Coreia

Coreia do Norte anuncia consagração de Pyongyang a Nossa Senhora de Fátima

(Comentário:

Ora bem...já deviam ter pensado na solução antes...evitavam-se Milhões de mortos)

Paulo Cunha / Lusa

 

A diocese de Pyongyang, na capital da Coreia do Norte, vai ser consagrada a Nossa Senhora de Fátima, anunciou hoje a Fundação AIS | ACN Portugal.

 

Segundo uma nota da Fundação AIS | ACN Portugal, o anúncio foi feito pelo cardeal Andrew Yeom, arcebispo de Seul, numa cerimónia em que se recordou o início da guerra da Coreia, há 70 anos, no dia 25 de junho.

O anúncio da consagração da diocese de Pyongyang foi o momento mais significativo da cerimónia na Catedral de Myeongdong, em Seul, onde este ano se assinalou a data e se rezou pela reconciliação do povo coreano, lê-se na mesma nota.

Andrew Yeom Soo-jung salientou a importância da paz e da concórdia na península coreana, lembrando os cerca de 3 milhões de mortos da guerra que eclodiu a 25 de junho de 1950, além da tragédia que se abateu sobre os refugiados, o drama das famílias separadas e a perseguição aos cristãos pelo regime da Coreia do Norte, refere o comunicado.

A Fundação AIS | ACN Portugal informa que este aniversário ocorre “num momento de particular tensão, com os responsáveis pelo regime da Coreia do Norte a cortarem todos os canais de comunicação com o Sul e a fazerem explodir, a 16 de junho, o edifício que servia de escritório de ligação entre as delegações dos dois países, em Kaesong”.

“Na verdade, os dois países ainda se encontram tecnicamente em guerra e é constante a ameaça por parte do regime de Pyongyang de desenvolver novas armas de destruição maciça. O aumento de tensão nas últimas semanas fez avivar os riscos de um confronto militar direto e significa um revés profundo no caminho da reconciliação encetado nos últimos anos entre os dois países”, salienta o comunicado.

Segundo a Fundação AIS | ACN Portugal, a Igreja Católica tem estado “particularmente empenhada no processo de paz na península coreana”.

Sinal disso é a celebração de uma missa diária pela paz na Coreia do Sul desde dezembro até ao próximo dia 28 de novembro. A fundação recorda ainda a questão da liberdade religiosa na Coreia do Norte.

O mais recente relatório da Fundação AIS sobre a perseguição aos cristãos, lançado em Lisboa, em outubro de 2019, sublinha que “a Coreia do Norte é amplamente considerado como o lugar mais perigoso do mundo para se ser cristão”, referindo-se que a prática religiosa é “gravemente punida” neste país, revela a nota de imprensa.

Recorrendo ao testemunho de pessoas que fugiram da Coreia do Norte, a Fundação AIS refere que os cristãos que são descobertos pelo regime “enfrentam a tortura” e que muitos “são enviados para campos” de trabalho forçado destinados essencialmente para os presos políticos.

“Nesses campos poderão existir entre 50 mil a 70 mil cristãos”, ou seja, “cerca de metade de toda a população prisional”.

“Mortes extrajudiciais, trabalhos forçados, tortura, perseguição, fome, violações, aborto forçado e violência sexual” são algumas das situações a que os cristãos estão sujeitos quando são apanhados na apertada malha de vigilância do regime norte-coreano, lê-se no mesmo comunicado.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/coreia-norte-pyongyang-fatima-332442

Kim Jong-Un suspende planos militares contra a Coreia do Sul

24/06/2020
 

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, suspendeu os planos militares para uma retaliação não especificada contra a Coreia do Sul, anunciou a televisão estatal.

Após ter declarado que as relações entre os dois países estavam totalmente cortadas, Pyongyang ameaçou na semana passada desencadear ações militares.

Segundo a Agência Central de Notícias da Coreia do Norte, Kim Jong-un presidiu na terça-feira a uma reunião da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores, anunciando a suspensão dos planos apresentados por comandantes militares.

Leia mais em Jornal de Notícias

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/24/kim-jong-un-suspende-planos-militares-contra-a-coreia-do-sul/

Bolton revela detalhes da cúpula entre líder da Coreia do Norte e Donald Trump em Singapura

Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na zona demilitarizada, 30 de junho de 2019
© AP Photo / Susan Walsh

De acordo com o livro do ex-assessor de Trump John Bolton, durante a cúpula em 2018, Donald Trump prometeu ao líder da Coreia do Norte considerar o levantamento das sanções da ONU sem consultar ninguém.

A própria administração estadunidense se opôs à publicação do livro visto que este contém "informação classificada". Bolton assumiu a responsabilidade de publicar o seu livro sem obter "a aprovação final das autoridades de inteligência" dos EUA.

São precisamente as informações pormenorizadas da reunião entre Donald Trump e Kim Jong-un que revelam detalhes até agora desconhecidos.

Após sair da reunião de junho de 2018 em Singapura, o líder norte-coreano disse estar satisfeito por tanto ele quanto Trump terem concordado em seguir uma abordagem de ação por ação na troca da desnuclearização da Coreia do Norte por concessões dos EUA, revela Bolton em seu livro The Room Where It Happened (A Sala Onde Isso Aconteceu) que será publicado em 23 de junho.

Sue Mi Terry, uma ex-analista da CIA que atualmente trabalha no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais citou partes do livro.

Kim Jong-un perguntou se deveria esperar o levantamento das sanções da ONU e Trump respondeu que "estava aberto a isso e queria pensar no assunto", disse Terry.

"Então Kim partiu com expectativas otimistas", acrescentou a ex-analista da CIA.

Relativamente aos exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e EUA, Trump reclamou repetidamente que eram caros e provocativos e que os via como uma perda de dinheiro, continua Bolton em seu livro.

Ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton (foto de arquivo)

© REUTERS / Jonathan Drake
Ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton (foto de arquivo)

"Quando o líder da Coreia do Norte disse que queria que os EUA reduzissem ou abandonassem completamente [a realização] dos exercícios, Trump garantiu que ele iria ignorar seus generais para satisfazer o seu desejo", aponta Terry.

"Nem [John] Kelly, nem [Mike] Pompeo, nem Bolton, que estavam sentados ali, foram consultados, nem obviamente [James] Mattis. A Coreia do Sul também não foi consultada. Trump simplesmente cedeu diante de Kim, sem consultar ou notificar ninguém", acrescenta Terry citando as memórias de Bolton.

Em seu livro, Bolton também confirma que o presidente dos EUA estava "desesperado" para realizar uma cúpula com Kim Jong-un a qualquer preço porque seria "um grande teatro, um exercício de publicidade", conclui a ex-analista da CIA.

Recentemente, o juiz federal dos EUA Royce Lamberth autorizou o ex-assessor de Segurança Nacional dos EUA John Bolton a publicar o livro no qual critica a administração Trump.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020062115737715-bolton-revela-detalhes-da-cupula-entre-lider-da-coreia-do-norte-e-donald-trump-em-singapura/

Coreia do Norte faz explodir “inútil” escritório de ligação com o Sul. Exército “totalmente pronto” para ação militar

 

A Coreia do Norte fez explodir esta terça-feira o escritório de ligação com a Coreia do Sul em Kaesong, uma cidade perto da fronteira, aumentando a tensão na península coreana, revelou o Ministério da Unificação em Seul.

 

“A Coreia do Norte explodiu o escritório de ligação de Kaesong, às 14h49 (7h49 em Lisboa), disse o porta-voz do ministério encarregado das relações entre as duas Coreias, em comunicado.

Fotografias da agência de notícias sul-coreana Yonhapmostraram fumo a sair do que parece ser um complexo de edifícios e a agência revelou que a área fazia parte de um parque industrial agora fechado, onde ficava o escritório de ligação.

A Coreia do Norte tinha ameaçado demolir o escritório à medida que intensificava a sua retórica sobre o fracasso de Seul em impedir que ativistas usassem panfletos de propaganda através da fronteira.

https://twitter.com/Reuters/status/1272811225894629376?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Alguns especialistas dizem que a Coreia do Norte está a manifestar a sua frustração porque Seul não pode retomar os projetos económicos conjuntos devido a sanções lideradas pelos Estados Unidos.

No sábado à noite, Kim Yo Jong, irmã influente do líder da Coreia do Norte, alertou que Seul em breve testemunharia “uma cena trágica do inútil escritóriode ligação Norte-Sul (na Coreia do Norte), sendo completamente destruído”, deixando aos militares da Coreia do Norte o direito de dar o próximo passo de retaliação contra a Coreia do Sul.

Em 2018, as Coreias abriram o seu primeiro escritório de contacto em Kaesong, para facilitar uma melhor comunicação e as trocas desde a sua divisão, no final da II Guerra Mundial, em 1945.

Quando o escritório foi aberto, as relações entre as Coreias floresceram depois de Coreia do Norte ter iniciado negociações sobre o seu programa de armas nucleares.

Exército ameaça ocupar zona desmilitarizada

A Coreia do Norte ameaçou esta terça-feira enviar tropas para zonas limítrofescom o vizinho do Sul que tinham sido desmilitarizadas, após um acordo entre os dois países, assinado em 2018.

Numa declaração emitida pela agência estatal KCNA, o Estado-Maior da Coreia do Norte afirmou que está a considerar um plano “para reconduzir o exército às áreas que foram desmilitarizadas ao abrigo do acordo Norte-Sul, fortificar a frente e aumentar a vigilância militar”. O exército da Coreia do Norte afirmar estar “totalmente pronto” para agir contra a Coreia do Sul.

O texto não especifica quais as áreas ao longo da zona desmilitarizada – uma faixa de quatro quilómetros de largura que separa as duas Coreias – a serem incluídas no plano. Uma das possíveis áreas é aquela em torno da cidade de Kaesong (sudoeste) e do monteKumgang (sudeste), de onde a Coreia do Norte retirou as tropas após o acordo.

O pacto para aliviar as tensões militares nas fronteiras foi assinado durante a cimeira de Pyonyang, realizada em setembro de 2018 pelos dirigentes das duas Coreias, o que constituiu um grande avanço para os dois países.

Na semana passada, Pyonyang elevou ainda mais o tom com Seul, em resposta ao envio de folhetos de propaganda contra o regime de Kim Jong-un por ativistas na Coreia do Sul, muitos deles desertores norte-coreanos. Os folhetos, que são frequentemente pendurados em balões que sobrevoam o território norte-coreano ou inseridos em garrafas atiradas para o rio fronteiriço, contêm geralmente críticas ao historial de Kim Jong-un em matéria de direitos humanos ou às ambições nucleares.

Embora Seul tenha denunciado imediatamente estes grupos e afirmado que os impediria de enviar novamente panfletos, durante o fim de semana Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano, ameaçou cortar relações com os sul-coreanos.

A declaração do Estado-Maior da Coreia do Norte indicou também que “as relações Norte-Sul estão cada vez piores” e que Pyongyang também vai começar a enviar “em grande escala” folhetos de propaganda.

A Coreia do Norte tem vindo a endurecer a sua posição com os Estados Unidos e a Coreia do Sul ao longo do último ano, na sequência do fracasso da cimeira de Hanói, em que Washington considerou insuficiente a proposta de desarmamento do regime.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra desde o conflito que as opôs entre 1950 e 1953, que terminou com um cessar-fogo e não com um tratado de paz.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/coreia-norte-explodir-escritorio-ligacao-sul-330143

Trump quis obter 'conquistas' com Coreia do Norte sem medidas recíprocas, afirma Pyongyang

O líder norte-coreano Kim Jong-un participa da 13ª reunião do Bureau Político do 7º Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, foto divulgada em 7 de junho de 2020
© REUTERS / KCNA

A Coreia do Norte jamais voltará a beneficiar o executivo norte-americano sem receber benefícios recíprocos, afirmando que Donald Trump apenas quis promover sua imagem.

Pyongyang continua considerando as políticas de Washington como ameaça de longo prazo à segurança de seu país, o que justifica que a Coreia do Norte desenvolva suas Forças Armadas, disse o chanceler norte-coreano Ri Son Gwon, citado pela agência KCNA.

Segundo Gwon, o presidente norte-americano Donald Trump apenas se preocupou em promover sua imagem, ao mesmo tempo que isolava e enfraquecia a Coreia do Norte.

"Nunca mais forneceremos a um chefe do executivo norte-americano outro pacote [de medidas] para ser usado como conquista sem receber nada em troca. Nada é mais hipócrita do que uma promessa vazia", disse, segundo a agência Reuters.

Daniel Russel, principal diplomata norte-americano para a Ásia Oriental até o início da administração Trump, concordou com a avaliação.

"A alegação de Trump de ter 'resolvido' o problema da Coreia do Norte lhes dá vantagem", comentou.

Na quinta-feira (11) o Departamento de Estado norte-americano declarou à agência sul-coreana de notícias Yonhap que continua aberto a uma "abordagem flexível para se chegar a um acordo equilibrado". A Coreia do Norte, por sua vez, avisou os EUA para "não se intrometerem" na relação entre as duas Coreias, de forma garantir a "realização tranquila" das eleições presidenciais de novembro.

Ramon Pacheco Pardo, um especialista em assuntos coreanos do King's College London, considera que a Coreia do Norte está disposta a seguir qualquer opção, desde um processo diplomático até seguir desenvolvendo seu programa nuclear, mas que os EUA estão "determinados em exacerbar a situação".

Relações recentes

Em 2017 Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-um se envolveram em insultos mútuos depois que o desenvolvimento de programas de mísseis e ogivas nucleares por Pyongyang levou o presidente norte-americano a aprofundar as sanções.

Em junho de 2018, em um primeiro encontro de um líder dos EUA com o presidente da Coreia do Norte na cúpula de Singapura, as relações melhoraram, mas sem conclusões concretas.

Mais tarde, na cúpula no Vietnã, em fevereiro de 2019, as relações entre os dois países voltaram a piorar depois que os EUA exigiram que a Coreia do Norte renunciasse a todas as armas nucleares, com a Coreia do Norte exigindo a remoção de todas as sanções.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2020061215698741-trump-quis-obter-conquistas-com-coreia-do-norte-sem-medidas-reciprocas-afirma-pyongyang/

'Busca deliberada por confronto': Coreia do Norte condena exercícios militares de Seul

Líder norte-coreano Kim Jong-un (fora da tela) supervisionando um exercício de subunidades de morteiros do Exército da Coreia do Norte, 10 de abril de 2020
© REUTERS / KCNA

De acordo com a agência estatal de notícias norte-coreana KCNA, militares da Coreia do Sul realizaram exercícios conjuntos em águas disputadas no mar Ocidental da Coreia (mar Amarelo) para "lidar com o poder de fogo do Norte".

O Ministério do Exército Popular da Coreia do Norte (EPC) condenou recentes exercícios militares no mar Ocidental da Coreia, qualificando-os como "grave provocação", "jogada imprudente" e "busca deliberada por confronto", de acordo com uma declaração de um porta-voz do ministério, citado pela KCNA.

"Os militares da Coreia do Sul não escondem o fato de que os exercícios militares conjuntos visavam aperfeiçoar as capacidades de lidar com o poder de fogo do Norte, [de arquitetar] 'provocações' surpresas e de atacar a base das 'provocações do inimigo', repelindo as forças que o apoiam. Tudo está agora voltando ao ponto de partida, antes da cúpula realizada em 2018 entre [as Coreias do] Norte e Sul", lê-se no comunicado.

Porta-voz norte-coreano criticou também as alegações de Seul quanto aos exercícios realizados pela Coreia do Norte, observando que a Coreia do Sul respondeu à "cada exercício militar executado por nós com as palavras do tipo suspensão e lamentável".

Dos exercícios militares que foram realizados na quarta-feira (6) e condenados por parte da Coreia do Norte, participaram cerca de 20 caças F-15K, KF-16, e FA-50 do comando de combate aéreo da Força Aérea da Coreia do Sul, além de barcos de assalto pertencentes à 2ª Frota da Marinha sul-coreana.

Segundo o porta-voz norte-coreano, os exercícios "nos despertaram novamente ao fato óbvio de que os inimigos continuam sendo inimigos o tempo todo".

"Devemos permanecer como um espectador passivo quando o inimigo fica fervoroso enquanto apelam abertamente a um ataque contra nós?", indaga o comunicado da Coreia do Norte.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020050815552667-busca-deliberada-por-confronto-coreia-do-norte-condena-exercicios-militares-de-seul/

Serviços secretos sul-coreanos sugerem causas do 'desaparecimento' de Kim Jong-un

Sul-coreanos assistem a uma reportagem televisiva sobre o líder norte-coreano Kim Jong-un em Seul, na Coreia do Sul, 21 de abril de 2020
© REUTERS / Heo Ran

O líder norte-coreano Kim Jong-un esteve ausente dos acontecimentos públicos durante muito tempo devido à necessidade de resolver assuntos internos, bem como à situação com o coronavírus, disse agência de espionagem sul-coreana.

De acordo com o Serviço Nacional de Inteligência (NIS, na sigla em inglês) da Coreia do Sul, Kim tem se concentrado nas remodelações internas de pessoal, na realização de reuniões pessoais sobre questões de Estado do partido e no reforço do poder militar, incluindo a situação em torno do coronavírus, cita a agência de notícias Yonhap.

Desde o início deste ano, Kim Jong-un só apareceu em público 17 vezes, o menor número de vezes desde que esteve no poder, afirmaram os serviços secretos. No entanto, isto não significa que o líder da Coreia do Norte tenha necessariamente tido graves problemas de saúde.

"Pelo menos, considera-se que Kim não foi operado ou não foi submetido a um procedimento médico relacionado ao seu coração", afirmou a jornalistas o deputado democrata Kim Byung-kee.

Apesar dos relatórios oficiais de Pyongyang, segundo os quais não houve casos de contaminação pela COVID-19, os serviços secretos sul-coreanos não excluem, contudo, que tenha havido infecção por coronavírus em solo norte-coreano, dado o nível de trocas humanitárias com a China no momento em que a fronteira foi fechada no final de janeiro.

"Mesmo quando Kim não apareceu em público, ele estava administrando assuntos do Estado como sempre", declarou o NIS.

No dia 2 de maio, veículos de comunicação norte-coreanos noticiaram a primeira aparição do líder Kim Jong-un em 20 dias. Durante a sua ausência, os rumores de graves problemas de saúde ou mesmo da sua possível morte espalharam-se nas mídias ocidentais, sul-coreanas e japonesas.

Líder norte-coreano Kim Jong-un assiste à conclusão de uma fábrica de fertilizantes, em uma região a norte da capital, Pyongyang, em 2 de maio de 2020
© REUTERS / KCNA
Líder norte-coreano Kim Jong-un assiste à conclusão de uma fábrica de fertilizantes, em uma região a norte da capital, Pyongyang, em 2 de maio de 2020

Em imagens publicadas da cerimônia de abertura da fábrica de fertilizantes na cidade norte-coreana de Sunchon, Kim parecia alegre e saudável, sorrindo e gesticulando com os seus companheiros. No entanto, alguns meios de comunicação relataram, após analisar as fotografias, que ele alegadamente tinha sinais de cirurgia no braço, enquanto outros relataram problemas com a sua perna.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020050615540594-servicos-secretos-sul-coreanos-sugerem-causas-do-desaparecimento-de-kim-jong-un/

Kim Jong-un aparece em público e acaba com rumores acerca da sua saúde

 
 
 
O líder da Coreia do Norte apareceu em público pela primeira vez em mais de um mês, indicou a agência de notícias oficial.
 
Kim Jong-un, participou na inauguração de uma fábrica de fertilizantes em Sunchon, norte de Pyongyang, segundo a KCNA.
 
O líder norte-coreano "assistiu à cerimónia" e "todos os participantes gritaram 'urra'" quando ele apareceu, indicou a KCNA. Ao contrário do que é costume, a agência não publicou fotografias do ocorrido.
 
A última vez que o ditador foi visto remonta a 11 de abril, quando presidiu a uma reunião do Partido dos Trabalhadores para a tomada de medidas no combate à pandemia num dos poucos países que oficialmente não têm um único caso de covid-19.
 
Citando fontes dos serviços secretos norte-americanos, a CNN avançou no dia 20 de abril com a notícia de que Kim Jong-un estaria em risco de vida após uma cirurgia ao coração.
 
A informação de que o ditador teria sido operado no dia 12 foi avançada pelo site sul-coreano sobre a Coreia do Norte Daily NK. De acordo com este órgão escrito por desertores, a intervenção deveu-se ao "tabagismo desmedido, obesidade e sobrecarga de trabalho", mas que estaria a recuperar em Hyangsan, no interior do país, e que parte da equipa médica já teria voltado à capital.
 
Os rumores intensificaram-se e inclusive o site norte-americano TMZ chegou a dar o autocrata como morto. As autoridades sul-coreanas, por norma bem informadas, designaram de "notícias falsas" as respeitantes ao neto do fundador da Coreia do Norte.
 
Diário de Notícias

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/kim-jong-un-aparece-em-publico-e-acaba.html

Pacientes recuperados voltam a ter sintomas na Coreia do Sul

Reativação do vírus assusta comunidade médica internacional. Existe a possibilidade de haver erro nos exames ou a reativação não representar risco.

 

 

A Coreia do Sul relatou nesta segunda-feira (13) que pelo menos 116 pessoas inicialmente recuperadas do novo coronavírus voltaram a se infectar, mas autoridades deram a entender que em breve estudarão amenizar as recomendações rigorosas adotadas para evitar novos surtos.

O país só comunicou 25 casos novos nesta segunda-feira, o menor após o número de casos diários chegar a mais de 900 no final de fevereiro, mas o aumento de pacientes “reativados” causou preocupação enquanto o país se dedica a acabar com as infecções.

Autoridades ainda estão investigando a causa das recaídas aparentes, mas Jung Eun-kyung, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC), disse que o vírus pode ter sido reativado, ao invés de os pacientes terem sido reinfectados.

Outros especialistas disseram que exames defeituosos podem estar desempenhando um papel, ou que resquícios do vírus ainda podem estar nos sistemas dos pacientes, mas não serem infecciosos ou ameaçarem o hospedeiro ou outros.

Os 116 casos são mais do que o dobro dos 51 do mesmo tipo que a Coreia do Sul relatou uma semana atrás. Especialistas acreditam que esse número de “reativações” pode continuar aumentando.

A perspectiva de pessoas re-infectadas com o vírus é preocupação internacional, pois muitos países esperam que as populações infectadas desenvolvam imunidade suficiente para impedir o ressurgimento da pandemia.

Envio de exames

A Coreia planeja enviar 600 mil conjuntos de exames de coronavírus aos Estados Unidos na terça-feira, a primeira remessa do tipo após um pedido do presidente norte-americano, Donald Trump, disse uma autoridade de Seul à Reuters nesta segunda-feira.

Enquanto isso, líderes governamentais pediram aos sul-coreanos que continuem a seguir as diretrizes e restrições a reuniões sociais, mas insinuaram que tais medidas podem ser amenizadas em breve.

A Coreia do Sul pediu à população que cumpra o distanciamento social rígido ao menos até 19 de abril, mas como o número de casos diminuiu e o clima melhorou, uma quantidade crescente de pessoas vêm desrespeitando as diretrizes.

Em uma reunião de gerenciamento de desastres realizada nesta segunda-feira, o primeiro-ministro, Chung Sye-kyun, disse que em breve o governo estudará o afrouxamento das diretrizes, que pedem que as pessoas fiquem em casa, evitem aglomerações de qualquer tipo e só saiam por motivos essenciais.

Alguns governos locais impuseram medidas mais rigorosas, como fechar bares e clubes noturnos, proibir grandes manifestações e limitar os cultos em igrejas.

Chung alertou que, mesmo quando as restrições forem suavizadas, o país não voltará à vida como era antes do surto.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/reativacao-do-virus-pacientes-recuperados-voltam-a-ter-sintomas-na-coreia-do-sul/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=reativacao-do-virus-pacientes-recuperados-voltam-a-ter-sintomas-na-coreia-do-sul

Coreia do Norte batalha contra coronavírus apesar de sanções

Líder norte-coreano, Kim Jong-un, discursa durante cerimônia de lançamento da pedra fundamental de novo hospital em Pyongyang, em 17 de março de 2020
© REUTERS / KCNA

Apesar do alto número de médicos per capita, a Coreia do Norte precisa importar equipamentos médicos para combater o coronavírus. Mas as sanções internacionais impostas a Pyongyang tornam essa tarefa bastante complicada.

Organizações humanitárias devem pedir autorização à ONU para enviar equipamentos médicos para a Coreia do Norte, que é alvo de sanções econômicas internacionais.

As sanções proíbem que a Coreia do Norte importe computadores ou objetos metálicos, o que restringe sua capacidade de comprar equipamentos de saúde.

Grupos de ajuda internacional solicitaram à ONU que garanta autorizações para o envio de termômetros, ventiladores médicos, reanimadores, luvas, protetores faciais, máscaras e óculos protetores.

"Os norte-coreanos precisam de ajuda e já a solicitaram, mas o processo está emperrado", disse à Reuters uma fonte de um grupo de ajuda.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, que informou não precisar de autorização especial para importar luvas e máscaras respiratórias, informou que um carregamento desses provimentos deve chegar nesta semana a Pyongyang.

Público assiste à cerimônia de lançamento da pedra fundamental de novo hospital em Pyongyang, em 17 de março de 2020

© REUTERS / KCNA
Público assiste à cerimônia de lançamento da pedra fundamental de novo hospital em Pyongyang, em 17 de março de 2020

A Coreia do Norte tem um alto número de médicos per capita, mas seu sistema de saúde sofre com a escassez de equipamentos médicos sofisticados, reportou a Reuters.

Pyongyang reage

Até agora a Coreia do Norte não confirmou nenhum caso de COVID-19, mas, de acordo com Kee Park, da Escola de Medicina de Harvard, isso pode significar que Pyongyang não tenha acesso adequado a equipamentos de teste.

"Para confirmar [casos] é necessário realizar testes confirmando o diagnóstico", notou.

De acordo com a agência de notícias estatal KCNA, dentre as "medidas preventivas super rigorosas" impostas pela Coreia do Norte para prevenir a propagação do novo coronavírus está a imposição de quarentena de 10 dias a quaisquer produtos importados.

Fábricas de tecidos teriam modificado suas linhas de produção para produzir máscaras, informou a KCNA. A agência também informou que funcionários estão desinfetando caminhões e trens provenientes do exterior.

A Coreia do Norte informou que está monitorando milhares de casos suspeitos de COVID-19. A Rússia, por sua vez, anunciou ter enviado 1.500 kits de teste para o coronavírus a pedido do governo de Pyongyang.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020032015352779-coreia-do-norte-batalha-contra-coronavirus-apesar-de-sancoes/

Creia do Norte: adoptadas medidas anti-epidémicas mais estritas

– Zero infectados e zero mortes por coronavírus na República Democrática Popular da Coreia até 14/Março/20

por Pyongyang Times [*]

. A República Democrática Popular da Coreia (RDPC) está mais uma vez a intensificar esforços anti-epidémicos à escala nacional de um modo científico para impedir o COVID-19 de entrar e propagar-se no país.

O país reforça a inspecção dos materiais que entram através das fronteiras e dos portos e coloca-os em estações de quarentena plenamente equipadas com desinfectantes eficazes, sprayers, fatos de protecção e material perfeitamente desinfectado.

Eles inspeccionam e desinfectam veículos, navios e materiais cuidadosamente, deixando os materiais em lugares bem fechados durante dez dias e entregam-nos aos destinatários de acordo com procedimentos e ordens estabelecidos pelo estado.

De acordo com o recente prolongamento das férias escolares, os estudantes são solicitados a não se deslocarem.

A libertação da quarentena de estrangeiros, viajantes do exterior, contactos e outros que tenham estado sob observação médica é adequadamente executada sob a instrução unificada da sede central de emergência anti-epidémica.

Mais de 990 pessoas na Província Phyongan Norte e mais de 720 em Phyongan Sul foram libertadas da quarentena, incluindo a libertação recente de mais 70 que não apresentavam sintomas suspeitos.

Todas as províncias estão a examinar os períodos de isolamento daqueles em quarentena a fim de os libertar se se confirmar não terem sintomas relacionados com a infecção coronavírus. E mesmo após a libertação eles ficam sob atenta observação médica durante 30 dias.

14/Março/2020
Ver também:

Esta notícia encontra-se em https://resistir.info/ .

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/coreia/coronavirus_14mar20.html

China e República da Coreia estabelecem mecanismo conjunto para lutar contra COVID-19

Resultado de imagem para China e a República da Coreia

Beijing, 14 mar (Xinhua) -- A China e a República da Coreia estabeleceram na sexta-feira um mecanismo conjunto de resposta e cooperação sobre a COVID-19 e realizaram a primeira videoconferência.

A missão é implementar o importante consenso alcançado pelos chefes de Estado dos dois países, fortalecer a comunicação e a colaboração bilaterais, coordenar os esforços de prevenção e controle dos dois países, a fim de conquistar uma pronta vitória sobre a epidemia em favor da saúde e bem-estar dos dois povos, e ao mesmo tempo manter e impulsionar os intercâmbios e a cooperação bilaterais.

O mecanismo será liderado pelos dois ministérios de Relações Exteriores e integrado pelas agências governamentais responsáveis pela saúde, educação, alfândegas, imigração e aviação civil.

Durante a videoconferência, os participantes elogiaram os esforços de controle em ambos os países e a cooperação entre seus departamentos correspondentes. Eles discutiram as prioridades e as medidas de cooperação concretas para o próximo passo e concordaram em reunir-se novamente em vista do desenvolvimento da epidemia.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/14/c_138877470.htm

Socialismo e democracia na Coreia Popular

por Dad Tankie

A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) é continuamente tratada como um vilão na política internacional. O "reino eremita" é pintado como tirânico, repressivo e dinástico. Neste ensaio, quero argumentar o oposto: a Coreia do Norte é um país profundamente democrático, e isso reflete seus valores socialistas.

Ao contrário da crença popular, eleições acontecem de fato na RPDC. A mídia burguesa, como o canal Al Jazeera em ingls, admite isso. Contudo, eles retratam as eleições de uma forma incrivelmente desonesta. Uma reportagem alegou que as eleições consistem somente num voto sim/não num único candidato selecionado pelo partido, depositado à vista do público e com a abstenção exigindo uma explicação por escrito [1] . Isso é na melhor da hipóteses uma meia-verdade e, na pior, totalmente fabricado. Aqui, irei argumentar que a RPDC é democrática, e uma das razões para isso são suas eleições.

Democracia

Plen Antes de seguir, entretanto, devemos nos dotar de uma definição do que realmente é democracia. Em minha opinião, devemos retornar à própria palavra. Demos quer dizer povo, enquanto -krata é usado como governo [ou domínio]. Democracia, portanto, deve significar governado pelo povo. É assim que o sítio dictionary.com define o termo. Eles dizem que democracia é "governo pelo povo; a forma de governo em que o poder supremo reside no povo e é exercido por ele ou por seus agentes eleitos sob um sistema eleitoral livre" [2] . Uma democracia é uma sociedade na qual a maioria do povo possui a habilidade de tomar decisões sobre sua vida política e social. Minha escolha em usar o dicionário aqui não pressupõe que dicionários são a autoridade suprema das definições. É simplesmente para evitar acusações de que minha definição de democracia é ideológica. Eu não inventei uma definição de democracia que inclui a RPDC para forçar o leitor a considerá-la democrática. Usei uma fonte tradicional cuja agenda política é oposta à minha.

A RPDC tem eleições distritais, municipais e provinciais para as assembleias populares locais, assim como eleições nacionais para a Assembleia Popular Suprema (APS), seu órgão legislativo. Elas acontecem a cada cinco anos.

Candidatos são escolhidos em reuniões de massa presididas pela Frente Democrática para a Reunificação da Pátria, que reúne os partidos políticos da RPDC. Cidadãos podem concorrer sob esses partidos ou como independentes. São escolhidos pelo povo, não pelo "partido" (na verdade, o parlamento da RPDC consiste em três partidos separados, como, nas últimas eleições, o PTC – Partido dos Trabalhadores da Coreia, o Partido Social-Democrata da Coreia e o Partido Chondoísta Chongu) [3] .

O fato de haver apenas um candidato na cédula é por já haver um consenso alcançado sobre quem deve estar apto para a nomeação pelo povo nas reuniões de massas, para aquela posição. Esse é um arranjo verdadeiramente democrático, que põe o poder diretamente nas mãos do povo ao invés das dos "representantes" ricos que não têm ideia de como a maioria vive. De acordo com um relatório, a renda média de um membro do congresso dos EUA é 14 vezes maior que a de um cidadão médio [4] . É simplesmente impossível eles conhecerem as lutas das massas. Na RPDC, ao contrário, as massas advogam por si mesmas diretamente. Elas entendem seus próprios interesses e são capazes de avançar abertamente em sua defesa. É isso que a verdadeira democracia implica.

A RPDC permite observadores estrangeiros nas suas eleições. As pessoas votam sozinhas numa sala separada e gozam de privacidade. As reuniões de massa exigem a contribuição das massas populares, então elas não são secretas, nem deveriam ser, já que isso impediria o processo democrático e tornaria mais difícil para os deputados atenderem diretamente às necessidades e demandas do povo. Elas são mais que votos e cédulas, são reuniões onde o povo tem voz e o poder de impactar o sistema político de forma significativa.

O Comitê Central Eleitoral é composto por vários membros da APS, do PTC e do Presidium [colegiado eleito pela APS]. É formado por uma votação do Presidium. A RPDC demonstra uma estabilidade política extensiva e eu desconheço qualquer candidato escolhido pelo povo sendo repreendido por qualquer parte do processo democrático. As eleições são efetivamente salvaguardadas de qualquer corrupção do processo democrático que ocorre durante as reuniões de massa. É de se esperar, portanto, que o resultado conte com apoio absoluto porque um não-voto indica que as reuniões de massa falharam em chegar num consenso com apoio popular [5] .

Aqui, vemos a profunda diferença das eleições na RPDC e nos Estados Unidos. As eleições americanas são desenhadas meramente para dar a ilusão de participação popular no governo. Cidadãos têm que escolher, efetivamente, entre dois candidatos que ambos representam os interesses dos grandes negócios. É virtualmente impossível fugir do sistema bipartidário, a não ser para alguém independentemente rico. Ross Perot, por exemplo, só foi capaz de concorrer contra bilionários por causa do seu status de bilionário [6] . Ele só conseguiu fugir do sistema bipartidário imposto pelo capitalismo corporativo porque ele próprio encarnava o capitalismo corporativo. Vez após vez, vemos que é o candidato com mais dinheiro que ganha as eleições nos Estados Unidos [7] . Na formulação das políticas, são os grupos de interesse endinheirados que conseguem o que querem, não as pessoas comuns da classe trabalhadora [8] . Apesar da veneração à democracia adotada pelos EUA, é na verdade uma ditadura da classe capitalista. Não há alternativa genuína aos interesses do capital (que são na realidade os interesses de uma minoria de donos de negócios) e portanto não há democracia real.

Na RPDC, contudo, a democracia floresce. Como vimos, é desenhada com o objetivo explícito de dar poder às massas populares. A votação do não é resultado direto disso. Não é a evidência da monopolização do poder nas mãos do Partido, mas uma evidência do poder do povo. Os votos não crescem quando as discussões das massas se tornam muito contenciosas. Em certo sentido, as massas às vezes têm poder demais. As eleições existem para mediar isso e chegar a conclusões verdadeiramente democráticas, nas quais a vontade da maioria é decretada. As eleições não são uma barreira para a democracia, mas uma expressão dela.

Os cidadãos nos países capitalistas tipicamente só ficam cientes de um aspecto do processo eleitoral na RPDC. São levados a acreditar que apenas um candidato aparece na cédula, e isso é usado para pintar a RPDC como ditatorial. O mesmo método de informação seletiva pode ser usado para deturpar os sistemas "democráticos" ocidentais. Se a mídia cobrisse apenas o colégio eleitoral durante uma eleição americana, por exemplo, podem afirmar facilmente que apenas 538 americanos puderam votar para presidente. Isso revela a importância de pesquisa rigorosa sobre a RPDC. Embora possa haver elementos verdadeiros nas informações ocidentais sobre a RPDC, eles nunca revelam a imagem completa. É vital que descubramos por conta própria e que nos recusemos a confiar na mídia burguesa dos Estados Unidos.

Democracia e economia: o sistema de trabalho Taean, cooperativas e comitês de fábrica

Eleições, no entanto, não são o único indicador pelo qual se pode determinar uma democracia. Os Estados Unidos têm eleições, mas eu acabei de demonstrar que são antidemocráticas. Isso deve significar que as arenas para além do parlamento (ou órgãos similares) também cumprem um papel na classificação de um país como democrático ou não. Na minha visão, um campo importante a se considerar quando se fala em democracia é a economia. É a economia que determina se ficamos vivos ou não, sem falar nas formas políticas que adotamos. Seria virtualmente impossível passar um dia teorizando sobre política se alguém tivesse que se preocupar se comeria ou não naquela noite. Assim, a questão sobre quem controla a economia é importante. Se uma pequena minoria de indivíduos controla a economia, então se segue que este mesmo grupo tem a palavra final na política, na arte e na cultura de uma sociedade particular. Isso pode ser visto nos Estados Unidos. A minoria da população é feita de proprietários ricos, que exercem uma enorme parcela de controle sobre as políticas. Eles só sustentam esse poder político porque têm dinheiro. É portanto o caso de que o centro primário de poder na sociedade é a economia. As sociedades só podem ser consideradas democráticas e as massas do povo dirigem a economia assim como a esfera política.

Este obviamente não é o caso sob o capitalismo, mas será esse o caso na RPDC? Eu argumentaria que é. Os espaços de trabalho na RPDC são geridos de acordo com o Sistema de Trabalho Taean, que é descrito da seguinte forma pelo Country Data [site da Divisão Federal de Pesquisa da Biblioteca do Congresso]:

A máxima autoridade administrativa sob o sistema Taean é o comitê do partido. Cada comitê consiste em aproximadamente 25 a 35 membros eleitos das fileiras de gestores, trabalhadores, engenheiros e as lideranças das organizações do povo trabalhador nas fábricas. Um "comitê executivo" menor, aproximadamente um quarto do tamanho do comitê principal, tem responsabilidade prática pelas operações rotineiras da planta e pelas principais decisões da fábrica. Os membros mais importantes da equipe, incluindo a secretaria do comitê do partido, gerente de fábrica e engenheiro chefe formam seus quadros. O sistema foca na cooperação entre os trabalhadores, técnicos e funcionários do partido no nível da fábrica. [9]

Esse sistema persistiu por muito tempo na RPDC. No seu discurso de Ano Novo no trigésimo aniversário do Sistema de Trabalho Taean, Kim Il-Sung disse:

O Sistema de Trabalho Taean é o melhor sistema de gestão econômica. Ele permite que as massas cumpram sua responsabilidade e seu papel de mestres e administrem a economia de maneira científica e racional, implementando a linha de massa na gestão econômica e combinando organicamente a liderança do partido com orientação administrativa, econômica e técnica. [10]

A economia da RPDC é um misto de propriedade estatal e economia cooperativa, nesta última com os trabalhadores constitucionalmente intitulados donos do seu espaço de trabalho. De acordo com a Constituição da RPDC:

Artigo 22
A propriedade das organizações sociais cooperativas pertence à propriedade coletiva das pessoas que trabalham nas organizações envolvidas.
Organizações sociais cooperativas podem possuir propriedades como terras, maquinaria agrícola, navios, pequenas e médias fábricas e empreendimentos.
O Estado deve proteger a propriedade das organizações sociais cooperativas. [11]

A revolução coreana criou oportunidades inimagináveis para trabalhadores e camponeses sob as condições opressivas do passado. O especialista na Coreia Bruce Cumings escreve: "em qualquer momento antes de 1945, era praticamente inconcebível que camponeses pobres sem formação se tornassem oficiais de nível nacional ou oficiais do exército. Mas na Coreia do Norte essas carreiras tornaram-se normais" [12] . Ele também observa que casamentos entre classes tornaram-se normais, comuns e difundidos com o estabelecimento da Coreia Democrática, e o acesso à educação foi estendido a todos os setores da sociedade.

A parte mais importante da economia é indiscutivelmente a propriedade da terra. Antes dessa revolução, a terra era concentrada nas mãos de uma elite japonesa muito pouco numerosa. O Partido dos Trabalhadores empreendeu um processo gradual, mas sólido de conversão da terra privada em organizações cooperativas. Começando com o processo de reconstrução pós-guerra, só 1,2% dos domicílios camponeses eram organizados em cooperativas, o que abrangia meros 0,6% da área cultivada [13] . Em agosto de 1958, 100% dos domicílios rurais estavam convertidos em cooperativas, abrangendo 100% da área cultivada [14] . Ellen Brun, uma economista cujo estudo de 1976, Coreia Socialista, continua sendo o mais abrangente até o momento, escreve que "apesar da falta de meios modernos de produção, as cooperativas – com assistência eficiente pelo estado – rapidamente mostrou sua superioridade em relação ao cultivo individual, até convencendo agricultores antes relutantes a participar do movimento" [15] . A coletivização não foi forçada de cima, mas uma expressão dos desejos das massas. Foi – e continua sendo – uma ação democrática.

Comitês populares locais, nos quais qualquer trabalhador coreano pode participar, elegeram a liderança para dirigir a produção agrícola e colaboraram com as autoridades nacionais para coordenar a eficiência a nível nacional [16] . Esses comitês populares foram as instâncias primárias por onde "o Partido mantinha contato com as massas nas várias fazendas coletivas, permitindo assim avaliar a opinião pública sobre assuntos que afetam as políticas dos comitês populares do país" [17] . Em 1966, o Partido dos Trabalhadores introduziu o "sistema de administração em grupo", que "organizou grupos de 10 a 25 agricultores em unidades produtivas, cada um das quais ficando então permanentemente encarregado de uma determinada área de terra, uma determinada tarefa ou certos instrumentos de produção" [18] . Isso representa outro instrumento da democracia popular implementada na produção da Coreia socialista.

Nenhum antagonismo sério entre as áreas rurais e os centros industriais foi desenvolvidos no processo de construção socialista na Coreia Democrática. Brun nota que "dezenas de milhares de homens desmobilizados e muitos jovens e velhos formandos assim como pupilos do ensino médio foram ao campo na temporada mais trabalhosa e prestaram assistência no valor de milhões de dias de trabalho", todos voluntariamente sem coerção pelo estado [19] .

Mais importante ainda, a construção socialista coreana reorganizou a produção industrial pelos interesses do proletariado coreano antes despossuído. Baseando-se na linha de massas – o método de organização marxista-leninista que "é tanto a causa quanto o efeito da politização e do envolvimento das massas no processo de desenvolvimento econômico e construção socialista" – o PTC implementou o sistema de trabalho Taean, descrito acima, em dezembro de 1961. Em contraste com o sistema anterior, em que administradores eram nomeados para supervisionar um espaço de trabalho unilateralmente por um único membro do partido, "o comitê de fábrica do Partido assume a autoridade máxima no nível do empreendimento" no sistema de trabalho Taean [20] . Brun segue descrevendo esse sistema, e vou citá-la longamente:

Maneiras de resolver questões que afetam a produção e a atividade dos trabalhadores, assim como métodos de executar decisões, são alcançados através de discussões coletivas nos comitês de fábrica, cujos membros são eleitos pelos membros do Partido na fábrica. Para ser efetivo, esse comitê deve ser relativamente pequeno, com o número preciso de participantes a depender do tamanho do empreendimento. Na Central Elétrica Daean, com cinco mil trabalhadores, o comitê de fábrica do Partido conta com 35 membros que se reúnem uma ou duas vezes ao mês, enquanto que 9 membros do quadro executivo mantém contato contínuo. Sessenta por cento dos seus membros são trabalhadores da produção, com o restante representando uma seção intersetorial de todas as atividades da fábrica, incluindo funcionários, gerentes, vice-gerentes, engenheiros, técnicos, representantes de organizações de mulheres, de jovens, do sindicato, e dos funcionários administrativos. Sua composição portanto dá acesso a todo aspecto socioeconômico do empreendimento e das vidas dos seus trabalhadores.

Esse comitê se tornou o chamado "volante [ou timão]" da unidade industrial, conduzindo a educação ideológica e mobilizando os trabalhadores a implementar decisões coletivas e cumprir as metas de produção. Através da sua conexão com o Partido ele tem uma visão clara das políticas e objetivos gerais assim como da função exata da unidade produtiva no contexto nacional. Em outras palavras, essa configuração garante que seja dada prioridade à política. [21]

Os trabalhadores têm iniciativa e supremacia na produção e interagem diretamente com o estado para planejar e executar a produção coletivista em nome de todo o povo coreano. O fato de a economia ser administrada, muitas vezes diretamente, pelo todo da sociedade é uma evidência de que o país é democrático. Os trabalhadores não ficam presos em espaços de trabalho onde recebem ordens de cima para baixo, como ficam os trabalhadores nos Estados Unidos, em vez disso eles têm voz sobre o que é produzido e como é produzido. O povo tem voz sobre a economia e portanto sobre todos os outros aspectos da vida. Isso, como eu argumentei, significa que o país é largamente mais democrático que todos os países capitalistas, até os mais avançados.

Muitos alegam que o firme estabelecimento da política "Songun", uma política que o Partido dos Trabalhadores da Coreia descreve como "dar prioridade às armas e às forças armadas" [22] , anula os ganhos democráticos mencionados acima. Gostaria de afirmar que este não é o caso. Apesar da insistência ocidental na suposta novidade da política Songun, a história oficial da RPDC aponta para o desenvolvimento Songun mesmo décadas antes da RPDC ser formada. É importante notar isso porque deixa evidente como uma luta anti-imperialista e essencialmente de libertação nacional caracterizou a política da Coreia socialista desde o início [23] . Independentemente disso, o colapso da União Soviética trouxe mudanças qualitativas à estrutura política da RPDC. Notavelmente, a Comissão de Defesa Nacional se tornou a "espinha dorsal do corpo administrativo estatal" e "comanda todo o trabalho da política, militar e econômico". Isso pode ser atribuído em grande parte à posição única que a RPDC assumiu após seu isolamento internacional de fato em meados da década de 1990. A queda da União Soviética significou uma profunda austeridade econômica, e mais ainda, significou um fortalecimento dos EUA e um sul comprador . Isso significa que a RPDC foi forçada a seguir um caminho profundamente militarista de desenvolvimento (daí a superioridade da Comissão Nacional de Defesa e a ampla disseminação da política Songun) [24] .

À luz dessas contradições, devemos examinar os órgãos de poder de classe na RPDC, nomeadamente os órgãos estatais e a sua relação com o povo coreano em geral. Evidentemente, os órgãos estatais da RPDC exercem autoridade suprema sobre a economia e a vida social. O estado, constitucionalmente, representa os interesses do povo trabalhador e, portanto, excluiu legalmente exploradores e opressores de representação formal:

O sistema social da RPDC é um sistema centrado no povo, sob o qual o povo trabalhador é mestre de tudo, e tudo na sociedade serve ao povo trabalhador. O Estado deve defender e proteger os interesses dos trabalhadores, camponeses e trabalhadores intelectuais que foram libertados da exploração e opressão e se tornaram senhores do Estado e da sociedade. [25]

Portanto os órgãos políticos de poder de classe se tornaram explicitamente os órgãos proletários de poder de classe; ao menos no sentido fornecido constitucionalmente ao povo coreano. A força política dirigente na RPDC continua sendo o Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC) que ocupa 601 das 687 cadeiras da Assembleia Popular Suprema e a liderança de fato da coalizão governante Frente Democrática para a Reunificação da Pátria [26] . Todos os coreanos acima de 17 anos, independente de raça, religião, sexo ou crença, são habilitados e encorajados a participarem nos órgãos estatais de poder. Eleições são realizadas rotineiramente para órgãos locais e centrais de poder estatal, sendo que normalmente são as Assembleias Populares que compreendem o núcleo do poder estatal na RPDC, de onde vêm os órgãos destacados de poder de classe sendo institucionalmente a Comissão Nacional de Defesa e o Exército Popular da Coreia (EPC) [27] .

Como mencionado anteriormente, o caminho Songun significou desenvolvimento material nas realidades sociais que consistem no que o ocidente considera a Coreia do Norte. A enorme ênfase no avanço e poder militar apenas ajudou os detratores imperialistas na sua descrição da RPDC como uma "ditadura militar". Essa é, na melhor das hipóteses, uma análise no nível superficial. É considerada a maior honra para um coreano servir à sua pátria na luta contra o imperialismo ao se juntar ao Exército do Povo Coreano. Diferente de outras forças militares permanentes, o EPC está definitivamente envolvido na construção social e material do socialismo na Coreia do Norte. Entender isso nos ajuda a entender como os desenvolvimentos internos únicos da Coreia socialista criaram uma expressão única de poder de classe.

 

Inaugura

As pessoas também são intimamente conectadas aos líderes da RPDC, os quadros do Partido. Os quadros do Partido são uma característica inevitável do aparato político da Coreia do Norte e portanto possivelmente a ligação mais próxima que o povo coreano tem com seus órgãos formais de poder. Os quadros, assim como funcionários e administradores do Partido, são conhecidos por visitarem locais de trabalho e fornecerem motivação e direção ao povo trabalhador [28] . Isso contrasta fortemente com a relação entre políticos capitalistas e cidadãos. Nos países capitalistas, políticos estão muito distantes do povo e não têm ideia de como são suas lutas. Na RPDC, o oposto é verdadeiro.

A classe trabalhadora é a vasta maioria da população da RPDC (por volta de setenta por cento [29] ), por isso a gestão do estado pela classe trabalhadora significa que o estado é gerido pela maioria da população. Isso é condizente com a definição de democracia proposta anteriormente.

O sistema prisional

Alega-se frequentemente que nada disso importa porque os norte-coreanos são forçados a se envolver em trabalho duro por seus crimes. O estado mantém 200 mil presos políticos, de acordo com a Anistia Internacional. "É o mesmo estado que fuzilou três cidadãos norte-coreanos que tentavam cruzar a fronteira para a China no final de dezembro [de 2016]." [30]

Uma avaliação mais cuidadosa do sistema prisional norte-coreano ironicamente vem do historiador liberal burguês Bruce Cumings . No seu livro de 2004, North Korea: Another Country [Coreia do Norte: Outro país], ele nota que a maioria das críticas ao sistema penal coreano é grosseiramente exagerada. Por exemplo, ele escreve que "Criminosos comuns que cometem crimes menores e juvenis com uma compreensão incorreta do seu lugar na família-estado que cometem pequenas infrações políticas são enviados a campos ou minas para trabalho duro e variadas durações de encarceramento", cujo objetivo é reeducá-los. Isso reflete um entendimento materialista das raízes do crime, que emerge em grande parte das condições materiais e de ideias incorretas de uma pessoa, que pode ser mudada através da alteração das condições da pessoa. É importante notar que a vasta maioria dos criminosos no sistema penal coreano cai nessa categoria e por isso o objetivo é reabilitar e reeducar, ao contrário dos objetivos punitivos do sistema penal americano.

Cumings nota o contraste entre o sistema de justiça criminal da Coreia Democrática e o dos Estados Unidos, especialmente em termos do contato e suporte do prisioneiro pela sua família. Ele escreve:

O [livro] Aquários de Pyongyang é um conto interessante e crível, precisamente porque, de modo geral, não é a história horrível de repressão totalitária que seus editores originais da França queriam que fosse; em vez disso, sugere que o encarceramento de uma década com sua família imediata era suportável e não necessariamente um obstáculo para a entrada no status de elite de residir em Pyongyang ou entrar numa faculdade. Enquanto isso temos um duradouro e interminável gulag repleto de homens negros em nossas prisões, encarcerando mais de 25% de toda a juventude negra. [32]

Também devemos observar que o único norte-coreano a escapar de uma prisão, Shin Dong-hyuk, desmentiu grande parte da sua estória Escape from Camp 14 ("Fuga do Campo 14"). De acordo com um artigo do New York Times sobre o tema,

Sr. Shin, que diz que tem 32 anos, agora diz que o fato chave que o diferenciava de outros desertores – que ele e sua família tinham sido encarcerados numa prisão da qual ninguém esperava sair vivo – era só uma meia-verdade, e que na verdade ele serviu na maior parte do tempo no menos rude Campo 18. Ele também disse que a tortura que ele sofreu quando adolescente, aconteceu na verdade anos depois e foi aplicada por razões muito diferentes. [33]

Similarmente, a revelação de que armas químicas são usadas em prisioneiros no Campo 22 já foi provada espúria. A história foi inventada no documentário da BBC de 2004, Access to Evil ("Acesso ao mal"). O documentário conta com diversas entrevistas com Kwon Hyok, um desertor da RPDC e ex-chefe da segurança do campo. A evidência do documentário para essa acusação também foi baseada numa "Carta de Transferência" supostamente autorizando experimentos em seres humanos. Essas acusações, contudo, foram totalmente fabricadas. Até as agências de inteligência da Coreia do Sul rapidamente assumiram os documentos como falsos. Escrevem:

Primeiro, foi revelado que Kwon não foi representante militar em Pequim, como afirmava. Depois, focou-se a atenção na Carta de Transferência (…) havia problemas de nomenclatura, tamanho dos selos e tipo de papel.
(…)
Joseph Koehler, (…) um virulento crítico do Norte (…) chegou à conclusão de que o documento parece falso. [34]

Embora isso não signifique que todas as afirmações dos desertores sejam falsas, põe em dúvida a validade da história. Não é uma surpresa que desertores exagerem suas histórias, dado que "a Coreia do Sul disse no domingo que quadruplicará a recompensa em dinheiro que oferece aos desertores norte-coreanos que chegarem com informações importantes para mil milhões de wons, ou 860 mil dólares, num esforço para encorajar mais membros da elite a fugirem" [35] . Desertores norte-coreanos não são simplesmente indivíduos perseguidos buscando uma vida melhor. Eles têm um incentivo econômico direto para mentir sobre seu país. É importante, como dito acima, verificar cada história independentemente em vez de confiar nelas cegamente.

