Comboio

50 milhões de euros não chegam para resolver poblemas da linha ...

O Presidente da Câmara de Cascais tem dito tudo e o seu contrário sobre a Linha de Cascais.

Não fora a importância que o assunto tem para os cascalenses e as sucessivas posições e opiniões do PSD/CDS sobre o tema constituiriam apenas uma farsa.

Agora, nesta notícia somos informados que, pela primeira vez, Carlos Carreiras vem reconhecer que já há 50 Milhões de euros para melhorar a Linha do Estoril.

Antes dizia que o Governo não investia nadana Linha e que esta tinha morrido.

Se o Presidente da Câmara dispensasse alguma atenção ao 'marketing' que os seus propagandistas fazem no site da Câmara (de facto é sobretudo um site de publicidade à maioria PSD/CDS da CMC) há muito (pelo menos desde 7 de março) que saberia que o Governo ia investir 50 Milhões na Linha (está lá explicado preto no branco)  havendo até alguns especialistas a dizer que 35 Milhões seriam bastante para as mudanças necessárias.

Era bom que nesta matéria essencial para os cascalenses a retórica partidopropagandistica fosse substituída pela informação factual e por análises rigorosas.

Comentário à seguinte notícia:


in Expresso

Quem o diz é o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, que esta manhã esteve presente no encontro "Conversas de Inovação", organizado pelo Expresso e pela BP, e que tinha como tema central a mobilidade

O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, considera que os €50 milhões que o Governo vai destacar para melhorar a linha de Cascais na reprogramação do Portugal 2020 (fundos comunitários) não chegam para resolver o problema. E lança críticas ao ministro das Infraestruturas, Pedro Marques. "Os números que o ministro fala não batem certo com os estudos. 50 milhões não dá para tudo. É uma gota que não resolve, atrasa um bocadinho o problema. Claro que aceitamos todo o investimento e ficamos satisfeitos com os 50 milhões, mas não é o investimento que a linha de Cascais necessita", disse esta quarta-feira de manhã no encontro "Conversas de Inovação", organizado pelo Expresso e pela BP, e cujo tema era "O Futuro da Mobilidade".

Para o governante social democrata, "não se consegue perceber a postura do Governo nesta matéria. Um documento que é do PS, e que fala do investimento em ferrovia, em momento algum fala na linha de Cascais". E acrescenta: "O ministro [Pedro Marques] cortou a conversa com as câmaras de Cascais e Oeiras, mas ele tem de assumir as suas responsabilidades".

De acordo com Carlos Carreiras, o Governo começou a resolver o problema pelo lado errado, ou seja, começou por baixar os preços dos passes em Lisboa, quando devia resolver primeiro o problema da mobilidade na periferia, nomeadamente para os milhares de pessoas que entram e saem de Lisboa todos os dias. E agora vai ter lançar um passe metropolitano mas que é mais caro que o passe de Lisboa.

"Começaram-se com as prioridades erradas. Apostou-se primeiro em resolver o problema dentro de Lisboa quando se devia resolver na periferia. E para que serve o passe metropolitano se as pessoas não se puderem transportar, se não há comboios", comentou.

O ministro Pedro Marques, que abriu esta conferência, já não estava no encontro quando Carlos Carreiras falou, mas na intervenção que fez mencionou que, apesar da reprogramação do Portugal 2020 apostar muito no transporte ferroviário de mercadorias, há também uma forte aposta no metro de Lisboa e do Porto e na linha de Cascais, ou seja, há "mais investimento nas mobilidades urbanas e suburbanas".

Esta questão da mobilidade urbana e suburbana e da necessidade das medidas tomadas neste âmbito terem de ser interligadas foi, aliás, um dos temas fortes desta segunda sessão dos debates das "Conversas de Inovação" onde estiveram ainda presentes o vereador do pelouro Mobilidade e Segurança da Câmara Municipal de Lisboa, Miguel Gaspar, o CEO do grupo Rangel, Nuno Rangel, e ainda o diretor comercial da BP Portugal, Jorge Gonçalves.

