Rosetti, La huelga de Panrico [A greve de Panrico] (Ed. Atrapasueños, 2018), um livro sobre a experiência da greve indefinida que o efetivo de funcionários da única fábrica na Catalunha da antiga panificadora Panrico manteve entre outubro de 2013 e junho de 2014 [N. do T.: A firma buscava reduzir salários e demitir quase 2.000 funcionários, na tentativa de se ajustar aos problemas econômicos, que acabaram sendo superados sem essas medidas, possibilitando a venda da empresa, em condições superavitárias, dois anos depois, para um grupo mexicano]. Ela acredita que os momentos de organização, de ganho de posições e de conquista de mudanças no campo laboral são, estes sim, fonte de satisfação e crescimento para os trabalhadores, apesar de todos os obstáculos.

Por isso, considera que a greve não deixa ninguém na indiferença: “É una alteração da normalidade em que se incrementa a sociabilidade entre trabalhadores, se põe à prova a capacidade de análise e de organização coletiva, e se descobrem habilidades ‘ocultas’: criatividade em todos os níveis para pensar ― onde, quando, como pressionar a empresa, para poder dirigir-se aos demais colegas de trabalho, para ativar solidariedades externas a ele –, para fazer — construir piquetes, acampamentos –, para negociar, para planejar. As greves, os processos de luta coletiva, modificam as pessoas que participam. São momentos de muita tensão e emoção, em todos os sentidos”.

♫ Eu não quero ser feliz… andar tranquilamente na favela em que eu nasci… eh! ♫

“Mas para mim tem um gosto tão ruim!…”, diz a letra de uma canção do grupo de rock espanhol Los Enemigos, que reconhece o incômodo próprio diante de alguém que consegue sorrir quando a ocasião exige, alguém que distingue os meios dos fins e sabe até onde pode ir, diante de alguém, em suma, que é tão feliz e que se entrosa bem. A canção, incluída no disco “La vida mata” (1990), pode ser lida como uma antecipação ao agastamento diante da impossibilidade de alcançar essa meta da felicidade sugerida como ideal a partir de tantas frentes. Mas também, em certa medida, como uma reação.

Quase trinta anos depois da sua gravação, Edgar Cabanas observa que está se gerando na Espanha uma certa consciência crítica. “O outro discurso ganha porque é mais simplista, facilmente traduzível em manchetes, incorporável em políticas empresariais, comercializável, mas também cresce um terreno fértil, um meio de cultura crítico para se contrapor a ele”, nota o coautor de Happycracia.

A professora Vila Núñez defende que “enquanto houver resistência, não há triunfo”, mesmo que não tenha dúvidas de que estamos em uma nova fase do avanço do capitalismo, “um estágio sofisticado, definido pelo assalto ao desejo, à própria subjetividade. Um inferno à medida do nosso desejo, nos lembraria hoje, se estivesse entre nós, Jesús Ibáñez. Já não somos apenas corpos disciplinados, mas desejos expropriados, corpos sem memória”.

No seu entendimento, numa sociedade que afirma o imperativo da felicidade “nada mais tem sentido porque nada tem nem princípio nem fim, só existe o ‘vai!’, o ‘just do it!’, porque não há nem lembranças nem compromissos, não somos ninguém, não viemos de parte alguma e não vamos a parte alguma. Esse é o estado da questão, é o conto do balanço das contas: Sísifo arrastando a pedra que, ao chegar ao alto, sempre está à beira de cair”.

La vida de las estrellas [A vida das estrelas] (Ed. La Oveja Roja), segundo romance de Noelia Pena, foi publicado ao final de 2018. Trata-se de um relato sobre outras realidades, que não aquelas impostas pelo arquétipo da pessoa triunfante, o self-made winner e feliz; realidades que essa figura pretende ocultar. Para a autora, o que interessava ― diz ela a El Salto ― era “lançar um pouco de luz sobre certos problemas e conflitos que nem sempre queremos encarar, como a doença, a solidão, o isolamento, o abuso. A proliferação de patologias como a ansiedade e a depressão evidencia que esse sistema não nos deixa viver: nos espreme e asfixia. O que acontece quando uma depressão nos impede trabalhar ou quando perdemos um emprego? Nossa segurança se estremece, e com ela o modelo de vida que projetamos em torno do êxito profissional”.

Pena acredita que o grande problema social continua sendo a emancipação, e trata disso no seu livro, mas garante que não pretendeu que seus personagens fossem o contraponto ao que prescreve a psicologia positiva: “O que se pode ver nos problemas dos personagens do romance é a dimensão coletiva dos mal-estares contemporâneos. Apesar do individualismo crescente, grande parte dos nossos problemas tem dimensão social: a solidão dos personagens, para não ir muito longe, especialmente dos mais velhos. Tanto a mindfulness como os livros de autoajuda tentam nos convencer de que, mudando nossa mente, podemos mudar a realidade e, individualmente, podemos alcançar a felicidade. Mas como ser feliz, se a solução para os nossos problemas não é individual, mas comporta decisões alheias, sejam políticas, médicas ou então que apontam para estruturas de poder assentadas há séculos, ou para a violência sobre nossos corpos por parte de outras pessoas?”. A resposta a essa pergunta é, possivelmente, a mais importante de todas as que se buscam ao longo da vida.

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Desejo a tod@s um Feliz Solstício de Inverno

Quando os deuses e deusas eram criados à medida das necessidades humanas, eram bem mais diversificados na forma e na substância com que eram idealizados, e diferentes as latitudes e culturas da sua criação.

Foi na Idade de Bronze que patriarcas de tribos nómadas inventaram o deus único, para todas as angústias e medos, sonhos e pesadelos, amores e ódios, criado à sua imagem e semelhança, a exigir imolações bárbaras, para acabar resignado a orações e aos óbolos necessários para alimentar a multidão de funcionários que lhe preservaram a memória e a moldaram ao longo da História, ao sabor dos tempos.

Há dois mil e vinte e tal anos, em data ignorada e local diferente do que lhe atribuíram, foi registado na Palestina o único deus verdadeiro, à semelhança de deuses mais antigos, parido de mãe virgem, no solstício de inverno, judeu circuncidado, desembaraçado em pregações e milagres.

Quem diria que, da primeira cisão triunfante do judaísmo, do golpe de génio de Paulo de Tarso e da necessidade de Constantino unificar o Império Romano, nasceria um deus universal, o mais benigno e terno ícone monoteísta! Tornam-se irrelevantes a genealogia do novo deus, os milagres que obrou e as parábolas que lhe atribuem.

Hoje, dia que lhe deram para nascer, é noite de esquecer tragédias e lembrar, no milagre do nascimento, o prodígio da vida, e fazer da alegria de um ágape a festa da família, e do primeiro dia do ano, no calendário gregoriano, o dia da Fraternidade Universal.

Feliz Solstício de Inverno e Bom Ano Novo, car@s amig@s, e exonerem a santidade da ceia de todos os pecados.

P. S. – Façam como eu, não agradeçam, vão para dentro e agasalhem-se, está um frio de rachar. E, por cada solstício de inverno, há outro, de verão, no hemisfério oposto.

 

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2018/12/desejo-tods-um-feliz-solsticio-de.html

A amizade dobra as alegrias e divide a angústia ao meio

do site La Mente es Maravillosa

A amizade é um elemento protetor da nossa saúde psicológica e física. Evidencia-se que o isolamento tem uma grande incidência na mortalidade; De fato, há estudos que afirmam que a falta de apoio psicológico pode equiparar seus efeitos nocivos à nossa saúde ao tabagismo, hipertensão arterial, níveis elevados de colesterol, obesidade ou falta de exercício físico.

Nesse sentido, podemos afirmar que os laços estreitos que criamos com os outros duplicam nosso bem-estar e dividem a angústia ao meio. Porque criar relações emocionais estreitas nos fortalece, disso não há dúvida.

