Educação

Uma coisa são as declarações de Costa sobre a importância do investimento na Educação, outra é o que o Orçamento de Estado contempla mais uma vez

Eugénio Rosa    21.Ene.20
 
Apesar da despesa com a Educação em percentagem da despesa total do Estado ser inferior em Portugal tanto à média dos países da OCDE como aos países da União Europeia, mesmo assim não se tem verificado uma inversão real e continuada de tal situação (em 2020 é inferior à de 2004, 2017,2018 e 2019). A pequena recuperação verificada em 2018 e 2019, regista em 2020 uma nova diminuição. Apesar das declarações do 1º ministro sobre a importância do investimento na educação e da acusação que fez da insuficiência desse investimento no passado ser a causa do défice estrutural do atraso do país, os dados oficiais mostram que Costa não tem uma grande “paixão” pela educação. A paixão pelas “contas certas” à maneira do “antigamente” e para brilhar em Bruxelas tem sido mais forte.
 
 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Corte no Orçamento da Educação

Costa faz grandes declarações sobre a importância do investimento na educação, mas depois corta no orçamento e na riqueza criada no país aplicada na educação para apresentar um orçamento em 2020 com saldo positivo

 

 

Neste estudo analiso, utilizando os dados divulgados pelos sucessivos governos constantes dos Relatórios dos Orçamento do Estado do período 2014/2020, portanto também inclui o Orçamento do Estado de 2020 agora em debate na Assembleia da República as verbas destinadas ao investimento na Educação em Portugal (ensino pré-escolar, básico e primário) mostrando que elas tem sido inferior à média dos países da OCDE e da União Europeia e que tem-se verificado em Portugal nos últimos anos, com o governo do PS, uma redução destas despesas tanto em percentagem da despesa publica total como em percentagem da riqueza criada anualmente no país.

E isto apesar do 1.º ministro ter afirmado, o que foi amplamente divulgado pelos órgãos de informação que “O maior défice estrutural que o país tem, aquele que acumulou durante séculos, aquele que durante séculos nos fez ficar para trás, foi mesmo o desinvestimento na educação”.Como consequência em 2019 ainda 43,2% da população empregada em Portugal ter apenas o ensino básico ou menos o que que constitui um forte obstáculo ao crescimento económico e desenvolvimento do país. E isto tudo para apresentar “contas certas” e brilhar em Bruxelas.

Espero que este estudo possa ser útil na reposição da verdade e na reflexão e debate de um dos problemas mais graves que continua a enfrentar o país em termos de desenvolvimento e de melhoramento de condições de vida dos portugueses.

 

 
 
 
 

 

Estudo

Costa faz grandes declarações sobre a importância do investimento na educação, mas depois corta no orçamento e na riqueza criada no país aplicada na educação para apresentar um orçamento em 2020 com saldo positivo

 

Em recentes declarações divulgadas nos media (6/1/2020) o 1.º ministro afirmou que “O maior défice estrutural que o país tem, aquele que acumulou durante séculos, aquele que durante séculos nos fez ficar para trás, foi mesmo o desinvestimento na educação” No entanto, o governo afirma uma coisa e faz outra como vamos mostrar utilizando os dados do próprio governo.

 

A despesa pública com educação é inferior à média dos países da OCDE e da UE

Os dados divulgados pela OCDE na sua publicação “Education at a Glance 2019” prova que, contrariamente ao que afirmou o 1.º ministro, o investimento em Portugal na educação é reduzido.

 

Gráfico 1 – Despesas com a educação em percentagem da despesa pública nos países das OCDE

 

 

Como mostram os dados do gráfico 1 da OCDE, Portugal (a coluna sinalizada com o risco vermelho) apresentava em 2017 uma percentagem da despesa publica em percentagem da total aplicada na educação dos portugueses (pré-escolar, básico e secundário) inferior à média tanto dos países da OCDE e como dos países da União Europeia. E esta situação não tem melhorado como revelam os dados do Orçamento do Estado para 2020 que constam do quadro 1.

 

Quadro 1 – A despesa em Portugal do Orçamento do Estado com a Educação (pré-escolar, básico e secundário) em percentagem da despesa total do Estado – 2014/2020

 
Fonte: Relatório do Orçamento do Estado – 2014/2020 – Ministério das finanças

 

Apesar da despesa com a Educação em percentagem da despesa total do Estado ser inferior em Portugal tanto à média dos países da OCDE como os países da União Europeia, mesmo assim não se tem verificado uma inversão real e continuada de tal situação (em 2020 é inferior à de 2004, 2017,2018 e 2019). Apesar de em 2018 e 2019, ter-se verificado uma pequena recuperação, mas em 2020 registou uma nova diminuição. Apesar das declarações eloquentes do 1º ministro sobre a importância do investimento na educação, e da acusação que fez da insuficiência desse investimento no passado ser a causa do défice estrutural do atraso do país, os dados oficiais mostram que Costa não tem uma grande “paixão” pela educação. A paixão pelas “contas certas” à maneira do “antigamente” e para brilhar em Bruxelas tem sido mais forte.

 

A reduzidíssima percentagem da riqueza criada no país aplicada na educação

O quadro 2, construído com dados oficiais, revela uma outra realidade dramática, a de que continua a ser muito reduzida a percentagem da riqueza criada no país aplicada na educação.

 

Quadro 2 – Despesa com o Ensino pré-escolar, Básico e Secundário em % da riqueza criado no país (PIB)

 
Fonte: Relatório do Orçamento do Estado – 2014/2020 – Ministério das finanças

 

Os valores afetos à Educação em Portugal, em percentagem da riqueza criada anualmente no país (PIB), são manifestamente reduzidos, e o mais grave é que a tendência tem sido de diminuição mesmo com os governos PS como revela o quadro 2 (3,7% do PIB em 2014 e apenas 3% em 2019). E isto tanto em valores globais, como em montantes destinados ao funcionamento do sistema de ensino pré-escolar, básico e secundário bem como com as despesas com pessoal (professores e auxiliares de educação, e outros profissionais: apenas 2,25% do PIB em 2014 e 2,18% do PIB), cuja insuficiência em numero tem sido denunciado publicamente, pondo em causa o próprio funcionamento das escolas (a falta de professores e auxiliares de educação é já notória em todo o pais). Em 10 anos (2008/2018) o número de professores em Portugal no publico diminuiu em 26.997.

 

44 após o 25 de Abril ainda 43,2% da população portuguesa empregada tem apenas o ensino básico, ou menos, sendo um forte obstáculo ao desenvolvimento do país

E os mais qualificados abandonam o país por falta de um emprego e de uma remuneração dignas

Os dados do INE constantes do quadro 3 mostram a realidade do país 39 anos após o 25 de Abril devido ao investimento insuficiente feito pelo Estado na educação apesar das sucessivas de declarações da paixão pela educação feito pelos sucessivos governos.

 

Quadro 3 – População empregada em Portugal por níveis de escolaridade – 2018/2019

 
Fonte: INE, Inquérito ao Emprego – 3.ªº Trimestre de 2019

 

A percentagem da população portuguesa apenas com o ensino básico (43,2% do total em 2019) não é maior apenas devido ao facto de na crise de 2008/2015, com o governo do PSD/CDS e “troika”, se ter verificado uma expulsão maciça do mercado de trabalho de trabalhadores com o ensino básico ou menos – neste período perderam o emprego cerca de 1,2 milhões de trabalhadores com o ensino básico ou menos – embora tenham sido destruídos “só” cerca de meio milhão de postos de trabalho. Um grande número de trabalhadores com o ensino básico ou menos foram substituídos por trabalhadores com um nível de escolaridade superior – secundário e superior – mas os patrões aproveitaram o elevado desemprego existente para pagar a estes trabalhadores, com habilitações escolares mais elevadas, remunerações inferiores às que recebiam os trabalhadores despedidos.

Foi desta forma que as entidades patronais conseguiram uma redução generalizada dos salários em Portugal, que agora querem manter, o que está a levar centenas de milhares de trabalhadores com maiores habilitações e mais qualificados a procurarem em outros países o emprego que em Portugal lhes é recusado. Atualmente, mais de 30% dos trabalhadores portugueses recebem apenas o salário mínimo nacional. Portugal é um país de salários mínimos. É esta uma consequência da política destrutiva de “contas de certas” de Centeno e Costa de falta de investimento na educação.



 

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/corte-no-orcamento-da-educacao/

Agressão à facada na escola

faca.jpgUm adolescente de 16 anos foi esfaqueado, esta segunda-feira, por um colega na Escola de Santa Bárbara, em Fânzeres, Gondomar, avançou o Jornal de Notícias. A vítima foi transportada para o Hospital São João, no Porto, no entanto não corre perigo de vida.

Não é conhecido o que motivou o ataque do colega da vítima. O autor da agressão está identificado, mas fugiu das instalações escolares antes de as autoridades chegarem ao local. Acabou por se entregar ao início da tarde.

Mais um crime grave cometido numa escola, um espaço onde deveriam reinar, não a violência, mas a paz, a concórdia e o respeito entre os discentes e destes para com professores e pessoal não docente.

Em vez disso, continuam a irromper no espaço escolar, com preocupante regularidade, agressões violentas que as comunidades não estão preparadas para enfrentar.

É uma ambição nobre abrir escolas com a perspectiva de que elas permitirão encerrar prisões. Mas a verdade é que será sempre complicado incluir à força quem não quer a inclusão. Ou apenas a aceita ser ela for construída à medida dos seus interesses.

Se aceitamos que a escola pública serve para socializar toda a gente, incluindo quem tem comportamentos violentos, e que os restantes membros da comunidade devem sujeitar-se a servir de saco de pancada de quem não respeita o seu próximo, estamos apenas a construir guetos escolares que apenas os indesejáveis – e nem todos! – quererão frequentar.

A Educação no OE 2020

Tiago 001

É certo e sabido que a Educação continuará a ser uma não-prioridade deste Governo, o que está patente, logo à partida na nulidade política que colocaram à frente do ministério.

Ainda assim o ministro é uma boa demonstração prática da tese governamental sobre a inutilidade das retenções. Pois nem o facto de ser repetente no lugar lhe permite aparecer em público com a lição bem estudada, demonstrando um mínimo de conhecimento, de autonomia de acção ou de iniciativa – qualidades que se esperariam encontrar num dirigente político, caso contrário os governos poderiam ser formados apenas com directores-gerais. Assim, limita-se a papaguear os que os secretários de Estado ou os assessores do seu gabinete lhe mandaram dizer…

Ficam, para memória futura, as linhas de acção que o Governo definiu, na apresentação do Orçamento de Estado, para o sector educativo:

E mais estas, retiradas das prioridades do Governo para assegurar melhores serviços públicos…

Governo pondera abrir cursos de Medicina a estudantes internacionais

O Governo vai estudar a hipótese de abrir os cursos de Medicina a estudantes internacionais e encarregou o grupo que trabalha o acesso ao Ensino Superior público de apresentar conclusões até ao início de maio de 2020.

 

De acordo com um despacho do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), divulgado esta quarta-feira, são sete as áreas a trabalhar pelo referido grupo de trabalho, liderado pelo professor João Guerreiro, presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior.

Entre elas está a dos estudantes internacionais, em relação aos quais o Governo pede ao grupo de trabalho para “proceder à avaliação da aplicação do Estatuto de Estudante Internacional […] incluindo a regulamentação sobre o acesso de estudantes internacionais ao ensino da Medicina em Portugal”.

“As conclusões do grupo de trabalho deverão ser submetidas até ao início de maio de 2020 e resultar de um processo de debate e envolvimento público com a realização dos debates que forem considerados adequados, em especial no âmbito do Conselho Coordenador do Ensino Superior (CCES), da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) e do Conselho Nacional de Educação (CNE), entre outros. Devem ainda considerar os estudos e análises em curso por entidades públicas e privadas”, refere o despacho da tutela.

O despacho recorda a obrigatoriedade de avaliar a aplicação do Estatuto do Estudante Internacional a cada triénio de aplicação, pelo que a segunda avaliação, que vai abranger os anos letivos de 2017-2018, 2018-2019 e 2019-2020 é vista como “a necessidade que emerge com a oportunidade de reforçar o acesso de estudantes estrangeiros para instituições em Portugal em todas as áreas do conhecimento, incluindo a Medicina“.

“De facto, o ensino da Medicina considera situações específicas de acesso que hoje requerem ser analisadas e revistas. Deve ainda ser notado que a primeira avaliação deste estatuto conduziu a alterações em 2018 no respetivo regime legal. Neste contexto, uma nova avaliação poderá constituir uma reflexão útil e fundamentada sobre eventuais alterações a introduzir no contexto da fixação de vagas neste concurso especial, em especial sobre os ciclos de estudo abrangidos, a adequação dos limites máximos fixados e sua articulação com os demais concursos especiais, incluindo na área da Medicina”.

Segundo a nota do MCTES, o grupo de trabalho iniciou este mês o trabalho de preparação do acesso ao Ensino Superior para o próximo ano letivo (2020-2021) e deve dar continuidade à análise de critérios geográficos e demográficos para determinar a distribuição de vagas pelas instituições de Ensino Superior públicas no concurso nacional de acesso.

Este trabalho esteve na origem da regulamentação usada em 2018 e 2019, que redistribuiu as vagas, transferindo lugares nos dois grandes centros urbanos do país (Lisboa e Porto) para instituições localizadas em regiões do interior e que, no último ano, permitiu às instituições aumentarem o número de vagas nos cursos mais procurados por estudantes considerados candidatos de excelência (com notas de candidatura iguais ou superiores a 17 valores).

O grupo de trabalho fica ainda incumbido de propor medidas a concretizar no despacho orientador de vagas para o próximo ano letivo, “para aprofundar e promover o estímulo à formação em áreas de promoção de competências digitais e de ciências de dados“, áreas que ficaram isentas de qualquer medida de redução de vagas nos últimos anos e que permitiram inclusivamente, ao ISCTE, em Lisboa, abrir uma nova licenciatura.

Ao nível do Ensino Secundário, o grupo de trabalho deve “propor medidas […] para as estratégias de desenvolvimento pedagógico nas escolas de Ensino Secundário, devido à forma segundo a qual os professores preparam e condicionam a orientação dos estudantes para o acesso ao Ensino Superior”.

O grupo de trabalho deve ainda propor estratégias para captar um maior número de alunos do Ensino Secundário profissional e adultos para aprendizagem ao longo da vida e formação que confira um grau académico, apostando sobretudo nos cursos de ensino à distância, que o Governo quer que a Universidade Aberta passe a ministrar “em associação com outras instituições de Ensino Superior”.

O último ponto da agenda atribuída ao grupo de trabalho prende-se com a igualdade de género, devendo propor medidas “para combater a segregação profissional entre homens e mulheres através de programas de desconstrução de estereótipos de género no acesso ao ensino superior”.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/medicina-estudantes-internacionais-302756

A pior escola?…

escola-baltarAmianto nas coberturas, chuva e frio nas salas de aula, armas brancas e tráfico de droga nos recreios, a ambulância dos bombeiros e o carro-patrulha a estacionarem regularmente à entrada: o que quer que se possa imaginar de pior numa escola secundária, a Escola Secundária de Baltar tem.

A denúncia parte do Bloco de Esquerda, que quer ouvir o ministro da Educação sobre estes problemas e saber o que se tenciona fazer para os resolver. Mas terá que o inexistente ministro, quase sempre a leste dos problemas existentes no sector que tutela, terá alguma coisa a dizer?…

A situação “é preocupante” nas palavras do Bloco de Esquerda que exige explicações ao ministro da Educação sobre a Escola Secundária Daniel Faria, em Baltar, Paredes, no distrito do Porto. Chove nas salas de aula, há amianto a preocupar alunos, pais e professores, e problemas de segurança, com confrontos entre alunos a envolverem facas e venda de droga no interior da Escola.

Pais e professores da Escola Secundária Daniel Faria, em Baltar, manifestaram-se no arranque do segundo período lectivo, neste início de ano, depois das férias natalícias, para se queixarem das condições de segurança, de saúde e de conforto. Fizeram greve às aulas para alertarem para um problema que leva o Bloco de Esquerda (BE) a pedir justificações ao Governo, falando de uma situação “preocupante”.

“Chove nas salas de aula, não existem condições mínimas de conforto, a maioria das portas das casa-de-banho está partida, pavilhão sem as mínimas condições, sem água quente nos balneários”, refere o BE, realçando que há “problemas graves de aquecimento do edificio e com amianto na sua estutura”.

Deste modo, o Bloco pergunta ao ministro da Educação se tem “conhecimento da situação” e quando vai “realizar as obras necessárias para a reposição de condições regulares de utilização da escola”. O partido também quer saber para quando está prevista “a remoção do amianto da escola“.

A direcção da Escola não se tem pronunciado sobre a situação, mas pais e alunos estão muito descontentes e preocupados.

Brasil | O assalto às universidades

Do siteA Terra É Redonda

A liberdade e autonomia das Universidades públicas estão sendo assaltadas por dentro, pela intervenção de prepostos do poder político e de ideologias autoritárias desdenhosas da ciência, do pensamento e das artes.

Depois da etapa das injúrias e da falsificação da imagem de nossas universidades públicas, passou-se agora ao assalto institucional, na tentativa de falsificá-las por dentro.

Os assaltantes esperaram o esvaziamento dos campi pelos recessos de fim de ano, para, por decreto, na véspera do Natal, ocupar as reitorias, com os objetivos ideológicos (e também econômicos: o ensino pago) explicitamente professados e confessados desde o início de seu governo.

Para as pessoas de boa fé, o mais odioso desse Decreto está na intenção perversa de usar o instrumento democrático das consultas à comunidade acadêmica para a escolha de seus dirigentes com o fim de, justamente, ludibriar a expressão da vontade democrática no interior das instituições; enfim, para fazer das consultas uma farsa e instrumento de imposição dos interesses ideológico-políticos do poder da hora. Pois, o decreto presidencial (formalmente ilegítimo, já por sua matéria ser destituída de urgência) veicula a estratégia finamente calculada e tramada pelos “olavistas” do Ministério da Educação para a submissão e sufocamento das universidades pelo alto, pela via da “ocupação” das reitorias.

Pela estratégia concebida, uma pequena minoria organizada e perfilada poderá obter nas consultas – com reduzidíssima porcentagem de sufrágios – um terceiro lugar na lista tríplice a ser submetida à decisão discricionária do presidente. Por essa farsa democrática, o governo, então, vence sempre (mesmo no caso de boicote às consultas, seus poucos militantes se encarregarão de validá-las) e leva adiante a desejada eliminação do caráter público das instituições federais de ensino superior.

As universidades nasceram e têm buscado, por séculos, se manter como espaços de liberdade – de ensino, de investigação, de debate – em relação às autoridades civis e religiosas, reis e papas; nasceram, subtraindo-se às hierarquias dos poderes, como comunidades corporativas (por que não?) autogeridas de estudantes e professores: universitassuperiorum non recognoscentes, estabelecendo e fazendo reconhecer a autoridade do pensamento e da ciência.

Vem diretamente dessa sua história o conceito de autonomia universitária, institucionalmente efetivada nas atividades de seus colegiados e de seus pesquisadores e professores. É essa autonomia a condição dos serviços que presta à sociedade pelo exercício do pensamento e a produção de conhecimento, de modo que é acima de tudo odioso ver essa liberdade e autonomia serem assaltadas por dentro, pela intervenção de prepostos do poder político e de ideologias autoritárias desdenhosas da ciência, do pensamento e das artes.

A universidade pública brasileira, não obstante certos obstáculos e constrangimentos econômicos e políticos, tem cumprido o seu papel e tem se mantido suficientemente livre, mesmo que insuficientemente democrática e insuficientemente comprometida com os graves problemas sociais do país. Ciosa do seu papel e da autonomia necessária para realizá-lo, a universidade reagirá a esse assalto vil. Mas que essa reação seja não somente a defesa do status quo, mas ocasião de uma ampla revitalização institucional e acadêmica, democrática, pluralista e socialmente ainda mais responsável.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/o-assalto-as-universidades

Vergonha nacional

pre-escolarUm país que viu descer a natalidade a mínimos históricos não conseguir, mesmo assim, assegurar a universalização do pré-escolar a todas as crianças é, efectivamente, e sem ter medo das palavras, algo que nos deve envergonhar colectivamente.

Recordo que a universalização da educação pré-escolar a partir dos três anos fez parte do rol das promessas não cumpridas do anterior governo socialista. Não conseguiram inventar nenhum “projecto” para pagar a medida com financiamentos europeus e, claro, tapar os buracos da gestão fraudulenta na banca esteve sempre à frente, na lista de pagamentos, do investimento público em Educação.

Ainda assim, o Governo não tem todas as culpas. Porque não vi, nem da parte da sociedade civil nem das oposições, o empenhamento necessário para forçar o governo a corrigir a sua política. Numa sociedade com cada vez menos crianças, não tardará muito, se continuarmos por este caminho, a que rendam mais votos as medidas tomadas a favor de cães e gatos do que da educação, da saúde e do bem-estar das nossas crianças.

Talvez agora, que o assunto adquire visibilidade a nível internacional, o Governo demonstre o empenhamento que não teve perante a complacência nacional…

Se for cumprido o que se encontra previsto no Orçamento do Estado (OE) para 2020, Portugal poderá deixar de figurar ainda este ano na “lista negra” dos países que continuam a não ter vagas necessárias para garantir a frequência da educação pré-escolar às crianças com três anos de idade.

É esta, aliás, uma das características destacadas no último relatório da rede europeia Eurydice com os Números-chave sobre a Educação Pré-Escolar e Cuidados para a Infância na Europa, divulgado na última semana. Cerca de metade dos 38 países analisados neste estudo têm oferta gratuita do pré-escolar a partir dos três anos, Portugal incluído, mas, “em contraste” com o que se passa na maioria dos casos, por cá “ainda se observa uma falta considerável de vagas para este grupo etário”, frisa-se no relatório. Que aponta como explicação para esta situação o facto de o “direito legal” a uma vaga só estar disponível para crianças a partir dos quatro anos.

Este “direito legal” consiste na obrigação de o Estado garantir vagas a todas as crianças inscritas na educação pré-escolar. É o que se chama universalização deste nível de ensino, que já está garantida entre os quatro e os cinco anos de idade, tendo sido criadas desde 2016 cerca de mais 7500 novas vagas na rede pública.

 

Fenprof marca lutas para pressionar negociação do OE

No dia 17 de Janeiro os professores estarão em protesto em frente ao Parlamento durante o debate sobre Educação e dia 31 juntam-se aos restantes trabalhadores da função pública para exigir aumentos salariais.

Créditos / Fenprof

Os professores consideram que a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2020, que agora transita para a fase de debate na especialidade, «passa ao lado da Educação». «Esta área mantém-se financeiramente estagnada, após uma década em que o financiamento público foi reduzido em 12%», denunciam em nota à imprensa.

A Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN) vai realizar um cordão humano em frente à Assembleia da República, a 17 de Janeiro, à tarde, durante o debate de especialidade sobre Educação, para não ficar «de fora da agenda negocial».

A estrutura sindical marcou ainda uma greve nacional de educadores e professores para dia 31 de Janeiro, e convocou todos os docentes para a participação na Manifestação Nacional da Administração Pública que se realizará nesse dia, em Lisboa.

Lembrando que as escolas não vêem reforçados os seus orçamentos e que os professores continuam sem ter recuperado o tempo de serviço, a Fenprof referiu ainda a questão do acesso à aposentação e dos abusos nos horários de trabalho.

Tal como os restantes trabalhadores da Administração Pública, «repudiam a provocação dos 0,3%», e criticam o aprofundamento do processo de municipalização da Educação.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/fenprof-marca-lutas-para-pressionar-negociacao-do-oe

Lembra-se disto, senhor ex-ministro?

 

 Ainda sobre os resultados do PISA 2018, divulgados em dezembro, vale a pena lembrar a reação de Nuno Crato, em artigo recente no Público. Começando com uma citação de «Alice no País das Maravilhas», e aludindo ao dito popular sobre copos meio-cheios e meio-vazios, Crato defende que «se o ano de 2015 obteve os melhores resultados de sempre, o ano de 2018 revelou uma estagnação, acompanhada do aumento das desigualdades». De caminho, acrescenta que «durante mais de uma década, sobretudo a partir de 2002, o país fez um esforço consciente para dar atenção aos resultados (...) e para os melhorar, elevando os conhecimentos e a formação dos alunos». E ainda, noutro contexto, também a propósito do PISA, que «a exigência é amiga dos mais desfavorecidos», pois «se tivermos um ensino mais exigente, com metas cognitivas mais claras, os mais desfavorecidos lucram, porque os outros têm vários apoios».
 

 

1. Depois de reduzir a pó a política de educação em Portugal, com referências insistentes à «década perdida» e apelidando os seus antecessores de «sociólogos ideólogos, fanáticos de um certo tipo de ensino», de «pessoas que não olham para a realidade», que se «agarraram ao poder dos corredores do ministério» e que «não sabem de educação» e «nem sequer percebem que a educação em Portugal está mal» (ver vídeo), é preciso ter muita lata - que não falta a Crato - para agora dizer, sem dar a mão à palmatória, que a melhoria progressiva nos testes do PISA resulta do «esforço consciente», feito «durante mais de uma década», para «dar atenção aos resultados (...) e para os melhorar, elevando os conhecimentos e a formação dos alunos».

2. É notável, por outro lado, que o ex-ministro não tenha pejo em insistir na aldrabice de que se devem ao seu mandato (2011-2015) os resultados de Portugal no PISA 2015, «os melhores de sempre», quando os alunos abrangidos pela introdução dos exames no 4º e 6º ano e das metas curriculares não participaram, pela própria cronologia do seu percurso escolar, nessa edição do PISA. Aliás, é essa mesma lógica - de associar os resultados de cada PISA aos quatro anos que antecedem a sua realização (quando o que se avalia são as competências adquiridas por alunos com 15 anos ao longo de todo o seu percurso escolar) - que lhe permite tentar colar a estagnação e ligeira descida no PISA 2018 às políticas da maioria de esquerda, na anterior legislatura (2015-2018).

3. Como se não bastasse, o Nuno Crato que manifesta hoje a sua preocupação com os alunos mais desfavorecidos («porque os outros têm vários apoios»), é o mesmo Nuno Crato que cortou 700M€ no orçamento da Educação entre 2011 e 2015, que aumentou o número de alunos por turma e reduziu o número de docentes, que impulsionou mega-agrupamentos de escolas, afunilou o currículo e criou exames precoces (pedagogicamente contraproducentes e socialmente penalizadores dos alunos com menor estatuto socioeconómico). Preferindo, ainda, quase não mexer no desperdício com Contratos de Associação para poupar mais nas verbas em Ação Social Escolar (em tempos de crise, desemprego e empobrecimento). Ou seja, medidas que beneficiam, como está bem de ver, a aprendizagem e aquisição de competências por parte dos «alunos mais desfavorecidos», pelos quais verte agora uma lágrima.

4. É sintomático, por último, que o ex-ministro em nenhum momento considere a hipótese de os «seus alunos» (que, agora sim, integraram a amostra do PISA 2018) transportarem consigo não só as marcas da sua política educativa mas também o impacto da austeridade imposta pelo governo a que pertenceu. Isto é, ignorando que os alunos tenham sido afetados, no seu percurso e desempenho escolar, pela perda de rendimentos dos pais e por situações de desemprego e empobrecimento, pela angústia e incerteza em que mergulharam milhares de famílias naqueles anos. As taxas de retenção, por exemplo, que aumentaram durante o consulado de Nuno Crato, podem muito bem resultar do efeito combinado da sua política e da degradação das condições de vida de muitos alunos e suas famílias.

Adenda 1: O lastro deixado pelos «anos de chumbo», que não desaparece de um dia para o outro, quase não foi tido em conta na análise da estagnação e ligeira queda de Portugal no PISA 2018. Contudo, com a chegada dos «alunos de Crato» a esta avaliação, faz pouco sentido ignorar o significado desses anos quando se procura interpretar, em 2018, o desempenho escolar dos alunos. É que há mais mundo para lá da escola (mas que não se desliga dela).

Adenda 2: Causa alguma impressão ver a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que promoveu o Projeto Aqeduto, responsável pelos melhores estudos que se fizeram nos últimos anos sobre a importância da origem social e económica dos alunos no desempenho escolar (dimensão normalmente desprezada pela direita), nomear Nuno Crato para a Iniciativa Educação, o novo projeto da FFMS para o setor.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Fenprof contra o OE 2020

A proposta de Orçamento do Estado para 2020, que agora transita para a fase de debate na especialidade, passa ao lado da Educação. Esta área mantém-se financeiramente estagnada, após uma década em que o financiamento público foi reduzido em 12%.

Neste quadro, as escolas não verão reforçados os seus orçamentos, continuando a debater-se com problemas cada vez mais difíceis de resolver. Também os professores são completamente ignorados pela proposta do governo, visto que esta nada prevê para recuperar o tempo de serviço e resolver outros problemas de carreira, para aceder à aposentação sem penalizações, para resolver os abusos e ilegalidades nos horários de trabalho ou para ser resolvido o grave problema de precariedade que continua a afetar o setor. No que respeita aos salários, os professores, tal como os restantes trabalhadores da Administração Pública, repudiam a provocação dos 0,3%, pois esta “atualização”, depois de 10 anos em que o poder de compra se desvalorizou mais de 16%, provocará uma nova desvalorização. Acresce que esta proposta de Orçamento do Estado prevê, ainda, o aprofundamento do processo de municipalização, que os professores contestam e que a FENPROF considera um erro que deverá ser corrigido.

Com o Orçamento de estado praticamente aprovado – já se percebeu que, não só não haverá alterações substanciais na discussão na especialidade, como os partidos de esquerda não se atreverão a juntar os seus votos à direita de forma a inviabilizar a aprovação final – começa a preencher-se a agenda político-sindical.

No sindicalismo docente, a Fenprof toma a iniciativa e apresenta um guião que já nos é familiar de outras ocasiões: sem condições para a luta mais determinada e musculada que as circunstâncias e alguns professores exigiriam, opta-se pelo protesto formal em frente ao Parlamento e pela greve/manifestação à sexta-feira, em convergência com a restante administração pública, para marcar posição.

Muito pouco, notarão alguns. É a luta possível, dirão outros…

oe2020-fenprof.JPG

Provedora quer manuais gratuitos no privado

manuais[1]A provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral, recomenda ao ministro da Educação que garanta manuais escolares gratuitos para todos os alunos carenciados, incluindo os que frequentam o ensino privado, na sequência de mais de uma dezena de queixas que recebeu.

No documento datado de 2 de janeiro e divulgado esta quarta-feira, a provedora recomenda ao ministro Tiago Brandão Rodrigues uma “alteração legislativa” para “alargar a medida de distribuição gratuita de manuais escolares a todos os alunos comprovadamente carenciados que frequentem o ensino particular ou cooperativo”.

“Esta recomendação surge na sequência da receção de mais de uma dezena de queixas, apresentadas por cidadãos, associações e instituições, que vieram contestar a constitucionalidade da opção de limitar a disponibilização gratuita de manuais escolares apenas aos alunos que frequentem escolas da rede pública do Ministério da Educação”, explicou a provedora de Justiça.

Ainda que considere que a atual disposição legal, que exclui o ensino privado dos manuais gratuitos, não viola os direitos constitucionalmente garantidos, entende que “pela forma como está desenhada” a medida da gratuitidade dos manuais escolares “não se afigura justa e equitativa”.

Da leitura da Recomendação n.º 1/B/2020 há uma coisa que fica clara: a Provedora não considera inconstitucional o artigo da Lei n.º 96/2019 que determina a distribuição gratuita de manuais a todos os alunos do ensino público. Mas considera que, em nome de princípios de equidade e justiça, tal medida deveria ser extensiva ao ensino privado.

Tenho algumas dúvidas em relação a esta posição da Provedoria. Em primeiro lugar, não me parece lógico que enderece ao ministro da Educação a proposta de alteração legislativa. Tratando-se de uma lei aprovada pelo Parlamento, seria curial que o reparo fosse dirigido a este órgão de soberania.

Depois, também me suscita dúvidas a linha de raciocínio da Provedora. Entende que também existem alunos carenciados no ensino privado, e que estes deveriam ter acesso aos manuais. Mas a verdade é que a carência económica já não é um critério para a atribuição dos manuais. Pelo que a extensão ao privado um benefício existente no ensino público, a fazer-se, deveria seguir moldes idênticos aos que estão em vigor nas escolas públicas.

Finalmente, a questão dos manuais gratuitos inscreve-se no quadro mais vasto dos apoios económicos que o Estado concede aos alunos abrangidos pela escolaridade obrigatória, e que estão longe de se cingir aos livros de apoio: também são fornecidos, por exemplo, transportes e refeições escolares. Seguindo a lógica equitativa subjacente à recomendação da provedoria, por que não propor que o Estado subsidie as cantinas e os autocarros dos colégios?

No quadro actual de restrições orçamentais no sector da Educação, não me parece desejável que se desviem ainda mais recursos da escola pública, desta feita para subsidiar os privados. Enquanto persistirem fortes desigualdades e assimetrias no acesso à Educação e nos resultados escolares, é evidente que a aposta tem de ser feita na escola pública. Pois é ela que recebe os alunos verdadeiramente carenciados, os que têm necessidades especiais e todos aqueles que, por uma razão ou de outra, são indesejados nas escolas particulares de frequência seleccionada…

Professores avançam com greve nacional a 31 de janeiro

Rodrigo Antunes / Lusa

 

A Fenprof convocou esta sexta-feira uma greve nacional de educadores e professores para 31 de janeiro, em reação à proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), esta sexta-feira discutida no parlamento. 

 

Em comunicado, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) lamenta que o OE2020 não reflita um maior investimento no setor da educação, que vai continuar a ter muitos problemas por resolver em 2020. “Esta área mantém-se financeiramente estagnada, após uma década em que o financiamento público foi reduzido em 12%”, lê-se no comunicado.

Além da falta de reforço dos orçamentos das escolas, a Fenprof aponta a forma como o orçamento continua a ignorar os professores, nomeadamente no que respeita à contabilização do tempo de serviço e outros problemas de carreira, o sistema de aposentações, os “abusos e ilegalidades” nos horários de trabalho e a questão dos salários.

“No que respeita aos salários, os professores, tal como os restantes trabalhadores da Administração Pública, repudiam a provocação dos 0,3%, pois esta ‘atualização’, depois de 10 anos em que o poder de compra se desvalorizou mais de 16%, provocará uma nova desvalorização”, pode ler-se na mesma nota a que a agência Lusa teve acesso.

 
 

A par da greve nacional, a Fenprof convocou para o mesmo dia uma manifestação, juntando-se ao protesto da Administração Pública em Lisboa.

Ainda antes, a federação vai realizar um cordão humano em frente da Assembleia da República, em 17 de janeiro, ao mesmo tempo que o ministro da Educação é ouvido no parlamento, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado.

O OE2020 é esta sexta-feira votado na generalidade e segue para apreciação na especialidade até ao dia 6 de fevereiro.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/professores-avancam-greve-nacional-31-janeiro-301772

Por Moçambique…

escola-mocambique.jpgFocados na nossa realidade educativa, típica de um país europeu com uma estrutura etária envelhecida, causa alguma estranheza olhar os problemas e as preocupações vividos, neste sector, nos países em vias de desenvolvimento.

É o caso de Moçambique, um país com 28 milhões de habitantes e mais de sete milhões de estudantes só no ensino primário, que corresponde a sete anos de ensino obrigatório. Destes, a grande maioria ficará apenas com a escolaridade básica, não alcançando sequer o secundário.

Neste país africano, a luta não é para reter na escola os alunos mais velhos que lá não querem andar. O objectivo é que quem quer continuar a estudar tenha condições efectivas para o fazer, em vez de entrar precocemente no mercado de trabalho ou casar precocemente.

Com o novo ano lectivo prestes a começar – o que é normal nos países do hemisfério sul – anunciam-se os modestos progressos ao nível da contratação de mais professores, essenciais para baixar o número de alunos por turma e melhorar as condições do ensino e aprendizagem.

O novo ano letivo, que arranca este mês em Moçambique, vai contar com 8,4 milhões de alunos no ensino geral, um aumento de 4,7% quando comparado com 2019, anunciou hoje o Instituto Nacional de Desenvolvimento de Educação (INDE).

