Colonialismo

O fascismo jihadista e o feminismo contemporâneo

O jihadismo moderno, em qualquer das suas variantes, seja o da Irmandade Muçulmana do Qatar e da Turquia, seja – muito mais radical e perigoso – o da teocracia iraniana – é o fascismo dos nossos dias.

 

 

  1. O jihadismo centra-se na misoginia

Uma das primeiras medidas tomadas pelas autoridades iraquianas depois da ‘revolução islâmica’ – como tentei explicar em livro que escrevi sobre o assunto, a força militar que afastou Saddam foi americana, mas quem comandou as principais mudanças políticas subsequentes foi o jihadismo iraniano – foi a de obrigar as mulheres a depender da autorização dos maridos para obter passaporte.

Como pude testemunhar na altura, a instituição desta tutelagem das mulheres (que não vigora no Curdistão iraquiano) foi fortemente sentida por estas como um brutal retrocesso civilizacional. O regime de Saddam foi uma ditadura despótica, sanguinária e mesmo genocidária, mas não impunha esta tutelagem das mulheres. A história provou que era possível fazer pior que Saddam, com a agravante de esse pior ser zelosamente escondido da opinião pública.

O nó górdio do jihadismo é a negação da igualdade de direitos para as mulheres. A história social ajuda-nos de resto a entender isso. Como sabemos, com raras e honrosas excepções, a história da humanidade é marcada por uma persistente misoginia. É mais fácil encontrar no pensamento grego clássico que chegou aos nossos dias humanidade e consideração por escravos ou mesmo por animais do que a defesa da igualdade de direitos entre sexos.

Na época contemporânea, só ao longo do século XX, muito depois do início do movimento democrático, é que foi conquistado o princípio da igualdade de direitos para as mulheres, e foi-o lentamente, a reboque do movimento feminista.

O jihadismo moderno é um movimento contemporâneo do movimento de igualdade para as mulheres e profundamente reacionário, sendo que a radical oposição ao feminismo moderno é uma das suas principais motivações.

No Irão, o golpe antiliberal de 1953 contra Mossadegh – organizado em parceria pelo Xá, o clero Xiita e os serviços secretos britânicos – deu origem a uma curta lua-de-mel entre a coroa autoritária e o clero, baseada na repressão da dissidência religiosa (a perseguição dos Bahai e a demolição dos seus templos a que Mossadegh se tinha oposto recomeçou logo a seguir à sua deposição).

Sob pressão norte-americana, nos anos sessenta, o Xá promoveu a ‘revolução branca’ que passava pela reforma agrária (o que incomodava fortemente o clero latifundiário) mas tinha como ponto essencial a liberalização social, nomeadamente a promoção dos direitos da mulher. Foi este o ponto de ebulição que levou o clero a declarar o Xá como herético e a reclamar a sua execução.

  1. Feminismo, radicalismo e jihadismo

Quem tenha um mínimo de compreensão pela dinâmica do que se passa no mundo e algum sentido do equilíbrio não pode deixar de constatar que é no jihadismo que se encontra a principal força reacionária contemporânea que tem como timbre o combate os direitos da mulher e que, em consequência, é nos países muçulmanos que os direitos das mulheres são mais atacados.

Isto não nos pode levar a concluir que o Islão é necessariamente uma religião contra os direitos das mulheres. No Curdistão iraquiano, por exemplo, onde o Islão é a religião dominante, a igualdade de direitos para as mulheres é uma preocupação, sendo que existem movimentos islâmicos que fazem da igualdade de direitos para as mulheres a pedra angular da sua política.

Por outro lado, há que entender o radicalismo como algo natural no movimento feminista, como aliás em qualquer outro movimento cívico. Traçar a fronteira entre o que é normal e o que é excessivo nem sempre é fácil e dependerá também do ponto de vista do observador.

É verdade que, como todo o radicalismo, este pode transformar-se num movimento oposto ao que proclama. Nas sociedades democráticas (Alemanha e Índia, por exemplo) há quem defenda o apartheid de género como forma de defender as mulheres, numa lógica em que os homens são por definição agressores.

Esse radicalismo dá assim cobertura à misoginia jihadista que, justamente, tem no apartheid de género a sua imagem de marca, impondo-a em numerosos domínios, nomeadamente nos transportes públicos.

Para os portugueses da geração do 25 de Abril, como eu, que retêm na memória o fim do apartheid de género educacional como um dos seus principais símbolos, isto deveria ser tão evidente que não precisaria de qualquer explicação, mas tendo em conta as acções, declarações e posicionamentos de muitos dos que se reclamam de ‘esquerda’ (e isto vai para lá do Bloco de Esquerda) é essencial recordá-lo.

Aqui, é também importante ter em conta outra característica essencial do Jihadismo (esta baseada na tradição clerical e especialmente refinada entre o clero xiita) que é o princípio da dissimulação, do discurso duplo, da efabulação ou da pura mentira.