Esse fato – de que um tempo no sistema penal coreano não resulta num castigo social como nos países capitalistas – reflete um forte ponto de contraste com sistemas penais capitalistas. Usando a família como uma rede de apoio, o estado encoraja a reeducação política e abre oportunidades para prisioneiros reabilitados serem reincluídos na sociedade coreana como cidadãos plenos. O sistema prisional na Coreia do Norte é muito mais humano, em princípio, do que o sistema nos Estados Unidos. É baseado numa filosofia centrada nas pessoas, que sustenta que a criminalidade não é inerente à humanidade. Essa é uma forte evidência de que a RPDC é um estado da maioria, e portanto democrático.

Religião e igrejas

A supressão da religião na RPDC – a anedota preferida da direita – também é vastamente exagerada. No artigo Fresh Wineskins for New Wine: A New Perspective on North Korean Christianity ("Embalagens frescas para vinhos novos: Uma nova perspectiva sobre o cristianismo norte-coreano") [36] Dae Young Ryu começa observando uma nova abertura ao cristianismo nos anos 1980, com novas igrejas construídas, uma escola teológica protestante fortalecida em Pyongyang e um aumento no número de fiéis, agora em torno de 12 mil.

Embora o próprio governo tenha construído novas igrejas durante esse período, Ryu afirma que esse não é um fenômeno recente. Na verdade ele remonta aos cristãos da década de 1950 que adotaram o marxismo-leninismo e apoiaram a liderança de Kim Il-Sung. Esse desenvolvimento é ainda mais notável, pois ocorreu em um contexto em que o cristianismo era visto amplamente como um fenômeno imperialista americano. De fato, evidências indicam que o governo tolerou por volta de 200 igrejas cristãs pró-comunistas durante a década de 1960. Ele escreve:

Ao contrário da visão comum ocidental, parece que os líderes norte-coreanos manifestaram tolerância aos cristãos que apoiavam Kim Il-Sung e sua versão do socialismo. O ministro presbiteriano Gang Ryang Uk atuou como vice-presidente da RPDC de 1972 até a sua morte em 1982, e Kim Chang Jun, um ministro metodista ordenado, tornou-se vice-presidente da Assembleia Popular Suprema. Eles foram enterrados no exaltado Cemitério dos Patriotas, e muitos outros líderes da igreja receberam honras e medalhas nacionais. Parece que o governo permitiu igrejas domésticas em reconhecimento à contribuição dos cristãos para a construção da nação socialista. [37]

Culto à personalidade

Eu gostaria de concluir com o exame de Kim Il-Sung e o suposto "culto à personalidade" ao redor dele. O luto em massa em torno do seu funeral é tomado como evidência de que ele é adorado como um deus na RPDC. Na realidade, esse luto surge do imenso apoio popular que ele desfrutou como líder, durante e após a revolução.

Kim recusou a incapacidade da Coreia de resistir à dominação estrangeira. Os japoneses o consideravam um líder de guerrilha altamente capaz e perigoso, chegando ao ponto de estabelecer uma unidade especial de insurgência anti-Kim para caçá-lo [38] . As guerrilhas eram uma força independente, inspirada pelo desejo de recuperar a península coreana para os coreanos, e não eram controlados pelos soviéticos nem pelos chineses. Embora muitas vezes eles se retirassem para a União Soviética para evitar as forças de contra-insurgência japonesas, eles receberam pouca ajuda material dos soviéticos.

Diferente dos EUA, que impuseram um governo militar e reprimiram os Comitês Populares, os soviéticos adotaram uma justa abordagem de não interferência na sua zona de ocupação, permitindo que uma coalizão de combatentes da resistência nacionalista e comunista se organizasse autonomamente. Dentro de sete meses, o primeiro governo central foi formado, com base em um Comitê Popular interino liderado por Kim Il-Sung.

Ao contrário da mitologia popular, Kim não foi escolhido pelos soviéticos. Ele gozava de um considerável prestígio e apoio como resultado dos seus anos como líder guerrilheiro e do seu comprometimento com a libertação nacional. Na verdade, os soviéticos nunca confiaram totalmente nele [39] .

Com oito meses de ocupação, começou um programa de reforma agrária, com senhores de terras expropriados sem indenização, mas livres para migrar para o sul ou para trabalhar em lotes de igual tamanho àqueles alocados para os camponeses. Depois de um ano, o Partido dos Trabalhadores de Kim se tornou a força política dominante. As maiores indústrias, maioria de propriedade dos japoneses, foram nacionalizadas. Colaboradores com os japoneses foram expurgados de funções oficiais.

Os cidadãos da RPDC apoiam Kim Il-Sung pelo seu corajoso enfrentamento à dominação dos EUA, seu comprometimento com a reunificação e a real conquista do socialismo. Diante daqueles que fazem guerra por exploração e opressão, as decisões de Kim representavam as aspirações dos trabalhadores, camponeses, mulheres e crianças coreanas – a nação coreana unida – por liberdade. O apoio a Kim não é oriundo de um culto à personalidade ou tomado à força. Pelo contrário, ele conquistou o apoio do seu povo através da luta.

De fato, não havia mecanismos para forçar o povo coreano a apoiar Kim Il-Sung durante seu governo. Lankov escreve, "Norte-coreanos na era Kim Il-Sung não eram autômatos com lavagem cerebral cujo passatempo favorito era a esquiva (…) nem eram dissidentes retraídos (…) nem dóceis escravos que seguiam ordens de cima como ovelhas" [40] . A RPDC de Kim Il-Sung não era um estado policial, mas um país democrático e socialista travando valentemente uma guerra contra o imperialismo. O povo coreano foi – e continua – unificado na luta e apoia seus líderes baseados nisso.

Uma pesquisa com desertores estima que mais da metade do país que eles deixaram para trás aprova o trabalho que o líder Kim Jong-Un está fazendo. O Instituto pelos Estudos de Paz e Unificação de Seul, conforme relato da agência de notícias Yonhap, pediu que 133 desertores arriscassem um palpite sobre o índice de aprovação real de Kim no país, que pelo menos publicamente é vendido como um absoluto culto à personalidade em torno da liderança. Pouco mais de 60% disseram que a maior parte do país está a apoiá-lo. Em uma pesquisa similar em 2011, apenas 55% acreditavam que o pai e predecessor de Kim, Kim Jong-Il, tinha o apoio da maioria do país.

Como escreve a BBC:

Especialistas atribuem a popularidade de Kim Jong-Un aos esforços para melhorar a vida cotidiana dos cidadãos, com ênfase no crescimento econômico, indústrias leves e agricultura num país onde se acredita que a maioria tem falta de comida, diz Yonhap. Não há pesquisas de opinião no estado comunista fechado, onde – pelo menos externamente – o líder goza de apoio total e exaltado. Embora não seja diretamente comparável, o índice de aprovação percebido supera o dos líderes ocidentais. Uma pesquisa recente da McClatchy sugeriu que apenas 41% dos americanos apoiavam o desempenho do presidente Barack Obama, enquanto o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, marcou 38% numa pesquisa recente do YouGov ." [40]

O Wall Street Journal, citando a pesquisa, diz que mais de 81% dos desertores disseram que as pessoas estão comendo três refeições por dia, acima dos 75% da amostra anteriormente pesquisada.

Isso aponta para uma bem-sucedida consolidação do poder do jovem líder, que assumiu com a morte do seu pai, Kim Jong-Il, em dezembro de 2011. Isso parecia incerto há um ano, ao menos com base no relatório anterior do instituto sobre as entrevistas com desertores. Ao falar então com 122 pessoas que fugiram da Coreia do Norte entre janeiro de 2011 e maio de 2012, encontrou que 58% estavam descontentes com a escolha do jovem Sr. Kim como sucessor. (Obviamente, pessoas que fugiram do país tendem a ser mais insatisfeitas do que as pessoas que ficaram)

O novo líder parece estar se esforçando mais, com 45% dizendo que a sociedade está sob rígido controle, contra 36% no relatório anterior. Panfletos anti-regime e grafitis são um pouco menos comuns (mas talvez isso seja o alto índice de aprovação no trabalho): 66% do último grupo disse ter visto essas coisas, abaixo dos 73% na pesquisa de 2012 e 70% na de 2011. Viajar para outras partes do país ficou mais difícil. A porcentagem dos que relataram ter feito isso, após subir por cinco anos seguidos – para 70% dos desertores entrevistados em 2012, de 56% entre os entrevistados em 2008 – recuou para 64%. [41]

Conclusão

Parque infantil em Sogwang.

A mídia burguesa continua a retratar a RPDC como um pesadelo totalitário, povoado exclusivamente por uma cidadania pacífica e amedrontada. Como demonstrei, isso está longe de ser o caso. O povo norte-coreano tem muito mais voz sobre como suas vidas são estruturadas do que cidadãos até dos países capitalistas mais "democráticos". Eles não são forçados a aderir à linha do Partido transmitida de cima para baixo, mas são incentivados a participar na administração da sociedade. A RPDC é um excelente exemplo de socialismo, focado no desenvolvimento da classe trabalhadora – e da humanidade – em todo o seu potencial. É somente através do socialismo que poderemos realizar nosso sonho coletivo de uma sociedade livre e próspera. A RPDC está marchando em direção a esse sonho, mesmo diante de uma agressão imperialista sem paralelo. É em parte nessa base que devemos prestar solidariedade com o país. Para reiterar o argumento que fiz na última postagem, a RPDC deve ser apoiada, independentemente dela ser socialista. Ela está de pé contra o imperialismo, que é o maior inimigo do socialismo. Direta ou indiretamente, a RPDC trabalha no interesse do socialismo.

Tirem as mãos da RPDC!

28/Março/2017
[1] www.aljazeera.com/...
[2] www.merriam-webster.com/dictionary/democracy
[3] wayback.archive.org/...
[4] www.usnews.com/...
[5] www.youtube.com/watch?v=-4P0dMEH4RQ
[6] mashable.com/2015/08/06/trump-richest-candidates/
[7] www.opensecrets.org/news/2008/11/money-wins-white-house-and/
[8] www.washingtontimes.com/...
[9] www.country-data.com/cgi-bin/query/r-9558.html
[10] Ibid.
[11] en.wikisource.org/wiki/Constitution_of_North_Korea_(1972,_rev._1998)
[12] Bruce Cumings, North Korea: Another Country, The New Press, New York, 2004.
[13] Ibid.
[14] Ibid.
[15] Ellen Brun, Jacques Hersh, Socialist Korea: A Case Study in the Strategy of Economic Development , 1976, Monthly Review Press, New York and London
[16] Ibid.
[16] Ibid.
[17] Ibid.
[18] Ibid.
{19] Ibid.
[20] Ibid.
[21] Suh, Jae-Jean. 2004. The Transformation of Class Structure and Class Conflict in North Korea.  International Journal of Korean Reunification Studies. p. 55 www.nkeconwatch.com/...
[22] Ibid. p. 56
[23] Ibid. p. 57
[24] Ibid.
[25] 10th Supreme People's Assembly. Constitution of the Democratic People's Republic of Korea. . Article 8. www1.korea-np.co.jp/pk/061st_issue/98091708.htm
[26] www.rodong.rep.kp/en/
[27] Korea-DPR. 2013.
[28] Journal of Asian and African Studies. 2013. Elite Volatility and Change in North Korean Politics: 1970-2010
[29] www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/kn.html
[30] www.amnesty.org/...
[31] Bruce Cumings, North Korea: Another Country , The New Press, New York, 2004. Op. Cit.
[32] Ibid.
[33] www.nytimes.com/...
[34] ipcprayer.org/...
[35] www.nytimes.com/...
[36] Journal of Church and State 48 (2006), pp. 659-75.
[37] Ibid, 673.
[38] Bruce Cumings, "Korea's Place in the Sun: A Modern History (Updated Edition)," W.W. Norton & Company, 2005; p. 404
[39] Ibid.
[40] www.npr.org/...
[41] blogs.wsj.com/korearealtime/...

O original encontra-se em writetorebel.com/2017/03/28/socialism-and-democracy-in-the-dprk/
e a tradução de Leonardo Griz Carvalheira em
pcb.org.br/portal2/24845/socialismo-e-democracia-na-coreia-popular/

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/coreia/democracia_rdpc.html

O boom da construção em Pyongyang: A Coreia do Norte está superando as sanções?

O boom da construção civil em Pyongyang, junto com outros indicadores de melhor desempenho econômico, como produção de alimentos e comércio exterior, fornece mais evidências da ineficácia das sanções econômicas atuais. A economia norte-coreana parece estar superando as sanções graças à ajuda chinesa e ao comércio, bem como à realocação de gastos em defesa convencional para a economia civil.

A estrutura de 105 andares do Hotel Ryugyong no centro de Pyongyang representou, por décadas, um lembrete dos problemas econômicos pós-soviéticos da Coreia do Norte. Hoje, essa narrativa de miséria parece desmentida pela velocidade vertiginosa do desenvolvimento arquitetônico no resto da cidade, como a prestigiada Rua Ryomyong. Há tantos novos e brilhantes edifícios em Pyongyang que a cidade está irreconhecível em relação ao que era há dez anos. Esse boom da construção parece contradizer a suposição de que sanções contra a Coreia do Norte enfraqueceriam sua economia a ponto de provocarem a desnuclearização. Porém, seriam os novos arranha-céus de Pyongyang meras fachadas que escondem os últimos espasmos de uma república agonizante, tal qual afirmam os críticos? Ou são os símbolos de um novo “amanhecer” e do triunfo sobre o cerco econômico, como argumenta o governo? A política byungjin de Kim Jong-un de simultâneo desenvolvimento econômico e nuclear foi bem-sucedida em seu objetivo de liberar recursos de defesa convencionais para realocação para os meios de subsistência das pessoas? Ou isso tudo é apenas propaganda elaborada?

Quando 18 torres com 48 andares de altura apareceram no coração da cidade em 2012, diplomatas estrangeiros deram o apelido de “Pyonghattan”, mas, em geral, alegavam que seria um golpe publicitário único. Acontece que Kim Jong-un inaugurou um novo e grande complexo de apartamentos quase todos os anos desde que assumiu o poder. Em 2013 e 2014, ele viu a conclusão de projetos habitacionais dedicados aos desenvolvedores dos veículos de lançamento espacial Unha (Rua dos Cientistas Unha) e dos satélites Kwangmyongsong (Rua dos Cientistas Wisong). Em 2015, ele homenageou os “cientistas do futuro” com 2.500 novos apartamentos na Rua dos Cientistas Mirae, por ocasião do 65º aniversário do Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC). Finalmente, em 2017, celebrou o 105º aniversário do fundador da nação Kim Il-Sung com mais de três mil unidades no novo complexo da Rua Ryomyong. Edifícios funcionais também estão surgindo, como o Teatro do Povo Mansudae (2012), o Parque Aquático Munsu (2013), o Aeroporto Sunan (2015) e o Centro de Ciência e Tecnologia (2015), para citar alguns. Grandes projetos residenciais deveriam estar concluídos em menos de um ano, e os slogans de propaganda seguiram exaltando a “velocidade Mallima” (10 mil milhas a cavalo), remontando às campanhas “Chollima” (1.000 milhas a cavalo), que estimularam a reconstrução de Pyongyang após a Guerra da Coreia.

(Foto: Jen Morgan)

Observadores da Coreia do Norte ficaram perplexos com a forma como o Estado pôde dar conta de tais custos de construção, dada a extensão das sanções econômicas impostas contra o país. Obviamente, a noção de custo na economia planificada do país difere consideravelmente da das economias de mercado. Quais são os custos reais de mão de obra se a maior parte do trabalho for realizada pelo Exército do Povo da Coreia? E quais os custos materiais reais se os materiais de construção forem, principalmente, fornecidos por empresas estatais? Por exemplo, a Coreia do Norte parece ser essencialmente autossuficiente em cimento, graças às abundantes reservas de calcário e fábricas estatais como o Complexo de Cimento Sunchon, que produz entre seis e sete milhões de toneladas por ano.

Todavia, por mais que a noção de custo seja diferente em uma economia planificada, o Estado não pode simplesmente criar algo do nada. Deve haver um custo ancorado em alguma coisa, para além do custo oportuno de se destinar recursos e mão de obra para o rejuvenescimento arquitetônico de Pyongyang. No mínimo, deve-se considerar o gasto com os equipamentos de construção, a energia humana e mecânica dispendida e os materiais de construção importados.

Essa construção foi possível graças à redução de custos, capital privado, gastos deficitários ou simplesmente uma economia em ascensão? Há a possibilidade de que as fachadas arrumadas escondam interiores decepcionantes. O Daily NK afirmou, por exemplo, que, devido a obras inacabadas, 4/5 dos apartamentos da Rua dos Cientistas Mirae permaneceram vazios por, ao menos, três meses após a abertura. Mais preocupante, os edifícios talvez não tivessem a estrutura integral. Em 2014, a Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), estatal do país, relatou que um prédio de apartamentos de 23 andares desabou durante a construção devido à “construção pouco consistente” e “supervisão e controle irresponsáveis”. Métodos e materiais inseguros podem continuar a ser usados em outros locais de construção norte-coreanos, como suspeitam certos especialistas ocidentais. Entretanto, o governo central tem fortes motivos para garantir que a tragédia de 2014 permaneça sendo um incidente isolado, dada a importância do rejuvenescimento arquitetônico de Pyongyang para a propaganda do Estado. Isso explica por que se reconheceu publicamente sua responsabilidade em 2014, com os pedidos de desculpas dos funcionários envolvidos e visitas de Kim Jong-un ao hospital. Portanto, o argumento de que o boom da construção civil se tornou possível graças ao corte de gastos é, na melhor das hipóteses, uma explicação parcial.

Também é possível que o rejuvenescimento de Pyongyang seja financiado por contribuições privadas de capital norte-coreano. A Reuters, por exemplo, relatou que “investidores locais conhecidos como ‘donju’ ou ‘mestres de dinheiro’, que obtiveram riqueza no crescente mercado norte-coreano, investem em parceria com o Estado na construção de apartamentos”. Os donjus contribuem com essas obras por meio das chamadas doações de lealdade. A depender do relacionamento do donju com o governo e da legalidade de seus negócios, suas contribuições podem garantir favores, como um bom apartamento, extensão de direitos comerciais ou mesmo permissão para operações clandestinas.

Infelizmente, não há dados confiáveis ​​sobre o peso dos donjus na economia norte-coreana, e nenhuma maneira de avaliar seu papel em alimentar o boom da construção em Pyongyang. Uma avaliação objetiva é ainda mais complicada pela tendência de muitos relatórios externos de sensacionalizarem a proliferação de donjus como um prenúncio do colapso norte-coreano, o que pode levar a uma superestimação de seu peso e uma subestimação da força do Estado. Essa narrativa de colapso está, em geral, mais baseada na imagem de donjus contrabandistas que prosperam com a corrupção na fronteira chinesa do que nos donjus autorizados pelo establishment norte-coreano, prosperando graças aos lucros das empresas estatais em uma economia visivelmente em ascensão. Se as empresas estatais estão indo bem, então o Estado também estará bem; assim, a disseminação do donju não é, por si só, prova de um Estado fraco. Por fim, embora o papel deles certamente mereça mais pesquisas, a sugestão de que sejam a principal fonte de fundos para a construção permanece, até este momento, uma hipótese não confirmada.

Uma terceira maneira de explicar o frenesi de construção na Coreia do Norte é que o país está gastando demais e esgotando suas reservas estrangeiras para importar materiais de construção. Rüdiger Frank propôs essa ideia em 2013, no início do governo Kim Jong-un, traçando paralelos com o desenvolvimento insustentável e financiado por dívidas que ele testemunhou nos dias agonizantes da República da Alemanha Oriental. Contudo, ele também observou desde então que os relatórios orçamentários nacionais da Coreia do Norte mostram um aumento constante dos gastos públicos em infraestrutura: + 4,3% em 2014, + 8,7% em 2015 e + 13,7% em 2016. A Coreia do Norte está cada vez mais imprudente financeiramente ou encontrou uma maneira de superar os obstáculos da restrição externa?

Talvez as relações comerciais especiais da Coreia do Norte com a China a tornem menos dependente de tais reservas do que geralmente se supõe. A China é de longe o parceiro comercial mais importante da Coreia do Norte e, portanto, sua fonte mais importante de divisas estrangeiras. O enigma aqui é que, de acordo com as alfândegas chinesas, Pyongyang vem sofrendo um forte déficit comercial com Pequim (cerca de US$ 1 bilhão em 2014), o que, por si só, deveria esgotar as reservas norte-coreanas. Como o comércio não está equilibrado há anos, alguns comentaristas acreditam que, ao aceitar a situação, a China está escondendo um subsídio de facto ao Estado norte-coreano.[1] Esses “subsídios” podem vir na forma de mercadorias para as quais o pagamento não é realmente esperado por razões políticas, ou de comerciantes chineses que aceitam pagamentos em won norte-coreano e os reinvestem localmente, como na renovação do Shopping Center de Kwangbok, cofinanciado por uma empresa comercial chinesa. Talvez a onda de construção da Coreia do Norte tenha sido facilitada pela necessidade reduzida de divisas estrangeiras com base nas peculiaridades de seu relacionamento com a China.

Por fim, a economia do país pode simplesmente não estar ruim. O preconceito comum de que a Coreia do Norte deve ser um dos países mais pobres do mundo se baseia em estimativas de PIB altamente especulativas e provavelmente politizadas. Comparativamente, nossos indicadores mais confiáveis são as estatísticas de produção e comércio de alimentos, e ambos indicam que a Coreia do Norte está se saindo muito melhor do que nos anos 1990, durante a crise econômica pós-soviética. Dados coletados localmente pelo Programa Mundial de Alimentos indicam que a Coreia do Norte voltou em parte à autossuficiência nutricional da década de 1980 (produção de cereais de cerca de cinco milhões de toneladas em 2012, em comparação com cerca de dois milhões em 1996) e diminuiu consideravelmente principais indicadores de desnutrição crônica, nanismo e doenças degenerativas.

Figura 1. Volumes totais de comércio bilateral China-RPDC (1999-2016):

Fonte: Administração Geral das Alfândegas da República Popular da China, via Sina.

Enquanto isso, as estatísticas de comércio do escritório aduaneiro chinês mostram que o comércio China-RPDC passou de US$ 0,37 bilhões em 1999 para US$ 5,37 bilhões em 2016 (confira o gráfico abaixo).[2] Segundo informações, ele cresceu quase 40% no primeiro trimestre de 2017 em comparação com o mesmo período de 2016, apesar da adoção de sanções particularmente severas pela ONU em 2016 (resoluções 2270 em março e 2321 em novembro). Tais números dificilmente são conciliáveis ​​com a hipótese de uma economia em colapso, sem mencionar que subestimam a quantidade real de atividade econômica com a Coreia do Norte. Os números em geral não mostram o contrabando, o comércio de certas mercadorias politicamente sensíveis ou, é claro, a “ajuda” e os investimentos chineses. Sabe-se também que Pequim simplesmente não publica estatísticas em certos meses. Afinal, a China tem razões políticas para divulgar um comércio menor do que realmente é: demonstrar o cumprimento das sanções da ONU.

Além do comércio, o programa nuclear norte-coreano poderia estar beneficiando a economia, permitindo que o governo realocasse recursos dos gastos com defesa convencional para o desenvolvimento de meios de subsistência para a população. Essa parece ser a lógica por trás da política byungjin de Kim Jong-un de desenvolvimento econômico e nuclear simultâneo. O dilema da Coreia do Norte é que ela não pode garantir a segurança nacional por meio de gastos com defesa convencional, pois seu orçamento militar, entre US$ 1,2 bilhões e US$ 10 bilhões,[3] é desesperadamente inferior ao da Coreia do Sul (US$ 36 bilhões) e dos Estados Unidos (US$ 606 bilhões). A única maneira de desenvolver a economia sem sacrificar a segurança, logicamente, é focar em recursos para guerra assimétrica relativamente econômicos, como uma dissuasão nuclear. Não podemos avaliar se esse cálculo funcionou na prática, dada a falta de confiabilidade das estimativas dos gastos nucleares norte-coreanos, sugerindo números entre US$ 0,7 e US$ 3,4 bilhões.

Dito isto, o aumento dos gastos com a subsistência da população ajudaria a explicar a onipresença de novos bens de consumo produzidos internamente, como alimentos, cosméticos ou eletrônicos, e a queda no número de desertores em mais da metade desde que Kim Jong-un assumiu o poder. Por enquanto, pelo menos, parece que a economia norte-coreana está melhorando, e esse pode ser o fator mais importante na capacidade de Pyongyang de promover grandes reformas. A extensão na qual a vida está mudando também fora de Pyongyang permanece incerta, pois temos menos testemunhos em primeira mão, mas novas estradas estão sendo construídas em todo o país, e há grandes desenvolvimentos urbanos em Wonsan e Rason[4] em menos.

Uma Pyongyang cheia de edifícios novos e reluzentes esconde a suposição de que a economia norte-coreana está prestes a entrar em colapso sob o peso das sanções. Embora haja algumas preocupações válidas sobre a robustez desses arranha-céus em formato de cogumelo, eles são muitos e são bastante centrais para a propaganda de Kim Jong-un para descartá-los como cartuchos, como o Hotel Ryugyong. Ao contrário de seu avô, que tirou sua legitimidade a partir de realizações militares, e seu pai, que a tirou da sua conexão direta com o fundador nacional, Kim Jong-un depende muito mais de seu desempenho no governo e da aprovação popular de sua legitimidade. Não deveria surpreender, portanto, que ele se concentre em sinais altamente visíveis de melhora dos meios de subsistência, como complexos residenciais de prestígio. Esses desenvolvimentos parecem ter sido possibilitados por uma economia melhorada, alimentada parcialmente pela ajuda e comércio chinês, bem como pela realocação de gastos em defesa convencional. Caso essa interpretação do ressurgimento econômico for correta, o boom da construção de Pyongyang será mais um motivo para duvidar da eficácia das sanções atuais.

Notas:

[1] – Veja James Reilly, “The Curious Case of China’s Aid to North Korea,” Asian Survey, vol. 54, número 6, p. 1172.

[2] – Observe que os números oficiais sobre o comércio China-RPDC divulgados pela alfândega chinesa estão mais baixos do que os relatados pela sul-coreana KOTRA, pois a KOTRA adiciona um valor estimado de mercadorias não incluídas nos números chineses.

[3] – Elizabeth Shim, “North Korea underreporting defense spending, analyst says,” UPI, 31 de março, 2016, http://www.upi.com/Top_News/World-News/2016/03/31/North-Korea-underreporting-defense-spending-analyst-says/2811459437466/; “N. Korean military spending nearly 30% of S. Korea’s,” Dong-a Ilbo, 5 de maio, 2016, http://english.donga.com/Home/3/all/26/533532/1; “N. Korea spends quarter of GDP on military from 2002-2012: US data,” The Korea Times, 4 de janeiro, 2016, http://www.koreatimes.co.kr/www/news/nation/2016/01/485_194556.html

[4] – Veja, por exemplo, JH Ahn, “Multiple High-Rises and Office Buildings Under Construction in Rason City,” NK News, 19 de outubro, 2016, https://www.nknews.org/pro/multiple-high-rises-and-office-buildings-under-construction-in-rason-city/; “Rason Trade Zone Bustle Exposes Limits of North Korea Sanctions,” Associated Press, 14 de setembro, 2016, http://www.asahi.com/ajw/articles/AJ201609140032.html

* Henri Féron é pesquisador-associado de pós-doutorado no Centro de Estudos Jurídicos Coreanos da Columbia Law School. É doutor em Direito pela Universidade de Tsinghua, mestre em Direito pela Universidade de Columbia e de Tsinghua e bacharel da King’s College de Londres e da Universidade de Paris. Ele é o co-editor do livro Pathways to a Peaceful Korean Peninsula, publicado em parceria com o Instituto Coreano de Unificação Nacional.

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Impasse com os EUA continua. Coreia do Norte ameaça acelerar programa de armas nucleares

(dv) KCNA / YONHAP

Míssil balístico intercontinental norte-coreano Hwasong-14 lançado em local não divulgado na Coreia do Norte

A Coreia do Norte ameaçou na terça-feira acelerar o seu programa de armamento nuclear e procurar “novos caminhos” para defender os seus interesses, perante o impasse nas negociações com os Estados Unidos (EUA).

 

Os EUA exigem que a Coreia do Norte renuncie imediatamente a todo o seu arsenal nuclear, enquanto Pyongyang pede para que seja levantada parte das sanções económicas internacionais, num impasse negocial que dura há vários meses.

Na terça-feira, Ju Yong Chol, representante norte-coreano na Organização das Nações Unidas (ONU), disse perante a Conferência de Desarmamento que decorre em Genebra que os esforços do seu país para negociar com os EUA estão a esbarrar em obstáculos intransponíveis, ameaçando acelerar o seu programa nuclear, noticiou a agência Lusa.

“Embora os Estados Unidos falem de uma retoma do diálogo, não pretendem abandonar a sua política hostil em relação à República Popular Democrática da Coreia”, indicou Ju Yong Chol, perante uma plateia de diplomatas nas Nações Unidas.

 
 

Após uma dramática aproximação em 2018, as negociações sobre a questão nuclear norte-coreana estagnaram, desde o fracasso da cimeira de Hanói, em fevereiro de 2019, entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Em dezembro passado, Kim Jong-un anunciou aos dirigentes do seu partido que se sentia desobrigado de cumprir a moratória de testes balísticos intercontinentais, dizendo estar apostado em desenvolver novas armas estratégicas.

Na terça-feira, o representante da Coreia do Norte disse que se os EUA persistissem “em impor sanções e exercer pressão” sobre o seu país, o seu Governo seria “forçado a procurar novos caminhos para defender a soberania e os supremos interesses nacionais”.

“Como ficou claro agora que os Estados Unidos continuam a insistir em bloquear o desenvolvimento da Coreia do Norte e a sufocar o seu sistema político, não encontramos motivos para continuar unilateralmente a respeitar um compromisso que a outra parte não respeita”, sublinhou o diplomata.

O embaixador norte-americano na Conferência sobre Desarmamento, Robert Wood, considerou essas observações “bastante preocupantes”.

“O que esperamos é que eles tenham a atitude certa e voltem à mesa de negociações para tentar encontrar um acordo que nos permita manter o compromisso firmado pelo Presidente Trump e pelo Presidente Kim Jong-un de desnuclearizar a Coreia do Norte“, referiu Wood aos jornalistas no final da conferência.

Lusa //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/impasse-eua-coreia-norte-acelerar-programa-armas-nucleares-303855

China quer avançar em solução política para questão da península coreana, diz porta-voz

Beijing, 16 jan (Xinhua) -- A China continuará fortalecendo a comunicação e a coordenação com todas as partes envolvidas para impulsionar a solução política da questão da península coreana, afirmou nesta quarta-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang.

Ele fez as afirmações em uma entrevista coletiva ao comentar sobre a declaração do presidente da República da Coreia, Moon Jae-in.

Em seu tradicional encontro de começo de ano com os meios de comunicação, o líder sul-coreano manifestou que a China desempenhou um papel importante na desnuclearização da península coreana, e que seu país continuará trabalhando com a China para resolver problemas relevantes.

A China tem sempre estado comprometida em manter a paz e a estabilidade na península coreana, obter a desnuclearização da região, resolver problemas mediante o diálogo e a consulta, e finalmente atingir a paz e a estabilidade a longo prazo na península, disse Geng.

"Ao longo dos anos, a China realizou esforços ativos e incansáveis pela solução política ao problema da península coreana", assinalou.

Sob as circunstâncias atuais, a China está disposta a fortalecer a comunicação e a coordenação com todas as partes envolvidas, incluindo a República da Coreia, em um esforço para manter a situação atual de diálogo e sem tensão na península e impulsionar o arranjo político do assunto, comentou o oficial.

"Também apoiamos os esforços da República da Coreia e da República Popular Democrática da Coreia para manter o contato e o diálogo e melhorar suas relações, o que serve aos interesses comuns de ambas as partes e da região", acrescentou. 

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/16/c_138709359.htm

Kim Jong-un quer 'medidas ativas e ofensivas' para garantir soberania da Coreia do Norte

Líder norte-coreano Kim Jong-un durante a 5ª Sessão Plenária do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte
© AFP 2019 / STR / KCNA VIA KNS

Durante discurso no plenário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, Kim Jong-un pediu "medidas ativas e ofensivas" para garantir a segurança e soberania de seu país.

Ontem (29), Pyongyang foi palco da 5ª Sessão Plenária do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte. Na ocasião, o líder do país, Kim Jong-un, enfatizou as diretrizes a serem tomadas em diferentes setores do governo.

Entretanto, conforme publicou a agência norte-coreana KCNA, o líder pediu "medidas ativas e ofensivas para garantir a soberania e segurança do país, em referência à política externa, indústria militar e Forças Armadas do país".
Autoridades norte-coreanas durante a 5ª Sessão Plenária do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte
© AFP 2019 / KCNA VIA KNS
Autoridades norte-coreanas durante a 5ª Sessão Plenária do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte

A declaração se dá após o governo norte-coreano prometer um "presente de Natal" para os EUA e a possibilidade do país abandonar as negociações com Washington sobre seu programa nuclear.

Anteriormente, a China "pediu medidas imediatas" por parte dos EUA para o estabelecimento de um acordo com a Coreia do Norte.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019123014950207-kim-jong-un-quer-medidas-ativas-e-ofensivas-para-garantir-soberania-da-coreia-do-norte/

Emissora pública japonesa noticiou disparo de míssil norte-coreano que nunca aconteceu

(dv) USFK / 8TH US ARMY

 

A emissora pública do Japão, NHK, informou esta sexta-feira que a Coreia do Norte disparou um míssil que aterrou no mar ao largo da ilha de Hokkaido. No entanto, não aconteceu nenhum disparo. 

 

A informação original avançava, de acordo com o jornal britânico The Guardian, que o míssil tinha atingido o mar a cerca de dois mil quilómetros a leste de Hokkaido. Cerca de 20 minutos depois, a NHK corrigiu o erro, pedindo desculpas e dizendo que a falha tinha decorrido da realização de um teste.

Em 2017, o regime de Pyongyang disparou mísseis sobre a ilha para demonstrar a sua capacidade de atingir alvos militares dos EUA na ilha de Guam, no Pacífico. Dois lançamentos em agosto e setembro nesse mesmo ano ativaram alertas, instando milhões de habitantes no norte do Japão a protegerem-se em edifícios robustos ou subterrâneos.

Esta não foi a primeira vez que a emissora pública japonesa foi obrigada a pedir desculpas em circunstâncias idênticas. Em janeiro de 2018, a NHK desculpou-se depois de ter enviado, por engano, um alerta a avisar que a Coreia do Norte tinha disparado um míssil.

A informação errada desta sexta-feira foi veiculada num momento de grandes tensões na península coreana, à medida que se aproxima o prazo de fim de ano, definido por Pyongyang, para Washington fazer concessões capazes de ressuscitar as negociações para a desnuclearização.

As negociações estão num impasse desde a cimeira de fevereiro, entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e Donald Trump, que terminou sem acordo e depois de Washington ter rejeitado as exigências de Pyongyang relativas a um abrandamento das sanções económicas em troca de uma “rendição” parcial das capacidades nucleares do Norte.

O Norte realizou vários testes de sistemas de mísseis nos últimos meses, o que peritos consideraram alargar potencialmente a capacidade para atacar alvos na Coreia do Sul e no Japão. Por outro lado, o regime norte-coreano ameaçou também suspender a moratória sobre mísseis de longo alcance e retomar os lançamentos sobre o Japão.

Durante uma visita recente à Coreia do Sul, o enviado especial dos EUA para a Coreia do Norte, Stephen Biegun, desvalorizou o prazo mas afirmou que Washington está pronta para retomar as negociações em qualquer altura.

O chefe da diplomacia norte-coreana advertiu que o regime do país enviaria um “presentede Natal” aos EUA, dependendo das concessões que Washington estivesse disposta a fazer. Desde então, tem-se especulado que Pyongyang estará a preparar-se para testar um míssil balístico intercontinental.

Por outro lado, o Natal já passou e não houve registo de lançamento de mísseis ou da realização de quaisquer testes nesse dia.

ZAP //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/emissora-disparo-missil-norte-coreano-nunca-aconteceu-299439

EUA são contra proposta de Rússia e China para suspender sanções da ONU à Coreia do Norte

Bandeira da Coreia do Norte exposta na embaixada do país em Kuala Lumpur, na Malásia
© AP Photo / Vincent Thian

China e Rússia propuseram que o Conselho de Segurança da ONU suspenda algumas sanções à Coreia do Norte, de acordo com um projeto de resolução, a ponto de Moscou afirmar que pretende incentivar conversas entre Washington e Pyongyang. Mas os EUA não estão animados com a ideia.

O projeto também pede a proibição de norte-coreanos que trabalham no exterior e encerra a obrigação estabelecida em 2017 de repatriar todos esses trabalhadores para a próxima semana. O projeto também isentaria os projetos de cooperação ferroviária e rodoviária inter-coreana de sanções.

Não ficou claro imediatamente quando ou se o projeto de resolução poderia ser submetido a votação no Conselho de Segurança, composto por 15 membros. Uma resolução precisa de nove votos a favor e nenhum veto dos Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia ou China para ser aprovado.

"Não estamos acelerando as coisas", declarou à agência Reuters o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzia, acrescentando que as negociações com os membros do conselho começarão nesta terça-feira. Ele disse que as sanções que eles propõem a suspensão não estão "diretamente relacionadas ao programa nuclear norte-coreano, é uma questão humanitária".

Um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA comentou que não é hora de o conselho considerar o levantamento de sanções contra a Coreia do Norte, já que o país "ameaça ameaçar intensificar a provocação, recusando-se a se reunir para discutir a questão da desnuclearização, e preferindo a continuação da manutenção e avanço de seus programas proibidos de armas de destruição em massa e mísseis balísticos".

A Coreia do Norte investiu centenas de milhões de dólares em indústrias cujas sanções buscam elevar a Rússia e a China. Eles foram estabelecidos em 2016 e 2017 para tentar cortar o financiamento dos programas nucleares e de mísseis de Pyongyang.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang, afirmou a repórteres nesta terça-feira que algumas sanções devem ser levantadas diante do cumprimento da Coreia do Norte "com as resoluções relevantes".

"Esperamos que o Conselho de Segurança fale com uma só voz em apoio a uma resolução política", ponderou Geng, acrescentando que a necessidade de uma resolução da situação na península coreana está se tornando mais urgente.

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Kim Jong-un afirma que Coreia do Norte precisa estar preparada para a guerra

Líder norte-coreano Kim Jong-un chegando à estação ferroviária na cidade russa de Vladivostok, na Rússia, em 24 de abril de 2019
© REUTERS / Shamil Zhumatov

O líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, enfatizou a necessidade de preparativos para tempos de guerra nesta segunda-feira (18).

A declaração da liderança norte-coreana aconteceu durante um exercício de unidades de atiradores de elite das Forças Armadas da Coreia do Norte.

No domingo (17), o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, anunciou que os Estados Unidos e a Coreia do Sul concordaram em adiar seus exercícios aéreos militares em uma demonstração de boa fé para promover om diálogo de desnuclearização com Pyongyang.

"É necessário realizar exercícios e exames de campo como este: sem aviso prévio, em condições adversas, imitando guerra real, não vinculada por regras e formalidades, para usá-los como uma chance de aumentar a preparação do Exército Popular Coreano para a guerra, para examiná-los e fortalecê-los", disse Kim em comunicado publicado pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA).

Após um primeiro encontro entre EUA e Coreia do Norte em junho de 2018, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que pretendia suspender exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, chamando-os de caros e inapropriados.

A partir da declaração de Trump, foram cancelados vários exercícios - os quais a Coreia do Norte considera uma provocação. O exercício aéreo de inverno em questão, com o codinome Vigilant Ace, foi suspenso pela primeira vez em 2018.

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Direitos humanos: Quando a Coreia do Norte fala

Em sua análise sobre a Guerra do Rei Filipe, Jill Lepore identifica a guerra como “uma disputa de injúrias e interpretação”. Desse modo, ela se concentra em como a narrativa sobre a Guerra do Rei Filipe afetou o próprio conflito militar enquanto ele estava acontecendo e depois determinou como ele seria posteriormente lembrado. Antes de apresentar sua análise histórica, Lepore pergunta: “Se a guerra é, pelo menos em parte, uma disputa de significado, ela pode ser considerada uma luta justa quando apenas um lado tem acesso a esses instrumentos imperiais perfeitos, canetas, papel e prensas de impressão?”.

Os colonos do século XVII produziam cartas, diários e crônicas da guerra, enquanto os índios americanos deixaram pouco registro escrito para trás – esse desequilíbrio moldou o entendimento subsequente da guerra como uma luta entre selvageria e civilização. Hoje, esses instrumentos imperiais perfeitos incluem a mídia de massa, que, na batalha por significado, tem um alcance que excede em muito o dos colonos americanos e que determina esmagadoramente a narrativa sobre a Coreia do Norte.

O que (pensamos) saber sobre a Coreia do Norte?

Há muitas observações sobre a Coreia do Norte que são consideradas factuais. Duas das mais comuns são a crença de que a Coreia do Norte não é uma negociadora de boa-fé (então, por que se preocupar em negociar?) e de que o país não distribui adequadamente a ajuda alimentar que recebe (novamente, por que se preocupar?).

A primeira delas se baseia na crença de que a Coreia do Norte conduziu “uma sequência interminável de negociações de má-fé”, a começar com o “Agreed Framework” (sobre a questão nuclear) de 1994. Em geral, a base dessa suposição não é questionada pela narrativa dominante – entretanto, estudiosos de Coreia do Norte divergem um pouco sobre tal narrativa. Por exemplo, ao examinar as negociações anteriores entre os dois países, Leon Sigal escreveu que “as táticas de barganha de Pyongyang levaram muitos a concluírem que a Coreia do Norte estava chantageando na tentativa de extorquir ajuda econômica sem abrir mão de nada em troca. Não é assim. A estratégia da Coreia do Norte era difícil, cooperando quando os EUA cooperavam, retaliando quando os EUA a renegavam, em um esforço para acabar com a inimizade”. O fracasso da Coreia em cumprir certos compromissos (geralmente em resposta à renúncia dos EUA a algum compromisso) é tudo o que é lembrado, enquanto a visível demolição, por parte da Coreia, da torre de resfriamento de Nyeongbyeon, principal reator atômico do Centro de Pesquisa Científica Nuclear de Nyeongbyeon – um gesto de boa-fé – é amplamente esquecida.

A segunda suposição sobre o desvio da ajuda alimentar não só reforça a primeira suposição de que a Coreia do Norte age de má-fé, mas também leva ao questionamento, em primeiro lugar, sobre se é humanitário fornecer ajuda alimentar país. A lógica é que, se a comida está indo apenas para as elites, a própria ajuda alimentar contribuiria para fortalecer o regime (o que às vezes não é dito nesse argumento é a suposição de que não fornecer ajuda alimentar apressará o colapso do regime norte-coreano. Esse argumento pode ser examinado em artigos posteriores, mas basta lembrar o quanto o Iraque sofreu consideravelmente desde sua libertação). Aqueles que usam esse argumento exploram a narrativa dominante sobre a Coreia do Norte e, portanto, não precisam apresentar fatos – a afirmação em si é considerada factual.

Entretanto, essa suposição não corresponde às experiências daqueles que trabalharam localmente no fornecimento de ajuda alimentar na Coreia do Norte. Por exemplo, Sanghyuk Shin e Ricky Choi escreveram em um artigo para Critical Asian Studies que “a afirmação de que a ajuda internacional é distribuída com base na classificação social também contraria os relatórios de profissionais humanitários que atuam no local”. Há muitas declarações oficiais, mas, para aqueles que estão mais curiosos sobre o lado humano desse debate, Erich Weingartner escreveu uma excelente série de três artigos sobre sua experiência no monitoramento da ajuda alimentar na Coreia do Norte para uma unidade do Programa Alimentar Mundial da ONU.

Essas duas suposições compõem um terreno factual bem instável, sobre o qual se baseiam todas as suposições sobre a Coreia do Norte, e a única conclusão a ser alcançada a partir delas é que aparentemente o país não é confiável, e o que quer que seja dito pelos norte-coreanos carece de legitimidade. Isso se deve em parte à crença – descrita por Christine Hong – de que a Coreia do Norte representa “uma desumanidade e atrocidade tão completa e consumada, tão totalitária que esses atributos desafiam a análise probatória”. Em outras palavras, a falta de comprovação é tão condenatória quanto a comprovação real. Nesse ambiente, as acusações dirigidas ao país assumem o manto da verdade, enquanto a Coreia do Norte, ao negar ou ignorar tais acusações, não pode ser outra coisa senão culpada.

Por que o relatório da COI não pode falar pela Coreia do Norte

Contudo, mesmo se vivêssemos em um mundo em preto e branco, no qual a Coreia do Norte é o vilão por excelência (descrito pelo relatório da Comissão de Inquérito das Nações Unidas como “um Estado que não tem paralelo no mundo contemporâneo”), essa percepção deve ser, pelo menos, baseada em evidências factuais. Com as discussões sobre invasão e colapso do regime, há uma linha reta entre o uso indevido dos fatos e a perda humana generalizada. Como disse anteriormente, já vimos isso acontecer antes, mais recentemente e de forma memorável no Iraque.

E, todavia, a despeito dos riscos envolvidos, o relatório da Comissão de Inquérito da ONU (COI) sobre direitos humanos na Coreia do Norte foi reportado como se fosse um documento de fonte primária, em vez de um relatório cujo próprio padrão de verificação foi identificado como “inferior ao exigido nos procedimentos criminais para sustentar uma acusação”. De fato, o relatório em si não reivindica infalibilidade e, de fato, Hazel Smith observou que “o que é mais impressionante nos relatórios do ACNUR sobre a RPDC é a quase completa ausência de referências a dados relevantes de outras agências da ONU, governos doadores e organizações não governamentais (ONGs), na medida em que os relatórios do Alto Comissariado parecem desconhecer a existência de documentos sobre a RPDC de dentro do próprio sistema da ONU”. Ela observa que, em vez disso, os investigadores usaram apenas um documento de outra agência da ONU e que a forma como ele foi utilizado no relatório da COI “distorce as conclusões do documento original e engana o leitor”.

Além de não fazer pleno uso dos dados disponíveis sobre a Coreia do Norte, o relatório incorpora matérias jornalísticas sobre as condições de vida no país como se estas fossem fontes primárias. Isso cria uma reação cíclica em que a cobertura noticiosa sobre uma suposta conduta criminosa da Coreia do Norte é citada pelo relatório como fatos confirmados, os quais, por sua vez, são reproduzidos por novas matérias jornalísticas. A narrativa se tornou autorreferenciada. Em um caso notável, um artigo do New York Times se centrou inteiramente na afirmação da COI de que Kim Jong-un gastou 645,8 milhões de dólares em bens de luxo. O artigo faz recomendações políticas concretas com base nessa descoberta. Como o New York Times estava usando a chamada fonte oficial e como a descoberta é coerente com a visão comum de que os líderes norte-coreanos gastam dinheiro em itens de luxo enquanto seu povo passa fome, essa cifra agora tem legitimidade factual. Porém, conforme demonstrado no início do artigo, visões comumente compartilhadas não são procurações da verdade e, portanto, essa alegação é digna de uma investigação mais aprofundada.

A cifra de 645,8 milhões de dólares, presente nesse relatório, não foi calculada pelos investigadores – na verdade, o número vem de um artigo do Telegraph que cita como fonte “um documento enviado ao Parlamento sul-coreano”. Devemos agora questionar o Telegraph por citar inquestionavelmente um documento sobre o qual não sabemos nada de um país que permanece em guerra com a Coreia do Norte.

Um repórter do OhmyNews, um site de notícias online que publica “reportagens de cidadãos”, também achou que esse fato era originário da Coreia do Sul e decidiu investigar mais. Ele entrou em contato com o gabinete de Yoon Sang-Hyun, o membro do Parlamento que apresentou o documento. Acontece que o gabinete de Yoon, por sua vez, recorria a um informe alfandegário chinês, que nem sequer continha uma categoria para itens de luxo. Quando o repórter apontou que era problemático, em primeiro lugar, identificar essas importações como itens de luxo e afirmar depois que elas eram destinadas especificamente a Kim Jong-un, o representante de Yoon respondeu: “Você pode ver dessa maneira, mas é um fato que a Coreia do Norte importa muitos itens de luxo”. Em outras palavras, já que a Coreia do Norte importa itens de luxo, a verificabilidade desses dados em particular não é importante. Em suma, não só a COI não incluiu dados relevantes, mas as fontes utilizadas não tiveram sua precisão avaliada. E, de fato, os artigos noticiosos não estão incluídos na lista de fontes que a comissão considerou como informações de primeira mão. Dado que a maior parte das descobertas dos relatórios se baseia em testemunhos verbais, deveria ser considerado importante tratar as informações verificáveis ​​com algum rigor (a análise detalhada de Hazel Smith sobre a metodologia da COI pode ser encontrada aqui.)

Esse é outro exemplo de como a percepção da Coreia do Norte pode moldar a narrativa – apesar do fato de que, ao menos nesse caso, havia uma maneira de checar as informações citadas, é frequentemente tido como verdade que nada sobre a Coreia do Norte é passível de ser verificado. Nesse tipo de contexto, as fontes, portanto, assumem uma credibilidade que não teriam em outros casos. Esse exercício específico é apresentado não como prova de que absolutamente todo o relatório da COI se baseia em dados incorretos e, portanto, deve ser descartado, mas como um lembrete de que as descobertas presentes no relatório não podem, por si só, servir de estímulo à ação, e que jornalistas deveriam utilizá-lo com responsabilidade.

A Coreia do Norte fala

É nesse contexto que Botsuana, Austrália e Panamá organizaram uma sessão da ONU sobre direitos humanos na Coreia do Norte, realizada em 22 de outubro de 2014. Benny Avni, da Newsweek, cobriu a sessão em um artigo intitulado “Diplomatas da Coreia do Norte são repreendidos na ONU”. A questão dos direitos humanos norte-coreanos se tornou cada vez mais importante, e essas narrativas servem para reforçar crenças comuns. Nesse sentido, as notícias sobre a Coreia do Norte se tornaram menos jornalismo e mais as cartas dos colonos ingleses, que procuravam caracterizar os índios algonquinos como um Outro claramente definido. Isso não quer dizer que os colonos ingleses ou Benny Avni tentem traçar esses limites com más intenções. Ao contrário, tal qual a mudança na percepção dos colonos sobre os algonquinos de compaixão para desprezo não foi um projeto consciente, mas parte de uma narrativa coletiva emergente que começou a moldar a própria guerra, Avni está simplesmente (e preguiçosamente) explorando o atual consenso cultural sobre a Coreia do Norte.

Seu artigo (e as suposições mais amplas em que se baseia) é problemático de várias maneiras. Deixando de lado o fato de que a expressão “ser repreendido” evoca a ideia de um adulto dando um sermão a uma criança que se comporta mal (a Coreia do Norte costuma ser caracterizada como ou esmagadoramente maligna ou infantil), o título em si não reflete com precisão o conteúdo real do artigo.

O foco do artigo muda rapidamente da descrição de ouvintes passivos de uma lição de moral para a observação das maneiras pelas quais os diplomatas não só reagiram a esse sermão, que é aquilo que Avni parecia considerar mais interessante (ou “incomum”). Para esclarecer a natureza extraordinária dessa sessão, ele primeiro evoca a expressão orientalista “reino eremita” para descrever a Coreia do Norte e depois caracteriza as respostas dos delegados norte-coreanos como “ataques verbais”. Isso identifica os delegados como representantes de um lugar misterioso e com um comportamento desviante da norma. Estabelece-se uma sensação de estranheza. Porém, o parágrafo seguinte descreve a resposta norte-coreana como “longa” e “formal” e os delegados norte-coreanos como “pacientes” – nenhuma dessas classificações parece se encaixar na descrição de “ataques verbais”. Há uma clara diferença na forma como Avni remete a velhas suposições (“ataques verbais”) e a descrições reais (“longas”, “formais”). Então, com alguma surpresa, ele comenta o “inglês fluente e claro” dos delegados, o que me leva a pensar se o inglês claro entre diplomatas estrangeiros é algo tão raro a ponto de ser digno de nota por uma grande agência de notícias. Ou seria porque se supõe que a Coreia do Norte seja tão diferente de todas as outras nações que é notável quando diplomatas – cujo trabalho é interagir com países estrangeiros – podem falar um dos seis idiomas oficiais da ONU?