Do total de 8.411.201 alunos inscritos para o novo ano letivo, que arranca em 31 de janeiro, 7.084.217 são do ensino primário e 1.326.713 do ensino secundário.

Isamel Nheze avançou ainda que o Ministério da Educação espera, este ano, contratar cerca de 12 mil professores para responder aos desafios que o sistema enfrenta a nível do país.

“Este número foi proposto para atender a expansão da rede escolar e para reduzir ligeiramente o rácio alunos/professor nas escolas primárias e a redução da carga horária por professor no ensino secundário”, acrescentou.

Uma das principais preocupações do Ministério da Educação em Moçambique são as desistências devido a casamentos prematuros e gravidezes precoces, principalmente em zonas rurais.

De acordo com dados oficiais, nos últimos cinco anos, cerca de 14 mil alunas abandonaram as aulas em Moçambique devido a gravidezes precoces e, deste total, 1.081 contraíram casamentos prematuros.

O ranking dos horários recusados

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Alunos de escolas da Grande Lisboa e do Algarve continuam sem todos os professores atribuídos no arranque do segundo período de aulas, que começou esta semana no ensino básico e secundário.

Os dados constam de um estudo realizado pelo blogue do professor Arlindo Ferreira, especialista em Estatísticas da Educação, que foi divulgado esta quarta-feira.

De acordo com o estudo, o segundo período de aulas volta a ser problemático para estudantes de Lisboa e do Algarve, duas regiões afetadas pela recusa dos professores em dar aulas.

No concelho de Lisboa, ainda havia 172 horários vazios em contrato de escola de oito ou mais horas, seguindo-se Sintra (125 horários), Seixal (68 horários), Cascais (67 horários), Almada (61) e Amadora (59).

Também há falta de professores em escolas dos concelhos de Odivelas, Loures, Vila Franca de Xira, Oeiras, Olhão, Barreiro, Silves, Setúbal, Moita, Loulé e Faro, segundo o levantamento hoje divulgado.

Os distritos de Sesimbra, Portimão e Palmela também surgem na lista dos concelhos com mais horários em contratação de escola recusados nas reservas de recrutamento.

O ministro gaba-se de ter colocado “quase dois mil professores” a substituir outros tantos docentes que entraram de baixa, mas a realidade não deixa de ser o que é: no Algarve e na região de Lisboa continuam, em pleno segundo período, a abundar os horários por preencher.

As causas são há muito conhecidas: a maioria dos professores por colocar reside no Norte e uma colocação no sul do país implica despesas elevadas com a deslocação e a estadia, que se tornam incomportáveis face ao custo elevado dos alojamentos naquelas duas regiões.

O mau ambiente de algumas escolas problemáticas da periferia de Lisboa e da Margem Sul é um factor menos referido, mas também deverá estar a funcionar, por certo, como um elemento desmotivador na aceitação das colocações…

Petição para nova escola em Fernão Ferro chega ao Parlamento

Mais de 4000 signatários reivindicam a construção urgente de uma escola básica e secundária em Fernão Ferro, no concelho do Seixal.

Actualmente vivem na freguesia de Fernão Ferro mais de 17 mil habitantesCréditos

O abaixo-assinado foi entregue esta tarde no Parlamento pelo presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos. A necessidade invoca pelos peticionários de uma escola básica dos 2.º e 3.º ciclos e secundária, em Fernão Ferro, compreende-se pelo facto de a sede do Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades (Escola Básica Dr. Carlos Ribeiro), que abrange as escolas daquela freguesia, contar com mais dez turmas do que a sua capacidade.

Actualmente vivem na freguesia de Fernão Ferro mais de 17 mil habitantes, dos quais 2800 entre os zero e os 14 anos. No ano lectivo 2018-2019, a freguesia contava com 125 crianças na educação pré-escolar e 625 alunos no 1.º ciclo, distribuídos por três jardins de infância e três escolas básicas de 1.º ciclo. 

Numa nota à imprensa, Joaquim Santos lembra que a autarquia já disponibilizou terreno para a construção do equipamento, insistindo que a construção de novas escolas na freguesia de Fernão Ferro é «indispensável» para suprimir as insuficiências e enquadrar os alunos nestes graus de ensino. 

Simultaneamente, alerta para o facto de os encarregados de educação dos alunos que frequentam as três escolas básicas da freguesia serem «obrigados a procurar oferta educativa, muitas vezes no concelho vizinho, dada a inexistência de uma escola dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e Secundário neste território».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/peticao-para-nova-escola-em-fernao-ferro-chega-ao-parlamento

A uberização da docência

prof-e.pngEnquanto por cá se tenta relançar a discussão acerca do modelo de colocação de professores, preparando o terreno para uma futura revisão da lei dos concursos, no Brasil ensaiam-se processos inovadores de recrutamento para necessidades temporárias de docentes.

É o caso do aplicativo prof-e. Oscandidatos à docência registam-se e, depois de um processo simplificado de selecção, ficam integrados numa plataforma de funcionamento semelhante à Uber: as escolas aderentes comunicam as suas vagas temporárias e o sistema convoca os professores disponíveis, que podem aceitar ou não. As aulas poderão ser leccionadas presencialmente, caso a escola se situe na cidade em que o professor reside, ou via internet, para qualquer escola brasileira.

…os docentes que quiserem fazer parte da plataforma precisam pagar um valor para a inscrição, que é de R$20,00 para o ensino fundamental Ciclo II (todas as disciplinas); R$30,00 para o ensino médio e técnico (todas as disciplinas) e R$ 40,00 para instituições de ensino superior – Ies (todas as disciplinas).

Não há prova nem classificação de candidatos. O resultado é publicado como aprovado ou não aprovado, sendo avaliados os requisitos mínimos que constam no Edital. O prazo de inscrição encerra em 7 de fevereiro.

Os candidatos preenchem o formulário, postam os documentos solicitados e gravam uma vídeo-aula de até 5 minutos em alguma disciplina de sua graduação ou licenciatura como se fosse se candidatar ao Big Brother.

Os promotores desta plataforma oferecem 80 horas de formação aos candidatos aceites e afirmam que o novo sistema ajuda a minimizar o que consideram ser um dos maiores problemas das escolas: as aulas que se perdem por não se conseguir substituir atempadamente os professores ausentes.

Para já o sistema estará a ser experimentado apenas em escolas particulares, mas há quem tema que este possa ser apenas um passo intermédio antes da sua extensão ao ensino público. Algo que, obviamente, não interessa nem aos professores nem a quem defende uma escola pública de qualidade.

De facto, a falta de professores não se resolve com a precarização da profissão. Implica, pelo contrário, um investimento continuado na formação docente, na valorização profissional dos professores e das suas carreiras e num sistema de colocações que garanta estabilidade profissional e continuidade no trabalho pedagógico.

Marcio Pochmann, economista especializado no mundo do trabalho,  pesquisador e professor da Unicamp e ex-presidente do Ipea, de 2007 a 2012, afirma que trata-se de precarização do trabalho do professor. Em sua conta no twitter ele destaca que, após ser autorizado esse tipo de contratação pelo governo Temer há dois anos, “começou a instalação da uberização nacional da docência privada”, para ele, trata-se da antessala da educação pública , a ocorrer por “cadastramento de professores” para servir ao processo contínuo de substituição em aulas presenciais ou não, em qualquer local do país.

O professor Marcos Fuhr, da direção do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro/RS), diz que “esse formato de contratação é um absurdo e que o Sindicato já está estudando formas de atuar diante de eventuais irregularidades ocorridas no Rio Grande do Sul e outros descumprimentos da legislação vigente, buscando respeito aos pisos salariais e manutenção dos direitos dos professores”.

 

Tiago dos Milhões

Tmoneyiago Brandão Rodrigues continua a fazer a triste figura de um ministro sem ideias nem pensamento próprio sobre a área que tutela nem autorização para agir autonomamente, refém das orçamentações e cativações determinadas pelas Finanças, prisioneiro dos lobbies que permitiu que se instalassem no ministério.

Sem nada de melhor para fazer, dedica-se a um número sempre popular entre os governantes socialistas, pelo menos desde o tempo do socratismo: anunciar chuvas de dinheiro sobre os problemas. E fazê-lo repetidamente, para criar a ideia de que se está, de facto, a fazer alguma coisa para combater a degradação dos edifícios e dos equipamentos escolares.

Claro que sem plano nem estratégia de acção, sem noção das prioridades nem peso político para impor a sua concretização, não é seguro que alguma vez venha a ser gasta sequer uma parte dos milhões anunciados, muito menos que o sejam da forma mais adequada.

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, anunciou hoje que a reprogramação dos fundos do Portugal 2020 vai disponibilizar 47 milhões de euros para a requalificação de escolas na região Centro.

Segundo o governante, aquela verba junta-se aos 39 milhões de euros que já tinham sido anunciados em junho, destinados à requalificação de escolas no Norte.

“São novas dezenas de escolas que vão ter a fortuna de ter os seus espaços requalificados para que possam cumprir em pleno, como aqui acontece, uma vida nova”, afirmou.

A demonização do legado de Paulo Freire na era Bolsonaro

Por que Paulo Freire é tão hostilizado pela extrema direita brasileira? Em razão de que motivos a pedagogia freiriana é tão temida, brutalmente atacada e levianamente deturpada? Espero poder esboçar algumas possíveis respostas a essas indagações.

No último dia 16 de dezembro, Bolsonaro fez uma ofensa venal, infame, e indevida ao educador Paulo Freire. Falando a alguns poucos apaniguados, às portas do Palácio da Alvorada, sobre os motivos pelos quais encerrou o programa “TV Escola”, acusado, injustamente por ele de “deseducar” e ser constituído de programação “totalmente de esquerda”, fez menção ao nome de Paulo Freire, o designando de “energúmeno”, bem ao estilo incivilizado, grosseiro, boçal e tosco que lhe caracterizam.

O ignóbil vocábulo seria mais bem utilizado por Bolsonaro, num ato de absoluta auto sinceridade, ao mirar-se no espelho. Num socrático exercício de autoconhecimento, ele não teria escolhido uma denominação mais adequada à sua própria e execrável figura. Assim, a palavra energúmeno, cujos sinônimos possíveis listamos: imbecil, ignorante, idiota, pateta, tonto, boçal, inepto, estúpido, tapado, besta, burro, estulto, abestado, desequilibrado, descontrolado, desatinado, desnorteado, fanático, furioso, exaltado, louco, arrebatado, possuído, possesso, endemoniado, endiabrado, não encontraria melhor e mais desqualificado destinatário naquele que a proferiu.

Paulo Freire é o antípoda de Jair Bolsonaro. Freire era portador de uma personalidade afável e cativante, que por meio de gestos e palavras amenas, doces e acolhedoras, exalava todo o seu amor à humanidade e aos oprimidos, em particular. Igualmente nele habitava um aguerrido revolucionário, prenhe de indignação e revolta contra as injustiças sociais do mundo capitalista. Sua humildade, simplicidade e desprendimento, sua atenção para com os despossuídos, os deserdados da vida, os explorados, era no sentido de os fazer ver sua condição de pessoas, dotadas de dignidade humana.

Nas palavras de do pedagogo Francisco Gutiérrez: “Sua vulnerável figura patriarcal insinua ternura e bondade. Sua personalidade é transparente, não há lugar para hipocrisia. Seus olhos revelam uma alma transbordante de amor pelos seus semelhantes. Talvez essa seja a razão da grande fé e esperança que Freire deposita em todos os homens, mas muito especialmente nas classes despossuídas”. [1]

Federico Mayor Zaragoza, Diretor-Geral da UNESCO, entre os anos de 1987 e1999, deixou registradas algumas palavras que nos ajudam a desnudar um pouco da personalidade de Paulo Freire: “Falar de Paulo Freire é evocar mananciais de lucidez. É descobrir torvelinhos de protesto justo e valoroso em favor da esquecida dignidade de toda pessoa. É referir-se a uma tenaz e serena vigília pela liberdade dos oprimidos, pela educação e pelo domínio de si mesmo. É reafirmar a convicção profunda de que todos devemos colaborar com a grande aventura do acesso ao conhecimento, do despertar do imenso e emblemático potencial criativo que habita cada ser humano. Falar de Paulo Freire é levantar-se contra a miopia do reducionismo econômico e abrir de par em par as janelas da criatividade e do esforço. É, também, alçar o voo da imaginação e do sonho, frente ao mesquinho procedimento daqueles que ficam contabilizando seus compatriotas em enquetes e eleições, sem procurar torná-los cidadãos plenos na vida pública”. [2]

 

Paulo Reglus Neves Freire foi e permanece sendo o mais conhecido educador brasileiro de todos os tempos, sendo agraciado, por meio de uma lei, com o justo título de “Patrono da Educação brasileira”. Nasceu em Recife aos 19 de setembro de 1921 e faleceu em São Paulo aos 02 de maio de 1997. Filho de Joaquim Temístocles Freire e Edeltrudes Neves Freire. Com seus três irmãos, experimentou a fome e a pobreza na adolescência e no início da juventude, após perder o pai ainda muito jovem, quando contava 13 anos de idade.

Casou-se, em primeiras núpcias, aos 10 de novembro de1944 com uma aluna de suas aulas particulares de língua portuguesa, a professora primária Elza Maia Costa de Oliveira, a qual se tornaria, nas décadas seguintes, até a morte de Elza em 1986, sua companheira de vida e obra. Teria sido ela a primeira a estimulá-lo a transpor para o papel suas ideias e concepções, que compartilhava com amigos, num incessante e entusiástico diálogo. O casal teve cinco filhos. Em 1988 contraiu segundas núpcias com a educadora Ana Maria Araújo Freire, a Nita Freire, com a qual foi casado até sua morte.

Ele está entre os mais importantes e festejados educadores latino-americanos. Nordestino, de origem humilde, enfrentou obstáculos econômicos para estudar, na primeira metade do século passado, tendo conseguido, no entanto, formar-se em direito, na prestigiada Faculdade de Direito do Recife, com uma idade acima da média dos demais colegas e já casado.

 

Pretendo delinear um singelo bosquejo das principais ideias de Paulo Freire que culminaram na consecução de uma obra que revolucionou o conceito de Educação Popular no Brasil e em diversos países do mundo. Seu nome e sua obra têm lugar de destaque na História da Educação, gozando de reconhecimento internacional. Sua mensagem era e permanece sendo, em seus muitos livros, diálogos, palestras e práticas educativas em países da América Latina e África, a de um convite à transformação humana e social dos oprimidos, que deveria provocar, no decorrer do processo de sua libertação, a humanização dos opressores.

Sua obra educativa propugna pelo implemento da justiça e inclusão social, provocando em cada educando o emergir de uma consciência crítica e contextualizada. Ele é um educador laureado no Brasil e mundo afora, como reconhecimento de seu papel singular, profícuo e propositivo na construção de uma educação crítica e libertária.

Paulo Freire começou a delinear em fins da década de 50 do século passado as ideias que desaguariam, anos depois, na sua obra magna “Pedagogia do Oprimido”. Dentre as experiências educacionais que vivenciou terá destaque especial a “Experiência de Angicos”, realizada no Brasil, entre os anos de 1963 e 1964, a qual atraiu para si a atenção de muitos, dentre os quais o então Ministro da Educação, Paulo de Tarso, que integrava, àquela época, o Governo de João Goulart.

O método Paulo Freire de alfabetização de adultos é de caráter multidisciplinar, combinando as conquistas da teoria da comunicação, da psicologia e da didática, descartando a utilização das tradicionais cartilhas e defendendo a necessidade de se produzir o material para o ensino a partir das experiências de vida e de fala de cada grupo de analfabetos. Combinando diferentes saberes, Freire acabou por gestar uma peculiar teoria da educação, que rompia com a visão tradicional vigente à sua época.

O sucesso obtido pelo método, nas primeiras experiências desenvolvidas em Recife, propiciou sua difusão. Em 1963, foi utilizado em Angicos e Natal (RN), Osasco (SP) e em Brasília. O ambiente do início da década de 1960 foi propício ao seu desenvolvimento, e o governo Goulart, como mencionado, foi muito receptivo e entusiasta do novo método, o que gerou seu acolhimento no seio do governo federal, que tencionava propagá-lo por todo o Brasil.

O golpe de 1964, interrompe, abruptamente, uma experiência que tinha enormes chances de propiciar uma revolução na educação e na sociedade brasileira. Paulo Freire foi preso por duas vezes, acusado de subversão, vendo-se obrigado a se exilar, para evitar um terceiro encarceramento. A prática de seu método foi proibida no país, apesar de seus livros continuarem a ser editados e vendidos livremente, principalmente a partir de meados da década de setenta.

Aludida experiência dizia respeito a criação e aplicação de um método de alfabetização de adultos, cujos resultados eram prometidos em um tempo extremamente exíguo. Assegurava-se que em apenas 40 horas de estudo era possível se dá a passagem de uma vida ágrafa para uma vida em que as letras nominassem a si e ao mundo do analfabeto. Um método perigoso, num país em que o analfabetismo alcançava parcelas consideráveis da população brasileira que, dentre outras coisas, era mantida alijada da participação na vida política. Lembremo-nos que os analfabetos só conquistaram o direito ao voto com a atual constituição de 1988.

A obra freiriana é um libelo acusatório a denunciar a violência dos opressores em face dos oprimidos, que os faz, também, como opressores, desumanizados. O que levaria os oprimidos, segundo pensava Paulo Freire, cedo ou tarde, a lutar contra quem os subjuga e os desumaniza. Todavia, no ato de se tornarem livres do julgo dos opressores, há que se cuidar que não se oprima os opressores, mas que ambos possam ter sua humanidade restaurada.

Não é, no entanto, uma concepção que apoie ou incite a vingança ou a violência. Como concluirá o professor Dalmo de Abreu Dallari, Paulo Freire é um revolucionário, com a peculiaridade de que utiliza meios pacíficos, facilmente praticáveis, de baixo custo, que não sacrificam vidas e, pelo contrário, libertam pessoas, garantindo sua dignidade essencial. O genial educador inventou um sistema que, de uma só vez, ensina a pessoa a ler, a pensar criticamente e a dizer o que pensa. Essa é a matéria-prima de um mundo de liberdade, de igualdade e de justiça.

E aí está, segundo Freire, a grande tarefa humanista e histórica dos oprimidos – libertar-se a si e aos opressores. Estes, que oprimem, exploram e violentam, em razão de seu poder, não podem ter, neste poder, a força de libertação dos oprimidos nem de si mesmos.

Paulo Freire nos diz que quando o poder dos opressores, se pretende amenizar, fazem uso de uma falsa generosidade, mas jamais vão além disso. “Os opressores, falsamente generosos, têm necessidade, para que a sua “generosidade” continue tendo oportunidade de realizar-se, da permanência da injustiça. A “ordem” social injusta é a fonte geradora, permanente, desta “generosidade” que se nutre da morte, do desalento e da miséria”. [3]

Desde muito jovem Freire travou contato com a pobreza e suas mazelas, deixando-se inquietar e sensibilizar pela exclusão social e a desumanização que elas traziam consigo. Todo um expressivo contingente de brasileiros marcados por seu anátema, cujas vidas anunciavam tudo o que podiam ser, e dificilmente seriam, por estarem aprisionadas numa espiral de opressão e iniquidades, reinantes na estrutura social brasileira de então e de agora, completaríamos.

Em uma reflexão rememorativa nos confidencia: “A experiência da infância e da adolescência com meninos, filhos de trabalhadores rurais e urbanos, minha convivência com suas ínfimas possibilidades de vida, a maneira como a maioria de seus pais nos tratava a Temístocles, meu irmão imediatamente mais velho do que eu e a mim, seu "medo à liberdade" que eu nem entendia nem dele falava assim, sua submissão ao patrão, ao chefe, ao senhor, que mais tarde, muito mais tarde, li em Sartre como sendo uma das expressões da “conivência” dos oprimidos com os opressores. Seus corpos de oprimidos, hospedeiros, sem ter sido consultados, dos opressores”. [4]

A educação libertadora e humana que tencionava pôr em prática não podia fazer tábula rasa da realidade que o circundava no nordeste brasileiro de então, onde imperava a opressão e a injustiça social, as quais deviam ser desveladas aos olhos dos oprimidos, cabendo-lhes, como vítimas, buscar o refrigério da libertação e do conhecimento. Ele acreditava que um passo fundamental no processo do despertar para a consciência crítica ocorre quando o oprimido começa a reconhecer sua própria dignidade.

É lastimável que ainda hoje, passadas algumas décadas das constatações de Paulo Freire, teime em persistir, sem significativas alterações, as situações percebidas e denunciados pela obra do educador.

Em sua mais discutida e prestigiada obra, Pedagogia do oprimido, já acolhida no reino dos clássicos, publicada em 1968, quando Freire se encontrava exilado no Chile, nos indaga: “Quem, melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora? Quem sentirá, melhor que eles, os efeitos da opressão? Quem, mais que eles, para ir compreendendo a necessidade da libertação? Libertação a que não chegarão pelo acaso, mas pela práxis de sua busca; pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade de lutar por ela”.

Como dirá Carlos Alberto Torres “... ao procurar basear a validade do conhecimento em processos de discursos racionais, que podem comunicar-se entre si, e daí a ênfase no diálogo, a reflexão compartilhada, a análise teórica a partir da experiência da cotidianeidade, não apenas oferece uma crítica à dominação e à exploração social, como também postula componentes, reais e utópicos, de uma teoria pedagógica emancipadora”. [5]

Carlos Alberto Torres, um dos mais destacados estudiosos da obra freiriana, por ocasião da efeméride dos vinte e cinco anos da publicação do livro Pedagogia do oprimido, reitera a relevância e atualidade desta obra: “Comemoramos agora o 25º aniversário da Pedagogia do oprimidoque é uma comemoração não apenas de um livro que se constituiu, por direito próprio, num clássico da pedagogia progressista, mas também a comemoração de uma utopia de transformação social, nascida no calor de lutas sociais na América Latina, e que continua ainda excitando a imaginação de educadores e de intelectuais”. [6]

Henry A. Giroux, um dos pioneiros da pedagogia crítica norte-americana faz repousar, nos trechos seguintes, o reconhecimento do vigor e da atualidade da Pedagogia do Oprimido: “Já faz mais de vinte anos que Paulo Freire publicou Pedagogia do oprimido. À diferença da maioria dos livros sobre educação, Pedagogia do oprimido continua a desempenhar vigoroso papel na concepção de variados debates por todo o mundo a respeito da natureza, significado e importância da educação como forma de política cultural”. [7]

Giroux reconhece que Paulo Freire, na Pedagogia do oprimido, reescreve a narrativa da educação como um projeto político que, ao mesmo tempo, rompe as múltiplas formas de dominação e amplia os princípios e práticas da dignidade humana, liberdade e justiça social.

Ainda segundo a percuciente leitura e análise que Giroux empreende da magna obra freiriana, a “Pedagogia do oprimido retraça o trabalho de ensinar como prática de todos os trabalhadores culturais engajados na construção e organização do conhecimento, desejos, valores e práticas sociais. Ensinar, nos termos de Freire, não é simplesmente estar na sala de aula, mas estar na história, na esfera mais ampla de um imaginário político que oferece aos educadores a oportunidade de uma enorme coleção de campos para mobilizar conhecimentos e desejos que podem levar a mudanças significativas na minimização do grau de opressão na vida das pessoas.... Pedagogia do oprimido representa uma fronteira textual em que a poesia desliza para dentro da política e a solidariedade se torna uma canção para o presente começada no passado enquanto espera ser ouvida no futuro. [8]

O jurista Dalmo de Abreu Dallari, em análise feita a partir da leitura da Pedagogia do oprimido, expõe uma situação que é o pano de fundo da pedagogia freiriana: “Existe no Brasil um analfabetismo programado que é parte de um projeto permanente de dominação política e discriminação social. A existência dessa programação é bem visível sobretudo nas regiões norte e nordeste, onde lideranças políticas retrógradas e corruptas controlam com mão de ferro todo o setor público, impedindo que o povo conheça e veja a realidade. Utilizando coação e mistificação, os dominadores controlam o acesso aos serviços públicos essenciais, que, quando são oferecidos ao povo, aparecem como dádivas da benemerência dos dominadores. E assim controlam também o sistema eleitoral, pois a população pobre, que é maioria na região, vota nos seus exploradores, ou por medo de sofrer represálias e de não ter acesso aos serviços e empregos públicos, ou por gratidão, pois muitos estão convencidos de que todo serviço público é um favor prestado pelos políticos”. [9]

E conclui Dallari: “Um sistema viciado como esse, que impede a democratização da sociedade, a implantação da justiça social e o respeito pela dignidade da pessoa humana só se mantém graças ao bloqueio da educação”. [10]

O bloqueio da educação é uma das metas mais explícitas do desgoverno Bolsonaro, com o contínuo e crescente desmantelamento do ensino, do fundamental ao universitário, levado a cabo, com escárnio, pelo Ministro da deseducação. As universidades se tornaram o lócus privilegiado do desmonte em curso, porque, como bem sabem os celerados que nos governam, é nela que se produz e se difunde o conhecimento crítico, tão nocivo a governos autoritários, como o que ascendeu ao poder em janeiro deste ano.

As elites que dominam nosso país, hoje representadas no desgoverno de Bolsonaro, temem em Paulo Freire o Educador revolucionário que “teve sensibilidade e visão para perceber a presença de um forte aparato de dominação, apoiado em grande parte na imposição de férrea limitação à educação das camadas mais pobres, que constituem a grande maioria da população da região. Mas Paulo Freire foi mais longe, tendo a percepção de que o analfabetismo, sendo em si mesmo um fator de marginalização e dependência, era usado como instrumento de contenção do aperfeiçoamento intelectual e uma barreira ao desenvolvimento da consciência política”. [11]

Em lapidar síntese do método educativo concebido por Paulo Freire, o jurista Dalmo de Abreu Dallari constata que: “A partir dessas percepções e considerando o conjunto das circunstâncias políticas e sociais, o notável educador imaginou um método alternativo, que, do ponto de vista prático, tornava possível a realização de um trabalho educativo rápido, de baixo custo, aproveitando os elementos do meio ambiente dos educandos e, por tudo isso, imediatamente aplicável a um número elevado de pessoas. E sob o aspecto pedagógico seu método oferecia a grande vantagem de proporcionar, concomitantemente, alfabetização, educação e conscientização política, promovendo a inserção social dos educandos e libertando-os como pessoas. Essa conjugação de elementos, rompendo as limitações convencionais da divisão em educação formal e informal e inserindo a alfabetização num processo de estímulo e valorização da capacidade intelectual das pessoas, é, em síntese, o chamado “Método Paulo Freire”. [12]

Penso que você, que me acompanha até aqui, já esteja em condições de intuir ou perceber as razões que levam a obra de Paulo Freire a ser tão hostilizada e subvalorizada pela direita brasileira. Ela é um enfático e vigoroso testemunho e uma enternecedora denúncia de uma realidade de exploração, espoliação, violência e exclusão social que vitima, ainda hoje, milhões de brasileiros em todas as regiões deste imenso país.

Dotar as imensas hordas de, nas palavras de Freire, “demitidos da vida”, “condenados da terra”, “esfarrapados do mundo”, de uma educação inclusiva, libertária e libertadora, na qual sejam protagonistas, é a missão que a obra freiriana se impôs. Nas palavras de Freire: “... aquela que tem de ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade. Pedagogia que faça da opressão e de suas causas objeto da reflexão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por sua libertação, em que esta pedagogia se fará e refará”. [13]

Como averigua Antônio Callado, citado por Dallari, em relação ao método de ensino de Freire: “Dentro de sua lógica egoísta e autoritária os oligarcas estavam certos, pois através desse método é possível transformar em pouco tempo uma sociedade desequilibrada e injusta: indivíduos dominados e explorados passivos transformam-se em pessoas e cidadãos ativos e assim se dissolve a possibilidade de dominação”. [14]

Na perspectiva da pedagogia de Paulo Freire não há como se imaginar uma escola neutra ou destituída de ideologia, como pretendem os arautos da “Escola Sem Partido”, ideologia de extrema direita que pretende neutralizar o pensamento crítico na seara da educação, ocultando e encobrindo as contradições sociais, decorrentes das posições de poder que emanam de uma educação autoritária e domesticadora, a serviço do status quo.

Como afirmou Jorge Werthein, ex-Diretor Oficial da UNESCO em Nova York e Washington, “Freire começa seu trabalho referindo-se à responsabilidade do profissional de educação perante a sociedade em cujo contexto desenvolve suas atividades, de seu compromisso em colaborar com um processo de transformação. Rechaça a possibilidade de conceber uma posição neutra deste profissional perante a sua realidade histórica. Aceitar que é neutro é admitir que tem medo de revelar seu verdadeiro compromisso”. [15]

Em decorrência de uma visão reducionista e muitas vezes preconceituosa, o nome de Paulo Freire é associado ao método de alfabetização de adultos, como se ele se constituísse no todo de seu trabalho, o que já seria um labor meritório e de grande relevância social. Todavia, como adverte Marcia Moraes “a pedagogia de Paulo não é importante apenas para o processo de alfabetização em si, mas para o processo educacional como um todo, porque os alunos não são vistos como criaturas de mentes vazias que vão aprender a ler e a escrever ou que vão aprender um determinado conteúdo ou, ainda, uma língua estrangeira. Na perspectiva de Freire, alunos e professores são engajados numa dimensão crítica e criativa dentro do processo ensino-aprendizagem ligados às suas próprias experiências existenciais e origens culturais. Tanto professores quanto alunos percebem suas realidades criticamente e criam conhecimento dentro e através do diálogo”. [16]

Paulo Freire defendeu que era urgente a democratização da escola pública e neste processo, inclusivo e democrático, todos deveriam ser chamados a participar: vigias, merendeiras, zeladores, professores, pais e alunos. Toda essa gente sendo coparticipe de uma formação permanente, científica, que se materializasse por meio de práticas democráticas que a todos envolvessem. Em uma fala profética e infelizmente atualíssima em tempos de Lava Jato e desgoverno Bolsonaro, dizia Freire: “A democratização da escola pública, tão descurada pelos governos militares que, em nome da salvação do país da praga comunista e da corrupção, quase o destruíram”. [17]

Não há como negar ou minimizar o papel da consciência política e cidadã na educação idealizada e posta em prática por Paulo Freire. Ela expõe as vísceras das relações sociais, estabelecidas no antagonismo de classes, que opõem opressores a oprimidos e traz à tona o potencial conflitivo que perpassa essa relação.

Toda a obra educacional de Paulo Freire foi concebida e posta em prática como uma opção pelos pobres, pelos excluídos, pelos marginalizados. Por esse motivo representa um projeto de manifesto antagonismo com o projeto que anima o governo neoliberal de Bolsonaro, que representa a opção pelos ricos, pelos afortunados, pelos opressores, pelos espoliadores dos sonhos e da vida de milhões de brasileiros. No caminho de destruição, aberto em janeiro deste ano, além da supressão dos direitos trabalhistas e previdenciários da classe trabalhadora, da supressão ou degradação das políticas públicas de inclusão social, o desgoverno Bolsonaro avança, feroz, cínica e destrutivamente sobre aquela que poderia fornecer elementos críticos para resistir ao butim em curso, que é a Universidade Pública brasileira.

A teoria da educação de Paulo Freire mereceu a leitura, o estudo e a atenção de importantes nomes da intelectualidade crítica mundo afora, a exemplo da norte-americana, como os educadores Henry Giroux, Peter McLaren, Ira Shor ou Michael Apple, para citar apenas alguns.

Carlos Eduardo Araújo

Professor Universitário e Mestre em Teoria do Direito – PUC-MG

NOTAS:

[1] GUTIÉRREZ, Francisco. Caminhante da obviedade. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[2] ZARAGOZA, Federico Mayor. Primeiras Palavras. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[3] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra, 2013.

[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra, 1992.

[5] TORRES, Carlos Alberto. Pedagogia do oprimido: Revolução pedagógica da segunda metade do século. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[6] TORRES, Carlos Alberto. Pedagogia do oprimido: Revolução pedagógica da segunda metade do século. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[7] GIROUX, Henry A. Um livro para os que cruzam fronteiras. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[8] GIROUX, Henry A. Um livro para os que cruzam fronteiras. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia6. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[9] DALLARI, Dalmo de Abreu. Pedagogia da Libertação. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[10] DALLARI, Dalmo de Abreu. Pedagogia da Libertação. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[11] DALLARI, Dalmo de Abreu. Pedagogia da Libertação. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[12] DALLARI, Dalmo de Abreu. Pedagogia da Libertação. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[13] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra, 2013.

[14] DALLARI, Dalmo de Abreu. Pedagogia da Libertação. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[15] WERTHEIN, Jorge. Educação e Mudança. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[16] MORAES, Márcia. Paulo Freire e a Formação da Educadora. In: Paulo Freire: Uma biobibliografia. Moacir Gadotti (Org.). Cortez Editora, 1996.

[17] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra, 1992.

O paradigma do sucesso

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A foto, divulgada há umas semanas atrás pelo Paulo Guinote, despertou-me a atenção por vários motivos. Desde logo por ter sido tirada na minha cidade, em frente a uma escola onde já leccionei. Mas também pelo ineditismo da coisa: vamos criar um projecto ambicioso – integrado e inovador! – de combate ao insucesso escolar. Com financiamento assegurado pelo Fundo Social Europeu, o que fazemos? Contratamos professores, técnicos e pessoal de apoio para as escolas? Investimos em equipamento para as escolas e recursos pedagógicos adequados ao século XXI? Bom, talvez no fim sobrem os trocos para essas coisas. Para já, vamos comprar uns automóveis…

Investigando um pouco, confirma-se que o PIICIE da Região de Coimbra aposta na promoção do sucesso através da monitorização das boas práticas – e é essa necessidade que justifica, presume-se, a necessidade de começar as operações pela aquisição da frota que vemos na imagem.

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Tudo isto é de uma despudorada desfaçatez. Constituíram-se agrupamentos e mega-agrupamentos com escolas distantes, nalguns casos, mais de uma dezena de quilómetros, em zonas do país onde praticamente não existem transportes públicos. Fizeram-se horários para professores itinerantes, que diariamente trabalham em duas ou mais escolas do mesmo agrupamento. Mas nunca se equacionou a necessidade de providenciar meios para a deslocação em serviço destes profissionais. E os professores, reconheça-se, também raramente os reclamaram: quase toda a gente se dispõe a usar o transporte próprio para deslocações que competiria à entidade patronal assegurar.

Claro que, quando se entregam às câmaras e às CIM competências no sector da Educação, a conversa é outra: logo tratam de assegurar, em primeiro lugar, que o seu pessoal não fique apeado. E isto também deve ser, para os professores, uma lição…

Outra ilação que também não é difícil de retirar é que estes projectos, ditos integrados e inovadores, se irão inscrever numa dinâmica de actuação que vem de longe e que consiste basicamente em retirar recursos do sector da Educação para alimentar negócios e criar empregos noutras áreas. Tal como sucedeu com a “festa da arquitectura”, o “choque tecnológico” ou as negociatas dos contratos de associação, o que está aqui em causa é alimentar uma economia anémica com dinheiro que deveria ser gasto directamente nas escolas. Em recursos educativos que pudessem contribuir para a melhoria das aprendizagens e em pessoal docente e técnicos especializados destinados a trabalhar directamente com os alunos.

Em vez disso, não é difícil adivinhar que estes projectos, generosamente financiados pela UE, vão pagar muitas viagens e almoçaradas em serviço, contratos para rapaziada amiga dos senhores autarcas, avenças para estudos e pareceres dos habituais “especialistas” com os contactos certos nas autarquias e, claro, muita “formação de professores” – quase sempre ministrada por quem nunca soube, ou há muito se esqueceu, do que é a realidade do trabalho docente nas escolas básicas e secundárias.

350 mil euros…

…Para desenvolver um sistema de gestão escolar que, diz quem já o experimentou, é complexo, nada intuitivo e não apresenta vantagens em relação aos programas que as escolas habitualmente utilizam?

E atenção que esta é apenas uma talhada de um bolo que, só para o Escola 360 e em contratos com a Novabase já vai, somando tudo, em cerca de um milhão de euros. Isto, da parte de um governo que não investe nas escolas, onde nem a porcaria do amianto consegue mandar retirar.