Tal como quando da invasão do Iraque, em que a teocracia foi capaz simultaneamente de a provocar e de a denunciar como consequência do pérfido imperialismo americano, também com o feminismo os jihadistas são capazes de fazer longas prédicas a explicar que o que defendem apenas tem como objectivo defender as mulheres, ao mesmo tempo que tudo fazem para as reduzir a uma condição inferior.

Para finalizar, temos que ter em conta a ingenuidade, ou mesmo angelismo, dominante nas nossas sociedades democráticas, e que explica como é possível que um movimento que mobilizou muitos milhões de norte americanas (como eu pude constatar, fundamentalmente oriundas da classe média instruída de origem anglo-saxónica), a marcha das mulheres, fosse dirigido por Linda Sarsour, uma das principais dirigentes no Ocidente do movimento jihadista moderno.

O que nos mostra a história é que, contrariamente ao que nos querem fazer crer, o nazismo impôs-se mais por força dos que o que o queriam apaziguar do que pela fé dos seus partidários; por outras palavras, a ingenuidade fantasiosa foi mais importante do que o fanatismo na materialização da ameaça nazi.

  1. Da transição saudita ao fascismo pintado de vermelho

A Arábia Saudita é um puro fruto da Jihad, sendo que mesmo o nome do país lhe foi dado pelo chefe tribal que se aliou ao clero fanático para conquistar o poder. Juntando o fanatismo religioso à força do dinheiro do petróleo, foi durante muito tempo o coração do reacionarismo mundial.

E isso foi assim até que essa posição começou a ser-lhe disputada pela nova geração jihadista, mais radical que a anterior, que considerou inaceitáveis as concessões da coroa saudita à modernidade.

A Arábia Saudita, ao longo de décadas, foi procurando responder ao desafio do jihadismo moderno com um misto de apaziguamento – cedendo às reivindicações do clero, financiando-as principescamente, apoiando o seu proselitismo e a sua doutrinação fanática – ou rivalizando com ele em fanatismo. Falhou em toda a linha!

A Arábia Saudita desenvolveu-se como uma monarquia feudal com mais de três dezenas de clãs reconhecidos oficialmente (na verdade mais de mil, como me confidenciou um príncipe dissidente que viria a exilar-se e depois a desaparecer) em que a intriga e a disputa interna feita por todos os meios, incluindo o financiamento do jihadismo terrorista, foram a norma.

Com o actual príncipe regente, Mohammed bin Salman (MBS), passámos da monarquia feudal à absoluta. Meteu na prisão ou fez desaparecer todos os que se atreveram a enfrentá-lo; contrariamente aos seus antecessores, não respeitou sequer nenhum poder feudal. Ao mesmo tempo anunciou um conjunto de reformas destinadas a cercear o poder do clero e a sua doutrina jihadista, nomeadamente distanciando-se do racismo anti-Judeu e abolindo as leis mais misóginas do país, como as que estipulam a tutelagem das mulheres ou as que as proíbiam de conduzir.

Enquanto isto, no mundo ocidental, mas em particular nos EUA, e na sequência do movimento nascido da marcha das mulheres a que fizemos referência, aparece um conjunto de protagonistas femininos simbolizado por quatro congressistas democratas (conhecidas por ‘the squad’) que fazem a apologia do racismo antijudeu ou mesmo antibranco (o problema não é a Jihad, é o homem branco, diz uma ex-refugiada da Somália) escondido atrás de um conjunto de propostas de esquerda.

Nestas circunstâncias, é essencial saber distinguir o essencial do acessório e, literalmente, ‘não cair no conto do vigário’.

O jihadismo moderno, em qualquer das suas variantes, seja o da Irmandade Muçulmana do Qatar e da Turquia, seja – muito mais radical e perigoso – o da teocracia iraniana – é o fascismo dos nossos dias.

Por mais maquilhado que ele se apresente com ecologia, igualdade económica, ‘feminismo islamista’, etc. é ele o adversário principal que os verdadeiros antifascistas têm de combater.

Tudo o resto é acessório quando não mesmo ilusório.


