Espionagem

[William Binney] O objectivo é o controlo total da população

william binney
 
 
Este vídeo de 2014 vale a pena ser ouvido atentamente. Nele, é entrevistado Binney, um importante ex-membro da comunidade de espionagem dos EUA, que ajudou a construir o aparato da agência NSA, a qual tem capacidade para espiar «tudo o que mexe», dentro e fora dos EUA, como ele muito claramente explica.
Múltiplos artigos, vídeos e outros materiais documentam o estado de vigilância permanente que é o do nosso mundo actual. Um mundo onde não existe real respeito pelos direitos do indivíduo. Onde somas colossais, infraestruturas tecnológicas e agências com dezenas de milhares de funcionários dedicam-se a recolher, coligir, armazenar e processar informações «em bruto», o chamado «big data», para - depois de filtradas - servirem para rastrear e espiarquem eles desejem. Em paralelo, graças à capacidade em recolher essa soma astronómica de dados e aos seus programas de algorítmos, conseguem conhecer com grande rigor a reacção da população face a este ou aquele assunto, tirando uma radiografia muito precisa das tendências de opinião prevalecentes num dado momento, numa dada sociedade. 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Venezuela, Afeganistão, Nicarágua: como eram as guerras não 'declaradas' da CIA

Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA
© AP Photo / Carolyn Kaster

Os EUA têm há décadas uma história de envolvimento em guerras não-declaradas, usando organizações privadas para derrubar governos no exterior.

A participação de soldados norte-americanos na incursão marítima na Venezuela lembra outras operações que a CIA financiou, armou e treinou para desestabilizar outros governos no passado, em um período que vai desde os Contras da Nicarágua até os atuais mercenários da Silvercorp.

A prisão de dois cidadãos norte-americanos após a fracassada incursão marítima na costa da Venezuela, em 3 de maio, voltou a colocar a questão da estratégia norte-americana de apoiar não oficialmente, ou através de empresas militares privadas, a formação e treinamento de guerrilheiros ou grupos armados com mercenários para derrubar governos latino-americanos.

Nos anos 80, os Contras, como eram conhecidos os contrarrevolucionários ou Resistência Nicaraguense, procuraram derrubar o governo revolucionário da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que havia chegado ao poder após a revolução de 1979 na Nicarágua.

Em seus esforços para derrubar o governo sandinista, os Contras realizaram mais de 1.000 ataques terroristas entre 1980 e 1991. Eles eram conhecidos por terem armas muito sofisticadas para um grupo guerrilheiro, o que levantava suspeitas de serem fortemente financiados.

Utilizavam espingardas de assalto e metralhadoras de origem americana em suas operações. Até usavam com sucesso mísseis antiaéreos Red Eye fabricados nos EUA, tendo derrubado vários helicópteros sandinistas.

Revelações diretas

Um ex-membro dos Contras, Oscar Sobalvarro, conhecido como comandante Rubén, reconheceu ele próprio em entrevista ao jornal nicaraguense La Prensa que o governo norte-americano lhes forneceu 270 mísseis Red Eye para combater os helicópteros e aviões que a Força Aérea Sandinista havia importado da União Soviética. O ex-revolucionário admitiu que a entrega dos mísseis pelo governo dos EUA foi feita em "operações secretas".

Como parte de seu apoio aos Contras, a CIA foi responsável por minar vários rios e portos da Nicarágua. Os contras também sabiam como torturar e executar camponeses suspeitos de serem sandinistas.

Rebeldes Contra no vilarejo de montanha Destino, Nicarágua, se recusam a entregar suas armas às forças de paz da ONU, 26 de abril de 1990

© AP Photo / Michael Stravato
Rebeldes Contra na Nicarágua

 

Muitas dessas técnicas haviam sido treinadas meses antes em instalações militares na Califórnia e na Flórida, EUA, quando as operações antinicaraguenses começaram a partir de Washington.

O apoio dos EUA aos terroristas nicaraguenses foi finalmente demonstrado em 1986, quando o Exército Popular Sandinista abateu um avião militar de El Salvador que sobrevoava o território nicaraguense. O único sobrevivente daquele voo acabou confessando que o avião carregava armas destinadas aos Contras.

A descoberta foi um dos pontos de um escândalo que acabou demonstrando a existência de um plano do governo norte-americano de Ronald Reagan para vender armas à República do Irã, na época em guerra com o Iraque.

O plano era uma triangulação que incluía a utilização dos fundos provenientes dessas vendas para apoiar os nicaraguenses. A mente por trás dessa operação era Oliver North, um ex-militar que se havia tornado conselheiro de Reagan.

O envolvimento comprovado da CIA nas operações e financiamento dos Contras levou o governo sandinista a denunciar os Estados Unidos no Tribunal Internacional de Justiça em 1984, alegando que havia elementos suficientes para provar a assistência militar e logística da potência mundial ao grupo armado ilegal.

Em sua decisão de 27 de junho de 1986, a Corte Internacional de Justiça não pôde estabelecer que Washington tinha criado o grupo paramilitar, mas "considerou provado" que os norte-americanos "tinham financiado, treinado, equipado, armado e organizado em grande parte a FDN [Força Democrática Nacional], um dos elementos dessa força".

O tribunal decidiu que os Estados Unidos deveriam compensar a Nicarágua pelos danos causados, algo que nunca fizeram e que foi perdoado em 1992 pelo governo anti-sandinista de Violeta Chamorro. O caso dos Contras nicaraguenses entrou para a história como um dos mais claros exemplos de apoio dos EUA a dissidentes e rebeldes em outros países.

Afeganistão, Iraque e os exércitos privados

Esse exemplo não foi o primeiro. A Guerra do Afeganistão entre 1978 e 1992 tinha visto a intervenção dos EUA no treino e fornecimento de armas e apoio econômico aos rebeldes islâmicos conhecidos como mujahedin. Mais uma vez, a CIA treinou rebeldes recrutados para combater as forças da União Soviética, que apoiavam o governo afegão.

Regimento de tanques se preparando para regressar à URSS durante a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão

© Sputnik / Aleksandr Grashenkov
Regimento de tanques se preparando para regressar à URSS durante a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão

 

Já no séc. 21, o Afeganistão e o Iraque têm sido cenário de um novo modelo de envolvimento dos EUA em conflitos. Desta vez, isso não foi feito diretamente pela CIA, mas através de exércitos privados contratados por Washington.

A empresa Blackwater, atualmente chamada Academi, é um exemplo dessa estratégia: seu exército privado participou de intervenções armadas e até de execuções extrajudiciais no âmbito de seus contratos com a CIA.

O uso de mercenários e exércitos privados em incursões militares contra o governo de Nicolás Maduro já havia sido mencionado em 2019, quando a agência Reuters informou que a empresa havia preparado um contingente de entre 4.000 e 5.000 soldados para entrar na Venezuela a partir da Colômbia.

Silvercorp, a empresa contratada por Guaidó para derrubar a Maduro

A Silvercorp, outra empresa de segurança privada dos EUA, tentou se infiltrar em território venezuelano, afirmou um artigo do jornal Washington Post, que revelou um contrato assinado entre representantes do líder da oposição Juan Guaidó e a empresa, em uma iniciativa chamada Operação Gideon.

"A Silvercorp USA foi fundada com um propósito. Fornecemos a governos e empresas soluções realistas e oportunas para problemas irregulares", diz a mensagem introdutória da empresa em seu site.

A empresa, instalada em 2018 no estado da Flórida, afirma operar em mais de 50 países oferecendo serviços de "planejamento e consultoria, gerenciamento de risco, projetos especiais e análise de risco de infraestrutura crítica".

Soldados venezuelanos usando máscaras faciais cercam um suspeito retirado de um helicóptero depois do que as autoridades venezuelanas descreveram como uma incursão mercenária, em um local desconhecido. Imagem obtida de um vídeo da TV estatal venezuelana, 4 de maio de 2020

© REUTERS / Televisão Estatal da Venezuela / Handout
Soldados venezuelanos usando máscaras faciais cercam um suspeito retirado de um helicóptero

 

Entre seus funcionários, a empresa diz incluir "líderes do setor, ex-diplomatas, ex-chefes de segurança multinacional e os mais experientes militares, policiais e profissionais de inteligência da atualidade".

A Silvercorp oferece a seus clientes o conhecimento "técnico e tático" de seus consultores em combinação com a "visão local" da parte contratante.

A face da Silvercorp no contrato com Guaidó é Jordan Goudreau, um ex-militar americano de 43 anos (embora nascido no Canadá) que agora trabalha para a empresa. Goudreau, segundo um acordo registrado em uma gravação divulgada pelo governo venezuelano, chefiaria a incursão na Venezuela, com a missão de "capturar/deter/remover Nicolás Maduro".

Goudreau já havia estado na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela em fevereiro de 2019, quando foi contratado para garantir a segurança do concerto Venezuela Live Aid na cidade colombiana de Cúcuta.

A empresa receberia pela Operação Gideon um total de US$ 212,9 milhões (R$ 1,28 bilhão), dos quais US$ 50 milhões (R$ 290,5 milhões) seriam pagos na primeira etapa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020051515584200-venezuela-afeganistao-nicaragua-como-eram-as-guerras-nao-declaradas-da-cia/

CIA estaria realizando operações de ciberespionagem contra China há 11 anos

Hacker
© Sputnik / Aleksei Malgavko

A empresa chinesa de segurança cibernética Qihoo 360 afirmou que hackers americanos invadem setores importantes da China, incluindo setores governamentais, há mais de uma década.

As acusações da companhia, com sede em Pequim, foram feitas após uma pesquisa baseada na série de documentos Vault7, publicadas pelo WikiLeaks, que detalha atividades da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) na área da vigilância eletrônica e guerra cibernética.

Segundo o relato no blog da empresa, vários setores da indústria têm sido alvo de um grupo de hackers designado APT-C-39 (confirmado como vindo da CIA), incluindo empresas do setor da aviação, instituições de pesquisa científica, indústria petrolífera, empresas de Internet e agências governamentais.

"Dados da Qihoo 360 mostraram que as armas cibernéticas usadas pela organização e as armas cibernéticas descritas no projeto Vault 7 da CIA são quase idênticas", lê-se no site.

Os ataques foram rastreados até setembro de 2008, com a maior concentração de alvos nas províncias de Pequim, Guangdong e Zhejiang, disse a empresa.

'Hacking a nível estatal'

A empresa de cibersegurança chegou à conclusão de que o ataque foi iniciado por uma "organização de hacking a nível estatal" porque os hackers usaram "armas cibernéticas exclusivas da CIA", como o Fluxwire e o Grasshopper.

Os comandos de controle e esquemas de encriptação do APT-C-39 também coincidem com as revelações do Vault7, enquanto os tempos de compilação correspondiam ao "horário de trabalho norte-americano", revelou Qihoo.

Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA

© AP Photo / Carolyn Kaster
Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA

O ex-engenheiro informático da CIA acusado de vazar os documentos, Joshua A. Schulte, está atualmente em julgamento por espionagem nos EUA.

Em setembro de 2019, a empresa chinesa de antivírus Qi-Anxin também acusou a CIA de invadir empresas chinesas, principalmente do setor da aviação.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020030415287972-cia-estaria-realizando-operacoes-de-ciberespionagem-contra-china-ha-11-anos/

A mão da CIA no Plano Condor

Revelações recentes relacionadas à Crypto AG confirmam que a Agência Central de Inteligência dos EUA não ouviu falar sobre o Plano Condor através da espionagem; a CIA organizou, planejou, aconselhou e participou da execução das ações desse plano macabro de extermínio.

 

 

A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos espionou durante anos as comunicações diplomáticas e militares de centenas de países, usando máquinas de criptografia de uma empresa suíça, de propriedade da CIA e da agência de serviços secretos alemã BND, revelaram documentos divulgados pelo centro independente do Arquivo Nacional de Segurança (NSA).

A pesquisa, publicada recentemente pelo Washington Post e pela rede pública alemã zZDF, teve um grande impacto na mídia; centenas de agências em todo o mundo ecoaram as notícias e referenciaram ou comentaram as informações desclassificadas pela NSA.

Acontece que, por décadas, a empresa suíça Crypto AG, de propriedade da CIA e do BND, vendeu e instalou milhares de máquinas de criptografia em vários países, incluindo Chile, Argentina, Brasil, Uruguai, México, Colômbia, Peru, Venezuela, Nicarágua, Espanha, Grécia, Egito, Arábia Saudita, Irã e Iraque, Indonésia e Filipinas, entre outros.

As máquinas de criptografia permitiram à CIA decodificar, por exemplo, milhares de mensagens relacionadas à operação do Condor; com o golpe militar de 1973 contra o governo da unidade popular no Chile; o golpe de 1976 na Argentina; o assassinato do ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, Orlando Letelier, em Washington, em 1976; a guerra das Malvinas, e muitos mais.

Segundo a NSA (Agência de Segurança Nacional), os executores da Operação Condor, um plano coordenado de extermínio, realizado por várias ditaduras latino-americanas nas décadas de 1970 e 1980, para eliminar forças esquerdistas, democráticas e revolucionárias naquelas nações, foram espionados pela Agência, usando as máquinas da Crypto AG. Eles, os assassinos, criptografaram suas comunicações “sem saber que os Estados Unidos poderiam estar ouvindo”.

O equipamento utilizado pela “Condortel”, a rede de comunicações da Operação Condor, foi fornecido pela Crypto AG, mediante acordo da CIA e dos governos repressivos envolvidos na operação Condor.

O projeto de espionagem, de acordo com o The Washington Post e o ZDF, foi conhecido pela primeira vez sob o nome de “Thesaurus” e depois como “Rubicon”. O Post destaca que desde 1970 a CIA e a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) controlavam quase todos os aspectos da Crypto AG, em colaboração com o BND.

A maioria da mídia que comentou ou simplesmente replicou a informação apresentou a incrível tese de que a CIA estava ciente dos crimes cometidos pelos executores da Condor, por meio da operação de espionagem acima mencionada. Seja chamada de “Thesaurus” ou “Rubicon”, há aqueles que foram além em sua “ingenuidade” e acreditaram na história de que “alguns oficiais da CIA” ficaram assustados com as informações que receberam sobre os horrores perpetrados pelas ditaduras militares e queriam denunciá-las.