É verdade que não é fácil conseguir uma proximidade psicológica satisfatória com as pessoas à nossa volta, porque as decepções muitas vezes nos fazem preferir a solidão. No entanto, enquanto essa solidão não se tornar um isolamento, nossa saúde não precisa ser prejudicada.

Amizade, a formação de laços afetivos
Estar rodeado de pessoas que nos amam nos torna psicologicamente fortes e evita dificuldades emocionais derivadas de diversos assuntos, como um divórcio, um obstáculo econômico ou uma doença.

Ou seja, ter amigos nos ajuda a dividir o estresse . É maravilhoso ter um confidente, uma pessoa que possa oferecer ajuda, conselhos ou um ombro para chorar. A mera presença de pessoas amadas em nossas vidas diminui o impacto dos contratempos vitais com os quais temos de lidar.

Assim, a qualidade e a frequência de nossos relacionamentos amigáveis ​​parecem ser fundamentais para reduzir o desconforto e a angústia que às vezes nos incomodam. Nas palavras de Robin em “The Intrepid Adventures of Robin Hoad” :

“Fale livremente e revele suas preocupações. O fluxo de palavras pacifica o coração daquele que sofre; é como abrir as comportas quando o reservatório ameaça transbordar “.

O psicólogo e pesquisador James Pennebaker demonstrou experimentalmente que falar sobre os problemas que mais nos preocupam tem um efeito benéfico para nós, física e psicologicamente. Então, conversar com nossos amigos é benéfico para a nossa saúde.

Fortalecendo nossas habilidades emocionais
Quando falamos de habilidades emocionais, nos referimos à nossa capacidade de reconhecimento, canalização e dominação de nossos próprios sentimentos, empatia e sentimentos que aparecem nas relações sociais.

Portanto, não é de admirar que, quando temos bons amigos por perto, possamos fortalecer nossas habilidades emocionais. Isso, por sua vez, nos permite ter uma melhor disposição para os outros se aproximarem de nós (e vice-versa), então teremos mais opções para criar relacionamentos significativos.

Essa sensação maravilhosa de ter um cordão de segurança emocional que nos protege não pode ser comparada com nada. Sentir que nos querem bem não é apenas encorajador, mas reforçador e revitalizante.

Estar ciente de que querem te ver, falar com você e se interessar em como você está, nos dá um status emocional que nos resgata do abismo em inúmeras ocasiões. É por isso que podemos ter certeza de que as pessoas que amamos são uma parte importante da nossa vida.

Neste sentido, é bom captar aqui uma passagem do romance “O Palácio da Lua”, de Paul Auster, que reflete magnificamente o que temos discutido aqui.

“Naquela época eu não sabia, claro, mas sabendo o que sei agora, não posso ignorar esses dias sem sentir uma onda de nostalgia por meus amigos. Em certo sentido, isso altera a realidade do que experimentei.

Eu tinha saltado da beira do penhasco e quando eu estava prestes a chegar ao fundo, um evento extraordinário ocorreu: eu aprendi que havia pessoas que me amavam. Um querer desses muda tudo.

Isso não diminui o terror da queda, mas dá uma nova perspectiva sobre o significado desse terror. Eu pulei da borda e, no último momento, algo me pegou no ar. Esse algo é o que eu defino como amor.

É a única coisa que pode impedir a queda de um homem, a única coisa poderosa para invalidar as leis da gravidade “.

Raquel Aldana – do site La Mente es Maravillosa

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/a-amizade-dobra-as-alegrias-e-divide-a-angustia-ao-meio/

A psicologia da depressão – como arruinar sua vida

Raro é o indivíduo que passa pela vida sem, em algum momento, ser afligido pela angústia. Às vezes isso é desencadeado por um evento adverso ou trágico, mas muitas vezes apenas refletir sobre a discrepância entre como a nossa vida é e como poderia ter sido, pode lançar uma sombra sobre a nossa própria existência.

Para a maioria das pessoas, esses sentimentos se revelam temporários, as nuvens escuras que, no momento, são tão demoradas, quase que espontâneas, e a vida continua no curso. Mas para outros, esses sentimentos não diminuem com o tempo, mas apenas se intensificam e a depressão se instala. Um deles chega a se parecer como um objeto sem valor, como a autopiedade, ódio e raiva, e a vida se torna um fardo da maior magnitude.

A questão sobre o que leva as pessoas às profundezas da depressão tem sido debatida há milênios. Por que algumas pessoas podem se recuperar rapidamente da adversidade, enquanto circunstâncias semelhantes levam outras a uma miséria prolongada?

Nas últimas décadas, tem havido um foco crescente nas causas biológicas da depressão. Mas enquanto nossos genes e biologia podem nos predispor à depressão, não há como negar que a maneira como escolhemos viver e os padrões de pensamento e comportamento que cultivamos também são de grande importância.

Nem todos os modos de vida são iguais, se quisermos evitar o sofrimento agudo associado à depressão e, neste artigo, vamos examinar um modo de vida que tem sido repetidamente identificado por filósofos e psicólogos como colocando um em grande risco de depressão. Especificamente.

Como seres humanos, temos a necessidade de sentir que nossa vida é valiosa e que estamos aqui na Terra não apenas para ocupar espaço, consumir recursos e, finalmente, morrer. Essa necessidade de pensar bem em nós mesmos e fazer os outros fazerem o mesmo, é um dos mais fundamentais formadores de nossa vida. Pois sem sentir que somos um indivíduo de valor, sofremos e muito do que fazemos é direcionado para satisfazer essa necessidade. O trabalho que fazemos, com quem nos associamos, os símbolos de status que adotamos e as questões sociais que defendemos são todos influenciados por nos ajudarem ou nos atrapalharem nesse sentido.

Quanto mais fontes tivermos para obter nossos sentimentos de auto-estima, melhor. Mas algumas pessoas, muitas vezes em virtude de sua formação, restringem-se muito a esse respeito e, ao fazê-lo, predispõem-se à depressão. Pois a depressão é frequentemente o resultado de uma combinação de dois fatores. A perda de um objeto valorizado em conjunto com a rigidez psicológica, que é a incapacidade de produzir variabilidade em nossos padrões de pensamento e comportamento, e de se adaptar criativamente às mudanças em nosso ambiente. Nosso risco para esses dois fatores aumenta quanto mais confiamos em um ou mais objetos para nossos sentimentos de valor próprio.

Em alguns casos, as pessoas confiam demais em outra pessoa. Tais são os indivíduos em constante necessidade do elogio de um pai ou um cônjuge para se sentirem bem consigo mesmos. Em vez de acreditar que podem imbuir sua vida de significado e se tornar um indivíduo de valor por meio da ação auto dirigida, essas pessoas sempre buscam garantia, direção e validação do que pode ser chamado de seu outro dominante.

Mas, enquanto aqueles que vivem assim podem ter boas razões para ter entrado em tal existência, infelizmente este modo de vida nunca cura o que os aflige. Quanto mais confiamos em outra pessoa para validar nosso valor, mais psicologicamente rígidos nos tornaremos.

Jamais cultivaremos a capacidade crucial de obter auto-estima através de nossos próprios esforços. E descobrir como se sentir como um indivíduo de valor sem o constante elogio do outro, é uma habilidade de vida necessária. Pois, se um outro dominante morre, ou o abandona, a falta desse suporte rapidamente fará com que seu apreço próprio diminua, resultando num estado selvagem de depressão. Ou, como Ernest Becker apropriadamente colocou, tal pessoa

“. . Perdeu a única audiência para quem o enredo em que ele estava realizando era válido. Ele é deixado na angustia desesperada do ator que conhece apenas um conjunto de linhas e perde a audiência que quer ouvir ”. (Ernest Becker, a revolução na psiquiatria)

Em outros casos, em vez de depender de um outro dominante, algumas pessoas adotam metas de vida grandiosas e a esperança de que um dia elas atingirão tais metas, torna-se a principal fonte de seu valor próprio. Essa tática é freqüentemente usada por indivíduos que não têm relacionamentos interpessoais satisfatórios.