No encontro debateu-se ainda o papel da descarbonização na mobilidade, nomeadamente o impacto do carros elétricos, dos carros autónomos e de meios mais leves de transporte, como as bicicletas. Falou-se ainda de digitalização e do impacto da logística urbana (entrega de encomendas) no trânsito e, por isso, na mobilidade.

Temas que poderá ler com mais detalhe na edição deste sábado do semanário no caderno de Economia.

Ver o original aqui

Linha de Cascais: não desisto

(O colunista habitual devia exigir que o 'jornal i' assegurasse um revisor qualificado para depurar erros. Presentear os leitores com «ineludíveis» (em vez de iniludíveis) é daquelas situações que envergonha qualquer um. Escrever "somos brincados" em vez de "somos brindados" é irritante. Admite-se que da parte do articulista tenham sido 'gralhas' mas num jornal é inadmissível.


Como se vê pelo seu artigo o presidente camarário anda ocupadíssimo para se fazer notar. Na sua empenhada campanha contra Rui Rio junta-se ao CDS na defesa da privatização dos comboios, orgulha-se das PPP e, sobretudo (como é seu timbre), insulta as esquerdas e desdenha da inteligência de quem o lê.

A Linha de Cascais está mal. Mas a situação em que se encontra tem uma história e foi conscientemente produzida pela direita (com o PSD/CDS no governo e dirigentes do CDS à frente da CP) com vista a mais uma privatização a preço de saldo.

Obviamente que o presidente da Câmara há muitos anos que conhece o processo de destruição da CP mas é agora (quando algumas medidas de recuperação estão em curso) que lhe interessa usar o tema para fazer alarido. Acordou tarde mas quer parecer muito determinado.

Depois do fiasco do chamado "Mobi Cascais"  quer agora destruir rapidamente o que resta da Linha de Cascais. Como em 2019 a Câmara vai ter que abrir concurso para os transportes coletivos naturalmente seria 'interessante' para o negócio se a Linha também pudesse estar no 'bolo'. Compreende-se...

Comentário à seguinte notícia:)


29/08/2018 

Carlos Carreiras

Na linha política, a hipocrisia das esquerdas não tem supressões nem atrasos. É um comboio certinho.


Basta olhar para os jornais. Se dúvidas houvesse, as notícias dos últimos dias apenas mostram de forma implacável que os rumores sobre a morte da ferrovia em Portugal não são claramente exagerados. Já não são rumores de todo: são factos.

A CP não tem dinheiro para o combustível.

A Renfe, operadora espanhola, não aluga mais comboios a Portugal esvaziando a última boia de salvação na questão do material circulante.

Os passageiros das linhas nacionais, de norte a sul, queixam-se dos horários, de supressões à la carte, de carruagens vandalizadas, estações abandonadas e serviços tão degradados que nem o básico – digamos bilheteiras – funciona.

Os funcionários da manutenção dos comboios estão tão espremidos e a falta de material é tão grosseira que as condições de segurança, dizem-no eles, estão em causa.

E o i mostrou-nos que numa altura em que dezenas de milhares de turistas usam a Linha de Cascais, uma das mais belas do país, para acompanhar o percurso do Tejo para o Atlântico, o que o país tem para oferecer como cartão-de-visita são estações de comboio sujas, mal cheirosas e negligenciadas como se fossem terra de ninguém. Uma realidade triste, que há tempo demais faz parte do dia-a-dia de muitos portugueses.

Quando tudo levaria a crer que o governo está a fazer aquilo que é suposto fazer – resolver problemas –, eis que somos brincados com uma notícia espantosa no Boletim de Execução Orçamental: as cativações na ferrovia cresceram 20 milhões de euros de março para maio, totalizando cortes de 95 milhões de euros. E, para efeitos orçamentais, o ano ainda só vai a meio. O que significa que chegaremos ao fim de 2018 com um valor bem superior. Para ver se nos entendemos: o PS, apoiado pelo PCP e o BE, está a “resolver” os graves problemas da ferrovia nacional com mais austeridade e mais cortes cegos. Como é que o PCP e o BE ainda têm coragem de ensaiar o discurso de defensores do serviço público e do transporte coletivo? Na linha política, a hipocrisia das esquerdas não tem supressões nem atrasos. É um comboio certinho.

