Covid-19

Portugal | Liberdade sob ameaça


Paula Ferreira | Jornal de Notícias | opinião

 


"Foi transportado num autocarro, escoltado por um carro policial com os rotativos ligados, para o hotel, ali chegado foi encaminhado para a zona do check-in, tendo-lhe sido atribuído o quarto, altura em que foi informado que não podia sair do quarto, onde teria de permanecer durante os próximos 14 dias. Foi informado que as refeições seriam fornecidas pelo hotel em três momentos definidos do dia, havendo duas alturas em que podia solicitar refeições/snacks adicionais. Acatou o que lhe foi indicado, verificando que havia um agente da PSP à porta de entrada do hotel".

 


Que crime cometeu este homem? Nenhum. E foi vítima de procedimentos próprios de um estado totalitário. A descrição, atrás citada, plasmada no acórdão do Tribunal Constitucional que declarou inconstitucional a quarentena obrigatória à chegada ao Açores, decretada pelo Governo regional, devia fazer-nos arrepiar e motivar ampla reflexão. Ela prova como o medo ganha terreno, tolhe-nos, aceitamos que nos privem da mais básica liberdade sem protesto. A reboque do vírus institucionaliza-se o controlo e a repressão. É bom lembrar que da parte do Governo de Lisboa não se ouviu uma palavra em relação à decisão do executivo liderado pelo socialista Vasco Cordeiro.

 


Em nome do vírus, e do medo de ser contagiado e de contagiar, estamos a soçobrar a uma tirania. Um tirania a transformar cada um de nós no polícia do outro, a deixar que o Mundo se feche, a viver virado para o interior de si próprio, da sua casa, da sua família mais restrita. Em suma, a aceitar docilmente que nos vigiem, que acompanhem os nossos passos, como se isso nos pudesse salvar.

 


Ao contrário do apregoado por muitos, não sairemos melhores desta crise de saúde pública. Pelo contrário. Se nada fizermos, acordaremos num Mundo perigoso e totalitário. Já aconteceu outras vezes.

 


*Editora-executiva-adjunta
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/portugal-liberdade-sob-ameaca.html

Portugal foi o “patinho feio”, mas volta a estar em contraciclo com a Europa (por bons motivos)

Mário Cruz / Lusa

 

Portugal destaca-se agora por apresentar uma tendência de redução de novos casos de infeção pelo novo coronavírus, ao contrário de outros países europeus.

 

Quando o novo coronavírus começou a ganhar terreno no continente europeu, Portugal foi elogiado no estrangeiro. O país apressou-se a fechar-se em casa e conseguiu achatar a curva de novos casos de infeção, além de ter feito esforços para que as mortes pela doença não disparassem.

No entanto, em meados de junho, Portugal foi em contramão e passou a ser o “patinho feio” da Europa.

A análise é do Jornal de Negócios, que escreve esta sexta-feira que o país começou a apresentar números superiores e uma tendência de subida, numa altura em que muitos países europeus viam os casos de covid-19 diminuir.

Agora, a situação parece ter-se invertido novamente. Desde meados de julho, o número de novos casos em Portugal tem descido diariamente, uma realidade que não se verifica noutros países europeus, sublinha o matutino.

Dados do Our World in Data (OWID), analisados pelo Negócios, evidenciam que Portugal tem registado, na última semana, menos de 200 casos diários, ficando abaixo de países como Espanha, França, Itália, Bélgica, Holanda, Alemanha e Suécia.

Mas as boas notícias não transparecem apenas no número de infeções, mas também na tendência: nestes países, o número de infetados está a acelerar diariamente, enquanto que em Portugal está a abrandar.

Esta situação está a fazer com que alguns países europeus voltem a adotar medidas de restrição: é o caso da Catalunha, onde só são permitidos ajuntamentos até 10 pessoas, ou do Leste de França, onde o uso de máscara é obrigatório mesmo ao ar livre. Por sua vez, Antuérpia decidiu impor um “recolher obrigatório” desde o final de julho e nos restaurantes só é permitido que um máximo de quatro pessoas se sente na mesma mesa.

Esta quinta-feira, Portugal registou mais três mortes e 213 novos casos de covid-19. Segundo o boletim diário da Direção-Geral de Saúde, dos 213 novos casos, 147 são na região de Lisboa e Vale do Tejo (69%). No total, o número de pessoas infetadas pela doença é agora de 52.061.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/portugal-contraciclo-europa-bons-motivos-339443

Estratégia da ultradireita é esconder a pandemia

Além da negligência, ocultamento no Brasil, EUA e Reino Unido, multiplicam-se sinais de que os governos omitem dados sobre mortes, falta de medicamentos e até vacinas.

 

Há 15 dias a sociedade não tem informações sobre como andam os estoques de medicamentos necessários ao tratamento de pacientes internados em UTIs. Os últimos dados foram divulgados no dia 20 de julho pelo Conass, o conselho que reúne os secretários estaduais de saúde, e fazem referência ao período entre os dias 12 e 18 daquele mês.

Olhando para cerca de 1,5 mil estabelecimentos de saúde, o Conass diagnosticou que havia desabastecimento generalizado de certos medicamentos, como o relaxante muscular rocurónio, em falta em 96% das unidades. E apontou os estados em pior situação, caso de Acre, Amapá e Roraima – onde estoques de vários medicamentos estavam a poucos dias de acabar. Foi graças à divulgação do levantamento que o Ministério da Saúde admitiu publicamente o problema, que já vinha sendo apontado por gestores estaduais desde maio.

Uma reportagem do El País Brasil alerta que o levantamento tinha previsão de ser atualizado na última segunda-feira.  Mas isso não aconteceu – e, agora, o Conass  afirma que a divulgação dos números cabe ao Ministério. “A pasta, por sua vez, responde com silêncio”, relata o repórter Felipe Betim.

Mas, ao que parece, o problema está longe de uma solução. Na quinta-feira (30), o presidente do Conass sugeriu ao general Eduardo Pazuello que o Ministério acelerasse o processo de compras por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Segundo Carlos Lula, que é secretário estadual de saúde do Maranhão, o pregão voltado para o mercado nacional – anunciado em junho – não só não aconteceu, como pode atrasar. Em resposta, o ministro interino da Saúde se limitou a dizer que há “alternativas” em discussão.

A falta de transparênciado Ministério da Saúde não é exceção à regra do governo federal, que ficou em penúltimo lugar no ranking que avalia a divulgação dos contratos emergenciais feitos durante a pandemia. Em comparação com as 27 unidades da federação e com todas as capitais, coube ao Executivo federal o penúltimo lugar no levantamento feito pela Transparência Internacional. Em uma escala de cem pontos, o governo cravou 49,3.

E quando o assunto é negar de forma genérica os pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação, o governo de Jair Bolsonaro é simplesmente o pior. Também de acordo com a Transparência Brasil – mas em levantamento feito para a coluna Painel, da Folha –, o governo tem recusado sem explicações concretas cerca de 20% dos pedidos.

Em paralelo, tem crescido as denúncias de assédio moral no governo. E o Ministério da Saúde ocupa o terceiro lugar na lista dessas reclamações, atrás de pastas comandadas há muito tempo por ministros da ala extremista, como os ministérios da Mulher, Família e Direitos Humanos e da Educação. Em 2020, já são 680 denúncias – número bem maior do que o registrado em 2019 (426). Para efeito de comparação, no último ano do governo Michel Temer, houve 356 denúncias – ou 20% a menos do que no primeiro ano de Bolsonaro no poder.

“Manto de sigilo”

No Reino Unido, a falta de transparência também é um problema. A denúncia parte de um ganhador do prêmio Nobel, o cientista Paul Nurse. Para ele, o governo de Boris Johnson coloca um “manto de sigilo” sobre aquilo que embasa as principais decisões tomadas na pandemia. Ex-presidente da Royal Society e principal consultor científico da Comissão Europeia, Nurse pontua que, nas coletivas de imprensa, o governo tem usado um comitê científico conhecido pela sigla Sage para passar a impressão de que anda de mãos dadas com as evidências. Só que, atualmente, o Sage é metade composto por funcionários do governo – e, embora representem estruturas da saúde, eles não teriam autonomia para decidir as políticas. Nesse sentido, além de estar fazendo as vezes de “escudo” para os ministros, essas autoridades  podem, no futuro, servir como bode expiatório para medidas sobre as quais não tiveram o poder de bater o martelo.

Ele dá como exemplo a decisão em investir na montagem de um grande laboratório para aumentar a capacidade de testes – o que, diante da urgência da crise, teria se demonstrado um erro previsível porque esse tipo de estrutura demora a ser montada. “Deveria ter ficado claro que levaria muitos meses. Como foi tomada essa decisão? É completamente opaco“, diz ao Guardian.

Já nos Estados Unidos, a coisa ultrapassou o terreno da especulação. O governo de Donald Trump não está divulgando os dados sobre as hospitalizações provocadas pela covid-19. Nós falamos aqui sobre a decisão de mudar o fluxo dessas notificações. Antes enviados ao Centro de Controle de Doenças (CDC), os dados passaram a chegar ao Departamento de Saúde (equivalente do Ministério por lá). Num primeiro momento, essa decisão foi muito criticada porque o CDC disponibiliza um painel público e o Departamento, não.

Depois do escândalo, o governo não só prometeu que as informações continuariam a ser divulgadas, como propagandeou que haveria atualizações minuto a minuto. Mas isso não aconteceu, aponta uma reportagem da Pro Publica. “Em vez disso, a medida criou uma confusão generalizada, deixando alguns estados no escuro sobre a ocupação de seus hospitais e dos leitos de UTI e, pelo menos temporariamente, removeu essas informações das vistas do público. Como resultado, não está claro quantas pessoas estão em tratamento num momento em que o número de pacientes infectados em todo o país está aumentando”, relata o repórter Charles Ornstein.

Também há graves problemas de transparência nos projetos que têm como objetivo acelerar a descoberta de vacinas, testes e tratamentos eficazes contra o coronavírus a partir de investimentos na indústria farmacêutica que já chegam a US$ 9 bilhões. Em primeiro lugar, o governo Trump não divulga nem para o Congresso americano quantos e quais são os contratos existentes sob o guarda-chuva da iniciativa mais cara e famosa (sobre a qual também já falamos algumas vezes por aqui): a operação Warp Speed. Voltada apenas para imunizantes, ela destinou US$ 8 bilhões até agora para sete vacinas.

Pior: as normas do governo federal proíbem a divulgação de informações sobre o processo de avaliação dos projetos, de modo que não dá para saber por que uns são contemplados e outros, não. E também não dá para saber nada sobre a negociação necessária para se estabelecer o valor de cada incentivo financeiro. Além disso, o governo Trump está contratando consultores que têm vínculos com as empresas beneficiadas. E esses contratos não preveem a divulgação de potenciais conflitos de interesse.


Veja completo em Outras Palavras


por Maíra Mathias (Outras Palavras) |    Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/estrategia-da-ultradireita-e-esconder-a-pandemia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=estrategia-da-ultradireita-e-esconder-a-pandemia

100.000 vidas!

 
100.000 brasileiros como eu, como vocês, que tiveram esperança de não ser atacados pelo vírus, que achavam que sobreviveriam, que sairiam vivos dos hospitais, que reencontrariam seus familiares

 

 

Os números já parecem dizer pouco. Diariamente, há alguns meses, morrem mais de mil brasileiros. Mais de 30 mil por mês. Pelo menos um brasileiro morto por minuto.

Todos já fomos considerados manada, números desprezíveis, vítimas de “gripezinha”. Quais de nós morrerá hoje? Quem morrerá amanhã? Quantos chegaremos vivos ao fim deste maldito ano de 2020?

Quantos estaremos incluídos nas cifras reveladas diariamente pelo Jornal Nacional como “vindos a óbito”? Quantos estaremos nos estados de cor vermelha? Quantos assistiremos no dia seguinte ao Jornal Nacional?

Não importa. O que interessa é que quem assaltou a presidência a golpes de fakenews e seus filhos estejam a salvo de processos, de condenações, de prisões, da execração que tanto merecem.

Não importa. Interessa que Paulo Guedes dê continuidade ao processo de dilapidar o patrimônio público, privatizando para empresas estrangeiras a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal?

Interessa o sagrado teto dos gastos, não importa que faltem materiais para que o pessoal de saúde lute para salvar vidas. O teto não são as vidas, são os ajustes fiscais.

 

Interessa que a Bolsa de Valores de São Paulo, a de Nova York e a de Londres respondam positivamente, acionem com sinais de que estamos no bom caminho... para eles.

Interessa que as FFAA estejam ocupando milhares de cargos no governo, para lhe dar “credibilidade” ou, pelo menos, capacidade de impor a ordem dos de cima. Importa que o Ministério da Saúde não seja mais fonte de crises para o governo, impere a ordem militar, em cima das dezenas de milhares de cadáveres de brasileiros mortos desde que eles ocuparam o ministério, deslocando ao extremamente competente pessoal de saúde pública com que o Brasil conta. Interessa que impere a paz dos cemitérios no ministério da saúde também, sem problemas para quem ocupa a presidência.

Interessa que as pessoas tenham mais armas, que se produzam, se vendam e se usem mais armas. Mais armas e menos livros. Mais armas e menos músicas. Mais armas e menos filmes. Mais armas e menos cultura.

 

Como vamos acordar e olhar que os brasileiros mortos pela pandemia, sem acolhimento e apoio do governo para resistir vivos, chega a 100.000? Nossos olhos ficarão embargados de lágrimas, seremos tomados por uma raiva e uma bronca contra os que negligenciam o tamanho e a própria existência do vírus?

Sei que vou chorar, copiosamente, impotente, sabendo que por trás daqueles 100.000 se encontram 100.000 vidas, 100.000 homens, mulheres, jovens, idosos, negros, crianças. 100.000 brasileiros como eu, como vocês, que tiveram esperança de não ser atacados pelo vírus, que achavam que sobreviveriam, que sairiam vivos dos hospitais, que reencontrariam seus familiares, seus entes queridos. Suas mães, seus pais, seus filhos, suas namoradas, seus amigos. Que voltariam à vida que tinham vivido até ali.

100.000 mães e pais sem seus filhos, 100.000 filhos sem suas mães e seus pais. 100.000 estudantes sem seus colegas de escola, sem seus professores, professores sem seus alunos, gente como a gente, gente muito diferente da gente, mas gente, pessoas, seres humanos, que sofrem, que riem, que choram, que torcem pela vida, que tem esperança, que dormem esperando acordar num país melhor, esperando que tudo isto tenha sido um pesadelo ou dois e ter que se enfrentar, a cada dia, com os medos, as ansiedades, as penas, as saudades, os temores, as esperanças.

100.000 crimes cometidos por um governo assassino, que governa para os ricos, para os que estão protegidos do vírus, que governa para os mercados, os daqui e os de fora. Que governa para os milicos, indiferentes ao país e aos brasileiros. Que governa para si mesmo, para os seus, para suas milícias, para suas polícias, que seguem disparando impunemente sobre as populações pobres e negras.

Seremos 100.000 brasileiros menos que no começo da pandemia. Seremos 100.000 a mais do que os que seremos em poucos meses mais.

Teremos que saber transformar nossa bronca, nossa raiva, nosso sofrimento em energia, em atos concretos, em indignação.

“Solo le pido a Dios “Que el dolor no me sea indiferente “Que lo injusto no me sea indiferente “Que la guerra no me sea indiferente

“Que el engano no me sea indiferente

Que as cifras no me sejam indiferentes

Que as mortes não me sejam indiferentes

Que saiamos melhores e não piores disto tudo. Mais e não menos solidários. Mais e não menos capazes de sentirmos as dores e os sofrimentos alheios. Que lutemos mais e não menos para que ninguém se sinta e esteja realmente abandonado, desesperado, triste.

Que os 100.000 não sejam seguidos, impunemente, por outras cifras, por outros tantos zeros, sem que a indignação nos tome por inteiros, a todos, e saiamos a terminar com estes tempos sombrios, a favor da vida, da esperança e da solidariedade.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/100-000-vidas

COVID19. Passageiros aflitos abandonam autocarro 413 por falta de condições

INFERNO. Uma jovem passageira socorre-se de um papel para aliviar o calor dentro do autocarro (Foto CASCAIS24)
Por Redação
04 agosto 2020
Vários passageiros de um autocarro da Scotturb da carreira 413, que saiu do Estoril com destino a Cascais, esta terça-feira, pelas duas horas da tarde, viram-se forçados a sair em Alcabideche por não aguentarem o calor no interior.
 
O autocarro sem janelas de abrir, circulava com as escotilhas fechadas e sem ar condicionado, aparentemente tudo avariado.
 
"Algumas pessoas de idade e até jovens optaram por sair e apanhar outro autocarro, em Alcabideche. Isto é uma vergonha e um atentado à saúde pública em plena pandemia Covid19", denunciou, indignada, a Cascais24, uma utente, segundo a qual "os autocarros não podem andar a circular nestas condições".
 
Vídeo
 
"É urgente que haja fiscalização e alguém ponha cobro a este autêntico atentado à saúde pública", disse, por sua vez, outro utente, indignado com "este estado de coisas".
 
"Devem estar à espera que qualquer dia alguém morra dentro de um autocarro", concluiu, revoltado, o mesmo utente.
 
Não é a primeira vez que utentes das carreiras municipais queixam-se da ausência de condições nos autocarros nos quais viajam.

 
 
 
 
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/blog-page_9051.html

Vulnerabilidades, crise pandémica e superação

«A crise pandémica com que fomos surpreendidos está a atuar como um poderoso revelador[das] vulnerabilidades preexistentes e, ao mesmo tempo, num contexto marcado pela incerteza, a dar indicações quanto a direções de reconfiguração institucional e estrutural capazes de reparar as linhas de fissura de um modelo de desenvolvimento que se tem vindo a revelar insustentável. Caracterizar essas vulnerabilidades na forma que assumem em Portugal, e retirar desse exercício indicações tendentes a robustecer as respostas imediatas (de emergência) e mediatas, estruturais e institucionais é o propósito deste livro. No imediato é indispensável um foco abrangente e direcionado nas respostas de emergência ao impacto socioeconómico da pandemia, mas tal imperativo não pode secundarizar abordagens que, partindo de um enquadramento retrospetivo, fundamentem opções políticas (e de políticas) orientadas para o robustecimento das instituições e das estruturas.»

Manuel Carvalho da Silva

«As consequências socioeconómicas da pandemia COVID-19 não configuram uma simples tradução de um perigo natural que a todos afeta, mas sim o resultado de um conjunto de riscos socialmente construídos e potenciados. Mesmo quando têm origens naturais, os riscos manifestam-se na esfera social, económica e política assimetricamente. (...) Para além do diagnóstico das vulnerabilidades estruturais que afetam a sociedade portuguesa e a colocam numa situação particularmente frágil no atual contexto, promove-se neste livro uma reflexão crítica em torno das políticas emergenciais adoptadas e apontam-se caminhos de política pública que possam contribuir para o robustecimento do tecido económico, a melhoria da qualidade do emprego e a redução das desigualdades.»

José Castro Caldas, Ana Alves da Silva e Frederico Cantante

Leitura essencial para os tempos de pandemia que estamos a atravessar, o mais recente estudo do CoLABOR analisa «As consequências socioeconómicas da Covid-19 e a sua desigual distribuição», numa versão ebook de acesso gratuito. Se a avaliação dos impactos do surto pandémico propriamente dito - sobretudo nas atividades, no emprego e nos rendimentos - não descura o reconhecimento da importância e do peso das fragilidades pré-existentes, também as respostas - de emergência e as mais estruturantes - são objeto de um olhar crítico e exigente, que analisa os riscos de um keynesianismo de exceção e discute a capacidade de estabelecer, a partir das interpelações profundas que a crise coloca, as mudanças que conduzam a uma economia e uma sociedade mais decentes e menos desiguais.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Ministro da Saúde recebe defensores do uso de ozônio pelo ânus para tratar Covid-19

 

A prática ganhou notoriedade após defesa feita pelo prefeito de Itajaí de aplicação do tratamento por via retal, que não tem qualquer comprovação científica

 

 

Luciana Lima, Metrópoles -O ministro daSaúde, Eduardo Pazuello,recebeu na última segunda-feira (3/8) defensores do uso do ozônio como forma de tratamento para o coronavírus. A prática já é usada em hospitais do sul do país e ganhou notoriedade após o prefeito de Itajaí (SC), Volnei Morastoni, defender a aplicação do gás pelo ânus.

Segundo o prefeito, que gravou um vídeo que viralizou nas redes sociais, esta é uma forma efetiva de se conter o avanço da doença. Embora não haja eficácia comprovada, o prefeito informou que oferece o tratamento para pacientes infectados em hospitais de Itajaí.

https://twitter.com/gentedemal/status/1290468545797787649?ref_src=twsrc%5Etfw

Leia mais no Metrópoles.

Com 2.809.321 casos confirmados, Brasil tem 96.113 mortes por Covid-19

 

O Brasil tem 2.809.321 casos confirmados e 96.113 mortes por Covid-19 até as 8h desta quarta-feira, de acordo com dados das secretarias estaduais de Saúde. O balanço mais recente divulgado no dia anterior apontou 2.808.076 infectados e 96.096 óbitos por Covid-19, 1.394 em 24 horas

 

 

247 - O Brasil tem 2.809.321 casos confirmados e 96.113 mortes por Covid-19 até as 8h desta quarta-feira (5), de acordo com levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados consolidados das secretarias estaduais de Saúde. A informação é do portal G1.

O balanço mais recente divulgado na terça-feira (4), às 20h, apontou 2.808.076 infectados e 96.096 mortes por Covid-19, 1.394 em 24 horas. A média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.066,acrescenta a reportagem.

O levantamento foi apurado por um consórcio inédito formado entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, com dados das secretarias estaduais de saúde. A iniciativa dos veículos de comunicação foi desenvolvida a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde na gestão do interino Eduardo Pazuello.

 

América Latina passa Europa e tem maior número de mortos por COVID-19 no mundo, diz agência

Agentes funerários carregam caixão de vítima da COVID-19 em Bogotá, na Colômbia.
© AP Photo / Ivan Valencia

A América Latina tornou-se a região do mundo com o maior números de mortos decorrentes da pandemia da COVID-19 ao ultrapassar o continente europeu.

Os dados foram publicados nesta quarta-feira (5) pela agência de notícias Reuters, que realizou um levantamento baseado em dados oficiais.

A região já registrou mais de 206 mil mortes pela COVID-19, o que corresponde a 30% do total mundial.

Na última semana a América Latina tinha se tornado a região do mundo mais afetada em número de casos. Na segunda-feira (5) mais de 5 milhões de pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus na região.

O Brasil é o país mais afetado pela pandemia da COVID-19 na região, com 95.819 mortes causadas pela doença contabilizadas até esta terça-feira (4).

Em segundo lugar aparece o México com 48.869 óbitos, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Houve também aumento no número de casos e de mortes em países como Colômbia, Peru, Argentina e Bolívia.

O vírus infectou mais de 18,5 milhões de pessoas no mundo e o número de mortos globalmente passa de 701 mil.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020080515909262-america-latina-passa-europa-e-tem-maior-numero-de-mortos-por-covid-19-no-mundo-diz-agencia/

Pandemia: a estratégia da ultradireita é esconder

 

Além da negligência, ocultamento No Brasil, EUA e Reino Unido, multiplicam-se sinais de que os governos omitem dados sobre mortes, falta de medicamentos e até vacinas. E mais: acirra-se a disputa pelas vacinas contra a covid-19

Maíra Mathias | Outras Palavras

CAIXA-PRETA

Há 15 dias a sociedade não tem informações sobre como andam os estoques de medicamentos necessários ao tratamento de pacientes internados em UTIs. Os últimos dados foram divulgados no dia 20 de julho pelo Conass, o conselho que reúne os secretários estaduais de saúde, e fazem referência ao período entre os dias 12 e 18 daquele mês. 

Olhando para cerca de 1,5 mil estabelecimentos de saúde, o Conass diagnosticou que havia desabastecimento generalizado de certos medicamentos, como o relaxante muscular rocurónio, em falta em 96% das unidades. E apontou os estados em pior situação, caso de Acre, Amapá e Roraima – onde estoques de vários medicamentos estavam a poucos dias de acabar. Foi graças à divulgação do levantamento que o Ministério da Saúde admitiu publicamente o problema, que já vinha sendo apontado por gestores estaduais desde maio. 

Uma reportagem do El País Brasil alerta que o levantamento tinha previsão de ser atualizado na última segunda-feira.  Mas isso não aconteceu – e, agora, o Conass  afirma que a divulgação dos números cabe ao Ministério. “A pasta, por sua vez, responde com silêncio”, relata o repórter Felipe Betim. 

Mas, ao que parece, o problema está longe de uma solução. Na quinta-feira (30), o presidente do Conass sugeriu ao general Eduardo Pazuello que o Ministério acelerasse o processo de compras por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Segundo Carlos Lula, que é secretário estadual de saúde do Maranhão, o pregão voltado para o mercado nacional – anunciado em junho – não só não aconteceu, como pode atrasar. Em resposta, o ministro interino da Saúde se limitou a dizer que há “alternativas” em discussão.

A falta de transparência do Ministério da Saúde não é exceção à regra do governo federal, que ficou em penúltimo lugar no ranking que avalia a divulgação dos contratos emergenciais feitos durante a pandemia. Em comparação com as 27 unidades da federação e com todas as capitais, coube ao Executivo federal o penúltimo lugar no levantamento feito pela Transparência Internacional. Em uma escala de cem pontos, o governo cravou 49,3.

E quando o assunto é negar de forma genérica os pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação, o governo de Jair Bolsonaro é simplesmente o pior. Também de acordo com a Transparência Brasil – mas em levantamento feito para a coluna Painel, da Folha –, o governo tem recusado sem explicações concretas cerca de 20% dos pedidos

Em paralelo, tem crescido as denúncias de assédio moral no governo. E o Ministério da Saúde ocupa o terceiro lugar na lista dessas reclamações, atrás de pastas comandadas há muito tempo por ministros da ala extremista, como os ministérios da Mulher, Família e Direitos Humanos e da Educação. Em 2020, já são 680 denúncias – número bem maior do que o registrado em 2019 (426). Para efeito de comparação, no último ano do governo Michel Temer, houve 356 denúncias – ou 20% a menos do que no primeiro ano de Bolsonaro no poder.

“MANTO DE SIGILO”

 

No Reino Unido, a falta de transparência também é um problema. A denúncia parte de um ganhador do prêmio Nobel, o cientista Paul Nurse. Para ele, o governo de Boris Johnson coloca um “manto de sigilo” sobre aquilo que embasa as principais decisões tomadas na pandemia. Ex-presidente da Royal Society e principal consultor científico da Comissão Europeia, Nurse pontua que, nas coletivas de imprensa, o governo tem usado um comitê científico conhecido pela sigla Sage para passar a impressão de que anda de mãos dadas com as evidências. Só que, atualmente, o Sage é metade composto por funcionários do governo – e, embora representem estruturas da saúde, eles não teriam autonomia para decidir as políticas. Nesse sentido, além de estar fazendo as vezes de “escudo” para os ministros, essas autoridades  podem, no futuro, servir como bode expiatório para medidas sobre as quais não tiveram o poder de bater o martelo.

Ele dá como exemplo a decisão em investir na montagem de um grande laboratório para aumentar a capacidade de testes – o que, diante da urgência da crise, teria se demonstrado um erro previsível porque esse tipo de estrutura demora a ser montada. “Deveria ter ficado claro que levaria muitos meses. Como foi tomada essa decisão? É completamente opaco“, diz ao Guardian. 

Já nos Estados Unidos, a coisa ultrapassou o terreno da especulação. O governo de Donald Trump não está divulgando os dados sobre as hospitalizações provocadas pela covid-19. Nós falamos aqui sobre a decisão de mudar o fluxo dessas notificações. Antes enviados ao Centro de Controle de Doenças (CDC), os dados passaram a chegar ao Departamento de Saúde (equivalente do Ministério por lá). Num primeiro momento, essa decisão foi muito criticada porque o CDC disponibiliza um painel público e o Departamento, não. 

Depois do escândalo, o governo não só prometeu que as informações continuariam a ser divulgadas, como propagandeou que haveria atualizações minuto a minuto. Mas isso não aconteceu, aponta uma reportagem da Pro Publica. “Em vez disso, a medida criou uma confusão generalizada, deixando alguns estados no escuro sobre a ocupação de seus hospitais e dos leitos de UTI e, pelo menos temporariamente, removeu essas informações das vistas do público. Como resultado, não está claro quantas pessoas estão em tratamento num momento em que o número de pacientes infectados em todo o país está aumentando”, relata o repórter Charles Ornstein.    

Também há graves problemas de transparência nos projetos que têm como objetivo acelerar a descoberta de vacinas, testes e tratamentos eficazes contra o coronavírus a partir de investimentos na indústria farmacêutica que já chegam a US$ 9 bilhões. Em primeiro lugar, o governo Trump não divulga nem para o Congresso americano quantos e quais são os contratos existentes sob o guarda-chuva da iniciativa mais cara e famosa (sobre a qual também já falamos algumas vezes por aqui): a operação Warp Speed. Voltada apenas para imunizantes, ela destinou US$ 8 bilhões até agora para sete vacinas.

Pior: as normas do governo federal proíbem a divulgação de informações sobre o processo de avaliação dos projetos, de modo que não dá para saber por que uns são contemplados e outros, não. E também não dá para saber nada sobre a negociação necessária para se estabelecer o valor de cada incentivo financeiro. Além disso, o governo Trump está contratando consultores que têm vínculos com as empresas beneficiadas. E esses contratos não preveem a divulgação de potenciais conflitos de interesse.

MEIO DE CAMINHO

Na sexta, o Ministério da Saúde, a Fiocruz e a farmacêutica AstraZeneca assinaram o memorando de entendimento que alinha os detalhes para a produção da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford. O documento é um meio de caminho entre as negociações iniciadas em junho e o acordo final, que deve ser fechado na semana que vem. E, segundo a Fiocruz, traz uma ótima notícia ao prever o “total domínio tecnológico” para que a fábrica Bio-Manguinhos tenha condições de produzir a vacina de forma independente. 

Dá para ver a importância dessa perna da negociação pelos valores estabelecidos. A transferência da tecnologia custa mais do que o dobro do processamento de cem milhões de doses da vacina (R$ 1,3 bilhão contra R$ 522 milhões). Além desses valores, serão repassados R$ 95,6 milhões para que a Fiocruz faça as adaptações necessárias tanto na área de produção da fábrica, quanto na área de controle de qualidade. 

Se a vacina – que está na fase 3 de testes – demonstrar eficácia, a produção de 30 milhões de doses começa em dezembro deste ano. As outras 70 milhões ficam para o primeiro semestre de 2021. Tudo isso será distribuído de graça, pelo SUS. “Sabemos que há incerteza sobre os resultados da última fase de testes clínicos, mas estamos otimistas porque a tecnologia desenvolvida pela Universidade de Oxford ultrapassou fases importantes que demonstraram sua segurança e potencial eficácia”, escreveu Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, na Folha. 

Um levantamento da Bloomberg aponta que as nações ricas já garantiram 1 bilhão de doses das principais candidatas a vacina. O último acordo foi fechado entre Japão com a Pfizer, garantindo ao país 120 milhões de doses no primeiro semestre do ano que vem.

Falando nisso: o ministro interino, Eduardo Pazuello, se reuniu na semana passada com representantes da Pfizer. Mas, segundo o colunista Lauro Jardim, a conversa “se resumiu a um mero gesto de aproximação”.

PULANDO ETAPAS

Há cinco candidatas a vacina na fase 3 dos testes clínicos: além do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford e patenteado pela AstraZeneca, há a vacina da chinesa Sinovac – que tem acordo de transferência de tecnologia e produção com o Instituto Butantan. Outras duas são da também chinesa Sinopharm, que é estatal, e estão sendo desenvolvidas em parceria com institutos de pesquisa em Wuhan e Pequim. A quinta iniciativa, da Universidade de Melbourne, não é exatamente contra o coronavírus, mas usa a vacina BCG de maneira a aumentar a capacidade do sistema imune. Outras 13 candidatas estão na fase 2

No sábado, o ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko, anunciou que o país deve iniciar vacinação em massa contra o novo coronavírus em outubro. Só que a vacina russa ainda nem passou dos resultados da fase 2, quando a segurança ainda está sendo avaliada. Apesar de ser o caso mais grave, o governo de Vladimir Putin não está sozinho nesse tipo de conduta. Uma subsidiária da Sinopharm tem incentivado a vacinação de funcionários públicos antes do final da fase 3 dos testes clínicos.

No setor privado, chama atenção a estratégia do maior fabricante de vacinas do mundo, o Serum Institute. Baseada na Índia, a empresa aposta na vacina de Oxford e está produzindo 500 doses dela por minuto. O objetivo é que centenas de milhões de doses estejam prontas para venda se a vacina passar da fase 3.  

Em tempo: um estudo publicado quinta-feira na Science mostrou que nos países onde a BCG é aplicada logo após o nascimento, a taxa de infecções e o número de óbitos foi menor nos 30 dias depois do primeiro caso ser notificado. No Brasil, a pesquisa concluiu que a quantidade de mortes computada até 15 de abril seria 14 vezes maior caso a BCG não estivesse no calendário nacional de vacinação. 

BRASIL

Cinco meses depois do início oficial da epidemia, 98% dos municípios brasileiros já registraram alguma infecção pelo novo coronavírus. Apenas 128 cidades seguiam sem registros até 30 de julho. 

A velocidade de espalhamento do Sars-CoV-2 foi tremenda. Uma pesquisa publicada na sexta na revista Nature Human Behaviour aponta que, por aqui, cada infectado transmitia o vírus para outras três pessoas. Essa altíssima taxa correu ao longo dos três primeiros meses de epidemia – e superou aquelas encontradas em países que tiveram graves problemas, como Itália, Espanha, Reino Unido e França.  

Com outra diferença: depois de rigorosas medidas de isolamento social, esses países conseguiram derrubar as taxas para abaixo de 1. Por aqui, seguimos sem atingir esse feito. E, pela segunda semana consecutiva, a Fiocruz vê crescimento no número de casos de Síndrome Respiratória Agida Grave (SRAG) em estados onde, supostamente, o pior já teria passado: Rio, Maranhão e Amapá. A alta, que atinge também as suas capitais, é creditada à reabertura econômica. Já o Laboratório de Inteligência em Saúde da USP Ribeirão Preto vê tendência de alta no país inteiro, a partir da análise das estatísticas do Ministério da Saúde. Embora não tenha valor científico, um levantamento feito por uma empresa preocupa ao apontar que um em cada três brasileiros voltou a ir a festas ou reuniões familiares.

Se os novos casos não param de surgir, parte dos pacientes contabilizados como “recuperados” pelo governo federal estão longe dessa definição. Médicos da Unicamp alertam que já há um fluxo de pessoas com sequelas da covid-19 procurando atendimento nas unidades de emergência e na atenção básica. Dentre os problemas verificados, estão a diminuição da função respiratória. É de se esperar que uma quantidade nada pequena de pessoas vá precisar de atendimento contínuo para lidar com essa e outras limitações. 

E começam a ser divulgados os primeiros casos  no Brasil da síndrome inflamatória rara ligada à infecção pelo novo coronavírus em crianças. Uma reportagem do Estadão mostra que só na UTI pediátrica do Hospital Pedro Ernesto, da UERJ, foram atendidas oito crianças com essa inflamação sistêmica já relatada nos EUA e no Reino Unido. Os sintomas são febre, conjuntivite, manchas no corpo, vermelhidão na sola dos pés e na palma das mãos. Os cientistas ainda não sabem explicar por que acontece.

