Comunicação

Conselho da Europa contra extradição de Assange para os EUA

 
 
A extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, onde é acusado de espionagem, terá um "efeito paralisador na liberdade de imprensa", alertou hoje a comissária para os direitos humanos do Conselho da Europa, Dunja Mijatovic.
 
"A possível extradição" do fundador da Wikileaks, atualmente detido no Reino Unido, "tem implicações em termos de direitos humanos que ultrapassam largamento o seu caso individual", considerou Mijatovic num comunicado.
 
"As acusações gerais e vagas contra (ele) e os crimes mencionados na acusação são perturbadores na medida em que muitos deles dizem respeito a atividades que estão no centro do jornalismo de investigação", insistiu a comissária.
 
Autorizar a extradição de Julian Assange nessa base teria "um efeito paralisador na liberdade de imprensa" e poderia "impedir" os meios de comunicação social "de cumprirem a sua tarefa de fornecedores de informação" e de "salvaguarda nas sociedades democráticas", segundo Mijatovic.
 
A comissária lembrou ainda que o relator especial da ONU sobre a tortura, Nils Melzner, considerou que na hipótese de uma extradição "tanto as condições de detenção nos Estados Unidos como a pena que lhe poderá ser imposta" pela justiça norte-americana representam um risco de tortura ou de tratamento desumano ou degradante.
 
Julian Assange "não deve ser extraditado", afirmou Mijatovic, assegurando que vai continuar a "acompanhar de perto" a situação do ativista australiano, detido em Belmarsh, no sul de Londres, desde a sua detenção em abril de 2019 na embaixada do Equador, onde esteve confinado cerca de 10 anos.
 
A extradição de Julian Assange, 48 anos, foi pedida pelos Estados Unidos por 18 presumíveis delitos de espionagem e conspiração por cometer ingerência informática, arriscando 175 anos de prisão caso seja considerado culpado.
 
Notícias ao Minuto | Lusa

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O coronavírus e a comunicação social

(Carlos Esperança, 18/02/2020)

Há quem acuse a comunicação social de não fazer investigação, de substituir as notícias por opiniões e aguardar que, dos tribunais, lhe soprem revelações em segredo de Justiça para que os julgamentos se façam na praça pública quando se duvida de acontecer outro.

 

Desta vez, no que respeita ao coronavírus, os jornais mantiveram informados os leitores, a rádio não falhou noticiários e, ao mínimo sintoma, as televisões deslocaram jornalistas e meios técnicos para todos os hospitais onde eram internados viajantes de longo curso, familiares de alguém que tivesse visitado a China ou com qualquer hipótese de ter sido infetado pelo coronavírus.

Ao mínimo sinal de febre, tosse e mal-estar, afligiam-se as redações; na gripe de alguma estudante chinesa entraram em frenesim; a cada espera do veredicto do Instituto Ricardo Jorge ficaram de prevenção equipas noticiosas, mas a desolação foi tomando conta das redações. Um país sem o seu coronavírus, não é um país, é um offshore da pandemia, o deserto de notícias, a frustração de quem queria anunciar um coronavírus português, um evento que nos colocaria ao nível dos países mais avançados no contágio.

Só o público mal-agradecido se regozija com sucessivas deceções das expetativas de um ou dois coronavirusinhos que salvassem a honra cosmopolita do Portugal em inho.

Baldadas que foram 10 suspeitas, era no 11.º caso que rádios, televisões, jornais e redes sociais apostavam para salvar a honra ferida da virgindade epidémica. Descartada a infeção no 11.º caso suspeito em Portugal, instalou-se a desolação, e só as missas, com apelos para não matarem velhinhos, quebraram a monotonia das viagens de longo curso do PR e as suas irrefreáveis declarações.

Há na mórbida procura de sangue, incêndios, desastres e pandemias uma demência que nos conduz à falta de discernimento e indiferença perante catástrofes iminentes que nos podem atingir.

A encenação de tragédias e o medo conduzem um povo à ausência de sentido crítico, ao embrutecimento coletivo e à neutralização da inteligência.

Covid-19: rigor e ponderação


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Mareganismo

 

«Agora a questão é a eutanásia e a dra. Isabel Moreira, que encomendou o cérebro nos saldos do AliExpress, desdobra-se em variedades televisivas a explicar que a vida humana não é um direito absoluto.»

Alberto Gonçalves

*_*

Ignoro se foi o autor quem decidiu o destaque mas é indiferente descobrir. No Observador, onde escreve a troco de dinheiro Alberto Gonçalves (suponho, embora não achasse impossível o contrário), decidiu-se que a melhor forma de estimular a leitura de um certo texto era destacar um insulto ad feminam. O efeito pretendido na audiência está concretizado no comentário ilustrativo.

Não foi a primeira vez que o valentão Gonçalves atacou a Isabel desta forma estereotipada, em que se usa o subtexto da diminuição intelectual e cognitiva das mulheres, tendo até já chegado mais longe no rancor e brutal estupidez ao aludir à vida pessoal do seu alvo. Não será a última. E isto leva-nos para o Marega.

Quem mete dinheiro no Observador pretende espalhar este tipo de violência no espaço público por ver nisso vantagens comerciais e/ou políticas. Logo, não estão disponíveis para qualquer discussão acerca da deontologia, ética e moralidade da prática que encomendam ao plumitivo – aliás, plumitivos, pois o posicionamento do projecto implica a exploração de uma retórica radical de direita onde a decência e a inteligência são substituídas pelo ódio e pela calúnia (as quais eles justificam acusando os “outros”, os “inimigos”, do mesmo). Nisso, a situação é exactamente igual à que todos reconhecem ter existido nos estádios de futebol até à revolta do Marega, uma decadência violenta aceite como normal, como parte integrante do espectáculo e da experiência de se “ir à bola”. Também na comunicação social há um fenómeno rigorosamente análogo que consiste em ter directores e comentadores (favoritos destes directores e respectivos accionistas) a violarem a lei, a usarem materiais obtidos com a violação da lei, e a raiarem a violação da lei nos seus exercícios insultuosos, difamatórios e caluniosos. Este fenómeno não passa apenas por “mais do mesmo”, ele consubstancia-se como a parte largamente maioritária da paisagem jornalística, incluindo nesta o editorialismo e o jornalismo de opinião.

Há quem explore o filão de forma profissional e especializada, aquilo a que o Júdice aludiu com a expressão “fonds de commerce” referindo-se ao mais notável desses artistas, apenas porque há quem pague, e pague muito, pelo serviço. Há quem reduza a actividade política, o “fazer política”, apenas e só a essas técnicas de açular e adular a multidão. E há muitos outros que alinham porque somos animais sociais, sendo a parte animal muito marcada pela necessidade de comer e ter um carro melhorzinho. Todos se integraram numa indústria sensacionalista e numa cultura tribal onde a vida é simples: há bons e maus, os bons são amigos e os maus inimigos, e, no entretanto, deixa cá sacar o meu que tenho filhos na escola, férias para fazer e uma reforma dourada para garantir.

Quando uma das maiores vedetas do humor em Portugal, num certo sentido produtivo e geracional a maior na actualidade, se permite usar mediaticamente – e a troco de avultada remuneração – excertos de interrogatórios judiciais, e outros materiais publicados de forma ilegítima e canalha com uma intenção enviesada para suscitar a percepção de culpabilidade de um certo cidadão ou grupo de cidadãos, podemos ter a lucidez de aceitar que não vale a pena perder tempo a explicar-lhe os rudimentos do Estado de direito democrático. A nossa única esperança a partir da atitude de Marega, para esse e para os milhentos casos onde a chamada “imprensa de referência” não passa de um albergue de pulhas, é a de que alguém ao seu lado se levante e vá embora recusando ser parte do espectáculo.

 

Leia o original em "Aspirina B" (clique aqui)

Autor de ameaças a CASCAIS24 apresenta pedido de desculpas

18 fevereiro 2020
No seguimento do Editorial ontem publicado relativo às ameaças feitas contra este órgão de informação/comunicação social, o Diretor do Cascais24 foi pessoalmente contatado pelo autor das mesmas que, oralmente e por escrito, admitiu ter agido sem pensar, num momento de incapacidade temporária, explicando que nunca pretendeu levar a cabo as ameaças proferidas e/ou condicionar a liberdade de expressão e de informação, e solicitando pari passu perdão pelo mal causado. Perante a confissão do erro e o sincero arrependimento demonstrado, considera o Cascais24 aceites as desculpas. O Cascais24 prosseguirá o exercício da atividade jornalística da forma como sempre o fez: com rigor, isenção e determinação.
 
 
 
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

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Urubus a planarem por aí...

Na Natureza os urubus desempenham uma função imprescindível por se incumbirem dos despojos remanescentes das carcaças animais, mortas por doença ou nas garras de um qualquer predador. Daí que, olhando-os a planar nas alturas donde inspecionam as redondezas, só possamos congratularmo-nos por existirem e prevenirem os perigos das moléstias disseminadas a partir da carne putrefacta.

 

No universo da imprensa os urubus são de natureza oposta. Planam, igualmente, nas alturas a aferir se alguma morte lhes aprouverá, mas os objetivos são outros que não só os da exclusiva alimentação. Pelo contrário: enquanto na natureza previnem doenças, na imprensa criam condições propícias a uma cultura contrária ao interesse público.

 

Vem isto a propósito da manchete do covil de necrófagos acoitado no grupo Cofina: que comprazimento mostram quando morre alguém no Serviço Nacional de Saúde e podem zurzir com deleite contra as políticas governamentais! No caso em apreço a vítima, um homem que terá chegado ao hospital de Beja sem que um médico lhe tenha atempadamente constatado o estado terminal, não importa que situações dessas sejam frequentes nas ambulâncias antes sequer da chegada ao hospital, ou que lá chegados, consultados e internados logo morram porque o corpo já não resiste à doença. Ou, sobretudo, quantas notícias advém de casos similares nos hospitais privados? Para os urubus do «Correio da Manhã» e seus altifalantes nos demais órgãos de comunicação social, importa fomentar o epidémico descontentamento público calando todas as notícias positivas - e são muitas! - que diariamente confirmam a justeza das políticas governamentais. Por exemplo a que hoje se soube e à qual esses urubus tapam as orelhas para não ouvirem: que a promessa de contratação de cinco mil doutorados durante a legislatura anterior se cumpriu, isentando-os da precarização a que, até então, estavam sujeitos. E essa é realidade muito mais determinante do que a trágica morte de uma pessoa doente em Beja: porque o emprego científico contribui para a alteração estrutural da economia portuguesa, cada vez menos dependente da mão-de-obra não qualificada e potenciada na que lhe acrescenta valor e aumenta o PIB.

 

Mas não são os urubus da Cofina os paladinos daquele país no diminutivo referido por Alexandre O’Neil em que juizinho é que era preciso?
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/02/urubus-planarem-por-ai.html

Autoridades investigam ameaças a CASCAIS24 e à liberdade de Imprensa

17 fevereiro 2020
O jornal Cascais24, como órgão de informação que é, pauta-se por uma política de independência, sendo um “jornal digital isento, pluralista e independente, que pratica um jornalismo de proximidade com os cidadãos”, como consta do seu editorial (https://www.cascais24.pt/search/label/Editorial). No passado dia 16 de fevereiro de 2020, pelas 20h01, este órgão de informação recebeu, através do “Formulário de Contacto ” disponibilizado na página internet do jornal, o seguinte texto anónimo:
Visto que vocês não estão a respeitar o profissionalismo jornalístico, e estão a difamar vários profissionais onde alguns deles são meus amigos e como eu sei o que se passa lá dentro, em nada corresponde a esta porcaria de notícia que acabam de pôr, ou vocês retiram e fazem um comunicado com um pedido de desculpas, ou eu e as restantes equipas espalhadas por este Portugal, iremos iniciar uma campanha de anulação e respectiva destruição de tudo o que for computadores e expomos tudo o que até ao momento temos sobre vocês, senão respeitam e criam falsas notícias e mais grave é estarem a difamar profissionais que vos salvam a vida, como tal eu em nome da minha organização e em nome das teams anonymousPT não iremos permitir nem perdoar, nós não nos esquecemos e não perdoamos, somos a favor sim de trabalho verdadeiro jornalístico e não somos a favor de entidades como vocês que estão a criar e a difamar pessoas que todos os dias dão o seu melhor em prol do nosso município. 24 horas a contar de agora espero bem que tenham noção do que nós sabemos fazer e não tentem a sorte
Cumprimentos
Atendendo à hora do envio da mensagem (20h01), o conteúdo do texto anónimo parece referir-se à notícia publicada às 18h33 desse mesmo dia (16 de fevereiro), sob o título “Coordenadora da Proteção Civil instala relógio de ponto e põe serviço a funcionar 24 horas” – cfr.https://www.cascais24.pt/p/blog-page_999.html . 
Esta noticia publicada no Cascais24, como facilmente se constata pela sua leitura, nada tem de difamatório ou injurioso, limitando-se a referir as alterações introduzidas e o desagrado que se vive atualmente no Serviço Municipal de Proteção Civil de Cascais. No entanto, o texto anónimo profere diversas ameaças contra um órgão de comunicação, procurando coagir o mesmo a agir da forma que o autor do dito texto pretende e limitar a liberdade de expressão e de informação que são essenciais à democracia e pilar do Estado de Direito Democrático. O texto anónimo constitui a prática de diversos crimes, nomeadamente contra a liberdade de expressão, contra um órgão de comunicação social e de ameaças e, assim sendo, foi entretanto alvo de queixa-crime. Contudo, o texto anónimo é, igualmente, uma demonstração do ponto a que está a chegar a tentativa de silenciamento dos órgãos de comunicação social não- alinhados com quem detém o poder no município e o uso do anonimato como forma covarde de tentar intimidar quem não está de acordo com ele (seja camarário, individual, empresarial ou corporativo). Não o conseguirão!  Cascais24 não cede a pressões, chantagens e ameaças venham elas de onde vierem!. Mas não deixa de ser lamentável perceber que a democracia em Cascais está cada dia mais podre!
Valdemar Pinheiro
Jornalista (CPJ nº 376A)
Diretor
 

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O PROTESTO DE 4 MILHÕES DE IRAQUIANOS

 
 
Pelo menos quatro milhões de iraquianos protestaram quarta-feira contra a presença de tropas estrangeiras no seu país (portuguesas inclusive).
 
A "livre" imprensa ocidental, como não podia silenciar o acontecimento como de costume, optou por minimizá-lo.
 
O jornal O Público, por exemplo, menciona apenas algumas dezenas de milhares . Assim vai a desinformação que eles nos administram.
 
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PÚBLICO:
 
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Aposta feita, derrota certa!

 
Confesso que não dedico grande atenção aos textos de João Miguel Tavares, mas o facto de aparecerem na última página do «Público» induzem-me a uma leitura na diagonal apenas para aferir as direções tomadas pela forma fanatizada como olha para a realidade. Ora, desta feita, constatei o seu elogio a Mário Centeno e a legitimidade de vir a substituir Carlos Costa enquanto governador do Banco de Portugal.

 

Momentaneamente ainda julguei que o amigo de Marcelo estivesse a ganhar alguma lucidez depois de conhecer nova desfeita quanto a quem preferira ver à frente do PSD. Claro que, a ilusão durou uns breves instantes, porque logo a seguir salta para outra das suas causas de eleição: a indiscutível competência de Centeno deveria equiparar-se à de Joana Marques Vidal por quem não cessa de verter sentidas lágrimas enternecidas e que, tivesse podido fazê-lo!, obrigaria António Costa a renovar-lhe o mandato.

 

Eis, exemplarmente demonstrada, uma tática muito comum nos opinadores das direitas: quando há uma verdade contra a qual sabem fútil qualquer esforço em contestar - e mesmo os mais críticos quanto às opções de Centeno não se atrevem a avançar quem poderia competir-lhe no acesso ao previsível cargo! - tratam de lançar a confusão, misturando alhos com bugalhos, como se assim pudessem disfarçar mais uma duradoura adversidade. É que, depois de Passos Coelho renovar a sinecura de Carlos Costa no Banco de Portugal quem se atreverá a abreviar a de Centeno logo ao fim do primeiro mandato?

 

Se João Miguel Tavares pretendia minguar a dimensão do Ministro das Finanças, justapondo-lhe um inepto paralelismo, os factos a que o associamos falam por si: balança comercial positiva, redução do défice, salvaguarda do sistema bancário ao mesmo tempo que melhoravam os indicadores relativos ao bem estar da população - desde a diminuição do coeficiente de Gini sobre as desigualdades até à redução significativa da taxa de desemprego.

 

Quanto a Joana Marques Vidal o que sabemos? Além da promoção de uma reiterada propensão para perseguir políticos socialistas poupando os das direitas quer, seja no caso dos submarinos, quer em tudo quanto envolveu a antiga corte cavaquista, há ainda a assacar-lhe o estímulo dado aos subordinados para investigarem em roda livre, recorrendo aos meios mais abjetos (a conivência com as publicações da Cofina) como forma de darem expressão á agenda política hoje personalizada no sr. Ventinhas.

 

Se o objetivo do Tavares era depreciar Mário Centeno e, ao mesmo tempo, dar uma cotovelada em Lucília Gago, os acontecimentos tendem a dececioná-lo tanto, quanto o ocorrido nos anos mais recentes. Cada aposta feita é derrota certa.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/02/aposta-feita-derrota-certa.html

Começar por proteger

As marcas do frio nas casas e nos corpos de 19,4% da população portuguesa dizem mais sobre as encruzilhadas da social-democracia e do ecologismo meramente comportamental, à escala nacional e da União Europeia, do que pode parecer à primeira vista. Começar por proteger do frio todos os cidadãos é só uma primeira urgência, a seguir tem de se cuidar de toda a casa.
Sandra Monteiro, As marcas do frio, Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Fevereiro.

Aos olhos da ala centrista do Partido Democrata, principalmente incarnada por Joe Biden, substituir o presidente sem dizer muito sobre as condições que lhe permitiram triunfar tem, apesar de tudo, um interesse evidente: o de inocentar os que não souberam combatê-lo quando dispunham dos meios para o fazer, isto é, Hillary Clinton, Barack Obama… e o seu antigo vice-presidente durante oito anos.
Serge Halimi, O que Donald Trump permite, Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Fevereiro.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

E amanhã, quem será o “suspeito”

 
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Liga-se a televisão, folheia-se o jornal ou a rádio toma a dianteira, e aí está um nome sonante e "respeitável" suspeito de corrupção. Os suspeitos são como a lagarta do pinheiro, a processionária, ligados e perigosos: “Moro velho amigo de Vitorino, pai de Alejo casado com a filha de Dias Loureiro…” São os alegados, os presumíveis ou os supostos… Há por aí uma epidemia de suspeitadores, sempre a suspeitar. O que é demais, não presta, diz-se, e isto de andarmos aos encontrões com suspeitosos pode ser epidemia, um corona vírus à portuguesa, que nos levará a construir um hospital-prisão para fazer face a tamanho flagelo.
PROPONHO UM JOGO: QUEM SERÁ O SUSPEITO AMANHÃ?

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Meia auto-crítica

Curiosamente, um dia
após estepost, há umeditorial assim no «Público»

 
 
onde Manuel Carvalho escreve :
«
Mas cabe também a noção de representatividade e uma reflexão inteligente sobre se os temas da agenda de Ventura (e de Joacine) são problemas reais do país ou apenas expressões de minorias radicalizadas. A exposição que Ventura têm tido no espaço mediático (também neste jornal) ignora essas avaliações. Ele está a ser levado ao colo e é bom que haja consciência disso.»

Comentário: a ver vamos.
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Imprensa está sendo amordaçada no Brasil, diz Edward Snowden

RFI - O jornal francês Le Monde que chegou às bancas na tarde desta sexta-feira (31) traz um artigo de meia página assinado por Edward Snowden. O ex-analista da NSA diz que a liberdade de imprensa está em risco no Brasil e defende o jornalista Glenn Greenwald, acusado de auxiliar e orientar hackers a invadir telefones de autoridades brasileiras.

Snowden começa o artigo afirmando que as acusações contra fundador do site The Intercept Brasil são “absurdas”. Ele tece elogios ao jornalista, lembrando Greenwald foi recompensado com um Pulitzer, o equivalente ao prêmio Nobel de jornalismo, e que algumas de suas revelações respingaram em personalidades de peso da política e da justiça brasileira, como o juiz Sergio Moro.

Para Snowden, a alegação usada pela justiça brasileira, que usa o termo “conspiração” para descrever os jornalistas que fornecem e publicam os documentos vazados, “é o mesmo argumento usado pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos para acusar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange”.

O ex-analista Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês), que está refugiado na Rússia após ter vazado informações sobre o programa de vigilância em massa do governo dos Estados Unidos, alerta para um impacto global do caso Greenwald. Segundo ele, as acusações visando o jornalista “ameaçam a liberdade de imprensa no mundo inteiro”.

Tanto Greenwald quanto Assange irritaram muita gente, relata Snowden. Principalmente por terem publicado informações que “grandes grupos tinham dissimulado por razões políticas”. “É provável que as autoridades desses dois países [Estados Unidos e Brasil] tenham imaginado que as divergências na opinião pública desviariam a atenção da população para o perigo maior que esses processos representam para a liberdade de imprensa”, martela nas páginas do Le Monde.

Dissuadir os jornalistas mais corajosos

Para Snowden, ambos os processos têm como objetivo “tentar dissuadir os jornalistas mais corajosos de fazerem investigações agressivas”. Por essa razão, insiste o ex-analista da NSA, logo após o anúncio das acusações contra Greenwald e Assange, dezenas de associações de defesa das liberdades civis e dos jornalistas se manifestaram.

“Em todas as épocas, o jornalismo mais essencial é justamente o que os governos tentam silenciar. As acusações atuais mostram que, se tiverem a possibilidade, os governos brasileiro e americano estão prontos para amordaçar a imprensa”.

Coronavírus: Boatos difundem pânico e mentiras sobre a China

 

RBA - Com o aumento das notícias sobre a epidemia causada pelo novo coronavírus, cresce também a difusão de mentiras, boatos e mesmo o uso político da situação por determinados grupos. Postagens dizendo que o governo chinês perdeu o controle sobre a situação e que existem soluções mágicas para curar uma infecção pelo vírus estão entre os mais difundidos. Por outro lado, a imprensa comercial também colabora com esse cenário caótico divulgando textos absolutamente especulativos, que auxiliam os criadores de boatos a dar um aspecto de realidade a suas postagens.

Um exemplo é a reportagem divulgada pelo site da Exame, publicação da Editora Abril, com o titulo “Em simulação, coronavírus matou 65 milhões de pessoas”. A simulação foi feita em outubro por especialistas em saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos e nada tinha a ver com a atual epidemia. Era uma projeção com um vírus fictício, que teria origem em porcos, no Brasil. Mas a publicação aproveitou a situação para ganhar cliques. Sem se importar em difundir pânico.

Já o site Terça Livre, cujo proprietário, Allan dos Santos, foi intimado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a depor sobre difusão de fake news, deu espaço para um vídeo de um suposto médico chinês morador do Brasil, dizendo que a China teria perdido o controle sobre epidemia. Sem apresentar nenhuma prova, apenas dizendo ter conversado com a própria irmã, o youtuber Peter Liu diz que há milhões de infectados em todas as cidades chinesas e que o país faliu. Com isso, Liu aproveita para dizer que a economia chinesa vai afundar.

Outros boatos dizem que o novo coronavírus já infectou 3 milhões de pessoas e matou 112 mil, apenas na China. Na mesma linha, outro boato diz que já há 10 mil casos no Brasil e 28 milhões no mundo e que os governos estão escondendo as informações. E ainda que tomar de chá de erva doce duas vezes seria o tratamento ideal contra o novo coronavírus.

As informações são todas falsas. O surto se concentra na cidade de Wuhan, embora haja casos pontuais em outras cidades, segundo controle da Organização Mundial da Saúde (OMS). Já foram registrados cerca de 6 mil casos, com 132 mortes. A Comissão Nacional de Saúde da China estima que o pico das transmissões deve ocorrer em até 10 dias. Não há mortes em outros países.

Atenção, mas sem desespero

O infectologista e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo Gerson Salvador avaliou que a situação é preocupante, mas não há motivo para desespero. “(O novo coronavírus) É preocupante, com certeza. As autoridades internacionais têm de prestar atenção, desenvolver ações de vigilância, mas não é tempo de se desesperar”, disse. Salvador lembrou que outros coronavírus já tiveram proliferações importantes como agora, com grande mobilização mundial, mas não resultaram em uma grave crise global de saúde.

 

Em 2002, a Sars – gripe aviária – se disseminou a partir da China, teve pouco mais de 8 mil casos confirmados e causou 774 mortes ao redor do mundo. Já em 2012, a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que surgiu a partir da Arábia Saudita, causou 858 mortes. “Oitocentas pessoas é o que a gripe comum mata em um dia de inverno”, ressaltou, sem ignorar que ainda é cedo para dizer como a epidemia vai se comportar.

O médico destacou que as principais medidas de prevenção são manter a higiene, lavar as mãos, evitar colocar a mão na boca, nos olhos, coçar o nariz, como no caso da gripe comum. E que as pessoas que apresentam maior risco são os grupos que também devem se prevenir de gripes e resfriados, como idosos, gestantes, pessoas transplantadas ou com câncer.

Ontem (28), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, confirmou a investigação de um caso suspeito em Minas Gerais. “Já analisamos mais de sete mil rumores. Destes, 163 casos exigiram a análise padrão e foram descartados. E temos hoje esse caso de Minas, de uma mulher que esteve na cidade de Wuhan até o dia 24 de janeiro. O quadro dela é bom, estável, está em isolamento. Além dela, há 14 pessoas do núcleo de convivência próximo dela em monitoramento, que é feito por telefone, Whatsapp, visitas. Qualquer mudança de temperatura, coriza, será observada”, explicou.

 

Segundo Mandetta, em concordância com a avaliação do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, o Brasil tem total capacidade de identificar o vírus e está preparado. “O tratamento segue o protocolo para Sars. Nosso sistema já lidou com Sars, Mars, não é um sistema de saúde que está sendo adequado agora. Todas as equipes de estados e municípios já têm conhecimento dos protocolos. Vamos chamar uma reunião com os secretários de estados e municípios apenas para tirar dúvidas e levantar necessidades deles para fazer o enfrentamento de eventuais casos”, explicou.

Há vinhaça e festança no melhor jornal da Europa

Pois é, o melhor jornal da Europa é português. Pasmai, ignaros. Mas não só isso. O Público é também, e cada vez mais, “o mais importante jornal do país“. Qual país? Vamos admitir, por economia de esforço, que se trata deste, o nosso. O que então ajudará a compreender melhor a vaidosa e mentirosa referência a “6,5 milhões de visitantes” no tal pais só com 10 milhões.

É bué da malta, todos os meses a entrarem no melhor jornal da Europa que acumula em ser o mais importante de um certo país. Não se imagina a trabalheira que dá receber tanta visita, a algazarra, a poeira, a sujidade nas caixas de cumentários. O segredo para esse fabuloso trânsito está na qualidade, what else? Muita qualidade, qualidade que atrai qualidade. Esta qualitativa quantidade enorme de qualificados, curiosamente, precisa de ajuda para descobrir para onde vai, e isto apesar de não falhar mensalmente com a visita ao melhor jornal da Europa, talvez o único poiso onde se sentem acolhidos e cuidados numa comunidade de desorientados. Por obra e graça do império Azevedo, o Público paga a jornalistas independentes, a cronistas conceituados e a especialistas profundos, e são estes bravos que orientam os “pontos de vista singulares de cada leitor” de forma a alargar a sua (deles, a dos outros) visão do mundo em ordem a, portanto (e já sem espinhas), permitir que os milhões de visitantes alicercem as respectivas “melhores decisões“. Faz isto algum sentido? Não tem de fazer.

A crise nos jornais, neste período de extinção das edições em papel, levou ao aparecimento de tácticas comerciais do choradinho. No final dos artigos das edições digitais passou a ser habitual encontrar um texto lancinante onde se coloca o leitor entre a espada da vergonha e uma assinatura da publicação ou mera doação, esmola. Cada órgão reclama ser um bastião da independência e da liberdade, o farol sem o qual todos e cada um iremos encalhar as nossas atarantadas existências nos baixios da ruindade circundante. E nada contra, a civilização que queremos ser precisa do jornalismo livre, fiscalizador dos poderes e… civilizador. Mas, exacta e precisamente, por causa desta civilizada carência não parece a melhor estratégia aparecer ao balcão com o discurso da banha da cobra, como nos exemplos acima. A menos que a intenção seja mesmo a de projectar uma inane e ridícula imagem: apregoar o oposto do que se é.

O que é o Público? É um pasquim, na actualidade. Para além de o jornal andar a servir de instrumento de vingança e perseguição política do accionista desde 2007, para além de pagar a um caluniador profissional e fazer dele uma vedeta de referência editorial, talvez o mais grave, porque mais sórdido e esconso, seja a cumplicidade com o ataque ao Estado de direito. Trata-se de um fenómeno político e social que vem do zeitgeist global, num processo que começou nos anos 80 e se agudizou criticamente a partir da crise económica mundial de 2008 – a que se soma, na esfera nacional, as agendas da direita decadente e da Cofina. Esta fáctica cumplicidade da nossa “imprensa de referência” com as forças e individualidades que deturpam e violam os princípios constitucionais e as leis está ofuscantemente patente no silêncio editorial e jornalístico com que reagem à caudalosa produção da indústria da calúnia e seu cortejo de indecências, violências e crimes. É até possível encontrar nessa mesma angélica “imprensa de referência” defesas preemptivas do Correio da Manhã contra alucinadas e caluniadas ameaças do PS. Talvez um dia vejamos algum director do Público ou do Expresso a denunciar o Código Deontológico do Jornalista como uma invenção dos socráticos para mergulhar o mundo na escuridão do Mal, já faltou mais.

Este o contexto, o pretexto e o subtexto para ir buscar um exemplo “invisível” no meio do foguetório dos casos e das parangonas, assinado por Amílcar Correia: O azar de ter escolhido Azeredo. Não só não há neste planeta quem se lembre do que foi ali escrito a 10 de Janeiro deste ano, excepção para o autor e aqui o pilas, como um inquérito de rua mostraria que não existe quem consiga relacionar o seu nome com alguma cara ou profissão. Será uma excelente pessoa e um profissional exemplar, este Amilcar director adjunto, mas não passa de mais um anónimo no meio da maralha. Contudo, o Público tem público, e o senhor escreve editoriais e tudo. Daí me aparecer como profundamente significativo para a matéria em causa – a degradação institucional da República sob a capa de algum propalado “jornalismo de qualidade” – o conteúdo e estilo deste pequeno exercício de pura maledicência que evoco.

Nele, o editorialista trata as ocorrências em Tancos com soberba e desdém, assumindo aquela pose de taberna em que se fantasia como mestre-escola a lidar com putos ranhosos no recreio: “patético caso de Tancos“, “farsa“, “cómica teatralização“. Quem assim abre as hostilidades sabe o que aconteceu? É o próprio a admitir não saber, o que o deixa reduzido à função de macaco de imitação. Reagir como se o assalto em Tancos e seguintes peripécias da recuperação das armas fosse apenas uma cegada da tropa-fandanga foi uma opção intencional dos editorialistas e comentariado em 2017, exibição de arrogância e sectarismo ao serviço de agendas de desgaste e ataque ao Governo socialista, ou apenas compensação decadente para a real impotência política desses peralvilhos. Como se a suspeita de haver corrupção nas Forças Armadas e tráfico de materiais de guerra correspondesse à normalidade de décadas e a sua descoberta por inépcia de alguém no esquema o acaso que permitia a feliz oportunidade de usar o embaraço como arma de arremesso político. Como se ver altas patentes militares no topo de instituições fulcrais para a segurança nacional em possível violação dos seus juramentos e responsabilidades não passasse de um número de revista a pedir gargalhadas desopilantes. Foi neste esgoto que o Sr. Correia mergulhou de cabeça e boca aberta.

O pior, infelizmente, foi despejado dois parágrafos a seguir:

 

«António Costa beneficiou da possibilidade de optar pelo depoimento por escrito por pertencer ao Conselho de Estado, resguardando-se, certamente, da inevitável exposição que o poroso sistema judicial português está longe de impedir ao depoimento seja de quem for. As rápidas e cirúrgicas fugas ao segredo de justiça não abonam a favor da confiança no sistema e contribuem mais para gerar confusão do que para o seu entendimento, como tem sido prática frequente, nomeadamente nos megaprocessos em curso.»

 

Eis o que o director adjunto do jornal da Sonae garante acontecer na Justiça portuguesa: há magistrados que comentem crimes livremente, impunemente, à doida, com objectivos políticos e/ou pecuniários. E ponto final parágrafo. O editorialista não encontrou mais nada de nada de nadinha de nada para dizer a respeito. O que, então, tem vastas consequências hermenêuticas. Implica uma voluntária normalização da situação. É, denotativa e conotativamente, a “situação”. Onde ele, como jornalista e editorialista, se sente adaptado, funcional.

Não há escândalo, sequer estranheza, há padrão. Hoje, Manuel Carvalho deixa no espaço público estas pérolas:

 

«A confirmação de que Rui Pinto foi o responsável pela entrega de 715 mil documentos a uma plataforma que luta contra a corrupção em África (seguindo daqui para um consórcio de jornais que integra o Expresso) é uma bomba contra o formalismo burocrático da justiça portuguesa.»

 

«Depois de se confirmar que foi o jovem de Gaia a tornar público fortes indícios de nepotismo e corrupção de Isabel dos Santos, a justiça portuguesa terá de sair do conforto da interpretação formalista da lei.»

 

O valente Carvalho sonha com um Justiça sem formalidades que só atrapalham. Uma Justiça que abdique das leis, portanto, posto que são as leis, nascidas com o propósito de cumprirem princípios constitucionais, que andam a espalhar burocracias que atrapalham, aborrecem, a pulsão linchadora de quem só precisa que se viole a privacidade de terceiros e se exponham as vergonhas a gosto de quem calhe ter o dedo no gatilho.

Escusado será repetir a advertência para que estes editorialistas-pistoleiros pensem uma beca acerca da possibilidade de tal vir a acontecer com eles ou com alguém que amem, porque é inútil. Escusado será lembrar que nos sistemas de Justiça mais formais, mais garantistas, mais burocratizados, ainda assim é possível haver erros judiciários, alguns intencionais. É inútil apelar à básica decência e à mera racionalidade porque esta “imprensa de referência” está em acelerado êxodo para se transformar numa agência de viagens e num clube de vinhos.

 

Leia o original em "Aspirina B" (clique aqui)

América Latina é região com mais jornalistas assassinados, aponta Unesco

247 - O Observatório de Jornalistas Assassinados da Unesco apontou que a América Latina e Caribe foi a região com o maior índice de assassinatos em 2019. Foram 22 no total. Depois está a região Ásia-Pacífico, com 15, e os Estados árabes, com 10.

A instituição reúne dados de investigações judiciárias de cada jornalista morto desde 1993 e estima 1.373 mortes. De acordo com a Unesco, entre 2006 e 2018, só 12% dos casos foram reconhecidos judicialmente como resolvidos.

De acordo com o relatório “Intensified Attacks, New Defences” (ataques intensificados, novas defesas) da Unesco, as coberturas de política, corrupção e crime têm se mostrado mais perigosa que a cobertura em zonas de guerra. Vale ressaltar que em 2019 a maioria dos casos de 2019 ocorreu em países sem conflitos armados.

 

Há quem acredite no pai natal

1)Um dia um hacker acordou e pensou vou investigar  a Senhora x. Ninguém lhe pediu nada , ninguém lhe disse nada , ninguém financiou nada. Tudo pelo amor à verdade , à transparencia , á democracia., como se fosse um Assange ou um Snowden…

2) Mais uma vez se provou que não houve nenhum ataque químico contra as populações , que tudo foi encenado pelos ditos capacetes brancos e vários serviços secretos. No entanto a imprensa do sistema e os seus comentadores reproduziram estas palhaçadas e Trump bombardeou uma base militar Síria.

3) Documentos oficiales desclasificados a principios de 2020 por los Archivos Nacionales del Reino ‎Unido demuestran que, desde 1945 hasta 1977, los sucesivos gobiernos británicos ‎subvencionaron en secreto la agencia de noticias Reuters y la BBC para difundir fake news ‎contra los simpatizantes del comunismo y contra la URSS. ‎

Durante la guerra fría, el Foreign Office (ministerio británico de Exteriores) creó el Information ‎Research Department (IRD), cuya misión consistía en identificar y desacreditar a los simpatizantes ‎de la URSS. También creó la Globe News Agency y la Near and Far East News Ltd. (NAFEN) ‎en Estambul y Nueva Delhi, así como la Star News Agency en Karachi y la Arab News Agency en ‎El Cairo y en Beirut a partir de 1956(…)
El Information Research Department o IRD influyó sobre la opinión pública británica para que ‎esta se inclinara a favor de la incorporación del Reino Unido a la Comunidad Económica Europea –‎antecesora de la actual Unión Europea– a través de la European League for Economic Cooperation (ELEC), equivalente británico del American Committee on United Europe ‎‎ [1].‎
El Information Research Department o IRD fue disuelto en 1977 por el entonces ministro ‎de Exteriores, David Owen, para poner fin a las operaciones de propaganda contra el ala izquierda del Partido ‎Laborista. ‎
Por supuesto, todo lo anterior y muchos otros elementos se conocían desde hace mucho tiempo ‎‎ [2], pero los documentos que acaban de ser ‎desclasificados son pruebas irrefutables de lo que ya se sabía.
Esos documentos demuestran que ‎durante más de 30 años, el MI6 y la CIA controlaron los flujos de información en todo el mundo occidental y el Tercer Mundo, como denunció, ante la UNESCO en 1973, el político y ‎dirigente pacifistas irlandés Sean McBride. ‎
Estos documentos británicos desclasificados deben estar vinculados a las revelaciones de la ‎Comisión Chilcot sobre la manipulación de la opinión pública en relación con la invasión ‎contra Irak –en 2003– y con las revelaciones que nosotros mismos hemos emitido, desde este sitio web, ‎sobre el actual dispositivo de propaganda del ministerio británico de Exteriores –Innovative ‎Communications & Strategies (InCoStrat). Desde 2014, esta agencia, con base en Estambul, ha ‎venido inventando una narrativa falsa sobre la guerra en Siria, versión que impuso al conjunto de ‎la prensa internacional. ‎
La agencia de prensa Reuters, vendida en 2008 a Thomson Financial en 2008, no parece ‎depender actualmente del MI6 británico sino de la CIA estadounidense, tiene acceso permanente ‎al puesto de mando del Pentágono y puede así divulgar todas las fakes news necesarias en el ‎momento adecuado. ‎
Estas revelaciones nos demuestran que es simplemente estúpido creer que sólo los regímenes ‎llamados «autoritarios» tratan de engañar a su propia población con información falsa o ‎deliberadamente manipulada. Las llamadas «democracias» actúan de la misma manera. ‎
 
4) A propaganda de guerra para os Ingleses é uma arte e ,nada mais comovedor do que fotos de crianças a sofrer como foi usado na Síria
     
La prensa occidental es plural pero no pluralista. El 20 de agosto de 2016, todos los grandes diarios publicaron en primera plana la misma imagen.
 

5)C’est l’un des aspects les plus importants de notre système médiatique, et il est pourtant très peu connu : la plupart des informations internationales publiées dans les médias occidentaux ne sont fournies que par trois agences de presse mondiales basées à New York, Londres et Paris. Le rôle clé joué par ces agences signifie que les médias occidentaux traitent souvent des mêmes sujets, et les décrivent de la même manière. De plus, les gouvernements, les officines de l’armée ou du renseignement utilisent ces agences de presse mondiales comme des multiplicateurs pour diffuser leurs messages dans le monde entier.

 

 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/28/ha-quem-acredite-no-pai-natal/

LuandaLeaks – E AO ICIJ, QUEM O FINANCIA?! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

O caso ‘Isabel dos Santos’ é paradigmático. Revela claramente que nada hoje no jornalismo é feito ao acaso. E que o jornalismo comprometido com o respectivo Código Deontológico é coisa do passado, quando a Corrupção ainda não era Global como hoje é. Cada vez mais.

O Poder financeiro global é hoje um polvo com inúmeros tentáculos, conhecidos, uns, desconhecidos, o maior número, todos mortíferos. A fidelidade aos factos reais que é a verdade do jornalismo, em vez de aos interesses das pequenas ou grandes Corporações económico-financeiras, é hoje uma miragem. Só mesmo um olhar romântico e saudosista sobre a profissão-missão do jornalista nos leva a admitir que hoje ainda haja grandes media fiáveis. Não há. De modo que o mais sensato é vivermos em permanente estado de alerta. E nunca embarcar em tudo o que nos é dito e mostrado.

O cada vez mais badalado Consórcio Internacional dos Jornalistas (ICIJ) foi fundado já em 1977 por um jornalista americano. Mas só muito recentemente começou a dar nas vistas. Integra mais de 190 jornalistas no activo. A laborar em empresas que não administram, todas propriedade de grandes grupos económico-financeiros. Os próprios órgãos de Direcção desses grandes media gozam de independência, mas só a que a Administração lhes proporciona. A liberdade de informar é mais miragem do que realidade. O processo para chegarmos a este desgraçado estado de coisas foi rápido. Bastou concentrar nas mãos de poderosos grupos financeiros os títulos existentes em Portugal e no mundo, aos quais foi dada carta branca pelos Governos de cada Estado das nações. Este foi o primeiro passo. Sem qualquer possibilidade de retorno.

No tempo das ditaduras de Estado, as coisas eram más, mas transparentes. Sabíamos que cada título era ‘Visado pela Comissão de Censura’. Os profissionais que persistiam fiéis à realidade dos factos tinham de ser suficientemente argutos para fintar os ‘Censores do Estado’. A missão era arriscada e só para os mais audazes. E toda a Redacção festejava cada notícia que fugia ao ‘lápis azul’ do ‘Censor’. A cooperação profissional desconhecia de todo a actual e vergonhosa competição. Os mais destemidos eram olhados como exemplo e como estímulo.

Sou jornalista de um tempo assim. E posso testemunhar que a missão de alto risco, que é a minha de presbítero, adquiriu uma enorme mais valia, quando, liberto de quaisquer ofícios canónicos pelo próprio bispo da Diocese, sou abordado e contratado pelo vespertino República, de Lisboa, cuja delegação no Porto venho logo a assumir, quando, poucos meses depois, me é concedida a Carteira Profissional. Graças à profissão secular, a minha matricial missão presbiteral deixou de estar confinada a um pequeno território, para se alargar a todo o país. E, com a chegada da internet, até a todo o mundo.

Não integro, nunca integrei, nunca integrarei o ICIJ. Nunca aceitaria integrá-lo. Basta-me saber que a sua origem é norte-americana. Não ponho em dúvida as boas intenções do jornalista norte-americano que o fundou. Mas da maior potência financeira e armada mundial pode alguma vez sair coisa boa que não seja, de imediato, cercada por todos os lados, supervigiada, ameaçada, perseguida, torturada excluída e assassinada, de modo incruento que seja?! Ora, o que é público e notório é que esta exclusão não só não aconteceu ao fundador do ICIJ, como, pelo contrário, são hoje muitas as fundações norte-americanas que a subvencionam, para lá de uma grande empresa australiana.

Obviamente, não ponho as mãos no fogo pela empresária Isabel dos Santos, de Angola, antiga colónia de Portugal, cujo subsolo é rico em petróleo e diamantes, por isso, cobiçado pelos grandes abutres financeiros do mundo que não olham a meios para obterem seus fins. Mas não tenho dúvidas de que ela foi selectivamente escolhida para ser ‘crucificada’, nesta altura, de modo que outros negócios com montantes muito mais obscenos escapem ao radar do Consórcio Internacional dos Jornalistas, porventura, os mais ingénuos dos profissionais do ramo. Onde se incluem dois títulos da Impresa, do poderoso Pinto Balsemão, o jornal EXPRESSO e a SIC!

 

www.jornalfraternizar.pt

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/01/26/fraternizar-luandaleaks-e-ao-icij-quem-o-financia-por-mario-de-oliveira/

«A Comunicação Social e as Fronteiras da Democracia» em debate

A Biblioteca de Fânzeres acolhe, em 25 de Janeiro, um debate em torno do livro A Comunicação Social e as Fronteiras da Democracia, com um debate em torno do tema.

Créditos / Photo by Filip Mishevski on Unsplash

Um debate sobre A comunicação social e as fronteiras da democracia realizar-se-á no próximo sábado, 25 de Janeiro, pelas 21h30, na Biblioteca de Fânzeres, em São Pedro da Cova, a propósito da publicação de um livro com o mesmo título.

O debate contará com a participação dos jornalistas Alfredo Maia e Pedro Tadeu, do professor universitário Rui Pereira e a moderação de Jorge Sarabando.

A comunicação social e as fronteiras da democracia é o primeiro número da colecção Cadernos de Abril, iniciativa editorial do Núcleo do Porto da Associação Conquistas da Revolução (ACR) destinada a recolher em formato livro as intervenções realizadas durante um conjunto de sessões-debate temáticas promovidas por aquele núcleo.

A edição, organizada por Jorge Sarabando, conta com artigos de Alfredo Maia, Luís Miguel Loureiro (jornalista e professor universitário), Rui Pereira, Sofia Branco (jornalista e presidente do Sindicato dos Jornalistas), e Valdemar Cruz (jornalista). O grafismo e a paginação são de João Tiago Silva.