Em seguida, Avni fica um tempo frente a frente com um dos diplomatas, Cho Yong-Nam. Ele descreve a conversa sem muitos comentários estranhos, mas não pôde deixar de concluir esse artigo com um comentário sobre sua impressão, ao dizer que Cho estava “tão animado quanto um homem usando um broche com o rosto sorridente de seu líder, Kim Jong-un, em uma jaqueta de lapela”. Na mente de Avni, o broche simboliza um peso ideológico tão opressivo e profundo que seu portador é incapaz de expressar todas as formas de emoções humanas, se é que as tem. Se os norte-coreanos não podem ser distinguidos do resto do mundo por meio da linguagem, é necessário encontrar outras maneiras pelas quais eles possam ser definidos como diferentes de “nós”, e despi-los de qualquer humanidade faz parte de uma tendência generalizada.

Novamente, isso não quer dizer que aqueles que escrevem sobre a Coreia do Norte dessa maneira tentem intencionalmente demonizar os norte-coreanos e desumanizá-los com a agenda explícita de tornar uma ação militar mais palatável para o público em geral. Em vez disso, esses impulsos vêm de uma necessidade subconsciente de identificar diferenças, bem como do desejo de satisfazer o fascínio coletivo pelo espetáculo que é a Coreia do Norte.

A disputa contínua de significado

Por fim, não está claro se Avni considerou sua mera participação surpreendente e “extraordinária” ou se ficou surpreso ao constatar que os norte-coreanos eram pacientes e falavam inglês fluentemente. Talvez se presuma que os diplomatas memorizem discursos ensaiados e sejam realmente incapazes de manter uma conversa fluente.

De qualquer forma, essa não foi a única incursão da RPDC no debate sobre direitos humanos. Antes disso, a Coreia do Norte publicou seu próprio relatório sobre a história e o estado atual dos direitos humanos no país. A Coreia do Norte também buscou ser incluída em uma reunião ministerial da Assembleia Geral da ONU sobre os direitos humanos no país, organizada por John Kerry (seu pedido foi negado). Isso levanta a questão: por que a Coreia do Norte se preocupa com isso? Por que os norte-coreanos queriam ser incluídos na reunião ministerial de Kerry? Por que se preocuparam em publicar um relatório oficial sobre direitos humanos e em participar e falar nessa sessão da ONU? Com um discurso geral tão arraigado contra os norte-coreanos e com suas declarações sendo tratadas como uma propaganda sem sentido, a Coreia do Norte não pode, por conta própria, modificar essa narrativa.

Acredito que o país continua a participar da discussão sobre direitos humanos porque entende a visão de Lepore sobre a guerra: “feridas e palavras – os ferimentos e sua interpretação – não podem ser separados”. A forma como a história é contada faz parte de como a guerra se desenrola e como ela será lembrada mais tarde. Esse relatório e a participação da Coreia do Norte na sessão da ONU são apenas os mais recentes do país na sua determinação em não deixar a narrativa dominante sem contestação – não por orgulho tolo e equivocado, mas pela dignidade humana e pelo desejo de se autorrepresentar nessa disputa contínua de significado.

Artigos e suposições, como o texto da Newsweek, apenas impedem o desenvolvimento de um diálogo genuíno entre a Coreia do Norte e o mundo, o que dificulta qualquer progresso real em direção à melhoria dos direitos humanos. Experiências passadas (no final do governo Clinton e no final do governo Bush) nos mostraram que a Coreia do Norte pode e irá se engajar em diálogos e negociações. Se continuarmos a propagar a crença de que o país não está mais qualificado para falar, o único recurso racional será a força militar. Jill Lepore observou que os colonos viam os índios algonquinos como conhecedores somente da linguagem da violência – justificando assim o uso que os colonos faziam de uma violência brutal. A Coreia do Norte pode falar outros idiomas além da violência e está habitada por seres humanos que não são tão diferentes de nós quanto gostaríamos de acreditar. Não vamos esquecer isso enquanto discutimos soluções para os direitos humanos.

* Betsy Yoon é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia e é membro da Nodutdol for Korean Community Development. Ela coorganiza o programa anual de exposição e educação de Nodutdol e liderou duas delegações de coreanos americanos para a Coreia do Norte.

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Coreia do Norte afirma que 'provocação' dos EUA deixa diálogo nuclear à beira da extinção

Pessoas tiram fotos em frente à bandeira da Coreia do Norte e dos EUA, em Hanói, Vietnã, 24 de fevereiro de 2019
© AP Photo / Vincent Yu

Em um recente pronunciamento, um responsável oficial de Pyongyang classificou os próximos exercícios aéreos conjuntos de Washington e Seul como um "balde de água fria", se referindo ao diálogo entre os EUA e a Coreia do Norte.

Dias após o Pentágono anunciar que os EUA realizariam treinamentos aéreos limitados com a Coreia do Sul nas próximas semanas em vez dos exercícios anuais Vigilant Ace, Kwon Jong Gun, embaixador itinerante da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), declarou que a decisão dos EUA "representa uma declaração de confronto".

"O frenesi militar imprudente dos EUA é um ato extremamente provocativo e perigoso, jogando um bande de água fria na centelha do diálogo RPDC–EUA à beira de extinção", afirmou o diplomata na quinta-feira (7), conforme divulgado pela rede KCNA Watch. "Ninguém acreditará que as mudanças dos exercícios de guerra alteraram também sua natureza agressiva".

Os exercícios Vigilant Ace foram cancelados no ano anterior logo após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter cancelado dois outros treinamentos conjuntos com a Coreia do Sul e declarado que "jogos militares" têm um custo "muito caro" e dificultavam as negociações com Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte. Jim Mattis, secretário de Defesa dos EUA na época, expressou um posicionamento semelhante quando anunciou uma redução dos exercícios Foal Eagle "para os manter em um nível que não seja prejudicial para a diplomacia".

As manobras militares Vigilant Ace de 2017 levaram mais de 230 aeronaves para a região e, de acordo com o Pentágono, foram realizadas de forma a "maximizar o realismo" de uma resposta a uma potencial ameaça no Pacífico. A RPDC, por outro lado, os considerou como "provocação perigosa" que empurra a região "para a beira de uma guerra nuclear".

Exército Popular da Coreia apresenta, em desfile, complexos de lançamento de mísseis balísticos intercontinentais (foto de arquivo)
© Sputnik / Ilia Pitalev
Exército Popular da Coreia apresenta, em desfile, complexos de lançamento de mísseis balísticos intercontinentais (foto de arquivo)

Kwon recordou Washington desta recente história de exercícios militares conjuntos na região e afirmou que Pyongyang "enfatizou mais de uma vez que os exercícios militares conjuntos planejados podem impedir o avanço das relações bilaterais, nos obrigando a reconsiderar as medidas cruciais que já tomamos".

"Nossa paciência está se aproximando do limite", acrescentou, "nunca iremos desconsiderar os movimentos militares imprudentes dos EUA", possivelmente sinalizando uma resposta através da retoma de testes de mísseis de longo alcance e da pesquisa nuclear.

Em paralelo às fracassadas negociações em Estocolmo, Suécia, no último mês, a declaração de Kwon vem logo após o Departamento do Estado norte-americano designar, em 2018, a Coreia do Norte como Estado promotor de terrorismo. Pyongyang condenou tal acusação e reafirmou que a RPDC repudia manifestações de terrorismo e não apoia atos terroristas.

"Nós não definimos a escala ou conduzimos nossos exercícios com base na fúria da Coreia do Norte", defendeu o porta-voz do Pentágono, tenente-coronel Dave Eastburn, em entrevista para o The Japan Times na quinta-feira. "Nossos exercícios […] garantem a prontidão e aperfeiçoam a interoperabilidade entre os EUA e a Coreia do Sul, enquanto permitem aos diplomatas terem o espaço necessário para manter negociações abertas com a Coreia do Norte".

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'Provocação política grave': Coreia do Norte contesta sua inclusão no relatório sobre terrorismo

Bandeira nacional da Coreia do Norte
© AFP 2019 / Ed Jones

O Governo norte-coreano voltou a condenar os EUA por estes incluírem a Coreia do Norte na sua lista de países supostamente patrocinadores do terrorismo, publicada no 1º de novembro.

O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte condenou o relatório sobre o terrorismo, divulgado no 1º de novembro.

"O ministro das Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) condena esse relatório, impregnado de mentiras e invenções, [considerando-o] como uma provocação política grave", disse o organismo em uma declaração divulgada pela agência KCNA.

A instituição sublinhou que esse relatório "mostra claramente que os Estados Unidos estão imersos na sua característica hostilidade e permanecem hostis à RPDC".

Um porta-voz da Chancelaria norte-coreana enfatizou que o seu país rejeita o terrorismo em todas as formas.

Relações entre EUA e Coreia do Norte

Os Estados Unidos e a Coreia do Norte recomeçaram suas negociações após a cúpula histórica celebrada entre os líderes dos dois países em junho de 2018 em Singapura.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, se reuniram ao todo três vezes para avançar até a desnuclearização da península coreana.

No entanto, atualmente o diálogo entre Pyongyang e Washington sobre a desnuclearização e o processo de distensão na península da Coreia está suspenso.

Em maio passado, Pyongyang retomou os testes de armas, depois de uma pausa de 17 meses, e realizou desde então mais de uma dezena de lançamentos de mísseis e foguetes.

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Especialista expõe 'surpresa' desagradável que Pyongyang pode preparar para Washington

Teste de míssil norte-coreano Hwasong-12 (foto de arquivo)
© REUTERS / Agência Central de Notícias da Coreia do Norte (KCNA)

Uma das opções de surpresas desagradáveis, que a Coreia do Norte pode estar preparando para os EUA neste momento, é o desenvolvimento do programa de mísseis balísticos para submarinos, comenta especialista.

"[Os norte-coreanos] têm um programa de trabalho semicongelado sobre mísseis balísticos para submarinos", disse Ilia Dyachkov, professor associado de Estudos Orientais do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou.

"Eles têm suas próprias dificuldades significativas, sendo a principal delas o fato de, mesmo que sejam desenvolvidos mísseis balísticos lançados de submarinos [SLBM] perfeitos, eles não têm submarinos nucleares, eles só têm navios movidos a diesel, ruidosos, e é difícil usá-los em modernas operações de combate reais", complementou.

O especialista também mencionou outras áreas de trabalho possíveis.

"Que coisas desagradáveis podemos esperar? Trata-se da continuação das pesquisas nucleares, do início de um novo ciclo de trabalho. Também uma continuação real do trabalho sobre mísseis de longo alcance", disse Dyachkov.

Arsenal poderoso

A Coreia do Norte também pode oferecer aos Estados Unidos surpresas fora do campo militar, segundo o analista.

"Além disso, os norte-coreanos são geralmente criativos, e as surpresas podem não ser necessariamente entendidas como preparativos militares ou novos testes. Talvez encontrem outra forma de lutar pelos seus interesses", destacou.

Anteriormente, o embaixador russo em Pyongyang, Aleksandr Matsegora, disse em uma entrevista que, além do lançamento de mísseis, a Coreia do Norte tem bastantes mais "surpresas" em seu arsenal que poderiam incomodar os EUA e outros países.

O programa nuclear norte-coreano tem sido uma fonte de preocupação para a comunidade internacional há muitos anos e seu desenvolvimento desencadeou a imposição de sanções contra Pyongyang pelo Conselho de Segurança da ONU.

Míssil norte-coreano (foto de arquivo)
© REUTERS / KCNA
Míssil norte-coreano (foto de arquivo)

Washington exige que Pyongyang tome medidas mais decisivas para renunciar às armas nucleares, enquanto a Coreia do Norte observa que os EUA não tomam nenhuma medida em resposta às suas medidas voluntárias para desnuclearizar a península.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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Coreia do Norte diz que boa relação entre Trump e Kim não basta para salvar acordo

Adoração de estátuas de bronze dos ex-líderes da Coreia do Norte, Kim Jong-il e Kim Il-sung, para comemorar o aniversário do fim do domínio colonial japonês
© AP Photo / Ng Han Guan

Pyongyang afirmou neste domingo (27) que os EUA tentam "isolar" a Coreia do Norte de maneira "cruel" e que as relações entre seus líderes não bastam para prevenir o deterioramento do diálogo dos dois países.

Em declaração divulgada pela agência estatal norte-coreana de notícias (KCNA), o alto oficial Kim Yong Chol disse que não há progressos substanciais no diálogo entre as duas nações, apesar das relações próximas entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. 

"As relações pessoais próximas nunca podem ser mantidas à parte da opinião pública e jamais são garantia para prevenir que a relação entre os Estados Unidos e a República Popular da Coreia se agravem", afirmou o diretor do Comitê da Coreia para a Paz na Ásia-Pacífico, segundo publicado pela agência AFP. 

Apesar de Trump e Kim Jong-un terem se encontrado duas vezes, o funcionário norte-coreano disse que "há um limite para tudo". Os dois líderes costumam trocar afagos e declarações de respeito, mas as conversas se estagnaram após fevereiro, quando a reunião entre o presidente americano com o líder norte-coreano em Hanói, no Vietnã, terminou sem acordo. 

Coreia do Norte denuncia 'crueldade' dos EUA

Kim Yong Chol afirmou ainda que os EUA estariam "seriamente equivocados" se ignorassem o limite, que vence no final do ano, estabelecido pela Coreia da Norte para se chegar a termos aceitáveis para um acordo sobre a questão nuclear. 

O alto oficial disse ainda que os EUA estavam irritando a Coreia do Norte ao exigir uma "desnuclearização final e completamente verificada", enquanto pressiona outros países a aumentar as sanções contra a nação asiática. Kim Yong Chol acusou Washington de tentar "isolar e sufocar" a Coreia do Norte de "maneira mais ardilosa e cruel do que antes". 

A declaração norte-coreana chega dias após Trump afirmar que ele e Kim Jong-Un têm "respeito" um pelo outro. Em retribuição, Pyongyang disse logo depois que a relação entre os dois era "especial". 

Após trocarem insultos em 2017, os dois líderes se aproximarem e realizaram um primeiro encontro histórico em 2018. Nas negociações, os EUA pedem a desnuclearização da Coreia do Norte, enquanto Pyongyang quer o levantamento das sanções contra sua economia. 

Em 2 de setembro, os norte-coreanos realizaram testes com mísseis, mas os EUA afirmaram que as conversas poderiam continuar mesmo assim.

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A construção do Estado norte-coreano [Parte 3]

Esta é a terceira e última parte de uma série. Leia aqui a segunda e a primeira parte.

A entrada soviética na Guerra e a divisão e ocupação da Península Coreana

Apesar de ser comumente reconhecido que a entrada da União Soviética na Segunda Guerra Mundial contribuiu não só para a destruição do Exército Japonês Kwantung, mas também para a divisão da Península Coreana, há alguma incerteza sobre a reação soviética à Ordem Geral n.º 1 emitida pelo general MacArthur. Um documento recentemente revelado dissipa tal incerteza. Em uma carta pessoal e secreta para o presidente Truman, Stálin seria explícito sobre sua aquiescência à ordem geral que dividia a Península:

“Eu, no geral, concordo com o conteúdo da Ordem Geral nº1 a qual você acaba de me enviar, desde que Dairen seja parte da região da Manchúria. Mas sugiro que os seguintes itens sejam revisados: 1) Nos territórios devolvidos pelo Exército Japonês ao Exército Soviético, as Ilhas Kuril devem ser incluídas na decisão dos Poderes Aliados […]”[1]

Stálin não apenas queria adquirir Dairen (Dalian) e a seção da Península Coreana acima do Paralelo 38, mas, também desejava as Ilhas Kuril. Ele não tinha nenhuma objeção quanto à divisão da Península Coreana.[2] A ordem de Stálin de 20 de setembro de 1945 revela, ademais, que ele não somente concordava com a divisão da Coreia; ele também estava tentando instalar um governo pró-soviético no Norte acima do Paralelo 38.

Eventos subsequentes, entretanto, mostram que as intenções de Stálin não eram facilmente implementáveis. Ao contrário, soviéticos e norte-coreanos se encontravam em uma complexa teia enquanto tentavam negociar em meio ao turbilhão revolucionário do período pós-libertação. A União Soviética imediatamente estabeleceu um governo civil em sua “área expandida” e instaurou um comando de assuntos policiais em cada região, mas lhe faltava o poder para exercer controle completo sobre o Norte.[3] Enquanto os coreanos formavam seus comitês populares[4] a União Soviética aprovou, ex post facto, “a participação direta de pessoas do Partido Comunista e do movimento nacionalista burguês” e tentou uni-los sob a “liderança do Alto Comando do Exército Vermelho”.[5] Após isso, os soviéticos seguiram um curso pragmático quando admitiam as atividades políticas autônomas dos coreanos. Como resultado, mesmo estando os coreanos sob forte influência soviética, eles ainda possuíam uma considerável latitude para supervisionar seus próprios assuntos. Os comunistas coreanos adotaram um modelo de desenvolvimento de estilo soviético, por exemplo, mas o adaptaram às suas circunstâncias de tal forma que se tornou o modelo Juche – não apenas diferente do enquadramento soviético, mas também independente de sua influência.[6]

À medida que a balança do poder estava mudando dentro do Norte, uma mudança igualmente importante ocorreu na Conferência de Moscou de Ministros Estrangeiros de dezembro de 1945, na qual o destino da Coreia estava sendo discutido.[7] Na conferência, os Estados Unidos propuseram um conselho de quatro nações no qual a superioridade de três (Estados Unidos, Grã-Bretanha e China) dominaria sobre a outra (União Soviética).[8] A proposta soviética, em contraste, estava centrada no estabelecimento pelos coreanos de um Governo Provisório Coreano.[9] Essas propostas diferentes traziam o paralelismo das diferentes situações políticas no Sul e no Norte da Coreia. No Sul, o governo militar estadunidense mantinha controle em colaboração com uma minoria de políticos de direita. No Norte, os coreanos não somente eram incluídos nos dez maiores comissariados da Administração Norte-coreana, mas estavam, de fato, conduzindo o desenvolvimento político em cooperação com os soviéticos.[10]

Em 27 de Dezembro de 1945, a Conferência de Moscou concordou em resolver a querela coreana na linha seguida pela proposta soviética.[11] A Resolução de Moscou deixou, ao menos, duas coisas claras sobre as relações entre a Coreia e o restante do mundo. Primeiro, ela substituiu uma declaração clara sobre a independência da Coreia pela imprecisão da Declaração do Cairo de 1943 que a Coreia receberia sua independência “em seu devido tempo”. Segundo, ela pressagiava que, a partir de então, os Estados Unidos e a União Soviética influenciariam diretamente o futuro da Coreia.

A decisão de Moscou marcou uma separação do estado contínuo de uma ocupação dividida entre o norte e o sul.[12] Ao tempo que a Conferência fora convocada, os Estados Unidos e a União Soviética já haviam unilateralmente implementado suas políticas de ocupações por um período de três ou quatro meses. Baseados nas circunstâncias previamente constituídas, a discussão da querela coreana poderia começar, visto que cada lado já havia estabelecido as fundações para implementar suas próprias políticas. Mantendo a fachada da aliança do período da Guerra, os dois lados agiam como se estivessem interessados em estabelecer um Estado coreano unificado, mas suas intenções reais eram completamente diferentes.

Em um telegrama de março de 1946 para o secretário de Estado estadunidense, um conselheiro político americano na Coreia, C. W. Thayer, endossa de forma inequívoca um governo separado no Sul enquanto uma política realista e sábia:

“[…] o propósito da política norte-americana em relação à Coreia não é pela sua independência, mas deve sê-lo para bloquear o controle soviético da Coreia […] forçar uma política para o estabelecimento de um governo de direita pró-americano e fortemente antissoviético no Sul é realista e sábio.” [13]

Seguindo a diretiva do secretário de Estado, George Marshal, para o secretário-assistente de Estado, Dean Acheson, para “preparar um esboço de política para criar um governo separado no Sul” em janeiro de 1947,[14] os Estados Unidos propuseram à Rússia que as fronteiras na Península Coreana fossem claramente determinadas.[15] À medida que a Doutrina Truman intensificava a Guerra Fria, a transferência da questão coreana às Nações Unidas pressagiava a tragédia da divisão permanente e do conflito mutuamente destrutivo. A confrontação entre Estados Unidos e União Soviética, por último, forçou o estabelecimento de governos separados nas Coreias do Norte e do Sul.

Se a Conferência de Ministros Estrangeiros de Moscou inequivocamente apresentou a situação internacional relativa à Península da Coreia, então o minju kijiron (argumento da base democrática) efetivamente expressou o conhecimento da Coreia do Norte do estado da situação, bem como sua contra-estratégia. Os comunistas norte-coreanos estavam tentando afirmar o Juche do país – em vez de agir passivamente – sob as circunstâncias internacionais que marginalizavam a voz coreana.

Kim Il Sung em 1927.

No começo de sua atividade política, Kim Il-Sung falou em termos obscuros sobre o minju kiji noson (linha da base democrática).[16] Em um relatório, ele afirmava que “ainda que apenas na região norte da Coreia, onde a liberdade da atividade democrática está garantida, a tarefa candente é tornar a Coreia do Norte na base do desenvolvimento democrático da Coreia ao estabelecer as fundações política, econômica e cultural para a futura República Democrática Popular.”[17] A 16ª clausula do comunicado da reunião inaugural do Partido Comunista da Coreia do Norte também aludia ao “caráter único da região norte da Coreia”.

Uma ofensiva iniciada, até certo ponto, pelos comunistas coreanos, o objetivo do minju kiji noson era alcançar uma revolução em toda a Coreia para primeiro estabelecer a região norte como a área de suporte e base revolucionária para um movimento comunista coreano. Ao mesmo tempo, também era uma reação defensiva frente aos desenvolvimentos internacionais contínuos: as instituições da liderança central do Partido estavam localizadas em Pyongyang como uma estratégia cautelar contra os potenciais ataques estadunidenses ou outras emergências.[18]

Em 1945, declarações claras sobre a “base revolucionária” e a “base democrática” não foram bem divulgadas, mas a compreensão situacional e a linha estratégica dos comunistas do Norte eram claramente baseadas na política de se estabelecer uma base democrática. Os comunistas do Norte tornaram pública a sua postura na fundação do Comissariado do Ramo norte-coreano do Partido Comunista Coreano. Em outras palavras, é impossível compreender a linha da base democrática sem também considerar o estabelecimento do Comissariado do Ramo Norte-coreano.

A mudança nas relações norte-coreano-soviéticas e a sua influência na formação do sistema político norte-coreano

Desde a época da libertação, a Coreia do Norte já havia começado a desenvolver seu sistema político único, que continua em vigor até hoje.[19] Em abril de 1946, Kim Changman, o líder do Departamento de Propaganda do Partido Comunista Norte-coreano, começou a usar expressões que refletiam as características do sistema político norte-coreano. Dentre elas, “atualização da inimitável orientação”, “a única e unificada segurança da orientação das massas”, “o estabelecimento do sujeito frente a orientação” e “a perspectiva da linha revolucionária de massas”.[20] Acadêmicos da Coreia do Norte também começaram a minimizar o papel da União Soviética na libertação da Coreia e na construção da nação. Após os anos 1960, as histórias gerais da Coreia do Norte praticamente eliminaram as atividades soviéticas no período pós-libertação. Em seu lugar, o povo norte-coreano fora inscrito em uma posição central enquanto os sujeitos da construção nacional.[21]

Por sua vez, os soviéticos criticaram asperamente os julgamentos negativos dos acadêmicos norte-coreanos da União Soviética. Para enfatizar as façanhas do povo soviético, que participou da libertação da Coreia e da construção do socialismo na Coreia do Norte, autores soviéticos publicaram diversos estudos, dentre os quais, Para a benevolência do Povo Coreano(1965), A Benevolência Indestrutível (1971), A Libertação da Coreia(1976) e Pela Paz na Coreia (1985). Todos esses trabalhos argumentam enfaticamente que foi a União Soviética quem “causou o colapso do fascismo alemão e do militarismo japonês e desempenhou um papel decisivo na libertação da Coreia, China e de toda a região nordeste da opressão colonial”.[22]

Por que os norte-coreanos e os soviéticos apresentam o mesmo conjunto de eventos de forma tão oposta e até mesmo contenciosa? Quais eventos e problemas causaram a discórdia entre a Coreia do Norte e a União Soviética nos anos 1950? Em maio de 1955, a União Soviética anunciou a criação da Organização do Tratado de Varsóvia (ou Pacto de Varsóvia). Na Conferência da Cimeira de Genebra dois meses depois, Moscou revisa sua política de apoiar a unificação da Alemanha para a aprovação de “duas Alemanhas” e torna o acordo realidade, ao estabelecer relações diplomáticas com a Alemanha Oriental em setembro. O governo norte-coreano reagiu alarmado a essa sequência de ações soviéticas – as quais, ocorrendo em um Estado dividido como a Alemanha Oriental, definiam uma Coreia unificada enquanto uma agenda prioritária.[23] O governo norte-coreano demandava o direito de lidar com seus próprios problemas de forma independente, de acordo com suas próprias convicções e circunstâncias. Contudo, a Coreia do Norte estava lutando uma penosa batalha, cujo custo poderia ser vultoso contra a então dominante União Soviética.

A ansiedade do governo coreano foi amplificada pelo fato que muitas pessoas percebiam a União Soviética como uma fonte de legitimidade, orientação e suporte. Algumas destas mesmas pessoas desacreditavam o legado cultural tradicional coreano, considerando-o antiquado, e almejavam a cultura soviética, percebida como moderna e avançada. Outros queriam aderir às demandas dos soviéticos porquanto eles priorizavam a educação e estavam despejando recursos em pesquisas científicas e no ensino da história, geografia e costumes soviéticos. Até mesmo alguns membros do Partido dos Trabalhadores da Coreia começaram a dar apoio aos soviéticos. Porém, em 29 de dezembro de 1955, o premier Kim Il-Sung liderou a contraofensiva ao crescente suporte aos Soviéticos conclamando os membros do partido a “eliminar o dogmatismo e o formalismo na atividade ideológica e se manter firme no estabelecimento do Juche”. Esse grande discurso público foi uma medida preliminar para proteger a autonomia da estrutura política norte-coreana no momento em que a taegukchuui (grande poder – chauvinismo) da União Soviética estava penetrando a sadaejuui (política de se servir à grandeza) da Coreia do Norte. “Amar e cuidar de nossas próprias coisas é patriotismo e Juche”, enfatizava Kim nesta campanha.[24] Quando a União Soviética criticou estas medidas como “antissoviéticas” e “promoção do nacionalismo”, o governo da Coreia do Norte respondeu aprofundando a articulação de sua própria ideologia, teoria e métodos.

A morte de Stalin em 1953 não trouxe o fim dos problemas de Pyongyang com Moscou. A campanha de desestalinização de Khrushchev mirou diretamente em Kim Il-Sung, muitas vezes, chamado de “Pequeno Stalin”. À medida que a febre de expulsão de stalinistas varria os países socialistas, Moscou também direcionou o Partido dos Trabalhadores da Coreia para resolver o assim chamado culto de personalidade em torno de Kim Il-Sung. Em abril de 1956, quando o Terceiro Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC) foi instaurado, Moscou despachou um grupo de representantes que sugeriu a interlocutores norte-coreanos que o problema do “culto à personalidade” fosse mirado e eliminado. O PTC se opôs tão categoricamente àquilo que foi visto como taegukchuui soviético que a situação culminou em outro impasse. Em uma ação desafiadora que enviou uma clara mensagem a Moscou, o Congresso reelegeu Kim Il-Sung como presidente do Comitê Central do Partido.

Quatro meses depois, o PTC realizou uma reunião geral que, pela primeira vez em sua história, abordou um assunto que não estava na agenda. Apesar de sua agenda principal fosse discutir os resultados da viagem do Premier Kim Il-Sung ao Leste Europeu e a reforma das atividades de saneamento, alguns líderes do partido como Choe Changik e Pak Changok se opuserem às políticas do PTC e questionaram a perspectiva de não se seguir as decisões do 20ª Congresso do Partido Comunista da União Soviética. Eles também criticaram a posição de liderança que o PTC mantinha sobre os órgãos administrativos do governo, chigop tongmaeng (a aliança de ocupação) e o Exército, e admoestaram contra a direção tomada na construção econômica ressaltando que “a indústria pesada está sendo favorecida enquanto a vida das pessoas continua difícil” e “que a comida não cresce das máquinas”.[25] Tais questões eram intimamente ligadas aos objetivos soviéticos de integrar a economia da Coreia do Norte em sua ordem econômica socialista.

No meio da década de 1950, a União Soviética já estava usando o Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON) – estabelecido em 1949 enquanto a organização para a cooperação econômica dos países socialistas – como um meio para subordinar economias socialistas sob o pretexto de “especialização produtiva”. Os soviéticos tentaram persuadir Pyongyang a se juntar ao COMECON e, quando houve a recusa, a criticaram por exibir “inclinações nacionalistas”, “isolamento do sistema socialista” e “possuir um sistema econômico fechado”. A Coreia do Norte continuou a recusar a adesão ao COMECON, principalmente por sentir que a organização subordinava a economia do Norte à da União Soviética, apesar de a troca desigual de produtos entre a Coreia do Norte e a União Soviética ser um problema contínuo.[26] O lema norte-coreano à época era “não viver o hoje para o hoje, mas viver o hoje para o amanhã”, indicando sua resolução em suportar dificuldades temporárias no sentido de construir um futuro livre da interferência estrangeira, fosse dos soviéticos, fosse de quem fosse.

No Congresso Nacional de Cooperativas Agrícolas de janeiro de 1959, realizado em meio à “controvérsia da transição”[27] que permeava as nações socialistas, o PTC estabeleceu – para além do estabelecimento do sistema socialista – as “três revoluções da ideologia, tecnologia e cultura” enquanto suas tarefas revolucionárias continuadas. Em uma reunião com os secretários do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, Kochelov e Andropov, em janeiro de 1963, Kim Il-Sung, de maneira desafiadora, expressou sua oposição ao taegukchuui soviético. Quando ambos o Partido Comunista da União Soviética e o Partido Socialista Unido da Alemanha (o qual seguia as políticas soviéticas) criticaram a ação de Kim, o Rodong Sinmun, jornal oficial do PTC, publicamente anunciou que o Norte perseguiria uma política de “luta anti-imperialista”em detrimento da “coexistência pacífica”.[28]

Durante os anos 1950 e 1960, a União Soviética forçou suas políticas nos países comunistas fronteiriços. Para aquelas nações que optaram por não aceitar a orientação, a União Soviética não hesitou em interferir em seus assuntos internos e pressioná-las política, econômica e militarmente. A Coreia do Norte não foi uma exceção. Agora que a União Soviética possuía armas e mísseis nucleares – como Moscou argumentava com a recalcitrante Pyongyang –, não havia necessidade para que outras nações socialistas gastassem energia fortalecendo seus próprios Exércitos. Os soviéticos subvalorizavam a necessidade norte-coreana por um programa de autodefesa e buscavam passar a impressão que eles se responsabilizariam pela proteção da Coreia do Norte. Na realidade, os soviéticos estavam pressionando politicamente a Coreia do Norte, que estava sob o guarda-chuvas nuclear soviético. O governo da Coreia do Norte respondeu enfatizando seu direito de decidir autonomamente sobre seus assuntos internos com a seleção e estabelecimento de um sistema estatal socialista, a preparação e execução de suas políticas internas e externas e controle jurisdicional sobre sua própria população e terras. A RPDC resistiu à interferência soviética em seus assuntos internos e buscou uma forma de existir independentemente,[29] desenvolvendo gradual e cumulativamente seu sistema político único que privilegia ao Juche a todos os outros fatores.

Conclusão

As origens do Estado norte-coreano podem ser traçadas de volta até a ocupação japonesa da Coreia. De fato, as complexas imbricações entre os coreanos e os poderes estrangeiros moldaram profundamente a instituição Juche que se desenvolveria como sua consequência. Ironicamente, fora o colonialismo japonês quem propiciou os alicerces para o Estado no Norte, uma vez que engendrou o movimento de libertação da Coreia que combateu a colonização nipônica na Coreia e na China e que mais tarde cresceria até se tornar o Estado norte-coreano. No princípio da década de 1930, a luta armada nacionalista dentro da Coreia, baseada no Exército de Independência, chegou ao seu fim, e jovens socialistas, incluindo Kim Il-Sung, iniciaram uma mudança qualitativa no caráter do movimento, ao abrir novos frontes na luta armada. Enquanto o Japão estendia seu braço imperial até a China, as lutas coreanas pela libertação tomaram um caráter transnacional. Comunistas coreanos se juntaram ao PCCh e colaboraram com os chineses na criação de Forças Armadas Aliadas Antinipônicas que combatiam um inimigo comum, a saber, as forças imperiais japonesas na Manchúria. Os japoneses que freneticamente tentavam assegurar a China contra influências ocidentais responderam com ferozes campanhas anti-guerrilha. Em 1940, tais campanhas forçaram o exército amalgamado sino-coreano a buscar abrigo na União Soviética que havia, até então, mantido uma posição neutra na guerra internacional entre os Aliados e o Eixo. Em mais uma reviravolta irônica, esse movimento forçado deu ao grupo de Kim Il-Sung a oportunidade de expandir sua aliança transnacional e incluir os soviéticos, que, após 1945, viriam a exercer uma influência decisiva na Coreia.

Em agosto de 1945, a Coreia foi liberta do colonialismo japonês apenas para ser dividida ao longo do Paralelo 38 e ocupada pelos Estados Unidos e pela União Soviética. Esses dois países, por meio de suas políticas de ocupação e pela Conferência de Moscou de Ministros Estrangeiros, agora interagiam com o movimento de libertação coreano que buscava recuperar a soberania e constituir um Estado-nação. Nessa Coreia dividida, as forças do movimento de libertação nacional também foram cingidas. Muitos tentaram ganhar influência ao colidir ou com os Estados Unidos ou com a União Soviética. Cada qual buscou grupos autóctones para falarem em seus nomes.

Após 1947, tornou-se claro que o estabelecimento de um Estado coreano unificado e independente havia fracassado. No Norte e no Sul, aparatos estatais individuais foram formados sob a condução de poderes estrangeiros. No Norte, os comunistas se aproveitaram das circunstâncias propícias criadas sob a ocupação soviética para tomar a liderança, em 8 de fevereiro de 1946, para o estabelecimento do Comitê Provisório do Povo Norte-coreano enquanto a organização central do governo. Mesmo dando apoio aos partidos políticos e grupos sociais, os comunistas colocaram o povo no assento condutor da reforma social. Em 28 de agosto de 1946, o PTC foi criado. Em 3 de novembro de 1946, a primeira eleição regular ocorreu na Península Coreana e resultou na formação da Assembleia do Povo da Coreia do Norte e no Comitê do Povo da Coreia do Norte. Em 8 de fevereiro de 1948, deu-se a fundação do Exército do Povo Coreano. Em abril de 1948, a Conferência Conjunta dos Representantes dos Partidos Políticos e Organizações Públicas nas Coreias do Norte e do Sul ocorreu conjuntamente à eleição geral Norte-Sul de Representantes para Assembleia Suprema do Povo. Em 2 de setembro de 1948, a Primeira Assembleia Suprema do Povo foi inaugurada, e a Constituição da República Popular Democrática da Coreia se tornou o alicerce para o estabelecimento da RPDC, a sucessora do Comitê do Povo.[30]

A Coreia do Norte de hoje continua a usar o epíteto estatal República Popular Democrática da Coreia, e sua soberania ainda reside na Assembleia Suprema do Povo e no Comitê do Povo, tal como quando o país foi fundado. Apesar de muito de suas estruturas formais terem permanecido, a Coreia do Norte passou por muitas mudanças durante o período de intervenções. Porquanto tenha sido o estado formado sob a base de uma ideologia de “democracia progressista”, essa foi gradualmente substituída pela revolução socialista por um “socialismo de características autóctones”. O caráter do governo também mudou de uma “ditadura democrático-popular” para uma “ditadura do proletariado”. Se os papéis-chave do nascente governo foram inicialmente desempenhados pela Unidade de Guerrilha Antinipônica de Kim Il-Sung e seus apoiadores comunistas em cooperação com grupos de centro, o governo é atualmente tocado principalmente por antigos trabalhadores e camponeses recrutados após a libertação dentro de um enquadramento formado pelos membros originais da guerrilha antinipônica e sua segunda geração.

Uma característica não se alterou com o tempo e é pouco provável que se altere no futuro próximo: a estrutura de poder concêntrica predicada na lealdade pessoal a Kim Il-Sung e Kim Jong-Il. A unidade de guerrilha antinipônica e sua segunda geração ocupam o centro desses círculos concêntricos. Em torno deles, estão o Partido, os militares e as instituições governamentais, bem como grupos sociais unidos por firmes conexões, os quais funcionam para manter e fortalecer a estrutura reprodutiva daquilo que principiou na Unidade de Guerrilha Antinipônica. Tal é a estrutura de poder institucionalizada na Coreia do Norte do Juche.

Notas:

[1] – STALIN, Josef. “Choguk haebang chõnjaeng sigi So Mi Yõng sunoeja tůl ui sõhanjip” (Coleção de Cartas dos Líderes da União Soviética, dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha no período da Guerra de Libertação da Terra Pátria* – *O termo no original coreano é “terra pai”, N.T.) nº. 363 Pyongyang: Korean Revolution Museum’s Exhibition, pg. 263-64.

[2] – PETUKHOV, V. I. U istokov borby za edinstvo i nezavisimosť Korei (Origens da luta pela Unidade e Independência da Coreia) Moscou: 1987, pg. 13

[3] – Conjuntamente ao avanço do Exército Soviético, o Conselho de Assuntos Militares do Distrito Militar Costeiro estabeleceu comandos de polícia militar na Coreia do Norte em seis províncias, oitenta e cinco condados e sete cidades. Ver “Chu Pukhan Soryõn minjõngguk 3-kaenyõn saõp ch’onggyôl pogo: August 1945-November 1948” (Relatório Compreensivo de três anos de atividades do Comissariado do Governo Civil Soviético na Coreia do Norte: Agosto de 1945- Novembro de 1948) Доклад об итогах работы Управления Советской Гражданской Администрации в Северной Корее за три:Август 1945г.-Ноябръ 1948г. (Parte 1: Políticas, Seção 1: A situação política na Coreia do Norte de 1945 a 1948), Russian Manuscript Collection, Kuksa P’yönch’an Wiwönhoe, Seul.

[4] – Os comitês populares foram formados no final de 1945 nas 145 cidades e condados da Coreia do Sul e nas 70 cidades e condados da Coreia do Norte. Quando os mecanismos de controle japoneses pararam de funcionar após a libertação, os comitês populares surgiram como uma nova forma de soberania organizada espontaneamente pelo povo coreano tanto nos centros como nas regiões interioranas. Ver SOKTAE, Yi (ed.), Sahoe kwahak taesajõn (Dicionário de Ciências Sociais). Seul: Munu Insõgwõn, 1948, pgs.518-19.

[5] – “Puk Chosön imsi to inmin wiwõnhoe taep’yohoe iíi kyõlgwa pogosõ” (Relatório sobre os Resultados das Reuniões Representativas do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte), Arquivo Central da Administração Civil na Coreia do Norte do Ministério da Defesa da Federação Russa (a partir de então Arquivo Central do Ministério da Defesa), índice 433847, Pasta 1. A respeito da divisão e estabelecimento de governos separados antes da Conferência de Ministros Estrangeiros de Moscou em dezembro de 1945, o governo militar estadunidense na Coreia do Sul de igual maneira havia cruzado o ponto sem retorno ao esposar o chamado kwado chõngburon (Argumento do governo de transição) na Coreia do Sul, em outubro de 1945. Quando a Conferência de Ministros Estrangeiros de Moscou concordou com a formação de um governo provisório democrático, isso já era inaceitável para o governo militar estadunidense devido às circunstâncias internas da Coreia do Sul.

[6] – Quartel Geral do Comando do Extremo-Oriente, História do Exército Norte Coreano, 31 de julho de 31, 1951, 90. Dentro deste contexto os seguintes slogans políticos foram criados: “Vamos viver de nossa própria maneira. Vamos lutar de nossa própria maneira. Vamos criar de nossa própria maneira”.

[7] – Departamento de Estado dos Estados Unidos, Divisão de Pesquisas Políticas Históricas, Manual das Discussões da Conferência do Extremo-Oriente. Washington, D.C.: United States Government Printing Office, 1949, H-l-2.

[8] – O memorandum detalhando essa proposta listava a Declaração do Cairo e a Declaração de Potsdam como exemplos. Ainda mais, enquanto levantando o assunto candente da divisão Coreana ele revela uma “crença que um conselho de quatro nações seria o plano oferecendo a maior possibilidade para uma futura independência Coreana” ver “Memorandum by the United States Delegation at the Moscow Conference of Foreign Ministers” 17 de dezembro de 1945), FRUS 1945 I Washington, D.C.: United States Government Printing Office, 1967, pgs.641-43.

[9] – “ O rascunho soviético foi submetido em 20 de dezembro” FRUS 1945 Washington, D.C.: United States Government Printing Office, 1967, pgs; 699-700.

[10] – Na Coreia do Norte, o governo central foi estabelecido em três estágios: (1) organizando e fortalecendo os comitês populares regionais, (2) estabelecendo dez Puk Chosõn haengjõng кик (Comissariados Norte-coreanos de Administração) enquanto organizações de administração central diferenciadas e (3) formando o Puk Chosõn imsi inmin wiwõnhoe (Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte) como um governo central unificados. R. Scalapino e Chong-sik Lee argumentam que a União Soviética conduziu a divisão da Coreia ao estabelecer o Comissariado de Administração da Coreia do Norte como um Estado separado na região norte da Coreia. Embora não seja claro que os soviéticos pretendiam estabelecer um Estado separado nessa conjuntura, é digno de nota que os Estados Unidos também haviam esposado o kwado chõngkwõn non(argumento da comissão de governo) no Sul antes da União Soviética dirigir a formação do Comissariado de Administração em 17 de outubro.

[11] – Ver “Memorandum by the United States Delegation at the Moscow Conference of Foreign Ministers” (21 de dezembro de 1945), FRUS 1945 II. Washington, DC.: United States Government Printing Office, 1967, pg.721.

[12] – No memorandum do representante estadunidense para a Conferência os Estados Unidos deixaram claro que a “Coreia está presentemente dividida em duas áreas e sob controle militar” Ver “Memorandum by the United States Delegation at the Moscow Conference of Foreign Ministers” 17 de dezembro de 1945, FRUS1945 I. Washington, D.C.: United States Government Printing Office, 1967, pg. 641-43.

[13] – NARA, RG59, arquivo decimal, 740.00119 Control (Korea) / 3-2246: Telegrama, “O Conselheiro Político na Coreia (Thayer) para o Secretário de Estado”

[14] – NARA, RG59, arquivo decimal, 740.00119 Control (Korea), Caixa nº. 3827, “Marshall para Acheson” (29 de janeiro de 1947).

[15] – Em depoimento perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado, em março de 1947, Acheson fez uma declaração resumida de que “a linha entre os soviéticos e nosso lado será claramente traçada” na Coreia. Ver Senado dos EUA, Comitê de Relações Exteriores, Série Histórica, Origens Legislativas da Doutrina Truman (Washington, D.C.: U.S. Government Printing Office, 1973), 22.

[16] – A respeito do minju kijiron, estudiosos debatem tanto seu caráter como seu período de adoção. O caráter do minju kijiron é atualmente compreendido como “a linha pró-divisão de Kim Il-Sung e da União Soviética”. Acadêmicos ainda discordam, entretanto, quanto ao começo da adoção do minju kijiron. Wada Haruki aponta para 15 de dezembro de 1945. Suzuki Masayuki indica o primeiro congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte em 29 de agosto de 1946. Kim Namsik e Chõng Yonguk apontam para o Sõbuk 5- todang chaegimja kup tang yõlsõngja taehoe (Encontro Plenário dos Oficiais Responsáveis do Partido e Ativistas do Partido das 5 Províncias do Noroeste). Ryu Kilchae argumenta que apenas após a implementação com sucesso da reforma agrária que o conceito do minju kijiron se tornou claro, visto que, ao tempo da proposta do minju kijiron, o Partido Comunista norte-coreano ainda era fraco e não podia realizar a reforma social. Yang Homin afirma ser possível que Kim Il-Sung já pensara o minju kijiron na Terceira Plenária do Comissariado do ramo norte-coreano do Partido Comunista Coreano, mas somente chegou a propô-lo no Primeiro Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte. É interessante notar que não havia partido ou indivíduo no Sul que considerava seriamente o significado do minju kijiron norte-coreano naquele tempo. Sobre esse ponto ver HARUKI, Wada, “Sor y on Hi tae Pukhan chöngch’aek: 1945-1946 “ (Política Soviética para a Coreia do Norte: 1945-1946) Pundan chönhu ûi hyõndaesa (História Moderna antes e após a Divisão) Seul: Irwõl Sõgak, pg. 283. Kim Myõngsõp criticou a reforma do minju kiji nosõnenquanto “minju kijiron = pundan nosõnnon(argumento da linha divisória)” devido à sua localização na região norte (ver MYONGSOP, Kim “Haebang chõnhu Pukhan hyõndaesa ui chaengchõm” (O problema da História Moderna Norte-coreana antes e após a Libertação), Haebang chõnhusa ui insik (Compreendendo a História Pré e Pós-Libertação) Seul: Hangilsa, 1989). Ver também HARUKI, Wada “Soryõn ui tae Pukhan chöngch’aek (1945-1946)”, pg.283-84; MASAYUKI, Suzuki. “Chõsen kaihõ zengõ ni okeru Kin Nichi Sei rosen – shiryõ hihan o tõsite mita ‘Chõsen kyõsantõ hokubu Chõsen bunkyoku’ sõsetsu to Kin Nichi Sei rosen” (A linha de Kim II Sung antes e depois da Libertação da Coreia – O Estabelecimento do Comissariado do Ramo Norte-coreano do Partido Comunista Coreano e a linha de Kim Il-Sung vista pela Crítica de Registros Históricos), Ajia keizai 32(1989), 30-32; NAMSIK, Kim. “Haebang chõnhu Pukhan hyõndaesa üi chaeinsik” (Repensando a História Moderna Norte-coreana antes e depois da Libertação), Haebang chõnhusa üi insik(Compreendendo a História Pré e Pós-Libertação), vol. 5, Seul: Han’gilsa 1989, pgs.14-17; YONGUK, Chõng. “Puknodang üi nosõn kwa hwaltong” (A Linha e as Atividades do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte), Han’guk hyõndaesa (História Contemporânea Coreana), vol. 1 Seul: P’ulpit, 1991, pg. 172; CHUHWAN, Kim. “Sõbuk 5-todang taehoe üi taemi insik kwa Chosõn kongsan- dang puk Chosõn pun’guk üi chojik chõk üisang” (a Atitude do Encontro das Cinco Províncias diante dos Estados Unidos e a Fase Organizacional do Comissariado do Ramo Norte-coreano do Partido Comunista da Coreia), Haebang chõnhusa üi insik (Compreendendo a História Pré e Pós-Libertação), vol. 5, Seul: Han’gilsa 1989, pg.171-72; KILCHAE, Ryu. “Pukhan üi kukka kõnsõl kwa inmin wiwönhoe üi yökhal” (A Construção do Estado Norte-coreano e dos Comitês Populares), Tese de Doutorado, Departamento de Ciências Políticas e Relações Internacionais, Universidade de Koryo, 1995, pg.174; HOMIN, Yang. “Hanbando nün irök’ae punyõl toeõtta” (A Península Coreana foi dividida assim), Hanbando pundan ui chaeinsik 1945-1950 (Repensando a Divisão da Península Coreana 1945-1950), Seul: Nanam, 1993, pg. 94.

[17] – Tang kõnsõl, 1948 (Construção do Partido, 1948), NARA, RG242, SA2009, Caixa 6, Item 76, pg.101.

[18] – Em novembro de 1945, Kim II-Sung ordenou a Rim Chunchu que organizasse um comitê militar do Partido para as regiões fronteiriças e preparar uma base de apoio que pudesse ser usada para emergências e combates. Ver CHUNCHU, Rim. “Chunõm hayõttõn uri hyõngmyõng üi yõmyõnggi ro puťo” (Desde a Aurora de nossa implacável revolução), Rodong Sinmun, 27 de abril de 1990 – 29 de abril de 1990.

[19] – Ver CUMINGS, Bruce. The Origins of the Korean War, vol. 2. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1990, pgs.293-94; e GWANG OON, Kim. Pukhan chöngch’isa yön’gu (Um estudo da História Política Norte-coreana), vol. 1 Seul: Sõnin, 2003, pgs.748-49.

[20] – “Tang üi chõngch ‘i nosõn kup tang saõp eh ong kyõlgwa wa kyõlchõng” (A linha política do Partido e os resultados compreensivos das atividades e decisões do partido), Tang munhõn chip (1) Seul: Chõngno Chulpansa, 1946, pgs.66-68.

[21] – Ver YONGJIN, Pak. “Haebang З-nyõnsa e taehan insik” (Compreendendo a história trienal da Libertação), Nam-Pukhan yõksa insik pigyo kangui (Uma palestra comparativa sobre a Compreensão da História das Coreias do Norte e do Sul) Seul: Ilsongjõng, 1989, pgs.296-306.

[22] – Ver YONGUK, Chõng. “Mi So üi taehan chöngch’aek kwa kunjöng yön’gu” (Um estudo de políticas direcionadas aos Estados Unidos e à União Soviética e a Administração Militar), Han’guk saron, vol. 27 Seul: Kuksa Pyönchan Wiwönhoe, 1997, pgs.14-16.

[23] – Em outubro de 1955, Kruschev chamou a luta de libertação do povo argelino contra a França de um “problema interno” e instruiu o Partido Comunista Argelino a desistir de sua luta armada. Após à independência da Argélia, o Partido Comunista Argelino perdeu sua influência.

[24] – IL SUNG, Kim. Condensed Biography. Pyongyang: Foreign Languages Publishing House, 2001, pg.192-93.

[25] – Ver The History of the Workers’ Party of Korea. Pyongyang: Korean Workers’ Party Publishing House, 2004, pgs.270-73.

[26] – Ver “Charyõk kaengsaeng kwa charip chõk minjok kyõngje kõnsõl nosõn” (Renascimento Auto Propelido e a Linha de Construção de uma Economia Nacional Independente), Rodong Sinmun, 12 de junho de 1963.

[27] – De acordo com a chamada “controvérsia da transição”, se um sistema socialista fosse estabelecido, ao final do período de transição do capitalismo para o socialismo triunfante supostamente surgiria uma “nação de todos os povos” o que diferia da ordem então estabelecida com a cisão entre Norte e Sul.

[28] – Rodong Sinmun, 30 de janeiro de 1963.

[29] – Em outubro e novembro de 1962, o Partido dos Trabalhadores da Coreia observou a União Soviética ceder ao bloqueio Americano do Mar do Caribe. No mês seguinte, o Quinto Encontro do Quarto Comitê Central do Partido dos Trabalhadores adotou a política de desenvolvimento simultâneo da economia e da defesa e pelo esforço concentrado pela construção de um sistema de defesa autônomo.

[30] – O autor se refere aos Comitês do Povo terem sido fundados 50 anos antes. Os Comitês do Povo enquanto instituição foram fundados somente após o período de libertação entre 1945 e 1946. Todavia, os primeiros comitês populares que visavam à luta insurrecional contra o colonialismo japonês são datados da transição do século XIX ao XX, e acreditamos que tenha sido essa a referência do autor (N.T).

Gwang-Oon Kim, “The Making of the North Korean State”, no Journal of Korean Studies, Volume 12, no. 1, pp. 15-42.Copyright, 2007.Responsáveis da Columbia University, na cidade de Nova York. Todos os direitos reservados. Republicado com permissão do detentor dos direitos autorais e da presente editora, Duke University Press. www.dukeupress.edu

* Gwang-Oon Kim é um pesquisador sênior no Instituto Nacional de História Coreana.

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China espera que RPDC e EUA se mantenham pacientes e se encontrem no meio do caminho

 

Foto tirada em 18 de junho de 2019 mostra a Praça Kim II Sung em Pyongyang, capital da República Popular Democrática da Coreia. (Xinhua/Liu Yanxia)

Beijing, 9 out (Xinhua) -- A China expressou na terça-feira a esperança de que a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) e os Estados Unidos permaneçam pacientes, encontrem-se no meio do caminho e promovam a desnuclearização da Península Coreana e o processo de solução política no caminho certo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, fez as observações em uma coletiva de imprensa, em resposta às declarações feitas pela RPDC e pelos EUA após suas conversações em nível de trabalho realizadas no último sábado na Suécia.

O lado da RPDC disse que as negociações se romperam, enquanto o Departamento de Estado dos EUA disse que sua delegação teve "boas discussões" com o seu homólogo da RPDC, esperando voltar às negociações em duas semanas.

"Os altos e baixos da situação na Península Coreana nas últimas décadas nos mostram que o diálogo e as consultas são a saída fundamental", disse Geng.

A China espera que a RPDC e os EUA permaneçam pacientes, encontrem-se no meio do caminho, atenham-se ao diálogo e às consultas para encontrar as soluções para as respectivas preocupações e promovam a desnuclearização da Península Coreana e o processo de solução política no caminho certo, disse.

A China está disposta a continuar desempenhando um papel construtivo nesse sentido, disse ele.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/09/c_138457941.htm

A construção do Estado norte-coreano [Parte 2]

Esta é a segunda parte de uma série de três. Leia aqui à primeira parte.