É o tipo de drama que o presidente Jair Bolsonaro prefere ignorar. Na sexta, ele voltou a fazer pouco do sofrimento alheio. “Infelizmente, acho que quase todos vocês vão pegar um dia. Tem medo do quê? Enfrenta!”, disse a apoiadores em Bagé (RS), uma das paradas do tour que está fazendo pelo Brasil como se estivesse em campanha eleitoral

O país registrou 514 mortes pela covid-19 e 24.746 novos casos da doença no domingo. Nos aproximamos das 95 mil mortes e já passamos dos 2,7 milhões de infecções.

AMIGOS E PARENTES

O deputado federal Túlio Gadêlha (PDT-PE) enviou um requerimento ao Ministério da Saúde questionando a nomeação de Paula Amorim para chefia do núcleo estadual da pasta em Pernambuco. Aamiga do general Eduardo Pazuello não tem experiência na área, mas parece ter vivência na high society, segundo apuração do colunista Ricardo Noblat. Realmente, é o que o SUS precisa em uma pandemia…

E a filha do ministro interino, Stephanie dos Santos Pazuello, que conseguiu um cargo na saúde da Prefeitura do Rio apesar de também não ter experiência na área, aparece nos registros do governo como solicitante do auxílio emergencial. O Globo verificou a informação nos sites do Dataprev, da Caixa Econômica e no Portal da Transparência. Segundo a reportagem, o pedido chegou a ser aprovado, mas não foi liberado porque os sistemas detectaram inconsistências no cadastro dela. Nenhum dos Pazuello quis comentar o assunto.

É HOJE

O Supremo Tribunal Federal volta do recesso hoje com o julgamento da ação que pretende obrigar o governo federal a fazer seu trabalho e implementar medidas de combate e monitoramento do avanço do novo coronavírus nas aldeias. No início de julho, o relator da ação, ministro Luís Roberto Barroso, já havia concedido uma medida cautelar dando razão ao pleito da Articulação dos Povos Indígenas (Apib) e dos partidos PSB, PSOL, PCdoB, Rede, PT e PDT. 

No Globo, as lideranças indígenas Sonia Guajajara , Angela Kaxuyana e Beto Marubo denunciam que a inação do governo: “Sentimo-nos atados a uma bomba-relógio. O ministro Luís Roberto Barroso acolheu e se tornou relator de nossa APDF em 8 de julho, quando também determinou que o Executivo tomasse imediatamente cinco medidas para nos proteger. (…) Nestes 21 dias tivemos apenas duas reuniões com representantes do Executivo – e o fato de Barroso ter indicado a necessidade de um observador externo para acompanhar a segunda diz muito sobre o que aconteceu na primeira –, nenhuma medida concreta foi tomada, 137 de nós morreram, 7.667 caíram doentes,  e hoje há 143 povos atingidos, mais da metade do total.”

A ação será examinada pelo plenário a partir das 15h. 

DE OLHO NO LOBBY

Antes da pandemia, uma outra síndrome que atacava os pulmões mereceu muita atenção. A doença, sobre a qual ainda não se conhecem os detalhes, foi ligada ao consumo de cigarros eletrônicos. Explodiu nos EUA, onde quase 70 pessoas morreram e outras 2,8 mil foram internadas com sérias lesões pulmonares até fevereiro deste ano. Por lá, a síndrome que atacou principalmente os mais jovens impulsionou um debate sobre a proibição desses dispositivos, que viraram a principal aposta da indústria tabagista para atrair novas gerações e também pessoas que querem parar de fumar cigarros comuns. O marketing por trás do vaping – desmontado pelo escândalo das internações e mortes – era de que ele faria menos mal do que a forma tradicional de consumir tabaco. Essa ‘agenda’, digamos assim, chegou ao Brasil – como mostra uma reportagem do site O Joio e O Trigo. Só no ano passado, diversos congressos científicos, como o da Sociedade Brasileira de Cardiologia, tiveram presença dos braços de pesquisa das grandes empresas do setor. Tudo feito para convencer os médicos a incorporarem o dispositivo no rol das estratégias usadas no tratamento do tabagismo, embora o cigarro eletrônico seja proibido por aqui.

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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/pandemia-estrategia-da-ultradireita-e.html

Reino Unido regista oito mortos e 744 novos casos de Covid-19

02/08/2020
 
 

O Reino Unido registou oito mortes e 744 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, elevando para 304.695 o número total de infeções e 46.201 o de óbitos divulgou hoje o Ministério da Saúde britânico.

Estes números colocam o Reino Unido como o país da Europa mais afetado pela pandemia e o quarto do mundo.

No entanto, segundo assegurou o secretário de Estado da Habitação e das Comunidades, Robert Jenrick, citado pela agência Efe, o executivo conservador, liderado por Boris Johnson, não tem intenções de adotar “medidas extremas”, como seria o regresso do confinamento a grande escala.

As garantias de Robert Jenrick surgem depois de alguns jornais ingleses terem noticiado que o primeiro ministro, Boris Johnson, avalia a possibilidade de os idosos e pessoas de risco voltarem ao isolamento, sobretudo na cidade de Londres, para evitar uma segunda onda do vírus.

Segundo estes jornais, Boris Johnson terá solicitado um plano específico de ação e presidiu uma reunião de emergência para avaliar um cenário de uma segunda onda, de forma a travar os eventuais efeitos na recuperação da economia.

“São apenas especulações”, garantiu Robert Jenrick.

Os números hoje divulgados pelo Ministério da Saúde britânico dão conta de um número total de 304.695 contágios e 46.201 mortes, oito das quais nas últimas 24 horas.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 685 mil mortos e infetou mais de 17,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/08/02/reino-unido-regista-oito-mortos-e-744-novos-casos-de-covid-19/

Cuba reabre fronteiras e recebe primeiros turistas desde Abril

As autoridades cubanas dão por controlada a epidemia de Covid-19 na ilha e reabrem as portas da Pérola do Caribe ao turismo internacional, uma das mais importantes fontes de divisas do país.

Navio de cruzeiro em Havana. Foto de arquivo.Créditos / Univisión

Este sábado, dia primeiro de Agosto, Cuba recebeu os primeiros turistas estrangeiros desde que, em Abril, encerrara as suas fronteiras devido à pandemia global do coronavírus.

A chegada do voo, procedente das Bahamas, foi anunciada no twitter do Ministério do Turismo, que desejou aos recém-chegados que desfrutassem de Cayo Santa Maria e Cayo Coco, sinalizando que os visitantes foram recebidos «com a implementação dos protocolos necessários para garantir a sua segurança e satisfação».

No passado mês de Julho a epidemia foi dada como dominada na ilha e reabriram oficialmente as fronteiras, mas o tráfego turístico tardava em reatar-se, pelo que as autoridades cubanas de Turismo desenvolveram um processo de certificação de vários hotéis como «instalações seguras» para os turistas.

O processo de segurança dos turistas inicia-se à sua chegada ao país, com a realização de testes na fronteira, e prossegue com acompanhamento médico na zona de alojamento.

Os protocolos sanitários cubanos estabelecem, para os trabalhadores em contacto com os turistas, o uso obrigatório de máscara e o estabelecimento de turnos de uma semana, a seguir aos quais o pessoal dos hotéis permanece em casa, enquanto recebem testes rápidos à Covid-19.

A reactivação do turismo internacional é de grande importância para a obtenção de divisas pela ilha do Caribe, que sofre há décadas um inumano bloqueio económico por parte dos EUA, onde mesmo produtos como os internacionalmente famosos rum e charutos cubanos estão proibidos de serem importados.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/cuba-reabre-fronteiras-e-recebe-primeiros-turistas-desde-abril

Estudo explica por que pacientes não podem usar hidroxicloroquina e cloroquina para tratar COVID-19

Medicamento hidroxicloroquina, defendido pelos líderes dos EUA, Donald Trump, e Jair Bolsonaro no Brasil, nos últimos meses, como possível tratamento para pessoas infectadas pela doença do coronavírus (COVID-19), é exposto por um farmacêutico na Farmácia Rock Canyon em Provo, Utah, EUA, 27 de maio de 2020
© REUTERS / George Frey

Segundo a pesquisa realizada por cientistas na Alemanha, os tratamentos impedem o avanço do coronavírus em macacos-verdes africanos, mas não em humanos.

Nem a hidroxicloroquina, nem a cloroquina são eficazes em prevenir a propagação do novo coronavírus em um corpo humano, segundo afirma uma versão pré-impressão de um estudo na Alemanha publicado na quarta-feira (22) na revista científica Nature.

Normalmente o SARS-CoV-2 entra no corpo de uma pessoa ligando sua proteína espigão ao receptor ACE2 das células humanas, ou então se absorvendo em alguns compartimentos especiais de células chamadas endossomas, refere o site The Conversation.

"Dependendo do tipo de célula, [...] as células renais necessitam de uma enzima chamada catepsina L para que o vírus as infecte com sucesso. Nas células pulmonares, porém, é necessária uma enzima chamada TMPRSS2 (na superfície da célula). A catepsina L requer um ambiente ácido para funcionar e permitir que o vírus infecte a célula, o mesmo não sendo o caso com a TMPRSS2", de acordo com Katherine Seley-Radtke, autora do artigo.

Ao contrário das células renais do macaco-verde africano (Chlorocebus sp.), em que ambos os medicamentos reduzem a acidez e desativam a enzima catepsina L, as células pulmonares dos humanos têm níveis muito baixos da enzima catepsina L. Como essa enzima não é controlada pela acidez, nem a hidroxicloroquina nem a cloroquina podem bloquear o vírus de infectar os pulmões ou impedir sua replicação.

Assim, a hidroxicloroquina é eficaz em prevenir que o vírus se espalhe nas células renais do macaco-verde africano, mas é incapaz de o fazer nas células pulmonares humanas, o local de infeção principal do coronavírus, conclui a equipe de cientistas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2020080315899773-estudo-explica-por-que-pacientes-nao-podem-usar-hidroxicloroquina-e-cloroquina-para-tratar-covid-19/

Braga Netto é o sétimo ministro do governo Bolsonaro a testar positivo para o novo coronavírus

Ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, testou positivo para o novo coronavírus. Em nota, a assessoria de imprensa da pasta afirmou que Braga Netto "passa bem e está assintomático" e seguirá trabalhando de forma remota

 

 

247 -O ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, testou positivo para o novo coronavírus. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, Braga Netto "passa bem e está assintomático" e irá trabalhar de forma remota. Ele é o sétimo ministro do governo Jair Bolsonaro a ser diagnosticado com a doença.

"O ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Braga Netto, recebeu nesta segunda-feira (3/8) a confirmação de que testou positivo para a COVID-19. O ministro passa bem e está assintomático. Ele ficará em isolamento até novo teste e avaliação médica. Até lá, continuará cumprindo a sua agenda de forma remota", diz a nota.

Além dele, os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Milton Ribeiro (Educação), Onyx Lorenzoni (Cidadania), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) também tiveram diagnóstico positivo para o novo coronavírus.

 

Quais países já estão na 2ª onda da epidemia de COVID-19?

Homem alimenta pombos em Bogotá, Colômbia, se precavendo da COVID-19 ao usar uma máscara
© AP Photo / Fernando Vergara

Diversos países que pareciam ter colocado o vírus sob controle estão reportando novos picos de infecções.

Na semana passada, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, declarou que uma segunda onda de infecções pelo novo coronavírus já poderia ter começado na Europa.

Expectativas de que a segunda onda de infecções pelo SARS-CoV-2 poderia chegar ao Velho Continente somente no inverno do hemisfério norte se provaram excessivamente otimistas. Estatísticas sugerem que diversos países já registram nova onda de propagação da COVID-19.

"A pandemia continua acelerando", declarou o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus. "Nas últimas seis semanas, o número de casos praticamente dobrou".

Mundialmente, o número de casos ultrapassou os 18 milhões e não para de subir. A OMS reconhece que essa é "de longe a emergência sanitária mais severa" que a organização já teve que enfrentar.

Espanha

Os casos mais preocupantes são o de países como a Espanha, que pareciam ter sido bem-sucedidos em controlar a propagação do novo coronavírus. No entanto, o número de novos casos diários de infectados com a COVID-19 no país aumentou em mais de cinco vezes desde o início de julho.

Em função da alta, autoridades do Reino Unido introduziram quarentena obrigatória em seu território a pessoas oriundas da Espanha, o que poderá gerar prejuízo ao setor de turismo espanhol, essencial para o desempenho econômico de Madri.

Mulher tem amostra de zaragatoa colhida durante teste para coronavírus (que provoca a doença COVID-19) em um centro de cuidados primários em Madri, Espanha, 24 de julho de 2020

 

© REUTERS / Sergio Perez
Teste de coronavírus em Espanha

Após ter atingido um pico de 7.902 casos diários em 31 de março deste ano, Madri conseguiu contornar a situação e registrar somente 291 casos em 9 de junho.

No entanto, esse bom resultado parece ter ficado para trás. Desde o início de julho, o número de novos casos reportados diariamente não para de subir e atingiram 1.738 no dia 24 de julho.

França

As estatísticas francesas também apontam que uma segunda onda pode estar emergindo. Desde a segunda metade de junho, o número de novos casos diários dobrou.

Paris registrou o pico da primeira onda de COVID-19 em 2 de abril, com 4.537 novos casos registrados diariamente. Em 9 de junho, somente 300 casos foram reportados, o que foi considerado um sucesso pelas autoridades locais. Mas, desde estão, os números só pioraram, e a França registrou 836 novos casos em 25 de julho.

 

Habitantes de Paris caminhando com máscaras de proteção contra coronavírus na França

© AP Photo / Francois Mori
Habitantes de Paris caminhando com máscaras de proteção contra coronavírus na França

Assim como no caso espanhol, ainda é cedo para estimar se a segunda onda será tão severa quanto a primeira onda de infecções pelo novo coronavírus, controlada por meio da imposição de quarentenas severas em ambos os países.

Israel e Irã

Os dados de Israel também apontam para a possibilidade de uma nova onda de COVID-19. Ao contrário de França e Espanha, no entanto, o número de casos registrado no pico da primeira onda – 633 casos em 7 de abril – é inferior ao nível registrado na atual segunda onda: 1.717 novos casos em 25 de julho.

 

Crianças usando máscaras brincam na água ao longo da costa do mar Mediterrâneo ao visitarem a praia de Zikim, em meio à disseminação do coronavírus, no sul de Israel, 21 de julho de 2020

© REUTERS / Amir Cohen
Crianças usando máscaras brincam na água ao longo da costa do mar Mediterrâneo

O primeiro país a entrar em uma segunda onda de infecções por COVID-19 foi o Irã. Apesar de não ter logrado registrar níveis inferiores a mil casos diários por um período significativo, os dados divulgados por Teerã mostram que o país vive uma segunda onda de infecções pelo novo coronavírus desde maio deste ano. Nesse caso, a segunda onda está se provando mais longa do que a primeira.

Países ainda na primeira onda?

Alguns países ainda não foram capazes de controlar a primeira onda de infecções pelo novo coronavírus. Os EUA, o país mais atingido pela COVID-19, registrou uma queda no número de casos em maio, interpretada como uma possível retração da primeira onda.

No entanto, essa retração não foi significativa e os EUA não registraram menos de 20 mil casos diários por nem um dia. Desde meados de junho, Washington registra uma alta significativa no número de casos, que ultrapassa diariamente a marca de 65 mil desde 17 de julho.

Manifestantes protestam contra a resposta do governo dos EUA à epidemia de COVID-19, em frente ao clube de golfe de Donald Trump, em Sterling, no estado norte-americano da Virginia, 2 de agosto de 2020

 

© REUTERS / Cheriss May
Manifestantes protestam contra a resposta do governo dos EUA à epidemia de COVID-19, em frente ao clube de golfe de Donald Trump, em Sterling, no estado norte-americano da Virginia, 2 de agosto de 2020

A África do Sul tampouco apresenta o padrão de ondas de infecção registrado na França e Espanha. Desde meados de maio, a curva de novas infecções de Joanesburgo está em ascensão, atingindo 12 mil casos em 20 de julho, informou o jornal britânico The Independent.

Mesmo padrão é observado na Índia, que ainda não parece ter atingido o pico da primeira onda de infecções. Com 47 mil novos casos registrados em 27 de julho, Nova Déli é o terceiro país com maior número de casos mundialmente, atrás somente de EUA e Brasil.

 

Hinduístas fazem oferendas de água e leite para Shiva Lingam, na cidade de Amritsar, Índia, 6 de julho de 2020

© AFP 2020 / Narinder Nanu
Hinduístas fazem oferendas de água e leite para Shiva Lingam, na cidade de Amritsar, Índia, 6 de julho de 2020

A tendência mundial é muito mais similar à indiana do que à espanhola ou francesa, apontam os dados da OMS. Se no final de maio cerca de 100 mil casos eram registrados diariamente no mundo, atualmente essa marca passa dos 250 mil.

A pandemia de COVID-19 já infectou ao menos 18 milhões de pessoas e fez 189.625 vítimas fatais mundialmente, segundo a Universidade Johns Hopkins, EUA. Os países com maior número de mortes são EUA, Brasil e México.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2020080315899334-quais-paises-ja-estao-na-2-onda-da-epidemia-de-covid-19/

Portugal sem registo de mortes nas últimas 24 horas. Há 106 novos casos

Daniel Pockett / EPA

 

Portugal regista, esta segunda-feira, mais 106 novos casos de infeção por covid-19 em relação a domingo e nenhuma morte, mostra o boletim diário da Direção-Geral de Saúde (DGS).

 

Segundo o boletim diário da Direção-Geral de Saúde, dos 106 novos casos, 66 são na região de Lisboa e Vale do Tejo (62,2%). No total, o número de pessoas infetadas pela doença é agora de 51.569.

Na região Norte há mais 17 infetados do que nas últimas 24 horas, no Centro há mais 10 casos, no Alentejo há mais dois e no Algarve há mais cinco doentes. O arquipélago dos Açores regista mais um caso e a Madeira mais cinco.

Pela primeira vez, desde 16 de março, não há registo de mortes por covid-19. Estão, assim, confirmadas 1738 mortes, o mesmo número deste domingo.

Neste momento, existem 390 doentes internados (mais 12 do que ontem), dos quais 42 estão nos cuidados intensivos (mais um do que ontem). O boletim da DGS também aponta para mais 127 doentes recuperados, verificando-se já um total de 37.111 pessoas.

Há ainda 36.481 pessoas em vigilância pelas autoridades de saúde e 1423 aguardam resultado laboratorial para saber se estão, ou não, infetadas.

ZAP //

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/portugal-sem-registo-mortes-338743

Com 2.733.622 infectados, Brasil tem 94.145 mortes por Covid-19

O Brasil tem 2.733.622 casos confirmados da Covid-19, com 94.145 mortes, de acordo com dados das secretarias estaduais de Saúde. O balanço divulgado no domingo (2) apontou 94.130 óbitos, 514 em 24 horas

 

 

247 -O Brasil registrou 2.733.622 casos confirmados da Covid-19, com 94.145 mortes provocadas pela doença, de acordo com dados das secretarias estaduais de Saúde apurados por um consórcio de veículos de imprensa até as 8h desta segunda-feira (3). A reportagem é do portal G1.

O balanço mais recente divulgado no domingo (2) às 20h apontou um total de 94.130 vítimas fatais da Covid-19, 514 em 24 horas. A média de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.011, acrescenta a reportagem.

O levantamento foi apurado por um consórcio inédito formado entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, com dados das secretarias estaduais de saúde. A iniciativa dos veículos de comunicação foi desenvolvida a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde na gestão do interino Eduardo Pazuello.

 

COVID19. Jovem inglesa “desafia” Boris e faz "férias de sonho" em Portugal com mergulhos no Tamariz

Por VALDEMAR PINHEIRO
02 agosto 2020
Uma jovem britânica, Lauren Clark, afirmou ao tabloide inglês The Sun ter passado umas “férias de sonho”, em julho, em Portugal, onde veio juntar-se ao namorado, com um percurso que passou pelos principais pontos turísticos de Lisboa e terminou com uns mergulhos na praia do Tamariz, no concelho de Cascais.
 
“Ganhei o jackpot de férias”, afirmou Lauren Clark ao tabloide britânico.
A turista regressou há dias ao país de Sua Majestade, sujeitando-se à quarentena imposta pelo governo de Boris Johnson- o primeiro-ministro que chegou a estar internado em abril a lutar contra a Covid19 e foi salvo pelo enfermeiro português Luís Pitarma.
 
Lauren Clark viajou para Portugal num voo daRyanair a 4 de julho, juntando-se ao namorado.
 
“Portugal pode estar à frente do Reino Unido no processo de 'desbloqueio' - mas parece muito mais seguro”, afirmou aoThe Sun.
E, Lauren Clark assegurou mesmo que “para começar, eles (os portugueses) parecem muito melhores em manter o distanciamento social e a polícia garante que todos cumpram” e sublinhou que “Lisboa parece muito mais segura do que Londres”.
Nas declarações aoThe Sun, a turística inglesa elogiou a praia do Tamariz, no Estoril, e as medidas adotadas no âmbito da pandemia Covid19, sobretudo as autoridades policiais.
“A polícia está estacionada nas entradas para impedir que a praia encha demais e 'faixas' marcam onde as pessoas devem andar, o que significa que há pelo menos cinco metros entre o guarda-sol e o próximo”, contou a turista inglesa.
 
 
 
 
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/blog-page_3130.html

Brasil tem mais de 94 mil mortes por COVID-19

Passageiros usando máscaras no metrô em Taguatinga, Brasília, Brasil, 8 de julho de 2020
© REUTERS / Adriano Machado

O Brasil tem neste domingo (2) 2.733.677 casos de coronavírus e 94.104 mortes causadas pela enfermidade, informa o Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, são 25.800 novos casos confirmados e 541 óbitos.

A pandemia não atinge toda a população da mesma forma. Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descobriu que a COVID-19 é duas vezes mais letal nas favelas do que nos bairros mais ricos do Rio de Janeiro. Outro fato é que a população negra morre mais pelo coronavírus do que os brancos

O Brasil é o segundo país com mais mortes e casos de coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com a Universidade John Hopkins, o país governado por Donald Trump tem 4.657.693 casos confirmados e 154.793 mortes. 

Em todo o mundo, a pandemia já custou mais de 685 mil vidas e infectou 17,96 milhões de pessoas. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020080215897601-brasil-tem-mais-de-94-mil-mortes-por-covid-19/

A fase descendente?

Em regra focadas no comentário aos valores diários, que vão oscilando, muitas das notícias sobre a evolução da pandemia em Portugal não ajudam a perceber as tendências de fundo que se estão a registar e que apontam, de forma clara, para uma descida nos principais indicadores. De facto, se recorrermos à média móvel dos últimos sete dias, já não é só o número de internados e de óbitos que está em queda (como sucedia em meados de julho), mas também o número de infetados e de novos casos.

 

Se é verdade que o desconfinamento conduziu, como seria de esperar, a um aumento de valores nos vários indicadores (ainda que a um ritmo incomparável com o registado na fase inicial da pandemia), essa situação alterou-se entretanto de forma significativa, verificando-se nas últimas semanas uma aproximação gradual aos mínimos conseguidos depois do confinamento. O número médio de infetados, que agora está já em queda, encontra-se mais próximo do mínimo de 12 mil; a média de novos casos diários desceu para cerca de 200 (rondava os 300 a 15 de julho); o número de óbitos passou de 5 para uma média diária de 3; e, por último, o contingente de internados atinge agora o valor mais baixo desde que se atingiu o pico da pandemia, em meados de abril.

Não se sabe, evidentemente, que evolução terá a pandemia nos próximos tempos e, sobretudo, qual o impacto do regresso às aulas e da reabertura cada vez mais ampla dos diferentes setores da economia. O que se sabe é que, ao arrepio dos que defendiam a opção pela «imunidade de grupo» (que teria elevado significativamente o número de óbitos), criticando o confinamento, e dos que, de forma precipitada, consideraram que o desconfinamento estava a conduzir ao descalabro, nos encontramos numa fase de claro declínio, que esperemos se mantenha.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Brasil ultrapassa 85 mil mortes e 2,3 milhões de infetados

24/07/2020
 

Nas últimas 24 horas, o país sul-americano, que é o segundo no mundo com mais óbitos e infeções de covid-19, depois dos Estados Unidos da América, registou 1.156 óbitos e 55.891 novos contágios.

O Brasil ultrapassou hoje as 85 mil mortes devido à covid-19, contabilizando um total de 2.343.366 pessoas infetadas, informou o Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, o país sul-americano, que é o segundo no mundo com mais óbitos e infeções de covid-19, depois dos Estados Unidos da América, registou 1.156 óbitos e 55.891 novos contágios.

O número de vítimas mortais associadas ao novo coronavírus é agora de 85.238.

O Governo brasileiro adiantou que 1.592.281 pessoas são consideradas recuperadas e outras 655.847 estão em acompanhamento.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 627 mil mortos e infetou mais de 15,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/24/brasil-ultrapassa-85-mil-mortes-e-23-milhoes-de-infetados/

Covid 19 (IV) – Portugal

Portugal teve a vantagem de ter mais tempo para se preparar e de possuir um SNS universal e de qualidade, apesar de corroído pelas políticas neoliberais das últimas décadas.

Homenagem aos trabalhadores da Saúde no Hospital de São João, no Porto, a 19 de Junho de 2020CréditosJosé Coelho / LUSA

Os dois primeiros casos de Covid-19 foram diagnosticados em Portugal a 2 de Março de 2020. Um tinha estado no Norte de Itália numa feira de calçado e o outro estivera em Valência.

Quinze dias depois o número de infectados era de 446. A 16 de Março houve o primeiro morto por Covid-19. A partir daí o número de infectados e mortos começou a aumentar aceleradamente e, a 31 de Março, os infectados já eram 7443 e o número de mortos era de 160.

A 25 de Maio, o número total de infectados (30 788) e de mortes (1330) aumentara exponencialmente. Contudo, nas semanas seguintes a situação melhorou e a 11 de Junho os números tinham crescido a um ritmo muito mais lento, havendo um total de 35 910 infectados e 1504 mortos.

Pendurado na ponta mais ocidental da Europa e por isso afastado das grandes rotas internacionais, Portugal teve a vantagem de ter mais tempo para se preparar e de possuir um SNS universal e de qualidade, apesar de corroído pelas políticas neoliberais das últimas décadas, não satisfatoriamente revertidas pelos governos PS de António Costa.

Contribuiu também favoravelmente o facto de o país ser pequeno e poder contar com uma continuada comunicação das autoridades políticas e sanitárias (embora com falhas) mas, principalmente, com a extrema dedicação e coragem dos profissionais do SNS e a compreensão da população que começou a tomar medidas de protecção e isolamento social ainda antes do governo ter decretado o «estado de emergência» (18 de Março de 2020).

Este foi mantido até 2 de Maio, data em que foi feita a transição para o «estado de calamidade», iniciando oficialmente o período de desconfinamento. Nessa altura, o país contava com 25 190 casos confirmados e 1023 mortes.

A pandemia fez vir ao de cima a importância do SNS como serviço público universal e (quase) gratuito, e sublinhou a marginalidade dos grandes grupos privados da Saúde que fugiram do combate.

É certo que, de início, nos primeiros dias da enchente, muitos hospitais públicos não tinham os circuitos e protocolos bem estabelecidos e faltou equipamento e material de protecção. O número de camas de cuidados intensivos (UCI) e de ventiladores era também muito baixo, situando-se Portugal na cauda da Europa (Portugal: 6,7 camas UCI por 100 mil habitantes; média europeia: 11,5; Alemanha: 29,2).

A falta de camas de cuidados intensivos e de ventilação mecânica foi atenuada através de áreas improvisadas e ventiladores deslocados dos blocos cirúrgicos, com actividade diminuída devido à suspensão de cirurgias programadas.

A encomenda de cerca de 900 ventiladores mecânicos à China veio dar uma melhor perspectiva para o futuro, mas equipas treinadas em medicina intensiva não se conseguem inventar com a mesma rapidez, sendo absolutamente necessário evitar, na mais que previsível «segunda onda», situações dramáticas como as que se viveram em Itália e Espanha (depois de a União Europeia ter feito de surda aos apelos desesperados dos italianos e desaparecer da paisagem).

Na realidade, só não se atingiu semelhante dramatismo no nosso país, devido ao confinamento social a que a população aderiu disciplinadamente, fazendo «achatar a curva» logo no início do crescimento da pandemia.

Apesar de dificuldades materiais e humanas e de indescritíveis conflitos com a «gestão empresarial» que deixam muito por contar, a frente hospitalar foi-se organizando, adoptando novos espaços, circuitos e rotinas e, embora com algum atraso, foi aparecendo o material de protecção para os profissionais envolvidos (máscaras, batas, barretes, perneiras, óculos, viseiras).

Mesmo assim, a 4 de Abril, um mês depois do aparecimentos dos dois primeiros casos em Portugal e segundo a Direcção-Geral de Saúde (DGS), existiam 1332 profissionais de saúde infectados, 231 dos quais médicos, 339 enfermeiros e 762 de outras áreas de trabalho (DN, 24 de Abril de 2020).

A 19 de Junho, em Portugal, o número de profissionais da saúde infectados era já de 3681, representando cerca de 10% do total.

Nos cuidados primários o processo de adaptação foi também abrindo caminho e, enquanto as equipas da Saúde Pública desenvolviam um intenso e extenuante trabalho de localização e isolamento dos doentes, conseguindo atrasar as redes de propagação da Covid-19, a falha mais notória situava-se na entrada de todo o sistema – a linha telefónica Saúde24.

A Saúde24 colapsou totalmente nesse momento crucial do crescer da pandemia, e foram muitas as pessoas com sintomas que se viram sem acesso ao SNS, tentando debalde um contacto telefónico ou por e-mail, ficando isoladas e sem qualquer apoio depois de terem seguido as orientações da DGS para ficarem em casa.

«O contrato que os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) tem com a operadora Altice [dona da Saúde24] está neste momento largamente ultrapassado» – anunciou a Ministra da Saúde, Marta Temido, na segunda semana de Março.

Depois de negociações do governo com a Altice (cujas condições e exigências não foram publicitadas) essa falha na Saúde24 foi sendo corrigida. Continua, contudo, por perceber por que razão um serviço estratégico como a Saúde24 não é público, continuando a pertencer a uma multinacional francesa de comunicações cujo principal objectivo é o lucro.

Talvez por isso, as chamadas – que têm o custo unitário de 6,35 euros para o Estado a que acresce o preço de uma chamada local para o utilizador (valores confirmados ao Público de 18 de Janeiro de 2017 pelo então Director-Geral de Saúde) – continuaram a ter esse custo para o cidadão até a situação ter sido alterada, a 13 de Março de 2020.

As máscaras e a «distância social»

Também em relação à utilização generalizada de máscaras a DGS seguiu a hesitante posição de alguns organismos internacionais (CDC dos USA, o ECDC europeu e a própria OMS), que inicialmente desprezaram os conselhos de organizações médicas e dos países do Oriente (China, Taiwan, Coreia do Sul, Singapura, Vietnam…) mais treinados na luta contra pandemias víricas, como a SARS 1, MERS e agora a SARS 2/Covid-19.

No início de Março, os jornais portugueses publicavam artigos procurando suster a procura de máscaras pela população. O Público de 1 de Março colocava em título: «Coronavírus: a histeria das máscaras “tira-medos” e outros mitos».

Um mês depois, Mike Ryan, director do programa de emergência da OMS, mantinha essa polémica posição: «Não há provas de que o uso em massa de máscaras pela população tenha algum benefício». (OMS, 30 de Março de 2020)

No entanto, contrariando firmemente essa ideia, dias antes (27 de Março), o conceituado cientista chinês George Gao, Director do Chinese Center for Disease Control and Prevention, em entrevista à revista Science, tinha salientado:

«O maior erro da Europa e dos USA, na minha opinião, é que a população não está a usar máscaras. Este vírus é transmitido por gotículas e o estreito contacto (…) você deve usar máscara porque, quando fala, há sempre gotículas a saírem da sua boca..».

Como acabou por confessar ao El País a virologista espanhola Margarita Del Val, «tratámos com alguma superioridade tudo o que vinha de lá (da Asia) e creio que tem sido uma lição de humildade» (El País, 12 de Junho de 2020).

Em princípios de Abril a OMS corrigiu o erro («Advice on the use of masks in the context of COVID-19», World Health Organization, 6 de Abril de 2020), como também o CDC dos USA (3 de Abril) e o ECDC europeu (9 de Abril), passando a a recomendar o uso generalizado de máscaras como forma de mitigar a propagação da pandemia, e a DGS tomou a mesma posição a 13 de Abril.

Felizmente, uma parte da população portuguesa antecipara-se à tardia conversão da DGS e do «Ocidente». Segundo a Associação Nacional de Farmácias (ANF), comparativamente com igual período de 2019, a procura de máscaras, em Fevereiro de 2020, tinha registado «um aumento exponencial de 1829%».

Desnecessário será sublinhar a perda de credibilidade que estas ziguezagueantes atitudes das autoridades sanitárias nacionais e internacionais causaram.

O mesmo acabou por se repetir quando as autoridades europeias reguladoras da aviação comercial – acriticamente seguidas pela nossa DGS – deixaram de exigir lugares espaçados para os passageiros, passando a permitir que se sentem em assentos contíguos até esgotarem a capacidade do avião, numa cedência a interesses comerciais contrária ao conhecimento epidemiológico e às regras sanitárias impostas em situações similares.

Ao Público de 28 de Maio de 2020, António Sarmento, Director do Serviço de Infecciologia desse hospital do Porto pedia «coerência» e sublinhava, com razão: «o distanciamento social não é para cumprir nuns sítios e não cumprir em outros».

Atitude semelhante aconteceu quanto à diminuição (para metade) da distância dos alunos nas escolas e nos transportes públicos superlotados da região de Lisboa que, segundo afirmaram os ministros das Infraestruturas e da Habitação, e da Saúde, «não está comprovado que propaguem o vírus» e «não são problema» (Expresso, 17 de Julho de 2020). Naturalmente que o «bicho», aí, põe-se em sentido e não salta, respeitando a autoridade ministerial…

Infelizmente – e sem menorizar a importância da normalização das actividades referidas – essas cedências «políticas» descredibilizantes têm-se multiplicado, o que nada tem a ver com oportunísticas «preocupações» da direita, selectivamente focadas em manifestações democráticas (25 de Abril, 1.º de Maio e outras), mesmo quando respeitam as regras sanitárias estabelecidas.

Outro problema surgido ao longo da «primeira onda» esteve ligado ao número de pessoas consideradas infectadas e contagiantes e às estatísticas relacionadas.

As características «manhosas» da Covid-19, com casos assintomáticos ou pré-sintomáticos, e o número e rigor dos testes efectuados, tornaram, desde o início, a precisão dos números bastante difusa.

Os testes moleculares (PCR), os mais importantes para avaliar a situação clínica do doente num determinado momento, têm cerca de 30% de falsos negativos, a que há a juntar os causados por erros na colheita.

Isso significa que, se o resultado é positivo, a pessoa testada tem seguramente a doença. Mas se o resultado for negativo, tem, apesar disso, mais de um terço de probabilidades de estar doente.

Contudo, apesar de ser conhecida essa margem de erro, muitos casos com teste negativo mas claramente sintomáticos têm sido, erradamente, contabilizados como não tendo Covid-19. («If You Have Coronavirus Symptoms, Assume You Have the Illness, Even if You Test Negative», em The New York Times, 1 de Abril de 2020).

Estes factores e outros acabam por reflectir-se na fragilidade dos números apresentados, que podem afastar-se significativamente do que se passa na realidade.

Os «velhos»

Como em outros países Europeus, Portugal também se atrasou na atenção que devia ter sido dada aos «lares da terceira idade», onde, num espaço confinado, pessoas com idade elevada e comorbilidades estavam mais expostas à Covid-19.