Talvez tal pessoa tenha crescido com pais emocionalmente distantes, tenha sido banida por seus pares ou tenha experimentado muita rejeição mais tarde na vida. Mas seja qual for o caso, se alguém repetidamente não conseguir a aceitação dos outros, eventualmente, ele provavelmente acreditará que há algo fundamentalmente errado com ele. Ele deve se tornar alguém para se tornar digno do amor e do respeito dos outros.

E que melhor maneira de fazer isso do que realizar um feito magnífico, como se tornar um músico famoso, um autor de sucesso, um empreendedor de sucesso ou outra coisa de natureza grandiosa? Acreditando que um dia ele realizará seu objetivo e, portanto, encontrará a aceitação que deseja, poder imbuir sua vida com significado e ajudá-lo a sentir que é um indivíduo de valor, ou pelo menos no caminho nessa direção.

Mas, como a vida vivida a serviço de um outro dominante, esse modo de vida também coloca um grande risco de depressão. O problema, deve ser enfatizado, não é o foco em um único objetivo, pois muitas vezes precisamos limitar nossos objetivos para não dissipar nossos recursos.

Em vez disso, o risco de depressão surge quando apostamos demais na realização de um único objetivo – especialmente se o objetivo for de natureza grandiosa. Enquanto alguns conseguem seus objetivos grandiosos, a maioria das pessoas não. E à medida que os anos passam e a meta permanece sendo apenas uma fantasia, a realização se estabelece, no futuro, é improvável que o sucesso seja alcançado. E, portanto, como com o indivíduo cujo outro dominante morre, também os que apostam sua existência na realização de um objetivo dominante também experimentam uma morte – mas, nesse caso, é a morte simbólica do indivíduo que esperavam ser:

“… Quando o homem ambicioso, cujo slogan é“ César ou nada ”, não chega a ser César, ele se desespera com isso. Mas isso também significa outra coisa: precisamente porque ele não chegou a ser César, ele agora não pode suportar ser ele mesmo. ”(Soren Kierkegaard, A Doença até a Morte)

Mas não importa o quanto limitamos a variedade de fontes das quais alcançamos nossos sentimentos de valor próprio, o problema é o mesmo. Quando perdemos o objeto em que apostamos nosso bem-estar, estaremos perdidos para onde nos virar. Ou como Silvano Arieti explica em seu livro Psychotherapy of Severe and Mild Depression:

“A pessoa deprimida… vê uma grande discrepância entre o que ele aspirava em termos de relações humanas e objetivos de vida e o que ela pode alcançar nessa magra realidade. Ela não pode resolver o conflito. O que está disponível não é aceitável para ela, e o que seria aceitável ela não pode compreender. Ela experimenta a situação trágica de não ter escolha. ”(Silvano Arieti, Psicoterapia da Depressão Grave e Suave)

Embora a rigidez psicológica, ou a exclusão de modos de vida alternativos, seja especialmente prevalente naqueles que vivem para um outro dominante ou um objetivo dominante, todos corremos o risco de nos tornarmos rígidos demais em nossos caminhos. A maioria das pessoas cola-se um pouco demais a uma certa persona, ou máscara social, e confia demais em coisas como aparência ou outros símbolos de status para seus sentimentos de valor. Para evitar as armadilhas da rigidez psicológica, devemos tirar uma página do livro de jogo estoico e mediar periodicamente o fato de que podemos, e de fato provavelmente perderemos algumas das coisas que mais valorizamos.

“O objeto do seu amor é mortal; não é uma das suas posses; foi dado a você para o presente, não inseparavelmente nem para sempre. ”(Epicteto, The Discourses)

Mas com isso dito, quando perdemos algo de grande valor, é provável que experimentemos pelo menos uma queda temporária na escuridão da depressão. Esses períodos, no entanto, não devem ser vistos como totalmente sem valor, pois muitas vezes é nesses momentos que vemos o mundo e nosso lugar nele, um pouco mais claramente. Ou como Herman Melville disse:

“A luz mais intensa da razão e da revelação combinadas, não pode lançar tais brasões sobre as verdades mais profundas do homem, como às vezes procederá de sua própria tristeza mais profunda. A escuridão absoluta é então a sua luz e, como um gato, ele distintamente vê todos os objetos através de um meio que é mera cegueira para a visão comum. ”( Herman Melville, Pierre, The Ambiguities )

Para evitar a queda muito profunda no abismo da dor mental que acompanha a depressão, deve-se reconhecer que sempre há fontes alternativas das quais podemos alcançar nossos sentimentos de autoestima. Mas para descobrir tais fontes, uma abordagem ativa da vida deve ser tomada, devemos tentar coisas novas e experimentar novos padrões de pensamento e comportamento. Por enquanto um período de luto pode ser benéfico após uma perda, uma profunda depressão se instalará se nós estagnarmos em tal estado por muito tempo.

“O trabalho de mudar – de fato, o trabalho de viver – não pode ser feito em nome de outra pessoa … Podemos aprender lições importantes daqueles que já passaram antes de nós … Mas, no final, cada um de nós enfrenta uma configuração única de desafios, uma responsabilidade muito pessoal pelas escolhas que fazemos ao seguir em frente com nossas vidas. Temos apenas informações parciais, compreensão limitada e controle imperfeito. No entanto, o mundo físico e nossas comunidades sociais nos responsabilizam. Essa é a nossa situação existencial compartilhada. ”( Michael Mahoney, Psicoterapia Construtiva )

Esse artigo foi transcrito e traduzido a partir do vídeo (Em Inglês) The Psychology of Depression – How to Ruin Your Life (https://www.youtube.com/watch?v=a_J1ORdcUPg)

Produzido pela Academy of Ideas 

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Por trás da raiva freqüente normalmente está também a arrogância

Por trás dos aborrecimentos frequentes se esconde muitas vezes a soberba. São perfis que precisam ter sempre a razão, que não toleram ser decepcionados ou corrigidos e que, além disso, são vítimas constantes de sua própria frustração. Assim, é importante destacar que, após a soberba, encontra-se, por sua vez, o narcisismo, formando deste modo um tipo de personalidade muito desgastante.

Muitas vezes é dito que o arrogante nunca reconhecerá seus “pecados”. Ele não fará isso porque seu nariz está tão perto do espelho que ele nem consegue se ver. No entanto, nos tornamos tão acostumados a esse tipo de presença em nossos ambientes que, quase sem perceber, acabamos normalizando o narcisismo e a arrogância. Vemos isso nas elites políticas, vemos isso em nossas empresas e vemos isso em parte das novas gerações.

Todos esses perfis, aparentemente tão distantes um do outro, mostram algumas características comuns. Não importa quantos anos eles tenham, eles são pessoas “que sabem tudo”, aqueles que ninguém pode ensinar ou mostrar qualquer coisa, porque “eles já têm um ótimo ensaio vital” . Além disso, eles também são caracterizados por relegar as necessidades dos outros ao segundo plano e ter, por sua vez, a maturidade emocional de uma criança de 6 anos de idade.

Desta forma, aqueles que lidam com eles diariamente já estarão familiarizados com a sua raiva frequente. Eles têm “pele muito fina” e orgulho muito alto, nós sabemos, daí o mínimo “salto”, perdem o controle e mostram comportamentos tão comuns como parar de falar por um tempo ou simplesmente cair em desqualificação por ter ficado chateado em algum aspecto pequeno e insignificante…

A raiva frequente e o que está sob esta maquiagem

A arrogância não deixa de ser um traje, um disfarce de porco-espinho onde os espinhos atuam como barreiras defensivas para não deixar ninguém intuir os medos, as fraquezas de caráter e as debilidades. Desta forma, se alguém me disser que eu deveria ser mais paciente e levar as coisas devagar, não hesitarei em me colocar de guarda e levantar minhas espinhas (eles questionaram meu bom trabalho). Não importa que essa pessoa tenha feito o comentário com boa fé: vou considerar isso uma afronta.