Conhecia a agência ou não acerca do Condor?

Os planos de repressão, antecedentes da Operação Condor, surgiram na década de 1960, na Escola das Américas e nas Conferências dos Exércitos Americanos, através das quais os Estados Unidos patrocinaram ações “preventivas” na região, como parte de inteligência e operações de guerra psicológica e cultural, realizadas sob o lema “não mais Cubas”.

Documentos desclassificados da CIA, datados de 23 de junho de 1976, divulgados pelo jornal uruguaio La República, em 29 de julho de 2007, revelam que “no início de 1974, agentes de segurança da Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e a Bolívia se reuniram em Buenos Aires para preparar ações coordenadas contra alvos subversivos”.

O relatório Top Secret do National Intelligence Daily, preparado pelo diretor da CIA apenas para chefes de alto escalão da agência, acrescenta que “desde então (apagado) os argentinos realizam operações contra subversivos em conjunto com chilenos e uruguaios”.

O documento, segundo a pesquisadora norte-americana Patrice McSherry, prova que a coordenação repressiva entre as ditaduras do Cone Sul começou em 1973 e 1974, antes que as operações extraterritoriais fossem batizadas como Plano Condor em uma reunião realizada no Chile, em 1975, e que A CIA esteve envolvida no planejamento e execução das ações.

A Operação Condor foi um plano de inteligência projetado e coordenado pela CIA com os serviços de segurança das ditaduras militares da América Latina, para aniquilar a esquerda; juntamente com a Gladio e a Phoenix fez parte, no meio da Guerra Fria, da estratégia global dos Estados Unidos para enfrentar “o avanço do comunismo no mundo”.

Graças aos arquivos desclassificados da CIA, sabe-se que o ex-chefe da inteligência chilena, Manuel Contreras, foi convidado em 1975 para Langley, a sede da CIA, onde permaneceu por 15 dias. Após essa visita, Contreras se reuniu em 25 de novembro de 1975 com os líderes dos serviços de inteligência militar da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Mais tarde, o Brasil se juntou ao grupo avançado.

De acordo com os “arquivos de terror” descobertos no Paraguai, a Operação Condor deixou um saldo terrível de mais de 50 mil mortos, mais de 30 mil desaparecidos e cerca de 400 mil prisioneiros.

Gladio era uma estrutura secreta composta por militares e civis que, ligados à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e patrocinados pela Agência Central de Inteligência (CIA), atuaram na Europa desde o final da década de 1950 até outubro de 1990. Sob o pressuposto de enfrentar a ameaça de ocupação da região pelo Exército Vermelho em caso de Terceira Guerra Mundial, os exércitos secretos da Gladio na Europa, principalmente na Itália, realizaram múltiplas ações terroristas e crimes seletivos.

No ataque para assassinar em Roma, Bernardo Leighton, organizado pelo terrorista italiano Stefano Delle Chiaie, membro da Operação Gladio, foi o terrorista de origem cubana Orlando Bosch Ávila, envolvido com Luis Posada Carriles no Crime de Barbados, que fez funcionar a metralhadora que feriu gravemente Bernardo Leighton e sua esposa.

Phoenix era um programa altamente secreto, desenvolvido em 1967 pela CIA no Vietname, a fim de “neutralizar” a infraestrutura vietcongue, matando civis do Sul do Vietname, suspeitos de apoiar combatentes do Norte e do Vietcongue.

O então diretor da CIA, William Colby, admitiu em 1976 que as operações de Phoenix mataram mais de 20 mil pessoas, entre 1967 e 1972. A chacina de My Lai foi apenas mais uma operação do programa Phoenix.

Os métodos e técnicas de Phoenix foram utilizados na Operação Condor.

A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos não ouviu falar do Plano Condor mediante a espionagem. A CIA organizou, planejou, aconselhou e participou da execução das ações do macabro plano de extermínio, é responsável por crimes contra a humanidade, crimes pelos quais deveria comparecer perante os tribunais, mas goza de impunidade. De qualquer forma, ela não pode escapar do julgamento da história, que já a julga e condena.

No contexto

Algumas das principais ações relacionadas ao Plano Condor:

  • Em Buenos Aires, o general do exército chileno Carlos Prats e sua esposa Sofia Cuthbert foram mortos por uma bomba ativada remotamente.
  • Oficiais do exército uruguaio viajaram secretamente para Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, e sequestraram dois militantes da oposição política uruguaia, Universindo Rodríguez Díaz e Lilian Celiberti, junto com seus dois filhos, Camilo e Francesca, de oito e três anos, respectivamente.
  • Orlando Letelier, ex-ministro do governo de Salvador Allende, foi morto por uma explosão de um carro-bomba em Washington. Seu assistente, Ronni Moffitt, cidadã dos EUA, também morreu na explosão.
  • Sequestro e desaparecimento do casal Zaffaroni, na Argentina.

por Raúl António Capote | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Fonte: Ecured e Prensa Latina, citadas pelo jornal Granma

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-mao-da-cia-no-plano-condor/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-mao-da-cia-no-plano-condor

CRYPTO-FASCISMO

image (Entre as polícias políticas da América Latina, a coordenação da repressão passava pelas máquinas da Crypto AG, rebatizadas de «Condortel» 
image
 
Editorial LE COURRIER VENDREDI 21 FÉVRIER 2020
BENITO PEREZ
CRYPTO-FASCISMO
O caso Crypto AG, nome da empresa que operou durante meio-século a partir de Zougem proveito da CIA, só surpreende pela escala e duração. Que a Suíça e a sua neutralidade de fachada estivessem subordinadas aos interesses do Estado americano, constata-se pelo menos depois da Guerra Fria. Reveladas no final do século passado, as organizações helvéticas secretas P26 e P27 permitiram também, que o exército e o establishment político - o mesmo que deu cobertura à Crypto – de colaborar com a OTAN com a maior hipocrisia. Uma aliança transatlântica que não diminuiu desde então.
Se de forma alguma nos surpreende, o caso Crypto (ou Rubicon, de acordo com seu último nome de código), no entanto, destaca uma certa conceção suíça de neutralidade. Os documentos extraídos dos arquivos da NSA, desenterrados há alguns dias pelo Washington Post, mostram também que as ferramentas de criptografia vendidas pela empresa Zugoise foram usadas em particular para rastrear os opositores das ditaduras da América do Sul em 1973, particularmente através do famoso 'Plano Condor'. Entre as polícias políticas (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), a coordenação das operações de vigilância e repressão transitavam pelas máquinas CX-52se depois pelas máquinas H-4605 da Crypto AG, rebatizadas de 'Condortel'... A caça orquestrada com o apoio dos Estados Unidos custou a vida a várias dezenas de milhares de militantes de esquerda. Sabemos agora que Washington podia acompanhar cada sequestro, tortura e desaparecimentos em direto graças aos produtos made in Switzerland. 
Um cenário sem dúvida idêntico ao do genocídio dos comunistas da Indonésia, outro país cliente da Crypto AG.
Para Berna, a qual o Postassegura que foi informada das atividades da CIA, a operação Rubicon tinha apenas vantagens: além da publicidade em termos da excelência tecnológica, a Confederação manteve uma neutralidade de fachada, mas favoreceu concretamente os regimes  conformes aos interesses económicos das suas elites. Tudo sem sujar as mãos. Enfim... a história os julgará.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Crypto Leaks: O “Golpe do Século” da CIA

Como a CIA interceptou as comunicações de “toda a gente” e como ainda conseguiu que os “interceptados” lhe pagassem por isso…

 

A esta operação, que começou por se chamar Thesaurus e depois foi rebaptizada Rubicon e que teve o apoio da Alemanha e durou décadas, o Washington Post chamou agora “o golpe do século”.

O blog suíço “Qui a le savoir a le pouvoir” regista a história…

 

 

Opération «Rubicon», révélations sur les complicités suisses avec l’espionnage international

 


 

 

Exclusivo Tornado / IntelNomics

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/crypto-leaks-o-golpe-do-seculo-da-cia/

«QUE MÃO HUMANA ESTARÁ POR DETRÁS DO CORONAVÍRUS?»

 
A pergunta está a tornar-se comum, perante as particularidades e as circunstâncias da epidemia de Coronavírus iniciada na cidade chinesa de Wuhan: tratando-se de uma mutação genética, de onde chegou a mão humana que contribuiu para desencadear a doença? Custa sempre admitir que haja pessoas e instituições capazes de atrocidades destas. Mas olhando um pouco para trás, recordando factos históricos conhecidos, admitidos e comprovados, identificando os seus autores e respectivos interesses, medindo os factos e coincidências podem antever-se respostas sem entrar pela gratuitidade da especulação. O Lado Oculto deixa este texto tentando contribuir para a reflexão informada sobre o tema.
Arthur González*, Pátria Latina/O Lado Oculto
Plum Island, laboratório militar secreto. Para quem conhece a história aterrorizadora da CIA, pejada de planos de acções encobertas para assassinar personalidades, espiar partidos políticos e seus dirigentes, executar golpes de Estado, desenvolver experiências para manipular a mente de seres humanos e trabalhar com agentes biológicos a fim de transmitir vírus contra pessoas, animais e plantas, não é inverosímil supor que também possa estar por detrás do perigoso Coronavírus, o causador da pneumonia de Wuhan, na China.
 
Não é novidade a guerra suja que os Estados Unidos executam contra a China, por considerarem este país como um perigo para a economia norte-americana. Daí o facto de presidente Trump aplicar medidas inéditas para asfixiar a China e evitar que avance como a maior potência económica mundial. Daí ter convertido Pequim no seu novo inimigo estratégico no cenário mundial.
 
Por isso não é de estranhar que os Estados Unidos possam estar por detrás do aparecimento do Coronavírus em Wuhan, obrigando a China a paralisar uma das suas regiões de maior desenvolvimento económico e uma população de mais de 11 milhões de habitantes, sendo a sua sétima cidade mais povoada e uma das nove cidades centrais da China, com conexões para todo o território nacional.
 
Wuhan é qualificada como o centro político, económico, financeiro, comercial, cultural e educativo da China central, além de ser um nó principal de transportes onde se unem dezenas de vias férreas, estradas e autoestradas, ligando a cidade a praticamente todo o país.
 
A sua localização permite, por outro lado, que seja um ponto também propício à rápida disseminação de uma epidemia em todo o país, o que obriga a perguntar: será por acaso que o vírus tenha surgido em Wuhan? Terá sido por essa razão que foi “seleccionada” para o introduzir entre os seus habitantes?
 
Afirma-se que o vírus é o resultado de uma mutação genética, algo em que os cientistas norte-americanos trabalham historicamente nos seus laboratórios militares de guerra biológica.
 
O pânico criado a nível mundial aconselha a que não se visite a China por causa da possibilidade de contágio, o que afecta a indústria turística do país, os investimentos estrangeiros e os intercâmbios comerciais.
 

Os antecedentes em Cuba

 
Cuba, por exemplo, tem sofrido múltiplos ataques biológicos desde há 60 anos. O primeiro caso conhecido é o da Operação Mangosta, aprovada em 18 de Janeiro de 1962 pelo presidente J.F. Kennedy e que na sua norma número 21 diz textualmente:
“A CIA proporá um plano até 15 de Fevereiro para provocar o fracasso das colheitas alimentares em Cuba…”
 
As linhas seguintes não foram desclassificadas pelas autoridades norte-americanas.
 
Em Junho de 1971 comprovou-se a presença em Cuba do vírus que causa a Febre Porcina Africana, o que jamais tinha acontecido na Ilha. Foi preciso sacrificar centenas de milhares de porcos para evitar a sua disseminação por todo o território nacional, com perdas económicas e alimentares de grande envergadura.
 
Em Abril de 1981 foram detectados em Havana vários casos de febre hemorrágica, provocando a morte de quatro crianças. Foi possível comprovar que se tratava de uma estirpe nova do vírus “Nova Guiné 1924”, serotipo 02, única no mundo naquela época, produzida em laboratório.
 
Em Agosto de 1981 detectou-se em Sancti Spiritus, província central de Cuba, o herpes vírus BHV2, endémico em África e isolado no laboratório de doenças incomuns em Plum Island, Estados Unidos. Esse agente viral é o causador da Pseudodermatose Nodular Bovina e afectou a produção de leite.
 
Em 1983, Eduardo Arocena declarou no tribunal de Nova York que o julgava por assassinar um diplomata cubano acreditado na ONU que, como agente da CIA, cumpriu a missão de introduzir germes patogénicos em Cuba quando na Ilha se combatia a epidemia de Dengue Hemorrágico.
 

A importância estratégica de Wuhan

 

A lista de acções semelhantes é ampla. Por isso, não é de estranhar que a China agora seja alvo desse trabalho sujo cultivado por responsáveis norte-americanos. [1]
 
Isto deve-se ao poder económico do gigante asiático; e Wuhan, em particular, é um território de amplas transformações industriais que possui três zonas de desenvolvimento nacional, quatro parques de desenvolvimento científico e tecnológico, mais de 350 institutos de investigação, 1.656 empresas de alta tecnologia, numerosas empresas e investimentos de 230 sociedades listadas na Fortune Global 500.
 
Em Wuhan situa-se a sede da mega empresa Dongfeng Motor Corporation, complexo industrial que fabrica automóveis e está associado a dezenas de institutos de educação superior, inclusive a Universidade de Wuhan, que em 2017 ocupou o terceiro lugar a nível nacional juntamente com a Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong.
 
Nesse mesmo ano de 2017 a UNESCO declarou Wuhan “Cidade Criativa” no campo do design; hoje está classificada pela Globalization and World Cities Research Network como uma cidade beta mundial (regiões secundárias com impacto na economia global).
 
Os Estados Unidos já emitiram um aviso de viagem de nível 4 - depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado a epidemia como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional - aconselhando os seus cidadãos e residentes a não viajarem para a China.
 
O Departamento de Segurança Nacional informou que há 11 aeroportos seleccionados, designadamente o Aeroporto Internacional John F. Kennedy, o Aeroporto Internacional de Los Angeles e o Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta, através dos quais os viajantes procedentes da China podem entrar nos Estados Unidos
 
Por sua vez, o Departamento da Saúde declarou que “se os passageiros forem examinados e não mostrarem sintomas serão realojados no seu destino final, sendo-lhes solicitado que fiquem de quarentena no próprio domicílio”.
 