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À partida, sou favorável à ideia de o ME equipar todas as escolas com o software adequado para todas as tarefas de gestão escolar. O sistema actual é uma confusão, com uma multiplicidade de programas e plataformas, onde a informação se dispersa e acaba por se tornar redundante. Juntar todos os dados, tornando-os facilmente acessíveis quando necessários e evitando a perda de tempo de os ter de introduzir diversas vezes em sítios diferentes, seria uma forma eficaz de simplificar e desburocratizar a administração escolar.

O problema é que em vez de algo simples e intuitivo do ponto de vista do utilizador, os inventores do E360 parecem ter criado um monstro digital que vai infernizando a vida de quem tem de trabalhar com ele. Nunca ouvi falar da necessidade de fazer formação específica para trabalhar com o SIGE, o GIAE, o Inovar+, o JPM ou qualquer outro dos programas de gestão escolar habitualmente usados nas escolas. Mas vejo colegas a fazer formação no E360 e a chegar ao fim frustrados pelo tempo que inutilmente perderam à volta de um programa que é apenas isso: uma enorme perda de tempo.

E um fardo para os contribuintes – pois são os nossos impostos que pagam esta brincadeira…

PT vai pedir devolução da MP de Bolsonaro que interfere na autonomia das universidades: "inconstitucional"

 

247 - O deputado Paulo Pimenta (RS), líder da bancada do PT na Câmara, informou que vai solicitar a devolução da Medida Provisória que interfere na autonomia das universidades e nas eleições internas dos reitores.

"O seu objeto é flagrantemente inconstitucional e o Parlamento não pode referendar tal violação à autonomia universitária", enfatiza o deputado.

No apagar das luzes de 2019, em meio ao recesso letivo e sem consulta aos setores da área, Jair Bolsonaro editou Medida Provisória, no dia 24 de dezembro, que altera o processo de escolha dos reitores das universidades federais. O texto eliminou a possibilidade de consulta paritária à comunidade acadêmica para a escolha do gestor da instituição.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), João Carlos Salles, criticou a medida.

"O atual governo não preza pela vontade majoritária das comunidades universitárias. Isso agride a democracia, a autonomia das universidades, que devem ser capazes de exercitar sua sabedoria, sua reflexão sobre seu destino e sobre quem melhor as representa”, afirmou Salles.

A Bancada do @PTnaCamara vai solicitar ao presidente do Congresso Nacional a devolução da MP que pretende interferir nas eleições internas das universidades. O seu objeto é flagrantemente inconstitucional e o Parlamento não pode referendar tal violação à autonomia universitária.

— Paulo Pimenta (@DeputadoFederal) December 26, 2019

Bolsonaro impõe restrições para eleição de reitor em universidades

Palavra final para preencher cargo fica com o presidente da República, independente de ser o mais votado pela comunidade acadêmica.

 

 

Nessa véspera de Natal, o presidente Jair Bolsonaro assinou medida publicada no Diário Oficial da União em que impõe novas regras sobre a escolha de reitores das universidades e institutos federais.

Medida Provisória (MP) Nº 914 determina que todos os reitores sejam escolhidos através de consulta à comunidade acadêmica, preferencialmente, de forma eletrônica. Fica extinta a paridade entre professores, técnicos-administrativos e estudantes, praticada em diversas instituições, fica determinado o peso de 70%, 15% e 15%, respectivamente.

Atualmente, o reitor já é escolhido pelo corpo de professores das universidades, por meio de uma votação de uma lista tríplice. O mais votado dessa lista costuma ter seu nome sancionado pelo presidente, para um mandato de quatro anos. A MP 914, no entanto, fixa a regra de que o presidente poderá, a seu critério, escolher qualquer um dos três nomes que compuserem a lista tríplice indicada pela universidade. A regra também será aplicada a institutos federais de ensino.

Apenas docentes das classes D e E poderão ser candidatos. Ocupantes de cargos em comissão e funções gratificadas, quando tiverem a candidatura homologada, ficam automaticamente afastados e com os vencimentos, referentes ao cargo ou função, cortados.

A má qualidade da técnica de redação legislativa do texto deixou dúbia a possibilidade de reeleição de reitores. Diz o texto: “O reitor e aquele que o houver sucedido ou substituído no curso do mandato por mais de um ano não poderá ser nomeado para mais de um período sucessivo”.

Os Conselhos Universitários passam a ter papel reduzido, já que a lista tríplice a ser enviada ao Presidente da República será composta pelos três primeiros colocados, cabendo ao órgão apenas homologar o resultado da consulta.

Bolsonaro já tem ignorado os nomes vitoriosos de listas tríplices apresentadas por universidades, o que tem sido criticado pela comunidade acadêmica. Em agosto, por exemplo, o presidente nomeou o terceiro colocado na lista tríplice para reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC). No processo de consulta à comunidade acadêmica, o professor de Direito e advogado criminalista Cândido Albuquerque, de 62 anos, obteve apenas 610 votos (4,61% do total de votantes), enquanto o primeiro colocado obteve 7.772 votos.

O Ministério da Educação deverá divulgar quais serão os critérios exigidos para “assegurar a integridade, a confidencialidade e a autenticidade dos processos de votação eletrônica” em cada votação.

Discordâncias

Dirigentes de entidades sindicais criticaram a edição da medida provisória.

“A atual forma, herdeira dos anos FHC, já cerceavam os conselhos universitários mais do que nos anos da ditadura, ao impor o modo como deveriam ser compostas as listas. Agora, a intervenção atenta ainda mais contra um dos princípios mais caros da instituição: a direção colegiada. É de uma violência sem paralelo na  história das universidades brasileiras”, afirmou Eleonora Ziller, presidente da ADUFRJ (Associação de Docentes da UFRJ).

A medida provisória também acaba com a eleição para diretores de unidade e diretores-gerais de campi. Determinando que a escolha e a nomeação sejam realizadas diretamente pelo reitor.

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, por meio das suas redes sociais criticou tal medida. “Bolsonaro não dá um segundo de paz. Esperou o povo estar nas festas de Natal para na surdina editar uma Medida Provisória que reduz a democracia nas universidades. Alterou a forma de consulta para reitores nas UFs e IFs, reduzindo peso do voto de estudantes e técnicos”, ressaltou.

Para ele, é óbvio que o presidente Jair Bolsonaro sempre irá indicar o nome que lhe for mais conveniente, que tenha aproximação ideológica, mesmo que tenha sido o candidato perdedor, até mesmo em terceiro lugar. “Um completo retrocesso à democracia. Autoritarismo institucionalizado”, retrucou Iago.

Para o presidente da UNE, a medida é um retrocesso. “Em um momento em que as universidades avançavam em um modelo de voto paritário entre docentes, discentes e técnicos, agora por mais uma Medida Provisória impositiva Estudantes e Técnicos terão 15% de peso na consulta, enquanto professores terão 70%”, informa.

Na mesma linha, Carlos Alberto Marques, presidente da APUFSC (Associação de Docentes da UFSC) critica o momento que é publicado o decreto. “É lamentável que o Presidente da República escolha uma data festiva tão importante para milhões de pessoas, para tratar unilateralmente de um assunto tão relevante como são as universidades” afirmou.

Marques vê também “uma concentração de poder nas mãos dos reitores e consequentemente do Presidente, já que é ele quem nomeia”.

Para Flávio Alves da Silva, presidente da ADUFG (Sindicato dos Docentes da UFG), a edição da MP “é com certeza mais um ataque à autonomia universitária”. Para ele já existem discussões no Congresso Nacional, como o PL 4992/2019 que regulamenta o artigo 207 da Constituição Federal que trata da autonomia universitária,  “acredito que a escolha de dirigentes pode ser melhor regulamentada através desse PL”.

As medidas provisórias tem força de lei, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional. Seu prazo de vigência é de sessenta dias, prorrogáveis uma vez por igual período. Se não for aprovada no prazo de 45 dias, contados da sua publicação, a MP tranca a pauta de votações da Casa em que se encontrar (Câmara ou Senado) até que seja votada.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Aulas sem telemóveis

estudo-e-telemovelUtilizar telemóveis nas salas de aula da Comunidade de Madrid vai passar a ser proibido a partir do próximo ano letivo, escreve o El Mundo. A medida do Governo regional será obrigatória para todos os estudantes do ensino não universitário, “nos períodos escolares” —exceto quando utilizados para fins educativos ou em casos de alunos que precisam dos telemóveis “por razões de saúde ou incapacidade”.

Caso os alunos não cumpram a medida adotada pelo Governo regional, será o professor ou a direção da escola a decidir como o aluno deverá ser punido: uma das consequências previstas é a apreensão temporária do telemóvel.

Aos poucos, vários países vão tomando medidas radicais contra a utilização não autorizada do telemóvel na sala de aula. A Comunidade de Madrid será a terceira região espanhola a abolir o uso dos aparelhos.

Por cá, a proibição é explícita, em moldes semelhantes, no Estatuto do Aluno. O uso indevido pode ser penalizado com a apreensão do telefone, mas na verdade serão poucos os professores que enveredam, logo à primeira infracção, pelo castigo mais duro.

Claro que há circunstâncias em que os telemóveis podem ter um papel relevante no contexto escolar. Nestes casos não serão, como nunca foram, proibidos.

Trata-se aqui de ter em conta que as salas de aula ditas “do futuro”, recheadas de tecnologia, não passam de uma miragem nas escolas portuguesas. E que a renovação do equipamento informático obsoleto que ainda resiste ao serviço vai sendo eternamente adiada. Neste contexto, faz todo o sentido aproveitar as potencialidades de um aparelho que quase todos os alunos transportam consigo e que, com a instalação de aplicações simples, pode transformar-se num importante recurso educativo.

 

População rejeita privatização da educação de Bolsonaro-Weintraub e quer ensino público e gratuito

 

247 - Chegam a ser surpreendentes os índices de adesão da população brasileira ao ensino público e gratuito universal na pesquisa Datafolha divulga neste domingo. São anos de defesa da privatização da educação pelas mídias conservadora, agora uma política do governo Bolsonaro. Mas os números são definitivos: 70% querem ensino público e gratuito no caso das creches, 79% no do ensino fundamental e médio e 67% no do ensino superior.

A proporção dos que defendem a privatização e a cobrança de mensalidades no ensiono varia de 18% no caso do nível fundamental e médio a 28% e 29% no caso das creches e do superior.

Foram realizadas para a pesquisa 2.948 entrevistas em todo o Brasil nos dias 5 e 6 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O apoio à oferta de educação universal gratuita é majoritário para todos os níveis de ensino e aparece em todos os recortes do levantamento: por cor, gênero, escolaridade, idade, ocupação, região, religião, renda, porte do município, partido de preferência, avaliação do governo Jair Bolsonaro, confiança no presidente e autoclassificação política.

Em alguns segmentos, porém, a defesa da gratuidade apenas para os que não podem pagar é maior do que a média, ainda que minoritária. Entre eles estão o dos menos escolarizados, o dos mais pobres, o dos mais velhos e o dos que se dizem à direita no espectro ideológico.

Mesmo entre as pessoas que se dizem à direita no espetro político o apoio ao ensino público e gratuito é amplamente majortário: 61%. No caso das pessoas que se dizem de esquerda, o percentual é de 67%. As pessoas que se autodefinem como de centro-esquerda e de centro são as que expressam maior apoio à gratuidade universal (73%).

És liberal e não sabias…

Duas dezenas de escolas suspeitas de subir notas

Inspeção-Geral da Educação abriu mais dois processos disciplinares no Externato Ribadouro e tem cerca de duas dezenas de averiguações em curso. Inflação de notas subverte acesso ao ensino superior

Se há quem queira e possa pagar pelas notas que, por mérito, não conseguiria obter, qual é o problema? – perguntarão alguns.

Se sou eu que pago, porque é que não posso ter a nota que quero?

Se, para o neoliberalismo dominante, os mercados satisfazem todas as necessidades dos indivíduos, porque é que as notas escolares não podem ser um valor transaccionável?

Afinal de contas, entre escolas privadas que vendem notas e alunos e famílias que as compram, há muita gente que é liberal e não sabia…

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O abandono dos professores

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O Sexta às Nove da semana passada divulgou o testemunho da professora Lígia Pinto, violentamente agredida à saída da escola por uma encarregada de educação. A reportagem, que pode ser revisitada clicando na imagem, revolta não só pelo carácter bárbaro e gratuito da agressão mas também pelo sentimento de impunidade dos agressores e, como corolário, a indiferença das autoridades educativas.

Lígia Pinto, tal como sucede demasiadas vezes com os professores que passam por estas situações dolorosas, ficou entregue a si mesma, sem qualquer ajuda ou manifestação de solidariedade da parte da direcção do agrupamento ou dos responsáveis ministeriais.

Ainda assim, o ministério que não mexe uma palha em defesa dos profissionais que mantém ao seu serviço, sentiu a necessidade de defender a sua imagem perante a opinião pública. Preocupado com o impacto mediático da notícia, fez saber aos jornalistas que já teria sido concedida uma mobilidade à professora Lígia, para que não voltasse a ter de trabalhar na escola onde foi vítima das agressões.

ligia-pinto.pngPois bem, a sonsice e o oportunismo dos responsáveis tiveram, desta vez, resposta à altura. E foi a própria professora que, nas redes sociais, esclareceu o que de facto se passou…

Recorte daqui.

O segundo professor do ano

taçaCarlos Portela, professor de Ciências Físico-Químicas na Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, desde 1992, vai receber, esta sexta-feira, a distinção de “Professor do Ano -2019”, galardão atribuído pela Casa das Ciências, projeto associado ao EDULOG, Fundação Belmiro de Azevedo, focado na melhoria da aprendizagem das ciências nas escolas portuguesas.

Depois do professor do ano da Fundação Varkey, eis que a Fundação Belmiro escolhe a época natalícia para presentear o seu professor.

Sendo de bom tom, nestas ocasiões,  felicitar o vencedor, interessa ir além do politicamente correcto e tentar perceber um pouco a lógica destes prémios. Que se destinam, não propriamente a homenagear a classe docente, reconhecendo o seu trabalho e o seu valor, mas antes a usar a distinção para tentar projectar um modelo de professor com o qual os mentores das iniciativas se identificam.

Não é despiciendo recordar, para melhor entender a lógica destes prémios, que as primeiras distinções de “professores do ano” surgiram em Portugal por iniciativa do ministério de Maria de Lurdes Rodrigues. Precisamente aquele que mais desconsiderou publicamente e desvalorizou profissionalmente a classe docente.

Olhando para os quatro professores do ano escolhidos em 2018 e 2019, verifica-se outra coisa curiosa: formando as professoras a grande maioria da classe, todos os premiados são do sexo masculino. Como se explica esta deriva sexista? Será que os professores-homens serão potencialmente melhores profissionais do que as suas colegas, pelo menos nos aspectos que estes concursos pretendem de avaliar?

A nível internacional, estes prémios podem ter outras leituras. Não é nada inocente, por exemplo, que o professor global da Fundação Varkey em 2019 seja um missionário que abdica de 80% do seu salário em benefício da sua comunidade educativa. Se há gente tão modesta e abnegada a ensinar, porque é que haveremos de reconhecer o direito a uma carreira e a um salário digno a todos os professores? Se há quem encare a docência como uma missão, para quê levá-la a sério como profissão?…

Recuperação do tempo de serviço: questão encerrada?

euro-descongelamentoPara o PS e o Governo, a questão do tempo congelado aos professores “está encerrada”

Projectos do PCP e do Bloco que exigem a recuperação integral do tempo serão chumbados nesta sexta-feira.

Tal como se esperava, a Santa Aliança do centrão organizou-se para frustrar, uma vez mais, as escassas expectativas quanto a mais uma tentativa de recuperar o tempo de serviço dos professores.

Em discussão estiveram uma petição a favor da recuperação integral que reuniu mais de 60 mil assinaturas e dois projectos de lei do BE e do PCP.

Em boa verdade, é o Governo o que menos pode ser acusado de incoerência: nunca aceitou a recuperação integral, considera justa e equitativa a solução em vigor que permite a contagem parcial e entende que o assunto ficou encerrado na anterior legislatura.

Já o PSD e o CDS, enredados em posições contraditórias, têm de recorrer ao cinismo para justificar o seu apoio de facto à posição do Governo. Se por um lado consideram justa a exigência dos professores, por outro condicionam-na de forma a inviabilizar, na prática, a pretensão.

No caso do PSD, volta a evocar-se a sustentabilidade orçamental e a necessidade de uma negociação responsável, que só pode ser feita pelo Governo. Mas, se este não quer, o PSD também nada fará para o obrigar…

Quanto ao CDS, pretende condicionar a recuperação do tempo de serviço à prévia revisão do estatuto da carreira docente. Ou seja, quer assegurar que tudo o que uma mão venha a dar aos professores lhes possa ser retirado com a outra…

Brasil é o país campeão em desvalorizar professores

Foi divulgado um relatório pela Varkey Foundation (entidade que atua na melhoria da profissão docente) onde é possível entender como os cidadãos de um determinado país enxergam os seus professores e se os valorizam ou não.

 

 

Através de uma pontuação de zero a cem se entende que, quanto mais próximo ao , mais prestígio à profissão de educador tem para a sociedade. O Brasil, incrivelmente, fez apenas dois pontos, o deixando na última posição do ranking. A pesquisa chamada “Global Teacher Status Index 2018” foi realizada em 35 países e entrevistou mil pessoas com idades entre 16 e 64 anos.

Um levantamento com o mesmo objetivo foi realizado, antes disso, em 2013 e o Brasil ficara em penúltimo lugar em relação a desvalorização dos professores. Além disso, é importante destacar que nesta última edição, de 2018, o nosso país foi um dos únicos que não evoluiu em relação a valorização da profissão.

Os brasileiros também concordaram, com um percentual de 91%, nesta pesquisa, que os professores não são respeitados em sala de aula.

O país que liderou a admiração pelo educador foi a China e, além disso, 81% dos cidadãos chineses concordaram que os professores são respeitados devidamente em sala de aula.

O fundador responsável pela pesquisa da Varkey Foundation acredita que a valorização do professor interfere diretamente o desempenho dos estudantes e que respeitar um profissional de educação não se trata “apenas” de um dever moral, mas também é essencial para obter bons resultados estudantis.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil (Educadores) / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Há nove anos em contentores. Câmara do Seixal exige fim das obras na João de Barros

As obras de requalificação da Escola João de Barros, com 1200 alunos, começaram em Outubro de 2010. O Município do Seixal exige ao Governo a conclusão urgente das mesmas para que acabem os contentores.

Créditos / SIC Notícias

O Município aprovou ontem, em reunião de Câmara, uma tomada de posição pela conclusão urgente das obras da Escola Secundária João de Barros, em Corroios. Desde o mês de Outubro de 2010 que alunos, professores e funcionários estão confinados a contentores pré-fabricados, ao lado de um estaleiro.

A última acção de luta da comunidade escolar aconteceu no passado dia 7 de Dezembro. Da mesma forma, também a Câmara Municipal do Seixal tem vindo a fazer pressão para que a tutela conclua a empreitada.

«É inquestionável a necessidade de modernização de uma escola instalada na freguesia de Corroios desde 1986, mas é igualmente inquestionável a necessidade de resolução de um problema que se arrasta há nove anos e que penaliza cerca de 1200 alunos, docentes e funcionários de forma injusta, sem que se vislumbre uma solução que conclua um processo iniciado em 2010», afirmou esta quarta-feira o presidente da Câmara Municipal do Seixal.

Joaquim Santos (CDU) denunciou que, «apesar de as obras serem há muito reivindicadas pelas autarquias e pela comunidade educativa, não existe nenhum desenvolvimento, nem uma perspectiva de plano excepcional de calendarização de intervenções por parte do Ministério de Educação, tendo em conta a urgência da situação existente».

As obras de requalificação da Escola Secundária João de Barros, da responsabilidade da Parque Escolar, encontram-se suspensas desde o passado mês de Abril, data em que a obra foi novamente interrompida. Desde então, lamenta a autarquia, não há informação concreta sobre a previsão do reinício dos trabalhos.

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https://www.abrilabril.pt/local/ha-nove-anos-em-contentores-camara-do-seixal-exige-fim-das-obras-na-joao-de-barros

Portugal | Proposta de orçamento confirma "desinvestimento na educação", diz Fenprof

 
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considerou hoje que a proposta do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020) confirma "o desinvestimento na educação" e o "desrespeito" pelos seus profissionais.
 
Numa primeira apreciação na generalidade da proposta do OE2020, a Fenprof considera "inadmissível que, mais uma vez, se opte pela estagnação, prevendo-se um aumento de, apenas, 1% face ao estimado para o ano anterior".
 
Isto, depois de, em primeira versão, se prever uma redução de 1%, percentagem depois alterada, não com um aumento da verba orçamentada, mas com a redução da execução estimada para 2019", afirma a federação sindical em comunicado.
 
A Fenprof ressalva que "ainda que possa estar correto este aumento de 1%, ele contrasta com o que acontece em outras áreas", nomeadamente na Defesa (mais 23,1%), na Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (11,9%), Segurança Interna (7,8%), Justiça (7,3%) e Saúde (5%).
 
"Já para não falar dos 600 milhões para o Novo Banco ou dos 0,2% de excedente orçamental (cerca de 400 milhões de euros), destinados a alimentar a gula da agiotagem internacional", comenta a Fenprof no comunicado.
 
 
Para a Fenprof, com esta proposta, "a escola pública verá agravarem-se os seus problemas e os professores continuarão a ser profundamente desconsiderados, com os seus direitos socioprofissionais desrespeitados e as suas condições de trabalho a deteriorarem-se cada vez mais".
 
"Apesar de a Educação ter sofrido entre 2009 e 2018 uma redução do financiamento público de 12%, correspondente a 867 milhões de euros (...), o Governo optou por manter quase tudo na mesma, confirmando que, para si, os problemas com que a Educação e os seus profissionais se confrontam são questões secundárias, não chegando a ser, sequer, preocupações", sublinha.
 
Assim, sustenta, "este importante setor social continuará sob suborçamentação, com um ministro que não se assume como tal, o que, no conjunto, não faz da educação uma prioridade deste Governo".
 
No comunicado, a federação reitera as suas propostas para o setor e acusa ainda o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, de "se manter escondido atrás do muro de silêncio que ergueu".
 
"Para o Governo, não há problemas por resolver nas escolas, como também não há em relação aos professores. Para o governo não há mais de 6,5 anos de tempo de serviço cumprido que terá de ser recuperado, não há um problema de envelhecimento que exige medidas urgentes, não há um nível de precariedade que continua a afetar docentes que trabalham há 10, 15 e 20 anos e não há horários de trabalho ilegais que continuam a ser impostos para não ter de contratar mais professores", critica.
 
Perante este cenário, a Fenprof afirma que este OE "não merece" a sua aprovação.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: © Global Imagens
 
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Sucesso ou água benta?

agua-benta.gifÉ previsível que os resultados das avaliações do final de período continuem na senda do sucesso que se vem desenhando nos últimos anos. Mas será que a diminuição percentual das “negativas” traduz, realmente, mais e melhores aprendizagens feitas pelos alunos?

Até certo ponto, quero ser optimista e acreditar que sim. Confio na qualidade e no profissionalismo da generalidade dos professores portugueses, que se empenham todos os dias para que os seus alunos trabalhem, superem dificuldades e progridam nas aprendizagens.

Mas também é verdade que boa parte do sucesso que vamos tendo se deve ao que antigamente se chamava deitar água benta. Para que as notas dos alunos crescessem com a rega e miraculosamente se transformassem em “positivas”…

Contudo, ao contrário de outros tempos, em que o milagre se operava sobretudo nos conselhos de turma, hoje em dia ele vai sucedendo ao longo do ano lectivo. São avaliações mais frequentes e diversificadas, são critérios de avaliação mais adequados – alguns dirão menos exigentes – é sobretudo uma avaliação mais flexível e adaptada à especificidade de cada aluno, sobretudo quando estes se encontram abrangidos pelas medidas do “54”.

Os novos paradigmas avaliativos comportam, no entanto, o risco do facilitismo. É verdade que, num passado ainda não muito distante, muitos dos “inconseguimentos” dos nossos alunos se manifestavam no domínio de  matérias pouco ou nada relevantes, quer para a sua formação pessoal quer para o seu futuro profissional. Mas, na ânsia de lhes aplanarmos o caminho para o sucesso, podemos estar a confiná-los a um ensino pouco exigente e desafiante, que se por um lado garante elevados níveis de sucesso, por outro não os estimula a ir mais além. Um equilíbrio delicado, no qual reside a difícil arte de avaliar…

No Orçamento da Educação, nada de novo

OE2020-4.pngApenas 1% é quanto o Governo avalia o crescimento do orçamento para o ensino básico e secundário por comparação ao ano passado. Mais concretamente trata-se de 6 516,8 milhões de euros, “representando um crescimento 1% face à estimativa de execução prevista para 2019”, segundo consta do Orçamento de Estado para 2020.

Quanto ao orçamento previsto para o ano passado, conhecido por volta desta altura em 2018, o Governo refere que o texto agora divulgado representa “um crescimento de 1,5% face ao orçamento de 2019, justificado sobretudo pelo aumento das despesas com pessoal, que crescem 3,1% e da aquisição de bens e serviços correntes, em 6,2%.”

No OE para 2020 frisa-se ainda que “a redução constante do número de alunos ao longo da última década, fruto da quebra demográfica, não se traduziu numa redução proporcional da despesa”. E destaca que “a continuação e o aprofundamento das medidas de combate ao abandono e insucesso escolar também permitirão a obtenção de ganhos de eficiência através da diminuição do tempo médio de conclusão de cada ciclo de ensino”.

Ou seja, admite o Governo, o plano anti-chumbos resultará numa poupança, que ainda não tinha sido admitida como uma das motivações principais deste programa.

A redução do insucesso escolar está a revelar-se um verdadeiro maná em termos orçamentais: por um lado, poupa-se dinheiro ao reduzir o tempo de permanência dos alunos em cada ciclo de ensino; por outro, este “combate” aos “chumbos” continua a captar muitos milhões em fundos europeus, convenientemente distribuídos por autarquias, instituições universitárias, formadores, consultores e outros “especialistas” com os contactos certos nas câmaras, comunidades intermunicipais e aparelho ministerial. No fim da festa, talvez sobrem uns trocos para apoio directo às escolas e aos alunos em dificuldades.

Continuamos assim com a Educação na cauda das prioridades governativas. É um sector onde, aparentemente, tudo corre bem, pelo que não se justificam grandes mudanças nem investimentos significativos. Pelo contrário, a ordem continua a ser para poupar e para recorrer ao máximo aos financiamentos europeus. Eventuais desvarios despesistas surgem como resposta, não às necessidades das escolas, mas à satisfação das clientelas do aparelho ministerial e, cada vez mais, dos pelouros camarários da Educação – por onde correrão cada vez mais, no futuro, os oleodutos financeiros que alimentam o sector.

Licenciado aos 10 anos?

laurent-simons.jpgDe tempos a tempos surgem estes casos de precocidade extrema: miúdos que começam a ler e a escrever quando os outros ainda se limitam a explorar o mundo físico que os rodeia. Que fazem leituras extensas e desenvolvem raciocínios matemáticos enquanto os colegas soletram e contam pelos dedos. Quando este enorme potencial de aprendizagem é explorado e incentivado ao máximo, há miúdos que conseguem chegar à universidade enquanto os colegas da mesma idade ainda não concluíram o ensino básico. Mas julgo que nunca me tinha deparado com um caso como o que há dias era noticiado pelo JN.

Laurent Simons tem nove anos e aos oito conseguiu terminar o secundário. Os pais queriam que a criança se formasse antes de completar 10 anos. Mas, um conflito com a Universidade de Eindhoven de Tecnologia, na Holanda, colocou um ponto final nesse desejo.

O menino-prodígio nascido na Bélgica faz 10 anos no dia 26 de dezembro e os progenitores pretendiam que ele se formasse em Engenharia, na Universidade de Eindhoven de Tecnologia (UET) antes dessa data.

No entanto, e segundo escreve a BBC, os responsáveis da universidade explicaram aos pais que tal desejo seria impossível de concretizar, já que Laurent ainda tem uma série de exames para completar até terminar a licenciatura, que, por norma, tem a duração de três anos.

Pais e universidade andam agora de candeias às avessas. Enquanto aqueles parecem apostados em manter o filho numa corrida de velocidade, tendo em vista a obtenção do canudo, e fazem já planos para o doutoramento numa universidade norte-americana, os responsáveis académicos parecem preocupados em assegurar o ritmo mais adequado ao “desenvolvimento académico” do jovem estudante.

Céptico por natureza em relação a estes casos, julgo que a chave da questão está em algo que se discute muito nos dias de hoje e que entre nós se corporiza naquilo a que oficialmente se chamou o “perfil do aluno”: estudar é apenas adquirir conhecimentos académicos? Dizem-nos que o pequeno Laurent absorve todo o tipo de conhecimentos “como uma esponja”. Mas é apenas isso que se pretende da educação? Não é necessário tempo para assimilar, interagir, aplicar os conhecimentos adquiridos? Basta apenas definir um calendário de exames para validar as aprendizagens realizadas, ou deverão a  escola e a universidade do século XXI exigir outro tipo de provas e trabalhos aos seus estudantes?

Outra faceta da questão tem a ver com a infância que de certa forma poderá estar a ser roubada a esta criança. É certo que parece feliz e gostar da vida que tem, mas não lhe estará a ser retirado algo, em termos de experiência de vida, que nunca irá recuperar?

Demasiadas dúvidas, e poucas certezas, continuam a pairar sobre a realidade dos sobredotados…

Também quero uma escola de qualidade… para todos!

privadopublicoJá percebemos que os maiores defensores da Escola Pública, os partidos de esquerda, são aqueles que menos querem investir nela, são os que mais a degradam com legislação desajustada, com ideologias forçadas, com DL 54 utópicos…

Perante estes factos desejo para todos a liberdade escolha das escolas! Se é verdade que há escolas públicas bem equipadas, bem fornecidas com ótimas condições, também é verdade que as há completamente desajustadas à realidade atual, sem as mínimas condições e onde a tecnologia só se encontra no dicionário.

Já percebi que o investimento vai continuar a ser pequenino, já vimos que a exigência tende a baixar, todos passam, todos são incluídos, independentemente das condições ou de terem de ficar em casa por falta de meios e recursos, e que por isso quem puder foge para os privados!

Como não considero justo que só os que podem fujam, considero que qualquer contribuinte com filhos em idade escolar deveria poder escolher a escola para estes. Para isso, o dinheiro que o estado poupa, com a sua não permanência no ensino estatal, seria convertido num cheque ensino atribuído a estas famílias para investirem na educação do filho.

Concordando com Alberto Veronesi em muitas coisas, nesta defesa, nas páginas do Observador, da “liberdade de escolha”, estou claramente em desacordo.

Não me custa admitir que algumas escolas com contrato de associação prestavam um bom serviço educativo – e muitas ainda o fazem, porque os contratos foram reduzidos onde eram redundantes, mas não terminaram. Contudo, questões ideológicas à parte, o que a realidade nos mostra questão é que o princípio neoliberal da liberdade de escolha não nos conduz a uma melhor Educação. Não só não vigora, regra geral, nos países em que os alunos têm em média melhores resultados escolares, como a sua adopção tende a degradar globalmente o desempenho dos sistemas educativos.

Vamos a ver: se há escolas públicas com más condições a solução é melhorá-las, investindo em mais e melhores recursos materiais e humanos. E se o poder político se mostra avesso a fazer aquilo que considera uma “despesa” inútil e incomportável, é dever dos professores, dos pais, dos cidadãos em geral, mobilizarem-se em defesa da escola pública. Convidar cada um a pensar apenas nos seus interesses ou nos da sua família mais próxima é apontar para um caminho que nos leva a uma sociedade ainda mais injusta e desigual.

Na verdade, desviar os já escassos recursos públicos para o financiamento de escolas privadas irá degradar ainda mais a escola pública, condenando a um ensino de segunda ou terceira categoria os que não podem escolher. Os que, no modelo competitivo que se defende e apregoa, nunca terão escolha nem serão escolhidos: os alunos dos concelhos do interior desertificado, aqueles cujas famílias não valorizam a escola, os que têm problemas ou necessidades especiais cuja satisfação não é rentável na perspectiva lucrativa da maioria das escolas privadas.

Por outro lado, é ilusório pensar que a poupança decorrente da transferência de um aluno do público para o privado se traduz de imediato num valor quantificável e traduzível num cheque-ensino. Existe uma rede pública que cobre praticamente todo o país e que tem uma capacidade instalada em função do número de alunos existente. Colocar o Estado no papel de financiador principal de duas redes de escolas, uma pública e outra privada, em concorrência aberta entre si, iria no imediato duplicar despesa e não apenas transferi-la de um lado para o outro.

Também é errado, na minha opinião, pensar a Educação como um exercício de escolha entre uma escola pública sem regras, entregue à bandalheira da indisciplina, ao experimentalismo irresponsável da flexibilidade curricular e a uma falsa inclusão, e os colégios privados onde pontificariam a ordem, o sentido de responsabilidade e o ensino rigoroso e exigente. O direito universal à Educação é algo demasiado sério e determinante para as nossas crianças e jovens para ser reduzido a uma escolha entre escolas boas e más. Pela simples razão de que todos têm direito a uma boa escola, incluindo aqueles que a não podem ou sabem escolher.

Estudantes querem grau de doutor nos politécnicos e revisão da fórmula de cálculo das propinas

Marcos Santos / USP Imagens

 

As direções associativas estudantis querem rever o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), para permitir a atribuição do grau de doutor pelos politécnicos, e a fórmula de cálculo da propina máxima e mínima.

 

No Encontro Nacional de Direções Associativas (ENDA) que decorreu no fim de semana, na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, foi também discutido o financiamento do ensino superior, com os estudantes a exigirem uma maior dotação orçamental e a revisão do regulamento de atribuição de bolsas para que mais alunos sejam abrangidos pelos mecanismos de ação social.

No comunicado final do encontro, as direções associativas estudantis sublinham a necessidade de “definir na lei o limite máximo e mínimo da propina a tempo parcial” e de conseguir um reforço orçamental não só para aplicar na modernização administrativa, mas também para o desenvolvimento da investigação e inovação pedagógica.

No que se refere à revisão do Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudantes do Ensino Superior (RABEEES), os estudantes insistem na necessidade de “abranger mais estudantes com os diversos mecanismos de Ação Social, acautelando uma equidade de oportunidades para com os estudantes com carências económicas”.

Dada a importância de rever as metodologias de ensino das Instituições de Ensino Superior (IES), decorreu também um plenário onde se abordaram os temas da flexibilização curricular, da requalificação dos espaços das instituições, do reforço do sistema binário, da formação pedagógica e avaliação do desempenho dos docentes.

Os estudantes consideraram ainda imprescindível “ouvir os órgãos representativos dos estudantes aquando do processo de decisão relativo à implementação de programas de inovação pedagógica e propuseram medidas para aumentar a produção científica das IES e “a formação de profissionais com competências multidisciplinares que darão resposta às necessidades e problemas vividos na atualidade”.

Apontaram igualmente a necessidade de a tutela fazer um estudo acerca da prevalência da violência sexual a nível nacional em contexto de Ensino Superior, bem como avançar com medidas de sensibilização e combate a este tipo de atos.

Numa nota enviada às redações, o presidente da Federação Académica do Porto (FAP) sublinhou a necessidade de rever o RJIES, documento que considera “desatualizado e desadequado, passados 12 anos da sua aplicação”.

”Nesta revisão, é fulcral que se aumente a representatividade dos estudantes nos órgãos de gestão das IES, aumentando a sua democraticidade. É ainda importante que este princípio seja aplicado a outras partes do RJIES, como no método de eleição do Reitor ou Presidente, que deverá passar a ser feito por uma Assembleia Eleitoral (…) representativa de toda a comunidade académica”, considera o presidente da FAP, Marcos Alves Teixeira.

Na área do financiamento, o representante da FAP destaca a importância do “regime de tempo parcial”, que considera um “instrumento vital” para “que se consiga a tão falada formação ao longo da vida, permitindo que se concilie a obtenção de um diploma do ensino superior em articulação com outras atividades”.

“Por isso, é essencial que uma propina específica para este regime esteja definida na Lei de Bases de Financiamento do Ensino Superior, tornando legal a sua aplicação e assegurando que o seu valor máximo é inferior ao valor mínimo previsto para a propina do regime do tempo integral”, considera.