Temo que os próximos tempos nos tragam mais más notícias. Pelo que já temos e pelo que ainda está para vir.

Entramos em campanha eleitoral para as legislativas de 2019.

É irónico que o PS tenha utilizado a CP, um dos maiores fiascos da governação, como estação de partida na caça ao voto. Os socialistas foram de comboio a Caminha. Mas não viajaram em comboios quaisquer. Circularam com prioridade sobre os restantes e eram bonitos, confortáveis e arejados. Talvez os últimos exemplares da sua espécie na ferrovia portuguesa. Coisas de que os utentes dos caminhos-de-ferro já só têm uma memória longínqua. Para os militantes socialistas a pontualidade, o conforto, o melhor. Para os portugueses, os restos. O episódio é revelador de como o PS, um partido que continua a ser ostensivamente burguês, faz política descolado da realidade e das necessidades dos cidadãos.

Na Assembleia da República, no início desta semana, os partidos da esquerda chumbaram a proposta de criação de uma Comissão Permanente que debata os problemas e as soluções para a linha férrea. Com a exceção do PSD e do CDS, os partidos não querem que o Parlamento discuta os comboios. À boa maneira soviética: se não se fala esquece, se esquece nunca existiu. A crise da CP é uma não existência. Nada muito diferente daquilo que disse o secretário de Estado da tutela.

E por falar em sovietes, em Setúbal a câmara governada pelo Partido Comunista exige (mas é só conversa) o fim da concessão da Fertagus, depois de ter beneficiado dela.

Tudo isto é muito revelador. PS, BE e PCP não estão interessados em soluções para a ferrovia. O que os move é pura dominação ideológica.

Que haja partidos que não querem operadores privados nas linhas é uma preposição política válida. Válida se, e só se, for acompanhada de formas alternativas de financiamento do serviço de transporte público ferroviário de passageiros. Não podemos ficar, como até aqui, numa situação em que o operador público está falido, os portugueses desesperam, o governo não encontra solução e o BE e PCP bloqueiam a entrada de privados por histeria ideológica.

Este clima de guerrilha às empresas e a hostilidade ao privado tenderá a aumentar até às eleições. Caberá ao PS, ou pelo menos a parte dele, defender o país e a sua livre economia de mercado dos assaltos da extrema-esquerda. (A propósito, tem-se visto algo parecido na disputa do Hospital de Cascais, com o PCP e o BE a exigirem o fim de uma PPP que tem sido boa para público, boa para o privado e boa para os utilizadores).

O que mais me revolta e indigna é que perante todos os sinais evidentes e ineludíveis de rutura na ferrovia nacional, e na Linha de Cascais em particular, o governo continue a ignorar o sentido de urgência, fechando-se, calando-se e apenas ensaiando anúncios em que já ninguém acredita. Chega de negligência: é da vida de pessoas que estamos a falar. Se o governo tem uma insuficiência política executiva, resolva-a. Não espere por uma desgraça para fazer o que tem de ser feito, empurrado pelos acontecimentos e pela pressão mediática.

Em janeiro de 2019 a liberalização do transporte ferroviário dará a Portugal a oportunidade de ter outros operadores no país. Quanto à Linha de Cascais, é-nos indiferente se a solução é pública ou privada. O que interessa aos passageiros, e a mim em particular, é que haja uma solução que funcione, que projete o serviço para patamares de qualidade e que baixe o preço.

Há investidores para a Linha que garantem melhorar, e muito, o serviço (não me parece difícil), e manter ou reduzir o custo para os passageiros (também não parece nada difícil). Assim, ou o governo aceita esta solução ou avança com uma da sua própria lavra. Não podemos aceitar mais adiamentos e promessas não cumpridas. Não podemos é pactuar com a arrogância de desfazer os acordos do passado sem deixar promessa de solução para o futuro.

Ao longo de todo o mês de agosto, deixei neste espaço um retrato atual sobre a Linha de Cascais, não irei desistir de defender a Linha de Cascais. Não irei desmobilizar até que a situação se altere; passaremos a fiscalizar de forma permanente o estado da linha; apresentarei queixas a todas as entidades com responsabilidades; e recorrerei a todas as instâncias judiciais adequadas.