Para semear mais terror, foi nos Estados Unidos que teve origem a notícia de que “o coronavírus pode contagiar ainda sem sintomas”, segundo o critério do principal especialista norte-americano em doenças infecciosas. E em Hong Kong, onde os Estados Unidos têm conduzido as acções “independentistas”, trabalhadores da saúde declararam-se em greve para exigir ao governo que encerre a fronteira com a China continental.
 
Há ou não há razões para suspeitar que a mão dos Estados Unidos esteja por detrás da epidemia, sobretudo tendo em conta todos os antecedentes que a CIA tem em guerra biológica?
 
A China faz todos os possíveis para enfrentar a epidemia e construiu dois hospitais em tempo recorde, demonstrando ao mundo a vontade resolver o problema. Com essa iniciativa manifesta, ao mesmo tempo, a sua capacidade de resposta, algo que incomoda os Estados Unidos, que não seriam capazes de fazer algo semelhante.
 
Algum dia virá a conhecer-se a verdade; enquanto isso, a China continuará os seus passos firmes para tentar derrotar esta doença. Como disse José Martí:
 
“Não é possível que passem despercebidos pelo mundo a piedade incansável do coração e a limpeza absoluta da vontade”.
[1] O governo dos Estados Unidos fez experiências de guerra bacteriológica contra Coreia e a China na década de 1950. Este facto está comprovado no Report of the International Scientific Commission for the Investigation of the Facts Concerning Bacterial Warfare in Korea and China (764 páginas). *Jornalista cubano
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

O coronavirus e a provável mão oculta dos Estados Unidos

por Arthur González [*]

Plum Island, laborat Para quem conhece a história terrorífica da CIA, pejada de planos de acções encobertas para assassinar personalidades, espiar partidos políticos e seus dirigentes, executar golpes de Estado, desenvolver experimentos para manipular a mente de seres humanos e trabalhar com agentes biológicos a fim de transmitir vírus contra pessoas, animais e plantas, não é inverosímil supor que também pode estar por trás do perigoso Coronavirus, o Pneumonia de Wuhan, detectado na China.

É notória a guerra suja que os Estados Unidos executam contra a China, por considerá-la um perigo para a economia ianque. Daí o presidente Trump aplicar medidas inéditas para afogar a China e evitar que avance como a maior potência económica mundial.

Os ianques desesperados procuram modificar a correlação de forças em escala mundial. Por isso pressionaram o Reino Unido a sair da União Europeia para debilitá-la, além de converter a China no seu novo inimigo estratégico no cenário mundial.

Por isso não é de estranhar que possam estar por trás do surgimento do Coronavirus em Wuhan, obrigando os chineses a paralisar uma das suas regiões de maior desenvolvimento económico e uma população de mais de 11 milhões de habitantes, sendo a sua sétima cidade mais povoada e uma das nove cidades centrais da China com conexões para todo o território nacional.

Wuhan é qualificada como o centro político, económico, financeiro, comercial, cultural e educativo da China central, além de ser um centro principal de transportes, com dezenas de ferrovias, estradas e auto-estradas que cruzam essa cidade, conectando-a com outras importantes.

Essa localização permite a rápida disseminação da epidemia em todo o país, o que obriga a perguntar: será por acaso que o vírus tenha surgido ali? Ou por essas razões foi seleccionada para introduzi-lo entre os seus habitantes?

Afirma-se que o vírus é uma mutação, algo em que cientistas ianques trabalham historicamente nos seus laboratórios militares de guerra biológica.

O pânico criado a nível mundial obriga a não visitar a China, o que afecta sua indústria turística, os investimentos estrangeiros e os intercâmbios comerciais, perante a possibilidade de contágio.

Cuba tem sofrido múltiplos ataques biológicos desde há 60 anos. O primeiro contemplado é a conhecida Operação Mangosta, aprovada em 18 de Janeiro de 1962 pelo presidente J.F. Kennedy, que na sua tarefa número 21 diz textualmente:

"A CIA proporá um plano até 15 de Fevereiro para provocar o fracasso das colheitas de alimentos em Cuba..." As linhas seguintes não foram desclassificadas.

Em Junho de 1971 comprovou-se a presença na Ilha do vírus que causa a Febre Porcina Africana, o qual jamais havia sido reportado em Cuba. Foi preciso sacrificar centenas de milhares de porcos para evitar sua disseminação por todo o território nacional, com uma perda económica e alimentar de grande envergadura.

Em Abril de 1981 foram detectados em Havana vários casos de febre hemorrágica, provocando a morte de quatro crianças. Foi possível comprovar que se tratava de uma estirpe nova do vírus "Nova Guiné 1924", serotipo 02, única no mundo naquela época, sendo uma estirpe elaborada em laboratório.

Em Agosto de 1981 detectou-se em Sancti Spiritus, província central de Cuba, o herpes vírus BHV2, endémico em África e isolado no laboratório de doenças exóticas em Plum Island , Estados Unidos. Esse agente viral é o causador da Pseudodermatose Nodular Bovina e afectou a produção de leite.

Em 1983 Eduardo Arocena declarou no tribunal de Nova York – que o julgava por assassinar um diplomata cubano acreditado na ONU – que, como agente da CIA, cumpriu a missão de introduzir germes patogénicos em Cuba, quando na Ilha enfrentava-se a epidemia do Dengue Hemorrágico.

A lista de semelhantes acções é ampla. Por isso não é de estranhar que a China agora seja alvo desse trabalho sujo que os ianques costumam executar [1] . Isto se deve à potência económica desse gigante asiático e em particular Wuhan, território de amplas transformações industriais que possui três zonas de desenvolvimento nacional, quatro parques de desenvolvimento científico e tecnológico, mais de 350 institutos de investigação, 1.656 empresas de alta tecnologia, numerosas empresas e investimentos de 230 empresas listadas na Fortune Global 500.

Ali tem sede a mega empresa Dongfeng Motor Corporatiion, complexo industrial que fabrica automóveis, unido a dezenas de institutos de educação superior, inclusive a Universidade de Wuhan que em 2017 ocupou o terceiro lugar a nível nacional, mais a Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong.

Nesse ano a UNESCO declarou Wuhan "Cidade Criativa" no campo do design e hoje está classificada pela Globalization and World Cities Research Network, como uma cidade beta mundial.

Os EUA já emitiram um aviso de viagem de nível 4, depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado a eclosão como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional, em que exorta seus cidadãos e residente a não viajar à China.

O Departamento de Segurança Nacional informou que há 11 aeroportos designados, inclusive os Aeroporto Internacional John F. Kennedy, o Aeroporto Internacional de Los Angeles e o Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta, pelos quais os viajantes procedentes da China podem entrar nos EUA.

Por sua vez, o Departamento da Saúde declarou que "se os passageiros forem examinados e não mostrarem sintomas, serão relocalizados no seu destino final e se lhes solicitará que se ponham em quarentena dentro da sua casa".

Para semear mais terror disseminaram a notícia de que "o coronavirus pode contagiar ainda sem sintomas", segundo critérios do principal médico de infecções dos EUA. E em Hong Kong trabalhadores da saúde declararam-se em greve para exigir ao governo que encerre a fronteira com a China.

Há ou não há razões para suspeitar que a mão dos Estados Unidos está por trás da epidemia, com todos os antecedentes que a CIA tem em guerra biológica?
A China faz todo o possível para enfrentar a epidemia e constrói dois hospitais em tempo recorde, demonstrando ao mundo a vontade resolver o problema. Ao mesmo tempo, exibe a sua potencialidade económica, algo que enfurece os ianques que não seriam capazes de fazer algo semelhante.

Algum dia se saberá a verdade, mas enquanto isso a China seguirá seu passo firme para sair vitoriosa deste mal. Como disse José Martí:

"Não é possível que passem inúteis pelo mundo a piedade incansável do coração e a limpeza absoluta da vontade".

 

[1] O governo dos EUA fez experimentos de guerra bacteriológica contra Coreia e a China na década de 1950.   Este facto está comprovado no Report of the International Scientific Commission for the Investigation of the Facts Concerning Bacterial Warfare in Korea and China (764 páginas, 235 MB).

Ver também:

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/cuba/coronavirus_eua.html

Vírus espionou militares e políticos da América do Sul

247 - Um estudo feito por pesquisadores argentinos, da Universidade Técnica da República Tcheca, em Praga, constatou que integrantes dos setores militar e político da América do Sul foram alvos de ciberespionagem durante os anos de 2011 e de 2019 por um malware, espécie de vírus.

O grupo estudou diversas versões do vírus que estiveram ativas no último ano para analisar países e temas usados para infectar computadores do continente — inclusive do Brasil, como revelou reportagemdo jornal O Globo.

Apesar da atuação em solo brasileiro, os principais alvos desse vírus, chamado de Manchete, estavam na Venezuela e na Nicarágua, segundo a pesquisa. O foco foi descoberto porque os responsáveis por sua disseminação costumavam utilizar documentos falsos. Quando os usuários baixavam esses arquivos, seus computadores eram infectados. Um dos documentos compartilhava a notícia da visita do então Ministro da Defesa, Raul Jungmann, em janeiro de 2017, ao Sistema de Monitoramento da Fronteira, o Sisfron, na cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul. O Sisfron é um dos principais investimentos feitos pelas Forças Armadas nos últimos anos, diz a reportagem.

 

Política do MI5 permite que seus informantes cometam crimes graves, diz mídia

 
 
REINO UNIDO
 
O tribunal que ouve reclamações sobre serviços de inteligência determinouque os oficiais de inteligência britânicos podem conceder a seus agentes e informantes o direito de cometer crimes se isso servir os interesses nacionais.
 
A decisão foi aprovada com uma pequena maioria, ressaltando a delicadeza do assunto.
 
Uma política secreta do Serviço de Segurança do Reino Unido, mais conhecido como MI5, permitindo que seus agentes cometam crimes graves como assassinatos, sequestros e tortura, foi declarada legal pelo Tribunal de Poderes Investigativos britânico (IPT, na sigla em inglês), escreve The Guardian.
 
De acordo com este órgão judiciário, o Serviço de Segurança britânico tem "poder implícito" para permitir crimes nos termos da Lei do Serviço de Segurança.
 
 
Da decisão judicial consta que a política não viola os direitos humanos e não concede imunidade absoluta àqueles que cometem os crimes, incluindo assassínio e tortura.
 
"Os acontecimentos dos últimos anos, como, por exemplo, em Manchester e Londres [ocorridos] em 2017, servem para acentuar vividamente a necessidade desta recolha de informações e outras atividades a fim de proteger a população de graves ameaças terroristas", aponta o despacho aprovado por maioria, de acordo com The Guardian.
 
A decisão é tomada um ano após o governo do Reino Unido ter confirmado a existência de uma política anteriormente secreta conhecida como "Terceira Direção".
 
O documento que permite a aplicação desta política foi assinado pelo ex-primeiro-ministro britânico David Cameron e estipula que os oficiais dos serviços de segurança podem permitir aos seus agentes e informantes no terreno cometer crimes em benefício dos interesses nacionais sem necessidade de informar a polícia e os procuradores.
 
Sputnik | Imagem: © flickr.com / Skinbops

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/politica-do-mi5-permite-que-seus.html

Web Summit-Lisboa | Privacidade. "O modelo de negócio é o abuso" - Snowden

 
 
Edward Snowden, denunciante do esquema de vigilância de larga escala da NSA, abriu o palco da Web Summit, numa conversa a partir da Rússia.
 
Os dados não são inofensivos, não são abstratos, quando se fala de pessoas. Não são os dados que estão a ser explorados, são as pessoas", garante Edward Snowden, a voz que denuncia o esquema de vigilância de larga escala, desenvolvido pela CIA e NSA.
 
Numa conversa com James Ball, do Bureau of Investigative Journalism, Snowden recordou as motivações que o levaram a denunciar as entidades do próprio país, em 2013. "Imagine, que trabalha na CIA, segue as regras sempre. Eu era um totó, nunca fumei um charro, era um chato. A minha família tinha trabalhado para o governo e eu ia fazer o mesmo". Até ao dia em que Snowden precisou de contar a "verdade ao mundo". "Imaginem que descobriam que tudo o que a sua agência fazia, que todos os vossos colegas faziam, ia contra aquilo que estava no juramento".
 
"Para mim, a resposta era clara. Acredito que o público tem direito a saber a verdade". "Estavam a vigiar as pessoas já num sentido de prospeção, era aquilo a que chamei a vigilância permanente. Faziam isto de qualquer forma, mesmo que as pessoas não tivessem feito nada e ninguém com poder fazia alguma coisa, porque podia ser proveitoso."
 
 
Sobre o presente e momento que o mundo tecnológico atravessa, com as chamadas big tech pressionadas, Snowden é claro. "O modelo de negócio é o abuso", diz Snowden sobre a Google, Amazon ou Facebook. Em conversas anteriores, nomeadamente nas entrevistas que tem dado para promover o livro de memórias Vigilância Permanente, Snowden já tinha apontado o dedo às big tech.
 
"Esta geração já não é dona de nada, usamos os serviços e isso cria um registo permanente", explica Edward Snowden. O mercado aponta o mesmo - crescem as ofertas de serviços de streaming de conteúdos ou mobilidade partilhada.
 
No final da conversa perante a audiência da Web Summit, Edward Snowden é claro na mensagem a passar."A lei não é a única coisa que nos consegue proteger, a tecnologia não é a única coisa que nos consegue proteger - nós podemos proteger-nos."
 
Cátia Rocha | Diário de Notícias | Imagem: © Filipe Amorim / Global Imagens
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/web-summit-lisboa-privacidade-o-modelo.html

"Vigilância massiva, registo permanente", de Edward Snowden

por Jorge Figueiredo

"Vigilância Massiva, Registo Permanente" Edward Snowden é o Daniel Ellsberg da nossa época. O analista da Rand que teve a coragem de revelar os "Pentagon Papers" (1971) com o relato dos crimes praticados pelo imperialismo no Vietname é um digno antecessor de Snowden. Ambos caracterizam-se pelo eticismo. Fizeram-no abandonando carreiras confortáveis e assumindo riscos enormes.