«Neste nosso tempo», afirma o organizador, «a manipulação informativa tornou-se vital para o sistema», sublinhando ser «visível a capacidade que as editorias dominantes mostram em determinar a agenda mediática, os destaques convergentes de jornais e telejornais, e como todos se imitam no silenciamento, no acantonamento e na desvalorização das vozes alternativas».

Num contexto de «concentração empresarial nos meios de comunicação social», e de «expansão das redes comunicacionais», em que a manipulação mediática procura desvalorizar as instituições democráticas, «nenhum democrata pode ficar indiferente ou demitir-se de combater a mentira organizada, que pode ser útil para o capitalismo como sistema, mas será nefasta para a democracia como regime. É uma luta da cidadania, é uma luta do jornalismo livre e com ética. Há uma ponte por construir».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/cultura/comunicacao-social-e-fronteiras-da-democracia-em-debate

Portugal | Rui Pinto envergonha a justiça

 
 
Paulo Baldaia | Jornal de Notícias | opinião
 
Parece que o direito à privacidade ou o sigilo profissional dos advogados não são o princípio e o fim da vida de cada um, nem o alfa e o ómega de todos os negócios.
 
Quando a divulgação de milhares de documentos nos permite perceber como as coisas funcionam, também podemos adivinhar o que nos queria dizer o advogado da PLMJ quando, no debate instrutório do processo que mantém Rui Pinto em prisão preventiva, afirmou que foi testemunha "da aflição, angústias e pânico" que atingiram o seu colega João Medeiros, ao descobrir que todo o seu correio eletrónico podia ser exposto publicamente.
 
Além da caixa de email profissional de Medeiros, advogado do Benfica no processo e-Toupeira, na mesma altura foram reveladas, pelo blogue Mercado de Benfica, informações confidenciais relativas à Operação Marquês, a Manuel Pinho, a António Mexia, a Ricardo Salgado e a outros casos mediáticos. A PLMJ, que entretanto perdeu um número significativo de sócios, interpôs uma providência cautelar para proibir a Comunicação Social de fazer notícias com base na informação tornada pública. O escritório de advogados teve ganho de causa na Relação, com os juízes desembargadores, embora reconhecendo que é função da Imprensa divulgar dados de interesse público, a argumentarem que não estavam a censurar. A sério?!
 
Sindika Dokolo, marido e sócio de Isabel dos Santos, garante que o Luanda Leaks só existe por obra e graça de Rui Pinto. Terá sido ele a despejar na rede mais de 700 mil ficheiros que permitiram a um consórcio de jornalistas fazer aquilo que a justiça portuguesa teima em não fazer: investigar negócios suspeitos. Agora imaginem que o Luanda Leaks tinha de ter a autorização da justiça portuguesa para ser tornado público, teríamos o Tribunal da Relação a invocar novamente a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e os limites que admite como forma de "estabelecer as balizas da convivência democrática". Em Portugal passaria a ser proibido fazer notícia com base nos 715 mil documentos, mas poderíamos ler toda história no "Le Monde", no "New York Times", no "Guardian" ou no "El País". Não precisávamos deste processo para perceber que a justiça portuguesa se envergonha a si própria quando o tema é Rui Pinto. Não está em causa o julgamento justo a que ele tem de ser sujeito por alegados crimes que possa ter cometido. O que procura esconder a nossa justiça? O regime como o conhecemos aguentava se toda a informação fosse tornada pública?
 
Com a peruca a ficar velha, destapa-se a careca!
 
*Jornalista

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/portugal-rui-pinto-envergonha-justica.html

Consórcios & Consórcios de ditos jornalistas

Depois das revelações da wikileaks , Assange e Snowden , os Think Tanks de diversos serviços secretos viram como podiam aproveitar operações semelhantes para os seus fins .
Muitos dos ditos consórcios de jornalistas são consorcios de serviços secretos que a coberto de Fundações de fachada e com pontas em vários orgãos de imprensa e nas principais agências de informação difundem os documentos e os dados que lhes interessam para tal ou tal operação.
Independentemente da opinião ética que possamos ter do comportamento de tal ou tal personalidade , dos  casos de nepotismo ou de enriquecimentos ilícitos  , facilitados pelos paraísos fiscais e,  no nosso caso,  pelas privatizações de empresas básicas e estratégicas e da banca , ou da opinião que possamos ter da evolução de um partido hoje integrado na Internacional socialista , alguém acredita que George Soros financiou o dito consórcio de jornalistas pelo amor à democracia , à transparência, ao combate à corrupção e ao povo angolano? 
E não é verdade que os jornalistas  que aparecem associados à operação desde o Guardian até ao Expresso não fizeram nenhuma investigação apenas se limitaram a receber os documentos filtrados ou em bruto , das respectivas agências para posterior publicação ?

Relembramos este texto de Agostinho Lopes:

CAIXA
ICIJ, dois mistérios a investigar…
A divulgação pelo ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) dos Papéis do Panamá tem, pelo menos, dois «mistérios» que necessitam de investigação…jornalística. Nada que ponha em causa a importância do seu conhecimento público e universal. Mas algo necessário para se perceber melhor o contexto «geopolítico» deste escândalo. 
O primeiro grande mistério, anotado por vários órgãos da comunicação social, é a ausência de nomes de cidadãos e empresas dos EUA.Havendo, ao que se sabe, na Mossack Fonseca pelo menos 400 clientes dos EUA, 3.072 empresas dos EUA, 211 «beneficiários» dos EUA e 3.467 «Based share holders» dos EUA, porque é que no pacote de documentos entregues ao jornal alemão Süddeutsch Zeitung nada há de concreto ligado aos EUA?
Isto é, estamos perante uma clara filtragem, selecção, manipulação de informação, aliás, manifestamente bem dirigida a alguns «amigos» dos EUA. A presença de um primeiro-ministro islandês, de um Berlusconi, mesmo ao de leve, de um Cameron e um Macri, só credibiliza. Já dizia o nosso António Aleixo, «Para a mentira ser segura e atingir profundidade/Tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade!»É pouco credível que a razão, como aduzem alguns, para que os grandes bancos de Wall Street e os fundos especulativos norte-americanos seja um acordo bilateral EUA/Panamá que impede os seus milionários de encontrar um refúgio fiscal no Panamá.
O outro grande mistério é a razão do silêncio da generalidade dos órgãos de comunicação social (em Portugal a excepção é, que se saiba, o Jornal de Negócios) no esclarecimento dos mais que suspeitos parceiros financeiros e institucionais do Consórcio Jornalístico. Ora, o ICIJ foi fundado e é apoiado pela Fundação Ford, a Fundação Carnegie, a Fundação Rockfeller, a Fundação WK Kellog, a Fundação por uma Sociedade Aberta (ligado ao conhecido especulador Georges Soros), Fundação Waterloo (sediada no Reino Unido), Fundação Fritt Ord (Noruega) e outras fundações e grupos económicos dos EUA e RU. ICIJ que faz também parte da OCCRP (Projecto Relatório sobre o Crime Organizado e a Corrupção), financiada pelo governo dos EUA através da US AID – um orçamento de 40 milhões de dólares anuais para ajuda «a organizações de media e bloggers em mais de 12 países», responsável pelo suporte às chamadas «revoluções coloridas», no Norte de África e Médio Oriente, e outras regiões.
É notável que, para lá dos encomiásticos elogios ao «jornalismo de investigação», não se tenha reportado e sublinhado a parcialidade, distorção e ocultação presente na informação disponibilizada.Aliás, é extraordinário que se chame «investigação» à divulgação, sem qualquer alerta de precaução, de um pacote de informação, por muito grande e importante que seja, depositado por um anónimo John Doe, junto de um jornal alemão politicamente de direita e pró-NATO! Sem haver as naturais interrogações: quem organizou a Leak/Fuga? Quem geriu e filtrou a Leak/Fuga? Os jornalistas do ICIJ colocaram alguma interrogação ética ou de deontologia profissional, ao aceitarem trabalhar com documentos «roubados» e seleccionados de avanço, sem terem a menor possibilidade de conferir a sua autenticidade? Ou, pelo menos, assinalaram devidamente essas características na informação que disponibilizaram nos seus Órgãos de Comunicação Social?
Conjugando todos os dados deste processo (e outros antecedentes do ICIJ), não é difícil concluirmos que estamos perante a mão do governo norte-americano, via CIA. E por «boas razões» para os EUA! A razão da «guerra» contra líderes e países, objecto dos seus projectos imperialistas.

E uma razão mais comezinha, mas não menos crucial, para prosseguir um conjunto de operações pela hierarquização dos paraísos fiscais, assegurando os primeiros lugares no ranking aos anglo-saxónicos, com os norte-americanos em 1º lugar! Isto significa desviar fundos de outros paraísos fiscais e atrair capitais, procurando assegurar o controlo e comando dos mercados financeiros.
Não sem razão há quem assinale que constituiu a «Primeira operação internacional de envergadura da Administração de Obama, a Cimeira do G20 em Londres (2 de Abril de 2009) virada para a consagração da dominação global da finança anglo-saxónica».
Duas decisões importantes foram tomadas: o aumento de meios do FMI e do BM e a «supressão do segredo bancário» (mas não nos EUA). A nova regulamentação – que visa rebater fundos para os EUA – beneficia as estruturas anglo-saxónicas de branqueamento de capitais: os trust (sociedades veículo de direito anglo-saxónico) e as LLC (Limited Liabilities Compagnies, sem qualquer imposição fiscal no Delaware).



Via: FOICEBOOK http://bit.ly/3aBMX14

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/22/consorcios-consorcios-de-ditos-jornalistas/

Para a breve história do preconceito

Só para não ir mais atrás, registo que hoje no «Público» :
- Paula Teixeira da Cruz se espraia por duas colunas a dar umas piadas a Rui Rio e a explicar-nos a honra que sente por ter feito campanha por Luís Montenegro;
- Ricardo Sá Fernandes, do Conselho de Jurisdição Nacional do Livre, se espraia ao longo de cinco colunas sobre os momentosos problemas da sua agremiação.
 
E assim, neste dia invernoso, lá tenho de soltar o desabafo de que longe vão os tempos em que o Luís Sá e este vosso criado eram corridos de colunistas do «Público» com o pretexto, totalmente infundado aliás, de que faziam proselitismo explícito a favor do PCP.
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Governo vai reavaliar oferta de mais dois canais privados na TDT

 

 

O Governo vai fazer uma “reavaliação” o “mais depressa possível” da oferta de mais dois canais privados na TDT, plataforma de televisão gratuita.

 

O secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, respondeu a questões sobre a televisão digital terrestre (TDT) na comissão parlamentar conjunta de Orçamento e Finanças e da Cultura e Comunicação, no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

O Governo pretende resolver este dossiê da TDT, o qual tem reservado espaço para dois canais privados naquela plataforma gratuita de televisão, atribuídos mediante concurso.

“A nossa vontade de ocupar o espaço existente no primeiro ‘multiplexer’ [bolsa de canais] da TDT é absoluta e total, ou seja, não faz sentido haver esse espaço e ele não ser ocupado”, afirmou.

A oferta da televisão digital terrestre “deve ser completa, aquilo que aconteceu é que houve, por um lado, um certo impasse na negociação da Altice [entidade que gere a TDT] em relação a esta plataforma”, apontou.

“E agora, mais recentemente, uma mudança no panorama televisivo que é conhecido não só em termos nacionais, com a situação da TVI [que está a ser comprada pela Cofina], mas também em termos internacionais, com o aumento das ofertas de streaming“, acrescentou o governante.

“Parece-nos, e isso tem tido o acordo de todas as pessoas com quem temos falado, que esta nova situação dos media em Portugal e no mundo merece uma reavaliação da oferta da TDT em relação a esses dois canais”, considerou o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

O responsável garantiu que “essa reavaliação será rápida”. Ou seja, “não vamos alongá-la por muito mais tempo. Como sabem, cabe ao Governo definir o perfil dos canais, esse trabalho está do nosso lado, caberá depois à ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] escolher quais são os canais, no caso de haver um concurso”.

O secretário de Estado anunciou ainda que os concursos de apoio ao Cinema e ao Audiovisual deste ano “abrirão ainda no primeiro trimestre”. A ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse, por sua vez, que o Ministério pretende que os próximos concursos, bianuais e quadrienais, de apoio às artes abram em janeiro de 2021, tendo as eventuais alterações que ser definidas até junho deste ano.

Sobre a agência Lusa, a ministra afirmou que está “de acordo” com a necessidade de “olhar detalhadamente para a situação” e referiu que a renovação do contrato por um ano aguarda visto do Tribunal de Contas.

“Enquanto aguardamos o visto já há também da parte da Lusa o pedido de antecipação de indemnização compensatória caso não tenha o visto do Tribunal de Contas a tempo”, adiantou.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/governo-reavaliar-dois-canais-tdt-303530

É preciso travar uma maior concentração na comunicação social

«Os Verdes» querem que o Governo do PS adopte medidas para impedir a compra do Grupo Media Capital pela Cofina, fusão que poderá comprometer princípios como o pluralismo e a isenção da informação.

Foto de arquivo.CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

O grupo parlamentar ecologista entregou, na Assembleia da República, um projecto de resolução que visa impedir a «a criação de conglomerados na área da comunicação social que põem em causa a igualdade, a liberdade e o pluralismo» e que contribuem para a proliferação da «degradação das condições de trabalho, a instabilidade e a precarização dos jornalistas e de outros trabalhadores da comunicação social».

A preocupação d'«Os Verdes» assenta no facto de, no início de 2019, ter sido anunciada a intenção da Cofina (proprietária da CMTV, Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, Destak, Sábado, Máxima, TV Guia, mundouniversitario.pt, flash.pt, passatempos.xl.pt e também parte da VASP) de adquirir o Grupo Media Capital (que detém a TVI, TVI24, TVI Ficção, TVI Reality, TVI África, TVI Internacional, Rádio Comercial, M80, Rádio Cidade, Smooth FM, Vodafone FM1, maisfutebol.iol.pt, iol.pt, Plural Entertainment, Empresa de Meios Audiovisuais, Empresa Portuguesa de Cenários).

A concretizar-se esta venda, estariam a dar-se passos numa maior concentração, no plano nacional, do domínio da comunicação social e sua difusão.

Recorde-se que hoje é já elevada a concentração, com cinco grupos económicos ligados ao grande capital e à banca a deterem a produção e difusão da comunicação social: Media Capital, Impresa, Cofina, Global Media e Trust in News, que controlam dezenas de títulos e empresas conexas, com um volume global de negócios anual que ronda os 500 milhões de euros.

Nesse sentido, para o PEV, esta operação de concentração «representaria riscos na já preocupante situação da propriedade» da comunicação social social em Portugal, sendo por isso preocupante que as Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) e Autoridade da Concorrência (AdC) se mostrem favoráveis a esta situação.

Os ecologistas lembram ainda que a Constituição da República Portuguesa «determina no artigo 39.º (…) a não concentração da titularidade dos meios de comunicação social».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/e-preciso-travar-uma-maior-concentracao-na-comunicacao-social

Os multiplicadores de propaganda (2)

– Como as agências de notícias globais e os media do ocidente informam sobre geopolítica
– Estudo de caso: cobertura da guerra na Síria

– A primeira parte deste estudo encontra-se aqui
por Swiss Propaganda Research [*]

Como parte de um estudo de caso, a cobertura da guerra na Síria foi examinada em nove principais jornais da Alemanha, Áustria e Suíça, quanto à pluralidade de pontos de vista e dependência das agências de notícias. Os seguintes jornais foram selecionados:

Alemanha: Die Welt, Süddeutsche Zeitung (SZ), Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ)
Suiça: Neue Zürcher Zeitung (NZZ), Tagesanzeiger (TA), Basler Zeitung (BaZ)
Áustria: Standard, Kurier, Die Presse

O período de investigação foi definido de 1 a 15 de outubro de 2015, as duas primeiras semanas após a intervenção direta da Rússia no conflito sírio. Toda a cobertura impressa e on-line desses jornais foi levada em consideração. Nem todas as edições de domingo foram levadas em consideração, dado que nem todos os jornais examinados as têm. No total, 381 artigos de jornal atenderam aos critérios estabelecidos.

Numa primeira etapa, os artigos foram classificados de acordo com suas peculiaridades nos seguintes grupos:

Agências: relatos de agências de notícias (com código da agência)
Misto: relatos simples (com nomes de autores) baseados no todo ou em parte nos relatoss da agência
Relatos: relatos e análises editoriais de base
Opiniões / Comentários: opiniões e comentários de convidados
Entrevistas: entrevistas com especialistas, políticos, etc.
Investigação: pesquisa que revelasse novas informações ou contextos

A Figura 1 mostra a composição dos artigos para os nove jornais analisados no total. Como pode ser visto, 55% dos artigos eram reportagens de agências de notícias; 23% de relatos editoriais baseados em material da agência; 9% de relatos de antecedentes; 10% de opiniões e comentários de convidados; 2% de entrevistas; 0% com base em pesquisa ide investigação.

 

Figura 1: Tipos de artigos (total; n=381)
Figura 1.

Os textos puros das agências – desde pequenas informações a relatos pormenorizados – estavam principalmente nas páginas da Internet dos jornais diários: por um lado, a pressão por notícias de última hora é maior do que na edição impressa, por outro lado, não há restrições de espaço. A maioria dos outros tipos de artigos foi encontrada nas edições online e impressa; algumas entrevistas exclusivas e relatos de base foram encontrados apenas nas edições impressas. Todos os itens foram coletados apenas uma vez para a investigação.

A Figura 2 mostra a mesma classificação por jornal. Durante o período de observação (duas semanas), a maioria dos jornais publicou entre 40 a 50 artigos sobre o conflito sírio (impresso e online). No jornal alemão Die Welt, havia 58, no Basler Zeitung e no Kurier austríaco, no entanto, significativamente menos 29 e 33.

Dependendo do jornal, a participação nos relatos das agências é de quase 50% (Welt, Süddeutsche, NZZ, Basler Zeitung), pouco menos de 60% (FAZ, Tagesanzeiger) e de 60 a 70% (Presse, Standard, Kurier). Juntamente com os relatos baseados em agências, a proporção na maioria dos jornais está entre cerca de 70% a 80%. Essas proporções são consistentes com estudos sobre os media anteriores (por exemplo, Blum 1995, Johnston 2011, MacGregor 2013, Paterson 2007).

Nos artigos de fundo, os jornais suíços lideravam (cinco a seis peças), seguidos por Welt, Süddeutsche e Standard (quatro cada) e os outros jornais (um a três). Os artigos e análises de antecedentes foram dedicados, em particular, à situação e aos desenvolvimentos no Médio Oriente, bem como aos motivos e interesses de atores individuais (por exemplo, Rússia, Turquia, Estado Islâmico).

No entanto, a maioria dos comentários foi encontrada nos jornais alemães (sete comentários cada), seguidos por Standard (cinco), NZZ e Tagesanzeiger (quatro cada). Basler Zeitung não publicou nenhum comentário durante o período de observação, mas duas entrevistas. Outras entrevistas foram conduzidas por Standard (três) e Kurier e Presse (uma cada). No entanto, em nenhum dos jornais foi encontrada pesquisa de investigação.

Em particular, no caso dos três jornais alemães, observou-se uma mistura jornalisticamente problemática de artigos de opinião e relatos. Os relatos continham fortes expressões de opinião, embora não fossem marcados como comentários. O presente estudo foi, de qualquer forma, baseado na rotulagem do artigo pelo jornal.

 

Figura 2: Tipos de artigos por jornal
Figura 2.

A Figura 3 mostra o detalhe dos textos (stories) das agências para cada agência de notícias, no total e por país. Os 211 relatos de agências continham um total de 277 códigos de agência (um texto pode conter material de mais de uma agência). No total, 24% dos relatos das agências vieram da AFP; cerca de 20% cada um da DPA, APA e Reuters; 9% da SDA; 6% da PA; e 11% eram desconhecidos (sem rotulagem ou termo geral "agências").

Na Alemanha, a DPA, a AFP e a Reuters têm uma participação de cerca de um terço das notícias. Na Suíça, a SDA e a AFP estão na liderança, e na Áustria, a APA e a Reuters.

Porém, as ações das agências globais AFP, AP e Reuters são provavelmente ainda mais altas, pois a SDA suíça e a APA austríaca obtêm os seus textos internacionais principalmente das agências globais e o DPA alemão coopera estreitamente com a AP americana.

Deve-se notar também que, por razões históricas, as agências globais estão representadas de maneira diferente nas várias regiões do mundo. Para eventos na Ásia, Ucrânia ou África, a participação de cada agência será, portanto, diferente da dos eventos no Médio Oriente.

 

Figura 3: Distribuição das notícias por agência,
(total n=277) e por país

Figura 3.

Na análise seguinte, as declarações centrais foram usadas para classificar a orientação das opiniões editoriais (28), comentários de convidados (10) e parceiros de entrevista (7) (total de 45 artigos). Como mostra a Figura 4, 82% das contribuições foram geralmente favoráveis aos EUA / NATO, 16% neutras ou equilibradas e 2% predominantemente críticas aos EUA / NATO.

A única contribuição predominantemente crítica para os EUA / NATO foi publicada no Padrão Austríaco em 2 de outubro de 2015, intitulada: "A estratégia de mudança de regime falhou. Uma distinção entre grupos terroristas "bons" e "maus" na Síria faz com que a política ocidental não seja credível."

 

Figura 4: Orientação das opiniões do editorial,
comentários de convidados e entrevistas (total; n=45)

Figura 4.

A Figura 5 mostra a orientação das contribuições, comentários de convidados e entrevistados, por sua vez, discriminados por jornais individuais. Como se pode ver, Welt, Süddeutsche Zeitung, NZZ, Zürcher Tagesanzeiger e o jornal austríaco Kurier apresentaram exclusivamente opiniões e contribuições favoráveis aos EUA / NATO; isso vale também para a FAZ, com exceção de uma contribuição neutra / equilibrada. A Norma trouxe quatro contribuições favoráveis aos EUA / NATO, três equilibradas / neutras, bem como a já mencionada contribuição de opinião crítica aos EUA / NATO.

Presse foi o único dos jornais examinados a publicar predominantemente opiniões neutras / equilibradas e contribuições de convidados. O Basler Zeitung publicou uma contribuição favorável aos EUA / NATO e uma contribuição equilibrada. Logo após o período de observação (16 de outubro de 2015), Basler Zeitung também publicou uma entrevista com o Presidente do Parlamento Russo. Obviamente, isso foi contado como uma contribuição crítica aos EUA / NATO.

 

Figura 5: Orientação básica das peças de opinião
e entrevistas por jornal

Figura 5.

Numa análise mais aprofundada, foi feita uma pesquisa para a palavra-chave "propaganda" (e combinações de palavras relacionadas) investigando em que casos os jornais identificaram a propaganda de cada um dos lados do conflito geopolítico, EUA / NATO ou Rússia (o participante "IS / ISIS" não foi considerado). No total, vinte desses casos foram identificados. A Figura 6 mostra o resultado: em 85% dos casos, a propaganda foi identificada como do lado russo do conflito, em 15% a identificação era neutra ou não declarada e em 0% dos casos a propaganda foi identificada como do lado dos EUA / NATO do conflito.

Note-se que cerca de metade dos casos (nove) ocorreu no NZZ suíço, que falava de propaganda russa com bastante frequência ("propaganda do Kremlin", "máquina de propaganda de Moscovo", "histórias de propaganda", "aparelho de propaganda russo", etc. ), seguidos pelo alemão FAZ (três), Welt e Süddeutsche Zeitung (dois cada) e o jornal austríaco Kurier (um). Os outros jornais não mencionaram propaganda, ou apenas num contexto neutro (ou no contexto do ISIS).

 

Figura 6: Atribuição de propaganda
a uma das partes em conflito (total; n=20)

Figura 6.

Conclusão

Neste estudo de caso, a cobertura geopolítica em nove principais jornais europeus foi examinada quanto à diversidade e ao desempenho jornalístico, usando o exemplo da guerra na Síria.

Os resultados confirmam a alta dependência dos media das agências de notícias globais (63 a 90%, excluindo comentários e entrevistas) e a falta de investigações próprias, bem como comentários bastante tendenciosos sobre os eventos a favor do lado dos EUA / NATO (82% positivo; 2% negativo), cujos relatos não foram verificados pelos jornais como propaganda.

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/multiplicadores_2.html

Uma «novidade» com 43 anos !

Avacalhar o debate não vale !

 
O desenvolvimento natural de um título assim encontra-se designadamente na seguintepassagem do editorial do «Público» de hoje : «O prodígio do “melhor orçamento” da era de António Costa consegue criar essa ilusão tentando transformar um almoço frugal de um país pobre numa boda de milionários. Basta ver a interminável lista de propostas que os partidos à esquerda do PS levam à negociação na especialidade para percebermos que a lei destinada a enquadrar as prioridades políticas do país no próximo ano se transformou num milagre das rosas com toques de novo-rico. Exigir aumentos, apoios, subvenções, isenções, incentivos ou reduções de taxas e impostos em favor de alguns é um dever da esquerda responsável; querer tudo isso e ainda mais apenas para fazer prova de vida é ridículo. Por ser impossível de concretizar. E por ser feito na suposição de que não percebemos essa impossibilidade

Sobre isto, apetece-me tecer três comentários principais:

O primeiroé que Manuel Carvalho, em matéria de alterações na especialidade ao OE, parecer ter descoberto agora uma gloriosa novidade quando, mais coisa menos coisa, isso já aconteceu em 43 Orçamentos anteriores.
 
O segundoé que, quanto ao «querer tudo isso e muito mais», justifica-se explicar a M.C. que um partido pode calcular que ou quais propostas suas são mais difíceis de aceitar pelo governo mas, em rigor não pode prever de forma absoluta e certeira que propostas suas serão aceites, coisa que, como é bom de er, só se pode apurar no final do processo. A isto acresce que, ainda assim, uma coisa é apresentar 33 propostas (como faz o PCP) e outra é apresentar 140 (como faz o PAN).
 
O terceirocomentário, e talvez seja o mais importante, á para esclarecer piedosamente M.C. de que a sua acusação generalizadora de que os partidos «querem dar mais a todos» e que fazem propostas que são «uma impossibilidade»não se aplica aqueles partidos como o PCP que tem propostas de natureza fiscal destinadas precisamente a obter receitas para as novas despesas que propõem.
 
Em resumo: não é sério nem rigoroso ridicularizar o que afinal é simplesmente a natural afirmação política de propostas (independemente do desfecho que venham) ou, como faz M.C:, baptizar essas propostas de «arraail minhoto em que há foguetes para todos os gostos»quando o que há é apenas o resultado natural das orientações ideológicas de cada partido e das suas identidades.

P.S:No seu editorial, Manuel Carvalho, seguindo um velhíssimo argumento dos neoliberais, inclui no seu «dar tudo a todos»o facto de se isentar «os mais ricos de taxas no SNS ou de propinas nas Universidades».Desta forma o que M.C. mostra é a sua hostilidade ao principio da universalidade que tem como corolário lógico e necessário a noção de que os privilégios relativos se devem corrigir em sede de impostos. Esta teoria de M.C. e de tantos outros deveria então levar a que os ricos não pudessem comprar o passe social e que também pagassem pela frequência pelos seus filhos do ensino básico e secundário públicos.
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Luta leva a reintegração de carteiro despedido

A greve marcada para dia 13 foi suspensa, anunciou o SNTCT, após decisão da empresa de reintegrar um trabalhador que tinha sido despedido ilegalmente em Agosto, na sequência de um acidente de trabalho.

CréditosInácio Rosa / Agência LUSA

«Considerando que os motivos que levaram à marcação da greve geral para o dia 13 de Janeiro de 2020 foram ultrapassados, vem a direcção nacional do SNTCT informar a Comissão Executiva dos CTT - Correios de Portugal da decisão de suspender a referida greve», informou o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN) 

Recorde-se que a greve tinha sido marcada na sequência do despedimento do funcionário Neto Cunha, de Ermesinde, por alegado incumprimento profissional e, como denunciou o sindicato, pelo facto de a administração se recusar a cumprir a decisão do Juízo de Trabalho de Valongo, que aceitou a providência cautelar interposta pelo sindicato. 

O sindicato explicou ainda que foram os trabalhadores dos correios, «em unidade», que obrigaram à reintegração do funcionário. A mesma nota refere que a greve está suspensa «para já», mas fica a promessa de «voltar à luta» no momento em que os CTT voltem «à carga, seja com Neto Cunha ou com qualquer outro trabalhador».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/luta-leva-reintegracao-de-carteiro-despedido

Facebook e Instagram decidem remover qualquer post em apoio a Soleimani

 

247 - Com o objetivo de cumprir sanções dos Estados Unidos, o Instagram e sua empresa controladora, o Facebook, estão removendo postagens que apóiam o comandante iraniano morto Qassem Soleimani. A informação é de um porta-voz do Facebook em comunicado à CNN Business sexta-feira. O Instagram também encerrou a conta de Soleimani na plataforma em abril passado.

"Operamos sob as leis de sanções dos EUA, incluindo aquelas relacionadas à designação do IRGC pelo governo dos EUA e sua liderança", disse um porta-voz do Facebook em comunicado.

Em protesto, o governo do Irã pediu uma ação legal em todo o país contra o Instagram. Também criou um portal em um site do governo para usuários do aplicativo enviarem exemplos de postagens removidas pela empresa, informou a mídia estatal iraniana.

 

 

Definitivamente, fascismo nunca mais!

Nestes últimos dias o «Público» tem-se juntado à estratégia da extrema-direita em torno do inqualificável juiz Carlos Alexandre querendo forçar António Costa a comparecer presencialmente em tribunal para dar testemunho do que sabe ou não sobre a Operação Tancos.

 

O amigo de Marcelo com poiso certo na última página do jornal - João Miguel Tavares - já aí lavrou odiosa diatribe, bem à medida da agenda política para que concorre (quererá vir a ser deputado do Chega de braço dado com o referido juiz?) e hoje acompanha-o o editorialista Amílcar Correia embora com prosa menos alarve.

 

Todos sabemos da intenção peregrina dos magistrados em ganharem superior relevância em relação aos outros dois poderes constitucionalmente consagrados, o legislativo e o executivo. Proclamaram-no em alto e bom som num nunca por demais lembrado Congresso onde tiveram o alto patrocínio dos bancos, cujos responsáveis se têm eximido de punir, não tendo conhecido a merecida penalização das grades carcerais, ou aí passando uma brevíssima temporada.

 

O que Carlos Alexandre pretenderia era a afirmação simbólica dessa superioridade judicial sobre o poder político, ganhando assim uma espécie de imagem impoluta como julga ter sido a do nefando Sérgio Moro antes deste ser merecidamente desmascarado pelas gravações entretanto vindas a público. Se para as eleições anteriores ainda terá estado em equação a sua candidatura a deputado pelo grupúsculo de Paulo Morais, a expetativa de se ver achincalhado pelo voto dos eleitores, como se verificou com o já esquecido Pardal Henriques, podemos conjeturar que esperará por oportunidade mais risonha, assim o pasquim da Cofina o continue a levar nas palminhas.

 

O que o Conselho de Estado decidiu faz todo o sentido: subscrever a intenção de António Costa em prestar testemunho por escrito tal qual a lei lhe possibilita perante as Comissões de Inquérito parlamentares. Ir mais além do que isso seria premiar quem, criminosamente quer subverter a ordem constitucional dando provimento á ilegítima intenção dos magistrados.

 

Definitivamente não poderemos aceitar que surjam fotografias mais ou menos trabalhadas por Photoshop em que um feroz Carlos Alexandre pareça crescer para um intimidado primeiro-ministro. Essa hipótese constituiria mais uma peça de propaganda para a extrema-direita que se anda a atiçar a multiplica-las no desejo de alcançar os seus fins. Ora a maioria dos portugueses continua por certo a defender que fascismo nunca mais.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/01/definitivamente-fascismo-nunca-mais.html

O que é a Guerra de Informação?

Qu’est-ce que la guerre de l’information

 

 

Explicações por François-Bernard Huyghe.

“Visiblement, au moment où les militaires s’entichent de la «Révolution dans les Affaires Militaires», l’économie, elle, inclut de nouveaux domaines: la guerre cognitive, de l’hyperconcurrence, de la déstabilisation, et autres. Pour le dire autrement, pendant que la guerre mobilise une composante de plus en plus importante d’information et de communication (y compris dans son aspect dit de «civilianisation») l’économie dite de l’information devient de plus en plus conflictuelle.”


Exclusivo Tornado / IntelNomics

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-que-e-a-guerra-de-informacao/

Imperialismo, comunicação social e ano novo: festival garantido

 
 
No último dia do ano, o ministro venezuelano dos Negócios estrangeiros criticou a «vergonhosa manipulação mediática» que o seu país sofre. A acompanhar as festividades da passagem do dezanove para o vinte, não faltaram exemplos, nas nossas TV, de que, a nível internacional, a campanha de manipulação mediática está para durar.
 
AbrilAbril | editorial
 
No último dia do ano passado, o ministro venezuelano dos Negócios estrangeiros, Jorge Arreaza, recorreu à sua conta oficial de Twitter para criticar a «vergonhosa manipulação mediática» que o seu país continua a sofrer, referindo-se em concreto às fake news (notícias falsas) que alguns órgãos de comunicação espanhóis e latino-americanos «se dedicam a publicar».
 
Enquanto isso, silenciam esses e muitos outros «meios» o facto de a República Bolivariana da Venezuela – mesmo com as dificuldades resultantes «do bloqueio e da agressão» impostos por Washington e amigos – ter conseguido entregar a «casa 3 milhões», no âmbito do programa Grande Missão Habitação Venezuela, criado em 2011 pelo então presidente da República, Hugo Chávez, com o objectivo de enfrentar a abordagem especulativa e capitalista do sector privado ao direito à habitação, e, dessa forma, garantir a pessoas de baixos recursos uma casa digna e o acesso a serviços básicos.
 
No dia 26 de Dezembro, 3 000 000 de casas entregues; até 2025, o objectivo é chegar a 5 000 000 – um marco histórico e uma vontade reafirmada pelas autoridades, que assumem maior relevância no contexto das dificuldades impostas ao país caribenho.
 
Abafar os 3 000 000 de casas entregues e dizer, por exemplo, que Maduro quer os venezuelanos na pobreza é um quase-nada num ano de intensa campanha de ataque à Venezuela, desde que Guaidó se autoproclamou e houve TV e figurões (de cá também) a cobrir no local as «cenas» da extrema-direita e a dar voz aos seus porta-vozes; mas, como bem sabe o ministro e talvez saiba o leitor, a campanha não acabou.
 
 
De resto, a acompanhar as festividades da passagem do dezanove para o vinte, não faltaram exemplos, nas nossas TV, de que, a nível internacional, a campanha de manipulação mediática está para durar. Até no regaço mais recôndito dos barrocos serranos, com as cavacas a arder e chaminés a fumegar, se viu o Burj Khalifa, que é enorme, fica no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), e proporciona espectáculos de «luz e fogo».
 
Os Emirados são uma maravilha, ao que parece, pelos vistos na TV – sobretudo quando nada nos contam do que há anos os Emirados são um dos principais intervenientes na guerra de agressão imperialista ao Iémen, contribuindo para a destruição do mais pobre dos países árabes e para gerar uma das maiores crises humanitárias de sempre.
 
Recentemente, surgiram ainda informações relativas ao saque de peças arqueológicas do Iémen, em que os EAU têm assumido um papel destacado, segundo denúncias realizadas por um arqueólogo norte-americano. Mas, pelos vistos na TV, nada a apontar.
 
Também em destaque nesta passagem esteve, nos ecrãs que levam as festas a planícies e montanhas, o «ataque à embaixada dos EUA no Iraque», em que «aquela gente» parecia desgovernada e sem norte, a insurgir-se contra a sede da «civilização mundial». A propósito, podiam os «meios» ter lembrado a protecção que os EUA deram, em Washington, à ocupação da embaixada da Venezuela, um Estado soberano. Mas não se foi por aí.
 
A novela «Irão» deu logo-logo, mas sobre a ocupação do Iraque pelos EUA, que dura há 16 anos, tudo ficou por dizer, bem como sobre as ditas milícias «pró-Irão» – as Kata'ib Hezbollah –, que combatem o Daesh e foram atacadas pelos EUA.
 
A partir de segunda-feira, temos nova edição do Paris – Dakar, que é na Arábia Saudita (acusada de violações de direitos humanos a nível nacional, de liderar a guerra atroz contra o Iémen e de financiar o terrorismo na Síria). Já há loas e há-de haver mais. O mesmo se passará com o Qatar e o «seu» mundial (de 2022). Pouco parece interessar à «imprensa» que a Síria continue a acusar esse país árabe de gastar milhões no apoio ao terrorismo.
 
O que acima se refere é apenas uma ligeira amostra. Frente às grandes doses diárias de propagação do neoliberalismo, do imperialismo e do neocolonialismo nos vários quadrantes do mundo, a luta que aqui se trava continuará a ser anti-imperialista e pela soberania dos povos.
 
Imagem: Tal como previsto, em 2019 foi entregue a casa número 3 000 000, no contexto do programa Gran Misión Vivienda Venezuela Créditos/ camarainmobiliaria.org.ve

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/imperialismo-comunicacao-social-e-ano.html

RTP escolhe António José Teixeira para novo diretor de informação

(dr) RTP

António José Teixeira, o novo diretor de informação da RTP

A RTP indigitou António José Teixeira para diretor de informação da RTP, 15 dias depois de a ERC ter chumbado a proposta de José Fragoso, que acumularia esta direção com a de programas.

 

“O Conselho de Administração decidiu indigitar uma nova Direção de Informação de televisão, com todas as capacidades para desenvolver um serviço público de excelência: Como Diretor de Informação de televisão e da RTP3 o jornalista António José Teixeira“, refere a RTP, em comunicado.

Como diretores-adjuntos são propostos Adília Godinho e Joana Garcia (com a informação diária e RTP3), Carlos Daniel (com os programas de informação não diários), Hugo Gilberto (com a redação do Porto e o desporto) e como subdiretores Luísa Bastos e Rui Romano.

Em dezembro do ano passado, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) deu parecer negativo à acumulação de cargos de diretor de programas e de diretor de informação de José Fragoso, que tinha sido escolhido pelo canal público para substituir Maria Flor Pedroso.

A ex-diretora de informação demitiu-se na sequência do conflito com a equipa do programa “Sexta às 9”, coordenado por Sandra Felgueiras, no âmbito de uma investigação ao Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM).

Sandra Felgueiras acusou a então diretora de ter transmitido informação privilegiada à visada na reportagem, a diretora do ISCEM, Regina Moreira. Depois da sua intervenção, o programa televisivo cancelou a reportagem.

Maria Flor Pedroso colocou “o seu lugar à disposição” por considerar não ter “condições para a prossecução de um trabalho sério”.

António José Teixeira, que integrava a equipa de informação da RTP desde 2016, quando entrou para a direção de Paulo Dentinho, era comentador residente do canal, escreve o Observador.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/antonio-jose-teixeira-diretor-rtp-301088

Bolsonaro volta a defender fim dos Correios: "se pudesse privatizaria hoje"

(Comentário:
Bolsonaro está atrasado. Em Portugal já privatizaram os CTT, com os 'excelentes' resultados que se conhecem...)
 

247- Jair Bolsonaro voltou a defender o desmonte do Estado Brasileiro e a entrega das estatais à inciativa privada por meio do programa de privatizações implementado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao afirmar que “se pudesse” privatizaria Os Correios ainda “hoje”. "A gente pretende. Se pudesse privatizar hoje, privatizaria”, afirmou Bolsonaro nesta terça-feira (7), em frente ao Palácio da Alvorada.

Apesar da afirmação, Bolsonaro disse se preocupar com o futuro dos servidores que, segundo ele, “não podem ser jogados para cima”. "O STF decidiu que as empresas-mães...as privatizações têm que passar pelo parlamento. Você mexe nessas privatizações com centenas, dezenas de milhares de servidores. É um passivo grande. Você tem que buscar solução para tudo isso. Você não pode jogar os caras para cima. Eles têm que ter as suas garantias. Tem que ter um comprador para aquilo. É devagar. Tem o TCU com lupa em cima de você. Não são fáceis as privatizações", disse.

Ainda conforme ele, a situação é comparável a de m médico que prescreve um tratamento sem saber a sua real eficácia.

“Nois é” a mídia com a nossa comunicação

É crescente o contraponto midiático que coloca pessoas, lutas e organizações em evidência.

 

 

Existe um contraponto para furar a mídia hegemônica e de comunicação de massa, ainda que distante de se equiparar, seu poder de disparo e influência midiática, a capacidade e potência dos veículos detentores da comunicação no país, controlado por grupos econômicos, religiosos e de políticos (mesmo a legislação brasileira não permitido concessão de veículos de comunicação para parlamentares e gestores eleitos).

De acordo com o relatório “Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil” realizado pelo Coletivo Intervozes e Repórteres Sem Fronteiras “Os 50 veículos analisados pertencem a 26 grupos ou empresas de comunicação. Desses, todos possuem mais de um tipo de veículo de mídia e 16 possuem também outros negócios no setor, como produção cinematográfica, edição de livros, agência de publicidade, programação de TV a cabo, entre outros. Além disso, 21 dos grupos ou seus acionistas possuem atividades em outros setores econômicos, como educação, financeiro, imobiliário, agropecuário, energia, transportes, infraestrutura e saúde. Há ainda proprietários que são políticos ou lideranças religiosas”.

É dentro deste contexto de centralização e controle da informação que a mídia atua no pais, reproduzindo os interesses ideológicos e econômicos de classes dominantes. Não existe neutralidade da mídia, mas uma suposta imparcialidade para fazer bons negócios.

Mesmo considerando o poderio monopolista da mídia, é crescente na contemporaneidade, o uso e a apropriação das inovações tecnológicas pelas camadas populares como contra receptores e produtores de conteúdos para se contrapor à comunicação hegemônica.

É a mídia self e dos movimentos sociais que vão criando novas narrativas dentro deste cenário que exige entendê-lo como campo de disputa que vem sendo ocupado pelas mais diversas e conflitantes forças políticas. Se toda brecha na política é ocupada, a mídia faz parte deste cenário, se não a ocuparmos, não nos enganemos, a mídia não ficará vazia.

Cada casa e cada rua se transforma num ponto de comunicação interligado as plataformas das redes sociais, as mesmas que também servem para o processo de criação dos bancos de dados para inteligência artificial e norteamento do mercado, enfim para a acumulação do capital.

Parafraseando o cineasta Glauber Rocha “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” é mais atual do que nunca. Imergir nas inovações tecnológicas e se apropriar da sua dinâmica e complexidade política e técnica é uma exigência para novas formas de fazer “agitação e propaganda” para a luta democrática e popular.

É crescente o contraponto midiático que coloca pessoas, lutas e organizações em evidência. Esses mecanismos têm poder de alcance menor e em bolhas, entretanto, são indispensáveis, principalmente, quando as informações e os serviços estão disponíveis nas mãos de boa parte da parte população, através dos telefones móveis. Pagamentos de contas, registros de eventos, previsão do tempo, orientação médica e até relacionamento afetivo é possível ter a partir dos celulares, além, claro, de recepção e produção de conteúdos midiáticos: vídeos, fotos, cards e áudios.

É a produção de conteúdo midiático que vai sendo produzida instantaneamente numa contra narrativa, mesmo não atingido em larga escala tem o seu poder de alcance que comunica para uma parcela da população de forma particularizada e criar possibilidades de desinvisibilizar vozes, apontar caminhos, articular ações e ocupar os micros espaços políticos de poder. Como é usado no linguajar peculiar e legítimo do movimento hip hop “nois é” a mídia.

Entretanto, a luta política de disputar os micros espaços políticos da mídia não se separa da defesa da democratização da comunicação do país e da ofensiva contra o monopólio midiático que concentra, define e orienta as informações que deverão chegar em cada casa e bolso no Brasil.


por Alexandre Lucas, Pedagogo, integrante do Coletivo Camaradas e atual presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais do Crato/CE |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/nois-e-a-midia-com-a-nossa-comunicacao/

OPCW

Os EUA/NATO/EU não suportam que seja quem for – organização internacional ou personalidade individual – ponha em causa as falsidades com que pretendem justificar sucessivas agressões militares. Cientistas da OPAQ (OPCW) que questionaram essa manipulação foram ameaçados. Jornalistas saíram dos órgãos em que trabalhavam. E Julian Assange está a ser lentamente assassinado na cela da prisão.

Peritos da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ, ou OPCW na sigla inglesa) estão em revolta contra a manipulação e mentira que visa submeter a organização internacional ao belicismo imperialista.

Em Abril de 2018 uma das campanhas mediáticas que antecedem as operações militares dos EUA/NATO/UE acusava o governo sírio de usar armas químicas em Douma. Um video mostrava crianças, supostamente vítimas, a serem encharcadas com água por Capacetes Brancos. A foto dum cilindro em cima duma cama numa casa bombardeadea seria a prova. EUA, França e GB lançaram mais de 100 mísseis sobre a Síria, ainda antes dum relatório da OPAQ falar em cloro no local do alegado ataque.