Estou certo que terei ajudado milhares de utentes.

Nenhum caminho ficará por caminhar.

*Escreve à quarta-feira

Ver o original aqui

O Partido invisível

O Pivot noticiava a supressão de comboios, levantando questões relacionadas com o candente problema ferroviário e rodoviário. O PCP com os sindicatos, comissões de trabalhadores e de utentes, tem proposto soluções confrontando todos os governos com matéria tão sensível para o bem-estar das populações.
Todos os partidos que têm degradado e sequestrado o sector tiveram antena aberta para se pronunciarem, menos o PCP. Sabemos a razão do critério adoptado, e só não o sabe quem não quer saber, e esse é já um problema de empedernida ignorância, tacanhez congénita ou posição de classe adquirida.
Mas nem sempre assim é:
A notícia, aparentemente anódina, referia deputados e conflitos de interesses, deixando no ouvido, a caminho do inconsciente e em amalgama – deputados/conflitos/interesses – e a sua aparente malvadez. 
Sabem o que nos apareceu de imediato preenchendo todo o ecran? Os rostos de João Oliveira e Jerónimo de Sousa que nada, absolutamente nada, têm a ver com a notícia, mas os outros partidos indiretamente visados, esses sim, são focados à distância.
Não se trata de lamentações, que nada resolvem, mas de não descurarmos o calibre das armas dos que nos temem, e por isso, tirando-nos visibilidade ou agredindo, procuram socavar a nossa força.

Leia original em

Obras no Metro irão interferir com a Linha de Cascais

O Presidente da Câmara de Cascais precisa de fazer-se ouvir. Compreende-se dado o clima incerto que se vive no PSD e a necessidade que o autarca tem de ganhar protagonismo e espaço político. Não se estranha, portanto, que tudo lhe sirva de pretexto para se evidenciar.

Agora veio falar das futuras obras no Metro de Lisboa. Aproveitou o ensejo para repetir inverdades (e meias-verdades) que já antes escrevera num jornal. Na realidade a situação da Linha do Estoril é má mas está em via de, pela primeira vez em 30 anos, poder melhorar porque foram contratados trabalhadores para a EMEF (reparações dos comboios) e porque estão afetos 50 Milhões de euros para obras na Linha.

Aparentemente Carlos Carreiras aparece agora preocupando-se pelo facto de que as obras no Metro de Lisboa poderão vir a trazer alguns transtornos ao funcionamento da Linha.  Pode até ter alguma razão porque importa salvaguardar que quaisquer umas das medidas transitórias que aconteçam durante o prolongamento do Metro não se repercutam negativamente na vida dos cascalenses.
Mas em Lisboa e noutras cidades fazem-se obras estruturais para melhorar os transportes públicos enquanto em Cascais apenas se gastam elevadas verbas com a propaganda ridícula ao Mobi. De facto a publicidade é muita mas medidas efetivas para melhorar a circulação, dentro do concelho e deste para  outros destinos, não existem e até, pelo contrário, muito está a  ser feito para que a situação vá piorar bastante nos próximos anos.

Há quantos anos não são feitas novas rodovias e nem sequer são concluídas as que estavam previstas ? Onde estão os parques de estacionamento subterrâneos gratuitos para que os cascalenses possam utilizar o comboio ou deslocar-se nos centros urbanos ?  Onde estão as indispensáveis obras (viadutos e desnivelamentos) indispensáveis para resolver o congestionamento de várias vias nevrálgicas? Porque são autorizados mega empreendimentos, como os da entrada de Cascais ou o PPERUCS, sem adequadas contrapartidas para melhorar a circulação ? Quais são os projetos  estruturais por que a Câmara se bate para, a prazo, superar os problemas de ligação a Lisboa (Oeiras, por exemplo, defende duas novas estradas alternativas à A5, há quem defenda uma nova linha de comboio entre Alcabideche e Lisboa)? Como é que vai ser resolvido o caos da Marginal quando, a partir de 2019, houver mais alguns milhares de utentes em consequência do muito betão em construção (e em perspetiva) no litoral ?