O livro "Vigilância Massiva, Registo Permanente",[1] de Snowden, agora lançado em Portugal, é uma auto-biografia intelectual e política. Ela revela a evolução de um homem, extremamente talentoso do ponto de vista técnico e cuja origem social radica nas camadas médias que trabalham para o aparelho de Estado americano. Ele ingressou aos 22 anos na chamada "Comunidade da Informação" (CI) motivado sobretudo pelos sentimentos patrióticos em que acreditava.

Snowden trabalhou para a Central Intelligence Agency (CIA) e para a National Security Agency (NSA), muitas vezes através dos empreiteiros que as serviam. Começou a sua carreira como um jovem técnico desejoso de colaborar para a construção de "um mundo melhor". Acreditava nisso sinceramente e, graças ao seu enorme talento técnico, em apenas sete anos atingiu os mais altos níveis de responsabilidade operacional no aparelho mundial da CI, com acesso às mais classificadas informações.

Pode-se perguntar. O que motivou um homem assim a tornar-se um denunciante? Ele explica. Nos seus primeiros tempos de actuação trabalhou em actividades técnicas específicas do sistema de vigilância mundial do aparelho de espionagem americano. Tinha a ambição intelectual de ver o todo do sistema, no seu conjunto. Mas como as actividades da espionagem são compartimentadas, isso só ia se tornando possível à medida em que subia nos escalões hierárquicos da CI.

Snowden não é um socialista, muito menos um marxista. Os seus valores são os de um liberal que pretende aplicar a Constituição americana do século XVIII que impõe o respeito pelas liberdades individuais. Entretanto, verificou que a realidade presente dos EUA nada tem a ver com tais propósitos. Hoje os EUA são um Estado opressivo de vigilância massiva sobre todos os seus cidadãos e sobre o resto do mundo.

A sua consciência evoluiu progressivamente, mantendo sempre bases éticas e com o pano de fundo libertário dos primeiros tempos da Internet. Entretanto, houve um momento em que se deu o "clic" na sua consciência – o célebre salto qualitativo. Foi, como ele conta, o momento em que verificou que a vigilância individualizada passara a ser massiva, uma vigilância de toda a população estado-unidense e mundial. Na verdade, como ele diz, "redefinimos o conceito de espionagem". Esta deixou de ser a clássica de encontros clandestinos estilo James Bond e passou a ser a das redes de arrasto que colectam tudo.

Poucos sabem que a vigilância generalizada já é a realidade actual pois o aparelho foi montado em segredo. Ele foi possível graças a dois grandes saltos tecnológicos: 1) A capacidade de interceptar todos os fluxos de comunicação (telefones, email, mensagens, redes sociais, etc); e 2) A capacidade de armazenar ad eternum os gigantescos volumes de dados assim coligidos. Estas capacidades tecnológicas permitiram uma sociedade muito mais vigiada do que qualquer polícia política no mundo alguma vez teve possibilidade de concretizar.

Ambas as capacidades têm implicações fundas e apontam para uma sociedade distópica. O poder de interceptar significa o fim da privacidade e o poder de armazenar para sempre o que foi interceptado constituem armas a serem utilizadas selectivamente contra cidadãos. A classe dominante que tem tais poderes exerce de facto um controle ditatorial num Estado fascista de novo tipo.

Descobrir tudo isto, um processo em desenvolvimento acelerado e já em curso mas ainda desconhecido da maior parte do mundo, deve ter sido angustiante para Snowden – sobretudo porque tinha de manter secretos tais pensamentos. Na sua ingenuidade liberal, chegou a pensar em denunciar pelas vias hierárquicas legais as infracções sistemáticas à Constituição e às leis em vigor – mas o triste destino de colegas que fizeram tímidas tentativas desse tipo dissuadiram-no. Estava assim diante de um problema de coerência entre pensamento e acção. Denunciar ao mundo tal situação, para preveni-la, era um dever. Mas cumpri-lo exigia planeamento, coleccionamento de provas, contactos com jornalistas, rupturas, perigo de vida e sobretudo uma enorme coragem – tanta que dificilmente poderá haver um outro denunciante do nível dele na CI estado-unidense.

O acervo de provas que coligiu na CI dos EUA, a qual domina a rede dos Cinco Olhos (com a Grã-Bretanha, Austrália, Canadá e Nova Zelândia), é colossal. Snowden é um herói da humanidade por tê-las trazido aos olhos do mundo, denunciando-as. Mas, com este livro, ele vai mais além. Numa linguagem tão didáctica quanto possível ensina às pessoas como se defenderem da intrusão avassaladora do poder dominante. É assim que mostra a ilusão corrente de que se possa "apagar" uma informação e aponta o caminho, mais eficaz, da criptografia. É uma lição importante, sobretudo, para as forças progressistas (o liberalismo, ou inconsciência, é tamanho que o Gmail, devassado pela NSA, continua a ser usado generalizadamente).

Outra percepção aguda de Snowden é a da criação da irrealidade , em que a verdade e a mentira se misturam de modo indetectável para o comum dos cidadãos. Vale a penas citar as suas palavras:

"As tentativas de funcionários eleitos para deslegitimar o jornalismo têm sido ajudadas ou consentidas por um assalto frontal ao princípio da verdade. O que é real está a ser deliberadamente misturado com o que é falso, através de tecnologias capazes de levar essa mistura a um nível sem precedentes de confusão global.
"Tenho um conhecimento íntimo deste processo, porque a criação da irrealidade sempre foi uma das artes mais negras da Comunidade da Informação. As mesmas agências que, só no espaço temporal da minha carreira, manipularam a informação com o objectivo de cria pretexto para uma guerra – e usaram políticas ilegais e um sistema judiciário paralelo para permitir o rapto como "rendição extraordinária", a tortura como "interrogatório reforçado" e a vigilância massiva como "recolha de dados" – não hesitaram um instante em chamar-me agente duplo chinês, agente triplo russo, e pior: "um millenial " [2] .

O livro de Snowden é uma leitura indispensável para as forças progressistas do mundo todo. Elas têm o dever de abandonar a displicência e o liberalismo quanto à segurança do que recebem e transmitem, de defender a privacidade nas suas comunicações inter-pessoais. Dizer que nada têm a esconder é o mesmo que dizer que não se preocupam com a censura porque não são jornalistas.

Registe-se finalmente o mérito da editora Planeta que foi capaz de lançar esta obra em Portugal em simultâneo com a sua edição em inglês, numa tradução rápida e escorreita de Mário Dias Correia.

25/Setembro/2019
[1] Vigilância Massiva, Registo Permanente , Edward Snowden, Planeta, 2019, 398 p., ISBN 978-989-777-312-9
[2] Millenial: pessoa nascida entre 1981 e 1991, a geração que já cresceu no mundo dos computadores, telemóveis inteligentes e sistemas de jogos.

Esta resenha encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/jf/snowden_resenha_set19.html

 

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A outra face da NATO

Rui Namorado Rosa    20.Sep.19

Publicámos este artigo em 2011. Nos oito anos passados o seu conteúdo não só não perdeu actualidade como justifica inteiramente a republicação, porque todos os traços que identifica na NATO enquanto principal braço armado do imperialismo se acentuaram. Tal como era observado, os meios que utiliza não se resumem às agressões militares abertas. Tem um longo e criminoso currículo de organização de grupos clandestinos e acções secretas de carácter terrorista e fascista, desde a época da sua fundação. Nos dias de hoje essa componente da sua actividade criminosa é provavelmente a de maior importância.

Todos nós já vivemos um lapso de tempo durante o qual numerosos sucessos conduziram a conflitos armados em quase todas as partes do mundo. A génese desses conflitos tem sido quase sempre intrigante. As notícias sobrecarregadas de imagens e as análises convertidas em propaganda, com suas doses de racionalidade e de emoção, as mensagens subliminares que circulam, a avalanche de factos e mensagens que nos submerge, anestesiam o observador que de cidadão corre o risco de ser convertido em espectador.
A racionalidade que justifica a inevitabilidade que desemboca em guerra é uma manipulação cruel e ignóbil. Compreender a realidade subjacente a “fazer a guerra” passa por entender um bocado de história e de economia e outros conhecimentos mais. Mas não basta depurar e avaliar os factos visíveis. É preciso ir aos estratos ocultos da realidade, porque “fazer a guerra” passa muito por ocultar, intimidar, manipular e mentir. Ao “inimigo”, aos aliados e ao próprio povo.
Obras publicadas por antigos oficiais na reserva e investigações conduzidas por novos investigadores têm vindo a iluminar, ainda que palidamente, essa face oculta de “fazer a guerra”. A NATO, cumpridos sessenta anos de experiência no terreno sob a liderança dos EUA, durante os quais esta potencia e aquela aliança acumularam uma impressionante sucessão de acções e golpes militares, de batalhas e de guerras prolongadas à roda do mundo, merece particular atenção. Muito do que se passa no mundo tem ou ameaça ter a sua mão. No Médio Oriente, nos Balcãs, no Cáucaso, na Ásia Central, na América Latina e em África, lá onde os conflitos e as guerras se sucedem “inexplicavelmente” - como se esse fosse o estado normal da natureza humana, o que não é.
Este artigo tomou como ponto de partida o trabalho do investigador suíço Daniele Ganser e outras investigações que têm emergido recentemente sobre a estratégia de tensão e particularmente a “Operação Gladio” conduzida sob os auspícios da NATO [1].

UMA REVELAÇÃO NO FIM DA GUERRA-FRIA

Em Itália, 1990, o juiz Felice Casson, enquanto investigando actos terroristas atribuídos à extrema-direita, descobriu nos arquivos dos serviços secretos militares italianos evidência de um até então desconhecido “exército de retaguarda” com ligação à NATO. Um documento datado de 1 de Junho de 1959 registava a existência de um “comité de planeamento clandestino” (CPC) directamente conectado ao supremo quartel-general das forças aliadas na Europa (SHAPE) sediado em Bruxelas, comité que coordenaria operações anti-comunistas clandestinas e operações armadas não convencionais. O mesmo documento remetia para um outro anterior, de 16 de Novembro de 1956, um acordo entre a CIA e o SIFAR (anterior serviço de informações das forças armadas italianas) que constituía a base da Operação Gladio [2,3].
O assunto foi levado ao Senado italiano, que no Verão desse ano de 1990 constituiu uma comissão de investigação na qual o primeiro-ministro Giulio Andreotti comprovou a existência da referida cooperação entre os serviços secretos dos dois países, sob a coordenação da NATO através do citado CPC e de um outro “comité clandestino aliado” (ACC). «Após organizada a [dita] resistência clandestina, a Itália foi chamada a participar nos trabalhos do CPC em 1959, no âmbito do “supremo quartel-general das forças aliadas na Europa” (SHAPE), […] em 1964 os serviços secretos italianos entraram também para o ACC, um organismo encarregue de coordenar a rede de evasão e fuga entre as várias nações» [4].
O primeiro-ministro mais informou e descreveu a existência de numerosos esconderijos de armamento e outros equipamentos espalhados pelo país, para aprovisionamento de unidades de guerrilha de retaguarda, independentes das forças regulares. E alegou que todos os primeiros-ministros anteriores o haviam sabido também. Vários outros políticos negaram colaborar no inquérito ou o conhecimento dos factos. Só o Presidente da Republica de então, Francesco Cossiga, o confirmou e por se orgulhar de ter sido anteriormente (logo após a Segunda Guerra Mundial) parte activa na implementação da Operação Gladio. O relatório da comissão do Senado foi publicado em 1995, não obstante o silencio de várias partes inquiridas e as dificuldades de consensualização no seio da mesma comissão [5,6].
Ainda assim a investigação estabeleceu que: «Obviamente as tensões que caracterizam estes 40 anos e que foram objecto de análise tiveram também raízes sociais e portanto internas. Contudo, tais tensões nunca teriam perdurado tanto tempo e não teriam atingido tão trágicas dimensões, e o caminho da verdade não teria sido bloqueado tantas vezes, se a situação política interna não tivesse sido condicionada e supervisionada pelo quadro internacional em que a Itália estava integrada» [7,8].
Os senadores reflectiam neste texto sintético o elevado nível atingido pela violência na Itália durante a Guerra-Fria comparativamente a outros países europeus. Na década de 70, acções terroristas, maioritariamente conduzidas por comandos de extrema-direita, provocaram cerca de 5 mil mortes; só no ano de 1978 registaram-se mais de 3 mil acções da extrema-direita, de que resultaram 831 mortos e 3121 feridos. O trágico rapto e assassínio de Aldo Moro em 1978 às mãos das “Brigadas Vermelhas” foi um acontecimento significativo; Aldo Moro, então presidente da Democracia Cristã, que fora chefe de governo por várias vezes e que então era o negociador do “compromisso histórico” entre a Democracia Cristã e o Partido Comunista para formação de um novo governo bipartidário foi, segundo vários testemunhos, “sacrificado” para proteger a Operação Gladio e fazer valer os objectivos desta. Nas palavras de Steve Pieczenik, agente enviado pelo Presidente dos EUA para integrar a “comissão de crise” que acompanhou o rapto: «Tivemos de sacrificar Aldo Moro para manter a estabilidade da Itália» [9] [10].
Um grupo de senadores encabeçados por Giovanni Pellegrini prosseguiu a sua investigação e publicou um relatório adicional em 2000. Aí afirmam que, para além de preparar a resistência a uma hipotética invasão soviética, a organização paramilitar secreta Gladio combateu os Partidos Comunista e Socialista Italianos, em colaboração com a CIA, os serviços secretos militares italianos e terroristas de extrema-direita italianos, a pretexto de que aqueles partidos atraiçoassem a NATO a partir do interior do país. Segundo o juiz Felice Casson, a estratégia de tensão foi aplicada durante a Guerra-Fria em contra-posição à esquerda italiana «isto é, visando criar tensões no seio do país a fim de promover tendências sociais e políticas conservadoras e reaccionárias (…) enquanto a estratégia era aplicada, era necessário proteger os que estavam por detrás dela, porque a evidencia que os implicava estava sendo descoberta. As testemunhas retiveram informação para protegerem os extremistas direitistas» [11,12].