A 24 de Abril, contabilizavam-se 327 mortos em lares de idosos num total de 820 infectados nessas circunstâncias. Três semanas depois, a 15 de Maio, a DGS registava já 477 vítimas mortais em lares, representando 40,28% do total de falecidos por Covid-19 (1184). O facto demonstrou a subestimação do problema por parte das autoridades sanitárias, agravado pela falta de controlo destas instituições, muitas com más condições e sem licenciamento.

Também na Suécia e na Grã-Bretanha metade da elevada mortalidade causada pela errada estratégia de confinamento «suave» aconteceu em lares de idosos.

Em França, no início de Maio tinham-se verificado mais de 9 mil mortes em lares, o que equivalia a cerca de 40% do total de 24 895 casos (Lusa, 5 de Maio de 2020).

A 23 de Abril, o Público referia em título: «Metade das mortes europeias deram-se em lares de idosos», salientando que a OMS considerava o acontecido na Europa uma «tragédia humana inimaginável».

Esta hecatombe «dos lares» mostra que, uma sociedade impregnada pela ideologia egoísta e distópica do neoliberalismo, manifesta-se também no desrespeito a que são votados os «velhos», tratados como seres descartáveis.

Na realidade, não foi preciso a pandemia para, em Janeiro de 2012, a ex-ministra do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerar que os doentes com mais de 70 anos e insuficiência renal grave, cuja vida depende da hemodiálise, deveriam pagá-la para poupar dinheiro ao Estado de forma a que este pudesse pagar as dívidas da banca.

Em 2013, o ministro japonês das Finanças, Taro Aso, defendeu explicitamente que os cuidados de saúde para doentes mais idosos tinham um custo desnecessário para o país e que a estes pacientes deveria ser permitido «morrer rapidamente para aliviar a pesada carga financeira” (Público, 22 de Janeiro de 2013).

Este discurso economicista e de fragmentação social e intergeracional repetido por dirigentes políticos de direita tem, no entanto, despertado reacções nos mais diversos sectores da sociedade.

Nas últimas celebrações do 10 de Junho, o cardeal Tolentino de Mendonça abordou de uma forma mais humanista essa questão:

«O pior que nos poderia acontecer seria arrumarmos a sociedade em faixas etárias, resignando-nos a uma visão desagregada e desigual (...). É um erro pensar uma geração como dispensável ou como um peso, pois não podemos viver uns sem os outros. É essa a lição das raízes».

Tal é seguramente verdade ,se queremos uma estrutura societária mais coesa, equilibrada e justa.

Para isso torna-se necessário melhorar e expandir a rede de serviços públicos de proximidade que prestam apoio sanitário e logístico aos últimos anos de vida, evitando a sua entrega a um diversificado leque de empresas privadas e instituições caritativas, como tem acontecido nas últimas décadas.

A «segunda onda»

A partir de meados de Maio, com o levantamento do «estado de emergência», o confinamento social passou a ser relaxado e o uso de máscaras, fora dos ambientes fechados em que se manteve obrigatório, começou a diminuir, com famílias e grupos de amigos a retomarem os velhos hábitos sociais de convívio, sem guardarem os cuidados de protecção tidos até aí.

Rapidamente se instalou a ideia de que a pandemia tinha deixado de ser uma ameaça real e de que «o pior já passou».

No entanto, Marc Lipsitch, epidemiologista da Universidade de Harvard, nota que a probabilidade de uma segunda vaga depende não só do vírus, mas também dos comportamentos colectivos e individuais. «Já estamos a observar uma explosão repentina de casos em alguns sítios que estão a desconfinar», aponta. «Não há razão nenhuma para acreditar que uma reabertura substancial possa ocorrer sem um aumento na transmissão» (Público, 27 de Maio de 2020).

Também a OMS e o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) começaram a alertar para a possibilidade de uma segunda onda em Outubro (Público, 20 de Maio de 2020; Expresso, 27 de Maio de 2020).

Em Junho, os casos de Covid-19 voltaram a aumentar em Portugal, nomeadamente na região de Lisboa e Vale do Tejo. Contudo, não havendo fronteiras nem cercos sanitários internos, e apesar do enorme esforço das equipas da saúde pública, a situação começou a degradar-se, observando-se, em Julho, mais de duas centenas de surtos por todo o país. (DGS, 17 de Julho de 2020).

A 19 de Junho, um editorial de o Público, sublinhando a proibição de cidadãos portugueses entrarem em vários países europeus, alertava:

«Não há outra forma de o dizer: Portugal tem um problema grave com as novas infecções de covid-19. Bem podem os peritos tentar sossegar-nos com garantias de que tudo está sob controlo (…) e sugerir aos cidadãos que não há razões para alarme: os números são o que são e são preocupantes.»

De facto, pelo que os epidemiologistas e investigadores afirmam, o vírus não perdeu agressividade e não foi adquirida qualquer «imunidade de grupo», como também não há ainda uma vacina (prevista para o próximo ano, na melhor das hipóteses) nem tratamento comprovadamente eficaz contra o vírus.

Isso não quer dizer que não se tenha evoluído no conhecimento dos mecanismos da doença, dos seus sinais e sintomas, da fase de multiplicação viral ao descontrole da resposta imunitária inflamatória – «o tsunami das citoquinas» – com impacto vascular e outras repercussões ao nível dos diversos órgãos, levando, por vezes, a uma falência multiorgânica fatal.

Há muitos avanços na investigação científica mobilizada para a prevenção e tratamento da Covid-19. Mas até nesse campo tem havido uma crescente intrusão política, com omissões, empolamentos (como o da hidroxicloroquina), ou estranhas «descobertas» de velhas terapêuticas, como a vetusta Dexametazona, transformada em nova estrela da companhia.

Contudo, o que não se deve ignorar, é que o futuro de milhares de doentes irá estar dependente do tratamento ou vacina serem descobertos por uma multinacional farmacêutica em busca do lucro ou por uma parceria internacional não lucrativa, como a formada sob os auspícios da OMS.

Nota final

Não se abordou, nesta curta série de artigos, a «pandemia económica» que a forçada paragem do processo produtivo criou, com agravamento das desigualdades e agudização das contradições do processo de «globalização».

Tentou-se apenas fazer uma análise dos primeiros tempos de evolução da Covid-19 e a reacção dos diversos governos e países ao primeiro embate da pandemia, sem que ainda se saiba como e quando ela acabará.

No contexto internacional, Portugal foi, na primeira fase da pandemia, um dos países que conseguiu dar uma resposta satisfatória à grave crise de saúde pública, mesmo se à custa de deixar muitos doentes não-covid em suspenso.

Está, contudo, ainda por saber se essa capacidade se manterá face a uma nada improvável «segunda onda» que parece já aflorar após um desconfinamento mal controlado, despertando os primeiros choques entre o poder político e os especialistas da saúde, fazendo adivinhar um progressivo deslizamento da linha governamental para a aceitação do sacrifício de trabalhadores mal protegidos, como forma de resgatar a economia.

Contudo, como explica Anthony Fauci, o conhecido virologista norte-americano, «é um erro pensar nas medidas de saúde pública como um obstáculo para o retomar da economia. Elas são, pelo contrário, as portas que a podem abrir». («Dr. Fauci and Mark Zukemberg discuss Covid 19», Reuters, 16 de Julho de 2020)

É fácil compreender que há problemas estruturais que condicionam o combate à pandemia, que reflectem uma errada orientação política de muitas décadas – na economia, no trabalho, nos transportes, no ensino, na saúde, na organização administrativa e territorial, nas relações internacionais... – e que não podem ser ultrapassados rapidamente, por muita vontade que a titubeante mas esforçada directora da DGS e outros dirigentes sanitários e até políticos possam ter.

A questão nuclear continua a centrar-se no que se pode e deve fazer para responder às necessidades mais prioritárias dos portugueses, nomeadamente das classes sociais mais exploradas e esquecidas, recusando «jeitos» e cedências a outros interesses, «sem deixar ninguém para trás». E essa é, essencialmente, uma opção política na escolha do caminho que se quer trilhar.

Mas um aspecto sobressai de todo este doloroso processo que, embora de forma desigual, a todos envolve: o papel nuclear que o Serviço Nacional de Saúde teve e terá no enfrentamento da pandemia e na resposta às listas de espera (tão cobiçadas pelos grandes grupos privados), de forma a assegurar uma assistência de qualidade, gratuita e universal.

A notícia do The Seattle Times de 12 de Junho de 2020, de que Michael Flor – o homem de 70 anos que surgiu nos noticiários da TV (também em Portugal) a sair do hospital de Seattle (USA) entre palmas pela sua recuperação – acabou por receber, em casa, uma conta de um milhão cento e vinte e dois mil dólares que «quase o fez morrer de ataque cardíaco», exemplifica o inestimável valor da existência de um serviço solidário e público como o nosso SNS.

Nesse sentido, é primordial a canalização dos investimentos do Estado para o SNS, não subestimando a desmotivação, esgotamento e ‘burnout’ dos seus profissionais que, depois de um esforço levado aos limites, não viram melhorias substanciais nas suas carreiras nem nas suas condições de trabalho.

Torna-se necessário capacitar o SNS para as necessidades acrescidas criadas pela Covid-19 e para o alargamento da sua rede de cuidados primários e de Saúde Pública, cumprindo, sem tergiversar, o espírito e a letra da Constituição e da nova Lei de Bases da Saúde.

É certo que o PS e os partidos à sua direita têm sempre jurado o seu inesgotável amor ao SNS, acabando depois por dormir com o inimigo.

Como alerta o conhecido historiador Manuel Loff, «A esperança que a pandemia traga consigo o reforço dos sistemas públicos e democráticos de saúde, presente no aplauso aos trabalhadores do SNS, depende inteiramente de como agora exercermos os nossos direitos políticos para, em novos tempos de vacas magras, não deixarmos que regresse a velha receita dos cortes» (Público, 21 de Maio de 2020).

O mesmo é dizer que a Covid-19, apesar de ter criado uma situação nova, apenas veio agudizar velhos problemas.

E uma boa solução, não depende do vírus. Depende de nós.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/covid-19-iv-portugal

Reino Unido está mesmo melhor que Portugal?

Rita Rato Nunes - 24/07/2020
 
 
 
 

Apressão diplomática não resultou e Portugal voltou a ficar de fora da lista dos corredores de viagem do Reino Unido. O governo português insiste que não entende a decisão, que os critérios epidemiológicos não são claros, mas como comparam os dois países?

O governo britânico atualizou, esta sexta-feira, a lista de países para os quais tem aberto o corredor aéreo. Nessa lista aparece o nome de Portugal, mas apenas como referencia para os Açores e a Madeiras,as únicas regiões que são consideradas seguras relativamente à pandemia de covid-19. Ou seja, os passageiros que viajem a partir de Portugal continental terão de fazer quarentena (de 14 dias) assim que chegarem ao Reino Unido, apesar da imprensa britânica ter antecipado que esta situação iria ser alterada, esta semana. Como aliás aconteceu para a Estónia, a Letónia, a Eslováquia, a Eslovénia e São Vicente e Granadinas (destinos que também não constavam da lista de três de julho).

Numa reação à decisão do executivo do Reino Unido, que o ministro dos Negócios Estrangeiros considerou “não fundamentada nos factos conhecidos e públicos”, Augusto Santos Silva adiantou que cumpriu o combinado com o homólogo britânico. Nomeadamente a respeito de cinco critérios em que a situação epidemiológica portuguesa é “muito positiva”: capacidade de testagem, taxa de letalidade, índice de reprodução, capacidade de resposta do sistema de saúde e número de casos por 100 mil habitantes.

“As autoridades britânicas tiveram a cortesia de nos informar ontem [quinta-feira] da decisão, mas não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão tomada”, concluiu o governante português.

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Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais sete pessoas e foram confirmados mais 313 casos de covid-19 (um crescimento de 0,6% em relação ao dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira(24 de julho), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 49692 infetados, 34687 recuperados (mais 318) e​ 1712 vítimas mortais no país.

Já no Reino Unido – no mesmo período – foram notificadas 123 mortes por causa do novo coronavírus e 770 novos casos de infeção, de acordo com a direção-geral de Saúde de Inglaterra (Public Health England). Desde o início da pandemia, morreram 45 677 pessoas dos 297 914 casos de contágio verificados.

Portugal melhorou a taxa de incidência, mas não o suficiente para o Reino Unido

Nos últimos sete dias, Portugal confirmou 1616 infeções de covid-19 e o Reino Unido 4 599. No entanto, por milhão de habitantes, o Reino Unido tem agora 4 387 casos, quando Portugal tem 4 874.

E os novos casos (considerados sempre proporcionalmente) são um dos grandes pilares analisados pelo governo britânico na hora de tomar decisões sobre destinos seguros. O Reino Unido terá determinado como condição para levantar a quarentena uma taxa de 20 casos por 100 000 habitantes. O que Portugal ainda não alcançou, apesar de ter vindo a melhorar os valores deste indicador no último mês.

Leia mais em Diário de Notícias

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https://www.plataformamedia.com/2020/07/24/reino-unido-esta-mesmo-melhor-que-portugal/

Afinal, o coronavírus pode não ter “nascido” na China

DGS considera viagem em transporte com lotação máxima como “alto risco”

Mário Cruz / Lusa

 

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou uma norma, esta sexta-feira, em que define como “contacto com exposição de alto risco” quem viaje em meio de transporte que não efetue paragens frequentes ou não tenha redução da lotação máxima.

 

A norma “Covid-19: Rastreio de contactos”, publicada no site da DGS, não especifica os meios de transporte considerados nesta análise, para além de navios e aeronaves, mas diz que é considerado “contacto com exposição de alto risco” qualquer viagem em “outro meio de transporte” que “não tenha boa ventilação, não efetue paragens frequentes com abertura de portas e não tenha redução da lotação máxima”.

Quanto às viagens em navios, a DGS considera que fica exposto a risco elevado quem seja “companheira de viagem, partilhe a mesma cabine, efetue prestação direta de cuidados e seja tripulante de bordo”.

Também a viagem com caso de covid-19 numa aeronave aparece na grelha dedicada a “exposição de alto risco”, alertando-se quem “esteja sentado até dois lugares para qualquer direção em relação ao caso”, sendo, por fim, frisado que “todas as pessoas podem ser consideradas como contacto” se o caso detetado apresentar “sintomatologia grave ou grande movimentação dentro da aeronave”.

A par destas explicações sobre transportes, a DGS alerta para a exposição maior de pessoas que tenham contacto frente a frente com uma pessoa infetada, especificando que o risco aumenta quando a distância é de menos de dois metros e durante 15 minutos ou mais.

O contacto físico direto com um caso de covid-19 ou o contacto direto desprotegido com secreções contaminadas de um caso de covid-19 também é considerado como “alto risco”, bem como o contacto em ambiente fechado, por exemplo em coabitação, sala de aula, sala de reuniões ou sala de espera, durante 15 minutos ou mais.

“A duração do contacto com um caso de covid-19 aumenta o risco de transmissão, pelo que é definido um limite de 15 minutos, de acordo com as recomendações internacionais, por questões de organização e exequibilidade”, lê-se na norma que sublinha também as medidas a adotar por um “contacto de alto risco” durante o período de vigilância ativa.

A automonitorização diária de sintomas compatíveis com covid-19, bem como a medição e registo de temperatura corporal, duas vezes por dia, são medidas obrigatórias.

A DGS também exige que a pessoa esteja contactável, implemente “rigorosamente as medidas de higiene das mãos e etiqueta respiratória” e se mantenha em isolamento/confinamento obrigatório, nos termos definidos na legislação em vigor, no domicílio ou outro local designado para o efeito.

Segundo a rádio TSF, a publicação desta norma, que define quais os contactos de alto e baixo risco com um doente, surge quase cinco meses depois do surgimento do primeiro caso de covid-19 em Portugal.

Em declarações à rádio, o vice-presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Gustavo Tato Borges, afirma que esta era uma norma esperada há vários meses pelos profissionais.

“Infelizmente, a norma chega com bastante tempo de atraso, mas mais vale tarde do que nunca, sendo que, mais ou menos, as coisas que estão ali definidas já eram feitas de forma semelhante dentro de uma mesma região”, declara.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/viagem-transporte-lotacao-alto-risco-337272

Bruxelas diz que eventual segunda vaga não irá causar novo fecho de fronteiras

Anders Henrikson / Wikimedia

Ylva Johansson, comissária dos Assuntos Internos

A Comissão Europeia confia que uma eventual segunda vaga de covid-19 não causará, novamente, o fecho de fronteiras internas na União Europeia (UE), como aconteceu em 17 Estados-membros, por esta não ser “uma forma eficaz” de combater o vírus.

 

“Não penso que cheguemos a um tipo de situação em que as restrições nas fronteiras voltarão a ser necessárias ou que essa seja uma forma eficaz de lidar com o vírus”, disse em entrevista à agência Lusa, em Bruxelas, a comissária europeia para os Assuntos Internos, Ylva Johansson.

Para a comissária europeia que tutela a livre circulação na UE e no espaço Schengen – fortemente afetada pela pandemia de covid-19 dado o encerramento de algumas fronteiras internas durante algumas semanas – “não haverá uma nova situação de fronteiras encerradas”.

“A minha impressão é que a nível interno, na UE e no espaço Schengen, os Estados-membros têm sido muito bons a adotar outras medidas para proteger os seus cidadãos”, declarou Johansson, numa alusão à implementação de regras de higienização, de distanciamento social e do reforço dos testes e do rastreamento.

“Também sabemos muito melhor como nos comportar, enquanto indivíduos”, argumentou a comissária, tendo considerado que o fecho de fronteiras “não é uma forma eficaz de lidar com o vírus ao dia de hoje”.

“A Europa foi o centro das infeções, depois da China, e por isso claro que Estados-membros como Itália [tiveram de fechar as fronteiras] porque, de repente, o vírus estava lá, mas agora estamos a avançar cada vez mais para um novo normal no qual nos habituaremos cada vez mais a outras medidas para nos protegermos”, defendeu.

Segundo Ylva Johansson, e uma vez que a situação estabilizou, as fronteiras internas já foram praticamente todas reabertas, excetuando-se as de países como Finlândia, Dinamarca, Noruega e Lituânia.

A situação está a melhorar agora e sabemos como nos proteger, mas também como testar e rastrear os casos”, comentou a comissária europeia.

Destacando a melhor preparação da Europa para lidar com o surto do novo coronavírus, a responsável sueca disse, ainda, esperar que “uma segunda vaga não seja tão difícil como foi esta”.

Comissária admite “tensões” entre Estados-membros

A comissária europeia também admitiu que “existem algumas tensões entre alguns Estados-membros quando estes entendem que um país vizinho não tem agido de forma correta, não tem informado ou não tem cooperado”.

“Este tipo de medidas não são más por si só, mas é importante que sejam proporcionais porque, por vezes, englobam todo o país”, quando deviam antes “ser mais direcionadas para determinadas áreas, onde existem mais problemas. Os países têm de agir de forma adequada”, argumentou.

“Para haver uma boa relação entre os países é importante estarem em contacto uns com os outros antes de, por exemplo, colocarem outro país numa ‘lista vermelha’, [de forma a] terem um diálogo para perceber se essa é a melhor abordagem ou se existe outra forma de atuar e também para informar o outro Estado-membro sobre esse processo”, defendeu.

Sobre a reabertura total das fronteiras externas da UE aos países terceiros, Johansson admitiu que “isso pode demorar algum tempo”, não esperando que aconteça ainda este ano.

“Na Europa, temos a situação sob controlo e se isso mudar podemos implementar novas restrições para algumas regiões e isso é algo com que podemos lidar, mas a nível global não está sob controlo”, destacou, notando que nos parceiros terceiros ainda “existem áreas com uma situação ainda muito problemática e fora de controlo“.

Além disso, “coloca-se sempre a questão de quão confiável é a informação que é dada por esse país [terceiro], por exemplo no que toca à taxa de infeção, e é por isso que julgo que vai demorar algum tempo antes de as fronteiras externas estarem totalmente reabertas”.

Questionada sobre eventuais viagens de cidadãos europeus para fora da UE, a comissária disse que estes podem fazê-lo, mas recordou que “viajar acarreta sempre riscos”.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/segunda-vaga-nao-novo-fecho-fronteiras-337264

Estudo confirma ineficácia de tratamento com hidroxicloroquina

Pesquisa envolveu 667 pacientes em 55 hospitais de todo o país.

 

Um estudo promovido por pesquisadores de um consórcio de instituições de saúde brasileiras concluiu que a hidroxicloroquina não é eficaz para o tratamento de casos precoces da covid-19. A pesquisa foi publicada no periódico Nem England Journal of Medicine.

Os pesquisadores da Coalizão Covid-19 Brasil conduziram um ensaio clínico randomizado de 15 dias com três grupos, envolvendo um total de 667 pacientes em 55 hospitais de todo o país. Para um grupo foi ministrada apenas hidroxicloroquina, para outro hidroxicloroquina e azitromicina e para o terceiro nenhum dos remédios, com tratamento denominado padrão.

Foi empregado um modelo de análise com uma escala de sete níveis de acordo com a situação e saúde dos pacientes, indo da não hospitalização sem comprometimento de atividades à morte em função da doença.

Os autores não encontraram efeitos do uso de hidroxicloroquina sozinha ou com azitromicina em comparação aos pacientes que não receberam os remédios, do denominado grupo-controle.

“Entre os pacientes com covid-19, não houve diferença entre grupos nas probabilidades proporcionais entre grupos de ter um desempenho pior na escala de sete pontos ordinais no fim do período de 15 dias”, afirmam os pesquisadores no artigo.

Na escala, em que 1 são as melhores condições de saúde e 7 é a morte por covid-19, o grupo que recebeu o tratamento padrão teve percentual maior do que os pacientes cujo tratamento foi feito com hidroxicloroquina apenas (68% contra 64%) no número de pessoas que permaneceram no Estágio 1, com melhor quadro de saúde.

O estudo também identificou mais efeitos adversos entre quem recebeu hidroxicloroquina com azitromicina (39.3%) e hidroxicloroquina (33,7%) do que no grupo com tratamento padrão (18%).

Os pesquisadores da Coalizão Covid-19 Brasil fazem parte das equipes dos hospitais e institutos Albert Einstein, HCor, Alemão Oswaldo Cruz, Beneficiência Portuguesa e Sírio Libanês, de São Paulo, e Moinhos de Vento, de Porto Alegre.

 

Governo

O estudo vai em sentido contrário do que tem defendido o governo federal. Sob a gestão interina de Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde passou a recomendar o uso de cloroquina e hidroxicloroquina também em casos precoces e como prevenção, a partir da decisão do médico. Até então o medicamento era recomendado apenas em casos médios e graves, pelas possibilidades de complicações.

Em entrevistas coletivas, representantes do MS afirmaram que havia evidências de eficácia da cloroquina, embora sem listá-las. Na semana passada, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) recomendou a retirada da cloroquina e da hidroxicloroquina do tratamento da covid-19.

No dia 19 de julho, a Associação Médica Brasileira (AMB) defendeu em nota a autonomia do médico para prescrever o medicamento com a anuência do paciente.

Perguntado sobre o estudo, o Ministério da Saúde, por meio de sua assessoria, informou que “o uso de qualquer medicamento compete à autonomia e orientação médica, em consonância com o esclarecimento e consentimento do paciente”.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Publicado pela Agência Brasil

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/estudo-confirma-ineficacia-de-tratamento-com-hidroxicloroquina/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=estudo-confirma-ineficacia-de-tratamento-com-hidroxicloroquina

Férias forçadas deixam crianças sem apoio em Agosto

Sem estruturas de apoio em Agosto, muitos pais não sabem onde deixar as crianças uma vez que ficaram sem férias durante o período de confinamento e encerramento das empresas.

Muitas mães e pais trabalhadores foram confrontados com férias «forçadas» pelas entidades patronais, antes de Maio, no início do surto epidémico de Covid-19, e agora estão confrontados com a obrigação de trabalhar em Agosto, refere em comunicado a CGTP-IN.

A Intersindical lembra que os poucos campos de férias que existem, em algumas regiões do País, não duram o mês inteiro e são pagos, algo que muitas famílias, em resultado da perda de rendimentos, não pode agora suportar.

Não tendo enquadramento legal específico, estas situações concretas têm de ter uma resposta «excepcional e urgente» nos apoios sociais para que as famílias não fiquem desprovidas de soluções, defende a CGTP-IN.

A central sindical acrescenta que, se o lay-off foi ajustado para as empresas, também os apoios às famílias têm de ser ajustados às suas necessidades.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/ferias-forcadas-deixam-criancas-sem-apoio-em-agosto

As vacinas contra o novo coronavírus

Não é por acaso que vacinas serão testadas no Brasil, afirma o professor Luiz Carlos Dias.

 

A comunidade científica mundial está trabalhando ativamente para desenvolver vacinas para a Covid-19. Segundo a Organização Mundial da Saúde, são 163 produtos em desenvolvimento, incluindo estudos de vacinas e medicamentos como profiláticos, sendo 140 em Fase pré-clínica in vivo, 10 em Fase 1, 10 em Fase 2 e 3 em Fase 3. Essa intensa atividade de pesquisas levou ao desenvolvimento destas candidatas a vacinas em tempo recorde, o que é absolutamente incrível e sem precedentes, mostrando uma coordenação global fantástica entre os cientistas.

 
O sucesso está garantido? A primeira vacina será a melhor? Precisaremos de mais do que uma vacina para nos tirar dessa pandemia? Não sabemos ainda, são muitos os desafios, otimismo é bom, cautela também.
 
 
 

Inicialmente, as candidatas a imunizantes passam por avaliação preliminar de Fase 1 em pequeno grupo de voluntários saudáveis soronegativos (que nunca contraíram Covid-19), monitorados de perto e onde se avalia a segurança (potencial de gerar efeitos colaterais adversos) e a imunogenicidade (capacidade de a vacina gerar imunização, uma resposta do nosso sistema de defesa). No caso de bons resultados, seguem para estudos clínicos de Fase 2, com centenas de participantes que nunca contraíram a Covid-19, coletando mais informações sobre segurança, doses, horários, modos de administração e imunogenicidade. Os voluntários são escolhidos de forma randomizada (aleatória) e são bem controlados, podendo incluir pessoas de grupos de risco ou com comorbidades. Se bons resultados são obtidos na Fase 2, as candidatas seguem para a Fase 3, que envolve ensaio com milhares de indivíduos de vários países, maior universo de pessoas (jovens, adultos, idosos ou imunocomprometidos) e pessoas agora expostas a ambientes com vírus circulante. Nesta fase, as vacinas precisam fornecer uma avaliação definitiva da eficácia e resposta de proteção, segurança e prever eventos adversos. O nível de exigência é elevado, segue protocolos rígidos, mas se a vacina se mostra segura e eficiente, é aprovada e após registro (no Brasil na ANVISA) pode ser produzida em larga escala e distribuída para a população.

Luiz Carlos Dias escreveu sobre as vacinas

No Brasil temos duas vacinas em estágios mais avançados de Fase 3. A vacina de Oxford (ChAdOx1 n-CoV-19) usa como plataforma um adenovírus de chipanzé, um vírus que causa resfriado e é geneticamente modificado para se tornar mais fraco, uma versão atenuada, não infecciosa e incapaz de se replicar no corpo humano. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), maior instituição de ciência e tecnologia brasileira na área da saúde, por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) vai contribuir para a produção dessa possível primeira vacina no Brasil em colaboração com a Universidade de Oxford, que desenvolveu o imunizante e o laboratório AstraZeneca, que detém o licenciamento. O Ministério da Saúde assumiu o risco e está investindo na compra de 30,4 milhões de doses da vacina e da transferência da tecnologia, que poderá ser útil para outras doenças na produção de imunizantes, mesmo com o risco de resultado negativo de eficácia nos estudos para a Covid-19.

O resultado oficial de Fases 1/2, estudo randomizado, cego para os voluntários, multicêntrico e controlado, realizado em 5 centros no Reino Unido, foi divulgado nesta segunda-feira, 20 na revista médica The Lancet . A vacina foi testada em 1.077 voluntários (adultos na faixa 18-55 anos, 49,8% mulheres, 50,2% homens, 90,9% brancos), que não sabiam se estavam recebendo vacina ou placebo, sendo que 543 voluntários receberam a ChAdOx1 nCoV-19 e 534 receberam a vacina contra meningite MenACWY como placebo. Esse estudo visou avaliar segurança e o tipo de resposta imune provocada pelo imunizante.

 
A vacina se mostrou relativamente segura, efeitos adversos foram controlados com uso de paracetamol e produziu resposta imune tanto por anticorpos neutralizantes, 28 dias após a dose, como por células T citotóxicas, 14 dias depois da administração.
 
 
 

É MUITO importante, tanto a resposta imunológica através de anticorpos neutralizantes como a resposta celular produzindo células citotóxicas. Uma dose de reforço é recomendada.

O ensaio clínico de Fase 3, duplo-cego, randomizado, controlado com placebo, iniciado em 20 de junho, terá a participação de 50.000 voluntários em 5 países, sendo 5.000 no Brasil, com o objetivo de verificar a segurança, a eficácia e proteção contra a Covid-19 em um grupo mais heterogêneo de pessoas. Em São Paulo, a Unifesp ficará responsável pela vacinação experimental, enquanto no Rio de Janeiro e em estados do Nordeste, a rede D’Or conduzirá os ensaios. Os voluntários serão divididos em dois grupos: metade tomará a vacina (intramuscular) e metade receberá a vacina contra meningite (MenACWY) como placebo e que não protege contra o Sars-CoV-2.

Os pesquisadores vão investigar o efeito da vacina em adultos saudáveis e pessoas com comorbidades conhecidas e imunossupressão, que comprovadamente não tiveram o vírus, mas se encontram em exposição. Voluntárias não podem estar grávidas e nem planejando gravidez. Profissionais da saúde e outras pessoas sob risco serão inclusos. Esse estudo em Fase 3 nos dirá se a vacina oferece proteção contra a Covid-19. A Fiocruz produz a maioria de nossas vacinas e é referência internacional de pesquisa, ensino e inovação na área de saúde. Vale a pena correr o risco com este acordo mesmo que a vacina não funcione? Com certeza sim, o mundo está vivendo cada vez mais epidemias desse tipo de vírus respiratórios e dominar essa tecnologia é importante.

O Instituto Butantan fechou uma parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotec para testar uma vacina contra a Covid-19 em Fase 3, também um estudo clínico randomizado, duplo-cego, controlado com placebo. As Fases 1 e 2 foram realizadas em voluntários chineses e após duas doses (intramuscular) no intervalo de 14 dias, produziram anticorpos neutralizantes em 90% deles, aqueles que podem neutralizar o vírus e impedir a infecção, 28 dias após a primeira dose.

 
A CoronaVac é uma vacina de vírus inteiros, atenuados (enfraquecidos), chegou no Brasil também nesta segunda-feira, 20, e será testada em cerca de 9.000 voluntários a partir desta terça-feira, 21, em 12 centros de pesquisas.
 
 
 

O Hospital das Clínicas da Unicamp será um dos centros e testará a vacina em 500 voluntários, priorizando profissionais da saúde atuando no combate à Covid-19, maiores de 18 anos, que não estejam participando de outros estudos clínicos, não tenham contraído a Covid-19 e não possuem doenças ou não precisem de medicações que alterem a resposta imune. Mulheres não podem estar grávidas ou pensando em engravidar nos próximos três meses. A AstraZeneca e a Sinovac já estão produzindo doses dessas vacinas e se a eficácia for confirmada, no caso da Sinovac, o Butantan deve receber a transferência de tecnologia e terá acesso a 60 milhões de doses a partir de setembro de 2020. Após registro, a distribuição será organizada pelo Programa Nacional de Imunizações e distribuída pelo SUS. A eficácia dessas vacinas dependerá da epidemiologia, da exposição das pessoas ao vírus, vivendo suas vidas normais.

 
Não é por acaso que essas vacinas serão testadas aqui. O Brasil tem o vírus circulante, alta taxa de transmissão e curva epidemiológica ainda ascendente, mas também possui muita experiência e competência em ensaios clínicos, tem uma base de ciência, tecnologia e inovação respeitada internacionalmente e tem o SUS, como estratégia de imunização.
 
 
 

O Brasil também poderá exportar e atender outros países vizinhos, pois poucos países na América Latina possuem fábricas de vacinas, entre eles, Brasil, México, Argentina e Cuba. A Argentina, aliás, vai testar a candidata à vacina da Pfizer e da BioNTech (CoronARdx), em fase 2b/3. Existem também vários outros exemplos de pesquisas em desenvolvimento de imunizantes realizados no país, mas ainda em estágios iniciais de ensaios pré-clínicos in vivo ou em Fase 1.

Uma vacina experimental (mRNA-1273) do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID) dos EUA e da empresa farmacêutica Moderna, sediada em Cambridge (EUA) foi testada em Fase 1 em 45 pessoas e após a aplicação de duas doses, os pesquisadores observaram altos níveis de anticorpos neutralizantes, com poucos efeitos adversos. A Moderna está realizando Fase 2 e anunciou que vai iniciar um ensaio de Fase 3 com 30.000 voluntários saudáveis até o final de julho. As ações da Moderna dispararam na Bolsa.

 
Se tudo der muito certo, teremos uma vacina para julho de 2021 e se tudo der muito, muito, muito certo, no primeiro trimestre de 2021.
 
 
 

É preciso cautela e é importante lembrar que precisamos de produção em larga escala pois estamos falando em vacinar 8 bilhões de pessoas no mundo e 212 milhões no Brasil. No caso de ótimos resultados preliminares de eficácia em Fase 3, como as vacinas estão sendo produzidas à risco, embora em lotes limitados, isso pode levar à liberação antecipada para grupos prioritários ou mais expostos à doença, no final de 2020 ou início de 2021.

É bem possível que uma única formulação vacinal não seja suficiente e talvez uma segunda vacina com plataforma diferente possa ser usada como reforço cruzado. Fatores como a eficácia das vacinas e o número de pessoas a serem vacinadas podem levar a uma imunização de apenas uma parcela da população, o que permitiria uma doença mais amena. A OMS sugere eficácia vacinal acima de 50% para considerar aprovação de vacina para Covid-19. No entanto, uma imunização mesmo parcial poderá ter um papel crucial para minimizar o número de contaminações, sendo útil para que possamos pensar em medidas conscientes de flexibilização e relaxamento do isolamento social até que um imunizante mais robusto seja desenvolvido. O risco seria as pessoas terem uma falsa sensação de segurança e relaxarem nas medidas de higiene. Uma vacina será importante mesmo funcionando apenas nos mais jovens, que são os maiores espalhadores do vírus, pois poderá ajudar a proteger os idosos. Nós não vamos acabar com a infecção, mas vamos proteger contra a doença. Certamente, tudo o que aprendermos com essas primeiras vacinas, vai nos ajudar a melhorar as outras vacinas em fases preliminares. E por que não pensar, em futuro próximo, em uma única vacina com combinação de duas plataformas diferentes para induzir um desempenho de resposta de anticorpos e resposta celular, de células T?

Enquanto a vacina, um importante instrumento de saúde pública não vem para somar, no sentido de quebrar a cadeia de infecção, aqueles que podem, devem se manter em casa e respeitar o isolamento social. Nem todos podem ficar em casa, muitos precisam sair para trabalhar, mas todos devem respeitar as intervenções não farmacêuticas como o distanciamento físico, os hábitos de higiene e usar máscaras. Também seria imprescindível realizar controle epidemiológico adequado para permitir o isolamento de pessoas infectadas ou com sintomas gripais, mesmo que casos não confirmados por testes, rastreando e isolando os seus contatos. Para isto, precisamos melhorar a qualidade da comunicação com a sociedade, para que as pessoas respondam de forma adequada às políticas públicas. Fato é que estamos presenciando a força da resposta das instituições públicas de pesquisas e de ensino superior brasileiras, da ciência e do conhecimento científico em benefício da saúde pública.