A auto-estima neste tipo de perfil é muito baixa. No entanto, esse sentimento de inferioridade é frequentemente transformado em uma mola de agressão, uma catapulta carregada de raiva, despeito e amarga frustração. Além disso, a necessidade de estar em cima de nós em qualquer situação, circunstância ou contexto, por sua vez molda essa “falácia da autoridade” onde ninguém deve desacreditá-los, onde contrariá-los, mesmo no mais insignificante, é um insulto.

Nestes casos, o orgulho é um sistema de compensação sofisticado. Assim, o mais interessante desses perfis é que geralmente este traje cheio de espinhos é geralmente forjado na infância como uma maneira de esconder inseguranças. Mais tarde, torna-se uma maneira de reagir a problemas ou decepções. Isso porque a personalidade soberba explora a arrogância e a agressão como forma de marcar território, como um canal para se validar.

Embora com isso, o que eles realmente conseguem é criar distâncias e se mover em um círculo de relacionamentos superficiais.

O que fazer diante da raiva frequente das pessoas ao nosso redor?

Por trás da raiva freqüente, há um claro problema de gerenciamento emocional, autoestima e equilíbrio psicológico. Ninguém pode viver sob a crosta de uma raiva crônica, envolta em sua juba de leão e rugindo a cada dois para três. Portanto, se em nosso ambiente temos uma pessoa que constantemente deriva esse tipo de dinâmica, há algo que devemos esclarecer: o problema não é nosso, não somos a causa de seu desconforto, o problema, na realidade, é deles.

“Qualquer um pode ficar com raiva, isso é muito simples. Mas ficar com raiva da pessoa certa, no grau exato, no momento certo, com o propósito certo e o caminho certo, isso certamente não é tão simples “. -Aristóteles-

Quando a raiva se torna seu modo de ser, nada crescerá ao seu redor. Além disso, se por baixo dessa pele está a arrogância e a personalidade narcisista que quer controlar tudo e quer encontrar um benefício em tudo, a melhor coisa que podemos fazer nesses casos é colocar distância e não perder energia confrontando-os.

Como o orgulho não pode ser curado pela argumentação, é uma questão de permitir que o orgulhoso olhe para si mesmo no espelho e se livre da boca de leão e do traje de porco-espinho. Sob todas essas peles estão suas fraquezas, seus recessos de vazio, seus labirintos de inseguranças e até, por que não, até mesmo aquela criança interior ainda assustada que continua a responder com raiva do que ele não gosta.

A raiva freqüente, acreditamos ou não, é a ordem do dia na vida de muitos adultos. Portanto, vale a pena investir tempo, atenção e uma boa dose de carinho em nossos filhos, naquelas crianças que, desde muito cedo, são frequentemente frustradas e nos dizem que “agora fico com raiva e não respiro”.Vamos administrar bem essas situações, educar corretamente.

Do site La Mente es Maravillosa

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Síndrome de alta exposição: ser odiado por se destacar

Uma das grandes contradições do ser humano é a dificuldade de apreciar honestamente as virtudes dos outros sem ser afetada . Não é exatamente sobre inveja. Isso está relacionado ao que chamamos de síndrome de alta exposição ou síndrome da papoula.

A síndrome de alta exposição é que os indivíduos geram ódio nos outros quando se destacam em determinadas áreas. Esse ódio não é inveja como tal. Está mais relacionado ao fato de que o sucesso dos outros torna nossas próprias limitações mais visíveis.

” Há algo muito mais raro, melhor que talento. É o talento de reconhecer talentos. ”

-Elbert Hubbard-

A síndrome de alta exposição também é chamada de “síndrome da papoula grande”. Seu nome resulta do fato de que a lógica predominante é cortar flores que crescem mais que outras, para que outros não sofram com a comparação .

A lenda original

O tema da síndrome de alta exposição encontra suas primeiras referências nos livros de Heródoto e nas reflexões de Aristóteles . Também aparece em uma nota de Livius do tirano “Tarquin the superb”.

De acordo com Heródoto, o imperador enviou um mensageiro para procurar o conselho de Thrasybulus sobre a melhor maneira de manter o controle do império. O mensageiro assim o fez, mas Thrasybule apenas andava pelo os campos de trigo e, sempre que encontrava uma ponta maior do que as outras, ele cortava e jogava no chão . E não pronunciou uma única palavra.

Quando o mensageiro voltou para ver o imperador, falou-lhe da estranha atitude do conselheiro. O imperador entendeu. A mensagem significava que ele tinha que eliminar todos aqueles que estavam acima dos outros. Terminar com o melhor para que seu poder e sua supremacia nunca fossem questionados .

A síndrome de alta exposição no mundo hoje

É claro que as tiranias não permitem o surgimento de personalidades mais elevadas. É muito comum no mundo político procurar desacreditar aqueles que desafiam o status quo ou o establishment . A síndrome de alta exposição, no entanto, não se limita aos assuntos do governo.

Vemos diariamente que somos convidados a nos destacar dos outros, mas limites muito específicos nos são impostos em paralelo. A ideia é que nós sigamos certos parâmetros que definem o sucesso. Por exemplo, “o empregado do mês” não é necessariamente aquele que fez mais progressos ou trouxe elementos relevantes. É, antes, aquele que cumpriu os objetivos definidos.

Não há problema neste caso. A planta que cresceu mais não será cortada na raiz porque terá aderido ao que o jardineiro deseja. Por outro lado, se alguém se tornar muito importante por razões diferentes das consideradas válidas, é provável que ele libere suspeitas e, possivelmente, seja excluído.

A síndrome de alta exposição funciona em duas direções

A síndrome de alta exposição tem consequências em duas dimensões. O primeiro diz respeito ao que falamos anteriormente. Há uma tendência, quase natural, de não permitir que alguém se destaque muito. Isso gera inseguranças . Ou cria um sentimento de ameaça nos outros . Aqueles que se destacam são, portanto, muitas vezes criticados com excessiva severidade. Eles também estão sujeitos a muitos requisitos. Eles também vêem seu talento ou realizações serem minimizados.

A segunda consequência da síndrome de alta exposição é que ela tende a ensinar os indivíduos a ter medo de se destacar. Então, aprendemos implicitamente que se destacar pode ser perigoso. Em que? Isso pode levar à rejeição, questionamento, críticas e até mesmo ao ostracismo.

Muitas pessoas consideram, portanto, que é importante nunca se destacar. Manter “baixo perfil” torna-se a norma. As pessoas ficam aterrorizadas quando precisam se expor. Elas acabam sendo formatadas para não desafiar o que está estabelecido. Isso é uma pena, porque as habilidades são perdidas nesse processo. Talentos reais são postos de lado, muitos sucessos são abandonados.

Via Nos Pensées

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Se você ama sapatos mais do que a estrada, não vale a pena caminhar

Do site Rincón de la Psicología

Em algum ponto do caminho de nossas vidas podemos perder completamente a perspectiva, chegando a pensar que as coisas são o fim em si. Bombardeado por uma publicidade cada vez mais intrusiva que se tornou o orador de um sistema que optou pelo consumismo desenfreado, é fácil pensar que os sapatos são mais importantes do que a estrada.

As 3 grandes armadilhas que nos fazem vítimas

1. Você cai no ciclo infinito das necessidades não atendidas. Se você não está feliz com o que tem, não ficará feliz com o que lhe falta, porque sempre desejará mais. O terrível mecanismo de nossa sociedade é que se dedicou a fazer consumidores, como explicou o grande economista Thorstein Veblen: “Se você puder fabricar desejos, pode tornar possível obter coisas que estão ao seu alcance, a essência da vida. De outra forma, eles ficarão presos se tornando consumidores “. Quando buscamos a felicidade nas coisas, torna-se elusivo porque caímos na armadilha de novas necessidades e desejos continuamente insatisfeitos.