O surgimento do governo popular da Coreia do Norte

A modernidade na Europa Ocidental é caracterizada, dentre outras coisas, pela formação do Estado-nação, a ascensão do capitalismo e a formação ideológica do individualismo e do liberalismo. Em contraste, a modernidade na Península Coreana foi marcada pela luta pela soberania contra a colonização do imperialismo nipônico, o desenvolvimento de uma sociedade colonial semifeudal e a formação ideológica do coletivismo. Devido ao fato de o Estado coreano não ter emergido de um processo de diferenciação de desenvolvimento de uma sociedade civil, como é o caso dos Estados da Europa Ocidental, os coreanos tanto no Norte como no Sul distinguem dois períodos de sua modernidade: kundae (tempos recentes) e hyondae (tempos contemporâneos).

O Estado norte-coreano emergiu a partir dos seguintes desenvolvimentos históricos: 1) o movimento de longa duração dos comunistas coreanos para construir um sistema de ditadura do proletariado; 2) sua solidariedade internacional com o Partido Comunista Chinês e; 3) a ocupação exclusiva da Coreia do Norte pelo Exército soviético imediatamente antes do término da Segunda Guerra Mundial.

O movimento comunista e a luta armada antinipônica

A base política e as origens históricas da inevitável formação de Estados separados na Península Coreana podem ser encontradas primeiro dentro do movimento comunista coreano. Mesmo tendo o Komintern retirado seu reconhecimento do Partido Comunista da Coreia enquanto um de seus ramos no final de 1928, os comunistas coreanos continuaram com suas atividades clandestinas por meio de organizações de massa, como sindicatos revolucionários e associações de camponeses. A tarefa deles era auxiliada pela grande ressonância da ideologia socialista e do pensamento reformista camponês tradicional, bem como pelos sentimentos dos camponeses e trabalhadores explorados pelo colonialismo nipônico. Apesar disso, até 1945, os comunistas não concretizaram uma organização centralizada que lideraria o esforço para estabelecer um novo Estado. As organizações comunistas haviam desempenhado um papel menor na luta pela soberania e exerceram uma influência limitada sobre as atividades próprias dos sindicatos dos trabalhadores e associações de camponeses.

Após a derrota do movimento Primeiro de Maio (samil undong) em 1919, o centro do movimento de independência gravitou rumo à luta armada antinipônica, e todas as atividades militantes de grupos como o Movimento Exército da Independência, Exército da Liberação Nacional, Brigada de Voluntários Coreanos e a Unidade de Guerrilha Antinipônica, de Kim Il-Sung, cresceram em força. Durante sua longeva luta, o grupo de Kim Il-Sung se desenvolveu de Exército Popular da Guerrilha Antinipônica para Exército Revolucionário do Povo Coreano. Por uma combinação de fatores, emergiu como uma poderosa força política equipada com os alicerces ideológicos necessários para estabelecer o poder de um Estado popular (inmin chongkwori).

Primeiramente, Kim Il-Sung era famoso por sua luta armada antinipônica durante os anos 1930. Após a libertação, ele foi recebido de forma triunfal de volta na Coreia como um herói lendário e a “estrela guia da libertação nacional”. O grupo de Kim Il-Sung ganhou popularidade ao vencer batalhas amplamente noticiadas, como a de Pochonbo, em 4 de junho de 1937, enquanto comunistas como Pak Honyong não eram tão conhecidos na população pelo fato de a maior parte de suas atividades ter sido conduzida de forma subterrânea.

Segundo, como os guerrilheiros antinipônicos começaram a conduzir atividades partidárias enquanto membros do Partido Comunista Chinês e, também, por estarem, após 1940, sob o Comando Soviético do Extremo Oriente, tais atividades eram acima de tudo limitadas a projetos de construção partidária. Porém, transformando esse limite em uma vantagem, eles se engajaram ativamente na organização de células partidárias em muitas comunidades locais, o que acabou expandindo e fortalecendo suas influências.[1] Ao contrário de Pak Honyong – que, após a libertação, reuniu os seus e tentou consolidar seu poder no centro nacional de Seul –, Kim Il-Sung continuou sua prática de estabelecer bases nas províncias no sentido de propagar sua influência e eventualmente cercar e tomar o centro do país.[2]

Terceiro, a guerrilha antinipônica havia desenvolvido uma identidade mais coerente que outros grupos políticos dentro ou fora da Coreia à época. Eles ganharam bastante confiança pelo fato de terem conseguido superar a brutal campanha “anti-minsaengdan”[3] e a chamada “Marcha Árdua”,[4] o que os diferenciava de outros grupos comunistas. Após a libertação, eles divulgaram suas experiências enquanto “caráter e disciplina revolucionárias”, elevando-se como padrão normativo para grupos políticos em busca do poder, o que viria a ter profundas consequências.[5] Por um lado, tal caracterização levou a lutas faccionais, posto que outros grupos comunistas ou nacionalistas que também haviam participado do movimento de libertação nacional[6] não eram tão valorizados quanto as guerrilhas antinipônicas e seus primeiros seguidores. Por outro, tornou-se uma tendência confiar e promover, enquanto elites de poder norte-coreanas, os graduados da Escola Revolucionária Mangyongdae (Mangyongdae hyongmyong hagwon), cuja maioria dos frequentadores pertencia aos descendentes das guerrilhas.

Quarto, a Unidade de Guerrilha Antinipônica tinha a experiência de estabelecer uma base de guerrilha e formar uma organização de massa sob condições difíceis.[7] Como será discutido mais tarde, tal experiência lançou as bases para a tese da “base revolucionária democrática”, que justificava o estabelecimento de um governo separado no Norte e consolidou a divisão.

Quinto, as experiências das guerrilhas antinipônicas guiaram suas decisões no processo de criação do Exército do Povo Coreano. Eles primeiro formaram pequenas unidades nas províncias e depois as integraram em um único e grande Exército por meio de um anúncio oficial. Apesar da Guerrilha Antinipônica ter feito compromissos e até mesmo concessões a outras facções, tomando um lugar secundário em muitas das estruturas burocráticas do governo, ela controlava diretamente o Exército sob todas as circunstâncias. Ela aceitava as manobras táticas, pois havia aprendido com suas próprias experiências de guerrilha aquilo que Mao Tsé-Tung havia popularizado: “o poder político nasce do cano do fuzil”.[8] A origem do conceito de songun (prioridade militar), comumente mencionado na Coreia do Norte de hoje, pode ser relacionado às práticas da Unidade de Guerrilha Antinipônica deste período.

Sexto, Kim Il-Sung se baseou em sua experiência de forjar alianças para formular a política de construção de uma frente popular na Coreia do Norte pós-libertação. Durante as campanhas antinipônicas, o grupo de Kim trabalhou assiduamente para estabelecer uma frente anti-imperialista unida, com todas as forças – independentemente de suas origens regionais ou de classe – que lutassem contra os japoneses.[9] Encorajado por seu sucesso nessa empreitada, Kim estabeleceu um princípio da atividade do Partido para a construção de uma “Frente Unida Nacional Democrática”, baseada na aliança entre trabalhadores e camponeses, e desenvolveu políticas que privilegiavam as massas em detrimento das elites, bem como o estado subjetivo daquelas massas em detrimento de suas condições materiais. Esses princípios foram posteriormente formalizados em motes como “o trabalho é feito pelo povo, mas a revolução é conduzida pelas massas” e “a revolução não é alcançada pela origem social das pessoas, mas sim por seu pensamento.”

Não apenas o grupo de Kim habilmente explorou sua longa e dura luta armada antinipônica para legitimar sua acumulação gradual de poder, mas também elevou esses seis pontos ora mostrados como os únicos princípios operativos internos do Estado norte-coreano. Com o passar do tempo, essas seis características se institucionalizaram de tal forma que elas coletivamente se tornaram tanto a base para a unidade partidária de Kim pelos próximos 60 anos como o mecanismo que reproduz seu poder centralizado.

Relações com o Partido Comunista Chinês e a União Soviética

Apesar dos coreanos terem participado ativamente da Revolução Chinesa durante o período colonial, muitos deles tinham dificuldades de trabalhar com os comunistas chineses. Em agosto de 1930, quando os comunistas coreanos decidiram cessar seus esforços para reestabelecer o Partido Comunista Coreano e, em vez disso, juntaram-se ao Comitê da Manchúria do Partido Comunista Chinês (PCCh), o PCCh ignorou seus esforços. Com uma boa dose de ceticismo, o PCCh comentou a respeito dos comunistas coreanos: “[…] apesar de muita energia ter sido gasta no Movimento Coreano na Manchúria desde o passado até o presente, não apenas a colheita tem sido diminuta, mas o domínio ideológico tem sido fraco”. Em particular, as pessoas associadas com o grupo ML (Marxista-Leninista) eram apontadas como uma fonte potencial de sectarismo, com o PCCh chegando ao ponto de baní-las da possibilidade de tomar posição de liderança dentro do Partido.[10]

Kim Il-Sung, em contraste, ocupava uma posição de alto nível no PCCh e construiu um relacionamento de sucesso com seus camaradas chineses.[11] Ele participou no estabelecimento do Exército Aliado Antinipônico, uma unidade militar integrada de soldados coreanos e chineses, e trabalhou com os comunistas chineses para estabelecer a Frente Unida Anti-imperialista. O PCCh o via como um líder que era “tranquilo sob pressão, esperto e um comandante admirável”.[12] Zhou Baozhong chegou mesmo a relatar ao Comando do Exército Soviético do Extremo Oriente que “Kim Il-Sung é um excelente comandante militar[…] Entre os camaradas coreanos no Partido Comunista Chinês, ele é bastante superior. Ele pode desempenhar importantes tarefas no sul da Manchúria, a oeste do rio Amnok e na Coreia do Norte”.[13]

Kim Il Sung com o primeiro-ministro chinês Zhou Enlai.

As experiências de Kim Il-Sung e seus colegas no PCCh foram amplamente utilizadas na Coreia do Norte pós-libertação. Os laços de amizade forjados nesse período continuaram a prover uma sólida base para a solidariedade ideológica e algumas vezes pessoal entre o PCCh e o governo norte-coreano.[14] Ainda mais, sem o apoio do PCCh e da República Popular da China, teria sido muito mais difícil para o governo norte-coreano manter sua independência da União Soviética, e o destino da Coreia, como consequência, teria sido mais próximo àquele dos países do Leste Europeu, cuja autonomia foi afetada.

23 de outubro de 1940 marcou um ponto de viragem nas relações de Kim com os comunistas estrangeiros enquanto sua unidade de guerrilha se deslocava para Khabarovsk, na União Soviética. Kim estabeleceu uma base temporária na região do monte Paektu, no extremo leste da Sibéria, para dirigir ações de unidades menores na Coreia e no sudeste da Manchúria. Enquanto permaneceu na União Soviética, ele frequentemente se encontrava com o comandante do Primeiro Exército Aliado do Extremo-Oriente da União Soviética, K. A. Merichikov, bem como com o membro do comitê militar, T. F. Shtikov. Kim Il-Sung visitou Moscou antes da União Soviética declarar confrontos abertos contra o Japão e também se encontrou com A. Zhukov, comandante supremo do Exército Soviético de Ocupação da Alemanha e representante Soviético para a Autoridade de Ocupação Alemã, e A. Zhdanov, secretário do Comissariado de Assuntos Políticos do Partido Comunista da União Soviética[15]. Ter se encontrado com os altos líderes soviéticos e aqueles responsáveis pela administração na prática foi um importante passo político para Kim Il-Sung, que, mais tarde, se tornaria o líder da Coreia do Norte. Os soviéticos tiveram a chance de mensurar pessoalmente a capacidade de Kim Il-Sung enquanto líder, e a apreciação deles de seus méritos os levou a provê-lo com todos os meios necessários para controlar a situação política na Coreia do Norte pós-libertação.

Notas:

[1] – Ver Manshukoku gunseifu komonbu (Conselho Consultivo do Governo Militar da Manchúria), Manshïi kyõsanfun no кепкуй (Um estudo dos Bandidos Comunistas da Manchúria) Tóquio: Kyögudou Kenkyüjo, 1937, pg.86.

[2] – Ver Chungang libo t’ükbyöl ch’wijaeban, Pirok Chosõn minjujuüi inmin kong- hwaguk (Livro Secreto: A República Popular Democrática da Coreia), vol. 1. Seul: Chungang libo, 1992, pgs. 80-83.

[3] – O Minsaengdan era uma organização contrarrevolucionária de espiões e lacaios que os imperialistas japoneses organizaram em Jiandao, na China, em fevereiro de 1932 para destruir as fileiras revolucionárias de dentro por estarem os japoneses alarmados com o crescimento das forças revolucionárias coreanas. Desde sua concepção a natureza contrarrevolucionária da organização era bem conhecida, e a mesma foi dissolvida em julho de 1932 após ser condenada e rejeitada pelo povo. Entretanto, mesmo após sua dissolução, astutos imperialistas japoneses continuaram a dar a impressão que braços da Minsaengdan haviam sido formados em diversos locais. Nacionais-chauvinistas e sicofantas faccionários foram enganados pelo ardil e usaram a suposta luta anti-Minsaengdan contra a extrema-esquerda o que causou um dano profundo à unidade das fileiras revolucionárias e ao desenvolvimento da Revolução Coreana.

[4] – A “Marcha Árdua” (konan ui haengun) foi a marcha da unidade principal da guerrilha desde Nampaitzu até a região fronteiriça entre Yonan e o Rio Amnok. Ela durou do começo de dezembro de 1938 até março do ano seguinte. Após sofrer com uma campanha de supressão japonesa, temperaturas de 40º Celsius negativos, escassez de alimentos e diversos combates a unidade da guerrilha chegou a seu destino. Tal experiência fortaleceu a união e a confiança de seus conscritos.

[5] – CHAEDOK, Han. Kim Ilsõng changgun kaesõngi (O Registro do Retorno Triunfante do General Kim Il-Sung). Pyongyang: Democratic Korea Publishing House, 1947, pgs. 50-53.

[6] – “Zhonggong ongman dangtuan tewei gongzuo baogao” (Proclamação de uma manobra política: 25 de outubro de 1933) in: Dongbei dichu geming lishi wenjian huiji (Documentos Históricos da Revolução da Área Nordeste) A30; Harbin: Heilongjiangcheng Dang’anguan Chuban, 1992, pgs. 17, 47.

[7] – “Zhonggong dongman dangtuan tewei gongzuo baogao” (A reunião conjunta do Comitê Militar do Governo Revolucionário do Povo do Nordeste), Dongbei dichu geming lishi wenjian huiji (Documentos Históricos da Revolução da Área Nordeste) A44; Harbin: Heilongjiangcheng Dang’anguan Chuban, 1992, pg. 432.

[8] – No começo, o Exército norte-coreano era chamado de “o sucessor da unidade partidária sob o comando do General Kim II-Sung.” Ver Chosõn chungang yon gam (O Anuário de Choson Central) 1949 Pyongyang: Korean Central News Agency, pg.86.

[9] – Ver Naemusõng kyõngboguk, Тйкко wölbo (Relatório Especial Mensal). Seul: Naemusõng Kyõngboguk Poankwa, novembro 1944, pg. 76.

[10] – Em agosto de 1932, por exemplo, o Comitê da Manchúria do PCCh expurgou instigadores de conflitos sectários que pertenciam ao Partido Comunista Coreano e proibiu aqueles envolvidos em conflitos sectários de tomar posições de liderança em quaisquer organizações acima do nível mais básico. Ver “Chaoxian gongchandang Manzhou zongju de baogao” 30 de janeiro de 1930, Dongbei dichu geming lishi wenjian huiji (Documentos Históricos da Revolução na Área Nordeste) A4, Harbin: Heilongjiangcheng Dang’anguan Chuban, 1992, pg. 393.

[11] – Chongno, 14 de fevereiro, 1946.

[12] – “Dongbei renmin geming jun i er jun zhi shengchan chan ji gi fazhan de jingguo: 1938” (O Estabelecimento e Processo de Desenvolvimento do Segundo Corpo do Exército Revolucionário Popular do Nordeste), Dongbei dichu geming lishi wenjian huiji (Documentos Históricos da Revolução na Área Nordeste) A53, Harbin: Heilong- jiangcheng Dang’anguan Chuban, 1992, pg.311.

[13] – “Zhou aohong zhi Wang Xnln de xin” (A carta de Zhou Bazong para Wang Xinin: 1 de julho de 1941), Dongbei dichu geming lishi wenjian huiji (Documentos Históricos da Revolução na Área Nordeste) A61, Harbin: Heilongjiangcheng Dang’anguan Chuban, 1992, pg.296.

[14] – Veteranos do Exército Revolucionário Popular da Coreia, enviados por Kim Il-Sung, bem como 250 mil jovens coreanos participaram das campanhas antinipônicas no Nordeste da China. Mao Tsé-Tung disse que uma das cinco estrelas inscrita na bandeira nacional chinesa simbolizava o sangue derramado pelos comunistas norte-coreanos. Ver Kim II Sung, Condensed Biography.Pyongyang: Foreign Languages Publishing House, 2001, pg.157.

[15] – SUNG, Kim II.  Kim II Sung tongji hoegorok: Segi wa tõburõ (Memórias do Camarada Kim II Sung: Junto com o Século), vol. 8, Pyongyang: Korean Worker’s Party Publishing House, 1998, pgs. 441-46.

Gwang-Oon Kim, “The Making of the North Korean State”, no Journal of Korean Studies, Volume 12, no. 1, pp. 15-42.Copyright, 2007.Responsáveis da Columbia University, na cidade de Nova York. Todos os direitos reservados. Republicado com permissão do detentor dos direitos autorais e da presente editora, Duke University Press. www.dukeupress.edu

* Gwang-Oon Kim é um pesquisador sênior no Instituto Nacional de História Coreana.

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EUA e Coreia do Norte em conflito sobre conversas de desnuclearização

 
 
EUA e Coreia do Norte apresentam versões conflitantes sobre conversas de desnuclearização
 
Segundo negociador norte-coreano, encontro com delegação americana não conduziu a qualquer progresso, devido a atitude de Washington. EUA desmentem. Expectativas são grandes, após suposta aproximação entre Kim e Trump.
 
O negociador-chefe da Coreia do Norte, Kim Myong Gil, acusou os Estados Unidos pelo fracasso das negociações sobre a desnuclearização iniciadas neste sábado (05/10), em Estocolmo, após meses de impasse e apesar de uma nova escalada dos testes de mísseis de Pyongyang.
 
"As negociações não corresponderam às nossas expectativas e acabaram por fracassar", disse. Esse resultado "das negociações, que não conduziram a qualquer progresso, deve-se unicamente aos Estados Unidos, que não abandonaram a sua atitude habitual", declarou o enviado norte-coreano aos jornalistas reunidos na embaixada de seu país na capital sueca.
 
Apesar de sugestões como "abordagem flexível, novos métodos e soluções criativas", os EUA teriam "decepcionado grandemente" e "sufocado o entusiasmo para negociações" da delegação norte-coreana, explicou Kim Myong Gil. Agora, a situação na Península Coreana "se encontra na encruzilhada entre diálogo e confrontação", alertou.
 
 
A versão do Departamento de Estado americano, contudo, é diametralmente oposta: "Os comentários precoces da delegação da Coreia do Norte não refletem o conteúdo nem o espírito da discussão de oito horas e meia de hoje", alegou em comunicado a porta-voz do órgão diplomático, Morgan Ortagus.
 
Ela assegurou que "os EUA trouxeram ideias criativas e tiveram boas discussões com suas contrapartes norte-coreanas". Washington já teria aceitado o convite da anfitriã, Suécia, para retomar a conversa dentro de duas semanas, acrescentou.
 
Da Grécia, último trecho de seu giro pela Europa, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse considerar cedo demais para se saber se as conversas resultarão em progressos, mas ele tem esperanças que sim.
 
O encontro das duas delegações ocorreu depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado para breve uma nova cúpula com o líder norte-coreano, Kim Jong-un. As negociações entre Washington e Pyongyang ficaram congeladas desde a reunião entre Trump e Kim em fevereiro, apesar de os dois terem tido um "encontro espontâneo" em junho, na zona desmilitarizada na fronteira entre as duas Coreias.
 
Pyongyang tem pedido a Washington um alívio das sanções impostas por retaliação aos testes com armas nucleares do governo norte-coreano, mas Trump já impusera que qualquer alteração de posição deveria ser antecedida por medidas de desarmamento nuclear.
 
Após ter atacado Pompeo no fim de agosto, nos últimos dias a diplomacia norte-coreana vinha elogiando a postura de Trump como "corajosa" e "sábia", e insistido na necessidade de Washington aliviar as sanções econômicas para que houvesse avanços nas negociações.
 
Deutsche Welle | AV/afp,ap,lusa
 

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Coreia: um pouco de história explica tudo

Como diz o ditado tradicional, “não é o conhecido que te coloca em apuros, mas o que você sabe que não é conhecido.” Se os americanos ‘sabem’ alguma coisa sobre a Coreia, é que os norte-coreanos começaram a Guerra da Coreia em 1950 quando invadiram a Coreia do Sul através do paralelo 38, e que após três anos de combate, a fronteira se estabeleceu novamente na mesma linha. A realidade do conflito entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul é muito mais complexa e muito mais interessante do que aquela história simplista.

Um bom ponto de partida para entender o conflito permanente entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul é o acordo entre os Estados Unidos e o Japão em 1905, conhecido como Acordo Taft-Katsura, que foi assinado quando o Japão estava derrotando a Rússia em 1904/05 na Guerra russo-japonesa. Nesse documento, os EUA concordaram com a colonização japonesa da Coreia em troca da ocupação americana do Havaí (que os EUA anexaram em 1898) e as Filipinas (que os EUA haviam adquirido em um saque em 1898, no final da guerra hispano-americano). Os coreanos não foram consultados sobre esse acordo.

Em 1910, o Japão anexou a Coreia, tornando-a uma colônia subserviente; isso também foi sancionado pelos EUA no Acordo Taft-Katsura cinco anos antes. O domínio japonês foi brutal: estima-se que pelo menos 18 mil coreanos foram mortos por resistirem à ocupação. Os coreanos foram forçados a ter nomes japoneses e a falar apenas japonês, os rapazes coreanos foram forçados a servir nas forças armadas e enviados ao Japão para trabalhar por salários de escravos, e dezenas de milhares de mulheres coreanas foram forçadas à escravidão sexual, para o prazer dos homens japoneses.

Não surpreendentemente, quando o Japão se rendeu aos EUA e seus aliados em 15 de agosto de 1945, os coreanos ficaram entusiasmados com essa aparente libertação da opressão japonesa. Eles estavam prontos e dispostos a formar seu próprio governo: o Comitê para a Preparação da Independência Coreana (CPIC), formado rapidamente, organizou comitês populares em todo o país para coordenar a transição para a independência. Em 28 de agosto de 1945, o CPIC anunciou que funcionaria como o governo nacional temporário da Coreia. Em 6 de setembro, delegados de toda a Coreia, tanto ao norte quanto ao sul da linha de demarcação artificialmente imposta, se reuniram em Seul para criar a República Popular da Coreia. Coincidentemente, o anúncio dos coreanos de sua independência unificada ocorreu apenas quatro dias após a declaração de independência unificada de Ho Chi Minh para todo o Vietnã.

Mas os Estados Unidos tinham um plano diferente para a Coreia. Na conferência de fevereiro de 1945 em Yalta, o presidente Roosevelt sugeriu a Stalin, sem consultar os coreanos, que a Coreia fosse colocada sob tutela conjunta após a guerra antes de obter sua independência. Em 11 de agosto, dois dias depois que a segunda bomba atômica foi lançada, garantindo assim a iminente rendição do Japão, e três dias depois que forças russas entraram na Manchúria e na Coreia para expulsar os japoneses como foi acordado para evitar mais baixas dos EUA, Truman apressadamente ordenou ao seu Departamento de Guerra que escolhesse uma linha divisória para a Coreia. Dois jovens coronéis receberam 30 minutos para resolver o problema. O paralelo 38 foi rapidamente escolhido. Surpreendentemente, Stalin concordou com essa partição “temporária”. Em 15 de agosto, o governo militar do Exército dos Estados Unidos na Coreia foi formado e em 8 de setembro, 72 mil tropas americanas começaram a chegar para impor a ocupação formal do sul.

O general Douglas MacArthur, como comandante das potências aliadas vitoriosas no Pacífico, formalmente emitiu uma proclamação dirigida “Ao povo da Coreia”, anunciando que as forças sob seu comando “ocuparão hoje o território da Coreia ao sul de 38 graus de latitude norte”. Ironicamente, a Coreia, que não foi agressora durante a Segunda Guerra Mundial e ao longo da história, agora estava dividida, enquanto o Japão permanecia intacto.

Os EUA entenderam que, se fosse para afirmar o controle capitalista de estilo ocidental na Coreia, ele teria que derrotar, e então eliminar a República Popular da Coreia, que tinha base ampla, popular, democrática e com tendências socialistas. Em vez de repatriar os japoneses, como mandado, o governo militar dos EUA, dirigido por 2.000 oficiais dos norte-americanos, a maioria dos quais não conseguia falar ou entender o idioma coreano, recrutou-os rapidamente e seus colaboradores coreanos para continuar em funções administrativas. Notoriamente, o governo militar dos EUA reviveu a temida polícia colonial japonesa, a Polícia Nacional da Coreia. Cerca de 85% dos coreanos que serviram na força policial colonial japonesa foram rapidamente empregados pelos EUA para cuidar da Polícia Nacional da Coreia.

Os EUA organizaram apressadamente os coreanos conservadores ricos que representavam a tradicional elite proprietária de terras e, em 16 de setembro, formaram o Partido Democrático Coreano. Identificaram rapidamente “várias centenas de conservadores” entre os coreanos mais velhos e mais instruídos que serviram aos japoneses, que poderiam servir como núcleo para o partido recém formado. Estes eram os coreanos que tinham enriquecido como conseqüência de anos de colaboração com seus colonizadores japoneses.

Em 12 de outubro, os EUA transportaram o coreano-americano Syngman Rhee de Washington – onde ele havia vivido nos últimos 40 anos – para Seul, para chefiar esse novo governo. Em 12 de dezembro de 1945, o governo militar dos EUA proibiu a República Popular da Coreia e todas as organizações e atividades relacionadas aos povos locais, provinciais e nacionais, incluindo todos os sindicatos. Se a República Popular da Coreia tivesse sido capaz de seguir com seu plano de uma Coreia unificada, é quase certo que o comunista Kim Il-sung teria sido eleito presidente sobre uma Coreia unificada (assim como Ho Chi Minh teria vencido se houvesse eleições no Vietnã dividido em 1956), já que ele passou os 10 anos anteriores liderando ações de guerrilha contra os ocupantes japoneses, e era muito popular.

Na recém-criada Coreia do Sul, surgiu um movimento de resistência em larga escala contra os militares dos EUA e seu governo coreano fantoche. Em setembro de 1946, uma greve dos trabalhadores se espalhou pelo país, que foi então violentamente reprimida pelo novo Exército da República da Coreia e pelos militares dos EUA. Pelo menos mil coreanos foram mortos, com mais de 30 mil presos. Líderes regionais e locais do movimento popular estavam agora mortos, na prisão ou tinham ido para a clandestinidade.

Em 1 de março de 1948, uma grande manifestação não-violenta na ilha de Jeju, na Coreia, aconteceu para celebrar o aniversário das manifestações massivas do povo coreano, em 1919, contra a ocupação japonesa. Aproveitando a ocasião para protestar contra as eleições separadas planejadas por Rhee, marcadas para maio de 1948, a multidão foi atacada pela Polícia Nacional da Coreia. A polícia prendeu 2,5 mil pessoas, vários foram feridos e vários coreanos foram torturados e depois mortos. O incidente de 1 de março provocou uma enorme rebelião do povo, que estourou na ilha em 3 de abril. Rhee foi eleito presidente em 20 de julho de 1948, em uma eleição absurda em que apenas a elite do país participou.

O comandante militar dos EUA em Jeju, coronel Rothwell Brown, ordenou uma campanha indiscriminada de terra arrasada quando a revolta de Jeju se intensificou. A Marinha dos EUA bloqueou a ilha com dezoito navios de guerra, enquanto bombardeava com canhões de 37mm. Aviões dos EUA realizaram missões regulares de reconhecimento e lançaram granadas e bombas.

Unidades do exército coreano da cidade portuária de Yosu, no sul do país, foram obrigadas a derrubar a resistência de Jeju e se rebelaram, recusando-se a ir. Esta rebelião rapidamente se espalhou para outras áreas na parte sul do continente. Em duas semanas, o motim foi contido por uma campanha brutal coordenada pelo assessor militar dos EUA, o capitão James Hausman, e realizada com a ajuda de aeronaves, tropas de fogo e tropas terrestres dos Estados Unidos. Todos os coreanos suspeitos ou aqueles que pensavam simpáticos à insurreição foram executados.

A insurgência de Jeju foi derrotada em agosto de 1949, com a repressão crescendo em suas dimensões sádicas. Os suspeitos muitas vezes eram despidos, torturados, e forçados a fazer sexo antes de serem decapitados enquanto seus entes queridos eram forçados primeiro a assistir enquanto batiam palmas com suas mãos, depois a desfilar diante de seus torturadores carregando as cabeças decepadas de membros da família. A perversidade sexual e a violência militar são companheiros comuns; pergunte a qualquer soldado. Estima-se que 60 mil moradores da ilha foram mortos pelas forças sul-coreanas e norte-americanas, com outros 40 mil fugindo para o exterior.

Um movimento de guerrilha contra o exército dos EUA e o governo de Syngman Rhee espalhou-se pela Coreia do Sul e durou até o fim da guerra em 1953. O governo usou sua superioridade militar para encarcerar centenas de milhares de coreanos que tinham – ou poderiam ter tido – quaisquer simpatias socialistas ou comunistas. Um grande número de agricultores, aldeões e residentes urbanos foram sistematicamente cercados em áreas rurais, aldeias e cidades de toda a Coreia do Sul. Os cativos eram regularmente torturados para que dessem nomes de outros companheiros. Milhares foram presos e outros milhares foram forçados a cavar valas comuns antes de serem obrigados a entrarem nas valas e serem baleados por outros coreanos, muitas vezes sob a vigilância de oficiais dos EUA. As estimativas de civis assassinados sob o pretexto de matar “comunistas” durante a era da ocupação legal dos EUA (15 de agosto de 1945 a 15 de agosto de 1948) e o período posterior até 30 de junho de 1949, quando as tropas de combate dos EUA foram finalmente retiradas, estão na faixa dos 500 mil. Ninguém sabe ao certo porque nenhum registro foi mantido e os fatos sobre esse massacre foram forçosamente escondidos por 40 anos.

Durante as décadas do pós-guerra das ditaduras de direita sul-coreanas, as famílias amedrontadas das vítimas mantiveram silêncio sobre o verão sangrento. Relatórios militares americanos do massacre sul-coreano foram classificados como “secretos” e arquivados em Washington. Relatos de comunistas foram descartados como mentiras. Somente a partir dos anos 1990, e a democratização da Coreia do Sul, a verdade começou a vir à tona. Em 2002, a fúria de um tufão revelou uma vala comum. Outra foi encontrado por uma equipe de notícias de televisão que invadiu uma mina fechada.

A Coreia do Norte e do Sul se confrontaram cada vez mais no paralelo 38 antes do início da guerra. O governo norte-coreano afirmou que apenas em 1949, o exército e/ou a polícia sul-coreana cometeram mais de 2600 incursões armadas no norte. Posteriormente, os documentos sugeriram que, no mínimo, houve vários ataques das forças sul-coreanas ao norte e que muitos, senão todos os ataques ao sul haviam sido represálias. Observe como a Wikipedia relata a briga:

“Sérios conflitos na fronteira entre o Sul e o Norte ocorreram em agosto de 1949, quando milhares de tropas norte-coreanas atacaram as tropas sul-coreanas ocupando território ao norte do paralelo 38.”

A Coreia do Sul já tinha tropas ao norte da fronteira, mas, nesta versão, foi o Norte que atacou.

O Capitão James H. Hausman escreveu em uma nota informativa para o General Roberts em agosto de 1949:

“Meu colega e eu estamos firmemente convencidos de que todos os ataques à Coreia do Sul foram represálias, e quase todos os incidentes foram provocados pelas forças de segurança sul-coreanas.”

O Coronel Min Ki Sik, Comandante Assistente da Escola Coreana de Armas observou em 1949:

“Geralmente se ouve que o Exército nunca ataca a Coreia do Norte e está sempre sendo atacado. Isso não é verdade. Majoritariamente, nosso Exército está atacando primeiro, e atacamos mais forte.”

Os pronunciamentos públicos de Syngman Rhee ao longo de 1949 e no início de 1950 constantemente falavam de seu desejo em ordenar suas forças a atacar o Norte. Em 30 de setembro de 1949, ele afirmou:

“Eu realmente sinto que agora é o momento mais psicológico quando devemos tomar uma medida agressiva.”

O Washington Post o cita dizendo, em 1 de novembro de 1949:

“Meu governo não tolerará mais uma Coreia dividida […] se tivermos que resolver isso pela guerra, faremos todos os combates necessários”.

Segundo o governo norte-coreano, o ataque contra a Coreia do Sul em 25 de junho de 1950 foi uma resposta a um bombardeio de dois dias pelos sul-coreanos e seus ataques surpresa contra a cidade de Haeju e outros lugares. No início da manhã de 25 de junho, antes do amanhecer, em contra-ataque na conta norte-coreana, o Escritório de Informação Pública da Coreia do Sul anunciou que as forças do sul tinham capturado Haeju. O governo sul-coreano depois negou ter capturado a cidade e culpou um “oficial exagerado” pelo relatório. A Iugoslávia e a União Soviética propuseram que a Coreia do Norte fosse convidada para o Conselho de Segurança da ONU para apresentar seu lado da história, mas a proposta foi rejeitada.

Seja qual for a causa, os soldados norte-coreanos cruzaram a fronteira em 25 de junho, e em 28 de junho eles estavam em Seul (que fica a apenas 56 quilômetros de distância). O exército sul-coreano efetivamente se desfez; entre 25 de junho e 28 de junho, as forças sul-coreanas diminuíram de 95 mil homens para 22 mil, quase todas as perdas devido a deserções. O Sul teria perdido a guerra em uma semana se os EUA não tivessem intervindo.

No dia em que Seul caiu, o presidente Rhee ordenou a morte de qualquer um considerado um opositor político em qualquer lugar da Coreia do Sul. Os assassinatos ocorreram em todos os lugares que ainda eram mantidos pelas forças sul-coreanas. Numerosos massacres ocorreram, muitos deles não dirigidos contra opositores, mas a cidadãos comuns. Por exemplo, em 7 de fevereiro de 1951, 705 cidadãos desarmados nas aldeias de Sancheong e Hamyang foram mortos pelo Exército sul-coreano. Dois dias depois, 719 civis da aldeia de Geochang foram baleados.

O coronel norte-americano Donald Nichols, um amigo pessoal de Rhee, relatou ter testemunhado em Suwon, sul de Seul, o massacre de 1.800 prisioneiros políticos no final de junho de 1950. Ele descreveu o trabalho de dois tratores, um cavando uma série de valas, e outro cobrindo com terra os corpos baleados depois que eles fossem despejados nas covas. Gregory Henderson, que serviu como diplomata norte-americano na Coreia no final da década de 1940 e início dos anos 1950, estimou que “provavelmente mais de 100 mil civis sul-coreanos foram mortos sem qualquer julgamento” pelas forças de Rhee durante a guerra.

A eclosão de conflitos criou uma massa de refugiados tentando escapar para lugares seguros. Havia tantos que chegaram a bloquear movimentos militares ao longo das estradas; ordens foram dadas pelos comandantes militares dos EUA para atirar nos refugiados. Em 26 de julho de 1950, o 8º Exército dos EUA, o nível mais alto de comando na Coreia, emitiu ordens para deter todos os civis coreanos. “Não, repito, nenhum refugiado poderá cruzar as linhas de batalha a qualquer momento. O movimento de todos os coreanos em grupo cessará imediatamente”. Depois disso, os refugiados foram mortos enquanto tentavam fugir da guerra.

No mesmo dia em que o 8º Exército dos EUA editou sua ordem para deter os refugiados em julho de 1950, cerca de 400 civis sul-coreanos reunidos na ponte No Gun Ri foram mortos por forças dos EUA do 7º Regimento de Cavalaria. Alguns foram baleados acima da ponte, nos trilhos da ferrovia. Outros foram atacados por aviões dos EUA. Mais foram mortos sob os arcos em uma provação que os sobreviventes locais dizem ter durado três dias.

“Havia um tenente gritando como um louco, atirando em tudo, matando todos eles”, lembra o veterano da 7ª cavalaria Joe Jackman. “Eu não sabia se eles eram soldados ou o quê. Crianças, havia crianças lá fora, não importava o que fosse, oito ou 80, cegas, aleijadas ou loucas, eles atiravam nelas”.

O mais alto oficial da lei na Coreia, o segundo Procurador Geral do presidente Truman, J. Howard McGrath, referiu-se aos coreanos como “roedores” e, portanto, não se arrependia do massacre em curso.

Enquanto isso, os EUA destruíram facilmente a precária força aérea e as defesas aéreas da Coreia do Norte e iniciaram uma campanha de bombardeio desimpedido do norte em 29 de junho de 1950, que durou três anos. Durante esse período, as forças dos EUA voaram um milhão e quarenta mil sobrevôos e lançaram 386.037 toneladas de bombas e 32.357 toneladas de napalm. Se alguém contar todos os tipos de munições transportadas pelo ar, incluindo foguetes e munição de metralhadora, a tonelagem total chega a 698.000 toneladas. Os EUA destruíram todas as cidades, todas as aldeias, todas as barragens, todas as estradas de ferro e todas as estradas da Coreia do Norte. Estima-se que 2,5 milhões de norte-coreanos morreram no bombardeio, a maioria deles civis, muitos deles incinerados pelo napalm. O aviador Federic Champlin observou:

“Uma coisa sobre o napalm é que quando você atinge uma aldeia e a vê em chamas, você sabe que conseguiu alguma coisa. Nada faz um piloto se sentir pior do que trabalhar em uma área e não ver que ele conseguiu fazer qualquer coisa.”

Em 25 de junho de 1951, o general O’Donnell, comandante do Comando de Bombardeiros da Força Aérea do Extremo Oriente, testemunhou em resposta a uma pergunta do senador John C. Stennis (“A Coreia do Norte foi virtualmente destruída, não é?”):

“Ah, sim; […] Eu diria que toda, quase toda Península Coreana está uma verdadeira bagunça. Tudo está destruído. Não há nada digno do nome. Pouco antes de os chineses chegarem, ficamos de castigo; não havia mais alvos na Coreia.”

Em 1952, o general Curtis LeMay declarou:

“Nós bombardeamos cada cidade duas vezes, agora vamos voltar a pulverizá-las em pedras.”

Em agosto de 1951, o correspondente de guerra Tibor Meráy declarou que havia testemunhado “uma completa devastação entre o rio Yalu e a capital”. Ele disse que “não havia mais cidades na Coreia do Norte”. Continuou:

“Minha impressão é de que estou viajando na Lua porque havia apenas devastação – cada cidade era apenas uma coleção de chaminés”.

O principal oficial norte-americano que fora prisioneiro de guerra, o General William F. Dean, informou que a maioria das cidades e aldeias norte-coreanas que ele viu eram ou escombros ou terreno baldio coberto de neve. Como resultado final dessa destruição em todo o país, o General MacArthur, em dezembro de 1950, pediu 34 bombas atômicas para criar um terreno baldio nuclear ao longo da fronteira chinesa. Embora este pedido tenha sido rejeitado, o Presidente Truman e outros repetidamente examinaram a melhor maneira de usar bombas atômicas na guerra.

Depois que Truman demitiu o general MacArthur, em maio de 1951, o antigo “comandante supremo” declarou ao Congresso:

“A guerra na Coreia já destruiu uma nação de 20 milhões de pessoas. Eu nunca vi tamanha devastação… Depois que eu olhei para os destroços e aqueles milhares de mulheres e crianças… eu vomitei”.

Três anos após o início da guerra, um cessar-fogo foi finalmente assinado. Tudo estava de volta ao lugar em que estivera, no começo, com quase as mesmas fronteiras de antes da guerra e o mesmo sonho não realizado de reunificação. Ninguém havia vencido. Todos tinham perdido. Calcula-se que a guerra tenha custado a vida de até 5 milhões de pessoas, de longe a maioria deles civis.

Algumas lições poderiam ter sido aprendidas da Guerra da Coreia. Uma é, como o famoso jornalista I.F. Stone observou, “todo governo é dirigido por mentirosos e nada do que eles dizem deve ser acreditado.”

Outra seria o reconhecimento, expresso pelo veterano de guerra Mike Hastie, de que “os Estados Unidos são uma máquina de matar imparável.”

Como vivemos dentro das mentiras contadas pelo nosso governo e, portanto, deixamos de aprender, depois da Coreia os EUA devastaram o Vietnã, o Laos, o Camboja, o Afeganistão, o Iraque, a Síria, a Líbia… causando sofrimento humano incompreensível, e destruição massiva de seres humanos e sistemas naturais.

Portanto, digamos, como um experimento de pensamento, que você é o único adulto maduro na sala, e é portanto sua responsabilidade subjugar as personalidades patológicas que inevitavelmente surgem, como líderes do governo dos EUA e das forças armadas americanas; subjugá-los pelo amor das suas vítimas sofridas e em prol da saúde e viabilidade dos ecossistemas da Terra e da biosfera como um todo. O que você vai fazer? É com você!

Aqui está um possível caminho a seguir: depois que a União Soviética se desfez, Gorbachev disse que “era um sistema maligno, tinha que ser desmantelado”. Certamente esse sistema criminoso dos EUA também precisa ser desmantelado.

“O maior fornecedor de violência do mundo hoje: meu próprio governo. Pelo amor das centenas de milhares que tremem sob nossa violência, eu não posso ficar em silêncio”, disse Martin Luther King.

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A construção do Estado norte-coreano [Parte 1]

Em 23 de Janeiro de 1968, a Marinha do Exército Popular da Coreia capturou uma fragata americana perto de Wonsan, no mar a leste da República Popular Democrática da Coreia (a partir de agora, RPDC ou Coreia do Norte). O Pueblo era uma nau de tecnologia de ponta, pesando 1.000 toneladas de pura tecnologia de recolhimento de informações (espionagem) e com uma tripulação de 83 membros, a qual estava alegadamente conduzindo operações de vigilância eletrônica das bases militares norte-coreanas. Como resposta a uma das maiores humilhações nos 176 anos de história das forças navais estadunidenses, o Conselho de Segurança Nacional (CSN) norte-americano decidiu, na reunião conduzida em 24 e 25 de janeiro, tomar medidas retaliatórias e despachou forças militares para cercar a Coreia do Norte. Mais tarde, o CSN assinou um documento se desculpando por suas ações hostis e prometendo não mais repeti-las.

O Choson(O Pictorial Coreano), um livro ilustrado mensal publicado em Pyongyang, publicou uma história sobre o incidente do Pueblo em seu número de janeiro de 2004 e enfatizou que “o Império Americano não deveria se esquecer da lição de 35 anos atrás e deveria conhecer a vontade resoluta do Choson de hoje”. A Difusora Central Coreana também se referiu ao acidente de maneira desafiadora, declarando que “a pior tragédia da América é que ela não conhece a Coreia do Norte” e que “em um confronto contra a Coreia do Norte, a América só conseguirá desgraça e morte”. Durante os exercícios militares conjuntos de 1999 entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul, Pyongyang moveu o Pueblode Wonsan pela costa leste, através do estreito coreano no Sul e subindo o rio Taedong a oeste para o colocar em exposição pública. O navio agora serve como encarnação da “história viva”, lembrando os norte-coreanos da ameaça americana e do imperativo de defender seu país. O Pueblo também serve como um útil aviso para todos os adversários da RPDC, contra os quais a ideologia nortista da Juche (chuch’e) de autoconfiança é constituída.

A Coreia do Sul e os Estados Unidos, entretanto, ainda não absorveram totalmente o “pesadelo Pueblo”. À época do incidente, os Estados Unidos requisitaram à União Soviética que usasse sua influência sobre seu antigo “Estado satélite” para o convencer a entregar a tripulação capturada e o navio. Porém, a influência soviética se provou uma miragem, visto que Pyongyang se manteve firme face à pressão soviética e às demonstrações de força americanas. Lentamente, os americanos perceberam que a Coreia do Norte talvez não fosse o regime títere que eles imaginavam. Esse despertar brutal foi seguido, alguns anos depois, pela publicação de Comunismo na Coreia. Os autores, Robert A. Scalapino e Chong-sik Lee, proveram um ponto de vista alternativo à percepção americana prevalecente sobre a Coreia do Norte. Kim Il-Sung não era simplesmente um fantoche entronado pelos soviéticos, mas um líder comparável a vários outros comunistas que haviam lutado ativamente pela liberação do jugo do imperialismo japonês. Não obstante, o livro só foi longe o bastante para fornecer um estudo “relativístico” da RPDC e parou antes de traçar as raízes históricas e experiências pós-guerra da Coreia do Norte que pudessem dar conta do enfrentamento de Pyongyang quando do incidente do Pueblo e dos eventos subsequentes. Ao fim e ao cabo, tanto Comunismo na Coreia quanto os trabalhos subsequentes sobre o Norte falharam em ajustar as contas com o Juche, o princípio guia que define a RPDC como independente de pressões exteriores, insistente em seus próprios modos e mestra de seu próprio destino.

Este artigo busca traçar as origens históricas passadas das instituições políticas norte-coreanas centradas no Juche. Na atual atmosfera polarizada, a qual permite apenas narrativas pró ou anti-Norte, não é fácil fazer avançar uma compreensão alternativa da divisão da Península Coreana e do estabelecimento da RPDC.[1] Felizmente, dois desenvolvimentos recentes facilitaram esta tarefa. Primeiro, um pode se guiar pela emergente literatura sobre os primeiros períodos da RPDC – ainda que muitos estudos se mantenham superficiais e parciais – produzidos particularmente por uma nova geração de acadêmicos nos Estados Unidos e na Coreia do Sul. Em segundo lugar, a abertura de fontes previamente não disponíveis, como os arquivos da Política Imperial Japonesa e os arquivos tomados pelo Exército Norte-Americano na Coreia durante Guerra da Coreia, ambos revelando profusamente sobre as origens e o caráter da formação do governo norte-coreano. Muitos relatos tradicionais ignoraram esses documentos.[2]

Este artigo rejeita tanto os argumentos da “sovietização”, populares nos Estados Unidos e na Coreia do Sul, como da “revolução autopropelida”, tese defendida por acadêmicos norte-coreanos e narrativas oficiais do Norte. Em vez disso, ele articula uma perspectiva sintética de que a formação estatal do Norte é melhor compreendida como o resultado de interações recursivas entre estrangeiros – que buscavam exercer influência para configurar o Norte – e coreanos, particularmente o grupo de guerrilha antinipônico comandado por Kim Il-Sung, que lutou para manter sua autonomia. O Estado Juche do Norte emergiu desse cabo de guerra. Após tratar sobre o período desde a gênesis do movimento comunista coreano até os conflitos armados antinipônicos da década de 1930, este artigo apresenta as circunstâncias sobre as quais a Guerrilha Antinipônica emergiu como o centro da política norte-coreana e estabeleceu uma nação em meio às políticas de cooperação e conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética. Para condensar a discussão dos problemas do período de libertação esse artigo se limita à Conferência de Ministros Estrangeiros de Moscou e ao minjukijiron(argumento da base democrática). Ao remate, o artigo situa a emergência das instituições políticas do Norte no ainda inexplorado contexto histórico das contendas entre norte-coreanos e soviéticos sobre “unidade” e “subordinação”, “autonomia” e “criação”.

“Sovietização” ou “Revolução Autopropelida”

O Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia primeiro introduziu a perspectiva do governo norte-coreano pós-libertação como um “Estado satélite” ou “títere” da União Soviética. Já em 29 de setembro de 1945, um oficial norte-americano descrevia a situação no Norte como “sovietização”:

“Nesse meio tempo, existe pouco conhecimento das ações políticas ou das políticas de ocupação das forças russas ao Norte. Eles retiraram os japoneses e criaram governos locais, os quais funcionam estritamente sobre a base de um partido único. Existe mais que uma probabilidade de que eles venham a sovietizar a Coreia do Norte assim como sovietizaram o Leste Europeu.”[3]

Essa visão foi fortalecida por estudos produzidos por agências governamentais norte-americanas, bem como por acadêmicos sul-coreanos. O Departamento de Estado, por exemplo, em um estudo produzido com base em materiais e testemunhos coletados na Coreia do Norte no final da década de 1950, caracterizou o regime do Norte como um “satélite soviético”.[4] A teoria da sovietização, que a academia americana havia originalmente desenvolvido sobre o contexto do Leste Europeu, foi sistematicamente aplicada à Coreia do Norte por acadêmicos como Yang Homin, Dae-sook Suh, Robert Scalapino, Chong-sik Lee e Erik van Ree. Ela proporcionava um enquadramento conceitual dentro do qual esses acadêmicos conferiam um sentido às suas respectivas observações sobre a RPDC.[5] Para os americanos que travavam da Guerra Fria, a teoria da sovietização fazia parecer óbvio que o governo da Coreia do Norte não era um ator autônomo e que a União Soviética era a responsável por dirigir a divisão da Península Coreana.

Muitos fatos, todavia, se uniram para dar crédito à teoria da sovietização. Ao final da Segunda Guerra Mundial, os militares soviéticos avançaram rumo à Coreia do Norte e permaneceram como força de ocupação lá por alguns anos, guiando o regime recém-estabelecido rumo a um modelo de desenvolvimento stalinista. Começando pelo período de luta armada antinipônica, os comunistas norte-coreanos, liderados por Kim Il-Sung, tinham um histórico de apoio à União Soviética sob slogans como “Protegeremos a União Soviética com armas!” Ademais, os norte-coreanos desejavam um novo sistema político – um que diferisse da democracia burguesa – e um sistema econômico que fosse guiado não pelo mercado, mas por planejamento central, e não pelo lucro capitalista, mas por aspirações de elevar os meios de vida. Como um resultado, a teoria da sovietização acabou sendo o único e mais convincente roteiro conceitual para se entender a Coreia do Norte.

A teoria da sovietização, entretanto, tinha um número de falhas severas. Para começar, o governo da Coreia do Norte não era um “governo vagão”[6] como muitos dos governos do Leste Europeu. Os comunistas coreanos não só tinham apoio popular no Norte, mas eles também mantiveram cuidadosamente uma distância da força de ocupação soviética desde seu início. Mesmo na devastação do período pós-Guerra das Coreias, Pyongyang manteve sua atitude desafiante perante tanto seu inimigo de guerra, Washington, como seu aliado, Moscou. Pyongyang era combativa o bastante, já então, para ganhar a rara distinção de ser rotulada por Moscou (muito antes de George W. Bush usar o mesmo rótulo meio século depois) como um “Estado pária – o último país com um sistema stalinista e certamente o país mais isolado do mundo”. A Coreia do Norte pode ser muitas coisas, mas um satélite soviético não é uma delas.

Se os Estados Unidos e a Coreia do Sul estão dominados pela teoria da sovietização, o Norte oferece uma visão oposta. Bem cedo, acadêmicos no Norte desenvolveram a teoria Juche, que explica a formação do regime do Norte em termos de uma revolução democrática popular autóctone.[7] O Norte a oferece enquanto narrativa oficial, traçando as raízes históricas do regime até a luta armada antinipônica que Kim Il-Sung organizou e liderou.[8] De acordo com a versão oficial, a RPDC resultou da “Árdua Marcha” executada pelas guerrilhas antinipônicas que travou uma luta armada de liberação, independente dos comunistas chineses e soviéticos. A ajuda externa raramente é reconhecida como se qualquer admissão de ajuda fosse comprometer a pureza da luta autóctone e autocentrada que fundou e sustenta o país.

As narrativas oficiais do Norte, entretanto, incorrem em dificuldades, assim como a teoria americana da sovietização. Os acadêmicos norte-coreanos não providenciam os detalhes das ações tomadas pela guerrilha de Kim Il-Sung imediatamente antes e depois da mesma se deslocar para a Coreia do Norte com medo que tais detalhes pudessem expor os limites da teoria da “revolução autopropelida”. Tampouco eles discutem, pelas mesmas razões, as influências exercidas e as mudanças forçadas pela União Soviética. A história oficial do Norte revela um viés de seleção bem orquestrado sobre fatos desconfortáveis – por exemplo, sobre as eleições separadas realizadas em 1948, para que Pyongyang não fosse acusada de ter pressionado pelo estabelecimento de um governo separado, consolidando, portanto, a divisão entre as Coreias. Ademais, normalmente se encontra o refrão de que a lacuna entre os objetivos políticos declarados de Pyongyang e os resultados factuais fora preenchida pelo gênio individual de Kim Il-Sung.