Na análise de Daniele Ganser, a bivalência dos exércitos secretos manifestou-se diferentemente nos diferentes países, de acordo com a situação política interna de cada um. Em Itália, onde o partido comunista emergiu da guerra com prestígio pelo seu papel na resistência ao nazi-fascismo, com forte intervenção na vida política do país e implantação eleitoral, a Gladio teve um forte envolvimento na manipulação e desestabilização da vida política do país, que contribuíram para o enfraquecimento do sistema democrático. Na Suíça, onde aquelas condições não se verificaram, as respectivas consequências também não. Ainda segundo esse autor, em Espanha, Portugal, Grécia e Turquia, países com acentuado ascendente das forças armadas na vida política, os exércitos secretos intervieram no combate às oposições aos respectivos regimes [13].

Em 22 de Novembro de 1990, o Parlamento Europeu debateu as então recentes revelações das investigações feitas pelo juiz Felice Casson e pelo Senado italiano. A questão suscitou reacções desencontradas das várias famílias políticas, uns valorizando a “prudente precaução” outros as “fontes de terror”, uns denunciando a manipulação conduzida pelos exércitos secretos que em nome da defesa da democracia de facto a debilitaram, outros a ofensa aos órgãos de soberania a cujo controlo essas organizações clandestinas se subtraíram.

Sem competências expressas nas esferas da defesa e segurança, o Parlamento Europeu apenas aprovou uma resolução de protesto dirigida à NATO e aos EUA, e recomendou «a todos os estados membros que tomassem medidas, se necessário constituindo comissões parlamentares de inquérito, para recensear a lista completa de organizações envolvidas, e ao mesmo tempo apurar as suas ligações aos respectivos serviços de inteligência de estado, e as suas eventuais ligações com grupos terroristas e ou outras práticas ilegais». Apenas a Itália, a Bélgica e a Suíça (esta não sendo da União) realizaram investigações parlamentares e publicaram os correspondentes relatórios. Demais instâncias de países europeus, bem como dos EUA e a NATO, não deram qualquer seguimento às interpelações ou recomendações – prolongando o silenciamento de numerosos atentados terroristas e crimes de morte, e de usurpação de direitos e garantias fundamentais e de soberanias de estado.
Nas palavras do MP Vandemeulebroucke: «os orçamentos destas organizações secretas são igualmente secretos. Não foram discutidos em qualquer parlamento. E nós queremos expressar a nossa preocupação pelo facto de (…) agora se descobrir que existem centros de tomada de decisão e de sua consecução que não estão sujeitos a qualquer forma de controlo democrático». E nas do MP Falqui: «Não haverá um futuro, senhoras e senhores, se não eliminarmos a ideia de termos vivido numa espécie de estado dual - um aberto e democrático, o outro clandestino e reaccionário. É por isso que queremos saber o quê e quantas redes Gladio têm existido nos anos recentes nos estados membros da Comunidade Europeia» [14].

A GÉNESE DESSAS ORGANIZAÇÕES SUBVERSIVAS

Operações secretas na retaguarda da frente inimiga atingiram larga extensão durante a Segunda Guerra Mundial. Winston Churchill, 1940, criou um exército secreto britânico designado “Executivo de Operações Especiais” (SOE) cuja missão era «incendiar a Europa através do apoio a movimentos de resistência e da condução de acções subversivas em território detido pelo inimigo» [15]. O SOE manteria íntimas relações com os serviços de outros países onde o Reino Unido operou.
Em Outubro de 1945, o estado-maior britânico determinou a criação de uma rede, baseada na experiência da SOE, capaz quer de rápida expansão em caso de guerra, quer de assistir operações clandestinas britânicas em tempo de paz. Consequentemente, após a Guerra, alicerçados na longa experiencia do SOE em guerra secreta, os serviços secretos estrangeiros britânicos MI6 desempenham um papel fulcral no estabelecimento de exércitos secretos de retaguarda anti-comunista, organizados por vários serviços secretos nacionais estrangeiros [16].
Em Novembro de 1990, quando a Operação Gladio foi revelada na Itália com suas ramificações pelo continente, o primeiro-ministro John Major declinou comentar as revelações e as suspeitas. Mas o general italiano Gerardo Serravalle que comandara a Gladio italiana entre 1971 e 74, em entrevista à BBC em 1991 confirmou a intensa colaboração mantida com a organização britânica. Pela mesma altura foi confirmado também o íntimo envolvimento britânico com os serviços secretos suíços [17,18].
Em breve os serviços secretos norte-americanos se infiltrariam beneficiando da cumplicidade Anglo-Americana. Lício Gelli, líder da loja maçónica P2, desmascarada em Itália em 1981, ardente anti-comunista que manteve cumplicidades com os norte-americanos, bem como Rupert Allason, conservador inglês, editor de Intelligence Quarterly, confirmaram a secreta cooperação Anglo-Americana no apoio às redes de retaguarda anti-comunista na Europa ao longo da Guerra-Fria [19,20].

Os modernos serviços secretos norte-americanos foram também inspirados e assistidos pelos serviços secretos britânicos, desde o início da Segunda Grande Guerra Mundial, tirando partido da experiencia do SOE. Após o fim da Guerra, em 1947, os serviços norte-americanos foram reestruturados na “Central Intelligence Agency” (CIA) e no “National Security Council” (NSC). Logo em Junho de 1948 o NSC emitiu uma directiva autorizando a CIA a levar a cabo acções clandestinas em todo o mundo e criando um ramo da CIA (designado OPC) dedicado a tais acções.
Tais acções abrangiam e abrangem «propaganda, guerra económica, acções preventivas incluindo sabotagem, anti-sabotagem, demolição e medidas de evacuação; subversão contra estados hostis incluindo apoio a movimentos de resistência clandestinos, grupos de guerrilha e de libertação refugiados, e apoio a elementos autóctones anti-comunistas em países do mundo livre ameaçados». Todavia a directiva excluía a guerra convencional: «Tais operações não incluirão conflitos armados por forças militares identificadas, espionagem, contra-espionagem, nem acções de encobrimento e diversão para operações militares» [21].
Uma investigação no Senado dos EUA, liderada por Frank Church, concluída em 1976, verificou que as acções encobertas da CIA, até 1950 se haviam focalizado no estabelecimento de exércitos de retaguarda na Europa Ocidental, visando apoiar as forças armadas da NATO face a um hipotético ataque soviético; após o que essas acções passaram a compreender também golpes de estado e assassinatos de personalidades estrangeiras [22].
Uma investigação no Senado da Bélgica, no seguimento da “descoberta” dos exércitos secretos de retaguarda da NATO, revelou que desde 1948 existiu um “comité clandestino da união ocidental” (CCWU), que reunia regularmente responsáveis de serviços secretos europeus tendo em vista coordenar a guerra secreta não convencional anti-comunista. Quando o Tratado de Washington fundou a NATO em 1949, esse CCWU foi silenciosamente integrado na NATO, tendo tomado o nome “Clandestine Planning Committee” (CPC). Os senadores também confirmaram que um segundo centro de comando, designado “Allied Clandestine Committee” (ACC), tinha sido estabelecido em 1957 à ordem do supremo comando aliado para a Europa (SACEUR) [23].
O Pentágono, juntamente com a CIA, dirigia os exércitos clandestinos na Europa, enquanto no supremo comando SACEUR, um general norte-americano, supervisionava esses exércitos secretos.
A rede de guerra clandestina foi montada em extremo secretismo. Quando foi revelada em 1990, o porta-voz da NATO negou-a categoricamente num primeiro momento, a 5 de Novembro. No dia seguinte, um outro porta-voz declarou que o anterior desmentido fora falso, e que a NATO nunca comenta matérias de segredo militar [24].

A GLADIO EM PORTUGAL

Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento anti-fascista português acreditou que havia chegado a hora de mudança de regime e mobilizou-se para esse efeito. Porém a ditadura contou ainda com as suas forças internas, a polícia política e a Legião Portuguesa; como contou ainda com solidariedade externa, sobretudo da parte dos EUA, que lhe assegurou o acesso à NATO em 1949.
Aquando da revelação da Operação Gladio em Itália, 1990, a imprensa portuguesa publicou noticias relativas à existência de um braço da Gladio em Portugal, organizado no seio da NATO e financiado pela CIA, localmente dirigida pela PIDE e dissimulada na Aginter Press. Gládio teria estado envolvida em assassínios em Portugal e em suas antigas colónias. Nomes referidos a propósito incluem Humberto Delgado, Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral; embora a íntima cooperação entre várias organizações secretas com missões semelhantes ou complementares, de que a Operação Gladio era extensão e parte, torna essa atribuição individualizada vazia de sentido [25].
Segundo a investigação feita pelo Senado italiano, Aginter Press em Portugal escondia um exército secreto comandado pelo capitão Yves Guillon, alias Yves Guerin-Serac, um francês veterano das guerras da Coreia, da Argélia e do Vietname; e bem assim um centro de informação da CIA-PIDE especializado em acções provocatórias; mais apurou que o ramo português da Gladio providenciara treino a elementos da extrema-direita italiana, a pista que havia conduzido a investigação até Portugal [26, 27].
Guerin-Serac chegou a Portugal em fins de 1962, tendo sido integrado como instrutor na Legião Portuguesa, organização paramilitar fascista de apoio ao regime, e depois numa unidade anti-guerrilha militar. Em Setembro de 1966, foi um dos que se constituíram na Aginter Press, nome apto a dissimular o apoio financeiro e operacional recebido de serviços secretos estrangeiros, para além da PIDE, e a presença de operacionais e aventureiros de várias nacionalidades. Segundo o próprio Guerin-Serac, «As nossas forças compreendem dois tipos de homens: Oficiais que vieram até nós depois de combaterem na Indochina e Argélia, e alguns mesmo após a guerra da Coreia (…) Intelectuais que, nesse período se dedicaram ao estudo das técnicas de subversão Marxista (…) Durante este período estabelecemos contactos próximos entre grupos que emergiam em Itália, Bélgica, Alemanha, Espanha e Portugal, com ideias afins, com o fito de formarmos o núcleo de uma verdadeira Liga Ocidental de Luta contra o Marxismo» [28].
Também segundo Guerin-Serac a Aginter Press participou, em colaboração com a CIA e a Força Especial de Barretes Verdes (EUA), em grupos operacionais na campanha “antiterrorista” que na Guatemala, entre 1968 e 1971, terá provocado cerca de 50000 mortos. Aginter esteve depois envolvida na guerra secreta que no Chile, em 1973, conduziu ao assassinato do Presidente legítimo Salvador Allende e à instalação do ditador Augusto Pinochet [29].
Aquando do 25 de Abril de 1974, a sede da Aginter Press em Lisboa foi encerrada, documentação e operacionais desapareceram. No relato de um jornalista italiano: «Três colegas meus estavam lá quando os arquivos da Aginter foram confiscados. Tiraram fotos de partes, muito poucas, do grande volume de informação confiscada (…) Os documentos foram destruídos pelos militares portugueses porque obviamente eles recearam complicações diplomáticas com os governos de Itália, França e Alemanha, caso as actividades da Aginter nos vários países europeus fossem reveladas» [30].
E quando em Novembro de 1990 chegou a revelação, as autoridades portuguesas questionadas negaram peremptoriamente existir qualquer registo da existência ou actividade da “estrutura Gladio” em Portugal [31].
Mas a investigação feita no entretanto revelou a Aginter Press como uma organização de sinistro sucesso. Não só pela sua intervenção intimidatória e repressiva em Portugal, e na sabotagem política aos movimentos de libertação nas colónias portuguesas; como também no suporte a organizações neo-fascistas e na manipulação de organizações esquerdistas na Europa, e ainda no treino e fornecimento de meios conducentes a actos violentos no quadro da estratégia de tensão; e mais além, no apoio a organizações ou regimes repressivos e criminosos na América Latina. [32] Extintas no 25 de Abril, a PIDE e a Aginter Press, os seus agentes e operacionais dispersaram. Dos elementos mais responsáveis da PIDE alguns foram presos e levados a julgamento, a maioria dissimulou-se. Dos elementos da Aginter a maioria terá prosseguido a sua carreira criminosa no estrangeiro, outros ficaram dormentes no país. No auge do processo revolucionário, entre 1974 e 1976, de uns e de outros ressurgiu o Exercito de Libertação de Portugal (ELP) que, à sua maneira, prosseguiu a mesma estratégia de tensão, a clássica missão da Gladio, lançando acções terroristas, contra-informação, reanimação de grupos neofascistas, desestabilização política, visando eliminar a ferro e fogo e pela mentira a organização e o prestígio das forças democráticas incluindo o Partido Comunista. [33]

A Operação Gladio encontrou em Portugal terreno fértil durante a ditadura.
Um documento revelador da sua natureza e acção é uma carta de intimidação remetida a anti-fascistas na década de 60 ainda antes da constituição da Aginter Press. Essa carta ostenta a figura de um capacete romano com a palavra Gladius, e é subscrita por “Os Centuriões”. Dela destacamos as seguintes passagens: «Somos Cem. Poderíamos ser milhares a afirmar a Nação e defende-la dos Abutres e dos Traidores: dos abutres de fora; dos traidores de dentro. - Para afirmar a Nação e defendê-la dos Abutres seremos dezenas de milhar. Para defender a Nação dos traidores somos Cem. - Centuriões regressados de Angola, Moçambique e Guiné – somos cem. Condenamos a traição que o governo e os seus órgãos não consegue reprimir por meios legais. Somos cem que vimos tantas vezes a morte de perto que ela se tornou familiar. A morte será a nossa arma contra a traição!»
De forma sucinta, este documento comporta várias mensagens em consonância com os resultados das investigações feitas pelo Senado italiano e investigações subsequentes. Ele confirma a existência de uma organização clandestina com duas missões, uma de exército de retaguarda para a resistência em cenário de ocupação “soviética”, outra de vigilância e repressão sobre pessoas ou organizações que identificassem como ameaça “marxista”. Revela também a sua base e conexões militares, em Portugal e para além das suas fronteiras nas então colónias. E através das fórmulas de linguagem, identifica-se com a extrema-direita e a polícia política do passado regime.