2. Você se torna uma vítima do estresse e sobrecarga. Se damos mais importância às coisas do que à viagem, acabamos adquirindo coisas de que não precisamos e não podemos, apenas para impressionar as pessoas que nem se importam com elas. Esse ciclo de consumo nos obriga a trabalhar mais e mais para manter um estilo de vida cada vez mais alto. Pensamos que quando chegarmos a um certo nível, finalmente nos sentiremos felizes e relaxados, mas não é esse o caso, porque há sempre um carro mais caro, uma casa maior, um computador mais potente …

3. Você se identifica com as coisas. Talvez o pior de tudo seja que, ao acreditar que a felicidade está nas coisas, acabamos nos identificando com elas. Nós nos desconectamos de nossa essência e esquecemos quem somos, deixando que nossas posses falem em nosso lugar. Na verdade, aqueles que estão obcecados em ter mais e mais é porque esqueceram quem são e querem que essas coisas os representem. Seu “eu” tornou-se tão pequeno que ele está escondido atrás das coisas, como se ele fosse um mal ator, em vez de ser o protagonista da obra de sua vida. Quando nos tornamos obcecados em possuir coisas, as coisas acabam nos possuindo. E isso é muito triste.

Como sair dessa armadilha?

O mundo criado em torno de nós é projetado para nos fazer acreditar que a felicidade está fora de nós, nas coisas. Então acabamos correndo dentro de um labirinto onde nossa própria velocidade nos confunde. Nós apenas não pensamos nisso. De fato, a compra racional real não é aquela em que comparamos preços e características do produto, como fomos levados a acreditar, pois no final, a decisão de comprar já foi tomada por impulso e só temos que escolher entre as diferentes opções que colocam à nossa disposição. A compra racional real é aquela que passa pela questão: eu realmente preciso disso?

Para sair dessa armadilha, basta perceber, entender e sentir que podemos nos sentir felizes, plenos e satisfeitos agora, enquanto perseguimos nossos sonhos. Isso envolve separar o nosso “eu” das posses, não dando-lhes o poder de amargurar a nossa vida ao ponto de nos sobrecarregar para obtê-los.

Não me interpretem mal, precisamos de coisas e algumas também nos podem trazer satisfação. Mas não podemos esquecer que os sapatos são um acessório para percorrer a estrada, uma ajuda que nos permite ir mais longe e em melhores condições, mas o que realmente conta é o quanto desfrutamos desse caminho e da pessoa que nos tornamos enquanto o percorremos. Tudo o resto é secundário.

Este curta reflete perfeitamente a armadilha na qual estamos imersos.

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Felicidade é saber apreciar as coisas simples da vida

Por Valeria Sabater do site La mente es Maravillosa

As coisas simples da vida são como aquelas estrelas que brilham em noites claras. Elas estão sempre lá, nos cercando, nos oferecendo sua magia sutil; No entanto, nem todos os dias paramos para olhar para elas ou lembramos que elas existem.

Somente quando estamos perdendo, somente quando a vida nos dá um revés pequeno ou grande, subitamente apreciamos o que realmente constrói nosso coração, o que constitui cada uma daquelas cordas internas que dão música e significado à nossa existência.

“As coisas simples, amáveis ​​e discretas formam dia a dia a borda da nossa vida, onde repousar em dias tempestuosos e onde todas as nossas alegrias fazem sentido.”

Algumas pessoas dizem que quanto mais simples o nosso modo de vida, menos preocupações teremos e menos erros faremos. Agora, todos estão livres para complicar suas vidas o quanto quiserem, todos nós temos o direito de assumir riscos, projetar sonhos e ter um círculo social tão amplo e variado quanto quisermos.

O principal, a chave de tudo, não é levar uma vida simples, mas ser simples em pensamentos e saber o que é importante, o que realmente faz nosso coração feliz e nos identifica. De lá, todos nós somos muito livres para construir nossos microuniversos individuais. Nós convidamos você a refletir sobre isso.

Coisas simples são as maiores coisas da vida

Há um fato que nos impressiona, o Google publicou há poucos dias quais são as pesquisas mais comuns entre os usuários. Entre elas, o que é quase sempre uma tendência é uma em particular: “como ser feliz?”

“Ser feliz é fechar os olhos e não querer mais nada e, para isso, basta deixar de medir a felicidade pelo dinheiro que temos ou não temos: mas por aquelas coisas simples que não mudaríamos por todo o dinheiro do mundo.”

Todos nós temos mais de uma coisa que nunca mudaríamos nem pela mais incrível das riquezas. A vida de seus filhos, seu parceiro, seus irmãos … E talvez até seus animais de estimação. Porque o que eles nos dão e o que lhes oferecemos é uma troca de afetos que não tem preço.

Agora, o problema com tudo isso é que a vida, às vezes, não é nada fácil. Você sabe, por exemplo, que a coisa mais importante para você são seus filhos, mas você deve completar um longo dia de trabalho que o impeça de estar com eles o tempo que desejaria.

Você gostaria, indubitavelmente, que tudo fosse mais fácil e, a partir daí, que às vezes nos sentíssemos perdidos diante de tantas pressões, tantas obrigações que dia após dia nos afastam do que é realmente essencial. Portanto, seria interessante pensar nesses aspectos por alguns instantes.

Levar uma vida plena e consciente
Levar uma vida plena e consciente é saber entender em que momento da sua vida você está e sentir o seu presente, o aqui e agora.

Devemos ser conscientes do que nosso coração nos diz e das necessidades que você tem ao seu redor. Você pode, por exemplo, trabalhar mais horas, dando-lhe a oportunidade de ter mais coisas, mas sabe que, apesar de tudo, prefere investir esse tempo em sua família.

Viver uma vida plena também é entender que todo esforço vale a pena, porque tudo que você faz te faz feliz e oferece felicidade aos seus.

Se não houver reciprocidade, não há cumprimento. Olhe para a sua vida como se fosse um círculo: se não houver equilíbrio consigo mesmo e com o que o rodeia, será difícil desfrutar dessa felicidade.

O prazer do simples é uma atitude
Nem todas as pessoas sabem como aproveitar as coisas simples que a vida lhes oferece. Talvez porque eles são incapazes de vê-los, outros porque não os apreciam e estão mais inclinados para o apego material, para satisfação imediata, o que não dura …

“Respire, ame, seja feliz, aproveite as coisas simples da vida … Este é o único urgente, o resto, embora você não acredite, é secundário.”

Desfrutar do prazer do simples é uma atitude que muitos cultivam porque já possuem uma paz interior adequada e sem artifício. O gozo do simples chega a alguns depois de uma longa jornada onde, de repente, agem de consciência e descobrem prazeres que não haviam tido em conta anteriormente:

– O prazer de boas amizades.
– Um bom dia e uma inesperada carícia.
– Do riso contagiante de uma criança.
– O vento embriagante depois de uma tempestade
– De um sol que afunda no oceano em absoluto silêncio
– De um despertar de domingo sem qualquer preocupação na mente …

Não hesite em praticar essa simplicidade de pensamento e emoções no seu dia-a-dia, porque quando finalmente encontrarmos essa felicidade interior, ela durará para sempre porque estará conectada ao nosso verdadeiro eu.

Por Valeria Sabater do site La mente es Maravillosa

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Superexplorados, vigiados e… com direito a Yoga

Como o capitalismo contemporâneio captura as ideias de bem-estar e de autocuidado para submeter e disciplinar seus “colaboradores”

Por Josh Hall | Tradução: Inês Castilho

Estamos no portal de um grande edifício de escritórios no oeste de Londres. O grande átrio eleva-se em quatro andares, todos com acabamento branco brilhante e detalhes em carvalho. Cadeiras de espaldar alto cercam as mesas de reunião, negras e reluzentes, uuma lâmpada pendurada sobre cada uma delas. De um lado do piso há um grande espaço tipo galpão, destinado a pequenas empresas, onde as startups de tecnologia e moda digitam em silêncio. Do lado oposto, um extenso conjunto de mesas e estúdios para empresas maiores; no andar de cima, um mezanino com salas de reunião. E num lado desse espaço, ocupando pelo menos um quarto da superfície total, há uma tenda.