Este artigo busca não explicar o caráter único de um indivíduo, mas analisar a estrutura social e o curso da história que propiciou a formação da estrutura de autoridade norte-coreana. Ao analisar o estabelecimento do sistema norte-coreano, deve-se evitar por um lado a perspectiva da sovietização e, por outro, a perspectiva da revolução autopropelida, ambas as quais colocam uma ênfase unilateral em um aspecto particular daquilo que é inerentemente uma complexa interação entre atores divergentes. A atual crise econômica do Norte[9] provê um caso em exame de ambas essas perspectivas, nenhuma das quais explica o problema que se tem à mão. Por exemplo, acadêmicos da Coreia do Sul e Estados Unidos, que enfatizam a dependência do Norte de forasteiros, explicam a crise econômica em termos de problemas internos com a perspectiva de revolução autopropelida do Norte. Acadêmicos da Coreia do Norte, por contraste, que salientam a autossuficiência de seu sistema, localizam as causas de suas dificuldades econômicas em fatores externos. Para se desenvolver um argumento coeso e coerente, este artigo busca ir além desses enquadramentos unilaterais.

No começo dos anos 1990, um novo tipo de literatura que reconhecia tanto a influência forçada dos soviéticos como as dinâmicas internas da sociedade norte-coreana, surgiu, sintetizando ambas para explicar a trajetória do desenvolvimento do Norte.[10] Esse grupo de acadêmicos explicam a emergência do sistema norte-coreano em termos de fatores externos, como as origens da divisão da Coreia na Guerra Fria, bem como de fatores internos, como a tradição confucionista, o controle colonial japonês, o atraso da estrutura socioeconômica coreana e o sin kukka kõnsõl undong(Movimento de construção da nova nação). Graças aos seus esforços, o processo de formação estatal entre 17 de dezembro de 1945 e 9 de setembro de 1948 é agora melhor compreendido.[11]

Para avançar ainda mais nossa compreensão, é importante traçar historicamente quais condições sociais herdou o exército de guerrilha antinipônico – o principal ator envolvido na formação do Estado. De igual maneira, uma perspectiva sintética ainda é necessária, uma que explique a formação estatal do Norte enquanto um processo dinâmico de fatores internos e externos enredados em uma relação causal recorrente. A falha dos trabalhos existentes em explicar a resiliência do Norte joga luz sobre essa necessidade. Se o Norte é, como argumentam alguns acadêmicos atuais, um governo estabelecido e sustentado pela União Soviética, por que ele não colapsou com a União Soviética como tantos outros “satélites” no Leste Europeu? Como é que o Norte, supostamente enquanto um regime títere da União Soviética, agora acusa Moscou de revisionismo e chama por uma “luta contra o revisionismo”? Ao mesmo tempo, como é que o Norte, supostamente um Estado autossuficiente, depende tão profusamente de fatores externos que, na sua ausência, levam a um colapso de sua agricultura? Qualquer explicação da formação do Estado do Norte deve confrontar esses problemas.

A população norte-coreana temia o Exército soviético desde o primeiro dia de sua chegada e mesmo os comunistas coreanos mantiveram uma relação tênue com ele. O Exército soviético chegou como uma força de ocupação e fez esse fato ser conhecido pelos coreanos ao dar ordens e estabelecer diretivas. O Exército soviético depredou a economia do Norte ameaçando a subsistência de cidadãos comuns e exerceu livremente seu poderio militar, pondo em perigo suas vidas.[12] Enquanto atos criminosos cometidos por soldados soviéticos individuais não duraram, a União Soviética continuou a, por exemplo, expropriar plantas industriais, desmontando e enviando para a União Soviética os geradores elétricos da maior subestação de geração de energia, Sup’ung, no que era, à época, a Coreia. Tal atividade foi conduzida, supostamente, para coletar indenizações de guerra contra o Japão. O tamanho da expropriação soviética pode ser inferido de um relatório que reconhece que o comando de ocupação diretamente controlava a produção em 38 fábricas de indústria pesada e – pelos cinco meses cobertos no relatório – enviou 8.535 toneladas de bens dessas fábricas para a União Soviética sem nenhum tipo de compensação.[13]

Apesar da União Soviética tentar estabelecer empreendimentos conjuntos, a Companhia Marítima Choson-Soviética e a Companhia de Petróleo Choson-Soviética são representantes do que ocorreu entre ambos os países. Essas companhias foram uma ferramenta para que os soviéticos assumissem o controle, sem investimentos extensivos, das principais industrias do Norte e abastecessem a União Soviética com recursos e produtos norte-coreanos. Os soviéticos tentaram até mesmo arrendar os três portos de Chongjin, Najin e Unggi da mesma forma que os britânicos haviam arrendado Hong Kong. A maior parte dos empréstimos fornecidos pela União Soviética eram esboçados para “fortalecer as posições econômicas soviéticas na Coreia do Norte”. Por fim, os empréstimos foram usados para pagar pelos gastos que os soviéticos incorreram ao produzir bens nas fábricas que seu Exército havia confiscado e para enviar tais produtos de volta à União Soviética. Os soviéticos não pagaram compensação pelos bens norte-coreanos que levaram.[14]

Os norte-coreanos reagiram de uma forma previsível.[15] Eles viam os soviéticos com desprezo, tanto que a palavra rosûkke (russos) se tornou um termo depreciativo. Esses sentimentos de traição e ressentimento serviram como as sementes das quais slogans patrióticos cresceriam e se espalhariam. Um dos slogans popularizados chamava os norte-coreanos a defender sua identidade nacional: “mesmo que leiamos escritas estrangeiras, nossa mente deve ser enraizada em nosso próprio país”. Foi a partir desse ressentimento e desdém que o ethos do Juche se desenvolveu. Em oposição ao outro soviético, a nação norte-coreana nasceu. Em 3 de novembro de 1946, pela primeira vez, na Península Coreana o povo norte-coreano participou em eleições para os comitês provinciais, citadinos e de condados. Depois que o Comitê do Povo da Coreia do Norte foi estabelecido em 22 de fevereiro de 1947, os coreanos cada vez mais exerceram seu poder de tomar decisões e expressaram suas identidades de forma mais assertiva, com pouca consideração pela influência soviética. Essa mudança na balança de poder nas relações Coreia do Norte-soviéticos pode ser vista pelas lentes da mudança na quantidade de literatura soviética que foi traduzida e publicada na Coreia do Norte durante esse período.

Como a tabela 1 mostra, o número de publicações traduzidas, produzidas pelo Departamento de Propaganda do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores e pela Choso Munhwa Hyophoe (Associação Cultural Coreano-Soviética), aumentou dramaticamente entre 1946 a 1947,[16] mas diminuiu consideravelmente em 1948. Ao mesmo tempo, a União Soviética promovia ao mundo a superioridade de seu sistema socialista energicamente, e a Coreia do Norte estava em uma posição apta a receber a “cultura avançada” soviética. A diminuição na tradução e publicação de literatura soviética, portanto, reflete uma diminuição da influência soviética sobre a Coreia do Norte. Ademais, o declínio nas publicações marxistas-leninistas, combinado com o fato que o Partido dos Trabalhadores da Coreia tinha um “número muito diminuto de ideólogos marxistas”[17] providenciou um chão fértil para o pensamento “no estilo coreano” e para a ideologia nacional estabelecerem suas raízes.

Os anos 1950 foram uma época de provação para o povo norte-coreano. Tendo sofrido um grau de devastação sem paralelos durante a Guerra da Coreia, eles foram deixados com desafios inevitáveis da reconstrução a partir das cinzas. Seus desafios se tornariam ainda mais complexos pela recusa soviética de providenciar toda a assistência necessária.[18] Os coreanos se tornariam ainda mais ressentidos vez que consideravam o comportamento soviético com uma traição do combativo povo norte-coreano.[19] Com a subida de Kruschev ao poder, as relações norte-coreano-soviéticas azedariam ainda mais. A União Soviética utilizava seu status de grande potência e exercia pressão para interferir nos negócios internos norte-coreanos. À medida que Pyongyang resistia, Moscou acusava o regime desafiador de ser uma “sociedade fechada” e “isolacionista”, usando os mesmos termos que o Ocidente invocaria décadas depois para criticar o Norte.[20]

Em resposta, desde a metade até o final da década de 1950, o governo norte-coreano caracterizou a interferência soviética em seus negócios como “revisionismo moderno”. Sua oposição a esse revisionismo criou o momentum necessário para estabelecer o princípio Juche de “fazer as coisas do nosso jeito”. Como resultado, a Coreia do Norte desenvolveu um sistema único, diferente daquele dos Estados socialistas do Leste Europeu. Ainda que a Coreia do Norte possa dividir algumas das características básicas do Estado moderno e algumas das características comuns aos Estados socialistas, suas características peculiares resultam de suas primeiras interações com a União Soviética. Apenas no contexto histórico da luta do Norte contra ambos os “seus principais inimigos”, os Estados Unidos e seu suposto patrono, a União Soviética, é que se pode começar a entender a ênfase da RPDC na centralização ao redor de seu líder, “tradições e realizações revolucionárias”,  a estratégia de sucessão e a “arte da liderança”.[21] Em resumo, o Juche, como instituição central norte-coreana, emergiu a um só tempo da oposição e da concordância com a União Soviética.

Notas:

[1] – A República Popular Democrática da Coreia é o nome formal do estado estabelecido em 9 de setembro de 1948, o qual essa localizado na região norte da Península Coreana sobre o paralelo 38 (a linha de demarcação militar estabelecida em 1953). Dos 221,336 km² que perfazem a área terrestre total da Coreia a RPDC ocupa cerca de 55% ou 122,762 km². Em 2000, sua população era de 22.963.000. Suas áreas administrativas se constituem de duas cidades controladas pelo governo, nova províncias, um cidade especial, 25 cidades e 148 condados. Desde junho de 2004, a RPDC mantém relações diplomáticas com 155 países.

[2] – Ver CUMMINGS, Bruce, “Bringing Korea Back In: Structured Absence, Glaring Present, and Invisibility” in Pacific Passage: The Study of American-East Asian Relations on the Eve of the Twenty-first Century, Nova York: Columbia University Press, 1996, pgs. 335-74

[3] – “O Conselheiro político na Coreia (Benninghoff) para o Secretário de Estado apud Foreign Relations of the United States (FRUS) 1945, vol. VI, 1065

[4] – DEPARTAMENTO DE ESTADO NORTE AMERICANO, North Korea: A Case Study in the Technique of Take- over. Washington: Government Printing Office, 1961 , pg. 2.

[5] – Ver, YONGJIN, O. Sogun chõngha iti Pukhan – Hana ui chungón (A Coreia do Norte sobre o Governo Militar Soviético – Um testemunho). Seul: Chungang Munhwasa, 1952;SETOR ESPECIAL DE INTELIGÊNCIA, BUREAU DE SEGURANÇA PÚBLICA, MINISTÉRIO DO INTERIOR. Pukhan kongsan koeroe chõngkwõn e taehan kochal (Um estudo do regime títere comunista Norte-coreano) Seul: Minjung Sõgwan, 1958;HORNIN, Yang Pukhan iti ideollogi wa chöngch’i (A Ideologia e a Política da Coreia do Norte). Seul: Koryõdae Asea Munje Yön’guso, 1967; SCALAPINO, Robert A. e LEE, Chong-sik. Communism in Korea. Berkeley: University of California Press, 1972; VAN REE, Erik, Socialism in One Zone: Stalin’s Policy in Korea, 1945-1947. Oxford: Berg, 1989.

[6] – O termo em inglês “freight car government” se refere ao fato dos governos do Leste Europeus serem “puxados” pela “locomotiva” que seria a União Soviética. (N.T)

[7] – Depois do “Fórum Nacional de Ciências sobre a Emergência e Desenvolvimento da Democracia Popular em nosso país”, patrocinado pelo Kwahagwõn Ryõksa Yön’guso em Setembro de 1958, acadêmicos norte-coreanos claramente mudaram sua postura em direção ao charyõk hyõngmyõng (revolução autopropelida). Um fato interessante é que por volta desta época a Academia norte-coreana negou a teria de “difusão cultural” e endossou a ascendência da cultura nacional ou dos “estudos populares históricos”.

[8] – HANG-IL, Kim .Hyöndae Chosõn ryõksa (História Coreana Moderna).Pyongyang: Sahoe Kwahak Ch’ulp’ansa, 1983, pgs. 196-97.

[9] – O artigo fora escrito em 2007 durante um período de vultosos gastos militares para se completar o ciclo nuclear de proteção vis a vis a política songun, a atual situação econômica do Norte é muito mais favorável que à época do escrito (N.T)

[10] – Ver CUMMINGS, Bruce. The Origins of the Korean War; vol. 2 Princeton: Princeton University Press, 1990; MASAYUKI, Suzuki; CHOSEN, Kita. Shakaishugi to dento no kyõmei (Coreia do Norte: Socialismo e uma ressonância com a Tradição) Tóquio: Tokyo Daigaku Shuppankai, 1992; KILJE, Yu. Pukhan üi kukka kõnsõl kwa inmin wiwönhoe üi yõkhal (A Construção do Estado nortecoreano e o papel dos comitês populares). Tese de Doutorado, Departamento de Ciências Políticas e Relações Internacionais, Koryõ Taehakkyo, 1995; HAEGU, Chõng Nam-Pukhan pundan chõngkwõn surip kwajöng yön’gu: 1947.5-1948.9 (Um estudo do estabelecimento dos governos divididos da Coreia do Norte e da Coreia do Sul 1947.5-1948.9) Tese de Doutorado, Departamento de Ciências Políticas e Relações Internacionais, Koryõ Taehakkyo, 1995; SONGBO, Kim. Pukhan üi ťoji kaehyõk kwa nongõp hyõptonghwa(Reforma Agrária e Cooperativas de Agricultura na Coreia do Norte) Tese de Doutorado, Departamento de História, Universidade de Yonsei, 1996; TONGMAN, Sõ. Kita Chõsen ni okeru shakaishugi taisei no seiritsu: 1945-1961(O Estabelecimento do Sistema Socialista na Coreia do Norte: 1945-1961) Tese de Doutorado, Universidade de Tóquio, 1995; KWANGSO, Ki.  O Estabelecimento da Estrutura Política da Coreia do Norte e o Pape da União Soviética. Tese de Doutorado, Instituto de Pesquisa de Estudos Orientais, Academia de Ciências da Rússia, 1998; CHUCH-OL, Yi. Puk Chosõn nodongdang üi tangin kwa kü habu chojik e kwanhan yön’gu (Um estudo sobre os membros do Partido do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte e suas organizações menores). Tese de Doutorado, Departamento de História, Universidade de Koryõ ,1999; MYONGNIM, Pak. Han’guk chõnjaeng üi palbal kwa kiwõn (As origens e a Eclosão da Guerra da Coreia). Seul: Nanam Ch’ulpan, 1996; ARMSTRONG, Charles K. The North Korean Revolution, 1945-1950.Ithaca: Cornell University Press, 2002; GWANG-OON, Kim. Pukhan chöngch’isayörigu (Um estudo da História Política nortecoreana. Seul: Sõnin, 2003; GWANG-OON, Kim. Sõ Tongman, Puk Chosõn sahoejuui eh ‘eje sõngnipsa (Um estudo do Sistema Político Norte-coreano. Seul: Sõnin, 2005).

[11] – Em 17 de dezembro de 1945, Kim II Sung convocou a Terceira Reunião Ampliada do Comitê Executivo do Comitê Central de Organização do Braço Norte-coreano do Partido Comunista Coreano, onde foi tomada a crucial decisão de fortalecer o órgão de liderança central do partido instalando-se Kim Jong Il enquanto seu representante.

[12] – Ver Krasnaja Zvejda (Estrela Vermelha) 12 Setembro, 1945; “Shtikov memorandum” 6 de Dezembro de 1946; Coleção de Manuscritos Russos Kuksa P’yonch’an Wiwõnhoe, Seul, Dezembro de 1946.

[13] – Relatório de Pesquisa das Condições de Produção nas Operações e Empreendimentos Fabris Nortecoreanos de 15 de novembro de 1945 a primeiro de maio de 1946 enviado por Shtikov a Molotov.” Em HYONSU, Chõn. Haebang chikhu Pukhansa yön’gu üi myöt kaji munje e taehayõ(Várias questões concernentes à Pesquisa da Coreia do Norte pós-liberação) Seul: Han’guk Yöksa Yön’guhoe, 1993, vol. 10, pg. 309

[14] – HYONSU,Chõn. Haebang chikhu Pukhansa yön’gu üi myõt kaji munje e taehayõ, pgs. 308-9.

[15] – Após a criação da República na Coreia do Norte figuras soviéticas responsáveis pela exploração econômica foram removidas de seus cargos. Um caso emblemático foi a remoção de Pomenko como presidente da Companhia Marítima Choson-Soviética. Ver Seoul Sinmun, March 27, 1995

[16] – Em janeiro de 1947, o Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte proibiu às organizações partidárias locais a publicação dos escritos de Marx, Lênin e Stalin. Ver Kyolchongjip (Arquivo Secreto de Documentos do Partido dos Trabalhadores da Coreia: 1946.9-1951.11), Regarding the Publication of Marxist-Leninist Writings and Bolshevik Communist History: The Decision Papers of the Twenty-first Meeting of the Central Executive Committee of the North Korean Workers’ Party, 28 de janeiro, 1947.

[17] – Ver “For Raising the Level of Ideological Theory in Party Members and Qualitatively Improving Party Propaganda Activity: The Decision Papers of the Forty-eighth Meeting of the Central Executive Committee of the North Korean Workers’ Party, November 10, 1947,” Kyõlchõngjip (Arquivo Secreto de Documentos do Partido dos Trabalhadores da Coreia: 1946.9-1948.3).

[18] – Puzanof, “An Ambassador to DPRK, Puzanof Memorandum,” Abril, 11, 1957, Coleção de Manuscritos Russos, Kuksa Pyonchan Wiwõnhoe, Seul

[19] – “An Ambassador to DPRK, Puzanof Memorandum,” Maio, 12, 1957.

[20] – “An Ambassador to DPRK, Puzanof Memorandum,” Abril, 27, 1957.

[21] – A respeito da estrutura de poder norte-coreana Bruce Cummings alega em The Origins of the Korean War que o Sistema político peculiar que se desenvolveu no final da década de 40, sobre a influência da União Soviética e da China, não mudou substancialmente na segunda metade do século. Cumings vê a estrutura de poder da Coreia do Norte – a qual chama de “corporativismo revolucionário nacionalista” – como a mais diferente dos sistemas Marxistas-Leninistas pretéritos (pgs. 293-94). Para além de reconhecer o “reino heremita” da dinastia Chosõn e a influência do Confucionismo tradicional em sua relação com a “peculiar formação norte-coreana”, Cummings não se aprofundou em análises mais profundas em sua obra. Ver também CUMMINGS, Bruce. Corporatism in North Korea, Journal of Korean Studies 4, no. 1 (1982), trans. Kim Tongch’un, “Pukhan üi chohapchuüi” Han’guk hyõndaesa yôn’gu (Um Estudo de História Contemporânea Coreana), pgs. 341-43.

Gwang-Oon Kim, “The Making of the North Korean State”, no Journal of Korean Studies, Volume 12, no. 1, pp. 15-42.Copyright, 2007.Responsáveis da Columbia University, na cidade de Nova York. Todos os direitos reservados. Republicado com permissão do detentor dos direitos autorais e da presente editora, Duke University Press. www.dukeupress.edu

* Gwang-Oon Kim é um pesquisador sênior no Instituto Nacional de História Coreana.

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Talvez mais tarde: Trump descarta ir a Pyongyang, espera que Kim vá aos EUA

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, passeiam após um almoço de negócios no âmbito da cimeira em 12 de junho de 2018, em Singapura
© AP Photo / Evan Vucci

O relacionamento deles é "muito bom", mas o encontro com o líder Kim Jong-un na Coreia do Norte seria prematuro, afirmou o presidente estadunidense Donald Trump, após relatos de que recebeu um convite discreto de Pyongyang.

Kim falou de sua "disposição" de receber Trump na capital norte-coreana em uma carta enviada à Casa Branca no final de agosto, de acordo com o jornal sul-coreano Joongang Ilbo, citando uma fonte diplomática não identificada.

Washington ficou visivelmente mudo sobre o assunto até terça-feira, quando Trump quebrou seu silêncio e se dirigiu à mídia.

O presidente disse que "provavelmente não" estaria disposto a ir para a Coreia do Norte em um futuro próximo, mas não descartou ir para lá em algum momento.

"Eu faria isso [...] em algum momento no futuro", comentou Trump. "Não acho que esteja pronto para isso", acrescentou, pontuando ainda que Kim "adoraria vir para os Estados Unidos", sob certas circunstâncias.

Trump e Kim realizaram duas cúpulas de alto nível desde junho do ano passado para discutir a desnuclearização da Coreia do Norte, suspender as sanções dos EUA e assinar um tratado de paz, mas houve uma falta de progresso substancial.

Eles também se encontraram brevemente em junho na linha de demarcação entre as duas Coreias, mas a reunião - na qual Trump se tornou o primeiro presidente dos EUA a atravessar formalmente a fronteira com a Coreia do Norte - também foi amplamente simbólica.

A tentativa de reiniciar as negociações de desnuclearização ocorre após a enxurrada de testes de mísseis balísticos e foguetes de Pyongyang, iniciados no final de julho. A Coreia do Norte diz que os lançamentos foram uma resposta aos exercícios conjuntos EUA-Coreia do Sul, que são amplamente vistos no Norte como um ensaio para invasão.

O Estado recluso definiu suas condições para retomar as negociações. Pyongyang quer que os EUA removam todas as "ameaças e obstáculos que põem em risco a segurança do sistema e obstruem nosso desenvolvimento", disse uma importante autoridade do Ministério de Relações Exteriores nesta semana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019091714528664-talvez-mais-tarde-trump-descarta-ir-a-pyongyang-espera-que-kim-venha-para-os-eua/

Sim, eu apoio a Coreia do Norte!

– Notas sobre anticolonialismo, imperialismo e hegemonia

por Jones Manoel [*]

Soldados da RDPC. No distante ano de 2013, tive contato com o artigo de Domenico Losurdo " Como nasceu e como morreu o 'marxismo ocidental ". Nele, Losurdo observa a certa altura como Michael Hardt e Antonio Negri afirmam que os palestinos podem contar com a simpatia deles, mas que, a partir do momento em que a libertação nacional palestina for conquistada, quando for construído o Estado nacional, não se pode mais estar do "lado deles". Ao ler esse trecho imediatamente pensei: ninguém em sã consciência deve concordar com isso. Imaginei ser um raciocínio por demais infantil crer que só podemos apoiar um povo oprimido no seu momento de máxima opressão e, quando esse povo começar a construir sua emancipação – o objetivo da luta –, o encanto se acaba.

Eu estava errado. No ano seguinte, ainda cursando História na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), eu conversava com um professor que me disse ter participado quando jovem de protestos contra a Guerra do Vietnã. A pergunta imediata que lhe fiz foi a respeito da situação do bravo país asiático hoje. A resposta não poderia ser mais chocante: "não sei, depois que eles conseguiram derrotar os Estados Unidos, houve um processo de burocratização com a construção do Estado Nacional, deixou de ser um processo revolucionário".

Oper A resposta do meu antigo professor, longe de ser uma compreensão particular, exprime o espírito de nosso tempo: o Vietnã só interessava quando era a encarnação máxima e mais brutal da opressão, uma espécie de representação asiática da fábula bíblica de Davi contra Golias; mas depois da libertação, quando a prioridade da luta anticolonial e anti-imperialista passa a ser a construção econômica e a institucionalização da descolonização, a luta perde o seu charme.

Em 2018, a Boitempo lançou no Brasil o livro O marxismo ocidental: como nasceu, como morreu, como pode renascer . O marxista italiano trabalha vários problemas nesse livro, mas dois são os que mais nos interessam nessa reflexão. Primeiro, Losurdo aponta como uma tendência de longo prazo do que chama de "marxismo ocidental" – sem o tom elogioso normalmente atrelado ao termo – a exclusão da reflexão sobre a questão nacional e colonial. Com análises rápidas, mas profundas, coloca em revisão a obra de uma série de pensadores como Adorno, Horkheimer, Žižek, Althusser e muitos outros, para demonstrar sua tese.

Ao mesmo tempo, nomes como Jean-Paul Sartre e Herbert Marcuse, intelectuais europeus que dedicaram grande atenção política e teórica a luta dos Condenados da Terra, são criticados por uma espécie de absolutização do momento da resistência como oprimidos. Losurdo classifica o anticolonialismo de Sartre como populista e idealista. Não tenho certeza se concordo com essa caracterização de Sartre, mas vale a pena ler as palavras do italiano:

"Concentrando sua atenção apenas no esforço desesperado dos "condenados da terra" para romper as correntes da escravidão colonial e reservando sua simpatia exclusivamente para o grupo em fusão, protagonista do momento mágico, mas breve, da revolução, aquele entusiasmo gera responsável pela destruição de um antigo regime universalmente odiado, Sartre é o defensor de um anticolonialismo certamente apaixonado e meritório, mas que ao mesmo tempo é, contudo, populista e idealista. É um anticolonialismo que não consegue compreender a fase da revolução empenhada na construção da nova ordem." ( O marxismo ocidental , p. 115)

Esse argumento será o fio condutor de nossa reflexão. A Palestina é um exemplo de colonialismo clássico . Ocupação militar direta, regime de segregação racial, papel central das forças repressivas como mediação de controle, desumanização e animalização do povo oprimido e produção política-ideológica do colonizador como um ser superior que quer apenas viver sua vida, mas os bárbaros, o Outro violento, não permitem e, portanto, suas ações coloniais são apenas a defesa do seu "estilo de vida". Mas há muito tempo sabemos que existem várias formas de dominação colonial-imperialista. É possível que um povo se liberte da ocupação militar direta do colonizador e continue dominado sob um regime classicamente denominado neocolonial.

Museu de Hist A independência política, caso não acompanhada do desenvolvimento de um aparato produtivo, científico e técnico desenvolvido, além de uma capacidade de defesa efetiva da nova ordem, torna-se apenas formal. Um exemplo bastante ilustrativo é a situação de vários Estados africanos e sua dependência neocolonial à França. Esses Estados africanos, por exemplo, até hoje não têm um Banco Central e é a França que controla a emissão de suas moedas .

Vários pensadores revolucionários, como Frantz Fanon, Ho Chi Minh, Mao Tsé-Tung, Amílcar Cabral etc., perceberam que a independência política, ou a emancipação nacional formal, pode se tornar uma hábil armadilha do imperialismo. Quando a Revolução Chinesa triunfou complemente em 1949, o imperialismo estadunidense flertou com a ideia de atacar o país com bombas atômicas e reduzi-lo a um grande nada, mas logo as mentes astutas do Império passaram a uma estratégia mais realista. Conscientes da pouca experiência dos comunistas na administração da economia urbana e cientes das próprias dificuldades de reconstrução do país devastado por décadas de ocupação colonial e guerras, os Estados Unidos passaram a aplicar uma série de bloqueios econômicos, sabotagens, pressões diplomáticas e cercos de todo tipo. Era necessário impedir com todas as forças o desenvolvimento econômico para tornar a revolução anticolonial e socialista uma casca vazia.

Planet Quando o desenvolvimento econômico da nação revolucionária não é totalmente impedido, o imperialismo, via de regra, parte para uma estratégia de cerco e isolamento mundial, transformando o país em uma espécie de pária do mundo. Enquanto existia campo socialista, União Soviética e movimento terceiro-mundista, a eficácia dessa estratégia de isolamento era relativa. Mas, como sabemos, desde o início dos anos 1990 o terceiro-mundismo e o comunismo foram derrotados. Os povos que ousam ser livres estão mais sozinhos do que nunca.

Mas e a Coreia?

Agora podemos começar a falar da República Popular Democrática da Coreia, normalmente chamada de Coreia do Norte. Mas falar da Coreia Popular, na conjuntura brasileira, significa antes de mais nada chamar atenção para dois aspectos. O primeiro é a nossa ignorância não só sobre o país como sobre o continente asiático de maneira geral. Repare: nas universidades brasileiras, os centros de estudo sobre a Ásia, como o que existe na UFPE, são raríssimos. A oferta de disciplinas sobre o tema também é algo bastante difícil de encontrar. A exceção vem sendo o crescimento do interesse pela China – como o trabalho incrível do LabChina da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Retrocedendo um pouco mais, na escola, os professores não estão preparados para trabalhar história da Ásia e nos livros didáticos em geral ainda predomina a perspectiva eurocêntrica da história, de forma que a Ásia comparece no conteúdo didático apenas como elemento para contar a história europeia (como a expansão imperialista do século XIX).

No mercado editorial a situação não é melhor. O número de autores asiáticos consumidos na cultura brasileira é reduzidíssimo. Quando publicados, como no caso dos sul-coreanos Ha-Joon Chang e Byung-Chul Han, são autores com produção teórica ocidentalizada. Estudiosos acadêmicos da Ásia de grande importância, como o norte-americano Bruce Cumings, não têm tradução para o português. Também não preciso falar muito sobre a ausência de publicação das reflexões de intelectuais da Coreia Popular sobre os rumos do seu próprio país. Em suma, somos dominados por um colonialismo cultural de base eurocêntrica que condiciona o nosso conhecimento para um estranhamento/desconhecimento não só da África e da Ásia, como de nosso próprio território – a Amérca Latina.

A despeito disso, quase todos os militantes de esquerda no Brasil têm uma opinião negativa sobre a Coreia Popular. Quem forma essa opinião? Os monopólios de mídia. É necessário refletir com mais profundidade sobre a produção dessas notícias. No geral, sobre os monopólios de mídia nativos, sabemos que pertencem a um pequeno número de famílias e têm ramificações com diversos negócios capitalistas e com partidos e políticos da ordem. Mas e quanto às notícias internacionais? Como elas são produzidas? Domenico Losurdo, no seu livro Democracia ou Bonapartismo , cita um dado do final dos anos 1990 muito interessante:

"O mercado da informação é quase monopólio de quatro agências: Associated Press e United Press (Estados Unidos), Reuters (Grã-Bretanha) e France Press. Todas as rádios, todas as cadeias de televisão, todos os jornais do mundo compram os serviços destas agências. 65% das "informações" mundiais partem dos Estados Unidos". (Latouche apud Losurdo, 2004, p. 280-281)."

Recentemente, fui buscar dados atualizados sobre as famigeradas Agências de Notícias – tema pouco falado, mas de fundamental importância para entender a disputa pela hegemonia no mundo. Hoje apenas três agências de notícia controlam o mercado global de "informações". Associated Press (EUA), Agence France-Presse (França) e Reuters (Inglaterra, mas como escritório principal em Nova York). Essas três agências têm um poder tão grande que "um estudo sobre a cobertura da guerra na Síria por nove dos principais jornais europeus ilustra claramente essas questões: 78% de todas as publicações foram baseadas, completa ou parcialmente, em notícias de agências e 0% em pesquisa investigativa". Ou seja, é de Paris, Londres e Nova York que são distribuídas as "notícias internacionais" sobre o mundo. Alguém pode argumentar que essa concentração monopólica não significa que a qualidade em si das notícias seja ruim.

Arranha-c Vejamos a questão mais de perto. O estudo que acompanhamos mostra como as agências de notícia são onipresentes no jornal, na TV, no rádio, nos portais da internet e afins. Normalmente, esses veículos de comunicação não citam suas fontes, mas elas são essas agências. Se alguma das três grandes não noticia um acontecimento, ele se torna de automático um não-acontecimento. Mas e os correspondentes internacionais? No geral, são poucos ou inexistentes- – e quando atuam, não têm capacidade de oferecer um volume de informações como essas agências.

Também não é raro encontrar correspondentes internacionais que mal dominam o idioma local ou que não têm qualquer bagagem intelectual sobre o país. Sua função, no geral, é servir de elo entre a agência de notícias e a redação da empresa no qual são empregados, ou aparecer ao vivo no local de modo a emprestar um ar de maior credibilidade à notícia produzida. O ambiente construído não permite muitos questionamentos sobre a versão oficial dos fatos. Algumas pessoas poderiam pensar que isso está relacionado apenas aos interesses privados, comerciais e financeiros envoltos na questão. Na realidade, não é só isso.

"Entre os atores mais ativos em 'plantar' notícias geopolíticas questionáveis estão os ministérios militares e de defesa. Em 2009, por exemplo, o chefe da agência de notícias americana AP, Tom Curley, divulgou que o Pentágono emprega mais de 27 mil especialistas em RP que trabalham na mídia circulando manipulações direcionadas, com um orçamento anual de quase 5 bilhões de dólares. Não obstante, generais de alto escalão dos EUA ameaçaram "arruinar" a AP e o Tom Curley caso os jornalistas cobrissem criticamente demais o exército dos EUA. Apesar – ou por causa? – de tais ameaças dos militares, nossos meios de comunicação publicam, regularmente, informações duvidosas com base em 'informantes' não identificados dos 'círculos de defesa dos EUA' […] Obviamente, os serviços de inteligência também possuem um grande número de contatos diretos na nossa mídia, os quais podem 'vazar' informações se necessário. Porém, sem o papel central das agências de notícias globais, a sincronização mundial de propaganda hegemônica e de desinformação nunca seria tão eficiente. Por meio do 'multiplicador de propaganda', histórias e informações suspeitas de especialistas em RP – que trabalham para governos, militares e serviços de inteligência – chegam ao público em geral praticamente sem serem checadas ou filtradas. Isto é, os jornalistas citam as agências de notícias, e as agências de notícias citam as suas fontes; embora, muitas vezes, os jornalistas tentem apontar incertezas com termos como 'aparente', 'alegado' e similares para se protegerem, embora a essa altura o boato já se espalhou para o mundo e causou seu efeito". [1]

A informação é uma questão de poder político e geopolítico, tratada como razão de Estado pelo imperialismo mundial. Com o sucesso das interpretações reformistas da obra de Antônio Gramsci, passou a se tratar a luta pela hegemonia (isto é, a disputa pela direção moral e intelectual da sociedade a partir de aparelhos 'privados' de hegemonia), como algo que se realizaria a partir de condições democráticas: uma espécie de competição mais ou menos igual entre as classes exploradas e burguesas na disputa pela hegemonia. [2] Nada mais falso.

Junte o orçamento de todos os aparelhos de hegemonia das classes populares brasileira que se dedicam ao jornalismo: esse montante não vai chegar nem perto dos 5 mil milhões de dólares gastos pelo Pentágono para propagar as notícias "adequadas". A despeito disso, há uma estranha lógica na militância de esquerda brasileira: repetem como mantra que a "Globo ou a mídia no geral mentem", mas acreditam piamente nas "notícias internacionais" estilo Assad usando armas químicas contra civis quando a guerra estava quase ganha, Venezuela prendendo crianças, Cuba torturando opositores, Kaddafi bombardeando civis com caças aéreos etc, etc, etc.

No caso da Coreia Popular, a ação dos monopólios de mídia é ainda mais brutal. O país é provavelmente o mais caricaturado do mundo. Volta e meia, aparece nos monopólios de mídia com amplo destaque alguma notícia fantástica sobre a Coreia Popular: o "ditador" Kim Jong-Um teria forçado todos os habitantes do país a usar o mesmo corte de cabelo; arqueólogos norte-coreanos descobriram a existência de unicórnios; os cidadãos acreditam que a Coreia ganhou a Copa de 2014; Kim Jong-Un mandou matar o tio com um lança mísseis porque ele dormiu numa reunião (minha preferida!); Kim mandou matar a namorada porque ela falava muito e assim segue. Poucos dias depois, é claro, os supostos mortos aparecem vivos e as notícias falsas, muitas vezes propagandeadas pelo Serviço Secreto da Coreia do Sul, não desmentidas são 1% da publicidade da mentira original.

O anticomunismo se combina com o orientalismo e o racismo colonial (só o racismo colonial para fazer uma pessoa achar crível um líder de Estado matar seu tio com um lança mísseis porque dormiu numa reunião ou que na Coreia existe um canibalismo onipresente, imagens típicas da representação europeia da Ásia durante a expansão colonial-imperialista do final do século XIX) para fazer da Coreia do Norte um dos países mais atacados do mundo e um pária que quase ninguém no campo intelectual brasileiro abre a boca para defender. Malcolm X disse certa vez que "se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar o oprimido e amar o opressor". Nesse caso, as mídias no geral, incluindo os jornais, já conseguiram fazer isso com militantes pouco "cuidadosos".

O que você deveria saber sobre a Coreia Popular, mas não sabe

O importante intelectual canadense Michel Chossudovsky, escreveu um artigo falando sobre as conquistas sociais da Coreia Popular. Usando apenas dados oficiais de fontes ocidentais (esquivando-se assim da eventual "acusação" de fazer apologia ao "regime" por usar dados produzidos no próprio país), o pesquisador começa mostrando que o relatório da Anistia Internacional que indica uma crise na saúde da Coreia Popular e uma sistemática falta de médicos e enfermeiros é falso. Diz o trecho:

Gabinete de dentista para crian

"A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o relatório da Anistia Internacional sobre o sistema de saúde da Coreia do Norte não é científico e está desatualizado. A Amnistia afirmou que a Coreia do Norte não está conseguindo atender às necessidades básicas de saúde de seu povo. O relatório da Amnistia é baseado em entrevistas com 40 desertores norte-coreanos e profissionais da saúde estrangeiros. Em abril, a diretora da OMS [Organização Mundial da Saúde] visitou a Coreia do Norte e disse que seu sistema de saúde era o motivo de inveja pelo mundo em desenvolvimento".

Qual seria o motivo da inveja? Chossudovsky cita os dados da Divisão Federal de Pesquisas da Biblioteca do Congresso dos EUA, que afirma

"A Coreia do Norte tem um serviço médico nacional e um sistema de seguro de saúde. Em 2000, cerca de 99% da população tinha acesso a saneamento e 100% tinham acesso à água, mas a água nem sempre era potável. O tratamento médico é gratuito. No passado, havia um médico para cada 700 habitantes e uma cama de hospital para cada 350 habitantes."

O acesso a água e saneamento, na Coreia Popular, é melhor que no Brasil e que na maioria dos países asiáticos (lugar por excelência de comparação com a situação da Coreia). A relação de médicos e leitos por número de habitantes também é melhor que a nossa. Ainda no âmbito da exposição de dados, diz o pesquisador "em 2006, a expectativa de vida era estimada em 74,5 anos para mulheres e 68,9 para homens, ou quase 71,6 anos no total" (esses números não combinam com o retrato de um país tão sem comida ao ponto de existir um suposto canibalismo onipresente. É necessário lembrar que pessoas sem comida não vivem em média até os 71 anos). E, para concluir, Michel Chossudovsky fala sobre a educação na Coreia Popular:

"Segundo a Unesco, a educação pública na República Democrática Popular da Coreia (RPDC) é universal e totalmente financiada pelo Estado. De acordo com fontes oficiais do governo americano (Divisão Federal de Pesquisa da Biblioteca do Congresso): "A educação na Coreia do Norte é, há 11 anos, gratuita, obrigatória e universal dos quatro aos 15 anos de idade nas escolas estatais. A taxa nacional de alfabetização para os cidadãos com 15 anos de idade ou mais é de 99%." ( Biblioteca do Congresso, Divisão Federal de Pesquisa , p. 7).

Em 2013, a Vice realizou uma entrevista com Pier Luigi Cecioni, curador responsável pelo site ocidental do Estúdio de Arte Mansudae, em Pyongang (capital da Coreia Popular), provavelmente um dos estúdios com maior produção no mundo. A matéria aborda o realismo socialista na Coreia Popular e o papel do Mansudae, que tem quatro mil funcionários e mais de mil artistas. Cecion, respondendo às perguntas da jornalista Nadja Sayej, começa explicando a produção cultural na Coreia:

"A maioria dos melhores artistas do país está no Mansudae. Praticamente todos eles têm um curso universitário ou formação em belas-artes. Quando um estudante se destaca na universidade, ele ou ela é convidado a se juntar ao Mansudae. E se um artista se destaca em outro centro, ele ou ela pode ser convidado a entrar para o estúdio. É uma grande honra fazer parte do Mansudae."

Em seguida, o italiano, deixando claro não ser especialista no tema, descreve o que sabe do sistema educacional do país, afirmando que as crianças e adolescentes frequentam a escola pela manhã e no período da tarde, voluntariamente, podem praticar música, dança, teatro, esportes etc (bem pouco parecido, infelizmente, com as escolas do Brasil). Responde perguntas sobre a experiência da visita dos coreanos à Europa e conclui com um balanço sobre o realismo socialista na Coreia Popular:

"Eu não diria que o propósito de toda a arte norte-coreana seja mensagem política. O realismo socialista representa a Coreia do Norte sob uma luz positiva e, num sentido mais amplo, quer inspirar os espectadores a ter sentimentos positivos, patrióticos e a celebrar; especialmente as grandes esculturas e pinturas exibidas em espaços públicos: os líderes. Os temas estão frequentemente relacionados ao trabalho, um assunto que não é comum no ocidente. Uma forma particular do realismo socialista são os cartazes. Eles são pintados à mão, não impressos, e têm mensagens políticas e sociais. Muitos têm como alvo os Estados Unidos, visto como um agressor do passado e um agressor em potencial. Além do realismo socialista, pinturas de paisagens são muito populares. Assim como pinturas de flores e da natureza em geral. Há também muitos retratos, principalmente de trabalhadores. Mas há tantos tipos de arte – escultura, cerâmica, bordado, vários tipos de pintura, xilografia, caligrafia e algumas outras – que não é possível generalizar".

O professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Paulo Ferracioli, especialista em política de comércio exterior e com vasta experiência de pesquisa sobre a Coreia do Sul, fez uma viagem à Coreia Popular. Em seu relato de viagem , o professor, que não é nenhum fã da ideologia Juche, diz que as cidades são limpas, bem organizadas e que em uma quadra da Avenida Paulista você vê mais pessoas em situação de rua do que em toda Pyongyang. Por falar em Pyongyang, continua Ferracioli, é possível ver no final da tarde pessoas nos vários jardins e praças públicas conversando, rindo, brincando com os filhos (ele destaca que não se vê nenhuma criança em situação de vulnerabilidade, como é possível entrar em toda cidade brasileira) ou em estabelecimentos conversando e tomando cervejas.

O leitor pode pensar que estou falando das conquistas sociais mas ocultando a dimensão política do país. A Coreia é normalmente retratada como uma monarquia, um país dominado por uma família, uma espécie de stalinismo de maior intensidade. Como costuma ocorrer nos tratamentos dados às experiências de transição socialista, é tomado como um consenso óbvio que nada existe de democracia, poder popular ou liberdade no país. Bem, primeiro, chamar a Coreia de monarquia é uma prova de extrema superficialidade.

O professor Paulo Visentini, um dos autores de um livro recente sobre a Coreia Popular ( A revolução coreana: o desconhecido socialismo Zuche ) – livro aliás ignorado no geral pela militância de esquerda (desconheço, por exemplo, qualquer intelectual de esquerda que tenha escrito ou resenha ou tentado refutar as análises de Visentini) –, diz o seguinte sobre a ideia da Coreia ser uma monarquia:

"É importante ressaltar que o sistema político norte-coreano é republicano e bastante complexo, havendo limites ao poder do dirigente e certo grau de liderança coletiva e participação popular. Por outro lado, a situação de tensão militar externa reforça os elementos para a identificação da nação com uma pessoa, cuja liderança de continuidade também é fundamental para evitar crises sucessórias que, no caso da RPDC, seriam, certamente, fatais. A liderança quase sacralizada representa mais um símbolo de unidade nacional do que o poder em si mesmo. O povo norte-coreano e sua liderança expressam orgulho por suas realizações e não se dobram sequer à China, cujos interesses são oscilantes. A ideologia Zuche, de autossuficiência, representa uma política de autopreservação que não pretende ser imposta a outras nações, apesar da grande cooperação existente com dezenas de Estados em desenvolvimento." (A revolução coreana , São Paulo, Unesp, 2015, p. 23)

E continua em outro momento do livro:

"A compreensão do ethos norte-coreano depende do conhecimento das origens da revolução (relacionadas à guerrilha antijaponesa) e, principalmente, do terrível impacto que a guerra teve sobre o país. A luta pela libertação nacional foi condicionada pela intensa mobilização de diferentes grupos sociais e pela percepção das lideranças de que a unidade deveria ser construída através de uma consciência nacional. Foi nesse cenário que Kim Il-Sung expôs os elementos constitutivos da Ideia Zuche (ou Juche) e a linha revolucionária baseada nessa doutrina, cujos princípios já faziam parte das raízes do movimento. O Zuche se desenvolveu em um quadro de lutas externas e internas e seria aprofundado como base para a reorganização do país no pós-guerra. Fortemente apoiado em uma visão nacionalista, serviu como teoria e método para o regime consolidado. A Guerra da Coreia foi uma guerra de extermínio, com o uso de napalm e bombardeios massivos para destruir todas as cidades e a infraestrutura do país. Houve ameaça nuclear explícita, como visto anteriormente, e chegou a ser defendida a criação de um corredor radioativo de até 60 km junto à fronteira com a China. Como resultado, o país desenvolveu uma mentalidade de bunker e centenas de quilômetros de túneis, assim como 15 mil refúgios profundos foram construídos, abrigando depósitos de mantimentos e armamentos, hospitais, fábricas, hangares para aviões e refúgios para a população. O medo de um ataque nuclear foi real nesse momento, inclusive porque os EUA estacionaram armas atômicas na Coreia do Sul e no Japão." (p. 67)

Visentini desenvolve ainda uma excelente argumentação sobre as influências pré-revolucionárias na estrutura de poder atual da Coreia Popular e a mescla, única no mundo, entre elementos da cultura asiática, o neoconfucionismo e o marxismo. Não podemos, no âmbito desta coluna, abordar a complexidade do assunto, mas adiantamos que quem não conhece nada da milenar história coreana, das tradições estatais e do confucionismo, provavelmente vai cair na tentação fácil e preguiçosa de assimilar a dinâmica da Coreia Popular à da União Soviética de Stálin, colocando à ambos o rótulo fácil e que nada diz de culto à personalidade.

Em uma fortaleza sitiada, toda dissidência é traição

A frase acima é de Fidel Castro. O revolucionário e estadista cubano conseguiu compreender o grande problema da transição socialista do século XX, ainda que tardiamente, no final da sua vida. Ao contrário de certa compreensão hegemônica, pautada diretamente pelos monopólios de mídia e pela ideologia dominante, o grande problema do socialismo no século passado não foi a falta de democracia ou liberdade, mas o desafio de se conseguir construir uma democracia operária, superior na forma e no conteúdo à democracia burguesa, em um estado de guerra permanente durante a tentativa de superar o subdesenvolvimento e a dependência .

Restos de muni Muitas vezes, ao olharmos nossa história, deixamos de racionalizar um dado básico: toda experiência socialista até hoje passou por uma invasão militar imperialista ou teve que enfrentar uma cruel guerra civil antes da conquista do poder e com a revolução vitoriosa. Na imensa maioria das vezes, essa invasão militar foi derrotada, mas não sem enormes custos humanos e de riqueza. Toda experiência de transição socialista, as passadas e as atuais, teve ou tem que despender enormes quantidades de riqueza material para defender sua soberania nacional. E como bem disse Fidel, "em uma fortaleza sitiada, toda dissidência é traição". O estado de guerra não condiciona o fortalecimento da democracia – de qualquer forma de democracia, inclusive a burguesa. E quando falamos estado de guerra, a questão não diz respeito apenas a confrontos militares diretos. Mais uma vez, um dado universal, mas pouco estudado: toda experiência socialista passada e atual sofreu/sofre com asfixiantes bloqueios econômicos do imperialismo (convido o leitor a refletir: quantos artigos ou livros você já leu sobre bloqueios econômicos? Sabe como funcionam? Seus impactos?).

Recentemente o Center for Economic and Policy Research lançou um estudo dirigido por Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs – respectivamente, um jornalista progressista e um economista liberal – que analisa os impactos das sanções econômicas dos Estados Unidos contra a Venezuela impostas de 2017 até os dias atuais e chega a uma conclusão perturbadora: "[as sanções] foram responsáveis pela morte dezenas de milhares de venezuelanos no biênio de 2017-2018 – uma estimativa de aproximadamente 40 mil pessoas". Esse estudo não teve qualquer repercussão na mídia ou entre os intelectuais de esquerda – inclusive, os "críticos" do "autoritarismo de Maduro".

Já a Coreia Popular é o país mais bloqueado do mundo. A situação do país depois do fim da URSS e do campo socialista foi catastrófica, com o padrão de vida decrescendo em ritmo assustador. A partir dos anos 2000, conseguiu superar a crise econômica e seus efeitos mais agudos, período chamado de Árdua Marcha, mas não consegue forcar no desenvolvimento econômico e no bem-estar do seu povo. O imperialismo não permite. No último dia 9 de maio, o navio cargueiro Wise Honest que transportava carvão e maquinaria para Coreia Popular foi apresado por ordem do Departamento de Estado dos EUA em uma manobra única, acusando-o de violar as sanções dos Estados Unidos.

O blog De Pyongyang a La Habana lançou um estudo completo sobre todos os bloqueios e sanções econômicas que sofre a Coreia Popular. Esse texto mostra o grau de severidade do bloqueio contra a Coreia Popular – novamente, um estudo ignorado pela maioria dos militantes brasileiros. Já o jornal The New York Times, em matéria de 2017 coloca como título [tradução livre] "A fome na Coreia do Norte é devastadora. E a culpa é nossa" . Apesar do tom sensacionalista e do uso de alguns dados questionáveis, a matéria do jornal estadunidense é certeira ao apontar que as dificuldades alimentares do país têm uma origem bem precisa: a sabotagem econômica do imperialismo ocidental. Diz Kee B. Park, que assina a coluna:

"Liderada pelos Estados Unidos, a comunidade internacional está estrangulando a economia da Coreia do Norte. Em agosto e setembro [de 2017], o Conselho de Segurança da ONU aprovou resoluções banindo a exportação de carvão, ferro, chumbo, frutos do mar e têxteis e limitando a importação de óleo bruto e derivados de petróleo refinado. Os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul, cada um, impuseram sanções à Pyongyang para isolar ainda mais o país."

A justificativa oficial para essa asfixia econômica, como sabemos, é impedir a Coreia Popular de desenvolver seu programa nuclear. Supostamente, o país seria uma ameaça ao mundo. Um país pequeno sem qualquer histórico de golpes militares, invasões ou sabotagens contra seu vizinho, é atacado pela "comunidade internacional" liderada pelos Estados Unidos: país com mais de 800 bases militares espalhadas pelo mundo, mais de 50 golpes de estado aplicados com participação direta e indireta, uma série de invasões neocoloniais (Iraque, Afeganistão, Panamá, Vietnã, Guatemala etc, etc, etc) e a ação da CIA pelo mundo todo buscando a "mudança de regime" de projetos políticos que buscam algum grau de soberania nacional.

A realidade é que a guerra é um perigo real para o povo coreano. Na guerra de 1950-1953, cerca de 30% da população coreana foi morta e o país completamente destruído – um país já devastado devido à guerra de libertação contra o colonialismo japonês. O nível de brutalidade por parte dos EUA foi tão grande que E ainda depois do cessar-fogo temporário de 1953, juridicamente, a Guerra da Coreia nunca acabou: além da milenar Nação Coreana ter sido dividida em duas, os Estados Unidos nunca deixaram de manter uma pressão militar permanente.

Até hoje a Coreia Popular é cercada por mais ou menos 20 mil soldados dos Estados Unidos e arsenal atômico. Não é a Coreia Popular que está na fronteira dos EUA buscando uma "mudança de regime", mas o contrário. Os líderes coreanos aprenderam desde muito cedo que o imperialismo só entende a linguagem da força. Quem discorda, basta olhar para Líbia, que de país com melhor IDH e infraestrutura da África passou a um mar de lama e sangue dominado por grupos armados fundamentalistas, contando, inclusive, com o tráfico de humanos escravizados.

Conclusão

Diante de tudo que escrevemos, a conclusão é inequívoca: eu apoio e defendo a Coreia Popular. Esse apoio e defesa não se confunde com uma adoração acrítica do país. Mesmo sendo um historiador que dentro dos seus limites estuda a história asiática, conhece um pouco as tradições do país e o confucionismo, a forma-política do Estado coreano não me agrada. Também não tenho qualquer simpatia por desfiles militares pomposos e culto de armas. Mas não sou idealista. O mundo não é, ainda, o que queremos.

No mundo real, temos uma experiência revolucionária que desde que nasceu não consegue se desenvolver livremente. É atacada, caluniada, cercada, perseguida, asfixiada economicamente. Todo esse bloqueio do imperialismo gera deformações e certo nível de burocratização pouco agradável a alguém que defende uma democracia operária. Mas a prioridade quando o assunto é a Coreia Popular, é defender o país do imperialismo. Agitar a bandeira da autodeterminação dos povos, contra o uso de armas nucleares e da reunificação pacífica na península.

Temos uma experiência igualitária (ainda que com privilégios corporativos), fundamentada no ideário socialista e com um povo com ardentes sentimentos anti-imperialistas. É uma experiência nossa, do nosso campo, com todos seus erros e acertos, glórias e caricaturas, e eu a abraço sem reservas envergonhadas ou tímidas geradas por sentimentos liberais, anticomunistas ou orientalistas.

Não tenho medo de ser chamado de dogmático, stalinista, fanático ou qualquer coisa do tipo por manifestar meu apoio a um povo que deseja ser livre. Meu maior medo, quando o assunto é a Coreia Popular, é ver esse povo terminar como o líbio ou o palestino. Mas isso, tenho certeza, não irá acontecer. A Revolução Coreana segue firme. E o imperialismo, por mais ameaçador que pareça, é um tigre com dentes de papel!