 

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O MASSACRE DE PIDJIGUITI

3 de Agosto de 1959. Dá-se o massacre de trabalhadores portuários guineenses num dos cais do porto de Bissau que ficou a ser conhecido pelo Massacre do Pidjiguiti. A história do que aconteceu está por aí publicada em várias versões: desde uma publicada no Expresso e que mete um cão, até uma outra contada na primeira pessoa e que reduz o número de mortos a 16, uma fracção dos 40 a 70 (para além de uma centena de feridos!) que costumam constar das versões nacionalistas tornadas oficiais depois da independência. Pouco importa. O que é coincidente é que todos os nacionalismo africanos que entraram em conflito com o colonialismo português precisaram, por esta altura, de um acontecimento deste género que tivesse servido de estopim para a luta anti-colonial: foi este massacre do Pidjiguiti na Guiné Bissau (1959), havia sido o massacre de Batepá em São Tomé e Príncipe (1953), virá a ser o de Mueda em Moçambique (1960) ou o da Baixa do Cassange em Angola (1961). Foram explorados de forma muito semelhante para efeitos de propaganda: o contexto das reivindicações (normalmente laborais) é deturpado, o papel das organizações dirigentes é retocado, enquanto o número de vítimas é inflacionado.
Mas há um outro aspecto que contrasta com esta deturpação da verdade histórica e que justifica esta evocação simbólica de hoje a um desses massacres: é que não nos podemos esquecer que estes episódios violentos terão sido, mais do que provavelmente, apenas os publicitados de uma longa lista deles, desconhecidos, que forçosamente acompanharam a implantação do regime colonial português nas suas províncias africanas ao longo de muitas décadas. E é em memória de todas essas prepotências desconhecidas que agora ainda faz sentido falarmos do assunto, apesar dos exageros e de tudo o resto.
 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/08/o-massacre-de-pidjiguiti.html

Descolonizar o saber e o poder

“A continuidade da dominação segrega um senso comum capitalista, racista e sexista que serve as forças de direita, até porque é reproduzido incessantemente por grande parte da opinião publicada e pelas redes sociais”, escreve o sociólogo Boaventura de Sousa Santos


Os conflitos sociais têm ritmos e intensidades que variam consoante as conjunturas. Muitas vezes acirram-se para atingir objectivos que permanecem ocultos ou implícitos nos debates que suscitam. Num período pré-eleitoral em que as opções políticas sejam de espectro limitado os conflitos estruturais são o modo de dramatizar o indramatizável.

Os conflitos estruturais do nosso tempo decorrem da articulação desigual e combinada dos três modos principais de desigualdade estrutural nas sociedades modernas. São eles, capitalismo, colonialismo e patriarcado, ou mais precisamente, hetero-patriarcado. Esta caracterização surpreenderá aqueles que pensam que o colonialismo é coisa de passado, tendo terminado com os processos de independência. Realmente, o que terminou foi uma forma específica de colonialismo — o colonialismo histórico com ocupação territorial estrangeira. Mas o colonialismo continuou até aos nossos dias sob muitas outras formas, entre elas, o neocolonialismo, as guerras imperiais, o racismo, a xenofobia, a islamofobia, etc. Todas estas formas têm em comum implicarem a degradação humana de quem é vítima da dominação colonial. A diferença principal entre os três modos de dominação é que, enquanto o capitalismo pressupõe a igualdade abstracta de todos os seres humanos, o colonialismo e o patriarcado pressupõem que as vítimas deles são seres sem plena dignidade humana, seres sub-humanos. Estes três modos de dominação têm actuado sempre de modo articulado ao longo dos últimos cinco séculos e as variações são tão significativas quanto a permanência subjacente. A razão fundante da articulação é que o trabalho livre entre seres humanos iguais, pressuposto pelo capitalismo, não pode garantir a sobrevivência deste sem a existência paralela de trabalho análogo ao trabalho escravo, trabalho socialmente desvalorizado e mesmo não pago. Para serem socialmente aceitáveis, estes tipos de trabalho têm de ser socialmente vistos como sendo produzidos por seres humanos desqualificados. Essa desqualificação é fornecida pelo colonialismo e patriarcado. Esta articulação faz com que as pessoas que acham desejável a desigualdade social do capitalismo tendam a desejar também a continuação do colonialismo e do patriarcado, e sejam, por isso, racistas e sexistas, mesmo que jurem não sê-lo. Esta é a verdadeira natureza dos grupos políticos de direita e de extrema direita. Se, numa dada conjuntura, as preferências racistas e sexistas vêm ao de cima é quase sempre para expressarem a oposição ao governo do dia, sobretudo quando este é menos pró-capitalista que o desejado por tais grupos.

O drama do nosso tempo é que, enquanto os três modos de dominação moderna actuam articuladamente, a resistência contra eles é fragmentada. Muitos movimentos anticapitalistas têm sido muitas vezes racistas e sexistas, movimentos anti-racistas têm sido frequentemente pró-capitalistas e sexistas e movimentos feministas têm sido muitas vezes pró-capitalistas e racistas. Enquanto a dominação agir articuladamente e a resistência a ela agir fragmentadamente, dificilmente deixaremos de viver em sociedades capitalistas, colonialistas e homofóbicas-patriarcais. Talvez, por isso, e como se tem visto ultimamente, aos jovens de muitos países seja hoje mais fácil imaginar o fim do mundo (pelo agravamento da crise ambiental) do que o fim do capitalismo. A assimetria entre a dominação articulada e a resistência fragmentada é a razão última da tendência das forças de esquerda para se dividirem em guetos sectários e das forças de direita para se promiscuirem em amálgamas ideológicas na mesma cama do poder.