Mas cientistas da OPAQ divulgaram pela Wikileaks documentos provando que o relatório oficial não foi escrito pela equipa de peritos que visitou o local do suposto ataque e «não reflecte as suas opiniões». Um memorando refere que «cerca de 20 inspectores expressaram a sua preocupação sobre a situação», adiantando que «o relatório da FFM [Missão de Apuramento dos Factos] não reflecte as opiniões de todos os membros da equipa que visitou Douma. Apenas um membro [do grupo que escreveu o relatório final] esteve em Douma». Particular revolta provocou o falso desmentido de que o inspector Ian Henderson tinha estado em Douma.

Henderson foi suspenso e expulso à força da sede da OPAQ. Após visitar Douma, tinha escrito que era inexplicável que o cilindro que alegadamente foi lançado dum helicóptero e atravessou um tecto em cimento armado, pudesse estar intacto em cima da cama onde foi fotografado. Foram também questionadas as imagens do hospital, lançando a suspeita duma encenação. O relatório final escondeu a informação de que o cloro encontrado era residual.

Já o primeiro chefe da OPAQ, o brasileiro Bustani, enfrentou o gangsterismo imperialista. Segundo contou à RT (7.4.18), o futuro Director de Segurança Nacional dos EUA, Bolton, visitou a sede da OPAQ antes da invasão do Iraque, dando-lhe um ultimato de 24 horas para se demitir. Face à recusa de Bustani, Bolton imitou Al Capone: «OK, haverá represálias. Prepare-se para aceitar as consequências. Sabemos onde estão os seus filhos». Segundo Bustani, o Iraque já não tinha armas químicas, mas os EUA «já tinham planos para […] acções militares».

Com raríssimas excepções, a comunicação social de regime não noticia a revolta na OPAQ. O jornalista Tareq Haddad conta como foi censurado pela Newsweek. Para não ter de calar-se ou mentir, optou por despedir-se (tareqhaddad.com, 14.12.19). Julian Assange, o fundador da Wikileaks, está preso em Londres, aguardando sentença sobre a sua extradição para as masmorras dos EUA. O Relator Especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer, considerou que Assange está a ser sujeito a torturas psicológicas (RT, 16.10.19). O ex-Embaixador britânico Craig Murray, após assistir a uma das sessões judiciais, manifestou-se «profundamente abalado» pelo estado físico e psíquico de Assange, receando «que possa não chegar vivo ao fim do processo de extradição» (craigmurray.org.uk, 22.10.19).

Querem calar quem desmascara a mentira para poderem cometer crimes com impunidade.

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Os multiplicadores de propaganda (1)

– Como as agências de notícias globais e os media do ocidente informam sobre geopolítica

por SPR [*]
 
 
"Portanto, você deve sempre perguntar a si próprio: por que obtenho estas informações específicas, neste formulário específico, neste momento específico? Em última análise, estas são sempre perguntas sobre poder."
Dr. Konrad Hummler, executivo suíço de bancos e media

Um dos aspetos mais importantes do nosso sistema mediático ainda pouco conhecido do público é que a maior parte da cobertura internacional de notícias nos media ocidentais é fornecida por apenas três agências globais de notícias com sede em Nova York, Londres e Paris.

O principal papel desempenhado por essas agências significa que os media ocidentais costumam relatar os mesmos tópicos, usando mesmo as mesmas palavras. Além disso, governos, serviços militares e secretos usam essas agências globais de notícias como multiplicadores para espalharem as suas mensagens pelo mundo.

Um estudo sobre a cobertura da guerra na Síria por nove principais jornais europeus ilustra claramente essas questões: 78% de todos os artigos foram baseados no todo ou em parte em relatórios de agências, mas 0% em pesquisas de investigação. Além disso, 82% de todas as opiniões e entrevistas eram a favor de uma intervenção dos EUA e da NATO, enquanto a propaganda era atribuída exclusivamente ao lado oposto.

 

Introdução: "Algo estranho"

"Como é que o jornal sabe o que sabe?" A resposta a esta pergunta provavelmente surpreenderá alguns leitores de jornais: "A principal fonte de informação são as histórias das agências de notícias. As agências de notícias que operam quase anonimamente são de certa forma a chave para os eventos mundiais. Então, quais são os nomes dessas agências, como funcionam e quem as financia? Para julgar quanto se está bem informado sobre os eventos no Oriente e no Ocidente, deve-se saber as respostas a estas perguntas." (Höhne 1977, p. 11)

Um pesquisador dos media suíço aponta: "As agências de notícias são os fornecedores mais importantes de material para os media de grande circulação. Nenhum meio de comunicação diário pode funcionar sem eles. (...) Portanto, as agências de notícias influenciam a nossa imagem do mundo; acima de tudo, sabemos o que eles selecionaram." (Blum 1995, p. 9)

Em vista de sua importância essencial, é ainda mais surpreendente que essas agências dificilmente sejam conhecidas do público: "Grande parte das pessoas nem sabe que as agências de notícias existem. Porém, na realidade, desempenham um papel extremamente importante no mercado mediático. Apesar dessa grande importância, pouca atenção lhes foi dada no passado. "(Schulten-Jaspers 2013, p. 13)

Até o chefe de uma agência de notícias observou: "Há algo de estranho nas agências de notícias. São pouco conhecidas do público. Diferentemente de um jornal, a atividade delas não está à vista do público, mas sempre se encontram como fontes da história que é contada". (Segbers 2007, p. 9)

"O centro nevrálgico invisível do sistema mediático"

Então, quais são os nomes dessas agências que estão "sempre na fonte da história contada"? Atualmente, restam apenas três agências de notícias globais: A American Associated Press ( AP ) com mais de 4 000 funcionários em todo o mundo. A AP pertence às empresas de media dos EUA e tem o seu principal escritório editorial em Nova York. As notícias da AP são usadas por cerca de 12 000 meios de comunicação social internacionais, atingindo mais de metade da população mundial todos os dias.

A agência francesa quase governamental France-Presse ( AFP ), sediada em Paris e com cerca de 4 000 funcionários, envia mais de 3 000 histórias e fotos todos os dias para os media em todo o mundo.

A agência britânica Reuters , em Londres, de propriedade privada, emprega um pouco mais de 3 000 pessoas. A Reuters foi adquirida em 2008 pelo empresário canadiano Thomson – uma das 25 pessoas mais ricas do mundo – e incorporada à Thomson Reuters , com sede em Nova York.

Além disso, muitos países administram suas próprias agências de notícias. Estes incluem, por exemplo, o DPA alemão, o APA austríaco e o SDA suíço. Quando se trata de notícias internacionais, no entanto, as agências nacionais geralmente confiam nas três agências globais e simplesmente copiam e traduzem seus relatórios.

 


As três agências de notícias globais Reuters, AFP e AP
e as três agências nacionais dos países de língua alemã
da Áustria (APA), Alemanha (DPA) e Suíça (SDA).

Wolfgang Vyslozil, ex-diretor da APA austríaca, descreveu o principal papel das agências de notícias com estas palavras: "As agências de notícias raramente são vistas pelo público. No entanto, são um dos tipos de media mais influentes e ao mesmo tempo um dos menos conhecidos. São instituições-chave de importância substancial para qualquer sistema mediático. Elas são o centro nervoso invisível que conecta todas as partes deste sistema. "(Segbers 2007, p.10)

Uma pequena abreviatura, um grande efeito

No entanto, há uma razão simples pela qual as agências globais, apesar de sua importância serem praticamente desconhecidas do público em geral. Para citar um professor de comunicação suíço: "A rádio e a televisão geralmente não dão o nome das suas fontes e somente especialistas podem decifrar referências em revistas." (Blum 1995, p. 9)

O motivo dessa discrição, no entanto, deve ser claro: os meios de comunicação não estão particularmente interessados em que os leitores saibam que eles próprios não pesquisaram a maioria das suas contribuições.

A figura a seguir mostra alguns exemplos de marcação de origem em jornais populares da Europa. Ao lado das abreviaturas da agência, encontramos as iniciais dos editores que editaram esse relato da agência.

 


Agências de notícias como fontes das notícias de jornal

Ocasionalmente, os jornais usam material de agência, mas não o rotulam. Um estudo realizado em 2011 pelo Instituto de Pesquisa Suíço para a Esfera Pública e Sociedade da Universidade de Zurique chegou às seguintes conclusões (FOEG 2011):

"As contribuições das agências são exploradas integralmente sem rotulá-las ou são parcialmente reescritas para fazê-las parecer uma contribuição editorial. Além disso, existe uma prática de "apimentar" os relatos das agências com pouco esforço: por exemplo, relatos não publicados das agências são enriquecidos com imagens e gráficos e apresentados como um estudo exaustivo.

As agências desempenham um papel de destaque não apenas na imprensa, mas também na rádio e televisão públicas e privadas. Isso é confirmado por Volker Braeutigam, que trabalhou para a emissora estatal alemã ARD durante dez anos e vê criticamente o domínio dessas agências:

"Um problema fundamental é que a redação da ARD obtém as suas informações principalmente de três fontes: as agências de notícias DPA/AP, Reuters e AFP: uma alemã / americana, uma britânica e uma francesa. (...) O editor que trabalha num tópico de notícias precisa selecionar apenas algumas passagens de texto que considerar essenciais, reorganizá-las e colá-las com alguns floreados."

A Rádio e Televisão Suíça (SRF) também se baseia em grande parte nos relatórios dessas agências. Questionados pelos telespectadores por que uma marcha pela paz na Ucrânia não foi divulgada, os editores disseram : "Até o momento, não recebemos um único relato dessa marcha das agências independentes Reuters, AP e AFP".

De facto, não apenas o texto, mas também as imagens, gravações de som e vídeo que encontramos diariamente nos nossos media, são principalmente das mesmas agências. O que o público não iniciado pode considerar contribuições de seus jornais ou emissoras de TV locais, na verdade são reportagens copiadas de Nova York, Londres e Paris.

Alguns meios de comunicação deram um passo adiante e, por falta de recursos, deslocaram todo o serviço editorial estrangeiro para uma agência. Além disso, é sabido que muitos portais de notícias na Internet publicam principalmente relatos de agências (ver, por exemplo, Paterson 2007, Johnston 2011, MacGregor 2013).

No final, essa dependência das agências globais cria uma semelhança impressionante nas reportagens internacionais: de Viena a Washington, os nossos media costumam relatar os mesmos tópicos, usando muitas vezes as mesmas frases - um fenómeno que de outra forma seria associado aos "media controlados" em estados totalitários.

O gráfico a seguir mostra alguns exemplos de publicações alemãs e internacionais. Como se pode ver, apesar da objetividade reivindicada, uma tendência (geo-) política por vezes insinua-se de forma negligente.

 


"Putin ameaça", "o Irão provoca", "NATO preocupada",
"reduto de Assad":   semelhanças no conteúdo e na redação
devido aos relatos das agências de notícias globais.

O papel dos correspondentes

Muitos de nossos meios de comunicação não têm correspondentes estrangeiros, portanto, não têm escolha a não ser confiar completamente nas agências globais para notícias estrangeiras. E os grandes jornais diários e estações de TV que têm seus próprios correspondentes internacionais? Nos países de língua alemã, por exemplo, incluem-se jornais como NZZ, FAZ, Sueddeutsche Zeitung, Welt e emissoras públicas.

Antes de tudo, as proporções de tamanho devem ser lembradas: embora as agências globais tenham milhares de funcionários em todo o mundo, mesmo o jornal suíço NZZ, conhecido pelas suas reportagens internacionais, mantém apenas 35 correspondentes estrangeiros (incluindo correspondentes de negócios). Em grandes países, como China ou Índia, apenas um correspondente está estacionado; toda a América do Sul é coberta por apenas dois jornalistas, enquanto na África, ainda maior, ninguém fica permanentemente no local.

Além disso, nas zonas de guerra, os correspondentes raramente se aventuram. Na guerra na Síria, por exemplo, muitos jornalistas "reportaram" o que se passava a partir de cidades como Istambul, Beirute, Cairo ou mesmo Chipre. Além disso, muitos jornalistas não possuem as capacidades linguísticas para entender as pessoas e os media locais.

Como podem os correspondentes nessas circunstâncias saber quais são as "notícias" nessa região do mundo? A principal resposta é mais uma vez: a partir das agências globais. O correspondente holandês no Médio Oriente, Joris Luyendijk, descreveu de maneira impressionante como os correspondentes funcionam e como dependem das agências mundiais no seu livro People Like Us: Misrepresenting the Middle East .

"Eu imaginava que os correspondentes fossem historiadores em cima do acontecimento. Quando algo importante acontecia, eles procurariam, descobririam o que se passava e relatariam. Eu não ia lá para descobrir o que estava a acontecer; isso já havia sido feito há muito. Fui em frente apresentando uma reportagem feita no local.

Os editores da Holanda ligaram-me quando isto aconteceu, enviaram-me por fax e email comunicados à imprensa que eu repetia com minhas próprias palavras na rádio ou os retrabalhava num artigo para o jornal. Os meus editores acharam isto mais importante do que o que eu pudesse encontrar no próprio local e que eu sabia que estava a acontecer. As agências de notícias fornecem informações suficientes para que se possa escrever ou conversar sobre qualquer crise ou reunião de cúpula.

É por isso que se encontram sempre as mesmas imagens e histórias folheando jornais diferentes ou clicando nos canais de notícias. Embora, os nossos homens e mulheres nos gabinetes de Londres, Paris, Berlim e Washington, pensassem que tópicos errados estavam a dominar as notícias e que estávamos a seguir servilmente os padrões das agências de notícias.

A ideia comum sobre os correspondentes é que eles 'têm a história' (...), mas a realidade é que as notícias são como um tapete rolante de uma fábrica de pão. Os correspondentes estão no final da correia transportadora, fingindo que nós mesmos fizemos o pão branco, enquanto na verdade tudo o que fizemos foi colocá-lo na embalagem.

Um amigo perguntou-me como é que eu conseguia responder a todas as perguntas durante essas conversas cruzadas, a qualquer hora e sem hesitação. Quando eu lhe disse que, como nos noticiários da TV, se sabem todas as perguntas com antecedência, a resposta dele por email veio cheia de palavrões. Meu amigo acabara de verificar que, há décadas, aquilo a que ele assistia e ouvia nos noticiários era puro teatro." (Luyendjik 2009, p. 20-22, 76, 189)

Por outras palavras, o correspondente típico geralmente não é capaz de fazer pesquisas independentes, mas lida e reforça os tópicos já prescritos pelas agências de notícias - o notório "efeito dominante".

Além disso, por razões de redução de custos, muitos meios de comunicação precisam partilhar os seus poucos correspondentes estrangeiros e, dentro dos diversos grupos mediáticos, os relatos do estrangeiro são frequentemente usados por várias publicações - nenhuma das quais contribui para a diversidade das reportagens.

"O que a agência não informa, não ocorre"

O papel central das agências de notícias também explica por que, em conflitos geopolíticos, a maioria dos media usa as mesmas fontes. Na guerra da Síria, por exemplo, o " Syrian Observatory for Human Rights " – uma organização dúbia baseada em Londres – teve uma representação destacada. Os meios de comunicação raramente conseguiam fazer perguntas diretamente a este "Observatório", pois era difícil chegar à sua operadora, mesmo jornalistas.

Em vez disso, o "Observatório" entregava as suas notícias às agências globais, que as encaminhavam para milhares de meios de comunicação, que por sua vez "informavam" centenas de milhões de leitores e espectadores em todo o mundo. A razão pela qual as agências, de todos os lugares, se referiram a esse estranho "Observatório" nos seus relatos – e quem realmente o financiava – é uma pergunta que raramente é feita.

O ex-editor-chefe da agência de notícias alemã DPA, Manfred Steffens, declara no seu livro "The Business of News": "Uma notícia não se torna mais correta simplesmente porque é possível fornecer uma fonte para ela. Na verdade, é bastante questionável confiar mais numa notícia simplesmente porque uma fonte é citada. (...) Por detrás do escudo protetor que essa fonte significa para uma história, algumas pessoas tendem a espalhar coisas bastante ilusórias, mesmo que elas próprias tenham legítimas dúvidas sobre a sua correção; a responsabilidade, pelo menos moralmente, sempre pode ser atribuída à fonte citada." (Steffens 1969, p. 106)

A dependência de agências globais também é uma das principais razões pelas quais a cobertura dos media sobre conflitos geopolíticos é muitas vezes superficial e irregular, enquanto as relações e os antecedentes históricos são fragmentados ou totalmente ausentes. Como afirma Steffens: "As agências de notícias recebem as suas orientações quase exclusivamente dos eventos atuais e, portanto, são por natureza muito desligadas da História. Eles têm relutância em adicionar mais contexto ao que é estritamente necessário. "(Steffens 1969, p. 32)

Finalmente, o domínio das agências globais explica por que certas questões e eventos geopolíticos – que muitas vezes não se encaixam muito bem na narrativa dos EUA / NATO ou são demasiado "sem importância" – não são mencionados nos nossos media: se as agências não reportam algo, a maioria da media ocidentais não estará preocupada com isso. Como apontado na ocasião do 50º aniversário da DPA alemã: "O que a agência não informa, não ocorre." (Wilke 2000, p. 1)

"Adicionando histórias questionáveis"

Embora certas notícias não apareçam nos nossos media, algumas outras são muito importantes: "Muitas vezes, os media de grande circulação não informam sobre a realidade, mas sobre uma realidade construída ou encenada. (...) Vários estudos mostraram que esses meios de comunicação são predominantemente determinados por atividades de relações públicas e que atitudes passivas e recetivas superam as de pesquisa ativa." (Blum 1995, p 16)

De facto, devido ao desempenho jornalístico bastante baixo dos nossos media e à sua alta dependência de algumas agências de notícias, é fácil para as partes interessadas espalhar propaganda e desinformação num formato supostamente respeitável para um público mundial. O editor da DPA, Steffens, alertou para este perigo:

"O senso crítico torna-se mais adormecido quanto mais respeitada a agência de notícias ou o jornal. Alguém que queira introduzir uma história questionável na imprensa mundial precisa apenas colocar a sua história numa agência razoavelmente respeitável, para ter a certeza que ela aparecerá um pouco mais tarde nas outras. Às vezes acontece que uma farsa passa de agência para agência tornando-se cada vez mais credível." (Steffens 1969, p. 234)

Entre os atores mais ativos na "injeção" de notícias geopolíticas questionáveis estão os ministérios militar e de defesa. Por exemplo, em 2009, o chefe da agência de notícias americana AP, Tom Curley, tornou público que o Pentágono emprega mais de 27 mil especialistas em relações públicas, com um orçamento de quase 5 mil milhões de dólares por ano, que trabalham nos media fazendo circular informação manipulada. Além disso, generais de alto escalão dos EUA ameaçaram "arruina-lo" e à AP se os jornalistas relatassem demasiado criticamente as forças armadas dos EUA.

Apesar – ou por causa disso? – de tais ameaças, os nossos media publicam regularmente histórias dúbias provenientes de alguns "informadores" não identificados dos "círculos de defesa dos EUA".

Ulrich Tilgner, um veterano correspondente do Médio Oriente da televisão alemã e suíça alertou em 2003, logo após a guerra do Iraque, para as ações de engano militares e o papel desempenhado pelos media.

"Com a ajuda dos media, os militares determinam a perceção do público e a usam nos seus planos. Eles conseguem agitar as expectativas e espalhar cenários enganosos. Neste novo tipo de guerra, os estrategistas de relações públicas da administração dos EUA cumprem uma função semelhante à dos pilotos de bombardeiros. Os departamentos especiais de relações públicas no Pentágono e nos serviços secretos tornaram-se combatentes na guerra da informação.

Para as suas manobras fraudulentas, os militares dos EUA usam especificamente a falta de transparência da cobertura mediática. A maneira como eles divulgam informações, que são coletadas e distribuídas pelos jornais e emissoras, torna impossível aos leitores, ouvintes ou espectadores rastrear a fonte original. Assim, o público deixará de reconhecer a real intenção das forças armadas." (Tilgner 2003, p. 132)

O que é sabido pelos militares dos EUA não será estranho aos serviços secretos dos EUA. Num notável relatório do Canal 4 britânico, um ex-funcionário da CIA e um correspondente da Reuters falaram abertamente sobre a disseminação sistemática de propaganda e desinformação nas reportagens sobre conflitos geopolíticos:

O ex-responsável da CIA e denunciante John Stockwell disse sobre o seu trabalho na guerra angolana: "O tema básico era fazer parecer uma agressão [inimiga]. Então, qualquer tipo de história que se pudesse escrever e fazer entrar nos media em qualquer lugar do mundo, que defendesse essa linha, nós fizemos. Um terço da minha equipa nessa tarefa eram propagandistas, cujo trabalho profissional era inventar histórias e encontrar maneiras de colocá-las na imprensa. (...) Os editores da maioria dos jornais ocidentais não são muito céticos em relação às mensagens que estão de acordo com opiniões e preconceitos gerais. (...) Portanto criámos histórias e elas continuaram durante semanas. (...) Mas foi tudo ficção. "

Fred Bridgland analisou o seu trabalho como correspondente de guerra de agência Reuters: "Baseamos nossos relatórios em comunicações oficiais. Só anos depois soube que um pequeno especialista em desinformação da CIA estava sentado na embaixada dos EUA e compunha esses comunicados que não tinham absolutamente nenhuma relação com a verdade. (...) Basicamente, e para ser muito direto, você pode publicar qualquer porcaria que será publicada no jornal."

E o ex-analista da CIA David MacMichael descreveu o seu trabalho na Guerra dos Contra na Nicarágua com estas palavras: "Eles disseram que a nossa espionagem na Nicarágua era tão boa que até conseguíamos registar quando alguém despejava o vaso sanitário. Mas tive a sensação de que as histórias que estávamos contando à imprensa saíam diretas da casa de banho." ( Hird 1985 )

Obviamente, os serviços secretos também têm um grande número de contactos nos nossos media, para onde podem ser enviadas "fugas" de informação, se necessário. Mas sem o papel central das agências de notícias globais, a sincronização mundial de propaganda e desinformação nunca seria tão eficiente.

Por meio desse "multiplicador de propaganda", histórias dúbias de especialistas em relações públicas que trabalham para governos, serviços militares e secretos chegam ao público em geral mais ou menos sem controlo nem filtro. Os jornalistas referem-se às agências de notícias e as agências de notícias referem-se às suas fontes. Embora muitas vezes tentem apontar incertezas (e se protegerem) com termos como "aparente", "alegado" e similares, o boato já se espalhou por todo o mundo e seu efeito ocorreu.

O multiplicador de propaganda: governos, serviços militares e secretos usados pelas agências de notícias globais para disseminar as suas mensagens para uma audiência mundial.

Como o New York Times informou...

Além das agências de notícias globais, há outra fonte frequentemente usada pelos meios de comunicação de todo o mundo para relatar conflitos geopolíticos, designadamente as principais publicações da Grã-Bretanha e dos EUA.

Os meios de comunicação como o New York Times ou a BBC podem ter até 100 correspondentes estrangeiros e funcionários externos adicionais. No entanto, como aponta Luyendijk, correspondente do Oriente Médio:

"As nossas equipas de notícias, inclusivamente eu, alimentaram-se da seleção de notícias feitas pelos media de qualidade como CNN, BBC e New York Times. Fizemos isso partindo do pressuposto de que os seus correspondentes entendiam o mundo árabe e tinham uma visão dele – mas muitos deles nem falavam árabe, ou pelo menos não o suficiente para poderem ter uma conversa ou seguir os meios de comunicação locais. Muitos dos principais agentes da CNN, da BBC, do Independent, do Guardian, da New Yorker e do NYT geralmente dependem de assistentes e tradutores." (Luyendijk p. 47)

Além disso, as fontes desses meios de comunicação muitas vezes não são fáceis de verificar ("círculos militares", "funcionários anónimos do governo", "funcionários de serviços secretos" e similares) e, portanto, também podem ser usadas para a divulgação de propaganda. De qualquer forma, a orientação generalizada das principais publicações anglo-saxónicas promove a convergência na cobertura geopolítica dos nossos media.

A figura seguinte mostra exemplos destas citações da cobertura da Síria do maior jornal diário da Suíça, Tages-Anzeiger.

As notícias são todas dos primeiros dias de outubro de 2015, quando a Rússia interveio pela primeira vez diretamente na guerra síria (destacam-se as fontes EUA / Reino Unido):

Citações frequentes dos principais meios de comunicação britânicos e norte-americanos, exemplificada pela cobertura de guerra da Síria do jornal diário suíço Tages-Anzeiger em outubro de 2015.

A narrativa desejada

Mas por quê os jornalistas dos nossos media não tentam simplesmente pesquisar e relatar independentemente das agências globais e dos media anglo-saxónicos? O correspondente do Médio Oriente, Luyendijk descreve suas experiências:

"Pode-se sugerir que eu deveria ter procurado fontes nas quais pudesse confiar. Eu tentei, mas sempre que eu queria escrever uma história sem usar agências de notícias, ela era posta de parte nos principais media anglo-saxónicos ou pelos comentadores (..) Obviamente, como correspondente poderia contar histórias muito diferentes acerca da mesma situação. Mas os media só podem apresentar uma versão e, com bastante frequência, essa é a narratia que confirma exatamente a imagem predominante". (Luyendijk p.54ff)

O investigador dos media Noam Chomsky descreveu esse efeito no seu ensaio "What makes the mainstream media mainstream" da seguinte forma: "Se você sair da linha oficial, se produzir relatos dissidentes, logo sentirá isso. (...) Existem várias maneiras de o por na linha rapidamente. Se não seguir as diretrizes, não manterá seu emprego por muito tempo. O sistema funciona muito bem e reflete as estruturas de poder estabelecidas". (Chomsky 1997)

No entanto, alguns dos principais jornalistas continuam a acreditar que ninguém lhes pode dizer o que escrever. Como sucede isto? O pesquisador de media esclarece a aparente contradição:

"[A] questão é que eles não estariam lá, a menos que já tivessem demonstrado que ninguém precisa dizer-lhes o que escrever, porque vão dizer a coisa certa. Se eles tivessem começado em qualquer outro lugar e tivessem seguido o tipo errado de histórias, nunca teriam chegado às posições em que agora podem dizer o que quiserem. O mesmo se aplica principalmente ao corpo docente universitário nas disciplinas mais ideológicas. Eles passaram por um sistema de socialização". (Chomsky 1997)

Por fim, esse "sistema de socialização" leva a um jornalismo que não é mais de pesquisa relatando criticamente de forma independente conflitos geopolíticos (e alguns outros tópicos), mas basta consolidar a narrativa desejada por meio de editoriais, entrevistas e comentários apropriados.

Conclusão: A "Primeira lei do jornalismo"

Eis o que o ex-jornalista da AP Herbert Altschull chamou de Primeira Lei do Jornalismo: "Em todos os sistemas de imprensa, os meios de comunicação são instrumentos daqueles que exercem o poder político e económico. Jornais, periódicos, estações de rádio e televisão não agem de forma independente, embora tenham a possibilidade de exercício independente de poder". (Altschull 1984/1995, p. 298)

Nesse sentido, é lógico que os nossos media tradicionais – que são predominantemente financiados pela publicidade ou pelo Estado – representem os interesses geopolíticos da aliança transatlântica, uma vez que tanto as empresas de publicidade quanto os próprios Estados dependem da economia transatlântica e da arquitetura de segurança liderada pelos Estados Unidos.

Além disso, as pessoas-chave dos nossos principais líderes – no espírito do "sistema de socialização" de Chomsky – muitas vezes fazem parte das redes de elite transatlânticas. Algumas das instituições mais importantes a esse respeito incluem o Conselho de Relações Exteriores dos EUA, o Grupo Bilderberg e a Comissão Trilateral, todas com muitos jornalistas que se destacam. (ver um estudo aprofundado destes grupos )

A maioria das publicações conhecidas, pode, portanto, de facto ser vista como uma espécie de "media do establishment". Isso ocorre porque, no passado recente, a liberdade de imprensa era bastante teórica, dadas barreiras significativas à entrada, como licenças de transmissão, faixas de frequência, requisitos para financiamento e infraestrutura técnica, canais de vendas limitados, dependência de publicidade e outras restrições.

Foi apenas devido à Internet que a Primeira Lei de Altschull foi em certa medida violada. Assim, nos últimos anos, surgiu um jornalismo de alta qualidade e financiado pelos leitores, muitas vezes superando os media tradicionais em termos de reportagem crítica. Algumas dessas publicações "alternativas" já alcançam um público muito grande, mostrando que a "massa" não tem de ser um problema para a qualidade de um meio de comunicação.

No entanto, agora, os media tradicionais também conseguiram atrair uma sólida maioria de visitantes on-line. Isso, por sua vez, está intimamente ligado ao papel oculto das agências de notícias, cujos relatórios atualizados são a espinha dorsal da maioria dos sites de notícias online.

O "poder político e económico" manterá o controlo sobre as notícias, de acordo com a Lei de Altschull ou as "notícias não controladas" mudarão a estrutura de poder político e económico? Os próximos anos irão mostrar-nos se isso é possível..

Bibliografia
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Steffens, Manfred [Ziegler, Stefan] (1969): Das Geschäft mit der Nachricht. Agenturen, Redaktionen, Journalisten. Hoffmann und Campe, Hamburg.
Tilgner, Ulrich (2003): Der inszenierte Krieg – Täuschung und Wahrheit beim Sturz Saddam Husseins. Rowohlt, Reinbek.
Wilke, Jürgen (Hrsg.) (2000): Von der Agentur zur Redaktion. Böhlau, Köln.

A seguir, estudo de caso: a cobertura da guerra na Sria.

[*] SPR: Swiss Propaganda Research, um grupo de pesquisa independente que investiga propaganda geopolítica nos media suíços e internacionais

O original encontra-se em swprs.org/the-propaganda-multiplier/ . Tradução de DVC.

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/multiplicadores_1.html

Por que o jornalismo de cativeiro não enxerga terrorismo no ataque de Trump?

Estamos sequestrados pela mediocridade. Vira-se o ano, estoura-se fogos, veste-se branco, celebra-se uma esperança que ninguém sabe muito bem o que é e, ato contínuo, volta-se a trabalhar para um país que detesta o trabalhador.

Jornalistas jamais entenderão isso. Jornalista vive da rotina, da repetição, do ceticismo e da passação de pano para o patrão. Jornalista passa o pano para o patrão que passa o pano para o governo (que, no caso do brasileiro, passa o pano para os EUA).

O resultado desse submundo do texto que se alastra por todo o espectro de nossa percepção de mundo e que fantasia a realidade para controlá-la, é um país inteiro infantilizado e à espera bovina das atrocidades institucionais de 2020. O timing da guerra de Trump lida com essa hipocrisia: troca-se as manchetes políticas por fogos de artifício para, em seguida, trocá-los por fogos de mísseis e do terrorismo de Estado, este o grande fiador da engrenagem da informação no mundo.

Claro que, no caso do jornalismo de cativeiro, Trump é o patrono da democracia e os atentados em Bagdá significam a defesa do povo americano seguida do intrépido combate ao terrorismo. Nem se discute. Eles publicam artigos de opinião levemente dissonantes apenas para dar a impressão de que há pluralidade, mas o texto factual é mais sujo do que algumas operações judiciais de terceiro mundo.

Nem os países-satélite dos EUA - com a exceção do Brasil - são tão coniventes assim com o terrorismo real promovido pelo Ocidente. O jornalismo político brasileiro já conhecemos: é familiar, venal, pouco sofisticado, preguiçoso e covarde. Mas o que levaria agências internacionais ocidentais a aderirem com tanta fidelidade, em seu regime de pressupostos, a narrativa imperialista?

Trata-se de um fenômeno chamado ‘discurso’, que eu costumo chamar de ‘semântica’ para simplificar. A organização dos sentidos da linguagem que fundamenta a prática do texto é tal que, sem uma técnica específica, não se pode dela desvencilhar. Essa técnica, fartamente descrita em livros de linguística, análise de discurso, filosofia e crítica literária, é ignorada pela massa global de trabalhadores do texto, aqueles que mais deveriam conhecê-la.

 

Para não deixar o leitor no ‘vácuo’, explico rapidamente a natureza de ‘organização de sentidos’ e da técnica para lidar criticamente com essa organização.

Provedores de sentido

Para usar o argumento da moda, mais absorvível intuitivamente, faço um paralelo da linguagem humana com as redes sociais. Muito se reclama do algoritmo, da Cambridge Analítica e da indústria de fake news que toma conta da atividade linguística-digital no mundo. Com a linguagem humana é a mesma coisa. Há provedores de sentido, gerenciadores do dizer e controladores de associações argumentativas.

 

Aliás, a linguagem humana precede a internet, caso alguém tenha esquecido.

Esses provedores de sentido comandam a atividade crítica que subjaz a toda e qualquer manifestação jornalística, desde a fundamentação teórica até o varejo. Um exemplo básico é o princípio da ‘neutralidade’. A neutralidade é definida no ‘dicionário’ desses provedores como branca, masculina, heterossexual e capitalista. O que for diferente disso é uma ameaça. Toda a rede semântica da produção de informação no Ocidente passa por esse filtro prévio, uma espécie de algoritmo real da atividade linguageira do homem.

Reparem que eu mesmo disse ‘homem’ para designar a totalidade da espécie. A onipresença desta lógica estruturante da linguagem é tal que não há como escapar dela nem mesmo dispondo de uma técnica ou de uma “consciência”. É possível ‘minimizar danos’.

Mais que isso, esse afunilamento do sentido é necessário para que exista progressão textual e propriamente significação, pois explicar e relativizar todos os sentidos do discurso nos levaria a uma vertigem similar a de Funes, o memorioso, personagem de Jorge Luís Borges que decorava o formato de todas as folhas de uma árvore - e que, por isso, era devorado pela própria sensibilidade, sendo relegado ao silêncio.

A tarefa de um sujeito (um leitor, um escritor, um crítico, um jornalista) seria lutar minimamente contra essa lógica opressora dos sentidos para assim poder se afastar um pouco da ideologia - em vez de replicá-la obsessivamente - e se aproximar um pouco mais de realidade factual do mundo, como, por exemplo, o “terrorismo com todas as letras” praticado por Donald Trump no Iraque.

Há um movimento crítico, intuitivo, que começa a furar esse bloqueio semântico a duríssimas penas: os novos enunciadores das pautas identitárias. Eles (elas, elxs) discutem precisamente os sentidos das palavras que são ditas e repetidas ad nauseam pelo discurso padrão, acionista majoritário de valores e de visões de mundo.

Duas observações importantes. Esses provedores de sentido não são indivíduos malvados instalados em gabinetes. Eles são um efeito estrutural e espontâneo de nossa atividade simbólica. A linguagem produz formações ideológicas internas opacas que se retroalimentam e subsidiam o discurso. Ninguém reivindica o sentido de ‘neutralidade’ que dá as cartas na produção dos textos, pois se assim o fosse, este sentido estaria irremediavelmente fragilizado na arena da disputa narrativa e, poderia, assim, ser facilmente desmascarado.

Não. Ele é invisível a olho nu, opera nas profundezas da gramática, no submundo do texto e a ele só terá acesso quem dispor de uma técnica e de um desejo poderoso de conhecer algo mais que o horizonte generoso e confortável do já dito.

A outra observação é o que efetivamente fundamenta esse provedor de sentido invisível e onipresente. A resposta é: a atividade econômica. Assim, como há uma lógica prévia e estrutural de produção e distribuição da riqueza material produzida pela espécie humana, há também uma lógica prévia e estrutural de produção e distribuição de riqueza intelectual produzida pela espécie humana.

O dinheiro, o excedente, a especulação, a riqueza natural de um país, a soberania, o poderio militar, as pressões migratórias, o protecionismo, toda essa engrenagem econômica “comprime” os sentidos do discurso de maneira a torná-los “serviçais” de sua manutenção e perpetuação.

A discussão sobre o controle do discurso nas redes sociais, que ganha força neste momento, é apenas um simulacro do mecanismo que controla toda a atividade de discurso nas sociedades humanas. A demonização de Mark Zuckerberg e de Larry Page, as mentes por trás de Facebook e Google, por mais sedutora que pareça ser, apenas ilustra indiretamente o que de fato ocorre com toda a nossa atividade simbólica aqui do “lado de fora”.

Essa demonização também serve de estratagema, pois acumula para si a energia crítica necessária para desmascarar as forças que controlam de fato o discurso de mulheres de homens, jornalistas e escritores, discurso este que opera também fora da internet, embora ambas as dimensões, digital e social, estejam em um nível de conjunção nebuloso demais para separações. O enunciado “a linguagem humana precede a internet”, pode fazer algum sentido aqui.

A técnica

Estou devendo a técnica para resistir a este assédio histórico da possibilidade de se dizer algo crítico e relativamente novo. A mera consciência dos protocolos de produção de sentido já subsidia uma leitura amplamente diferente de mundo do que as tradicionais e convencionais.

Saber que o sentido da palavras não está nos dicionários mas sim no curso de um texto já ajuda bastante. Cada texto produzido (inclusive este) tem seu dicionário particular. O que não invalida sua universalidade, pois é da natureza dos textos terem seus dicionários particulares. Dito de outra forma: se a máquina subjetiva de produzir sentido não for infinita ela morre, como no fascismo.

Evitar o saber convencional datado também ajuda muito para que se possa produzir uma prática jornalística menos precarizada e “funcionária”. Combater a fé profunda em gramáticas prescritivas e dicionários ajuda muito (alguém aqui acha que operadores bilionários consultam o dicionário para alguma coisa? Eles “compram” o sentido que querem).

A partir desta constatação, há um sem-número de protocolos técnicos de apoio para se desconstruir uma percepção apodrecida de mundo: grades semânticas, análise de sequenciamento anafórico, análise de referenciação, rastreamento de pressupostos, análise de nuvem de palavras, verificação de tempos verbais, observação do uso de modalizadores textuais e assim por diante.

Essas técnicas contemplam os textos a serem reinterpretados, mas, por isso mesmo, também servem a uma nova observação de mundo (uma observação que não enxergue ‘combate ao terrorismo’ aonde existe ‘terrorismo’).

Jornalistas

Jornalistas são pessoas simples, são trabalhadores (palavra que talvez jamais usariam para se autodesignar). Seriam os vetores de subjetividade mais importantes do mundo não fosse a subserviência estrutural que lhes é peculiar.

O estilhaçamento das táticas de redação com a chegada da internet ajuda a minimizar os danos provocados pelo cativeiro heteronormativo das redações tradicionais (que ainda sobrevivem digitalmente e causam grandes estragos na qualidade dos textos). Mas não é suficiente.

O episódio eleitoral-terrorista de Donald Trump chama a atenção para uma certa saturação previsível dos protocolos convencionais de interpretação e enunciação factual e/ou crítica. Quando a história se repete muito, ela cansa. Isso afeta a codificação de seus sentidos.

As redes sociais podem mudar o processamento deste acontecimento histórico que foi a agressão dos EUA ao Irã. A irreverência e o descompromisso com linhas editoriais mumificadas são tremendamente bem-vindos nas atuais circunstâncias de precarização do texto jornalístico.

Muitos dizem que tudo muda para continuar exatamente do mesmo jeito que sempre foi (eles acham que dizem, porque, no fundo, eles repetem aquilo que já foi dito de maneira debochada por alguém criativo há muito tempo).

O enunciado, no entanto, fica. E dele, pode-se fazer uma limonada. E o pulo do gato é: já que a possibilidade, pois, de um jornalismo menos subserviente tem se mostrado um desafio muito além de nossas posses intelectuais de turno, a solução pode estar na interpretação de texto.

Há no entorno sígnico do ataque de Trump ao Irã, neste momento, quase uma unanimidade em se desconfiar do que nos relata a imprensa ‘internacional’ (também chamada de “Ocidental” - eis a ‘neutralidade’ estrutural operando mais uma vez). Passou a ser automático traduzir as manchetes e os enunciados jornalísticos para parâmetros aceitáveis de leitura. Chamam isso, nas redes sociais, de “desmanipulação”.

É esperado que o jornalismo minta. E como talvez tenha dito Alan Turing, o inventor dos computadores, “o pior momento para se mentir é quando se espera que você minta”.

A se julgar por esta constatação óbvia que circunda a combalida prática jornalística, eu diria que esse acontecimento de 2 de janeiro de 2020, pode ser lido como uma declaração de guerra não apenas ao Irã, mas à preguiça intelectual que brinda com justiça uma profissão autocentrada demais na própria ilusão de ser uma dos pilares da democracia.

Pilar da democracia é o ser humano. Pilar da democracia é o trabalhador. Pilar da democracia é a educação. Pilar da democracia é a soberania. Pilar da democracia é a autodeterminação dos povos. Pilar da democracia é o respeito a mandatos conquistados com o voto popular.

É bom irmos nos acostumando com os sentidos “malcomportados”. Quando eles se assanham, fica difícil de segurar.

Bolsonaro fez 116 ataques à imprensa em 2019

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nessa quinta-feira (2) um balanço final dos ataques do “capetão” Jair Bolsonaro à imprensa no ano passado. Os números são assustadores – o que torna ainda mais incompreensível a postura da mídia monopolista de apoiar, mesmo que parcialmente, as políticas do governo fascistizante. Segundo o levantamento, o ano de 2019 se encerrou com 116 agressões à jornalistas e veículos de comunicação. Um ataque a cada três dias do primeiro ano de existência desse regime autoritário.

De acordo com o monitoramento da Fenaj, foram 11 agressões diretas e 105 ações para desacreditar a mídia. Mesmo o mês de dezembro, que costuma ser mais ameno em função das festanças e do recesso dos poderes públicos, “registrou cinco ataques, todos classificados como tentativas de descredibilização da imprensa. Quatro deles foram pelo Twitter. No dia 13 de dezembro, por exemplo, o perfil oficial do presidente postou uma capa de jornal do dia, acompanhada do comentário: “A rendição da imprensa. O Brasil vai bem, apesar dela. Bom dia a todos”.

 

A entidade explica que esse monitoramento “inclui apenas pronunciamentos registrados por escrito nos meios oficiais do presidente, que são o Twitter e as entrevistas e discursos transcritos no site do Planalto. Por isso, o número de ataques ao jornalismo é ainda maior do que o já verificado até aqui”. Ela lembra no dia 20 de dezembro, Jair Bolsonaro fez violentos ataques a jornalistas em entrevista na portaria do Palácio da Alvorada. As agressões foram de caráter pessoal e com forte teor homofóbico.

“No mesmo dia, em nota, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal ressaltaram que os ataques tentavam desviar denúncias que ligam sua família e amigos a atividades criminosas. Também apelaram às redações que reavaliem a decisão de deslocar repórteres para cobrir entrada e saída do Palácio da Alvorada, onde os jornalistas dividem espaço com apoiadores do presidente, que constantemente ameaçam os profissionais... Quando um chefe de Estado ataca sistematicamente profissionais e veículos de imprensa, incentiva que seus apoiadores façam o mesmo, inclusive com intimidação, ameaças e até agressões. Bolsonaro potencializa a agressividade contra jornalistas, e com isso afronta os valores democráticos”, afirma Maria José Braga, presidenta da Fenaj.

“As declarações do presidente alimentaram a hostilidade contra jornalistas neste ano de 2019. Alguns ministros também passaram a fazer uso dessa tática, e isso incentivou apoiadores do governo a perseguir os jornalistas nos meios digitais, com mensagens ameaçadoras e exposição de dados privados. É uma tentativa desesperada de enfraquecer o exercício do jornalismo, e de desviar o foco das denúncias contra o governo que vêm se somando desde o início de 2019”, complementa Márcio Garoni, diretor da federação.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/bolsonaro-fez-116-ataques-a-imprensa-em-2019-4uxpgxes

A democracia precisa derrotar o fascismo também nas redes sociais

 

A precarização da interpretação de texto nas redes sociais é mito. Aqueles que não se adaptam à redes a criticam e a rebaixam, mas são eles, precisamente, os detentores do protocolo de leitura obsoleta.

O que houve foi um "estilhaçamento" dos processos de interpretação (que desmascarou os processos normativos de interpretação e produção de textos, outrora detentores da hegemonia do discurso).

Os memes são prova disso: eles são os textos-imagens mais sofisticados da história, hiper complexos, repletos de intertextualidade; exigem profunda atenção e vivência leitora para serem codificados.

Destaque-se que ‘vivência leitora’ é diferente de 'educação formal' - esta última atravessa uma crise sem precedentes.

Há um equívoco compreensível na interpretação do que seja o fenômeno da massificação do sentido nas redes sociais.

Não admira que a grande crítica elitista sobre a internet seja a "precarização da interpretação de texto". Quem não sabe mais interpretar, crítica a interpretação dos outros.

O fato é que a interpretação previsível das escolas formais e bem comportadas perdeu espaço para a explosão das possibilidades leitoras que foram aparecendo com o volume descomunal de interações por texto.

Essa nova ordem da interpretação ainda está desorganizada e assusta, como tudo o que é novo. Mas ela faz a experiência do texto no século 20 parecer um tanto rudimentar.

O fenômeno é relativamente simples de explicar: trata-se de massificação versus elitização. Um processo massificado de interações humanas na produção de leituras possíveis de mundo dará origem resultados muito mais sofisticados e avançados de interpretação. É assim que funciona o cérebro humano: 80 bilhões de neurônios produzindo interações entre si através de descargas bioelétricas. Esse volume gigantesco possibilita a complexa experiência cognitiva que nos diferencia das plantas e de alguns animais.