29/Maio/2019
[1] Vinícius Moraes, "A Propagação Hegemônica: como as agências globais e a mídia ocidental cobrem a geopolítica (parte 2)",  Revista Ópera , 23 abr. 2019.
[2] Caio Navarro de Toledo, "A modernidade democrática da esquerda: adeus à revolução?", em: Crítica Marxista n. 1 , 1994.

Ver também:

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/coreia/jones_29mai19.html

Kim Jong-un convida Trump para reunião em Pyongyang

U.S. President Donald Trump shakes hands with North Korea leader Kim Jong Un at the Capella resort on Sentosa Island Tuesday, June 12, 2018 in Singapore.
© AP Photo / Evan Vucci

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, convidou o presidente dos EUA, Donald Trump, para uma cúpula em Pyongyang, disse o jornal sul-coreano Chosun Ilbo.

Segundo o jornal, Kim apresentou o convite a Trump em uma carta enviada na segunda quinzena de agosto.

Em 9 de setembro, o primeiro vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Choe Son-hui, informou que Pyongyang está disposto a retomar as negociações com os EUA no final de setembro.

Em 10 de agosto, Trump disse que Kim escreveu uma carta expressando sua vontade de iniciar negociações assim que as manobras dos EUA e da Coreia do Sul terminassem.

O processo de paz na península coreana estagnou nos últimos meses.

Pyongyang retomou os testes de mísseis em maio, após um intervalo de 17 meses, e realizou sete lançamentos desde 25 de julho.

Em 30 de junho, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente dos EUA, Donald Trump, realizaram uma reunião - a terceira - na zona desmilitarizada entre as duas Coreias.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019091614521450-kim-jong-un-convida-trump-para-reuniao-em-pyongyang/

EUA sancionam 2 indivíduos e 3 empresas relacionados à Coreia do Norte

Departamento do Tesouro dos EUA em Washington
© AP Photo / Jacquelyn Martin

EUA impuseram sanções a duas pessoas oriundas de Taiwan e a três empresas chinesas por manterem relações ativas com a Coreia do Norte, de acordo com o Departamento do Tesouro norte-americano.

De acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, as empresas estão ajudando a Coreia do Norte com "operações de transferências ilícitas entre os navios para contornar as sanções da ONU que restringem a importação de petróleo e produtos petrolíferos".

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro bloqueou ativos de dois indivíduos e companhias sediadas em Taiwan, bem como de uma companhia sedeada em Hong Kong.

Os dois indivíduos contra o quais foram introduzidas sanções são Huang Wang Ken e Chen Mei Hsiang, junto com três companhias marítimas com as quais estes indivíduos têm interesses comuns, de acordo com o departamento norte-americano.

O Tesouro dos EUA afirmou que as duas pessoas sancionadas usaram um navio, que conduziu previamente ao menos duas transferências com navios com bandeira da Coreia do Norte hasteada, para transportar 1,7 milhão de litros de derivados de petróleo para um navio sob a bandeira norte-coreana.

"As companhias marítimas que estão fazendo negócio com a Coreia do Norte se expõem a um risco significativo de sanções, apesar das práticas enganosas que tentam implementar", afirmou a subsecretária do Departamento do Tesouro, Sigal Mandelker, em um comunicado.

"Os Estados Unidos reconhecem e estão agradecidos pelo esforço contínuo de Taiwan em combater as tentativas da Coreia do Norte de contornar as sanções e obter recursos para o seu programa de desenvolvimento do armamento de destruição em massa e programa de mísseis", ressalta Tesouro dos EUA.

A ONU sancionou a Coreia do Norte em uma tentativa de impedir desenvolvimento do programa de mísseis balísticos de Pyongyang.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019083014454667-eua-sancionam-2-indivduos-e-3-empresas-relacionadas-coreia-do-norte/

Irã aconselha Coreia do Norte a não confiar nos EUA

Chanceler do Irã Mohammad Javad Zarif
© AP Photo / Petr David Josek

Teerã aconselhou Pyongyang a não confiar nos EUA e planeja a visita do seu ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, a Pyongyang.

"Os EUA provaram não ser confiáveis para o diálogo, tanto na saída do JCPOA [Plano de Ação Conjunto Global], quanto nas negociações com a Coreia do Norte", afirmou na segunda-feira o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Abás Araqchi, durante uma reunião com uma delegação parlamentar norte-coreana.

Ministro das Relações Exteriores do Irão Mohammad Javad Zarif
© Sputnik / Grigory Sysoev
Ministro das Relações Exteriores do Irão Mohammad Javad Zarif

O principal instrumento dos EUA contra os países independentes, como o Irã e a Coreia do Norte, são as sanções econômicas, ressaltou o vice-ministro, adicionando que as restrições foram incapazes de quebrar de alguma forma a determinação dos dois estados.

Além disso, Araqchi também anunciou que Teerã estaria disponível para desenvolver os laços políticos entre os dois países e disposto a preparar a visita de Zarif a Pyongyang.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019082014406764-ira-aconselha-coreia-do-norte-a-nao-confiar-nos-eua/

China e Coreia do Norte reforçam colaboração militar em meio às tensões com EUA

Bandeiras da China e da Coreia do Norte
© AFP 2019 / Ed Jones

Um comandante chinês afirmou que a China e a Coreia do Norte vão desenvolver a colaboração militar e continuar trabalhando juntas para garantir a segurança na região Ásia-Pacífico em meio às ações dos EUA na região, consideradas como representando ameaça.

Representantes de Pyongyang se encontraram com uma delegação oficial chinesa em Pequim logo após os testes de mísseis da Coreia do Norte. Neste encontro, os representantes coreanos foram liderados Kim Su-gil, diretor do Gabinete Político Geral do Exército Popular da Coreia.

Segundo informações da mídia após o encontro, o general chinês assegurou a Kim Su-gil esperar que as relações entre a China e a Coreia do Norte se reforcem no futuro.

"O Exército de Libertação do Povo Chinês está pronto para trabalhar com a Coreia do Norte para implementar o importante consenso alcançado pelos líderes de nossas nações", disse o general Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central da China.

Ademais, ele assegurou que Pequim "está pronto a contribuir para a paz e estabilidade da região junto com Pyongyang". Em resposta, o oficial norte-coreano disse que seu país aspira a expandir os laços militares e a trocar experiências com seu vizinho.

Início de maior colaboração?

Em junho deste ano, Xi Jinping foi o primeiro líder chinês a visitar a Coreia do Norte nos últimos 14 anos. As conversações entre ele e Kim Jong-un deram um novo impulso às relações entre os aliados históricos, que se complicaram nos últimos anos por causa dos testes de armas nucleares realizados por Pyongyang.

Presidente da China Xi Jinping durante a visita à Coreia do Norte em 21 de junho de 2019
© AFP 2019 / KCNA VIA KNS
Presidente da China Xi Jinping durante a visita à Coreia do Norte em 21 de junho de 2019

Além da atividade dos EUA na região, que preocupa os dois países, a China a e Coreia do Norte são ligadas pelo tratado de 1961, que obriga os países a se apoiarem mutuamente no caso de ataques do exterior. Pequim e Pyongyang têm adversários geopolíticos comuns, tais como o Japão e a Coreia do Sul.

Cooperação entre Washington e Seul

Nesta sexta-feira, Pyongyang lembrou os EUA e a Coreia do Sul que o país não tolerará os seus exercícios militares conjuntos, que continuam apesar das intenções positivas exprimidas pelo presidente Trump nas conversações sobre a desnuclearização da Coreia.

Camiões levando lançadores de mísseis dos EUA e outro equipamento para instalar o sistema de defesa antimíssil THAAD na base aérea de Pyeongtaek, Coreia do Sul
Camiões levando lançadores de mísseis dos EUA e outro equipamento para instalar o sistema de defesa antimíssil THAAD na base aérea de Pyeongtaek, Coreia do Sul

O país declarou que nenhumas conversações podem prosseguir a menos que os exercícios parem. Além disso, Pyongyang chamou o líder sul-coreano, Moon Jae-in, de "homem imprudente" que "menciona 'conversas' entre Norte e Sul enquanto realiza cenários de guerra que podem destruir a maioria de nossos exércitos em 90 dias".

Intervenção dos EUA nos assuntos da China

Pequim também critica o envio de navios e aviões norte-americanos ao mar do Sul da China, área onde Pequim têm pretensões territoriais, considerando a implantação de armamento estadunidense uma violação da soberania chinesa.

Caça estadunidense decola do porta-aviões USS Ronald Reagan para patrulhar águas internacionais perto do mar do sul da China
© AP Photo / Bullit Marquez
Caça estadunidense decola do porta-aviões USS Ronald Reagan para patrulhar águas internacionais perto do mar do sul da China

Entre as questões controversas está também o problema da venda de armas pelos EUA à ilha de Taiwan, assim como o apoio militar dado por Washington aos manifestantes antigovernamentais em Hong Kong.

Às acusações de Mike Pompeo de Pequim tentar "redesenhar o Pacífico segundo a sua imagem autoritária", a China respondeu que as tentativas do dirigente norte-americano de "manchar" o governo e "semear o discórdia" na região estão destinadas a falhar.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019081814401614-china-e-coreia-do-norte-reforcam-colaboracao-militar-em-meio-as-tensoes-com-eua/

Imprensa: mísseis dos EUA na Coreia do Sul provocarão corrida armamentista e Guerra Fria

A instalação de mísseis americanos de médio alcance terra-terra na Coreia do Sul agravará a situação na região e levará a uma Guerra Fria e a uma corrida armamentista, indica imprensa norte-coreana.

Segundo Agência Central de Notícias da Coreia (CTC), os sistemas de defesa antiaérea THAAD dos EUA já instalados no sul da península não servem para garantir a segurança da Coreia do Sul, mas são projetados para deter grandes países do Leste Asiático e garantir o domínio dos EUA.

"Pelo contrário, os sistemas THAAD, que de uma boa maneira precisam ser removidos, permanecem, e a Coreia do Sul está planejando implantar novas armas ofensivas. Isso não pode deixar de ser imprudência, que causará uma nova Guerra Fria e uma nova corrida armamentista no Extremo Oriente e agravará a situação na região", diz o artigo.

Quando novos mísseis forem lançados, a Coreia do Sul se tornará um "ponto de partida para o ataque nuclear dos EUA na agressão contra a Coreia e a Ásia", o que inevitavelmente a tornará "o alvo de um ataque direto de potências regionais que não pretendem permitir o domínio militar dos EUA", enfatiza o artigo.

"[Seul] ficará ou não no caminho da autodestruição, tornando-se um escudo humano, ou suportará com suas próprias mãos o fogo de uma catástrofe que os levará ao desastre?", indaga o autor do artigo.

Planos de Washington

No dia 2 de agosto, o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) foi cessado. No início deste ano, Washington anunciou que sairia unilateralmente do acordo, acusando a Rússia de violar continuamente o tratado. Moscou nega todas as acusações.

Mark Esper, secretário de Defesa dos EUA, declarou no dia seguinte ao fim do Tratado INF ser a favor da instalação imediata de mísseis de médio alcance de baseamento terrestre na Ásia.

O Pentágono fez circular um comunicado dizendo que os EUA e a Austrália haviam anunciado a necessidade de iniciar uma "nova era" no controle de armas e pediu que Rússia e China se sentassem à mesa das negociações, sem excluir a possibilidade de estender o tratado START.

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Coreia do Sul remove Japão de 'lista branca' comercial

Mulher caminha enfrente anúncio com as bandeiras sul-coreana e japonesa
© AP Photo / Eugene Hoshiko

O Ministério da Indústria da Coreia do Sul anunciou planos para remover o Japão de sua "lista branca", anulando as preferências comerciais estabelecidas em relação a Tóquio.

Segundo o ministro do Comércio, Sung Yun-mo, as medidas devem entrar em vigor em setembro.

A decisão acontece em meio a uma disputa comercial entre Tóquio e Seul, que surgiu após uma decisão judicial estabelecendo que as empresas japonesas deveriam pagar indenizações às vítimas de trabalhos forçados sul-coreanas durante o período colonial.

O Japão, por sua vez, também impôs diversas restrições aos sul-coreanos, limitando suas exportações de poliamida fluorada, fluoreto de hidrogênio e fotorresistências, essenciais para a produção de chips de memória e smartphones.

Pedestres passam por anúncio com as bandeiras da Coreia do Sul e do Japão
© AFP 2019 / JUNG YEON-JE
Pedestres passam por anúncio com as bandeiras da Coreia do Sul e do Japão

A ação poderia afetar as grandes empresas sul-coreanas de equipamentos eletrônicos como a Samsung e a SK Hynix.

A decisão seria uma resposta ao veredito de um tribunal sul-coreano de que as empresas japonesas deveriam indenizar as vítimas de trabalhos forçados durante a colonização japonesa da península coreana entre 1910 e 1945.

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EUA teriam instado Coreia do Sul a enviar tropas para estreito de Ormuz em meio a tensões com Irã

Guarda de Honra com bandeiras dos EUA e da Coréia do Sul
© AP Photo / Pablo Martinez Monsivais

Durante uma reunião com o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Jeong Kyeong-doo, o secretário da Defesa dos EUA, Mark Esper, solicitou que a Coreia do Sul participasse em uma missão marítima americana no estreito de Ormuz, informou a Yonhap.

O ministro respondeu que seu país estava considerando várias alternativas com relação à situação no golfo Pérsico, já que seus navios também navegam pelo estreito, cuja importância Seul compreende perfeitamente.

O Pentágono negou ter feito um pedido oficial para a assistência da Coreia do Sul na missão marítima planejada, mas o descreveu como uma espécie de "solicitação" que veio em meio a discussões sobre cooperação bilateral entre os dois Estados.

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul não comentou o relato da Yonhap. Os Estados Unidos convidaram uma série de países da Ásia e da Europa a unirem esforços alegadamente destinados a proteger a navegação no estreito de Ormuz.

'Coalizão naval'

Os EUA anunciaram a criação de uma coalizão naval após a detenção de um petroleiro britânico pelas autoridades iranianas por supostas violações das leis marítimas e ataques de forças desconhecidas a navios no Golfo, alegando que seu objetivo será garantir a segurança da navegação através da crucial via de exportação de petróleo, o estreito de Ormuz.

Washington convidou vários países da Europa e da Ásia a participar desta coalizão, mas até agora poucos responderam. Embora o Reino Unido tenha mostrado interesse em participar da missão americana, a Alemanha optou por esforços diplomáticos como forma de reduzir as tensões no Golfo e declarou que sua participação na campanha de "pressão máxima" dos Estados Unidos contra o Irã foi "descartada".

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Coreia do Norte declara que teste de mísseis é 'alerta' para exercícios entre EUA e Coreia do Sul

Explosão de alvo durante os testes de mísseis em um local desconhecido na Coreia do Norte (foto da agência KCNA)
© REUTERS / KCNA

Na sua declaração de quarta-feira (7), Pyongyang afirmou que o teste de mísseis do dia anterior foi uma mensagem para que os EUA e a Coreia do Sul cessem seus exercícios militares, iniciados esta semana.

O teste de dois mísseis balísticos de curto alcance realizado na terça-feira (6) foi "uma ocasião de enviar um aviso adequado para os exercícios militares conjuntos dos EUA e autoridades da Coreia do Sul, que estão em curso", anunciou a Agência Central Telegráfica da Coreia na quarta-feira.

"Os dois mísseis táticos lançados do aeródromo na área ocidental do país sobrevoaram a capital e a região central do interior do país, tendo atingido com precisão um ilhéu no mar do Leste [mar do Japão]", afirma a declaração.

Embora Pyongyang não tenha formalmente identificado o míssil, descrevendo-o como um 'míssil teleguiado de grande calibre recentemente desenvolvido", analistas na Coreia do Sul e nos EUA afirmam que o mais provável é que tenha sido um KN-23, um sistema teleguiado de mísseis balísticos apresentado no desfile militar em 2018, mas lançado pela primeira vez em maio passado.

Lançamento de um míssil durante testes a partir de um local desconhecido na Coreia do Norte (foto da agência KCNA, publicada em 7 de agosto de 2019)
© REUTERS / KCNA
Lançamento de um míssil durante testes a partir de um local desconhecido na Coreia do Norte (foto da agência KCNA, publicada em 7 de agosto de 2019)

Washington e Seul reduziram seus exercícios militares de fogo real que simulavam ataques contra a Coreia do Norte, sendo os atuais exercícios simulados em computador, nota a agência CBS. No entanto, os treinamentos ainda violam o acordo de junho de 2018 entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

As autoridades dos EUA confirmaram que os últimos testes de mísseis norte-coreanos não violam o acordo, já que são armas convencionais de curto alcance .

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EUA iniciam exercícios militares conjuntos com Coreia do Sul

Militares dos EUA
© Sputnik / Vladimir Pirogov

EUA e a Coreia do Sul iniciaram uma série de exercícios militares na segunda-feira (5), apesar das exigências da Coreia do Norte de cancelá-los, informou a mídia sem confirmação oficial.

Em particular, a agência sul-coreana Yonhap informou que, em 5 de agosto, estava previsto iniciar um exercício de simulação por computador das medidas de resposta a uma "situação de emergência" na península coreana.

"Estamos nos preparando para um exercício conjunto no segundo semestre do ano para testar a capacidade de transição para o comando em condições de guerra", disse porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, citado pela agência.

Os exercícios não preveem quaisquer manobras de tropas e armas. Respondendo a uma pergunta sobre o nome do exercício, ele disse que "diria quando for possível".

Posição de Pyongyang

Como relatado anteriormente, a Coreia do Norte encara estas manobras na Coreia do Sul como um ensaio de guerra na península coreana, o que poderia ter um impacto negativo nas negociações de desnuclearização.

O exercício foi denominado "19-2 Dong Maeng ", que significa literalmente "Aliança-2 2019". Citando fontes militares, mídia relatou que o exercício estava planejado em duas fases: a primeira de 11 a 14 de agosto e a segunda de 16 a 20 de agosto.

Os treinamentos s devem substituir os exercícioconjuntos Ulchi-Freedom Guardian (UFG), contra os quais a Coreia do Norte também se insurgiu. A mídia sul-coreana não exclui a possibilidade de, também desta vez, o exercício Dong Maeng acabar por ser abandonado.

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Um passeio despreocupado no campo minado da Coreia do Norte

Trump (de costas) e Kim em encontro "histórico" na zona desmilitarizada da Coreia do Norte
Se, do seu jeito anticonvencional, Donald Trump tiver obtido com sua visita um avanço real no conflito da Península Coreana, então vai merecer o reconhecimento do mundo, opina Alexander Freund.
Alexander Freund* | opinião
"Não há nada de bom, além daquilo que se faz", diz o ditado alemão. É mesmo fascinante a facilidade com que o presidente americano ultrapassa barreiras que pareciam totalmente instransponíveis e, de repente, volta a colocar movimento no conflito da Coreia.

Antes Donald Trump tuitara que, se Kim Jong-un tivesse vontade, ambos poderiam se encontrar: ele estava bem na região, na cúpula do G20 no Japão, então, se calhasse, por que não?

E é claro que Kim aceitou grato esse convite. Afinal, a supostamente tão amistosa relação entre os dois esfriara sensivelmente desde a cúpula fracassada em Hanói. O líder da Coreia do Norte até mesmo lançara alguns mísseis para o céu, a fim de se fazer notar novamente.

Portanto eles se encontraram em Panmunjom, aquele absurdo lugar onde tropas norte-coreanas e aliadas se observam, desconfiadas, simbolizando todo o absurdo do conflito congelado. E da mesma forma descompromissada, Trump perguntou se não poderia dar um pulinho na Coreia do Norte. Visivelmente espantado, Kim disse que seria uma grande honra, e assim pela primeira vez um presidente americano pisou o solo norte-coreano.



Simples assim. Sem grande alarde. Dá para fazer sim, foi a simples mensagem: não refletir longamente, fazer. Se se tratasse de um presidente democrata, ele seria linchado em casa pelos conservadores: como é possível valorizar um regime desses sem concessões prévias? Traidor!

Mas Trump simplesmente o faz, surpreende a todos e, após décadas de confrontação, finalmente coloca o conflito em movimento. Da mesma forma descomprometida, já ao assumir a presidência ele anunciara sua disposição básica para dialogar com Kim. Por que não?

Claro que, ao que tudo indica, Trump exagerou na cúpula de Cingapura com o papo de camaradagem. Seu "amigo Kim" continua sendo um déspota imprevisível, mas pelo menos abriu-se uma promissora plataforma de diálogo.

Igualmente bem correram as conversas subsequentes do lado sul-coreano. Lá, por sorte, entrou novamente em cena o presidente Moon Jae-in, que, de forma decisiva, procurara, nos bastidores, nunca deixar se romper a tênue linha de diálogo.

Os três acordaram em desenvolver em breve um modo de trabalho para voltar a avançar as conversas paralisadas e solver as questões controvertidas. A meta anunciada continua sendo a desnuclearização total da Península Coreana, assim como, finalmente, um acordo de paz entre a Coreia do Norte e o lado aliado.

Para que o nível necessário de pressão permaneça e a Coreia do Norte se mostre de fato disposta a negociar, inicialmente serão mantidas em toda sua extensão as rigorosas sanções. Trump pode parecer desastrado, mas ele sabe como acordos funcionam. Ah, sim, ele informou ainda a seu surpreso amigo Kim, caso ele tenha tempo e vontade, que pode também vir a Washington.

A coisa soa muito tranquila: os garotões primeiro se encontram, marcam seu território, e depois de terem se conhecido e apreciado, os probleminhas são resolvidos.

Só que não é tão fácil assim, pois também o visivelmente surpreso Kim estabeleceu sua posição de negociação de forma extremamente habilidosa nos últimos meses. Ele sabe que o presidente da Coreia do Sul está honestamente interessado numa solução de paz, e disposto a fazer-lhe grandes concessões.

Além disso, obteve importante cobertura estratégica, não só do presidente russo, Vladimir Putin, mas sobretudo da potência protetora China. Após ter visitado o presidente Xi Jinping diversas vezes em Pequim, conseguiu de fato que aquele que hoje é o segundo mais importante protagonista da política mundial fizesse uma visita oficial à Coreia do Norte, logo antes da cúpula do G20.

Com essa demonstração de solidariedade, Xi não só concedeu seu apoio ao abalado país comunista, mas simultaneamente instou Trump a retomar o diálogo com Kim. O conflito comercial entre os EUA e a China já cria problemas suficientes a ambos os lados e à economia mundial, não há por que mais ter um conflito na vizinhança.

Por mais que a instabilidade ou imprevisibilidade de Donald Trump tantas vezes tenha deixado o mundo em suspense, no conflito da Coreia seu procedimento anticonvencional alcançou mais em poucos meses do que em todas as décadas anteriores.

Se no fim se chegar a um tratado sustentável que leve a paz a toda a região, então esse tão criticado presidente mereceu reconhecimento internacional, pelo menos por esse feito. Se é para melhorar o mundo, às vezes é preciso justamente trilhar caminhos anticonvencionais. "Não há nada de bom, além daquilo que se faz."

*Deutsche Welle

 

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Coreia do Norte ataca os EUA por pedir novas sanções no dia em que Trump pisou no país

Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na linha demilitarizada, 30 de junho de 2019
Susan Walsh

A missão da Coreia do Norte da ONU chamou de hipócrita a postura dos EUA, alegando que não se caminha por caminhar, com apelos ao diálogo e sanções ao mesmo tempo, e denunciando Washington como "empenhada em atos hostis".

O degelo nas relações entre estadunidenses e norte-coreanos, renovadas pelo encontro do líder norte-coreano Kim Jong-un e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na zona desmilitarizada, durante a qual Trump pôs os pés na Coreia do Norte, não durou muito.

O comunicado emitido pela missão reclusa da ONU nesta quinta-feira acusa Washington de não apoiar a retórica reconciliatória com ação, mas, ao contrário, pediu mais sanções no mesmo dia em que Trump convidou Kim para uma cúpula improvisada na fronteira.

A missão disse que uma carta conjunta circulada pelo representante dos EUA, juntamente com a da França, do Reino Unido e da Alemanha, em 29 de junho, instou os membros da ONU a enviar de volta contratados norte-coreanos que trabalham no exterior. Isso deveria ser uma punição por Pyongyang supostamente superar o limite anual da ONU sobre as importações de petróleo, fixado em 500.000 barris.

Em uma carta anterior, os EUA redigiram, junto com outros 23 países, o painel de sanções do Conselho de Segurança da ONU em 18 de junho, e Washington defendeu a suspensão imediata das entregas para a Coreia do Norte. No entanto, devido à oposição da China e da Rússia, o passo não foi dado.

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, a missão norte-coreana informou que o pedido original dos EUA de interromper as entregas foi feito sob um "pretexto absurdo", chamando a carta de 29 de junho de "não menos que [...] pressão aberta" sobre os membros da ONU.

Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na linha demilitarizada, 30 de junho de 2019
Susan Walsh
Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na linha demilitarizada, 30 de junho de 2019

O fato de que a tão difundida decisão de Trump de realizar um encontro com Kim e atravessar a fronteira com a Coreia do Norte coincidiu com a pressão dos EUA por medidas mais punitivas "fala à realidade de que os Estados Unidos estão cada vez mais empenhados em os atos hostis… embora falando sobre diálogo", dizia a declaração.

Embora Pyongyang não tenha "sede de suspensão de sanções", é "bastante ridículo" que os EUA as considerem "uma panaceia para todos os problemas", disse a missão.

A reunião de domingo entre Trump e Kim foi saudada por Trump como "um tremendo progresso". No entanto, os críticos do presidente no Partido Democrata denunciaram a viagem como apenas uma "jogada de marketing".

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Desnuclearização na corda bamba após um ano da cúpula Kim-Trump

(Prensa Latina) Há um ano e um dia o encontro histórico do presidente estadunidense, Donald Trump, e o líder da República Democrática da Coreia(RPDC), Kim Jong Un, indicava um caminho para a desnuclearização da península coreana; mas, essa ideia está hoje numa corda bamba.

Ao concluir a cúpula de 12 de junho de 2018 celebrada em Singapura ambos os presidentes se comprometeram a estabelecerem novas relações, consoante com o desejo de paz e prosperidade de seus povos; enquanto, seu segundo encontro, não mês passado de fevereiro no Vietnã, acabou sem que os dirigentes conseguirem se compreenderem.

Embora em Singapura todo parecia que se resolveriam as discrepâncias, em Hanoi se enfrentaram duas formas de abordar ou desarmamento nuclear, por um lado Washington exige ou processo completo e verificável, cabelo outro, Pyonyang pede garantias e menos sanções econômicas.

Trump e sua equipe atribuíram ou fracasso dessa segunda cúpula à suposta exigência coreana de que se eliminassem todas as sanções, quando na verdade, ou que Kim pediu foi um levantamento ou afastamento parcial das punições em favor da população e a economia de seu país.

As medidas unilaterais são ou centro da questão, porque Washington mantém sua política de pressão internacional ao tempo que desconhece vos passados efetivos dá República Popular Democrática da Coreia para a desnuclearização, como ou fechamento de Punggye-ri.

Neste cenário resulta válido recordar que Pyongyang se viu obrigado a desenvolver seu programa nuclear defensivo, mas, sobretudo dissuasivo, face a política agressiva de Washington e seus aliados.

A Casa Branca pretende que a RPDC entregue em bandeja de prata, mas para os coreanos é difícil negociar com quem não deseja dar nada em troca.

Desde fevereiro as tensões voltaram, vos diálogos se encontram em um ponto morto e Kim teve que lhe recordar a Trump sua existência e seu potencial com ou lançamento de mísseis de curto atinja em maio passado, um fato minimizado cabelo governante republicano.

Não meio do distanciamento, ou líder da RPDC enviou um sinal de distensão em uma carta ao presidente estadunidense da qual não se revelou ou conteúdo, mas, o próprio chefe de Estado norte-americano a qualificou de bonita e cálida.

Após ou fracasso parece que voltarão as negociações e até um possível terceiro encontro de alto nível, embora, analistas apontam que ainda assim é muito difícil negociar um trato justo porque os estadunidenses não aceitarão uma RPDC com armamento nuclear e a outra parte não renunciará ao seu potencial defensivo que, afinal, é sua única garantia.

Enquanto isso, Pyongyang advertiu que ‘a paciência da RPDC tem um limite’, conforme publicou nesta semana KCNA, a agência de notícias do país asiático, e acrescentou: ‘Agora é o momento de que Estados Unidos recue na sua política hostil’.

Na prática, um ano depois do histórico primeiro encontro entre um presidente estadunidense e um presidente da Coreia Democrática, a imposição de sanções à RPDC e a prepotência de Washington e seus aliados, impedem a ensejada desnuclearização acordada nesse intercâmbio há 365 dias.

 

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Reunião inédita | Putin recebeu Kim Jong-un na Rússia

Em encontro com Putin na Rússia, líder norte-coreano pede trabalho conjunto para desnuclearização
Reunião inédita entre Putin e Kim Jong-un ocorreu no campus da Universidade Federal do Distante Oriente, em Vladivostok, próximo à fronteira norte-coreana
Em uma reunião inédita realizada na quinta-feira (25/04), o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, pediu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, esforços conjuntos para tentar melhorar as relações com os Estados Unidos e encontrar formas de resolver a questão da desnuclearização da Península Coreana.
A reunião entre os líderes ocorreu no campus da Universidade Federal do Distante Oriente, na Ilha Russky, em Vladivostok, próximo à fronteira norte-coreana. No início da cúpula, Putin afirmou que a visita de Kim também servirá para os líderes desenvolverem as relações bilaterais.


Kim, por sua vez, ressaltou a importância de um trabalho em conjunto para tratar a desnuclearização. "A situação na península Coreana é de grande interesse para toda a comunidade internacional. Espero que nossas conversas sejam um evento importante para avaliarmos essa situação em conjunto, trocarmos pontos de vista sobre a situação e como resolver esse problema juntos", disse o líder norte-coreano ao russo.

Após quase duas horas de reunião, o presidente russo classificou o momento como "substancial" e explicou que ambos falaram, "é claro, sobre a situação na península coreana", trocaram "opiniões sobre o que precisa ser feito para que a situação tenha perspectivas de melhora".

Além disso, Putin agradeceu ao norte-coreano por visitar a Rússia, país o qual Kim classificou como "amigável" e "grande vizinho". "Espero que nossas negociações continuem da mesma forma, de maneira útil e construtiva", acrescentou.

O encontro acontece após o fracasso da cúpula entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Hanói, no Vietnã, em fevereiro, que paralisou as negociações para a desnuclearização da península Coreana. Essa é a primeira viagem oficial de Kim ao território russo desde que chegou ao poder, em dezembro de 2011.

Opera Mundi | Com Ansa | Imagem: Michael Coghlan/FlickrCC

 

 

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Kim Jong-un: 'EUA agiram de má-fé em Hanói'

U.S. President Donald Trump shakes hands with North Korea leader Kim Jong Un at the Capella resort on Sentosa Island Tuesday, June 12, 2018 in Singapore.
© AP Photo / Evan Vucci

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, disse ao presidente russo, Vladimir Putin, que os EUA "adotaram uma atitude unilateral de má-fé" durante a cúpula em Hanói, no Vietnã.

"A situação na Península Coreana e na região está num impasse e chegou a um ponto crítico, no qual pode retornar ao seu estado original, pois os EUA assumiram uma atitude unilateral de má-fé nas recentes negociações, durante a segunda reunião entre EUA e Coreia do Norte", disse Kim em Vladivostok, segundo Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA).


Kim Jong-un na estação ferroviária de Khasan
© Sputnik / Seviço de imprensa da administração da região de Primorie

Kim está na Rússia para reuniões bilaterais com Vladimir Putin sobre paz e segurança regional. Segundo o líder coreano, tudo depende, em última instância, da atitude futura de Washington, informou a KCNA.

Hanói foi palco da segunda rodada de negociações entre os EUA e a República Popular Democrática da Coreia visando a desnuclearização da Península Coreana e a normalização das relações diplomáticas entre os dois países. O primeiro encontro, em Cingapura, em junho passado, e restabeleceu o relacionamento entre Pyongyang e Washington.

Em Hanói, Kim, que suspendeu testes nucleares e de mísseis há mais de um ano e adotou medidas para desmantelar esses programas, tentou negociar a remoção de algumas das sanções de Washington. O seu pedido foi negado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que insistiu na desnuclearização antes a redução de quaisquer sanções.

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Coreia do Norte confirma visita de Kim Jong-un para encontro com Putin

North Korean leader Kim Jong-un during a military parade marking the 105th birthday of Kim Il-Sung, the founder of North Korea, in Pyongyang
© Sputnik / Iliya Pitalev

O líder norte-coreano Kim Jong-un visitará a Rússia para uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, informou nesta segunda-feira a Agência Central de Notícias de Pyongyang (KCNA).

A agência disse que a visita acontecerá "em breve", mas não divulgou mais detalhes. Mais cedo, porém, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov disse que os dois líderes se reuniriam no final de abril.


A reunião deve ocorrer na Universidade Federal do Extremo Oriente, em Vladivostok, segundo o Kommersant. O local precisa ser aprovado pela Coreia do Norte devido a preocupações relativas à segurança do líder do país.

No início da semana passada, Kim Jong-un manifestou a sua disponibilidade para cooperar com o presidente russo, a fim de alcançar paz na península coreana e desenvolver relações bilaterais.

"Estou pronto para cooperar estreitamente com você para desenvolver de maneira firme e construtiva as relações amistosas tradicionais entre a República Popular Democrática da Coreia e a Rússia, conforme exigido pela nova era, e defender a paz e a segurança da Península Coreana e do resto do mundo", disse Kim em uma carta reproduzida pela KCNA.

Esta será a primeira visita de Kim à Rússia. Seu antecessor, Kim Jong-Il, visitou a Rússia três vezes, sendo a última em 2011.

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Coreia do Norte quer saída de Pompeo das negociações para dialogar com EUA

Diretor da CIA, Mike Pompeo, cumprimenta o presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, em Pyongyang
© AP Photo / Casa Branca

A Coreia do Norte pediu a substituição do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, por alguém que seja "mais cuidadoso", para continuar as negociações sobre a desnuclearização da península, segundo o diretor-geral do Departamento de Assuntos Estadunidenses do MRE norte-coreano, Kwon Jong-gun.

"No caso de uma possível volta ao diálogo com os EUA, gostaria de que a negociações continuassem com alguém que tenha mais atenção e maturidade para se comunicar, ao invés de Pompeo", disse Kwon em comunicado citado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap.

Kwon destacou que "a experiência da cúpula de Hanói mostrou que qualquer que seja o problema, se Pompeo participar, as negociações entre os dois países vão mal e sem resultados".


Em junho, os líderes de ambos os países se reuniram pela primeira vez em Singapura e se comprometeram a trabalhar para normalizar as relações bilaterais e desnuclearizar a península da Coreia. Entretanto, o processo emperrou nos últimos meses.

A segunda reunião entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, que ocorreu em Hanói nos dias 27 e 28 de fevereiro, terminou repentinamente e sem acordo entre as partes.

Pompeo explicou que a Coreia do Norte não estava preparada para seguir adiante no rumo esperado com relação à mudança do cancelamento das sanções econômicas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019041813707543-coreia-norte-pompeo-eua/

Líder da Coreia do Norte dá ultimato aos EUA e cobra postura de Trump

U.S. President Donald Trump shakes hands with North Korea leader Kim Jong Un at the Capella resort on Sentosa Island Tuesday, June 12, 2018 in Singapore.
© AP Photo / Evan Vucci

As fracassadas conversas frente a frente com o presidente Donald Trump levantam dúvidas sobre se os EUA estão realmente comprometidos em melhorar as relações com a Coreia do Norte, disse o líder Kim Jong-un, prometendo reforçar a defesa do país.

Pyongyang dará aos Estados Unidos até o final do ano para abandonar "seu atual método de cálculo" em relação às negociações bilaterais e chegar a uma "postura correta", declarou Kim, citado pela agência de notícias estatal KCNA no sábado.

Nesse caso, a Coreia do Norte considerará realizar uma terceira cúpula com o presidente Trump em algum momento no futuro, explicou o líder norte-coreano – em Washington, o discurso a favor de um novo encontro também já foi externado.


Dirigindo-se ao Parlamento da nação, Kim afirmou que suas conversas com Trump em fevereiro levantaram "uma forte questão" se o país estava certo em fazer concessões. O encontro, que foi interrompido pela Casa Branca e terminou sem um acordo, também colocou em dúvida a "verdadeira disposição" de Washington para melhorar as relações com a Coréia do Norte.

De acordo com Kim, o problema estava no "tipo de diálogo ao estilo americano", que equivalia a fazer demandas "unilaterais", sem estar pronto para "sentar-se frente a frente connosco e resolver o problema".

Como Pyongyang espera que os EUA mudem sua postura, "continuará aumentando as capacidades de defesa", enfatizou o líder norte-coreano. Ele não especificou quais ramos das Forças Armadas serão fortalecidos e como.

Trump, por sua vez, escreveu no Twitter que outra reunião com Kim "seria boa, pois entendemos perfeitamente onde cada um está". A relação entre os líderes "continua muito boa, talvez o termo excelente seja ainda mais preciso", adicionou.

O tom do presidente contrastava com a postura mais rígida do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que disse antes que queria "deixar um pouco de espaço" para aliviar as sanções a Pyongyang, mas afirmou que as restrições permanecerão em vigor por muito tempo, uma vez que os EUA consideram a Coreia do Norte uma ameaça nuclear.

Trump e Kim se conheceram pela primeira vez em Singapura no ano passado. Eles concordaram em buscar a paz e a Coreia do Norte se comprometeu a trabalhar em prol da "completa desnuclearização" da península coreana. Nos meses que antecederam as negociações, Pyongyang congelou seus testes de mísseis nucleares e balísticos e demoliu o único local de testes nucleares conhecido.


A próxima rodada de negociações, realizada em Hanói, no Vietnã, rapidamente se desfez. Os EUA rejeitaram categoricamente a proposta de suspender parcialmente as sanções contra a Coreia do Norte, em troca de garantias adicionais de que Pyongyang não reiniciaria os testes nucleares e de mísseis balísticos.

O Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, mais tarde esclareceu que a Casa Branca achava a ideia de Kim Jong-un de uma "desnuclearização passo a passo" inaceitável também.

Autoridades norte-coreanas já manifestaram prontidão para retomar o programa de mísseis balísticos e nucleares se os EUA continuarem com sua política agressiva em relação à nação.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019041513686852-kim-ultimato-eua/

Os norte-coreanos não são figurantes

Tornou-se um hábito, entre a esquerda exterior ao PCP, olhar várias das suas posições sobre política internacional com alguma relutância, mas também com um encolher de ombros. De alguma forma compreendo a escolha e muitas vezes faço o mesmo: por um lado, porque as circunstâncias políticas associadas à experiência da «geringonça» requerem alguma contenção em tudo aquilo que possa dividir ou criar animosidade (como se sabe, a menor crítica de fundo é sempre vista daquele lado como «anticomunismo»); por outro, porque apesar das divergências, a história do PCP, a sua importância para a democracia, a generosidade de muitos dos seus militantes, determinam a contenção possível. Um pouco como quando temos divergências em família, por vezes graves, não sendo todavia por isso que cortamos com ela. E desta forma, a muitos episódios lamentáveis se responde relevando-os.

Todavia, a posição sobre a Coreia do Norte não é irrelevante ou desculpável, servindo de facto para «dizer o indizível». Foi agora reforçada com declarações de Jerónimo de Sousa: «Não há democracia na Coreia do Norte? “É uma opinião”» (Diário de Notícias), ou «A Coreia do Norte é democrática? (…) “O que é uma democracia?”» (Público). E mesmo quando reconhece existirem discordâncias, estas jamais são especificadas. Não me parece difícil entender esta posição: em primeiro lugar, pela lógica do inimigo principal como os EUA, sendo o enfraquecimento de uma «força anti-imperialista» prejudicial no seu enfrentamento; em segundo lugar, porque a República Popular Democrática da Coreia do Norte é vista como um dos derradeiros bastiões do «socialismo» pós-1989; em terceiro, porque o PCP nunca definiu bem a sua posição sobre a democracia e a liberdade no sistema político pelo qual se bate, que depende geralmente de circunstâncias táticas, capazes de assumir posições justas (como em Portugal) ou de determinar apoios a ditaduras «boas» ou «úteis».

A realidade é esta: a Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo, um daqueles com rendimento per capita mais baixo, investe no poderio militar quando existem fenómenos endémicos de fome, tem uma polícia política feroz e um sistema de campos semelhante ao antigo Gulag soviético (estimativa atual: 150.000 prisioneiros políticos), define um sistema de propaganda destinado a robotizar os cidadãos, impede a menor expressão de divergência, e, o pior de tudo, vive de um sistema ultra-autoritário, centrado num culto da personalidade paranóico, impondo internamente a imagem de um paraíso onde a «igualdade» é de facto medida pelo estado geral de miséria, uniformização e repressão em que vivem todos os que não fazem parte do partido ou dos órgãos da administração. Os testemunhos de viajantes ou de cidadãos que conseguem escapar, alguns traduzidos para português, não desenham outro cenário. Não são «uma opinião».

Rui Bebiano

Fotografia: Reuters

Ver original em 'A Terceira Noite' na seguinte ligação:

http://www.aterceiranoite.org/2019/03/19/os-norte-coreanos-nao-sao-figurantes/

Coreia do Norte pode retomar testes diante de 'postura de gângster' dos EUA, diz diplomata

Choe Son-hui, viceministra de Exteriores de Corea del Norte después de visitar el Ministerio de Asuntos Exteriores de Rusia
© Sputnik / Vladimir Pesnya

A Coreia do Norte pode congelar conversações com os EUA e renovar testes nucleares e de mísseis depois que altos oficiais dos EUA torpedearam as negociações do presidente Donald Trump com Kim Jong-un no Vietnã, disse uma importante diplomata norte-coreana.

A cúpula de Hanói entre o presidente dos Estados Unidos e o líder norte-coreano terminou antes do previsto e sem nenhum acordo, e muito menos um avanço que poderia levar as negociações a ultrapassarem o impasse.

Pyongyang fez sua primeira avaliação pública da reunião na sexta-feira, com a vice-chanceler Choe Son-hui, que participou das negociações, acusando altos funcionários da equipe de Trump de derrubar o presidente e trazer "uma atmosfera de hostilidade e desconfiança" para a mesa, relatou a Agência Associated Press.


A delegação norte-coreana chegou a Hanói com uma proposta realista de que os EUA levantem algumas sanções econômicas como um gesto de reconhecimento da moratória de 15 meses de Pyongyang em testes nucleares e de mísseis balísticos, afirmou Choe a diplomatas e jornalistas.

Trump expressou para Kim que ele estava disposto a mostrar flexibilidade durante uma reunião cara-a-cara. Mas, mais tarde, o secretário de Estado Mike Pompeo e o conselheiro de segurança nacional John Bolton interferiram, exigindo a desnuclearização completa antes que qualquer sanção fosse suspensa, o que os norte-coreanos acharam "um grande absurdo".

"Quero deixar claro que a posição de gângster dos EUA acabará por colocar a situação em perigo. Não temos nem a intenção de nos comprometer com os EUA de nenhuma forma, nem muito menos o desejo ou o plano de conduzir esse tipo de negociação", declarou.

Choe criticou Trump por reivindicar em uma coletiva de imprensa após as negociações terem naufragado por que Pyongyang queria que todas as sanções fossem suspensas — uma alegação que o Departamento de Estado dos EUA admitiu mais tarde não ser precisa.

"O que está claro é que os EUA jogaram fora uma oportunidade de ouro desta vez", revelou. "Não sei por que os EUA divulgaram essa descrição diferente. Nós nunca pedimos a remoção de sanções na sua totalidade".

Ela acrescentou que, após o encontro, Kim Jong-un questionou se faz sentido realizar uma nova cúpula. O líder norte-coreano agora decidirá se ele concordará em mais conversas com Trump e se manterá a moratória nos testes, disse a diplomata. Uma declaração oficial sobre o assunto virá em breve.


No entanto, Choe também teria dito que "as relações pessoais entre os dois líderes supremos ainda são boas e a química é misteriosamente maravilhosa", mantendo a perspectiva de futuras conversações.

O tom do Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Norte, destacando a falta de progresso na implementação da questão da desnuclearização, está em contraste gritante com a retórica muito mais otimista do representante especial dos EUA para a Coreia do Norte, Stephen Biegun.

O enviado dos EUA disse na segunda-feira que a diplomacia com Pyongyang "ainda está muito viva", e expressou a esperança de que Washington seja capaz de manter um "compromisso próximo" com a Coreia do Norte, apesar do recente revés da cúpula. Ele, no entanto, não ofereceu detalhes sobre se uma nova rodada de negociações está sendo planejada.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019031613505379-coreia-do-norte-retomada-testes/

Trump e Kim em Hanoi a mangar?

DomingosLopes

Domingos Lopes

Por muito que o multibilionário Trump, atual Presidente dos EUA, tenha uma visão errática da política, navegando consoante os seus impulsos, é de crer que para fazer a viagem a Hanoi para se encontrar com Kim Jong Un, o suserano da Coreia, neto do grande líder e filho do querido dirigente, tenha ouvido opiniões de outros dirigentes, a começar por Michael Pompeo, atual Secretário de Estado e ex-chefe da CIA.
Ao que parece todos concordaram que Trump não podia estar no país no momento em que o Cohen lhe chamou “vigarista”, “racista” e “mentiroso”. Nada que se pudesse imaginar…
Por essa razão apostaram numa Cimeira que captasse a atenção dos media por uma excelente razão – um acordo com a Coreia do Norte.
Embalado por esse cenário Trump aterrou no “Air Force One” em Hanoi, a capital do arqui-inimigo de outrora, o país que infligiu aos EUA a mais humilhante derrota; talvez, por isso, escolheu o Vietnam para mostrar a Kim a face da reconciliação.
Trump tinha para oferecer a Kim investimentos para fazer da Coreia do Norte uma potência única e, em troca, receberia o único poder negocial que o negociador tinha, a destruição do seu arsenal nuclear.
Trump, o promitente vendedor de uma quimera, pretendia que o promitente-comprador dessa quimera em troca lhe entregasse tudo o que tinha para fazer valer a sua força negocial.
Trump, um habilidoso vendedor de campos de golf, de resorts, de torres, na linha do nosso Xavier de Lima, enquanto Presidente dos EUA, imaginou que se prometesse a Kim Jong Un o céu, ele lhe daria em troca tudo oque ele queria.
Tratava-se, na verdade, de uma conceção muito própria de um homem de grandes negócios, mas pouco consentânea com uma negociação diplomática em que do outro lado está o representante de um povo milenar que cultiva e exacerba o nacionalismo coreano.
O problema da península coreana é bem mais complexo que o raciocínio da Trump. Do lado sul da Coreia, os EUA continuariam carregados de armas nucleares e de tropas e o norte ficaria a vê-las e à espera que chegasse a carrada de notas para investir no país das manhãs serenas …
Trump foi a Hanoi à procura de algo que muito dificilmente obteria, nem que passasse a vida a elogiar o homem de quem tão mal disse.
Kim, que tinha ameaçado afundar os EUA num mar de fogo, aceitou ir ao encontro do homem mais poderoso do mundo e ficar lado a lado para a posteridade.
Não era o bastante para ele largar o arsenal nuclear. Mas era o suficiente para ajudar o homem que tanto o elogia e aceitar aquela data, muito longe do depoimento de Cohen. A mangar parece que se entenderam os dois.

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2019/03/04/trump-e-kim-em-hanoi-a-mangar/

POR QUE MOTIVOS FALHARAM AS CONVERSAÇÕES TRUMP-KIM EM HANOI?

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Artigo de Manuel Baptista inicialmente publicado em:

https://ogmfp.wordpress.com/2019/03/01/por-que-motivos-falharam-as-conversacoes-trump-kim-em-hanoi/

A imprensa internacional «mainstream» apenas tem dado eco às declarações de Donald Trump, logo após o cancelamento brusco da cimeira: “Era basicamente acerca das sanções,” disse o Presidente Donald Trump aos repórteres após cessar as negociações com Kim Jong-un. “Queriam as sanções levantadas na íntegra e nós não podíamos fazer isto. Às vezes tem-se de abandonar conversações e foi exactamente o caso disso.”

As declarações de Ri Yong-ho, o ministro dos negócios estrangeiros da Coreia do Norte, afirmam circunstâncias bem diferentes: A Coreia do Norte pediu o levantamento parcial das sanções …“que tolhem a economia civil e os meios de subsistência do povo,” referindo partes de cinco resoluções da ONU de 2016 e de 2017. Existem, no total, 11 resoluções da ONU impondo sanções à Coreia do Norte. Além disso, o compromisso de Junho de 2018 deixava bem claro o que fazer de uma e outra parte e qual a sequência do processo. O Presidente Trump e o Secretário-Geral Kim Jong Un afirmam o seguinte: 1.  Os Estados Unidos (EUA) e a República Democrática Popular da Coreia (DPRK) comprometem-se a estabelecer relações de acordo com o desejo dos povos de ambos os países, pela paz e prosperidade. 2.  OS EUA e a DPRK juntarão seus esforços para conseguir uma paz duradoira e estável na Península Coreana. 3.  Reafirmando a declaração de Panmujom de 27 de Abril de 2018, a DPRK compromete-se a trabalhar em direcção à completa desnuclearização da Península Coreana. 4.  Os EUA e a DPRK comprometem-se a resgatar os restos mortais de prisioneiros de guerra e de soldados combatentes, incluindo o repatriamento imediato dos que já estão identificados.

Após oito meses, nem a abertura de embaixadas, nem um levantamento de sanções foi assinado. A Coreia do Norte destruiu túneis de teste de armas nucleares e uma rampa de testes nucleares. Alguns restos mortais de prisioneiros de guerra/soldados foram repatriados. Mas do lado dos EUA não houve quaisquer medidas que correspondessem ao cumprimento dos seus compromissos.

A «cereja no bolo» foi o aparecimento extemporâneo de John Bolton, o conselheiro de segurança de Trump, que teria – segundo a imprensa sul coreana – feito exigências suplementares sobre destruição de armas químicas e biológicas da Coreia do Norte – o que, manifestamente, não se encontrava na agenda – perto do final das conversações, tendo por objectivo fazer capotar a hipótese de um acordo.

A opinião pública sul coreana reagiu com desânimo e incredulidade ao comportamento leviano, que atribui à delegação dos EUA.

Resta compreender como e porquê, o Presidente Trump está mais preocupado em agradar ao ramo mais conservador e belicista da Administração, do que ao seu próprio eleitorado. Tem-se a sensação de que o Presidente ficou refém do «Estado profundo», não podendo satisfazer as promessas eleitorais de que iria descomprometer os EUA de teatros bélicos pelo mundo fora, concentrando-se antes na defesa das suas próprias fronteiras.


Leituras complementares:

https://www.moonofalabama.org/2019/02/trump-sticks-to-sanctions-us-north-korea-summit-fails.html

https://www.rt.com/news/452693-halt-nuclear-sanctions-korea/

https://www.rt.com/news/452717-gabbard-north-korea-nukes/

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Kim pode mudar de ideia sobre dialogar com Trump, revela diplomata norte-coreana

O líder norte-coreano Kim Jong-un durante seu encontro com o presidente dos EUA Donald Trump
© REUTERS / Leah Millis

A vice-ministra de Relações Exteriores da Coreia do Norte, Choi Sun-hee, não descarta a possibilidade de que o líder norte-coreano Kim Jong-un possa mudar de ideia sobre as negociações de desnuclearização com os Estados Unidos, informou a mídia sul-coreana nesta sexta-feira.

Choi afirmou em uma entrevista à agência de notícias Yonhap e outros meios de comunicação sul-coreanos que ela tinha "o presidente Kim estava mudando gradualmente sua opinião" sobre manter um diálogo com Washington.

A diplomata ressaltou, no entanto, que era sua opinião pessoal.


Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontraram na capital vietnamita, Hanói, no começo da semana, para sua segunda cúpula sobre a desnuclearização da península coreana, que terminou sem acordo.

Após a cúpula de Hanói, Trump disse que decidiu abandonar a reunião depois que o líder norte-coreano exigiu alívio total das sanções antes da desnuclearização.

Enquanto isso, o ministro de Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, declarou que após a cúpula a Coreia do Norte fez propostas realistas, incluindo o desmantelamento de seu complexo nuclear de Yongbyon, em troca de um levantamento parcial das sanções.

Os dois países deixaram em aberto a possibilidade de uma terceira cúpula, porém não há qualquer prazo para que isso ocorra no futuro.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019030113414938-kim-dialogo-eua/

Trump escreve que conversas com Kim Jong-un foram 'muito produtivas'

U.S. President Donald Trump shakes hands with North Korea leader Kim Jong Un at the Capella resort on Sentosa Island Tuesday, June 12, 2018 in Singapore.
© AP Photo / Evan Vucci

O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a reunião que teve com o líder norte-coreano Kim Jong Un, no Vietnã, e disse que as conversas foram muito produtivas.

"Grandes reuniões e um jantar hoje à noite em Vientam com Kim Jong Un da Coreia do Norte", disse o presidente dos EUA em sua conta no Twitter, acrescentando: "Muito bom diálogo, ele recomeça amanhã!".


Trump e o Kim Jong-un se encontraram nesta quarta-feira (27) em Hanói, no Vietnã. Uma reunião a sós seguida por um jantar com assessores marcaram o início desta segunda cúpula com os dois líderes, que vai durar dois dias.