Na área da ação social, tendo em conta a disparidade nos preços de arrendamento de imóveis no país, a FAP defende que o complemento de alojamento, atualmente igual para todos os estudantes, seja diferenciado, consoante os valores praticados na região do país onde o estudante tem de encontrar casa. “Esta é uma medida simples de aplicar e que poderá ajudar a minorar de forma rápida os impactos negativos da crise no alojamento estudantil”, frisa.

Em relação à inovação pedagógica, sublinha a falta de preparação pedagógica de alguns docentes para as aulas que lecionam e o “défice de qualidade nesta capacidade de conseguir ensinar”, além do ‘gap’ geracional entre a classe docente, “cada vez mais envelhecida”, e os estudantes que todos os anos ingressam no ensino superior.

“Os docentes são resistentes à adoção de métodos de ensino baseados em novas tecnologias e os estudantes, cada vez mais, não sabem viver sem elas. Não se pode ensinar da mesma forma de há décadas atrás nem se podem ensinar sem se ter aprendido a ensinar”, acrescenta o presidente da FAP.

No encontro de Coimbra, a Federação Académica de Lisboa (FAL) também defendeu a eliminação da propina mínima e progressiva redução da propina máxima, resultando numa frequência no Ensino Superior tendencialmente gratuita, numa proposta que pretende endereçar agra ao Governo.

No contexto da revisão da Lei de Bases de Financiamento do Ensino Superior, a FAL defende que a propina mínima deve ser extinta e a máxima definida a partir do Indexante de Apoios Sociais.

Defendeu igualmente a necessidade de um estudo a nível nacional acerca da violência sexual no Ensino Superior, assim como a gratuitidade do acesso a museus e monumentos nacional para os estudantes do ensino superior. A FAL defende igualmente a necessidade de regulamentar e criar condições para a existência de disciplinas optativas em todos os ciclos de estudos.

No âmbito da Inovação Pedagógica, no que diz respeito às Unidades Curriculares Isoladas e ao tronco optativo, “recomenda-se a sua integração e definição a nível nacional através da sua inclusão no Regime Jurídico de Graus e Diplomas”, considera ainda a FAL.

Para além disso, indica o documento apresentado, a que a Lusa teve acesso, a FAL defende “a avaliação da pertinência do aumento da plasticidade do currículo, através da gestão dos ECTS atribuídos ao Tronco Optativo, para que estes possam ser distribuídos de forma estratégica e alocados a projetos de investigação científica, de forma pontual ou contínua”.

ZAP // Lusa

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/estudantes-grau-doutor-politecnicos-297471

Portugal | Professores consideram "uma verdadeira provocação" o aumento de 0,3%

 
 
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) considerou hoje "inaceitável" e uma "verdadeira provocação" a proposta de aumentos salariais de 0,3% para 2020, acusando o Governo de "desvalorizar o trabalho" e "desrespeitar os trabalhadores".
 
O aumento "não é ridículo, nem absurdo, é uma verdadeira provocação", afirmou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, em conferência de imprensa realizada em Lisboa, enquanto decorriam as negociações com o Governo sobre as medidas a incluir no próximo Orçamento do Estado (OE).
 
"Dizer que, depois destes 10 anos, vão ter um aumento de três décimas é brincar com as pessoas, é desvalorizar o trabalho. É de um governo que desrespeita quem trabalha e os seus salários", criticou Mário Nogueira, para quem o aumento proposto é algo "absolutamente inaceitável".
 
O secretário-geral da Fenprof lembrou que, na última década, os professores tiveram os "salários congelados", o que se traduziu numa "redução do poder de compra".
 
No caso dos educadores de infância e professores do ensino básico e secundário, houve uma diminuição líquida do poder de conta de 18,2%, segundo números avançados hoje por Mário Nogueira.
 
 
Já no ensino superior, os docentes dos institutos politécnicos perderam 17,7% do poder de compra, enquanto entre os professores universitários a redução foi de 14,4%. O caso mais grave é a dos investigadores que "perderam 32,3% do poder de compra", acrescentou.
 
O Ministério das Finanças explicou que os aumentos salariais para a função pública no próximo ano terão por base "a taxa de inflação observada até novembro de 2019, de 0,3% para todos os trabalhadores".
 
Entretanto, hoje, no final da última reunião das negociações com os sindicatos da Função Pública, o secretário de Estado da Administração Pública explicou que o Governo "foi até onde podia ir", destacando o esforço do executivo de "regressar à normalidade".
 
"A proposta do Governo foi até onde podia ir, tendo em conta que o descongelamento das carreiras, com o pagamento a 100% das valorizações remuneratórias resultantes tem um impacto nas contas públicas em matéria de massa salarial de 527 milhões de euros", disse José Couto aos jornalistas.
 
Segundo a consultora EY, um funcionário público com um rendimento mensal de mil euros terá, no próximo ano, um aumento inferior a dois euros por mês (mais 26,25 euros/ano). Já um trabalhador com um vencimento de 1.500 euros por mês, terá um aumento mensal de 2,6 euros. Quem recebe um salário de dois mil euros poderá contar com um aumento líquido de pouco mais de três euros por mês.
 
Para Mário Nogueira, os professores são os trabalhadores da função pública mais prejudicados: tiveram menos tempo de serviço congelado recuperado e são os que têm mais dificuldades em progredir na carreira.
 
Sobre a progressão, Mário Nogueira referia-se ao regime de vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões, "mecanismos que impedem os professores de progredir na carreira".
 
Uma realidade que muda consoante a região do país em que os docentes trabalham: Nos Açores, não existe regime de vagas; na Madeira, "foi apresentada uma proposta para acabar com esse regime" e no continente milhares de professores continuam "presos" nos 4.º e 6.º escalões, criticou.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: © Lusa
 
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Quanto vale a Educação portuguesa?

Notas_euros.jpgNa véspera da aprovação em Conselho de Ministros do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), a Fenprof deu uma conferência de imprensa para apresentar as medidas de natureza socioprofissional que quer ver inscritas no documento.

“A Educação é uma área que tem sido subvalorizada nos Orçamentos do Estado e esta é a razão de muitos dos problemas que existem nas escolas”, criticou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

Mário Nogueira recordou os dados divulgados recentemente no relatório “Estado da Educação”, que indicam que entre 2008 e 2018, “a educação sofreu um corte de 12%, que corresponde a menos 867 milhões de euros”, para defender que “a educação não pode continuar a ser uma área com cortes ou estagnação”.

Fenprof recordou que nos dois últimos anos (2017 e 2018), a educação valeu 3,6% do PIB. “Tem sido sempre uma trajetória descendente”, lamentou.

“Até 2023, o grande desafio do Governo deverá ser a colocação do Orçamento do Estado para a Educação a valer 6% do PIB, devendo subir até os 4% em 2020 e depois progressivamente até aos 6%”, explicou.

Os sucessivos Orçamentos de Estado são reveladores do desinvestimento que tem havido na Educação e explicam muitos dos bloqueios e dificuldades que persistem no sector: escolas degradadas, corpo docente envelhecido, falta de psicólogos, terapeutas e outros técnicos especializados, bem como de pessoal de apoio educativo. O resultado evidente de haver outros comensais mais influentes e poderosos sentados à mesa do Orçamento, cujas exigências não cessam de aumentar.

A dimensão do descalabro orçamental só não é maior porque uma parte significativa da despesa no sector tem vindo a ser financiada por fundos europeus, uma estratégia de sucessivos governos que continua inscrita, preto no branco, no programa do actual executivo.

Contudo, esta estratégia está a ter custos cada vez mais elevados e disfuncionalidades cada vez mais profundas nas escolas portuguesas. Financiar os orçamentos escolares através de linhas de financiamento europeu obriga a que muitas vezes se faça, não o que seria adequado ou necessário, mas o que é elegível para candidatura a fundos comunitários.

Pode assim faltar dinheiro nas escolas, por exemplo, para fotocópias ou aquecimento, mas haver dezenas de professores e alunos a passear para outros países europeus. Poderem criar-se cursos profissionais em áreas sem interesse ou empregabilidade, mas não haver crédito horário para dar apoio suplementar a alunos que dele necessitam.

A municipalização forçada a que se está a condenar todo o ensino não superior não tem qualquer fundamento pedagógico nem racionalidade económica ou administrativa; faz-se apenas porque é através das câmaras ou das comunidades intermunicipais que se consegue ir buscar dinheiro europeu para subsidiar obras e outras despesas com as escolas. E pela mesma razão se instituiu o experimentalismo educativo permanente a que deram o nome de flexibilidade curricular. É que a União Europeia não financia professores que se limitam a fazer o seu trabalho. Mas se estiverem a desenvolver um alegado “projecto” nas suas aulas, aí torna-se possível o acesso ao pote do dinheiro europeu. Que raramente chega de forma directa às escolas, mas essa é toda uma outra conversa…

 

Educação e retrocesso social

escada-rolante.gifNuma sociedade em que os direitos sociais estão em regressão, numa economia em que se verificou uma redução sensível dos rendimentos (em especial dos reais, após a carga fiscal que sobre eles recai de forma directa ou indirecta) e se deu uma rendição completa aos mecanismos neoliberais de precarização das condições laborais, parece que a Educação é encarada como um oásis onde é possível alcançar o que se revelou impossível nas restantes áreas da vida social.

Quando o sistema de Saúde dá sinais de colapso e diversos indicadores começam a recuar para níveis de há décadas e especialistas em Segurança Social projectam uma “quebra abrupta nos rendimentos” dos cidadãos, há governantes e “cientistas da educação” que parecem querer fazer-nos crer que serão medidas como a eliminação à força dos níveis de insucesso no Ensino Básico ou a supressão de exames e provas de avaliação externa na escolaridade obrigatória, a par de medidas de perfeita cosmética curricular, que conseguirão reanimar o funcionamento de um “elevador social” que não tem andares superiores para alcançar, em especial se os seus ocupantes vierem das caves da actual estrutura social.

É de uma demagogia despudorada afirmar-se que será por transitar todos os anos com um nível mínimo de “competências”, que alunos de níveis socio-económicos mais baixos conseguirão uma elevação do seu estatuto ou atingir rendimentos médios sensivelmente superiores aos da geração anterior. A mobilidade social no século XXI, em especial em sociedades marcadas por um subdesenvolvimento endémico e fortes práticas de clientelismo e nepotismo, depende muito pouco do “sucesso escolar” e muito mais de outros factores como as redes de conhecimentos pessoais e familiares. A “reprodução das desigualdades” não é uma responsabilidade ou sinal de “fracasso” da Educação. Apenas significa que ela deixou de ser o factor (ou sequer um dos factores) com maior peso nas possibilidades de mobilidade ascensional dos indivíduos, tendo sido substituída de forma bastante determinista pelas condições do contexto familiar.

Paulo Guinote no seu melhor, a desmontar nas páginas do Público uma das mais notórias contradições do nosso tempo: apesar dos sinais evidentes de retrocesso social que a ordem neoliberal vai impondo um pouco por todo o lado, persiste-se em exigir à escola que cumpra o papel de nivelador social de que se dispensa o resto da sociedade.

E, cúmulo da incoerência, espera-se que o milagre da mobilidade social dos alunos mais desfavorecidos se concretize através de uma educação facilitista que, em vez de alargar conhecimentos e abrir horizontes, se atrofia nos “saberes do aluno” e no vazio da ignorância “holística”.

Ao contrário do que sucedeu na segunda metade do século XX, sobretudo depois da Revolução de 1974, quando houve efectivamente alguma mobilidade social, o século XX tem sido marcado por uma notória erosão das classes médias e até mesmo, como se sublinha, por fenómenos de proletarização de grupos sociais qualificados e socialmente prestigiados. Ou seja, a mobilidade, quando existe, é mais no sentido descendente do que ascendente. E quando o berço e os contactos não são os certos, a habilitação académica parece contar cada vez menos…

Como é evidente, não é a escola, ainda por cima carente de meios e de recursos, que irá operar o milagre de reverter as transformações económicas que a ordem neoliberal vai impondo ou contrariar um modelo de desenvolvimento ainda demasiado assente na subsidiodependência dos fundos europeus e em serviços de baixo valor acrescentado.

Para quem trabalha nas escolas esta realidade é até intuitiva, porque nela estamos imersos. Complicado é fazê-la entender a uma opinião pública anestesiada e demasiado vulnerável à retórica eduquesa e aos cantos de sereia do sucesso fácil, universal e divertido. Só temos de agradecer a Paulo Guinote por ser um dos que melhor o consegue fazer. E por persistir em fazê-lo…

Constituição ensinada nas escolas. Será que é desta?

Sem nunca ter sido implementada, já em 2015 a Assembleia da República tinha aprovado um projecto d'«Os Verdes» que recomendava ao Governo que a lei fundamental fosse leccionada na escolaridade obrigatória.

Créditos / http://assembleiamunicipal.cm-sintra.pt

O anúncio feito pelo Governo, esta quarta-feira, parece finalmente ir ao encontro da resolução parlamentar aprovada há quatro anos por iniciativa d'«Os Verdes» e que, até hoje, não foi posta em prática, que passa por ensinar a Constituição da República Portuguesa nas escolas.

Segundo documento do Governo, acedido pela Lusa, entre os objectivos que agora se anunciam estão promoção da educação para a cidadania e a participação democrática entre os jovens e, nesse sentido, propõe-se um Plano Nacional de Literacia Democrática e a definição do estudo da Constituição em todos os níveis de ensino.

Estas intenções constam das Grandes Opções do Plano (GOP) para o triénio 2020-2023 e surgem «num contexto em que existem diversas ameaças à democracia, importa defender e difundir os valores essenciais em que se baseia o sistema político português», lê-se no documento.

O projecto de resolução d'«Os Verdes» foi aprovado em Novembro de 2015 no Parlamento, apenas com os votos contra de PSD e CDS-PP, e em comunicado dos ecologistas de então, lê-se que, a ser implementada, esta seria uma medida «fundamental para o exercício de direitos e deveres e conhecimento dos órgãos e poderes públicos».

Os ecologistas defendem que o conhecimento pela juventude da Constituição permite elevem a «consciência dos seus direitos e deveres, assim como os do Estado, levando-os a consolidar o respeito pela preservação e vivência democrática e a sua participação activa na consolidação desses valores».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/constituicao-ensinada-nas-escolas-sera-que-e-desta

Dois olhares críticos sobre os testes PISA

pisa.jpgQuando a publicação de mais um conjunto de relatórios da OCDE referentes aos testes PISA marca, durante semanas, a actualidade educativa e, cada vez mais, os governos condicionam as políticas educativas aos resultados obtidos e às recomendações da organização, é altura de questionar se não andaremos a atribuir importância excessiva a esta avaliação internacional.

É o que fazem, em artigos recentes no Público, Santana Castilho e Luís Miguel Carvalho. Este último, nomeadamente, alerta para o facto de a análise da OCDE aos sistemas educativos ser forçosamente enviesada pelos objectivos e valores promovidos pela organização. Que acentuam o carácter instrumental da Educação – desenvolver competências que aumentem a empregabilidade ou promovam o empreendedorismo, por exemplo – em vez de valorizarem o desenvolvimento intelectual, cultural e social dos alunos. E que se foca em padrões estandardizados e universais de aprendizagem em lugar de atender à diversidade dos diferentes povos e culturas.

Parte da confiança atribuída ao PISA não se encontra na sua qualidade técnica (que detém, apesar de epistemológica e metodologicamente criticável), nem na criação pela OCDE de uma ecologia favorável ao seu uso (que é relevante), mas em forças institucionais. Entre estas destaco a objetividade culturalmente conferida aos números e a perceção da OCDE como entidade que diz a verdade.

Sobre a primeira, recordarei, à luz de outros, que os números do PISA não falam por si, mas só quando inseridos nos discursos sobre educação. Assim, os cristalinos e robustos números servem para legitimar o mantra da aprendizagem do séc. XXI (resolve problemas, conduz-se como um empreendedor, capacita-se para uma vida de formação para a empregabilidade) e do conhecimento utilitário que a Escola deve preferir (o que funciona e resolve problemas do dia-a-dia).

Quanto à segunda, e quando a qualquer um parece impossível perguntar qual o custo-benefício da participação no PISA, um outro preço subsiste, pois a naturalização do PISA como espelho implica a obediência a uma regra no governo da educação: o teste estandardizado realizado por estudantes de 15 anos em 3 horas é o meio pertinente para capturar a complexidade educacional e a qualidade dos sistemas de ensino. Esta dependência situa os decisores num espaço cooperativo-competitivo mundial no qual a comparação dos resultados autoriza o exercício de um poder moralizante, por via da atribuição de culpas e virtudes aos sistemas, seus reguladores e agentes.

Santana Castilho acrescenta uma pergunta pertinente: que legitimidade democrática têm os dirigentes não eleitos da organização para imporem a sua visão sobre os sistemas educativos? Sobrevalorizando, por exemplo, as matemáticas, as ciências e as competências linguísticas em detrimento das artes e das humanidades, uma linha que aliás tem sido comum a todas as mudanças curriculares que, à esquerda e à direita, se têm feito no nosso país nas últimas décadas.

A imposição da uniformidade nos modelos de desenvolvimento do sistema educativo tem outra consequência, que por aqui também tem sido constatada: as metas de qualificação de jovens com formação superior estão a produzir licenciados e mestres a um ritmo muito superior ao do desenvolvimento da economia, que continua assente num modelo de baixos salários e predomínio de profissões pouco especializadas. Acabamos, claro, a promover a emigração qualificada e, por cá, a perpetuar o trabalho precário e mal pago que se generalizou em quase todos os sectores da economia.

Sem mandato democrático legítimo para o efeito, a OCDE, através do PISA, tem contribuído para a construção de um conceito limitado e tendencioso sobre o que deve ser a Educação e a escola pública. Exacerbando o foco sobre as variáveis mensuráveis e com relevância para a economia dos países, remete para o apagamento o papel das humanidades e das expressões no desenvolvimento pessoal dos nossos jovens. Onde fica a ética e a moral nas dominâncias dos relatórios do PISA? Que lugar dispensa ao espírito, ante a preponderância da forma, imediatamente utilitária e funcionalista? Por outro lado, seria interessante apurar os acordos firmados entre a OCDE e empresas multinacionais no quadro do financiamento da vasta rede técnica e tecnocrática necessária à produção do programa, bem assim como conhecer a sua estratégia de expansão.

Por tudo isto, dificilmente aceito que uma organização económica seja uma espécie de juiz supremo e global dos sistemas de ensino de todo o mundo. Vejo com perplexidade o envolvimento dos governos numa competição internacional pela disputa dos lugares cimeiros do PISA, sem terem discutido internamente a validade dos respectivos objectivos ou a adequabilidade à diversidade das culturas em jogo. Com efeito, não me parecem adequadas iniciativas que apontam metas uniformes para países com realidades culturais e económicas tão diferentes. Um bom exemplo pode ser colhido no desiderato de ter 40% da população portuguesa, com idade entre os 30 e os 34 anos, com formação superior. O cruzamento deste objectivo com o modelo de desenvolvimento da nossa economia, incapaz de criar empregos que respondam às expectativas legítimas de quem sai das universidades e politécnicos, acaba por confrontar os portugueses com a realidade: ou emigram ou aceitam a precariedade e os baixos salários.

Três denúncias por dia de amianto nas escolas

Das 90 denúncias realizadas num mês, 87 são relativas a escolas públicas e 30 foram já motivo de queixa, «embora ainda sem qualquer resultado prático», refere a plataforma «Há Amianto na Escola».

CréditosNuno Veiga / Agência LUSA

A plataforma, criada há pouco mais de um mês, recebeu 90 denúncias até ao momento, anunciaram esta terça-feira a associação ambientalista Zero e o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA). A um ritmo de quase três denúncias por dia, a maioria das queixas vêm das áreas de Lisboa, Setúbal e Braga, e as escolas da Margem Sul do Tejo estão entre as que apresentam «piores condições», lê-se num comunicado emitido pelas duas organizações. 

Das 90 escolas apontadas nas denúncias, 87 são públicas e 30 foram já motivo de queixa, «embora ainda sem qualquer resultado prático», referem no documento.

«Acreditamos que a falta de denúncias no Norte e Sul do País significará que o número de escolas afectadas por presença de materiais contendo amianto será muito superior. Esta lista não comprova a existência de amianto nos materiais, identifica aqueles onde o mesmo poderá estar presente, pelas características e época de construção», precisam as organizações.

Pretende-se que o documento sirva de base a um inventário completo que deverá incluir análises aos materiais e vistoria aos espaços, mesmo nas escolas de onde já foi removido fibrocimento. «Temos denúncias de escolas onde foram executadas obras que apenas removeram uma parte dos materiais com amianto», lê-se no texto.

As organizações afirmam ainda que vão assistir, amanhã, na Assembleia da República, ao debate das iniciativas parlamentares de quase todos os partidos sobre a remoção do amianto das escolas, em particular, e dos edifícios públicos em geral.

«A perigosidade do amianto aumenta pela degradação e desgaste dos materiais [...] constituindo assim um risco para a saúde. [...] É necessário que exista um canal directo de comunicação entre as escolas e o Ministério de Educação para que as situações mais graves possam ser intervencionadas celeremente», defendeu, por seu turno, Íria Roriz Madeira, arquitecta que faz parte do movimento. 

Entre as patologias causadas pela exposição ao amianto figuram o cancro do pulmão e o cancro gastrointestinal. Em regra, as doenças associadas ao amianto demoram 20 anos ou mais a manifestarem-se. A Zero e o MESA recordam que a União Europeia definiu o ano 2032 como meta para a «erradicação total» do amianto de todos os estados-membros.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/tres-denuncias-por-dia-de-amianto-nas-escolas

Comunidade escolar não desiste da escola pública

Falta de pessoal e de condições de trabalho, estruturas com amianto e obras paradas são alguns dos problemas que motivam os protestos desta semana em várias escolas do País.

CréditosANTÓNIO PEDRO SANTOS / LUSA

Estudantes de várias escolas de Norte a Sul organizam várias acções esta semana em resposta ao apelo lançado pela Associação de Estudantes da Escola Secundária Fernão Mendes Pinto, de Almada.

Os estudantes exigem melhores condições materiais, menos carga horária e o fim dos exames nacionais. Os protestos arrancaram segunda-feira na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto. Ontem foi a vez da Escola Secundária Fontes Pereira de Melo, também no Porto, e hoje na escolas secundárias João de Barros, em Setúbal, na Padrão da Légua, no Porto, e na Camões, em Lisboa.

«Estamos a fazer uma manifestação para ter melhores condições na escola, como mais funcionários, menos filas, menos carga horária e o fim dos exames nacionais para aqueles que não precisam», disse à Lusa, Joana Filipa, de 15 anos, do 10.º ano de escolaridade.

A aluna, que distribuía panfletos pelos colegas, apelava à adesão ao protesto. «Esperamos que participem para a escola perceber que esta é uma manifestação pelos nossos direitos», dizia.

Por sua vez, os alunos da João de Barros protestaram contra a paragem nas obras de requalificação da sua escola. «Estas obras encontram-se suspensas e houve um concurso que ficou deserto, pelo que estamos há dez anos à espera destas intervenções», disse à RTP Maria João Macau, vereadora da Câmara Municipal do Seixal eleita pela CDU, acrescentando que o Ministério da Educação sabe os alunos estão há vários anos a ter aulas em contentores.

Em Padrão da Légua, os alunos protestam contra a sobrecarga horária e a falta de funcionários, exigindo mais investimento e uma remodelação estrutural no Ensino. Em declarações à RTP um estudante frisou que a Educação não deve ser alvo de cortes, «é um direito natural de todo o ser humano». «Tal como dissemos [durante o protesto]‘para a banca vão milhões, para o ensino vão tostões’. Gasta-se muito na banca privada mas para a educação, para a habitação e para a cultura não se vê investimento», disse.

Os estudantes de várias outras escolas dos distritos de Braga, Lisboa e Setúbal vão dinamizar protestos ao longo desta semana.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/comunidade-escolar-nao-desiste-da-escola-publica

Estrangeiros vulneráveis: número de universitários vítimas de violência sexual choca Lisboa

Mulher carrega bandeira de Portugal em Lisboa
© AP Photo / Armando Franca

Mais de 34% dos estudantes universitários de Lisboa e das cidades da região metropolitana já foram vítimas, pelo menos uma vez, de algum tipo de violência sexual física. O número faz parte de um estudo apresentado nesta terça-feira (10), na capital portuguesa.

O estudo foi realizado pela Federação Acadêmica de Lisboa (FAL), através de questionários, com estudantes de cursos de licenciatura, mestrado e doutorado entre os 17 e os 30 anos. Entre os casos de violência física, 22% responderam que alguém já "acariciou, beijou ou se esfregou nas partes íntimas e genitais contra a minha vontade" e 14% foram coagidos a praticar atos sexuais.

"Sentíamos que havia problemas e muita incidência de abusos, então resolvemos averiguar para ver qual era mesmo a realidade. Entrei no ensino superior em 2014 e já naquela altura havia colegas a falar sobre esses problemas. Infelizmente pouco ou nada foi feito", diz à Sputnik Brasil a presidente da entidade, Sofia Escaria.

O estudo também mostra que 61% dos estudantes foram vítimas de assédio sexual pelo menos uma vez e 65% já ouviram comentários provocativos de natureza sexual. De acordo com Sofia Escaria, autoridades nacionais e municipais "ficaram muito alarmadas".

A Câmara Municipal de Lisboa, órgão equivalente às prefeituras brasileiras, solicitou os dados para "começar a lançar internamente e definir uma campanha de divulgação para a cidade toda sobre este tema e sobre o estudo. Vamos ter reuniões para definir medidas concretas a princípio na semana que vem", diz a presidente da FAL. A nível nacional, representantes da entidade participam de uma reunião nesta quinta-feira (12) com o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Teixeira Sobrinho.

Estrangeiros vulneráveis

Portugal se mostra cada vez mais aberto à internacionalização acadêmica. Dados recentes do governo somam 50 mil alunos estrangeiros no ensino superior nacional atualmente. Só a Universidade de Lisboa, a maior do país, recebe todos os anos cerca de 6.900 estudantes internacionais, vindos de mais de 100 países. Neste cenário, o estudo da FAL levanta questionamentos.

O relatório mostra que 46% das vítimas são estudantes deslocados da sua área de residência. Não existe nenhuma distinção entre nacionalidades, mas as entidades estão atentas à vulnerabilidade de grupos estrangeiros. "Não é claro neste estudo, mas também é percepção nossa que essas situações acontecem muito com a comunidade imigrante na academia. Se pensarmos que muitos estudantes se encontram isolados de referência familiar, de comunidade, mesmo dentro da faculdade, isto aumenta o grau de vulnerabilidade dos mesmos e das mesmas. Temos que pensar nisto", diz à Sputnik Brasil Daniel Cotrim, assessor técnico da direção da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que prestou assistência à FAL para realização do estudo. 

De acordo com o técnico, as autoridades agora devem atuar para conscientizar e eliminar riscos. O estudo mostra que a maioria dos alunos se sente insegura em áreas próximas dos campi acadêmicos, como estacionamentos, e nos trajetos entre casa e faculdade. Entre as recomendações feitas no documento, estão ações simples.

"Os responsáveis pelos campi acadêmicos de Lisboa devem ter em atenção que o espaço público é perigoso. A primeira, e acho que é muito concretizável, é colocar postes de iluminação, alterar o próprio espaço físico em volta das universidades", explica Daniel Cotrim. "Por outro lado, também criar planos de contingência dentro das próprias universidades, para saberem lidar com as questões e saberem fazer as pontes com as associações de apoio às vítimas que estão nas comunidades. Esse caminho não tem sido feito. No âmbito das recomendações, estas são as mais concretizáveis."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019121114879379-estrangeiros-vulneraveis-numero-de-universitarios-vitimas-de-violencia-sexual-choca-lisboa/

Liberdade de escolha… dos professores!

selecao.jpgA presidente do Conselho Nacional de Educação considerou esta terça-feira injusto e insuficiente fazer a selecção de professores com base apenas na nota final de curso e anos de serviço, defendendo que algumas escolas deveriam ter mais liberdade de escolha.

Maria Emília Brederode dos Santos esteve esta terça-feira na Comissão de Ciência, Educação, Juventude e Desporto, onde apresentou o estudo realizado pelo CNE sobre o Regime de selecção e recrutamento do pessoal docente da educação pré-escolar e ensinos básico e secundário. A presidente do CNE começou por salientar que o documento “não é um parecer, mas sim um estudo” e que “não existe uma posição do CNE sobre esta matéria”, uma vez que tal não foi pedido nem levado a plenário. 

Com um ministro invisível no espaço público e um secretário de estado que prefere o ambiente controlado das escolas amigas para as suas intervenções, coube à presidente do CNE assumir a defesa das mudanças que o PS, percebe-se bem, quer introduzir nos concursos de professores. Mas não sabe ainda bem como o há-de-fazer.

O que se percebe é que as reformas educativas de João Costa e dos seus parceiros avançam descompassadas pelas escolas portuguesas. Nalguns lados, mal se dá por elas.  Outros, avançam cautelosamente. Mas há um punhado de escolas onde os directores e a sua entourage parecem empenhados em ser ainda mais papistas do que o Papa. E em antecipar as vontades e a satisfação dos desejos dos governantes.

Ora é por certo nas escolas destes directores amigos que se estará a pensar quando se fala em conferir maior “liberdade de escolha” na colocação de professores. Perante as dificuldades naturais de implantação de reformas educativas que estão longe de consensuais, os governantes recusam-se a admitir e a corrigir os erros evidentes. E partem para uma hipótese perigosa: se isto não funciona com os professores que temos, talvez funcione quando eles forem escolhidos a dedo pelos directores…

A verdade é que já se experimentou, no passado, em escolas TEIP ou com contrato de autonomia, a contratação de professorescom base noutros critérios além da nota de curso e do tempo de serviço. E sabe-se que, em muitos casos, correu mal. O sistema revelou-se permeável à cunha e ao amiguismo. Em determinados contextos, pode conduzir à criação de uma espécie de proletariado docente, um conjunto de professores que permanecem na escola enquanto estiverem nas boas graças do senhor director, e que a troco da renovação dos contratos servem de pau para toda a obra no quotidiano escolar.

No Parlamento, os partidos à esquerda levantaram pertinentes objecções ao estudo do CNE e às opiniões de Emília Brederode. De facto, em vez de emancipadora, a propalada liberdade de escolha mais facilmente poderá potenciar, neste contexto, a prepotência e a desigualdade…

A deputada do Bloco de Esquerda, Alexandra Vieira, questionou se não haveria o risco de os territórios com mais recursos económicos poderem contratar os melhores docentes: “O recrutamento local, tendo em conta a municipalização, não irá agravar as desigualdades?”.

Para o PCP, o modelo vigente acaba por ser o “menos imperfeito”: “Não há modelos perfeitos para a colocação de professores, mas quanto a nós o existente é o menos imperfeito deles todos”, afirmou a deputada comunista Ana Mesquita. A deputada criticou o estudo do CNE por não ter “avaliado devidamente o risco dos cenários B e C”, que defendem o recrutamento feito pelas autarquias ou pelas escolas.

“O que irá acontecer se se mandar para as autarquias ou escolas a contratação de professores?”, questionou o PCP, lembrando que o estudo “compara realidades europeias mas esquece as especificidades nacionais”, nomeadamente no que toca à carência de meios técnicos e humanos para fazer concursos locais.

 

Taxa de sucesso no ensino profissional atinge os 63%. É o valor mais alto de sempre

No ano letivo de 2017/2018, 63% dos alunos inscritos no ensino profissional concluíram os seus cursos no tempo previsto, mais dez pontos percentuais do que quatro anos antes, avança o jornal Público.

 

De acordo com um relatório da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), citado pelo diário esta terça-feira, esta é a taxa de sucesso mais elevada de sempre no ensino profissional.

No ano passado, o ano letivo para o qual existem os dados mais atualizados, cerca 19.500 estudantes completaram a sua formação em três anos. Em 2014/15, tinham sido apenas 15.600. O número “tem vindo a aumentar gradualmente”, pode ler-se no documento.

“Os dados revelam melhorias muito significativas no ensino profissional”, diz o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, em declarações ao jornal Público. “Nunca é demasiado sublinhar que a valorização do ensino profissional implica fazer com que esta seja uma via de ensino com a mesma qualidade e em plena igualdade com as demais”, apontou.

A retenção no ensino profissional tem tido uma “evoluçãopositiva desde há mais de dez anos”, resultando agora na taxa de sucesso mais elevada de sempre, frisa, por sua vez, a investigadora da Universidade do Minho Fátima Antunes, citada pelo matutino.

 
 

Os números são mais positivos nas escolas profissionais privadas: na rede de escolas do Estado 59% dos alunos completam o curso nos três anos previstos, enquanto no setor privado esse valor é dez pontos percentuais mais elevado.

Segundo as mesmas estatísticas, entre os anos letivos 2014/2015 e 2017/2018, a taxa de abandono do ensino profissional baixou dois pontos percentuais.

ZAP //

 

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/taxa-sucesso-no-ensino-profissional-nunca-tao-alta-296228

O sofá alugado, a vida num quarto e o despejo à vista

(Isabel Leiria e Raquel Albuquerque, in Expresso, 07/12/2019)

É no sofá da sala numa casa em Odivelas que Natércia dorme três noites por semana. Não tem direito a mais do que duas gavetas de uma cómoda e a partilhar casa de banho e cozinha com mais duas pessoas. São estas as condições a que a professora de Matemática de 44 anos, a dar aulas há 20, teve de se sujeitar para conseguir uma renda mais baixa.

 

Ficou a pagar €10 por noite e uma parte das despesas da casa. Feitas as contas, ao fim de um mês, é bem menos do que os €350 que lhe pediram por um quarto nos arredores de Lisboa. E foi a única solução para conseguir manter-se, pelo sexto ano consecutivo, a dar aulas na capital, a 300 km de Santa Maria da Feira, onde tem a família que tenta visitar todas as semanas, acrescentando mais €200 às despesas mensais fixas. Mesmo optando pela estrada nacional, que sai mais barato. “Não tenho espaço para as minhas coisas e tenho de andar de mala às costas. Mas é melhor que um hostel, onde nem duas gavetas teria.”

Conseguir arrendar uma casa ou apenas um quarto tornou-se um problema nos centros urbanos devido ao aumento das rendas e atingiu em cheio milhares de professores colocados longe da área de residência. A Grande Lisboa e o Algarve são as zonas do país que mais precisam de professores mas onde se tornou mais difícil encontrar casa acessível. Basta somar as despesas com renda, deslocações e alimentação, retiradas de um salário de cerca de 1100 euros limpos, para que muitos professores nem aceitem a vaga. E por isso há horários por preencher desde o início do ano letivo (ver texto em baixo).

“Se já é complicado para um professor com um horário completo ter dinheiro para as despesas, é incomportável quando é incompleto. Nesses casos, recebem entre 400 e 500 euros. Isso já quase não chega para um quarto”, alerta César Paulo, porta-voz da Associação Nacional de Professores Contratados. “A maioria destes professores tem mais de 40 anos e crianças em idade escolar, o que os leva a não continuarem a fazer estas deslocações. E os que têm menos de 30 anos, e que estariam mais disponíveis, são muito poucos e têm o problema das rendas.” Júlia Azevedo, presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), não duvida que a falta de professores tem vindo a agravar-se. “A curto ou médio prazo, a situação será mesmo insustentável.”

Questionado pelo Expresso, o Ministério da Educação avança que estão “em análise e em articulação com outros ministérios soluções que visem incentivar a colocação de professores em certos territórios”, sem concretizar hipóteses ou prazos.

Guilherme, professor de Geo­grafia, faz parte de 1% dos docentes com menos de 30 anos, e dos muitos mais que juntam à precariedade de não saber se têm trabalho, de um ano para o outro, a dificuldade de encontrar casa. Natural da Covilhã, sem hipóteses de colocação em escolas da região, sabe que tem de procurar no resto do país uma oportunidade que lhe permita somar tempo de serviço para ficar efetivo.