O que mais uma vez comprova não ser bastante conhecermos a racionalidade do que nos é dito e mostrado, temos de também conhecer a racionalidade da mentira que nos é dada e da verdade ocultada. Isto no mundo tal qual é hoje e aqui.


Artigo publicado em Seara Nova n.º 1715, 2011, pp. 8-12

BIBLIOGRAFIA
1 - Daniele Ganser, NATO’s Secret Armies. Operation Gladio and Terrorism in Western Europe. Frank Cass, London January 2005.
Godon Duff: Gladio, How we terrorize ourselves, Veterans Today, November 14, 2010. (acedido 2 Março 2011)
http://www.veteranstoday.com/2010/11/14/gordon-duff-gladio-how-we-terrorize-ourselves/[1].
2 - Wikipedia, The Free Encyclopedia, Operation Gladio. (last modified on 23 February 2011; acedida 2 de Março de 2011)
http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Gladio[2]
3 - Stato Maggiore della Difesa, Servizio Informazioni delle Forze Armate. Ufficio R - Sezione SAD: Le forze speciali del SIFAR e l’operazione GLADIO. Roma, 1 Giugno 1959. Documento disponível in Mario Coglitore (ed.): La Notte dei Gladiatori. Omissioni e silenzi della Repubblica.. Padova, 1992.
4 - Franco Ferraresi: A secret structure codenamed Gladio. Italian Politics. A Review. 1992, p. 30. - Ferraresi transcreve o documento de Andreotti publicado no diario italiano L’Unita, 14 Novembro 1990.
5 - Jean Francois Brozzu-Gentile: L’ affaire Gladio. Paris, Editions Albin Michel, 1994. p. 105.
6 - British daily The Observer, November 18, 1990.
7 - Senato della Repubblica. Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabiliy delle stragi: Il terrorismo, le stragi ed il contesto storico politico. Redatta dal presidente della Commissione, Senatore Giovanni Pellegrino. Roma, 1995.
8 - Ibid., p. 364
9 - British political magazine Searchlight, No. 47, May 1979, p. 6.
10 – Hubert Artus, Pourquoi le pouvoir italien a lâché Aldo Moro, exécuté en 1978, Rue89, 02/06/2008. (acedido 2 Março 2011)
http://www.rue89.com/cabinet-de-lecture/pourquoi-le-pouvoir-italien-a-lache-aldo-moro-execute-en-1978[3]
11 - Senato della Repubblica. Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabiliy delle stragi: Stragi e terrorismo in Italia dal dopoguerra al 1974. Relazione del Gruppo Democratici di Sinistra l’Ulivo. Roma, June 2000.
12 - Peter Marshall, Gladio report, BBC Newsnight, April 4 1991.
13 - Daniele Ganser, The Secret Side of International Relations: An approach to NATO’s stay-behind armies in Western Europe. PSA conference, Leeds, April 7, 2005.
14 - Daniele Ganser, NATO’s secret armies linked to terrorism? 17 December 2004. http://globalresearch.ca/articles/GAN412A.html[4] (acedido 2 de Março de 2011).
15 - David Stafford, Britain and European Resistance, 1940-1945. A Survey of the Special Operations Executive. Oxford, St. Antony’s College, 1980, p. 20.
16 - ibid., p. 203.
17 - Peter Marshall, Gladio report, BBC Newsnight, April 4 1991.
18 - Kevin Liffey, Secret Swiss Resistance Force Trained by British. In: Reuter News Service, September 19, 1991.
19 - Jean Francois Brozzu-Gentile: L’ affaire Gladio. Paris, Editions Albin Michel, 1994. p. 28.
20 - International news service Associated Press, November 14, 1990.
21 - NSC 10/2: National Security Council Directive on Office of Special Projects. June 18, 1948. In: Etzold and Gaddis, Containment: Documents on American policy and strategy, 1945-1950. New York, Columbia University Press. 1978.
22 - United States Senate. Final Report of the Select Committee to Study Governmental Operations with respect to Intelligence activities. Book VI: Supplementary detailed staff reports on foreign and military intelligence. 1976. (acedido 2 Março 2011).
http://www.archive.org/stream/finalreportofsel06unit#page/16/mode/2up[5]
23 - Belgian Parliamentary Commission of Enquiry into Gladio, Resumo transcrito no periódico Belga Statewatch, Janeiro/Fevereiro, 1992.
24 - British daily The European, November 9, 1990.
25 - João Paulo Guerra: “Gladio” actuou em Portugal. O Jornal, 16 Novembro 1990.
26 - Senato della Repubblica. Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabiliy delle stragi: Il terrorismo, le stragi ed il contesto storico politico. Redatta dal presidente della Commissione, Senatore Giovanni Pellegrino. Roma, 1995. (acedido 2 Março 2011)
http://www.clarence.com/contents/societa/memoria/stragi/index.htm[6]
27 - Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabili delle stragi. 9ª Seduta, 12 Fevereiro 1997. (acedida 2 Março 2011)
http://www.parlamento.it/parlam/bicam/terror/stenografici/steno9.htm[7]
28 - Stuart Christie, Stefano Delle Chiaie. London, Anarchy Publications, 1984. p. 29.
29 - Peter Dale Scott, Transnational Repression: Parafascism and the US. British periodical Lobster Magazine, N.º 12, 1986. (acedido 2 Março 2011) http://www.8bitmode.com/rogerdog/lobster/lobster12.pdf[8]
30 - Egmont Koch and Olivier Schröm, Deckname Aginter. Die Geschichte einer faschistischen Terror Organisation. Referenciado em: Daniele Ganser, The Secret Side of International Relations: An approach to NATO’s stay-behind armies in Western Europe. 2005.
31 - Diário de Noticias, 17 November 1990.
32 - Jeffrey M. Bale, Right-wing Terrorists and the Extraparliamentary Left in Post-World War 2 Europe: Collusion or Manipulation? Lobster Magazine N.º 18, 1989 (acedido 2 Março 2011).
http://www.8bitmode.com/rogerdog/lobster/lobster18.pdf[9]
33 - Dossier Terrorismo – Um caso de violência política: o «Verão quente» de 1975, Lisboa, Edições Avante! 1978.

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References

  1. ^http://www.veteranstoday.com/2010/11/14/gordon-duff-gladio-how-we-terrorize-ourselves/ (www.veteranstoday.com)
  2. ^http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Gladio (en.wikipedia.org)
  3. ^http://www.rue89.com/cabinet-de-lecture/pourquoi-le-pouvoir-italien-a-lache-aldo-moro-execute-en-1978 (www.rue89.com)
  4. ^http://globalresearch.ca/articles/GAN412A.html (globalresearch.ca)
  5. ^http://www.archive.org/stream/finalreportofsel06unit#page/16/mode/2up (www.archive.org)
  6. ^http://www.clarence.com/contents/societa/memoria/stragi/index.htm (www.clarence.com)
  7. ^http://www.parlamento.it/parlam/bicam/terror/stenografici/steno9.htm (www.parlamento.it)
  8. ^http://www.8bitmode.com/rogerdog/lobster/lobster12.pdf (www.8bitmode.com)
  9. ^http://www.8bitmode.com/rogerdog/lobster/lobster18.pdf (www.8bitmode.com)
  10. ^endereço (www.odiario.info)
  11. ^odiario.info (odiario.info)

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Snowden: “Estamos nus diante do poder” - com vídeo

 
 
Livro do homem que revelou o estado de vigilância global sai nesta terça-feira. Ele segue em Moscou; teme que a Inteligência Artificial multiplique o controle; mas crê na resistência cidadã. Vale ler sua entrevista ao “Guardian”
 
Antonio Martins | Outras Palavras
 
Há seis anos e meio, Edward Snowden, então um funcionário subcontratado da CIA, entrou num avião em Honolulu, Havaí, e desceu horas depois em Hong Kong. Lá, num quarto de hotel, encontrou-se com os jornalistas Glenn Greenwald, Laura Poitras e Ewen MacAskill – e levantou o véu que encobria o gigantesco aparato de vigilância global montado pelos Estados Unidos. A história de sua vida (apenas 36 anos) está agora contada em livro – Permanent Record, que será lançado em 20 países, na próxima terça-feira (e ainda não tem tradução em português. Na sexta-feira, ele concedeu ao Guardian uma entrevista de duas horas, em que antecipa algumas das revelações.
 
“Estamos nus diante do poder”, diz Snowden, que vive desde 2014 em Moscovo – onde casou-se com Lindsay Mills, sua namorada desde os 22 anos. Tem visto de residência permanente. Viaja bastante, embora não possa sair do país, para não ser agarrado por agentes norte-americanos. Perdeu o medo e o hábito de usar sempre casacos e chapéus. Mas, por temperamento, passa a maior parte do tempo em casa, de onde faz teleconferências que são hoje seu meio de vida. Diz que está preparado para viver longos anos no país e considera natural que Moscovo, tão atacada pelo Ocidente, use (discretamente) o facto de lhe ter dado abrigo como propaganda política.
 
Snowden está preocupado com o avanço da Inteligência Artificial, também no que diz respeito à vigilância. Os dispositivos de reconhecimento facial e de reconhecimento de padrões de comportamento, diz ele, ameaça transformar cada câmera (são dezenas de milhões, pelo mundo), num “policial automático”. Ainda assim, ele não está pessimista. Crê que a consciência da vigilância terminará levando à revolta. “Quem deseja mudar algo precisa por-se de pé”, diz ele. Vê a publicação do livro como algo que pode ajudar esta luta.
 
Escritas por Glenn Greenwald e Ewen MacAskill, as primeiras matérias sobre a rede global de espionagem dos EUA foram publicadas pelo Guardian e pelo Washignton Post em 6 de Junho de 2013. Estão aqui: 1 2.
Dezenas de outras se seguiram e podem ser pesquisadas aqui.
Citizen Four, o documentário de Laura Poitras que conta a história das revelações, ganhou, em 2015, o Oscar de melhor documentário. Jamais foi exibido comercialmente no Brasil. Outras Palavras orgulha-se de tê-lo apresentado, em cinedebate. Uma vasta entrevista de Laura pode ser lida, em português, aqui.
 
 
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EUA | Uma gigantesca PIDE, uma Gestapo permanente a controlar o mundo

 
 
No Expresso a divulgação referente ao livro de Edward Snowden, o dissidente da secreta dos EUA, “polícia” dos cidadãos do mundo, juiz e carrasco de inúmeros de várias nacionalidades. Edward foi visto pela última vez em Hong Kong, depois o rasto foi perdido. Está na Rússia, que lhe proporcionou proteção? Onde está? Resta o livro. Naquele aglomerado de letras podemos avaliar quanto é ativa a violação dos nossos direitos de cidadãos a pretexto de terrorismo e defesa da sociedade global. Basta usarmos um computador para estarmos ao alcance dessa violação. Como se não baste as violações praticadas pelos EUA sem o suporte da informática. Quantos inocentes já assassinaram? Centenas? Milhares? Milhões? E afirma-se aquele país, aquela poderosa associação de criminosos globais, líder da democracia ocidental… Afinal, os EUA – comparativamente a Portugal do fascismo salazarista – é detentora de uma gigantesca PIDE. Ou de uma descomunal Gestapo hitleriana, criminosa e, consequentemente, nazi. Práticas secretas que de vez em quando são descuidadas e nos permitem vislumbrar horrores através da névoa que as encobre. (PG)
 
“Tinha acesso às comunicações de quase todos os seres humanos que já tinham tocado num computador”
 
O que revela Snowden no seu livro?
 
Quem já leu o livro de memórias de Edward Snowden, que será publicado em 22 países simultaneamente a 17 de setembro, incluindo em Portugal, não se surpreendeu com revelações estrondosas, mas há pequenas novidades, como o convite que os russos que o interpelaram no aeroporto de Moscovo fizeram, depois de ter divulgado milhares de documentos classificados sobre a vigilância secreta nos EUA.
 
O livro ainda não foi publicado — sê-lo-á a 17 de setembro, em 20 países simultaneamente, incluindo Portugal, com o título “Vigilância Massiva, Registo Permanente” — mas já há quem o tenha lido e desvende parte do que Edward Snowden, que denunciou a vigilância massiva nos EUA e foi acusado de espionagem e apropriação de segredos do Estado, ali conta. E ele conta, por exemplo, como “participou na mais significativa mudança na história da espionagem norte-americana”, que fez com que se começasse a controlar e a vigiar “populações inteiras”, ao invés de alvos específicos, como acontecia até ali.
 
“Ajudei a desenvolver tecnologia para permitir que um único governo fosse capaz de recolher todas as comunicações do mundo digital e armazená-las durante anos, investigando-as sempre que quisesse”, conta Snowden, segundo a NPR, referindo-se ao seu trabalho enquanto funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA), onde trabalhou em 2013, antes de voar para Hong Kong, em maio daquele ano, e reunir-se ali com uma série de jornalistas para partilhar milhares de documentos altamente classificados tanto da agência de segurança, como do GCHQ (Government Communication Headquarters).
 
Um mês mais tarde, e temendo ser detido ou extraditado para os EUA — o governo norte-americano já o tinha acusado de violar a Lei de Espionagem de 1917 — Snowden haveria de tentar viajar para o Equador, na esperança de lhe ser concedido asilo político, tendo, no entanto, ficado retido no aeroporto de Moscovo. Os guardas que o interpelaram levaram-no para uma sala, informaram-no de que o seu passaporte tinha sido revogado pelo Governo norte-americano e arriscaram fazer-lhe uma espécie de convite: “A vida para uma pessoa na tua situação pode tornar-se muito difícil se não tiveres amigos. Tens alguma informação, mesmo que pequena, que possas partilhar connosco?”, perguntaram-lhe.
 
 
 
DO EXÉRCITO PARA UM TÚNEL DEBAIXO DE UM CAMPO DE CULTIVO DE ABACAXIS
 
Edward Joseph Snowden nasceu em 1983, na Carolina do Norte, numa família cujo historial profissional já quase deixava antecipar o seu. O avô trabalhava para o FBI, o pai na Guarda Costeira e a mãe na NSA. No livro, conta que a primeira vez que “pirateou” alguma coisa foi o sistema dos relógios que havia em casa para poder ficar a dormir até mais tarde no dia do seu sexto aniversário. Mais tarde, na adolescência, Snowden invadiu os computadores da escola para analisar os programas de cada disciplina com o objetivo de tentar perceber como podia estudar o mínimo possível e ainda assim não reprovar. A escola era, na melhor das hipóteses, uma “distração”, e, na pior das hipóteses, “um sistema ilegítimo que não reconheceria qualquer dissidência legítima”. O tempo que tinha preferia gastá-lo “numa coisa nova chamada Internet”, “um milagre do caraças”, que ainda era, naquela altura, década de 1990, “um espaço de libertação” que permitia a qualquer um expressar-se de forma autêntica.
 
