Especulação

O reverso de um negócio especulativo

Há quarenta anos apanhei o avião para Atenas, daí seguindo para Pakhi até embarcar num pequeno barco que me levaria àquele que foi um dos três maiores navios alguma vez integrados na frota mercante nacional. Com quase 350 metros de comprimento o «Neiva» (já tinha então o «Nogueira» como gémeo, a que se seguiria o «Nisa») era um superpetroleiro que, à chegada ao portaló, não impressionava, porque estava totalmente carregado com mais de 320 mil toneladas de ramas, que o faziam mergulhar nas águas do golfo de Megara até à linha de água.

 

As orientações da Soponata ditavam que depressa me identificasse com a instalação, enquanto o navio descarregasse a carga nos dias seguinte de modo a que, com uma tripulação renovada na Casa das Máquinas, tomasse novamente a direção de Gibraltar e, circundando toda a África, recarregasse no Golfo Pérsico.

 

Sem qualquer explicação os dias foram passando e nenhuma ordem para atracarmos chegava a bordo. A princípio essa demora até se revelou simpática por permitir-me visitar a Acrópole ou o seu Museu para apreciar as verdadeiras Cariátides. Mas, depois, fomos estranhando o impasse. Ouvíamos as notícias sobre os reféns norte-americanos capturados na embaixada de Teerão, mas não as associávamos à nossa impaciência até por termos outra, mais inquietante, a incomodar-nos: andando as esquerdas absurdamente desavindas, tinham possibilitado que um homem pequenino e sem reconhecidos dotes de dançarino, conseguisse liderar o primeiro governo de direita depois da Revolução de Abril.

 

Passados mais de dois meses tudo ficou esclarecido, quando enfim se cumpriu o plano inicialmente gizado pela Soponata para o seu navio: ao atracar soubemos que o afretador conseguira um lucro líquido de mais de 25 milhões de dólares, porque esperara o tempo bastante para a mercadoria duplicar de preço nos mercados internacionais.

 

Embora esteja relativamente esquecido, esse Marc Rich foi, na época, um dos mais conhecidos especuladores, vindo uma penúltima vez a lume em 2001, quando causou escândalo o perdão assinado por Bill Clinton no derradeiro dia de mandato, ilibando-o de todas as acusações por que era procurado nos EUA. A última foi em 2013, quando morreu na Suíça, usufruindo a enorme fortuna e escapando incólume a quem pretendia vê-lo pagar pelos seus crimes financeiros.

 

Recordei esses tempos a propósito de, por esta altura, milhares de navios estarem no mesmo impasse em que me vi há quatro décadas na costa grega, sem saberem quanto poderão atracar para descarregarem. Com as refinarias a transbordarem de produto, eles são um dos muitos sinais de uma crise, que se afigura imprevisível nas consequências. E com a certeza de que, osmarcriches atuais estarão, nesta altura, a fazer planos de contenção de danos em vez de ponderarem onde irão reinvestir os lucros de um negócio especulativo.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/04/o-reverso-de-um-negocio-especulativo.html

Empresas estão a cobrar às farmácias 150 euros por caixa de máscaras

 

Empresas, muitas das quais nem sequer são do ramo farmacêutico, estão a cobrar às farmácias 150 euros por uma caixa de máscaras. Antes, eram vendidas por cinco euros.

A pandemia de covid-19 levou a que a procura por equipamento de proteção individual disparasse, causando uma escassez de máscaras nos fornecedores. Com isto, como alternativa, várias empresas estão a propor às farmácias a compra de caixas de 50 máscaras por 150 euros. Muitas desta empresas nem pertencem ao ramo farmacêutico.

“Temos caixas/25 máscaras a 150 euros cada, 6 euros a unidade”; “Mínimo de encomenda 100 caixas”: “Caixas/50 máscaras até 1250 caixas preço à unidade a 6 euros”; “Entre 1250 caixas a 12 500, Caixas de 50 ou de 500 a 5 euros cada unidade”. “Encomendas superiores a 12 500, cada unidade a 4 euros”. “A estes preços acrescenta-se o IVA”. O DNescreve escreve, esta terça-feira, que estas são algumas das propostas que chegam às farmácias.