 

Para simplificar: o resultado final da nossa imensa atividade de interação neuronal possibilita um indivíduo mais apto para solucionar toda a sorte de desafios cognitivos, incluindo aí a interpretação de texto.

Esse é o paralelo elementar com a massificação das interações digitais via usuários de rede.

A rigor, o efeito colateral tóxico decorrente dessa nova realidade de interações humanas é justamente a não adequação e a não aceitação deste protocolo como fonte possível de sentido.

O fascismo digital, o autoritarismo, a violência, o gesto insultuoso, a ameaça, têm origem nos usuários de rede ainda acostumados com protocolos totalitários e elitistas de interpretação de texto e de mundo.

Quem “estraga” a internet são os leitores escolarizados e domesticados nas formas hegemônicas e normativistas de interpretação de texto, que agem sob a égide sufocante da propriedade intelectual. Eles não sabem lidar com a liberdade, tampouco oferecerem trabalho qualificado de leitura para girar a moenda da liberdade em construção que caracteriza a manutenção da civilização e da democracia.

Pegue-se crianças e adolescentes que são nativos de rede digital: eles estão cognitivamente anos-luz à frente de professores, pais e educadores que ainda pensam analogicamente.

São mais rápidos, mais eficientes, mais qualificados e mais serenos com relação a essa excrescência ideológica, herança direta das velharias conceituais do século 20, o século caracterizado pelo nazismo e pela guerra fria.

São eles que projetam e programam a maioria dos aplicativos que usamos. São eles que estabelecem uma nova ordem de codificação textual, auditiva e visual, atreladas às nossas necessidades sociais, mentais e sensoriais.

É por isso que é tão difícil para a geração conservadora aceitar a massificação do sentido via redes digitais. É um mundo que lhes é hostil, que lhes veta as explicações facilitadas e tuteladas oriundas de um discurso pré-fabricado e sustentado apenas pelo poder econômico e por pautas moralistas (para não falar em religião).

Esse protocolo de interpretação de texto morreu e se recusa a sair de cena. Daí, os retrocessos civilizatórios pelos quais o mundo inteiro passa nesse momento: todos associados a preceitos morais obsoletos e a projeções rasteiras de valor de verdade.

As redes digitais funcionam, portanto, como um grande cérebro coletivo, mas que nasce com Alzheimer precoce em função da população de “neurônios” ainda atrelada a princípios exclusivistas no gerenciamento das descargas bioelétricas. São os neurônios-egoístas.

A doença pode vencer, é claro. Ainda mais porque, para sobreviver, um cérebro precisa também de um coração para lhe bombear o sangue.

Isso significa que há um debate a ser feito sobre o controle das redes sociais, sobre manipulação de dados no mercado financeiro e sobre a criação de robôs no mercado da democracia.

Mas discutir o controle de todo e qualquer processo coletivo de interação social é básico. Também precisamos discutir o controle das televisões, o controle dos jornais, o controle dos parâmetros educacionais etc.

Ressalto o tema correlato para contemplar os neurônios paranoicos que entendem que tudo se resume a uma imensa e assustadora teoria da conspiração: a culpa é do Zuckerberg.

O “neurônio” revoltado poupa seu trabalho terceirizando a culpa e o Alzheimer social avança a passos largos, numa erupção cognitiva tóxica que mistura ceticismo e fanatismo.

O que não deixa de ser curioso é que essa discussão sobre interpretação de texto e redes sociais está diretamente associada à ideia de democracia. É por isso que o sentido de ‘democracia’ também está sendo fortemente disputado neste momento.

Estamos já em 2020 do calendário cristão, se não me engano. Um feito chegarmos até aqui, dada a índole autoritária e assassina dos homens. Meu raciocínio é: se chegamos até aqui, porque não irmos mais longe?

Esse “longe” seria aproveitar esse salto tecnológico que aflige conservadores e paranoicos e produzir, pela primeira vez na história, uma democracia real, inclusiva, amorosa e profundamente inteligente, que corresponda aos desafios de se ter no planeta sete bilhões de pessoas.

Um mundo que extraia suas soluções do coletivo, não da cabeça solitária da branquitude masculina e heteronormativa que controla a experiência social do planeta desde os tempos imemoriais.

Eles querem colocar seus dedos podres no gerenciamento coletivo do sentido e do discurso, como já vêm colocando. Mas a força do desejo coletivo aliado a novas gerações com apetite irrefreável na disputa por criatividade e inovação, pode resultar, pela primeira vez, na derrota dessa doença chamada “perpetuação dos modos de distribuição de poder”.

Cada um tem a rede social que merece. Se a sua rede não vai bem ou se sua experiência é um desastre, ou, ainda, se você não quer saber de compartilhar seus valores e suas posições (porque as pessoas vão lá e te “xingam”), devo dizer que você está na delicada posição de negar a si mesmo (espero que não gaste o seu tempo vendo televisão ou lendo passivamente os jornais convencionais).

Mas se suas redes vão bem (inclusive as não digitais), se você deixa sua marca filosófica e social entre os seus, se você compartilha o teu sentido e a tua visão de mundo, permita-me dar os parabéns.

Você está tentando construir um mundo melhor, assim como parte importante da sociedade que se diz - e, verdadeiramente, é - democrática.

 

2020 será o que nós fizermos dele

 

Pedagógico. O ex-executivo da Nissan, Carlos Ghosn, fugiu para o Líbano para escapar da justiça do Japão, onde aguardava julgamento (ele é acusado de "apropriação indébita financeira").

É uma fuga clássica, chancelada pela maioria dos veículos de imprensa internacionais.

Mas com o jornalismo brasileiro é diferente. O título da notícia no Globo ficou: "'Não fugi da justiça, me libertei da injustiça e da perseguição política', diz Carlos Ghosn".

Eles dão a Ghosn (nem tão branco assim, mas dotado de solene e simbólica branquitude no que diz respeito à fortuna pessoal) a palavra e a doce presunção de inocência que jamais deram a Lula.

Só para efeito de comparação: se Lula saísse do Brasil antes da prisão política para "se libertar da perseguição", a manchete d'O Globo seria "Lula admite culpa e foge da justiça" (ou qualquer coisa nessa linha).

O episódio Ghosn é emblemático.

 

A direita e o poder econômico associado ao jornalismo convencional brasileiro são tão destituídos de qualquer espécie de caráter, que eles usarão Lula como salvaguarda para criminosos do sistema financeiro. Estes alegarão "perseguição política" (popularizada no mundo agora - à revelia do que propagou esta mesma imprensa tradicional brasileira) aludindo transversalmente - indiretamente, narrativamente - à violência judicial contra Lula.

Eles expropriam, por assim dizer, a experiência vivida por Lula, para acentuar ainda mais a sua "inexistência" em suas teses editoriais. É mais uma faceta do modus operandi discursivo do jornalismo de guerra.

Os veículos de comunicação brasileiros usam, portanto, o pressuposto conectado à realidade que eles tanto combateram e espancaram (o pressuposto de que Lula sempre foi inocente e sofria perseguição política) para proteger os agentes verdadeiramente corruptos do mercado financeiro e das mega empresas que lavam dinheiro na cara de todo e qualquer sistema judicial deste planeta.

 

Talvez, seja por isso que Lula não parta para o confronto direto com este jornalismo, senão por estocadas pontuais que apenas confirmam sua estratégia minimalista. É se rebaixar demais polemizar com o varejo da notícia somado ao egoísmo corrupto do empresariado (para não falar da polarização com um governo que é sinônimo de toda a podridão que a espécie humana já foi capaz de produzir).

Lula prefere lutar na trincheira da história e da linguagem. Ele esculpe sentidos, semeia direções, dialoga com as expectativas, transita soberano e pleno de humanidade sobre os escombros morais dos maus perdedores aflitos e imediatistas.

Recentemente, um intelectual do ódio afirmou que Bolsonaro venceu as eleições mas que quem governa é Haddad. O enunciado é tosco e paranoico, mas cifras de verdade escorrem de sua apodrecida intenção retórica.

E a explicação é: os valores que dizem respeito à possibilidade de país e de futuro estão com a esquerda e com o PT (e, fatalmente, com Haddad e com Lula).

O que o guru do terror não diz é que "quem governa" não é o cidadão Haddad, mas a "ideia Haddad". E ela governa não o executivo, mas o conjunto de forças politicas que ora vai se reorganizando (ela governa o sentido).

E ele não diz isso porque sua tarefa ideológica de gerar ódio e violência não permite que se diga algo de natureza esclarecedora.

Mas há leitores e leitores. A direta ultra conservadora e mentirosa vai produzindo uma quantidade tal de enunciados autoexplicativos que eles acabam por migrar da codificação autoconfirmatória para a codificação crítica.

Ou seja: são enunciados que passam a ser evidências do fracasso de seus enunciadores e ao mesmo tempo (e por isso mesmo), pequenas pílulas com valor de verdade - só que com o sinal trocado.

Esse fenômeno do discurso é um clássico na história das ideias do comentário crítico. Agressões conceituais a inovações estéticas que depois se consagram são a regra. Impressionismo, cubismo e classicismo foram batizados por seus algozes conceituais mais raivosos para depois debutar nos dicionários de arte como revoluções estéticas.

A engrenagem da produção de discurso felizmente não é dominada por esses ideólogos do apocalipse mental, como Steve Bannon e Olavo de Carvalho. Ela é espontânea, estrutural, histórica, sistêmica, apenas delicadamente visível para quem tem a humildade e a paciência de se debruçar sobre os movimentos empíricos da palavra.

É essa luta travada em estruturas mais profundas da experiência política que deve ser levada a sério. É uma forma muito mais estratégica de conceber a disputa pela soberania intelectual e pelo exercício desta soberania coletiva dos povos, do que a rinha tecnológica da produção de fake news e operacionalização de usuários de rede.

Esta última não deve ser ignorada, mas tampouco deve ser superdimensionada. O que a estrutura são os sentidos das linguagem humana, ainda.

A linguagem humana em toda a sua complexidade dos afetos, dos imensos deslocamentos ideológicos disparados pelas condições reais da economia e do trabalho.

A minha mensagem de ano novo é essa: ainda há uma humanidade e uma linguagem real para darmos conta.

Com a delicadeza da resistência política investida de serenidade e inteligência e com a característica cultural irrefreável do povo trabalhador brasileiro em continuar a busca por sua libertação, o ano de 2020 pode ser o estopim para a reconstrução subjetiva deste país momentaneamente arrasado pelos facilitadores de ódio, preguiçosos da ideia e oportunistas de mercado.

Que venha um 2020 complexo e pouco afeito a soluções fáceis. O mundo da complexidade, da linguagem e do humano é hostil aos intolerantes e fanáticos.

Façamos do mundo um mundo mais próximo de nossa disposição à luta profunda, ramificada e ampla, para assim afastarmos a parasitagem sub intelectual que insiste em puxar esse mesmo mundo para baixo.

Feliz ano novo.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/2020-sera-o-que-nos-fizermos-dele

“Desinformação assemelha-se à tática fascista”, diz Maria José Braga

Para a presidenta da Fenaj, é preciso reagir à avalanche de desinformação em massa nas redes sociais.

 

 

Em uma de suas passagens por Fortaleza, a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, falou sobre a necessidade de reafirmação da atividade jornalística. Num cenário de avalanche de desinformação em massa nas redes sociais, a sindicalista afirma que a produção e distribuição de mentiras com a finalidade política assemelha-se à propaganda fascista da década de 1920. Confira a entrevista.

Fenaj: O que é a desinformação em massa, que muitos chamam de fake news?

Maria José Braga: A desinformação não pode ser entendida como a ignorância, no sentido de ignorar fatos e realidades. Mas também a desinformação não pode ser entendida apenas como a disseminação – hoje indiscriminada – de mentiras travestidas de notícias. Essa desinformação é gravíssima porque ela é proposital, ela é intencional, ela não é espontânea. Essa profusão de produção e disseminação de mentiras com intensões prévias é extremamente grave porque ela é hoje um ponto central para a manutenção da etapa do capitalismo que nós estamos vivendo, que é o acirramento do neoliberalismo. É fundamental essa produção de inconsciência coletiva para que esse momento do capitalismo ocorra sem haver de fato revoltas e revoluções. Isso é muito grave.

Mas como se dá essa desinformação?

Por afirmações incompletas, por afirmações distorcidas, por afirmações descontextualizadas e por afirmações mentirosas. Isso tudo se completa e age de uma forma que a maioria se sinta informada. Olha que eu não usei o termo informações. Usei o termo afirmações. Para mim, informação precisa, sim, de pressupor dados, fatos e opiniões existentes e não meras invenções.

Onde se dá essa disseminação exacerbada hoje?

Nas redes sociais. Não é na internet. Não façamos confusão entre internet e redes sociais. As redes sociais são o espaço da desinformação exacerbada. É ali que circula essa desinformação que citei.

Qual é o objetivo da produção da desinformação?

É fazer com que, cada vez mais, cidadãos e cidadãs de todo o mundo – não só no Brasil – tenham posições acríticas. Para essa fase do neoliberalismo, é fundamental não termos cidadãos e cidadãs que atuem criticamente, que exerçam sua cidadania e que, portanto, exijam direitos, exijam compromissos, exijam que o Estado cumpra o seu papel de regulador das relações sociais e não apenas de agente do capital, que é o que os Estados, na maioria dos países do mundo, têm feito hoje, sendo meros agentes da reprodução do capital. E nem é mais do capital produtivo, é do capital financeiro.

Qual é esse método?

O método é relativamente simples: produção e difusão de mensagens baseadas em cálculos psicológicos e não em mensagens racionais. As afirmações que são disseminadas não querem raciocínio lógico, contextualizado. Querem despertar emoções. E é isso que têm feito no Brasil e no mundo. O que se diz não importa, basta dizer e provocar com isso uma reação em cadeia, uma reação de massa. É por isso que se pode dizer qualquer mentira e reafirmar essa mentira. Porque o objetivo não é produzir razão, é produzir emoção. Eu poderia citar o mais clássico dessas eleições que foi o tal do kit gay, que virou pauta sem nunca ter existido. A gente não teve um papel do jornalismo e do jornalista para ser eficiente ao ponto de esclarecer a sociedade que aquilo não existia.

Com que se assemelha o método e o objetivo da desinformação pelas redes sociais?

Assemelha-se à propaganda fascista. E isso é muito grave. Porque tanto lá no fascismo clássico, que vigorou na Alemanha e na Itália, a gente tem fascismos diversos travestidos e que têm o mesmo objetivo e podem produzir os mesmos efeitos.

E quais são essas características fascistas na desinformação atual?

Preocupa-se pouco com questões políticas concretas. Ou seja, a pauta real da política não está nessa disseminação da desinformação. Segue um padrão rigidamente estabelecido de dispositivos definidos previamente. Ou seja: eu vou lançar assertivas e ninguém vai explicar ou justificar essas assertivas, todo mundo só vai reproduzir essas assertivas. Porque que alguém tinha de explicar na década de 1940 que judeu era inferior? Não tinha que explicar! Só tinha que aceitar! Por que agora alguém tem de explicar que a mulher é um ser inferior? Não tem! Basta uma ministra afirmar que a mulher tem de ficar em casa. Não se explica: se reproduz, se reproduz e se reproduz! Reiteração constante. Por que agora todo mundo é comunista? Basta você dizer que o salário mínimo precisa de recomposição: comunista! Basta dizer que precisa ter um sistema de saúde funcionando no Brasil como o SUS funciona: comunista! Qualquer um que divirja da pauta ultraliberal do governo de ultradireita é comunista. E como se isso fosse um gravíssimo defeito. E uma última característica assemelhada: escassez de ideias. O objetivo é despertar a emoção, é conquistar simpatizantes, é provocar a identidade por simpatia. Não é despertar raciocínios lógicos e críticos. Eu não preciso apresentar proposições, só basta repetir os jargões que eu definir previamente e que vão ser repetidos por todos durante o tempo todo. O grave é que o fascismo aconteceu lá atrás e hoje o mesmo método, com os mesmos objetivos, conquista adeptos.

Como o fascismo ainda consegue adeptos, se já sabemos as consequências?

São três fatores da adesão ao fascismo que o Adorno citou no início da década de 1960. Ele trata exatamente do porquê da adesão à propaganda fascista, introduzindo Freud num terceiro aspecto. Os outros pensadores tinham tratado dos fatores socioeconômicos e políticos. No primeiro caso: grave crise econômica, perda do poder aquisitivo, falta de perspectiva que, no Brasil, agora, tem a característica de estatística, que são os desalentados – pessoas que estão tão sem perspectivas que nem procuram mais empregos. É uma situação econômica que deixa de fato as pessoas sem enxergarem uma possibilidade de retomada da vida produtiva e do seu sustento e da sua família. Isso é fator de se apegar a qualquer alternativa que surja como boia de salvação. Os fatores políticos, que lá na época foram a demonização do comunismo e de povos, principalmente, os judeus – e também os ciganos. Agora a gente tem uma demonização institucionalizada: os partidos políticos, tanto que o presidente se apresentou como não político. E uma demonização dos movimentos sociais: nos sindicatos, isso é claríssimo. A desconstrução dos sindicatos começa na década de 1970 e ganha corpo com a demonização dos sindicatos e sindicalistas. E essa demonização foi muitíssimo bem construída e está na cabeça dos trabalhadores, não só dos jornalistas. A média de sindicalização no Brasil é de 25% de cada categoria. Somos uma categoria de trabalhadores intelectuais, que deveria ter conhecimento dos fatos e saber interpretar a realidade. Esses trabalhadores que se dizem de esquerda, a maioria não milita nem em igreja. Mas, utilizando Freud, Adorno fala dos fatores psicológicos: primeiro, o narcisismo, que é um componente da libido, ou seja do prazer. Rede social fez com que o narcisismo das pessoas fosse elevado a potência “n”. O narcisismo é um componente da libido que preocupou Freud porque essa expressão do ‘ser eu’, que tem um aspecto positivo, de se ver como sujeito, gostar de si mesmo, não pode gerar o individualismo completo: eu sou eu e o resto é o resto, não interessa. Freud, antes da Segunda Guerra Mundial começa a estudar o indivíduo e seus comportamentos individuais e não coletivos.

Qual o aspecto libidinal dessa adesão ao fascismo e às mentiras disseminadas facilmente nas redes sociais?

“Em um grupo, o indivíduo é posto sob condições que lhe permitem se livrar das repressões dos instintos inconscientes”. Então, num grupo, há uma identificação de grupo entre os membros e entre, quase sempre, um possível líder que permite esse prazer libidinal da identificação e da realização. Por que nas redes sociais é mais fácil? Freud analisava as massas. Nas redes sociais, nós temos pequenas massas segmentadas. E agem acriticamente, que inclusive são partidárias da violência, e que simplesmente seguem e reproduzem o líder. As redes sociais ainda têm a facilidade do possível anonimato: eu ainda posso falar as maiores atrocidades e, se ninguém do meu grupo quebrar esse pacto, isso vai ficar entre nós. Então, você tem pequenas massas de racistas, pequenas massas de LGBTfóbicos, de machistas… isso de fato precisa ser levado em consideração para analisar como ganha dimensão na chamada era da informação.

O que nós temos que fazer para reverter essa desinformação?

Não é uma resposta original, não é minha: se combate a desinformação com a informação verdadeira. Ou seja, com jornalismo! Antes, eu quero lembrar a todos qual é o papel do Jornalismo. Quase todos que leram o livro do Adelmo Genro Filho, “O segredo da pirâmide”, que é uma teoria brasileira e marxista do Jornalismo, sabem que o papel do jornalismo é produzir conhecimento da realidade imediata para possibilitar a construção de juízos e ação cidadã. Ou seja, não é análise histórica, é o conhecimento do que está acontecendo hoje, para o cidadão e cidadã saberem o que é certo e errado, o que é melhor ou pior para ele e para a sociedade e agir como cidadão.

A desinformação venceu o Jornalismo?

Não! A História está ocorrendo e nós somos atores dela e queremos atuar nela. Mas nós estamos perdendo as batalhas. Nós – inclusive jornalistas – aceitamos e reproduzimos uma confusão proposital entre jornalismo e entretenimento; entre afirmações e informações jornalísticas. Nós aceitamos uma desvalorização da profissão de jornalista, entendendo que a informação jornalística pode ser produzida por qualquer um – o chamado jornalismo cidadão. Cidadão é fonte! Quem tem obrigação de apurar, verificar e contextualizar é o jornalista e não o cidadão! Nós, não só nos veículos em que trabalhamos mas até individualmente, aceitamos uma disputa equivocada com as redes sociais. Temos que fazer o esclarecimento das diferenças e mostrar o papel de cada um. Fazemos uma valorização exagerara das redes sociais, como se elas fossem o local da informação hoje e não da desinformação. E, a principal causa porque eu acho que estamos perdendo as batalhas até hoje: no Brasil, as empresas de comunicação tradicionais abandonaram o jornalismo. Isso a FENAJ está dizendo há vários anos e acentuou-se com a ascensão de um trabalhador à Presidência da República. Quem afirmou isso foi a Judite Brito, diretora da ANJ que, em entrevista ao jornal Estado de SP, disse claramente assim que o Lula assumiu o governo, que como a oposição estava muito fraca, que ia caber sim à imprensa fazer oposição ao governo. E dou exemplo recente: aprovamos uma reforma trabalhista que, de fato, é uma depenação da CLT, com a retirada de direitos consagrados ao longo de décadas e eu creio que a gente pode contar nos dedos as reportagens críticas que de fato apontavam o que era a reforma trabalhista que foi votada e aprovada no Brasil, nos meios de comunicação brasileiros. A gente realmente não está fazendo o nosso papel de jornalistas que é dar elementos concretos para que o cidadão e a cidadã possam agir e impedir o que está acontecendo.

E o que devemos fazer?

A gente precisa não cair no culto às tecnologias. As tecnologias têm nos fins que a humanidade lhes dá. E a humanidade tem que dar fins humanísticos para as tecnologias! As tecnologias não podem simplesmente serem apropriadas pelo capital e estarem a seu serviço. E isso hoje é o WhatsApp! Uma ferramenta que parecia extremamente democrática e livre e que está dominada pelo capital. É preciso humanizar a tecnologia, fugir dos modismos e não ter medo de parecer atrasados.

Qual o papel dos jornalistas?

Reafirmar a necessidade do jornalismo. Jornalismo não é diletantismo, não é diversão! Temos que buscar alternativas para a produção jornalística. A gente sabe que o modelo de negócios – e não o Jornalismo – está em crise porque a publicidade não consegue financiar tanta coisa que surgiu. Temos que valorizar a profissão. Jornalismo exige esforço físico e mental, exige investimento em pessoas. Exige grana! Não se faz jornalismo sem dinheiro. Primeiro, porque se gasta para apurar, para fazer um produto de qualidade, e segundo, porque o jornalista tem que sobreviver. O trabalhador vive do seu trabalho, então, nós temos que sermos remunerados dignamente por nosso trabalho. Por fim, temos que agir como intelectual urbano: aquele que participa da vida política da comunidade. Temos que perder o ranço e nos identificarmos como integrantes da classe trabalhadora.


Fenaj  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/desinformacao-assemelha-se-a-tatica-fascista-diz-maria-jose-braga/

Autoridade da Concorrência dá “luz verde” definitiva à compra da TVI pela Cofina

 

A Autoridade da Concorrência (AdC) divulgou esta terça-feira que não se opõe à compra da Media Capital, dona da TVI, pela Cofina, que detém o Correio da Manhã, confirmando um projeto de decisão emitido este mês.

 

“A Autoridade da Concorrência (AdC) decidiu hoje não se opor à operação de concentração que consiste na aquisição, pela Cofina SGPS, S.A., do controlo exclusivo sobre o Grupo Media Capital, SGPS, S.A.”, referiu o órgão, num comunicado enviado às redações.

O parecer divulgado esta terça-feira vem confirmar um projeto de decisão do Conselho de Administração da AdC, de sentido favorável, datado de 10 de dezembro.

“Após análise exaustiva, a AdC considera que a operação de concentração não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência em qualquer um dos mercados relevantes considerados, entre os quais o dos canais de acesso não condicionado para televisão por subscrição, da imprensa e outros conteúdos digitais ou ainda no da publicidade”, indicou a nota emitida na terça-feira à noite pela AdC.

 
 

No comunicado, o órgão admite que a entidade resultante da operação “ficará com posições de relevo em vários mercados em que está envolvida”, considerando, porém, que essas posições “são prévias à operação de concentração” e “nos casos em que existe sobreposição, o acréscimo decorrente é pequeno, não suscitando preocupações jusconcorrenciais”.

“As atividades das partes sobrepõem-se, no lado dos utilizadores, nos mercados dos canais de acesso condicionado para televisão por subscrição, da imprensa e conteúdos digitais e, no lado dos anunciantes, nos mercados da publicidade televisiva e ‘on-line’. As alterações estruturais decorrentes destas sobreposições são de pequena dimensão e, consequentemente, não são suscetíveis de criar entraves significativos à concorrência”, prosseguiu o comunicado.

A AdC frisou ainda que a avaliação jusconcorrencial que consta na atual decisão é “suficientemente exaustiva para responder às questões suscitadas pelos terceiros interessados admitidos a intervir no procedimento”, salientando que as questões levantadas foram “levadas em consideração na investigação e na elaboração da análise”.

“Na investigação foram consultadas duas associações representativas das agências de meios e uma associação representativa dos anunciantes, tendo as mesmas confirmado que o contrapoder negocial dos clientes é suficiente para tornar improvável qualquer impacto negativo da operação de concentração”, informou o órgão.

A AdC indicou também que foram solicitados pareceres aos reguladores setoriais ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) e ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social), que não se opuseram à operação de concentração, da qual o órgão (AdC) foi notificado em 1 de outubro do ano corrente.

O organismo informou igualmente que a Impresa, dona da SIC, a Global Notícias, detentora, entre outros meios, do Diário de Notícias e Jornal de Notícias, e o Sindicato de Jornalistas apresentaram, em sede de audiência prévia, as respetivas observações ao projeto de decisão, “não tendo as mesmas alterado o sentido proposto na decisão”.

Em 21 de setembro, a Cofina anunciou que tinha chegado a acordo com a Prisapara comprar a totalidade das ações que detém na Media Capital, valorizando a empresa (enterprise value) em 255 milhões de euros (a operação inclui a dívida).

Na passada segunda-feira, a Cofina anunciou ter acordado com a espanhola Prisa a redução do preço de aquisição da Media Capital em 50 milhões de euros, segundo um comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

O grupo Cofina detém, além do Correio da Manhã e do Record, a CM TV, o Jornal de Negócios, a revista Sábado, entre outros títulos. Por sua vez, a Media Capital conta com seis canais de televisão e a plataforma digital TVI Player. Além da TVI, canal generalista em sinal aberto, conta com a TVI24, TVI Reality, TVI Ficção, TVI Internacional e TVI África. A Media Capital tem também rádios, onde se inclui a Comercial.

// Lusa

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/autoridade-da-concorrencia-da-luz-verde-definitiva-compra-da-tvi-pela-cofina-299902

Luta da população e da autarquia reabre CTT em Alpiarça

Movimento de utentes saúda reabertura próxima da loja dos CTT em Alpiarça, após dois anos de encerramento pela administração daquela empresa.

Os CTT, uma empresa pública rentável para as contas do Estado, foram privatizados em 2013 e 2014 pelo governo do PSD e CDS-PP.Créditos

O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) do Distrito de Santarém saudou em comunicado a reabertura da loja dos CTT em Alpiarça, prevista para a próxima segunda-feira, dia 30 de Dezembro de 2019, como uma vitória da «luta das populações e da autarquia».

Em Alpiarça decorreram vários protestos dos utentes contra o encerramento do posto de correios e a autarquia procedeu a diversas diligências institucionais para a reabertura do mesmo, depois de uma moção aprovada por unanimidade pelo executivo municipal, em 12 de Janeiro de 2018, ter deliberado exigir aos CTT a reversão da situação e ao Governo a intervenção deste no processo, «impondo o cumprimento dos princípios de universalidade e de proximidade que estão na base do contrato de concessão do serviço público».

O anúncio da reabertura foi feito pela administração da empresa, que anunciou ir a loja funcionar em novas instalações, «após obras de requalificação do espaço».

A reabertura das 33 lojas dos CTT que haviam sido encerradas em sedes de concelhos, decorre do compromisso assumido nesse sentido em Junho passado, na Assembleia da República, pelo novo presidente executivo da empresa, João Bento. No mesmo comunicado, a administração da empresa refere que o posto de correios «aberto em substituição da loja, a cerca de 150 metros», irá manter-se em actividade, «devido à sua excelente localização e facilidade de acesso».

A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) exigiu aos CTT, em Janeiro passado, a apresentação de «uma proposta» para que todos os concelhos do país tenham, «pelo menos, uma estação de correios ou um posto de correios com características equivalentes às da estação», refere o Dinheiro Vivo desta sexta-feira.

Também a Câmara Municipal de Alpiarça, que reclamara junto da ANACOM que o contrato de concessão do Serviço Postal Universal consagrasse, «de forma clara e iniludível», a obrigatoriedade de existência, em cada concelho, de pelo menos uma estação de correios gerida diretamente pelos CTT, aplaudiu a reabertura.

O presidente da autarquia, Mário Pereira (CDU), considerara, em comunicado de Fevereiro deste ano referido pelo Dinheiro Vivo, ser «justa e imprescindível» a reabertura da estação de correios que existia na vila, «nas condições impostas pela decisão da ANACOM de 10 de janeiro, com a maior brevidade possível».

Em Junho passado, depois da nomeação de João Bento, o autarca da CDU anunciou ao Mais Ribatejo a intenção do município de solicitar uma reunião com carácter de urgência ao novo presidente do conselho de administração dos CTT, no sentido de «tratar da reabertura da Estação dos CTT em Alpiarça o mais rapidamente possível».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/luta-da-populacao-e-da-autarquia-reabre-ctt-em-alpiarca

Acionistas compram dívidas da Global Media. BCP e Novo Banco terão feito desconto de 85%

(Comentário:

Qualquer português gostaria de comprar as suas dívidas com descontos de 80% (por cada 100 que em dívida pagar só 20 seria ótimo)mas a banca só oferece estes 'descontos' a alguns DDTs
E a banca pode fazê-lo como quiser porque é privada e porque sabe que se o negócio correr mal cá estarão os contribuintes portugueses (os tais que não temos direito a descontos)para continuarem a pagar os prejuízos privados com dinheiros públicos.

Não seria preferível nacionalizar a banca? Parece-me que...)

 

detengase / Flickr

 

Os acionistas de referência da Global Media – Kevin Ho e José Pedro Soeiro – também compraram ao BCP e ao Novo Banco as dívidas do grupo.

 

O ECO avançou, esta sexta-feira, que Kevin Ho e José Pedro Soeiro, acionistas de referência da Global Media, compraram as dívidas do grupo ao Millennium BCP e ao Novo Banco. De acordo com fontes não identificadas, a compra terá sido efetuada com um desconto entre os 80% e os 85%, sendo que a operação aconteceu em simultâneo com a compra das posições de capital detidas pelos dois bancos.

A compra – tanto das dívidas como das posições de capital – foi comunicada aos colaboradores da Global Media através de uma carta enviada pela administração na véspera de Natal.  Na missiva lê-se que, após esta operação, a dívida bancária da empresa foi reduzidapara “valores marginais”.

“Reduzimos a nossa dívida bancária de forma consistente, desde 2014 até 2018, através de venda de ativos. No ano de 2019, demos um novo passo estruturante na sustentabilidade financeira do nosso grupo, tendo os acionistas adquirido as dívidas e participações detidas pelos bancos Millennium BCP e Novo Banco, reduzindo, assim, a dívida bancária, para valores marginais.”

Contudo, não se conhece o valor da transação nem a quantia perdida pelos bancos. Fonte oficial do grupo remeteu esclarecimentos para as partes que “terão executado o eventual negócio”. O BCP e o Novo Branco optaram também por não comentar a operação.

O BCP vendeu a totalidade do capital que detinha na Global Media. Os principais acionistas são Kevin Ho, empresário de Macau, dono da KNJ, e José Pedro Soeiro, empresário português ligado ao antigo primeiro-ministro de Angola, Lopo de Nascimento. Joaquim Oliveira ainda permanece acionista, mas reduziu a participação.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/acionistas-compram-dividas-global-media-299621

A verdade está sob ataque, e o problema é de todos

 
 
Todo mundo no Facebook é meu "amigo". Mesmo? A humanidade ainda não aprendeu a lidar com a enxurrada de informações nas redes e, mais do que nunca, o antídoto é ligar o espírito crítico, opina Christina Bergmann.
 
O presidente dos Estados Unidos espalha teorias de conspiração desbancadas, o primeiro-ministro britânico engana a Rainha, e um exército internacional de trolls tem agora uma razão de existir: praticar desinformação nas redes sociais. O fim do ano 2019 não é um bom momento para a verdade.
 
Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda de Adolf Hitler, estaria esfregando as mãos de satisfação. Enquanto ele ainda precisou expressamente alinhar os meios de comunicação e mandar prender jornalistas, os populistas de hoje têm jogo fácil: eles simplesmente tuítam e postam inverdades e meias-verdades, sem cessar.
 
Seus seguidores compartilham os absurdos às dezenas de milhares, e se apenas uma fração permanece nas cabeças dos leitores, os demagogos já terão dividido a nação um pouquinho mais, apertado um tanto mais os laços com seus adeptos. E a próxima vitória eleitoral ficou um pouco mais próxima.
 
 
Quem olhe um pouco além da própria bolha informativa nas redes sociais, por exemplo no Facebook, não vai acreditar nos próprios olhos: "[A democrata americana] Nancy Pelosi desviou 2,4 bilhões de dólares da Previdência Social para financiar o processo de impeachment [contra Donald Trump]", berra uma manchete.
 
Basta um clique, e eu digo para o mundo inteiro como isso me deixa furiosa. Mais um clique, e compartilhei a escandalosa manchete. Como é que essa mulher pode roubar assim os pobres e dos aposentados!
 
E no entanto, também basta um clique para se chegar ao artigo por trás da postagem. E para quem seja só um pouco cético e observe atentamente, logo fica claro: não só não pode ser verdade, como não é verdade. O artigo consta da rubrica "Sátira para tirar você do sério". E uma olhada no expediente do site revela: "Tudo neste website é inventado [...] Se você acredita no que está aqui, é hora de mandar examinar a cabeça."
 
Mas não adianta. A postagem é compartilhada liberalmente, e colericamente comentada – o que, graças ao algoritmo do Facebook, só faz que ela apareça no feed de notícias de mais usuários ainda. É desesperador: como é que alguém pode acreditar numa maluquice dessas?
 
É porque ainda não aprendemos a lidar com a enchente de informação que as redes sociais fazem jorrar sobre nós. Porque ninguém nos diz o que é importante ou não, o que é certo e o que é errado. Tudo dá na mesma, tudo está no meu feed, o bom e o mau, o útil e o nocivo. E, afinal de contas, todo mundo no Facebook é meu "amigo", e eu acredito nos meus amigos.
 
Está na hora de denunciar essa confiança cega e combatê-la, com uma coalizão ampla pela verdade e contra a desinformação, as fake news, e por mais competência midiática. Já se veem primeiros movimentos: o Twitter já tomou a iniciativa de proibir propaganda política. Facebook e Google ainda se fazem de difíceis, porém não têm como escapar de fazer jus à própria responsabilidade, se não quiserem ver o colapso total da nossa sociedade.
 
Também a Deutsche Welle participa de um projeto internacional que visa a checagem de fatos na internet e nas mídias sociais, aliada à difusão de competência midiática. E aqui é a hora e a vez de não só as empresas de mídia, mas também as instituições de ensino agirem. O saber sobre os algoritmos do Facebook, imagens manipuladas e o uso correto com as redes sociais tem seu lugar nas escolas e universidades, mas também nos cursos de aperfeiçoamento dos locais de trabalho.
 
E, no fim das contas, cada um de nós pode fazer algo. Não compartilhemos nada sem haver conferido, pelo menos brevemente, se é verdade – para que nossos amigos possam confiar em nós. E vamos aguentar as histórias de arrepiar os cabelos nos nossos feeds, manter o contato com gente que pertence ao extremo do outro lado político. Podemos até enviar-lhes coraçõezinhos por suas piadas inofensivas.
 
Mas também vamos lhes chamar a atenção, pelo menos de vez em quando, quando eles estejam se inflamando com mais um conto da carochinha moderno. E, acima de tudo: não desesperemos.
 
Christina Bergmann | Deutsche Welle | opinião

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Portugal | Os Sinais de Fernando Alves, na TSF. E que sinais!

Fernando
Como Sérgio Godinho: Eu hoje venho aqui falar”… de um prazer, audição e introspeção quase quotidiana. Abrangente. São Sinais.
 
 
Na TSF há Sinais, por Fernando Alves. Um histórico da fundação da TSF, jovem do passado da RDP para aquela que viria a ser e ainda é (não tanto) a melhor emissora de rádio em Portugal. Uma rádio notícias que mudou a rádio ensombrada e tantas vezes inamovível no seu estilo bolorento a invadir o éter, a ocupá-lo quase sem vida, fruto de um também cinzentão salazarista.
 
Fernando Alves, os Sinais, no seu corre-corre peculiar, a dizer e a fazer-se perceber sílaba por sílaba, toca-nos e entrega tarefa cerebral a quem o ouve. Já “entradote”, agora, refinou-se por bem no balanço tantas vezes quase cantado do seu dizer e passar-nos humanidade, conhecimento, cultura... Rádio de palavras ferradas no desafio de pensar a quem o escuta. 
 
Hoje, como há décadas idas, a escalpelizar e a questionar a RDP dirigida por Igrejas Caeiro… Até que um bem caiu no éter, a TSF, que Fernando também fundou juntamente com um grupo de profissionais da rádio de que não há memória por outros se terem voltado a juntar, tantos e tão bons.
 
É este Fernando Alves que nos traz Sinais com David Mourão Ferreira neste Natal. Muito dignos um do outro, apesar de cada um morar no seu galho e no seu tempo. Bem hajam.
 
Bom Natal. Obrigado aos melhores.
 
Redação PG
 
David

 

Natal, e não Dezembro
 
Nos próximos dias escolherei quatro poemas de Natal de David Mourão Ferreira. Esses poemas integram o Cancioneiro de Natal que o poeta foi reunindo ao longo de três décadas e meia e que surge incluído na Obra Poética agora editada pela Assírio e Alvim.
 
Para hoje proponho o poema "Natal, e não Dezembro", de 1962.
 
Fernando Alves | TSF - 23 Dezembro, 2019
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/portugal-os-sinais-de-fernando-alves-na.html

Portugal | De um longo sono

 
 
 
A contestação interna à directora de informação da RTP e a sua demissão colocaram o jornalismo nacional na ribalta. Um dos aspectos curiosos neste processo foi o abaixo-assinado de solidariedade que lhe foi endereçado por colegas com peso na profissão. Tomada de posição pública que contrasta com o silêncio dos mesmos acerca de um quadro geral em que o jornalismo e os jornalistas são afectados por múltiplos problemas - sociais, profissionais e de constrangimento ao exercício livre da sua actividade.
 
Há coisas que dizem muito do jornalismo nacional.
 
Ao fim de 45 anos de democracia e num momento em que a comunicação social se encontra abalada, surge um abaixo-assinado de figuras cimeiras do jornalismo nacional.
 
Em defesa de quê? Por boas condições contratuais dos jornalistas, nomeadamente nos grandes grupos de comunicação? Contra os baixos salários praticados nos meios de comunicação social? Contra a progressiva e avassaladora desigualdade salarial entre chefes e índios? Contra as opções editoriais dos principais meios de comunicação? Contra a escandalosa desigualdades na distribuição política da opinião praticada nos principais meios de comunicação que leva à fabricação de falsos consensos sociais? Contra a censura interna ou subliminar que se pratica no quotidiano dos meios de comunicação? Contra o medo que se vive de se levantar o queixo em defesa constitucional dos seus direitos laborais ou de participação na gestão de informação? Contra a falta de organização dos jornalistas como classe, a qual permitisse a unidade de todos os profissionais? Contra a correria infernal em que se vive nas redacções que conduz à superficialidade de informação, homogeneizada e mercantilizada? Contra a forte penetração de agências de comunicação, contratadas por empresas, instituições ou personalidades, nas notícias que saiem nos meios de copmunicação social? Contra a venda - eu diria prostituição - dos jornalistas como se de meros suportes publicitários se tratassem, em benefício dos interesses publicitários dos principais grupos de comunicação social que não têm o pudor de dizer que tudo isso é para a salvaguarda dos postos de trabalho de todos? Etc, etc…. ?
Não. Nada disso.
 
Estas figuras cimeiras do jornalismo nacional acordaram de um longo sono meditativo para defender a directora de informação da televisão pública (RTP), em forte embaraço face à sua redacção, que convocou um plenário para esta 2ª feira. O abaixo-assinado surge dias antes desse plenário.
 
 
A redacção, zangada, mal sabe o que a sua directora pensa, porque pouco a vê no quotidiano da sua actividade, já que a directora mal frequenta a redacção. E, a somar a isso, a redacção viu-se, sim, confrontada com a intervenção da sua directora de informação em defesa de uma instituição - onde ela própria já deu aulas -, que estava a ser objecto de trabalho jornalístico pela própria RTP, a quem a directora, antes dos jornalistas da RTP entrarem em contacto com a instituição, aconselhou - como qualquer assessor de imprensa ou amiga da instituição - que não prestasse declarações à reportagem em preparação e que respondesse por escrito. Tudo confirmado pela própria directora de informação - na reunião extraordinária do Conselho de Redacção da RTP - mas tudo em nome da melhor eficácia do trabalho jornalístico da RTP.
 
E o que diz o abaixo-assinado? Veja-se lá:
 
“Confrontados com o grave ataque público à integridade profissional da jornalista Maria Flor Pedroso, os jornalistas abaixo assinados não podem deixar de tomar posição em sua defesa, independentemente das questões internas da empresa onde é Diretora de Informação, que manifestamente nos ultrapassam”. Independentemente das questões internas? Mas são as questões internas que levam à crítica da directora de informação, os quais subscritores dizem estar a defender: “Maria Flor Pedroso é jornalista há mais de 30 anos. Sem mácula. Jornalista exemplar. Reconhecida e respeitada pelos pares. Maria Flor Pedroso é uma das mais sérias profissionais do jornalismo português. Chegou por mérito ao cargo que atualmente ocupa. Defensora irredutível do jornalismo livre, rigoroso. Sem cedências ao mediatismo, a investigações incompletas, ou à pressão de poderes de qualquer natureza. Maria Flor Pedroso foi escolhida pelos pares para presidir à Comissão Organizadora do 4.° Congresso dos Jornalistas Portugueses, uma iniciativa que se revelou um marco na discussão dos problemas da profissão” - e cujas poucas resoluções foram levadas, de facto, à prática. “Maria Flor Pedroso é frontal. Rejeita favores. Nunca foi acusada de mentir”.
 
Ou seja, parece aquela conversa da Câmara dos Lordes a chamar a atenção dos pobrezinhos para a sua boa vida de pobrezinhos: “Então vocês não vêem que têm o privilégio de trabalhar com a Flor Pedroso, seus pobres de espírito?”
 
Flor Pedroso foi convidada para um cargo importante, como é o de Directora de Informação da televisão pública, para o qual não tinha conhecimentos necessários. E foi-o na sequência de um conjunto de asneiras praticadas pela administração da RTP. Foi uma fuga para a frente. E esse tipo de jogadas políticas pagam-se caro. Sobretudo para a RTP. Mas na cabeça do presidente da RTP não fazia mal, porque é o dinheiro, a posição, o estatuto da televisão pública e os recursos da RTP que estavam em causa e não os dele, presidente da administração.
 
Foi contratada a Flor Pedroso, da casa, mas na Antena 1, e duas pessoas de fora (Helena Garrido, Cândida Pinto (SIC), esta última a única com créditos em televisão), quando a própria administração da RTP tinha dado indicações de não haver mais contratações externas. Ainda hoje nem absorveram os seus precários detectados!
 
Desde cedo, ficou claro que as pessoas contratadas sem créditos em televisão não tinham a mínima vocação para o trabalho. Era boas profissionais noutras áreas, mas não em televisão. Desde o início e até agora, andam perdidas no seu novo quotidiano. Os lugares de direcção da RTP foram disponibilizados como se de um período experimental se tratasse, embora sem os benefícios legais do período experimental. Ninguém parece querer dar a mão à palmatória. No fundo, a RTP gere-se sozinha.
 
Mas, mais tarde ou mais cedo ou mais cedo que tarde, as lacunas aparecem. Pode ser um mero episódio, que nem sequer é o caso, porque nunca é de esperar ver um director de informação fazer de assessor de imprensa. Mas é inevitável que essa incompetência para um cargo se note. Foi o caso.
 
Vá lá, camaradas jornalistas. Digam de vossa justiça ao que vêm e não se refugiem no “independentemente das questões internas da empresa onde é Diretora de Informação, que manifestamente nos ultrapassam”. Quantas vezes assinaram um abaixo-assinado em nome de outro camarada em apuros, de outras redacções em apuros, de camaradas das vossas próprias redacções? Tantos despedidos, afastados, humilhados, postos em causa, eventualmente com carreiras destruídas…
 
Por quê agora, porquê este caso?
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/portugal-de-um-longo-sono.html

Trump tinha rede de fake news com 55 milhões de contas no Facebook

247 - O Facebook informou ter desativado duas operações separadas de manipulação de opinião pública por meio de fake news, incluindo uma rede estabelecida no Vietnã e nos Estados Unidos que influenciava americanos com mensagens pró-Donald Trump. De acordo com a empresa, apenas as duas operações interagiam com nada menos que 55 milhões de pessoas.