“Já tinha posto Lisboa e Porto de parte por causa das rendas. E comecei a concorrer para o Algarve. No ano passado, em Lagos, tive sorte em encontrar um estúdio barato. Mas este ano, em Loulé, foi um desespero completo. A maior parte dos anúncios pede para sairmos em maio ou junho, por causa dos turistas, e nós trabalhamos até 31 de julho. E os preços são um abuso”, descreve Guilherme, que chegou a encontrar um T0 a €750. A solução acabou por recair na partilha de casa com dois colegas, onde paga €200 por um quarto, fora as contas. “A minha rotina diária, antes de adormecer, é ver os sites do OLX e do Custo Justo à procura de um T0 ou T1 que possa pagar e ter a minha privacidade.”

Colocada também no Algarve está Liliana Vieira, professora de Geografia há 12 anos, natural de Vila Verde (Braga) e sempre colocada em escolas diferentes. Dá agora aulas em Faro, mas só arranjou apartamento a cerca de 15 km, em Loulé. E admite ter sido uma sorte. “Estou a pagar €320 por um T2, de uma professora que foi deslocada para outra zona. Há quem peça €500 por um T0 ou entre €350 e €450 apenas por um quarto.” Tal como Guilherme, também vive o problema do turismo. “Em julho, há professores a ficar em sofás ou em casas de outros, porque perdem aquela onde estão.” E em setembro, quando começam as aulas, a dificuldade repete-se, pois muitos senhorios só disponibilizam a casa em outubro, depois de acabar a época alta.

Liliana dá aulas no Agrupamento Pinheiro e Rosa, onde o diretor, Francisco Soares, todos os anos tem dificuldade em arranjar professores para completar os horários. Em setembro, tinha “seis ou sete por preencher”. A situação já melhorou, mas a baixa médica de uma professora de História deixou os alunos do secundário sem aulas no último mês. “Já fizemos tudo, mas quem telefonava não aceitava receber €1000 e ficar a pagar €350 por um quarto ou €600 por uma casa”, conta. Sem candidatos, o horário vai ser atribuído a outros professores do agrupamento. “Sai mais caro, com as horas extraordinárias que têm de ser pagas, mas são alunos que vão ser sujeitos a exame nacional e tínhamos de encontrar uma solução.”

QUARTO SEM VISTA POR €350

No Facebook, há vários grupos para ajudar professores a encontrar casa e um deles tem quase 13 mil membros. “Vemos aparecer de tudo e optamos por eliminar casos indignos, como o de um quarto com cama e mesa de cabeceira em Lisboa por €350, sem janela e sem acesso à cozinha”, conta Ana Branquinho, uma das gestoras do grupo e também ela professora, em Viana do Castelo. “Perante a realidade, assim como eu, muitos outros professores já desistiram de concorrer para o Sul do país. Não vale a pena e também não quero deixar cá as minhas filhas. Só que ficar aqui obriga a ter mais empregos.”

Nascida em Aveiro e colocada em Lisboa, Paula tem 39 anos, um filho de 12 e outro de dois. Há mais de dez anos que todas as semanas deixa a família em casa para ir dar aulas, tendo passado por uma dezena de escolas. Nos últimos anos conseguiu dois contratos consecutivos e só lhe falta um para vincular. “É esse o meu único objetivo”, realça. O problema é que a casa que tem estado a partilhar, em Loures, acabou de ser vendida. “Temos de sair até ao fim deste mês e não temos para onde ir”, conta a colega de casa, Cláudia, 41 anos, que também deixa a filha de oito anos todas as semanas com os avós. “Se no início do ano letivo já é difícil encontrar quarto, agora é impossível. Ninguém quer arrendar uma casa por sete meses. Além disso, não dá para pagar uma renda de €500 porque já temos despesas fixas com as nossas famílias.”

Há formas de tornar as contas menos pesadas e Inês, professora do Porto contratada em Lisboa, optou por entrar num grupo de boleias partilhadas criado no Facebook. Foi lá que conheceu a proprietária da casa onde mora e que partilha com mais duas docentes — uma de Braga e outra de Macedo de Cavaleiros —, a €300 o quarto. “É absurdo pagar isto, mas tenho a noção de que não é dos mais caros.” Aos 40 anos, espera mais uma renovação de contrato que lhe permita vincular. “Só a partir daí posso pensar em ter casa só para mim.”

As Câmaras de Lisboa, Oeiras e Faro já aprovaram moções a pedir ao Governo que arranje soluções para este problema. “Tem de ser garantido um subsídio de alojamento e ajudas de custo para a deslocação”, defende Júlia Azevedo, do SIPE. Estes apoios já existem para médicos ou juízes. Mas César Paulo defende que é preciso ir mais longe. “Estes apoios são apenas paliativos. É preciso estabilizar o corpo docente nas áreas geográficas mais próximas das suas residências. Assim, garantia-se que ficavam no ensino e estancava-se a perda de professores que, perante este cenário, nos últimos anos têm procurado noutras profissões uma alternativa de vida.”


NÚMEROS

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anos é a média de idades dos professores contratados, segundo as contas de Arlindo Ferreira e Davide Martins, do blogue ‘ArLindo’

€1100

é o valor aproximado do salário líquido de um professor contratado com horário completo

58%

dos professores poderão aposentar-se até 2030. Entre os grupos mais envelhecidos estão Educação Tecnológica e Estudos Sociais/História

€300

é o valor abaixo do qual é quase impossível encontrar um quarto em Lisboa. Valores chegam a ultrapassar os €400

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Pré-reforma: será desta?

O governo deverá inscrever no próximo Orçamento do Estado uma verba específica para financiar o regime de pré-reformas na função pública que entrou em vigor em fevereiro mas que até aqui, segundo os sindicatos do sector, não terá tido desfechos de saída de trabalhadores apesar de “milhares” de propostas de aposentação antecipada.

O Correio da Manhã escreve este domingo que o impulso à pré-reforma será dado no quadro de um pacote de medidas para valorização e rejuvenescimento dos quadros do Estado, numa proposta que inclui também maior promoção da mobilidade entre serviços e a adoção de uma estratégia para reduzir o absentismo da parte do novo Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública liderado por Alexandra Leitão.

O jornal destaca que existiam, no final do terceiro trimestre, perto de 197 mil funcionários públicos com 55 anos ou mais, reunindo as condições etárias para a redução ou suspensão da prestação do trabalho. As regras de acesso à pré-reforma preveem que a remuneração em pré-reforma se fixe entre 25% do valor do salário-base dos trabalhadores e a totalidade deste, sendo determinado em acordo com a entidade empregadora. A falta de critérios objetivos para a fixação desse valor tem no entanto motivado críticas.

Não é fácil, para muitos professores na recta final da sua carreira, equacionar como conseguirão ainda aguentar até aos 66 ou 67 anos, idade legal em que é obtida a reforma por inteiro. As doenças, o desgaste físico e mental, o desencanto com uma profissão que, em vez de socialmente valorizada, é quotidianamente lançada pelas ruas da amargura – tudo isto leva cada vez mais professores a ansiarem pelo merecido descanso longe das salas de aula.

Pelo que, apesar da inflexibilidade que tem sido demonstrada em relação à criação de um regime especial de aposentação para docentes, há uma luz que se acende ao fundo do túnel. A possibilidade de os funcionários do Estado requererem a pré-reforma a partir dos 55 anos já existia legalmente; o que agora se anuncia é que o Governo irá, a partir de 2020, começar a satisfazer alguns pedidos.

Coloca-se então uma nova questão a todos os interessados: quanto ficarão a receber ao abrigo da pré-reforma? A lei vigente fala em “negociação” desse valor entre o funcionário e o dirigente do serviço, apontando para valores que podem ir de 25% a 100% do salário auferido. Mas que critérios irão ser seguidos para determinar o valor exacto a que cada um terá direito e, sobretudo, para garantir um princípio de igualdade de tratamento? Ou seja, que as regras serão iguais para todos, sem favorecimentos nem discriminações.

Para isto continua a não haver respostas. Mas deixo-vos uma pista: nos Açores, o governo regional socialista, mais adiantado na matéria, definiu já o seu regime legal e criou mesmo o simulador onde qualquer funcionário público da região poderá conferir o valor que, caso opte pela pré-reforma, virá a receber. Nada garante que por cá o critério, e sobretudo a generosidade, sejam os mesmos. Mas não custa nada, clicando na imagem abaixo, ver como seria se fôssemos todos açorianos…

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Educação Inclusiva: um mar de dúvidas

big_1553532010_6304_1Um mar de dúvidas. Esta é uma das principais evidências que emerge dos resultados de um inquérito sobre a aplicação do novo regime de educação inclusiva, que foram divulgados nesta quinta-feira pela Federação Nacional de Educação (FNE), a entidade que promoveu esta consulta. Foram validados 615 inquéritos a professores e 70 a direcções de escolas.

São incertezas avassaladoras as que ressaltam deste inquérito, onde cerca de 60% dos professores assumem, por exemplo, que “não se sentem preparados para esclarecer os encarregados de educação sobre as dúvidas acerca da aplicação do diploma”, que entrou em vigor no ano lectivo passado, substituindo o regime de educação especial. Não poderia ser de outro modo, uma vez que 52% dos professores afirmam que eles próprios “não compreendem as definições das novas nomenclaturas do diploma”, que acabou com o conceito de necessidades educativas especiais e introduziu conceitos como “acomodações curriculares” entre vários outros.

Também em relação à chamada abordagem multinível, “outra novidade introduzida por este diploma que assume elevada importância, por ser um dos seus princípios orientadores”, cerca de 58% dos inquiridos “afirmam não compreender ou ter dificuldades na compreensão deste princípio”. Esta é uma questão “que levanta sérias preocupações, pois como pode uma lei estar em vigor se os princípios estruturantes da mesma ainda não estão compreendidos e assimilados por aqueles que a vão aplicar no terreno?”, questiona a FNE.

Os resultados do inquérito da FNE confirmam o mar de dúvidas, perplexidades e incongruências que tem sido a aplicação do “54”. Por melhores que sejam as intenções dos seus mentores, a realidade é queregime da educação dita inclusiva esbarra na confusão conceptual e na falta de meios para a concretização de um princípio com o qual é difícil estar liminarmente em desacordo: a educação inclusiva de crianças e jovens com necessidades especiais.

Não encontrei o documento original da FNE, mas a notícia no Público espelha uma ideia que merece contestação: a de que a aplicação do novo regime inclusivo não está a correr bem devido, sobretudo, à incapacidade dos professores e dirigentes escolares em compreenderem e interpretarem a lei. No fundo, a velha estratégia da menorização intelectual dos docentes do básico e secundário: não alcançam a profundidade teórica e conceptual da boa nova educativa e precisam de ser doutrinados e pastoreados para poderem aplicar correctamente o novo quadro legal.

Ora a realidade, e quem está nas escolas percebe-o bem, não é de “mais formação” que andamos a precisar, embora ela seja sempre bem-vinda, desde que seja feita por quem sabe, dê respostas concretas às dúvidas e necessidades dos professores e não se resuma a mera “formatação”. O problema principal é que existem demasiadas ambiguidades e imprecisões na lei. Na ânsia de não “categorizar” os alunos, criou-se um regime legal em que cada escola, cada professor pode interpretar a lei à sua maneira. Sem regras e balizas claras, abre-se caminho à desigualdade de tratamento perante casos semelhantes, pondo-se em causa princípios de igualdade, equidade e justiça na forma como se atende às necessidades dos alunos e se garantem os seus direitos.

O outro grande problema do “54” é o enorme equívoco que desde o início se gerou em torno dos grandes objectivos da educação inclusiva. Embora se invoque, como fica sempre bem nestas situações, o superior interesse dos alunos, a verdade é que sempre que se mexe na legislação que regula esta matéria, há um objectivo oculto que passa por reduzir despesa com um sector que, se for desenhado para dar respostas efectivas, personalizadas e de qualidade a todos os alunos que necessitem, tende a consumir grandes recursos.

Falemos claro: a retirada da grande maioria dos alunos das salas especializadas ou unidades de apoio e a sua colocação nas salas de aula com as turmas regulares permite uma grande poupança no número de professores de educação especial. “Capacitar” os outros professores para lidar com estes alunos ao mesmo tempo que trabalham com o resto da turma em vez de colocar nas salas professores de apoio é o ovo de Colombo com o qual se pretende matar dois coelhos de uma cajadada: realizar a inclusão e poupar em recursos humanos.

No segundo ano de aplicação do “54”, uma coisa deveria já ter ficado clara: por mais boa vontade que exista, experiência que se acumule ou formações que se façam, o modelo da escola inclusiva não se concretiza eficazmente sem um reforço de recursos materiais e humanos que faltam na maioria das escolas. O que temos actualmente é um logro, pois sem meios para a inclusão, das duas uma: ou se condicionam as actividades lectivas pela presença de um ou vários alunos que não conseguem acompanhar o currículo prescrito e precisam de ser “incluídos”, ou se dá o programa e se inventam umas actividades faz de conta para os meninos que não acompanham e precisam de estar entretidos. Na maior parte dos casos, os professores acabarão por fazer aquilo que a sua cultura e ética profissional lhes sugere: a tentativa arriscada e quase sempre frustrada de dar tudo a todos.

Deixados por sua conta perante opções difíceis – é também esse o objectivo da legislação ambígua – uma coisa é certa. Se se conseguirem desembaraçar e realizar, no quotidiano escolar, alguns pequenos milagres inclusivos, logo surgirão os figurões da inclusão a apropriar-se do sucesso e a reclamar o acerto e a clarividência das suas ideias. No que correr mal, também já sabem: a culpa será, como sempre foi, dos professores…

Profissionalismo

Chovia torrencialmente, o vento soprava forte, o frio era cortante naquela noite de Janeiro. Não havia então casas próximas da minha, situada no limite da vila, em zona tida por insegura, com tiroteios frequentes nas imediações.

Aí pela meia noite, tocam-me à campainha. Quem será, com um temporal destes? Outra vez algum bêbedo desnorteado?

Assomo à janela. Um táxi, de onde saem para a chuva duas mulheres desconhecidas. Engano, seguramente.

Se era ali que morava — eu! Sim.

Se podiam entrar e falar comigo — com o colega, somos do Júri Nacional de Exames…

Já eu corria a abrir a porta, que entrassem, que saíssem do temporal. Mas o que se passa?

Entram, encharcadas, a tremer com frio. E em frente à lareira, enquanto aqueciam, em vez de explicações, perguntas: Se já tinha começado a corrigir os exames que me tinham sido entregues nessa manhã, em Lisboa — a cem quilómetros de distância.

Surpreendido, disse que não. Só tencionava começar esse trabalho no dia seguinte. E não me passou despercebido o alívio que transpareceu nos seus rostos preocupados.

E onde tinha os exames? Ah, em gaveta da minha secretária, no escritório, no primeiro andar, fechados à chave. Se os podiam ver? Sim, claro, mas porquê?

Vamos lá, então.

Abri a gaveta onde estavam os envelopes com os exames. E elas: cá está! Colega, este envelope foi-lhe entregue por engano, vamos substitui-lo por outro, e retirou um da pasta, faça favor de conferir se o número de provas está correcto.

Compreendi o que tinha sucedido: por engano, naquele tempo em que ainda não havia computadores, entre os vários envelopes com provas para eu corrigir, tinha-me sido entregue um da minha escola. E aquelas professoras correram até à província em demanda de um desconhecido, que nem sabiam onde morava, indiferentes ao temporal, a expensas próprias, para corrigirem o erro, que nem seria culpa delas, antes que pudesse chegar ao conhecimento público.

Era com este profissionalismo que trabalhávamos nos anos 80. E que continuámos a trabalhar nas décadas seguintes.

Ah, naquele ano, o da PGA — Prova Geral de Acesso (ao ensino superior) — corrigi mais de mil exames, nas quatro fases, sem qualquer redução ou dispensa das minhas funções docentes. Foi duro, não tive escolha, embora esse trabalho fosse pago. E o dinheirito deu-me muito jeito naqueles tempos de penúria.


 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/profissionalismo/

Coimbra é uma lição?

univ-coimbraUma região não faz o país. Se fizesse, Portugal ou estaria muito pior ou muito melhor cotado no relatório internacional PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgados esta terça-feira. O estudo avaliou os conhecimentos dos alunos de 15 anos de 79 países e economias diferentes. E, na Leitura, a principal das três áreas-chave analisadas (além desta, Matemática e Ciência), Portugal atingiu o 24.º lugar no ranking internacional. Masas diferenças regionais são tantas, que só a região de Coimbra poderia levar o país ao topo e o arquipélago dos Açores ao fim da tabela.

Feitas as contas, caso Portugal fosse desenhado apenas à imagem dos resultados da região de Coimbra, subiria cerca de 15 lugares na literacia de leitura, do 24.º para os primeiros dez. Ficaria, assim, ao nível de países como a Coreia e a Irlanda, mesmo abaixo da Finlândia, uma referência mundial no campo da educação. A região de Coimbra foi aquela que registou a melhor média nesta área de análise (516 pontos) – próximas destes dois países, com 514 e 518 pontos, respetivamente -, 24 pontos acima da média nacional (492).

Mas também foi a melhor na Matemática (523), ao nível de Estónia – em 8.º lugar no ranking, foi o país da OCDE com melhores resultados em Leitura e Ciências, bem como o terceiro em Matemática. Na Ciência arrecadou 517 pontos, igualando Hong Kong no 9.º lugar.

“Não é fácil de explicar” o fenómeno, diz o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). Mas “já é tradicional ter a região de Coimbra no topo”. “Diz-se que é nesta região que se fala melhor português, onde os alunos costumam ter melhores resultados académicos e que as famílias são academicamente e culturalmente mais bem formadas. E o ar da mais antiga universidade deve dar alguma ajuda”, explica Manuel Pereira. Além disso, em 2018, era em Coimbra que estava a segunda melhor escola do país de secundário (Colégio da Rainha Santa Isabel), a melhor pública a nível nacional (Escola Secundária Infanta D. Maria, Coimbra) e nove das escolas dotop 100 desta lista.

As estatísticas têm destas coisas, e todos conhecem o exemplo do meio frango que, em média, dois cidadãos terão comido à refeição: quer o partilhem entre ambos, quer o coma um deles enquanto o outro se contenta em chupar-lhe os ossos, o resultado estatístico será sempre o mesmo – e não traduz o que na realidade se passou.

Não é por acaso que as nações dominantes nas sucessivas edições do PISA sejam principalmente pequenos países, social e culturalmente homogéneos, com uma sólida classe média e longas tradições de escolarização e de valorização da escola. Ou então sigam o modelo predominante nos participantes do Extremo Oriente, cidades-estado como Singapura ou territórios autónomos como Hong Kong e outras cidades chinesas, onde se concentram um conjunto de condições especialmente favoráveis ao bom desempenho escolar.

Em Portugal, um país que apesar de pequeno e culturalmente homogéneo regista profundas assimetrias regionais e desigualdades sociais, quando se desdobram a nível regional os resultados nacionais do PISA, as divergências aparecem. Os alunos do norte e centro têm em média melhores resultados do que os do sul. No litoral, suplantam-se as médias obtidas no interior. E a região de Coimbra destaca-se no conjunto do país.

Quanto às razões deste sucesso, no entanto, ficamos a saber muito pouco. Os lugares-comuns em torno da vetusta universidade ou dos rankings dos exames, que nos dizem mais sobre o status familiar e a competência dos explicadores do que sobre o trabalho das escolas ou dos alunos, também não ajudam muito.

Já conhecer a lista das escolas da região frequentadas pelos participantes nos testes, verificando dessa forma como foi constituída a “amostra representativa”, ajudaria a perceber que factores poderão ter influído positivamente nos bons resultados alcançados.

Vivendo e trabalhando nesta região, posso garantir que há heterogeneidade de públicos escolares e diversidade de contextos educativos, desde as escolas elitistas da capital de distrito até algumas excelentes escolas básicas e secundárias do interior que fazem um meritório trabalho com os seus alunos, visível não só nos resultados internos mas também na avaliação externa. Passando, naturalmente, por escolas TEIP e outras que servem zonas rurais e suburbanas empobrecidas e deprimidas e onde a luta do quotidiano passa mais por atingir os mínimos do que sonhar com resultados inatingíveis.

Também por essa razão, haveria interesse em saber se o top nacional do PISA 2018 alcançado pela região de Coimbra resulta de uma sobre-representação, na amostra, das escolas da cidade, ou se reflecte efectivamente um contexto, a nível regional, especialmente propício ao bom desenvolvimento das aprendizagens.

«Até quando?» é o mote para a luta dos estudantes

Os estudantes do Básico e Secundário marcaram uma semana de luta para exigir a defesa da avaliação contínua, a contratação de funcionários e a concretização de obras que se arrastam há anos.

CréditosValter Abreu / AbrilAbril

A partir de um apelo público lançado pela Associação de Estudantes da Escola Secundária Fernão Mendes Pinto, em Almada, está lançado mote para que os estudantes do Ensino Básico e Secundário de todo o País saiam à rua na semana de 9 a 13 de Dezembro.

Os estudantes, no documento tornado público nas redes sociais da plataforma «É agora! Na rua pela escola pública», explicam que as razões para lutar assentam no facto de o ano lectivo ter começado «com graves problemas que comprometem o direito a uma Educação de qualidade», os quais têm «origem em décadas de políticas de sucessivos governos». Por isso, os estudantes apelam ao Governo do PS para que inverta esse rumo no quadro da aprovação do Orçamento do Estado de 2020.

Entre as várias reivindicações apontadas pelos estudantes estão a falta de funcionários, o atraso de anos de obras urgentes, a presença de placas de amianto degradas nas escolas, a falta de aquecimento nas salas de aula, a desvalorização das vias profissionalizantes, turmas sobrelotadas e a desvalorização da avaliação contínua com a manutenção dos exames nacionais como bitola de avaliação de três anos de percurso escolar.

Os estudantes valorizam o património de décadas de luta de estudantes que, «há 45 anos, com a Revolução de Abril», conquistou o «direito a uma escola pública, gratuita, democrática e de qualidade para todos», e afirmam que continuam a luta como a que permitiu a «conquista da liberdade».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/ate-quando-e-o-mote-para-luta-dos-estudantes

A banalização do mal

soco.jpgUma professora primária grávida de seis semanas foi agredida, durante a manhã de ontem, pela mãe de um aluno dentro das instalações da Escola Professor Agostinho da Silva, em Lisboa. 

Ao Notícias ao Minuto, fonte da PSP informou que a encarregada de educação, de 28 anos, agrediu a vítima – que terá uma gravidez de risco – por não ter concordado com uma reprimenda verbal que a docente, de 35 anos, terá dado ao seu filho, de seis anos, no dia anterior. 

Na sequência das agressões, a professora foi transportada para a Maternidade Alfredo da Costa e, posteriormente, encaminhada para Hospital de São José para realizar exames complementares. Até ao momento, não foi possível apurar o estado de saúde da vítima. 

O Ministério da Educação informou, esta quarta-feira, à agência Lusa que a professora já foi substituída e que a agressora será presente a tribunal. “A professora está ausente de serviço, tendo já sido substituída para que a atividade letiva prossiga naquela turma“, sustentou a tutela. 

Mais uma agressão a uma docente – a 24.ª que o contador do ComRegras contabiliza este ano – desta feita com especiais requintes de premeditação e malvadez: a agressora, fez-se acompanhar dos próprios filhos, que assistiram às agressões, tal como os alunos da turma do 1.º ano de escolaridade leccionada pela professora, presentes na sala.

Quanto aos motivos, a futilidade habitual, alguma coisa que a mãezinha não gostou que a professora terá dito ao seu rico filho. Em pano de fundo, o sentimento que se instalou insidiosamente nalguns sectores da sociedade: pode-se insultar, desconsiderar e até agredir os professores, que nada acontece.

O ministério, percebendo que teria de dizer alguma coisa sobre o assunto, tenta sossegar os pais com o recomeço das aulas – será a terceira professora que aquelas crianças terão este ano, uma realidade que não parece incomodar muito os responsáveis, tal como o trauma de alunos de 6 anos terem presenciado a agressão. E acrescentou, pois fica sempre bem, que “repudia veementemente todas as formas de violência, em particular em ambiente escolar, e convida os encarregados de educação para uma atitude proativa de prevenção de comportamentos violentos e de desrespeito”.

Pela minha parte, entendo que os professores portugueses têm direito a muito mais do que às palavras hipócritas e de mera circunstância que os responsáveis proferem nestas ocasiões. Deveria o ministro pronunciar-se claramente, condenando as agressões e solidarizando-se incondicionalmente com a vítima, em vez de se esconder atrás de sonsas e anónimas “notas de imprensa”. Quanto ao ME, deveria agir judicialmente até às últimas instâncias em defesa de quem tem ao seu serviço e que tantas vezes arrisca a saúde e a integridade física no exercício da profissão. Para que fosse feita, em todos estes casos, efectiva justiça.

Os casos mais graves de violência escolar, habitualmente perpetrados por alunos mais velhos ou pelos seus encarregados de educação só serão eficazmente combatidos se forem tratados, desde o primeiro momento, como aquilo que efectivamente são: crimes ignóbeis que devem ser exemplarmente punidos.

 

Agora sim, os «alunos de Crato» nos resultados do PISA?

Quando em 2016 foram divulgados os resultados do PISA 2015, com Portugal a melhorar face a 2012 em todas as dimensões (leitura, matemática e literacia científica), a direita apressou-se a colher os louros, creditando esses avanços à maioria que governou o país entre 2011 e 2015. O próprio Nuno Crato não hesitou em auto-condecorar-se, aludindo à introdução de exames finais no 4º e 6º ano e das «novas metas curriculares», tendo Passos Coelho então sugerido ao novo ministro, Tiago Brandão Rodrigues, que refletisse sobre esses resultados «muitíssimo bons» e repensasse, por isso, «algumas das decisões já tomadas» pela maioria de esquerda na área da educação. Sucede porém, como se demonstrou aqui, que os alunos portugueses que integraram o PISA de 2015 não foram abrangidos - dada a cronologia do seu percurso escolar, descoincidente com a introdução dessas medidas - nem pelos exames do 4º e 6º ano nem pelas «novas metas curriculares» de Nuno Crato. Ou seja, os «muitíssimo bons» resultados de 2015 poderiam dever-se a muita coisa, mas não, seguramente, ao suposto efeito positivo dessas medidas emblemáticas da PAF. Os «alunos de Crato» não tinham ainda, desse ponto de vista - e nesse ano de 2015 - passado pela avaliação de competências do PISA (Programme for International Student Assessment).
Com a divulgação dos resultados de 2018, em que Portugal piora na leitura e na literacia científica face a 2015 (mantendo o valor registado nesse ano no caso da matemática), seria tentador enveredar pela lógica retorcida e enganadora da direita há três anos e atribuir a Nuno Crato a responsabilidade pela quebra nos resultados. Contudo, e sendo certo que os «alunos de Crato» estão já presentes neste exercício da OCDE (que, tal como os anteriores, aplica o questionário a alunos com 15 anos, avaliando as competências adquiridas ao longo de todo o seu percurso escolar), importa preservar a noção de que «não se pode dizer que foi esta medida ou este programa que determinaram os resultados, que são antes fruto de um efeito cumulativo de políticas que, embora por vezes de sentido contrário, têm gerado práticas orientadas para o sucesso escolar», como bem referiu o Secretário de Estado João Costa. E não esquecer também já agora, por outro lado e nesta linha, que foi na tal «década perdida», segundo Crato, que os avanços de Portugal no PISA foram mais significativos.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Age Summit 2019

A indisciplina conta

resultados-exames

É uma das leituras que se pode fazer do PISA 2018: os professores portugueses perdem demasiado tempo a pôr ordem na sala de aula, a advertir alunos mal comportados, a interromper as aulas para resolver problemas disciplinares. Sem surpresa, nota-se que quando professores e alunos trabalham em contextos mais propícios à aprendizagem os resultados escolares são substancialmente melhores.

Mais de metade dos alunos portugueses (53,5%) assumem não ouvir o que os professores lhes dizem em algumas aulas e cerca de um quinto em muitas aulas.

Quase um terço (30%) queixa-se que os professores, em muitas (19,6%) ou em todas as aulas (8,7%), demoram muito tempo até conseguirem acalmar a turma. No PISA (Programa de Avaliação Internacional de Alunos) 2018, Portugal acompanha a média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) em Leitura, Matemática e Ciências (que desce relativamente a 2015). Mas a indisciplina e os contextos socioeconómicos puxam os resultados para baixo.

Na avaliação à Leitura, os alunos que se queixaram de ter sempre barulho e indisciplina nas aulas tiveram menos 17 pontos do que os que garantem não ter indisciplina a perturbar as aulas. Mais de 15% dizem mesmo que não conseguem trabalhar em muitas ou quase todas as aulas de línguas. Turcos, espanhóis, mexicanos, israelitas ou italianos queixam-se mais da indisciplina.

Os portugueses também faltam mais e chegam mais vezes atrasados às aulas: em média, na OCDE, 21% dos alunos assumiram faltar um dia às aulas e 48% chegaram tarde à escola nas duas semanas que antecederam o PISA; em Portugal, foram 28% e 50%, respetivamente. Mas estes comportamentos têm um impacto menor nos resultados, já que os que chegam tarde têm apenas menos cinco pontos a Leitura do que os restantes.

Outra ideia que foge ao consenso politicamente dominante e que a notícia do JN destaca: apesar de o contexto sócio-económico condicionar o sucesso dos alunos e ser, estatisticamente, um forte preditor do insucesso escolar, a verdade é que não é absolutamente determinante. Os alunos oriundos de meios desfavorecidos não estão condenados ao fracasso escolar, como o demonstram aqueles que, estando nesta condição, atingiram resultados de topo nos testes da OCDE.

O contexto socioeconómico pesa nas aprendizagens. Em Portugal, os alunos desfavorecidos tiveram resultados inferiores em 95 pontos. Em 2009, essa diferença era de 87 pontos. Ainda assim, 10% desses alunos conseguiram atingir os níveis mais elevados dos testes, sendo a média da OCDE de 11%.

Os níveis de resiliência confirmam que “a desvantagem não é um fado”, conclui a OCDE. Em Portugal, a percentagem de alunos desfavorecidos em escolas com contextos favorecidos é superior à média da OCDE: 22% têm hipótese de se matricular em estabelecimentos frequentados por alunos que atingem níveis mais elevados (a média da OCDE é de 17%).

Para estes alunos, o caminho não é o do facilitismo que, retirando obstáculos e aplanando o caminho, rouba oportunidades. Tem de ser o de um ensino exigente e estimulante que possa levar estes alunos até onde o seu esforço e as suas capacidades lhes permitirem chegar.

O determinismo manifesta-se nas expectativas dos alunos: um em quatro dos desfavorecidos, resilientes com bons resultados, não espera concluir o Superior. Entre os alunos com melhor desempenho, de contextos favorecidos, é um entre 30.

PISA 2018 – os resultados

pisa-2018PISA 2018. Desempenho dos alunos portugueses piora na leitura e nas ciências, estabiliza na matemática e mantêm-se acima da média da OCDE

Face a 2015 os alunos portugueses estão a apresentar piores resultados a nível da leitura e das ciências, mas estabilizaram ao nível da matemática. Apesar da descida em duas das matérias, Portugal continua acima da média da OCDE e é um dos poucos países que melhorou nas três competências desde a primeira participação nos testes do PISA (Programe for International Student Assessment). São estas as principais conclusões do relatório sobre o maior teste na área da Educação, que avalia alunos de 15 anos de 79 países de todo o mundo, de três em três anos, e que foi divulgado esta terça-feira.

Portugal é um dos poucos países “com uma trajetória positiva e estável em todos os três domínios de literacia. Vamos começar por analisar os números. A pontuação média dos países da OCDE na leitura é de 487 pontos, enquanto na matemática e nas ciências é de 489 pontos. Por sua vez Portugal demonstra uma constância nestes três domínios, apresentando uma pontuação média de 492 pontos em todas elas. Comprova-se assim que os alunos portugueses estão assim acima da média da OCDE nestes três domínios avaliados.

O PISA é o maior e mais abrangente teste internacional sobre o desempenho dos alunos e dos sistemas educativos. Da abundante informação produzida, que pode ser consultada tanto no relatório referente a Portugal como no internacional, muitas análises podem ser feitas e conclusões, mais ou menos pertinentes, retiradas.

Há no entanto algo que deve ser evitado, mas que, numa atitude deseducativa, o ministro da Educação não resistiu a fazer: tentar associar as oscilações dos resultados, que nem sequer são muito significativas, aos acertos e desacertos de políticas educativas com o horizonte de uma legislatura.

Se quisermos ser rigorosos nesta matéria, deveremos olhar o percurso escolar dos alunos que, em 2018, responderam aos testes PISA. Nascidos em 2003, iniciaram a escolaridade obrigatória em 2009. Apanharam com os exames do 4.º e do 6.º ano, entretanto extintos. Os que nunca reprovaram frequentavam o 10.º ano quando fizeram as provas, tendo já recebido pelo menos um cheirinho da flexibilidade curricular. Mas muitos foram sendo vítimas da pérfida “cultura de retenção”, pelo que estavam ainda no 9.º ano, ou mais atrasados ainda.

Apesar destes constrangimentos, a posição de Portugal segue uma linha de continuidade, mantendo-se na média da OCDE ou ligeiramente acima. Estamos ao nível de países europeus com níveis de desenvolvimento económico e bem-estar material muito superiores, perdendo apenas para os países nórdicos. E, claro, para os países e territórios asiáticos que têm dominado de forma esmagadora os últimos rankings internacionais.

Uma última nota sobre a forte correlação entre a condição sócio-económica e os resultados escolares, que o relatório de 2018, mais uma vez, confirma. Os alunos mais pobres, os que provêm de famílias menos escolarizadas ou os que vivem em regiões mais deprimidas têm, em média, piores resultados. Continua a apontar-se o dedo aos sistemas educativos que não realizam o milagre de esbater ou anular estas diferenças. Claro que a insistência com que se bate nesta tecla denuncia o real interesse de organizações como a OCDE quando investem tantos recursos na área educativa. O que se pretende não é promover uma efectiva da igualdade de oportunidades, mas que a Educação atenue o efeito das desigualdades e injustiças sociais que persistem e se acentuam no século XXI. Querem que a escola mude, mas apenas para que nada tenha de mudar na ordem neoliberal determinada pelos senhores do mundo.

O que não se pode ignorar

Tudo aquilo que os
adeptos dos «rankings»
gostam de esquecer
« (...) O estatuto socioeconómico dos alunos continua a ser uma variável determinante no sucesso académico e o seu efeito é maior em Portugal do que no conjunto dos países da OCDE. Pelo menos no que respeita aos resultados apresentados na literacia em leitura, o domínio que esteve em foco no PISA de 2018, a maior avaliação internacional em matéria da educação, conduzida de três em três anos.
De acordo com as contas da OCDE, os estudantes com melhores condições em casa tiveram em média mais 95 pontos do que os seus colegas de estratos mais desfavorecidos. Sendo que 13,5% desta variação é explicada pelo estatuto social, cultural e económico das famílias. Há países onde o valor é mais alto (17% na Alemanha, por exemplo), mas noutros a desigualdade acaba por não se refletir tanto, como é o caso da Estónia (6%).» (aqui)
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Docentes dos colégios de ensino especial com salários em atraso e avançam para greve

(Comentário:

Colégios de ensino especial ? Ainda existem ? Em que condições ? E a inclusão ? É estranho que subsistam soluções que são reconhecidamente piores para as crianças e jovens portadores de deficiências.

Obviamente que os professores, como quaisquer outros trabalhadores, não podem trabalhar e não serem pagos.)

 

Os professores dos colégios de ensino especial estão há meses sem receber salários, denunciou a Fenprof, que atribui responsabilidades ao Ministério da Educação e convocou uma greve para 2 e 3 de dezembro em protesto.

 

Segundo o comunicado há professores cujo último salário que receberam foi em setembro. O documento não refere, no entanto, quantos professores são afetados pela situação, nem quantos colégios.

“Os docentes dos colégios de Educação Especial estão a trabalhar sem receber e, por isso, estarão em greve nos próximos dias 2 e 3 de dezembro (segunda e terça-feira da próxima semana). Este atraso tem sido justificado pelas direções dos colégios com facto de o Ministério da Educação ainda não ter transferido qualquer verba, como era sua obrigação e preveem os contratos estabelecidos com estes colégios”, adiantou a Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

A Lusa tentou contactar a Fenprof para mais esclarecimentos e questionou o Ministério da Educação, aguardando resposta.