Em situações normais, antes do surto de covid-19, uma caixa de máscaras custava cerca de cinco euros às farmácias e sete euros ao consumidor. Isto significa que uma máscara custa agora aquilo que custava uma caixa de 50 máscaras antes. “É uma vergonha. São preços exorbitantes”, disse uma farmacêutica ao Diário de Notícias.

 
 

“Os fornecedores normais não têm material para vender às farmácias, que estão a ser confrontadas com propostas enviadas por empresas de ocasião e com preços muito superiores ao normal”, explica a Associação Nacional das Farmácias.

Importante realçar que a este preço tem de se acrescentar ainda uma margem de lucro para a farmácia na venda ao consumidor final. No entanto, o matutino sabe que algumas farmácias estão a vender estas máscaras “sem quase margem de lucro”.

Perante esta situação, a Associação Nacional das Farmácias enviou uma carta ao primeiro-ministro apelando para que coloquem um travão à especulação de preços.

A ASAE elucidou que têm estado a ser desenvolvidas várias ações no terreno, onde se verificaram situações de “lucro ilegítimo” relativamente à venda de produtos muito solicitados devido à covid-19, como máscaras, álcool, gel desinfetante, entre outros. Armazenistas, distribuidores, farmácias, mercearias e supermercados são alguns dos infratores.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/empresas-150-euros-caixa-mascaras-317864

Suspeito de liderar desvio milionário na área da saúde no Brasil compra casa em Cascais por 1 milhão de euros

Por Redação
15 dezembro 2018
Suspeito de liderar um esquema na área da saúde, no Brasil, que terá rendido 15 milhões de reais, o empresário com cidadania portuguesa Daniel Gomes da Silva adquiriu recentemente uma casa, em Cascais, por 1 milhão de euros.
Segundo a Imprensa brasileira, Daniel Gomes da Silva foi preso esta sexta-feira no aeroporto Tom Jobim, no Galeão, quando regressava de Portugal ao Brasil.