O esquema é o mesmo apresentado pela deputada federal Joice Hasselmann na CPMI das Fake News, em que afirma que pelo menos 1,4 milhão dos 5,4 milhões de seguidores de Jair Bolsonaro, ou seja, mais de um terço são robôs.

 

Foram canceladas mais de 600 contas no Facebook e no Instagram de páginas, grupos e perfis falsos que compartilhavam conteúdo do grupo de mídia do Epoch Times, vinculado ao movimento espiritual do Falun Gong, proibido na China, e do BL, uma organização americana favorável a Trump.

"[As pessoas envolvidas nesta campanha] usaram amplamente perfis falsos, muitos dos quais foram automaticamente bloqueados por nossos sistemas, para gerenciar suas páginas e grupos, publicar automaticamente em uma frequência muito alta e redirecionar os usuários para outros sites", destaca Nathaniel Gleicher, chefe de cibersegurança do Facebook.

A empresa ainda identificou que alguns perfis publicaram fotos geradas por tecnologias de inteligência artificial, para se passar por americanos, para compartilhar textos, imagens e montagens sobre questões políticas dos Estados Unidos, desde o processo de impeachment contra Trump no Congresso, passando por religião, comércio e valores familiares.

O multiplicador de propaganda

http://www.informationclearinghouse.info/52738.htm

Como se fazem as cabeças , como se molda e manipula a opinião publica . Um importante estudo que deve ser conhecido

 

 

O Multiplicador de Propaganda
Por Swiss Propaganda Research
20 de dezembro de 2019 “Information Clearing House ” – É um dos aspectos mais importantes do nosso sistema de mídia, e ainda pouco conhecido do público: a maior parte da cobertura de notícias internacionais na mídia ocidental é fornecida por apenas três agências de notícias globais com sede em Nova York, Londres e Paris.

O papel fundamental desempenhado por essas agências significa que a mídia ocidental muitas vezes relatam sobre os mesmos tópicos, mesmo usando a mesma redação. Além disso, governos, militares e serviços de inteligência usam essas agências de notícias globais como multiplicadores para espalhar suas mensagens ao redor do mundo.

Um estudo da cobertura da guerra na Síria por nove jornais europeus principais ilustra claramente estas questões: 78% de todos os artigos foram baseados no todo ou em parte em relatórios de agências, mas 0% em pesquisa investigativa. Além disso, 82% de todas as peças de opinião e entrevistas eram a favor de uma intervenção dos EUA e da OTAN, enquanto a propaganda era atribuída exclusivamente ao lado oposto.

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O Multiplicador de Propaganda:

Como as agências de notícias globais e
Relatório dos meios ocidentais na geopolítica

Um estudo da Swiss Propaganda Research

Traduzido por Terje Maloy
“Portanto, você sempre tem que se perguntar: Por que eu entendo isso
informações específicas, desta forma específica, neste momento específico?
Em última análise, estas são sempre perguntas sobre o poder.” (
*)

Dr. Konrad Hummler, executivo suíço de bancos e mídia

Introdução: “Algo estranho”

“Como o jornal sabe o que sabe?” A resposta a esta pergunta é provável surpreender alguns leitores do jornal: “A fonte principal de informação é a história relatada pelas  agências de notícias. As agências de notícias quase anónimas são de certa forma a chave para eventos mundiais. Então, quais são os nomes dessas agências, como elas funcionam e quem as financia? Para julgar o quão bem se é informado sobre os acontecimentos no Oriente e no Ocidente, deve-se saber as respostas a essas perguntas.” (Höhne 1977, p. 11)
Um pesquisador de mídia suíço ressalta: “As agências de notícias são os fornecedores mais importantes de material para a mídia de massa. Nenhum meio de comunicação diário pode trabalhar e noticiar sem elas.  Assim, as agências de notícias influenciam a nossa imagem do mundo; acima de tudo, sabemos o que eles selecionaram.” (Blum 1995, p. 9)
Tendo em conta a sua importância essencial, é ainda mais surpreendente que estas agências são pouco conhecidas do público: “Uma grande parte da sociedade não tem conhecimento de que as agências de notícias são a principal e muitas vezes exclusiva fonte da noticia … Na verdade, eles desempenham um papel extremamente importante no mercado de mídia. Mas, apesar dessa grande importância, pouca atenção lhes foi dada no passado.” (Schulten-Jaspers 2013, p. 13)
Mesmo o chefe de uma agência de notícias observou: “Há algo estranho sobre as agências de notícias. Eles são pouco conhecidos do público. Ao contrário de um jornal, sua atividade não não está no centro das atenções, mas eles sempre podem ser encontrados na fonte da noticia.” (Segbers 2007, p. 9)

“O Centro Nervoso Invisível do Sistema de Mídia”

Então, quais são os nomes dessas agências que estão “sempre na origem da história”? Restam agora apenas três agências noticiosas globais:
  1. A American Associated Press (AP)com mais de4000 funcionários em todo o mundo. A AP pertence a empresas de mídia dos EUA e tem seu principal escritório editorial em Nova York. Ap news é usado por cerca de 12.000 meios de comunicação internacionais, atingindo mais da metade da população mundial todos os dias.
  2. O quase-governamental francês Agence France-Presse (AFP)com sede em Paris e com cerca de4000 funcionários. A AFP envia mais de 3000 histórias e fotos todos os dias para a mídia em todo o mundo.
  3. A agência britânica Reuters em Londres, que é de propriedade privada e emprega pouco mais de 3000 pessoas. Reuters foi adquirida em 2008 pelo empresário de mídia canadense Thomson – uma das 25 pessoas mais ricas do mundo – e fundiu-se em Thomson Reuters, com sede em Nova York.
Além disso, muitos países dirigem suas próprias agências de notícias. Estes incluem, por exemplo, o DPA alemão, o APA austríaco, e o SDA suíço. Quando se trata de notícias internacionais, no entanto, as agências nacionais geralmente dependem das três agências globais e simplesmente copiar e traduzir seus relatórios.
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As três agências noticiosas globais Reuters, AFP e AP, e as três agências nacionais dos países de língua alemã da Áustria (APA), Alemanha (DPA) e Suíça (SDA).
Wolfgang Vyslozil, ex-diretor administrativo da APA austríaca, descreveu o papel fundamental das agências de notícias com estas palavras: “As agências de notícias raramente são aos olhos do público. No entanto, eles são um dos mais influentes e, ao mesmo tempo, um dos tipos de mídia menos conhecidos. São instituições-chave de importância substancial para qualquer sistema de comunicação social. Eles são o centro nervoso invisível que conecta todas as partes deste sistema.” (Segbers 2007, p.10)

Abreviação pequena, grande efeito

No entanto, há uma simples razão pela qual as agências globais, apesar de sua importância, são praticamente desconhecidas para o público em geral. Para citar um professor suíço da comunicação social: “Rádio e televisão geralmente não nomeiam suas fontes, e somente os especialistas podem decifrar referências nos compartimentos.” (Blum 1995, P. 9)
O motivo para essa discrição, no entanto, deve ser claro: os meios de comunicação não estão particularmente interessados em deixar os leitores saberem que eles não pesquisaram a maioria de suas contribuições.
A figura a seguir mostra alguns exemplos de marcação de fonte em jornais europeus populares. Ao lado das abreviaturas da agência, encontramos as iniciais dos editores que editaram o respectivo relatório da agência.
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Agências de notícias como fontes em artigos de jornal
Ocasionalmente, os jornais usam material da agência, mas não mas não a referenciam em tudo. Um estudo realizado em 2011 pelo Instituto Suíço de Pesquisa para a Esfera Pública e Sociedade da Universidade de Zurique chegou às seguintes conclusões (FOEG 2011):
“As contribuições da agência são exploradas integralmente sem rotulá-las, ou são parcialmente reescritas para fazê-las aparecer como uma contribuição editorial. Além disso, há uma prática de “apimentar” relatórios de agências com pouco esforço: por exemplo, relatórios de agências inéditas são enriquecidos com imagens e gráficos e apresentados como artigos abrangentes.”
As agências desempenham um papel proeminente não só na imprensa, mas também na radiodifusão privada e pública. Isto é confirmado por Volker Braeutigam, que trabalhou para a emissora estatal alemã ARD durante dez anos e vê o domínio dessas agências criticamente:
“Um problema fundamental é que a redação da ARD obtém suas informações, principalmente a partir de três fontes: as agências de notícias DPA / AP, Reuters e AFP: um alemão / americano, um britânico e um francês. () O editor que trabalha em um tópico da notícia precisa somente de selecionar algumas passagens do texto na tela que considera essencial, rearranjá-las e cola-las junto com alguns floriados.”
Swiss Radio and Television (SRF), também, baseia-se em grande parte em relatórios dessas agências. Perguntado pelos telespectadores por que uma marcha pela paz na Ucrânia não foi relatado, os editores disseram:“Até à data, não recebemos um único relatório desta marcha das agências independentes Reuters, AP e AFP.”
Na verdade, não só o texto, mas também as imagens, som e gravações de vídeo que encontramos em nossos meios de comunicação todos os dias, são principalmente das mesmas agências. O que o público não iniciado pode pensar como contribuições de seu jornal local ou estação de TV, são realmente copiados relatórios de Nova York, Londres e Paris.
Alguns meios de comunicação até foram um passo além e, por falta de recursos, sub contratou todo o seu escritório editorial estrangeiro para uma Agência. Além disso, é sabido que muitos portais de notícias na internet publicam principalmente relatórios de agências (ver, por exemplo, Paterson 2007, Johnston 2011, MacGregor 2013).
No final, essa dependência das agências globais cria uma semelhança impressionante na reportagem internacional: de Viena a Washington, nossos meios de comunicação muitas vezes relatam os mesmos tópicos, usando muitas das mesmas frases – um fenómeno que poderia ser associado como “meios controlados por estados autoritários”.
O gráfico a seguir mostra alguns exemplos de publicações alemãs e internacionais. Como você pode ver, apesar da “objectividade” alegada, uma ligeira distorção (geo-) política, por vezes, verifica se na notícia ou no título
“Putin ameaça”, “O Irã provoca”, “OTAN em causa”, “fortaleza de Assad”: Semelhanças em conteúdo e redação devido a relatórios de agências de notícias globais.
 

O papel dos correspondentes

Grande parte da nossa mídia não tem correspondentes estrangeiros próprios, então eles não têm escolha a não ser confiar completamente em agências globais para notícias estrangeiras. Mas que sobre os jornais diários grandes e as estações da tevê que têm seus próprios correspondentes internacionais? Nos países de língua alemã, por exemplo, estes incluem jornais como NZZ, FAZ, Sueddeutsche Zeitung, Welt e emissoras públicas.
Em primeiro lugar, os índices de tamanho devem ser mantidos em mente: enquanto as agências globais têm vários milhares de funcionários em todo o mundo, até mesmo o jornal suíço NZZ, conhecido por sua reportagem internacional, mantém apenas 35 correspondentes estrangeiros (incluindo seus negócios correspondentes). Em países enormes tais como China ou India, somente um correspondente é postado; toda a América do Sul é coberta por apenas dois jornalistas, enquanto na África ainda maior ninguém está no terreno permanentemente.
Além disso, em zonas de guerra, os correspondentes raramente se aventuram. Sobre a guerra na Síria, por exemplo, muitos jornalistas “relataram” de cidades como Istambul, Beirute, Cairo ou mesmo de Chipre. Além disso, muitos jornalistas não têm as habilidades linguísticas para entender a população local e a mídia.
Como os correspondentes tais circunstâncias sabem o que a notícia é em sua região do mundo? A principal resposta é mais uma vez: das agências globais. O correspondente holandês do Oriente Médio Joris Luyendijk descreveu de forma impressionante como os correspondentes funcionam e como eles dependem das agências mundiais em seu livro “People Like Us: Deturpando o Oriente Médio” :
“Eu tinha imaginado correspondentes para ser historiadores do momento. Quando algo importante acontecia, eles iam atrás dele, descobriam o que estava acontecendo e relatavam sobre isso. Mas eu não saí para descobrir o que estava acontecendo; isso tinha sido feito muito antes. Eu fui junto apresentar um relatório no local.
Os editores na Holanda ligaram quando algo aconteceu, enviaram um fax ou enviaram um e-mail para os comunicados de imprensa, e eu os recontaria em minhas próprias palavras no rádio, ou os retrabalhava em um artigo para o jornal. Esta foi a razão pela qual meus editores acharam mais importante que eu pudesse ser alcançado no lugar em si do que eu sabia o que estava acontecendo. As agências de notícias forneceram informações suficientes para você ser capaz de escrever ou falar o seu caminho através de qualquer crise ou reunião de cúpula.
É por isso que muitas vezes você se deparar com as mesmas imagens e histórias, se você folhear alguns jornais diferentes ou clicar nos canais de notícias.
Nossos homens e mulheres em Londres, Paris, Berlim e Washington bureaus – todos pensavam que os temas errados estavam dominando a notícia e que estávamos seguindo os padrões das agências de notícias muito servilmente.
A idéia comum sobre correspondentes é que eles “têm a história”, () mas a realidade é que a notícia é uma correia transportadora em uma fábrica de pão. Os correspondentes estão no final da correia transportadora, fingindo que assou que pão branco nós mesmos, enquanto na verdade tudo o que fizemos é colocá-lo em seu embrulho.
Depois, um amigo me perguntou como eu tinha conseguido responder a todas as perguntas durante as conversações cruzadas, a cada hora e sem hesitação. Quando eu disse a ele que, como no noticiário da TV, você sabia todas as perguntas com antecedência, sua resposta por e-mail veio repleta de palavrões. Meu amigo tinha relalized que, por décadas, o que tinha prestado atenção e escutando na notícia era teatro puro.” (Luyendjik 2009, p. 20-22, 76, 189)
Em outras palavras, o correspondente típico não é, em geral, capaz de fazer pesquisas independentes, mas sim lida com e reforça os temas que já são prescritos pelas agências de notícias – o notório “efeito mainstream”.
Além disso, por razões de redução de custos, muitos meios de comunicação hoje em dia têm que compartilhar seus poucos correspondentes estrangeiros, e dentro de grupos de mídia individuais, os relatórios estrangeiros são freqüentemente usados por várias publicações – nenhum dos quais contribui para a diversidade na reportagem.

“O que a agência não relata, não ocorre”

O papel central das agências de notícias também explica por que, em conflitos geopolíticos, a maioria dos meios de comunicação usa as mesmas fontes originais. Na guerra síria, por exemplo, o“Observatório Sírio dos Direitos Humanos” – uma organização duvidosa de um homem só com sede em Londres – destaque. A mídia raramente perguntava diretamente neste “Observatório”, já que seu operador era de fato difícil de alcançar, mesmo para jornalistas.
Em vez disso, o “Observatório” entregou suas histórias para agências globais, que as encaminharam para milhares de meios de comunicação, que por sua vez “informaram” centenas de milhões de leitores e telespectadores em todo o mundo. A razão pela qual as agências, de todos os lugares, se referiam a este estranho “Observatório” em seus relatórios – e que realmente o financiou – é uma pergunta que raramente foi feita.
O ex-editor-chefe da agência de notícias alemã DPA, Manfred Steffens, afirma, portanto, em seu livro “The Business of News”:
“Uma notícia não se torna mais correta simplesmente porque se é capaz de fornecer uma fonte para isso. É realmente bastante questionável confiar em uma notícia mais justa porque uma fonte é citada. () Por trás do escudo protetor como uma “fonte” significa para uma história, algumas pessoas estão inclinadas a espalhar coisas bastante aventureiras, mesmo que elas mesmas tenham dúvidas legítimas sobre sua correção; a responsabilidade, pelo menos moralmente, sempre pode ser atribuída à fonte citada.” (Steffens 1969, p. 106)
A dependência das agências globais é também uma das principais razões pelas quais a cobertura mediática de conflitos geopolíticos é muitas vezes superficial e errática, enquanto as relações e antecedentes históricos estão fragmentados ou completamente ausentes. Como colocado por Steffens: “As agências de notícias recebem seus impulsos quase exclusivamente de eventos atuais e, portanto, são por sua própria natureza ahistoric. Eles estão relutantes em adicionar mais contexto do que é estritamente necessário.” (Steffens 1969, p. 32)
Por último, o domínio das agências globais explica por que razão certas questões e acontecimentos geopolíticos – que muitas vezes não se enquadram muito bem na narrativa dos EUA/OTAN ou são demasiado “sem importância” – não são mencionados nos nossos meios de comunicação social: se as agências não se reportarem sobre alguma coisa, então a maioria dos meios de comunicação ocidentais não estará ciente disso. Como apontado por ocasião do 50º aniversário da DPA alemã: “O que a agência não relata, não acontece.” (Wilke 2000, p. 1)

“Adicionando histórias questionáveis”

Enquanto alguns tópicos não aparecem em todos os nossos meios de comunicação, outros tópicos são muito proeminentes – mesmo que eles não devem realmente ser: “Muitas vezes os meios de comunicação de massa não relatam sobre a realidade, mas sobre uma realidade construída ou encenada. () Vários estudos têm mostrado que os meios de comunicação de massa são predominantemente determinados por atividades de RELAÇÕES PÚBLICAS e que atitudes passivas e receptivas superam as de pesquisa ativa.” (Blum 1995, p. 16)
De facto, devido ao desempenho jornalístico um pouco baixo de nossos meios e a sua dependência elevada em algumas agências de notícia, é fácil para partidos interessados espalhar a propaganda e a desinformação em um formato suposta respeitável a uma audiência mundial. DPA editor Steffens advertiu sobre este perigo:
“O sentido crítico fica mais embalado quanto mais respeitado a agência de notícias ou jornal é. Alguém que quer introduzir uma história questionável na imprensa do mundo só precisa tentar colocar sua história em uma agência razoavelmente respeitável, para ter certeza de que, em seguida, aparece um pouco mais tarde nos outros. Às vezes acontece que um hoax passa de agência para agência e se torna cada vez mais credível.” (Steffens 1969, p. 234)
Entre os atores mais ativos em “injetar” notícias geopolíticas questionáveis estão os ministérios militares e de defesa. Por exemplo, em 2009, o chefe da agência de notícias americana AP, Tom Curley, tornou público que o Pentágono emprega mais de 27.000 especialistas em relações públicas que, com um orçamento de quase US $ 5 bilhões por ano, estão trabalhando na mídia e circulando manipulações direcionadas. Além disso, generais de alto escalão dos EUA ameaçaram que iriam “arruinar” ele e a AP se os jornalistas relatassem muito criticamente sobre os militares dos EUA.
Apesar – ou por causa de? – tais ameaças nossos meios publicam regularmente histórias dubious originárias a alguns “informants unnamed” “dos círculos da defesa dos E.U.”.
Ulrich Tilgner, um veterano correspondente do Oriente Médio para a televisão alemã e suíça, advertiu em 2003, logo após a guerra do Iraque, de atos de engano pelos militares e o papel desempenhado pela mídia:
“Com a ajuda da mídia, os militares determinam a percepção pública e a usam para seus planos. Eles conseguem agitar as expectativas e espalhar cenários enganosos. Neste novo tipo de guerra, os estrategistas de relações públicas da administração dos EUA cumprem uma função semelhante à dos pilotos de bombardeiros. Os departamentos especiais de relações públicas no Pentágono e nos serviços secretos tornaram-se combatentes na guerra da informação.
Para suas manobras de engano, os militares dos EUA usam especificamente a falta de transparência na cobertura da mídia. A forma como eles espalham informações, que é então pego e distribuído por jornais e emissoras, torna impossível para os leitores, ouvintes ou telespectadores para rastrear a fonte original. Assim, o público não reconhecerá a intenção real dos militares.” (Tilgner 2003, p. 132)
O que é conhecido dos militares dos EUA, não seria estranho aos serviços de inteligência dos EUA. Em um relatório notável pelo British Channel 4, ex-funcionários da CIA e um correspondente da Reuters falou abertamente sobre a disseminação sistemática de propaganda e desinformação na comunicação sobre conflitos geopolíticos:
O antigo agente da CIA e denunciante John Stockwell disse sobre o seu trabalho na guerra angolana: “O tema básico era fazer com que parecesse uma agressão [inimiga]. Assim, qualquer tipo de história que você poderia escrever e entrar na mídia em qualquer lugar do mundo, que empurrou essa linha, nós fizemos. Um terço da minha equipe nesta força-tarefa eram propagandistas, cujo trabalho profissional de carreira era inventar histórias e encontrar maneiras de levá-los para a imprensa. () Os editores na maioria dos jornais ocidentais não são muito céticos em relação a mensagens que estão em conformidade com visões gerais e preconceitos. () Então nós viemos com outra história, e foi mantido por semanas. () Mas era tudo ficção.”
Fred Bridgland olhou para trás em seu trabalho como correspondente de guerra para a agência Reuters: “Nós baseamos nossos relatórios em comunicações oficiais. Só anos mais tarde me apercebi que um especialista em desinformação da CIA sentado na embaixada dos EUA  tinha composto esses comunicados que não tinham absolutamente nenhuma relação com a verdade. () Basicamente, e para colocá-lo muito grosseiramente, você pode publicar qualquer porcaria velha e ele vai entrar no jornal.”
E o ex-analista da CIA David MacMichael descreveu seu trabalho na Guerra Contra na Nicarágua com estas palavras: “Eles disseram que nossa inteligência da Nicarágua era tão boa que poderíamos até registrar quando alguém lavava um banheiro. Mas eu tive a sensação de que as histórias que estávamos dando para a imprensa veio direto para fora do banheiro.” (Hird 1985 )
Claro, os serviços de inteligência também têm um grande número de contatos diretos em nossos meios decomunicação, que podem ser “vazados” informações para, se necessário. Mas sem o papel central das agências de notícias globais, a sincronização mundial da propaganda e da desinformação nunca seria tão eficiente.
Através deste “multiplicador de propaganda”, histórias duvidosas de especialistas em relações públicas que trabalham para governos, militares e serviços de inteligência atingem o público em geral com noticias mais ou menos fantasiadas  e não filtradas. Os jornalistas referem-se às agências noticiosas e as agências noticiosas como as suas fontes. Embora muitas vezes eles tentam apontar incertezas (e se proteger) com termos como “aparente”, “alegado” e afins – até que o boato tenha sido espalhado para o mundo e seu efeito propagandístico tenha ocorrido.
O Multiplicador de Propaganda: Governos, militares e serviços de inteligência usando agências de notícias globais para disseminar suas mensagens para um público mundial.
 

Como o New York Times relatou …

Além das agências de notícias globais, há outra fonte que é frequentemente usada por meios de comunicação em todo o mundo para relatar conflitos geopolíticos, ou seja, as principais publicações na Grã-Bretanha e nos EUA.
Agências de notícias como o New York Times ou a BBC podem ter até 100 correspondentes estrangeiros e funcionários externos adicionais. No entanto, como o correspondente do Oriente Médio, Luyendijk, aponta:
“Nossas equipes de notícias, eu incluído, alimentados com a seleção de notícias feitas por meios de comunicação de qualidade como a CNN, a BBC eo New York Times. Fizemos isso na suposição de que seus correspondentes entendiam o mundo árabe e comandamos uma visão dele – mas muitos deles acabaram por não falar árabe, ou pelo menos não o suficiente para ser capaz de ter uma conversa nele ou seguir a mídia local. Muitos dos cães superiores no CNN, no BBC, no independent, no guardian, no Yorker novo, e no NYT eram mais frequentemente do que não dependentes dos assistentes e dos tradutores.” (Luyendijk p. 47)
Além disso, as fontes desses meios de comunicação muitas vezes não são fáceis de verificar (“círculos militares”, “funcionários anónimos do governo”, “funcionários de inteligência” e afins) e, portanto, também podem ser usados para a disseminação da propaganda. Em qualquer caso, a orientação generalizada para as principais publicações anglo-saxônicas leva a uma maior convergência na cobertura geopolítica em nossos meios de comunicação.
A seguinte figura mostra alguns exemplos de tal citação com base na cobertura síria do maior jornal diário da Suíça, Tages-Anzeiger. Os artigos são todos dos primeiros dias de outubro de 2015, quando a Rússia interveio diretamente na guerra síria (fontes dos EUA/Reino Unido são destacadas):
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Citação frequente dos principais meios de comunicação britânicos e norte-americano, exemplificada pela cobertura da guerra na Síria do jornal diário suíço Tages-Anzeiger em outubro de 2015.

A narrativa desejada

Mas por que os jornalistas em nossos meios de comunicação não simplesmente tentam pesquisar e relatar independentemente das agências globais e da mídia anglo-saxônica? Luyendijk, correspondente do Oriente Médio, descreve suas experiências:
“Você pode sugerir que eu deveria ter procurado fontes que eu poderia confiar. Eu tentei, mas sempre que eu queria escrever uma história sem o uso de agências de notícias, a principal mídia anglo-saxônica, ou cabeças falantes, ela desmoronou. () Obviamente eu, como correspondente, poderia contar histórias muito diferentes sobre uma e a mesma situação. Mas a mídia só poderia apresentar um deles, e muitas vezes, que foi exatamente a história que confirmou a imagem predominante.” (Luyendijk p.54ff)
O pesquisador de mídia Noam Chomsky descreveu esse efeito em seu ensaio “O que torna a grande mídia mainstream”, da seguinte forma: “Se você deixar a linha oficial, se você produzir relatórios dissidentes, então você vai sentir isso em breve. () Há muitas maneiras de levá-lo de volta na linha rapidamente. Se você não seguir as diretrizes, você não vai manter seu trabalho por muito tempo. Este sistema funciona muito bem, e reflete estruturas de poder estabelecidas.” (Chomsky 1997)
No entanto, alguns dos principais jornalistas continuam a acreditar que ninguém pode dizer-lhes o que escrever. Como é que isto se apara? Pesquisador de mídia Chomsky esclarece a aparente contradição:
“[T] ele ponto é que eles não estariam lá a menos que eles já tinham demonstrado que ninguém tem que dizer-lhes o que escrever, porque eles vão dizer a coisa certa. Se eles tivessem começado na mesa do metrô, ou algo assim, e tivesse perseguido o tipo errado de histórias, eles nunca teriam chegado às posições onde agora podem dizer qualquer coisa que quiserem. O mesmo é na maior parte verdadeiro da faculdade da universidade nas disciplinas mais ideological. Eles passaram pelo sistema de socialização.” (Chomsky 1997)
Em última análise, esse “sistema de socialização” leva a um jornalismo que não pesquisa e relata criticamente de forma independente sobre conflitos geopolíticos (e alguns outros tópicos), mas busca consolidar a narrativa desejada por meio de editoriais apropriados, comentários e entrevistas.

Conclusão: A “Primeira Lei do Jornalismo”

O ex-jornalista da AP Herbert Altschull chamou-lhe a Primeira Lei do Jornalismo: “Em todos os sistemas de imprensa, os meios de comunicação são instrumentos daqueles que exercem poder político e económico. Jornais, periódicos, estações de rádio e televisão não agem de forma independente, embora tenham a possibilidade de exercício independente do poder.” (Altschull 1984/1995, p. 298)
Nesse sentido, é lógico que nossos meios de comunicação tradicionais – que são predominantemente financiados pela publicidade ou pelo Estado – representem os interesses geopolíticos da aliança transatlântica, uma vez que tanto as empresas de publicidade quanto os estados eles próprios dependem da arquitetura econômica e de segurança transatlântica liderada pelos Estados Unidos.
Além disso, as pessoas-chave da nossa principal mídia são – no espírito do “sistema de socialização” de Chomsky – muitas vezes eles próprios fazem parte das redes transatlânticas de elite. Algumas das instituições mais importantes a este respeito incluem o Conselho de Relações Exteriores dos EUA (CFR), o Grupo Bilderberg e a Comissão Trilateral, que apresentam muitos jornalistas proeminentes (ver um estudo aprofundado desses grupos ).
A maioria de publicações conhecidas, conseqüentemente, podem certamente ser vistas como um tipo “dos meios do estabelecimento”. Isso porque, no passado, a liberdade de imprensa era bastante teórica, dadas as barreiras de entrada significativas, como licenças de transmissão, vagas de frequência, requisitos para financiamento e infraestrutura técnica, canais de vendas limitados, dependência de publicidade e outras restrições.
Foi apenas devido à Internet que a Primeira Lei de Altschull foi quebrada até certo ponto. Assim, nos últimos anos, surgiuum jornalismo de alta qualidade financiado peloleitor, muitas vezes superando a mídia tradicional em termos de relatórios críticos. Algumas dessas publicações “alternativas” já atingem um público muito grande, mostrando que a “massa” não precisa ser um problema para a qualidade de um meio de comunicação.
No entanto, até agora a mídia tradicional tem sido capaz de atrair uma sólida maioria dos visitantes on-line, também. Isso, por sua vez, está intimamente ligado ao papel oculto das agências de notícias, cujos relatórios de ponta formam a espinha dorsal da maioria dos sites de notícias on-line.
O “poder político e económico”, de acordo com a Lei de Altschull, manterá o controle sobre as notícias ou “notícias descontroladas” mudarão a estrutura de poder político e económico? Os próximos anos nos mostrarão.

Estudo de caso: Cobertura da guerra na Síria

Como parte de um estudo de caso, a cobertura da guerra síria de nove jornais diários líderes da Alemanha, Áustria e Suíça foram examinadas quanto à pluralidade de pontos de vista e à dependência de agências de notícias. Os seguintes jornais foram selecionados:
  • Para a Alemanha: Die Welt, Süddeutsche Zeitung (SZ) e Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ)
  • Para a Suíça: Neue Zürcher Zeitung (NZZ), Tagesanzeiger (TA) e Basler Zeitung (BaZ)
  • Para a Áustria: Standard, Kurier e Die Presse
O período de investigação foi definido como de 1 a 15 de outubro de 2015, ou seja, as duas primeiras semanas após a intervenção direta da Rússia no conflito sírio. Toda a impressão e cobertura on-line desses jornais foi levado em conta. Todas as edições de domingo não foram levadas em conta, como nem todos os jornais examinados têm tal. No total, 381 artigos de jornal atenderam aos critérios declarados.
Em um primeiro passo, os artigos foram classificados de acordo com suas propriedades nos seguintes grupos:
  1. Agências:Relatórios de agências de notícias (com código de agência)
  2. Misto:Relatórios simples (com nomes de autores) que são baseados no todo ou em parte em relatórios de agências
  3. Relatórios:Relatórios e análises de antecedentes editoriais
  4. Opiniões/Comentários:Opiniões e comentários dos convidados
  5. Entrevistas:Entrevistas com especialistas, políticos etc.
  6. Investigação:Pesquisa investigativa que revela novas informações ou contexto
A seguinte Figura 1 mostra a composição dos artigos para os nove jornais analisados no total. Como se pode ver, 55% dos artigos foram reportagens de agências de notícias; 23% de relatórios editoriais baseados em material da agência; 9% de relatórios de antecedentes; 10% de opiniões e comentários dos convidados; 2% de entrevistas; e 0% com base em pesquisas investigativas.
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Figura 1: Tipos de artigos (total; n=381)
Os textos da agência pura – de curto prazo para os relatórios detalhados – foram principalmente nas páginas da Internet dos jornais diários: por um lado, a pressão para notícias de última hora é maior do que na edição impressa, por outro lado, não há restrições de espaço. A maioria dos outros tipos de artigos foram encontrados em ambas as edições on-line e impressas; algumas entrevistas exclusivas e relatórios de fundo foram encontrados apenas nas edições impressas. Todos os itens foram coletados apenas uma vez para a investigação.
A seguinte Figura 2 mostra a mesma classificação em uma base por jornal. Durante o período de observação (duas semanas), a maioria dos jornais publicou entre 40 e 50 artigos sobre o conflito sírio (impresso e on-line). No jornal alemão Die Welt havia mais (58), no Basler Zeitung e no kurieraustríaco , no entanto, significativamente menos (29 ou 33).
Dependendo de qual jornal, a participação dos relatórios da agência é de quase 50% (Welt, Süddeutsche, NZZ, Basler Zeitung), pouco menos de 60% (FAZ, Tagesanzeiger) e 60 a 70% (Imprensa, Standard, Courier). Juntamente com os relatórios baseados na agência, a proporção na maioria dos jornais é entre aproximadamente. 70% e 80%. Essas proporções são consistentes com estudos de mídia anteriores (por exemplo, Blum 1995, Johnston 2011, MacGregor 2013, Paterson 2007).
Nos relatórios de fundo, os jornais suíços estavam levando (cinco a seis peças), seguido por Welt, Süddeutsche e Standard (quatro cada) e os outros jornais (um a três). Os relatórios e análises de fundo foram, em particular, dedicados à situação e ao desenvolvimento no Oriente Médio, bem como aos motivos e interesses de atores individuais (por exemplo, Rússia, Turquia, Estado Islâmico).
No entanto, a maioria dos comentários foram encontrados nos jornais alemães (sete comentários cada), seguido por Standard (cinco), NZZ e Tagesanzeiger (quatro cada). Basler Zeitung não publicou nenhum comentário durante o período de observação, mas duas entrevistas. Outras entrevistas foram realizadas por Standard (três) e Kurier e Presse (um cada). A pesquisa investigativa, entretanto, não poderia ser encontrada em alguns dos jornais.
Em particular, no caso dos três jornais alemães, observou-se uma mistura jornalística problemática de artigos de opinião e relatórios. Os relatórios continham fortes expressões de opinião, embora não tenham sido marcados como comentários. O presente estudo foi, em qualquer caso, baseado na rotulagem do artigo pelo jornal.
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Figura 2: Tipos de artigos por jornal
 
A seguinte Figura 3 mostra a repartição das histórias da agência (por abreviatura da agência) para cada agência de notícias, no total e por país. Os 211 relatórios da agência carregavam um total de 277 códigos de agência (uma história pode consistir em material de mais de uma agência). No total, 24% dos relatórios das agências vieram da AFP; cerca de 20% cada pela DPA, APA e Reuters; 9% da SDA; 6% da AP; e 11% eram desconhecidos (sem rotulagem ou termo cobertor “agências”).
Na Alemanha, a DPA, AFP e Reuters cada um tem uma quota de cerca de um terço das notícias. Na Suíça, a SDA e a AFP estão na liderança, e na Áustria, apa e reuters.
Na verdade, as ações das agências globais AFP, AP e Reuters são susceptíveis de ser ainda maior, como o SDA suíço ea APA austríaco obter seus relatórios internacionais, principalmente das agências globais e da DPA alemão coopera estreitamente com o AP americano.
Note-se também que, por razões históricas, as agências globais estão representadas de forma diferente em diferentes regiões do mundo. Para os acontecimentos na Ásia, Ucrânia ou África, a percentagem de cada agência será, portanto, diferente dos acontecimentos no Médio Oriente.
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Figura 3: Participação de agências de notícias, total (n=277) e por país
Na etapa seguinte, as declarações centrais foram utilizadas para avaliar a orientação das opiniões editoriais (28), comentários de convidados (10) e parceiros de entrevista (7) (um total de 45 artigos). Como mostra a Figura 4, 82% das contribuições eram geralmente amigáveis entre os EUA e a OTAN, 16% neutras ou equilibradas, e 2% predominantemente eua/OTAN críticas.
A única contribuição predominantemente crítica dos EUA/OTAN foi um editorial no PadrãoAustríaco em 2 de outubro de 2015, intitulado: “A estratégia de mudança de regime falhou. Uma distinção entre grupos terroristas “bons” e “maus” na Síria torna a política ocidental não confiável.”
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Figura 4: Orientação de opiniões editoriais, comentários de convidados e entrevistados (total; n=45).
A seguinte Figura 5 mostra a orientação das contribuições, comentários de convidados e entrevistados, por sua vez, discriminadas por jornais individuais. Como se pode ver, Welt, Süddeutsche Zeitung, NZZ, Zürcher Tagesanzeiger e o jornal austríaco Kurier apresentaram exclusivamente pareceres favoráveis aos EUA/OTAN e contribuições para os hóspedes; isso vale para a FAZ também, com exceção de uma contribuição neutra/equilibrada. A Norma trouxe quatro amigos dos EUA/OTAN, três equilibrados/neutros, bem como as já mencionadas contribuições críticas de opinião entre os EUA e a OTAN.
Presse foi o único dos jornais examinados a publicar predominantemente opiniões neutras/equilibradas e contribuições para convidados. O Basler Zeitung publicou um eua/OTAN-friendly e uma contribuição equilibrada. Pouco depois do período de observação (16 de outubro de 2015), Basler Zeitung também publicou uma entrevista com o presidente do Parlamento russo. Isto teria sido, naturalmente, contado como uma contribuição crítica dos EUA/OTAN.
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Figura 5: Orientação básica de artigos de opinião e entrevistados por jornal
Em uma análise mais adicional, uma busca full-text da palavra-chave para a “propaganda” (e as combinações da palavra disso) foi usada para investigar em que casos os jornais eles mesmos identificaram a propaganda em um dos dois lados geopolíticos do conflito, EUA/OTAN ou Rússia (o participante “IS/ISIS” não foi considerado). No total, foram identificados vinte casos. A figura 6mostra o resultado: em 85% dos casos, a propaganda foi identificada no lado russo do conflito, em 15% a identificação era neutra ou não declarada, e em 0% dos casos a propaganda foi identificada no lado eua/OTAN do conflito.
Note-se que cerca de metade dos casos (nove) estavam no NZZsuíço , que falava de propaganda russa com bastante freqüência (“Propaganda do Kremlin”, “máquina de propaganda de Moscou”, “histórias de propaganda”, “aparelho de propaganda russa”, etc.), seguido pelo alemão FAZ (três), Welt e Süddeutsche Zeitung (dois cada) e o jornal austríaco Kurier (um). Os outros jornais não mencionam propaganda, ou apenas em um contexto neutro (ou no contexto do EI).
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Figura 6: Atribuição de propaganda a partidos em conflito (total; n=20).

Conclusão

Neste estudo de caso, a cobertura geopolítica em nove jornais europeus principais foi examinada para a diversidade e o desempenho jornalístico usando o exemplo da guerra na Siria.
Os resultados confirmam a alta dependência das agências noticiosas globais (63 a 90%, excluindo comentários e entrevistas) e a falta de investigação própria, bem como a composição bastante tendenciosa sobre os acontecimentos a favor do lado dos EUA/OTAN (82% positivo; 2% negativo), cujas histórias não foram verificadas pelos jornais para qualquer propaganda.
 
 

 

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2PLHvAp

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/21/o-multiplicador-de-propaganda/

Associação de jornalistas investigativos acusa Bolsonaro: "assédio moral" a profissionais de imprensa

 

 

247 - A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota nesta sexta-feira, 20, protestando vigorosamente contra o tratamento dispensado por Jair Bolsonaro a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada na manhã. Para a entidade, o que Bolsonaro fez caracteriza assédio moral aos profissionais: "Nesta sexta-feira (20.dez.2019), o presidente Jair Bolsonaro, ao ser abordado por jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, assediou moralmente os profissionais, recusou-se a responder perguntas e disse que a imprensa deveria se calar".

Leia a íntegra da nota da Abraji:

Nesta sexta-feira (20.dez.2019), o presidente Jair Bolsonaro, ao ser abordado por jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, assediou moralmente os profissionais, recusou-se a responder perguntas e disse que a imprensa deveria se calar.

Após fazer uma pergunta sobre a mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, um repórter recebeu a resposta do presidente: “Você pretende se casar comigo um dia? (...) Responde. Você não gosta de louro de olhos azuis?” Diante do silêncio do jornalista, Bolsonaro insistiu no assédio moral: “Não seja preconceituoso. Vou te processar por homofobia. Você é homofóbico”.

Outro jornalista perguntou ao presidente a respeito das investigações sobre seu filho, o deputado federal Flávio Bolsonaro. Também recebeu resposta agressiva e de tom sexista: “Você tem uma cara de homossexual terrível e nem por isso eu te acuso de ser homossexual”.

Foram mais de uma dezena de ocasiões ao longo do primeiro ano de mandato em que o presidente teve atitude semelhante. Os apoiadores do presidente que também o aguardam na porta do Alvorada costumam celebrar os ataques, acentuando o clima de intimidação contra os repórteres.

Embora desta vez os alvos tenham sido homens, as jornalistas são as mais visadas pelo presidente na hora de atacar os profissionais. Segundo relatos de repórteres, Bolsonaro visa determinadas mulheres para constranger frequentemente, sempre que as vê ou é abordado por elas.

Atacar jornalistas como forma de evitar prestar informações de interesse público e receber aplausos de apoiadores é ação incompatível com o respeito ao trabalho da imprensa, fundamental para a democracia.

Diretoria da Abraji, 20 de dezembro de 2020.

Pepe Escobar: redes sociais viraram instrumento de imbecilização

 

247 - O jornalista Pepe Escobar, em entrevista à TV 247, falou da relação entre as redes sociais e o enfraquecimento da democracia. Apesar de ressaltar que há exceções, Pepe afirmou que a população é imbecilizada por meio das redes, o que abala o fundamento de democracias liberais.

Ele afirmou que o populismo de direita e extrema-direita é muito hábil em utilizar as redes sociais para alienar e administrar sua massa de manobra. “O populismo de direita é ótimo em manipular redes sociais, que é, em grande parte, um sistema afiadíssimo e agudo de imbecilização de massa. O fato de que, por exemplo, o esporte favorito hoje da humanidade é tirar selfie é uma imbecilização, uma zumbificação em massa absolutamente extraordinária”.

 

Para Pepe, de acordo com preceitos do filósofo Karl Marx, o que acontece com o processo “zumbificação” da população por meio das redes é “alienação por excelência”. “Claro, temos alguns pequenos nichos de excelência de análise intelectual em todas as redes sociais, sem dúvida, mas eu diria que nunca no mundo inteiro as redes sociais funcionaram basicamente como um processo de estupidificação e de alienação. Se a gente fosse aplicar aqueles conceitos marxistas de velha guarda, isso é alienação por excelência”.

O jornalista esclareceu que este processo ocorre no mundo inteiro, apesar de que na Ásia há exemplos contrários, como Cingapura. “Uma verdadeira democracia liberal, que pressupõe cidadãos bem informados, alheio às fake news e capazes de um julgamento crítico sobre candidato ‘x’ ou ‘y’, está desaparecendo no mundo inteiro. Desapareceu nos Estados Unidos, desapareceu na Inglaterra, desapareceu no Brasil, desapareceu em vários países europeus e na Ásia é diferente. Eles preferem uma espécie de uma ditadura iluminista, uma espécie de ditadura ‘soft’ bem informada e com gente capacitada. Um exemplo que os ocidentais citam o tempo todo é Cingapura", disse.

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra:

 

Ministra da Cultura acusa PSD de denegrir a RTP para facilitar privatização

António Cotrim / Lusa

 

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, negou esta quinta-feira qualquer ingerência governamental na RTP e acusou o PSD de tentar desestabilizar as rádio e televisões públicas com o objetivo da sua privatização futura.

 

Em debate parlamentar de atualidade, requerido pelo PSD com o tema “RTP – Serviço Público”, esteve em causa, principalmente, a recente demissão da direção de informação da estação pública de televisão na sequência da polémica interna pela alegada suspensão do programa de investigação “Sexta às Nove”, nomeadamente uma reportagem sobre exploração de lítio, durante a campanha eleitoral para as legislativas.

“Eu também me questiono se o que está em causa não é, mais uma vez, criar uma situação de desestabilização, de ingerência, essa sim do PSD na RTP, para denegrir a RTP e criar condições para voltar a defender a privatização da RTP como já defendeu no passado e gostaria de voltar a defender no futuro”, acusou.

“Não há frontalidade do lado do PSD para assumir aquilo que quer para a RTP”.

 
 

“Que fique muito claro, este Governo nunca defendeu a privatização da RTP, sequer de algum canal da RTP. É uma marca muito importante, uma diferença entre o PSD e o Governo. O PSD defendeu no passado a privatização da RTP”, começou por dizer.

“Há outra coisa que diferencia muito bem o Governo do PSD. Ao contrário do PSD, nós não interferimos na RTP, não fazemos nenhum debate sobre a direção de informação da RTP. O PSD, ao trazer para debate em plenário, em plena campanha eleitoral do PSD, uma discussão sobre a direção de informação da RTP é extraordinário como consegue acusar o Governo de ingerência. Não, o Governo não intervém. O Governo não tem tutela”.

Na segunda-feira, 16 de dezembro, a diretora de informação da RTP, a jornalista Maria Flor Pedroso, colocou o seu lugar à disposição por considerar não ter “condições para a prossecução de um trabalho sério”.

A demissão surgiu na sequência de um conflito que a envolveu com a coordenadora do programa “Sexta às 9”, Sandra Felgueiras, incluindo, além da reportagem sobre o lítio, uma investigação sobre o Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM). A administração da RTP aceitou o seu pedido.

Em causa está um relato feito por Felgueiras numa reunião com o Conselho de Redação (CR) a propósito do programa sobre o lítio, em que adiantou que o “Sexta às 9” estava a investigar suspeitas de corrupção no âmbito do processo de encerramento do ISCEM, que passava pelo alegado recebimento indevido de “dinheiro vivo”.