 
 

O comunicado da Fenprof refere ainda que a frequência das crianças com necessidades educativas especiais nestes colégios acontece por proposta das escolas públicas, nas quais têm origem, mas que “face à impossibilidade de resposta às necessidades especiais dos alunos” estes podem, “transitória ou permanentemente, frequentar os colégios”.

Para a federação sindical este facto “torna ainda mais forte a obrigação do Estado Português em relação ao financiamento sem atraso”.

Para segunda-feira, primeiro dia da greve, a Fenprof agendou um encontro com jornalistas em frente de um dos colégios de ensino especial, o Externato Alfred Binet em Lisboa, com a presença do secretário-geral, Mário Nogueira, e de um professor com salários em atraso desde setembro.

Salários devem ser pagos na próxima semana

Os salários dos professores dos colégios de ensino especial, em atraso deste o verão, deverão ser pagos “no decurso da semana que vem“, anunciou a Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo.

No fim desta sexta-feira, os estabelecimentos de ensino especial receberam “os documentos referentes aos vistos do Tribunal de Contas, necessários para que as verbas públicas para o seu devido e regular funcionamento possam ser transferidas ao abrigo dos contratos em vigor com o Estado português”,de acordo com um comunicado da associação.

As verbas em atraso, no montante superior a 670 mil euros, estão em atraso desde o verão. “Lamentavelmente, a situação foi-se arrastando, com grave prejuízo para os colégios e os seus trabalhadores. É justo reconhecer que, apesar dos atrasos salariais a que as suas entidades patronais são alheias, os docentes e todo o restante pessoal técnico destes estabelecimentos de ensino nesta ocasião, como sempre, puseram os alunos e as suas famílias em primeiro lugar”, prosseguiu a Associação.

A entidade acrescentou que, “por isso, são merecedores” de agradecimento: “Da mesma forma se reconhece o esforço da atual secretária de Estado da Educação que, em escassas semanas, desenvolveu as diligências necessárias para regularizar esta situação”.

A associação confia que “o diálogo iniciado com o Governo poderá em breve permitir a regulamentação do DL 54/2018, dando assim” a alunos e educadores “a estabilidade e previsibilidade de que tanto necessitam para se concentrar no que são os seus verdadeiros desafios: ultrapassar as dificuldades que os assolam”.

A entidade acrescenta compreender “os motivos que justificaram a decisão dos trabalhadores de fazer greve nos próximos dias 2 e 3 de dezembro”.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/docentes-colegios-ensino-especial-294480

Mais de 90% de adesão e centenas de escolas encerradas

A adesão à greve do pessoal não docente «ultrapassou os 90%» e «há centenas e centenas de escolas encerradas», revelou a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

Créditos / 24.Sapo

Em declarações à porta da Escola Básica e Secundária do Cerco do Porto, a coordenadora da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN), Ana Avoila, repetiu as críticas ao Governo ao mesmo tempo que salientou a adesão dos trabalhadores à paralisação decretada.

«É um balanço, muito, muito positivo, que corresponde aos objectivos que a greve tem, designadamente [de combate] à falta de pessoal, aos salários baixos e à falta de condições de trabalho, [...] e a que o Governo, tal como na legislatura passada, não respondeu, traçando uma política de continuação de destruição de direitos dos trabalhadores», disse a dirigente. 

«Esta não é a primeira greve, é uma das maiores greves, que tem mais de 90% de adesão. Há centenas e centenas de escolas encerradas por todo o País e o Governo tem de tirar daqui ilações», frisou Ana Avoila. 

A coordenadora sindical reiterou a exigência de «seis mil funcionários», enfatizando que esse é um número para ter condições mínimas nas escolas. «Não queremos uma sociedade de regressão, queremos uma sociedade de evolução e a Escola Pública que vai educar os nossos filhos, os nossos netos tem de ter condições mínimas», acrescentou.

Afirmando que os números da paralisação de hoje representam «um cartão amarelo ao Governo», Ana Avoila deixou a «certeza» de que a luta prosseguirá se o Programa do Governo não for alterado.

 

Com agência Lusa

 

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Crianças portuguesas passam mais 10 horas semanais em creches do que média europeia

As crianças passam quase 40 horas por semana com as amas, nos infantários ou creches em Portugal, um dos períodos mais elevados da Europa, cuja média é cerca de dez horas semanais inferior.

Créditos / Jornal Online O Minho

Os números constam do «Estado da Educação 2018», publicado hoje pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que faz um retrato do País no ano passado, mas também uma análise da evolução na última década.

O número médio de horas semanais que os bebés e crianças portuguesas passam nas creches e em estabelecimentos de educação pré-escolar, «é dos mais elevados de entre os países da União Europeia», refere o relatório, que analisa também a situação do País tendo em conta as metas europeias.

Os bebés até aos três anos passam, em média, 39,1 horas por semana, ou seja, quase oito horas por dia, com amas ou em creches, enquanto as crianças com três ou mais anos passam 38,5 horas semanais.

Já a média semanal de permanência dos 28 países da União Europeia (UE) é de 27,4 horas para os mais pequenos e de 29,5 horas para os mais velhos. Ou seja, há uma diferença de quase dez horas semanais, que poderá ser explicada pelos horários cada vez mais desregulados e pela precariedade a que os pais dessas crianças estão sujeitos. Situação agravada com a recente alteração à legislação laboral, aprovada pelo PS, PSD e CDS-PP.

Apenas na Eslováquia e na Croácia as crianças até aos três anos passam mais tempo em instituições de educação e cuidados do que em Portugal. O nosso país surge, no entanto, como um dos países com mais oferta de creches para crianças com menos de três anos, quando comparando com os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da UE23 (países da União Europeia membros da OCDE): em Portugal a taxa de cobertura desta resposta social é de 36,7%, ligeiramente acima da média da OCDE (36,3%) e da UE23 (35,6%). Embora, a situação divirja muito de região para região, destacando-se uma oferta insuficiente nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

Entre 2008 e 2015 houve um aumento gradual de oferta de vagas nas creches e de amas, embora em 2015 se tenham começado a registar quebras anuais. Já nas regiões autónomas, o estudo fala de um crescimento consistente. Na Região Autónoma da Madeira, por exemplo, havia no ano passado uma taxa de cobertura de 56,8%.

A taxa de pré-escolarização, referente às crianças entre os três e os cinco anos, aumentou 7,8 pontos percentuais, situando-se nos 90,1% em 2017/2018. Quanto ao Ensino Básico, o relatório sublinha a diminuição de mais de 150 mil alunos em dez anos (2017/2018 vs 2008/2009), com destaque para o Primeiro Ciclo, que diminuiu 18%, seguindo-se o 2.º Ciclo (17%) e, finalmente, o 3.º Ciclo com menos 9,6% de alunos.

De acordo com a análise, mantém-se a tendência de diminuição do número de alunos em todos os ciclos de ensino.

Com agência Lusa

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Manifestação de estudantes do Ensino Superior esta quarta-feira

A acção de luta visa exigir que o Governo dote o Ensino Superior do financiamento devido, denunciando a falta de alojamento e os valores das propinas, que são dos mais altos na Europa.

O valor das propinas tem sido apontado pelos estudantes como uma das barreiras à frequência do Ensino SuperiorCréditosAEFLUL

A manifestação, convocada pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (AEFCSH), terá início no Saldanha, em Lisboa, e terminará com uma concentração em frente a Direção-Geral de Ensino Superior.

Em nota enviada à imprensa, a AEFCSH denuncia a «política de sucessivo desinvestimento no Ensino Superior em Portugal», que gera problemas como os valores das propinas, que «são dos mais altos na Europa», ou a «inexistência de alojamento universitário» em número adequado para acolher todos os estudantes que dele necessitam, situação agravada pelos «altíssimos custos das rendas nas principais cidades do País».

Para além disso, os representantes dos estudantes alertam para o actual estado material das faculdades e para a crescente «mercantilização» do Ensino Superior, de que são exemplos as «taxas e emolumentos que os estudantes são obrigados a pagar para garantirem a sua frequência» nas instituições.

A AEFCSH desafia o Governo para que este coloque as políticas de ensino e os estudantes como uma «prioridade do Estado», sendo urgente o «reforço do investimento num Ensino Superior público, democrático, gratuito e de qualidade».

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Fenprof pergunta «e se fosse consigo?»

Está nas ruas a campanha da Fenprof que denuncia as condições de trabalho a que estão sujeitos os professores, obrigados à sobrecarga horária e à desvalorização da profissão.

Créditos / Fenprof

Esta é a pergunta que, repetidamente, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) faz na luta que desenvolve e que integra a greve ao sobretrabalho que está a fazer-se em todo o País.

Em comunicado, a estrutura sindical acusa o Ministério da Educação e o Governo de se «refugiarem num silêncio insuportável», permitindo «a ilegalidade existente» e que atinge os docentes, causando um elevado «desgaste profissional» e altos «índices de exaustão emocional».

A pergunta, retórica, respondida com um peremptório «nós também não!», remete para a falta de condições de trabalho e para a desvalorização da profissão e da formação. Alertam ainda para as tarefas a que estão obrigados e que não competem aos professores, para a falta de condições materiais, das infraestruturas, dos equipamentos, e para a sobrecarga horária, imposta para além do horário legal estabelecido, chegando a atingir as 15 horas por semana.

Municipalização da Educação é privatização da escola pública

O Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC/CGTP-IN) realiza hoje um Encontro de Professores e Educadores centrado no tema «Municipalização da Educação ou Autonomia das Escolas», na Aula Magna do Instituto Politécnico de Viseu.

Neste encontro estão já confirmadas as intervenções de Mário Nogueira (Secretário Geral da Fenprof), Bernardino Soares (presidente da Câmara Municipal de Loures) e Francisco Almeida (membro do Secretariado Nacional da Fenprof).

O sindicato rejeita ol argumento de uma alegada aproximação das escolas à comunidade quando o que está em causa é a desresponsabilização do Estado central pela Educação, alertando ainda para a intenção de privatização da escola pública.

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«Não somos máquinas, somos pessoas»

Os trabalhadores não docentes do agrupamento de Escolas Daniel Sampaio, na Charneca de Caparica (Almada), concentraram-se esta manhã para denunciar a falta de pessoal.

Protesto dos trabalhadores do Agrupamento Vergílio Ferreira, em Lisboa, em 18 de Outubro de 2019CréditosManuel Almeida / Agência Lusa

A poucos dias da greve nacional de auxiliares de educação, convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN), os trabalhadores não desarmam e as denúncias ecoam pelas escolas, um pouco por todo o País.

Um dos protestos desta manhã aconteceu em frente à Básica Integrada de Vale Rosal, na Charneca de Caparica, onde dez funcionários tentam cumprir as necessidades do estabelecimento, frequentado por 830 alunos.

As manifestações de exaustão avolumam-se. Em declarações à SIC, uma funcionária declarava que os trabalhadores não aguentam mais porque, sublinhou, «não somos máquinas, somos pessoas». Em causa está a segurança dos alunos que, tal como o funcionamento da bilioteca ou da papelaria, os poucos assistentes operacionais não conseguem garantir. 

Ontem, os trabalhadores não docentes do Agrupamento de Escolas João Barros, no Seixal, estiveram em greve, tendo realizado também uma concentração em frente à Escola Básica 2,3 de Corroios.

Também aqui, a falta de auxiliares negligencia o acompanhamento das crianças e jovens e interfere no funcionamento dos estabelecimentos, com os trabalhadores a alertar para um «desgaste brutal», com repercussões na sua saúde. 

Na segunda-feira, 18, também o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (CGTP-IN), levou a cabo uma acção de junto à Escola Secundária André de Gouveia, em Évora, pelo reforço urgente dos auxiliares de educação.

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Chumbos: desistir é que é fácil

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 18/11/2019)

Daniel Oliveira

É quando fala de educação que a direita portuguesa mais sublinha a sua natureza reacionária. Funciona quase exclusivamente com base no preconceito e no senso-comum, recusando qualquer dado que lhe seja oferecido pelos estudiosos.

 

Criou mesmo uma carapaça – a que chama “eduquês” –, que a autoriza a não reconhecer qualquer autoridade científica que ponha em causa as suas certezas. Como sabemos, isto faz escola noutras áreas. Claro que não estou a dizer que os pedagogos e cientistas da educação carregam consigo a verdade. Estamos a falar de uma ciência social que se cruza com muitas convicções políticas e filosóficas.

Como dizia José Pacheco, fundador da Escola da Ponte, um projeto de escola é um projeto de sociedade. Mesmo – ou sobretudo – daqueles que a apresentam como politicamente neutra. Mas há coisas que ultrapassam isto. É o caso das retenções, que popularmente são chamadas “chumbos” – a deputada Cecília Meireles até com a utilização do termo rigoroso parece embirrar. Se faz questão em usar o calão, faço-lhe o favor.

O debate renasceu quando o Governo propôs, no seu programa, “criar um plano de não retenção no ensino básico, trabalhando de forma intensiva com os alunos que revelam mais dificuldades”. Qualquer pessoa de boa-fé percebe que ninguém quer acabar com os chumbos por decreto, apenas reforça que eles não são a forma “normal” de lidar com as dificuldades de aprendizagem.

Vamos aos factos sobre o nosso verdadeiro facilitismo. Somos o terceiro país da OCDE com mais retenções. 35% dos alunos até aos 15 anos reprovaram pelo menos uma vez, o que é uma brutalidade. Na OCDE anda por volta dos 13%. Em 15 anos de testes de PISA, os alunos portugueses subiram de forma extraordinária nos resultados em literacia científica, leitura e matemática. Estão melhores, portanto. E isso deve-se ao trabalho feito pela escola. O que não evoluiu o suficiente? As retenções, que estão nos antípodas dos países que estão à nossa frente. Apesar de se ter conseguido reduzir o número de retenções, pelo menos no ensino básico, nos últimos quatro anos. O que é sinal de um esforço coletivo.

Passar de ano sem saber o que se tinha de saber no ano anterior, pelo menos enquanto a escola continuar a funcionar no modelo que tem cerca de 200 anos e se mantém quase inalterado, é um erro. Porque são necessárias bases para avançar. Há quem use outros modelos, nunca ensinando tudo igual e ao mesmo tempo a alunos que são muito diferentes, mas deixemos isso para outra conversa. Fiquemos por isto: um aluno que não sabe somar não estará preparado para contas mais complexas, um aluno que lê mal não está preparado para compreender textos literários. Estamos todos de acordo. Perante um aluno que não está a acompanhar o ritmo de aprendizagem, há duas possibilidades: a fácil e a difícil.

A fácil é deixar andar as coisas e, no fim do ano, avaliar se o aluno aprendeu e mandá-lo repetir tudo outra vez, da mesma forma, até ele decidir perceber. Usando um termo técnico, chamaria “idiota” a esta estratégia. Porque ela parte do princípio que o aluno não aprendeu porque não quis. E que se for castigado, ouvindo tudo o que já ouviu e passando a estudar com outros miúdos mais novos do que ele, acabará por aprender. Para quem tanto pede que se use o senso-comum, não seria mau socorrer-se dele agora. Compreendo porque há muita gente que se conforma com esta solução e tem resistido a tutorias e várias alternativas de intervir aos primeiros sinais de dificuldade, com bons resultados em muitas escolas. A escola em que o chumbo é a resposta é facilitista. Basta um mero ato administrativo e o problema fica resolvido. Ou fica para outros resolverem.

Basta olhar para a distribuição regional e social dos chumbos para perceber que a escola ainda não conseguiu contrariar a origem dos alunos. Partindo do princípio que os alunos mais pobres e do interior não são mais preguiçosos ou menos inteligentes, foi ela, no seu conjunto, que falhou, avaliando o que recebeu — e não o que fez com o que recebeu.

Ser exigente com os alunos sem ser exigente com a escola não é ter cultura de exigência alguma. Por isso, o caminho difícil obriga os educadores a estarem atentos e a definirem, antes do ato administrativo de chumbar um aluno, uma estratégia para que isso não aconteça. Percebendo que as coisas não estão a correr como deviam, não se continua em frente como se nada fosse. O objetivo é passar o aluno porque o objetivo é que ele aprenda antes de ficar para trás. Para que ele continue ao ritmo normal, estudando com crianças e jovens da sua idade e que conhece. O que passa por a escola se concentrar mais nele, mudando estratégias que não estão a resultar. Esta é a escola exigente. Exigente com o aluno, porque o obriga a tentar fazer as coisas de forma diferente. Exigente consigo mesma, porque não substitui o ato de ensinar pelo mero ato burocrático de avaliar.

Dirão que a escola que temos não está preparada para esse esforço com resultados verdadeiramente eficazes. Ou até que alguns professores não o conseguem fazer. Então é só esse o debate. Assim como não nos passa pela cabeça dizer que se deve deixar morrer doentes porque os hospitais não têm meios. Se isso acontece, concentramo-nos nos meios que temos de dar aos hospitais para cumprirem a sua função, não propomos que se desista dos doentes.

Claro que todas as estratégias podem falhar. E é por isso que ninguém propõe acabar com as retenções (termo correto, porque descritivo), mas torná-las difíceis, para que a escola não a substitua pela sua verdadeira função. No fim, se nada funcionar, ela até pode ser eficaz. Por isso é uma última possibilidade. Excecional, por natureza. Mas para não ser um expediente, tem mesmo de ser a última. E o Estado deve dizê-lo e dar meios para que o seja.

O excesso de retenções ainda é causa e consequência de um falhanço. Consequência, porque nos diz que a escola não se esforçou o suficiente para as evitar. A incapacidade de aprender o que foi definido para miúdos de uma determinada idade com capacidades cognitivas medianas ou até baixas é responsabilidade da comunidade escolar, no seu conjunto. Causa, porque fazer um aluno repetir um ano, voltando a aprender tudo de novo com crianças mais novas, é péssimo para a qualidade do seu percurso de aprendizagem.

Um estudo do Banco de Portugal, realizado por Manuel Coutinho Pereira e Hugo Reis, confirma que o chumbo na fase inicial do trajeto educativo (até ao 6º ano) tem um efeito negativo, e não positivo, no percurso académico a longo prazo. Em geral, sobretudo nos primeiros anos, o aluno não segue mais sólido para a frente, segue em piores condições: “a retenção numa fase inicial da vida escolar – prática particularmente prevalecente em Portugal – parece ser prejudicial para o desempenho educativo no longo prazo. Desta forma, poderá́ haver vantagem em substituir, em parte, esta prática por programas alternativos de apoio.”

Reter um aluno deve ser considerado um gesto extremo, quando todas as outras estratégias falharam. Os números absurdos de retenções mostram que ainda não é o caso. Mostram, como diz a professora Lucília Salgado, que a opção pela retenção é massiva, porque está muito acima da maioria dos países com que nos comparamos, seletiva, porque atinge muito mais os alunos que vêm de famílias com menores qualificações, e precoce, porque começa logo nos primeiros anos, e é cumulativo, porque quem chumba tende a voltar a chumbar.

Infelizmente, quando se assiste a debates parlamentares sobre este tema, a demagogia é tal que se percebe que, para muitos deputados, é só mais uma oportunidade para sacar uns votos. Num tema onde não seria difícil construir consensos que nos continuassem a fazer evoluir. Sim, a evoluir. Porque a parte mais estúpida de todos estes debates é a forma como se negam as evidências estatísticas e da experiência: a escola é melhor hoje, as novas gerações estão mais bem preparadas. Mesmo que seja muito tentador falar dos bons velhos temos de exigência, esse reconfortante mito nacional. E o caminho é o que tem sido feito, não é um recuo para a máquina de chumbar que vigorava no tempo em que fui estudante.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Carta aberta a David Justino sobre retenções e sobre responsabilidade em política

Caro Professor David Justino, 1. O CDS e o PSD fizeram, nos últimos dias, um ensaio de dramatização política de uma linha do programa do Governo onde se inscreve o objectivo de “criar um plano de acção de não retenção no ensino básico, trabalhando de forma intensiva e diferenciada com os alunos que revelem mais dificuldades.” Mesmo depois de responsáveis governamentais, incluindo o Ministro da Educação, terem dito muito claramente que a linha de rumo não passa por “passagens administrativas”, e de o Primeiro-Ministro ter reafirmado esses esclarecimentos no debate quinzenal na Assembleia da República, o CDS e o PSD insistem na tecla do facilitismo e na acusação de que o Governo quer que os alunos passem quer saibam quer não saibam. Isto é: o PSD e o CDS continuam incapazes de entender que facilitismo é desistirmos dos alunos; facilitismo é resignarmo-nos a uma escola que serve aqueles que aprenderiam de qualquer maneira, porque têm uma sólida retaguarda familiar e cultural proporcionada pelas suas condições socioeconómicas; facilitismo é a escola abandonar aqueles que mais precisam dela Na realidade, o PSD e o CDS estão a repetir o número de alarmismo e fantasia que já nos proporcionaram há quatro anos, no início da anterior legislatura: quando acabámos com os exames precoces (4º e 6º anos), que não existiam em praticamente nenhum país civilizado, a direita dizia que íamos acabar com os exames todos, com o do 9º ano e, quem sabe, também com o do 12º ano. Não era verdade, mas era um número político destinado a distorcer o que estava a ser feito e a levar o debate para longe da realidade. O PSD e o CDS voltaram agora ao mesmo processo, talvez não devesse ser motivo de espanto – mas, confesso, e este é o motivo desta carta a si dirigida, ainda me espanto com o papel que o David Justino aceita desempenhar nesta peça toda. Explicarei, no que segue, as razões do meu espanto – e acrescentarei um apelo. 2. A verdade é que o país tem um problema que precisa de ser enfrentado. Como mostram os dados, temos uma das mais elevadas taxas de retenção da Europa. Como medida pedagógica, os estudos mostram que a retenção é largamente ineficaz: na esmagadora maioria dos casos não resolve as dificuldades de aprendizagem e, demasiadas vezes, conduz ao abandono escolar, piorando o que era suposto remediar. Além disso, a retenção é uma medida socialmente enviesada, porque atinge principalmente os alunos de famílias de estratos socioeconómicos mais carenciados. Face a isto, há quem trabalhe para resolver o problema e há quem apenas se dedique a tentar prejudicar os passos dados para avançar, não hesitando em recorrer à demagogia em vez de pensar no futuro das nossas crianças e jovens. No PS, sabemos de que lado estamos: o Governo do PS decidiu enfrentar a situação. Esse trabalho é de continuidade da legislatura anterior. Menciono, por exemplo: o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar; o apoio tutorial específico aos alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico que ao longo do seu percurso escolar acumulem duas ou mais retenções (para acompanhamento complementar de pequenos grupos de alunos, apoiando a criação de hábitos de trabalho apropriados a melhores aprendizagens, promovendo o desenvolvimento de competências pessoais e sociais, envolvendo positivamente as famílias no processo de aprendizagem, articulando com os demais docentes a resposta às dificuldades de cada aluno e os respectivos planos de trabalho); o Projecto-Piloto de Inovação Pedagógica, desenvolvido durante três anos por sete Agrupamentos de Escolas, com o objectivo de dar-lhes mais autonomia para tomarem decisões apropriadas à sua realidade concreta, em vários planos, designadamente na constituição das turmas e na sua carga horária, no calendário escolar, na distribuição de serviço docente e na gestão do crédito horário, na gestão da matriz curricular, no apoio ao estudo no 1º ciclo, nas respostas diferenciadas para alunos consoante as necessidades individuais. Estas diferentes linhas de acção foram avaliadas. A decisão de prosseguir com base nos resultados da acção iniciada pelo Governo no anterior mandato resulta das avaliações, que mostraram que o rumo era correcto e que devia ser prosseguido. Por exemplo, no relatório da avaliação externa do Projecto-Piloto de Inovação Pedagógica, pode ler-se: “Podemos concluir que há ganhos assinaláveis no combate à desistência e retenção escolares, sendo que na grande maioria dos contextos, a tendência aponta para a sustentabilidade destes resultados, associando-se aos mesmos a melhoria da qualidade das aprendizagens. Os Agrupamentos de Escolas que participaram no PPIP dão sinais claros de capacidade de se apropriarem do currículo e de o saberem gerir coerente e articuladamente, investindo na diversificação de práticas de ensino-aprendizagem e de avaliação, bem como envolvendo mais ativamente os alunos nesses processos. De assinalar, ainda, os evidentes benefícios no bem-estar de professores e alunos e o estreitamento das relações com os parceiros e com a comunidade em geral, decorrentes dos processos em que estão envolvidos de inovação e autonomia.” Na realidade, o que nos propomos fazer nesta legislatura é continuar o rumo iniciado na legislatura anterior. Há razões para isso: o país obteve resultados. As taxas de retenção têm vindo a baixar, embora tenham de baixar mais (especialmente no Secundário, onde são particularmente elevadas). A taxa de abandono escolar precoce atingiu um mínimo histórico em 2018. Mas é preciso continuar o trabalho: aprofundar, melhorar e ampliar as estratégias e as medidas que deram bons resultados. Será que o PSD e o CDS se querem pôr de fora deste esforço nacional? Seria trágico que, por oportunismo político, a oposição de direita ignorasse este desafio e apostasse na ignorância e no preconceito do “senso comum” avariado como obstáculo à acção determinada e guiada pelo que sabemos sobre estes fenómenos educativos. 3. Há razões para o questionar directamente sobre estas matérias, Professor David Justino. Foi Ministro da Educação, foi Presidente do Conselho Nacional de Educação, é hoje o primeiro vice-presidente do PSD. Tem, portanto, especiais responsabilidades pela forma como o seu partido entra nestes debates. E, em boa verdade, é de recear que a politiquice tenha prevalecido nesta circunstância. Há várias razões para esse receio. Vejamos. Em primeiro lugar, o programa de não retenção já estava inscrito no programa eleitoral do PS, amplamente debatido e divulgado durante a campanha eleitoral. Se o PSD e o CDS achavam tão grave o que lá estava escrito, deviam tê-lo denunciado e dito em campanha eleitoral que se opunham, permitindo aos eleitores incluírem essa questão na sua decisão de voto. Não o fizeram. Ou só agora descobriram a importância da questão ou escolheram uma forma particularmente grave de distorção do debate político, escondendo dos eleitores uma matéria que consideram tão grave. Receio que só tenham focado agora esta matéria por um banal oportunismo, porque entenderam que dava momentaneamente jeito como bandeira de agitação. Em segundo lugar, o que o PSD e o CDS criticam agora sobre a necessidade de não abusar do recurso à retenção não é novidade na acção desta equipa governativa, sendo de estranhar que agora se lembrem de gritar pelo lobo como se fosse coisa novidosa. Apenas para princípio de conversa: já o decreto-lei nº 55/2018, de 6 de Julho, assinado pelo actual Ministro da Educação e que estabelece o currículo dos ensinos básico e secundário e os princípios orientadores da avaliação das aprendizagens, determinava que, nos anos não terminais de ciclo, a retenção como medida pedagógica só deve ser tomada a título excepcional. Antes disso, desde 2016 que, por despacho, essa orientação estava reafirmada pelo anterior Governo do PS como linha a seguir. Digo “reafirmada” porque… Em terceiro lugar, imagine-se, essa mesmíssima orientação já estava contida em legislação publicada pelo Governo de Passos Coelho, com o Ministro Crato: o Decreto-Lei 139/2012, de 5 de Julho, assinado por Passos e Crato, já previa esse carácter excepcional da retenção nos anos não terminais. Afinal, o PSD e o CDS, das três uma: ou se tornaram ainda mais retrógrados em matéria educativa (considerando facilitismo algo que o próprio Nuno Crato tinha legislado), ou legislaram de má-fé e não queriam que se aplicasse a legislação que os próprios produziram… ou não estudam as matérias e ignoram este curso dos acontecimentos – o que é grave, porque a educação merece menos amadorismo, menos improvisação e menos politiquice. Tenho, portanto, de lhe perguntar, Professor David Justino: o primeiro vice-presidente do PSD não teria obrigação de garantir que o seu partido evita meter as matérias de política educativa nestes becos escuros da demagogia e do desconhecimento? 4. Contudo, Professor David Justino, há ainda outra razão para lhe dirigir esta carta aberta. É que seria de esperar, atendendo a públicas e solenes tomadas de posição suas, que fizesse tudo para evitar a deriva demagógica do seu partido nesta matéria da não retenção. Como tivemos oportunidade de dizer, o nosso programa de não retenção não tem nada a ver com passagens administrativas, nem com passagens por decreto. Quem não sabe não passa, mas temos de fazer mais para que todos os alunos aprendam mais e melhor e, portanto, o chumbo seja evitado – até porque o chumbo não serve para nada e pode até conduzir o aluno para engrossar as fileiras do abandono. Há uma demonstração muito prática e directa disto que afirmo: nem o já referido Projeto-Piloto de Inovação Pedagógica, que deu autonomia reforçada a um conjunto de agrupamentos de escolas para terem melhores condições para trabalhar em prol da eliminação da retenção, conduziu a uma eliminação absoluta das retenções nas escolas envolvidas. Isto mostra que não está aqui em jogo nada que tenha a ver com passagens administrativas. Tem de fazer-se um esforço maior para o sucesso, mas não se proíbe a retenção. Face a tudo isto, Professor David Justino, julgámos, pelo seu histórico, que estaria de acordo connosco. E ficámos desagradavelmente surpreendidos pela posição do seu partido. David Justino Presidente do Conselho Nacional de Educação pronunciou-se várias vezes sobre a questão da retenção. Durante o seu mandato, foi aprovada a Recomendação sobre Retenção Escolar no Ensino Básico e Secundário, a qual, por exemplo, considerava que a frequência com que se recorria à repetência não se coadunava com a determinação legal de que essa medida devia ter um carácter excepcional. Claro, isso podia ter acontecido contra a sua vontade e contra o seu voto. Terá sido o caso? Mas, independentemente disso, David Justino Presidente do Conselho Nacional de Educação pronunciou-se sobre a questão na primeira pessoa, de forma formal e enfática. Lembro aqui apenas uma dessas ocasiões. Na introdução ao relatório “Estado da Educação 2014”, publicado em 2015, David Justino Presidente do Conselho Nacional de Educação identifica “o problema da retenção e do insucesso escolares” como “destruição sistemática de capital humano”, como “reprodução incessante das desigualdades educativas”, como “um problema de ineficiência do sistema educativo” e “um problema de iniquidade pouco compatível com o desenvolvimento social”. Diz, ainda, que se trata de um dos problemas “mais lesivos do desenvolvimento económico, social e cultural dos Portugueses”. No mesmo texto, David Justino Presidente do Conselho Nacional de Educação acrescenta que “muitas das críticas que foram formuladas à Recomendação do CNE” [sobre Retenção] “expressam de forma mais evidente que existe mesmo uma ‘cultura de retenção” e que a aceitação do princípio da selectividade está profundamente impregnada em alguns sectores da sociedade portuguesa.” Estamos inteiramente de acordo com estas formulações de David Justino Presidente do Conselho Nacional de Educação sobre o problema da retenção. Mas, aqui, temos de perguntar: onde está este David Justino? Escondido? Arrependido? Vergado à sua condição de primeiro vice-presidente do PSD? Incapaz de lutar, na política partidária, pelas suas ideias e convicções? Seja lá como for, temos de fazer-lhe um apelo, Professor David Justino: é importante, para a educação e para a justiça social que precisa tanto da escola pública, que não ignore neste momento as suas responsabilidades. David Justino vice-presidente do PSD tem o dever de explicar ao presidente do PSD tudo aquilo que defendeu enquanto presidente do Conselho Nacional de Educação sobre o problema da retenção, para evitar a demagogia desinformada que o Dr. Rui Rio trouxe para o debate público sobre o sucesso escolar. David Justino vice-presidente do PSD tem a responsabilidade de exercer uma forte pedagogia sobre o Presidente do PSD para libertar o Dr. Rui Rio dessa “cultura de retenção” que acarreta todos os perigos que identificou no passado e que, desgraçadamente, infectou agora o presidente do seu partido. Este é um daqueles momentos da vida pública que definem o que vale um político. Professor David Justino, não deixe de mostrar ao país quem é, a propósito de questão tão relevante para a construção de uma sociedade decente. Este é, sem sombra de dúvida, um apelo à sua responsabilidade cidadã – especialmente relevante sendo hoje o primeiro vice-presidente do partido com a segunda maior representação parlamentar saída das recentes eleições.
Porfírio Silva, 17 de Novembro de 2019

Ver original em "Machina Speculatrix" (aqui)

Fenprof promove exposição de «horários ilegais» esta segunda-feira

Será a partir das 15h, em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, que a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) vai fazer uma exposição de «horários ilegais».

A Fenprof critica a «passividade» do Ministério da Educação, tutelado por Tiago Brandão RodriguesCréditosJoão Relvas / Agência LUSA

A Fenprof (CGTP-IN) revela numa nota publicada na sua página que os horários de trabalho dos professores «contêm graves ilegalidades». A esta denúncia acresce o facto de o secretário de Estado Adjunto e da Educação, que, apesar de ter pedido que lhe fossem enviados exemplos de horários com ilegalidades, e de os ter recebido, «nada» ter feito para os eliminar.

A estrutura sindical recorda que, «perante a passividade de um Ministério que decidiu alhear-se de problemas recorrentes e de múltiplas dificuldades por que as escolas estão a passar no início deste ano lectivo», enviou ofícios dirigidos aos secretários de Estado da Educação e da Administração Educativa a solicitar a realização urgente de reuniões. Tendo solicitado igualmente uma reunião ao ministro da Educação, no passado dia 31 de Outubro.

«Face ao silêncio e indisponibilidades manifestadas», a Fenprof tomou a iniciativa de realizar uma «exposição de horários ilegais, que continuam a não ser corrigidos», sendo «factor de desvalorização da profissão docente e de falta de respeito pelos docentes».

A Fenprof lembra ainda que a luta pela legalidade nos horários de trabalho e pela aprovação de medidas que, reconhecendo o elevado desgaste existente entre a generalidade dos professores e educadores, «ponham cobro a estes abusos», suscitou a greve ao sobretrabalho, que decorre desde o passado dia 14 de Outubro. 

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Fenprof, Zero e MESA lançam petição para erradicar amianto das escolas

 
 
PORTUGAL
 
As organizações esperam conseguir quatro mil assinaturas para levar petição a debate em plenário da Assembleia da República.
 
A associação ambientalista Zero, o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA) e a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lançaram esta quinta-feira uma petição nacional para a remoção total do amianto das escolas do país. As organizações esperam recolher mais de 4 mil assinaturas para levar a petição a debate em plenário da Assembleia da República.
 
André Julião, coordenador do MESA, explica à TSF que depois de "várias tentativas" junto do Ministério da Educação para conseguir uma lista atualizada das escolas que ainda contêm amianto, e depois de vários pedidos de reunião sem resposta, decidiram avançar para uma petição de forma a que "sejam tomadas as necessárias medidas destinadas a impor ao governo, no respeito pela lei, a divulgação da lista".
 
"O governo tem dado pouca atenção a este problema. Tem até agido com alguma leviandade dada a seriedade do problema", afirma André Julião, explicando que se trata de problema de saúde pública de toda a comunidade educativa.
 
 
A coordenador do MESA não compreende "como é que não existe ainda uma lista atualizada de todas as escolas que ainda contêm amianto" e recorda que há outros materiais que contêm amianto nossas escolas para além do fibrocimento.
 
"A lista, elaborada pelo Ministério da Educação, possivelmente só conterá as escolas que contêm fibrocimento e não os outros materiais que também são muito perigosos - muitos deles até têm uma maior percentagem de amianto do que o próprio fibrocimento", explica.
 
Além da plataforma de denúncias , lançada há cerca de uma semana, o MESA, a Zero e a Fenprof estão também a preparar uma queixa contra Portugal na Comissão Europeia por inação na remoção de amianto nas escolas, esperando entregá-la até ao final do ano.
 
Sara de Melo Rocha | TSF

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Problemas das carreiras docentes em discussão no Parlamento

O Parlamento discute hoje uma petição sobre as carreiras docentes do Ensino Superior, da Fenprof, que na terça-feira entregou outra sobre as condições de trabalho dos professores e educadores.

CréditosNuno Veiga / Agência LUSA

Foi agendada para a reunião plenária de hoje a apreciação da petição «Pelo direito ao descongelamento das carreiras docentes do Ensino Superior», entregue pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) em Outubro, no sentido de serem tomadas medidas que impeçam a discriminação negativa destes profissionais relativamente aos restantes trabalhadores da Administração Pública.