Fazer marketing e ter protagonismo é fácil. Produzir obra é mais difícil mas é o que importa.

(Comentário à seguinte notícia)


no jornal 'O SOL'

Linha de Cascais desviada devido à expansão do metro

Estudo de Impacto Ambiental mostra que o prolongamento do Metro de Lisboa vai trazer várias perturbações à cidade. Linha de Cascais  terá de ser desviada.

O alargamento da rede do Metro de Lisboa vai trazer vantagens à mobilidade na cidade, não só para quem nela habita mas também para quem vive em zonas circundantes e se desloca todos os dias à capital para trabalhar. No entanto, antes de se chegar ao objetivo final, várias zonas da cidade - umas mais do que outras, e nem todas às superfície - vão transformar-se num verdadeiro estaleiro e prejudicar diariamente quem cruza as suas ruas. É isso que prevê o Estudo de Impacto Ambiental ao prolongamento da rede do Metro de Lisboa entre o Rato e o Cais do Sodré, em consulta pública até 22 de agosto, período no fim do qual a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) avaliará os resultados.

«Uma obra desta natureza implica um forte congestionamento no trânsito das vias próximas das frentes de obra obrigando a um planeamento cuidado para minimizar a perturbação na mobilidade local. Ainda assim, há situações que são difíceis de ultrapassar, obrigando a executar algumas intervenções para além da simples programação dos circuitos a utilizar», enuncia o documento. Uma dessas situações verifica-se, por exemplo, na zona ribeirinha, na Avenida 24 de Julho, onde a intervenção - que, aí, será executada a céu aberto - vai obrigar ao desvio da linha de comboio - a célebre Linha de Cascais, que traz e leva milhares de pessoas à capital todos os dias. Como se lê no Estudo de Impacto Ambiental, «é proposto o desvio da linha de comboio, sendo uma das vias desviada para Norte (Av. 24 de Julho) e a outra via para Sul (Rua Cintura do Porto de Lisboa)».

AO SOL, o presidente da Câmara Municipal de Cascais lamenta que, «mais uma vez», haja «uma dupla injustiça sobre os utilizadores da Linha de Cascais: são penalizados na sua mobilidade pela ausência de obras na Linha e são penalizados pelas obras noutras infra estruturas. Esta situação é insustentável num dos maiores eixos pendulares do país».

De facto, já há vários anos que a Linha de Cascais se debate com a falta de investimento, como nota Carlos Carreiras. «O problema da linha de Cascais, infelizmente, é a falta de investimento. Os congestionamentos que temos sofrido radicam na ausência de trabalhos e não pela sua existência». À falta de investimento, junta-se a recentemente noticiada redução do número de comboios, medida que começa a vigorar a partir deste domingo e que, à Lusa, o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas justificou como uma «prática corrente no sector dos transportes».

Para o autarca, «os trabalhos do Metro, uma vez que se desvia a linha, são uma oportunidade para fazer o que é preciso fazer» na Linha de Cascais, considera Carreiras.

Mas outros problemas vão advir do prolongamento do Metro de Lisboa, cujo início está previsto já para o próximo ano, 2019. O projeto pretende criar duas novas estações, Estrela e Santos, ligando, numa linha circular, a atual linha verde a parte da linha amarela - no total, o projeto ronda os 266 milhões de euros e resulta de um financiamento por fundos comunitários e o Banco Europeu de Investimento (BEI). Com a intervenção deixará de ser necessário, por exemplo, mudar de linha quando se quer ir do Rato para o Cais do Sodré.

Para isso, de acordo com o estudo elaborado pela Matos, Fonseca e Associados, será necessário conviver diariamente com obras durante três anos e meio. No entanto, a «duração das atividades críticas em termos de ruído, vibrações e poeiras, terá uma duração de 1,5 anos em cada frente de obra», nota o documento, que dá conta ainda de que a maioria das frentes de obras «não requer ocupação da via pública».