Luiz Carlos é professor Titular do Instituto de Química da Unicamp, membro Titular da Academia Brasileira de Ciências  (ABC) e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) e Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico (Presidência da República). Ele lidera parcerias da MMV e da DNDi  na América Latina, na área de desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de doenças parasitárias tropicais negligenciadas.


por Luiz Carlos Dias   |   Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Publicado no Jornal da Unicamp

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/as-vacinas-contra-o-covid-19-novo-coronavirus/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=as-vacinas-contra-o-covid-19-novo-coronavirus

Brasil regista 41 mil casos e 1367 mortes por covid em 24 horas

 
 
OBrasil registou 41.008 casos e 1367 mortes provocadas pela covid-19 nas últimas 24 horas, segundo informações divulgadas esta terça-feira pelo Ministério da Saúde do país.

 


Desde o final de fevereiro, quando foi anunciada a primeira infeção pelo novo coronavírus no país, o Brasil acumula 2.159.654 casos e 81.487 óbitos associados à covid-19.

 


O Governo brasileiro adiantou que 1.465.970 pessoas já foram consideradas recuperadas da doença e outras 612.197 estão sob acompanhamento.

 


Um consórcio de empresas de comunicação social que também divulga os números da pandemia recolhidos junto das secretarias de saúde dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal informou que o país somou 1.346 mortes associadas à covid-19 no último dia, atingindo um total de 81.597 óbitos.

 


Os novos casos confirmados da doença em 24 horas chegaram a 44.887, havendo um total de 2.166.532 pessoas já infetadas no país, segundo os dados deste consórcio.

 


 
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, infetado pelo novo coronavírus, declarou hoje que aguarda o resultado de um novo exame para saber se ainda está infetado ou se já está curado e pode deixar o isolamento social.

 


No final da tarde, o chefe de Estado saiu da sua residência oficial em Brasília, o Palácio do Alvorada, para conversar com um pequeno grupo de apoiantes e fez uma transmissão ao vivo na rede social Facebook.

 


Jair Bolsonaro disse estar saudável, mas condicionou o seu "retorno à normalidade" ao resultado deste novo exame cujo resultado deverá receber na quarta-feira.

 


"Se Deus quiser, será negativo (...). Eu fiz exame agora, amanhã [quarta-feira] cedo sai o resultado", afirmou Bolsonaro, que usava máscara e cumpriu o distanciamento social.

 


O país sul-americano, que está entre os mais afetados pela pandemia no mundo, autorizou hoje um ensaio clínico para o desenvolvimento de duas vacinas contra a covid-19, criadas pela farmacêutica norte-americana Pfizer num consórcio com a empresa alemã BioNTech.

 


A autorização foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão de controlo tutelado pelo Governo brasileiro, e divulgada no Diário Oficial da União.

 


O Brasil já está a realizar testes de um imunizante produzido pela Universidade de Oxford e a empresa farmacêutica AstraZeneca e outra vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac.

 


A pandemia de covid-19 já provocou mais de 610 mil mortos e infetou mais de 14,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

 


A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

 


Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

 

 
Jornal de Notícias com agências
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/brasil-regista-41-mil-casos-e-1367.html

EUA, Brasil e Índia têm quase metade dos casos de coronavírus no mundo

De acordo com Mike Ryan, chefe do programa de emergências da OMS, EUA, Brasil e Índia, que estão sofrendo aumentos rápidos nos casos de coronavírus, ainda podem superar a pandemia. Os três países somam mais de 7,5 milhões dos 15,5 milhões de casos da Covid-19 no mundo

 

 

247, com Reuters - A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta quinta-feira que Estados Unidos, Brasil e Índia, que estão sofrendo aumentos rápidos nos casos de coronavírus, ainda podem superar a pandemia. São "países poderosos, capazes e democráticos que têm tremendas capacidades internas para lidar com esta doença", disse Mike Ryan, chefe do programa de emergências da OMS, em um briefing em Genebra. Os três países somam mais de 7,5 milhões dos 15,5 milhões de casos da Covid-19 no mundo.

Os casos de coronavírus nos EUA ultrapassaram os 4 milhões nesta quinta-feira, com mais de 2.600 novos casos registrados a cada hora, em média, a taxa mais alta do mundo, de acordo com uma contagem da Reuters.

Em segundo lugar no ranking global de casos, o Brasil registrava na quarta-feira (22) 2,2 milhões infecções provocadas pela Covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde. O País tem uma taxa de contágio (Rt) acima de 1, o que significa aumento da velocidade de infecção, de acordo com o centro de acompanhamento de epidemias do Imperial College.

 

Na terceira posição está a Índia, com 1,2 bilhão de infectados, conforme dados da plataforma Worldometers, que disponibiliza estatísticas mundiais sobre a Covid-19.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/coronavirus/eua-brasil-e-india-tem-quase-metade-dos-casos-de-coronavirus-no-mundo

Pandemia: como religiosos pró-Bolsonaro propagam desinformação em rede

Vídeos em que esses líderes falam de catástrofes são sucessos de audiência.

 

Celebridade gospel em João Pessoa, o pastor César Augusto, da Associação Fé Perfeita, aproveitou um culto transmitido pela internet, em 17 de março, para profetizar o fim da pandemia do novo coronavírus. “Vejo que daqui para frente pessoas que estavam sendo analisadas como suspeitas (de ter Covid-19) vão começar a dar negativo”, disse aos seus seguidores. “O diabo pode colocar a viola no saco”, sacramentou.

Um dia antes, o País registrava a primeira morte pela doença. De lá para cá, mais de 2 milhões de brasileiros foram infectados e 76 mil morreram.

César Augusto é um dos líderes evangélicos simpáticos ao presidente Jair Bolsonaro que, nos canais e aplicativos de mensagens, minimizam a pandemia e divulgam histórias de curas mirabolantes e prevenções caseiras que têm o poder de tirar o foco de ações efetivas contra a doença. Um estudo sobre a desinformação no YouTube apontou que uma rede formada por outros religiosos atingiu, em 47 dias, 11 milhões de visualizações só em vídeos que citavam o novo coronavírus.

Os conteúdos incluíam sermões que minimizavam a doença, pregações de teorias conspiratórias, informações enviesadas e de desqualificação da ciência. O levantamento foi feito entre 1.º de fevereiro e 17 de março, numa etapa antes das primeiras mortes. No dia 11 de março, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já anunciava que o Brasil viveria pelo menos “20 semanas duras”.

O dossiê foi elaborado por pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário (Cepedisa) da USP, do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). “É comum que autoridades não científicas se valham de suas posições hierárquicas dentro da sua rede (religiosa, por exemplo) para questionar orientações do sistema de peritos (mídia, universidades, organizações internacionais, agências especializadas) e respaldarem teorias conspiratórias”, diz o texto.

A atuação dos pastores é protegida pela liberdade religiosa e cumpre papel consolador em tempos de crise, mas em alguns casos ultrapassa a fronteira da fé, avaliam especialistas. Em Porto Alegre, um cartaz que ganhou as redes sociais, da Igreja Catedral Global do Espírito Santo, do pastor Silvio Ribeiro, virou caso de polícia por prometer um “óleo consagrado para imunizar contra qualquer tipo de pandemia, vírus ou doença”.

O evangélico pediu desculpas. A polícia apura o crime de charlatanismo. “É uma questão de saúde pública. Ninguém está desmerecendo a fé de nenhuma religião. Sabemos que a fé ajuda as pessoas, mas a saúde e a medicina devem prevalecer”, afirmou a delegada gaúcha Laura Rodrigues Lopes.

Diante das recomendações de isolamento social, o pastor Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, de Manaus, atuou contra o recolhimento e foi às ruas engrossar manifestações de apoio a Bolsonaro. Ele defendeu que, neste tempo de pandemia, os fiéis deviam procurar os templos. Em junho, Terra Nova integrou um grupo de pastores que viajou a Brasília para encontro com o presidente.

Com mais de 1 milhão de inscritos em seu canal no YouTube, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é mencionado pelos pesquisadores como um líder religioso que disseminou informações distorcidas. Num vídeo visto mais de 500 mil vezes, o aliado de Bolsonaro cita nota da Sociedade Brasileira de Infectologia para corroborar seu ponto de vista.

Segundo Malafaia, apenas cidades com mais de mil casos confirmados da doença deveriam ser submetidas a isolamento social. Para ele, há “terrorismo emocional” nos alertas sobre a doença e os evangélicos precisam usar a “arma” do “poder da oração e da fé”.

Contudo, Malafaia recorre, segundo os pesquisadores, a um “uso seletivo” da ciência ao ignorar que a mesma nota fazia recomendação contrária à cloroquina, droga propagandeada por governistas, e alertava para o fato de 15% dos casos da doença evoluírem para um patamar de gravidade.

Ao Estadão, Malafaia rechaçou seletividade e imperícia em seus pronunciamentos. “A ciência não disse assim: ‘A doença vem por aqui e para combater é assim’. Doutores, PhDs, dizem ‘quarentena funciona, não funciona, cloroquina funciona, não funciona’. A bagunça não vem das autoridades. Vem da própria ciência”, disse.

O canal de inspiração católica do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, com vídeos que passam de 150 mil acessos, sugere que o vírus seria um grande laboratório social no qual a humanidade foi propositalmente metida. “Esse canal hoje vai mostrar (…) uma verdadeira manobra de engenharia social, de guerra psicológica, revolucionária”, afirma, no vídeo, Frederico Viotti.

Ao Estadão, ele disse que todas as opiniões que emite são “fundamentadas em estudos”, embora o canal “não tenha viés acadêmico”. Ele atribuiu a citação no estudo a “nítida perseguição ao pensamento conservador”.

A minimização da pandemia não é unânime entre evangélicos. Pastor em São José dos Campos, Franklin Ferreira dirige um seminário que forma religiosos e preside a Coalizão pelo Evangelho, cujo conselho é formado por 18 representantes de diferentes igrejas. Ele suspendeu suas atividades presenciais em 14 de março.

“A Bíblia ensina que a prudência é filha da sabedoria. Isso significa que a postura do cristão não é norteada por credulidade ou incredulidade, arrogância ou desprezo. Diante de um discernimento cuidadoso da realidade e das vítimas da pandemia, o cristão é chamado a atuar com maturidade, habilidade e bom julgamento”, disse.

Vídeos em que líderes religiosos falam de catástrofes são sucessos de audiência. Publicado em 18 de março, o vídeo “Deus avisou, profecia para 2020”, produção com o pastor Gilmar Fiuza, da União de Mocidades da Assembleia de Deus de Brasília, tem 800 mil visualizações. Com orações que conjugam palavras incompreensíveis, pulos e olhos fechados, ele e a pastora Carla Teixeira transmitem o que seria uma mensagem divina: “Estou revestindo meu povo porque será um ano de dificuldade, mas o meu espírito vai fortalecer a minha Igreja”.

Fiuza mandou dizer que não se manifestaria. Silvio Ribeiro não foi localizado. Renê Terra Nova foi acionado por meio de telefone e e-mail que exibe em suas páginas, mas não houve retorno. O Palácio do Planalto não comentou a atuação de pastores. O pastor César Augusto afirmou que sempre seguiu orientações sanitárias e explicou que ao sacramentar a “derrota do demônio”, em março, preocupava-se com a “saúde mental” dos fiéis num momento em que “informações desencontradas” e “pânico” bombardevam os lares.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/pandemia-como-religiosos-pro-bolsonaro-propagam-desinformacao-em-rede/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pandemia-como-religiosos-pro-bolsonaro-propagam-desinformacao-em-rede

Sim, desconfinámos e ainda não há vacina

Vai ser obrigatório usar máscara nos transportes, proibidos...
 
1. No acompanhamento mediático da evolução da pandemia em Portugal sobressai um tom que oscila entre, no melhor dos registos, a inquietação pelo facto de os novos casos não estarem a descer e, nos registos mais alarmados e pessimistas, a persistência da ideia de que o país está a regredirno controlo da doença, como se rumasse aos níveis de crescimento registados na fase inicial.

2. Para estes registos mais sombrios contribuem, claro, os focos de contágio na AML, que evidenciam o impacto assimétricoda pandemia e revelam problemas estruturais de contexto, bem como o fecho de fronteiras a cidadãos portugueses e o desanconselhamento de viagens a Portugal por parte de alguns países europeus, em regra assentes na comparação do número de novos casos (o menos fiável de todos os indicadores, por razões a tratar num próximo post).

3. Contudo, quando se analisa a evolução da pandemia através dos indicadores disponíveis, constatamos que subsiste um claro problema de perceção. De facto, não só o aumento do número de infetados e de novos casos é ligeiro e tende para a estabilização, desde que se iniciou o desconfinamento, como a tendência mais recente, em termos de internamentos e de óbitos, tem sido de decréscimo (sobretudo desde o final de junho).

4. Não existe margem, de facto, para dizer que a pandemia está descontrolada ou que se regista um regresso aos níveis de contágio e de impacto iniciais. De um «pico» de 803 novos casos diários no final de março, passou-se para 188 no final de maio, situando-se agora esse valor nos 327, em pleno contexto de desconfinamento. Mais relevante ainda, a tendência recente do número de internados e de óbitos é decrescente e está longe de corresponder à registada antes do «pico». Desde que se atingiu o valor mínimo em cada um destes indicadores (em resultado do confinamento), o aumento médio diário é de apenas +1,9 no caso dos internados e +0,1 no caso dos óbitos.

 

5. Em suma, a menos que se pudesse esperar que o desconfinamento não implicasse um aumento do número de novos casos, ou que a pandemia pudesse desaparecer sem ser necessária a existência de uma vacina, os dados recentes contrariam muitas das perceções que se foram formando, no espaço público, relativamente à evolução da pandemia. Sim, entrámos em desconfinamento e ainda não há vacina, pelo que a evolução registada até agora não andará longe do que se poderia esperar e inclusive, face às reais circunstâncias, desejar.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Parente de paciente morta por cloroquina lamenta uso de remédio alardeado por Bolsonaro

Brasil quadruplica óbitos em 2 meses e supera a marca de 80 mil vítimas pela COVID-19

Equipes de saúde realizam exames da COVID-19 no Rio de Janeiro
© AP Photo / Silvia Izquierdo

O Brasil registrou 20.257 novos casos confirmados do novo coronavírus e o número de mortos ultrapassou os 80 mil, informou o Ministério da Saúde nesta segunda-feira (20).

Os óbitos cresceram em 632, alcançando o total de 80.120 pessoas vítimas da COVID-19 nas últimas 24 horas, segundo o boletim diário da pasta.

O número de vítimas fatais, perdendo apenas para o número de mortos nos EUA, quadruplicou em dois meses. O Brasil ultrapassou a marca de 20 mil mortes pela COVID-19 em 21 de maio.

Já os casos de infectados pela doença aumentou em 20.257, atingindo um total de para 2.118.646 nesta segunda-feira (20).

Um dia antes, o Brasil relatou cerca de 23.500 novos casos da doença pelo novo coronavírus e 716 novas mortes.

 

Funcionário do cemitério Vila Formosa, em São Paulo, enterra vítima da COVID-19 (coronavírus)

© REUTERS / Amanda Perobelli
Funcionário do cemitério Vila Formosa, em São Paulo, enterra vítima da COVID-19 (coronavírus)

Há uma semana, o número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil era de cerca de 73 mil, portanto, o país registrava um aumento semanal de cerca de 7 mil fatalidades relacionadas ao vírus.

O diretor executivo da OMS, Michael Ryan, disse em 17 de julho que a curva do novo coronavírus havia se estabilizado no Brasil e que o país agora pode reduzir a doença.

Apenas os Estados Unidos têm mais infecções e mortes que o Brasil na pandemia, com 3,8 milhões e 140.811, respectivamente, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020072015850683-brasil-quadruplica-obitos-em-2-meses-e-supera-a-marca-de-80-mil-vitimas-pela-covid-19/

Brasil se aproxima de 80 mil mortes por COVID-19

Túmulos recém-escavados no cemitério São Francisco Xavier durante o surto de doença de coronavírus (COVID-19), no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters

Rio de janeiro, 18 jul (Xinhua) -- O Brasil está perto de alcançar a marca de 80 mil óbitos causados pela COVID-19, após contabilizar 1.163 mortes nas últimas 24 horas e acumular 77.851, segundo o balanço divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Saúde.

Em relação ao número de pessoas infectadas pela doença, o total chegou a 2.046.415, após serem confirmados mais 34.177 casos positivos nas últimas 24 horas.

Ainda segundo os dados do governo, o país tem atualmente 647.441 pacientes em acompanhamento enquanto o número das pessoas consideradas recuperadas está em 1.321.036. Além disso, há 3.832 mortes suspeitas para confirmar se foram causadas pelo vírus.

Epicentro da COVID-19 no Brasil, o estado de São Paulo lidera as estatísticas da doença com 407.415 casos confirmados e 19.377 mortes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 135.230 positivos e 11.919 mortes e Ceará com 145.938 registros e 7.165 óbitos.

O Brasil é o segundo país do mundo mais afetado pelo novo coronavírus, tanto em número de casos como de mortes, superado apenas pelos Estados Unidos.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

https://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/19/c_139224065.htm

Estrangeiros fogem dos testes à covid-19 na chegada a Portugal

18/07/2020
 

Decreto que cria multas e permite fiscalizar ainda não foi publicado. Percentagem de casos positivos à chegada de países inseguros é de apenas 2%.

Os passageiros oriundos de países considerados inseguros, mas cujas viagens aéreas são autorizadas devido à presença de comunidades portuguesas, estão a conseguir entrar em Portugal sem realizar os testes à covid-19, obrigatórios desde 1 de julho. Cidadãos europeus ou com autorização de residência em qualquer país da União Europeia (UE) que venham do Brasil estão a voar para Paris, por exemplo, onde não lhes é exigido teste, escapando ao controlo à chegada a Portugal por desembarcarem de voos comunitários.

Leia mais em Jornal de Notícias

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/18/estrangeiros-fogem-dos-testes-a-covid-19-na-chegada-a-portugal/

A pandemia é uma crise simétrica?

 

Os dados divulgados no último relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) traçam o retrato das 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa (AML) que continuam em estado de calamidade, dado o elevado risco de contágio. Nestas freguesias, que se distribuem entre Amadora, Odivelas, Sintra e Loures (e 1 em Lisboa), vive mais de um quarto da população da área metropolitana. Vale a pena olhar para os números, já que contam a história de uma crise que está longe de ser simétrica.

A primeira diferença assinalável entre as regiões é a da densidade populacional: nas 19 freguesias confinadas, é sete vezes superior ao resto da AML. Além disso, as casas são geralmente mais pequenas e os casos de sobrelotação são bastante mais comuns - basta ver que a proporção de edifícios com 7 ou mais alojamentos é substancialmente superior nas 19 freguesias afetadas (30,6%), face à restante área metropolitana (13,9%). Percebe-se a relação que existe entre estas características da periferia de Lisboa e a evolução demográfica do país, que levou cada vez mais pessoas a deslocar-se para a AML nos últimos tempos. Percebe-se, também, que as condições de habitação são determinantes para o risco de contágio. Por outro lado, ao contrário do que tem sido sugerido pelo Governo, a utilização dos transportes públicos também parece ser relevante. O relatório do INE nota que "No território em estado de calamidade, a proporção de deslocações com utilização do transporte público para fora do município é 14,0%, mais do dobro do observado no restante território da AML (6,7%)". É difícil negligenciar uma diferença tão expressiva quando se analisa a evolução da pandemia. A combinação das condições habitacionais precárias com a necessidade de manter as deslocações (por se tratarem de pessoas que desempenham serviços essenciais, geralmente mal pagos, ou que precisam de procurar trabalho) só podia ter este resultado. Estes dados, aliás, estão em linha com o que foi sendo conhecido através das reuniões no Infarmed, nas quais, por exemplo, se ficou a saber que os imigrantes são desproporcionalmente afetados pelo vírus (são 1/4 dos infetados em Lisboa e 16% no Porto). É cada vez mais notório que a pandemia não afetou todos da mesma forma e está a expor as desigualdades. Nesse sentido, os dados divulgados confirmam o que já se sabia: a precariedade e a exclusão social são mesmo fator de risco.
 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Liga dos Campeões em Lisboa foi “má decisão”

18/07/2020
 

De acordo com sondagem da Aximage para o JN e a TSF, 44% dos portugueses não concordam com a final a oito da Champions em Lisboa. Ainda assim, 39% aplaudem.

Os mais altos magistrados da nação juntaram-se solenemente em Belém para dar a boa-nova ao país: vinha aí a final da Liga dos Campeões em Lisboa. A julgar pelos resultados da sondagem, talvez a ideia não seja assim tão boa. É certo que 39% concordam com António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa e Ferro Rodrigues, mas são ainda mais (44%) os que a classificam como uma má decisão.

Se tivermos em conta o género, são as mulheres que desequilibram: 45% estão contra e 35% a favor (nos homens há um empate a 43%). Se as contas se fizerem por classes sociais, são as duas mais baixas as mais entusiásticas na receção às oito equipas que rumarão a Alvalade e à Luz. As duas mais altas são bastante mais críticas.
Outra clara divisão tem a ver com a idade. Nas três faixas etárias entre os 18 e os 64 anos, o saldo é negativo; entre os portugueses de 65 ou mais anos, o saldo é claramente positivo: 46% estão a favor e apenas 35% acham que a decisão foi má.

Leia mais em Jornal de Notícias

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Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/18/liga-dos-campeoes-em-lisboa-foi-ma-decisao/

Covid-19: Aeroporto de Lisboa já recebeu 97 pacientes infetados

EUA ultrapassam marca de 140 mil mortes por COVID-19

Na Flórida, EUA, um trabalhador da área da saúde realiza testes de detecção da COVID-19, em 6 de julho de 2020.
© AP Photo / Lynne Sladky

A pandemia do novo coronavírus já matou mais de 140 mil pessoas nos Estados Unidos, segundo mostram dados da Universidade John Hopkins.

De acordo com os dados do painel do novo coronavírus da Universidade Johns Hopkins, considerado uma das principais fontes da dinâmica global da pandemia da COVID-19, o número de mortos nos EUA agora é de 140.119 fatalidades em 3.711.359 casos da infecção pela doença, enquanto 1,12 milhão se recuperou.

Com essas estatísticas os EUA seguem sendo o país mais afetado pela pandemia. O Brasil e a Índia, em segundo e terceiro lugar, têm pouco mais de dois milhões e um milhão de casos registrados, respectivamente. 

 

Equipe médica na unidade de terapia intensiva de COVID-19 do hospital United Memorial em Houston, Texas, EUA, 29 de junho de 2020.

© REUTERS / Callaghan O'Hare
Equipe médica trabalhando em unidade de terapia intensiva

Em número de mortes, a distância dos EUA para os outros países também é grande. O Brasil, o segundo em número de mortes, teve 78.772 mortes até agora. Já o Reino Unido, o terceiro na lista, soma 45.358 mortes pelo novo coronavírus.

Os EUA têm registrado recordes sucessivos de novos casos diários no país e alguns de seus estados estão voltando atrás com medidas de reabertura da economia, impondo novamente restrições sociais.

No mundo inteiro, o vírus infectou 14,2 milhões e matou mais de 600 mil pessoas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020071915846178-eua-ultrapassam-marca-de-140-mil-mortes-por-covid-19/

Banhistas ignoram lotação da praia de Carcavelos

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18.07.2020

Falta de fiscalização leva pessoas a ficar na praia com lotação esgotada.

O calor deste sábado levou milhares de pessoas à serra e à praia. Em Carcavelos, ao início da manhã, a lotação já estava esgotada. Já na serra de Sintra, as autoridades desmotivavam as pessoas a caminhar na serra, devido ao perigo de incêndio.

 
 

Veja aqui a notícia (SIC-Notícias)

Recorde de novas infeções por Covid-19 nos EUA

 

Onúmero de novos casos de Covid-19 nos Estados Unidos não pára de aumentar.


De acordo com a universidade Johns Hopkins, no espaço de 24 horas, foram registadas mais de 67 mil novas infeções, um novo recorde.

 


A Florida ultrapassou a barreira dos 300 mil casos confirmados e o número diário de mortes por coronavírus foi, nos últimos dois dias, superior a cem.

 

A rápida propagação do vírus está a fazer aumentar o escrutínio sobre as decisões dos governadores.

 


O governador republicano do Oklahoma, Kevin Stitt, que apoiou um dos planos de reabertura mais agressivos do país e raramente usa máscara, tornou-se no primeiro governador dos Estados Unidos a testar positivo à Covid-19.

 


Stitt diz que sente "um pouco como uma simples constipação. Mas basicamente estou assintomático e, obviamente, batendo na madeira, está tudo bem aqui".

 


O Irão revelou que 140 dos seus trabalhadores da saúde morreram com Covid-19 desde o início da pandemia.

 


O país tem assistido a um rápido aumento do número de novos casos, depois de ter flexibilizado as restrições de confinamento em meados de abril.

 


O Presidente iraniano, Hassan Rohani, pede às pessoas que respeitem as diretrizes da saúde, incluindo o uso de máscaras e o distanciamento social.

 


No continente africano, a situação na África do Sul é a mais mais preocupante. O país já registou mais de 310 mil infeções por Covid-19 e integra a lista dos 10 países com mais casos no mundo.

 


Cerca de 4 mil e 500 pessoas morreram devido à doença, ou seja 1,5% do total de infetados, um número relativamente baixo que os especialistas acreditam dever-se ao facto de o país ter uma elevada percentagem de população jovem. Os especialistas alertam no entanto que a crescente falta de oxigénio e camas hospitalares pode fazer disparar a taxa de mortalidade por Covid-19.

 


Ricardo Borges de Carvalho  | Euronews

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/recorde-de-novas-infecoes-por-covid-19.html

Brasil | “Políticas erráticas” mantém no alto platô de mortes da pandemia

Brasil chega a 2 milhões de casos com 9 semanas de pico de mortes registrando perto de mil óbitos por dia. Para infectologista, dificuldade de manter taxa de isolamento prolonga a duração do platô.

 

O Ministério da Saúde incluiu nas últimas 24 horas mais 45.403 registros de infecção por coronavírus no Brasil. Com isso, o país ultrapassou a marca de dois milhões de diagnósticos da covid-19 desde o início da pandemia. Foram quatro meses para chegar a um milhão de casos, e apenas um mês para dobrar este contágio. Vamos completar cinco semanas com média de 250 mil casos registrados.

O total de infectados é de 2.012.151. A pasta também contabilizou de ontem para hoje 1.322 novas mortes, com o acumulado de vítimas chegando a 76.688 em todo o país. Foi o pior dia do mês de julho, com o maior registro de óbitos em 24 horas desde 23 de junho, quando o ministério incluiu 1.374 mortes nas contas oficiais. O recorde anterior do mês tinha sido registrado na última terça-feira (14), quando 1.300 óbitos foram somados.

Apesar disso, o alto número de mortes se mantém relativamente estável há mais de dois meses, perto de mil casos a cada 24 horas. O que é estranho é justamente essa duração do platô de mortes por nove semanas seguidas. Para o infectologista Marcos Boulos, em entrevista ao portal Vermelho, são as “políticas erráticas dos governos”, assim como especificidades brasileiras, que explicam este fenômeno.

Boulos observa que devido à dimensão demográfica do Brasil e dessas dificuldades dos governos em compreender a importância do lockdown, ou de estímulos a medidas de isolamento social, vamos ficar repetindo esse número de mortos (e casos) até começar a descer a curva da pandemia. “Enquanto as pessoas estiverem circulando, haverá transmissão e, portanto, contágio. Se tirássemos todo mundo da rua diminuiria rapidamente”, afirmou.

O médico observa que em algumas cidades, atingidas precocemente pela covid-19, esta queda já é registrada. A capital paulista, epicentro da doença, começa apresentar esta curva descendente. “Estamos em pleno inverno e temos uma população muito carente que tem dificuldades de praticar o isolamento, então, não é estranho que esta estabilidade continue”, acrescenta.

Assim, há falta de seguimento às orientações, reaberturas inadequadas, com “políticas estranhas” em vários governos. “Você pode dizer que os números são exagerados, mas é isso mesmo. A dinâmica de uma epidemia é assim”, constatou.

De qualquer forma, ele considera que as medidas mínimas de isolamento respeitadas por grande parcela da população, impedem que os números continuem crescendo de forma exponencial. Assim, este patamar das últimas semanas aponta para a possibilidade de começar a cair brevemente.

Outro elemento que não permite a queda imediata da curva é a dimensão do país, em que as regiões mais populosas foram atingidas primeiro pela pandemia, enquanto a metade interior do país, começa a vivenciar a explosão pandêmica agora, nas últimas semanas. O infectologista diz que nas cidades que estão registrando aumento dramático, agora, houve controle nas primeiras semanas, mas começaram a reabrir a economia. “Foram políticas erráticas, com hora errada pra fechar e pra abrir, e estamos sofrendo as consequências desse quase amadorismo no combate”, declarou.

O governo federal informou ainda que o Brasil tem atualmente 639.135 pacientes em acompanhamento. Outros 1.296.328 de casos já são considerados como casos recuperados da doença.


por Cézar Xavier  | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

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Monopólios farmacêuticos não combatem a Covid-19

 

As leis de patentes da maioria dos países e a Declaração de Doha de 2001 da Organização Mundial do Comércio (OMC) são claras sobre o licenciamento compulsório durante uma emergência de saúde ou uma epidemia.

 

por Prabir Purkayastha | Tradução de José Carlos Ruy

Os EUA compraram quase todo o estoque do medicamento Remdesivir da farmacêutica Gilead, tornando quase impossível que esse medicamento para Covid-19 esteja disponível em qualquer outro lugar do mundo. Depois de deixar os EUA adoecerem, Trump tenta compensar o fracasso de seu governo comprando a produção de Gilead pelos próximos três meses, não deixando nada para o resto do mundo.

Isso torna tudo mais urgente para a Índia e outros países que se destacaram em lutas anteriores com leis de patentes de medicamentos contra as grandes farmacêuticas nos EUA e em todo o mundo por mais de uma década para quebrar a patente de Gilead e emitir licenças obrigatórias para fabricar o medicamento em seus países. As leis de patentes da maioria dos países e a Declaração de Doha de 2001 da Organização Mundial do Comércio (OMC) são claras sobre o licenciamento compulsório durante uma emergência de saúde ou uma epidemia. A Covid-19 obviamente se qualifica em ambos os requisitos.

Em 1º de julho, os EUA atingiu o ponto de mais de 50 mil novos casos de Covid-19 num único dia, cerca de 23% dos 218 mil novos casos em todo o mundo naquele dia, tornando-o líder global em como não combater a epidemia da Covid-19. Em 1º de julho, Brasil e Índia estavam em segundo e terceiro lugar, respectivamente, para novos casos.

Mas se o Remdesivir reduz o período infeccioso, além de ser benéfico para os pacientes que o recebem, também é útil para a sociedade. Ao reduzir o período infeccioso do paciente, reduz a taxa de transmissão do vírus.

Argumentei anteriormente que, após a batalha pelo acesso a medicamentos baratos contra a Aids, a próxima grande batalha seria travada com medicamentos e vacinas contra a Covid-19. Na Assembleia Mundial da Saúde, os EUA foram o único país que se opôs à decisão de que todos os medicamentos e vacinas deveriam ser colocados em um conjunto comum de patentes e acessível a todos os países a custos razoáveis.

Agora sabemos o motivo da oposição dos EUA – manter o controle sobre medicamentos e vacinas para combater a pandemia. Uma razão é fazer com que nos EUA os cidadãos percebam que Trump cuida deles garantindo medicamentos, mesmo que seu governo tenha falhado miseravelmente na luta contra a Covid-19. A segunda razão é que, controlando o medicamento para o resto do mundo, Trump pode negociar e tentar recuperar o status de hegemonia global que os EUA você perdeu.

Com esta etapa, os EUA também deixaram clara sua intenção com relação às vacinas Covid-19. Os EUA apoiaram um conjunto de cinco empresas usando cerca de US$ 13 bilhões, como parte de sua Operação Warp Speed ​​para apoiar o desenvolvimento de vacinas. Um desses cinco monopólios é a Moderna, uma empresa estadunidense de biotecnologia, pioneira nos atuais testes de vacinas. As outras quatro empresas apoiadas pelos EUA são AstraZeneca (em consórcio com a Universidade de Oxford); Johnson & Johnson; Merck; e Pfizer/BioNTech.

Se alguma dessas vacinas tiver êxito e outras não, pode-se esperar que os EUA guardarão a vacina, como faz com o medicamento para Covid-19, no caso do Remdesivir. Felizmente para o mundo, há um total de 17 vacinas na lista de experiências clínicas em andamento na Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras 132 em pesquisa.

Além dos EUA comprando quase todo o estoque de Remdesivir, a outra questão para tornar o Remdesivir acessível a quem precisa é o preço cobrado pela Gilead.

O custo para os pacientes é de cerca de US$ 3 mil para um tratamento típico de cinco dias (que consiste em seis frascos do medicamento – dois no primeiro dia e um por dia depois disso). A Gilead concedeu algumas licenças a fabricantes de medicamentos em outros países – incluindo três empresas indianas, Cipla, Hetero e Jubilant – para vender Remdesivir genérico. Isso significa que um tratamento completo de Remdesivir para pacientes indianos custará cerca de US$ 400 (a US$ 66 por frasco, para seis frascos).

Qual é o custo real do Remdesivir? De acordo com um artigo no Journal of Virus Eradication, em abril, o ingrediente ativo para o tratamento de um dia não deve custar mais de US$ 1. Se somarmos a isso o custo de fazê-lo no tempo típico de cinco dias, de seis injeções, o custo total não deveria ser superior a US$ 6.

Por que um tratamento completo com Remdesivir, que custa menos de US$ 10 para ser produzido, custa US$ 3 mil, ou 300 vezes o custo de produção nos EUA? Mesmo ao preço de concessão da Gilead (US$ 400) para a Índia, ainda é 40 vezes o custo de sua produção! O argumento de Gilead é que, porque seu medicamento reduz o tempo de hospitalização, leva à economia de US$ 12 mil para os pacientes com Covid-19 em contas hospitalares – e cobrando apenas um quarto disso, mesmo que seja 300 vezes o custo de produção, a Gilead está fazendo um grande favor aos clientes.

Como sabemos pelos resultados das pesquisas clínicas, o Remdesivir combate o vírus, mas se o paciente ficar gravemente doente, o remédio não terá um impacto estatisticamente significativo nas taxas de mortalidade. Se o fizesse, provavelmente o preço da Gilead teria levado em consideração os ganhos da vida economizados pelo Remdesivir, e provavelmente teria sido até 10 vezes mais alto!

Mas mesmo que o Remdesivir se torne significativamente mais barato, é incerto que possa chegar a países fora dos EUA, graças ao plano de comprar quase todo o estoque da Gilead. Então, o que o resto do mundo pode fazer? Pode ser necessário se preparar para travar uma longa batalha, como a Índia e outros países fizeram durante a epidemia de Aids contra os EUA. e seus aliados no cartel de drogas como Suíça, França, Reino Unido e Alemanha.

As grandes empresas farmacêuticas avaliaram os medicamentos contra a AIDS em torno de US$ 10 mil a US$ 15 mil por um ano de tratamento nos EUA e Europa, e o preço “concessional” de US$ 4 mil para os países pobres. As empresas indianas estavam fabricando a versão genérica desses medicamentos por uma fração desse preço, mas os países que queriam importar da Índia medicamentos contra a Aids enfrentaram ações judiciais e pressão política dos EUA.