Os seus subscritores defendem a abertura de um processo negocial por parte do Governo para tratar desta matéria e que, dessa forma, se ultrapassem «as arbitrariedades e a falta de equidade» entre instituições de Ensino Superior.

«Esta é uma matéria que, quase dois anos depois de o processo de descongelamento se ter iniciado, ainda não está devidamente tratada, daí a importância e oportunidade do debate em plenário, esperando-se que a Assembleia da República aprove medidas que viabilizem a resolução dos problemas existentes», afirma a federação em comunicado.

Uma delegação da Fenprof, designadamente do seu Departamento de Ensino Superior e Investigação, estará presente nas galerias da Assembleia da República, de onde acompanhará o debate.

Profissão envelhecida e que não atrai os mais jovens

A Fenprof entregou igualmente, esta terça-feira, no Parlamento, a petição «Em defesa da sua dignidade profissional, os professores e educadores exigem respeito pelos seus direitos, justiça na carreira, melhores condições de trabalho», que reuniu 14 mil assinaturas, recolhidas neste início de ano lectivo. A vice-presidente da Assembleia da República, Edite Estrela, afirmou que esta foi a primeira petição que recebeu no Parlamento nesta legislatura.  

 

ESCOLAS SEM AMIANTO

A associação ambientalista Zero, o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA) e a Fenprof lançaram esta quinta-feira uma petição nacional para a remoção total do amianto das escolas do país. As organizações esperam recolher mais de 4 mil assinaturas para levar a petição a debate em plenário da Assembleia da República.

 

É uma petição centrada em aspectos de natureza socioprofissional, que exige a recuperação dos seis anos, seis meses e 23 dias ainda não contabilizados, o fim dos bloqueamentos à progressão na carreira e a eliminação das ultrapassagens. A que se junta a exigência por um regime específico de aposentação, o fim dos abusos e das ilegalidades nos horários de trabalho, um combate determinado à precariedade e a aprovação de um regime de concursos justo. 

Para a Fenprof, o envelhecimento da profissão e a falta de atractividade da carreira para os jovens são problemas que só podem ser resolvidos com a resposta a estas reivindicações.

Professores entregam caderno reivindicativo aos grupos parlamentares

A Fenprof iniciou esta semana a primeira ronda de reuniões com os grupos parlamentares da Assembleia da República, tendo sido já recebida por PEV, PAN, BE, PS e PCP.

Nestas reuniões, a Fenprof entregou aos deputados o caderno reivindicativo dos professores e expôs as suas principais preocupações no início deste ano lectivo. A par da falta de professores e de trabalhadores não docentes nas escolas, dass ilegalidades nos horários de trabalho, e do problema da violência e do amianto, sublinha-se a necessidade de rejuvenescimento da profissão, da criação de um regime específico de aposentação e, naturalmente, a recomposição da carreira.

As preocupações com o processo de municipalização da Educação, que já está em marcha, bem como com a ingerência de diversos projectos educativos nas escolas portuguesas, como é o caso do Teach for Portugal, foram também transmitidas aos deputados.

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Ministro quer justificar luta nas escolas com o fim da anterior solução política

Tiago Brandão Rodrigues, que não se lembra da luta dos auxiliares de educação na anterior legislatura ou no início deste ano lectivo, diz que a «nova vaga» de protestos se deve ao fim da chamada «geringonça».

Tiago Brandão RodriguesCréditosAntónio Pedro Santos / Agência Lusa

Em mais um dia de greve dos assistentes operacionais, em várias escolas do País, o ministro da Educação questionou aos microfones da TSF porque é que, tendo o Governo «injectado no sistema» mais assistentes operacionais e criado a bolsa de recrutamento «reclamada pelas comunidades educativas», surge agora uma nova «vaga de contestação».

Tiago Brandão Rodrigues chegou mesmo ao ponto de afirmar que «é muito sintomático que, só no momento em que se entendeu que não havia acordos parlamentares [...] é que este burburinho tenha acabado por surgir».

Ignorando os protestos ocorridos ao longo da anterior legislatura – basta entrar aqui para conhecer alguns – e os que têm vindo a marcar o início deste ano lectivo, o governante foi mais longe e afirmou que, «num determinado momento tivemos uma certa letargia», acrescentando que havia o entendimento de que o ano lectivo que se iniciou em Setembro começava «com paz» e «apaziguado».

As palavras do titular da pasta da Educação não batem certo com a realidade relatada por muitas escolas a nível nacional, onde sobressaem denúncias como exaustão, precariedade e insegurança, a qual motivou a greve nacional marcada para 29 de Novembro pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores das Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN). 

Tiago Brandão Rodrigues ironiza que, tal como na época natalícia surgem mais anúncios de brinquedos, no período pré-orçamental «é importante fazer ver junto da opinião pública, os decisores políticos, os partidos políticos na Assembleia da República, quais são as questões mais prementes». 

Ministro diz «inverdades»

Tiago Brandão Rodrigues chama aqui o papel dos sindicatos, que por sinal contestaram a sua intervenção, esta manhã. Artur Sequeira, da FNSTFPS, acusou o ministro de dizer «inverdades», designadamente quanto à apatia dos trabalhadores na última legislatura. 

Já o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN), Mário Nogueira, disse que o ministro tem estado desatento e interrogou-se quanto à redução do prazo em que as escolas podem recorrer à bolsa de recrutamento para susbtituir funcionários ausentes, por motivos como baixa médica ou licença de paternidade.

Depois de o ministro da Educação ter apresentado como «uma boa notícia», a redução de 30 para 12 dias, Mário Nogueira não percebe o porquê de as escolas não poderem contratar de imediato. 

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Greve dos funcionários das escolas porque «o problema é nacional»

Os trabalhadores não docentes exigem o fim da precariedade e a contratação de pessoal para suprir as dificuldades presentes nas escolas por todo o País, razão que motiva a greve nacional convocada para dia 29 de Novembro.

Créditos

A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN) marcou hoje uma greve nacional dos trabalhadores não docentes das escolas para o dia 29 de Novembro, em protesto contra a «falta crónica» destes funcionários.

«Este é um problema nacional para o qual exigimos ao novo Governo do PS a responsabilidade política de, no imediato, garantir uma escola pública universal e inclusiva com respeito pelos direitos dos trabalhadores e dos alunos e a concretização de uma política de recursos humanos que resolva, de forma duradoura, a falta crónica de trabalhadores não docentes», afirma a federação em comunicado.

Nesse sentido, a federação decidiu convocar uma greve nacional dos trabalhadores não docentes dos agrupamentos de escolas e de estabelecimentos de ensino não agrupados da rede pública para o próximo dia 29 de Novembro, que se acrescenta às paralisações que têm ocorrido em dezenas de escolas desde o início do ano lectivo, pelas mesmas razões.

A estrutura sindical sublinha que a falta de pessoal não docente se arrasta «sem solução há anos, apesar das promessas dos sucessivos governos do PS, do PSD e do CDS-PP e que no presente ano lectivo se agravou».

Esta situação, salientam os sindicatos, tem sido demonstrada através da «luta desenvolvida por toda a comunidade escolar: sindicatos e trabalhadores, associações de pais e alunos, com o encerramento de escolas por todo País».

A federação sindical exige ainda o fim da precariedade e a integração dos actuais trabalhadores precários, bem como a contratação imediata de mais 6 000 trabalhadores para os quadros.

Reivindica também «uma nova portaria de rácios e dignificação salarial e funcional, o fim do processo de desresponsabilização do Estado Central e de descentralização\municipalização da escola pública, uma escola pública universal, inclusiva e de qualidade».

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Estudantes do Monte de Caparica em luta por obras, aquecimento e funcionários

Centenas de estudantes da Escola Básica do Monte da Caparica concentraram-se esta manhã para exigir ao Governo medidas para garantir mais condições materiais e humanas, e em defesa da Escola pública.

CréditosValter Abreu / AbrilAbril

«Não há condições» foi uma das palavras de ordem mais ouvidas na acção de luta realizada hoje, uma demonstração de descontentamento pelos alunos com as consequências práticas resultantes da falta de financiamento à Educação pública.

O protesto realizou-se na sequência de uma «discussão alargada» entre os estudantes que não se conformam com algumas promessas «mas nenhuns resultados», explicam numa nota enviada à imprensa.

Exigem ao Governo que «tome as medidas necessárias para o cumprimento da Constituição da República Portuguesa», de modo que se consagre o «direito a uma Escola Pública de qualidade para todos», avançam ainda no documento.

As razões que estiveram na base do protesto passam pela necessidade da realização de obras, porque chove nas salas de aulas, do arranjo do pavimento exterior, de melhor qualidade e maior quantidade de comida na cantina, de contratação de mais funcionários, uma vez que a falta destes trabalhadores resulta na falta de higiene das casas de banho, e de aquecimento nas salas de aula.

Na rede social Instagram, os estudantes que participaram na acção de luta explicam que «é inaceitável que chova dentro das salas de aula e que fique tudo alagado pelo pavimento estar em mau estado». E reivindicam «uma resposta efectiva por parte do Ministério da Educação, com o financiamento necessário».

Bruno Dias, deputado do PCP, esteve presente no local, dando conta da sua solidariedade com esta acção de luta e com as exigências dos estudantes.

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Portugal | Professores dizem que alunos passam "tempo excessivo" na escola...

 
 
...mas pais acham "adequado"

A conclusão é de um estudo feito com base num inquérito da Universidade Católica do Porto a cerca de 6400 docentes e encarregados de educação de todo o país e de diferentes níveis de ensino.
 
Os professores consideram que os alunos passam tempo "excessivo" na escola, enquanto os encarregados de educação o acham "adequado", segundo um estudo nacional em que pais e docentes revelam ter opiniões divergentes sobre a escola.
 
"A escola que os pais e os professores falam não é a mesma. Têm visões muito diferentes", revelou à Lusa o psicólogo Eduardo Sá, mentor do projeto Escola Amiga da Criança, que solicitou um estudo à Universidade Católica do Porto sobre a Missão da Escola.
 
O tempo que os alunos passam nos estabelecimentos de ensino é, precisamente, um dos temas que mais separam pais e professores: 71% dos docentes consideram "excessivo", contra 62% dos encarregados de educação que dizem ser "adequado".
 
Os números baseiam-se nas respostas de cerca de 6400 docentes e encarregados de educação de todo o país e diferentes níveis de ensino que, entre julho e setembro deste ano, responderam ao inquérito da Católica criado com o objetivo de analisar e conhecer a perceção sobre a Missão da Escola.
 
 
Pais concordam com a quantidade de TPC
 
Curiosamente, a importância dos trabalhos para casa (TPC) une os dois grupos de inquiridos, que os consideram uma forma de apoio ao estudo e um bom complemento à aprendizagem.
 
O psicólogo Eduardo Sá lembrou que atualmente a grande maioria das crianças e dos jovens começam as aulas por volta das oito da manhã e só terminam as tarefas escolares às 20.00. É que quando chegam a casa ainda têm de fazer os trabalhos.
 
Quase 90% dos alunos têm TPC - 96% dos professores dizem que manda trabalhos para casa "muitas vezes ou sempre" - e a maioria dos estudantes do secundário (cerca de 60%) ainda tem explicações depois das aulas, revela o estudo.
 
"Qual é a mais-valia dos TPC, principalmente quando têm de ser feitos entre o final do dia e a hora do jantar, levando as famílias a um ataque de nervos?", questionou o psicólogo.
 
"Escola a mais faz mal às crianças", diz psicólogo
 
Resultado: as horas de trabalho impostas aos estudantes ultrapassam as dos pais. "As crianças estão a trabalhar oito horas por dia, o que significa mais de 60 horas por semana", criticou Eduardo Sá em declarações à Lusa, lembrando a importância de ter tempo para se ser criança e adolescente.
 
O psicólogo alertou para o perigo de a escola se transformar numa versão moderna do trabalho infantil do século XIX, garantindo que "escola a mais faz mal às crianças".
 
Outra das perguntas dirigidas aos cerca de 3200 professores e outros tantos pais foi de quem era a responsabilidade pelo desempenho e pelo sucesso académico dos alunos.
 
Para os professores, eles são os principais responsáveis, enquanto os pais atribuem essa responsabilidade aos alunos.
 
As opiniões também divergem quando se fala nos objetivos da escola: os professores põem em primeiro lugar a formação cívica (65%), os pais têm como prioridade a transmissão de conhecimento científico e tecnológico (64%). Ambos concordam apenas que o aspeto menos relevante é o desenvolvimento físico.
 
Finalmente, os docentes entendem que a escola deve formar os alunos, enquanto a maioria dos pais diz preferir uma escola que os prepare para os exames e para o mercado de trabalho.
 
Para Eduardo Sá, as escolas não podem produzir "crianças de aviário". Quando isso acontece, deve "fechar" para reflexão e balanço: "Mais importante do que tentar repetir, é aprender a perguntar. Mais indispensável do que tirar as dúvidas, é uma criança agarrar-se a elas para aprender a pensar", escreveu o psicólogo no texto introdutório do estudo hoje apresentado em Lisboa.
 
O estudo coordenado pela professora Conceição Andrade e Silva foi apresentado nesta quarta-feira em Lisboa num encontro que contou com a presença de responsáveis do Conselho Nacional de Educação, da Associação Nacional de Direção-Geral da Educação, representantes dos diretores das escolas públicas e privadas assim como com a Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP).
 
No evento foi ainda lançada a 3.ª edição da Escola Amiga da Criança, uma iniciativa conjunta LeYa/CONFAP que visa distinguir as escolas com projetos não curriculares que apostam no desenvolvimento da criança.
 
Diário de Notícias | Lusa
 
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Fenprof vai para tribunal contra Estado pelos professores de escolas com amianto

Face à inacção do Governo na remoção do amianto nas escolas e ao risco de os professores contraírem doenças oncológicas, a Fenprof vai apresentar acções em tribunal contra o Estado português.

Telheiro de amianto danificado numa escola de Monforte, construída em 1986Créditos / Jovens Repórteres do Ambiente

A Federação Nacional de professores (Fenprof/CGTP-IN) anunciou que vai avançar para tribunal contra o Estado em nome dos professores que trabalham em escolas com amianto, por aumentar a possibilidade de serem vítimas de doenças de foro oncológico.

Para a maior estrutura sindical representativa dos professores, o Governo não tem feito «praticamente nada» no que toca a remover o amianto das escolas. A inacção do Governo tem sido contestada, além dos professores, por alunos e autarquias como as do Seixal, de Loures ou de Alcácer do Sal.

A Fenprof anunciou em comunicado que decidiu apresentar acções em tribunal contra o Estado português «em representação colectiva dos professores que exercem funções em estabelecimentos onde ainda existe amianto, por incumprimento da legislação em vigor, aumentando as possibilidades de os profissionais serem vítimas de doenças do foro oncológico».

Além dos tribunais nacionais, a federação dos professores também apresentará queixa junto da Comissão Europeia por «indevida transposição da directiva comunitária que impõe medidas para sinalização, monitorização e remoção de amianto».

A Fenprof vai requerer as listas actualizadas de estabelecimentos de educação e ensino com amianto ao Ministério da Educação, instituições de ensino superior, câmaras municipais, associações de empregadores privados de educação assim como governos regionais da Madeira e Açores.

A Agência Lusa questionou, no início da semana, o Ministério da Educação sobre o número de escolas que ainda têm estruturas com amianto que representam perigo para a saúde de alunos, professores e funcionários mas não obteve qualquer resposta até ao momento.

Existe um grupo de trabalho que desde 2016 tem vindo a actualizar e completar a listagem de materiais com amianto nos edifícios que prestam serviços públicos, assim como elencar, segundo graus de prioridade, as intervenções a efectuar e encontrar soluções para o seu financiamento e célere execução.

A Fenprof recordou hoje o relatório do grupo de trabalho que, em 2017, identificou 3739 edifícios a precisar de intervenção, estimando-se que após a conclusão do diagnóstico o número ainda pudesse subir para 4263 edifícios, nos quais as intervenções de remoção custariam cerca de 422 milhões de euros.

«Daí para cá, o que foi feito? Praticamente nada! Essa inoperância do governo não poderá arrastar-se, como não se poderá manter o seu silêncio sobre problema tão grave e que o mesmo reconhece como tal», criticou a Fenprof em comunicado.

A Fenprof esteve este mês reunida com as associações ambientalistas Quercus, Zero e o movimento Mesa e já pediu uma reunião com responsáveis da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

«Caso destas iniciativas não resulte o indispensável cumprimento da lei – culminando com a remoção de todo o amianto, o que deverá ser antecedido com a actualização da lista de edifícios públicos e a divulgação dos privados (empresas) onde o amianto está presente, a monitorização da qualidade do ar e a informação aos seus utilizadores –, a Fenprof promoverá outras iniciativas e acções destinadas a exigir ao governo que tome as medidas a que está obrigado», alertaram.

Com Agência Lusa

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Escolas da Costa da Caparica exigem mais auxiliares

O Agrupamento de Escolas da Costa de Caparica, em Almada, que conta com cinco estabelecimentos de ensino, encerrou esta manhã devido à greve dos trabalhadores não docentes, que reivindicam o reforço de funcionários.

Créditos / Sul Informação

«Queremos que chegue ao conhecimento do senhor ministro da Educação e ao Governo de que este problema é grave e que se arrasta há vários anos e não é resolvido. As pessoas não são máquinas, são pessoas e têm limites», afirmou à Lusa Paula Bravo, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSS/CGTP-IN).

Segundo a responsável, a paralisação dos funcionários, entre as 7h e as 10h, motivou o encerramento da Escola Secundária do Monte de Caparica, da Escola Básica 2,3 Costa de Caparica e das escolas primárias José Cardoso Pires, Costa de Caparica e Vila Nova de Caparica, em Almada, no distrito de Setúbal.

Além disso, a partir das 8h, realizaram também uma «forte concentração» em frente à escola básica Costa de Caparica, onde estiveram cerca de 50 funcionários, que contaram com o apoio de «alunos, professores e pais», adiantou a dirigente.

«Esta falta de trabalhadores afecta toda a comunidade e não só os professores. Os trabalhadores são o elo mais fraco. Sente-se na sua saúde física e psicológica a sobrecarga de trabalho que têm em cima e depois afecta tudo, como a questão da segurança dos jovens e crianças», explicou.

Já na segunda-feira, em declarações à Lusa, Paula Bravo tinha referido que os funcionários estavam a chegar a um ponto de ruptura.

«São 2041 alunos para muito poucos funcionários. Isto atingiu um ponto de ruptura. Os trabalhadores que têm vindo a entrar são poucos e não são suficientes para colmatar as saídas dos últimos anos», contou, na ocasião.

De acordo com Paula Bravo, devido à falta de pessoal não docente têm estado a ser encerrados serviços das escolas, como bibliotecas, centros de recursos, reprografias, papelarias e até ginásios.

«A partir das 16h não há Educação Física, porque não há funcionários para assegurar o ginásio. Por exemplo, só na escola da Caparica faltam nove funcionários: três saíram para a reforma, três estão de baixa e outros três passaram para o serviço administrativo», explicou.

Se nada mudar depois da paralisação e protesto de hoje, a dirigente sindical promete continuar e alargar a luta. «Nós vamos ter que continuar se o problema não for resolvido, não sei se a nível de uma luta geral, porque isto passa-se em diversas escolas do País», advertiu.

 

Com agência Lusa

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Faleceu Ana Paula Canotilho

ana paulaÉ com profunda consternação que a CGTP-IN recebeu a notícia da morte da Ana Paula Canotilho, Camarada membro do Conselho Nacional e dirigente do Sindicato dos Professores do Norte.

Ana Paula Canotilho, que se encontrava a exercer funções docentes na Escola Portuguesa em Moçambique foi uma Sindicalista e ativista social e política de grande militância e combatividade, mulher de convicções e de causas, sempre presente nos combates – pela dignificação da profissão docente, por uma Escola Pública Democrática, de Qualidade e Inclusiva.

A melhor forma de honrar a sua memória é prosseguir e intensificar a luta pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, por um Portugal com futuro, de progresso e justiça social.

Neste momento de luto e de perda para o Movimento Sindical, a CGTP-IN presta-lhe homenagem e envia à sua família, ao Sindicato dos Professores do Norte, aos amigos e camaradas, as mais sentidas condolências.

26.10.2019
CGTP-IN

 

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Trabalhadores não docentes de Sintra marcam protesto

Os funcionários estarão em protesto, em frente à Câmara Municipal de Sintra, para exigir a contratação de pessoal não docente e a valorização dos profissionais.

Créditos

Os trabalhadores não docentes das escolas do concelho de Sintra vão marcaram uma concentração em frente a Câmara Municipal, dia 30, às 14h40, para protestar contra a falta de pessoal não docente e da manutenção das escolas.

«Passados dez anos de gestão da CM de Sintra, o resultado é este que todos conhecemos: falta de pessoal não docente, falta de manutenção das escolas», denuncia o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN), num comunicado aos trabalhadores.

O sindicato acusa também o Ministério da Educação de emitir uma portaria de rácios, em que são contabilizados os trabalhadores ausentes que não estão a ser substituídos e em que não se tem em conta a dimensão das Escolas e as suas especificidades.

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Fenprof afirma que violência nas escolas se combate com mais profissionais

Mário Nogueira vai entregar ao Governo um caderno reivindicativo com soluções para combater a violência e a indisciplina que passam pela contratação de funcionários e redução do número de alunos por turma.

Mário NogueiraCréditosFernando Veludo / Agência Lusa

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) anunciou ontem, numa declaração aos jornalistas, que as reivindicações dos docentes serão apresentadas na primeira reunião com o Ministério da Educação, após a tomada de posse do novo Governo, prevista para amanhã. 

Mário Nogueira, secretário-geral da estrutura sindical, exigiu mais funcionários nas escolas e a redução do número de alunos por turma para combater situações de violência e indisciplina.

A Fenprof acusou o Ministério da Educação de apenas reagir, com afirmações genéricas para repudiar «todas as formas de violência na escola», depois de ser confrontado pelos jornalistas. 

«O que os professores esperavam ouvir do Ministério da Educação, desde logo do ministro [Tiago Brandão Rodrigues] era que se afirmasse, sem rodeios, a condenação da violência exercida sobre os professores e que estes merecem e têm de ser respeitados», declarou o sindicalista. 

A Fenprof considera que a solução passa por garantir apoios específicos nas turmas de alunos com necessidades educativas especiais e apoio jurídico aos docentes quando são ameaçados ou agredidos. 

A criação de um Observatório para a Violência nas Escolas – com representantes do Ministério, professores, auxiliares, encarregados de educação e alunos, elementos do programa Escola Segura e académicos – é outra das propostas a apresentar no início da legislatura.

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Lei da educação sexual não é cumprida

Um relatório do Ministério da Educação constata que pelo menos 20% das escolas em cada ciclo de escolaridade não dedica o número de horas indicado às questões da educação sexual.

A luta histórica dos estudantes pelo direito educação sexual traduziu-se em vários momentos de acção e reivindicação. A imagem retrata uma manifestação pela suspensão da revisão curricular, a eliminação progressiva do «numeros clausus», a aplicação da educação sexual e a melhoria de condições materiais e humanas. Porto, 28 de Novembro de 2000CréditosJOÃO ABREU MIRANDA / Agência LUSA

Em causa está um documento, publicado pela Direção-Geral da Educação, que visa acompanhar a implementação do regime da educação sexual nas escolas, e que foi elaborado com base num inquérito disponibilizado às escolas no início do ano, o qual foi respondido por 668 escolas, das quais 633 preencheram a maioria das questões. Segundo dados da PORDATA, em 2018 exisitiam 2645 estabelecimentos de ensino do 2.º e 3.º  ciclos e do ensino secundário.

A lei determina que cada director de turma deve tutelar o projecto de educação sexual de turma (PEST), definindo os conteúdos, as iniciativas e especialistas a convidar.

O mesmo regime determina que há uma carga horária anual mínima que deve ser cumprida, mas, no entanto, o relatório conclui que nenhum dos ciclos de escolaridade a respeita integralmente.

Perante a questão de saber se consideram existir limitações ao cumprimento da lei da educação sexual, «77% [das escolas] não respondem, ou seja, não identificam nenhum constrangimento para a elaboração do PEST», consta do documento.

Foram 4% dos estabelecimentos que vieram a indicar necessidades residuais de formação na área, e 12% afirmaram estar condicionados nas horas a disponibilizar atendendo à extensão do currículo.

No relatório pode ler-se que «é importante que a equipa [multidisciplinar sobre a saúde e educação sexual] tenha uma constituição em número e diversidade e também de crédito horário, que lhe permita, em articulação com a estratégia de educação para a cidadania de escola, propor e desenvolver um projecto de educação para a saúde e educação sexual conducente ao desenvolvimento de competências, nomeadamente no relacionamento interpessoal, no desenvolvimento pessoal e autonomia, no bem-estar, saúde e ambiente, na consciência e domínio do corpo, que se pretendem nos alunos à saída da escolaridade obrigatória». Sobre esta matéria, do documento consta que 94% das escolas têm um professor coordenador de educação para a saúde e educação sexual e 83% têm uma equipa multidisciplinar para trabalhar esta matéria. Não obstante, na composição de 75% destas equipas não há qualquer aluno; em 77% não são envolvidos pais; há 75% de equipas sem assistentes sociais; e 18% não têm um psicólogo.

A maioria das escolas respondeu nunca ter registado, nos últimos três anos lectivos, situações que violem o direito à igualdade, designadamente em função da orientação sexual. Sendo que apenas entre 1% e 2% dos estabelecimentos confirmaram conhecer pelo menos cinco casos de violação destes valores.

A grande maioria das escolas desenvolve projectos no âmbito da violência no namoro, reconhecendo ainda a importância da questão da mutilação genital feminina.

Do relatório conclui-se existir falta de articulação entre os coordenadores para a educação em saúde e educação sexual e os coordenadores para a cidadania, o que dificulta o cumprimento dos objectivos do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, do novo documento orientador de currículos, e da avaliação interna e modelos de aprendizagem.

São ainda identificadas dificuldades financeiras, que o relatório propõe colmatar com a apresentação, pela escola, da «candidatura ao selo escola saudável» que, sendo atribuído, pressupõe financiamento.

Com agência Lusa

 

 

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O triunfo dos Pink Floyd

Um testemunho desencantado

 

 

Foi no meu segundo ano de estágio — a profissionalização em exercício — que ouvi a canção dos Pink Floyd Another Brick in the Wall, quando colega de primeiro ano passou o vídeo The Wall num dos nossos seminários conjuntos:

 

We don’t need no education
We don’t need no thought control
No dark sarcasm in the classroom

Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone!

 

 
 
 

Era jovem, de sangue na guelra, de fortes convicções e fraco sentido das conveniências. Protestei, indignado: nós, que começávamos a carreira docente, tínhamos uma função fundamental na transformação da sociedade, uma missão com autêntico sentido religioso, ou éramos pragas, arreliadores de jovens, causadores de sofrimento e de infelicidade?

Dez anos após o 25 de Abril de 1974, os tempos e os costumes eram ainda muito formais, o respeitinho do velho regime habitava nas cabeças de colegas efectivos (os orientadores presentes), os quais prontamente saíram em defesa da sua protegida e orientanda: a música era  introduzir tema pesado, uma motivação, e jamais nos devíamos esquecer da ‘motivação’ inicial nas aulas para cativar os nossos alunos!

Era? E em vez de me calar, baixar os olhos, anuir com aceno de cabeça, humildemente acatar a réplica da orientadora, de pé, como pregador cuja fé o levava se necessário até à crucificação, falei, falei…

Hey, Teachers! Deixem os miúdos em paz? Na ignorância, nas ruas, na droga, para viverem como hippies enquanto durar a abundância que permite, conforme a letra da canção, comer carne a troco de pudim? Seria essa a missão dos professores — fechar os olhos, deixar os miúdos entregues à sua vontade, aos seus apetites? Teria razão  o servente de pedreiro que diariamente passava à minha porta de bicicleta cantarolando “ Todos havemos de ter / Sexo e drogas até morrer”?

Ou, pelo contrário, devíamos defender o valor da educação na transformação social, dar razão ao pai do Gaitinhas, nos Esteiros: “ manda o nosso filho para a escola. Sem instrução, será um escravo ou um vadio…” (p.19)?

Passaram os anos. A guerra entre a permissividade, o laxismo, o deixa-andar e a exigência prosseguiu cada vez mais penosa, mais custosa para os professores que se recusaram a ceder — ao Ministério da Educação, o principal e pior inimigo, aos iluminados por certas Ciências da Educação e as suas verdades incontroversas, sempre adaptadas às conveniências dos seus defensores, de boa parte dos pais, de elementos de direcções de escolas até.

Nas mesmas escolas, lado a lado, coabitavam turmas muito boas, de alunos exigentes, com encarregados de educação atentos e interessados na qualidade da aprendizagem dos seus educandos, com outras turmas de fugir, em que os professores fingiam não ver, não ouvir, desprovidos de meios para intervir com eficácia, sabedores de que se se queixassem às direcções estas lhes atribuiriam a culpa, jamais os meios, pois, todos os sabíamos, eles tinham sido retirados às escolas.


Dinamização de um dos seminários “O Triunfo dos Pink Floyd” (Foto: arquivo pessoal de José Cipriano Catarino)

No terceiro ciclo, reprovar um aluno — a retenção — tornou-se tão difícil e burocratizada que só muito excepcionalmente era aplicada e apenas se o encarregado de educação, por escrito, a autorizasse.

E nós ríamos, em parte a disfarçar a vergonha, em parte por mais não podermos fazer, ao ouvir um jovem gritar, espantado, após ver as pautas afixadas: “Tive dez ‘negas’ e passei!”

Ao mesmo tempo, foi imposto superiormente um modelo de avaliação de professores tão burocrático que estes se viram forçados a optar entre a sua formação e a dos seus alunos, tendo de frequentar acções de formação não raro desajustadas da sua área de docência, frequentemente de fraca qualidade e de duvidoso contributo para a sua prática lectiva.

Foi o tempo da proliferação dos projectos: tantos que, por exemplo, para poder manter o meu clube de karaté, sem qualquer compensação, teria de apresentar CINCO! documentos ‘estruturantes’ iniciais, devidamente articulados com o Projecto Educativo da Escola, com o Plano Anual de Actividades, afora os relatórios em cada período e a respectiva avaliação de projecto em final de ano lectivo! E isto para que a escola me disponibilizasse  uma parte do ginásio em período não lectivo, i.e., à noite!

Pouco importava o quanto o professor se esforçava, a qualidade das suas aulas, o sucesso dos seus alunos em exame nacional, as entradas destes nas faculdades e nos cursos pretendidos. As folhas de Excel, os relatórios em Word, ilustrados com gráficos, o auto-elogio contavam muito mais e, em caso de reclamação de encarregado de educação, eram esses documentos, juntamente com as longas justificações em acta, que defendiam tant bien que mal  o professor — tendencial e inevitavelmente réu e, antes de mais, culpado por não ter, antes de mais, dado ao aluno a nota que este pretendia e obrigar os colegas a perder tempo em longas reuniões de Conselho de Turma, frequentemente repetidas até desfecho favorável ao aluno!

Ironicamente, nas reuniões intermináveis, eu recordava as palavras de uma professora citada por Sebastião da Gama no seu Diário: “Temos uma profissão maravilhosa, e ainda nos pagam por cima!”

Os Pink Floyd venceram. O desinteresse instalou-se, paulatinamente, irremediavelmente. “Dar” as suas aulas, fazer o que mandam, mostrar uma molhada de dossiers organizados segundo o figurino, e comprovativos de que tudo está em ordem, logo a obrigação cumprida, tornou-se obsessão docente.

E os alunos, cada vez mais esquecidos, deixados “alone” com os seus telemóveis, ou alheados a olhar pela janela, à espera que o tempo passe, que seja novamente intervalo, melhor ainda, que tenham “furo”, que eles adoram a escola, só as aulas a estragam — a não ser que vejam uns filmes pirateados pelo professor, ou tenham umas visitas de estudo, ou o prof os leve para a biblioteca, mediateca, o que quer que seja, onde possam conversar entre si, jogar às cartas ou nos computadores, namorar, disparatar frequentemente, a pretexto de umas pesquisas sobre a igualdade de género…

A realidade é mascarada com estatísticas e estudos, os quais, invariavelmente, comprovam que o ensino nunca esteve tão bem; mas por detrás, há a iliteracia galopante, os chumbos ano após ano a Matemática, a Física, a Inglês, com o consequente afastamento dos alunos das áreas científicas…

Mas até nos grandes desertos há oásis; e como na canção de Manuel Alegre, a Trova do Vento Que Passa,

Há sempre quem resista
Há sempre quem diga não“

mesmo sabendo que rema contra a maré, mesmo ciente de que lhe não faltarão dissabores. Não faltam, felizmente, alunos interessados, trabalhadores, pais que os acompanham e se batem não contra os professores, mas a seu lado, cientes de que ambos querem o melhor para os seus filhos, mas atribuído com justiça, com equidade, por mérito e não por favor. Não faltam professores que se batem quixotescamente contra as orientações do Ministério da Educação, contra o laxismo, contra o deixa-andar, fazendo tábua rasa das instruções superiores, que insistem em recomendar, por palavras veladas, dúbias:

“Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone!”

 

 

Publicação original no magazine Synapsis



 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-triunfo-dos-pink-floyd/

Contra falta de pessoal, alunos de Palmela vão enviar abaixo-assinado ao Governo

Os alunos da Escola Secundária de Pinhal Novo, em Palmela, protestaram esta manhã contra a «grave falta» de funcionários e prometem enviar abaixo-assinado à tutela.

Os alunos denunciam que o facto de existirem apenas 16 trabalhadores para assegurar a vigilância e a limpeza, compromete o normal funcionamento daquele estabelecimento de ensino, com 1890 alunos.

Em declarações à agência Lusa, Catarina Oliveira, aluna do 12.º ano que integrou o protesto, neste momento a Escola Secundária do Pinhal Novo, no distrito de Setúbal, está a encerrar às 16h devido à falta de funcionários, cancelando assim as actividades desportivas que decorriam depois das 18h.

«Consideramos insustentável a actual situação. Esta escola tem mais de 1800 alunos e deveria ter cerca de 30 funcionários ao serviço, mas tem muito menos, até porque há cerca de uma dezena de funcionários de baixa médica», acrescentou a também membro da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), que apoiou a acção de luta organizada pela Associação de Estudantes.  

Além da concentração realizada hoje junto ao portão de entrada da escola, os organizadores do protesto prometem enviar um abaixo-assinado ao Ministério da Educação a exigir o reforço de funcionários de forma a assegurar o normal funcionamento do estabelecimento. Esta manhã, já tinham recolhido mais de 300 assinaturas.

O protesto contou com a presença de uma delegação do PCP, onde Paula Santos, deputada na Assembleia da República, anunciou que iria questionar o Governo sobre este «drama».  

Com agência Lusa

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/contra-falta-de-pessoal-alunos-de-palmela-vao-enviar-abaixo-assinado-ao-governo

Alunos do Seixal marcharam pela retirada urgente do amianto

Organizada pelo Agrupamento de Escolas António Augusto Louro, a marcha de alunos, pais e professores teve o intuito de alertar o Ministério da Educação para a urgência de substituir os telheiros em amianto.

O protesto foi participado por cerca de 400 alunos, a que se juntaram professores e encarregados de educaçãoCréditos

Na Escola Básica Dr. António Augusto Louro, na Arrentela, infra-estrutura da responsabilidade do Ministério da Educação, com cerca de 800 alunos, há telheiros degradados com cobertura em amianto. Numa nota enviada aos encarregados de educação, a que o AbrilAbril teve acesso, o agrupamento diz mesmo que a escola está em «perigo». 

«Estamos em luta para que os telheiros em amianto sejam retirados», lê-se no documento, sublinhando que este «grave problema de saúde pública e ambiental [...] viola os mais básicos direitos», tanto das crianças como dos trabalhadores das escolas. Desde logo, alerta o agrupamento, infringe o direito a estudar e a trabalhar num local seguro para a saúde.

Na manifestação desta manhã, em que participaram cerca de 600 pessoas, professores e encarregados de educação exigiram uma solução «imediata» por parte da tutela, sublinhando que a escola não pode ser «um local de aquisição de doenças mortais». 