Flor Pedroso foi acusada de ter transmitido informação privilegiada à visada na reportagem [diretora do ISCEM, Regina Moreira], algo que a diretora de informação da RTP “rejeitou liminarmente”, de acordo com as atas do CR e com a posição enviada à redação pela diretora de informação da RTP na passada sexta-feira, a que a Lusa teve acesso.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ministra-acusa-psd-desestabilizar-rtp-facilitar-privatizacao-298444

Os CTT devem voltar já à esfera pública

A reversão do serviço postal para o Estado é discutida esta quinta-feira no Parlamento, a partir de petições e iniciativas que defendem que só assim se assegura o interesse público e a defesa das populações.

CréditosANTONIO COTRIM / LUSA

Uma das petições em discussão partiu do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN) e teve mais de 9000 assinaturas de cidadãos que exigem a reversão da privatização dos CTT. Segundo estes subscritores, os efeitos da privatização realizada em 2014 pelo então governo de PSD e CDS-PP foram «perniciosos e prejudiciais» para as populações e para o País, uma vez que o serviço prestado «tem vindo a decrescer fortemente em qualidade e periodicidade estando actualmente a raiar o descalabro».

Também se discute uma outra petição que solicita o desenvolvimento de diligências necessárias ao «imprescindível e urgente processo de participação qualificada do Estado português no capital social dos CTT» e ainda projectos de lei do PCP e do BE, e projectos de resolução do PEV e do PS.

 

Para os bloquistas, a nacionalização é «o único caminho» para «resgatar para o Estado a propriedade e a gestão do serviço público universal dos Correios, garantindo um serviço público universal», lê-se no preâmbulo do seu projecto.

O PCP assume que os CTT são um «instrumento insubstituível para a coesão social, económica e territorial do nosso país», que não deve ser sujeita à lógica dos «lucros e dividendos», referem no preâmbulo da sua iniciativa legislativa.

Os comunistas criticam ainda a degradação do serviço postal e da empresa levada a cabo «pelos grupos económicos que se tornaram seus accionistas» e alertam para a sua estratégia de «desmantelar progressivamente os recursos da empresa afectos», com o objectivo de «concentrar recursos nos sectores financeiros, com destaque para a aposta no Banco CTT, e nas operações mais lucrativas», ainda que tais opções impliquem «a venda de património ao desbarato e o prejuízo das populações».

No mesmo sentido, «Os Verdes» querem que a Assembleia da República recomende ao Governo que dê início ao processo de reversão da privatização dos CTT. Já o PS propõe o adiamento de uma solução através da definição de «critérios de avaliação do serviço público universal a ter em conta para a análise e escolha do modelo a implementar a partir de 2021».

Desde a privatização dos CTT, levada a cabo pelo então governo de PSD e CDS-PP, verificou-se o encerramento de centenas de estações de correios, degradaram-se a distribuição postal e as condições de trabalho, diminuiu o número de trabalhadores, em particular de carteiros, transferiram-se custos da rede postal para as autarquias e alienou-se património da empresa.

No mesmo período, os CTT distribuíram quase 60 milhões de euros de lucros pelos seus accionistas, entre os quais constam a família Champalimaud, grandes bancos europeus, o fundo norte-americano Blackrock, entre outros.

Recorde-se que em anteriores oportunidades em que foi proposto em sede parlamentar o retorno dos CTT para a esfera pública, as iniciativas apresentadas foram sucessivamente chumbadas por PS, PSD e CDS-PP.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/os-ctt-devem-voltar-ja-esfera-publica

Jornalista é despedido por dizer que mídia ocultava informações sobre acontecimentos na Síria

Capacetes Brancos limpando destroços de uma casa que foi atingida por um ataque aéreo do governo da Síria, em Idlib, 10 de setembro de 2010
© AP Photo / Uncredited / Source: Syrian Civil Defense White Helmets

Tareq Haddad, jornalista despedido da Newsweek por contar a história sobre aquilo que está acontecendo na Síria, revelou como na verdade a mídia ocidental trabalha na Síria, quem são os Capacetes Brancos, e quem está por trás da Bellingcat.

Jornalista ressaltou que, desde o início do conflito na Síria, sabia que a sociedade ocidental estava sendo enganada. Para além disso, ele indicou em entrevista ao canal russo Zvezda que fazia publicações que mostravam as inconsistências com a narrativa oficial.

"Há cada vez mais provas da mentira e, se você quiser dizer algo que contradiz a posição oficial do teu Governo, se torna muito difícil. Especialmente porque a propaganda se tornou tão sofisticada que a maioria da sociedade não vai acreditar naquilo que o Governo diz", revelou Haddad.

Ele também destacou que, muitos dos artigos que ele escreveu não tinham sido publicados. Além disso, as provas daquilo que está ocorrendo vão se acumulando mas, apesar disso, os principais meios de comunicação recusam informar sobre elas.

"Nos EUA e Reino Unido há muitos bons repórteres, mas eles estão sob constante pressão por parte das autoridades e dos redatores que, por sua vez, estão relacionados com o Departamento de Estado dos EUA" disse.

De acordo com ele, isso acontece porque praticamente todos os meios de comunicação dos EUA estão estreitamente relacionados com o Departamento de Estado.

Quando surgem conflitos de interesses, a mídia opta por ceder perante as autoridades, porque sem estes contatos perderiam a oportunidade de entrevistar os políticos e outras figuras importantes, explicou jornalista.

"Esta história sobre o ataque químico [na cidade síria] de Douma é tão embaraçosa para os Governos dos EUA e Reino Unido que sua publicação representa um grande risco para as editoras", revela jornalista.

Tareq Haddad acrescentou que a propaganda dos alegados crimes brutais era usada desde a época da Guerra do Vietnã e em conflitos subsequentes, um exemplo disso foi a Guerra do Golfo, quando a opinião pública estava dividida.

Foi aí que mostraram declarações de uma jovem de 15 anos que apareceu na ONU. A Amnistia Internacional a convidou para que ela fizesse um discurso e ela disse, sem mostrar algum tipo de provas, que os soldados iraquianos estavam retirando os bebês das incubadoras.

"Toda a imprensa publicou suas acusações sem corroborar os factos e a opinião pública mudou a favor da guerra. Quatro anos mais tarde, se revelou que a jovem era a filha do embaixador do Kuwait nos EUA e que este discurso fazia parte da máquina propagandística", salientou Haddad.

O mesmo está acontecendo agora na Síria, mas com uso de novos métodos. A organização Bellingcat é um exemplo destes métodos. Esta organização "que é basicamente um organismo do Governo estadunidense" criou o chamado jornalismo civil.

Este jornalismo se baseia em gravações com celulares e outros aparelhos semelhantes, e quando você vê algo assim, fica acreditando nisso automaticamente, disse o ex-jornalista da Newsweek, acrescentando que muitas das declarações feitas pela Bellingcat e Capacetes Brancos contêm erros de natureza científica.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019121914908288-jornalista-e-despedido-por-dizer-que-midia-ocultava-informacoes-sobre-acontecimentos-na-siria/

Mas que Liberdade de Imprensa é esta?

Os que lamentam a saída de Maria Flor Pedroso da Direção de Informação da RTP esquecem uma evidência, que se desenhou há mais de uma década, quando José Sócrates procurou - em vão! - contrariar a estratégia então gizada por quem vinha a implementar, de braço dado com setores da magistratura, uma operação de constante desgaste contra o Partido Socialista e contra a esquerda em geral.

 

A urdidura ganhou fôlego quando, nos governos de Cavaco Silva, a direita infiltrou os seus apaniguados nos meios de comunicação social do Estado e deles expurgou quantos poderiam referenciar-se como mais próximos das esquerdas. Marques Mendes, então com responsabilidades governativas no setor, foi um dos obreiros de tal ardil. Ao mesmo tempo o modelo de negócio liderado pelo semanário «O Jornal», e seu sucedâneo «Visão», era levado até à pré-falência para que pudesse ser adquirido por Pinto Balsemão, cuja empresa procurava monopolizar a informação distribuída aos portugueses, mormente através da SIC. De então para cá, os jornais, as revistas, a rádio e a televisão foram inteiramente comprados ou lançados por «investidores» cujo único objetivo é tê-los a emitirem as mensagens ideológicas, que melhor convenham aos seus interesses. Daí que cuidassem de manter o contínuo afastamento dos jornalistas mais avessos a servirem de meras marionetas dos seus titereiros.

 

As consequências estão à vista e, ainda recentemente, foram objeto de discussão mediática para a qual Marcelo não deixou de dar o costumeiro bitaite: sem credibilidade, que justifique a fidelidade dos seus leitores, a imprensa escrita está condenada e só subsídios estatais poderiam salvá-la. Mas que interesse teria um governo socialista em financiar quem só existe para o criticar à base de notícias distorcidas? Daí a obsessão dos setores ultramontanos do patronato em conseguirem o monopólio televisivo na esperança de conseguirem as almejadas audiências mediante um fluxo de desinformações tipo tabloide, que estupidifiquem ou, no mínimo, faça abúlicos, os eleitores das futuras eleições.

 

A compra da TVI pela Cofina ou as mais recentes saídas de jornalistas honestos do grupo SIC/Expresso - muitos deles a pretexto de terem idade para se reformarem! - segue o mesmo manual de procedimentos. Por seu lado a RTP, com José Rodrigues dos Santos, Fátima Campos Ferreira e, ultimamente, com Sandra Felgueiras na dianteira, dá o seu contributo para que esses setores do patronato completem o cerco de desinformação às esquerdas.

 

O permanente desgaste a que Maria Flor Pedroso foi sujeita até já não ver outra saída, que não a de atirar a toalha ao chão é disso explicita demonstração. Para quem vira a forma como Nuno Artur Silva fora corrido da Administração da RTP depois de uma campanha insidiosa dos mesmos que agora conseguiram a cabeça da jornalista, o desiderato nada teve de surpreendente. Como facilmente se entende que o breve momento da notícia sobre o apoio que mereceu de centena e meia de jornalistas a caucionarem a sua probidade, logo se viu esmagado pelas declarações dos que a acabaram de sanear e alegam violações deontológicas que fariam rir, vindas de quem vêm, mas que se revelam trágicas porque reveladoras quanto ao estado de degradação a que se chegou.

 

É claro que se o PS a quiser contrariar dando à informação dos canais da RTP uma objetividade, que de todo não têm, aqui d’el Rei que estão a atentar contra a Liberdade de Imprensa, como aconteceu com todo o alarido organizado contra o governo de Sócrates. Mas nós temos de questionar que raio de Liberdade de Imprensa é esta que dá uma versão monolítica do que se está a passar à nossa volta?

 

Sem grandes expetativas espero que Nuno Artur Silva, devidamente vacinado quanto ao vírus, que o afastou do canal estatal, encontre antídoto eficaz para contrariar o que ele representa atualmente. Convenhamos que a correção do abissal desequilíbrio informativo só pode passar pelo resgate da RTP`a quem ainda a controla porque da SIC ou da TVI nada de bom há que esperar...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/12/mas-que-liberdade-de-imprensa-e-esta.html

Como o ressentimento e intriga pública vão destruindo a RTP

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 17/12/2019)

Daniel Oliveira

 

 

Sobre a reportagem do “Sexta às 9”, a propósito do lítio, supostamente censurada pela direção da RTP, só posso dizer o que já escrevi quando me dei ao trabalho de investigar o conteúdo do que foi tratado: que ela não estava em condições para ir para o ar num órgão de comunicação social que se quer de referência. Não porque seja negativa para este ou aquele governante, mas porque qualquer pesquisa superficial, que passa por conhecer a legislação em vigor e consultar o contrato em questão, chegava para a desfazer. O bom jornalismo não é o que afronta o poder com acusações, é o que afronta o poder (ou a oposição, ou seja quem for) com factos indesmentíveis. Nesta era de triunfo da demagogia é difícil explicar que o papel dos jornalistas não é irritar os poderosos, é escrutinar os poderosos. Seguindo regras e métodos mais ou menos estabelecidos.

Mau jornalismo é mau jornalismo, seja agradável ou desagradável para o poder ou, como está na moda dizer, para o regime. Na realidade, o mau jornalismo é sempre bom para quem tem poder: porque, desacreditando-se, permite que se alimente uma cultura de trincheira, onde cada um acredita no que lhe der jeito. Foi o que aconteceu em relação à investigação sobre o lítio. Os que se opõem ao Governo usaram-na contra o PS, os que apoiam o governo não lhe deram, graças às suas brutais fragilidades, qualquer crédito. E é por isso que o mau jornalismo, mesmo que dê audiências à custa do escândalo e da polémica, não ajuda em nada a qualidade da democracia. Ajuda que cada um, à vez, reforce as convicções que já tem.

Sobre a suposta censura de que esta peça teria sido alvo, temos a palavra da direção e a palavra de Sandra Felgueiras. A jornalista responsável pela “Sexta às 9” diz que foi censurada para que a reportagem não saísse em tempo de campanha. A direção diz que o programa foi suspenso porque os compromissos resultantes da campanha deixavam praticamente todas as sextas-feiras ocupadas.

Não temos apenas a palavra de cada um. Temos factos que tornam a acusação de censura muito pouco verosímil. Primeiro facto: não foi apenas o “Sexta às 9” que foi suspenso. Foram o “Prós e Contras”, a “Grande Entrevista”, o “Tudo é Economia” ou o “Outras Histórias”. E a razão da suspensão foi a mesma e é facilmente verificável: nunca, em nenhuma eleição de que me recorde, houve tantos debates e entrevistas nas televisões. Segundo diz a direção, só havia agenda para um único programa a passar numa sexta-feira, o que seria absurdo. Segundo facto: nada impedia que a tal reportagem fosse para o ar nos espaços informativos normais. Sandra Felgueira e a equipa do “Sexta às 9” são jornalistas da RTP, não são jornalistas daquele programa específico. Solicitou a jornalista que o seu trabalho fosse transmitido noutro espaço de informação, já que a bomba era tão grande ao ponto de a quererem censurar? Terceiro facto: quem viu as duas partes da reportagem com atenção sabe que o fundamental da investigação, vamos chamar-lhe assim, passou em abril, muito antes das eleições. A segunda parte não acrescentou nada. A não ser que Sandra Felgueiras quisesse recordar o que já tinha sido dito em abril, mas agora em cima da campanha. Se fosse isso, não estaríamos perante critérios editoriais, mas critérios políticos.

Em resumo: o “Sexta às 9” foi só um dos vários programas da RTP suspensos por causa da programação pré-eleitoral; isso não impedia, se Sandra Felgueiras quisesse, que o trabalho fosse transmitido num telejornal; e o fundamental da investigação mal sustentada já tinha sido transmitido em abril. Se não chega o currículo de Maria Flor Pedroso, Cândida Pinto, Helena Garrido e António José Teixeira para afastar absurda suspeita de censura, chega a pouca solidez da gravíssima acusação.

Esclarecido o que pode ser esclarecido dos factos, e com o Conselho de Redação a condenar a direção, este episódio só não é compreendido por quem está muito longe do que é a RTP ou tem uma agenda política que se sobrepõe a tudo o resto

A acusação que surgiu depois foi a de que Maria Flor Pedroso informou a direção de uma instituição académica onde foi docente (o ISCEM) do conteúdo de uma investigação de Sandra Felgueiras. Mais uma vez, temos a palavra de Flor Pedroso contra a de Sandra Felgueiras, já que a diretora demissionária garante que se limitou a tentar, graças à sua proximidade com a instituição, recolher mais informação, que transmitiu a Cândida Pinto, a quem reportava Sandra Felgueiras. Nisto, apenas posso confiar mais numa do que noutra, partindo do perfil profissional de cada uma. E isso só tem valor para mim.

Mesmo sendo verdadeira a versão de Flor Pedroso, e eu acredito que sim, fez mal. A proximidade aconselha distância. Mesmo que numa redação os contactos informais sejam comuns, a diretora deu o flanco e é possível que isso obrigasse à sua demissão. Numa casa que não esteja viciada em conspirações, isto seria resolvido lá dentro, como acontece nos restantes órgãos de comunicação social. Mas o ambiente que se vive há anos na RTP não é normal. E Flor Pedroso tinha o dever de o saber. O facto de ter guardado a acusação de um acontecimento de outubro para agora insinua alguma má-fé.

Basta conhecer o currículo dos jornalistas desta direção para saber que o confronto não é político. A RTP precisa de estruturas que a defendam das guerras externas partidárias e da guerrilha interna, onde camadas de ressentimentos e purgas sabotam qualquer possibilidade de fazer da televisão pública um exemplo de qualidade e profissionalismo

Esclarecido o que pode ser esclarecido dos factos, e com o Conselho de Redação a condenar a direção, este episódio só não é compreendido por quem está muito longe do que é a RTP ou tem uma agenda política que se sobrepõe a tudo o resto. Assistimos ao enésimo episódio de luta de poder na televisão pública. Neste caso, vindo de quem acha que a RTP não pode ir buscar pessoas de fora. Basta recordar as reações à nomeação de Cândida Pinto, Helena Garrido ou António José Teixeira, que não levantam qualquer questão a qualquer jornalista sério, para perceber de onde vem o incómodo. E, ao contrário de João Miguel Tavares, interessam-me tanto os parentescos de Flor Pedroso (ele acha que ser prima ou sobrinha do padrasto é ser “familiar próxima”) como os parentescos de Sandra Felgueiras, que nunca a impediram, e bem, de ser jornalista de política e trabalhar sobre o partido que abandonou a sua mãe. Interessa-me um currículo profissional que fala por si e que explica a quantidade de jornalistas que juntaram o seu nome a um voto de confiança em Flor Pedroso.

O que está em causa não é um confronto político, o que mais uma vez se ilustra com a abrangência dos jornalistas que colocaram o seu nome no abaixo-assinado. Só não conhecendo o currículo de Maria Flor Pedroso, Cândida Pinto, António José Teixeira e Helena Garrido isso pode ser sequer uma suspeita. O que poderá estar em confronto é uma discordância geral, que nem me parece que tenha sido determinante neste episódio específico, sobre o que deve ser o jornalismo numa televisão pública. Há os que defendem que se deve produzir jornalismo de referência, sustentado pelo cumprimento das regras que lhe dão credibilidade, e os que acham que ele deve concorrer com o estilo tabloide, onde o rigor da informação difundida é substituído por uma suposta “coragem” que não se preocupa com os factos, mas com audiências e impacto político. O papel de diretores e editores é o de garantirem, no exercício legítimo das suas funções, o rigor do que sai. Isso não é censura, é o seu trabalho.

Perante uma direção que segue a primeira linha, há jornalistas que acham que não pode haver direção editorial na RTP. E usam o fantasma da censura para tentar, por via do ruído político-partidário, fazer cair editores e diretores que não são do seu agrado. E é por isso que acho que a direção da RTP fez mal em ir ao Parlamento – jornalistas não prestam contas da sua independência a políticos, sejam do Governo ou da oposição, como muito bem escreveu João Garcia. E que Gonçalo Reis fez mal em mais uma vez lavar de tudo as suas mãos, reforçando a sua confiança na direção e na jornalista Sandra Felgueiras. Uma posição que parece equilibrada mas é um abuso: a administração só tem de confiar ou retirar a confiança na direção, não tem de confiar ou desconfiar de jornalistas concretos.

A RTP vive em guerra há anos. E cada guerra é rapidamente transportada para o espaço público e daí para o espaço partidário, criando um clima onde é impossível fazer jornalismo em equipa, que é como ele se faz. A televisão pública precisa de estruturas que a defendam das guerras externas partidárias e da guerrilha interna, onde camadas de ressentimentos e purgas sabotam qualquer possibilidade de fazer da televisão pública um exemplo de qualidade e profissionalismo. E precisa disso urgentemente.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Nunca vi o mundo tão fragmentado!

por Andre Vltchek [*]

É impressionante a facilidade com que o império ocidental está a conseguir destruir os países "rebeldes" que estão no seu caminho, sem que haja resistência.

Trabalho em todos os cantos do planeta, onde "conflitos" kafkianos forem desencadeados por Washington, Londres ou Paris.

O que vejo e descrevo, não são apenas aqueles horrores que estão a acontecer à minha volta; horrores que estão a arruinar vidas humanas, a destruir aldeias, cidades e países inteiros. O que tento perceber é que, nas telas da televisão e nas páginas dos jornais e da Internet, os crimes monstruosos contra a Humanidade são descritos até certo ponto, mas as informações são distorcidas e manipuladas de tal forma que os leitores e os espectadores de todas as partes do mundo, acabam por não saber quase nada sobre o seu próprio sofrimento e/ou o sofrimento dos outros.

Por exemplo, em 2015 e em 2019, tentei reunir-me e argumentar com manifestantes de Hong Kong. Foi uma experiência verdadeiramente reveladora! Eles não sabiam nada, absolutamente nada sobre os crimes que o Ocidente cometeu em lugares como o Afeganistão, Síria ou Líbia. Quando tentei explicar-lhes quantas democracias latino-americanas Washington havia derrubado, pensaram que eu era um lunático. Como é que o Ocidente, bom, terno e "democrático", tinha matado milhões de pessoas e mergulhado continentes inteiros em sangue? Não foi o que nos ensinaram nas universidades. Não foi o que a BBC, a CNN ou mesmo o que o China Morning Post disseram e escreveram.

Olhem, estou a falar a sério. Mostrei-lhes fotografias do Afeganistão e da Síria; fotos armazenadas no meu telefone. Eles deviam ter de compreender que era algo genuíno, em primeira mão. Ainda assim, eles observavam, mas os seus cérebros não eram capazes de processar o que lhes estava a ser mostrado. Imagens e palavras; essas pessoas estavam condicionadas a não compreender certos tipos de informações.

Mas isto não está a acontecer só em Hong Kong, uma antiga colónia britânica.

Talvez considerem difícil de acreditar, mas mesmo num país comunista como o Vietname; um país orgulhoso, um país que sofreu enormemente com o colonialismo francês e o imperialismo louco e brutal dos EUA, as pessoas com quem me relacionei (e morei em Hanói durante dois anos) não sabiam quase nada sobre os crimes horríveis cometidos pelos EUA e pelos seus aliados durante a chamada "Guerra Secreta" contra os pobres e indefesos habitantes do país vizinho, o Laos; crimes que incluíam o bombardeio de camponeses e búfalos de água, dia e noite, por bombardeiros estratégicos B-52. E no Laos, onde fiz uma reportagem sobre os trabalhos de desminagem, as pessoas não sabiam nada sobre as mesmas monstruosidades que o Ocidente tinha cometido no Camboja; onde haviam assassinado centenas de milhares de pessoas através de atentados à bomba e desalojado milhões de camponeses das suas casas, provocando a fome e abrindo as portas para o domínio do Khmer Vermelho.

Quando falo dessa falta de conhecimento chocante no Vietname, sobre a região e sobre o que esse povo foi forçado a suportar, não falo apenas de vendedores ou de fabricantes de vestuário. Aplica-se a intelectuais, artistas, professores vietnamitas. É uma amnésia total e surgiu com a chamada 'abertura' para o mundo, o que significa com o consumo da comunicação mediática ocidental e, mais tarde, com a infiltração das redes sociais.

Pelo menos, o Vietname partilha fronteiras com o Laos e o Camboja, além de uma história turbulenta.

Mas imaginem dois grandes países só com fronteiras marítimas, como as Filipinas e a Indonésia. Alguns moradores de Manilha que conheci, pensavam que a Indonésia se situava na Europa.

Agora, adivinhem, quantos indonésios têm conhecimento dos massacres que os Estados Unidos efectuaram nas Filipinas há um século, ou como as pessoas nas Filipinas foram doutrinadas pela propaganda ocidental sobre todo o Sudeste Asiático? Ou quantos filipinos têm conhecimento do golpe militar de 1965, desencadeado pelos EUA, que depôs o Presidente Sukarno, matando entre 2 a 3 milhões de intelectuais, professores, comunistas e sindicalistas na "vizinha" Indonésia?

Consultem as secções estrangeiras dos jornais indonésios ou filipinos e o que verão? As mesmas notícias da Reuters, AP, AFP. De facto, também verão os mesmos relatórios nas agências de notícias do Quénia, da Índia, do Uganda, do Bangladesh, dos Emirados Árabes Unidos, do Brasil, da Guatemala e a lista continua. Este esquema foi planeado para produzir um único resultado: a fragmentação completa!

 


A fragmentação do mundo é incrível e está a aumentar com o passar do tempo. Aqueles que esperavam que a Internet melhorasse a situação, pensaram erradamente.

Com a falta de conhecimento, a solidariedade também desapareceu.

Neste momento, em todo o mundo, decorrem tumultos e revoluções. Estou a noticiar as mais significativas; no Médio Oriente, na América Latina e em Hong Kong.

Deixem-me ser franco: não há absolutamente nenhuma percepção no Líbano sobre o que está a acontecer em Hong Kong, ou na Bolívia, no Chile ou na Colômbia.

A propaganda ocidental joga tudo no mesmo saco.

Em Hong Kong, os manifestantes doutrinados pelo Ocidente são apresentados como "manifestantes pró-democracia". Eles matam, queimam, espancam pessoas, mas ainda são os favoritos do Ocidente. Porque estão a antagonizar a República Popular da China, considerada agora, o maior inimigo de Washington. E porque esses manifestantes foram criados e apoiados pelo Ocidente.

Na Bolívia, o Presidente anti-imperialista foi derrubado por um golpe orquestrado por Washington, mas a maioria da população indígena, que exige o seu regresso, é citada como um bando de arruaceiros.

No Líbano, assim como no Iraque, os amotinados são tratados gentilmente pela Europa e pelos Estados Unidos, principalmente porque o Ocidente espera que o Hezbollah pró-iraniano e outros grupos e partidos xiitas, possam vir a ser enfraquecidos pelos protestos.

A revolução, visivelmente anti-capitalista e anti-neoliberal no Chile, bem como os protestos legítimos na Colômbia, são relatados como uma espécie de combinação de explosão de queixas genuínas e hooliganismo e saques. Mike Pompeo alertou, recentemente, que os Estados Unidos apoiarão os governos de direita da América do Sul, na tentativa de manter a ordem.

Todas essas reportagens são um absurdo. De facto, têm um único objectivo: confundir os espectadores e os leitores. A fim de assegurar que eles não saibam nada ou que percebam muito pouco. E que, no final do dia, aterrem nos sofás com suspiros profundos, exclamando: "Oh, o mundo está um caos!"

 


Também conduz à tremenda fragmentação dos países em cada continente e em todo o hemisfério sul do globo.

Os países asiáticos conhecem muito pouco uns dos outros. O mesmo acontece com a África e com o Médio Oriente. Na América Latina, são a Rússia, a China e o Irão que estão, literalmente, a salvar a vida da Venezuela. Os outros países latino-americanos, com a excepção brilhante de Cuba, não fazem nada para ajudar. Todas as revoluções latino-americanas estão fragmentadas. Todos os golpes produzidos pelos EUA, basicamente, não têm oposição.

A mesma situação está a acontecer em todo o Médio Oriente e na Ásia. Não há brigadas internacionalistas que defendam os países destruídos pelo Ocidente. O grande predador vem e ataca a sua presa. É uma visão horrível, como um país morre perante o mundo, em terrível agonia. Ninguém interfere. As pessoas apenas vêem.

Um após o outro, os países estão a render-se.

Não é assim que, no século XXI, os Estados devem comportar-se. Esta é a lei da atracção da selva. Quando eu morava em África, fazia documentários no Quénia, no Ruanda e no Congo, conduzindo através do deserto; era assim que os animais se comportavam, não as pessoas. Os grandes felinos a encontrarem a sua vítima. Uma zebra ou uma gazela. E a caça começava: uma ocorrência terrível. Depois, a morte lenta – comendo a vítima viva.

Muito semelhante à designada Doutrina Monroe

O Império tem de matar. Periodicamente. Com regularidade previsível.

E ninguém faz nada. O mundo está a assistir. Fingindo que nada de extraordinário está a acontecer.

Perguntem a si mesmos: A revolução legítima pode ser bem sucedida em tais condições? Qualquer governo socialista eleito democraticamente poderá sobreviver? Ou tudo que é decente, esperançoso e optimista acaba sempre vítima de um império degenerado, brutal e vulgar?

Se for esse caso, qual é o sentido de seguir regras? Obviamente, as regras estão podres. Existem só para manter o status quo. Protegem os colonizadores e castigam as vítimas das rebeliões.

Mas não é este assunto que eu queria discutir aqui, hoje.

O que quero dizer é que as vítimas estão divididas. Sabem muito pouco umas das outras. As lutas pela verdadeira liberdade estão fragmentadas. Aqueles que lutam e sangram, mas que mesmo assim lutam, muitas vezes são hostilizados pelos seus companheiros que são mártires menos ousados.

Eu nunca vi o mundo tão dividido. Afinal, o Império está a vencer?

Sim e não.

A Rússia, a China, o Irão, a Venezuela – já acordaram. Ergueram-se. Estão a adquirir conhecimento sobre os outros, uns com os outros.

Sem solidariedade, não pode haver vitória.

Sem conhecimento, não pode haver solidariedade.

Nitidamente, a coragem intelectual vem agora da Ásia, do "Oriente". Para mudar o mundo, a comunicação mediática de destaque ocidental precisa de ser marginalizada, confrontada. Todos os conceitos ocidentais, incluindo a "democracia", a "paz" e os "direitos humanos" devem ser questionados e redefinidos.

E naturalmente, o conhecimento.

Precisamos de um mundo novo, não de um mundo melhorado.

O mundo não precisa de Londres, Nova York e Paris para ensiná-lo sobre si mesmo.

A fragmentação tem de terminar. As nações precisam de aprender, directamente, umas sobre as outras. Se o fizerem, dentro em breve, as verdadeiras revoluções serão bem sucedidas, enquanto os tumultos e as falsas revoluções coloridas, como as de Hong Kong, da Bolívia e de todo o Médio Oriente, serão confrontadas regionalmente e impedidas de arruinar milhões de vidas humanas.

[*] Filósofo, romancista, cineasta e jornalista investigativo. É o criador de Vltchek's World in Word and Images . Escreve especialmente para a revista online New Eastern Outlook .

O original encontra-se em journal-neo.org/2019/12/10/i-never-saw-a-world-so-fragmented/ e a verso em portugus em nowarnonato.blogspot.com/2019/12/pt-andre-vltchek-nunca-vi-o-mundo-tao.html . Tradução de Maria Luísa de Vasconcellos, luisavasconcellos2012@gmail.com

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/crise/vltchek_fragmentacao_13dez19.html

O anti -comunismo multifacetado

Os grandes senhores do dinheiro , os que enriqueceram ilicitamente com as privatizações, com os perdões fiscais , com as negociatas da banca , com a corrupção, com a manjedoura do Orçamento, …os que têm as suas fortunas espalhadas pelos paraísos fiscais ..,  que também dominam directa ou indirectamente   os grandes meios de comunicação social fazem do PCP o seu inimigo principal e não perdem  uma qualquer oportunidade para fazer avivar preconceitos ou arranjar falsos pretextos para diabolizar os comunistas.
Quando não há casos inventam… As campanhas mais ou menos coordenadas , interna ou externamente sucedem se .
Quando lhes é difícil a diabolização e quando os outros estão desmascarados a técnica é a generalização , o são todos iguais , uma maneira de branquear os verdadeiros responsáveis e atirar as culpas para o regime.
Também é assim nos casos de corrupção , com campanhas intensas e orquestradas como se viu no caso de Loures.
Mas a realidade o que nos mostra é que até agora as autarquias do PS, PSD, CDS têm sido visitadas pela policia judiciária e  as da CDU pela TVI.

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/35oObtP

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/15/o-anti-comunismo-multifacetado/

Por ventura

 O site do Público apresenta não uma, não duas, mas três peças sobre o grande evento nacional que é o facto de o deputado André Ventura usar demasiadas vezes a palavra "Vergonha" ou "Vergonhoso".
E são três peças assinadas por três jornalistas diferentes do mesmo jornal, no mesmo dia. Uma, às 15h43 que foi actualizada às 17h01. Outra, às 18h34. E finalmente, uma às 23h39.
 
Claro que os jornalistas devem relatar o que acontece. E há dias em que acontecem todas as desorganizações na redacção. E claro que há dias em que nada parece acontecer. Mas na verdade acontecem tantas coisas que os jornalistas se poderiam dedicar ao que é essencial, e não ao superficial. E, muitas vezes, o essencial é - precisamente! - o que não acontece aos olhos de todos. E isso é que deveria ser relevado pelos jornalistas. Mas se calhar o episódio do deputado Ventura demora menos tempo a escrever. E para o resto -odito essencial - falta tempo, porque o essencial é complicado, complexo, fragmentado e difícil de lá chegar. Falta tempo para o essencial, fica o acessório.  Embora o acessório seja essencial pra um certo discurso. E tudo parece por acaso, por ventura uma brincadeira até.
Que não se argumente que não cabe aos jornalistas ter um olhar sobre a realidade, porque há sempre um olhar - até na escolha de um título ou de uma notícia. E mesmo a ausência de olhar é, em si, o olhar que pretendem que a comunicação tenha. Um olhar vazio, para ser preenchido pelas artimanhas cozinhadas nos gabinetes dos assessores.   Se assim for, os jornalistas farão aquilo que é suposto fazerem nesta sociedade. Fabricações artificiais de consensos, em torno de supostas verdades consensuais (ou consensualizadasdesta forma), que não passam de construções.     Tão fácil, por ventura, construir ideias na comunicação social.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Como se corneia uma notícia

A ativista portuguesa foi expulsa do Sara Ocidental
 
PELA POLÍCIA MARROQUINA!
 
É a informação canalha vinda de quem sabe o que está fazendo e desvirtua o sentido da notícia para proteger os criminosos que ocupam o Sara Ocidental.
As notícias surgem-nos assim, embaladas em papel pardo. Há que estar atento por que:

 

 

Via: GPS & MEDIA http://bit.ly/2RJxQvM

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/13/como-se-corneia-uma-noticia/

Trabalhadores da TVI ameaçam com greve

O corte de 125 euros nas retribuições de Dezembro foi a gota de água. Os trabalhadores exigem um «justo» modelo de carreiras, uma maior comunicação da parte da direcção e o fim da precariedade. Entretanto veio a público a aprovação da compra da empresa pela Cofina.

CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

Conforme divulgado ontem pelo jornal i, a hipótese da realização de um greve foi levantada num plenário de trabalhadores realizado na quarta-feira. Às reivindicações de fundo junta-se o fim dos cartões de Natal, comunicado aos trabalhadores através de um e-mail, que equivale a um corte de 125 euros nos seus rendimentos do mês de Dezembro, o que até agora era um direito adquirido.

A resposta dos trabalhadores foi enviada por carta, na qual demonstram o seu descontentamento. «Mais uma vez, não sentimos qualquer preocupação da parte da administração com o impacto dessa medida nos trabalhadores, mais apelamos a que seja reconsiderada», referem.

«Os cartões de Natal são apenas uma pequena fatia das nossas reivindicações. Há anos que nos prometem um justo modelo de carreiras. O fim dos contratos externos e precários. Aumentos salariais dignos. Temos adiado formas de protesto mais evidentes devido a uma disponibilidade para negociar. Conseguimos pouco, mas conseguimos algo», escrevem.

A venda do grupo – que está em contagem decrescente – faz também parte do email dos trabalhadores: «Sabemos da particular fase que a empresa atravessa e, por isso mesmo, demos o nosso melhor durante todo o ano. Nunca como agora foi pedido tanto a tão poucos e nós não falhámos.» 

Como as negociações não foram conseguidas e sentem «que essa via foi cortada», os trabalhadores anunciam que, na próxima quarta-feira, 18 de Dezembro, vão fazer um protesto simbólico na hora de almoço e reunir-se à porta da empresa para manifestar estas preocupações.

Ainda assim, a carta avança que o grupo de representantes vai estar disponível para ser ouvido com o objectivo de voltar à mesa das negociações e aguarda uma resposta.

Concorrência dá luz verde ao negócio

A Autoridade da Concorrência (AdC) já deu luz verde à compra da TVI por parte da Cofina. Recorde-se que também a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e a Anacom tinham aprovado o negócio.

O grupo que nascer da fusão entre a Cofina e a Media Capital terá um volume de negócios anual combinado superior a 270 milhões de euros (contra 170 milhões da Impresa, dona da SIC e do Expresso) e presença em todos os segmentos: imprensa diária generalista, económica e desportiva, revistas, televisão, rádio e produção de conteúdos de ficção e entretenimento.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trabalhadores-da-tvi-ameacam-com-greve

A longa história do apoio do New York Times a golpes promovidos pelos EUA

Alan Macleod    11.Dic.19 
O New York Times é um exemplo emblemático do papel dos grandes media na ofensiva do imperialismo norte-americano contra os povos. Este artigo apresenta um breve historial desse contributo ao longo das últimas seis décadas. O padrão é de tal forma sistemático que os termos usados para justificar o golpe de 1953 no Irão são no essencial os mesmos para justificar o recente golpe na Bolívia.
 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Governo lança em 2020 campanha de sensibilização para o consumo de “informação séria”

O Governo anunciou na segunda-feira o lançamento, no início de 2020, de uma campanha de sensibilização que visa a convivência democrática entre uma “comunicação social livre e uma população formada e capaz de exigir e procurar informação séria”.

 

Intervindo na segunda-feira, em Coimbra, na sessão de encerramento da conferência A palavra da imprensa portuguesa, promovida pela Associação Portuguesa de Imprensa, o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, sublinhou a existência de um “complemento importante entre políticas de incentivo à leitura e a consciencialização de todos para distinguirem o que é jornalismo profissional, com qualidades de investigação, de análise e de crítica, rigor e isenção”, ao mesmo tempo que se sensibiliza “para aquilo que não é informação, mas opinião em rede amplificada, ou seja, corrente de opinião desinformada”, noticiou a agência Lusa.

Nesse sentido, enfatizou que o Governo, em parceria com as universidades, profissionais do jornalismo e representantes do setor dos media “têm o mesmo objetivo partilhado”, o de promover “a convivência democrática fundada numa comunicação social livre e uma população formada e capaz de exigir e procurar informação séria”.

“Além das medidas de fomento de literacia mediática, é essencial promovermos uma campanha alargada de sensibilização, difundida por vários meios, como televisão, imprensa, rádio e meios digitais (…) cujo objetivo seja alertar os cidadãos para o facto de que a produção de conteúdos informativos é fundamental, pelo que todos são chamados a contribuir e envolver-se”, frisou Nuno Artur Silva.

“Que não haja dúvidas que isto não é uma questão dos jornalistas, isto é uma questão dos cidadãos”, disse, argumentando que a desinformação “é uma ameaça séria que pode afetar a credibilidade das instituições democráticas, minando a confiança nessas instituições”.

No mesmo dia em que a Associação Portuguesa de Imprensa lançou uma petição, dirigida à Assembleia da República, em que lembra que o setor em Portugal “está a enfrentar a maior crise de sempre” e exige medidas “urgentes e eficazes”, Nuno Artur Silva não se comprometeu com as propostas avançadas pela petição, mas apenas com a intenção de “trabalhar” para que exista a “possibilidade real” de serem concretizadas.

Sobre duas das medidas que integram a petição – como a oferta de assinaturas de publicações às escolas ou deduções fiscais na aquisição de jornais e revistas – o secretário de Estado considerou-as “de longo alcance, ambicionadas, mas sobre as quais é também necessário refletir de modo a ponderar custos e impactos efetivos”.

“Este Governo tomou posse há muito pouco tempo e teremos de ter a perspetiva de realizar isto ao longo do tempo e não imediatamente. Mas estaremos de acordo na possibilidade real destas medidas serem concretizadas, vamos trabalhar para isso”, enfatizou Nuno Artur Silva.

Os peticionários defendem “a dedução no IRS das aquisições de jornais e revistas até ao montante anual de 250 euros por agregado familiar” ou a majoração, em sede de IRC, “para investimentos dos anunciantes nos órgãos de comunicação social”.

Querem ainda um reforço da comparticipação nas despesas de envio dos jornais e revistas para assinantes, a fiscalização da Lei da Publicidade Institucional do Estado, “que continua a não ser respeitada pela grande maioria dos organismos públicos”, e bonificações fiscais para modernização tecnológica, criação de postos de trabalho e formações profissionais.

Lusa //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/governo-2020-campanha-sensibilizacao-consumo-informacao-seria-296330

Dois criminosos em Portugal | Em Lisboa, um encontro sinistro

 
 
José Soeiro | Expresso | opinião
 
A Lusa anunciou a apresentação de uma queixa à Entidade Reguladora da Comunicação Social, o Sindicato dos Jornalistas apresentou um protesto, o diretor de um outro jornal exprimiu num editorial o sentimento da imprensa no modo como foi tratada esta semana pelo líder israelita Benjamin Netanyahu e pelo secretário de Estado da defesa norte-americano Michael Pompeo, que impediram os jornalistas de recolher declarações na conferência conjunta: com "soberba", "arrogância" e "desprezo inaceitáveis", prova de como prevalece "a lei do quero, posso e mando".
 
Esse foi, contudo, como reconheceu Manuel Carvalho, apenas um pequeno episódio de uma visita que, por tantas outras razões, desonra Portugal. Depois de terem tentado reunir em Londres sem sucesso, e de terem contactado outros chefes de estado europeus, Pompeo e Netanyahu escolheram Lisboa para um encontro com um programa de guerra. Em novembro deste ano, a Administração Trump mudou a sua posição sobre os colonatos judeus na Cisjordânia ocupada que, de acordo com a lei internacional, são ilegais. Embora abundem as Resoluções da ONU que, apoiadas nas Convenções de Genebra, declaram a ilegalidade da ocupação daqueles territórios, embora seja essa a posição do Tribunal Internacional de Justiça de Haia, apesar de essa ser também a posição partilhada pela comunidade internacional, incluindo a maioria dos aliados de Israel, a atual administração americana atropelou tudo e todos e Pompeo, um falcão de Trump que foi diretor da CIA, anunciou a mudança da posição americana há poucas semanas. Antes disso, já Trump tinha alinhado com os setores mais extremistas do sionismo ao decidir a transferência da Embaixada americana de Telavive para Jerusalém e ao ter reconhecido a anexação dos Montes Golã.
 
 
Netanyahu, que tem no seu cadastro algumas das mais agressivas ações de ocupação de territórios palestinos, vários crimes de guerra contra a Faixa de Gaza com bombardeamentos ordenados por si que mataram milhares de pessoas (incluindo crianças) e uma política de repressão brutal dos povo palestino, encontra-se "em gestão", por não conseguir constituir maioria para um novo governo, e vê-se a braços com uma acusação inédita por corrupção. A reunião com Pompeo faz assim parte de um périplo de legitimação mas tem também uma agenda muito concreta de agressão: a articulação do apoio de Trump à anexação do Vale de Jordão, a parte mais oriental da Cisjordânia, onde vivem 65 mil palestinianos e onde estão 9 mil do quase meio milhão de israelitas que vive em territórios ocupados.
 
Queiramos ou não encarar a questão, Pompeo e Netanyahu encontraram-se em Lisboa para planearem, conscientemente, mais algumas ações de violência contra a Palestina e de desprezo pela lei internacional, a mesma a cuja defesa o Estado português está vinculado. Recentementem, aliás, o próprio Parlamento reiterou a posição do nosso país, ao aprovar um voto que "reafirma o carácter ilegal dos colonatos israelitas" e que "reitera o direito do povo palestiniano à constituição de um Estado livre, viável, soberano e independente, com capital em Jerusalém Leste, conforme as resoluções da ONU". O mesmo país que há poucas semanas reafirmou isto, podia ter aceitado, sem pestanejar, servir de plataforma para um encontro tão sinistro? Em nome de quê? Em nome de quem?
 
Mais infeliz ainda foi o triste papel a que se prestaram Augusto Santos Silva e António Costa, que reuniram quer com Pompeo quer com Netanyahu. O primeiro-ministro, que recebeu Netanyahu na sua residência oficial, disse sobre a reunião que "foram abordados diversos temas de interesse bilateral, como sejam o fomento da cooperação económica e procura de parcerias nas áreas da investigação científica, inovação e a água" (a água, que é justamente um dos recursos de que os israelitas vêm privando os palestinianos, sufocando também dessa forma quem vive em Gaza). Sobre a violação de direitos humanos e da lei internacional, o que disse Costa? Nada. Sobre os planos de agressão traçados por Netanyahu e Pompeo, em total desrespeito pelas resoluções da ONU — que no momento até é presidida por um português — o que disse o Governo? Nada. Sobre o plano dos sionistas e de Trump de anexação de mais 30% do território da Cisjordânia, alguma palavra do Primeiro-Ministro? Nada.
 
Portugal, um pequeno país com posições decentes contra a ocupação israelita, teve uma oportunidade de mostrar a sua grandeza. O que exibiu foi sobretudo silêncio — e os servis apertos de mão com os criminosos.
 
*Título PG (parcial)

Um jornal que também expõe fracturas

“O que se passa com a universidade passa-se com os hospitais, a agricultura, os bombeiros, a escola, o estado das pontes. Em França, do mesmo modo que noutras paragens. Passados trinta e cinco anos de privatizações, de recuo da gratuitidade, de diminuição das prestações sociais, de controlos miudinhos em todas as áreas – obrigada, Internet –, chegámos a uma sociedade sob pressão, atordoada, no osso, que está a esgotar as suas últimas reservas. Uma sociedade com sectores inteiros que estão a sucumbir. A intervalos regulares, esta sociedade mostra o seu esgotamento, exprime a sua cólera. Pé ante pé, ela resiste à violência que os partidos de governo teimam em infligir-lhe, apesar de todas as alternâncias política.”
Serge Halimi, “Uma chacina”, Le Monde diplomatique – edição portuguesa, Dezembro de 2019.