Foi uma batalha travada por quase uma década. Na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, a Declaração de Doha aceitou que, em caso de uma emergência de saúde ou epidemia, qualquer país tem o direito de emitir uma licença obrigatória para a produção de medicamentos para salvar vidas. E a licença para produzir o medicamento poderia ser emitida mesmo para uma empresa fora das fronteiras do país.

A fabricante indiana de medicamentos genéricos Cipla poderia então fornecer os medicamentos contra a Aids a US$ 350 ao ano para vários países, que de outra forma ficariam completamente falidos pelos preços mais altos dos medicamentos patenteados – ou então veriam seus pacientes com Aids morrerem em grande número sem medicação.

A vitória para garantir medicamentos genéricos baratos para a Aids estabelece um precedente para a atual pandemia. A Covid-19 já matou cerca de meio milhão e infectou mais de 10 milhões. Ninguém pode contestar que é uma emergência de saúde e uma pandemia.

A permissão de uso de uma licença compulsória já existe na maioria das leis de patentes dos países e na Declaração de Doha. Por que, então, outros países não iniciam a fabricação do Remdesivir? Eles esperam que Gileade e os EUA se comportarão melhor do que antes, na epidemia de Aids? Ou têm medo da ameaça de sanções retaliatórias dos EUA?

Todo ano, nos EUA, o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) emite um Relatório Especial que usa para ameaçar sanções comerciais contra países. A Índia figura com destaque neste relatório ano após ano, por emitir uma licença compulsória em 2012 para a Natco vender o Nexavar por menos de 3% do preço da Bayer, que supera US$ 65 mil por ano.

Depois que a Índia emitiu a licença compulsória para o Nexavar, Marijn Dekkers, executivo da Bayer, disse: “Não desenvolvemos este medicamento para os indianos. Desenvolvemos para pacientes ocidentais que podem pagar”.

Em abril, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi cedeu sob a ameaça de Trump e exportou hidroxicloroquina para os EUA, mesmo estando sob proibição de exportação na época. Ele – e os líderes de outros países – estarão dispostos a enfrentar os EUA em relação ao Remdesivir? Ou eles concordam com Trump que o Remdesivir deve ser reservado apenas para pacientes dos EUA, mesmo que tenham capacidade de produzi-lo?


por Prabir Purkayastha, Engenheiro, ativista científico, presidente do Movimento de Software Livre na Índia e editor do Newsclick  |   Texto em português do Brasil, com tradução de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV (Fonte: CounterPunch) / Tornado


 
 
 
 

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Barcelona volta ao confinamento devido à covid-19

17/07/2020
 

Barcelona vai estar durante 15 dias sob recomendação de confinamento, com um pedido da Generalitat para que a população não saia de casa ou se dirija para segunda habitações, devido à pandemia de covid-19.

A acompanhar o pedido aos cidadãos, o governo regional da Catalunha vai encerrar estabelecimentos de diversão noturna, proibir atividades culturais e diminuir a lotação de bares e restaurantes, revela o jornal “El Pais”. As medidas abrangem toda a área metropolitana de Barcelona, La Noguera, em Lérida, e os municípios de Segrià. Quinta-feira, a Catalunha registou 1300 novos casos de covid-19, 884 deles na capital catalã. Estas medidas são as mesmas aplicadas em L”Hospitalet de Llobregat.

“Recomenda-se que a saída de casa seja feita para as coisas indispensáveis. O importante é deixar de socializar e não ter de proibir absolutamente tudo. Deixar que as pessoas tenham em mente como podem realizar todas as actividades. Ninguém quer ir para o confinamento total em casa, embora seja a forma mais segura de manter o vírus à distância”, explicou a conselheira regional da Saúde, Alba Vergés.

Leia mais em Jornal de Notícias

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/17/barcelona-volta-ao-confinamento-devido-a-covid-19/

Brasil ultrapassa 2 milhões de infetados com o novo coronavírus

16/07/2020
 

Depois dos Estados Unidos, o segundo país a superar os dois milhões de casos é o Brasil, ao contabilizar 2.012.151 de pessoas infetadas, segundo levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

De acordo com o balanço, no período de 24 horas, foram registrados 45.403 novos diagnósticos da Covid-19, com taxa de incidência de 957,5 pessoas por cada 100 mil habitantes. Até o momento, a pandemia já provocou a morte de 76.688 brasileiros, com um acréscimo de 1.322 óbitos em um dia. A taxa de letalidade é 3,8%. Os estados mais afetados pela Covid-19 continuam sendo São Paulo (402.048 casos e 19.038 mortes), Ceará (144 mil contágios e 7.127 óbitos), Rio de Janeiro (134.573 infecções e 11.849 vítimas) e Pará (133.039 contaminações e 5.385 falecimentos). A letalidade, no entanto, é maior no Rio, com 8,8%.

Leia mais em Istoé

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/16/brasil-ultrapassa-2-milhoes-de-infetados-com-o-novo-coronavirus/

Brasil registra mais 1.163 mortes pelo coronavírus e total de óbitos chega a 77.851

Funcionários de cemitério em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, carregam caixão de vítima da COVID-19
© REUTERS / Pilar Olivares

Brasil registrou 1.663 mortes pela COVID-19 nas últimas 24 horas e total de óbitos chegou a 77.851, segundo boletim divulgado nesta sexta-feira (17) pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Além disso, foram confirmados mais 34.177 casos do novo coronavírus. Total de pessoas infectadas é agora de 2.046.328. 

No informe de quinta-feira (16), o acréscimo de mortes foi de 1.322, enquanto o número de novos casos confirmados foi de 45.403. 

Os dados não se referem a mortes ocorridas necessariamente nas últimas 24 horas, mas sim à confirmação de óbitos causados pela COVID-19 nesse período. 

Segundo o Conass, o índice de letalidade é de 3,8%. A taxa de mortalidade (por 100.000 habitantes) é de 37, enquanto o índice de incidência (por 100.00 habitantes) é de 973,8.

OMS diz que Brasil atingiu platô

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (17) que a transmissão do coronavírus no Brasil atingiu um platô (número de novos casos se estabilizou e a curva não está mais subindo como antes). 

A entidade, no entanto, disse que ainda não há uma tendência de queda e é preciso uma ação coordenada para combater o vírus. O Brasil levou quatro meses para chegar a 1.000.000 milhão de infectados, marca atingida em 19 de junho, e 27 dias para o número dobrar. 

Segundo levantamento feito por consórcio de imprensa criado para apurar evolução da epidemia no país, a taxa de mortes vem subindo no Distrito Federal e em nove estados, a maioria nas regiões Sul e Centro-Oeste: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Tocantis. 

Em São Paulo, Pará, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe, as mortes estão estáveis. 

E no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia, a taxa de óbitos está caindo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020071715842113-brasil-registra-mais-1163-mortes-pelo-coronavirus-e-total-de-obitos-chega-a-77851/

EUA registram 77 mil novos casos de Covid-19 em 24h e atingem novo recorde

Na semana passada, os EUA já haviam registrado um recorde diário com mais de 66 mil novos casos. Mais de 3,5 milhões de pessoas testaram positivo para o coronavírus no país

 

 

247 -Os Estados Unidos registraram recorde de infecções diárias pelo coronavírus, nesta quinta-feira (16), segundo a Universidade Johns Hopkins, que faz um monitoramento dos casos pelo mundo. O país registrou mais de 77 mil novos casos em 24 horas, de acordo com a instituição.

Na semana passada, os EUA já haviam registrado um recorde diário com mais de 66 mil novos casos. Mais de 3,5 milhões de pessoas testaram positivo para a Covid-19. O número de óbitos está por volta de 138 mil.

Desde junho, quando vários estados flexibilizaram ou abandonaram as medidas de isolamento social, o ritmo de contágios vem crescendo extraordinariamente. Agora, 30 dos 50 estados já registraram recordes de infecções neste mês, sendo o novo epicentro da pandemia o estado da Flórida, seguido pela Califórnia e o Texas.

 

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/coronavirus/eua-registram-77-mil-novos-casos-de-covid-19-em-24h-e-atingem-novo-recorde

Perito britânico prevê surtos de coronavírus “durante vários anos”

16/07/2020
 

O consultor científico do governo britânico, Patrick Vallance, defendeu esta quinta-feira que vai haver surtos de coronavírus “durante vários anos” no Reino Unido e considerou que o país ainda deve manter as atuais medidas de distanciamento social e teletrabalho.

Numa intervenção perante a comissão parlamentar de Ciência e Tecnologia, o principal perito científico do executivo admitiu que “está claro que o resultado [da pandemia] não foi bom no Reino Unido”, onde o número de mortos por covid-19 está nos 45.119.

Vallance defendeu que não se deveria abandonar as regras de restrição projetadas para conter a pandemia, apesar de o governo prosseguir com o plano de relaxamento, a fim de reavivar a economia nacional, prejudicada pela crise.

O responsável observou ainda que o país está agora num momento “em que as medidas de distanciamento [social] são importantes”.

“Para muitas empresas, trabalhar em casa ainda é uma opção perfeitamente boa, porque é fácil de fazer. Várias empresas acreditam que não é prejudicial para a sua produtividade e, nessa situação, não vejo absolutamente nenhuma razão para mudar esta recomendação”, sublinhou.

Vallance assinalou também que o Reino Unido não só se deve preocupar em evitar uma segunda vaga do coronavírus, mas com o facto de a atual ainda não ter acabado.

Tudo o que fizemos foi suprimir a primeira vaga. Quando se tirarem os travões, prevemos que regresse“, anteviu.

Nesse sentido, Vallance acrescentou que “é bem provável que este vírus regresse em diferentes vagas durante vários anos”.

Segundo indicou, os cientistas não assumem que vai haver uma vacina contra o vírus disponível num futuro imediato.

Leia mais em Jornal de Notícias

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/16/perito-britanico-preve-surtos-de-coronavirus-durante-varios-anos/

Situação em Lisboa “está longe de estar resolvida”, diz Duarte Cordeiro

Fernando Veludo / Lusa

 

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares e coordenador da região de Lisboa e Vale do Tejo para a gestão da covid-19, Duarte Cordeiro, diz haver consciência da persistência dos casos na região e que a situação está longe de estar resolvida.

 

O governante esteve na Assembleia da República, a pedido do CDS, para prestar contas sobre a resposta à pandemia na região de Lisboa e Vale do Tejo, que continua a registar a maior parte do aumento de novos casos de covid-19 no país.

Segundo o Expresso, o CDS alertou para a “desarticulação” entre as autoridades, para os “sinais contraditórios” na realização de espetáculos e manifestações e para a falta de controlos nos aeroportos, entre outros aspetos. O PSD criticou o facto de se ter vendido a situação portuguesa como um “milagre”.

“Se não há condições para entrar numa composição [de comboio], temos de esperar pela próxima. Não tenho outra resposta para lhe dar”, disse Duarte Cordeiro em resposta às críticas face às falhas na gestão dos transportes públicos.

Ainda esta sexta-feira, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, admitiu, em entrevista ao Dinheiro Vivo, acabar com as limitações à lotação dos transportes públicos.

Pedro Nuno Santos reiterou que não existe uma relação entre o uso de transportes públicos e os surtos de covid-19 que têm acontecido no país. O ministro recordou que Lisboa é das poucas capitais da Europa com restrições na lotação dos transportes e que, se a situação não for alterada, pode causar “problemas sérios de mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa”.

Governo admite acabar com as limitações à lotação dos transportes públicos

Voltando a Duarte Cordeiro, o secretário de Estado garantiu que as medidas adicionais tomadas na região estão a resultar. “Se ficássemos pelas decisões tomadas para o resto do país, não estaríamos onde estamos hoje”, advertiu.

“Se a pandemia chegou mais tarde a Portugal, é natural que acabe mais tarde. Não há uma bala de prata”, disse ainda Duarte Cordeiro, que compreende as críticas, mas que sente que estas não devem servir para “quebrar a energia” de que o país precisa.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/situacao-lisboa-longe-estar-resolvida-335806

A pressão dos negócios

Manuel Raposo — 16 Julho 2020

Retomar os negócios a todo o custo

O modo como o chamado “desconfinamento” tem dado origem a um crescimento significativo da pandemia, primeiro na região de Lisboa, mas agora também no resto do país, mostra bem como os poderes públicos cederam à pressão dos negócios. O relativo êxito no controlo do surto em Março e Abril deveu-se, quase em exclusivo, a uma medida: isolar as pessoas, parando tudo o que era possível parar.

O regresso à actividade, mesmo gradual e condicionado, é um regresso às condições de trabalho de sempre, agora acrescentadas com o perigo de contaminação, quando não de morte. É esta a realidade que atinge hoje o mundo do trabalho.

O desconfinamento iniciado em Maio deu-se, obviamente, sem que alterações substanciais no modo de vida das populações tivessem sido postas em prática: transportes escassos e apinhados, concentrações de trabalhadores em áreas fundamentais sem medidas cautelares, falta de meios de protecção individual ou de grupo, ausência de fiscalização do funcionamento das empresas. Como nos idos do império: navegar é preciso, viver não é preciso.

Na prática, prevaleceu a máxima de “salvar a economia” à custa de mais gente contaminada e mais mortos se necessário. Foi o que se expressou na frase, repetida por patrões e comentadores de serviço, “não podemos morrer da cura”. Alguém teria portanto, nessa óptica, de morrer da doença para dar lugar à retoma dos negócios, sabendo-se de antemão que os destinados a morrer não seriam os que ganhariam com os negócios.

A pressão do mundo empresarial começou cedo. Em 13 de Abril centena e meia de “personalidades” apelou, por carta aberta, ao presidente da República, ao primeiro-ministro e ao presidente da Assembleia da República para que iniciassem o desconfinamento. Empresários diversos, mais uns quantos médicos para darem crédito científico ao propósito (a que se juntou, pois claro, o inevitável líder da UGT, Carlos Silva), diziam em resumo: basta de restrições, agradecemos muito ao governo as medidas que tomou, mas agora queremos “libertar a economia”. Dizendo-se preocupados “com a sobrevivência de um modelo de sociedade que tanto nos custou a conquistar”, iniciaram na realidade uma pressão, que não mais parou, sobre o poder político e sobre as autoridades sanitárias para que aceitassem correr os riscos que fossem necessários.

Foi a pressão dos negócios que manteve em funcionamento, sem medidas de protecção, grande parte da construção civil. Foi o interesse dos negócios que levou empresas de transporte a manterem autocarros parados e a lucrarem com trabalhadores em layoff, enquanto outros trabalhadores na condição de passageiros foram sendo contaminados. Foi o poder enorme das companhias de aviação e agentes de viagens que conseguiu lotações a cem por cento nos aviões. Foi o negócio do turismo que pôs o Governo a mendigar ao Reino Unido corredores sem quarentena, não se importando com a contaminação que possa vir de lá para cá.

Ao mesmo tempo, cresceu uma insistente campanha de desacreditação das autoridades sanitárias, com o propósito evidente de lhes retirar das mãos a última palavra sobre as medidas de confinamento, e desse modo remover um obstáculo à retoma dos negócios. Este processo culminou com o fim das reuniões no Infarmed, esse “mistério” que ninguém parece querer compreender. (*)

A manobra não é exclusivamente portuguesa, claro. Por todo o mundo se assiste ao mesmo tipo de pressão, mais brutal e descarada nuns casos (Trump, Bolsonaro), mais subtil noutros. O resultado, porém, corre o risco de apontar todo ele na mesma direcção: secundarizar critérios de saúde pública em favor dos negócios.

Naturalmente — porque, claro está, não conseguem viver sem trabalhar — os assalariados encontram-se prisioneiros da lógica imposta pelo patronato e pelo poder: “abrir” a economia, retomar os negócios, repor lucros, correr riscos de saúde e de vida. Só assim poderá sobreviver quem vive de um salário. Nada de novo, dir-se-á — só que agora tudo decorre em condições mais dramáticas.

Há, portanto, uma ressalva a fazer nesta ideia aparentemente incontornável de “salvar a economia”. A “economia” que se diz ter de salvar, não é, em primeira mão, a economia que assegura a sobrevivência dos trabalhadores — é a que assegura a sobrevivência do sistema de exploração, de que eles recebem os subprodutos.

Talvez não seja inútil chamar a atenção para esta realidade, mesmo sendo ela tão óbvia. Por uma razão: nunca como em momentos destes se coloca de forma tão directa diante dos olhos a contradição entre os interesses económicos dominantes e os interesses imediatos das populações, particularmente trabalhadoras; a evidência de que uma dada economia (a do capital) não é a economia de que os trabalhadores e a massa da população precisam — e que poriam em prática se o poder de decidir lhes pertencesse.

Questões de vida ou de morte estão, literalmente, colocadas sobre a mesa — tanto por razões de saúde imediatas, como por razões de penúria e de condições de vida que serão fortemente agravadas diante da brutal quebra económica que se anuncia. No entanto, é este “o modelo de sociedade” pelo qual bravamente se batem as sumidades signatárias da tal carta que visava “libertar a economia”.

———

(*) Desde o início da pandemia, de 15 em 15 dias, reuniam-se na sede do Infarmed governantes, responsáveis políticos e partidários e epidemiologistas com o fim de avaliar a situação sanitária e tomar medidas adequadas, com base em critérios científicos, naturalmente. Partiu do PSD (Rui Rio, secundado pela pitonisa Marques Mendes) a sugestão de acabar com as reuniões por “se terem tornado inúteis”, e logo o PR e o PM acolheram a “ideia” em mais uma demonstração de convergência política a três. Na verdade, uma convergência a quatro — considerando o sempre presente mundo dos negócios.

Ver original em 'Mudar de Vida' na seguinte ligação:

https://www.jornalmudardevida.net/2020/07/16/a-pressao-dos-negocios/

Sabotagem do CDC por políticos dos Estados Unidos é "irracional e perigosa", dizem ex-diretores do CDC

On coronavirus data, Team Trump decides to circumvent the CDC

Beijing, 16 jul (Xinhua) -- É "irracional e perigoso" que os políticos dos EUA sabotem os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) na luta contra a COVID-19, alertaram os ex-diretores do CDC em um artigo publicado recentemente pelo The Washington Post.

"Desde a semana passada até esta segunda-feira, o governo continuou questionando publicamente as recomendações e o papel da agência na informação e orientação da resposta pandêmica do país", destacou o artigo publicado nesta terça-feira e assinado por Tom Frieden, Jeffrey Koplan, David Satcher e Richard Besser.

Observando que o CDC tem reunido os pareceres de milhares de especialistas em saúde experientes, o que é fundamental para que os Estados Unidos vençam a batalha contra a pandemia, os ex-diretores do CDC afirmaram que "a ciência fundamentada deles está sendo contestada com críticas partidárias, semeando confusão e desconfiança, " tomando como exemplo as diretrizes do CDC para a reabertura das escolas.

As diretrizes, "destinadas a proteger crianças, professores, funcionários escolares e suas famílias", foram consideradas "um impedimento para reabrir as escolas rapidamente" por alguns políticos, comentaram eles, acrescentando que tais tentativas de abolir as diretrizes apenas gerarão um caos e colocarão vidas em perigo.

"O único motivo válido para mudar as diretrizes divulgadas é a nova informação e a nova ciência - não a política", disseram eles.

"Nós quatro lideramos o CDC por mais de 15 anos... Não recordamos dentro do nosso mandato coletivo uma única vez em que a pressão política levou a uma mudança na interpretação das evidências científicas", indicaram eles.

Os ex-diretores observaram que a campanha anti-CDC dos políticos já " desencadeou uma reação contra as autoridades de saúde pública em todo o país" e levou muitos estadunidenses a ignorarem as diretrizes do CDC, sendo esta a razão por trás das crescentes infecções e mortes nos Estados Unidos.

"Os Estados Unidos possuem um quarto das infecções e mortes pelo coronavírus, apesar de abrigarem apenas 4,4% da população mundial", apontaram.

"Infelizmente, não estamos nem perto de ter o vírus sob controle". Muito pelo contrário, de fato", escreveram.

Para conter a propagação do vírus o mais rápido possível, eles conclamaram os políticos americanos a restituírem o "devido papel" do CDC na luta antiepidêmica, e exortaram a população a aderir às diretrizes do CDC, usando máscaras e mantendo as medidas de distanciamento social.

"Tentar combater esta pandemia, subjugando a ciência, é como lutar de olhos vendados", afirmaram. Fim

Fauci diz que esforços da Casa Branca para desacreditá-lo são "bizarros"

Fauci fires back at White House aide who trashed him in op-ed...

Washington, 16 jul (Xinhua) -- Anthony Fauci, principal especialista em doenças infecciosas dos EUA, descreveu os ataques "bizarros" dos funcionários da Casa Branca como "absurdos" e "totalmente errados".

"Nem nos meus sonhos mais loucos poderia imaginar por que querem fazer isso", disse Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA e um importante membro do grupo de missão contra coronavírus da Casa Branca, em uma entrevista ao The Atlantic publicada na quarta-feira.

Essa reação ocorreu quando a Casa Branca supostamente intensificou seus esforços para desacreditar Fauci. Entre os ataques contra o especialista, o conselheiro presidencial Peter Navarro publicou um artigo no USA Today na terça-feira, criticando que Fauci "estava errado sobre tudo em que tenho interagido com ele".

"Não consigo explicar Perter Navarro", disse Fauci ao The Atlantic. "Ele vive em um mundo sozinho."

"A tentativa de desacreditar a experiência em saúde pública de Fauci é um movimento político com implicações desastrosas", disse a reportagem. "Os americanos que acreditam na campanha anticientífica da Casa Branca só arriscam ficar sem as informações que podem salvar suas vidas."

Cerca de 3,5 milhões de casos confirmados de COVID-19 foram notificados nos Estados Unidos, com mais de 137 mil mortes, de acordo com os dados mais recentes da Universidade de Johns Hopkins. Fim

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

https://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/16/c_139217662.htm

Pandemia também afeta o meio ambiente com o lixo hospitalar

A pandemia de Covid-19 também apresenta uma ameaça para o meio ambiente pela contaminação das águas com o lixo hospitalar, afirma um relatório ao mesmo tempo que recomenda criar um imposto “verde”, entre outras medidas fiscais para enfrentar esses desafios.

 

O chamado de alerta foi emitido ontem pelo informe do instituto Centro-americano de Estudos Fiscais (ICEFI), tomando em conta a vulnerabilidade ambiental de Honduras, Guatemala, El Salvador e Nicarágua.

Indica que o aumento dos resíduos sanitários, não só pode representar uma maior exposição das pessoas a agentes infecciosos, mas também uma maior contaminação da terra, ar, lagos, rios e oceanos.

“Ante isso, o Instituto fez um chamado aos governos para que os planos de recuperação econômica sejam elaborados, tomando em conta a sustentabilidade ambiental do desenvolvimento da região”.

O aumento do gasto público derivado da implementação de planos de emergência e recuperação demandarão grandes investimentos, para qual os governos devem revisar os privilégios fiscais vigentes.

Eliminar aqueles incentivos que beneficiam setores ou atividades com externalidades ambientais negativas. Além de, “avaliar a implementação de impostos verdes ou ambientais que permitam incorporar as finanças públicas ao princípio de ‘quem contamina, paga’”.

Um exemplo é a possibilidade de implementar impostos ao carbono aproveitando as caídas nos preços internacionais dos combustíveis fósseis. Retirar os subsídios dos combustíveis fósseis, pois são ineficientes para beneficiar a população mais vulneral e tem implicações ambientas negativas.

O relatório estabelece que antes dessa crise sanitária, o contexto ambiental era insustentável. Destacando a perca continua e acelerada das florestas: a cobertura florestal na região é apenas de 38.1% e cada ano se perde em torno de 20 mil hectares de floresta.

Ele cita um estudo de German Watch, onde Honduras aparece como o país mais afetado por haver perdido quase dois milhões de hectares de 2000 a 2015; Nicarágua e Guatemala, meio milhão; Panamá, 250 mil; El Salvador, manos de 100 mil; Costa Rica que, em vez de perder, recuperou más de 500 mil hectares de floresta em 15 anos.


por Victoria Rodrigues, ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais  |  Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/pandemia-tambem-afeta-o-meio-ambiente-com-o-lixo-hospitalar/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pandemia-tambem-afeta-o-meio-ambiente-com-o-lixo-hospitalar

EUA ultrapassam pela primeira vez os 70 mil casos nas últimas 24 horas

16/07/2020
 

Os Estados Unidos ultrapassaram pela primeira vez a barreira dos 70 mil casos de covid-19, nas últimas 24 horas, elevando para mais de 3,49 milhões o total de contágios no país, indicou a Universidade Johns Hopkins.

De acordo com os números contabilizados pela universidade norte-americana, sediada em Baltimore (leste), até às 20:00 de quarta-feira (01:00 de hoje em Lisboa), as autoridades sanitárias dos EUA registaram 74.513 novas infeções, além de 803 mortos, aumentando para 137.235 óbitos desde o início da epidemia no país.

Estes números equivalem a cerca do dobro dos níveis de contaminação registados no mês de abril, quando grande parte do país estava confinado.

A primeira potência mundial sofreu nas últimas semanas um aumento de infeções no sul e oeste do país, de longe o mais afetado do mundo em termos absolutos, tanto em número de mortos como de casos.

As últimas atualizações de modelos epidemiológicos indicam que o país pode atingir entre 151 mil mortos a 01 de agosto e 157 mil a 08 de agosto, de acordo com a média dos modelos de 23 grupos de investigação, cujos resultados foram divulgados na terça-feira por uma equipa da Universidade de Massachusetts, em nome dos Centros de Prevenção e de Luta contra as Doenças (CDC) norte-americanos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 579 mil mortos e infetou mais de 13,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/16/eua-ultrapassam-pela-primeira-vez-os-70-mil-casos-nas-ultimas-24-horas/

Brasil passa marca de 75 mil mortes por COVID-19

Mortes por covid-19 no Brasil passam de 75 mil | Notícias e...

Rio de Janeiro, 15 jul (Xinhua) -- O Brasil superou a marca de 75 mil óbitos pela COVID-19, após confirmar mais 1.233 mortes nas últimas 24 horas, elevando o total para 75.366, de acordo com o boletim divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde.

Segundo os dados atualizados do governo, o país está com quase dois milhões de casos de contágio, já que com os 39.924 registrados nas últimas 24 horas, há pelo menos 1.966.748 pessoas infectadas.

Ainda de acordo com o ministério, o Brasil contabiliza atualmente 635.818 pacientes em acompanhamento e já considera 1.255.564 casos como recuperados.

Epicentro da pandemia da COVID-19 no país, o estado de São Paulo (sudeste) encabeça a lista tanto de casos, com 393.176, como de mortes, com 18.640.

Rio de Janeiro (sudeste) vem em segundo lugar no número de óbitos, com 11.757 e, em terceiro, em casos confirmados, com 134.449, superado pelo Ceará (nordeste), com 141.248 registros e com 7.030 mortos.

O Brasil é o segundo país do mundo mais afetado pela COVID-19, tanto em mortes como em casos confirmados, superado apenas pelos Estados Unidos em ambos os itens. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

https://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/16/c_139216320.htm

Covid-19 (III) – Estados Unidos e Brasil

No seguimento dos dois primeiros artigos dedicados ao surgimento da Covid-19 na China e ao seu aparecimento na Europa, descreve-se agora o sinuoso trajecto da abordagem da pandemia nos Estados Unidos e no Brasil.

CréditosJim Lo Scalzo / EPA

O governo dos USA seguiu o modelo 1 de Buffagni que vale a pena relembrar: «Aqueles que escolhem o modelo 1 fazem um cálculo de custo/benefício, e optam por sacrificar uma parte da população.»1

Como superpotência com influência mundial e devido à personalidade arrogante e boçal do presidente, a administração Trump constituiu-se em exemplo absoluto de incompetência, oportunismo e demagogia.

São inúmeros os vídeos com contraditórias afirmações do Presidente Trump ao longo do tempo, começando por menorizar a importância da pandemia – «é uma simples gripe», «vamos todos ficar bem», «a América vai continuar a trabalhar» – passando depois, perante a acumulação de mortos, a fazer o auto elogio e a culpabilizar os outros.

Tudo ainda é pior quando se soma o «sistema de ausência de sistema» dos USA, não existindo nenhuma organização nacional prestadora de cuidados de Saúde do tipo do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou do NHS inglês (hoje também fragilizado pelas políticas de Margareth Tatcher, Tony Blair e sucessores).

Nos USA é o «cada um trata de si», com seguros privados para quem os pode pagar (caros e com muitas exclusões e limites de despesa), a que se acrescentam perto de 50 milhões de pessoas sem qualquer cobertura e totalmente entregues à sua sorte.

Keith Corl, médico e professor na Universidade de Brown, refere: «O nosso sistema de saúde está perfeitamente desenhado para o negócio da medicina: Extrair lucro dos doentes.»2

Nessa lógica do business, a medicina preventiva fica para trás. De resto, em Novembro de 2008, o National Intelligence Council, da CIA, enviou à Casa Branca um relatório elaborado por peritos vários países – «Global Trends 2025: A Transformed World» – alertando para «a aparição de uma doença respiratória nova, (…) que se poderia converter numa pandemia global.»3

 

Desprezando esse e outros avisos (entre os quais um do Pentágono, em 2017), Trump, fechou, em 2018, o gabinete de Biodefesa e Saúde Global dirigido pelo almirante Timothy Ziemer, perito em epidemiologia, precisamente a instituição encarregada de coordenar o combate a pandemias.

Comentando, na altura, a decisão, Jeremy Konyndyke, dirigente da Agency for International Development durante a administração de Obama, afirmou: «Isto coloca-nos literalmente desprotegidos. É inexplicável.»4

Em vez de as autoridades governamentais tomarem precauções atempadas contra a pandemia, deixaram os profissionais de saúde sem equipamento de protecção e ameaçaram de despedimento os que denunciassem as faltas.5

E quando o número de infectados e mortos em Nova Iorque começou a ser o anúncio de uma catástrofe, Trump, com eleições no olho e o seu estilo da pior ficção televisiva, elevou o tom do ataque a cientistas, adversários políticos, à OMS (WHO) e à China, acusadas de uma perversa conspiração contra ele e os USA.

Assim, depois de se ter atirado aos governadores democratas por terem decretado alguma forma de confinamento, Trump resolveu interromper o financiamento à OMS, acusando-a de encobrir alegadas malfeitorias chinesas.

Richard Horton, editor da revista médica The Lancet, classificou a decisão de Trump como «um crime contra a humanidade» e «uma traição atroz contra a solidariedade global».6

Não contente com isso, Trump acrescentou o corte de bolsas e financiamento a investigadores americanos ligados à batalha contra a pandemia, e foi duramente criticado num artigo da revista Science publicado a 30 de Maio – «NIH’s axing of bat coronavirus grant a "horrible precedent" and might break rules»: «É a coisa mais contraproducente que eu podia imaginar, dada a relevância da investigação para perceber a corrente pandemia e poder evitar futuros surtos virais», disse Gerald Keuch, o anterior director do National Institute of Health (NIH) da Universidade de Boston.7

A isso somou ainda a recusa em participar na parceria internacional apoiada pela OMS para a descoberta e produção de uma vacina sem fins lucrativos.8

De resto, o presidente americano já tinha tentado comprar um laboratório alemão (CureVac), que está a desenvolver uma vacina, a fim de garantir o seu uso exclusivo nos USA, tendo sido impedido pelo governo alemão.9

Mas o primarismo de presidente dos USA atingiu o auge quando, numa conferência de imprensa, lançou a ideia de tratar o vírus «com uma tremenda luz que seja ultravioleta ou uma luz muito poderosa (…) vejo que o desinfectante agride o vírus num minuto, então há maneira de fazer algo, como com uma injecção ou quase uma limpeza, como podem ver chega aos pulmões e tem um efeito tremendo, vai ser interessante confirmar isso (sic..)».10

«Assim, depois de se ter atirado aos governadores democratas por terem decretado alguma forma de confinamento, Trump resolveu interromper o financiamento à OMS, acusando-a de encobrir alegadas malfeitorias chinesas.»

Anthony Fauci, assessor do presidente e director do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, e a OMS criticaram de imediato tais sugestões e, na comunicação social, as afirmações de Trump foram justamente consideradas «irresponsáveis e perigosas».11

Embora pessoalmente desprestigiado e sem credibilidade, as descabeladas campanhas de Trump & companhia continuam a ter repercussão mundial, sendo veiculadas de diversas formas mesmo por muitos dos que o criticam.

Um documento intitulado «Corona Big Book – Main Messages», do Comité Nacional do Senado do Partido Republicano sobre o que os seus candidatos ao Senado deveriam dizer nos debates e comícios, aconselhava-os a «se perguntarem se a propagação do coronavírus é culpa de Trump, devem responder desviando o tema para a China. Não defendam Trump, ataquem a China».12

Por isso, enquanto se multiplicavam afirmações de cientistas sobre a comprovada origem natural do vírus e a injusta acusação à OMS, passaram a repetir-se por todo o lado «comentários» e «análises» a falarem do fabrico ou fuga do novo agente infeccioso do Centro de Investigação de Wuhan, na China, também acusado de desleixo e falta de segurança.

Como a generalidade da comunidade científica, também Anthony Fauci, o já citado virologista assessor do presidente Trump (que frequentemente contradiz e corrige), considerou a acusação ao Centro de Whuan sem fundamento. «Toda a evolução ao longo do tempo aponta fortemente para que o vírus existente na natureza saltou para as diversas espécies.13

E quando, em fins de Maio, o número de mortos nos USA atingiu o dobro das perdas norte-americanas na guerra do Vietnam (mais de 100 000 – Covid-19/ 58 220 –Vietnam), a ofensiva da propaganda virou-se ainda mais contra a China, a nova encarnação do mal, culpada de tudo o que de pior pode vir do coronavírus.

Essa distorção da realidade, testemunhada pela comunidade científica norte-americana que mantém estreitas relações pessoais e científicas com os seus colegas chineses, fez com que os próprios investigadores americanos fossem alvo da retaliação trumpista.

Reagindo a isso, 77 prémios Nobel americanos e 31 sociedades científicas dos USA protestaram energicamente contra a já referida decisão da direcção do National Institute of Health (NIH) de cortar o financiamento à investigação de coronavírus na China, exigindo que «a acção do NIH deve ser imediatamente reconsiderada».14

Por outro lado, a 14 de Maio, o New York Times denunciou as pressões da administração Trump junto dos serviços secretos «para procurarem provas que suportem a mal baseada teoria de que o laboratório de Wuhan, China, está na origem da propagação do coronavírus».15

Contudo, foram as próprias «Five eys» – a parceria das agências secretas dos USA, Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia e Canadá – a desmentirem a descabida teoria de Trump: «Não há qualquer evidência que sugira que o coronavírus saiu de um laboratório de investigação chinesa, disseram fontes dos serviços secretos».16

Baralhando ainda mais a estratégia trumpista, a 25 de Abril 2020, a revista científica International Journal of Antimicrobial Agents publicou um artigo de médicos franceses intitulado «SARS-CoV-2 was already spreading in France in late December 2019», mostrando que a Covid-19 já estava presente em França em Dezembro de 2019, simultaneamente com os primeiros casos observados em Wuhan.

Michelle Roberts, editora para as questões de saúde da BBC, concluiu que, «se os resultados forem correctos, isso mostra que já havia (em França) casos de Covid-19 não diagnosticados, enquanto todos os olhos estavam virados para o Oriente e focados em Wuhan».17

Também em Itália foi noticiado que o novo coronavírus já estava presente nas águas residuais de Milão e Turim em Dezembro de 2019, dois meses antes de ter sido detectado o primeiro infectado em Itália.18

Essas e outras descobertas põem mais em cheque as aberrantes teorias acusatórias do presidente dos USA.

Apesar disso, muitos dirigentes políticos, embora torcendo o nariz à irresponsabilidade de Trump, seguem a linha que ele define, replicando as suas ideias.