A tenda, que tem quase 3 metros de altura e é feita de vime e bambu, uma área exclusiva onde “não se permite o uso de tecnologia”. Nesse lugar, os empregados vão ouvir palestras oferecidas por personalidades da saúde, da cultura e dos negócios, articipam de meditação guiada ou praticam yoga segundo as instruções de um yogui free lance. Isso acontece em todos e cada um dos prédios de escritório de nova geração inaugurados em todas as cidades importantes do mundo. Nesses lugares, as empresas não são meros espaços de trabalho. Elas comungam de uma cultura específica: a de fazer networking (criação de uma rede de contatos para compartilhar informações e prestar ajuda), sair para beber às sextas-feiras, participar de torneios de Mario Kart e, com frequência, participar de um programa completo para o “bem-estar do empregado”.

No distrito financeiro de Londres, e especialmente nos seus arredores, conforme nos aproximamos da revalorizada zona da moda de Shoreditch, as aulas de yoga no escritório são a norma. Nos Estados Unidos, as empresas de yoga e fitness anunciam seus serviços a clientes grandes e pequenos. A Office Yoga (yoga corporativo), de nome sugestivo, que conta entre seus clientes com McKinsey, Wells Fargo e Departamento de Estado, descreve o que oferece: “As sequências estão desenhadas para gerar clareza mental e eficiência, assim como para aliviar sintomas crônicos provocados por ficar muito tempo sentado.” Isso supõe um benefício mútuo para as empresas em questão, que hoje pertencem principalmente aos setores financeiro e de tecnologia, mas cujas práticas estão se estendendo rapidamente a outros setores: os empregados aliviam alguns problemas de saúde ocasionados pelo trabalho; a empresa obtêm trabalhadores mais em forma e comprometidos; e, teoricamente, esses trabalhadores fazem proselitismo da cultura empresarial a outros possíveis empregados.

Porém, os programas orientados ao “bem-estar do empregado” — atualmente um elemento básico na maioria dos negócios grandes ou em expansão — vão muito além da yoga. Uma rápida olhada nas páginas da web de alguns dos provedores de bem-estar mais importantes nos EUA dá uma ideia dos serviços que oferecem: a maioria proporciona apoio psicológico, formação em inteligência emocional e seminários sobre economia. O objetivo principal, contudo, segue sendo a saúde física. Da obesidade ao câncer, as empresas dedicadas ao bem-estar do empregado querem ajudar os trabalhadores a manter-se em plena forma. Um número cada vez maior está utilizando métodos de tecnologia avançada para ajudá-los a conseguir isso. A Kamwell, uma empresa que oferece esses serviços de bem-estar em Londres, é uma das muitas que inclui em seus programas dispositivos tecnológicos portáteis. Kirsten Samuel, diretor executivo da Kamwell, explica:

Atualmente, empregam-se no local de trabalho dispositivos tecnológicos portáteis de nível diferentes. Há desde medidores de atividade física comuns, como Fitbits e Garmins, até os de tecnologia mais avançada, que medem a variação do ritmo cardíaco, como Firstbeat, que analisa as reações de estresse, a capacidade de recuperção e a atividade física, comparando os momentos em que uma pessoa está desperta, viajando, tomando álcool ou fazendo exercícios e os efeitos que produzem em seu corpo. Da mesma forma, há também tecnologia que analisa os dados biométricos. Esta emprega o treinamento e o automonitoramento para comparar os indicadores corporais coincidentes com períodos de ansiedade ou fadiga, a capacidade de concentrar-se ou de escutar e, desse modo, tirar conclusões sobre a fisiologia emocional de um individuo.”

Trata-se de um panóptico digital. E é importante assinalar que as empresas que prestam esses serviços não se ocupam das tensões e perigos psíquicos que o local de trabalho implica, adotando medidas para evitá-los, mas tratam apenas dos sintomas. Os empregados que participam desses programas devem submeter-se ao acompanhamento de todos os seus movimentos, ao cálculo de todas as calorias que consomem, ao registro e análise de todas as suas reações ao estresse. A participação é geralmente opcional, ao menos em teoria, mas em muitas empresas esses programas estão tão arraigados nos métodos de Recursos Humanos, e, de fato, presentes em seus calendários sociais, que pode não participar pode ser inviável. O risco de que um empregado seja visto como alguém “não adaptado à cultura empresarial” nunca foi tão angustiante.

As empresas não haviam, até, agora, tido quantidade tão enorme de informação sobre as pessoas que trabalham para elas. Porém, Samuel afirma que os empregados têm geralmente uma atitude positiva frente a esses programas. “Nunca ouvirão os empregados queixar-se dos programas de bem-estar da empresa”, sustenta, “ouve-se, isso sim, os empregados queixar-se de que estão estressados, subvalorizados, mal dirigidos e que não conseguem conciliar a vida familiar e profissional. Atualmente, eles buscam mais que o clássico aumento salarial e dão muito maior importância ao fato de poder escolher seu possível empregador em função da cultura empresarial, a flexibilidade das condições de trabalho e os serviços de saúde e bem-estar”.

Diante da ausência de expectativas para conseguir condições de trabalho aceitáveis, estímulos ou uma jornada de trabalho justa, somos convencidos e enganados para aceitar um trabalho com a promessa de uma aula de yoga gratuita e a ilusão de que nos valorizam. Se damos uma espiada nas principais páginas de emprego na web, especialmente na indústria tecnológica, temos um sem-fim de informações sobre a cultura corporativa das empresas. “Temos uma cafeteria impressionante para empregados”, diz a lista de benefícios para um emprego numa empresa de Internet em Nova York, “guitarras, uma bateria, um mecânico de bicicletas, uma grande biblioteca e uma equipe rotativa encarregada de fazer comida para todos”. Outra, para um cargo na empresa de entrega de comida Deliveroo, em Londres, oferece “alguns escritórios divertidos com sala de descanso, academia de ginástica própria, quadra de basquete e terraço com vista para a Tower Bridge”. (A Deliveroo tem algo como um sistema de classes entre seus funcionários – vale comparar o “luxo” desses escritórios com o tratamento lamentável que seus mensageiros recebem).

Essa constante atenção à cultura da empresa, em que os programas dedicados ao bem-estar do empregado constituem um elemento fundamental, representa uma mudança geracional no modo como delimitamos nosso tempo. A distinção entre os períodos de “trabalho” e de “não-trabalho” praticamente desapareceu. Já não vamos ao bar, mas bebemos no escritório; já não lemos por prazer, antes pegamos livros da biblioteca do escritório para pesquisar sobre problemas que afetam nosso ambiente de trabalho. E com os programas dedicados ao bem-estar do empregado, as empresas agora supervisionam o que até há pouco não dizia respeito ao trabalho: as horas de sono, as decisões financeiras (que muitas vezes incluem contribuições de caridade) e até mesmo a comida.

Matthew Holder é o diretor de campanha do Conselho Britânico de Segurança, que publicou este mês um artigo sobre o impacto das novas práticas laborais na saúde, na segurança e no bem-estar. Holder estabelece um vinculo entre a cultura empresarial “em qualquer momento e em qualquer lugar” e as novas e atípicas modalidades de trabalho, como o autoemprego ou os contratos eventuais. “As novas tecnologias, em forma de máquinas inteligentes e comunicações digitais, combinadas com o aumento de empregos atípicos, pode derivar num ‘compromisso excessivo’ com o trabalho”, afirma:

“As pessoas levam o trabalho para casa e muitas têm de se esforçar para desconectar-se e estimular o descanso e a recuperação de suas vidas. Devido a essa situação, a simples diferença entre empregador e empregado, e as responsabilidades correspondentes, está desaparecendo.”