Empresário foi preso ao desembarcar esta sexta-feira no Galeão
Foi detido juntamente com outras dez pessoas na sequência de uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), através do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC).
Ainda de acordo com a Imprensa brasileira, o empresário viu decretada a prisão preventiva no âmbito da operação “Calvário”, que apura o desvio de R$ 15 milhões de recursos públicos em contratos firmados com unidades de saúde.
O Ministério Público investiga 22 pessoas que integram a organização sob suspeita e foram denunciadas junto à 42ª Vara Criminal pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. 
O homem apontado como chefe da quadrilha é o empresário Daniel Gomes da Silva que, segundo as autoridades brasileiras, tem cidadania portuguesa, vive fora do país eplaneariadesfazer-se de bens no Brasil. “Ele comprou recentemente uma casa em Cascais, em Portugal, avaliada em 1 milhão de euros”, dizem as autoridades.
De acordo com a denúncia apresentada à Justiça, a organização utilizava a filial da Cruz Vermelha Brasileira situada no Rio Grande do Sul (CVB-RS) para operar em diversos estados. 
Os alegados desvios foram feitos com contratos, num montante de R$ 605 milhões, em unidades de Saúde do município e do estado, entre eles o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, a UPA de Botafogo, e dois hospitais estaduais de Araruama e Saquarema, na Região dos Lagos.
De acordo com a denúncia apresentada à Justiça – avança a imprensa brasileira- a organização comandada por Daniel Gomes da Silva utilizava a filial da Cruz Vermelha Brasileira situada no Rio Grande do Sul (CVB-RS) para operar em diversos estados, inclusive no Rio de Janeiro, na administração de unidades de saúde. A partir desta atividade, superfaturavam contratos e desviavam recursos. A organização também operava a filial da Cruz Vermelha Brasileira em Sergipe e o Instituto de Psicologia Clinica, Educacional e Profissional (IPCEP).
Entre 2011 e 2018, as entidades tiveram acesso a mais de R$ 1,7 bilhão em recursos públicos para a gestão de unidades de saúde em quatro estados do país, incluindo o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. A partir de agosto de 2015, a organização fez contratos no Rio de Janeiro no valor de R$ 605 milhões para a gestão de unidades como o Hospital Municipal Albert Schweitzer, na capital; o Hospital Estadual dos Lagos, em Saquarema; o Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama; e UPAs (Engenho de Dentro, São Pedro da Aldeia, Itaboraí, Magalhães Bastos e Botafogo).
Foi apurado que a organização direcionava contratações de serviços, realizava pagamentos superfaturados para empresas pré-selecionadas e repassava valores correspondentes ao superfaturamento para Daniel Gomes da Silva, em espécie, por meio de funcionários de confiança. Os recursos eram habitualmente sacados na boca do caixa e movimentados fora do sistema financeiro. O desvio estimado de R$ 15 milhões é apontado na denúncia como valor muito inferior ao real dano causado ao patrimônio público, por computar somente as despesas da CVB-RS com oito fornecedores que prestam serviços em unidades de saúde do Município e do Estado do Rio de Janeiro.
Daniel Gomes da Silva é ex-dirigente da empresa Toesa Service S/A e possui condenação criminal em primeira instância por peculato em razão daquela empresa ter sido contratada por valores superfaturados para o serviço de manutenção de ambulâncias pela Secretaria do Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Após a Toesa estar envolvida em casos de corrupção, a prática de camuflar a atividade empresarial sob a fachada de organizações não governamentais foi detetada inicialmente na Operação Assepsia, que investigou contratos fraudulentos na Secretaria de Saúde de Natal, no Rio Grande do Norte.

Fidelidade troca milhares de casa arrendadas por projecto imobiliário de luxo

A Fidelidade comprou os terrenos da antiga Feira Popular, em Lisboa, por metade do que ganhou com a venda do seu património imobiliário, que provocou uma onda de despejos por todo o País.

CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

A seguradora divulgou, em comunicado, que vai construir a sua nova sede nos terrenos que adquiriu, em hasta pública, por 274 milhões de euros, segundo o Público. Com este negócio, a Fidelidade acaba por trocar o património imobiliário que detinha em todo o País, que vendeu por 425 milhões de euros ao fundo abutre norte-americano Apollo, por três lotes, no centro de Lisboa.

Os terrenos da Feira Popular fazem parte da «Operação Integrada de Entrecampos», onde estão previstos mais de 200 mil metros quadrados de novas edificações, entre habitação, comércio e serviços. A empresa adquiriu ainda um outro terreno na Avenida Álvaro Pais, junto à estação ferroviária de Entrecampos, com uma área de 40 mil metros quadrados de construção para serviços.

Apesar de a Operação Integrada de Entrecampos, que engloba ainda os terrenos envolventes aos prédios da antiga Empresa Pública de Urbanização de Lisboa, junto à Avenida das Forças Armadas, prever 700 novos fogos para «habitação acessível», nenhum desses integra os lotes adquiridos pela Fidelidade.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/fidelidade-troca-milhares-de-casa-arrendadas-por-projecto-imobiliario-de-luxo

Especulação imobiliária*

A grande especulação imobiliária é anterior à fase monopolista do capitalismo (basta recordar a Paris de Haussmann). Mas é com o poder dos monopólios que floresce. Embora Nova Iorque e Lisboa sejam realidades urbanas muito diferentes, as dinâmicas que a grande burguesia norte-americana pôs em movimento na grande metrópole têm traços comuns – e ajudam a compreender – o processo especulativo que assola Lisboa.