Para os casos em que a intervenção será feita a céu aberto, prevê-se, ainda assim, um processo faseado. «As ocupações das zonas a céu aberto entre o Regimento de Sapadores Bombeiros e o Cais do Sodré (galeria a céu aberto, PV218 [poço de ventilação/saída de emergência complementar] e estação Cais do Sodré) será faseada, de forma a minimizar as áreas a ocupar na via pública e respetivas durações, e manter o trânsito de superfície e o funcionamento das ocupações de subsolo, recorrendo aos desvios provisórios que forem necessários», lê-se. Pois é: depois de mais de um ano de obras numa das zonas mais movimentadas da capital, terminadas em março de 2017, o Cais do Sodré vai novamente ser ocupado por brocas, carrinhos de mão e betoneiras devido à construção de um novo átrio poente na estação Cais do Sodré.

E quanto tempo até ao fim do processo? «Prevê-se que o projeto seja construído em cerca de 4 anos e estima-se que tenha uma vida útil de 100 anos», lê-se.

De resto, além de «perturbações temporárias na circulação (pedonal, automóvel e linhas de elétrico e comboio), em resultado da ocupação de espaços públicos e dos desvios de tráfego que será necessário realizar» e de «uma degradação da qualidade do ar, em resultado das movimentações de terras e da circulação de viaturas e maquinaria», espera-se um aumento do ruído «devido à realização de trabalhos à superfície, envolvendo operações e equipamentos ruidosos», a par de «nos edifícios mais próximos das frentes de obra» se poderem fazer sentir vibrações percetíveis pelos seus ocupantes.

Na zona da Escola Secundária Pedro Nunes, que será uma das afetadas devido à construção de um poço de ventilação/saída de emergência, aponta-se a possibilidade, caso o ruído o justifique, de se deslocarem as «salas de aula para contentores localizados nas traseiras do edifício principal». Tal como o Pedro Nunes, as zonas junto ao antigo Hospital Militar e ao Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) serão particularmente afetadas.

A obra fica completa com a construção de dois novos viadutos - os atuais vão continuar ativos - no Campo Grande, para fazer a ligação entre as estações Cidade Universitária, Campo Grande e Alvalade e Telheiras, Campo Grande e Quinta das Conchas.

E as vantagens?

Já diz o ditado: depois da tempestade, vem a bonança, e neste caso não é diferente. Os quatro anos de obras vão trazer um conjunto de vantagens que também estão contempladas no Estudo de Impacto Ambiental.

Além das mais-valias óbvias trazidas pelas duas novas estações, o documento aponta melhorias ao nível da ligação entre os vários tipos de transporte coletivo. «Da população residente global potencialmente abrangida pela alteração do Metro, num total de 402.493 pessoas, 47,2% pertence ao grupo que apresenta um ganho de frequência e diminuição de transbordos, 47,2% pertence ao grupo que apresenta um ganho de frequência e opções de entrada e 5,6% apresenta um ganho de frequência em paralelo com aumento de transbordos», lê-se.

Prevê-se, também, que o prolongamento do Metro de Lisboa resulte na aquisição de novos e melhores hábitos na população, relativamente à mobilidade. «Verifica-se que a utilização do transporte individual, do autocarro e do elétrico tem uma redução significativa, ao passo que aumenta a utilização de outros modos de transporte coletivo (transporte fluvial e ferroviário), para além do Metro. Este resultado indicia que a introdução da Linha Circular poderá alterar a forma como os utilizadores percecionam a qualidade do transporte coletivo na cidade de Lisboa», lê-se. E as previsões traçam um panorama animador: «A estimativa do número de pessoas que deixará de utilizar veículo próprio é de 1.232.276 no primeiro ano de operação (38.545.108 passageiros no período de 30 anos). Considerando-se uma taxa de ocupação por veículo de 1,2, este valor corresponde a um pouco mais de 1 milhão de circulações em transporte individual que deixam de ser realizadas logo no primeiro ano».

Finalmente, uma vez que na nova linha circular os comboios vao andar a 60 quilómetros por hora, em vez dos atuais 45 quilómetros por hora, os tempos de percurso entre as estações vão diminuir. Além disso, «os tempos médios de espera irão ser inferiores em todos os casos, exceto na Linha Vermelha, no período de ponta da manhã, que se irá manter».

Ver o original aqui

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