​Kim e Trump se encontraram no hotel de estilo colonial francês Sofitel Legend Metropole às 18h30 horário local (8h30 em Brasília).

Kim elogiou o que chamou de "corajosa decisão política" de Trump de promover esse segundo encontro.

"Fomos capazes de superar todos os obstáculos e estamos aqui hoje. Estou certo de que um resultado será alcançado desta vez, e será bem recebido por todas as pessoas. Eu farei o meu melhor para que isso aconteça", declarou Kim Jong-un.

Após um breve pronunciamento à imprensa, eles seguiram sozinhos para um encontro de cerca de vinte minutos. Depois, eles seguiram para um jantar de trabalho, acompanhados por assessores.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019022713400411-trump-kim-jong-un-produtivas/

Coreia do Norte quer progresso mais firme com EUA na cúpula de Trump-Kim

Preparativos para a cúpula Trump-Kim em Hanói, Vietnã
© REUTERS / Athit Perawongmetha

No segundo encontro histórico entre o líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autoridades norte-coreanas esperam "consolidar progresso suficiente" com Trump, analisou o radialista Brian Becker à Rádio Sputnik Internacional.

"O que os norte-coreanos gostariam é de [ganhar] impulso suficiente no futuro, de modo a evitar o que aconteceu no início dos anos 2000, onde qualquer tipo de movimento em direção à paz era basicamente destruído por algum outro força política em Washington", disse Becker ao programa Loud & Clear, da Sputnik Radio, na terça-feira.


"Os norte-coreanos lembram que o ex-presidente Bill Clinton quase normalizou as relações com a República Democrática Popular da Coreia no ano 2000… e então os EUA tinham um novo governo, o então presidente George W. Bush, e ele torpedearam, sabotaram", continuou.

Trump e Kim devem se reúnem em 27 e 28 de fevereiro em Hanói, no Vietnã. A segunda reunião da dupla acontece menos de um ano depois de se encontrarem inicialmente em Singapura, em junho de 2018.

A reunião de 2018 foi concluída com uma declaração de quatro pontos que abriu o caminho para renovadas relações bilaterais e a desnuclearização da Península Coreana, entre os outros objetivos dos líderes.

Reportando de Hanói, Becker especulou que Kim procura ver se Trump tem "autoridade suficiente para seguir em frente" com as negociações "em face dos ventos contrários em Washington dos Republicanos, dos Democratas e do Pentágono".


Além disso, Becker observou que a cúpula deve resultar em uma definição do que exatamente significa desnuclearização para a Península Coreana, além de uma declaração do que os Estados Unidos estão dispostos a oferecer à Coreia do Norte por sua cooperação.

"Se [a Coreia do Norte] puder sair disso com algo mesmo que simbólico… Uma declaração de que a Guerra da Coreia terminou, acho que eles sentirão que alcançaram seu objetivo primário [na cúpula]", disse ele.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019022613393810-kim-coreia-norte-eua-trump/

Desnuclearização vem aí? Kim Jong-un chega ao Vietnã para segunda cúpula com Trump

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, dividem a tela
© AP Photo / Ahn Young-joon

O líder norte-coreano Kim Jong-un chegou ao Vietnã nesta terça-feira (hora local) para uma cúpula com o presidente dos EUA, Donald Trump, na qual eles tentarão chegar a um acordo sobre a promessa coreana do país de desistir de seu programa de armas nucleares.

Trump deve chegar na capital vietnamita, Hanói, na noite desta terça-feira.

Trump se encontrará com Kim para uma breve conversa cara a cara na quarta-feira à noite, seguido de um jantar social, no qual cada um será acompanhado por dois convidados e intérpretes, disse a porta-voz da Casa Branca Sarah Sanders na aeronave presidencial Air Force One.

Ela acrescentou que isso seria seguido por mais reuniões entre os dois líderes na quinta-feira.


As conversas entre os dois líderes vêm oito meses depois de sua histórica cúpula em Singapura, a primeira entre um presidente dos EUA e um líder norte-coreano.

Embora não exista uma expectativa real de que o segundo encontro traga um acordo final para livrar a Coreia do Norte de armas nucleares que ameaçam os Estados Unidos, há algumas esperanças de que isso possa levar a um acordo de paz que se espera desde o fim da Guerra da Coreia, que durou entre 1950 e 1953.

Mas os Estados Unidos esperariam um movimento significativo de Kim em direção à desnuclearização em troca.

Em Singapura, Kim se comprometeu a trabalhar para a desnuclearização completa da península coreana, mas o vago acordo alcançado produziu poucos resultados concretos. Senadores democratas e autoridades de segurança dos EUA alertaram Trump contra o corte de um acordo que faria pouco para conter as ambições nucleares da Coreia do Norte.

Kim, viajando da capital norte-coreana de trem, chegou à estação na cidade vietnamita de Dong Dang depois de atravessar a fronteira da China, disseram testemunhas à Agência Reuters na estação.

Oficiais vietnamitas estavam presentes para recebê-lo na estação com um tapete vermelho, incluindo uma guarda de honra e bandeiras norte-coreanas e vietnamitas voando. Kim deixou o trem em Dong Dang e partiu em 170 km (105 milhas) até a capital, Hanói, de carro.

Kim e Trump também devem manter conversações separadas com líderes vietnamitas.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, também chegou a Hanói na terça-feira, disse um repórter que viajava com ele.

Pompeo tem sido o principal enviado de Trump em seus esforços para melhorar os laços com a Coreia do Norte e fez várias viagens a Pyongyang para negociar medidas para acabar com seu programa nuclear.

'Cúpula tremenda'

Trump disse aos repórteres que ele e Kim teriam "uma cúpula tremenda". Em um tweet nesta segunda-feira, ele ressaltou os benefícios para a Coreia do Norte se desistir de suas armas nucleares.

"Com a total desnuclearização, a Coreia do Norte se tornará rapidamente uma potência econômica. Sem ela, apenas mais do mesmo. O presidente Kim tomará uma decisão sábia!" argumentou Trump.

Em um discurso no domingo à noite, Trump, no entanto, pareceu minimizar qualquer esperança de um grande avanço na cúpula de Hanói, dizendo que ele ficaria feliz enquanto a Coreia do Norte mantivesse sua pausa no teste de armas.

"Não estou com pressa. Não quero apressar ninguém", afirmou. "Eu só não quero testar. Enquanto não houver testes, estamos felizes".

A Coreia do Norte realizou seu último teste nuclear em setembro de 2017 e, pela última vez, testou um míssil balístico intercontinental em novembro de 2017.

Um porta-voz da Coreia do Sul disse a repórteres em Seul na segunda-feira que os dois lados podem concordar com o fim da Guerra da Coreia, que terminou em um armistício e não em um tratado de paz.

Enquanto um tratado formal de paz pode estar muito distante, os dois lados discutiram a possibilidade de uma declaração política declarando que a guerra acabou.

"A possibilidade está aí", disse Kim Eui-kyeom, porta-voz da Coreia do Sul.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019022513386839-kim-chega-vietna/

Negociações secretas em Estocolmo

Diplomatas estado-unidenses e norte-coreanos estão reunidos há dois dias na capital sueca, em encontro mediado pelo governo daquele país nórdico.

Polícias vigiam instalações, nos arredores de Estocolmo, Suécia, onde representantes dos EUA, Coreia do Norte e Coreia do Sul se enconran reunidos, a 20 de Janeiro de 2019.CréditosEPA/ANDERS WIKLUND SWEDEN OUT / LUSA

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Diana Kudhaib, declarou que as delegações incluíam o enviado especial dos EUA para a Coreia do Norte, Steven Biegun, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Chue Son Hui, e a própria ministra dos Negócios Estrangeiros sueco, Margot Wallstrom.

A Suécia tem relações diplomáticas com Pyongyang desde 1973 e é um dos poucos países ocidentais a aí manter uma embaixada, a qual presta serviços consulares aos EUA, segundo a Associated Press (AP). Foi Margot Wallstrom que, em Março de 2018, reuniu em Estocolmo com o ministro dos Negócios Estrangeiros da RPDC, Ri Yong Ho, num encontro preparatório da cimeira de Singapura entre Donald Trump e Kim Jong Un, em Junho.

A reunião que está a decorrer em Estocolmo segue-se à entrega ao presidente King Jong Hun, em mão própria, de uma carta do presidente Donald Trump, e sugere que os EUA e a RPDC estão mais próximos de um compromisso, depois de um impasse que se prolongou ao longo de muitos meses.

Recentemente o presidente Kim fez uma visita surpresa a Pequim para se reencontrar com o presidente chinês Xi, sugerindo um papel importante para a China em qualquer plano de desnuclearização da península coreana.

A Coreia do Sul tem vindo a discutir com os EUA a necessária correspondência aos passos de desnuclearização da RPDC, nomeadamente o desmantelamento do complexo de mísseis intercontinentais (ICBM) dos EUA em Yongbyon, na Coreia do Sul, afirma a Reuters, citando fontes oficiais sul-coreanas.

Cheong Seong-chang, investigador do Instituto Sejong (Coreia do Sul) referiu àquela agência noticiosa que, num segundo encontro entre os presidentes dos EUA e da RPDC, teria de se encontrar um equivalente para a abolição por Pyongyang disponível dos seus mísseis ICBM», o qual seria, na opinião do investigador, «desmantelar o complexo de Yongbyon».

Na terça-feira passada Pyong Yang e Seul deram um passo mais na aproximação registada após a histórica cimeira de Panmunjom, de Abril de 2018, e da cimeira de Pyong Yang, em Setembro: a Coreia do Sul concordou em deixar de chamar «inimigo» à Coreia do Norte no seu documento bienal de Defesa, reporta a AP.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/negociacoes-secretas-em-estocolmo

Coreia do Sul deixa de rotular norte-coreanos como 'inimigos'

Presidente sul-coreano Moon Jae-in e líder norte-coreano, Kim Jong-un, durante cerimônia de boas-vindas no Aeroporto Internacional Sunn em Pyongyang, na Coreia do Norte
© AP Photo / Pyongyang Press Corps Pool

A Coreia do Sul passou a rotular a Coreia do Norte como “inimigo” em 1995, expondo a tensão entre ambos os países.

As terminologias são utilizadas como uma fonte de hostilidade entre as Coreias, com o Norte é utilizada como provocação, demonstrando o quão "hostil" é Seul. Entretanto, essa é a primeira vez desde 2010 que o Livro Branco de Defesa sul-coreano não rotula a Coreia do Norte como "inimigo".


O Ministério da defesa sul-coreano afirmou que as armas de destruição em massa da Coreia do Norte continuam sendo uma ameaça à "paz e segurança na península coreana", mas, na realidade, o relatório de 2016 descrevia ataques cibernéticos e provocações militares como as principais ameaças para a segurança do país.

Segundo o ministério, o rótulo de "inimigo" ou de "principal inimigo" não está ligado apenas às ameaças norte-coreanas, mas também outras ameaças não militares.
Esse é o primeiro Livro Branco a ser divulgado pela administração do presidente Moon Jae-in, que assumiu o cargo em maio de 2017 e reaproximou ambas as Coreias, segundo o portal Bloomberg.

A divulgação do relatório surgiu no momento em que os líderes dos EUA e da Coreia do Norte tentam realizar um segundo encontro, no qual, Kim Jong-un pretende obter resultados que ajudem na resolução do impasse nuclear na península coreana.

Além disso, o relatório é concluído com a afirmação de que o líder norte-coreano concordou estabelecer uma nova relação com os EUA, além da "total desnuclearização" durante a cúpula de junho, onde se encontrará com Trump.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

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Kim Jong-un visita a China a convite de Pequim

In this photo provided Wednesday, March 28, 2018, by China's Xinhua News Agency, North Korean leader Kim Jong Un, left, and Chinese President Xi Jinping shake hands in Beijing, China.
© AP Photo / Ju Peng

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, chegou à China nesta segunda-feira (7) após ser convidado pelo presidente chinês, Xi Jinping. A visita marca o 4º encontro entre os líderes asiáticos.

Apesar de que não está claro qual será o tema do encontro, espera-se que ambos discutam o desenvolvimento das negociações entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump.

O jornal The New York Times divulgou mais cedo que um trem foi visto viajando por Dandong, cidade chinesa na fronteira com a Coreia do Norte. A publicação ressaltou que uma segurança reforçada foi colocada ao redor da cidade. Os hotéis na região se recusaram a receber hóspedes durante o período em que trem foi visto.

Kim e Xi se encontraram anteriormente em três oportunidades ao longo de 2018. As reuniões foram realizadas antes dos encontros históricos com Donald Trump e o presidente da Coreia do Norte, Moon Jae-in. 

DETALHES A SEGUIR

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Impasse vem aí? Trump negocia nova cúpula com Kim, mas descarta fim de sanções

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, passeiam após um almoço de negócios no âmbito da cimeira em 12 de junho de 2018, em Singapura
© AP Photo / Evan Vucci

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse neste domingo que as negociações estão em andamento na localidade de sua próxima cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong-un, embora permaneça evasivo sobre o momento em que vá ocorrer.

Trump, que realizou uma cúpula histórica com Kim em Singapura em junho, disse no início da semana que recebeu uma "grande carta" do líder norte-coreano, mas se recusou a revelar seu conteúdo.


"Estamos negociando um local", declarou ele a repórteres antes de embarcar em um helicóptero para o retiro presidencial em Camp David, em Maryland, onde afirmou que estaria discutindo um acordo comercial com a China.

"Isso será anunciado provavelmente em um futuro não muito distante", afirmou Trump sobre um encontro com Kim. "Eles querem se encontrar e queremos nos encontrar e vamos ver o que acontece".

"Com a Coreia do Norte, temos um diálogo muito bom", acrescentou Trump, dizendo que ele "falou indiretamente" com Kim.

A última carta de Kim veio depois que o líder norte-coreano advertiu em um discurso de Ano Novo que Pyongyang pode mudar sua abordagem às negociações nucleares se Washington persistir com sanções.

Trump comentou neste domingo que as sanções continuam "em pleno vigor e efeito" e o farão até que os Estados Unidos tenham resultados "muito positivos".

Na primeira cúpula entre os adversários de longa data, em junho, Trump e Kim concordaram em trabalhar para a desnuclearização da península coreana, mas com pouco acordo aparente sobre o que isso significa.

Os Estados Unidos pressionam para que a Coreia do Norte se livre de suas armas nucleares antes de qualquer pressão econômica.

Kim, cuja família governa a Coreia do Norte com mão de ferro há 70 anos, quer benefícios econômicos imediatos e um fim formal para a Guerra da Coreia (1950-53).


Trump fez sua primeira cúpula com Kim como uma grande vitória diplomática, e no domingo repetiu sua afirmação de que haveria uma guerra na Ásia se eles não se sentassem para conversar.

"Qualquer outra pessoa além de mim, você teria estado em guerra agora […] Você neste momento teria estado em uma boa e gorda guerra na Ásia com a Coreia do Norte se eu não tivesse sido eleito presidente".

Mas o progresso estagnou desde a cúpula de Singapura, com os dois lados discordando sobre o significado de sua declaração vagamente redigida, e o ritmo das negociações norte-coreanas desacelerou, com reuniões e visitas canceladas a curto prazo.

Culminando no final de 2017, o Norte realizou seis explosões atômicas e lançou foguetes capazes de atingir toda a parte continental dos Estados Unidos, mas agora não realizou esses testes por mais de um ano.

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China apoia continuação do diálogo entre EUA e Coreia do Norte

As pessoas andam de bicicleta passando por um teção transmitindo a reunião do líder norte-coreano Kim Jong Un e do presidente chinês Xi Jinping durante uma cerimônia de boas-vindas no Grande Salão do Povo em Pequim, terça-feira, 19 de junho de 2018.
© AP Photo / Andy Wong

Pequim apóia as ações de Washington e de Pyongyang com o objetivo de promover a desnuclearização da península coreana e melhorar as relações, disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Lu Kang.

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que espera encontrar-se com o líder norte-coreano Kim Jong-un, que em uma mensagem por ocasião de Ano Novo expressou sua vontade de realizar um encontro com Trump a qualquer momento.


Lu enfatizou que Pequim "apóia a Coreia do Norte e os EUA, assim como Seul e Pyongyang, em seu desejo de manter a dinâmica positiva da cooperação para fortalecer ainda mais a confiança mútua e melhorar as relações entre os países".

O diplomata chinês destacou mudanças positivas na situação da península coreana e nas relações entre as duas Coreias em 2018.

"A China apóia Pyongyang na implementação das medidas importantes para a desnuclearização da península coreana", disse ele.

O ano de 2018 foi marcado pela desnuclearização da península coreana.

Em 12 de junho, em Singapura, uma cúpula histórica foi realizada entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte.

A reunião resultou na assinatura de um documento conjunto no qual ambas as partes confirmaram sua disposição de estabelecer relações bilaterais.

O líder norte-coreano reafirmou seu compromisso com a desnuclearização total da península coreana, enquanto o presidente dos EUA prometeu garantias de segurança a Pyongyang.

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Em gesto de boa vontade, Coreias trocam tangerinas e cogumelos

Presidente sul-coreano Moon Jae-in e líder norte-coreano, Kim Jong-un, durante cerimônia de boas-vindas no Aeroporto Internacional Sunn em Pyongyang, na Coreia do Norte
© AP Photo / Pyongyang Press Corps Pool

A Coréia do Sul trocará milhares de caixas de tangerinas por grandes remessas de cogumelos da Coreia da Norte.

Seul informou que enviará 200 toneladas de tangerinas para a Coreia do Norte na segunda-feira (12) à tarde.

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul disse que aviões militares já começaram a transportar as tangerinas e que a transferência será completada na segunda. 


Após as negociações de cúpula inter-coreana de setembro em Pyongyang, a Coreia do Norte deu à Coreia do Sul 2 toneladas de cogumelos como um gesto de boa vontade.

A troca de mercadorias mostra uma tentativa das Coreias de avançar nas negociações apesar de uma paralisia do diálogo no campo da diplomacia mundial. 

A Coreia do Norte recentemente adiou negociações de alto nível com os Estados Unidos.

 

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Coreia do Norte ameaça retomar produção de armas nucleares se EUA não acabarem com sanções

Teste de míssil norte-coreano Hwasong-12 (foto de arquivo)
© REUTERS / KCNA

A Coreia do Norte pode retomar a construção de seus arsenais nucleares se as sanções econômicas dos EUA continuarem em vigor, declarou o governo norte-coreano em meio a negociações diplomáticas sobre o futuro das negociações de paz coreanas.

"Se os EUA continuarem se comportando de forma arrogante sem apresentar qualquer mudança em sua posição, a Coreia do Norte pode recomeçar a construção de forças nucleares", disse Pyongyang na sexta-feira à noite em um comunicado divulgado pela agência estatal.


Acredita-se que a Coreia do Norte tenha obtido plutônio suficiente para munir dezenas de ogivas nucleraes. A Coreia do Sul acredita que seu vizinho do Norte pode ter desenvolvido entre 20 e 60 armas nucleares, segundo dados de inteligência citados por um alto funcionário em Seul.

Relatos anteriores afirmavam que Pyongyang tinha pelo menos 8 bombas. No auge das tensões na península coreana, o Norte se gabava de ter desenvolvido uma avançada bomba de hidrogênio e mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) capazes de atingir todo o continente americano.

O comunicado de sexta-feira se conteve pouco antes de ameaçar afastar-se das negociações com os EUA, mas mesmo assim disse que a "melhora das relações e sanções é incompatível". A questão das sanções econômicas veio à luz novamente nesta sexta-feira, como o secretário de Estado Mike Pompeo ofereceu sua opinião sobre as próximas ações em direção a Pyongyang.

Falando na rede Fox News, Pompeo disse que "manteremos a pressão econômica até que o presidente Kim [Jong-un] cumpra o compromisso que assumiu com o presidente [Donald] Trump em junho, em Singapura".

Simultaneamente, Pompeo lançou alguma luz sobre a próxima reunião com o oficial norte-coreano Kim Yong-chol na semana que vem, dizendo que vai girar em torno de uma segunda cúpula entre Trump e Kim.

"Os EUA pensam que suas repetidas sanções e pressões levam à 'desnuclearização'. Não podemos deixar de rir de uma ideia tão tola", informou o comunicado norte-coreano.


Restrições contra o Norte aumentaram o conflito entre Washington e Seul. A Coreia do Sul ofereceu ajuda financeira e econômica ao Norte depois que as sanções foram suspensas. O presidente Moon Jae-in, por sua vez, prometeu que Seul ajudará Pyongyang a reconstruir estradas e ferrovias como um primeiro passo para consertar os laços entre os vizinhos.

Além disso, a Coreia do Sul considerou levantar suas próprias sanções econômicas destinadas a forçar a Coreia do Norte a abandonar suas armas nucleares. No início de outubro, a ministra de Relações Exteriores sul-coreana Kang Kyung-wha sugeriu que Seul estava disposto a levantar as restrições como um gesto de boa vontade em direção ao Norte.

Os planos sul-coreanos receberam uma forte repreensão dos EUA. "Eles não farão isso sem nossa aprovação. Eles não fazem nada sem a nossa aprovação", comentou Trump sobre os comentários de Kang. Autoridades de Washington prometeram, mais uma vez, manter um esforço de "pressão máxima" até que o Norte se desnuclearize.

 

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Kim Jong-un chama inspetores para comprovar fim do polígono nuclear

Diretor da CIA, Mike Pompeo, cumprimenta o presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, em Pyongyang
© AP Photo / White House

O secretário de Estado dos EUA acredita que o encontro, que teve com o líder norte-coreano, deu bons resultados, sendo muito “produtivo”.

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, confirmou ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, a destruição "irrevogável" do polígono nuclear Punggye-ri, chegando a convidar inspetores para que visitem o polígono e confirmem a destruição, de acordo com declaração publicada no site do Departamento de Estado americano e citada pela agência norte-coreana KCNA.


Pompeo acredita que as negociações com o líder norte-coreano foram "produtivas". Ambas as partes decidiram "instruir suas equipes de trabalho" para que Trump e Kim venham a celebrar uma segunda cúpula em breve, para que, assim, possam executar por completo a declaração conjunta da cúpula de Singapura.

De acordo com o comunicado do Departamento de Estado dos EUA, "presidente Trump espera continuar reforçando confiança, estabelecida com líder Kim em Singapura, e vir a se reencontrar em breve".

Em junho, Donald Trump e Kim Jong-un se encontraram, firmando um acordo conjunto onde ambos se comprometeram a trabalhar na desnuclearização completa da península coreana.

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São tendências?

Num cenário político internacional com intervenções contraditórias, distinguir uma linha dominante, uma tendência uniforme, raramente é concretizável. A Síria e a Coreia são de análise obrigatória.

A guerra de agressão à Síria provocou centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados e refugiadosCréditosobservadoresxxi

Nas últimas semanas não param de intervir diferentes actores, com influências diversificadas, por vezes contraditórias, nos cenários políticos internacionais, dificultando a identificação de uma linha dominante futura, uma tendência uniforme, aspecto frequentemente desejado por analistas mas raramente verificáveis na realidade.

A confrontação entre diferentes sectores da administração norte-americana e a tentativa do impeachment de Trump por Obama e sectores dos partidos democráticos e republicanos mais belicistas; as relações entre as duas Coreias e da Coreia do Norte com os EUA; a expansão da influência da China na economia e infraestruturas da Ásia, África e América Latina; as tensões e a fragmentação dentro da União Europeia; a campanha dos sectores mais conservadores da Igreja contra o Papa Francisco; o esforço permanente de alguns governos para apoiarem terroristas que fazem tardar o fim da guerra na Síria e as tensões no Médio Oriente; as eleições dentro de dias no Brasil, são alguns dos factores que influenciam tendências de evolução.

Referimo-nos aqui hoje a dois deles.

Com a guerra na Síria com fim à vista, EUA e NATO insistem em escalar tensões

Há cerca de um mês, na parte terminal da guerra contra a Síria, em que os terroristas foram sucessivamente dizimados, fugiram para outros países ou se acantonaram na cidade de Idlib, concertaram-se as vontades de governos de vários países da NATO para fazerem, de novo, a História andar para trás.

Mas em cimeira do passado dia 16 de Setembro, entre Vladimir Putin e o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, ambos concordaram na instauração de uma «zona desmilitarizada» na província síria de Idlib, que será patrulhada pelas polícias militares turca e russa.

A zona desmilitarizada, que deve ser criada antes de 15 de Outubro, vai separar as posições das forças governamentais e das milícias da oposição e terá uma extensão entre 15 a 20 quilómetros.

O MI6 do Reino Unido, sob a direção de Theresa May, começou a encenar a vitimização de crianças num falso ataque químico.

Operacionais da sociedade Olive foram enviados para o local e armas químicas foram encaminhadas para a província de Idlib. Os Capacetes Brancos raptaram 44 crianças. O MI6 previa sacrificá-las e atribuir o seu assassínio a um ataque químico do Exército Árabe Sírio contra os «rebeldes».

O MI6 havia antecipadamente organizado a difusão desta intoxicação a partir do testemunho futuro de uma criança que chamou de Hala. Criou uma conta de Twitter em seu nome, a 29 de Julho, e uns trinta média subscreveram-na de imediato, esperando o seu sinal para começarem a operar Olhos sobre Idlib (Eyes on Idlib). Entre estes conta-se a BBC, a Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade, o BuzzFeed et o The Huffington Post. Tudo gente insuspeita…

Simultaneamente, o Pentágono deslocou para o Golfo o contra-torpedeiro The Sullivans, com 56 misseis de cruzeiro a bordo, e enviou um bombardeiro estratégico В-1B equipado com 24 misseis de cruzeiro ar-terra para a base aérea Al-Udeid, no Catar.

Se a responsabilidade da Primeira-ministra britânica Theresa May está clara em relação aos actos do MI6, ignora-se quem ordenou o destacamento militar dos EUA… onde o desrespeito pelas ordens do Presidente é recorrrente nos serviços secretos e na CIA. Emmanuel Macron, sempre a reboque, justificou a retoma da guerra perante os seus embaixadores reunidos em Paris.

Os autores deste plano sabem muito bem que já perderam a guerra se a considerarmos unicamente de um ponto de vista sírio. O seu novo objectivo parece ir bem para além disso. Trata-se para eles de provocar um conflito com a Rússia; isto é, uma guerra que se tornaria rapidamente mundial.

A Síria e a Rússia reagiram revelando os factos porque os seus serviços secretos não andam a brincar… E, por seu lado, a Rússia reforçou a sua presença militar ao largo da Síria, realizando mesmo grandes manobras militares.

O Departamento de Estado acabou por enviar o Embaixador James Jeffrey e um oficial da inteligência militar para acalmar os países da região e garantir a todos os seus interlocutores que Washington não se preparava para bombardear a Síria com um pretexto fabricado.

O parlamento alemão rejeitou a participação de Berlim numa agressão ocidental contra Damasco, contrariando a tendência da Ministra alemã da Defesa. Esta questão causou divisões na coligação que governa a Alemanha, com o SPD a descartar qualquer envolvimento em tal interferência, a menos que fosse aprovada pelas Nações Unidas. A Alemanha está sob pressão dos Estados Unidos para aumentar os seus gastos com a defesa e assumir mais responsabilidades no âmbito da NATO.

Tudo isto aconteceu em simultâneo com uma grande pressão sobre a Síria e a Rússia para não bombardearem Idlib ou, pelo menos, para evitarem mortes civis, e para abrirem saídas de fuga humanitárias da cidade e da região (Idlib é capital de uma região com o mesmo nome), com apoio aos refugiados de maneira a não deixarem degradar excessivamente as suas condições. Idênticos cuidados foram tomados na reconquista de outras cidades, apesar das encenações dos capacetes brancos da Sra. May.

Por cá os Senas Santos e tantos que tais foram verdadeiras carpideiras por uma causa não verificável no terreno, verdadeiros capacetes brancos ao serviço do MI6.

A Turquia é vizinha de Idlib e quer evitar refugiados. Por outro lado apoiou até agora um dos movimentos de oposição (a que chama moderado mas que se misturou já tanto com os outros que nenhum se distingue…). O PKK já não é um movimento curdo que confira perigosidade para a Turquia desde que se vendeu a serviços secretos ocidentais.

Estes grupos fustigaram, de forma imprudente, as forças sírias, como que a pedir resposta e destruíram mesmo quatro pontes para impedir a população de fugir, acentuando nesse gesto o carácter de refém daquela.

Os presidentes das duas Coreias reuniram-se de novo; e os EUA?

No passado 18 de Setembro, os presidentes das duas Coreias voltaram a reunir-se para implementar a Declaração de Panmunjom para a paz, a prosperidade e a reunificação da península da Coreia. Dois dias depois do fogoso John Bolton ter feito saber que um segundo encontro Donald Trump-Kim Jong-un, desejado pela Coreia do Norte, dependeria do cumprimento por esta da promessa da desnuclearização. Os dois chefes de Estado debateram agora a desnuclearização da península coreana e a possibilidade de retoma do diálogo entre a RPDC e os EUA.

Foi a terceira vez que os dois líderes coreanos se reuniram este ano, depois dos encontros de 27 de Abril e de 26 de Maio.

Na cimeira de Abril passado, Kim e Moon assinaram a Declaração de Panmunjom, visando alcançar a desnuclearização da península da Coreia, pôr fim às ações hostis de parte a parte, recomeçar as reuniões das famílias separadas pela guerra (1950-1953) e melhorar as relações bilaterais entre Pyongyang e Seul.

As imagens históricas do encontro de 13 de Junho entre os presidentes dos EUA e da Coreia do Norte ainda estão vivas na memória do mundo.

Para o presidente Donald Trump a reunião foi perfeitamente positiva, chegando a postar, no seu regresso a Washington, «a ameaça nuclear da Coreia do Norte não existe mais» e «durmam bem esta noite». Mas onde Trump viu apenas vitórias, a generalidade da grande imprensa que se lhe opõe apontou para incertezas e Obama quase lhe chamou traidor. Por outro lado, a imprensa da Coreia do Norte sublinhou que conseguiu importantes concessões dos Estados Unidos, como o fim dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul e a eliminação gradual das armas nucleares. E afirmaram que os Estados Unidos poderiam suspender as sanções contra a Coreia do Norte se a relação entre dois países melhorasse. O secretário de Estado, Mike Pompeo reconheceu que ainda há muito trabalho pela frente para acabar com as armas nucleares da Coreia do Norte. Irritado com as críticas da imprensa americana, Trump chegou a afirmar que «o grande inimigo do nosso país são as fake news».

Os líderes da República Democrática Popular da Coreia (RPDC) e da República da Coreia (RC), Kim Jong-un e Moon Jae-in, festejam as históricas decisões da cimeira realizada na Casa da Paz, em Panmunjom, a 27 de Abril de 2018. Da cimeira resultou a «Declaração de Panmunjom pela paz, prosperidade e reunificação da península coreana».CréditosFonte: Folha Vitória /

Já antes da primeira cimeira entre as duas Coreias, que se viria a realizar realizar em Panmunjon, na zona desmilitarizada da fronteira comum, o líder de Pyongyang declarou o fim de «todos os ensaios nucleares e do lançamento de mísseis balísticos intercontinentais. A viragem ocorreu no discurso de Ano Novo de Kim, em que este se apresentou disposto ao diálogo com a Coreia do Sul e abriu caminho à participação do seu país nos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados em Fevereiro no Sul, o que veio a suceder. Na imediata sequência dos Jogos, nos quais estiveram presente o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, e a filha do presidente Donald Trump, Ivanka, Kim sugeriu a realização de uma cimeira com o dirigente americano.

É conhecido nos meios diplomáticos que a prioridade de Kim não era o desenvolvimento do alcance dos seus mísseis nucleares mas sim o desenvolvimento da economia nacional, o progresso económico, chegar à normalização de relações com outros Estados e o reconhecimento da comunidade internacional.

Com uma economia sujeita a sanções internacionais, dependendo de mercados paralelos e de outros meios para se equipar na maioria dos sectores, a Coreia do Norte sofreu enormes bloqueios económicos que lhe limitaram o seu desenvolvimento.

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Coreias, a genuína aproximação e as ameaças

A aproximação entre as duas Coreias tem aspectos envolventes que ampliam a sua importância a um contexto regional que pode ter muito peso num mundo onde a unipolaridade se vai diluindo lentamente.

CréditosFonte: UAWire

O ambiente em que decorreu a recente visita do presidente da Coreia do Sul a Pyongyang e as decisões tomadas nas reuniões com o presidente da Coreia do Norte reflectem um novo clima realmente existente entre os governos dos dois países e que corresponde ao sentir dominante do povo único, separado artificialmente em dois territórios. A vontade popular, porém, conta pouco nestes assuntos, embora haja outros interesses, designadamente económicos e regionais, capazes de potenciar essa dinâmica de cooperação. Mas o sombrio pano de fundo que envolve estes passos desanuviadores persiste, pretenderá condicioná-los, no limite inviabilizá-los.

Se, em abstracto, os presidentes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul dispusessem de plenos poderes para negociar e incrementar as decisões que vão tomando, em reuniões onde parece prevalecer a boa-fé, poderíamos dizer que estávamos a assistir a uma transformação histórica. As provas dadas de ambos os lados são suficientes para transmitir a convicção de que, apesar das profundas diferenças de organização política entre o Norte e o Sul – correlacionadas, em grande parte, com condições históricas e estratégicas que entretanto se transformaram – haveria vontade e elementos de convergência para os dois países encontrarem maneira de conviver em paz e sem que o povo coreano estivesse dividido.

Este cenário, contudo, é artificial. Se é certo que a Coreia do Norte decide por si própria, embora procurando estar em sintonia com as principais potências regionais, China e Federação Russa, o mesmo não poderá dizer-se da Coreia do Sul – olhada por Washington como uma colónia, uma base militar estratégica e uma posição avançada para os seus intuitos dominadores sobre a Ásia. Para que não haja dúvidas de que assim é, o presidente dos Estados Unidos apressou-se a responder ao bom clima sentido em Pyongyang puxando de uma das suas armas favoritas: continuação das sanções. O recado ficou dado aos dois lados da Península, e a partir da tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Processos paralelos

Comparando o processo conduzido pelos presidentes Kim Jong-un (Coreia do Norte) e Moon Jae-in (Coreia do Sul) com outros momentos de aproximação já registados anteriormente poderá dizer-se que se pressente uma vontade genuína de encontrar maneiras de viver em paz.

A subjectividade, no entanto, conta pouco para uma análise. Se passarmos ao conteúdo das decisões já tomadas pelos dois chefes de Estado nas três recentes cimeiras, fica a certeza de que foram mais longe que nunca. As medidas militares de confiança como o anúncio do fim das manobras militares agressivas, o desmantelamento de instalações nucleares, o restabelecimento de comunicações entre famílias, sobretudo a criação de um gabinete de ligação em Kaesong, uma espécie de embaixada comum aos dois países, são passos inovadores, avanços jamais alcançados.

O que está a acontecer, de facto, desde a cimeira de Singapura entre Kim Jong-un e Donald Trump é a coexistência de dois processos paralelos nos quais parece não haver sintonia entre Seul e Washington – melhor dizendo, em que Moon Jae-in parece ir a uma velocidade não permitida por Donald Trump e, sobretudo, pelo Pentágono.

Há comportamentos que demonstram liminarmente o mau humor norte-americano perante os passos de aproximação dados por Pyongyang e Seul. Por exemplo, a tentativa de inviabilizar o funcionamento do gabinete de ligação de Kaesong, privando a região de energia porque assim o determinam as sanções norte-americanas; ou o aumento de patrulhas norte-americanas e australianas no Mar do Japão para impedir a transferência de combustíveis para navios norte-coreanos, operações necessárias para quebrar o bloqueio energético a que o país é submetido, sempre no âmbito das sanções.

O risco da existência de dois processos paralelos é o de que nunca mais se encontrem – prevalecendo assim o que tem por detrás a arbitrariedade e a força bruta do Pentágono. Pyongyang deixou a porta aberta para que os dois planos convirjam, mostrando disponibilidade para desmantelar a sua principal instalação nuclear, em Yongbyan, no caso de os Estados Unidos aceitarem desnuclearizar a península. Uma matéria em que a Coreia do Sul não tem, na realidade, voz activa, o que evidencia o paralelismo dos dois processos negociais. Dois, em boa verdade, é uma força de expressão, porque depois do show-off trumpiano de Singapura não pode afirmar-se que exista qualquer negociação séria entre Pyongyang e Washington.

Interesses que contam

Se bem que a aproximação entre as duas Coreias tenha as debilidades evidenciadas, existem aspectos envolventes que ampliam a sua importância a um contexto regional que pode ter muito peso num mundo onde a unipolaridade se vai diluindo lentamente.

90%

é a dependência da Coreia do Sul de energia importada

A abertura da Coreia do Norte, as suas conhecidas carências em termos de desenvolvimento e estruturas, é um incentivo aos investimentos da Coreia do Sul e também de outros países capazes de encarar os caminhos para a paz na península de maneiras menos condicionadas pelas exigências e as chantagens de Washington.

A questão energética é um dos interesses que pode dinamizar aproximações e contribuir para isolar renitências.

Ministros da Coreia do Sul não têm escondido, ao longo deste ano, o seu empenhamento no sentido de desenvolver as obras do oleoduto entre Vladivostok, na Rússia, e Seul, passando pela Coreia do Norte. A obra tem um impacto regional notável e grandes repercussões na península da Coreia, tanto no Norte como no Sul.

No Norte, porque as carências energéticas são dramáticas, sobretudo devido ao cerco internacional montado através de sanções.

No Sul, porque o território depende, em mais de 90%, de energia importada. A central nuclear do país tem vindo a ser desactivada desde a catástrofe de Fukushima. A maior parte da energia do território é assegurada através da importação marítima de gás liquefeito, o que eleva os preços ao consumidor até cerca do dobro dos praticados em média na União Europeia.

Percebe-se facilmente o potencial económico, para todas as partes, do abastecimento peninsular através de combustíveis russos1.

Por isso, Seul reactivou as negociações com a Gazprom russa pouco antes da cimeira entre Kim Jong-un e Donald Trump, um processo que tem vindo a ser acelerado ao ritmo dos avanços nas cimeiras coreanas.

«A maior parte da energia [da Coreia do Sul] é assegurada através da importação marítima de gás liquefeito, o que eleva os preços ao consumidor até cerca do dobro dos praticados em média na União Europeia»

Mesmo no caso de um recuo no entendimento entre as Coreias, o abastecimento da Coreia do Sul com petróleo russo poderia ser possível construindo o oleoduto através do Mar do Japão, sem passar pela Coreia do Norte. A actividade sísmica no percurso, porém, desencoraja esta opção e aconselha vivamente a passagem por terra, isto é, pela Coreia do Norte. Aliás, dois terços do percurso Vladivostok-Seul passam por território norte-coreano.

Tal como as transformações políticas, também as transformações económicas enfrentam um nó difícil de desatar: a colonização da Coreia do Sul pelos Estados Unidos. Se Washington tem patrocinado guerras, chantagens e tentativas de golpes de Estado para impedir o transporte de combustíveis russos para a Europa Central e Ocidental, porque não há-de fazê-lo na Coreia, estando a Rússia igualmente em jogo?

É genuína a aproximação entre as Coreias do Norte e do Sul. Mas até onde as ameaças a deixarão chegar?

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'Sem pressa': Trump revela estratégia para desnuclearizar a Coreia do Norte

Líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente dos EUA, Donald Trump
© AP Photo / Susan Walsh

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira que não quer apressar o processo de desnuclearização da península coreana.

"Eu não tenho que apressar", disse Trump. "Não estamos jogando o jogo do tempo. Se levar dois anos, três anos ou cinco meses, não importa".

Trump acrescentou que o ex-presidente norte-americano Barack Obama havia dito a ele que estava prestes a entrar em guerra com a Coreia do Norte.


Mais cedo nesta quarta-feira, o Departamento de Estado dos EUA informou em comunicado que a segunda cúpula entre Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un estará no topo de agenda do secretário de Estado do país, Mike Pompeo, durante sua viagem a Pyongyang em outubro, como parte dos esforços para desnuclearizar a península coreana.

Em 12 de junho, Trump e Kim realizaram sua primeira cúpula oficial em Singapura. Após a conclusão das conversações, os dois países assinaram um acordo bilateral delineando seu compromisso conjunto de trabalhar para a desnuclearização da península coreana.

No entanto, o acordo não especificou etapas ou prazos para quando a desnuclearização seria alcançada.

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Líderes da Coreia firmam acordo histórico em prol da desnuclearização

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o seu homólogo do Norte, Kim Jong-un, subscreveram uma declaração conjunta na Cimeira de Pyongyang determinante para a desnuclearização da Península da Coreia.

Moon Jae-in e Kim Jong-un, após a assinatura da declaração conjunta na Cimeira de Pyongyang, a 19 de Setembro de 2018Créditos / mainichi.jp

Esta quarta-feira, segundo dia da Cimeira inter-coreana em Pyongyang, os dois líderes firmaram uma declaração em que expressam a sua vontade de avançar para a paz, tornando a Península da Coreia uma «terra de paz, sem armas nucleares nem ameaças nucleares».

Numa conferência de imprensa conjunta subsequente ao encontro que mantiveram no formato de «tête-à-tête», o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, afirmou que «começou a era sem guerra». «Hoje, o Norte e o Sul decidiram remover todas as ameaças de toda a Península Coreana», disse.

Na ocasião, foi revelado que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, aceitou desmantelar de forma permanente o centro de testes nucleares de Tongchang-ri, com a presença de observadores estrangeiros durante esse processo, revela a PressTV.

Pyongyang decidiu também encerrar a instalação nuclear de Yongbyon, mas apenas quando os Estados Unidos «adoptarem as medidas correspondentes». No entanto, não ficou claro que medidas são essas.

Ao comentar os resultados da cimeira que ontem se iniciou na capital norte-coreana, Moon Jae-in disse que Seul e Pyongyang decidiram «erradicar a ameaça da guerra na Península da Coreia». Disse também que, tendo em conta o bom relacionamento de ambos os países, Kim Jong-un visitará Seul até ao final deste ano.


Afirmou ainda que ambos os mandatários desejam transformar a zona desmilitarizada que divide a Coreia numa área de paz, e que em breve terão início os trabalhos com vista à religação das vias férreas e rodoviárias entre o Norte e o Sul, algo que deverá estar concluído até ao final de 2018.

Entre as medidas adoptadas para reduzir a tensão na Península, prevê-se a criação de uma comissão conjunta, formada por representantes dos comandos militares de ambos os países, revela a RT.

Assinatura de um acordo militar

Os chefes da Defesa do Norte e do Sul firmaram um pacto militar, na presença de Kim Jong-un e Moon Jae-in, segundo foi comunicado à imprensa.

O acordo, subscrito pelo ministro da Defesa norte-coreano, No Kwang-chol, e o seu homólogo sul-coreano, Song Young-moo, contempla a criação de uma zona de 80 quilómetros, no Mar Amarelo e no Mar do Japão, onde não serão realizados exercícios militares.

Em torno da linha de demarcação que divide a Coreia será criada uma zona livre de exercícios militares terrestres e de fogo de artilharia. Também será criada uma zona de voo, de modo a evitar colisões entre aviões, e proceder-se-á à redução do número de postos fronteiriços.

«Uma era de paz e prosperidade»

No final do encontro, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou que o acordo alcançado nesta cimeira – a terceira entre ambos os líderes esta ano – permitirá «avançar para uma era de paz e prosperidade», e que o pacto militar contribuirá para a desnuclearização da Península.

Seul e Pyongyang decidiram ainda enviar uma delegação conjunta aos Jogos Olímpicos de 2020 e apresentar uma proposta comum para receber a competição em 2032.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Rússia saúda acordos alcançados na cúpula das Coreias

Assessoria de imprensa da Cúpula das Coreias
© AP Photo / Korea Broadcasting System

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou uma nota nesta quarta-feira (19) saudando os acordos firmados entre o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

"Aplaudimos os acordos alcançados durante as negociações entre os líderes da Coreia do Norte e do Sul em Pyongyang entre 18 a 20 de setembro", diz o comunicado publicado no site da chancelaria na quarta-feira.


O comunicado acrescenta que a Rússia, enquanto isso, "continuará contribuindo [para o diálogo coreano] no espírito dos acordos assinados pela Coreia do Norte e do Sul". 

Foi ressaltado também que Moscou pede que Washington "tome medidas construtivas dentro da estrutura da Declaração Conjunta dos líderes dos EUA e da Coreia do Norte de 12 de junho deste ano em resposta ao compromisso escrito com a Declaração de Pyongyang para desmantelar seu centro de lançamento de foguetes Sohae e as instalações nucleares em Yongbyon".

Nos últimos dois dias, a capital norte-coreana – Pyongyang – virou palco de uma cúpula entre as duas Coreias. Seul e Pyongyang decidiram interromper as manobras de artilharia de grande escala e voos militares perto da zona desmilitarizada para evitar incidentes, retirar militares da região, desarmar o pessoal do povoado fronteiriço de Panmunjeom, bem como criar nas zonas fronteiriças do mar Amarelo e do Japão uma faixa desmilitarizada onde não haverá nenhuma manobra militar.

 

 

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https://br.sputniknews.com/russia/2018091912249489-russia-coreia-norte-sul-acordo/

«ENTRE A CHINA E A COREIA» POR EDUARDO BAPTISTA

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Este pergaminho de caligrafia chinesa foi oferecido à escola pelo presidente sul-coreano Park Chung-Hee em 1969, Lê-se: “Coreia e China, amigos íntimos”. (韩中亲善)  

Á volta da capital sul-coreana de Seul, a influência da China é visível. Nos distritos centrais da cidade, empresas de consultoria de educação exibem cartazes gigantes que oferecem cursos que “garantem” levar os clientes, de um nível básico de Mandarim, até ao grau mais elevado do exame de proficiência em língua chinesa (HSK 6), tudo no intervalo de 30 dias.
Em Myeong-dong, o centro da indústria cosmética de Seul, vendedores sul-coreanos podem ser vistos a falar um chinês quase perfeito, enquanto tentam vender máscaras e perfumes aos milhares de turistas chineses, grande parte dos quais viaja para Coreia do Sul somente para comprar produtos cosméticos de alta qualidade.

Mas noutras paragens menos turísticas, é a vez dos imigrantes chineses fazerem a sua presença sentida. Tomando o metro em direcção sudoeste, chega-se ao bairro de Daerim-dong, conhecido por ter a maior concentração de imigrantes chaosienzu (朝鲜族), a minoria étnica coreana da China.
As principais ruas de Daerim-dong estão repletas de restaurantes que servem gastronomia de todas as regiões da China.

No entanto, um reduto da cultura e língua chinesas em Seul tem estado enfraquecido nas últimas duas décadas. Situada no distrito de Sodaemun, no noroeste da cidade, a Escola Secundária Chinesa de Seul foi estabelecida como escola básica em 1948, por um grupo de imigrantes chineses envolvidos no comércio sino-coreano. Depois do começo da Guerra da Coreia, a 25 de Junho de 1950, a escola foi rapidamente transferida para a Câmara de Comércio Chinesa de Busan, no sul da Península coreana. Mais tarde naquele ano, quando as forças sul-coreanas e da ONU foram encurraladas em Busan pelo exército norte-coreano, apoiado pelos soviéticos, a escola teve que ceder seu espaço para os soldados, transferindo-se para uma morada muito mais humilde: algumas tendas numas colinas situadas nos subúrbios de Busan. Após o fim da guerra, em 1953, a escola voltou para Seul, acrescentou o ensino secundário e em 1956 recebeu reconhecimento oficial do governo sul-coreano.

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A entrada da Escola Secundária Chinesa de Seoul. O poster rosa, no lado esquerdo, diz, em coreano, "Agora é a Era da China" numa tentativa de atrair mais alunos coreanos para o currículo chinês oferecido pela escola.

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Dois leões de pedra, uma característica comum da arquitectura imperial chinesa, flanqueiam as escadas que vão até o prédio principal da escola

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“Fiel, filial, trabalhador, parcimonioso”. Valores confucianos exibidos na entrada do edifício principal da escola

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Avisos bilingues passam pelo painel de LED da escola, exibindo frequentemente ditados confucianos como o da direita, "o valor da vida depende do que se contribui e não do que se adquire"

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Os “quatro laços sociais” do sistema de valores confucianos - propriedade, justiça, honestidade e senso de vergonha - pintados na parede

Os altos e baixos desta escola secundária têm sido ditados por mudanças históricas nas relações sino-coreanas. Como o actual director Yu Zhisheng explica, na época da sua fundação, a escola era propriedade da embaixada taiwanesa na Coreia do Sul, que a financiou na esperança de encorajar os alunos a mudarem-se para Taiwan depois de se formarem. A cidadania taiwanesa fazia parte do pacote oferecido aos jovens imigrantes, assim como uma bolsa para estudar numa universidade taiwanesa.

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Alunos e professores lamentam a morte de Chiang Kai-Shek, 6 de abril de 1975

O apoio financeiro do governo taiwanês foi decisivo no crescimento da escola. No final dos anos setenta, quando Yu era estudante, a escola atingiu o seu auge, com 2800 estudantes.
No entanto, após décadas de industrialização, a motivação inicial de Taiwan para financiar a escola começou a diminuir, trazendo uma diminuição gradual do financiamento governamental até 1992. Nesse ano, a decisão da Coreia do Sul de transferir o reconhecimento diplomático de Taiwan para a República Popular da China finalizou o corte de apoio económico à escola. Isto levou ao aumento anual das propinas que, no início dos anos 2000, ultrapassava a média das escolas privadas em Seul, causando uma diminuição gradual no número de estudantes; a escola hoje tem pouco mais de 500 alunos, o número mais baixo da sua história.

A escola teve que encontrar soluções para não entrar na insolvência. Perguntei a Yu porque é que o campo de futebol não tem relva sintética como a maioria das escolas secundárias coreanos: olhando para o chão, ele responde que foi decidido pelo Conselho de Administração há alguns anos que um campo de areia, por ser mais “natural” do que um campo relva sintética, teria uma melhor influência nos alunos, explicação que me parece ser desculpa para medidas de austeridade.
De qualquer maneira, a necessidade da escola encontrar alunos cujos pais estivessem dispostos a pagar as propinas levou o antecessor de Yu, Sun Shiyi a decidir em 2008 (quando o prestígio global da língua chinesa estava em ascensão), abrir a escola aos sul-coreanos e outros estrangeiros, que agora compõem cerca de vinte por cento do corpo estudantil.
Ainda assim, os problemas financeiros persistem, o que levou as instalações da escola a ficarem significativamente atrás dos concorrentes na mesma faixa de preço, como as escolas internacionais de estilo britânico ou americano.

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O campo de futebol da escola

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Muitas instalações na escola têm necessidade de renovação

A situação vulnerável da escola tornou a postura de neutralidade entre o governo comunista da República Popular da China e o governo democrático de Taiwan ainda mais necessária para a sua sobrevivência.
Desde 1992, Yu afirma que a escola seguiu “valores pluralistas, centrados na filosofia confuciana": a maioria dos professores são, como Yu, da República Popular e ninguém tem reservas sobre o uso de materiais escolares de Taiwan.
Quando representantes do governo taiwanês vêm em visita, Yu  recebe-os alegremente; quando a embaixada da República Popular da China convida a escola a participar no concerto de Ano Novo, Yu aceita sem hesitação.
A bandeira de Taiwan é erguida nos aniversários de Sun-Yat Sen e Chiang Kai-Shek, ao lado das suas estátuas, à frente do prédio principal da escola, mas nenhuma bandeira é içada quando o hino taiwanês é cantado todas as  segundas-feiras de manhã, depois da embaixada da República Popular da China ter tido uma “conversa amigável” com Yu.

 

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Estátuas de Sun Yat Sen (acima)
e de Chiang Kai Shek (abaixo)

na entrada principal da escola

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O declínio da escola parece estranho, dado os fluxos maciços de migração da China continental para a Coreia do Sul desde 1992. O número de imigrantes chineses, da China Continental, na Coreia do Sul aumentou 22,5 vezes entre 1990 e 2011. A KOSIS, o serviço de Informação Estatística da Coreia, revelou, no censo populacional mais recente dos residentes estrangeiros da Coreia do Sul, que 76% dos 245.000 imigrantes residindo em Seul são chineses, dos quais 71.4% são coreanos étnicos, ou chaosienzu (朝鲜族), 23.7% doutras etnias do Continente e 4,9% provenientes de Taiwan.

No entanto, uma análise mais detalhada dos imigrantes chineses em Seoul revela porque é que Yu continua a sentir dificuldades em aumentar o número de alunos matriculados. A maioria dos chaosienzu de Seul é composta por homens e mulheres solteiros que vêm para a cidade aproveitar-se dos salários relativamente altos oferecidos, para melhorar os padrões de vida das suas família no regresso à China. Quanto aos trabalhadores étnicos coreanos que adquirem vistos de residência permanente - como os proprietários de restaurantes de Daerim-dong - enviar os seus filhos para a escola coreana é a escolha lógica. A maioria dos jovens chineses da República Popular que decide morar na Coreia do Sul, chega a este país para estudos universitários, não do ensino secundário.