A luta vai continuar

Prevê-se que no início de Novembro, e em resultado de um abaixo-assinado, alguém do Governo faça uma visita à escola. Entretanto, está já na calha uma nova acção de luta da comunidade educativa pela remoção dos telheiros. 

Abordados junto ao portão da escola, esta manhã, pela vereadora da Educação da Câmara Municipal do Seixal, Maria João Macau, e pelo presidente da União de Freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, António Santos, dois membros da direcção da União de Pais da Escola Básica Dr. António Augusto Louro (UPPAL) afiançaram que a luta só vai parar «quando isto se resolver». 

Um assunto «muito preocupante» 

Quem também participou no protesto desta manhã foi Joaquim Santos, presidente da Câmara Municipal do Seixal, para quem «este é um assunto muito preocupante». 

O edil frisa que o Município tem vindo a alertar o Ministério da Educação e a solicitar uma resposta urgente para este problema, «mas até ao momento nada avançou». Adianta que, nos estabelecimentos onde o Município pode intervir, «está em curso um investimento de cerca de seis milhões de euros na manutenção, requalificação e ampliação em 16 escolas do 1.º ciclo».

Quanto ao parque escolar do 2.º e 3.º ciclos e secundário, da responsabilidade do Ministério da Educação, Joaquim Santos confirma que não existem quaisquer intervenções de requalificação.

Por outro lado, esclarece, «permanecem por construir vários novos equipamentos, propostos em Carta Educativa, com terrenos cedidos pela autarquia e identificados como necessários», mas que o Ministério da Educação «tarda em concretizar».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/alunos-do-seixal-marcharam-pela-retirada-urgente-do-amianto

Coimbra acordou com protestos nas escolas devido à falta de auxiliares

Várias acções de luta marcaram o início do dia em algumas escolas de Coimbra, devido à falta de assistentes operacionais, que colocam em causa a segurança e a qualidade do ensino.

Créditos / Pixabay

À porta da sede do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, na Adémia, mais de 100 pais concentraram-se antes das 8h para protestar contra a situação «grave e preocupante» que se vive, segundo a presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação.

À agência Lusa, Edite Balaus salientou que o agrupamento é frequentado por 1300 alunos, distribuídos por 15 escolas que têm ao serviço 24 funcionários, quando deveriam ser 55, pelas contas da associação.

«Em causa está a segurança, a higiene, já que esta situação leva a que falte limpeza nas salas de aula e nas casas de banho», disse a presidente da Associação de Pais, frisando que a sede do agrupamento tem 503 alunos e absorve 11 assistentes operacionais.

Segundo Edite Balaus, há escolas «com uma higiene deplorável» e uma em que é a professora que «abre e fecha» o estabelecimento, além de uma outra escola frequentada por 93 alunos e onde há «apenas um funcionário».

«A Delegada Regional de Educação está avisada da situação desde o último ano lectivo e continua a dizer que os rácios estão a ser cumpridos, contando inclusivamente para esse rácio as funcionárias de baixa médica», lamentou a representante dos pais, salientando que os assistentes ao serviço estão «extenuados».

Também na Escola Solum Sul, os pais e encarregados de educação protestaram contra a falta de funcionários no estabelecimento, que é frequentado por 286 crianças e que actualmente tem apenas ao serviço quatro assistentes operacionais.

Sandra Vasconcelos, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação daquela escola, disse à Lusa que a situação é mais grave porque a escola é frequentada por alunos com problemas de saúde e necessidades educativas. «A higiene é deficiente e há meninos que não fazem chichi na escola até os pais os virem buscar», denunciou a dirigente.

Na Escola Eugénio de Castro, que acolhe alunos do 5.º ao 9.º ano, os pais e encarregados de educação fecharam o estabelecimento a cadeado, no seguimento de uma deliberação tomada em assembleia-geral, também em protesto contra as más condições de higiene e segurança provocadas pela falta de funcionários. Entretanto, a PSP já reabriu a escola, mas os alunos não entraram.

«Esta manifestação é para mostrar a nossa preocupação e apreensão face ao que se está a viver nesta escola, que deveria ter 22 funcionários, mas que tem 21 atribuídos, dos quais sete estão de baixa médica», explicou Carlos Domingues, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Eugénio de Castro.

O dirigente salientou ainda o facto de a escola ser antiga, constituída por pavilhões pré-fabricados dispersos, que «torna mais difícil» o trabalho dos assistentes operacionais, e ser frequentada por 920 alunos, mais 140 do que no anterior ano lectivo.

 

Com agência Lusa

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/coimbra-acordou-com-protestos-nas-escolas-devido-falta-de-auxiliares

Mário Nogueira acusa Governo de «estoirar» com os professores

No dia em que os professores regressam à greve ao trabalho extraordinário, o secretário-geral da Fenprof acusa a tutela de «estoirar» com o corpo docente devido à sobrecarga de trabalho além das 35 horas.

Mário NogueiraCréditosFernando Veludo / Agência Lusa

«Este pré-aviso de greve destina-se a garantir que o horário semanal dos docentes seja efectivamente de 35 horas e não mais», disse Mário Nogueira, em conferência de imprensa, para apresentar a greve ao trabalho extraordinário a partir de hoje.

«O corpo docente está envelhecido, desgastado, com muitos profissionais em situação de stress e de burnout [exaustão profissional], e o que estão a fazer aos professores é para acabar de vez com o corpo docente», criticou o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN).

Segundo Mário Nogueira, o excesso de trabalho tem-se agravado. Pelas suas contas, nos últimos «dez a 12 anos» registou-se uma redução do número de professores superior a 30%, enquanto o decréscimo no número de alunos foi na ordem dos 12 a 15%.

«Diria que, nesta altura, no conjunto das escolas do País e do continente talvez faltem, eventualmente, 15 mil professores, para que as escolas tivessem capacidade de responder», estimou.

O dirigente acusa a tutela de, nos últimos anos, «tomar medidas deliberadas para reduzir o número de professores», sublinhando que os docentes ao serviço, «muitos deles com sessenta e muitos anos», actualmente «têm um horário que é agravado».

Os sindicatos defendem que a construção dos horários dos professores é ilegal, pelo facto de impor um acréscimo de cerca de 30% às 35 horas semanais aplicáveis à generalidade da Administração Pública e também especificamente aos professores, conforme estabelece o Estatuto da Carreira Docente.

A greve dos professores ao trabalho extraordinário regressa hoje às escolas, sem data para terminar e com a possibilidade de comprometer as avaliações intercalares dos alunos, alertam os sindicatos que pedem o cumprimento do horário de 35 horas semanais.

Aos jornalistas, o líder da Fenprof disse que se o ministro da Educação do novo Governo for o mesmo [Tiago Brandão Rodrigues], a greve «vai manter-se até ao final do ano».

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/mario-nogueira-acusa-governo-de-estoirar-com-os-professores

A AMÉRICA VISTA ATRAVÉS DA CRISE EM GERAL E A DO ENSINO EM PARTICULAR – IV – O COLAPSO DAS UNIVERSIDADES QUE SE AVIZINHA, por JAMES KUNSTLER

 

 

 

 

The Coming Collapse of Universities, por James Kunstler

 

 

Edição de Larry Kummer

 

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Resumo: James Howard Kunstler analisa o  colapso do sistema universitário  que se avizinha na América. São boas notícias. Não conheço ninguém que descreva melhor  que ele a decadência da sociedade americana, auxiliado pela sua poderosa escrita. Veja, depois do seu texto,  a minha  nota que acrescenta alguns detalhes de apoio à sua exposição.

Coercion Meets Its Match

 

“A Coerção gera  a sua oposição “

 

Por James Howard Kunstler no seu site. Publicado com a sua permissão.

 

Como na lendária primavera zephyr (Alegoria da Primavera – de Sandro Botticelli) veio a notícia de que o Golden Golem of Greatness (também conhecido como Presidente Trump) assinou uma ordem executiva que iria reter fundos federais concedidos a  faculdades e universidades que não demonstram apoio à liberdade de expressão. Foi um espanto ver a terrível e hipócrita supressão da primeira emenda nos campus  de toda a nação, com seus ignóbeis códigos de expressão, espaços de segurança ridículos,  com os seus sinistros tribunais de canguru e cruzadas racistas contra a branquitude.

 

O mais maravilhoso de tudo tem sido o fracasso dos presidentes de faculdade, reitores, curadores e outros altos responsáveis das Faculdades  em afirmar  a sua autoridade e em tomar a posição que deve ser tomada  – ou seja, tomar uma posição contra o amordaçamento da liberdade de expressão pelos Estalinistas do campus. A sua passividade cobarde é um sintoma do que os historiadores do futuro irão identificar como o épico colapso institucional do ensino superior, que primeiro se transformou numa indústria como qualquer outro negócio para se ganhar dinheiro, e depois se tornou uma operação de extorsão titânica. E agora está tudo a vir ao de cima.

 

Nos próximos anos, iremos  ver  as faculdades a fecharem as suas portas  a um ritmo chocante e o contágio a espalhar-se  para os gigantescos sistemas estatais em todo o país. Só na minha pequena região, várias faculdades publicaram os seus próprios obituários nos últimos meses: Green Mountain College em Poultney, Vermont; Southern Vermont College em Bennington; e Hampshire College em Amherst, MA (que está desesperadamente à procura de uma aquisição). Esse é apenas o começo de uma onda de encerramentos  que vai enviar dezenas de milhares de hierofantes académicos a inundarem   os centros de desemprego enquanto dormem nos seus  carros.

Não é difícil ver como este fiasco se desenvolveu e floresceu. Nos anos 60, quando eu estava na faculdade, o marxismo ofereceu um modelo limpo e pré-concebido para opor ao odioso Establishment  que entrou na Guerra do Vietname. Os estudantes então, pelo menos, tinham a pele em  jogo: a ameaça de serem recrutados para o exército e enviados para morrer na selva por um conflito sem sentido. Na verdade, muitos jovens não aptos  para andarem na faculdade aí se refugiaram para fugir dos militares. Então, com um mercado em alta em  PhDs da Geração Boomer, as faculdades ficaram rapidamente cheias  com os antigos radicais dos anos 60.

 

Muitas eram mulheres Boomer, que se propuseram  explicar e corrigir a evolução das relações entre homens e mulheres nos locais de trabalho daquela época . Nessa altura, a guerra já tinha acabado. A economia doente dos anos 70 pôs fim à capacidade dos homens de sustentar uma família e mais mulheres foram forçadas a entrar no ambiente de escritórios. Enquanto isso, o progressismo radical precisava de uma oferta sempre nova de novas frentes de  lesados para justificar a sua agitação contra os velhos bichos marxistas dos valores burgueses e da opressão estrutural – e incidentalmente alimentar carreiras académicas. Daí a multiplicação das vítimas em categorias interseccionais úteis.

The Student Loan Mess: How Good Intentions Created a Trillion-Dollar Problem

Na década de 1980, também ficou evidente que a legislação de direitos civis dos anos 60 para acabar com as leis de Jim Crow não tinha resolvido os dilemas da raça na América, e que a deceção renovou a cruzada progressista  para curar o mundo da injustiça e da desigualdade. Todos os outros esforços para produzir resultados iguais para diferentes categorias de pessoas também se mostraram dececionantes, de modo que   agora os progressistas recorrem à simples coerção para forçar resultados iguais a todo custo, e em nenhum outro lugar esse comportamento é mais evidente do que nos campus na última década.

 

A ilusão de que todos devem ter uma educação universitária finalmente transformou o Ensino Superior numa fraude, quando o governo federal decidiu garantir empréstimos universitários – o que apenas levou as faculdades a aumentar as mensalidades muito além da taxa de inflação oficial e a empreender programas de expansão maciça na concorrência pela expansão da base de estudantes mutuários-clientes. Quase todas as faculdades agiram como intermediários  dessa barulheira de empréstimos, embora dado haver  garantias federais elas não tivessem nada a ver com esse jogo. Agora, a dívida pendente de empréstimos a estudantes é de US$ 1,5 milhão de milhões, e cerca de 40% dela é improdutiva, em linguagem eufemística de  banqueiro. Os estudantes mutuários foram enganados, muitos deles destruídos financeiramente para toda a vida, e eles só agora começaram a  expressar-se politicamente.

 

A ansiedade e o remorso por detrás desse comportamento financeiro vil, e a perspetiva da ruína institucional, é provavelmente um grande fator por detrás das histerias de justiça social engendradas que paradoxalmente tornaram os campus universitários intelectualmente os lugares menos livres  na terra – e intelectualmente inseguros! -. E transformou todos esses presidentes de faculdade em covardes e poltrões. Uma vez que a coerção é a única modificação de comportamento que os administradores das faculdades entendem hoje em dia, é razoável que Trump utilize  a generosidade federal como uma alavanca para acabar com o despotismo estruturalda cultura do campus. A cambaleante  economia encarregar-se-á do resto.

 

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Nota do editor

Kunstler descreve de forma dramática o futuro das faculdades americanas. Eles serão vítimas de sua própria ganância, comportamento irresponsável e das  mudanças tecnológicas.

 

Por exemplo, as faculdades concorrem entre si mostrando às crianças suas instalações luxuosas (muito mais agradáveis do que há 40 anos atrás, que por sua vez já eram mais agradáveis do que as de outros  40 anos atrás). Os vendedores da faculdade não mencionam que a criança pode ficar a pagar por essas comodidades para o resto da vida dela  sua (ou menos comumente da dele). É como levar um garoto de 18 anos a um comerciante da Porsche, vendendo-lhe um carro sem discutir o pagamento da dívida. É mais honesto vender crack nas esquinas das ruas. Como diz Matt Taibbi, nós tornámo-nos numa nação de escroques.

 

O número de funcionários nas faculdades e universidades americanas aumentou 2,6 vezes desde 1978, enquanto a população aumentou apenas 1,4 vezes. Pior ainda, muitas dessas pessoas ensinam disciplinas que pouco ou nada beneficiam a vida dos seus alunos – e que muito menos beneficiam os seus rendimentos futuros. Este último aspeto é importante, uma vez que o aumento vertiginoso do custo das propinas tem sido pago através da dívida. Em 1962 o governo federal concedeu $100 milhões em empréstimos estudantis e $1 milhar de milhões  em 1971. Os empréstimos de estudante pendentes  atingiram $480 mil milhões em 2006, e a $1.6  milhão de milhões  hoje. Aproximadamente um quinto de empréstimos federais ao ensino têm mais de 30 dias de incumprimento.

 

Este castelo de cartas educativo acabará por cair pela sua própria irracionalidade. Mas a tecnologia vai ajudar a empurrá-lo. O formulário atual da instrução foi desenvolvido em épocas medievais – quando os livros eram demasiado caros para estudantes individuais, e as aulas eram necessárias para disponibilizar a informação. Continuar  nesta via no século XXI é completamente louco. Os podcasts e a educação em linha podem disponibilizar uma educação de  qualidade a uma fração do custo de agora. Sem as cachimbadas,  sem os ajuntamentos noturnos   e as festas de  cerveja – suportados pelas poupanças  dos pais e pelos  empréstimos concedidos aos  estudantes.

 

Um fator decisivo será a perceção dos americanos de que obtemos benefícios fantásticos de uma pequena fração dos gastos com o ensino superior – e pouco ou nada   (em efeitos  negativos) com o resto. Gastamos 2,6% do PIB no ensino superior, muito mais do que noutras nações, mas recebemos pouco mais por isso (o nosso sistema de saúde tem uma dinâmica semelhante).

 

O segundo e mais decisivo fator será a ira dos americanos, que pagarão grandes somas para que os seus filhos sejam reeducados com desprezo de tudo o que foram ensinados a valorizar.

 

Podemos apenas adivinhar a natureza do novo sistema de ensino superior que irá substituir o nosso sistema atual, extremamente caro e de  fracos ganhos.  Mas isso certamente exigirá muito menos funcionários universitários. Menos professores de inglês e de estudos de género a fazerem  “investigação”. Menos bolsas de estudo para o remo feminino. Menos vice-presidentes altamente remunerados pela diversidade. Se for construído  com um pouco de sabedoria, este  novo sistema proporcionará educação de qualidade a um custo menor para mais pessoas do que o caos  que temos hoje.

 

Sobre James Kunstler: habitualmente eu considerava-o um homem deslocado, sombrio. Agora, concordo com ele em muitas coisas, tal como as descreve em : A new, dark picture of America’s future.

***

About James Howard Kunstler

James Howard Kunstler (Wikipedia) worked as a reporter and feature writer for a number of newspapers, before working as a staff writer for Rolling Stone Magazine. In 1975, he began writing books on a full-time basis. Kunstler is the author of 12 novels and has been a regular contributor to many major media, writing about environmental and economic issues. He is a leading supporter of the movement known as “New Urbanism.”

He has lectured at Harvard, Yale, Columbia, Princeton, Dartmouth, Cornell, MIT, and many other colleges. He has written five non-fiction books. See more about the most recent one below.

See some of his recent posts about America. They’re all well worth reading!

For More Information

Ideas! For shopping ideas, see my recommended books and films at Amazon.

I recommend reading The Student Loan Mess: How Good Intentions Created a Trillion-Dollar Problem by Joel and Eric Best (U California Press, 2014).

If you liked this post, like us on Facebook and follow us on Twitter.  For more about these matters, see Reforming America: steps to new politics and especially these …

  1. Should we despair, giving up on America?

  2. The bitter fruits of our alienation from America.

  3. Andrew Bacevich looks at America’s political rot and describes solutions.

  4. Important: The bizarre but easy next step to fixing America – more about problem recognition.

  5. Kunstler describes the ugly fruits of America’s social decay.

About Kunstler’s most recent book

Available at Amazon.

Too Much Magic:Wishful Thinking, Technology, and the Fate of the Nation.

Kunstler’s critically acclaimed and best-selling The Long Emergency: Surviving the End of Oil, Climate Change, and Other Converging Catastrophes of the Twenty-First Century (2005) quickly became a grassroots hit, going into nine printings in hardcover. Kunstler’s shocking vision of our post-oil future caught the attention of environmentalists and business leaders alike, and stimulated widespread discussion about our dependence on fossil fuels and our dysfunctional financial and government institutions. Kunstler has since become a key commentator on the future, profiled in The New Yorker and invited to speak at TED and other events. In “Too Much Magic,” Kunstler evaluates what has changed in the last seven years and shows us that in a post-financial-crisis world, his ideas are more relevant than ever.

“Too Much Magic” is what Kunstler sees in the bright visions of a future world dreamed up by overly optimistic souls who believe technology will solve all our problems. Their visions remind him of the flying cars and robot maids that were the dominant images of the future in the 1950s. Kunstler’s idea of the future is much more sober: he analyzes the various technologies (vertical farms, fracking, corn ethanol) suggested as overnight solutions to the energy crisis and finds none that he thinks will work long-term to cure a society dependent on gas-guzzling cars, in love with an inefficient ideal of suburbia, and unwilling to fundamentally change its high-energy lifestyle. Kunstler also offers concrete ideas as to how we can help ourselves adjust to a society where the oil tap is running dry.

With vision, clarity of thought, and a pragmatic worldview, Kunstler argues that the time for magical thinking and hoping for miracles is over and that the time to begin preparing for the long emergency has begun.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/10/13/a-america-vista-atraves-da-crise-em-geral-e-a-do-ensino-em-particular-iv-o-colapso-das-universidades-que-se-avizinha-por-james-kunstler/

«Além da retirada do amianto, Escola Pública precisa de mais investimento»

O vereador da Educação da Câmara Municipal de Loures, Gonçalo Caroço, estima uma necessidade de 50 milhões de euros para requalificar as 20 escolas do concelho, que são da Administração Central.

A par da remoção de coberturas, o vereador Gonçalo Caroço salienta que são necessárias remodelações urgentes nas escolasCréditos / APEE Gaspar Correia

Centenas de alunos da Escola Básica 2,3 Gaspar Correia e Secundária da Portela e Moscavide, na Portela de Sacavém, no concelho de Loures, fizeram esta quinta-feira uma marcha e um cordão humano no Centro Comercial da Portela para exigir a retirada de amianto daqueles estabelecimentos de ensino.

O protesto não é novo e, esclarece Gonçalo Caroço ao AbrilAbril, ao problema do amianto somam-se outros com que o parque escolar do concelho se depara há vários anos e que exigem investimento. 

O vereador, que também participou na manifestação de ontem, estima que sejam precisos, «segundo contas por baixo», 50 milhões de euros para fazer face às necessidades das escolas, salientando que é preciso inscrever verbas no Orçamento do Estado para investir na Educação. 

«Há vários meses reunimos com a secretária de Estado sobre as carências do parque escolar, falámos inclusive da necessidade de haver um calendário, mas não houve compromisso», recorda. 

Gonçalo Caroço insiste que esta é uma matéria da responsabilidade da Administração Central, mas que a Câmara Municipal de Loures está disponível para «trabalhar e ajudar» a ultrapassar os problemas vividos nas escolas do concelho. 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/alem-da-retirada-do-amianto-escola-publica-precisa-de-mais-investimento

Se os pais não respeitarem os professores, tampouco os filhos vão respeitar

 
 

Adaptado de Etapa Infantil

As crianças aprendem todos os valores em casa e o respeito pelos professores não é exceção. Não é de surpreender quando um pai vai conversar com um professor e desrespeita o profissional. Então tudo se encaixa, já se entende por que o aluno tem um mau comportamento em sala de aula ou por que ele não é capaz de respeitar a autoridade educacional entre as quatro paredes.

Falta de respeito

Até pouco tempo atrás, era comum que os alunos se dirigissem a seus professores com uma barreira emocional entre eles que se refletia na linguagem. Os alunos tratavam seus professores por “senhor/senhora” e se levantavam quando o mestre entrava na sala. Talvez isso seja apenas uma linguagem para você, mas, na realidade, era uma forma de respeito pela autoridade… e isso está sendo perdido.

 

Em algum lugar dessa estrada nós abandonamos a bagagem do respeito, da admiração e até mesmo da veneração por aqueles que são muito mais que simples transmissores de conteúdo. A figura do professor representava a de um segundo pai, alguém incumbido de nos abrir os caminhos, de nos encher de bagagem para seguir na viagem da vida.

Com o tempo essas coisas foram perdendo o valor, a figura do professor foi perdendo a imponência e o desrespeito tomou o lugar e a vez da admiração, da consideração e, por que não dizer, do pouquinho de medo que cada um ainda sentia por aquela autoridade.

O sistema mudou, a sociedade mudou, caíram tabus e mitos e alguns valores se desfizeram, se diluíram na modernidade. O consumismo exige pressa e sobreviver exige disputa, competitividade e isso não deixa tempo para acompanhar integralmente a vida escolar dos filhos… ou, pelo menos, nos servimos dessa desculpa para justificar nosso descaso.

Em épocas passadas, ser contemplado com um advertência que alcançaria os pais, tinha um significado de quase morte para o aluno, era um terror. Ele sabia o que o esperava, tinha consciência que seria punido quase sem direito à defesa e tomava o máximo de cuidado para não reincidir. Hoje esse quadro se inverteu e o professor é quem tem que temer ser advertido.

 

Famílias desestruturadas, sociedade mais permissiva

Não ter tempo para acompanhar a vida dos filhos (ou se valer dessa desculpa), faz com que alguns pais procurem compensar isso de outra forma, com mimos fúteis e até se tornando mais permissivos. O instinto protetor se aguça para disfarçar a verdadeira natureza da coisa, que é a negligência. Para suprir as necessidades de consumo, atender as demandas dos caprichos dos filhos, trabalha-se cada vez mais, dedicando-se cada vez menos aos cuidados imateriais, como transmissão de valores. Isso vai formando uma sociedade aloprada, onde cada um se acha com mais direitos do que o outro e esse indivíduo vai retransmitir isso ao seu futuro filho, porque foi assim que ele aprendeu.

As escolas se tornaram “depósitos de jovens”, creches de adolescentes onde os pais enfiam seus rebentos para ficarem livres por um período. Ser chamado a atenção por algum ato indisciplinado do seu filho, faz emergir neles o famoso instinto de proteção, porque é difícil compreender que um profissional não consiga lidar com a geniosidade de uma criança, afinal, em casa, seu filho se comporta muito bem e passa o tempo todo entretido em games e / ou redes sociais.

Em outros aspectos temos as famílias desestruturadas em recursos econômicos, sociais e morais. Jovens que convivem em ambientes onde imperam a desarmonia, a violência e as drogas lícitas e até ilícitas. Desde cedo aprendem que para sobreviver, têm que se impor; e a figura de qualquer autoridade, seja ela qual for, representa repressão, tolhimento daquilo que eles acham que seja seu direito. Confrontar o professor é um bom exercício para desenvolver sua personalidade forte e esse é a primeira autoridade, fora do ambiente familiar, que ele tem à sua disposição para provar que pode defender sua posição e se afirmar.

Tanto os futuros filhos dos de “famílias estruturadas”, onde valores são substituídos por permissividades, quanto os procedentes de ambientes desestruturados, irão copiar os pais e repassar adiante a praga do desrespeito ao professor. O conceito de escola vai perdendo o real significado, passando a ser somente um lugar para onde se manda os filhos quando se quer ficar livres deles. Receber advertência do mau comportamento do filho gera muito desconforto e o professor é que vai pagar por ser “insolente”.

 

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/se-os-pais-nao-respeitarem-os-professores-tampouco-os-filhos-vao-respeitar/

Professores em greve para além das 35 horas

Face ao que consideram ser a «inoperância do Ministério da Educação» e à manutenção de «abusos e ilegalidades nos horários», professores estarão em greve a partir de 14 de Outubro.

CréditosTiago Petinga / Agência LUSA

Em comunicado à imprensa, a Federação Nacional de Professores (FENPROF/CGTP-IN) vem acusar o Ministério da Educação de nada ter feito no sentido de garantir que os professores trabalhariam apenas 35 horas semanais, conforme o regime aplicável à generalidade dos trabalhadores da Administração Pública.

A estrutura sindical acusa o Ministério de se tornar «cúmplice dos mais diversos atropelos» aos horários de trabalho dos professores, nunca concretizando as orientações que deu para serem adoptados procedimentos que eliminariam a generalidade dos abusos e ilegalidades praticados pelas escolas.

«É inaceitável que o mesmo Governo que elimina anos de trabalho aos professores imponha, em cada ano, horários que o agravam em 30%», pode ler-se na nota.

Assim, o pré-aviso de greve ao sobretrabalho entregue ontem no Ministério da Educação destina-se a garantir que o horário semanal dos docentes seja, efectivamente, de 35 horas, bastando, para tanto, que os professores façam greve sempre que lhes for atribuída actividade que faça exceder, em cada semana, aquele número de horas de trabalho. 

A FENPROF lembra ainda que, no ano lectivo passado, ao contrário do que afirmou o Ministério da Educação, a greve que se desenvolveu nestes mesmos moldes teve impacto e levou as direcções das escolas a anular reuniões.

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/professores-em-greve-para-alem-das-35-horas

Portugal | Milhares de professores marcham em Lisboa em protesto

 
 
Alguns milhares de professores concentraram-se, este sábado ao início da tarde, na rotunda do Marquês de Pombal em Lisboa e desceram a avenida da Liberdade rumo ao Rossio. Os bombos e as gaitas de foles marcaram o ritmo.
 
O dia é de celebração pelo Dia Mundial de Professor e, em véspera de eleições, os slogans devem ser contidos. Um regime especial de aposentação é das reivindicações mais pedidas, pelo rejuvenescimento da classe e pela qualidade do ensino, dizem.
 
"Vive-se um drama com a falta de professores e muitos desistiram de dar aulas", começa por dizer João Dias de Silva, líder da Federação Nacional de Educação (FNE), antes do início da marcha. O número de aposentações disparou este ano, já sendo superior ao de reformas em 2018 e até o número mais alto desde 2016.
 
Contra o envelhecimento da classe a FNE propõe, no seu roteiro para a legislatura, que nos próximos quatros em que devem aposentar mais de dez mil professores, que se atinja o objetivo de entrarem no sistema 10% de docentes com menos de 30 anos. Ou seja, cerca de dez mil professores. Neste momento são cerca de mil - menos de 1%. Enquanto os professores com mais de 60 anos são quase 13 mil.
 
"Estou cá para dizer que existo e que precisamos que olhem para nós". A recuperação integral do tempo de serviço congelado (nove anos, quatro meses e dois dias), defende, "pode parecer populista mas traria qualidade ao ensino". Permitiria a aposentação de muitos, o rejuvenescimento da carreira e professores mais motivados. "Precisamos de paz e de terminar a carreira com dignidade", defende.
 
 
Para Maria Augusta Queirós, de 63 anos, o mais importante na próxima legislatura é a aprovação de um regime específico de aposentação para os professores. "É urgente para dar lugar aos novos, talvez conseguissem lugar perto de casa". O Governo, critica, "não está a preparar as escolas" para o impacto de milhares de saídas de docentes.
 
Maria Estrela Serdoura também concorda que o regime de aposentação deve ser uma prioridade, incontornável, na próxima legislatura. A educadora de infância de 50 anos ainda é contratada. Este ano, aceitou mudar do Porto para Lisboa para garantir colocação em horário anual e "ter a esperança" de entrar nos quadros no próximo ano. "Há milhares como eu", diz ao JN, contando que paga 270 euros de renda porque partilha a casa com outros quatro colegas, como ela, deslocados do Norte em Lisboa. Além do regime de aposentação, outra prioridade na próxima legislatura, defende, seria a aprovação de um subsídio para apoiar as despesas de deslocação.
 
Alexandra Inácio | Jornal de Notícias

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/10/portugal-milhares-de-professores.html

São esperados milhares de professores em Lisboa para celebrar a profissão

Os sindicatos esperam milhares de professores esta tarde, em Lisboa. A manifestação celebra o Dia Mundial do Professor e termina sem discursos.

5 de Outubro é Dia Mundial do ProfessorCréditosJoão Relvas / Agência LUSA

A data coincide com o dia de reflexão para as eleições legislativas, que se realizam amanhã, e leva a organização do desfile a estar mais atenta a cartazes e palavras de ordem que possam ser ditos e exibidos durante o percurso, mas não mais do que isso, até porque, como frisaram os dirigentes sindicais, as manifestações de professores não são habitualmente palco de campanha eleitoral ou apelo directo ao voto em candidatos.

A concentração está marcada para as 14h30, no Marquês de Pombal, de onde os professores seguem até ao Rossio, descendo a Avenida da Liberdade e passando pelos Restauradores.

No final não haverá discursos, apenas breves saudações aos professores dirigidas, nomeadamente, pelos secretários-gerais da Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN), Mário Nogueira, e da Federação Nacional de Educação (FNE), João Dias da Silva.

Sob o lema do rejuvenescimento e valorização da profissão docente, os sindicatos aproveitam o momento para marcar algumas das principais exigências que farão parte do caderno reivindicativo a apresentar ao próximo Governo, como um regime especial de aposentação, a revisão dos horários de trabalho, o combate à precariedade ou a recuperação integral do tempo de serviço congelado, um tema que as estruturas sindicais não dão por encerrado, apesar da votação de Maio no Parlamento, que negou a recuperação dos nove anos, quatro meses e dois dias exigidos pelos professores.

Dados fornecidos pelo Instituto de Estatística da UNESCO (UIS, na sigla em inglês) revelam que o mundo precisa de quase 69 milhões de novos professores para cumprir a agenda da Educação 2030. 

Com agência Lusa

 

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/sao-esperados-milhares-de-professores-em-lisboa-para-celebrar-profissao

Diretrizes para interpretar o desenho infantil sobre a família

 
 

Por Jennifer Delgado de Etapa Infantil

O desenho é um recurso através do qual as crianças expressam abertamente suas emoções, inquietudes e preocupações. Desde a precisão de seus traços e as cores que eles escolhem até os objetos ou pessoas que pintam e a posição que eles dão diz muito sobre como os pequenos percebem o ambiente, principalmente quando se referem à família.

Obviamente, não é uma ciência exata, já que o desenho infantil pode ser influenciado por muitos fatores, da calma do ambiente ao humor das crianças, o que significa que seus resultados não são verdades absolutas. No entanto, pode se tornar uma ferramenta útil para determinar como é o relacionamento das crianças com cada membro da família.

 

5 aspectos importantes a considerar ao desenhar a família de uma criança

1. Atitude da criança enquanto desenha

• Está distraída e não presta muita atenção ao que desenha ou, em vez disso, está focada em sua lição de casa?
• Está calma e relaxada ou se sente frustrada e com raiva?

Estas são algumas das perguntas que você deve fazer enquanto a criança desenha sua família, pois o processo artístico é tão importante quanto o resultado. Por exemplo, se ela acabou de discutir com seu pai, é normal que sua raiva seja refletida no papel quando pinta a figura paterna, embora isso não signifique que ela rejeita seu pai ou não o queira.

2. Ordem de desenho

Como regra geral, a ordem que a criança segue ao desenhar membros de sua família indica a importância que cada pessoa tem para ela. Quase sempre, a figura que ela primeiro pinta é aquela que ela mais se identifica e com quem se sente mais segura e amada. A ordem que ela dá às figuras também revela o grau de relacionamento que ela tem com os diferentes membros da família.
Caso a criança se desenhe primeiro, isso pode revelar uma grande necessidade de atenção ou um profundo egocentrismo.

 

3. Distribuição de figuras em papel

O arranjo das figuras no espaço também revela muitos detalhes do relacionamento da criança com seus familiares. Geralmente, as figuras mais importantes e as que mais gosta ficam localizadas mais perto, o que oferece uma idéia sobre a força do vínculo afetivo. Da mesma forma, se ela desenhar uma figura separada da família, provavelmente tem medo ou vive um conflito com essa pessoa. Caso desenhe membros da família espalhados pela folha, isso pode ser um sinal de problemas de comunicação ou deficiência afetiva.

4. Traços de desenho

O tipo de traço é um dos elementos mais reveladores do desenho infantil. Em geral, uma linha estável, firme e segura é um indicador de autoconfiança, mas uma linha fraca ou interrompida pode ser sinônimo de insegurança e medo. Por exemplo, se ela pintar um membro da família com um traço muito forte ou retorna repetidamente em sua própria linha, pode ser um sinal de que está em conflito com essa pessoa. Caso ela desenhe uma figura com uma linha muito fraca que mal possa ser distinguida, isso pode revelar um relacionamento distante.

5. Características da figura

Os detalhes das figuras também oferecem informações muito valiosas sobre o relacionamento da criança com os membros da família. Por exemplo, desenhar braços muito compridos pode indicar uma necessidade de comunicação com essa pessoa enquanto pintar braços curtos pode indicar problemas na comunicação e insegurança. Além disso, desenhar uma figura sem braços pode ser um sinal de medo de agressão física ou repreensão. Desenhar dentes, por exemplo, especialmente se forem afiados ou grandes, pode ser um sinal de agressão ou rejeição a essa pessoa.


Por Jennifer Delgado de Etapa Infantil

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/diretrizes-para-interpretar-o-desenho-infantil-sobre-a-familia/

Alemanha aloca € 6 milhões para projetos de educação sobre história do nazismo

O governo alemão pretende alocar 6 milhões de euros (R$ 27,3 milhões) para projetos de educação geridos por 28 centros de memória e centros de arquivo de vítimas do nazismo.

"Os projetos foram escolhidos devido à abordagem inovativa e simulada. Dessa forma, os jovens podem aprender melhor a história do Nacional Socialismo e entender o link entre história, dias atuais e seu próprio mundo", afirmou a ministra alemã de Cultura e Mídia, Monika Gruetters, nesta quinta-feira. 

​A iniciativa faz parte de um programa estatal voltado para o apoio ao ensino de história. De acordo com a ministra, o governo também estaria considerando financiar projetos dedicados à história da Alemanha Oriental e do Partido Socialista Unificado da Alemanha, que governou o extinto país entre 1949 e 1990.

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), de extrema-direita, governou a Alemanha de 1933 até 1945. Durante esse período, seus membros e seguidores promoveram uma onda de terror generalizado dentro e fora do país, dando início à Segunda Guerra Mundial e cometendo inúmeras atrocidades, incluindo o genocídio organizado de judeus, comunistas, ciganos, homossexuais, deficientes e outros grupos perseguidos pelos nazistas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019092614565065-alemanha-aloca--6-milhoes-para-projetos-de-educacao-sobre-historia-do-nazismo/

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