A continuidade da dominação segrega um senso comum capitalista, racista e sexista que serve as forças de direita, até porque é reproduzido incessantemente por grande parte da opinião publicada e pelas redes sociais. Porque age na corrente, a direita pode dar-se ao luxo de ser indolente e transmitir a ideia de “estar ao corrente” e, quando tal não funciona, acciona a sua asa de extrema direita (tão presa ao seu tronco quanto a asa de direita moderada) para dramatizar o discurso e provocar novas divisões nas esquerdas, sobretudo se estas ocupam o poder de governo e estamos em período pré-eleitoral e a ausência de alternativas credíveis salta aos olhos. Pelo contrário, as forças de esquerda estão sempre à beira do abismo da fragmentação por terem sido treinadas no mundo eurocêntrico para desconhecer ou descartar as articulações entre os três modos de dominação. As dificuldades são ainda maiores por terem de agir contra a corrente do senso comum reacionário. Identifico duas tarefas urgentes para superar tais dificuldades. A primeira é de curto prazo e tem um nome: pragmatismo. Se a agressividade do pensamento reacionário, explicitamente racista e encobertamente hiper-capitalista e patriarcal, é a que se observa e ocorre num país cujos cidadãos ainda há cinquenta anos eram vítimas de racismo por toda a Europa dita desenvolvida e antes disso tinham sido ostracizados como brancos escuros — ou portygyes nas Caraíbas, Hawaii e EUA — se tudo isto ocorre num país cujo poder de governo é ocupado por forças de esquerda, é fácil imaginar o que será quando voltarmos (se voltarmos) a ser governados pela direita. O entendimento entre as forças de esquerda tem contra si forças imensas, nacionais e internacionais: capitalismo financeiro global, privatarias público-privadas, Comissão Europeia, Embaixadas norte-americana e de muitos países europeus, agências da sociedade civil supostamente promotoras da democracia, Igrejas conservadoras, a razão indolente da direita infiltrada há muito no PS português contra a militância corajosa do último Mário Soares, a razão indolente do sectarismo de pequenos grupos de esquerda radical que têm sempre os dois pés no mesmo sítio para acreditarem que são firmes em vez de estáticos. Mas o que está em jogo é muito e o pragmatismo impõe-se. Quando a direita começa a defender transportes públicos e saúde pública, a esquerda no governo deve lembrar-se do que está a esquecer. A resposta à extrema-direita racista tem de ser tanto política como jurídica e judicial. Defendo há muito que as lutas jurídicas contra o senso comum reacionário só devem ocorrer depois de tais lutas terem adquirido forte densidade política. É, pois, imprudente determinar em abstracto a validade da via jurídico-judicial ou da via política.

A segunda tarefa é de longo prazo e consiste em descolonizar o saber científico e popular e o poder, tanto social como cultural e político. Esta tarefa é particularmente difícil em Portugal por duas razões. Em primeiro lugar, a última fase da descolonização do colonialismo português ocorreu há muito pouco tempo (1961-1975). As feridas coloniais estão ainda tão abertas e fundas que, tal como as crateras produzidas pela mineração a céu aberto, parecem parte integrante da paisagem. O longo ciclo colonial está inscrito na carne do país até ao mais íntimo tutano. Um país com tanta falsa esperança histórica sente-se agora dominado por tanto falso medo de ser menos europeu que a Europa desenvolvida que sempre recolonizou o colonialismo português para maior benefício dela. Por sua vez, os países que nasceram da luta anticolonial contra Portugal tiveram o privilégio de sofrer o menor ónus neocolonial. Todos sem excepção se afirmaram orgulhosamente socialistas e não apenas independentes. Foram, porém, rapidamente postos na ordem pelo capitalismo financeiro global. Sucederam-se lideranças que querem esquecer a violência e rapina colonialistas para melhor ocultarem a violência e a rapina que elas próprias vão exercendo contra as suas populações.

A segunda decorre do facto de os processos de independência terem ocorrido como uma dupla revolução: nas então colónias, a revolução da independência, e em Portugal, a revolução da democracia do 25 de Abril de 1974. Os mesmos militares, que sustentaram o regime colonial no seu último período, participaram na guerra dita de pacificação e certamente cometeram as atrocidades correspondentes, são também os heróis de que muito nos orgulhamos por terem aberto o caminho às independências sem peias neocoloniais e pela democracia que nos devolveram em Portugal. Passará ainda algum tempo para que as feridas se exponham, e assim possam ser eficazmente curadas.


por Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo. Director Emérito do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra |  Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/descolonizar-o-saber-e-o-poder/

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