“Se não desarmarmos as políticas neoliberais austeritárias com políticas públicas e um Estado social robusto, os neoliberais autoritários aí estarão, já dentro do Parlamento, prontos a explodir o que restar de políticas públicas e de Estado social. A fractura social é uma fractura exposta. Senta-se à mesa das famílias, arrasta-se pelas ruas, desespera nos locais de trabalho, quebranta nos hospitais. E tem de ser reduzida, estancada, já no próximo Orçamento do Estado.”
Sandra Monteiro, “Uma fractura social exposta”, Le Monde diplomatique – edição portuguesa, Dezembro de 2019.

Para lá de excertos dos dois editoriais, que podem ser lidos na íntegra no sítio do jornal, deixo por aqui o resumo do número de Dezembro:

“Na edição de Dezembro, a economista Ana Cordeiro Santos analisa o agravamento que a crise da habituação traz à crise da reprodução social, e o que é preciso fazer para inverter a situação. José Castro Caldas trata de uma outra crise, a do trabalho e dos salários, para compreender que políticas de recuperação de rendimentos podem reverter o lastro do «ajustamento interno». Gonçalo Leite Velho e Filipa Vala reflectem sobre o programa do governo para a Ciência e Ensino Superior, mostrando como a insistência no modelo liberal de financiamento e produção do conhecimento compromete a própria inovação. Manuel Pedro Ferreira traz-nos José Mário Branco, abrindo as portas do seu arquivo.

 No internacional, destaque para a dramática situação no Chile, com um artigo do escritor Luis Sepúlveda, para o golpe de Estado na Bolívia e para a sublevação na Argélia. A relação das mudanças de regime com os grupos que as preparam, nesta era da desestabilização pela «não-violência activa», dá-nos uma dimensão global destes processos. Na Europa, indagamos as «viragens» na política externa francesa e analisamos o processo norte-irlandês no contexto do Brexit. Questionamos ainda o que está por detrás de casos de «epidemia» de administração de Ritalina nas escolas. E muito mais.”

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Nem um cêntimo!

(Virgínia da Silva Veiga, 04/12/2019)

A ver se nos entendemos de vez: Portugal é um país com liberdade empresarial e regras de concorrência onde o estado, por regra, não deve interferir. Se os grupos de comunicação social resolveram vender produtos tóxicos e ninguém os quis comprar resolvam o próprio problema.

 

O Estado, se entende, como diz o Senhor Presidente, que o Jornalismo é fundamental à Democracia, que crie então linhas de apoio específicas para novos projectos em que a prioridade seja dada ao cumprimento das regras deontológicas. Que, mais que isso, mude a ERC para tentar melhorar, desde já e no que lhe compete, a qualidade dos órgãos de informação. Como em tudo, os Jornalistas caídos no desemprego, por falência de empresas nefastas ao sistema, serão, tendo qualidade, absorvidos pelos novos projectos.

É de susto imaginar que, não tendo ainda resolvido nós o problema da RTP, esteja a cogitar-se sequer usar o dinheiro dos contribuintes para financiar empresas privadas que, por definição, se encontram em falência exactamente porque as não queremos.

O Presidente da República quer usar-nos para ficar de bem com os tais divulgadores de anúncios de prostituição, criminosos que não respeitam os tribunais e as leis da república, gente que não respeita o contraditório, para quem tudo o que há de negativo no país é mais importante que mostrar o que temos de melhor? Se não quer, parece.

O Senhor Presidente da República se não está contente com o depuramento natural, com não querermos comprar produtos tóxicos, que se recolha ao palácio e deixe mandar nos portugueses. Não é por sermos estúpidos que não queremos essa gente, é exactamente por sermos inteligentes. Não faça do Povo Português um bando de imbecis de que o iluminado surge agora vindo de Belém.

Nem um cêntimo para tais empresas!


E mais ainda, nem um cêntimo!

Marcelo Rebelo de Sousa está a brincar com o fogo. Até os portugueses que ainda compram os actuais jornais e que ainda acedem aos canais televisivos estão contra o estado da nossa comunicação social. Ninguém quer contribuir para a continuidade de tal estado de coisas.

Imaginar que num país onde tudo precisa ainda de intervenção, onde há dois milhões de pobres, onde a classe média gane pelas condições nunca repostas, por ver qualquer alívio e melhoria, o Orçamento de Estado ir agora financiar os produtores do que de mais tóxico existe no sistema, a desinformação, seria bomba a explodir com enorme estrondo.

Porque não fala da ERC? Porque não tem uma palavra contra as causas de fundo que levaram a essas situações? Porque não critica o último relatório da ERC onde, escandalosamente, se alega elaboração de um estudo onde perpassa a ideia de seriedade de órgãos de comunicação onde diariamente se viola o Estatuto Deontológico do Jornalismo, apresentando os casos de falta de contraditório como excepção?

Porque não tem uma palavra sobre prioridade e excesso de notícias de futebol em detrimento de outros desportos e outros acontecimentos? Porque,já agora, não fala dos custos, dos vencimentos pagos a “estrelas”, de pivôs a apresentadores, em detrimento de investimento em Jornalismo de investigação?

Porque não fala dos Jornalistas submetidos diariamente à coacção de terem que ser pouco sérios para sobreviver no mar tóxico onde trabalham, obedientes, forçados a obedecer à voz dos donos? Fala de quê? Não lê jornais? Não vê televisões? Fala então de quê?

Cria a convicção de não querer proteger o Jornalismo, querer, sim, que os actuais grupos o protejam a ele. Marcelo quer ficar bem nesta fotografia onde o país, diariamente, tem ficado muito mal.

E, não, não queremos subsidiar-lhe a campanha por antecipação. Era giro, não nos apetece. Já topamos a ideia e não é, decididamente, ajudar o Jornalismo. Fora, e a conversa seria outra.

Ajudar empresas é outro assunto. O dele. Não o nosso.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Quem se lembrou de banir a imprensa portuguesa na visita de Netanyahu?

À primeira vista, dir-se-ia que se trata de mais um gesto de prepotência imperial ianque-israelita e mais um agachamento de subserviência portuguesa: Netanyahu e Pompeo pedem um país emprestado para se encontrarem, aterram com as suas próprias comitivas de jornalistas amigos, e proíbem os jornalistas indígenas de estarem presentes. Sem podermos prová-lo, diremos que esta aparência engana. A única explicação com alguma lógica para a imprensa portuguesa ser banida é que a ideia tenha vindo do próprio António Costa.

Senão vejamos: Netanyahu não pôde ir a Londres encontrar-se com Pompeo porque o Governo britânico alegou ridículas e implausíveis “dificuldades logísticas”. A única dificuldade logística deve ter sido Boris Johnson não querer, em caso algum, ser fotografado à porta do N.º 10 de Downing Street a receber um provável futuro presidiário, arguido de muito mais e muito pior do que Ariel Sharon ou Ehud Olmert, um corrupto de gabarito internacional que deixou de ser frequentável em público. E não falemos dos crimes de guerra, porque esses não têm qualquer importância para Boris Johnson.

Como Londres se tornou uma cidade impraticável, Netanyahu e Pompeo olharam então o mapa da Europa e escolheram outra capital — aquela que batesse aos pontos todas as outras em matéria de subserviência. Não era uma questão do governo que, neste momento, estivesse de turno: o que fez Durão Barroso, como mordomo e palafreneiro da cimeira das Lajes, era suposto que Costa o fizesse agora, como anfitrião da escapadela de Lisboa. Um ajudou a preparar a invasão do Iraque, de que ainda hoje o mundo paga a factura, o outro ajuda a preparar a guerra contra o Irão, que sairá ainda mais cara.

E não se pense que o perigo de guerra se torna menor pelo facto de o presidente israelita Reuven Rivlin já andar a negociar com Netanyahu a promessa de imunidade deste em troca da demissão e confissão de culpa. Pelo contrário, o gangster israelita Netanyahu sabe que neste momento o seu lugar no poder está tão comprometido que só a guerra poderia salvá-lo, canalizando as atenções para um inimigo externo.

Nas declarações que prestou em Israel, ao embarcar no avião, Netanyahu deixou claro que, embora tencionasse encontrar-se com António Costa, vinha a Lisboa por outra coisa. Não era novidade, nem era mentira: ele pode ter tido algum breve encontro com Costa, mas essa é uma daquelas chatices protocolares, de ter de dar um coup de chapeau ao tal anfitrião que o albergou quando mais ninguém o queria.

O problema de António Costa e de Augusto Santos Silva é que quiseram ficar bem vistos pelo imperialismo ianque e pelo colonialismo sionista, mas sabem que as fotografias ao lado de Pompeo e de Netanyahu são muito má imprensa. Aos governantes portugueses, mais ainda do que aos visitantes, interessa que a imprensa portuguesa seja mantida a uma distância segura. Ao lado de visitantes destes, qualquer fotografia é hoje comprometedora. Amanhã pode tornar-se fatal.

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

Bolsonaristas usam quase meio milhão de dinheiro público em fake news

A deputada (PSL-SP) depôs na Comissão Mista de Inquérito Parlamentar (CPI mista) das Fake News.

A parlamentar afirmou que os bolsonaristas utilizam ao menos R$ 491 mil do dinheiro público por ano para espalhar fake news. A informação é do site Congresso em foco.

Essa verba seria destinada ao “gabinete do ódio”, criado para cuidar da comunicação do presidente. Segundo denúncia da deputada à CPI mista, esses funcionários recebem a ordem através do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Uma vez que o alvo é identificado e as montagens e notícias falsas são criadas, estes assessores enviam para os multiplicadores via Whatsapp, “a partir deste momento não tem mais volta”, ressaltou a deputada. O próximo passo é a ativação dos robôs que espalham a notícia pela internet.

Segundo levantamento da deputada, somente as contas oficiais do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, contam com 1,87 milhão de robôs.

A parlamentar prometeu, no último dia 19, quando adiou sua ida à CPI, apresentar um “tsunami de novas e gravíssimas informações”. Deputados bolsonaristas temem que o conteúdo que será apresentado por Joice venha a atingir em cheio o governo de Jair Bolsonaro.

O depoimento da Joice é o segundo de um ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro a falar à comissão. O deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) denunciou a participação de assessores do Palácio do Planalto em um esquema de ataques a aliados e adversários do governo.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/bolsonaristas-usam-quase-meio-milhao-de-dinheiro-publico-em-fake-news/

Urge fortalecer a comunicação popular face às campanhas mediáticas do imperialismo

Esta urgência foi sublinhada, em Caracas, pelo dirigente chavista Diosdado Cabello, que também destacou a importância da mobilização e da unidade para vencer a «batalha da comunicação».

O I Congresso Internacional de Comunicação, que decorre em Caracas até amanhã, dia 4, tem com o lema «Agora falam os povos!»Créditos / mppre.gob.ve

A importância do reforço da comunicação popular na desmontagem das campanhas mediáticas lançadas contra o país caribenho foi um dos tópicos abordados pelo primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) ao intervir na sessão de abertura do I Congresso Internacional de Comunicação, ontem inaugurado em Caracas, com o lema «Agora falam os povos!».

Cabello defendeu que a comunicação popular «deve possuir um alto carácter ético para mostrar as verdades escondidas pelas grandes cadeias de informação», acrescentando que «a direita comunica com a intenção de desinformar e debilitar as forças populares», refere a Prensa Latina.

O também presidente da Assembleia Nacional Constituinte venezuelana destacou a necessidade de «criar alianças que dêem a conhecer as verdades» e, a este propósito, sublinhou o papel da cadeia multi-estatal Telesur como instrumento fundamental para fazer ouvir as vozes dos povos latino-americanos.

Golpe de Estado na Bolívia

No âmbito do congresso, que concretiza decisões tomadas na edição do Fórum de São Paulo realizada em Julho último em Caracas, os participantes denunciaram a repressão das Forças Armadas e da Polícia Nacional da Bolívia na sequência do golpe de Estado contra o presidente Evo Morales, consumado no passado dia 10 de Novembro.

 

A delegada boliviana Sandra Cossio afirmou que «o governo de facto instaurado no país andino é de índole terrorista», tendo apelado à «unidade para derrotar um golpe de Estado que não é apenas contra a Bolívia, mas contra a América Latina».

Neste sentido, Tania Díaz, dirigente do PSUV, afirmou que uma das tarefas centrais do congresso é defender a identidade nacional dos povos perante os governos de direita – que têm poder para controlar os grandes meios de comunicação e silenciar as lutas sociais levadas a cabo em cada país da América Latina.

Outro dos objectivos do encontro é criar uma plataforma alternativa e popular de comunicação, «com o intuito de fazer frente à ditadura do capitalismo», disse Díaz, frisando que, na Venezuela, o povo se faz ouvir para denunciar o que se passa no Chile, no Haiti, na Colômbia, na Palestina, na Síria e outros países, indica a VTV.

Denúncia da ingerência externa e do TIAR

Também no primeiro dia do congresso, que decorre até amanhã, os delegados, provenientes de cerca de quatro dezenas de países, rejeitaram a atitude de diversos estados-membros da Organização de Estados Americanos (OEA), que querem promover uma intervenção na Venezuela.

Esta passa também pela via da activação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) – processo que o Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros denunciou de forma veemente em Setembro último.

«O TIAR, como parte de uma doutrina imperialista, põe em risco a paz e a soberania; pelo que os comunicadores condenam de forma categórica o uso da força e exigem o fim das políticas de ingerência e unilaterais», lê-se numa resolução aprovada.

Para repudiar a ingerência externa e a pretensão da OEA de aplicar o TIAR à Venezuela, Diosdado Cabello anunciou a realização de uma manifestação, esta terça-feira, em Caracas.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/urge-fortalecer-comunicacao-popular-face-campanhas-mediaticas-do-imperialismo

Encontro Sindical sobre “O poder da comunicação social – A valorização dos trabalhadores

encontro sindicalNo âmbito da preparação do nosso XIV Congresso, a CGTP-IN realizou, no dia 28 de Novembro, um Encontro Sindical sobre “O PODER DA COMUNICAÇÃO SOCIAL – A VALORIZAÇÃO DOS TRABALHADORES” - Órgãos de Comunicação Social – Como estão e para onde caminham?.

O objectivo geral desta iniciativa serviu para analisar a evolução dos órgãos de comunicação social, as novas práticas, tendências e comportamentos. Bem como, identificar as ferramentas e as técnicas que poderão fortalecer as relações entre as estruturas sindicais e a Comunicação Social, enquadrando, também, a possibilidade de se desenvolverem novas dinâmicas de trabalho, capazes de envolver e motivar os trabalhadores e a sociedade em geral.

No Encontro realizado, no Ramada Lisbon Hotel,nas Olaias, em Lisboa, os convidados abordaram os seguintes temas,

Fernando Correia - O poder dos média, os grupos económicos e a luta dos trabalhadores
Fátima Lopes Cardoso - Os média em mudança em Portugal: O caso particular da fotografia jornalística
Ana Pinto Martinho - O poder das Redes Sociais
Jorge Wemans e João Paulo Guerra - A importância do Serviço Público de Rádio e Televisão
Alfredo Maia - Jornalismo de informação ou conteúdos

O encerramento do encontro foi efectuado por Arménio Carlos, Secretário-geral da CGTP-IN.

DIF/CGTP-IN
02.12.2019

 

Ver original aqui

O Controlo dos meios de informação pelos dominantes

http://www.resumenlatinoamericano.org/2019/12/01/haiti-las-causas-objetivas-de-la-rebelion-popular/
Causas objectivas da Rebelião
Los “desafortunados” sucesos de Venezuela, Colombia, Bolivia y Chile destacan en los titulares de todo el mundo. Desde los grandes laboratorios comunicacionales la clase dominante prepara el consumo publicitario dirigido a las masas.En un momento donde las luchas potencialmente revolucionarias toman protagonismo en América Latina, controlar el monopolio de la subjetividad y la opinión pública es de vital interés para los centros económicos y financieros del planeta.  Sí el estado y la ley son instrumentos coercitivos de una clase sobre otra para dominar en materia política y económica; los grandes medios de difusión son la artillería pesada de la ofensiva ideológica, destinada al control del “sentido común”.(…)http://www.resumenlatinoamericano.org/2019/12/01/haiti-las-causas-objetivas-de-la-rebelion-popular/

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2OHTEpK

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/02/o-controlo-dos-meios-de-informacao-pelos-dominantes/

Os «media» são uns querubins e ...

A culpa é sempre alheia
Se alguém pousar os olhos neste título de artigo no Público e pensar que vem aí uma crítica aos critérios superficiais dos «media» e à facilidade com que caem na armadilha das «cenas» inventadas pelos pequenos partidos, então está muito enganado. Nada disso. O que este artigo nos vem dizer que é que as «cenas» dos novos partidos têm «valor-notícia»e que «os novos partidos dominaram a agendae que os seus critérios mediática nestes tempos iniciais porque os outros, os que já estavam no espaço político, não de dedicaram a fazê-lo. E isso está intimamente ligado ao período que o CDS e o PSD atravessam».
Para além de se registar que, para a autora do artigo, «os outros» se parecem resumir ao PS e PSD, o que se conclui deste artigo é que os jornalistas e os órgãos de informação estão sempre certos no que fazem e que os seus critérios, tantas vezes enebriados pela superficialidade e pela política-espectáculo, são sempre impecáveis. E siga a dança que aqui se previu desde príncipio.

 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Portugal e a sua História

O 1.º de Dezembro e o 5 de Outubro, este gravado a letras de oiro no devocionário republicano, são as datas identitárias do povo que somos e da Pátria que amamos. Só a agnosia cívica e indigência cultural puderam excluir do calendário os feriados maiores da nossa História, que o último Governo de António Costa devolveu ao património cívico e às comemorações afetivas.

A SIC também confundiu a restauração da soberania, em 1640, com a implantação da República, em 1910, com a leviandade equivalente ao desprezo dos ignaros PR e PM, que em 2013 suprimiram os feriados. Pensei que não havia jornalistas com igual nível de iliteracia.

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/12/portugal-e-sua-historia.html

ATACAR A FONTE E NÃO O CONTEÚDO: A FALÁCIA MAIS COMUM

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No  recente artigo da jornalista independente Caitlin Johnstone,  é dissecada aquela que -porventura- será a falácia mais comum, ou seja, um argumento que, não sendo válido, é apresentado como sendo, numa discussão. Se eu digo que «determinada informação ou opinião é inválida porque foi proferida por X (sendo X uma pessoa, ou uma entidade)» estou, na realidade a fugir a analisar e discutir o conteúdo dessa mesma informação ou opinião, estou desviando a atenção para um julgamento de valor sobre o emissor da mesma: neste exemplo, descreveria X como alguém 'com interesse em fazer a propaganda de um dado ponto de vista', ou X como alguém 'sem qualificações para emitir juízos sobre a matéria em causa', etc...
Este tipo de falácia chama-se «ad hominem», porque vai argumentar contra o emissor da opinião ou argumento, não contra o seu conteúdo. Não precisa ser um insulto, propriamente, pode ser uma recusa simples de discutir algo, só porque vem de determinada pessoa, de determinada fonte, de certo jornal, de certa corrente partidária, etc.
Na realidade, os políticos e as pessoas que passam por opinadores, especialmente neste Portugalzinho de «brandos» costumes,  estão constantemente a fazer esse erro, a cometer esta falácia.
Assim, costumam «argumentar», perante a opinião contrária, simplesmente emitindo um juízo de valor sobre quem (a pessoa ou a instituição) a emite: um apontar a dedo, que eles esperam fazer passar por argumento junto dum público apressado e pouco esclarecido nestes «truques». Assim, eles dão, a um certo número na audiência, a ilusão de que estão a debater a sério, seja que assunto for.

Como aconselha Caitlin Johnstone, a réplica a este tipo de ataques, não consiste em fazer como quem nos ataca desta forma, mas antes desmontar a falácia.  Mas é necessário que o público, não só os protagonistas, esteja consciente do seguinte: 

Certas pessoas ou entidades, ao fazer passar por argumento, aquilo que na realidade é um ataque «ad hominem» estão a ser extremamente autoritárias, estão a desprezar o outro (como se alguém não tivesse direito a ter seus próprios pontos de vista) e a desprezar a audiência, o público. Com efeito, quem faz esse tipo de falácia nos debates, julga que o público é tão ignorante ou estúpido que engole estas acrobacias verbais, como se fossem argumentos reais e com interesse para o tema em debate.

Nota-se este comportamento em todo o espectro político e ideológico. Nota-se nos canais de media «mainstream» e também, em canais de media «alternativos». 

O facto de ser tão banal, torna esta falácia ainda mais perigosa, pois ela surge como «natural», como «pecadilho». 

Na verdade, não o é: porque, como refiro acima, é autoritária; exclui o debate; torna impossível qualquer diálogo; impossibilita que se vá ao cerne de um assunto; transforma um debate de ideias, num juízo sobre pessoas e virtudes ou pecados das mesmas. No fundo, é uma recusa em dialogar, não explicitamente assumida, uma hipócrita forma de rebaixar eventuais opositores.  Revela uma grande instabilidade e insegurança por parte de quem assim procede pois, quem está seguro dos argumentos que defende, não teme discuti-los. 

Pelo contrário, quem teme o debate, esconde-se atrás de falácias. A mais corriqueira destas falácias consiste em «por em causa» o portador do argumento e não o argumento em si mesmo.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Colômbia, mulheres na luta

Há mortos entre os manifestantes e a Greve Geral mantém-se.
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A emancipação não está no estabelecimento de quotas… emancipação é libertação e a liberdade não se legisla, conquista-se!
Todo o resto é blá-blá-blá desmobilizador: as “quotas”, “Lei da Paridade” a tão proclamada “Cidadania” ou “Igualdade de Género”, são remendos na liberdade condicionada pelo capitalismo que nunca libertará porque oprimir é a sua condição.
A COMUNICAÇÃO “SOCIAL” CONTINUA A ESCONDER O VULCÃO SOCIAL QUE PROJETA MORTES, FERIDOS E MILHARES DE DETIDOS.
A MEDIA É UMA ARMA LETAL!
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Facebook ao serviço dos reaccionários do Império

 
O Encontro secreto de Mark Zuckerberg e Trump
¿Cuáles son las posturas políticas de Mark Zuckerberg? Basándonos en eventos recientes, uno podría asumir que el joven multimillonario favorece al conservadurismo estadounidense, incluso en posiciones explícitamente propias del Partido Republicano.
NBC News reveló el jueves que el CEO de Facebook cenó en secreto en la Casa Blanca durante octubre con el presidente Donald Trump. Zuckerberg iba acompañado de Peter Thiel, miembro del consejo de Facebook y uno de sus mentores desde hace tiempo. Thiel es famoso entre los multimillonarios de Silicon Valley por respaldar explícitamente a Trump en 2016 y por hablar en la Convención Nacional Republicana de ese año. Thiel, un libertariano que dirige una compañía que apoya los esfuerzos del gobierno en materia de vigilancia, también ha cuestionado el valor del sufragio femenino.

Esa cena de octubre ha sido la segunda en dos meses entre Zuckerberg y Trump. Ha seguido a una serie de cenas en la casa de Zuckerberg en California con tertulianos y activistas conservadores como el supremacista blanco Tucker Carlson de Fox News.
Recientemente, Zuckerberg ha avisado a sus empleados que la potencial elección a la presidencia de la senadora de centro izquierda Elizabeth Warren podría ser una amenaza “existencial” a su empresa. Y cuando el senador Bernie Sanders sugirió gravar a sus colegas multimillonarios para financiar programas públicos esenciales, Zuckerberg respondió que puede que los multimillonarios sepan mejor que los científicos del gobierno cómo desplegar recursos, como preciados fondos de investigación.
Pero si hubiera preguntado por las posturas políticas de Zuckerberg en 2016, podría haber mencionado incidentes tales como su completa acogida de la reforma migratoria y del aumento del tipo de visados que permite a los inmigrantes trabajar para las compañías tecnológicas estadounidenses en grandes números. Zuckerberg solía participar en desfiles del orgullo y Facebook se encontraba entre el grupo de empresas que elaboró alegatos que apoyaban casos en los tribunales para legalizar el matrimonio entre personas del mismo sexo en Estados Unidos.
El presidente Barack Obama y Zuckerberg eran cercanos durante los ocho años de presidencia del primero. Aparecieron juntos en varios eventos públicos y Zuckerberg incluso llamo al presidente después de que las revelaciones de Edward Snowden mostraran que el gobierno estadounidense había pinchado el sistema de Facebook para vigilar comunicaciones privadas.
Y a pesar de todo el pánico generado sobre Cambridge Analytica supuestamente usando datos generados por usuarios de Facebook para ayudar al Partido Republicano electoralmente, la campaña de Obama de 2012 también exportó datos de millones de votantes, exponiéndoles a publicidad electoral dirigida.
No resulta arriesgado decir que las posturas políticas de Zuckerberg dependen de temas específicos y son generalmente agnósticas en términos de partidos políticos. Siempre ha querido que las políticas migratorias de EE. UU. provean a su empresa de empleados extranjeros explotables. Quiere que sus impuestos sean bajos para que él y sus colegas puedan decidir cómo financiar instituciones educativas y luchas contra el cambio climático.
Zuckerberg suele aceptar la opinión de tipo libertariano hacia la libre circulación de personas en el planeta. Su entorno social ha sido siempre de élite, educado, multicultural y rico. Ha aprendido política de mentores que tienen una actitud hacia el mundo según la cual “de bien nacidos es ser agradecidos”.
Zuckerberg dejó Harvard tras dos años. Zuckerberg se ha matriculado en la última década en la Universidad de Davos, en la que gente rica finge ser inteligente y en la que gente inteligente adula a los ricos. Si alguien decide estudiar el mundo político de la mano de Henry Kissinger, puedes asumir que tendrá ciertas opiniones retorcidas acerca de cómo funciona el mundo.
Los puntos de vista políticos de Zuckerberg favorecen dos cosas: los intereses de Facebook y los de gente como él. Así que no es sorprendente que Zuckerberg se acercara a los dos presidentes norteamericanos electos durante la historia de su empresa. Desde que el mundo ha abandonado recientemente su estúpida adoración de Facebook y Silicon Valley, Zuckerberg ha estado en campaña constantemente –e infructuosamente– para lavar la cara y detener los esfuerzos por regular o fraccionar su empresa.
Así que el problema de Zuckerberg y sus posturas políticas no es solo que parecen haber girado a la derecha. Sus ideas no han cambiado en nada. El mundo lo ha hecho. El problema es que, por haber elegido un conjunto de principios y posiciones amorales, él se ha convertido en profundamente inmoral.
Facebook colocó personal en las oficinas de Rodrigo Duterte cuando se presentó a presidente de Filipinas en 2016, incluso a pesar de que Duterte se postuló mediante una explícita plataforma de violencia callejera y asesinatos extrajudiciales –una promesa que ha cumplido desde que cabalgó el poder comunicativo de Facebook hasta la victoria–. Zuckerberg tenía razones empresariales para ayudar a Duterte y no dejó que la brutalidad de este se interpusiera en su camino.
Zuckerberg ha abrazado a Narenda Modi, que gobierna India desde 2014 azuzando el nacionalismo hindú y desplazando los intereses de los musulmanes. Zuckerberg nunca ha expresado recelos sobre esta alianza y Modi, como Duterte, viajó en Facebook y WhatsApp hasta la victoria electoral.
Facebook también colocó personal en la campaña de Trump de 2016, incluso a pesar de que Trump hiciera afirmaciones racistas en su discurso inaugural de campaña en 2015 y de que su gobierno ha procedido al secuestro de miles menores, separándoles de sus padres, y ha maltratado a quienes buscan asilo en Estados Unidos. La creencia política más peligrosa de Zuckerberg es su firme convicción de que lo que es bueno para Facebook es bueno para el mundo.
En el mismo momento en el que el Congreso revela la apabullante evidencia de que Trump usó su poder como presidente para apoyar su campaña de reelección y que para reafirmar a su amigo Vladimir Putin detuvo la ayuda a Ucrania, Zuckerberg continúa tratando al Trump de la Casa Blanca meramente como otro posible regulador que debe ser embelesado.
La democracia se encuentra en retirada en todo el mundo. La violencia étnica y racial –muchas veces apoyada por Estados– está en alza. El tejido social se deshilacha. Nuestra habilidad para pensar con claridad sobre nuestros grandes problemas se reduce un poco más cada día. Facebook ha jugado un rol en todo esto. Aún así, el líder de la compañía, que hasta hace poco era alabado como modelo a seguir para los jóvenes, se mantiene al margen.
La renuencia de Zuckerberg por adoptar una postura a favor de la decencia humana básica, su insistencia en que toda la política es meramente instrumental a la suerte de su empresa y su creencia en que él sabe más y mejor; todas ellas muestran que Zuckerberg es político de la manera más cobarde.
 
Es profesor de estudios de comunicación en la Universidad de Virginia y autor de Antisocial Media: How Facebook Disconnects Us and Undermines Democracy

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2P2MKtU

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/30/facebook-ao-servico-dos-reaccionarios-do-imperio/

Media e Regimes: Governos, spreads e crescimento económico…

Como a guerra económica mudou o interesse dos Estados no controlo da informação. Análise do papel da inteligência económica e da informação como instrumento estratégico não só para as empresas mas também para o Estado.

 

 

E se a manipulação da informação se tiver tornado o novo campo de batalha entre os Estados? Se a narração dos factos for concebida e preparada de modo a abalar governos, alterar spreads, controlar um Estado ou incidir substancialmente sobre o sistema económico condicionando crescimento e emprego? A nós, Portugueses, estas questões soam-nos como ecos do que, nesta última década, se passou neste País que somos… Questões a que “il nostro eccellente amico” Giuseppe Gagliano responde no seu recente livro  “Guerra Economica, Cognitiva, dell’Informazione – Lo Stato dell’Arte”.

Gagliano é presidente do Centro de Estudos Estratégicos Carlo de Cristoforis (Cestudec) e autor de vasta bibliografia sobre chega ao cerne do debate sobre a guerra económica e o papel da inteligência económica como ferramenta estratégica não apenas para as empresas, mas também para o Estado.

“Do ponto de vista político, afirma Gagliano, o presidente Francesco Cossiga já tinha entendido claramente o papel da guerra económica em 1989 e como ela substituiria parcialmente a militar, tornando necessárias mudanças significativas na organização dos serviços de inteligência e de segurança”.

Hoje, “a inteligência económica é um instrumento da guerra económica em andamento no cenário multipolar”, escreve Gagliano. Motivo? A inteligência económica é “o carro-chefe das políticas de guerra económica e é com base nisso que a colaboração entre o Estado e as empresas é ainda mais necessária. É um elemento-chave para empresas e Estados, pois os mercados financeiros representam o cérebro de todo o sistema económico: se eles falharem, não apenas os lucros do sector serão mais baixos, mas também o desempenho de todo o sistema económico de um país fica comprometido.”

Gagliano mostra ainda como, num mundo onde a tecnologia evolui muito rapidamente, “a sociedade da informação mudou a estrutura operacional da guerra económica. O potencial ofensivo do agressor é, de certo, ampliado pelas tecnologias da informação”.

Também as multinacionais e ONG vêem aqui desmistificadas muitas das suas “narrativas” fundacionais. Muitas (quase todas…) das “multinacionais” são, de facto, nacionais e quase todas as grandes ONG (vidé Green Peace) são, de facto, empresas e negócios multinacionais…

A realidade posta a nu por Gagliano está bem longe da narrativa neo-liberal, do discurso daqueles que acreditam piamente e pregam que o Estado não deve intervir na economia cujos destinos deve deixar exclusivamente aos cuidados do “mercado” (ou dos interesses que o dominam).

 

Synopsis

“L’intelligence economica costituisce uno strumento indispensabile per salvaguardare la sovranità economica di un paese e quindi la sua indipendenza.

L’intelligence economica può essere efficacemente attuata solo dopo la piena comprensione della guerra economica e delle altre forme di belligeranza che passano dall’informazione, i dati e la conoscenza.

Non considerare questo legame è un errore metodologico grave. Così come lo è pensare di porre in essere un dispositivo efficace di intelligence senza prima avere conseguito una adeguata sovranità economica e militare nello scenario multipolare.

Lo scopo di questo libro, che si avvale di contributi di analisti e studiosi di questi fenomeni, è proprio quello di fare il punto sullo stato dell’arte di queste nuove e moderne forme di belligeranza. Ne emerge la centralità della intelligence economica come strumento difensivo e insieme offensivo volto a consolidare – o a conseguire – la sovranità economica senza la quale la libertà è solo un’illusione.

Nella parte finale del libro sono raccolti gli interventi dell’autore sugli scenari internazionali nei quali si dispiega la guerra economica.”

 

 
 
 

Exclusivo Tornado / IntelNomics

 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/media-e-regimes-governos-spreads-e-crescimento-economico/

Não estamos todos no café, Tânia Laranjo

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 28/11/2019)

Esta quarta-feira, Tânia Laranjo, jornalista do “Correio da Manhã” e da CMTV, local onde André Ventura se fez político às cavalitas do futebol, partilhou uma piada no seu Facebook. Num “meme”, lê-se: “Black Friday. Leve dois e não pague nenhum.” A acompanhar, as fotografias de dois dos poucos políticos negros deste país: Joacine Katar Moreira e Mamadou Ba. O post foi apagado depois de uma reação viral.

 

Não sei se consigo explicar, pela enésima vez, que o humor não é uma espécie de salvo conduto para se dizer tudo o que se queira e não se tem coragem. Claro que o humor deve ser lido e ouvido como humor. Conta o contexto em que é dito. É por isso que não foram muitas as vezes que me viram protestar com piadas, mesmo de mau gosto. Raramente dou para esse peditório, porque as fronteiras entre o puritanismo e a exigência ética nem sempre são claras. Mas isso não implica que o humor nos limite a capacidade crítica. Pelo contrário, ele deve servir para a aguçar. E “só” humor não chega.

Não tenho dúvidas que Tânia Laranjo não queria ser racista. Quando se insiste que o racismo não é uma questão meramente pessoal, é porque se tem consciência que o racismo social começa pela insensibilidade perante a sensibilidade dos outros. É a ausência desses outros, quase sempre com menos poder para reagir no espaço público, que permitiu que imensa gente se convencesse que isso não os incomodava. É como se fossem todos nossos amigos, não tem mal nenhum. Neste caso, a coisa é um pouco pior. Uma piada com a compra de negros num dia de saldos, num país que tem uma história de escravatura, é especialmente ofensiva. Obviamente tal ideia nem sequer ocorreu a Tânia Laranjo. A pouca gente, aliás. No país que transformou a escravatura num negócio global nada que não engrandeça os nossos feitos é tema. Publicasse esta piada nos EUA ou em muitos países europeus e Tânia Laranjo estaria em muito maus lençóis.

Dirão que estou ser hipersensível com o post de Tânia Laranjo. A minha sensibilidade é a mesma que Tânia Laranjo demonstrou, e muito bem, quando o inenarrável advogado de José Sócrates lhe disse “a senhora devia tomar banho, cheira mal!” Pôs-lhe um processo, para além da multa de oito mil euros que João Araújo teve de lhe pagar. Não me parece que se o advogado dissesse que aquilo era só uma piada se tivesse livrado da condenação. Pois a sensibilidade de Tânia Laranjo não vale mais do que a sensibilidade de Mamadou Ba e Joacine Katar Moreira.

Agrava tudo isto o facto de a piadista ser jornalista. Uma jornalista que, a qualquer momento, poderá ter de contactar ou entrevistar a deputada do Livre. Ao abrigo da liberdade de imprensa e dos deveres dos deputados perante os eleitores, espera-se que Joacine fale com jornalistas. Mas estará obrigada a falar com uma jornalista que fez piadas com a sua cor? Terão alguns jornalistas que usam as redes sociais como se fossem cidadãos comuns a consciência da situação em que se colocam e em que colocam os órgãos de comunicação social para que trabalham? código deontológico dos jornalistas é, no seu ponto 9, bastante claro: “O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da ascendência, cor, etnia, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social, idade, sexo, género ou orientação sexual.” Não me parece que esta rejeição só se aplique à hora de expediente. Aplica-se a todos os momentos públicos, que são os únicos que interessam.

Quis o destino que este episódio acontecesse no mesmo dia em que a deputada Joacine Katar Moreira resolveu fazer-se acompanhar por um sargento da GNR nos corredores da Assembleia da República para não ser importunada por jornalistas. Carregado de razão, o Sindicato dos Jornalistas considerou que “a decisão da deputada atenta contra a liberdade de imprensa e revela uma prática antidemocrática tomada dentro da própria Casa da Democracia”. A própria secretaria-geral da Assembleia da República foi obrigada a esclarecer que os oficiais da GNR de São Bento só podem acompanhar os deputados quando estiver em causa a sua segurança. Não são um escudo contra jornalistas atrevidos que fazem perguntas a deputados. Espero que à justa condenação da atitude prepotente da deputada se venha a juntar a condenação de mensagens racistas de uma jornalista que a teve como alvo. Seja a sério ou em versão piadística.

A reação de muita gente a este tipo de casos é dizer que há uma hipersensibilidade com piadas que antes se diziam sem qualquer problema. Isso pode ser verdade, e significa apenas que há gente que se ofende e antes não tinha voz (vejam a etnia de muitas das pessoas que, ofendidas, partilharam o post da jornalista). Mas a principal mudança não é essa.

A grande mudança destes tempos é que, com as redes sociais, as pessoas passaram a escrever no espaço público o que antes diziam aos amigos, numa mesa de café. E há uma diferença, que provavelmente temos de reaprender, entre o espaço privado, onde falamos com pessoas que conhecemos e cuja sensibilidade podemos prever, e o que dizemos no espaço público, onde ajudamos a formar opinião, damos força a preconceitos e ódios ou ferimos pessoas que não conhecemos de lado nenhum.

Assim como a frase “a senhora devia tomar banho, cheira mal!” dita numa discussão privada ou em frente às câmaras é bastante diferente. Os limites do humor são seguramente outros, mas nada disto deixa de ser verdade por ser uma piada. E achem o que acharem da história de Bernardo Silva, não são legítimas quaisquer comparações. Tânia Laranjo tem outras responsabilidades e, que se saiba, não é amiga de Mamadou Ba e Joacine Katar Moreira.

Tania Laranjo

Para se defender, a jornalista socorreu-se da velha frase “até tenho amigos pretos”. No caso, “tenho na minha família angolanos pretos”. Pouco interessa se Tânia Laranjo é racista com familiares negros ou não é racista, mesmo que só tenha parentes brancos. Interessa que é jornalista, que fez uma piada evidentemente racista num espaço público com um dirigente associativo e um deputado sobre o qual poderá escrever a qualquer momento. Isto não é como se estivéssemos todos à volta de uma mesa de café. E está na altura de pessoas que têm responsabilidades públicas e usam redes sociais o começarem a perceber.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Uma imprensa de sargeta e a promoção da extrema direita

POLÍCIAS , Agostinho Lopes
A manifestação das forças de segurança foi a oportunidade para a convergência dos «amigos da polícia» com o elogio dos «movimentos inorgânicos» e o ódio aos sindicatos, com muita reaccionarice e anticomunismo à mistura. Para tomar a nuvem por Juno também.
Longos comentários e debates, ou seja, muita letra e treta, para ocultar, iludir, mascarar três questões essenciais.
A responsabilidade da política de direita pelos persistentes e graves problemas profissionais que atingem a generalidade das forças de segurança. Muitas legislaturas e governos são passados sem qualquer avanço na sua resolução. Responsabilidades dos advogados das «contas certas». Dos fundamentalistas de uma gestão orçamental sujeita aos critérios do Pacto Orçamental e imposições comunitárias. Dos combatentes pelo Estado mínimo, com azia, alergia aos funcionários públicos, à despesa pública, à carga fiscal, julgados sempre em demasia. Dos velhos e novos neoliberalismos.
A escusa a pôr os nomes aos bois, metendo como autores e patrocinadores daquela política todos os partidos, sob eufemísticas designações, como «Estado» (mais uma falha!), «poder político», «forças partidárias tradicionais» e outras mistelas. «Os partidos tradicionais permanecem acantonados, bloqueados, e sem saber como reagir face a estes movimentos inorgânicos e às respostas populistas que se lhe colam» (1). E nessa indiferenciação, nesse anonimato, igualam as responsabilidades do «arco da governação», PS, PSD e CDS, com o PCP e outros que, insistentemente, repetidamente, denunciaram os problemas e fizeram propostas para a sua resolução. Assim alimentando também o «inorgânico», o «populismo», o confronto cego e inútil com o Estado. Quando se cita em destaque um deputado do CDS, na manifestação, em plena exercício de hipocrisia e demagogia, afirmando «Estas mulheres e estes homens chegaram ao seu limite de capacidade e resistência» (2), está-se a absolver um dos partidos responsável pelo «limite» a que se chegou!    
A magnífica manifestação e concentração de milhares dos profissionais das forças de segurança, transformada num epifenómeno de um grupo provocador e de um deputado de extrema-direita. Houve captura e instrumentalização política por essa gente? Sim, com grande ajuda mediática. Sim, é perigoso. Mas tal não pode obnubilar a luta e a manifestação realizada e o papel das suas organizações profissionais que aliás, criticaram e condenaram a sanguessuga oportunista.Tal não pode eliminar o património de luta passada, inclusive a dura luta pela legalização das suas estruturas e actividades sindicais. Um percurso só finalizado – ainda que não completamente satisfatório – na primeira década do século XXI. Tal não pode apagar as manifestações e concentrações passadas, nomeadamente a de 21 de Abril de 1989 – «Secos e Molhados» – e outras, como a de Outubro do ano passado. O que aconteceu na passada 5ª feira, 21 de Novembro só foi possível pelo caminho, aberto depois do 25 de Abril, de organização, unidade e luta, e sacrifício de muitos activistas – não esquecer o Comissário da PSP desterrado para Bragança por Cavaco Silva! E foi possível, apesar da oposição sistemática de sucessivos governos do PS, PSD e CDS ao reconhecimento dos seus direitos associativos e constitucionais.Contrariamente a análises e comentários tendenciosos, ou simplesmente ignorantes, o que aconteceu no dia 21 de Novembro, não foi o resultado do dito Movimento Zero, que apenas tentou parasitá-lo, mas o longo e persistente trabalho associativo das estruturas da PSP e GNR e outras.E essa importante jornada de luta pelos seus interesses e direitos foi concretizada.Não é possível escrever, no desvirtuamento e desvalorização do que aconteceu, «que aquele que era anunciado como o maior protesto de sempre de elementos das forças de segurança, (…) acabou por ter menos impacto do que se supunha.» Porque segundo o Expresso: «É certo que a iniciativa juntou milhares de polícias e guardas (…) junto à Assembleia da República, mas por exemplo, não se chegou ao ponto de haver confronto nas escadarias de São Bento, como noutras ocasiões.» (1). Mas era isso que as organizações que convocaram o protesto pretendiam? É esse o critério para avaliar do êxito da iniciativa? Reduzir aquela jornada de luta à oportunística manobra de um «movimento inorgânico», ou «espontâneo» como querem outros, é no mínimo ridícula. Mas leva água no bico, como todos sabemos.    
A continuação da luta em força e unidade até à satisfação das justas reclamações dos seus profissionais, vai certamente clarificar e eliminar o ruído e o nevoeiro que a instrumentalização reacionária tentou semear. A PSP, a GNR, e outras forças de segurança, o País, precisam de profissionais com condições de trabalho e de vida dignificadas.
(1) Editorial do Expresso, 23NOV19;
(2) Público, 22NOV19.   

 

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/34wY1t1

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/29/uma-imprensa-de-sargeta-e-a-promocao-da-extrema-direita/

Implementação de 5G em Portugal não está atrasada, diz alto funcionário português

Lisboa, 27 nov (Xinhua) -- Um alto funcionário português disse na quarta-feira que não existe atraso no processo de implementação de 5G em Portugal, segundo reportagem da agência de notícias Lusa.

"Portugal do ponto de vista prático não está atrasado, e o calendário europeu vai ser respeitado", disse Alberto Souto de Miranda, secretário de Estado Adjunto e das Comunicações.

Ele fez os comentários em uma cerimônia relacionada ao início de um teste piloto para o processo de migração da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Lisboa. O teste piloto é uma parte crucial da implementação de 5G em Portugal.

O país viu uma troca de opiniões acirrada entre reguladores e operadoras de telecomunicação em torno da implementação de 5G.

O presidente da Altice, operadora de telecomunicação em Portugal, disse na terça-feira que há "atrasos quase irreparáveis" na implementação de 5G em Portugal, acusando o regulador de inação.

João Cadete de Matos, o presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), disse que as críticas das operadoras sobre possíveis atrasos "não têm base nem fundamento".

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/28/c_138589957.htm

A extrema direita enxameia o facebook

Apenas como exemplo dos ódios que a extrema direita (com o sorriso cúmplice de demasiada direita que se diz democrática) anda a semear.
A propósito de uma opinião sensata do capitão" Vasco Lourenço (que em tempos idos a direita tanto aplaudiu...)
 