Snowden alistou-se no Exército mas saiu meses depois, na sequência de um treino em que ficara com ambas as pernas fraturadas. Começou a trabalhar para a CIA, mas desiludiu-se porque, embora “sempre tenha apoiado a vigilância defensiva e a alvos concretos, o que o governo estava a fazer era recolher massivamente dados através das comunicações dos americanos pela Internet e guardá-los para eventualmente usar mais tarde”, e em 2002 foi contratado para trabalhar na NSA, em específico numas instalações subterrâneas no Havai, debaixo de um campo de cultivo de abacaxis, construídas por altura da Guerra do Pacífico (1941-1945).
 
Apesar de ocupar um posto modesto, foi-lhe dado um grande acesso à informação, como descreve no livro. “Eu sentava-me junto a um terminal que me dava acesso praticamente ilimitado às comunicações de quase todos os homens, mulheres e crianças que, em algum momento das suas vidas, já tinham discado números num telefone ou tocado num computador”. Sabia-se que, se não evitado, o 11 de Setembro podia ter sido menos devastador, e portanto havia que corrigir os erros e prevenir tragédias semelhantes, daí o enorme dispositivo de segurança, controlo e vigilância engendrado.
 
Mas Snowden não se sentia confortável com isso. Preocupava-o a privacidade de todos aqueles de quem eram recolhidos dados e, secretamente, fez cópias da informação que provava a existência destes programas e viajou para Hong Kong para se encontrar, então, com jornalistas em quem confiava. “Estava decidido a partilhar e denunciar um simples facto: o de que o meu governo tinha desenvolvido e continuava a desenvolver um sistema global de vigilância massiva sem o conhecimento ou consentimentos dos cidadãos.”
 
ACUSADO DE ESPIONAGEM E CONSIDERADO, POR MUITOS, UM TRAIDOR DA PÁTRIA
 
Snowden foi acusado pelo Governo norte-americano de espionagem e apropriação de segredos do Estado e considerado um traidor por muitos dos que trabalham na área da segurança nacional. Barack Obama criticou-o, afirmando que “o debate que se gerou em torno das questões da privacidade não compensou os danos causados pela divulgação dos documentos secretos” e que “havia outra forma” de colocar o país a discutir o tema da vigilância. O atual Presidente norte-americano, Donald Trump, publicou uma mensagem no Twitter, em 2014, a acusar Snowden de ser um “espião que causou grandes danos aos EUA” e sugerindo que este deveria ser “executado, tal como se fazia aos espiões nos tempos antigos, quando os EUA eram um país forte e respeitado”.
 
Snowden negou o convite que os russos que o interpelaram no aeroporto de Moscovo fizeram, mas acabaria por ficar no país, depois de Putin lhe ter oferecido asilo político (agora tem residência permanente). Mas sobre a Rússia pouco se fala neste livro, nota Greg Myre, editor da NPR que assina o texto sobre o livro, excepto isto: “Passo muito tempo em frente ao computador — a ler, a escrever e a interagir. Continuo a falar sobre a proteção das liberdades civis na era digital para audiências de estudantes, académicos, deputados parlamentares e tecnólogos”. Numa entrevista recente, Edward Snowden afirmou que “não foi escolha sua” ficar na Rússia e que, “na verdade, até tem sido muito crítico do governo de Moscovo por causa das violações de direitos humanos”. “Tenho sido especialmente crítico das suas políticas de vigilância e também tenho criticado o Presidente russo.”
 
Diz Greg Myre, mas também Jennifer Szalai, crítica de livros de não-ficção no “New York Times”, que o livro não contém qualquer revelação estrondosa, mas ajuda não só a conhecê-lo melhor, e à sua infância e adolescência e chegada à idade adulta na era da Internet, como à evolução dos sistemas de vigilância dos EUA, diz a NPR. “É bastante improvável que este livro mude a opinião seja de quem for sobre Edward Snowden, mas, e no que trata da privacidade e da Constituição, a sua história ajuda a clarificar os riscos”, escreve Jennifer Szalai, para quem o livro acaba por “obrigar o leitor a refletir em tudo aquilo que qualquer americano já deveria ter questionado”. “O que significa isso de haver informação sobre nós guardada e que pode vir a ser acedida por qualquer administração norte-americana?”
 
Helena Bento | Expresso | Fotos: Edward Snowden. 1 - EPA; 2 - SEAN GALLUP/GETTY

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Durante a Guerra Fria os melhores agentes da CIA não eram humanos, revelam documentos

Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA
© AP Photo / Carolyn Kaster

A Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), desclassificou alegadamente dezenas de documentos de testes da época da Guerra Fria, e pelo visto a agência não apostava só em humanos.

De acordo com a AFP, os documentos desclassificados revelam que a CIA teria tentado treinar gatos, cachorros, golfinhos e até pássaros, de pombos a corvos, como seus agentes no terreno.

Em particular, um "agente de voos mais altos da CIA" tinha sido um corvo chamado Do Da, que se viria a transformar em um agente operacional do mais alto nível em espionagem. Este pássaro era figura central em um programa secreto da CIA de treinamento de animais como agentes que durou uma década. Contudo, Do Da desapareceu em meio a um teste de espionagem no início de 1974.

Para o programa de treinamento de aves a agência teria, de acordo com as informações, contratado ornitólogos profissionais em uma tentativa de determinar quais eram as aves que regularmente passavam uma parte do ano na área de Shikhany, uma cidade de acesso restrito na bacia do rio Volga.

Segundo os documentos desclassificados, a CIA considerava as aves migratórias como "sensores vivos" e que a sua alimentação iria revelar que tipo de substâncias os russos estavam testando analisando seus tecidos.

No início da década de 1970, a CIA usava aves de rapina e corvos na expetativa que eles pudessem ser treinados para missões de "implantação", como lançamento de dispositivos de escuta no parapeito de uma janela, e em missões fotográficas.

O corvo Do Da era o candidato mais promissor para missões na União Soviética, a "estrela deste projeto", informa a AFP com base nos documentos desclassificados. No entanto, durante uma missão de treinamento ele teria sido supostamente atacado por um "par normal" de corvos e a partir daí nunca mais foi visto.

Mais tarde a agência teria alegadamente adquirido centenas de pombos, testando-os com câmeras fixadas sobrevoando regiões dos EUA para determinar se poderiam ser treinados para fazer percursos específicos. O seu objetivo era tirar fotografias de estaleiros navais em Leningrado (atualmente São Petersburgo). Durante os treinamentos, algumas das aves conseguiram tirar fotografias perfeitas.

Não eram somente aves que faziam parte do programa clandestino de treinamento para espionagem. Há informações de que CIA estudou e testou gatos como possíveis "veículos de vigilância áudio". Segundo os dados revelados, cachorros tinham implantes elétricos no cérebro para tornar seu controle remoto mais fácil.

A maior parte dos esforços estava concentrada no treinamento de "golfinhos de combate" para serem potenciais sabotadores no sentido de impedir o desenvolvimento da frota de submarinos nucleares da União Soviética. De acordo com os documentos da CIA, nenhum destes programas teve sucesso.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019091414516903-durante-a-guerra-fria-os-melhores-agentes-da-cia-nao-eram-humanos-revelam-documentos/

Quando os vilões conseguem virar para outros as atenções coletivas

É clássica a situação dos correios de droga denunciados ao transitarem fronteiras para que outros, com quantidades mais significativas de produto, as atravessem sem problemas. Meros peões num jogo em que as peças maiores são quem contam, acabam por encher prisões sem sequer perceberem a armadilha em que se viram enredados.

 

Pensei nesse exemplo ao ver uma longa-metragem sobre os novos mercenários russos, ou seja aqueleshackers de que tanto se tem falado a propósito da eficácia da sua intervenção na eleição de Donald Trump ou da vitória dosbrexiteers concentrando em si toda a má fama do que a internet pode suscitar na vertente mais perversa.

 

Só já depois do filme ir para além da hora e um quarto é que um dos entrevistados diz o óbvio: sim, é verdade, que ele e os cúmplices podem arcar com a má fama suscitada pelo seu comportamento, mas que dizer dos bem mais perigosos e insuspeitoshackers a soldo da CIA, do FBI e das muitas outras agências norte-americanas dedicadas à espionagem, quer interna, quer fora dos EUA? Já todos esqueceram as denúncias de Snowden a respeito da NSA?

 

O problema com oshackersrussos - os que agem demotu próprio pretendendo enriquecer por conta das suas capacidades informáticas - é serem identificáveis pelos que trabalham por conta dos respetivos Estados. Do regime de Putin têm garantida a complacência conquanto dirijam as ações única e exclusivamente para quem não colida com o seu interesse. E até podem ser subcontratados para trabalhos orientados para objetivos bem precisos. Mas ai deles se falarem do assunto ou mostrarem excessiva curiosidade para o que o Kremlin impõe como sua área reservada de acesso ao conhecimento...

 

Das atividades da espionagem norte-americana por conta das suas agências oficiais nada sabemos desde que o principal lançador de alertas garantiu asilo em Moscovo. E, no entanto, as provas da sua intensa ação não nos escapa à atenção. Veja-se este simples exemplo: publico textos em dois blogues, que têm uma média muito constante de visualizações diárias quanto ao seu número de leitores, E, no entanto, com uma frequência mensal, se não quinzenal, lá surge o dia em que esse número sobe estratosfericamente com leitores nos Estados Unidos. Porque se interessam pelo que digo bem de António Costa ou mal de Rui Rio? Porque faço uma crítica entusiasmada a um livro ou desaconselho um filme? Claro que não! Algoritmos das agências de espionagem percorrem-me os blogues e qualificam-no de acordo com um conjunto de parâmetros, que me deem uma identificação fácil de consultar se for à Embaixada norte-americana pedir um visto para a mais inocente das visitas. Por conta dessa intenção policial perscruta-se em permanência a vida de qualquer pacato cidadão a nível mundial.

 

Compreensível tal precaução num mundo pontuado por atentados terroristas, dirão alguns ingénuos. Mas essa explicita consulta a textos disponibilizados em blogues poderá ser apenas a espuma de algo mais profundo: através dessa porta de entrada, vasculham a privacidade de quem lhes interessar porque, acedendo à sua específica IP, possuem capacidades para detalharem os conteúdos dos respetivos computadores. Se isso não vai muito além do que Orwell considerava como tenebroso no seu (ultrarreacionário) «1984», não sei que mais faltará inventar.
E o maior vilão da história não está propriamente no Leste Europeu, mas na costa oriental dos Estados Unidos!
 
 
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/08/quando-os-viloes-conseguem-virar-para.html

NSA/CIA: A disputa é entre empresas contratadas e pessoal da administração direta

Fernando Soares Campos (*)
O mundo indigna-se e discute a questão da invasão de privacidade e a sofisticação dos métodos empregados, assim como os vazamentos que revelam o que todo mundo sabe há muito tempo. Enquanto isso, nos EUA trava-se outro debate, talvez o que mais interessa ao povo estadunidense e do qual pode aflorar melhor entendimento sobre o desenrolar dos fatos. Trata-se da análise e contestações sobre a influência e os custos das empresas privadas nos sistemas de segurança nacional, as quais ficam com cerca de 70% dos US$ 52 bilhões do orçamento nacional destinado aos serviços secretos, deixando apenas 30% para cobrir as despesas dos efetivos da administração direta do Estado. A exagerada desproporção torna-se mais evidente quando se observa que o setor privado fornece apenas cerca de 30% do pessoal (os subcontratados, Snowden era um deles), enquanto 70% trabalham sob regime de administração direta, e estes são os que ficam com a fatia menor, os 30% das  bilionárias verbas.

Oficiais superiores das Forças Armadas dos EUA e civis que ocuparam cargos no primeiro escalão do governo daquele país são hoje diretores executivos de grandes empresas privadas de segurança, formam e realizam fortíssimos lobbies que influenciam congressistas, ministros e governantes, também exercem poder junto a empresas midiáticas (presstitutes, como hoje são camadas), de tal forma que são atendidos em quase tudo que propõem: criação de novas agências e legislações específicas (em alguns casos, inconstitucionais), determinam público alvo e inimigos em potencial, trabalham para a iniciativa privada (bancos, petroleiras, e corporações com interesses diversos) fazendo tráfico de influencia e usando todo o poder que detêm no âmbito do Estado, inclusive informações de inteligência ultrassecreta: "A marinha dos Estados Unidos escolheu, no mês passado [junho/2013], a mesma companhia como parte de um consórcio para trabalhar em outro projeto multimilionário para uma "nova geração de operações de inteligência, vigilância e combate". A Booz Allen obteve esses contratos de várias formas. Além de seus vínculos com o DNI (Diretor de Inteligência Nacional), se orgulha do fato de metade de seus 25 mil empregados estarem autorizados a acessar informação de inteligência ultrassecreta. Um terço dos 1,4 milhão de pessoas com essa autorização trabalha no setor privado."
Edward Snowden sempre foi contra investimentos públicos no Sistema de Segurança Social e ardoroso defensor do Sistema de Segurança Nacional. Portanto, se fosse um deputado ou senador brasileiro, votaria o novo "projeto" de desmonte da Previdência Pública e instituição da Previdência Privada, que ficaria por conta dos bancos.

Em janeiro de 2009, no site Ars Technica, usando o antigo nome de usuário, "TheTrueHOOHA", Snowden criticou The New York Times e as suas fontes anônimas por expor uma operação secreta da administração Bush para sabotar as capacidades nucleares iranianas. Tais violações, para ele irritantes, haviam ocorrido "uma e outra e outra vez", reclamou Snowden. The Times, disse ele, era "como Wikileaks" e merecia ir à falência; fontes que vazaram "merda classificada" para o Times deveriam tomar "um tiro nas bolas".