Se, para sacudir o vírus do capote, o presidente dos USA diz mal da OMS e lhe tira dinheiro no auge de uma pandemia global, logo surge o compenetrado primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, a pedir um inquérito «transparente» à organização-alvo, com o gaulês Emanuel Macron, cheio de gravitas, a funcionar como câmara de eco.

«Apesar disso, muitos dirigentes políticos, embora torcendo o nariz à irresponsabilidade de Trump, seguem a linha que ele define, replicando as suas ideias.»

Em resposta, o governo chinês reagiu exemplarmente aceitando continuar a partilhar os conhecimentos e participar na parceria internacional proposta pela Costa Rica e adoptada pela OMS para investigar tratamentos e vacinas gratuitos, com o Presidente Xi Jiping a assegurar um aumento do apoio financeiro à OMS no valor de dois mil milhões de dólares, mais que duplicando o corte de Trump.19

Mas, se as teorias sobre a fabricação do vírus não chegam, há que criticar – por vezes de forma sinuosa – a ajuda da China e a qualidade do material que fabrica.

No Público de 29-5-20, o jornalista Jorge Almeida Fernandes, referia, a meio de um texto sobre a nova lei de segurança de Hong Kong: «(…) Trump parece mais interessado na "guerra" com a China do que no combate à pandemia, ou seja, apenas pensa nas eleições (…)».

Mas logo à frente, acrescentava: «Depois de ter escondido a epidemia, e de pôr a China no banco dos réus, Xi lançou uma agressiva ofensiva diplomática, baseada na "guerra das máscaras", para projectar a imagem de potência generosa e paladino da cooperação internacional.»20

Podemos ver como se reproduz (consciente ou inconscientemente) a estratégia do Partido Republicano dos USA de «não defender Trump, atacar a China», acusando-a falsamente de «ter escondido a pandemia», o que é cabalmente desmentido pela documentação referida no primeiro artigo desta série e na revista médica The Lancet.21

 

Já quanto à qualidade do material chinês, o programa Polígrafo (SIC-N), decidiu seleccionar, para escrutínio, «se milhares de máscaras compradas por Espanha à China, não eram seguras por serem fracas e não filtrarem o suficiente». A resposta foi «verdadeiro», omitindo que o governo chinês alertara os compradores internacionais para não adquirirem produtos a empresas não certificadas pelas autoridades chinesas.

Mais recentemente, a 7 de Julho de 2020, a RTP noticiou a compra por Portugal «à China» de centenas de milhares máscaras falsificadas, cortando que o dono da empresa já tinha sido condenado pelas autoridades judiciais chinesas, encontrando-se em fuga.22

Como dizia Bismark, «Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois da caça». Não sabemos se Trump e os mediaocidentais são caçadores, mas quanto ao resto, correspondem.

Contudo, o estratagema do presidente norte-americano de desviar as atenções da sua incompetência culpabilizando os outros, não travou a crise económica no seu país.

«Como dizia Bismark, "Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois da caça". Não sabemos se Trump e os mediaocidentais são caçadores, mas quanto ao resto, correspondem.»

Nos USA, o país mais rico do mundo, 30 milhões de crianças aguardavam ajudas contra a fome, porque o programa (Pandemic-EBT) de mitigação da falta de refeições escolares só abrangeu, até agora, 4,4 milhões de crianças.23

Em dois meses, 41 milhões de novos desempregados inscreveram-se a pedir ajuda. Segundo alguns economistas, a crise económica já ultrapassou a de 1929.24

Mas a cascata de contra-informação não parou e quando as teorias da fabricação do vírus «de Wuhan» e os defeitos das máscaras chinesas foram perdendo fulgor, uma nova acusação surgiu agora virada para um alegado atraso na sequenciação do vírus e da sua comunicação à OMS.

A 2 de Junho, quase meio ano depois da comunicação da sua sequenciação à OMS, o Público anunciava: «Covid-19: China atrasou partilha de mapa genético do vírus com a OMS».

No dia seguinte, o Expresso repetia o título. Segundo o semanário, a agência Associated Press(AP), «baseada em documentos internos e dezenas de entrevistas», revelava que, «os especialistas da agência das Nações Unidas para a saúde queixavam-se em privado da falta de informação partilhada por Pequim».

Nessa mesma noite, a notícia das «queixas em privado» de especialistas da OMS contra a China é repetida duas vezes com estrondo no Telejornal da RTP.

«Nos USA, o país mais rico do mundo, 30 milhões de crianças aguardavam ajudas contra a fome, porque o programa (Pandemic-EBT) de mitigação da falta de refeições escolares só abrangeu, até agora, 4,4 milhões de crianças»

Contudo, o texto (propositadamente?) confuso do Público, de 2-6-20, acabava por esclarecer que o director-geral da OMS, Tedros Ghebre, tinha negado firmemente a acusação, acrescentando: «Deveríamos realmente expressar o nosso respeito e gratidão à China pelo que está a fazer. Já fez coisas incríveis para limitar a transmissão do vírus para outros países.»

Relembremos que, desde os primeiros casos no hospital de Wuhan em que se suspeitou de um novo vírus (26-12-20), até à comunicação do facto à OMS (31-12-20), a China demorou apenas cinco dias. E a sequenciação genética do vírus, partilhada livremente por todo o mundo, demorou menos de duas semanas…

A 11 de Junho de 2020 o número de infectados nos USA era já superior a dois milhões (2 077 146), e a Covid-19 tinha feito 115 572 mortos.

A 27 de Junho, o número de infectados continuava a crescer (2 593 598) assim como o número de mortos (128 132) e o índice de mortos por milhão de habitantes elevava-se a 387, mostrando que a pandemia estava sem controlo.25

Como reacção, Trump começou a anunciar a suspensão dos testes para diminuir o número registado de infectados e pediu a Supremo Tribunal de Justiça para acabar com o apoio de cuidados de saúde proporcionado pelo «Obamacare» a 23 milhões de norte-americanos, mostrando a sua total insensibilidade perante a tragédia que afecta os seus concidadãos.26

A 12 de Julho de 2020, o número de infectados nos USA continua a subir, aproximando-se rapidamente dos três milhões e meio (3 410 812) e o número de mortos é de 137 767 (ultrapassando o dobro das perdas na guerra do Vietnam), com os hospitais de alguns Estados a atingirem o ponto de ruptura.

O Brasil

As atitudes do presidente Bolsonaro foram em tudo semelhantes às do seu «primo» norte-americano, quer na forma de menorizar o perigo da pandemia e de afrontar a comunidade científica, quer na culpabilização dos outros, nomeadamente a OMS.

Sucederam-se as declarações polémicas da presidência do Brasil, a que nem faltou a não utilização de máscara e a defesa fotocopiada da hidroxicloroquina – o remédio político usado por Trump para atenuar a sensação do perigo causado pela falta de medidas para evitar a propagação do vírus – levando à demissão sucessiva de vários ministros da Saúde.

«Talvez a maior ameaça à resposta à Covid-19 no Brasil seja seu presidente, Jair Bolsonaro», afirmava o editorial da revista médica The Lancet, de 9 de Maio de 2020.

«Em fins de Junho, enquanto o Brasil tinha 1 280 054 infectados e 56 109 mortos, com uma relação de 264 mortos por milhão de habitantes, na Venezuela da «ditadura» de Maduro, o total de infectados era de 4779, com um total de 41 mortos e uma relação de um morto por milhão de habitantes.»

Salientando que o primeiro caso tinha sido registado no Brasil só a 25 de Fevereiro, a The Lancet apontava que a disseminação da doença foi muito rápida, sendo o Brasil, a 4 de Maio, o país com mais casos e mortes de toda a América Latina – 105 222 infectados e 7288 mortos.27

A 30 de Maio, o Brasil já era o segundo país do mundo – a seguir aos USA – com um maior número de população infectada (498 440 casos e 28 834 mortos).

No fim da primeira semana de Junho esse número tinha duplicado (787 489 infectados e 40 276 mortos – Worldometer, 11-6-20), e o Presidente Bolsonaro começou a proibir a publicação dos registos totais do país, mostrando despudoramente o desejo de ocultar a realidade das consequências da Covid-19 e da sua irresponsável atitude.

Na América Latina, contrastando com o caos brasileiro e o seu reaccionário presidente, Cuba e Venezuela, apesar de cercados por duríssimos bloqueios e sanções impostos pelos USA, cujo carácter desumano se acentua mais no contexto de uma pandemia, assumiram como clara prioridade a protecção da população, não hesitando em tomar as medidas de confinamento e segurança necessárias, por muito que isso custasse no difícil quadro de limitações económicas que vivem.

Os resultados são claros:

Em fins de Junho, enquanto o Brasil tinha 1 280 054 infectados e 56 109 mortos, com uma relação de 264 mortos por milhão de habitantes, na Venezuela da «ditadura» de Maduro, o total de infectados era de 4779, com um total de 41 mortos e uma relação de um morto por milhão de habitantes.28

Já Cuba, para além do apoio médico solidário prestado a outros países (como Itália), conseguiu também excelentes resultados: um total de 2.330 infetados, 86 mortos e uma relação de oito mortos por milhão de habitantes.29

A 9 de Julho de 2020, poucos dias após o Presidente Bolsonaro confirmar que estava infectado com Covid-19 e de fazer uma inenarrável aparição na TV de frasco de comprimidos na mão transformado em vendedor de hidroxicloroquina, o Brasil mantinha-se como o segundo país com mais infectados (1 727 279), a seguir aos USA, tendo registado (por defeito), 68 355 mortes.30

(Continua na próxima semana – Covid 19 (IV) – Portugal)

 

Artigos anteriores: O início da Covid-19 / Covid-19 (II) – A Europa

 

  • 1.  R. Buffagni , Italiaeilmondo, 14-3-20
  • 2. «When the Covid-19 pandemic is over, health care must not return to business as usual», STAT, 3-4-20
  • 3. «La Pandemia y el sistema-mundo», I. Ramonet
  • 4. Washinton Post, 10-5-2018
  • 5. Observador, 2-4-20
  • 6. Times, 26-4-20
  • 7. Science, 30-4-20
  • 8. «WHO embraces plan for Covid-19 intellectual property pool», STAT, 15-5-20
  • 9. Expresso, 15-3-20
  • 10. You Tube, AFP, CNN, SIC Notícias, Rádio Renascença e outros, 24-4-20
  • 11. CNN
  • 12. (O´Donell & Associates, 17-4-20; Politico 24-4-20; Business Insider, 25-4-209
  • 13. Anthony Fauci, National Geografic, 4-5-20
  • 14. Science, 21-5-20
  • 15. New York Times,14-5-20
  • 16. The Guardian, 4-5-20
  • 17. BBC, 5-5-20
  • 18. DN,19-6-20
  • 19. «Speech by President Xi Jinping at opening of 73rd World Health Assembly», Global Times 18-5-20
  • 20. Público, 30-5-20
  • 21. «Why President Trump is wrong about WHO», The Lancet, 14-4-20
  • 22. Público, 7-7-20
  • 23. New York Times, 26-5-20
  • 24. SIC Notícias, 28-5-20
  • 25. Worldometer, 27-6-20
  • 26. «Trump Administration Asks Supreme Court to Strike Down Affordable Care Act», New York Times, 26-6-20
  • 27. The Lancet, 9-5-20
  • 28. Worldometer 27-6-20
  • 29. Worldometer, 27-6-20
  • 30. Wordlometer, 9-7-20

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/covid-19-iii-estados-unidos-e-brasil

O distanciamento “se possível”

distanciamento-aula.jpgDe acordo com a diretora-geral de Saúde, o documento com as orientações para as escolas no arranque do novo ano letivo prevê medidas como “circuitos diferentes, utilização de máscaras por toda a comunidade educativa, uma determinada disposição das carteiras nas salas, uma determinada utilização dos espaços e a sua higienização”.

Segundo Graça Freitas, relativamente ao distanciamento entre alunos, o que “ficou escrito e consensualizado” entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde determina que, “sempre que possível, deve garantir-se um distanciamento físico entre alunos de pelo menos um metro, sem comprometer o normal funcionamento das atividades letivas”.

“Isto ficou redigido assim exatamente para que não seja comprometida a atividade letiva”, realçou a diretora-geral da Saúde, salientando que a medida de segurança associada ao distanciamento entre alunos não pode ser “vista isoladamente”.

Vamos lá esclarecer as coisas, vendo-as na perspectiva de quem conhece melhor o ambiente escolar do que os gabinetes onde se decidem estratégias e tomam decisões:

  1. O “se possível” não existe porque, na generalidade dos casos, não vai ser mesmo possível cumprir, seja de que forma for, a regra de distanciamento – mesmo convenientemente encurtada para um metro;
  2. Nada está a ser feito, pelos responsáveis, para que o impossível venha a ser uma possibilidade – turmas mais pequenas, mesas para utilização individual, divisórias em acrílico, reabertura de escolas encerradas, desfasamento de horários. etc.;
  3. Escolas e autarquias que, por sua iniciativa, equacionam estas e outras medidas de protecção estão ser superiormente desencorajadas de o fazer – a ideia é abrir normalmente, e depois logo se vê;
  4. Os interesses políticos e económicos que determinam a reabertura das aulas a todo o custo e a qualquer preço estão a sobrepor-se irresponsavelmente à defesa da saúde de alunos, professores e funcionários das escolas;
  5. Perante o desastre previsível, em termos de saúde pública, que resultará da reabertura das aulas sem regras eficazes de protecção, ficam claras, desde já, as responsabilidades do Governo.

Embora anteveja que, assim que as coisas começarem a descarrilar, sejam os governantes os primeiros a sacudir a água do capote…

Itália pediu ajuda, Europa ficou em silêncio e o vírus cavalgou por todo o continente

Andrea Fasani / EPA

 

A lenta resposta a um inimigo invisível, a falta de stock de equipamentos de proteção, um Ocidente a festejar o Ano Novo e uma Europa com as atenções centradas no Brexit. Um cocktail desastroso que levou a Itália a pedir ajuda, a Europa a calar-se e o vírus a ganhar terreno.

 

Itália foi um dos países europeus mais afetados pela pandemia de covid-19. Em fevereiro, perante um cenário em que o número de novos casos triplicava a cada dois dias, Giuseppe Conte pediu ajuda aos Estados-membros da União Europeia (UE), mas, segundo uma investigação levada a cabo pelo britânico The Guardian, a resposta foi silêncio.

O trabalho, publicado esta quarta-feira em conjunto com a organização Bureau of Investigative Journalism, refere que a resposta à pandemia por parte de Itália foi prejudicada pelo facto de nenhum Estado-membro ter respondido ao pedido de ajuda do país.

Isto significava “que não só a Itália não estava preparada… Ninguém estava preparado… A falta de resposta ao pedido italiano não era falta de solidariedade. Era falta de equipamento”, resumiu Janez Lenarcic, comissário europeu responsável pela gestão de crise.

Itália sofria e a Europa estava distraída com a celebração do Ano Novo e com o Brexit, numa azáfama que a impediu de prestar atenção ao inimigo invisível que, pouco tempo depois, fechou a população mundial em casa.

Quando o novo coronavírus começou a aparecer nas notícias, quase nada se sabia. No início, dizia-se que tinha eclodido na China e ainda não se suspeitava da transmissão entre seres humanos. Ainda que vários casos de pneumonia tivessem sido reportados, o Ocidente festejava a chegada de um novo ano, convictos de que iria superar o velho 2019. Nessa altura, voaram cerca de 300 mil pessoas voaram da China para a Europa.

A primeira teleconferência realizada pela União Europeia teve lugar no dia 17 de janeiro, mas apenas 12 dos 27 países estavam presentes na chamada. Portugal não esteve presente na reunião feita em áudio do Comité de Segurança e Saúde.

“A Comissão Europeia devia ter agarrado o problema mais cedo“, confessou uma fonte da União Europeia, citada pelo diário britânico.

As atenções mediáticas estavam voltadas para o Reino Unido e o Brexit era o protagonista. A Europa preparava-se para abraçar uma pandemia, mas era a política britânica que pintava manchetes. A primeira conferência de imprensa em Bruxelas, totalmente dedicada à covid-19, aconteceu no dia 29 de janeiro, mas a sala estava vazia.

2Pedimos preparação, para que todos os Estados-membros levassem a ameaça a sério. Houve muito eco na sala vazia, mas ainda assim esperávamos que houvesse algum eco nos media no dia seguinte”, contou Lenarcic ao The Guardian. No dia seguinte, 30 de janeiro, dois turistas chineses testaram positivo em Roma: a comunicação social começou a dar ouvidos, naquele que era o primeiro passo do vírus pelo continente.

No início desta maratona contra o vírus, a mensagem não passou e a ameaça foi subestimada, considera Ammon, do Instituto Robert Koch, explicando que é muito diferente preparar um aumento de camas “em duas semanas ou em dois dias”.

Quando os primeiros casos surgiram em Roma, Itália pediu uma reunião entre todos os ministros da Saúde europeus. O Executivo croata devia ter convocado o encontro, uma vez que é o responsável pela presidência do Conselho da União Europeia. Uma questão de timing ou falta de sorte: a Croácia estava mergulhada numa crise política e a reunião teve de esperar até 13 de fevereiro.

A estas falhas soma-se a ausência de equipamento quando o novo coronavírus se começou a fazer sentir. “Vários países europeus tinham um stock estratégico de máscaras que estavam desatualizadas. A maioria delas foi destruída”, revelou a investigação.

Além disso, o The Guardian acrescenta que 15 Estados-membros aplicaram restrições ao movimento de equipamento de proteção e medicamentos na UE durante a pandemia. Camiões com máscaras, luvas e material de proteção foram parados em algumas fronteiras.

“Não é um problema fechar as fronteiras, mas é preciso falar com os vizinhos do outro lado e alguns não fizeram isso”, denunciou Lenarcic.

LM, ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/italia-pediu-ajuda-europa-em-silencio-335572

Costa avisa: “Não podemos repetir o confinamento. Portugal não aguenta”

(Comentário:
Compreende-se a preocupação quanto à situação das empresas,sobretudo do turismo (até porque já se percebeu que da União Europeia não há que esperar significativo e atempado apoio)  mas afirmar, agora, que não pode haver mais confinamento, mesmo que se verifique um agravamento da pandemia, talvez não seja prudente.
Condicionar, desde já, Portugal a uma "estratégia" do tipo  Trump/Bolsonaro em que a "economia e o mercado" são a grande prioridade pode ser precipitado porque, de facto, tratar-se-ia de fazer uma dolorosa opção pela morte de milhares de pessoas o que, felizmente, não foi até agora a prática governativa. Em tempos difíceis exige-se grande serenidade e nem a aproximação da eleição presidencial justifica precipitações ou manobrismos eleitoralistas)
 
15/07/2020
 

O primeiro-ministro considerou que o país não aguenta um novo período de confinamento por causa da covid-19 e avisou que o tempo é “curtíssimo” para a sociedade se preparar para o próximo inverno.

Esta advertência foi deixada por António Costa no discurso que encerrou a apresentação do programa Simplex 20-21, no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, em Lisboa, durante uma sessão em que estiveram presentes dez ministros dos atual Governo.

“Há uma coisa que sabemos: Não podemos voltar a repetir o confinamento que tivemos de impor durante o período do estado de emergência e nas semanas seguintes, porque a sociedade, as famílias e as pessoas não suportarão passar de novo pelo mesmo”, declarou António Costa.

Perante uma segunda vaga da pandemia da covid-19, o líder executivo disse que o trabalho de adaptação da sociedade “tem de ser feito agora, porque ainda há algum tempo de distância para evitar o pior” no próximo outono e inverno.

Leia mais em Diário de Notícias

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/15/costa-avisa-nao-podemos-repetir-o-confinamento-portugal-nao-aguenta/

Cristiano Ronaldo e a Juventus apoiam os médicos cubanos

O craque Cristiano Ronaldo enviou camisetas oficiais da Juventus, com seu número e autógrafo, como presente aos médicos e enfermeiros da brigada médica cubana que foi a Turim ajudar os italianos no combate à Covid-19

 

247 -Uma história de solidariedade mesclada com o futebol. "Isso acabou de acontecer. Ilham, uma das voluntárias da AICEC que acompanha a Brigada Cubana em Turim, fez o contato. Um amigo de um amigo. Eles bateram na porta certa, e ela se abriu. Eles concordaram em fazê-lo: pelos médicos cubanos.

O problema é que muitos dos garotos da Brigada são torcedores da Juventus, e outros não, mas eles são apaixonados pelo futebol e os estádios, em tempos de pandemia, estão fechados.

Os jogos estão acontecendo em um estádio vazio, são transmitidos pela televisão e pela Internet. Eles não podiam entrar no Juventus ou no Torino.

Alguém sugeriu que se vestissem de bombeiros, mas a ideia era um exagero.

É aí que Ilham entra. E dá o golpe de mestre.

Eles avisaram: não podemos fazer isso pessoalmente, mas gostaríamos de fazê-lo.

 

Atualmente são muitos os pedidos: "meu irmão ou meu pai estão com Covid e tudo o que pedem é isso, etc.." . Não podem.

Mas os dirigentes da Juventus querem fazer isso pelos médicos cubanos, mesmo que não pessoalmente.

Os meninos estão nervosos, eles sabem que alguma coisa vai acontecer. Ilham chega com uma caixa mágica.

 

Por fim, sabemos: o Juventus enviou a todos os médicos e enfermeiros cubanos de Turim uma camisa original do seu número 7, Cristiano Ronaldo, com sua assinatura.

Cristiano concordou. E concordou porque se tratava de um presente para os médicos e enfermeiros cubanos de Turim", informa o Comitê de Solidariedade a Cuba.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/mundo/cristiano-ronaldo-e-a-juventus-apoiam-os-medicos-cubanos

Sindicato acusa Geberit de «relativizar» contágios

Os primeiros casos de contágio com o novo coronavírus surgiram no mês de Abril. Sindicato e Comissão Sindical da Geberit, no Carregado, já solicitaram reunião urgente com a administração.

Créditos / Saúde Mais

O Sindicato dos Trabalhadores de Cerâmica e Construção do Sul e Regiões Autónomas (STCCMCS/CGTP-IN) revela em comunicado que, após os primeiros casos de contágio, em Abril, exigiu de imediato que a empresa de cerâmica Geberit instalasse um sistema de controlo de temperatura de todas as pessoas que entrassem na fábrica e aplicasse testes médicos de despistagem a todos os trabalhadores, em especial a doentes de risco, grávidas, puérperas ou lactantes.

«O sindicato alertou e a empresa relativizou», lê-se na nota, com o STCCMCS a explicar que, «na altura, a empresa respondeu que os casos positivos tinham sido identificados e que tiveram como foco de contágio situações externas».

A estrutura sindical adianta que a actual situação afecta «mais trabalhadores» e «é mais grave», exigindo uma intervenção «diferente e mais responsável» por parte da empresa, a cuja administração já solicitou uma reunião urgente. 

Os trabalhadores da Geberit, no Carregado, concelho de Alenquer (Lisboa), reivindicam que se acautele a saúde e as condições de trabalho, «sem prejuízo nos salários e direitos».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/sindicato-acusa-geberit-de-relativizar-contagios

Novo teste de Bolsonaro deu positivo. Brasil com mais 40 mil casos diários

Joedson Alves / EPA

 

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, realizou um segundo teste laboratorial que confirmou que ainda está infetado pelo novo coronavírus, pelo que vai permanecer em isolamento, informou hoje a CNN Brasil.

 

O chefe de Estado sul-americano, de 65 anos, afirmou à CNN que permanecerá confinado no Palácio da Alvorada, sua residência oficial em Brasília, capital do país, onde cumpre o seu trabalho há uma semana por videoconferência.

Crítico das medidas de isolamento social determinadas por governadores regionais e prefeitos no país, Jair Bolsonaro minimizou a gravidade da pandemia de covid-19 mesmo depois de descobrir estar infetado.

Na última segunda-feira, Bolsonaro disse à CNN Brasil que iria submeter-se a um novo teste e que estava impaciente para recuperar a liberdade de movimento.

“Vou esperar o resultado com ansiedade, porque não suporto essa rotina, ficar em casa é horrível”, disse o chefe de Estado brasileiro. “[Na terça-feira], se tudo correr bem, volto ao trabalho. É claro que, se não, vou esperar mais alguns dias”, acrescentou.

Esta quarta-feira, Bolsonaro explicou ao mesmo canal de televisão que não apresenta sintomas desde o dia 6 de julho, embora permaneça infetado. O Presidente brasileiro destacou que continua a fazer tratamento com hidroxicloroquina, um fármaco cuja eficácia não foi comprovada por pesquisas científicas.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de infetados e de mortos (mais de 1,96 milhões de casos e 75.366 óbitos), depois dos Estados Unidos.

Brasil com 40 mil casos diários

O Brasil registou 1.233 mortes e 39.924 casos de covid-19 nas últimas 24 horas, segundo o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde do país. Com isso, o Brasil alcançou a marca de 75.366 óbitos e 1.966.748 casos da doença provocada pelo novo coronavírus.

O Governo brasileiro frisou que 1.255.564 pessoas já são consideradas recuperadas da covid-19 e outras 635.818 pessoas estão em tratamento.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 1,96 milhões de casos e 75.366 óbitos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 579 mil mortos e infetou mais de 13,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço da AFP.

ZAP //

 

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"Mito sobre reabertura da economia está custando vidas", diz colunista dos EUA

Frida Ghitis
 

Washington, 14 jul (Xinhua) - Não há negociação entre vencer a pandemia da COVID-19 e restaurar a economia, e "o mito de reabrir a economia está matando pessoas", afirmou a colunista Frida Ghitis.

Os Estados Unidos estão "batendo recordes todos os dias" no número de infecções pela COVID-19 "enquanto muitos outros países desenvolvidos voltam gradualmente ao normal", escreveu Ghitis em um recente artigo de opinião publicado pela CNN, destacando a necessidade urgente de combater o vírus no país.

"Combater a pandemia é um passo indispensável para o retorno ao crescimento. Não há negociação", escreveu ela. "Todos queremos que a economia se recupere, mas permitir que o coronavírus se alastre não é o caminho."

Citando dados do New York Times, Ghitis afirmou que os estados que "reabriram precoce e agressivamente... estão se tornando os novos epicentros", como a Flórida, que relatou um recorde de 15.299 novos casos no domingo.

"A reabertura cria uma cintilação da atividade econômica, uma ilusão fugaz de recuperação, seguida de uma explosão de contágios e mortes, o que exige novas paralisações", explicou a colunista.

"Se o país inteiro tivesse continuado um estrito fechamento além de algumas semanas na primavera", disse ela, "dezenas de milhares de vidas poderiam ter sido salvas".

A autora observou que a administração americana está entre aquelas que "propagam o mito", alegando que a crença "é armada e turbinada pela agenda eleitoral".

A administração também foi contra as recomendações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA em relação às escolas, já que os epidemiologistas da agência alertaram que as escolas e universidades representam o "maior risco" para a disseminação do vírus, acrescentou.

"Para indivíduos e funcionários públicos, é fundamental entender que a única maneira de voltar ao normal e proteger os empregos e os salários, é salvando vidas", concluiu o artigo. "Não há negociação."

De acordo com os dados compilados pela Universidade Johns Hopkins, o número de casos nos EUA ultrapassou 3,4 milhões na terça-feira, atingindo 3.406.945 até 16h38, horário local (2038 GMT), enquanto o total de óbitos subiu para 136.244.

 

 

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https://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/15/c_139214466.htm

EUA com 850 mortos e mais de 63 mil infeções nas últimas 24 horas


 
Os Estados Unidos registaram 850 mortes causadas pela covid-19 e 63.262 novas infeções nas últimas 24 horas, indicou a Universidade Johns Hopkins.

Desde o início da epidemia no país, o total de óbitos eleva-se a 136.432, enquanto os casos identificados ultrapassaram já os 3,42 milhões, de acordo com os números contabilizados pela universidade norte-americana, sediada em Baltimore (leste), até às 20:30 de terça-feira (01:30 de hoje em Lisboa).
 
A primeira potência mundial sofreu nas últimas semanas um aumento de infeções no sul e oeste do país, de longe o mais afetado do mundo em termos absolutos, tanto em número de mortos como de casos.

Só o estado da Florida (sudeste), um dos primeiros a sair do confinamento, registou 132 mortos e mais de nove mil casos de covid-19 nas últimas 24 horas.
Esta situação levou alguns estados a recuarem na abertura de comércios e serviços, como a Califórnia (costa oeste), e muitos tornaram o uso de máscara em locais públicos obrigatório.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 574 mil mortos e infetou quase 13,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Notícias ao Minuto | Lusa

Leia em Notícias ao Minuto: 
Congresso notificado. Trump retira os EUA da OMS "em plena pandemia"

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Incerteza

DIA 15, FALAMOS

in·cer·te·za |ê| 

 

in·cer·te·za |ê| 

nome feminino

  1. Falta de certeza; dúvida.
  2. Estado da pessoa que duvida.
  3. Estado de coisa incerta.[1]

 

1

A actual pandemia vai marcar as nossas vidas muito mais tempo do que hoje somos capazes de imaginar. De certa forma, ainda estamos a processar tudo o que nos aconteceu nas últimas semanas. Talvez já tenhamos percebido que as mudanças em curso afinal não serão tão passageiras como inicialmente imaginámos.

As mortes continuam e alguns amigos desapareceram. A vacina tarda. Os efeitos que perduram no corpo dos que foram infectados são por vezes significativos mesmo depois de curados. A insegurança quando saímos de casa e não temos a garantia de que regressamos sem a infecção. A ausência de contacto físico e de como isso afecta a nossa sociabilidade mais profunda.

 

2

Num plano mais vasto, da economia e do emprego, penso numa incerteza que não é menor. Quantos empregos estão já perdidos e quantos empregos estão artificialmente mantidos até que seja possível despedir de vez? Quantas empresas não reabrirão as suas portas. Quantas pessoas vão descer abruptamente o seu nível de vida? Quantas pessoas não voltarão a encontrar emprego? Quantas pessoas passarão a viver abaixo do limiar de pobreza? Quantas pessoas terão de abandonar as suas casas?

E as interrogações que me assaltam são muitas mais.

 

3

Quando é que tudo isto voltará ao normal? E, se voltar, em que estados estará a sociedade e a vida das pessoas? Que novo normal estará a ser criado hoje e que nós ainda nem percebemos bem? Que vida será a nossa não daqui a muitos anos mas, talvez, aqui a escassos meses? Se as coisas piorarem com uma segunda vaga, a incerteza será ainda maior e os riscos certamente mais graves.

 

4

Infelizmente, hoje estou pessimista como não estava há muito. Talvez porque tenho a sensação de que caminhamos para o abismo e pouco podemos fazer.

Não temos mais nenhum ponto de apoio a não ser a nossa resiliência pessoal e a solidariedade para com os outros.

Talvez seja melhor começar por aí. E resistir.

 

 
 

[1] “incerteza”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, dicionario – incerteza [consultado em 14-07-2020].

 

 

 
 
 
 
 
 
 

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Números voltam a subir no Brasil. Registados 41.857 casos e 1.300 óbitos

 
 
O país está perto de atingir os dois milhões de casos confirmados

 


O Ministério da Saúde brasileiro divulgou os dados mais recentes da pandemia de coronavírus no país. Os números de casos e de mortes voltaram a aumentar nas últimas 24 horas. Desde ontem foram diagnosticados 41.857 casos de infeção (esta segunda-feira tinham sido reportados 20.286 contágios) e mais 1.300 vítimas mortais (o número de mortes divulgado no dia anterior foi de 733). 

 

 
O Brasil aproxima-se assim mais do total de dois milhões de casos positivos. Nesta altura soma 1.926.824 infetados. O número acumulado de mortes é de 74.133. 

 

Os dados oficiais indicam que o número de recuperações é de 1.209.208, estando 643.483 pessoas em acompanhamento. 

 


São Paulo é de longe o estado brasileiro mais afetado. Totaliza 374.607 casos confirmados e 17.907 vítimas mortais. Segue-se o estado do Ceará com 137.206 contágios e 6.947 óbitos. 

 


O Rio de Janeiro contabiliza cerca de 132 mil casos e 11.474 mortes. 

 


[Notícia atualizada às 23h19 de 14.07.2020]

 


Notícias ao Minuto

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Américas são epicentro da COVID-19, diz epidemiologista

Ativista ao lado da bandeira brasileira e de cruzes simbolizando os que morreram por COVID-19, em frente ao Congresso Nacional, Brasília, Brasil, 28 de junho de 2020
© REUTERS / Adriano Machado

Segundo médico, países tiveram tempo para se preparar para a epidemia, mas optaram pela negação do problema e agora enfrentam a disseminação da doença pelo continente americano.

A OMC, por meio do seu diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, e demais médicos dirigentes da entidade, informou que a pandemia de coronavírus está muito longe de ser controlada e que ainda há muito a se fazer pelos governos ao redor do mundo para controlar a doença.

O órgão manifestou especial preocupação com os Estados Unidos e o Brasil, países nos quais os casos de infecção não param de aumentar.

O médico epidemiologista Guilherme Wernek, professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), destacou, em conversa com Sputnik Brasil, que já era esperada a rápida expansão da doença pelo mundo. Justamente por isso a OMS declarou a pandemia ainda no mês de março.

Para ele, é importante entender por que Brasil e Estados Unidos, com menos de 10% da população mundial, concentram quase 40% de casos e de mortes decorrentes da doença.

"Esses países foram incapazes de tornar o enfrentamento da COVID-19 de uma maneira racional e adequada", disse Guilherme Wernek.

Ele destacou as similaridades entre Brasil e EUA. Os seus presidentes presidentes falharam em estabelecer uma liderança clara e em organizar uma cooperação "dos entes federativos para um enfrentamento mais racional dessa epidemia".

"Vimos uma falta de preparação, uma minimização do problema e uma disputa entre os entes federativos sobre a melhor forma de enfrentar essa epidemia. Essa disputa, que se tornou quase ideológica, não poderia trazer resultados positivos no controle da COVID", acrescentou o médico.

Ele destacou, pontualmente, alguns governadores e prefeitos seguiram as recomendações científicas e adotaram medidas eficientes. No entanto, a falta de coordenação de esforços não permitiu controlar a disseminação da enfermidade, que segue em alta até o presente momento.

"Em geral se pode dizer que o país se encontra ainda em uma situação muito dramática em termos de números de casos e óbitos. E essa situação não parece que vai melhorar a curto prazo", afirmou Wernek.

Os dados sobre casos devem ser monitorados sistematicamente para ter uma visão adequada sobre o que acontece em cada região do país. O médico lamentou a redução de controle e os planos de reabertura sem uma vigilância epidemiológica forte.

Ao comentar as declarações da OMS, o professor da UERJ concordou com a avaliação da entidade.

"É fato que as Américas se tornaram o epicentro da pandemia de COVID-19 já há pelo menos um mês. Isso é impressionante, porque a epidemia começou na Ásia, e de lá foi para a Europa. Ou seja, as Américas tiveram algum tempo para se preparar para a introdução da epidemia nos seus países. O que acontece é que esses países não foram capazes de enfrentar esse problema de forma antecipada e racional", destacou Wernek.

A reação inicial desses países, principalmente do Brasil e dos Estados Unidos, mas também de outros, como o México, foi de minimizar o problema. Os governos esperavam um impacto menor, desconsiderando todas as informações científicas disponíveis.

"Podemos dizer hoje que Brasil, Estados Unidos e alguns países latino-americanos fracassaram no enfrentamento da COVID-19".

Por outro lado, o epidemiologista acredita que ainda há tempo para mudar essa situação. Todavia, isso só ocorrerá se a pandemia for enfrentada com "gravidade e seriedade que o problema merce".