 
Image Capture 05   Política Portuguesa
 

A resistência boliviana não será transmitida

Um importante relatório de análise das vertentes mediática e nas redes sociais do golpe de Estado fascista na Bolívia.

Por um lado um completo “apagão mediático” (compare-se o silêncio sobre a Bolívia com a torrente noticiosa sobre Hong-Kong) por outro o uso de Twitter e Facebook (e respectivos robôs) como meio de preencher esse vazio com notícias e versões falsas favoráveis ao golpe e à bárbara repressão em curso.

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Políticas de Supermercado

Discurso Eleitoral, João Abel Manta, desenho a tinta da china, Agosto 1969, publicado no Diário de Lisboa/Mesa Redonda 19 de Setembro

Não é de agora nem é novidade a política estar cada vez mais subordinada a estratégias de marketing. As próximas eleições no Reino Unido são um sinal claro dessa deriva.

Mais que a campanha eleitoral, os debates televisivos o que verdadeiramente conta é a “fábrica de memes” dos conservadores a funcionar 24 horas por dia no universo digital dirigida por David Cummings, um australiano especialista nessas estratégias, autor das mais bem conhecidas ideias da campanha no referendo pela saída da União Europeia com o slogan Take Back Control” (Agarre novamente o controlo) numa referência clara ao uso do controlo remoto dos aparelhos domésticos e das playstationes e do telefilme The Uncivil War, que muito influenciaram o voto. É um acenar sem pausas à empatia e não à racionalidade das pessoas. A campanha online dos conservadores iniciou-se ainda antes de estar decidida a ida às urnas. As referências à cultura popular multiplicam-se. É o jogo do Monopólio, A Guerra dos Tronos, o recurso constante a anúncios que não estão ligados diretamente a partidos políticos mas à publicidade de, por exemplo, KFC e MacDonnalds, enviesadamente utilizados para aproveitar a memorização já produzida. Por cá isso também foi decalcado e utilizado, não por acaso, pela Iniciativa Liberal para, numa linguagem acessível, dar uma imagem falsa da realidade. Percorra-se a galeria de imagens dos seus cartazes para se percepcionar esse relacionamento mimético com o outro lado do Canal da Mancha, o que deixa muitas questões no ar.

Tudo isto é feito com uso intensivo das redes sociais, Facebook, Instagram, Twitter e do WhatsApp, onde se investem milhões em publicidade com anúncios políticos online em que os os utilizadores são instados a fornecer o seu e-mail e localização, uma evidente tentativa de alargar a base de dados de eleitores do partido e recolher dados dos eleitores através das redes sociais. Nada disto é novo. Nos EUA são uma vulgaridade bem utilizada por Obama ou Trump, com resultados reais que correspondem aos investimentos brutais em spots publicitários pagos com as contribuições de grandes grupos económicos, que lhes dão apoio variável em função das expectativas criadas à expansão dos seus negócios. Há ainda que ter memória das revoluções da Primavera Árabe e da campanha de Bolsonaro à boleia da difusão colossal e da velocidade estrastoférica desses meios tecnológicos, onde a propaganda se associa às fake-news e ao que é fake para defraudarem a realidade com um poderio imenso, influenciando não só os utilizadores intensivos das redes sociais seja o utilizador comum sejam jornalistas, analistas e académicos, muitos deles predispostos a absorverem essas mensagens, para se verificar como a informação assim produzida é influente.

Tudo isto acontece porque nos sistemas representativos a publicidade, directa e indirecta, associada à descarada manipulação da comunicação social sempre ao serviço do poder dominante, tem enorme peso na decisão de voto. O exemplo mais exemplar, passe o pleonasmo, é o de Itália onde Berlusconi recolheu as maiores votações nas regiões onde o seu poder televisivo era esmagador mas também no triunfo de Macron sustentado na pseudo novidade de um partido mais que velho e relho nas suas raízes.

Isto acontece porque a apologia da democracia tende progressivamente a confundir-se com a dos partidos tanto mais quanto menos a realidade corresponde ao ideal democrático, o que provoca uma contínua degradação da política e do pessoal político, na degradação do Estado nas suas componentes políticas, profissionais e técnicas, no descrédito da política e dos políticos, no desencantamento com a política que os media e as redes sociais produzem com contumácia propondo uma visão cínica do mundo político nas notícias e comentários, o que abre as portas dos populismos, cada cor seu paladar, alimenta a vox populli contra os políticos, o aparelho de Estado, o trabalho da acção parlamentar fertilizando processos de demagogia, alimentando uma opinião pública que não sabe mas acha que.

É o caldo de cultura de um sistema democrático representativo em que há uma crescente indiferenciação ideológica e programática entre os partidos de esquerda, do centro e de direita que se integram completamente nesse sistema. Que reduzem a sua acção e medem a sua representatividade quase exclusivamente pelos resultados da competição eleitoral, em que a democracia deixou mesmo de ser o lugar da luta de classes pacífica como era proclamada pelos pioneiros revisionistas sociais-democratas. Isto também abre caminho aos populistas, de direita e de uma auto proclamada esquerda, que negam as evidências de que a luta de classes existe , não parou e que há de facto políticas de direita e de esquerda.

Surgem novos partidos useiros e vezeiros nas profissões de fé contra os partidos tradicionais enquanto se organizam tal qual os partidos tradicionais. Não são instrumentos ao serviço dos eleitores, em particular de quem os elegeu, são uma finalidade em si-próprios que disfarçam com declarações altissonantes como as de Joacine Katar Moreira que, chegada à AR, sente-se tão ungida, tão excepcional que messianicamente explica à plebe ignara que “Hoje estamos a inaugurar uma nova era e é, especialmente, uma era em que estes ambientes que há uns anos olhávamos enquanto ambientes completamente orientados para a mesma elite política, económica, financeira e por aí a fora, é hoje em dia, um ambiente que se abre e que é, simultaneamente, a evolução do ambiente institucional português e um sinal de maturidade política”. Para a deputada do Livre há uma AR antes- Joacine e uma AR pós-Joacine, só lhe falta propor um novo calendário em substituição do gregoriano para assinalar esse facto magno que só existe na sua cabeça. Tem o desplante de proclamar isso porque bem sabe que o ridículo não mata e declarações desse jaez são um golpe publicitário sublinhado pelas saias do seu assessor. Mesmo para todos os que se estão marimbando para a sua gaguez e para as vestes provocatórias do seu assessor, para todos os que repudiam a infame campanha de que foi e é alvo, é evidente que o que Joacine Katar Moreira persegue, e iniciou em grande estilo, é uma campanha de marketing que iluda as propostas programáticas do Livre em deriva acentuada para a direita por uma radicalização das políticas identitárias polvilhadas de afirmações patéticas como a de “não se pode falar de salário mínimo nacional sem se falar de amor” (…) “política sem amor é comércio”, um linguarejar em linha com os gouchas que preenchem os espaços televisivos dos entretenimentos do povo dá cá o pé, toma lá o pé.

Não está isolada. Tinha sido precedida pelo PAN e está bem acompanhada pela Intervenção Liberal e pelo Chega que tem a vantagem sobre os outros de congregar os saudosos do fascismo, os patrioteiros nacionalistas, os caceteiros que andavam tresmalhados. Têm um traço comum: as políticas identitárias dos mais diversos matizes que os separam à superfície e os unem nas profundezas. Jogam todos e competem todos nos golpes de marketing e nos adubados territórios das redes sociais às ruas, apoiados nos media que rapidamente lhes ofereceu e oferece um tempo de antena que pouco ou nada reflete a sua representatividade, com o Chega a chegar-se à frente por via dos comentários desportivos.

Se o marketing e a publicidade já ocupavam espaço crescente em substituição das propostas ideológicas, diluindo-as até as tornar quase residuais em partidos tradicionais agora tornaram-se dominantes nesses partidos, mesmo o Chega, que são de facto organizações eleitorais e eleitoralistas sem definição, com a mobilização ideológica reduzida ao alinhamento de slogans apontados à conquista do voto, à politização desses slogans em melhor ou pior urdidas campanhas publicitárias, o que é um grave retrocesso político-ideológico até porque as lutas sociais e políticas não se esgotam nos momentos eleitorais, o seu único alvo.

Ver o original em 'Praça do Bocage ' (clique aqui)

No «Expresso» online: quando se sabe escrever mas não se sabe ler,

Quando se sabe escrever
mas não se sabe ler,
o resultado é este
O que, no final da reunião do Comité Central, Jerónimo de Sousa, declarou foi que :
 
«A sua concretização é inseparável da denúncia das limitações e opções da política do governo PS, bem como do confronto com a ofensiva reaccionária que procura encontrar espaço para os seus projectos antidemocráticos.»
 
Ou seja, uma coisa é uma coisa
e outra coisa é outra coisa !
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Brasil | Bombardeio de Fake News continua intenso

O estilista Ronaldo Fraga postou em suas redes um texto conciso mas certeiro sobre a lavagem cerebral em curso, que tomo a liberdade de reproduzir porque toca num ponto essencial para a luta de resistência.

 

 

É intrigante a falta de reação popular aos desatinos do governo Bolsonaro, a medidas que retiram direitos e conquistas, às ofensas constantes ao grupos sociais e minorias, ao desmonte das instituições e políticas públicas, e à insensibilidade diante do desemprego e do empobrecimento crescente. Elza Soares já falou em barbitúricos na água e Lula em uma anestesia geral. A resposta, entretanto, nós conhecemos, embora não em detalhe: o povo continua sendo bombardeado por Fake News via whatsaap, como na campanha, pelas milícias digitais do bolsonarismo.

Aliás, o “dispositivo” de disparos anda tão potente que para os uruguaios foram disparadas mensagens ameaçando quem não votasse neste domingo contra a Frente Ampla, de esquerda.

O estilista Ronaldo Fraga postou em suas redes um texto conciso mas certeiro sobre a lavagem cerebral em curso, que tomo a liberdade de reproduzir porque toca num ponto essencial para a luta de resistência: precisamos furar a bolha que aprisiona milhões de brasileiros nas lorotas ideológicas, nas mentiras que demonizam tudo e todos que estão além do bolsonarismo. Do contrário, seguiremos falando para os esclarecidos e convertidos ao imperativo de mudar o atual quadro de desolação.

Diz ele:

“Se alguém tem uma vaga esperança de que o povo brasileiro esteja despertando para quem é Bolsonaro, sugiro muito sair de nossas bolhas e ir ver o que a massa, o povão, anda compartilhando, assistindo e divulgando lá fora. O povo segue sendo bombardeado por Fake News num ritmo nunca visto.

Tem vídeo, editado e manipulado, de Cabo Daciolo dando esporro em Boulos. Tem vídeo da Mariele (com velocidade reduzida para sua voz parecer arrastada como a de uma drogada), defendendo o aborto. E milhares xingam nos comentários e dizem que sua morte foi “justiça divina”. Tem vídeo de quadrilha de traficantes sendo presa e vestindo camisa Lula Livre. Tem vídeo de “navio venezuelano jogando petróleo no mar do Nordeste”. Na verdade é um navio português fazendo a dragagem de areia em um canal de Matosinhos. Tem de tudo o que você possa imaginar.

7 n yO que me agonia é saber que de nossos trocentos zilhões de posts, nada chega ao povo. Os algoritmos do Facebook e do Insta há muito não deixam estes dois universos interagirem. Você pode fazer 20 posts por dia. Nenhum deles vai chegar ao povo bolsonarista, assim como nada deles vai aparecer em seu feed. O cenário é desesperador”.

Sendo as coisas deste jeito, não é imperativo político maior do que furar a bolha. Mas como?

A voz de Lula é talvez a única que pode ser ouvida neste universo, mas também ela esbarra no muro digital que separa os dois mundos.


Texto original em português do Brasil



 

 

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/bombardeio-de-fake-news-continua-intenso/

Trabalhadores da RTP oferecem 51 canetas ao ministro das Finanças

As esferográficas simbolizam o número de processos que Mário Centeno tem no seu gabinete à espera de homologação, para que estes trabalhadores possam vir a ter o devido vínculo efectivo com a RTP.

Créditos / CGTP-IN

Em carta aberta dirigida ao ministro das Finanças, Mário Centeno, os trabalhadores da RTP com vínculo precário ofereceram 51 canetas que simbolizam cada processo que o ministro tem no seu gabinete, desde Março, para homologação. A assinatura do ministro é a última de que estes trabalhadores precisam para serem integrados e verem o seu vínculo de trabalho reconhecido com a RTP.

Estes processos já tiveram parecer positivo da RTP e da CAB-Cultura (Comissão de Avaliação Bipartida) e já foram homologados pelo Ministério da Cultura e pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Em Setembro, durante um protesto no Porto, o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, lembrava que estes «são trabalhadores que correspondem a necessidades permanentes da RTP, sujeitos a ordens hierárquicas. Portanto têm um vínculo com a RTP. Estamos aqui a reclamar que, depois de a CAB ter reconhecido a necessidade permanente destes trabalhadores, agora reconheça aquilo que é evidente: um vínculo adequado, e o vínculo só pode ser à RTP».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trabalhadores-da-rtp-oferecem-51-canetas-ao-ministro-das-financas

O bruxo de Fafe e a injúria

 

 
Marques Mendes, tem uma excelente rede de informadores e é o moço de recados mais adequado à intriga, com sofrível criatividade, medíocre objetividade e execrável poder de injúria. Da sua última homilia, destaco a sibilina e insultuosa associação do CDS ao PCP.

 

 
 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/11/o-bruxo-de-fafe-e-injuria.html

Até me assustei com o título do «Público»

Informo a redacção do
«Público» que o casamento
de uma rapariga de
16 ou 17 anos não é
um «casamento infantil»
 

«Actualmente, pode casar-se em Portugal com 16 anos, desde que se tenha autorização dos pais. A ONU recomendou o aumento da idade mínima do casamento para os 18 anos, mas a lei mantém-se igual – e não faz parte dos planos dos principais partidos alterá-la.» ( Público online)
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Exército do Ciberespaço contra Chile, Bolívia…

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(só para assustar)
 
Nervosismo no Ciberespaço, a movimentação vai desde: comentários vindos também do Chile contrariando um dos meus postes “que a polícia só usou gás, balas de borracha e bombas de intimidação” e vários outros comentários do mesmo estilo.
Mais de 68 mil contas falsas no Twitter apoiam golpe contra o Evo e 4.000 contas de apoio aos pinochetistas chilenos.
Tudo em conluio com a “imprensa digital” que oculta, desvirtua ou mente abertamente.
No Chile sobem a 23 os mortos. Mais de 2.381 feridos e 6.362 detidos, segundo o Instituto Nacional de Direitos Humanos do Chile (INDH). Nestes números incluem-se 759 crianças e adolescentes.
Na Bolívia os assassinatos continuam, dos feridos perde-se a conta e a repressão sobe de tom.
E A NOSSA COMUNICAÇÃO “SOCIAL” ESTÁ TODA EM HONG KONG.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

A comunicação social engana-nos !

Em Portugal, nunca como hoje a comunicação social se constituiu como tão manipuladora e mentirosa.
No regime fascista havia censura e alguns órgãos de comunicação, como o 'Diário da Manhã', eram assumidamente mentirosos. Todavia, muitos jornalistas  destacavam-se pela sua resistência à mentira e pelo seu afã de transmitirem uma informação o mais rigorosa possível.
Os cidadãos sabiam que, por princípio, deviam precaver-se contra o enviesamento informativo que a ditadura impunha.
Globalmente, mesmo em pleno fascismo, os cidadãos tinham melhores condições para se defenderem da manipulação informativa do sistema.
Hoje quase toda a comunicação social está dominada pelos grande interesses económicos, pela anestesia intelectual de demasiados jornalistas e pelo enorme aprimoramento das técnicas de manipulação . O que prevalece é a falsidade e, sobretudo, a constante manipulação ao serviço do 'pensamento único' de cariz neoliberal.
Ler a generalidade dos jornais ou assistir às televisões é hoje um penoso exercício de resistência à manipulação que se exerce de múltiplas e cada vez mais sofisticadas maneiras. Manuel Carvalho não é um jornalista qualquer. É o diretor do 'Público' (que é privado, pertença da SONAE) e um dos opinólogosde serviço nas televisões sobretudo na RTP.
A aparente convicção como mente acerca do golpe na Bolívia não é um equívoco. É a forma mais rasteira (mas eficaz) de fazer passar a mentira fundamental que o imperialismo quer veicular para 'justificar' o golpe meticulosamente preparadopara afastar (e, ao que tudo indica, assassinar) um Presidente eleito democraticamente e respeitado pelo desenvolvimento que promoveu na Bolívia.
Diz Manuel Carvalho enquanto comentarista da RTP que «...osobservadores internacionais ficaram absolutamenteconvencidos que tinha havido uma 'chapelada', uma fraude em larga escala e é nessa sequência que Evo Morales tem que sair» Manuel Carvalho mente, serve ao público a narrativa que lhe encomendaram para justificar o golpe,  mas fá-lo habilidosamente para que a mentira seja tida como verdade.
Ele sabe que:  Na RTP e no 'Público' sabem tudo isto mas a narrativa que lhes mandam passar é outra.
Por isso Manuel Carvalho nem procura relativizar o seu discurso fraudulento. Fá-lo com a ligeireza (quase graciosidade...) de quem está a dizer uma evidência consensual que nem vale a pena explicar.
É triste, muito triste, que estejamos obrigados a uma tal "comunicação social".
Como defesa contra esta mentira (não como outra verdade absoluta mas como mais um elemento de análise crítica) podemos ler:

Sobre a OEA e as eleições na Bolívia

por CELAG | Tradução de Pedro Marin para a Revista Opera
 
O Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (CELAG) realizou um estudo detalhado do relatório da OEA “Análise das Eleições Gerais da Integridade Eleitoral no Estado Plurinacional da Bolívia, 20 de outubro de 2019 – Constatações Preliminares. Informe à Secretaría Geral“, com base em análises próprias e retomando as contribuições do documento “O que aconteceu na contagem de votos das eleições de 2019 na Bolívia? O papel da Missão de Observação Eleitoral da OEA“, preparada pelo Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR).
As conclusões da análise permitem afirmar que o relatório preliminar da OEA não fornece nenhuma evidência que possa ser definitiva para provar a suposta “fraude” referida pelo Secretário-Geral, Luis Almagro, na reunião do Conselho Permanente realizada em 12 de novembro. Pelo contrário, em vez de cumprir uma auditoria eleitoral tecnicamente fundamentada, a OEA preparou um relatório questionável para induzir uma dedução falsa na opinião pública: que o aumento da diferença a favor de Evo Morales na etapa final da contagem teria expandido-se por causas fraudulentas e não pelas características sociopolíticas e dinâmicas do comportamento eleitoral que ocorrem entre o mundo rural e urbano da Bolívia.
Um antecedente a considerar é que, em 23 de outubro, antes do início da auditoria solicitada pelo Governo boliviano e com o cálculo oficial em andamento, a Missão Eleitoral da OEA emitiu um relatório preliminar no qual “recomendava”, sem qualquer tipo de fundamento técnico, a realização de um segundo turno eleitoral como a “melhor opção”.
A seguir, as principais conclusões:
Sobre a análise da interrupção do TREP (Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares). O relatório da OEA omite, como afirma o relatório do CEPR, a prática usual, anunciada e acordada entre as partes antes do processo eleitoral, que incluía o compromisso do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) de publicar dados preliminares obtidos a partir do sistema de transmissão rápida TREP com um número de votos verificados de 80% do total. Às 19h40 de 20 de outubro, quando a publicação dos resultados foi interrompida, a carga de dados atingiu 83,85% dos votos verificados. Como o mesmo relatório aponta, esse desempenho do TREP foi semelhante nos processos eleitorais bolivianos anteriores [1].
• Os gráficos do relatório da OEA sobre o sistema TREP não revelam nada, exceto o que já sabíamos, ou seja, que o carregamento de atas no sistema foi interrompido em 83,85% dos registros verificados e depois retomado. Enquanto isso, os gráficos sobre a relação a favor / contra Morales apenas sustentam uma conclusão óbvia: que, nas áreas carregadas no sistema tarde da noite – nas áreas rurais – o apoio de Morales é muito superior àquelas recebidas de outros locais, mais cedo.
• O relatório da OEA também apresenta declarações arbitrárias, sem base técnica, usando o termo “incomum” para caracterizar o comportamento das tendências no carregamento de dados: “Nos últimos 5% do cálculo, foram contabilizados 290.402 votos. Destes, Morales ganhou 175.670, ou seja, 60,5% dos votos, enquanto Mesa obteve apenas 69.199 votos, ou seja, 23,8%. Em outras palavras, nos últimos 5% dos votos, Morales aumenta a média de votos em 15% em comparação aos 95% anteriores.” Não é “incomum” que Morales tenha obtido porcentagens de apoio em torno de 60%, e ainda superiores, em algumas áreas do país e principalmente nas áreas rurais dos dois departamentos que foram carregados no sistema por último: Cochabamba e Oruro. Veja a esse respeito os resultados das eleições de 2014, nas quais nas cidades rurais o MAS obteve uma média de 84% dos votos, ou nas eleições de 2016, nas quais 71% votaram pelo “Sim” no referendo.
• A partir de um rigoroso exercício matemático, é perfeitamente possível que a projeção dos resultados do TREP a 100% resulte em uma diferença a favor de Morales acima de 10%, o que é derivado do fato de que as áreas de maior peso eleitoral do MAS eram as que estavam menos avançados na contagem. Supondo que de 16,15% dos votos que faltavam contar no momento da parada do TREP, um terço corresponderia a áreas urbanas, como argumentou o candidato Carlos Mesa, e dois terços corresponderiam à votação rural, e com a hipótese conservadora de que Morales tivesse obtido 60% de apoio nessas áreas, o resultado final seria 47,3% vs. 36,4%, ou seja, uma diferença de 10,9 pontos. Esse resultado é consistente com o que foi finalmente obtido do cálculo oficial.
• Como as projeções feitas pelo CEPR constataram:
    • “A contagem oficial de votos juridicamente vinculativa não parou por um período significativo, e a tendência nos resultados da contagem oficial é muito semelhante à tendência nos resultados da transmissão rápida”.
    • “Os resultados do TREP não são difíceis de justificar ou incomuns”, como aponta a OEA, mas o que ocorre é que “a brecha entre Morales e Mesa aumentou constantemente à medida que o processo de contagem progredia”.
    • “Os resultados parciais da transmissão rápida até o momento de sua interrupção preveem um resultado extremamente próximo dos resultados finais”
• Deve-se esclarecer que, embora a OEA concentre sua auditoria principalmente no sistema TREP, o único resultado vinculativo da legislação boliviana é o que emana da contagem oficial de votos. O sistema TREP, implementado pelo país a partir de 2016 por recomendação da OEA, tem caráter preliminar e não fornece resultados oficiais. É muito surpreendente que o relatório poucos e breves alusões à contagem oficial sem qualquer suporte técnico para endossar as declarações feitas.
• Por sua vez, de maneira pouco rigorosa, a OEA observa em seu relatório que: “É previsível presumir que, se houvesse mais tempo para processar mais documentação, seria encontrado um número ainda maior de irregularidades”, o que não pode constituir de forma alguma demonstração confiável da existência de tais irregularidades.
Sobre a análise de uma suposta falsificação de assinaturas nas atas do cálculo oficial. Os poucos parágrafos que o relatório da OEA dedica à análise desse ponto baseiam-se em uma amostra não representativa do total de atas. Observam-se apenas 333 atas (de 34.555), das quais 78 (0,22% do total) teriam irregularidades, que não são uma amostra aleatória do total, mas o contrário: constituem uma amostra enviesada por sua seleção. Como o relatório aponta: “Para formar esta amostra, foram selecionadas mesas nas quais o MAS obteve 99% dos votos e as mesas consecutivas, ou seja, as do mesmo centro de votação.” Qualquer auditoria rigorosa teria conduzido uma amostra do conjunto das atas para estabelecer uma conclusão estatisticamente relevante.
• Finalmente, como o relatório do CEPR nos lembra, é necessário enfatizar que existem outros mecanismos plenamente vigentes no sistema eleitoral boliviano que atuaram durante todo o processo para garantir a transparência das eleições:
    • 207.322 cidadãos bolivianos participaram como jurados de votação nesta eleição, à razão de seis para cada mesa eleitoral. Todos os jurados de votação devem assinar a ata de exame final.
    • Os delegados dos partidos políticos participam do exame e endossam o cálculo feito em cada uma das 34.555 mesas de voto.
    • Finalmente: as imagens dos registros de contagem estão disponíveis on-line para quem deseja confirmar que as informações nas fichas físicas correspondem às informações inseridas no sistema oficial de cálculo.
________________
 [1] (i) No referendo constitucional de 2016, o TSE realizou uma coletiva de imprensa às 18h15 do dia das eleições em que anunciou resultados preliminares com 81,2% das atas processadas. (ii) Por ocasião do referendo regional de 2016, o TSE publicou resultados preliminares às 19h30, com um nível de processamento entre 66,7 e 100% das atas, de acordo com cada jurisdição. (iii) Nas eleições judiciais de 2017, os resultados preliminares foram anunciados às 21h30, com 80% das atas processadas, endossadas na época pela Missão de Peritos Eleitorais da OEA.
_______________________________________________
Interessante também sobre o Golpe na Bolívia:

Veja o original em 'Navegando à Bolina'':

https://navegandoabolina.blogspot.com/2019/11/a-comunicacao-social-engana-nos.html

Trabalhadores da TSF ameaçam com greve

Os trabalhadores da rádio TSF ameaçaram recorrer à greve se a administração da Global Media não esclarecer dentro de dez dias questões relacionadas com a anunciada reestruturação do grupo.

CréditosAntónio Cotrim / Agência Lusa

«Os trabalhadores da TSF decidiram conceder um prazo de dez dias para obter uma resposta – por escrito – por parte dos destinatários, findo o qual se reservam o direito de utilizar todas as formas de luta ao seu dispor, incluindo o recurso à greve», lê-se num comunicado divulgado ontem.

Segundo o texto, «desde o anúncio da nova reestruturação [do Global Media Group], a instabilidade na TSF tem sido grande, agravada por atrasos no pagamento de salários a trabalhadores efectivos e colaboradores».

Reunidos em plenário na sexta-feira, os trabalhadores da TSF decidiram, «com o apoio» do Sindicato dos Jornalistas e do Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (CGTP-IN), exigir ao presidente do Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, e aos accionistas Kevin Ho, José Pedro Soeiro e Rolando Oliveira um esclarecimento, por escrito e no prazo de dez dias, a várias questões que querem ver clarificadas.

Desde logo, os trabalhadores daquela rádio querem «um esclarecimento claro e cabal de quem tem poder de decisão dentro da empresa sobre a reestruturação anunciada, incluindo rescisões por mútuo acordo e um eventual despedimento colectivo, número de trabalhadores a dispensar, critérios para esses despedimentos e datas para que esta reestruturação avance».

Exigem também a divulgação imediata das contas de 2018, «com as devidas explicações sobre as opções de gestão que levaram ao actual estado do Global Media Group, nomeadamente investimentos feitos em áreas que não tiveram o retorno esperado, prejudicando todo o grupo».

Também a demissão do director da TSF, Arsénio Reis, anunciada no passado dia 7 de Novembro e contestada pelos trabalhadores, é alvo de um pedido de clarificação, uma vez que as explicações avançadas pela empresa para esta saída «não convenceram os trabalhadores». Na direcção da rádio desde Julho de 2016, Arsénio Reis vai ser substituído interinamente por Pedro Pinheiro, atualmente director-adjunto.

Os trabalhadores reivindicam ainda «um esclarecimento cabal sobre o futuro do grupo, nomeadamente em termos editoriais, e em especial daquilo que se pretende para a TSF – Rádio Notícias», o cumprimento do pagamento de salários aos trabalhadores, «efectivos e colaboradores», e o «cumprimento do pagamento de subsídio de Natal».

Em 2014, quando a TSF era detida pela Controlinveste Conteúdos, uma reestruturação do grupo levou ao despedimento de 160 trabalhadores, 64 dos quais jornalistas.

 

Com agência Lusa

 

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/trabalhadores-da-tsf-ameacam-com-greve

Quem poligrafar o Polígrafo, bom poligrafadigador será

O Polígrafo continua, como sempre tem feito até aqui, a efetuar uma verificação de factos que, a meu ver, deixa muito a desejar quando comparada com outros sites internacionais com o mesmo objetivo. Primeiro, porque, não raras vezes, aposta no "clickbait", ou seja, faz uma pergunta no título sem dar a resposta, mesmo sabendo que a maioria das pessoas não vai clicar e ler a notícia, mas antes responder-lhe de acordo com a sua convicção. Isso traria menos cliques ao Polígrafo, é certo, mas serviria o propósito que diz ter. E quando é o Polígrafo, ou o seu diretor, Fernando Esteves, que necessitam de ser poligrafados, fazemos o quê? No passado dia 11, a revista sábado publica uma notícia com o título "Diretor do Polígrafo apanhado no caso Máfia do Sangue". No caso, é referido que "Fernando Esteves acumulou a função de jornalista e editor de política na Sábado com uma quota numa empresa que, entre outras matérias, tinha no seu objeto social a 'consultoria em comunicação', uma actividade incompatível com a profissão de jornalista. A revelação consta da acusação do Ministério Público no processo "Máfia do Sangue", na qual se adianta ainda que a empresa em causa, a 'Alter Ego', chegou a trabalhar para a Octapharma e para Lalanda e Castro, o principal arguido do processo. Fernando Esteves foi jornalista da SÁBADO entre 2005 e abril de 2017". Na sequência do sucedido, enviei uma mensagem ao Polígrafo, questionando se Fernando Esteves poderia confirmar a veracidade do que foi publicado. Se o fizesse, e em caso de confirmação, como avaliava o facto de ser jornalista e fazer assessoria à luz da lei e do código deontológico dos jornalistas.
Como resposta do Polígrafo, e após uma insistência, recebi, no dia seguinte, uma mensagem que me remetia para uma publicação, pública mas fechada a comentários, no Facebook de Fernando Esteves. Da "explicação", chamemos-lhe assim, retive este parágrafo: "Essa empresa, de que não era gerente, teve alguma actividade inicial mas passados uns anos, com a crise, praticamente deixou de funcionar. Os sócios foram saindo - eu próprio acabei também por abandoná-la. Um deles, o meu amigo de faculdade Pedro Coelho dos Santos (actual dono da empresa), uma pessoa e um profissional de excepção, perguntou-me um dia, ainda antes de eu sair, se podia facturar as actividades privadas dele através da empresa, uma vez que lhe era benéfico em termos fiscais. Eu, que não tinha qualquer responsabilidade na organização e que basicamente só aparecia nos locais (escolas e universidades, normalmente) quando, muito raramente, havia um curso para ministrar, disse-lhe que sim, sem lhe perguntar o que quer que fosse, nomeadamente quem eram os seus clientes. Era a vida dele. Nunca soube qualquer detalhe sobre os contratos que fazia ou deixava de fazer porque simplesmente não participava da vida de uma empresa que nem instalações possuía (a sede era, e julgo qua ainda é, a morada do Pedro Coelho do Santos). Escusado será dizer que nunca ganhei um tostão relacionado com os clientes que ele legitimamente mantinha".

Como é evidente, sendo que Fernando Esteves era um dos sócios da empresa, se se desligou informalmente ou não, pouco importa. Os factos, que o Polígrafo não quis, até agora, verificar, são que, como jornalista, Fernando Esteves continuou sócio de uma empresa que fez assessoria. E isso é ilegal. Hoje, continuo à espera que o Polígrafo responda se vai verificar e confirmar a notícia, como é devido a um site de verificação de factos, ainda mais quando o visado numa notícia é o seu diretor, acusado de ter cometido uma ilegalidade. Esperarei por segunda-feira, para verificar se o Polígrafo está a guardar-se para o programa que tem na SIC. Até lá, continuamos à espera da investigação do Polígrafo relativa aos Panama Papers e à lista de jornalistas avençados do BES. Mas sentados.

Ver original em 'Manifesto 74' na seguinte ligação:

http://manifesto74.blogspot.com/2019/11/quem-poligrafar-o-poligrafo-bom.html

CHILE; O CAOS

 
CHILE: DEZENAS DE MORTOS, CENTENAS DE FERIDOS E MILHARES DE MANIFESTANTES PRESOS.
NÃO É NOTÍCIA PARA OS MEDIA DO SISTEMA
OS ESTADOS UNIDOS E A “UNIÃO” EUROPEIA DAS MULTINACIONAIS AGRADECEM
 
Os manifestantes defendem-se com raios laser para encandear os militares.
 
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

RTP1 MENTE, DES CA RA DA/MENTE

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Noticiário da manhã, 11/11/2019. A RTP1 anuncia a renúncia do Presidente da Bolívia contestado pela oposição. Nem a mínima referência ao golpe militar. É uma informação velhaca que se confunde com a oposição e os militares fascistas, a CIA e os militares brasileiros. 
 
O serviço “informativo” da RTP desconhece a ética por ser a cloaca onde fabrica os noticiários, e como tal, devia ter como logotipo a foto do ministro Augusto Santos Silva apoiante de Guaidó.
 
Os militares intimaram o Presidente Evo Morales a renunciar, embora eleito democraticamente com maioria absoluta, a oposição sabendo que os resultados não lhe seriam favoráveis já havia afirmado que não os aceitaria.
 
 
Em face da contestação programada, o Pressionado Evo Morales propõe novas eleições, a oposição não aceita e os militares concretizam o golpe, Evo Morales para evitar um banho de sangue, renuncia.
 
TELEVISÕES, RÁDIOS E IMPRENSA DO SISTEMA SÃO ARMAS LETAIS QUE NOS VISAM DIARIAMENTE Nota: se há, é extremamente difícil contatar a RTP, nem mesmo o  provedor.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

CHILE O maior protesto da América Latina

 

  Percorri a nossa imprensa de esgoto, nem uma referência ao Chile e sobre a Bolívia uma notícia canalha.
Os americães têm a mediaà trela, o neoliberalismo está em constantes convulsões e a CIA a braços com a Bolívia, Argentina, Equador, Uruguai, Haiti, México e, claro, a Venezuela e a sempre martirizada Cuba.
O neoliberalismo está ferido e os leões são violentos no estertor.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

OS MUROS

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Porquê esta obsessão sobre o muro de há trinta anos?
 
A paranóia tem a sua razão de ser, o capitalismo e os seus servidores não se libertam deste quisto e fazem psicanálise de grupo na media corporativa e nas redes sociais. 
 

Depois da queda do Muro de Berlim, restavam apenas 11 muros no mundo. Atualmente, a cifra subiu para 70 (El PaíS)

 
No final de fevereiro de 2016, por iniciativa da chancelaria austríaca, os quatro países da rota balcânica percorrida por refugiados em sua jornada até o centro e norte da Europa se reuniram em Viena e decidiram interromper esse fluxo iniciado em meados do ano anterior. Em 9 de março, o fechamento efetivo da fronteira da Antiga República Iugoslava da Macedônia (FYROM, na sigla em inglês) transformou a Grécia numa ratoeira onde foram apanhados mais de 50.000 migrantes (um ano depois, já são quase 63.000, uma vez que as chegadas às ilhas do Egeu, embora muito reduzidas pelo pacto migratório UE-Turquia, continuam ocorrendo quase diariamente).
Macedônia – Grécia: A blindagem dos Bálcãs 
 
Índia – Paquistão 
 
Belfast (Irlanda do Norte) 
 
Saara Ocidental: Uma barreira de sete muros 
 
Afeganistão - Paquistão: Uma fissura no coração pashtun 
 
Egito - Gaza: de Rafah ao descampado 
 
Chipre: Uma ‘linha verde’ com mais de 40 anos 
 
A vergonha de Calais 
 
Marrocos - Espanha: As cercas da fronteira sul 
 
A sinistra miragem de Gaza 
 
Kuait - Iraque: A grade que não tinha portas 
 
No segundo semestre de 2015, quando a crise migratória estava em seu auge, os países balcânicos por onde refugiados e imigrantes transitavam rumo ao norte da Europa e à Alemanha começaram, num efeito-dominó, a fechar suas fronteiras. Foi então que a Hungria, governada pelo nacionalista, xenófobo e eurófobo Víktor Orbán, tomou a decisão de construir uma cerca para se blindar dos que chegavam. Primeiro com a Sérvia, depois com a Croácia e, futuramente, também com a Romênia.
Hungria – Croácia 
  A Bulgária foi um dos últimos países a construírem uma cerca contra a imigração na fronteira oriental da Europa. Quando, em 2012, a Grécia inaugurou seu muro de 12 quilômetros na faixa de terra que a separa do território turco (o rio Evros funciona com uma divisão natural nos demais 194 quilômetros), a Bulgária começou a receber um fluxo crescente de refugiados e migrantes; assim, as autoridades de Sófia decidiram imitar o seu vizinho helênico e levantar uma cerca de três metros de altura ao longo de 33 quilômetros na fronteira com a Turquia. A obra foi concluída em 2014.
 
Bulgária - Turquia: A fronteira oriental da Europa 
  Israel está a caminho de se tornar um país cercado por todos os lados, exceto pelo mar. A fronteira norte, com Líbano, onde opera o partido-milícia xiita Hezbollah e onde foi travada uma guerra em 2006, já está selada. Também a das Colinas do Golã, no outro lado das quais o regime e os rebeldes da Síria lutam desde 2011. Idem quanto ao limite sul, com o Egito, cercado inicialmente em 2013 para frear a imigração clandestina, e agora por causa da ameaça da filial do Estado Islâmico na península do Sinai.
 
Palestina, o muro por definição 
 
Disperso entre os 11 campos de refugiados palestinos do Líbano, o de Ein el Helwe, próximo à cidade sulista de Sidon, parece à primeira vista um centro penitenciário. Nesta microcidade de 1,5 quilômetro quadrado se amontoam 75.000 pessoas, em um dos pedaços mais densamente povoados do mundo. Aberto em 1948, depois da criação unilateral do Estado de Israel, fato que neste lado da fronteira é conhecido como Naqba (catástrofe), mantém os refugiados e seus descendentes cercados por muros e cercas. As quatro únicas entradas e saídas do campo são custodiadas por soldados libaneses.
Líbano – campos de refugiados palestinos: Nascer, viver e morrer entre muros 
  Em 15 de setembro de 2015, tudo mudou. Essa era a data marcada a fogo pela caravana de refugiados que atravessavam o mar Egeu àquela altura. Nesse dia, as autoridades húngaras selavam sua fronteira com a Sérvia e interrompiam o fluxo. Foram as ordens do controvertido primeiro-ministro Viktor Orbán. E assim se fez. Os jornalistas que poucos dias antes havíamos visitando os campos improvisados em Kanjiza e Horgos, no lado sérvio, fomos testemunhas de uma corrida da esperança.
 
Hungria – Sérvia: O ferrolho de Orbán 
 
Com mais de 300.000 pessoas cruzando diariamente de Shenzhen (China continental) para Hong Kong, e vice-versa, a fronteira que separa as duas cidades foi durante anos a via de escape de muitos cidadãos chineses ávidos por encontrar uma liberdade da qual não gozavam em seu território. De livros proibidos pelo regime comunista a produtos como o leite em pó para os recém-nascidos e cremes hidratantes que passaram por rigorosos controles sanitários, esta passagem foi e ainda é a porta de entrada para um grande armazém que, acima de tudo, fornece segurança aos consumidores.
Hong Kong – China: A porta para o grande armazém 
 
A Áustria se tornou, no segundo semestre de 2015, o país de trânsito de centenas de milhares de refugiados a caminho da Alemanha ou da Suécia. Em poucos meses, e após acolher 90.000 solicitantes de asilo, o Governo austríaco promoveu uma reviravolta, à sombra do crescimento ultradireitista, e decidiu blindar seu território. Enviou 500 soldados a Spielfeld (na imagem), na fronteira com a Eslovênia, e construiu vários quilômetros de cerca em torno desse controle fronteiriço – mesmo depois de ter criticado duramente a Hungria por construir suas grades.
Áustria – Eslovénia: Da abertura ao fechamento 
 
É improvável que o presidente Trump consulte o Irã sobre o assunto. Mas antes que o magnata lançasse sua ideia de construir um muro na fronteira com o México, os iranianos já estavam havia anos trabalhando numa grande barreira em seus limites orientais, para impedir a entrada de drogas vindas do Afeganistão e Paquistão. Embora sua composição mude ao longo de quase 2.000 quilômetros, segundo o terreno, consta de uma tripla defesa cuja estrutura mais chamativa é uma trincheira gigante de quatro metros de profundidade por cinco de largura.
Irão – Paquistão/Afeganistão: Empenho titânico na luta contra o narcotráfico. 
 
 
México
Coreia do Sul - Coreia do Norte
 
Macedónia Grécia
 
E A MURALHA DA CHINA !?
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Volta Lula!

Porque a noitada de ontem foi de pura diversão, comecei a manhã a procurar as imagens televisivas há muito esperadas: a da libertação de Lula.

 

Liguei para o Jornal-Síntese da SIC Notícias e o que deparei foi com um jantar do Sporting, uma reportagem sobre o jogo do Benfica neste fim-de-semana, a repetição das imagens sobre o caso da criança encontrada num ecoponto, os lucros da CGD e os prejuízos do Novo Banco. Sobre a notícia mais relevante de ontem, e que marcará significativamente o futuro próximo daquele que ainda é tido como um país-irmão, népia. E assim se comportam os responsáveis pelas edições das notícias, que nos são servidas ao pequeno-almoço! Que, afinal, em nada se distinguem dos que cuidam de no-las servir à hora do almoço ou do jantar!

 

Elucidativo foi o silêncio do jagunço da IURD relativamente à notícia da decisão do Supremo Tribunal e seu subsequente desenvolvimento. A exemplo do seu émulo norte-americano, cujoimpeachmentserá daqueles processos que não matam, mas moem, vê-se acossado por todos os lados, dada a completa incompatibilidade entre as suas competências e feitio com o cargo para que, absurdamente, foi eleito. Muitos dos que tudo fizeram para o promoverem - desde a Globo a alguns setores militares e da Justiça - já olham para o resto da América Latina e adivinham o que podem vir a esperar. Daí que não estranharia que o ainda ocupante do Palácio do Planalto andasse com insónias sem remédio. Porque deve sentir algo de semelhante ao de quem se vê a desequilibrar numa alta escadaria e procura manter-se na vertical saltando de dois em dois degraus, depois de quatro em quatro, porque a velocidade torna-se vertiginosa e sabe inevitável o tombo de que sairá imprevisivelmente dorido.

 

A rápida transformação do slogan «Lula Livre» em «Volta Lula» assinala a saída da esquerda brasileira do estranho torpor, que a neutralizou desde a prisão do seu mais representativo símbolo. E se a extrema-direita julgou silencia-lo, provavelmente assassina-lo (vide o estranho caso em que a sua mudança para uma prisão de pior fama só foi travada no derradeiro instante pelo setor da Justiça, que não se compadeceu com o seu lado mais pútrido!) vê-o agora ressurgir ainda mais determinado a pôr cobro ao ignóbil festim que já dura há tempo demais...
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/11/volta-lula.html

Notícias que não houve como as silenciar

Voltemos às coisas sérias, agora que - despachados outros compromissos! -, a disponibilidade volta a ser outra para olhar a realidade à nossa volta e dar-lhe sentidos, que possam acrescentar algo às banalidades com que são abordadas nas manchetes dos jornais ou no encadeamento narrativo dos telejornais. Ou nem sequer são mencionadas, como quase sempre se verifica, ao omitir-se o que possa contrariar os interesses dos presumíveis donos do que nos é dado como informação.

 

O indesmentível facto de o desemprego estar-se a aproximar da meta simbólica dos 6% não tinha como ser contornada pelas direções de (des)informação, apesar de confirmar os benefícios da governação socialista. Ao contrário do que os patrões andaram a defender, incentivando Passos Coelho a ir além da troika, porque só com baixos salários conseguiriam os ganhos em competitividade e em produtividade capazes de nos pôrem a rivalizar com o Bangladesh ou o Vietname, o aumento do salário mínimo em quase 20% ao longo da legislatura anterior pôs mais dinheiro nos bolsos dos portugueses, levando-os a aumentar os padrões de consumo e a estimular a procura interna essencial para o reiterado aumento do PIB.

 

É certo que muitos dos que conseguem entrar no mercado do trabalho auferem salários miseráveis - os 750 euros previstos para 2023 continuarão a ser manifestamente insuficientes para um padrão de vida minimamente aceitável - mas, como dizia o poeta António Machado, o caminho vai-se fazendo andando, e a determinação do governo é a de não possibilitar qualquer recuo na inércia de movimento já encetada.

 

As mesmas direções de informação também não conseguiram escamotear a enorme ovação dedicada a Edward Snowden na abertura da Web Summit e que constituiu uma ruidosa condenação da criminosa agenda norte-americana para controlar os fluxos de informação a nível mundial. Bem podem a Casa Branca, a CIA ou o Pentágono apresentarem Snowden, Assange ou outroswhistleblowerscomo criminosos, que a opinião pública mundial reflete uma perspetiva exatamente oposta. E, aspeto óbvio do mesmo acontecimento é a constatação de as mulheres serem quase metade da assistência no Pavilhão Atlântico ou na FIL, confirmando que, apesar de quem queira afiançar o contrário, o mundo anda mesmo a pular e a avançar.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/11/noticias-que-nao-houve-como-as-silenciar.html

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