Esgotadas em razão desse compromisso excessivo as pessoas não trabalham bem, e calcula-se que entre 60% e 80% por cento dos acidentes devem-se a decisões associadas ao esgotamento.

O aumento das técnicas de supervisão dos empregados tecnologicamente avançadas explica também, de certa forma, o novo fervor pelos programas dedicados ao bem-estar do “colaborador”. A indústria de supervisão de está centrada na oferta, aos empresários, de um nível de informação o mais detalhado possível sobre o seu pessoal Esta exigência de detalhes está provocando a criação de tecnologias cada vez mais invasivas. Segundo pesquisa que Kaveh Waddell publicou no The Atlantic em 2016, atualmente algumas empresas, como a Accenture, Intel, IMB e Twitter empregam a análise de opinião para fazer um acompanhamento das emoções de seus empregados.

No ano passado, o jornal londrino The Daily Telegraph instalou caixas pretas sob cada uma das mesas de trabalho de seus funcionários, para verificar se o ocupante estava no local (uma manobra que o jornal disse ser para melhorar a eficiência energética, mas que o pessoal temia que tivesse fins mais duvidosos). O Slack, uma ferramenta que é hoje referência mundial para comunicação entre equipes de trabalho, tem como padrão permitir que os empregadores monitorem conversas privadas. E no mês passado a Amazon apresentou a patente para um artigo de tecnologia portátil que lhe permitiria acompanhar os movimentos de mãos dos empacotadores nos armazéns. Uma intrusão obscena na autonomia pessoal, mas que está em consonância com a tendência de uma empresa para a qual o emprego de seres humanos parece ser simplesmente uma desagradável etapa até alcançar a completa automação.

As empresas usam essas técnicas porque estão interessadas na eficiência, exatamente como a empresa Office Yoga, mencionada antes, admitia alegremente. Não é de estranhar que tomem decisões para justificar seus resultados financeiros; o que faz com que essa prática seja ainda mais de mau gosto é o modo como tentam disfarçar suas verdadeiras motivações com o discurso dos cuidados e da saúde.

As aulas de yoga ou a oficina de bicicletas que a empresa tecnológica de Nova York oferece poderiam ser consideradas parte da ideia das “tecnologias do eu”. Foucault cunhou o termo para referir-se às técnicas “que permitem aos indivíduos aplicar, por seus próprios meios ou com a ajuda de outros, certo número de ações sobre seu corpo e sua alma, pensamentos, condutas ou forma de ser para alcançar uma transformação de si mesmos com o objetivo de alcançar certo estado de felicidade, pureza, sabedoria, perfeição ou imortalidade”.

No caso das aulas de yoga no escritório, porém, essa tecnologia do eu foi capturada de forma tão drástica que já não se trata de construir identidades pessoais, mas antes de destruí-las. O objetivo desse empenho para alcançar a máxima eficiência e perfeita otimização é transformar o trabalhador num ser menos humano. Seu trabalho nunca será suficiente; as corporações oferecem aulas de yoga para melhorar a função cognitiva, simplesmente porque ainda não podem nos substituir por máquinas que não exigem esse tipo de cuidado. As empresas se orgulham de seus programas de bem-estar social para atrair trabalhadores de alto nível, mas só os oferecem porque ainda não estão em condições de automatizar o trabalho e prescindir de nós.

E desgraçadamente somos cúmplices do processo. Em seu último livro, Psicopolítica, o teórico coreano-alemão Byung-Chul Han sustenta que já não somos em absoluto sujeitos – antes, somos projetos. Nós internalizamos a linguagem da otimização. Somos entes dos quais se pode eliminar a negatividade com o propósito de potencializar a máxima produtividade. A linguagem da produtividade e o desajuste entre trabalho assalariado e vida social está em toda parte: buscamos no Google “conselhos vitais”; engolimos publicações; pedimos emprestadas as técnicas de assessores de desenvolvimento profissional e pessoal que pregam concentração em objetivos e evolução constante. Uma vez que o capital invade cada momento de nossas vidas, seja quando andamos ou dormimos, nossa identidade, nossa autonomia e nossa essência humana vão rapidamente perdendo valor.

Isso torna-se ainda mais exasperante porque as tecnologias do eu deveriam, por direito, adquirir um lugar na essência de um projeto político liberador e radical. No Reino Unido, a ideia de Foucault foi incorporada por um amplo grupo de pensadores em torno do projeto “Acid Corbynism”, que inclui o acadêmico Jeremy Gilbert. Este crê que “a yoga, a meditação e inclusive os psicotrópicos deveriam, teoricamente, ter um potencial radical – uma vez que estão conectados a uma cultura mais ampla de questionamento da cultura capitalista e de uma organização política contrária a ela”. Deveríamos levar em conta essas técnicas, afirma Gilbert, como fizemos no princípio da década de 70 com os grupos de conscientização, em que os temas pessoais e sociais eram debatidos como parte da tentativa de livrar-se do pensamento patriarcal.

Com o objetivo de refazer essas conexões entre as tecnologias do eu e um projeto político mais amplo, necessitamos primeiro recuperar essas técnicas, retirá-las dos âmbitos totalizadores do trabalho e da produtividade. Como podemos saber o que pensamos, verdadeiramente, o que dá sentido a nossas vidas, se a totalidade de nossa experiência vital está filtrada pelo prisma do trabalho? Como podemos converter-nos verdadeiramente em cidadãos, se não entendemos aquilo com que estamos consentindo? O primeiro passo que se há de dar é recordar de modo radical, imaginar de modo radical, realizar um esforço para resgatar do capital as tecnologias do eu — para que voltem a nossas mãos.

A aula de yoga corporativa pode parecer trivial ou inclusive uma gratificação extra. Mas é um exemplo da degradação de muitíssimos de nossos impulsos e processos humanos básicos, graças à cada vez mais astuta habilidade do capital. Deveríamos buscar novas formas de nos organizar, novas formas de refletir e atuar pela liberdade. Ao contrário, nos encontramos hoje a caminho de uma existência conectada a um biomonitor, no qual são registrados nossos padrões de sono e nossa ingestão de calorias, determinada por gente que nos paga não mais que o suficiente para viver.

La clase de yoga corporativo podría parecer trivial o incluso una gratificación extra. Pero es un ejemplo de la degradación de muchísimos de nuestros impulsos y procesos básicos humanos gracias a la cada vez más astuta habilidad del capital. Deberíamos estar buscando nuevas formas de organizarnos, nuevas formas de reflexionar y actuar en pro de la libertad. Por el contrario, actualmente nos encontramos en el camino hacia una existencia conectada a un bio-monitor, a que nuestros patrones de sueño queden registrados, a que nuestra ingesta de calorías sea determinada por la gente que solo nos paga lo suficiente para vivir.

Ver o original em 'Outras Palavras' na seguinte ligação:

https://outraspalavras.net/capa/superexplorados-vigiados-e-com-direito-a-yoga/

 

Humilhar os outros não te faz forte, te faz infeliz

Como é de esperar, na vida nos deparamos com tudo, vivenciamos de tudo e aprendemos constantemente, isso é viver. Nas nossas relações durante a vida, nós iremos interagir com pessoas amáveis, generosas, que nos farão evoluir como seres humanos, mas, em contrapartida, nos depararemos também com pessoas amargas que, por se sentirem inseguras, ferem os outros.

Geralmente essas pessoas têm um complexo de inferioridade, consciente ou inconsciente, e por isso abusam de alguma posição entendida como privilegiada para descontar sua frustração em cima das outras, principalmente quando a vítima está em posição vulnerável.

Quando uma pessoa tenta humilhar outra de propósito, significa que:

1 – Ela tem um complexo de inferioridade em relação a quem ela tenta humilhar.

2 – Ela mesma é totalmente insegura sobre si mesma e em relação as realizações de quem ela tenta humilhar. Constranger e humilhar a outra pessoa é uma forma dela satisfazer seu complexo, criando uma falsa sensação de que seja superior.