Quando um interlocutor em linha sugeriu que poderia ser "ético " denunciar "intriga do governo", Snowden respondeu enfaticamente: "Violar segurança nacional? Não".

Quanto à Segurança Social, ele disse coisas assim: "Quase todo mundo era antes de 1900 trabalhadores por conta própria".

Em outra troca de sala de bate-papo, Snowden debateu os problemas da Segurança Social fazendo afirmações como estas:

"Economizar dinheiro? Corta essa merda de segurança social."
"Yeah! Foda-se as pessoas de idade!"
"segurança social é uma treta"
"vamos atirar idosos na rua"
"cheiram engraçado"
"De alguma forma, a nossa sociedade conseguiu existir centenas de anos sem segurança social"
"Malditos retardados"


 

O que podemos deduzir de tudo isso?
Que as celeumas criadas em torno da invasão de privacidade dos cidadãos comuns e dos vazamentos de Wikileaks, Intercept ou seja lá de onde vier, tornaram-se matérias mainstream, corrente em voga para desviar a atenção sobre a verdadeira questão: a desavença entre os que ficam de fora ou comem pelas beiras e os que abocanham as maiores fatias do bolo: os bilhões de dólares destinados ao Sistema de Segurança.

Na Sociedade de Serviços e Estado Policial em que se tornaram os Estados Unidos da América, a terceirização e subcontratação dos postos de trabalho, tanto nos setores privados quanto no setor público, geraram a criação de milhares de micro, pequenas, médias e grandes empresas fornecedoras de mão de obra e serviços. Num ambiente desses, os tubarões se fartam, e os peixes pequenos ou lhes servem de alimento ou sobrevivem em orgia simbiótica.

Colocar Snowden, Assange e Greenwald no mesmo saco de todos os acusados de vazamento de "ciberdocumentos" e denúncias contra o governo e empresas dos Estados Unidos e seus parceiros mais graduados é fazer o jogo do "todos são iguais" ou que "todos têm a mesma intenção".

Por que a CIA e a NSA não divulgam (deixam vazar) informações detalhadas sobre as atuações de Snowden no período em que colaborou para eles? Certamente isso o desqualificaria da condição de herói. Mas, nesse caso, sobraria para ele a desconfiança geral de que fora obrigado (chantageado) a fazer os tais "vazamentos", a fim de beneficiar algum grupo em detrimento de outro. Sejam grupos dentro da própria esfera privada (empresa contra empresa) ou entre o setor privado e os quadros da administração direta do Estado.

A única atuação de Snowden como "espião em campo" ocorreu no período como "olheiro" numa universidade. Em vista do silêncio em torno de suas atividades, não sabemos das consequências desse seu "estágio" entre os estudantes: se alguém foi preso, interrogado, perseguido, torturado, desaparecido ou executado. Quaisquer que tenham sido suas tarefas, elas são inconfessáveis. Mesmo assim, virou herói "sem passado".
E existe quem defenda essa condição:
"Snowden, um administrador de sistemas do Centro de Operações de Ameaças da NSA no Havaí, trabalhou para a CIA e para a companhia de serviços de informática Dell antes de se unir à Booz Allen. Mas o papel obscuro que pode ter desempenhado fica branco [!] ao lado do que outros tiveram. (Pratap Chatterjee, da IPS/Envolverde, em "Como a segurança dos EUA ficou a cargo de uma empresa privada." Fórum).
Isso rende muito mais o que pensar do que simplesmente discutir a questão da megaescala de invasão de privacidade ou os vazamentos sobre aquilo que todos sabemos, mas que são divulgados como novidades. 
Jeremy Hammond, o jovem que mexeu no dinheiro dos home e está em cana
  
Por que não existe um movimento popular internacional pela libertação de Jeremy Hammond?
  
Hammond foi condenado em 15 de novembro de 2013 ao máximo de dez anos de prisão, seguido de três anos de liberdade supervisionada. Ele está atualmente cumprindo sua sentença na FCI Manchester em Manchester, Kentucky. A instituição correcional federal, Manchester (FCI Manchester) é uma prisão federal dos Estados Unidos de segurança média para presos do sexo masculino em Kentucky. É operado pelo Federal Bureau of Prisons, uma divisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. (Wikipédia)
  
Minha iniciação política aconteceu quando George W. Bush roubou uma eleição presidencial em 2000 e, na sequência tirou vantagem das ondas de racismo e patriotismo depois do 11/9, para lançar guerras imperialistas, não provocadas, contra o Iraque e o Afeganistão. Saí às ruas para protestar, acreditando, ingenuamente, que nossas vozes seriam ouvidas em Washington e que conseguiríamos parar a guerra. Em vez disso, fomos rotulados como traidores, espancados e presos.

Fui preso por numerosos atos de desobediência civil nas ruas de Chicago, mas só em 2005 comecei a usar minhas habilidades com computadores para quebrar a lei, em ação de protesto político. Fui preso pelo FBI por invadir os computadores de um grupo de direita, pró-guerra, chamado "Protest Warrior" - organização que vendia camisetas racistas em sua página Internet e agredia grupos antiguerra. Fui acusado, nos termos da Lei de Fraudes e Abusos por Computadores, e o "dano visado" no meu caso foi arbitrariamente calculado, multiplicando por US$500, os 5.000 cartões de crédito com os quais operava a base de dados de "Protest Warrior", o que resultou num total de $2,5 milhões.

Minha sentença foi calculada a partir desse "dano", embora nenhum cartão de crédito tenha sido usado ou algum dado tenha sido divulgado - por mim ou por qualquer outra pessoa. Fui condenado a dois anos de cadeia.

Na prisão, vi com meus próprios olhos a feia realidade de como o sistema de justiça criminal destrói a vida de milhões de pessoas mantidas em prisões fechadas. A experiência reforçou minha oposição contra as formas repressivas de poder e a favor de agir na defesa daquilo em que cada um acredite.

Quando fui solto, estava ansioso para retomar meu envolvimento nas lutas por mudanças sociais. Não queria voltar à prisão. Então, me dediquei ao trabalho de organizar comunidades, trabalho de superfície. Mas, com o tempo, frustrei-me com as limitações das manifestações pacíficas, que me parecem reformistas e inefetivas. O governo Obama continuou as guerras no Iraque e no Afeganistão, aumentou o uso de drones e não fechou a prisão da Baía de Guantánamo.

Por essa época, eu acompanhava o trabalho de grupos como WikiLeaks e Anonymous. Era inspirador e estimulante ver as ideias do hack-ativismo afinal dando resultados. Fiquei particularmente motivado pela ação heroica de Chelsea Manning [condenada a 35 anos de prisão, após sete anos na prisão, a ícone transexual Chelsea Manning, ex-analista militar dos EUA, foi solta por um indulto dado pelo ex-presidente Barack Obama], que revelou ao mundo as atrocidades cometidas pelos militares norte-americanos no Iraque e no Afeganistão. Ela assumiu enorme risco pessoal para vazar essa informação - porque acredita que a opinião pública tem o direito de saber, e por esperar que suas revelações seriam passo positivo para pôr fim àqueles abusos. Fica-se com o coração apertado, só de ouvir contar sobre o tratamento cruel que ela recebeu numa prisão militar.

Refleti profunda e longamente sobre escolher outra vez esse caminho. Tive de perguntar a mim mesmo: se Chelsea Manning mergulhou no pesadelo abismal da prisão, porque lutava pela verdade, como poderia eu, de boa consciência, fazer menos que ela, já que eu era capaz? Concluí que o melhor modo de demonstrar solidariedade era dar continuidade ao trabalho de expor fatos e enfrentar a corrupção.

Aproximei-me dos Anonymous, porque acredito em ação direta, descentralizada e anônima. Naquele momento, os Anonymous estavam envolvidos em operações de apoio aos levantes da Primavera Árabe, contra a censura, e em defesa de WikiLeaks. Eu tinha muito a oferecer como contribuição, incluindo competências técnicas, e podia articular melhor ideias e objetivos. Foram tempos entusiasmantes - o nascimento de um movimento digital de resistência, quando os conceitos e as competências do hack-ativismo estavam ganhando forma.

Interessava-me especialmente o trabalho dos hackers de LulzSec, que estavam quebrando alguns alvos importantes e iam-se tornando cada vez mais políticos. Por essa época, falei pela primeira vez com Sabu, que era muito aberto sobre as ações de hacking que ele dizia ter cometido, e estimulava os hackers a unir-se para atacar sistemas de computadores de grandes unidades do governo e de megaempresas, sob a bandeira do movimento "Anti Security". Mas logo no início do meu envolvimento, os outros hackers de Lulzsec foram presos; restei eu, para quebrar sistemas e escrever press releases.

Adiante, eu descobriria que Sabu foi o primeiro a ser preso, e que, durante todo o tempo em que eu falava com ele, ele já era informante do FBI.

Os Anonymous também se envolveram nos estágios iniciais de Occupy Wall Street. Participei regularmente nas ruas, como militante de Occupy Chicago, e entusiasmei-me ao ver um movimento mundial de massa contra as injustiças do capitalismo e do racismo. Ao final de uns poucos meses, as "Occupations" chegaram ao fim, destruídas por ataques da Polícia e prisões em massa de manifestantes, arrancados de suas próprias praças públicas.
A repressão contra os Anonymous e o Movimento Occupy deu o tom da ação dos Antisec nos meses seguintes - a maior parte de nossas ações de hacking contra alvos da Polícia foram retaliações contra as prisões de nossos camaradas.

Eu, pessoalmente, tomei por alvo os sistemas policiais, por causa do racismo e da desigualdade com que se aplica a lei criminal. Tomei por alvo as indústrias e distribuidores de equipamentos militares e policiais, que lucram com a fabricação e a venda das armas que os EUA usam para impor seus interesses políticos e econômicos por todo o mundo, e para reprimir cidadãos norte-americanos aqui mesmo. Tomei por alvo empresas privadas de segurança da informação, porque trabalham secretamente para proteger interesses do governo e de empresas privadas, à custa de atacarem direitos civis individuais, minando e desacreditando ativistas, jornalistas e outros que trabalham para conhecer e divulgar a verdade; e porque vivem de disseminar a desinformação.

Nunca tinha ouvido falar de Stratfor, até que Sabu falou sobre eles. Sabu estava encorajando pessoas a invadir sistemas, e ajudando a facilitar e dar organização estratégica aos ataques. Chegou a fornecer-me pontos vulneráveis dos alvos, passados a ele por outros hackers. Por isso, foi grande surpresa quando soube que, durante todo o tempo, Sabu trabalhava com o FBI.
Por que o mundo exige a libertação de Julian Assange, mas não existe um movimento popular internacional pela libertação de Jeremy Hammond?
Sobre Jeremy Hammond, leia mais em:
redecastorphoto
11/11/2013, [*] Chris Hedges, Truthdig
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

(*) Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade ─ contos para meditar e rir... ou chorar", Chiado Editora, Portugal, 2018.

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/nsacia-disputa-e-entre-empresas.html

O que há por trás de tanta preocupação do FBI com 'ameaça chinesa'?

Agentes do FBI (foto de arquivo)
© AFP 2018 / Joshua LOTT

Os constantes comentários exagerados do FBI em relação à suposta "ameaça chinesa" seriam parte de uma estratégia para manter a relevância da agência, diz um artigo do Global Times.

O diretor do FBI, Christopher Wray, afirmou em uma entrevista ao canal CBS em 12 de setembro que a China tenciona roubar os segredos dos Estados Unidos em várias áreas, desde a tecnologia até à agricultura, e por isso o país asiático é alvo de investigações de espionagem econômica em quase todos os 56 escritórios locais do FBI.

Esta não é a primeira vez que o alto funcionário da inteligência norte-americana mencionou a suposta ameaça de espionagem por parte da China, sublinha o Global Times. Em julho, Wray descreveu a China como "a ameaça mais ampla, mais desafiadora e mais significativa" que os EUA enfrentam.

A mídia chinesa, por sua parte, acredita que Washington continua criando as mais complexas e sensacionais histórias de espionagem do mundo apesar do alto nível de seu serviço de inteligência.

"A maneira em Wray descreveu a China está alinhada com o posicionamento estratégico de Washington relativamente a Pequim e corresponde à atual opinião pública norte-americana", escreveu o jornal chinês.

Para o Global times, as declarações do diretor do FBI agravam a ansiedade e o medo dos americanos. "O FBI não existirá sem medo. Se deixar de infundir temor, o FBI perderá sua razão para existir. É por isso que, quando todos seus 37 mil funcionários começam a trabalhar diariamente, tudo o que veem são ameaças", acrescentou a edição.

"A agência de inteligência mais poderosa do mundo precisa deste medo, um medo que pode aterrorizar os nossos e os outros. Mas este medo levará inevitavelmente a mais divisões e hostilidade no mundo globalizado", concluiu o artigo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2018091612221173-fbi-ameaca-china-espionagem-medo/

Bruxelas cria escritório especial para monitoramento da 'ameaça russa' na internet

Ilustração, código binário
© REUTERS / Kacper Pempel

O Serviço de Informação Geral e Segurança da Bélgica criou um escritório para monitorar as ameaças cibernéticas russas e chinesas, informou a Comissão Parlamentar de Defesa do país em um relatório.

A sessão do Comitê de Defesa ocorreu em junho, mas o relatório sobre os resultados da sessão foi divulgado nesta sexta-feira.

"Quanto à ciber-ameaça russa, o Serviço de Informações Gerais e Segurança do Ministério da Defesa contratou um funcionário encarregado de um grupo de trabalho não permanente… As atividades da China também estão sendo monitoradas", disse o representante do serviço ao comitê, segundo o relatório.

Além disso, Bruxelas desenvolveu um plano para recrutar especialistas civis e militares para fortalecer a segurança cibernética do país, que será submetido à consideração do Ministro da Defesa em breve, de acordo com o relatório.

A Rússia tem sido repetidamente acusada de realizar ataques cibernéticos. Moscou, no entanto, refuta as acusações. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o Ocidente não possui argumentos para suas alegações infundadas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2018091412212747-bruxelas-escritorio-ameaca-russa-internet/

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        Homicidal Cops Caught On Police Radio
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