Preparar os alunos para competir com jovens coreanos, no exame ultra-competitivo de entrada universitária, conhecido como sunneung (修 能), tem sido o principal desafio da escola, na última década.
No ano passado, o "Diplomat" escreveu sobre o número crescente de estudantes chineses que escolhem frequentar as universidades sul-coreanas, apesar das dificuldades que enfrentam no estudo da língua coreana.
Para superar este problema, a escola criou um programa, há dez anos atrás, destinado a preparar estudantes chineses para o sunneung e o coreano de nível universitário.
Tanto Sun quanto Yu encorajaram os seus estudantes a considerar a possibilidade de se matricularem em universidades taiwanesas, devido ao seu processo de selecção ser menos competitivo, mas os pais temem que isso prejudique suas chances de encontrar emprego quando voltarem para a Coreia do Sul.

"Os estudantes e os seus pais estão tão preocupados em que não fiquem para trás, em comparação com os alunos coreanos, que estão sempre a pedir-nos para cancelar actividades relacionadas com a cultura chinesa, para terem mais aulas de preparação para o sunneung", afirma Yu, que tem persistentemente recusado acabar com aulas de caligrafia chinesa bi-semanais, bem como a viagem anual de "procura das raízes" na província chinesa de Shandong. Para Yu, a educação não pode centrar-se nos exames, especialmente, numa escola como a sua, que foi criada para ajudar os imigrantes chineses na Coreia do Sul a não esquecerem a sua cultura.

Cerca de 95% dos imigrantes chineses na Coreia do Sul, que não são etnicamente coreanos (chaosienzu), são de Shandong, incluindo Yu.

Quando a Coreia do Sul e a China se enfrentaram em Setembro do ano passado, devido à instalação na Coreia do Sul dos «THAAD», plataformas de defesa anti-mísseis com um radar poderoso, que Pequim temia fosse usada por Washington para espionar o espaço aéreo chinês, Yu sentiu-se deprimido; não por causa do conflito em si, mas porque as restrições de viagem subsequentes entre os dois países levaram ao cancelamento da viagem a Shandong.

Apesar da pressão académica, Yu está determinado a permanecer fiel às origens chinesas da escola. Num corredor, estão alinhadas fotografias emolduradas dos lugares mais belos da China; a fiel adesão da escola ao calendário chinês ao longo dos anos está documentada no corredor oposto. Uma outra parede exibe cerca de cinquenta peças de arte pintadas por estudantes; poemas da Dinastia Tang, como o icónico “Pensando numa Noite Tranquila” (静夜思) de Li Bai (701-762), escrita elegantemente em chinês clássico, com aguarelas ilustrando as cenas descritas por um dos poetas mais famosos da história chinesa.

Yu acredita que no futuro haverá cada vez mais estudantes coreanos que, querendo estudar nas universidades chinesas, irão reforçar o corpo estudantil da escola.

“Eu quero que esta escola continue fazendo o que seus fundadores queriam: ajudar os imigrantes chineses em Seul a se integrarem. Mas isso não significa sacrificar o chinês pelo coreano. ”

No caminho, ele leva-me até à estátua de Confúcio, erguida ao pé do campo de futebol arenoso.

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Estátua de Confúcio ao lado do campo de futebol da escola

“Isto”, aponta ele para a estátua imponente, “é a razão pela qual a nossa escola tem um significado, para além de servir os imigrantes chineses: O confucionismo é a raiz cultural dos dois países. Se um estudante coreano estudar aqui, ele não irá apenas aprender o chinês. Também perceberá mais sobre o seu próprio país, de uma forma que poucos têm a oportunidade de perceber. ”

Leia original aqui

Trump comemora acordo 'emocionante' entre duas Coreias

Sósias do presidente dos EUA, Donald Trump, e do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un
© AFP 2018 / Anthony Wallace

O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou os progressos alcançados nesta quarta-feira durante a cúpula intercoreana em Pyongyang, que classificou de "muito emocionantes".

"Kim Jong-un concordou em permitir inspeções nucleares, sujeitas à negociações finais, e a desmantelar permanentemente um polígono de testes e uma plataforma de lançamento [de mísseis] na presença de especialistas internacionais", disse Trump no Twitter, referindo-se aos acordos assinados pelo líder norte-coreano e pelo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in.

​"Enquanto isso, não haverá mais testes de mísseis ou nucleares", acrescentou Trump.

Referindo-se à repatriação de restos mortais de soldados dos EUA, mortos na Guerra da Coreia, também discutida entre Kim e Moon, Trump disse:

"Os restos mortais de heróis serão devolvidos para os Estados Unidos. Além disso, a Coreia do Norte e do Sul vão apresentar uma proposta conjunta para sediar as Olimpíadas de 2032. Muito emocionante!"

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018091912241450-trump-acordo-emocionante-coreia-paz/

Líderes da Coreia dividida voltam a reunir-se este mês

Kim Jong-un reafirmou o empenho na desnuclearização da Península. A terceira cimeira entre o líder norte-coreano e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, realiza-se em Pyongyang de dia 18 a 20.

A cimeira de 27 de Abril de 2018 entre Kim Jong-un e Moon Jae-in assumiu um carácter históricoCréditos / hindustantimes.com

«O Norte e o Sul devem aprofundar os seus esforços para concretizar a desnuclearização da Península da Coreia», declarou Kim Jong-un ao receber em Pyongyang, na quarta-feira, uma delegação de alto nível sul-coreana.

De acordo com a agência estatal KCNA, o líder norte-coreano quer que a Península – há muito palco de tensões e local de intensa actividade militar por parte dos EUA e dos seus aliados na região – se torne «o berço da paz», «sem armas nucleares e livre da ameaça nuclear».

A delegação especial da Coreia do Sul chegou à República Popular Democrática da Coreia (RPDC) com o propósito de preparar uma nova cimeira entre os líderes coreanos e chegar a um acordo quanto à data e hora da reunião, segundo refere a Prensa Latina.

Deste modo, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, responde afirmativamente ao convite que lhe foi endereçado por Kim Jong-un, a quem tinha prometido, em Maio, visitar Pyongyang ainda este ano, no Outono de 2018.

A delegação sul-coreana, liderada por Chung Eui-yong, director do Gabinete da Segurança Nacional e enviado especial do presidente da Coreia do Sul, reuniu-se ontem com o líder norte-coreano e, segundo refere a KCNA, trocaram «opiniões abrangentes» sobre o calendário da cimeira, «tendo chegado a um acordo satisfatório».

Fontes oficiais anunciaram que a cimeira terá lugar na capital norte-coreana entre os dias 18 e 20 de Setembro. É a terceira entre Kim Jong-un e Moon Jae-in.

A 27 de Abril deste ano, Pyongyang e Seul realizaram um encontro deste nível pela primeira vez em 11 anos. Então, Kim Jong-un tornou-se o primeiro chefe de Estado da RPDC a atravessar a fronteira que divide a Península Coreana em duas partes, na sequência da guerra que os EUA desencadearam na Coreia, entre 1950 e 1953, e que provocou milhões de mortos.

No final do encontro foi firmado um documento de grande relevo, conhecido como Declaração de Panmunjom.

Os dois líderes voltaram a encontrar-se em 26 de Maio, tendo então abordado temas relacionados com a Cimeira de Singapura, que viria a ter lugar numa ilha desse país asiático entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump.

Mensagem para os Estados Unidos

Já na Coreia do Sul, o líder da delegação sul-coreana, Chung Eui-yong, disse que Kim tinha manifestado «a intenção de trabalhar de perto com os EUA» e de «alcançar a desnuclearização da Península da Coreia», mas expressando «uma sensação de frustração» com a comunidade internacional por não valorizar os «passos muito significativos e importantes» dados por Pyongyang, indica a PressTV.

Para além disso, Kim Jong-un sublinhou que Pyongyang desmantelou as instalações de testes nucleares em Punggye-ri, disse ainda Chung Eui-yong.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Presidentes coreanos podem anunciar acordo de paz em encontro de setembro

O presidente sul-coreano Moon Jae-in viajará em setembro a Pyongyang para uma reunião com o líder da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jong-un. Os países estão tecnicamente em guerra desde 1950. A decisão foi tomada durante reunião nesta segunda-feira (13), entre delegações de alto nível dos governos da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) e da Coreia do Sul.

Imagem relacionada

O comunicado conjunto foi assinado pelo responsável do Comitê para a Reunificação Pacífica da Pátria, Ri Son-gwon (RPDC) e pelo ministro da Unificação, Cho Myoung-gyon (Coreia do Sul).

O acordo representa um reforço às ações pela melhoria e desenvolvimento das relações entre Pyongyang e Seul.

Kim e Moon farão nova reunião de cúpula depois de já terem realizado dois históricos encontros em 27 de abril e 26 de maio passados.

O terceiro encontro entre os mandatários será o primeiro na capital de uma das duas Coreias, países que ainda estão tecnicamente em guerra desde 1950.

Ri Son-gwon e Cho Myoung-gyon analisaram durante a reunião desta segunda-feira a implementação dos pontos da Declaração de Panmunjom, de 27 de abril. Também intercambiaram opiniões para avançar na aplicação do conjunto da Declaração.

A meta dos presidentes da RPDC, Kim Jong-un, e da Coreia do Sul, Moon Jae-in, para a reunião de cúpula de setembro, é marcar a data para a assinatura do acordo de paz entre os dois países.

A República Popular Democrática da Coreia considera que o caminho para sua desnuclearização, que não significa desarmamento total, passa obrigatoriamente pela assinatura de um acordo de paz que ponha fim ao armistício de 27 de julho de 1953.

Fonte: Resistência

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Rostos da Coreia do Norte

Andre Vltchek[*]
Aqui está um vídeo de 25 minutos sobre a RPDC (Coreia do Norte) – país que visitei há pouco tempo; visitei e amei, que me deixou impressionado, e deixem-me ser franco – admirado. Não se poderia chamar a isto um "documentário". Talvez não. É uma história simples, como um poema. Conheci uma garota, pequena e delicada, no ringue de patinagem em Pyongyang. Quantos anos ela tinha? Quem sabe; talvez quatro ou cinco anos. Ela foi primeiro agarrar-se à mãe, depois a um professor coreano, Kiyul, até mesmo a um ex-procurador-geral dos Estados Unidos, Ramsey Clark. Então começou a patinar, acenando inocentemente, olhando para mim, para nós, ou apenas olhando para trás... De repente fiquei terrivelmente assustado por ela. Foi quase um medo físico. Talvez tenha sido irracional, como pânico, não sei... Não quero que nada de mau lhe aconteça. Não quero que armas nucleares dos EUA comecem a cair à sua volta. Não queria que ela acabasse como aquelas pobres crianças vietnamitas, iraquianas ou afegãs, vítimas da barbárie ocidental; das armas químicas, do urânio empobrecido ou das bombas de fragmentação. Não queria que ela morresse de fome por causa de algumas sanções insanas promovidas pela ONU por maníacos rancorosos que simplesmente odeiam "os Outros". Então filmei, produzi uma curta metragem sobre o que eu vi na RPDC. Um filme dedicado a essa menina no ringue de patinagem em Pyongyang. Quando estava a filmar, coleccionando imagens sobre a Coreia do Norte, a guerra, um ataque do Ocidente, partindo do Japão ou da Coreia do Sul, parecia possível, quase provável. Quando, algum tempo depois, fazia a montagem em Beirute, com um editor libanês, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçava "tratar da Coreia do Norte". O que ele queria dizer era claro. Trump é um "homem honesto". Honesto num estilo mafioso. No filme, chamo-o de "gerente". Ele pode não ser um Einstein, mas geralmente diz o que quer dizer, em cada dado momento. Você sabe, é o estilo Yakuza. Agora, quando lanço este meu humilde trabalho depois da Cimeira de Singapura, , as coisas parecem mais claras. Mas não confio no Ocidente, após mais de 500 anos de guerras e cruzadas colonialistas bárbaras. O "gerente" talvez seja honesto quando diz que agora gosta do presidente Kim, mas amanhã ele pode ser "honesto" novamente, declarando que mudou de ideias e quer partir-lhe um braço Sinto que é hora de me apressar. Hora de me apressar e mostrar a tantas pessoas quanto possível quão bela é a Coreia do Norte e quão digno é o seu povo.

Eu poderia "vender" filmagens ou "vender direitos" e ganhar algum dinheiro para meus outros projetos internacionalistas, mas a coisa toda seria atrasada, e nesse caso apenas um número limitado de pessoas a veria. Ao divulgá-lo assim, através do meu media favorita no mundo – New Eastern Outlook – o filme não fará nada em dinheiro, zero, mas considero meu dever actuar assim. Esperançosamente, o filme será visto por muitos e a pressão sobre o Ocidente e o Japão crescerá – pressão para cessar a intimidação sobre pessoas que já sofreram tremendamente! Se alguém quiser apoiar meus filmes, incluindo meus trabalhos em andamento (dois grandes documentários em trabalho agora, um sobre o Afeganistão após quase duas décadas de ocupação da NATO, outro sobre a quase total destruição ambiental em Kalimantan / Bornéu), pode ser feito aqui . Mas sem pressa. Apenas desfrute este filme em particular e outros filmes que em breve e gradualmente irei divulgar. Enquanto isso, a Coreia do Norte permanece de pé. Enquanto o Ocidente está a calcular o que fazer a seguir. Não tenho um bom pressentimento sobre tudo isso. Espero estar errado. Espero que isto seja o começo de um processo de paz sério... Mas confesso que já vi muitas cidades em ruínas, países e continentes inteiros. A maioria deles foi bombardeada, reduzida a escombros depois de vários "processos de paz". Na maior parte dos casos as bombas e mísseis começaram a cair depois de alguns sólidos acordos terem sido alcançados e assinados. Não quero que o mesmo aconteça à Coreia do Norte. Não quero que essa garota, a que encontrei no ringue de patinagem, desapareça. O que fiz desta vez não é muito, mas é algo. Nesta situação perigosa, quase tudo conta. Vamos todos fazer "alguma coisa", mesmo que seja só um pouquinho. A chuva é feita de gotas de água, mas pode travar um grande incêndio. Desta vez, vamos tentar travar a loucura com pequenas gotas de sanidade e ternura.
[*] Filósofo, romancista, cineasta e jornalista investigador. Cobriu guerras e conflitos em dezenas de países. Os seus livros podem ser encomendados em Book Depository . Assista Rwanda Gambit , documentário inovador sobre o Ruanda e a R D do Congo e seu filme / diálogo com Noam Chomsk On Western Terrorism . Vltchek pode ser contactado através do seu sítio web O original encontra-se em New Eastern Outlook , publicação da Academia das Ciências Russa e emwww.informationclearinghouse.info/49948.htm Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/rostos-da-coreia-do-norte.html

Chefe da diplomacia dos EUA vai a Pyongyang sem a paz na agenda e sai com críticas

Os EUA são acusados pelo Ministério coreano dos Negócios Estrangeiros de chegar às conversações de alto nível com exigências de desnuclearização unilateral e indisponíveis a forjar a paz na Península.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, está de visita a vários países asiáticos após encontros em Pyongyang. Na foto, à chegada ao aeroporto de Hanói, Vietname. 8 de Julho de 2018CréditosMinh Hoang / EPA

Numa declaração veiculada pela agência KCNA, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) denuncia a postura de «gangster» da representação norte-americana nos encontros negociais dos últimos dois dias, que decorrer em Pyongyang, na sequência da cimeira bilateral entre os líderes de ambos os países que, formalmente, permanecem em estado de guerra.

Segundo as autoridades coreanas, a delegação dos EUA, liderada pelo ex-chefe da CIA e actual secretário de Estado Mike Pompeo, insistiu unicamente na desnuclearização unilateral da RPDC – contrária à declaração da cimeira de Singapura entre Donald Trump e Kim Jong-Un – e ignorou por completo a intenção de estabelecer um regime de «paz duradoura» neste ano, em que se assinalam os 65 anos do armistício que interrompeu os combates na Península da Coreia.

O lado coreano assinala que os EUA apenas anunciaram a suspensão dos exercícios militares previstos junto à sua costa, enquanto a RPDC já procedeu à destruição do local de testes nucleares, numa operação aberta à comunicação social estrangeira. Acções «incomparáveis» na sua magnitude, significado e compromisso, sublinham as autoridades coreanas.

Os EUA mantêm forças militares e sistemas de armamento estacionados às portas da RPDC, seja no Sul da Península, na República da Coreia, ou no Japão.

À saída de Pyongyang, Mike Pompeo referiu «progressos» nas negociações mas apenas falou da desnuclearização da RPDC.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Metais sexy: peça que faltava no quebra-cabeça coreano

Pepe Escobar, Asia Times*
Talvez, afinal, nem se trate de condomínios de luxo nas praias norte-coreanas. Tudo sugere que o xis da questão no abraço que o governo Trump oferece a Kim Jong-un tenha tudo a ver com um dos maiores depósitos de terras raras (ing. rare earth elements, REEs) do mundo, a apenas 150km ao norte de Pyongyang que vale, parece, vários bilhões de EUA-dólares.
Todos os implementos da vida movida a tecnologia do século21 dependem das propriedades químicas e físicas de 17 elementos preciosos da Tabela Periódica, conhecidos como (ing.) REEs.
Atualmente, acredita-se que a China controle mais de 95% da produção global de terras raras , com depósitos estimados em 55 milhões de toneladas. A República Popular Democrática da Coreia, por sua vez, tem pelo menos 20 milhões de toneladas.
Elementos classificados como terras raras não são os únicos metais e minerais altamente estratégicos nesse jogo de poder. Os mesmos depósitos são fontes de tungstênio, zircônio, titânio, háfnio, rênio e molibdênio; todos absolutamente críticos não só para incontáveis outras aplicações militares, mas também usados em armas atômicas.
A metalurgia de terras raras também é essencial para os sistemas de armas de EUA, Rússia e China. O sistema THAAD precisa de elementos de terras raras, assim como os sistemas de mísseis de defesa S-400 e S-500 russos.
Não é exagero pensar em A Arte da Negociação aplicada a elementos de terras raras. Se os EUA não pensarem em algum modo de realmente passar a perna na República Popular Democrática da Coreia para abocanhar recursos de terras raras supostos muito abundantes, o vencedor, mais uma vez, pode ser Pequim. E também Moscou, se se considera a parceria estratégica Rússia-China, hoje já explícita, assumida e reconhecida publicamente.
Todo o quebra-cabeça pode estar girando em torno de quem ofereça melhor retorno sobre investimentos; não em propriedade imobiliária, mas em sexy metal, com o governo de Pyongyang potencialmente na iminência de amealhar fortuna imensa.
Pequim conseguirá cobrir uma possível proposta dos norte-americanos? Esse pode ter sido tópico chave na discussão durante o terceiro encontro, há poucas semanas, entre Kim Jong-un e o presidente Xi Jinping, exatamente quando todo o tabuleiro de xadrez geopolítico está posto na balança.
Quem disse que metais não são sexy?
O pesquisador Marc Sills, em artigo intitulado Strategic Materials Crises and Great Power Conflicts [Crise dos materiais estratégicos e conflitos das grandes potências], diz: “Conflito em torno de materiais estratégicos é inevitável. Os dramas se desenrolarão provavelmente em nas ou próximos das minas, ou ao longo das linhas de transporte pelas quais tenham de transitar os materiais, e especialmente nos gargalos estratégicos do mundo que os militares dos EUA deram-se hoje, de modo geral, a tarefa de controlar. Mais uma vez a equação do poder é escrita de modo a incluir o controle da posse e a capacidade para negar a posse a outros.”
Aplica-se, por exemplo, ao quebra-cabeças na Ucrânia. A Rússia carece muitíssimo do titânio, do zircônio e do háfnio ucranianos para seu complexo industrial-militar.
No início desse ano, pesquisadores japoneses descobriram um depósito de 16 milhões de elementos de terras raras (menos do que há nas reservas norte-coreanas) abaixo do leito do Pacífico Ocidental. Mas é pouco provável que altere a proeminência da China – nem potencialmente da RPDC. A chave em todo o processamento de terras raras é conceber e construir uma cadeia lucrativa de produção, como fizeram os chineses. E isso demanda muito tempo.
Artigos detalhados, como China’s Rare Earth Elements Industry [Indústria chinesa de elementos de terras raras], de Cindy Hurst (2010), publicado pelo Institute for the Analysis of Global Security (IAGS), ou Rare Earth in Selected US Defense Applications [Terras raras em aplicações selecionadas na Defesa dos EUA], de James Hedrick, apresentado no 40º Fórum sobre a Geologia de Minérios Industriais em 2004, mapeiam de modo convincente todas essas conexões.
Sills destaca o modo como, contudo, minérios e metais parecem atrair atenções só das publicações de comércio de mineração: “E isso parece explicar em parte o motivo pelo qual a disputa em torno dos REEs na Coreia conseguiu passar despercebido. Metais não são sexy. Mas armas, sim.”
Metais são, sim, muito sexy, com certeza, para o secretário de Estado Mike Pompeo dos EUA. É muito esclarecedor relembrar o modo como Pompeo, então ainda diretor da CIA, disse a uma Comissão do Senado, em maio de 2017 o quanto o controle estrangeiro sobre elementos de terras raras era “preocupação muito concreta.”
Rode a fita adiante até um ano depois, quando Pompeo, assumindo o Departamento de Estado, enfatizou que recuperaria nova “swagger” [aprox., “uma nova ginga/uma nova manha” (?)], na política exterior nos EUA.
E avance a fita outra vez, até há poucas semanas, com a nova ginga/manha de Pompeo já aplicada às reuniões com Kim Jong-un.
Bem distante de viradas na trama ao estilo de Netflix, uma narrativa bastante possível é Pompeo tentar impressionar Kim com a beleza de um acordo bem lindo e doce, negociado com os EUA, para elementos de terras raras. Mas China e Rússia têm de ser contidas e mantidas à distância. Não é difícil prever que Xi compreenderá rapidamente as implicações.
A RPDC – essa mistura única de Turcomenistão e Romênia pós-URSS – pode estar a um passo de ser integrada numa vasta cadeia de suprimento via uma Rota da Seda de Ferro, com a parceria estratégica Rússia-China investindo ao mesmo tempo em ferrovias, oleodutos, gasodutos e portos paralelos às Zonas Econômicas Especiais [ing. special economic zones (SEZs)] norte-coreanas, que vêm aí, ao estilo chinês.
Como revelou o vice-presidente da Gazprom Vitaly Markelov: “O lado sul-coreano pediu à Gazprom” que reponha em andamento um projeto chave – um gasoduto que passa pela Coreia do Norte, um cordão umbilical entre a Coreia do Sul e a terra continental eurasiana.
Desde discussões chaves na Cúpula do Extremo Leste da Rússia em Vladivostok em setembro de 2017, o mapa do caminho está definido para que Coreia do Sul, China e Rússia conectem a RPDC ao processo de integração da Eurásia, desenvolvendo a agricultura e o poder hídrico e – crucialmente importante – a riqueza mineral.
Por mais que talvez o governo Trump esteja chegando atrasado ao jogo, é impensável que Washington desista de uma parte da (metal)ação.
Publicado em Oriente Mídia| Traduzido por Vila Vudu

Ver o original em 'Página Global':   http://paginaglobal.blogspot.com/2018/06/metais-sexy-peca-que-faltava-no-quebra.html

Trump desvaloriza ataques aos direitos humanos na Coreia do Norte: “Kim é um tipo duro”

«“Quando tomas conta de um país duro, com uma população difícil, e herdas isso do pai, não quero saber quem és, que privilégios tiveste - há uma em cada dez mil pessoas que conseguiriam atingir o mesmo aos 27 de idade." É esta a caracterização que Donald Trump, Presidente dos Estados, faz de Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte com quem se encontrou na terça-feira, em Singapura, para discutir o fim do arsenal nuclear do regime. E foi assim que tentou desviar a pressão de Bret Baier, jornalista da FOX News, que lhe perguntou insistentemente porque é que tinha escolhido não abordar os abusos cometidos pelo regime norte-coreano contra os direitos humanos quando se encontrou com Kim. A esta análise acrescentou que Kim é "um tipo muito inteligente", "um grande negociador" e que os dois se irão "entender muito bem".
Vários ativistas e também numerosas vozes dissidentes norte-coreanas a residir em outras partes do mundo, mostraram a sua indignação face à ausência de qualquer referência aos abusos cometidos por Kim e pelos seus subordinados no exército e nos serviços de informações contra milhões de norte-coreanos.
Num vídeo gravado para o diário norte-americano "The New York Times", Yeonmi Park, que fugiu da Coreia do Norte aos 13 anos, fala das torturas cometidas pelo regime e pergunta a Donald Trump: "Senhor Presidente, encontrar-se-ia com o Hitler?".
Os números da ONU sobre a situação humanitária no país não oferecem muito espaço de manobra a Kim mas Trump deu-lhe um pouco mais, dizem os responsáveis da Human Rights Watch na Ásia. Segundo a ONU, duas em cada cinco pessoas estão malnutridas na Coreia do Norte, e cerca de 120 mil estão presas por motivos políticos em instituições onde os abusos aos seus direitos são constantes e muito violentos: abusos sexuais, execuções públicas, tortura física, trabalho forçado e refeições insuficientes são alguns dos exemplos explícitos no último grande relatório da ONU, com data de 2015.
Donald Trump foi e veio a Singapura, apertou a mão a Kim Jong-un, convidou-o para visitar a Casa Branca, apesar de o líder norte-coreano se encontrar numa lista negra de pessoas que não estão autorizadas a entrar nos Estados Unidos, e várias vozes, incluindo aquelas do seu campo político se têm mostrado bastante críticas com a complacência de Trump. Um exemplo das fissuras a nascer no próprio partido foi a cobertura feita pelo George W. Bush Presidential Centre, um instituto de análise política, museu e instituição de solidariedade social estabelecido pelo ex-Presidente republicano, que durante toda a conferência focou a sua atenção na questão dos direitos humanos. Como seria de esperar, os Democratas foram menos contidos e acorreram ao Twitter em avalanche para criticar Trump. Chris Murphy, senador democrata do Connecticut escreveu: "Os gulags do Kim, as execuções públicas, a fome premeditada legitimadas no palco do mundo. Que raio é isto?"
Pressionado ainda mais uma vez pelo entrevistador da FOX sobre as "coisas muito más que o regime [norte-coreano] faz", Trump respondeu que, sim, que isso é verdade mas que "muitas outras pessoas fizeram coisas" e que "é possível fazer uma lista de várias nações que fizeram coisas más". Num comentário pouco depois de terminada a conferência, Christopher Green, analista especialista em assuntos das duas Coreias do Crisis Group falou com o Expresso e, não dando razão a Trump, disse não estar surpreendido com esta omissão porque se Trump falasse da questão da abertura do regime poderia perder para sempre a linha de contacto com o regime e anular qualquer possibilidade futura de diálogo para esse fim.»
Mafalda Ganhão, no Expresso diário, 14.06.2018
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E no fim ganha a China. Alguma dúvida?

«Nobody greeted the news from Singapore with more delight than China. For years, Chinese officials have urged Trump to freeze military exercises in South Korea, which Beijing regards as a threatening gesture in its neighborhood. Shortly after the announcement, the Global Times, a nationalist state newspaper in Beijing, hailed Trump’s move in an editorial headlined “End of ‘War Games’ Will Be a Big Step Forward for Peninsula.” Elizabeth Economy, a China specialist at the Council on Foreign Relations, told me, “The Chinese are breathing a deep sigh of relief. They got what they most wanted.” She added, “And, best of all, it came out of President Trump’s mouth. The Chinese didn’t even have to rely on Kim Jong Un to do their bidding.”
Any negotiations in the months and years ahead will be fraught: the United States will need to get Kim to provide a full declaration of North Korea’s nuclear weapons. International inspectors will seek to verify them. Only then can the U.S. begin to imagine dismantling them. But, more immediately, Trump may have also precipitated an outcome that he does not fully grasp: by suspending military exercises, and alluding to removing troops from South Korea, he will stir doubts about the strength of America’s commitment to its allies in Asia, including Japan, Taiwan, and Australia. They will have no choice but to begin to reimagine America’s role in the region, and their relationships to Beijing. From Trump’s perspective, the encounter with Kim was an end in itself. For those who bear the consequences of his words and actions, this is just the beginning.»
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Trump. Mais comentários para quê

A política internacional  transformada num espetáculo. O vídeo que Trump levou para aprsentar na Coreia como se tudo não fosse mais do que uma aventura para promoção pessoal.

espantoso!

«Reporters were shown a video ahead of Donald Trump's press conference in Singapore, which the US president said he had played it to Kim Jong-un and his aides toward the end of their talks. It was made by Destiny Productions and was presented in Korean and English in the style of an action movie trailer.»
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A Cimeira Kim-Trump: factos, fantasias e perspectivas

Tim Beal[*]
Com a aproximação da Cimeira de Singapura entre os presidentes Trump e Kim fomos submergidos sob um dilúvio de artigos de opinião. A maior parte deles são desinformados, alguns ignorantes. Sintomas são confundidos com problemas, consequências com causas. A causalidade é frequentemente invertida. Exemplo: há muita concentração sobre as armas nucleares da Coreia do Norte (com pouca atenção prestada às dos EUA) sem que seja examinada a razão para a sua existência. A Coreia do Norte desenvolveu um dissuasor nuclear em resposta a uma ameaça dos Estados Unidos. Sem a ameaça não haveria dissuasor. A questão então não é porque a Coreia do Norte tem um dissuasor – isto é óbvio embora apologistas dêem-se a grandes trabalhos para sugerir explicações bizarras – mas, ao invés, porque os EUA ameaçam a Coreia do Norte. Quais são os impulsionadores da política americana? A chave para o entendimento do que está em curso, e portanto para chegar a soluções, é perguntar as questões certas. Esta literatura florescente é emitida com banalidades e trivializações . De modo redundante, destacam camuflagens óbvias como percepções; Jimmy Carter conta-nos que "A prioridade principal dos líderes da Coreia do Norte é preservar o seu regime e mantê-lo tão livre quanto possível do controle externo". Bastante verdadeiro, mas não será isto o que fazem, ou deveriam fazer, todos os governos? E a seguir temos jornalistas a tropeçarem em clichés;Eugene Robinson no Washington Post pontifica que "a Coreia do Norte é uma das mais brutais ditadura do mundo, um reino eremita dominado por um regime fanático e paranóico. Sua liderança não é suicida, contudo, e Kim é claramente invejoso da tecnologia e riqueza ocidental". Um reino eremita por definição não desejaria tecnologia estrangeira e muito menos estaria "invejoso" dela. Por que utilizar apenas uma ideia cliché numa sentença se se pode condensar duas na mesma? Talvez a ideia mais imbecil seja exemplificada por David Ignatius: "Trump e Kim Jong Un tem um bocado em comum. Será isso uma coisa boa?" Sabemos um pouco mais acerca de Trump do que de Kim mas é evidente que eles têm personalidades muito diferentes. E as suas situações, as quais dão origem a motivações e aspirações, dificilmente poderiam ser mais diferentes. E assim por diante. A fim de limpar o ar sobre um tema que é muito complexo mas também uma situação tolamente simples é útil declarar resumidamente uns tantos factos salientes e identificar algumas ilusões. Factos Contexto histórico e geopolítico Primeiramente os antecedentes históricos que apresentam o contexto para a situação que se desenvolveu: Em 1945, no fim da Guerra do Pacífico, os Estados Unidos dividiram a Coreia. A União Soviética anuiu a esta iniciativa americana e Staline foi criticado, razoavelmente ou não, por se inclinar a esta divisão a qual teria consequências calamitosas. A península coreana era muito inabitual por ser um beco sem saída geográfico e ser racialmente homogénea. Não havia restos de invasões e migrações tal como era comum em muitas partes do mundo. Não era como os divididos Balcãs com tensões étnicas a ferverem em fogo lento. Os EUA quiseram proteger seu botim de guerra conquistado ao Japão de qualquer envolvimento, por ameaça ou contágio, da União Soviética. A ocupação da Coreia do Sul deu-lhe uma cabeça-de-ponte no nordeste do continente asiático e estabeleceu uma "presença militar avançada" para conter e ameaçar a União Soviética e dominar a área. Ao longo do tempo o foco naturalmente mudou-se para a China (em 1945 os EUA ainda "possuíam" a China, ou grande parte dela sob Chiang Kai-shek). Entretanto este inquilino da política dos EUA ainda se mantém; a península coreana é um subconjunto de uma política mais geral. Quando os EUA olham para a Coreia vêem a China. Embora o relacionamento americano com a Coreia dividida se tenha desenvolvido por si próprio ao longo de décadas, os coreanos ainda são vistos essencialmente como piões a serem movidos, e talvez sacrificados, a fim de dar um cheque mate à China. A relevância disto é vista no desconforto profundo que o establishment de política externa dos EUA sente quanto ao acordo de Trump para uma cimeira com Kim Jong Un. Eles temem que a sua ignorância e o seu desejo narcísico de obter um Prémio Nobel possa inadvertidamente por em perigo o que percebem como a pedra angular da política dos EUA na Ásia. Assim, por exemplo, temos o antigo responsável do Pentágono, Van Jackson, a escrever:
Será que a estratégia americana na Ásia – a qual necessita uma presença militar avançada em lugares como a Coreia do Sul – mais ou menos prioritária do que alcançar a desnuclearização? Em suma, que futuros alternativos na Coreia servem mais ou menos os interesses dos EUA? Não há sinal de que Trump tenha lutado com estas questões... Tweets recentes de Trump sobre a Coreia do Norte sugerem que ele está desesperado por um acordo, o qual lhe traria muito precisadas manchetes favoráveis em meio a muitos escândalos políticos internos. Ele também continua a deixar pistas de que realmente quer afirmar que é o homem que terminou a Guerra da Coreia, muito embora nunca tenha parado para perguntar porque é que a Coreia do Norte, também, sempre tenha desejado que os Estados Unidos anuíssem ao fim da guerra. Com um tratado de paz na mão, Kim minaria o mais importante factor único justificativo da presença de tropas dos EUA na Coreia e, por extensão, a aliança com a Coreia do Sul. Kim não precisa pedir a retirada imediata das tropas como parte do tratado de paz. Ao primeiro sinal de fricção pós paz, Kim pode acenar com aquele tratado na cara da América e dizer: "Yankee go home". Isso imediatamente dispararia debates em Seul acerca do futuro da aliança e, com um tratado de paz na mão, activistas anti-americanos no Sul terão um argumento muito mais forte para pressionar a saída dos Estados Unidos do que em décadas passadas.
Se Trump loucamente deixar irromper a paz na Coreia então os ianques podem ser forçados a deixá-la e isso minaria a contenção da China. A mítica ameaça norte-coreana Apesar do alarde e histeria implacáveis acerca da "ameaça norte-coreana", trata-se claramente de um mito, um engendro para servir outros propósitos, geopolíticos, para beneficiar o complexo militar-industrial. Os Estados Unidos têm o mais poderoso poder militar do mundo, como a história nos diz, e o seu próprio orçamento militar e quase tão grande quanto o do resto do mundo em conjunto. Com o seu sistema de alianças – NATO, Coreia do Sul, Japão, Austrália (e não esquecer a Nova Zelândia) a sua vantagem sobre qualquer possível adversário é incrível: maior do que a China sete vezes, do que a Rússia 15 vezes e do que a Coreia do Norte talvez mais de 1000 vezes. A Coreia do Norte pode ameaçar retaliar contra um ataque dos EUA, embora isto fosse uma "opção Sansão" suicida. Mas isso é da natureza da dissuasão . Entretanto ela não pode iniciar um ataque aos Estados Unidos; não há motivo possível, nada a ser ganho, a derrota e destruição seria certa. A Coreia do Norte não pode "ameaçar os Estados Unidos" e nunca será capaz disso. Que a ameaça da Coreia do Norte tenha ganho tal credibilidade apesar de ser obviamente ridícula constitui um dos grandes golpes de propaganda do nosso tempo. Há um certo número de consequências disto, mas duas merecem menção especial. A Coreia do Norte é frequentemente acusada de trapacear acordos feitos com os EUA. As evidências reais apontam em outra direcção mas, mesmo se isto fosse verdade, realmente não importaria muito. Não é possível trapacear o facto de que a Coreia do Norte poderia alterar o equilíbrio de poder. Acumular algum plutónio ou urânio, ou um míssil ou dois, não levaria a lugar algum; os EUA ainda têm uma preponderância de poder esmagadora. O mesmo não se aplica na outra direcção, naturalmente. Se os EUA conseguem que a Coreia do Norte se desarme e a seguir rompe suas promessas e ataca-a, como com a Líbia, então a Coreia do Norte poderia ser destruída, como o foi a Líbia. Também se segue que a dissuasão nuclear da Coreia do Norte ao invés de ser uma ameaça ao mundo como se diz frequentemente é de facto um reforço da paz. O cientista político dos EUA Kenneth Waltz destacou que armas nucleares na posse de um pequeno país ameaçado (ele estava a pensar no Irão ) dissuadem um agressor maior. O país poderoso não pode atacar o mais fraco por temor da dissuasão e o mais fraco não pode atacar o mais poderoso pelas razões acima discutidas. A paz, talvez inquieta, mas ainda assim nada menos que a paz, prevalece. Fantasias Duas fantasias americanas inter-relacionadas são relevantes aqui – excepcionalismo e solipsismo. Excepcionalismo A noção de que os Estados Unidos são um país "Excepcional" tem uma longa história que remonta à suas origens. De facto o líder puritano John Winthrop utilizou a analogia bíblica de uma "cidade sobre a colina" para a qual todo o mundo olharia antes de realmente alcançar a costa de Massachusetts em 1630. Desde então o excepcionalismo tem sido um tema recorrente na política americana e foi abraçado por George W. Bush , Hillary Clinton e Barack Obama –"Acredito no excepcionalismo americano com cada fibra do meu ser" . Se a América é "excepcional" então está acima das regras normais do direito internacional e pode, por exemplo, invadir outros países ou interferir nos seus assuntos internos com impunidade. Um artigo recente na revista do establishment Foreign Policy depois de a eleição venezuelana ter produzido um resultado que não é do agrado de Washington ilustra esta mentalidade: "Está na hora de um golpe na Venezuela" . O excepcionalismo facilmente transmuta-se em imperialismo . Os duplos padrões estão no cerne do excepcionalismo e isto manifesta-se de vários modos, mas de particular relevância aqui é a ideia de que é bastante certo e adequado para os Estados Unidos terem armas nucleares mas não, por exemplo, a Coreia do Norte. Como o Conselho Editorial do Washington Post,sem qualquer sentido de ironia e sem mencionar quaisquer concessões ou compromissos americanos, "Trump deve fazer com que a Coreia do Norte fique completamente limpa" . As negociações e os seus resultados não são encarados como algo que tenha qualquer elemento real de reciprocidade. Don Balz, do Washington Post, descreve isto de forma bastante inconsciente:
[Um resultado com êxito da cimeira produziria]... um quadro que incluísse um acordo explícito dos norte-coreanos para desnuclearizar; uma disposição da sua parte para constranger seu programa de míssil balístico (e não apenas mísseis de longo alcance que pudesse alcançar os Estados Unidos mas também aqueles que ameaçam seus vizinhos imediatos); e um compromisso para um sistema de verificação intrusivo. Em contrapartida, os Estados Unidos poderiam oferecer ajudar na produção de um tratado de paz entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, comprometer-se a não invadir a Coreia do Norte, manter a possibilidade de relações diplomáticas se a Coreia do Norte cumprir suas promessas e provavelmente oferecer garantias de assistência económica no futuro.
Não há qualquer sugestão de que os Estados Unidos possam desnuclearizar-se ou mesmo reduzir seus próprios programas militares; isso é para que façam os outros. Os Estados Unidos meramente fazem algumas vagas promessas de que podem conformar-se à prática internacional e estabelecer relações diplomáticas. Não há percepção de que isto é uma questão de força bruta, do forte a tentar impor a sua vontade ao fraco, do mesmo modo como o patrão da Mafia faz exigências semelhantes. Isto é visto como a ordem natural das coisas e nisto há um perigo. Um estado conscientemente a aplicar a ameaça de força para escorar exigências irrazoáveis pode fazer isso de maneira racional e voltar atrás se os custos se verificarem demasiado elevados. Um estado imbuído da mentalidade do excepcionalismo pode não comportar-se tão racionalmente. Embora a mentalidade do excepcionalismo deva ser intensamente satisfatória para a elite americana há uma resistência crescente, tanto de adversários como de aliados, ao excepcionalismo americano impulsionado parcialmente, mas não exclusivamente, pela grosseria de Trump. Isto está resumido na foto icónico de Angela Merkel, punhos sobre a mesa, a olhar furiosamente um Donald Trump sentado na reunião do G7 no Canadá. Solipsismo Filosoficamente, solipsismo significa considerar-se a si próprio como a única realidade conhecida e que tudo o mais é incerto, mas também, por extensão, significa ser auto-centrado em grau extremo. Bruce Cumings descreveu o Juche como "o núcleo opaco do solipsismo nacional norte-coreano". Ele não está sozinho nisto mas de facto o solipsismo pode ser muito mais adequadamente aplicado aos Estados Unidos, os quais não estão sob sítio do modo como está a Coreia do Norte. Isto manifesta-se de muitos modos mas um de especial relevância é que a forma como a cimeira Kim-Trump foi formulada virtualmente exclusivamente em termos do que está a ser exigido da Coréia do Norte, ao invés de [definir] quais são as questões. Isso acontece mesmo com as organizações que defendem a paz, como por exemplo, Philp Yun, do Fundo Ploughshares, que escreveu "A melhor opção de Trump para desnuclearizar a Coreia do Norte" . Os EUA podem querer o desarmamento unilateral da Coreia do Norte, mas a Coreia do Norte quer paz e segurança. Negociações são, por definição, um diálogo desafiante entre duas ou mais partes, mas essa compreensão essencial é muitas vezes ofuscada pelo solipsismo americano. O bom negociador tenta entender o que o outro lado quer, mesmo que seja apenas para explorar esse conhecimento. A empatia é um atributo chave. Outro problema com o solipsismo americano é o privilégio dado a aspectos internos. A política externa dos EUA é muitas vezes joguete de conflitos internos. Exemplo: os principais do democratas do Senado exigiram que Trump mantivesse a linha nas conversações com a Coreia do Norte. Isso, é claro, tem a ver não com a Coreia mas sim com Trump.
Nicholas Kristof comentou com pesar no New York Times:
Infelizmente, os democratas no Congresso estão respondendo de uma maneira bastante trumpiana: eles parecem mais preocupados em solapá-lo do que em apoiar um processo de paz com a Coreia do Norte. Eles estão do mesmo lado do Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, subvertendo discretamente tentativas de buscar a paz. Apesar de a segurança internacional ser complicada, há uma regra de ouro: Quando você se encontra do mesmo lado de Bolton, recue e reexamine sua posição.
Se fosse verdade, o que certamente não é, que todo país tem o governo que merece, então seria considerado apropriado que o solipsismo americano seja agora exemplificado pelo narcisismo de Trump. Perspectivas Na véspera da cimeira o establishment político dos EUA – o Blob , como tem sido chamado – está a ficar com medo. Há medos de guerra, mas também há um medo maior da paz. Eles estão preocupados que Trump, no seu desejo de um Prémio Nobel, pela publicidade e índices de audiência, irá sucumbir à astúcia e bajulação de Kim Jong Un e concordar com um acordo que ponha em perigo a hegemonia americana. Os três consiglieri americanos O perigo de guerra ainda existe mas é menor do que há um ano. Têm sido manifestadas preocupações de que Trump iria à cimeira esperando rendição incondicional e quando descobrisse não ser o caso precipitar-se-ia e reactivaria planos para um ataque à Coreia do Norte. Felizmente Trump parece ter sido algo corrigido em relação ao seu antigo falso optimismo (talvez por Pompeo?) e assim o choque será menor. Ele ainda pode sair, mas isso é cada vez mais improvável pois daria o mérito da paz a Kim. A argumentação militar contra a guerra é tão forte quanto no ano passado (e a argumentação política ainda mais forte); como Mattis admitiu as consequências seriam "catastróficas". Contudo, Mattis e os militares não desejam a paz como indicam as suas observações no Diálogo de Shangrilá (ironicamente Singapura) – "Nosso objectivo permanece a completa, verificável e irreversível desnuclearização (CVID) da Península Coreana". A CVID é uma exigência consagrada dos EUA e apesar de poder representar uma lavagem cerebral ela tem sido utilizada habitualmente como uma exigência inaceitável para parar negociações. Isto provavelmente é o que Mattis quer, nem guerra nem paz mas a continuação do impasse que serve muito bem a política asiática dos EUA. Bolton é uma questão. Ele não quer o impasse mas sim a crise. Ele tentou descarrilar a cimeira e quase teve êxito quando em 24 de Maio persuadiu Trump a cancelá-la. Além de sussurrar aos ouvidos de Trump o seu maior truque tem sido advogar uma "solução Líbia". O ponto chave acerca disso não foi a mecânica da desnuclearização, como é frequentemente sugerido, mas algo muito mais significativo. A secretária de Estado Condoleezza Rice persuadiu Kadhafi a desarmar-se com promessas de que os EUA não iriam derrubar seu governo. A secretária de Estado Hillary Clinton, com a aprovação de Obama, renegou aquelas promessas. Kadhafi foi brutalmente assassinado e a Líbia virtualmente destruída. Essa lição não foi perdida em Pyongyang. Ao levantá-la de forma tão destacada, Bolton tentava forçar a Coreia do Norte a se afastar da cimeira. Parece ter sido Pompeo quem persuadiu Trump a retornar às conversações. Pompeo é mais difícil de decifrar do que Mattis (impasse) ou Bolton (crise). Diz-se que ele tem ambições de se tornar presidente de modo que um acordo com êxito como secretário de Estado lhe asseguraria um ponto de partida importante. Ao mesmo tempo, ele desejará que a culpa por qualquer fracasso ou por consequências não pretendidas seja atribuída a Trump, não a ele. A desnuclearização aspiracional é a chave para a paz A administração Trump recusou o pedido de Moon Jae-in de comparecer à cimeira e participar na assinatura de um acordo. Chega de aliados. Resta Kim Jon Un e sua equipe. O seu objectivo – empurrar Trump rumo à coexistência pacífica enquanto retém capacidade suficiente para deter um ataque dos EUA – é bastante claro. O que não se sabe é que êxito terá Kim ao negociar com Trump. Onde se comprometerá e onde traçará a linha? "Desnuclearização da península coreana" é uma frase infeliz herdada dos dias de Kim Il Sung quando a mais provável potência nuclear na península coreana, além dos EUA, era a Coreia do Sul. Ela concentra a atenção sobre sintomas (dissuasão nuclear) ao invés de concentrá-la nas questões substantivas (a hostilidade política dos EUA). No entanto tem a virtude da imprecisão e da ambiguidade e isso pode ser a sua graça salvadora. Se a cimeira está destinada a romper o impasse actual e abrir uma resolução no futuro ela precisa colocar a questão da desnuclearização dentro de uma ambígua cápsula do tempo aspiracional. O modelo aqui pode ser o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Assinado cinquenta anos atrás foi um acordo entre os Estados Nucleares Existentes (ENE) e o resto. Signatários não nucleares não desenvolveriam armas nucleares e em contrapartida os ENE os assistiriam com energia nuclear e, crucialmente, movimentar-se-iam rumo ao seu próprio desarmamento nuclear. Cinquenta anos depois ainda estamos à espera, ainda com esperança. Se a desnuclearização norte coreana pode ser analogamente tornada aspiracional (e não vamos esquecer que a nuclearização dos EUA não está na agenda, embora Kim possa levantá-la) então progressos podem ser feitos. Isto pode ser suplementado por entusiasmos de relações publicas – a assinatura de sublimes declarações de paz, anúncios de normalização de relações diplomáticas, novos gestos tais como estender a moratória quanto a testes nucleares e de mísseis, até mesmo a abertura de um McDonald's em Pyongyang – mas a base essencial da dissuasão deve permanecer por enquanto. Os chineses têm uma política sábia de colocar problemas difíceis em adiamento para as gerações futuras resolverem. Algo como esta abordagem é exigida aqui. Se, ao longo do tempo, os EUA abandonarem sua política de hostilidade, aceitarem a coexistência pacífica, abandonarem a guerra económica e diplomática contra a Coreia do Norte, então a necessidade de dissuasão nuclear da Coreia do Norte se desvaneceria. Exactamente como isso ocorreria é difícil de prever, mesmo de encarar; os Estados Unidos afinal de conta têm uma má reputação quando se de trata de honrar acordos. A questão chave é saber se Trump aceitará isto. Ele pode muito bem aceitar. Está interessado num Prémio Nobel (um bocado de bajulação aí, presidente Moon!) e no que aparece nos écrans de TV. Ele não está interessado nos pormenores, ou no texto geral. Ele veio directamente de uma desastrosa reunião do G7 no Canadá e pode estar particularmente ansioso para ter um triunfo em Singapura. Além de Kim Jong Un, o actor chave aqui é Mike Pompeo, presidente à espera. Qual será o seu papel? Paz no ar No entanto, mesmo que a cimeira se desfaça, muito progresso foi feito desde que o Discurso de Ano Novo de Kim Jong Un pôs o processo em andamento; a paz está no ar. As relações da Coreia do Norte com a China e a Rússia melhoraram muito e ambas estão cada vez mais relutantes em aceitar as exigências americanas de "pressão máxima". As relações inter-coreanas avançaram (a velocidade com que os dois líderes se uniram após o abortado cancelamento de Trump foi notável). Se os apoiantes de Moon Jae-in se saírem tão bem quanto o esperado nas eleições de 13 de junho, no que é encarado como um referendo sobre suas políticas, então a detente Norte-Sul ganhará um novo ímpeto. A paz pode não estar ali na esquina mas os sinais são nitidamente esperançosos.
11/Junho/2018
[*] Académico neo-zelandês, investigador da geopolítica asiática. Ensina em universidades da Grã-Bretanha, China, Coreia do Sul, Indonésia e Nova Zelândia. Escreveu North Korea: The Struggle against American Power(2005) e Crisis in Korea: America, China and the Risk of War(2011). O original encontra-se em www.zoominkorea.org/... Este artigo encontra-se em https://resistir.info/

Trump ganha sempre

O acordo com Kim Jong-un pode ser mais uma exibição do que uma solução concretizada. Mas o que é evidente é que, em Singapura, Trump está a dizer aos governos europeus e aos seus concorrentes asiáticos que hoje é ele quem manda.
Francisco Louça | Expresso | opinião
Talvez o momento mais revelador da conferência de imprensa de Trump em Singapura, hoje de manhã, tenha sido quando falou na “perspetiva do negócio imobiliário” quanto à vontade de construir “condomínios nas lindas praias da Coreia do Norte”, “maravilhosa localização” entre os turistas da China e os da Coreia do Sul, cheios de dinheiro para irem ao exótico. Eu vi essas praias quando a TV coreana passava as imagens do lançamento dos mísseis, explicou o Presidente norte-americano. Isto é puro Trump: um empresário e não um estadista, que luta contra os concorrentes e promove negócios, mas só considera de modo instrumental a ordem política que resulta da sua ação. Ora, há muitos que o desprezam por isso, ele não faz parte da aristocracia da política, tem maus modos, é petulante, gaba-se do “meu instinto, o meu talento” para ler a alma de Kim Jong-un, é volúvel e incapaz – pois ganha precisamente por isso.
Trump arrisca muito no plano interno, embora esteja a despejar dinheiro para os ricos (um generoso sistema fiscal) e para os pobres (nota-se menos, mas ampliou alguns programas sociais com impacto), só porque juntou uma coligação de aventesmas e esses são os seus candidatos no outono deste ano. Mas arrisca pouco no plano internacional. Aí ganhou tudo até agora: rompeu o acordo com o Irão e Merkel prometeu resistir, mas as empresas europeias já fugiram, a começar pelas que tinham os maiores contratos, a Total e a Airbus; entrou em choque no G7 com todos os outros e Macron, que tinha apostado tudo nos abraços da Casa Branca, veio ufano espanejar um G6 sem os EUA, o que é pura fantasia; mudou a sua embaixada para Jerusalém e deu luz verde a Netanyahu para disparar, e assim ficamos.
E no que arrisca menos é na guerra comercial. Uma economia que tem o poder do dólar e que enfrenta quem tem grandes excedentes comerciais fica sempre a ganhar neste tipo de braço de ferro. Assim foi no passado com Nixon e com Reagan e assim será agora. A Alemanha, a UE e a China sofrerão os custos desta guerra e a economia norte-americana no seu todo só tem a ganhar (mesmo que algumas empresas de jeans e agroalimentar percam). Para mais, Trump tem o controlo do sistema internacional de pagamentos interbancários, pelo que pode usar sanções efetivas contra qualquer empresa, e tem o dólar: os EUA vão emitir dívida pública no valor de 2,4 biliões (triliões, na notação norte-americana) no próximo ano e meio, para financiar o seu gigantesco défice, e os chineses e europeus vão adquirir esses títulos de dívida. Ou seja, vão comprar dólares com os seus excedentes comerciais, para os emprestarem aos EUA, e ficam vulneráveis nos dois lados da operação. Se precisar de reduzir e restruturar a sua dívida, Trump pode forçar uma desvalorização do dólar; querendo reduzir o défice comercial, ameaça os seus concorrentes e consegue pressioná-los nas exportações e no financiamento. Vai sempre recuando na competição com a China, mas não é no imediato que esta potência ultrapassará os EUA, e, quando vier o tempo, já haverá outro inquilino na Casa Branca.
O acordo com Kim Jong-un pode ser mais uma exibição do que uma solução concretizada. Mas o que é evidente é que, em Singapura, Trump está a dizer aos governos europeus e aos seus concorrentes asiáticos que hoje é ele quem manda.

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