3 – Sente-se ameaçada perante o potencial da suposta vítima e agir assim é uma forma de “botar o outro no seu devido lugar”.

Submeter outra pessoa a uma situação de humilhação não é um indicador de superioridade, mas o contrário é válido. A imagem que você vai conseguir passar de si mesmo é apenas a de uma pessoa fraca, frustrada e talvez com muito medo da outra pessoa a qual você esteja destratando.

Avalie-se e veja se o desdém, o descaso e o nojo que você coloca no seu tratamento em relação a uma pessoa de posição hierarquica inferior, não é apenas um modo de “marcar territótio”, um modo de mostrar quem manda, quando na verdade só está incoscientemente procurando se auto-afirmar perante si mesmo.

Humilhar outra pessoa não vai te blindar, não vai criar uma armadura impenetrável onde você possa se proteger de seus prórpios demônios. Fazendo isso você apenas estará escancarando sua personalidade frágil, mostrando aos outros o quanto é infeliz e que precisa pisar em alguém para se sentir um pouco melhor.

O certo é que você jamais terá o respeito daqueles a quem você constrange; talvez, no máximo, consiga despertar medo e, com certeza, muito ódio e desprezo daqueles a quem você humilha. Mas, se causar esse tipo de sentimento dos outros em relação a você é o que te apraz, deve ser porque, com certeza, você é uma pessoa com sérios problemas e deveria procurar ajuda.

Quem já esteve em situação de ser humilhado sabe que a “vítima” nunca enxerga aquele a quem lhe humilha como superior, portanto, tentar se impor por essas vias com o propósito de se afirmar sobre a outra, é apenas uma forma de mostrar sua fraqueza diante dela, que não reage por outros motivos que implicam em perdas e prejuízos a si ou a outrém a quem queira preservar e proteger, jamais pelo respeito que, evidentemente, não tem mesmo pelo humilhador.

Crédito da imagem: Kelly Vivanco

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/humilhar-os-outros-nao-te-faz-forte-te-faz-infeliz/

Pelo regresso ao espaço público

DIA 15, FALAMOS

Vivemos em prédios, isolados embora rodeados de vizinhos que não conhecemos nem sabemos quem são. Estamos cada vez mais sozinhos. Nada disto é novidade num tempo em que partilhamos conversas (ou monólogos?) em redes virtuais com pessoas que dizemos serem nossas amigas mas que, em muitos casos, são meros conhecidos ou nem isso.

Trabalhamos isolados em organizações onde estamos horas e horas com colegas que vagamente conhecemos e com os quais interagimos profissionalmente e nada mais.

No entanto, o espaço público vai-se transformando: as ruas ou os centros comerciais ganham novos espaços em que nos apetece estar. E essa é uma grande alteração que estamos a vivenciar hoje: alguns espaços comerciais são sítios onde vamos porque queremos estar e interagir com outras pessoas. Os gestores desses espaços perceberam rapidamente que hoje não é só a vontade de comprar que nos move. Vamos a um centro comercial e, por vezes, não compramos nada em especial. Almoçamos, lanchamos ou vamos ao cinema. E há mesmo espaços em que, numa espécie de esplanada interior, tomamos um café e, se temos companhia, conversamos. Sim, a boa velha conversa que nos animava.

Infelizmente, nem tudo são boas notícias. Em muitos espaços públicos o elemento preponderante é o omnipresente telemóvel. Podemos perguntar: o que faz o telemóvel numa crónica sobre espaços públicos? Muito. O telemóvel é, cada vez mais, o acessório de que (quase) não conseguimos separar-nos. Olhamos para ele (dizem alguns estudos) mais de 200 vezes por dia. Temos uma dúvida e, em vez de usarmos a memória, consultamos de imediato o motor de pesquisa que nos devolve a resposta certa. Tiramos fotografias. Usamos como guia de viagem. Ouvimos música. E, coisa incrível, até telefonamos… sim, porque é de um telefone que estamos a falar.

Perante esta verdadeira invasão das nossas vidas pelos inevitáveis telemóveis e pelas múltiplas formas de isolamento que vivenciamos dia-a-dia, será que mudou a nossa essência de seres gregários que sempre fomos?

Talvez não… apesar de tudo, sempre que se proporcionam as condições, continuamos à procura de companhia e gostamos de partilhar espaços e momentos e memórias. Mas, não está fácil porque as nossas vidas não estão actualmente destinadas a promover e proporcionar tempo para esses momentos. Entre vidas profissionais muito absorventes, horas gastas no trânsito das cidades e outras formas funestas de perda de tempo, o que sobra? Pouco. Muito pouco.

Resta-nos resistir e lutar para termos tempo de qualidade para aquilo que for mais importante. Para conversar, para estar com os amigos ou com as pessoas amadas. Para caminhar e pensar. Para usufruir dos dias e dos espaços que ainda vamos tendo.

E, por falar em espaços, uma palavra para as autarquias que, um pouco por todo o lado, recuperam espaços que estavam degradados e constroem jardins, ciclovias, parques infantis, espaços para exercício físico, colocam cadeiras para que as pessoas possam estar e conversar.

No governo das cidades, algumas autarquias estão a compreender e a actuar para devolver o espaço público às pessoas. Quando isso acontece, na esmagadora maioria dos casos, a resposta é incrível. As pessoas voltam à rua, voltam a ter o prazer de pequenas coisas: brincar com os filhos, passear, namorar, sentar e conversar. Isso é um bom sinal.

Agora, só falta deixarmos o telemóvel em casa. Experimentemos. Não há-de ser assim tão difícil.

Foto destaque: com base na foto de Fabio Arantes/Prefeitura de São Paulo

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Ver artigo original em "O TORNADO"

FELICIDADE E PERCEPÇÃO DA FELICIDADE

WER01Tem sido divulgada uma publicação anual, o «World Happiness Report[1]» ou Relatório Mundial de Felicidade, a qual inclui um ranking (ver as páginas 20-23 do documento[2] citado). O ranking é construído a partir de determinados pressupostos.  Não estou certo que os critérios sejam muito acertados; os parâmetros escolhidos e os modos de medição dos mesmos são contestáveis.

As barras do ranking têm várias cores, correspondentes aos critérios adoptados: ver cores e legendas no baixo da página 21 do documento.

Tenho constatado, ao longo da vida, que povos (e pessoas) com menor bem-estar material são frequentemente mais alegres, vivem a vida de modo mais intenso e por isso são, num certo sentido, mais felizes, que povos com uma grande abundância material, uma eficaz rede de cuidados de saúde, etc. 

Tenho constatado também que os portugueses têm um grau de auto-comiseração enorme e baixa auto-estima. Isto é transversal às classes sócio-económicas e às idades. 

Curiosamente, Portugal situa-se neste ranking construído com base nos dados de 2015-2017, praticamente na posição do meio: no lugar 77, a meio entre a Finlândia (nº1) e o Burundi (nº156). 

Costumo gracejar que Portugal tem um nível de impostos per capita correspondente aos países escandinavos, mas um desempenho em termos de serviços do Estado aos cidadãos, ao nível do Burundi. Afinal estava muito próximo destes dados e não sabia! 

Talvez este tipo de estudo, caso fosse divulgado amplamente nos media, permitisse que algumas pessoas descolassem de uma visão tecnocrática, olhando a distribuição dos parâmetros para além do mero PIB/capita. 

Eu penso que se deveria complementar este ranking com o índice de Gini[3], permitindo avaliar a desigualdade económica dentro de um país. image

Um país com elevado índice de Gini é um país com desigualdade económica (e social) elevada. Ora, tanto a percepção da desigualdade, como a desigualdade em si mesma, podem ser factores importantes para a felicidade.

                           

References

  1. ^ World Happiness Report (s3.amazonaws.com)
  2. ^ páginas 20-23 do documento (s3.amazonaws.com)
  3. ^ o índice de Gini (pt.wikipedia.org)

Leia original aqui

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