Merece ser lido o livro “The Assassination of New-York” (Verso, 1993). O autor é um norte-americano progressista, Robert Fitch, e o que estuda é o processo de reconfiguração da cidade sob o comando directo do grande capital (os Rockefeller, Ford, Astor, Carnegie e outros, e o exército dos seus homens de mão). Trata-se de exponenciar o valor do solo urbano pela alteração radical do seu uso, e Fitch sintetiza-o numa fórmula lapidar: «O planeamento urbano é a coordenação do monopólio do solo.»

Significativamente, esse processo data não das últimas mas das primeiras décadas do séc. XX. Especificamente do Plano Regional de Nova Iorque e Arredores, de 1929. Tem quase um século. O que se planeia é a expulsão da indústria e a desactivação da actividade portuária daquele que era, na altura, o maior porto do mundo. Para nos terrenos assim desocupados construir milhões de metros quadrados em torres destinadas ao sector terciário (ao CBD) e à habitação de luxo.

Porque se evoca aqui esse estudo? Porque os traços que identifica são reconhecíveis por exemplo da região de Lisboa: a desindustrialização, a contracção das áreas portuárias, a constante pressão para a mudança de uso de solos ocupados pelo sector secundário e pela rede da ferrovia pesada. Os resultados que Fitch identifica em Nova Iorque (enorme perda de postos de trabalho, empobrecimento e expulsão das camadas populares, perda de diversidade e vitalidade da base económica da área metropolitana) são há muito visíveis no polo central da AML. E são acompanhados de uma chocante prosperidade da especulação imobiliária.

Agora que alguma imprensa descobriu a especulação imobiliária a propósito de um caso concreto, seria altura de recolocar o quadro geral que a ela conduz.

Leia original aqui

Governo dá 2,5 milhões a ex-dona do BPN por um terço do SIRESP

O Estado vai pagar 2,5 milhões de euros pela participação de 33,3% no SIRESP a uma empresa falida cujos activos deviam ter sido nacionalizados em 2008: a Galilei, antiga dona do BPN.

A entrega da gestão da rede nacional de emergência e segurança a privados foi decidida pelos governos de Durão Barroso e Santana Lopes (PSD e CDS-PP) e concretizado pelo governo de José Sócrates (PS)CréditosNuno André Ferreira / Agência LUSA

A participação minoritária no consórcio que gere a rede nacional de emergência e segurança que o Estado vai comprar à Galilei (ex-Sociedade Lusa de Negócios) tem um preço de 2,5 milhões de euros, afirmou o administrador judicial da empresa que está falida ao Público.

Este era um dos activos dos donos do BPN em que o governo de José Sócrates (PS) escolheu não tocar quando o banco foi nacionalizado, numa operação que custou, pelo menos, 3,66 milhões de euros. Caso contrário, o actual Governo do PS podia ter conseguido alcançar a maioria do capital, já que o falhanço em relação à promessa feita em Outubro do ano passado resultou do exercício do direito de preferência pela Altice, outro dos accionistas.

Pelo controlo do SIRESP, ou seja, pelas participações da Esegur (12%) e da Datacomp (9,5%), a Altice vai gastar menos que o Estado pela posição minoritárias: apenas 1,7 milhões de euros.

O Públicodá ainda conta, na sua edição de hoje, que o anúncio de que o Estado vai ter a maioria na comissão executiva do SIRESP e a presidência do conselho de administração só vale até Março de 2019, de acordo com o sistema de rotatividade em vigor. Depois disso, é a vez de a Altice nomear o presidente e qualquer alteração a esta prática implica necessariamente o aval da transnacional, tendo em conta que tem a maioria do capital.

O controlo público do consórcio que gere a rede nacional de emergência e segurança, entregue a privados por governo do PSD e do CDS-PP, e também do PS, foi decidido pelo Governo em Outubro passado e anunciado pelo então recém-empossado ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, como uma das principais decisões do conselho de ministros extraordinário que se seguiu aos grandes incêndios que se iniciaram a 15 de Outubro.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

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