"Para que isso aconteça é necessária uma articulação entre os diferentes gestores e autoridades sanitárias nacionais", concluiu.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020071615835878-americas-sao-epicentro-da-covid-19-diz-epidemiologista/

Brasil registra 1,96 milhão de casos e 75,3 mil mortes por COVID-19

Profissionais da saúde examinam um paciente com COVID-19 no Hospital de Campanha Lagoa-Barra, no Rio de Janeiro, Brasil, 2 de julho de 2020
© REUTERS / Ricardo Moraes

O Brasil registrou 1.966.748 casos confirmados de COVID-19 e o total de 75.366 óbitos desde o início da pandemia do novo coronavírus.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira, durante a atualização diária do Ministério da Saúde, durante um coletiva no Palácio do Planalto, informou Agência Brasil.

Nas últimas 24h, foram registrados 39.924 novos casos, informados pelas autoridades estaduais de saúde. No mesmo período foram registradas 1.233 mortes em consequência do novo coronavírus.

De acordo com a pasta, 635.818 pessoas estão em acompanhamento e outras 1.255.564 se recuperaram da doença.

Os estados com mais mortes por COVID-19 são: São Paulo (18.640), Rio de Janeiro (11.757), Ceará (7.030), Pernambuco (5.772) e Pará (5.337). As Unidades da Federação com menos falecimentos pela pandemia são: Mato Grosso do Sul (183), Tocantins (271), Roraima (403), Acre (446) e Amapá (488).

Os estados com mais casos confirmados de covid-19 desde o início da pandemia são: São Paulo (393.176), Ceará (141.248), Rio de Janeiro (134.449), Pará (130.834) e Bahia (112.993). As Unidades da Federação com menos pessoas infectadas registradas são: Mato Grosso do Sul (14.631), Tocantins (16.031), Acre (16.672), Roraima (23.681) e Rondônia (27.917).

O Brasil segue em 2º no ranking mundial em número de mortes e de casos confirmados de COVID-19, atrás apenas dos Estados Unidos (que possui 3,4 milhões de pessoas infectadas e 136.466 mortes desde o início da pandemia).

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020071515835638-brasil-registra-196-milhao-de-casos-e-753-mil-mortes-por-covid-19/

Pensando no futuro dos que já nasceram

Tudo sobre: Marcelo Rebelo de Sousa – Observador

O facto de o PS, por razões conhecidas, não ter explicado que a crise financeira mundial de 2008, provocada pela falência do banco Lehman Brothers, foi a principal responsável dos problemas financeiros nacionais, impediu os portugueses de tomarem consciência do efeito perverso do princípio dos vasos comunicantes, conhecido por risco sistémico.

 

Admira, por isso, que a pandemia em curso, tão nefasta e de dimensões colossais, torne autistas os partidos políticos e as pessoas, sem reverem os seus paradigmas, enquanto a extrema-direita capitaliza o medo, a incerteza, a raiva e o ressentimento, com o discurso de ódio, que ganha adeptos e não encontra oposição.

Quando está em causa a sobrevivência, é desolador ver líderes que me tinha habituado a respeitar, a comportarem-se como se disputassem diariamente, entre si, um punhado de votos, que fogem de todos eles para quem promete segurança e quer silenciar-nos.

Parece que partidos e pessoas continuam indiferentes e irresponsáveis perante a maior e a mais arrasadora tragédia das nossas vidas num mundo de que desconhecem os limites e num país de que parecem não faz a menor ideia dos recursos de que pode dispor.

Quando é urgente garantir as necessidades básicas para todos, fingem viver num mundo paralelo onde a água, o oxigénio, o ozono, a constância climática e os alimentos jamais faltarão para qualquer habitante desse planeta imaginário.

Quando a utopia de uns e o egoísmo de todos se tornam dominantes, o aparecimento da vacina para o coronavírus deixa de ser determinante.

Vamos todos acabar mal.

 

Ponte Europa / Sorumbático

Cascais soma 151 novos casos em 9 dias subindo para um total de 1212 infectados

Covid 19 cascais

Cascais soma 151 novos casos em 9 dias subindo para um total de 1212 infectados

Após uma interrupção de nove dias sem publicar dados relativos a concelhos, a DGS no dia de ontem publica o relatório com correcções e devidamente actualizado.

Desta forma o concelho de Cascais sobe para 1212 infectados o significa 151 novos casos em 9 dias.

Os dados da DGS publicados hoje registam mais 375 casos de COVID-19 em Portugal, sendo o total actual de 47.426 casos confirmados.

CASOS CONFIRMADOS
DIA 09 10 11 12 13 14 15
Nº CASOS 45477 45879 46221 46512 46818 47051 47426
VARIAÇÃO 418 402 342 291 306 233 375

Os casos suspeitos tiveram um aumento de 2.342 casos passando para um total de 411.293 casos suspeitos. O número de casos confirmados é de 47.426o que representa um aumento de 375 casos em relação ao dia de ontem.

CASOS SUSPEITOS
DIA 09 10 11 12 13 14 15
Nº CASOS 399.122 401.496 403.478 405.110 406.412 408.951 411.293
VARIAÇÃO 2.401 2.374 1.982 1.632 1.302 2.539 2.342

A aguardar o resultado laboratorial temos 1.550casos, o que representa um acréscimo de 78 casos em espera de resultado.

Estão sob vigilância pelas autoridades de saúde 35.316 casos, registando-se um aumento de 675casos em relação ao dia de ontem.

Nas últimas 24 horas registaram-se 560 novos casos de recuperados, aumentado o total para 32.110 casos.

Na caracterização clínica registam-se 478casos de internamento e 68 em unidades de cuidados intensivos (UCI).

Do lado das piores noticias temos 8 óbitos nas últimas 24 horas, elevando este número para um total de 1.676 óbitos.

ÓBITOS
DIA 07 08 09 10 11 12 13 14 15
ÓBITOS 1.629 1.631 1.644 1.646 1.654 1.660 1.662 1.668 1.676
VARIAÇÃO 9 2 13 2 8 6 2 6 8

Fonte de Dados: Direcção Geral da Saúde

 

 

França e Inglaterra impõem uso obrigatório de máscara em locais públicos fechados

Cugnot Mathieu / EPA

 

O uso de máscara em locais públicos fechados, como lojas e supermercados, passa a ser obrigatório em França e no Reino Unido, visando combater a propagação do novo coronavírus, anunciaram esta semana os respetivos países .

 

Numa entrevista televisiva, o Presidente da República francesa fez o anúncio, dizendo haver sinais de que o novo coronavírus está a “ganhar um pouco de força”.

“Temos sinais de que o vírus está a ganhar novamente um pouco de força e é preciso prevenir e preparar. […] Logo, temos de continuar a aplicar os gestos barreira e aí temos algumas fraquezas. Nas próximas semanas vamos tornar obrigatórioo uso de máscara em todos os lugares públicos fechados“, disse Emmanuel Macron, acrescentando que a medida entra em vigor a partir de 1 de agosto.

Segundo Emmanuel Macron, mesmo com sinais de aumento do número de casos no país, não se prevê um novo confinamento. “Tomámos a medida mais radical que foi o confinamento. […] E isso revelou as injustiças. Não quero que isso aconteça novamente ao país e estamos a fazer tudo para evitar uma nova vaga e teremos uma abordagem diferenciada caso aconteça”, defendeu o chefe de Estado francês.

Também nesta terça-feira, o governo britânico anunciou que o uso de máscaras dentro de lojas e supermercados vai passar a ser obrigatório em Inglaterra a partir de 24 de julho.

Os infratores serão multados em até 100 libras esterlinas (110 euros), o mesmo valor da penalização para os passageiros que não usem máscara no transporte público, onde o uso de máscaras ou proteções para a cara já é obrigatório desde 15 de junho.

Até agora, o uso de máscara em espaços públicos fechados era apenas recomendado em Inglaterra. O uso de máscara nas lojas já é obrigatório na Escócia e em vários países europeus, mas o governo britânico tem hesitado em impor a sua utilização.

“Há indícios crescentes de que usar uma máscara num espaço fechado ajuda a proteger” contra o coronavírus, afirmou um porta-voz do primeiro-ministro, Boris Johnson, que tinha dito na terça-feira que uma decisão seria tomada nos dias seguintes.

O País de Gales anunciou que as máscaras vão ser obrigatórias nos transportespúblicos a partir de 27 de julho, mas não estendeu a medida aos restantes espaços fechados.

Com 44.830 mortes registadas até segunda-feira, o Reino Unido é o país que registou o maior número de óbitos durante a pandemia Covid-19 na Europa e o terceiro a nível mundial, atrás dos Estados Unidos e Brasil.

A pandemia de xovid-19 já provocou mais de 569 mil mortos e infetou cerca de 13 milhões de pessoas no mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Trump rendeu-se. Usou máscara pela primeira vez em público desde o início da pandemia

ZAP // Lusa

 

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Casa Branca pressiona FDA a reconsiderar controversa hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19

Órgão dos EUA retira texto com instruções de uso da...

Washington, 13 jul (Xinhua) -- A Casa Branca está pressionando a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) para que restabeleça sua autorização de uso de emergência (AUE) para a hidroxicloroquina, a droga antimalária apontada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para combater a COVID-19, noticiou a imprensa.

Semanas atrás, a FDA revogou os AUEs que permitiam usar a hidroxicloroquina em certos pacientes hospitalizados com a COVID-19, depois que a agência determinou que "é improvável ser eficaz no tratamento da COVID-19 para os usos autorizados nos EUA" e destacou os potenciais efeitos colaterais graves.

"O consultor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, está liderando um esforço do governo Trump para que a FDA reverter seu curso", informou The Washington Post.

"Uma reversão (na hidroxicloroquina) seria amplamente vista como uma tendência à vontade política da Casa Branca", afirmou Steven Joffe, especialista em ética médica da Universidade da Pensilvânia, segundo The Washington Post.

Como a agência assumirá a liderança na aprovação de uma vacina para o coronavírus no país, "os especialistas em saúde dizem que é importante que a agência, que foi criticada por sua decisão inicial de aprovar a hidroxicloroquina em março, guarde sua credibilidade enquanto se prepara para tomar essas decisões de referência para um público às vezes cético em relação às vacinas", alertou a matéria.

 

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

https://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/14/c_139211651.htm

Não haverá retorno à "velha normalidade" em um futuro próximo, diz chefe da OMS

Ethiopia's Tedros Faces Challenges as New WHO Chief | Voice of...

Genebra, 13 jul (Xinhua) -- O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta segunda-feira que não haverá retorno à "velha normalidade" para um futuro previsível como resultado da pandemia da COVID-19 em curso, e que demasiados países ainda estão indo na direção errada.

"O vírus continua sendo o inimigo público número um, mas as ações de muitos governos e povos não refletem isso", disse o chefe da OMS em uma coletiva regular.

Ele observou que mensagens confusas de líderes estão minando a confiança, que é o ingrediente mais crítico de qualquer resposta, enquanto o único objetivo do vírus é encontrar pessoas para infectar.

As coisas vão "piorar cada vez mais", alertou ele, a menos que os governos se comuniquem claramente com seus cidadãos e implementem uma estratégia abrangente focada em suprimir a transmissão e salvar vidas, enquanto as populações sigam os princípios básicos de saúde pública do distanciamento físico, de lavar as mãos, uso de máscaras, etiqueta da tosse e permanência em casa quando doente.

A COVID-19 vem ganhando força ultimamente. De acordo com o chefe da OMS, no domingo houve um recorde de 230 mil casos notificados à organização, dos quais quase 80% eram de apenas 10 países e cerca de metade de apenas dois países.

"Mas não precisa ser assim", implorou o Dr. Tedros, pedindo a cada líder, governo e indivíduo que "faça sua parte para quebrar as cadeias de transmissão da COVID-19 e acabar com o sofrimento coletivo".

Para controlar a doença e seguir com a vida das pessoas, Dr. Tedros disse que três coisas são necessárias. A primeira é focar na redução da mortalidade e na supressão da transmissão. A segunda é focar em uma comunidade empoderada e engajada que toma medidas de comportamento individual no interesse um do outro. E a terceira é uma forte liderança governamental e coordenação de estratégias abrangentes que são comunicadas de forma clara e consistente.

"Não estávamos preparados coletivamente, mas temos que usar todas as ferramentas que temos para controlar essa pandemia. E precisamos fazer isso agora", acrescentou.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

https://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/14/c_139211323.htm

CRISE DO COVID 19 E A INCAPACIDADE DAS SOCIEDADES NEOLIBERAIS EM LHE DAREM RESPOSTA – LIX – JORNAL DO ANO DA PESTE VIII – MORTALIDADE COMPARADA – por VICTOR HILL

 

Plague Year Journal VIII – Comparative Mortality, por Victor Hill

Masterinvestor, 10 de Julho de 2020

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Sabemos que alguns países se saíram melhor do que outros na pandemia do coronavírus de 2020. Talvez surpreendentemente, alguns países em desenvolvimento têm-se saído realmente bem, enquanto alguns países ricos têm-se saído mal, escreve Victor Hill.

Boas notícias, más notícias…

O Brasil ocupa agora o segundo lugar mundial em termos de casos Covid-19 registados (1,76 milhões) e de vítimas mortais dos mesmos (quase 70.000)[i]. Os EUA são obviamente o número um mundial em ambos os casos, com cerca de um quarto de todas as mortes globais por coronavírus – com 42% de todos os casos dos EUA em três dos seus estados mais ricos (Nova Iorque, Nova Jersey e Massachusetts).

Algumas pessoas culpam o desastre do Brasil pela liderança grosseira do Presidente Jair Bolsonaro, que faz com que Donald Trump pareça um pensador profundo quando se trata de pronunciamentos sobre o controlo do vírus. Embora, claro, estas coisas sejam sempre multifactoriais – muitos brasileiros vivem em favelas densamente povoadas onde a higiene é deficiente. Mas, curiosamente, alguns dos vizinhos latino-americanos do Brasil têm-se saído muito melhor.

A América Latina foi descrita pela OMS no final de Junho como o novo epicentro da pandemia com o México e o Peru gravemente atingidos, bem como o Brasil. Mas Cuba, uma nação insular com uma população de mais de 11 milhões de pessoas, tem sido um modelo de como lidar com uma pandemia, segundo Michael Bustamante da Florida International University[ii], apesar de certas desvantagens inerentes. As suas filas notoriamente longas nas lojas estatais dificultam o distanciamento social e o autoisolamento, e o sistema de saúde do país está desesperadamente carente de recursos materiais. Além disso, Cuba tem uma população envelhecida com o perfil demográfico mais antigo das Américas.

No entanto, até ontem, Cuba tinha registado apenas 2.403 casos e 86 mortes – ou seja, apenas oito mortes por milhão de pessoas, o que coloca o país em pé de igualdade com o Japão. Cuba, revela o New Scientist, tem o maior rácio médico/paciente do mundo, com 8,2 médicos por mil pessoas. Isto compara com 2,15 no Brasil e 2,6 nos EUA. Claro que esse tipo de estatística pode ser oco: quão bons são os médicos e quão acessíveis são eles? Mas parece que os médicos de Cuba reagiram com celeridade nos primeiros dias da pandemia. Começaram a bater às portas das pessoas, perguntando se alguém estava a mostrar sintomas e geralmente a educar as pessoas sobre os riscos. Os suspeitos de sofrer de Covid-19 foram enviados para centros de isolamento geridos pelo Estado e todos os seus contactos foram rastreados. Alegadamente, tinham todos os diagnósticos em vigor antes mesmo de ser detectado o primeiro caso – e parece ter valido a pena.

Cuba é uma ilha, mas o Uruguai tem uma longa fronteira terrestre com o Brasil, um ponto quente do coronavírus. No entanto, o Uruguai (população de cerca de três milhões e meio de habitantes) comunicou apenas 977 casos e 29 mortes. Isto é (mais uma vez – número da sorte) oito mortes por milhão de habitantes. O que é extraordinário é que o Uruguai nem sequer impôs um confinamento  formal. Após a identificação do primeiro caso, a 13 de Maio, o Presidente LuisLacallePou fechou as fronteiras do país, mandou crianças em idade escolar para casa e cancelou grandes concentrações públicas. Mas a quarentena foi voluntária – foi pedido aos cidadãos que se isolassem “sempre que possível”. Isto foi apoiado por testes activos e rastreio de contactos.

Não conheço o país, mas ouço coisas boas sobre o Uruguai. É um país pequeno e estável com uma grande agricultura, um clima agradável e um cenário artístico vibrante – e pouca corrupção em comparação com os seus vizinhos. O bilionário americano, especulador e guru, Doug Casey, escolheu o Uruguai como a sua base. Ele diz que é um lugar muito mais seguro para se viver do que a América.

Esta semana, a Índia ultrapassou a Rússia como o país que registou o terceiro maior número de casos de Covid-19. O número nacional de casos atingiu 795.000 com mais de 21.623 mortes. Registaram-se mais de 24.000 novos casos a 06 de Julho. Segundo o Instituto de Ciências Matemáticas de Chennai, o número R em vários estados indianos subiu de novo acima de um[iii].

Na quarta-feira Forbes informou que a província mais populosa da África do Sul, Gauteng, a que pertencem as cidades de Joanesburgo e Pretória, está a preparar cerca de 1,5 milhões de sepulturas para potenciais enterros em massa, à medida que os novos casos de coronavírus tendem a aumentar[iv]. Isto é curioso uma vez que a África do Sul declarou apenas 3.720 mortes de Covid-19 até à data. Talvez as autoridades sul-africanas saibam algo que nós não sabemos.

Os confinamentos  estão de volta

Ainda mais intrigante é o facto de alguns dos mais preocupantes surtos pós-confinamento do vírus durante os últimos dez dias estarem a ocorrer em países avançados com sistemas de saúde sólidos. De acordo com um estudo da semana passada, 33 estados dos EUA têm um número R superior a um. O Texas está de volta a um confinamento  localizado. Melbourne está de volta a um confinamento restrito e, de facto, a fronteira entre os estados australianos de Vitória e Nova Gales do Sul foi fechada pela primeira vez desde a pandemia de gripe espanhola de 1919. Israel também tem tido um recrudescimento nos últimos tempos.

A China reinstituiu um confinamento  no condado de Anxin, perto de Pequim. Hong Kong entrou no que uma autoridade  de saúde chamou uma terceira vaga de infeções por coronavírus, tendo as autoridades comunicado 38 novos casos na terça e quarta-feira.

O Cazaquistão rico em petróleo na Ásia Central também reinstituiu um confinamento  esta semana. O país parecia ter contido o vírus após um confinamento rigoroso de dois meses, mas no fim-de-semana passado os hospitais encheram-se com novos casos. Tal como na Índia e no Paquistão, as festas de casamento são frequentemente enormes reuniões de várias centenas de pessoas no Cazaquistão. E nesses três países diz-se que existe um elevado grau de fatalismo popular – se o seu número aumenta,  aumenta  – o que não é propício ao distanciamento social.

Claro que dentro de um ano ou dois, quando tivermos coligido todos os números, o quadro poderá parecer diferente. Mas por agora penso que é possível generalizar que muitos países pobres lidaram melhor com o vírus do que os países ricos. Mas como – ou melhor, porquê assim? Penso que um fator está a emergir como crítico. Porosidade: isto é, a medida em que os países estão abertos a pessoas de fora que viajam de avião. Nesta base, o Reino Unido – e particularmente a Inglaterra – parece muito vulnerável. As fronteiras aéreas da Nova Zelândia ainda estão fechadas – mesmo com a Austrália. O Butão, no alto do Himalaia Oriental, um país que permite muito poucos visitantes, teve zero mortes.

Conclusões

Há muito que suspeito que existe apenas uma fraca correlação entre a despesa total em cuidados de saúde e os resultados dos cuidados de saúde. Os verdadeiros determinantes da longevidade existem fora dos hospitais. O maior avanço na longevidade foi alcançado na Europa na segunda metade do século XIX quando as pessoas começaram a usar sabão e outros desinfetantes, de modo generalizado,nas suas casas – impulsionados pela publicidade, e aquilo a que agora chamaríamos consumismo. Um estudo de caso é o PearsSoap  – uma marca que ainda é propriedade da Unilever (LON:ULVR). As disposições sanitárias também melhoraram muito durante esse tempo, graças à casa de banho de Thomas Crapper. Estas foram inovações revolucionárias – mas não custaram muito caro.

Anedoticamente,  ouvi dizer que há menos resfriados à volta, uma vez que o uso generalizado de desinfectantes parou os vírus do frio e da gripe no seu caminho. A desvantagem disso é que precisamos de exposição a agentes patogénicos para desenvolver o nosso sistema imunitário. A Professora Sunetra Gupta de Oxford receia que o distanciamento social prolongado enfraqueça os nossos sistemas imunitários a longo prazo. A pandemia de gripe espanhola de 1918 aparece num momento em que não havia nenhuma pandemia nos 30 anos anteriores. Ouvi dizer que o aumento das alergias nos jovens pode estar ligado ao facto de terem sido criados em casas esterilizadas com aquecimento central.

Uma conjetura emergente é que o processamento e embalagem da carne pode ser um vetor de transmissão viral (Anglesey, Kirklees, Gütersloh). Se isso se confirmar, então o caso meta-temático de Jim Mellon para carne limpa poderia ser ainda mais reforçado.

O distanciamento social e a higiene meticulosa são mais difíceis nos países pobres. Pode acontecer que os piores efeitos da pandemia do coronavírus não se manifestem plenamente no mundo em desenvolvimento até 2021. Veremos.

***

O período que antecedeu a atualização económica de Verão desta semana (também conhecida por £30 mil milhões em 30 minutos) foi ensombrado por alguns comentários desajeitados que Boris Johnson fez na segunda-feira (06 de julho) sobre lares de idosos. Ele pareceu sugerir que a incapacidade de seguir os procedimentos (que procedimentos?) resultou em mais mortes de Covid-19. Durante os dois dias que se seguiram, em resposta ao inevitável brouhaha, houve uma poeira danada de ofuscação. O Secretário de Negócios Sharma afirmou que o PM apenas queria dizer que não existiam procedimentos suficientes. O Secretário da Saúde, Sr. Hancock, opinou que na primeira semana do confinamento ninguém sabia que os portadores assintomáticos poderiam espalhar o vírus – algo que eu considero como extraordinário. Utilizei pela primeira vez o termo transmissão assintomática nestas páginas no meu artigo publicado a 27 de março – mas o termo já estava em circulação havia pelo menos seis semanas antes disso.

O que realmente aconteceu, tanto quanto sei, foi o seguinte. Depois do governo do Sr. Johnson ter declarado na segunda semana de março que o perigo real era que o SNS fosse esmagado, os gestores do hospital começaram a libertar os idosos que bloqueavam as camas  (o  termo é deles, não é meu) e a colocá-los em lares de idosos – sem os testar – a fim de libertar a capacidade de resposta dos hospitais. Os lares de idosos  frequentemente manifestavam desinteresse em os aceitar (embora, para ser justo, duvido que os senhores Johnson e Hancock soubessem disso na altura). Muitos dos que tiveram alta do hospital já estavam infectados e depois transmitiram o vírus aos seus co-residentes dos lares de idosos. Quem é o responsável final por isto? Essa é a questão.

(A propósito, sabemos agora também que as estatísticas de testes muito elogiadas do Sr. Hancock eram (estamos a ser educados) enganadoras. Os testes que tinham sido despachados por correio e que nem sequer foram  recebidos de volta foram contados como tendo sido realizados).

Ouvi atentamente a atualização do Chanceler na quarta-feira (08 de Julho) – o que finalmente eclipsou as observações irrefletidas do Primeiro-Ministro. Assim, a principal estratégia económica é abrir ainda mais os cordões à bolsa para, antes de mais nada, minimizar o tsunami do desemprego que nos espera. Eu, por exemplo, estou ansioso por brandir o meu cupão de £10 de segunda-feira à noite na casa de caril ao fundo da rua. E é provável que as minhas despesas nos bares aumentem nos níveis de pré-bloqueio. (Use-o ou perca-o. O Sr. Farage fez um vídeo sobre esse tema – embora pareça não ter muito que fazer nos dias de hoje).

Estamos agora a conhecer o Sr. Sunak um pouco melhor. Ele apresenta-nos as suas grandiosas intervenções orçamentais  com o ar sério de um cantor que conta  uma história particularmente assustadora na hora de dormir a um grupo excecionalmente nervoso de crianças pequenas.

E sim, lamento muito dizê-lo, mas temos de reconhecer que há lobos lá em cima nas colinas e alguns deles – muito ocasionalmente – descem aos vales para se banquetearem com crianças pequenas. E isso não é nada agradável. Mas quero que fique claro para todas as criancinhas que farei o meu melhor para as acarinhar de perto (de uma forma socialmente distante, claro) se um lobo se aproximar…E quero que elas tentem ser tão alegres quanto possível, mesmo que ouçam uivos durante a noite…Fiquem certos de que farei tudo o que estiver ao meu alcance para impedir que qualquer um de vós acabe no jantar de um lobo…

O Sr. Sunak exala uma liderança compassiva para os nossos tempos emocionalmente frágeis. A taxa reduzida de IVA para o sector hoteleiro – que tem  sido praticada  durante anos em países europeus como França e Espanha com indústrias turísticas importantes – é algo que tenho defendido durante anos para renovar as cidades litorais dilapidadas da Grã-Bretanha. Este Verão vou certamente fazer uma estadia. (Podemos chegar até ao solarengo Yorkshire – fortemente recomendado pelo nosso editor). Mas será que o pacote de medidas vai funcionar? Provavelmente saberemos quando o Sr. Sunak entregar o verdadeiro orçamento no final do Outono/princípio do Inverno.

Escrevi em Fevereiro que o meu melhor palpite era que o Sr. Sunak iria suceder a Boris Johnson dentro de cerca de dez anos. Mas isso pressupunha que Boris  Johnson seria reeleito em 2024. Agora, com o ressurgimento dos Trabalhistas sob a mente forense de Sir Keir Starmer, isso é altamente incerto. (Apesar de Sir Keir ter todo o carisma de uma lâmpada de baixa energia. Mas a questão é esta: ele é tudo o que Boris  Johnson não é – o Anti-Johnson). Lembre-se de que nenhum partido político ganhou cinco mandatos consecutivos desde a Revolução Gloriosa de 1688. E em 2024, com as finanças públicas britânicas ainda a ranger, os impostos sobre a riqueza estarão no topo do menu político  do dia.

Voltaremos a este tema.

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[i] Todos os números sobre os casos ocorridos e a mortalidade são de: https://www.worldometers.info/coronavirus/ accessed 06:30 hours on 10 July 2020.

[ii] Como foi dito no New Scientist em 03 de Julho de 2020. Ver: https://www.newscientist.com/article/2247740-how-cuba-and-uruguay-are-quashing-coronavirus-as-neighbours-struggle/?utm_source=NSDAY&utm_campaign=b907f36520-NSDAY_060720&utm_medium=email&utm_term=0_1254aaab7a-b907f36520-373843547

[iii] Ver: https://indianexpress.com/article/india/coronavirus-transmission-rate-goes-up-first-time-since-march-study-6496883/?campaign_id=51&emc=edit_MBE_p_20200710&instance_id=20192&nl=morning-briefing&regi_id=76380117&section=topNews&segment_id=33060&te=1&user_id=ba4c2350d7e0b860e2593e58a96adb2b

[iv] Ver: https://www.forbes.com/sites/nicholasreimann/2020/07/08/south-africa-readies-15-million-graves-for-coronavirus-mass-burials/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=dailydozen&cdlcid=5d1670771802c8c524c81dd8#6d42237645a6

[v] Ver: https://www.pressreader.com/uk/the-daily-telegraph/20200627/281573767963617

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/07/14/crise-do-covid-19-e-a-incapacidade-das-sociedades-neoliberais-em-lhe-darem-resposta-lix-jornal-do-ano-da-peste-viii-mortalidade-comparada-por-victor-hill/

Nos Estados Unidos, há uma máquina obsoleta a dificultar a resposta à pandemia. Chama-se fax

Imunidade à covid-19 diminuirá ao longo do tempo

13/07/2020
 

A imunidade baseada em anticorpos, adquirida após a recuperação da covid-19, poderá desaparecer em poucos meses.Isto de acordo com um novo estudo, o que poderá complicar o desenvolvimento de uma vacina eficaz de longo prazo.

“Este trabalho confirma que as respostas de anticorpos protetores em pessoas infetadas com SARS-CoV-2 (…) parecem decair rapidamente”, afirmou esta segunda-feira Stephen Griffin, professor associado da Escola de Medicina da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

“As vacinas em desenvolvimento deverão ou gerar proteção mais forte e duradoura contra infeções naturais ou ser administradas regularmente”, acrescentou o médico, que não participou do estudo.

“Se a infeção fornece níveis de anticorpos que diminuem em dois a três meses, a vacina potencialmente fará a mesma coisa e uma única injeção poderá não ser suficiente”, explicou Katie Doores, principal autora do estudo, ao jornal “The Guardian”.

O estudo da universidade King’s College, em Londres, que ainda não foi submetido a revisão pelos pares, foi publicado no site medrxiv.

Os investigadores estudaram a resposta imunológica de mais de 90 casos confirmados (incluindo 65 por testes virológicos) e mostram que os níveis de anticorpos neutralizantes, capazes de destruir o vírus, atingem o pico médio em torno de três semanas após o início dos sintomas, depois diminuem rapidamente.

De acordo com exames de sangue, mesmo os indivíduos com sintomas leves tiveram uma resposta imune ao vírus, mas geralmente menor do que nas formas mais graves. Apenas 16,7% dos indivíduos ainda apresentavam altos níveis de anticorpos neutralizantes 65 dias após o início dos sintomas.

Leia mais em Jornal de Notícias

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Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/13/imunidade-a-covid-19-diminuira-ao-longo-do-tempo/

Covid-19: mais de 40 infetados em surto numa fábrica do Carregado

13/07/2020
 

Já foram realizados mais de 300 testes a trabalhadores de uma indústria de cerâmicas, cujas instalações tiveram de ser desinfetadas.

Há, pelo menos, 42 casos positivos de Covid-19 num surto numa unidade industrial do Carregado, no concelho de Alenquer, confirmou esta segunda-feira a DGS. Os infetados trabalham na unidade de produção da Geberit, cuja laboração foi interrompida.

Nos últimos dias foram realizados mais de 300 testes, segundo noticiou a TVI, com as instalações desta fábrica de cerâmicas a serem desinfetadas. Para já, dos resultados conhecidos, há 42 casos confirmados mas o número ainda pode aumentar, já que mais de 100 testes ainda aguardam resultados, segundo informou Graça Freitas, na conferência que se seguiu à atualização do boletim epidemiológico desta segunda-feira.

Leia mais em Diário de Notícias

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/13/covid-19-mais-de-40-infetados-em-surto-numa-fabrica-do-carregado/

Principal epidemiologista dos EUA é alvo de Donald Trump

Trump culpa Fauci, veterano que aos 79 anos já trabalhou com 5 de seus antecessores e principal epidemiologista dos EUA, por supostamente conduzi-lo para um caminho contrário ao que dizia sua intuição.

 

O principal epidemiologista dos Estados Unidos, Anthony Fauci, tem sido alvo de fritura de Donald Trump, que tenta transferir ao profissional de saúde toda a responsabilidade pelo fracasso do país no controle da pandemia de Covid-19. Trump questiona publicamente a competência do veterano, que aos 79 anos já trabalhou com 5 de seus antecessores. A informação é da especialista em assuntos internacionais Sandra Cohen, publicada no portal G1.

As entrevistas diárias concedidas na Casa Branca, que agora estão suspensas, marcaram o atrito existente entre Donald Trump e Fauci. No momento, uma média de 60 mil novos casos diários de coronavírus são confirmados nos EUA, mas Trump e outros integrantes de seu governo desqualificam o maior especialista em doenças infecciosas do país, acrescenta a reportagem.

Trump ainda culpa Fauci por supostamente conduzi-lo para um caminho contrário ao que dizia sua intuição. “Ele é um cara legal, mas cometeu muitos erros”, afirmou. Os dois não se encontram desde o início do mês de junho.


Texto em português do Brasil

Fonte: Brasil247


 

 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/fauci-principal-epidemiologista-dos-eua-e-alvo-de-frituras-publicas-de-donald-trump/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=fauci-principal-epidemiologista-dos-eua-e-alvo-de-frituras-publicas-de-donald-trump

Covid-19 poderá ter existido no ambiente desde há várias décadas

 
Ovírus SARS-CoV-2 que causa a Covid-19 pode não ter sido originado na China mas pode ter estado adormecido na natureza ao longo de décadas, segundo os investigadores.

 

 
Enquanto um epidemiologista britânico encontrou o vírus em várias partes do mundo antes da pandemia, outro estudo traçou uma parte do gene do vírus em existência há milhares de anos.

 

 
Uma combinação de condições levou à sua propagação, escreveu o Telegraph no domingo, citando um epidemiologista.

 

 
“Acho que o vírus já estava aqui, ou seja em qualquer lado. Podemos estar na presença de um vírus dormente que foi ativado por estímulos ambientais”, disse o Dr. Tom Jefferson, um investigador honorário do Center For Evidence-Based Medicine (CEBM), da Universidade de Oxford.

 

 
Ele ressaltou que as crescentes provas sugerem que "o vírus já estava noutro lugar antes de surgir na Ásia", mencionando a crescente deteção do vírus em esgotos em todo o mundo.

 

 
Outra pesquisa apurou que uma parte do gene do coronavírus, desenvolvido há cerca de 60.000 anos atrás, durante a existência dos neandertais, escreveu um novo estudo que ainda está para ser publicado. O vírus desenvolveu-se nos últimos anos e pode ser encontrado nos genes de pessoas em muitos países.

 


 
Além disso, o Brasil relatou recentemente ter encontrado o novo coronavírus em amostras recolhidas nos esgotos, em novembro passado em Florianópolis.
 
Anteriormente, pesquisadores espanhóis detetaram o coronavírus em amostras colhidas em águas residuais em Barcelona, em março de 2019, e seus congéneres em Itália também encontraram vestígios do vírus nos esgotos de Milão e Turim em dezembro passado.

 

 
"Há muitas evidências de grandes quantidades do vírus em esgotos de todo o lado, e uma quantidade crescente de evidências de transmissão fecal. Há uma alta concentração no esgoto onde a temperatura é de quatro graus, que é a temperatura ideal para isso.

 

 
As fábricas de processamento de carne costumam estar a quatro graus ", escreveram os dois especialistas.

 

 
Os pesquisadores pediram que estudassem a ecologia do vírus.

 


"Esses surtos precisam de ser investigados adequadamente com as pessoas no local, um a um... Questionam-se as pessoas e começa-se a construir hipóteses que se encaixam nos factos, e não o contrário", acrescentaram.

 

 
Fonte: Diário do Povo Online    07.07.2020 14h27

“Desconfinar não é desarmar”. Jovens não respeitam regras e estão a propagar covid-19 em Setúbal

pedrosimoes7 / Flickr

 

O coordenador da Proteção Civil Municipal de Setúbal, José Luís Bucho, manifestou-se esta segunda-feira preocupado com os excessos cometidos pela população jovem no concelho, que acusa de desrespeitar as regras e propagar a doença covid-19.

 

“As pessoas têm de começar a comportar-se melhor. Todos os dias há dois ou três casos [suspeitos de covid-19] de pessoas que foram com os amigos para a praia, que estiveram em festas de aniversário ou com os amigos num qualquer convívio à noite”, disse.

“Não é por acaso que muitos estabelecimentos estão obrigados a encerrar às 20h. Mas as pessoas continuam a juntar-se em grande número, sem distanciamento social e a maioria sem máscaras, sem coisa nenhuma. Não tomam nenhum cuidado, pensam que isto já passou, principalmente os jovens da faixa etária entre os 16 e os 22 anos“, acrescentou o coordenador da Proteção Civil Municipal.

Apesar dos excessos cometidos por alguns grupos de pessoas, principalmente pelos jovens, o concelho de Setúbal tem apenas 114 infetados ativos num universo de 120 mil habitantes. Segundo José Luís Bucho, quase todos os infetados do concelho estão a cumprir o período de isolamento em casa (112) e “há apenas duas pessoas internadas, mas nenhuma nos cuidados intensivos”.

O coordenador da Proteção Civil Municipal adiantou ainda que, neste momento, o Centro Hospitalar de Setúbal tem apenas seis doentes internados com covid-19, número confirmado à agência Lusa pela unidade hospitalar.

“Durante o pico da pandemia na região, o máximo que tivemos foram 22 pessoas na enfermaria. Desde há dois meses, temos tido apenas entre duas e seis pessoas na enfermaria”, acrescentou José Luís Bucho, reiterando, no entanto, a necessidade de se respeitarem as regrasde prevenção da propagação da pandemia para evitar que o número de infetados venha a aumentar outra vez, dado que não é possível detetar todas as pessoas infetadas, já que muitas podem estar assintomáticas ou ter sintomas muito ligeiros.

Desconfinar não é desarmar. Muitos jovens que contraem a doença são assintomáticos, mas acabam por contagiar os pais, os irmãos, os avós, toda a gente. É preciso manter o distanciamento social e os cuidados de higiene. Os jovens podem ir para a praia, desfrutar da natureza, mas não devem fazê-lo em grandes grupos. E se não tiverem nada para fazer, o melhor é ficarem em casa”, disse o coordenador da Proteção Civil Municipal de Setúbal.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 569 mil mortos e infetou mais de 12,92 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Casos de covid-19 entre crianças e jovens aumentaram 96% (e alguns desenvolvem problemas cardíacos)

Em Portugal, morreram 1.662 pessoas das 46.818 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

// Lusa

 

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https://zap.aeiou.pt/jovens-nao-respeitam-regras-estao-propagar-covid-19-setubal-335096

EUA pressionaram países a aceitar centenas de voos de deportação com infetados

The White House

 

O Serviço de Imigração e Controlo de Fronteiras (ICE) dos EUA já fretou centenas de voos de deportação de imigrantes infetados com covid-19 desde o início da pandemia, segundo uma investigação do The New York Times e Projeto Marshall.

 

A investigação divulgada na segunda-feira mostra que as condições de sobrelotação de alguns centros de detenção de imigrantes, a escassez de provas e a deportação que continua a acontecer desde março, resultaram na propagação do novo coronavírus por parte do ICE, dentro e fora das fronteiras do Estados Unidos.

Segundo noticia a agência EFE, a investigação confirmou que centenas de deportados com covid-19 foram devolvidos aos seus países de origem desde março.

O ICE já deportou mais de 40 mil imigrantes, a maioria da América Central, onde se registaram casos de pacientes com covid-19 que foram transferidos para os seus países de origem apesar do risco de contágio.

O jornal New York Times investigou mais de 750 voos nacionais da ICE, além de outros 200 com destino a outros países, entre março e junho, a maioria para Guatemala, El Salvador e Honduras.

El Salvador e Honduras aceitaram mais de 6 mil deportados desde março, apesar das restrições impostas para evitar a propagação da pandemia.

Apenas a Guatemala manifestou o seu desacordo com Washington pelo facto de receber pessoas infetadas com covid-19.

O Governo liderado por Donald Trump pressionou os países de origem de deportação, com ameaças de restrições aos vistos, caso estes se opusessem aos voos de repatriação.

Até agora, cerca de 11 países confirmaram ter recebido deportados doentes com covid-19, muitos dos quais podem ter sido infetados devido às condições existentes nos centros de detenção nos Estados Unidos.

O ICE realiza testes aleatórios às pessoas que estão à espera de serem deportadas para outros países, fazendo apenas verificações gerais de controlo da temperatura.

A agência de imigração disse estar a seguir as diretrizes do Centro de Controlo de Doenças (CDC).

 

ZAP // Lusa

 

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https://zap.aeiou.pt/eua-centenas-voos-deportacao-infetados-335083

Podemos estar a combater o coronavírus da forma errada

Hugo Delgado / Lusa

 

Os novos dados tornados públicos, nos últimos dias, sobre a transmissão do coronavírus podem significar que o foco do combate à propagação da infecção está errado – e que a economia vai ter que recuperar ainda mais lentamente. Tudo porque a covid-19 poderá, afinal, transmitir-se pelo ar.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) chegou a descartar a transmissão pelo ar, notando que o coronavírus “é sobretudo transmitido através de gotículas geradas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala” e realçando que estas gotículas “são demasiado pesadas para ficar suspensas no ar”.

Mas, agora, a OMS já admite a transmissão aérea depois de ter recebido um alerta de duas centenas de especialistas para esta possibilidade, com o apelo a uma revisão das recomendações que têm sido feitas.

Um estudo divulgado em Abril, feito num Hospital de Wuhan, na China, já tinha concluído que o coronavírus paira no ar em zonas onde estiveram pacientes e que pode haver riscos de infecção até 4 metros de distância.

Estudo sugere que coronavírus pode “viver” nos sapatos e transmitir-se até 4 metros de distância

Doenças como o sarampo e a tuberculose podem ser transmitidas pelo ar. A professora reformada Lisa Brosseau, especialista em Saúde Pública, considera num artigo na MIT Technology Review que os chamados “super-espalhadores” de coronavírus, que expelem maiores quantidades do vírus do que a maioria dos infectados, podem estar a propagar o coronavírus num padrão semelhante ao que acontece com a tuberculose.

Para o microbiologista Chad Roy da Universidade Tulane, nos EUA, esta “vantagem aérea” pode ser “uma das razões por que isto é uma pandemia e não apenas um pequeno surto como qualquer outro coronavírus”, conforme destaca na mesma publicação científica.

Certo é que uma potencial transmissão pelo ar implicará a manutenção de um período de confinamento mais prolongado, especialmente em países como os EUA e o Brasil, onde a pandemia está longe de estar controlada.

Isto significaria uma reabertura da economia ainda mais lenta, mantendo restrições bastante vincadas.

Num cenário destes, algumas das medidas actuais não seriam suficientes – não bastaria limpar superfícies, lavar bem as mãos e usar máscaras.

“A quantidade de tempo e esforço dedicados à higienização de todas as superfícies repetidamente tem sido uma enorme perda de tempo“, considera a professora Lisa Brosseau, defendendo também que a ideia de que as máscaras serem a solução “mágica” é errada, especialmente se estivermos a falar de crianças.

A transmissão pelo ar torna locais como restaurantes, bares, escritórios, salas de aulas, ginásios e Igrejas, entre outros, pouco recomendáveis. Isto significa que podem ter que manter-se encerrados por mais tempo.

Quantas mais pessoas entrarem e saírem de um local fechado, mais provável é a possibilidade de aparecer algum infectado. Quanto mais tempo os indivíduos infectados passarem nestes locais, mais vírus ficarão concentrados no ar, o que será especialmente fatal para quem tiver que passar mais tempo nestes espaços.

Desta forma, será necessário controlar a quantidade de pessoas que frequentam estes locais, bem como limitar o tempo que essas pessoas passam neles, além de ser preciso aumentar ainda mais o distanciamento social.

Será preciso pagar a bares e restaurantes para “permanecerem fechados”, considera o especialista em aerobiologia, Donald Milton, um dos cientistas que assinou o alerta enviado à OMS, na MIT Technology Review.

Em espaços que precisam mesmo de estar abertos, como nas escolas, será preciso “aumentar a ventilação” e começar a usar “germicida ultra-violeta”, acrescenta Milton, frisando que será também necessário “escalonar as horas de trabalho e manter baixa a densidade nos transportes públicos ou abrir janelas”.

“E precisamos de usar máscaras”, conclui o especialista numa altura em que se antevê que no Outono haja um aumento das infecções.

Peritos alertam DGS sobre alto risco de infeções no outono. Governo já prepara plano de ataque

ZAP //

 

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https://zap.aeiou.pt/podemos-estar-combater-coronavirus-da-forma-errada-335046

China inicia construção de base de produção de vacinas contra COVID-19 (FOTO)

Cientista dilui amostras durante a pesquisa e desenvolvimento de uma vacina contra a doença do coronavírus (COVID-19) em um laboratório da empresa de biotecnologia BIOCAD em São Petersburgo, Rússia, 11 de junho de 2020
© REUTERS / Anton Vaganov

A construção de uma planta de produção de vacinas contra a COVID-19 começou no sábado (11) na Zona Franca de Ningbo, China, devendo entrar em funcionamento em março de 2021.

O valor total do investimento é avaliado em 2,5 bilhões de yuans (R$ 1,909 bilhão), dos quais 500 milhões (R$ 420 milhões) serão utilizados na pesquisa, desenvolvimento e produção de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus.

"Partindo do princípio de garantir a qualidade, aceleraremos a construção da instalação de [produção de] vacinas, e nos esforçaremos para pô-la em funcionamento em março próximo. Faremos igualmente o nosso melhor para conseguir a produção da vacina contra a COVID-19 em Ningbo na primeira metade do próximo ano", disse Yan Rongjie, diretor do comitê administrativo, escreve o jornal Global Times.
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​Em 11 de julho, começou a construção da primeira instalação de produção de vacinas contra a COVID-19 na província de Zhejiang: a instalação industrial Aimei Rongan, na Zona Franca de Ningbo.

O projeto será implementado em três etapas, a primeira custará 1,3 bilhão de yuans (R$ 993 milhões), para colocar no mercado uma vacina contra o novo coronavírus, bem como uma nova vacina contra a raiva para uso humano, ao mesmo tempo que será construído um laboratório biológico de alto nível.

Falando sobre o fato de a vacina contra a COVID-19 e a vacina contra a raiva serem produzidas na mesma instalação, Tao Lina, um especialista em vacinas baseado em Xangai, disse que ambas são vacinas inativadas, que têm o mesmo processo e tecnologia.

Esta será a terceira base de produção de vacinas contra a COVID-19 na China.

Uma subsidiária da China Electronics e o Sinopharm China National Biotec Group (CNBG) já abriram duas instalações similares, com uma produção anual respectiva de 100 e 120 milhões de doses, informou a mídia em maio passado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020071415830266-china-inicia-construcao-de-base-de-producao-de-vacinas-contra-covid-19-foto/

OMS alerta: “Demasiados países estão a ir na direção errada”

unisgeneva / Flickr

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira que “demasiados países estão a ir na direção errada” no que respeita ao combate à pandemia da covid-19.

 

Em conferência de imprensa a partir da sede da OMS, em Genebra, o diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, afirmou que “os atos de muitas pessoas e governos” e “mensagens contraditórias” vindas de chefes de Estado e outros líderes estão a “minar” os esforços para controlar a expansão do novo coronavírus.

O responsável avisou que “não haverá um regresso à velha normalidade no futuro próximo mas há um roteiro para controlar [a covid-19] e continuar com a vida“, salientando que sem medidas de controlo e supressão adotadas a nível governamental e em colaboração com as populações, a pandemia “só vai ficar pior e pior e pior”.

Sem se referir a nenhum líder ou país em concreto, Ghebreyesus vincou que dizer uma coisa e praticar outra é uma forma de destruir a confiança dos cidadãos, que é “o ingrediente mais crítico” na resposta, e de beneficiar o vírus, “cujo único objetivo é encontrar pessoas para infetar”, apontou.

Tedros Ghebreyesus apontou o continente americano como “o epicentro” da pandemia, com “mais de 50% dos casos” de todo o mundo.

Os governos devem “comunicar com clareza com os cidadãos” e desenhar “estratégias completas para suprimir a transmissão”, levando “as populações a seguirem os princípios básicos de saúde pública: distância física, uso de máscaras, etiqueta respiratória“.

“Cada governo, líder ou pessoa pode fazer a sua parte”, defendeu, reconhecendo que muitos governantes estão a “trabalhar em circunstâncias difíceis” e têm que equilibrar “desafios de saúde, sociais e culturais”.

Tedros Ghebreysus declarou que é preciso “chegar a uma situação sustentável com controlo adequado do vírus” sem ser preciso fechar países inteiros ou passar o tempo de um confinamento para outro.

“Nunca é tarde mais para ações decisivas” no combate à pandemia, salientou.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 569 mil mortos e infetou mais de 12,92 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.662 pessoas das 46.818 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/oms-demasiados-paises-direcao-errada-335064

Mortes por COVID-19 superam 72 mil no Brasil quatro meses depois do primeiro óbito

Imagens de vítimas do novo coronavírus no Brasil; país ultrapassou mil mortes em 24h pela doença - Arte/UOL

Imagens de vítimas do novo coronavírus no Brasil; país ultrapassou mil mortes em 24h pela doença Imagem: Arte/UOL

 

Rio de Janeiro, 12 jul (Xinhua) -- Quatro meses após o primeiro registro oficial de uma morte causada pelo novo coronavírus (COVID-19) no Brasil em 12 de março, o total de óbitos já supera 72 mil, segundo o balanço divulgado neste domingo pelo Ministério da Saúde.

De acordo com os dados mais recentes do governo, foram confirmadas 631 mortes nas últimas 24 horas, para somar 72.100 óbitos, com uma taxa de letalidade de 3,9%.

A cifra deste domingo quebrou uma sequência de cinco dias consecutivos com mais de 1.000 vítimas diárias, mas a queda é considerada normal nos finais de semana, porque nesse período, o sistema de saúde não consegue registrar em sua plataforma todos os dados, tanto de mortes como de novos casos de contágio, o que geralmente só acontece no boletim das terças-feiras.

Assim como o número de falecimentos, o de novos casos também caiu em relação aos últimos dias e registrou 24.831 contágios nas últimas 24 horas, para totalizar 1.864.681 infectados.

Ainda segundo o balanço do Ministério da Saúde, 1.123.204 pessoas já se recuperaram da doença.

Epicentro da COVID-19 no país, o estado de São Paulo (sudeste) lidera as estatísticas com 17.848 óbitos e 371.997 casos positivos.

O estado do Rio de Janeiro (sudeste) aparece em segundo lugar com 11.415 mortos e 129.684 infectados e o Ceará (nordeste) registra 6.868 mortos e 136.785 casos confirmados.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

https://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/13/c_139208720.htm

EUA num “buraco negro de Covid-19”

13/07/2020
 

Os Estados Unidos estão retidos no “buraco negro da COVID-19” e não têm “nenhum plano de saída”, assegurou uma análise recente da CNN.

“So se vê contradição, ofuscação e confusão por parte dos funcionários federais, que deviam estar a traçar um percurso nacional”, lê-se na análise, publicada sexta-feira, citando o “vazio de liderança” como razão do fracasso dos EUA no controle epidémico.

A análise lamentou a ausência de “um esforço massivo de teste e rastreamento integrados que pudesse identificar e isolar os epicentros de infeção”, criticando a tentativa da Casa Branca de reabrir de forma prematura as escolas, uma medida sobre a qual houve mensagens contrapostas inclusive dentro da Administração.

A análise chega num momento em que os Estados Unidos renovam o seu recorde diário de casos quase todos os dias e a curva de mortalidade apresenta também uma tendência para aumentar.

Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, os casos confirmados da Covid-19 nos EUA superaram no sábado os 3.243.000 e o número de óbitos, 134.700.
De acordo com o Bloomberg News, no sábado foram confirmados outros 71.389 casos em todo o país.

“Depois de meses na pior crise nacional desde a Segunda Guerra Mundial, não há a sensação de que o país, fraturado, esteja unido para enfrentar o inimigo comum. As pessoas continuam A discutir sobre o uso de máscaras — uma pequena violação da liberdade individual que representa uma das maiores esperanças para reduzir os contágios”, argumentou a análise.

As medidas antiepidémicas, como o isolamento prévio, distanciamento social, uso de máscaras e planos de reabertura prudentes, que foram efetivas tanto nos Estados Unidos como no restante do mundo, não parecem convencer o governo federal, continuou.

“Não há sinal de que essa competência chegue aos EUA. A Administração, que descarregou nos estados a sua responsabilidade pela luta contra o vírus, não parece ter o desejo nem a capacidade de construir um sistema desse tipo”, referindo ainda as tentativas reiteradas do presidente Donald Trump de pintar um quadro agradável da pandemia com afirmações duvidosas.

Depois de mencionar que o trabalho antiepidémico do país “não representa mais do que uma derrocada política”, a análise assegurou que as tentativas tardias de deter o vírus nos estados do Sul e Oeste são obstaculizadas pelas lutas entre prefeitos democratas que querem mandatos de máscaras e governadores republicanos algemados por “ideologias”.

 

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/13/eua-num-buraco-negro-de-covid-19/

Com mais de 20 mil novos casos, Brasil se aproxima das 2 milhões de infecções pela COVID-19

Líder indígena guarani aguarda para ser testado para COVID-19 em Cananeia
© AP Photo / Andre Penner

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil aumentou em 20.286 nas últimas 24 horas, elevando o total acumulado a mais de 1,8 milhão, informou o Ministério da Saúde nesta segunda-feira (13).

Atualmente, existem 1.884.967 casos confirmados de COVID-19 no Brasil.

Nas últimas 24 horas, foram confirmadas 733 novas mortes por COVID-19, elevando o número total de mortes pelo novo coronavírus para 72.833.

Mais de 1,1 milhão de pessoas se recuperaram da COVID-19 no Brasil desde o início da epidemia no país, acrescentou o Ministério da Saúde.

O Brasil tem o segundo maior número de mortes pelo novo coronavírus, sendo superado apenas pelos Estados Unidos, que registraram mais de 135 mil mortes por COVID-19, de acordo com os dados mais recentes da Universidade Johns Hopkins.

O Brasil e os Estados Unidos também são os dois principais países em termos do número total de casos registrados do novo coronavírus (os Estados Unidos têm o total mais alto de mais de 3,3 milhões de casos de COVID-19).

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020071315829358-com-mais-de-20-mil-novos-casos-brasil-se-aproxima-das-2-milhoes-de-infeccoes-pela-covid-19/

Vacina russa passa em testes e lançamento está previsto para agosto

O país anunciou nesta segunda-feira (13) que concluiu parte dos testes clínicos necessários para comprovar a eficácia da imunização desenvolvida por iniciativa do governo russo

 

 

247 -A Rússia está mais perto de se tornar o primeiro país a iniciar a distribuição de uma vacina contra o coronavírus para a população. O país anunciou nesta segunda-feira (13) a conclusão de parte dos testes clínicos necessários para comprovar a eficácia da imunização . A expectativa é de que a distribuição comece já em agosto. A informação é do portal UOL.

"A pesquisa foi concluída e provou que a vacina é segura", disse Yelena Smolyarchuk, chefe do centro de pesquisas clínicas da Universidade Sechenov, à agência de notícias estatal TASS.

Segundo a reportagem, a vacina aprovada foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa para Epidemiologia e Microbiologia Gamalei e desenvolvida por iniciativa do governo russo. Segundo o diretor da instituição, Alexander Gintsburg, a previsão é que a vacina "entre em circulação civil" entre 12 e 24 de agosto.

 

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/mundo/vacina-russa-passa-em-testes-e-lancamento-esta-previsto-para-agosto

Brasil atinge 72 mil mortes por Covid-19 com 1.866.416 infectados

O balanço mais recente divulgado no domingo indicou 1.866.176 infectados e 72.151 vítimas fatais, com 659 óbitos registrados nas últimas 24 horas

 

 

247 - O número de casos confirmados de Covid-19 no Brasil atinge 1.866.416 e 72.153 mortes provocadas pela doença, aponta o boletim das 8h do consórcio de veículos de imprensa divulgado na manhã desta segunda-feira (13). Os números são consolidados a partir das secretarias estaduais de Saúde. A informação é do jornal O Globo.

O balanço divulgado no domingo (12) às 20h indicou 1.866.176 infectados e 72.151 vítimas fatais, com 659 óbitos registrados nas últimas 24 horas.

O registro foi apurado por um consórcio inéditoformado entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, com dados das secretarias estaduais de saúde. A iniciativa dos veículos de comunicação foi desenvolvida a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde na gestão do interino Eduardo Pazuello.

 

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/coronavirus/brasil-atinge-72-mil-mortes-por-covid-19-com-1-866-416-infectados

OMS registrou neste domingo recorde de novos casos de coronavírus em 24 horas no mundo

PRÉ-HISTÓRIA DA COVID-19 NOS ESGOTOS DE BARCELONA

2020-07-11

Cientistas da Universidade de Barcelona detectaram genomas do novo coronavírus SARS-CoV-2 nos esgotos da cidade no dia 12 de Março de 2019, isto é, nove meses e meio antes da declaração das autoridades chinesas da cidade de Wuhan e praticamente um ano antes de ter sido anunciado, em 25 de Fevereiro de 2020, o primeiro caso de COVID-19 “importado” na capital catalã. Mais uma demonstração de que a narrativa oficial do “vírus de Wuhan” pode ser cómoda para evitar uma investigação profunda das reais origens do fenómeno, conveniente do ponto de vista geopolítico, oportuna para as operações de propaganda em multiplicação mas está longe de caber nas realidades que vão sendo conhecidas.

Os autores do estudo catalão desenvolvem uma investigação sobre a importância da monitorização das águas residuais das estações de tratamento de esgotos como fonte de informações que permitam antecipar o aparecimento de surtos virais. Os resultados foram objecto de uma pré-publicação em finais de Junho na plataforma medRxiv e contêm elementos novos que os autores consideram “inesperados” e “surpreendentes”.

No “Resumo” do trabalho os autores escrevem que “O SARS-CoV-2 foi detectado nos esgotos de Barcelona muito antes da declaração do primeiro caso de COVID-19, revelando que a infecção estava presente na população antes do primeiro caso importado”.

Fazendo referência ao facto de terem descoberto genomas do novo coronavírus numa amostra congelada no dia 12 de Março de 2019, usada como factor de comparação com as colhidas mais recentemente nas mesmas estações de tratamento de águas residuais, os cientistas catalães dizem que “esta impressionante descoberta revela a circulação do vírus em Barcelona muito antes do relato de qualquer caso de COVID-19 no mundo”; sendo “provável”, portanto, “que situações semelhantes possam ter acontecido em outras partes do mundo”.

E para que não haja dúvidas: em 12 de Março de 2019 “os níveis (de SARS-CoV-2) eram muito baixos mas claramente positivos”, assegura o coordenador do trabalho científico, o professor Albert Bosch.

Os autores do estudo, de carácter multidisciplinar pois envolve membros de várias faculdades e departamentos da Universidade de Barcelona e de departamentos públicos de índole sanitária e de abastecimento de água, colheram amostras de esgotos em duas estações de tratamento da cidade entre 13 de Abril e 25 de Maio, verificando que os níveis de concentração de genomas do novo coronavírus seguiram a linha de evolução estatística da epidemia. Recorreram igualmente a amostras de arquivo extraídas ainda em 2018, durante vários meses do ano de 2019 e do início de 2020.

“Inesperadamente”, escrevem os autores, “a análise de amostras de arquivo revelou uma crescente ocorrência de genomas em recolhas de 15 de Janeiro a 4 de Março” de 2020 – o primeiro caso de COVID-19 em Barcelona foi declarado em 25 de Fevereiro.

Demonstram estes factos que o SARS-CoV-2 esteve presente nos esgotos de Barcelona, com valores ascendentes, durante pelo menos 41 dias antes da declaração do primeiro caso, que foi definido como “importado”.

Nas conclusões do trabalho os cientistas escrevem que “uma proporção significativa de portadores não diagnosticados ou assintomáticos eliminaram SARS-CoV-2 nas fezes” quando ainda não se falava em COVID-19.

“Espalhado antes de emergir na Ásia”

Tal como acontece em outras circunstâncias entretanto conhecidas, admite-se que os sintomas de problemas respiratórios registados previamente à declaração da epidemia tenham sido atribuídos a influenza e enquadrados nos períodos habituais de gripe comum.

Por exemplo, o presidente da Comissão de Controlo e Detecção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), Robert Redfield, admitiu em 11 de Março numa declaração a uma comissão do Congresso a possibilidade de a COVID-19 estar presente na sociedade norte-americana muito antes de declarada oficialmente, sendo os casos então diagnosticados como resultantes de uma “temporada” especialmente virulenta de gripe comum iniciada em Setembro de 2019. A conclusão foi apurada através de exames póstumos de vítimas às quais tinha sido diagnosticada gripe comum.

Em Itália, o médico Dr. Giuseppe Remuzzi revelou num artigo publicado na revista The Lancet que em Dezembro, ou até mesmo em Novembro, os médicos de família da Lombardia fizeram eco de uma “pneumonia muito estranha” em circulação e sem terem qualquer conhecimento do que se passava na China. De notar que o chamado “paciente nº4” italiano, depois redenominado “paciente nº1”, não teve qualquer relação com Wuhan ou com a China, ao contrário do que acontecera com os três primeiros casos declarados.

Ainda em Itália, um estudo do Instituto Superior de Saúde, de âmbito governamental, revelou que foram assinalados traços de SARS-CoV-2 nos esgotos das cidades de Milão e Turim durante o mês de Dezembro.

Também é do conhecimento geral que foram registados casos sintomáticos de COVID-19 em França ainda no mês de Dezembro – apesar de a primeira situação oficial no país, também a primeira na Europa, ter sido declarada em final de Janeiro.

“Há um número crescente de provas que apontam para o facto de o SARS-CoV-2 já estar espalhado pelo mundo antes de emergir na Ásia”, declarou Tom Jefferson, epidemiologista do Centro de Medicina Baseada em Provas da Universidade de Oxford, ao jornal The Telegraph.

Entretanto no Brasil…

Uma outra prova que foge de maneira flagrante à narrativa oficial sobre a pandemia de COVID-19 foi divulgada recentemente no Brasil e tem origem igualmente em trabalhos de análise de águas residuais de tratamento de esgotos.

Cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina detectaram cem mil cópias de SARS-Cov-2 por litro de esgoto em amostras recolhidas em 27 de Novembro de 2019, valor esse que é a décima parte do que veio a ser encontrado numa recolha em 4 de Março último. No entanto, os dois primeiros casos oficiais de COVID-19 só foram declarados em Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, no dia 12 de Março.

“Isto demonstra que o SARS-CoV-2 já estava na comunidade antes de o primeiro caso ser declarado no continente americano”, escrevem os autores do estudo.

No próprio cenário oficial da origem dos acontecimentos pandémicos, em Wuhan, China, vários são também os exemplos que não coincidem com a versão oficial consumida mundialmente.

Num artigo informativo publicado em The Lancet em 30 de Janeiro, um mês depois do primeiro caso anunciado na cidade chinesa, médicos de Wuhan revelaram que dos primeiros 41 casos admitidos em meio hospitalar, entre 16 de Dezembro e 2 de Janeiro, 14 não tiveram qualquer ligação epidemiológica ao mercado de frutos do mar de Huanan, considerado – para todos os efeitos inquestionavelmente – como a origem da pandemia.

No mesmo artigo, os clínicos recuam no tempo até 1 de Dezembro, dia em que um primeiro paciente, um idoso, foi identificado em Wuhan com os sintomas que depois vieram a ser caracterizados como os da COVID-19. Também esse doente não teve qualquer vínculo epidemiológico com o mercado de Huanan.

Do que ficou escrito pode deduzir-se, portanto, que o SARS-CoV-2 já estava presente nos esgotos de Barcelona em 12 de Março de 2019, mais de nove meses antes do primeiro caso mundial declarado oficialmente.

Do mesmo modo, o vírus foi encontrado nos esgotos da cidade de Florianópolis em Santa Catarina, Brasil, em 27 de Novembro de 2019, um mês antes de declarados os primeiros pacientes de COVID-19 em Wuhan, em 1 de Janeiro de 2020.

Nos Estados Unidos, segundo o presidente do CDC, vítimas de um surto de gripe comum “muito virulento” falecidas no último trimestre de 2019 foram diagnosticadas postumamente com COVID-19.

Em Itália, onde um dos primeiros quatro pacientes de COVID-19 não teve qualquer contacto com a China nem com os restantes três, os sintomas da doença eram abundantes, por exemplo na Lombardia, já em Dezembro ou mesmo em Novembro de 2019.

Em França foram conhecidos casos com sintomas de COVID-19 dois meses antes da declaração do primeiro caso.

Em Wuhan, o primeiro caso registado pelos médicos da cidade não teve qualquer contacto epidemiológico com o mercado de peixe onde supostamente tudo começou.

Assim sendo, não é difícil deduzir que o SARS-CoV-2 já circulava pelo menos em Espanha, Itália, França, Estados Unidos, Brasil e na própria China antes de ser proclamada a origem da pandemia de COVID-19 no mercado de frutos do mar da cidade de Wuhan.

Não se trata já de procurar o paciente zero da pandemia, uma tarefa que, pelos vistos, ninguém quer levar até às últimas consequências – o que não impede o comum dos...

 

 

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https://www.oladooculto.com/noticias.php?id=829

Com mais de 70 mil mortos por Covid-19 no Brasil, Bolsonaro diz que "pânico foi disseminado" e prioriza a economia

Brasil tem 71.469 mortos pelo coronavírus e caminha para os 2 milhões de infectados

Médicos franceses pedem mais respeito ao uso da máscara

Profissionais de saúde da França exibem cartazes durante protesto em Paris, em 28 de maio de 2020
© REUTERS / CHARLES PLATIAU

Um grupo de 14 médicos da França pediu neste sábado (11) o estabelecimento de medidas mais duras para o uso de máscaras, em meio a receios de um novo aumento no número de contaminações pelo novo coronavírus no país.

Em carta aberta publicada no jornal Le Parisien-Aujourd'hui e citada pela AFP, os profissionais, de diferentes áreas, chamaram a atenção para um crescimento da negligência dos franceses no uso desse acessório, considerado fundamental para os esforços de contenção do surto da COVID-19. 

https://twitter.com/sputnik_brasil/status/1270746146663796737?ref_src=twsrc%5Etfw

​"Usar a máscara não é apenas para proteger a si mesmo, mas também para prevenir a disseminação do vírus, desde que todos a usem", diz o texto reproduzido pela agência.

Segundo o Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, a França contabiliza 208.015 casos de pessoas contaminadas pela COVID-19 e 30.007 mortes provocadas pela doença no país desde o início da pandemia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020071115822713-medicos-franceses-pedem-mais-respeito-ao-uso-da-mascara/

Impossíveis de cumprir. Directores preocupados com novas regras para as escolas

Miguel A. Lopes / Lusa

 

As orientações da Direcção Geral de Saúde (DGS) para as escolas com vista ao regresso das aulas presenciais, em Setembro, estão a preocupar os directores dos estabelecimentos de ensino. Isto porque as consideram impossíveis de cumprir, temendo que não haja forma de evitar os contágios por covid-19.

 

O ano lectivo 2020/2021 deve arrancar a 14 de Setembro e a ideia é que ocorra de forma presencial, se não em todas as escolas, em grande parte delas. Este é um dos cenários que o Ministério da Educação (ME) está a estudar, impondo o uso obrigatório de máscara a partir do 5º ano de escolaridade.

Além disso, as orientações da DGS estabelecem ainda “um distanciamento físico entre os alunos de, pelo menos, um metro, sem comprometer o normal funcionamento das actividades lectivas”.

Ora esta medida é impraticável na grande maioria das escolas, sem que se tomem outras medidas adicionais, nomeadamente o desdobramento ou redução de turmas.

“As escolas não conseguem manter distância mínima de 1 metro mas, como dizem ‘sempre que possível’, dá para tudo. Até posso pôr dois alunos na mesma carteira e estou a cumprir… porque não foi possível”, afiança o dirigente da Associação Nacional de Directores de Escolas, Filinto Lima, em declarações ao Correio da Manhã (CM).

“Noutros contextos a distância é de 1,5 ou 2 metros. Espero que não brinquem com a saúde dos alunos”, acrescenta Filinto Lima.

“Para ter os alunos sentados a essa distância, teríamos de ter turmas mais pequenas. E isso o Ministério não permite”, realça no Expresso o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira.

“As escolas estão cheias e as salas não esticam. Em muitos agrupamentos isso não vai ser possível”, afirma ainda Filinto Lima no Expresso.

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, já tinha assumido que “é impossível multiplicar por dois a capacidade das escolas ou o corpo docente”, numa entrevista ao Expresso a 4 de Julho passado, apelando, assim, à importância de “maximizar a distância com o edificado que temos”.

A necessidade de reforço de limpeza dos espaços e superfícies também preocupa os directores dada a falta de funcionários com que muitas escolas já se debatiam. O ME prometeu a contratação de mais 600 assistentes operacionais.

A distribuição dos alunos nas cantinas durante o almoço e as condições dos ginásios são outras áreas que geram preocupação.

“Quase todos os especialistas são unânimes quanto à possibilidade de haver uma subida dos casos no Outono“, alerta no Expresso o presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, Paulo Paixão, considerando que “por muitas regras que existam o risco cresce”.

A FENPROF já solicitou uma reunião à DGS, nomeadamente para esclarecimento da “não obrigatoriedade de distanciamento físico”.

Nos últimos dias, têm surgido vários surtos de contágios em infantários e ATLs em diferentes pontos do país, nomeadamente em Vizela, onde casos positivos numa funcionária e em várias crianças levaram ao encerramento de um estabelecimento.

Seis crianças infetadas em surto em infantário nas Caldas da Rainha. Hospital de Gaia diagnostica mais 5

ZAP //

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/impossiveis-cumprir-directores-preocupados-novas-regras-as-escolas-334739

Com mais de 69 mil confirmações, EUA batem recorde de novos casos de Covid pelo 3º dia seguido

Inspeções da OMS pela origem da COVID-19 podem ocorrer noutros países

 
 
 
 

Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) podem viajar para outros países, além da China, para investigar a origem do novo coronavírus, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian.

 

 
No dia anterior, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que os especialistas da agência em breve iriam à China para estudar a origem do novo coronavírus.

 

 
"A OMS realizará inspeções semelhantes noutros países e regiões, se necessário", declarou Zhao em entrevista coletiva.

 

 
Identificar o vírus, ressaltou, "é uma questão científica muito difícil e complicada" e o trabalho nessa área pode envolver vários países e regiões.

 


 
O porta-voz acrescentou que desde o início da pandemia, a China e a OMS estão em contacto e têm consultas que levaram ao acordo sobre a chegada de especialistas da organização internacional ao país.
 
A China e a OMS alcançaram o principal consenso de que monitorizar a origem do novo coronavírus é um problema científico cuja solução exige cooperação e estudos científicos internacionais em escala global", destacou o diplomata chinês.

 

 
Desde 11 de março, a OMS classifica a doença de COVID-19 causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectada na cidade chinesa de Wuhan no final de 2019, como uma pandemia.

 

 
Globalmente, mais de 11,84 milhões de casos de infecção pelo novo coronavírus foram registados até ao momento, incluindo mais de 544.500 mortes e 6,46 milhões de recuperações, segundo a Universidade Johns Hopkins.

 

 
Sputnik| Imagem: © Reuters / China Daily

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/inspecoes-da-oms-pela-origem-da-covid.html

Brasil chega a 70.398 óbitos por Covid-19 com 1.214 mortes em 24h

Nas últimas 24 horas, mais 45.048 pacientes foram diagnosticados com a doença e 1.214 óbitos foram registrados

 

 

247 -Dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), aponta que nesta sexta-feira (10) o Brasil chegou a 70.398 mortes por coronavírus e 1.800.827 casos confirmados da doença.

Nas últimas 24 horas, mais 45.048 pacientes foram diagnosticados com a doença e 1.214 óbitos foram registrados.

São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro, Pará e Bahia são os estados com número maior de registros da doença.

 

Maranhão e Amazonas, que já estiveram entre os cinco estados mais afetados, seguem descendo no ranking.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/coronavirus/brasil-chega-a-70-398-obitos-por-covid-19-com-1-214-mortes-em-24h

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